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L. S. LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1892 .SOCIEDADE DE GEOGRAPHÍA DE LISBOA os CIGANOS DE CA)M UM ESTUDO SOBRE O GALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO no CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F. ADOLPHO COELHO S. G.

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os CIGANOS DE PORTUGAL COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO .

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LISBOA IMPRENSA NACIONAL 189? . L. S.SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA OS CIGANOS DE COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO DO CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F- ADOLPHO COELHO S. Q.

Vicente. de las fuentes y de los rios . de los sembrados. . de las selvas. Farça das Ciganas. La Jitanilla. somos senores de los campos. . cios por dorados techos j suntuosos paláestimamos estas baiTacas y movibles ranchos Cerrantea. tierraz estranaz nuz tiene perdidaz. 1155349 . G. de los montes.Por Nuestra ventura. . . que fue cuntra nuz. .

AO SENHOR a--A-ST03sr F-A-nis .

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F. para honrar a pagina de dedicatória de o seu um livro meu com nome illustre e venerado. 1 de setembro de 1892.Meu querido amigo: Encontrei muitas e valiosissimas lições e direcção para os meus estudos em todos os seus escriptos. não para pagar a divida.Adoljpho Coelho. nas horas de desalento. mas como amigo a considere só pelo que quer significar. o que eu destinava a esse ventura menos mas obra de mais fôlego e por imperfeita. a incerteza do futuro. Tinha eu. mas para provar que a tinha bem presente no meu espirito. Agora que se me offerece ensejo de lhe enviar uma ex- pressão publica do meu respeito e reconhecimento. vieram as suas palavras aífectuosas insuflar-me o animo que pois. razão sobeja me fallecia. que não se paga. . resultado previsto de causas contra as quaes combato ha mais de vinte annos. Todavia as circumstancias dolorosas da minha pátria. Não era este volume de modestissimas aspirações preito. pedindo-lhe que. tiram-me a segurança da per- spectiva de levar a cabo os trabalhos a que tenho consa- grado mais tempo e mais sacrifícios. apro- veito-a. e mais de uma vez. até o mais próximo. como critico a aprecie no pouco que ella ella vale. Lisboa.

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Historia e esboço ethnographico dos ciganos de Portugal com dois appendices.° gr. que a pedido meu investigou a lingua e a ethnographia dos ciganos do Alemtejo.) e (Lisbonne. de pag. Mngua dos ciganos de Portugal. já directamente. A O II. um contendo documentos. calão ou gíria portuguesa e suas relações com a língua dos ciganos. 1884. dizer que este trabalho teve por ponto de Cumpre-me partida materiaes reunidos pelo intelligente e infatigável folk-lorista de Elvas. 667 a 681. já alemtejanos. com o auxilio de amigos seus . Typographie de FAcadémie Royale des Scienque elles quizeram dar-me a honra de inserir nesse zir numa tiragem volume. o sr. 8. Thomaz Pires. outro sobre os ciganos do Brasil. III. e fazer reproduá parte de ÕO exemplares. Divido o trabalho em três partes : I. 1880 ces.o de uma presente trabalho é o desenvolvimento e complemento curta noticia que ministrei aos redactores de Con- gros International d'anthropologie et d'archéologie préhistoT^ queSy Comjpte rendu de la neuvième session à Lishonne. A.

Leite de Vasconcellos poude auxiliar-se do meu artigo. baseado sobre alguns palavras que aquelle investigador todo uns 250 termos. nova revisão dos vocabulários gitanos á minha disposição permittiram diversas correcções nos textos e vocabulário. I (1887). publicado na sua Revista. De outro lado o redactor da Revista Lusitana. Francisco Lobão Rasquilha. que as distingue das recebidas do Alemtejo. Na me enviara. 3 a 20 publiquei um primeiro ensaio sobre a lingua dos ciganos do Alemcurtos textos e uma lista de tejo. suppoz a existência de um dialecto particular nesses ciganos que se diziam da Extremadura. e como notou algumas differenças entre os dados alli reunidos e os que elle colheu. pag. O sr. Os termos ou formas novas colhidas na Extremadura pelo sr. sr. José Leite de Vasconcellos. e enviou-me o resula lingua de tado d'esse estudo. artigos que as variantes. co- lhido tudo da boca de um cigano pelo sr. em que supprimi também alguns artigos ou por muito duvidosos ou por inúteis. notada pelo Leite de Vasconcellos. O confronto dos novos materiaes com os anteriores. naquelle mesmo anno. As differenças notadas existem. algumas formas não são dadas em ar- tigos especiaes. existe também no Alemtejo.Revista Lusitana. mas nos mesmos Leite de Vasconcellos levam a abreviatura —Vasc. os factos novos que me deu a conhecer o sr. um Um dos ciganos. lavrador dafreguezia de Santa Eulália. que lhe ministrou os elementos da lingua. teve occasião de estudar grupo de ciganos que encontrou no Cadava] (Extremadura). sr. no concelho de Elvas. Pires enviou-me algue uma nova coUecção de termos. . Com os novos subsidios. contendo ao mas phrases novas Depois d'aquella publicação o sr. disse que elle e a sua gente eram originários dos arredores de Lisboa. o vocabulário apresenta agora cerca do dobro dos termos ou formas differentes que tinha naquella publicação . como provam Pires . também entre os ciganos do Alemtejo. em parte pelo menos. assim a forma romano.

comhisarar. foro. erná^ gajon^ gorhelar. rebrandihi. chuhelarj c}iorÍ7né. millenj miquelar. olíbás. sonsidelar. essa partiu dos ciganos. lluna. estanão são do fundo tsiríberi)y trupo. Leite de Vasconcellos confirmou pela maior parte os dados do vocabulário publicado na Rtvista Lusitaiia: ao cigano por elle explorado só eram desconhecidos os seguintes termos d'aquelle vocabulário: hocunchas (mas conhecia a forma boque). que aliás significa toucinho. papires. najar. patê.A investigação do sr. llaque. reconhecida competência do sr. istitelar grupo. peti. Alguns desses termos soltar. jucalorro. tarihé (mas conhecia a forma estariben). O sr. Leite de Vasconcellos como dialectologo. . culrró^ dicaní. parnau (mas conhecia parnê). Se nalguns raríssimos casos houve burla. que na introdos seus Zigeuner se occupou das girias em geral. pandelar. Em verdade o assumpto tomou aqui maiores di- mensões do que era meu intuito primitivo dar-lhe e ainda assim deixei de inserir muitos factos que determinei. pato. Leite de Vasconcellos: abillar. que um cigano a quem perguntou o que era lua na sua lingua. Das formas e vocábulos novos recebidos ultimamente do Alemtejo vinham os seguintes na lista do sr. (mas conhecia a forma sohar). sorhar que é connexo com gano europeu. chiquel (mas conhecia a forma chuqael). pallilli (paquilli)^ quer. incluindo os erros que revelam a novi- dade do assumpto para perfeita authenticidade elles. mol. ducção do vol. tusa. patarró. chasaVj chupe%o. llen. ii lembraria o exemplo de Pott. Thomaz A Pires e seus collaboradores. raisaro. provam-me á evidencia a dos textos e do vocabulário. As relações entre o tsigano e as girias justifica a adjuncção a este trabalho da parte II. churon. lhe respondeu que era balebá. Pires conta. todos os caracteres intrinsecos do que reuniram. tardimen. (mas conhecia ustilar). cratiá. satalla (mas ministrou o termo asitasatalla)^ somhrimé. gustipehi. chor. por exemplo. taripenas (cfr. a perfeita seriedade do sr. olipandó. romano. Se mais fosse preciso para me justificar.

O assumpto por assim dizer. taes como a persistência dos caracteres ethnicos. pois apenas aqui e alli se encontrava alguma rara e accidental noticia dos nossos ciera. Os problemas geraes com relativos aos tsiganos (designo assim. creio. problemas para cuja solução a tsiganologia ministra dados importantes. mas faltando-me o tempo para essas investigações. ganos e acerca da lingua d'elles nem palavra em os nossos escriptores. e sobre os problemas da ethnologia geral. a Thomaz acha na parte III provêem principalmente do quem devo também o traslado dos documentos que descobriu no Archivo da Sem Gamara municipal de Elvas. os ciganos portugueses e todos os grupos parentes dos outros paizes) têem sido objecto de consideráveis trabalhos. as migrações. exprimo o desejo que outrem as faça. as formas primitivas das relações internacionaes. de que os dialectos tsiganos são tão frisantes exemplos. que esse mesmo estudo se liga ás minhas investigações geraes sobre as linguas mixtas. que os ciganos de Portugal devem ser considerados como um simples ramo . Permitta. que até foram sempre escassos no que respeita aos ciganos em geral. pois eu sigo simplesmente a direcção em que locam os espirites phantasistas e que é a que pre- valecerá naturalmente na sciencia. Julguei dever encerrar-me em muito modestos limites.se-me que ponha em relevo. e essa mesma menos opinião não ofFereceria nada de se col- novo. e de porque poderia dar apenas a minha opinião resolver aquelles modo algum materiaes novos para problemas. todavia.Os ciados do esboço ethnographico dos ciganos sr. outros investigadores. virgem. a que envio o leitor desejoso de se informar. que se Pires. O presente trabalho demonstra. já mais ou menos estudados. O fim principal d' este estudo é ministrar á sciencia os o dados essenciaes de que ella carecia para completar com conhecimento dos ciganos de Portugal o dos outros grupos irmãos. duvida mais largas investigações nos archivos e nos escriptores permittiriam alargar essa terceira parte.

in Internationale Zeitschriftfur aUgemeine Sprach- loissenschaft. se acham abun- dantíssimas indicações bibliographicas. Die Zigeuner in Das Ausland. Turin. as seguintes publicações. 1889. Ascoli e Miklosich. Diversas memorias. n. a comparar o cigano o gitano. Paul Bataíllard. dos principaes glottologos que se occuparam da lingua tsigana. Die Heimat der Zigeuner in Deutsche Rundschau 1883.'^ 303. conhecidas.. 33.°^ 31.dos gitanos de Hispanha. que não haveria utilidade repetir aqui: Origin of Gypsies in Edimhurgh Review. 353-375. em que. x (1879). pag. além dos trabalhos de Pott. Adriano Colocci. pag. sem ir mais longe. 110-115. Ascoli e Miklosich. 611-618. Storia âfun popolo errante. Jahrgang 63 (1890). porque se quizesse penetrar nas fontes remotas do cigano e do gitano pouco mais com poderia fazer que repetir o que escreveram aquelles investigadores celebres. por isso limitei-me. pp. em geral. Sept. 36. 32. Francis H. Pott Colocci. Groome. n. cujos titulos se Pischel. Gipsies in The Encylopaedia hri- nenhuma em tannica^ vol. e esse pouco exigiria longos estudos faltam o tempo e os indispensáveis meios. para os quaes me A cujos titules transcrevo mais abaixo. II (1885). como nas d'esses glottologos. Gli Zingari. ora a língua d' estes foi objecto de diversas publicações. 34. Guido Cora. Pott. acham em A. quem queira instruir-se sobre os tsiganos em geral indicarei. .

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Pede ao homem. 11. Mira que 10. Um cordão de oiro. . está diquela. Ai chai! O tu! (?) 2. eh 1 no Sul. Para comer se tem^fome. 3. emprego a orthographia hispanhola. 12. ustitelalo. ! Olha esse estranho. Manguinela Ustilela ai el jambo. Sonsidela qu'el Repara que te olha. Mira ese paio. Moedas de oiro. Como a base principal da lingua dos ciganos de Portugal é o hispanhol. Represento todavia por x o som do port. Non li pineles. Bate-lhe. Pela tarde. 6. Não lhe peças. agarra-o. 5. CurrelalO. Pela manhã. Para j alar Parnés de sanacay. gajon Repara que o gajo olhando. 7. 9.A LINGUADOS CIGANOS* a) Textos 1. Por Por la tasara di calicó la tardimen. 8. El jambo se camela rumandinar. ter ela boque. Sigo a disposição usual nos vocabulários portugueses. jambo. ainda que influenciado pelo português. 4. 13. Gorobon de sanacay. O homem que quer casar-se. te dica.

(?) pirabada. 34. Médio Media chibe. 19. 36. Si chaló. Te amarelo con churí. 35. E de dia. 15. (?) 20. Es di chibe. Allá chalo. 17. Mataram -no num forca. vê-lo. Miquelame sorbar. de manguinar te camela didi- Escusas de pedir que não te quer dar {ou que não te dá). Por el machingamó. Estás 29.8 14. arachí. Ya chaso.te com uma faca. Escusas que non nela). 25. Ni dicalo. 31. 32. Lo maráron en un castí. Está-se abanando (á lettra: está-se deitando ar). 21. Nem Deixa-me que me apanham. me quie- Querem-me roubar ral. palonó ren ustabar. Non pmeles eso. 16. 26. nar (ou que non te . Manguinela que non é Dize-lhe que não é roubada. 24. Miquela que lo ba ajusti sarar. 18. Meio Meia dia. Lá vou. Mato. Já venho. late. Miquela que m'istitelan. pelo cur- 30. Deixa que o vá ajustar. Deixa-me dormir. 37. Plasarela el lampio. 33. poste. Não una digas isso. Aplasarelate. na 28. Estás bêbado. 27. S'está chibando airún. Manguiiiela ó labraoresa {ou laboroçal) que te dinele. Pede ao lavrador que te dê. Estoy acharán. Foi-se embora. Non le camelo. Estou zangado. Pode pillar en todas las Pode aguas. Não o quero. 23. 22. noite. Apaga a candeia. beber em todas as panís. abaixare- Abaixa-te.

Que chorró está chibe que non pueden andar los chiqueles! 44. El sacramento Otibé sea el Ihe o dinheiro. e os jambos homens atrás d'ella corre- 1 Exclamação por occasião das trovoadas. bea! 42. 45. a ber se lo se o podemos roubar. 41. a ver se homem nos olha. Chasa. Te bas alijerar tanto qui á luego los jambos nos ban a ustilar Vaes abarcando tanto que os homens vão-nos tirar com o vulto do que abarcas. Mecles! les Non chingarelos Alto ! Não ralhes mais com mas con ga- os collegas! chés. Ai! mi patarró maró. La dicaní está abertisa- A ra. a ber s'el jambo o porta está aberta. homem! Toma a espingarda e mata esse ho- jambo que bamos a ni- mem O que vamos roubar- cobar los parnés. que nos vae matar! Olha o que fazes. con 46. a ver nos diquela. a Ai! quien me combisararé meu pae morreu. sacramento de Deus ve- que benga en mi el nha Ai! o em meu auxilio. Deus ! Otibé!* el 43. Ay! sacramiento Oti- sacramento de Deus bé que nos bá marar! Mira lo que querela {sic). y y ustiló los Entrou a cigana numa loja e roubou dois lenços. Del posonó si chicubela la paní. . Da nora se tira a agua. 47. manii! Ustila la pucf y amarila este Anda. Que carregado está o dia que não podem andar os cães. el grupo di lo que ligarelas. podemos la ustabar.9 38. Entrun callí á una dos camallí diclés. 39. a quem me encommendarei eu? yo? 40.

58. ouvir missa? 61. 64. Contaram-m'o a mim. . no texto a traducçâo d'esse adverbio cigano. (Diz-se de um cobarde ?) 59. Eu não tenho. Me lo pinaran a mangue. 55. Amanga non palé suete. Bamos junar Otebel canguerí ? la Vamos Vamos fallar. está brosa. Passa de meio dia 1 Esta phrase trazia a traducçâo : olha que correm atrás de ti . dinela. querela baguin. deixas-te (ficas)? 52.10 detrá si la chalaban y ram ram. No molachí. 65. 56. Bamos? Nanais. 62. — Vê se te dá. mas ahillelar significa vir. 49. apalé detrás. terelo. ou que non te 50. Non Não faça caso. que que Vamos (roubar)? — está naracliicliunga. a noite feia. Pinelale que ladé. Terela bute pamés. poz-se. 60. Vamos violentá-la (futuere). Abillela. Terela alguna guchí. los jambos trás d'ala Tu sabes. Vem. Tem Tem alguma coisa. Abillela ó coi. Pasa médio chibe. te camela di- Escusas de pedir que não quer dar. ou que não dá. os estranhos ciganos) atrás * (os não de de da gente (correm). non es ma- Dize-lhe que não és roubada. 54. tene- 57. Escusas de manguiiiar 48. Guillemos aracarar. pois. 51. Be se te dinela. 63. Tusa chalelas. Bamos pirabala. Tu billelas ou te maque- Vens ou las? 53. muito dinheiro. Vem cá. te te que non nar. raran). (é tarde). Não. e tiraram-lhe os dois Tustilaran las dos di- lenços e á cadeia a leva- á la taripenas la chibaran (ou la ligaclés .

e eu disse-te Texto evidentemente incorrecto. Posta dei can. A noche estube en chique . Deste-me (?) um . Irmã. Se tu agua (chuva) fora deitas (?) nos teus tus mulés ni el me jinelo mortos me ca . Piar la cliaborilla. sol. 1 Em (tua) casa. Ferbruno.11 66. Por no haberle dinau el mando. porque as noites são penosas. se q'ustabele roube se és um un lecheruno. Aora serrana me beo. Como queres que leiteiro. me diiiaste Hermosisimo chupeiio^ Y yo te he dicho trinca el ^. Eueruuo. Ron de mi piar. Plajo para las naclés. desvia * o pae bellissimo beijo por quatro quartos que nos veremos á noite. 69. para pirabar-te Pé^ non ha pódio sé. 2 3 Fero. chuquel á la oricha puede sicabar en tus chibes. Pôr do Rapé. miquelas non não deixas roubar. Dama. nem em 74. en . bato Qu'el arachí nos beremos 72. as ustabar. Castigai-ta de sus manos ^. . . las Como carnes'eres si Fevereiro. 67. 68. Qu'estabas con 71. Se tu paní fu- rata chicubelas. Janeiro. Cunhado de (á letra: marido meu * irmão ou irmã). 73. 70. Catro cales el arate. o cão á rua pode sair teus dias.

En las fardisaras Maio. 78. las sar? Abela con el Abril. y salen los cales e se las nicobelan? acabam a debulha. Como camelas. Junioluncho. Como queres. e saem os ciganos e as roubam? que e . sabendo acaban mulla. os ribeiros estão de trás. guós. Os segadores vão a brunchos ban a seguisegar e os ciganos vão^desarar y los cales ban trás e furtam os burros di trás. y nicobelan quando dormindo s' estão. puedo los dos bar posso duas éguas.12 porque las . Marso. sabiendo que la fazer a debulha. Nas saias de minha de mi romi mi sorbelo. desamarisar las petís. 77. Março. com o frio. Maio. ço. Com as éguas pões a pones a hacer muUa. Abriluncho. 79. grafíís la Como las Julho. Los sega. los cando sor- bando s'están. roubal-as pude. Julíuncho. randalas he podido. 75. son penosas non mi miquelon. que yo baya a randaiv se tus panís son muchas. j yo non que vá roubar. y ora el pasisarar ? 76. desamarrar as bestas. mulher me durmo. Vem com as favas no habuncbas en mandil. mandiluncho. y chuga.Junho. dei hir. e agora pas- raisaros estan di trás. Marse as Marso. tuas aguas são muitas e eu não posso passar? Se rou- puedo colisarar ? Se ustabar granis. arachís las patís mãos não me deixam.

Está o pastor na sua choça. bam 83. saímos a roubar. randar. Eneruno de abela. suncho de chas. las bocun- Andam monte poder ciganos de para Andan los cales em e monte montuncho en montuncho para poder jalar. miquelas las chorís Como Setembro. biene un calo no e t'as rouba. 84. contra- en los palonolarés. el mez mais mesuncho más contrariuncho de siendo los dos roubos ? Deixaste- las roubar. Está los lo pastorchuncho en su chosimé. me yo ladrisare- hortelão. solto se Agosto. 81. Bíovembruncho ? Novembro ? Dezembro. Octubruncho. e os cães la- y chu- dram e os ciganos lhe rouas burras. . Decembruncho. pa los chaborrillos poder jalar. queles ladrisarelan. adormeceu já. Janeiro vem. Como mulas em os sendo o rio deixas as curraes. En la huertisara sina el julay. já lhe furto duas manró le bestas que grandes são já. Outubro. y los cales le nicobelan las ernás. para vir os filhos bom tempo. ya le chicubelo dos petís que bariás son ya. Na horta está o ya . chubelo. eu pão lhe dou. para y sicabamos a poderem comer. Setembruncho. vem um ciga- gustipenís? Dejastelas choriar. 82. y te las nicoba. comer. os cães me ladram. pa benir bon tempisaro. El me- O mez os das fomes.13 80. Agustimcho. los chu- queles lan.

Appendix: The Zincali. Essa parte comparativa seria talvez mais completa se eu tivesse á minha disposição as obras seguintes : R.^ ed. 1853. tumbres de los gitanos. Milano. pp. 1. *3-*119. (Contém palavras do dialecto dos gitanos do norte de Hispanha. Vocabulário dei dialecto gitano. A. Gli Zingari in Spagna. ainda quando são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas. segundo Pott.*'. Diccionario Barcelona. Madrid. con cerca de 3:000 palabras. ii. já disse. mas com significação própria ao cigano. or an account of the Gyjpsies ofSpain. Sevilla. de C. Vocabulary oftheir language. vol. Cruzillo. A. usos y costumbres de los gitanos^ y diccionario de su dialecto. ao tsigano ou gitano da Hisas notas Em panha. 1851. 2. 1878. Origen. abaixo citada: Hudson. Jimenez. V. 1846. 2. Bohémiens).) A seguinte publicação é. Vocabulário dei dialecto gitano. E. S. D.^ ed. ou ainda as formas mixtas hispano-portuguesas. Les Parias de France et et d^Esjpagne (Cagots 1876.14 h) Vocabulário Incluo neste vocabulário todos os termos próprios da lingua dos ciganos. Campuzano. um extracto da de Borrow. .^ edicion. 1844. ou quando são palavras his- panholas ou portuguesas. 1843. London. de Rochas. trabalhos que possuo sobre a lingua e litteratura dos tsiganos da Hispanha são os seguintes: Os George Borrow. Paris. sem suffixo novo. Madrid. limito as minhas como comparações. The Zincali. que seguem as definições. 1846. excluindo ou o que é sim- plesmente hispanhol ou português. Coritiene Origen y cosmas de 4:500 vocês. 2 vol. dei dialecto gitano.

° Cap. 8. vornehmlich ihrer Herkunft und Sprache. Pott. ses moeurSj sa littérature. muchas frases ilustrativas acepcion propia de las palabras dudosas.° Die Cantes flamencos. de la Colecion de 1870. Le jpays Basque. 8. que contiene. Madrid. Besonders auch ais nachtrag in zu dem Pott'schen werke «Die Zigeuner Europa und Asien». Ethnographisch-linguistiche Untersuchungen. Cantes flamencosj.« 76-76.® (Separatabdruck aus der Zeitschrift fur rom. pp. Philosophisch- 1 Não esteve á miuha disposição o livro de Balsameda y Gonzalez. 230-234. pp. Franz Micklosich. Por D. Cantos populares espanoles. Primer cancionero de coplas fiamencas populares segun el estilo de guez Marin. Ueher die Mundarten und Wander- ungen der Zigeuner Europa's. Historia. VII: Les Bohémieíis du pays basque. Ascoli. V. Os dos dialectos tsiganos trabalhos scientificos de que me sirvo para o estudo em geral são os seguintes : A. 1857. von H. iii.15 El gitanismo. Halle. costumbres y dialecto de los gitanos^ por D." 144-146. y un diccionario caló-castellano. recogidos e anotados por Demófilo (António Machado y Alvarez). peq. unge- G. sobre esse poeta flamenco F.« Halle. I. 1881. et sa musique. F. 2 vol. 8. sa jpo^ulation.)* Francisque Michel. adernas de los significados. Sevilla. Andalucia. . Sevilla. l-xii in Denkschriften der kaiserlichen Akademie der Wissenschaften. 8. Zigeunerisches. Philologie. 1881. Schuchardt. peq. Vocabulaire p. Vid. Rodrivol. 8. 8. Halle a/S. nach gedruckten und druckter Quellen. Novíssima edicion. Francisco Quindalé. Die Zigeuner in Europa und Asien.° Dr. 1881. 1865. sa langue . primer estúdio filológico publicado hasta el dia. 1844-1845. Con un epítome de gramática gitana. Paris. Francisco de Sales May o.

^ p.° phoneticamente. abaixar. abril. 1872 XXV. To come. Uegar. Vid. Port. Venir. porque acharán por *acharanô é uma forma do part. abertisara. Mayo. frequente em tsigano (Miklosich. Olhos. um participio pret. h Q j em Leite de Vasconcellos. n. das outras a paginação do corpo dos Denkschriften. ja- m. Bd. Colecíon de cantes fiamencos. Bd. pret. chegar. Wien. xxr. 1. entre outros. abriluiicho. abillar. Mayo. i-iv. e hisp. XXVII. XXVI. tormento. Vid. aEstar si- acharado^ diz Demófilo. Calentar. v. s. acais. abillelar. acudir. Borrow. Sitzungsberichte der kais. pi. n. a. aberta. XXX. ahillar. acbaráii. a. três primeiras memorias cito abaixarelar. der Wissenschaften. a. n. abillelar^ V. tidos de — de que o hisp. Git. v. Akad. xxii. agastar-se. Port. vid pinodó) 3. escaldar. Abhandl. pêro disgusto que tiene mas de . adj. Abril. Mayo. Das a paginação da separata. jacharar^ v. Borrow. chare. v. Git. 8 segg. Quemazon. ibid.16 historische Classe.^ semanticamente pelo . e justiíica-se 1. v. Esta derivação : foi-me suggerida porDemóíilo. frequente tsigano (Miklosich. XXXI. Borrow. — Beifrãge zur ss. es otro modismo andaluz que gnifica estar con disgusto. abaixisarelar. quemar se tem os senqueimar-se. e adj. o que se confirma ainda pela forma achardó. Aberta. abrasar. impacientar-se.° morphologicamente. m. v. Wien. Abaixar. em facto. n. em typo também . abillelar. 14). p. To burn. Abaixar. f. Quemar. 2. xc. Port. Lxxxiii. s. Zangado. xxiii. Git.Vir. ii. Mayo. Kentniss der Zigeunermundarten. jambo). 43. s. abaixisarelar. abalar. Venir. Lxxvii. sacais. s. Vasc. f. pela troca de gitano e cigano (vid. e que é c?o. colhida pelo sr. n. Vir.

pron. agostuncho. Git. v. Zangado. Vid. policia. giria. adv. ' Mayo. Casas dos botões. (Nós. giria. nosotras. T. Vid. achochinar. amarelar. Behind. Git. m. Mayo. ajustisarar. T. Bags (for bread). a. ajustar. Mill. aracaná. disgustarse». Git. f. pron. s. amanga. Agosto. marar. jacharar. aparelho ou hisp. Laranja. pi. nos?). s. s. aparejo associado unicamente pelo som. e hisp. Guarda. Eu.17 pena concentrada que de ira. Aparelhos de montar. Mayo. Vid. a. azia. T. s. Git. v. andar. Hisp. m. Port. a. Port. Cão. satisfazer. agullá. Ar. asiá. T. Mayo. v. anela. Moinho. v. Louvar. Vid. ajpald. Borrow. Vasc. f. plasarar. Meias. s. m. ligarar. pi. m. Mis- com ^ovi. . s. s. almarronas. Vasc. pi. a. Detrás. Guarda. m. Hisp. acotistamente. es el participio dei verbo achararse que parece calo. Pagar. Francisco Quindaló. alsiplesis. s. m. Nosotros. agosto. aire. s. enojarse. Borrow.VASC). Mayo. andantes. Vasc. cotistá. m. aparador. acharán. acharado. a. adv. Borrow. (amangues. s. s. aracate. Hisp. manrona. v. infra calão ancia. Sem ser presentido. Abaixar? Git. Ar. s. mangue. aplasarelar. Mayo. Vid. pess. osian. Port. s. manronas. s. Demóíilo correlaciona-o com git. pi. s. Vasc. aunque no lo bailamos en el diccionario de D. Alforja. s. BoRROW. f. f. Acena. Agua. Vasc. aparador. pess. recompensar. ancian. gollás. s. e hisp. adv. aire. Borrow. giria. apalé. patusco. p. Guard. Ajustar. nos (en general). Matar. 2. jaracaliales. Vid. m. m. tura de port. molino. pi. v. m. Este verbo se emplea mucho en Andalucia en sentido de incomodarse. Detrás. s. 12. Pagar. achardój adj. apatuscos. amangue. f. la palabra acharão. a. giria. Qçii. e hisp. airesunchoj airun. alijerar. Alforges. Vasc. Vid. Schuchardt.

s. Eespeto. pi. Sangre. Borrow. m. s. s. s. Los bales dei mui. row. araquerar. De noche. arboléo. bigode. s. knight. pi. m.18 s. Cerdo. f. eray^ m. Uva. puerco. pi. Vid. (balichó. ofíicers of the revenue. Vid. Caso (importância. balabá. aricanás. adv. Porco. consideração). m. m. arvore. s. Pantalones. (balbá. truacion. pi. Azinheiro. Pantaloons. s. s. f. Vasc). v. m. Mayo. s. Vasc. Git. Mayo. s. BORROW. m. talk. Noche. Noite. Git. m. Uva. ascuuo. v. banco. proclamar. Mayo. araquerar. m. arai. m. Gentleman. arachí. s. Mayo. Azeitona. s. corto. s. s. Git. carabi- neros. arate. m. Vasc. araquerar. balebá. Guards. f. BoRROW. por la noche. archí. Vid. s. atencion. arvoredo. m. m. Bor- ROW. balichó. Port. bato 2. arachí. balunés. hal. s. a. s. Banco. m. arate. Last night. . Vid. s. m. Borrow. f. balunes. Vasc Port. halibá. s. Toucinho. Hablar. Git. aracM. bale. Guardas. Mayo. m. Git. traquia. Anoche. e hisp. s. s. balules. satalla. atracaj^j s.) s. s. B baguim. Vasc. Vasc). nojo. f. Git. Noite. m. (balulas. balabá. balul. s. Hisp. Vasc. balunes. bancuncho. Calson Borro w. mensi^ort. s. balicbil. asco. Arvore. Borhale. call. hajin. a. Git. Sangue. Vid. m. Hair. m. aracarar. Mayo. f. Vasg. Botões. Mayo. s. Cf. BoRROW. halelá. haliché. Git. f. Fallar. v. s. Calças. baluné. m. pi. Caballero. arhol^ aròoledo. Pelo. asitalluna. na. cabello. Mayo. Git. e hisp. Git. Tocino. Hog. senalar. Abysmo? (Asco. Cavalleiro. Marrano. Pelo. Cabello. s. Vasc). a. To speek. Mayo. s.

bata. bato. m. Port. fiierte. Cobra. s. Fava.19 1. Mayo. 1. f. s. Fr. barquí. Vid. Fatlier. bar. barr. BoRROW. har^ sebe. Yasc. Mayo. Cal. s. Vasc. bato. s. s. To sell. hinar. s. Borrow. Piedra. a. Mão. Vid. Git. Fome. Vid. harhaló. adj. Vir. T. Barba. bar. Vasc. m. Bise. Padre. Madre. em git. binar. excellente. BoRROW. s. 144. The hand. Vender. hastes. hoque. f. basisaro. hasnó^ m. Gran. Mayo. exquisito. dida. Grande. f. . Mayo. Michel. Auxilio. abeille. Vid. Gallinha. Fr. Huerta. hato. Borrow. bartaSj. Git. giria. blaucaera. s. Pico. Pich. BoRROW. Ovelha. adj. Git. s. Gallo. has^ f. Abelha. hicha. bocunchas. PIorta. f. Porco. hate^ haste. barquí e braiiquiá. Miklosich. adj. m. Michel. Me- Mayo]. Git. m. Haba. harha. f. halicho. s. l)aró. hedeyo. f. Rico. Port. s. A com s. Garden. harij. 17õ. jardim. Mano. BoRROW. s. vaso. har. Mãe. kitchengarden. bea. grande. 144. e hisp. refl. Borrow. f. m. bobe. cochon. Vasc. f. Git. abillelar. s. hohi. v. s. Mayo. s. bar 2. Cock. hata. adj. strong. blUelar-se. Horta. Stone. s. haticho. s. s. s. baste. vii. Pae. s. f. Pico. gallo. f. Bokuow. 2. Pedra. 2.° 80 é o feminino plural. Beans. Git. dialectos tsiganos hári^ Noutros Jardin. Jíhhandl. s. Git. s. v. Tsig. translação do accento. f. barbaló. basní. s. haréj haró. m. Copo.. bibiora. Hisp.) [Git. barco e branquiá. hal. Git. bea. f. Mayo. v. barbuiia. Vasc. p. Vid. s. pi. Hisp. p. basiló. Mano. Habas.. pi. roca. Mayo. superior. bicha. s. s. barco. Borrow. f. m. hlanco. f. Git. a. Vender. Carneiro. Great. Git. (Justiça. s. bise. forma hariás do texto n. f. hóhes. i. Mayo. Mayo.

Echar. Nadie. Cuarto nario. Tesoira. Vid. bui. hoqui. m. BoRROW. pron. Port. s. adv. Mayo. ano. Muito. m. f. Membro viril (?). s. monte. arroshoot. a. Borrow. etc. bute. Lua (?). Port. f. famine. Oveja. BoRROW. f. Vasc. adj. adj. Borrow. y adv. cachas. moun2. tain. BORROW. hut. m. pi. calicó. BoRROW. s. tré. hucharrar. caíque. braquíj s. Ninguno. Madrugada. m. s. s. hraqui. 1. Mayo. e hisp. Borrow. Tijera. Morcella. moneda. pron. hurda. s. Git. Git. Vasc. Cabra. f. cale. f. s. m. Mato. Dawn. m. Cordero. Fome. Mayo.) Lucto. f. b regue. cajuquí. cajuLima. Mayo. callicó. f. callardo. Moeda de cobre. branquiáj s. s. Campo. Negra. . caíque. s. f. pi. brancuncho. s. huchararj v. Git. s. cajuquí. adv. f. Git. adv. Git. e hisp. budar. hr acura. Git. Branco. s. bucharronj s. Puerta. indef. Black. m. ho- quiy boquisj s. Pão. A Oveja. s. s. indef. Tiro. f. Git. m. Muy. ca- llardí. quyy lua seria File. BoRROW. s. Gate. s. s. Ninguém. s. hul. f. jar. A de- f. Port. boque. callicó. More. Vasc. callardí. 2. m. BORROW. Git. m. hre^e. door. a. cabra. s. Git. m. Mas. cachas. v. f. s. borrego. m. hraquilô. i. lanzar. callicó. BORROW. chamada a surda?] calduncho. Anno. huter^ hu- cabruncha. Mato. adj.) [Git. f. Mayo. sheep. a. Manana. Git. Porta. Field. f. bregue. Mayo. Manhã. m. Git. Cabra. m. a. Ano. Monte. s. Git. f. The anus. Vasc. Hunger. Mayo. To BoRROW. Vid. cale. Mayo. hreji. caldo. Negro. Carnero. f. m. Mayo. Surda. branco. Scissors. Hambre.20 s. Ovelha. Carneiro. s. s. m. hracô. s. adj. s. (Preta. s. Orifício. Git. cacha. barquí e branquiá. Surda. Vasc. (adj. s. adj.

castende. i. Sol. Vasc. v. casté. Gypsies. f. s. calli. Borrow. (casté. coloro. BORROW. chai. caní. adj. chaborrí. muchachos. m. camino. Ninos. (camellí. a. canguerí. Col. s. Paio. f. Filho. Git. adj. Mayo. Oido. can. enamorar. s. cale. m. Borrow. m. s. f. Iglesia. camiua. m. s. chadí. castí. m. Vasc. Caminho. ind. Git. calo. prés. s. mas é talvez 1. m. cascabes. Mayo. nino. centenate. s. f. BoRROW. cani. ó tu chai. a black. castí. BoRROW. chaborilla. s. m. casa de venda. carruncho. m. Camarada (?). cam. s. s. m. Mayo. Vid. s. s. a. f. m. f. Vasc). f. Oreja. Loja. Vasc. Herva. s. m. s. s. . Shop. chai. Vasc). cliaborron. Feira. Git. pedaço de lenha. BoRROW. (de chabi).) Git. Pau. Couve. cam. cha. s. a. Querer. moreno. f. mocita. Bor: ro w. Vid. s. Orelha. m. Querer. s. Memu- chacho. caiu. chabó. Tigella. (Vasc. Prima (?). a. carro. s. s.21 e s. Cigano. BoRROW. carabelés. woman. Sol. chaborrillo. f. f. f. fellows. s. B. f. i. camelar. árbol. Yerba. Jitános. amar. Git. s. cate. f. Mayo. m. chai. Carro. m. consentir. Hisp. Mayo. To love. Atezado. com a traducção Nina. Ear. amisade. ai Cabbage. f. calo. Git. camení. Hijo. A Gypsy caraallí. s. como m. Git. Git. Cigana. s.* pess. ! Mas pi. s. cané. s. cascaraòi. Children. e s. s. f. Varapau. Port. e Hisp. s. m. Gitano. can. s. chabaró. s. chague. v. s. calli^ adj. a. f. (cangrí. calo. m. Git. Hisp. A phrase s. a. camelí. Mayo. Git. Git. A Gypsy. can- gari. Mayo. Tienda. Centeio. chaja. camelar. Menina. amor. dá camelo. Sun. Vasc). Mayo. Vasc. baston. f. Mayo. chedé. cangrí. cangré. Caldera. chai veiu ! Git. Mayo. s. centeno. Nino. Igreja. s. Vasc.

(Cegos. Poner. Nada. s. sicohar. A fair. m. furtar. m. s. Mayo.) Git. s. Borrow. cheripen. Sim. pron. Fugir. charó^ s. Mayo. cliati. BoiiROW. sicobelar. chardí. correr. Mayo. chasar. marchar. a. chanavj. a. chingarar. v. . Borrow. a. s. v. chiiigle. chedé. Ir. m. Verdad. Vasc. Dia. chibe. Sacar. Mayo. Mayo. pi. cama. f. chechipen. esconder. v. saltar. reprender. f. BoRROW. jhiqalé. BoR- ROW. y adv. chibar. m. a. Cama. Mayo. chalelar. Entender. sar. Mai^o. Feria. chindó. v. a. Chavelho. Mayo. conocer. Bed. tender. Borrow. caminar. a. f. To extract. BOEROW. charipé^ s. s. andar. To walk^ to go. Lecho. andar. To know. chardó. a. v. chi. bron. Mayo. chicubelar. postrar. bedstead. dor. m. f. chanelar^ v. Lua.) Óculos. s. Git. chachipé. Estrella. sicohar. caminhar. trasladar. he goat. f. saber. puU out. m. Disputar. chingarar. v. f. s. Vid. v. s. To cast. m. Prato. Borrow. refl. Git. Nada. cabron. charó. Git. To fight. v. Mayo. Traif. chichobo. Git. Git. indef. chindos. s. Mayo. v. a. v. Cat. deitar.22 chalar. Gato. chibar. Cabrão. Grit. Ir. chimutri. chi. charibéo. s. s. Feria. repartir. m. f. Git. Git. Feira. s. Moon. Saber. meter. chachipen. Saber. Ciego. Truth. s. Borro av. cornudo. Traitor. f. chíhé. n. s. chasar. s. m. clialar-se. chinutra. sungaló. Gato. v. fair. (Bri>íar. Borrow. Borrow. a. a. echar. n. Git. reilir. Git. adj. chimutra. a. andar. Vasc. Ralhar. v. Cas. Git. í. guerrear. s. Pasar. Mayo. conducir. Vir. m. Mayo. Pôr. (jii. Mayo. Git. chichoji. s. pasar. v. m. V. s. a market. posembrar. Vasc. chliigarelar. realidad. Tirar. s. Mayo. Git. chingarar. chalar. Borrow. Dia. Plato. m. v. adv. a. n. shoot. BORROW. Git. Cobertor.

s. chorré^ adj. choror(3. BoRROW. adj. v. s. Mayo. Borrow. Pelo som só acho para comparar gitano chique. navaja. f. clioij m. fango. Thief. chorí. Cevada. s. a. s. m. chuga? Significação incerta. i. a. f. Pires traduz : chique. churí^ s. vid. 1. s. chor. chungalo. La- chosimé. Vid. v. carregado. indigente. adj. Pobre. Git. rJiohelar^ v. chucha. Mayo. de port. chor. f. s. adj. chorró. Mayo. choça. maio. To wash. Poor. chubelar. punal. choi^. Roubar. 2. a. f. BoRROW. Cebada. Bobar. Lavar. chuchas. deforme. Breast. Pobre. v. Git. thievish. chiquel. Fêmea (em Mayo. pi. chororo^ adj. s. choro. Textos. f. choror. Lodo.23 Esta palavra occorre numa tua casa. pecador. chuquel. tsig. lavar. mojar.° 70). Frio. Thief. chorré^ i. de- forme. Feo. Mayo. s. a. s. cho7. f. Git. Bors. BoRROW. evil. chorí. m. geral). Git. chungo. n. f. m. Mayo. ro w]. (n. f. com o suffixo men {== me). Seios de mulher. Cuchillo. s. O quadra cigana sr. s. f. perverso. pesado. Mayo. m. Git. chorí. dron. f. . Feio. chorrés. Dar? [Git. Ladrão. chohelar. v. a. preverso. s. A palavra falta em Mayo. choriar. choro. maio. s. pecho. Mulher feia. m. ground. a. chorar'. Macho. o seguinte. chuchai. Git. a. heavy. Pecho. m. Git. a. s. Vid. m. Maio. chuiigo. chohar. adj. Git. adj. Navalha. Choça. O sr. Der. Mulo. pi. s. fallando do dia. Git. chol. Policias. (Zangado. Knife. adj. chororó^ adj. s. Pecador. Tierra. Earth. Rociar. f. Leite de Vasconcellos verificou o sentido: casa. chunga. Feo. Mula. Git. suélo. Vasc. Borrow. Ladron. choriar.° 79. Mayo. i. Mayo. Feo. Ugly. traz todavia os derivados que chungalipen. Vid. m. Borrow. Teta. s. Mayo. s. chore. s. pecador. Vasc). BoRROW. chungalo. Cuchillo. pap. Borrow.

m. m. Leite. BoRROW. s. m. Git. espécie de salgueiro. chupendó^ s. . f. f. crallisa. aqui. Borro w. Vasc. Cuchillo.) Ralhona. . Arvore. m. Rainha. Git. s. adj. BORROW. Rey. BORROW. f. s. colcorró. 74. chuquel. colcoro. chuti. f. f. Llave. m.] adv. colcorô. Sósinho. Mayo. crallis. í. Cf. clalles. s. King. churdina^ s. Leche. n. acoi. Rei. clicjii. (Cadella. f. Git. acá. Punalada. s. m. Mayo. ir-se embora. Cantes flamencos. Mayo. clallesa. cicubar-se. Alone. chuquel. Mayo. chi- cubelar. clechí. chupeno. f. Queen. v.. Mayo. s. Mayo. Navalha. chumendó. Git. Aqui. Git. Vasc. chupí. n. Git. Dog. churdiní. adj. BoRROW. Beso. Yo no se porque motibo Tan chungamente me pagas. Bolsa (?). churi. s. Beijo. churon. Mayo. Vasc. f. Vasc. Facada. refl. Retirar-se. chuquel. s. m. s. Mayo. cicubelar-se. s. Aqui. Cá. Dagger-blow. punal. Ibid. Vid. Perro. Key. chuquela. BORROW. crally. Milk. f. Vasc. Demofilo. Cão. s. Git. chuque. colcoré. refl. s. clave. s. chupa. cicubelar-se. Jasiéndolo bien contigo. Vid. BoRROW. s. Here. chorí 2. coi. f. Jaqueta. Provavelmente do portuguez chorão. Borro w. Borrow. v. único. s. m. s. adj. b.« 389. 13. p. chuquel. Solo. chute. maio. significa também : A fuersa rebienta un cânon. p. Perro. clalles.24 maldad de pensamiento Como Tengo Tentacion. e chungas partias e rebenta yo. Reina.** 63. Git. Mayo. f. s. Vid. Vid. s. Git. adv. f. [Git.

s. cotobillo.) poderia ser o ponto de partida de uma forma greta. Arroz. combisarar. Pegar. git. Vid. V. curajay. work. (cí. Montar. Sem ser presentido. Frayle. Borrow. Vasc). naranja ter-se-ha Laranja. Mayo. Borro w.] . costinelar. BoRROW. penar. Mas dou isto como simples hypothese. m. etc. arajay. Pitcher. Ultrajar. a. s. cotistá (a). a. Rice. a. Git. cotovello. a. quirihó. Los Moros. v. (cf. pain. synonymo. n. Mayo. v. trabajar. costiuar. Godfather. Mayo. acotista- mente. trabalhar. a. com troca de suffixo port. s. v. Contrario. ello por hisp. do. BoRROW. creta. m. s. Mayo. Houve talvez confusão das duas palavras. Germânia: culehra. correllar. illo. Trouble. m. Git. que é propriatermo de germania. Cântaro. colmar. Mayo. alzar. Arroz. s. Fajã. trabajar. s. Cotovello. Arroz. Borrow. m. Port. corajai. curajaui. Git. Vid. culebra. m. curar. v. v. pegar. o gitano mente um O cigano do Brasil tem gerta. Mayo. pi. Cf. BoRROW. a. Levantar. s. pena. v. m. adv. cribó. To mount. f. coro. pelos processos da O endurecimento da pronuncia do g gi e gui. Cântaro. curelar. costiuar. To strike. v. Cinta. a. Friar. currelar. s. Melhor git. s. BoRROW. curelô. Montar. nidor. f. Git. hacer. o seguinte. tornado oranja orangej e oranja assimilado a oreja e esta substituída formação das gírias. corpiche^ corpichí. f. The Moors. Mayo. s. corá. Compadre. por gerta. adj. s. ranja. Padre (cura). a. m. v. v. ce- f. s. Encommendar (?) s. orelha (Mayo). Passar (o rio) (?) colpiche. m. contrariuucho. Compadre. padre. cratiá. a. O hisp. s. f. latem gerta. m. Mayo. loc. fr.25 colisarar. Vasc. Git. costunar. m. s. Castigar. Bater. golpear. curarar. s. Abbadessa. (Ama de [Git. Trabajo.

Mayo. dai. correllar. a. dicló. desamarisar. MayO- danes. Handkerchief. ofrecer. liisp. BoRROW. To diclé. deciembre. Abegâo. deo por dedo. dicaní. BoRROW. s. f. trabajar. panai. Vasc). a. clout. lli. pegar. m. m. dicahi. do. v. dentes d' alho. D dai. pi. a (?). To Borrow. hacer. culiTÓ. Git. Dar. dinar. s. dani. Dedo. Dar. v. louco. work. s. v. port. To give. Pegar. desamarrar. dicar. Vid. see. v. decembruncho. Lenço. m. a. i. Vasc. s. Mayo. v. Dezembro. f. m. Ver. s. Vasc. Dios (en general). dialectal deuncho. currar. Fool. Diente. God. dicaíií. Borrow. ejecutor. s. pi. golpear. curará. Git. v. (danes. dicar. Lenço. disoluto. m. v. janella. trabaa. s. Mayo. Mirada. Nurse). v. m. s. anterior. m. Borrow. s. s. Ver. Ultrajar. s. dehel. desatinado. f. m. dicló. Borrow. Obrero. a. Hisp. m. conceder. Alhos. Git. Necio. s. daííes. entregar. Braço. Git. Port. No argot dinde significa tolo. curarar. Açoutar. Mother (projperly. Port. s. Git. a. s. a. a. percibir. Panuelo. . ra. BoRROW. Mayo. Madre BoRROW. dineló. Mayo. dinelar. e adj. Mayo. s. = daíies^ cf. Git. Ventana. Porta. f. give. Git. jador. i. adj. Borrow. Dentes. o Peru. diíielar. debel. duvida (en general). s. Lienzo. Sem m. dinelô. Mayo. Borrow. a. Git. Tonto. a. a. To strike. f. Window. v. s. Mãe. paifial. díneló. f. diiiar. acochar. a. Git. Dar. Mayo. s. Mayo. Dar.26 cupchelo. Desamarrar. Vid. s. Git. curar. Git. e bisp. s. v. dezembro. Mayo. Deus.

Candiloii. diquelar. droir. Mayo. Vina. Vid.] s. Mayo. Camiiio. Carcel. eresia. hes^ 8. Burra. estar ipel. Mayo. Mayo. s. f. A dead man. s. druné^ m. Soldado. Borro w. Hogs. Git. Borro w. llí. inerin^ eiieinmo. cmnbre. s. Attender. Palavra composta. m. Git. drun. Git. Cabeça. coprisão. Road. m.27 mirar. Eira (?). estache. estripar^ e segundo o git. (hongo. Mayo. cujo primeiro elemento é sem duvida o port. s. a. Git. estripa^ v. estaíia. Mayo. eresí^ s. estaríbel. Cabeza. Cf. s. estripamulés. Fraile. s. v. m. BORROW. Tienda. a. [Git. s. BoRROW. (estaribeii. viaje. Soldier. Candieiro. Janeiro. s.eriné^ s. Vasc). etc. Git. a. v. velon. Padre. s. s. Friar. esteribin. Hisp. m. candle. Git. eragar. a. s. BORKOW. Muerto. mulé. Git. m. s. estache. f. curagaj^ eresí. adj. dandesquero. i^ Sacerdote. Hat. doudéscaro. BoRROW. erajay. s. f. s. Vine. Git. jeró. chambergo). Lanip. s. Mayo. m. Soldado. s. douares. s. m. estana^. Mayo. Ver. Mayo. m. s. Borro w. mulo_. f. vacha. s. Fraile. f. ejeró. pi. . s. estar ipel. s. Git. Sombrero f. BoRROW. m. eiuro. arajay. isa. s. m. jundunar. s. dundisqueró^ m. m. f. m. m. mulo. puesto de vender. Git. Caminho. m.. Mayo. vineyard. BoiuíOW. Coveiro. Head. Prison. Mayo. s. Chapéu. Candil. Cf. s. BoRROW. Cerdo. Mayo. Enero. Imiidunal. m. eri- eruá. Estrebaria. defunto. m. prision. m. m. Git. díquelar. Cadeia. Mai^o. Borro w. Mayo.

e hisp. Mayo. Espingarda. Cabellos. fardí. pusca. garabar. BORROW. Faixa. grafíij Maré. not a Gypsy. fora. Git. m. s. Git. De port. Vasc. Port. Enterrar. i. Escopeta. Hisp. gaché. s. Vid. m. foro. sepultar. Cidade. adv. garabar. Relógio. fuera. f. garabelar. Burra. Mayo. Shirt. frumachos. legua. s. fardisara. Flor. City. To be on one's guard. galluncho. Saia. garbo. Gallo. galler. (a negra). s. fusca. Túnica. camisa. Mayo. a. . s. m. foro. gachó. Camisa. Ciudad. gaché. BORROW. Port. s. Git. m. s. m. Cf. Mayo. fehrero. pluma. s. loj. Re- BORROW. pi. farda. v. Cualquiér hombre que no sea Git. f. a. m. fajã. port. Fevereiro. Burra. to guard. BoRROW. Hisp.28 fajima. s. Git. Vasc). m. Eopa. m. guardar. gani. f. s. s. m. flor. Guardar. v. s. f. plumacho. gajon. s. Git. Mayo. a. m. Negro. gaché. Port. BoRROW. s. f. puca. f. f. s. gallo. gachô. Hisp. s. Git. Mayo. gallardó. Pólvora Any kind of person who Jitáno. f. Vid. e hisp. (Um quidam. Gajo. man. hisp. s. s. Vaso. Git. gatuncho. gato. s. (Cão. CoUega. f. s. gate. Fora. — Properly. gallardíj Git. grení. Gato. Watch. A gentles. ferbruuoj floruiicha. Caballero. m. m. Varon. BoRROW. pajardo. Git. ropage. is s. Mayo. s. Vasc). s. gate. s. m. m. fupata. m. s. mancebo. Borro w. m. gachó. Figo. v.

harvest. tsig. Burro. guillar. a. Mayo. s. s. m. Logar. f. Git. s. n. Em gorbelar. Vasc). BoRROW. v. goroes. guir. guiyabelar. Pueblo. 12. v. s. Mayo. guchí. Cosécba. grani. Burra. huchi. m. Koubo. Cantar. v. Vulto. s. m. n. s. guel. s. grai. s. Caballo. Borrow. Buey. Borro w. Vid. s. gué. vacca. sing. Git. a. Borro w. s. grei. : Mayo. Cavallo. asno. m. vision. Git. Bestia. f. gel. Esta palavra foi dada na i?e- vista lusitana. Ir. ou f. Maré. ass. gustipení. Git. f. I. bohemio gudlo. Morcella. s. m. Vid. Dulce. grupo. Git. com a significação de «toucinho». jil. m. Caballeria. a. golheri. m. gueriní. BoRROW. s. Ir aprisa ó de re- pente. Cosa. s. gao. guer. echar a andar. Borro w. gulôy llíy Laranjas. s. f. Mayo. f. Cordão. Propriamente doces. a. burro. BoRROW. aldeã. dialectal gxieno. s. s. Trigo. Vasc. Mayo. guer. pueblo. Pernas. Git. m. Git. Ox. goUás. Aldeia. . gi. Git. m. Borrico. gra^ s. por bueno. adj. s. Git. guenassuertes. f. goroboii. gui. guillabar. s. grahi. Anything. s. f. Égua. Boi. guil. gruy. m. s. Apanhar. goruy. que supprimo por duvidosa. goi. Coisa. gau -j- baró. Trigo. s. To Mayo. m. . gau^ s. BoRROW. m.29 gau. m. s. Cidade : gaubarí. s. Donkej. Cantar. pi. f. legua. f. s. Potro. gupui. s. gi. Mayo. Yegua. Mayo. etc. granja. Fortuna. (gresní. Hisp. e suerte. guiyalar. Mayo. Crop. guillar. s. Mayo. trupe. Mayo. Wheat. Git. Git. v. goro. guillàbar. v. m. Git. village. s. pi. Town. m. Mayo. grasrli. Horse. BoRROW. m. guer. Asno. Comp. v. Salchicba. Git. m. gorobó. s. f. goji. café. f. pi.

comer. s. Fava. m. jambo -[- jambo. a. Borrow. a. El que no es Jitáno. s. Git. jinelar. a. Mayo. Mayo. hir. Vid. s. ra. Pé. jucalorro e ojacá. Descargár el vi entre. m. Git. v.30 H habiiuclia. Trovoada grande s. To eat. One who is not a Gypsy. jamba. Frio. To v. horobar. s. her Qi aspirado). BORROW. s. liarame. Hesp. jil. m. orobelar. Vid. istiteJar. guer. Cacare. m. m. s. jundunar^ s. f. m. Comer. m. m. . s. s. Vasc). s. Frio. s. É talvez erro por ustilelar^ vid. Cp. que não pertence á Git. adj. Mayo. tribu. Hesp. baró. BoRROW. Vasc. Git. Cold. Comer. Comer. 2. Bonito. que não pertence á tribu. a. jamar. Soldado. Jaqueta. Horta. junduné. v. BoRROW. v. a. BORROW. Mayo. s. Mulher estranha. BORROW. s. jocar. Vid. Comer. jambobaró. Gente. Cold. jinar^ v. jalar. pi. hacais. m. muchedumbre. jundóy jundunar. hamhé. Jiamho^ m. To exonerate the belly. huertisara^ huiidunal {li aspirado). galler. jir. Vasc. disipar. goroes. Vasc. Soldier. Git. liarou (h aspirado). Vid. v. Vid. juiz. BoRROW. haller. m. ustilav. s. (?). jalar^ v. Fresco. absorber. haba. Vid. estranho. jamar. s. n. sacais. f. m. Burro. m. Auctoridade superior. liuerta. Frio. Soldado. eat. adj. jambo. s. a. a. Homem s. Apanhar. B. MayÔ. (hil. Git. f.

lihanó. Mayo. s. juncal. Junho. s. Escribano. 111. esplendido. Vasc. m. Llevár. Oir. adj. Mayo. m. Git. Julho. Vid. a. adj. Mayo. a. Borrow. ( libanó. Ua. labraoresa. Carta. n. listen. a. lechero. s. jucal^ roíis. pirabré. m. jojoy. Git. jiiiiiolunclio. Oir. ligarar. s. escuchar. Vasc. laborosal. Port. tente. m. leche. v. Bonito. e hisp. Git. Leite. juliunclio. lampio. a. jojoy. conducir. julay. To cariy. o precedente e conf. lecheruno. lahio. . v. làoduov^. Candieiro. s. s. Mayo. jucalorro. os seguintes. Hisp. saber.) Prender. v. s. junelar. mesonero. m. s. a. Escutar. m. s. junw. v. (Levar. julio. liguerár. Mayo. Vasc. m. Lavrador. m. li. Notary public. Hisp. labrosal. Ainoy duefío. To hear. Vid. Hisp. f. m. í. lahraoresa. v. s. s. junelar. f. Lábio. ligarar. Mayo. junar. BoRKOW. m. legerar. ? las dos pimbrés. Ladrar. v. Git. Lovely. hisp. s. lias. A hare. Hisp. . Candeia. Borrow. git. Master. jucal. a. v. agarrar. m. Port. Administrador auctoridade) escriba. liquerar. 2. Git. as significações do git. ladrar. Paper. Escutar. v. (Levar. Meias.) Hortelão. Hisp. BoRROW. ligarelar. f. percibir. Vid. Vid. Llevar. adj. liquerar. junelar. a. Generoso. Vid. Carta. ligar? Yiá. lahrador. Borrow. s. a. Git. Mayo. m. Mayo. ladrisarelar. ligerar. Mayo. larapio. v. (Dono. Git. s. m. a. ou de port. e Hisp. Azeite. credencial. a.31 Lebre. lechute. paa letter. Conejo. Mayo. generoso.) Abarcar. labiunclio. Borkow. s. junar. Olco. ouvir. atender. v. Lavrador. a. liberal. s. Git. s. s. geneHerinoso. m. Vasc. Leiteiro. v. julay. Llevar. cargar.

s. Muchacha. s. s. leste. dialectal lolé. inundacion. mandiluncho. v. Rio. adj. Vasc. BORROW. m. Virgem. m. pess. Roubado? Antes assassinado. s. etc. River. s. f. mata- adj. Fire. Git. m. majaríj s. Git. f. Cp. s. . man. s. Prostituta. lon. a letter. Hárlot. m. lumbre. mi. a. s. Mayo. Lingua. len. A m. i. m. Holy. por yerha. s. cartera. pes. s. Tomate. Love lon. Git. Santo. majaro. BoRROW. m. lel^ s. m. pron. araanga. mim. Me. v. pron. Pimentão. Rio. f. The accusative of the pron. Mayo. f. livro. v. Salt.) Phosphoro. Borrow. Hisp. lolé. Git. livruncho. manceba. mangar. Raméra. Borrow. m. Sal. rogar. Mayo. s. Bacalhau. s. s. Git. f. mangue. m. mangar^ mendigar. Borro w. Git. Me. ahorcar. Herva. f. The Virgen. Port. Mayo. apple. Git. Port. llierba BoRROW. m. lumí. li. Pedir. m. majarí. adj. macho. (Lume. Vid. Mayo. mangue. e maladé. BORROW. liles. macho. Git. Fish. Pedir. M machingarnó. m. ribeira. s. Borracho. magrena. e hisp. a. Santa. s. bêbado. s. majaró. Vasc. Mayo. adj. Borracho. s. s. lingiui. Matar. f. lumi^ lumia^ lumiaca. Mandil.. e garnó. ^. lumí^ lumica. m. Port. Mayo. Pez. Librito. m. mu- lahar. Paper. adj. Fuego. La Virgen. git. BoRROW. Livro. llierbisáj s. Git. s. maché. f. f. len. s. Cf. Vasc. The beatic one. mandil. Vasc. Vasc). riente. macho. Borro w. Mayo. Sal. exterminar. corlleii. Mayo. Égua. muladar^ assassinar. Mayo. Borracho. ajusticiar. Carta de jogar. yaque. Git. Uaque. (mangues. a. majarí. s. linguncha. s. querida. m. No cigano do Brasil. Rio. a. e. Git. machingano^ madrunkard. matój chargarno. Mayo. pers. Santo. pescado.32 s. BoRROW. s.

hisp. minchi. alto lá! Git. destruir. Dejar^ s. BORROW. Git. mecar^ v. s. s. Mayo. f. Légua. interj. permitir. manguelar. Git. f. Bread. v. Pão. Git. minri. Mayo. a. adv. Phosphoros (?). m. Hisp. f. Hom- bre. a. milha. Borrow. Morrer. Mayo. conveniência. pedir. sicubar. Vasc. League. a. conveniente- mistos. v. Mayo. a. De- mecles. entreat. adv. maniscobar. f. mes. mesuncho. vianda. adv. misto. Carne. Deixar. Matar. s. Bien. beneficio. a. Pudendum muliebre. beg. assassinar. m. Mayo. v. f. Well. varon. Mayo. Meat. s. mindai. Maçã. sol- despedir. f. miquelar. Matar. BORROW. s. Borrow. Vid. interj. m. a. (Vid. m. maás^ s. miquelar. maquelar^ Vid. e s. manú^ s. Git. maçan. manró. millaj port. marar. dai^ s. mistas. Mayo. v. miquelar. Parir.33 manguinar. Pára. masauuucha. Man. Deixar. To marelar. Mãe (propriamente. Légua. Parece composto com manró. Pan. Git. Estrella d'alva. a. jar. zana. Orar. mes] hesp. mequelar. mãorron. mm. Conf. Calle. Git. medi. Pudendum feminae. m. m. n. Git. s. Abandonar. mente. m. v. s. To BORROW. a. mecar. a. v. Git. Pedir. por git. Mayo. m. vaya. milla. Mês. a. Port. suplicar. minha. v. Borrow. marar. (?) Borrow. mangar). m. pi. m. minha mãe). minche. millen. misto. s. bueno. tar. a. minchabar. s. Git. más. en paz. mauú. V. maiiguiííelar. f. Dizer. man- s. 3 . Port. BoRROW. s. matagaíianeSj v. rar^ v. flesh. Laranja f. Pedir. a. milla^ s. Bem. Bien. Mayo. v. makill. Vasc. Mayo. ** v. manguinar. v. da Git. m. Matar. Descontar. s. Madre. a. Vid. Carne. Homem tribu. s. Git.

nacH^ naquí. v. Mayo. mui^ s. V. escapar. Wine. s. mudando o ô em E modificação seja inversa. moro. Vid. Vinho. Pelo som só acho que comparar git. Nariz. Git. llejar. Vasc). m. mulla. Mayo. (iiacles. Hisp. e s. Mayo. Vinho. racM. adv. que permitte ligar o termo cigano ao gitano. mulo^ s. No. sem duvida a palavra portutirou o prefixo. f. m. gueza debulha^ a que se m^ som muito próximo d'aquelle cp. correr. narachichunga. alejar. n. Mouth. Mayo. Morto. Mayo. adj. najeJar. (vid. Nostril. Será erro git. morchás^ s. de ningun modo. Noite escura. mol. n. Nanai. m. s. Boca. adj. najelar. evitar. Port. m. Vasc. BoRROW. najarar. v. s. najalelar. f. s. tenebrosa. adj. pasar. mulé. a. najar^ v. Cara. Git. f. Vasc. Significação incerta. cavallo magro. f. Git. Moinho. f. Git. f. Huir. BORROW. difunto. No git. n. s. mui. nanais. Mayo. evitar. n. Boca. pop. adj.° 58. por rachichunga? rachí. calão h^a. naclés. Git. monte. naqui^ uajai-. port. s. huir. Fugir. Muerto. mol. A dead man. najar. s. Muérto. n.34 s. desaparecer. montanés^ m. Burra (Burra fraca. tiniebla ne é prefixo chuugo (vid. hisp. parar. moro. Pelléjo. Borro w. Debulha. morchada. Marchar. m. mon. BOR- RO w. s. montuiicho. montaiiésj molachí. píleca. cara. f. huir. To flee. Git. f. Marchar. arachí) e s. 7nulô^ mulU. Monte. correr. este). face. m. Monte. Não. hide. Skin. BORROW. raoliiiuncho. adv. parte s. molíno. No. BoRROW. s. Hisp. No II). BoRROW. s. àepelle (vid. Textos. Vino. Vasc). n. m. Vid. desaparecer. fugar. Git. òelancia por melancia^ baraço de árabe maras^ comquanto aqui a . . V. Mayo. s. Noche. Fugir. Nariz. Vid.

Mayo. a. a. Git. adj. Fr. 40. row. s. osté s. Dios. Parece haver aqui fusão de git. único ser supremo. Mayo. gallo Git. m. O o jaca. de haró. Dios. nicobar. un-debél. vid. BoRROW. m. Deus. Falta em Mayo. Borhisp. jucal. Arbol. Dios. v. pi. = hisp. orucal. clalles. nasalo.. Rua. s. Borro w. Vid. eridé. s. lamentar. Calle. Mayo. Dios.nicohelar. steal. oricha. ostebel. pi. nicobar. Olivar. v.35 negativo: nahelar. undebel. Mayo. orobar. dias. f. m. ulicha. Meias. Conf. octubruncho. f. adj. olibás. Mé- BoRROW. jucalorro. basíii. Oliveira. adj. v. = *claLlis. Cf. s. v. Borro w. gemir. git. urucalj s. . destruir. m. v. s. ? olipaudó. debelj m. m. Mayo. neharó. Stockings. s. nicobelar. : nahasnão.. m. Borrow. s. Olive-tree. s. oreja. Git. poseer. orejuncha. nicabar. m. eruquel. f. Git. orobelar. Dios. vedar. o precedente. ojocá. enfermo. Olivar. ostelende ondebel. Outubro. outubro. olicha. Vasc. m. otibé. crallis. a. Olive-ground. rei. s. Apartar. Por jocar = pi. Quitar. robar. m. olihias. To take away. está nasalo^ lli. Port. m. invalidar. Rua. carecer. s. s. God. Chover. Roubar. Mayo. BORROW. Chorar. 14õ. Orelha. erucar. s. otebel. s. Enfermo. f. Llorar. . disi- l^ORROW. oclaye Um s. ostebé. Bonito. s. desembaraçar. BOR- Row. peNo cigano do Brasil na apparece queno. orobiar. o prostbetico também em vid. Git. eru. pag. Hisp. eruqué. enfermo. nicabar. oricha. orocal. s. impess. vid. Maio. (BORROw) e git. par. git. oUcha. octubre. orobar. grande. Die Zigeuner. m. Olivo. s. Vid. To weep. Sol. Street. f. ^ como prefixo indifferente a. Git. Git. s. Mayo. II. a. adj. Mayo. nasalo si ya. a. de abelar. Calle. v. Pott. Michel. m. v. ustéd. God.

s. Individuo. Port. a. pajo. f. también palonolaré. s. . m. parnau. Passar. Vale. o seguinte. m. pandar. s. Git. Dinheiro em prata. Mayo. parede. apretar. hombre. f. posonó. Vid. pandar. Agua. A wood. . sujetar. Mayo. pa^ar. s. arreliar. Agua. s. s. BoRROW. Mayo. plajo. v. . Enterrar. v. sujeito. Water. paUillí. f. BoRROW. Sorte. BoRROW. pajin. Palheiro. m. To pani. Bosque. m. Papel. papires. liar. parné. Atar. v. pasabelar. inclose. pusoíiou. s. jpandelar^ v. paruguelar. barter. a. que não pertence á tribu. v. jomalero. v. Borro w. s. s. bono. f. m. paioj s. pasonó. s. s. Port. a. Git. s. Cambiar. to tie. Choça. Mayo. Git. palunó. palonó. s. m. (Palheiro. Prata. pared. Part. f. Mayo. estrechar cerrar . Amarrar. Parede. f. To exchange. s. pani. Homem El que no es Jitáno. m. BORROW. Plata. s. a. s. v. Git. s. paquillí. m. parné. a. Silver. Parte. Git. extranho. parrogar. Git. Git. Opria. naipe. BoRROW. BORROW. Curral. Trocar. mir. s. f. Dinero (haber). Vasc). Vasc. Vid. m. Corral. parugar. papiri. a. Dinheiro. Trafi- Mayo. f. White or silver money. Vid. Vid. paguillí. paillô. Agua. pandelar. Borro w. pasisarar. Companheiro. m. jyapiri. m. o precedente. s. Dinheiro. papira. f. v. hisp. pajé. f. f. negociar. Mayo. cortijo. s. farm-house. f. Curral. a. m. trocar. Vid. Carta. v. One who is not a Gypsy. BoRROW. Git. a. encubrir pandelar. Git. Papel. car. cerrar. Atar. pareauj parga.36 paguillí. hisp. s. Vasc. s. paillo. paní. s. to shut. Cigarro. moeda. passar. Paper. m. s. Dineros blancos.

m. decir. Dizer. adj. Padrino. Vid. pirabelar. v. a. Git. Pae. f. narrar. Borro w]. Huevos. perjj^na. Vid. . Mão. hatorré. Albarda. mandar. n. a. Vid. a. s. pirabar. Dizer. Git. Huevero. m. tuscos. Cooperar. a. . pinodó. s. Port. n. patí. Peito. s. pinró. Mayo. pescoço. Decir . Pastor. Velho da tribu que pi. Tomate. f. Foot. Ladrão Talvez violentador. Referir. Vid. pimbré. contar. s. v. pirabar. m. pinar. pi- pisquèsuno. Mano. Padre. Mayo. v. Contado. bato.. Git. m. Eggs. Vasc. pimbré. Vasc. Vasc. pinãro. To copulate. m. Git. (patusco. pillar. um 8). s. m. s. Vid. a. pedir. Fornicar. Port. cohabitar. m. v. f. penar. s. s. BORROW. Besta. [Git. pimbré. pepéres. s. bato. the genitais. a. peito. caminar. Andar. Git. pele. pinré. Andar. patê. Vid. Pó. m. s. Beber. Port. Git. s. s. Pinheiro. s. a. Git. Mayo. patarró. rabar. BoRROW. pi. pinar. les. petuno. s. Pae.37 pastorchunchoj patarró. 'n. pêra. To walk. m. pinrés. Abhandl. Mayo. los jenita- m. Pêra. s. BORROW. f. Andar. hisp. Futuere. To say. pelichó. m. Hisp. pi. Vid. to heat. pato. de que pindó ó participio regular tsigano (Miklosich. Mayo. penelar^ V. a prova da vir- gindade (entre os gitanos). Mayo. (?). s. pisar. Mayo. Pié. Beber. Pimento. m. pirar. pinar. V. Vasc. pirabaor. m. pino. patuque. Vasc). pirar. Mayo. a. v. i. v. s. Git. pastor. s. s. Borrow. m. Port. m. Pedir. Pé. apatira peliche. m. BoRROW. hatú. Pepper. s. baste. piyar. ii. ha- blar. pirelar. v. s. Pescoço. penré. pinon. n. Mayo. pinelar.peperes. s. pinelar. Borro w. m. v. e hisp. v. Vasc. s. petí.

Straw. f. pi. sa recompensar. v. s. piteira. plojorró. corta. vid. s. plasta. puca. m. Enterrar. Git. BoRROW. bárbaro. pocachiní. pusanó. s. platamugioii. Cloak. m. Será o mesmo que git. Court. pusca. Mayo. placo. v. Borrow. Git. Capa. posonó. plasarelar. Irmão. pu. m. f. BORROW. pusunon. f. s. Borrow. jpita. plasaravj. s. plajo. s. pii. Vasc). juealorro. quehucar. s. Musket. confrade. f. m. Vasc. m. Entraria. quer. plastami. f. s. a. pus. Será que hucar. s. Eapazinho. s. s. Tobacco. s. hiisnô. adj. f. a. v. Vid. prucatihi. Capa Mayo. piai. s. s. Palha. Vasc. Abegoaria. Git. Casa. s. s. Mayo. Mayo. s. f. Cortijo. Escopeta. s. a. esclavina. Mayo. Barriga. m. yard. m. m. BORROW. s. Cf. gentil? Mayo. Brother. pode estar ^or jucar.38 Piteira. BoRROW. m. m. pusca. 9. Pagar. Tabaco. f. Port. Borrow. Vasc. Extrano. m. s. m. posabar. Nora. Bowels. s. s. every person who is not of the Gypsy sect. posuno. f. talma. s.) Git. Mayo. m. aspirado). m. Espingarda. tisfacer. poria. Borrow. Tabaco. Paja. m. a. quehonche (Ji . Git. Hennano. m. Q que. poriáj s. Ódio. Git. Vasc. House. quer. Borrow. pÀata. f. Entraiías. s. Git. in. plasarar. pol. pasabelar. a savage. pusuiion. Mayo. Cf. BoRROw. s. Casa. s. Tabaco. Barriga. (plata. f. (Mi. Vid. que bonito? hucar. panza. piticar. Pistola. Borrow. (Lençol. puy. v. Capa. s. puca. Vasc. pusnó. m. s. Apagar. piar. pus. Git. A gentil. busnó. porias. vientre. Paja. cigarro. Bonito. Vid. Escopeta. husné. s. Corral. ju cal. m. s. Mayo. Git. plasarar. plasta. plata. Mayo.

randar. s. Mayo. quira. Batata. redundes. Pedo. Queijo. a. a. rebraiidiuí. BoRROw. Lingua dos ciganos. Vid. Git. redondis^ pi. quintal. Cuchara. remondiíiar. s. rau. m. m. (espirituosa). Vid. Git. v. Bebida r 11 acra. m. romí. BoRROW. Colher. Git. Vasc. v. rio. com f. a. Mayo. cigana. raUj s. s. ni. m. BORROW. rilo. m. varon (casado). Proveniente talvez do ingl. Marido. Mayo. vara. s. m. randar^ v. Casar. Ejercer. Flatus ventris. Mayo. BoRROW. romí. rumandiííap. m. queraTj querelar^ v. s. s. Grãos. f. raw^ Rod. f. querelar^ v. Mayo. f. Mayo. a. Aguardiente.39 querelar. s. a. robar. a mar- . s. a. s. Mayo. renduudes. s. Spoon. f. Mujér casada. BoRROW. v. f. m. quirá. Git. Git. s. Hacer. roin. Mayo. s. re- Garbanzo. to make. ranâelar. s. Grãos. Mulher da tribu. m. Git. arrebatar. pi. hrandy. s. o prefixo re e terminação gitana. bre. s. a. m. BoRROW. BoRROW. pi. s. homhusband. Desordem. randundes. quiral. róis. aquerar^ v. remendiíiar. rumaíío. jundif m. f. s. Git. BoRROW. romá. Jitána. ribeira. f. A married woman. To rob. Queso. a female Gjpsy. s. mujer ron. Git. Port. f. (Feijões. quirális. s. a. ejecutar. hacer. Chôese. quiutalzuncho. R raisaro. redundes. Bordão. repafií. Vara. m. Rio. Vasc. Robar. Mayo. (casada). Port. Fazer.) Vid. Licor. reparti^ s. To do. Hurtar. quimera. querar. romano. BoRROW. A m. rom. Aguardente. s. Esposa. m. rom^ m. hacer^ etc. e hisp. m. Chick-peas. Git. Furtar. Marido. v. Vasc. Vara. s. n. s. Quintal. Queso. s. Mayo. redundi. v. Brandy. s. s. Git. rile.

a. To marry. The Husbands. sanacay. s. letaya^ Azeitona. sapunes. sané^ s. husband. a married man. Que. f. Burro. the generic name s. v. si- . sacais.40 ried man. f. of the nation or sect of the Gypsies. s. Git. chetalli. BoR- ROW. Miklosich. enlazar. m. romandinar. The Rommany or de los Jitános. m. romandinelar. segar. 8. Familiar. Gold. (Libras. V. konó. Vasc. s. that. f. BoRROW. seguisarar. Borrow. a Gypsy. Oliva. f. 2. relat. sapuna. a. Sabão. m.] rumíj s. sampuni. Port. s. segar. se. segabruncho. Casar. sonacai. romí. s. Vasc. Vasc. m. Aceituna. Mayo. s. Git. [Cf. s. Segador. romani. senelar. Mayo. sr. Leite de Vasconcellos a phrase: 2. Cho- BoRROW. Cf. Sausage. Vid. pi. Git. Port. 58. viii. ni. Casar. n. do sr. s. Segar. domestico. m. adj. Ser. s. roma^ s. Who. cuales. pi. BoRROW. sinelar. Oro. Git.. Git. f. Ojos. Que. de casta gitana. satalha. Ouro. s. desposar. s. Mayo.) Git. Olive. Pires com a traducção — um cobarde. Ahhandl. no senela caíque. pron. m. Do recebi a phrase: 1. s. Sardinha. húngaro rikonô. cão . cual. BoRROW. m. acais. sos. sinelar. romano. m. Olhos. BoRROW. Git. próprio. Mayo. romandi/hary v. A Gypsy language. pron. BoRROW. a Grypsy. v. s. v. sanou. m. m. Videira. s. pi. Língua dos ciganos. Mayo. Chouriço. f. s. f. Git. rei. rizo. rumandinar. BoRROW. Jabon. m. salbana. Mayo. rucó. a. polaco rykonon. Soap. Mayo. rom. e hisp. tsigano grego rukonôj nrumeno rikonó. Cf. Lengua sacais. rumano. senelar. f. e hisp. Vasc.

senela terela callardó. que deve traduzir-se — E — de amanges^ vid. Virtud. com a traducção pertence-me . Port. chicubelar.se ao que. Vid. s. f.. por sina. a. sicabar. sonsibelar. amanga^ mangue) 5 a phrase: 3. Olhar. caique)^ na (z= é de nós ou de mim phrase: 2. sila. Git. Ketirar-se. esse verbo que estar. Setembro. homem. s. Força: a silas. s. Arvore. f. que separadamente se ligam a callardó. s. a. V. setembro. aux. ó um um não ó cobarde. porfia. se- sicabar. Vid.. v. sicahar. Git. sombrimé. m. Vasconcellos dá ella. á força. m. o sr. v. n. parecer exacto. V. De não é ninguém temos na phrase 1. facultad. sonacay. senelar. hisp. Mayo. o que corrigi por não guagem corrente. sicubar. n. f. . sonsidelar. Vid. Sair. sorbar. s. sínar. a. eresí. senela la — primo. mangue com a traducção também siííel com a significação — — O sr. sanacay. ir-se embora. Mayo. parece. sinar^ sinelar. Vid. Borro w]. Mayo. sobap. Callar. elle. sinar. reparar? [Git. n. Ser. sicubelar-se. de luto. Pires enviou-me demais a traducção de uma phrase em que esse sentido é dado a senela 4. ou estar por senela a parece é a mim (= é dos meus. tiembre. Furtar. V. m. que deve traduzir-se vid. é meu parente). Não mangue (sinela — ser acho no gitano nada que justifique o sentido attribuido a ha aqui sem duvida erro de sinelj sinela. v. sila. silbar. Salir. v. dois verbos Em senela terela juntaram. e hisp. v. s. setembrimcho. BoRROW. v. v. Pires ainda a phrase quasi idêntica a essa: 3. Vid. na linO texto n. f. enmudecer.° 80 trazia sin na com a traestá. potencia. elle está : outro lado tem o git. impeto. Port. como pronome . me Vinha. Vid. n. do sr. seresí. refl. v. ducção sósinho.41 nela damangues. interpretação. Mayo. Freio. To be. soltar. uma alteração de 2. sombra. s. Adormecer.

sorbar. sleep. tasara di calicó. f.. Mayo. familia. existir. Adormecer. BoRROW. Mayo. o seguinte. Vasc. tosara. s. Zingaro laci tosara. ZigeuneHsches. adv. f. Mayo. sungoli. 81). s. a. O mesmo que callardí: nos diaha outros exemplos de substituição de c tsiganos f. tasara. tallardí. sorhelar. Vid. Cf. Abhandl. v. — estariben. Dormir. Vid. s. n. ternipe. Vasc. sungló. (vid. s. joven (Miklosích. Mayo. Vid. Mayo traduz por astrologia. m. Git. Th. v. fica Mas calicó signi- manhã Borrow). mocidade 58). Falta em Mayo e Borrow. s. Cadeia. universo. Talvez por terrosa. aux. siiete. f. World. calicó) e git. Gente. parece ligar-se ás formas ciganas tyrnój novo. f. tarní. Pires. Vid. tener. (pag. m. sungolí. s. sungU. lectos Morcella. s. a. s. Tempo. f. terelar. v. tarrosa. Ascoli. Haber. 82). genera- cion. comp. index. s. Ahhandl. tprelar. s. 26). tarde. possess. taripen não tem anade logia significação. Port. have. Dormir. Ter. f. ii. tasala significa tarde (Mayo. poseer. tardimen. Git. m. Melancia. taripeuas. Madrugada. terelar. buona mattina. tasalda. Git. Gente. BoRROW. Manhã. Melão. vid. mattina. soymar. a. To a. Batata. BoRROW. teja. Hisp. Git. Telhado. A. (Miklosich. Melon. novilho^ anejo. vid. tempisaro. f. Sandia. s. m. Port. sornibar^ v.j ii. tempo. sungli. s. f. v. Tarde. v. cárcere. s. . Burrinha. Git. mas (ii. Borrow. n. To hold. v. people. Git. n. tarelar. tejauncho. suetí. etc. Mayo. Cadeia. do por- tuguez. s.42 sorbaPj v. por t. e hisp. taribé.

s. BoRROW. Git. Vientre. ustibelar. v. Si. a. ternejal^ adj. a. . Testa. e testuncha. a. conj. Sapatos. ustabelar. adv. v. Git. Body. Git. s. pron. vinagruncho. a. Apanhar (?). tue^ contr. pi. Mayo. Apre- trupo. BoRROW. BoRROW. Git. adv. Vid. Yea. m. cobrar. Vasc. (vid. roubar. s. tirajay. tute. Vinagre. E. m. percibir. yes. v. Trigo. Tomar. Mayo. Coger. tremuche. ustilar. s. Tomar. Lua. alzar. a. ustilar^ ustitelar^ v. m. s. tomar. Port. processo vulgar nas gírias. Git. Cuerpo. trúpo^ cuerpo. Port. llevar. a. Mayo. Cf. prender. Mayo. Git. truly. ustabar. pi. Git. Mayo. apurar. cliinutra) por ii. Shoes. a. tusa. tremácha. Sim. de tucue. Valente. git. te. ustilar.43 adj. Moon. m. furtar. ao que parece uma mutra simples alteração de chitroca de logar de consoantes. Zapato. hisp. Pott. teriiegal. acoger. hisp. s. V. Zapatos. Mayo. m. Git. m. arrebatar. v. 194-5. Luna. Furtar. Vasc. Mayo. a. triguisate. Mayo. ustihar. ustabar. 2. unga. comprimir. s. U ua. Tu. v. pess. Valiant. pess. s. BoUROW. Valiente. BoRROW. tirajai. f. Corpo. tiragaisj s. ternejá^ adj. grangear. Vid. trigo. pron. v. ti. exigir. Vid. s. tar. trinqiidar. e trincar. f. ustitelar. resuelto. testa. Tu. f. hospedar.

na Polónia e Lituâfinno. na Rússia septentrional . rofazer-se ideia pelos textos e vocabulário acima impressos. na Rumenia. conserva muitas particularidades perdidas noutros seus co. na Turquia da Europa. polaco. ravia . inglez e hispanhol. mas gitano conserva ainda partículas. do Kafiristão e do Dardistão *. representada por os mencionados dialectos ou sub-dialectos extra-hispanicos .irmãos. saidos da mesma base popular de que o sanskrito se elevou á cate- goria de lingua litteraria. na Finlândia. O raes. Pires. na Hungria e Sirmia bohemio. a maior parte mano ou ainda romano. certos processos de derivação e outras forgrammaticaes da lingua tsigana. nia. nesse meio de lin- gua céltica. Serbia e Rússia húngaro. na Bohemia e Mo. segundo os dados precedentes e os que me communicou o sr. numea moção.44 Os ciganos do Alemtejo. . 287 segs. Miklosich. Bucovina. . e esse fallar a que elles chamam rumano. Siebenbúrgen. escandinavo. paizes da Europa os tsiganos faliam verdadeiros dialectos ou antes sub-dialectos particudas quaes se encontram lares aparentados com os dialectos neo-hindus. o qual. Como se vê. Esses dialectos tsiganos apresentam algumas peculiaridades phoneticas archaicas que os approximam especialmente de linguas ainda pouco conhecidas do noroeste da índia. russo. iv. pronomes. faliam o português. basco. allemão. Beitrãge. Miklosich enumera treze dialectos ou falias tsiganas na Europa: grego. o hispanhol. na Allemanha . p. Miklosich não teve conhecimento do importante dialecto tsigano do paiz de Galles (tsigano welsh). de que pode também no gitano ou linguagem dos Noutros de ciganos Hispanba. rumeno. italiano. o rumanho não é mais do que o hispanhol influenciado pelo português e semeado de palavras particulares.

callí f. 8-9. éster dí setenta). é). Notem. sirij sou. junto de otordé. a julgar pelos documentos que publico. apenas representada por ténues vesno rumanho os vestigios tsiganos reduzem-se quasi tígios . apresenta o gitano nonrió derivado do hisp. amanguej mangue. velmente. Assim por misturas successivas o elemento românico foi eliminando o tsigano. Vid. nosso. O rumanho.se ainda as formas femini- nas e do plural como calo m.. mindai. e oíferece por esse lado interesse particular para o estudo de um dos processos de substituição da lingua de um povo por outra. que.0. comp. de origem tsigana. ostardí quarenta. como mostrarei ' Schuchardt. e outras formas um ^ grammaticaes que ainda conserva o gitano representa pois estádio mais adeantado na ruina da lingua tsigana pri. ainda mais de perto poderíamos seguir esse processo. sisle. unicamente a vocábulos vação : feitos e alguns processos de deri- o hispanhol e ainda o português occupam o logar abandonado pela grammatica tsigana. no vocabulário apalé. Alguns numeraes gitanos mostram já influencia das formas hispanholas (johenta sessenta. no(s)^.45 mas doutro lado perdeu quasi por completo a antiga declinação. p. 53. es. está (vid. Nos dialectos tsi- ganos europeus extra-hispanicos conserva-se em geral a base indica primitiva do vocabulário e da grammatica no gitano os elementos tsiganos da grammatica reduzem-se considera. .. si. cales pi. p.. 2 Todavia achamos ainda no cigano é. nasalo). perdeu quasi todas as particulas e pronomes (vid. Ao lado de amaro. Slawo-de?itsches U7id — Slawo-italien. Se tivéssemos documentos da linguagem dos gitanos provenientes dos séculos xvi e xvii. 4. 1885. se). panchardi cincoenta. Graz. É possível que ulteriores investigações descubram mais uma ou outra forma verbal tsigana no cigano. adoptou a conjugação hispanhola em -ar^ conservando algumas formas tsiganas do verbo sinar ser (sis. otorenta oitenta. perdendo-se quasi por completo a antiga declinação e conjugação. mitiva que o gitano.

Os 484 termos ou formas do rumanho reunidos em o nosso Vocabulário classificam-se. 3 não se encontram nos vocabulários gitanos que temos bi- 68 são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas . calão. : em quanto á sua origem dif- próxima. 47 são de origem para mim incerta ou desconhecida. Vid. ajustisarar. guenassuertes. bicha. p.. desamar isar. do modo seguinte 353 encontram-se também no gitano.46 noutra parte. por * desamar risar. (anda) provém da germania ou do é : uma forma portuguesa muito alterada phonetica- mente mulla. em geral sem ferença considerável de sentido ou de forma. parte quaes tem aspecto que a faz suspeitar. e hisp. abaixar. 480-481 . abaixisarelar (* abaixisar). á mão. port. mas occorrem noutros dialectos tsiganos (hato. tarrosa). Derivados com o suffixo -sar^: a) verbos. biora. x. desamarrar 1 Sobre esse suffixo tsigano. Ahhand. port. 8 são palavras portuguesas ou hispanholas de significação alterada ou especialisada (andantes. frumachos (fj. e hisp. Miklosich. também apatuscos. 1 (culebra) 1 1 provém da germania. vid. lectos tsiganos prove a Palavras do rumanho derivadas de palavras hispanholas ou portuguesas 1. tarní). está longe de ser o único pelo qual um povo perde a sua própria lingua para adoptar a alheia. Talvez que nova investigação do gitano e dos outros diaorigem tsigana de alguns desses dos termos. port. churon (?J. patuque fe patusco). aparador ^ arboleo. ajustar.

ahierta. aberta. labrador. ahertisara. ^ò^c?. e hisp. e hisp. port. caldo. fa?'c?e. segar. calduncho. e hisp. carruncho. templsaro. Derivado com o suffixo -eZa. port. quintahuncho. hisp. port. choça. port. p. 445. e hisp. huertisara. e hisp. brancuncho. ladrar. acha-se também no gigostuncho.47 scguisarar^ port. port. port. de origem românica . hasisaro. chosa. sombra. huerta. hisp. hisp. e hisp. blanco. 4. 1 As formas 4" "^^<^- abaixisarelar. sombrimé. disara. vaso. suffixo -mcw. tardimenj port. . cabruncha. port. tano idem. e hisp. Nas formas pastorchuncho. também /ar- 2. ladrisarelar (*ladrisararj^ port. ladrisarelar. tempo. hisp. 3. hisp. dialect. carro. hisp. raisaro (por *rusaroJ port. segahruncho compHca-se com outros elementos. Derivados com o suffixo -me?z^ -me'^ : chosimé. port. Derivados com o suffixo -uncho^: bancuncho. — Vid. port. port. e hisp. hisp. cabra. lahrosal (por Habrosaro) . e hisp. lUerha por yerha. tíempo. jpasisarar. hisp. port. port. port. labraor. h) substantivos : pasar *. abaixar. hisp. àbaixarelar. Mayo. vid. ?'io. íarra(/or. passar. teem o duplo suffixo -«aí* 2 ' Sobre o O : suffixo -uncho é ex. lUerhisá (por Hlierhisar). horta. banco. braiico. no Vocabulário..

orejimcha. e hisp. port. tejauncho. port. ^e/a^ port. port. deciembre. julio. port. hisp. segabruncho. vinagre. hisp. octubre. lábio. abriluncho. a5HZ. juniluncho. port. gallo. 123-124. e hisp. montuncho. agostunchoj port. hisp. deuncho. port. novembrunchoj port. port. contrario. port. oreja. Z{i. hisp. livruncho. molino. pastor chuncho. hahuncha. port. i. íeZ^a. hisp. dedo. dedo. juliuncho. port. quintal. s. e hisp. mes. setembruncho. port. . molinuncho. e hisp. p. vinagruncho. e hisp. Pott. íesía.ro. haha. lengua. e hisp. deo. e hisp. dezembro. gatuncho. hisp. port. setembro. pastor. faixa. gato. port. septiembre. port. enero. port.48 contrariuncho. e hisp. 5. hisp. port. port. e hisp. hisp. /a/a^ port. Derivados com o suffixo -wtzo^ -m?i * . libro. novembi^o. Jim^o. testuncha. 1 Esse suffixo é de origem tsigana. lingua. noviembre. eneruno. mes^ hisp. fava. m. moinho. wandilunchoj port. port. port. mandil. decembruncho. octubrunchoj. quintalzuncho. hisp. fior. galluncho. hisp. port. janeiro. e hisp. labiuncho. segar. Jloruncha. orelha. agosto. hisp. e hisp. barba. port. hisp. mesunchoj port. hisp. e hisp. jfwmo^ port. port. e hisp. outubro. linguncha. port. fajuna. e hisp. barbuna. julho. port. hisp. monte. hisp.

fn^o. qvindaU. alpandy e quigléf abril. jpera. hisp. ^^ori. liisp. pefunOj. dialectal labraor por labrador^ port. Como se vê. março e maio. suffixo). maio. port. pinon. 10. triguisate^ port. hisp. pescoço^ hisp. marco. -z7Zoj. Derivados com o suffixo -esa: lahraoresa. fuera. pecho. pisqiiesinio^ port. leche. hlanco. pareau. port. leche. port. hisp. os ciganos perderam inteiramente os nomes particulares de meses tsi1 ganos. cotovillo. e hisp. port. 9. Derivados com o suffixo -ata: furata^ port. hisp. Ze^7e. cotovello (troca -eZZo da forma port. pescvezo. hisp. port. Derivados diversos: hlancaera. /éZ/re> de . hisp. do suffixo pelo hisp. liisp. leite. fevereiro^ lecheruno (suffixo composto -er-uno). port. hisp. pared.. 6. hranco. centeio. marzo e mayo) completam a lista acima. parede. e hisp. 7. port. piticar. port. j)eitOj. /^iVa^ piteira. hisp. peruna. Os uomes de mês março e mato do rumanho (do port. fora adv. 4 . pinho. port. 8. Derivados com o suffixo -ate : centenate. j9iwo^ port. Derivados com o suffixo -ute: lechutej hisp.49 o (troca ferhruno. que os gitanos conservam ainda pela maior parte como ÇMÍrdaré. centeno.

que se encontram no rumanho ou de que derivam termos que neste se encontram. do hispanhol e do português. . hispanhol e português). no estado actual da minha investigação: achochinar. e não á proveniência remota dos termos do gitano. reduz-se a lista aos seguintes.50 Palavras do rumanho de proveniência incerta Referindo-nos só á proveniência immediata (gitano.

51 chimutH .

chatí. E possível que a substituição nas palavras ciganas provenha dos colleccionadores. gel. 12. 4. git. r paragogico (ou substituindo : git. git. chor. git. r: aij git. chol = = git. bal. 7. llaque n: y) 11 por = ^«í-èo git. corpiche. eragay. paquilli. = paguilli chimumon = git. hir == git. ojacá ò) Suppressão de : = == = yaque. junduaracaná narj por '^haracanal. git. chanar. Suppressão de r chadi. pajardó. = hispanhol se representa por esse signa] apparece chicube- por J gitano lar satalla final currelar = no dipthongo = = budar burda. rr git. Por fim perde-se a aspiração: acais 6. jundunar = = chupeho n por m: chinutra == git. cascabes git. piyar. of) sem = aspiração forte h substitue o j gitano (pronunciado como j castelhano) nalgumas palavras: her ao lado de gueo^ A Ml. moro git. estaripel. sicobelar. l final aracaM git. 8. Suppressão de syllaba. gué a) por r: guer. gelj grei. . pol (ao lado de donares) = git. hundunal git. h por d: garbo git. Inversamente apparece em git. jingalé e por s em git. Inversamente eragar = por eh gitano em i git. len. 9noZ. hundunal jundunar. . jil. nosotros = A = hacais. donares git. colpiche = git. n por l: estar íben = n por 7iíZ. = em chingle == git. jucal. 10. mol. git. Esse pailló.Ò2 na boca dos portugueses e gallegos que faliam liispanhol^ reflexão previa sobre a differença dos sons. (3) por 11 calicó ao lado de callicó. chupendó. camalli = = git. cameni. influindo talvez chalar. Metathese de r: barqui e braqui. Inversamente bar : = . (3) tue s: hacais ao lado de sacais. qu: pallili git. ir). O som está por ill em pajo git. y) por n: chalelar de git. gani ao lado de graM. curelar.' = = mesma aspiração substigitano hamòo cig. O som representado no Vocabulário por y é o mesmo do = hispanhol e gitano j. jir. (Vasc). casZ 9. [B) oí) 11 por y: pillar l: U por 11. ò) 11 por gu. chetalU. pajardó. git. a) llen = = git. jambo. õ. [3) tH. lado de ao carabi. clalles =^ git. chedé ==-. git. git. crally (horta) l = = l poria. git. git. noliotros hisp. som representado por eh é o mesmo que em (tch) s . : = chardi. jaracanal.

cheripen^. seresí eresí . = git. jpruscatifíi. huchij coisa. sobre todo em poesia. Formação do feminino e do plural As formas femininas em como no gitano. róis ua chol = = git. Houve translação do accento em hariás. p. 52. osian. Mas «el admite que. = git. huchias. 1 2 Mayo. granis. asiá. para evitar la cacofonia. os textos dão-nos Em no cigano chibe. = = traquia. gullás e olíhás (nas duas ultimas com perda do f). apresentam uma ada- ptação ao typo feminino hispanhol e português.53 Varia. mal escripto. chibes. atracai = chor\ pocachiní = == git. puMs ^» . Ê possivel que seja antes chariben. almarroíias azia. unga. Os nossos : textos apresentam-nos as formas femininas do plural pa^is. charibeo git. de muchos a a seguidas. que. ansian git. git. manrona. el plural de i se forme tambien con s solo : Puhi^ pena. taiíj febre. aracMs. gitano chibe tem o plural chibeses . gitano as palavras femininas em i teem o plural Em em uso ias. tatias. choi ao lado de gii. fosse lido chariheu e reproduzido charibeo. petis. roin. chinutra i e satalla apparecem ainda no cigano. .

.

de uma profissão licita. garotos e em buscam não especial de outra gente de hábitos duvidosos. uma e outro exis Calão. gira^ gíria ou geringonça são os termos com que português se designa o vocabulário especial dos criminosos de profissão. os pintores. o qual exigiria um volume. fadistas. 3. não tem em regra nem morphologia * tana. muitas vezes de caracter cómico. que foi prommettida em 1887 na Revista LusiI. Sabemos já o que é a primeira. e sobretudo ao conjuncto de termos particulares. me . que usam certos grupos sociaes. contrabandistas. os actores. Esta parte. radas um dialecto tem palavras altephoneticamente.n o CALÃO E A língua DOS CIGANOS / ' Tem-se confundido muitas vezes a linguagem dos tsiganos em geral com o calão. nâo pretende de modo nenhum ser um estudo completo sobre o calão. que por aquelle meio ser entendidos da sociedade geral. para cuja elaboração faltam tempo e alguns subsidios. como os estudantes. mas por processos geralmente distinctos dos que caracterisam a alteração calão ou giria não é : O phonetica dialectal . os typogra phos. os soldados. vejamos o que é o segundo e se entre tem quaesquer relações. os pedreiros. Por extensão dão-se ainda aquelles mesmos nomes á terminologia uma classe. sem duvida.

xeringonça. naquelle as transformações próprias são geralmente queridas. os hollandezes com a expressão hargoensch ou dieventad lingua de ladrões). que consiste em accrescentar a cada Da uma palavra uma outra constituída por um g seguido da vogal daquella syllaba. mas mais pergiria provavelmente feita. usavam e usam ainda uma do mesmo género.56 nem syntaxe que o separem da lingua geral em que por assim dizer se encrava. inintencionaes. examinemos agora a origem d'estas palavras. : ir passear hoje tornava-se ãon' reco ri sapear johe. Essa giria era fallada e entendida com muita facilidade pelos iniciados. que consistia numa inversão de consoantes nao quero Os caixeiros da Baixa. os allemães com o termo Eothwelsh (á lettra italiano vermelho). modificações morphologicas e semânticas (de significação). em Lisboa. principaes processos das girias do segundo género serão estudados abaixo. e tinham o synonymo antiquado gerigonza. os francezes com os termos jargon e argotj os italianos com os termos gergo e lingua furbesca. nestes as transformações são geralmente espontâneas. intencionaes . que então se tornam menos numerosas. assim tu queres ir a casa torna-se tu-pu qué-pé-rés-pés ir-pir a-pa cásyllaba de (gj ou p pá-za-pa. primeira espécie é uma giria usada entre nós pelas creanças nos collegios. Essas girias podem ser denomi- Os nadas — de vocabulário particular. giringonza. os inglezes com o termo cant. Tendo definido o que deve entender-se por calão ou giria. os russos com o vocábulo (á lettra — — afinskoey os tcheques com a palavra Jiantyrka. Os hispanhoes denominam as mesmas linguagens artificiaes com o termo germanía. Ha mente phoneticas duas espécies de giria numa as alterações são purasó a matéria da palavra se modifica. Uma outra diíFerença fundamental separa demais o calão dos dialectos. . — : noutras accrescem ás transformações dessa espécie.

port. V. de * gargoj. senhor. como na giria das ^. é um phenomeno assim dizer uni- por versal e por toda a parte os processos applicados são muito 8Ímilai-es. A palavra gira. . em em de antigo dizia-se antigo inglez^ A * gargonner por jaryonner. xxvm. . a gerigonqa. ao que parece. empregam a alteração as syllabas principiando por p^. garganta. gargonn forma girigonça parece ter resultado girgonça. s. derivado de gergo (interswarabactica de i) giringonça é uma forma em calação a nasal do suffixo que produziu a nasalisação do i pre. plienomeno não raro (ex. s. forma gira teria nascido de ^girionça pela suppressão do : A suffixo -onça. 2 Francisque Micliel. gergo. giria liga. A etymologia desses termos offerece hypothese mais favorecida é a que considera o francez jargon como derivado de forma jergue. giringonca. fanjões por feijões). gargaite. i. logia é todavia muito transparente : O quer dizer cigano. lingua de cigano é um termo com que os ciganos do nosso país ainda hoje se designam (vid. e ao italiano gergo. . g erg onça. gergone. uma * cedente. de * gergo. gargalo. Études de philologie comparée sur Vargot.. jargon. provençal gergonz. jaii-jpau-na-pa ^ Diez. Y. bulário. Mas em verdade a existência de giria. 185G). Assim os tsiganos espalhados nos Pyrineus bascos. v. de uma ou de outra natureza. por exemplo. EíFecti vãmente fr. Voca. (Paris. ao francez jargon. com que adoptaram a lingua do país.)i termo calào como synoiíymo de giria parece não ter correspondente plionetico fora de Portugal.se. que como vimos se encontrava também em hispanliol. thema de que uma deri- vam fr. nossas creanças e fazem. Os termos por si estrangeiros acima transcriptos revelam já a existência de girias nos principaes países da Eu- ropa.). FÁymologisches Wõrterbuch. de jaiina. s. a sua etymocalão ^ propriamente. A bastantes difficuldades. p. Littré e Scheler.

Pott. ceh seis. passagem relativa a duas girias por elles empregadas. serlú ou cerú. desrá^ jelú. citada por da existência de uma giria dos salteadores chamada farsipé e cujo artificio consiste em introduzir ri ou fé depois de cada syllaba^. «O hindustani é a base de ambas. Ascoli repete de uma noticia de Klaproth. e a segunda é patentemente uma conversão syste- matica de algumas poucas lettras. o persa jek um (= hind. satúrú. ek) . modificações phoneticas e morphologicas assim os numeraes hindustanicos pane cinco. uma uma a outra commum a homens. o facto circassios. pelos chefes.58 Os theg (thugs) ou phânsigâr da índia teem uma giria em que se notam mudanças de significação. ao lado de . Os theg adoptam ainda palavras de linguas estranhas*. da mera transposição ou inversão de syllabas. gente nómada da índia. a primeira resulta^ em geral. mulheres e creanças. sât sete. des dez. tornam-se nessa giria respe- ctivamente: pancúrú.» Eis um espécimen: Hindustani . O mesmo eminente glottologo italiano extracta de uma memoria de Richardson sobre os Bâzígar.

O mesmo auctor emsentido pregou também a palavra geringonça. 2. 110. mas não no de giria: «os honrados são pobres. os ricos vilãos são roíns. que também podem ehamar-se complexas. Ibid. comp.. E assim também os Siganos tem outra espécie de Giria. por assim dizer. propriamente dita. á das girías de vocabulário próprio. 1725) disse: «Também em Lisboa entre os homens. por que os outros». Michel. que fora objecto de invesde de Silvestre da Sacy^. Pott in Intei-nat. uma giria africana. sobre lettras. reprode dois estudos. Sprachwissensehaft. Yoem inversão de palavras ou proposições. inteiramente desconhecida. 60. scena il. artificial asiática. e a sua historia anterior ao século xvii é. sitr Vargot p. 487. 300. duz os títulos Zeitschrift f. de que os taes usâo algumas vezes entre si. Essa giria tem sido muito pouca estudada. século XVI Jorge Ferreira de Vasconcellos fez uma referencia á germanía: «Quando elles querem falão Ger- No mânia». No século XVIII D. se entendem huns com 1 Apud Pott in Internationale Zeitschrift fiir allgemeine Sprach- wissenschaff. outro sobre um calão mal aio e allude a uma ruha Vocab. ii. 2 Fr. Jeronymo de Argote nas Regras de lingua portugueza (p. consistindo nota de Crowther. a que chamão de ganhar. acto lil. concertai-me esta geringonça». pertence á segunda das espécies acima referidas. n. scena ii. r. .. o haldihalan. ha um género de Dialecto a que chamão Giria. Eufrosina^ acto v.^ ed. um sobre termos de giria no Minahassa. isto é. allgemein. por apresentarem um conjuncto de processos vários.59 Leitner estudou a giria dos ladroes dos paises do noroeste da lingiia numa publicação inacessível para mim*. W. Francisque Michel fez referencia a uma lingua G. Eludes de phil. syllabas. 2. parte tigações As fontes do calão O calão ou giria portuguesa.

L)(.>

Uma investigação bastante extensa no theatro portugiiez dos séculos xvi e xvii não me deu elementos seguros para
o estudo da historia do calão. Outros talvez sejam mais felizes do que eu. Gil Vicente e J. Ferreira de Vasconcellos oíferecera

não

me

atrevi a considerar

grande numero de tennos populares, mas nenhum como de calão.

E numa

obra do notável escriptor do século xvii D.

Francisco Manuel de Mello (fallecido em 1666) que encontramos talvez os mais antigos termos indisputavelmente

de giria *, alguns dos quaes são dados como taes por auctores do século seguinte.

Nessa obra acha-se a palavra giria^ como adjectivo, num sentido que parece ser jproprio da giria: «Bem encaixava sobre as ordens aqui agora o bispar: que é palavra giria

significa as70)». Noutro logar tucioso: «Como vocês são girios! (p. 155)». Nesse mesmo sentido occorre a palavra noutros auctores e na boca do

a respeito do ver

(p.

^mo

povo, assim como substantivamente
astúcia.

com

a significação de

Giria,

como

substantivo, significando forma par-

ticular de linguagem,
s.

vem numa passagem

abaixo citada.

V. calcorrear.

Os termos de
os seguintes
:

giria contidos

na Feira dos Anexins são

aramesj armas. «Pois parece

bem um homem com

os

arames atravessados, mui direito (pag. 117).» Vid. Giria do século xviii.
bispar^ ver. Vid. acima.

infra

cachucho, annel de oiro.
lh'o disse
;

«Não me aponte com o dedo, já bem sabemos que tem annel, e eu ca-chucho no

dedo

179)». calcorrear correr.
(p.
j

que é

«Emquanto não recorrerem a pidhas, quem melhor os soccorre, porque concorre com o

Feira dos Anexins. Obra posthuma de D. Francisco Manuel de Agora dada á luz pela primeira vez. Edição revista e dirigida por Innocencio Francisco da Silva. Lisboa, 1875. Ha varias
1

Mello.

copias manuscriptas dos séculos xvii e

xviii.

íU

resto de todos os equívocos jocosos, e

em

se lhes

acabando,
cal-

botam a correr a outra matéria, ou metaphora, e vão correando com a g*iria que trazem estudada (p. 95).
;

gabeo, chapeo. «Elle é anexirista de arromba traz chapéu d'abah'oar. Girio equivoco de gabeo esteve aquelle

119)d. lanterna^ garrafa de vinho. «Da adega gosta você, que o vi est'outro dia todo arrodellado com a lanterna feito
(p.

Marcos, juiz da taverna (p. 117)». «... já o Joanico (que ainda não perdeu a confraria da camaldola) estará com as
lanternas.

esse bêbedo

Também você lhe resa pela conta benta? Nunca me encheu as medidas (p. 176))). marabuto, marinheiro, homem do mar. «Antes é rapae

zio,

bom

para marabutos

(tomaram «Basta serem do mar para não serem gente; e senão olhe: os homens do mar como se chamam ? Marabutos^ que vale
o

os marabutos)

(p. 117)». Olhem os poias com que nos apoiam? (p. 205)».

mesmo que mar

e brutos (p. 217)».

monteií^a, como adjectivo, mas evidentemente em jogo de palavra com allusão a monteira^ carapuça (vid. Giria do século xvm): «Também para Turquia se vae de barrete

veimelho

:

mas

ella

em campo com chapéu de

sol,

vae mais

a propósito para a sua belleza. Indo de monte a monte, a formosura monteíra não lhe havia de estar mal (p. 118)».
moscar-se, safar- se, ir-se embora. «Se lhe

deu a mosca,

vá-se moscando (p. 17õ)». moscoviaf «Ao cheiro da moscovia? (p. 176)». robtir, mascar, comer. «Vossê tem trazido nella os equivocos de rastos. Isso, é i-los assim rostindo ás marchadellas (p. 9)í>.

«Tenha mão: vossê suppunha, que sou bocado
o atravesso?

mal mastigado, que
vossê vai rostindo?

Que arenga

é essa, que

(p. metaphora de comer). somno. de sornaj, «Metaphora dormir, é boa para os sete dormentes. Quem duvida que havia de ser uma sornaf

88:

Em

(p.

100)».

A

mais antiga

lista

de termos de calão conhecida é a

que deu o padre D. Raphael Bluteau no seu Vocabulário

62
e latino (Coimbra, 1712-1721, 8 vols. foi.) e no Supplemento á mesma obra (Lisboa Occidental, 1727, 2 vols. foi.), respectivamente s. vv. gira e giria ou gira.
« Gira, diz o erudito theatino, que tomou em consideração a linguagem viva, he o mesmo, que a linguagem dos ma-

portuguez

rotos».

Fr. Luiz do Monte Carmelo, no seu Compendio de Ortho-

graphia (Lisboa, 1767), pp. 613-614, reproduziu parte dos termos reunidos por Bluteau (os dados no corpo do
Vocabulário) e juntou apenas uns quatro novos. litteratura do século xviii parece dar também poucos

A

elementos para a historia do calão. São bem conhecidos dois romances de Alexandre António de Lima, publicados nos seus Rasgos unetricos (Lisboa, 1742), em que se encon-

tram muitas alterações populares de vocábulos, e algumas
talvez apenas pretendidas populares e fabricadas simples-

mente pelo auctor, junto com uns 17 termos de calão, dos quaes somente 4 não se encontram em Bluteau. A leitura de
varias comedias do século

xvin ministrou-me apenas alguns termos de giria, quasi todos já conhecidos desses dois auctores citados. Por exemplo, na Piquena peça intitulada o alfaiate c Adélia ou o Careca e Carcunda na Praça (1792)
os termos gimbo, di china velho. e expressão que é empregada nheiro, geho, na mesma peça no sentido de dinheiro (A mim china não
-

e noutras da

mesma epocha occorrem

A

me

falta)

era talvez do

calão, e ginja velho (na

mesma

peça) saiu
decer

também

talvez do calão.

Nas Injírmidades da lingua e arte que a ensina a emmupara melhorar. Author Sylvestre Silvério da Silveira
Invoca-se a protecçam do glorioso Santo António

e Silva.

de Lisboa, por Manuel Joseph de Paiva, Lisboa 1759, 4.°, ha de pp. 104 a 153 uma collecção de palavras e phrases da linguagem popular, que o auctor condemna, e entre

surgem alguns termos de calão, em parte reproao duzidos, que parece, de A. António de Lima, como se concluo, por exemplo, da expressão cloris de cachimbo (meas quaes
retriz),

commum

aos dois e que é provavelmente da fabrica

63
de Lima termos
Infelizmente Paiva não deu a significação dos e phrases que colligiu^ o que torna em grande
*.

termo china, já mencionado^ parte inútil a sua lista. occorre também nessa lista na phrase tem muita china.
João Baptista da Silva Lopes, Historia do cativeiro dos presos doestado na Torre de S. Julião da Baí^ra de Lisboa
(4 vols. Lisboa,

O

1833-34) deu

uma

lista

de termos do calão

ou algaravia dos malandros, colhidos por elle na prisão. Depois da publicação dos MysteHos de Paris, de Eug. Sue, e da sua traducção portuguesa publicada no Porto

(1843-1846, 8

vols.),

começaram a

introduzir-se

em roman-

ces, figuravam individues das classes anti-sociaes, termos de calão, verdadeiros ou fabricados pelos auctores

em que

e traductores.

Já o traductor dos Mysl^rios de Paris

(o fal-

lecido dr. José Pereira Keis, faculta- ''o distincto) dizia: «A linguagem dos nossos ladrões nãu é tão rica como a

dos francezes; e por isso em alguns logares teremos de aportuguezar certos vocábulos». As aportuguesardes do dr. Pereira Reis e de outros traductores foram repetidas
posteriormente como productos insuspeitos do calão, e o que é mais curioso é que pode admittir-se que alguns d'esses termos mal adaptados tenham entrado por fim no calão,

por influencia das traducções, sendo todavia minar ao certo quaes elles são.

difíicil

deter-

No romance Fr. Paulo ou os doze mistérios (Lisboa 1844, 8.°, tomo i e único), colheu Francisque Michel os 38 termos ou phrases do calão que inseriu a p. 441 dos seus Etudes de philologie comparée sur Vargot, e os quaes devem ser considerados como genuinos.
Alguns jornaes teem publicado hstas, geralmente muito
curtas,

de termos de calão. Extractei duas d'essas

listas

publicadas uma no Jornal da Manhã, do Porto, ahi por 1886, outra num periódico de Lisboa, mas infelizmente

extraviou-se-me o extracto.

1

Clori no sentido de

amante vem já na Feira dos Anexins.

Ô4

Xa Revista do Minho, 1.° anno 187Õ, Barcellos), encontram-se os dois seguintes artigos que interessam ao nosso
(

assumpto Cândido A. Landolt. Vocabulário popular de alguns termos especiaes usados pelos fadistas do Porto (pp. 54—55).
:

Contem 53 termos dos quaes
populares e
J. Leite

lazeira,

pingas

e

versas são

não do calão.

de Vasconcellos. Gíria portuguesa (pp. 62-64). lista de Monte Carmelo, que suppoz ser o cola Reproduz lector de todos os termos, e dá 18 novos ouvidos aos garotos do Porto. De um philologo, como é o auctor, havia que
esperar mais.

mais extensa, muito mais extensa que todas as anteriores, dos termos de calão acha-se no artigo seguinte:
lista

A

J.

M. de Queiroz

Velloso.

A

logia e historia) in Revista de Portugal,
(pp. 153-183), Porto.

giria (vocabulário, etimonovembro de 189C>

Alem de varias considerações geraes e de indicações sobre as fontes do calão, contem uma lista com 1337 artigos (contei-os rapidamente, mas não pode ter havido senão muito pequeno erro) todavia o numero de termos distinctos
;

porque o auctor, seguindo o exemplo, a meu ver, criticável de vários collectores de gírias, separa em artigos
é menor,

diversos as diíFerentes accepções de uma mesma palavra: ó assim que o termo macaco tem quatro artigos, o termo pae três, ralé três. O auctor serviu-se de Bluteau, A. António de Lima, Silva

Lopes; examinou vários romances^

traduzidos e originaes, e outras fontes que não indica; mas a maior parte dos termos que publica foram colligidos da

traducção viva ou directamente por elle ou por outras pessoas, o que dá á lista valor particular, sem comtudo

tenham introduzido

ser possivel para nós a absoluta certeza de que não se nella alguns productos espúrios, apesar

da critica que o sr. Queiroz Yelloso se exforçou por exercer sobre os materiaes á sua disposição. Ha outra ordem de termos que não por sei'em espúrios, de falsa giria, mas
sim por serem genuinamente populares, da hnguagem geral

65
do povo não deviam figurar, como figuram na
são:
lista.

Taes

Alapar-se, esconder-se, muito usado nas províncias, deri-

vado apparentemente de lapa^ mas muito mais provavelmente modificado por dimissilação de * alaparar-se (cf. pela forma coitar vb. por coaltarar, do s. coaltar, do inglez, e
pelo sentido agachado^ propriamente escondido, de cachaj fr. cacher, e acaçapado, acachapado, abaixado, encolhido

como
dado,

o caçapo

na

com um d

Temos também epenthetico, também de
toca).

a forma alaparlaparo.

Alhada, compromettimento, etc. Vem já em Bluteau no sentido de embrulhada. E perfeitamente popular.
Almiscarado,
ó
i^oioisi^

como

o antigo alfeninadoj adj. es.,

termo familiar (um almíscar ado).
arranjo popular de sophisma. Badejo, bacalhau, propriamente bacalhau vivo ou fresco,

Asophisma é

um

termo perfeitamente geral, do hisp. abadio, de abhad, abhade, como bacallao de haccalario, segundo D. Carolina
é

MichaêHs de Vasconcellos ^
Baralha, tumulto, desordem, etc, é um velho termo, sempre vivo na boca do povo. Nos antigos documentos era principalmente usado na forma tautológica á volta e baralha:

baralha e depôs a baralha a sa cassa entrar e hy auudo conselho fuste pêra ele firir peyte
soldos.»

«Quem com alguém

Foral de Santarém in Portugal, mon, hist. 408. Leges, i, Cp. Foral de Lisboa, pag. 413, Foral de Almada, p. 476, Foral d*Aguiar, p. 714^ Foral de Extremoz, p. 681. «Alcaides ó iurados que a bolta ó baralla
sobreueneren e uiren
ferir ó

XXX. ^

mesar

e lo uire alkalde ó iurado

firme fasta en V morabitinos.» Costumes

Eodrigo,

ibid. p.

e foros de Castel888. «Ningud orne que fugir de bolta ó

1

«Certas Agulhas ferrugentas, tinham entre o Badejo e Bacalhao
:

mettido

Ha quem faça melhor tal enredo que dizia o Bacalhao cozimento ao estômago que eu? Arre com o Badejo, que a piiro azeite é que vai escorregando.» Feira dos Anexins, p. 215.

. escriptores do século xvi no sentido de companheiro nas . Não bulas baralhas velhas Não mettas mãos entre pedras. a palavra significa marinheiro como o fr. António de que anteriormente se encontra. De modo nenhum podem ser considerados : como termos de giria os seguintes também popularissimos pança. por exemplo. Dicc. barriga. p. scena vi: «Ai maochas. é pover-se dos exemplos reunidos por Moraes.» Costumes e foros de Castel Melhorj ibid. é alteração àe fallar Foliar fallar d'outivo ou amies fallar d'outiva (outiva = pular e foi clássico na ultima forma. na lista do sr. bocado. Lima. d'otivo. porção. velhos termos que pertenceram á lingua geral. no século XVI em Jorge Ferreira de Vasconcellos. à^s^i fallar á toa. Manchas era simplesmente um velho plebeismo. nas girias dos diversos países. mas que esta Queiroz Velloso parece estar nesse caso. «Em aquelles dias crecia muyto e muy o conto dos dicipulos. Tira-me da baralha. fallar sem saber de que. e cortado». que está no cimo. cimeiro.» Actos dos Apóstolos (in Inéditos d* Alcobaça) vi. como se vê de A. 932.66 de rebata tresquilenlo e pierda el quinon. Comedia todo vós estais Ulysippo. Sem duvida ha. e outros que figuram na lista referida. propriamente lasca. propriamente do que não se conhece directamente. 1. copo (grande). matelot. acto iii. Encontramo-lo ainda nos provérbios colligidos por Bluteau: Boca fechada. Estilha. conservado até ao século xviii. mas só por ouvir fallar os outros. e levantouse muy gram volta gram baralha antre os diciplos Judeus. p. e foi empregada pelos abandonou (matelote. ex. . como pode auditiva). é popular. copasio. de que provém.

que naturalmente será completado com a segunda parte promettida indicadas. no entanto. o que prova que o sr. os limites entre a linguagem popular e as girias são indefinidos. Queiroz Velloso foi demasiado longe na seguinte asseveração «E possivel. Queiroz Velloso introduziu com razão na sua lista os termos antiquados ou que tendem a sê-lo das listas de Bluteau e Silva Lopes e dos romances de A. A. absoluto: e em raríssimos os que passarem d'uma extravagância ephemera da moda que as tem também e consideráveis o calão criminal». fontes que cita anteriores a 1830. — — . A maior termos que faltam na collecção do referido d' esses escriptor tem ainda emprego e não foram puros caprichos do momento. Igualmente teria feito bem o auctor do trabalho a que me tes. acrescentada depois e que continha 695 artigos. Da minha parte tinha eu já ha annos formado uma lista de termos de giria contemporânea. refiro turas) dando indicações rápidas (por meio de abreviadas fontes litterarias que examinou. d'estes. deve-se reconhecer que elle prestou um apreciável serviço. mum parte e ficou Queiroz Velloso. de Lima. alem das já Apesar de todos esses reparos. O sr. é mesmo mais que — sobretudo para o provável : sul do paiz — que ainda existem outros termos de giria. Poucos serão. como tem sido observado. deveria ter notado todavia todos os termos que se acham nessas fonúnicas para assim apresentar no seu trabalho os poucos dados que possuimos para a historia do calão. Tendo comparado essa lista com a do sr.67 do mar: (quem não sabe que Diogo do Couto cha- lides mava a Luiz de Camões seu maialote!). do seu trabalho. eliminei delia tudo o que era comassim um residuo que abaixo publico. em muitas partes. além dos aqui incluidos: nem nós temos a estulta pretenção de exgotar completamente o assumpto. todavia isso não impede que a historia e o uso actual das palavras nos permittam separar nitidamente em muitos casos o que é da linguagem popular geral e o que é das girias.

). Assim encontrei nelle. familiares (ex. pois anda significa.° : Termos se reduziram a termos giria de gíria Termos primitivamente de que 3. mas sim agua (M. 1865-1866. lista lista Os termos da Os termos da de Landolt (abreviatura Land. Ha 1. Queiroz Velloso como da minha. o que muitas vezes é antigos populares que se (ex. gajo). 4. A . matelote). indicado pela abreviatura M. teem adquirido certa generalisação na linguagem do povo. padre Carvalho (conhecido popularmente pela alcunha de padre Rabecão) colheu sem duvida da tradição viva alguns termos. baralha).). . 4 vols. 3. ris. por serem empregados pelos que faliam o calão. As 1. Termos populares geraes que. o que parece devido a um apontamento mal tomado. mas outros revelaram-me que não me- O sempre confiança. Da lista de Leite Bastos tive que excluir muitos termos de genuidade suspeita mas é possivel que algum me escapasse que devesse ser também riscado. 5. levam nota particular. L.*' tornaram termos populares.. os termos aproveitados d'esta lista não 2.° pois que distinguir. fontes da minha lista são : Uma lista manuscripta que me ministrou ha annos o fallecido escriptor Leite Bastos. 2.68 Observarei que muitos dos termos da lista do sr.° Termos das diversas girias. minha audição casual nas ruas de Lisboa e Porto os termos colhidos por mim próprio levam a nota C. não égua. além de alguns termos repetidos da traducção dos Mysterios de Parecia a palavra anciã no sentido de égua. O Vasc). de Leite de Vasconcellos (abreos mysterios do Limoeiro^ viatura 4. L. 139). phenomeno que rias. alguns até na litteratura. . se dá noutros paizes relativamente ás gi- As duas listas comteeni também termos de girias de difficil classes não criminosas. i. romance Eduardo ou pelo padre João Cândido de Carvalho (Lisboa. podem ser erroneamente consi- derados como próprios do calão (ex.

a. s. Preso. Corda. m. C. vilissima. moinar. arrezinar-se. sem real. Porto. a. ambria. aguaruça. com antrolhos. a. Braços. Queiroz. alvo. po- amostradora. extredo esqueci- s. asca. archeiro. assorda. Homem Tesouras. f. acaiihotado. Quisilia.69 abancado. — s. pi. abridor. Espertalhão. '? Sardinha. Fome. 1. Mordaça. Queiroz. f. s. M. badona. C.. az-de-copas. Vide Tem também o sentido de — ser sodo- mita passivo. abuçar. Furtar. 143. Vasc. refl. a. Nádegas. f. Lanter- dex. Feijão. s. rorisar-se. m. alumiada. mulieris. drifes. Falta m. C. phoro. m. Dinheiro. m. f. v. bailharote. a. Bebedeira. s. tar s. Hor- alcide. rol Fim. armar. f. Meretriz senhora. Cavallo. . m. Denunciar. badejo. n. Cf. m. Fogueira. v. C. C. b ágata. Picar (o cavallo). s. Relógio de arrombada. f. s. v. mento. pi. a. s. I. s. Es- aparelhado. aparelho.. Acceitar. s. s. 6Õ). Vender. atroços. zanga. de dinheiro. Phos- s. ébrio. s. C. tar. f.. C. C. Falta s. f. QuEiKOZ. s. á raposa. alcilante. L. Atrás. v. assentar. n. Evacuar. adv. — 2. Triste. Estar a troços de — . Mesa de jans. aranhota. v. ? arifes. s. algodâo-em-rama. C. n. adj. 134. alar. Viver. s. C. Alçapão. v. v. v. ? atiçar. C. Porto. s. m. Land. acha-cliumbada. C. adj. v. M. C. Pedir esamoinar. Cercar. v. adj. (Bacalhau. Pão asas. mola. s. na. m. I. Bruxaria. alisar. m. alar. altar. d'ar. receber. C. v. Ir. a. apertante. v. alho. n. L. — á mesa. adj. Preso. f.. assoprar. C. p. f. s. Lanterna de furta fogo. s. f. baguines. ? atrimar. - m. aparar. Pudendum C. Denunciar. C. Pão. f. midade. C. ar. e s. s. f.

hundra. bote. C. real. Policia secreta. Annel de f.) cabeça. Maroto. m. s. caleço. s. m. m. pau. Quatro soldados e Paulo. prisão. s. tre. m. adj. Ladrar. Vasc. Queiroz s. Que não tem s. n. s. Prisão. um — . — mão. calmeirão. Passeio nocturno. adj.. bufo.bailique. s. boa. s. C. I. s.) Melancia. vintém. Vinho. Ir no bpoi^ broia. zivel. a. cagar- bogalhão. Seios de mulher. um — A certo. balsar. bomba. os cinco dedos. C. bai- dinheirama. v. C. m. C. caganefa. adj. bilontra. ris. buldra. C. L* m.. s. i. rufa. Valentão. —L. s. Pagar a patente. botica. s. L. M. caixilhos. bater. C. Vasc. V. Queiroz. proa. C. balharote. C. C. Pandega. f. m. Land. f. m. bola. C. M. oiro. borga. 400. s. naipe. (de Silva M. C (Pés. butes. m. m. C. C. — no m. borla. Espingarda. Cara. Cf. pi. Iharote. f. cambão. s. brechar. m. pi. n. De — velar . Estar soldados e bar. Land. 142. cagarrão. n. f. s. Bofetada. — . Lopes. Olhos. caldo. Grátis. busilhâo. f. v. 129. Pudendum de cachorros. significa barriga. pi. s. f. m. Fr. C. s. Podex. Rou- benzer. s. Presentemente tarimba.. um s. Podex. Podex mulieCf. calona. v. banano. f. besugo. cair. baldo. f. adj. C. m. — de preto. s. Vasc.. Queijo. Pedir. s. C. Preguiçoso. m. Botas. de accordo. v. m. Resegredo. Quartilho. peito. s. Vinho. n. f. bicudo. — mulieris. preso. Bom. Vid. s. C. s. orgia. caldaça. s. m. cabo. Queiroz. s. C. Thesouro. Quarto de L.ao i. . bil- cachucho. Mulher desprem. s. Fazer quatro . s. Que não tem bálsamo j s. Alfinete de m.

Queiroz). fanfarrão. de prata. f. (Cf. chegadinha. f. C. Bater de chapa. Moeda de oiro do vintém. m. m. v. s. Ir ás — . Ver. v. M. Espolio. cardar. Queiroz. Cf. s. Chapéu cavallo). têem cunhado um 50 réis. C. adj. fiar. Libra cocar. traidor. s. Anno. s. Land. que é de quali- caruiifeiro. garro. coragem. Que tem pouco valor. fallador. Dinheiro. m. C. m. — o olho. n. cara. Ver a tade. chamborgas. s. V. s. Alavanca. Racatraia. ca- chalrador. f. clisar. v. s. O copadas. deia. cheira. s. e tediço. f. m. 'Cf. f. a. Cantar. m. C. m. Vid. que quer passar por valentão . C. Quei- chibo. coUa. O Terreiro do Paço (praça de Lisboa). nho. Muito boa. s. C. s. s. s. s. Vid. Padecer. m. coco. f. f. L. s. cavalli- de amolgar. collegio. Bofetada. em Queiroz. v. Prisão. Criança. v. C. Como m. Met- 120. sof- Chão-grande. chavelho. C. roubo. Botas. cantar. m. a. chalupas. C. 2 gen. — á pal- paz. capito. á von- Queiroz). contado. s. Casa pequena. s. a. m. carocha. m. Podex. Land. chalrear. Land. Furtar. f. s. s. adj. que casca. cavalliiiho. C. Fadista não ha dade ordinária. s. chimpar. s. a. Copo. s. cheira. C. Palavra. cheira. roz). Ponta de ci- chinfrim. adj. m. Fechadura. catraio. Que não tem m. s.. s. I. cucar. cifra. f. s. Sem — f. égua. ao café. Moeda de 500 carinha. C. frer. Vid. droes. . Capitão de la- Futuere. f. C. Copo. adj. careta. em que C. m. f. C. s. pi. (Cf. a. es- ma.71 eamelote. chapar. s. Sem vintém. réis. chinoca. V. chaleira. a. s. terlina (especialmente as cochicho. Moeda de que cavallo. chato. m. s. Ir Land. a. . geito. Podex. valor de 2?5000 réis. Japona. cardenho.

— o li- esganador. madeiramento. s. — encaixotar. v. a. m. . f. Mâe. Vestuá- culatrona. v. C. s. s. tar a ceia. corrida. esteira. v. bos- ?deza. s. v. f. s. v. Pedex. Land. s. — escarnliida. faia. v. refl. escovadinho. esganar. Mandriar. C. Ves- cunha. m. s. desconfiar. Entrada. Excre- mento. em folgança. Fadista. corte. C. refl. culatra. s. faiante. f. Sardinha. s. esquilha. Buraco verdadeiro. s. m. Zangado. . C. V. Ópio. f. m. Estrada. entrar. f. matar. Ciúme. s. Nome valendo como fulano que se dão os fadistas para dor. s. Esconder. Faca. embeiçar. f. empandeirar. Atracar. Queiroz. Parar. Fadista. Esquadra de encanar. f. s. f. Empregado tir-se. assassinar. m. Compromet- Fabiano. derrubador. cima. s. m. f. Moeda. s. Chapéu. entrames. Fazer Andar — que. v. encabrestar. s. que verifica passaportes. esfolado. a. v. Chapéu fino. cucar. Enterrar. Apresenf. Andar geiro. s. C. m. m. cortesão. s. Gravata. f. m. m. Meretriz vilissima. m. encalhar. C. v. envergadura. Koubo. n. corveta. cor- empandeirado. Mata. n. preguiçar. C. tido. Ir-se em- espantar-se. v. lá de darona. Famia expressão não empregarem o nome liarmente dor de cotovello tem o mesmo doutora. altanado. C. C. adj. furtar. C. gar-se. doente. C. adj. n. sentido. s. descarregar. m. Procurador régio. chadura. s. s. Zan- bora. Forca. tar-sBy Queiroz. m. envergar-se. s. Preso. n. Mês. adj. a. cozinha. a. Cp. Mãe de Deus. a. toda a noite C. s. s. da fefalso. m. s. poHcia. m. rio. f.cordaiite. s. espinheira. s. s. f. dia. Cachimbo. f. Cabeça. dorminhoco. Cf. s. coveiro. Ver.

Desde menino. f. a. Bluteau. gadachim. gargan- tosa. fila. lissima. m. forty-two. L. 129. para arrombamento. Palpite. Copo i. Malandro. I. C. a. Philarmo- tusco. m. f. Vid. (=z helfo). espe- gao. Perua. faxar. ganfar. 136. m. Andar na pandega.73 farar. gangarina. f. Igreja. s. cão. gata. s. Applicar. Morte d'hos. garrafa. funeral. galdrana. s. gaudinar. Quarenta e dois. filé. C. a. infra. Official de jusci- galdrapinha. s. m. gauderio. na Gíria do século XVIII. C. s. la. finfar. Pa- m. f. ferro. v. s. C. soldado. n. num f. mem. M. Queiroz. s. Vadiar. v. f. garulla. 6. Queiroz . 81. s. s. s. de vinho. á boa vida. gelfo . s. Meretriz vi- m. ganau. C. M. Cp. guarda Comer da Queiroz. Velha. Diz-se também no mesmo meirinho de Coimbra zia: sentido andar á gandaia. tiça. nica. Morreu Custodio. Cp. Ferros s. folgar. Apanhar. C. s. Queiroz. furacão. gateira. Vid. v. m. s. gelfa. fungágá. Queiroz. v. rança fina. M. f. m. m. Cp. ganho. gaio.. Dinheiro. Á — Queiroz. m. s. garganta. Bater. v. sentinel- Bebedeira. Vender. s. agen- galdropar. L. s. gabinardo. a. Piolho. cangarína. Unha. Cp. m. Silva Lopes. n. p. Futuere. fundo. f. C. O que an- Filante mor. s. Cp. fraucisquinho. Vadio. m. tade. Prisão. gandaiar. da.. v. da á gandaia. gando. m. I. te vil. Mentira. — da corceia d' ou- Meretriz. filante. m. Gabão. Capote. s. A von- fundo. n. m. s. s. num. garuella. Q^. v. dar. ferrameutal. gandaieiro. Garrafa. f. Elogio. . L. Abrir. de poUcia. f. s. s. Astúcia. fofa. Vasc. C. Meirinho fino. Uma quadra do tempo da guerra liberal allusiva a um certo di- trem. Cavallo. s.

Irmão. s. Coxo. n. Em si- Queiroz. grão. v. f. lirias. s. Land. m. ilhoz.. s. grossa-casca. Vo- m. ^ris^ Blu- Vid. girote. Cf. C. guesso. liré. vinho. Repertório Caixa de grande de cantigas. s. f. lixar-se. L. Queiroz. ciosa. Casaca. Bebedeira. Guitarra. livraria. Percevejo. Sapato. com outras luzida. gerípit{_. f. C. Laranja. m. grane. Futuere. adj. Escarro. m. lostra. Sacola. n. prata. s. s. Aguardente. v. m. Podex. Penis. s. largar. m. I. macote. Comer. lamira. . Queiroz. larias. grossura. s. Artelho. C. kioske. Pateta. m. s. f. Podex. TEAU. f. s. s. Vinho. a. C. larias. m. m. Lettra commercial. Adaccomodar-se. s. foi guiho. Nos 13Õ. Frio. linguado. Garrafa de vinho. gnificações. n. s.. s. v. C. Gritar. M. C. L. luzente. Bofe- grudar. 8. s. Jatingar. — . s. Bêbado. C. f. m. Patuscada. m. Peru. I. f. v. C. Caricato. m. M. grulha. s. aptar-se. f. n. Evacuar. s. Porco. n. C Dessa falsificação vem a irmo. Queiroz. f. v. pairar. f. Arroz. v. Cf. lamiro. gingão. Convir. s. s. s. m. grelha. gregorio. griso. s. maço. Já nas cortes de Almeirim de 1544 prohibido deitar gesso no vinho. Fazer horas. granej. s. C. s. giripití. Pedra preFesta. v. cacharolete : C.gesso. Queiroz. peru. giraldinha. Vasc. m. C. Cantar a mitar. m. lupa. Land. labita. s. lyra. lavado. s. Libra. lanterna. Vinho. dente. m. Mentir. tada. adj. gimbolinha. inglez. s. significação da palavra. C. diffe- lascar. Vasc. m. f. Vasc. m. f. C. Vasc. s. s. Aguar- s. m. Vadio. C. desajeitado. m. Quartilho de grani. s. f. f. 143. s. f. bebida composta de rentes Hcores. Vasc. m. horar. lofo. Cavallo. s. grosso. s. Estar de accordo. giribato. s. Vinho. giielar.

nha. mistico. Significação f. maudigula. mania. milhafre. Land. m. Dez Os mão. Vid. menesa. marrão. m. prestar. s. maduro. s. f.. C. cótica. m. . ? s. Land. Penis. Land. amolgar). adj. malva. midea. . f. adj. mo vago que de desprezo com análoga á de melcatrefe. . m. v. O que traz dinheiro comsigo e diz minhocas. Ter- malaíaía. bolsa e achei só mil reis. M. m. Chapéu (de s. Enganar. m. C. loucura. pedaço de asno. s. nao m. m. major. Cabeça. melcatrefe. Cabeça. s. s. Queiroz. m. f. muMenesa. f. Sapato. s. s. pi. f. martyrios. alto. s. Sujeito de servir. nis. s. se designa um rapaz. mangalhado. moca. adj. Preguiçoso. Soldado. çoso. Ir para matar. Bebida nar- miar. Tra- meio quartilho. v. magal. f. mata. «Consultei a peva e achei só um milhafre» abri a man galho. m. s. Mil réis. profissão Não s. s. marinheiro. Ter macacos na Ter — mimoso. Pae. adj. adj. a. 134. maqumeta. m. marreta. mitra. s. Mandamentos. a. pi. lher. giria dos pecoelho. logro. m. liomi- maseovia. Tolo.75 s. abbadessa. Tolice. s. Penis. — meio-bordo. Casaca. f. s. Prender. Apanhado. v. f. Mastigar. Acordado. f. Chapéu fino. o s. — m. dedos da Queiroz. C. Facada. Land. Testemude- masquir. Cf. duvidosa. Concubina. mandíl. Vasc. s. L. n. f. Ardil. pi. m. s. s. moco. Logar onde se vende fato velho. Traição. Na marosca. dreiros. A evolução da linguagem. macote. Ferramentas. Copo de mocar. Gritar. manesa. Sopa de macarrão. descoberto (num crime). a. hir. 53. Pregui- s. v. I. mente. Id. p. Homem que não o tem. martelinho. um homem. s. madrinha. Tolo. Podex Land. . s. s. s. macovia. f.

— nocturno. f. L. m. m. Roubo. n. C. s. s. s. C. dum mulieris. Cabeça. aberta. Testemunha. C. poli- Edifício da prisão. Guarda nocturno. s. Fazer mal a. moiua.. . pandego. s. C. triz. tostão. Pudendum m. De — . a. s. m. Soldado da guarda municipal. n. sereno. Andar a pedir esmola. f. patrona. noz. moucoso.76 mofo. pente. Punhal. s. Carruagem. Fugir parrançar. m. pevide. noscar. C. C. f. s. s. Queiroz). 53. Puden- morder. Bofetão. s. C. moscardo. m. parelhar. Lenço de s. C. m. s. mulieris. Audar á — m. panella. Casa. m. nasio. Pontas de boi.se. Cantor. peneira. Vasc. m. Meretriz de m. Juiz da prisão. Na pedreiros. (Cigarro. s. Tolo. a. — da linguagem^ de boi. cial. Asno. s. f. palito. m. s. Gato. C. Vid. 40. Merem. C. — mulieris. etc. f. C. Gente m. Acção de nicar. s. móní).se. pi. M. patrajona. m. v. m. m. mosco. que segue regimento de terra terra. s. Grátis. (pron. Amasia. — de pedras. s. nicola. C. official. Land. v. amoiuar. narro. v. s. s. s. parrameiro. v. m. C. f. m. padrinho. adj. Estômago. s. Prisão. com roubo. peixe-na-costa. mosqueiro. a. Mandriar. I. assoar. C. Verdade. soldados. v. um em nicar. s. Dinheiro. Nos diccionarios como popular. Sede (Porto). m. s. moscar. Vasc. s. s. Bofetão. s. pardal. v. Espião s. s. C. paiol. m. v. Cruzado boa). s. Quebrar. Nariz. . Podex. refl. patao. Podex. Pudendum patrazana. moxingueiro. s. m. Futuere. nadar. patuno. f. m. suspeita. pantufo. C. s. olho. f. n. m. moleque. novo. money moute. s. s. monteira. Fome (Lis- A evolução p. Divertir. f. Gordo. m. de boca giria dos pega. Justificar.

Annel. s. Dado Pé. f. s. Pouco differente do uso commum rapiaça. roedura. s. m. cia apitando. Casa onde sobremoscovia. f. sinhá. f. sarambia. f. C. a. nhantes^ botas. da palavra. sebastião. Penis. sobre-maco- Ceia. Relógio. Queiroz). s. s. Cp. pitada. C. f. s. m. f. pinto. f. servir. s. refl. s. Voltar. s. s. Senhora. v. s. . n. s. s. Prostituta. m. Pessoa rola. v. duvida. rabão. servir chegada víncia. samatra. f. f. chumbado. f. risca. Explicação. C. Manobrar com respo. f. Preso. ruiva. teza. Patuscada. Vasc. C. m. rolha. A poli- regulado. Cp. servido. f. n. de 500 rodellinha. riscar. deira. Silva Lopes. C. adj. Cf. C. C. pilula. Caldo. s. C. sinhama. Rir-se. s. Diabo. m. replicar. s. s. Masturbação. rodilha. s. s. s. morta. C. Enfermaria de meretrizes. querer. Queiroz). Land. Policia. sem-luzios. s. s. roca. ponis. adj. Índole. Cama. tra. ralé. s. f. s. f. C. m. grosso. jpil- reminicar. bom senso. C. C. Espancar. se s. piegas. Queiroz. placa. Criança. f. n. comer. quinhames. quinta. Gravata. m. Sapato ca- m. v. Coisa que se come. prata roçar-se. m. m. C. Acção de s. m. via. f. v. Moeda de réis. v. queijo. Pôr Futuere. Queiroz. ladrões. C. s. Silva Lo- Penis. Cf. s. s. C. cia. f. humano. Bengala. (Bebe- pes. da pro- quebrado. Tolo. quilhar. tris- Mulher. m. f. Excremento s. s. presunto. v. Prato. f. Queixar-se. f. Pesar. n. s. s. Cabo de polipirata. (Moeda de prata de 240 réis. a navalha antes de dar a facada.77 philarmoiiica. — meça. Génio. f. Sobre- reúnem refeita. Copinho. pire. s. saltante-picado. Desordem. Negocio. s. m. remédio. rustideira. m. casaca. Criada de Land. s. v. s. Cego. f. Juizo. f. a. ratoeira.

sonhar. Cara. f. soiideque. dum L. Embriagar-se. n. muito usado no theatro. f. f. liga. coisa. Que está d'ac- A Uma bofetada. um-sete. verde. 53. s. 53. Morrer. pess. xarifa. subideira. Pudenmulieris. sorna.. Avaro. pedreiros. m. a. f. Bebedor. ugar. chincha. f. Falta de dinheiro. tardos. zachael. — grossa. pron. s. m. Vasc. s. C. Navalhada. I. Cama. Bofetada.. f. tefe. Gritar. termo é m. C.Vid. I. s. Lanu. tapor. s. m. Sapato. pi. s. n. f. á beitriques. in. C. M. dar alar- s. s. C.78 soldados. verónica. Zangar-se. m. sondar. s. heris. s. Vasc. Na giria dos me. m. — com m. m. v. adj. Bofetada. adj. V. f. s. tacho. — a mona. v. Vasc. Fome. s. s. Podex. todas. C. C. s. temposa. s. tampòsa. s. Todo liró. C. ^ evolução guagemj. . f. teuéne. cabo. zuncho. M. M. tento. n. Frio. C. pous. pi. vegete. giria dos pedreiros. Queiroz. f. evolução da linguagem. Umas — tocar. v. n. teu. traidor. Na giria dos tocador. C. m. Quei- — sovelão. ISõ. Pe- sona. f. torcida. Podex. s. Todo rinha. p. s. A evolução da linguagem. f. 53. Caixa. L. Burro. 135. L. roz). Homem. cordo. Vid. tronco. v. Jogo de alçapé. m. 120. . Amante veEste Land. C. Preguiçoso. lho. porta.. zona. s. — . p. s. m. — trombeta ou beber. Pudendum mum. simplesm. pado. tocar. C. zouca. s. Fazer Escada. A da Noite. Conti- s. s. Na lin- zarear. s. sulipa. (Todo triques á marinha. p. adj. s. tosse. I. f. m. nuar. s. o pae. Cara. pedreiros.

E antes bayuca.79 Tem ficações sido notado noutros países que. bagulho. Guitarra. como em toda a linguagem. Paiva. si volet usus. os das Infermidades da língua com o appellido do auctor. Queiroz Velloso mostra a persistência de boa parte d'esses termos. Aqui. popular. bastos. A. A comparação das duas listas seguintes. aifarreca. M. A significação aos últimos é conjectural. uma de termos do século XVIII. Taverna. E possivel até que alguns tergirias mos indicados como antiquados persistam ainda nas provinciaes. asca. Estão em uso as formas bago e hagalhoça. arame. observa-se o que nota Horácio : Multa renasceniur quae iam cecidere. Estar altenado. as girias experimentam. Antiquado. ás vezes num mental que não se perde. Carapuça. Quisilia. Espada. Paium termo Pão. Dedos. banza. Usase ainda no sentido de — presente. . de Lima com o appellido attribuida Lima. avesar. Amo. adaga. mesmo Zanga. Girla do século XYIII Os termos de fonte viatura . os de colhidos por Bluteau não levam indicação Monte Carmelo vão indicados pela abre. Paiva. C. os de A. va. apesar das modi- curto que seu de de no material termos e ainda naltempo espaço ha nellas uma unidade fundaguns processos secundários. avesar-se. a outra de termos em uso no calão na epocha da guerra constitucional (Silva Lopes) com a minha lista e a do sr. Dinheiro. no navalha. Paiva. artife. alvada. cadentque Quae mine sunt in honore vocabida. sentido. Cabelleira. um certo fundo de termos e de processos que escapa a todas as innovaçoes. Termo popular.

cheta. miuas de Antiquado. riqueza. PaIVA. Vid. hecy 8. a passav. Annel de oiro. aos alqueires a cheljm. Beque ria aqui hoca. Paiva. cachimbos. Pcs. gem citada s. Dinheiro*. chelpa. s. Ver. boca. como hoje argot significa nariz. E mais significa- usada hoje a forma catrapós. 2 178. Fabico.. pobrete. lar. casebre.. crivantes. Dez réis. de tudo quanto tem. alguma coisa.80 bayuqueiro. Segunda parte da viagem sonhada. Antiquado. Usado no sentido de beque (dar Paiva. Cosque no calão moderno é casa. ^npregado ainda hoje no sentido de casa pequena e velha. he herdeira sua filha. cascunhar. dez-bofas. Vintém. — pataco. Sapatos. Lisboa. 1 grande chelpa escondida. Antiquado. que fez hum homem dormindo. Ter — caroço. ter ou possuir Minas de caroço usa-se ainda no sentido calmar. O dos miseráveis (entremez). Antiquado^. Cavallo. Oh ! tomara-lhe eu a china o damno ! dos miseráveis (entremez). ainda vivo. Moeda de cobre ou bronze? Paiva. . bola. calcos. Anti- quado. Bebedeira. cria. Dar (bater. Correr. Dinheiro. Antiquado. zer o bico ao faxo. É Simples. Lisboa. cachucho. criar. eatropéo. cosque morrosque? Paiva. cf. faxo. embebedar-se. mente termo popular. muito. 1784. Casa. Cabeça. f. Anti- quado. . Lisboa. bolonio. car). noivo era fama que media . calcorrear. m. fr. Taverneiro. ao — Fallar? ).5. e Tem o damno . antes um termo popu- Carne de vacca. É propria- Termo basaruco. espan- de fortuna. china. popular. 1784. Dentes.

Fome. 1786. e estes peraltas. gantão. galradeira. Vid. Chapéu. gadanhos. fumélio. Paiva. O que anda á gandaia 2. falso. Vid. Entender. Qual saca o gandaeiro um prego torto Dentre os chichelos velhos da enxurrada. C.81 galfarro. Anti- termo galfarro é dado por Bluteau como O quado. gaudaeiro. Usa. espigas. quado. fanfar. valente. galrar. num cripto jocoso. Antiqua- Beleguim? do? eiitrujir. M. chulo no sentido de giAnti- Estoque. . Correia Garção. estardato. . Fallar? Paiva. gandaeiro.se a na baixa-mar para apanhar algum objecto aproveitável que por lá haja. . ganchorra. eucaiilias. ficando hum caxo. gabrinaldo. gabão. Incisão anatómica ao corpo da Peraltice. Mão. tristíssimos gandaeiros. Lingua. Vadio. Paiva. (hoje faxa no mesmo sentido). e outros ejusdem furfiiris. Theatro novo. mãos. Lisboa andar á gandaia ó propriamente revolver os lodos do Tejo Em gabio. galga. nâo vêem junto um só tostão. Dedos. Anti- quado. — diar. . m. sentido de cara. s. Tabaco para fumar. Meias. Lenço. Antiquado. Lisboa. 2 Deste cano real hoje te saco. Raio poético de Matusio Mattoso Matos das Matas. tendo de dia feito ao faxo O bico muito bem. Gabinardo. faxo. Antiquado. soberbo. ^ . scen. Lisboa. bico *. forma gabinardo. . Pau. pobretões já ex professo. Antiquado? Vagandaia (andar á ). No es- gambias. Paiva. Pernas. Paiva. Lima. viver ao Deus dará. Fallar. Bigodes. . Antiquado. 1771. 5. Antiquado.

Vagar. he causada Do feio gaudiperio. Tunante. Raio poético de M. Velho. C. M. e apupada. Lisboa. Algibeira. Antiquado. Anti- sentido de jaqueta. Paiva. . Mãe velha. Unha. Antiquado. justa.mal pilhou seu Gebo a dormir. lancho. Em quero Não Bluteau. C. golpe. garrocha. Parece uso a estar ainda griso. s. 1785. gris. Antiquado. Bebedeira. mão. Injuria não. O . 1784. — comedias 2. 1785. 3. Toda essa gritaria. a que a mulher Armas contra seu gosto faz trazer. que fez um homem dormindo. gao. que pregou A hum Ginja. g anisar o. gebo. Frio. .82 Dados.) ou amante de outrem*. maga(Bluteau esAnti- que se faz tendo relações amorosas com a mulher creve quado. Que te fere os ouvidos. M. Sua mulher Segunda parte da viagem sonhada. Segunda parte da viagem sonhada. . gateira. Antiquado. Usam. 3 Eu lhe buscarei idea para* lhe sacar o gimbo. gaiiíços. Furtar. Antiquado. Lis- boa. . Dinheiro. que ha pouco se casou . Piolho. o damno dos miseráveis (entremez). M. Cruzado novo. Lisboa. Usa-se no Antiquado quado. formas ganau. C. Casaca. geba. em forma janisaro. jorna. M. * Assim como no leito foi pilhado (Marte) Fazendo gaudiperios ao coitado Do ferreiro Vulcano. gisar. gando. quefe um homem dormindo. joruando. gaudiperio. Penedo. m. .se as grão. Matos das Matas. varias Estou sair. Lima.. gimbo.

rata. Capa. C. Antiquado? Sumir. Usa-se no sentido de reles. Furtar. Dormir? Paiva. Lima. Cama? Preguiça^? Antiquado. Anti- roda. Vestido de mulher. Antiquado. vil. marco. soquir. lostra. Carapuça. Paiva. Puta. purrio. pio. Furtar. M. Tostão. sentido. finório. as ma limosa no mesmo sen- formas no tido. Bêbado. raso. sorna. p. A Nesta certeza os mecos conloiados seu salvo as saúdes repetião. Colligi al- v. Fome. C. não. lograr. rustir. esper100-101. 178G. moquideira. marca. Dormir. nautesnem. . Lis- Ora eu estou maribando em vossa Lisboa.2 Vid. M. nada. 1 Então no tal casamento Desde já estou maribando. Não a sornar. mesmo Paiva. rede. estômago^ na barriga^ no sentido de ter fome.se de^ meço. Antiquado.83 lima. rafa. 2 alteza. Usa-se a ex- pressão ter um rato no gumas passagens equivale a não fazer caso — em que de. Usa-se no sentido rifar. suquir. talhão. marimbar. de roupa. Raio poético de M. Usa-se forma nente^ tardar. libertino. luzios. Boca. Vinho. Usam-se i^eltra e píltra. M. monteira. etc. Parece ser idêntica sonar. Bofetada. no sentido a niente. quado ? Comer. Cama. Novo entremez dns regateiras bravas. Homem. Matos das Matas. o éLamno dos miseráveis boa. Os diccio- rafar. Antiquado. Lisboa. Comer. niente. Antiquado. 1784. rir. m. 1786. Fome. narios trazem este termo no sentido chulo de enganar. s. Frade. sabes (sic). n. (entremez). Homem. Camisa. Olhos. Usa-se a for- piJra.

Anti- uuhante. cruzado novo . calote . do fr. tirantes. Rosto. desapparecer. pays imaginaire abonde. s. parvo vispere. Lisboa. pizorga. vulto. pinto (cp. destemido. 86 uga. petisco. p. acerto. Ant. logro. (= verónica). jpitéo. tostão . (diz-se matuto. Eaio poético de M. Alguns d^esses termos não eram por certo novos . 1786. doudo. quado. ninharia. Costas. boca. grazinador. trama (sic). outros sairam talvez da giria. emhofea^ logro. rouba*. ridicularia. . dinho . escarneo. Matos das Matas. a que Terragosa. loquaz . bebedeira pec^mcAa^ lucro. cuquenha. como pizorga. engano. interesse. meio . teimoso. moafa. altivez .84 terne. ganho. pinto. vinorica ugar. 1807) traz uma lista de termos que pretende terem sido então introduzidos na linguagem dos tafnes: . cocagne: pays de cocagne. Lima. ganho de jogo embaçar. felicidade. Andar. impertinência. : caçoquim. propriamente fazer vispere) . M. deita a unha ás coisas. cruzado novo). jpimpão. tal ar á^unhantCf Por ser dotada de Que excede a qualquer rapinante. Vid. na Camará óptica^ folheto (Lisboa. embriaguez. Antiquado. continuar? Paiva. ou Ton trouve tout à souhait. Lima. verónica. valente. perturbação de sentidos. ganso. cuquenha. quinhão. Paiva. espelunca. grifaria^ exótico (sic). maluco. 2 gen. caurim. caurim. tonto. Calão do primeiro terço do século XIX III José Daniel Rodrigues Costa. Littré. oíi tout E por isso nâo pára ella Nem com em parte alguma também coisa nenhuma. Lisboa. Cuquenha é provavelmente o mesmo que cucanha. continuar. Corpo. Calções. Rosto. O. chalaça^ zombaria. fugir.

denunciar. fechadura. aguardente. caldo. cinta. bocanhím. d'ahi impingir uma moeda falsa. escamar. garrafa. garrafa de vinho. avoador. cadeia. archote. entrujão. avela. cordão de oiro. cabra. olhos. estarim. toucinho. bolsa. baquesim. mãos. afiançar. algibeira de mulher. calcaiites. comprador de roubos. o sentido de A palavra parece ter tomado moeda falsa. sapatos. boi. pegar.- canhantes. chona. barra. espinha. cheta. barraca. cartas de jogar. pombo. cornante. lençol. bramar. nho. balda. amarra de lodo. botins. cantante. sapatos.85 Caurim. * Modifiquei a orthographia de Silva Lopes. denunciante. bola. pão. tem. cuelle. bocanhim. casa. archote. juiz. cão. chapéu de batas. cagarrufa. cadeia de relógio. entrujar. amarra. ao pé. sentiu. clizes. e. espaldar. faca. escamou-se. espingarda. queixar. quartilho de vi- caugarina. tem. manta. punhal. um caurim^ passar pregar um logro. Calão OU algaravia dos malandros ádica. belfo. por extensão. artâo. sentir. falhas. meio quartilho de vinho. trabuco. vem de cauri^ nome das conchas que na costa de Africa servem de moeda. avesa. calcos. noite. perceber. ardose. . fêmea. igreja. altanado. vintém. sol. clavina. diluvio. farpela. gallo. botelha. berrar.

troses. sornar. ladrão de casas. pae. cavallo. guines. . lenço. capitão de ladrões. gamar. capote. lenço. ventana. fundos. dono de alguma laivo. xelro. faca. dedos. chapéu. bolso. meretriz. lúmia. sentinella. grillo. grego. lençol. burro. sarda. gansos. serralhas. oiro. da medunha. maço. soldados raaracão. policia. Lisboa. ir roda. ladrão de estrada. égua. gazua. maxa. galé (prisão). justiça. não. calsas. tamposa. relógio. na pireza. fuiidaiiarios. foi feito j foi Matta. menina. peru. cruzados novos. dinheiro. fechadura. respalde. dez réis. janella. tostão.se. fusca. justo. ruço. macovia. saca. prata. velha. laia. continuar (sic). peças de léoOO. esperto. legante. gallinha. pistola. lâmpadas de prata. penduras de uvas ferraeâ. macanjo. dinheiro. safo. coisa. gomarra. relógio. chave. piar. pirar. cigarro. collete. pasma. tinente. geba. safar. capote. misto. lodo. nuvem. senhor. piolho. ganau. malandro. beber. golpe. gajo. magano. parné. chave. morte. penante. homem. bom. sobre-casobre-macovia. falso. uga. dormir. lenços. maquino. lepes. paivo. gage. furtar com subtileza.'^0 fiJho do golpe^ ladrão de roubado. mulher. grane. geboj velho. saco. tralha. ratanhí. caixa. nentes. mão. grani. cinco réis. soldados. casaca. gadé. fugir.

— competentes cuspideiras — limpar aos — dar passagem aos que beta (os tirar o (piolho). ao O mesmo facto repete-se com as diversas girias nos outros paises. . on appelle chiaro Feau. sendo até conhecida pela denominação im- própria de ciganos. a un dialecte propre. p. outros pontos do paiz (especialmente de Lisboa e Porto). ás (cuspir-lhe) . de termos usados numa giria de gente de Albergaria-a. tracl. infelizmente muito curta. e tem contracto ciganos. fr. Paris. ai^ton le lensa la viande. diz Lombroso. et qu'il serait impossible de Calabre ont à un calabrais de comprendre un lombard. Uhomme criminei. alguns que parecem especiaes ao calão de Albergaria de- A vem ter tido maior extensão no uso: só assim se explica como piovês (do argot francez pivois). 1887. 1 Cesare Lombroso. deux pays. ficam». a qual negoceia em com cavalgaduras. faz contrabando.87 Junto o seguinte exercício do piolho. — levar ás entaladeiras pollegares apertados pelo lado das unhas). «Tandis que chaque région de Fltalie. junta-se a sua identidade no espaço assim a maiotermos do calão do norte de Portugal encontram-se sul. L'argot de Marseille n'est pas autre que celui de Paris*». Calão dos contrabandistas de Albergarla-a. 465. coronel Brito Rebello e medico Lemos (de Alque- maior parte de taes termos é-nos conhecida de rubim). mas conhecido nessa forma no tempo a que remonta lista — a supra: «Metter a gao (mão). Á identidade dos elementos fundamentaes do calão no : ria dos tempo. tirantes (calças). les Dans pain.Velha. colhido da tradição. stockjish (do inglez. les voleurs le même lexique que ceux de Lombardie. Devo o conhecimento d'esses termos aos srs.Velha Para confirmar essa observação darei uma lista. districto de Aveiro. ci^ea le vin.

m. f. Pae. Mulher. que o estudo das girias semelhantes das nossas províncias teria muito em que A interesse. Bom. suquir. broia. m. adj. Irmão. Padre. V. a. s. vinho. f. 8. s. m. s. gadanhos. s. duque. s. arames^ artife. s. rouf. pi. Boca. f. Dinheiro. s. m. m. Cão. m. s. cboina. s. s. m. trigo. s. m. Excremento humano. a. s. Comer. calique. manez. Broa. Pão. croia. gomarra. respo. mosco. s. de stockfish. Flatus vencasa. malurdia. tris. m. m. cachilras. Apanhar. escarnhida. raso. Podex. m. porco. m. catroio. Retirar-se. Porco. Porco. Pão. s. Excremento s. m. lupar. m. s. Cama. Cavalgadura. s. boa. trigo. piovês. s. s. m. Seios. Cabeça. . s. s. Gallinha. Cão. a. v. bar. Vinho. befe. — humano. froina. s. m. m. v. irmo. m. n. m. Dormir. quilhar. Dedos. Copo de mosquir. s. m. Pós ou catruchas. maneza. suquidora. chavelho. s. de agua. s. choinar. Ver. s. coco. Jumento. s. Dona da desconfiar. s. s. s. piar-do-ventre. moletos. s. n. Pão de f. s. f. s. Porco. Ver. Sardinha. V. s. m. estoio. a. m. s. f. tó. s. Mãe. m. Poubo. f. s. n. Padre. Olho. V. f. pi. m. Homem. s. v. fardelhas. m. m. v. Esporas. dedos. v. pi. palurdio.88 a palavra significa bacalhau secco) chegaram até lista faz crer essa gente de Albergaria. Porco. pi. trigo. fanfar. m. v. o-da-eira. s. piar. Futuere. Presunto. m. reichelo. s. Dormir. a. cosque. m. Casa. gelfo. Cavalgadura. f. vezer. f. f. n. Beber. moinar. pi. Boca. pi. v. zagrâo. esquilha. a. Botas monteira. Copo. moquideira. m. Comer. reco. s. zagré. broi. lupante. s. Vinho. telo. f.

fadista Aos porcos chamam Ao chamam faia.. infra) um em que uma serie de termos da giria hispanhola ó : dada com a traducção habla nueva Germanía porque no sea descornado. la Cama llama Blanda. Dice á la Sabana Alha A porque es alba en sumo grado. A la Fresada Vellosa. ete. corcovado golfinho. donde sornan en poblado. — As nossas cabeças pinhas . . le lleva porque tapado. A la Camisa Carona. Entre o povo portuguez Ha calões tâo revesados Que deixam muitos pintados Por mais de cento e uma vez.89 Fado do calão ha Nos Romances de germanía de Juan Hidalgo (vid. sardinhas. O seguinte /ac?o é no género do referido romance Ao Ao Ao Ao fadista chamam /aia agiota intrujão. etc. valente bogalhão. Lá vâo alguns trinta e três (Não sei se nelles dou raia) A prata chamam-lhe laia. Al Jubon Uaman Apretado : dice el Sayo Tapador. que mueho vello ha criado. que la otra era muy vieja y la entrévan los villanos.

Chamam bico á bebedeira. A uma mentira palão . Chamam á casa mosqueiro . lhe Também Chamam chamam larica. a não ser que alguns proces- .se ao vinho briol. Não admira dade. não se despertou se não mais tarde e em geral de modo menos completo que noutros paises. A um agiota intrujão. Ao ébrio chamam-lhe archeiro. Historia do cãlão Em o nosso país o interesse. A guitarra pianinJio. por portanto que só possamos seguir directamente a historia do calão até ao século xvii. esperança chamam filé. quer de caracter scientifico. Um gabinardo ao gabão . á cara botica. caldo chamam-lhe rola. chamam ralé. A uma sardinha aranhota. aguardente piteira.90 As Ao A chamam batas. valente bogalhão. A A fome chamam peneira. Ao roubo chamam cortar. Ao jogo chamam batota. Ao chapéo escovadinho . Ao comprehender toscar . Ao fugir chamam raspar . quer de simples curiosi- um grande numero de objectos. relógio cebola. nosso bucho paiol. As velhas chamam cascatas Ao poupado Ao Ao sovelão. Ao corcovado golfinho. E também é de calão Ao Ao Chamar. nossas mãos génio As bruxarias bagatas .

Étude jphilologi- Mémoires de Mareei Schwob. e fez de termos furbescos. Paris. esse escroc genial do século XV. do processo da confraria anti-social dos Coquillars em 1455 e outras fontes. Le Jargon et Johelin de François du jargon au ihéâtre. 295-296. no século xv. 2®. introduziu nas suas obras poéticas alguns termos furbescos. i. siècle. Na Itália. Noutros paises o investigador acha se em melhores condições. Paris. dos seguintes trabalhos. de termos de antigo calão. (Ignoro inteiramente Pierre d'Alheim. suivi Lucien Schõne. Le Jargon johelin de maistre François que valor tenha este ultimo). Francisque Michel. Bonge e Leone Prete (Lucca. jargon do século XV foi objecto. . e reproduzida in Archivio per lo studio delle tradizione j>opolari. assim dirigida a Lorenzo il como numa carta uma pequena lista blicada com aquella a Lorenzo il Magnifico pelo anno de 1472. com sufficiente segurança de dados. Villon. 1884. in la Société de Linguisfique de Paris. 1892. Ao edição conhecida de fim do século xvi (1596) remonta a mais antiga um livro attribuido a um Pechon de argotico) que se acha um «dictionnaire en avec langage blesquin (argot). Le Jargon des Coquillars en 1465. p. messe fuori da Salv. Villon.91 SOS judiciaos venham revelar a existência de mina. o auctor do Ruby (nome em poema II Morgante maggiore. (1882). 1882). pode seguir. Na França. Paris. pp. 3® (à suivre). graça ás celebres Ballades de Jargon ou Johelin de François Villon. a historia do argot ow jargon. até hoje desconhecida. dos quaes só tenho presentes os dois primeiros : O Auguste Vitu. Le Jargon au xv® que. Texplication en vulgaire»*. já Luigi Pulei. que se acha pucarta em Nuove lettere di Luigi Pulei Magnijico. xlvi. fase. 1888. tome vii. entre outros. Études sur Vargot.se até aquelle século.

contentando-me com indicar o caminho que timos mais recentes : deve ser seguido. Hlstorical and Anecdotal. Os termos de calão que não levam indicação de facto acham-se na minha lista acima estampada. especialmente das dos paises de linguas românicas. 1873.'J2 Ha três vocabulários do gergo ou furbesco do século xvi. a par de emprés- A comparação do calão com as outras d'este modo colhem-se para a historia do calão preciosos dados indirectos. Studj criticif p. romances de la Germania que escrihió Don Con licencia. O calão e a germania Os termos de germania apontados são os do vocabulário de Juan Hidalgo. publicaram-se no começo do século xvii os de germania de vários autores com um Romances (1609) vocabulário. que escrihió el Doctor Don Sancho de Moncada. nenhum dos quaes consegui ver Inglaterra apresenta já no século xvi o vocabulário de Rogms Words de Harman (1Õ56). de que temos presente a many additions. Começarei pela germania. Na Hispanha Romances de edição mais vulgar. 1779. c. pelos motivos já apontados. Catedrático de Sagrada Escritura en la TJniversidad de : Juan Hidalgo El Toledo.h. y los Francisco de Quevedo. por Juan Hidalgo. A New Edition. mais próxima geographicamente do calão e com a qual este tem real- mente numerosos elementos communs. Com: — puesto por discurso de la expidsion de los Gitanos. girias europeas. 380. revised and corrected with London. com o seguinte titulo Germânia de vários autores. para declaracion de sus términos y lengua. con el vocabulário por la orden dei a. . Não procederei aqui a uma comparação completa d'essas girias. reimpresso moder- A namente em The Slang Dictionaryj Etymological. prova que nellas ha um fundo commam antigo. * Ascoli. *. En Madrid.

cachucho. Queiroz. . tristes balhestros. bola. bola. ir. p. cobrir. — — harton. com o pouco que tinha. imgerm. — cal. — dedo. ânsia. — phrase por etymologia popular deu — é terra de gaiteiros. Injirmidades lingua: tem hum bom caxucho no germ. cal. germ. germ. policia. becil. cal. etc. Injirmidades alforge. nuhe. cal. Queiroz. — port. branco. correr. Propriagerm. capote. — giria. pagerm. germ. artife. cal. artifara. abancado preso. alon. cal. Já em da Paiva. diz-se assim : elle foi-se com os seus hisp. alar. feira. alforjas.) que ballestas. sobretudo na locu- — ção allorij allon. germ. carcel. annel de oiro. germ. blanco. Já em Bluteau. ó necio. calcorrear. somma de dinheiro . Termo muito espalhado. banco. colligido diccionarios. cal. que d'essa — nao temos que que aproveitar. cal. brechar. — — zapatos. calcorros. lorpa. que é terra de gaiteiros. Em alforja significa acha. pan. es irse. germ. Queiroz.93 cal. muito espalhado nas girias. como veremos abaixo. 149. 109. . ir. Queiroz. germ. cal. bobo. Termo germ. que significa os haveres um pode levar comsigo. mente vamos. balhestros. agua. Os sentidos são muito diversos para que os dois termos se liguem. capa. Na linguagem popular portuguesa reproduz-se ainda allon. ainda no uso popular. vamo-nos que aqui Uma alteração a Londres. ir. cal. germ. Já em Bluteau. calcorrear. anuhlar. e foi talvez um termo de feria. p. Queiroz. — cal. alar. brechar. sapatos. sem duvida do fr. artão. bufo. agua. que significa fazer. Queiroz. alloiis. artife. ó soplon. estúpido.iQYmo ^o^wgerm. não nos lar. meter um dado falso.se em Paiva. pequena cada (roupas. Balhestros da lingv^. oro. anciã. calcos. provisão de viagem. es descobridor. anubo. — — gar a patente. buho. cachucko. correr. capa. isto é.

carduzador^ ladrones. bolsa. o meliante julgou ser germ. chilrar. hablar. carduzador. — germ. germ. panuelo de narices.---cp. desjpalmar. seda = Os termos do cal. Bluteau. sardinha. que el germ. sarda. entender. Bluteau. cria. teau. cerda. germ. crioja. Porque a gente ordinária agasalhada Com uma tal lhaneza. — de policia. Em Mas com Tudo lábia se vence. carduçador. Queiroz. esclisiado. Queiroz. Queiroz. entrujir. germ. germ. mas foram influenciados por 08 nomes de peixe portuguez sarda. faca. bolsa. Emprega-se em português a expressão cardar a lã no sentido de obter astuciosamente dinheiro de alguém : coisa por fraude. germ. dar por fuerza. palavra. intrujar. termo do calão liga-se evidentemente a cardar. furto. — crI. — cal. cerda. astúcia.94 ropa qui hurtan los cardanho. faca. — el enreixadu. el que atalaya. nhal. faca. espia. preso. que um assaltante. O significa pentear com carda e tirar. entender. roubar. empunhando uma punhal. ganhar a alguém uma hisp. cica. Lembremos a anecdota do homem que na obscuridade nocturna se defendeu de sardinha. cal. sardinha. germ. facilmente la. germ. entruchar. furtar. punhal. Blu- . cheira. — carne. carne. Queiroz. rostro. falso. perceber. sardinha teem talvez o mesmo ponto de partida que germ. sceiía iii. QuEiKOZ. germ. cerda sarda. tudo se consegue. fazo. sica. Em hisp. — — cal. cerda. cal. cal. Queiroz. 'palmar. enrexado. palmar. espia. que desea la cal. espinha. agente sentido de esjna no hispanhol geral. cal. Queiroz. cal. ant. quitar por fuerza. lenço. preso. roubo. clises. Asiembleiu. entender. cuchillo. herido en olhos. — Comp. cal. Queiroz. cp. Deixa cardar a Correia Garção. Queiroz. puport. navalha. — um cal. do javali. Ligeira modificação do cal.

comer. falso. C. — cal. camisa. — cal. gomari'a. Lopes. maleante. — cal. germ. puerco. meliante. C. gamhía. Bluteau. esclavo negro. cal. maço. Uma. germ. Silva Lopes. moeda. germ. — — cp. roz. cão. port. bueno. germ. — cal. — germ. gomarra. plerna. marquisa. muquir. Queiroz. Quei- — — germ. beber. zado novo. palavra que começou tal. grão. es ducado de once reales. Queiroz. piojo. cru- germ. porco. homem. Queiroz. macanjo. Queiroz. lima. Bluteau. Silva germ. credito. justo. Queiroz. — piolhí). comer. mar^co. sujeito sem de más maroto obras. guido. gando. lienzo de narices. marca. hablar. moncoso. — cal. ^iar^ beber. pa- taco falso. Queiroz. germ. grano. — germ. cal. moia. mechosa. mandamentos. germ. michosa. helfo. ^Qvm. Bluteau. — cal. cal. cal. germ. cal. (?) cal. camisa. cal. mocante. — vez por ser um termo de giria. germ. C. Queiroz. meretriz. ordinário.95 gorm. . os dedos da mão. germ. marquida. cabeza. mandamentos. piar. grunente. mandil. moa. bello. ó de muger publica. moneda. gamha. muger pública. germ. gaitar. casaca. camisa. ço. grunhidor. — — — cal. Bluteau. preguiçoso. jubon. falso. collete. gidio. criado de Rufion. vellaco. — cal. mandil.. gallina. dedos de la mano. Queiroz. cal. cal. fingido. Bluteau. gdfe. bom. cp. Quei- roz. germ. gao. maçareno. queta. Queiroz. gelfo. fallar. justa. burlador. C. garlar. Bluteau. cal. cabeça. jali- justo. perna. gao. Queiroz. moquir. Idem. gallinha. len- — — cal. mosa. germ. marca. vil. Bluteau. os dez germ. ganau. Queiroz.

cal. padre. — germ. — cal. picar. quartago. (Bluteau). catropéo. calzos. turca. abbade. Queiroz. basquina de muger. salvus. germ. librarse. O termo da germanía não veiu do francez se sauver. germ. roz. turco. germ. cal. cal. de safo. — germ. safar-se. cal. cal. Queiroz. Queiroz. picar. sombra. raso. furtar. prisão. cal. trabalhar. Dictionnaire historique d'argot. 1878. quatropéo. Blu- tirantes. Queiroz. calções. Êtudes de philologie comparée sur Vargot. vino. port. frade. — cp. 1881. abad. saia. sornar. Dictionnaire d'argot moderne. Lisboa. como se pretendeu. do lat. redonda. roubar. piltra. sombra. rede. safarse. — cal. rufon. Bluteau. ^io^ vinho. germ. cal. trabajar. Queiroz. — mas sim do justicia. germ. roubar germ. rede. hurtar. pérola^ cama. germ. cal.96 germ. rufo. es irse à priesa. — cp. pildra. teau. Paris. Lucien Rigaud. O argot e o calão Para o conhecimento do argot moderno tenho á minha disposição. Bluteau. — cal. raso. cama. Tei^agoza. redonda. sornar. escaparse. furtar. tirantes. . Bluteau. — Queiroz. port. — — cal. fogo. cavallo. safar-se. taragoza^ teau. Paris. — — capa. Queiroz. Blu- germ. jpio^ vino. cal. bebedeira. Quei- germ. pilra germ. eslabon com que sacan fuego. germ. capa. roupa. dormir. pdtra. — pueblo. Queiroz. Septieme édition des Excentricités du langage. alem da obra já citada de Francisque Michel. germ. — dormir. cal. as seguintes : Lorédan Larchey.

desde* o fim do primeiro quartel do século xvii. fr. do século xv ao xvi 2. artiffe. Sujpplément au Dlction*. — cp. milho. do século XVI ao xvii. artif. naire d'argot. agua. Larchey. 1. termo cuja cal. que traz os termos referidos. arg. c'est-à-dire. coincidindo em parte com modificações mais ou menos numerosas no vocabulário do argot. pão. Vitu. attrimer. na minha atrimar. vender. segundo a gra- une hoche. — . MiCHEL. os seguintes periodos . dure. aile. cal. artife. hlé (du). de 1617 até boje. individu dont Tintelli- gence est est obtuse.» Vargot. Michel. geralmente Larchey. p. eau. Dans roz. anda. asa. aile.97 Mareei Schwob franqais in ris. em vigor. isto é sem pontas mas mocha tem. artie. Vid. Paris.» le jargon. lance. Étude sur Vargot Mémoires de la jSociété de linguistique de Pa- (1889). Queiroz. de bois. cp. cp. arg. — genuidade não posso afíirmar. alleron. lartif. lista. dinheiro. sem mudar de nome. tête le patois du peuple. — arg. Larchey. cal. lat. dans le jargon de Marseille une boule à jouer A phia transcripta. só um por simplificação. e le langage narquois. cal. Queicabeça humana poderia ser chamada mocha (o fechado). da giria franceza. ala. . artão. Queiroz. Essas divisões não tem nada de essencial referem-se principalmente aos nomes. 52. 3. 1882 Na mente lista seguinte. — que cal. lartie. prendre. de que o livro de Pechon de Ruby contém o repertório. o aberto. de Fargent. propriamente dito. que continuou a experimentar mudanças. a^a. braço com a mesma significação arg. arton. indico ordinariados autores. — cp. 7 . 33-56. bras. VII et Georges Guieysse. expression àwjargon. (?) Bluteau. RiGAULT. Não vi de Lorédan Larchey. A. port. cal. arg. * Na historia do argot marcam-se . cabeça. Le Jargon du xv^ silcle.» le langage blesquien. ancb. pain. tête hoche (tête de). Larchey. larton. arg. vol. mocha.

cornante. Fr. Larchey. Rigault. = arg. cica. prego. Etym. inglez (QueiDict. arg. cabeça. cormante. — cal. camelote. Larchey. — — cal. pièce d'or. Terme de mépris langage populaire usité dans le plus trivial et le plus la Bulgarie. houle^ foire. Lauchey. avarie et par extension «vieil infirme». dar le même sens. solide. ciou. espolio. Larchey. le Fon assimilait aax Àlbigeois. hogre. s. Queiroz. bolsa. arg. Larchey. boeuf. des doctrines religieuses semblables régnaient parmi les Bulgares et les Àlbigeois.^urin et suriner. muito termo que é sem duvida popularisado. Larchey. rendre quelqu'un victime tage. muito boa. camelottej. Cest Tantithèse de chenu. Bougre. excellent. Queiroz. boi. Larchey. Larchey. etc. donner des coups de couteau: chourin couteau. — facadas. Queiroz. — cal. usités dans cal. feira. — cp. vache. hougre à jpoilsy homme determine. arg. — cal. habitant de J)ans le nioyen-âge. penhores. germ. churinar. chantage. . mau vais. bolsa. prison). tage. cal. Nom de certains hérétiques que et d'injure. v. . E phrase introduzida talvez no calão por influencia de traducçôes. obrigar a dar dinheiro. arg. No calão jornalistico usa-se já chantagem arg. tête. arg. hougre: rageux. chinoca. grossier. cigarra. Littré. cal. Forme des mots . cornant. houle. Queiroz. Ce n'est plus qu'un synonyme de garçon. marchandise volée. casa de engagés (ciou. cal. chenoc. faire chanter. Mot-à-mot: cal. chantage. /azé?r cantar. Larchey. cigale. extorsion d'argent sous menace de révélations scandaleuses chanter^ être victime d'un chanarg. Bulgarus. chouriner. sica. esfaquear. Mont-de-Piété. — dun chan- cal. cigue. sob ameaça de fazer revelações. — roz) parece ligar-se a hougre. arg. — prison d'objets uma simples traducção do francez. couarg. Larchey. de la langue française. Michel. hola. arg.U8 mot à noter comme ajant perdu sa portée antiphysique. hola.

faz- cal. falso. quille. Dans le laire avec la signification cant anglais.. Bluteau. aPetit foutriquet)) . loja pequena. pae. Au . carne de vacca. — cal. enquiller. paisano. arg. quilhai*. lha). esperança. — pop. «Tous les foutriquets à culottes serrées et aux habits carrés (1793. autre de se procurer une émotion. '^Simhe. gàbelou. f. dobe. père. daroiia. patronne. fazo. fassolette.' 99 Fk. port. Fii. MiCHEL. Lar- chey. viande. jiler pour designer Taction de découvrir par degrés. etc. comquanto não haja que admirar se cal. cria. três lentement. arg. Kigault. une des deux cartes qu'ils ont en main c'est un moyen comme un . e s. futuere (Albergaria-a. Do arg. dobe a le sens d'expert. SLVg. s. futrica. Larchey. na lista manuscripta de que me servi. fazzoletto. realmente é empregado no calão. crie^ crignolle. xvi® et siècle. cal. Cp. et Fon sait que le joueur vit d'émotions. employé des contributions indirectes. baiuca. filé. arg.Ve- zolo. cal. termo que reproduzi na impressa acima. maitre. — cal. — Os jogadores do monte ás vezes lentamente (os banqueiros) descobrem também a carta para terem e fazerem ter filé liga-se pois aos pontos palpites expressão francesa. patron. sous le rapport de la taille.. se arg. Les joueurs honnêtes du baccarat servent de Fexpression jiler la carte. o que não é estudante (na giria dos estudantes de Coimbra). como dabo. — Ital. lenço. homem desprezível. Larchey. . arg. palpite. Hébert)». foutriquet. . homme nul. employé dans le langage popude maitre du logis. de consommé dans au xvii° daho Vart de mal faire. Larchey. père^ daron. : Cacher entre ses jambes un objet volé. mãe. Rigault. Mot-à-mot jouer des quilles dans. a palavra á referida arg. . était Larchey. Jiler la carte. m. dobo. entrer. — cp. Miciiel. — germ. sobriquet donné par le marechal Soult en pleine Chambre à un de nos plus petits hommes d'Etat. Bluteau. apesar de suspeitar d'elle. mouchoir de poche. arg. futre. — daronne. Dieu. mère.

maluque. disait jadis guiber arg. espertalhão. patron. — gamhia. devasso». Bluteau. — gauderio. Land. f. malade. arg. vadio. Larchey. marco. gaudineur. — pairar. gao. — cal. argot. souteneur. cal. homem. ganao. arg.: «esses mecos conjurados contra o mundo?». o parentesco é pois só apparente. latim.100 gabiru. calão. roz. Larchey. car on pour se debattre des pieds. meço. arg. giielar. jogador. fallando dos boticários e a f . jambe. marca. grãoy mot qu'on cruzado novo. gueule. Michel. goualer. — compromettido. perna. homem. cal. Larchey. inculpe. Lembra pelo som roz. Du vieux mot gaudiner. artelho (se é genuino). arg. Michel. arg. — cal. chanter. parasita. guiholle. pou. Bluteau. gula. — cal. — no Na litteratura encontrei bigorne mesmo mas creio que do argot bigorne. arg. cal. s'amuser. m£c. Larchey. Queiroz. Larchey. Queihomme. Na Ulissijw. RiGAULT. chemise (ViDOCQ. gritar. Larchey. vem: v. e Queical. Fr. gau. Grand- val). guibon. 108 V. Fr. fanfarrão sem dinheiro.. Bluteau. got. dans le jargon des voleurs. vadiar. limasse. cal. (Porto). 236 «esse . giria. Cest un vieux rencontre souvent. cal. rapaz vadio. limace. grairij écu (Grandval). cal. Larchey. malandro. prostituée (Halbert). latin. lime. doente. décorateur. emquanto guelar deriva por certo de guela. é uma simples translação calão. Vieux mot. mecque. limosa. cal. — cal. arrete. Diz-se: perdoaste ao meço? phrase plebea por injuria aos gallegos. patusco (sujeito que se diverte). guibo. guihe. dissoluto. arg. diminutif du vieux gamòe. arg. maitre. arg. sem raizes no sentido . gamhille. divertir-se. fr. goualer não deriva provavelmente de lat. gando. Os diccionarios portuguezes dão todavia o termo como — chef. meretriz. — Rigault. Uma. arg. da lingua geral: «Adultero. Larchey. gaudinar.

par plaisanterie. nez. . csl. roi. Queiarg. Vieux mot. pier.* paumer. lit. menesse. Michel dá-lhe a significação de maitre. : mais vago de maganão».101 meço não he de bons porretos. acertou nessa de míchaud. Bluteau. arg.» são: ahomem de maus costumes. menos pejorativa». — — roz. que foi muitas vezes nas suas etymologias. pildra. vinho. beber. naze. Colhi a forma pikãa. en parlant d'une tête: Quelle cal. o termo do calão e o correspondente da germ. Fr. — cal. boire. Italianisme. — cabeça. arg. nasio. mec ó talvez casual. cal. Bluteau. le peuple de nos jours ne dit-il pas. Michel. — cal. mechosa devem ser separados. individuo. inusité. palmar. arg. Michel. segundo Littré «vieux mot signifiant lit. mau- — vais lit. moechus. Os sentidos em uso na boca do povo : la infante. infeliz Queiroz. Bluteau. piar. Fr. mulher. peltr a. perdre. me' . com intenção mais atrevido. michosa. arg. cal. peauire. Larchey. nentes. Queiroz. michaud. palavra que occorre já no século xvn. — cal. vin. iieza. miches du couvent militaire : or. maítresse. Se Fr. le brusquer. que Ton appellait autrefois. porque é mais natural ligá-los a mecha (de cabellos): mechosa designaria a cabeça como a que tem mechas. Fr. lat. pour le chasser». niente. nariz . la tête . que grosão retraliida está MoRAES. Michel. nase. nada. Queiroz. Larchey. abbadessa. Michel. Em verdade michaud poderia do seu lado derivar de meche. nasus. Quelle peut-être Forigine de cette expression? Je n'en trouve pas d'autre qu'une allusion aux bailes ou boulets. qui tombe elle même en désuétude: envoyer quelqu'un au peautre ou aux peautres. pérola. pio. e o ou «pessoa. Considera-se como reproducção do lat. niente. pour le congédier. arg. arg. grabat. morrer. Michel. — cal. baile! voici une honne baile f Fr. piauj pieu. que liga o termo ao fr. rien. prostituée. cama. pie. sauf dans cette locution populaire. Larchey. A semelhança com o arg. não sabes arg. Fr. (?) Larchey. meretriz . .

a quem se ganba facilmente. riffodez. — Bluteau. Queiroz. rup. No abbade. dormir. tromper. vin. rase. fogo. raso. O cal. rif. Michel. — cal. arg. filouter. A palavra devia ter chegado a Portugal quando em diphthongo oe. cal. tefe. sornir. cal. . Queiroz. cama. arg. tirant. riffauder ou riffoder. «De rif . sonar. bas. Gacal. — homme riche. que o deriva de trou. que phrase argotica plumer — la jpoide tinha o sentido de roubar (Fr. p. anus. soma. — cal. — arg. Larchey. Larchey. Fr. Rigault. rupim. — arg. 1 O termo piovês está por "^pivoês. noir. rupino. . RiGAULT. Larchey. rifle. toesa de francês a graphia oi representava ainda o antes do século xviii. rustir. impiné. 131). — cp. Na linguagem popular portu- guesa emprega-se comer no sentido de enganar e de roubar ardilosamente. cal.102 arg. Larchéy. tirantes. arg. mioches) du riffe qui leur creux (logis)». degner au jeu Targent d'un imbécile. est venu . Michel. vid. jpivois. nuit. calão dos nossos jogadores gallinha é o jogador pechote. cal. Larchey. prêtre. rwpart. a policia (se o termo é genuino). agent de police. roustir. arg. rufo. arg. Larchey. Michel^ Études. tirantes. Fr. cure. sor- nar. O mesmo se deu com fr. — escroquer. que Bombet traduit par se chaiiffer On trouve dans le Jargon un article consacré aux ruffez ou . 160. calções. padre. arg. mesma significação. isto é. encontro é talvez casual. Michel. cal. Fr. rupin. comer. pour le mettre. ruiva. não tem A vintém. rousse. roussin. infra Fr. arg. Larchey. toise. some. classe de gueux «feignans d'avoir eu de la peine riffoit à sauver leurs mions (enfants. framloise. pennado. trêfle. rico. . On le tire chausses. — cal. . piovez (Albergaria- a-Velha) *. oboé de h: haut-bois. Michel. p. élégant. feu. jplumer^ dépouiller un homme dans rintimité. framboesa de fr.

Deuter. braço. trabalhar^ furtar. RiGAULT. p. cão. cp. cal. cidade cal. calcante. aggettivo. che si trova presso Francisque-Michel (p. roi. bolla. pé. Queiroz. and labbro inferiore pendente.Vieyra (Did. cal. p. calcos.Velha). «On s'iraagme que. 441: o belfo balsa (?). ancroia. arg". arg. — — Cp. patroa. mesmo sentido da phrase fr. calcioso. nenhum dos vocabulários furbescos do século xvi. dona da casa (Albergaria. furb. sara tutt'altro che il nostro bolfo. Levit. il cane abbaja). belfo. ala (asa). alia guisa cal. pris à cette licure (le matin à jeun). é si uno che ha il mi dice il. le vin ou Teau-de-vie tuent libation matiiiale désignée les vers intestinaux)>. Michel «nom d'une reine amazone. rainha. Belfo. roubar. cão. : que se encontra na Bi- Génesis. sapato. cp. — cal. — — — cp. E uma palavra puramente hebraica: blia. furb. p. 408. matar o hiclio. boJfo. arg. furb. port. per cui distingue Casa d'Austriay). ex. — cal. 425-434.a. ). cal. pão. 7. diz Littré a respeito da phrase. furb. possue A Segundo Fr. 38. 23. maitre. O furbesco e o calão Os subsídios que tenho á mão para o conhecimento do furbesco reduzem-se ás palavras avulsas dadas por diversos auctores e á lista inserida por Fr. n. artife. zona. . daòe. Ascoli observa com razão (Studj critíci. père. — cal. artão. furb. Libro delia regina Ancrojaj). Queiroz. meretriz. 19. publique. — furb. dont on a ííiit un poême généralement intitule : furb. sapatos. calcosa. artone. 21. dans le jargon des raarcliands zoina. p. filie arg. feira. artibrio.103 tucr. voler. Larchey. 1): «II belfo dei gergo portoghese. travailler. — cal. Michel nos seus Bibliotheca Nacional de Lisboa não Études. asa. cp. 99. njlT. angl. pop. tuer le ver^ boire de Teau-dc-vie ou du viu blanc . LarcHEY. bola. Queiroz. croia. braço. pé. juiís. par ces mots. 15. port.

— lima. cal. cosco. (Vid. Bluteau. cp. furb. (Alberg. cal. Paris. ruffo. Observações sobre as três listas precedentes Não ficam notadas. gando. gielfo. com a Em ital. meretriz. furb. cal. tascante. propriamente separar o tasco suppoz connexo com tascar. Myst. tasquinhar. holfoy acima. — camisa. furb. estalajadeiro. — cal. tirante. piolho. cp. cal. fogo. crea. boi. marcona.104 furb. tascosa. — cal. rufo. Queiroz. tasca significa pro- priamente bolsa. Cf. camisa. fr. luzente. ou tomentos do linho espadella ou tasquinha. cornante. guallino. lente convergente. ena. casa. carne. olho de coruja. cornantej boi. tasca. Queiroz. tascheroso. furb. . taberna. nada. lupar. Bluteau. não (alargamento lação ao nome próprio Nicolas). porco. Queiroz. — cp. que pensar tamcivettaj. — cal. por certo. tirantes. cosque. limosa. furb. estalajadeira. — — cal. furb.* — bém no furb. çaria por ser um termo da Em português a palavra comegiria. porco. cal. fiirb. cal. loupe. furb. agua. mas os calão. calções. alforge. lampante. cal. cal. na expressão lamjpante di — escudo (moeda). mulher. germanía. gato. morder. vacca. olho. pilra. pérola. casa. agua. nicolo. liitui. furb. infra Relações do cigano com o calão. nicles. criulfa. p. á lettra. marco. lenza. pilula. calções. furb. anciã. exemplos dados bastam para ver — . gelfo. cp. furb. poltro. furb. fogo. cal.) furb. grugnante.). — — — da negação por assimical. carne de vacca. grunho. cama. creatura. 161). todas as relações existen- tes entre os termos das quatro girias argot e furbesco . peltra. — furb. cão. — cal. roer (hisp. homem. taberneiro. creata. grunhidor. (Alberg. olho ver fazem lupante. tasca. estalajem. port. gao_. ganao. marca. Queiroz. — que se tascar).

un pié. exactamente como grunhidor. furb. cal. asa e arg.. ala. ali. grunho no calão. Mas parece já haver traducção em prego relativamente a arg. gru^ente na germanía. milho e arg. Rigault traz o seguinte artigo: Six et trois font neuf. mn termo do calão parece traducção de : termo de outra giria pode ter havido realmente traduc- ção ou simplesmente coincidência de modificação semântica nas palavras correspondentes. 11). mesma etc. cogito de Em Os hispanhoes dizem: Uno. ingénuo. blé. etc. bra os gaiatos designavam também os coxos pela expressão cento e dez (110 réis). uma moeda. port. outeiro. Boiteux. Coincidências de desenvolvimento semântico notam-se entre todas as girias e entre todas as línguas geraes do mundo. kronickel (o grunhidor) Na si- gnifica porco. ttier le ver. Assim no calão queijo significa lua. podiam ter passado de giria em giria ou ter-se produzido nas cal. Zig. queijo (Pott. do mesmo modo no é cal. quatro girias ou em algumas d'ellas independentemente. (Pott. bola e arg. Na maior parte dos ca- presença de verdadeiras identidades de vocábulos. como na han- tyrka (giria da Bohemia) o mesmo planeta é designado pela palavra tcheque belák. calco. cal. por ex. que provêem de aile. giria allemã krunickel. uma mesma crença. dos. noutros casos os vocábulos podem ter-se produzido independentemente sobre uma base commum. ii. ii. ii. : gente tola. Allusion à Tallure inégale des boiteux dont les Coimpas semblent marquer des nombres diffórents. matar o bicho e arg. quatro e meio (90 réis ou quatro vinténs e meio). 8). e tirantes. braço. lueisshulm.105 qual a natureza sos d' essas relações. pop. cor^iante. . por estamos em um mesmo um Nos casos em que processo semântico. formado de weiss branco e hulm. branco significa estúpido. cabeça . três. casa de penhores. ciou. calções. imbecil. dinheiro. òoule.. 8) lembre-se a fabula da raposa que tomou por um queijo a imada lua num No Rothwelsch gem poço. que parece ser o holm. cabeço (Pott. Os termos grão (grano). Assim ha por certo simples coincidência entre cal.

1U(J

o

que comparadas
calão

se

quadro seguinte compreliende uma serie de termos encontram em mais de duas das gírias românicas
:

107
parte, de um vocabulário estampado ches italiennes et françoises de Oudin

em
*
;

1549, e nas Recheralguns remontam,

com certeza, até ao século xv, como se mostrará. Os seguintes termos do jargon francez do século XV correlacionam-se real ou apparent emente com termos do
calão; de quasi todos elles dei já os correspondentes no argot mais recente. arton^ pain.

Tant

qu'il n'y eust

de Varton sur les cars.
Ballade
xi,

A. Vitu,

p. 163-4.

aarton^ c'est pain». Processo dos Coquillars. M. Schwob, cal. artào. Mém. de la Soe. de llng.^ vii, 180. 301.

hec^ nez, figure.

Luez au

bec

que ne
Ballade
i,

sois greffis.

A. Vitu,

p. 180.

Schwob,

p. 30Õ.

cp. cal. beque^ bique ^ nariz.
òelistre,

A. Vitu,
bilontra.

mediant, gueux qui vit d'aumône et de rapine. germ. belttre, picaro; port. biltre; cal. p. 183.

blanc^ sot, niais.

en

leurs sciences c'est

Processo dos
\colomb,

«Ung liomme simple qui ne se congnoit ung sire ou une duppe oumigblanc.)) Coquillars. Schwob, p. 179. 310. Blanc coulon
être pris en sens in-

pombo] parait au contraire
le

verse

:

dans

jargon de

la Coquille, c'est celui qui

joue

le niais. Ibid.

«Ung

blanc coulon c'est celluy qui se couche
aultre, etc, [et luy desrobe son argent,

avec

le

marchant ou

ses robes et tout ce qu'il a et les gette par

une fenestre

a son compaignon qui Fattent hors de la chambre].» Proc. dos Coquillars. SCHWOH, p. 179. cal. branco, estúpido,

ingénuo

.

'

Vid. Fr. Micliel, Études de philologie comparée sur V argot, p. 425

108
gaudinSj brigands ou petit-maítres.

Cest tout son

fait

d'engandrer

les

gavdins
A. Vitu,
p. 326-8.

A

hornangier
Ballade
ix.

Vid. acima p. 100 arg. gaudineur e
grain, écu, moniiaie.

cal.

gaudinar, gauderio,

Et

n' abater

de ces gi-ains neufs et vieulx
Ballade
vii.

A. Vitu,

p. 344.

cal.

grão, cruzado novo. Bluteau.

gris, froid.

Et vous gardez bien de
Qui aux
sires plante

la roe
grisj

du

En
cal. gris, frio.

leur faisant faire la moe.
Ballade
vi.

A. Vitu, 347-8.

Bluteau; mod.
ribaude.

griso,

marque,

filie,

Marques de
cal.

plant,

dames

et audinas

Ballade xi, etc. A. Vitu, p. 405-408.

marca, meretriz. Bluteau.

jpaulrmr, voler.
Puis, dist
cal.

ung gueulx,

j'ay

paulmé deux

florins

Ballade ix. A. Vitu, p. 434-5.

palmar, roubar.

pye, boisson, vin.
Pour avancer au poUiceur de pye.
BaUade
cal.
ix.

A. Vitu,

p.

467-470.

pio, vinho.

Bluteau.

pye^ry boire

Bab: Babille en gier en pyant à la fye
Ballade, ix. A' Vitu, p. 470-471.

cal.

piar, beber

109
jambe. «Les jambes ce sont
les quille8,y>

quille,

Proc.

dos Coquillars.

ScHWOB,

p.

180.
quille et brouez.
p. 472-3.

Poussez de la

Ballade v. A. Vitu,

cp. cal. quilhar.

rouhe, justice, alls appellent la justice de quelque lieu que ce soit la marine òu la rouhe.í> Proc. dos Coquillars.

ScHWOB,

p. 179.

— Cp.

acima arg. rousse^

cal. ruiva.

rufflsj feu.

arujle c'est le feu Saint-Antoine.» Proc. dos

Coquillars.

ScHWOB,

p. 180.

— Cp. acima arg.
sires sont rassis.

rif. cal. rtifo.

some,

la nuit, la

brune.

Sur

la

some que

Ballade

vii. Vitu, p. 503-505.

cal.

sornar, sonar, sornir, dormir.
carta de Luigi Pulei* lê-se: dove
si

Na
o

petinó quello

lustro la brigata sopra la lenzay>,

termo furbesco da
:

lista

acima.

em que lenza parece ser Na curta lista do mesmo
;

Pulei noto
calcose), le

cosco, casa

(cal.

cosque, casa)
;

caccose (leia-se

scarpette (cal. calcos, sapatos)

gvxildi, ipidocchi

(furb. guallino; cal. gao).

Assim pela comparação com as girias extrangeiras, estudadas nos seus mais antigos documentos, pode alargar-se
a historia do calão além dos limites que os documentos próprios nos impõem todavia não é possível dizer quando
;

Portugal se começou a usar esse calão de que acabamos de passar em revista alguns dos elementos mais
é que
antigos.

em

Emquanto
mentos das

ás origens

mesmas

d' esses

mais antigos

ele-

girias farei ainda as

observações seguintes.

Vid. acima pag. 91.

110 Alguns d'esses termos são já producyòes próprias das
girias,

feitas á custa dos materiaes das linguas geraes; taes são asa (día)^ branco (hlanco), calcos (calcose), cor-

nante, gunhidor (gruhente)^ palmar, rufo
fulvo),

(ital.

ruffo, ruivo,

tirantes (de tirar, ital. tirare, fr. tirer), trabalhar

e talvez mechosa.

Outros dos referidos termos são palavras tornadas archaicas nas linguas geraes, ou vindas de outras linguas
vivas,

ou de origem

incerta.

idêntico a hisp.

anela, agua, é considerada por Pott, Zig., II, 4, como aíisia «Da aíisia in Span. nicht bloss
:

Schmerz, sondern auch ein heftiges Verlangen bezeichnet, f ilhrt letztere leicht auf den Durst und das, womit er am
gewohnlichsten gelõscht wird, oder Wasser;
die
ais

— eine

Qual,

Klimaten noch mehr zu wiirdigen weiss, anderswo.» Mas a existência da palavra no argot e no
in heissen
d' essa

man

furbesco fazem duvidar
artona, pão, occorre

num

explicação. texto latino medieval

cit.

por

Ducange,

Schwob, p. 301, trata-se de um «texte qui n'a rien de populaire, un texte ecclesiastique ou aríowa semble une mauvaise transcription grecque».
s.

v.,

mas como

diz

Fr. Diez, Etymologisches Wõrterbuch, II 3, 208, diz: uArtoun neupr. brot, ein it. artone kennt Veneroni; dazu

kommt noch

tesa, pg. arteça

oder artalete pastetchen, und arbacktrog. Man vermuttet darin das gr. hat wohl das bask. artoa apTOç, aber náhere anspriiche maisbrot s. Larramendi, Diccion., I, p. xvi, nach Humsp. artalejo

boldt, Urbeic. Hisp. p.
art eichen. P.
(brot) hieher.»

155, urspr. eichelbrot, von a7'tea

Monti rechnet auch das comask adro-basto

fica, todavia, incerto.

Se a palavra é realmente de origem basca, O gitano tem harton, pão, em que Miklosich (Abhandl., II, A2) não hesita em ver reflexo do
gr.
apTcç;

a palavra podia ter passado do hisp. para o
este

gitano;

mas

tem também

artifero, padeiro,
1.

não podemos deixar de ver com Miklosich,

em que c, reflexo do

111
gr. ápTo^^óptov

(Ducange), e do qual é

difíicil
*.

separar a forma

artife das girias,

acima mencionada

port. biltre) não é nestas duas linguas termo de giria figura como tal na lista de Hidalgo e a elle se liga o mod. cal. hilontra, que foi talvez importado do Brasil,

hditre

(fr.^

;

onde ha tram

um

calão que, ao lado de elementos que se encon-

em

forma italiana

Portugal, possue muitos próprios. Talvez que a helitrone não seja estranha á producção

de hílontra (no Brasil ha muitos italianos). A origem de helitre é incerta. Vid. Diez, Scheler e Littré, s. v.
sentido de — companhia que
bola, feira, parece ligar-se a

um

ant.

fr.

boule, baule,

no

se diverte, pandiga,

em

diver-

sos textos reunidos por Fr. Michel, s. v. cosco (furb., cal. cosque) é considerado por Pott, Zig. II, 25, como tendo sido talvez modificado do italiano aasco,

caduco, velho, para não lembrar facilmente casa; a forma da germ. cuexca (cuescaj mostra, porém, ao que parece,

que a palavra ó velha na Hispanha; cp. port. cosco, coscorrão, e hisp. cuesco, que o sentido não permitte ligar a
cal. cosque.

São 48 as palavras do grego (moderno), incluindo quatro numeraes, que Miklosich, Abhandl. ii, 42-3, acha no gitano. Com relação a quarenta e cinco d'essas palavras parece-me que não pode duvidarse de que sejam um testemunho da residência dos antepassados
^

europeus dos gitanos na Grécia
é
suííixo ibérico -orro)

•,

que podem levantar- se duvidas.

sobre harton e as duas seguintes O gitano calca, calcorro (com o

diíficilmente pode separar- se dos termos de germ. calcorros, para o ligar ao gr. xáXTj^a, apesar da observação de Miklosich: «Die Oxytonirung weiset auf nicht- span. Ursprung». Nessa accentuação pode ter havido uma influencia analócal. calcos e

O git. furnia, cueva, não veiu talvez da Grécia (gr. cpovípvo;) com os tsiganos que se acham em a nossa península, pois já cá havia em hisp. furnia, usado ainda hoje em Cuba, e em port. ///r/ia, ainda vivo
gica.

no continente, e transplantado logo depois da colonisação da ilha de S. Miguel (Açores) para essa ilha, onde é celebre o Valle das Fu7'nas. O termo git. drun, camino, viaje, e também prudência, cordura, juicio (Mayo), do gr. ^poVoç, caminho, faz lembrar o termo pop. port., talvez primeiramente termo de giria, endromina, ardil, mentira

para defraudar.

. parece ser também uma velha palavra. fr. A origem grega da palavra está muito longe de se achar liquidada. como mostram os textos : Alii fontemque ignemque ferebant Vergilio. xix. aLimus autem tremo et est vestis. : Vid. Umas. Scheler e Littré. 765-771. no ív. se gamhia^ perna. no ant. Ciceronis libertus. hisp.. também cama. qui magistratibus. II. flexuosam habet..se na giria dinamarqueza kraegeSj e lembra. s. s. c. A origem parece estar num radical camh ou cam. churwelsh comba. 3.^ lib. Vid. v. A palavra encontra. 16. segundo Pott. Zig. San- germ citadas Sem duvida em Ducange-Henschel. cp. sard. etc. Gall. Beitr. camerus. quod limum appellatur. «Sed Tiro Tullius M. XV.. em Vulcanius * na forma creu (caro). i. 120. e. Michel. 22. Uma não designa a mesma peça de vestuário que Umus. e as passagens de Joannis de Janua e do Gloss. sui qua ab umbilico usque ad peHaec autem vestis in ex- purpuram limam. que coUigiu termos tsiganos e do Kothwelseh.112 cria foi ligada ao gr. lat. ainda Isidoro. gamba e jambe. camurus. Aulu Gellio. Etymol. mas a mudança de significação não tem aqui nada de extraordinário. ser curvo. o tsigano karialo. pp. v. inquit.^ 1. picardo e yfdWon gamhe. 1 . lima^ camisa. cincti erant». lictorem vel a limo vel a licio dictum scripsit Licio enim transverso. hisp. camba (poema de Alexandre). Sérvio ad AEn. Unde Nam limum obliquum dicimus.^ i. 3. xii. Lat. Diez. é uma velha palavra. des teguntur pudenda poparum. Vid. port. Ao lado d'essas formas ha o ant. Basta lembrar as variadas signi- Professor hollandez. no ant. Âentid.jambe. que na forma gamba acha como termo da linguagem geral em hisp. xii. nomen accepit. fallecido em 1614. praeministrabant. carriba^ cambaio.. xpia^ por Fr. Velati limo et verbena têmpora vincti. provençal. catalão. Miklosich. 14.

teia. noite. cama. somar. mantelum e seus derivados nas línguas românicas. (p. peltra não pode separar-se realmente de fr. de hisp. adj. som . peautre_. 184. 2) peça de vestuário. cp. représentant le planète d'influence funeste. alto allemão jpolstar. d'oú jovial. e a que se liga port. provém d'aquella que Storm (Romania. a forma deve provir 'da lingua d'oíl. almofada. que parece vir do inglez pony. guallino^ o arg. camisa. obscur 2. choina de choinar. em que por certo existiu um de que deriva sournois. soime está por ^soome. 88). p. Só o port. referencia ao artigo citado de Storm. ant. 157) deriva port. morne. sombre. francez noite esta a germania tinha soma. pardo. fr. sombre. O cal. soma. holstar. com a mesma significação possa fazer suppor uma connexão com griso. et opposé comme à Júpiter. e limsk. comquanto o furb. comme me fait observer M. espécie de saia curta. auctor de um trabalho sobre a giria dinamarquesa. v. é derivada por Fr. e germ. p. etc. hande grise. que Scheler liga ao ant. sorn. soma. du xvi'' siècle saturnien (Littré)»' Segundo o mesmo philologo o ant. fr. por causa da raridade da queda do t em provençal. Studj. manteo significado: 1) capa. do provençal som. D. como suggere No . some. ^sadorne. allemão mod. Zig. Bugge. ^sornCf tung. * Pott. saturnine. . a relação com 2 as girias românicas pode ser apenas apparente. polster. para cobrir o corpo da cintura para baixo de largo collarinho 3) peça para ornar o pescoço. égua. mulher. mas de somar.113 ficaçoes dos representantes do lat. 1885. com roscas. espécie tem . limes. translada de Dorph. não vem directamente de arg. *. marcaj tem resistido a todas as tentativas etjmologicas foi-se até a derivá-la do céltico marka. 184) de: havia some crepúsculo riva «de Saturnus. ponis. Michel. que ligo cal. d'onde port. noche. grisaldo ao lado de gualdo. Firense. a some. 340. e. gao é de origem incerta. Ascoli. mantellum.j II. grisalho. Em verdade ha no cal. enxergão. Carolina Michaêlis de Vasconcellos (Studien zur hispanischen Wortdeud'e8te. e justificar essa etymologia. soturno de Saturnus. Angl. 419.

tuelles. no calão de Albergaria. Do allemão: gute. de chame. janella. casaca. fusileiro de lejos. choupana dogue. nada. soldado da ventaria. clioinar. mim. nome de uma moeda. presunto fortytwo. embolo porte-horne. de trowsers. cão. me. de shoemaker. de galleta. tu cadeia. cuté. eu. costas. de de montanha na Catalunha. de dog. de riiabit. bolacha (biscoito chato) toma familiarmente o sentido de bofetada. Do hispanhol: haguinos^ baixo. . sapatos . doze vinténs. . sapatos. pé. chastre^ alfaiate. bacalháo. tabaco de fumar. bom. : ir . calças. francez cal. fish. antiga guarda dos capitães generaes?. bolacha (biscoito chato) *. chefia cadeia. Do Do gallego: nai/a. fiche. de niente. toiene. de toi. mãe. tu. de knife. fumo. calças. cuncharra. galheta. bota. de hoot . noite. de gut. sapateiro de cottage. de noche. de doze. de smoke. costilhas. cabana. miquelete. de na^. legos. dinheiro de guinea. trompar de tromper. de ventana. agente de policia.a. rapé. de porte-monnaie . de cucharra. dormir. naifa. guine. Do nada. ti. stockfish . . de piston. de costillas . . semoque. eu. ir. de stockfish. faca. faca. sapateiro. miquei. de hajo. bofetada. quarenta e dois guinés. casa. de aller. casaca. Do inglez : bute. niente. guarda-sol. moa 6 moiene. chuzes. colher e gazua. . lofo de foi (com inversão). de sastre. de shoes. segundo os processos de formação do calão abaixo expostos.114 Termos do calão provenientes das línguas modernas estranjelras Alguns d'esses termos experimentaram modificações. simoco. 1 A palavra port. te. colher. cão. italiano : nantes. verdes. peixe. lahita. tivelve. chumeco. veste. bacalháo. não. trozes. afastado. de moi. alar.Velha no sentido de . transes. chona. pistão.

a forma culta da palavra não está no seu espirito. ou em mais de um d'esses aspectos ao mesmo tempo 2) outra camada constituida por termos que se nos afiguram irreductiveis.115 Os processos de formação do calão 8e separarmos do calão tudo que lhe tenha vindo for- mado. segundo a corrente. Quando um creador do calão modificou almocreve em almuque. ou depois de mais ou menos detido exame. de enigmati- sar. o termo da lingua evidente que os termos enigmatisados (quer . e presente no espirito a forma perfeita da lingua fê-lo no intuito apenas de disfarçar. quer significação. menos connos na na sideráveis. Deformações phoneticas. tendo bem geral. prompto para ser empregado sem modificação sencial. mas de que provavelmente uma parte os quaes experimentaram modificações mais ou . entrará na outra categoria depois de novos estudos. apesar dos pontos de contacto que se notam entre essas duas ordens de phenoraenos. Um exemplo fará comprehender bem a distincção estabelecida. diz inselencia porque apercebeu sempre a palavra com esse aspecto phonetico. elle não a co- nhece. Passaremos agora a estudar os processos pelos quaes dos termos da lingua geral se formam termos do calão e se neste ha verdadeiras creaçÔes novas. E lingua geral e dos dialectos. Quando o povo diz inselencia por excellencia. já das linguas es- dos ou- tros ficar-nós povos (separação que só parcialmente é possível). É feliz expressão de Pott. com alguns termos pouco numerosos d 'outras linguas. se nos apresenta como junto constituida por termos da lingua geral portuguesa. preferivel empregar esta o expressão para distinguir processo consciente da modino calão das ficação phonetica alterações phoneticas da I. quer forma. já das girias estrangeiras. ha ainda uma maioria de termos em que distin- guimos duas camadas: 1) uma que immediatamente. quer sons. fê-lo conscientemente.

a que terei me referir em parte*) com os termos da lingua na boca do povo que emprega em vez d'elles às suas formas próprias. como pode ver-se nas observações que noutra parte consagrei a esse ponto 2. ceroulas^ pápulo (todo escripto. Na linguagem familiar modivezes por gracejo a accentuação das palavras. p. Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa. e aquellas mesmas Ex. : de trifolium. irmo de port. a que pertencem os seguintes exem- Vid. como noutros mais. de fr. No processo evolu- tivo inconsciente danças. especialmente nas formas hjpocoristicas dos nomes próprios.116 no som. papel.' serie. p. suta. a) as principaes espécies de deformação phonetica Mudanças de : fica-se ás accento. 2 1 2. aqulfolium. acébo do lat. Vejamos do calão. trevo como mostram. são acompanhadas geralmente de modificações nos sons. caso ainda de culta que não se dá (salvo circumstancias especiaes. quer na significação) podem ser repetidos depois por outros individues. n. por da lingua deram-se também d'essas muex. 141 e n. mudanças de accentuação que não coincidem com suppressão de syllabas. Essa suppressão é geralmente acompanhada de outras modificações phoneticas. Suppressão de syllabas (abreviação das palavras). sem que seja conhecida a sua relação para com os termos correntes de que sairam. cérulas de port. diz-se tisoras por tesouras. Essa mudança de accentuação coincide nos exemplos dados. ex: No cepto carta) de port. 142-149.® 3. sautoir. irmão^ capito de port. por ex. capitão. quer na forma. com uma reducção de calão são raras as syllabas. O mesmo se dá no calão. . mas esses termos correntes serão empregados pelos mesmos individuos quando não faliam o calão. linguagem familiar dá-se essa abreviação nos termos de h) Na ca- rinho.

estalajem. . fabrico. i . ex. aljaba exis- tem na lingua como palavras radical distinctas e sem relação de com alcoviteira. croia *A forma frases que terbo. alcaiota ou alcoviteira^ . senhora (sinhá é tam- bém forma crioula do Brasil) . modificada veiu a tomar a forma de outra que nalguns casos não tem com ella a menor relação de significação. de port. pataco. D. sinhá. de Santa Rosa de Vimas sem texto que prove a sua antiguidade. almocreve. todavia um regedor pode ser denominado o rijo pelos meliantes e entre uma algibeira e uma aljaba concebe. correlação Nos exemplos naes taco.^ (1887). de port. de port. de port. na maior parte d'esses exemplos a palavra . alcofa. de port. bi^asileiro. 2 < Queria gram mal a só indi- 10. de port.se uma longiqua ^. Pedro I. Chron. 3 lar. rijo. pp. theatro. É um dos vários na termos populares que o auctor inseriu entre os archaismos. Pela abreviação port. de port. Fernão Lopes empregou a forma alcouvetas: alcouvetas e feiticeiras». almuque. a que pertencem todos os de calão citados neste estudo que não se encontram nas nossas listas acima. algibeira. regedor. marac a de port. termos e em Portugal antigamente se usarão. trio. Sobre factos análogos e o que os distingue da etymologia popuo meu artigo  etymologia popular in Revista lusitana. restolhada (que ó propriamente o ruido produzido pelo vento no restolho) estola. restolho (barulho. Como se vê. /abricante. ai jabá (alpios: alcofa^ j de port. de port. algibeira. tesouras. vid. regedor. theatro . algazarra).117 de port. figura lista de Queiroz Velloso. alcofa acha-se no Elucidário das palavras. de port. e noutras só pela interpretação secundaria pode tê-la. c. tisas. camarada. Se brasil e restolho se reduzem apparentemente á substituição de derivados por primitivos. gibeira de mulher). indicamos o português geral camos a significação dos termos que nella experimentaram modificação. brasil. rijo. trio. citados. . . as syllabas supprimidas são fi: mais rara ó a suppressão das syllabas iniciaes. 133-142. de port.

achar (acharnement). O can (cânon). traz quesposso por pescoço^ que não sei se devo considerar como termo do calão. c{j)al (municipal). b) chand (marchand). No raras. p. como vimos. occas (occasion). calão as inversões podem . Philologie. e Bibi (Bicêtre). troquei (matroquet). Nos seguintes exemplos houve mais ou menos consideráveis modificações dos sons invertidos ou outras modifi- 1 2 Vid. reuniu Júlio Cornu^ boa collecção d'elles. Bluteau). 211. no seu bello trabalho sobre a lingua portuguesa. 776-77. comme (cominerce). from (fromage). chamfpa por jpranchaf manica por maquina . Nas linguas geraes portuguesa e hispanhola ou nas suas formas populares ha assas numerosos exemplos d'esse processo. Alexandre António de Lima. c) O Inversões de sons e syllabas. tapor por porta. por burrico.118 de furbesco ancroja (?). lutum^ carrascão por cascarrão de cascarra. saj) (sapin) condice (condition) . nounou (nourrice). jpoche (pochard). sus). os das outras são raros *. Talvez o^eco jumento esteja por burreco^ forma popular depreciativa. ix. Schwob et Guieysse. se como termo popular. . p. d) zouzou (zouave). d' entre os quaes escolhemos alguns: agamo por âmago ^ atolar por *alotar de lat. de origem italiana. cesso basta para a formação de certa Vimos já que este proordem de girias. magne fmanière). c) lubre (lúgubre) . taes são: a) autor (autorité). 46. Larchey. zouca por cousa. reduplicação. que apresentam suppressao e argot apresenta sobretudo exemplos da primeira espécie (suppressao de finaes). croc (escroc) . Die portugiesische Sprache in Grõber'. pouchana por choupana. diam (diamant). argot apresenta numerosos exemplos de suppressao de syllabas. ser simples ou nhadas de outras modificações as acompada primeira espécie são : Exemplos d'inversão simples safo (lenço) por *fasso (d'onde falqo.s Grundriss der romanischeu i. pardesse (pardes. Rasgos métricos ^ p.

. valet (Schwob et Guieysse. : A grito por trigo. No argot são raras essas inversões. 18). estivar. e : sor/uinha por ^zoquinlia. populus. drepa (etymologia de Cornu) chona. etc. II. tropa. de port. bafo (segundo Cornu *). excepto em ligação com outros processos. p. vapore = port. de Villon. se faz seguir de um suffixo (particular- mente de ique. 38-39) e remontando até mais alto. de . pode estar de portanto por *trope. chambrière. de lat. dep em /em lat. uche. lepar por pelar. atte. adversidade. português desenvolveu-se espontaneamente ár de <r por exemplo. Houve alteração de p V nas palavras lat. tisoar * vistar de visto. de port.119 caçoes concomitantes cozinha. atrium. m em * pedra. posta no fim da palavra. toba de bota. foi. port. desventura. em pedra de lat. "^trespa.. e um ao lado do outro: limogere. greno por negro. dropa por drepa. de port. talvez em busaranha de álamo. Drofo * por ^Trofo. s. p. jpocírí?^ e talvez nelle se fundisse ainda *brope. pobre. á Ballade V. de ir^. (mirar) por Zig. pobre. f. Já em Pechon de Ruby se encontra zerver. vidro em vitrum. drofa por ^trofa. server (pleurer. nome de um chefe de policia (Ibidem). povo . assim loucherbème 1 Ibid. ou ème).^orto. de ^ort. e miloger. noche. macallo por *vacaUo^ de m. cavallo (b por musaranha. e. escova. stivare. Frequente no argot moderno é o processo chamado loucherbème. O calão drope. de Porto (cidade). choina. . germanía antiga apresenta-nos já vários exemplos de inversão de consoantes chepo por pecho. que consiste numa inver- são da consoante inicial. '^folo. na língua geral por h. Tropo. port. alhus de hisp. (Hidalgo. presta. crier). latino medial. torpe ou port. Pott. lofo por port. taplo por plato. scopa. * por *drespa. que se substitue por um l. adj. 769. encontramos Ostac por Costa. oque. de ver ser. abjecto. . petra. port. adro de lat.. Em de lat.

chiloras de ceroulas. perdoança *. Questões da lingua portuguesa. calçado. l-oucherh-eme . amante e amador. peltra. falcambista. d) Alguns termos apresentam outras deformações phoneticas. p. sura. Muitas vezes um mesma derivado fez desapparecer o seu synonymo da raiz assim em português altivez. calveira. : conhecimento. elimo de animo (cf.120 formado de boucher : oucherh-. . de cal. (vid. 44-50. çonhecença. acima safo. lastimeiro. agente. tendo por base uma raiz ou tliema já existente. ama-vel a qualidade do que me- juntam um ou mais : rece que aquella acção o tenha por objecto. não são synonymos. * Vid. mamão de melão. Exemplos: mostro. fazzoletto * fosso). lastimoso. muitos : derivados que são mais ou menos synonymos com relação a outros da mesma raiz. tendendo em regra a approximá-los ou confundi-los no som com termos da lingua geral. lenço. porem. emborilho . falsidade. Ha. pérola e pilula. fizeram cair em desuso altividade. calçamento. de mosto . port. ex. pp. lemmefoque àefemme: emmef-^ l-emmef-oque. falso. que respeita ao amor. A derivação propriadita consiste na formação de uma palavra nova. chimpar de chapar. por II. etc. perdão. palavra que exprime uma remais ou menos distincto do exou conceito presentação thema assim ama-r exprime uma acção presso por aquelle ama-dor o verbal. anima). cambador. lenço. ama-torio. germ. calva. porte-horne de porte-monnaie . embrulhada (emborilhada). a que se suffixos. Esse processo é caracteé do argot dos houckers (carniceiros). fazo. mente Deformações morphologicas. por *fasso. e já antigo no argot das classes criminosas^ de onde passou em menor rístico grau para o argot geral. alma de lat. do italiano fazzolo. cama. Cada uma d'essas palavras tem pois emprego especial. vinho.

trad. II. II 2. petit taureau. 262-3. por pequeníssima dimensão.. \-ença conheci .. para dar como ou semelhantes. isto é.» Digo pelo menos apparentemente. [-itmiito {-mento i-edo i. quer.* ed. pelo menos apparentemente. fr. obscurecida outros teriam influido muito cla- ramente no sentido.. . i-oso . diz se. . Empregaramsobretudo para esse fim. ção incerta. Visto que se expulsaram da lingua. . p. tau-reau (=^ taurellus). f . menton ou rognon. O fr. porque não se salvariam essas ser também podiam mesmas palavras allongando-as ? Mas só empregados com esse fim suffixos de significa. {-ai que muitas vezes a derivação nas línguas românicas tem apenas em vista reforçar a forma ordinária da palavra sem fazer caso do «Não deve esquecer-se. {-idade . ovicula. não mais que o simples latino mentum ou ren. mas sim qualquer d'elle3 1 se produzido de lastima. . lastimoso podia não ter sido derivado de lastimeiro. numerosas palavras simples para as substituir por outras de mais corpo. os diminutivos apicula. sentido.. sem pensar em ver nelles deminutivos. porque as formas podiam terindependentemente. quer para distinguir é mais frequente.121 Nalguns casos houve. antigas formas deminutivas cujo Assim como se preferiram aos de causa sua simples apis^ auris. taurus em soleil sentido já não era sensível. ovis. diz Diez. C= soliculus). como muito breves. como petit soleil. . \-do calçai [-idade . 260-261. ou vice-versa. parece ter o francez allongado também sol. *' falsl lastiml {-ura eivo oLiV\ . 2 Grammatik der romaniscken Sprachen. da3. troca de suffixos * : altivl \-ez . porque culus e ellus lhe eram conhecidos por numerosos exemplos como simples formulas de derivação 2. ex. auricula. a uma mais peso idênticas formas palavra curta.

em que : -ellum. ções novas que depois serviram para derivaassim de puero. II 2. luzio. juntando-se a themas em -r. 1 W. de kom-en. de cal. Paul. arder. port. cal. Principien der Sprachgeschichte.derivou-se puerulo-. muito frequente em português. ruina de rue-re. porque se formaram á custa de um buffixo com a parte thematica palavra e depois ganharam independência como verdadeiros suffixos. de port. á lettra a que arde. olho. hom-ullus. á lettra: o que arco. pu. olho.. H. caso que aliás se dava em latim. d'onde puel-lo-. -ulliim foram tomados como suffixos independentes. homul-lo. p. pela assimilação (depois da syncope de o. de port. 'ullum.(hom* homon-lo-. por exemplo. mas que não a nossa Hngua directamente a themas ver- em baes.*. No calão encontramos factos das mesmas ou semelhantes categorias dos que acabamos de examinar com referencia á linguagem geral. sentina de senti-re. v. 203-204. ver. : com o suffixo -ina. Vokalismus imd Betonung der lateinischen Sprache. ^lanipo ou *lampio. No calão ha alguns verdadeiros derivados. sentiam-se em formas como jpu-ella^ hom como radicaes. . vinulo-. -n ou -ro (-ra). termos formados de outros por meio de um suffixo (real ou apparente). 2. -no (-na). Ha certos suffixos que podem chamar-se falsos. -illum. com significação distincta da dos themas de que são formados. lampião. aguardente o suffixo -oso. 527-530. isto é. Corssfen. latim. Visto que havia outros deriin-) vados semelhantes. simples ou composto. como mostram. de vino-. lâmpada. de port. -illum. ainda que se apresentem por vezes com aspecto próprio. com ardina. a. d'onde villo-. cp. . annel.122 Proponho chamar indiíferentes esses suffixos que não dão origem a uma palavra de significação nova. -lo de uma Em (-la). : arcoso. Cf. 149. frequente se applica em português. TJeher Âusspraclie. Taes são alam/par. tem forma d'arco. v-illum. o suf. luz. terminal). deu logar á formação de derivados em -ellum. por exemplo.*» ed.

-deira. cano ou canna (da perna)? o suffixo -ante serve na lingua geral para formações de ca- mas tendo sempre por base themas verbaes. bofetada. posto e derivado de port. calmoso na significação de preguiçoso. meiaí. lingueirão de lingua. . regueirão de rego. como quanto ao sentido. (mãos. gereiro. não se applica nella directamente a themas verbaes^ mas sim a themas nominaes. hisp. port. gera. cp. gueirao toleirão de tolo. mas. de garganta. emquanto nas palavras da lingua geral esse suffixo indica um agente. aguardente. àe fava. gatasio é antes termo gatasios popular. bagaço calmeirão. de port. que se encontra na forma feminina -nta em port. com o suffixo -oso. cueca emh^omar-se. folheca de folha. açougue. faveco (feijão). grunhideira. calma. com o suffixo port. de port. irritar-se á lettra: fazer-se grosseiro. sonneca de somno. de copasio copo. em port. de port. balasio de bala. de trigo. de escamar. lingua. durasio de duro. espadeirão de espada. por exemplo. com o suffixo frequente -osa. com o suffixo -eco.123 ardosa. aguardente. moeda de dez réis. cp. arder. chapeca. chapeca. á lettra: a que tem garganta. com escamanta. Bluteau. botas. de cal. com o suffixo frequente . — canhantes. que se encontra. de grunhir. Em-eirão. encanhas. pescada (peixe). á lettra: a que se extrahe do o suffixo -eira. gargalo. homem grosseiro. mas que é muito frequente em derivados da lingua geral. aqui significa: que tem (escamas). de chapa. de cu. governanta. garrafa. com o suffixo frequente -nte. Cp. cp. indolente. que também se encontra com a forma sapeca. cp. broma. carne. bagaceira. bagaço. larcomposto de largo. dedos) de gato. com racter participai enfraquecido. naquelle mesmo sentido e no de pancada de chapa com a mão. trigueirão de trigueiro. o suffixo -eca. com de mandrião. gargantosa.

parafuso. administrador. vouzigaudj voziere. cavallo magro. Nalguns derivados apparecem-nos suffixos estranhos á . chegaduncho. apresentam mitene (do um não usado em português. ete. de chegado. abuso. pipuncha. de fado. teu. por port. tezingaud. meziguCf mézigo.^ administrante. loitreme por toi . oiro. tarduncho. pipa. Cp. faduncho. seiziere. vozigue por vous. ling. de cal.12-4 piadoiro. seduncha. apparentemente do plural. não havendo differença de significação entre o primitivo e o derivado ^ taes são : . nôziere 2 por naus. RiGAULT. encontra-se em moiene do fr.. por *peUeca. no calão. a um thema da lingua Em geral. vouzaille. bebedoiro de beber. teziere. de seda. Em bém da lingua geral e do mesmo thema. com o suffixo -doiro. de port. de port. como vimos acima. dentrémes. temos a substituição de um derivado da lingua geral por outro tamcal. moi. bolso interior do casaco ou collete. Schwob et Guieysse. Mem. a adjuncção de um suffixo suffixo. Nas linguas românicas. infuso. pela analogia das terminações de creme. loitHque. lodo. de tarde. toiene do suffixo -ene fr. sézigue. vii. 46. expressões populares como um bigorrilhas. toi. . teuene do port. Scc. estreme. 1 No argot é frequente a adjuncção de suffixos deformativos aos : nouzaille por nous. língua geral e isto que são devidos apenas a más analogias dá-se por exemplo em: loduso. loimique pour moi. mas de sentido um pouco diverso. muitos casos. cálix de igreja. sezingaud por lui pronomes (soi). cal. fr. leme. etc. um bolas. comedoiro de comer» pileca. pelle. A forma. O calão junta noutros casos ainda um s a certos derivados seus. de piar. ou elemento com aspecto de tem apenas por fim o disfarce da palavra. como se verá mais abaixo. pela analogia das terminações de port. ourives. cp. beber. a adjuncção de um a suffixo sem valor derivativo ou indiflferente tem um fim diverso — conservação de uma palavra de pouco corpo. mitaine).

na são outros lingua geral). aquera. de tolo . parrelo. deira). cabra. zarguncho. et Guieysse. breu . de vinte. etc. nota (de banco) alforjante. de port. como no argot chiquoquandard de chie. perunca. os processos de derivação adverapparente são mais irregulares. de paivo. de hora. haguinos. cimantes (acima). p. J. allache. e creoulo por senhora). cal. todos de c&i. aqui.. de cima. paivo. agadanchar. espião. de port. emquanto na língua geral só serve para derivados de themas verbaes. chiheco. de longe. 43 . Cp. e que lem- bra certas accumulaçoes de suffixos noutras girias. . de cal. Mém. parné (dinheiro). Storm. perua (bebecal. cal.. Soe. de longe. horante. briol. de de antrel de alli. ante. é uma agadancanhir por port. de sinhá (cal. hranquioso. por causa do s final de algumas d'essas formas. de cal. paivante. de branco . de ca\. denunciante. no slang slandingcular (pela analogia de perpendicular)^. cal. allimes. pato no sentido de ingénuo (cp. rupiquandard de rupin. sedaite. hajo. agadanhar. patola. lonjantes. haguines. antes. exemplos do emprego de procestolo. aqui. vii. de hisp. de maçã. forantes. de cal. cp. 156-157. algures. 47-48) e que se encontra na lín- gua geral em caruncho. de alli. chibo (espião. de caixeiro.125 mesuncha^ de mesa. de alforje. (adeante) bial Nos seguintes exemplos de arriba. de cal. Ling. lonjantes. de seda. notante. cal. vintanços. cal. caixeirante. os advérbios port. cal. applicado porém a nomes. Englische Philologie. cair como um pato. àQ fora. denunciante). patáo. 1 Schwob i. acache. hago (dinheiro). tolineiro. nenhures. todos com o suffixo -iincho^ tão frequente no cigano (vid. formação sem analogia na lingua geral. de dentro . de cal. . denirávias (dentro de casa). patego. arribatis. paivote. todos com o suffixo -ante. sos de derivação da lingua geral sem haver formação de palavras de sentido novo. com assimilação de im em rr. sinhama. maciosa.

^alimal. marreco. cabaia. -anço. do outro os nomes em -elo. ca- cadello. de port. dinheiro para jogar. velame. jaleco. Exemplos cal. por port. e de outro copia. real ou apparente. cal. significação. lacaia. cachilras. alimária. influindo raspar. conservando-se em regra a significação d'aquellas primeido 1 É menos cachorros. e de outro os nomes em -asco. cp. pancada. sendo -igoto. rabello . de um lado os ta- nomes em reco. bilro. de um lado os noem -ame. com a mesma . carol por *carrol. atalaia. nome dado que vêem ao aos barqueiros de cima do Douro. crisol. ainda e se cal. malafaia. alimazio. com influen- cia. cal. como arame. briol. entrames. e do outro os nomes em -ada. por cal. mes fartadella. cal. como anzol. está por forte e áspero ao pala- pela terminação) ^ carrascana. como estrada. camada. Procopia. é substituído por : um outro suffixo. cp. rabeco. Porto. cp. de pop. almazio. de -ol. bebedeira. como chaveco. sentido como suffixo substituído cal. de port. de um lado os nomes em avanço. rodeio. rei- nol. vinho ordinário. palavra toma inteiramente a forma de outra ou antes funde-se com outra com que tem apenas Muitas vezes uma commum alguns sons iniciaes ou até um só som inicial. como em -adella como apalpadella. seios de mulher. faneco. eiitrada'. pelo typo de pera digoto. bello. *catv-opia. marigoto. cal. por port. catr-aia. real ou apparente. novello. de carrascão. etc. zumhaia.126 Um suffixo. sarampelo. picanço. armanço. 'inheiro *. varrasco. égua. e do outro os nomef. arraia. carraspana. Velasco. balanço. de um lado. cp. armar. capello. cp. cal. armadella. carrasco . por cal. ao que parece. nome de peixe. cal. como pe- nhasco. se liga a cal. influindo também maragota. . paiol. -eco. dar. certo se cal. um lado os nomes em rouxinol. mannheiro. -ello. como cabedello. pelo pop. modelo. catropéa. influindo cliilra (cp. armazém. por port.

estúpido. parvo. marihundo por moribundo (marihundio A. faia. com faia. 209). p. apresenta uma fusão incomessas palavras associado pelas tendo-se algibeira. é sem duvida devido ao mesmo processo mas aqui em vez de * mcdaca. um resultado da fusão de marinheiro com marabuto. António de Lima. consoantes iniciaes l-j. pae^ por fusão com jpalurdio. panno cal. feio. mandil. mandrião^ por fusão grosso de esfregar. Rasgos métricos. como se fosse uma expres- são adverbial a troços. com milhafre. pela fusão com^oíi- papa. * . . com mandil. brasileiro. Nos exemplos seguintes houve fusão de palavras que só teem de commum uma consoante ou grupo de consoantes inicial : cal. pela em pop. por mãe. ^ov ponta (de cigarro). por port. marabuto (p. nome de uma Cal. por fadista. marinheiro. por mil (réis). mãe *. 61) parece ser uma formação do mesmo género. por pae. o qual apparece Em de homem cal. malurdia. por port. mal feito.127 ras palavras ou experimentando apenas alguma ligeira modificação. por cal. cal. bata. Exemplos: por port. etc. mão. atrás. pleta com loja. polaco. formou-se cal. cal. preguiçoso. temos simplesmente polcica. cal. fusão arvore. cal. por port. fusão com marihundo. nome de tifice. pela fusão ave. palurdiOj. atroços. milhafre. Por analogia cal. Qdl. fusão com baia. lojibeira. baia. pontífice. por port. trave que separa as cavalgaduras na cavallariça. nal. nome de religiosos musulmanos da Africa septentrio- em os nossos escriptores quinhentistas os nossos marinheiros tiveram conhecerto e de que por francez marabout tomou o sentido pejorativo cimento.

cal. buraco^ fusão com bufo^ nome de ave. por germ. grelha^ por cal. para assar ou torrar de cal. etc. titulo nobiliarchico. huco^ cal. em forma de grade. í : assim em tosa. pelo grego. peru. fusão com leria. rosa. também mas o termo é do Porto e cal. pela fusão com a mesma palavra golfo ? cal. laranja.se facto semeser lhante em muitas palavras religiosa. nome de um saurio. tem e aberto. dinheiro. etc. grego. etc. fusão com heta^ lista num vestido. Pode dar. dog). praíct^ fusão cõm laia. de tecido para cobrir pensar um objecto. vinho. hata^ mão. casta? cal. fusão com duque. pela fusão com golfo. depois em larias e lirias. fusão com chita^ nome de estofo. rico ó principal (Hidalgo). dogus (do ingl. dizer grandes mentiras. por cal. metier golfas significa lisonjear. lenço. * laivo. comestíveis . mesma signifusão com ficação. Z^iirro^ fusão com huco. ódio. ficando assim o conceito do radical ligado unicamente ao som v.128 cal. beu por * veu. por port. cal. cal. cal. grulha ou grelha. godo. grulha^ peru. mentir. por cal. gordo. peça cal. golfo. por cal. Vimos já que numa palavra como villum. e é sem duvida originado da locução popular mettêlas gordas. Hata. palavriado modificado astucioso. illum podia tomada como suffixo. fusão com osga. por port. ao lado de mimosa. e r podem ser respectivamente 1 Cal. duque. por port. fusão com veu. braço de mar. fusão com laivo. heta. fusão com grelha^ instrumento. mancha. chitaj por port. sargaço ? No sentido de aíidalgado. por port. hufoy cal. por cal. chetuj vintém. cal. cal. ho]o do navio? por port. osga por port. nome ethnico. por port. . Poder-se-hia em que beu fosse uma modificação de breu. laia. leria.

em portuguez: -otcio. folheto. foi substi- tuído pelo suífixo -eto. pelos radicaes. pela significação. malafaia. pois não ha cal. o resultado de um processo semelhante de substituição de suffixos ou sons tomados por suffixos. é um arg. outros pelas syllabas iniciaes. horhotcio. em se Poderíamos ver analogamente nas palavras acima. mas por uma troca de suffixos.: tranche^ tronche^ trogne (d'ahi trognasse e gnassé)^ todos com a significação de cabeça. hotão explica-se. pelotão . Mém. comquanto obscuramente. pelas formas de derivação. etc. em haia por hata. e de de um lado camarata. froc^ '^froque (défroquer)^ sos suffixos. no- outro cabaia. lacaia. No espirito as palavras associam-se pelos sons. a que se ligam diver- processo conhecido do argot. zumhaia. sentido como suf- íixo (cp.^ vii. A ou um reducção do radical de grupo de consoantes uma palavra a uma consoante inicial. ^ Schwob et Guieysse. cantata. por port. O conceito do : radical não existe só no espirito dos grammaticos actua também. . ex. ling. que se encontra por exemplo. ex. como categoria psyclioem que logica. mar otao. 40-42. fr. no espirito de todos os que faliam uma lingua ha distincção entre raiz e elementos de derivação. carreto j coreto. ao lado . p. frusquin. heto O uma palavra heto. fringue^ frijpe (fripierj dre. que empregam no sentido de outras que com ellas só têem de commum uma syllaba ou um som : inicial. chajpeVy pren- de chojper^ chijper *. Soe. habit. : Eu associo os nomes próprios pela sua inicial não me lembrando muitas vezes de um d'esses nomes por inteiro. Muitos individuos associam com facilidade as palavras pelas rimas. troca (cp. etc. de -ata por -aia vata. lembro-me todavia do seu som inicial e por ensaios successivos chego a restituí-lo na memoria. paparrotão). pelas categorias grammaticaes. não por uma fusão de palavras.129 sentidos como constituindo a parte radical.

soiiffraite (disette. j>unar (== pugnare). E rara a fusão de palavras determinada por uma termi- nação morta.ed. Conta-se que uma velha surda teve o seguinte dialogo commum. louvado seja Deus ! 1 Arsène Darmestcter. pela influencia da associação dos sons communs souffr *. p. La vie des mots. bêbado. em huco por hurro troca de -urro por -uco (cp. Nas linguas ge- raes ha lat. apresenta-nos o resultado de um processo complicado : O archote. etc). souffreteux. 131. que desapparece (punir por alguém). tomar a defesa de alguém. — Ai! de debaixo da louvado — Que meus vós nesses — Presuntos. man- que). 2. mas copo de vinho. s. Em português. minha avó.130 etc). um exemplo é cal. minha avó. jounire). factos análogos. francês souffreteux. zaburro e de outro abelharucOj caduco.. susurro. forasteiros: — Donde vindes meus — De Salvaterra. defunto. chama por associação phonetica punir (= lat. maluco. Littré. e esta toma o Em sentido de aquella. de um lado esturro. toma o sentido um pouco modificado de soujffrant. filhos? — Ai I defuntos. fr. lembra pelos sons este pelo seu suffixo -eiró dá ideia de um derivado. termo de calão archeiro.^ . mas a explicação dada acima pare- ce-me preferivel.. d'ahi o seu emprego como se fosse um verdadeiro derivado de archote. seja Deus! trazeis sacos. o qual seria archoteiro. Essa explicação pode enunciar-se tamnos seguintes termos: uma palavra suggere outra (geralmente do mesmo numero de syllabas) que tem com bém ella de commum um ou mais sons iniciaes e a ultima passa a ser empregada no sentido da primeira. ex. presunto por pessoa com uns vós. do ant. o que tem o habito de beber vinho. Uma historieta popular serv^e de commentario a esse termo. v. p. filhos? terra. iniciaes archeiro. .

sarcastici^. com i as seguintes observações de Ascoli: «Piu volte. cantina o tasca. sia col ricordare un sinonimo. mal-oque. Concluirei a exposição d'esses curiosos processos de for- mação. 9õ) ha também cal. ci dà perche delia squisita elaborazione Da orfevre si fece orphelin. Ter-se-ha produzido malaco primeiro por maluco e depois subA ideia de mau. L'alterazione fonética involve spesso dei significativo. invenções extraordinariamente burlescas. Silva Lopes. . maluco ^or pataco. seda. medulla. Doutro lado parece que 1 tabaco foi egualmente assimilado a malaco. Questo projphete potrebbe dirse você gergale innalzata alia seconda potenza. da Guibray: Gibernej da poisson: poivre. seda. Temos assim uma formações mal-aco. gerghi riescono a transformarlo in uno di senso aífato diverso cosi Varíjot dice arsenal per arsenic. secondo la metáfora quel grego. cal. etc. medunha. ben il . dedos (sic). Cal. cujos productos apresentam á primeira vista enigmas indecifráveis ou podem ser tomados como metaphoras atrevidas. nello svisare la terminazione d'un vocábulo. per catenaccío si dirá cerron in luogo di cerrojoj. dedunho? . ossia. Cal. todavia malaco não se encontra como termo da cal. estará por um sedulla não documentado? Cp. e Fim- portanza furbesca degli oggetti eh' essa accenna. mal-eque.» stituido apataco. mentre il vero valor di cerron é tela grossolana.131 malacOy ^ov pataco. sia coll' oíFerire allusioni o travestimenti burleschi. parece ser devido a um processo similar. maloque e moleque para evitar a confusão em seguida mudado em com malaco = pataco. batelier per . filou s'è amplificato a Phillíbert. 388. hattoir. nez a Nazareth. sia col ritrarre qualche attinenza delia persona o delia cosa che è nominata. lingiia geral *. e navet a Navarin. estará por 2 StudJ crUici. serie de seduncha. macanjo pag. falso. di prophete per jprofonde. p. Nella germanía. pode ter influido (cp. mal-uco para substituirem os usaes pataco e tabaco.

chama-o o latim 1 Sobre as mudanças de significação d. W. designa na um objecto por uma qualidade particular que o determina. Eosenstein. Logik I. Die 'psychologischen . 34-36. por assimilação de forma a um grande vaso. sem a minima consideração pela significação d'aquella por isso foram examinados na secção anterior os exemplos d'esse género. segundo esse processo. etc.132 os eíFeitos burlescos existem. 349-387 Herman Paul. Halle. ou hâtiment por allusão ao trabalho de construcção. o que como se vê dos nossos exemplos é raro. na minha opinião. (1860).* ed. origem movimento da agua. Versuch emes Systems Bedingungen des Bedeutungswechsels derWôrter. deu o seu nome á coisa. 1886. O processo pelo qual j>alurd{o vem a significar ^ae no calão não pode de forma nenhuma ser considerado como o resul- uma palavra como tado do que ordinariamente se chama modificação semântica. cada um dos quaes poderia servir para a denominar. e uma palavra se substitue por outra. apresenta diversos característicos: aspecto das margens. 1884. a coisa que o latim chama fluvius_. estudo das modificações semânticas no calão. e essa qualidade de agua corrente^ quod fluit^. p. psycfiologie Principien der Sprachgescliichte. são em geral um resultado Quando secundário. 1881 A. Tobler. 2. pois que o ponto de partida é uma associação pura- mente phonetica. em geral. rio. diz Darmesteter. Modificações de significação *. Danzig. Passemos agora ao . Kurt Bruchmann. Stuttgart. 1886). Ludwig Etymologie in Zeitschrift f. ed. Assim. a) «Todo o substantivo. Para o meu fim resSprachgescMchte. que explicam a maior parte talvez do seu vocabulário." 1887. Arsène Darmesteter. tricto não careço de - um schema completo de mudanças de signi- ficação. Wundt. o movimento da agua foi escolhido. Võlkeri U7id SprachwissenscJiaft. La vie des móis étudiée dans leurs signijications' 2. Psychologische Studien zur 306 e segs. . . vid. (Leipzig. Paris. III.. Assim também o que francez chama vaisseau.

por juiz . o fallante. forte o moinho. nuhere. por dinheiro (cf. fluctua ao cimo da Esses agua (natatj exemplos podem multiplicar-se indefiassim em latim serjpente ó o que se arrasta nidamente. por cabeça. Em moncoso. tamposa. noutros casos intervém um certo cómico ou depreciativo. por carro de bois . redonda. cobre (cp. ^ov pedra preciosa. com um termo depreciativo o vinagre é o raivoso. por pão de trigo . por sabão. passageiro . espumante. altanado (o que está. sonante. cp. designando um característico. pahnilhante. . corpóreo. se amarella (da cor do oiro). cantante^ por gallo. fr.133 ó^ o que nada. navio (navigium)^ isto . ferrugenta^ por espada (velha) filante^ \ por agente de policia. cobrir). a expressão Tmtal sonante) todos esses . brilhar) j nuvem. o chapéu . para ver se trazem contrabando sob os vestidos) apertantey por corda (da forca) chiante. que muitas vezes está longe substituir No de ser o essencial . andante^ por carteiro^ comboio^ cavallo. reptil. crivantes^ por dentesy dentosa. por isso que agita os seus braços . por chinelos . é a que vela. é chamado o doido. por caixa. por lenço (cp. por viandante. piolhosa. por libra. exemplos a denominação é perfeita- mente simples espirito e natural . massudo . por uma espécie de . por saia. ou estabelece-se uma correlação metaphorica por vezes pouco natural assim o advogado é chamado não o discursante ou o defensor ou mesmo . por serra. o que tem raiva. aurora é a brilhante (raiz us. calão é muito frequente o processo que consiste em um nome usual por um adjectivo (ou participio). luzente. passante (a que passa de um lado a outro do rio. a espingarda é chamada a fungante. quando o vento o move. . rasteiros. quando é personificação determinada pelo seu eífeito adstringente. mas o palrante. » nuheSy (serpere). assimilada a sua explosão ao ruido de um nariz que funga. velar. ras- por sapatos . exemplos : senta alto^ no tribunal). como em furor. apalpador^ por guarda-barreira (opalpadeira é a denominação de mulheres que nas barreiras apalpam as forasteiras. roncante. official . serve para se passar sobre eWn)^ ^or ponte. mouchoir). preta^ por garrafa (de vidro preto) tantes.

. em — com — — . exige cuidados para não se sujar de prompto. a que se deu o sen- Os assim vagaroso significa que procede vae de em que vagar. ha um conto popular em que velas acccesas representam vidas de pessoas) archote. longe (do hisp. . bala. h) A metaphora. vida é frequentemente comparada pelo povo a uma (a luz. a camisa que. botas gallinheiro. vagar vagarosa.sol (por causa da forma e destino). comida (sobre a qual se bebe. ao serem convertidos atira de — a que cal. que se compara á cortiça (o povo chama encortiçada á carne dura) cortiços. apagar-se a lamparina. como no navio sobre lastro se põe a carga). padece.). touca. gata. segundo se me afíigura. coiro. Eis uma serie de exem- plos: alfarreca (alforreca. lavada e enpenante^ gommada. penacho. quartilho de vinho. um derivado de de longe. cabelleira. substantivos . pela morrer semelhança de forma. lejos. quando não se tem ainda vinho no copo) harraca. metaphora do calão diverge em muitos casos da metaphora da linguagem geral em não A ser espontânea e transparente. talvez porque a tinha comparada a escamas. ameixa. é. que já indiquei. a luz. propriamente . é a mimosa. forca (por causa da forma e altura) cortiço. bebedeira (diz-se que o vinho . si- gnificação do calão já vários dos exemplos dados acima entram nesta categoria. medusa). (á mesa diz-se comicamente : estou ás escuras. cesto da gavia. meretriz (por causa da lubricidade do animal). pela comparação dos cabellos com os tentaculos do animal . o que resulta do caracter geral das girias. catafalso. copo.134 sujeito a muitos accidentes. . da cabeça. significando ha vagar designa a prisão. varanda. cabelleira. adjectivos podem ser modificados na significação que rigorosamente resulta da sua forma. é muito frequente nos desvios de . O tido calão legante^ pistola. hreu. accende-me . vinho (por causa do aspecto) lastro. é denominado o o que pena. guarda. carne de a carne coberta immediatamente pelo porco. . Porque razão a sardinha é chamada foi tinhosa não é fácil de dizer.

esticar e espichar. capoeira. prisão. (na gíria dos typographos: scripto) massa^ milho^ dinheiro pianinho. diz-se picar. . . espaço entre o pollegar e o index. rama. roubar. cadavérica) canivetes . provêem das phrases isto é. diz-se sondar. bêbado rufar. attenuar. lingua. por fim adoçar. cadeia esponja. de manu. é alteração de lagosta fica no doNa significação de escarro. gaveta. algodão em rama. apito saca. por espancar. que os fumos do álcool sobem á cabeça: compara-se o que se suppõe haver dentro ao que cobre a cabeça) . No calão dos criminosos occorrem expressões que teem . o calão resultam de simplificações de phrases assim falho.13Õ sobe á cabeça. por assim dizer. duvida la oslra. que de termo de jogo passou a ter aquella significação. por morrer. vindimar. insultar. espada rouxinol. d) Alguns nomes ethnicos ou próprios de pessoas. carruagem cebola. abotoar-se com uma coisa. . que não tem dinheiro. diz-se ^oy fugir. entrar na rigidez espirrar. linguado^ lettra. . . cachimbo. pessoa com muitas vestes sobrepostas. pé panella. diz-se calor. guitarra . abafar. no sentido de morrer. bolsa de prata (por causa da forma tira ) . ensinar. . panella. provém da phrase espirrar que se diz de quem se encolerisa facilmente . . lostra é sem . . diz-se estafar. ^oy matar. provém da expressão ^or a cara vermelha como uma lagosta^. diz-se /a^er aboiar. palma da mão. pão alvo (por causa do aspecto) rede. o que significam os correspondentes usuaes: assim t^oy furtar. virar. por sova. podex . lagosta. capa. bater (como se bate rufando tambor) chaleira. cadeia de relógio. . esticar ou espichar a canella (a perna. relógio d'algibeira. ^qy prisão. mão por chave foi suggerido pela expressão chave da mão. negar-se. no mesmo sentido. c) Algumas mudanças de significação que nos apresenta . pan- cada. mínio da pura hypothese. por afogar. diz-se collegio. provém de falho ao naipe. roupa ripa. diz-se escovar. bofetada. experimentaram modificações de sentido ou applicações ás vezes ^ Se lostra.

No termo gallo. Cf. pela calada. por plataforma. Cava no cbâo. provir do nome do marechal conde de Schomberg malafaia. Eu colligi da tradição popular o seguinte enigma do gallo (ave). chamhorgas (p. é uma adaptação do nome de familia Malafaia. que lhe fizeram attribuir o valor pejorativo. é cavalleiro-. a seguinte passagem de Monte Carmelo. por causa da cor do insecto ser semelhante á das fardas dos soldados da marirtha inglesa. janisaro (sem duvida o nome dos soldados da do guarda sultão) veiu a significar tunante na giria do século XVIII não deve causar estranheza. que trazia o marechal Conde de Schomberg . quando se note de que Como maneira o povo se appropria de palavras novas. serra. ha um vestigio que não é o único da antiga denominação dos habitantes da França. imprimindo-lhes sentidos que nem de longe se correlacionam com os que ellas teem. A meia noite Se levanta o francês. determinada sem duvida pelas syllabas mala. é empregada pelo povo correntemente . é pedreiro. Só sabe d'horas. isto independentemente dos processos do calão que acima ficaram estudados^. 505: «á chomherga. significando francês. censurável plantaforma. assim inglês significa percevejo. Não sabe de mês. no sentido de apparato para illudir . Chomherga foi certa moda de bigodes. Tem Nâo esporas.136 curiosas. sujeito de profissão duvidosa. etc. p. 71) parece *. mas a Plebe e os Có* micos trocarão a significação deste vocábulo». occultamente. por exemplo : se antes de umas . Não acha dinheiro. é carpinteiro. 2A palavra ohvio foi ouvida já no sentido de estranho. Tem Não Tem Nâo picão.

e vem sem duvida de '^fallar pelo Despanterio . aqui licito. cara ou assimilada ironicamente a foi um holo (bola ou holo. este nome significa na germanía antiga ansaron (ganso). suppoz-se derivado de criar e como gerar ó synonymo de criar^ produziu-se o derivado sem suffixo gera^ carne de vacca. por allusão á lenda dos corvos de S.» Ouvi já empregar laudemio no sentido áQ presumd'estes dias ouvi um uma : por um processo fácil de comprehender. Vicente. de la France. á coccinella septempunctata é) Joanninha *. havia cría^ carne de vacca. desenvolveu-se a serie synonymica de bolacha eleições se emprega o conhecido processo de mandar proceder ao estrada para uma localidade descontente.se de vade-mecum. vid. como vimos. ex. seg. é fallar senhor de si. ex. Num annuncio d'um açougue li: «O responsável d'este talho tem que ser licito nas transacções que faça com o publico». cuja ori- gem. emquanto na linguagem popular designa o corvo. é incerta. 132. por nomes da pega em Rolland. originou. hademeco os = O termo hadameco. o que é permittido. á burra Joanna. Fallar ou ser pespauterio. isto é. com importância.137 No calão o nome vicente designa o gato. bacharelar. conforme a grammatica de Despauterio. applica-se ao caso o termo. Desde cabeça o momento em que uma pancada na mão. É incerto se cal. provém de navarro. cão.. Faimepop. u. tolice. 1 Encontram-se factos similhantes noutros paises. que (quem sabe ?) talvez fosse suggerido por esses levantamentos illusorios de plantas.. narro . Lembremos que o povo chama também ao macaco Simão (suggerido sem duvida por simio). emquanto d'outro lado despauterio veiu a significar disparate. No calão. palmatoada). adquiriu o sentido de probo. honrado. rapazote atrevido. a começar pelas danças e mascaradas carnavalescas e a acabar numa figura qualquer caricata. pção. Um outro processo que podemos chamar da substitui- ção synonymica (falsa ou verdadeira) dá logar também a mudança de significação.. p. parado a um cocheií-o dizer para um sujeito que estava esquina observando o quer que fosse «não estejas ahi de parodia. palavra parodia designa na estudo de uma A boca do povo innumeras coisas variadas. . vaidade.

principalmente nas girias.^'^y. e nas mesas o vinagre e o azeite se apresentam num par de galhetas. tahefe (pancada ligeira de- baixo do queixo. 50. Como galheta significa. garrafinha para azeite. Marmitte dá logar a duas series synonymicas: d'uni lado temos jpoé?o?i e casserole. ora coiro e cação empregam. femme. é difíicil de * determinar. não por metaphora. que como a portu- guesa. biscoito /^pancada com as costas dos dedos na cabeça). ling. que já não é nova. Na phrase estar em cação. Soe. zoina que se tirou a pelle 3 ? Schwob et Guieysse. no sentido português próprio. p. Assim produziu-se um como crêem Schwob termo marmite no sentido àefemme.)*. como supposto radical de mar-que (vid. propriamente leite cozido com ovos e assucar). outra do lado esquerdo» A que sentido da palavra se liga a expressão burlesca volaverunt galhetas. vii. Ha pouco deram-me a conhecer uma locução usada no Algarve que talvez se explique por elle: é estar em cação por estar nu. coiro e meretriz. mar-lon. Mém. No argot encontram-se exemplos d'esse processo. p.se até onde pode levar esse deve ser descobrir muitos dos seus productos. mas por derivação de mar. uma do lado direito. d' outro marmitte. para o vinho e agua do sacrificio. . lat. mar-paut.138 (bofetada) ou galheta (do hisp. pode pensar-se que no espirito do povo coiro e cação se associassem como se fossem perfeitos sjnonymos^. mar-quise. e como se compreliende mais facilmente que a pelle dura do cação motivasse a ultima designação do que a que se nos offerece naquella locução. talvez. scortum. Diz-se no mesmo sentido: estar em coiro. de que provém fundamental de (vid. processo e quão diííicil Concebe. O hebreu p. vinho ou vinagre e que na igreja se usa um par de gaIhetas. 103) tem também a significação scortum.se no sentido de rameira sórdida. Este processo é tanto das girias como da lingua- gem popular. diz-se um par de galheias por duas bofetadas. têem poucos documentos históricos.. 2 Cp. alludir-se-ha antes ao cação a cal. e Guieysse. mudado em mar: motte. expressiva do estado colérico de alguém. 100). chama taujpe^.

geralmente certa^ no menor numero de casos apenas verosímil. Em investigações. La quintessenza delia parte parte piu recôndita dei vernacoli. o meu estudo creio que me permitte affirmar todavia que dos termos de mim conhecidos apenas cerca de um sexto não é suscoptivel de explicação ou de etymologia immediata^. vemos o como as outras girias. p. messa in serbo.139 Attendendo ás diíficuldades que levantam á etyinologia esse e outros processos das girias. buon contingente di dizioni che sembrano voler perennemente rcstare quesiti etymologici insoluti. vê-se com que inteira razão Ascoli escreveu: «Chi pensi agli innumerevoli enimmi che in se racchiude città. Examinemos succintamente esse problema. . di quanto mai offerire? *» stra vagante e d'impenetrabile non potra Relativamente ao calão ou gíria portuguesa. todos os processos anteriorcalão. avendo in ogni época le sue peculiarità idiomatiche. Nada nos impede de crer na possibilidade da creação de novas línguas. ingenerate da mílle specie d'accidenti assai spesso imperscrutabili non maraviglierà per certo alio scorgere nè varj gerglii un . dalla società fursottoposta per soprassello ad artificj gergali. e naturalmente a lista dos problemas. 39G. chi sa e fantina. Creação original. il favellío d'una intera nazione. 2 Chamo a um aqui etymologia immediata a que liga um termo de giria termo da liugua geral. Dir-se-hia que os creadores das girias ou não teeai facul- dade ou não se sentem impellidos de necessidade para fazer uma linguagem de sua inteira invenção. partir dos termos existentes e ligar a elles os seus productos por um nexo phonetico. mente examinados. agora insolutos. ou do país a que pertence essa giria ou de outro. como os 1 Studj critid. ogni ogni borgata. morphologico ou semântico. ogni contrada starei per dire. da quanta generazioni. já por processos espontâneos. diminuirá com novas IV.

uma lingua tradicional. como o Volapuk. Techmer in Internationale Zeitschriftfiir allgemeine Sprachidssenschaft. de que não são capazes os indivíduos que constituem os grupos creadores das gírias. Os diversos de lingua universal. em grupos de indivíduos que nao tenham adquirido ou só tenham adquirido muito imperfeitamente tradicionaes. Schu- chardt. exigem grau adeantado de reflexão. em que a relação entre o som e a significação a já existente 3) por trariamente possível se . Apesar das producdois primeiros processos Os um 1 An Essay Uwards a Beal Character and a Philosophical Language (London. vid. II Lect. Lectures on tke Science of Language. por exemplo. quer sem essa classificação. Como vemos não é assim que se formam as gírias. se baseia sobre um processo em que o mais arbi- empreguem palavras já existentes. Max Miiller. pão. quer segundo uma classificação scientifica d'estas. alem d'essa lição de M. modificando-o segundo princípios convencionaes. 2) pelo systema do Volapuk. que nestes últimos projectos teem tempos apparecido. 2 Sobre a legitimidade das tentativas volapukistas. no século xvii *. Aus Anlass des VolapiiJcs (Berlin. iv. 1668). Second Series.140 que produziram as creaçôes primitivas. dizendo mar por . Sobre outras tentativas semelhantes. inventando combinações phoneticas novas (raízes e suffixos) para exprimir as representações mentaes. 339-34:0. H. . Miiller. Do porque se tem em vista partir d' ele- mentos conhecidos por um numero mais ou menos conjcá siderável d'índividuos. já reflecti- damente por indivíduos senhores de uma ou mais linguas um exemplo no projecto de lingua do philosophica bispo inglez Wílkins. afim de facilitar a acquisição do novo idioma 2. 1888). gritar por fugir. etc. soccorrem-se do ultimo caso temos material das linguas existentes. vid. mas com significações que não tenham relação nenhuma com a usual como se faria. Concebe-se a formação de uma lingua artificial: 1) pelo processo de Wilkíns.

mocreve fez uma modificação intencional mas era por certo . ainda menos que outros termos de um giria eram assim formados . scenc dei popolo Siciliano (Ragusa. 1882) dá noticia de uma triplice forma de linguagem no povo de Chiaramonte uma a colloquial. A. que praticara uma deslocação de accento.141 ções d'estas serem. Isto significa que aquellas producçÔes são intencionaes mas não re_. o que equivale a ignorância. que só se distingue da que o povo tem das formas cultas. das transformações que os alimentos. S. Pode objectar-se que até pessoas cultas que conliecem bem a forma das palavras as alteram por vezes. experimentam em o nosso organismo. não se afastam essencialmente na sua marcha dos processos d'evo- luçào espontânea da linguagem: a nossa investigação assentou com evidencia esse facto importante. o fabricante de giria que primeiro disse almuque sabia porém perfeitamente que a forma corrente era almocreve e a sua uma alteração voluntária *. ella fazia tão pouca ideia d'isso como nós fazemos. já fallando. que intencionalmente ingerimos. Guastella no livrinho Vesbm. sem estudos. Que se deu neste caso? Em vez de me surgir no espirito a forma verdadeira 1 que eu tinha intenção de produzir surgiu outra. Vimos já em que consiste a difí^erença entre a producção própria da giria e a da linguagem espontânea (vid. que supprimira r na syllaba cre e eliminara por completo a syllaba final ve da forma usual. como já vimos. Supponhamos que eu vou para dizer ataraxia e digo ataxia. p. que modifica. intencionaes. por exemplo. em ser momentânea não ha no processo differença essencial. cheia de sup- uma : : pressoes de consoantes e contracções de vogaes 5 outra menos con- . 1 15-116): o povo que àiz jpJiotogro por photograjpJio não tem consciência de que fez uma alteração. individuo que primeiro disse almuque por alflectidas. apesar de ser a nossa actividade voluntária que está em jogo. O incapaz de explicar a si próprio por que processo o fizera. dos movimentos complicados que são necessários para pronunciar uma palavra qualquer. porque não sabe da existência da íormsi j)hotograj)ho . já escrevendo.

Linguagem da poesia : Lu zu mònucu la voli. Ccu la za Vita mastr^ Aràziu Vhavi. no auctor. Linguagem do canto : *u zzu mònucu 'a vo\ 6" 'a za Vita V ha massciu Ara. uma facilidade de acceitar um emprego tão arbitrário. tal outro serpente. de um lado.142 A substituição de palavras da língua geral por outras da mesma que não tiveram com aquellas nenhuma relação de som. forma ou significação exigiria uma quebra muito violenta com o uso tradicional. que de um lado supporia um espirito assas reflectido. etc. cada caso surgem no espirito do que falia as representações das formas respectivas e ficam latentes na consciência as outras. tal tracta. Mais tarde o nexo pode esquecer. que basta para a facilidade da producção e da propagação. como plano e chão. Destroe esse facto interessante o meu modo de ver? Creio que nâo. Por mais arbitrário que pareça o de grelha. do outro. por exemplo. nos imitadores. não podem também constituir objecção ao que exponho no texto essas : Em formas duplas ou divergentes apresentam-se estranhas umas ás outras no espirito popular. pbonetico. porper?*^ o termo gruemprego lha estabelece entre elles um nexo semântico. que as mantém até certo ponto isoladas. a linguagem do canto e por fim uma ainda mais perfeita que é a linguagem da poesia. como se esqueceu na linguagem geral porque animal se chama burro. As formas eruditas ao lado das populares na boca do povo. Noutra parte voltarei a este assumpto. Essas três formas de linguagem correlacionam-se como dialectos differentes numa mesma boca e o seu emprego é determinado por necessidades diversas.se. e apresenta os seguintes exemplos : Linguagem colloquial : Uzzumaò. de modo que em cada caso ha uma orientação particular das representações. de outro. . Cappicciavi lammassciarà. a qual realmente não existe era preciso que num e noutros se perturbassem muito fundamente os nexos : associativos existentes.

177). 1877). Second Series (1864). foi Maupertuis quem primeiro enunciou. Wundt. 1876. 1877. Já Steinthal em 1860 (Zeitschriftfúr Vôlkerpsy: chologie «Como notamos i. nas suas obras de linguistica geral. e da qual é uma consequência a lei das A 1 Como é sabido. no dominio do espirito*. Mayer. ex. com quem concordam os neo-physiologos da linguagem. 184. Prolegomena zu einer Kritik der reinen Erfahrung (Leipzig. 1882. to physics — is to politicai economy what the to gratify their is that meu seek desires with the least exertion. «muscular relaxation» (p. e consagrou á questão um estudo especial 7'he principie of Economy as a Phonetic : : Force. pp. «tendence of language to facilitate pronunciation» (p. ii. que acha luminosa applicação.) O modo ordinário de considerar essa manifestação da tendência para a economia na substituição de sons que exigem maior esforço por sons que exigem menor esforço é refutado por Sievers.» p. 186). não admittindo esse principio como exclusivo. p. Boston. No IDcnsamento deve-se por tanto trabalhar com a possível economia de força. 262-264 e o escripto por elle citado de A. cap. ligado no espirito d"elle a concepções teleo-theologicas. Logik. para a commodidade. explica a alteração phonetica (phonetic decay) por «want of muscular energy» (p. 1876). Whitney falia de uma tendência para a economia dos meios.). Progress and Poverty O Max principio foi applicado á linguagem em differentes direcções. Henry Grcorge. 185). Supplement. (Leipzig. «relaxation of muscular energy» (p.) «Todo organismo que trabalha adequadamente para um fim deve realisar a sua tarefa com os meios relativamente menores. « of Com relação ao trabalho humano em geral um economista formula o principio da seguinte forma: «The fundamental principie human action — the law that law of gravitation (London. «muscular eífeminacy» (p. 176). com applicação á mechanica. Geschichte des Princips der kleinsten Action (Leipzig. Grund' ztíge der Lautphysiologie. 1882).143 formação das girias não podia escapar á acção da lei do menor esforço. o principio da menor acção. 119-120) fizera as seguintes observações nas melodias populares que um povo ora carece d'estes ora d'aquelles . 579. 125-127. (From Transactions of the American Philological Association. La vie dii langage (trad. iv. i. 197). que modernamente foram postas de lado. Míiller nas suas Lectures on the Science oj Langaage. Vid. no dominio phonetico. Foi sobretudo Richard Avenarius quem applicou o principio ao dominio do espirito no seu opúsculo Philosophie ais Denlcen der Welt ycmãss dem Princip des kltinsten kraftmasses. fr.

xiv e xv (xv. por falta de . 1886. accordes perfeitamente harmónicos. Võlkerpsych. comprehender-se-hia bem a influencia progressiva dos sons (na assimilação). Essas relações somáticas parecem me ter acção secundaria. Vid- Emil Wohlwill.144 transições lentas: é com o menor esforço. sou todavia da opinião que os processos phoneticos. a mais regular. elle não admittiria essa translação do conceito da inércia ao dominio psychico. applicando ao dominio psychico sua correspondente latina inertia. económica na linguagem é representada por alguns como vis inera expressão allemã Trãgheit e tiae. dentro das tendências geraes da linguagem e não contra ellas. vid. dependem em pequeno grau de condições puramente somáticas. i-v. 54): «E de grande importância ter sempre presente que a commodidade representa o papel de causa muito secun- daria. e são produzidas menos do que geralmente se julga pela forma de actividade e respectiva posição dos órgãos da linguagem. até a alteração phonetica sob a influencia reciproca dos sons. e todavia é esta a mais frequente. Se a alteração phoprocesso psychico. vol. ger «Soll ein species immateriata. organico-meclianicas. 437. p. . emquanto reconheço a causa primaria da . ex. Lautgesetze und tendência Ancúogie in Zeitschrift f. Nessa translação. emquanto o sentimento do movimento (bewegung <gefuhl) é sempre o principio propriamente determinante. Acceitando isso completamente. o conceito experimenta todavia grande modificação ou antes recorre-se áquella f expressão em ser muito diversa do que ella designou psychologia para designar alguma coisa que se sabe em mechanica. p. assim se nega elle a admittir na sua lingua determinados grupos de sons em virtude de certa idiosyncracia. a allemã na sua Antwôrt A an Helisãus Rõslin e a latina no quarto livro do Epitome Âstronomiae Copernicae. alteração phonetica netica resultasse somente de tendência para a commodidade e euphonia.» Kruszewski mantém maior generalidade do principio da economia nos seus Prineipien der Spraclientwíckelvng in Internai. para exprimirem a incapacidade de se mover por si que o grande astrónomo attribue á matéria. que as girias se formam. JJie EntsteJwng des Beharrnngsgesetzes in Zeit. Elle que nos diz : nun diese proprietas libei-wunden werden. Võlkerpsychologie^ xi. 301-302). so gehõrt ein Bewein des Menschen Leib ein Seel. a regressiva. » num Paul diz (Prineipien der SpracU- geschichle. Zeitschrift f. Cf. que na historia da meclianica nos apparecem pela primeira vez com Kepler. i. versans in actu motus». ainda Misteli. 370-1. in der grossen weiten Welt dazu. Sprachwissenschaft ( vol. allgem. mas não a opposta. 370-371).

para o systema parla- mentar. por exemplo. um um fim a que pode adaptar-se com ou sem A damental da historia. mas por transições insensíveis que le- vam. 177-185. Âbriss der Sprachwissenschaft. 59. Com razão diz Misteli (art. o meio kilogramma como se arrátel novo. tando-se acima dos preconceitos d' esse meio e descobrindo novos horisontes ao pensamento. dos vestidos de mulher cingidos á pelle. o povo começou por designar o metro como vara nova. tal como ha uma inércia da matéria. 1888) pp. levan. como buscava mostrar no passado preas antigas cortes. ás monstruosas crinolines. . e conservava a realeza.14Õ Não se sente necessidade de crear um instrumento para modificação conservação das acquisiçoes humanas. do começo do século. no seu livro Psychologische Studien zur Sprachgeschichte (Leipzig. sendo necessária uma infiltração lenta das melhor termo. são geralmente mal recebidos no começo. as suas obser- 10 . (cujas observações se modificam no § seguinte). ainda que reduzida a uma sombra. por trabalho lento. 117. como faz Steintlial. No dominio da moda não procede por saltos.» cia no dominio psychico é Em vez de fallar de uma taWei íZe mer- muito preferível fallar de uma lei de economia ou do menor esforço. p. Karl Bruchmann occupa-se da lei da menor acção no dominio da linguagem. 248-293 vações estendem-se ainda á rethoriea e á esthetica. E assim que no domínio das instituições . II 43. que pouco e pouco se foram reduzindo até surgirem de novo os vestidos cingidos á pelle é assim que os espíritos que se emancipam do seu meio. i. 102. Para que o que surge de novo seja recebido facilmente é preciso que se ligue por nexo claro ao já existente esse nexo pode ser externo (de forma) ou interno (de matéria). com referencia a parte dos auctores citados nesta nota. 437): «Uma inércia do espirito. accumulando-se e substituindo-se parcialmente. tanto quanto é possível essa emancipação. é assim que na substituição das antigas medidas e pesos pelas medidas e pesos do systema decimal. modificando-se. cit. é a condição funinstrumento já existente. politicas o partido liberal cedentes. é coisa que não existe e contém uma contradictio in adjecto.

Die Gewõhnung und ihre. segundo as leis da appercepção (no sentido da escola de Herbart) e nessa adaptação é que Avenarius vê a manifestação da lei do menor esforço no domínio psychico. onde se acham reuni* das interessantes observações de diversos auctores. Opera-se uma adaptação do não habitual. não é de modo algum uma barreira invencivel opposta á innovação *. Todavia se o habito tem uma importância capital nas coisas humanas. do novo. Em toda a questão do philoneismo e do misoneismo não se tem tido em couta um lado importante a fadiga que causa a monotonia : e que suscita a tendência para a evitar pela variedade. Note-se todavia que Lombroso : escrevera «Le misonéisme n'est pas loi de nature que quand Tinnovation est trop radicale. pela inno- vação. Considerando as coisas superficialmente poder-se-hia ver na abundância de synonymos das girias um facto contra Sobre o habito vid. P. independentemente da necessidade. Lombroso leva ao exagero o conceito do habito na vida social no seu artigo Le crime politique et le misonéisme ou la loi de Vinertie dans le monde : morcd in Nouvelle recue (février et mars 1890) e depois no seu livro sobre o crime politico.»» A verdade é que o amor do novo cam perfeitamente pela que as contradicções apparentes se explido menor esforço. tem papel assas considerável na formaé e lei um movei importante ção das girias. como nos psychologos citados em a nota precedente. Esse amor. C. Como se vê do titulo repete-se aqui o conceito da inércia com applicaçào ao dominio psychico. elles obedecem áquella lei inconscientemente. Wichtigkeit fur der Erziehung (Berlin. 1884). . in Merlino combateu as ideias de Lombroso num artigo La Néophobie Revue scienlifique (avril 26. S. reflectidamente.» Merlino da sua parte pensa que: «La somme des sentiments philonéiques est toujours supérieure à la somme des sentiments misonéiques. ao habitual.146 suas ideias para que emfim elles cheguem a ser comprehendidos. que nâo tenho á mão. evidente que os formadores das girias não E procedem consciente. Radestock. de sorte que ella domina não só a propagação. 1890). mas ainda a producção. de modo que tenham em vista a facilidade da propagação dos seus productos entre os outros membros dos grupos a que pertencem.

com efFeito.147 a theoria apresentada. diversos meios são egualmente praticáveis. Supposto que a Natureza mire a fins. H. mas que ella é sóbria de princípios. «Nas investigações. guidade applicação fazer. ao emprego de novo processão que nos fatigaria. Ella não começa a tornar -se clara senão quando se trata de fins para a realísação dos quaes. nem de forças. a indicação da direcção em que E o que faz ver já a ambida d'essas ideias ás acções naturaes. quer de massa. Mas então a medida a que se compara de todavia que essa despesa depende ainda de circumstancias que tornam mais importante para nós a economia. vaga que. na ligação do novo para com o existente. para que produzir termos com o valor dos já existentes ? Mas observa-se que está em a natureza mesmo desde o momento das gírias serem constantemente neologicas. pelas varia- . a economia de que julgamos achar o tes- temunho principalmente no mundo orgânico. até no principio da menor acção. coisas todas que nada lhe custam. Pois. para resolver seguramente a questão do principio da menor despesa. não obteve formulação exempta de equivoco. nem de tempo. pois em que um termo se propagou além dos foi grupos para que cordo com o que íica produzido^ deixou de ter valor. que teem por objecto os grandes hábitos que caracterisam a acção da Natureza. economia que ella muito observaria. a verdade é que não os conhecemos e não podemos indicar essa direcção da sua economia necessária. D'acexposto deve. um na definição do fim. dizer-se que nas girias a manifestação do principio do menor esforço não está pois em a não producção do novo. ou nos fazem proferir um modo de operar. quer de tempo. tudo o que affirmariamos talvez é que ella não é avara nem de massas. é preciso primeiramente a economia tem maior valor. Tal é. mas sim no modo d'essa producção. Lotze dirigiu algumas objecções ao principio da menor acção. diz elle. em circumé trata-se muitas vezes de princípios de uma ideia stancias dadas. pois. conduzam ao mesmo fim com maior ou menor despesa. nem de caminho e de velocidade. de modo que temos o habito.

E sem duvida muito dífíicil de determinar que palavras haja nas línguas modernas que não prove- nham por simples modificação phonetica ou por derivação 1 Hermann Lotze. e não menos se manifesta naquelle falia dominio essa economia de princípios de que Lotze e da qual é a formação das gírias por não essencialmente dos que se divergem processos que encontram na evolução das línguas geraes. o conceito da menor acção acha applicaçao irrecusável na sua generalidade. em virtude mesmo d'essa domínio do espirito. por inexgotaveis modificações do mesmo órgão. que se torna o typo de todas as outras finalidades pensadas. onde ha finalidade exposição. no todo. opinião de que só no período primitivo da huteriaes A manidade gem tem fosse possível a creação de elementos da linguasido enunciada por alguns auctores. tem que cuidar não de um typo determinado de mas da realisação de todo phenomeno qualquer*. mas carece de fundamento. . 1884). se é permittido á nossa sabedoria limitada empregar essa linguagem.148 pequeno numero de typos de conformação. Essas cujas leis que pareceriam poder ser executadas desviando-se da via typica costu- effeito. revue par rauteur (Paris. a natureza produz a diversidade das creaturas. ser pródiga de massas e de tempo e recorrer a longos rodeios para realisar operações com maior promptidão.» E claro. mada. onde se tem indicação da direcção em que a economia tem mais valor. que no real. e prevê ás suas diversas coes de um necessidades . com ma- das línguas tradícionaes não exclue por certo a possibilidade de haver nellas alguns productos de creação original. um exemplo mesmo O facto das girias serem construídas. Métaphysique. ideias não comportam applicaçao á mechanica. trad. fr. de Duval. § 216. aqui ella parece-nos.

creanças podemos achar também creaçoes originaes. 2. Die Seele des Kindes (Leipzig. inventada por E bem conhecido Van Helmont. quer espontânea. a que ainda assim os etymologístas se esforçam por achar termos populares ou de gíria como uma etymología'^. vol. Ha esjpeclonderijico^ esta- pafúrdio^ que parecem perfeitas invenções sem apoio.^ ed. mas o caso da palavra gaz. Todavia ha sempre um certo numero de palavras que parecem de inteira creação moderna. que não exclusivamente com elementos originaes^). Der Ursprung der Sprache. 4 Ha sobre linguas d'esse género um trabalho de Horatio Hale in Proceedings of the American Association for the Advancement of Learning.se ser inclinado a crer que nesses termos irreductiveis haja restos de antigas línguas perdidas. Ha também Deve ter-se em vista que as creanças transfor- í Sobre a creação original moderna nas linguas usuaes. Steinthal. Principim der Sprachgeschichte. Ahriss. muitas de caracter onoraatopaico^). 4. vid.^ ed. pode. quer reflectida*. Todos os annos. W. 138-143. que só conheço pelos extractos dados por junto com in Man (London 1888) pp. pp. observaçã») semelhante de um amigo do auctor d'esse livro. . ou ainda representantes de termos não docu- mentados das linguas antigas conhecidas ou por ventura vocábulos modificados de tal modo que escondam a sua mais. Mental Evolution uma casos do mesmo género. porque embora achemos nas primeiras um considerável numero de termos irreduetiveis a termos das ultimas. ainda que mais raras do que se poderia suppôr.. das Na linguagem observados casos de creação de linguas por ainda creanças. Steinthal. v. 3Vid. 1886. Paul^ ^Vid. J. s. 1882)..149 de palavras de línguas antigas. leio numa noticia d'cssa edição. Seheler e Littré. dá noticia de Gr. se vae resolvendo origem á perícia dos investigadores. no existente na língua usual. segundo que aindo nâo vi. 532. Romanes. xxxv. apesar de todos os esforços da sciencia etymologica. ix. 277278. cap. § 510. Preyer. deum numero maior ou menor desses enigmas. senão muito vago.

no seu som ou na sua significação. agua. moscata por mosca) designavam uns bonecos figurando soldados da armada ingleza pelo termo falofa^ que depois foi applicado por elles para designar os recrutas. o balar da ovelha. são raros todavia os termos que se possam considerar innegavelmente como creaçoes originaes. mé-mé. buhu. tris-tms. o canto do cuco. soldados novos (gaUuchos^ na desi- gnação popular) de carne e osso. tUm-tlim . o próprio cuco. pim-pam-pum (com variação vocálica). o ladrar do cão. urina. No calão. Tal é fun- gágá por philarmonica. faze7' tefe- tefe. pipi. o próprio cão. contar miudamente. isto é. Duas creanque fallavam já correctamente a lingua materna. a própria ovelha. Uma que eu conheço transformava café em pavá^ lenço em juso.lôO inam ás vezes singularmente as palavras da lingua materna. gallinha. . corneta. tim-tim por tim-tim (contar). ex. de observação minha. . outra a applicava expressão jpípes que lhe ensinavam por piolhos junto com a expressão menirmo. cu-cu. que tinha primeiro conhecido para designar um certo rapaz antipathico. chichi. taes são zum-zum. Na linguagem das amas e creanças: tutu. o composto pipes-meninào para designar uma immundicie. jogo nas feiras que consiste em atirar bolas a uns bonecos fixados pelo meio do corpo num arame. lia boca popular. fugir correndo. Na lista de Queiroz Velloso encontramos : cal. de modo que ganha o que os faz volver sobre esse eixo. um Nas formações imitativas referidas nota-se a reduplicação syllabica. ou antes nos limites do calão e da linguagem popular. agitado por por uma corrida. heu-heu ou hau-hau. e produziam frequentes vezes derivados para substituirem as palavras correntes (p. como em muitas outras populares do mesmo género. escolho a seguinte ças. sentimento ou as palpitações do coração. ponto por ponto. Tefe-tefe é uma expressão imitativa que parece ter designado primeiramente. Entre outras creaçoes originaes indubitáveis de creanças.

46-49. lingua. Uma variante de fanfar ó hisp. Entre os termos dos ciganos da Extremadura colhidos pelo sr. Com Littró creio furfante) deve considerar-se como um Relações do cigano com o calão de p. verbo /i^n- ant.se. e dos quaes encontrámos processos que o mais frequente no cigano é o Como vemos emprego de suffixos desíi- gurantes. Beitrúge zur Kenntniss der Z/(/€unenmmdar(en. 1 . não tendo relação etymologica com fanfarrão. Miklosich. «A separação da lingua dos tsiganos das girias não é fácil. 538. ostentar valentia. fanfarrão. na lingiia geral. além de certos artificiaes. Assim o que neste artigo se designa como giria dinamarqueza (mais exactamente jutica) pode também ser considerada como tsigana. de ondila como ondinamo por hisp. ao passo que se vá perdendo a memoria dos termos tsiganos. etc. Lxxxiii. dirigir a alguém que farfante (do ital. a linguagem dos ciganos tome de cada vez mais o as- pecto de uma giria. iii. Zigevnerische Elemenle in den Gaunersprache EnropcCs in Sifzber. como fanfarra. remoque. gabar.151 Algumas expressões das girias ligam-se a antigas onomatopeas. ala. fanfa. po!r hisp. a linguagem dos ciganos de um certo numero de termos formados pelos contém Portugal também no calão. productos muito álamo. Leite de Vasconcellos ha uma parte considerável que apresentam o suffixo -uncho. finfar.» sempre varias Pott notou já no gitano alguns termos da germanía e formações análogas ás das girias. Distingue-se notavelmente da giria allemã*. reunião. de músicos que tocam instrumentos de cobre. com troca do suffixo -ila por -amo (de álamo). far basofiar. pag. sendo ondila a seu turno derivado de hisp. bazofia (vanterie). E de crer que.

Miklosich. o git. O uso de alguns geral certa. abelar. prakrito dèkkhami. pela comparação do voo da ave com o movimento de nadar *. bulário Bie Zigeuner. resultou a introducção no calão de um certo Das numero de termos de origem tsigana e especialmente cigana ou gitana. Miklosich. húngaro jagór. Lembra rumeno agor.. 2 Nâo apresento as formas de todos os dialectos tsiganos. àbelar. que são de origem indica. A A primeira palavra de cada artigo é o termo do calão. extremidade. formas tsiganas ligam-se talvez ao ii. poseer. A lista seguinte comprehende termos em que essa origem é em provável. adicar. vii. 201. Abhandl. grego aváva. avelar. Maio traz no seu vocagitano alguns termos expressamente indicados como de germanía. gresité.152 onda. vir. vid. cf. pedintes. o ultimo . fim. e em especial em do cigano e do gitano.se bastante generalisado. artife. ligadas ás do calão. mas geral todas as palavras que temos razão para julgar trazidas pelos ciganos até Portugal. diqudar. 64. ii. tsig. aguaruça. Voc. Abhandl. agoré. avezar. pp. ver. : fim.j ii. 45. 38-43. sanskrito agra. tsigano grego agôr ponta. considero como tsiganos não só os elementos dos dialectos tsiganos. tener. 163. bohemio agor. na orla. fim . i. rol do esquecimento. abreviatura Voe. . Miklosich. relações dos ciganos com outros vagabundos. Pott. Mas oíferece formas mais afastadas gresiton. Pott. as quaes se encontrarão nas obras citadas.. fim tsig. tsig. Tsig. Origem indiana: sanskrito — diy. indica o nosso Vocabulário cigano ^. [Cp. iii. rumeno av. — Essas . ladroes. tsig. Git. cig. Seguindo o exemplo de Miklosich. vir. fim. artão. ter. Beitr. nalguns casos simplesmente d' esses termos acha. 110-111. dicar.j vii. Rothwelsch dichen^ ver. Voc. 305. Die Zig. Cig. * Pott. 541.

escandinavo vast. italiano vast. [Ligar-se-ha a git. basco basta.] hagata. ano? 422. II. decir la buena aventura. tsig. De um dos nomes nacionaes dos tsiganos kaló. baste. bruxaria. fortune. Voc. russo ha te baSés.). no Brasil bunda podex.. felicidade . prosperity. BORROW. felicidade. pocachim. 86. guitarra. 176. Voc). basnó. tsig. vii. Pode estar por hassar e ligar-se ao seguinte banza. prakrito hattha.. Abhandl. giria. jpenar haji. brejina. haji^ fortuna. mão.. lingua dos gita- nos.. ladrar. berjivia. pudendum mulieris. Tsig. viii. soar. Grit. pali bkãs. p. Origem indiana: sans- — krito hasta. acaso. sanskrito bhãs. que liga aquella ao persa hakht.'] buldr^a. tsig. Parece ligar-se a banza. guitarra. basnó. 172. gralhar . ru- meno .153 tsig. Vid. Miklosich. vii. trabuco. — Origem indiana: sanskrito . basta. Pott. se derivasse de bello. [Ligar-se-ha a git. git. hisp. grego hacht (eh =j hisp. Pott. tsig. calão.. um termo de origem africana]. tsig. grego basáva. pois no tsig. baste. bata. emquanto o persa fora lers ao sanskrito hhang. gallo tsig. Ahhandl. ladrar. ii. banza. é talvez significa nádegas. [Cp. que significa propriamente negro. basno. Queiroz traz bunda. Miklosich. . bui. ii. mas que interpretado como Pott. Ahhandl. Abhandl. Miklosich. bellota (bolota). felido seu lado ligado por Vulcity. este. bella? Git.. bate. : 426. rum. 52. 92. rumeno palavra backtj. hindustani hãth. banzé. hung. é uma má traducção do termo foi que vem do árabe bellõtã. luck. etc. vid. git. 57 Em hisp. tocar. tumulto. fallar.] bolsar. sorte. cereja. gallo (= cig. vii. 170-171. — Origem indiana : sanskrito ap^ alcançar. bachahi. to tell fortune.. baM. gritar . Vid. algazarra. ladrar . gritaria. russo te bases. bohemio basavav. bocachwi. ii. — Origem indiana ii. barriga. Tsig. bocanhim. mano Tsig. clavina. Miklosich.. frangere. grego. calo. dividere. berjí. Cig. 398-9. bohem. Git. bohemio avav^ vir Pott. Pott. pali.

meter. temor. quartilho. Ahhandl. ii. . cangueri. bebedeira. viii. : andar. iirdiana: bohemio cíbaU. cardina. embriaguez. mover. asiático compara kangalla. 18Õ]. essas palavras provêem de tsig.]. Cf. git. busné ao lado de biisnó. adj. Ahhandl. Miklosich. baindiana: sanskrito cal (cansativo). 106.. talvez persa. fallador. joven. curdo. cale. 231. estranho. Pott. receio.. Miklosich. tsig. colona. marchar. moeda. chíbalé.se noutros dialectos tsiganos. agitar. ter. hindustani relação á forma ]\Iiklosich. e lembra que os iv no século transportavam em carros imagens a godos kangH. [Cp. — absolvição. git. vii. Git. cuarto. Voc. ao lado de banjuló. chala. adversário. pali givhã. chalado. anterior. canguelo. curdi. lõO-lõl. VII. idiota (litteralmente a que se fugir. 189-190. juiz tsig. Pott. cih. p. Vid. tsig. Queiroz. Hp. — Origem dzlbh. lenço. chalar. cp. oppochurré. ii. e pali kãla^ caleço. Miklosich. albanez. surre. temer. grande. [Cp. 128. Pode ter influído no som port. Pott. hindustani calna. chalar. Cp. igreja. foi o juizo). A palavra encontra. AhhandL. git. caleça. Git. hear. longe sição A Meu velho! diz-se por carinho a um rapaz. etc. ii. grego calauáva. cangré. mover. dicló. etc. cangra. pôr na chala. amalucado. Git. curda. carro. — Origem incerta. calcorrear^ correr. propriamente cigana. bater contra. Vid. miedo. De calão. afugentar. 111 n. pasar. Abha7idl. bater. baré ao lado de baré. ii.154 hindustani kãlã^ sindhi hãrõ. Cig. canguello. cig. que prestavam culto. Pott. 125. . recelar. Origem incerta. 229. cigano. sanskrito gihvã. lingua. ir. Voc. Com fanfarrão. Cig. ébrio. antigo? um de ser está no sentido phenonemo raro. mulher desprezível. timidez. vii. cangarina. caminar. grego Hhaló. Mayo. git. acanhamento. palrador: Hhanó. denario. calão. chalarse. adj. Mayo. s. canguelar. Git. bandido. Tsig. igreja. banjolé. chala- — Origem menear. . turbar.. cangri. gangarina. diclé ao lado de em é. .

Tsig. termo de mas sim um Esta palavra que não é termo popular muito generali- sado é talvez derivado do lat. pae. git. hind.. Cig. u. junho 1892). Yoc. II. pufíal. cp. To inclose. A raiz bhand está representada nas linguas germânicas por band. to tie. ht^rir los ojos. pandh. . Houve metathese da aspiração: phand. la O clisé ya panduajujerear. movimento rápido grande giria. cuchillo. vil. ojo. agarrado. Abhandl. E Vid. este. Ahhandl. Git. ojetear. Pott. actividade. grego dadá^ todavia as formas do argot (p. De empandeiradoy preso. Git. churinar. vii. Git. de que vem port. dica {á)j perto. Git. Pott. Argot chouriner Tsig. vid. ejercicio. rumenp dad^. Miklosich. fosse modificação do tsig. — . Mayo. fcorrijHO ou corrupio propriamente. Queiroz dá a empandeirar o sentido de matar. Pott. Borrow. eclisar. apremar. encarcerar. grego^ . avô. avô 99) fazem-me hesitar. Mayo. churi. òhurika. Miklosich. Suppuz primeiramente que dad. isto é. 115). fazer ligar. sujetar. cortijo. rerí. cUsé. — Do grego mod. escand. faca. dabo^ pae. — gem indiana: sanskrito. : tsig. viii. ii. 210.. grego pandáva. cárcere. arménio band. 242. el ojo de cerradui'a. trabajo.. hiing. Borrow. Miklosich. 198. churi. chori. corHpere. sich. p. 111. 308-309. 197. — Origem indiana: prakrito sanskrito: churi. Dad é de origem indiana hindustani dãdãj. casa. Ahhandl. tsig. fechar. Jornal O Século^ n. «Fomos todos impandeirados pela policia». Pott. pali èhurikã^ Ihuri. sanskrito tãtã. o termo tenha vindo de Itália por intermédio dos ciganos. mas lembra o git. agujero. Mayo. apanhado. Tsig. Orihnngar o pandel. cliseSf olhos. cosqué^ granja. basco curi. grego klidí. banda. chiira..° 3:731 (19. pali bhand. vil. ii.1Õ5 churinar^ esfaquear. acuchillar. lida. em logar de que se vê bem. atar. vMiòi. bohem. 37-38. kilidí^ chave. to shut. oprimir. ligar. adicar. Tsig. giratório . 124. curripen. possivel que cosquej. húngaro klidin^ fechadura. Miklo- AhhandL.

217-218. Pott. 102 a relação semântica entre comer e furtar. Cig. . Voc.. jalar. Miklosich. a. Mayo. — Origem indiana: sanskrito gaya. jawiar. estardelar. 111. cigano. 394. 243. ii.) e o precedente estarim. estrihelho. p. o . Cig. etc. grego stadik. mod. grego cháva. Ahhandl. dinno. Queiroz. 211-212. pop. Pott. Vid. vadiar. p. 246. QQ. casa. estaro. — estarim^ prisão. ii. viii. Do grego mod. Git. grego gadzo. dinó. di^har. vii. pass. furtar com Voc. Cig. tsig. Git. trilhar o linho. Git. Nas phrases : mudai' de feia. gramar. Mayo cara. Ahhandl. — part. part. cadeia. 199. comer. prison.1Õ6 endinhar. mem. apparecer. adj.iólÒí. que deveria separar-se portanto de gramar. Borrow. Miklosich. sujeito. estraespertalhão. que apresenta formas correspondentes de outros dia- tribunal. comer. lectos tsiganos. — origem indiana: sanskrito. cp. Ahhandl. . vagabundear. Voc. Germânia mod. Jila^ face. rumeno gàzó. que 148. 73-81. estaríben. não nho. prakrito khã. subtileza. (aii. que anda á boa vida libertino Voc. A gamar liga-se talvez port. pali dêmi. Cig. alli Cig. garandar. nota-o como termo de germ. os sentidos de tascar. estanhei. Vid.jamar. Borrow. fez. gajo. estache. 157-9. Cp.. 129.. Tsig. dar. mostrar a feia. vii. ii. barrete dos turcos. ho- homem. estaribin. cig. Tsig. «Etwa ais Ge- mudar de no-lo gentheil von: Profil?» Pott. estache. cara. homem. a gente de casa. dadãmi. Pott. deriva do part. etc. Pott. etc» . dá também como da germ. Voc. hospede. Ahhandl. pali khãd. Vid. cara. git. ii. engulir. Mayo. II. gadzo é propriamente um homem da casa. git. Além das formas citadas. Tsig. estardar. encarcerelar estardó. gaché. Miklosich. gy. Ficou já estabelecida p. dinó da raiz da. gamar. II. abonar. comer. estaripel. 148. Miklosich. 300. dihar. ii. e feia. Tsig. vii.. Pott. endromina. estariben (Voc. grego dava^. A palavra tsigana é de mas cp. encerrar. chapéu. pessoa. i. gandaiar. II. preso. etc. Origem indiana: sanskrito dã.

— . lama. cig. cavallo. to gain. produz ganisardar grane. no qual toda- Beitr. cig. hil. ii. Z^7o. VIII. linó. . p. graste. ii. gray. . krito = via alguém poderia ter visto a verdadeira origem do termo do calão. liá^ A forma fundap. sitala. gania.1Õ7 ganiços. AbhandL. Mas gris. Cp. Em verdade o git. Cp. luca. por uma metaphora exprimindo o desprezo pelo tão desejado objecto. frio. em Mayo. gra. ix. II. Origem arménia: grast. AbhandL. Pott. griso. inderdicto). Ganar. Pott. git. mental tsigana parece ser liei. 327. hir. grego sil. xv (vid. Cp. dinheiro. lodo. loco. 231-232. Hás (Voe). Mayo. Tsig. vii. frio. AbhandL. grani. gras. lutum. etc. égua etc. Pott. 7 . grasni. grego lovó. part. etwa Abschnitt. 339-340. cavalgadura. grego lava. 108). viii. liga-o a lillar tomar (litteralmente. ganisardar. git. tsig. gahí. Rothwelsch lowi. fresco. extravagante. moeda. frio. juego de dados. faca. sltala . burro. A — Ill. é de origem indiana: AbhandL. Tsig. Miklosich. cavallo. geld. Pott. Abtrennung. égua Cig. Pott. 216. égua. Cf. tomar. ex. Git. oiro. ii. 340. Tsig. plata. carta. Voc. p. grai. provêem por certo do hisp. lové di- nheiro allemão lõvo. tsig. 335. gra. besta de carga.. ii. dados. . froid. tsig. cavallo . Miklosich. ganar. pali Ma. Pott. frio. parece confirmar essa interpretação. em que compara sansdopa. lovó. besta. grego grast. 70. BORROW. janota. O termo tsig. 1. palavra noutras penetrou gírias. grasté. Miklosich. grenhi. e que lama teria sido produzido como pendant a lodo. gris. AbhandL. cavallo . lodo lat. grani. sanskrito sita. jil. grasti. Git. As palavras regit. git. mas afigurase-me que ao gitano não seria extranha a forma lodo. 187. inglez lóvo. 145. viii. git. — já no jargon do sec. comquanto não figure nos vocabulários que tenho presentes. II. liró. 546.» No calão a palavra assimilou-se a port. Origem incerta. embora este se originasse de tsig. grane. Ligar-se-ha pelos processos examinados a 126 a segg. Bluteau. Miklosich. 143-4. Cf. sem indicação etymologica. grastni^ grasni. lilô.

158
lumia, meretriz. Cig. lumi. Voc. Git. lumí^ lumica^

mu-

chacha, querida, manceba. Mayo. Tsig. grego lubni. Hure; tsig. allemão liibni, etc. A palavra penetrou no Rothwelscli
lupni. Miklosicli, Beitr,
iii,

546.

— Origem indiana:
lõhhirij,

sans-

krito lubh^ desejar, lõhha, cubica,
pali lohha^

desejoso, ávido; ávido, hindustani luhhnã^ ser cubiçoso, amo-

roso. Pott,
maries,

II,

334. Miklosich, Ahhandl.j,

viii, 7.

homem; manesuj mulher; menesa, abbadessa;
manu. Voc.
Git.

prostituta (arg. menessCj p. 101). Cig.

manu,

forma hombre, varon. Tsig. grego manús, homem, etc. do calão parece provir de uma cigana mamis, que suggeriu a troca de us em es. Origem indiana: sanskrito ma-

A

nma_,

hindustani

mcinus,

Pott,

ii,

446-447. Miklosich,

Abhandl.j, viii, 10.

mangue, eu. Cig. amanga, amangues, mangue, mangues,

Origem mangue, me, mi. Tsig. grego amen\ etc. indiana: sanskrito asmãn, pali amhê, hindustani ham, nós. Miklosich, AbhandL, vii, 164-165.
Git.

marar, matar. Cig. marar, marelar. Voc. Git. marar, matar. Reflexos nos diversos dialectos. Origem indiana

:

sanskrito
Pott,
II,

mãrayati, 450. Miklosich, Ahhandl., viii, 11. marrella, pão. Der. de cig. manró. Voc. Git. manró, pan. Tsig. grego manró, etc. Cp., por causa da forma, cal.

elle

mata, hindustani mãrnã,

ferir.

Origem indiana: sanskrito parrella àe parné (vid. infra). a camada saborosa de comidas Uquidas e manda, superior de bebidas, mandha, uma espécie de biscoito, pali manda.
Pott, u,

440-442. Miklosich, AhhandL, viii, 10. misto, bom. Cig. misto. Voc. Git. misto, bien, bueno.

Origem indiana: sanskrito Tsig. grego misto, bom, etc. hindustani mithã, sindhi mifhõ, mista, saboroso, doce;
doce. Pott, II, 459-461. Miklosich, AhhandL, viu, 15. Pott não considerou sufficiente essa etymologia que foi

primeiro apontada por Diefenbach e que Mikl. acceita. mistico, bom, bello, janota; mistangueiro, janota; mistago, acreditado.
rior.

Ligam-se todos a misto;

vid. o art. ante-

Cp.

litterario mystico.

159
nanaij, nada.

Cig. nanais. Voc. Gil. nanai^ no^ de nin-

giin modo. Tsig. grego na^ não; duplicado nana; nanay nana isi, não é. No git. ha também a forma nasti, adv.

=

Origem indiana: sanskrito na Miklosich, AhhanãL, viii, 19.

-\-

ásti.

Pott,

i,

318. 322.

pachacha, pudendum mulieris. Git. pachí^ virgindade espachilar, desflorar. Mayo. virgo pachibar^ honrar
;

;

Tsig.

grego pakyáva, crer, confiar, tsig. rumeno patá^ crer, patáj, casamento tsig. bohem. patav^ crer, git. pan;

chahavy pachahdar, crer.

— Miklosich,

Ahhandl.,

VIII,

33-

34, attribue-lhe origem indiana: «Aind. vergl. fraiyayá,

Glaube, Vertrauen. sindh. pati, avg pat, Ehre»; mas Ahhandl. vi, QÇtj dá aquellas formas tsiganas entre as de

origem arménia: «arm. pativ^ Ebre; jyatvel, ehren». As fonnas arménias são aparentadas com as indianas citadas. Pott, II, 346-347.
paivo, cigarro. Cig. pajo por plajo. Voc Git. placo, plajorró, tabaco pracos (Pott, i, 106), pracó (Mayo), pó.
;

Origem slava: mod.
Pott,
II,

slov.,

serbo, búlgaro,
i,

etc,

prah, pó.

32, viii, 51. parnau, parné, parne, parni, parneque, dinheiro. Cig. parnaUj, parné. Voc. Git. parné, prata, dinheiro. Tsig.

361. Miklosich, Ahhandl.,

grego pamój, branco; reflexos noutros dialectos tsiganos. Origem indiana: sanskrito ^ã>/f/w^ palHdo, branco ania-

rellado. Pott,

ii,
;

piar, beber

359. Miklosich^ Ahhandl., viii, 31. piela, bebedeira pielar-se, embriagar-se
;

;

pio,

s.

vinho; adj. embriagado. Cp.

'òx^ot. pie, etc. p.

201, etc.

Cig. pillar por piyar.
adj.

Voc
:

Git. piyar, beber; pile, pillí,

ébrio. Tsig.

indiana sanskrito pi, pali pi (pihati, hindustan' plnã, beber, sindhi pianu. Pott, ii, 342. pivati), Miklosich, Ahhandl., viii, 44-45. Da mesma raiz pi vem o
dialectos.
lat. hihere, d' onde port.

— Origem

grego piava, beber; reflexos nos outros

beber.

A íoroasi pielar, à^onàe, piela,

é derivação tsigana

:

húngaro piyel.

peltra, pildra, cama. Git. j^Utra, cama. Mayo. Borrow; o primeiro indica o termo expressamente como de germanía ;

encontrámo-lo já noutras girias (vid. p. 106)

;

ó possivel

que

160
os ciganos o trouxessem para Portugal. Pott, ciona-o.

ii,

371, men-

pirar-se, pôr-se na pireza, pôr-se no piro, fugir. Cig. pirar. Voc. Git. pirar, pirelar, andar. Tsig. grego pirava, ir, tsig. ruraen. pher, ir; etc. Origem indiana: hindus-

ir, viajar; phiranu, girar. Pott, ii, 382. 33. Ascoli, Zig,, Miklosich, Ahhandl,, viii, 40-41. plaustra, capa, capote. Cig. plasta, plata. Git. plasta,

tani:

phirnã,

Tsig. inglez plásta, aliem, hlasda, plochta; tsig. tsig. polaco piasèos, etc. slava : sloveno antigo Origem plaMth, polaco 'phaszczy, etc.

plastami, plata, capa corta, talma.

Pott,

II,

368. Miklosich, Ahhandl.,

viii,

46.

pocachim, clavina, trabuco. Cig. puca, pusca. Voc. Git.
pusJca, pruská, pruskatiHé, pistola, cachorillo.

grego puski; tsig. puska, que a seu turno provém do alie mão Biíchse, ant. alto aliem, huhsã, puhsã. Pott, IT, 365. Miklosich, Ahhandl.,

mm. púska;

etc.

— Origem

Mayo.

Tsig. slava: serbo

vm, 51-52.
punida, palha.

E

por certo

um

alargamento do

cig.

pu.
cig.

Voc.

Git. pus, paja, a

que se liga pusanó, cortigo

Origem inpuso^onj. Tsig. grego pus, bus, Stroh; etc. diana sanskrito busa, busa, palha pali bhusa, hindustani
:

(=

;

388. Miklosich, Abhandl., vm, 43. raso, padre. Não é inteiramente certo se a palavra se liga realmente ao tsigano (vid. argot rase, p. 102). Cp.
bhusl. Pott,
II,

arajay, erajay. Mayo. Borrow. Tsig. sacerdote christão, mestre-escola, tsig. rugrego ra^áy, meno rasáy ; tsig. hung., bohem., aliem, e russo rasay ;
cig.

eragar.

Git.

tsig.

escand. raso, etc.

A

forma do calão

ligar- se-hia as-

sim a formas mais distantes geographicamente que as do O termo tsigano é gitano, caso que todavia não é único.

de origem indiana duvidosa: cp. sanskrito rsi, pali Pott, II, 278-279. Miklosich, Abhandl, vm, 54.
abertura, agujero.

isi.

ratanhi, retanhi, chave falsa, gazua. Git. rotuhi, boca,

Mayo.
ant.

mod.
Pott,

pouGoúvi,
II,

gr.

cwGwv,

Tsig. grego rutuni, nariz. Gr. nariz. Miklosich, iii, 43.

281.

161

rupim,

rico.

Encontra-se

também no

Tsig. grego rup, prata;

tsig.

rum. rap, rupunó,

argot (vid. p. 102). adj. de

bohem. rup, ruplno, adj.; tsig. aliem, rupp, Falta no cigano e no gitano de mim conheThaler. prata,
prata;
cidos.
tsig.

— Origem

indiana:

sanskrito rupa, forma;

rupin,

que tem uma forma, bello; rupya, adj. que tem uma forma, B. oiro ou prata amoedada, rupia pali rupa, hindustani rupã. Pott, ii, 274-275. Miklosich, Ahhandl., viii, 58.
;

rustír,

comer. Argot roustir (pag. 102). Será connexo
riLSj

com

as formas tsig. rum.
riãt'i,

ser

mau;
;

tsig.

hung.

7'usel,

encolerisar-se,

encolerisado
tsig.

tsig.

bohem. ru^av ;

ruWas,

Origem
sich,

escand. roUo, colérico? indiana: sanskrito rus, ruUa. Pott, ii, 279. Mikloelle fez-se

mau;
58.

Abhandl.j

viii,

sarda, faca; sardinha, punhal, faca. Cp. vid. p. 94.
tasca,

glt.

serdahí, e

taberna.

Furb. tasca
:

(vid.

p.

104). Talvez por

intermédio dos ciganos
telo,

git. tasca, tasquera, taberna.

Mayo.
Tsig.

jumento (Albergaria-a- Velha). Cig. guer. Voe. Git.
asno, burro.

gel, grei,

Mayo.

guel, ass.

BORROW.

Origem grego kher, kfer, ftr, burro; tsig. asiático kar. eranica: kurdo ker. Miklosich, Ahhandl., vii, 237. Sobre
a troca de k e
sich,
t,

vid. Ascoli, Zig., index, p. 169. Miklo-

Ahhandl., IX, 186. 189.
prostituta.

tronga,

Git.

tronga,

barragana,

manceba.

Mayo.
sível

A

origem do termo é-me desconhecida, mas é pos-

que viesse pelos ciganos.

Como

se vê

da

lista anterior

alguns dos termos notados

do calão parecem provir, não directamente de formas ciganas ou gitanas, mas de formas tsiganas extrapeninsulares ;
o que pode ser devido a transmissão por tsiganos de outros paises, que teem cruzado ou até se teem estabelecido em
o nosso.

Alguns dos termos dados aqui como de origem tsigana foram já considerados como derivados de outras fontes;

162
assim banza
foi

considerado como de origem africana, com-

quaiito não se provasse essa etymologia. Schwob e Guyesse apresentam a conjectura de

que a

inversão phonetica na germanía (a que se deve juntar a observada no calão) seja devida a influencia gitana. Como

vimos

(p.

58),

encontra-se na índia esse processo;

mas

como

elle é

muito frequente no hispanhol e no português,

não precisamos para o explicar de recorrer á intervenção gitana ou cigana.

III

ESBOÇO HISTÓRICO E ETHNOGRAPHICO
Cancioneiro geral, colligido por Garcia de Resende, começou a imprimir-se em Almeirim em 1515 e acabou de
o ser

O

em Lisboa «Aos

xxviij dias de setêbro

da era de nosso

senhor Jesu Cristo de mil e quynhentos e xvi annos». Uma das peças mais curiosas d'esse famoso livro é a
longa serie de apodos dirigidos ao próprio coUector, a propósito da sua proverbial rotundidade, por AíFonso Valente,

peça que se encontra a p. 641 e segs. do tomo iii da edição de Stuttgart, e a folhas 224 e segs. da primeira edição. O humor cómico de Valente parece inexgotavel os termos
:

de comparação que lhe surgem no espirito lembram a maneira de Rabelais.

Entre outras coisas bastante
na composição mencionada:

difficeis

de entender,

lê-se

Pareçeys hum pouco o frato, preguador da vyda eterna, Grega bêbada, de parto, antre cubas em tauerna.

Assim

se

acha exactamente, e com a

mesma

pontuação,

na edição de Stuttgart, o que prova que o sábio editor

na sua interessante Farça das Ciganas «representada ao muyto alto e poderoso Rey D. João. cor- O que é perfeitamente intelligivel. por essa razão que elles são chamados gregos nas Consti- E Gil Vicente. emquanto elles Resta saber o que é aquella «grega bêbada de parto. Pelo systema das estroplies da sátira de Valente. pelo menos. bom co. Nuestra ventura que fue cuntra nuz. Valente compara Garcia de Resende a um d'esses fartos e rotundos ecclesiasticos. foram considerados originários da Grécia. p. Essai Jiiaiorique sur les Gitanos in NouvelAnnáles des Voyages. t.164 Kausler não comprehendeu. que pregam aos outros que cuidem das suas almas para evitar as penas eternas e ganhar a não se descuidam do corpo. antre cubas em tauerna» aqui não ha. a qual os meus leitores encontrarão mais abaixo transcripta por completo. . 1827). correcção de texto de outro lado não é possivel admittir que Valente empregasse ao acaso a palavra grega^ visto que elle se mostra forte nos recursos da lingua. em a sua cidade tuições da Catalunha *. isto é. o primeiro verso deve rimar rige-se pois: Pereceis uni pouco o farto pregador da vida eterna. Diversas noticias mostram-nos que os tsiganos e em especial os gitanos e ciganos. com o terceiro. Por tierraz estraííaz nuz tiene[n] perdidas. d'Evora era do Redemptor 1521». os dois primeiros d'aquelles versos. De Grécia sumuz hidalgaz por Diuz. in. gloria. nhecedor dos termos apropriados. xxxiii (Paris. os tsiganos de Hispanha e Portugal. 337. poe na boca de uma das personagens as palavras : Mantenga senhuraz y rozaz y ricaz. ao que parece. o terceiro deste nome. * les Jaubert de Passa.

que la lengua que traen es fingida. Não é a primeira.165 Os tsiganos em geral diziam-se vindos do Egypto o d'ahi os nomes de gitano *. co muitos halagos recabo dellos. o Gentiles : en Itália Cianos. senales. tomo ii. intitulado El Estudioso Cortesano de Lorencio Palmireno^. que como auia mucho tiempo que eran salidos de alia. espécie de pequena encyclopedia ou cartilha. y vio con ella ser ya acabado el tiempo de su penitencia. encontra-se a seguinte passagem. no lo entendian. ano 1517. Desde mi halago. que lhes dão os inglezes. que é uma raridade bibliographica. 2 A feita Ano um exemplar da edição Alcalá de Henares. en casa de Juan Ihiguez de Lequerica. ex. sino de perros y Vn hombre docto. como hablan hoy en la Morea y Arcipelago. ó aspid Gitano. y de la- 1 Em como. 1587. Hablo con elles en lengua de Egypto. de Gipsies. que têem na Hispanha. ladrones. vnos entendian. p. Pêro mienten. mostrassen la carta dei rey. y que tienen su perigrinacion por penitecia y para prouar esto muestrã cartas dei rey de Polónia. dezian. possível que alguns bandos se século curioso do Num livro muito xvi. conjunctamente com T^íyyccvci. que pues todos no entienden. usado pelos gregos modernos.se giiano no sentido geral de egypcio. Habloles en Griego vulgar. na seguinte passagem do nosso Francisco Manuel de Que cerastes aleue. ano 1540. ameneçó a tu vida? Ohras métricas. adonde les llaman Tártaros. Mello: hispanhol empregou. 143 (Leon de Francia. 16t>5). porque su vida no es de penitencia. p. como as que alguns dos eruditos mais distinctos de então não desdenhavam de escrever (lem- bremo-nos da Cartilha do nosso João de Barros). Fingem que salieron de Egypto : menor. de FúípTOi (AtyÚTTTtot). Bibliotheca Nacional de Lisboa tem En . em que : se vê que havia fun- damento para chamar gregos aos ciganos: «Que son Gitanos ? Responde Esta ruyn gête. otros no: ansi. mas é dissessem de origem grega.. començo en Aleraana.

aL'argent. diz. 2 Esta interpretação da passagem de Aífonso Valente foi publicada por mim no jornal A Borboleta (Braga. Vid. Le pays Basque. 139. publicado in Positivismo. typographia Lusitana) 1 '< de 1877. pois. Significará. dada aos tsiganos. Apud Colocci. foi repetida est-a minha interpretação sem indicação de fonte. 232. 35-36. cap. e as suas palavras merecem todo o credito. : Uma quadra hispanhola diz: gitano se murió dejó en el testamento Que le enterrasen en vina los sarmientos^. excepto a invenção absurda de que elles 3 ^ descendem dos Hyksos. femmes. p.166 drones para encobrir sus hurtos. encontra-se em documentos hoUandezes. entre outros. p. Un Y Para chupar El estudioso cortesano. No século xvir. sert aux Bohémiens à satisfaire leur goúi prononcé pour Tivro- gnerie hommes. (Porto. ils en trouvent les moyens dans le gain 3» qu'ils font à tondre les mulets. respeitável e eruditíssimo humanista. 1879) 269-278. o trecho inteiro d'esse auctor no fim dos Documentos do presente estudo. etc. como la girigonça de los ciegos*». Aproveito a occasião para dizer que o auctor d'esse artigo nada dá de novo para a questão dos tsiganos.» Vid. i. Num artigo Origem dos ciganos. Francisque Michel. Paul Bataillard. professor de grego na Universidade de Saragossa. todavia o que se diz mais abaixo com referencia aos ciganos de Portugal. enfants. s'y livrent publiquement en toute occasion . a mesma denominação de gregos. . Miguel Leitão d'Andrada escrevia a respeito dos ciganos: sendo Gregos que se vieram fugindo dos Turcos se fazem jEJgipcios ou Gitanos. Segundo uma communicação particular de M. Gli Zingari. a palavra grega dos versos de Valente o mesmo que cigana? Sabendo que os tsiganos teem fama de se darem á embriaguez não restará muita duvida de que essa interpretação seja exacta^. Suppoz-se com razão que foi Palmireno um o hombre docto de que falia fosse elle próprio. vii. foi.

de mim esse segue-se o de conhecido. senur graciuzo. senuruz pudruzuz. Tantico de pan. que é geralmente conhecido. Dadnuz limuzna. O El preeiuza rozica-. 2 3 Na Mi ed. seuura. temos na passagem de Affonso Valente o mais antigo testemunho português. Antucha dei cielo. ciganas. dadme un tocado. O ruza nacida en ribera dei Nilo. A Farça dos ciganos é um documento precioso. com esquecimento do nosso escriptor. de 1586 rozica. veiz aqui la cruz. de Hamburgo: rozua. mi cielo estrellado '. Christianuz sumuz. Senura. Cas. A Cerca de nilla de um século havia de passar até apparecer a Jita- Cervantes (1612). La Virgen te traya buen sino j buen hado. Martina. Ca8. haré la mezura. que é o primeiro monumento da litteratura propriamente dita em que figuram tsiganos. cielo estrellado é um cumprimento á pessoa a quem se dirige a cigana e nâo um apposto de Grécia. Faliam Entram quatro um hispanhol modificado na pronuncia. traçado com evidente fidelidade. La cingana.Vid. Dadnuz limuzna pur la amur de Diuz. La Virgen Maria uz haga dichuzuz. 122. Dadme una saya. Ascoli. Giralda. sin cera y pavilo. Nieve de eira. como já se quiz ver. camiza. Gil Vicente na farça alludida. acerca dos ciganos. firmai preciuzo. senura. Mart. Mantenga. como o primeiro que fez emprego artístico de typos d'esse povo errante *. Mart. Lucrécia. Dadme una Luc. . na ed. Zigeunerisches^ * pag. Luc. GiR. Lirio de Grécia. A Itália oíferece já no século xvi uma comedia. abstraindo alli da invenção cómica que introduz aqui e no quadro alguns desenvolvimentos. cielo vuz cumpla luz descuz vuestruz.167 Se a minha conjectura é exacta. Cassandra. fidalguz senurez hermuzuz. de Gigio Arthemio Giancarli Rhodigino. que manifestam logo o caracter importunamente pedinchão das mulheres e creanças da sua raça. azucal colado.

Como hecimuz ayer por la siesta Vé á llamarluz y nuz esperamuz. Liberto. alem de animaes. algum dinheiro. Senurez. los piez trazeroz Mi Porque es calzado nel rabo. . Trocará un rocin mio. Zambro de Tiene el . buenoz que talez. Cual de vuz otroz. Carmelio. que hagamoz Cantemos la fiesta antez que noz vamoz ? A buscar luz sinuz á estas senuraz. Claud. Auricio e tractam de fazer trocas de cavalgaduras. Mar. . cocea ai cabalgar. loz hubiera vendidoz. Puez que quereiz. : acá. Ya Cla. la buena ventura. hermuzura Diremuz el siuo. Martina. quereiz trocar Mi burra vieja á un galgo? As ciganas cantam e dançam. Carmelio. hermanaz. y estas senuraz de gran vamuz os quatro ciganos. Cláudio.108 Preparam-se para dizer a buena dicha: Luc. Mar. Daran sus mercedes para que comamuz. Andad A Cas. realez. mi volveiz mil Car. por cualquier otro. o senurez caballeroz. Cla. Ahora en páscoa de florez? Y AuR. Auricio y haremuz fiesta. Senurez. Llamemuz á Cláudio antes que nuz vamuz. Y AuR. querendo Vêem receber. Rocin que hubo de un judio. rocin tuerto os alabo. pecho muy hidalgo. tengo dos especialez Caballoz. No nuz curemuz desaz faranduraz. Moriscoz prietos garri doz Que dos . burricos compre. seuurez. Mas antes loz trocaré. yo trocaré un potro Que Si tengo.

don asno. que encubren. Los pensamientoz de cuantoz miraiz. Mart. ruza mia. senuraz hermuzaz. esmeraldaz polidaz. Por tierraz estranaz nuz tiene[n] perdidaz. Y vuz lo mudeiz á vuestro mandar. de 1856 Dmz. na ed. Que sepais hacer para muchaz cosaz ? Ezcuchad aquello. feitiços : Senuraz. "Que voz traen casamiento "Y os daban en axuar «Una manta y un paramiento.169 Cantiga «'Eu la cosina estaba el asno " Bailando. (<Y dijéronme. Que muztra una mueztra y vende otro pano. Que dicen. Que Diuz vuz defienda dei amur de engano. . Cual es el senuraz.» Cantando e e bailando ao som desta cantiga vâo ás damas pedem de novo Mart. esmola. para vueztro avizo. de Hamburgo Duz. GiH. Grécia sumuz hidalgaz por Diuz ^ Nuestra ventura que fue cuntra nuz. Propõem-se a ensinar Luc. «Hilando. Otro hechizo os puedo yo dar GiR. Hechizos sabreiz para que sepaiz Por Luc. Si vuz. como noutros logares. Otro hechizo. quereiz aprender á hechizo. De Mantenga senuraz y rozas y ricaz. que pozaiz mudar La voluntad de hombre cualquiera. Por firme que este con fé verdadera. Con que pudaiz. i ed. la vida mia qu'ez vuestro servizo. Y pone en peligro laz almaz y vidaz. holgades con izo. Dadnuz esmula. saber Y Na el marido que habeiz de tener dia y la hora que habeiz de cazar.

170

Dizem

a buena dicha ás damas
Cas.

:

Mustra

la

mano, senura.
receio.

Non hayas ningun

Bendígate Diuz dei cielo, Tu tienez buena ventura, Muy buena ventura tienez,

Muchuz bienez, muchuz bienez, Un hombre te quiere mueho.
Otroz te hablan de amurez
;

Tu, senura, no te curez De dar á muchuz escuto.

Mar.
Cas.

Dadnuz Dadnuz

algo, preciuza,

algo, preciuza.

Luc.

Puez que te digo tu sino, Alguna poquita cuza. Muztra la mano, ruciua,
Lirio de hermozura,

Dirte he la buena ventura.

Mustra ca, senura mia, Ora mustra acina aciíla.

Qué mano, qué Qué dama, que
Por mi

sino,

que flurez

!

ruza, que perla vida que por veria

!

Olvide loz miz amurez,

Yeamuz que

dice el sino,

El recado que te vino

No

lo creas,

alma mia,

Que otra mas alegria Te viene ya per camino. Durmiendo tu, fresca ruza, Te viene el bien por la mar.

Luego

tienez el mirar

De
GiR.

doncella

muy

dichuza.

Diuz te guarde hermozura Mustra la mano seiíura Porné ciento contra treinta
;

Que de Tienez

los piez á la cinta

la

buena ventura.

Tu haz de ser despozada En Alcazar de Zal
:

Con hombre bien principal

Te vernás

bien empleada.

171
Mar.

Dame

acá, dulce serena,

Esa mano cristalina. Buena dicha, perla fina, Tienez la ventura buena

;

Tu

has de ser alcaideza

Tu marido y
Cas.

Cierto tiernpo en Montemor; tu amor

Será bien celoza pieza.

Nueva

ruza,

nueva

estrella,

O brancaz manoz de Izeu, Tu cazarás em Viseu

Y
Y

ternáz liornoz de tella.
edificar

AUi haz de

Un muy

rico palomar,

doz parez de molinoz,

Luc.

Porque todoz loz caminoz A la puente van á dar. Diuz te guarde linda flor, Bendito sea el seiíor Que tal hermosura cria. Mueztra la mano, alma mia,

Por vida dei

servidor.

Fiosanda cazaraz Aqueste ano que vem

En

Santiago de Cacem Mucho rica, muclio bem, Buena ventura hallaráz, Buena dicha, buena estrena, Buena suerte, mucho buena, Muchas carretas, seilura, Y mucha buena ventura,
Placiendo á la Madalena

Que guarde
GiR.

tu hermozura. Muestra la mano, mi vida, Aguela en tierraz desiertaz

;

Dos personaz

traez muertaz,

Tu

Porque erez desgradecida. casarás en Alvito. Seíiura, marido rico,

Muchuz hijos, muchos bienez, Mucho luenga vida tienez, Buen sino, bueno, bendito.
Mar.

Mis ojos d'azor mudado,

172
Muestrame
la

mano, hermana

:

O mi

senura SanfAnna,
I
!

Qué sino, qué suerte, qué hado Qué ventura tan dichuza
Tu, senura graciuza,

Teruáz tierras y ganadoz, Cuatro hijos mucho honrados,

Mucho
Cas.

oro y mucha coza. mi ave fénix linda, Mi sibila, mi senura,

o

Dame

acá la mano ahura. Hermozura de Esmerinda Tu tienez muchos cuidados,

Y

algunos desviados
tu provecho,

De

alma mia.

Tienez alta fantasia, E los mundos son mundados.

Un

travesero que tienez,

Luc.

De dentro dei hallaráz Un espejo en que veraz Muy claroz todoz tuz bienez. Dad acá, garza real,
Gridonia natural,

Diré la buena ventura.

Viva

tu gran hermozura.

Que esta mano ez divinal Unaz personaz te ayudan

A una coza que quierez Estas son dambas mugerez Y otraz dos te desayudan.
;

Date un poquito á vagar, Que aun está por comenzar Lo bueno de tu ventura Confia en tu hermuzura Que ella te ha de descanzar.
:

GriR.

Dad
Por

acá, Mayo florido, Eza mano, Melibeai.

bien, senura, te sea

um

Na ed. de Hamburgo Eza mano melihea, como se melibea fosse adjectivo; é evidente que Melibea é um nome próprio, empregado aqui como epitheto, e reminiscência da Tragicomedia de Calisto
*
:

y Meliboea ou

Celestina.

173
Buen marido,
bueii marido.

Na Laadera
Nunca

cazaráz,

te arrepentiráz,

Y iraz morar á Y dentro on tu
Un gran

Pombal,

naranjal. tesoro hallaráz.

El que ha de ser tu marido

Anda ahora trasquilado. Mucho honrado, mucho honrado, En muy buen sino nacido.
Naciste en bucna ventura.

Mar.

Huerta de

la hermozura, Cirne de la mar salada,

Diuz
Cas.

te

tenga bien guardada
segura.

Y muy
.

Senuraz, con beuedicion

Oz quedad, puez no dais nada.
Luc.

No
Dar

vi gente tan

honrada

tan poço galardon.

Tornárão-se a ordenar em sua dança, e com ella se forão*.

Nas peças de Gil Vicente faliam castelhano personagens muito diversas todavia aqui não pode deixar de admittir;

que essa lingua, com as suas deformações em verdade não generalisadas, é uma particularidade interessante do
se

quadro. Os ciganos teriam vindo de Hispanha em tempos recentes lá ainda não tinham aprendido a pronunciar bem a
;

lingua do país e não teriam chegado a fallar a portuguesa.

A Bibliotheca Nacional de Lisboa não tem a primeira edição das obras de Gil Vicente, a qual num exemplar da Bibliotheca de Goettingen serviu de base íl edição de Hamburgo, de que por isso me servi, confrontando -a com a segunda edição (Lisboa, 1586).
1

A

orthographia em extremo caprichosa d'esta e o não poder determinar até que ponto essa orthographia reproduz a da primeira edição, levou-me a reproduzir com pequenas modificações a lição de Hamburgo. E muito pouco provável que Gil Vicente tentasse representar fielmente a pronuncia cigana. Na edição de 1586 o s hispanhol, não final de syllaba, acha-se representado muitas vezes por c (e, ^) ou ç.

174

De

facto as noticias históricas até hoje conhecidas estão

de accordo com esta interpretação. Um dos melhores conhecedores da litteratura relativa
aos tsiganos, Paul Bataillard, citou um documento que se julga ser o mais antigo com respeito aos tsiganos na His-

panha, e no qual se refere a chegada a Barcelona, a 11 de junho de 1847, de uma «multitud de Egypcios», que
d'alli

se espalharam,
*.

segundo a mesma

fonte, pelo reino

vizinho

Foi muito provavelmente no Alemtejo que Gil Vicente
a farça transcripta foi representada estudou os ciganos em Évora, como vimos. Tendo penetrado em Portugal, sem
;

duvida, pela fronteira da Extremadura hispanhola, os

ci-

ganos achavam a província do Alemtejo excellentemente

adaptada ao seu modo de vida, para centro de irradiação de suas excursões. Os grandes espaços despovoados d'essa
provincia, os seus matagaes, protegiam-nos contra as perseguições de que em breve se tornaram objecto.
cortes de 1525 ou 1535 ou nas duas (os documentos não nos permittem resolver ao certo este ponto) pediramse ao rei providencias contra os ciganos, o
lei

Nas

de 1538, precedida do alvará de 1526

2.

que motivou a Por essas disentre ciganos

posições legislativas
e

vemos

feita distincção

pessoas que viviam á maneira dos ciganos, algumas das quaes eram naturaes do reino; por certo vagabundos estranhos áquella raça e não representantes de uma velha
histórico
país, porque não ha nenhum dado ou supposição bem fundada que nos auctorise

camada tsigana do nosso

1

P. Bataillard,

De Vapparition et de

la dispersion dts

BoMmiens

en

Europe in Bihliotheque de VÉcole des Charles, 1844, p. 529. Idem, Les Gitanos d^Espagne et les Ciganos de Portugal in Compte-rendu de la 9^ Session da Congres iniernational d^anthropologie et d^archéo501. Já anteriorlogie préhistoriqucs en 1880. (Lisbonne, 1884), p. mente Henry se servira d' esse documento in Mém. de la Soe. des antiquaires de France t. x (1834), apud G. Lagneau, num artigo abaixo
citado
(p.

184, nota 1).
n.*»*

2Vid. Documentos

1 e 2.

175
a pensar que a primeira vinda de ciganos para Portugal
fosse anterior de muitos annos ao fim do século xv.

Em

tivos por

Gil Vicente e nos mais antigos documentos legislamim reunidos em appendix a esta parte, acha-se

fixado o nome de ciganos, facto curioso, pois em Hispanha gítanos é o nome preferido. Nem um nem outro ó nome nacional dos ciganos, que entre nós se chamam cales (sing.
calój fem. callí
,'

vid.

Voc),

talvez rons ou roíies (vid. ron

Voe,

e romi).

forma portuguesa cigano correspondem as seguintes estranjeiras i-umeno cigan; bohemio (tcheque) cigán, cin:

A

gán, cikán;

magyar

cigany, búlgaro acigannh, aciganim,

ciganhf grego médio àTGiyy.oívoç, T^íyyavoç; em documentos latinos da Grécia acíngayms ; italiano zingano, zíngaro,

allemão

hispanhol occorrem raramente as formas cíngalo, zíngaro, por imitação directa do italiano. Como a forma portuguesa se approxima particularmente
zigeuner.

No

das formas da Europa oriental e central, é um problema por que caminho ella cá chegou. O mais natural era que

imitássemos ou os hispanhoes ou os italianos. As denominações de gitano * e de egypcio ^ foram sempre entre nós puramente eruditas.

Nenhum documento

legislativo attribue aos ciganos

de

Portugal industrias de metaes, ou outra qualquer licita, excepto a de contratadores e tratadores de cavalgaduras.

Se os bandos que se estabeleceram em o nosso país conheciam a industria de caldeireiro, cedo a perderam. Miguel Leitão d'Andrada exprime a respeito d'elles o desejo:
«

que não fossem

ferreiros,

que

só vsão a fim

de fazer ga-

zuas e instrumentos de roubar^».

Empregada, por exemplo, no Doe. ii." 16. Outros traslados do doe. teem sempre ciganos. 2 Usada por exemplo nas Constituições synodaes do Arcebispado de Braga de 1639, xlix, 1: «E declaramos que os que pedem aos

1

mesmo

Egypcios lhes digam sua boa, ou má fortuna, peccão gravemente». 3 Vid. o extracto da Miscellanea d'e8se auctor no fim do Appendix I.

Nas cortes de 1525 ou 1535 accusaram-nos de «muytos furtos que fazem e feytiçarias que fingem saberá». entêdem. e da alma. e avisos. 4 Doe. Do alvará de 1579 se deprehende que elles procuravam viver juntos em certos bairros e tinham vestuário particular. que lhes corpo. No alvará de 1606 esses crimes são «roubos e damnos que fazem aos vassalos com geral escândalo^». e outras peores se saibão delles. pousa fora do povoado. os quaes posto que sejão de differentes linguas. 5. 1615. e os que passao pedraria furtada aos direitos dos portos. 2 Doe.17G Da bém organisação social dos ciganos nada nos dizem tam- esses documentos. e alli lhe traz a gente do povo sua esmola. E quando assi anda grande numero delles elegem hum à que obedecem à maneira que os Cyganos fazem à seu Conde. ne os tocão. Nos tepos das guerras elles são os que de Reino à Reino levão todas as cartas. fizer mal. que todavia teriam condes *. A em hua copanhia mais de dous mil. . 6 Doe. ã Doe. e perdido do parte onde se acha mais numero destes he no Reino de Delij. E posto que estas cousas. todos se Não entrao nas cidades. mas ao modo dos Cyganos que andão nesta parte de Europa.° 6. e muitas vezes andão tem para si. lei A de 1592 prohibe-os de andaram vagabundos e de viverem em ranchos ou quadrilhas *. de modo muito geral. 1 A propósito dos costumes dos calandares da índia. que fica escomugado. aonde concorre de todas as nações. n. 3 Doe. 5. c5 a conversação que hus c5 outros tem nestas suas peregrinações." 12. que he hum dos votos de sua regra. de que o povo recebe grande oppressão.» Década iv. ed. a que se allude também noutros documentos posteriores^.» 7. A provisão de 1573 mencionava como crimes dos ciganos «muitos furtos e outros insultos e delitos. Pouco nos dizem as disposições legislativas dos séculos XVI a xviil sobre a vida dos ciganos. perda e trabalho^». n. n. porque he como hum centro daquellas Províncias de Ásia. n.« 6. diz o nosso historiador: «como homes santos nâo sâo buscados. A julgar por uma passagem falia de João elles de Barros.« 2. n. Lavanha.

a vae denunciar. 12 2 . aos hábitos de mendicidade. ás trocas de cavalgaduras. que. e aos jogos de corriola. Garcia de Mira. as leis de 1557 e 1573 accrescentam as penas com galés. a cartomancia. o jogo de corriola faz-se enrolando uma larga dobrada e mettendo nas suas voltas um ponteiro. n. Segundo Moraes e Silva. Esse processo^ não tem outro interesse alem do que resulta de nos mostrar em acção a pequena feitiçaria das ciganas para burlar um pobre homem. deve ficar preso ao desenvolver a fita. a lei de 1538 ordena a expulsão. a irreli- giosidade dos ciganos. reino dentro de quatro meses. fez entre outras coisas. apparecer a figura de um defunto num papel posto em agua. Nelle se faz referencia ao vestuário. porém. a buena dicha. até 1694. a cigana processada pela Inquisição em 1582.177 O alvará de 24 de outubro de 1647 ó o documento le- gislativo que contém mais particularidades que nos inte- ressam*. para desapparecer de novo. á lingua (geregonça).» 21. n. á buena dicha. enifim a lei de 1592 mandou applicar a pena capital aos que não saíssem do açoutados. a pena de morte. para se ganhar. receoso. deveriam apparentemente ser motivos para que a Inquisição não lhes poupasse perseguições. ou não se avizinhassem nos logares. depois de terem sido com baraço e pregão. deixar-se enganar» As penas comminadas aos ciganos vão num crescendo desde o primeiro documento legislativo conhecido até 1592. que significa «cair num logro. Nas leis posteriores desapparece. Doe. As feitiçarias. Nas minhas investigações não consegui todavia encontrar mais que um processo inquisitorial em que seja ré mulher d'essa raça e nenhum em que seja reu um uma calo. O alvará de 1526 ordena simplesmente que saiam do reino ." 16. que. Segundo a sua 1 Doe. fita Este jogo permittia fraudes e deu logar por isso á phrase cair na corriola^ .

no fim do Appendix I. cujos costumes causavam por certo horror aos bons cathoHcos peninsulares. O y lera para gente muito diíFerente santo officio i-eservou sempre a sua cóos Gitanos foram sem: pre gente haráta desjpreciahley>'^. Os inquisidores. O auctor inglez communica ecclesiastico. Discurso contra los gitavos (Madrid. Sancho de Moncada. Esse processo é por ventura o primeiro no género que se faz conhecer das Inquisições de Portugal e Hispanha. p. Discurso dei Dr. quer para a igreja romana. encantadores e adivinhos*. vivendo em peccaminosa concubinagem. cigana todavia burlou sem duvida A o santo tribunal. ex. se de facto as testemunhas viram o que disseram. se elles viviam sem religião ou não. porque como nenhum perigo podia derivar dos gitanos. que não podiam ver nelles se não atheus. 158-160 e o extracto da Miscdlanea de M. saidas ou não da boca de um verdadeiro ex-quisidor. me parecem corresponderá realidade dos factos: «A In- quisição olhou sempre para elles com muito desprezo para que se desse ao mais leve trabalho por sua causa. Leitão d'Andrada. 92. a p. 163-164. uma con- versação com um velho personagem que fora inquisidor. quer para o estado. Garcia de Mira serviu-se de algum^ tinta sympathica. 1631). contentaram-se com reprehender a mulher. I. que. Borrow diz não ter encontrado nenhum exemplo de inter- ferência da Inquisição de Hispanha com os gitanos e busca explicar esse facto. 2 Borrow. i. com que brunira o papel. Borrow accrescenta por 1 Vid. com uma gente. á primeira vista singular. cit. não achando no caso a unha de Satanaz e interessando-os pouco os segredos da fazer-lhe chimica cigana.178 confissão servira-se para isso de pedra liuiue. restituir o dinheiro que recebera e pagar as custas do processo. cujo segredo não quiz revelar. apud Borrow. . talvez de invenção do auctor. que lhe dá as se- guintes razões da tolerância inquisitória! para com os gitanos. era matéria de perfeita indifferença para o santo officio. Quiiiones.

contril^iiam.« 6. em que o príncipe das trevas não tinha a min ima intervenção. n. 11. Outros documentos mencionam provisões que eram dadas a alguns para andarem ou estarem nestes reinos. e a carta de André de cartas de vizinhança. O alvará de 1606'prohibe que se lhes passem como faziam os corregedores de Lisboa^.° õ. Ou iDoc.<* 7. e confessariam. os feiticeiros e feiticeiras com a que confesinte- savam ter feito pacto com o diabo eram muito mais ressantes para os inquisidores. ^Doc. Os atheus. também os does. não posso todavia deixar de reconhecer que outros existiam muitas vezes.179 sua própria conta que a religião foi apenas mascara com que SC cobriam os verdadeiros motivos das perseguições religiosas. Sebastião de 1574*. caracter accommodativo dos ciganos. . Albuquerque de 1655^. mas é de crer que muitos escapassem ainda ás investigações policiaes. os sectários professos. n. a lei de 1592 falla-nos de ciganos avizinhados"^. baptisariam os filhos. que as suas feitiçarias eram apenas embustes. Não irei tão longe sem negar esses motivos. iriam á missa e á confissão. taes são a provisão de 1573^. para que o famoso tribunal ecclesiastico não cuidasse d'elles. eram naquella epocha muito poucos os ciganos que havia no Alemtejo e esses A não andavam em vida errante. 20. Já no século xvi alguns ciganos tinham passado ao que parece á vida sedentária. miséria d'essa gente." Doe. n. em caso de ne- cessidade. que. 2 n." 11. como Garcia de Mira. » n. O documento mais a^itigo cigano com nome portuguez em que figura um de Torres) é a provisão (João conhecido de D. Doe. 3Doc. em quadrilhas. Vid. motivos que eram a cubica e a avareza. O . julgar por esse ultimo documento. se casariam catholicamente. graças ás condições particulares da província.** 8 e 9.

livre de preoccupaçoes de raças. desde a restauração do reino.d'essa raça se acharam alistados revelam-nos no exercito português. com muitas Esse facto basta para resgatar a raça cigana do opprobio de mais de quatro séculos e para nos fazer pensar em chamar os seus actuaes descendentes. no tempo de D. João IV. por uma politica mais humana que a dos nossos antepassados. Malaca e Sofala. pedindo soldos atrasados. a vencer soldos e condições. de 1646*.*» 15. sem soldo». servindo nas fronteiras «com zelo e valor com que já forão muitos apremeados». classes e fidalguias de sangue. . não poucos. O cigano outlaw subsiste ainda subsiste ainda o seu modo de encarar o esracional e vivio da . Thomé Pinheiro da Veiga. e o alvará d' esse rei de 1649^ um facto esquecido^ embora do maior interesse a historia ^ caracteristica dos ciganos. ao concivilisação. Doe. Os tempos novos trouxeram uma grande tolerância sem duvida mas essa não basta. com a superioridade do seu espirito.« 18.lòO esses ou novos bandos vindos de logar á publicação de outras leis. Thomé Pinheiro da Veiga. . devidos ou não devidos. combateu «valerosamente no campo. até deixar a vida». n. para o antepor ao d'aquelles. 1 Doe. aproveita o caso daquelle pobre cigano que serviu a sua pátria adoptiva «três annos con- tinuos com suas arinas e cavallo á sua custa. tiveram a efficacia que pretendiam. á vista dos que exforçadamente morreram ou pelejaram» e ao dos que vão ás fronteiras. que d'esse mesmo campo «infamemente fugiram. A carta do original e enérgico procurador da còrôa. riquezas. castas. porque elles reappa- Hispanha davam depois que evidentemente não recem sempre de novo onde se julgava tê-los extinguido. sem servir á sua custa. Nem tudo nos documentos que reuni coUoca os ciganos a uma luz desfavorável. como a Ormuz. para Mais de 250 homens. 2 n.

já pelos meus collaboradores. de cabello indirecta que pouco Todavia se eu pudesse viajar algum tempo no Alemtejo alguma coisa conseguiria. Pires. O estudo anthropologico e ethnographico dos ciganos offerece grandes difficuldades. A estatura dos ciganos é varia. É preciso que elle vença o espaço das que o separa da sua concepção primitiva das relações ethnica gentes para desapparecer com a sua individualidade em o nosso meio. em consequência do caracter desconfiado e supersticioso d'essa gente. Pelo momento tenho que me contentar no recebem. Typo physico. obe- decendo a hábitos tradicionaes. alguns agigantados. A boa politica não pode deixar existir. mas que de nenhum modo são absolutamente refractários ao progresso e teem dotes naturaes que os podem tomar proveitosos. de Vasconcellos acha-os muito altos. que primeiro me indicara essa estatura como mais que regular. modificou a sua observação numa feira de Villa Viçosa. um punhado de individuos que dinam á organisação social do país em que vivem. onde viu gi-ande numero de até ciganos. recorrendo ao auxilio de um ma-me que elles não se deixariam medir e obteve elle um d' esses proprietários d'elles a quem protecção que estado ser-me-ha impossivel proceder ás investigações que tenho em vista. já por mim. Mas o que entende elle por estatura regular? . Mas sem os ciganos são gratos pela um subsidio do que respeita ao typo physico. com os dados obtidos pela simples vista. como tenho verificado nos exemplares que por acaso tenho encontrado.181 tranbo como uma presa. a titulo de curiosidade etimológica para o estudo dos esnão se suborpecialistas. L. Pires affirfoi por via de um. e no que respeita aos caracteres psychicos e aos costumes principalmente com as observações que me ministraram. e classificou a maioria d'elles como de estatura regular.

õO de altura.54 ou mais no segundo d'aquelles annos foram inspeccionados 45:535.Õ4 de altura para o exercito ou l^jõO para a armada» mas trata-se aqui de um minimo. 63:G74 mancebos. c): de que provêem essas differenças de estimativa? Dos observados ou dos observadores? As condições de vida podem influir para a differenciação das estaturas.e altura menos de l'». n. Estes dados são insufficientes para resolver a nossa questão. .6õ*. dos quaes 1:436 tinham menos de l'". 463.59-60. n.** de lei do recrutamento de 12 de setembro de 1887. Abtheil. são isentos do serviço militar «os que tiverem menos de 1"'. vemos que foram inspeccionados no primeiro d'aquelles annos. Éléments cVanfhropologie g^nérale (Paris." 21 e 1891. Das Volk. os exemplos notáveis dados por Kõstlin in Das Kônigreich Wurttemherg. A. dos quaes 2:259 tinham d.54 ou mais. sem medições exactas. e que vem a ser l'". Uma mudança de regimen alimentar basta para produzir num curto espaço de tempo o abaixamento do nivel da estatura geral de um grupo ethnico sujeito a essa mudança. que. 1885). 1890. etc. Segundo o art. Topinard.50 a l^jõS e 59:336 l'".50. 2:902 de 1".53 e 41:867 5 1"'.182 A experiência tem-me mostrado que o que entre nós se chama' estatura regular se approxima ou coincide (sobre" tudo de cima para baixo) com o que os anthropologos admittem como a estatura media. Qual é essa estatura no povo português? Faltam-nos dados de investigação para poder responder á essa interrogação. outros observadores attribuem-lhes estatura media (Cora 1. P. de centímetro em centímetro. no continente e ilhas. Cora in Das Ausland. 69. Bom fora que o serviço da inspecção organisasse tabeliãs contendo o numero dos inspeccionados repartidos pelas cifras de estatura. 31) consideram os tsiganos como pertencendo aos povos de estatura elevada. publicados no 5 Appendice ao Diário do Governo. p. facilmente a difficuldade de interpretar as noticias dos auctores. pois. Hovelacque et Hervé. I. . de estatura media. não de uma media. Como é que se estabelece o typo mental da estatura media ou estatura regular dos observadores á simples vista? Pa- * rece que esse typo deve variar segundo os paises e depender da estatura mais frequente de cada povo. p. Yid. Conclue-se.74. nr.° 10. nos faliam de homens altos. A miséria tem acção depressiva sobre a estatura. vid. i890. 2413 de 1"S50 a l'". pois alguns attingem l'". Precis d'anthropologie (apud G. Zweiter Band. Pelos Mappas do serviço do recrutamento de 1888 e 1889.

de . O rosto nalguns exemplares um tanto agudo. não muito saliente. mas é comprido. comquanto de apparencia robusta. não ondulado. Pires na resposta a esse i)onto do questionário . Os pés e as mãos são pequenos segundo alguns observadores.183 Km geral o cigano não ó inferior a essa estatura e excede-a muitas vezes. muito vivos. Apesar do cabello. Os olhos são muito negros. antes produz a impressão contraria. a cintura delgada. nas ciganas justificam ás vezes o que se diz do tom mysterioso. já pelo é eíFeito do ardor do sol. pouco rasgada. se se prefere uma comparação já usada. de dorso ora agudo. E magro. boca. na mocidade. já ser pelle a cor natural. ne- gro como azeviche oii. alter- nativamente melancholico e alegre dos olhos das mulheres de outros ramos do povo tsigano. como as pennas do corvo. A forma da cabeça não pouco numerosas) a da franca dolichocephalia. Cobre-a um cabello. farto. Excepcionalmente apparecem ciganos mais claros. isto c. quasi negra noutros. maçãs geralmente um tanto salientes. ora um pouco achatado. os movimentos ainda mais ágeis que os dos homens. a magreza é maior. A áspera. o que não destoa da observação dos anthropo- dá (a julgar por inspecções rápidas e logos que põem o cranco tsigano nos limites da mesati- cephalia e da sub-dolichocephalia. quando novo de movimentos fáceis. nem da franca braimpressão chycephalia. O nariz é aquilino ou recto. ágeis. de grande brancura. mais baixas. Nas mulheres. A cabeça é geralmente caracteristica nas principaes par- ticularidades. que são bem accentuadas o mento em geral arredondado. . enquadrado nos homens por uma barba cerrada ou em patilhas. caindo direito. deixa ver duas fileiras de dentes bem conformados e dispostos. A A por tez c trigueiro-pallida nuns. negra como o cabello e as sobrancelhas. não se apresenta essa cabeça em geral como grande. perfeitamente semelhante ao dos canarins e que elle usa bastante comprido.

o que concorda em parte mesmo dos ciga- com nos. 1 — ccUes de A. lamacenta. comquanto talvez em menor grau. t. v. perto de Borba. plus ovale. Sobre o typo physico dos tsiganos. dizem-me terem visto algumas (nas Caldas da Rainha. Extremamente formosas çant. resistem a grandes marchas. L c. au regard moins per. no Algarve. Cora.e essa impressão. era mais fino que o dos ciganos e gitanos^. au nez plus aquilin Tautre grossier. 1879). VanthroAnthropologie (Paris. vistos pelo mesmo observador. aux traits plus concentres. As que eu tenho visto eram feias. a perda precoce do viço da mocidade. 471-2-. art. France sciences médides in Dictionnaire Race encydopédique tsigane pologie. L. P. 5« serie. . como L. Deehambre. Mas outros observadores.) bonitas. João em Évora em 1888 que são feissimas. de Vasconcellos- Nos homens também se dá. E certo que a perda do viço não ó acompanhada de perda de forças. D'ahi em parte a causa da má impressão de outros observadores. uma ou outra até digna de ser chamada bella^. Ciganos e ciganas. (Paris. o typo dos gitanos é o typo de uns ciganos húngaros. G. Lagneau. G. Na resposta ao questionário que lhe dirigi escreve Pires a respeito das ciganas Ha verdadeiras bellezas. au visage plus allongé. de apparencia juvenil ou decrépita. e os auctores por esses citados. curta duração : A belleza da cigana é porém de pouco depois dos vinte annos deáappareceIhe o viço da mocidade.184 que lhe dirigi escreve — grandes. em maio de 1883. 2 Hovelacque distinguiu dois typos tsiganos «l'un fin. mas a immundicie e os farrapos que as cobriam contribuíam sem duvida para augmentar em 1887. sem tecto. caldeireiros. pp. O cigano representa talvez esse segundo typo. pp. 1877). entre os quaes algumas damas. deitam-se e dormem na terra muitas vezes húmida. Segundo Pires. etc. Todavia Pires diz-me que os ciganos gozam da reputação de longevos. aux traits plus ramassés. as minhas observações pessoaes *. de Vasconcellos diz O com referencia ás mulheres ci- ganas que viu no Cadaval ás que viu na feira de S.» 3 : algumas. 15-22 . Topinard. vid.

Le pays lasque. 189. . p. Relativamente a bebidas as testemunhas são divergentes. quando menos certos bandos) lançam carne e peixe. p. Gli Zingari. preferiscono la birra e sopratutto gli spiriti. 1 e F. Comem bem quando teem dinheiro. Deitam-se.185 Alguns dão saltos e pulos prodigiosos. un álcool qualunque nè sapprebero senza : acquavite celebrare alcuna cerimonia o festa. Um bebam bem por observador não os crê bêbedos habituaes. vodka. p. de fome. ás 11 horas o sol estão a pé. Uma observadora julga. 189. è di offrire ad essi mastic. Dormem da noite e em rompendo pouco. Um observador diz-me que comem pedaços de toucinho cru com pão. Colocci. os ciganos. n. como se vê pelas compras que fazem quando atravessam as povoações. que são as usuaes no Alemtejo.os amigos do vinho (cf. Vid. che lor si possa fare. Uno dei piu gran regali. de ordinário. que tinham succumbido a uma epizotia. mas que raras vezes se embriagam^. che- em Trás-os-montes. et s'en repaissent impunément. toda a carne de porco. Um correspon dente de Barbacena conta que um. Não parece haver nenhuma particulari- dade nas suas comidas. p. Pires diz que são amigos de bebidas. para os comerem*. tudo misturado. chamado Joaquim Canhoto. Diversos auctores faliam da nenhuma repugnância dos tsiganos por animaes mortos de doença. n'importe laquelle. 166). com dois pulos fez cair de um telhado uma navalha que lá tinham posto. e que suspendem a três va- ras ensarilhadas.» Colocci. numa epocha garam a desenterrar porcos. o que eu já vi fazer a hispanhoes da Extre- madura (não ciganos). deitando-a. Ferreira Deusdado que. Refere-me o sr. a teem na sua caldeira onde (pelo Comem ainda que em decomposição. les désinfectent au moyen d'herbes à eux seuls connues.« 2 «Amano poço il vino. comquanto occasião da feira de S. com alguma ave morta que encontram pelo caminho. principalmente de licores. João em Évora. Alimentação. rak. Michel. 138: «d'autres fois ils ramassent les 1 animaux morts de maladie.

tào costuma- dos estamos o considerá-lo como condição de toda cultura. que . Faltam-nos infelizmente dados para apreciar bem o intellecto do cigano 2. Co- locci. (Pires acha-os muito intelligentes. mais ces connaissances leur faisaient généralement peu defaut. Tem elle uma 1 Esse gosto pelos doces parece ser geral nos tsiganos. director da Bibiiotheca Nacional). perspicaz relativamente ao circulo estreito de l'elaçoes em que vive. juin 20. são notáveis cartographos (Francis G ai ton. ///gw^r?/^^/ío í^e human Faculty. A leitura e a escripta por estado de profunda si sós são apenas instrumentos de cultura. Citemos alguns factos que provam o que ha de illusorio nesse modo de ver. muito. mas que podem também exercer uma acção puramente negativa quando não se ligam a um bem entendido systema de educação. não a cultura mesma. 188. Caracteres psychicos. homens e mulheres. 1883. extrahldo de um artigo de Pincott in Knowledge . et A pays étaient incapables de lire et d'écrire. 103-104). p. 2 Náo se faz ordinariamente ideia do desenvolvimento intellectual possível sem o conhecimento da leitura e da escripta. um miséria intellectual. sem terem recebido nenhum ensino de desenho. ' Gostam muito de doces de que fazem grande con feira do S. II est de notoriété que la plupart des hommes les plus habiles de ce artificieis. p. O espirito do cigano é vivo. instrumentos indubitavelmente necessários para uma verdadeira cultura. susceptivel talvez de o ser num circulo mais complexo de relações. Eu tenho já encon- Fumam trado ciganas de cachimbo na boca. Os esquimós. por como se figura a muitos. Vid. (Communieação do Gabriel Pereira. João era Évora*.) São analphabetos. car leur mémoire était chargée de plus de connaissnnce toujours à leur disposition. esse propósito lê-se no periódico La Nalure^ 1891. analphabetos. Esta qualidade todavia não significa si.\ «I\ est parfaitement vrai que les Indiens comptent plus sur leur mémoire que sur les procedes personne ne peut se mettre cn rapport avec ce pcuple sans être étonné de ses facultes prodigieuses à ce point de vue.186 summo na sr. Londres. Grande numero de ho- mens analphabetos fazem cálculos mentaes prodigiosos.

. Scripforcs Ber. xv conservavam a tradição da sua origem indiana. como se acha consignado no Chronicon Fratris Hieronymi Froliviensis em Muratori. Ifalic. Rangit Singh ne pouvait ni lire ni écrire. en un mot. p. 2« série. Também possuem boa memoria para os cantos (lettra e musica). quando esmolam diaem «somos do tórica oral *. mais il savait tout ce qui se passait dans uii royaume aussi grand que la France. les ressourees de ses provinces variées. Nous devrons modiíier notre opinion sur ce point en nous rappelant que les merveilles de Tarcliitecture indienne sont dues à des hommes qui ne savaient ni lire ni écrire». les poirits forts et faibles de rAngleterre.^7. ut audivi. que aproveita nas suas industrias. Falia o seu rumanho. à tous les points de vue. et à Tecriture. qui coiiuaissait à cliaque instant Tétat de ses ricliesses. Cela nous con- duit à attribuer le plus grand prix à la lecture. XIX. col. todavia a asserção é talvez um On sait que possédent ceux qui étuclient dans des livres. Os ciganos no Brazil.187 boa memoria? Quaes as representações particulares que mais facilmente reproduz? As visuaes? As auditivas? Tem a memoria numérica que permitte o calculo mental? Sem duvida elle tem a memória topographica. Tem um certo numero de conhecimentos tradicionaes. condição sine qua non das suas translações constantes.) Em verdade os ciganos nada contam hoje ào seu passado aos estranhos. Poude-se affirmar. là nature de leurs revenus. 25). 2. p. un parfait administrateur. que não ha tradição hispouco absoluta 2. 890: «Et. quod erant de índia». Cetait celles ((ue — un íinanier fort capable. aliqui dicebant. 2 Os tsiganos chegados a Forli no sec. 1 Seguem outros factos interessantes. Gaston Paris in Nevue critique. como seus irmãos doutros paises. os effeitos narcóticos de certas plantas? Tem alguns conhecimentos astronómicos? Pouco pudemos apurar da sua capacidade para conservar tradições. o liispanhol e o portuguez. as propriedades medicinaes. Conhece ainda. Os ciganos do Brasil conservam a tradição de uma emigração de Portugal em 1718 e dos nomes de alguns emigrantes (Mello Moraes Filho. et à traiter avec quelque mépris les peuples qui n'ont pas pris la routine de coucher leurs idées sur Ic papier. Nous commettons Terreur de clle croire que les de connaítre constituent la connaissance moyens même. la puissance de ses voisins. et. t. 1882.

pois a mulher é a principalmente encarregada do cuidado dos filhos. — essas tendências dos ciga- nos os tornem impróprios para a vida militar. resultado. sei que um cigano compellido em Elvas ao serviço militar desertou ao segundo dia e que os domiciliados em Elvas que são recrutados desertam tam- bém em regra. em que não sente outras obrigações alem da de acudir á sua sustentação immediata e á da sua familia. não a um sentimento de en- grandecimento pessoal. como muitas vezes tem asseverado dos seus irmãos extra-peninsulares e . O quando seja puramente negativo. apesar dos factos contrários que já foram notados (p. mas de um habito de precaução. Veja-se o que abaixo dizemos dos baptisados. casamentos e enterramentos. ás praticas religiosas do povo em que vive. (As nossas noticias sobre essas relações familiares não são em verdade sufficientes. Parece que não são muito vaidosos. hypocrisia é arma de defesa para elle. porque a d'essa vida livre. E E se muito nervoso e emocionavel. 180). mas as suas emoções são pouco persistentes. pode dizer-se sobretudo á O sua sustentação.) A imprevidência e a aversão tam d'aquella paixão e da sua a todo o trabalho regular resulfalta de ambição. Todavia a humildade que o cigano tantas vezes manifesta ante os estranhos não é expressão de um sentimento espontâneo. mas sim a sentimentos esthetícos. da terra do Menino Deus. terá cigano tem a paixão do seu modo de vida. Pelas in- formações que obtive. é ella e nada mais em geral A que o faz adaptar.» Convém insistir na investigação do que os ciganos possam conservar de tradições do seu passadO. ainda por certo interesse. O gosto da ornamentação no vestuário liga-se. no sentido em que elle também tem uma ambição Concebe-se facilmente como ordinariamente se entende essa palavra. principalmente de lembranças das perseguições de que nos séculos ahteriores foram objecto. ainda que incompletamente.188 Egypto. absolutamente irreligioso o cigano.

230: «. Os : tsiganos possuem uma palavra particular para diabo. 60. heng. na lingua dos tsiganos.» Mas do simples temor supersticioso e do respeito dos mortos a um verdadeiro culto dos antepassados. duvidar. a distancia é ainda grande. que Leland e Breitmann supposeram idêntica ao aquella palavra tsigana significa realmente deus.. xlix Jahrg. che popoli primitivi. O auctor funda-se principalmente na existência. Mas o termo basta para que julguemos demonstrada a existência de concepções religiosas a elle debel e otebel Os ciganos têem. come dimostra lo Spencer». d'essa terra onde quasi tudo tem impresso o cunho religioso. poderia chegar a ser irrehgioso? primeira vista a asserção afidos gitanos ? * A gura-se absurda e está-se no direito de pedir d'ella rigorosa demonstração ^.. p. de Vasconcellos dizia em 1887. os ciganos? Teem-nos que «adoram os mortos». 838 e seg. como o encontramos em diversos povos. p.189 Como um povo originário da índia. 2. consists like that of the Comteists. : riscon- O mesmo auctor italiano cita (ibid. Num artigo do periódico Das Ausland. L. 2 Na índia ha todavia grupos humanos. Toda religião se manifesta principalmente em São pagãos ou christãos? De culto pagão não se indicam entre elles nenhuns claros vestígios. 10) em que figura a palavra otihé. as I have already observed.. 3 iii. como os tchangar do Panjab. os quaes teem sido comparados aos ciganos e parecem estranhos a quaesquer usos religiosos. certo é che essi (os tsigasi nos) hanno per tra in tutti i morti lo stesso superstizioso rispetto. uma textos ha 49 e algumas phrases (n. Trumpp apud Miklosich. Em verdade Colocci diz i p. 9.) as palavras de Leland «The real religion of the Gipsies. consultado. Nos os termos ligadas? ritos.se refutar a these da irreligiosidade dos tsiganos. como vimos no Vocabulário^ ou otihé^ que designam Deus. . não me deu razões para poder-se acceitar isso como averiguado^. Ahhandl. mas. Da seriedade das crenças dos ciganos como christãos temos motivos para.°^ 41.. que nâo occorre no que reuni do Vocabulário dos ciganos. demonstração A dada no artigo não é sufficiente. isto é. numa carta. in devotion of the dead. da 1 inglez devil palavra devei. busca. teem o culto dos antepassados. Vid.

São supersticiosos. Feitas e ordenadas pello Illustrissimo e Reverendíssimo Senhor Dom Sebastião de Matos de Noronha. comediantes e Sig anos. trust.» The Zincali. porém. or hope.) Frequentam.. therefore. o texto otebelj. mas que nelles o sen- timento e o conceito religioso se reduzem a muito pouco 2. . stição é distincta da religião. Dos não são absolutamente factos referidos parece concluir-se que os ciganos irreligiosos. etc. or in moments of pain or sudden surprise. uma interjei: sem sabermos (salvo os eruditos) que ella significa queira Allah. as they have heard other people do. They may have been idolaters. Miklosich. mas aqui o termo é estranho á lingua. 150-151. but always without any íixed belief. que duas Primeiras ccnsiituiçòes Sinodaes do Bispado de Elvas.190 Os ciganos não sedentários não se casam catholicamente e se baptisam os filhos (varias vezes) é por motivos de interesse. xlviii (1875). 2 na freguezia em que se acharem ao tempo da Quaresma. totally neglectful of worship of any kind and though not exactly prepared to deny the existence of a Supreme Being. as regardless of him as if he existed not. III. which : relates to their original religion is shrouded in mystery. save in oaths and blasphemy. n. name. em que necessa- Que o tsigano não tem incapacidade absoluta para a religião prova-se pelo facto de que em vários paises do Oriente o vemos mussulmano ou christão.** 60 que se refere precisamente a ouvir o padre a dizer missa. i. Os vagabundos aqui declarados sejâo assentados 'no rol dos confessa1 dos. Crer. and is likely so to remaiu. isto v^. (Feitas em 1633. Essa adopção de crença religiosa coincide com uma mais ou menos adeantada assimilação ao povo de que a receberam e em geral com o sedentarismo. emquanto dehel pertence ao núcleo primitivo do vocabulário tsigano. Abhandl. fazem oração e deitam esmolas nas caixas.. and uever mentioning his . Segundo uma informação dada a Pires: «Não consta ver-se um cigano na missa. riamente significou o conceito de uma divindade. como se indica abaixo mas a super. uDos vagabundos. (Mas vid.» Das antigas disposições ecclesiasticas parece resvdtar que alguns se confessavam. Tit. Nós os portugueses empregamos a expressão oxalá como ção. t. xxxxi. as igrejas ruraes. 282. com vontade ou sem ella*. 10-1 1 e Das Ausland. As licenças são de 1634 e 1635). p. or what they now are.» Borrow diz com referencia aos gitanos «Ali. Vid. por exemplo. or atheists.

Steintlial. regra. estado. Sobre o que separa a superstição da religião. Diz-se que desconhecem um verbo significando dever. uma com presa.191 pessoas que lavam as mãos na mesma agua terão rixa nesse dia não se liga a nenhum conceito religioso. (1862). sem dever não é possivel a existência de qualquer sociedade humana por mais rudimentar que seja. chiromancia. vid. Os tsiganos em geral reconhecem chefes isso basta para fazer ver que lhes não é estranho o principio da auctoridade. atravessando povos com crenças e a que parcialmente pelo menos tiveram que adaptar-se. Sem auctoridade. sem preceito. os jambos ou paios (paillos) Para com os da sua raça reconhece o cigano direitos e deveres. mas resulta do mechanismo psychoíogico. pp. Onde se revela por completo o estádio primitivo de cul- mentos e modo de acção. tura do cigano é na diíFerença profunda dos seus sentium lado para com os da sua raça. ^ 2 Quando se diz que o tsigano não conhece auctoridade. que a condição de o fazer o mais possivel a seu salvo 2. preceito. e admitte sem refle- xão um nexo causal entre os dois casos*. A E difficil ou antes impossível resolver a questão se o indiíFerentismo ou quasi indiíFerentismo religioso dos tsiganos os caracterisava já ao saireni da índia ou se elles chegaram a esse ritos religiosos diversos. nem direitos nem deveres: o estranho para elle é apenas trata de aproveitar o melhor que pode. . para com os estranhos não reconhece. mas . Ueber den Aberglaubcn \n Zeitschrift fur Volkerpsychologie. sem regra. H. sem principio. a cartomancia e outros processos divinatorios podem ser também independentes de toda crença religiosa. os caUsj. que aproxima as duas representações de mãos que agitam a agua e mãos que se agitam em lucta nmas contra as outras. de outro para com os estranhos. 11. dever (Colocci. para com elles tem até virtudes. p. principio. para escaparem a perseguições. de . 155) esquece-se que tal asserção só vale respectivamente ás relações externas da gente d'essa raça. 83-101. em geral.

que diz : «Gli Zingari hanno uno sviscerato amore per la loro prole». diz Colocci. Quando é possivel levam-nos num burro. o cuidado que teem em evitar que. 140-141. expressa nos seus pronomes possessivos. ' Cf. O melhor que arranjam de ali- mentos é para os filhos ^ A fidelidade reciproca dos cônjuges era lei firme nou- tros tempos. . 2 Cf. non si tosto divengono «Secondo il dott. Um proprietário e ceaBarbacena diz «À cigana casada com um cigano : que é infiel a este é abandonada de todos» 2. pareçam á primeira vista excluir o carinho. de os habituar aos inci- dentes de uma vida dura e aventureira. que se liga a terar . 229. significa terar^ possuir. emquanto elles vão a pé. mas por certo nenhum tsigano ignora a distincçào do meu e do teu. 227 : «Per solito Tadulterio é raro fra le Zingare. mettidos numa espécie de saco. ». A 156 E mister nâo confundir a noção reflectida e abstracta do direito e do dever com as formas concretas e espontâneas com que surgem nas sociedades primitivas. São raras A as rixas entre os ciganos. Solf gli Zingari tedeschi pumadri. : niscono 1 'adultério col taglio dei naso alia donna e colle battiture sui goraiti o sui ginocchi per Fuomo. quando as suas forças não se acham desenvolvidas. p.. elles se fatiguem nas longas marchas a mãe transporta ás vezes três filhos ao mesmo : tempo. diz das relações conjugações dos tsiganos d'esse país é muito desfavorável. p. Colocci. Le pays bosque. . e um nos braços. está quasi esquecida dos tsiganos da Ásia. que se encontram bem unidos palavra {patiy pachif etc). Colocci. tanto piú che la loro beltà sparisce presto. reiro de segundo a tradição.» O que Francisque Michel. dois ás costas. p. p. 228 . fraternidade é ainda hoje bastante notável. teem uma palavra que honra n. o respeito dos velhos. por exemplo. Mas vê-se. comquanto a educação physica que lhes dão com o fim de os endurecer. Os ciganos e os gitanos teem nesse sentido terelar. e p.192 Quatro sâo os sentimentos principaes dos ciganos para os da sua raça: o amor extremoso dos filhos. Os cuidados que principalmente as mães têem pela prole são numerosos. a fraternidade. a fide- com lidade conjugal.

IS . quando algum cigano era Em verdade um cigano velho preso iam os amigos mais Íntimos pedir a todos os outros ciganos soccorros para o desgraçado e obtinham de 15 a 16 libras que lhe entregavam.» Vid. as mães portuguesas. i. os homens pedem também. p. respeitosos e não poupam hsonjas.193 em muitas occasiões e. Nos casaes isolados (montes. geralmente pão. 154 : «Una fratellanza sincera regna fra tutti unisce. O proprietário de Barbacena dá noticia de ter sido assastório sinado numa feira por trinta ciganos um da sua raça. ou semi-nus. espoliação do estranho faz-se por uma serie de pro- cessos. In nessun altro popolo anzi il vincolo di gli Zingari razza è piú intenso e piú rispettato. 263-266. hoje é raro que o pedi- chegue a render 2 libras. carne. uma imposição. e li 2 Um informador falia todavia de chefes. Para com os estranhos os ciganos são apparentemente muito corteses. mas a falta A O de veracidade. protegem-se recicaso de prisão^ ministram os meios de *. Aqui não pedem mulheres e as creanças. etc. A arte das ciganas no peditório é perfeita. fazendo para isso até uso dos vales do correio. Elias sabem commo- ver principalmente com o espectáculo dos seus filhos nus. a descripção da sua vida de miséria. São sobretudo as mulheres e as creanças que pedem. que vão num crescendo até ao attentado grave. procamente em Pires. p. queixou-se na feira de Villa da mudança dos costua Pires de J883) Viçosa (maio mes. lenha e principalmente palha para 1 Cf. não esquecerão jamais a casa das bemfeitoras. Gs ciganos do Alemtejo parece não reconhecerem chefes ^. Antigamente. Vid. 216. Segundo subsistência aos que estão prisioneiros. pedem seque a caridade se cance. no Alemtejo). As mulheres já não são tão rigorosas na fidelidade. depois terceiro. Borrow. disse elle. o peditório adquire já o caracter de só as até primeiro objecto. o intento de os lograr são a regra. meio mais suave e mais frequente é o peditório. Alcançando e um E gundo. Colocci.

cujo creado os intimou a saírem de lá. junto o seu desamor ao trabalho legitimo. 1 Em geral não pedem dinheiro. Dia.se e crivaram de facadas o rapaz ^. Então elles enfureceram. Ha pouco os jomaes deram noticia de um assassinio praticado por ciganos em Chacim. não pode deixar de reconhecer-se um espirito de mystificação. moços pedem apenas realmente os seus caracteres psychologicos e especialmente a natu- . O immediato na escala d'esses processos é o roubo. communica-me Pires. só os ciganos mais 2 3 Vid. feito também perfeitamente excepcional. é o logro. Mas de com Independentemente da necessidade que o impelle. animaes domésticos. O O modo por que o cigano considera o estranho é perfeitamente próprio de um povo que se conserva num estádio primitivo. a burla. n. comarca de Macedo de assassínio é O no intuito Cavalleiros (Trás-os-Montes) por um futilissimo motivo." 1511. e sustento para estas. quç se opera por modos muito variados e para que elle revela um talento especial. 21 de julho de 1892. quer de defesa ou por vingança. quer do roubo. principalmente na compra e venda de cavalgaduras^. O roubo á mão armada é muito raro. que o leva a comprazer-se não só no fructo do logro. Diversos factos provam que o cigano é susceptível do sentimento de gratidão para com o estranho que o protege. Os ciganos roubam principalmente aves. É preciso satisfazê-los para que elles não recorram a outros processos mais violentos de espoliação. senão sem exemplo. respeitando-lhe a propriedade e servindo-lhe até d'inter- medio fiel em negócios. como se mostrará mais abaixo. Nas feiras. Nâo sâo cigarros. Os ciganos andavam com as suas cavalgaduras numa proprie- dade do parocho.194 sustento das suas cavalgaduras *. a lograr o es- tranho. entre os quaes cavalgaduras. mas até no próprio logro. todos os processos o mais frequente que o cigano dos dois sexos emprega para arrancar dinheiro ou algum objecto de valor ao estranho.

Deutsche : (iii. o ódio ao repouso caracterisam tanto os ciganos como os povos bárbaros em geral. Considerar o roubo exercido na propriedade dos estranhos á raça ou á tribu como um acto perfeitamente permittido é um conceito corrente nos povos primitivos. Strabão Dos germanos diz Tácito Polybio (iii. Não teem musica instrumental propriamente dita*. quum idem homines quietem (Germ. 634-635). O roubo a descoberto estava longe de ser considerado entre os bárbaros como deshonroso. Colocci. por isso elles se limitam ao furto. Os . preguiça para o trabalho regular. reza das suas relações com os estranhos que o distinguem verdadeiramente. ser apenas os cantos populares do país ou cantos hispanhoes^.IDô Parecem ser muito limitadas as aptidões estheticas dos ciganos. 279 e seg. (Vid. Os seus cantos parecem não ter originalidade. í Outros ramos da raça tsigana revelam considerável talento musical. 2te Ausg. Grimm. junto com a mobilidade constante. Vid. . mas sim a persistência d'esses caracteres no meio da civilisação europea. ao contrario do furto a occultas. (mas essa ornamentação é muito rudimentar). J. p. 3. sic Poder. õ) descreve-nos os lusitanos como ladrões. Gostam de vestuários ornados. principalmente os da Hungria. A verdade parece-me ter sido de perto attingida por Schuchardt no seu interessante estudo Die Cantes Jlamencos. 22) notaram que a perfídia era característico de todos os bárbaros. Rechtsalterthumer. os attaques das aldeias. Quando cantam acompanham-se de castanholas e pandeiretas. de abotoaduras metallicas mas deixam cair . delegata domus et penatium et agrorum cura feminis senibusque et infirmissimo cuique ex família : ipsi hebent. Tácito refere dos germanos «Fortissimus : A quisque ac bellicosissimus nihil agens. através de alguns séculos.ae-hiam multiplicar os parallelos ministrados pela ethno- graphia antiga e moderna. 14)». O meio em que vivem os ciga- nos nâo lhes permitte hoje o roubo á mão armada. «matéria munificentiae per bella et raptus {Germ. as grandes violências. ament inertiam et oderint mira diversitate naturae. Já 98) e Tito Livio (xxii. (as em farrapos com facilidade esses vestuários que trazem até á ultima. 2 Ora se teem attribuido aos tsiganos talento poético ora se lh'o tem negado. Fallece-lhes o instincto do asseio. de collares de contas mulheres). 15)». de que na historia de outros ramos da sua raça ha alguns exemplos ao logro.

Vid. Sobre huma curiosa impertinência. mas na essência poesia andaluza. que em primeiro logar experimentou uma certa gitanisaçâo na linguagem». São. Um quaes já vimos figurar versejador do sec. aos que os gitanos se assimilaram. e em chegando Fizerão nas dançar como ciganas. xvii allude ás danças das ciganas. todavia a expo- sição de Schuchardt leva á convicção de que os cantos flamencos «não são de modo algum modificação de uma antiga.196 Os seus bailados são também reproduzidos dos populares do pais ou da Hispanha. conservado ou nascido no meio de um povo tão felizmente dotado com relação á poesia os habitantes do sul da Hispanha. Diogo Camacho. muito falladores. principalmente na lingua. Nas poesias dos tsiganos da Bucovina publicadas por Miklosich ha influencia manifesta da poesia popular dos rumenos e pequenos nissos. diz elle. Acodirão da Sé com partazanas Seis cónegos mancebos. tsiganos. v. era nullo ou menos que nullo. Vid. as em Gil Vicente : Como se viu aqui nesta pendência. Esses factos tornam pouco crivei que a poesia dos gitanos. Frederico que o valor artístico das poesias dos tsiganos húngaque elle colligiu. Uma pequena discussão torna-se entre elles fa- Quando em cilmente verdadeira algazarra. mais que os outros ramos tsiganos aos povos com que se achavam em contacto fora da península. outra allusão no extracto da Miscellanea de Miguel Leitão d'Andrada. seja um producto original d'elles. no Appendix 1 II algumas rápidas considerações sobre a poesia dos ciga- nos do Brasil. 12. a rima e o rythmo que apresentam provêem de modelos magyares. em geral. são certamente um povo de muito poucos dotes poéticos e os rudes vestígios de poesia que entre elles colhemos revelam a influencia dos povos entre os quaes vivem. tos flamencos. Infelizmente a musica gitana está mal estudada e falta assim como o são o conhecimento de um importante dado da questão . principalmente dos últimos ^ Têem os ciganos contos tradicionaes e provérbios ? juntos. os canMiiller dissera ros. Que se acendeo nas damas Toledanas. faliam valentias e negócios de cavallos. Jornada ao Parnaso in Phenix renascida. segundo um informador de Pires. no fim do Appendix i. genuina poesia dos gitanos. .

diversos paises grupos tsiganos. grandes modificações. che li sa piu artigiani che agricoltori. tentaram manejar a enchada. que é transmontano. nos quatro ou cinco séculos que passaram immergidos no meio peninsular. visto terem perdido a indus- As As ciganas quando querem bordam com alguma perfeição. A difica historia mostra-nos que o caracter dos povos se mo- sob a acção de diversos agentes. mas vendo em breve as mãos callejadas. largaram-na. e noutras artimanhas de que abaixo se encontrará noticia. a obra da assimilação tem progredido muito mais que em Portugal. para o que contribuiu sem duvida o interesse que lá característicos tem inspirado communs o gitano e por ventura certos ao andaluz e ao cigano emquanto . algumas das quaes pouco próprias para os fazer seguir no caminho do progresso. Os allemães. non li obbliga ai lavoro delia terra che per quel tanto. Referiu-me o sr. o cigano experimentaram já. nada queremos saber do cigano e só sabemos o que o acaso nos obriga a aprender. que ciganos esfaimados. povo de indiíFerentes. peculiaridades que nos fazem ver nelles os descendentes dos germanos de Tácito e dos celtas de César. Os homens manifestam a sua habilidade sobretudo em encobrir as mazellas do gado que querem tria dos metaes. aos quaes se offerecia em razoáveis condições trabalho agrícola. teem abandonado a vida nómade. Ferreira Deusdado. Na Hispanha. «La Ungheria. che giudica conve1 . por certo. para se tornarem sedentários e se entregarem a misteres lícitos *. dizendo preferirem morrer de fome a tal trabalho. mas que modificações profundas ao lado d'essa limitada persistência de velhos caracteres! O gitano. o latrocínio. De todo o trabalho aquelle pelo qual teem maior negação é a lavoura. nós. alguns dos quaes Em numericamente consideráveis. os franceses de hoje conservam.197 aptidões industriaes dos ciganos são menores que as de outros ramos da sua raça. vender por bom.

mas havia já quarenta annos que tinha aprendido os termos (casal) da Defesa. taluni arricchiscono e la loro natura. musicisti e ballerini. me- nos escrupuloso. Essa senhora habitava em 1883 em Penna Clara. todo o capitulo iv da sua obra. porque seus pães as matariam se o soubessem. i quali non hanno stato fisso. mulher de um lavrador alemtejano. Língua. professione o mestiere. As creanças tinham revelado os termos a medo e pedido á dama que as não denunciasse. buscando assim desviar o interrogatório sobre um assum- pto para elle melindroso.» Colocci. abitualmente dolce. 121 vid. artigiani e cantori. rumanho é só fallado entre elles. alem do rumanho ou romano. a quem dava esmolas. tendo interrogado um cigano alemtejano acerca da sua lingua particular. consaber de creanças ciganas. Pires encontrou em o monte em dezembro de 1883 um cigano. que lhe disse que o rumanho que faliam 08 ciganos alemtejanos é o mesmo que o dos hispanhoes. seguiu termos alguns que communicou a Pires e formaram o ponto Uma de partida de suas investigações. No Alemtejo faliam o português com a pronuncia alemtejana. — regolarmente 5 i fanciulli frequentano la scuola e la chiesa. industrias. conde de Ficalho que. p. este lhe dissera que hoje quasi nin^em a sabia. perto de Villa Fernando. Affirma-se que todos fizeram o juramento de o nâo ensinarem a ninguém estranho á raça. i lascia sperare alFUngheria piú 5 felici risultati delia sua iniciativa filantrópica. Communicou-me o sr. S'incisi viliscono. e que é mais fácil um cigano deixar-se matar que descobrir o segredo da sua lingua. senhora. especialmente quando O bebem. — tinuano dunque ad esser ciò che sempre furono: calderaj e veteI battesimi sifanno rinarj. costumes. niente ai lori bisogni e non vi costringe generalemente altro che Concoloro. .198 Completarei este esboço psychologico com algumas noti- cias relativas á lingua. Como já se disse os ciganos de Portugal faliam o português e hispanhol.

a passagem de Paspati por elle citada. por mais que Pires teimasse e com elle. 1 O « segredo da lingua é geral nos diversos ramos da raça tsigana non deve credersi che 11 raccogliere dalla viva você di quei . p. que não se entende o que dizem em estando juntos e faliam em porelles querem . com a golla voltada. O collete é aberto. António Francisco Barata. «Os ciganos em estando juntos. Os de Évora não conservam segundo informação do sr. usualmente de astracan ou fa- zenda semelhante. nomadi le parole dei Anzi ciascun sa come loro idioma sia cosa spicciativa ed agevole. mas não deu a sentença relativa a novembro. ou romano. Armas. nhecido escriptor e bibliothecario da Bibliotheca publica d'aquella cidade. que se os seus declarando que muito tinha elle já soubessem lhe cortavam a cabeça. dito. que teem vindo ao Alemtejo) faliam a mesma língua.» Colocci. curta. muito justa ao corpo. como elles dizem. Pires enviou-me a seguinte descripção do vestuário dos ciganos alemtejanos. Os homens usam jaqueta. canhSes com botões de alamares. só se entende o que os cordoeiros da Galliza. Foi o que aconteceu a L. de três ou quatro botões. Esse cigano dictou o calendário impresso nos textos. são como tuguês». os que conhecem alguma coisa do rumanho conseguem mais facilmente obter informações sobre elle dos ciganos.199 e pretendeu quo os hiingaros (tsiganos caldeireiros. que são de prata no vestuário dos ricos. 247. de cordão entrançado ou de fita no dos pobres. Parece que os ciganos sedentários de Lisboa conhecem em geral pouco do rumanho. vestígios d'essa linguagem. Informação do proprietário de Barbacena*. com refego nos hombros. . Todavia. de Vasconcellos. co- Vestuário. essi siano tanto generalmente e stranamente gelosi custodi dei segreto delia loro lingua che di rado Tun d'essi volle iniziare lo straniero nei misteri delia própria favella. Vid.

defendem-se ou com as tesouras ou com o varapau. Alguns teem espingardas de caça. Os ciganos abastados usam lenço de seda ao pescoço. E a forma preferida pelos ciganos abastados. A ca- cores "Usam. preto ou cor de café com leite. As costas lançam um pequeno chaile de cor (azul. Da cintura desce-lhe um avental de chita com grandes enfeites de fitas. O chapéu é de aba larga. emfim. um pouco curto. com largas franjas. quatro vivas ou azul o corpete é justo e afogado . Das orelhas pendem-lhes grandes brincos de oiro. com com o vestuário roto. apparecendo as asas por cima das cintas. o calçado arruinado e alguns com grandes tesouras de tosquia de gado. As mulheres abastadas usam vestido de chita de cores com pintas brancas. . As ciganas pobres usam vestido de cores vivas. de modo que formam grandes ancas. Se são atacados. grandes botões de oiro na camisa e relógio com grossa corrente. a manga curta. mettidas nos coses das calças. tomando sobre o sapato essa forma de polaina a que se dá o nome de boca de sino. de casimira ou de cotim. Usam todos um varapau curto e poucos trazem navalha. Tanto esses como os pobres trazem sempre esporas. etc). Trazem muitas saias (como as ovarinas). verde. em regra de seda. usam calças direitas. mas ordinariamente sem folhos e iim corpete largo. uma cruz de oiro. não usam coUar ao pescoço e muitas andam descalças. com ou cinco ordens de folhos. sapatos ou botas brancas ou pretas. Os sapatos ou botas são brancas. Pende -lhe de uma fita. com franzidos ou lisa. Os pobres apparecem nas sem meias. as meias brancas. a partir da cintura. alargam para baixo. A camisa é de tecido branco os pobres ou chita estampada. feiras esfarrapado. que põem ao pescoço.200 As calças. exactamente como as calças do fadista. de vivas. beça é coberta com lenço de seda ou algodão.

41 : «Cuando disfrutan de algunas comodidades. Atrás fazem um grande periquito. vid. em geral. más ó menos rico. que Mayo descreve. su manton más ó menos grande sobre los hombros. pregando o com ganchos. p. ancho en general. los hombres tienen 194. botines ó borceguíes. prohibido pelas leis hispanholas. As até aos creanças dos dois sexos não teem pela maior parte. á la chorrera vistosa. y que los gitanos non han cambiado.201 As ciganas. outro vestuário além da camisa. colhida por Pires. todo de colores chillones. flores y cintas por adornos. Outras tra- zem laços de fita nas pontas. «De las mujeres puede decirse otro tanto. sombrero calanés. de pana ó terciopelo. pregam-no com ganchos e atam-no com fitas de cores. com Untam-no com azeite d'oliveira *. p. Asi se las ve con su saya corta y de poço vuelo. de pano ó algodon . e que era sem duvida o dos antigos ciganos. Su traje es el que las andalusas han llevado hasta hace poços anos. O especial aficion á la ropa blanca. 7 ou 8 annos. 190- vestuário dos ciganos deriva sem duvida. su panuelo de puntas á la cabeza. com modificações. colores tambien chillones en todas sus prendas. alpargatas ó zapatos. o cabello entrançado e caido pelas costas abaixo. Colocci. 1 Sobre o vestuário dos tsiganos em geral. chaqueta ó zamarra bordada. á la camisia limpia y bien almidonada. e aos lados arranjam grandes caracoes sobre as orelhas com o cabello entrançado. ó gorro encarnado en la costa de Cataluíia. Ha uma quadra popular alemtejana. á la pechera bordada.» Como mesmo nota Mayo. hecho un nudo á la garganta. «El traje en rigor es el mismo que gasta el pueblo bajo en Andalucia. prohibido pelas leis portuguesas. nâo pode saber-se qual era o antigo trajo dos gitanos. com alamares ó botonadura de plata-. . echado sobre la frente ó caido sobre la nuca á voluntad. adornada de randas volantes. : relativa ao cabello das ciganas Pentiê o mê cabello ! P'ra trás com'ás ciganas Agora poss' ê dezer Qu'os trajos fazem as damas. do dos gitanos. celeste ó encarnado. apartam o cabello ao meio e dividem-no aos lados.

são feitas pelas mulheres e ao ar livre. em diversas terras da Extremadura e até algims em Lisboa. Viçosa. cobertos com mantas e cobertores seus. . Villa Moura. estanceiam nos arredores dos montes (casaes) e ao ar livre. Têem Vagueiam de monte em monte (casaes. Com os seus hábitos de cortesia. pedem previa licença ao lavrador. d'ahi ou remediados acham-se domiciliados partem para as feiras e diversas excursões. que não lh'a recusa de ordinário. Todavia. uma ver- dadeira praga do lavrador alemtejano. Vidigueira.202 muitas vezes esfarrapada. ou em casas meio arruinadas e abandonadas. Estancias. Os adolescentes solteiros. Domicilio. Viajens. se por ventura outra informação. no Alemtejo. De inverno fazem grandes fogueiras com lenha dada pelos lavradores. segundo uma ganas vestem os filhos. As comidas. Outros podem encontrar que lhes sirva para dormem junto das paredes. p. e trazem o cabello sujo e emma*. pobres. ou que elles apanham. Muitos ciganos abastados em Évora. Portel. ou nos fornos e cabanas das herdades. porque os teme como roubadores de gado. Estes. durante essas estações. — Oraperò in quasi tutti i paesi sono stati costretti a smetteretale indecenza.« Colocci. e de ordinário pedem ao lavrador ou lavradora tudo o que precisam para seu sustento. e construem alguns abrigos com piorno e tudo o que esse fim. Estremoz. andam em ranhado geral descalços. como os que teem vida errante. como observa Pires. de modo que os ciganos constituem. no Alemtejo). algumas ciobtém da caridade alguma roupa de creança. 1 «I fanciulli non ricevono fino a dieci anni il vestito. estacionando junto de cada um algumas semanas seguidas. enxergas em que se deitam e que nas jornadas servem de apparelho ás cavalgaduras. 194.

Os pobres nómades vão ás feiras com todos os individuos da famiHa. mas transportam-se também a cavallo. Quando não ha pasto. logar pobre. parecia que estavam bem. já mais villa Na vezes referido. percorrendo-os. do Forno uns ciganos. segundo as informações de Pires. num campo Por occasião das feiras. fora da muralha. indo ás vezes dois e três no mesmo animal. no bairro outras vieram-se fixar aqui. presos pelo pescoço uns aos outros ou peados. Communica-me o sr. debaixo elles.203 de Barbacena. Os ciganos do Alemtejo. põem-lhes frente golpelhas com palha. pelo luxo que rompiam. em Lisboa residem algumas familias ciganas. habitaram ha alguns durante um inverno. de diversos pontos da Extremadura. pobres e abastados estacionam ou outro logar próximo. que. mas Évora vivem e . segundo o informador. António Francisco Barata que em pousam ciganos no bairro de Cogulos. das arvores. e Para onde vão levam os seus gados. se as ha. João naquella cidade não levam carros. d'essa localidade. que deixam pastar em volta do seu acampamento. na rua de Santa Maria e travessas próximas d'essa rua. Segundo uma informação do António Francisco Barata. os ciganos que vão á feira do S. nem carros. Chegados a um logar novo para tratam de se orien- tarem conhecerem bem os arredores. Em recentemente. ha muitos annos . sob pretexto de caça. para saberem onde poderão ir roubar. Fazem longas marchas a pé. Pelo e caminho alguns vão caçando. Ninguém lhes pedia renda d'essas casas arruinadas. de outro no chão que assim lhes serve de abrigo. umas casas derrubadas na rua annos. nâo teem tendas sr. mas levantam pobres tendas cidade. oriental. se não teem casa na Na Extremadura improvisam muitas vezes uma tenda com uma peça de linhagem ou outro tecido que fixam de um lado a uma parede a certa altura. ao ar livre. para o que teem galgos.

um vizinho disse-lhe que a burra Um parecia a em comprador breve verificou que assim era. contrabando. á tosquia de gado. como me diz o sr. cavallo de detenninada cor. outras Enganam com grande res. São toureiros. Não são creadores de gado. que . De volta a casa. cedores. porque apenas o anicancella. Fazem crer que um bravo. até os astúcia os compradores e trocadofinórios. para que pinoteie. foi a uma feira e comprou-lhes uma burra que julgou ser bem differente da sua. repellindo-os á força. Essas occupaçoes e industrias reduzem-se quasi exclusivamente para os homens á venda. Nos negócios de troca de cavalgaduras querem sempre receber dinheiro além de animaes. entrando e saindo.204 só 4 famílias teem residência fixa alli. os demais ciganos têem casas arrendadas para residência temporária. O mal transpôz uma costume. Alguns teem sido geral (e Algumas ciganas mais raramente ciganos) residentes em Lisboa são negociantes ambulantes de pannos. á venda de fazendas (principalmente na Extremadura). Arraiolos (e Torrão. Gabriel Pereira) não admittem os ciganos. Concorrem ás feiras (não ha nenhuma no Alemtejo e na Extremadura em que não appareçam) com seus gados e mercadorias. em que escon- dem uma agulha. industrias. que se julgam muito lavrador do Crato contou-me que um vizinho d'elle vendera uma burra viciosa aos ciganos. troca e preparação para a venda e troca de gado muar. em mas passam por bons conhebons cavalleiros. com que Um um sportman desejava um o picam. cavallar e asinino. deitou a correr mesma que vendera aos ciganos. como era seu Pintam os animaes e disfarçam por todos os modos os seus defeitos. pondo-lhes em animal velho e cançado é vivo e cima a palma da mão. Occupações. e ao roubo. dia appareceu-lhe um á medida dos seus desejos.

quando si tratta di venderlo. p. Na Hispanha ha ainda gitanos ferreiros. i. Os ciganos perderam cedo. todavia nas terras de provin- A cias. os vemo-las commerciarem em fazendas. p. ao que parece. No Alemtejo e talvez nas outras provincias não ha diíFerença de occupaçoes entre os ciganos abastados e os pobres. sem viverem exclusivamente da mendicidade. Occupaçoes das ciganas. que é onde malha o ferro». vivem nas povoações e trajam melhor. serem curandeiras (o que parece raro). Piú forte sarebbe Tingano che riferisce il Franz-. Muitas das burlas que elles fazem nesse negocio são mais ou menos typicas. p. a industria dos metaes (vid. os ciganos se occupem nas industrias O informador de Barbacena diz: «Só me lem- bro de apparecer aqui um que trabalhava de ferreiro e fez uma safra ao João Ferreiro. Vid. lo * frustano terribilmente. Colocci. . mas os primeiros não esmolam e só vão aos montes para negocio .» Co. lerem a buena dicha. «Per far poi apparire il cavallo vivace e ardente. memore delle frustate. 2 Mayo. 175). O negocio de cavalgaduras pertence ao numero das mais antigas occupaçoes dos ciganos. Nenhumas ciganas em Portugal têem por profissão o canto e a dansa. — locci. 195200. p. e cioè che introducano un' anguilla viva sotto la coda dei cavalli onde con sifatto stimolo acquistono maggior alacrità. mas pouco depois reconheceu que fora burlado por ciganos que tinham pintado o animal*. Borrow. 37.205 comprou. Não consta que dos metaes^. 200. basta ripetere queste parole che la : povera bestia. fazerem bruxarias e como sobretudo roubarem e burlarem os estranhos por diversos meios. um divertimento. Alem dos cuidados familiares. mendigarem com maior ou menor frequência. Vimo-lo já figurar na Farça das ciganas. buena dicha não gosa hoje entre o povo de tanto credito como noutros tempos. solta e caracolla onde il compratore è persuaso che il cavallo è sensibile alia você e di carattere vivacissimo. gridando alcune parole di eecitamento cosi. homens. 64-65. é principalmente para as raparigas. que conservam noutros paises. si anima.

Nâo tendo colligido nenhuma buena dicha. e buena maré y tierresita buena e por si: jase poços dia q'has tenio un disgustiyo con una presona que tu quieres en este mundo tu me quieres á dos presonas una para pasá ti empo y otra para tu gose. parte respectiva. «En el Eres hija e buenos pares y . «En el nombre sea de Dios. : . . rumbeliyos : pos jase dias que te presiguen males lenguas tan sola- mente per conversasiones que tu tienes con ciertas presonas. las piya á tiento Tu las tienes los ojiyos de enamorao que tu tu tienes me y me matas un poquito de mar génio pêro te se pasa ai instante eres hombre e secretos y hombre que nunca miras los intereses pa ná tu eres una presona que has querio á dos.« . grasiosa. : : . Trin pa acá. que vas a sé maré e cuatro chu1. publicado em La Enciclopédia.» 2. na nombre sea de Dios. Tu tienes un disgusto con una presona que bien quieres y no es per comia ni per bebia que es per una presona que tu quieres que la tienes en tierra estrana. sina. que tu ventura sea buena. ano v. pues tu tas escubierto á una presona que ta pagão malamente pues tu tienes que recibí una carta de una presona que bien quieres y tiene que ser en un un dia seualao tu tienes que ser en este mundo maré e cinco hijos y tienes que ser casa con un José cumple tu con la gitana morena que t' ha dicho cayando . i. algumas das * 211 . Borrow. Coloeci. vid. á una ha sio lealmente y á otra pa gana e conversasion y á una le igiste. catrafun catrafun y la santísima Triniá. En : el nombre sea Dios. A buena dicha divinação As ciganas também deitam muitas rivaes cartas." 31 (Sevilla. de Gil Vicente. modo de em que teem portuguesas. chamar uma cigana (mais raramente um cigano os homens também ás vezes : lêem a buena dicha) e ouvir d'ellas a lê-se nas linhas da palma da mão *. Sobre a chiromancia dos tsiganos em geral. resalá. p. reproduzo aqui as seguintes buenaventuras de um artigo de Demófilo (Machado y Alvarez).» 3. as quaes servirão de commentario á Farça das Ciganas. . p. que tu ventura sea buena.206 que se paga a troco de alguns vinténs. grasiosa. la buenaventura. n. 1885). que tu ventura sea buena. que tienes que sé pare e las espardas ibas á gorvé y le gorviste cuatro churumbeles tu has estão criando una cachigordita artita e pecho cumple tu con la gitana de buena gana que te voy a esí lo mejó e la buena ventura. 167 e segs. 208sobre a buenaventura dos gitanos. trin pa ayá. : .

em Lisboa e proximidades se dá o nome de hagatas 153). que não correria perigo. segundo a informação de uma senhora que residiu no Algarve. São sobretudo victimas as esposas que desejam reconciliar o amor do marido infiel. Era preciso passar ás mãos das ciganas o melhor objecto de oiro que houvesse em casa: a esposa entregou-lhes um valioso cor- dão de feito oiro. Ha em annos esposa descobrir que o marido d'ella não era fiel aos deveres conjugaes. arrancando-lhes dinheiro e objectos de valor. As bruxarias das ciganas teem por fim burlar os pobres de espirito. não só se teria mallogrado o feitiço. á vista O cordão formando como uma almofada. que no século xvil nos apresenta exemplos das artes magicas das ciganas. (vid. a que Darei noticia de alguns casos modernos do mesmo género. se proposeram quebrar o encanto que prendia o adultero á mulher illegitima.207 quaes teem feito fortuna. seria pelas ciganas envolvido em panno com um pouco de cabello loiro. porque se o soubesse ou se alguém lhe tocasse antes de findo o prazo. já em paga dos seus serviços. os namorados e particularmente as namoradas que aspiram a ter firme a aíFeiçao do objecto amado. dominada pelas feiticeiras. e. cujo resultado era asseverado infallivel. mas . fazia uso na cartomancia de um baralho de cartas muito pequeno e com desenhos não vulgares. espetaram-se muitas agudevia ser posto durante oito noites debaixo do travesseiro do infiel. porque tudo d'ella. Uma cigana. Referi-me já ao processo inquisitorial de Garcia de Mira. e no embrulho. onde a encontrou. feitiço O coisa. presa ministrar os meios de fazer o grande feitiço. sem elle saber nem suspeitar tal lhas. já subrepticiamente. da cor do da bella. como se tivessem por eíFeito de suas artes mysteriosas penetrado no segredo. foi . causa do ciúme o panno foi cosido á linha. os ambiciosos que cubicam thesouros escondidos ou a prompta multiplicação dos seus haveres. tou-se em uma cidade do norte de Portugal uma hospedara em casa umas ciganas que não tardaram A pobre esposa. p.

Fez-se tudo como as ciganas indicaram. estando na casa. apesar d'isso. o queixoso e a mulher. não é decerto um grande elogio á esperteza dos queixosos.se de terem ido a sua casa duas ciganas. completamente cheio de dobrões em ouro de cinco moedas cada um. ficaram duvida. No dia seguinte appareceram novamente as duas ciganas e pediram em uma bacia de mãos com agua e cinco pedras de sal. mas. Não antecipemos juizos. e por isso soubera que naquella casa havia um bahu escondido. dizendo uma d'ellas á mulher do queixoso que a outra. mas o cordão não estava lá. A os dias passaram e as feiticeiras não voltaesposa aíflicta resolveu-se a abrir o embrulho enfeitiçado. ram fogo ao sal e este ardeu!!! De as duas ciganas. O caso era simples. um Santo Christo. desde o tempo dos francezes. ura processo a respeito de crime cuja historia nos parece interessante. — . oito dias para desfazerem o Mas ram. queixando. Elias disseram que iriam dar umas voltas e viriam ao fim dos feitiço. e offerecen- do-se para attrahirem o referido bahu.* divisão Gonçalo António Rodrigues. O queixoso e a mulher vendo arder o sal acreditaram no poder das o que ardia eram umas matronas.208 ainda resultariam grandes males. adivinhava. de 31 de maio de 1884 (n. «Deve «Em principios de abril do anno passado apresentou-se no commissariado da 1. lê-se no Diário de Noticias. e que.^ districto criminal. morador na quinta Pequena do Valle Escuro. no 1. se revela astúcia da parte dos auctores. Tudo lhes foi satisfeito.^ 6:591) : ser julgado hoje. vamos aos factos. tendo de cada lado uma vela accesa. sobre uma mesa. Com o titulo de Bruxarias da actualidade. recommendando as ladras ao ingénuo queixoso que' deitasse na bacia todo a dinheiro e ouro que tivesse. cada um com cinco fósforos accesos na mão e rezando uma estação ao milagreiras deitaroda da bacia estavam As Santissimo. O queixoso e a mulher não acreditaram nem deixaram de acreditar. auctorisaram as mulheres a fazerem o que entendessem necessário para descobrir o appetecido bahu.

elles porque dessem. deitou-a em um quarto aonde. dois anneis. uma cheia de agua de sete fontes e outra com agua benta de sete pias. cozido estava elle antes de entrar na talha) e disseram ao queixoso que o picasse. pediram um ovo fresco que deitaram em uma talha juntamente com o ouro que estava na bacia. dois pares de botões. Dois ainda voltaram. tudo de ouro. por sua parte só acceitariam o que porque não podiam pedir nada. cuja chave deram ao queixoso para que este a deitasse no poço afim de attrahir outro thesouro. deveria estar o bahu. dez libras. e deitasse por sua mão na agua da bacia. milagreira então esborrachou o ovo. pedindo duas garrafas para no dia seguinte levarem. as santas mulheres despediram-se. dizendo que iam muito longe. e dinheiro em 14 . D' esta vez ainda se foram embora. recommendando-lhe que não num tocasse no bahu. em seguida tiraram o ovo que realmente estava cozido (pudera. «Os objectos de valor que serviram a este estúpido ma- nejo. A diziam. «Voltaram no dia seguinte. toalha. affirmando que. juntando-lhe o ouro e dinheiro do queixoso . Acabada a oração.209 pedras de camphora. nem mesmo o fizesse estremecer. duas de cinco mil reis. Assim que o queixoso deitou a chave no poço. mettendo-o em uma pucara de barro. guardaramna em uma commoda. porque as de sal tinham sido substituidas por estas. com as garrafas cheias. duas moedas de dez mil réis. uma corrente com uma medalha. se o ovo apparecesse cozido. pois que observadas estas prescripçoes o bahu apparecia na noite de S. veiu novamente a bacia em que ellas deitaram o conteúdo das garrafas. dois corações. Embrulhando o ouro em uma dias depois. uma me- dalha. misturou tudo e extraindo a agua. tirando outra vez o ouro. que fecharam bahu. foram cinco cordoes. um crucifixo. João ao cimo da agua do poço e ellas o pu- uma fita. buscar terra de sete cemitérios que era chariam com só o cilas que faltava para os queixosos ficarem ricos. era signal certo de que o bahu queria que o tirassem do esconderijo.

se apesar de lhe terem promettido quatro para se calar». e por ter aproveitado de parte do furto. chama-se Maria da Conceição.210 prata quarenta mil e quinhentos. «Como era de esperar.° 1:498). lhe ler a buena dicha. periódico O Dia. No lê. aproveitando a credulidade da pacovia amorosa manquéej. auctoras principaes do pronunciadas . vinténs. o teimoso não apparecia. . ainda não possivel prendê-las . com o titulo de A huena dicha: «Haverá uns dez meses appareceram em Mafra duas que se entregavam ao patusco mister de lêr a buena dicha a quem quer que se lhes explicasse com dois ciganas. de 6 de junho de 1892 (n. também cigana. mais audaz. os queixosos passaram o mês de maio a espreitar á borda do poço a chegada do bahu. os calores próprios da epocha. fazendo o total de réis 3õ6j5iOOO. Elias encarrega vam-se de mas em casa da rapariga e sem tesa mais ligeira indiscripção tiraria toda temunhas. com a chegada de junho. crime. «Correram á deviam estar! deram parte do facto e como conque lá sequência instaurou-se o processo. disseram-lhe que no seu futuro haviam de dar-se factos de alta magnitude. Encontraram a pucara tapada com a toalha que lhe tinham posto. as ciganas. porém. . «Uma «Ab ciganas. rapariga do sitio parece que declarou ás ciganas vivia desgostosa e contrariada por Cupido a todo o que transe. « Concedido. Afinal. porque á a virtude operação. por foi ser se em sua casa que se concertou o plano do crime. levantou um pedacinho a decepção O mysterioso cofre não tinha ! dentro um só dos valores policia. pois recebeu uma libra. é accusada como cúmplice. Foram quatro as rés duas. aqueceram-lhe o resolveram arrombar o bahu. o queixoso. . grande para o outro ainda na duvida de a destapar. ha uma afiançada e a quarta que deve ser julgada hoje. . e animo «Olharam e um foi porém.

» Os processos. Vid. um grande thesouro escondido na adega. as moedas de oiro. pertence ás velhas artes gitanas. Historia de Âlonso. dia seguinte. I. . mas o dinheiro que serve de isca é escamoteado pela enganadora gitana. oito «As ciganas uma vez a libras em «Esses objectos foram mettidos num pedaço de ramagem. «A como rapariga esteve até agora esperando as ciganas. nheiro. Para comprarem liha. que ciganas Depois foi tudo mettido dentro de um cofre. afim de dizerem definitivamente o que o futuro lhe reser- «As ciganas voltaram no vava. 133-137. . com a Nos estabelecimentos commerciaes exercem muitas vezes as ciganas os seus instinctos de gazze ladre. repetem-se como provas de um mesmo cliché. como se vê d'esses e de outros casos. escripta no sec. Borrow. xvii e citada por Borrow. A impiedade dos ciganos não os faz hesitar em acondimentarem os manejos com orações christãs e em acondimentarem a creduUdade presença de um Christo *. refere-se uma hismuito semelhante á reproduzida do Diário de Noticias e em que uma viuva cubiçosa junta jóias de oiro e prata para attrahir. e a descoser a ramagem. pois em caso de infidelidade não respondiam pela sua vida. mas ellas se demorassem resolveu-se a abrir o cofre . que foi fechado á chave. mas recommendaram-lhe que não abrisse o cofre nem pessoa extranha o visse sequer. os travesseiros e os embrulhos representam o papel principal. Os cordões de oiro. i. repetiram a operação e disseram á rapariga que voltariam oito dias depois. «Encontrou uma cadeia de ferro e três botões de latão. contentaram-se com um bello cordão de ouro e três moedas de 500 réis em prata. ainda o mesmo auctor. baró (Mayo Borrow escreve hokkano haro)^ gran socagrande furto ardiloso. mozo de muchos 1 . . Na novella de Geronimo d'Alcalá. O jonjanó toria amos.211 sós com a rapariga. o qual foi cosido em presença da rapariga e de um Christo (!) as levavam. 310-315. pediram-llie mas como ella não tinha aquelle diouro. segundo os preceitos de uma gitana.

315-317. por Uma 1 «Cada dia van slendo menos frecuentes las gitanas. a fim de melhor poderem escamotear alguma ou algumas. Borrow. fazem vir para cima do balcão muitas peças para escolherem. Superstições. que teem cunhado um cavallo e a que o povo chama libras de cavallinho. farinha em vez de entrarem cearia. Ihe um certo. tratavam de escamotear alguma com a máxima perfeição gocio que se tinha enganado em o numerou quadra alemtejana (canto de natal). Hê-de furtar o Dês-menino P'ra minha alma se salvar. numa só meronde compram uma só coisa. dirigem-se a muitas. colhida por allude aos hábitos de ladroagem das ciganas: Pires. feijão. cujos donos ou caixeiros ainda não conhecem as suas artes. as ciganas costumavam dirigir-se aos commerciantes que acha- vam com cara de pobres de espirito e propunham-lhes trocar libras da rainha Victoria por libras de Jorge III. ellas tenían especial liabilidad de manos las antigas prácticas de en las férias para hacer coger á la desaparecer las monedas cn los câmbios. Quando giravam libras esterlinas nos negócios. mano. São realmente emi- nentes na escamoteação. para assim ter maior numero de occasiões de tentarem furtos. quienes. mientres sus hombres chalaneaban j mercados. Vid. café.212 os preparos de uma refeição. dando um cambio e allegando fazerem ne- com essas libras por serem muito procuradas. á baste. feitiços. assucar. 40. sem duvida com receio de Crêem. Nas lojas de fazendas. Pouquissimo pude colher acerca das superstições ciganas. p. no poder de alguns terminantemente dara Pires recusou cigana bocado do seu cabello. Se um commerciante lhe apresentava um punhado d 'essas libras. por exemplo^ toucinho.» Mayo. vstilar i. c de convencê-lo de Uma Sô cigana do Egypto Minlia sina é rôbar. .

pp. João. certa a esse respeito. Alli concorrem numerosos ciganos (ha quem diga que todos os da provincia e ainda dição christã. Borrow i. 1 Sobre as superstições dos tsiganos 215. Colocci. a qual existe talvez também entre os ciganos.213 que fosse applicado a algum feitiço. o pulo e o jogo da barra. e durante três dias cantam. porque infallivel mente morreria. se o signal da morte lhe apparecesse naquellas cartas. tra- adaptada. Mas essa festa não tem para elles nenhum caracter religioso. Das festas ciganas pouco pude colher. menciona o mau olbado como crença gitana. Quebrar vidros. p. de epocha fixa é a do S. . a 24 de junho. como o uso dos amuletos. sorte. má Espalhar sal. Jogar as cartas. Segundo Pires. Festas. então que se faz a maior feira do Alemtejo. três As primeiras superstições encontram-se no povo português ^ inaptidão para o trabalho regular junto Jogos. Colocci. fazem negócios. Uma outra. comem. vid. dançam. mas a pessoa que nào estava muito KM. como uma occupação sem finalidade. p. 3. 2.216 e 217. Parece e Trás-os-montes os jogos preferidos são no Alemtejo que o salto. bebem. senão a única. em geral. O cigano jogador tem mala pajé. de que ouvi fallar. exteriormente a uma festa É alguns de outras partes do pais) e alguns gitanos. agoiro Verter azeito. os ciganos alemtejanos : consideram como mau 1. em Évora. Vid. 213-214. parecia perfeitamente convencida da verdade da cartomancia que praticava. No Alemtejo a principal. e dizia que ai d'ella. ó infeliz nas trocas. com o amor do movimento levam os ciganos naturalmente A aos jogos.. embora represente talvez uma muito obliterada nacional. celebram casa- mentos. observada no Algarve. 138-139. 4.

Jorge. p. João. Depois d'isso as creanças são baptisadas catholicamente. ciganos) que as ciganas quando teem isto é.) nos paizes meridionaes da Rumelia e mais tarde no norte.214 o sr. Essa coincidência inclina-me a pensar. 169-170. a dansa. reanimado pelas festas dos aryas europeus. em a noite de João. v. A festa de 28 de agosto (est. lavam a cara a noite de S. voz constante no Alemtejo e Trás-os-montes (provavelmente também nas outras províncias em que ha Baptismo. Colocci. João á meia noite*. ." de maio. ao contrario d'esse escriptor italiano. a gritaria. a começar no dia de S. referido por Colocci. do outomno. que chegou ao meu conhe- Segundo me informa em cimento. Na Hispanha celebram os gitanos também uma festa pelo S. as bebidas. formam a base do divertimento. reunindo-se centenares de tendas. E um filho o baptisam. que em taes festas ha vestígio muito obli- terado da tradição das festas naturalísticas dos aryas da Ásia. corresponde o costume de banhar três vezes as fontes da cabeça á beira do mar ou de um rio. Os tsiganos de outros paizes teem também festas de epocha Os da Turquia celebram a Icákkavá ou festa das caldeiras. Pereira. a musica. G. 23 abril (est. e tantas vezes quantas os pães podem arranjar para pa- fixa. a dansas e a jogos. A S.) é especial aos atsincani de Volo As comidas. Durante três dias os tchingianés 1 entregam-se a festas. v. mergulham-no no primeiro ribeiro que encontram e dizem: Eu ou: te baptiso neste ribeiro P'ra que saias um ladrão bem ligeiro Eu te baptiso neste ribeiro Para que sejas valente de pé leve é unha ligeiro. E essa a única particularidade notável da festa. que fundiram com dados christãos as velhas tradições naturalísticas do começo da primavera. lavagem da cara dos ciganos do Alemtejo. 164. do solstiçio de verão. A festa por vezes é coUectiva. no 1.

«Si lasciano battezare fra i i cristiani. saindo para fora acima da cintura. ca- misa do linho grosso branco. ils sont tous baptisés. levantou-o e deixou-o cair. Tx pays hasque.» . Alli a noiva tomou um pequeno cântaro de barro. porém. et même dune fois. si las- ciano circoncidere fra turchi. reuniram cuidadosa- campo para e guardaram-nos depois de os ter cona minha informadora elles tiravam agoiro. Alemtejo) e mais tarde protecção. Ao pescoço tinha muitos collares de cadas de latão. e das orelhas pendiam-lhe grandes arreO noivo bem vestido foi correndo do seu o d'ella. Os ciganos.. celebra-se um grande banquete. por debaixo de um jaleco de cores vivas.» : Dos Michel. já do numero dos cacos. escreve L.215 drinhos lavradores ricos. mais c'est calcul de leur part etun nouveau moyen de vivre au dépens d'autrui. Nessa occasião vae o noivo saber se é da vontade da noiva o casamento: no caso afíirmativo. vou alli um senhora que residiu no Algarve obsercasamento de ciganos que me descreveu da Uma seguinte maneira. que. que os ciganos abastados e sedentários só baptisam os filhos uma vez *. afim de se relacionarem em com cada freguezia que percorrem. Segundo já do ruido produzido pela quebra do cântaro. mente os cacos. etc. tomou-a nos braços e levou-a para o seu campo. Num d'elles estava a noiva. contas de cores. bordado. 166. (presentes de baptismo. fazendo bolso. 1 Cf.. nos que viveriam casados. 141 pliis tsiganos bascos diz Francisque «. pagam as duas familias a meias as despesas no caso negativo estas são . Havia a pequena distancia dois acampamentos ao ar noiva livre. casam só entre si. elles e receberem as baetas. p. talvez significasse o numero de antado. de Vasconcellos. Colocci. noutro o noivo. p. isto é. A vestia saia cor de rosa com tiras escarlates e pretas. Casamento. Quando um casamento está justo. Parece. segundo a infor- mação que um lhe deu.

Arrearam elles uns cavallos muito enfeitados. vão os chefes buscar o lençol e mostram-no aos demais ciganos. houve aqui um casamento de ciganos. a noiva desficando apenas com a camisa. Ajustam então o dia do casamento. Esse lençol ó denominado lençol de honras).se provavelmente. : A O informador de Barbacena diz: «Sendo eu pequeno. No dia do casamento ha uma corrida de informação ó talvez inexacta trata. O noivo. mas da da familia d'ella. e depois furtaram-lh'a. masparece-me que um Vicente. O cigano que era o noivo corria atrás da noiva e os outros gritavam: «Pilha que é tua*». é casado (catholicamente)^». Nesse dia estendem no campo em um saco feito de estopa. gallos (vid. Consummado o acto. bebendo e bailando. e fazendo outros divertimentos. por aquelle tempo. e deita-se de costas pe-se. catholicamente). montaram os homens e algu- mas mulheres e depois foram correndo. Dizem que todos se casam assim que não se recebem de matrimonio (isto é. cigana velha ministrou os seguintes dados acerca do casamento dos ciganos vagabundos. com que estão acantoados um 1 pequeno lenço branco de algodão enrolado na mão di- Variante. não da vontade da noiva. comendo. fazem entrar os noivos no quarto e esperam na casa contigua. Thomaz . até que recolheram para a casa onde habitavam no logar. Uma «A noiva é pedida pelos pães do noivo. estendem sobre a cama um lençol muito arrendado. sobre o saco. foi ser padrinho. sempre a cavallo. Reune-se em volta toda a tribu. infra). e fizeram um grande banquete. Pires. de um filho e do qual F. informador de Villa Viçosa escreve: «Para attestar Um a virgindade da noiva. três ciganos dos mais velhos. chefes da tribu.216 á custa do noivo. Não tornei a ver casamento de ciganos. segundo outro informador : Pilhâ-lâ qu' é tuia! Pilhã- lâ q\C é tuia! 2 Esta informação como as duas seguintes foram obtidas por A.

etc. autant que j'ai pu parmi les autres Tsiganes d'Europe. vindo elle depois mostrar o lenço á gente dos noivos e aos convidados. et du Compte fíendu de la 9. la jeune filie est déflorée par des matrones qui attestcnt sa virginité. écrivant pour le grand public anglais. o hymen é rasgado pelo 1 : peito. ha grande contentamento e vivorio em toda a tribu. seguida mostra o lenço se está manchado de reita c Em . préhist). ficam desde logo casados. Correndo as mulheres á garupa e em com cavallos a toda a brida.^ Session : du Congrcs une coutume qui. procede de joelhos e cora esse ao dodo. mais qui. A sua nota Les Gitanos cVEspagne et les Ciganos de Portvgal (Extrait iniern. que é feita Peliche —-velho da tribu a que as a occultas. Bataillard na . bailes. O divertimento favorito c o jogo dos gnllos. du moins. jantar da boda. a noiva é estrangulada pelos pacs do noivo (sic). a évidem» le savoir. qui n'ont pas eu des relations particulières avec leurs frères d'Espagne Immédiatement avant sa première nuit de noces. «O lenço «As raparigas casam entre os 16 e 18 annos. parmi ceux. Recebe de ordinário meia onça -(8 duros) pela operação. com lanças (sicj na mão. era já conhecida. d'archéol. Borrovv. p. d'antJiropol. Ha descantes. «E costume haver muitos casamentos no mesmo dia. sangue. entre os gitanos. 21 (501) «II existe parmi les Gitanos ne se retrouve point : : .» A mesma cigana deu ainda a informação seguinte Em Hespanha. qui n'a guère pu ignorer cette coutume. Cest une coutume d'ailleurs répandue chez les Musulmans. a noiva ó abraçada por todos. rompimento do véo da que ha de ser sua companheira. mais qui est entourée chez les Gitanos de beaucoup de solemnité le mouchoir sanglant qui a servi à lopération mystérieuse est montré à tous les gens de la noce et précieusement conserve dans la famille. e moças solteiras teem grande resque usa a unha do indicador da mão direita muito crescida. existência da prova da virgindade na Hispanha. Eis o que a esse respeito diz P. e começam os divertimentos. entre os ciganos abastados. «Se o lenço não apresenta vestígio algum de sangue. etc. csfor- çam-se por espetar os gallos que estão dependurados de uma corda ligada a differentes arvores. é guardado pelos pães do noivo*.217 no dedo indicador.

p. Mais je puis affirmer que : la coutume que j'ai tout d'abord indiquée est certaine bien avant Borrow. as Bendita la maré Que tiene que dá Como dinaba rosita y mosquetas Po la madruga. 240) d'un mouchoir sans tache «sans lequel il n'y aurait pas eu de noce». un autre Anglais Tavait décrite avec des détails accessoires qui ont leur intérêt. ainsi que la ceinture il de chasteté elle-même. Tendi mi panuelo Como salieron maré três rositas Como três luseros. J'ai appris ainsi que cette coutume. et moi. avait en quelque façon pénétré chez les Bohémiens du Piémont et même de la Suisse. mas não sem exemplo. j'ai rencontré bien des fois en France des Bohémiens plus ou moins affiliés à ceux d'Espagne. craint de blesser sa pudeur. ment (p. naturellement pratiquée aussi par la plupart des Bohémiens du sud-est de la France qui se rattachent étroitement à ceux d'Espagne. riu-me o casamento catholico de O um sr. En un praito herde . alude á la costumbre que tieseguidillas gitanas diz E em . plusieurs me Tont décrite en : détail. como la que lleva el num. et supprime conséquemment les marques de sang sur le fameux mouchoir. Ainsi Borrow ne nous renseigne pas sur le point essentiel décrivant une noce gitana à laquelle il avait assiste. comme drapeau de la fête ce qui serait tout à fait de nature à induire en erreur. nota: «Esta copla. Deusdado refe- cigano trasmontano com a filha de um lavrador que delle se agradou e se dei- xou raptar por elle. ne fait qu'une allusion obscure 239) à la défloration par les matrones. mais avec des modifications importantes et qui lui ôtent une partie de son cachet oriental. casarem ciganos estranhas com mulheres á raça. 107 e 117. qu'il mentionne pourtant en le distinguant de la ceinture de chasteté (dont je parlerai tout à Flieure). prés desquels j'ai pu m'assurer de sa réalité. et qu'on avait arboré. : parle même (p. O cigano não renunciou á sua vida pelas feiras.» Machado y Alvarez dá nos Cantes seguintes seguidilhas gitanas : flamencos.218 È raríssimo. emquanto a mulher permanecia em casa. 20 de las de esta Coleccion.

1879): e «La dimane delle nozze. se a prova falhou. as quaes são recebidas com tanta alegria quanto é o desprezo que ella merece. os ciganos em Évora casam catholicamente. como succede no continente africano e na Ásia. Deuteronomio . Ob. la camisa de la desposada para que las famílias conocidaspuedan cerciorar. Se o noivo punha em duvida calumniosamente a virgindade da noiva. essa operação. Machado y Alvarez. Nuziali lermo. 303 e seg. 13-21. Usi Natalizi. Uma matrona é quem entre os árabes e coptas procede á prova com um lenço de linho que lhe envolve o index. num Mas nesses povos tal operação não tem por fim verificar o estado de virgindade. com relação aos ciganos domiciliados Lisboa. Ploss.. As raparigas sakkalavas de Madagáscar praticam em si próprias Na Austrália ella é brutalmente realisada pelos logar solitário. cit. se as ha. A. Das Weib in der Natur-und Võlkerkunde. o qual se mostra ensaguentado aos parentes.. O mesmo se segundo apurei. prova da virgindade apparace já na Biblia. 301. á virgindade que se enProstituição. casos de ciganas casadas com estranhos á domiciliados dá. Funehri dei Popolo siciliano (Pasi mettea in mostra la cajni- . Costume semelhante se encontra entre muitos povos orientaes. xxii. e os costumes dessa gente provam o ção apreço dado á honra feminina. Como vimos as ciganas gosam de reputade fidelidade. No Egypto a prova é tirada com um lenço de musselina. o pae d'esta extendia o lençol com a prova á face dos anciãos da cidade. ob. logo que os seios da virgem começam a dilatar-se. Na Rússia meridional mostram-se as manchas sanguineas. em Relativamente a divorcio nada pude apurar.se de la virginidad de la doncella de la víspera. Barata. Pitré. i^. o homem deseja convencer se que a mulher com quem vae casar está virgem. nen los gitanos.» A laceração do hymen anterior ao coito apparece em vários povos. Na maior parte dos paises d'essas duas partes do mundo. de presentar. cit. 117 n. p. da camisa da noiva. Segundo informação do sr. velhos. Os búlgaros exigem do noivo a prova de que a noiva estava virgem. H. traslada a respeito do mesmo costume no povo da Sicilia a seguinte passagem da obra de A G. p.219 Ha também raça. Na Núbia a operação faz-se simplesmente com o dedo e ante testemunhas. ai dia seguiente de la boda. F.

simulação do rapto da noiva. questo fato pare che allude la frase popolare La me cammisa *un arristau hhianca. exemplo: Numa das ultimas feiras de Villa Viçosa. e é até bem conhecida em diversos logares de Portugal. em um botequim. assim como em muitos outros povos. e a que se entrega é desprezada. ou solteiras ou casadas teem convivido com estranhos. encontra-se entre tsiganos de outros paises. havia uma cigana Um prostituta (caso rarissimo). 226. pois os ciganos solteiros. » cendal de la desposada. «Fra il gli Zingari turchi. 42 : «Todavia se conserva entre muchas famílias gitanas la costumbre antigua espaiiola que desapareció con la accesion de la casa de Áustria ai trono de Espaiia y á la que se sujetó Isabel de Castilla cuando se caso em Valladolid con Fernando de Aragon. Mayo diz. esto el es. diz Colocci. dia de tornaboda .220 trega ao esposo. perche i parenti e i vicini potessero scorgervi i segni suddetti. Referem-me que na corte portuguesa existia ainda neste século : egual costume corte. la de mostrar á los convidados el . e expulsa da tribu. Esse caso de- via ter-se dado antes de 1879. nem ao pé d'esse botequim chegavam. Todavia algumas ciganas. a fim de verem as provas da recente perda da virgindade da noiva e poderem attestá-la. com ciganos. a prova da virgindade de uma rainha e da consume maçâo do casamento era apresentada aos ministros grandes da Adoptaram gitanos tido e ciganos esse costume na Hispanha ? Trousó xeram-no de outra parte? E um problema que pode ser discu- num A estudo geral sobre as migrações dos tsiganos. as vizinhas e comadres do bairro. pois por essa epocha appro- cia delia sposa. que costumam entrar a miúdo em todos os botequins das feiras. Pires colligiu a seguinte informação «E rarissimo entregar-se uma cigana. la prueba justificativa. ultimo vestígio do verdadeiro rapto primitivo. la trimonio) consiste talvotta nel simulara una zufí'a. cerimonia (do madurante laquale giovane rapisce Un : monio zingaro a Costantinopoli viaggiatore cosi narra un matri«II y avait foule nombreuse à .» em a mãe fazer a cama no Outra variante siciliana do costume dia seguinte ao da boda. la sposa. p. p. clie nelle loro zuífe le donne si riman- A dano per ventare Tonor consiste loro. : como não ha regra sem excepção. quando estão presentes os parentes do marido.

que foi amante do ultimo conde de Vimioso. ainda alli xlmadamente foi vive uma cigana afamada.» Essa explicação permitte-nos interpretar a informação incompleta reproduzida acima todavia o sentido da cerimonia pode ter-se alterado entre os ciganos. outro que reside Lisboa e dizem ser rico. . come Gringoire ed Esmeralda. Está na companhia de um filho que é alfaiate. ed essi son fatti legittimi coningi. Questi smarriti. vid. diz o meu infor^ fidalgo. accidentale o voluntária. finchè sussiste presso di essi alcuni di quei frammenti. se non colla rottura d'un secondo vaso. ecc. assim mas que tem nome como em mador. Esta cigana é a cantada nos acompanhamentos de viola com o nome de Severa». fiuit me s'empara accompagnés de leurs parents.. préh. pendant laquelle les fiancés s'étaient rencontrés prés d'une des tentes. armes de batons et simulant une lutte. i coningi divengono perfettamente liberi. pp. Et ainsi cette noce patriarcale. 22Õ-226 «In Ispagna e in Moldávia (secondo Borrow e Cogal: niceano) la cerimonia delle nozze consiste ancora nel rompere clie fa la sposa di un vaso di terra davanti aCuomo dei qual è per farsi compagna. l'entrée de la prairie de Boyuk-Deré. como as demais que aberram dos principies da seita. et Ton voyait aller et veuir d'une tente à Tautre les parents des futurs époux ainsi que Ics invitós. p. Z. Lejeunehom- de sa future et Tayant embrassée rentra avec elle dans sa tente. Segundo uma informação recebida de Évora.221 prohibido o estacionamento de prostitutas nos botequins das feiras de Villa Viçosa». Ciascuna delle parti raccoglie alcuni frammenti dei vaso e li conserva presso di sè con moita cura. e poi d'un terzo. . nè ponno piu rinnovare la loro unione. suivant Tusage. Consiglieri Sobre a simulação do rapto nos casamentos populares em PortuPedroso in Compte rendu de la neuvieme sesnnn dn Congres d'antropoL et d''arclieol. La convivenza loro è considerata obbligatoria. Relativamente á cerimonia do cântaro quebrado. Après quoi ils partirent ensemble pour aller fêter la dive bouteille. . 628 segs. vejamos Colocci. Les tentes des familles dcs futurs conjoints étaient à une distance d'une vingtaine de mètrcs environ. . ou Ton célébrait im mariage bohcmien. per qualunque causa.» gal. «Esta cigana. foi desprezada de todos e vive isolada com o filho .

chorae. Isso. graças á sua obediência aos costumes tradicionaes da raça 2. fadistas. nesse ponto de vista.» . row. p. além do grande Cancioneiro popular (Porto. Era considerado nesse tempo como o primeiro ter visto tourear cavalleiro e negociava em cavallos como os ciganos. Quando lhe foram dizer tua Severa morreu. . em Lisboa. vid. vid. Que uma fadista morreu Hoje mesmo faz um anno. Segundo uma informação de Pires. Colocci. Que a Severa falleceu. que exaggeram sem duvida a virtude : da gitana e das tsiganas em geral. fidalgos foram muito aficionados ás ciganas. Bor323-337 e Mayo. 220-224 e 227. Hoje ellas estão evidentemente decahidas d'esse antigo favor. 140-141. Os As ciganas são muito livres de lingua. 39. 1867). 1. Cf. 192. attrahiu-lhes por vezes uma reputação que geralmente não merecem. junto com os seus modos facilmente provocadores. e d'ahi resultou mais que uma linha de bastardia. supra i 2 p. Costumes fúnebres. Sobre as desencontradas opiniões relativamente á prostituição ou castidade das tsiganas. porque o nome da cigana de Évora não é Severa. quando morre um cigano é enterrado pelos da tribu em pleno campo e sem mais formalidades. que eu me lembro de e na praça do Campo de Sant'Anna.222 O Fado da Severa * foi colligido em Coimbra pelo : sr. Theophilo Braga e começa pelas quadras seguintes Chorae. O Conde de Vimioso Um A Por isso duro golpe soíFreu. pp. não se pejando de dizerem as maiores obscenidades. O ultimo chega a dizer En ningun lupanar de Europa se encuentra una prostituta gitana. No que respeita ás gitanas. parece-me que esta seria amante de um conde de Vimioso mais antigo que o ultimo. p.

em tempo Villa. segundo outras informações. Segundo uma informação. rados Em Cuba nas propriedades de um pensava-se que oram enterlavrador rico e titular. aquelle cigano que vivo não valia o pae esse dinheiro. As creanças (pelo menos algumas) são enterradas nos cemitérios christãos. o cigano marchou de noite com os es- abandonando o cadáver insepulto na casa onde luto pelos mortos tavam. que é de cor preta As viuvas cortam á cabeça. que não dava mais de 500 réis. diz-se que se ignora onde os ciganos enterram os cadáveres dos adultos. usando então de lenço amarrado Relações com os tsiganos dos outros países. corpo. quer sejam os gitanos que venham a Portugal. quer que atravessem a fronteira para irem a Hispanha. Não mettem na sepulmas simplesmente o Diversas pessoas diziam que os ciganos enten-avam a occultas os cadáveres dos adultos. Os ciganos acham-se muitas vezes em contacto com os gitanos. Já vimos que vinham alguns dos últimos á feira de Évora. soltando estas cadáver ó acompanhado de homens grandes alaridos. padre lhe pedisse 2j5i400 réis. sejam elles Nas terras portuguesas próximas da fronteira são vistos muitas vezes. parece que se entendem bem com os ci- ganos. e como o padre não se quiz satise como o disse-lhe fazer seus.Viçosa fallar um cigano foi em ao parocho para lhe enterrar o pae. com tal oíFerta. principalmente por tsiganos caldei- . fora de sagrado. Os ciganos deitam (callardó). tura nenhuns utensílios ou armas. Mas não bai- lam nem cantam por essa occasião. Nalguns pontos do Alemtejo. protector d'elles.223 choro das mulheres e das creanças. o troço do cabello e não o deixam crescer emquanto viuvas. Portugal é por vezes percorrido por bandos de tsiganos d'além dos Pyrineus. O e mulheres.

suas tendas. etc. lingua. Augusto Neuparlh de que em Santa Combadão. . E. parte dos quaes entraram varias vezes na cidade. Infelizmente foi-me impossível então ir examiná-los de perto. . o corpo mal coberto de farrapos e esses sórdidos e fétidos. estabelecidos nesta cidade. está estabelecido um individuo chamado José Duarte. pelas 3 horas da tarde. Nestes últimos annos vieram até ás proximidades de Lisboa dois bandos de tsiganos húngaros. toldos. Armaram as tendas. e barba longa e esquálida. «O aspecto d' esta gente é hediondo tez morena e afeiada pela habitual falta de limpeza. visto ha annos em Elvas. «Levantaram o campo em consequência de cento mil réis que a alfandega lhes exigia como fiança a 17 cavallos que traziam e puxavam os carros. para que se produza entre influencia nos costumes. um tsigano húngaro ou filho de tsiganos húngaros a quem o país agradou. miseráveis como os restantes apenas os distinguiam os bastões com ponteira e maceta de metal branco. quinta-feira. que apresenta typo tsigano. os quaes. tem contacto com os ciganos. servindo-se. Entre a caravana vinham : dois duques. etc. como é de uso entre elles. «Exerciam o mister de caldeireiros e com tal proficiência que deixaram pasmados os artistas nopolitanos de egual e tantos profissão. uma caravana de ciganos húngaros que se compunha de uns 50 entre mulheres e creanças. «Acamparam ha dias no rocio da Fonte Nova e levantaram hontem. ao que parece.224 reiros da Hungria e tsiganos conductores de ursos e ma- cacos da Bucovina. Duarte é casado com uma portuguesa. elles qualquer Informa-me o meu amigo sr. todavia parece que as relações não são muito intimas. estação do caminho de ferro da Beira-Alta. sem duvida. de seus carromatos. cabellos compridos e immundos. Reproduzo uma noticia acerca de um d'esses bandos. mais fino que o dos ciganos. e a quem chamam o húngaro. Tem uma taberna e trens de aluguer.

«Quando fizemos visita ao campo. «As creanças usavam igualmente botas até ao joelho. traziam objectos para vender e concertavam os que lhes confiassem. mas pretas. com as mãos e comida com uma voracidade joz. quando algum estranho se appro- ximava. Como em Elvas. negros e rasgados. nabos crus salgados. sardinha feita mãos e lançada numa certa de ferro d'alli immunda. e os olhos de todas. As mulheres não sabemos se usavam arrecadas.se e. á entrada da villa. é alli a spectactio gentium. garos. Queixavam-se de ter pouco negocio em Portugal e tencionavam voltar para Hispanha. «Soubemos agora por uns amigos que chegaram de Badaque se acha alli acampada (a caravana) ás margens do Guadiana. mas viam-se-lhes ao pescoço collares de preço e contas de oiro. pediam-lhe de mãos postas alguns francos. pés. etc. Os saíram á estrada a esmola. 127. em forma e ta- manho de um ovo de gallinha. tirada canina. que tinham armado uma alli caravana de ciganos húntrês grandes barracas. faiscavam de brilhantes. iii anno. mal cozida. se não fossem mais felizes em Évora. e quasi todas fumavam de cachimbo. antes se ou se torna indifferente » * ! surrateira Em maio de 1883 viu Thomaz Pires na alameda de Borba. Havia algumas com feições regularissimas. Elvas. tivemos occasião de ver como esta gente se alimenta: couve verde fervida simplesmente em em pedaços com e. ri E a caravana não pasma de curiosidade. 22 de outubro de 1869.225 e uns botões no collete do mesmo metal. Dois d'esses rapazes pedir disseram eram ciganos que caldeireiros. 15 . beijando-lhe as mãos. Vinham da Hispanha e dirigiam-se a Évora. as creanças acercavam. «Apesar de sabermos que a caravana trazia objectos preciosos de prata e oiro. Diziam-se feito 1 A Democracia pacifica. as agua. porque tinham a cabeça atada com farrapos. e algumas usavam de botas encarnadas.

hoje fora do curso Parecia que conheciam bem essa moeda. O fino. homens. se julga reunírem-se todos os ciganos alemtejanos. onde como se disse já. mulheres e creanças. um cigano alemtejano que lhe affirmou que os ciganos húngaros fal- lavam o rumanho. No Alemtejo ha quem calcule existirem 2:000 a 3:000. que o dos ciganos alemtejanos usavam o cabello muito comprido. como elle. Talvez esses tsiganos fallassem o hispanhol misturado com termos da sua lingua e com termos gitanos. como já foi referido. Pires encontrou mais tarde. ainda com a sua grammatica Estatística. Traziam cavallos só para seu serviço. não faziam negocio de gado. assim como o sr. legal). nas transacções feitas com elles. Pires diz que á feira de Villa Viçosa de 30 de maio de 1883 concorreram mais de 500 ciganos alemtejanos. Não natiiraes gostavam de ser comparados com estes. anteriormente transcripto. ainda com alguns de outras províncias. O seu vestuário era como o da caravana descripta no artigo typo era mais . diziam. E impossível saber. concor- dando ambos em que naquella província não haverá mais ou muito mais de 400 a 500. Gabriel Pereira. distincta. lhes pagassem em pintos (moeda portuguesa de 480 réis. qual o numero de ciganos que ha em Portugal ou ali em qualquer das suas províncias. Os dois fallavam perfeitamente hispanhol e eram muito attenciosos e sympathicos.226 da Hungria. O informador de Barbacena. Fallavam. como já vimos. que não poderia entender o dialecto tsigano húngaro. . João em Évora. dando assim ao cigano alemtea jano impressão de que fallavam a hnguagem peculiar deste. que não era a dos ciganos hispanhoes. Os ciganos a que se refere esse artigo pediam que. acham muito exaggerado esse numero. uma pois lingua especial. O segundo informador baseia-se na estimativa a olho (sem contar) dos que concor- rem á feira de S. sequer approximativa- mente.

a historia e os cosdistin- tumes mostram que os ciganos de Portugal não se guem por nenhuma particularidade importante dos gitanos de Hispanha. vêem muitos centos d'elles. abstrahindo das diíFerenças resultantes de influencias locaes. . Os factos glottologicos. Esses doisultimos Conclusão.227 A uma feira das Caldas da Rainha ha quatro ou cinco annos não concorreram mais de 50 da Extremadura. diz-se. todavia informam-me de que á feira annual de Sacavém. perto de Lisboa víncia. que principalmente se fazem sentir nos gitanos andaluzes. Nesta protambém deve haver alguns milhares de cigacômputos são talvez exaggerados. nos.

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communica-me o seguinte : «Existem na Camará (de Évora) documentos acerca de ciganos desde 1549. 15 de julho de 1686. Citam o art. José Lopes de Mira e a do Livro VI de Registo^ fl. 16 de setembro de 1566. Bar- O sr.'' das cortes de Évora de 1535. António Francisco Barata. 17 de agosto de 1557. 137 do II . fl. feitas por D. n. fl. Devo a copia dos documentos tholomeu de Azevedo.°^ 5 e 6 ao sr. 174 v. D . 28Õ do xii. «Tratam da expulsão dos ciganos estranjeiros e da prolii- bição aos nacionaes de trajarem a seu uso e de nao trabalharem. 315 do vi. fl. por faltarem os respectivos registos ou diplomas no Archivo Nacional. 20 de maio de 1587. nem os originaes -ou copias coevas d'outros reproduzidos de collecções impressas. ordenam que os façam trabalhar e aprender ofíicios.. 175 e 176 datas de 8 de outubro de com 1549. 314 do Livro de 100 v.24. 22 de maio de 1694 e 23 de janeiro do 1699. da Bibliotheca publica de Évora. P..APPENDICE I DOCUMENTOS Não me foi mentos dados possível encontrar as integras dalguns docuem extracto. João III. 15 de maio do 1694 (diversos). fl. nos Livros dos originaes a fl.

v. roxo ou 3. 321. fl. intitulado Capítulos de cortes e leys que se sobre alguns Com priuilegio real. iij sente dei rey nosso senhor na ciGalharde empremidor. (philippina). introduzo todavia alguns signaes de pontuação e faço algumas correcções. (74 foi. D. cortes de Torres nouas E nas Deuora : do anno de mil e quinhetos e vinte e cinco. xxxvi: : Capitolo CXXXVIII «Item. 244. Anno de M. XVII. e se saião os que nelle estiverem e diz quasi o mesmo que a lei 24. .). «Capitolos geraes: que foram apresentados a el Rey dô Johã nosso senhor terceiro deste nome xv Rey de Portugal nas um bello exemplar em pergaminho do Archivo : : . . De mil c quinhetos e trinta e oyto anos» e entre eles se lê a foi. Lisboa.] 1638 No volume delles fezeram. e de 26 de Novembro de 1538. acham-se. Anno do nacimcto de nosso senhor Jesu christo. [José Anastácio de Figueiredo. i. tit. 1526 «Alvará de 13 de Março de 1526. das chamadas das Cortes. pedem a vossa alteza aja por bem que nunca em tempo alguu entre ciganos em vossos reynos. mandado do qual tive preNacional. As leys que ho dito senhor fez sobre alguns dos ditos quaes fora publicadas na Cidade de Lixboa no ano : E de seu Reynado e xxxvii de sua idade xxix dias do mes de Nouembro.» em que o pouo recebe muyta perda e . 69. capitolos. porque delles nâo resulta outro proueito se não niuytos furtos que fazem: e muytas feytyçarias que finge saber: fadiga.230 Lzo a dos documentos consoante se Reproduzo orthograph orthographia eucontram nos originaes. 1790. senhor. da Supplicaçâo. tem no fim Fora impres: sos estes Capitolos e leys per : dade de Lixboa per Germã dias do mes de Março. E acabara se aos xxxix.». para que não entrem Ciganos no Reino. que cita o Liv. do anno de mil e quinhetos e trinta e cinco com : : : suas respostas. Synopsis chronologica. no pr. e a Ord. registos ou collecções impressas. liv. nov. encontram resolvendo em geral as abreviaturas.

«Vendo eu o prejuízo que se segue de virem a meus reynos e senhorios ciganos: e neles andarem vagando pelos furtos e outros malefícios que cometem e fazem em muyto dano dos moradores de meus reynos e senhorios.» il. e 1535. abril de 1579. 22. tornar outra vez a entrar nos ditos reynos e senhorios será outra vez açoutado pubricamente com baraço e pregam e perdera todo : : mouel que teucr e lhe for achado a metade pêra quem o accumetade pêra a misericórdia do lugar onde for preso. Synopsis chronologica . se accrescentão as penas até galés. .» o : sar: e a outra : : 1557 «Lei de 17 de Agosto de 1557. Porem sendo alguu natural de meus reynos não será lançado fora delles e será degradado dous annos pêra cada huu dos lugares dafrica: alem das sobreditas penas. publicado na Chancellaria mor do mesmo mes e anno.** 6).231 Reposta «Ey por bera que nâo entrem ciganos em meus reynos daqui por diante como neste capitolo me pedis e disso farey ley. o alvará de 11 de . abaixo reproduzido doe.w E a foi. . 138. e aggravo. O que auera lugar assi nos ciganos como em quaesquer outras pessoas de qualquer naçam que forem que andarem como ciganos posto que ho nâo sejam.] 3Sr-<^ -3= 1573 em Évora a 28 «Alvará de 14 de Março de 1573. Que os ciganos não entrem no rei/no. [Figueiredo. que não entrem os Ciganos nestes em que alem do que he mandado no Cap. 1525. a cuja execução se procederá. dando appellação. n. E se despoys de passado o dito termo for mais achada algua das ditas pessoas por não se^ sayr dentro no dito termo ou posto que se saisse . como for de justiça. Mando que daqui em diante nenhuns ci- ganos rios : assi e entrando : pregam e homês como molheres entrem em meus reynos e senhosejam presos e pubricamète açoutados com baraço e despoys de feita nelles a dita execuçam lhe será assinado termo conveniente em que se sayâ dos ditos reynos e senhorios. das Cortes de Reinos. Lxvii : Ley XXIllI.>> (Vid.

quamdo hally fora pobrjcomo todo se mostraua da sentença que oferecia. homde se não mostraua certjdão de forão presos. e hera fraquo he quebrado. tores paullo affonso e amtonjo vaaz castello etc. ey por bem . em outros cimquo anos pêra o brasyll. ano do naçimento de noso snr Jhu xpo de m Roque vieira a fez escreuer. 168-1C9. visto outrosy como he feyta execuçam dos haçoutes por tamto vos mando etc. 16 de Legitim. das (chamadas das) Cortes e que tanto estas.232 «Na Apostilla de 15 de Abril do mesmo anno se declarou. pelo caso de que faz menção. fl. fora elle não ser sabedor da tall ley por jr he vyr ha caspreso he acusado pela justiça. e pelos Ouvidores nas Terras. me praz se assy he como dis. e Comarcas. e eu vemdo o que me asy dise he pedir emvyou. Seh. elle he sua molher amgylyna e condenado per sentença da mor allçada. de lhe cumutar os cimquo anos em que foy condenado pêra as gualles. he por que dos haçoutes.] 1574 Dom sebastiam etc. Liv. visto ho que halegua e declara. fossem achados sem appellação nem aggravo. 189. dioguo fernandez a v*' Ixxiiij" anos.» [Figueiredo. elle em çimquo anos de degredo pêra as gualles e açoutados publicamente. e a dita sua molher se sahyrya do Reyno em dez dias. ficassem sugeitas ás penas da dita Lei 24. çiguano preso no lymoeyro. me pedya que ouuese por bem que se sahyse loguo do Reyno ou que fose pêra o brasyll pêra sempre e podese leuar sua molher avemdo respeito a pena que já tinha Recebyda etc. Synopsis chronologica. cO baraço e preguão. ii. D. e não hera pêra serujr em cousa de mar e muito pobre. faço saber que Johão de torres. onde nào entrão os Corregedores por via de Correição. queremdo lhe fazer mercê visto hu parece com o meu pase (?). estaua no lymoeiro. baraço he preguão hera feita execuçam e a dita sua molher hera fora do Reyno e elle ser presente. el Rey noso snr ho mamdou pelos doue . homde perecia ha mjmgoa. me êujou diser per sua petição que estamdo na villa de momtalluão morador e jmdo e vjmdo a castella fora preso he acusado pela justiça. na forma dada em allmeyrim a vij dias dabrill. homde leuara sua molher e filhos.. fez. dinzemdo que semdo ley deste Reyno que toda geração de çiguanos não vjuesem neste Eeyno e delle se sahysem em certo tempo e por tella. visto como cada em momtalluão. D. que ^âo tjnha nada de seu.] . onde . c [Archivo Nacional. como as mais impostas aos Ciganos fossem executadas pelos Corregedores e Juizes de Fora dos Lugares. Jleiír. que como nas mulheres não podia ter lugar a pena das galés.

hofficiaes e pessoas dos djtos meus Rejnos que cada hu e sua jurdiçam cumprão. como acjma he dito. posto que polia ley vinte e quatro dos capitólios das cortes que se fezerão no ano de trjnta e ojto e pello capitólio vinte e cinquo do Regimento que mandey dar aos presjdentes das allça das que forâo visitar meus Rejuos. E querendo nisso prouer ey por bem e mando que e todos hos lugares de meus Reynos se lancem loguo pregões pubricos. ouujdores. perda e trabalho. nas praças e lugares acostumados. ou minhas pêra podere estar nestes Rejnos. e mando a todos meus desembargadopreso e açoutado publicamente no lugar res. os ditos ciganos e pessoas não deixão por jsso de estar e andar nelles e fazer muitos litos fui tos e outros insultos e del- de que ho pouo Recebe grande opressão. corregedores. e que achandose que não teuerã diso o cujdado que deujão se ha de proceder cõtra elles como ouuer por meu seruiço e asj mando ao chanceler mor que pobrique esta proujsão na chancelaria e euie . que começarão do dia e que se derê os taes pregoes. que os ciganos e ciganas e quaes quer outras pessoas que em sua companhia andare se sayão dos ditos meus Reynos dentro de trjnta dias. guardem e façam asj jnteiramente fora. certos comprir e guardar semdo os ditos corregedores. Eu el Rey faço saber que eu são jnformado que. pobríquem loguo nos luguares homde estjuere e façao pobricar e todos os outros lugares de suas comarquas e ouujdorias e Registar nos liuros das camarás delles pêra que a todos seja notório c se . da que o terllado lie o seguinte. que santa gloria aja. ouujdores. loguo cartas c5 ho treslado delia sob meu sello e seu sjnal aos ditos corregedores e asj aos ouujdores das terras e que elles não estão per uia de coreiçam aos quaes corregedores e ouujdores mando que ha . juizes de que se ha de preguntar por este caso e suas Resjdencias.^ e 1579 Alluara sobre os ciganos Eu el Rej faço saber aos que este alluara uire [que hoj que cl Rey meu sobrinho que deus tem pasou hua proujsão feita a catorze dias do mez de março do ano de v^ setêta e três. nc has pessoas que amdão ê sua companhia amdem. e acabados os ditos trjnta dias qualquer cigano que for achado nos ditos meus Reynos por esse mesmo feito será loguo omde for achado e degradado pêra sempre pêra as gallees posto que tenha proujsão do dito senhor Rej meu avo ou minha pêra poder estar ou andar nestes Rejnos. se embarguo de allgus delles tere proujsões dei Rej meu senhor e avo. ne estem nos lugares dos ditos meus Rej nos.233 3sr. está bastantemente proujdo pêra que hos ciganos. juizes de fora e ordjnarios e quaesqucr outras justiças.

261. ou viver mais em ranchos. titulo xx. ou se não avizinhassem nos Lugares sem andarem vagabundos. sê embargo da ordenaçam do segundo livro. Gaspar de sousa a fiz em Évora a xiiij" de março de mv*^lxxiij.] . fazendo-os para isso prender os Ministros das terras. e mando ao meu chanceler mor que pobrique este alluara na chancelaria e êuie o trelado delle sob meu sello e seu sinal aos corregedores e ouuj dores das comarquas de corregedores e ouujdores meus Rej nos. 1. que samta gloria aja."] 1592 «fLei de 28 de Agosto de 1592. e que amdem vestidos ao modo português. acima tresladada se cumpra e guarde jnteiramente como se nella conthem. aos quais mando que ho pobriquem nosloguares omde estiuerê e o façâo pobricar ê todos os lugares de suas comarquas e ouuidorias. Johào de sousa o [Archivo Nacional. 57 v. que diz que has cousas cujo efeito ouuer de durar mais de hú ano passem per cartas e passando per alluaras não ualhão. ou Quadrilhas . e se sam casados e o modo e meneo de suas vjdas e costumes e parecêdo lhe que uiuê bem e que trabalhão e não são prejudiciais. lhe poderã dar licença. que dentro de quatro meses não sahissem de Portugal. ii. o qual se jnformara de como uiuê e de que mesteres usão do João. que deus tem. senão ê bairros apartados. com tal declaraçam que hos ciganos que teuere leçemças dei Rej meu jrmão. nem estar. e do dito Rey meu sobrias examine nho." de Leis. Liv. e este se Registara na mesa do despacho dos meus desembargadores do paço e nos livros das Rellações das casas de suplieaçam e do ciuel ê que se Registarão as semelhantes proujsões. fl. tudo sob pena de morte natural. em que se exasperão mais as penas contra os Ciganos.234 cumpra e de jnteiramente ha execuçam como nella se cothem e esta . Jorge da costa a fiz escreuer. que se faria execu- e procetar. fiz escreuer. se Registara no Livro da mesa do despacho dos meus desembargos do paço e no das Rellaçõis das casas de suplicação e do çiuel e que se Registarão as semelhantes proujsões e ey por bem que valha e tenha força e vigore como se fose carta feita e meu nome por mj \ asjnada e passada por minha chancelaria. não permitindo que uiuão juntamente c hum bairro. E ora ey per bem e mando que ha proujsão do dito senhor Rej meu sobrinho. nem aggravo. dendo contra elles até á execução sem appellação. não podendo andar. Synopsis chronologiea.» [Figueiredo. para que a todos seja notório. perante hu dos Corregedores de minha corte dos feitos ciuis. pedro de sousa ha fiz e Lixboa a xi dabril de mv'' setenta e noue.

Soarez. Luiz Ferz. por lhe asim pareser se asinaram todos. pello que detreminarã que fossem noteficados que demtro era três dias se saicem desta cidade e seu termo para o que se lhe pasaria carta pêra lugar serto. eu João Sirueira que ho escreui. os quais se emcobrem dibaicho desta capa de diserem que os fiserâ os siganos." 1. (a) Siqr. Joam -f. (a) Siqr.^ Carnjde. armário n.] 54 a 55. Por aqui ouuerão a Camará de Verasã por feita c acabada e se asinaram. eu João Sirueira que ho escreui." 21. e semdo achados pasado o dito termo se prosedera comtra elles com todo o rigor e de tudo mandara fazer este termo que todos asinarâ. Archivo da Gamara de Elvas. [Livro das vereações da Camará Municipal de Elvas.*» de Carualjall. N. por quanto desdo dito tempo pêra ca se tinha feito muitos furtos de bestas e outras coizas e amdaua a gente da sidade ta es- camdalizada que se temia hu mutim comtra elles." de Carualjall. eu João Sirueira que ho escreui. e amtes de se asinar o . Llogo nesta Camará pello Juiz e Veradores e procurador do concelho foi acordado que comvinha ao bem pubrico e quietaçã desta cidade nã se comsemtirem nella os siganos que os dias pasados se viera avisinar com precatório do corregedor do crime da Sidade de Lisboa. Joam -f- Soarez. maço n.» fl. eu João Sirueira que ho escreui." N. queremdoa. posto que as testemunhas nã sabem expesificaidamente quais dos ditos siganos o fizesse (sic) e alem diso por esta cidade ser de gemte belicoza e da raia e acim de comtino acomtesera muitos cri. mandara requado ao sor amdre gomçalvez de Carnide Corregedor desta Comarca para lhe darem comta deste negosio amdito termo tes partes de se dar execuçã o qual dise que dipois de pasada a liei nas omde resedira nunqua comsemtira avesinarem-se siganos dipois de serem escolhidos lugares na forma da lei e que lhe pare- sia muito bem nã se ametirem os ditos siganos nesta cidade pellos gramdes emcomvenientes que quada dia pode soseder por ser terá belicoza e da raia.235 jsr-° 8 1597 «Aos dezasete dias do mes de junho (de mil e quinhemtos nouemta e sete annos) fiserâ Camará de veraçâ os sennòres Juiz e Veradores e procurador do concelho abaixo asinados. . maiormente depois que ouve algfís furtos que conhesidamente se soube serem feitos per elles. mes de diverças maneiras. do anno de 1597.

eu João Sirueira que ho escreui. data que . onde forem presos e sendo algumas da ditas pessoas. [Ordenações philipinas. não entrem em nossos Reinos e açoutados e Senhorios. liv. Ar- IT. como mulheres. v. Joam -j- Soarez. seraõ lançados delles. E com baraço e pregão. Que naõ entrem no Reino Ciganos.] fl.« [Livro doa vereações chivo da da Camará Municipal de Camará de Elvas. e lhes for achado. E lhes seja assinado termo conveniente. Luis Ferz. As foi Ordenações philippinas foram concluídas posta no alto do extracto. em que se saiaõ fora delles. Arábios. que com elles andarem. J. . alluez quinhemto e novemta e sete anos. ametade para quem os accusar.^ IO 1603 Mandamos.] cm 1595 e publicadas em 1603. eu João Sirueira que ho escreui. Persas. maço Elvas. e percaõ o movei. Arménios. que os ciganos. N. que tiverem. de Lemos. assi homens. mas seraõ além das sobreditas penas degra- dados dous annos para Africa. tit. nem outras pessoas. do anuo de 1597. Luís Ferz." 21. de qualquer Nação que sejaõ. llogo nesta Camará foi praticado dos muitos furtus que os siganos fazia nesta cidade e mandara os sennõres Veradores e procura- dor do concelho apregoar que todo o sigano. armário n. nem Mouriscos de Granada. (a) N<' de Carualjall. sejaõ presos a dita execução. naõ se saindo dentro do dito termo. e a outra para a Misericórdia do lugar. E feita nelles entrando. n. 50. 69. que fosem achados nesta cidade e seu termo que fosem presos e que se prosederá comtra elles eomforme a liei . que com os Ciganos andarem." de Carasi- por aqui ouverã a Camará de uerasã por feita e acabada e se narao. ou tornando outra vez entrar sejam outra vez açoutados.236 1597 «Aos e três dias do e sete anos fiserã mes de junho de mil e quinhemtos e novemta Camará deureaçâo os sennõres Juiz e Veredores procurador do Concelho e se asinarã. tirado dois que esta avesinhados nesta cidade. naõ nelles. oje três de iunho de mil e eu João Sirueira que ho escreui ualjall." 1. (a) J. alluez de Lemos. naturaes destes Reinos.

e danos. nauegação. que todos os ditos julgadores tenhão grande vigilância em comprir inteiramente a dita Ordenação do livro 5. nem as penas que nellas se declarâo são bastantes para elles se sahirem fora do Reyno. Rey de Portugal. e nelle residissem. galés tados. e em dez annos para galés e em todas estas penas os poderão condenar os Corregedores. e Ouuidores das comarcas. nem vsem de outros modos e fazendo o contrario se lhes dará em culpa. e não passem as ditas cartas de vizinhãça. e pella segunda vez sejão outra vez açounas residências. em seguimento impressa. e contra forma delia os Corregedores do crime desta cidade de Lisboa. lei de 13 de se- IsT-^ 1Í3 1613 Dom ues. Ev El Rey faço saber aos que este Aluará virem. e da con- quista. e os Ouuidores das terras dos donatários em que elles não entrão per via de correição e as justiças lhes darão tepo conueniente (que não passará de hum mes) para que se sayão do Reyno e pas: : . etc. em três annos para galés. e no dito degredo de em dobro e pella terceira vez serão açoutados. reproduzido na tembro de 1613. e nas mais penas das ditas Ordenações. que tratão dos ditos ciganos se não guardão tão inteiramente. que as Ordenações. que a Ley que fiz sobre os ciganos declarada na Ordenação do liuro 5 titulo 69 imprincipio. que cu mandei passar hum Aluará feito em sete de laneiro de mil seiscentos e seis. antes continuao em roubos. que fossem achados neste Reyno vagando em quadrilhas. sobre os ciganos. Pérsia. do qual o treslado he o seguinte. e dano do Reyno. que posto que pellas ditas Ordee senão aos ditos ciganos mais penas que açoutes pella denações primeira vez que forem achados sejão degradados alem da dita pena.237 lísT. e dia. e dos Algare d'alem Mar em Africa. e outros julgadores lhes passâo cartas de vizinhança. que não cõuem : e porque também tiue informação. Ey por bem. Arábia. queredo nisso prouer. e os fauorecem per outros modos.^ 11 1606 Alvará de 7 de janeiro de 1606. se não cumpre. que eu sou informado. e eu mandarey perguntar por isso : E assi ey por bem. comercio de Ethiopia. sendo tudo em grande perjuizo seu. Senhor de Guiné. que fazem a meus vassallos com geral escândalo. d'aquem Philippe per graça de Deos. da ínFaço saber aos que esta minha Ley virem. e encorrerão : : mais nas ditas penas.

40. Ey por bem. e das casas da Supplicação. que tenhão res para nelle residirem. porque sou informado. ou que lhes fossem passadas cartas de vizinhança: as quaes todas annullo. que faça publicar esta Ley em minha Chancellaria.238 sado o dito termo tornando a entrar no Reyno se fará nelles a exe- cução pellas ditas penas na forma deste Aluara. e quão perjudiciaes são. e aos Corregedo- do crime desta cidade de Lisboa. aos que viuem e residem nas cidades. E mando aos Corregedores do crime em minha Corte. que de todo os não aja. sem em cõtrario. e aos Ouuidores dos mestrados. Mando aos ditos julgadores e justiças. titul. e seu sinal. como molheres. Pêro de sete de laneiro de mil seiscentos e seis. villas e lugares delle e querendo prouer de maneira. Ouuidores se executará : e aos dos Donatários das terras em que os Corregedores não entrão per correição para a fazerem logo publicar nos lugares públicos de suas camarcas e jurisdições. tenha força e vigor. e do Porto e quero que valha. e casa da Supplicação. posto que sejão por mi assinadas. que o dito Aluará se não cumpre e executa. pella maneira que no dito Aluará se declara e nas molheres a pena de açoutes somête. e que andão muitos ciganos por este Reyno vagando em quadrilhas cometedo muitos excessos e desordes. Aos quaes mãdo que logo o publiquem nas cabeças das core este Aluara será registado nos liuros da Mesa do Desembargo do Paço. limitando aos ciganos. e facão em todo cumprir e ao Chãceller : mor. e para vir a noticia de todos enuie logo cartas cõ o treslado delle sob meu sello e seu sinal aos Corregedores e Ouuidores das comarcas: e assi aos Ouuidores das terras em que os ditos Corregedores não entrão per via de correição. E a todos os juizes de fora. e as ey por de nenhum effecto. e asellada com o embargo da Ordenação do Seixas o fez em Lisboa a liuro 2. E por quanto a dita execução lie de grande importância. que neste Reyno residem assi homes. meu sello pendente. e quietação de meus vassallos. sem demi: E nuição das penas que nelle se declarão. em que os Corregedores não podem entrar per correição. ne residão neste Reyno. que tanto que esta Ley chegar a sua noticia a facão logo publicar em todos os lugares de suas jurisdições. que dêtro em quinze dias depois de esta publicada se sayão deste Reyno sem embargo de quaesquer liceças. para bem. e énuiará logo o treslado delia sob meu sello. e se executar como dos mestrados : . a todos os Corregedores. que o publique na Chancellaria. e aos das comarcas deste Reyno. E passado o dito termo de quinze dias em quaesquer ciganos. que forem achados a pena de açoutes e galés. E mando ao Doctor Damiam d'Aguiar do meu conselho Chanceller mòr destes Reynos. e aos das terras dos donatários. que assi o cumprão. e do Reyno. e mãdo per esta Ley que o Aluara nesta incorporado se cumpra e execute com todo o rigor delle. como se fosse carta começada em meu reições : : nome por mi assinada.

iii. [Reproduzido de uma folha impressa avulsa no Correio Elvense. 217-218. Pereira de Castro. 105-106. e mais justiças a que a execução. doe. e comprimento desta Ley pertencer. Ouuidores. e execu- como na execução tarão. e Relação do Porto. Fernandes." 4 1. . nelle se declara. «porque importa que ella se guarde cumpridamente. Nas Ordenações e lei/s. Senhor atras esmi Miguel Maldonado. ii. = REY. que se à de perguntar em suas residências se a cumprirão. atin. João IV. aos treze dias do mes de Septebro. 166-168. 10. 1673).] 1^-° 13 1614 Carta regia de 3 de dezembro de 1014. e dos que se achavâo presos. 41.° 14 1639 • Capitulo de huma Carta regia de 30 de Junho de 1639.239 nella se contem : sendo certos os ditos Corregedores. que ora siruo de escriuão da dita Chãcellaria. Francisco Ferreira a fez. 3sr. achava-se no Liv. Cortez e outros ciganos que pretendiam se dispensasse com elles a lei pela qual se mandavam sair do reino. man- darei proceder contra elles com todo o rigor: e esta Ley se registará no lluro do registo da Mesa dos meus Desembargadores do Paço. alem de me que achandose. Dada nesta cidade de Lisboa. = Damiam Foy publicada na Chancellaria crita por a Ley delRey N. O Collecção chronologica da legislação portugueza (Lisboa 1854 e segs. sobre um requerimento de G. 1819. que se descuidarão auer d'elles por mal seruido. Anno do Nascimento do Senhor lesu Christo de mil seiscentos e treze. I. Collecção chronologica de leis extravagantes. e delia. mandando condemnar para Galés os Ciganos. a 10. João Pedro Ribeiro. de Ouctubro de 1G13 Taxada a oyto reis. Lisboa.] t. de Andrade e Silva. se excusará a sua petição. Annos. 62-^. iv do Desembargo do Paço. 9 de março de 1890. n.). perãte os officiaes delia. C. 1747. i. De manu regia (Ludguni. e a própria se lançara na Torre do Tombo. e de outra vinha requerer seu despacho. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. d^ Aguiar. = Em muyta gente que Lisboa. índice chronolngico remissivo da legislação portuguesa i'.» [G. e nos das casas da Supplicação. que se acharem. i. loão Pereira de Castelbranco a fez escreuer. dando-seIhe conta dos que já estavão nellas. Miguel Maldonado. J. J. Coimbra. p.

e morte hon- porque se sérvio três annos contínuos um pobre Sigano porque lhe não hade V. o pozessem a um oíficio macanico. : na Batalha do Campo de Montijo foi morto com muitas fesempre mui esforçadamente. relatando suas proezas. 360-361 j do Liv. Mande V. P. Magestade filho de tal homem o pozerâo : a officio Cavaleiro. Ribeiro. índice chrpnologico ij*. Magestade). E se nesta forma deste homem. e cavallo. Magestade passar. ou pelejarão. e proezas. porque nelle. para execução d'essa carta. herdeiro dos serviços. sem levar soldo algum. que Jerónimo da Costa. em sua mulher e filhos.240 Participada em portaria da princeza Margarida de 8 de Agosto do mesmo armo. athe deixar a vida. seu Marido. franca. aonde tantos infamemente fugirão. que se lhe faz mercê.lhe Alvará de natural e Cavaleiro Fidalgo. E quando eu estava com alvoroço para ler o grande premio e remuneração. ou tirar delle a narração de serviços. tudo á sua custa. se relata.] 1646 Senhor Vi o Alvará da Suplicante. e declarando que a qualidade de Cigano não he de natureza. e fidalgamente e relata-se mais em nome de V. valor. quanto a se condemnarèm. sem soldo. com suas armas e cavalo á sua custa. o fizessem os Grandes e Capitaens . que sem obrigação de sangue e natureza sérvio por honrra. por lhe não pagar seus soldos de hum esforçado com seu cavallo e armas à sua custa. que he o menos Foro. sem ser sua Pátria. mas do seu modo de vida. que merece. fl. Magestade. sendo . e que nunca tenha. o valor e esforso. guerra e milicia nos postos de Soldados e Presidies E que se não leia. nem seus descendentes officio macanico. Magestade três annos contínuos nas Fronteiras do Alemtejo. e espirites generosos deste homem. senão quando eu leio. Ao officio macanico mandara eu por o Ministro que tal Despacho deu e sem V. sérvio valerozamente no Campo. que nelle se relatão . ix da Supplicação. com suas : — armas. 249. e sirvão sempre na rroza. que sejão havidos por naturaes do Reino. Magestade pagar seus soldos devidos a sua mulher e filhos? E mande V. devendo estar chusmadas as Galés até 17 d'este mez. segundo a Lei do Reino.» (J. e que o filho macho. a vista dos que esforçadamente morrerão. pelejando despender a fazenda. que macanico. Magestade recolher este Alvará. sangue. Magestade o ver despachos com tão humildes espirites. que me deixou em grande admiração. que tiverào estes serviços. e grandeza do animo de seu Pay em até que ridas. que em Alvará de Y. com que em o dito tempo se houve. (que he assinado pela mam de V. e vida pela sua terra. sérvio a V.

e generozo no procedimento.241 Generaes. Magestade com elles o defendido. fiquarão ainda na cadeja do limoejro des velhos e emcapazes de poderem seruir. detiopia. com cavallos. persja e da indja etc. E isto não he hir enrriquecer. e com pedir soldos atrazados. e ras. snor de guiné e da conquista. pois merece a Firma e Signal de V. do qual o tresllado he o seguinte Eu ell Rej faso saber aos que este aluara de lej virem que per quanto dos gitanos que mandej prender pello Rejno e se embarquarão pêra as conquistas delle. e ganhar dinheiro. nem gente cm numero. R. iv. P. forma. e depois de quieto o Reino. e riquezas. mas mande-lhe V. Isto se oflferece e de 1646. de fazer natural seu genrro que por seus serviços pessoaes tãobem A o merece . nem com thesouros nem cavallos. e com tantas condições. que vae junta para provocar os meios. Magestade. e amor da Pátria e Reys. Docum 131. porque hir as Fronteicomo a Ormuz. 1.. neste tempo sem servir a sua custa. e Çofala a vencer soldos. &c. e seus filhos. em mento. e as Comendas e copiosos bens do Reino que para si o defendem. quem são. que muntos terão. e devem defender. Magestade despachar. de Castella. = Thome Pinheiro da Veyga. e nobre. e thesouros do Payz se não no natural valor. Magestade ella. devidos. não só no que pede. Lisboa 28 de julho maço 118. Corpo Chron. pelo que cumpre ao Reino. não havendo rezâo particular. imitando este Sigano humilde no nasciAfrica. dallem mar em afrjqua. em que nunca podem igualar as dilatadas terras e Reinos isso. com molheres e filhos. bastara ametade das decimas. 217. e criados esforçada e como generozamente. e conquistado. navegasâo. partira V. Fronteiros e Governadores. . falo em geral. ou na Petição que deferir a seus serviços em lhe mando fazer a V. João Pedro Ribeiro.^ le 1647 Tresllado da ordem dos siguanos Dom Joam da quem e per grasa de Deus Rej de Portugual e dos algarues. gastando o que tem em sua defençâo. e de sua Pátria. 215. Disatr- tacões chronologicas. como peço. em que alguns podem degenerar. como elles mesmos.. e ponto de honrra. ou nao devidos. Ma- gestade. esta mulher mande V.] isr. nâo lie o Portugal para que se nâo sustenta. pp. Malaca. [Arch. arábia. Magestade. que vão a V. faço saber a uós corgedor da comarqua de eluas que eu passej ora hum aluara per mim asjnado e pasado per minha chanchellaria. O que requeiro como Procurador da Coroa. comersio. e seus famozos Pays e Avós fizerão Armadas. servindo á sua custa em sua Pátria e sem outro soldo. em verificação do seu procedimento. e índia. 16 .

fillos. e da mesma manejra ás con quistas de este Rejno. e jogos de corjolla nem partidas de cavalgaduras. rellasão. onde se pobliquara pêra que senão consinta aos siguanos que fore degradados o elles uzarem desonestos tratos e embustes. a que chamão buenas dj- chas. seus nem andem em traballo em sem que fasão de suas trasas e embustes. juizes de fora. da prizão ira pêra angolla degradada. ouuidores. antes se devasará pelos corgedores das comarquas dos juizes dos loguares de seus destritos se observâo esta Hej e o que fiquar comprehendido paguara duzentos cruzados para as despezas da guera ou justiça. lleirja. caza de sopliquasão. monte mor o uello e coimbrã. de que de antes ueuiâo. e os quais juizes não consentirão que os siguanos crjem seus fillos ou filias pasando de noue anos de idade. e os autos que sobre a matéria se fizerem serão logo remetidos a hum dos corgedores do crime da minha coiie ou ministro a quem eu cometer a jurisdisão e superten- e não lies será a dencia dos siguanos. e sendo moller. e se rezestara nos Liuros do dezembarguo do paço. hej bem e me pras de lies senallar pêra este efeito os luguares seguintes tores uedras. como fazem os naturaes do Rejno. ou Cabo uerde. villas e luguares mando ao regedor da casa da meus corgedores das comarquas. os quaes os remeterão pelos loguares nomeados nenhum dos condenados admetjda petjsão para per- dão. pêra que a todos seja notório o que per este ordeno e o fasão dar a esecusão. o fará publiquar na Chanchellaria e envjar com meu sello e seu senal aos ditos corgedores das comarquas. ouuidores. como se nelle contem e o chaneeller mor destes Renos des. per toda a ujda sem leuar consigo filio ou filia. e mando que na essicuçâo desta lei se proseda sumariamente e com seis testemunhas que pergunterá o juiz do loguar. sopljquação gouernador da rellasão do porto e aos dezembarguadores das ditas rellasois e aos corgedores do crime de minha corte e aos de esta cidade e a todos os e juizes de fora das cidaonde os ditos siguanos uiuerem. e sendo capazes de seruir os porão a soldada na forma que se uza com os órfãos . onde o siguano for morador. nem a ensinem a traje de sjganos e serão obreguados a quanto puderem. com decla- rasão que quem o contrario fizer pella primeira ves será logo condenado em asoites e toda a ujda pêra gallés. e estando empesebeljtados por doensa ou muita idade se lies permetira poderem pedir esmolla nos mesmos luguares em qu3 uiuerem. do porto onde . ourem. tomar.242 de pouqua idade. e conuir a familjas meu servisso que elles uiuão cõ suas em luguares afastados de esta corte e das frontejras. allanquer. dos quais não poderão sahir sem licença dos per juizes delles a qual se lies não consedera per tempo llargo e se lies poreboira juntamente que não fallem geregonsa. que cumpram e guardem e fasão enteiramente cumprir e guardar todo conteúdo neste aluara. sem contradisão alguma. antes se lies poreboirá com todo o rjgor comprar a troquados (sic).

Lisboa. Lisboa. que mandarei declarar. 1819. polia qual vos mando que tanto que vos for mostrada a fasais pobljquar e rezistar na cabesa de vosa comarqua e pobljquar brevemente nos mais luguares delia pêra vir a notisia de todos e se comprir e guardar como nelle se contem.243 semelhantes leis se costumao rezistar. que lhes derem. 30 de Julho de 1648. i. que as pessoas. Oriii.""" da fonseca escriuão da camará o escrevi. ou alugarem-se casas a Ciganos tualidade executar a Ao Desembargo do Paço hey por muy encarregado faça com põLey dos Ciganos. 273.''*' da fonseca e comigo taballiam Gomes Gallvam».. velho. 552 v. Baptista fangr. e a despeza que se fizer em se pobljquar nos mais loguares de vosa comarqua será á custa das despezas dos auizos (?) e quando não ouuer será a custa das rendas da Ca- mará da cabesa de vosa comarqua. Coimbra. etc. I e estabelecidas pelo : . (Archivo da camará municipal de Elvas. p. 168- 1G9. ora Ao qual em todo me reporto e consertei bem e fiel- mente com otro ofisial abaxo asjnado e eu Baptista fang. ii.] 1648 Decreto. António de Moraes o fes em Lisboa aos uinte quatro de outubro de mil e seis semtos e quarenta e sete. Ano do nascimento de noso snõr Jesus Xro de mil e sessentos e quarenta e sete eu los. do Registo. ou alugarem casas incorrerão nas penas. em que se prohibio darem-se. Rej. Lisboa. João IV. 1747. Collecção chronologica de leis extravagantes. el-rej noso Snõr pelo doutor estevâo lleitâo de revellos do seu conselho e chancheller mor destes Reynos e senhorios de Portugal Manoel antunes de sâpaio o fez.. Pedro digene8(?) revello o fes escreuer. in Ordenações e leys confirma' Senhor D. das dos Decretos do Desembargo do Paço. O Conde de Santa Crus. foi. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. 215. Com Rubrica de Sua Magestade. de outubro de 047 Miguel maldonado. iii Collecçâo ii dos Decretos e Cartas. accrescentando a cila. denações e leys t. dada na sidade de Lixboa aos trese dias de novembro. 1747. Para Vossa Magestade uer. estevão lleitão de revelnão dis mais a dita prouizão que bem e fielmente tresUarezistei do próprio que entreguei ao escriuão da coreisão que serue.] [Liv. aluara de Hei que se hade ter com os siguanos e fillos nelle declarados. fl. 515-517. p. João IV. i. Co a qual liei mandej passar esta carta para vos. Estevão Ueitão de revellos Foi publjquado na Chanchelleria mor o aluara de ell Rej nosso snõr atras escrito por Miguel maldonado escrjuão da dita chanchelleria perante os ofisiais delia e de outra muita gente que uinha requerer seu despacho Lixboa . vol. E dei e Miguel maldonado o fis escreuer.

sem e ultimamente querendo Eu desterrar de todo uirem nas comquistas diuididos . e dos que ceda na forma de dito Aluara e os juizes das terras onde os mando . mandando os prezos ou que fossem uiuer as ditas vilas do sertão.244 isr. com que já forâo muitos apremeados e que a dita Ley geral da deney . e todo Reino fossem prezos e embarcados e leuados para serporquanto ficarão ainda na cadea em alguns velhos incapazes e outros escondidos neste Reino. . por muitas leis e prouisões se procurou extingir este nome e modo de gente uadia de siganos com prizoens .o 18 1649 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará virem que por se ter entendido o grande prejuizo e inquietação que se padece no Reino com huma gente uagamunda que cõ o nome de siganos andam em quadrilhas vivendo de roubos enganos e imbustes contra o serviço de Deus e meu. mandey que trazidos a esta cidade. E querendo eu em tudo prover. sem asento. sem uiuenda própria. cõ o mesmo intento mandey passar hum Alvará em vinte e quatro de outubro de seiscentos e quarenta e sete de que o treslado é o seguinte. [Vid. Hey por bem e mando que os ditos Corregedores das Comarcas executem com muita diligencia a dita primeira Ley da prizão. Demais das ordenações do Reino. nem officio mais que os latrocínios de que uiuem. mandando que com os que fossem inhabeis se procedesse na forma do Aluara refecazo rido e nesta Corte se não consentissem em nenhum nem sinco léguas ao redor sigano nenhum nem sigana. exceptuando os que assistem nas fronteiras e não andassem em companhia de outros. prizão se não podia emtender nelles . e sem embargo disso se exe- cutava lançando -os fora da fronteira e sem paga de seus soldos. . sou informado que nesta parte se não passou nem publicou em muitas partes como ore que pelos que estauâo servindo nas fronteiras se me fes queixa que estando mais de duzentos e cincoenta em meu serviço desde o tempo de minha filice aclamação alistados com zelo e valor. acabar de conseguir o modo de uida e memoria desta gente uadia. onde serião e penas de asoutes. .] E porque no dito Aluara se trata somente dos ditos siganos prezos uelhos e incapazes sem se declarar outra parte de minha ordem e decreto que passey sobre os mais que ficarão ainda no Regno capazes de seruiço nas conquistas.» 16. prendendo logo todos os siganos que acharem capazes de seruir excepto aqueles que actualmente assistem nas fronteiras e não andarem na companhia de outros e os remetão a esta Corte ao Corregedor delia a que esta cometida a supritendençia forem velhos e inhabeis se pro(sic) deste negocio. Doe. n. nem foro nem Parochia. . degredos e galés.

Pello que mando ao dito meu chançarel mor faça publicar na Ciian- cellaria esta e seu sinal e declaração e delia enuiar copias sob meo selo aos ditos corregedores das Comarcas e mais justiças Ley destes Reinos para terem entendido o que ultimamente tenho resoluto sobre os ditos ciganos. e sendo de mayor calidade em dois annos para . pelo Senhor [Archivo Nacional. Lisboa. bem garí^s em que por seus superiores seruirem. etc. 23 in Ordenações e leys confirmadas e estabelecidas pelo Lisboa. posto que digão vem seguindo seus maridos. ou giringonça.245 recolher e abitar os obriguem a uzar como os mais uezinhos naturais. Rey. como nella Conde Regedor advertir da minha parte aos Corregedores me dizem andão actualmente algu. a dita turaes e vezinhos de lugares e vilas do Reino se não entenda neles Ley guardando elles em tudo as condições de suas cartas. Luiz de abreu de Freitas a fez escreuer. procedendo na forma . fl. trage e lugar dos naturais e onde com licença dos Governadores das Armas a negocio e tempo limitado forem e porque alguns por seruiços e rezões particulares estão naturalizados com cartas de na•. Ordenações e D João IV. icis. E o executarem inteiramente sem duuida nem costumadas em contradição algua e se registará de nouo nas partes semelhantes leis. André de Moraes o fez em Lixboa a sinco de fevereiro de mil e seis centos e quarenta e nove. E os fidtUgos fora da Corte. p. iii. visto não terem ellas licenças para usarem do traje. iii Collecçíio ii «ios Decretos e Cartas. Supplicação. E hey por declarar que esta ley da prizão senão emtende nos siganos alistados que seruem nas fronteiras actualmente nas companhias ou luAfrica e sincoenta cruzados. e bem da Republica lança-las delias. vol. e alimpar a Terra. Lisboa em 20 de Septembro de 1649. 1. 1747. — Com Rubrica de Sua Megestade. E mando que nesta corte e sinco legoas ao redor delia se não consinta sigano nem sigana algna com cominação que o que nclla se achar passado o tempo da publicação desta seja sem mais proua nem deligencia condenado nn asoutcs e toda a vida para galés e a sigana degradada para Angola ou cabo Verde e as pessoas que lhe derem ou aluguarem casas e os recolherem sendo piães cncorrerão em pena de três annos de degredo para Castro Marim e trinta cruzados pêra captiuos e accusador. 169-170. liugoa. liv. (Liv. fl. 273. João IV.1 . 1747. v.] leys confirmadas t estaielecidas 1649 Decreto em que se mandarão avisar os Corregedores do Crime da Corte. mas Ciganas as quaes. : X da Senhor D. seria conveniente a meu serviço. para que fizessem despejar os Ciganos Faça o do Crime da Corte. etc.

que por velhas e miseráveis se não devia intender a ordem com ellas.° Í21 1682 Processo inquisitorial da cigana Garcia de Mira Aos e sette dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta em Lisboa nos Estaos e caza do despacho da Santa a ré em audiência de manhaã. e Governadores. se me presentarem acharam somente alguns homens. os tornei a mandar soltar. e disse chamar-se Manoel Alvares da Nóbrega official de brincos de cera. para que a executassem em 25 do ditto.246 1655 Carta de André «Snor d^ Albuquerque foi servido —A ordem. que os Senhores Governadores das Armas escrevem a Sua Magestade que Deus guarde. — Elvas. E logo denunciando . e também algumas mulheres. como Vossa Magestade o ordenava. o que prometteo cumprir. que Vossa Magestade mandar-mc em carta de 12 de Septembro do anno passado para se prenderem os siganos. natural do Lugar do Cabo Villa. e ao diante se prenderão os siganos. e havendo concorrido todos nesta diligencia. pelas quaes Vossa Magestade os ha por naturaes. freguezia de S. Francisco de Santa Clara de um livro pertencente ao Archivo do governo militar de Elvas intitulado Livro II do Registo. em que pos a mão sob cargo do que lhe foi mandado dizer uerdade e ter segredo.] \ 1>T. que se achassem nesta Proviucia. e lhes dá permissão para viverem no Reino e me constar não andavâo em quadrilhas daquella gente. que apparecerem. nem tratavão com ella. 2 de Fevereiro de 1655. como Vossa MaDeus Guarde a muito alta e poderosa pesgestade tem mandado. encarreguei aos go- vernadores e Capitães Mores das fronteiras. e ser de trinta annos de idade. e sendo presente disse a pedira para dous annos denunciar nesta meza couza a ella pertencente e logo lhe foi dado juramento dos Santos Evangelhos. Pedro de Atayde de Castro mandou vir perante si da salla a hum homem por 'pedir audiência. Nesta forma se procedeu neste particular. — André [Esta carta foi copiada pelo dr. termo da Villa de Amarante. Saluador do Taboado. — soa de Vossa Magestade d^Albuquerque» . Corregedores e Ouvidores das Comarcas. que por Provisões de Vossa Magestade. o Senhor Inquisidor estando Inquisição. e morador nesta cidade.

e lhe disse chamar-se Catherina. e dous alfinetes mais. e logo tomou os dittos alfinetes. ficando sempre pregados nas dittas bolas com os bicos. representa ter sessenta annos de idade. mas haverá quinze. a qual. respondeo ella que por meyo dos fieis de Deos. vós fostes como nós. se queria que lhes atalhasse. e direita dos dedos formando hua forca. e necessitaria de hum cruzado que elle lhe deu. não se lembra do dia ao certo. e que se os alfinetes se mouessem. e sem ofença de Deos. dizendo as palavras seguintes em nome de Deos Padre. e logo o obrigou a que cuspisse por três uezes na ditta mão. e lhe disse ter hua Irmaã chamada Antónia Ramalha. fazendo-lhe alimpar a mão dos cuspos com hum papel e que o deitasse na rua. estando elle Denunciante em sua casa na rua de Quebra Costas. para cujo effeito lhe pedio lhe havia de dar algum dinheiro que para os ingredientes lhe era necessário. Deos filho. . c pelo premio do que nisso obrasse lhe hauia de dar duas moedas de ouro. de Deos. e o outro gado hum com o bico em com a ca- beça pregada na ditta bola. prehíía das dittas bóias. os dáquem e os dálem e os da nauegaçâo. hum duas uezes e outro hua. e dizendo-lhe elle Denunciante em que forma o havia de fazer. e muitos perigos que passar. não se lembra do dia ao certo. e anda em trage de viuva com sua saya de estamenha parda e mantilha de baeta negra com capello cozido debaixo da barba. Amen Jesus. e só que traz huas contas brancas aconfeitadas. diante delle testemunha. que : Santos Fieis reynou e reynará para sempre jamais. e mora nesta cidade em companhia de Siganos junto as cazas do Enviado de Castella. hauendo-lhe a ditta Sigana primeiro ditto. e de Catherina da Costa. e os guardou. Deos Spirito Santo. na parte que ficaua cercada dos alfinetes. fallando-lhe. e que por todo este mez saberia que sua molher era morta. que o Denunciante prometteo assim fazer. lhe disse que elle tinha sua molher auzente. com as extremidades uiradas para o pulso sem estarem juntas. e neste caso nos ajudareis. que aquella sorte fazia para saber se sua molher era morta ou viua. nos seremos como vos. três Pessoas e hum só Deos verdadeiro. chegou á sua porta hua Sigana. obrigando-o a que repetisse estas. e tornando por outra uez a dita Sigana a sua caza. todos — = | uos ajuntareis. detraz da Igreja de Nossa Senhora da Palma. e as palavras seguintes e á ditta Catherina da Costa. lhe pegou na mão esquerda delle bolinhas de cera Denunciante na qual pos hum alfinete ou arame com duas em cada ponta sua. com as cabeças para as pontas quieta. era sem duuida ser morta. obrando ella por meyos licites. que uiue em sua companhia. E logo os dous alfinetes das extremidades que estauão pregados nas bolas do arame ou alfinetes se uirarão. e não tem parte notauel por que mais a haja de confrontar.247 Disse que haverá três semanas pouco mais ou menos. tendo elle Denunciante sempre a mão sem a mouer.

. sendo que lhe havia dado mais meya moeda. Joseph Coelho. — — Seguem: 1. diminuir. pouco mais ou menos. João Cardoso. disse estar escritta na uerdade e nella se affirmaua. Do que tudo uem dar conta nesta Meza» entendendo que as obras da dita Sigana não são naturaes. e tornarão a assinar com o ditto Senhor Inquisidor. e entender qae he a isso obrigado. João CarPedro de Attaide de Castro. o que tudo se figuraua na parte do papel que ficou enxuto. e com outros tostões que lhe deu para a mortalha fez tudo soma de cinco mil réis. sob cargo do juramento dos por Santos Evangelhos que outra uez lhe foi dado. forão perguntados os dittos Licenciados se lhes parecia que elle fallaua uerdade. e dizen- bém de do-lhe se queria uer a certeza de sua molher ser morta. e prometterão dizer uerdade e ter segredo no que lhes fosse perguntado sob cargo do juramento dos Santos Evangelhos que lhes foi dado. e para isso pedio hum alguidar com agoa e lançando nella meia folha de papel. com a particularidade a mais de que a cigana mandou comprar o papel dizendo «que era necessário nâo fosse a marca da que tivesse Crus». de 30 annos de idade. e sem offença de Deos. e nella não tinha que acrescentar. — Joseph = Coelho. doso. e elle ouuida. e merecia credito. Manoel Aluares Nóbrega. ratificaua e tornaua a dizer de nouo sendo necessário. dous aos pées. nâo se lembra tamqual ao certo. notários desta Inquisição que tudo uirâo e ouuirâo. Manoel Martins Cerqueira o escreui. em tudo conforme ao de Manoel Alvares. mudar ou emmendar. lh'a mostraria facilmente. solteira. e entendida. como elle pretendia. Ao que estiuerão presentes por honestas e religiosas pessoas os Licenciados João Cardoso de Andrade e Joseph Coelho. e com o ditto Senhor Inquisidor. que lhe mostrou no ditto papel. E mais não disse e ao costume disse nada. obrigando-o a que rezasse o que quizesse pela alma que estiuesse mais uezinha a uer a Deos Senhor Nosso. e. lhe pos a mão para que se molhasse. Manoel Martins Cerqueira o escreui. E sendo-lhe lida esta sua denunciação. e o faz por descargo de sua consciência. dizendo huas palauras que elle não percebeo. e era a figura de hum defunto com quatro castiçaes^ dous á cabeceira. tomou a mesma Sigana a sua caza. e repetio também as palauras que atraz ficão dittas da Santíssima Trindade e Fieis de Deos. e assinarão com elle Denunciante.*» O depoimento de Catherina da Costa.248 Disse mais que passados três ou quatro dias. e por elles foi ditto que sim lhes paríícia que elle fallaua uerdade e merecia credito. em premio do que lhe pedio cinco tostões. Pedro de Attaide de Castro. hauendo-o passado três uezes por baixo do trauesseiro da cama. nem ao costume ter que dizer de nouo. que lhe pedio mandasse comprar. E ido o ditto Denunciante para fora. perfilado tudo como em debuxo.

estando alli em audiência de manhã o Senhor Inquisidor Pedro de Attayde de Castro. viuua de António Soares. concluo: «do que tudo se colhe usar a delata de pala2. tendo summariado os depoimentos. official de brincos de cera. foi mandado dizer uerdade. e que mostrando-lh'a Manoel Alvares. o sahio a falUr-lhe da Sylua na mesma caza . e que entrando neste tempo hum Clérigo a fallar com o ditto Manoel Alvares. lhe tornou ella confitente a dizer que não erão esses.° A confissão da ré. em que pos a mão. meza suas culpas lhe conuinha muito dizer toda a uerdade delias. não impondo sobre si. mor digo. 4. sob cargo do que lhe o que prometteo cumprir. e tinha illicita amizade com ella ditta Catherina da Sylua. senão outros que de nouo hauia de passar. hua molher moça que estaua no quintal das mesmas cazas a chamou com as mãos.249 requerimento do promotor para que a cigana seja presa processada na forma do regimento. e neste tempo se despedio o Clérigo que estaua fallando com o ditto Manoel Aluares. porque fazendo assim porá sua alma em estado de saluação. nem sobre outrem falço testemunho. que foi Sigano. E promettendo de assim o fazer Disse que haverá três semanas nesta cidade foi ella confitente a rua do Quebra-Costas a caza de Manoel Alvares de Nóbrega. que lhe disse chamar-se Catherina da Sylva. natural de Monteo Novo. molher. c recolhida nos cárceres de penitencia. e ella confitente lhe respi-ndeo que sim faria. por pedir audiência. e indo ella confitente a fallar com a ditta moça. e porque a ditta Catherina da Sylua dezejasse fallar com ella mais deuagar. e sendo prezente disse a pedira para confessar nesta meza o que entendia podia conuir ao descargo de sua consciência. 3. lhe dissera que tinha muitos trabalhos que passar.*» com o diabo para advi- Despacho. mandou vir perante si a hua molher que em onze deste presente mez foi preza nesta cidade. e moradora nesta cidade junto ao Enviado de Castella E logo foi admoestada que. mas era casado com hua molher que hauia fugido. e que respondendo o ditto Manoel Alvares que já os tinha passado. pois tomaua tão bom conselho como era confessar uoluntariamente nesta e ser de cincoenta annos de idade. disse que tornaria a uer-se ella confitente á ditta Catherina com ella. esta lhe disse que o ditto Manoel Alvares não era seu marido." O e vras divinas para couzas illicitas e ter pacto nliar futuros». em o qual. e fallando com elle lhe dissera que lhe mostrasse a o ditto mão para lhe dizer a buena dicha. e ter segredo. «Aos quinze dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta e dous annos em Lisboa nos Estaos. pelo que lhe foi dado juramento dos Santos Euangelhos. que quizesse fazer-lhe alguãs deuoçoes ou feitiços que o obrigassem a recebella por molher. e alcançará a mizericordia que pretende. E disse chamar-se Garcia de Mira.

que reynou e reynará para sempre jamais. ao qual disse que o tornaria a buscar e lhe faria huas sortes para saber se sua molher era uiua. e dos quatro castiçaes que ficão dittos. e lhe prometteo fazer e tornando no dia seguinte tomou folha do ditto papel e a dobrou em muitas dobras asemelhando a outra meya folha que leuaua debuxada com pedra hume. dizendo as palauras sobredittas e mandando dizer as orações que a Igreja approva. dizendomão para que recebendo humidade a ditta pallinha destorcesse para a banda dos dedos. sendo que não tinha duuida o hauer de destorcer a ditta palhinha. mandando-lhe comprar hua folha de papel. e em cada ponta da mesma palhinha hua bolinha de cera. hauendo-lhe também ditto que se os dittos alfinetes uoltassem era sinal de ser morta a ditta sua molher. meya que fizesse a figura de hua pessoa morta com dous castiçaes á cabecira e dous aos pés. em forma Chagas de Christo Senhor Nosso. e trouxesse uirados os dittos alfinetes que com effeito uirarão com a palhinha. e não uoltando a ser uiua. e lançou com a agoa qiie tinha prepa- em hum 'alguidar a meya folha que hauia trazido. que que pedindo-lhe dinheiro para hua oíFerta. e fazendo algnas ligeirezas de mãos as troucou. sem . e que assim mostraua a figura sobreditta. e ter filhos que alimentar. amen. e tornou a dizer que toda a meya folha de papel se ensopou na agoa. uzando de cousas naturaes. a qual burnida com a pedra hume molhou só aquella parte que não estaua burnida em a ditta pedra hume. e pondo-lhe no alvo delia hua palhinha de balanço torsida e seca ao fogo. e ficou enxuta e figurada a estampa rada de um corpo morto. que os mesmos Manoel Aluares e Catherina da feiticeirias o . e que a mettesse debaixo da cabeceira. era uiua ou morta. ou morta. do que os dittos Manoel Alua- que erâo e uiam nesta fes dos como na alfinetes. E em premio do que lhe deu o ditto Manoel Aluares meya moeda de segunda sorte: a qual foi no (ao?) dia seguinte. o que elle fez. tomou na outra mão a meya folha que se hauia comprado. e ficarão fazendo a forma de híia forca. em premio do que lhe deu hum cruzado. sorte.250 o ditto Manoel Aluares de Nóbrega. lhe dera o mesmo Manoel Aluares dez tostões e que as sobredittas couzas fez obrigada da sua muita pobreza por ser viuua. do qual não está lembrada ao certo. e tendo-a na mão debaixo da mantilha. Disse mais que no dia seguinte. tornou a caza do ditto Manoel Aluares da Nóbrega. e que para isso abrisse a mão direita. rezando cinco credos á honra das cinco ouro. Filho c Em Spirito Santo. ao qual disse que queria lançar as sortes que lhe promettera para saber se a ditta sua molher. e linha pregado hum alfinete Ihe que cuspisse na mesma em cada bo- com as cabeças para o pulso. que estava auzente sem lhe dizer aonde. res e Catherina da Sylua ficarão admirados e entendendo Sylua poderão conhecer se forão aduertidos. e em quanto fes as sobredittas couzas dizia as palavras seguintes: nome do Padre.

n. e caza de Despacho da Santa Inquisição estando aly em audiência da manham senhores inquisidores. E outro sy será condemnada em penas pecuniárias. de que fiz este termo de mandado dos Senhores Inquizidores que aqui assinarão e eu Notário. Senhor de Guiné &. João de Mesquita que o escreui. que se abstenha de as tornar a commetter. mandarão uir perante si a Gracia de Myra Sigana.] [Archivo Nacional. por ser infor- mado de que de Castella se expulsavão os siganos e estes se passavão a este Reyno em tanta quantidade que aos Povos pequenos seria . porque tornando a reincidir nellas será castigada com todo o rigor. 1236. Manoel Martins Cerqueira o escreui. Ré = — preza conhecida neste processo. e sendo prezente foi reprehendida asperamente e aduertida que se tornar a cahir nas culpas porque foi preza será castigada com todo o rigor de justiça. Manuel Martins Cerqueira. e abuzos no povo Christão.251 animo nenhum de oflfender a Deos Senhor a Nosso mas de ainda assim não lhe ser licito está muito arrependida. que por ella ouuida e entendida. sendo-lhe primeiro lida esta sua confissão. — João de Mesquita de Macedo. de consentimento da Rée por não saber escreuer. se uze com ella de mizericordia. Faço saber a vos corregedor da comarca da cidade de Elvas que. foi outra uez admoestada em forma. o que também promette comprir. Processos inquisitoiiaes. E por dizer que nem por pensamento tornará a commetter semelhantes culpas. que pêra este eíFeito lhe foi dado e que lhe he dada licença e que restitua o dinheiro meyo de pêra se poder hir para onde bem lhe estiuesse e que goarde segredo em tudo o que vio. e mandada a seu cárcere. sas que acceitou a alguãs pessoas por e pesseus embustes. pede perdão e que *. Aos vinte e dous dias do mez de dezembro de mil seiscentos e' oitenta dous annos em Lisboa nos Estaos. dalém mar em Africa. e engano. Foi-lhe ditto que tomou bom conselho em declarar nesta meza as couzas de que tem dado conta nella. o que tudo prometteo cumprir sob cargo de juramento dos Santos Euangelhos. = PeíZro de Attaide de Castro. por graça de Deos e Rey de Portugal e dos Algarves. Pedro de Attaide de Castro. disse estar escritta na uerdade e assinei eu Notário por ella não saber escreuer de seu consentimento com o ditto Senhor Inquisidor. nem outras semelhantes que possão introduzir erros.*" 3M-° Í3Í3 1686 Registo de húa Provisão de Sua Magestade sobre os Siganós «Dom daquem Pedro. ouuiu e com ella nesta Meza se passou.

II 12. o fis escrever e asinei. Francisco Pereyra de Castello branco a fez escrever. com declaração que os annos que a dita Ley dá para Africa seyão para o Maranhão.» mais ordens de Sua Magestade . donde não poderão sahir nem mudar sem minha especial licensa. Por resolução de Sua Magestade de 10 de junho de 1686 em consulta do dezembargo do Passo. Archivo da Camará de do Registo dos Alvarás. nem possão andar vagabundos em quadrilhas pelo Reyno e achando-os nesta forma (?) os prendereis e lhe não consentireis uzem de trage particular. os obrigareis a tomarem domisilio serto. como a experiência tê mostrado com as universaes quexas o que tudo se seguia de senão conservarem as Leis estabelecidas contra elles e se omittião por respeitos que a sua industria adqueria. que serão entregues a Francisco Pereyra de Castello branco. e asestindo no nosso destrito os mandareis notificar e fareis trasladar esta ordem nas camarás dessa comarca para que os juizes delias a facão executar. Hey por bem e vos mando não pre- mitaes entrem neste Reyno nenhum destes siganos e os que de facto tiverem entrado os prendereis logo nas cadeas publicas e me dareis conta. ambos do seu Conselho e seus Dezembargadores do Paço* Miguel vieyra a fez em Lixboa aos 15 de julho de 1686. e . [Tombo a fl. Cartas Jílvas. escrivão da Camará. andando armados para melhor cometerem seus asaltos. escrivão da minha camará. Diogo Marchão Themudo. sem que se lhes premita habitação neste Reyno trato qualquer que seya. E não continha mais a dita provizão que eu Manoel da Silveyra de Azevedo escrivão da camará fiz tresladar neste tombo e a propia me reporto e por verdade me asiney do meu sinal de que uzo e a propia entreguey ao Corregedor da Comarca. Manoel da Silveira de Azevedo. E convir ao serviço de Deos e meo que de nem todo se extreminê. Provisões. Brás ribeiro da Fonseca. como nella se contem. E em que lhes assinareis logo que esta receberdes mandareis pôr editaes públicos tempo para lhes ir a noticia esta minha re- solução. se vos hade dar em culpa que para este eff^eito mandey dencias.252 muito deficultoso o poderem seportar esta quasi inundação de gente tão osioza e prejudicial por sua vida e costumes. de que remetereis as certidões. Manuel da Silveira de Azevedo. mas que se vistão do costume do Reyno e em aquelles que encontrarem a Ley sobre elles estabelecida a fareis executar na forma que nella se contem." 8]. não dando a execussão esta ordem. filhos e netos de Portuguezes (porem com habito género e vida de siganos). armário n. Elvas aos vinte dias do mes de julho de mil seiscentos e outenta e seis annos. E quanto aos que ja são naturaes. advertindo que toda a omissão com que vós e os ditos Juizes vos ouverdes neste particular. acrescentar este capitulo aos mais do Regimento das reziElRey nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Dezembargadores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da fonseca.

O Regedor da Casa da Supplicação o tenha assi entendido. e que com todo o cuidado se empreguem nesta diligencia. etc. Lisboa. encarregando -o aos Ministros de Justiça. sem terem domecilio certo. euitandose todos os dias os delitos que se podem temer de gente tam licencioza na vida e costumes. como nas mais Terras do Reyno com declaração. trazendo os mesmos habittos e trages de ciganos. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. confonne ao dolo. vol. e porque tem mostrado a experiência que não seruio thegora de remédio bastante e convém muito tratar da quietação e soccgo de meus vassalos. Lisboa 27 de Agosto de 1686. X do Supplicação. 273]. 276. iii: Col- locçâo II Cartas. 1694 Registo de liuma Prouizão de Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço ao Corregedor desta Comarca para que os siganos nascidos neste Reyno tomem género de vida ou o despejem dentro em dois mezes. cm que se de Africa para o mandou commular o degredo Maranhão Tenho resoluto que assi nesta Corte. sem tomarem género de vida possam sustentarse. que por quanto sou informado que os siganos" nascidos neste Reyno conthinuam em seus Dom daquem excessos e delitos. Africa. vivendo arranchados e juntos nem officio de que em quadrilhas. que lhe toca. in Ordenações e leya. e que os annos que a mesma Ley lhes impõem para omissão. dos Decretos e ÍL.253 1686 Decreto. tudo contra a minha rezolução que sobre esta matéria mandey publicar no anno de 1689 (sic). Hey por bem e vos mando que tanto que esta receberdes mandeis logo por cm todas as Villas e lugares dessa . [Liv. senhor de Guine &. . — Com Rubrica de Sua Magestade. c que os Ministros que assi o nâo executarem. e nesta forma o faça executar pela parte. lhes seja dado em culpa para serem castigados. que sobre este particular tiverem. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas. e dalém mar em Africa. para o que ordenei ao Desembargo do Paço se accrescentasse este Capitulo aos mais do Regimento das Residências. sejão para o Maranhão. 1747. com os Ciganos e Ciganas se pratique a Ley. p.

porque da mesma sorte mandarei proceder contra elles pelo descuido que nisso tiuerem. os quais havião cometido muitos e vários crimes. Diogo Marchão Themudo. João Bress^e Leite escrivão da Camará o escrevi. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. El Rey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Fonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. de que possam sustentarse na forma da dita minha rezoluçam do anno de 1689. assi e do mesmo modo que tenho rezo- com os siganos castelhanos que entrarão neste Reyno e na execução desta deligencia que vos hey por muito recomendada poreis todo o cuidado advertindovos sereis seueramente castigado por qualluto . 63 v. Hey por bem e vos . e se praticara com elles a pena do banimento na forma da ley. mandareis registar esta minha rezolu. e nas terras aonde não entrardes enviareis a coppia desta Ordem ao Provedor dessa Comarca e da mesma sorte aos Juizes de fora e ordinário delia para que cada hum em sua jurisdição a execute e a obserue assy como a vós volla encarrego. e porque convém evitar o grande prejuízo que de homens tam licenciozos e criminozos se pode seguir aos meus vassalos.254 Comarca edictais públicos que todos os ciganos nascidos neste Reyno que logo não tomarem género de vida. çâo nos Livros da Correição e nos das Cameras de cada hua das Villas dessa Comarca.» 8. remetendo certidão de como assy o tendes executado.] II do Registo dos Alvarás. fl. E não continha mais a dita Prouizão que bem e na verdade tresladey e a própria entreguey ao dito Corregedor e por verdade assiney em Elvas aos 17 de junho de 1694. y> [Tombo rio n. por quanto sou informado que pelas rayas deste Reino tem entrado muitos siganos cas- Dom daquem telhanos.. Thomas da Sylva a fes em Lixboa a 15 de Mayo de 1694. armá- 1694 Registo de huma Prouizão de para que dentro em o Corregedor desta Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço Comarca faça despejar deste Reino dois meses os siganos castelhanos intruzos nellc. Senhor de Guiné &. João Bressane Leite. Archivo da Gamara do Elvas. quer descuido que nisto tiuerdes e para que os vossos sucessores não possão alegar ignorância. e dalém mar em Africa. sayam deste Reyno dentro em dois mezes com pena de morte e passado o ditto termo serão hauidos por banidos. e/c. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas que. Braz Ribeiro de AfFonseca. de que me dareis conta.

c passado o dito termo serão havidos e bamnidos e se praticara com elles a pena de bamnimcuto na forma da ley e na execução desta deligencia que vos hey por . advertindovos sereis seueramente castigado por qualquer descuido que nisso tiuerdes e . Thomas rem. Francisco Pereira Brás Castello branco a fes escreuer. 1696? Registo da carta do oficio de Thezoiíreiro da Camará por que Sua ma- gestade que Deus guarde fes mercê da propriedade delle a António Róis de Pinna. E não continha mais a dita Prouizão que eu Ribeiro de Aífonseca. Diogo Marchão Themudo.255 tanto que esta receberdes mandeis logo por em todas as Villas e lugares dessa Comarca edictais públicos em que se declare que todos os que tiuerem entrado neste Reino sayão delle em termo mando que de dois mezes. aos 17 de Junho de 1694. c observe e aonde não entrardeis. João Brcssane Leite esescrevi. para que vossos sucessores não popsão alegar ignorância. Faço saber aos que esta minha carta uirem que por parte de António Roiz de Pinna me foy aprezentado hum meu Aluara passado pia minha Chansellaria do theor seguinte este Dom El Rey faço saber aos que Aluara uirem que António Roiz de Pinna escriuão serventuário do officio das execuções da cidade de Elvas me representou que eu ordenar a Lopo Tavares de Araújo estando seruindo de & — Eu fui seruido .. com pena de morte. remetendo certidão de como assi o tendeis executado. 64 v]. crivão da [Tombo Camará João Bressane Leite. de que me dareis conta. bem e na verdade tresladey e a própria entreguei ao dito Corre- — = gedor em Elvas cit. inviareis a coppia desta ordem ao Promesma sorte a todos os Juizes de fora E que cada hum em sua jurisdição a execute assim como a vós vollo encarrego porque do mesmo modo mandarey proceder contra elles pelo descuido que nisto tiueRey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pios Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Affonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. fl. nmito recommendada poreis todo o cuidado. mandareis registar esta minha rezolução nos livros da correição e nos das camarás de cada Ima das terras villas dessa comarca. e nas vedor dessa comarca e da e ordinários d'ella. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarves daquem e dalém mar em Africa snõr de Guine c da conquista & nauegaçam comercio de Ethiopia Arábia Pérsia e da índia &. El da Sylva a fez em Lixboa a 15 de Mayo 694.

Archivo da Gamara ile Elvas. (J. V. e outros homens. que hindo ambos a villa de Oliuença. Cartas [Não está concluído este registo. nem andarão juntos pelas estradas. com hua das quais lhe quebrara a espada ao meirinho e ficara brigando com elle somente Alvarás. o que não quizera fazer. não morem juntos mais.° Í38 1708 Eu ElRei faço saber aos que esta minha Lei virem. e varias ordens.] 3Sr. que os Povos sentem. 80 do Tombo ii do Registo dos e mais ordens de Sua Magestade. pessoa alguma Giringonça de Ciganos. antes os envestira com estoque de seis palmos e húa rodella. tirando-lhe muitas estocadas e pancadas. nem tratarão em vendas. ou . — 1699 «Provisão Regia de 9 de julho de 1699 para serem remettidos presos ao Limoeiro os Ciganos». lingua. nem para que estes. e se conservarem nas Terras delle. facão com elles escandalosa vida. e outros muitos e mandando considerar esta matéria com delictos e enormidades . e compras. a qual o dito Corregedor encarregou ao meirinho da correição e a elle. nem de impostura das suas chamadas. lhe entrarão em caza na noite de 26 do dito mes. que em diversos tempos se passarão para os Ciganos não entrarem no Reyno. requerendolhe da minha parte por muitas vezes se desse a prizão." 8]. Provisões. que se acha a fl. Ribeiro. como frequentemente commettem. nem pousaráo juntos por ellas. que use de trage. toda a ponderação. que. P. que até dous casaes em cada rua.256 Corregedor daquella Comarca em Abril de 694 que prendesse a hum cigano chamado Manuel Roiz Roza e hauendolhe por mi recomendado a dita prizão. enganos. ou pelos campos. ou pessoas. que como taes se tratarem. aonde viuia o sigano. índice ehronologieo. que se lhes agregão. ou um. por convir muito á Justiça e se lhe bem do Reyno dar- por bem. furtos. e commettão. que os chamados Ciganos. e mando que não haja neste Reyno ou de de outro sexo. huenas remédio : Hey dichas: e outro-si. 275. e mulheres de ruim vida. armário n. por ter mostrado a experiência não haverem sido bastantes as disposições da Ordenação do Reino e outras Leis posteriores.

1747. poderá escrever e pedir conta aos Julgadores. . Angola. Hey por bem que o Chancellér da Casa da Supplicação que Verde. Lisboa. para que se passe ordem aos Governadores das Ainms das para que mandassem prender todos os Ciganos. e aos Juizes de Fora. ainda que seja de Terras do districto da Relação do Porto e ao dito Regedor mando que com toda a brevidade. mando aos Corregedores das Comarcas. l' Tonteiras. que lhe parecer. Thomé. para proceder na forma desta Ley o qual para este eflPeito . Benguella. delictos graves. e Ordinários. ou seja para sentencear definitivamente. . que frequentemente commettem Fui servido ordenar aos Governadores Reyno todos . . ma dará. com os Desembargadores. 170-171. e será degradado por tempo de dez annos o qual degredo para os homens será de galés. a executem em suas Jurisdicções. faça em sua presença deferir.257 trocas de bestas. radas que forem. ou Ministro se intrometterá nesta matéria porque toda a superintendência delia commetto ao dito Regedor. ColUcção chronologica deUis extra- Coimbra. por este facto. que pelos seus Officiaes os mandassem prender. t. lingua. mandarão logo que os Reos summariamente respondão e com suas respostas enviaráõ os autos ao Regedor da casa da Supplicação. e excessos. e e todas as informações necessárias. e lei/f. [Ordenações vagantes. senão que no trage. 1819. . quando convenha. elles lha darão. 3G4-366. usem fizer. pp. . E para que pontualmente S3 cumpra esta minha Ley. que se os ditos homens. Fronteiras. e a devassa. com a noticia. se por ellas tanto se provar. ainda que outro delicto não tenha. etc.<=* se 1718 Decreto. ou seja para interlocutórias. Alvará de 10 de novembro de 1708. e Ciganas presos. ii. e Cabo das Armas das E porque se me fez presente que em execução desta Ordem achavão nas cadêas do Limoeiro muitos Ciganos. da índia. deixe de se proceder a execução delia e nenhum outro Tribunal. incorrerá na pena de açoutes. ou mulheres tiverem outros delictos de maior pena. e contra os transgres- sores procedão a prisão. Ilha áó Princepe. e sempre com muita brevidade. que dos casos tiverem a qual devassa bastará ser de até oito testemunhas e ti. como parecer justiça. e para as mulheres. S. e elle etc.] isT. iii. para serem repartidos por diversas Conquistas. Por convir á boa administração da Justiça exterminar deste os Ciganos pelos furtos. : mesmo para o Brasil. e modo de viver do costume da outra gente das Terras e o que o contrario . Não he porem minha tenção. se 17 . a saber. que contra os culpados se deve proceder.

que tenho de Sua Magestade. 274. Com Rubrica [Liv. foi servido ordenar -me que procurase que fosem presos todos os que se achasem e remetidos ás cadeias das cabeças das comarcas. vol.Carias. iii: Collecção II e Cartas. Com Rubrica de Sua Magestade. de sorte que em toda estta Província se não tornem a ver hum só individuo daquella prejudicial gente. que tem havido na sua execução . 273. mandarão pôr em observância da expulsão resulta aos Por quanto tem mostrado a experiência o grande prejuízo. vol. dos Registos do Desembargo do Paço. p. Lisboa 17 de Julho de 1745. in Ordenações iii: Collecção ii dos Decretos e. dos Decretos Ordenações e leys. A mesma Mesa o tenha assi entendido. dando providencia efficaz.] IST-^ SO as Leys 1745 Decreto. 131. e o faça executar. «Sendo apresentada a Sua Magestade que esta província se acha infestada de siganos. etc. p. Sou servido que a Mesa do Desembargo do Paço faça repetir com mayor aperto as ordens necessárias. Lisboa. fl. foi. havendo-se introduzido nella contra as leiis do Reyno e hordens reais expedidas sobre esta matéria. xii da Supplieação. em que se dos Ciganos. as ditas Conquistas os Lisboa Occi- dental 28 de Fevereiro de 1718. o que o ditto Senhor detremina logo que vosa mercê reseber estta pasará as ordens nesesarias sem demora alguma aos menistros das . e que nos giros que fazem tem cometido vários roubos e escandelosos insultos. na forma. para que inviolavelmente se executem as referidas Leys. 1751 Copia de huma ordem que manou do Senhor Conde da Atalaja para o juizo da ovidoria e do ditto se enviou para o desta villa e se manda registar. 14. e para que possa ter a devida execusam. otc. in resoluto. 1747. pelo descuido. [Livro III Lisboa. que Povos destes Reynos da assistência dos Ciganos. não tendo produzido o seu devido effeito as Leys promulgadas para a expulsão delles.258 serve de Regedor ordene se embarquem para que se acharem presos. 1747. e não admitta requerimento algum contrario a ellas.] e leys.

em fé do que me asignei em raso. fcyta em nome de El-Rey noso Senhor. que me remeterá todos junttos. Conde da Atalaija. de modo que possa ter efifeito huma delegencia tam reterras da sua tritos se commendada por Sua Magestade. para que constando-me que algum delles. e das ordens que vosa mercê expedir aos menistros da sua comarca mandará vosa mercê pedir recibos da sua entrega. as não observão com a devida exatidão. Villa Boim de agosto outo de mil settecentos e sincoenta e hum annos. 1753 Registo de huma carta precatória de deligencia fesso «O Doutor Joaquim António de Azevedo Soares. daquem e dálem mar Africa. do Desenbargo de El-Rey nosso Senhor e seu Corregedor com alssada em esta munto nobre e sempre leal sidade de Elvas e sua comarca pello dito Senhor que Deos gvarde. que Deus guarde. Villa Viçosa quinze de Julho de mil sette centos e sincoentta e hum. Oliveira. Cumpra e pase ordem geral na forma que se ordena. a qual me reporto. e se para segurança delia fôr ue- sesario que concorrão as tropas pagas. o farei presente a Sua Magestade para que o mesmo Senhor possa ter com os transgressores da sua Real ordem a severa demonstraçam que mereserem. aonde as houver. a fl. Cavalleiro prona ordem de Christo. depois de as reseber. sem dilasam alguma. Senhor de Guiné & Fasso saber a vos corregedor da comarca de Elvas que Reprezentando-me os Juizes de fora das . 103 v. que de presente na mesma sirvo de Provedor & Faço saber ao senhor Doutor Juis de fora desta cidade. Deos Guarde a vosa mercê munttos annos. [Livro II Manoel Rodrigues Figueira^u do Copiador de alvará» Boim. e asinada pellos Doutores Dezembargadores Joze Pedro Emaus e António Velho da Costa. que bem e fielmente na verdade fis tresladar e tresladei. em como mim hora me foy remetida huma ordem pello Tribunal do Dezenbargo do Passo. de cuja ordem o seu theor e forma de verbo ad verbum he o seguinte Dom Jozé por Graça a — de Deos em Rey de Portugal e dos Alguarves.259 comarca para [o] que constando-lhes que nos seos d esachão alguns siganos sájâo logo com os mesmos povos a prendellos. poderão as justiças requerer aos comandantes delias o aucilio que nesesitarem que pronptamente se lhes dará tudo o que for preciso. Sobreditto o escrevi. E não continha mais em a dita ordem. ou a quem em sua abzencia ou impedimento seu nobillissimo cargo tiver e servir. Estremes catorze de Julho de mil settecentos e sincoentta e hum. Archivo da e provisões da Gamara (extincta) Municipal de Villa Gamara Municipal de Elvas].

António Luis Signet de Cordes a fez escrever. E nâo se contem mais a dita em a dita prouizão por virtude da qual mandey pasar a presente para a vos ella ser dirigida dito Senhor Doutor Juiz de fora desta cidade de Elvas ou a quem em sua auzencia ou impedimento seu nobilisimo cargo tiver e servir com nha a qual sendo-lhe apresentada indo primeiro por mim asinada e selada sello deste dito meu Juizo(?) que ante mim serve ou com a mi- rubrica.ambem participar as justiças subalternas de vosso destricto. tenho dado a providencia nesesaria. que também em semelhantes uzo e costuma servir. fazer prezente. E esta minha rezolução que mando participar a todos os corregedores ouvidores e provedores deste Reyno e do alguarve fareis i. ficando assim adisionado este capitulo aos da rezidencia. Cumprio asim. de que valha sem sello ex cauza. António Velho da Costa. para effeito de tirar devasa exacta contra os siganos e quem os protegese por ser o meio mais conveniente do socego dos Povos e Bem comum. e em seu cumprimento e por virtude delia. de por bem e vos mando que me dareis conta pella meza do mesmo Dezembargo do Paso. porque Devasas só por cazos de ley. Francisco Varella de Asis a fez em Lisboa a três de Novembro de mil setecentos e sincoenta e três. sa- . de qualquer qualidade ou condialgumas pessoas ção que sejão. e pello que respeita aos siganos hey . os autoeis e prendais debacho da chave na cadeya da Cabesa da Comarca. fasa munto intei- ramente cumprir e guardar asim e da maneyra que em ella se conthem e declara. que gouverna as Armas dessa Província. que. Por rezolução do Dezembargo do Paso.260 Villas de Souzel e Mertola a duvida que tiverão ao cumprimento meu servisso lhe remetera o Sargento mor de das ordens que por Batalha. Por El-Rey noso Senhor ao Corregedor da Comarca de Elvas. El-Rey noso Senhor o mandou por seu especial mandado pellos menistros abaixo asinados de seo conselho e seus Dezembargadores. acoutão protegem ou recolhem siganos. a cumpra e guarde. e con- que extrahirem trigo para o Eeino de Castella e lavradores que o vendem aos Castelhanos e Portuguezes que o conduzirem ou em suas cazas o deicharem albergar. dando-se-lhe parte do que tra os resultace desta diligencia para assim mo tudo visto na meza do Dezembargo do Passo. do Paço. rezoluçoes e decretos meos he que devem ser tiradas quanto a extracção do trigo. ele me fez prezente em consulta da fuy servido rezolver e declarar que os ditos Juizes de fora fizerão o que deviâo em nâo executar as ordens do que governa as Armas. mesma meza. e sendo em que foi ouvido o procurador da minha Coroa. constando-vos por qualquer modo que do voso destricto. digo por reziolução de Sua Magestad^ de dois de outubro de mil setecentos e sincoenta e três e despacho do dezembargo do Paso de doze do dito mez e anno. José Pedro Emaos. tendo entendido que na vosa rezidencia se perguntará se cumpristeis com esta obrigação.

203. protege ou recolhe siganos. E eu Jozé Bernardes escrivão da Correição o sobescrevy. que os Siganos. Esta vai subescripta por Jozé Bernardes escrivão proprietário do oííicio da correição em esta cidade de Elvas e sua Comarca etc. por algum modo acouta. que V. Excellencia me Fazendo presente a Sua Magestade o Aviso. a fl. Elvas dois demarco de mil e setecentos e sincoenta e quatro annos. João Pereira Coelho». José Bernardes.™» mesma Cidade. Paguarse-ha de feitio desta ao todo contado na forma do Regimento duzentos e setenta reis e de asynar e sello noventa reis. os actue e prenda logo na cadeya publica desta cidade. e asynatura e sello desta. de qualquer qualidade que cidade e seu termo. desta dita . e de vosa em que Deus guarde e a mim mersé. escrivam das ^ecuções. tudo a justiça que costuma e he obrigado em rezão de seu nobelisimo cargo que ocupa e admenistra. Cumprace.] iii do Registo da Camará Municipal de Elvas. Elvas sinco de dezembro de mil e setesentos e sincoenta e três. E não se continha mais em a dita precatória que fiz regystar bem e na verdade e não leva cousa que duvida fasa. e Ex. que inquietavào os moradores do Termo desta Cidade. [Tombo cipal. E eu João Pereyra Coelho. Dada e pasada em esta dita cidade de Elvas. e vosa merse nie mandará pasar certidam de como esta lhe foi entregue e a cumprio como também mandará dar seja. que inquietão os moradores do Termo desta Cidade : Foy . sejão applicados a servirem nas obras publicas da 111. sendo-me aprezentado da sua parte pedido e deprecado mediante Justiça etc. que no fim hirá declarado. executando tudo na forma da Provizâo de Sua Magestade.261 bendo Vossa merse que alguma pesoa. que hora siruo de escrivam da Camará o subescrevi. Ao sello valha sem sello ex causa trinta reis. Joachim António de Azevedo Soares. dirigio na data de 13 do corrente sobre os Siganos. em fée do que a fiz escrever subescrevy e asynei de meus sinais costumado. que vosa merse mandará cumprir tam inteiramente como nella se conthem. — Archivo Muni- 3Sr-° 33 1756 Aviso para o Duque Regedor ^ em que se lhe ordena. serviso a Sua Magestade cidade *."»o Sr. nesta incerta. feita em ella ao primeiro dia do mes de Dezenbro do Anno do Nascimento de Noso Senhor Jezus Christo de mil e setecentos e sincoenta e três annos etc. o que eu não menos farey por outras suas semelhantes. sendo feita esta despeza á custa dos bens do Conselho desta dita pagar o feitio e fará merse asim o cumprir e mandar se cumpra e guarde. Falcato.

ou do Princepe sem mais ordem e figura de juizo. Thomé.262 mesmo Senhor servido mandar declarar a V. onde com declarada violência praticão mais a seo salvo os seus perniciozissimos procedimentos . Excellencia. 1758. que padeceu a Corte de Lisboa no anno de 1755. que deponhão perante quaesquer dos Ministros criminaes respectivos aos destrictos. a 15 de Mayo de 1756. que lhes ensinem os officios e artes mecânicas. considerando que asim para socego publico. e carregados de armas de fogo pellas estradas. e Escravos. e lhes não seja permittido trazerem armas. Excellencia o Paço de Belém. valíio c Mello. que nào havendo presentemente navio para Angola. ou se facão trabalhar nas obras publicas pagando-lhes o seo justo salário. Lisboa. mas tãobem aquellas.] 1760 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará de Ley virem que sendome presente que os Siganos. não só as que pellas minhas Leis são pro: : nenhuma maneira se lhes consentirão. que de : . 106. o que for comprehendido nella seja degradado poj toda a vida para a Ilha de S. e por algum tempo se repartão pellos Prezidios. que deste Reino tem sido degradados para o Estado do Brazil vivem tanto á disposição da sua vontade que uzando dos seus prejudiciaes costumes com total infracção das minhas Leis. mais leve transgressão do que neste Alvará Ordeno. aos adultos se lhes assente praça de soldados. nem ainda nas viagens. Deos guarde a V. que lhes poderião servir de adorno E que as mulheres vivão recolhidas e se ocupem naquelles mesmos exercícios de que uzão as do Pais e Hey por bem que pelhi hibidas. pag. ou Aggravo do que o conhecimento sumario que resultar do juramento de três testemunhas. nem todos juntos. causão intolerável incomodo aos moradores. . que se condemnarem. e fasendo-se formidáveis por andarem sempre encorporados. = Sebastião Joseph de Car- {Memorias das principaes providencias que se derão no terremoto. de sorte que nunca estejão muitos juntos em hum mesmo Prezidio. em que possão ser transportados os Siganos. sejâo applicados a servirem nas obras publicas da Cidade. nem per meyo de Apellação. cometendo continuados furtos de cavalos. como para correcção de gente tão inútil e mal educada se faz precrso obriga-los pellos termos mais fortes e eficazes a tomar a vida civil sou servido ordenar que os rapazes de pequena idade filhos dos ditos siganos se entreguem judicialmente a Mestres. prohibindo-se a todos poderem comerciar em bestas e Escravos e andarem em ranchos Que não vivão em bairros separados.

ao Vice-Rey e Cappitâo General de mar e terra do Pastado do Brazil. x do Registo do Real Archivo. e a todos os Governadores. 351 do L. a qual 3sr. e registará na minha Chancelaria mor do Reino. onde semelhantes se costumão registar. e Cappitães mores delle. p.] 1760. como nelle se contem. [António Delgado da Silva. Supplemento á Collecção de legislação portugueza. e se não possa alegar ignorância será tãobem publicado nos Cappitanias do Estado do Brazil e em cada huma das suas Camarás e se registará nas ditas Rellaçoes. setecentos e secenta. lançando-se este próprio na Torre do Tombo.] 1761 Provisão de 8 de Fevereiro.263 onde fizerem a transgressão. 17501762. o qual se publicará. sem que delia possa ter mais recurso. 786. Rcy •'• etc. ColUcr^ão foi. —António Delgado da da legislação porlugueza. Desembargadores delias. e provada quanto baste se execute logo a sentença do extermínio.' 749-750.° se (sic) 1800 Rezisto de e huma ordem do Entendente Garal da Policia da Corte Beino para o Doutor Corregedor desta Comarqua a qual tíemeteo ao Doutor Juis de Fora desta Cidade na forma seguinte.*" [Registado a Silva. 1750-1762. aos Governadores das Rellações da Bahia e Rio de Janeiro. pp. e nas mais partes. Vou munto Seriamente Recomendar a Vossa mercê que especa as ordens mais percizas a todos os magistrados da sua respectiva Comarca asim de vara Branca como ordinários avivandos da exze- cução da Lei de vinte e sinco de junho de mil e setesentos e secenta c com particolaridade o paragrafo doze dela e a de vinte e sinco de Dezembro de mil e seissentos e oito que fas parte da mesma Lei c a de quinze de janeiro de mil e setesentos e oitenta. e para que venha á noticia de todos. Lisboa vinte de Setembro de mil. e Officiaes de Justiça do dito Estado executem e façâo observar sem duvida este meo Alvará. pois os Re- petidos fatos dos trangresores das edicadas Leis teem feito ver que os soberditos magistrados não cumprem o que nelas lhes he ordenado o que obrigou ao Genaral Dom Simmão Trazer a Reprezentar ao . relativa á lei de 20 de Setembro de nada accrescenta de interesse. Pelo que Mando ao Presidente e Concelheiros do meo Concelho Ultramarino. e a todos os Ouvidores e mais Ministros.

emquanto estiver regendo essa correição. sempre foi nesceçariio huma grande circonspeção a vegilancia de tão emportantes mas munto mais. huma especia de contrabandistas que andão vendendo pelas cazas e mascarandose e por este modo não só exzeminão as entradas e saldas delas mas também costumão ganhar alguns dos domésticos que sara mais a seo salvo porpetrarem os robôs e furtos que intentão fazer. se as fazendas forem de Lei o elas forem de contrabando e nestes casos : e as aloará formando-lhes os seos porseços vencomo contrabandistas se Lembro a Vossa mercê o capitolo vinte sete da prematica de mil e setesentos e quarenta e nove como também a Lei de quatorze de Novembro de mil e sete . e neste Reino teem entrado outros muntos estrangeiros sem se legetimarem como ordenâo as soberditas Leis que se citoaram. gencias aos soberditos magistrados mas vegiando se cumprem estes as çuas obrigacoins e asim continuar Vossa mercê. esinciahnente em huma congetura que ofresem as critiquas sirconstancias e que são bem manifestas não se contentando Vossa mercê em recomendar a exzecução destas deliobgetos."" Governador das Armas dessa Província que o ausseli na prizâo dos referidos siganos que por ela andarem vagando e nesta regra entrarão alguns engeitados e filhos famílias que andão fugi- dos girando de terra em terra sem se asoldadarem nem procorarem em que a que pezo ao estado consta finalmente nesta entendencia que muitos dos Ladroins que de novo teem aparesido são. pois que digo os que tiverem pois nestas sirconstancias devem ser logo prezos e apreendidas também as fazendas que se lhe encontrarem sejam o se ocopar vivendo de furtos que fazem e da mendacidade o ósio os condus em que depois ficão servindo de grave não de contrabando dendo-lhes. e Iguahnente na confermidade da ordenação do Livro quinto Titolo secenta e nove e dos decretos e Alvarás que vão nas coleçoins numaro primeiro e segundo ao dito Titolo e desesete de janeiro de mil e seissentos e seis e de treze de setembro de mil seiscentos e treze de vinte e quatro de outubro de mil seiscentos e quarenta e sete do decreto de vinte oito de Fevereiro de mil e setecentos e dezoito prendão todos os siganos de um e outro seco que vivão sem domecilio e andem vagos no Reino. e os filhos destes de que falo de um e outro sesso remetermos vossa mercê con toda a caridade e comedamente não lhes faltando ao nesceçario alimento conduzindos em carros e cavalgaduras aos portos do Mar mais prochimos para delles virem para a Rial Caza pia desta Corte e nela serem instruídos namorai Christã e nas obrigacoins suciais e aprenderem as Artes e manefaturas e aqueles que pelos seos talentos se recomendarem as mesmas siencias pedindo Vossa mercê ao Illustrissimo Ex.264 Príncipe Nosso Senhor a grande dezerção das Tropas auseliares que estão debaxo do seo comando neste Reino. que os masgestrados não cumprem as Leis e os dexão tranzitar para a Espanha.

— quim Pereira.l 3sr_^ ST 1848 «Deve cuidadosamente exigir-se passaporte aos bandos de ciganos que transitarem pelo reino. afim de se exercer contra os que o . E não continha mais no dito inserto em huma depercada que veio do Juizo da Correição. a fl. Lisboa doze de Julho de mil oito sentos. espero da atividade e luzes de Vossa mercê cumpra e faça exzecutar o que tenho ordenado nos respectivos officios que estes fins tenho espedido a esse Lugar e avivar egualmente a exzecução das indicadas Leis para que de foturo os Lugar asim o cumprão enteiramente e facão exzecuVossa mercê fará rezistar o presente officio nos Livros dessa Correição.» [Livro VI do Tombo do Registo da Camará Municipal de Elvas.265 sentos e sincoenta c sete mas previno a Vossa mercê que deve ese- toar desta regra as fazendas que vão endiretura para espanba pois o que acabo de ordenar entendese a respeito das fazendas que se andào vendendo pelo entrior do Reino estas delegencias deverá Vossa mercê ter sempre em vista é não só contentarsse em dar as çuas ordens mas vegiar cuidadosamente nas ezecuçoins delas como já referi a Vossa mercê. e munto parti colarmente estando Vossa mercê como meo comiçario a comprir e fazer e exzecutar o que ordeno e também para de futuro recomendo a Vossa mercê que leia liuma e muntas vezes o seo Regimento de Corregedores que litaralmente deve observar em toda a sua Comarqua e que deve praticar adetrito como Corregedor e Prezidente dela e munto principalmente sobre as plantaçoins e rezalvas dos chaparros enxertos dos zambogeiros e abreturas de algumas terras próprias para as semanteiras dos pains de toda a especia segundo a qualidade do terreno o pedir e lembro a exzecução dos officios que deregi a esse lugar nas datas de vinte sete de Maio e de treze de Julho de mil e sete sentos e oitenta exzecutando o que dis respeito a este officio nas terras de donatários adonde não entrar a correição para nas mesmas terras fazer Vossa mercê observar o que neste lhes ordeno e o que ultimamente ordenei no officio que deregi a essa Provedoria em sinco do presente mês relativo aos 'engeitados nas correiçoins que fizer proguntara Vossa mercê se tem litaralmente exzicutado o ordenado no dito officio para Vossa mercê me dar conta da sua observância e se hover alguma omição. para o Doutor Juis de Fora a quem entreguei e a mesma me reporto e eu António Joaquim Pereira escrivão da camará a fiz escrever. da parte dos exzecutores. 85 v. remetendo-me certidão de asim se ter exzecutado. Deos Guarde a Vossa mercê. António Joaseçores desse tar. Diogo Ignacio de Pina Manique.

E quanto às ciganas não as quis acceitar nesta festa o senhor deuoto antes as despedio. Misccllanea do sitio de Nossa Senhora da Lvz do Pedrógão grande. ou criada a peçonha. Tenho tamanho aborrecimento a essa gente. feiticeiras inquietadoras da honestidade das molheres. 18 Março 1842. (O prologo foi escrito em 1G22. Deuot. e enganar a simplez donzella c5 nome de mesinha pêra o outro casar com ella. ou qu(. que de cima corria em hua bacia por hua pena. Embaidoras que por dous vintêis. nem Cr-isp. etc. ladrões. 151.) « [Henrique da Gama Barros. hua dança de Ciganas que eu encontrei no caminho. porque forão ellas muito pêra se ver. U. Gal. Porem ainda me parece vos ficou por contar. Outras cousas fora dessa. nem temor delia. Lisboa. e fazendoas mal parir. e bebião quantos querião. porem quem não pode se não limitadamente. por donde se deue dar a todo o necessitado. ou ficão pêra nunca mais Trecho da descripção dumas festas na villa de Pedrógão grande (Bcira-Baixa) na obra de Miguel Leitão d'Andrada. lhe dão com que os coitados vão ao outro mundo fazer experiência da mesinha. salteadores. E ainda à casada a titulo de o marido lhe querer bem. onde estaua hua taça de prata com guarda. (Código administrativo. e os muytos que dizeis aqui SC acharão nestas festas. e chaE quem a pudesse dar a todos por amor de Deos faria bem. deixei eu por serem miúdas. ' pg. Eezão tiuerão esses senhores. que o senhor deuoto mandou por a nossa porta. matadores. Ined. e o mesmo solimão pêra matar seus senhores. 181. 1629. 335-310. que a esmola conforme nellafoy o intento. mostrar selo. parece a deue antes de dar ao dino? Deuot. não duuidarão trazer á vossa escraua. por os ter por indinos delia. p. quando isso não fosse occasião de pecar ou de não deixar o peccado. que ao indigno. que esmolla à porta quero se lhes dê. sem ley. Disso me marauilho eu muito. xii. e de 1854. Portaria circular 18 abril 1848. porque a esmola dada por amor de Deos ainda que seja a indino não deixara de ter o seu merecimento.sboa. 1860.] Miguel Leitão d'Ândrada sobre os ciganos ^ Crisp. Eepertorio admiràstrativo. quais são quasi todos estes Ciganos. ou dois pais. como haa fonte de vinho. que o sol a todos allumia.) Dial. E ainda que o não seja basta ser por amor de Deos. sei Bem ridade terá o seu merecimento. e ellns ladras. e elle dirá o porque. . Tomo i.266 não trouxerem a correcção e repressão ordenadas na Lei de 20 de setembro de 1760.

estas lombrigas ou digo Biboras que o estão roendo de continuo por todas as partes de seu todo. que quasi elles mesmos não sabem de que nação ou Reyno procedem. e que nuca deixarão a sua lingua Chaldea. pêra nella se lerem e vsarem de liuros Catholicos. o como. muito mais cautelosamente. a quantos isto cada dia acontece. e males que nelle não se sabiâo. embarcandoos diuididos pêra o Brazil e Angola e outras nossas conquistas. e quando isso não parecesse. que gouernão. e dentro de nossas próprias casas passão por isso. se sahirão a encher toda Europa porem que nenhures os consentem mais de três dias. e que disso^morreo assi mal. E os que introduzirão em Portugal mil feitiçarias. fazendoos viuer dentro no meyo das cidades repartidos pello Reyno. E o não perderem nunca a sua lingua não foy por certo. E não sei como os conselheiros dos Reys. E esta gente com auer tantos centos de annos que £'spanha os agasalhou. E pello contrario. porque vzando tudo isto como vzão por officio os não possamos en- tender. que digão que o marido era hum amancebado. E sabe Deos. e embelecos. nem ainda zombando ou rigor que notar. que o puderâo remediar. se fazem jEJgipcios. em poucos annos logo falia a lingoa desse Reyno. não buscâo remédio a cousa tao importante como fora não estar Portugal e Espanha toda criando em suas entranhas. senão pêra milhor inteligência de suas malas artes. e vendoo. que ninguém attenta nisto. e palpandoo cada dia e cada hora a nossas portas. e que por essa causa os Venezeano£. e parece são estes de Portugal. porque sendo Gregos que se vierâo fugindo dos Turcos. vedandolhes o yzo do trajo. Os quais de Zigaros se chamão ciganos. e delle se mantém. e os que gouernão as Republicas desuelando-se tanto em novas prematicas sobre ninharias. com achaque de bona dicha. ou de sciencias e artes que troxessem boas. ou delles estes mãos costumes. Agasalhãdoos Portugal vindo perseguidos dos Turcos vzão tão mal desse gasalhado. e agora pêra a noua pouoaçâo do Maranhão poucos a poucos em cada nauio que fosse. e com mais com hum ferido de peste. e os terem por sospeitos os lançarão de todas suas terras. estes o são por officio. E seja verdade que todos somos peccadores. latrocínios. e sendo Chaldeos. e falo de sciencia certa.267 Então a descarga disto he. e beneficio. e descuidados. e por carta. pola sutileza de seus furtos. E he de que se hum nosso Português vai ser morador em outro Reyno. E pudera isso ter muyto bom remédio. Supplementum chronicarum que de certos pouos chamados Zigaros. e se hirião acabando de sair do Reyno. e andaua toda a noite. e seus filhos ja nella e em tudo o mais como naturais mesmos da terra. e suas próprias mulheres. falo dos nós tão cegos. prestar. : E . como diz lacobo Philipo Bergamate no seu livro. Por onde eu aconcelharia a todo o home que euitasse o fallar qualquer cousa sua com esta gente. ou Gitanos. que deue ser a que lhe ouimos falar. que he o mesmo. ou enganos. e aozadas.

tanger os folies. tirandoos das tauernas que destes de continuo 'estão cheas. e regimento. e o sair fora das Cidades e villas. e toada muito prolongada. e outras rodas. e outros mil excessos cada dia vemos. rodas de esparteiros. e a seu aluedrio de cada hum. ou obreiros nas alheas. Não he essa boa consequecia que cada dia vemos darse. Nem por isso deixaria de auer outros ciganos. e outros E o pedir esmola que aos pobres se deue necessitados (que ha muitos nossos naturais) e não a elles que podem bem com trabalhar remediar sua vida. e nem cegarião muitos pays os filhos minimos acinte pelos lançar a pedir (como se diz por cousa certa o fazem em certos lugares) nem se farião outros a si mesmos outros aleijões. e em portas de fidalgos. e pagarlhes ou mantelos (como dizem o fazem na China. Pois a verdadeira charidade deue começar por nós mesmos. de dia. ou tribunal só pêra isso. O que he muito importante. E goardandose cõ rigor não se cortariâo muitos os braços a si mesmos cõ a cobiça de pedir. e os cegos nas casas dos ferreiros. E os aleijados de mãos. e de noite pedindo e lamentando-se com hua voz muito lastimosa. Deuot. e na ribeira das nãos a puxar por cordas. E passão com toda a liberdade. Cordoeiros. E da mesma exercícios conuenientes. cirgueiros. e obrigandoos a officios com tenda sua. e instrumentos de roubar. Também esse he hum grande descuido dos que gouernão não atalharem a essa desordem com algum remédio. e outros. e mandando vir de lá essas dizem são excelentíssimas em muitas cousas) que as leys leys que em todas as idades se buscarão e passarão de huns Reynos a outros pêra tomar delias o mais conueniente). com malefícios. e mais essencial. E a ellas o mesmo a officios. e o mais que aly ha. Aplicando a todos o exercício. ouriues. que ja não se praticão nem se goardão. Pondo se os coxos a officios que não hão mister pernas. pastores. e maneira se puderão poer as mulheres a officios e acõmodandoas por casas a seruir onde . e chagas com este intento. alfayates. Nem estado em que andarião tantas mulheres pêra sustentarem o mao viuem. egoarizos e caminheiros. E puderão as Republicas ou os Reys criar Magistrado. como ha naturais que por se darem a boa vida se lançâo a pedir. que só vzâo a fim de fazer gazuas. como tudo. Crisp.268 e da lingoagem. e acharse remédio a cousas que a nossos mayores não passou por f)ensamento. E que não fossem ferreiros. obrigando alternadamente aos officiaes siruirense delles. lapidarios. como çapateiros. Quanto mais que leys ouue. ou vender em tendas. porteiros de concelhos. ou polias ruas e outros exercícios. e pelos mais chegados nossos. dandolhe leys. e trabalho de que se manter conforme sua sufficiencia. e ordenações excelentes sobre isso. Deuot. conforme o aleijão. o que ou outros remédios se lhes atalhasse o furtar. Não deue de o ter pois que tee gora se lhe não deu. Crisp.

sem auer quem acuda a esta calaçaria. se quer por rezão de estado. e peccados mortais. e com letras muyto grossas e de forma. e bordão. Nâo aueria tantas desordens. e enuergonhados tantas necessidades. E muytas vezes extremas. E pois me fes mercê festejarme tanto esta tarde. E desta ou de outras maneiras mandandose o primeiro com todo ninguém pudesse pedir sem expressa licença do tal tribunal ou magistrado. o senhor Galacio de me Deuot. por estes velhacos lha vsurpaaueria rem. que nos não auemos de gouernar. e yr as cousas por onde vão. e sombras. e ellas logo se darem a esta vida calaceira de pedir com seus capelos. e vos aueres de dar algumas. e tyranizarem e nas Igrejas mais quietação pêra as pessoas se poderem encomendar a Deos. juntemonos aqui à manham. como ha nem tantos males. vedandolhes o pedir dentro e o dar a esmolla dentro. Crisjp.269 estiuessem recolhidas. Deixemos os pobres Ciganos. nem emmendar o mundo. pois basta pediremna à porta. Assim seja. e a Deos. e o rigor que bastante esmola pêra quem direitamete pertence e não padecerião os necessitados nobres. . que he vergonha ver isto. E com trazer essa tal licença ao colo escrita em taboas. donde poderemos yr dar quatro passeyos por recreação refrescandonos por essas fontes.

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n. graças ás condições particulares d'aquella nossa antiga colónia. imposta a * um que nos mostra cigano. n. Does.se No Brasil. n.APPENDICE 11 OS CIGANOS DO BRASIL Entre os documentos que reuni ha um já em 1Õ74 a pena de galés. Não seria naquelle século tal caso o único do género . mais de meio século.° 38. Doe. o Maranhão 2. em 1686 que vemos generalisado o desterro para uma parte do Brasil. conforme ao deque fora expresso.« 34. n. reunindo.°« 2 3 4 22 e 23. elles se atreviam a praticar violências. em numero e com armas. . antes por Miguel Leitão d'Andrada^. como em Portugal. Emfim o Alvará de 1760* sejo mostra-nos que no Brasil persistia o modo particular de vida dos ciganos e que. * Doe. com- mutada em desterro para o Brasil. 267. mas é só no fim do século seguinte.o 5. Doe. as medidas legislativas não conseguiram fazer desàpparecer os ciganos nem sequer os seus costumes inveterados. p. como nos outros países europeus ou de civiHsação de origem europea.

accrescenta-se que se casam só pessoas da sua raça. mas os : compõem não são em numero bastante grande para que a classifiquemos entre as grandes divisões da espécie humana que formam a população do Brasil. Jay. o titulo de Zingaris au Brésil se lê in Nouvelles annales des voyages. As mulheres jornadeiam assentadas entre os cestos. comprando. Diz-se que não observam nenhuma pratica religiosa. p. Paris. Bandos de ciganos tinham por costume mostrar. vendendo cavallos e jóias de oiro e de prata. 1 Da curta noticia de Koster é extrahida a que com 1818. II. Pintam-nos como homens altos e bem feitos. e como fossem feitas tentativas para prender alguns. mulheres. Voyages dans la partie septentrionale du Brésil depuis 1809 jusqu'en 1815. Vagueiam em bando. por obsequio Ao que Henri Koster. A. de Fanglais par M. creanças trocando. mas o governador era inimigo d'elles. deu-nos a seguinte noticia que bem «Resta-me ainda indivíduos que a a persistência d'aquella gente fallar de uma raça de homens. t.se noutros tempos. que não vão nunca á missa ao confesso. 1820). trad.272 Um no começo nos mostra viajante inglez que percorreu uma parte do Brasil. sem pensar em se apearem e repar- tirem as cargas por todos os animaes. vol. esses homens excitam alem d'isso menos interesse que os outros: todavia não se pode passar em silencio os ciganos^ (porque é assim que os chamam). nos cestos misturados com a bagagem. uma vez por anno. . contentam-se com abrandar o passo das cavalgaduras. em cavallos albardados. — . na aldeia de Pasmado e noutros sitios da província (de Pernambuco). (l'este século. as visitas acabaram. de cor acastanhada com feições semelhantes ás dos brancos. IV (Paris. quando os seus cavallos de carga estão ajoujados sob o peso. Ouvi muitas vezes fallar d'elles.*» nem com acabo de indicar se resumia o que apurara dos ciganos do Brasil quando me chegou á mão. 474. homens. mettem os filhos Os homens são excellentes cavalleiros. mas nunca tive occasião de ver um só.

falla-nos depois da legislação portuguesa acerca d'esse povo e cita um decreto de 11 de abril de 1718 segundo o qual «foram degradados os O ganos).» Segundo o auctor. um volume que se occupa do assumpto. quintos de ouro attribuido aos ciganos. não permittindo que se ensine a seus filhos. Rio de Janeiro. Não ao Rio de Janeiro os seus avós e parentes nove famílias de roubo de em razão um para aqui degradadas.273 do sr. t. o qual tenho á mão. 18 . Os Ciganos no Brazil. ferreiros. — de prodigiosa memoria. estimável e venerando calon (calo) de 89 annos. a fim de obter-se a sua extinencontrei esse decreto. as mulheres : muito interessantes. o cruzamento com as três raças existentes eífectuou-se. deu-lhe noticia de famílias importantes brasileiras cruzadas com os ciganos. sendo o cigano a solda que uniu as três peças de fundição da mestiçagem actual do Brazil». Ha excerptos de uma e vi. Pinto Noites. mas com referencia quasi exclusiva aos ciganos do Rio de Janeiro auctor dessa obra começa por considerações de segunda mão sobre as primitivas migrações dos ciganos (tsivarias inexactidões. O auctor pretende que: «A reproducção entre si (entre os ciganos) deu-se em grande escala . outra collecção no Parnaso hrazileiro (Rio de Janeiro. de p. De um lado. Aqui ha um exaggero evidente.» ções. Os rezariam de quebranto e leriam a buena dicha. nas minhas investigasegundo o sr. *. que não 155 : Trovas O mesmo auctor publicou um Cancioneiro dos O volume que examinei contém de pp. L. e de outras particularidades degredados de 1818 entregar-se-hiam ás industrias dos metaes seriam caldeireiros.° 204 pp. suppondo rigorosamente histórica a noticia da migração das 1 Mello de Moraes Filho. de Vasconcellos. 18. 609 a 624. 1885) do mesmo auctor. esse velho. latoeiros e ourives. 1886. «Foi por essa data. Ciganos. ordenando-se ao governador que ponha cobro e cuidado na prohibição do uso de sua lingua e giria. 113 a ciganas e Novo Cancioneiro. ii. que chegaram ção. com ciganos do reino para a praça da cidade da Bahia.

neiro na compra de escravos e veiu a ser marquez de B . estão por tal forma cheios de . um 3. Os ensalmos e pragas dos elementos ciganos. sem citar documento. de outro lado não é de admittir. calo de raça. únicas desterradas para o Brasil no século xviii. . Mello Moraes falla-nos d'essa lucrativa occupação dos ciganos e allude a um M. passassem para alli mais ciganos. para onde já anteriormente teriam ido algumas. que alcançou immensa fortuna como media. primeiro e outras são communs nos diversos povos da Europa. O sr. com a traslação da corte portuguesa para o Kio sr. que no brasileiro haja tanto sangue cigano como o auctor parece estar disposto a fácil acceitar. O em Mello Moraes pretende. e falla-nos de calo rico.° de Janeiro. os ciganos não perdiam algumas das peculiariadadcs da sua raça. que 1808. Mas as superstições e os Num em que ha ensalmos que nos apresenta divergem muito pouco de superc stições e ensalmos vulgarissimos entre o povo português aos quaes me porque umas é impossível attribuir origem cigana. porque o nivel do brasileiro era geralmente baixo. demais. sem outras provas. .. Adaptando-se assim. Esse phenomeno é apenas mais uma exemvirtude da qual um povo de civilisação rudimentar se adapta tanto mais rapidamente á civilisação phíicação da lei em de outro. EUe elevava-se em verdade facilmente ao nivel do brasileiro. Joaquim António Rabello.274 nove não pode admittir-se que tenham sido as famílias. outras muitas coisas inconsicapitulo attribue auctor o grande papel ao cigano como deradas. á civilisação brasileira. alguns séculos atrás em o nosso pais e por mais largo espaço de tempo noutros paises. fonte de superstições brasileiras. sargento-mór do regimento de milicias da corte «a quem a historia nacioum dia considere como uma força nas agitações nal talvez politicas da independência». pelos peores lados. O alvará de 1760 prohibia aos ciganos do Brasil commerciarem em escravos. e segundo porque podemos seguir a sua historia. quanto ella é menos adeantada. .

. 11. Adolpho Coelho.°' 1054-1072. Mãrchen und Gebrauche aus . Idem. e sobretudo no Atliarvaveda . Sauvé in Revue celtique. em extremo 1 prosaicas . (Porto. As superstições portuguesas in Revista scicntifica. vi. 393-430. F. 1882). Weber. p. A em A As praticas de feiticeria. todavia concebe-se que não deixe 2 A. 441-463. paração revela que o que dos ciganos do Brasil nos communica o sr. 1866. Mello Moraes se parece muito mais com os ensalmos das benzedeiras e feiticeiras portuguesas que com como os ensalmos portuguemais dos outros povos europeus que ses se parecem com os os exemplares indianos. . n. etc. Notes on the Ft Ik Lore of the III. London. 11. 67-85. Cantos populares espanoles. Ueber Marcellus Burdigalensis in Kleinere Schrlften. Birlin- 377. christãos encontramos coisas do mesmo género desde remota antigui^ dade. Idem. de onde veiu esse povo. 633-668. 255-319 Northern counlries of England and the Borders. Indische Studien. L. iv (1858). por . já no Rig-Veda.^ serie. Fr. os ensalmos das ciganas. por via de regra. Mélusine. etc. 405. são. como os das suas collegas portuguesas. iii (1874). 1877. Kuhn und W. orações e ensalmos do Minho in Romania. A. Deutsche Mythologie. Idem. Lenormant mas a comsaçoes. xiii (1864). pp. xxxvi. Marin. in Zeitschrift 113-157 . t. 2. 431-444 Wesffalen. 4v4.275 que logo á primeira vista se desconfia da sua originalidade. Aus Schicaben. 269-278 Idem. Schwartz. A. cap. Indische und germanische Segenspriiche fur Vergleichende Sprachforschung. Romances. pp. Sagen. assim com minha conclusão é que os ciganos se dos formulários das nossas benzePortugal apropriaram deiras e feiticeiras. pp. . i. xxxvii e xxxviii. Sem duvida na índia. 560-578 . demonstração dessa Ihese exige de e espaço que agora não posso dispor 2. Contento-me com indicar alguns elementos para o estudo da : questão J. 1-29. Costumes e crenças populares in Boletim da Sociei. pp. 108-142. e os outros trabalhos dos folkloristas portugueses. Grimm. 119-215. pp. encontramo las também nos documentos de outras velhas civili- exemplo nos textos cuneiformes de Babylonia. R. ibidem. tempo os asiáticos. 512528. Ueher zwei entdeckte gediclite aus der Zeit des deutschen heidentliums. Kuhn. ger. William Henderson. ed. 114-151. idem. 49-74. vulgarisados ate nas obras de Fr. John Brand. dade de geographia de Lisboa. NorddeutscJie A. F. ir. Sage. Observations on popular Antiquities.

o Papagaio ^ o Pernas finas (ciganos da Cidade Nova).se de a casar com um qiierdapanin {á. diz o auctor. . estendem o braço. O casamento era por via de regra o resultado de uma combinação dos pães e não a almejada consequência do amor. o Migim-Migim. o primeiro contava mais de vinte mortes.?» Esse costume . dizem: Abença.276 de produzir certo effeito a phrase seguinte do nosso auctor: «A cigana é a sacerdotiza da nossa theurgia popular! » colónia cigana da Cidade Nova. Tratam-se por alcunhas. imitaram-no as creanças ciganas das portuguesas. Apesar dos casamentos consanguineos. o Catú^ o Come-jpolvora (ciganos de Minas). excepto os frequentes de surdi- mudez. Janeiro. Os homens Na empregam-se geralmente no foi foro e são honestos. como os fadistas taes sao. alcunhado e outro o Eola^ foram notáveis nos annaes do crime. trocam entre si como saudação as palavras: «Olé! olá! olô!» Os filhos não beijam as mãos aos pais. Se a um pae cuja filha não soubera conservar-sc pura esta era pedida para noiva. Mas se a filha era virgem havia grande . não tinham passado da phase primitiva. marinheiro. . Nenhum até ao presente processado por ladrão nos dois últimos decennios de sessão de jury apenas dois foram condemnados e por ferimentos leves. assim como ainda hoje nas partidas de Minas. e com um tom de voz plangente e vagaroso. Bahia e Maranhão. não poderá haver menos de quinhentos habitantes. elle não hesitava em revelar o segredo e tratava. letra: «faz agua». até 18Õ0. informa- Mello Moraes. segundo o já referido Pinto Noites. Numa nota lemos que dois ciganos de um o Beijo ^ parente de Pinto Noites. o : Beijo j o Rola^ já referidos. Minas. e estçs. e esse consorcio com o estranho importava a exclusão igno- miniosa da tribu. português. colono). são raros os casos pathologicos congénitos. «As mulheres não dão a mão a apertar aos homens. quando se encontram. Os casamentos dos ciganos do Rio de nos ainda o sr.

os padrinhos.se o catholicismo que os do Rio de Janeiro adoptaram por completo na sua forma popular. e o marido mostrava no Gade as rosas da pureza aos alaridos do festim . os suspendiam da cabeça. .* . acha- vam-se superpostos. assistiam no . gina. «Vestida novamente. ficava pertencendo ao esposo. para que eram havia danças. coberto de folhas de alecrim. que o guardava para sempre como penhor de sua alliança. alvos como uma hóstia. mas do que diz concluo. encostadas a uma mesa. «O Gadej solemnemente acondicionado numa caixinha de preço. e que as dores preparantes a arrojavam na cama. derramavam sobre o linho uma luz de âmbar e ouro. «Quatro tochas accesas. . (íA meia noite retiravam-se todos para um . que também eram quatro. os padrinhos «Uma largavam os lençóes. aromatisados com alfazema e salpicados de flores. de envolta com as superstições tradicionaes portuguesas.» O auctor do livro não consagra nenhumas observações particulares á religião dos ciganos. passando ura ao outro os cirios que sustinham. despedaçava a membrana hymen. a um signal ajustado.277 satisfação c preparava. lado da sala. . deitava-a sobre um o dedo indicador no vestibulo da vaintroduzia-lhe leito. desdobravam os lençóes. juntando as extre- «E midades. adiantando-se os noivos e as duas madrinhas «Sobre um movei. «Logo que uma mulher gravida estava a termo. As janellas fechavam-se. des- convidados até os inimigos e em que cantes.se a festa da boda. alongando o braço opposto e formavam o quarto onde o sacrifício incruento (?) deveria celebrar-se. . das matronas despia a noiva. banquete. . . «Então nelle entravam os desposados e as duas sacerdotizas. enxugando na camisa de cambraia as gottas de sangue da virgindade. cinco lençóes. a inquietação transparecia em todos os semblantes o rito sagrado do Gade ia cumprir-se. embebido de aromas suaves.

«a viuva cortava os cabellos. sahimento dirigia-se á igreja. presentes estes que vendiam. numa bacia do prata. para suavisar os soíFrimentos da enferma e dar boa sorte ao anjinho que ia nascer. no caso de divergências. para que tivesse fortuna. o pai a tomava no collo e a beijava com transporte. e os parentes entravam para vê-lo. fazendo-a recordar do quanto padecera a Virgem por seu bemdito Filho. dentro deitavam collares e moedas de ouro. «O baptisado não diíFeria dos nossos. enxuto em riquíssima toalha de linho e crivo. .» Quando morria algum cigano havia lamentações (em prosa). soprando-lhe no rosto.278 quarto á parturiente três parentas mais chegadas e na sala cantavam os visitantes cantos sagrados a Duvel (= git. numa «O Proferindo palavras cabalísticas. encorajando-a. se era um marido o fallecido. e tias. «As parteiras faziam a toilette da parida. «A «Depois da ligadura e corte do cordão. creança era lavada com agua e vinho. com rezas que lhe deitavam ao pes- com figas e bentinhos coço. «O nome que Jhe punham drinhos. o quarto se abria a meia porta. defumada de alfazema. «Na mesma noite ou na immediata havia cantoria e bailado. dos palançavam sortes. apoiavam nos braços a doente. Dehel). «As comadres infalliveis. quando viera ao mundo . e. . «Jóias e objectos de valor cada um lhe oífertava. . . . com talismans milagrosos. «Para que os visitantes não trouxessem maus ares e não levassem a felicidade que tivesse trazido o pequeno. servindo o dinheiro para a compra do enxoval. sanc- cionando-se religiosamente a decisão do acaso. atirava tudo fogueira lustral preparada para este fim». era do santo do dia. deitava metade sobre a região precordial do finado e envolvia o rosto no vestido com que estava ao expirar o marido. defu- mavam-se antes e depois de penetrarem no aposento. botavam juntinho o recem-nascido.

. esquife. adorável belleza». flores e borrifado de lagrimas. vii «Os desclassificados habitadores da Cidade Nova são na : totalidade supersticiosos e desconfiados. . na resignação. segundo a minha disposição. . de pés descalços. em que os fallecimenexcepto tos não são vulgares antes dos setenta annos. luto. matrimonio com corpo estranho são infe«Ligando-se lizes. . . sentimentos hostis. «O ia coberto de «A infeliz filhos e os parentes. a embriaguez a que se entregam para adormecer-lhes pesadumes innatos. mas não lhe votam rancor. veritícando-se que sempre em com pessoa da mesma casta. attribuem os acontecimentos mais comezinhos a um destino de influencias o desalento aninhado «Com inevitáveis e a cujos effeitos o individuo tem de ceder ou succumbir na luta. fogem dos outros homens. desDahi a sua pusilanimidade. «Qualquer lance menos bondoso da sorte os abate. os Sigo a ordem adoptada pelo auctor na sua exposição c não a que dei atrás ao meu estudo por isso só agora chego a dois pontos que. vivem descontentes. Mello Moraes Além do que no cap. ter precedido as observações sobre os costumes : os cara- cteres physicos e os psychicos. vestida de eterno » acompanhavam. o abandono em graçados. Muito poucos chegam além? quarenta familia na dos Cantanhedes. a propósito dos costumes se colhe relativamente aos caracteres psychicos dos ciganos do Eia de Janeiro. tendo o auctor A verificado no obituário um de cem. — que teem cabido. Sobre o typo physico apenas nos diz o auctor que «presentemente o colorido da pelle varia e com elle a nuança dos cabellos e dos olhos».no. são sublimes. deveriam . uma ou outra se prostituo. «As mulheres calins^ no infortúnio. considerando-os desde logo irremediavelmente perdidos.279 carregado pelos Terceiros. eis o que de mais preciso nos diz o sr. Numa familia ha «mulheres de media da idade d'esse povo é de a cincoenta annos.

280 «Os ciganos não aborrecem-se . nem descuidam dos desvalidos. ao passo que uma terceira se mantém na vida errante. os seus pensamentos melancólicos e aphorismaticos. e entrelaçou-se petuou-se nos Rabellos — com a familia Cabral (também cigana).» collega distincto e intelligencia se funde assim Emquanto uma camada cigana na nacio- nalidade brasileira. e francos. de expansões largas. «Suas phrases são severas e concisas. incumbem-se de soccorrer a viuva e encarregam-se dos orphãos. as despesas do enterro missa correm por conta dos parentes. que nos persuadimos serem oriundos dos Laços. . «As ciganas nunca separam-se de seus filhos pequenos.se. resmungam. aos quaes abrem coração materno.se lentamente na miséria. carinhosos. homens conceituados no magistério. queixam-se e . ciganos destemidos e das tropilhas nómades. não se não se diífamam. protegem-se — são exploram. desigual. monologam comsigo. francos e generosos». como uma divida contrahida para com o morto. . «Entre si exaltam. ha um medico que foi jornalista e a quem consideramos como de relevo. no foro. «Reconhecidos ao mais fútil beneficio. ofíiciaes do exercito. unem-se não se divertem. nos cargos de secretaria e na tribuna sagrada. «Dos Catanas. que nos tem dado oradores parlamentares. a sua voz azaphica. «Se morre algum. se separam. Conhecemos uma que é a Providencia de duas se criancinhas a quem estremece e ensina todas as noites a orar por aquelle que já está no céo. Os ciganos da familia dos Costas são «notáveis como can- tadores e tocadores de viola. as suas demonstrações revestem-se de apparato declamatório. outra extingue. que. «O velho tronco (cigano) Luiz Rabello de Aragão perpoetas e litteratos. não discutem. António Curto e Fragas. bem intencionados.

pudéssemos suspeitar tal origem. a julgar pelas amostras que tenho presentes. Sou um quadro sem ter luz Sou um phantasma que vaga Entre o cypreste e a cruz. não porque ella seja uma reproducção servil. não tem o : menor característico cigano DESESPERANÇA E FÉ «Ah ! meu ! filho os céos me parecem mais elles as altos. quadro. se a proveniência não nos fosse indicada. Dolorosa. é apenas poesia popular. ou os ceos são outros. Até nâo tenho figura Sou espectro que vagueia Que até nem tem sepultura. entre outras.» . se nalgumas quadras não houvesse palavras ciganas. Ou tomaram mais Pois já não chegam a elles Os rogos das creaturas ! Já minhas preces não valem Como valeram outr'ora . Não sou estatua nem . é-o muitas vezes a poesia culta brasileira. (Da Ex. M. . pessimista.281 A poesia dos ciganos do Brasil. mas porque é uma producção em moldes e em matéria simplesmente apropriada pelos ciganos. Moraes «Meu filho. é muitas vezes a poesia popular . Até do amor de Deus Pareço privada agora.) preces.^<^ Mãe do Dr. mas não de modo que. Eis um exemplo cigano : Eu sou estatua quebrada. alturas . pois já não chegam a minhas Filho. A seguinte composição. senii-culta ou culta brasileira em boca cigana. uma pura repetição. cuja espirito se manifesta aqui apenas no caracter doloroso e pessimista predominante das d'ellas composições.

não primário isto é. Peschel. Faz reflectir sobre tudo Os raios do seu amor. por si sós não sao capazes de produzir uma poesia sua. eternas ! Não A penseis que face dos ceos. 195) : os tsiganos teem talento poético secundário. mas teem a capacidade de apropriação da technica poética já desenvolvida . 2 a p. mas todos os processos poéticos) e de produzir com esses elementos eshistoria litteratranhos combinações novas e de valor. VõlkerJcunde ^. por outro povo (e por technica não entendo aqui só o que respeita á metrificação propriamente dita. Fr.282 «Ali Mae ikIo temais que Prive assim de sua graça A quem como vós o ama. Deus de amparar a Como o sol que ás solidões Manda seus raios. floresce. 14G. e deixe virtude. humilde. p. — Não pode negar-se que ciganos brasileiros haja geral nessas prodiicções dos sopro poético: como se concilia em este facto com a opinião dos que negam dotes poéticos á raça tsigana? Essa falta de dotes poéticos não é absoluta (e nisto modifico eu o modo de ver de Schuchardt. 219-220. A ria apresenta-nos exemplos muito consideráveis do mesmo género. e aquece Até a florinha. Vôlkerlaindc. Pae de todos. i. Vide. um . por exemplo. 1 . Cf. e a ethnographia dá-no-los similares noutros domínios da actividade humana *. o que da capacidade de apropriação e incapacidade inventiva do negro diz O. Que nos abysmos Assim Deus Sol de grandeza. 515-516. referido em a minha n. etc. Ratzd. dia mude . Creador. A quem sua fé abraça » ! ! um Deus ! Leis immutaveis.

. etc.283 O sr. git. deserto hatuesa. fraqueza. das quaes a mais geral é a nasalisação das vogaes accentuadas (e ainda dos diphthongos) finaes. ó triste. tope. sacais. roi. luxo. Mello Moraes falla-nos de uma gíria dos ciganos de que coramunica os termos cabeça. rainha. aron. Mello Moraes tem por objecto quasi exdisse. preto. . caconda. calin. mas não nos diz como colheu esse vocabulário. errantes pelos sertões». . negro. impostura. extrano. espingarda. infeliz. exemaranin. mas sim o português. husnon. afastamento. como em Portugal. huchardin. git. mentira. asseio. clusivo. git. Os sons hispanhoes parecem ter dcsapparecido por completo. ruindade. escuro. farinha. amaro. tudo que imprestabilidade . git. e dá-nos no fim um voca- 2Õ3 termos ciganos. no texto «ás partidas ciganas. O livro do dr. bárbaro. busnô. cigana . acampou-se á margem do Parah^^ba. cujos costumes são bem diíferentes dos nossos. cuchillo. cigano churin. churí. hruckardi. hriplos : As jindia. que correspondem quasi todos a termos dos ciganos de Portugal ou dos gitanos de bulário de Hispanha. Mas em as notas transcreve a seguinte noticia de um «Esteve acampado tantos norte. afflictivo. longitude. gentil calon. que vinham de Minas e seguiam para o «A propósito escrevem d'aquella cidade ao Pyrilamjpo de : Jacarehy «Essa gente. tilleria. especialapenas de passagem allude . acans. que teriam para nós muito mais interesse. riqueza. git. brichindin. de cuja authenticidade não ha aliás razão para duvidar. felicidade. escuro. como já mente os do Eio de Janeiro os ciganos sedentários. A base do fallar não é já o hispanhol. acais. covardia. em Caçapava um bando periódico (188Õ): de cento e ciganos. palavras tsiganas experimentaram no Brasil novas modificações. chuva^ git. onde assentou sua . pieza de argii. erani. olhos. pobre . pu- nhal. maldade.

para onde affluiu esta população. bem «Aqui deixa-se ver que muitas pessoas de Caçapava sao que hão de soffrer. de enorme «Também nem um grossura e em enorme quantidade. «Os ciganitos e ciganitas creanças. deixava de cobrir-se de ouro. dos ciganos. reflectiam-se nos raios do sol. brincos e medalhas de tamanhos despropositaes. bicha de ouro. realmente. era de ver tudo a aquillo. sua felicidade póstera e até d' esta quando passarão para melhor. «Naquellas moradias tudo é ordem. tirar os respectivos retratos xam de A «que parecem gente» e deisua «mesa» é appetitosa. mostravam o capricho dos exquisitos via- «Uma tropa cercava a «povoação» dos ciganos. que rece. . chas e anneis de ouro eram em brinquedos. até alguns moveis jantes. lj$(000 réis. . «ouro». alegrias.284 morada. porém. alguns deixavam de mandar passar bem. um bordado. prata. ura dos misteres de sua provisão de viagem. pa- «Vinte e tantos captivos da comitiva lavavam. E. porque collares. uma verdadeira riqueza «embellezava» aquella gente «mysteriosa. Entre esses ciganos ha uma . «Mas. te em enriquecido com o negocio dos animaes. cada uma d'estas occupava uma barraca. movida da mais justa curiosidade. lenhavam e coziam. «Era um acampamento de paz. cousa «notável». Conhecem e contam a «sina» boa ou má dos que lhes fizerem um pre- moça de uma sente — uma 2^000. formosura admirável e -uma velha essencialmente feia. ás vezes. conforme dizem. Ahi utensilios domésticos. usura de certo é que tem feito aquella riqueza ambu nem por isso. levantando 26 barracas de panno. bi- em abundância nos seus corpos. sendo exquisita. 5?$Í000. de barba e cabellos demasiadamente compridos». e roupa. «A lante . Cordões antigos. de ambos os sexos. «Dividida a comitiva em familias. que «perscrutam o futuro».

um alfinete com três brilhantes. Gustava ia darIhe 100 réis em nickel. sentiu fugir-lhe e conta a vista e caiu desmaiada. livro do dr. grupos de tsiganos europeus de diversas proveniências. 1 Como se vê dos dados um não aproveitasse os seus conhecimentos especiaes para nos dar estudo anthropologico dos ciganos brasileiros. Quando tornou a si. e creanças. subitamente. e que d'elle extrahimos. acaba de ser presa uma quadrilha de bohemios que se dedicavam á pilhagem por «Em um «Homens mulheres processo deveras curioso e cheio de novidade. sendo elle medico. Eis duas d 'essas noticias. nào se perdesse em theorias.* Gustava tinha sobre uma mesa contendo 84jl?000 réis em dinheiro. Mello Moraes. Rio de Janeiro. Na destrinça d'esses elementos teem os ethnographos brasileiros matéria para estudo. julgar que essas quadrilhas errantes sejam sempre formadas. . cuja perfeita veracidade não discutirei : Nitheroy. porque para o Brasil emigram. acompanhada por uma creança. sabendo todos manejar habilmente vários narcóticos. parte dos quaes tem até vindo embarcar ao Tejo. etc. mas. É de lastimar que. contentando-se com um esboço puramente descriptivo. na falta desse conhecimento. de ciganos originários de Portugal. «Uma das queixosas chama-se Gustava Maria da Conceição que á sua porta foi bater uma mulher. Ultimamente os periódicos portugueses transcreveram dos brasileiros noticias acerca d'uma quadrilha de tsiganos ladroes e narcotizadores. mas são incautos. sem mais. desde alguns annos pelo menos.285 «Para ciando finalisar: a comitiva vai de terra em terra nego- com animaes. é interessante o mais o fora. pedindo esmola. a turca tinha desapparecido e com ella uma caixinha que a sr. escravos e com o «futuro» dos que não são ciganos. se o auctor nào preferisse os effeitos litterarios ao rigor scientifico e conhecesse um pouco mais de perto a litteratura ethnographica europea ou. ou no todo ou em parte.*» Não podemos. utilisavam-se delles para adormecer as pessoas a quem queriam roubar.

a cigana deu-lhe a cheirar umas essências e a sr. que além de ciganos tem também individuos gregos. c. Arcelina Maria da Conceição. etc. as mulheres fazem sortilégios. «Ha também uma outra queixosa. ador* nos de mulher. «Acerca da quadrilha de bohemios que roubava as pessoas por meio de narcóticos. Além de objectos de valor e dinheiro. n.° 1489. . etc. Foi adormecida e levada em seguida pelos bohemios. Depois. alguém lhe inculcou uma curandeira. «A policia apprehendeu muitos valores. 10 mulheres e 17 creanças de ambos os sexos . Quando accordou.286 « Outra queixosa é Maria José Nunes.^ Maria José adormeceu profundamente. obedecendo a um chefe que recebe 40?5(000 réis por mez. Sentindo-se doente. foram todos photo- graphados e os retratos expostos no salão do Paiz. rou- bam também creanças e adultos. Assim conseguem insinuar.*^ Maria José Nunes tivesse em casa. . magias. para fazer os seus exorcismos. turcos. O Dia. Foi -lhe apresentada uma de 500?5000 réis. pela quadri- em Ihe e o resto para os chefes. sendo obrigada a casar com um dos chefes da troupe. pedrarias. 25 de junho de 1892. que a curandeira metteu dentro de um copo. para a A mulher. rapariga pernambucana. pediu a nota de maior valor que a sr. onde muita gente tem ido vê-los. porque o é. já não viu a cigana nem os õOOáiOOO réis. tem ramificações o «É enorme todos os estados do Brazil. concertando louças. etc. temos a accrescentar que chegaram ao Rio de Janeiro as bagagens dos larápios. tratar. «A policia prendeu em Nitheroy 10 homens. se isso lhes apraz. etc. O producto dos roubos é reunido em um cofre e distribuido 20 p. numero de crimes praticados pela quadrilha.se no espirito das pessoas que se aproveitam do seu mister para as roubar. Esta associação. «Os ciganos empregam-se durante o dia em vários misteres ambulantes.

garfos e colheres. cestos e amarra: dos de todas as formas e volumes. tanto os de origem portuguesa. um par de esporas de metal branco um pequeno embrulho lacrado. em que repugna até pôr as mãos. já havia a repartição de policia d'esta capital recebido. 939 moedas de prata. sendo libras esterlinas de outros typos de diversos valores e nacionalidades. correntes de metal branco dois de metal branco 2j5(100 réis . umas um saco pequeno contendo pó amarello um pequeno en- volucro lacrado. agradecerá muito todas as noticias que lhe sejam enviadas acerca dos tsiganos do Brasil. 8 de fevereiro de 1895. 1 livro e muitas outras bugigangas. «Dentro d' essas malas foram encontrados 3:945?5i500 réib cm e papel. 1:540 moedas de ouro. mesma repartição. uma letra «Ficou tudo depositado na aos mesmos gregos tomada e no valor de 12:000 drachmas. na mão do thesoureiro. á vista do agente que as acompa- nhou. dois relógios e três grandes cachimbos. ha duas malas. n. em nickeis . 140 facas. como os de outras proveniências. 1 de julho de 1892. perfeitas. Ibidem. do thesoureiro da repartição e outros funccionarios. referindo-se-lhes «Entre o acervo de trouxas fedorentas.» a vencer-se em % Sendo possivel que o auctor do presente livro venha a completá-lo mais tarde com um supplemento. respectivo «Antes d' essa remessa.287 «Diz o Paiz. com a declaração «este cordão pertence ao negociante Lazaro». 3 carteiras com papeis. outras inutihsadas. com a declaração «pertence ao marido da pernambucana».° 1394. substancia. . que vieram lacradas e foram abertas na secretaria da policia. quantia essa que fôra depositada em um banco da Grécia a 8 de fevereiro de 1889 e vencia o juro de 3 V2 ao anno*. . sendo . de egual procedência. grande quantidade de collares de coral com contas de metal amarello e cordoes da mesma .

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no que se distinguem das nómades bem conservada. n. na medida de minhas forças. . representado nas estampas 4 e 5.'' ceram em Lisboa.°^ 2 a 4 naso n. ainda que em más condições e muito rapidamente. tem 23 annos.° 3 tem 28 annos. os dados sobre o typo physico dos ciganos. procurei e tive ultimamente occasião de examinar. ao contra- rio dos n.° assim como outras sedentárias. o n.° 2. em que Esses individues são considerados como ciganos no bairro habitam. 1 veiu com gente sua de Alhan19 . ter sido mãe Os homens é magra.'' 1 tem 22 annos. em é regularmente nutrida. bem conservada. alguns ciganos domiciliados em Lisboa e de tomar até algumas medidas em seis d'elles 1 — duas mulheres e quatro homens. a n. O n. tem 47 annos. . que ó muito magro. principalmente d'este ultimo.°^ 2 e 3. o n. mas aos 14 annos.^ 2. o n. representado nas estampas 6 e 7.°* 2 e 3. As mulheres e os homens n. apesar de M e 4 são bastante nutridos.ÂPPENDICE III TYPO PHYSICO DOS CIGANOS Desejoso de tornar menos imperfeitos. de feições bastante grosseiras tem 38 annos.° 4. tem 40 annos. representada as nossas estampas n. A mulher n.

° 2 maldizia do nome do ciganos em.° 4. mais comprido em a mulher n.° 2) . .° 3 tem o bigode aloirado. p. O rosto nos 6 indivíduos é moderadamente comprido.*' é bastante clara. apesar pelle e do cabello. O plano inferior do nariz é horisontal (olha ligeiramente Os nossos exemplares não da convexidade do nariz do apresentam. nunca acha- tado.^ 1 serem muito nervosos. coloração da pelle ó trigueiro-pallida nas mulheres A O (manchada na n. nariz do typo aquilino (n. mittem considerá-lo de sangue cigano.° 2 em que são esverdeados. mais carregada nos homens. com excepção do n. todavia. por tanto. La caracteres que pere firme. ctc.° 2 que nos outros. seu irmão. não n. em que n. cabello é castanho escuro na mulher n. A mulher n. excepto n.290 dra para aqui.^ 3. Os olhos castanhos em todos. da coloraçíío da que se diz português puro.^ 1.° 2 do quadro de para deante o n. Reconhecem-se a si próprios como ciganos." 2 pareceu-me de animo resoluto 03 d'cstc homens mais timoratos.° 4). a reprehendia. mas em todos mais ou menos achatado. preto nos outros. apesar homem n. assim como outros ciganos domiciliados no mesmo bairro.° 2. O nariz é em todos moderadamente saliente .° 1 *.° 4. castanho claro no homem 3. em que via não se hesitaria o plano inferior olha para baixo. Eltments. excepto em o n.° 3. 298. O homem na mulher n. excepto o n. apesar como os outros c a mulher n. A mulher n. e pare- cia ter certa vangloria de ser cigano. dos tsiganos de 2 Blumenbach.° 2. em homem Topinard^). quasi nada na mulher n.° homem * Nâo temos por tanto aqui o nariz de dorso agudo. o dorso do nariz de perfil é convexo no homem n. quanto o homem n. recto ou quasi recto nos outros homens e nas mulheres. todaem classificar vulgarmente o nariz do 2 como aquilino.

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N.« 2 .

«3 .N.

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O mais forte de todos (n. padece do peito e é evidentemente muito fraco. Altura total (estatura): Mulheres . que lhe tem accommettido as articulações do braço esquerdo. tendo sido obrigado a deixar o officio de caldeireiro. differença explicada pelo facto de . uma notável depressão ou obliquidade da fronte. Os homens apresentam todos degenerações somáticas. Eis agora os resultados das medições: 1. a que serviu de base um positivo sobre papel.que padece de rheuraatismo. para se entregar á venda ambulante outro . apresentando as deformações irre- gulares desses positivos.*^ 4) marcou a pressão de 64 com a mão direita e de 34 com a esquerda. Outro tem um braço ankylosado e atrophiado Um (consequência de tumor branco?) e ulceras nas pernas. No dynamometro de Collln marcou apenas a pressão de 30 kilogrammas com a mão direita e de 23 com a esquerda.se em vista que foram photographia em madeira.° O homem 3 apresenta quarto do tamanho natural. a que se destinava. tem um olho arruinado e padece talvez de lepra mutilante. ao contrario bastante salientes em os homens n. As gravuras 2 a 7 representam approximadamente um n.291 apertado á altura das maçãs.°^ 1 e 3 *. feitas sobre Deve ter. A lepra tem um foco considerável nas immediaçoes da Alhandra.

° mulher mulher 2.° homem homem homem homem .0 4. 1. índice cephalometrico Diam. ant.-post.292 2.° 3." 1. : max.^ 2.

293 3. A altura do nariz ó medida da espinha base. índice nasal. naaal á raiz do nariz. A largura é a máxima na .

^ pálpebras. Abertura palpebral. Distancia dos olhos. 1.294 5. mulher . Distancia entre os angulos internos das Distancia entre os ângulos externos das Abertura i)alpcbral pálpebras.

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' A^ N.M .

" 5 .N.

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^"6 .

N." 7 .

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Groom in Tlie Encyclopcedia hrítannica. sobretudo da influencia das cidades. Trata-se do resultado de cruzamentos recentes ou ha aqui muito atávico cujas causas remontam a cruzamentos já no próprio solo indico? Todas as informações que sirvam para o estudo d'essc alto. p. na estampa n. não são os melhores exemplares para estudo. O exame dos ciganos nómades recommenda-se muito loiros e e a existência de individues de olhos azues entre elles excita deveras a nossa curiosidade." 1 tem olhos esverdeados. O meu amigo sr. Em muitos ciganos nota-se certo prognathismo ou saliên- cia do queixo inferior (vid. Aucolheu também a noticia de ter sido vista gusto Neuparth no Alemtejo uma rapariga de cabello loiro e olhos azues. 1 Alguns aiictorcs attribucm aos tsiganos cabello frisado t. x (1879). mais sujeitos a mestiçagem ou modificações resultantes do modo diverso de vida. por de oíFcrecer dentro de certos limites de variação caracteres raciaes importantes que se reproduzem noutros grupos tsiganos. que reuni. . Nunca o cabello do cigano é encarapinhado*. cx. Os dados.295 Eis ainda outros collaborador. pcrmittem affirmar que os ciganos portugueses não apresentam um typo perfeitamente unitário mas não deixam por isso . certo insufficientissimos. isto c. ainda que o próprio estudo d' essas modificações interesse. e nota-me que o adolescente do grupo de ciganos da nossa estampa n. . Apenas as ciganas solteiras usam de caracoes artificiaes feitos á mão na testa. um phenomeno problema serão bemvindas. G17. Naturalmente os ciganos sedentários.° 1 as raparigas terceira e quarta á direita). p. esclarecimentos do meu infatigável Ha excepcionalmente ciganos de cabellos loiros. sobran- mesma coloração. celhas e barbas da que fazia parte de um bando de ciganos. Não se encontram ciganos de cabello naturalmente enca- racolado ou frisado.

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" nos 3 ou 4 annos que esteve cm Eluas tomou por lembransa estas E da sua letra as terey». e entre ellas o seguinte secção com C.a — leia-sc —justificam. nenhum d'esses termos singulares mufo. Ou a anécdota é pura invenção ou o vereador se serviu de termos de alguma giria ou os forjou por sua conta e risco. — Convém a saber: auer muito mufo Mufo touros gente de cavalo com guiões e hu comer que chamão entricla. 3.» Tanto quanto posso julgar." Dar As graças aos Vreadores pelo auere deixado Estar na cidade e despedrise e o tal Vreador lhe falou por senhoria e lhe pedio que se detiuesse para se achar em huas festas que a cidade fazia e lhe quis falar em siguano dizendo-lhe não : saia V. ha uma allusâo á lingua dos mesmos na passagem que transcrevi de Leitão de Andrada. entricla.ADDIÇÕES E COERECÇÕES Pag. Em verdade além das referencias nos documentos legislativos acerca á2i geringonça dos ciganos. 31. lin. Thomaz Pires termos d'cssa lincod. uma Dcmendonça o titulo: «Parvoisses Deluas tiradas por Ant. Nacional.""" : «O Avou de fernâo Roiz do amarai semdo Vreador foi hu Conde dos siguanos a Cam. lililao. Em vez de — justifi<. meu collaborador sr. Pag. . que temos huas festas lililao em que hade bandeira no grimpo pape amarela. sendo histórica. 15 e 16. 4. lin. tem a anedocta o merecimento de nos dar a conhecer um aficionado dos ciganos no século xvii. 840 do Archivo O sr. é cigano ou gitano. Bartholomeu de fl. a numa serie de anecdotas insulsas. Azevedo achou no 28. P. S. do século xvii. mas nenhum auctor português que eu conheça colligiu anteriormente ao gua.

298 Pag. 1. 60. lin. 27. e por isso incluído na xviii era Pag. 81. col. 5. Uma nova leitura de Gil Vicente e Jorge Ferreira permittir-me-hia talvez ligar alguns dos termos populares d'esses auctores aos da giria posterior. lin. Os rendados vestidos. lin. encontra-se já em Jorge Ferreira: «Porque? tamanha galga trazeis vos? nâo ha tanto daqui à cca. Pag. Basainico é. . lin. m. lin. Pag. junto á Prosódia de Bento Pereira. 73. 82. — antes de — Homem se sabe. Academia dos (1G98). aliás muito provável. p. termo antigo na lingua. Pag. sem todavia se poder affirmar a existência. dado como de giria por Monte Carmclo (vid. 84. nào está talvez reduzido a novo termo de giria. linha 9. provavelmente já emcomo hoje o é. ii. 2. meu egual. Os capotes de grã bem guainccidos. apesar de gahào ser mais usado pelo povo. Moscovia (coiro da Rússia) não é termo de giria. 28 e 31. 3. Pag. Pag. 2. Em vez de — marihando — leia-se — marim- Pag. 3. lin. 83. Singtdai-es. act. 1. 80. col. Pag. 36. col. de galrar. O povo diz : Ugar encontra-se como alteração popuhir «Não ó da minha vgualha». col. lin. encontra-se no Victionnarium latino -lusitanum de Jcronymo Cardoso. col. Carapuças de felpa. Que custão bem de chclpa. . 61. 28. E provável que cm Paiva vgar seja essa alteração popular e não termo de giria. p. o alto. Leia-sc — s. 1. como nome de uma moeda lista asiática de cobre no século pregado como termo de de Paiva. col. 1661). pag. 80.^. v giria. bando. lin. Chelpa occorre já no século xvii: Hora veja se presta. 2. 81) no sentido de fome. de egualar. Assim o termo galga. cul. 9. para significar — não 6 da minha condição social. 6.» Ulysippo. 1. Galfarro encontra-se com a significação de rapacissimus no llicsouro. O verbo derivado galrejar. Gahinardo. 2. 75. se. de uma giria portuguesa no século XVI. Pag. 1. lin. íl3. 03 (3.« ed.

Ganiços liga-se talvez a ganizc. 157. diz-se Pag. agradecendo. 1860 a lingua que ellc próprio propõe é fundada lexicologicamente sobre o grego.299 Pag. O auctor critica o Volapíik systema proposto pelo liispanhol Bonifácio Sotos Odiando no seu Diccionario de lengiia universal. 1892. p. 145. 116. Die SpracJucissenschaft. 23. no jicriodico Giamhattída Basile. lin. von der Gabelentz. p. O enigma do gallo encontra-se na traduc- francesa das Piacevole notte de Straparole (ed. Pag. von 35 (nota). Pag. lin. Chegou-me recentemente ás mãos o es- cripto de Raoul de la Grasserie. 191-195. 190. astragalos) de que se faz u«o no jogo do cucarnc. peças (ordinariamente ossos. vid. 12. lin. apesar das formas napolitanas o gallo tornarem aqui possível esse jogo de palavras. Methoden und hishengen Ergehnisse (Leipzig. 231 e segs. 167. lin. Lá está representada com o seu vestido de folhos. lin. ihre Avfp.« 1213 do Elvense (20 de setembro de dos fallando-se quadros (ex-votos). vcjam-se tambenj as valiosas observações de G. que as assaltaram por occasião de virem de Évora assistir ás festas da Piedade. 225-217. çíio lin. 36 (nota). Jannot. de umas sezões. der Gabelentz. 34 (nota).lhe o te-ia livrado. 10. 1891). i. e o . em vez de — dos ciganos — leia-se — das Ciganas. Madrid. Grundriss der romanischen Philolcgie. o seu chaile de cadilhos . Sobre a vis minima na linguagem. óqucrre). e de G. que falta ainda noutras versões italianas citadas no mesmo periódico. Grober. 136. 105. gabeti. Pag. 140. lin. 21. 132. Em vez de — cogito — Icia-sc — saiitoir cojito. Pag.s. t. 21. 292 scg. representando suppostos 1892). lin. i. Sobre a mudança de significação. Em : «Alli se ve a cigana acurvada que passa por não ter religião c de mãos postas ante o Senhor Jesus. 1. milagres. De la possibilite et des condilions d'nne langue internationale. 17. que se acham na igreja da Piedade em Elvas. Paris. lin. Pag. Em vez de leia-se sautcrelle (faussc Pag. Die Sprachicissenschaft. também G. o~ n. Pag. iv. e a — — uma sua irmã.) Aqui o jogo de palavras da versão portuguesa era impossivel mas clle falta também na versão napolitana publicada .

28. «O cadáver foi conduzido e acompanhado por numeroso cortejo de ciganos.» mas nesta cidade mesma parece nada correr a tal respeito. Eram treze mulheres. em Évora. Dois Pag. «Antes de sair de casa houve as despedidas do costume entre aquclla colónia. que nâo pode ncgar-se absolutamente a religiosidade aos ciganos. vendo-se.300 c o seu cabcllo negro como asa de corvo . Acamparam na Porcalhota. a alguns kilometros de Lisboa. o corpo de uma formosa cigana que falleceu naquella cidade. em pleno campo. vinda do Braquadrilha de tsiganos. 223. uma dos homens traziam assas consideráveis quantias em oiro. a irmã deitada sobre mantas listadas. sil. a Virgem e os santos são pouco mais de fetiches. gregos ou turcos. assim como outros. 287. 26. curte as maleitas. mal recebida alli. 15. 1891). Para o nosso povo. 8 de outu- (n. H. se internou na direcção de Cintra. Chegou ha alguns dias a Lisboa. a distancia. Pag. Pag.° 9:619): «Enterrou-se hontem no cemitério dos Remédios. com mais uns dez individues e que. Parece ser a mesma quadrilha que depois appareceu no Estoril. Só no momento desta folha é que em que mando para a imprensa a ultima prova me chega ás mãos a publicação do dr. que sinto não poder já aproveitar. onde. .» Este facto mostra. Depois as mulheres da tribu ficaram saudando com os lenços ate o cortejo desapparcccr. comquanto sejam naturalmente as formas inferiores da religião que elles attingem. a arvore. 193. e terem sido expulsos d'aquella republica. sob a qual.» lin. diz-se. sete homens e vinte creanças. não < commetteram nenhum roubo. von Wlislocki. que parece serem parte dos pretendidos narcotisadores. abraçanào todos o cadáver e beijando-o. próximo de Cascaes. Volksglauhe und religiõser Brauch der Zigeuner (Miinster. bro de 1892 lin. como para as ciganas que oíFerecem os seus ex votos. com uma musica de gemidos e gritos de dôr. No Alemtejo diz-se que o rei (o chefe superior) dos ciganos reside em Évora. lin. Lê-se no Diário de Noticias de hoje.

em segundo da rapidez com que fui obrigado a prepará-la em para a impressão e rever as provas.» Não foi na pretenção de ser mestre. Alguns livro não leitores portugueses (se os tiver) acharão no meu uma lacuna. que tentei confor- mar-me ao aphorismo de Goethe. mas no desejo de imitar os mestres no que esteja ao meu alcance. Tenho. se por ven- abalançasse ao exame d'aquelle problema. a fim de aproveitar uma occasiâo que não voltará provavelmente tão breve de a dar a lume. graças á auctorísação do estado para que a expensas suas fossem publicados os trabalhos nados á Sessão do Congresso dos Orientalistas. d'essa raça occupar-me de semelhante problema. careceria ao contrario de fize-lo. — Ante tura os homens da sciencia não careço de me desculpar d'essa lacuna. que só deve ser estudado á luz dos documentos que respeitam a tal todos os ramos d'ella e para que falta um elemento capio conhecimento da historia dos dialectos neo-hindus. desti- X . j-esultante me primeiro logar da difficuldade das investigações d' este género em toda a parte e cm especial neste país. pedir indulgência para a imperfeição da obra. de que aliás os preveni logo no começo me occupo do problema da migração ou migrações dos : Apenas por um erro de methodo c que eu poderia num livro que tem apenas por objecto um ramo mínimo tsiganos. de porém.POST-SCRIPTUM «In der Beschârkung zeigt sich der Meister.

302 os meus collaboradores já referidos o tornou possivel o meu estudo aos srs. ich das. que tornaram possivel adornar o meu livro com uma foi parte grapliica. pala- vras do grande poeta philosopho: Seli' ich die Werkc der Meister an. que por certo lionra os artistas a que confiada. was ich liátt' sollcn machcn. Espero poder cedo ou tarde publicar um supplemento que preencha pelo menos parte das lacunas da presente obra.me as investigações nesses dois estabelecimentos por elles administrados com rara boa vontade e ao meu amigo . Neuparth as suas excellentes pliotograpliias dcs ciganos. was sie geíhan. ao fechar a qual me acodem ao espirito. Niio me despeço dos ciganos. Se seli' So sch' ich. A. directoque res da Bibliotlieca Nacional e do Arcliivo Nacional facili- Agradeço a todo3 auxilio . Betracht' ich mcinc Siebcnsachen. sr. como ao abrir este ^osí-sc7*?}:>ít(m^. tarem. .

III.. Addições e correcções 297 Post-scriptum 301 . e 55 .. III. e . II. 1G3 229 271 I. lutroducçiio 1 7 II.índice — A língua dos ciganos — O calào a lingua dos ciganos — Esboço histórico etlmograpbico — Documentos Appendice — Os ciganos do Brasil Appcndice — Typo physico dos ciganos Appendice I. 289 -.

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w/BÊÊ .

m estudo eobre calão. McrorLfi dostin:'da a 10 sessão do| Congresso internacional dos orient alistas.?) PLEASE DO NOT REMOVE FROM THIS CARDS OR SLIPS POCKET UNIVERSITY OF TORONTO LIBRARY .nos de Portugal: com n.Coelho. LisT^oa. 1847-1919 Cs cig8. Imprensa ITaeional (l^-^. ?rancisco Adolpho.

aár .Pi- ai. .

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