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LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1892 . S. L. ADOLPHO COELHO S.SOCIEDADE DE GEOGRAPHÍA DE LISBOA os CIGANOS DE CA)M UM ESTUDO SOBRE O GALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO no CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F. G.

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os CIGANOS DE PORTUGAL COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO .

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LISBOA IMPRENSA NACIONAL 189? . L. S. Q.SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA OS CIGANOS DE COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO DO CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F- ADOLPHO COELHO S.

que fue cuntra nuz. de las selvas. La Jitanilla. de los sembrados. Vicente.Por Nuestra ventura. de las fuentes y de los rios . tierraz estranaz nuz tiene perdidaz. cios por dorados techos j suntuosos paláestimamos estas baiTacas y movibles ranchos Cerrantea. . . . somos senores de los campos. . G. . de los montes. Farça das Ciganas. 1155349 .

AO SENHOR a--A-ST03sr F-A-nis .

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como critico a aprecie no pouco que ella ella vale. nas horas de desalento. Tinha eu. até o mais próximo.Adoljpho Coelho. mas como amigo a considere só pelo que quer significar. apro- veito-a. vieram as suas palavras aífectuosas insuflar-me o animo que pois. razão sobeja me fallecia. Lisboa. para honrar a pagina de dedicatória de o seu um livro meu com nome illustre e venerado. 1 de setembro de 1892. que não se paga. F. o que eu destinava a esse ventura menos mas obra de mais fôlego e por imperfeita. a incerteza do futuro.Meu querido amigo: Encontrei muitas e valiosissimas lições e direcção para os meus estudos em todos os seus escriptos. não para pagar a divida. tiram-me a segurança da per- spectiva de levar a cabo os trabalhos a que tenho consa- grado mais tempo e mais sacrifícios. Todavia as circumstancias dolorosas da minha pátria. e mais de uma vez. mas para provar que a tinha bem presente no meu espirito. Não era este volume de modestissimas aspirações preito. Agora que se me offerece ensejo de lhe enviar uma ex- pressão publica do meu respeito e reconhecimento. resultado previsto de causas contra as quaes combato ha mais de vinte annos. pedindo-lhe que. .

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Divido o trabalho em três partes : I. 1880 ces. III. com o auxilio de amigos seus .o de uma presente trabalho é o desenvolvimento e complemento curta noticia que ministrei aos redactores de Con- gros International d'anthropologie et d'archéologie préhistoT^ queSy Comjpte rendu de la neuvième session à Lishonne. que a pedido meu investigou a lingua e a ethnographia dos ciganos do Alemtejo. A. Thomaz Pires. A O II. de pag. já directamente. dizer que este trabalho teve por ponto de Cumpre-me partida materiaes reunidos pelo intelligente e infatigável folk-lorista de Elvas. Typographie de FAcadémie Royale des Scienque elles quizeram dar-me a honra de inserir nesse zir numa tiragem volume. 8. 1884. e fazer reproduá parte de ÕO exemplares. um contendo documentos.) e (Lisbonne. 667 a 681. já alemtejanos.° gr. Historia e esboço ethnographico dos ciganos de Portugal com dois appendices. Mngua dos ciganos de Portugal. o sr. calão ou gíria portuguesa e suas relações com a língua dos ciganos. outro sobre os ciganos do Brasil.

que lhe ministrou os elementos da lingua. José Leite de Vasconcellos. como provam Pires . . I (1887). um Um dos ciganos.Revista Lusitana. algumas formas não são dadas em ar- tigos especiaes. O sr. artigos que as variantes. Com os novos subsidios. disse que elle e a sua gente eram originários dos arredores de Lisboa. os factos novos que me deu a conhecer o sr. sr. suppoz a existência de um dialecto particular nesses ciganos que se diziam da Extremadura. existe também no Alemtejo. co- lhido tudo da boca de um cigano pelo sr. notada pelo Leite de Vasconcellos. Francisco Lobão Rasquilha. no concelho de Elvas. Leite de Vasconcellos poude auxiliar-se do meu artigo. naquelle mesmo anno. baseado sobre alguns palavras que aquelle investigador todo uns 250 termos. contendo ao mas phrases novas Depois d'aquella publicação o sr. As differenças notadas existem. publicado na sua Revista. lavrador dafreguezia de Santa Eulália. em parte pelo menos. o vocabulário apresenta agora cerca do dobro dos termos ou formas differentes que tinha naquella publicação . que as distingue das recebidas do Alemtejo. mas nos mesmos Leite de Vasconcellos levam a abreviatura —Vasc. nova revisão dos vocabulários gitanos á minha disposição permittiram diversas correcções nos textos e vocabulário. Pires enviou-me algue uma nova coUecção de termos. pag. 3 a 20 publiquei um primeiro ensaio sobre a lingua dos ciganos do Alemcurtos textos e uma lista de tejo. Na me enviara. teve occasião de estudar grupo de ciganos que encontrou no Cadava] (Extremadura). também entre os ciganos do Alemtejo. De outro lado o redactor da Revista Lusitana. sr. e como notou algumas differenças entre os dados alli reunidos e os que elle colheu. e enviou-me o resula lingua de tado d'esse estudo. Os termos ou formas novas colhidas na Extremadura pelo sr. em que supprimi também alguns artigos ou por muito duvidosos ou por inúteis. O confronto dos novos materiaes com os anteriores. assim a forma romano.

tusa. todos os caracteres intrinsecos do que reuniram. sonsidelar. O sr. Thomaz A Pires e seus collaboradores. peti. llaque. patê. pandelar. que um cigano a quem perguntou o que era lua na sua lingua. que na introdos seus Zigeuner se occupou das girias em geral. olíbás. a perfeita seriedade do sr. mol. ducção do vol. gustipehi.A investigação do sr. Leite de Vasconcellos: abillar. Pires conta. pallilli (paquilli)^ quer. Leite de Vasconcellos confirmou pela maior parte os dados do vocabulário publicado na Rtvista Lusitaiia: ao cigano por elle explorado só eram desconhecidos os seguintes termos d'aquelle vocabulário: hocunchas (mas conhecia a forma boque). por exemplo. chor. millenj miquelar. llen. (mas conhecia ustilar). chuhelarj c}iorÍ7né. churon. parnau (mas conhecia parnê). incluindo os erros que revelam a novi- dade do assumpto para perfeita authenticidade elles. Se nalguns raríssimos casos houve burla. Em verdade o assumpto tomou aqui maiores di- mensões do que era meu intuito primitivo dar-lhe e ainda assim deixei de inserir muitos factos que determinei. cratiá. pato. rebrandihi. romano. comhisarar. Se mais fosse preciso para me justificar. que aliás significa toucinho. provam-me á evidencia a dos textos e do vocabulário. chasaVj chupe%o. olipandó. reconhecida competência do sr. . chiquel (mas conhecia a forma chuqael). Alguns desses termos soltar. ii lembraria o exemplo de Pott. tardimen. Leite de Vasconcellos como dialectologo. raisaro. foro. As relações entre o tsigano e as girias justifica a adjuncção a este trabalho da parte II. erná^ gajon^ gorhelar. culrró^ dicaní. (mas conhecia a forma sohar). taripenas (cfr. essa partiu dos ciganos. sorhar que é connexo com gano europeu. satalla (mas ministrou o termo asitasatalla)^ somhrimé. estanão são do fundo tsiríberi)y trupo. jucalorro. najar. patarró. lluna. istitelar grupo. Das formas e vocábulos novos recebidos ultimamente do Alemtejo vinham os seguintes na lista do sr. papires. tarihé (mas conhecia a forma estariben). lhe respondeu que era balebá.

as migrações. creio. O fim principal d' este estudo é ministrar á sciencia os o dados essenciaes de que ella carecia para completar com conhecimento dos ciganos de Portugal o dos outros grupos irmãos. Os problemas geraes com relativos aos tsiganos (designo assim.Os ciados do esboço ethnographico dos ciganos sr. já mais ou menos estudados. que esse mesmo estudo se liga ás minhas investigações geraes sobre as linguas mixtas. pois eu sigo simplesmente a direcção em que locam os espirites phantasistas e que é a que pre- valecerá naturalmente na sciencia. e sobre os problemas da ethnologia geral. e de porque poderia dar apenas a minha opinião resolver aquelles modo algum materiaes novos para problemas. de que os dialectos tsiganos são tão frisantes exemplos. que até foram sempre escassos no que respeita aos ciganos em geral. Julguei dever encerrar-me em muito modestos limites. mas faltando-me o tempo para essas investigações. que se Pires. os ciganos portugueses e todos os grupos parentes dos outros paizes) têem sido objecto de consideráveis trabalhos. as formas primitivas das relações internacionaes. duvida mais largas investigações nos archivos e nos escriptores permittiriam alargar essa terceira parte. todavia. ganos e acerca da lingua d'elles nem palavra em os nossos escriptores. virgem. pois apenas aqui e alli se encontrava alguma rara e accidental noticia dos nossos ciera. a Thomaz acha na parte III provêem principalmente do quem devo também o traslado dos documentos que descobriu no Archivo da Sem Gamara municipal de Elvas. outros investigadores. a que envio o leitor desejoso de se informar.se-me que ponha em relevo. que os ciganos de Portugal devem ser considerados como um simples ramo . taes como a persistência dos caracteres ethnicos. e essa mesma menos opinião não ofFereceria nada de se col- novo. exprimo o desejo que outrem as faça. Permitta. problemas para cuja solução a tsiganologia ministra dados importantes. O assumpto por assim dizer. O presente trabalho demonstra.

32. Guido Cora. porque se quizesse penetrar nas fontes remotas do cigano e do gitano pouco mais com poderia fazer que repetir o que escreveram aquelles investigadores celebres. as seguintes publicações. 34. x (1879). em que. Paul Bataíllard. por isso limitei-me. 110-115. acham em A. pag. Adriano Colocci. cujos titulos se Pischel. Die Zigeuner in Das Ausland. 1889. como nas d'esses glottologos. Pott Colocci. n. Ascoli e Miklosich. em geral.'^ 303. 33. . n. Gli Zingari. Diversas memorias. para os quaes me A cujos titules transcrevo mais abaixo. além dos trabalhos de Pott. 611-618. a comparar o cigano o gitano. 36. Jahrgang 63 (1890). Pott. II (1885). Gipsies in The Encylopaedia hri- nenhuma em tannica^ vol. se acham abun- dantíssimas indicações bibliographicas. Groome. ora a língua d' estes foi objecto de diversas publicações. Storia âfun popolo errante. dos principaes glottologos que se occuparam da lingua tsigana. quem queira instruir-se sobre os tsiganos em geral indicarei. Ascoli e Miklosich. sem ir mais longe. Turin. que não haveria utilidade repetir aqui: Origin of Gypsies in Edimhurgh Review. pag. Die Heimat der Zigeuner in Deutsche Rundschau 1883. Sept.°^ 31. in Internationale Zeitschriftfur aUgemeine Sprach- loissenschaft. conhecidas. pp. e esse pouco exigiria longos estudos faltam o tempo e os indispensáveis meios. 353-375..dos gitanos de Hispanha. Francis H.

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8. eh 1 no Sul. El jambo se camela rumandinar. . O homem que quer casar-se. Por Por la tasara di calicó la tardimen. gajon Repara que o gajo olhando. agarra-o. está diquela. Sigo a disposição usual nos vocabulários portugueses. Para comer se tem^fome. Não lhe peças. Um cordão de oiro. Moedas de oiro. ainda que influenciado pelo português. Represento todavia por x o som do port. ustitelalo. 7. Manguinela Ustilela ai el jambo. 5. Ai chai! O tu! (?) 2. ! Olha esse estranho. Sonsidela qu'el Repara que te olha. Pela tarde.A LINGUADOS CIGANOS* a) Textos 1. 6. jambo. Para j alar Parnés de sanacay. 11. Mira ese paio. 3. 9. Gorobon de sanacay. Pede ao homem. Mira que 10. 12. ter ela boque. emprego a orthographia hispanhola. 13. Bate-lhe. Como a base principal da lingua dos ciganos de Portugal é o hispanhol. CurrelalO. 4. te dica. Non li pineles. Pela manhã.

Já venho. S'está chibando airún. Ni dicalo. 17. 24. Miquela que lo ba ajusti sarar. 26. Miquelame sorbar. 15. Plasarela el lampio. 23. Estás 29. 27. Apaga a candeia. Te amarelo con churí. Foi-se embora. beber em todas as panís. Deixa que o vá ajustar. Mataram -no num forca. Estou zangado. 36. Aplasarelate. 31. pelo cur- 30. 25. noite.8 14. Non pmeles eso. Meio Meia dia. 16. Médio Media chibe. 37. de manguinar te camela didi- Escusas de pedir que não te quer dar {ou que não te dá). Estoy acharán. Lo maráron en un castí. late. Por el machingamó. Não una digas isso. Non le camelo. Manguinela que non é Dize-lhe que não é roubada. palonó ren ustabar. E de dia. 19. (?) 20. 32. Não o quero. Allá chalo.te com uma faca. 22. 21. poste. arachí. Pode pillar en todas las Pode aguas. Manguiiiela ó labraoresa {ou laboroçal) que te dinele. Es di chibe. Miquela que m'istitelan. na 28. Si chaló. Pede ao lavrador que te dê. vê-lo. Ya chaso. Estás bêbado. me quie- Querem-me roubar ral. (?) pirabada. Lá vou. 34. 33. Nem Deixa-me que me apanham. nar (ou que non te . Está-se abanando (á lettra: está-se deitando ar). 18. abaixare- Abaixa-te. Escusas que non nela). Mato. 35. Deixa-me dormir.

homem! Toma a espingarda e mata esse ho- jambo que bamos a ni- mem O que vamos roubar- cobar los parnés. a ber s'el jambo o porta está aberta. Entrun callí á una dos camallí diclés. Da nora se tira a agua. La dicaní está abertisa- A ra. a ver nos diquela. Chasa. El sacramento Otibé sea el Ihe o dinheiro. sacramento de Deus ve- que benga en mi el nha Ai! o em meu auxilio. con 46. bea! 42. 45. e os jambos homens atrás d'ella corre- 1 Exclamação por occasião das trovoadas. Deus ! Otibé!* el 43. Ay! sacramiento Oti- sacramento de Deus bé que nos bá marar! Mira lo que querela {sic). que nos vae matar! Olha o que fazes. a ber se lo se o podemos roubar. 39. a quem me encommendarei eu? yo? 40. y y ustiló los Entrou a cigana numa loja e roubou dois lenços. Te bas alijerar tanto qui á luego los jambos nos ban a ustilar Vaes abarcando tanto que os homens vão-nos tirar com o vulto do que abarcas. . 41. Que carregado está o dia que não podem andar os cães. a ver se homem nos olha. Ai! mi patarró maró. manii! Ustila la pucf y amarila este Anda. a Ai! quien me combisararé meu pae morreu. Mecles! les Non chingarelos Alto ! Não ralhes mais com mas con ga- os collegas! chés. Del posonó si chicubela la paní. 47. Que chorró está chibe que non pueden andar los chiqueles! 44. podemos la ustabar.9 38. el grupo di lo que ligarelas.

Terela bute pamés. no texto a traducçâo d'esse adverbio cigano. te te que non nar. está brosa. — Vê se te dá. te camela di- Escusas de pedir que não quer dar. Bamos junar Otebel canguerí ? la Vamos Vamos fallar. Tusa chalelas. 49. 58. querela baguin. Bamos? Nanais. 56. tene- 57. 51. Amanga non palé suete. pois. Bamos pirabala. No molachí. 60. Vamos violentá-la (futuere). Escusas de manguiiiar 48. 62. (é tarde). Eu não tenho. Guillemos aracarar. ouvir missa? 61.10 detrá si la chalaban y ram ram. non es ma- Dize-lhe que não és roubada. ou que non te 50. raran). 54. los jambos trás d'ala Tu sabes. e tiraram-lhe os dois Tustilaran las dos di- lenços e á cadeia a leva- á la taripenas la chibaran (ou la ligaclés . deixas-te (ficas)? 52. ou que não dá. os estranhos ciganos) atrás * (os não de de da gente (correm). 55. que que Vamos (roubar)? — está naracliicliunga. Vem. 65. (Diz-se de um cobarde ?) 59. 64. Passa de meio dia 1 Esta phrase trazia a traducçâo : olha que correm atrás de ti . Tu billelas ou te maque- Vens ou las? 53. muito dinheiro. Abillela ó coi. mas ahillelar significa vir. Contaram-m'o a mim. Pinelale que ladé. Non Não faça caso. terelo. Be se te dinela. Me lo pinaran a mangue. Tem Tem alguma coisa. a noite feia. Pasa médio chibe. apalé detrás. Terela alguna guchí. poz-se. Vem cá. . Não. dinela. 63. Abillela.

Castigai-ta de sus manos ^. A noche estube en chique . en . Aora serrana me beo. porque as noites são penosas. sol. las Como carnes'eres si Fevereiro. 1 Em (tua) casa. Ferbruno.11 66. Eueruuo. me diiiaste Hermosisimo chupeiio^ Y yo te he dicho trinca el ^. 69. Como queres que leiteiro. nem em 74. Se tu agua (chuva) fora deitas (?) nos teus tus mulés ni el me jinelo mortos me ca . Catro cales el arate. Qu'estabas con 71. 73. Posta dei can. o cão á rua pode sair teus dias. bato Qu'el arachí nos beremos 72. chuquel á la oricha puede sicabar en tus chibes. 70. se q'ustabele roube se és um un lecheruno. Plajo para las naclés. as ustabar. para pirabar-te Pé^ non ha pódio sé. Se tu paní fu- rata chicubelas. . e eu disse-te Texto evidentemente incorrecto. desvia * o pae bellissimo beijo por quatro quartos que nos veremos á noite. Irmã. Ron de mi piar. 68. Janeiro. Piar la cliaborilla. . miquelas non não deixas roubar. Dama. Cunhado de (á letra: marido meu * irmão ou irmã). 67. Por no haberle dinau el mando. 2 3 Fero. Pôr do Rapé. Deste-me (?) um .

Marso. 77. mulher me durmo. Como camelas.Junho. Los sega. Vem com as favas no habuncbas en mandil. Os segadores vão a brunchos ban a seguisegar e os ciganos vão^desarar y los cales ban trás e furtam os burros di trás. com o frio. y nicobelan quando dormindo s' estão. ço. Com as éguas pões a pones a hacer muUa. e saem os ciganos e as roubam? que e . las sar? Abela con el Abril. que yo baya a randaiv se tus panís son muchas. Maio. desamarrar as bestas. Como queres. roubal-as pude.12 porque las . sabendo acaban mulla. sabiendo que la fazer a debulha. randalas he podido. Março. y salen los cales e se las nicobelan? acabam a debulha. mandiluncho. 79. os ribeiros estão de trás. Nas saias de minha de mi romi mi sorbelo. los cando sor- bando s'están. arachís las patís mãos não me deixam. Marse as Marso. j yo non que vá roubar. y chuga. puedo los dos bar posso duas éguas. Abriluncho. grafíís la Como las Julho. guós. dei hir. 75. y ora el pasisarar ? 76. En las fardisaras Maio. e agora pas- raisaros estan di trás. son penosas non mi miquelon. 78. tuas aguas são muitas e eu não posso passar? Se rou- puedo colisarar ? Se ustabar granis. Junioluncho. desamarisar las petís. Julíuncho.

randar. Outubro. chubelo. eu pão lhe dou. Agustimcho. y los cales le nicobelan las ernás. pa los chaborrillos poder jalar. Como mulas em os sendo o rio deixas as curraes. Octubruncho. adormeceu já. saímos a roubar. y te las nicoba. pa benir bon tempisaro. el mez mais mesuncho más contrariuncho de siendo los dos roubos ? Deixaste- las roubar. comer. queles ladrisarelan. solto se Agosto. Na horta está o ya . Setembruncho. Decembruncho. me yo ladrisare- hortelão. biene un calo no e t'as rouba. os cães me ladram. para vir os filhos bom tempo. miquelas las chorís Como Setembro. suncho de chas. Janeiro vem. Eneruno de abela. ya le chicubelo dos petís que bariás son ya. contra- en los palonolarés. vem um ciga- gustipenís? Dejastelas choriar. bam 83. Está o pastor na sua choça. las bocun- Andam monte poder ciganos de para Andan los cales em e monte montuncho en montuncho para poder jalar. 84.13 80. e os cães la- y chu- dram e os ciganos lhe rouas burras. Bíovembruncho ? Novembro ? Dezembro. 81. Está los lo pastorchuncho en su chosimé. já lhe furto duas manró le bestas que grandes são já. El me- O mez os das fomes. En la huertisara sina el julay. los chu- queles lan. para y sicabamos a poderem comer. . 82.

tumbres de los gitanos. ou ainda as formas mixtas hispano-portuguesas. vol. pp. 1853. Coritiene Origen y cosmas de 4:500 vocês. Cruzillo. Essa parte comparativa seria talvez mais completa se eu tivesse á minha disposição as obras seguintes : R. 1843. 1846. The Zincali. Milano. segundo Pott. Bohémiens). de Rochas. usos y costumbres de los gitanos^ y diccionario de su dialecto. Origen.^ edicion. 2. ainda quando são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas. D. de C. que seguem as definições. Madrid. Sevilla. 1844. con cerca de 3:000 palabras. 2 vol. abaixo citada: Hudson.14 h) Vocabulário Incluo neste vocabulário todos os termos próprios da lingua dos ciganos. dei dialecto gitano. E.^ ed. Vocabulary oftheir language. V. excluindo ou o que é sim- plesmente hispanhol ou português. 1846. ii. Diccionario Barcelona. 1851. A. or an account of the Gyjpsies ofSpain. (Contém palavras do dialecto dos gitanos do norte de Hispanha. sem suffixo novo. já disse. *3-*119. Madrid. 1. limito as minhas como comparações. .*'. London.) A seguinte publicação é. ou quando são palavras his- panholas ou portuguesas. Vocabulário dei dialecto gitano. S. Vocabulário dei dialecto gitano. um extracto da de Borrow. Gli Zingari in Spagna. A. 1878. Jimenez. mas com significação própria ao cigano. ao tsigano ou gitano da Hisas notas Em panha. Campuzano. Paris. trabalhos que possuo sobre a lingua e litteratura dos tsiganos da Hispanha são os seguintes: Os George Borrow.^ ed. Les Parias de France et et d^Esjpagne (Cagots 1876. Appendix: The Zincali. 2.

von H. Sevilla. Francisco de Sales May o.« 76-76. vornehmlich ihrer Herkunft und Sprache. Le jpays Basque. Franz Micklosich. V. peq. sa jpo^ulation. muchas frases ilustrativas acepcion propia de las palabras dudosas.° Die Cantes flamencos. 1844-1845. adernas de los significados. Ascoli. 8. et sa musique.« Halle. Os dos dialectos tsiganos trabalhos scientificos de que me sirvo para o estudo em geral são os seguintes : A. sa langue . Sevilla. Schuchardt. F. pp. Francisco Quindalé. Besonders auch ais nachtrag in zu dem Pott'schen werke «Die Zigeuner Europa und Asien». iii. 8. pp. 8. Pott. Halle a/S. unge- G. Paris. Philosophisch- 1 Não esteve á miuha disposição o livro de Balsameda y Gonzalez. l-xii in Denkschriften der kaiserlichen Akademie der Wissenschaften. y un diccionario caló-castellano. 8. Historia. Philologie. recogidos e anotados por Demófilo (António Machado y Alvarez). Andalucia. Novíssima edicion. Madrid. Por D. Cantes flamencosj. Vid. 1881. 1857. Ueher die Mundarten und Wander- ungen der Zigeuner Europa's. 8. de la Colecion de 1870. Zigeunerisches.)* Francisque Michel. ses moeurSj sa littérature. 1881. Halle. Die Zigeuner in Europa und Asien. Vocabulaire p." 144-146. costumbres y dialecto de los gitanos^ por D.° Cap. Con un epítome de gramática gitana. 230-234. sobre esse poeta flamenco F.® (Separatabdruck aus der Zeitschrift fur rom. Cantos populares espanoles. 1865. peq. VII: Les Bohémieíis du pays basque. Ethnographisch-linguistiche Untersuchungen. 2 vol. 8. que contiene. I. Primer cancionero de coplas fiamencas populares segun el estilo de guez Marin. Rodrivol.° Dr.15 El gitanismo. nach gedruckten und druckter Quellen. 1881. primer estúdio filológico publicado hasta el dia. .

Sitzungsberichte der kais. f. Kentniss der Zigeunermundarten. Akad.° phoneticamente. colhida pelo sr. em typo também . Abhandl. 14). Zangado. xc. três primeiras memorias cito abaixarelar. Quemazon. o que se confirma ainda pela forma achardó. Bd. s. a. e justiíica-se 1. acbaráii. n. v. n. Esta derivação : foi-me suggerida porDemóíilo. ja- m. der Wissenschaften. abrasar. abaixisarelar. um participio pret. Calentar. n. sacais. abillelar^ V. xxii. porque acharán por *acharanô é uma forma do part. abillar. ibid. v. Lxxvii. pela troca de gitano e cigano (vid. abril. i-iv. 1. Quemar. acudir. m. 1872 XXV. v. Port. s. chegar. frequente tsigano (Miklosich. pi. Vir. tidos de — de que o hisp. n. Colecíon de cantes fiamencos. pêro disgusto que tiene mas de . 8 segg. Git. Venir. ii. v. To burn. p. jambo). Venir. abertisara. Mayo. — Beifrãge zur ss. tormento.16 historische Classe. v. XXX. Lxxxiii. abaixar. XXXI. acais. Abaixar. f. em facto. aberta. Bd. e hisp. Olhos. To come. abillelar. abriluiicho. h Q j em Leite de Vasconcellos. aEstar si- acharado^ diz Demófilo. abalar. jacharar^ v. frequente em tsigano (Miklosich. adj. Git. Port. Abaixar. entre outros. Mayo. Wien. Vid. 43. e adj. 2. e que é c?o. a. pret. Aberta. abaixisarelar. Mayo. XXVII. vid pinodó) 3. Port. n. es otro modismo andaluz que gnifica estar con disgusto.° morphologicamente. Borrow. quemar se tem os senqueimar-se. XXVI. s. chare. ahillar. xxr. Uegar.Vir. Vid. escaldar. xxiii. Wien. impacientar-se. Git.^ p. Borrow. Mayo. abillelar. Abril. a. agastar-se. Borrow. s. Das a paginação da separata.^ semanticamente pelo . das outras a paginação do corpo dos Denkschriften. Vasc.

aparelho ou hisp. aracaná. mangue. v. Francisco Quindaló. aparador. aparejo associado unicamente pelo som. s. pi. alsiplesis. Sem ser presentido. m. Guarda. a. f. amarelar. azia.VASC). giria. Mayo. adv. pi. la palabra acharão. plasarar. s. Vasc. tura de port. Abaixar? Git. giria. v. s. aracate. ' Mayo. p. Moinho. 2. Laranja. ancian. patusco. e hisp. Guarda. v. m. Vasc. Git. pron. nos?). nos (en general). pron. satisfazer. Borrow. Qçii. T. Zangado. Agosto. s. osian. Hisp. nosotras. s. apatuscos. Vid. agosto. s. cotistá. Alforja. Vasc. m. aplasarelar. giria. s. Vid. aire. andantes.17 pena concentrada que de ira. Git. T. infra calão ancia. (Nós. Schuchardt. Vid. Vasc. v. Detrás. Este verbo se emplea mucho en Andalucia en sentido de incomodarse. a. Borrow. Borrow. s. 12. s. jacharar. s. a. airesunchoj airun. m. ajustar. Mayo. adv. amanga. aunque no lo bailamos en el diccionario de D. Hisp. pi. Matar. s. v. Aparelhos de montar. amangue. T. s. Acena. Mayo. s. s. Ar. m. Demóíilo correlaciona-o com git. achardój adj. f. pess. m. Meias. Port. v. Detrás. agostuncho. . e hisp. m. Nosotros. anela. marar. acharán. acharado. Mill. es el participio dei verbo achararse que parece calo. Cão. gollás. s. Mis- com ^ovi. f. Git. m. asiá. policia. manrona. Agua. m. Vid. Ajustar. a. s. Borrow. Eu. ajustisarar. Ar. f. adv. pi. f. acotistamente. BoRROW. Vid. agullá. Behind. Git. aparador. Pagar. a. Bags (for bread). Vasc. pess. molino. s. Guard. apalé. achochinar. pi. ligarar. Hisp. recompensar. a. andar. ajpald. Vid. Louvar. m. manronas. T. almarronas. Alforges. jaracaliales. Mayo. Vid. Port. (amangues. Mayo. s. Vasc. Pagar. enojarse. disgustarse». Casas dos botões. e hisp. aire. alijerar. Port. giria.

Cavalleiro. araquerar. m. balicbil. na. s. m. Mayo. Git. Noite. s. Mayo. Vid. balunes. bigode. arai. arachí. Azeitona. s. Fallar. v. Gentleman. adv. B baguim. m. Mayo. Guards. balabá. m. (balbá. carabi- neros. pi. Mayo. . s. s. To speek. Vasc). Pelo. Toucinho. puerco. De noche. Azinheiro. mensi^ort. a. Vasc). Git. pi. Vid. balul. atencion. Cf. Vid. ascuuo. BORROW. balunes. arhol^ aròoledo. s. m. m. f. senalar. Abysmo? (Asco. knight.18 s. pi. haliché. nojo. f. aracarar. Git. arvore. Sangue. arate. bancuncho. arvoredo. Git. Git. baluné. balabá.) s. talk. Mayo. Calças. f. atracaj^j s. Eespeto. s. Calson Borro w. Porco. Git. s. s. Sangre. Mayo. Vasg. m. s. Vid. s. m. Git. e hisp. balebá. Arvore. (balulas. Hablar. arboléo. arachí. consideração). e hisp. s. araquerar. balichó. s. Git. s. Git. m. Mayo. s. m. Hog. aracM. s. ofíicers of the revenue. s. arate. m. halelá. asitalluna. Borrow. s. pi. Cerdo. araquerar. s. Git. bato 2. f. Vasc. m. m. s. aricanás. BoRROW. row. BoRROW. v. m. (balichó. Hair. Mayo. por la noche. balunés. balules. truacion. v. Vasc. pi. proclamar. Vasc). Guardas. archí. Noite. Cabello. traquia. Los bales dei mui. Bor- ROW. Tocino. Banco. m. Vasc. hal. s. f. corto. Hisp. Last night. Port. call. satalla. f. Vid. Marrano. Uva. Vasc. bale. eray^ m. Borrow. s. m. s. m. s. Uva. s. f. Pantaloons. s. halibá. Botões. banco. asco. Borhale. cabello. s. Mayo. Anoche. Pelo. m. a. m. a. s. Noche. Caso (importância. Vasc Port. hajin. Pantalones. Caballero.

Cobra. Vid. s. Rico. Vasc. s. harhaló. Vender. haréj haró. f. m. f. adj. s. f. Haba. s. Huerta. The hand. Git. s. T. A com s. BoRROW.. haticho. bata. hoque. Stone. s. vaso. Borrow. har^ sebe. bicha. translação do accento. basiló. bar 2. Git. barco e branquiá. barbaló. f. Borrow. s. Copo. harij. s. bea. cochon. s. m. v. e hisp. hohi. hate^ haste. f. hóhes. f. Ovelha. p. Fr. Madre. bartaSj. Mayo. giria. Vid.19 1. Vid. Borrow. superior. Vender. jardim. Pico. s. blaucaera. bibiora. kitchengarden. Barba. PIorta. Mayo. 144. Mayo. bobe. refl. pi. Pae. a. hinar. f. Port. Git. Mayo. vii. s. Git. blUelar-se. Vid. binar. har. f. m. Abelha. f. dialectos tsiganos hári^ Noutros Jardin. s. s. abeille. Fatlier. grande. Mayo. dida. hlanco. s. Git. barr. pi. Miklosich. p. s. fiierte. Vasc. Mayo. basní. i. s. barbuiia.) [Git. BoRROW. Grande. Habas. f. gallo. Vasc. forma hariás do texto n. m. Gallinha. bato. Port. m. l)aró. v. hastes. bise. Pico. Michel. hedeyo. 2. s. Michel. f. Bise. Fava. Vasc. BoRROW. Cock. bato. Git. bea. s. f. Git. (Justiça. Hisp. . bocunchas. 144. bar. barquí. m. m. v. s. Great. Auxilio. adj. 2. adj. Horta. Fome. barco. s. Gran. s. Pedra. s. To sell. hato. Mão. Jíhhandl. Cal. Fr. Mayo. roca. hal.. f. s. Mano. exquisito. Pich. bar. s. Yasc. adj. Git. has^ f. s. Gallo. Carneiro. Vir. abillelar. excellente. barquí e braiiquiá. harha. Mano. em git. Hisp. Vid.° 80 é o feminino plural. f. Bokuow. Tsig. baste. strong. 17õ. Padre. halicho. a. hasnó^ m. Mayo. Git. basisaro. s. 1. Git. s. Porco. Garden. Piedra. Mãe. Beans. hata. f. Mayo. Borrow. BoRROW. hicha. Me- Mayo].

branquiáj s. Muy. f. cacha. Git. ca- llardí. f. Monte. tré. pi. s. Borrow. m. s. s. m. famine. Cordero. s. Dawn. caldo. hracô. f. adv. calicó. Git. cajuquí. Git. Mayo. m. moneda. Nadie. Carnero. Madrugada. Tesoira. bregue. e hisp. Membro viril (?). Borrow. Mayo. Manana. monte. Git. adv. Muito. s. Mayo. m. boque. cabra. Ninguno. s. adj. pi. Vid. f. f. Moeda de cobre. hr acura. f. hul. A de- f. Campo. caíque. Mato. Puerta. BORROW. Tijera. Git. m. The anus. hraqui. BoRROW. Git. cale. Git. s.) [Git. Cabra. A Oveja. etc. s. Git. s. callicó. f. Git. indef. m. a. Tiro. Mayo. indef. BORROW. budar. s. m. a. Hunger. More. v. s. m. s. To BoRROW. cachas. hucharrar. s. Cuarto nario. quyy lua seria File. cajuquí. Mato. (adj. adj. m. moun2. s. huchararj v. m. f. hre^e. m. sheep. huter^ hu- cabruncha. barquí e branquiá. hut. i. ano. hoqui. s. s. callicó. BORROW. f. s. Port. BoRROW. s. s. cale. bute. Git. Cabra. e hisp. Oveja. Vasc. Hambre. 1. BoRROW.) Lucto. Mayo. Mas. 2. Porta. Anno. m. Fome. hraquilô. tain. adv. adj. m. s. callardí. Borrow. cachas. branco. Vasc. f. callardo. pron. s. m. pron. s. jar. Mayo. Branco. callicó. hurda. cajuLima. Vasc. braquíj s. f. Vasc. (Preta. adj. bui. Surda. Morcella. door. Ninguém. Surda. s. Orifício. s. m. b regue. s. Vasc. f. Port. Negra. ho- quiy boquisj s. adj. Pão. s. Git. BoRROW. hreji. m. borrego. Mayo. Negro.20 s. Port. Mayo. Vid. Scissors. f. lanzar. Git. Git. Lua (?). . Gate. brancuncho. f. bucharronj s. Mayo. Ovelha. y adv. arroshoot. Field. Carneiro. a. caíque. a. Ano. Black. f. Manhã. f. chamada a surda?] calduncho. Echar. s.

Git. a black. moreno. carabelés. Oido. Vasc. cangrí. .21 e s. m. cangré. castende. centenate. s. Mayo. como m. s. Shop. centeno. f. s. Vasc. e Hisp. cascaraòi. cale. s. s. m. Mayo. a. Nino. Vasc. chai. ó tu chai. Bor: ro w. castí. f. s. Mayo. Git. castí. a. árbol. Children. f. Git. Loja. chaborilla. Git. Vid. f. s. consentir. a. m. m. dá camelo. chabó. Yerba. m. Paio. camelí. f. s. (Vasc. casa de venda. nino. s. calo. cascabes. chai veiu ! Git. cani. BoRROW. s. Mayo. f. Mayo. f. f. Sol. camení. ind. m. amisade. Borrow. s. chaborrillo. s. s. BoRROW. Vasc). BoRROW. f.) Git. carruncho. Vid. Caldera. cha. a. Git. s. (de chabi). amor. Oreja. Gypsies. m. s. Caminho. chedé. Menina. Prima (?). chai. carro. s. can. Mayo. i. m. Git. Git. Igreja. v. cliaborron. adj. chai. Cigana. s. Cigano. To love. Hijo. Orelha. Mayo. Filho. m. Centeio. m. s. ai Cabbage. (cangrí. f. chadí. calli. s. chague. s. Vasc). m. Varapau. f. m. Git. can. cam. BORROW. (camellí. Vasc). can- gari. ! Mas pi. camelar. Iglesia. Querer. s. Querer. A phrase s. caiu. e s. f. m. enamorar. Mayo. amar. s. com a traducção Nina. s. Ninos. coloro. camelar. s. s. prés. s. cam. m. Col. Mayo. Couve. m. f. Mayo. A Gypsy caraallí. mocita. s. f. Port. caní. Camarada (?). cate. Git. Git. Ear. Herva. chaborrí. chaja. BoRROW. Memu- chacho. calo.* pess. Atezado. f. m. Jitános. A Gypsy. s. calo. fellows. Pau. Feira. s. woman. Vasc. v. Tienda. casté. adj. canguerí. baston. camiua. (casté. s. a. Hisp. f. Carro. camino. Sol. Borrow. calli^ adj. s. Sun. Hisp. pedaço de lenha. chabaró. muchachos. B. f. Vasc. a. Tigella. s. mas é talvez 1. Gitano. i. cané. s.

chardí. Git. í. Truth. chimutri. y adv. m. BoiiROW. f. . Saber. chliigarelar. repartir. chalar. chíhé. v. Ir. chichoji. f. Ralhar. m. Mayo. sar. Feria. s. Plato. meter. Mayo. Mayo. chingarar. Mayo. m. m. a. V. echar. reilir. Feria. To fight. f. f. a market. Tirar. saber. To cast. Grit. deitar. fair. Vasc. m. a. s. Git. s. trasladar. a. v. saltar. cornudo. Traif. chicubelar. cama. Lecho. s. f. v. Estrella. Sacar. indef. andar. jhiqalé. f. chibar. chimutra. cheripen. v. n. chedé. s. s. Saber. (Bri>íar. Git. realidad. s. Mayo. chichobo. chachipé. m. charó. posembrar. Git. To know. n. (jii. chinutra. andar. Gato. Mayo. chachipen. Lua. s. Git. v. BOEROW. s. clialar-se. Git. Bed. Cobertor. Mayo. Feira. Nada. Ir. bron. chingarar. s. esconder. caminar. pi. shoot. m. m. v. chingarar. chindó. Pôr. chindos. a. m. Pasar. Fugir. s. v. m. conducir. Borrow. Borrow. conocer. Vir.) Óculos. puU out. a. Mayo. Moon. charibéo. pron. Borrow. n. v. a. s. s. Git. charipé^ s. chasar. a. Git. cliati. Prato. Vid. s. Mayo. To extract. s. sicobelar. Cabrão. a. a. Gato. m. Mayo. v. f.) Git. Borrow. v. dor. tender. a. andar. adv. Borrow. v. sicohar. Poner. Borrow. chanelar^ v. Borrow. chibe. reprender. a. caminhar. Nada. s. Verdad. chi. Cas. Mayo. BoRROW. v. Mai^o. chibar. sicohar. s. Git. Dia. Git. BORROW. m. chardó. adj. Mayo. chiiigle. To walk^ to go. Mayo. Chavelho. bedstead. BoR- ROW. Vasc. chalelar. Traitor. s. sungaló. v. marchar. Cama. A fair. chechipen. charó^ s. f. correr. Entender.22 chalar. s. Dia. Sim. chanavj. (Cegos. furtar. Cat. Git. he goat. Git. a. Vasc. chasar. guerrear. chi. Git. Mayo. Disputar. Borro av. v. cabron. Ciego. postrar. pasar. refl.

chorí. navaja.° 70). chunga. f. chuquel. v. Cuchillo. Mayo. s. Policias. chororo^ adj. a. Pecador. 1. Git. pi. preverso. Git. f. fallando do dia. chohelar. Choça. choça. m. Vid. La- chosimé. chungalo. Mayo. carregado. Git. chorrés. ground. Ugly. ro w]. Pobre. chor. Borrow. a. Poor. Knife. pecho. Lavar. s. Teta. Vasc. Navalha. Textos. Feo. chuchas. Ladrão. chor. fango. m. Mayo. lavar. tsig. Borrow. Mayo. a. vid. Feio. de port. chorró. adj. Vid. adj.° 79. f. m. Pobre. f. Feo. (Zangado. Mayo. Git. Mula. pap. Git. choro. Dar? [Git. Borrow. .23 Esta palavra occorre numa tua casa. Mayo. s. v. Bors. Vasc). perverso. Frio. chorré^ adj. Vid. A palavra falta em Mayo. Maio. indigente. Earth. chuchai. dron. BoRROW. BoRROW. s. O sr. Roubar. a. Pires traduz : chique. Mulher feia. heavy. chorí. Mayo. Der. Tierra. s. adj. punal. Macho. s. com o suffixo men {== me). Thief. i. Pelo som só acho para comparar gitano chique. O quadra cigana sr. Feo. chol. 2. Bobar. pesado. i. chiquel. Git. chungalo. BoRROW. s. maio. traz todavia os derivados que chungalipen. Leite de Vasconcellos verificou o sentido: casa. clioij m. choi^. f. chororó^ adj. o seguinte. m. s. s. BoRROW. adj. chore. adj. Cebada. s. Breast. churí^ s. deforme. a. f. f. choriar. s. m. s. Ladron. chorar'. chohar. suélo. Fêmea (em Mayo. Borrow. pecador. Mayo. pi. s. a. Rociar. evil. m. Thief. Git. choriar. Pecho. rJiohelar^ v. n. Mayo. geral). Cevada. s. chorí. Mulo. f. chungo. choror(3. Git. Seios de mulher. f. thievish. s. f. Git. s. choror. a. chucha. chuga? Significação incerta. maio. Cuchillo. v. choro. s. v. chubelar. s. chorré^ i. (n. chuiigo. a. Git. f. Lodo. mojar. s. m. m. adj. To wash. pecador. de- forme. cho7.

Mayo. [Git. Mayo. chuquel. . Mayo. Vid. s. Git. Mayo. espécie de salgueiro. chumendó. s. Demofilo. p. 13. s. Llave. f. Provavelmente do portuguez chorão. Vid. s. crally. acoi. colcorró. Aqui. s. Beijo. Borro w. s. s. Vasc. s. colcoré. Borro w. s. adj. chuquel. Vasc. m. n. v. f. Cuchillo.« 389. s. b. f. s. Git. colcoro. Cão. Vid. s. Navalha. ir-se embora. cicubelar-se. s. Retirar-se. clechí. Git.** 63. f. adj. m. Mayo. King. chute. clicjii. Mayo. BORROW. m. Git. significa também : A fuersa rebienta un cânon. Cf. churdiní. Yo no se porque motibo Tan chungamente me pagas. adj. Bolsa (?). Vasc. m. s. crallisa. Beso. churi. Queen. Dagger-blow. 74. Solo. Borrow. f. adv. í. punal. Mayo. clallesa. Rey. único. Perro. (Cadella. Mayo. f. f. m. chuquela. BoRROW. Key. Leite. f. Rainha. chupí. colcorô. chorí 2. Git. Mayo. Milk. n. s. f. chuquel. chuquel. clalles. s. Git. m. Alone. refl. v. churdina^ s. m. Git. s. chuque. chupa. p. cicubelar-se. m. Arvore.] adv. clalles. chi- cubelar. Git.24 maldad de pensamiento Como Tengo Tentacion. Jasiéndolo bien contigo. crallis. Cantes flamencos. chuti. Ibid. refl. Vasc. aqui. . clave. Git. cicubar-se. Facada. f. Dog. Vid. Perro. maio. Reina. churon. Cá. Here. s. f. Aqui. chupendó^ s.) Ralhona. Sósinho. Vasc. BoRROW.. Rei. BORROW. f. BoRROW. Leche. e chungas partias e rebenta yo. Jaqueta. Punalada. chupeno. coi. acá. BORROW.

Mayo. s. Los Moros. Mayo. currelar. v. Mayo. synonymo. a. v. pain. Cântaro. etc. coro. Vasc). m. a. BoRROW. To mount. nidor. Mas dou isto como simples hypothese. Vid. s. m. padre. m. Padre (cura). ello por hisp. Mayo. Frayle. f. Friar. correllar. Pitcher. Compadre. Vasc. Mayo. v. costunar. s. cotobillo. hacer. Arroz. n. curarar. costiuar. corpiche^ corpichí. Houve talvez confusão das duas palavras. adj. BoRROW. a. trabajar. por gerta. V. work. Rice. s.25 colisarar. colmar. s. contrariuucho. m. curajay. m. Sem ser presentido. Godfather. alzar. cribó. Levantar. a. To strike. curelô. latem gerta. culebra. fr. pegar. Cf. naranja ter-se-ha Laranja. com troca de suffixo port. golpear. Montar. m. m. adv.] . Pegar. s. Montar. s. s. f. Trouble. Bater. s. Git. tornado oranja orangej e oranja assimilado a oreja e esta substituída formação das gírias. Port. creta. loc. Arroz. s. o gitano mente um O cigano do Brasil tem gerta. m. Contrario. v. cotistá (a). curar. a. Cotovello. The Moors. f. Melhor git. f. Trabajo. a. Germânia: culehra. Compadre. orelha (Mayo). do. combisarar. (cí. Cântaro. o seguinte. trabajar. Mayo. v. Passar (o rio) (?) colpiche. pena. Encommendar (?) s. Abbadessa. curajaui. BoRROW. s. corajai. v. Castigar. acotista- mente. Git. a. BoRROW. cratiá. v. m. Fajã. (Ama de [Git. a. Mayo. trabalhar. Borrow. Borrow. (cf. Git. Arroz. Cinta. ranja. Mayo. git. s. pi. pelos processos da O endurecimento da pronuncia do g gi e gui. penar. que é propriatermo de germania. illo. curelar. a. O hisp. s. v.) poderia ser o ponto de partida de uma forma greta. Vid. Borro w. Git. costiuar. arajay. Ultrajar. m. v. Git. s. costinelar. ce- f. s. quirihó. cotovello. corá.

Mayo. diiiar. Port. v. Dezembro. Dentes. Vasc). . s. Porta. s. f. Vid. Alhos. Dar. correllar. Git. hacer. acochar. To give. Dedo. deciembre. dicahi. v. louco. D dai. Vasc. Borrow. BoRROW. s. Git. dicló. Madre BoRROW. ejecutor. Mayo. Borrow. m. = daíies^ cf. m. desatinado. Handkerchief. desamarisar. a. m. m. a. Dios (en general).26 cupchelo. a. dialectal deuncho. a. Port. s. Git. currar. Tonto. dani. m. Git. Mayo. Window. Lenço. Diente. s. a. To strike. give. díneló. s. liisp. Dar. BoRROW. a. f. dineló. Hisp. diíielar. duvida (en general). MayO- danes. culiTÓ. curarar. dicar. work. s. Borrow. Lienzo. dicaíií. trabajar. i. s. a. pi. s. Mirada. Mãe. percibir. pegar. Mother (projperly. Vasc. i. deo por dedo. Ultrajar. Necio. decembruncho. jador. Mayo. desamarrar. o Peru. disoluto. Dar. janella. No argot dinde significa tolo. a. s. s. curará. see. s. s. e adj. panai. trabaa. daííes. v. anterior. conceder. a. (danes. e bisp. dehel. s. paifial. ra. f. f. v. God. dai. BoRROW. Git. do. f. dicar. Vid. Ver. Git. s. v. Ver. dicaní. pi. Nurse). lli. Ventana. Deus. v. m. dinelar. v. s. Mayo. Mayo. m. ofrecer. v. port. Abegâo. v. dinelô. Fool. entregar. m. Panuelo. Git. s. Mayo. dentes d' alho. clout. debel. f. Obrero. curar. Mayo. s. Sem m. To diclé. a. Git. Dar. Braço. dinar. Mayo. s. a. Açoutar. Desamarrar. a (?). To Borrow. Borrow. Borrow. m. golpear. Mayo. Git. Pegar. adj. Git. s. Lenço. v. dicló. Git. dezembro.

Mayo. m. Fraile. s. velon. Estrebaria. s. Padre. inerin^ eiieinmo. Carcel. candle. s. mulé. viaje. esteribin. Git. Git. BoiuíOW. BoRROW. Candiloii. m.27 mirar. coprisão. dundisqueró^ m. Git. Mayo. s. s. Cadeia. Git. m. s. Mayo. dandesquero. m. m. Camiiio. (estaribeii. eri- eruá. Borro w. Chapéu. jeró. f. Borro w. f. vineyard. m. Vina.] s. A dead man. Road. Mayo. m. m. Mai^o. Mayo. Cf. diquelar. v. pi. a. BoRROW. [Git. Git. adj. doudéscaro. Vasc). Attender. Janeiro. díquelar. eiuro. Cf. Tienda. Vid. s. Git. ejeró. Soldado. f. estana^. vacha. s. f. drun. s. eragar. Candil. Friar. Burra. s. Mayo. m. prision. Ver. droir. m. s. (hongo. m. f. s. BORKOW. Git. mulo. s. s. isa. cmnbre. Mayo. estar ipel. Mayo. chambergo). Git. estache. BORROW. Palavra composta. m. s. Hogs. etc. BoRROW. Imiidunal. curagaj^ eresí. m. i^ Sacerdote. Git. estache. estaíia. eresí^ s. estar ipel. s. defunto. Coveiro. Mayo. Hat. v. Hisp. Sombrero f. s. Muerto. Fraile. m. estripamulés. m. Borro w. Mayo. Eira (?). Candieiro. Cabeça. cujo primeiro elemento é sem duvida o port. Soldier. s. puesto de vender. Mayo. m.. Lanip. Mayo. s. Git. eresia. a. hes^ 8. mulo_. m. Borro w. s. druné^ m. a. Soldado. Caminho. douares. Enero. s. Git. estripa^ v. estaríbel. a. m. s. . erajay. Cabeza. arajay. Mayo. jundunar. BoRROW. Vine. Prison.eriné^ s. s. s. llí. f. Head. s. estripar^ e segundo o git. Cerdo.

fuera. to guard. Vasc). f. ropage. s. Cabellos. e hisp. gato. Cidade. Túnica. mancebo. Mayo. f. Gato. Figo. Faixa. m. gallo. Hisp. Re- BORROW. not a Gypsy. Camisa. De port. Burra. f. fajã. Git. Flor. Caballero. port. Negro. fardí. s. m. Mayo. m. Git. s. s. s. Vid. Burra. gallardíj Git. m. foro. Eopa. Saia. hisp. sepultar. man. ferbruuoj floruiicha. m. gachô. m. s. adv. s. m. (Cão. s.28 fajima. Vasc). camisa. pluma. s. Port. Mayo. (a negra). fehrero. gate. loj. City. gani. Mayo. v. s. BORROW. garbo. foro. pi. s. Mayo. m. Varon. s. fardisara. Cualquiér hombre que no sea Git. garabar. Port. m. flor. Git. Borro w. plumacho. Watch. s. Gallo. a. (Um quidam. — Properly. Enterrar. Mayo. farda. galler. Git. is s. s. f. pusca. m. garabar. m. Fora. Pólvora Any kind of person who Jitáno. f. Escopeta. gallardó. Cf. legua. v. gachó. Port. BoRROW. Git. BoRROW. A gentles. guardar. garabelar. grafíij Maré. Espingarda. s. Relógio. s. Git. m. frumachos. f. Guardar. i. Shirt. galluncho. Hisp. fora. a. CoUega. Mayo. e hisp. pajardo. gaché. BORROW. gate. gachó. s. . m. s. s. fusca. s. s. v. m. s. a. f. Fevereiro. gajon. Hisp. Vaso. grení. Ciudad. m. s. Gajo. f. gatuncho. Git. m. fupata. To be on one's guard. gaché. gaché. Vasc. f. s. Vid. puca. BoRROW. Git.

f. a. Mayo. Git. Mayo. s. f. Mayo. ass. Donkej. f. Horse. harvest. Coisa. gi. Git. guer. m. Esta palavra foi dada na i?e- vista lusitana. Git. Borrico. gau -j- baró. trupe. Git. f. . granja. m. v. jil. m. guillabar. m. s. Morcella. golheri. goruy. m. goroes. Aldeia. s. m. Borrow. Git. m. gao. Cavallo. s. Git. Mayo. gulôy llíy Laranjas. guil. gorobó. s. Potro. f. Cosécba. s. pi. . Fortuna. Mayo. m. BoRROW. s. : Mayo. s. Borro w. Burra. Égua. s. n. guir. Vulto. s. Git. Borro w. vision. m. s. ou f. guer. Mayo. Pueblo. s. tsig. grahi. Buey. gupui. gel. Apanhar. e suerte. echar a andar. guillar. f. gau^ s. BoRROW. aldeã. guillar. Burro. vacca. f.29 gau. v. Bestia. Caballo. Crop. Pernas. Git. v. s. BoRROW. grupo. gra^ s. gui. m. Trigo. s. pi. Mayo. gueriní. Mayo. s. Salchicba. m. Asno. Cantar. Trigo. Cordão. asno. guer. m. que supprimo por duvidosa. café. Boi. dialectal gxieno. gi. Wheat. Maré. Em gorbelar. Git. I. n. bohemio gudlo. Cidade : gaubarí. grei. Hisp. etc. guchí. guenassuertes. BoRROW. f. s. pi. Koubo. a. Ox. Vasc). Yegua. adj. f. Town. Dulce. Ir. s. s. m. gustipení. s. s. por bueno. goi. m. s. s. goroboii. village. Comp. guel. Git. Mayo. s. goUás. goro. Logar. huchi. s. gué. Vid. m. s. pueblo. 12. burro. v. s. m. Git. f. a. a. Propriamente doces. v. Vid. guillàbar. Caballeria. grasrli. goji. com a significação de «toucinho». m. BoRROW. Cosa. Git. guiyabelar. Anything. s. f. Borro w. sing. (gresní. Git. gruy. Vasc. Mayo. grai. legua. To Mayo. Ir aprisa ó de re- pente. guiyalar. Cantar. grani. v. s.

B. liuerta. eat. liarou (h aspirado). f. Fresco. adj. liarame. Vasc. BORROW. s. ustilav. m. a. Soldado. tribu. jir. m. estranho. Hesp. absorber. jambo -[- jambo. m. adj. junduné. s. Mayo. Mayo. Comer. jundunar^ s. Borrow. jucalorro e ojacá. s. Jiamho^ m. Git. a. jalar^ v. s. jambo. m. Vasc. hir. Horta. Comer. Cp. a. Trovoada grande s. É talvez erro por ustilelar^ vid. s. To eat. v. m. BORROW. a. (?). To exonerate the belly. jalar. disipar. jinelar. f. jundóy jundunar. Burro. n. s. BoRROW. BoRROW. Vid. Frio. v. Fava. m. Soldier. Bonito. s. s. BORROW. s. Mulher estranha. s. BoRROW. m. jil. s. ra. Comer.30 H habiiuclia. jinar^ v. Hesp. m. jamar. comer. (hil. haller. huertisara^ huiidunal {li aspirado). Auctoridade superior. To v. f. Pé. sacais. muchedumbre. Git. istiteJar. m. Git. haba. El que no es Jitáno. s. Soldado. Cold. Vasc. hamhé. galler. m. juiz. hacais. s. que não pertence á Git. Descargár el vi entre. Mayo. Comer. jocar. que não pertence á tribu. her Qi aspirado). Vasc). v. Mayo. Git. jamar. jamba. Vid. Jaqueta. Frio. . pi. m. Vid. horobar. Vid. orobelar. MayÔ. Vid. Homem s. Frio. v. One who is not a Gypsy. m. Vid. a. s. Cold. goroes. s. Git. guer. a. Cacare. a. Gente. Apanhar. 2. baró. jambobaró.

m. Mayo. Hisp. li. Olco. n. s. a. a. laborosal. Git. Julho. 2. lechero. m. ligar? Yiá. Vasc. junar. Hisp. legerar. Escutar. ? las dos pimbrés. (Dono. BoRROW. f. junar. lahraoresa. Vid.) Abarcar. lahio. Port. jucalorro. pirabré.31 Lebre. Leiteiro. Llevár. To hear. Borrow. m. Carta. leche. Vid. labraoresa. s. a. Ainoy duefío. generoso. v. m. lias. julay. Git. jojoy. f. BoRKOW. Escribano. í. junelar. v. ouvir. labrosal. s. Junho. e Hisp. conducir. Hisp. liguerár. Lavrador. julay. Llevar. a. Lábio. geneHerinoso. Carta. s. adj. Lavrador. Borkow. Mayo. Leite. Hisp. To cariy. v. s. ligarar. ligarelar. m. adj. credencial. m. a. v. a. liquerar. v. larapio. s. Mayo. s. liquerar. adj. Conejo. Mayo. junw. agarrar. v. os seguintes. cargar. atender. m. listen. Mayo. Oir. juliunclio. Vid. s. Mayo. tente. m. s. esplendido. s. Vasc. ligerar. Git. v. Notary public. Vasc. lihanó. jucal. lecheruno. as significações do git. m. junelar. paa letter. escuchar. a. Vid. Ladrar. lampio. 111. julio. lechute. Lovely. làoduov^. lahrador. s. m. Git. percibir. (Levar. Llevar. mesonero. Paper. . Git. Ua. liberal. Mayo. Borrow. git. v. Escutar. Generoso. Mayo. Borrow. Mayo. jiiiiiolunclio. s. Azeite. Administrador auctoridade) escriba. v. Master. Git. hisp. (Levar. Bonito. v. e hisp. a. Git. Candeia. Oir. juncal. junelar. Git. ladrisarelar. s. s. m. a. ou de port. s. A hare. m. m. a. ( libanó. f. m.) Prender. jojoy. a. Hisp. Meias. s. Candieiro. Vasc. s. Port. . v. Mayo. saber. ladrar. s. labiunclio. ligarar. Vid. jucal^ roíis.) Hortelão. o precedente e conf.

M machingarnó. ribeira. Égua. exterminar. Pedir. s. Port. Mayo. macho. mu- lahar. Mayo. maché. Sal. majaríj s. mangue. BORROW. mangue. e hisp. m. mata- adj. Mayo. Hárlot. e garnó. majaro. The Virgen. No cigano do Brasil. Hisp. s. Mayo. s. m. cartera. a letter. por yerha. len. s. ahorcar. s. a. s. m. lolé. Prostituta. Borracho. Git. i. Holy. m. pron. Git. s. Port. s. yaque. lumí. riente. ^. Roubado? Antes assassinado. muladar^ assassinar. The accusative of the pron. m. mandiluncho. git. querida. majarí. m. Pez. Lingua. s. e maladé. (Lume. . s. e. Git. majaró. Git. Santa. a. matój chargarno. adj. Cf. Git. mim. Mayo. Mayo. BORROW. v. Git. Salt. Borro w. pescado. corlleii. s. s. Vasc. Git. majarí. m. lingiui. Bacalhau. s. Vid. apple. a. Livro. Fire. leste. m. Port. Paper. a. Me. manceba. Cp.) Phosphoro. mangar^ mendigar. Raméra. f. mi. s. Borrow. f.32 s. La Virgen. Carta de jogar. Virgem. Matar. Borro w. s. li. Git. m. linguncha. Mandil. BoRROW. adj. f. Vasc. f. lel^ s. Mayo. araanga. s. pes. ajusticiar. Santo. Santo. Git. llierbisáj s. m. Borrow. Rio. BoRROW. s. pess. Sal. s. Vasc). dialectal lolé. rogar. bêbado. Git. lon. Love lon. Muchacha. Mayo. man. Pedir. Tomate. BoRROW. s. Mayo. River. Vasc. m. Me. Fuego. magrena. pers. Git. f. macho. The beatic one. s. adj. v. liles. llierba BoRROW. Vasc. (mangues. Herva. lumbre. Borracho. Uaque. macho. machingano^ madrunkard. A m. livro. s. mangar. Mayo. etc. s. livruncho. adj. f. Rio. inundacion. Fish. v. Pimentão. m. f.. lumí^ lumica. m. lumi^ lumia^ lumiaca. s. f. Borracho. f. m. Librito. Mayo. Rio. pron. mandil. m. len.

Mayo. Matar. Pudendum muliebre. Vid. mecar. m. a. a. Man. Descontar. v. manguinar. s. s. medi. alto lá! Git. millen. miquelar. BoRROW. Parece composto com manró. Parir. Deixar. n. Mayo. s. Dizer. Hom- bre. mes] hesp. a. marar. Estrella d'alva. Calle. mauú. sol- despedir. f. m. Git. interj. mes. minchi. a. To BORROW. ** v. mente. más. Mayo. m. conveniente- mistos. Hisp. mequelar. Dejar^ s. Maçã. Carne. a. m. minri. Mãe (propriamente. BORROW. destruir. minchabar. pi. Mês. mãorron. m. masauuucha. Mayo. m. makill. assassinar. v. (Vid. m. Git. zana. Mayo. v. s. adv. mistas. vaya. pedir. V. Madre. s. manró. Git. dai^ s. Légua. vianda. a. v. Homem tribu. Conf. s. tar. misto. Well. Git. v. misto. Matar. mangar). f. Phosphoros (?). Meat. man- s. a. manguelar. beneficio. Pudendum feminae. Pedir. s. To marelar. permitir. maniscobar. adv. Orar. Pan. manú^ s. rar^ v. sicubar. conveniência. minha. beg. maiiguiííelar. Bien. marar. Laranja f. entreat. bueno. a. maás^ s. minche. Mayo. Bem. (?) Borrow. Matar. minha mãe). Borrow. s. miquelar. Mayo. Pára. 3 . Mayo. jar. adv. Git. interj. v. Git. f. BORROW. milha. e s. f. miquelar. matagaíianeSj v. hisp. s. Git. m. por git. a. De- mecles. v. suplicar.33 manguinar. f. varon. s. Pão. v. milla. s. Abandonar. mesuncho. maçan. v. mindai. Légua. s. Port. League. f. Port. mm. milla^ s. Borrow. flesh. Morrer. maquelar^ Vid. da Git. Pedir. a. m. Mayo. millaj port. Deixar. en paz. mecar^ v. Vasc. Vasc. a. Bread. Vid. Git. a. Git. Git. Bien. Carne. f. Borrow. m. Mayo. a. m.

adj. s. Pelléjo. v. Noche. mulla. s. tenebrosa. montuiicho. Nanai. najar^ v. e s. Git. adj. nanais. Git. s. adv. Vid. Vid. de ningun modo. Mayo. Muérto. tiniebla ne é prefixo chuugo (vid. najarar. f. No II). píleca. f. V. Git. f. Borro w. Vinho. mulé. parar. Monte. Mayo. s. m. narachichunga. hide. Nariz. najar. calão h^a. evitar. n. naclés. Vasc. Git. m. s. mulo^ s. BOR- RO w. f. BoRROW. f. No. f. Boca. Hisp. Textos. escapar. òelancia por melancia^ baraço de árabe maras^ comquanto aqui a . n. mui. evitar. To flee. s. m. Vasc). m. s. Vasc. A dead man. moro. molíno. arachí) e s. racM. face. Nostril. Git. Mayo. este). Boca. raoliiiuncho. adv. gueza debulha^ a que se m^ som muito próximo d'aquelle cp. mol. correr.34 s. n. moro. Nariz. Vino. alejar. najeJar. BORROW. s. Git. Debulha. Mayo. Burra (Burra fraca. mui^ s. Marchar. llejar. Fugir. montaiiésj molachí. m.° 58. s. adj. f. morchás^ s. Pelo som só acho que comparar git. Mayo. Vinho. port. Noite escura. najelar. Monte. Muerto. mudando o ô em E modificação seja inversa. BORROW. (vid. n. Mayo. mon. fugar. V. s. naqui^ uajai-. parte s. difunto. 7nulô^ mulU. por rachichunga? rachí. monte. najalelar. cavallo magro. Cara. BoRROW. Marchar. pasar. Vasc). Huir. Wine. Mouth. m. s. f. m. adj. n. àepelle (vid. desaparecer. montanés^ m. correr. Não. Git. morchada. v. Hisp. Fugir. a. Port. nacH^ naquí. Vid. pop. No git. desaparecer. que permitte ligar o termo cigano ao gitano. Mayo. cara. huir. Será erro git. . Skin. Significação incerta. Morto. Moinho. huir. No. sem duvida a palavra portutirou o prefixo. mol. BoRROW. hisp. (iiacles. n.

s. adj. s. . a. 14õ. v. Calle. v. nicobelar. otibé. urucalj s. Vid. v. (BORROw) e git. osté s. robar. Git. Michel. disi- l^ORROW. eru. Deus. Git. Calle. enfermo. Chover. eruqué. Rua. octubruncho. f. ostelende ondebel. Stockings. a. s. eruquel. jucal. impess. pi. s. desembaraçar. Mayo. 40. rei. m. erucar. m. = *claLlis. orobiar. m. crallis. f. vid. Sol. par. nicabar. orobar. único ser supremo. Chorar. v. git. orucal. a. lamentar.nicohelar. Apartar. Parece haver aqui fusão de git. s. BoRROW. oreja. gemir. enfermo. To weep. s. Enfermo. : nahasnão. Git. s. Street. gallo Git. Olive-tree. pag. Pott. Olive-ground. Port. Olivar. Rua. Die Zigeuner. Roubar. octubre. Mé- BoRROW. BORROW. God. Mayo. adj.35 negativo: nahelar. m. orobelar. o prostbetico também em vid. s. Vasc. olihias. de abelar. nasalo. basíii. nicobar. Falta em Mayo. Olivo. neharó. m. Mayo. adj. Mayo. Llorar. dias. s. = hisp. ostebel. Por jocar = pi. Orelha. peNo cigano do Brasil na apparece queno. Git. s. God. Arbol. orobar. destruir. Git. o precedente. Dios. un-debél. jucalorro. nasalo si ya. oricha. m. s. Meias. oricha. O o jaca. Cf. grande. s. olibás. eridé. Mayo. outubro. ojocá. Bonito. Olivar. Quitar. Conf. m. Fr. Mayo. s. ? olipaudó. orocal. Borhisp. f. f. m. Dios. nicobar. m. Git. v. s. orejuncha. m. olicha. Dios. s. f. oUcha. de haró. Borro w. Borrow. Hisp. nicabar. carecer. Mayo. pi. está nasalo^ lli. otebel. invalidar.. poseer. a. row. Oliveira. undebel. clalles. v. To take away. ^ como prefixo indifferente a. BOR- Row. m. git. ulicha. Borro w. s. steal. . Dios. ustéd. s. vid. ostebé. debelj m. Mayo. Vid. a. oclaye Um s. vedar. Dios. Maio.. m. adj. II. v. Outubro.

Git. paruguelar. liar. f. paillô. plajo. estrechar cerrar . Bosque. Git. Corral. f. Plata. o seguinte. f. Water. m. pandelar. Dinheiro em prata. hisp. BoRROW. jyapiri. paioj s. palunó. s. a. s. Papel. s. BORROW. White or silver money. s. s. A wood. v. One who is not a Gypsy. . m. car. a. posonó. m. m. encubrir pandelar. Vid. hisp. s. trocar. f. Mayo. v. s. pasabelar. barter. s. a. s. pandar. s. papira. passar. Mayo. m. s. Vale. Atar. o precedente. Vasc). parrogar. Mayo. hombre. pareauj parga. BoRROW. Vid. Agua. s. a. Prata. s. pasisarar. Git. Git. parnau. Mayo. pasonó. arreliar. Vid. bono. a. f. Individuo. Cigarro. Git. paní. Companheiro. papiri. Vasc. Trocar. Parte. To pani. s. v. Passar. Vid. f. s. f. Choça. v. Enterrar. Borro w. f. Vasc. jomalero. v. BoRROW. to shut. Cambiar. m. Mayo. Curral. f. pared. moeda. Git. sujetar. m. Mayo. BORROW. farm-house. Homem El que no es Jitáno. paguillí. Atar. pajé. pandar. m. parugar. Git. pa^ar. paUillí. que não pertence á tribu. parné. m. Vid. Amarrar. pajin. paquillí. mir. s. Silver. Dinheiro. v. Agua. cortijo. Agua. s. negociar. s. papires. jpandelar^ v. Trafi- Mayo. m. f. m. Port. también palonolaré. f. a. sujeito. f. paillo. parede. Part. Paper. To exchange. naipe. Palheiro. to tie. s. pusoíiou. a. v. Papel. . Dinheiro. . BoRROW. Opria. Curral. Carta. Parede. pani. inclose. pajo. Port. palonó. Dinero (haber). (Palheiro. v. Borro w. Dineros blancos. apretar. m. Git. m. extranho. s. parné.36 paguillí. s. s. BoRROW. Git. a. Sorte. s. s. cerrar.

. m. pirabar. BoRROW. V. 'n. BORROW. pepéres. a. pelichó. f. Git. baste. s. v. m. ha- blar. pescoço. Vasc. pirar. Vid. s. a. Pó. pi. pinrés. BoRROW. m. s. a prova da vir- gindade (entre os gitanos). penelar^ V. patí. m. s. Vasc. Port. f. Vid. Vasc. Mayo. petuno. m. Cooperar. a. Pedir. peito. m. n. pirelar. m. m. v. pele. pirar. pedir. a. Dizer. Vid. s. Mayo. s. pirabar. pimbré. pino. a. s. pinelar. (patusco. s. a. m. Mayo. pi. Vasc. s. i. ii. rabar. Port. de que pindó ó participio regular tsigano (Miklosich. Padre. Vasc). Borrow. los jenita- m. Dizer. v. Pescoço. To walk. v. um 8). Referir. Vid. s. a. Mano. penré. Vasc. Pinheiro. m. a. s. Peito. pimbré. Vid. n. s. Port. pastor. Pimento. Pae. hatú. Pepper.. Pé. v. adj. contar. m. f. Mayo. Andar. Git. f. pisar. patarró. s. Tomate. Git. patê. Huevos. Git. Besta. pinar. narrar. pimbré. penar. les. pato.peperes. pinar. Pêra. Mão. Git. s. Mayo. Pae. the genitais. v. v. m. caminar. patuque. decir. e hisp. m. Andar. pi- pisquèsuno. pinré. . s. Mayo. Borro w]. s. n. Beber. pinãro. Mayo. Albarda. Fornicar. pirabaor. Borro w. (?). Decir . Futuere. Foot. cohabitar. s. Abhandl. Ladrão Talvez violentador. hisp. pinar. Pastor. perjj^na. to heat. Hisp. bato. Padrino. Vid. pinodó. Mayo. Contado. pirabelar. Pié. s. bato. apatira peliche. m. pinelar. s. Beber. Huevero. s. m. v. Velho da tribu que pi. s. BORROW. s. v. To say. Port. hatorré. pinró. piyar. Andar. Vid. m. Git. mandar. petí. Git. pillar. pêra. To copulate. [Git. tuscos. Eggs. s.37 pastorchunchoj patarró. Mayo. pinon. Git.

Entraiías. pode estar ^or jucar. Borrow. Pagar. pus. Brother. plajo. m. talma. Borrow. pusnó. s. Mayo. s. m. m. tisfacer. plata. m. m. f. Barriga. Vasc). Mayo. s. placo. Capa. Apagar. s. Abegoaria. Entraria. Git. Ódio. m. s. Barriga. Git. s. Capa. s. s. m. s. m. s. adj. que bonito? hucar. Cloak. s. m. m. vientre. f. Git. v. Palha. 9. cigarro. m. Mayo. Court. a savage. every person who is not of the Gypsy sect. piticar. m. prucatihi. f. pu. pasabelar. s. s. BORROW. plastami. m. Bowels. f. corta. BORROW. juealorro. BoRROW. a. Musket. Tabaco. pusca. f. s. a. m. Será o mesmo que git. puca. plasarar. a. s. Pistola. posabar. m. f. Capa Mayo. pocachiní. Cf. Corral. A gentil. BoRROw. Git. s. Vasc. Vid. s. yard. (Mi. s. Escopeta. s. posonó. s. Enterrar. s. v. Mayo. piteira. Git. s. Cf. Port. puy. plojorró. Mayo. f. Vid. piar. puca. Q que. s. s. Vasc. m. plasarelar. Git. pi. panza. (plata. plasta. s. pusunon. s. f. confrade. Git. House. quehucar. esclavina. Borrow. plasarar. plasaravj. Borrow. Paja. Eapazinho. Vid. BoRROW. hiisnô. Mayo. Escopeta. aspirado). quer. pusca. s. s.38 Piteira. pÀata. platamugioii. Bonito. Irmão. Será que hucar. Mayo. jpita. Tabaco. piai. Straw. Vasc. s. a. (Lençol. m. Casa. Paja. quehonche (Ji . porias. pusuiion. pol. pii. Espingarda. quer. busnó. plasta. gentil? Mayo. Casa. s. poria. Git. Hennano. Mayo. poriáj s. vid. Borrow.) Git. Borrow. f. husné. Tabaco. Tobacco. posuno. pus. f. in. bárbaro. ju cal. sa recompensar. v. m. Vasc. pusanó. Nora. f. v. Cortijo. Vasc. Extrano.

Chôese. Furtar. BoRROW. Proveniente talvez do ingl. a. Git. a. Git. BORROW. rumandiííap. (casada). f. pi. rebraiidiuí. s. Port. s. (espirituosa). rio. Queijo. Ejercer. ni. v. BoRROW. To do. e hisp. hacer. renduudes. Fazer. s. m. Hurtar. s. m. romano. R raisaro. cigana. a mar- . f. m. Mulher da tribu. ejecutar. A m. Batata. m. f. Mayo. Marido. Quintal. Git. rom^ m. jundif m. s. s. m. rilo. Brandy. Vara. a female Gjpsy. Hacer. Lingua dos ciganos. s. f. s. to make. m. Git. bre. s. redundi. remondiíiar. Git. f. Git. v. reparti^ s. s. Vid. s. (Feijões. m. Grãos. v. o prefixo re e terminação gitana. varon (casado). Vara. randundes. a. m. róis. Port. redundes. randar. Mayo. quirális. re- Garbanzo. repafií. s. Marido. pi. querar. Mayo. mujer ron. Rio. Chick-peas. ranâelar. Queso. Git. hacer^ etc. remendiíiar. a. f. s. redundes. Jitána. Spoon. querelar^ v. m. raUj s. BoRROW. s. BoRROW. Bordão. quintal. Casar. n. Queso. m.39 querelar. To rob. s. Desordem. redondis^ pi. Flatus ventris. s. romá. Colher. Mayo. quiral. s. s. Git. Vasc. Esposa. Vasc. aquerar^ v. Vid. Vasc. s. hrandy. quimera. Mayo. s. vara. rau. quirá. queraTj querelar^ v. v. Git. BoRROW. s. Mayo. rom. BoRROw. A married woman. v. Aguardente. Mujér casada. roin. s. a. Mayo. BoRROW. raw^ Rod. m. Git. robar. s. BoRROW. romí. Cuchara. Mayo. a. m. Robar. f. ribeira. Pedo. a. Aguardiente. romí. quiutalzuncho. s.) Vid. randar^ v. Licor. arrebatar. quira. homhusband. com f. m. f. s. Grãos. Mayo. Bebida r 11 acra. Mayo. a. rile. rumaíío.

konó. Git. Burro. m. domestico. no senela caíque. Oro. Que. Pires com a traducção — um cobarde. Ouro. se. that. Casar. Língua dos ciganos. a married man. cual. polaco rykonon. e hisp. Mayo. romí. s. v. Segador. sacais. ni. m. m. segar. f. desposar. senelar. Soap. m. s. Leite de Vasconcellos a phrase: 2. sinelar. BoR- ROW. Git. f. Git. (Libras. rumandinar. s. Miklosich. m. s. húngaro rikonô. Casar. segabruncho. n. f. rom. Mayo. Segar. husband. Mayo. rizo. Videira. enlazar. BoRROW. de casta gitana. s. 2. romani. tsigano grego rukonôj nrumeno rikonó.) Git. Cf. a Gypsy. Port. Ser. m. segar. Vasc. v. Jabon. m. romandinelar. acais. s. e hisp. a. rucó. seguisarar. rei. rumano. s. f. próprio. viii. 58. the generic name s. The Husbands. BoRROW. a. do sr. sapuna. Vasc. cuales. V. Familiar. s. sanacay. Vid. Port. sapunes. v. sr. Olive. Ahhandl. m. relat. s. m. si- . salbana. senelar. To marry. Cho- BoRROW. roma^ s. s. A Gypsy language. pi. cão . m. Gold. Lengua sacais. 8. BoRROW. letaya^ Azeitona. chetalli. s.40 ried man. Aceituna. Git. pron. satalha. romandinar. m. sampuni. Do recebi a phrase: 1. adj. Chouriço. Que. s. BoRROW. Mayo. Mayo. BoRROW. Mayo. romano. pi. sané^ s. sonacai. Vasc. romandi/hary v. pron. Vasc. [Cf. Ojos. f. Git. The Rommany or de los Jitános. a. Sabão. BoRROW. Mayo.. Sausage. of the nation or sect of the Gypsies. sinelar. sos.] rumíj s. Borrow. Git. Olhos. s. Oliva. s. pi. f. Who. Sardinha. a Grypsy. s. sanou. Git. f. f. Cf.

hisp. f. v. potencia. Vid. v. setembro. senelar. caique)^ na (z= é de nós ou de mim phrase: 2. V. n. Não mangue (sinela — ser acho no gitano nada que justifique o sentido attribuido a ha aqui sem duvida erro de sinelj sinela. sombrimé. ir-se embora. s. sonsibelar.se ao que. soltar. Furtar. sorbar. o que corrigi por não guagem corrente. Vid.. v. Borro w]. Vid. sínar. é meu parente). aux. como pronome . sinar. Mayo. f. Port. sobap. senela terela callardó. m. que separadamente se ligam a callardó. n. Olhar. To be. sila. s. Git. reparar? [Git. silbar. Mayo. sombra. m. Vid. Arvore. s. n. sila. chicubelar. Vid. que deve traduzir-se — E — de amanges^ vid. parece. Callar. impeto. V. sinar^ sinelar. Setembro. refl. BoRROW. Adormecer. na linO texto n. sicubelar-se. mangue com a traducção também siííel com a significação — — O sr. Força: a silas. v. f. V. que deve traduzir-se vid. Sair. Port. por sina. m. Vasconcellos dá ella. homem. seresí. Pires enviou-me demais a traducção de uma phrase em que esse sentido é dado a senela 4. Vid. facultad. ducção sósinho. sicahar. a. elle está : outro lado tem o git. tiembre. senela la — primo. sicabar. Ser. s. eresí. Virtud. parecer exacto. o sr. com a traducção pertence-me . v. v. Salir. s. Mayo. e hisp. s. Pires ainda a phrase quasi idêntica a essa: 3. . se- sicabar. sonsidelar. sonacay. Freio. f. a. esse verbo que estar.41 nela damangues. enmudecer.° 80 trazia sin na com a traestá. interpretação. a. me Vinha. amanga^ mangue) 5 a phrase: 3. v. sanacay. setembrimcho. dois verbos Em senela terela juntaram. elle. do sr. uma alteração de 2. porfia. á força. Git. n. Ketirar-se. sicubar. ou estar por senela a parece é a mim (= é dos meus. de luto. Mayo. s. De não é ninguém temos na phrase 1.. v. ó um um não ó cobarde.

do por- tuguez. Mayo. o seguinte. Tarde. v. v. existir. adv. Melancia. Git. familia. etc. World. m. taribé. taripen não tem anade logia significação. mattina. vid. n. Git. BoRROW. f. ternipe. taripeuas. To hold. Melão. s. Vasc. fica Mas calicó signi- manhã Borrow). Git. s. tasara di calicó. v. ii. sorhelar. Manhã. f. sorbar.j ii. Cadeia. s. tempo. Gente. Tempo. buona mattina. tempisaro. tejauncho. have. 82). Dormir. parece ligar-se ás formas ciganas tyrnój novo. Ter. Cf. por t. Adormecer. tarelar. Port. tener. O mesmo que callardí: nos diaha outros exemplos de substituição de c tsiganos f. s. sungló. Git. v. Talvez por terrosa. f. tosara. (Miklosich. Borrow. a. f. tarrosa. Mayo. Ascoli. genera- cion. (pag. a. Vid. lectos Morcella. Telhado. Vid. s. m. terelar. Dormir. sleep. Sandia. s. mocidade 58). 26). s. index. m.. Zingaro laci tosara. BoRROW. tarde. poseer. Batata. ZigeuneHsches. f. comp. s. mas (ii. Port. f. joven (Miklosích. s. Vid. teja. Burrinha. a. A. v. tallardí. Melon.42 sorbaPj v. s. Git. f. n. people. Pires. s. Cadeia. sungoli. soymar. vid. — estariben. tasalda. (vid. Mayo. sungolí. Th. universo. sungli. s. s. sungU. Vid. Mayo. BoRROW. suetí. f. Vasc. Falta em Mayo e Borrow. tasala significa tarde (Mayo. tarní. calicó) e git. sornibar^ v. cárcere. Abhandl. tasara. aux. Gente. s. tprelar. tardimen. Hisp. novilho^ anejo. Git. To a. Haber. Madrugada. terelar. v. m. e hisp. n. . Mayo. siiete. possess. Ahhandl. 81). Mayo traduz por astrologia.

v. pi. e trincar. f. trúpo^ cuerpo. conj. v. trinqiidar. Tu. resuelto. a. m. Zapatos. Corpo. a. git. f. roubar. exigir. Vasc. Mayo. teriiegal. ti. Git. s. U ua. v. Coger. Cuerpo. m. llevar. Git. hisp. Mayo. m. s. Mayo. a. Git. BoRROW. Mayo. Si. (vid. Testa. Tomar. adv. tue^ contr. Port. a. acoger. tremuche. BoRROW. Vid. ustabar. Apre- trupo. alzar. cliinutra) por ii. . m. tremácha. s. yes. BoRROW. pron. BoRROW. m. E. a. Moon. arrebatar. Vasc. hospedar. 194-5. m. s. tirajai. tar. adv. Body. unga. ustilar^ ustitelar^ v. tirajay. tute. pi. Valente. vinagruncho. pess. Zapato. Git. ustabelar. hisp. a. Vid. Tu. Git. Valiente. te. Sapatos. Sim. apurar. furtar. Git.43 adj. V. ustilar. ustibelar. Lua. comprimir. Valiant. prender. Mayo. Trigo. percibir. Vinagre. s. ustabar. de tucue. ustilar. Pott. ternejá^ adj. Apanhar (?). s. grangear. triguisate. BoUROW. tusa. ternejal^ adj. truly. ao que parece uma mutra simples alteração de chitroca de logar de consoantes. Mayo. ustitelar. Yea. Port. pron. s. a. Mayo. Cf. tiragaisj s. v. Luna. Shoes. v. Vid. e testuncha. pess. v. f. Tomar. s. 2. Furtar. Mayo. Vientre. Git. processo vulgar nas gírias. a. s. tomar. ustihar. trigo. Git. cobrar. testa.

escandinavo. conserva muitas particularidades perdidas noutros seus co. p. na Turquia da Europa.44 Os ciganos do Alemtejo. rofazer-se ideia pelos textos e vocabulário acima impressos. russo. pronomes. na Finlândia. Miklosich enumera treze dialectos ou falias tsiganas na Europa: grego. Pires. Beitrãge. allemão. o rumanho não é mais do que o hispanhol influenciado pelo português e semeado de palavras particulares. italiano. numea moção. nesse meio de lin- gua céltica. Como se vê. inglez e hispanhol. de que pode também no gitano ou linguagem dos Noutros de ciganos Hispanba. rumeno. faliam o português. o qual. na Hungria e Sirmia bohemio. segundo os dados precedentes e os que me communicou o sr. . a maior parte mano ou ainda romano. na Rumenia. Siebenbúrgen. na Allemanha . mas gitano conserva ainda partículas. na Rússia septentrional . iv. certos processos de derivação e outras forgrammaticaes da lingua tsigana. o hispanhol. Esses dialectos tsiganos apresentam algumas peculiaridades phoneticas archaicas que os approximam especialmente de linguas ainda pouco conhecidas do noroeste da índia. basco. Serbia e Rússia húngaro. saidos da mesma base popular de que o sanskrito se elevou á cate- goria de lingua litteraria. do Kafiristão e do Dardistão *.irmãos. Bucovina. polaco. na Polónia e Lituâfinno. Miklosich. paizes da Europa os tsiganos faliam verdadeiros dialectos ou antes sub-dialectos particudas quaes se encontram lares aparentados com os dialectos neo-hindus. nia. na Bohemia e Mo. . O raes. Miklosich não teve conhecimento do importante dialecto tsigano do paiz de Galles (tsigano welsh). representada por os mencionados dialectos ou sub-dialectos extra-hispanicos . e esse fallar a que elles chamam rumano. 287 segs. ravia .

se). perdeu quasi todas as particulas e pronomes (vid. panchardi cincoenta. .45 mas doutro lado perdeu quasi por completo a antiga declinação. ainda mais de perto poderíamos seguir esse processo. apresenta o gitano nonrió derivado do hisp. Assim por misturas successivas o elemento românico foi eliminando o tsigano. 4. Notem.0. si. Nos dialectos tsi- ganos europeus extra-hispanicos conserva-se em geral a base indica primitiva do vocabulário e da grammatica no gitano os elementos tsiganos da grammatica reduzem-se considera. velmente. Slawo-de?itsches U7id — Slawo-italien. sirij sou. nasalo). unicamente a vocábulos vação : feitos e alguns processos de deri- o hispanhol e ainda o português occupam o logar abandonado pela grammatica tsigana. 2 Todavia achamos ainda no cigano é. éster dí setenta).. otorenta oitenta. Alguns numeraes gitanos mostram já influencia das formas hispanholas (johenta sessenta. comp. Ao lado de amaro. p. adoptou a conjugação hispanhola em -ar^ conservando algumas formas tsiganas do verbo sinar ser (sis. nosso. amanguej mangue. Graz.se ainda as formas femini- nas e do plural como calo m. sisle. 53. Vid. junto de otordé. p. de origem tsigana. es. é). É possível que ulteriores investigações descubram mais uma ou outra forma verbal tsigana no cigano. a julgar pelos documentos que publico.. 1885. ostardí quarenta. cales pi.. perdendo-se quasi por completo a antiga declinação e conjugação. está (vid. no(s)^. como mostrarei ' Schuchardt. Se tivéssemos documentos da linguagem dos gitanos provenientes dos séculos xvi e xvii. callí f. que. e oíferece por esse lado interesse particular para o estudo de um dos processos de substituição da lingua de um povo por outra. mindai. 8-9. apenas representada por ténues vesno rumanho os vestigios tsiganos reduzem-se quasi tígios . mitiva que o gitano. e outras formas um ^ grammaticaes que ainda conserva o gitano representa pois estádio mais adeantado na ruina da lingua tsigana pri. O rumanho. no vocabulário apalé.

está longe de ser o único pelo qual um povo perde a sua própria lingua para adoptar a alheia. Os 484 termos ou formas do rumanho reunidos em o nosso Vocabulário classificam-se. Talvez que nova investigação do gitano e dos outros diaorigem tsigana de alguns desses dos termos. parte quaes tem aspecto que a faz suspeitar. 1 (culebra) 1 1 provém da germania. e hisp. por * desamar risar. abaixar.. em geral sem ferença considerável de sentido ou de forma. frumachos (fj. calão. 3 não se encontram nos vocabulários gitanos que temos bi- 68 são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas . patuque fe patusco). : em quanto á sua origem dif- próxima. do modo seguinte 353 encontram-se também no gitano. á mão. biora. guenassuertes. vid. também apatuscos. 480-481 .46 noutra parte. port. 8 são palavras portuguesas ou hispanholas de significação alterada ou especialisada (andantes. mas occorrem noutros dialectos tsiganos (hato. p. aparador ^ arboleo. e hisp. Miklosich. bicha. desamarrar 1 Sobre esse suffixo tsigano. port. Derivados com o suffixo -sar^: a) verbos. tarrosa). lectos tsiganos prove a Palavras do rumanho derivadas de palavras hispanholas ou portuguesas 1. Ahhand. ajustisarar. port. desamar isar. 47 são de origem para mim incerta ou desconhecida. Vid. (anda) provém da germania ou do é : uma forma portuguesa muito alterada phonetica- mente mulla. ajustar. churon (?J. x. tarní). abaixisarelar (* abaixisar).

port. 4. banco. ladrisarelar. lUerhisá (por Hlierhisar). chosa. port. horta. suffixo -mcw. lahrosal (por Habrosaro) . Mayo. fa?'c?e. tardimenj port. hisp. quintahuncho. e hisp. hisp. huerta. e hisp. hisp. e hisp. tempo. carruncho. e hisp. teem o duplo suffixo -«aí* 2 ' Sobre o O : suffixo -uncho é ex. huertisara. aberta. caldo. e hisp. port. hisp. port. port. ladrisarelar (*ladrisararj^ port. ?'io. templsaro. hisp. port. tano idem. Nas formas pastorchuncho. Derivado com o suffixo -eZa. ^ò^c?. disara. port. cabruncha. blanco. hisp. dialect.. no Vocabulário. hasisaro. íarra(/or. Derivados com o suffixo -uncho^: bancuncho. também /ar- 2. port. port. carro. hisp. 445. . raisaro (por *rusaroJ port. sombra. calduncho. braiico. sombrimé. p. port. tíempo. labraor. jpasisarar. labrador. àbaixarelar. segahruncho compHca-se com outros elementos. abaixar. de origem românica . ladrar.47 scguisarar^ port. e hisp. ahierta. hisp. Derivados com o suffixo -me?z^ -me'^ : chosimé. choça. ahertisara. vid. e hisp. port. port. cabra. e hisp. 1 As formas 4" "^^<^- abaixisarelar. segar. h) substantivos : pasar *. passar. brancuncho. vaso. hisp. acha-se também no gigostuncho. e hisp. lUerha por yerha. 3. — Vid. port.

vinagruncho. e hisp. íeZ^a. juliuncho. faixa. e hisp. port. mes^ hisp. dezembro. port. vinagre. molinuncho. íesía. libro. agosto. e hisp. m. jfwmo^ port. hisp. port. tejauncho. lábio. livruncho. lingua. testuncha. 1 Esse suffixo é de origem tsigana. mandil. orejimcha. enero. outubro. port. port. fava. Jloruncha. agostunchoj port. orelha. e hisp. moinho. dedo. pastor.ro. julho. hisp. septiembre. e hisp. labiuncho. deciembre. fajuna. julio. gato. i. hisp. e hisp. gatuncho. gallo.48 contrariuncho. segar. port. oreja. janeiro. port. decembruncho. a5HZ. montuncho. lengua. port. contrario. /a/a^ port. port. . quintalzuncho. quintal. hisp. s. port. port. port. barba. port. barbuna. e hisp. novembrunchoj port. e hisp. port. port. e hisp. molino. hisp. noviembre. e hisp. abriluncho. ^e/a^ port. Jim^o. hisp. galluncho. linguncha. port. p. e hisp. port. Z{i. dedo. setembruncho. pastor chuncho. octubrunchoj. hisp. hisp. hisp. deo. juniluncho. setembro. port. hisp. port. hahuncha. 5. Pott. port. port. e hisp. mesunchoj port. hisp. e hisp. novembi^o. wandilunchoj port. hisp. port. monte. Derivados com o suffixo -wtzo^ -m?i * . segabruncho. deuncho. fior. e hisp. haha. octubre. eneruno. port. mes. 123-124. hisp. hisp. hisp. port.

cotovillo. port. fn^o. do suffixo pelo hisp. Ze^7e. pisqiiesinio^ port. 8. leche. hisp. qvindaU. port. pecho. Como se vê. ^^ori. cotovello (troca -eZZo da forma port. port. e hisp. hisp. hisp. maio. pared. alpandy e quigléf abril. Derivados diversos: hlancaera. piticar. hisp. port. 9. que os gitanos conservam ainda pela maior parte como ÇMÍrdaré. centeno. março e maio. leche. pefunOj. e hisp. Derivados com o suffixo -ate : centenate. port. triguisate^ port. hisp. pinho. j9iwo^ port. Derivados com o suffixo -ute: lechutej hisp. fevereiro^ lecheruno (suffixo composto -er-uno). centeio. hlanco. j)eitOj.49 o (troca ferhruno. pinon. suffixo). jpera. pescvezo. fuera. 7. hisp. parede. fora adv. pareau. Derivados com o suffixo -ata: furata^ port. liisp. marzo e mayo) completam a lista acima. 10. /éZ/re> de . pescoço^ hisp. hranco. peruna. leite. os ciganos perderam inteiramente os nomes particulares de meses tsi1 ganos. marco. liisp. port. hisp. 6. port. -z7Zoj. 4 . hisp. port. Os uomes de mês março e mato do rumanho (do port.. Derivados com o suffixo -esa: lahraoresa. dialectal labraor por labrador^ port. port. /^iVa^ piteira.

reduz-se a lista aos seguintes. hispanhol e português). que se encontram no rumanho ou de que derivam termos que neste se encontram. do hispanhol e do português. . no estado actual da minha investigação: achochinar. e não á proveniência remota dos termos do gitano.50 Palavras do rumanho de proveniência incerta Referindo-nos só á proveniência immediata (gitano.

51 chimutH .

ojacá ò) Suppressão de : = == = yaque. Por fim perde-se a aspiração: acais 6. hundunal git.Ò2 na boca dos portugueses e gallegos que faliam liispanhol^ reflexão previa sobre a differença dos sons. len. r: aij git. gani ao lado de graM. chor. (3) tue s: hacais ao lado de sacais. paquilli. = em chingle == git. Suppressão de r chadi. influindo talvez chalar. git. jaracanal. = hispanhol se representa por esse signa] apparece chicube- por J gitano lar satalla final currelar = no dipthongo = = budar burda. sicobelar. jucal. llaque n: y) 11 por = ^«í-èo git. chupendó. (Vasc). O som está por ill em pajo git. estaripel. O som representado no Vocabulário por y é o mesmo do = hispanhol e gitano j. colpiche = git. piyar. eragay. nosotros = A = hacais. git. r paragogico (ou substituindo : git. cameni. git. Inversamente bar : = . pol (ao lado de donares) = git. Suppressão de syllaba. (3) por 11 calicó ao lado de callicó. bal. Esse pailló. . git. gelj grei. l final aracaM git.' = = mesma aspiração substigitano hamòo cig. jir. ò) 11 por gu. noliotros hisp. gel. 12. y) por n: chalelar de git. som representado por eh é o mesmo que em (tch) s . git. crally (horta) l = = l poria. jingalé e por s em git. ir). [3) tH. moro git. chanar. h por d: garbo git. lado de ao carabi. Metathese de r: barqui e braqui. : = chardi. Inversamente eragar = por eh gitano em i git. chol = = git. . [B) oí) 11 por y: pillar l: U por 11. git. a) llen = = git. git. casZ 9. = paguilli chimumon = git. git. git. chetalU. hir == git. 4. chatí. junduaracaná narj por '^haracanal. n por l: estar íben = n por 7iíZ. chedé ==-. jambo. jundunar = = chupeho n por m: chinutra == git. mol. donares git. rr git. jil. pajardó. E possível que a substituição nas palavras ciganas provenha dos colleccionadores. qu: pallili git. Inversamente apparece em git. 10. cascabes git. corpiche. clalles =^ git. 9noZ. 8. õ. gué a) por r: guer. of) sem = aspiração forte h substitue o j gitano (pronunciado como j castelhano) nalgumas palavras: her ao lado de gueo^ A Ml. 7. pajardó. git. camalli = = git. hundunal jundunar. curelar.

de muchos a a seguidas. gitano chibe tem o plural chibeses . sobre todo em poesia. granis. = = traquia. charibeo git. chibes. atracai = chor\ pocachiní = == git. gitano as palavras femininas em i teem o plural Em em uso ias. Mas «el admite que. asiá. 52. Houve translação do accento em hariás. p. choi ao lado de gii. para evitar la cacofonia. huchij coisa. . gullás e olíhás (nas duas ultimas com perda do f). manrona. osian. ansian git. roin. chinutra i e satalla apparecem ainda no cigano. el plural de i se forme tambien con s solo : Puhi^ pena. puMs ^» . Ê possivel que seja antes chariben. róis ua chol = = git. aracMs. = git. os textos dão-nos Em no cigano chibe. jpruscatifíi. = git. mal escripto. git. fosse lido chariheu e reproduzido charibeo. unga. taiíj febre. Formação do feminino e do plural As formas femininas em como no gitano. huchias. tatias. Os nossos : textos apresentam-nos as formas femininas do plural pa^is. 1 2 Mayo. que.53 Varia. seresí eresí . almarroíias azia. cheripen^. apresentam uma ada- ptação ao typo feminino hispanhol e português. petis.

.

contrabandistas. gira^ gíria ou geringonça são os termos com que português se designa o vocabulário especial dos criminosos de profissão. me . radas um dialecto tem palavras altephoneticamente. Esta parte. nâo pretende de modo nenhum ser um estudo completo sobre o calão. vejamos o que é o segundo e se entre tem quaesquer relações. como os estudantes. fadistas. Sabemos já o que é a primeira. Por extensão dão-se ainda aquelles mesmos nomes á terminologia uma classe. garotos e em buscam não especial de outra gente de hábitos duvidosos. o qual exigiria um volume. uma e outro exis Calão. de uma profissão licita. os soldados. os pedreiros. não tem em regra nem morphologia * tana. 3. para cuja elaboração faltam tempo e alguns subsidios. os pintores. que usam certos grupos sociaes. que por aquelle meio ser entendidos da sociedade geral.n o CALÃO E A língua DOS CIGANOS / ' Tem-se confundido muitas vezes a linguagem dos tsiganos em geral com o calão. e sobretudo ao conjuncto de termos particulares. mas por processos geralmente distinctos dos que caracterisam a alteração calão ou giria não é : O phonetica dialectal . sem duvida. os actores. os typogra phos. muitas vezes de caracter cómico. que foi prommettida em 1887 na Revista LusiI.

56 nem syntaxe que o separem da lingua geral em que por assim dizer se encrava. os hollandezes com a expressão hargoensch ou dieventad lingua de ladrões). os francezes com os termos jargon e argotj os italianos com os termos gergo e lingua furbesca. Os hispanhoes denominam as mesmas linguagens artificiaes com o termo germanía. — : noutras accrescem ás transformações dessa espécie. naquelle as transformações próprias são geralmente queridas. assim tu queres ir a casa torna-se tu-pu qué-pé-rés-pés ir-pir a-pa cásyllaba de (gj ou p pá-za-pa. principaes processos das girias do segundo género serão estudados abaixo. xeringonça. em Lisboa. usavam e usam ainda uma do mesmo género. Uma outra diíFerença fundamental separa demais o calão dos dialectos. inintencionaes. examinemos agora a origem d'estas palavras. e tinham o synonymo antiquado gerigonza. os inglezes com o termo cant. modificações morphologicas e semânticas (de significação). Ha mente phoneticas duas espécies de giria numa as alterações são purasó a matéria da palavra se modifica. os russos com o vocábulo (á lettra — — afinskoey os tcheques com a palavra Jiantyrka. primeira espécie é uma giria usada entre nós pelas creanças nos collegios. Tendo definido o que deve entender-se por calão ou giria. Essas girias podem ser denomi- Os nadas — de vocabulário particular. . mas mais pergiria provavelmente feita. os allemães com o termo Eothwelsh (á lettra italiano vermelho). giringonza. intencionaes . que então se tornam menos numerosas. Essa giria era fallada e entendida com muita facilidade pelos iniciados. nestes as transformações são geralmente espontâneas. : ir passear hoje tornava-se ãon' reco ri sapear johe. que consiste em accrescentar a cada Da uma palavra uma outra constituída por um g seguido da vogal daquella syllaba. que consistia numa inversão de consoantes nao quero Os caixeiros da Baixa.

gergone. gargaite. FÁymologisches Wõrterbuch. EíFecti vãmente fr. Os termos por si estrangeiros acima transcriptos revelam já a existência de girias nos principaes países da Eu- ropa. A palavra gira. Littré e Scheler. A etymologia desses termos offerece hypothese mais favorecida é a que considera o francez jargon como derivado de forma jergue. uma * cedente. giringonca. como na giria das ^.se. fanjões por feijões). em em de antigo dizia-se antigo inglez^ A * gargonner por jaryonner. de * gargoj. ao francez jargon.)i termo calào como synoiíymo de giria parece não ter correspondente plionetico fora de Portugal. gergo. a sua etymocalão ^ propriamente. garganta. Mas em verdade a existência de giria. e ao italiano gergo. port. Voca. 185G). de * gergo. . gargonn forma girigonça parece ter resultado girgonça. gargalo. thema de que uma deri- vam fr. Y. de jaiina. nossas creanças e fazem. forma gira teria nascido de ^girionça pela suppressão do : A suffixo -onça. com que adoptaram a lingua do país. lingua de cigano é um termo com que os ciganos do nosso país ainda hoje se designam (vid. xxvm. V. i. é um phenomeno assim dizer uni- por versal e por toda a parte os processos applicados são muito 8Ímilai-es. logia é todavia muito transparente : O quer dizer cigano. Études de philologie comparée sur Vargot. derivado de gergo (interswarabactica de i) giringonça é uma forma em calação a nasal do suffixo que produziu a nasalisação do i pre. 2 Francisque Micliel. .). . (Paris. s.. Assim os tsiganos espalhados nos Pyrineus bascos. jargon. que como vimos se encontrava também em hispanliol. senhor. p. por exemplo. ao que parece. plienomeno não raro (ex. empregam a alteração as syllabas principiando por p^. jaii-jpau-na-pa ^ Diez. A bastantes difficuldades. giria liga. provençal gergonz. v. bulário. g erg onça. s. de uma ou de outra natureza. s. a gerigonqa.

58 Os theg (thugs) ou phânsigâr da índia teem uma giria em que se notam mudanças de significação. passagem relativa a duas girias por elles empregadas. ceh seis. o persa jek um (= hind. des dez. satúrú. pelos chefes. sât sete. serlú ou cerú. desrá^ jelú. da mera transposição ou inversão de syllabas. modificações phoneticas e morphologicas assim os numeraes hindustanicos pane cinco. ek) . a primeira resulta^ em geral. «O hindustani é a base de ambas. o facto circassios. tornam-se nessa giria respe- ctivamente: pancúrú.Pott. O mesmo eminente glottologo italiano extracta de uma memoria de Richardson sobre os Bâzígar. e a segunda é patentemente uma conversão syste- matica de algumas poucas lettras. ao lado de . mulheres e creanças. Os theg adoptam ainda palavras de linguas estranhas*. citada por da existência de uma giria dos salteadores chamada farsipé e cujo artificio consiste em introduzir ri ou fé depois de cada syllaba^. gente nómada da índia.» Eis um espécimen: Hindustani . Ascoli repete de uma noticia de Klaproth. uma uma a outra commum a homens.

isto é. sitr Vargot p. inteiramente desconhecida. syllabas. . reprode dois estudos. Yoem inversão de palavras ou proposições. que fora objecto de invesde de Silvestre da Sacy^. Francisque Michel fez referencia a uma lingua G. mas não no de giria: «os honrados são pobres. que também podem ehamar-se complexas.^ ed. consistindo nota de Crowther.. pertence á segunda das espécies acima referidas. Essa giria tem sido muito pouca estudada. o haldihalan. por que os outros». 300. á das girías de vocabulário próprio. os ricos vilãos são roíns. 110.59 Leitner estudou a giria dos ladroes dos paises do noroeste da lingiia numa publicação inacessível para mim*. comp. concertai-me esta geringonça». O mesmo auctor emsentido pregou também a palavra geringonça. No século XVIII D. r. por apresentarem um conjuncto de processos vários. Sprachwissensehaft. a que chamão de ganhar. sobre lettras. n. parte tigações As fontes do calão O calão ou giria portuguesa. Jeronymo de Argote nas Regras de lingua portugueza (p. 2 Fr. Michel. um sobre termos de giria no Minahassa. W. uma giria africana. se entendem huns com 1 Apud Pott in Internationale Zeitschrift fiir allgemeine Sprach- wissenschaff. ha um género de Dialecto a que chamão Giria. de que os taes usâo algumas vezes entre si. 487. artificial asiática. Pott in Intei-nat. acto lil. Eufrosina^ acto v.. 2. ii. scena il. século XVI Jorge Ferreira de Vasconcellos fez uma referencia á germanía: «Quando elles querem falão Ger- No mânia». propriamente dita. Ibid. 60. Eludes de phil. por assim dizer. 2. outro sobre um calão mal aio e allude a uma ruha Vocab. E assim também os Siganos tem outra espécie de Giria. 1725) disse: «Também em Lisboa entre os homens. scena ii. allgemein. duz os títulos Zeitschrift f. e a sua historia anterior ao século xvii é.

L)(.>

Uma investigação bastante extensa no theatro portugiiez dos séculos xvi e xvii não me deu elementos seguros para
o estudo da historia do calão. Outros talvez sejam mais felizes do que eu. Gil Vicente e J. Ferreira de Vasconcellos oíferecera

não

me

atrevi a considerar

grande numero de tennos populares, mas nenhum como de calão.

E numa

obra do notável escriptor do século xvii D.

Francisco Manuel de Mello (fallecido em 1666) que encontramos talvez os mais antigos termos indisputavelmente

de giria *, alguns dos quaes são dados como taes por auctores do século seguinte.

Nessa obra acha-se a palavra giria^ como adjectivo, num sentido que parece ser jproprio da giria: «Bem encaixava sobre as ordens aqui agora o bispar: que é palavra giria

significa as70)». Noutro logar tucioso: «Como vocês são girios! (p. 155)». Nesse mesmo sentido occorre a palavra noutros auctores e na boca do

a respeito do ver

(p.

^mo

povo, assim como substantivamente
astúcia.

com

a significação de

Giria,

como

substantivo, significando forma par-

ticular de linguagem,
s.

vem numa passagem

abaixo citada.

V. calcorrear.

Os termos de
os seguintes
:

giria contidos

na Feira dos Anexins são

aramesj armas. «Pois parece

bem um homem com

os

arames atravessados, mui direito (pag. 117).» Vid. Giria do século xviii.
bispar^ ver. Vid. acima.

infra

cachucho, annel de oiro.
lh'o disse
;

«Não me aponte com o dedo, já bem sabemos que tem annel, e eu ca-chucho no

dedo

179)». calcorrear correr.
(p.
j

que é

«Emquanto não recorrerem a pidhas, quem melhor os soccorre, porque concorre com o

Feira dos Anexins. Obra posthuma de D. Francisco Manuel de Agora dada á luz pela primeira vez. Edição revista e dirigida por Innocencio Francisco da Silva. Lisboa, 1875. Ha varias
1

Mello.

copias manuscriptas dos séculos xvii e

xviii.

íU

resto de todos os equívocos jocosos, e

em

se lhes

acabando,
cal-

botam a correr a outra matéria, ou metaphora, e vão correando com a g*iria que trazem estudada (p. 95).
;

gabeo, chapeo. «Elle é anexirista de arromba traz chapéu d'abah'oar. Girio equivoco de gabeo esteve aquelle

119)d. lanterna^ garrafa de vinho. «Da adega gosta você, que o vi est'outro dia todo arrodellado com a lanterna feito
(p.

Marcos, juiz da taverna (p. 117)». «... já o Joanico (que ainda não perdeu a confraria da camaldola) estará com as
lanternas.

esse bêbedo

Também você lhe resa pela conta benta? Nunca me encheu as medidas (p. 176))). marabuto, marinheiro, homem do mar. «Antes é rapae

zio,

bom

para marabutos

(tomaram «Basta serem do mar para não serem gente; e senão olhe: os homens do mar como se chamam ? Marabutos^ que vale
o

os marabutos)

(p. 117)». Olhem os poias com que nos apoiam? (p. 205)».

mesmo que mar

e brutos (p. 217)».

monteií^a, como adjectivo, mas evidentemente em jogo de palavra com allusão a monteira^ carapuça (vid. Giria do século xvm): «Também para Turquia se vae de barrete

veimelho

:

mas

ella

em campo com chapéu de

sol,

vae mais

a propósito para a sua belleza. Indo de monte a monte, a formosura monteíra não lhe havia de estar mal (p. 118)».
moscar-se, safar- se, ir-se embora. «Se lhe

deu a mosca,

vá-se moscando (p. 17õ)». moscoviaf «Ao cheiro da moscovia? (p. 176)». robtir, mascar, comer. «Vossê tem trazido nella os equivocos de rastos. Isso, é i-los assim rostindo ás marchadellas (p. 9)í>.

«Tenha mão: vossê suppunha, que sou bocado
o atravesso?

mal mastigado, que
vossê vai rostindo?

Que arenga

é essa, que

(p. metaphora de comer). somno. de sornaj, «Metaphora dormir, é boa para os sete dormentes. Quem duvida que havia de ser uma sornaf

88:

Em

(p.

100)».

A

mais antiga

lista

de termos de calão conhecida é a

que deu o padre D. Raphael Bluteau no seu Vocabulário

62
e latino (Coimbra, 1712-1721, 8 vols. foi.) e no Supplemento á mesma obra (Lisboa Occidental, 1727, 2 vols. foi.), respectivamente s. vv. gira e giria ou gira.
« Gira, diz o erudito theatino, que tomou em consideração a linguagem viva, he o mesmo, que a linguagem dos ma-

portuguez

rotos».

Fr. Luiz do Monte Carmelo, no seu Compendio de Ortho-

graphia (Lisboa, 1767), pp. 613-614, reproduziu parte dos termos reunidos por Bluteau (os dados no corpo do
Vocabulário) e juntou apenas uns quatro novos. litteratura do século xviii parece dar também poucos

A

elementos para a historia do calão. São bem conhecidos dois romances de Alexandre António de Lima, publicados nos seus Rasgos unetricos (Lisboa, 1742), em que se encon-

tram muitas alterações populares de vocábulos, e algumas
talvez apenas pretendidas populares e fabricadas simples-

mente pelo auctor, junto com uns 17 termos de calão, dos quaes somente 4 não se encontram em Bluteau. A leitura de
varias comedias do século

xvin ministrou-me apenas alguns termos de giria, quasi todos já conhecidos desses dois auctores citados. Por exemplo, na Piquena peça intitulada o alfaiate c Adélia ou o Careca e Carcunda na Praça (1792)
os termos gimbo, di china velho. e expressão que é empregada nheiro, geho, na mesma peça no sentido de dinheiro (A mim china não
-

e noutras da

mesma epocha occorrem

A

me

falta)

era talvez do

calão, e ginja velho (na

mesma

peça) saiu
decer

também

talvez do calão.

Nas Injírmidades da lingua e arte que a ensina a emmupara melhorar. Author Sylvestre Silvério da Silveira
Invoca-se a protecçam do glorioso Santo António

e Silva.

de Lisboa, por Manuel Joseph de Paiva, Lisboa 1759, 4.°, ha de pp. 104 a 153 uma collecção de palavras e phrases da linguagem popular, que o auctor condemna, e entre

surgem alguns termos de calão, em parte reproao duzidos, que parece, de A. António de Lima, como se concluo, por exemplo, da expressão cloris de cachimbo (meas quaes
retriz),

commum

aos dois e que é provavelmente da fabrica

63
de Lima termos
Infelizmente Paiva não deu a significação dos e phrases que colligiu^ o que torna em grande
*.

termo china, já mencionado^ parte inútil a sua lista. occorre também nessa lista na phrase tem muita china.
João Baptista da Silva Lopes, Historia do cativeiro dos presos doestado na Torre de S. Julião da Baí^ra de Lisboa
(4 vols. Lisboa,

O

1833-34) deu

uma

lista

de termos do calão

ou algaravia dos malandros, colhidos por elle na prisão. Depois da publicação dos MysteHos de Paris, de Eug. Sue, e da sua traducção portuguesa publicada no Porto

(1843-1846, 8

vols.),

começaram a

introduzir-se

em roman-

ces, figuravam individues das classes anti-sociaes, termos de calão, verdadeiros ou fabricados pelos auctores

em que

e traductores.

Já o traductor dos Mysl^rios de Paris

(o fal-

lecido dr. José Pereira Keis, faculta- ''o distincto) dizia: «A linguagem dos nossos ladrões nãu é tão rica como a

dos francezes; e por isso em alguns logares teremos de aportuguezar certos vocábulos». As aportuguesardes do dr. Pereira Reis e de outros traductores foram repetidas
posteriormente como productos insuspeitos do calão, e o que é mais curioso é que pode admittir-se que alguns d'esses termos mal adaptados tenham entrado por fim no calão,

por influencia das traducções, sendo todavia minar ao certo quaes elles são.

difíicil

deter-

No romance Fr. Paulo ou os doze mistérios (Lisboa 1844, 8.°, tomo i e único), colheu Francisque Michel os 38 termos ou phrases do calão que inseriu a p. 441 dos seus Etudes de philologie comparée sur Vargot, e os quaes devem ser considerados como genuinos.
Alguns jornaes teem publicado hstas, geralmente muito
curtas,

de termos de calão. Extractei duas d'essas

listas

publicadas uma no Jornal da Manhã, do Porto, ahi por 1886, outra num periódico de Lisboa, mas infelizmente

extraviou-se-me o extracto.

1

Clori no sentido de

amante vem já na Feira dos Anexins.

Ô4

Xa Revista do Minho, 1.° anno 187Õ, Barcellos), encontram-se os dois seguintes artigos que interessam ao nosso
(

assumpto Cândido A. Landolt. Vocabulário popular de alguns termos especiaes usados pelos fadistas do Porto (pp. 54—55).
:

Contem 53 termos dos quaes
populares e
J. Leite

lazeira,

pingas

e

versas são

não do calão.

de Vasconcellos. Gíria portuguesa (pp. 62-64). lista de Monte Carmelo, que suppoz ser o cola Reproduz lector de todos os termos, e dá 18 novos ouvidos aos garotos do Porto. De um philologo, como é o auctor, havia que
esperar mais.

mais extensa, muito mais extensa que todas as anteriores, dos termos de calão acha-se no artigo seguinte:
lista

A

J.

M. de Queiroz

Velloso.

A

logia e historia) in Revista de Portugal,
(pp. 153-183), Porto.

giria (vocabulário, etimonovembro de 189C>

Alem de varias considerações geraes e de indicações sobre as fontes do calão, contem uma lista com 1337 artigos (contei-os rapidamente, mas não pode ter havido senão muito pequeno erro) todavia o numero de termos distinctos
;

porque o auctor, seguindo o exemplo, a meu ver, criticável de vários collectores de gírias, separa em artigos
é menor,

diversos as diíFerentes accepções de uma mesma palavra: ó assim que o termo macaco tem quatro artigos, o termo pae três, ralé três. O auctor serviu-se de Bluteau, A. António de Lima, Silva

Lopes; examinou vários romances^

traduzidos e originaes, e outras fontes que não indica; mas a maior parte dos termos que publica foram colligidos da

traducção viva ou directamente por elle ou por outras pessoas, o que dá á lista valor particular, sem comtudo

tenham introduzido

ser possivel para nós a absoluta certeza de que não se nella alguns productos espúrios, apesar

da critica que o sr. Queiroz Yelloso se exforçou por exercer sobre os materiaes á sua disposição. Ha outra ordem de termos que não por sei'em espúrios, de falsa giria, mas
sim por serem genuinamente populares, da hnguagem geral

65
do povo não deviam figurar, como figuram na
são:
lista.

Taes

Alapar-se, esconder-se, muito usado nas províncias, deri-

vado apparentemente de lapa^ mas muito mais provavelmente modificado por dimissilação de * alaparar-se (cf. pela forma coitar vb. por coaltarar, do s. coaltar, do inglez, e
pelo sentido agachado^ propriamente escondido, de cachaj fr. cacher, e acaçapado, acachapado, abaixado, encolhido

como
dado,

o caçapo

na

com um d

Temos também epenthetico, também de
toca).

a forma alaparlaparo.

Alhada, compromettimento, etc. Vem já em Bluteau no sentido de embrulhada. E perfeitamente popular.
Almiscarado,
ó
i^oioisi^

como

o antigo alfeninadoj adj. es.,

termo familiar (um almíscar ado).
arranjo popular de sophisma. Badejo, bacalhau, propriamente bacalhau vivo ou fresco,

Asophisma é

um

termo perfeitamente geral, do hisp. abadio, de abhad, abhade, como bacallao de haccalario, segundo D. Carolina
é

MichaêHs de Vasconcellos ^
Baralha, tumulto, desordem, etc, é um velho termo, sempre vivo na boca do povo. Nos antigos documentos era principalmente usado na forma tautológica á volta e baralha:

baralha e depôs a baralha a sa cassa entrar e hy auudo conselho fuste pêra ele firir peyte
soldos.»

«Quem com alguém

Foral de Santarém in Portugal, mon, hist. 408. Leges, i, Cp. Foral de Lisboa, pag. 413, Foral de Almada, p. 476, Foral d*Aguiar, p. 714^ Foral de Extremoz, p. 681. «Alcaides ó iurados que a bolta ó baralla
sobreueneren e uiren
ferir ó

XXX. ^

mesar

e lo uire alkalde ó iurado

firme fasta en V morabitinos.» Costumes

Eodrigo,

ibid. p.

e foros de Castel888. «Ningud orne que fugir de bolta ó

1

«Certas Agulhas ferrugentas, tinham entre o Badejo e Bacalhao
:

mettido

Ha quem faça melhor tal enredo que dizia o Bacalhao cozimento ao estômago que eu? Arre com o Badejo, que a piiro azeite é que vai escorregando.» Feira dos Anexins, p. 215.

como se vê de A. Dicc. barriga. bocado. p. matelot. escriptores do século xvi no sentido de companheiro nas . Comedia todo vós estais Ulysippo. é popular. António de que anteriormente se encontra. Sem duvida ha. na lista do sr. acto iii. 1. conservado até ao século xviii. e foi empregada pelos abandonou (matelote.» Actos dos Apóstolos (in Inéditos d* Alcobaça) vi. scena vi: «Ai maochas. velhos termos que pertenceram á lingua geral. e levantouse muy gram volta gram baralha antre os diciplos Judeus. de que provém. Não bulas baralhas velhas Não mettas mãos entre pedras. Tira-me da baralha. a palavra significa marinheiro como o fr. nas girias dos diversos países. 932. porção. cimeiro. é pover-se dos exemplos reunidos por Moraes. propriamente lasca. Encontramo-lo ainda nos provérbios colligidos por Bluteau: Boca fechada.66 de rebata tresquilenlo e pierda el quinon. fallar sem saber de que. Manchas era simplesmente um velho plebeismo. Estilha. como pode auditiva). mas que esta Queiroz Velloso parece estar nesse caso. que está no cimo. d'otivo. ex. por exemplo. no século XVI em Jorge Ferreira de Vasconcellos. mas só por ouvir fallar os outros. De modo nenhum podem ser considerados : como termos de giria os seguintes também popularissimos pança. copasio. propriamente do que não se conhece directamente. é alteração àe fallar Foliar fallar d'outivo ou amies fallar d'outiva (outiva = pular e foi clássico na ultima forma. Lima. e cortado».. copo (grande).» Costumes e foros de Castel Melhorj ibid. à^s^i fallar á toa. e outros que figuram na lista referida. «Em aquelles dias crecia muyto e muy o conto dos dicipulos. p. .

Da minha parte tinha eu já ha annos formado uma lista de termos de giria contemporânea. que naturalmente será completado com a segunda parte promettida indicadas. absoluto: e em raríssimos os que passarem d'uma extravagância ephemera da moda que as tem também e consideráveis o calão criminal». d'estes. deve-se reconhecer que elle prestou um apreciável serviço. fontes que cita anteriores a 1830. em muitas partes. O sr. A maior termos que faltam na collecção do referido d' esses escriptor tem ainda emprego e não foram puros caprichos do momento. todavia isso não impede que a historia e o uso actual das palavras nos permittam separar nitidamente em muitos casos o que é da linguagem popular geral e o que é das girias. é mesmo mais que — sobretudo para o provável : sul do paiz — que ainda existem outros termos de giria. — — . eliminei delia tudo o que era comassim um residuo que abaixo publico. refiro turas) dando indicações rápidas (por meio de abreviadas fontes litterarias que examinou. do seu trabalho. Igualmente teria feito bem o auctor do trabalho a que me tes. além dos aqui incluidos: nem nós temos a estulta pretenção de exgotar completamente o assumpto. Tendo comparado essa lista com a do sr. o que prova que o sr. Poucos serão. mum parte e ficou Queiroz Velloso. Queiroz Velloso foi demasiado longe na seguinte asseveração «E possivel. alem das já Apesar de todos esses reparos. Queiroz Velloso introduziu com razão na sua lista os termos antiquados ou que tendem a sê-lo das listas de Bluteau e Silva Lopes e dos romances de A.67 do mar: (quem não sabe que Diogo do Couto cha- lides mava a Luiz de Camões seu maialote!). de Lima. acrescentada depois e que continha 695 artigos. deveria ter notado todavia todos os termos que se acham nessas fonúnicas para assim apresentar no seu trabalho os poucos dados que possuimos para a historia do calão. os limites entre a linguagem popular e as girias são indefinidos. no entanto. como tem sido observado. A.

° : Termos se reduziram a termos giria de gíria Termos primitivamente de que 3. L. Ha 1.). minha audição casual nas ruas de Lisboa e Porto os termos colhidos por mim próprio levam a nota C. 3. baralha). i. 139). 4. 1865-1866. podem ser erroneamente consi- derados como próprios do calão (ex. mas sim agua (M.° Termos das diversas girias. . . matelote). familiares (ex. levam nota particular. pois anda significa. além de alguns termos repetidos da traducção dos Mysterios de Parecia a palavra anciã no sentido de égua. Queiroz Velloso como da minha. o que muitas vezes é antigos populares que se (ex. O Vasc). fontes da minha lista são : Uma lista manuscripta que me ministrou ha annos o fallecido escriptor Leite Bastos. lista lista Os termos da Os termos da de Landolt (abreviatura Land. L. ris. 4 vols. Da lista de Leite Bastos tive que excluir muitos termos de genuidade suspeita mas é possivel que algum me escapasse que devesse ser também riscado. Termos populares geraes que. o que parece devido a um apontamento mal tomado. mas outros revelaram-me que não me- O sempre confiança.° pois que distinguir. alguns até na litteratura. Assim encontrei nelle. romance Eduardo ou pelo padre João Cândido de Carvalho (Lisboa. A . por serem empregados pelos que faliam o calão. 2. As 1. os termos aproveitados d'esta lista não 2. padre Carvalho (conhecido popularmente pela alcunha de padre Rabecão) colheu sem duvida da tradição viva alguns termos.).. gajo). teem adquirido certa generalisação na linguagem do povo. de Leite de Vasconcellos (abreos mysterios do Limoeiro^ viatura 4.*' tornaram termos populares. 5. não égua. se dá noutros paizes relativamente ás gi- As duas listas comteeni também termos de girias de difficil classes não criminosas. indicado pela abreviatura M.68 Observarei que muitos dos termos da lista do sr. phenomeno que rias.

Fome. C. Vasc. . alcilante. Cf. Ir. v. I. aranhota. — á mesa. alar. v. adj.. s. Homem Tesouras. Mordaça. mulieris. Dinheiro. Denunciar. v. assoprar. Hor- alcide. Bebedeira. assorda. - m. f. 143. f. 1. acaiihotado. f. (Bacalhau. a. C. pi. phoro. C. Preso. — 2. alvo. archeiro. midade. Queiroz. Pão. C. s. rorisar-se. Mesa de jans. á raposa. s. C. v. v. Nádegas. Denunciar. s. alumiada. f. Picar (o cavallo). Queiroz. az-de-copas. Es- aparelhado. v. asca. zanga. mento. m.. s. Phos- s. a. atroços. n. C. drifes. Evacuar. Fogueira. acha-cliumbada. m. Acceitar. Triste. 6Õ). assentar. aparelho. Land. ébrio. m. ? atrimar. badona. extredo esqueci- s. a. C. v. s. f. Preso. Quisilia. s. M. tar s. sem real. Falta s. n. 134. receber. Pão asas. f. s. Atrás. com antrolhos. s. a. Porto. C. Cavallo. alar. Pedir esamoinar. '? Sardinha. ? atiçar. badejo. s. alisar. m. s. adj. f. Estar a troços de — . refl. s. Bruxaria. m. abuçar. altar. Pudendum C. M. L. ar. C. s. arrezinar-se. a. m. moinar. s. Vender. C. adv. f. Feijão. alho. de dinheiro. C. v. m. b ágata. ambria. m. p. Vide Tem também o sentido de — ser sodo- mita passivo. bailharote. I. aguaruça. f. armar. adj. algodâo-em-rama. n. adj. Meretriz senhora. Viver. s. Porto. Furtar. C. v. C. C. aparar. s. vilissima. m. Lanter- dex. s. — s. apertante. Alçapão. n. tar. a.69 abancado. Cercar. v. ? arifes. pi. L. Corda. e s. s. QuEiKOZ. C. f. f. f. C. po- amostradora. a. s. na. d'ar. Falta m. abridor. Braços. Espertalhão. v. v.. baguines.. f. rol Fim. Lanterna de furta fogo. C. mola. Relógio de arrombada.

busilhâo. Vasc. s. Queiroz. m. Pandega. Que não tem bálsamo j s. C. caixilhos. Que não tem s. s. Annel de f.ao i. Bofetada. caganefa. v. Quarto de L. s. m. 400. Presentemente tarimba. a. Cara. bater. C. pau. Pudendum de cachorros. i. v. Podex. L* m. n. s. . Queiroz. C. pi. Fazer quatro . Olhos. f. Espingarda. Cf. v. De — velar . cagar- bogalhão. bufo. Podex mulieCf. m. calmeirão. — de preto. Grátis. zivel. f. f. s. baldo. real. m. s. Iharote.) Melancia. C. C. — mulieris. Resegredo. s. bicudo. orgia. m. Vid.) cabeça. prisão. s. significa barriga. C. borga. Ladrar. Thesouro. C. m. C. C. Maroto. Ir no bpoi^ broia. proa. peito. f. Policia secreta. 142. ris. Rou- benzer. s.bailique. C. um — . besugo. f. balharote. C. Queijo. tre. adj. bola. Vinho. s. Bom. f. s. f. — mão. buldra. rufa. oiro. C (Pés. caldaça. (de Silva M. Seios de mulher. m. m. 129. f. Podex. caldo. Estar soldados e bar. Quartilho. butes. m. Preguiçoso. s. Vinho.. C. L. f. preso. m. s. s. os cinco dedos. Valentão. M. Prisão. C. m. Alfinete de m.. m. bomba. s. bilontra. botica. Land. vintém. hundra. pi. m. Pedir. boa. s. s. naipe. m. m. um — A certo. s. Botas. — . n. s. s. n. s. —L. adj. Mulher desprem. C.. cabo. banano. n. bote. borla. Land. C. — no m. Vasc. brechar. s. adj. bil- cachucho. C. adj. M. Fr. s. caleço. C. Lopes. C. Pagar a patente. I. balsar. s. Vasc. Queiroz s. Quatro soldados e Paulo.. cambão. v. cagarrão. cair. V. de accordo. pi. um s. s. calona. bai- dinheirama. Passeio nocturno.

chinoca. C. s. Sem vintém. s. Met- 120. I. Podex. cifra. s. s. m. égua. m. cantar. m. Fechadura. 'Cf. coUa. m. m. chamborgas. Copo. C. chimpar. cavalliiiho. s. Podex. s. C. coragem. fallador. s. s. Ver a tade. V. Fadista não ha dade ordinária. s. fiar. C. droes. deia. m. — á pal- paz. garro. m. s. a. careta. Que tem pouco valor. chaleira. es- ma. m. adj. Bater de chapa. s. Libra cocar. v. adj. cardar. ao café. m. s. n. collegio. s. cucar. Ir ás — . que é de quali- caruiifeiro. á von- Queiroz). contado. v. catraio. a. Prisão. s. Quei- chibo. s. L. C. chalrear. f. 2 gen. Casa pequena. adj. chapar. Espolio. Palavra. . v. m. s. Cf. pi. f. Land. Moeda de 500 carinha. ca- chalrador. C. têem cunhado um 50 réis. Japona. em Queiroz. C. chato. carocha. s. s. fanfarrão. a. cara. Ver. Dinheiro. cavalli- de amolgar. cardenho. Criança. Bofetada. Muito boa. réis. s. chegadinha. Queiroz. que casca. C. C. f. Sem — f. Cantar. s. V. Vid. m. frer. s. Ir Land. chalupas. Que não tem m. Como m. a. m. coco. Queiroz). que quer passar por valentão . roz). Moeda de que cavallo. f. capito. Moeda de oiro do vintém. em que C. Furtar. terlina (especialmente as cochicho. Racatraia. adj. M. Padecer. Alavanca. v. C. cheira. roubo. geito. traidor. . s. a. (Cf. cheira. C. Anno. s. s. Copo. chavelho. s. O Terreiro do Paço (praça de Lisboa).71 eamelote. Land. Chapéu cavallo). Land. — o olho. Capitão de la- Futuere. f. m. O copadas. f. s. valor de 2?5000 réis. v. f. e tediço. C.. nho. clisar. (Cf. a. Vid. C. sof- Chão-grande. s. Botas. a. f. f. C. f. de prata. Ponta de ci- chinfrim. cheira. f. m. s. Vid.

adj. s. Mês. Cf. descarregar. s. corveta. Nome valendo como fulano que se dão os fadistas para dor. s. Cachimbo. adj. C. v. Estrada. Mâe. Enterrar. n. m. Mandriar. s. s. — encaixotar. tar a ceia. . refl.cordaiite. Parar. doente. entrames. s. f. s. m. adj. C. f. embeiçar. esquilha. chadura. Fazer Andar — que. m. s. envergadura. dorminhoco. Zan- bora. m. a. s. m. Empregado tir-se. a. f. desconfiar. Koubo. v. encalhar. v. s. Sardinha. Queiroz. tido. C. s. dia. C. preguiçar. Esconder. m. v. gar-se. cozinha. s. entrar. altanado. s. cor- empandeirado. m. Zangado. s. V. f. a. v. Vestuá- culatrona. Ópio. Compromet- Fabiano. m. f. Entrada. v. Excre- mento. corte. f. C. n. cima. m. Faca. v. Land. Forca. faiante. da fefalso. Ves- cunha. rio. f. furtar. . s. que verifica passaportes. culatra. cortesão. n. — o li- esganador. C. m. m. cucar. coveiro. Procurador régio. Preso. esteira. v. Andar geiro. s. Gravata. Cabeça. a. Fadista. Atracar. s. empandeirar. f. sentido. C. derrubador. s. Famia expressão não empregarem o nome liarmente dor de cotovello tem o mesmo doutora. Ir-se em- espantar-se. Chapéu fino. corrida. m. s. s. m. Mata. lá de darona. madeiramento. s. encabrestar. Pedex. Apresenf. Moeda. espinheira. toda a noite C. n. tar-sBy Queiroz. Mãe de Deus. s. assassinar. refl. escovadinho. C. Ciúme. v. s. f. m. matar. v. Fadista. f. Cp. em folgança. C. esfolado. f. poHcia. s. a. faia. envergar-se. f. s. Esquadra de encanar. Buraco verdadeiro. s. s. Meretriz vilissima. Chapéu. — escarnliida. f. esganar. Ver. m. C. s. C. s. bos- ?deza.

a. Perua. Queiroz. s. Futuere. f. Vid. gando. Morte d'hos. n. f. te vil. Apanhar. C. infra. espe- gao. da. Desde menino. s. cangarína. s. gandaieiro. na Gíria do século XVIII. Philarmo- tusco. rança fina. gangarina. M. C. Piolho. da á gandaia. Astúcia. v. m. Bluteau. Palpite. m. Unha. gadachim. Queiroz. gaio. á boa vida. s. s. s. C. f. s. furacão. a. gabinardo. m. gateira. Cp. v. — da corceia d' ou- Meretriz. f. Official de jusci- galdrapinha. galdrana. (=z helfo). funeral. Q^. Capote. num. I. garrafa. s.. Cp. Vadiar. Morreu Custodio. v. . f. Ferros s. Bater. s. Vadio. Pa- m. n. tade. Garrafa. ganfar. Igreja. Malandro. Vender. dar. 136. s. s. I. Elogio. nica. Diz-se também no mesmo meirinho de Coimbra zia: sentido andar á gandaia. guarda Comer da Queiroz. m. faxar. gata. la. Dinheiro. folgar. L. Andar na pandega. Cp. v. num f. s.. Copo i. Prisão. C. soldado. 81. garganta. s. Cavallo. C. a. m. Queiroz . m. s. f. s. v. gelfa. finfar. gelfo . gandaiar. gargan- tosa. L. lissima. garuella. fundo. 6. Cp. a. Gabão. sentinel- Bebedeira. C. agen- galdropar. 129. Applicar. Queiroz. s. m. ganho. Meretriz vi- m. garulla. Vasc. m. f. v. n. O que an- Filante mor. m. L. ferro. Abrir. filé. C. M. s. Vid. s. ganau. Uma quadra do tempo da guerra liberal allusiva a um certo di- trem. mem. m. Velha. ferrameutal. C. s. s. M. m. Á — Queiroz. filante. de poUcia. para arrombamento. gauderio. fungágá. gaudinar. Silva Lopes. Meirinho fino. s. tiça. m. p. de vinho. Quarenta e dois. fila. s. f. s. v. fofa. f. forty-two. fraucisquinho. A von- fundo. cão. Mentira.73 farar. Cp. m.

Mentir. s. f. v. s. C. Bebedeira. grane. inglez. Cf. gnificações. s. s. pairar. desajeitado. Patuscada. Repertório Caixa de grande de cantigas. Vo- m. lofo. s. s. s. Land. gerípit{_. Jatingar. maço. dente. Convir. m. L. s. cacharolete : C. s. s. com outras luzida. f. Em si- Queiroz. f. larias. Queiroz. n. gimbolinha. grão. m. girote. f. Pedra preFesta. I. kioske. Porco. s. Land. Vinho. Escarro. giribato. foi guiho. v. lirias. m. m. f. s. larias. s. s. Vasc. Vinho. lamira. Arroz. horar. M. lupa. 8. m. bebida composta de rentes Hcores. f. f. Comer. m. granej. f. Vadio. s. ilhoz. m. 143. m. gingão. grulha. n. s. C. s. s. f. macote. m. Estar de accordo. Peru. Aguardente. Laranja. Quartilho de grani. Queiroz. Caricato. TEAU. s. v. Casaca. . s. grelha. Gritar. labita. giielar. Cavallo. ciosa. Vinho. m. Percevejo. Vasc. Lettra commercial. f. v. C. C. Vasc. giraldinha. aptar-se. griso. largar. grosso. m. m. s. s.. Queiroz. adj. lavado. s. Libra. prata. Vasc. Podex. s. C. C. Penis. tada. f. luzente. s. v. n. s. v. Já nas cortes de Almeirim de 1544 prohibido deitar gesso no vinho. C. lixar-se. s. adj. s. liré. M. Cf.. v. m. Irmão. C. lamiro. Vasc. Evacuar. Coxo. Fazer horas. f. grossura. lanterna. n. Artelho. n. s. Cantar a mitar. lostra. Sacola. m. L. significação da palavra. lyra. Frio. ^ris^ Blu- Vid. Guitarra. f. s. Bofe- grudar. m. C. Garrafa de vinho. s. C. Adaccomodar-se. s. diffe- lascar. Pateta. Queiroz. Nos 13Õ. m. f. Aguar- s. C Dessa falsificação vem a irmo. C. — . gregorio. C. C. m. s. livraria. Bêbado. m. peru. m. I.gesso. f. m. guesso. a. grossa-casca. Futuere. vinho. Sapato. giripití. Podex. linguado. s.

Na marosca. Tolice. Land. Penis. pi. Chapéu (de s. mangalhado. milhafre. . madrinha. pedaço de asno. adj. . muMenesa. C. dreiros. Podex Land. s. s. m. s. v. Ter- malaíaía. maduro. dedos da Queiroz. manesa. s. martyrios. I. s. Tolo. bolsa e achei só mil reis. amolgar). marinheiro. descoberto (num crime). Copo de mocar. Sujeito de servir. Penis. Homem que não o tem. O que traz dinheiro comsigo e diz minhocas. s. ? s. f. Dez Os mão. Cf. um homem. melcatrefe. f. malva. Vasc. Facada. m. adj. Land. moco. marreta. giria dos pecoelho. n. p. mandíl. C. moca. martelinho. adj. Vid. s. o s. Pregui- s. s. — m. . mitra. Apanhado. Ter macacos na Ter — mimoso. Land. çoso. Ir para matar. m. f. pi. Testemude- masquir. magal. s. Mil réis. nis. f. s. m. s. maqumeta. Casaca. Cabeça. f. v. marrão. Bebida nar- miar. s. macovia. — meio-bordo. Sapato. duvidosa. s. Land. cótica. abbadessa. A evolução da linguagem. Soldado. f. a. m. s. profissão Não s. adj. nha. «Consultei a peva e achei só um milhafre» abri a man galho. mente. maudigula. Id. M. mata. s. f. f. Prender. macote. pi. Gritar. f. Tra- meio quartilho. mo vago que de desprezo com análoga á de melcatrefe. m. Pae. s. loucura. midea. a. Tolo. hir. s. Ferramentas. liomi- maseovia. Enganar.. Significação f. s. Acordado. major. Traição. s. logro. Cabeça. Queiroz. Chapéu fino. menesa. s. 134. m. adj.75 s. C. s. m. Mandamentos. mistico. v. m. Sopa de macarrão. prestar. alto. Mastigar. . a. f. lher. m. L. Ardil. nao m. m. m. v. f. Logar onde se vende fato velho. Concubina. se designa um rapaz. Preguiçoso. 53. mania.

f. m. f. Mandriar. patao. m. . mulieris. nadar. a. assoar. mosco.se. f. C. tostão. m. C. Lenço de s. m. patuno. parrameiro. s. C. etc. n. sereno. pantufo. parelhar. Land. que segue regimento de terra terra. v. Carruagem. moscar. moiua. nicola. m. s. C. mosqueiro. Estômago. C. s. s. Audar á — m. C. s. m. v. — nocturno. n. C. s. Juiz da prisão. poli- Edifício da prisão. um em nicar. C. s. f. s. Podex. Cabeça. a. s. Sede (Porto). Grátis. moucoso. Acção de nicar. m. (pron. C. pandego. C. olho. padrinho. v. Vid. nasio. s. M. cial. s. pevide. pardal. narro. v. Merem. Amasia. suspeita. Soldado da guarda municipal. pi. s. s. m. s. . C. 53. s. s. s. s. Guarda nocturno. Futuere. Pudendum patrazana. — de pedras. moleque. C. Nariz. official. — da linguagem^ de boi. m. Cruzado boa). noz. Gente m. s. m. s. f. s. s. aberta. s. adj. Gordo. Fazer mal a. m. Andar a pedir esmola. s. Bofetão. s. patrona. Nos diccionarios como popular. v. m. De — . refl. Pontas de boi. Vasc. a. móní). s. Punhal.. amoiuar. m. C. Vasc. v. pente. Pudendum m. Casa. Meretriz de m. money moute. Queiroz). v. Fome (Lis- A evolução p. m. s. Justificar. (Cigarro. Verdade. s. m. soldados. Fugir parrançar. C. Quebrar. Podex. Prisão. Na pedreiros. Dinheiro. m. — mulieris. peneira. moscardo. I.se. Puden- morder. panella. m. C. Roubo. s. Asno. com roubo. Tolo. novo. Divertir. s. palito. peixe-na-costa. patrajona. noscar. f. Testemunha. f. m. L. m. Bofetão. s. f. moxingueiro. s. monteira. Cantor. Gato. de boca giria dos pega. n. C. f. dum mulieris. paiol.76 mofo. triz. m. Espião s. 40.

s. f. C. C. saltante-picado. s. C. teza. morta. Silva Lo- Penis. casaca. Queiroz. s. chumbado. Espancar. quinhames. s. ruiva. f. Queiroz). a. Diabo. servir. Negocio. cia. (Bebe- pes. f. Copinho. Queiroz). Dado Pé. tra. de 500 rodellinha. Bengala. samatra. quilhar. Voltar. s. ralé. C. s. v. Casa onde sobremoscovia. n. m. queijo. jpil- reminicar. C. s. Pessoa rola. Prostituta. remédio. Cf. prata roçar-se. C. f. Desordem. m. rabão. m. Annel. Gravata. n. f. Relógio. m. Génio. f. querer. replicar. ponis. f. s. f.77 philarmoiiica. Patuscada. m. s. n. A poli- regulado. v. pinto. m. m. C. Senhora. sinhama. f. Land. Criança. v. bom senso. v. Índole. s. s. s. presunto. Explicação. n. sinhá. s. Cf. s. Policia. C. Queiroz. ratoeira. Coisa que se come. s. f. s. C. Sobre- reúnem refeita. m. s. riscar. f. tris- Mulher. roedura. C. f. Rir-se. sebastião. s. Penis. quinta. m. refl. Cp. adj. f. s. s. f. Masturbação. Cp. f. Criada de Land. s. Enfermaria de meretrizes. Vasc. C. s. s. Acção de s. comer. grosso. m. s. se s. placa. sem-luzios. ladrões. Caldo. m. C. Pouco differente do uso commum rapiaça. s. pilula. C. s. . nhantes^ botas. s. humano. Silva Lopes. Cego. Moeda de réis. Queixar-se. Cama. s. deira. s. f. Juizo. Manobrar com respo. via. f. v. da pro- quebrado. C. rolha. Pesar. f. s. m. m. v. duvida. f. s. Sapato ca- m. f. da palavra. Excremento s. adj. a navalha antes de dar a facada. s. cia apitando. s. Pôr Futuere. — meça. sobre-maco- Ceia. piegas. servido. f. a. servir chegada víncia. roca. f. rodilha. rustideira. C. sarambia. Preso. s. Cabo de polipirata. f. Prato. pitada. risca. (Moeda de prata de 240 réis. Tolo. pire. v.

C. m. Na giria dos tocador. (Todo triques á marinha. chincha. C. verde. C. f. Na giria dos me. Amante veEste Land. s. tefe. n. termo é m. s. pedreiros. M. L. Vasc. s. o pae. V. s. pi. Que está d'ac- A Uma bofetada. temposa. Jogo de alçapé. s. s. zuncho. Cara. s. s. Homem. f. cordo. m. C. porta. p. m. f.Vid. 53. Conti- s. m. dar alar- s. f. pi. s. nuar. s. adj. C. giria dos pedreiros. s. m. Queiroz. n. s.78 soldados. Gritar. Falta de dinheiro. m. Navalhada. — com m. Quei- — sovelão. Fome. s. Caixa. tacho. Todo rinha. soiideque. s. f. s.. sondar. sulipa. um-sete. s. s. Na lin- zarear. M. s. — grossa. torcida. . f. m. a. Zangar-se. f. pess. m. zona. pado. Vid. — . ISõ. simplesm. Preguiçoso. Burro. á beitriques. ^ evolução guagemj. s. Podex. tapor. Pudenmulieris. Vasc. C. in. f. adj. A evolução da linguagem. tronco. I. s. C.. 135. p. — a mona. tento. vegete. Sapato. C. muito usado no theatro. s. v. tocar. todas. cabo. teuéne. ugar. sorna. liga. f. teu. Lanu. Bofetada. Cara. f. Bofetada. s. v. f. p. lho. n. s. f. zachael. evolução da linguagem. m. dum L. Podex. Pe- sona. Embriagar-se. m. Fazer Escada. — trombeta ou beber. Avaro. xarifa. I. tosse. Cama. zouca. M. tampòsa. coisa.. C. n. traidor. adj. A da Noite. heris. Pudendum mum. Todo liró. f. 53. Vasc. roz). pron. 53. Bebedor. verónica. Umas — tocar. s. subideira. . C. Morrer. C. pous. v. v. 120. pedreiros. I. sonhar. tardos. L. Frio.

Paiva. arame. va. Queiroz Velloso mostra a persistência de boa parte d'esses termos. asca. E possivel até que alguns tergirias mos indicados como antiquados persistam ainda nas provinciaes. Paiva. Dinheiro. Cabelleira. bastos. os de colhidos por Bluteau não levam indicação Monte Carmelo vão indicados pela abre. Dedos. mesmo Zanga. bagulho. as girias experimentam. como em toda a linguagem. artife. de Lima com o appellido attribuida Lima. Girla do século XYIII Os termos de fonte viatura . uma de termos do século XVIII. banza. cadentque Quae mine sunt in honore vocabida. Termo popular. Carapuça. si volet usus. alvada. avesar. apesar das modi- curto que seu de de no material termos e ainda naltempo espaço ha nellas uma unidade fundaguns processos secundários. Estão em uso as formas bago e hagalhoça.79 Tem ficações sido notado noutros países que. Estar altenado. sentido. Quisilia. os das Infermidades da língua com o appellido do auctor. . Guitarra. Espada. C. ás vezes num mental que não se perde. adaga. M. Paium termo Pão. A significação aos últimos é conjectural. Taverna. aifarreca. Aqui. os de A. no navalha. avesar-se. popular. Amo. A comparação das duas listas seguintes. Antiquado. a outra de termos em uso no calão na epocha da guerra constitucional (Silva Lopes) com a minha lista e a do sr. um certo fundo de termos e de processos que escapa a todas as innovaçoes. Usase ainda no sentido de — presente. observa-se o que nota Horácio : Multa renasceniur quae iam cecidere. A. Paiva. E antes bayuca.

cachucho. que fez hum homem dormindo. zer o bico ao faxo. calcos. Anti- quado. É Simples. espan- de fortuna. mente termo popular. — pataco. Lisboa. Antiquado. Pcs. cf. cachimbos. crivantes.. Beque ria aqui hoca. 1784. Dinheiro. Usado no sentido de beque (dar Paiva. Dez réis. Antiquado. Annel de oiro. boca. gem citada s. Fabico. O dos miseráveis (entremez). Cosque no calão moderno é casa. china. Correr. s. m. lar. ^npregado ainda hoje no sentido de casa pequena e velha. Moeda de cobre ou bronze? Paiva. Antiquado^. alguma coisa. car). Lisboa. Anti- quado. E mais significa- usada hoje a forma catrapós. a passav. Oh ! tomara-lhe eu a china o damno ! dos miseráveis (entremez). muito. dez-bofas.. cheta. ter ou possuir Minas de caroço usa-se ainda no sentido calmar. calcorrear. bola. Antiquado. 2 178. casebre. Sapatos. noivo era fama que media . Taverneiro. antes um termo popu- Carne de vacca. ao — Fallar? ). É propria- Termo basaruco. riqueza. fr. 1784. 1 grande chelpa escondida. cria. de tudo quanto tem. Dar (bater.5. Vintém. hecy 8. ainda vivo. miuas de Antiquado. cosque morrosque? Paiva. Dinheiro*. Bebedeira. Cavallo. como hoje argot significa nariz. Ver. Segunda parte da viagem sonhada. embebedar-se. Casa. Vid. bolonio. PaIVA. he herdeira sua filha. eatropéo. aos alqueires a cheljm. popular. cascunhar. . Lisboa. f. . Dentes.80 bayuqueiro. Cabeça. chelpa. pobrete. criar. e Tem o damno . Ter — caroço. faxo. Paiva.

5. scen. M. ficando hum caxo. Lisboa. galga. Raio poético de Matusio Mattoso Matos das Matas. gabão. Vid. Vadio. ^ . Fallar. Antiqua- Beleguim? do? eiitrujir. gantão. Anti- quado. nâo vêem junto um só tostão. fanfar. Lisboa. Antiquado. gaudaeiro. . Lima. Incisão anatómica ao corpo da Peraltice. Pau. tendo de dia feito ao faxo O bico muito bem. mãos. gabrinaldo. estardato. Paiva. sentido de cara. . Correia Garção.se a na baixa-mar para apanhar algum objecto aproveitável que por lá haja. — diar. C. falso. Lisboa andar á gandaia ó propriamente revolver os lodos do Tejo Em gabio. . viver ao Deus dará. fumélio. 1786. . 1771. Vid. espigas. Paiva. gadanhos. e estes peraltas. Antiquado. num cripto jocoso. . Usa. Meias. Lingua. Fallar? Paiva. bico *. Fome. faxo. galrar. . forma gabinardo. galradeira. tristíssimos gandaeiros. Paiva. Mão. Entender. Tabaco para fumar.81 galfarro. soberbo. Gabinardo. Lenço. Chapéu. gandaeiro. pobretões já ex professo. 2 Deste cano real hoje te saco. O que anda á gandaia 2. Antiquado. valente. ganchorra. e outros ejusdem furfiiris. No es- gambias. Antiquado. Antiquado? Vagandaia (andar á ). Pernas. (hoje faxa no mesmo sentido). chulo no sentido de giAnti- Estoque. Bigodes. m. Dedos. Paiva. Anti- termo galfarro é dado por Bluteau como O quado. Theatro novo. Qual saca o gandaeiro um prego torto Dentre os chichelos velhos da enxurrada. eucaiilias. s. quado.

Paiva. Vagar. Piolho. Frio. que fez um homem dormindo. gando. justa. Injuria não. g anisar o. 3 Eu lhe buscarei idea para* lhe sacar o gimbo. mão.) ou amante de outrem*. Toda essa gritaria. geba. gaudiperio. Que te fere os ouvidos. M. s.. Casaca. Penedo. Sua mulher Segunda parte da viagem sonhada. Raio poético de M. gebo. Antiquado. Lima. . Usam. que pregou A hum Ginja. — comedias 2. Velho. garrocha. joruando. Mãe velha. M. Antiquado. M. m. Unha. M. formas ganau. he causada Do feio gaudiperio. golpe. 1785. . gao.se as grão. gaiiíços.mal pilhou seu Gebo a dormir. C. a que a mulher Armas contra seu gosto faz trazer. Lis- boa. em forma janisaro. O . gisar. 3. Usa-se no Antiquado quado.82 Dados. Cruzado novo. Lisboa. Dinheiro. Furtar. jorna. . Em quero Não Bluteau. * Assim como no leito foi pilhado (Marte) Fazendo gaudiperios ao coitado Do ferreiro Vulcano. Tunante. Segunda parte da viagem sonhada. . Algibeira. 1784. Antiquado. gateira. Bebedeira. maga(Bluteau esAnti- que se faz tendo relações amorosas com a mulher creve quado. Parece uso a estar ainda griso. C. o damno dos miseráveis (entremez). Lisboa. gimbo. gris. Antiquado. 1785. varias Estou sair. Matos das Matas. C. que ha pouco se casou . quefe um homem dormindo. lancho. e apupada. Anti- sentido de jaqueta. Antiquado. .

marca. Tostão. Carapuça. soquir. Usa-se no sentido de reles. Usa-se a for- piJra. rir. 1784. Vinho. libertino. rustir. 1 Então no tal casamento Desde já estou maribando. (entremez). rede. luzios. sentido. p. Camisa. marco. Cama. Matos das Matas. Antiquado. suquir. Lis- Ora eu estou maribando em vossa Lisboa. Puta. Antiquado. Furtar. finório. 2 alteza. Furtar. Não a sornar. Bêbado. M. Novo entremez dns regateiras bravas. rata. nautesnem. vil. Bofetada. estômago^ na barriga^ no sentido de ter fome. não. m. Anti- roda. C. Antiquado. as ma limosa no mesmo sen- formas no tido. s. Usa-se no sentido rifar. lostra. n. marimbar. Dormir. nada. talhão. de roupa. . Usam-se i^eltra e píltra. 1786. niente. moquideira. Comer. rafa. Capa. Paiva. purrio.se de^ meço. no sentido a niente.83 lima. A Nesta certeza os mecos conloiados seu salvo as saúdes repetião. Lisboa. Fome. M. Frade. Homem.2 Vid. esper100-101. raso. lograr. Antiquado? Sumir. monteira. Os diccio- rafar. 178G. Usa-se forma nente^ tardar. pio. Vestido de mulher. Fome. Colligi al- v. M. etc. Parece ser idêntica sonar. Dormir? Paiva. narios trazem este termo no sentido chulo de enganar. Homem. Cama? Preguiça^? Antiquado. o éLamno dos miseráveis boa. Antiquado. Boca. C. quado ? Comer. mesmo Paiva. Olhos. Usa-se a ex- pressão ter um rato no gumas passagens equivale a não fazer caso — em que de. sabes (sic). sorna. Raio poético de M. Lima.

embriaguez. pinto. Corpo. Paiva. teimoso. impertinência. 2 gen. desapparecer. 1786. grazinador. Ant. ridicularia. ganso. logro. Antiquado. quado. loquaz . doudo. engano. 86 uga. fugir. pays imaginaire abonde. O. chalaça^ zombaria. M. cuquenha. ou Ton trouve tout à souhait. pizorga. oíi tout E por isso nâo pára ella Nem com em parte alguma também coisa nenhuma. verónica. Lima. maluco. grifaria^ exótico (sic). Rosto. p. ninharia. Lisboa. quinhão. a que Terragosa. bebedeira pec^mcAa^ lucro. escarneo. tirantes. cuquenha. tonto. Littré. interesse. perturbação de sentidos. Rosto. . valente. acerto. parvo vispere. outros sairam talvez da giria. Andar. caurim. cocagne: pays de cocagne. na Camará óptica^ folheto (Lisboa. Lisboa. (= verónica). 1807) traz uma lista de termos que pretende terem sido então introduzidos na linguagem dos tafnes: . cruzado novo . espelunca. do fr. caurim. continuar? Paiva. dinho . como pizorga. emhofea^ logro. Lima. trama (sic). Costas. Eaio poético de M. moafa. Calão do primeiro terço do século XIX III José Daniel Rodrigues Costa. tal ar á^unhantCf Por ser dotada de Que excede a qualquer rapinante. vinorica ugar. pinto (cp. meio . Matos das Matas. Vid. Anti- uuhante. deita a unha ás coisas. : caçoquim. altivez . continuar. Alguns d^esses termos não eram por certo novos . s. felicidade. cruzado novo). calote . propriamente fazer vispere) . tostão . Calções. rouba*. (diz-se matuto.84 terne. jpimpão. Cuquenha é provavelmente o mesmo que cucanha. ganho de jogo embaçar. destemido. petisco. vulto. jpitéo. ganho. boca.

botins. barraca. toucinho. espaldar. clavina. casa. garrafa. sentir. diluvio. sapatos. noite. cartas de jogar. vintém. artâo. afiançar. balda. estarim. baquesim. quartilho de vi- caugarina. calcos. perceber. cagarrufa. barra. cheta. gallo. denunciar. falhas. sentiu. calcaiites. chona. cantante. punhal. botelha. archote. manta. pombo. avesa. nho. entrujão. pegar. comprador de roubos. . cuelle. farpela. cão. um caurim^ passar pregar um logro. vem de cauri^ nome das conchas que na costa de Africa servem de moeda. queixar. bocanhím. cordão de oiro. cinta. espingarda. mãos. ardose. tem.85 Caurim. bolsa. Calão OU algaravia dos malandros ádica. sol. altanado. chapéu de batas. cadeia de relógio. entrujar. espinha. bocanhim. escamar. garrafa de vinho. aguardente. fêmea. caldo. avoador.- canhantes. amarra. cadeia. bola. faca. belfo. bramar. lençol. berrar. por extensão. meio quartilho de vinho. cabra. fechadura. amarra de lodo. d'ahi impingir uma moeda falsa. cornante. ao pé. e. clizes. algibeira de mulher. boi. * Modifiquei a orthographia de Silva Lopes. denunciante. o sentido de A palavra parece ter tomado moeda falsa. igreja. trabuco. escamou-se. pão. olhos. avela. sapatos. tem. archote. juiz.

parné. cinco réis. relógio. falso. malandro. coisa. beber. lâmpadas de prata. macovia. ir roda. geboj velho. piolho. serralhas. guines. calsas. safo. lenço. chave. laia. na pireza. peru. pasma. soldados raaracão. . saca. lençol. pae. gazua. meretriz. fechadura. ladrão de estrada. cruzados novos. penduras de uvas ferraeâ. dono de alguma laivo. morte. faca. lúmia. maquino. dinheiro. cigarro. dormir. grani. burro. lodo. fugir. nentes. ventana. chave. peças de léoOO. fusca. capitão de ladrões. golpe. dinheiro. justo. sornar. uga. chapéu. grane. janella. sentinella. capote. safar. bolso. justiça. grego. sobre-casobre-macovia. magano. dedos. lepes. bom. gansos. legante. esperto. capote. pistola. foi feito j foi Matta. égua. xelro. homem. macanjo. caixa. ratanhí. grillo. galé (prisão). senhor. mulher. oiro. respalde. gomarra. geba. policia. mão. maço. collete. continuar (sic). furtar com subtileza. tostão. relógio. ladrão de casas. menina. velha. soldados. gajo. casaca. lenços. paivo. troses. gage. cavallo. misto. ruço. tralha. ganau. da medunha. nuvem. lenço. gamar. penante. pirar. prata. sarda. saco. Lisboa. tinente.se. piar. gallinha. não. tamposa.'^0 fiJho do golpe^ ladrão de roubado. maxa. gadé. fuiidaiiarios. fundos. dez réis.

Velha. mas conhecido nessa forma no tempo a que remonta lista — a supra: «Metter a gao (mão). 1887. p. on appelle chiaro Feau. de termos usados numa giria de gente de Albergaria-a. deux pays. districto de Aveiro. a un dialecte propre. Paris. colhido da tradição. ás (cuspir-lhe) . fr. diz Lombroso. 1 Cesare Lombroso. stockjish (do inglez. ficam».87 Junto o seguinte exercício do piolho. les voleurs le même lexique que ceux de Lombardie. infelizmente muito curta. Calão dos contrabandistas de Albergarla-a. faz contrabando. Devo o conhecimento d'esses termos aos srs. 465. et qu'il serait impossible de Calabre ont à un calabrais de comprendre un lombard. alguns que parecem especiaes ao calão de Albergaria de- A vem ter tido maior extensão no uso: só assim se explica como piovês (do argot francez pivois). tirantes (calças). e tem contracto ciganos.Velha Para confirmar essa observação darei uma lista. tracl. junta-se a sua identidade no espaço assim a maiotermos do calão do norte de Portugal encontram-se sul. ci^ea le vin. . — competentes cuspideiras — limpar aos — dar passagem aos que beta (os tirar o (piolho). sendo até conhecida pela denominação im- própria de ciganos. ai^ton le lensa la viande. a qual negoceia em com cavalgaduras. — levar ás entaladeiras pollegares apertados pelo lado das unhas). les Dans pain. Á identidade dos elementos fundamentaes do calão no : ria dos tempo. Uhomme criminei. ao O mesmo facto repete-se com as diversas girias nos outros paises. «Tandis que chaque région de Fltalie. coronel Brito Rebello e medico Lemos (de Alque- maior parte de taes termos é-nos conhecida de rubim). outros pontos do paiz (especialmente de Lisboa e Porto). L'argot de Marseille n'est pas autre que celui de Paris*».

pi. m. cboina. s. que o estudo das girias semelhantes das nossas províncias teria muito em que A interesse. respo. Porco. Cama. befe. m. v. Botas monteira. telo. Futuere. s. catroio. s. s. m. m. s. Presunto. Podex. n. trigo. m. boa. s. malurdia. f. Homem. m. dedos. Sardinha. v. Comer. Pós ou catruchas. Porco. arames^ artife. s. lupante. s. s. s. s. vezer. Porco. V. o-da-eira. s. m. pi. s. m. Seios. Pão de f. Ver. reco. m. suquidora. m. Cavalgadura. irmo. mosco. suquir. esquilha. s. rouf. manez. Pão. s. Broa. Dedos. m. choinar. s. f. Jumento. froina. adj. raso. s. v. m. s. quilhar. maneza. Copo. s. Pae. a. s. Dona da desconfiar. trigo. zagrâo. Beber. f. s. f. m. V. estoio. a. Bom. moinar. reichelo. Poubo. s. s. Boca. Excremento s. s. Dinheiro. Mulher. s. cosque. m. Copo de mosquir. porco. m. Apanhar. Dormir. s. Cão. f. s. s. pi. n. m. m. f. chavelho. m. m. trigo. Vinho. tris. m. bar. Cão.88 a palavra significa bacalhau secco) chegaram até lista faz crer essa gente de Albergaria. Boca. m. Comer. s. Mãe. n. m. f. s. s. Vinho. gelfo. Cavalgadura. v. pi. s. moletos. V. lupar. m. f. f. cachilras. vinho. fanfar. piar. m. s. broia. tó. escarnhida. n. Ver. v. Pão. Gallinha. Esporas. s. s. broi. zagré. s. pi. Padre. palurdio. — humano. croia. a. coco. piovês. m. f. duque. 8. Porco. Padre. m. v. m. Retirar-se. v. Cabeça. de agua. m. Irmão. . s. m. piar-do-ventre. moquideira. Excremento humano. s. s. s. f. s. fardelhas. a. a. pi. m. Casa. de stockfish. gadanhos. Olho. Flatus vencasa. calique. a. Dormir. gomarra.

que la otra era muy vieja y la entrévan los villanos. A la Camisa Carona. Al Jubon Uaman Apretado : dice el Sayo Tapador. Lá vâo alguns trinta e três (Não sei se nelles dou raia) A prata chamam-lhe laia. infra) um em que uma serie de termos da giria hispanhola ó : dada com a traducção habla nueva Germanía porque no sea descornado. valente bogalhão. ete. donde sornan en poblado. la Cama llama Blanda. O seguinte /ac?o é no género do referido romance Ao Ao Ao Ao fadista chamam /aia agiota intrujão.. le lleva porque tapado.89 Fado do calão ha Nos Romances de germanía de Juan Hidalgo (vid. fadista Aos porcos chamam Ao chamam faia. que mueho vello ha criado. etc. . corcovado golfinho. Entre o povo portuguez Ha calões tâo revesados Que deixam muitos pintados Por mais de cento e uma vez. sardinhas. — As nossas cabeças pinhas . Dice á la Sabana Alha A porque es alba en sumo grado. A la Fresada Vellosa.

Ao jogo chamam batota. caldo chamam-lhe rola. E também é de calão Ao Ao Chamar. á cara botica. Ao fugir chamam raspar . não se despertou se não mais tarde e em geral de modo menos completo que noutros paises. Um gabinardo ao gabão . aguardente piteira. Historia do cãlão Em o nosso país o interesse. Ao ébrio chamam-lhe archeiro. nossas mãos génio As bruxarias bagatas . relógio cebola. A guitarra pianinJio. As velhas chamam cascatas Ao poupado Ao Ao sovelão. Ao comprehender toscar . Ao roubo chamam cortar. nosso bucho paiol.90 As Ao A chamam batas. Ao corcovado golfinho. A um agiota intrujão. quer de caracter scientifico. lhe Também Chamam chamam larica. quer de simples curiosi- um grande numero de objectos. Chamam á casa mosqueiro . por portanto que só possamos seguir directamente a historia do calão até ao século xvii. A A fome chamam peneira. Não admira dade.se ao vinho briol. Ao chapéo escovadinho . A uma sardinha aranhota. a não ser que alguns proces- . A uma mentira palão . valente bogalhão. esperança chamam filé. Chamam bico á bebedeira. chamam ralé.

in la Société de Linguisfique de Paris. de termos de antigo calão. jargon do século XV foi objecto. Na França. (1882). fase.se até aquelle século. Noutros paises o investigador acha se em melhores condições. graça ás celebres Ballades de Jargon ou Johelin de François Villon. Villon. dos quaes só tenho presentes os dois primeiros : O Auguste Vitu. dos seguintes trabalhos. 1882). 1892. i. e fez de termos furbescos. com sufficiente segurança de dados. 295-296. messe fuori da Salv.91 SOS judiciaos venham revelar a existência de mina. e reproduzida in Archivio per lo studio delle tradizione j>opolari. Études sur Vargot. Le Jargon et Johelin de François du jargon au ihéâtre. esse escroc genial do século XV. que se acha pucarta em Nuove lettere di Luigi Pulei Magnijico. siècle. 2®. Ao edição conhecida de fim do século xvi (1596) remonta a mais antiga um livro attribuido a um Pechon de argotico) que se acha um «dictionnaire en avec langage blesquin (argot). suivi Lucien Schõne. Bonge e Leone Prete (Lucca. pp. Paris. 3® (à suivre). Le Jargon johelin de maistre François que valor tenha este ultimo). o auctor do Ruby (nome em poema II Morgante maggiore. assim dirigida a Lorenzo il como numa carta uma pequena lista blicada com aquella a Lorenzo il Magnifico pelo anno de 1472. Paris. tome vii. introduziu nas suas obras poéticas alguns termos furbescos. Texplication en vulgaire»*. até hoje desconhecida. do processo da confraria anti-social dos Coquillars em 1455 e outras fontes. xlvi. Le Jargon au xv® que. entre outros. no século xv. Paris. Na Itália. Étude jphilologi- Mémoires de Mareei Schwob. 1884. já Luigi Pulei. pode seguir. . Francisque Michel. (Ignoro inteiramente Pierre d'Alheim. Villon. 1888. p. Le Jargon des Coquillars en 1465. a historia do argot ow jargon.

girias europeas. romances de la Germania que escrihió Don Con licencia. Catedrático de Sagrada Escritura en la TJniversidad de : Juan Hidalgo El Toledo. con el vocabulário por la orden dei a.'J2 Ha três vocabulários do gergo ou furbesco do século xvi. contentando-me com indicar o caminho que timos mais recentes : deve ser seguido. pelos motivos já apontados. especialmente das dos paises de linguas românicas. Os termos de calão que não levam indicação de facto acham-se na minha lista acima estampada.h. por Juan Hidalgo. a par de emprés- A comparação do calão com as outras d'este modo colhem-se para a historia do calão preciosos dados indirectos. O calão e a germania Os termos de germania apontados são os do vocabulário de Juan Hidalgo. A New Edition. Começarei pela germania. com o seguinte titulo Germânia de vários autores. 380. para declaracion de sus términos y lengua. c. nenhum dos quaes consegui ver Inglaterra apresenta já no século xvi o vocabulário de Rogms Words de Harman (1Õ56). En Madrid. 1779. y los Francisco de Quevedo. . revised and corrected with London. Na Hispanha Romances de edição mais vulgar. publicaram-se no começo do século xvii os de germania de vários autores com um Romances (1609) vocabulário. Studj criticif p. mais próxima geographicamente do calão e com a qual este tem real- mente numerosos elementos communs. reimpresso moder- A namente em The Slang Dictionaryj Etymological. Com: — puesto por discurso de la expidsion de los Gitanos. 1873. que escrihió el Doctor Don Sancho de Moncada. Hlstorical and Anecdotal. Não procederei aqui a uma comparação completa d'essas girias. *. * Ascoli. de que temos presente a many additions. prova que nellas ha um fundo commam antigo.

capa. ânsia. ir. Propriagerm. — port. tristes balhestros. Queiroz. bobo. artão. p. — — harton. 109. anciã. abancado preso. etc. alforjas. meter um dado falso. diz-se assim : elle foi-se com os seus hisp. calcos. como veremos abaixo. agua. buho. annel de oiro. calcorros. que é terra de gaiteiros. brechar. muito espalhado nas girias. cobrir. cachucko.93 cal. cal. Balhestros da lingv^. agua. Na linguagem popular portuguesa reproduz-se ainda allon. vamo-nos que aqui Uma alteração a Londres. Já em da Paiva. correr. Os sentidos são muito diversos para que os dois termos se liguem. balhestros. germ. Em alforja significa acha.iQYmo ^o^wgerm. calcorrear. Termo germ. bufo. Injirmidades alforge. ó necio. pan. cal. ir. isto é. que significa fazer. capote. bola. correr. germ. . cal. p. ainda no uso popular. policia. — — zapatos. imgerm. colligido diccionarios. becil. es descobridor.) que ballestas. bola. artife. mente vamos. carcel. estúpido. — cal. — giria. artife. somma de dinheiro . germ. cal. Queiroz. cal. nuhe. — dedo. alon. es irse. Termo muito espalhado. sapatos. banco. com o pouco que tinha. Queiroz. germ. ir. pagerm. sobretudo na locu- — ção allorij allon. alloiis. artifara. — cal. Queiroz. cal. Queiroz. 149. provisão de viagem. pequena cada (roupas. cal. cachucho. sem duvida do fr. — phrase por etymologia popular deu — é terra de gaiteiros. e foi talvez um termo de feria. alar. feira. oro. que significa os haveres um pode levar comsigo. Já em Bluteau. branco. germ. anuhlar. capa. ó soplon. não nos lar. germ. anubo. Injirmidades lingua: tem hum bom caxucho no germ. lorpa. alar. cal. . germ. germ. que d'essa — nao temos que que aproveitar. blanco. — — gar a patente. calcorrear. Já em Bluteau. Queiroz.se em Paiva. brechar. cal.

Queiroz. cuchillo. carduzador^ ladrones. germ. germ. — de policia. Queiroz. mas foram influenciados por 08 nomes de peixe portuguez sarda. ganhar a alguém uma hisp. entender. espia. sardinha. empunhando uma punhal. — Comp. carduzador. Queiroz. palavra. — crI. chilrar. intrujar. punhal. O significa pentear com carda e tirar. sica. ant. herido en olhos. Porque a gente ordinária agasalhada Com uma tal lhaneza. Bluteau. sceiía iii. navalha. — el enreixadu. tudo se consegue. que el germ. enrexado. Queiroz. hablar. o meliante julgou ser germ. furtar. Queiroz. Queiroz. faca. — um cal. que desea la cal. cerda sarda. cerda. puport. sardinha. faca. germ. lenço. 'palmar. espia.---cp. carne. germ. sarda. entender. cerda. clises. seda = Os termos do cal. roubo. cp. desjpalmar. Ligeira modificação do cal. entrujir. cheira. cal. germ. germ. Deixa cardar a Correia Garção. cica. astúcia. esclisiado. — carne. entruchar. roubar. carduçador. fazo. crioja. — germ. Blu- . do javali. bolsa. agente sentido de esjna no hispanhol geral. cal. Asiembleiu. termo do calão liga-se evidentemente a cardar. quitar por fuerza. faca. germ. el que atalaya. entender. sardinha teem talvez o mesmo ponto de partida que germ. Queiroz. rostro. Bluteau. teau. Lembremos a anecdota do homem que na obscuridade nocturna se defendeu de sardinha. Emprega-se em português a expressão cardar a lã no sentido de obter astuciosamente dinheiro de alguém : coisa por fraude. que um assaltante. cria. furto. Em hisp. Queiroz. preso. cerda. dar por fuerza. bolsa. perceber. facilmente la. germ. palmar. cal. falso. panuelo de narices. — cal.94 ropa qui hurtan los cardanho. preso. — — cal. nhal. cal. espinha. QuEiKOZ. Em Mas com Tudo lábia se vence. cal. cal.

cal. justa. port. — cal. camisa. — germ. C. gando. marca. gomari'a. Queiroz. germ. camisa. germ. falso. mandil. palavra que começou tal. Queiroz. gao. Silva Lopes. cal. germ. Idem. Bluteau. grão. os dez germ. mandamentos. collete. Silva germ. marca. guido. bueno. maleante. grunente. vellaco. germ.. cru- germ. piar. homem. — vez por ser um termo de giria. cp. gaitar. mandil. meliante. justo. gallina. falso. — cal. gamha. zado novo. moeda. cal. pa- taco falso. gdfe. Queiroz. Queiroz. germ. moncoso. plerna. ^Qvm. germ. marquida. marquisa. bello. ordinário. — — cp. — cal. moneda. garlar. grano. burlador. dedos de la mano. grunhidor. camisa. cal. macanjo. gao. germ. comer. ó de muger publica. puerco. beber. muger pública. credito. C. lienzo de narices. helfo. cal. meretriz. fallar. — germ. gamhía. Queiroz. jali- justo. Bluteau. muquir. moa. germ. — cal. comer. (?) cal. germ. gidio. mechosa. casaca. Lopes. Uma. gelfo. C. Queiroz. germ. perna. Quei- roz. hablar. jubon. Queiroz. cal. germ. moquir. Bluteau. os dedos da mão. — piolhí). — cal. es ducado de once reales. mar^co. gallinha. ^iar^ beber. moia. Bluteau. ço. vil. maço. cal. preguiçoso. — cal. michosa. mosa. maçareno. criado de Rufion. lima. germ. porco. roz. cão. cabeza. piojo. fingido. mocante. cabeça. Bluteau. Bluteau. sujeito sem de más maroto obras. .95 gorm. Queiroz. len- — — cal. bom. mandamentos. esclavo negro. ganau. gomarra. Queiroz. C. queta. cal. Quei- — — germ. Queiroz. cal. Queiroz. — — — cal. Bluteau. — cal.

picar. Bluteau. safar-se. rufon. O termo da germanía não veiu do francez se sauver. 1878. eslabon com que sacan fuego. Queiroz. germ. pdtra. rede. — germ. Queiroz. cavallo. cal. — germ. fogo. — — cal. raso. as seguintes : Lorédan Larchey. — pueblo. sombra. calzos. dormir. cal. vino. safar-se. roz. do lat. Quei- germ. hurtar. piltra. — — capa. es irse à priesa. tirantes. cal. redonda. librarse. cal. Paris. Dictionnaire d'argot moderne. basquina de muger. abad. prisão. Bluteau. — dormir. calções. port. Tei^agoza. Queiroz. sornar. pilra germ. cal. Blu- germ. turca. capa. cal. safarse. germ. trabajar. sornar. Bluteau. Lucien Rigaud. Blu- tirantes. salvus. jpio^ vino. roupa. roubar germ. rufo. 1881. saia. Dictionnaire historique d'argot. sombra. picar. ^io^ vinho. de safo. — Queiroz. turco. cal. . germ. rede. port. — cp. furtar. Queiroz. escaparse. como se pretendeu. — cal. Queiroz. trabalhar. Lisboa. (Bluteau). Septieme édition des Excentricités du langage. germ. pérola^ cama. germ. furtar. alem da obra já citada de Francisque Michel. cal. bebedeira. germ. abbade. — cp. Paris. roubar. catropéo. cama. — mas sim do justicia. Queiroz. germ. raso. frade. pildra. O argot e o calão Para o conhecimento do argot moderno tenho á minha disposição. cal.96 germ. Êtudes de philologie comparée sur Vargot. redonda. Queiroz. teau. — cal. taragoza^ teau. — cal. padre. quatropéo. cal. quartago. germ.

* Na historia do argot marcam-se . Dans roz. cal. arg. Le Jargon du xv^ silcle. (?) Bluteau. agua. Paris. de bois. Michel. prendre. A. artif. de 1617 até boje. 7 . isto é sem pontas mas mocha tem. na minha atrimar. fr. Essas divisões não tem nada de essencial referem-se principalmente aos nomes. cal. vol. VII et Georges Guieysse. Étude sur Vargot Mémoires de la jSociété de linguistique de Pa- (1889).» le langage blesquien. os seguintes periodos . 52. desde* o fim do primeiro quartel do século xvii. lartie. alleron. ancb. — genuidade não posso afíirmar. artiffe. lista. MiCHEL. segundo a gra- une hoche. cp. 3. Não vi de Lorédan Larchey. arg.97 Mareei Schwob franqais in ris. tête le patois du peuple. Larchey. . Queiroz. anda. e le langage narquois. de Fargent. bras. geralmente Larchey. Sujpplément au Dlction*. arg. indico ordinariados autores. larton. que traz os termos referidos. attrimer. termo cuja cal. pão. Queicabeça humana poderia ser chamada mocha (o fechado). lat. arg. cal. Vid. que continuou a experimentar mudanças. artife. cabeça. aile. sem mudar de nome. Queiroz. dans le jargon de Marseille une boule à jouer A phia transcripta. do século XVI ao xvii. só um por simplificação. mocha. asa. da giria franceza. p. eau. dinheiro. 33-56.» Vargot. propriamente dito. Vitu. lartif. ala. em vigor. Larchey. individu dont Tintelli- gence est est obtuse. cp. vender. Larchey.» le jargon. aile. cal. 1. artão. — . naire d'argot. expression àwjargon. c'est-à-dire. arton. lance. braço com a mesma significação arg. hlé (du). artie. o aberto. milho. dure. 1882 Na mente lista seguinte. pain. do século xv ao xvi 2. — cp. port. de que o livro de Pechon de Ruby contém o repertório. — que cal. — cp. tête hoche (tête de). — arg. RiGAULT. a^a. coincidindo em parte com modificações mais ou menos numerosas no vocabulário do argot.

le Fon assimilait aax Àlbigeois.U8 mot à noter comme ajant perdu sa portée antiphysique. — dun chan- cal. hola. boi. — roz) parece ligar-se a hougre. — facadas. Cest Tantithèse de chenu. . Queiroz. Larchey. marchandise volée. sob ameaça de fazer revelações. cornante. Ce n'est plus qu'un synonyme de garçon. cal. muito boa. germ. inglez (QueiDict. vache. chouriner. bolsa. camelote. chantage. hola. Larchey. v. — cal. ciou. arg. cigarra. arg. pièce d'or. donner des coups de couteau: chourin couteau. arg. cigale. churinar. — cal. dar le même sens. tête. Forme des mots . Bulgarus. couarg. excellent. arg. cal. prison). cabeça. cigue. E phrase introduzida talvez no calão por influencia de traducçôes. Larchey. Terme de mépris langage populaire usité dans le plus trivial et le plus la Bulgarie. chinoca. Larchey. prego. Larchey. Queiroz. houle^ foire. muito termo que é sem duvida popularisado. obrigar a dar dinheiro.^urin et suriner. Mot-à-mot: cal. faire chanter. — — cal. cornant. Bougre. — prison d'objets uma simples traducção do francez. Fr. sica. cica. = arg. arg. etc. /azé?r cantar. solide. penhores. houle. hougre à jpoilsy homme determine. Etym. s. Larchey. arg. arg. casa de engagés (ciou. Rigault. des doctrines religieuses semblables régnaient parmi les Bulgares et les Àlbigeois. chenoc. grossier. Nom de certains hérétiques que et d'injure. cormante. Mont-de-Piété. chantage. Queiroz. boeuf. — cp. — cal. Larchey. usités dans cal. Larchey. esfaquear. No calão jornalistico usa-se já chantagem arg. de la langue française. Lauchey. mau vais. extorsion d'argent sous menace de révélations scandaleuses chanter^ être victime d'un chanarg. Larchey. camelottej. avarie et par extension «vieil infirme». bolsa. Michel. cal. . Queiroz. rendre quelqu'un victime tage. espolio. hougre: rageux. hogre. Littré. feira. tage. habitant de J)ans le nioyen-âge.

était Larchey. employé des contributions indirectes. et Fon sait que le joueur vit d'émotions. entrer. Larchey. mãe. Larchey. SLVg. Fii. Au . patron. sobriquet donné par le marechal Soult en pleine Chambre à un de nos plus petits hommes d'Etat. palpite. fazzoletto. — germ. m. na lista manuscripta de que me servi. père^ daron. Dans le laire avec la signification cant anglais. Mot-à-mot jouer des quilles dans. Bluteau. sous le rapport de la taille. xvi® et siècle. mouchoir de poche. Dieu. falso. fassolette. port. «Tous les foutriquets à culottes serrées et aux habits carrés (1793. crie^ crignolle. carne de vacca. e s. — cal. Miciiel. homme nul. Les joueurs honnêtes du baccarat servent de Fexpression jiler la carte. s. esperança. de consommé dans au xvii° daho Vart de mal faire. daroiia. arg. autre de se procurer une émotion. . se arg. — cp. três lentement. — Ital. quille. arg. loja pequena. père.. — Os jogadores do monte ás vezes lentamente (os banqueiros) descobrem também a carta para terem e fazerem ter filé liga-se pois aos pontos palpites expressão francesa. jiler pour designer Taction de découvrir par degrés. quilhai*. o que não é estudante (na giria dos estudantes de Coimbra). realmente é empregado no calão. dobo. gàbelou. une des deux cartes qu'ils ont en main c'est un moyen comme un . enquiller. mère. '^Simhe. arg. Jiler la carte. Kigault. : Cacher entre ses jambes un objet volé. cria. MiCHEL. futrica. homem desprezível. fazo.' 99 Fk. Lar- chey. filé. faz- cal. futre. termo que reproduzi na impressa acima. — daronne. — pop. etc. Do arg. como dabo. . apesar de suspeitar d'elle. . baiuca.. Rigault. aPetit foutriquet)) . paisano. Cp. maitre.Ve- zolo. dobe a le sens d'expert. Bluteau. pae. a palavra á referida arg. lenço. arg. employé dans le langage popude maitre du logis. futuere (Albergaria-a. cal. Hébert)». foutriquet. dobe. comquanto não haja que admirar se cal. f. patronne. arg. Larchey. — cal. cal. viande. lha).

doente. maluque. emquanto guelar deriva por certo de guela. rapaz vadio. — cal. sem raizes no sentido . fanfarrão sem dinheiro. Queiroz. vem: v. Michel. guibon. Os diccionarios portuguezes dão todavia o termo como — chef. arg. gaudineur. arg. cal. é uma simples translação calão. prostituée (Halbert). pou. — compromettido. jogador. Larchey.100 gabiru. arg. lime. — Rigault. Diz-se: perdoaste ao meço? phrase plebea por injuria aos gallegos. da lingua geral: «Adultero. guibo. souteneur. o parentesco é pois só apparente. gau. Fr. gaudinar. grairij écu (Grandval). ganao. arg. arrete. cal. guiholle. cal. (Porto). limace. roz. Lembra pelo som roz. car on pour se debattre des pieds. Vieux mot. goualer não deriva provavelmente de lat. jambe. — cal. mecque. arg. Larchey. f. maitre. Na Ulissijw. meretriz. Larchey. gando. arg. Grand- val). Larchey. — gamhia. divertir-se. limosa. homem. Bluteau. m£c. Bluteau. vadio. artelho (se é genuino). 236 «esse . espertalhão.: «esses mecos conjurados contra o mundo?». — cal. Michel. limasse. Du vieux mot gaudiner. argot. — gauderio. gula. RiGAULT. arg. patron. e Queical. gao. calão. gueule. Larchey. Bluteau.. Land. s'amuser. cal. gamhille. Uma. gritar. diminutif du vieux gamòe. arg. malade. got. vadiar. cal. meço. patusco (sujeito que se diverte). giria. latim. fr. marca. arg. goualer. Larchey. chemise (ViDOCQ. Queihomme. disait jadis guiber arg. chanter. dissoluto. Fr. guihe. parasita. cal. — no Na litteratura encontrei bigorne mesmo mas creio que do argot bigorne. arg. inculpe. perna. cal. giielar. devasso». homem. latin. malandro. — cal. Larchey. marco. Cest un vieux rencontre souvent. 108 V. fallando dos boticários e a f . grãoy mot qu'on cruzado novo. dans le jargon des voleurs. Larchey. — pairar. décorateur.

pie. que grosão retraliida está MoRAES. A semelhança com o arg. Italianisme. vin. csl. maítresse. pildra. mulher. sauf dans cette locution populaire. palavra que occorre já no século xvn. par plaisanterie. Bluteau. que liga o termo ao fr. nasio. arg. beber. cal. palmar. le brusquer. arg. nariz . — cal. Quelle peut-être Forigine de cette expression? Je n'en trouve pas d'autre qu'une allusion aux bailes ou boulets. pio. . Michel dá-lhe a significação de maitre. Os sentidos em uso na boca do povo : la infante. nentes. arg. qui tombe elle même en désuétude: envoyer quelqu'un au peautre ou aux peautres. mau- — vais lit. — — roz. — cal. abbadessa. me' . — cal. — cal. moechus. piauj pieu. que Ton appellait autrefois. peauire. grabat. cal. Bluteau. inusité. Considera-se como reproducção do lat. en parlant d'une tête: Quelle cal. Larchey. Fr. lat. Larchey. morrer. nez. Michel. menos pejorativa». prostituée. roi. niente. individuo. Michel. nasus. (?) Larchey. Larchey. la tête . Em verdade michaud poderia do seu lado derivar de meche. Se Fr. que foi muitas vezes nas suas etymologias. Queiroz. iieza. . Michel.* paumer. não sabes arg. nase. e o ou «pessoa. pour le chasser». com intenção mais atrevido. Fr. mechosa devem ser separados. arg. niente.» são: ahomem de maus costumes. Fr. naze. segundo Littré «vieux mot signifiant lit. Bluteau. : mais vago de maganão». Fr. o termo do calão e o correspondente da germ. pier. rien. le peuple de nos jours ne dit-il pas. Vieux mot. Queiarg. cama. acertou nessa de míchaud. peltr a. infeliz Queiroz. mec ó talvez casual. lit. pérola. miches du couvent militaire : or. Michel. arg. Queiroz. — cabeça. michaud. Colhi a forma pikãa. vinho. Michel. arg. perdre. baile! voici une honne baile f Fr. pour le congédier. nada. menesse. meretriz . piar.101 meço não he de bons porretos. porque é mais natural ligá-los a mecha (de cabellos): mechosa designaria a cabeça como a que tem mechas. boire. michosa.

131). tirantes. Queiroz. rufo. rupino. . que o deriva de trou. Fr. — homme riche. calão dos nossos jogadores gallinha é o jogador pechote. arg. On le tire chausses. rico. rif. . Michel. Larchey. framloise. filouter. não tem A vintém. arg. arg. tefe. nuit. comer. — arg. cal. cal. tirantes. tromper. p. impiné. rupim. p. Larchey. — arg. A palavra devia ter chegado a Portugal quando em diphthongo oe. Fr. padre. rifle. — escroquer. dormir. No abbade. roussin. bas. O mesmo se deu com fr. Gacal. framboesa de fr. fogo. isto é. toesa de francês a graphia oi representava ainda o antes do século xviii. trêfle. — cal. Rigault. O cal. rustir. calções. Na linguagem popular portu- guesa emprega-se comer no sentido de enganar e de roubar ardilosamente. soma. Larchey. Michel^ Études. anus. vin. est venu . — Bluteau. pour le mettre. raso. some. mesma significação. arg. «De rif . encontro é talvez casual. que phrase argotica plumer — la jpoide tinha o sentido de roubar (Fr. — cal. toise. 160. que Bombet traduit par se chaiiffer On trouve dans le Jargon un article consacré aux ruffez ou . Larchey. piovez (Albergaria- a-Velha) *. rwpart. sor- nar. Fr. Michel. agent de police. a policia (se o termo é genuino). — cp.102 arg. riffodez. Larchey. jpivois. prêtre. riffauder ou riffoder. Michel. cure. sornir. ruiva. 1 O termo piovês está por "^pivoês. a quem se ganba facilmente. roustir. RiGAULT. noir. rupin. cal. — cal. oboé de h: haut-bois. Michel. tirant. infra Fr. rup. . Larchéy. pennado. cama. arg. rousse. feu. mioches) du riffe qui leur creux (logis)». élégant. cal. arg. rase. arg. jplumer^ dépouiller un homme dans rintimité. sonar. Queiroz. cal. . Larchey. vid. classe de gueux «feignans d'avoir eu de la peine riffoit à sauver leurs mions (enfants. degner au jeu Targent d'un imbécile.

O furbesco e o calão Os subsídios que tenho á mão para o conhecimento do furbesco reduzem-se ás palavras avulsas dadas por diversos auctores e á lista inserida por Fr. n. Deuter. filie arg. arg". p. meretriz. Queiroz. Queiroz. possue A Segundo Fr. Libro delia regina Ancrojaj). 408. artife. é si uno che ha il mi dice il. furb. calcosa. 23. Ascoli observa com razão (Studj critíci. sapato. — cal. furb. ancroia. LarcHEY. 19. feira. le vin ou Teau-de-vie tuent libation matiiiale désignée les vers intestinaux)>. bolla. artão. sara tutt'altro che il nostro bolfo. pris à cette licure (le matin à jeun). Michel nos seus Bibliotheca Nacional de Lisboa não Études. cal. — cal. pão. croia. dans le jargon des raarcliands zoina. port. aggettivo. Queiroz. RiGAULT. asa. — cal. 7. calcos. cidade cal. Larchey.Vieyra (Did. «On s'iraagme que. furb. 441: o belfo balsa (?). cp. cão. pé. Michel «nom d'une reine amazone. matar o hiclio. juiís.a. calcioso. pop.Velha). roubar. furb. cal. voler. rainha. angl. 38. nenhum dos vocabulários furbescos do século xvi. trabalhar^ furtar. zona. Levit. mesmo sentido da phrase fr. che si trova presso Francisque-Michel (p. cão. 425-434. . p. artone. braço. arg. tuer le ver^ boire de Teau-dc-vie ou du viu blanc . cp. daòe. p. patroa. 1): «II belfo dei gergo portoghese. boJfo. ala (asa). — furb. travailler. arg. dona da casa (Albergaria. E uma palavra puramente hebraica: blia. cal. per cui distingue Casa d'Austriay). père. diz Littré a respeito da phrase. cp. pé. roi. Belfo. ex. — — — cp. ). par ces mots. calcante. braço. dont on a ííiit un poême généralement intitule : furb. : que se encontra na Bi- Génesis. p. alia guisa cal. port.103 tucr. belfo. 21. publique. njlT. il cane abbaja). maitre. — — Cp. furb. bola. 15. artibrio. sapatos. — cal. 99. and labbro inferiore pendente.

todas as relações existen- tes entre os termos das quatro girias argot e furbesco . tirante. — cal. (Alberg. fogo. (Alberg. mas os calão. Bluteau. porco. cal. ena. com a Em ital. rufo. agua. carne de vacca. furb. boi. limosa. taberneiro. poltro. gelfo. — — — da negação por assimical. calções. por certo. lampante. á lettra. cal. cal. Queiroz. tascheroso. fiirb. vacca. — cp. estalajadeiro. casa. furb. cal. pérola. piolho. — — cal. p. tasca. fr. (Vid. camisa. creata. exemplos dados bastam para ver — . cal.* — bém no furb. estalajadeira. marco. na expressão lamjpante di — escudo (moeda). gielfo. furb. meretriz. Observações sobre as três listas precedentes Não ficam notadas. liitui. cão. tasca. tasca significa pro- priamente bolsa. cal.). cp. port. olho de coruja. infra Relações do cigano com o calão. olho ver fazem lupante. anciã. — cal.) furb. Paris. — cal. gando. olho. cornantej boi. taberna.104 furb. cal. cama. marca. pilra. loupe. gato. guallino. cp. crea. fogo. Cf. Bluteau. criulfa. peltra. cornante. lenza. tascante. germanía. homem. agua. — que se tascar). tirantes. — cal. alforge. não (alargamento lação ao nome próprio Nicolas). — furb. ou tomentos do linho espadella ou tasquinha. Myst. tascosa. — lima. furb. calções. mulher. marcona. holfoy acima. que pensar tamcivettaj. — camisa. propriamente separar o tasco suppoz connexo com tascar. lupar. lente convergente. nada. grugnante. cp. çaria por ser um termo da Em português a palavra comegiria. luzente. furb. carne. furb. furb. furb. . cosque. porco. casa. nicles. creatura. estalajem. ganao. cal. pilula. grunhidor. tasquinhar. furb. Queiroz. grunho. Queiroz. 161). nicolo. roer (hisp. Queiroz. morder. gao_. cal. cosco. furb. furb. ruffo.

. : gente tola. ala. ttier le ver. ali. matar o bicho e arg. Assim no calão queijo significa lua. blé. Zig. ingénuo. . como na han- tyrka (giria da Bohemia) o mesmo planeta é designado pela palavra tcheque belák. cabeça . Rigault traz o seguinte artigo: Six et trois font neuf. cal. três. branco significa estúpido. òoule. formado de weiss branco e hulm. ii. Assim ha por certo simples coincidência entre cal. un pié. etc. port. ii. 8) lembre-se a fabula da raposa que tomou por um queijo a imada lua num No Rothwelsch gem poço. Na maior parte dos ca- presença de verdadeiras identidades de vocábulos. giria allemã krunickel.. calco. kronickel (o grunhidor) Na si- gnifica porco. casa de penhores. uma mesma crença. calções. grunho no calão. Boiteux. uma moeda. exactamente como grunhidor. dos. ciou. podiam ter passado de giria em giria ou ter-se produzido nas cal. lueisshulm. por estamos em um mesmo um Nos casos em que processo semântico. Coincidências de desenvolvimento semântico notam-se entre todas as girias e entre todas as línguas geraes do mundo. que parece ser o holm. que provêem de aile. braço.105 qual a natureza sos d' essas relações. do mesmo modo no é cal. quatro e meio (90 réis ou quatro vinténs e meio). cabeço (Pott. cogito de Em Os hispanhoes dizem: Uno. outeiro. mesma etc. e tirantes. noutros casos os vocábulos podem ter-se produzido independentemente sobre uma base commum. bola e arg. bra os gaiatos designavam também os coxos pela expressão cento e dez (110 réis). dinheiro. (Pott. imbecil. Os termos grão (grano). milho e arg. cal. Mas parece já haver traducção em prego relativamente a arg. 8). asa e arg. 11). Allusion à Tallure inégale des boiteux dont les Coimpas semblent marquer des nombres diffórents. quatro girias ou em algumas d'ellas independentemente. queijo (Pott. ii. furb. cor^iante. por ex. mn termo do calão parece traducção de : termo de outra giria pode ter havido realmente traduc- ção ou simplesmente coincidência de modificação semântica nas palavras correspondentes. gru^ente na germanía. pop.

1U(J

o

que comparadas
calão

se

quadro seguinte compreliende uma serie de termos encontram em mais de duas das gírias românicas
:

107
parte, de um vocabulário estampado ches italiennes et françoises de Oudin

em
*
;

1549, e nas Recheralguns remontam,

com certeza, até ao século xv, como se mostrará. Os seguintes termos do jargon francez do século XV correlacionam-se real ou apparent emente com termos do
calão; de quasi todos elles dei já os correspondentes no argot mais recente. arton^ pain.

Tant

qu'il n'y eust

de Varton sur les cars.
Ballade
xi,

A. Vitu,

p. 163-4.

aarton^ c'est pain». Processo dos Coquillars. M. Schwob, cal. artào. Mém. de la Soe. de llng.^ vii, 180. 301.

hec^ nez, figure.

Luez au

bec

que ne
Ballade
i,

sois greffis.

A. Vitu,

p. 180.

Schwob,

p. 30Õ.

cp. cal. beque^ bique ^ nariz.
òelistre,

A. Vitu,
bilontra.

mediant, gueux qui vit d'aumône et de rapine. germ. belttre, picaro; port. biltre; cal. p. 183.

blanc^ sot, niais.

en

leurs sciences c'est

Processo dos
\colomb,

«Ung liomme simple qui ne se congnoit ung sire ou une duppe oumigblanc.)) Coquillars. Schwob, p. 179. 310. Blanc coulon
être pris en sens in-

pombo] parait au contraire
le

verse

:

dans

jargon de

la Coquille, c'est celui qui

joue

le niais. Ibid.

«Ung

blanc coulon c'est celluy qui se couche
aultre, etc, [et luy desrobe son argent,

avec

le

marchant ou

ses robes et tout ce qu'il a et les gette par

une fenestre

a son compaignon qui Fattent hors de la chambre].» Proc. dos Coquillars. SCHWOH, p. 179. cal. branco, estúpido,

ingénuo

.

'

Vid. Fr. Micliel, Études de philologie comparée sur V argot, p. 425

108
gaudinSj brigands ou petit-maítres.

Cest tout son

fait

d'engandrer

les

gavdins
A. Vitu,
p. 326-8.

A

hornangier
Ballade
ix.

Vid. acima p. 100 arg. gaudineur e
grain, écu, moniiaie.

cal.

gaudinar, gauderio,

Et

n' abater

de ces gi-ains neufs et vieulx
Ballade
vii.

A. Vitu,

p. 344.

cal.

grão, cruzado novo. Bluteau.

gris, froid.

Et vous gardez bien de
Qui aux
sires plante

la roe
grisj

du

En
cal. gris, frio.

leur faisant faire la moe.
Ballade
vi.

A. Vitu, 347-8.

Bluteau; mod.
ribaude.

griso,

marque,

filie,

Marques de
cal.

plant,

dames

et audinas

Ballade xi, etc. A. Vitu, p. 405-408.

marca, meretriz. Bluteau.

jpaulrmr, voler.
Puis, dist
cal.

ung gueulx,

j'ay

paulmé deux

florins

Ballade ix. A. Vitu, p. 434-5.

palmar, roubar.

pye, boisson, vin.
Pour avancer au poUiceur de pye.
BaUade
cal.
ix.

A. Vitu,

p.

467-470.

pio, vinho.

Bluteau.

pye^ry boire

Bab: Babille en gier en pyant à la fye
Ballade, ix. A' Vitu, p. 470-471.

cal.

piar, beber

109
jambe. «Les jambes ce sont
les quille8,y>

quille,

Proc.

dos Coquillars.

ScHWOB,

p.

180.
quille et brouez.
p. 472-3.

Poussez de la

Ballade v. A. Vitu,

cp. cal. quilhar.

rouhe, justice, alls appellent la justice de quelque lieu que ce soit la marine òu la rouhe.í> Proc. dos Coquillars.

ScHWOB,

p. 179.

— Cp.

acima arg. rousse^

cal. ruiva.

rufflsj feu.

arujle c'est le feu Saint-Antoine.» Proc. dos

Coquillars.

ScHWOB,

p. 180.

— Cp. acima arg.
sires sont rassis.

rif. cal. rtifo.

some,

la nuit, la

brune.

Sur

la

some que

Ballade

vii. Vitu, p. 503-505.

cal.

sornar, sonar, sornir, dormir.
carta de Luigi Pulei* lê-se: dove
si

Na
o

petinó quello

lustro la brigata sopra la lenzay>,

termo furbesco da
:

lista

acima.

em que lenza parece ser Na curta lista do mesmo
;

Pulei noto
calcose), le

cosco, casa

(cal.

cosque, casa)
;

caccose (leia-se

scarpette (cal. calcos, sapatos)

gvxildi, ipidocchi

(furb. guallino; cal. gao).

Assim pela comparação com as girias extrangeiras, estudadas nos seus mais antigos documentos, pode alargar-se
a historia do calão além dos limites que os documentos próprios nos impõem todavia não é possível dizer quando
;

Portugal se começou a usar esse calão de que acabamos de passar em revista alguns dos elementos mais
é que
antigos.

em

Emquanto
mentos das

ás origens

mesmas

d' esses

mais antigos

ele-

girias farei ainda as

observações seguintes.

Vid. acima pag. 91.

110 Alguns d'esses termos são já producyòes próprias das
girias,

feitas á custa dos materiaes das linguas geraes; taes são asa (día)^ branco (hlanco), calcos (calcose), cor-

nante, gunhidor (gruhente)^ palmar, rufo
fulvo),

(ital.

ruffo, ruivo,

tirantes (de tirar, ital. tirare, fr. tirer), trabalhar

e talvez mechosa.

Outros dos referidos termos são palavras tornadas archaicas nas linguas geraes, ou vindas de outras linguas
vivas,

ou de origem

incerta.

idêntico a hisp.

anela, agua, é considerada por Pott, Zig., II, 4, como aíisia «Da aíisia in Span. nicht bloss
:

Schmerz, sondern auch ein heftiges Verlangen bezeichnet, f ilhrt letztere leicht auf den Durst und das, womit er am
gewohnlichsten gelõscht wird, oder Wasser;
die
ais

— eine

Qual,

Klimaten noch mehr zu wiirdigen weiss, anderswo.» Mas a existência da palavra no argot e no
in heissen
d' essa

man

furbesco fazem duvidar
artona, pão, occorre

num

explicação. texto latino medieval

cit.

por

Ducange,

Schwob, p. 301, trata-se de um «texte qui n'a rien de populaire, un texte ecclesiastique ou aríowa semble une mauvaise transcription grecque».
s.

v.,

mas como

diz

Fr. Diez, Etymologisches Wõrterbuch, II 3, 208, diz: uArtoun neupr. brot, ein it. artone kennt Veneroni; dazu

kommt noch

tesa, pg. arteça

oder artalete pastetchen, und arbacktrog. Man vermuttet darin das gr. hat wohl das bask. artoa apTOç, aber náhere anspriiche maisbrot s. Larramendi, Diccion., I, p. xvi, nach Humsp. artalejo

boldt, Urbeic. Hisp. p.
art eichen. P.
(brot) hieher.»

155, urspr. eichelbrot, von a7'tea

Monti rechnet auch das comask adro-basto

fica, todavia, incerto.

Se a palavra é realmente de origem basca, O gitano tem harton, pão, em que Miklosich (Abhandl., II, A2) não hesita em ver reflexo do
gr.
apTcç;

a palavra podia ter passado do hisp. para o
este

gitano;

mas

tem também

artifero, padeiro,
1.

não podemos deixar de ver com Miklosich,

em que c, reflexo do

111
gr. ápTo^^óptov

(Ducange), e do qual é

difíicil
*.

separar a forma

artife das girias,

acima mencionada

port. biltre) não é nestas duas linguas termo de giria figura como tal na lista de Hidalgo e a elle se liga o mod. cal. hilontra, que foi talvez importado do Brasil,

hditre

(fr.^

;

onde ha tram

um

calão que, ao lado de elementos que se encon-

em

forma italiana

Portugal, possue muitos próprios. Talvez que a helitrone não seja estranha á producção

de hílontra (no Brasil ha muitos italianos). A origem de helitre é incerta. Vid. Diez, Scheler e Littré, s. v.
sentido de — companhia que
bola, feira, parece ligar-se a

um

ant.

fr.

boule, baule,

no

se diverte, pandiga,

em

diver-

sos textos reunidos por Fr. Michel, s. v. cosco (furb., cal. cosque) é considerado por Pott, Zig. II, 25, como tendo sido talvez modificado do italiano aasco,

caduco, velho, para não lembrar facilmente casa; a forma da germ. cuexca (cuescaj mostra, porém, ao que parece,

que a palavra ó velha na Hispanha; cp. port. cosco, coscorrão, e hisp. cuesco, que o sentido não permitte ligar a
cal. cosque.

São 48 as palavras do grego (moderno), incluindo quatro numeraes, que Miklosich, Abhandl. ii, 42-3, acha no gitano. Com relação a quarenta e cinco d'essas palavras parece-me que não pode duvidarse de que sejam um testemunho da residência dos antepassados
^

europeus dos gitanos na Grécia
é
suííixo ibérico -orro)

•,

que podem levantar- se duvidas.

sobre harton e as duas seguintes O gitano calca, calcorro (com o

diíficilmente pode separar- se dos termos de germ. calcorros, para o ligar ao gr. xáXTj^a, apesar da observação de Miklosich: «Die Oxytonirung weiset auf nicht- span. Ursprung». Nessa accentuação pode ter havido uma influencia analócal. calcos e

O git. furnia, cueva, não veiu talvez da Grécia (gr. cpovípvo;) com os tsiganos que se acham em a nossa península, pois já cá havia em hisp. furnia, usado ainda hoje em Cuba, e em port. ///r/ia, ainda vivo
gica.

no continente, e transplantado logo depois da colonisação da ilha de S. Miguel (Açores) para essa ilha, onde é celebre o Valle das Fu7'nas. O termo git. drun, camino, viaje, e também prudência, cordura, juicio (Mayo), do gr. ^poVoç, caminho, faz lembrar o termo pop. port., talvez primeiramente termo de giria, endromina, ardil, mentira

para defraudar.

s.. se gamhia^ perna. no ív. 3. Umas. lat. Gall. des teguntur pudenda poparum. fr. ser curvo.se na giria dinamarqueza kraegeSj e lembra. praeministrabant. o tsigano karialo. camba (poema de Alexandre). v. provençal. Etymol. em Vulcanius * na forma creu (caro). que na forma gamba acha como termo da linguagem geral em hisp. carriba^ cambaio. hisp. XV. lictorem vel a limo vel a licio dictum scripsit Licio enim transverso. c. sui qua ab umbilico usque ad peHaec autem vestis in ex- purpuram limam. Unde Nam limum obliquum dicimus. picardo e yfdWon gamhe. Zig. como mostram os textos : Alii fontemque ignemque ferebant Vergilio. Lat. II. aLimus autem tremo et est vestis. Velati limo et verbena têmpora vincti. s. port. 16.^ lib. 765-771.^ 1. Aulu Gellio... qui magistratibus. e as passagens de Joannis de Janua e do Gloss.jambe. cp. lima^ camisa. fallecido em 1614. Ao lado d'essas formas ha o ant. Basta lembrar as variadas signi- Professor hollandez. hisp. é uma velha palavra. no ant. camerus. e. v. «Sed Tiro Tullius M. 1 . pp. parece ser também uma velha palavra. 3.. cincti erant». que coUigiu termos tsiganos e do Kothwelseh. Miklosich. gamba e jambe. Uma não designa a mesma peça de vestuário que Umus. Sérvio ad AEn. Michel. mas a mudança de significação não tem aqui nada de extraordinário. A palavra encontra. 120. Beitr. 14. flexuosam habet. A origem grega da palavra está muito longe de se achar liquidada. Vid. i. segundo Pott. Diez. catalão.. xix. Scheler e Littré. : Vid. no ant.^ i. xii. inquit. sard. também cama. quod limum appellatur. Ciceronis libertus. Vid. xii. Âentid. etc. ainda Isidoro. San- germ citadas Sem duvida em Ducange-Henschel. churwelsh comba.112 cria foi ligada ao gr. A origem parece estar num radical camh ou cam. camurus. xpia^ por Fr. nomen accepit. 22.

représentant le planète d'influence funeste. saturnine. etc. . 1885. d'oú jovial. ant. Bugge. (p. sorn. peltra não pode separar-se realmente de fr. adj. para cobrir o corpo da cintura para baixo de largo collarinho 3) peça para ornar o pescoço. e limsk. e justificar essa etymologia. somar. espécie de saia curta. guallino^ o arg. que parece vir do inglez pony. como suggere No . francez noite esta a germania tinha soma. Studj. gao é de origem incerta. mas de somar. grisalho. *. du xvi'' siècle saturnien (Littré)»' Segundo o mesmo philologo o ant. polster. Firense. alto allemão jpolstar. a relação com 2 as girias românicas pode ser apenas apparente. Só o port. p. 340. 88). limes. pardo. mantellum. grisaldo ao lado de gualdo. holstar. peautre_. é derivada por Fr. O cal. 184) de: havia some crepúsculo riva «de Saturnus. p. 2) peça de vestuário. mulher. * Pott. e germ. e a que se liga port. ^sornCf tung. ponis. camisa. referencia ao artigo citado de Storm. com a mesma significação possa fazer suppor uma connexão com griso. manteo significado: 1) capa. allemão mod. some. ^sadorne. sombre. Zig. som . a forma deve provir 'da lingua d'oíl. de hisp. Angl. enxergão. comquanto o furb. que ligo cal. Ascoli. noche. com roscas. Carolina Michaêlis de Vasconcellos (Studien zur hispanischen Wortdeud'e8te. em que por certo existiu um de que deriva sournois. D. Michel. v. fr. soma. soturno de Saturnus. d'onde port. égua.113 ficaçoes dos representantes do lat.j II. almofada. 157) deriva port. sombre. soma. espécie tem . 184. que Scheler liga ao ant. obscur 2. do provençal som. marcaj tem resistido a todas as tentativas etjmologicas foi-se até a derivá-la do céltico marka. soime está por ^soome. auctor de um trabalho sobre a giria dinamarquesa. 419. teia. provém d'aquella que Storm (Romania. noite. translada de Dorph. choina de choinar. não vem directamente de arg. cama. et opposé comme à Júpiter. cp. e. Em verdade ha no cal. a some. hande grise. fr. comme me fait observer M. morne. mantelum e seus derivados nas línguas românicas. por causa da raridade da queda do t em provençal.

de moi. cuté. transes. noite. guarda-sol. tu. trompar de tromper. fusileiro de lejos. colher e gazua.114 Termos do calão provenientes das línguas modernas estranjelras Alguns d'esses termos experimentaram modificações. de costillas . galheta. afastado. niente. fish. mim. bom. de niente. de shoemaker. de dog. tivelve. doze vinténs. cão. de shoes. lahita. rapé. dinheiro de guinea. lofo de foi (com inversão). de noche. choupana dogue. ir. fiche. embolo porte-horne. de na^. te. Do hispanhol: haguinos^ baixo. Do Do gallego: nai/a. alar. casa. mãe. soldado da ventaria. Do inglez : bute. pistão. de de montanha na Catalunha. de piston. semoque. . miquelete. não. clioinar. janella. nada. de cucharra. sapatos. simoco. bota. de ventana. quarenta e dois guinés. de knife. 1 A palavra port. de hoot . Do nada. calças. bolacha (biscoito chato) *. dormir.a. veste. casaca.Velha no sentido de . miquei. naifa. tuelles. guine. no calão de Albergaria. colher. nome de uma moeda. de galleta. . de toi. chumeco. sapateiro de cottage. tu cadeia. sapatos . de aller. eu. chona. chefia cadeia. de porte-monnaie . moa 6 moiene. : ir . . bacalháo. francez cal. tabaco de fumar. cão. de sastre. bacalháo. ti. faca. bofetada. trozes. agente de policia. de gut. presunto fortytwo. bolacha (biscoito chato) toma familiarmente o sentido de bofetada. segundo os processos de formação do calão abaixo expostos. de trowsers. costilhas. stockfish . sapateiro. chastre^ alfaiate. . eu. me. fumo. toiene. de smoke. legos. de doze. antiga guarda dos capitães generaes?. de stockfish. faca. peixe. Do allemão: gute. costas. pé. . italiano : nantes. verdes. de riiabit. de hajo. chuzes. de chame. cabana. casaca. calças. cuncharra.

É feliz expressão de Pott. quer sons. e presente no espirito a forma perfeita da lingua fê-lo no intuito apenas de disfarçar. entrará na outra categoria depois de novos estudos. já das linguas es- dos ou- tros ficar-nós povos (separação que só parcialmente é possível). se nos apresenta como junto constituida por termos da lingua geral portuguesa. já das girias estrangeiras. com alguns termos pouco numerosos d 'outras linguas. Quando o povo diz inselencia por excellencia. Passaremos agora a estudar os processos pelos quaes dos termos da lingua geral se formam termos do calão e se neste ha verdadeiras creaçÔes novas. a forma culta da palavra não está no seu espirito. tendo bem geral.115 Os processos de formação do calão 8e separarmos do calão tudo que lhe tenha vindo for- mado. fê-lo conscientemente. quer significação. Quando um creador do calão modificou almocreve em almuque. ou depois de mais ou menos detido exame. E lingua geral e dos dialectos. mas de que provavelmente uma parte os quaes experimentaram modificações mais ou . Deformações phoneticas. o termo da lingua evidente que os termos enigmatisados (quer . elle não a co- nhece. ha ainda uma maioria de termos em que distin- guimos duas camadas: 1) uma que immediatamente. menos connos na na sideráveis. segundo a corrente. apesar dos pontos de contacto que se notam entre essas duas ordens de phenoraenos. de enigmati- sar. ou em mais de um d'esses aspectos ao mesmo tempo 2) outra camada constituida por termos que se nos afiguram irreductiveis. prompto para ser empregado sem modificação sencial. diz inselencia porque apercebeu sempre a palavra com esse aspecto phonetico. Um exemplo fará comprehender bem a distincção estabelecida. quer forma. preferivel empregar esta o expressão para distinguir processo consciente da modino calão das ficação phonetica alterações phoneticas da I.

e aquellas mesmas Ex. a) as principaes espécies de deformação phonetica Mudanças de : fica-se ás accento. de fr. sem que seja conhecida a sua relação para com os termos correntes de que sairam. n.® 3. mas esses termos correntes serão empregados pelos mesmos individuos quando não faliam o calão. aqulfolium. diz-se tisoras por tesouras. Essa mudança de accentuação coincide nos exemplos dados. Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa. : de trifolium. irmo de port. trevo como mostram. mudanças de accentuação que não coincidem com suppressão de syllabas. são acompanhadas geralmente de modificações nos sons. linguagem familiar dá-se essa abreviação nos termos de h) Na ca- rinho. Na linguagem familiar modivezes por gracejo a accentuação das palavras. O mesmo se dá no calão. caso ainda de culta que não se dá (salvo circumstancias especiaes. Suppressão de syllabas (abreviação das palavras). suta. p. . papel.116 no som. como noutros mais. especialmente nas formas hjpocoristicas dos nomes próprios. ceroulas^ pápulo (todo escripto. irmão^ capito de port. p. como pode ver-se nas observações que noutra parte consagrei a esse ponto 2. 2 1 2. Essa suppressão é geralmente acompanhada de outras modificações phoneticas.' serie. 141 e n. cérulas de port. No processo evolu- tivo inconsciente danças. Vejamos do calão. acébo do lat. ex: No cepto carta) de port. por da lingua deram-se também d'essas muex. quer na forma. com uma reducção de calão são raras as syllabas. por ex. quer na significação) podem ser repetidos depois por outros individues. capitão. 142-149. sautoir. a que pertencem os seguintes exem- Vid. a que terei me referir em parte*) com os termos da lingua na boca do povo que emprega em vez d'elles às suas formas próprias.

Se brasil e restolho se reduzem apparentemente á substituição de derivados por primitivos. indicamos o português geral camos a significação dos termos que nella experimentaram modificação.^ (1887). Sobre factos análogos e o que os distingue da etymologia popuo meu artigo  etymologia popular in Revista lusitana. brasil. 3 lar. trio. de port. Fernão Lopes empregou a forma alcouvetas: alcouvetas e feiticeiras». . trio. algibeira. rijo. de port. algazarra). as syllabas supprimidas são fi: mais rara ó a suppressão das syllabas iniciaes. tesouras. alcaiota ou alcoviteira^ . citados. É um dos vários na termos populares que o auctor inseriu entre os archaismos. de port. pataco. 133-142. alcofa. theatro . de port. croia *A forma frases que terbo. e noutras só pela interpretação secundaria pode tê-la. pp. sinhá. modificada veiu a tomar a forma de outra que nalguns casos não tem com ella a menor relação de significação. de port. c. tisas. almocreve.117 de port. de Santa Rosa de Vimas sem texto que prove a sua antiguidade. almuque. estalajem. correlação Nos exemplos naes taco. a que pertencem todos os de calão citados neste estudo que não se encontram nas nossas listas acima. Pedro I. bi^asileiro. de port. regedor. alcofa acha-se no Elucidário das palavras. theatro. aljaba exis- tem na lingua como palavras radical distinctas e sem relação de com alcoviteira. figura lista de Queiroz Velloso. regedor. Como se vê. rijo. marac a de port. camarada. ex. /abricante. restolhada (que ó propriamente o ruido produzido pelo vento no restolho) estola. ai jabá (alpios: alcofa^ j de port. de port. fabrico. . de port. termos e em Portugal antigamente se usarão. gibeira de mulher). i . Pela abreviação port.se uma longiqua ^. de port. vid. D. . senhora (sinhá é tam- bém forma crioula do Brasil) . todavia um regedor pode ser denominado o rijo pelos meliantes e entre uma algibeira e uma aljaba concebe. Chron. de port. algibeira. na maior parte d'esses exemplos a palavra . restolho (barulho. 2 < Queria gram mal a só indi- 10.

O can (cânon). que apresentam suppressao e argot apresenta sobretudo exemplos da primeira espécie (suppressao de finaes). 46. argot apresenta numerosos exemplos de suppressao de syllabas. comme (cominerce). d) zouzou (zouave). de origem italiana. p. reduplicação. zouca por cousa. 211. croc (escroc) . ix. troquei (matroquet). cesso basta para a formação de certa Vimos já que este proordem de girias. diam (diamant). saj) (sapin) condice (condition) . os das outras são raros *. c) O Inversões de sons e syllabas. por burrico. Alexandre António de Lima. calão as inversões podem . como vimos. pouchana por choupana. taes são: a) autor (autorité). c{j)al (municipal). p. Bluteau). nounou (nourrice). from (fromage). achar (acharnement). se como termo popular. No raras. ser simples ou nhadas de outras modificações as acompada primeira espécie são : Exemplos d'inversão simples safo (lenço) por *fasso (d'onde falqo. magne fmanière). pardesse (pardes.118 de furbesco ancroja (?). e Bibi (Bicêtre). sus). jpoche (pochard). Nas linguas geraes portuguesa e hispanhola ou nas suas formas populares ha assas numerosos exemplos d'esse processo. Rasgos métricos ^ p.s Grundriss der romanischeu i. Schwob et Guieysse. Die portugiesische Sprache in Grõber'. . 776-77. Larchey. tapor por porta. no seu bello trabalho sobre a lingua portuguesa. Nos seguintes exemplos houve mais ou menos consideráveis modificações dos sons invertidos ou outras modifi- 1 2 Vid. traz quesposso por pescoço^ que não sei se devo considerar como termo do calão. d' entre os quaes escolhemos alguns: agamo por âmago ^ atolar por *alotar de lat. occas (occasion). chamfpa por jpranchaf manica por maquina . lutum^ carrascão por cascarrão de cascarra. Talvez o^eco jumento esteja por burreco^ forma popular depreciativa. b) chand (marchand). Philologie. c) lubre (lúgubre) . reuniu Júlio Cornu^ boa collecção d'elles.

s. talvez em busaranha de álamo. O calão drope. Drofo * por ^Trofo. posta no fim da palavra. Já em Pechon de Ruby se encontra zerver. scopa. pobre. em pedra de lat. que se substitue por um l. No argot são raras essas inversões. excepto em ligação com outros processos. estivar. á Ballade V. ou ème). jpocírí?^ e talvez nelle se fundisse ainda *brope. de . stivare. atte. e miloger. de port. e um ao lado do outro: limogere. toba de bota. germanía antiga apresenta-nos já vários exemplos de inversão de consoantes chepo por pecho. foi. taplo por plato. petra. abjecto. p. desventura. e : sor/uinha por ^zoquinlia. e. encontramos Ostac por Costa. * por *drespa. greno por negro. alhus de hisp.^orto. vidro em vitrum.. de ver ser. de ir^. de Villon. tisoar * vistar de visto. valet (Schwob et Guieysse.119 caçoes concomitantes cozinha. dep em /em lat. II. f. adversidade. oque.. . Pott. server (pleurer. 38-39) e remontando até mais alto. na língua geral por h. se faz seguir de um suffixo (particular- mente de ique. macallo por *vacaUo^ de m. povo . pobre. crier). nome de um chefe de policia (Ibidem). : A grito por trigo. (mirar) por Zig. '^folo. Tropo. assim loucherbème 1 Ibid. escova. 18). vapore = port. drepa (etymologia de Cornu) chona. que consiste numa inver- são da consoante inicial. port. lepar por pelar. pode estar de portanto por *trope. presta. adj. noche. m em * pedra. dropa por drepa. bafo (segundo Cornu *). de port. de port. drofa por ^trofa. Frequente no argot moderno é o processo chamado loucherbème. choina. port. (Hidalgo. Em de lat. Houve alteração de p V nas palavras lat. atrium. "^trespa. 769. de ^ort. tropa. . populus.. port. cavallo (b por musaranha. etc. uche. chambrière. de Porto (cidade). de lat. lofo por port. torpe ou port. latino medial. adro de lat. p. português desenvolveu-se espontaneamente ár de <r por exemplo.

d) Alguns termos apresentam outras deformações phoneticas. chimpar de chapar. ama-vel a qualidade do que me- juntam um ou mais : rece que aquella acção o tenha por objecto. a que se suffixos. não são synonymos. . que respeita ao amor. * Vid. falcambista. (vid. p. mente Deformações morphologicas. peltra. Questões da lingua portuguesa. : conhecimento. porem. cama. e já antigo no argot das classes criminosas^ de onde passou em menor rístico grau para o argot geral. Exemplos: mostro. do italiano fazzolo. de mosto . calçamento. vinho. cambador. muitos : derivados que são mais ou menos synonymos com relação a outros da mesma raiz. pérola e pilula. mamão de melão. acima safo. pp. Muitas vezes um mesma derivado fez desapparecer o seu synonymo da raiz assim em português altivez. ama-torio. germ. lastimeiro. lenço. anima). calçado. Cada uma d'essas palavras tem pois emprego especial. tendendo em regra a approximá-los ou confundi-los no som com termos da lingua geral. palavra que exprime uma remais ou menos distincto do exou conceito presentação thema assim ama-r exprime uma acção presso por aquelle ama-dor o verbal. elimo de animo (cf. etc. por *fasso. l-oucherh-eme . fazzoletto * fosso). falso. calva. fizeram cair em desuso altividade. perdoança *. 44-50. ex. sura. emborilho . chiloras de ceroulas. A derivação propriadita consiste na formação de uma palavra nova. agente. Esse processo é caracteé do argot dos houckers (carniceiros). perdão. lastimoso. lenço. tendo por base uma raiz ou tliema já existente. çonhecença. lemmefoque àefemme: emmef-^ l-emmef-oque. alma de lat.120 formado de boucher : oucherh-. falsidade. amante e amador. fazo. embrulhada (emborilhada). Ha. port. calveira. por II. de cal. porte-horne de porte-monnaie .

{-idade . C= soliculus).* ed.. lastimoso podia não ter sido derivado de lastimeiro. menton ou rognon. numerosas palavras simples para as substituir por outras de mais corpo. ovicula. quer. isto é. O fr. f . [-itmiito {-mento i-edo i. ex. porque as formas podiam terindependentemente. p. II. . \-ença conheci . taurus em soleil sentido já não era sensível. . 262-3. sentido. porque culus e ellus lhe eram conhecidos por numerosos exemplos como simples formulas de derivação 2. {-ai que muitas vezes a derivação nas línguas românicas tem apenas em vista reforçar a forma ordinária da palavra sem fazer caso do «Não deve esquecer-se. tau-reau (=^ taurellus). como muito breves. . por pequeníssima dimensão. troca de suffixos * : altivl \-ez . trad. ovis. não mais que o simples latino mentum ou ren. petit taureau. \-do calçai [-idade . .. auricula. sem pensar em ver nelles deminutivos. 2 Grammatik der romaniscken Sprachen. porque não se salvariam essas ser também podiam mesmas palavras allongando-as ? Mas só empregados com esse fim suffixos de significa.» Digo pelo menos apparentemente. como petit soleil. Visto que se expulsaram da lingua. ção incerta. pelo menos apparentemente. i-oso . ou vice-versa. II 2. quer para distinguir é mais frequente. antigas formas deminutivas cujo Assim como se preferiram aos de causa sua simples apis^ auris. fr. obscurecida outros teriam influido muito cla- ramente no sentido. a uma mais peso idênticas formas palavra curta. *' falsl lastiml {-ura eivo oLiV\ . diz se. Empregaramsobretudo para esse fim.. . parece ter o francez allongado também sol. diz Diez..121 Nalguns casos houve. mas sim qualquer d'elle3 1 se produzido de lastima. da3. para dar como ou semelhantes. 260-261. os diminutivos apicula.

homul-lo. deu logar á formação de derivados em -ellum. -n ou -ro (-ra). frequente se applica em português. Cf. No calão ha alguns verdadeiros derivados. Corssfen. d'onde puel-lo-. p. simples ou composto.(hom* homon-lo-. annel. TJeher Âusspraclie. lampião. juntando-se a themas em -r.derivou-se puerulo-. : arcoso. 149. -illum. hom-ullus. caso que aliás se dava em latim. termos formados de outros por meio de um suffixo (real ou apparente). ruina de rue-re. porque se formaram á custa de um buffixo com a parte thematica palavra e depois ganharam independência como verdadeiros suffixos. -lo de uma Em (-la). No calão encontramos factos das mesmas ou semelhantes categorias dos que acabamos de examinar com referencia á linguagem geral. muito frequente em português. de kom-en. mas que não a nossa Hngua directamente a themas ver- em baes. d'onde villo-. cp. vinulo-. de port. a. de cal. luz. ^lanipo ou *lampio. v-illum. aguardente o suffixo -oso. Paul.122 Proponho chamar indiíferentes esses suffixos que não dão origem a uma palavra de significação nova. -illum. 2. terminal). 203-204. Visto que havia outros deriin-) vados semelhantes. 527-530. H. Ha certos suffixos que podem chamar-se falsos. como mostram. pu. v. Principien der Sprachgeschichte. Taes são alam/par. ções novas que depois serviram para derivaassim de puero. de port.*. por exemplo.. tem forma d'arco. 1 W. á lettra: o que arco. luzio. á lettra a que arde. 'ullum. olho. Vokalismus imd Betonung der lateinischen Sprache. com significação distincta da dos themas de que são formados. de port. : com o suffixo -ina. -ulliim foram tomados como suffixos independentes. port. por exemplo. arder. olho. . sentiam-se em formas como jpu-ella^ hom como radicaes. cal. ainda que se apresentem por vezes com aspecto próprio. lâmpada. em que : -ellum.*» ed. II 2. latim. isto é. com ardina. ver. -no (-na). . de vino-. o suf. sentina de senti-re. pela assimilação (depois da syncope de o.

de trigo. com o suffixo frequente -nte. indolente. pescada (peixe). governanta. moeda de dez réis. folheca de folha. mas. Cp. àe fava. carne. bagaceira. com o suffixo -oso. grunhideira. cp. Bluteau. com racter participai enfraquecido. cp. que se encontra. arder. cano ou canna (da perna)? o suffixo -ante serve na lingua geral para formações de ca- mas tendo sempre por base themas verbaes. posto e derivado de port. com o suffixo frequente . chapeca. . aqui significa: que tem (escamas). faveco (feijão). gueirao toleirão de tolo. de port. de escamar. aguardente. com o suffixo port. encanhas. meiaí. gargantosa. cp. sonneca de somno. chapeca. bagaço calmeirão. de port. de cal. de chapa. como quanto ao sentido. cp. por exemplo. trigueirão de trigueiro. larcomposto de largo. regueirão de rego. hisp. homem grosseiro. gera. de grunhir. açougue. á lettra: a que tem garganta. o suffixo -eca. broma. mas que é muito frequente em derivados da lingua geral. de copasio copo. de port. aguardente. botas. cueca emh^omar-se. garrafa. — canhantes. lingua. durasio de duro. com de mandrião. que também se encontra com a forma sapeca. com o suffixo -eco. não se applica nella directamente a themas verbaes^ mas sim a themas nominaes. port. gereiro. dedos) de gato. com escamanta. que se encontra na forma feminina -nta em port. calmoso na significação de preguiçoso. Em-eirão. em port. espadeirão de espada. irritar-se á lettra: fazer-se grosseiro. balasio de bala.123 ardosa. emquanto nas palavras da lingua geral esse suffixo indica um agente. com o suffixo frequente -osa. gargalo. -deira. de garganta. bagaço. bofetada. (mãos. á lettra: a que se extrahe do o suffixo -eira. lingueirão de lingua. naquelle mesmo sentido e no de pancada de chapa com a mão. de cu. gatasio é antes termo gatasios popular. calma.

teu. de seda. a adjuncção de um a suffixo sem valor derivativo ou indiflferente tem um fim diverso — conservação de uma palavra de pouco corpo. Scc. vouzaille. Mem. bolso interior do casaco ou collete. vozigue por vous. meziguCf mézigo. com o suffixo -doiro. por port. de tarde. Schwob et Guieysse. fr. pela analogia das terminações de port. faduncho. cálix de igreja. estreme. cp. por *peUeca. 46. expressões populares como um bigorrilhas. seduncha. temos a substituição de um derivado da lingua geral por outro tamcal. abuso. lodo. dentrémes. como se verá mais abaixo. não havendo differença de significação entre o primitivo e o derivado ^ taes são : . a adjuncção de um suffixo suffixo. Em bém da lingua geral e do mesmo thema. ete. de port. 1 No argot é frequente a adjuncção de suffixos deformativos aos : nouzaille por nous. sézigue. vouzigaudj voziere. muitos casos. pipuncha. beber. de port. O calão junta noutros casos ainda um s a certos derivados seus. seiziere. no calão. pelle. apresentam mitene (do um não usado em português. teuene do port. a um thema da lingua Em geral. ourives. de fado. tarduncho. como vimos acima. comedoiro de comer» pileca. mitaine). oiro. tezingaud.. mas de sentido um pouco diverso. pela analogia das terminações de creme. teziere. ou elemento com aspecto de tem apenas por fim o disfarce da palavra. . toiene do suffixo -ene fr.12-4 piadoiro. loimique pour moi. nôziere 2 por naus. vii. moi. apparentemente do plural. parafuso. etc. infuso. de piar. língua geral e isto que são devidos apenas a más analogias dá-se por exemplo em: loduso. encontra-se em moiene do fr. loitreme por toi . RiGAULT. pipa. Cp. de cal. Nalguns derivados apparecem-nos suffixos estranhos á . bebedoiro de beber. loitHque. leme. de chegado.^ administrante. sezingaud por lui pronomes (soi). ling. cavallo magro. um bolas. administrador. A forma. chegaduncho. Nas linguas românicas. toi. cal.

na são outros lingua geral). lonjantes. aqui. como no argot chiquoquandard de chie. Storm. agadanchar. horante. patola. com assimilação de im em rr. hago (dinheiro). de cima. chiheco. J. cabra. no slang slandingcular (pela analogia de perpendicular)^. 43 . de port. de alli. breu . àQ fora. de dentro . ante. cair como um pato. acache. Soe. é uma agadancanhir por port. e que lem- bra certas accumulaçoes de suffixos noutras girias. de cal. chibo (espião. allimes. de cal. patego. forantes. hajo. tolineiro. denunciante). de caixeiro. sedaite. cal. antes. 156-157. todos com o suffixo -iincho^ tão frequente no cigano (vid. de hora. Englische Philologie. de port. e creoulo por senhora). paivo. parné (dinheiro). cal. et Guieysse. p. paivote. de vinte. aquera. de cal. todos de c&i. lonjantes. vii. caixeirante. sinhama. briol. de tolo . zarguncho. cal. de cal. haguines. de paivo. parrelo. de ca\. perunca. allache. Ling. Cp. cp.. os advérbios port. de hisp. applicado porém a nomes. algures.. de alforje. vintanços. formação sem analogia na lingua geral. deira). de longe. pato no sentido de ingénuo (cp. rupiquandard de rupin. paivante. denunciante. de longe.125 mesuncha^ de mesa. haguinos. (adeante) bial Nos seguintes exemplos de arriba. patáo. cal. cimantes (acima). . maciosa. de seda. os processos de derivação adverapparente são mais irregulares. por causa do s final de algumas d'essas formas. emquanto na língua geral só serve para derivados de themas verbaes. 1 Schwob i. arribatis. de sinhá (cal. de branco . aqui. notante. todos com o suffixo -ante. denirávias (dentro de casa). agadanhar. Mém. perua (bebecal. sos de derivação da lingua geral sem haver formação de palavras de sentido novo. cal. cal. etc. de maçã. exemplos do emprego de procestolo. hranquioso. . nenhures. de de antrel de alli. de cal. espião. 47-48) e que se encontra na lín- gua geral em caruncho. nota (de banco) alforjante.

camada. crisol. pelo pop. como cabedello. . cachilras. dar. armazém. alimazio. paiol. armanço. Procopia. significação. marreco. do outro os nomes em -elo. rei- nol. modelo. rodeio. Exemplos cal. égua. por port. cal. influindo raspar. cal. de carrascão. como em -adella como apalpadella. com a mesma . por cal. cal. um lado os nomes em rouxinol. entrames. novello. de port. carrasco . capello. como estrada. nome de peixe. influindo também maragota. cal. por cal. real ou apparente. varrasco. de pop. bilro. é substituído por : um outro suffixo. bello. atalaia. faneco. velame. bebedeira. sentido como suffixo substituído cal. carol por *carrol. cp. almazio. como chaveco. dinheiro para jogar. malafaia. de um lado os noem -ame. mannheiro. certo se cal. carraspana. e de outro copia.126 Um suffixo. 'inheiro *. por port. e de outro os nomes em -asco. catr-aia. cp. picanço. alimária. palavra toma inteiramente a forma de outra ou antes funde-se com outra com que tem apenas Muitas vezes uma commum alguns sons iniciaes ou até um só som inicial. rabello . como pe- nhasco. balanço. zumhaia. eiitrada'. se liga a cal. *catv-opia. de um lado os ta- nomes em reco. lacaia. -anço. armadella. por port. briol. mes fartadella. nome dado que vêem ao aos barqueiros de cima do Douro. ca- cadello. cp. rabeco. marigoto. influindo cliilra (cp. e do outro os nomef. ainda e se cal. cp. como arame. está por forte e áspero ao pala- pela terminação) ^ carrascana. armar. vinho ordinário. arraia. como anzol. de -ol. com influen- cia. de um lado. seios de mulher. cp. ao que parece. de port. e do outro os nomes em -ada. catropéa. -eco. etc. -ello. Velasco. cal. cabaia. pancada. conservando-se em regra a significação d'aquellas primeido 1 É menos cachorros. Porto. real ou apparente. cal. pelo typo de pera digoto. sarampelo. ^alimal. sendo -igoto. de um lado os nomes em avanço. jaleco.

com milhafre. cal. por mil (réis). marihundo por moribundo (marihundio A. por port. baia. pontífice. Qdl. panno cal. trave que separa as cavalgaduras na cavallariça. p. Exemplos: por port. o qual apparece Em de homem cal. António de Lima. etc. por pae. marinheiro. brasileiro. é sem duvida devido ao mesmo processo mas aqui em vez de * mcdaca. mão. formou-se cal. faia. um resultado da fusão de marinheiro com marabuto. ^ov ponta (de cigarro). pela fusão com^oíi- papa. por port. por port. atroços. pela em pop. temos simplesmente polcica. Rasgos métricos. cal. como se fosse uma expres- são adverbial a troços. com mandil. mandrião^ por fusão grosso de esfregar. nome de uma Cal. consoantes iniciaes l-j. atrás. por fadista. por mãe. Por analogia cal. mãe *. por port. mal feito. * . polaco. fusão com baia. palurdiOj. pleta com loja. lojibeira. preguiçoso. marabuto (p. nome de religiosos musulmanos da Africa septentrio- em os nossos escriptores quinhentistas os nossos marinheiros tiveram conhecerto e de que por francez marabout tomou o sentido pejorativo cimento. feio. 209). estúpido. fusão com marihundo. pela fusão ave. por cal. milhafre. Nos exemplos seguintes houve fusão de palavras que só teem de commum uma consoante ou grupo de consoantes inicial : cal. nal. mandil. fusão arvore. 61) parece ser uma formação do mesmo género. nome de tifice. com faia.127 ras palavras ou experimentando apenas alguma ligeira modificação. apresenta uma fusão incomessas palavras associado pelas tendo-se algibeira. cal. cal. parvo. bata. . pae^ por fusão com jpalurdio. malurdia.

etc. cal. Hata. dog). huco^ cal. fusão com laivo. cal. titulo nobiliarchico. por port. dogus (do ingl. . por cal. í : assim em tosa. tem e aberto. dizer grandes mentiras. pela fusão com golfo. chetuj vintém. palavriado modificado astucioso. por port. cal. nome de um saurio. Poder-se-hia em que beu fosse uma modificação de breu. etc. nome ethnico. comestíveis . buraco^ fusão com bufo^ nome de ave. rico ó principal (Hidalgo). ódio. duque. hufoy cal. sargaço ? No sentido de aíidalgado. também mas o termo é do Porto e cal.128 cal. metier golfas significa lisonjear. fusão com veu. rosa. e r podem ser respectivamente 1 Cal. fusão com chita^ nome de estofo. por germ. em forma de grade. lenço. laranja. grego. cal. fusão com heta^ lista num vestido. ao lado de mimosa. vinho. etc. Pode dar. peça cal. por port. grelha^ por cal. braço de mar. heta. casta? cal. ficando assim o conceito do radical ligado unicamente ao som v. grulha ou grelha. cal. de tecido para cobrir pensar um objecto. mancha. por port. e é sem duvida originado da locução popular mettêlas gordas. peru. cal. mesma signifusão com ficação. pelo grego. por port. fusão com leria. illum podia tomada como suffixo. osga por port. para assar ou torrar de cal. por cal. chitaj por port. praíct^ fusão cõm laia. laia. Z^iirro^ fusão com huco. grulha^ peru. golfo. mentir. depois em larias e lirias.se facto semeser lhante em muitas palavras religiosa. leria. fusão com grelha^ instrumento. godo. dinheiro. por cal. * laivo. fusão com osga. beu por * veu. hata^ mão. gordo. fusão com duque. Vimos já que numa palavra como villum. por cal. ho]o do navio? por port. pela fusão com a mesma palavra golfo ? cal.

foi substi- tuído pelo suífixo -eto. O conceito do : radical não existe só no espirito dos grammaticos actua também. que empregam no sentido de outras que com ellas só têem de commum uma syllaba ou um som : inicial. Muitos individuos associam com facilidade as palavras pelas rimas. não por uma fusão de palavras. outros pelas syllabas iniciaes. ao lado . Soe. etc.: tranche^ tronche^ trogne (d'ahi trognasse e gnassé)^ todos com a significação de cabeça. comquanto obscuramente. froc^ '^froque (défroquer)^ sos suffixos. No espirito as palavras associam-se pelos sons. cantata. como categoria psyclioem que logica. Mém. fr. pela significação. mas por uma troca de suffixos. paparrotão).129 sentidos como constituindo a parte radical. . 40-42. pelotão . em haia por hata. A ou um reducção do radical de grupo de consoantes uma palavra a uma consoante inicial. no espirito de todos os que faliam uma lingua ha distincção entre raiz e elementos de derivação.^ vii. p. hotão explica-se. : Eu associo os nomes próprios pela sua inicial não me lembrando muitas vezes de um d'esses nomes por inteiro. pois não ha cal. fringue^ frijpe (fripierj dre. ^ Schwob et Guieysse. heto O uma palavra heto. é um arg. por port. pelos radicaes. folheto. pelas categorias grammaticaes. pelas formas de derivação. em se Poderíamos ver analogamente nas palavras acima. lembro-me todavia do seu som inicial e por ensaios successivos chego a restituí-lo na memoria. em portuguez: -otcio. lacaia. chajpeVy pren- de chojper^ chijper *. a que se ligam diver- processo conhecido do argot. ling. de -ata por -aia vata. malafaia. sentido como suf- íixo (cp. o resultado de um processo semelhante de substituição de suffixos ou sons tomados por suffixos. etc. no- outro cabaia. carreto j coreto. e de de um lado camarata. horhotcio. zumhaia. ex. habit. frusquin. mar otao. que se encontra por exemplo. ex. troca (cp.

o que tem o habito de beber vinho. Essa explicação pode enunciar-se tamnos seguintes termos: uma palavra suggere outra (geralmente do mesmo numero de syllabas) que tem com bém ella de commum um ou mais sons iniciaes e a ultima passa a ser empregada no sentido da primeira. seja Deus! trazeis sacos. 131. em huco por hurro troca de -urro por -uco (cp. factos análogos. mas a explicação dada acima pare- ce-me preferivel. Littré. souffreteux.^ . Conta-se que uma velha surda teve o seguinte dialogo commum. jounire).. man- que). fr. etc). termo de calão archeiro. Nas linguas ge- raes ha lat. Em português. ex. e esta toma o Em sentido de aquella. mas copo de vinho.ed. E rara a fusão de palavras determinada por uma termi- nação morta. um exemplo é cal. de um lado esturro. j>unar (== pugnare). soiiffraite (disette. que desapparece (punir por alguém). 2. Uma historieta popular serv^e de commentario a esse termo.130 etc). presunto por pessoa com uns vós. pela influencia da associação dos sons communs souffr *. francês souffreteux. minha avó. . filhos? — Ai I defuntos. s. tomar a defesa de alguém.. toma o sentido um pouco modificado de soujffrant. susurro. chama por associação phonetica punir (= lat. v. louvado seja Deus ! 1 Arsène Darmestcter. p. defunto. iniciaes archeiro. lembra pelos sons este pelo seu suffixo -eiró dá ideia de um derivado. zaburro e de outro abelharucOj caduco. — Ai! de debaixo da louvado — Que meus vós nesses — Presuntos. d'ahi o seu emprego como se fosse um verdadeiro derivado de archote. p. La vie des mots. forasteiros: — Donde vindes meus — De Salvaterra. do ant. minha avó. filhos? terra. bêbado. apresenta-nos o resultado de um processo complicado : O archote. o qual seria archoteiro. maluco.

ben il . estará por 2 StudJ crUici. dedos (sic). macanjo pag. Cal. mal-uco para substituirem os usaes pataco e tabaco. Cal. ci dà perche delia squisita elaborazione Da orfevre si fece orphelin. dedunho? . estará por um sedulla não documentado? Cp. ossia. mal-eque. seda. Nella germanía.131 malacOy ^ov pataco. di prophete per jprofonde. . mal-oque. cujos productos apresentam á primeira vista enigmas indecifráveis ou podem ser tomados como metaphoras atrevidas. cal. e navet a Navarin. nello svisare la terminazione d'un vocábulo. Questo projphete potrebbe dirse você gergale innalzata alia seconda potenza. invenções extraordinariamente burlescas. parece ser devido a um processo similar. lingiia geral *. sia col ricordare un sinonimo. maloque e moleque para evitar a confusão em seguida mudado em com malaco = pataco. Concluirei a exposição d'esses curiosos processos de for- mação. mentre il vero valor di cerron é tela grossolana. medunha. sarcastici^. sia col ritrarre qualche attinenza delia persona o delia cosa che è nominata. per catenaccío si dirá cerron in luogo di cerrojoj. etc. maluco ^or pataco. filou s'è amplificato a Phillíbert. com i as seguintes observações de Ascoli: «Piu volte. da Guibray: Gibernej da poisson: poivre. L'alterazione fonética involve spesso dei significativo. cantina o tasca. pode ter influido (cp. seda. 9õ) ha também cal. sia coll' oíFerire allusioni o travestimenti burleschi. p. medulla. hattoir. e Fim- portanza furbesca degli oggetti eh' essa accenna. batelier per . Doutro lado parece que 1 tabaco foi egualmente assimilado a malaco. secondo la metáfora quel grego. todavia malaco não se encontra como termo da cal. Silva Lopes. 388. gerghi riescono a transformarlo in uno di senso aífato diverso cosi Varíjot dice arsenal per arsenic. serie de seduncha.» stituido apataco. Temos assim uma formações mal-aco. nez a Nazareth. falso. Ter-se-ha produzido malaco primeiro por maluco e depois subA ideia de mau.

Arsène Darmesteter. Stuttgart. Ludwig Etymologie in Zeitschrift f. deu o seu nome á coisa. rio. são em geral um resultado Quando secundário. na minha opinião. 1886). 1881 A. origem movimento da agua. Assim também o que francez chama vaisseau. cada um dos quaes poderia servir para a denominar. designa na um objecto por uma qualidade particular que o determina. 349-387 Herman Paul. segundo esse processo. 2. e uma palavra se substitue por outra. a coisa que o latim chama fluvius_. etc. apresenta diversos característicos: aspecto das margens. pois que o ponto de partida é uma associação pura- mente phonetica. W. . que explicam a maior parte talvez do seu vocabulário. e essa qualidade de agua corrente^ quod fluit^.* ed. Halle. Danzig. Para o meu fim resSprachgescMchte. a) «Todo o substantivo. estudo das modificações semânticas no calão." 1887. sem a minima consideração pela significação d'aquella por isso foram examinados na secção anterior os exemplos d'esse género. psycfiologie Principien der Sprachgescliichte. 34-36. 1886. ed. vid. 1884. Versuch emes Systems Bedingungen des Bedeutungswechsels derWôrter. Võlkeri U7id SprachwissenscJiaft. Passemos agora ao . (Leipzig. chama-o o latim 1 Sobre as mudanças de significação d. Kurt Bruchmann. O processo pelo qual j>alurd{o vem a significar ^ae no calão não pode de forma nenhuma ser considerado como o resul- uma palavra como tado do que ordinariamente se chama modificação semântica. . diz Darmesteter. Wundt. (1860). Eosenstein.132 os eíFeitos burlescos existem. p. Die 'psychologischen . tricto não careço de - um schema completo de mudanças de signi- ficação. em geral. Logik I. o que como se vê dos nossos exemplos é raro. Tobler.. La vie des móis étudiée dans leurs signijications' 2. Paris. por assimilação de forma a um grande vaso. III. o movimento da agua foi escolhido. Psychologische Studien zur 306 e segs. Modificações de significação *. Assim. ou hâtiment por allusão ao trabalho de construcção.

assimilada a sua explosão ao ruido de um nariz que funga. quando é personificação determinada pelo seu eífeito adstringente. por caixa. o chapéu . por saia. noutros casos intervém um certo cómico ou depreciativo. . cobre (cp. . a espingarda é chamada a fungante. pahnilhante. cp. passageiro . é chamado o doido. o fallante. por pão de trigo . ras- por sapatos . » nuheSy (serpere). por carro de bois . massudo . por chinelos . brilhar) j nuvem. exemplos : senta alto^ no tribunal). fr. navio (navigium)^ isto . andante^ por carteiro^ comboio^ cavallo. por isso que agita os seus braços . cantante^ por gallo. roncante. fluctua ao cimo da Esses agua (natatj exemplos podem multiplicar-se indefiassim em latim serjpente ó o que se arrasta nidamente. tamposa. serve para se passar sobre eWn)^ ^or ponte. que muitas vezes está longe substituir No de ser o essencial . redonda. a expressão Tmtal sonante) todos esses . forte o moinho. com um termo depreciativo o vinagre é o raivoso. para ver se trazem contrabando sob os vestidos) apertantey por corda (da forca) chiante. velar.133 ó^ o que nada. reptil. por libra. cobrir). altanado (o que está. nuhere. ^ov pedra preciosa. por viandante. ferrugenta^ por espada (velha) filante^ \ por agente de policia. por cabeça. crivantes^ por dentesy dentosa. espumante. designando um característico. por serra. mouchoir). o que tem raiva. corpóreo. como em furor. preta^ por garrafa (de vidro preto) tantes. por juiz . é a que vela. mas o palrante. Em moncoso. apalpador^ por guarda-barreira (opalpadeira é a denominação de mulheres que nas barreiras apalpam as forasteiras. ou estabelece-se uma correlação metaphorica por vezes pouco natural assim o advogado é chamado não o discursante ou o defensor ou mesmo . por dinheiro (cf. sonante. se amarella (da cor do oiro). passante (a que passa de um lado a outro do rio. por sabão. por lenço (cp. rasteiros. aurora é a brilhante (raiz us. por uma espécie de . calão é muito frequente o processo que consiste em um nome usual por um adjectivo (ou participio). exemplos a denominação é perfeita- mente simples espirito e natural . official . piolhosa. quando o vento o move. luzente.

bala.). vida é frequentemente comparada pelo povo a uma (a luz. si- gnificação do calão já vários dos exemplos dados acima entram nesta categoria. da cabeça. . lejos. forca (por causa da forma e altura) cortiço. longe (do hisp. propriamente . copo. é a mimosa. em — com — — . é. pela comparação dos cabellos com os tentaculos do animal . adjectivos podem ser modificados na significação que rigorosamente resulta da sua forma. gata. comida (sobre a qual se bebe. metaphora do calão diverge em muitos casos da metaphora da linguagem geral em não A ser espontânea e transparente. bebedeira (diz-se que o vinho . guarda. vinho (por causa do aspecto) lastro. ha um conto popular em que velas acccesas representam vidas de pessoas) archote. a camisa que. . padece. . que se compara á cortiça (o povo chama encortiçada á carne dura) cortiços. O tido calão legante^ pistola.134 sujeito a muitos accidentes. é denominado o o que pena. penacho. accende-me . um derivado de de longe. talvez porque a tinha comparada a escamas. medusa). significando ha vagar designa a prisão. carne de a carne coberta immediatamente pelo porco. catafalso. coiro. cesto da gavia. substantivos . cabelleira. vagar vagarosa. (á mesa diz-se comicamente : estou ás escuras. ao serem convertidos atira de — a que cal. botas gallinheiro. quando não se tem ainda vinho no copo) harraca. é muito frequente nos desvios de . apagar-se a lamparina. como no navio sobre lastro se põe a carga). quartilho de vinho. exige cuidados para não se sujar de prompto. touca. o que resulta do caracter geral das girias. lavada e enpenante^ gommada. a luz. . hreu. meretriz (por causa da lubricidade do animal). segundo se me afíigura. cabelleira. Porque razão a sardinha é chamada foi tinhosa não é fácil de dizer. pela morrer semelhança de forma. ameixa. a que se deu o sen- Os assim vagaroso significa que procede vae de em que vagar. varanda. que já indiquei. Eis uma serie de exem- plos: alfarreca (alforreca.sol (por causa da forma e destino). h) A metaphora.

capoeira. lagosta. pão alvo (por causa do aspecto) rede. linguado^ lettra. mínio da pura hypothese. cadavérica) canivetes . virar. no mesmo sentido. lingua. guitarra . diz-se picar. cachimbo. diz-se sondar. gaveta. c) Algumas mudanças de significação que nos apresenta . bêbado rufar. no sentido de morrer. . por fim adoçar. rama. por afogar. por sova. duvida la oslra. espaço entre o pollegar e o index. abafar. . por assim dizer. pessoa com muitas vestes sobrepostas. podex . bofetada. por espancar. abotoar-se com uma coisa. cadeia de relógio. roupa ripa. insultar. pé panella. diz-se collegio. roubar. pan- cada. que os fumos do álcool sobem á cabeça: compara-se o que se suppõe haver dentro ao que cobre a cabeça) . espada rouxinol. ^oy matar. relógio d'algibeira. bolsa de prata (por causa da forma tira ) . diz-se calor. carruagem cebola. provém da phrase espirrar que se diz de quem se encolerisa facilmente . mão por chave foi suggerido pela expressão chave da mão. . o calão resultam de simplificações de phrases assim falho. diz-se estafar. . ^qy prisão. negar-se. d) Alguns nomes ethnicos ou próprios de pessoas. palma da mão. ensinar. que de termo de jogo passou a ter aquella significação. attenuar. prisão. . . diz-se escovar. capa. (na gíria dos typographos: scripto) massa^ milho^ dinheiro pianinho. experimentaram modificações de sentido ou applicações ás vezes ^ Se lostra. provém de falho ao naipe. provém da expressão ^or a cara vermelha como uma lagosta^. panella. algodão em rama. vindimar. cadeia esponja. de manu. o que significam os correspondentes usuaes: assim t^oy furtar. lostra é sem . esticar e espichar. diz-se ^oy fugir. provêem das phrases isto é. é alteração de lagosta fica no doNa significação de escarro. que não tem dinheiro. . esticar ou espichar a canella (a perna.13Õ sobe á cabeça. . entrar na rigidez espirrar. diz-se /a^er aboiar. por morrer. No calão dos criminosos occorrem expressões que teem . . apito saca. bater (como se bate rufando tambor) chaleira.

é carpinteiro. ha um vestigio que não é o único da antiga denominação dos habitantes da França. provir do nome do marechal conde de Schomberg malafaia. quando se note de que Como maneira o povo se appropria de palavras novas. Cava no cbâo. janisaro (sem duvida o nome dos soldados da do guarda sultão) veiu a significar tunante na giria do século XVIII não deve causar estranheza. 2A palavra ohvio foi ouvida já no sentido de estranho. occultamente. pela calada. por causa da cor do insecto ser semelhante á das fardas dos soldados da marirtha inglesa. por exemplo : se antes de umas . Só sabe d'horas. mas a Plebe e os Có* micos trocarão a significação deste vocábulo». imprimindo-lhes sentidos que nem de longe se correlacionam com os que ellas teem. No termo gallo. p. 505: «á chomherga. serra. isto independentemente dos processos do calão que acima ficaram estudados^. Tem Não Tem Nâo picão. etc. por plataforma. Não acha dinheiro. é empregada pelo povo correntemente . Tem Nâo esporas. no sentido de apparato para illudir . Cf. significando francês. que trazia o marechal Conde de Schomberg . censurável plantaforma. é uma adaptação do nome de familia Malafaia. 71) parece *. Não sabe de mês. chamhorgas (p. determinada sem duvida pelas syllabas mala. A meia noite Se levanta o francês. Chomherga foi certa moda de bigodes. a seguinte passagem de Monte Carmelo. sujeito de profissão duvidosa. Eu colligi da tradição popular o seguinte enigma do gallo (ave).136 curiosas. que lhe fizeram attribuir o valor pejorativo. assim inglês significa percevejo. é cavalleiro-. é pedreiro.

vaidade.» Ouvi já empregar laudemio no sentido áQ presumd'estes dias ouvi um uma : por um processo fácil de comprehender. applica-se ao caso o termo.. isto é. No calão. seg. palavra parodia designa na estudo de uma A boca do povo innumeras coisas variadas.se de vade-mecum. pção. 132. ex. honrado. que (quem sabe ?) talvez fosse suggerido por esses levantamentos illusorios de plantas. cão. por nomes da pega em Rolland. havia cría^ carne de vacca. hademeco os = O termo hadameco. Um outro processo que podemos chamar da substitui- ção synonymica (falsa ou verdadeira) dá logar também a mudança de significação. é fallar senhor de si. provém de navarro. parado a um cocheií-o dizer para um sujeito que estava esquina observando o quer que fosse «não estejas ahi de parodia.137 No calão o nome vicente designa o gato. emquanto d'outro lado despauterio veiu a significar disparate. 1 Encontram-se factos similhantes noutros paises. de la France. . Faimepop. originou. Num annuncio d'um açougue li: «O responsável d'este talho tem que ser licito nas transacções que faça com o publico». u. narro . Lembremos que o povo chama também ao macaco Simão (suggerido sem duvida por simio). É incerto se cal. palmatoada). ex.. p. desenvolveu-se a serie synonymica de bolacha eleições se emprega o conhecido processo de mandar proceder ao estrada para uma localidade descontente. por allusão á lenda dos corvos de S. Fallar ou ser pespauterio. rapazote atrevido. cuja ori- gem. tolice. conforme a grammatica de Despauterio. bacharelar. com importância. á coccinella septempunctata é) Joanninha *. vid. Desde cabeça o momento em que uma pancada na mão. adquiriu o sentido de probo. este nome significa na germanía antiga ansaron (ganso). como vimos. emquanto na linguagem popular designa o corvo. a começar pelas danças e mascaradas carnavalescas e a acabar numa figura qualquer caricata. Vicente. cara ou assimilada ironicamente a foi um holo (bola ou holo. é incerta. aqui licito.. e vem sem duvida de '^fallar pelo Despanterio . suppoz-se derivado de criar e como gerar ó synonymo de criar^ produziu-se o derivado sem suffixo gera^ carne de vacca. o que é permittido. á burra Joanna.

ora coiro e cação empregam. Diz-se no mesmo sentido: estar em coiro. biscoito /^pancada com as costas dos dedos na cabeça). mar-paut. femme. pode pensar-se que no espirito do povo coiro e cação se associassem como se fossem perfeitos sjnonymos^. Na phrase estar em cação. Assim produziu-se um como crêem Schwob termo marmite no sentido àefemme. coiro e meretriz. No argot encontram-se exemplos d'esse processo. para o vinho e agua do sacrificio. .138 (bofetada) ou galheta (do hisp. processo e quão diííicil Concebe. mas por derivação de mar.se até onde pode levar esse deve ser descobrir muitos dos seus productos. Mém. talvez. Marmitte dá logar a duas series synonymicas: d'uni lado temos jpoé?o?i e casserole. têem poucos documentos históricos. d' outro marmitte. de que provém fundamental de (vid.se no sentido de rameira sórdida. e como se compreliende mais facilmente que a pelle dura do cação motivasse a ultima designação do que a que se nos offerece naquella locução. mar-lon. mudado em mar: motte. principalmente nas girias. 50. Este processo é tanto das girias como da lingua- gem popular. que como a portu- guesa. expressiva do estado colérico de alguém. lat. Soe. scortum. vinho ou vinagre e que na igreja se usa um par de gaIhetas. que já não é nova. 103) tem também a significação scortum. garrafinha para azeite. tahefe (pancada ligeira de- baixo do queixo. uma do lado direito. é difíicil de * determinar. no sentido português próprio. outra do lado esquerdo» A que sentido da palavra se liga a expressão burlesca volaverunt galhetas. como supposto radical de mar-que (vid. alludir-se-ha antes ao cação a cal.^'^y. 2 Cp. mar-quise.. vii. p. Como galheta significa. e nas mesas o vinagre e o azeite se apresentam num par de galhetas. chama taujpe^. zoina que se tirou a pelle 3 ? Schwob et Guieysse.)*. não por metaphora. propriamente leite cozido com ovos e assucar). O hebreu p. p. 100). diz-se um par de galheias por duas bofetadas. ling. e Guieysse. Ha pouco deram-me a conhecer uma locução usada no Algarve que talvez se explique por elle: é estar em cação por estar nu.

mente examinados. vemos o como as outras girias. agora insolutos. e naturalmente a lista dos problemas. 39G. di quanto mai offerire? *» stra vagante e d'impenetrabile non potra Relativamente ao calão ou gíria portuguesa. como os 1 Studj critid. ingenerate da mílle specie d'accidenti assai spesso imperscrutabili non maraviglierà per certo alio scorgere nè varj gerglii un . . buon contingente di dizioni che sembrano voler perennemente rcstare quesiti etymologici insoluti. morphologico ou semântico. ogni ogni borgata. Creação original. o meu estudo creio que me permitte affirmar todavia que dos termos de mim conhecidos apenas cerca de um sexto não é suscoptivel de explicação ou de etymologia immediata^. geralmente certa^ no menor numero de casos apenas verosímil. todos os processos anteriorcalão. messa in serbo. ou do país a que pertence essa giria ou de outro. partir dos termos existentes e ligar a elles os seus productos por um nexo phonetico. La quintessenza delia parte parte piu recôndita dei vernacoli.139 Attendendo ás diíficuldades que levantam á etyinologia esse e outros processos das girias. il favellío d'una intera nazione. Em investigações. chi sa e fantina. p. já por processos espontâneos. da quanta generazioni. Nada nos impede de crer na possibilidade da creação de novas línguas. Examinemos succintamente esse problema. Dir-se-hia que os creadores das girias ou não teeai facul- dade ou não se sentem impellidos de necessidade para fazer uma linguagem de sua inteira invenção. ogni contrada starei per dire. dalla società fursottoposta per soprassello ad artificj gergali. 2 Chamo a um aqui etymologia immediata a que liga um termo de giria termo da liugua geral. vê-se com que inteira razão Ascoli escreveu: «Chi pensi agli innumerevoli enimmi che in se racchiude città. avendo in ogni época le sue peculiarità idiomatiche. diminuirá com novas IV.

gritar por fugir. H. dizendo mar por . Do porque se tem em vista partir d' ele- mentos conhecidos por um numero mais ou menos conjcá siderável d'índividuos. II Lect. Apesar das producdois primeiros processos Os um 1 An Essay Uwards a Beal Character and a Philosophical Language (London. 2 Sobre a legitimidade das tentativas volapukistas. pão. soccorrem-se do ultimo caso temos material das linguas existentes. mas com significações que não tenham relação nenhuma com a usual como se faria. Techmer in Internationale Zeitschriftfiir allgemeine Sprachidssenschaft. que nestes últimos projectos teem tempos apparecido. de que não são capazes os indivíduos que constituem os grupos creadores das gírias. Como vemos não é assim que se formam as gírias. Second Series. inventando combinações phoneticas novas (raízes e suffixos) para exprimir as representações mentaes. exigem grau adeantado de reflexão. Max Miiller. como o Volapuk. por exemplo. etc. . Sobre outras tentativas semelhantes. Miiller. uma lingua tradicional. iv. quer sem essa classificação. no século xvii *. quer segundo uma classificação scientifica d'estas. 1668).140 que produziram as creaçôes primitivas. afim de facilitar a acquisição do novo idioma 2. em que a relação entre o som e a significação a já existente 3) por trariamente possível se . 1888). se baseia sobre um processo em que o mais arbi- empreguem palavras já existentes. Concebe-se a formação de uma lingua artificial: 1) pelo processo de Wilkíns. 339-34:0. já reflecti- damente por indivíduos senhores de uma ou mais linguas um exemplo no projecto de lingua do philosophica bispo inglez Wílkins. modificando-o segundo princípios convencionaes. 2) pelo systema do Volapuk. vid. alem d'essa lição de M. Lectures on tke Science of Language. em grupos de indivíduos que nao tenham adquirido ou só tenham adquirido muito imperfeitamente tradicionaes. Os diversos de lingua universal. Schu- chardt. vid. Aus Anlass des VolapiiJcs (Berlin.

scenc dei popolo Siciliano (Ragusa. apesar de ser a nossa actividade voluntária que está em jogo. sem estudos. que supprimira r na syllaba cre e eliminara por completo a syllaba final ve da forma usual. 1 15-116): o povo que àiz jpJiotogro por photograjpJio não tem consciência de que fez uma alteração. já escrevendo. que intencionalmente ingerimos. Supponhamos que eu vou para dizer ataraxia e digo ataxia. não se afastam essencialmente na sua marcha dos processos d'evo- luçào espontânea da linguagem: a nossa investigação assentou com evidencia esse facto importante.141 ções d'estas serem. Guastella no livrinho Vesbm. Pode objectar-se que até pessoas cultas que conliecem bem a forma das palavras as alteram por vezes. que só se distingue da que o povo tem das formas cultas. o fabricante de giria que primeiro disse almuque sabia porém perfeitamente que a forma corrente era almocreve e a sua uma alteração voluntária *. por exemplo. ainda menos que outros termos de um giria eram assim formados . intencionaes. o que equivale a ignorância. dos movimentos complicados que são necessários para pronunciar uma palavra qualquer. cheia de sup- uma : : pressoes de consoantes e contracções de vogaes 5 outra menos con- . O incapaz de explicar a si próprio por que processo o fizera. p. experimentam em o nosso organismo. porque não sabe da existência da íormsi j)hotograj)ho . mocreve fez uma modificação intencional mas era por certo . que praticara uma deslocação de accento. 1882) dá noticia de uma triplice forma de linguagem no povo de Chiaramonte uma a colloquial. em ser momentânea não ha no processo differença essencial. Isto significa que aquellas producçÔes são intencionaes mas não re_. S. Que se deu neste caso? Em vez de me surgir no espirito a forma verdadeira 1 que eu tinha intenção de produzir surgiu outra. que modifica. A. já fallando. como já vimos. das transformações que os alimentos. Vimos já em que consiste a difí^erença entre a producção própria da giria e a da linguagem espontânea (vid. individuo que primeiro disse almuque por alflectidas. ella fazia tão pouca ideia d'isso como nós fazemos.

que as mantém até certo ponto isoladas. a qual realmente não existe era preciso que num e noutros se perturbassem muito fundamente os nexos : associativos existentes. porper?*^ o termo gruemprego lha estabelece entre elles um nexo semântico. de um lado. de outro. do outro. Linguagem do canto : *u zzu mònucu 'a vo\ 6" 'a za Vita V ha massciu Ara. por exemplo. tal outro serpente. Ccu la za Vita mastr^ Aràziu Vhavi. Essas três formas de linguagem correlacionam-se como dialectos differentes numa mesma boca e o seu emprego é determinado por necessidades diversas. etc. no auctor. tal tracta. pbonetico. . como se esqueceu na linguagem geral porque animal se chama burro.142 A substituição de palavras da língua geral por outras da mesma que não tiveram com aquellas nenhuma relação de som. que basta para a facilidade da producção e da propagação. Cappicciavi lammassciarà. de modo que em cada caso ha uma orientação particular das representações. como plano e chão. Por mais arbitrário que pareça o de grelha. a linguagem do canto e por fim uma ainda mais perfeita que é a linguagem da poesia. nos imitadores. que de um lado supporia um espirito assas reflectido. Linguagem da poesia : Lu zu mònucu la voli. e apresenta os seguintes exemplos : Linguagem colloquial : Uzzumaò. Noutra parte voltarei a este assumpto. Destroe esse facto interessante o meu modo de ver? Creio que nâo.se. Mais tarde o nexo pode esquecer. As formas eruditas ao lado das populares na boca do povo. uma facilidade de acceitar um emprego tão arbitrário. cada caso surgem no espirito do que falia as representações das formas respectivas e ficam latentes na consciência as outras. não podem também constituir objecção ao que exponho no texto essas : Em formas duplas ou divergentes apresentam-se estranhas umas ás outras no espirito popular. forma ou significação exigiria uma quebra muito violenta com o uso tradicional.

ii. Foi sobretudo Richard Avenarius quem applicou o principio ao dominio do espirito no seu opúsculo Philosophie ais Denlcen der Welt ycmãss dem Princip des kltinsten kraftmasses. Progress and Poverty O Max principio foi applicado á linguagem em differentes direcções. (From Transactions of the American Philological Association. «tendence of language to facilitate pronunciation» (p. Geschichte des Princips der kleinsten Action (Leipzig. não admittindo esse principio como exclusivo. iv. Grund' ztíge der Lautphysiologie. nas suas obras de linguistica geral. p. Henry Grcorge. 579. i. Boston. no dominio do espirito*. pp. e consagrou á questão um estudo especial 7'he principie of Economy as a Phonetic : : Force. Logik. 184. 125-127. «muscular relaxation» (p. 1877). 262-264 e o escripto por elle citado de A. 1876. o principio da menor acção. Whitney falia de uma tendência para a economia dos meios. Prolegomena zu einer Kritik der reinen Erfahrung (Leipzig.) O modo ordinário de considerar essa manifestação da tendência para a economia na substituição de sons que exigem maior esforço por sons que exigem menor esforço é refutado por Sievers.) «Todo organismo que trabalha adequadamente para um fim deve realisar a sua tarefa com os meios relativamente menores. 1877.143 formação das girias não podia escapar á acção da lei do menor esforço. com applicação á mechanica. para a commodidade. que modernamente foram postas de lado. 197). Vid. 1876). 176). 177). 186). Second Series (1864). explica a alteração phonetica (phonetic decay) por «want of muscular energy» (p. « of Com relação ao trabalho humano em geral um economista formula o principio da seguinte forma: «The fundamental principie human action — the law that law of gravitation (London. 119-120) fizera as seguintes observações nas melodias populares que um povo ora carece d'estes ora d'aquelles . ex. com quem concordam os neo-physiologos da linguagem. 185). foi Maupertuis quem primeiro enunciou. «relaxation of muscular energy» (p.» p. cap. (Leipzig. no dominio phonetico. que acha luminosa applicação.). to physics — is to politicai economy what the to gratify their is that meu seek desires with the least exertion. «muscular eífeminacy» (p. Já Steinthal em 1860 (Zeitschriftfúr Vôlkerpsy: chologie «Como notamos i. ligado no espirito d"elle a concepções teleo-theologicas. 1882. La vie dii langage (trad. e da qual é uma consequência a lei das A 1 Como é sabido. Míiller nas suas Lectures on the Science oj Langaage. Supplement. No IDcnsamento deve-se por tanto trabalhar com a possível economia de força. 1882). Wundt. Mayer. fr.

alteração phonetica netica resultasse somente de tendência para a commodidade e euphonia. vid. a regressiva. assim se nega elle a admittir na sua lingua determinados grupos de sons em virtude de certa idiosyncracia. por falta de . i-v. 54): «E de grande importância ter sempre presente que a commodidade representa o papel de causa muito secun- daria. a mais regular. allgem. Sprachwissenschaft ( vol. a allemã na sua Antwôrt A an Helisãus Rõslin e a latina no quarto livro do Epitome Âstronomiae Copernicae. Se a alteração phoprocesso psychico. para exprimirem a incapacidade de se mover por si que o grande astrónomo attribue á matéria. que na historia da meclianica nos apparecem pela primeira vez com Kepler. Elle que nos diz : nun diese proprietas libei-wunden werden. in der grossen weiten Welt dazu. ainda Misteli. sou todavia da opinião que os processos phoneticos. e todavia é esta a mais frequente. Võlkerpsych. p. o conceito experimenta todavia grande modificação ou antes recorre-se áquella f expressão em ser muito diversa do que ella designou psychologia para designar alguma coisa que se sabe em mechanica. 1886. » num Paul diz (Prineipien der SpracU- geschichle.» Kruszewski mantém maior generalidade do principio da economia nos seus Prineipien der Spraclientwíckelvng in Internai. Nessa translação. dependem em pequeno grau de condições puramente somáticas. . Cf. emquanto o sentimento do movimento (bewegung <gefuhl) é sempre o principio propriamente determinante. i. Essas relações somáticas parecem me ter acção secundaria. 370-1. JJie EntsteJwng des Beharrnngsgesetzes in Zeit. até a alteração phonetica sob a influencia reciproca dos sons. que as girias se formam. xiv e xv (xv. comprehender-se-hia bem a influencia progressiva dos sons (na assimilação). ger «Soll ein species immateriata. Acceitando isso completamente. 301-302).144 transições lentas: é com o menor esforço. Zeitschrift f. 370-371). Vid- Emil Wohlwill. applicando ao dominio psychico sua correspondente latina inertia. 437. p. mas não a opposta. elle não admittiria essa translação do conceito da inércia ao dominio psychico. e são produzidas menos do que geralmente se julga pela forma de actividade e respectiva posição dos órgãos da linguagem. Võlkerpsychologie^ xi. emquanto reconheço a causa primaria da . accordes perfeitamente harmónicos. versans in actu motus». organico-meclianicas. económica na linguagem é representada por alguns como vis inera expressão allemã Trãgheit e tiae. ex. vol. dentro das tendências geraes da linguagem e não contra ellas. Lautgesetze und tendência Ancúogie in Zeitschrift f. so gehõrt ein Bewein des Menschen Leib ein Seel.

177-185. E assim que no domínio das instituições . tal como ha uma inércia da matéria. accumulando-se e substituindo-se parcialmente. o meio kilogramma como se arrátel novo. p. com referencia a parte dos auctores citados nesta nota. é coisa que não existe e contém uma contradictio in adjecto. que pouco e pouco se foram reduzindo até surgirem de novo os vestidos cingidos á pelle é assim que os espíritos que se emancipam do seu meio. tanto quanto é possível essa emancipação. é a condição funinstrumento já existente. cit. 102. Com razão diz Misteli (art. 59. (cujas observações se modificam no § seguinte). 117.14Õ Não se sente necessidade de crear um instrumento para modificação conservação das acquisiçoes humanas. um um fim a que pode adaptar-se com ou sem A damental da historia. tando-se acima dos preconceitos d' esse meio e descobrindo novos horisontes ao pensamento. é assim que na substituição das antigas medidas e pesos pelas medidas e pesos do systema decimal. 1888) pp. II 43. para o systema parla- mentar. o povo começou por designar o metro como vara nova. são geralmente mal recebidos no começo. modificando-se. Para que o que surge de novo seja recebido facilmente é preciso que se ligue por nexo claro ao já existente esse nexo pode ser externo (de forma) ou interno (de matéria). dos vestidos de mulher cingidos á pelle. e conservava a realeza. sendo necessária uma infiltração lenta das melhor termo. 437): «Uma inércia do espirito. por trabalho lento. 248-293 vações estendem-se ainda á rethoriea e á esthetica. por exemplo. Âbriss der Sprachwissenschaft. como faz Steintlial. do começo do século. as suas obser- 10 .» cia no dominio psychico é Em vez de fallar de uma taWei íZe mer- muito preferível fallar de uma lei de economia ou do menor esforço. i. politicas o partido liberal cedentes. mas por transições insensíveis que le- vam. no seu livro Psychologische Studien zur Sprachgeschichte (Leipzig. . ainda que reduzida a uma sombra. levan. Karl Bruchmann occupa-se da lei da menor acção no dominio da linguagem. ás monstruosas crinolines. No dominio da moda não procede por saltos. como buscava mostrar no passado preas antigas cortes.

Como se vê do titulo repete-se aqui o conceito da inércia com applicaçào ao dominio psychico. P. independentemente da necessidade. onde se acham reuni* das interessantes observações de diversos auctores. evidente que os formadores das girias não E procedem consciente. de sorte que ella domina não só a propagação.146 suas ideias para que emfim elles cheguem a ser comprehendidos. ao habitual. Note-se todavia que Lombroso : escrevera «Le misonéisme n'est pas loi de nature que quand Tinnovation est trop radicale. 1890). Em toda a questão do philoneismo e do misoneismo não se tem tido em couta um lado importante a fadiga que causa a monotonia : e que suscita a tendência para a evitar pela variedade. Lombroso leva ao exagero o conceito do habito na vida social no seu artigo Le crime politique et le misonéisme ou la loi de Vinertie dans le monde : morcd in Nouvelle recue (février et mars 1890) e depois no seu livro sobre o crime politico. mas ainda a producção. não é de modo algum uma barreira invencivel opposta á innovação *. Todavia se o habito tem uma importância capital nas coisas humanas. como nos psychologos citados em a nota precedente. tem papel assas considerável na formaé e lei um movei importante ção das girias. S. pela inno- vação. C. segundo as leis da appercepção (no sentido da escola de Herbart) e nessa adaptação é que Avenarius vê a manifestação da lei do menor esforço no domínio psychico. Radestock. Opera-se uma adaptação do não habitual. reflectidamente. .»» A verdade é que o amor do novo cam perfeitamente pela que as contradicções apparentes se explido menor esforço. de modo que tenham em vista a facilidade da propagação dos seus productos entre os outros membros dos grupos a que pertencem. Die Gewõhnung und ihre. Considerando as coisas superficialmente poder-se-hia ver na abundância de synonymos das girias um facto contra Sobre o habito vid. que nâo tenho á mão. 1884). elles obedecem áquella lei inconscientemente. Esse amor. do novo.» Merlino da sua parte pensa que: «La somme des sentiments philonéiques est toujours supérieure à la somme des sentiments misonéiques. Wichtigkeit fur der Erziehung (Berlin. in Merlino combateu as ideias de Lombroso num artigo La Néophobie Revue scienlifique (avril 26.

pois. nem de caminho e de velocidade. coisas todas que nada lhe custam. ou nos fazem proferir um modo de operar. diversos meios são egualmente praticáveis. pelas varia- . nem de tempo. Ella não começa a tornar -se clara senão quando se trata de fins para a realísação dos quaes. em circumé trata-se muitas vezes de princípios de uma ideia stancias dadas. ao emprego de novo processão que nos fatigaria. para resolver seguramente a questão do principio da menor despesa. na ligação do novo para com o existente. quer de massa. Mas então a medida a que se compara de todavia que essa despesa depende ainda de circumstancias que tornam mais importante para nós a economia. a indicação da direcção em que E o que faz ver já a ambida d'essas ideias ás acções naturaes. a verdade é que não os conhecemos e não podemos indicar essa direcção da sua economia necessária. dizer-se que nas girias a manifestação do principio do menor esforço não está pois em a não producção do novo. diz elle. guidade applicação fazer. H. pois em que um termo se propagou além dos foi grupos para que cordo com o que íica produzido^ deixou de ter valor. de modo que temos o habito. nem de forças. Pois. a economia de que julgamos achar o tes- temunho principalmente no mundo orgânico. D'acexposto deve. até no principio da menor acção. mas sim no modo d'essa producção. vaga que. Lotze dirigiu algumas objecções ao principio da menor acção. quer de tempo. Supposto que a Natureza mire a fins.147 a theoria apresentada. «Nas investigações. tudo o que affirmariamos talvez é que ella não é avara nem de massas. com efFeito. Tal é. conduzam ao mesmo fim com maior ou menor despesa. que teem por objecto os grandes hábitos que caracterisam a acção da Natureza. não obteve formulação exempta de equivoco. para que produzir termos com o valor dos já existentes ? Mas observa-se que está em a natureza mesmo desde o momento das gírias serem constantemente neologicas. economia que ella muito observaria. mas que ella é sóbria de princípios. um na definição do fim. é preciso primeiramente a economia tem maior valor.

em virtude mesmo d'essa domínio do espirito. 1884). que se torna o typo de todas as outras finalidades pensadas. por inexgotaveis modificações do mesmo órgão. opinião de que só no período primitivo da huteriaes A manidade gem tem fosse possível a creação de elementos da linguasido enunciada por alguns auctores. onde ha finalidade exposição. mas carece de fundamento.» E claro. e não menos se manifesta naquelle falia dominio essa economia de princípios de que Lotze e da qual é a formação das gírias por não essencialmente dos que se divergem processos que encontram na evolução das línguas geraes. E sem duvida muito dífíicil de determinar que palavras haja nas línguas modernas que não prove- nham por simples modificação phonetica ou por derivação 1 Hermann Lotze. Métaphysique. . onde se tem indicação da direcção em que a economia tem mais valor. um exemplo mesmo O facto das girias serem construídas. revue par rauteur (Paris. § 216. e prevê ás suas diversas coes de um necessidades . a natureza produz a diversidade das creaturas. fr. aqui ella parece-nos. se é permittido á nossa sabedoria limitada empregar essa linguagem.148 pequeno numero de typos de conformação. ideias não comportam applicaçao á mechanica. ser pródiga de massas e de tempo e recorrer a longos rodeios para realisar operações com maior promptidão. no todo. tem que cuidar não de um typo determinado de mas da realisação de todo phenomeno qualquer*. trad. o conceito da menor acção acha applicaçao irrecusável na sua generalidade. que no real. de Duval. Essas cujas leis que pareceriam poder ser executadas desviando-se da via typica costu- effeito. com ma- das línguas tradícionaes não exclue por certo a possibilidade de haver nellas alguns productos de creação original. mada.

^ ed.^ ed. Ahriss. ou ainda representantes de termos não docu- mentados das linguas antigas conhecidas ou por ventura vocábulos modificados de tal modo que escondam a sua mais. xxxv. 2. deum numero maior ou menor desses enigmas. pp. Die Seele des Kindes (Leipzig. vid. se vae resolvendo origem á perícia dos investigadores. mas o caso da palavra gaz. s. 138-143. Steinthal. § 510. quer reflectida*. Todos os annos. Ha também Deve ter-se em vista que as creanças transfor- í Sobre a creação original moderna nas linguas usuaes. . a que ainda assim os etymologístas se esforçam por achar termos populares ou de gíria como uma etymología'^. leio numa noticia d'cssa edição. 3Vid. Mental Evolution uma casos do mesmo género. porque embora achemos nas primeiras um considerável numero de termos irreduetiveis a termos das ultimas. Todavia ha sempre um certo numero de palavras que parecem de inteira creação moderna.. Steinthal. J. no existente na língua usual. cap. Paul^ ^Vid. 4 Ha sobre linguas d'esse género um trabalho de Horatio Hale in Proceedings of the American Association for the Advancement of Learning. 1886. muitas de caracter onoraatopaico^). Seheler e Littré. 1882). que não exclusivamente com elementos originaes^). das Na linguagem observados casos de creação de linguas por ainda creanças. que só conheço pelos extractos dados por junto com in Man (London 1888) pp. Principim der Sprachgeschichte. Ha esjpeclonderijico^ esta- pafúrdio^ que parecem perfeitas invenções sem apoio. W. Der Ursprung der Sprache. segundo que aindo nâo vi.149 de palavras de línguas antigas.. senão muito vago. v. pode. vol.se ser inclinado a crer que nesses termos irreductiveis haja restos de antigas línguas perdidas. 4. creanças podemos achar também creaçoes originaes. inventada por E bem conhecido Van Helmont. Romanes. observaçã») semelhante de um amigo do auctor d'esse livro. ix. 532. Preyer. apesar de todos os esforços da sciencia etymologica. 277278. quer espontânea. ainda que mais raras do que se poderia suppôr. dá noticia de Gr.

faze7' tefe- tefe. contar miudamente. um Nas formações imitativas referidas nota-se a reduplicação syllabica. o próprio cuco. corneta. Tefe-tefe é uma expressão imitativa que parece ter designado primeiramente. que tinha primeiro conhecido para designar um certo rapaz antipathico. pim-pam-pum (com variação vocálica). isto é. heu-heu ou hau-hau. No calão. o ladrar do cão. de modo que ganha o que os faz volver sobre esse eixo. chichi. . tim-tim por tim-tim (contar). taes são zum-zum. fugir correndo. o composto pipes-meninào para designar uma immundicie. ou antes nos limites do calão e da linguagem popular. Duas creanque fallavam já correctamente a lingua materna. Entre outras creaçoes originaes indubitáveis de creanças. Uma que eu conheço transformava café em pavá^ lenço em juso. a própria ovelha. como em muitas outras populares do mesmo género. Na lista de Queiroz Velloso encontramos : cal. tris-tms. cu-cu. ponto por ponto. outra a applicava expressão jpípes que lhe ensinavam por piolhos junto com a expressão menirmo. escolho a seguinte ças. sentimento ou as palpitações do coração. o balar da ovelha.lôO inam ás vezes singularmente as palavras da lingua materna. pipi. urina. Na linguagem das amas e creanças: tutu. ex. lia boca popular. moscata por mosca) designavam uns bonecos figurando soldados da armada ingleza pelo termo falofa^ que depois foi applicado por elles para designar os recrutas. são raros todavia os termos que se possam considerar innegavelmente como creaçoes originaes. mé-mé. o canto do cuco. agitado por por uma corrida. soldados novos (gaUuchos^ na desi- gnação popular) de carne e osso. tUm-tlim . . o próprio cão. Tal é fun- gágá por philarmonica. gallinha. no seu som ou na sua significação. agua. buhu. e produziam frequentes vezes derivados para substituirem as palavras correntes (p. jogo nas feiras que consiste em atirar bolas a uns bonecos fixados pelo meio do corpo num arame. de observação minha.

a linguagem dos ciganos de um certo numero de termos formados pelos contém Portugal também no calão. etc. sendo ondila a seu turno derivado de hisp. 46-49. fanfa. verbo /i^n- ant. com troca do suffixo -ila por -amo (de álamo). ostentar valentia. Lxxxiii. 538. Entre os termos dos ciganos da Extremadura colhidos pelo sr. reunião. pag. Com Littró creio furfante) deve considerar-se como um Relações do cigano com o calão de p. Distingue-se notavelmente da giria allemã*. de músicos que tocam instrumentos de cobre. finfar. fanfarrão. «A separação da lingua dos tsiganos das girias não é fácil. 1 .se. como fanfarra. E de crer que. Zigevnerische Elemenle in den Gaunersprache EnropcCs in Sifzber. e dos quaes encontrámos processos que o mais frequente no cigano é o Como vemos emprego de suffixos desíi- gurantes.» sempre varias Pott notou já no gitano alguns termos da germanía e formações análogas ás das girias. Leite de Vasconcellos ha uma parte considerável que apresentam o suffixo -uncho. dirigir a alguém que farfante (do ital. além de certos artificiaes. não tendo relação etymologica com fanfarrão.151 Algumas expressões das girias ligam-se a antigas onomatopeas. Miklosich. a linguagem dos ciganos tome de cada vez mais o as- pecto de uma giria. lingua. Assim o que neste artigo se designa como giria dinamarqueza (mais exactamente jutica) pode também ser considerada como tsigana. po!r hisp. na lingiia geral. productos muito álamo. ao passo que se vá perdendo a memoria dos termos tsiganos. Beitrúge zur Kenntniss der Z/(/€unenmmdar(en. bazofia (vanterie). iii. remoque. ala. gabar. Uma variante de fanfar ó hisp. far basofiar. de ondila como ondinamo por hisp.

ter. extremidade. 163. avezar. bohemio agor. . cig. indica o nosso Vocabulário cigano ^. agoré. húngaro jagór. ladroes. Cig. que são de origem indica. artife.. ligadas ás do calão. 110-111. fim tsig. 201. vir. i. àbelar. vir. pedintes. Voc. Origem indiana: sanskrito — diy. dicar. prakrito dèkkhami. aguaruça. Rothwelsch dichen^ ver. 541. tsigano grego agôr ponta. rumeno av. Beitr. artão. O uso de alguns geral certa. nalguns casos simplesmente d' esses termos acha.152 onda. Die Zig. Maio traz no seu vocagitano alguns termos expressamente indicados como de germanía. tsig. Git. [Cp. formas tsiganas ligam-se talvez ao ii.j ii. rol do esquecimento. A A primeira palavra de cada artigo é o termo do calão. e em especial em do cigano e do gitano. fim . mas geral todas as palavras que temos razão para julgar trazidas pelos ciganos até Portugal. Pott. relações dos ciganos com outros vagabundos. diqudar. A lista seguinte comprehende termos em que essa origem é em provável. Abhandl. Mas oíferece formas mais afastadas gresiton. na orla. resultou a introducção no calão de um certo Das numero de termos de origem tsigana e especialmente cigana ou gitana. tener. tsig. o ultimo . Voc. Pott. Miklosich. considero como tsiganos não só os elementos dos dialectos tsiganos. as quaes se encontrarão nas obras citadas. vii. Miklosich.. fim. Seguindo o exemplo de Miklosich. fim. — Essas . Abhandl. gresité. abreviatura Voe. abelar. 2 Nâo apresento as formas de todos os dialectos tsiganos. 305. 45. Miklosich. tsig.j vii. * Pott. grego aváva. cf. vid. bulário Bie Zigeuner. ver. ii. 38-43. 64. sanskrito agra. pela comparação do voo da ave com o movimento de nadar *. iii. avelar. o git. pp. Lembra rumeno agor.se bastante generalisado. adicar. : fim. poseer. Tsig.

: 426. [Ligar-se-ha a git. guitarra. baM. prosperity. gallo tsig. Vid. tsig.. italiano vast. sorte. Pode estar por hassar e ligar-se ao seguinte banza. banzé.. git. grego. ladrar. ladrar . ii. pocachim. dividere. [Cp. basco basta.. vii. — Origem indiana: sanskrito . Miklosich. pois no tsig. hindustani hãth. brejina. Tsig. vii. gritaria. é uma má traducção do termo foi que vem do árabe bellõtã. Abhandl. Pott. bellota (bolota). lingua dos gita- nos. Pott. gritar . bella? Git. mão. Miklosich. Grit. fallar. tsig. Tsig. basnó. ano? 422. basnó. este. escandinavo vast. rumeno palavra backtj. berjivia. russo te bases. se derivasse de bello. Cig.] bolsar. [Ligar-se-ha a git. Git. sanskrito bhãs. que significa propriamente negro. — Origem indiana : sanskrito ap^ alcançar. to tell fortune. Voc. De um dos nomes nacionaes dos tsiganos kaló. pali. BORROW. algazarra. II. Miklosich. 92. Miklosich. — Origem indiana ii. Ahhandl.. bohemio basavav. 398-9. Parece ligar-se a banza. 172. pudendum mulieris.] hagata. vii. bachahi. mas que interpretado como Pott. ii. 57 Em hisp. pali bkãs. tsig. git. luck. haji^ fortuna. hung. bocanhim. baste. que liga aquella ao persa hakht. tocar. russo ha te baSés. gralhar . 52. viii.). bohemio avav^ vir Pott. gallo (= cig. emquanto o persa fora lers ao sanskrito hhang. Voc). barriga. basta. frangere.. bate. Pott. calão. baste. mano Tsig. felido seu lado ligado por Vulcity. trabuco. ii.. felicidade. tsig. ladrar. decir la buena aventura. fortune. 176. felicidade . prakrito hattha. Abhandl. grego hacht (eh =j hisp. um termo de origem africana]. bui. grego basáva. Ahhandl. banza.. basno. Origem indiana: sans- — krito hasta. tsig. etc. no Brasil bunda podex. vid. rum. bata. é talvez significa nádegas. 170-171. giria. Queiroz traz bunda.. calo. Vid. p. 86. ru- meno .'] buldr^a. tumulto. hisp. guitarra. jpenar haji. berjí. . acaso. bruxaria. cereja. clavina.153 tsig. bohem. soar. bocachwi.

cangré. fallador.. pali givhã. e pali kãla^ caleço. e lembra que os iv no século transportavam em carros imagens a godos kangH. sanskrito gihvã. bebedeira. Ahhandl. bater contra. Pott. 229. ao lado de banjuló. antigo? um de ser está no sentido phenonemo raro. ii. asiático compara kangalla. [Cp. chala- — Origem menear. lenço. ébrio. . dicló. Cig. [Cp. mover. acanhamento. curda. grego Hhaló. A palavra encontra. palrador: Hhanó. Miklosich. AhhandL. grande. Cf. idiota (litteralmente a que se fugir. agitar. cp. chalado. De calão. adj. Ahhandl. anterior. git. cangarina. ii. git. cuarto. hear. baré ao lado de baré. 106. curdo. cangueri. . cale. gangarina. lingua. Git.. ter. igreja. busné ao lado de biisnó. embriaguez. temer. — Origem incerta. mulher desprezível. canguelar. 111 n. Mayo. grego calauáva. Vid. git. chalar. tsig. lõO-lõl. que prestavam culto. Hp. ir. oppochurré. afugentar. bandido. etc. cigano. hindustani relação á forma ]\Iiklosich. adj. 18Õ]. Pott. essas palavras provêem de tsig. Pott. meter. cih. 125. p. banjolé. cangra. Abha7idl. canguello. curdi. etc. cangri. Miklosich. temor. pasar. s. — absolvição. chíbalé. Git. Voc. joven. chala. Miklosich. . cig. recelar.154 hindustani kãlã^ sindhi hãrõ. cardina. 231. calcorrear^ correr. igreja. calão. marchar. amalucado. — Origem dzlbh. Queiroz. Cp. estranho. receio.. Pode ter influído no som port. Vid. diclé ao lado de em é. albanez. bater. Cig. vii. tsig. caminar. baindiana: sanskrito cal (cansativo). Tsig. foi o juizo). : andar. . Git. longe sição A Meu velho! diz-se por carinho a um rapaz. viii. Origem incerta. VII. ii. 128. hindustani calna. iirdiana: bohemio cíbaU. surre. ii. moeda. canguelo. Mayo. git. carro. propriamente cigana. Pott. timidez. Voc. mover. denario. pôr na chala. 189-190. juiz tsig.]. chalarse. quartilho. turbar. Com fanfarrão. adversário.se noutros dialectos tsiganos. chalar. Git. talvez persa. vii. colona. miedo. caleça.

Git. 198. chori. — Do grego mod. sich. tsig. kilidí^ chave. Suppuz primeiramente que dad. apremar. casa. Tsig. possivel que cosquej.1Õ5 churinar^ esfaquear. trabajo. dabo^ pae. Tsig. p. grego pandáva. 197. to tie. vil. Pott. cUsé. curripen.. chiira. basco curi. agujero.. 308-309. — gem indiana: sanskrito. Miklosich. To inclose. Git. lida. oprimir. em logar de que se vê bem. este. Borrow. ojetear. cosqué^ granja. vid. grego dadá^ todavia as formas do argot (p. Git. Queiroz dá a empandeirar o sentido de matar. dica {á)j perto. o termo tenha vindo de Itália por intermédio dos ciganos. bohem. — Origem indiana: prakrito sanskrito: churi. eclisar. ii. escand. — . banda. Borrow. cárcere. Tsig.° 3:731 (19. cp. de que vem port. Miklosich. Mayo. 242. giratório . apanhado. encarcerar. II. ht^rir los ojos. Jornal O Século^ n. Pott. Dad é de origem indiana hindustani dãdãj. cortijo. churi. E Vid. vii. to shut. ejercicio. adicar. Pott. cliseSf olhos. Miklosich. Mayo. pali èhurikã^ Ihuri. Git.. pufíal. Ahhandl. agarrado. churi. hiing. pae. 111. 210. Argot chouriner Tsig. pandh. Abhandl. la O clisé ya panduajujerear. De empandeiradoy preso. grego^ . Miklo- AhhandL. el ojo de cerradui'a. viii. ii. hind. rumenp dad^. rerí. Mayo. avô 99) fazem-me hesitar. avô. 115). A raiz bhand está representada nas linguas germânicas por band. acuchillar. grego klidí. ligar. isto é. vil. fazer ligar. churinar. u. Houve metathese da aspiração: phand. 37-38. vMiòi. : tsig. 124. sanskrito tãtã. Orihnngar o pandel. fosse modificação do tsig. húngaro klidin^ fechadura. Pott. termo de mas sim um Esta palavra que não é termo popular muito generali- sado é talvez derivado do lat. cuchillo. sujetar. Yoc. corHpere. pali bhand. mas lembra o git. ojo.. junho 1892). fechar. fcorrijHO ou corrupio propriamente. . Ahhandl. git. faca. «Fomos todos impandeirados pela policia». Cig. movimento rápido grande giria. arménio band. òhurika. atar. actividade.

Miklosich. preso. mostrar a feia. casa. não nho. a. 394. i.. Ahhandl. estrihelho.) e o precedente estarim. endromina. II. II. que 148. Ficou já estabelecida p.iólÒí. Vid. alli Cig. dinno. Ahhandl. 129. ii. dinó. cp. — part. vadiar. gajo. pali dêmi. Cig. cig. . cigano. estardelar. Voc. Pott. p. 243. Ahhandl. lectos tsiganos. A gamar liga-se talvez port. A palavra tsigana é de mas cp. dihar.. Borrow. 300. deriva do part. Voc. vii. etc. Tsig. que apresenta formas correspondentes de outros dia- tribunal. pop. gaché. etc. p.jamar. chapéu. os sentidos de tascar. Cp. encarcerelar estardó. fez. viii. encerrar. Germânia mod. adj. pass. Voc. engulir. gandaiar. homem. Pott. di^har. Mayo. dá também como da germ. estanhei. Tsig. vii. estaríben. rumeno gàzó. Ahhandl. grego stadik. barrete dos turcos. II. a gente de casa. Nas phrases : mudai' de feia. grego dava^. sujeito. — origem indiana: sanskrito. abonar. jalar. git.1Õ6 endinhar. etc» . Borrow. Git. Tsig. mod. 102 a relação semântica entre comer e furtar. etc. 111. cadeia. 246. ii. Queiroz. Vid. Pott. ii. Pott. subtileza. gramar. Miklosich. prison. Git. dar. vii. garandar. estache. gamar. estardar. Miklosich. ho- homem. jawiar. ii. 199. pessoa. QQ. pali khãd. estaripel. vagabundear. Tsig. 148. estaro. que deveria separar-se portanto de gramar. estaribin. furtar com Voc. Mayo. Além das formas citadas. estache. Cig. Git. Mayo cara. Pott. Miklosich. grego cháva. — estarim^ prisão. Cig. comer. comer. ii. 157-9. apparecer. gy. tsig. que anda á boa vida libertino Voc. hospede. Cig. 211-212. . trilhar o linho. estraespertalhão. o . dinó da raiz da. comer. Jila^ face. — Origem indiana: sanskrito gaya. e feia.. (aii. «Etwa ais Ge- mudar de no-lo gentheil von: Profil?» Pott. grego gadzo. mem. 73-81. gadzo é propriamente um homem da casa. cara. estariben (Voc. nota-o como termo de germ. cara.. Origem indiana: sanskrito dã. Vid. part. Do grego mod. dadãmi. prakrito khã. git. 217-218.

lama. Miklosich. cig. juego de dados. Pott. grane. As palavras regit. parece confirmar essa interpretação. mental tsigana parece ser liei. plata. lové di- nheiro allemão lõvo. fresco. Mas gris. palavra noutras penetrou gírias. Ganar. liga-o a lillar tomar (litteralmente. moeda. gahí. Ligar-se-ha pelos processos examinados a 126 a segg. inglez lóvo. mas afigurase-me que ao gitano não seria extranha a forma lodo. janota. viii. tsig. Abtrennung. Pott. Origem arménia: grast. tsig. Pott. luca. 143-4. extravagante. grego lovó. cavalgadura. grego sil. O termo tsig. ganar. xv (vid. 70. Voc. II. Cf. git. tomar. to gain. 231-232. AbhandL. A — Ill. é de origem indiana: AbhandL.. embora este se originasse de tsig. AbhandL. grenhi. BORROW. gra. em Mayo. 546. frio. — . Tsig. inderdicto). graste. etc. II. burro. égua. em que compara sansdopa. lodo lat. geld. tsig. e que lama teria sido produzido como pendant a lodo. grani. Tsig. gras. Cp. Tsig. grasté. 327. sem indicação etymologica. liró. Pott. git. linó. 340. sanskrito sita. . VIII. p. Miklosich. égua Cig. 187. Cf. Git. besta. 145. hil. oiro. frio. part. carta. Cp. AbhandL. égua etc. grani. besta de carga. — já no jargon do sec. cavallo . ii. 335. git. lutum. Mayo. . grasti.1Õ7 ganiços. 7 . grego grast. Z^7o. frio. no qual toda- Beitr. 216. cig. loco. Miklosich. sltala . cavallo . por uma metaphora exprimindo o desprezo pelo tão desejado objecto. 108). . cavallo. lilô. Em verdade o git. gania. grasni. froid. grastni^ grasni.» No calão a palavra assimilou-se a port. Pott. ii. comquanto não figure nos vocabulários que tenho presentes. gris. vii. 1. sitala. ex. Cp. 339-340. pali Ma. krito = via alguém poderia ter visto a verdadeira origem do termo do calão. lovó. Origem incerta. Pott. liá^ A forma fundap. produz ganisardar grane. faca. frio. dinheiro. Hás (Voe). etwa Abschnitt. ii. ganisardar. jil. dados. gra. provêem por certo do hisp. p. gray. hir. ix. lodo. git. Git. Rothwelsch lowi. griso. cavallo. viii. ii. AbhandL. grai. Bluteau. grego lava. Miklosich.

158
lumia, meretriz. Cig. lumi. Voc. Git. lumí^ lumica^

mu-

chacha, querida, manceba. Mayo. Tsig. grego lubni. Hure; tsig. allemão liibni, etc. A palavra penetrou no Rothwelscli
lupni. Miklosicli, Beitr,
iii,

546.

— Origem indiana:
lõhhirij,

sans-

krito lubh^ desejar, lõhha, cubica,
pali lohha^

desejoso, ávido; ávido, hindustani luhhnã^ ser cubiçoso, amo-

roso. Pott,
maries,

II,

334. Miklosich, Ahhandl.j,

viii, 7.

homem; manesuj mulher; menesa, abbadessa;
manu. Voc.
Git.

prostituta (arg. menessCj p. 101). Cig.

manu,

forma hombre, varon. Tsig. grego manús, homem, etc. do calão parece provir de uma cigana mamis, que suggeriu a troca de us em es. Origem indiana: sanskrito ma-

A

nma_,

hindustani

mcinus,

Pott,

ii,

446-447. Miklosich,

Abhandl.j, viii, 10.

mangue, eu. Cig. amanga, amangues, mangue, mangues,

Origem mangue, me, mi. Tsig. grego amen\ etc. indiana: sanskrito asmãn, pali amhê, hindustani ham, nós. Miklosich, AbhandL, vii, 164-165.
Git.

marar, matar. Cig. marar, marelar. Voc. Git. marar, matar. Reflexos nos diversos dialectos. Origem indiana

:

sanskrito
Pott,
II,

mãrayati, 450. Miklosich, Ahhandl., viii, 11. marrella, pão. Der. de cig. manró. Voc. Git. manró, pan. Tsig. grego manró, etc. Cp., por causa da forma, cal.

elle

mata, hindustani mãrnã,

ferir.

Origem indiana: sanskrito parrella àe parné (vid. infra). a camada saborosa de comidas Uquidas e manda, superior de bebidas, mandha, uma espécie de biscoito, pali manda.
Pott, u,

440-442. Miklosich, AhhandL, viii, 10. misto, bom. Cig. misto. Voc. Git. misto, bien, bueno.

Origem indiana: sanskrito Tsig. grego misto, bom, etc. hindustani mithã, sindhi mifhõ, mista, saboroso, doce;
doce. Pott, II, 459-461. Miklosich, AhhandL, viu, 15. Pott não considerou sufficiente essa etymologia que foi

primeiro apontada por Diefenbach e que Mikl. acceita. mistico, bom, bello, janota; mistangueiro, janota; mistago, acreditado.
rior.

Ligam-se todos a misto;

vid. o art. ante-

Cp.

litterario mystico.

159
nanaij, nada.

Cig. nanais. Voc. Gil. nanai^ no^ de nin-

giin modo. Tsig. grego na^ não; duplicado nana; nanay nana isi, não é. No git. ha também a forma nasti, adv.

=

Origem indiana: sanskrito na Miklosich, AhhanãL, viii, 19.

-\-

ásti.

Pott,

i,

318. 322.

pachacha, pudendum mulieris. Git. pachí^ virgindade espachilar, desflorar. Mayo. virgo pachibar^ honrar
;

;

Tsig.

grego pakyáva, crer, confiar, tsig. rumeno patá^ crer, patáj, casamento tsig. bohem. patav^ crer, git. pan;

chahavy pachahdar, crer.

— Miklosich,

Ahhandl.,

VIII,

33-

34, attribue-lhe origem indiana: «Aind. vergl. fraiyayá,

Glaube, Vertrauen. sindh. pati, avg pat, Ehre»; mas Ahhandl. vi, QÇtj dá aquellas formas tsiganas entre as de

origem arménia: «arm. pativ^ Ebre; jyatvel, ehren». As fonnas arménias são aparentadas com as indianas citadas. Pott, II, 346-347.
paivo, cigarro. Cig. pajo por plajo. Voc Git. placo, plajorró, tabaco pracos (Pott, i, 106), pracó (Mayo), pó.
;

Origem slava: mod.
Pott,
II,

slov.,

serbo, búlgaro,
i,

etc,

prah, pó.

32, viii, 51. parnau, parné, parne, parni, parneque, dinheiro. Cig. parnaUj, parné. Voc. Git. parné, prata, dinheiro. Tsig.

361. Miklosich, Ahhandl.,

grego pamój, branco; reflexos noutros dialectos tsiganos. Origem indiana: sanskrito ^ã>/f/w^ palHdo, branco ania-

rellado. Pott,

ii,
;

piar, beber

359. Miklosich^ Ahhandl., viii, 31. piela, bebedeira pielar-se, embriagar-se
;

;

pio,

s.

vinho; adj. embriagado. Cp.

'òx^ot. pie, etc. p.

201, etc.

Cig. pillar por piyar.
adj.

Voc
:

Git. piyar, beber; pile, pillí,

ébrio. Tsig.

indiana sanskrito pi, pali pi (pihati, hindustan' plnã, beber, sindhi pianu. Pott, ii, 342. pivati), Miklosich, Ahhandl., viii, 44-45. Da mesma raiz pi vem o
dialectos.
lat. hihere, d' onde port.

— Origem

grego piava, beber; reflexos nos outros

beber.

A íoroasi pielar, à^onàe, piela,

é derivação tsigana

:

húngaro piyel.

peltra, pildra, cama. Git. j^Utra, cama. Mayo. Borrow; o primeiro indica o termo expressamente como de germanía ;

encontrámo-lo já noutras girias (vid. p. 106)

;

ó possivel

que

160
os ciganos o trouxessem para Portugal. Pott, ciona-o.

ii,

371, men-

pirar-se, pôr-se na pireza, pôr-se no piro, fugir. Cig. pirar. Voc. Git. pirar, pirelar, andar. Tsig. grego pirava, ir, tsig. ruraen. pher, ir; etc. Origem indiana: hindus-

ir, viajar; phiranu, girar. Pott, ii, 382. 33. Ascoli, Zig,, Miklosich, Ahhandl,, viii, 40-41. plaustra, capa, capote. Cig. plasta, plata. Git. plasta,

tani:

phirnã,

Tsig. inglez plásta, aliem, hlasda, plochta; tsig. tsig. polaco piasèos, etc. slava : sloveno antigo Origem plaMth, polaco 'phaszczy, etc.

plastami, plata, capa corta, talma.

Pott,

II,

368. Miklosich, Ahhandl.,

viii,

46.

pocachim, clavina, trabuco. Cig. puca, pusca. Voc. Git.
pusJca, pruská, pruskatiHé, pistola, cachorillo.

grego puski; tsig. puska, que a seu turno provém do alie mão Biíchse, ant. alto aliem, huhsã, puhsã. Pott, IT, 365. Miklosich, Ahhandl.,

mm. púska;

etc.

— Origem

Mayo.

Tsig. slava: serbo

vm, 51-52.
punida, palha.

E

por certo

um

alargamento do

cig.

pu.
cig.

Voc.

Git. pus, paja, a

que se liga pusanó, cortigo

Origem inpuso^onj. Tsig. grego pus, bus, Stroh; etc. diana sanskrito busa, busa, palha pali bhusa, hindustani
:

(=

;

388. Miklosich, Abhandl., vm, 43. raso, padre. Não é inteiramente certo se a palavra se liga realmente ao tsigano (vid. argot rase, p. 102). Cp.
bhusl. Pott,
II,

arajay, erajay. Mayo. Borrow. Tsig. sacerdote christão, mestre-escola, tsig. rugrego ra^áy, meno rasáy ; tsig. hung., bohem., aliem, e russo rasay ;
cig.

eragar.

Git.

tsig.

escand. raso, etc.

A

forma do calão

ligar- se-hia as-

sim a formas mais distantes geographicamente que as do O termo tsigano é gitano, caso que todavia não é único.

de origem indiana duvidosa: cp. sanskrito rsi, pali Pott, II, 278-279. Miklosich, Abhandl, vm, 54.
abertura, agujero.

isi.

ratanhi, retanhi, chave falsa, gazua. Git. rotuhi, boca,

Mayo.
ant.

mod.
Pott,

pouGoúvi,
II,

gr.

cwGwv,

Tsig. grego rutuni, nariz. Gr. nariz. Miklosich, iii, 43.

281.

161

rupim,

rico.

Encontra-se

também no

Tsig. grego rup, prata;

tsig.

rum. rap, rupunó,

argot (vid. p. 102). adj. de

bohem. rup, ruplno, adj.; tsig. aliem, rupp, Falta no cigano e no gitano de mim conheThaler. prata,
prata;
cidos.
tsig.

— Origem

indiana:

sanskrito rupa, forma;

rupin,

que tem uma forma, bello; rupya, adj. que tem uma forma, B. oiro ou prata amoedada, rupia pali rupa, hindustani rupã. Pott, ii, 274-275. Miklosich, Ahhandl., viii, 58.
;

rustír,

comer. Argot roustir (pag. 102). Será connexo
riLSj

com

as formas tsig. rum.
riãt'i,

ser

mau;
;

tsig.

hung.

7'usel,

encolerisar-se,

encolerisado
tsig.

tsig.

bohem. ru^av ;

ruWas,

Origem
sich,

escand. roUo, colérico? indiana: sanskrito rus, ruUa. Pott, ii, 279. Mikloelle fez-se

mau;
58.

Abhandl.j

viii,

sarda, faca; sardinha, punhal, faca. Cp. vid. p. 94.
tasca,

glt.

serdahí, e

taberna.

Furb. tasca
:

(vid.

p.

104). Talvez por

intermédio dos ciganos
telo,

git. tasca, tasquera, taberna.

Mayo.
Tsig.

jumento (Albergaria-a- Velha). Cig. guer. Voe. Git.
asno, burro.

gel, grei,

Mayo.

guel, ass.

BORROW.

Origem grego kher, kfer, ftr, burro; tsig. asiático kar. eranica: kurdo ker. Miklosich, Ahhandl., vii, 237. Sobre
a troca de k e
sich,
t,

vid. Ascoli, Zig., index, p. 169. Miklo-

Ahhandl., IX, 186. 189.
prostituta.

tronga,

Git.

tronga,

barragana,

manceba.

Mayo.
sível

A

origem do termo é-me desconhecida, mas é pos-

que viesse pelos ciganos.

Como

se vê

da

lista anterior

alguns dos termos notados

do calão parecem provir, não directamente de formas ciganas ou gitanas, mas de formas tsiganas extrapeninsulares ;
o que pode ser devido a transmissão por tsiganos de outros paises, que teem cruzado ou até se teem estabelecido em
o nosso.

Alguns dos termos dados aqui como de origem tsigana foram já considerados como derivados de outras fontes;

162
assim banza
foi

considerado como de origem africana, com-

quaiito não se provasse essa etymologia. Schwob e Guyesse apresentam a conjectura de

que a

inversão phonetica na germanía (a que se deve juntar a observada no calão) seja devida a influencia gitana. Como

vimos

(p.

58),

encontra-se na índia esse processo;

mas

como

elle é

muito frequente no hispanhol e no português,

não precisamos para o explicar de recorrer á intervenção gitana ou cigana.

III

ESBOÇO HISTÓRICO E ETHNOGRAPHICO
Cancioneiro geral, colligido por Garcia de Resende, começou a imprimir-se em Almeirim em 1515 e acabou de
o ser

O

em Lisboa «Aos

xxviij dias de setêbro

da era de nosso

senhor Jesu Cristo de mil e quynhentos e xvi annos». Uma das peças mais curiosas d'esse famoso livro é a
longa serie de apodos dirigidos ao próprio coUector, a propósito da sua proverbial rotundidade, por AíFonso Valente,

peça que se encontra a p. 641 e segs. do tomo iii da edição de Stuttgart, e a folhas 224 e segs. da primeira edição. O humor cómico de Valente parece inexgotavel os termos
:

de comparação que lhe surgem no espirito lembram a maneira de Rabelais.

Entre outras coisas bastante
na composição mencionada:

difficeis

de entender,

lê-se

Pareçeys hum pouco o frato, preguador da vyda eterna, Grega bêbada, de parto, antre cubas em tauerna.

Assim

se

acha exactamente, e com a

mesma

pontuação,

na edição de Stuttgart, o que prova que o sábio editor

ao que parece. em a sua cidade tuições da Catalunha *. . Essai Jiiaiorique sur les Gitanos in NouvelAnnáles des Voyages. que pregam aos outros que cuidem das suas almas para evitar as penas eternas e ganhar a não se descuidam do corpo. Pelo systema das estroplies da sátira de Valente. xxxiii (Paris. in. Diversas noticias mostram-nos que os tsiganos e em especial os gitanos e ciganos. o primeiro verso deve rimar rige-se pois: Pereceis uni pouco o farto pregador da vida eterna. p. * les Jaubert de Passa. d'Evora era do Redemptor 1521». os tsiganos de Hispanha e Portugal. 1827). os dois primeiros d'aquelles versos. nhecedor dos termos apropriados. De Grécia sumuz hidalgaz por Diuz. emquanto elles Resta saber o que é aquella «grega bêbada de parto. na sua interessante Farça das Ciganas «representada ao muyto alto e poderoso Rey D. Nuestra ventura que fue cuntra nuz. pelo menos. a qual os meus leitores encontrarão mais abaixo transcripta por completo. poe na boca de uma das personagens as palavras : Mantenga senhuraz y rozaz y ricaz. João. t.164 Kausler não comprehendeu. cor- O que é perfeitamente intelligivel. com o terceiro. antre cubas em tauerna» aqui não ha. Por tierraz estraííaz nuz tiene[n] perdidas. isto é. o terceiro deste nome. foram considerados originários da Grécia. por essa razão que elles são chamados gregos nas Consti- E Gil Vicente. 337. Valente compara Garcia de Resende a um d'esses fartos e rotundos ecclesiasticos. bom co. gloria. correcção de texto de outro lado não é possivel admittir que Valente empregasse ao acaso a palavra grega^ visto que elle se mostra forte nos recursos da lingua.

ex. 16t>5). Desde mi halago. ano 1540. Bibliotheca Nacional de Lisboa tem En . de Gipsies. p. otros no: ansi. Hablo con elles en lengua de Egypto. en casa de Juan Ihiguez de Lequerica. dezian. em que : se vê que havia fun- damento para chamar gregos aos ciganos: «Que son Gitanos ? Responde Esta ruyn gête. p.. espécie de pequena encyclopedia ou cartilha. mas é dissessem de origem grega. y vio con ella ser ya acabado el tiempo de su penitencia. usado pelos gregos modernos. que la lengua que traen es fingida. mostrassen la carta dei rey. 143 (Leon de Francia. començo en Aleraana. conjunctamente com T^íyyccvci. 2 A feita Ano um exemplar da edição Alcalá de Henares. adonde les llaman Tártaros. que lhes dão os inglezes. co muitos halagos recabo dellos. no lo entendian. Mello: hispanhol empregou. ameneçó a tu vida? Ohras métricas. de FúípTOi (AtyÚTTTtot). vnos entendian. o Gentiles : en Itália Cianos. ladrones.se giiano no sentido geral de egypcio. como hablan hoy en la Morea y Arcipelago. Habloles en Griego vulgar. 1587.165 Os tsiganos em geral diziam-se vindos do Egypto o d'ahi os nomes de gitano *. Fingem que salieron de Egypto : menor. que têem na Hispanha. como as que alguns dos eruditos mais distinctos de então não desdenhavam de escrever (lem- bremo-nos da Cartilha do nosso João de Barros). ano 1517. ó aspid Gitano. Não é a primeira. que pues todos no entienden. que é uma raridade bibliographica. porque su vida no es de penitencia. encontra-se a seguinte passagem. intitulado El Estudioso Cortesano de Lorencio Palmireno^. que como auia mucho tiempo que eran salidos de alia. y de la- 1 Em como. senales. na seguinte passagem do nosso Francisco Manuel de Que cerastes aleue. Pêro mienten. tomo ii. possível que alguns bandos se século curioso do Num livro muito xvi. y que tienen su perigrinacion por penitecia y para prouar esto muestrã cartas dei rey de Polónia. sino de perros y Vn hombre docto.

typographia Lusitana) 1 '< de 1877. sert aux Bohémiens à satisfaire leur goúi prononcé pour Tivro- gnerie hommes. Miguel Leitão d'Andrada escrevia a respeito dos ciganos: sendo Gregos que se vieram fugindo dos Turcos se fazem jEJgipcios ou Gitanos. : Uma quadra hispanhola diz: gitano se murió dejó en el testamento Que le enterrasen en vina los sarmientos^. p. aL'argent. 1879) 269-278. ils en trouvent les moyens dans le gain 3» qu'ils font à tondre les mulets. Significará. foi. Apud Colocci. Gli Zingari. .» Vid. Francisque Michel. Paul Bataillard. vii. Segundo uma communicação particular de M. Suppoz-se com razão que foi Palmireno um o hombre docto de que falia fosse elle próprio. como la girigonça de los ciegos*». (Porto. professor de grego na Universidade de Saragossa. etc. dada aos tsiganos. encontra-se em documentos hoUandezes. a mesma denominação de gregos. p. enfants. respeitável e eruditíssimo humanista. femmes. i. Le pays Basque. diz. 139. foi repetida est-a minha interpretação sem indicação de fonte. pois. No século xvir.166 drones para encobrir sus hurtos. Num artigo Origem dos ciganos. publicado in Positivismo. 35-36. excepto a invenção absurda de que elles 3 ^ descendem dos Hyksos. 2 Esta interpretação da passagem de Aífonso Valente foi publicada por mim no jornal A Borboleta (Braga. Un Y Para chupar El estudioso cortesano. cap. a palavra grega dos versos de Valente o mesmo que cigana? Sabendo que os tsiganos teem fama de se darem á embriaguez não restará muita duvida de que essa interpretação seja exacta^. todavia o que se diz mais abaixo com referencia aos ciganos de Portugal. Aproveito a occasião para dizer que o auctor d'esse artigo nada dá de novo para a questão dos tsiganos. entre outros. Vid. e as suas palavras merecem todo o credito. o trecho inteiro d'esse auctor no fim dos Documentos do presente estudo. 232. s'y livrent publiquement en toute occasion .

Luc. Nieve de eira. Lucrécia. Ascoli. A Farça dos ciganos é um documento precioso. fidalguz senurez hermuzuz. de Gigio Arthemio Giancarli Rhodigino. mi cielo estrellado '. senura. temos na passagem de Affonso Valente o mais antigo testemunho português. como já se quiz ver. A Itália oíferece já no século xvi uma comedia. Cassandra. que é o primeiro monumento da litteratura propriamente dita em que figuram tsiganos. senuruz pudruzuz. Mart. firmai preciuzo. Martina. ciganas. sin cera y pavilo. 122. Giralda. traçado com evidente fidelidade. La Virgen te traya buen sino j buen hado. Christianuz sumuz. Dadme una Luc. camiza. La Virgen Maria uz haga dichuzuz. A Cerca de nilla de um século havia de passar até apparecer a Jita- Cervantes (1612). de 1586 rozica. La cingana. que manifestam logo o caracter importunamente pedinchão das mulheres e creanças da sua raça. seuura. azucal colado.Vid. Faliam Entram quatro um hispanhol modificado na pronuncia.167 Se a minha conjectura é exacta. com esquecimento do nosso escriptor. como o primeiro que fez emprego artístico de typos d'esse povo errante *. Mantenga. de Hamburgo: rozua. GiR. que é geralmente conhecido. acerca dos ciganos. Gil Vicente na farça alludida. Lirio de Grécia. cielo estrellado é um cumprimento á pessoa a quem se dirige a cigana e nâo um apposto de Grécia. O El preeiuza rozica-. cielo vuz cumpla luz descuz vuestruz. 2 3 Na Mi ed. Senura. Tantico de pan. haré la mezura. Mart. Cas. veiz aqui la cruz. O ruza nacida en ribera dei Nilo. Dadnuz limuzna. Zigeunerisches^ * pag. . na ed. Dadme una saya. dadme un tocado. de mim esse segue-se o de conhecido. Dadnuz limuzna pur la amur de Diuz. abstraindo alli da invenção cómica que introduz aqui e no quadro alguns desenvolvimentos. Antucha dei cielo. Ca8. senur graciuzo.

mi volveiz mil Car. Auricio e tractam de fazer trocas de cavalgaduras. Martina. : acá. Trocará un rocin mio. Mar. hermuzura Diremuz el siuo. rocin tuerto os alabo. Mas antes loz trocaré. Llamemuz á Cláudio antes que nuz vamuz. Ya Cla. Carmelio. y estas senuraz de gran vamuz os quatro ciganos. alem de animaes. Cla. Cual de vuz otroz. Senurez. No nuz curemuz desaz faranduraz. hermanaz. Auricio y haremuz fiesta. Como hecimuz ayer por la siesta Vé á llamarluz y nuz esperamuz. Andad A Cas. yo trocaré un potro Que Si tengo.108 Preparam-se para dizer a buena dicha: Luc. querendo Vêem receber. pecho muy hidalgo. cocea ai cabalgar. Cláudio. burricos compre. Senurez. Claud. quereiz trocar Mi burra vieja á un galgo? As ciganas cantam e dançam. Puez que quereiz. los piez trazeroz Mi Porque es calzado nel rabo. que hagamoz Cantemos la fiesta antez que noz vamoz ? A buscar luz sinuz á estas senuraz. por cualquier otro. seuurez. realez. . tengo dos especialez Caballoz. Liberto. algum dinheiro. la buena ventura. o senurez caballeroz. buenoz que talez. . Rocin que hubo de un judio. loz hubiera vendidoz. Daran sus mercedes para que comamuz. Carmelio. Mar. Ahora en páscoa de florez? Y AuR. Moriscoz prietos garri doz Que dos . Y AuR. Zambro de Tiene el .

Hechizos sabreiz para que sepaiz Por Luc. para vueztro avizo.169 Cantiga «'Eu la cosina estaba el asno " Bailando. na ed. la vida mia qu'ez vuestro servizo. de Hamburgo Duz. quereiz aprender á hechizo. Los pensamientoz de cuantoz miraiz. don asno. Otro hechizo. esmeraldaz polidaz. Que sepais hacer para muchaz cosaz ? Ezcuchad aquello. ruza mia. «Hilando. Y vuz lo mudeiz á vuestro mandar. esmola.» Cantando e e bailando ao som desta cantiga vâo ás damas pedem de novo Mart. i ed. . "Que voz traen casamiento "Y os daban en axuar «Una manta y un paramiento. Que Diuz vuz defienda dei amur de engano. Si vuz. (<Y dijéronme. saber Y Na el marido que habeiz de tener dia y la hora que habeiz de cazar. Cual es el senuraz. Por firme que este con fé verdadera. Y pone en peligro laz almaz y vidaz. Propõem-se a ensinar Luc. como noutros logares. De Mantenga senuraz y rozas y ricaz. que pozaiz mudar La voluntad de hombre cualquiera. Que muztra una mueztra y vende otro pano. feitiços : Senuraz. que encubren. Que dicen. Mart. Con que pudaiz. holgades con izo. senuraz hermuzaz. Dadnuz esmula. Por tierraz estranaz nuz tiene[n] perdidaz. GiH. Grécia sumuz hidalgaz por Diuz ^ Nuestra ventura que fue cuntra nuz. de 1856 Dmz. Otro hechizo os puedo yo dar GiR.

170

Dizem

a buena dicha ás damas
Cas.

:

Mustra

la

mano, senura.
receio.

Non hayas ningun

Bendígate Diuz dei cielo, Tu tienez buena ventura, Muy buena ventura tienez,

Muchuz bienez, muchuz bienez, Un hombre te quiere mueho.
Otroz te hablan de amurez
;

Tu, senura, no te curez De dar á muchuz escuto.

Mar.
Cas.

Dadnuz Dadnuz

algo, preciuza,

algo, preciuza.

Luc.

Puez que te digo tu sino, Alguna poquita cuza. Muztra la mano, ruciua,
Lirio de hermozura,

Dirte he la buena ventura.

Mustra ca, senura mia, Ora mustra acina aciíla.

Qué mano, qué Qué dama, que
Por mi

sino,

que flurez

!

ruza, que perla vida que por veria

!

Olvide loz miz amurez,

Yeamuz que

dice el sino,

El recado que te vino

No

lo creas,

alma mia,

Que otra mas alegria Te viene ya per camino. Durmiendo tu, fresca ruza, Te viene el bien por la mar.

Luego

tienez el mirar

De
GiR.

doncella

muy

dichuza.

Diuz te guarde hermozura Mustra la mano seiíura Porné ciento contra treinta
;

Que de Tienez

los piez á la cinta

la

buena ventura.

Tu haz de ser despozada En Alcazar de Zal
:

Con hombre bien principal

Te vernás

bien empleada.

171
Mar.

Dame

acá, dulce serena,

Esa mano cristalina. Buena dicha, perla fina, Tienez la ventura buena

;

Tu

has de ser alcaideza

Tu marido y
Cas.

Cierto tiernpo en Montemor; tu amor

Será bien celoza pieza.

Nueva

ruza,

nueva

estrella,

O brancaz manoz de Izeu, Tu cazarás em Viseu

Y
Y

ternáz liornoz de tella.
edificar

AUi haz de

Un muy

rico palomar,

doz parez de molinoz,

Luc.

Porque todoz loz caminoz A la puente van á dar. Diuz te guarde linda flor, Bendito sea el seiíor Que tal hermosura cria. Mueztra la mano, alma mia,

Por vida dei

servidor.

Fiosanda cazaraz Aqueste ano que vem

En

Santiago de Cacem Mucho rica, muclio bem, Buena ventura hallaráz, Buena dicha, buena estrena, Buena suerte, mucho buena, Muchas carretas, seilura, Y mucha buena ventura,
Placiendo á la Madalena

Que guarde
GiR.

tu hermozura. Muestra la mano, mi vida, Aguela en tierraz desiertaz

;

Dos personaz

traez muertaz,

Tu

Porque erez desgradecida. casarás en Alvito. Seíiura, marido rico,

Muchuz hijos, muchos bienez, Mucho luenga vida tienez, Buen sino, bueno, bendito.
Mar.

Mis ojos d'azor mudado,

172
Muestrame
la

mano, hermana

:

O mi

senura SanfAnna,
I
!

Qué sino, qué suerte, qué hado Qué ventura tan dichuza
Tu, senura graciuza,

Teruáz tierras y ganadoz, Cuatro hijos mucho honrados,

Mucho
Cas.

oro y mucha coza. mi ave fénix linda, Mi sibila, mi senura,

o

Dame

acá la mano ahura. Hermozura de Esmerinda Tu tienez muchos cuidados,

Y

algunos desviados
tu provecho,

De

alma mia.

Tienez alta fantasia, E los mundos son mundados.

Un

travesero que tienez,

Luc.

De dentro dei hallaráz Un espejo en que veraz Muy claroz todoz tuz bienez. Dad acá, garza real,
Gridonia natural,

Diré la buena ventura.

Viva

tu gran hermozura.

Que esta mano ez divinal Unaz personaz te ayudan

A una coza que quierez Estas son dambas mugerez Y otraz dos te desayudan.
;

Date un poquito á vagar, Que aun está por comenzar Lo bueno de tu ventura Confia en tu hermuzura Que ella te ha de descanzar.
:

GriR.

Dad
Por

acá, Mayo florido, Eza mano, Melibeai.

bien, senura, te sea

um

Na ed. de Hamburgo Eza mano melihea, como se melibea fosse adjectivo; é evidente que Melibea é um nome próprio, empregado aqui como epitheto, e reminiscência da Tragicomedia de Calisto
*
:

y Meliboea ou

Celestina.

173
Buen marido,
bueii marido.

Na Laadera
Nunca

cazaráz,

te arrepentiráz,

Y iraz morar á Y dentro on tu
Un gran

Pombal,

naranjal. tesoro hallaráz.

El que ha de ser tu marido

Anda ahora trasquilado. Mucho honrado, mucho honrado, En muy buen sino nacido.
Naciste en bucna ventura.

Mar.

Huerta de

la hermozura, Cirne de la mar salada,

Diuz
Cas.

te

tenga bien guardada
segura.

Y muy
.

Senuraz, con beuedicion

Oz quedad, puez no dais nada.
Luc.

No
Dar

vi gente tan

honrada

tan poço galardon.

Tornárão-se a ordenar em sua dança, e com ella se forão*.

Nas peças de Gil Vicente faliam castelhano personagens muito diversas todavia aqui não pode deixar de admittir;

que essa lingua, com as suas deformações em verdade não generalisadas, é uma particularidade interessante do
se

quadro. Os ciganos teriam vindo de Hispanha em tempos recentes lá ainda não tinham aprendido a pronunciar bem a
;

lingua do país e não teriam chegado a fallar a portuguesa.

A Bibliotheca Nacional de Lisboa não tem a primeira edição das obras de Gil Vicente, a qual num exemplar da Bibliotheca de Goettingen serviu de base íl edição de Hamburgo, de que por isso me servi, confrontando -a com a segunda edição (Lisboa, 1586).
1

A

orthographia em extremo caprichosa d'esta e o não poder determinar até que ponto essa orthographia reproduz a da primeira edição, levou-me a reproduzir com pequenas modificações a lição de Hamburgo. E muito pouco provável que Gil Vicente tentasse representar fielmente a pronuncia cigana. Na edição de 1586 o s hispanhol, não final de syllaba, acha-se representado muitas vezes por c (e, ^) ou ç.

174

De

facto as noticias históricas até hoje conhecidas estão

de accordo com esta interpretação. Um dos melhores conhecedores da litteratura relativa
aos tsiganos, Paul Bataillard, citou um documento que se julga ser o mais antigo com respeito aos tsiganos na His-

panha, e no qual se refere a chegada a Barcelona, a 11 de junho de 1847, de uma «multitud de Egypcios», que
d'alli

se espalharam,
*.

segundo a mesma

fonte, pelo reino

vizinho

Foi muito provavelmente no Alemtejo que Gil Vicente
a farça transcripta foi representada estudou os ciganos em Évora, como vimos. Tendo penetrado em Portugal, sem
;

duvida, pela fronteira da Extremadura hispanhola, os

ci-

ganos achavam a província do Alemtejo excellentemente

adaptada ao seu modo de vida, para centro de irradiação de suas excursões. Os grandes espaços despovoados d'essa
provincia, os seus matagaes, protegiam-nos contra as perseguições de que em breve se tornaram objecto.
cortes de 1525 ou 1535 ou nas duas (os documentos não nos permittem resolver ao certo este ponto) pediramse ao rei providencias contra os ciganos, o
lei

Nas

de 1538, precedida do alvará de 1526

2.

que motivou a Por essas disentre ciganos

posições legislativas
e

vemos

feita distincção

pessoas que viviam á maneira dos ciganos, algumas das quaes eram naturaes do reino; por certo vagabundos estranhos áquella raça e não representantes de uma velha
histórico
país, porque não ha nenhum dado ou supposição bem fundada que nos auctorise

camada tsigana do nosso

1

P. Bataillard,

De Vapparition et de

la dispersion dts

BoMmiens

en

Europe in Bihliotheque de VÉcole des Charles, 1844, p. 529. Idem, Les Gitanos d^Espagne et les Ciganos de Portugal in Compte-rendu de la 9^ Session da Congres iniernational d^anthropologie et d^archéo501. Já anteriorlogie préhistoriqucs en 1880. (Lisbonne, 1884), p. mente Henry se servira d' esse documento in Mém. de la Soe. des antiquaires de France t. x (1834), apud G. Lagneau, num artigo abaixo
citado
(p.

184, nota 1).
n.*»*

2Vid. Documentos

1 e 2.

175
a pensar que a primeira vinda de ciganos para Portugal
fosse anterior de muitos annos ao fim do século xv.

Em

tivos por

Gil Vicente e nos mais antigos documentos legislamim reunidos em appendix a esta parte, acha-se

fixado o nome de ciganos, facto curioso, pois em Hispanha gítanos é o nome preferido. Nem um nem outro ó nome nacional dos ciganos, que entre nós se chamam cales (sing.
calój fem. callí
,'

vid.

Voc),

talvez rons ou roíies (vid. ron

Voe,

e romi).

forma portuguesa cigano correspondem as seguintes estranjeiras i-umeno cigan; bohemio (tcheque) cigán, cin:

A

gán, cikán;

magyar

cigany, búlgaro acigannh, aciganim,

ciganhf grego médio àTGiyy.oívoç, T^íyyavoç; em documentos latinos da Grécia acíngayms ; italiano zingano, zíngaro,

allemão

hispanhol occorrem raramente as formas cíngalo, zíngaro, por imitação directa do italiano. Como a forma portuguesa se approxima particularmente
zigeuner.

No

das formas da Europa oriental e central, é um problema por que caminho ella cá chegou. O mais natural era que

imitássemos ou os hispanhoes ou os italianos. As denominações de gitano * e de egypcio ^ foram sempre entre nós puramente eruditas.

Nenhum documento

legislativo attribue aos ciganos

de

Portugal industrias de metaes, ou outra qualquer licita, excepto a de contratadores e tratadores de cavalgaduras.

Se os bandos que se estabeleceram em o nosso país conheciam a industria de caldeireiro, cedo a perderam. Miguel Leitão d'Andrada exprime a respeito d'elles o desejo:
«

que não fossem

ferreiros,

que

só vsão a fim

de fazer ga-

zuas e instrumentos de roubar^».

Empregada, por exemplo, no Doe. ii." 16. Outros traslados do doe. teem sempre ciganos. 2 Usada por exemplo nas Constituições synodaes do Arcebispado de Braga de 1639, xlix, 1: «E declaramos que os que pedem aos

1

mesmo

Egypcios lhes digam sua boa, ou má fortuna, peccão gravemente». 3 Vid. o extracto da Miscellanea d'e8se auctor no fim do Appendix I.

n. A em hua copanhia mais de dous mil.« 6. lei A de 1592 prohibe-os de andaram vagabundos e de viverem em ranchos ou quadrilhas *." 12. e alli lhe traz a gente do povo sua esmola. Do alvará de 1579 se deprehende que elles procuravam viver juntos em certos bairros e tinham vestuário particular. aonde concorre de todas as nações. mas ao modo dos Cyganos que andão nesta parte de Europa. 1 A propósito dos costumes dos calandares da índia. Nas cortes de 1525 ou 1535 accusaram-nos de «muytos furtos que fazem e feytiçarias que fingem saberá». todos se Não entrao nas cidades. 2 Doe. pousa fora do povoado. n. No alvará de 1606 esses crimes são «roubos e damnos que fazem aos vassalos com geral escândalo^». e da alma. fizer mal. n.17G Da bém organisação social dos ciganos nada nos dizem tam- esses documentos. n.° 6. Pouco nos dizem as disposições legislativas dos séculos XVI a xviil sobre a vida dos ciganos. Nos tepos das guerras elles são os que de Reino à Reino levão todas as cartas. E posto que estas cousas. e outras peores se saibão delles. que he hum dos votos de sua regra. 6 Doe. de modo muito geral. os quaes posto que sejão de differentes linguas.» 7. n. ed. e os que passao pedraria furtada aos direitos dos portos. ne os tocão. A provisão de 1573 mencionava como crimes dos ciganos «muitos furtos e outros insultos e delitos. 3 Doe. . perda e trabalho^». 4 Doe. a que se allude também noutros documentos posteriores^. que todavia teriam condes *. que lhes corpo. que fica escomugado. Lavanha. diz o nosso historiador: «como homes santos nâo sâo buscados. 1615. entêdem. de que o povo recebe grande oppressão. E quando assi anda grande numero delles elegem hum à que obedecem à maneira que os Cyganos fazem à seu Conde. e perdido do parte onde se acha mais numero destes he no Reino de Delij. ã Doe. e muitas vezes andão tem para si. porque he como hum centro daquellas Províncias de Ásia.« 2. e avisos.» Década iv. 5. A julgar por uma passagem falia de João elles de Barros. c5 a conversação que hus c5 outros tem nestas suas peregrinações. 5.

para se ganhar. á lingua (geregonça). n. depois de terem sido com baraço e pregão. a cigana processada pela Inquisição em 1582. a pena de morte. á buena dicha.» 21. As feitiçarias. a buena dicha. que. aos hábitos de mendicidade. Nas minhas investigações não consegui todavia encontrar mais que um processo inquisitorial em que seja ré mulher d'essa raça e nenhum em que seja reu um uma calo. para desapparecer de novo. ás trocas de cavalgaduras. ou não se avizinhassem nos logares. Segundo Moraes e Silva. que significa «cair num logro. as leis de 1557 e 1573 accrescentam as penas com galés. enifim a lei de 1592 mandou applicar a pena capital aos que não saíssem do açoutados. e aos jogos de corriola. deveriam apparentemente ser motivos para que a Inquisição não lhes poupasse perseguições. a vae denunciar. Doe. reino dentro de quatro meses. 12 2 . fez entre outras coisas. O alvará de 1526 ordena simplesmente que saiam do reino . fita Este jogo permittia fraudes e deu logar por isso á phrase cair na corriola^ . Segundo a sua 1 Doe. deve ficar preso ao desenvolver a fita. que. a cartomancia. Nelle se faz referencia ao vestuário. n.177 O alvará de 24 de outubro de 1647 ó o documento le- gislativo que contém mais particularidades que nos inte- ressam*. Esse processo^ não tem outro interesse alem do que resulta de nos mostrar em acção a pequena feitiçaria das ciganas para burlar um pobre homem. o jogo de corriola faz-se enrolando uma larga dobrada e mettendo nas suas voltas um ponteiro." 16. apparecer a figura de um defunto num papel posto em agua. Nas leis posteriores desapparece. receoso. a irreli- giosidade dos ciganos. porém. até 1694. a lei de 1538 ordena a expulsão. Garcia de Mira. deixar-se enganar» As penas comminadas aos ciganos vão num crescendo desde o primeiro documento legislativo conhecido até 1592.

O auctor inglez communica ecclesiastico. com uma gente. quer para o estado. Discurso dei Dr. Borrow diz não ter encontrado nenhum exemplo de inter- ferência da Inquisição de Hispanha com os gitanos e busca explicar esse facto. cujos costumes causavam por certo horror aos bons cathoHcos peninsulares. não achando no caso a unha de Satanaz e interessando-os pouco os segredos da fazer-lhe chimica cigana. O y lera para gente muito diíFerente santo officio i-eservou sempre a sua cóos Gitanos foram sem: pre gente haráta desjpreciahley>'^. p. Borrow accrescenta por 1 Vid. Garcia de Mira serviu-se de algum^ tinta sympathica. 1631). cigana todavia burlou sem duvida A o santo tribunal. Discurso contra los gitavos (Madrid. porque como nenhum perigo podia derivar dos gitanos. Leitão d'Andrada. á primeira vista singular. encantadores e adivinhos*. saidas ou não da boca de um verdadeiro ex-quisidor. restituir o dinheiro que recebera e pagar as custas do processo. 158-160 e o extracto da Miscdlanea de M. 163-164. Esse processo é por ventura o primeiro no género que se faz conhecer das Inquisições de Portugal e Hispanha. me parecem corresponderá realidade dos factos: «A In- quisição olhou sempre para elles com muito desprezo para que se desse ao mais leve trabalho por sua causa. que não podiam ver nelles se não atheus. com que brunira o papel. a p. ex. que. i. 2 Borrow. contentaram-se com reprehender a mulher. talvez de invenção do auctor. apud Borrow. Os inquisidores.178 confissão servira-se para isso de pedra liuiue. cit. era matéria de perfeita indifferença para o santo officio. que lhe dá as se- guintes razões da tolerância inquisitória! para com os gitanos. se elles viviam sem religião ou não. no fim do Appendix I. cujo segredo não quiz revelar. se de facto as testemunhas viram o que disseram. Sancho de Moncada. I. . uma con- versação com um velho personagem que fora inquisidor. 92. Quiiiones. vivendo em peccaminosa concubinagem. quer para a igreja romana.

Albuquerque de 1655^. baptisariam os filhos.** 8 e 9. Outros documentos mencionam provisões que eram dadas a alguns para andarem ou estarem nestes reinos. que. Ou iDoc. motivos que eram a cubica e a avareza. . não posso todavia deixar de reconhecer que outros existiam muitas vezes. em quadrilhas. em que o príncipe das trevas não tinha a min ima intervenção. em caso de ne- cessidade. n. também os does. taes são a provisão de 1573^. Sebastião de 1574*. O alvará de 1606'prohibe que se lhes passem como faziam os corregedores de Lisboa^. n. Doe. os sectários professos. 11. Os atheus. miséria d'essa gente. caracter accommodativo dos ciganos. julgar por esse ultimo documento." Doe. ^Doc. eram naquella epocha muito poucos os ciganos que havia no Alemtejo e esses A não andavam em vida errante. a lei de 1592 falla-nos de ciganos avizinhados"^. e a carta de André de cartas de vizinhança. graças ás condições particulares da província. e confessariam. os feiticeiros e feiticeiras com a que confesinte- savam ter feito pacto com o diabo eram muito mais ressantes para os inquisidores. se casariam catholicamente. 2 n. 20. que as suas feitiçarias eram apenas embustes.<* 7. como Garcia de Mira. n.° õ. contril^iiam. iriam á missa e á confissão. mas é de crer que muitos escapassem ainda ás investigações policiaes. 3Doc. para que o famoso tribunal ecclesiastico não cuidasse d'elles. Já no século xvi alguns ciganos tinham passado ao que parece á vida sedentária." 11. Não irei tão longe sem negar esses motivos. O .« 6. O documento mais a^itigo cigano com nome portuguez em que figura um de Torres) é a provisão (João conhecido de D. » n.179 sua própria conta que a religião foi apenas mascara com que SC cobriam os verdadeiros motivos das perseguições religiosas. Vid.

como a Ormuz. sem soldo». João IV. por uma politica mais humana que a dos nossos antepassados. Doe.d'essa raça se acharam alistados revelam-nos no exercito português. pedindo soldos atrasados. 1 Doe. . aproveita o caso daquelle pobre cigano que serviu a sua pátria adoptiva «três annos con- tinuos com suas arinas e cavallo á sua custa. O cigano outlaw subsiste ainda subsiste ainda o seu modo de encarar o esracional e vivio da . n. . servindo nas fronteiras «com zelo e valor com que já forão muitos apremeados». não poucos. para Mais de 250 homens. com a superioridade do seu espirito. e o alvará d' esse rei de 1649^ um facto esquecido^ embora do maior interesse a historia ^ caracteristica dos ciganos. riquezas. devidos ou não devidos. classes e fidalguias de sangue. que d'esse mesmo campo «infamemente fugiram.lòO esses ou novos bandos vindos de logar á publicação de outras leis. Thomé Pinheiro da Veiga. 2 n. com muitas Esse facto basta para resgatar a raça cigana do opprobio de mais de quatro séculos e para nos fazer pensar em chamar os seus actuaes descendentes. Malaca e Sofala. combateu «valerosamente no campo. até deixar a vida».« 18. de 1646*. ao concivilisação. tiveram a efficacia que pretendiam. Thomé Pinheiro da Veiga. á vista dos que exforçadamente morreram ou pelejaram» e ao dos que vão ás fronteiras. a vencer soldos e condições. porque elles reappa- Hispanha davam depois que evidentemente não recem sempre de novo onde se julgava tê-los extinguido. livre de preoccupaçoes de raças. para o antepor ao d'aquelles. castas. desde a restauração do reino. Os tempos novos trouxeram uma grande tolerância sem duvida mas essa não basta. Nem tudo nos documentos que reuni coUoca os ciganos a uma luz desfavorável.*» 15. no tempo de D. sem servir á sua custa. A carta do original e enérgico procurador da còrôa.

em consequência do caracter desconfiado e supersticioso d'essa gente. A boa politica não pode deixar existir. É preciso que elle vença o espaço das que o separa da sua concepção primitiva das relações ethnica gentes para desapparecer com a sua individualidade em o nosso meio. Pires. mas que de nenhum modo são absolutamente refractários ao progresso e teem dotes naturaes que os podem tomar proveitosos. que primeiro me indicara essa estatura como mais que regular. já por mim. já pelos meus collaboradores. e classificou a maioria d'elles como de estatura regular. Pires affirfoi por via de um. de cabello indirecta que pouco Todavia se eu pudesse viajar algum tempo no Alemtejo alguma coisa conseguiria. um punhado de individuos que dinam á organisação social do país em que vivem.181 tranbo como uma presa. modificou a sua observação numa feira de Villa Viçosa. O estudo anthropologico e ethnographico dos ciganos offerece grandes difficuldades. a titulo de curiosidade etimológica para o estudo dos esnão se suborpecialistas. Pelo momento tenho que me contentar no recebem. Mas o que entende elle por estatura regular? . e no que respeita aos caracteres psychicos e aos costumes principalmente com as observações que me ministraram. Typo physico. Mas sem os ciganos são gratos pela um subsidio do que respeita ao typo physico. A estatura dos ciganos é varia. onde viu gi-ande numero de até ciganos. L. obe- decendo a hábitos tradicionaes. recorrendo ao auxilio de um ma-me que elles não se deixariam medir e obteve elle um d' esses proprietários d'elles a quem protecção que estado ser-me-ha impossivel proceder ás investigações que tenho em vista. como tenho verificado nos exemplares que por acaso tenho encontrado. com os dados obtidos pela simples vista. de Vasconcellos acha-os muito altos. alguns agigantados.

Como é que se estabelece o typo mental da estatura media ou estatura regular dos observadores á simples vista? Pa- * rece que esse typo deve variar segundo os paises e depender da estatura mais frequente de cada povo. P.50 a l^jõS e 59:336 l'". e que vem a ser l'".54 ou mais. Topinard. etc.õO de altura.53 e 41:867 5 1"'. Conclue-se. i890. de centímetro em centímetro. dos quaes 2:259 tinham d.74. n. A miséria tem acção depressiva sobre a estatura. os exemplos notáveis dados por Kõstlin in Das Kônigreich Wurttemherg. Zweiter Band. sem medições exactas. 1885). dos quaes 1:436 tinham menos de l'". 1890. Segundo o art. que. facilmente a difficuldade de interpretar as noticias dos auctores. Precis d'anthropologie (apud G. Hovelacque et Hervé. Éléments cVanfhropologie g^nérale (Paris. Qual é essa estatura no povo português? Faltam-nos dados de investigação para poder responder á essa interrogação. 69. publicados no 5 Appendice ao Diário do Governo.54 ou mais no segundo d'aquelles annos foram inspeccionados 45:535. A. não de uma media. .50. vid. 463.° 10. Pelos Mappas do serviço do recrutamento de 1888 e 1889. de estatura media. . I. outros observadores attribuem-lhes estatura media (Cora 1. nos faliam de homens altos. vemos que foram inspeccionados no primeiro d'aquelles annos. no continente e ilhas.182 A experiência tem-me mostrado que o que entre nós se chama' estatura regular se approxima ou coincide (sobre" tudo de cima para baixo) com o que os anthropologos admittem como a estatura media. Cora in Das Ausland. Abtheil.Õ4 de altura para o exercito ou l^jõO para a armada» mas trata-se aqui de um minimo. c): de que provêem essas differenças de estimativa? Dos observados ou dos observadores? As condições de vida podem influir para a differenciação das estaturas. p." 21 e 1891.** de lei do recrutamento de 12 de setembro de 1887. Das Volk. 2413 de 1"S50 a l'". 31) consideram os tsiganos como pertencendo aos povos de estatura elevada. Bom fora que o serviço da inspecção organisasse tabeliãs contendo o numero dos inspeccionados repartidos pelas cifras de estatura. pois alguns attingem l'". são isentos do serviço militar «os que tiverem menos de 1"'. p.59-60. nr. pois. Estes dados são insufficientes para resolver a nossa questão. n.e altura menos de l'».6õ*. Uma mudança de regimen alimentar basta para produzir num curto espaço de tempo o abaixamento do nivel da estatura geral de um grupo ethnico sujeito a essa mudança. 63:G74 mancebos. 2:902 de 1". Yid.

A cabeça é geralmente caracteristica nas principaes par- ticularidades. ne- gro como azeviche oii. a cintura delgada. de grande brancura. E magro. já pelo é eíFeito do ardor do sol. perfeitamente semelhante ao dos canarins e que elle usa bastante comprido. não se apresenta essa cabeça em geral como grande. enquadrado nos homens por uma barba cerrada ou em patilhas. caindo direito. alter- nativamente melancholico e alegre dos olhos das mulheres de outros ramos do povo tsigano. que são bem accentuadas o mento em geral arredondado. não muito saliente. comquanto de apparencia robusta. Excepcionalmente apparecem ciganos mais claros. de dorso ora agudo. A A por tez c trigueiro-pallida nuns. os movimentos ainda mais ágeis que os dos homens. antes produz a impressão contraria. nem da franca braimpressão chycephalia. nas ciganas justificam ás vezes o que se diz do tom mysterioso. deixa ver duas fileiras de dentes bem conformados e dispostos. ágeis.183 Km geral o cigano não ó inferior a essa estatura e excede-a muitas vezes. a magreza é maior. Cobre-a um cabello. A áspera. negra como o cabello e as sobrancelhas. não ondulado. de . Nas mulheres. O rosto nalguns exemplares um tanto agudo. Apesar do cabello. farto. maçãs geralmente um tanto salientes. mais baixas. quasi negra noutros. A forma da cabeça não pouco numerosas) a da franca dolichocephalia. se se prefere uma comparação já usada. já ser pelle a cor natural. Pires na resposta a esse i)onto do questionário . pouco rasgada. mas é comprido. na mocidade. ora um pouco achatado. o que não destoa da observação dos anthropo- dá (a julgar por inspecções rápidas e logos que põem o cranco tsigano nos limites da mesati- cephalia e da sub-dolichocephalia. Os pés e as mãos são pequenos segundo alguns observadores. muito vivos. . boca. isto c. como as pennas do corvo. quando novo de movimentos fáceis. Os olhos são muito negros. O nariz é aquilino ou recto.

2 Hovelacque distinguiu dois typos tsiganos «l'un fin. Extremamente formosas çant. Deehambre. As que eu tenho visto eram feias. G. pp. 471-2-. L c. vid. pp. au visage plus allongé. Topinard. Todavia Pires diz-me que os ciganos gozam da reputação de longevos. João em Évora em 1888 que são feissimas. Sobre o typo physico dos tsiganos. P. perto de Borba. sem tecto. t. Lagneau.) bonitas. entre os quaes algumas damas. etc.e essa impressão. 5« serie. comquanto talvez em menor grau. era mais fino que o dos ciganos e gitanos^. . Mas outros observadores. vistos pelo mesmo observador. deitam-se e dormem na terra muitas vezes húmida. o typo dos gitanos é o typo de uns ciganos húngaros. lamacenta. au regard moins per.184 que lhe dirigi escreve — grandes. uma ou outra até digna de ser chamada bella^. em maio de 1883. no Algarve. de Vasconcellos diz O com referencia ás mulheres ci- ganas que viu no Cadaval ás que viu na feira de S. 1 — ccUes de A. como L. a perda precoce do viço da mocidade. D'ahi em parte a causa da má impressão de outros observadores. Cora. de Vasconcellos- Nos homens também se dá. E certo que a perda do viço não ó acompanhada de perda de forças. L. mas a immundicie e os farrapos que as cobriam contribuíam sem duvida para augmentar em 1887. e os auctores por esses citados. aux traits plus concentres. 1877). Segundo Pires. dizem-me terem visto algumas (nas Caldas da Rainha. Ciganos e ciganas. Na resposta ao questionário que lhe dirigi escreve Pires a respeito das ciganas Ha verdadeiras bellezas. as minhas observações pessoaes *. de apparencia juvenil ou decrépita. aux traits plus ramassés. 1879). o que concorda em parte mesmo dos ciga- com nos. plus ovale. 15-22 . v.» 3 : algumas. art. VanthroAnthropologie (Paris. caldeireiros. resistem a grandes marchas. O cigano representa talvez esse segundo typo. France sciences médides in Dictionnaire Race encydopédique tsigane pologie. (Paris. au nez plus aquilin Tautre grossier. G. curta duração : A belleza da cigana é porém de pouco depois dos vinte annos deáappareceIhe o viço da mocidade.

chamado Joaquim Canhoto. ás 11 horas o sol estão a pé. de fome. toda a carne de porco. quando menos certos bandos) lançam carne e peixe. 189. Gli Zingari. Deitam-se. preferiscono la birra e sopratutto gli spiriti. . com dois pulos fez cair de um telhado uma navalha que lá tinham posto. que são as usuaes no Alemtejo. que tinham succumbido a uma epizotia. Colocci. Um observador diz-me que comem pedaços de toucinho cru com pão. Le pays lasque. numa epocha garam a desenterrar porcos. che- em Trás-os-montes. Vid. Um correspon dente de Barbacena conta que um. tudo misturado. et s'en repaissent impunément. Dormem da noite e em rompendo pouco. n'importe laquelle. principalmente de licores. un álcool qualunque nè sapprebero senza : acquavite celebrare alcuna cerimonia o festa. les désinfectent au moyen d'herbes à eux seuls connues. rak. os ciganos. com alguma ave morta que encontram pelo caminho. deitando-a. João em Évora. Uno dei piu gran regali. comquanto occasião da feira de S. 138: «d'autres fois ils ramassent les 1 animaux morts de maladie. Não parece haver nenhuma particulari- dade nas suas comidas. o que eu já vi fazer a hispanhoes da Extre- madura (não ciganos). vodka. p.os amigos do vinho (cf. Alimentação. de ordinário. e que suspendem a três va- ras ensarilhadas. Refere-me o sr. p.» Colocci. para os comerem*. 166).185 Alguns dão saltos e pulos prodigiosos. Diversos auctores faliam da nenhuma repugnância dos tsiganos por animaes mortos de doença. 189. Uma observadora julga. Um bebam bem por observador não os crê bêbedos habituaes. como se vê pelas compras que fazem quando atravessam as povoações. Comem bem quando teem dinheiro. a teem na sua caldeira onde (pelo Comem ainda que em decomposição. che lor si possa fare. n. Michel. 1 e F. p. Relativamente a bebidas as testemunhas são divergentes. p. è di offrire ad essi mastic. Pires diz que são amigos de bebidas. mas que raras vezes se embriagam^. Ferreira Deusdado que.« 2 «Amano poço il vino.

A leitura e a escripta por estado de profunda si sós são apenas instrumentos de cultura. (Communieação do Gabriel Pereira. são notáveis cartographos (Francis G ai ton. O espirito do cigano é vivo. mais ces connaissances leur faisaient généralement peu defaut. 2 Náo se faz ordinariamente ideia do desenvolvimento intellectual possível sem o conhecimento da leitura e da escripta. juin 20. Londres. Caracteres psychicos. II est de notoriété que la plupart des hommes les plus habiles de ce artificieis. extrahldo de um artigo de Pincott in Knowledge . et A pays étaient incapables de lire et d'écrire. perspicaz relativamente ao circulo estreito de l'elaçoes em que vive. João era Évora*. p. mas que podem também exercer uma acção puramente negativa quando não se ligam a um bem entendido systema de educação. Esta qualidade todavia não significa si. Faltam-nos infelizmente dados para apreciar bem o intellecto do cigano 2. esse propósito lê-se no periódico La Nalure^ 1891. Citemos alguns factos que provam o que ha de illusorio nesse modo de ver. 103-104). tào costuma- dos estamos o considerá-lo como condição de toda cultura. que . muito. Tem elle uma 1 Esse gosto pelos doces parece ser geral nos tsiganos. 1883. car leur mémoire était chargée de plus de connaissnnce toujours à leur disposition.186 summo na sr. Vid. Co- locci. instrumentos indubitavelmente necessários para uma verdadeira cultura. homens e mulheres. por como se figura a muitos. p. Os esquimós. (Pires acha-os muito intelligentes. ' Gostam muito de doces de que fazem grande con feira do S.\ «I\ est parfaitement vrai que les Indiens comptent plus sur leur mémoire que sur les procedes personne ne peut se mettre cn rapport avec ce pcuple sans être étonné de ses facultes prodigieuses à ce point de vue. susceptivel talvez de o ser num circulo mais complexo de relações. Grande numero de ho- mens analphabetos fazem cálculos mentaes prodigiosos. um miséria intellectual. sem terem recebido nenhum ensino de desenho. analphabetos. Eu tenho já encon- Fumam trado ciganas de cachimbo na boca. 188.) São analphabetos. director da Bibiiotheca Nacional). ///gw^r?/^^/ío í^e human Faculty. não a cultura mesma.

Tem um certo numero de conhecimentos tradicionaes. 25). aliqui dicebant. xv conservavam a tradição da sua origem indiana. Ifalic. p. Nous commettons Terreur de clle croire que les de connaítre constituent la connaissance moyens même. et à traiter avec quelque mépris les peuples qui n'ont pas pris la routine de coucher leurs idées sur Ic papier. en un mot. Poude-se affirmar. . 1882. como seus irmãos doutros paises. que aproveita nas suas industrias. condição sine qua non das suas translações constantes. Cetait celles ((ue — un íinanier fort capable. Scripforcs Ber. Rangit Singh ne pouvait ni lire ni écrire. t. Gaston Paris in Nevue critique. Falia o seu rumanho. Cela nous con- duit à attribuer le plus grand prix à la lecture. ut audivi. les ressourees de ses provinces variées. mais il savait tout ce qui se passait dans uii royaume aussi grand que la France. Os ciganos no Brazil. as propriedades medicinaes. XIX.187 boa memoria? Quaes as representações particulares que mais facilmente reproduz? As visuaes? As auditivas? Tem a memoria numérica que permitte o calculo mental? Sem duvida elle tem a memória topographica. et. o liispanhol e o portuguez. Os ciganos do Brasil conservam a tradição de uma emigração de Portugal em 1718 e dos nomes de alguns emigrantes (Mello Moraes Filho.) Em verdade os ciganos nada contam hoje ào seu passado aos estranhos. todavia a asserção é talvez um On sait que possédent ceux qui étuclient dans des livres. 890: «Et. la puissance de ses voisins. les poirits forts et faibles de rAngleterre. et à Tecriture. là nature de leurs revenus.^7. p. Também possuem boa memoria para os cantos (lettra e musica). 2« série. col. un parfait administrateur. à tous les points de vue. que não ha tradição hispouco absoluta 2. quod erant de índia». 1 Seguem outros factos interessantes. Nous devrons modiíier notre opinion sur ce point en nous rappelant que les merveilles de Tarcliitecture indienne sont dues à des hommes qui ne savaient ni lire ni écrire». 2. qui coiiuaissait à cliaque instant Tétat de ses ricliesses. Conhece ainda. os effeitos narcóticos de certas plantas? Tem alguns conhecimentos astronómicos? Pouco pudemos apurar da sua capacidade para conservar tradições. quando esmolam diaem «somos do tórica oral *. 2 Os tsiganos chegados a Forli no sec. como se acha consignado no Chronicon Fratris Hieronymi Froliviensis em Muratori.

) A imprevidência e a aversão tam d'aquella paixão e da sua a todo o trabalho regular resulfalta de ambição. no sentido em que elle também tem uma ambição Concebe-se facilmente como ordinariamente se entende essa palavra. da terra do Menino Deus. principalmente de lembranças das perseguições de que nos séculos ahteriores foram objecto. mas de um habito de precaução. ás praticas religiosas do povo em que vive. E E se muito nervoso e emocionavel.» Convém insistir na investigação do que os ciganos possam conservar de tradições do seu passadO. Parece que não são muito vaidosos. — essas tendências dos ciga- nos os tornem impróprios para a vida militar. mas sim a sentimentos esthetícos. é ella e nada mais em geral A que o faz adaptar. terá cigano tem a paixão do seu modo de vida. Todavia a humildade que o cigano tantas vezes manifesta ante os estranhos não é expressão de um sentimento espontâneo. absolutamente irreligioso o cigano. não a um sentimento de en- grandecimento pessoal. apesar dos factos contrários que já foram notados (p. ainda que incompletamente. (As nossas noticias sobre essas relações familiares não são em verdade sufficientes. O quando seja puramente negativo. ainda por certo interesse. hypocrisia é arma de defesa para elle. sei que um cigano compellido em Elvas ao serviço militar desertou ao segundo dia e que os domiciliados em Elvas que são recrutados desertam tam- bém em regra. 180). como muitas vezes tem asseverado dos seus irmãos extra-peninsulares e .188 Egypto. O gosto da ornamentação no vestuário liga-se. em que não sente outras obrigações alem da de acudir á sua sustentação immediata e á da sua familia. resultado. mas as suas emoções são pouco persistentes. porque a d'essa vida livre. pois a mulher é a principalmente encarregada do cuidado dos filhos. Veja-se o que abaixo dizemos dos baptisados. pode dizer-se sobretudo á O sua sustentação. casamentos e enterramentos. Pelas in- formações que obtive.

se refutar a these da irreligiosidade dos tsiganos. poderia chegar a ser irrehgioso? primeira vista a asserção afidos gitanos ? * A gura-se absurda e está-se no direito de pedir d'ella rigorosa demonstração ^. p. come dimostra lo Spencer». consultado.. certo é che essi (os tsigasi nos) hanno per tra in tutti i morti lo stesso superstizioso rispetto.» Mas do simples temor supersticioso e do respeito dos mortos a um verdadeiro culto dos antepassados.. os quaes teem sido comparados aos ciganos e parecem estranhos a quaesquer usos religiosos.. 2 Na índia ha todavia grupos humanos. busca. O auctor funda-se principalmente na existência. xlix Jahrg. 838 e seg.189 Como um povo originário da índia. Vid. na lingua dos tsiganos.) as palavras de Leland «The real religion of the Gipsies. como vimos no Vocabulário^ ou otihé^ que designam Deus. como o encontramos em diversos povos. Em verdade Colocci diz i p. L. 10) em que figura a palavra otihé. duvidar. Ahhandl. mas. consists like that of the Comteists. teem o culto dos antepassados. Toda religião se manifesta principalmente em São pagãos ou christãos? De culto pagão não se indicam entre elles nenhuns claros vestígios. que nâo occorre no que reuni do Vocabulário dos ciganos. de Vasconcellos dizia em 1887. os ciganos? Teem-nos que «adoram os mortos». não me deu razões para poder-se acceitar isso como averiguado^. p. 230: «. uma textos ha 49 e algumas phrases (n. heng. 9.°^ 41. demonstração A dada no artigo não é sufficiente.. : riscon- O mesmo auctor italiano cita (ibid. que Leland e Breitmann supposeram idêntica ao aquella palavra tsigana significa realmente deus. numa carta. in devotion of the dead. che popoli primitivi. . Mas o termo basta para que julguemos demonstrada a existência de concepções religiosas a elle debel e otebel Os ciganos têem. 60. a distancia é ainda grande. Da seriedade das crenças dos ciganos como christãos temos motivos para. d'essa terra onde quasi tudo tem impresso o cunho religioso. Trumpp apud Miklosich. Os : tsiganos possuem uma palavra particular para diabo. 3 iii. como os tchangar do Panjab. Num artigo do periódico Das Ausland. Nos os termos ligadas? ritos. da 1 inglez devil palavra devei. 2. isto é. as I have already observed.

p. xxxxi. or hope. com vontade ou sem ella*. name. As licenças são de 1634 e 1635). comediantes e Sig anos. or atheists.» Borrow diz com referencia aos gitanos «Ali. Segundo uma informação dada a Pires: «Não consta ver-se um cigano na missa. and uever mentioning his . isto v^. Crer. (Feitas em 1633. n. Tit. São supersticiosos..» The Zincali.** 60 que se refere precisamente a ouvir o padre a dizer missa. mas aqui o termo é estranho á lingua. Vid. 282. emquanto dehel pertence ao núcleo primitivo do vocabulário tsigano. totally neglectful of worship of any kind and though not exactly prepared to deny the existence of a Supreme Being. o texto otebelj. Miklosich. but always without any íixed belief. mas que nelles o sen- timento e o conceito religioso se reduzem a muito pouco 2.. III. i. que duas Primeiras ccnsiituiçòes Sinodaes do Bispado de Elvas. 2 na freguezia em que se acharem ao tempo da Quaresma. uma interjei: sem sabermos (salvo os eruditos) que ella significa queira Allah. 150-151. xlviii (1875). riamente significou o conceito de uma divindade. which : relates to their original religion is shrouded in mystery. Nós os portugueses empregamos a expressão oxalá como ção. etc.» Das antigas disposições ecclesiasticas parece resvdtar que alguns se confessavam. t. em que necessa- Que o tsigano não tem incapacidade absoluta para a religião prova-se pelo facto de que em vários paises do Oriente o vemos mussulmano ou christão. Dos não são absolutamente factos referidos parece concluir-se que os ciganos irreligiosos.190 Os ciganos não sedentários não se casam catholicamente e se baptisam os filhos (varias vezes) é por motivos de interesse. therefore. They may have been idolaters. as igrejas ruraes.) Frequentam. stição é distincta da religião. trust. uDos vagabundos. por exemplo. save in oaths and blasphemy. porém. as regardless of him as if he existed not. (Mas vid. Abhandl. Essa adopção de crença religiosa coincide com uma mais ou menos adeantada assimilação ao povo de que a receberam e em geral com o sedentarismo. Os vagabundos aqui declarados sejâo assentados 'no rol dos confessa1 dos. fazem oração e deitam esmolas nas caixas. . and is likely so to remaiu. as they have heard other people do. 10-1 1 e Das Ausland. or what they now are. como se indica abaixo mas a super. or in moments of pain or sudden surprise. Feitas e ordenadas pello Illustrissimo e Reverendíssimo Senhor Dom Sebastião de Matos de Noronha.

p. Ueber den Aberglaubcn \n Zeitschrift fur Volkerpsychologie. estado. mas . preceito. Sem auctoridade. que aproxima as duas representações de mãos que agitam a agua e mãos que se agitam em lucta nmas contra as outras. regra. Steintlial. pp.191 pessoas que lavam as mãos na mesma agua terão rixa nesse dia não se liga a nenhum conceito religioso. a cartomancia e outros processos divinatorios podem ser também independentes de toda crença religiosa. chiromancia. Os tsiganos em geral reconhecem chefes isso basta para fazer ver que lhes não é estranho o principio da auctoridade. e admitte sem refle- xão um nexo causal entre os dois casos*. para com os estranhos não reconhece. H. Onde se revela por completo o estádio primitivo de cul- mentos e modo de acção. Sobre o que separa a superstição da religião. A E difficil ou antes impossível resolver a questão se o indiíFerentismo ou quasi indiíFerentismo religioso dos tsiganos os caracterisava já ao saireni da índia ou se elles chegaram a esse ritos religiosos diversos. para escaparem a perseguições. . vid. atravessando povos com crenças e a que parcialmente pelo menos tiveram que adaptar-se. nem direitos nem deveres: o estranho para elle é apenas trata de aproveitar o melhor que pode. (1862). para com elles tem até virtudes. Diz-se que desconhecem um verbo significando dever. sem preceito. ^ 2 Quando se diz que o tsigano não conhece auctoridade. de . 155) esquece-se que tal asserção só vale respectivamente ás relações externas da gente d'essa raça. mas resulta do mechanismo psychoíogico. os caUsj. que a condição de o fazer o mais possivel a seu salvo 2. uma com presa. sem regra. em geral. principio. tura do cigano é na diíFerença profunda dos seus sentium lado para com os da sua raça. de outro para com os estranhos. 83-101. sem dever não é possivel a existência de qualquer sociedade humana por mais rudimentar que seja. 11. os jambos ou paios (paillos) Para com os da sua raça reconhece o cigano direitos e deveres. sem principio. dever (Colocci.

Mas vê-se. 2 Cf. diz das relações conjugações dos tsiganos d'esse país é muito desfavorável. diz Colocci. A 156 E mister nâo confundir a noção reflectida e abstracta do direito e do dever com as formas concretas e espontâneas com que surgem nas sociedades primitivas.. reiro de segundo a tradição. São raras A as rixas entre os ciganos. de os habituar aos inci- dentes de uma vida dura e aventureira. mettidos numa espécie de saco. pareçam á primeira vista excluir o carinho. fraternidade é ainda hoje bastante notável. quando as suas forças não se acham desenvolvidas. a fraternidade. . a fide- com lidade conjugal. tanto piú che la loro beltà sparisce presto. p. Um proprietário e ceaBarbacena diz «À cigana casada com um cigano : que é infiel a este é abandonada de todos» 2. significa terar^ possuir. que se liga a terar . Le pays bosque. : niscono 1 'adultério col taglio dei naso alia donna e colle battiture sui goraiti o sui ginocchi per Fuomo. o cuidado que teem em evitar que. elles se fatiguem nas longas marchas a mãe transporta ás vezes três filhos ao mesmo : tempo. o respeito dos velhos. O melhor que arranjam de ali- mentos é para os filhos ^ A fidelidade reciproca dos cônjuges era lei firme nou- tros tempos. Solf gli Zingari tedeschi pumadri. e um nos braços. p. non si tosto divengono «Secondo il dott. e p. expressa nos seus pronomes possessivos.» O que Francisque Michel. mas por certo nenhum tsigano ignora a distincçào do meu e do teu. por exemplo. 229. Colocci. que se encontram bem unidos palavra {patiy pachif etc). Os cuidados que principalmente as mães têem pela prole são numerosos. teem uma palavra que honra n. p. emquanto elles vão a pé. Os ciganos e os gitanos teem nesse sentido terelar. ' Cf. ». 227 : «Per solito Tadulterio é raro fra le Zingare. 228 . dois ás costas. . Quando é possivel levam-nos num burro. que diz : «Gli Zingari hanno uno sviscerato amore per la loro prole».192 Quatro sâo os sentimentos principaes dos ciganos para os da sua raça: o amor extremoso dos filhos. 140-141. p. Colocci. está quasi esquecida dos tsiganos da Ásia. comquanto a educação physica que lhes dão com o fim de os endurecer.

Segundo subsistência aos que estão prisioneiros.193 em muitas occasiões e. Antigamente. o intento de os lograr são a regra. p. que vão num crescendo até ao attentado grave. procamente em Pires. Elias sabem commo- ver principalmente com o espectáculo dos seus filhos nus. ou semi-nus. São sobretudo as mulheres e as creanças que pedem. i. lenha e principalmente palha para 1 Cf. queixou-se na feira de Villa da mudança dos costua Pires de J883) Viçosa (maio mes. uma imposição. carne. espoliação do estranho faz-se por uma serie de pro- cessos. p. In nessun altro popolo anzi il vincolo di gli Zingari razza è piú intenso e piú rispettato. hoje é raro que o pedi- chegue a render 2 libras. 154 : «Una fratellanza sincera regna fra tutti unisce. etc. geralmente pão. o peditório adquire já o caracter de só as até primeiro objecto. Para com os estranhos os ciganos são apparentemente muito corteses. A arte das ciganas no peditório é perfeita. disse elle. As mulheres já não são tão rigorosas na fidelidade. Alcançando e um E gundo. Aqui não pedem mulheres e as creanças. 263-266. e li 2 Um informador falia todavia de chefes. a descripção da sua vida de miséria.» Vid. Nos casaes isolados (montes. meio mais suave e mais frequente é o peditório. depois terceiro. pedem seque a caridade se cance. IS . Vid. mas a falta A O de veracidade. Borrow. protegem-se recicaso de prisão^ ministram os meios de *. respeitosos e não poupam hsonjas. as mães portuguesas. fazendo para isso até uso dos vales do correio. os homens pedem também. quando algum cigano era Em verdade um cigano velho preso iam os amigos mais Íntimos pedir a todos os outros ciganos soccorros para o desgraçado e obtinham de 15 a 16 libras que lhe entregavam. O proprietário de Barbacena dá noticia de ter sido assastório sinado numa feira por trinta ciganos um da sua raça. 216. no Alemtejo). Gs ciganos do Alemtejo parece não reconhecerem chefes ^. não esquecerão jamais a casa das bemfeitoras. Colocci.

O immediato na escala d'esses processos é o roubo. não pode deixar de reconhecer-se um espirito de mystificação. n. Nâo sâo cigarros. communica-me Pires. principalmente na compra e venda de cavalgaduras^. Os ciganos andavam com as suas cavalgaduras numa proprie- dade do parocho. animaes domésticos. Dia. mas até no próprio logro. moços pedem apenas realmente os seus caracteres psychologicos e especialmente a natu- . e sustento para estas. como se mostrará mais abaixo. É preciso satisfazê-los para que elles não recorram a outros processos mais violentos de espoliação. Mas de com Independentemente da necessidade que o impelle. só os ciganos mais 2 3 Vid. junto o seu desamor ao trabalho legitimo.se e crivaram de facadas o rapaz ^. a burla. O roubo á mão armada é muito raro. 21 de julho de 1892. Ha pouco os jomaes deram noticia de um assassinio praticado por ciganos em Chacim. Nas feiras. respeitando-lhe a propriedade e servindo-lhe até d'inter- medio fiel em negócios. a lograr o es- tranho. quç se opera por modos muito variados e para que elle revela um talento especial.194 sustento das suas cavalgaduras *. comarca de Macedo de assassínio é O no intuito Cavalleiros (Trás-os-Montes) por um futilissimo motivo. que o leva a comprazer-se não só no fructo do logro. Então elles enfureceram. é o logro. cujo creado os intimou a saírem de lá. todos os processos o mais frequente que o cigano dos dois sexos emprega para arrancar dinheiro ou algum objecto de valor ao estranho. Os ciganos roubam principalmente aves. entre os quaes cavalgaduras." 1511. Diversos factos provam que o cigano é susceptível do sentimento de gratidão para com o estranho que o protege. quer de defesa ou por vingança. quer do roubo. 1 Em geral não pedem dinheiro. feito também perfeitamente excepcional. senão sem exemplo. O O modo por que o cigano considera o estranho é perfeitamente próprio de um povo que se conserva num estádio primitivo.

as grandes violências. junto com a mobilidade constante. Quando cantam acompanham-se de castanholas e pandeiretas. Tácito refere dos germanos «Fortissimus : A quisque ac bellicosissimus nihil agens. Deutsche : (iii. . J. Considerar o roubo exercido na propriedade dos estranhos á raça ou á tribu como um acto perfeitamente permittido é um conceito corrente nos povos primitivos. (mas essa ornamentação é muito rudimentar). 15)». sic Poder. 14)». Strabão Dos germanos diz Tácito Polybio (iii. mas sim a persistência d'esses caracteres no meio da civilisação europea. Rechtsalterthumer. O meio em que vivem os ciga- nos nâo lhes permitte hoje o roubo á mão armada. Grimm. quum idem homines quietem (Germ. reza das suas relações com os estranhos que o distinguem verdadeiramente. O roubo a descoberto estava longe de ser considerado entre os bárbaros como deshonroso. (as em farrapos com facilidade esses vestuários que trazem até á ultima. 3. Os . ament inertiam et oderint mira diversitate naturae. p. Colocci. através de alguns séculos. os attaques das aldeias. o ódio ao repouso caracterisam tanto os ciganos como os povos bárbaros em geral. de que na historia de outros ramos da sua raça ha alguns exemplos ao logro. A verdade parece-me ter sido de perto attingida por Schuchardt no seu interessante estudo Die Cantes Jlamencos. Não teem musica instrumental propriamente dita*. (Vid. 634-635). Já 98) e Tito Livio (xxii. por isso elles se limitam ao furto. Fallece-lhes o instincto do asseio. «matéria munificentiae per bella et raptus {Germ. ser apenas os cantos populares do país ou cantos hispanhoes^. 279 e seg. í Outros ramos da raça tsigana revelam considerável talento musical. 2te Ausg. de collares de contas mulheres). principalmente os da Hungria. 2 Ora se teem attribuido aos tsiganos talento poético ora se lh'o tem negado. preguiça para o trabalho regular.ae-hiam multiplicar os parallelos ministrados pela ethno- graphia antiga e moderna. Gostam de vestuários ornados. Vid. 22) notaram que a perfídia era característico de todos os bárbaros. delegata domus et penatium et agrorum cura feminis senibusque et infirmissimo cuique ex família : ipsi hebent. Os seus cantos parecem não ter originalidade. de abotoaduras metallicas mas deixam cair . õ) descreve-nos os lusitanos como ladrões. ao contrario do furto a occultas.IDô Parecem ser muito limitadas as aptidões estheticas dos ciganos.

seja um producto original d'elles. Uma pequena discussão torna-se entre elles fa- Quando em cilmente verdadeira algazarra. segundo um informador de Pires. muito falladores. tos flamencos. Vid. Infelizmente a musica gitana está mal estudada e falta assim como o são o conhecimento de um importante dado da questão . Jornada ao Parnaso in Phenix renascida. no Appendix 1 II algumas rápidas considerações sobre a poesia dos ciga- nos do Brasil. era nullo ou menos que nullo. São. . diz elle. faliam valentias e negócios de cavallos. que em primeiro logar experimentou uma certa gitanisaçâo na linguagem». conservado ou nascido no meio de um povo tão felizmente dotado com relação á poesia os habitantes do sul da Hispanha. principalmente dos últimos ^ Têem os ciganos contos tradicionaes e provérbios ? juntos. Esses factos tornam pouco crivei que a poesia dos gitanos. em geral. são certamente um povo de muito poucos dotes poéticos e os rudes vestígios de poesia que entre elles colhemos revelam a influencia dos povos entre os quaes vivem. v. outra allusão no extracto da Miscellanea de Miguel Leitão d'Andrada. mais que os outros ramos tsiganos aos povos com que se achavam em contacto fora da península. principalmente na lingua. Frederico que o valor artístico das poesias dos tsiganos húngaque elle colligiu. xvii allude ás danças das ciganas. Um quaes já vimos figurar versejador do sec. 12. e em chegando Fizerão nas dançar como ciganas. Nas poesias dos tsiganos da Bucovina publicadas por Miklosich ha influencia manifesta da poesia popular dos rumenos e pequenos nissos. genuina poesia dos gitanos. os canMiiller dissera ros. no fim do Appendix i. Que se acendeo nas damas Toledanas. aos que os gitanos se assimilaram. tsiganos. Diogo Camacho. Vid. as em Gil Vicente : Como se viu aqui nesta pendência. Sobre huma curiosa impertinência. todavia a expo- sição de Schuchardt leva á convicção de que os cantos flamencos «não são de modo algum modificação de uma antiga. Acodirão da Sé com partazanas Seis cónegos mancebos.196 Os seus bailados são também reproduzidos dos populares do pais ou da Hispanha. a rima e o rythmo que apresentam provêem de modelos magyares. mas na essência poesia andaluza.

mas que modificações profundas ao lado d'essa limitada persistência de velhos caracteres! O gitano. De todo o trabalho aquelle pelo qual teem maior negação é a lavoura. mas vendo em breve as mãos callejadas. a obra da assimilação tem progredido muito mais que em Portugal. A difica historia mostra-nos que o caracter dos povos se mo- sob a acção de diversos agentes. aos quaes se offerecia em razoáveis condições trabalho agrícola. para se tornarem sedentários e se entregarem a misteres lícitos *. Os allemães. e noutras artimanhas de que abaixo se encontrará noticia. peculiaridades que nos fazem ver nelles os descendentes dos germanos de Tácito e dos celtas de César. que é transmontano.197 aptidões industriaes dos ciganos são menores que as de outros ramos da sua raça. vender por bom. che giudica conve1 . largaram-na. nada queremos saber do cigano e só sabemos o que o acaso nos obriga a aprender. que ciganos esfaimados. o latrocínio. para o que contribuiu sem duvida o interesse que lá característicos tem inspirado communs o gitano e por ventura certos ao andaluz e ao cigano emquanto . nós. por certo. che li sa piu artigiani che agricoltori. alguns dos quaes Em numericamente consideráveis. dizendo preferirem morrer de fome a tal trabalho. Referiu-me o sr. «La Ungheria. teem abandonado a vida nómade. nos quatro ou cinco séculos que passaram immergidos no meio peninsular. Na Hispanha. Os homens manifestam a sua habilidade sobretudo em encobrir as mazellas do gado que querem tria dos metaes. algumas das quaes pouco próprias para os fazer seguir no caminho do progresso. povo de indiíFerentes. non li obbliga ai lavoro delia terra che per quel tanto. o cigano experimentaram já. os franceses de hoje conservam. Ferreira Deusdado. grandes modificações. tentaram manejar a enchada. diversos paises grupos tsiganos. visto terem perdido a indus- As As ciganas quando querem bordam com alguma perfeição.

tendo interrogado um cigano alemtejano acerca da sua lingua particular. buscando assim desviar o interrogatório sobre um assum- pto para elle melindroso. i lascia sperare alFUngheria piú 5 felici risultati delia sua iniciativa filantrópica. — tinuano dunque ad esser ciò che sempre furono: calderaj e veteI battesimi sifanno rinarj. seguiu termos alguns que communicou a Pires e formaram o ponto Uma de partida de suas investigações. me- nos escrupuloso. todo o capitulo iv da sua obra. a quem dava esmolas. rumanho é só fallado entre elles. — regolarmente 5 i fanciulli frequentano la scuola e la chiesa. i quali non hanno stato fisso. conde de Ficalho que.198 Completarei este esboço psychologico com algumas noti- cias relativas á lingua. Língua. alem do rumanho ou romano. . porque seus pães as matariam se o soubessem. especialmente quando O bebem. mulher de um lavrador alemtejano. Pires encontrou em o monte em dezembro de 1883 um cigano. No Alemtejo faliam o português com a pronuncia alemtejana. Communicou-me o sr. industrias. abitualmente dolce. costumes. professione o mestiere.» Colocci. 121 vid. p. musicisti e ballerini. Affirma-se que todos fizeram o juramento de o nâo ensinarem a ninguém estranho á raça. perto de Villa Fernando. mas havia já quarenta annos que tinha aprendido os termos (casal) da Defesa. consaber de creanças ciganas. S'incisi viliscono. Como já se disse os ciganos de Portugal faliam o português e hispanhol. Essa senhora habitava em 1883 em Penna Clara. senhora. que lhe disse que o rumanho que faliam 08 ciganos alemtejanos é o mesmo que o dos hispanhoes. niente ai lori bisogni e non vi costringe generalemente altro che Concoloro. taluni arricchiscono e la loro natura. As creanças tinham revelado os termos a medo e pedido á dama que as não denunciasse. este lhe dissera que hoje quasi nin^em a sabia. artigiani e cantori. e que é mais fácil um cigano deixar-se matar que descobrir o segredo da sua lingua.

que teem vindo ao Alemtejo) faliam a mesma língua. Os de Évora não conservam segundo informação do sr. curta. de cordão entrançado ou de fita no dos pobres. . Todavia. essi siano tanto generalmente e stranamente gelosi custodi dei segreto delia loro lingua che di rado Tun d'essi volle iniziare lo straniero nei misteri delia própria favella. António Francisco Barata. Pires enviou-me a seguinte descripção do vestuário dos ciganos alemtejanos.» Colocci. p. 1 O « segredo da lingua é geral nos diversos ramos da raça tsigana non deve credersi che 11 raccogliere dalla viva você di quei . Armas. com refego nos hombros.199 e pretendeu quo os hiingaros (tsiganos caldeireiros. Parece que os ciganos sedentários de Lisboa conhecem em geral pouco do rumanho. como elles dizem. co- Vestuário. nhecido escriptor e bibliothecario da Bibliotheca publica d'aquella cidade. são como tuguês». a passagem de Paspati por elle citada. usualmente de astracan ou fa- zenda semelhante. de três ou quatro botões. os que conhecem alguma coisa do rumanho conseguem mais facilmente obter informações sobre elle dos ciganos. 247. Foi o que aconteceu a L. O collete é aberto. que não se entende o que dizem em estando juntos e faliam em porelles querem . mas não deu a sentença relativa a novembro. Informação do proprietário de Barbacena*. vestígios d'essa linguagem. com a golla voltada. que são de prata no vestuário dos ricos. «Os ciganos em estando juntos. Vid. só se entende o que os cordoeiros da Galliza. Os homens usam jaqueta. por mais que Pires teimasse e com elle. de Vasconcellos. que se os seus declarando que muito tinha elle já soubessem lhe cortavam a cabeça. dito. ou romano. Esse cigano dictou o calendário impresso nos textos. muito justa ao corpo. nomadi le parole dei Anzi ciascun sa come loro idioma sia cosa spicciativa ed agevole. canhSes com botões de alamares.

Se são atacados. com largas franjas. com franzidos ou lisa. beça é coberta com lenço de seda ou algodão. A ca- cores "Usam. exactamente como as calças do fadista. Trazem muitas saias (como as ovarinas). etc). Usam todos um varapau curto e poucos trazem navalha. grandes botões de oiro na camisa e relógio com grossa corrente. A camisa é de tecido branco os pobres ou chita estampada. alargam para baixo. Das orelhas pendem-lhes grandes brincos de oiro. Os pobres apparecem nas sem meias. uma cruz de oiro. usam calças direitas. tomando sobre o sapato essa forma de polaina a que se dá o nome de boca de sino. o calçado arruinado e alguns com grandes tesouras de tosquia de gado. sapatos ou botas brancas ou pretas. Alguns teem espingardas de caça. verde. de vivas. apparecendo as asas por cima das cintas. As costas lançam um pequeno chaile de cor (azul. preto ou cor de café com leite. em regra de seda. Os ciganos abastados usam lenço de seda ao pescoço. mettidas nos coses das calças. Pende -lhe de uma fita. quatro vivas ou azul o corpete é justo e afogado . com com o vestuário roto. a manga curta. as meias brancas. um pouco curto. . de modo que formam grandes ancas.200 As calças. emfim. de casimira ou de cotim. As ciganas pobres usam vestido de cores vivas. não usam coUar ao pescoço e muitas andam descalças. Tanto esses como os pobres trazem sempre esporas. mas ordinariamente sem folhos e iim corpete largo. Os sapatos ou botas são brancas. que põem ao pescoço. feiras esfarrapado. defendem-se ou com as tesouras ou com o varapau. Da cintura desce-lhe um avental de chita com grandes enfeites de fitas. com ou cinco ordens de folhos. a partir da cintura. O chapéu é de aba larga. E a forma preferida pelos ciganos abastados. As mulheres abastadas usam vestido de chita de cores com pintas brancas.

sombrero calanés. Outras tra- zem laços de fita nas pontas. su manton más ó menos grande sobre los hombros. Colocci.201 As ciganas. hecho un nudo á la garganta. todo de colores chillones. do dos gitanos. com Untam-no com azeite d'oliveira *. que Mayo descreve. alpargatas ó zapatos. em geral. á la pechera bordada. e que era sem duvida o dos antigos ciganos. O especial aficion á la ropa blanca. e aos lados arranjam grandes caracoes sobre as orelhas com o cabello entrançado. nâo pode saber-se qual era o antigo trajo dos gitanos. pregam-no com ganchos e atam-no com fitas de cores. p. celeste ó encarnado. ó gorro encarnado en la costa de Cataluíia. ancho en general. los hombres tienen 194. colhida por Pires. : relativa ao cabello das ciganas Pentiê o mê cabello ! P'ra trás com'ás ciganas Agora poss' ê dezer Qu'os trajos fazem as damas. 1 Sobre o vestuário dos tsiganos em geral. de pana ó terciopelo. apartam o cabello ao meio e dividem-no aos lados. á la camisia limpia y bien almidonada. Su traje es el que las andalusas han llevado hasta hace poços anos. pregando o com ganchos. As até aos creanças dos dois sexos não teem pela maior parte. p. echado sobre la frente ó caido sobre la nuca á voluntad. o cabello entrançado e caido pelas costas abaixo. de pano ó algodon . flores y cintas por adornos. outro vestuário além da camisa.» Como mesmo nota Mayo. Atrás fazem um grande periquito. «El traje en rigor es el mismo que gasta el pueblo bajo en Andalucia. 7 ou 8 annos. «De las mujeres puede decirse otro tanto. su panuelo de puntas á la cabeza. prohibido pelas leis hispanholas. Asi se las ve con su saya corta y de poço vuelo. com alamares ó botonadura de plata-. vid. com modificações. á la chorrera vistosa. chaqueta ó zamarra bordada. y que los gitanos non han cambiado. botines ó borceguíes. . 190- vestuário dos ciganos deriva sem duvida. más ó menos rico. prohibido pelas leis portuguesas. colores tambien chillones en todas sus prendas. adornada de randas volantes. 41 : «Cuando disfrutan de algunas comodidades. Ha uma quadra popular alemtejana.

Muitos ciganos abastados em Évora. no Alemtejo. Todavia. Vidigueira. Estes. e trazem o cabello sujo e emma*. 194. Com os seus hábitos de cortesia. ou que elles apanham. são feitas pelas mulheres e ao ar livre. De inverno fazem grandes fogueiras com lenha dada pelos lavradores.« Colocci. como observa Pires. porque os teme como roubadores de gado. ou nos fornos e cabanas das herdades. p. de modo que os ciganos constituem. pobres. estacionando junto de cada um algumas semanas seguidas. Domicilio. em diversas terras da Extremadura e até algims em Lisboa. pedem previa licença ao lavrador. 1 «I fanciulli non ricevono fino a dieci anni il vestito. . Viçosa. As comidas. segundo uma ganas vestem os filhos. Têem Vagueiam de monte em monte (casaes. ou em casas meio arruinadas e abandonadas. e de ordinário pedem ao lavrador ou lavradora tudo o que precisam para seu sustento. Villa Moura. andam em ranhado geral descalços. Portel. como os que teem vida errante. que não lh'a recusa de ordinário. no Alemtejo). uma ver- dadeira praga do lavrador alemtejano. Outros podem encontrar que lhes sirva para dormem junto das paredes. Estremoz. se por ventura outra informação. cobertos com mantas e cobertores seus. Estancias. enxergas em que se deitam e que nas jornadas servem de apparelho ás cavalgaduras. Viajens. durante essas estações. Os adolescentes solteiros. algumas ciobtém da caridade alguma roupa de creança. e construem alguns abrigos com piorno e tudo o que esse fim. estanceiam nos arredores dos montes (casaes) e ao ar livre. — Oraperò in quasi tutti i paesi sono stati costretti a smetteretale indecenza. d'ahi ou remediados acham-se domiciliados partem para as feiras e diversas excursões.202 muitas vezes esfarrapada.

se não teem casa na Na Extremadura improvisam muitas vezes uma tenda com uma peça de linhagem ou outro tecido que fixam de um lado a uma parede a certa altura. debaixo elles. Chegados a um logar novo para tratam de se orien- tarem conhecerem bem os arredores. Ninguém lhes pedia renda d'essas casas arruinadas. Fazem longas marchas a pé. Communica-me o sr. Os pobres nómades vão ás feiras com todos os individuos da famiHa. segundo as informações de Pires. logar pobre. ha muitos annos . para saberem onde poderão ir roubar. segundo o informador.203 de Barbacena. mas transportam-se também a cavallo. nâo teem tendas sr. para o que teem galgos. Os ciganos do Alemtejo. sob pretexto de caça. indo ás vezes dois e três no mesmo animal. na rua de Santa Maria e travessas próximas d'essa rua. umas casas derrubadas na rua annos. nem carros. que. mas levantam pobres tendas cidade. já mais villa Na vezes referido. de outro no chão que assim lhes serve de abrigo. António Francisco Barata que em pousam ciganos no bairro de Cogulos. fora da muralha. os ciganos que vão á feira do S. se as ha. ao ar livre. pelo luxo que rompiam. em Lisboa residem algumas familias ciganas. presos pelo pescoço uns aos outros ou peados. num campo Por occasião das feiras. Pelo e caminho alguns vão caçando. que deixam pastar em volta do seu acampamento. põem-lhes frente golpelhas com palha. pobres e abastados estacionam ou outro logar próximo. Quando não ha pasto. parecia que estavam bem. percorrendo-os. do Forno uns ciganos. das arvores. d'essa localidade. no bairro outras vieram-se fixar aqui. Em recentemente. habitaram ha alguns durante um inverno. João naquella cidade não levam carros. de diversos pontos da Extremadura. oriental. mas Évora vivem e . e Para onde vão levam os seus gados. Segundo uma informação do António Francisco Barata.

industrias. dia appareceu-lhe um á medida dos seus desejos. um vizinho disse-lhe que a burra Um parecia a em comprador breve verificou que assim era. Concorrem ás feiras (não ha nenhuma no Alemtejo e na Extremadura em que não appareçam) com seus gados e mercadorias. outras Enganam com grande res. que . que se julgam muito lavrador do Crato contou-me que um vizinho d'elle vendera uma burra viciosa aos ciganos. De volta a casa. porque apenas o anicancella. como era seu Pintam os animaes e disfarçam por todos os modos os seus defeitos. Fazem crer que um bravo. deitou a correr mesma que vendera aos ciganos.204 só 4 famílias teem residência fixa alli. para que pinoteie. entrando e saindo. troca e preparação para a venda e troca de gado muar. pondo-lhes em animal velho e cançado é vivo e cima a palma da mão. em que escon- dem uma agulha. Não são creadores de gado. Alguns teem sido geral (e Algumas ciganas mais raramente ciganos) residentes em Lisboa são negociantes ambulantes de pannos. cavallar e asinino. em mas passam por bons conhebons cavalleiros. O mal transpôz uma costume. como me diz o sr. Gabriel Pereira) não admittem os ciganos. á tosquia de gado. Arraiolos (e Torrão. cedores. Nos negócios de troca de cavalgaduras querem sempre receber dinheiro além de animaes. cavallo de detenninada cor. Essas occupaçoes e industrias reduzem-se quasi exclusivamente para os homens á venda. e ao roubo. até os astúcia os compradores e trocadofinórios. com que Um um sportman desejava um o picam. foi a uma feira e comprou-lhes uma burra que julgou ser bem differente da sua. á venda de fazendas (principalmente na Extremadura). os demais ciganos têem casas arrendadas para residência temporária. Occupações. São toureiros. contrabando. repellindo-os á força.

— locci. solta e caracolla onde il compratore è persuaso che il cavallo è sensibile alia você e di carattere vivacissimo. Piú forte sarebbe Tingano che riferisce il Franz-. No Alemtejo e talvez nas outras provincias não ha diíFerença de occupaçoes entre os ciganos abastados e os pobres. Vid.205 comprou. todavia nas terras de provin- A cias. Os ciganos perderam cedo. Nenhumas ciganas em Portugal têem por profissão o canto e a dansa. serem curandeiras (o que parece raro). vivem nas povoações e trajam melhor. si anima. 195200. Vimo-lo já figurar na Farça das ciganas. p. 37. mas pouco depois reconheceu que fora burlado por ciganos que tinham pintado o animal*. p. buena dicha não gosa hoje entre o povo de tanto credito como noutros tempos. sem viverem exclusivamente da mendicidade. Na Hispanha ha ainda gitanos ferreiros. Alem dos cuidados familiares. Borrow. Colocci. é principalmente para as raparigas. os ciganos se occupem nas industrias O informador de Barbacena diz: «Só me lem- bro de apparecer aqui um que trabalhava de ferreiro e fez uma safra ao João Ferreiro. 175). 64-65. i. «Per far poi apparire il cavallo vivace e ardente. ao que parece. mendigarem com maior ou menor frequência. a industria dos metaes (vid. basta ripetere queste parole che la : povera bestia. Occupaçoes das ciganas.» Co. O negocio de cavalgaduras pertence ao numero das mais antigas occupaçoes dos ciganos. que é onde malha o ferro». fazerem bruxarias e como sobretudo roubarem e burlarem os estranhos por diversos meios. 200. . gridando alcune parole di eecitamento cosi. Não consta que dos metaes^. e cioè che introducano un' anguilla viva sotto la coda dei cavalli onde con sifatto stimolo acquistono maggior alacrità. mas os primeiros não esmolam e só vão aos montes para negocio . Muitas das burlas que elles fazem nesse negocio são mais ou menos typicas. 2 Mayo. p. que conservam noutros paises. p. lerem a buena dicha. um divertimento. os vemo-las commerciarem em fazendas. lo * frustano terribilmente. homens. quando si tratta di venderlo. memore delle frustate.

e buena maré y tierresita buena e por si: jase poços dia q'has tenio un disgustiyo con una presona que tu quieres en este mundo tu me quieres á dos presonas una para pasá ti empo y otra para tu gose. 1885). Tu tienes un disgusto con una presona que bien quieres y no es per comia ni per bebia que es per una presona que tu quieres que la tienes en tierra estrana. trin pa ayá. : : . vid. algumas das * 211 . p. pues tu tas escubierto á una presona que ta pagão malamente pues tu tienes que recibí una carta de una presona que bien quieres y tiene que ser en un un dia seualao tu tienes que ser en este mundo maré e cinco hijos y tienes que ser casa con un José cumple tu con la gitana morena que t' ha dicho cayando . que tienes que sé pare e las espardas ibas á gorvé y le gorviste cuatro churumbeles tu has estão criando una cachigordita artita e pecho cumple tu con la gitana de buena gana que te voy a esí lo mejó e la buena ventura.206 que se paga a troco de alguns vinténs. parte respectiva. las piya á tiento Tu las tienes los ojiyos de enamorao que tu tu tienes me y me matas un poquito de mar génio pêro te se pasa ai instante eres hombre e secretos y hombre que nunca miras los intereses pa ná tu eres una presona que has querio á dos. grasiosa. que vas a sé maré e cuatro chu1. : . «En el nombre sea de Dios. sina. catrafun catrafun y la santísima Triniá. Trin pa acá. Sobre a chiromancia dos tsiganos em geral. que tu ventura sea buena.« . Borrow. «En el Eres hija e buenos pares y . p. n. de Gil Vicente. modo de em que teem portuguesas. resalá. : . grasiosa. 208sobre a buenaventura dos gitanos. chamar uma cigana (mais raramente um cigano os homens também ás vezes : lêem a buena dicha) e ouvir d'ellas a lê-se nas linhas da palma da mão *. la buenaventura.» 3. ano v. En : el nombre sea Dios. na nombre sea de Dios. que tu ventura sea buena." 31 (Sevilla. . as quaes servirão de commentario á Farça das Ciganas. reproduzo aqui as seguintes buenaventuras de um artigo de Demófilo (Machado y Alvarez). á una ha sio lealmente y á otra pa gana e conversasion y á una le igiste. rumbeliyos : pos jase dias que te presiguen males lenguas tan sola- mente per conversasiones que tu tienes con ciertas presonas. i. que tu ventura sea buena. A buena dicha divinação As ciganas também deitam muitas rivaes cartas.» 2. Nâo tendo colligido nenhuma buena dicha. publicado em La Enciclopédia. 167 e segs. Coloeci. .

onde a encontrou. porque tudo d'ella. que não correria perigo. os ambiciosos que cubicam thesouros escondidos ou a prompta multiplicação dos seus haveres. espetaram-se muitas agudevia ser posto durante oito noites debaixo do travesseiro do infiel. Ha em annos esposa descobrir que o marido d'ella não era fiel aos deveres conjugaes. seria pelas ciganas envolvido em panno com um pouco de cabello loiro. feitiço O coisa. porque se o soubesse ou se alguém lhe tocasse antes de findo o prazo. causa do ciúme o panno foi cosido á linha. foi . p. a que Darei noticia de alguns casos modernos do mesmo género. os namorados e particularmente as namoradas que aspiram a ter firme a aíFeiçao do objecto amado. mas . São sobretudo victimas as esposas que desejam reconciliar o amor do marido infiel. cujo resultado era asseverado infallivel. já em paga dos seus serviços. arrancando-lhes dinheiro e objectos de valor. presa ministrar os meios de fazer o grande feitiço. fazia uso na cartomancia de um baralho de cartas muito pequeno e com desenhos não vulgares.207 quaes teem feito fortuna. da cor do da bella. sem elle saber nem suspeitar tal lhas. e. já subrepticiamente. se proposeram quebrar o encanto que prendia o adultero á mulher illegitima. Era preciso passar ás mãos das ciganas o melhor objecto de oiro que houvesse em casa: a esposa entregou-lhes um valioso cor- dão de feito oiro. em Lisboa e proximidades se dá o nome de hagatas 153). tou-se em uma cidade do norte de Portugal uma hospedara em casa umas ciganas que não tardaram A pobre esposa. não só se teria mallogrado o feitiço. á vista O cordão formando como uma almofada. Referi-me já ao processo inquisitorial de Garcia de Mira. dominada pelas feiticeiras. segundo a informação de uma senhora que residiu no Algarve. e no embrulho. como se tivessem por eíFeito de suas artes mysteriosas penetrado no segredo. (vid. que no século xvil nos apresenta exemplos das artes magicas das ciganas. Uma cigana. As bruxarias das ciganas teem por fim burlar os pobres de espirito.

208 ainda resultariam grandes males. dizendo uma d'ellas á mulher do queixoso que a outra. Com o titulo de Bruxarias da actualidade. sobre uma mesa. no 1. estando na casa.^ 6:591) : ser julgado hoje. e offerecen- do-se para attrahirem o referido bahu. lê-se no Diário de Noticias. mas o cordão não estava lá. vamos aos factos. Fez-se tudo como as ciganas indicaram. queixando. O queixoso e a mulher vendo arder o sal acreditaram no poder das o que ardia eram umas matronas. No dia seguinte appareceram novamente as duas ciganas e pediram em uma bacia de mãos com agua e cinco pedras de sal. se revela astúcia da parte dos auctores. A os dias passaram e as feiticeiras não voltaesposa aíflicta resolveu-se a abrir o embrulho enfeitiçado. tendo de cada lado uma vela accesa. não é decerto um grande elogio á esperteza dos queixosos. oito dias para desfazerem o Mas ram. O queixoso e a mulher não acreditaram nem deixaram de acreditar. Tudo lhes foi satisfeito. «Deve «Em principios de abril do anno passado apresentou-se no commissariado da 1.se de terem ido a sua casa duas ciganas. ura processo a respeito de crime cuja historia nos parece interessante. de 31 de maio de 1884 (n. adivinhava. mas. e por isso soubera que naquella casa havia um bahu escondido. auctorisaram as mulheres a fazerem o que entendessem necessário para descobrir o appetecido bahu. apesar d'isso. Elias disseram que iriam dar umas voltas e viriam ao fim dos feitiço. O caso era simples.* divisão Gonçalo António Rodrigues. e que. desde o tempo dos francezes. cada um com cinco fósforos accesos na mão e rezando uma estação ao milagreiras deitaroda da bacia estavam As Santissimo. recommendando as ladras ao ingénuo queixoso que' deitasse na bacia todo a dinheiro e ouro que tivesse. Não antecipemos juizos. ram fogo ao sal e este ardeu!!! De as duas ciganas. morador na quinta Pequena do Valle Escuro. o queixoso e a mulher. ficaram duvida.^ districto criminal. — . completamente cheio de dobrões em ouro de cinco moedas cada um. um Santo Christo.

deitou-a em um quarto aonde. duas moedas de dez mil réis. se o ovo apparecesse cozido. toalha. dois corações. guardaramna em uma commoda. mettendo-o em uma pucara de barro. tirando outra vez o ouro. A diziam. pedindo duas garrafas para no dia seguinte levarem. affirmando que. juntando-lhe o ouro e dinheiro do queixoso . as santas mulheres despediram-se. e dinheiro em 14 . Assim que o queixoso deitou a chave no poço. por sua parte só acceitariam o que porque não podiam pedir nada. elles porque dessem. com as garrafas cheias. dois pares de botões. uma cheia de agua de sete fontes e outra com agua benta de sete pias. João ao cimo da agua do poço e ellas o pu- uma fita. D' esta vez ainda se foram embora. buscar terra de sete cemitérios que era chariam com só o cilas que faltava para os queixosos ficarem ricos. duas de cinco mil reis. uma me- dalha. recommendando-lhe que não num tocasse no bahu. deveria estar o bahu. Acabada a oração. misturou tudo e extraindo a agua. em seguida tiraram o ovo que realmente estava cozido (pudera.209 pedras de camphora. que fecharam bahu. uma corrente com uma medalha. «Os objectos de valor que serviram a este estúpido ma- nejo. nem mesmo o fizesse estremecer. tudo de ouro. pois que observadas estas prescripçoes o bahu apparecia na noite de S. veiu novamente a bacia em que ellas deitaram o conteúdo das garrafas. Embrulhando o ouro em uma dias depois. porque as de sal tinham sido substituidas por estas. Dois ainda voltaram. dizendo que iam muito longe. «Voltaram no dia seguinte. dez libras. milagreira então esborrachou o ovo. pediram um ovo fresco que deitaram em uma talha juntamente com o ouro que estava na bacia. dois anneis. cuja chave deram ao queixoso para que este a deitasse no poço afim de attrahir outro thesouro. e deitasse por sua mão na agua da bacia. cozido estava elle antes de entrar na talha) e disseram ao queixoso que o picasse. um crucifixo. foram cinco cordoes. era signal certo de que o bahu queria que o tirassem do esconderijo.

. periódico O Dia. Afinal. chama-se Maria da Conceição. . e por ter aproveitado de parte do furto. aqueceram-lhe o resolveram arrombar o bahu.° 1:498).se apesar de lhe terem promettido quatro para se calar». fazendo o total de réis 3õ6j5iOOO. Elias encarrega vam-se de mas em casa da rapariga e sem tesa mais ligeira indiscripção tiraria toda temunhas. com o titulo de A huena dicha: «Haverá uns dez meses appareceram em Mafra duas que se entregavam ao patusco mister de lêr a buena dicha a quem quer que se lhes explicasse com dois ciganas. auctoras principaes do pronunciadas . ha uma afiançada e a quarta que deve ser julgada hoje. porém. é accusada como cúmplice. . mais audaz. disseram-lhe que no seu futuro haviam de dar-se factos de alta magnitude. No lê. rapariga do sitio parece que declarou ás ciganas vivia desgostosa e contrariada por Cupido a todo o que transe. grande para o outro ainda na duvida de a destapar. com a chegada de junho. e animo «Olharam e um foi porém. também cigana. pois recebeu uma libra. ainda não possivel prendê-las . vinténs. o queixoso. os calores próprios da epocha. « Concedido. de 6 de junho de 1892 (n. lhe ler a buena dicha. o teimoso não apparecia. porque á a virtude operação. . crime. aproveitando a credulidade da pacovia amorosa manquéej. «Uma «Ab ciganas. por foi ser se em sua casa que se concertou o plano do crime. «Correram á deviam estar! deram parte do facto e como conque lá sequência instaurou-se o processo.210 prata quarenta mil e quinhentos. Encontraram a pucara tapada com a toalha que lhe tinham posto. levantou um pedacinho a decepção O mysterioso cofre não tinha ! dentro um só dos valores policia. «Como era de esperar. os queixosos passaram o mês de maio a espreitar á borda do poço a chegada do bahu. Foram quatro as rés duas. as ciganas.

oito «As ciganas uma vez a libras em «Esses objectos foram mettidos num pedaço de ramagem. um grande thesouro escondido na adega. que ciganas Depois foi tudo mettido dentro de um cofre. pertence ás velhas artes gitanas. os travesseiros e os embrulhos representam o papel principal. afim de dizerem definitivamente o que o futuro lhe reser- «As ciganas voltaram no vava. contentaram-se com um bello cordão de ouro e três moedas de 500 réis em prata.» Os processos. que foi fechado á chave. Para comprarem liha. Borrow. pois em caso de infidelidade não respondiam pela sua vida. xvii e citada por Borrow. A impiedade dos ciganos não os faz hesitar em acondimentarem os manejos com orações christãs e em acondimentarem a creduUdade presença de um Christo *. I. escripta no sec. O jonjanó toria amos.211 sós com a rapariga. . segundo os preceitos de uma gitana. «A como rapariga esteve até agora esperando as ciganas. as moedas de oiro. como se vê d'esses e de outros casos. mas recommendaram-lhe que não abrisse o cofre nem pessoa extranha o visse sequer. . Historia de Âlonso. baró (Mayo Borrow escreve hokkano haro)^ gran socagrande furto ardiloso. repetiram a operação e disseram á rapariga que voltariam oito dias depois. pediram-llie mas como ella não tinha aquelle diouro. repetem-se como provas de um mesmo cliché. mas ellas se demorassem resolveu-se a abrir o cofre . ainda o mesmo auctor. nheiro. o qual foi cosido em presença da rapariga e de um Christo (!) as levavam. . i. Os cordões de oiro. Vid. 133-137. Na novella de Geronimo d'Alcalá. e a descoser a ramagem. dia seguinte. refere-se uma hismuito semelhante á reproduzida do Diário de Noticias e em que uma viuva cubiçosa junta jóias de oiro e prata para attrahir. com a Nos estabelecimentos commerciaes exercem muitas vezes as ciganas os seus instinctos de gazze ladre. mozo de muchos 1 . «Encontrou uma cadeia de ferro e três botões de latão. 310-315. mas o dinheiro que serve de isca é escamoteado pela enganadora gitana.

São realmente emi- nentes na escamoteação. Quando giravam libras esterlinas nos negócios. . sem duvida com receio de Crêem. Ihe um certo. no poder de alguns terminantemente dara Pires recusou cigana bocado do seu cabello. por Uma 1 «Cada dia van slendo menos frecuentes las gitanas. Pouquissimo pude colher acerca das superstições ciganas. Se um commerciante lhe apresentava um punhado d 'essas libras. que teem cunhado um cavallo e a que o povo chama libras de cavallinho. c de convencê-lo de Uma Sô cigana do Egypto Minlia sina é rôbar. p. 315-317. cujos donos ou caixeiros ainda não conhecem as suas artes. Borrow. Nas lojas de fazendas. feitiços. Hê-de furtar o Dês-menino P'ra minha alma se salvar. mientres sus hombres chalaneaban j mercados. farinha em vez de entrarem cearia. 40. a fim de melhor poderem escamotear alguma ou algumas. fazem vir para cima do balcão muitas peças para escolherem. Superstições. vstilar i. feijão. para assim ter maior numero de occasiões de tentarem furtos. dando um cambio e allegando fazerem ne- com essas libras por serem muito procuradas. numa só meronde compram uma só coisa. dirigem-se a muitas. café. tratavam de escamotear alguma com a máxima perfeição gocio que se tinha enganado em o numerou quadra alemtejana (canto de natal). quienes. ellas tenían especial liabilidad de manos las antigas prácticas de en las férias para hacer coger á la desaparecer las monedas cn los câmbios. assucar. Vid. mano. colhida por allude aos hábitos de ladroagem das ciganas: Pires.212 os preparos de uma refeição. á baste. as ciganas costumavam dirigir-se aos commerciantes que acha- vam com cara de pobres de espirito e propunham-lhes trocar libras da rainha Victoria por libras de Jorge III. por exemplo^ toucinho.» Mayo.

o pulo e o jogo da barra. se o signal da morte lhe apparecesse naquellas cartas. O cigano jogador tem mala pajé. pp. Alli concorrem numerosos ciganos (ha quem diga que todos os da provincia e ainda dição christã. No Alemtejo a principal. vid. Colocci. sorte. parecia perfeitamente convencida da verdade da cartomancia que praticava. Colocci. . Jogar as cartas. Vid. com o amor do movimento levam os ciganos naturalmente A aos jogos. Segundo Pires. então que se faz a maior feira do Alemtejo. a 24 de junho. porque infallivel mente morreria. a qual existe talvez também entre os ciganos. exteriormente a uma festa É alguns de outras partes do pais) e alguns gitanos. como uma occupação sem finalidade. bebem. Borrow i.213 que fosse applicado a algum feitiço. em geral. Das festas ciganas pouco pude colher. dançam. e durante três dias cantam. senão a única. Uma outra. três As primeiras superstições encontram-se no povo português ^ inaptidão para o trabalho regular junto Jogos. Parece e Trás-os-montes os jogos preferidos são no Alemtejo que o salto. os ciganos alemtejanos : consideram como mau 1. p. tra- adaptada. 2. Festas. comem. observada no Algarve. celebram casa- mentos. de que ouvi fallar. de epocha fixa é a do S. 4. 213-214. 138-139. mas a pessoa que nào estava muito KM.. 1 Sobre as superstições dos tsiganos 215. como o uso dos amuletos. agoiro Verter azeito. fazem negócios. ó infeliz nas trocas. p. menciona o mau olbado como crença gitana. Quebrar vidros. em Évora. João. Mas essa festa não tem para elles nenhum caracter religioso. certa a esse respeito. má Espalhar sal.216 e 217. embora represente talvez uma muito obliterada nacional. e dizia que ai d'ella. 3.

João á meia noite*. a musica. Essa coincidência inclina-me a pensar. a gritaria. do outomno. Os tsiganos de outros paizes teem também festas de epocha Os da Turquia celebram a Icákkavá ou festa das caldeiras. a dansa. . a dansas e a jogos. p. Jorge. voz constante no Alemtejo e Trás-os-montes (provavelmente também nas outras províncias em que ha Baptismo. Pereira. A festa por vezes é coUectiva. formam a base do divertimento. João.214 o sr. 164. v. em a noite de João. a começar no dia de S. ciganos) que as ciganas quando teem isto é.) é especial aos atsincani de Volo As comidas.) nos paizes meridionaes da Rumelia e mais tarde no norte. que chegou ao meu conhe- Segundo me informa em cimento. lavagem da cara dos ciganos do Alemtejo. A festa de 28 de agosto (est. Colocci. reunindo-se centenares de tendas. reanimado pelas festas dos aryas europeus." de maio. Na Hispanha celebram os gitanos também uma festa pelo S. G. que em taes festas ha vestígio muito obli- terado da tradição das festas naturalísticas dos aryas da Ásia. lavam a cara a noite de S. que fundiram com dados christãos as velhas tradições naturalísticas do começo da primavera. corresponde o costume de banhar três vezes as fontes da cabeça á beira do mar ou de um rio. v. A S. as bebidas. referido por Colocci. ao contrario d'esse escriptor italiano. E um filho o baptisam. no 1. do solstiçio de verão. Depois d'isso as creanças são baptisadas catholicamente. Durante três dias os tchingianés 1 entregam-se a festas. 169-170. E essa a única particularidade notável da festa. 23 abril (est. mergulham-no no primeiro ribeiro que encontram e dizem: Eu ou: te baptiso neste ribeiro P'ra que saias um ladrão bem ligeiro Eu te baptiso neste ribeiro Para que sejas valente de pé leve é unha ligeiro. e tantas vezes quantas os pães podem arranjar para pa- fixa.

escreve L. mais c'est calcul de leur part etun nouveau moyen de vivre au dépens d'autrui. A vestia saia cor de rosa com tiras escarlates e pretas. isto é. Quando um casamento está justo. «Si lasciano battezare fra i i cristiani.» . saindo para fora acima da cintura. noutro o noivo. Os ciganos. contas de cores. já do numero dos cacos. 1 Cf. e das orelhas pendiam-lhe grandes arreO noivo bem vestido foi correndo do seu o d'ella. p. Alemtejo) e mais tarde protecção. ca- misa do linho grosso branco. et même dune fois. Colocci. Segundo já do ruido produzido pela quebra do cântaro. 141 pliis tsiganos bascos diz Francisque «. que. elles e receberem as baetas. talvez significasse o numero de antado. que os ciganos abastados e sedentários só baptisam os filhos uma vez *. etc. por debaixo de um jaleco de cores vivas. Casamento.215 drinhos lavradores ricos. casam só entre si. pagam as duas familias a meias as despesas no caso negativo estas são . Parece. Tx pays hasque. Ao pescoço tinha muitos collares de cadas de latão. Havia a pequena distancia dois acampamentos ao ar noiva livre. mente os cacos. ils sont tous baptisés. bordado. Nessa occasião vae o noivo saber se é da vontade da noiva o casamento: no caso afíirmativo.. segundo a infor- mação que um lhe deu. tomou-a nos braços e levou-a para o seu campo.. nos que viveriam casados. Alli a noiva tomou um pequeno cântaro de barro. porém. si las- ciano circoncidere fra turchi. (presentes de baptismo. reuniram cuidadosa- campo para e guardaram-nos depois de os ter cona minha informadora elles tiravam agoiro. de Vasconcellos.» : Dos Michel. vou alli um senhora que residiu no Algarve obsercasamento de ciganos que me descreveu da Uma seguinte maneira. levantou-o e deixou-o cair. 166. fazendo bolso. Num d'elles estava a noiva. afim de se relacionarem em com cada freguezia que percorrem. p. celebra-se um grande banquete.

sempre a cavallo. Nesse dia estendem no campo em um saco feito de estopa. chefes da tribu. Pires. Não tornei a ver casamento de ciganos. cigana velha ministrou os seguintes dados acerca do casamento dos ciganos vagabundos. mas da da familia d'ella. não da vontade da noiva. vão os chefes buscar o lençol e mostram-no aos demais ciganos. informador de Villa Viçosa escreve: «Para attestar Um a virgindade da noiva. e depois furtaram-lh'a. O noivo. fazem entrar os noivos no quarto e esperam na casa contigua. montaram os homens e algu- mas mulheres e depois foram correndo. por aquelle tempo. foi ser padrinho. a noiva desficando apenas com a camisa. com que estão acantoados um 1 pequeno lenço branco de algodão enrolado na mão di- Variante. Ajustam então o dia do casamento. No dia do casamento ha uma corrida de informação ó talvez inexacta trata. e fazendo outros divertimentos. sobre o saco. de um filho e do qual F. e fizeram um grande banquete. : A O informador de Barbacena diz: «Sendo eu pequeno. Dizem que todos se casam assim que não se recebem de matrimonio (isto é. gallos (vid.216 á custa do noivo. Consummado o acto. até que recolheram para a casa onde habitavam no logar. comendo.se provavelmente. é casado (catholicamente)^». infra). Reune-se em volta toda a tribu. catholicamente). bebendo e bailando. Esse lençol ó denominado lençol de honras). masparece-me que um Vicente. O cigano que era o noivo corria atrás da noiva e os outros gritavam: «Pilha que é tua*». Thomaz . Uma «A noiva é pedida pelos pães do noivo. segundo outro informador : Pilhâ-lâ qu' é tuia! Pilhã- lâ q\C é tuia! 2 Esta informação como as duas seguintes foram obtidas por A. e deita-se de costas pe-se. Arrearam elles uns cavallos muito enfeitados. três ciganos dos mais velhos. estendem sobre a cama um lençol muito arrendado. houve aqui um casamento de ciganos.

21 (501) «II existe parmi les Gitanos ne se retrouve point : : . jantar da boda. a noiva é estrangulada pelos pacs do noivo (sic). parmi ceux. Recebe de ordinário meia onça -(8 duros) pela operação. Cest une coutume d'ailleurs répandue chez les Musulmans. préhist). bailes. o hymen é rasgado pelo 1 : peito. p. com lanças (sicj na mão. Eis o que a esse respeito diz P. procede de joelhos e cora esse ao dodo. mais qui. a noiva ó abraçada por todos. ha grande contentamento e vivorio em toda a tribu. A sua nota Les Gitanos cVEspagne et les Ciganos de Portvgal (Extrait iniern. csfor- çam-se por espetar os gallos que estão dependurados de uma corda ligada a differentes arvores. que é feita Peliche —-velho da tribu a que as a occultas. écrivant pour le grand public anglais. etc. seguida mostra o lenço se está manchado de reita c Em . etc. entre os ciganos abastados. a évidem» le savoir. Correndo as mulheres á garupa e em com cavallos a toda a brida. Borrovv. O divertimento favorito c o jogo dos gnllos. Bataillard na . é guardado pelos pães do noivo*. ficam desde logo casados. «Se o lenço não apresenta vestígio algum de sangue. qui n'a guère pu ignorer cette coutume. mais qui est entourée chez les Gitanos de beaucoup de solemnité le mouchoir sanglant qui a servi à lopération mystérieuse est montré à tous les gens de la noce et précieusement conserve dans la famille. existência da prova da virgindade na Hispanha. «O lenço «As raparigas casam entre os 16 e 18 annos. e moças solteiras teem grande resque usa a unha do indicador da mão direita muito crescida. du moins. et du Compte fíendu de la 9. entre os gitanos.^ Session : du Congrcs une coutume qui. e começam os divertimentos. Ha descantes. qui n'ont pas eu des relations particulières avec leurs frères d'Espagne Immédiatement avant sa première nuit de noces. era já conhecida. d'archéol. «E costume haver muitos casamentos no mesmo dia. autant que j'ai pu parmi les autres Tsiganes d'Europe. la jeune filie est déflorée par des matrones qui attestcnt sa virginité. rompimento do véo da que ha de ser sua companheira.» A mesma cigana deu ainda a informação seguinte Em Hespanha. vindo elle depois mostrar o lenço á gente dos noivos e aos convidados. d'antJiropol. sangue.217 no dedo indicador.

craint de blesser sa pudeur. j'ai rencontré bien des fois en France des Bohémiens plus ou moins affiliés à ceux d'Espagne. como la que lleva el num. p. emquanto a mulher permanecia em casa. plusieurs me Tont décrite en : détail. riu-me o casamento catholico de O um sr. : parle même (p. comme drapeau de la fête ce qui serait tout à fait de nature à induire en erreur. En un praito herde . ainsi que la ceinture il de chasteté elle-même. qu'il mentionne pourtant en le distinguant de la ceinture de chasteté (dont je parlerai tout à Flieure). nota: «Esta copla. 107 e 117. ne fait qu'une allusion obscure 239) à la défloration par les matrones. Ainsi Borrow ne nous renseigne pas sur le point essentiel décrivant une noce gitana à laquelle il avait assiste. ment (p. et supprime conséquemment les marques de sang sur le fameux mouchoir.» Machado y Alvarez dá nos Cantes seguintes seguidilhas gitanas : flamencos. et moi. casarem ciganos estranhas com mulheres á raça. J'ai appris ainsi que cette coutume. mais avec des modifications importantes et qui lui ôtent une partie de son cachet oriental. Mais je puis affirmer que : la coutume que j'ai tout d'abord indiquée est certaine bien avant Borrow. prés desquels j'ai pu m'assurer de sa réalité. alude á la costumbre que tieseguidillas gitanas diz E em . Deusdado refe- cigano trasmontano com a filha de um lavrador que delle se agradou e se dei- xou raptar por elle. et qu'on avait arboré. un autre Anglais Tavait décrite avec des détails accessoires qui ont leur intérêt. 20 de las de esta Coleccion. naturellement pratiquée aussi par la plupart des Bohémiens du sud-est de la France qui se rattachent étroitement à ceux d'Espagne. mas não sem exemplo. 240) d'un mouchoir sans tache «sans lequel il n'y aurait pas eu de noce». as Bendita la maré Que tiene que dá Como dinaba rosita y mosquetas Po la madruga. avait en quelque façon pénétré chez les Bohémiens du Piémont et même de la Suisse. O cigano não renunciou á sua vida pelas feiras.218 È raríssimo. Tendi mi panuelo Como salieron maré três rositas Como três luseros.

Uma matrona é quem entre os árabes e coptas procede á prova com um lenço de linho que lhe envolve o index.219 Ha também raça.. o qual se mostra ensaguentado aos parentes. cit. se a prova falhou. O mesmo se segundo apurei. de presentar. á virgindade que se enProstituição. Pitré. 117 n. Ob. H. 1879): e «La dimane delle nozze. Segundo informação do sr. Nuziali lermo.se de la virginidad de la doncella de la víspera. cit. Na Rússia meridional mostram-se as manchas sanguineas. casos de ciganas casadas com estranhos á domiciliados dá. velhos. 301. Barata. o homem deseja convencer se que a mulher com quem vae casar está virgem. com relação aos ciganos domiciliados Lisboa.. ob. As raparigas sakkalavas de Madagáscar praticam em si próprias Na Austrália ella é brutalmente realisada pelos logar solitário.» A laceração do hymen anterior ao coito apparece em vários povos. 13-21. Funehri dei Popolo siciliano (Pasi mettea in mostra la cajni- . ai dia seguiente de la boda. o pae d'esta extendia o lençol com a prova á face dos anciãos da cidade. Na maior parte dos paises d'essas duas partes do mundo. Das Weib in der Natur-und Võlkerkunde. Como vimos as ciganas gosam de reputade fidelidade. i^. xxii. Se o noivo punha em duvida calumniosamente a virgindade da noiva. se as ha. A. em Relativamente a divorcio nada pude apurar. num Mas nesses povos tal operação não tem por fim verificar o estado de virgindade. Machado y Alvarez. prova da virgindade apparace já na Biblia. traslada a respeito do mesmo costume no povo da Sicilia a seguinte passagem da obra de A G. Costume semelhante se encontra entre muitos povos orientaes. la camisa de la desposada para que las famílias conocidaspuedan cerciorar. F. essa operação. nen los gitanos. No Egypto a prova é tirada com um lenço de musselina. Os búlgaros exigem do noivo a prova de que a noiva estava virgem. Usi Natalizi. como succede no continente africano e na Ásia. Deuteronomio . p. as quaes são recebidas com tanta alegria quanto é o desprezo que ella merece. da camisa da noiva. 303 e seg. logo que os seios da virgem começam a dilatar-se. e os costumes dessa gente provam o ção apreço dado á honra feminina. Ploss. Na Núbia a operação faz-se simplesmente com o dedo e ante testemunhas. os ciganos em Évora casam catholicamente. p.

simulação do rapto da noiva. Pires colligiu a seguinte informação «E rarissimo entregar-se uma cigana. que costumam entrar a miúdo em todos os botequins das feiras. perche i parenti e i vicini potessero scorgervi i segni suddetti. la de mostrar á los convidados el . e é até bem conhecida em diversos logares de Portugal.» em a mãe fazer a cama no Outra variante siciliana do costume dia seguinte ao da boda. havia uma cigana Um prostituta (caso rarissimo). questo fato pare che allude la frase popolare La me cammisa *un arristau hhianca. assim como em muitos outros povos. Todavia algumas ciganas. com ciganos. Esse caso de- via ter-se dado antes de 1879. encontra-se entre tsiganos de outros paises. 42 : «Todavia se conserva entre muchas famílias gitanas la costumbre antigua espaiiola que desapareció con la accesion de la casa de Áustria ai trono de Espaiia y á la que se sujetó Isabel de Castilla cuando se caso em Valladolid con Fernando de Aragon. esto el es. pois os ciganos solteiros. a prova da virgindade de uma rainha e da consume maçâo do casamento era apresentada aos ministros grandes da Adoptaram gitanos tido e ciganos esse costume na Hispanha ? Trousó xeram-no de outra parte? E um problema que pode ser discu- num A estudo geral sobre as migrações dos tsiganos. cerimonia (do madurante laquale giovane rapisce Un : monio zingaro a Costantinopoli viaggiatore cosi narra un matri«II y avait foule nombreuse à . p. 226. ou solteiras ou casadas teem convivido com estranhos. a fim de verem as provas da recente perda da virgindade da noiva e poderem attestá-la. quando estão presentes os parentes do marido. la prueba justificativa. » cendal de la desposada. e expulsa da tribu. clie nelle loro zuífe le donne si riman- A dano per ventare Tonor consiste loro. Referem-me que na corte portuguesa existia ainda neste século : egual costume corte.220 trega ao esposo. Mayo diz. dia de tornaboda . «Fra il gli Zingari turchi. exemplo: Numa das ultimas feiras de Villa Viçosa. p. la sposa. as vizinhas e comadres do bairro. nem ao pé d'esse botequim chegavam. : como não ha regra sem excepção. e a que se entrega é desprezada. la trimonio) consiste talvotta nel simulara una zufí'a. em um botequim. diz Colocci. ultimo vestígio do verdadeiro rapto primitivo. pois por essa epocha appro- cia delia sposa.

pp. per qualunque causa.. ainda alli xlmadamente foi vive uma cigana afamada. finchè sussiste presso di essi alcuni di quei frammenti. 22Õ-226 «In Ispagna e in Moldávia (secondo Borrow e Cogal: niceano) la cerimonia delle nozze consiste ancora nel rompere clie fa la sposa di un vaso di terra davanti aCuomo dei qual è per farsi compagna. Consiglieri Sobre a simulação do rapto nos casamentos populares em PortuPedroso in Compte rendu de la neuvieme sesnnn dn Congres d'antropoL et d''arclieol. . Et ainsi cette noce patriarcale. assim mas que tem nome como em mador. diz o meu infor^ fidalgo. Lejeunehom- de sa future et Tayant embrassée rentra avec elle dans sa tente. Z. .» Essa explicação permitte-nos interpretar a informação incompleta reproduzida acima todavia o sentido da cerimonia pode ter-se alterado entre os ciganos. suivant Tusage.» gal. La convivenza loro è considerata obbligatoria. vejamos Colocci. e poi d'un terzo. Questi smarriti. . 628 segs.221 prohibido o estacionamento de prostitutas nos botequins das feiras de Villa Viçosa». como as demais que aberram dos principies da seita. foi desprezada de todos e vive isolada com o filho . préh. come Gringoire ed Esmeralda. nè ponno piu rinnovare la loro unione. «Esta cigana. armes de batons et simulant une lutte. . Está na companhia de um filho que é alfaiate. accidentale o voluntária. Esta cigana é a cantada nos acompanhamentos de viola com o nome de Severa». p. se non colla rottura d'un secondo vaso. ecc. vid. Relativamente á cerimonia do cântaro quebrado. i coningi divengono perfettamente liberi. Ciascuna delle parti raccoglie alcuni frammenti dei vaso e li conserva presso di sè con moita cura. et Ton voyait aller et veuir d'une tente à Tautre les parents des futurs époux ainsi que Ics invitós. Après quoi ils partirent ensemble pour aller fêter la dive bouteille. ed essi son fatti legittimi coningi. que foi amante do ultimo conde de Vimioso. l'entrée de la prairie de Boyuk-Deré. fiuit me s'empara accompagnés de leurs parents. outro que reside Lisboa e dizem ser rico. ou Ton célébrait im mariage bohcmien. pendant laquelle les fiancés s'étaient rencontrés prés d'une des tentes. Segundo uma informação recebida de Évora. Les tentes des familles dcs futurs conjoints étaient à une distance d'une vingtaine de mètrcs environ.

fadistas. 1867). Costumes fúnebres. O Conde de Vimioso Um A Por isso duro golpe soíFreu. Que uma fadista morreu Hoje mesmo faz um anno. supra i 2 p. Bor323-337 e Mayo. além do grande Cancioneiro popular (Porto. Sobre as desencontradas opiniões relativamente á prostituição ou castidade das tsiganas. que eu me lembro de e na praça do Campo de Sant'Anna.222 O Fado da Severa * foi colligido em Coimbra pelo : sr. attrahiu-lhes por vezes uma reputação que geralmente não merecem. fidalgos foram muito aficionados ás ciganas. vid. vid. que exaggeram sem duvida a virtude : da gitana e das tsiganas em geral. Colocci. No que respeita ás gitanas. Isso. quando morre um cigano é enterrado pelos da tribu em pleno campo e sem mais formalidades. Os As ciganas são muito livres de lingua. .» . e d'ahi resultou mais que uma linha de bastardia. Hoje ellas estão evidentemente decahidas d'esse antigo favor. 220-224 e 227. O ultimo chega a dizer En ningun lupanar de Europa se encuentra una prostituta gitana. porque o nome da cigana de Évora não é Severa. nesse ponto de vista. row. Quando lhe foram dizer tua Severa morreu. graças á sua obediência aos costumes tradicionaes da raça 2. Que a Severa falleceu. em Lisboa. Era considerado nesse tempo como o primeiro ter visto tourear cavalleiro e negociava em cavallos como os ciganos. pp. não se pejando de dizerem as maiores obscenidades. Cf. p. Theophilo Braga e começa pelas quadras seguintes Chorae. 140-141. 1. 192. p. chorae. Segundo uma informação de Pires. junto com os seus modos facilmente provocadores. parece-me que esta seria amante de um conde de Vimioso mais antigo que o ultimo. 39.

em tempo Villa. sejam elles Nas terras portuguesas próximas da fronteira são vistos muitas vezes. protector d'elles. Segundo uma informação. segundo outras informações. diz-se que se ignora onde os ciganos enterram os cadáveres dos adultos.223 choro das mulheres e das creanças. Os ciganos deitam (callardó). Já vimos que vinham alguns dos últimos á feira de Évora. quer sejam os gitanos que venham a Portugal. padre lhe pedisse 2j5i400 réis. rados Em Cuba nas propriedades de um pensava-se que oram enterlavrador rico e titular. As creanças (pelo menos algumas) são enterradas nos cemitérios christãos. e como o padre não se quiz satise como o disse-lhe fazer seus. Mas não bai- lam nem cantam por essa occasião. Portugal é por vezes percorrido por bandos de tsiganos d'além dos Pyrineus. aquelle cigano que vivo não valia o pae esse dinheiro. quer que atravessem a fronteira para irem a Hispanha. O e mulheres. Nalguns pontos do Alemtejo. usando então de lenço amarrado Relações com os tsiganos dos outros países. o troço do cabello e não o deixam crescer emquanto viuvas. Os ciganos acham-se muitas vezes em contacto com os gitanos. o cigano marchou de noite com os es- abandonando o cadáver insepulto na casa onde luto pelos mortos tavam. que é de cor preta As viuvas cortam á cabeça. fora de sagrado. corpo. principalmente por tsiganos caldei- . parece que se entendem bem com os ci- ganos. que não dava mais de 500 réis. Não mettem na sepulmas simplesmente o Diversas pessoas diziam que os ciganos enten-avam a occultas os cadáveres dos adultos. tura nenhuns utensílios ou armas. soltando estas cadáver ó acompanhado de homens grandes alaridos. com tal oíFerta.Viçosa fallar um cigano foi em ao parocho para lhe enterrar o pae.

Tem uma taberna e trens de aluguer. cabellos compridos e immundos. . quinta-feira. de seus carromatos. mais fino que o dos ciganos. «Acamparam ha dias no rocio da Fonte Nova e levantaram hontem. Armaram as tendas. um tsigano húngaro ou filho de tsiganos húngaros a quem o país agradou. servindo-se. Duarte é casado com uma portuguesa. pelas 3 horas da tarde. . uma caravana de ciganos húngaros que se compunha de uns 50 entre mulheres e creanças. para que se produza entre influencia nos costumes. o corpo mal coberto de farrapos e esses sórdidos e fétidos. todavia parece que as relações não são muito intimas. elles qualquer Informa-me o meu amigo sr. está estabelecido um individuo chamado José Duarte. e a quem chamam o húngaro. Reproduzo uma noticia acerca de um d'esses bandos. sem duvida. toldos. ao que parece. miseráveis como os restantes apenas os distinguiam os bastões com ponteira e maceta de metal branco. parte dos quaes entraram varias vezes na cidade. Entre a caravana vinham : dois duques. estação do caminho de ferro da Beira-Alta. que apresenta typo tsigano. lingua. Infelizmente foi-me impossível então ir examiná-los de perto. como é de uso entre elles. Augusto Neuparlh de que em Santa Combadão. suas tendas.224 reiros da Hungria e tsiganos conductores de ursos e ma- cacos da Bucovina. «Exerciam o mister de caldeireiros e com tal proficiência que deixaram pasmados os artistas nopolitanos de egual e tantos profissão. etc. «O aspecto d' esta gente é hediondo tez morena e afeiada pela habitual falta de limpeza. os quaes. visto ha annos em Elvas. «Levantaram o campo em consequência de cento mil réis que a alfandega lhes exigia como fiança a 17 cavallos que traziam e puxavam os carros. E. e barba longa e esquálida. Nestes últimos annos vieram até ás proximidades de Lisboa dois bandos de tsiganos húngaros. tem contacto com os ciganos. etc. estabelecidos nesta cidade.

tivemos occasião de ver como esta gente se alimenta: couve verde fervida simplesmente em em pedaços com e. faiscavam de brilhantes. garos. iii anno. «Soubemos agora por uns amigos que chegaram de Badaque se acha alli acampada (a caravana) ás margens do Guadiana. á entrada da villa. Como em Elvas. antes se ou se torna indifferente » * ! surrateira Em maio de 1883 viu Thomaz Pires na alameda de Borba. Elvas. é alli a spectactio gentium. quando algum estranho se appro- ximava. pediam-lhe de mãos postas alguns francos. mal cozida. Queixavam-se de ter pouco negocio em Portugal e tencionavam voltar para Hispanha. 22 de outubro de 1869. Dois d'esses rapazes pedir disseram eram ciganos que caldeireiros. pés. Os saíram á estrada a esmola. 127. ri E a caravana não pasma de curiosidade. com as mãos e comida com uma voracidade joz. beijando-lhe as mãos. que tinham armado uma alli caravana de ciganos húntrês grandes barracas. Havia algumas com feições regularissimas. traziam objectos para vender e concertavam os que lhes confiassem. Diziam-se feito 1 A Democracia pacifica. nabos crus salgados. «As creanças usavam igualmente botas até ao joelho. se não fossem mais felizes em Évora. porque tinham a cabeça atada com farrapos. «Quando fizemos visita ao campo. «Apesar de sabermos que a caravana trazia objectos preciosos de prata e oiro. e quasi todas fumavam de cachimbo.225 e uns botões no collete do mesmo metal. sardinha feita mãos e lançada numa certa de ferro d'alli immunda.se e. e algumas usavam de botas encarnadas. 15 . Vinham da Hispanha e dirigiam-se a Évora. mas viam-se-lhes ao pescoço collares de preço e contas de oiro. tirada canina. em forma e ta- manho de um ovo de gallinha. mas pretas. negros e rasgados. as creanças acercavam. As mulheres não sabemos se usavam arrecadas. etc. e os olhos de todas. as agua.

No Alemtejo ha quem calcule existirem 2:000 a 3:000. Não natiiraes gostavam de ser comparados com estes. que não era a dos ciganos hispanhoes. como elle. João em Évora. que não poderia entender o dialecto tsigano húngaro. Gabriel Pereira. E impossível saber. O seu vestuário era como o da caravana descripta no artigo typo era mais . legal). O informador de Barbacena. Talvez esses tsiganos fallassem o hispanhol misturado com termos da sua lingua e com termos gitanos. um cigano alemtejano que lhe affirmou que os ciganos húngaros fal- lavam o rumanho. dando assim ao cigano alemtea jano impressão de que fallavam a hnguagem peculiar deste. Os ciganos a que se refere esse artigo pediam que. O fino. hoje fora do curso Parecia que conheciam bem essa moeda. Os dois fallavam perfeitamente hispanhol e eram muito attenciosos e sympathicos. como já vimos. diziam. que o dos ciganos alemtejanos usavam o cabello muito comprido. Traziam cavallos só para seu serviço. Pires encontrou mais tarde. O segundo informador baseia-se na estimativa a olho (sem contar) dos que concor- rem á feira de S. ainda com a sua grammatica Estatística. sequer approximativa- mente. assim como o sr. nas transacções feitas com elles. como já foi referido. . distincta. lhes pagassem em pintos (moeda portuguesa de 480 réis. acham muito exaggerado esse numero. Pires diz que á feira de Villa Viçosa de 30 de maio de 1883 concorreram mais de 500 ciganos alemtejanos. não faziam negocio de gado. mulheres e creanças. concor- dando ambos em que naquella província não haverá mais ou muito mais de 400 a 500. homens. anteriormente transcripto.226 da Hungria. uma pois lingua especial. Fallavam. se julga reunírem-se todos os ciganos alemtejanos. onde como se disse já. qual o numero de ciganos que ha em Portugal ou ali em qualquer das suas províncias. ainda com alguns de outras províncias.

. Esses doisultimos Conclusão. perto de Lisboa víncia. Os factos glottologicos. diz-se. abstrahindo das diíFerenças resultantes de influencias locaes. a historia e os cosdistin- tumes mostram que os ciganos de Portugal não se guem por nenhuma particularidade importante dos gitanos de Hispanha. que principalmente se fazem sentir nos gitanos andaluzes.227 A uma feira das Caldas da Rainha ha quatro ou cinco annos não concorreram mais de 50 da Extremadura. Nesta protambém deve haver alguns milhares de cigacômputos são talvez exaggerados. todavia informam-me de que á feira annual de Sacavém. nos. vêem muitos centos d'elles.

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fl. 137 do II .. 15 de maio do 1694 (diversos). nos Livros dos originaes a fl. José Lopes de Mira e a do Livro VI de Registo^ fl. nem os originaes -ou copias coevas d'outros reproduzidos de collecções impressas. Citam o art. ordenam que os façam trabalhar e aprender ofíicios. P. 20 de maio de 1587. 315 do vi. D . João III. 314 do Livro de 100 v. por faltarem os respectivos registos ou diplomas no Archivo Nacional.APPENDICE I DOCUMENTOS Não me foi mentos dados possível encontrar as integras dalguns docuem extracto. communica-me o seguinte : «Existem na Camará (de Évora) documentos acerca de ciganos desde 1549. fl.24. fl. 16 de setembro de 1566. 175 e 176 datas de 8 de outubro de com 1549. Devo a copia dos documentos tholomeu de Azevedo. «Tratam da expulsão dos ciganos estranjeiros e da prolii- bição aos nacionaes de trajarem a seu uso e de nao trabalharem. 15 de julho de 1686. 28Õ do xii.'' das cortes de Évora de 1535. Bar- O sr. António Francisco Barata. 22 de maio de 1694 e 23 de janeiro do 1699. 17 de agosto de 1557. 174 v.°^ 5 e 6 ao sr. feitas por D. da Bibliotheca publica de Évora.. fl. n.

[José Anastácio de Figueiredo.). encontram resolvendo em geral as abreviaturas. e de 26 de Novembro de 1538.» em que o pouo recebe muyta perda e . tem no fim Fora impres: sos estes Capitolos e leys per : dade de Lixboa per Germã dias do mes de Março. e se saião os que nelle estiverem e diz quasi o mesmo que a lei 24. iij sente dei rey nosso senhor na ciGalharde empremidor. e a Ord. 1790. Lisboa. As leys que ho dito senhor fez sobre alguns dos ditos quaes fora publicadas na Cidade de Lixboa no ano : E de seu Reynado e xxxvii de sua idade xxix dias do mes de Nouembro. (philippina). xxxvi: : Capitolo CXXXVIII «Item. Anno do nacimcto de nosso senhor Jesu christo. 244. liv. 69. D. introduzo todavia alguns signaes de pontuação e faço algumas correcções. E acabara se aos xxxix. para que não entrem Ciganos no Reino. De mil c quinhetos e trinta e oyto anos» e entre eles se lê a foi. acham-se. Synopsis chronologica. tit. registos ou collecções impressas. «Capitolos geraes: que foram apresentados a el Rey dô Johã nosso senhor terceiro deste nome xv Rey de Portugal nas um bello exemplar em pergaminho do Archivo : : . porque delles nâo resulta outro proueito se não niuytos furtos que fazem: e muytas feytyçarias que finge saber: fadiga. v. senhor. roxo ou 3. mandado do qual tive preNacional. do anno de mil e quinhetos e trinta e cinco com : : : suas respostas. nov. 1526 «Alvará de 13 de Março de 1526. das chamadas das Cortes. 321. . (74 foi. capitolos.230 Lzo a dos documentos consoante se Reproduzo orthograph orthographia eucontram nos originaes. que cita o Liv.] 1638 No volume delles fezeram. pedem a vossa alteza aja por bem que nunca em tempo alguu entre ciganos em vossos reynos. XVII. Anno de M.». i. intitulado Capítulos de cortes e leys que se sobre alguns Com priuilegio real. no pr. fl. da Supplicaçâo. cortes de Torres nouas E nas Deuora : do anno de mil e quinhetos e vinte e cinco. .

Porem sendo alguu natural de meus reynos não será lançado fora delles e será degradado dous annos pêra cada huu dos lugares dafrica: alem das sobreditas penas. O que auera lugar assi nos ciganos como em quaesquer outras pessoas de qualquer naçam que forem que andarem como ciganos posto que ho nâo sejam. abril de 1579. 1525.w E a foi. 22. . publicado na Chancellaria mor do mesmo mes e anno. . como for de justiça. se accrescentão as penas até galés. [Figueiredo.>> (Vid. «Vendo eu o prejuízo que se segue de virem a meus reynos e senhorios ciganos: e neles andarem vagando pelos furtos e outros malefícios que cometem e fazem em muyto dano dos moradores de meus reynos e senhorios.] 3Sr-<^ -3= 1573 em Évora a 28 «Alvará de 14 de Março de 1573. n.» il. E se despoys de passado o dito termo for mais achada algua das ditas pessoas por não se^ sayr dentro no dito termo ou posto que se saisse . das Cortes de Reinos. abaixo reproduzido doe. Que os ciganos não entrem no rei/no. dando appellação.231 Reposta «Ey por bera que nâo entrem ciganos em meus reynos daqui por diante como neste capitolo me pedis e disso farey ley. a cuja execução se procederá. o alvará de 11 de . 138. e 1535. Mando que daqui em diante nenhuns ci- ganos rios : assi e entrando : pregam e homês como molheres entrem em meus reynos e senhosejam presos e pubricamète açoutados com baraço e despoys de feita nelles a dita execuçam lhe será assinado termo conveniente em que se sayâ dos ditos reynos e senhorios. e aggravo. Synopsis chronologica . tornar outra vez a entrar nos ditos reynos e senhorios será outra vez açoutado pubricamente com baraço e pregam e perdera todo : : mouel que teucr e lhe for achado a metade pêra quem o accumetade pêra a misericórdia do lugar onde for preso. Lxvii : Ley XXIllI. que não entrem os Ciganos nestes em que alem do que he mandado no Cap.» o : sar: e a outra : : 1557 «Lei de 17 de Agosto de 1557.** 6).

Liv. homde se não mostraua certjdão de forão presos.. ey por bem . quamdo hally fora pobrjcomo todo se mostraua da sentença que oferecia.] . 16 de Legitim. ano do naçimento de noso snr Jhu xpo de m Roque vieira a fez escreuer. pelo caso de que faz menção. me pedya que ouuese por bem que se sahyse loguo do Reyno ou que fose pêra o brasyll pêra sempre e podese leuar sua molher avemdo respeito a pena que já tinha Recebyda etc. homde leuara sua molher e filhos. visto outrosy como he feyta execuçam dos haçoutes por tamto vos mando etc. e não hera pêra serujr em cousa de mar e muito pobre. dioguo fernandez a v*' Ixxiiij" anos. de lhe cumutar os cimquo anos em que foy condenado pêra as gualles. visto como cada em momtalluão. el Rey noso snr ho mamdou pelos doue . D. e Comarcas. cO baraço e preguão. onde . me praz se assy he como dis. dinzemdo que semdo ley deste Reyno que toda geração de çiguanos não vjuesem neste Eeyno e delle se sahysem em certo tempo e por tella. elle em çimquo anos de degredo pêra as gualles e açoutados publicamente. onde nào entrão os Corregedores por via de Correição. que ^âo tjnha nada de seu. fossem achados sem appellação nem aggravo. como as mais impostas aos Ciganos fossem executadas pelos Corregedores e Juizes de Fora dos Lugares. e hera fraquo he quebrado. fez. 189. na forma dada em allmeyrim a vij dias dabrill. estaua no lymoeiro. queremdo lhe fazer mercê visto hu parece com o meu pase (?). em outros cimquo anos pêra o brasyll. D. fl. baraço he preguão hera feita execuçam e a dita sua molher hera fora do Reyno e elle ser presente. que como nas mulheres não podia ter lugar a pena das galés. fora elle não ser sabedor da tall ley por jr he vyr ha caspreso he acusado pela justiça. das (chamadas das) Cortes e que tanto estas. visto ho que halegua e declara. çiguano preso no lymoeyro. he por que dos haçoutes. faço saber que Johão de torres. Synopsis chronologica.» [Figueiredo. 168-1C9. homde perecia ha mjmgoa. ii. me êujou diser per sua petição que estamdo na villa de momtalluão morador e jmdo e vjmdo a castella fora preso he acusado pela justiça. ficassem sugeitas ás penas da dita Lei 24. e a dita sua molher se sahyrya do Reyno em dez dias. tores paullo affonso e amtonjo vaaz castello etc.] 1574 Dom sebastiam etc. e pelos Ouvidores nas Terras. elle he sua molher amgylyna e condenado per sentença da mor allçada. Jleiír. c [Archivo Nacional. e eu vemdo o que me asy dise he pedir emvyou.232 «Na Apostilla de 15 de Abril do mesmo anno se declarou. Seh.

guardem e façam asj jnteiramente fora. e acabados os ditos trjnta dias qualquer cigano que for achado nos ditos meus Reynos por esse mesmo feito será loguo omde for achado e degradado pêra sempre pêra as gallees posto que tenha proujsão do dito senhor Rej meu avo ou minha pêra poder estar ou andar nestes Rejnos. e mando a todos meus desembargadopreso e açoutado publicamente no lugar res. hofficiaes e pessoas dos djtos meus Rejnos que cada hu e sua jurdiçam cumprão.^ e 1579 Alluara sobre os ciganos Eu el Rej faço saber aos que este alluara uire [que hoj que cl Rey meu sobrinho que deus tem pasou hua proujsão feita a catorze dias do mez de março do ano de v^ setêta e três. ou minhas pêra podere estar nestes Rejnos. que santa gloria aja.233 3sr. perda e trabalho. ouujdores. loguo cartas c5 ho treslado delia sob meu sello e seu sjnal aos ditos corregedores e asj aos ouujdores das terras e que elles não estão per uia de coreiçam aos quaes corregedores e ouujdores mando que ha . ouujdores. como acjma he dito. corregedores. certos comprir e guardar semdo os ditos corregedores. da que o terllado lie o seguinte. Eu el Rey faço saber que eu são jnformado que. posto que polia ley vinte e quatro dos capitólios das cortes que se fezerão no ano de trjnta e ojto e pello capitólio vinte e cinquo do Regimento que mandey dar aos presjdentes das allça das que forâo visitar meus Rejuos. nc has pessoas que amdão ê sua companhia amdem. está bastantemente proujdo pêra que hos ciganos. se embarguo de allgus delles tere proujsões dei Rej meu senhor e avo. que os ciganos e ciganas e quaes quer outras pessoas que em sua companhia andare se sayão dos ditos meus Reynos dentro de trjnta dias. juizes de fora e ordjnarios e quaesqucr outras justiças. e que achandose que não teuerã diso o cujdado que deujão se ha de proceder cõtra elles como ouuer por meu seruiço e asj mando ao chanceler mor que pobrique esta proujsão na chancelaria e euie . os ditos ciganos e pessoas não deixão por jsso de estar e andar nelles e fazer muitos litos fui tos e outros insultos e del- de que ho pouo Recebe grande opressão. juizes de que se ha de preguntar por este caso e suas Resjdencias. pobríquem loguo nos luguares homde estjuere e façao pobricar e todos os outros lugares de suas comarquas e ouujdorias e Registar nos liuros das camarás delles pêra que a todos seja notório c se . E querendo nisso prouer ey por bem e mando que e todos hos lugares de meus Reynos se lancem loguo pregões pubricos. ne estem nos lugares dos ditos meus Rej nos. nas praças e lugares acostumados. que começarão do dia e que se derê os taes pregoes.

lhe poderã dar licença. o qual se jnformara de como uiuê e de que mesteres usão do João. que samta gloria aja. pedro de sousa ha fiz e Lixboa a xi dabril de mv'' setenta e noue. e mando ao meu chanceler mor que pobrique este alluara na chancelaria e êuie o trelado delle sob meu sello e seu sinal aos corregedores e ouuj dores das comarquas de corregedores e ouujdores meus Rej nos. ii. para que a todos seja notório.] . fiz escreuer." de Leis. que deus tem. E ora ey per bem e mando que ha proujsão do dito senhor Rej meu sobrinho. 1. titulo xx. senão ê bairros apartados. se Registara no Livro da mesa do despacho dos meus desembargos do paço e no das Rellaçõis das casas de suplicação e do çiuel e que se Registarão as semelhantes proujsões e ey por bem que valha e tenha força e vigore como se fose carta feita e meu nome por mj \ asjnada e passada por minha chancelaria. sê embargo da ordenaçam do segundo livro. Gaspar de sousa a fiz em Évora a xiiij" de março de mv*^lxxiij. que dentro de quatro meses não sahissem de Portugal. dendo contra elles até á execução sem appellação. ou se não avizinhassem nos Lugares sem andarem vagabundos. que se faria execu- e procetar. que diz que has cousas cujo efeito ouuer de durar mais de hú ano passem per cartas e passando per alluaras não ualhão. 57 v. não permitindo que uiuão juntamente c hum bairro. e se sam casados e o modo e meneo de suas vjdas e costumes e parecêdo lhe que uiuê bem e que trabalhão e não são prejudiciais. e do dito Rey meu sobrias examine nho. fl. tudo sob pena de morte natural. perante hu dos Corregedores de minha corte dos feitos ciuis. aos quais mando que ho pobriquem nosloguares omde estiuerê e o façâo pobricar ê todos os lugares de suas comarquas e ouuidorias. ou Quadrilhas . não podendo andar. 261. acima tresladada se cumpra e guarde jnteiramente como se nella conthem. em que se exasperão mais as penas contra os Ciganos. fazendo-os para isso prender os Ministros das terras. Liv."] 1592 «fLei de 28 de Agosto de 1592. e este se Registara na mesa do despacho dos meus desembargadores do paço e nos livros das Rellações das casas de suplieaçam e do ciuel ê que se Registarão as semelhantes proujsões.» [Figueiredo. ou viver mais em ranchos. Johào de sousa o [Archivo Nacional. e que amdem vestidos ao modo português. com tal declaraçam que hos ciganos que teuere leçemças dei Rej meu jrmão. nem estar. Synopsis chronologiea. nem aggravo. Jorge da costa a fiz escreuer.234 cumpra e de jnteiramente ha execuçam como nella se cothem e esta .

^ Carnjde. maiormente depois que ouve algfís furtos que conhesidamente se soube serem feitos per elles." de Carualjall. pello que detreminarã que fossem noteficados que demtro era três dias se saicem desta cidade e seu termo para o que se lhe pasaria carta pêra lugar serto. eu João Sirueira que ho escreui." 1. Luiz Ferz. .» fl. Joam -f- Soarez. Por aqui ouuerão a Camará de Verasã por feita c acabada e se asinaram. por lhe asim pareser se asinaram todos. posto que as testemunhas nã sabem expesificaidamente quais dos ditos siganos o fizesse (sic) e alem diso por esta cidade ser de gemte belicoza e da raia e acim de comtino acomtesera muitos cri. eu João Sirueira que ho escreui. eu João Sirueira que ho escreui.] 54 a 55. (a) Siqr.*» de Carualjall. eu João Sirueira que ho escreui. Llogo nesta Camará pello Juiz e Veradores e procurador do concelho foi acordado que comvinha ao bem pubrico e quietaçã desta cidade nã se comsemtirem nella os siganos que os dias pasados se viera avisinar com precatório do corregedor do crime da Sidade de Lisboa. mandara requado ao sor amdre gomçalvez de Carnide Corregedor desta Comarca para lhe darem comta deste negosio amdito termo tes partes de se dar execuçã o qual dise que dipois de pasada a liei nas omde resedira nunqua comsemtira avesinarem-se siganos dipois de serem escolhidos lugares na forma da lei e que lhe pare- sia muito bem nã se ametirem os ditos siganos nesta cidade pellos gramdes emcomvenientes que quada dia pode soseder por ser terá belicoza e da raia. mes de diverças maneiras. Archivo da Gamara de Elvas. N. maço n.235 jsr-° 8 1597 «Aos dezasete dias do mes de junho (de mil e quinhemtos nouemta e sete annos) fiserâ Camará de veraçâ os sennòres Juiz e Veradores e procurador do concelho abaixo asinados. Joam -f." N. e semdo achados pasado o dito termo se prosedera comtra elles com todo o rigor e de tudo mandara fazer este termo que todos asinarâ. (a) Siqr. os quais se emcobrem dibaicho desta capa de diserem que os fiserâ os siganos. [Livro das vereações da Camará Municipal de Elvas. armário n. por quanto desdo dito tempo pêra ca se tinha feito muitos furtos de bestas e outras coizas e amdaua a gente da sidade ta es- camdalizada que se temia hu mutim comtra elles. do anno de 1597.Soarez." 21. queremdoa. e amtes de se asinar o .

Persas.« [Livro doa vereações chivo da da Camará Municipal de Camará de Elvas. naõ se saindo dentro do dito termo. mas seraõ além das sobreditas penas degra- dados dous annos para Africa. Luis Ferz. como mulheres.] fl. que tiverem. N. Luís Ferz. e a outra para a Misericórdia do lugar. Arábios. liv. que com elles andarem. maço Elvas. não entrem em nossos Reinos e açoutados e Senhorios. J. [Ordenações philipinas. E feita nelles entrando. armário n. Ar- IT. E lhes seja assinado termo conveniente. n. que com os Ciganos andarem. eu João Sirueira que ho escreui." 1. e lhes for achado. tirado dois que esta avesinhados nesta cidade. 50. que os ciganos. tit. de Lemos. que fosem achados nesta cidade e seu termo que fosem presos e que se prosederá comtra elles eomforme a liei . nem Mouriscos de Granada. naõ nelles. onde forem presos e sendo algumas da ditas pessoas. alluez de Lemos. As foi Ordenações philippinas foram concluídas posta no alto do extracto. data que . do anuo de 1597.] cm 1595 e publicadas em 1603.^ IO 1603 Mandamos.236 1597 «Aos e três dias do e sete anos fiserã mes de junho de mil e quinhemtos e novemta Camará deureaçâo os sennõres Juiz e Veredores procurador do Concelho e se asinarã. v. 69." de Carasi- por aqui ouverã a Camará de uerasã por feita e acabada e se narao. seraõ lançados delles. e percaõ o movei. assi homens. de qualquer Nação que sejaõ. oje três de iunho de mil e eu João Sirueira que ho escreui ualjall. sejaõ presos a dita execução. ou tornando outra vez entrar sejam outra vez açoutados. Joam -j- Soarez. em que se saiaõ fora delles." 21. E com baraço e pregão. Arménios. nem outras pessoas. eu João Sirueira que ho escreui. (a) J. naturaes destes Reinos. (a) N<' de Carualjall. llogo nesta Camará foi praticado dos muitos furtus que os siganos fazia nesta cidade e mandara os sennõres Veradores e procura- dor do concelho apregoar que todo o sigano. Que naõ entrem no Reino Ciganos. . ametade para quem os accusar. alluez quinhemto e novemta e sete anos.

que cu mandei passar hum Aluará feito em sete de laneiro de mil seiscentos e seis. nem as penas que nellas se declarâo são bastantes para elles se sahirem fora do Reyno. queredo nisso prouer. Pérsia. em três annos para galés. Arábia. e dos Algare d'alem Mar em Africa. sobre os ciganos. Rey de Portugal. e Ouuidores das comarcas.^ 11 1606 Alvará de 7 de janeiro de 1606. e dano do Reyno. comercio de Ethiopia. que todos os ditos julgadores tenhão grande vigilância em comprir inteiramente a dita Ordenação do livro 5. que fossem achados neste Reyno vagando em quadrilhas. nem vsem de outros modos e fazendo o contrario se lhes dará em culpa. e danos. e em dez annos para galés e em todas estas penas os poderão condenar os Corregedores. e dia. Ev El Rey faço saber aos que este Aluará virem. que fazem a meus vassallos com geral escândalo. e no dito degredo de em dobro e pella terceira vez serão açoutados. e os fauorecem per outros modos. e contra forma delia os Corregedores do crime desta cidade de Lisboa. reproduzido na tembro de 1613. lei de 13 de se- IsT-^ 1Í3 1613 Dom ues.237 lísT. e nas mais penas das ditas Ordenações. d'aquem Philippe per graça de Deos. e nelle residissem. que eu sou informado. que não cõuem : e porque também tiue informação. Senhor de Guiné. que tratão dos ditos ciganos se não guardão tão inteiramente. e não passem as ditas cartas de vizinhãça. e encorrerão : : mais nas ditas penas. que a Ley que fiz sobre os ciganos declarada na Ordenação do liuro 5 titulo 69 imprincipio. do qual o treslado he o seguinte. etc. galés tados. antes continuao em roubos. Ey por bem. da ínFaço saber aos que esta minha Ley virem. e outros julgadores lhes passâo cartas de vizinhança. e da con- quista. e os Ouuidores das terras dos donatários em que elles não entrão per via de correição e as justiças lhes darão tepo conueniente (que não passará de hum mes) para que se sayão do Reyno e pas: : . que as Ordenações. sendo tudo em grande perjuizo seu. se não cumpre. em seguimento impressa. nauegação. e eu mandarey perguntar por isso : E assi ey por bem. que posto que pellas ditas Ordee senão aos ditos ciganos mais penas que açoutes pella denações primeira vez que forem achados sejão degradados alem da dita pena. e pella segunda vez sejão outra vez açounas residências.

e énuiará logo o treslado delia sob meu sello. titul. e quietação de meus vassallos. e seu sinal. em que os Corregedores não podem entrar per correição.238 sado o dito termo tornando a entrar no Reyno se fará nelles a exe- cução pellas ditas penas na forma deste Aluara. que o publique na Chancellaria. E mando aos Corregedores do crime em minha Corte. que faça publicar esta Ley em minha Chancellaria. que dêtro em quinze dias depois de esta publicada se sayão deste Reyno sem embargo de quaesquer liceças. E a todos os juizes de fora. Aos quaes mãdo que logo o publiquem nas cabeças das core este Aluara será registado nos liuros da Mesa do Desembargo do Paço. porque sou informado. meu sello pendente. e se executar como dos mestrados : . sem demi: E nuição das penas que nelle se declarão. e aos Ouuidores dos mestrados. Mando aos ditos julgadores e justiças. ne residão neste Reyno. e casa da Supplicação. que o dito Aluará se não cumpre e executa. que de todo os não aja. aos que viuem e residem nas cidades. que assi o cumprão. e que andão muitos ciganos por este Reyno vagando em quadrilhas cometedo muitos excessos e desordes. 40. e as ey por de nenhum effecto. como se fosse carta começada em meu reições : : nome por mi assinada. e aos das terras dos donatários. que tenhão res para nelle residirem. e facão em todo cumprir e ao Chãceller : mor. e aos Corregedo- do crime desta cidade de Lisboa. que forem achados a pena de açoutes e galés. Ey por bem. que neste Reyno residem assi homes. para bem. E por quanto a dita execução lie de grande importância. tenha força e vigor. que tanto que esta Ley chegar a sua noticia a facão logo publicar em todos os lugares de suas jurisdições. e asellada com o embargo da Ordenação do Seixas o fez em Lisboa a liuro 2. pella maneira que no dito Aluará se declara e nas molheres a pena de açoutes somête. a todos os Corregedores. E mando ao Doctor Damiam d'Aguiar do meu conselho Chanceller mòr destes Reynos. Ouuidores se executará : e aos dos Donatários das terras em que os Corregedores não entrão per correição para a fazerem logo publicar nos lugares públicos de suas camarcas e jurisdições. e aos das comarcas deste Reyno. limitando aos ciganos. Pêro de sete de laneiro de mil seiscentos e seis. como molheres. sem em cõtrario. E passado o dito termo de quinze dias em quaesquer ciganos. villas e lugares delle e querendo prouer de maneira. posto que sejão por mi assinadas. e para vir a noticia de todos enuie logo cartas cõ o treslado delle sob meu sello e seu sinal aos Corregedores e Ouuidores das comarcas: e assi aos Ouuidores das terras em que os ditos Corregedores não entrão per via de correição. e quão perjudiciaes são. e das casas da Supplicação. e do Reyno. e mãdo per esta Ley que o Aluara nesta incorporado se cumpra e execute com todo o rigor delle. e do Porto e quero que valha. ou que lhes fossem passadas cartas de vizinhança: as quaes todas annullo.

dando-seIhe conta dos que já estavão nellas. I. Fernandes. e dos que se achavâo presos. man- darei proceder contra elles com todo o rigor: e esta Ley se registará no lluro do registo da Mesa dos meus Desembargadores do Paço. atin. e comprimento desta Ley pertencer. Pereira de Castro. João Pedro Ribeiro. Coimbra. a 10. ii. Annos. n. loão Pereira de Castelbranco a fez escreuer. d^ Aguiar. sobre um requerimento de G. Senhor atras esmi Miguel Maldonado. de Ouctubro de 1G13 Taxada a oyto reis. Miguel Maldonado. 166-168. 1673). 3sr. J. Ouuidores. aos treze dias do mes de Septebro. João IV. Cortez e outros ciganos que pretendiam se dispensasse com elles a lei pela qual se mandavam sair do reino. de Andrade e Silva. e delia. i. = REY." 4 1.] 1^-° 13 1614 Carta regia de 3 de dezembro de 1014.239 nella se contem : sendo certos os ditos Corregedores. e execu- como na execução tarão. Dada nesta cidade de Lisboa. 62-^. índice chronolngico remissivo da legislação portuguesa i'. De manu regia (Ludguni. perãte os officiaes delia. = Em muyta gente que Lisboa. nelle se declara. mandando condemnar para Galés os Ciganos. e a própria se lançara na Torre do Tombo. = Damiam Foy publicada na Chancellaria crita por a Ley delRey N. Anno do Nascimento do Senhor lesu Christo de mil seiscentos e treze. doe.° 14 1639 • Capitulo de huma Carta regia de 30 de Junho de 1639. e nos das casas da Supplicação. 105-106. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. Lisboa. Francisco Ferreira a fez. C. 41. p. 1819.). O Collecção chronologica da legislação portugueza (Lisboa 1854 e segs. iii. i. e Relação do Porto. alem de me que achandose. Collecção chronologica de leis extravagantes. achava-se no Liv.» [G. e de outra vinha requerer seu despacho. «porque importa que ella se guarde cumpridamente. 217-218. . que se descuidarão auer d'elles por mal seruido. 1747. e mais justiças a que a execução. Nas Ordenações e lei/s. que se à de perguntar em suas residências se a cumprirão. J. se excusará a sua petição. que ora siruo de escriuão da dita Chãcellaria. [Reproduzido de uma folha impressa avulsa no Correio Elvense. 9 de março de 1890. 10.] t. iv do Desembargo do Paço. que se acharem.

guerra e milicia nos postos de Soldados e Presidies E que se não leia. e sirvão sempre na rroza.] 1646 Senhor Vi o Alvará da Suplicante. E quando eu estava com alvoroço para ler o grande premio e remuneração. índice chrpnologico ij*. athe deixar a vida. que he o menos Foro. por lhe não pagar seus soldos de hum esforçado com seu cavallo e armas à sua custa. sendo . que macanico. Magestade passar. P. pelejando despender a fazenda. devendo estar chusmadas as Galés até 17 d'este mez. em sua mulher e filhos. que se lhe faz mercê. fl. Ao officio macanico mandara eu por o Ministro que tal Despacho deu e sem V. Magestade três annos contínuos nas Fronteiras do Alemtejo. Magestade o ver despachos com tão humildes espirites. e que o filho macho. que nelle se relatão . e fidalgamente e relata-se mais em nome de V. Magestade filho de tal homem o pozerâo : a officio Cavaleiro. sem soldo. 249. porque nelle. relatando suas proezas. se relata. e cavallo. quanto a se condemnarèm. Magestade). e proezas. e declarando que a qualidade de Cigano não he de natureza. sérvio valerozamente no Campo. sem ser sua Pátria. com suas : — armas. Magestade pagar seus soldos devidos a sua mulher e filhos? E mande V. franca. Mande V. que em Alvará de Y. que sem obrigação de sangue e natureza sérvio por honrra. sangue. e espirites generosos deste homem. seu Marido. para execução d'essa carta. segundo a Lei do Reino. mas do seu modo de vida. com suas armas e cavalo á sua custa.lhe Alvará de natural e Cavaleiro Fidalgo. que Jerónimo da Costa. ou tirar delle a narração de serviços. nem seus descendentes officio macanico. e que nunca tenha.240 Participada em portaria da princeza Margarida de 8 de Agosto do mesmo armo. herdeiro dos serviços. tudo á sua custa. ix da Supplicação. sérvio a V. Magestade. a vista dos que esforçadamente morrerão. e morte hon- porque se sérvio três annos contínuos um pobre Sigano porque lhe não hade V. 360-361 j do Liv. que tiverào estes serviços. aonde tantos infamemente fugirão. Magestade recolher este Alvará. E se nesta forma deste homem. o fizessem os Grandes e Capitaens . e grandeza do animo de seu Pay em até que ridas. (que he assinado pela mam de V. sem levar soldo algum. senão quando eu leio. que me deixou em grande admiração. o valor e esforso. o pozessem a um oíficio macanico. que sejão havidos por naturaes do Reino. valor. e vida pela sua terra. : na Batalha do Campo de Montijo foi morto com muitas fesempre mui esforçadamente.» (J. que merece. Ribeiro. com que em o dito tempo se houve. ou pelejarão.

mas mande-lhe V. imitando este Sigano humilde no nasciAfrica. e nobre.241 Generaes. ou na Petição que deferir a seus serviços em lhe mando fazer a V. faço saber a uós corgedor da comarqua de eluas que eu passej ora hum aluara per mim asjnado e pasado per minha chanchellaria. e seus filhos. quem são. fiquarão ainda na cadeja do limoejro des velhos e emcapazes de poderem seruir. R. iv. e as Comendas e copiosos bens do Reino que para si o defendem. pp. que vão a V. nem com thesouros nem cavallos. Malaca. falo em geral. 217. partira V. e ganhar dinheiro. Fronteiros e Governadores. Corpo Chron. com molheres e filhos. Magestade com elles o defendido. [Arch. e com tantas condições. não havendo rezâo particular. Disatr- tacões chronologicas. Lisboa 28 de julho maço 118. João Pedro Ribeiro. 1. Docum 131.] isr. servindo á sua custa em sua Pátria e sem outro soldo.. detiopia. ou nao devidos. gastando o que tem em sua defençâo.^ le 1647 Tresllado da ordem dos siguanos Dom Joam da quem e per grasa de Deus Rej de Portugual e dos algarues. e ras. e thesouros do Payz se não no natural valor. neste tempo sem servir a sua custa. não só no que pede. e seus famozos Pays e Avós fizerão Armadas. e riquezas. snor de guiné e da conquista. em verificação do seu procedimento. esta mulher mande V. e criados esforçada e como generozamente. Magestade. em que alguns podem degenerar. porque hir as Fronteicomo a Ormuz. como peço. Isto se oflferece e de 1646. persja e da indja etc. pelo que cumpre ao Reino. e depois de quieto o Reino. em que nunca podem igualar as dilatadas terras e Reinos isso. de Castella. devidos. comersio. e com pedir soldos atrazados. do qual o tresllado he o seguinte Eu ell Rej faso saber aos que este aluara de lej virem que per quanto dos gitanos que mandej prender pello Rejno e se embarquarão pêra as conquistas delle. e ponto de honrra. pois merece a Firma e Signal de V. nem gente cm numero. navegasâo. e Çofala a vencer soldos. forma. com cavallos. e amor da Pátria e Reys. arábia. e generozo no procedimento. Ma- gestade. e de sua Pátria. E isto não he hir enrriquecer. . que vae junta para provocar os meios. dallem mar em afrjqua. Magestade despachar. bastara ametade das decimas. nâo lie o Portugal para que se nâo sustenta. O que requeiro como Procurador da Coroa. Magestade. que muntos terão. e devem defender. 16 . P. Magestade ella. = Thome Pinheiro da Veyga. de fazer natural seu genrro que por seus serviços pessoaes tãobem A o merece . 215. e índia. em mento.. e conquistado. &c. como elles mesmos.

242 de pouqua idade. rellasão. onde o siguano for morador. per toda a ujda sem leuar consigo filio ou filia. a que chamão buenas dj- chas. da prizão ira pêra angolla degradada. como se nelle contem e o chaneeller mor destes Renos des. e da mesma manejra ás con quistas de este Rejno. do porto onde . allanquer. villas e luguares mando ao regedor da casa da meus corgedores das comarquas. sem contradisão alguma. antes se lies poreboirá com todo o rjgor comprar a troquados (sic). sopljquação gouernador da rellasão do porto e aos dezembarguadores das ditas rellasois e aos corgedores do crime de minha corte e aos de esta cidade e a todos os e juizes de fora das cidaonde os ditos siguanos uiuerem. ouuidores. e conuir a familjas meu servisso que elles uiuão cõ suas em luguares afastados de esta corte e das frontejras. o fará publiquar na Chanchellaria e envjar com meu sello e seu senal aos ditos corgedores das comarquas. e sendo moller. ou Cabo uerde. ouuidores. e os autos que sobre a matéria se fizerem serão logo remetidos a hum dos corgedores do crime da minha coiie ou ministro a quem eu cometer a jurisdisão e superten- e não lies será a dencia dos siguanos. e mando que na essicuçâo desta lei se proseda sumariamente e com seis testemunhas que pergunterá o juiz do loguar. hej bem e me pras de lies senallar pêra este efeito os luguares seguintes tores uedras. nem a ensinem a traje de sjganos e serão obreguados a quanto puderem. com decla- rasão que quem o contrario fizer pella primeira ves será logo condenado em asoites e toda a ujda pêra gallés. tomar. os quaes os remeterão pelos loguares nomeados nenhum dos condenados admetjda petjsão para per- dão. pêra que a todos seja notório o que per este ordeno e o fasão dar a esecusão. fillos. ourem. antes se devasará pelos corgedores das comarquas dos juizes dos loguares de seus destritos se observâo esta Hej e o que fiquar comprehendido paguara duzentos cruzados para as despezas da guera ou justiça. seus nem andem em traballo em sem que fasão de suas trasas e embustes. e os quais juizes não consentirão que os siguanos crjem seus fillos ou filias pasando de noue anos de idade. e sendo capazes de seruir os porão a soldada na forma que se uza com os órfãos . de que de antes ueuiâo. dos quais não poderão sahir sem licença dos per juizes delles a qual se lies não consedera per tempo llargo e se lies poreboira juntamente que não fallem geregonsa. como fazem os naturaes do Rejno. caza de sopliquasão. e jogos de corjolla nem partidas de cavalgaduras. juizes de fora. lleirja. e estando empesebeljtados por doensa ou muita idade se lies permetira poderem pedir esmolla nos mesmos luguares em qu3 uiuerem. e se rezestara nos Liuros do dezembarguo do paço. que cumpram e guardem e fasão enteiramente cumprir e guardar todo conteúdo neste aluara. monte mor o uello e coimbrã. onde se pobliquara pêra que senão consinta aos siguanos que fore degradados o elles uzarem desonestos tratos e embustes.

i. denações e leys t. Coimbra. el-rej noso Snõr pelo doutor estevâo lleitâo de revellos do seu conselho e chancheller mor destes Reynos e senhorios de Portugal Manoel antunes de sâpaio o fez. 552 v. (Archivo da camará municipal de Elvas. Rej. iii Collecçâo ii dos Decretos e Cartas. que mandarei declarar. velho. 1747. do Registo. Lisboa. de outubro de 047 Miguel maldonado. das dos Decretos do Desembargo do Paço. 30 de Julho de 1648. Estevão Ueitão de revellos Foi publjquado na Chanchelleria mor o aluara de ell Rej nosso snõr atras escrito por Miguel maldonado escrjuão da dita chanchelleria perante os ofisiais delia e de outra muita gente que uinha requerer seu despacho Lixboa . que as pessoas. ora Ao qual em todo me reporto e consertei bem e fiel- mente com otro ofisial abaxo asjnado e eu Baptista fang. p. polia qual vos mando que tanto que vos for mostrada a fasais pobljquar e rezistar na cabesa de vosa comarqua e pobljquar brevemente nos mais luguares delia pêra vir a notisia de todos e se comprir e guardar como nelle se contem. Co a qual liei mandej passar esta carta para vos. João IV. 168- 1G9. 215. 1819. accrescentando a cila. Baptista fangr. etc. ou alugarem-se casas a Ciganos tualidade executar a Ao Desembargo do Paço hey por muy encarregado faça com põLey dos Ciganos. in Ordenações e leys confirma' Senhor D. António de Moraes o fes em Lisboa aos uinte quatro de outubro de mil e seis semtos e quarenta e sete. Pedro digene8(?) revello o fes escreuer. João IV. Com Rubrica de Sua Magestade. i.""" da fonseca escriuão da camará o escrevi. vol. Collecção chronologica de leis extravagantes.] 1648 Decreto.. ou alugarem casas incorrerão nas penas. Lisboa. Para Vossa Magestade uer. estevão lleitão de revelnão dis mais a dita prouizão que bem e fielmente tresUarezistei do próprio que entreguei ao escriuão da coreisão que serue. aluara de Hei que se hade ter com os siguanos e fillos nelle declarados. foi.''*' da fonseca e comigo taballiam Gomes Gallvam». e a despeza que se fizer em se pobljquar nos mais loguares de vosa comarqua será á custa das despezas dos auizos (?) e quando não ouuer será a custa das rendas da Ca- mará da cabesa de vosa comarqua.243 semelhantes leis se costumao rezistar. E dei e Miguel maldonado o fis escreuer.] [Liv. Lisboa. 515-517. dada na sidade de Lixboa aos trese dias de novembro. ii. 1747. que lhes derem. fl. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. Oriii.. I e estabelecidas pelo : . p. 273. em que se prohibio darem-se. Ano do nascimento de noso snõr Jesus Xro de mil e sessentos e quarenta e sete eu los. O Conde de Santa Crus.

.] E porque no dito Aluara se trata somente dos ditos siganos prezos uelhos e incapazes sem se declarar outra parte de minha ordem e decreto que passey sobre os mais que ficarão ainda no Regno capazes de seruiço nas conquistas. onde serião e penas de asoutes. n. Doe.o 18 1649 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará virem que por se ter entendido o grande prejuizo e inquietação que se padece no Reino com huma gente uagamunda que cõ o nome de siganos andam em quadrilhas vivendo de roubos enganos e imbustes contra o serviço de Deus e meu. mandando que com os que fossem inhabeis se procedesse na forma do Aluara refecazo rido e nesta Corte se não consentissem em nenhum nem sinco léguas ao redor sigano nenhum nem sigana. exceptuando os que assistem nas fronteiras e não andassem em companhia de outros. sem uiuenda própria. e dos que ceda na forma de dito Aluara e os juizes das terras onde os mando . mandey que trazidos a esta cidade. e sem embargo disso se exe- cutava lançando -os fora da fronteira e sem paga de seus soldos. .» 16. nem foro nem Parochia.244 isr. prizão se não podia emtender nelles . por muitas leis e prouisões se procurou extingir este nome e modo de gente uadia de siganos com prizoens . cõ o mesmo intento mandey passar hum Alvará em vinte e quatro de outubro de seiscentos e quarenta e sete de que o treslado é o seguinte. Demais das ordenações do Reino. sou informado que nesta parte se não passou nem publicou em muitas partes como ore que pelos que estauâo servindo nas fronteiras se me fes queixa que estando mais de duzentos e cincoenta em meu serviço desde o tempo de minha filice aclamação alistados com zelo e valor. sem e ultimamente querendo Eu desterrar de todo uirem nas comquistas diuididos . prendendo logo todos os siganos que acharem capazes de seruir excepto aqueles que actualmente assistem nas fronteiras e não andarem na companhia de outros e os remetão a esta Corte ao Corregedor delia a que esta cometida a supritendençia forem velhos e inhabeis se pro(sic) deste negocio. [Vid. acabar de conseguir o modo de uida e memoria desta gente uadia. com que já forâo muitos apremeados e que a dita Ley geral da deney . e todo Reino fossem prezos e embarcados e leuados para serporquanto ficarão ainda na cadea em alguns velhos incapazes e outros escondidos neste Reino. sem asento. . nem officio mais que os latrocínios de que uiuem. . mandando os prezos ou que fossem uiuer as ditas vilas do sertão. Hey por bem e mando que os ditos Corregedores das Comarcas executem com muita diligencia a dita primeira Ley da prizão. degredos e galés. E querendo eu em tudo prover.

: X da Senhor D. vol. Rey. Lisboa. iii. liv. — Com Rubrica de Sua Megestade. e alimpar a Terra. Lisboa em 20 de Septembro de 1649. icis. André de Moraes o fez em Lixboa a sinco de fevereiro de mil e seis centos e quarenta e nove. (Liv. trage e lugar dos naturais e onde com licença dos Governadores das Armas a negocio e tempo limitado forem e porque alguns por seruiços e rezões particulares estão naturalizados com cartas de na•. Supplicação. João IV. fl. para que fizessem despejar os Ciganos Faça o do Crime da Corte. Pello que mando ao dito meu chançarel mor faça publicar na Ciian- cellaria esta e seu sinal e declaração e delia enuiar copias sob meo selo aos ditos corregedores das Comarcas e mais justiças Ley destes Reinos para terem entendido o que ultimamente tenho resoluto sobre os ditos ciganos. E mando que nesta corte e sinco legoas ao redor delia se não consinta sigano nem sigana algna com cominação que o que nclla se achar passado o tempo da publicação desta seja sem mais proua nem deligencia condenado nn asoutcs e toda a vida para galés e a sigana degradada para Angola ou cabo Verde e as pessoas que lhe derem ou aluguarem casas e os recolherem sendo piães cncorrerão em pena de três annos de degredo para Castro Marim e trinta cruzados pêra captiuos e accusador. E os fidtUgos fora da Corte. a dita turaes e vezinhos de lugares e vilas do Reino se não entenda neles Ley guardando elles em tudo as condições de suas cartas.1 . Ordenações e D João IV. e sendo de mayor calidade em dois annos para . 1. posto que digão vem seguindo seus maridos. e bem da Republica lança-las delias. 23 in Ordenações e leys confirmadas e estabelecidas pelo Lisboa. 169-170. ou giringonça. etc. visto não terem ellas licenças para usarem do traje. Luiz de abreu de Freitas a fez escreuer.] leys confirmadas t estaielecidas 1649 Decreto em que se mandarão avisar os Corregedores do Crime da Corte. fl. p. 1747. procedendo na forma . iii Collecçíio ii «ios Decretos e Cartas. mas Ciganas as quaes. E o executarem inteiramente sem duuida nem costumadas em contradição algua e se registará de nouo nas partes semelhantes leis. etc. 273. v. seria conveniente a meu serviço. bem garí^s em que por seus superiores seruirem. liugoa. 1747.245 recolher e abitar os obriguem a uzar como os mais uezinhos naturais. pelo Senhor [Archivo Nacional. como nella Conde Regedor advertir da minha parte aos Corregedores me dizem andão actualmente algu. E hey por declarar que esta ley da prizão senão emtende nos siganos alistados que seruem nas fronteiras actualmente nas companhias ou luAfrica e sincoenta cruzados.

e ao diante se prenderão os siganos.246 1655 Carta de André «Snor d^ Albuquerque foi servido —A ordem. e também algumas mulheres. Corregedores e Ouvidores das Comarcas. o Senhor Inquisidor estando Inquisição. em que pos a mão sob cargo do que lhe foi mandado dizer uerdade e ter segredo. — soa de Vossa Magestade d^Albuquerque» . que se achassem nesta Proviucia. freguezia de S. nem tratavão com ella. pelas quaes Vossa Magestade os ha por naturaes. Nesta forma se procedeu neste particular. e morador nesta cidade. termo da Villa de Amarante. e disse chamar-se Manoel Alvares da Nóbrega official de brincos de cera.° Í21 1682 Processo inquisitorial da cigana Garcia de Mira Aos e sette dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta em Lisboa nos Estaos e caza do despacho da Santa a ré em audiência de manhaã. e Governadores. e havendo concorrido todos nesta diligencia. natural do Lugar do Cabo Villa. como Vossa Magestade o ordenava. encarreguei aos go- vernadores e Capitães Mores das fronteiras. Pedro de Atayde de Castro mandou vir perante si da salla a hum homem por 'pedir audiência. e ser de trinta annos de idade. se me presentarem acharam somente alguns homens. que por Provisões de Vossa Magestade. 2 de Fevereiro de 1655. os tornei a mandar soltar. o que prometteo cumprir.] \ 1>T. E logo denunciando . e lhes dá permissão para viverem no Reino e me constar não andavâo em quadrilhas daquella gente. para que a executassem em 25 do ditto. como Vossa MaDeus Guarde a muito alta e poderosa pesgestade tem mandado. que apparecerem. que por velhas e miseráveis se não devia intender a ordem com ellas. — André [Esta carta foi copiada pelo dr. — Elvas. que Vossa Magestade mandar-mc em carta de 12 de Septembro do anno passado para se prenderem os siganos. e sendo presente disse a pedira para dous annos denunciar nesta meza couza a ella pertencente e logo lhe foi dado juramento dos Santos Evangelhos. Saluador do Taboado. Francisco de Santa Clara de um livro pertencente ao Archivo do governo militar de Elvas intitulado Livro II do Registo. que os Senhores Governadores das Armas escrevem a Sua Magestade que Deus guarde.

que aquella sorte fazia para saber se sua molher era morta ou viua. estando elle Denunciante em sua casa na rua de Quebra Costas. todos — = | uos ajuntareis. diante delle testemunha. com as cabeças para as pontas quieta. dizendo as palavras seguintes em nome de Deos Padre. hum duas uezes e outro hua. detraz da Igreja de Nossa Senhora da Palma. de Deos. lhe disse que elle tinha sua molher auzente. vós fostes como nós. que : Santos Fieis reynou e reynará para sempre jamais. e dous alfinetes mais. respondeo ella que por meyo dos fieis de Deos. fazendo-lhe alimpar a mão dos cuspos com hum papel e que o deitasse na rua. e os guardou. não se lembra do dia ao certo. . fallando-lhe. não se lembra do dia ao certo. e que se os alfinetes se mouessem. e não tem parte notauel por que mais a haja de confrontar. nos seremos como vos. na parte que ficaua cercada dos alfinetes. e mora nesta cidade em companhia de Siganos junto as cazas do Enviado de Castella. e dizendo-lhe elle Denunciante em que forma o havia de fazer. três Pessoas e hum só Deos verdadeiro. que o Denunciante prometteo assim fazer. e sem ofença de Deos. Amen Jesus. mas haverá quinze. e o outro gado hum com o bico em com a ca- beça pregada na ditta bola. com as extremidades uiradas para o pulso sem estarem juntas. ficando sempre pregados nas dittas bolas com os bicos. c pelo premio do que nisso obrasse lhe hauia de dar duas moedas de ouro. para cujo effeito lhe pedio lhe havia de dar algum dinheiro que para os ingredientes lhe era necessário. e logo o obrigou a que cuspisse por três uezes na ditta mão. e logo tomou os dittos alfinetes. a qual. os dáquem e os dálem e os da nauegaçâo. e as palavras seguintes e á ditta Catherina da Costa. representa ter sessenta annos de idade. e lhe disse ter hua Irmaã chamada Antónia Ramalha. e necessitaria de hum cruzado que elle lhe deu. se queria que lhes atalhasse. era sem duuida ser morta. prehíía das dittas bóias. Deos Spirito Santo. que uiue em sua companhia. hauendo-lhe a ditta Sigana primeiro ditto. Deos filho. e neste caso nos ajudareis. obrigando-o a que repetisse estas. e de Catherina da Costa. e anda em trage de viuva com sua saya de estamenha parda e mantilha de baeta negra com capello cozido debaixo da barba. e só que traz huas contas brancas aconfeitadas. e que por todo este mez saberia que sua molher era morta. E logo os dous alfinetes das extremidades que estauão pregados nas bolas do arame ou alfinetes se uirarão. chegou á sua porta hua Sigana. e tornando por outra uez a dita Sigana a sua caza. tendo elle Denunciante sempre a mão sem a mouer. obrando ella por meyos licites. e direita dos dedos formando hua forca. lhe pegou na mão esquerda delle bolinhas de cera Denunciante na qual pos hum alfinete ou arame com duas em cada ponta sua. e muitos perigos que passar. e lhe disse chamar-se Catherina.247 Disse que haverá três semanas pouco mais ou menos.

e merecia credito. Manoel Martins Cerqueira o escreui. e repetio também as palauras que atraz ficão dittas da Santíssima Trindade e Fieis de Deos. João CarPedro de Attaide de Castro. solteira. obrigando-o a que rezasse o que quizesse pela alma que estiuesse mais uezinha a uer a Deos Senhor Nosso. João Cardoso. e. dous aos pées. disse estar escritta na uerdade e nella se affirmaua. em tudo conforme ao de Manoel Alvares. de 30 annos de idade. Manoel Martins Cerqueira o escreui. e tornarão a assinar com o ditto Senhor Inquisidor.248 Disse mais que passados três ou quatro dias. que lhe mostrou no ditto papel. Pedro de Attaide de Castro. — — Seguem: 1. lhe pos a mão para que se molhasse. e nella não tinha que acrescentar. e com o ditto Senhor Inquisidor. Do que tudo uem dar conta nesta Meza» entendendo que as obras da dita Sigana não são naturaes. e prometterão dizer uerdade e ter segredo no que lhes fosse perguntado sob cargo do juramento dos Santos Evangelhos que lhes foi dado. diminuir.*» O depoimento de Catherina da Costa. E ido o ditto Denunciante para fora. nâo se lembra tamqual ao certo. e assinarão com elle Denunciante. notários desta Inquisição que tudo uirâo e ouuirâo. dizendo huas palauras que elle não percebeo. Manoel Aluares Nóbrega. o que tudo se figuraua na parte do papel que ficou enxuto. mudar ou emmendar. Joseph Coelho. e o faz por descargo de sua consciência. doso. hauendo-o passado três uezes por baixo do trauesseiro da cama. perfilado tudo como em debuxo. com a particularidade a mais de que a cigana mandou comprar o papel dizendo «que era necessário nâo fosse a marca da que tivesse Crus». e com outros tostões que lhe deu para a mortalha fez tudo soma de cinco mil réis. sob cargo do juramento dos por Santos Evangelhos que outra uez lhe foi dado. e para isso pedio hum alguidar com agoa e lançando nella meia folha de papel. lh'a mostraria facilmente. e entender qae he a isso obrigado. forão perguntados os dittos Licenciados se lhes parecia que elle fallaua uerdade. e por elles foi ditto que sim lhes paríícia que elle fallaua uerdade e merecia credito. e dizen- bém de do-lhe se queria uer a certeza de sua molher ser morta. e sem offença de Deos. pouco mais ou menos. e era a figura de hum defunto com quatro castiçaes^ dous á cabeceira. E mais não disse e ao costume disse nada. como elle pretendia. E sendo-lhe lida esta sua denunciação. Ao que estiuerão presentes por honestas e religiosas pessoas os Licenciados João Cardoso de Andrade e Joseph Coelho. em premio do que lhe pedio cinco tostões. — Joseph = Coelho. . que lhe pedio mandasse comprar. sendo que lhe havia dado mais meya moeda. e elle ouuida. tomou a mesma Sigana a sua caza. e entendida. nem ao costume ter que dizer de nouo. ratificaua e tornaua a dizer de nouo sendo necessário.

e alcançará a mizericordia que pretende. hua molher moça que estaua no quintal das mesmas cazas a chamou com as mãos. que lhe disse chamar-se Catherina da Sylva. e porque a ditta Catherina da Sylua dezejasse fallar com ella mais deuagar. c recolhida nos cárceres de penitencia. mas era casado com hua molher que hauia fugido. concluo: «do que tudo se colhe usar a delata de pala2. esta lhe disse que o ditto Manoel Alvares não era seu marido." O e vras divinas para couzas illicitas e ter pacto nliar futuros». porque fazendo assim porá sua alma em estado de saluação. 4. estando alli em audiência de manhã o Senhor Inquisidor Pedro de Attayde de Castro. e sendo prezente disse a pedira para confessar nesta meza o que entendia podia conuir ao descargo de sua consciência. natural de Monteo Novo.*» com o diabo para advi- Despacho. e moradora nesta cidade junto ao Enviado de Castella E logo foi admoestada que. pois tomaua tão bom conselho como era confessar uoluntariamente nesta e ser de cincoenta annos de idade. e neste tempo se despedio o Clérigo que estaua fallando com o ditto Manoel Aluares. senão outros que de nouo hauia de passar. e ella confitente lhe respi-ndeo que sim faria. e que mostrando-lh'a Manoel Alvares. lhe dissera que tinha muitos trabalhos que passar. sob cargo do que lhe o que prometteo cumprir. que quizesse fazer-lhe alguãs deuoçoes ou feitiços que o obrigassem a recebella por molher. o sahio a falUr-lhe da Sylua na mesma caza . molher. disse que tornaria a uer-se ella confitente á ditta Catherina com ella. mandou vir perante si a hua molher que em onze deste presente mez foi preza nesta cidade. 3. e tinha illicita amizade com ella ditta Catherina da Sylua. em o qual. em que pos a mão. e ter segredo. lhe tornou ella confitente a dizer que não erão esses. tendo summariado os depoimentos. e que entrando neste tempo hum Clérigo a fallar com o ditto Manoel Alvares. «Aos quinze dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta e dous annos em Lisboa nos Estaos.° A confissão da ré.249 requerimento do promotor para que a cigana seja presa processada na forma do regimento. official de brincos de cera. e que respondendo o ditto Manoel Alvares que já os tinha passado. e indo ella confitente a fallar com a ditta moça. pelo que lhe foi dado juramento dos Santos Euangelhos. por pedir audiência. meza suas culpas lhe conuinha muito dizer toda a uerdade delias. nem sobre outrem falço testemunho. não impondo sobre si. e fallando com elle lhe dissera que lhe mostrasse a o ditto mão para lhe dizer a buena dicha. E promettendo de assim o fazer Disse que haverá três semanas nesta cidade foi ella confitente a rua do Quebra-Costas a caza de Manoel Alvares de Nóbrega. E disse chamar-se Garcia de Mira. foi mandado dizer uerdade. que foi Sigano. viuua de António Soares. mor digo.

tornou a caza do ditto Manoel Aluares da Nóbrega. e tendo-a na mão debaixo da mantilha. e trouxesse uirados os dittos alfinetes que com effeito uirarão com a palhinha. hauendo-lhe também ditto que se os dittos alfinetes uoltassem era sinal de ser morta a ditta sua molher. uzando de cousas naturaes. sorte. mandando-lhe comprar hua folha de papel. Filho c Em Spirito Santo. e que para isso abrisse a mão direita. meya que fizesse a figura de hua pessoa morta com dous castiçaes á cabecira e dous aos pés. e que a mettesse debaixo da cabeceira. tomou na outra mão a meya folha que se hauia comprado. que reynou e reynará para sempre jamais. e não uoltando a ser uiua. e lançou com a agoa qiie tinha prepa- em hum 'alguidar a meya folha que hauia trazido. que estava auzente sem lhe dizer aonde. que que pedindo-lhe dinheiro para hua oíFerta. e tornou a dizer que toda a meya folha de papel se ensopou na agoa. e dos quatro castiçaes que ficão dittos. dizendo as palauras sobredittas e mandando dizer as orações que a Igreja approva. era uiua ou morta. sendo que não tinha duuida o hauer de destorcer a ditta palhinha. e em cada ponta da mesma palhinha hua bolinha de cera. que os mesmos Manoel Aluares e Catherina da feiticeirias o . do qual não está lembrada ao certo. e ficou enxuta e figurada a estampa rada de um corpo morto. e lhe prometteo fazer e tornando no dia seguinte tomou folha do ditto papel e a dobrou em muitas dobras asemelhando a outra meya folha que leuaua debuxada com pedra hume. do que os dittos Manoel Alua- que erâo e uiam nesta fes dos como na alfinetes. e fazendo algnas ligeirezas de mãos as troucou. rezando cinco credos á honra das cinco ouro. sem .250 o ditto Manoel Aluares de Nóbrega. e ter filhos que alimentar. ao qual disse que queria lançar as sortes que lhe promettera para saber se a ditta sua molher. lhe dera o mesmo Manoel Aluares dez tostões e que as sobredittas couzas fez obrigada da sua muita pobreza por ser viuua. res e Catherina da Sylua ficarão admirados e entendendo Sylua poderão conhecer se forão aduertidos. e que assim mostraua a figura sobreditta. e em quanto fes as sobredittas couzas dizia as palavras seguintes: nome do Padre. dizendomão para que recebendo humidade a ditta pallinha destorcesse para a banda dos dedos. em forma Chagas de Christo Senhor Nosso. amen. em premio do que lhe deu hum cruzado. e ficarão fazendo a forma de híia forca. E em premio do que lhe deu o ditto Manoel Aluares meya moeda de segunda sorte: a qual foi no (ao?) dia seguinte. ao qual disse que o tornaria a buscar e lhe faria huas sortes para saber se sua molher era uiua. Disse mais que no dia seguinte. a qual burnida com a pedra hume molhou só aquella parte que não estaua burnida em a ditta pedra hume. e pondo-lhe no alvo delia hua palhinha de balanço torsida e seca ao fogo. e linha pregado hum alfinete Ihe que cuspisse na mesma em cada bo- com as cabeças para o pulso. ou morta. o que elle fez.

Processos inquisitoiiaes. de que fiz este termo de mandado dos Senhores Inquizidores que aqui assinarão e eu Notário. — João de Mesquita de Macedo. 1236. Manoel Martins Cerqueira o escreui. dalém mar em Africa. porque tornando a reincidir nellas será castigada com todo o rigor. n. sas que acceitou a alguãs pessoas por e pesseus embustes. E por dizer que nem por pensamento tornará a commetter semelhantes culpas. e abuzos no povo Christão. que pêra este eíFeito lhe foi dado e que lhe he dada licença e que restitua o dinheiro meyo de pêra se poder hir para onde bem lhe estiuesse e que goarde segredo em tudo o que vio. = PeíZro de Attaide de Castro. o que tudo prometteo cumprir sob cargo de juramento dos Santos Euangelhos. Faço saber a vos corregedor da comarca da cidade de Elvas que. o que também promette comprir.251 animo nenhum de oflfender a Deos Senhor a Nosso mas de ainda assim não lhe ser licito está muito arrependida. Aos vinte e dous dias do mez de dezembro de mil seiscentos e' oitenta dous annos em Lisboa nos Estaos. e engano. mandarão uir perante si a Gracia de Myra Sigana. Pedro de Attaide de Castro. Manuel Martins Cerqueira. por graça de Deos e Rey de Portugal e dos Algarves. ouuiu e com ella nesta Meza se passou. disse estar escritta na uerdade e assinei eu Notário por ella não saber escreuer de seu consentimento com o ditto Senhor Inquisidor. pede perdão e que *. Senhor de Guiné &. e mandada a seu cárcere. Foi-lhe ditto que tomou bom conselho em declarar nesta meza as couzas de que tem dado conta nella. e sendo prezente foi reprehendida asperamente e aduertida que se tornar a cahir nas culpas porque foi preza será castigada com todo o rigor de justiça. se uze com ella de mizericordia. e caza de Despacho da Santa Inquisição estando aly em audiência da manham senhores inquisidores. de consentimento da Rée por não saber escreuer. que por ella ouuida e entendida. João de Mesquita que o escreui. nem outras semelhantes que possão introduzir erros.] [Archivo Nacional. que se abstenha de as tornar a commetter. por ser infor- mado de que de Castella se expulsavão os siganos e estes se passavão a este Reyno em tanta quantidade que aos Povos pequenos seria .*" 3M-° Í3Í3 1686 Registo de húa Provisão de Sua Magestade sobre os Siganós «Dom daquem Pedro. sendo-lhe primeiro lida esta sua confissão. foi outra uez admoestada em forma. Ré = — preza conhecida neste processo. E outro sy será condemnada em penas pecuniárias.

armário n. e . andando armados para melhor cometerem seus asaltos. Archivo da Camará de do Registo dos Alvarás. filhos e netos de Portuguezes (porem com habito género e vida de siganos). E quanto aos que ja são naturaes. Brás ribeiro da Fonseca. E convir ao serviço de Deos e meo que de nem todo se extreminê. Cartas Jílvas. acrescentar este capitulo aos mais do Regimento das reziElRey nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Dezembargadores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da fonseca. escrivão da minha camará. com declaração que os annos que a dita Ley dá para Africa seyão para o Maranhão. Manuel da Silveira de Azevedo. e asestindo no nosso destrito os mandareis notificar e fareis trasladar esta ordem nas camarás dessa comarca para que os juizes delias a facão executar." 8]. II 12. advertindo que toda a omissão com que vós e os ditos Juizes vos ouverdes neste particular. mas que se vistão do costume do Reyno e em aquelles que encontrarem a Ley sobre elles estabelecida a fareis executar na forma que nella se contem. Provisões. Hey por bem e vos mando não pre- mitaes entrem neste Reyno nenhum destes siganos e os que de facto tiverem entrado os prendereis logo nas cadeas publicas e me dareis conta. Francisco Pereyra de Castello branco a fez escrever. Por resolução de Sua Magestade de 10 de junho de 1686 em consulta do dezembargo do Passo. que serão entregues a Francisco Pereyra de Castello branco. não dando a execussão esta ordem. de que remetereis as certidões. os obrigareis a tomarem domisilio serto. donde não poderão sahir nem mudar sem minha especial licensa. E não continha mais a dita provizão que eu Manoel da Silveyra de Azevedo escrivão da camará fiz tresladar neste tombo e a propia me reporto e por verdade me asiney do meu sinal de que uzo e a propia entreguey ao Corregedor da Comarca. escrivão da Camará. E em que lhes assinareis logo que esta receberdes mandareis pôr editaes públicos tempo para lhes ir a noticia esta minha re- solução. como nella se contem. nem possão andar vagabundos em quadrilhas pelo Reyno e achando-os nesta forma (?) os prendereis e lhe não consentireis uzem de trage particular. Elvas aos vinte dias do mes de julho de mil seiscentos e outenta e seis annos. sem que se lhes premita habitação neste Reyno trato qualquer que seya.252 muito deficultoso o poderem seportar esta quasi inundação de gente tão osioza e prejudicial por sua vida e costumes.» mais ordens de Sua Magestade . Manoel da Silveira de Azevedo. ambos do seu Conselho e seus Dezembargadores do Paço* Miguel vieyra a fez em Lixboa aos 15 de julho de 1686. como a experiência tê mostrado com as universaes quexas o que tudo se seguia de senão conservarem as Leis estabelecidas contra elles e se omittião por respeitos que a sua industria adqueria. o fis escrever e asinei. se vos hade dar em culpa que para este eff^eito mandey dencias. Diogo Marchão Themudo. [Tombo a fl.

253 1686 Decreto. e dalém mar em Africa. Lisboa 27 de Agosto de 1686. senhor de Guine &. 1694 Registo de liuma Prouizão de Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço ao Corregedor desta Comarca para que os siganos nascidos neste Reyno tomem género de vida ou o despejem dentro em dois mezes. cm que se de Africa para o mandou commular o degredo Maranhão Tenho resoluto que assi nesta Corte. dos Decretos e ÍL. vol. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. sejão para o Maranhão. como nas mais Terras do Reyno com declaração. Hey por bem e vos mando que tanto que esta receberdes mandeis logo por cm todas as Villas e lugares dessa . etc. encarregando -o aos Ministros de Justiça. 273]. — Com Rubrica de Sua Magestade. e porque tem mostrado a experiência que não seruio thegora de remédio bastante e convém muito tratar da quietação e soccgo de meus vassalos. trazendo os mesmos habittos e trages de ciganos. euitandose todos os dias os delitos que se podem temer de gente tam licencioza na vida e costumes. e que com todo o cuidado se empreguem nesta diligencia. X do Supplicação. sem tomarem género de vida possam sustentarse. que por quanto sou informado que os siganos" nascidos neste Reyno conthinuam em seus Dom daquem excessos e delitos. para o que ordenei ao Desembargo do Paço se accrescentasse este Capitulo aos mais do Regimento das Residências. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas. 276. que sobre este particular tiverem. confonne ao dolo. O Regedor da Casa da Supplicação o tenha assi entendido. com os Ciganos e Ciganas se pratique a Ley. e nesta forma o faça executar pela parte. lhes seja dado em culpa para serem castigados. Africa. in Ordenações e leya. . sem terem domecilio certo. tudo contra a minha rezolução que sobre esta matéria mandey publicar no anno de 1689 (sic). c que os Ministros que assi o nâo executarem. 1747. Lisboa. que lhe toca. iii: Col- locçâo II Cartas. p. [Liv. vivendo arranchados e juntos nem officio de que em quadrilhas. e que os annos que a mesma Ley lhes impõem para omissão.

E não continha mais a dita Prouizão que bem e na verdade tresladey e a própria entreguey ao dito Corregedor e por verdade assiney em Elvas aos 17 de junho de 1694. Diogo Marchão Themudo. assi e do mesmo modo que tenho rezo- com os siganos castelhanos que entrarão neste Reyno e na execução desta deligencia que vos hey por muito recomendada poreis todo o cuidado advertindovos sereis seueramente castigado por qualluto . por quanto sou informado que pelas rayas deste Reino tem entrado muitos siganos cas- Dom daquem telhanos. quer descuido que nisto tiuerdes e para que os vossos sucessores não possão alegar ignorância. fl. mandareis registar esta minha rezolu. Archivo da Gamara do Elvas. e se praticara com elles a pena do banimento na forma da ley. e porque convém evitar o grande prejuízo que de homens tam licenciozos e criminozos se pode seguir aos meus vassalos. Thomas da Sylva a fes em Lixboa a 15 de Mayo de 1694. e nas terras aonde não entrardes enviareis a coppia desta Ordem ao Provedor dessa Comarca e da mesma sorte aos Juizes de fora e ordinário delia para que cada hum em sua jurisdição a execute e a obserue assy como a vós volla encarrego. sayam deste Reyno dentro em dois mezes com pena de morte e passado o ditto termo serão hauidos por banidos. João Bress^e Leite escrivão da Camará o escrevi. El Rey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Fonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. João Bressane Leite.. os quais havião cometido muitos e vários crimes. e/c. e dalém mar em Africa. Senhor de Guiné &.] II do Registo dos Alvarás. de que possam sustentarse na forma da dita minha rezoluçam do anno de 1689. remetendo certidão de como assy o tendes executado. çâo nos Livros da Correição e nos das Cameras de cada hua das Villas dessa Comarca. porque da mesma sorte mandarei proceder contra elles pelo descuido que nisso tiuerem. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas que. Hey por bem e vos .» 8. y> [Tombo rio n. armá- 1694 Registo de huma Prouizão de para que dentro em o Corregedor desta Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço Comarca faça despejar deste Reino dois meses os siganos castelhanos intruzos nellc.254 Comarca edictais públicos que todos os ciganos nascidos neste Reyno que logo não tomarem género de vida. de que me dareis conta. 63 v. Braz Ribeiro de AfFonseca.

c passado o dito termo serão havidos e bamnidos e se praticara com elles a pena de bamnimcuto na forma da ley e na execução desta deligencia que vos hey por . para que vossos sucessores não popsão alegar ignorância. Francisco Pereira Brás Castello branco a fes escreuer. advertindovos sereis seueramente castigado por qualquer descuido que nisso tiuerdes e . aos 17 de Junho de 1694. Diogo Marchão Themudo. João Brcssane Leite esescrevi. com pena de morte. Faço saber aos que esta minha carta uirem que por parte de António Roiz de Pinna me foy aprezentado hum meu Aluara passado pia minha Chansellaria do theor seguinte este Dom El Rey faço saber aos que Aluara uirem que António Roiz de Pinna escriuão serventuário do officio das execuções da cidade de Elvas me representou que eu ordenar a Lopo Tavares de Araújo estando seruindo de & — Eu fui seruido . inviareis a coppia desta ordem ao Promesma sorte a todos os Juizes de fora E que cada hum em sua jurisdição a execute assim como a vós vollo encarrego porque do mesmo modo mandarey proceder contra elles pelo descuido que nisto tiueRey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pios Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Affonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. El da Sylva a fez em Lixboa a 15 de Mayo 694.. e nas vedor dessa comarca e da e ordinários d'ella. mandareis registar esta minha rezolução nos livros da correição e nos das camarás de cada Ima das terras villas dessa comarca. fl. remetendo certidão de como assi o tendeis executado. bem e na verdade tresladey e a própria entreguei ao dito Corre- — = gedor em Elvas cit. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarves daquem e dalém mar em Africa snõr de Guine c da conquista & nauegaçam comercio de Ethiopia Arábia Pérsia e da índia &.255 tanto que esta receberdes mandeis logo por em todas as Villas e lugares dessa Comarca edictais públicos em que se declare que todos os que tiuerem entrado neste Reino sayão delle em termo mando que de dois mezes. crivão da [Tombo Camará João Bressane Leite. c observe e aonde não entrardeis. de que me dareis conta. E não continha mais a dita Prouizão que eu Ribeiro de Aífonseca. 1696? Registo da carta do oficio de Thezoiíreiro da Camará por que Sua ma- gestade que Deus guarde fes mercê da propriedade delle a António Róis de Pinna. 64 v]. Thomas rem. nmito recommendada poreis todo o cuidado.

a qual o dito Corregedor encarregou ao meirinho da correição e a elle. antes os envestira com estoque de seis palmos e húa rodella. e varias ordens. nem andarão juntos pelas estradas. que os chamados Ciganos." 8]. ou pessoas. com hua das quais lhe quebrara a espada ao meirinho e ficara brigando com elle somente Alvarás. ou pelos campos. que como taes se tratarem.] 3Sr. aonde viuia o sigano. furtos.256 Corregedor daquella Comarca em Abril de 694 que prendesse a hum cigano chamado Manuel Roiz Roza e hauendolhe por mi recomendado a dita prizão. e se conservarem nas Terras delle. Ribeiro. que os Povos sentem. por ter mostrado a experiência não haverem sido bastantes as disposições da Ordenação do Reino e outras Leis posteriores. e mulheres de ruim vida. e outros homens. não morem juntos mais. por convir muito á Justiça e se lhe bem do Reyno dar- por bem. nem tratarão em vendas. Archivo da Gamara ile Elvas. lingua. 80 do Tombo ii do Registo dos e mais ordens de Sua Magestade. e commettão. — 1699 «Provisão Regia de 9 de julho de 1699 para serem remettidos presos ao Limoeiro os Ciganos». que. nem para que estes. que se acha a fl. o que não quizera fazer. facão com elles escandalosa vida. V. e outros muitos e mandando considerar esta matéria com delictos e enormidades .° Í38 1708 Eu ElRei faço saber aos que esta minha Lei virem. nem pousaráo juntos por ellas. pessoa alguma Giringonça de Ciganos. armário n. e compras. enganos. lhe entrarão em caza na noite de 26 do dito mes. huenas remédio : Hey dichas: e outro-si. e mando que não haja neste Reyno ou de de outro sexo. que hindo ambos a villa de Oliuença. 275. Provisões. índice ehronologieo. P. que em diversos tempos se passarão para os Ciganos não entrarem no Reyno. que use de trage. requerendolhe da minha parte por muitas vezes se desse a prizão. que se lhes agregão. ou . ou um. que até dous casaes em cada rua. nem de impostura das suas chamadas. tirando-lhe muitas estocadas e pancadas. como frequentemente commettem. toda a ponderação. (J. Cartas [Não está concluído este registo.

que frequentemente commettem Fui servido ordenar aos Governadores Reyno todos . e Ciganas presos. da índia. e excessos.257 trocas de bestas. como parecer justiça. a saber. 3G4-366. para serem repartidos por diversas Conquistas. que pelos seus Officiaes os mandassem prender. e para as mulheres. delictos graves. E para que pontualmente S3 cumpra esta minha Ley. t. faça em sua presença deferir. por este facto. com os Desembargadores. e sempre com muita brevidade. lingua. 170-171. com a noticia. para que se passe ordem aos Governadores das Ainms das para que mandassem prender todos os Ciganos. pp. poderá escrever e pedir conta aos Julgadores. etc. . : mesmo para o Brasil.<=* se 1718 Decreto. quando convenha. Thomé. Benguella. . [Ordenações vagantes. 1747. usem fizer. e Ordinários. ii. ainda que outro delicto não tenha. se 17 . iii. ColUcção chronologica deUis extra- Coimbra. ou mulheres tiverem outros delictos de maior pena. que se os ditos homens. . Fronteiras. mando aos Corregedores das Comarcas. e aos Juizes de Fora. e a devassa. a executem em suas Jurisdicções. . S. e Cabo das Armas das E porque se me fez presente que em execução desta Ordem achavão nas cadêas do Limoeiro muitos Ciganos. Por convir á boa administração da Justiça exterminar deste os Ciganos pelos furtos. Lisboa. mandarão logo que os Reos summariamente respondão e com suas respostas enviaráõ os autos ao Regedor da casa da Supplicação. ma dará. 1819. e elle etc. para proceder na forma desta Ley o qual para este eflPeito . Angola. que lhe parecer. radas que forem. senão que no trage. que contra os culpados se deve proceder. Alvará de 10 de novembro de 1708. incorrerá na pena de açoutes. elles lha darão. e e todas as informações necessárias. e modo de viver do costume da outra gente das Terras e o que o contrario . se por ellas tanto se provar. e será degradado por tempo de dez annos o qual degredo para os homens será de galés. ou seja para sentencear definitivamente. e lei/f. Não he porem minha tenção. Hey por bem que o Chancellér da Casa da Supplicação que Verde. l' Tonteiras. ou Ministro se intrometterá nesta matéria porque toda a superintendência delia commetto ao dito Regedor.] isT. e contra os transgres- sores procedão a prisão. ainda que seja de Terras do districto da Relação do Porto e ao dito Regedor mando que com toda a brevidade. deixe de se proceder a execução delia e nenhum outro Tribunal. que dos casos tiverem a qual devassa bastará ser de até oito testemunhas e ti. ou seja para interlocutórias. Ilha áó Princepe. .

Lisboa. não tendo produzido o seu devido effeito as Leys promulgadas para a expulsão delles. xii da Supplieação. Com Rubrica de Sua Magestade. e para que possa ter a devida execusam. as ditas Conquistas os Lisboa Occi- dental 28 de Fevereiro de 1718. e o faça executar. que Povos destes Reynos da assistência dos Ciganos. vol. que tem havido na sua execução . dos Registos do Desembargo do Paço. vol.258 serve de Regedor ordene se embarquem para que se acharem presos. o que o ditto Senhor detremina logo que vosa mercê reseber estta pasará as ordens nesesarias sem demora alguma aos menistros das . 131. mandarão pôr em observância da expulsão resulta aos Por quanto tem mostrado a experiência o grande prejuízo. iii: Collecção II e Cartas. in resoluto.Carias. foi servido ordenar -me que procurase que fosem presos todos os que se achasem e remetidos ás cadeias das cabeças das comarcas. na forma. para que inviolavelmente se executem as referidas Leys. 273. etc. [Livro III Lisboa. foi. e não admitta requerimento algum contrario a ellas. Com Rubrica [Liv. otc. e que nos giros que fazem tem cometido vários roubos e escandelosos insultos.] IST-^ SO as Leys 1745 Decreto. pelo descuido. em que se dos Ciganos. 1751 Copia de huma ordem que manou do Senhor Conde da Atalaja para o juizo da ovidoria e do ditto se enviou para o desta villa e se manda registar. p.] e leys. «Sendo apresentada a Sua Magestade que esta província se acha infestada de siganos. havendo-se introduzido nella contra as leiis do Reyno e hordens reais expedidas sobre esta matéria. p. de sorte que em toda estta Província se não tornem a ver hum só individuo daquella prejudicial gente. Sou servido que a Mesa do Desembargo do Paço faça repetir com mayor aperto as ordens necessárias. in Ordenações iii: Collecção ii dos Decretos e. 274. A mesma Mesa o tenha assi entendido. dando providencia efficaz. que tenho de Sua Magestade. Lisboa 17 de Julho de 1745. 1747. 1747. 14. dos Decretos Ordenações e leys. fl.

Deos Guarde a vosa mercê munttos annos. daquem e dálem mar Africa. Villa Boim de agosto outo de mil settecentos e sincoenta e hum annos. que de presente na mesma sirvo de Provedor & Faço saber ao senhor Doutor Juis de fora desta cidade. Senhor de Guiné & Fasso saber a vos corregedor da comarca de Elvas que Reprezentando-me os Juizes de fora das . a qual me reporto. 103 v. Oliveira. fcyta em nome de El-Rey noso Senhor. Archivo da e provisões da Gamara (extincta) Municipal de Villa Gamara Municipal de Elvas]. depois de as reseber. poderão as justiças requerer aos comandantes delias o aucilio que nesesitarem que pronptamente se lhes dará tudo o que for preciso. Cavalleiro prona ordem de Christo. o farei presente a Sua Magestade para que o mesmo Senhor possa ter com os transgressores da sua Real ordem a severa demonstraçam que mereserem. Conde da Atalaija. a fl. ou a quem em sua abzencia ou impedimento seu nobillissimo cargo tiver e servir. 1753 Registo de huma carta precatória de deligencia fesso «O Doutor Joaquim António de Azevedo Soares.259 comarca para [o] que constando-lhes que nos seos d esachão alguns siganos sájâo logo com os mesmos povos a prendellos. e asinada pellos Doutores Dezembargadores Joze Pedro Emaus e António Velho da Costa. do Desenbargo de El-Rey nosso Senhor e seu Corregedor com alssada em esta munto nobre e sempre leal sidade de Elvas e sua comarca pello dito Senhor que Deos gvarde. Sobreditto o escrevi. aonde as houver. em fé do que me asignei em raso. e se para segurança delia fôr ue- sesario que concorrão as tropas pagas. [Livro II Manoel Rodrigues Figueira^u do Copiador de alvará» Boim. para que constando-me que algum delles. que Deus guarde. de cuja ordem o seu theor e forma de verbo ad verbum he o seguinte Dom Jozé por Graça a — de Deos em Rey de Portugal e dos Alguarves. que me remeterá todos junttos. E não continha mais em a dita ordem. Estremes catorze de Julho de mil settecentos e sincoentta e hum. e das ordens que vosa mercê expedir aos menistros da sua comarca mandará vosa mercê pedir recibos da sua entrega. sem dilasam alguma. em como mim hora me foy remetida huma ordem pello Tribunal do Dezenbargo do Passo. Villa Viçosa quinze de Julho de mil sette centos e sincoentta e hum. de modo que possa ter efifeito huma delegencia tam reterras da sua tritos se commendada por Sua Magestade. Cumpra e pase ordem geral na forma que se ordena. que bem e fielmente na verdade fis tresladar e tresladei. as não observão com a devida exatidão.

José Pedro Emaos.260 Villas de Souzel e Mertola a duvida que tiverão ao cumprimento meu servisso lhe remetera o Sargento mor de das ordens que por Batalha. a cumpra e guarde. porque Devasas só por cazos de ley. digo por reziolução de Sua Magestad^ de dois de outubro de mil setecentos e sincoenta e três e despacho do dezembargo do Paso de doze do dito mez e anno. António Luis Signet de Cordes a fez escrever. Por El-Rey noso Senhor ao Corregedor da Comarca de Elvas. de qualquer qualidade ou condialgumas pessoas ção que sejão. El-Rey noso Senhor o mandou por seu especial mandado pellos menistros abaixo asinados de seo conselho e seus Dezembargadores. e sendo em que foi ouvido o procurador da minha Coroa. ficando assim adisionado este capitulo aos da rezidencia. ele me fez prezente em consulta da fuy servido rezolver e declarar que os ditos Juizes de fora fizerão o que deviâo em nâo executar as ordens do que governa as Armas. e pello que respeita aos siganos hey . E nâo se contem mais a dita em a dita prouizão por virtude da qual mandey pasar a presente para a vos ella ser dirigida dito Senhor Doutor Juiz de fora desta cidade de Elvas ou a quem em sua auzencia ou impedimento seu nobilisimo cargo tiver e servir com nha a qual sendo-lhe apresentada indo primeiro por mim asinada e selada sello deste dito meu Juizo(?) que ante mim serve ou com a mi- rubrica.ambem participar as justiças subalternas de vosso destricto. rezoluçoes e decretos meos he que devem ser tiradas quanto a extracção do trigo. do Paço. fasa munto intei- ramente cumprir e guardar asim e da maneyra que em ella se conthem e declara. e con- que extrahirem trigo para o Eeino de Castella e lavradores que o vendem aos Castelhanos e Portuguezes que o conduzirem ou em suas cazas o deicharem albergar. acoutão protegem ou recolhem siganos. Francisco Varella de Asis a fez em Lisboa a três de Novembro de mil setecentos e sincoenta e três. Cumprio asim. Por rezolução do Dezembargo do Paso. sa- . dando-se-lhe parte do que tra os resultace desta diligencia para assim mo tudo visto na meza do Dezembargo do Passo. que gouverna as Armas dessa Província. mesma meza. e em seu cumprimento e por virtude delia. constando-vos por qualquer modo que do voso destricto. tendo entendido que na vosa rezidencia se perguntará se cumpristeis com esta obrigação. os autoeis e prendais debacho da chave na cadeya da Cabesa da Comarca. de por bem e vos mando que me dareis conta pella meza do mesmo Dezembargo do Paso. que. E esta minha rezolução que mando participar a todos os corregedores ouvidores e provedores deste Reyno e do alguarve fareis i. António Velho da Costa. para effeito de tirar devasa exacta contra os siganos e quem os protegese por ser o meio mais conveniente do socego dos Povos e Bem comum. fazer prezente. de que valha sem sello ex cauza. tenho dado a providencia nesesaria. que também em semelhantes uzo e costuma servir.

sendo feita esta despeza á custa dos bens do Conselho desta dita pagar o feitio e fará merse asim o cumprir e mandar se cumpra e guarde. de qualquer qualidade que cidade e seu termo. e Ex. que os Siganos. serviso a Sua Magestade cidade *. a fl. sejão applicados a servirem nas obras publicas da 111. que no fim hirá declarado. — Archivo Muni- 3Sr-° 33 1756 Aviso para o Duque Regedor ^ em que se lhe ordena.] iii do Registo da Camará Municipal de Elvas. que inquietavào os moradores do Termo desta Cidade. Ao sello valha sem sello ex causa trinta reis. que inquietão os moradores do Termo desta Cidade : Foy . E eu Jozé Bernardes escrivão da Correição o sobescrevy. o que eu não menos farey por outras suas semelhantes. que hora siruo de escrivam da Camará o subescrevi. Elvas sinco de dezembro de mil e setesentos e sincoenta e três. dirigio na data de 13 do corrente sobre os Siganos. escrivam das ^ecuções. E não se continha mais em a dita precatória que fiz regystar bem e na verdade e não leva cousa que duvida fasa. Falcato. e asynatura e sello desta. [Tombo cipal. executando tudo na forma da Provizâo de Sua Magestade. Joachim António de Azevedo Soares.™» mesma Cidade. Excellencia me Fazendo presente a Sua Magestade o Aviso. E eu João Pereyra Coelho. e vosa merse nie mandará pasar certidam de como esta lhe foi entregue e a cumprio como também mandará dar seja. Esta vai subescripta por Jozé Bernardes escrivão proprietário do oííicio da correição em esta cidade de Elvas e sua Comarca etc. os actue e prenda logo na cadeya publica desta cidade. sendo-me aprezentado da sua parte pedido e deprecado mediante Justiça etc. 203. em fée do que a fiz escrever subescrevy e asynei de meus sinais costumado. tudo a justiça que costuma e he obrigado em rezão de seu nobelisimo cargo que ocupa e admenistra. João Pereira Coelho». Elvas dois demarco de mil e setecentos e sincoenta e quatro annos. Dada e pasada em esta dita cidade de Elvas. nesta incerta. que vosa merse mandará cumprir tam inteiramente como nella se conthem.261 bendo Vossa merse que alguma pesoa. Paguarse-ha de feitio desta ao todo contado na forma do Regimento duzentos e setenta reis e de asynar e sello noventa reis."»o Sr. feita em ella ao primeiro dia do mes de Dezenbro do Anno do Nascimento de Noso Senhor Jezus Christo de mil e setecentos e sincoenta e três annos etc. José Bernardes. e de vosa em que Deus guarde e a mim mersé. por algum modo acouta. que V. protege ou recolhe siganos. desta dita . Cumprace.

que de : . sejâo applicados a servirem nas obras publicas da Cidade. 1758. e Escravos. que lhes poderião servir de adorno E que as mulheres vivão recolhidas e se ocupem naquelles mesmos exercícios de que uzão as do Pais e Hey por bem que pelhi hibidas. mais leve transgressão do que neste Alvará Ordeno. Deos guarde a V. pag. aos adultos se lhes assente praça de soldados. em que possão ser transportados os Siganos. valíio c Mello. Lisboa. prohibindo-se a todos poderem comerciar em bestas e Escravos e andarem em ranchos Que não vivão em bairros separados. e lhes não seja permittido trazerem armas. Thomé. e carregados de armas de fogo pellas estradas. não só as que pellas minhas Leis são pro: : nenhuma maneira se lhes consentirão. = Sebastião Joseph de Car- {Memorias das principaes providencias que se derão no terremoto. nem todos juntos. nem ainda nas viagens. ou se facão trabalhar nas obras publicas pagando-lhes o seo justo salário. 106.] 1760 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará de Ley virem que sendome presente que os Siganos. nem per meyo de Apellação. onde com declarada violência praticão mais a seo salvo os seus perniciozissimos procedimentos . que lhes ensinem os officios e artes mecânicas. que se condemnarem. que nào havendo presentemente navio para Angola. e fasendo-se formidáveis por andarem sempre encorporados. Excellencia. e por algum tempo se repartão pellos Prezidios. o que for comprehendido nella seja degradado poj toda a vida para a Ilha de S. ou do Princepe sem mais ordem e figura de juizo. cometendo continuados furtos de cavalos. a 15 de Mayo de 1756. que deste Reino tem sido degradados para o Estado do Brazil vivem tanto á disposição da sua vontade que uzando dos seus prejudiciaes costumes com total infracção das minhas Leis. causão intolerável incomodo aos moradores. como para correcção de gente tão inútil e mal educada se faz precrso obriga-los pellos termos mais fortes e eficazes a tomar a vida civil sou servido ordenar que os rapazes de pequena idade filhos dos ditos siganos se entreguem judicialmente a Mestres. considerando que asim para socego publico. ou Aggravo do que o conhecimento sumario que resultar do juramento de três testemunhas. que padeceu a Corte de Lisboa no anno de 1755.262 mesmo Senhor servido mandar declarar a V. de sorte que nunca estejão muitos juntos em hum mesmo Prezidio. . que deponhão perante quaesquer dos Ministros criminaes respectivos aos destrictos. Excellencia o Paço de Belém. mas tãobem aquellas.

e provada quanto baste se execute logo a sentença do extermínio. e a todos os Governadores. aos Governadores das Rellações da Bahia e Rio de Janeiro.] 1760. e Cappitães mores delle. e para que venha á noticia de todos. e a todos os Ouvidores e mais Ministros. Desembargadores delias.] 1761 Provisão de 8 de Fevereiro. 786. 17501762.263 onde fizerem a transgressão. lançando-se este próprio na Torre do Tombo. Lisboa vinte de Setembro de mil. p. sem que delia possa ter mais recurso.° se (sic) 1800 Rezisto de e huma ordem do Entendente Garal da Policia da Corte Beino para o Doutor Corregedor desta Comarqua a qual tíemeteo ao Doutor Juis de Fora desta Cidade na forma seguinte. Supplemento á Collecção de legislação portugueza. a qual 3sr.' 749-750. como nelle se contem. e se não possa alegar ignorância será tãobem publicado nos Cappitanias do Estado do Brazil e em cada huma das suas Camarás e se registará nas ditas Rellaçoes. —António Delgado da da legislação porlugueza. relativa á lei de 20 de Setembro de nada accrescenta de interesse. [António Delgado da Silva. pois os Re- petidos fatos dos trangresores das edicadas Leis teem feito ver que os soberditos magistrados não cumprem o que nelas lhes he ordenado o que obrigou ao Genaral Dom Simmão Trazer a Reprezentar ao . x do Registo do Real Archivo. onde semelhantes se costumão registar.*" [Registado a Silva. pp. 351 do L. e registará na minha Chancelaria mor do Reino. ColUcr^ão foi. Vou munto Seriamente Recomendar a Vossa mercê que especa as ordens mais percizas a todos os magistrados da sua respectiva Comarca asim de vara Branca como ordinários avivandos da exze- cução da Lei de vinte e sinco de junho de mil e setesentos e secenta c com particolaridade o paragrafo doze dela e a de vinte e sinco de Dezembro de mil e seissentos e oito que fas parte da mesma Lei c a de quinze de janeiro de mil e setesentos e oitenta. o qual se publicará. setecentos e secenta. e Officiaes de Justiça do dito Estado executem e façâo observar sem duvida este meo Alvará. 1750-1762. Pelo que Mando ao Presidente e Concelheiros do meo Concelho Ultramarino. e nas mais partes. Rcy •'• etc. ao Vice-Rey e Cappitâo General de mar e terra do Pastado do Brazil.

esinciahnente em huma congetura que ofresem as critiquas sirconstancias e que são bem manifestas não se contentando Vossa mercê em recomendar a exzecução destas deliobgetos. pois que digo os que tiverem pois nestas sirconstancias devem ser logo prezos e apreendidas também as fazendas que se lhe encontrarem sejam o se ocopar vivendo de furtos que fazem e da mendacidade o ósio os condus em que depois ficão servindo de grave não de contrabando dendo-lhes. huma especia de contrabandistas que andão vendendo pelas cazas e mascarandose e por este modo não só exzeminão as entradas e saldas delas mas também costumão ganhar alguns dos domésticos que sara mais a seo salvo porpetrarem os robôs e furtos que intentão fazer. e Iguahnente na confermidade da ordenação do Livro quinto Titolo secenta e nove e dos decretos e Alvarás que vão nas coleçoins numaro primeiro e segundo ao dito Titolo e desesete de janeiro de mil e seissentos e seis e de treze de setembro de mil seiscentos e treze de vinte e quatro de outubro de mil seiscentos e quarenta e sete do decreto de vinte oito de Fevereiro de mil e setecentos e dezoito prendão todos os siganos de um e outro seco que vivão sem domecilio e andem vagos no Reino."" Governador das Armas dessa Província que o ausseli na prizâo dos referidos siganos que por ela andarem vagando e nesta regra entrarão alguns engeitados e filhos famílias que andão fugi- dos girando de terra em terra sem se asoldadarem nem procorarem em que a que pezo ao estado consta finalmente nesta entendencia que muitos dos Ladroins que de novo teem aparesido são. gencias aos soberditos magistrados mas vegiando se cumprem estes as çuas obrigacoins e asim continuar Vossa mercê.264 Príncipe Nosso Senhor a grande dezerção das Tropas auseliares que estão debaxo do seo comando neste Reino. sempre foi nesceçariio huma grande circonspeção a vegilancia de tão emportantes mas munto mais. e neste Reino teem entrado outros muntos estrangeiros sem se legetimarem como ordenâo as soberditas Leis que se citoaram. que os masgestrados não cumprem as Leis e os dexão tranzitar para a Espanha. emquanto estiver regendo essa correição. e os filhos destes de que falo de um e outro sesso remetermos vossa mercê con toda a caridade e comedamente não lhes faltando ao nesceçario alimento conduzindos em carros e cavalgaduras aos portos do Mar mais prochimos para delles virem para a Rial Caza pia desta Corte e nela serem instruídos namorai Christã e nas obrigacoins suciais e aprenderem as Artes e manefaturas e aqueles que pelos seos talentos se recomendarem as mesmas siencias pedindo Vossa mercê ao Illustrissimo Ex. se as fazendas forem de Lei o elas forem de contrabando e nestes casos : e as aloará formando-lhes os seos porseços vencomo contrabandistas se Lembro a Vossa mercê o capitolo vinte sete da prematica de mil e setesentos e quarenta e nove como também a Lei de quatorze de Novembro de mil e sete .

» [Livro VI do Tombo do Registo da Camará Municipal de Elvas. Diogo Ignacio de Pina Manique. espero da atividade e luzes de Vossa mercê cumpra e faça exzecutar o que tenho ordenado nos respectivos officios que estes fins tenho espedido a esse Lugar e avivar egualmente a exzecução das indicadas Leis para que de foturo os Lugar asim o cumprão enteiramente e facão exzecuVossa mercê fará rezistar o presente officio nos Livros dessa Correição. e munto parti colarmente estando Vossa mercê como meo comiçario a comprir e fazer e exzecutar o que ordeno e também para de futuro recomendo a Vossa mercê que leia liuma e muntas vezes o seo Regimento de Corregedores que litaralmente deve observar em toda a sua Comarqua e que deve praticar adetrito como Corregedor e Prezidente dela e munto principalmente sobre as plantaçoins e rezalvas dos chaparros enxertos dos zambogeiros e abreturas de algumas terras próprias para as semanteiras dos pains de toda a especia segundo a qualidade do terreno o pedir e lembro a exzecução dos officios que deregi a esse lugar nas datas de vinte sete de Maio e de treze de Julho de mil e sete sentos e oitenta exzecutando o que dis respeito a este officio nas terras de donatários adonde não entrar a correição para nas mesmas terras fazer Vossa mercê observar o que neste lhes ordeno e o que ultimamente ordenei no officio que deregi a essa Provedoria em sinco do presente mês relativo aos 'engeitados nas correiçoins que fizer proguntara Vossa mercê se tem litaralmente exzicutado o ordenado no dito officio para Vossa mercê me dar conta da sua observância e se hover alguma omição.265 sentos e sincoenta c sete mas previno a Vossa mercê que deve ese- toar desta regra as fazendas que vão endiretura para espanba pois o que acabo de ordenar entendese a respeito das fazendas que se andào vendendo pelo entrior do Reino estas delegencias deverá Vossa mercê ter sempre em vista é não só contentarsse em dar as çuas ordens mas vegiar cuidadosamente nas ezecuçoins delas como já referi a Vossa mercê. da parte dos exzecutores. a fl. E não continha mais no dito inserto em huma depercada que veio do Juizo da Correição. Deos Guarde a Vossa mercê. Lisboa doze de Julho de mil oito sentos.l 3sr_^ ST 1848 «Deve cuidadosamente exigir-se passaporte aos bandos de ciganos que transitarem pelo reino. para o Doutor Juis de Fora a quem entreguei e a mesma me reporto e eu António Joaquim Pereira escrivão da camará a fiz escrever. afim de se exercer contra os que o . — quim Pereira. 85 v. remetendo-me certidão de asim se ter exzecutado. António Joaseçores desse tar.

Lisboa. salteadores. ou ficão pêra nunca mais Trecho da descripção dumas festas na villa de Pedrógão grande (Bcira-Baixa) na obra de Miguel Leitão d'Andrada. (Código administrativo. E quanto às ciganas não as quis acceitar nesta festa o senhor deuoto antes as despedio. matadores. e chaE quem a pudesse dar a todos por amor de Deos faria bem. Embaidoras que por dous vintêis. onde estaua hua taça de prata com guarda. que esmolla à porta quero se lhes dê. nem temor delia.sboa. que ao indigno. não duuidarão trazer á vossa escraua. Gal. ou dois pais. mostrar selo. por os ter por indinos delia. Outras cousas fora dessa. Misccllanea do sitio de Nossa Senhora da Lvz do Pedrógão grande. xii. sei Bem ridade terá o seu merecimento.266 não trouxerem a correcção e repressão ordenadas na Lei de 20 de setembro de 1760. E ainda à casada a titulo de o marido lhe querer bem. como haa fonte de vinho.] Miguel Leitão d'Ândrada sobre os ciganos ^ Crisp. e o mesmo solimão pêra matar seus senhores. hua dança de Ciganas que eu encontrei no caminho. porque forão ellas muito pêra se ver. Deuot. Tomo i. ' pg. Tenho tamanho aborrecimento a essa gente. e enganar a simplez donzella c5 nome de mesinha pêra o outro casar com ella. que de cima corria em hua bacia por hua pena. e elle dirá o porque. 18 Março 1842. Eezão tiuerão esses senhores. quando isso não fosse occasião de pecar ou de não deixar o peccado. 181. 151. sem ley. Ined. que o sol a todos allumia. deixei eu por serem miúdas. etc. 1629. Disso me marauilho eu muito. por donde se deue dar a todo o necessitado. que o senhor deuoto mandou por a nossa porta. (O prologo foi escrito em 1G22. ou qu(. porem quem não pode se não limitadamente. 335-310. ladrões. Eepertorio admiràstrativo. U. e fazendoas mal parir. p. nem Cr-isp. porque a esmola dada por amor de Deos ainda que seja a indino não deixara de ter o seu merecimento. quais são quasi todos estes Ciganos. que a esmola conforme nellafoy o intento. parece a deue antes de dar ao dino? Deuot. e os muytos que dizeis aqui SC acharão nestas festas. ou criada a peçonha. Portaria circular 18 abril 1848. e ellns ladras. . Porem ainda me parece vos ficou por contar.) Dial. e de 1854.) « [Henrique da Gama Barros. 1860. e bebião quantos querião. feiticeiras inquietadoras da honestidade das molheres. lhe dão com que os coitados vão ao outro mundo fazer experiência da mesinha. E ainda que o não seja basta ser por amor de Deos.

E esta gente com auer tantos centos de annos que £'spanha os agasalhou. e descuidados. que he o mesmo. e que disso^morreo assi mal. Os quais de Zigaros se chamão ciganos. com achaque de bona dicha. que gouernão. senão pêra milhor inteligência de suas malas artes. ou Gitanos. estes o são por officio. que digão que o marido era hum amancebado. porque sendo Gregos que se vierâo fugindo dos Turcos. e se hirião acabando de sair do Reyno. que quasi elles mesmos não sabem de que nação ou Reyno procedem. Supplementum chronicarum que de certos pouos chamados Zigaros. porque vzando tudo isto como vzão por officio os não possamos en- tender. a quantos isto cada dia acontece. E sabe Deos. e andaua toda a noite. embarcandoos diuididos pêra o Brazil e Angola e outras nossas conquistas. e por carta. ou delles estes mãos costumes. E pello contrario. Agasalhãdoos Portugal vindo perseguidos dos Turcos vzão tão mal desse gasalhado. latrocínios. prestar.267 Então a descarga disto he. e palpandoo cada dia e cada hora a nossas portas. e aozadas. e embelecos. como diz lacobo Philipo Bergamate no seu livro. que ninguém attenta nisto. e dentro de nossas próprias casas passão por isso. em poucos annos logo falia a lingoa desse Reyno. e parece são estes de Portugal. e suas próprias mulheres. pêra nella se lerem e vsarem de liuros Catholicos. que deue ser a que lhe ouimos falar. : E . muito mais cautelosamente. se sahirão a encher toda Europa porem que nenhures os consentem mais de três dias. o como. ou de sciencias e artes que troxessem boas. estas lombrigas ou digo Biboras que o estão roendo de continuo por todas as partes de seu todo. pola sutileza de seus furtos. E seja verdade que todos somos peccadores. e quando isso não parecesse. e falo de sciencia certa. E he de que se hum nosso Português vai ser morador em outro Reyno. falo dos nós tão cegos. e vendoo. e beneficio. e agora pêra a noua pouoaçâo do Maranhão poucos a poucos em cada nauio que fosse. e com mais com hum ferido de peste. e seus filhos ja nella e em tudo o mais como naturais mesmos da terra. fazendoos viuer dentro no meyo das cidades repartidos pello Reyno. e males que nelle não se sabiâo. ou enganos. se fazem jEJgipcios. E os que introduzirão em Portugal mil feitiçarias. e que por essa causa os Venezeano£. que o puderâo remediar. E o não perderem nunca a sua lingua não foy por certo. nem ainda zombando ou rigor que notar. e que nuca deixarão a sua lingua Chaldea. e os que gouernão as Republicas desuelando-se tanto em novas prematicas sobre ninharias. Por onde eu aconcelharia a todo o home que euitasse o fallar qualquer cousa sua com esta gente. E pudera isso ter muyto bom remédio. E não sei como os conselheiros dos Reys. não buscâo remédio a cousa tao importante como fora não estar Portugal e Espanha toda criando em suas entranhas. vedandolhes o yzo do trajo. e delle se mantém. e os terem por sospeitos os lançarão de todas suas terras. e sendo Chaldeos.

Cordoeiros. e instrumentos de roubar. Deuot. rodas de esparteiros. com malefícios. e chagas com este intento.268 e da lingoagem. E goardandose cõ rigor não se cortariâo muitos os braços a si mesmos cõ a cobiça de pedir. ou polias ruas e outros exercícios. E os aleijados de mãos. ou tribunal só pêra isso. cirgueiros. E da mesma exercícios conuenientes. e pelos mais chegados nossos. Deuot. E passão com toda a liberdade. e o sair fora das Cidades e villas. E puderão as Republicas ou os Reys criar Magistrado. e pagarlhes ou mantelos (como dizem o fazem na China. Não he essa boa consequecia que cada dia vemos darse. ouriues. e trabalho de que se manter conforme sua sufficiencia. como çapateiros. Também esse he hum grande descuido dos que gouernão não atalharem a essa desordem com algum remédio. como tudo. e ordenações excelentes sobre isso. e de noite pedindo e lamentando-se com hua voz muito lastimosa. e outros. e o mais que aly ha. conforme o aleijão. dandolhe leys. e na ribeira das nãos a puxar por cordas. egoarizos e caminheiros. de dia. e outros mil excessos cada dia vemos. O que he muito importante. e regimento. e mais essencial. que só vzâo a fim de fazer gazuas. pastores. alfayates. obrigando alternadamente aos officiaes siruirense delles. que ja não se praticão nem se goardão. e acharse remédio a cousas que a nossos mayores não passou por f)ensamento. e outras rodas. ou vender em tendas. e nem cegarião muitos pays os filhos minimos acinte pelos lançar a pedir (como se diz por cousa certa o fazem em certos lugares) nem se farião outros a si mesmos outros aleijões. Pondo se os coxos a officios que não hão mister pernas. Crisp. e em portas de fidalgos. tirandoos das tauernas que destes de continuo 'estão cheas. e toada muito prolongada. Pois a verdadeira charidade deue começar por nós mesmos. porteiros de concelhos. o que ou outros remédios se lhes atalhasse o furtar. Aplicando a todos o exercício. Quanto mais que leys ouue. e outros E o pedir esmola que aos pobres se deue necessitados (que ha muitos nossos naturais) e não a elles que podem bem com trabalhar remediar sua vida. Crisp. como ha naturais que por se darem a boa vida se lançâo a pedir. ou obreiros nas alheas. Não deue de o ter pois que tee gora se lhe não deu. Nem por isso deixaria de auer outros ciganos. e a seu aluedrio de cada hum. e os cegos nas casas dos ferreiros. e maneira se puderão poer as mulheres a officios e acõmodandoas por casas a seruir onde . e obrigandoos a officios com tenda sua. Nem estado em que andarião tantas mulheres pêra sustentarem o mao viuem. tanger os folies. E que não fossem ferreiros. lapidarios. E a ellas o mesmo a officios. e mandando vir de lá essas dizem são excelentíssimas em muitas cousas) que as leys leys que em todas as idades se buscarão e passarão de huns Reynos a outros pêra tomar delias o mais conueniente).

Nâo aueria tantas desordens. E desta ou de outras maneiras mandandose o primeiro com todo ninguém pudesse pedir sem expressa licença do tal tribunal ou magistrado. e tyranizarem e nas Igrejas mais quietação pêra as pessoas se poderem encomendar a Deos. E com trazer essa tal licença ao colo escrita em taboas. e enuergonhados tantas necessidades. e peccados mortais. Deixemos os pobres Ciganos. e com letras muyto grossas e de forma. E muytas vezes extremas. se quer por rezão de estado. e a Deos. e o rigor que bastante esmola pêra quem direitamete pertence e não padecerião os necessitados nobres. e yr as cousas por onde vão. por estes velhacos lha vsurpaaueria rem. que nos não auemos de gouernar. que he vergonha ver isto. sem auer quem acuda a esta calaçaria. vedandolhes o pedir dentro e o dar a esmolla dentro. Assim seja. o senhor Galacio de me Deuot. nem emmendar o mundo. pois basta pediremna à porta. e ellas logo se darem a esta vida calaceira de pedir com seus capelos. e bordão. e sombras. como ha nem tantos males. .269 estiuessem recolhidas. E pois me fes mercê festejarme tanto esta tarde. donde poderemos yr dar quatro passeyos por recreação refrescandonos por essas fontes. Crisjp. juntemonos aqui à manham. e vos aueres de dar algumas.

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em 1686 que vemos generalisado o desterro para uma parte do Brasil. como em Portugal. as medidas legislativas não conseguiram fazer desàpparecer os ciganos nem sequer os seus costumes inveterados. mas é só no fim do século seguinte. como nos outros países europeus ou de civiHsação de origem europea. n. imposta a * um que nos mostra cigano.« 34. Não seria naquelle século tal caso o único do género . Emfim o Alvará de 1760* sejo mostra-nos que no Brasil persistia o modo particular de vida dos ciganos e que. Doe.°« 2 3 4 22 e 23.APPENDICE 11 OS CIGANOS DO BRASIL Entre os documentos que reuni ha um já em 1Õ74 a pena de galés.° 38. 267. conforme ao deque fora expresso. mais de meio século. p. * Doe. n. Doe. com- mutada em desterro para o Brasil. Does. graças ás condições particulares d'aquella nossa antiga colónia. o Maranhão 2.se No Brasil. n. reunindo. . elles se atreviam a praticar violências.o 5. em numero e com armas. n. antes por Miguel Leitão d'Andrada^.

Paris. homens. 1820). mulheres.272 Um no começo nos mostra viajante inglez que percorreu uma parte do Brasil. de cor acastanhada com feições semelhantes ás dos brancos. Ouvi muitas vezes fallar d'elles.*» nem com acabo de indicar se resumia o que apurara dos ciganos do Brasil quando me chegou á mão. creanças trocando. uma vez por anno. vol. que não vão nunca á missa ao confesso. e como fossem feitas tentativas para prender alguns. Diz-se que não observam nenhuma pratica religiosa. na aldeia de Pasmado e noutros sitios da província (de Pernambuco). accrescenta-se que se casam só pessoas da sua raça. (l'este século. as visitas acabaram. Pintam-nos como homens altos e bem feitos. As mulheres jornadeiam assentadas entre os cestos. II. Jay. mas os : compõem não são em numero bastante grande para que a classifiquemos entre as grandes divisões da espécie humana que formam a população do Brasil. por obsequio Ao que Henri Koster. sem pensar em se apearem e repar- tirem as cargas por todos os animaes. quando os seus cavallos de carga estão ajoujados sob o peso. Bandos de ciganos tinham por costume mostrar. vendendo cavallos e jóias de oiro e de prata. p. Voyages dans la partie septentrionale du Brésil depuis 1809 jusqu'en 1815. A. Vagueiam em bando. de Fanglais par M. mettem os filhos Os homens são excellentes cavalleiros. em cavallos albardados. 1 Da curta noticia de Koster é extrahida a que com 1818. IV (Paris. nos cestos misturados com a bagagem. t. trad. contentam-se com abrandar o passo das cavalgaduras. deu-nos a seguinte noticia que bem «Resta-me ainda indivíduos que a a persistência d'aquella gente fallar de uma raça de homens. comprando.se noutros tempos. mas o governador era inimigo d'elles. mas nunca tive occasião de ver um só. 474. — . esses homens excitam alem d'isso menos interesse que os outros: todavia não se pode passar em silencio os ciganos^ (porque é assim que os chamam). . o titulo de Zingaris au Brésil se lê in Nouvelles annales des voyages.

o cruzamento com as três raças existentes eífectuou-se. Não ao Rio de Janeiro os seus avós e parentes nove famílias de roubo de em razão um para aqui degradadas. Ciganos.» ções.° 204 pp. nas minhas investigasegundo o sr. Pinto Noites. que chegaram ção. de p. 18. esse velho. outra collecção no Parnaso hrazileiro (Rio de Janeiro. suppondo rigorosamente histórica a noticia da migração das 1 Mello de Moraes Filho. 1886. *. o qual tenho á mão. Os rezariam de quebranto e leriam a buena dicha. um volume que se occupa do assumpto. não permittindo que se ensine a seus filhos. deu-lhe noticia de famílias importantes brasileiras cruzadas com os ciganos. sendo o cigano a solda que uniu as três peças de fundição da mestiçagem actual do Brazil». t. quintos de ouro attribuido aos ciganos. 609 a 624. Aqui ha um exaggero evidente. falla-nos depois da legislação portuguesa acerca d'esse povo e cita um decreto de 11 de abril de 1718 segundo o qual «foram degradados os O ganos). a fim de obter-se a sua extinencontrei esse decreto. «Foi por essa data. De um lado. ferreiros. 18 . estimável e venerando calon (calo) de 89 annos. — de prodigiosa memoria. Os Ciganos no Brazil. Rio de Janeiro. L.» Segundo o auctor.273 do sr. que não 155 : Trovas O mesmo auctor publicou um Cancioneiro dos O volume que examinei contém de pp. as mulheres : muito interessantes. 1885) do mesmo auctor. com ciganos do reino para a praça da cidade da Bahia. de Vasconcellos. Ha excerptos de uma e vi. O auctor pretende que: «A reproducção entre si (entre os ciganos) deu-se em grande escala . mas com referencia quasi exclusiva aos ciganos do Rio de Janeiro auctor dessa obra começa por considerações de segunda mão sobre as primitivas migrações dos ciganos (tsivarias inexactidões. e de outras particularidades degredados de 1818 entregar-se-hiam ás industrias dos metaes seriam caldeireiros. latoeiros e ourives. ii. ordenando-se ao governador que ponha cobro e cuidado na prohibição do uso de sua lingua e giria. 113 a ciganas e Novo Cancioneiro.

únicas desterradas para o Brasil no século xviii. O alvará de 1760 prohibia aos ciganos do Brasil commerciarem em escravos. um 3. os ciganos não perdiam algumas das peculiariadadcs da sua raça. sargento-mór do regimento de milicias da corte «a quem a historia nacioum dia considere como uma força nas agitações nal talvez politicas da independência». primeiro e outras são communs nos diversos povos da Europa. demais. passassem para alli mais ciganos. quanto ella é menos adeantada. que alcançou immensa fortuna como media. sem outras provas. e falla-nos de calo rico. Joaquim António Rabello. . Mas as superstições e os Num em que ha ensalmos que nos apresenta divergem muito pouco de superc stições e ensalmos vulgarissimos entre o povo português aos quaes me porque umas é impossível attribuir origem cigana. á civilisação brasileira. neiro na compra de escravos e veiu a ser marquez de B . porque o nivel do brasileiro era geralmente baixo. O em Mello Moraes pretende. que 1808. fonte de superstições brasileiras. O sr. para onde já anteriormente teriam ido algumas.274 nove não pode admittir-se que tenham sido as famílias. sem citar documento. estão por tal forma cheios de . Mello Moraes falla-nos d'essa lucrativa occupação dos ciganos e allude a um M. outras muitas coisas inconsicapitulo attribue auctor o grande papel ao cigano como deradas. . EUe elevava-se em verdade facilmente ao nivel do brasileiro. que no brasileiro haja tanto sangue cigano como o auctor parece estar disposto a fácil acceitar. e segundo porque podemos seguir a sua historia. Esse phenomeno é apenas mais uma exemvirtude da qual um povo de civilisação rudimentar se adapta tanto mais rapidamente á civilisação phíicação da lei em de outro. calo de raça. pelos peores lados. com a traslação da corte portuguesa para o Kio sr. Os ensalmos e pragas dos elementos ciganos.. de outro lado não é de admittir. Adaptando-se assim. . alguns séculos atrás em o nosso pais e por mais largo espaço de tempo noutros paises.° de Janeiro.

Sem duvida na índia. cap. William Henderson. John Brand.275 que logo á primeira vista se desconfia da sua originalidade. Lenormant mas a comsaçoes. (Porto. ir. F.^ serie. 255-319 Northern counlries of England and the Borders. NorddeutscJie A. xxxvii e xxxviii. paração revela que o que dos ciganos do Brasil nos communica o sr. Sagen. Sage. . por . Adolpho Coelho. A. pp. n. A. etc. 1866. t.°' 1054-1072. em extremo 1 prosaicas . Indische und germanische Segenspriiche fur Vergleichende Sprachforschung. Costumes e crenças populares in Boletim da Sociei. por via de regra. ger. 11. R. Kuhn. F. Sauvé in Revue celtique. pp. . vi. iii (1874). Mello Moraes se parece muito mais com os ensalmos das benzedeiras e feiticeiras portuguesas que com como os ensalmos portuguemais dos outros povos europeus que ses se parecem com os os exemplares indianos. . Mélusine. 269-278 Idem. Idem. 67-85. L. xxxvi. Grimm. orações e ensalmos do Minho in Romania. Notes on the Ft Ik Lore of the III. 114-151. 2. 1-29. 633-668. Deutsche Mythologie. i. de onde veiu esse povo. já no Rig-Veda. A em A As praticas de feiticeria. dade de geographia de Lisboa. encontramo las também nos documentos de outras velhas civili- exemplo nos textos cuneiformes de Babylonia. Aus Schicaben. 4v4. in Zeitschrift 113-157 . vulgarisados ate nas obras de Fr. p. etc. 393-430. 431-444 Wesffalen. 441-463. 405. idem. Observations on popular Antiquities. Indische Studien. todavia concebe-se que não deixe 2 A. Fr. Romances. 560-578 . ed. As superstições portuguesas in Revista scicntifica. 119-215. 1882). Cantos populares espanoles. tempo os asiáticos. como os das suas collegas portuguesas. ibidem. Birlin- 377. e os outros trabalhos dos folkloristas portugueses. assim com minha conclusão é que os ciganos se dos formulários das nossas benzePortugal apropriaram deiras e feiticeiras. christãos encontramos coisas do mesmo género desde remota antigui^ dade. pp. iv (1858). xiii (1864). pp. Ueher zwei entdeckte gediclite aus der Zeit des deutschen heidentliums. Weber. demonstração dessa Ihese exige de e espaço que agora não posso dispor 2. os ensalmos das ciganas. Mãrchen und Gebrauche aus . são. 1877. Contento-me com indicar alguns elementos para o estudo da : questão J. 512528. Marin. Kuhn und W. 49-74. Ueber Marcellus Burdigalensis in Kleinere Schrlften. Idem. 11. Idem. 108-142. London. Schwartz. e sobretudo no Atliarvaveda . pp.

segundo o já referido Pinto Noites. O casamento era por via de regra o resultado de uma combinação dos pães e não a almejada consequência do amor. diz o auctor. . excepto os frequentes de surdi- mudez. elle não hesitava em revelar o segredo e tratava. Tratam-se por alcunhas. não tinham passado da phase primitiva.?» Esse costume . Se a um pae cuja filha não soubera conservar-sc pura esta era pedida para noiva. estendem o braço. Os casamentos dos ciganos do Rio de nos ainda o sr. o Migim-Migim.se de a casar com um qiierdapanin {á. o primeiro contava mais de vinte mortes. até 18Õ0. e com um tom de voz plangente e vagaroso. imitaram-no as creanças ciganas das portuguesas. . como os fadistas taes sao. são raros os casos pathologicos congénitos. Apesar dos casamentos consanguineos. «As mulheres não dão a mão a apertar aos homens. alcunhado e outro o Eola^ foram notáveis nos annaes do crime. o : Beijo j o Rola^ já referidos. Os homens Na empregam-se geralmente no foi foro e são honestos. e estçs. o Papagaio ^ o Pernas finas (ciganos da Cidade Nova). informa- Mello Moraes. português. Bahia e Maranhão. Minas. Janeiro.276 de produzir certo effeito a phrase seguinte do nosso auctor: «A cigana é a sacerdotiza da nossa theurgia popular! » colónia cigana da Cidade Nova. quando se encontram. marinheiro. dizem: Abença. e esse consorcio com o estranho importava a exclusão igno- miniosa da tribu. o Catú^ o Come-jpolvora (ciganos de Minas). letra: «faz agua». não poderá haver menos de quinhentos habitantes. Mas se a filha era virgem havia grande . Nenhum até ao presente processado por ladrão nos dois últimos decennios de sessão de jury apenas dois foram condemnados e por ferimentos leves. trocam entre si como saudação as palavras: «Olé! olá! olô!» Os filhos não beijam as mãos aos pais. colono). assim como ainda hoje nas partidas de Minas. Numa nota lemos que dois ciganos de um o Beijo ^ parente de Pinto Noites.

os suspendiam da cabeça. e o marido mostrava no Gade as rosas da pureza aos alaridos do festim . «Então nelle entravam os desposados e as duas sacerdotizas.» O auctor do livro não consagra nenhumas observações particulares á religião dos ciganos. passando ura ao outro os cirios que sustinham. enxugando na camisa de cambraia as gottas de sangue da virgindade. das matronas despia a noiva. «Quatro tochas accesas.* . lado da sala. acha- vam-se superpostos.277 satisfação c preparava. assistiam no . a inquietação transparecia em todos os semblantes o rito sagrado do Gade ia cumprir-se. desdobravam os lençóes. As janellas fechavam-se. . cinco lençóes. ficava pertencendo ao esposo. embebido de aromas suaves. . mas do que diz concluo. despedaçava a membrana hymen. . coberto de folhas de alecrim. os padrinhos «Uma largavam os lençóes. que também eram quatro.se a festa da boda. gina.se o catholicismo que os do Rio de Janeiro adoptaram por completo na sua forma popular. a um signal ajustado. derramavam sobre o linho uma luz de âmbar e ouro. encostadas a uma mesa. de envolta com as superstições tradicionaes portuguesas. «Logo que uma mulher gravida estava a termo. e que as dores preparantes a arrojavam na cama. . . adiantando-se os noivos e as duas madrinhas «Sobre um movei. para que eram havia danças. . juntando as extre- «E midades. os padrinhos. deitava-a sobre um o dedo indicador no vestibulo da vaintroduzia-lhe leito. alongando o braço opposto e formavam o quarto onde o sacrifício incruento (?) deveria celebrar-se. (íA meia noite retiravam-se todos para um . banquete. «O Gadej solemnemente acondicionado numa caixinha de preço. aromatisados com alfazema e salpicados de flores. alvos como uma hóstia. des- convidados até os inimigos e em que cantes. «Vestida novamente. que o guardava para sempre como penhor de sua alliança.

defumada de alfazema. «O nome que Jhe punham drinhos. «Na mesma noite ou na immediata havia cantoria e bailado. «Jóias e objectos de valor cada um lhe oífertava. e. encorajando-a. e os parentes entravam para vê-lo. sahimento dirigia-se á igreja. «Para que os visitantes não trouxessem maus ares e não levassem a felicidade que tivesse trazido o pequeno. servindo o dinheiro para a compra do enxoval. dos palançavam sortes. fazendo-a recordar do quanto padecera a Virgem por seu bemdito Filho. numa bacia do prata. . para que tivesse fortuna. «O baptisado não diíFeria dos nossos. defu- mavam-se antes e depois de penetrarem no aposento. era do santo do dia. se era um marido o fallecido. e tias.» Quando morria algum cigano havia lamentações (em prosa). com rezas que lhe deitavam ao pes- com figas e bentinhos coço. atirava tudo fogueira lustral preparada para este fim». «a viuva cortava os cabellos. com talismans milagrosos. . . . para suavisar os soíFrimentos da enferma e dar boa sorte ao anjinho que ia nascer. o quarto se abria a meia porta. «As comadres infalliveis. deitava metade sobre a região precordial do finado e envolvia o rosto no vestido com que estava ao expirar o marido. enxuto em riquíssima toalha de linho e crivo. dentro deitavam collares e moedas de ouro. sanc- cionando-se religiosamente a decisão do acaso. no caso de divergências. numa «O Proferindo palavras cabalísticas. botavam juntinho o recem-nascido. «A «Depois da ligadura e corte do cordão. apoiavam nos braços a doente. creança era lavada com agua e vinho. «As parteiras faziam a toilette da parida. Dehel). soprando-lhe no rosto. quando viera ao mundo . o pai a tomava no collo e a beijava com transporte. . presentes estes que vendiam.278 quarto á parturiente três parentas mais chegadas e na sala cantavam os visitantes cantos sagrados a Duvel (= git.

em que os fallecimenexcepto tos não são vulgares antes dos setenta annos.no. Numa familia ha «mulheres de media da idade d'esse povo é de a cincoenta annos. Sobre o typo physico apenas nos diz o auctor que «presentemente o colorido da pelle varia e com elle a nuança dos cabellos e dos olhos». segundo a minha disposição. tendo o auctor A verificado no obituário um de cem. considerando-os desde logo irremediavelmente perdidos. a propósito dos costumes se colhe relativamente aos caracteres psychicos dos ciganos do Eia de Janeiro. .279 carregado pelos Terceiros. esquife. luto. vivem descontentes. os Sigo a ordem adoptada pelo auctor na sua exposição c não a que dei atrás ao meu estudo por isso só agora chego a dois pontos que. «As mulheres calins^ no infortúnio. ter precedido as observações sobre os costumes : os cara- cteres physicos e os psychicos. «O ia coberto de «A infeliz filhos e os parentes. adorável belleza». mas não lhe votam rancor. são sublimes. . matrimonio com corpo estranho são infe«Ligando-se lizes. desDahi a sua pusilanimidade. a embriaguez a que se entregam para adormecer-lhes pesadumes innatos. vestida de eterno » acompanhavam. attribuem os acontecimentos mais comezinhos a um destino de influencias o desalento aninhado «Com inevitáveis e a cujos effeitos o individuo tem de ceder ou succumbir na luta. Mello Moraes Além do que no cap. fogem dos outros homens. na resignação. uma ou outra se prostituo. veritícando-se que sempre em com pessoa da mesma casta. — que teem cabido. o abandono em graçados. deveriam . sentimentos hostis. de pés descalços. flores e borrifado de lagrimas. . eis o que de mais preciso nos diz o sr. Muito poucos chegam além? quarenta familia na dos Cantanhedes. . vii «Os desclassificados habitadores da Cidade Nova são na : totalidade supersticiosos e desconfiados. . «Qualquer lance menos bondoso da sorte os abate.

unem-se não se divertem.se lentamente na miséria. António Curto e Fragas. desigual. «Se morre algum. resmungam. ciganos destemidos e das tropilhas nómades. e entrelaçou-se petuou-se nos Rabellos — com a familia Cabral (também cigana). se separam. nem descuidam dos desvalidos. ha um medico que foi jornalista e a quem consideramos como de relevo. «Dos Catanas. não discutem. Os ciganos da familia dos Costas são «notáveis como can- tadores e tocadores de viola. e francos. homens conceituados no magistério. outra extingue. «As ciganas nunca separam-se de seus filhos pequenos. «Reconhecidos ao mais fútil beneficio. ofíiciaes do exercito. as suas demonstrações revestem-se de apparato declamatório. «O velho tronco (cigano) Luiz Rabello de Aragão perpoetas e litteratos. incumbem-se de soccorrer a viuva e encarregam-se dos orphãos. carinhosos. . aos quaes abrem coração materno. queixam-se e . a sua voz azaphica. «Suas phrases são severas e concisas. «Entre si exaltam.280 «Os ciganos não aborrecem-se . que. as despesas do enterro missa correm por conta dos parentes. bem intencionados. protegem-se — são exploram.» collega distincto e intelligencia se funde assim Emquanto uma camada cigana na nacio- nalidade brasileira. os seus pensamentos melancólicos e aphorismaticos. que nos tem dado oradores parlamentares. como uma divida contrahida para com o morto. nos cargos de secretaria e na tribuna sagrada. de expansões largas. que nos persuadimos serem oriundos dos Laços. ao passo que uma terceira se mantém na vida errante. . no foro.se. monologam comsigo. não se não se diífamam. francos e generosos». Conhecemos uma que é a Providencia de duas se criancinhas a quem estremece e ensina todas as noites a orar por aquelle que já está no céo.

é-o muitas vezes a poesia culta brasileira. é muitas vezes a poesia popular .^<^ Mãe do Dr. se a proveniência não nos fosse indicada. A seguinte composição. senii-culta ou culta brasileira em boca cigana. pudéssemos suspeitar tal origem. entre outras. cuja espirito se manifesta aqui apenas no caracter doloroso e pessimista predominante das d'ellas composições. quadro.281 A poesia dos ciganos do Brasil. Até do amor de Deus Pareço privada agora.) preces.» . ou os ceos são outros. não porque ella seja uma reproducção servil. a julgar pelas amostras que tenho presentes. Até nâo tenho figura Sou espectro que vagueia Que até nem tem sepultura. M. Ou tomaram mais Pois já não chegam a elles Os rogos das creaturas ! Já minhas preces não valem Como valeram outr'ora . (Da Ex. é apenas poesia popular. Dolorosa. Não sou estatua nem . . Moraes «Meu filho. alturas . se nalgumas quadras não houvesse palavras ciganas. não tem o : menor característico cigano DESESPERANÇA E FÉ «Ah ! meu ! filho os céos me parecem mais elles as altos. pessimista. mas porque é uma producção em moldes e em matéria simplesmente apropriada pelos ciganos. mas não de modo que. uma pura repetição. Sou um quadro sem ter luz Sou um phantasma que vaga Entre o cypreste e a cruz. Eis um exemplo cigano : Eu sou estatua quebrada. pois já não chegam a minhas Filho.

e deixe virtude. — Não pode negar-se que ciganos brasileiros haja geral nessas prodiicções dos sopro poético: como se concilia em este facto com a opinião dos que negam dotes poéticos á raça tsigana? Essa falta de dotes poéticos não é absoluta (e nisto modifico eu o modo de ver de Schuchardt. mas todos os processos poéticos) e de produzir com esses elementos eshistoria litteratranhos combinações novas e de valor. por si sós não sao capazes de produzir uma poesia sua. 14G. por exemplo. Vide. 1 . 515-516. um . A ria apresenta-nos exemplos muito consideráveis do mesmo género. 195) : os tsiganos teem talento poético secundário. humilde. mas teem a capacidade de apropriação da technica poética já desenvolvida . Que nos abysmos Assim Deus Sol de grandeza.282 «Ali Mae ikIo temais que Prive assim de sua graça A quem como vós o ama. Deus de amparar a Como o sol que ás solidões Manda seus raios. Ratzd. Faz reflectir sobre tudo Os raios do seu amor. 2 a p. 219-220. VõlkerJcunde ^. dia mude . e a ethnographia dá-no-los similares noutros domínios da actividade humana *. Creador. Pae de todos. eternas ! Não A penseis que face dos ceos. p. floresce. o que da capacidade de apropriação e incapacidade inventiva do negro diz O. A quem sua fé abraça » ! ! um Deus ! Leis immutaveis. por outro povo (e por technica não entendo aqui só o que respeita á metrificação propriamente dita. Vôlkerlaindc. i. Cf. e aquece Até a florinha. etc. Peschel. não primário isto é. referido em a minha n. Fr.

exemaranin. Mello Moraes falla-nos de uma gíria dos ciganos de que coramunica os termos cabeça. . git. huchardin. churí. erani. git. onde assentou sua . Mello Moraes tem por objecto quasi exdisse. de cuja authenticidade não ha aliás razão para duvidar. e dá-nos no fim um voca- 2Õ3 termos ciganos. rainha. afastamento. farinha. que teriam para nós muito mais interesse. riqueza. afflictivo. sacais. palavras tsiganas experimentaram no Brasil novas modificações. impostura. tope. tilleria. cuchillo. acans. roi. em Caçapava um bando periódico (188Õ): de cento e ciganos. mas não nos diz como colheu esse vocabulário. hruckardi. luxo. aron. cigana . das quaes a mais geral é a nasalisação das vogaes accentuadas (e ainda dos diphthongos) finaes. chuva^ git. errantes pelos sertões». brichindin. tudo que imprestabilidade . escuro. olhos. bárbaro. cujos costumes são bem diíferentes dos nossos. infeliz. que correspondem quasi todos a termos dos ciganos de Portugal ou dos gitanos de bulário de Hispanha. A base do fallar não é já o hispanhol. acampou-se á margem do Parah^^ba. mentira. asseio. espingarda. git. covardia. que vinham de Minas e seguiam para o «A propósito escrevem d'aquella cidade ao Pyrilamjpo de : Jacarehy «Essa gente. felicidade. longitude. caconda. busnô. pobre . mas sim o português. especialapenas de passagem allude . git. pieza de argii. escuro. como em Portugal. husnon. pu- nhal. ruindade. no texto «ás partidas ciganas. amaro. . O livro do dr. ó triste. git. deserto hatuesa. gentil calon. calin. clusivo. negro. etc. maldade. hriplos : As jindia.283 O sr. como já mente os do Eio de Janeiro os ciganos sedentários. fraqueza. acais. extrano. cigano churin. Mas em as notas transcreve a seguinte noticia de um «Esteve acampado tantos norte. preto. . Os sons hispanhoes parecem ter dcsapparecido por completo.

«A lante . de enorme «Também nem um grossura e em enorme quantidade. formosura admirável e -uma velha essencialmente feia. alegrias. «Mas.284 morada. bi- em abundância nos seus corpos. cada uma d'estas occupava uma barraca. de barba e cabellos demasiadamente compridos». Conhecem e contam a «sina» boa ou má dos que lhes fizerem um pre- moça de uma sente — uma 2^000. alguns deixavam de mandar passar bem. para onde affluiu esta população. ura dos misteres de sua provisão de viagem. prata. realmente. bem «Aqui deixa-se ver que muitas pessoas de Caçapava sao que hão de soffrer. te em enriquecido com o negocio dos animaes. pa- «Vinte e tantos captivos da comitiva lavavam. um bordado. sua felicidade póstera e até d' esta quando passarão para melhor. Cordões antigos. porque collares. usura de certo é que tem feito aquella riqueza ambu nem por isso. levantando 26 barracas de panno. reflectiam-se nos raios do sol. mostravam o capricho dos exquisitos via- «Uma tropa cercava a «povoação» dos ciganos. «Dividida a comitiva em familias. Ahi utensilios domésticos. uma verdadeira riqueza «embellezava» aquella gente «mysteriosa. «Os ciganitos e ciganitas creanças. E. lenhavam e coziam. 5?$Í000. conforme dizem. movida da mais justa curiosidade. era de ver tudo a aquillo. «Era um acampamento de paz. Entre esses ciganos ha uma . tirar os respectivos retratos xam de A «que parecem gente» e deisua «mesa» é appetitosa. dos ciganos. brincos e medalhas de tamanhos despropositaes. que rece. . porém. «ouro». . até alguns moveis jantes. chas e anneis de ouro eram em brinquedos. ás vezes. e roupa. bicha de ouro. sendo exquisita. «Naquellas moradias tudo é ordem. deixava de cobrir-se de ouro. que «perscrutam o futuro». lj$(000 réis. cousa «notável». de ambos os sexos.

desde alguns annos pelo menos. Gustava ia darIhe 100 réis em nickel. . livro do dr. cuja perfeita veracidade não discutirei : Nitheroy. parte dos quaes tem até vindo embarcar ao Tejo. etc. nào se perdesse em theorias. acaba de ser presa uma quadrilha de bohemios que se dedicavam á pilhagem por «Em um «Homens mulheres processo deveras curioso e cheio de novidade. Mello Moraes. sentiu fugir-lhe e conta a vista e caiu desmaiada. Na destrinça d'esses elementos teem os ethnographos brasileiros matéria para estudo. julgar que essas quadrilhas errantes sejam sempre formadas. acompanhada por uma creança. Rio de Janeiro. Eis duas d 'essas noticias. grupos de tsiganos europeus de diversas proveniências. um alfinete com três brilhantes. contentando-se com um esboço puramente descriptivo. e creanças. sabendo todos manejar habilmente vários narcóticos. se o auctor nào preferisse os effeitos litterarios ao rigor scientifico e conhecesse um pouco mais de perto a litteratura ethnographica europea ou.285 «Para ciando finalisar: a comitiva vai de terra em terra nego- com animaes. ou no todo ou em parte. subitamente. «Uma das queixosas chama-se Gustava Maria da Conceição que á sua porta foi bater uma mulher.* Gustava tinha sobre uma mesa contendo 84jl?000 réis em dinheiro. É de lastimar que. porque para o Brasil emigram. Ultimamente os periódicos portugueses transcreveram dos brasileiros noticias acerca d'uma quadrilha de tsiganos ladroes e narcotizadores. pedindo esmola. e que d'elle extrahimos. a turca tinha desapparecido e com ella uma caixinha que a sr. sem mais. utilisavam-se delles para adormecer as pessoas a quem queriam roubar. sendo elle medico.*» Não podemos. Quando tornou a si. é interessante o mais o fora. de ciganos originários de Portugal. na falta desse conhecimento. 1 Como se vê dos dados um não aproveitasse os seus conhecimentos especiaes para nos dar estudo anthropologico dos ciganos brasileiros. mas são incautos. mas. escravos e com o «futuro» dos que não são ciganos.

rapariga pernambucana. Foi adormecida e levada em seguida pelos bohemios. . «Os ciganos empregam-se durante o dia em vários misteres ambulantes. «Ha também uma outra queixosa.^ Maria José adormeceu profundamente. pedrarias. «A policia apprehendeu muitos valores. 25 de junho de 1892. numero de crimes praticados pela quadrilha. Foi -lhe apresentada uma de 500?5000 réis. se isso lhes apraz. as mulheres fazem sortilégios. sendo obrigada a casar com um dos chefes da troupe. porque o é. etc. Depois. «A policia prendeu em Nitheroy 10 homens. Esta associação. alguém lhe inculcou uma curandeira. rou- bam também creanças e adultos. obedecendo a um chefe que recebe 40?5(000 réis por mez. «Acerca da quadrilha de bohemios que roubava as pessoas por meio de narcóticos. já não viu a cigana nem os õOOáiOOO réis. que além de ciganos tem também individuos gregos. c.se no espirito das pessoas que se aproveitam do seu mister para as roubar. Além de objectos de valor e dinheiro. etc. magias. pediu a nota de maior valor que a sr. onde muita gente tem ido vê-los. a cigana deu-lhe a cheirar umas essências e a sr. etc. para a A mulher. pela quadri- em Ihe e o resto para os chefes. tem ramificações o «É enorme todos os estados do Brazil. Arcelina Maria da Conceição. O producto dos roubos é reunido em um cofre e distribuido 20 p. 10 mulheres e 17 creanças de ambos os sexos . ador* nos de mulher. O Dia. foram todos photo- graphados e os retratos expostos no salão do Paiz. n. turcos. temos a accrescentar que chegaram ao Rio de Janeiro as bagagens dos larápios. que a curandeira metteu dentro de um copo.° 1489.286 « Outra queixosa é Maria José Nunes. Assim conseguem insinuar. para fazer os seus exorcismos. tratar.*^ Maria José Nunes tivesse em casa. Sentindo-se doente. . etc. Quando accordou. concertando louças.

em nickeis . garfos e colheres. substancia. 140 facas. que vieram lacradas e foram abertas na secretaria da policia. como os de outras proveniências.287 «Diz o Paiz. á vista do agente que as acompa- nhou. . grande quantidade de collares de coral com contas de metal amarello e cordoes da mesma . outras inutihsadas. quantia essa que fôra depositada em um banco da Grécia a 8 de fevereiro de 1889 e vencia o juro de 3 V2 ao anno*. na mão do thesoureiro. n. «Dentro d' essas malas foram encontrados 3:945?5i500 réib cm e papel. respectivo «Antes d' essa remessa. do thesoureiro da repartição e outros funccionarios. já havia a repartição de policia d'esta capital recebido. agradecerá muito todas as noticias que lhe sejam enviadas acerca dos tsiganos do Brasil. correntes de metal branco dois de metal branco 2j5(100 réis .» a vencer-se em % Sendo possivel que o auctor do presente livro venha a completá-lo mais tarde com um supplemento. . tanto os de origem portuguesa. 3 carteiras com papeis. uma letra «Ficou tudo depositado na aos mesmos gregos tomada e no valor de 12:000 drachmas. com a declaração «este cordão pertence ao negociante Lazaro». 1 de julho de 1892. 1 livro e muitas outras bugigangas.° 1394. mesma repartição. um par de esporas de metal branco um pequeno embrulho lacrado. cestos e amarra: dos de todas as formas e volumes. com a declaração «pertence ao marido da pernambucana». sendo libras esterlinas de outros typos de diversos valores e nacionalidades. referindo-se-lhes «Entre o acervo de trouxas fedorentas. em que repugna até pôr as mãos. Ibidem. perfeitas. 1:540 moedas de ouro. sendo . de egual procedência. dois relógios e três grandes cachimbos. 8 de fevereiro de 1895. 939 moedas de prata. umas um saco pequeno contendo pó amarello um pequeno en- volucro lacrado. ha duas malas.

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A mulher n. representado nas estampas 6 e 7. no que se distinguem das nómades bem conservada. ao contra- rio dos n.'' 1 tem 22 annos.° assim como outras sedentárias. tem 23 annos. principalmente d'este ultimo. O n. tem 47 annos. o n. 1 veiu com gente sua de Alhan19 . em é regularmente nutrida.°^ 2 e 3. o n.°^ 2 a 4 naso n. os dados sobre o typo physico dos ciganos. apesar de M e 4 são bastante nutridos. procurei e tive ultimamente occasião de examinar. ter sido mãe Os homens é magra. As mulheres e os homens n. alguns ciganos domiciliados em Lisboa e de tomar até algumas medidas em seis d'elles 1 — duas mulheres e quatro homens. n. que ó muito magro.° 3 tem 28 annos. o n. representado nas estampas 4 e 5.°* 2 e 3. mas aos 14 annos. ainda que em más condições e muito rapidamente.° 4. . representada as nossas estampas n. tem 40 annos. bem conservada. a n. na medida de minhas forças.ÂPPENDICE III TYPO PHYSICO DOS CIGANOS Desejoso de tornar menos imperfeitos. de feições bastante grosseiras tem 38 annos. em que Esses individues são considerados como ciganos no bairro habitam.^ 2. .° 2.'' ceram em Lisboa.

p. apesar homem n. cabello é castanho escuro na mulher n. O homem na mulher n. mais carregada nos homens. todaem classificar vulgarmente o nariz do 2 como aquilino. em homem Topinard^). La caracteres que pere firme. excepto em o n.° 2. em que via não se hesitaria o plano inferior olha para baixo. mittem considerá-lo de sangue cigano.° 2 do quadro de para deante o n. excepto n. a reprehendia.° 4. nunca acha- tado. quanto o homem n. não n.^ 3. ctc. com excepção do n. quasi nada na mulher n. apesar pelle e do cabello.° 2) . castanho claro no homem 3. 298. A mulher n. Eltments. O rosto nos 6 indivíduos é moderadamente comprido.° homem * Nâo temos por tanto aqui o nariz de dorso agudo.° 2. dos tsiganos de 2 Blumenbach. em que n. apesar como os outros c a mulher n.° 1 *. O nariz é em todos moderadamente saliente . . por tanto. da coloraçíío da que se diz português puro. Os olhos castanhos em todos.° 3 tem o bigode aloirado. todavia. recto ou quasi recto nos outros homens e nas mulheres. e pare- cia ter certa vangloria de ser cigano.*' é bastante clara.° 4. nariz do typo aquilino (n. preto nos outros.° 2 em que são esverdeados. excepto o n. mais comprido em a mulher n. coloração da pelle ó trigueiro-pallida nas mulheres A O (manchada na n. seu irmão.^ 1 serem muito nervosos. O plano inferior do nariz é horisontal (olha ligeiramente Os nossos exemplares não da convexidade do nariz do apresentam.° 4)." 2 pareceu-me de animo resoluto 03 d'cstc homens mais timoratos.290 dra para aqui. A mulher n.° 2 que nos outros. Reconhecem-se a si próprios como ciganos.° 3. mas em todos mais ou menos achatado. o dorso do nariz de perfil é convexo no homem n. assim como outros ciganos domiciliados no mesmo bairro.° 2 maldizia do nome do ciganos em.^ 1.

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N.« 2 .

N.«3 .

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que padece de rheuraatismo. differença explicada pelo facto de . Altura total (estatura): Mulheres .° O homem 3 apresenta quarto do tamanho natural. tem um olho arruinado e padece talvez de lepra mutilante. que lhe tem accommettido as articulações do braço esquerdo. para se entregar á venda ambulante outro .291 apertado á altura das maçãs.°^ 1 e 3 *. ao contrario bastante salientes em os homens n. Os homens apresentam todos degenerações somáticas. feitas sobre Deve ter. uma notável depressão ou obliquidade da fronte.*^ 4) marcou a pressão de 64 com a mão direita e de 34 com a esquerda. a que serviu de base um positivo sobre papel. a que se destinava. apresentando as deformações irre- gulares desses positivos.se em vista que foram photographia em madeira. Eis agora os resultados das medições: 1. As gravuras 2 a 7 representam approximadamente um n. O mais forte de todos (n. padece do peito e é evidentemente muito fraco. A lepra tem um foco considerável nas immediaçoes da Alhandra. tendo sido obrigado a deixar o officio de caldeireiro. Outro tem um braço ankylosado e atrophiado Um (consequência de tumor branco?) e ulceras nas pernas. No dynamometro de Collln marcou apenas a pressão de 30 kilogrammas com a mão direita e de 23 com a esquerda.

: max. índice cephalometrico Diam.^ 2.-post.° homem homem homem homem .° 3. 1.0 4.° mulher mulher 2." 1.292 2. ant.

A altura do nariz ó medida da espinha base. naaal á raiz do nariz. índice nasal. A largura é a máxima na .293 3.

Distancia entre os angulos internos das Distancia entre os ângulos externos das Abertura i)alpcbral pálpebras. Abertura palpebral.294 5. 1.^ pálpebras. Distancia dos olhos. mulher .

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' A^ N.M .

N." 5 .

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^"6 .

" 7 .N.

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ainda que o próprio estudo d' essas modificações interesse." 1 tem olhos esverdeados. e nota-me que o adolescente do grupo de ciganos da nossa estampa n. sobran- mesma coloração. 1 Alguns aiictorcs attribucm aos tsiganos cabello frisado t. . Apenas as ciganas solteiras usam de caracoes artificiaes feitos á mão na testa. G17. na estampa n. p. x (1879). certo insufficientissimos. Os dados. . Aucolheu também a noticia de ter sido vista gusto Neuparth no Alemtejo uma rapariga de cabello loiro e olhos azues. Naturalmente os ciganos sedentários. Nunca o cabello do cigano é encarapinhado*. não são os melhores exemplares para estudo.° 1 as raparigas terceira e quarta á direita). celhas e barbas da que fazia parte de um bando de ciganos. O meu amigo sr. p. por de oíFcrecer dentro de certos limites de variação caracteres raciaes importantes que se reproduzem noutros grupos tsiganos. Em muitos ciganos nota-se certo prognathismo ou saliên- cia do queixo inferior (vid. Trata-se do resultado de cruzamentos recentes ou ha aqui muito atávico cujas causas remontam a cruzamentos já no próprio solo indico? Todas as informações que sirvam para o estudo d'essc alto. um phenomeno problema serão bemvindas. Groom in Tlie Encyclopcedia hrítannica. mais sujeitos a mestiçagem ou modificações resultantes do modo diverso de vida.295 Eis ainda outros collaborador. O exame dos ciganos nómades recommenda-se muito loiros e e a existência de individues de olhos azues entre elles excita deveras a nossa curiosidade. que reuni. Não se encontram ciganos de cabello naturalmente enca- racolado ou frisado. pcrmittem affirmar que os ciganos portugueses não apresentam um typo perfeitamente unitário mas não deixam por isso . cx. isto c. esclarecimentos do meu infatigável Ha excepcionalmente ciganos de cabellos loiros. sobretudo da influencia das cidades.

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ADDIÇÕES E COERECÇÕES Pag. uma Dcmendonça o titulo: «Parvoisses Deluas tiradas por Ant. a numa serie de anecdotas insulsas." nos 3 ou 4 annos que esteve cm Eluas tomou por lembransa estas E da sua letra as terey»." Dar As graças aos Vreadores pelo auere deixado Estar na cidade e despedrise e o tal Vreador lhe falou por senhoria e lhe pedio que se detiuesse para se achar em huas festas que a cidade fazia e lhe quis falar em siguano dizendo-lhe não : saia V. 840 do Archivo O sr. 3. e entre ellas o seguinte secção com C. ha uma allusâo á lingua dos mesmos na passagem que transcrevi de Leitão de Andrada. . lililao. do século xvii. P. mas nenhum auctor português que eu conheça colligiu anteriormente ao gua. S. é cigano ou gitano. que temos huas festas lililao em que hade bandeira no grimpo pape amarela. lin. 31. Em vez de — justifi<.""" : «O Avou de fernâo Roiz do amarai semdo Vreador foi hu Conde dos siguanos a Cam. sendo histórica. Bartholomeu de fl. Pag. Em verdade além das referencias nos documentos legislativos acerca á2i geringonça dos ciganos. Ou a anécdota é pura invenção ou o vereador se serviu de termos de alguma giria ou os forjou por sua conta e risco. Azevedo achou no 28.a — leia-sc —justificam. Nacional.» Tanto quanto posso julgar. 15 e 16. entricla. Thomaz Pires termos d'cssa lincod. nenhum d'esses termos singulares mufo. tem a anedocta o merecimento de nos dar a conhecer um aficionado dos ciganos no século xvii. 4. — Convém a saber: auer muito mufo Mufo touros gente de cavalo com guiões e hu comer que chamão entricla. lin. meu collaborador sr.

lin. aliás muito provável. 83. 1661). Pag. 81) no sentido de fome. Pag. — antes de — Homem se sabe. 03 (3. Assim o termo galga. para significar — não 6 da minha condição social.^. nào está talvez reduzido a novo termo de giria. 81. col. 73. O povo diz : Ugar encontra-se como alteração popuhir «Não ó da minha vgualha». 2. col. o alto. cul. encontra-se já em Jorge Ferreira: «Porque? tamanha galga trazeis vos? nâo ha tanto daqui à cca. dado como de giria por Monte Carmclo (vid. 1. de egualar.« ed. lin. ii. 1. íl3. v giria. col. Galfarro encontra-se com a significação de rapacissimus no llicsouro. 5. 3. Basainico é. 75. 1. Uma nova leitura de Gil Vicente e Jorge Ferreira permittir-me-hia talvez ligar alguns dos termos populares d'esses auctores aos da giria posterior. Carapuças de felpa. Chelpa occorre já no século xvii: Hora veja se presta. 3. Pag. 1. bando. 2. linha 9. provavelmente já emcomo hoje o é. . Gahinardo. como nome de uma moeda lista asiática de cobre no século pregado como termo de de Paiva. 28. 80. O verbo derivado galrejar. Leia-sc — s. de uma giria portuguesa no século XVI.298 Pag. Em vez de — marihando — leia-se — marim- Pag. Os rendados vestidos. col. Pag. e por isso incluído na xviii era Pag. 84. termo antigo na lingua.» Ulysippo. col. encontra-se no Victionnarium latino -lusitanum de Jcronymo Cardoso. se. pag. m. 6. 27. p. Singtdai-es. 61. 28 e 31. lin. 1. 2. Pag. Moscovia (coiro da Rússia) não é termo de giria. Academia dos (1G98). 80. 36. lin. 2. Pag. p. lin. junto á Prosódia de Bento Pereira. col. Pag. lin. apesar de gahào ser mais usado pelo povo. sem todavia se poder affirmar a existência. 9. act. meu egual. lin. lin. . 82. Os capotes de grã bem guainccidos. de galrar. Que custão bem de chclpa. lin. 60. E provável que cm Paiva vgar seja essa alteração popular e não termo de giria.

Pag. Die Sprachicissenschaft. agradecendo. 136. 140. p. o seu chaile de cadilhos . Pag. Em vez de — cogito — Icia-sc — saiitoir cojito. Grundriss der romanischen Philolcgie. o~ n.299 Pag. Jannot. lin. lin. no jicriodico Giamhattída Basile. lin. von der Gabelentz.) Aqui o jogo de palavras da versão portuguesa era impossivel mas clle falta também na versão napolitana publicada . peças (ordinariamente ossos. O auctor critica o Volapíik systema proposto pelo liispanhol Bonifácio Sotos Odiando no seu Diccionario de lengiia universal. i. 167. 10.lhe o te-ia livrado. lin. representando suppostos 1892). lin. 231 e segs. astragalos) de que se faz u«o no jogo do cucarnc. 225-217. vid. Pag. Paris. Methoden und hishengen Ergehnisse (Leipzig. Grober. Madrid. 23. 157. t. 292 scg. 21. diz-se Pag. 116. der Gabelentz. de umas sezões. iv. e o . ihre Avfp. também G. milagres. 1860 a lingua que ellc próprio propõe é fundada lexicologicamente sobre o grego. 12. 1891). von 35 (nota). Sobre a vis minima na linguagem. Em vez de leia-se sautcrelle (faussc Pag. Chegou-me recentemente ás mãos o es- cripto de Raoul de la Grasserie. 1892. que se acham na igreja da Piedade em Elvas. De la possibilite et des condilions d'nne langue internationale. Pag. Die SpracJucissenschaft. çíio lin. vcjam-se tambenj as valiosas observações de G. 36 (nota). 132. em vez de — dos ciganos — leia-se — das Ciganas.s. que as assaltaram por occasião de virem de Évora assistir ás festas da Piedade. Pag. 21. 105. Em : «Alli se ve a cigana acurvada que passa por não ter religião c de mãos postas ante o Senhor Jesus. 145. O enigma do gallo encontra-se na traduc- francesa das Piacevole notte de Straparole (ed.« 1213 do Elvense (20 de setembro de dos fallando-se quadros (ex-votos). gabeti. 34 (nota). óqucrre). que falta ainda noutras versões italianas citadas no mesmo periódico. e de G. Pag. 1. Ganiços liga-se talvez a ganizc. e a — — uma sua irmã. 190. Sobre a mudança de significação. Lá está representada com o seu vestido de folhos. lin. p. 191-195. i. 17. lin. apesar das formas napolitanas o gallo tornarem aqui possível esse jogo de palavras. lin.

Dois Pag. Parece ser a mesma quadrilha que depois appareceu no Estoril. com mais uns dez individues e que. 287. com uma musica de gemidos e gritos de dôr. Depois as mulheres da tribu ficaram saudando com os lenços ate o cortejo desapparcccr. assim como outros. e terem sido expulsos d'aquella republica. curte as maleitas.» lin. sob a qual. mal recebida alli. abraçanào todos o cadáver e beijando-o. .» mas nesta cidade mesma parece nada correr a tal respeito. 26. se internou na direcção de Cintra. sil. onde.300 c o seu cabcllo negro como asa de corvo . «O cadáver foi conduzido e acompanhado por numeroso cortejo de ciganos. Volksglauhe und religiõser Brauch der Zigeuner (Miinster. 8 de outu- (n. uma dos homens traziam assas consideráveis quantias em oiro. Pag. 193. que sinto não poder já aproveitar. diz-se. vendo-se. próximo de Cascaes. o corpo de uma formosa cigana que falleceu naquella cidade. bro de 1892 lin. como para as ciganas que oíFerecem os seus ex votos. gregos ou turcos. Para o nosso povo. Acamparam na Porcalhota. Só no momento desta folha é que em que mando para a imprensa a ultima prova me chega ás mãos a publicação do dr. 28. Chegou ha alguns dias a Lisboa.» Este facto mostra. «Antes de sair de casa houve as despedidas do costume entre aquclla colónia. Eram treze mulheres. a arvore. 223. H. No Alemtejo diz-se que o rei (o chefe superior) dos ciganos reside em Évora. a alguns kilometros de Lisboa.° 9:619): «Enterrou-se hontem no cemitério dos Remédios. 15. Lê-se no Diário de Noticias de hoje. von Wlislocki. sete homens e vinte creanças. em pleno campo. em Évora. não < commetteram nenhum roubo. Pag. 1891). lin. a irmã deitada sobre mantas listadas. a Virgem e os santos são pouco mais de fetiches. que parece serem parte dos pretendidos narcotisadores. a distancia. que nâo pode ncgar-se absolutamente a religiosidade aos ciganos. vinda do Braquadrilha de tsiganos. comquanto sejam naturalmente as formas inferiores da religião que elles attingem.

em segundo da rapidez com que fui obrigado a prepará-la em para a impressão e rever as provas. careceria ao contrario de fize-lo. mas no desejo de imitar os mestres no que esteja ao meu alcance. graças á auctorísação do estado para que a expensas suas fossem publicados os trabalhos nados á Sessão do Congresso dos Orientalistas. de que aliás os preveni logo no começo me occupo do problema da migração ou migrações dos : Apenas por um erro de methodo c que eu poderia num livro que tem apenas por objecto um ramo mínimo tsiganos. Tenho. se por ven- abalançasse ao exame d'aquelle problema. Alguns livro não leitores portugueses (se os tiver) acharão no meu uma lacuna. desti- X . d'essa raça occupar-me de semelhante problema. pedir indulgência para a imperfeição da obra. que tentei confor- mar-me ao aphorismo de Goethe.POST-SCRIPTUM «In der Beschârkung zeigt sich der Meister.» Não foi na pretenção de ser mestre. que só deve ser estudado á luz dos documentos que respeitam a tal todos os ramos d'ella e para que falta um elemento capio conhecimento da historia dos dialectos neo-hindus. a fim de aproveitar uma occasiâo que não voltará provavelmente tão breve de a dar a lume. j-esultante me primeiro logar da difficuldade das investigações d' este género em toda a parte e cm especial neste país. — Ante tura os homens da sciencia não careço de me desculpar d'essa lacuna. de porém.

me as investigações nesses dois estabelecimentos por elles administrados com rara boa vontade e ao meu amigo . . Se seli' So sch' ich. Niio me despeço dos ciganos. Espero poder cedo ou tarde publicar um supplemento que preencha pelo menos parte das lacunas da presente obra. ao fechar a qual me acodem ao espirito. ich das. sr. was ich liátt' sollcn machcn. A. como ao abrir este ^osí-sc7*?}:>ít(m^. Neuparth as suas excellentes pliotograpliias dcs ciganos. directoque res da Bibliotlieca Nacional e do Arcliivo Nacional facili- Agradeço a todo3 auxilio . tarem.302 os meus collaboradores já referidos o tornou possivel o meu estudo aos srs. was sie geíhan. que por certo lionra os artistas a que confiada. pala- vras do grande poeta philosopho: Seli' ich die Werkc der Meister an. que tornaram possivel adornar o meu livro com uma foi parte grapliica. Betracht' ich mcinc Siebcnsachen.

III. 289 -.. 1G3 229 271 I. lutroducçiio 1 7 II.. III. II.índice — A língua dos ciganos — O calào a lingua dos ciganos — Esboço histórico etlmograpbico — Documentos Appendice — Os ciganos do Brasil Appcndice — Typo physico dos ciganos Appendice I. e 55 . Addições e correcções 297 Post-scriptum 301 . e .

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w/BÊÊ .

?rancisco Adolpho.m estudo eobre calão. McrorLfi dostin:'da a 10 sessão do| Congresso internacional dos orient alistas.Coelho.?) PLEASE DO NOT REMOVE FROM THIS CARDS OR SLIPS POCKET UNIVERSITY OF TORONTO LIBRARY . 1847-1919 Cs cig8. Imprensa ITaeional (l^-^. LisT^oa.nos de Portugal: com n.

Pi- ai. .aár .

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