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osciganosdeportu00coeluoft

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LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1892 .SOCIEDADE DE GEOGRAPHÍA DE LISBOA os CIGANOS DE CA)M UM ESTUDO SOBRE O GALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO no CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F. L. S. G. ADOLPHO COELHO S.

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os CIGANOS DE PORTUGAL COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO .

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LISBOA IMPRENSA NACIONAL 189? . Q. L. S.SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA OS CIGANOS DE COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO DO CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F- ADOLPHO COELHO S.

G. de las fuentes y de los rios . 1155349 . . somos senores de los campos. Farça das Ciganas. . La Jitanilla. de los sembrados. . . Vicente. cios por dorados techos j suntuosos paláestimamos estas baiTacas y movibles ranchos Cerrantea.Por Nuestra ventura. tierraz estranaz nuz tiene perdidaz. de las selvas. que fue cuntra nuz. . de los montes.

AO SENHOR a--A-ST03sr F-A-nis .

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até o mais próximo. mas como amigo a considere só pelo que quer significar. Lisboa. Todavia as circumstancias dolorosas da minha pátria. Não era este volume de modestissimas aspirações preito. o que eu destinava a esse ventura menos mas obra de mais fôlego e por imperfeita.Meu querido amigo: Encontrei muitas e valiosissimas lições e direcção para os meus estudos em todos os seus escriptos. e mais de uma vez. resultado previsto de causas contra as quaes combato ha mais de vinte annos. mas para provar que a tinha bem presente no meu espirito. 1 de setembro de 1892. Agora que se me offerece ensejo de lhe enviar uma ex- pressão publica do meu respeito e reconhecimento. como critico a aprecie no pouco que ella ella vale. para honrar a pagina de dedicatória de o seu um livro meu com nome illustre e venerado.Adoljpho Coelho. nas horas de desalento. . vieram as suas palavras aífectuosas insuflar-me o animo que pois. não para pagar a divida. pedindo-lhe que. que não se paga. apro- veito-a. Tinha eu. a incerteza do futuro. tiram-me a segurança da per- spectiva de levar a cabo os trabalhos a que tenho consa- grado mais tempo e mais sacrifícios. F. razão sobeja me fallecia.

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calão ou gíria portuguesa e suas relações com a língua dos ciganos.o de uma presente trabalho é o desenvolvimento e complemento curta noticia que ministrei aos redactores de Con- gros International d'anthropologie et d'archéologie préhistoT^ queSy Comjpte rendu de la neuvième session à Lishonne. com o auxilio de amigos seus .° gr. de pag. um contendo documentos. outro sobre os ciganos do Brasil. já directamente. A O II.) e (Lisbonne. 1880 ces. Historia e esboço ethnographico dos ciganos de Portugal com dois appendices. já alemtejanos. III. o sr. e fazer reproduá parte de ÕO exemplares. que a pedido meu investigou a lingua e a ethnographia dos ciganos do Alemtejo. 8. dizer que este trabalho teve por ponto de Cumpre-me partida materiaes reunidos pelo intelligente e infatigável folk-lorista de Elvas. 667 a 681. Thomaz Pires. Typographie de FAcadémie Royale des Scienque elles quizeram dar-me a honra de inserir nesse zir numa tiragem volume. A. 1884. Mngua dos ciganos de Portugal. Divido o trabalho em três partes : I.

Revista Lusitana. suppoz a existência de um dialecto particular nesses ciganos que se diziam da Extremadura. Na me enviara. em parte pelo menos. que as distingue das recebidas do Alemtejo. como provam Pires . e como notou algumas differenças entre os dados alli reunidos e os que elle colheu. Com os novos subsidios. Francisco Lobão Rasquilha. As differenças notadas existem. . e enviou-me o resula lingua de tado d'esse estudo. o vocabulário apresenta agora cerca do dobro dos termos ou formas differentes que tinha naquella publicação . José Leite de Vasconcellos. também entre os ciganos do Alemtejo. Pires enviou-me algue uma nova coUecção de termos. contendo ao mas phrases novas Depois d'aquella publicação o sr. 3 a 20 publiquei um primeiro ensaio sobre a lingua dos ciganos do Alemcurtos textos e uma lista de tejo. que lhe ministrou os elementos da lingua. nova revisão dos vocabulários gitanos á minha disposição permittiram diversas correcções nos textos e vocabulário. lavrador dafreguezia de Santa Eulália. I (1887). publicado na sua Revista. Leite de Vasconcellos poude auxiliar-se do meu artigo. algumas formas não são dadas em ar- tigos especiaes. existe também no Alemtejo. um Um dos ciganos. notada pelo Leite de Vasconcellos. sr. artigos que as variantes. naquelle mesmo anno. O confronto dos novos materiaes com os anteriores. Os termos ou formas novas colhidas na Extremadura pelo sr. assim a forma romano. mas nos mesmos Leite de Vasconcellos levam a abreviatura —Vasc. De outro lado o redactor da Revista Lusitana. pag. baseado sobre alguns palavras que aquelle investigador todo uns 250 termos. em que supprimi também alguns artigos ou por muito duvidosos ou por inúteis. sr. disse que elle e a sua gente eram originários dos arredores de Lisboa. co- lhido tudo da boca de um cigano pelo sr. no concelho de Elvas. os factos novos que me deu a conhecer o sr. O sr. teve occasião de estudar grupo de ciganos que encontrou no Cadava] (Extremadura).

Das formas e vocábulos novos recebidos ultimamente do Alemtejo vinham os seguintes na lista do sr. raisaro. comhisarar. As relações entre o tsigano e as girias justifica a adjuncção a este trabalho da parte II. millenj miquelar. mol. reconhecida competência do sr. Leite de Vasconcellos: abillar.A investigação do sr. que aliás significa toucinho. peti. parnau (mas conhecia parnê). lluna. ii lembraria o exemplo de Pott. llaque. satalla (mas ministrou o termo asitasatalla)^ somhrimé. gustipehi. Se nalguns raríssimos casos houve burla. ducção do vol. provam-me á evidencia a dos textos e do vocabulário. chasaVj chupe%o. por exemplo. estanão são do fundo tsiríberi)y trupo. chiquel (mas conhecia a forma chuqael). romano. najar. istitelar grupo. pandelar. (mas conhecia ustilar). . Leite de Vasconcellos confirmou pela maior parte os dados do vocabulário publicado na Rtvista Lusitaiia: ao cigano por elle explorado só eram desconhecidos os seguintes termos d'aquelle vocabulário: hocunchas (mas conhecia a forma boque). lhe respondeu que era balebá. cratiá. patarró. Em verdade o assumpto tomou aqui maiores di- mensões do que era meu intuito primitivo dar-lhe e ainda assim deixei de inserir muitos factos que determinei. Leite de Vasconcellos como dialectologo. sonsidelar. Alguns desses termos soltar. olipandó. incluindo os erros que revelam a novi- dade do assumpto para perfeita authenticidade elles. pallilli (paquilli)^ quer. rebrandihi. taripenas (cfr. sorhar que é connexo com gano europeu. a perfeita seriedade do sr. culrró^ dicaní. olíbás. llen. O sr. tardimen. todos os caracteres intrinsecos do que reuniram. pato. tarihé (mas conhecia a forma estariben). essa partiu dos ciganos. Pires conta. erná^ gajon^ gorhelar. Thomaz A Pires e seus collaboradores. chuhelarj c}iorÍ7né. jucalorro. patê. chor. que na introdos seus Zigeuner se occupou das girias em geral. papires. churon. que um cigano a quem perguntou o que era lua na sua lingua. Se mais fosse preciso para me justificar. (mas conhecia a forma sohar). foro. tusa.

os ciganos portugueses e todos os grupos parentes dos outros paizes) têem sido objecto de consideráveis trabalhos. Permitta. e de porque poderia dar apenas a minha opinião resolver aquelles modo algum materiaes novos para problemas. O fim principal d' este estudo é ministrar á sciencia os o dados essenciaes de que ella carecia para completar com conhecimento dos ciganos de Portugal o dos outros grupos irmãos. todavia. problemas para cuja solução a tsiganologia ministra dados importantes. já mais ou menos estudados. que os ciganos de Portugal devem ser considerados como um simples ramo . Julguei dever encerrar-me em muito modestos limites.se-me que ponha em relevo. O assumpto por assim dizer. virgem. as migrações. e sobre os problemas da ethnologia geral. ganos e acerca da lingua d'elles nem palavra em os nossos escriptores.Os ciados do esboço ethnographico dos ciganos sr. duvida mais largas investigações nos archivos e nos escriptores permittiriam alargar essa terceira parte. que esse mesmo estudo se liga ás minhas investigações geraes sobre as linguas mixtas. exprimo o desejo que outrem as faça. mas faltando-me o tempo para essas investigações. O presente trabalho demonstra. as formas primitivas das relações internacionaes. de que os dialectos tsiganos são tão frisantes exemplos. e essa mesma menos opinião não ofFereceria nada de se col- novo. que até foram sempre escassos no que respeita aos ciganos em geral. que se Pires. taes como a persistência dos caracteres ethnicos. Os problemas geraes com relativos aos tsiganos (designo assim. a Thomaz acha na parte III provêem principalmente do quem devo também o traslado dos documentos que descobriu no Archivo da Sem Gamara municipal de Elvas. a que envio o leitor desejoso de se informar. pois eu sigo simplesmente a direcção em que locam os espirites phantasistas e que é a que pre- valecerá naturalmente na sciencia. creio. pois apenas aqui e alli se encontrava alguma rara e accidental noticia dos nossos ciera. outros investigadores.

se acham abun- dantíssimas indicações bibliographicas. Gipsies in The Encylopaedia hri- nenhuma em tannica^ vol.dos gitanos de Hispanha. Sept. 353-375. 34. Guido Cora. pag. Pott Colocci. 33. cujos titulos se Pischel. Adriano Colocci. II (1885). Groome. em que. Pott. dos principaes glottologos que se occuparam da lingua tsigana. n. 1889. Paul Bataíllard. e esse pouco exigiria longos estudos faltam o tempo e os indispensáveis meios. n. in Internationale Zeitschriftfur aUgemeine Sprach- loissenschaft. pag. além dos trabalhos de Pott. 32. porque se quizesse penetrar nas fontes remotas do cigano e do gitano pouco mais com poderia fazer que repetir o que escreveram aquelles investigadores celebres. 611-618. pp. como nas d'esses glottologos. Diversas memorias. a comparar o cigano o gitano. sem ir mais longe. em geral. por isso limitei-me. Gli Zingari. quem queira instruir-se sobre os tsiganos em geral indicarei. Francis H. Ascoli e Miklosich. ora a língua d' estes foi objecto de diversas publicações. para os quaes me A cujos titules transcrevo mais abaixo. Turin. Storia âfun popolo errante. que não haveria utilidade repetir aqui: Origin of Gypsies in Edimhurgh Review. acham em A. conhecidas. Die Heimat der Zigeuner in Deutsche Rundschau 1883. Jahrgang 63 (1890). .. as seguintes publicações. 36. x (1879).'^ 303.°^ 31. Ascoli e Miklosich. 110-115. Die Zigeuner in Das Ausland.

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! Olha esse estranho. Non li pineles. 5. 11. 6. Pela tarde. Um cordão de oiro. emprego a orthographia hispanhola. ter ela boque. Moedas de oiro. . 13. Sigo a disposição usual nos vocabulários portugueses. Como a base principal da lingua dos ciganos de Portugal é o hispanhol. Bate-lhe. Mira que 10.A LINGUADOS CIGANOS* a) Textos 1. Por Por la tasara di calicó la tardimen. agarra-o. Manguinela Ustilela ai el jambo. Para j alar Parnés de sanacay. Represento todavia por x o som do port. Mira ese paio. te dica. está diquela. O homem que quer casar-se. 7. 12. jambo. 4. Pela manhã. ainda que influenciado pelo português. gajon Repara que o gajo olhando. Ai chai! O tu! (?) 2. Para comer se tem^fome. Não lhe peças. 3. 8. 9. ustitelalo. Gorobon de sanacay. CurrelalO. Sonsidela qu'el Repara que te olha. Pede ao homem. El jambo se camela rumandinar. eh 1 no Sul.

vê-lo. Te amarelo con churí. Estou zangado. 17. 22. Mataram -no num forca. de manguinar te camela didi- Escusas de pedir que não te quer dar {ou que não te dá). 32. 26. nar (ou que non te . 36. me quie- Querem-me roubar ral. noite. 18. palonó ren ustabar. Escusas que non nela). Ya chaso. Não una digas isso. Non le camelo. Já venho. na 28. Deixa-me dormir. Miquelame sorbar. Manguinela que non é Dize-lhe que não é roubada. abaixare- Abaixa-te. poste. 31. 21. 37. 23. E de dia. 35. Médio Media chibe. Por el machingamó. Não o quero. Mato. S'está chibando airún. Miquela que m'istitelan.te com uma faca. 27. Es di chibe. 25. Pede ao lavrador que te dê. pelo cur- 30.8 14. beber em todas as panís. Deixa que o vá ajustar. arachí. (?) 20. (?) pirabada. 34. Estoy acharán. Estás 29. Miquela que lo ba ajusti sarar. Foi-se embora. Meio Meia dia. Está-se abanando (á lettra: está-se deitando ar). Manguiiiela ó labraoresa {ou laboroçal) que te dinele. Lo maráron en un castí. Si chaló. Ni dicalo. Non pmeles eso. Nem Deixa-me que me apanham. Apaga a candeia. 33. 19. Estás bêbado. Plasarela el lampio. 15. Allá chalo. Lá vou. 24. Pode pillar en todas las Pode aguas. Aplasarelate. late. 16.

Que chorró está chibe que non pueden andar los chiqueles! 44. a ver nos diquela. 41. que nos vae matar! Olha o que fazes.9 38. Deus ! Otibé!* el 43. sacramento de Deus ve- que benga en mi el nha Ai! o em meu auxilio. a quem me encommendarei eu? yo? 40. manii! Ustila la pucf y amarila este Anda. a ver se homem nos olha. homem! Toma a espingarda e mata esse ho- jambo que bamos a ni- mem O que vamos roubar- cobar los parnés. e os jambos homens atrás d'ella corre- 1 Exclamação por occasião das trovoadas. Te bas alijerar tanto qui á luego los jambos nos ban a ustilar Vaes abarcando tanto que os homens vão-nos tirar com o vulto do que abarcas. Entrun callí á una dos camallí diclés. bea! 42. Chasa. podemos la ustabar. 47. Ai! mi patarró maró. 39. a ber se lo se o podemos roubar. Del posonó si chicubela la paní. Ay! sacramiento Oti- sacramento de Deus bé que nos bá marar! Mira lo que querela {sic). El sacramento Otibé sea el Ihe o dinheiro. . 45. Mecles! les Non chingarelos Alto ! Não ralhes mais com mas con ga- os collegas! chés. a ber s'el jambo o porta está aberta. el grupo di lo que ligarelas. y y ustiló los Entrou a cigana numa loja e roubou dois lenços. Que carregado está o dia que não podem andar os cães. a Ai! quien me combisararé meu pae morreu. Da nora se tira a agua. La dicaní está abertisa- A ra. con 46.

Tu billelas ou te maque- Vens ou las? 53. 60. Bamos? Nanais. 54. poz-se. os estranhos ciganos) atrás * (os não de de da gente (correm). te te que non nar. te camela di- Escusas de pedir que não quer dar. Bamos pirabala. Passa de meio dia 1 Esta phrase trazia a traducçâo : olha que correm atrás de ti . Be se te dinela. a noite feia. 64. 62. está brosa. Me lo pinaran a mangue. los jambos trás d'ala Tu sabes. Non Não faça caso. 65. e tiraram-lhe os dois Tustilaran las dos di- lenços e á cadeia a leva- á la taripenas la chibaran (ou la ligaclés . Pinelale que ladé. dinela. mas ahillelar significa vir. Escusas de manguiiiar 48. — Vê se te dá. non es ma- Dize-lhe que não és roubada.10 detrá si la chalaban y ram ram. Terela bute pamés. Tusa chalelas. pois. No molachí. Abillela. ou que não dá. 63. no texto a traducçâo d'esse adverbio cigano. 58. 49. muito dinheiro. Vem cá. 55. raran). querela baguin. ou que non te 50. Guillemos aracarar. . Amanga non palé suete. tene- 57. (é tarde). Eu não tenho. terelo. Bamos junar Otebel canguerí ? la Vamos Vamos fallar. 51. Contaram-m'o a mim. Terela alguna guchí. que que Vamos (roubar)? — está naracliicliunga. Não. (Diz-se de um cobarde ?) 59. Abillela ó coi. deixas-te (ficas)? 52. apalé detrás. Vamos violentá-la (futuere). Pasa médio chibe. Tem Tem alguma coisa. Vem. ouvir missa? 61. 56.

Janeiro. me diiiaste Hermosisimo chupeiio^ Y yo te he dicho trinca el ^. 2 3 Fero. 67. Deste-me (?) um . Irmã. Dama. 70. se q'ustabele roube se és um un lecheruno. Aora serrana me beo. . bato Qu'el arachí nos beremos 72. e eu disse-te Texto evidentemente incorrecto. 73. o cão á rua pode sair teus dias. Se tu agua (chuva) fora deitas (?) nos teus tus mulés ni el me jinelo mortos me ca . sol. Piar la cliaborilla. Ferbruno. . miquelas non não deixas roubar. A noche estube en chique .11 66. 1 Em (tua) casa. Qu'estabas con 71. para pirabar-te Pé^ non ha pódio sé. Castigai-ta de sus manos ^. Se tu paní fu- rata chicubelas. desvia * o pae bellissimo beijo por quatro quartos que nos veremos á noite. Plajo para las naclés. 69. chuquel á la oricha puede sicabar en tus chibes. las Como carnes'eres si Fevereiro. as ustabar. Posta dei can. Por no haberle dinau el mando. Eueruuo. Ron de mi piar. Pôr do Rapé. nem em 74. Catro cales el arate. Como queres que leiteiro. Cunhado de (á letra: marido meu * irmão ou irmã). porque as noites são penosas. 68. en .

los cando sor- bando s'están. las sar? Abela con el Abril. que yo baya a randaiv se tus panís son muchas. 79. Nas saias de minha de mi romi mi sorbelo. Abriluncho. mandiluncho. y salen los cales e se las nicobelan? acabam a debulha. arachís las patís mãos não me deixam. ço. puedo los dos bar posso duas éguas. Março. mulher me durmo. Los sega. Os segadores vão a brunchos ban a seguisegar e os ciganos vão^desarar y los cales ban trás e furtam os burros di trás. sabiendo que la fazer a debulha. Marso. 75. 78. roubal-as pude. guós. y chuga. Vem com as favas no habuncbas en mandil. dei hir.12 porque las . e agora pas- raisaros estan di trás. En las fardisaras Maio. Como camelas. desamarrar as bestas. Com as éguas pões a pones a hacer muUa. Maio. j yo non que vá roubar. com o frio. e saem os ciganos e as roubam? que e . tuas aguas são muitas e eu não posso passar? Se rou- puedo colisarar ? Se ustabar granis. randalas he podido. 77. sabendo acaban mulla. Julíuncho. desamarisar las petís. y ora el pasisarar ? 76. Como queres. son penosas non mi miquelon. Marse as Marso. y nicobelan quando dormindo s' estão. grafíís la Como las Julho. Junioluncho. os ribeiros estão de trás.Junho.

84. biene un calo no e t'as rouba. contra- en los palonolarés. já lhe furto duas manró le bestas que grandes são já. solto se Agosto. y los cales le nicobelan las ernás. Decembruncho. . queles ladrisarelan. Está los lo pastorchuncho en su chosimé. saímos a roubar. Na horta está o ya . bam 83. Bíovembruncho ? Novembro ? Dezembro. me yo ladrisare- hortelão. para y sicabamos a poderem comer. 82. En la huertisara sina el julay. vem um ciga- gustipenís? Dejastelas choriar. os cães me ladram. Setembruncho. suncho de chas. Como mulas em os sendo o rio deixas as curraes. Janeiro vem. Eneruno de abela. e os cães la- y chu- dram e os ciganos lhe rouas burras. 81. pa benir bon tempisaro. Octubruncho. chubelo. los chu- queles lan. Está o pastor na sua choça. Agustimcho.13 80. adormeceu já. eu pão lhe dou. randar. Outubro. y te las nicoba. El me- O mez os das fomes. las bocun- Andam monte poder ciganos de para Andan los cales em e monte montuncho en montuncho para poder jalar. para vir os filhos bom tempo. ya le chicubelo dos petís que bariás son ya. comer. el mez mais mesuncho más contrariuncho de siendo los dos roubos ? Deixaste- las roubar. pa los chaborrillos poder jalar. miquelas las chorís Como Setembro.

D. trabalhos que possuo sobre a lingua e litteratura dos tsiganos da Hispanha são os seguintes: Os George Borrow. vol.) A seguinte publicação é. Coritiene Origen y cosmas de 4:500 vocês. 1878. 1844. ao tsigano ou gitano da Hisas notas Em panha. A. 1. Paris.14 h) Vocabulário Incluo neste vocabulário todos os termos próprios da lingua dos ciganos. excluindo ou o que é sim- plesmente hispanhol ou português.^ edicion. London. mas com significação própria ao cigano. pp. tumbres de los gitanos. con cerca de 3:000 palabras. E. Essa parte comparativa seria talvez mais completa se eu tivesse á minha disposição as obras seguintes : R. 2. Gli Zingari in Spagna. de Rochas. Diccionario Barcelona. limito as minhas como comparações. (Contém palavras do dialecto dos gitanos do norte de Hispanha. S. . ii. *3-*119. 1853. Vocabulário dei dialecto gitano. abaixo citada: Hudson. 1846. Milano. Vocabulary oftheir language. Madrid.^ ed. dei dialecto gitano. 2.*'. 1843. Vocabulário dei dialecto gitano. Campuzano. Appendix: The Zincali. um extracto da de Borrow. que seguem as definições. sem suffixo novo. Madrid. de C. ou ainda as formas mixtas hispano-portuguesas. segundo Pott. Les Parias de France et et d^Esjpagne (Cagots 1876. or an account of the Gyjpsies ofSpain.^ ed. The Zincali. 2 vol. 1851. usos y costumbres de los gitanos^ y diccionario de su dialecto. V. já disse. Origen. Jimenez. A. Sevilla. ou quando são palavras his- panholas ou portuguesas. 1846. ainda quando são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas. Bohémiens). Cruzillo.

Cantes flamencosj.15 El gitanismo. 8. 8. Rodrivol. . Primer cancionero de coplas fiamencas populares segun el estilo de guez Marin.® (Separatabdruck aus der Zeitschrift fur rom. 1844-1845. pp. Por D. 1881. I. Novíssima edicion. 1881. Le jpays Basque. Francisco Quindalé. 1881. Pott. V." 144-146. 8.« Halle. Schuchardt. adernas de los significados. Madrid.° Dr. 2 vol. nach gedruckten und druckter Quellen. Philosophisch- 1 Não esteve á miuha disposição o livro de Balsameda y Gonzalez. Zigeunerisches. recogidos e anotados por Demófilo (António Machado y Alvarez).)* Francisque Michel. sobre esse poeta flamenco F. 8. Con un epítome de gramática gitana. Andalucia. peq. que contiene. ses moeurSj sa littérature. Ethnographisch-linguistiche Untersuchungen. F. Die Zigeuner in Europa und Asien. Cantos populares espanoles. Historia. de la Colecion de 1870. Vocabulaire p. sa langue . y un diccionario caló-castellano. Ascoli. Ueher die Mundarten und Wander- ungen der Zigeuner Europa's. Franz Micklosich. Os dos dialectos tsiganos trabalhos scientificos de que me sirvo para o estudo em geral são os seguintes : A. VII: Les Bohémieíis du pays basque. peq. unge- G. 8. Halle. muchas frases ilustrativas acepcion propia de las palabras dudosas. Paris.° Cap. Vid. Halle a/S. pp. vornehmlich ihrer Herkunft und Sprache. l-xii in Denkschriften der kaiserlichen Akademie der Wissenschaften. 230-234. iii. Philologie. Francisco de Sales May o. Sevilla.« 76-76. sa jpo^ulation. et sa musique. 1857. Sevilla. 1865. von H. primer estúdio filológico publicado hasta el dia. 8. Besonders auch ais nachtrag in zu dem Pott'schen werke «Die Zigeuner Europa und Asien». costumbres y dialecto de los gitanos^ por D.° Die Cantes flamencos.

n. em typo também . Abaixar. i-iv. p. das outras a paginação do corpo dos Denkschriften. pela troca de gitano e cigano (vid. ja- m.° phoneticamente. Vid. m. Borrow. chare. Borrow. Port. h Q j em Leite de Vasconcellos. 14). s. v. XXXI. Zangado. abertisara.Vir. impacientar-se.16 historische Classe. s. a. — Beifrãge zur ss. Venir. a. acudir. xc. es otro modismo andaluz que gnifica estar con disgusto. três primeiras memorias cito abaixarelar. vid pinodó) 3. xxiii. ahillar. pret. ii. Vid. escaldar. Bd. Abril. Lxxxiii. abillelar^ V.° morphologicamente. Abhandl. Das a paginação da separata. Mayo. Abaixar. e adj. s. e hisp. abaixar. ibid.^ semanticamente pelo . tormento. Calentar. Wien. aberta. Quemar. Colecíon de cantes fiamencos. XXVII. XXVI. xxr. n. To burn. Venir. s. Esta derivação : foi-me suggerida porDemóíilo. Bd. Port. 8 segg. abrasar. Quemazon. e justiíica-se 1. v. n. abaixisarelar. Aberta. abillar. abillelar. acais. Vir. pêro disgusto que tiene mas de . Lxxvii. v. n. Borrow. Olhos. abril. Port. 1. tidos de — de que o hisp. frequente tsigano (Miklosich. abalar. Git. Mayo. To come. Git. a. agastar-se. n. Vasc. Sitzungsberichte der kais. v.^ p. jacharar^ v. 2. f. f. v. abaixisarelar. porque acharán por *acharanô é uma forma do part. adj. sacais. quemar se tem os senqueimar-se. xxii. Kentniss der Zigeunermundarten. Uegar. abillelar. Akad. der Wissenschaften. 43. 1872 XXV. chegar. acbaráii. jambo). Mayo. Git. entre outros. aEstar si- acharado^ diz Demófilo. XXX. Mayo. um participio pret. em facto. e que é c?o. frequente em tsigano (Miklosich. abriluiicho. colhida pelo sr. Wien. o que se confirma ainda pela forma achardó. pi.

Borrow. . Ajustar. nosotras. Vasc. Agua. m. recompensar. v. amangue. Vid. Zangado. apatuscos. e hisp. pron. Pagar. Git. Port. a. ancian. achochinar. Detrás. amarelar. tura de port. v. T. pi. v. Git. la palabra acharão. s. aracaná. s. ' Mayo. m. Borrow. nos (en general). e hisp. apalé. jacharar. Vid. Demóíilo correlaciona-o com git. aracate. pi. m. ajpald. s. Mill. (amangues. aire. Ar. s. patusco. Qçii. Mayo. aparelho ou hisp. manrona. f. Este verbo se emplea mucho en Andalucia en sentido de incomodarse.VASC). Mayo. a. Vasc. aparejo associado unicamente pelo som. Aparelhos de montar. policia. Hisp. Ar. f. Detrás. Guard. Hisp. ajustisarar. pi. pron. a. amanga. s. BoRROW. achardój adj. 2. gollás. a. Port. Bags (for bread). Vasc. molino. cotistá. Meias. Git. Mayo. Vid. m. agosto. ajustar. m. es el participio dei verbo achararse que parece calo. acharado. Borrow. aire. Vid. m. Vasc. acotistamente. aunque no lo bailamos en el diccionario de D. v. Francisco Quindaló. Vid. Matar. Hisp. pess. Mis- com ^ovi. v. Vasc. Mayo. s. e hisp. aplasarelar. s. Vid. osian. m. disgustarse». almarronas. T. s. giria. Behind. Laranja. giria. giria. Guarda. airesunchoj airun. pess. s. s. alsiplesis. Louvar. s. s. s. andantes. aparador. m. f. Moinho. ligarar. adv. 12. giria. anela. v. Mayo. Git. Vasc. Agosto. a. T. asiá. T. (Nós. Cão. plasarar. adv. pi. Alforges. nos?). infra calão ancia. f. enojarse. Acena. Eu. Vid. s. Nosotros. alijerar. f. agullá. manronas. Guarda. Schuchardt. azia. pi. Abaixar? Git. s. m. Borrow. Pagar. m. s. mangue. a. acharán. Casas dos botões. Port. p. s. Sem ser presentido. aparador. andar. agostuncho. Alforja. adv. jaracaliales. satisfazer. s.17 pena concentrada que de ira. marar.

f. call.) s. v. m. bigode. Borrow. m. f. s. senalar.18 s. Mayo. hal. arboléo. a. Mayo. Vasc Port. s. f. ofíicers of the revenue. Vasc). Borhale. Cabello. Vid. balunes. s. s. proclamar. s. Tocino. v. bale. bato 2. Caballero. Mayo. balebá. f. puerco. a. s. Git. v. Git. arvoredo. cabello. s. balul. knight. Git. f. s. Guardas. s. balules. Vid. Noche. Vasc. m. s. s. s. Cf. (balbá. arhol^ aròoledo. Vasc). Uva. m. arai. s. m. corto. Los bales dei mui. Arvore. arate. pi. row. m. Caso (importância. balabá. m. traquia. m. m. Vasc. Uva. Vid. arvore. Vasc). s. balicbil. pi. bancuncho. Mayo. atencion. araquerar. m. Anoche. Guards. Vasg. Pelo. atracaj^j s. consideração). Eespeto. De noche. BORROW. Azinheiro. Mayo. Vid. Git. ascuuo. B baguim. Vid. halibá. s. pi. BoRROW. Cavalleiro. m. m. s. (balulas. Port. (balichó. Azeitona. Git. halelá. arate. Vasc. Pelo. Marrano. mensi^ort. m. s. e hisp. arachí. Banco. Last night. m. eray^ m. aracM. banco. s. Borrow. aracarar. balichó. baluné. s. Hog. Pantalones. satalla. Toucinho. arachí. truacion. Vasc. hajin. m. Git. m. To speek. Git. asco. balunés. m. Mayo. balunes. f. Porco. s. Mayo. Calson Borro w. Git. Noite. s. Cerdo. Git. Sangue. asitalluna. a. aricanás. Abysmo? (Asco. Fallar. Hablar. pi. balabá. Pantaloons. talk. s. nojo. pi. s. e hisp. Botões. m. Noite. Mayo. Gentleman. BoRROW. s. . s. carabi- neros. Hisp. f. s. adv. Mayo. por la noche. araquerar. na. s. s. Sangre. m. Hair. Bor- ROW. Calças. haliché. archí. Git. araquerar.

1. basní. bato. has^ f. 2. Mayo. Copo. Hisp. m. f. BoRROW. bea. s. 144. dida. s. m. bocunchas. T. s. Tsig. barbuiia. 144. vii. forma hariás do texto n. harij. binar. s. Git. f. f. Git. Beans. barco. p. bicha. har^ sebe. . s. Carneiro. roca. f. Borrow. s. blUelar-se. s.. Mano.. barco e branquiá. hedeyo. hato. Vasc. Mayo. bise. bibiora. Fatlier. p. gallo. haticho. s. Miklosich. pi. Mayo. PIorta. f. basiló. Jíhhandl. giria. Mayo. Michel. baste. f. bar 2. vaso.) [Git. Git. Piedra. adj. Padre. hastes. hate^ haste. Mayo. Bise. v. bata. s. bar. Mayo. f. Gran. s. m. Stone. Vasc. har. basisaro. v. s. jardim. harha. hóhes. translação do accento. s. s. Vid. Michel. hlanco. Git. Fr. Cal. f. f. Rico. bato. Gallinha. Git. exquisito. Ovelha. Git. halicho. Horta. (Justiça. barquí e braiiquiá. hinar. superior. Pico. barbaló. hohi. blaucaera. hoque. a. f. Git. Git. f. hasnó^ m. em git. cochon. dialectos tsiganos hári^ Noutros Jardin. adj. grande. haréj haró. abeille.° 80 é o feminino plural. bobe. barr. BoRROW. Git. refl. Madre. e hisp. s. Fome. 2. Vir. The hand. Habas. pi. Hisp. s. Garden. Cock. Mão. Vid. BoRROW. abillelar. adj. Vender. Pich. fiierte. harhaló. Fr. f. Mayo. bartaSj. l)aró. BoRROW. excellente. f. Port. Abelha. strong. Cobra. Haba. s. f. Great. Barba. Vid. s. s. hicha. barquí. Fava. bea. Vasc. s.19 1. a. Mayo. Huerta. hal. s. s. m. 17õ. s. Mayo. adj. bar. s. i. Yasc. Grande. Vasc. Porco. s. Vid. Vid. Mano. Gallo. Bokuow. Borrow. Me- Mayo]. Borrow. m. Git. hata. Mãe. Pico. Port. s. m. A com s. Pae. To sell. m. Vender. kitchengarden. Pedra. Borrow. Auxilio. s. v. f. s.

Vid. pi. f. a. s. a. budar. Branco. Surda. Mayo. s. a. hreji. hr acura. Mayo. moun2. s. Cuarto nario. adv. m. Port. Mayo. Git. Mayo. BORROW. Black. monte. tain. indef. Carneiro. Vasc. cajuquí. Git. Vasc. Ninguém. Git. Hunger. adj. Puerta. m. s. Port. BoRROW. Ninguno. callardo. hraquilô. Mayo. Cordero. s. s. Git. m. Pão. ano. cachas. cajuquí.) Lucto. borrego. f. b regue. Borrow. More. quyy lua seria File. e hisp. m. Echar. m. BoRROW. famine. adj. indef. s. s. s. Ano. BoRROW. Muy. Moeda de cobre. f. Cabra. Ovelha. (adj. braquíj s. Tiro. a. Hambre. Morcella. moneda. barquí e branquiá. hucharrar. etc. Git. Membro viril (?). f. branco. e hisp.20 s. To BoRROW. hraqui. s. m. s. 1. f. callardí. lanzar. s. bui. m. s. f. f. Vasc. ho- quiy boquisj s. hracô. hoqui. cacha. Monte. Negra. bregue. m. Gate. cabra. Oveja. Orifício. f. caíque. Git. Mayo. callicó. A de- f. s. caldo. Cabra. Port. m. pi. Muito. s. hre^e. m. m. callicó. calicó. Vid. i. bucharronj s. f. m. BORROW. boque. adv. arroshoot. . Manhã. Vasc. v. m. 2. cachas. Scissors. Campo. s. Tesoira. Mato. A Oveja. f. caíque. s. Field. Tijera. Dawn. (Preta. adj. Git. hul. m. brancuncho. Git. m. f. Carnero. cale. Mayo. huchararj v. hurda. jar. door. Git. bute. Mas. Manana. sheep. BoRROW. Mato. callicó. BORROW. Git. s. f. Fome. s. Nadie. f. branquiáj s. Git. Borrow. cajuLima. Lua (?). m. s. s. adj. Git. y adv. Borrow. tré. adj. The anus. pron. Porta. Vasc. chamada a surda?] calduncho. Mayo. huter^ hu- cabruncha. f. s. pron. f. Git. s. Madrugada. hut. s. s. adv. Anno. s. cale. Mayo. s. ca- llardí.) [Git. f. Negro. Surda.

m. cané. a. cangrí. Menina. m. Mayo. calo. cam. BORROW. ! Mas pi. Git. e s. Children. s. muchachos. Port. Gitano. Vasc. a. BoRROW. fellows. Camarada (?). Prima (?). m. s. s. Sol. Git. Sol. s. (de chabi). adj. dá camelo. a. f. Borrow. Git. camelar. f. cani. centenate. chadí. woman. Oreja. calli^ adj. m. m. calo. Git. casté. Hisp. castí. Mayo. Git. pedaço de lenha. Tienda. Varapau. can. s. Filho. s. casa de venda. Vasc. Mayo. Herva. Carro. chaborrillo. Ninos. A Gypsy. ind. Memu- chacho. chabaró. chague. cascabes. chabó. Gypsies. m. Col. chaborilla. Pau. adj. Mayo. camelar. camiua. carro. Couve. m. chai. s. f. s. f. f. mocita. s. Cigana. Cigano.21 e s. Mayo. v. s. Ear. s. . f. m. Tigella. calo. Nino. m. A Gypsy caraallí. canguerí. Git. amisade. f. Vasc). centeno. caiu. s. Mayo. s. nino. f. mas é talvez 1. como m. BoRROW. s. chai veiu ! Git. can- gari. Vid. moreno. cale. consentir. s. camino. Git.* pess. Git. Borrow. s. Centeio. i. (cangrí. m. f. cam. f. f. amor. s. cascaraòi. cha. Mayo. s. f. f. Yerba. amar. Loja. m. m. ai Cabbage. árbol. Orelha. Querer. (casté. Vasc). Caldera. Atezado. camelí. a black. Iglesia. a. m. s. coloro. f. camení. Sun. com a traducção Nina. m. castende. Mayo. Shop. s. s. castí. caní. Paio. BoRROW. calli. B. A phrase s. s. a. m. Vasc). Git. Vasc. Oido. Hisp. m. e Hisp. To love. Feira. Vasc. chai. (camellí. s. s. v.) Git. BoRROW. Mayo. Vasc. Jitános. chaja. cangré. s. ó tu chai. chedé. s. a. s. s. chai. s. Bor: ro w. Git. s. s. carabelés. f. (Vasc. can. s. prés. carruncho. Mayo. Querer. f. chaborrí. Vid. enamorar. i. Caminho. Hijo. Igreja. cliaborron. baston. f. cate. s.

Bed. s. Git. a. (Bri>íar. Feira. Git. Git. Cas. deitar. chingarar. chíhé. chibar.) Git. chichobo. clialar-se. To cast. Git. v. chibar. m. Mayo. Saber. a. Mayo. To fight. pi. chasar. Lua. BoR- ROW. cama. caminar. Disputar. m. Mayo. Git. s. Mayo. chicubelar. puU out. andar. chedé. chindó. m. conducir. v. Git. Tirar. Nada. esconder. s. f. n. n. Mayo. Mayo. Git. a. BORROW. Dia. Git. chimutri. s. cornudo. chi. a. sicohar. Prato. m. trasladar. Sacar. Poner. chichoji. f. s. reprender. Mayo. m. jhiqalé. í. f. To know. s. Vir. charó. Fugir. chibe. sicobelar. Borrow. f. s. m. v. Mayo. v. fair. Cobertor. f. BoRROW. realidad. chachipen. s. sar. Mayo. y adv. v. m. a. andar. Gato. adv. cliati. chalar. BoiiROW. Saber. f. a. Ciego. chanavj. repartir. Plato. a. Git. Pôr. m. a. chliigarelar. Moon. Git. s. Gato. refl. chingarar. indef. s. Borro av. Borrow. f. Mayo. Git. postrar. chardí. a. v. v. n. chardó. v. meter. m. s. Chavelho. . chanelar^ v. V.) Óculos. (Cegos. chechipen. s. guerrear. m. m. andar. Ralhar. shoot. Verdad. s. chingarar. Sim. chindos.22 chalar. chachipé. v. Borrow. charó^ s. chalelar. Vid. posembrar. Estrella. Truth. a. saber. Git. cabron. pron. reilir. chinutra. adj. A fair. Lecho. Borrow. Vasc. Vasc. v. a. s. sungaló. Dia. bron. v. Borrow. (jii. Ir. Borrow. Feria. Traif. chasar. conocer. Mai^o. s. BOEROW. Git. caminhar. s. Cabrão. dor. Traitor. cheripen. a. chi. To extract. sicohar. m. echar. correr. Ir. s. pasar. To walk^ to go. f. chiiigle. Mayo. v. Pasar. Cat. charipé^ s. Cama. v. Borrow. chimutra. charibéo. furtar. tender. v. bedstead. Mayo. a market. Nada. he goat. Feria. Vasc. marchar. Grit. Mayo. Entender. s. s. saltar. Mayo.

Pecador. navaja. Ugly. Feo. f. Vasc). chohar. Tierra. Poor. lavar. v. maio. s. Macho. Borrow. chuchai. Fêmea (em Mayo.° 70). BoRROW. suélo. tsig. pecador. choro. chorré^ adj. s. choriar. a. chorar'. a. Cevada. cho7. s. O quadra cigana sr. adj. chol. s. Breast. s. chuchas. mojar. s. Git. m. s. BoRROW. i. s. clioij m. perverso. m. chungo. chungalo. (Zangado. churí^ s. chohelar. Feo. .° 79. chunga. Git. ground. maio. Textos. Mulher feia. Ladron. a. Pobre. Git. s. pesado. Pobre. s. f. Lodo. Earth. pi. f. Mayo. s. chuiigo. (n. Mayo. evil. n. Vasc. chorrés. Borrow. s. Mayo. chorré^ i. O sr. Maio. pi. choror. Pelo som só acho para comparar gitano chique. Der. chorí. deforme. Feo. Mula. v. BoRROW. Borrow. Bors. Mulo. s. s. f. chubelar. v. a. o seguinte. Vid. Roubar. Leite de Vasconcellos verificou o sentido: casa. Feio. a. choça. Choça. s. f. chororo^ adj. carregado. m. de port. fango. choriar. Git. chore. Mayo. Knife. chorí. Git. adj. Git. Frio. geral). Mayo. 1. Git. preverso. m. f. chorí. a. pap. choi^. Pecho. adj. Mayo. indigente. Git. Dar? [Git. adj. pecho. thievish. punal. m. Borrow. heavy. Pires traduz : chique. Git. chorró. adj. s. Teta. Thief. Cuchillo. Cuchillo. m. Navalha. Thief. choror(3. chiquel. dron. pecador. A palavra falta em Mayo. Bobar. a. chor. v. Cebada. com o suffixo men {== me). chor. adj. vid. traz todavia os derivados que chungalipen. s. Vid. rJiohelar^ v. f. Git. Mayo. chororó^ adj. 2. f. s. Policias. choro. i. Vid. f. Rociar. Seios de mulher.23 Esta palavra occorre numa tua casa. To wash. chuquel. Mayo. a. chungalo. Ladrão. ro w]. m. m. Mayo. La- chosimé. s. chucha. f. de- forme. chuga? Significação incerta. BoRROW. f. Lavar. fallando do dia.

adv. Aqui. chupeno. . chuquel. s. Git. e chungas partias e rebenta yo. punal. Vasc. churi. Mayo.. f. chuquel. colcorô. m. f. maio. Jaqueta. Cá. Queen. Navalha. refl. f. clallesa. Beso. m.] adv. s. acá.« 389. Vid. King. b. clicjii. Beijo. Vasc. Mayo. chupa. Leche. único. Cf. s.** 63. m. clave. chi- cubelar. 13. espécie de salgueiro. chuquel. f. Git. aqui. Mayo. s. Llave. í. BoRROW.) Ralhona. chuti. BoRROW. Facada. Borro w. s. chupendó^ s. chumendó. Here. f. chute. v. Solo. Vid. Vasc. f. colcorró. BoRROW. Arvore. coi. Mayo. Vid. m. clalles. Mayo. s. Cuchillo. Key. Mayo. Vasc. s. clalles. Git. churon. Git. m. f. chorí 2. Rei. Git. Perro. Demofilo. Git. Sósinho. m. clechí. Git. cicubelar-se. churdina^ s. Bolsa (?). Dagger-blow. p. Git. m. Alone. Rainha. (Cadella. Mayo. s. m. Dog. crallis. n. churdiní. Git. refl.24 maldad de pensamiento Como Tengo Tentacion. s. adj. crallisa. s. Milk. chuquela. crally. s. Cão. ir-se embora. acoi. colcoro. Mayo. Reina. n. Perro. Retirar-se. s. 74. s. s. Aqui. p. f. cicubar-se. adj. Vid. adj. Yo no se porque motibo Tan chungamente me pagas. significa também : A fuersa rebienta un cânon. f. f. colcoré. f. f. [Git. BORROW. Ibid. chuque. chuquel. s. Provavelmente do portuguez chorão. Leite. Borrow. cicubelar-se. v. Borro w. s. s. BORROW. Jasiéndolo bien contigo. Vasc. Rey. . s. chupí. Mayo. Punalada. BORROW. Cantes flamencos.

adv. a. work. Trouble. Git. curajaui. Git. corá. s. BoRROW. pi. creta. s.25 colisarar. por gerta. v. curelar. Friar. hacer. trabajar. To mount. Melhor git. s. Montar. git. f. v. Trabajo. m. naranja ter-se-ha Laranja. Arroz. golpear. Cf. correllar. pain. etc. Montar. Git. s. Frayle. V. Levantar. culebra. alzar. a. costunar. ello por hisp. a. adj. m. f. (cí. Passar (o rio) (?) colpiche. Mayo. Cinta. Los Moros. cotovello. nidor. v. Compadre. synonymo. m. Arroz. Borrow. orelha (Mayo). combisarar. pelos processos da O endurecimento da pronuncia do g gi e gui. Pegar. Port. Mas dou isto como simples hypothese. m. cratiá. Pitcher. Mayo. contrariuucho. latem gerta. a. v. quirihó. curar. Git.] . Arroz. ce- f. Ultrajar. Git. Bater. colmar. (cf. a. Mayo. v. Godfather. s. Mayo. Padre (cura). pegar. illo. penar. s. s. Borro w. cotobillo. Sem ser presentido. s. m. Mayo. Encommendar (?) s. Contrario. corajai. v. Vid. currelar. trabalhar. BoRROW. Houve talvez confusão das duas palavras. s. com troca de suffixo port. Vasc. Mayo. Compadre. a. arajay. m. s. padre. s. The Moors. costinelar. curelô. trabajar. Castigar. m. Mayo. Cotovello. Borrow. v. a. Abbadessa. Cântaro. loc. cribó. v. que é propriatermo de germania. Rice. costiuar. o seguinte. Vid. n. s. a. f. curajay. do. BoRROW. fr. f. s. cotistá (a). m. curarar. corpiche^ corpichí. To strike. m. Fajã. costiuar. acotista- mente. s. coro. Mayo. Vasc). v. O hisp. s. pena. BoRROW. Germânia: culehra. a.) poderia ser o ponto de partida de uma forma greta. tornado oranja orangej e oranja assimilado a oreja e esta substituída formação das gírias. (Ama de [Git. ranja. m. Cântaro. o gitano mente um O cigano do Brasil tem gerta.

dicló. trabajar. Açoutar. o Peru. Lenço. díneló. Mirada. a. Git. Fool. m. see. Braço. MayO- danes. Vid. do. m. Dar. Nurse). dicaíií. Obrero. Borrow. Git. m. lli. port. dineló. Pegar. m. a. liisp.26 cupchelo. f. Mayo. correllar. v. dehel. ejecutor. panai. currar. Madre BoRROW. s. Mayo. v. diíielar. Necio. s. Mãe. i. Dezembro. m. Vasc. Git. Sem m. To strike. v. a. m. Git. v. Ver. dani. Diente. work. f. Git. Dios (en general). s. Git. Vid. dinar. conceder. deciembre. s. Mayo. f. Mother (projperly. m. a. dicló. Hisp. s. Desamarrar. dai. duvida (en general). pegar. e bisp. a (?). hacer. Mayo. a. Git. Alhos. = daíies^ cf. Git. No argot dinde significa tolo. dialectal deuncho. ofrecer. Borrow. paifial. Port. f. BoRROW. dicar. anterior. s. Ultrajar. debel. s. Panuelo. s. . dezembro. Dar. a. deo por dedo. Git. e adj. entregar. pi. BoRROW. s. Borrow. a. s. Lenço. Mayo. s. Borrow. m. s. To give. daííes. Mayo. To diclé. Borrow. a. v. s. dicahi. v. v. Porta. f. v. Handkerchief. louco. s. f. dentes d' alho. dinelar. clout. desatinado. m. s. Lienzo. golpear. s. Mayo. s. Window. a. BoRROW. disoluto. a. (danes. Tonto. curarar. i. give. Mayo. s. trabaa. Git. dicaní. acochar. Ventana. D dai. jador. dicar. a. pi. To Borrow. God. Mayo. Mayo. culiTÓ. s. adj. desamarisar. v. diiiar. janella. dinelô. ra. curará. Dar. curar. s. desamarrar. Port. Vasc). v. Vasc. Dentes. percibir. Abegâo. Dar. Deus. Dedo. Git. decembruncho. Ver.

Mayo. Git. a.. hes^ 8. Burra. (estaribeii. s. Cadeia. etc. Mayo. s. ejeró. arajay. Ver. m. vineyard. Road. Git. a. jeró. Cf. Soldado. i^ Sacerdote. Borro w. BORROW. BoiuíOW. s. Mayo. mulo. Borro w. Mayo. s. dundisqueró^ m. m. doudéscaro. estaríbel. BoRROW. Hisp. f. curagaj^ eresí. adj. Tienda. s. douares. Cf. estache. estar ipel. Estrebaria. Borro w.27 mirar. Hat. inerin^ eiieinmo. s. estripar^ e segundo o git. s. droir. llí. m. Mayo. pi. Cabeça. a. Mayo. Enero. Git. isa. vacha. estripa^ v. Vid. Vina. prision. m. Padre. Lanip. m. Attender. drun. eresia. m. Mai^o. . s. Borro w. mulo_. eresí^ s. erajay. s. Hogs. s. m. diquelar.eriné^ s. dandesquero. v. (hongo. BoRROW. Candil. m. Candieiro. m. m. Friar. Mayo. Soldier. Muerto. estar ipel. f. s. Mayo. Git. f. jundunar. Cerdo. Mayo. s. Mayo. cujo primeiro elemento é sem duvida o port. m. s. Chapéu. candle. esteribin. Sombrero f. BORKOW. A dead man. defunto. f. v. m. s. eiuro. BoRROW. druné^ m. m. Head. eragar. f. s. Mayo. m. Mayo. Fraile. Carcel. s. díquelar. viaje. Camiiio. chambergo). s. f.] s. s. m. estana^. Fraile. Git. s. m. coprisão. Soldado. estache. a. s. Git. eri- eruá. Git. Vasc). Vine. Caminho. puesto de vender. s. estripamulés. Mayo. m. Git. m. s. velon. Palavra composta. Git. cmnbre. Prison. Cabeza. Coveiro. Eira (?). s. [Git. Git. Imiidunal. estaíia. Janeiro. mulé. BoRROW. s. s. Candiloii. Git.

garabar. Mayo. Shirt. Mayo. is s. Camisa. not a Gypsy. hisp. Vasc). farda. galluncho. m. camisa. fora. s. Port. flor. Mayo. . Git. Varon. Burra. s. gachó. gaché. Figo. (Cão. Git. f. m. ropage. guardar. fuera. mancebo. s. Vid. f. gachó. a. s. BORROW. pi. fardisara. Gallo. s. City. m. puca. grafíij Maré. garbo. Espingarda. Relógio. f. Git. man. Hisp. m. fardí. gallardó. m. pajardo. (Um quidam. Cabellos. gaché. a. fajã. s. s. f. gaché. port. Mayo. Port. f. Gajo. Caballero. Flor. legua. m. Watch. loj. Cidade. Eopa. Hisp. m. f. — Properly. Vasc. gate. Faixa. Túnica. m. BORROW. Ciudad. s. galler. Fevereiro. m. s. s. Guardar. grení. s. Git. plumacho. e hisp. Git. pusca. s. CoUega. Cualquiér hombre que no sea Git. De port. Git. s. sepultar. Vaso. BoRROW. Escopeta. gallardíj Git. gate. s. Fora. m. ferbruuoj floruiicha. m. foro. gatuncho. Git. Mayo. gani. foro. s. Cf. m.28 fajima. garabelar. Vid. f. gachô. Saia. s. m. gato. m. fupata. BoRROW. Git. fusca. m. to guard. s. frumachos. To be on one's guard. gajon. v. fehrero. Vasc). Mayo. f. Mayo. gallo. (a negra). Borro w. pluma. v. i. v. adv. Port. m. Re- BORROW. garabar. Negro. BoRROW. Gato. s. Enterrar. Burra. s. f. a. A gentles. e hisp. Pólvora Any kind of person who Jitáno. s. s. s. s. Hisp. s.

m. s. goi. BoRROW. a. Salchicba. guchí. goUás. ass. Git. guil. trupe. m. guer. s. por bueno. grai. f. Cordão. Ox. n. burro. Buey. a. s. Apanhar. m. guenassuertes. m. Propriamente doces. pi. s. Mayo. goroes. goro. Esta palavra foi dada na i?e- vista lusitana. s. Git. golheri. huchi. Vulto. Boi. Cavallo. Dulce. Git. gustipení. a. grupo. guillabar. gui. pi. v. que supprimo por duvidosa. goroboii. Comp. grahi. Vasc. To Mayo. a. f. gao. f. BoRROW. BoRROW. Logar. m. Crop. Mayo. goruy. Wheat. grei. Cantar. s. I. gruy. guillar. s. guer. Git. gau -j- baró. m. legua. Trigo. s. Morcella. s. grani. f. Burra. echar a andar. f. café. f. Vasc). m. s. v. Pernas. granja. Mayo. Burro. gulôy llíy Laranjas. guiyabelar. Git. Donkej. etc. Vid. Mayo. tsig. gi. gueriní. s. gel. Git. Bestia. s. Mayo. . Ir aprisa ó de re- pente. Git. v. dialectal gxieno. m. goji. Aldeia. BoRROW. Coisa. Mayo. Cidade : gaubarí. Maré. s. gi. guillàbar. Git. Mayo. s. Hisp. bohemio gudlo. Asno. asno. Borrico. grasrli. gau^ s. Git. m. Égua. (gresní. f. Git. adj. s. v. s. Town. s. vacca. f. Trigo. guel. e suerte. gué. gra^ s. Borro w. Potro. jil. : Mayo. aldeã. sing. pi. Pueblo. m. gorobó. . s. m. s. Mayo. Borro w. n. s. vision. m. Caballeria. harvest. pueblo. f. m. s. s. Em gorbelar. guer. Anything. s. m. m. Borro w. Yegua. Horse. 12. village. guir. v. m. guillar. Mayo. com a significação de «toucinho». Ir. gupui. BoRROW. Cantar. f. m. Git. Koubo. guiyalar. s. Borrow. f. Cosécba. Git. s. s. v.29 gau. Vid. Fortuna. ou f. s. Cosa. Caballo. s. Mayo. Git.

m. horobar. s. One who is not a Gypsy. pi. jil. ra. jir. junduné. Soldado. Soldado. Apanhar. guer. Vid. Mayo. ustilav. a. Homem s. Jiamho^ m. Cp. huertisara^ huiidunal {li aspirado). jambobaró. Vasc. m. v. m. sacais. n. Git. adj. Mayo. jamar. Git. absorber. s. Fava. f. jalar. m. BORROW. eat. goroes. orobelar. m. m. Vid. jinelar. s. galler. a. estranho. Fresco. Bonito. a. BoRROW. Mayo. hamhé. jundóy jundunar. jocar. jamar. Pé. a. que não pertence á Git. s. Cold. Borrow. adj. v. f. baró. Comer. Cacare. haller. Vasc). jinar^ v. Jaqueta. B. 2. muchedumbre. jambo. a. BoRROW. jalar^ v. jucalorro e ojacá. To exonerate the belly. . s. Mulher estranha. Comer. Cold. To eat. s. s. Soldier. (hil. m. Frio. Hesp. Frio. Auctoridade superior. m. Horta. MayÔ. s. Comer. jundunar^ s. jambo -[- jambo. BORROW. f. Vid.30 H habiiuclia. a. Git. a. liarame. Descargár el vi entre. disipar. Comer. Git. Gente. s. her Qi aspirado). jamba. liuerta. Git. s. Vasc. m. v. hir. BoRROW. Trovoada grande s. istiteJar. m. Mayo. m. Hesp. Burro. que não pertence á tribu. Vasc. Vid. Vid. To v. comer. É talvez erro por ustilelar^ vid. s. Vid. Frio. v. hacais. liarou (h aspirado). s. tribu. (?). s. m. s. El que no es Jitáno. BORROW. haba. juiz. s.

Lavrador. junar. escuchar. julay. ou de port. a. Mayo. Carta. Junho. Candieiro. labraoresa. e Hisp. v. Hisp. Hisp. lahraoresa. Borrow. Notary public. BoRKOW. To hear. julio. ladrar. Vid. ouvir. m. s. lampio. Administrador auctoridade) escriba. . làoduov^. lihanó. Escribano.) Prender. ( libanó. leche. jucal. junar. ligarar. jiiiiiolunclio. s. jucalorro. Hisp. Git. m. Git. s. a. Mayo. conducir. Port. os seguintes. adj. v. a. Carta. Bonito. Borkow. Lábio. Git. Mayo. Azeite. m. Lovely. lechero. í. a. geneHerinoso. Mayo. juncal. m. a. Mayo. junelar. (Levar. Vid. v. Vasc. (Dono. ligarelar. e hisp. jojoy. s. v. Ladrar. Oir. ladrisarelar. m. Vid. hisp. s. Generoso. . Llevár. v. Mayo. v. li. paa letter. n. Vasc. v. s. s. m. Vasc. BoRROW. Llevar. labrosal. f. cargar. junelar. Paper. Lavrador. Candeia. v. agarrar. s. s. liberal. s. julay. ligarar. Olco. jucal^ roíis. Leite. Borrow. Git. s. lecheruno. lechute. git. a. pirabré. 111. ? las dos pimbrés. Julho. Vid. Git. Escutar. junw. lahrador. o precedente e conf. s. Oir. laborosal. ligar? Yiá. m. Vasc. Git. Ua. jojoy. a. s. m. liquerar. s. listen. adj. Mayo. credencial. Mayo.) Abarcar. Master. m. Hisp. Mayo. m. f. Git. Escutar. (Levar. labiunclio. Hisp. v. m. m. Llevar. Port. v. 2. a. A hare. Git. juliunclio. lahio. m. junelar. To cariy. liquerar. Conejo. percibir. Vid. Leiteiro. lias. tente. a. generoso. f. Ainoy duefío. s. as significações do git. saber. mesonero. s.) Hortelão. Borrow.31 Lebre. atender. m. s. s. esplendido. a. larapio. liguerár. Meias. a. legerar. Mayo. ligerar. adj. v.

Santo. etc. Mayo. yaque. v. maché. Santo. Mayo. s. s. lumí^ lumica. m. Muchacha. pron. m. Git. pes. bêbado. Mayo. leste. Égua. Fuego. macho. Git. majaríj s. Git. s. liles. apple. majaro. Borro w. Me. livro. Fish. Git. Roubado? Antes assassinado. ahorcar. corlleii. A m.32 s. Mayo. Raméra. f. adj. The beatic one. machingano^ madrunkard. Mayo. querida. man. f. Git. s. pron. inundacion. f. a. mangar^ mendigar. Port. lon. s. Rio. m. majarí. s. The Virgen. Mayo. llierbisáj s. v. m. m. pers. Lingua. La Virgen. lumbre.. Pez. s. Git. Pedir. s. Git. pescado. ribeira. lingiui. mangue. dialectal lolé. s.) Phosphoro. Mayo. s. muladar^ assassinar. f. No cigano do Brasil. Port. (mangues. Carta de jogar. m. M machingarnó. a. s. lumí. Git. e. macho. mandil. m. Vasc. Git. f. Paper. a. matój chargarno. cartera. Mandil. ajusticiar. m. Mayo. Salt. Borrow. Santa. s. pess. River. Tomate. a letter. Fire. magrena. lumi^ lumia^ lumiaca. e garnó. m. Matar. The accusative of the pron. ^. Bacalhau. linguncha. BoRROW. Borracho. m. Rio. s. Borracho. manceba. i. s. m. f. Rio. Sal. s. m. BoRROW. li. Hisp. livruncho. Pimentão. len. Holy. adj. adj. mangar. s. Git. mim. (Lume. s. Love lon. v. Vasc. Mayo. Pedir. mangue. Mayo. Borrow. macho. mandiluncho. BORROW. Virgem. mi. f. mu- lahar. s. Librito. s. m. BoRROW. Port. araanga. s. Borracho. mata- adj. BORROW. e hisp. Sal. Hárlot. len. adj. exterminar. Cf. . a. m. por yerha. Mayo. lolé. Cp. s. Prostituta. Me. Livro. Vasc. riente. rogar. Git. Vasc. majarí. git. f. llierba BoRROW. majaró. s. Vasc). s. m. f. e maladé. Vid. Herva. Borro w. lel^ s. Uaque.

pedir. misto. permitir. manró. f. s. Mayo. milla. a. Pão. a. Homem tribu. Dizer. Bien. Mayo. m. Deixar. v. Mayo. v. Pára. BoRROW. minche. Vasc. da Git. Vasc. Carne. rar^ v. League. Abandonar. zana. V. misto. BORROW. (Vid. a. a. Laranja f. m. Mayo. a. Dejar^ s. marar. minri. Descontar. millen. Bien. Légua. Pedir. Bem. Port. milla^ s. minchabar. To marelar. s. mauú. Orar. n. minha mãe). masauuucha. Conf. m. Borrow. en paz. v. s. s. alto lá! Git. v. manguelar. mes] hesp. maás^ s. mente. hisp. Matar. pi. miquelar. m. Mayo. Mayo. Pudendum muliebre. adv. minha. Hom- bre. minchi. mãorron. maçan. Mãe (propriamente. Git. a. m. v. v. Pedir. jar. interj. s. por git. a. Légua. s. s. maquelar^ Vid. s. m. Mayo. mecar^ v. Git. entreat. v. manú^ s. m. f. sicubar. Well. a. más. conveniência. Git. f. Meat. mequelar. Hisp. adv. miquelar. De- mecles. marar. sol- despedir. tar. miquelar. a. s. Mayo. s. Git. manguinar. a. BORROW. Parir. mangar). mecar. Mayo. Port. mm. s. e s. (?) Borrow. a. Pudendum feminae. Phosphoros (?). Deixar. m. Matar. man- s. a. Man. varon. mes. medi. s. assassinar. destruir. Calle. Git. suplicar. milha. conveniente- mistos. a. m. Borrow. mesuncho. Git. Git. v. beg. To BORROW. Maçã. Parece composto com manró. f. maniscobar. millaj port. mindai. Bread. m. Git. maiiguiííelar. 3 . Vid. Vid. vaya. f. makill. adv. v. Git. dai^ s. Mayo. vianda. mistas. ** v. Pan. f. Borrow. f.33 manguinar. Carne. beneficio. Estrella d'alva. Git. Mês. interj. Matar. Madre. m. flesh. bueno. Morrer. matagaíianeSj v.

alejar. BOR- RO w. Textos. por rachichunga? rachí. parte s. Nanai. Morto. f. Vasc). mulla. racM. Vid. Mayo. f. Nariz. V. Vid. Mayo. f. Fugir. nacH^ naquí. Será erro git. Vasc). Fugir. Vinho. Git. adv. Pelléjo. tiniebla ne é prefixo chuugo (vid. Boca. adv. mulo^ s. n. Não. najar^ v. Borro w. hisp.34 s. s. Significação incerta. Nariz. n. Noite escura. n. m. píleca. Port. desaparecer. Mayo. gueza debulha^ a que se m^ som muito próximo d'aquelle cp. Monte. s. BoRROW. correr. sem duvida a palavra portutirou o prefixo. raoliiiuncho. mui. BoRROW. f. v. mol. cara. Hisp. Marchar. Wine. Git. montuiicho. 7nulô^ mulU. Mayo. montaiiésj molachí. de ningun modo. mulé. najelar. Nostril. arachí) e s. BORROW. s. Git. fugar. adj. Burra (Burra fraca. evitar. f. Vino. Git. que permitte ligar o termo cigano ao gitano. adj. hide. f. este). evitar. s. adj. a. port. s.° 58. Vinho. najarar. najeJar. n. òelancia por melancia^ baraço de árabe maras^ comquanto aqui a . (iiacles. morchás^ s. moro. escapar. V. mudando o ô em E modificação seja inversa. No II). correr. desaparecer. A dead man. Mayo. s. s. Debulha. m. n. mui^ s. face. Muerto. Git. narachichunga. n. Marchar. najalelar. calão h^a. Git. f. m. mol. Vid. Hisp. naclés. BORROW. huir. s. huir. s. montanés^ m. BoRROW. Skin. Mouth. naqui^ uajai-. llejar. Moinho. . v. pasar. m. morchada. s. m. parar. No. Mayo. adj. Noche. Boca. Vasc. cavallo magro. Huir. monte. Muérto. No. pop. Monte. molíno. (vid. No git. f. e s. To flee. nanais. m. difunto. Pelo som só acho que comparar git. mon. Cara. Vasc. tenebrosa. àepelle (vid. najar. Git. moro. m. s. Mayo.

Cf. s. Calle. invalidar. Mé- BoRROW. Maio. olihias. osté s. Dios. Mayo. m. o prostbetico também em vid. Michel. crallis. m. destruir. s. s. v. eruqué. enfermo. s. To weep. eruquel. oricha. adj. adj. row.35 negativo: nahelar. O o jaca. oclaye Um s. outubro. God. Mayo. ostebé. o precedente. s. Git. nicobar. Por jocar = pi. git. Git. Borrow. Borro w. m. Bonito. 14õ. Rua. f. f. God. Vid. Quitar. 40. eridé. lamentar. pag. s. está nasalo^ lli. ostebel. orejuncha. m. f. s. Olive-tree. Parece haver aqui fusão de git. de haró. Oliveira. v. Hisp. nasalo. olibás. s. Mayo. grande. ? olipaudó. f. v. Llorar. Deus. a. Mayo. Chover. Dios. : nahasnão. . vid. erucar. m.. m. clalles. Orelha. Die Zigeuner. Mayo. eru. s. Olivar. Olivo. octubruncho. Borhisp. dias. oUcha. debelj m. par. Git. olicha. ^ como prefixo indifferente a. orobiar. BORROW. único ser supremo. Chorar. desembaraçar. Borro w.. II. Olivar. rei. Dios. Dios. impess. orobelar. ostelende ondebel. To take away. Port. Git. git. un-debél. Mayo. BOR- Row. s. ulicha. steal. m. v. orobar. Meias. f. gallo Git. gemir. orocal. Enfermo. BoRROW. Vasc. v. s. m. s. adj. Vid. v. Arbol. Stockings. a. orobar. Pott. pi. otebel. m. disi- l^ORROW. nicabar. Mayo. oricha. nicobar. neharó. Roubar. s. adj. Sol. m. a. Fr. a. Outubro. m.nicohelar. de abelar. m. Dios. octubre. urucalj s. s. Street. Apartar. peNo cigano do Brasil na apparece queno. vid. Mayo. ustéd. oreja. Rua. vedar. nicobelar. Conf. s. nasalo si ya. v. basíii. Calle. Falta em Mayo. (BORROw) e git. ojocá. undebel. Git. . = *claLlis. jucalorro. Olive-ground. robar. poseer. enfermo. jucal. s. orucal. s. = hisp. pi. nicabar. a. carecer. Git. otibé.

Git. a. Parede. v. s. v. White or silver money. Atar. pared. passar. s. barter. paillô. m. mir. Mayo. Homem El que no es Jitáno. f. arreliar. Mayo. hisp. Port. Git. a. Curral. Vasc. s. pandar. BORROW. A wood. v. a. estrechar cerrar . Prata. s. f. f. BoRROW. pasabelar. s. pajin. papiri. sujeito. paní. Curral. bono. (Palheiro. m. a. farm-house. encubrir pandelar. Palheiro. paguillí. One who is not a Gypsy. BoRROW. Amarrar. parede. pajo. Agua. Companheiro. s. f. apretar. To exchange. m. Vasc). paquillí. Vid. m. Vid. f. Git. papires. Dinheiro. Git.36 paguillí. pandelar. también palonolaré. s. to shut. sujetar. moeda. cortijo. s. Cigarro. parné. m. pasisarar. Port. . cerrar. Water. trocar. f. Atar. Parte. BoRROW. Paper. parnau. negociar. paruguelar. Mayo. m. v. Opria. Agua. s. Agua. inclose. f. Trocar. parugar. s. s. Papel. o precedente. posonó. f. a. m. naipe. v. . pusoíiou. o seguinte. Vid. papira. Cambiar. paUillí. Sorte. s. Mayo. Carta. v. jpandelar^ v. parrogar. Vasc. s. v. Mayo. s. Dinheiro em prata. f. que não pertence á tribu. m. a. s. paillo. a. BoRROW. extranho. Papel. liar. f. m. Vid. Silver. s. BORROW. Git. Dinheiro. Choça. s. BoRROW. pa^ar. Git. To pani. pareauj parga. s. paioj s. car. m. Git. s. Git. Corral. hisp. f. Plata. parné. palunó. a. Individuo. Git. jomalero. plajo. Vid. m. Trafi- Mayo. palonó. Bosque. Vale. Dinero (haber). m. hombre. pani. Dineros blancos. Part. pajé. Passar. f. . Mayo. m. jyapiri. s. Borro w. s. s. s. to tie. pandar. v. Enterrar. Borro w. pasonó. s.

Git. a. Ladrão Talvez violentador. s. s. [Git. V. m. pirar. Albarda. piyar. decir. Pé. e hisp. Mão. pinrés. s. Pedir. BoRROW. hisp. pinelar. Borro w]. pirabar. To walk. m. pi. v. Peito. Pepper. caminar. . Andar. adj. Vid. narrar. s. Port. pirabelar. patuque. m. pinelar. m. pirabar. pinar. s. m. patarró. Vasc. a prova da vir- gindade (entre os gitanos). pelichó. i. m. Mayo. Git. pescoço. Huevos. Pescoço. hatorré. s. Mayo. Dizer. s. Mayo. m. cohabitar.peperes. Mayo. s. Vid. (patusco. v. pimbré. Git. BORROW. a. les. petí. to heat. Vid. v. m. pato. pinar. f. . Besta. hatú. 'n. Port. Andar. pinãro. Vasc. pino. n. Git. the genitais. pinar. s. Borro w. s. s. Foot. um 8). s. pepéres. Git. s. pinodó. pirar. Vid. Padre. s. pastor. patí. pinré.37 pastorchunchoj patarró. Referir. Beber. Tomate. Borrow. patê. contar. penar. m. v. Pó. Vid. pêra. pirelar. pimbré. Pimento. Mayo. bato. s. Mayo. pinró. s. Padrino. Mayo. Pae. tuscos. ha- blar. Vasc. m. BoRROW. Port. Pinheiro. s. Vasc). penelar^ V. ii. pi. Port. apatira peliche. rabar. To copulate. Pae. Beber. v. v. Andar. m. s. petuno. Fornicar. f. pedir. s. m. Vasc. f. Huevero. To say. s. f.. a. pirabaor. Cooperar. pi- pisquèsuno. m. mandar. s. Pastor. Vid. perjj^na. Git. penré. a. peito. pele. pimbré. Eggs. n. s. v. v. m. Pêra. BORROW. bato. Decir . m. Mano. de que pindó ó participio regular tsigano (Miklosich. a. los jenita- m. Vid. Abhandl. n. Vasc. a. a. pinon. (?). Dizer. pillar. Git. pisar. v. Hisp. Futuere. Git. Velho da tribu que pi. baste. Mayo. Contado. a. Mayo. m. Pié. s.

House. plasarelar. hiisnô. posabar. Irmão. s. Cloak. m. jpita. s. Cf. s. f. a. juealorro. m. s. Vasc. Tobacco. Mayo. f. BoRROW. s. Corral. Tabaco. s. Bonito. s. s. pusca. (Mi. m. panza. Vasc. adj. Borrow. Mayo. platamugioii. Git. Git. Mayo. piticar. s. plasta. piteira. m. Extrano. Entraiías. Mayo. Barriga. Hennano. pi. m. s. Vasc. s. s. s. quehucar. puca. m. placo. f. Barriga. puy. quer. a. every person who is not of the Gypsy sect. pasabelar. Vid. in. Vasc). pusnó. s. Brother. Vid. Casa. Git. A gentil. prucatihi. quer. Abegoaria. posuno. m. m. s. Q que. husné. pusunon. f. Musket. s. BORROW. pusanó. cigarro. Mayo. s. ju cal. Casa. Paja. pode estar ^or jucar. Palha. poriáj s. gentil? Mayo. m. Será o mesmo que git. pocachiní. m. Borrow. (Lençol. Cortijo. Paja. Court. m. a. Capa. BORROW. s. s. pu. Port. Bowels. Nora. Tabaco. Git. piai. Git. plastami. m. m. puca. Ódio. pus. BoRROW. Eapazinho. 9. s. Enterrar. Apagar. Git. Espingarda. Mayo. pus. a. que bonito? hucar. BoRROw. confrade. Straw.38 Piteira. Tabaco. f. f. f. (plata. f. v. v. Git. vid. pÀata. esclavina. s. talma. posonó. s. Mayo. busnó. plajo. Capa Mayo. Mayo. Cf. m. plojorró. Vasc. m. f. Pistola. s. poria. pii. s. Vasc. s. v. quehonche (Ji . a savage. tisfacer. Entraria. Será que hucar. m. plata. Borrow. plasarar. plasarar. s. pol. f. m. v. Borrow. piar. porias. f. m. yard. Borrow. corta. Escopeta. Escopeta. s. plasaravj. s. s.) Git. pusuiion. Vid. s. bárbaro. pusca. sa recompensar. Pagar. plasta. aspirado). Borrow. Git. Capa. vientre.

quirális. n. Mayo. s. s. s. Brandy. a. a mar- . homhusband. e hisp. (espirituosa). s. s. randar. Vara. s. Grãos. Port. ejecutar. s. A married woman. f. Vasc. quiral. reparti^ s. to make. s. Hacer. m. s. Git. BoRROW. BoRROW. Mayo. a. querelar^ v. f. Git. (casada). m. Fazer. Mayo. BoRROW. Ejercer. hacer. re- Garbanzo. s. m. querar. a female Gjpsy. robar. Mayo. arrebatar. quintal. Rio. redundes. aquerar^ v. Mayo. Git. A m. Lingua dos ciganos. Git. s. Mulher da tribu. rom^ m. s. hrandy. Queijo. Mayo. Vasc. m. To rob. redundi. f. BoRROW. Queso. a. m. renduudes. Spoon. rilo. cigana. romá. Cuchara. a. queraTj querelar^ v. bre. s. rio. Quintal. quiutalzuncho. rebraiidiuí. Proveniente talvez do ingl. vara. romí. Jitána. pi. remendiíiar. Pedo. Licor. romí. varon (casado). f. s. quira. randundes. Colher. Mujér casada. rau. Casar. Hurtar. Git. romano. Vid. com f. o prefixo re e terminação gitana. Furtar. m. v. remondiíiar. Batata. f. R raisaro. Vasc. BoRROw. s. BoRROW. s. a. a. Aguardente. m. repafií. Mayo. m. v. s. rumaíío. s. BoRROW. Robar. BoRROW. Desordem. m. Grãos. Git. s. Aguardiente. rumandiííap. s. Mayo. Port. (Feijões. v. Git. rom. Vara. s. Queso. f. quimera. m. Mayo. mujer ron. v. Mayo. raUj s. a. raw^ Rod. Flatus ventris. a. s. s. BORROW. m. Bordão. quirá. jundif m. Bebida r 11 acra. Marido. f. redondis^ pi.) Vid. roin. ni. Git. redundes. m. Vid. ranâelar. f. Marido. randar^ v. s. pi. Git. m. Esposa. Chick-peas. ribeira.39 querelar. hacer^ etc. róis. Chôese. s. Git. v. rile. To do.

Ouro. Casar. Git. m. The Rommany or de los Jitános. a. Mayo. Git. romandinar. Do recebi a phrase: 1. Ojos. Who. Ahhandl. Oliva. sapuna. s. s. a married man. si- . Aceituna. f. de casta gitana. Git. Jabon. v. no senela caíque. Cf. s. s. m. BoRROW. Mayo. salbana. Git. sinelar.40 ried man. viii. 8. cão . Pires com a traducção — um cobarde. romano. Chouriço. segar. 2. Mayo. f. romandi/hary v. s. enlazar. Sabão. m. tsigano grego rukonôj nrumeno rikonó. Cf. segabruncho. Mayo. rumano. domestico. roma^ s. f. m. Cho- BoRROW. Port. f. Soap. romani. Vasc. e hisp. of the nation or sect of the Gypsies.] rumíj s. a Grypsy. BoRROW. Port.) Git. pron. letaya^ Azeitona. senelar. sanacay. sanou. pron. m. acais. sr. f. húngaro rikonô. do sr. Língua dos ciganos. Lengua sacais. m. Que. Vasc. 58. Git. BoRROW. cual. f. sos. próprio. Olhos. sampuni. romí. Segar. Olive. Oro. Miklosich. Git. Leite de Vasconcellos a phrase: 2. that. To marry. Borrow. [Cf. seguisarar. pi. adj. Sausage. BoRROW. sonacai. Burro. Ser. m. Vid. m. the generic name s. polaco rykonon. Vasc. romandinelar. Sardinha. Vasc. rom. BoRROW. m. V. A Gypsy language. ni. s. v. s. a. Gold. (Libras. s. Segador. senelar. s. desposar. s. pi. The Husbands. relat. Que. satalha. sapunes. Casar. s. Mayo. Mayo. rucó. rizo. s. Git. BoR- ROW. s. rumandinar. Familiar. rei. Videira. sinelar. chetalli. n. segar. a Gypsy. s. e hisp. m. sané^ s. cuales. v. pi. m. s. husband. sacais. a. konó.. Mayo. BoRROW. f. se. f.

Mayo. sonsibelar. v. Setembro. sinar. por sina. senela terela callardó. BoRROW. Adormecer. aux. s. v. tiembre. sonacay. sila. esse verbo que estar. v. Vid. o que corrigi por não guagem corrente. Pires ainda a phrase quasi idêntica a essa: 3. sinar^ sinelar.° 80 trazia sin na com a traestá. m. Não mangue (sinela — ser acho no gitano nada que justifique o sentido attribuido a ha aqui sem duvida erro de sinelj sinela. Arvore. V. Força: a silas. elle. reparar? [Git. senela la — primo. Mayo. n. ó um um não ó cobarde. f. To be. o sr. porfia. V. me Vinha. f. sicubar. Vid. setembrimcho. Furtar. sanacay. á força. Salir. seresí. elle está : outro lado tem o git. sorbar. parecer exacto. sicabar. Port. m. setembro. Freio. v. Pires enviou-me demais a traducção de uma phrase em que esse sentido é dado a senela 4. mangue com a traducção também siííel com a significação — — O sr. s. sila. e hisp. impeto. Callar. Mayo. Borro w]. s. Vid. Git. silbar. s. n. amanga^ mangue) 5 a phrase: 3. a. enmudecer. sombra. facultad. homem. de luto. v. com a traducção pertence-me . a. Vid.. uma alteração de 2. caique)^ na (z= é de nós ou de mim phrase: 2. dois verbos Em senela terela juntaram. v. sombrimé. ducção sósinho. Vasconcellos dá ella. é meu parente). s. sobap. que deve traduzir-se — E — de amanges^ vid. sicahar.se ao que. Git. De não é ninguém temos na phrase 1. ir-se embora. v. f. se- sicabar. s. potencia.. Port. s. Mayo. Sair. que deve traduzir-se vid. Olhar. m. soltar. parece. eresí. . interpretação. n. como pronome . senelar. que separadamente se ligam a callardó. hisp. na linO texto n. Vid. f. refl. v. sínar. do sr. a. Ser. sonsidelar. Vid. Virtud. chicubelar. n. Ketirar-se. sicubelar-se.41 nela damangues. V. ou estar por senela a parece é a mim (= é dos meus.

Hisp. s. Telhado. buona mattina. Git. s. m. Melancia. Abhandl.. Vid. s. existir. Melão. index. Batata. BoRROW. sleep. (Miklosich. possess. tarde. sungoli. tarrosa. Dormir. Git. Mayo. (pag. Borrow. tarní. vid. Vid. taripen não tem anade logia significação. Tempo. ii. Gente. s.j ii. tempo. a. poseer. terelar. 26). sungolí. Cadeia. f. 81). tarelar. Mayo. Melon. vid. f. s. Sandia. people. aux. s. f. tprelar. teja. v. Ter. To hold. cárcere. tardimen. m. a. genera- cion. terelar. f. Pires. v. sungló. Adormecer. v. lectos Morcella. f. Haber. Zingaro laci tosara. tener. n. fica Mas calicó signi- manhã Borrow). joven (Miklosích. Dormir. s. Mayo traduz por astrologia. To a. Th. novilho^ anejo. tasalda. Port. tasala significa tarde (Mayo. tallardí. BoRROW. e hisp. Vid. m. Git. soymar. n. mattina. etc. adv. taribé. (vid. mas (ii. have. v. m. v. Git.42 sorbaPj v. 82). sorbar. s. Cadeia. a. — estariben. Talvez por terrosa. suetí. Gente. A. Falta em Mayo e Borrow. Port. Mayo. O mesmo que callardí: nos diaha outros exemplos de substituição de c tsiganos f. Vid. Git. taripeuas. Git. Vasc. do por- tuguez. . ZigeuneHsches. BoRROW. s. sorhelar. calicó) e git. Ahhandl. s. comp. Mayo. tosara. Cf. sornibar^ v. v. f. tempisaro. Burrinha. por t. siiete. mocidade 58). Madrugada. ternipe. Ascoli. Vasc. o seguinte. s. tejauncho. s. Tarde. f. sungli. tasara. familia. Mayo. f. universo. n. Manhã. s. parece ligar-se ás formas ciganas tyrnój novo. sungU. World. s. tasara di calicó.

m. ao que parece uma mutra simples alteração de chitroca de logar de consoantes. tute. de tucue. Pott. Si. a. processo vulgar nas gírias. tiragaisj s. s. Mayo. s. Mayo. a. Git. tirajai. Git. f. v. Mayo. v. Mayo. adv. pess. 194-5. BoUROW. Furtar. V. e testuncha. teriiegal. furtar. Lua. Sapatos. Trigo. te. ustilar^ ustitelar^ v. grangear. s. pron. ustilar. arrebatar. s. f. yes. resuelto. comprimir. a. ustabelar. Valiant. Git. exigir. Cuerpo. Git. truly. a. cliinutra) por ii. triguisate. s. tusa. pess. a. trigo. Valiente. E. tirajay. m. f. ustabar. Coger. Vid. BoRROW. vinagruncho. BoRROW. m. Vinagre. U ua. Vasc. 2. Apre- trupo. ternejá^ adj. tue^ contr. Port. roubar. Apanhar (?). Port. Testa. m. Vientre. tar. Vasc. Tu. adv. Mayo. llevar. Sim. Luna. s. Git. cobrar. ternejal^ adj. Mayo. percibir. Git. prender. Zapatos. alzar. Shoes. trúpo^ cuerpo. Tomar. Yea. ti. s. git.43 adj. BoRROW. e trincar. hisp. v. Tu. Moon. hospedar. (vid. Cf. a. v. unga. Valente. ustibelar. v. Vid. Corpo. trinqiidar. tomar. ustilar. s. testa. ustitelar. tremuche. . Git. ustihar. Tomar. pi. a. Git. acoger. Mayo. tremácha. pi. hisp. Vid. ustabar. pron. m. Mayo. m. apurar. BoRROW. Zapato. Body. conj. v. s. a.

. Como se vê.irmãos. 287 segs. . Miklosich enumera treze dialectos ou falias tsiganas na Europa: grego. do Kafiristão e do Dardistão *. a maior parte mano ou ainda romano.44 Os ciganos do Alemtejo. segundo os dados precedentes e os que me communicou o sr. na Turquia da Europa. nia. Bucovina. italiano. O raes. Miklosich não teve conhecimento do importante dialecto tsigano do paiz de Galles (tsigano welsh). paizes da Europa os tsiganos faliam verdadeiros dialectos ou antes sub-dialectos particudas quaes se encontram lares aparentados com os dialectos neo-hindus. certos processos de derivação e outras forgrammaticaes da lingua tsigana. mas gitano conserva ainda partículas. numea moção. na Rússia septentrional . Siebenbúrgen. saidos da mesma base popular de que o sanskrito se elevou á cate- goria de lingua litteraria. Esses dialectos tsiganos apresentam algumas peculiaridades phoneticas archaicas que os approximam especialmente de linguas ainda pouco conhecidas do noroeste da índia. na Rumenia. Beitrãge. rumeno. o hispanhol. representada por os mencionados dialectos ou sub-dialectos extra-hispanicos . na Hungria e Sirmia bohemio. basco. faliam o português. na Bohemia e Mo. Pires. rofazer-se ideia pelos textos e vocabulário acima impressos. na Allemanha . inglez e hispanhol. nesse meio de lin- gua céltica. ravia . escandinavo. Miklosich. allemão. iv. russo. de que pode também no gitano ou linguagem dos Noutros de ciganos Hispanba. na Finlândia. e esse fallar a que elles chamam rumano. Serbia e Rússia húngaro. o rumanho não é mais do que o hispanhol influenciado pelo português e semeado de palavras particulares. polaco. na Polónia e Lituâfinno. p. conserva muitas particularidades perdidas noutros seus co. o qual. pronomes.

Vid. como mostrarei ' Schuchardt. callí f. Nos dialectos tsi- ganos europeus extra-hispanicos conserva-se em geral a base indica primitiva do vocabulário e da grammatica no gitano os elementos tsiganos da grammatica reduzem-se considera.0. É possível que ulteriores investigações descubram mais uma ou outra forma verbal tsigana no cigano. si. e oíferece por esse lado interesse particular para o estudo de um dos processos de substituição da lingua de um povo por outra. está (vid. mindai.. de origem tsigana. sirij sou. unicamente a vocábulos vação : feitos e alguns processos de deri- o hispanhol e ainda o português occupam o logar abandonado pela grammatica tsigana. é). 53. 1885.. sisle. velmente. Assim por misturas successivas o elemento românico foi eliminando o tsigano.se ainda as formas femini- nas e do plural como calo m. ostardí quarenta. a julgar pelos documentos que publico. amanguej mangue. 4. . se). mitiva que o gitano.. Se tivéssemos documentos da linguagem dos gitanos provenientes dos séculos xvi e xvii. ainda mais de perto poderíamos seguir esse processo. e outras formas um ^ grammaticaes que ainda conserva o gitano representa pois estádio mais adeantado na ruina da lingua tsigana pri. éster dí setenta). apenas representada por ténues vesno rumanho os vestigios tsiganos reduzem-se quasi tígios . p. nosso. 2 Todavia achamos ainda no cigano é. junto de otordé. no vocabulário apalé. Alguns numeraes gitanos mostram já influencia das formas hispanholas (johenta sessenta. Slawo-de?itsches U7id — Slawo-italien. no(s)^. p. O rumanho. otorenta oitenta. nasalo). es. Graz. Ao lado de amaro. 8-9. adoptou a conjugação hispanhola em -ar^ conservando algumas formas tsiganas do verbo sinar ser (sis. perdendo-se quasi por completo a antiga declinação e conjugação. perdeu quasi todas as particulas e pronomes (vid. cales pi. comp. que. panchardi cincoenta. apresenta o gitano nonrió derivado do hisp. Notem.45 mas doutro lado perdeu quasi por completo a antiga declinação.

abaixar. em geral sem ferença considerável de sentido ou de forma. do modo seguinte 353 encontram-se também no gitano. frumachos (fj. Talvez que nova investigação do gitano e dos outros diaorigem tsigana de alguns desses dos termos. ajustisarar. Derivados com o suffixo -sar^: a) verbos. e hisp. Vid. 47 são de origem para mim incerta ou desconhecida. biora. port. port. está longe de ser o único pelo qual um povo perde a sua própria lingua para adoptar a alheia. x. calão. p. abaixisarelar (* abaixisar). churon (?J. 1 (culebra) 1 1 provém da germania. tarní). Os 484 termos ou formas do rumanho reunidos em o nosso Vocabulário classificam-se. mas occorrem noutros dialectos tsiganos (hato. guenassuertes. 8 são palavras portuguesas ou hispanholas de significação alterada ou especialisada (andantes.. vid. Miklosich. patuque fe patusco). tarrosa). por * desamar risar. parte quaes tem aspecto que a faz suspeitar. e hisp. aparador ^ arboleo. ajustar. desamar isar. Ahhand. port. : em quanto á sua origem dif- próxima. também apatuscos. á mão. desamarrar 1 Sobre esse suffixo tsigano.46 noutra parte. bicha. lectos tsiganos prove a Palavras do rumanho derivadas de palavras hispanholas ou portuguesas 1. (anda) provém da germania ou do é : uma forma portuguesa muito alterada phonetica- mente mulla. 3 não se encontram nos vocabulários gitanos que temos bi- 68 são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas . 480-481 .

ahierta. hisp. port. huerta. ahertisara. tíempo. tano idem. hisp. sombrimé. port. e hisp. jpasisarar. hisp. Mayo. e hisp. ladrar. port. 1 As formas 4" "^^<^- abaixisarelar. tardimenj port. vaso. e hisp. àbaixarelar. e hisp. carro. segar. cabra. íarra(/or. huertisara. port. hisp. h) substantivos : pasar *. ladrisarelar (*ladrisararj^ port. 4. Derivados com o suffixo -me?z^ -me'^ : chosimé. Nas formas pastorchuncho. hisp. port. abaixar. dialect. templsaro. e hisp. 3.. horta. lUerhisá (por Hlierhisar). teem o duplo suffixo -«aí* 2 ' Sobre o O : suffixo -uncho é ex. hisp. hisp. banco. disara. passar. port. port. ladrisarelar. hisp. port. port. ^ò^c?. quintahuncho. segahruncho compHca-se com outros elementos. carruncho. hisp. port. lUerha por yerha. blanco. braiico. . cabruncha. e hisp. e hisp. Derivados com o suffixo -uncho^: bancuncho. labrador. Derivado com o suffixo -eZa. acha-se também no gigostuncho. port. de origem românica . também /ar- 2. e hisp. labraor. ?'io. caldo. 445. vid. p. choça. raisaro (por *rusaroJ port. — Vid. lahrosal (por Habrosaro) . e hisp. fa?'c?e. port. brancuncho. suffixo -mcw. calduncho.47 scguisarar^ port. hasisaro. port. sombra. aberta. chosa. no Vocabulário. tempo.

Jim^o. Pott. galluncho. e hisp. i. livruncho. segar. e hisp. hahuncha. octubrunchoj. gato. agostunchoj port. fior. port. fava. novembi^o. tejauncho. /a/a^ port. jfwmo^ port. e hisp. hisp. montuncho. e hisp. setembruncho. port. Z{i. hisp. hisp. hisp. hisp. port. enero. contrario. 1 Esse suffixo é de origem tsigana. linguncha. íesía. port. hisp. monte. outubro. port. orelha. mandil. e hisp.48 contrariuncho. deuncho. hisp. lábio. 123-124. molinuncho. e hisp. hisp. quintalzuncho. pastor. vinagre. e hisp. port. noviembre. e hisp. m. molino. Derivados com o suffixo -wtzo^ -m?i * . dedo. e hisp. port. deciembre. barbuna. port. hisp. s. lingua. agosto. port. deo. mes. libro. e hisp. setembro. p. decembruncho. octubre. quintal. hisp. haha. novembrunchoj port. port. port. port. pastor chuncho. e hisp. gatuncho. port. Jloruncha. hisp. faixa. eneruno. hisp. lengua. port. . abriluncho. hisp. segabruncho. juniluncho. julio. port. labiuncho. 5. port. dezembro. port. port. wandilunchoj port. julho. gallo. hisp. oreja. íeZ^a. ^e/a^ port. port. mes^ hisp. port. e hisp. port. juliuncho. fajuna. mesunchoj port. janeiro. port. moinho. e hisp.ro. port. dedo. hisp. port. barba. e hisp. a5HZ. septiembre. orejimcha. testuncha. vinagruncho.

e hisp. hisp. 6. pecho. /^iVa^ piteira.. Derivados com o suffixo -esa: lahraoresa. leche. pinho. Derivados diversos: hlancaera. port. peruna. hisp. port. alpandy e quigléf abril. pinon. 8. parede. centeno. dialectal labraor por labrador^ port. hisp. pisqiiesinio^ port. centeio. hlanco. fn^o. hisp. -z7Zoj. qvindaU. Como se vê. port. e hisp. Derivados com o suffixo -ata: furata^ port. 4 . pefunOj. piticar. fuera. leche. cotovello (troca -eZZo da forma port. fora adv. j9iwo^ port. pared. Derivados com o suffixo -ute: lechutej hisp. jpera. liisp. pareau. port. j)eitOj. marco. hisp. ^^ori. hisp. leite. maio. marzo e mayo) completam a lista acima. pescvezo. cotovillo. 9. Os uomes de mês março e mato do rumanho (do port. hranco. hisp. 7. triguisate^ port. do suffixo pelo hisp. /éZ/re> de . port. port. Derivados com o suffixo -ate : centenate.49 o (troca ferhruno. que os gitanos conservam ainda pela maior parte como ÇMÍrdaré. os ciganos perderam inteiramente os nomes particulares de meses tsi1 ganos. port. Ze^7e. 10. pescoço^ hisp. hisp. port. liisp. suffixo). port. fevereiro^ lecheruno (suffixo composto -er-uno). março e maio.

hispanhol e português). no estado actual da minha investigação: achochinar. do hispanhol e do português. . reduz-se a lista aos seguintes.50 Palavras do rumanho de proveniência incerta Referindo-nos só á proveniência immediata (gitano. que se encontram no rumanho ou de que derivam termos que neste se encontram. e não á proveniência remota dos termos do gitano.

51 chimutH .

gué a) por r: guer. gelj grei. cameni. Por fim perde-se a aspiração: acais 6. Esse pailló. r: aij git. nosotros = A = hacais. piyar. pajardó. casZ 9. sicobelar. = em chingle == git. cascabes git. jil. ir). = hispanhol se representa por esse signa] apparece chicube- por J gitano lar satalla final currelar = no dipthongo = = budar burda. Inversamente eragar = por eh gitano em i git. donares git. jambo. h por d: garbo git. mol. E possível que a substituição nas palavras ciganas provenha dos colleccionadores. hundunal jundunar. junduaracaná narj por '^haracanal. pol (ao lado de donares) = git. corpiche. llaque n: y) 11 por = ^«í-èo git. . noliotros hisp. crally (horta) l = = l poria. O som representado no Vocabulário por y é o mesmo do = hispanhol e gitano j. 4. jir. õ. gani ao lado de graM. a) llen = = git. lado de ao carabi. git. (3) tue s: hacais ao lado de sacais. eragay. chol = = git. ojacá ò) Suppressão de : = == = yaque. chanar. moro git. hir == git. of) sem = aspiração forte h substitue o j gitano (pronunciado como j castelhano) nalgumas palavras: her ao lado de gueo^ A Ml. chupendó. 7. gel. Inversamente apparece em git. [3) tH. (Vasc). len. (3) por 11 calicó ao lado de callicó. y) por n: chalelar de git. paquilli. chatí. som representado por eh é o mesmo que em (tch) s . qu: pallili git. = paguilli chimumon = git. git. influindo talvez chalar. pajardó. l final aracaM git. .Ò2 na boca dos portugueses e gallegos que faliam liispanhol^ reflexão previa sobre a differença dos sons. bal. 10. Inversamente bar : = .' = = mesma aspiração substigitano hamòo cig. chedé ==-. ò) 11 por gu. : = chardi. jucal. git. chetalU. git. rr git. n por l: estar íben = n por 7iíZ. clalles =^ git. camalli = = git. git. git. [B) oí) 11 por y: pillar l: U por 11. estaripel. 8. git. jaracanal. jingalé e por s em git. 9noZ. Suppressão de r chadi. r paragogico (ou substituindo : git. O som está por ill em pajo git. Metathese de r: barqui e braqui. colpiche = git. hundunal git. jundunar = = chupeho n por m: chinutra == git. curelar. git. chor. 12. git. Suppressão de syllaba. git.

puMs ^» . charibeo git. almarroíias azia. gitano as palavras femininas em i teem o plural Em em uso ias. fosse lido chariheu e reproduzido charibeo. unga. Ê possivel que seja antes chariben. 52. Mas «el admite que. chinutra i e satalla apparecem ainda no cigano. granis. atracai = chor\ pocachiní = == git. p. 1 2 Mayo. ansian git. taiíj febre. chibes. Formação do feminino e do plural As formas femininas em como no gitano. choi ao lado de gii. cheripen^. git. roin. jpruscatifíi. Houve translação do accento em hariás. aracMs. huchij coisa. = git. seresí eresí .53 Varia. manrona. de muchos a a seguidas. = = traquia. mal escripto. osian. asiá. apresentam uma ada- ptação ao typo feminino hispanhol e português. petis. que. gitano chibe tem o plural chibeses . el plural de i se forme tambien con s solo : Puhi^ pena. . tatias. = git. gullás e olíhás (nas duas ultimas com perda do f). huchias. róis ua chol = = git. Os nossos : textos apresentam-nos as formas femininas do plural pa^is. os textos dão-nos Em no cigano chibe. sobre todo em poesia. para evitar la cacofonia.

.

Esta parte. e sobretudo ao conjuncto de termos particulares. para cuja elaboração faltam tempo e alguns subsidios. sem duvida. Por extensão dão-se ainda aquelles mesmos nomes á terminologia uma classe. 3. de uma profissão licita. muitas vezes de caracter cómico. que por aquelle meio ser entendidos da sociedade geral.n o CALÃO E A língua DOS CIGANOS / ' Tem-se confundido muitas vezes a linguagem dos tsiganos em geral com o calão. contrabandistas. o qual exigiria um volume. que usam certos grupos sociaes. mas por processos geralmente distinctos dos que caracterisam a alteração calão ou giria não é : O phonetica dialectal . uma e outro exis Calão. não tem em regra nem morphologia * tana. os pintores. os soldados. fadistas. Sabemos já o que é a primeira. vejamos o que é o segundo e se entre tem quaesquer relações. radas um dialecto tem palavras altephoneticamente. gira^ gíria ou geringonça são os termos com que português se designa o vocabulário especial dos criminosos de profissão. que foi prommettida em 1887 na Revista LusiI. os typogra phos. como os estudantes. os actores. nâo pretende de modo nenhum ser um estudo completo sobre o calão. os pedreiros. garotos e em buscam não especial de outra gente de hábitos duvidosos. me .

primeira espécie é uma giria usada entre nós pelas creanças nos collegios. intencionaes . os francezes com os termos jargon e argotj os italianos com os termos gergo e lingua furbesca. inintencionaes. que então se tornam menos numerosas. modificações morphologicas e semânticas (de significação). principaes processos das girias do segundo género serão estudados abaixo. e tinham o synonymo antiquado gerigonza. examinemos agora a origem d'estas palavras. os russos com o vocábulo (á lettra — — afinskoey os tcheques com a palavra Jiantyrka. usavam e usam ainda uma do mesmo género. Uma outra diíFerença fundamental separa demais o calão dos dialectos. que consistia numa inversão de consoantes nao quero Os caixeiros da Baixa. assim tu queres ir a casa torna-se tu-pu qué-pé-rés-pés ir-pir a-pa cásyllaba de (gj ou p pá-za-pa.56 nem syntaxe que o separem da lingua geral em que por assim dizer se encrava. Tendo definido o que deve entender-se por calão ou giria. xeringonça. : ir passear hoje tornava-se ãon' reco ri sapear johe. os hollandezes com a expressão hargoensch ou dieventad lingua de ladrões). Essa giria era fallada e entendida com muita facilidade pelos iniciados. em Lisboa. os inglezes com o termo cant. que consiste em accrescentar a cada Da uma palavra uma outra constituída por um g seguido da vogal daquella syllaba. Essas girias podem ser denomi- Os nadas — de vocabulário particular. giringonza. mas mais pergiria provavelmente feita. Os hispanhoes denominam as mesmas linguagens artificiaes com o termo germanía. os allemães com o termo Eothwelsh (á lettra italiano vermelho). . nestes as transformações são geralmente espontâneas. naquelle as transformações próprias são geralmente queridas. — : noutras accrescem ás transformações dessa espécie. Ha mente phoneticas duas espécies de giria numa as alterações são purasó a matéria da palavra se modifica.

Assim os tsiganos espalhados nos Pyrineus bascos. Os termos por si estrangeiros acima transcriptos revelam já a existência de girias nos principaes países da Eu- ropa. FÁymologisches Wõrterbuch. plienomeno não raro (ex. jaii-jpau-na-pa ^ Diez. A palavra gira. gargalo.. com que adoptaram a lingua do país. jargon. gargonn forma girigonça parece ter resultado girgonça. logia é todavia muito transparente : O quer dizer cigano. 185G). .se. EíFecti vãmente fr. gergo. como na giria das ^. ao que parece. port. senhor. v.). a gerigonqa. giria liga. que como vimos se encontrava também em hispanliol. é um phenomeno assim dizer uni- por versal e por toda a parte os processos applicados são muito 8Ímilai-es. fanjões por feijões). por exemplo. V. i. derivado de gergo (interswarabactica de i) giringonça é uma forma em calação a nasal do suffixo que produziu a nasalisação do i pre.)i termo calào como synoiíymo de giria parece não ter correspondente plionetico fora de Portugal. lingua de cigano é um termo com que os ciganos do nosso país ainda hoje se designam (vid. Y. g erg onça. p. provençal gergonz. bulário. (Paris. garganta. uma * cedente. de uma ou de outra natureza. s. Études de philologie comparée sur Vargot. A bastantes difficuldades. . 2 Francisque Micliel. empregam a alteração as syllabas principiando por p^. forma gira teria nascido de ^girionça pela suppressão do : A suffixo -onça. Voca. nossas creanças e fazem. s. em em de antigo dizia-se antigo inglez^ A * gargonner por jaryonner. s. Littré e Scheler. A etymologia desses termos offerece hypothese mais favorecida é a que considera o francez jargon como derivado de forma jergue. gargaite. Mas em verdade a existência de giria. xxvm. de jaiina. gergone. ao francez jargon. . giringonca. de * gergo. a sua etymocalão ^ propriamente. de * gargoj. e ao italiano gergo. thema de que uma deri- vam fr.

tornam-se nessa giria respe- ctivamente: pancúrú. da mera transposição ou inversão de syllabas. gente nómada da índia. ek) . e a segunda é patentemente uma conversão syste- matica de algumas poucas lettras. satúrú. sât sete. o persa jek um (= hind. pelos chefes. Os theg adoptam ainda palavras de linguas estranhas*. serlú ou cerú. passagem relativa a duas girias por elles empregadas. modificações phoneticas e morphologicas assim os numeraes hindustanicos pane cinco. O mesmo eminente glottologo italiano extracta de uma memoria de Richardson sobre os Bâzígar. «O hindustani é a base de ambas.58 Os theg (thugs) ou phânsigâr da índia teem uma giria em que se notam mudanças de significação. citada por da existência de uma giria dos salteadores chamada farsipé e cujo artificio consiste em introduzir ri ou fé depois de cada syllaba^. desrá^ jelú. o facto circassios. des dez. ceh seis.» Eis um espécimen: Hindustani .Pott. ao lado de . mulheres e creanças. a primeira resulta^ em geral. uma uma a outra commum a homens. Ascoli repete de uma noticia de Klaproth.

scena ii. os ricos vilãos são roíns.. século XVI Jorge Ferreira de Vasconcellos fez uma referencia á germanía: «Quando elles querem falão Ger- No mânia». á das girías de vocabulário próprio. Essa giria tem sido muito pouca estudada. inteiramente desconhecida. acto lil. pertence á segunda das espécies acima referidas. artificial asiática. que fora objecto de invesde de Silvestre da Sacy^. de que os taes usâo algumas vezes entre si. Ibid. se entendem huns com 1 Apud Pott in Internationale Zeitschrift fiir allgemeine Sprach- wissenschaff. W. 2. Michel. sitr Vargot p. consistindo nota de Crowther. Francisque Michel fez referencia a uma lingua G. No século XVIII D. um sobre termos de giria no Minahassa.^ ed. E assim também os Siganos tem outra espécie de Giria. 60. Eufrosina^ acto v. 487. 1725) disse: «Também em Lisboa entre os homens. r. reprode dois estudos. e a sua historia anterior ao século xvii é. parte tigações As fontes do calão O calão ou giria portuguesa. syllabas. ii. Jeronymo de Argote nas Regras de lingua portugueza (p. Eludes de phil. propriamente dita. . 2. isto é. por apresentarem um conjuncto de processos vários.59 Leitner estudou a giria dos ladroes dos paises do noroeste da lingiia numa publicação inacessível para mim*. 300. Pott in Intei-nat. outro sobre um calão mal aio e allude a uma ruha Vocab. duz os títulos Zeitschrift f. mas não no de giria: «os honrados são pobres. O mesmo auctor emsentido pregou também a palavra geringonça.. n. sobre lettras. ha um género de Dialecto a que chamão Giria. scena il. Yoem inversão de palavras ou proposições. Sprachwissensehaft. uma giria africana. o haldihalan. concertai-me esta geringonça». allgemein. que também podem ehamar-se complexas. por que os outros». 110. a que chamão de ganhar. comp. por assim dizer. 2 Fr.

L)(.>

Uma investigação bastante extensa no theatro portugiiez dos séculos xvi e xvii não me deu elementos seguros para
o estudo da historia do calão. Outros talvez sejam mais felizes do que eu. Gil Vicente e J. Ferreira de Vasconcellos oíferecera

não

me

atrevi a considerar

grande numero de tennos populares, mas nenhum como de calão.

E numa

obra do notável escriptor do século xvii D.

Francisco Manuel de Mello (fallecido em 1666) que encontramos talvez os mais antigos termos indisputavelmente

de giria *, alguns dos quaes são dados como taes por auctores do século seguinte.

Nessa obra acha-se a palavra giria^ como adjectivo, num sentido que parece ser jproprio da giria: «Bem encaixava sobre as ordens aqui agora o bispar: que é palavra giria

significa as70)». Noutro logar tucioso: «Como vocês são girios! (p. 155)». Nesse mesmo sentido occorre a palavra noutros auctores e na boca do

a respeito do ver

(p.

^mo

povo, assim como substantivamente
astúcia.

com

a significação de

Giria,

como

substantivo, significando forma par-

ticular de linguagem,
s.

vem numa passagem

abaixo citada.

V. calcorrear.

Os termos de
os seguintes
:

giria contidos

na Feira dos Anexins são

aramesj armas. «Pois parece

bem um homem com

os

arames atravessados, mui direito (pag. 117).» Vid. Giria do século xviii.
bispar^ ver. Vid. acima.

infra

cachucho, annel de oiro.
lh'o disse
;

«Não me aponte com o dedo, já bem sabemos que tem annel, e eu ca-chucho no

dedo

179)». calcorrear correr.
(p.
j

que é

«Emquanto não recorrerem a pidhas, quem melhor os soccorre, porque concorre com o

Feira dos Anexins. Obra posthuma de D. Francisco Manuel de Agora dada á luz pela primeira vez. Edição revista e dirigida por Innocencio Francisco da Silva. Lisboa, 1875. Ha varias
1

Mello.

copias manuscriptas dos séculos xvii e

xviii.

íU

resto de todos os equívocos jocosos, e

em

se lhes

acabando,
cal-

botam a correr a outra matéria, ou metaphora, e vão correando com a g*iria que trazem estudada (p. 95).
;

gabeo, chapeo. «Elle é anexirista de arromba traz chapéu d'abah'oar. Girio equivoco de gabeo esteve aquelle

119)d. lanterna^ garrafa de vinho. «Da adega gosta você, que o vi est'outro dia todo arrodellado com a lanterna feito
(p.

Marcos, juiz da taverna (p. 117)». «... já o Joanico (que ainda não perdeu a confraria da camaldola) estará com as
lanternas.

esse bêbedo

Também você lhe resa pela conta benta? Nunca me encheu as medidas (p. 176))). marabuto, marinheiro, homem do mar. «Antes é rapae

zio,

bom

para marabutos

(tomaram «Basta serem do mar para não serem gente; e senão olhe: os homens do mar como se chamam ? Marabutos^ que vale
o

os marabutos)

(p. 117)». Olhem os poias com que nos apoiam? (p. 205)».

mesmo que mar

e brutos (p. 217)».

monteií^a, como adjectivo, mas evidentemente em jogo de palavra com allusão a monteira^ carapuça (vid. Giria do século xvm): «Também para Turquia se vae de barrete

veimelho

:

mas

ella

em campo com chapéu de

sol,

vae mais

a propósito para a sua belleza. Indo de monte a monte, a formosura monteíra não lhe havia de estar mal (p. 118)».
moscar-se, safar- se, ir-se embora. «Se lhe

deu a mosca,

vá-se moscando (p. 17õ)». moscoviaf «Ao cheiro da moscovia? (p. 176)». robtir, mascar, comer. «Vossê tem trazido nella os equivocos de rastos. Isso, é i-los assim rostindo ás marchadellas (p. 9)í>.

«Tenha mão: vossê suppunha, que sou bocado
o atravesso?

mal mastigado, que
vossê vai rostindo?

Que arenga

é essa, que

(p. metaphora de comer). somno. de sornaj, «Metaphora dormir, é boa para os sete dormentes. Quem duvida que havia de ser uma sornaf

88:

Em

(p.

100)».

A

mais antiga

lista

de termos de calão conhecida é a

que deu o padre D. Raphael Bluteau no seu Vocabulário

62
e latino (Coimbra, 1712-1721, 8 vols. foi.) e no Supplemento á mesma obra (Lisboa Occidental, 1727, 2 vols. foi.), respectivamente s. vv. gira e giria ou gira.
« Gira, diz o erudito theatino, que tomou em consideração a linguagem viva, he o mesmo, que a linguagem dos ma-

portuguez

rotos».

Fr. Luiz do Monte Carmelo, no seu Compendio de Ortho-

graphia (Lisboa, 1767), pp. 613-614, reproduziu parte dos termos reunidos por Bluteau (os dados no corpo do
Vocabulário) e juntou apenas uns quatro novos. litteratura do século xviii parece dar também poucos

A

elementos para a historia do calão. São bem conhecidos dois romances de Alexandre António de Lima, publicados nos seus Rasgos unetricos (Lisboa, 1742), em que se encon-

tram muitas alterações populares de vocábulos, e algumas
talvez apenas pretendidas populares e fabricadas simples-

mente pelo auctor, junto com uns 17 termos de calão, dos quaes somente 4 não se encontram em Bluteau. A leitura de
varias comedias do século

xvin ministrou-me apenas alguns termos de giria, quasi todos já conhecidos desses dois auctores citados. Por exemplo, na Piquena peça intitulada o alfaiate c Adélia ou o Careca e Carcunda na Praça (1792)
os termos gimbo, di china velho. e expressão que é empregada nheiro, geho, na mesma peça no sentido de dinheiro (A mim china não
-

e noutras da

mesma epocha occorrem

A

me

falta)

era talvez do

calão, e ginja velho (na

mesma

peça) saiu
decer

também

talvez do calão.

Nas Injírmidades da lingua e arte que a ensina a emmupara melhorar. Author Sylvestre Silvério da Silveira
Invoca-se a protecçam do glorioso Santo António

e Silva.

de Lisboa, por Manuel Joseph de Paiva, Lisboa 1759, 4.°, ha de pp. 104 a 153 uma collecção de palavras e phrases da linguagem popular, que o auctor condemna, e entre

surgem alguns termos de calão, em parte reproao duzidos, que parece, de A. António de Lima, como se concluo, por exemplo, da expressão cloris de cachimbo (meas quaes
retriz),

commum

aos dois e que é provavelmente da fabrica

63
de Lima termos
Infelizmente Paiva não deu a significação dos e phrases que colligiu^ o que torna em grande
*.

termo china, já mencionado^ parte inútil a sua lista. occorre também nessa lista na phrase tem muita china.
João Baptista da Silva Lopes, Historia do cativeiro dos presos doestado na Torre de S. Julião da Baí^ra de Lisboa
(4 vols. Lisboa,

O

1833-34) deu

uma

lista

de termos do calão

ou algaravia dos malandros, colhidos por elle na prisão. Depois da publicação dos MysteHos de Paris, de Eug. Sue, e da sua traducção portuguesa publicada no Porto

(1843-1846, 8

vols.),

começaram a

introduzir-se

em roman-

ces, figuravam individues das classes anti-sociaes, termos de calão, verdadeiros ou fabricados pelos auctores

em que

e traductores.

Já o traductor dos Mysl^rios de Paris

(o fal-

lecido dr. José Pereira Keis, faculta- ''o distincto) dizia: «A linguagem dos nossos ladrões nãu é tão rica como a

dos francezes; e por isso em alguns logares teremos de aportuguezar certos vocábulos». As aportuguesardes do dr. Pereira Reis e de outros traductores foram repetidas
posteriormente como productos insuspeitos do calão, e o que é mais curioso é que pode admittir-se que alguns d'esses termos mal adaptados tenham entrado por fim no calão,

por influencia das traducções, sendo todavia minar ao certo quaes elles são.

difíicil

deter-

No romance Fr. Paulo ou os doze mistérios (Lisboa 1844, 8.°, tomo i e único), colheu Francisque Michel os 38 termos ou phrases do calão que inseriu a p. 441 dos seus Etudes de philologie comparée sur Vargot, e os quaes devem ser considerados como genuinos.
Alguns jornaes teem publicado hstas, geralmente muito
curtas,

de termos de calão. Extractei duas d'essas

listas

publicadas uma no Jornal da Manhã, do Porto, ahi por 1886, outra num periódico de Lisboa, mas infelizmente

extraviou-se-me o extracto.

1

Clori no sentido de

amante vem já na Feira dos Anexins.

Ô4

Xa Revista do Minho, 1.° anno 187Õ, Barcellos), encontram-se os dois seguintes artigos que interessam ao nosso
(

assumpto Cândido A. Landolt. Vocabulário popular de alguns termos especiaes usados pelos fadistas do Porto (pp. 54—55).
:

Contem 53 termos dos quaes
populares e
J. Leite

lazeira,

pingas

e

versas são

não do calão.

de Vasconcellos. Gíria portuguesa (pp. 62-64). lista de Monte Carmelo, que suppoz ser o cola Reproduz lector de todos os termos, e dá 18 novos ouvidos aos garotos do Porto. De um philologo, como é o auctor, havia que
esperar mais.

mais extensa, muito mais extensa que todas as anteriores, dos termos de calão acha-se no artigo seguinte:
lista

A

J.

M. de Queiroz

Velloso.

A

logia e historia) in Revista de Portugal,
(pp. 153-183), Porto.

giria (vocabulário, etimonovembro de 189C>

Alem de varias considerações geraes e de indicações sobre as fontes do calão, contem uma lista com 1337 artigos (contei-os rapidamente, mas não pode ter havido senão muito pequeno erro) todavia o numero de termos distinctos
;

porque o auctor, seguindo o exemplo, a meu ver, criticável de vários collectores de gírias, separa em artigos
é menor,

diversos as diíFerentes accepções de uma mesma palavra: ó assim que o termo macaco tem quatro artigos, o termo pae três, ralé três. O auctor serviu-se de Bluteau, A. António de Lima, Silva

Lopes; examinou vários romances^

traduzidos e originaes, e outras fontes que não indica; mas a maior parte dos termos que publica foram colligidos da

traducção viva ou directamente por elle ou por outras pessoas, o que dá á lista valor particular, sem comtudo

tenham introduzido

ser possivel para nós a absoluta certeza de que não se nella alguns productos espúrios, apesar

da critica que o sr. Queiroz Yelloso se exforçou por exercer sobre os materiaes á sua disposição. Ha outra ordem de termos que não por sei'em espúrios, de falsa giria, mas
sim por serem genuinamente populares, da hnguagem geral

65
do povo não deviam figurar, como figuram na
são:
lista.

Taes

Alapar-se, esconder-se, muito usado nas províncias, deri-

vado apparentemente de lapa^ mas muito mais provavelmente modificado por dimissilação de * alaparar-se (cf. pela forma coitar vb. por coaltarar, do s. coaltar, do inglez, e
pelo sentido agachado^ propriamente escondido, de cachaj fr. cacher, e acaçapado, acachapado, abaixado, encolhido

como
dado,

o caçapo

na

com um d

Temos também epenthetico, também de
toca).

a forma alaparlaparo.

Alhada, compromettimento, etc. Vem já em Bluteau no sentido de embrulhada. E perfeitamente popular.
Almiscarado,
ó
i^oioisi^

como

o antigo alfeninadoj adj. es.,

termo familiar (um almíscar ado).
arranjo popular de sophisma. Badejo, bacalhau, propriamente bacalhau vivo ou fresco,

Asophisma é

um

termo perfeitamente geral, do hisp. abadio, de abhad, abhade, como bacallao de haccalario, segundo D. Carolina
é

MichaêHs de Vasconcellos ^
Baralha, tumulto, desordem, etc, é um velho termo, sempre vivo na boca do povo. Nos antigos documentos era principalmente usado na forma tautológica á volta e baralha:

baralha e depôs a baralha a sa cassa entrar e hy auudo conselho fuste pêra ele firir peyte
soldos.»

«Quem com alguém

Foral de Santarém in Portugal, mon, hist. 408. Leges, i, Cp. Foral de Lisboa, pag. 413, Foral de Almada, p. 476, Foral d*Aguiar, p. 714^ Foral de Extremoz, p. 681. «Alcaides ó iurados que a bolta ó baralla
sobreueneren e uiren
ferir ó

XXX. ^

mesar

e lo uire alkalde ó iurado

firme fasta en V morabitinos.» Costumes

Eodrigo,

ibid. p.

e foros de Castel888. «Ningud orne que fugir de bolta ó

1

«Certas Agulhas ferrugentas, tinham entre o Badejo e Bacalhao
:

mettido

Ha quem faça melhor tal enredo que dizia o Bacalhao cozimento ao estômago que eu? Arre com o Badejo, que a piiro azeite é que vai escorregando.» Feira dos Anexins, p. 215.

«Em aquelles dias crecia muyto e muy o conto dos dicipulos. copo (grande). escriptores do século xvi no sentido de companheiro nas . a palavra significa marinheiro como o fr. que está no cimo. Manchas era simplesmente um velho plebeismo.66 de rebata tresquilenlo e pierda el quinon. ex. no século XVI em Jorge Ferreira de Vasconcellos. propriamente do que não se conhece directamente. à^s^i fallar á toa. fallar sem saber de que. conservado até ao século xviii.» Costumes e foros de Castel Melhorj ibid. como pode auditiva). porção. é pover-se dos exemplos reunidos por Moraes.» Actos dos Apóstolos (in Inéditos d* Alcobaça) vi. Não bulas baralhas velhas Não mettas mãos entre pedras. e foi empregada pelos abandonou (matelote. copasio. d'otivo. Tira-me da baralha. Lima. p. António de que anteriormente se encontra. Sem duvida ha. como se vê de A. scena vi: «Ai maochas. cimeiro. e outros que figuram na lista referida. propriamente lasca. e cortado». Encontramo-lo ainda nos provérbios colligidos por Bluteau: Boca fechada. por exemplo. Estilha. é popular. Comedia todo vós estais Ulysippo. barriga. bocado. mas só por ouvir fallar os outros. e levantouse muy gram volta gram baralha antre os diciplos Judeus. 932. 1. de que provém. Dicc. De modo nenhum podem ser considerados : como termos de giria os seguintes também popularissimos pança.. na lista do sr. mas que esta Queiroz Velloso parece estar nesse caso. matelot. é alteração àe fallar Foliar fallar d'outivo ou amies fallar d'outiva (outiva = pular e foi clássico na ultima forma. velhos termos que pertenceram á lingua geral. . acto iii. p. nas girias dos diversos países.

como tem sido observado. de Lima. no entanto. Queiroz Velloso introduziu com razão na sua lista os termos antiquados ou que tendem a sê-lo das listas de Bluteau e Silva Lopes e dos romances de A. é mesmo mais que — sobretudo para o provável : sul do paiz — que ainda existem outros termos de giria. Tendo comparado essa lista com a do sr. Igualmente teria feito bem o auctor do trabalho a que me tes. em muitas partes. O sr. Poucos serão. além dos aqui incluidos: nem nós temos a estulta pretenção de exgotar completamente o assumpto. fontes que cita anteriores a 1830. refiro turas) dando indicações rápidas (por meio de abreviadas fontes litterarias que examinou. Queiroz Velloso foi demasiado longe na seguinte asseveração «E possivel. absoluto: e em raríssimos os que passarem d'uma extravagância ephemera da moda que as tem também e consideráveis o calão criminal».67 do mar: (quem não sabe que Diogo do Couto cha- lides mava a Luiz de Camões seu maialote!). do seu trabalho. A maior termos que faltam na collecção do referido d' esses escriptor tem ainda emprego e não foram puros caprichos do momento. deve-se reconhecer que elle prestou um apreciável serviço. d'estes. mum parte e ficou Queiroz Velloso. — — . A. eliminei delia tudo o que era comassim um residuo que abaixo publico. deveria ter notado todavia todos os termos que se acham nessas fonúnicas para assim apresentar no seu trabalho os poucos dados que possuimos para a historia do calão. todavia isso não impede que a historia e o uso actual das palavras nos permittam separar nitidamente em muitos casos o que é da linguagem popular geral e o que é das girias. acrescentada depois e que continha 695 artigos. que naturalmente será completado com a segunda parte promettida indicadas. o que prova que o sr. Da minha parte tinha eu já ha annos formado uma lista de termos de giria contemporânea. os limites entre a linguagem popular e as girias são indefinidos. alem das já Apesar de todos esses reparos.

Da lista de Leite Bastos tive que excluir muitos termos de genuidade suspeita mas é possivel que algum me escapasse que devesse ser também riscado.° : Termos se reduziram a termos giria de gíria Termos primitivamente de que 3. gajo). i. L. o que parece devido a um apontamento mal tomado. de Leite de Vasconcellos (abreos mysterios do Limoeiro^ viatura 4. se dá noutros paizes relativamente ás gi- As duas listas comteeni também termos de girias de difficil classes não criminosas. 2. As 1. matelote). indicado pela abreviatura M. padre Carvalho (conhecido popularmente pela alcunha de padre Rabecão) colheu sem duvida da tradição viva alguns termos. teem adquirido certa generalisação na linguagem do povo.° Termos das diversas girias. L. . o que muitas vezes é antigos populares que se (ex. Queiroz Velloso como da minha.68 Observarei que muitos dos termos da lista do sr. Termos populares geraes que. .. 3. mas sim agua (M.*' tornaram termos populares. O Vasc). além de alguns termos repetidos da traducção dos Mysterios de Parecia a palavra anciã no sentido de égua. pois anda significa. não égua. familiares (ex. phenomeno que rias. podem ser erroneamente consi- derados como próprios do calão (ex. 1865-1866. mas outros revelaram-me que não me- O sempre confiança. 4 vols. baralha).). por serem empregados pelos que faliam o calão.° pois que distinguir. romance Eduardo ou pelo padre João Cândido de Carvalho (Lisboa. Ha 1. 4. 5. A . minha audição casual nas ruas de Lisboa e Porto os termos colhidos por mim próprio levam a nota C. fontes da minha lista são : Uma lista manuscripta que me ministrou ha annos o fallecido escriptor Leite Bastos.). alguns até na litteratura. Assim encontrei nelle. ris. os termos aproveitados d'esta lista não 2. levam nota particular. lista lista Os termos da Os termos da de Landolt (abreviatura Land. 139).

assorda. M. QuEiKOZ. s. moinar. com antrolhos. I. s. asca. s. f. Preso. Meretriz senhora. s. f. Lanterna de furta fogo.69 abancado. m. Acceitar. Porto. s. Pão asas. Nádegas. v. m. Falta m. apertante. bailharote. Estar a troços de — . Denunciar. Es- aparelhado. alar. - m. mento. assentar. Phos- s. L. Cavallo. atroços. s. aranhota. s. C. C. C. C. alar. Pedir esamoinar. s. Cercar. Braços. assoprar. phoro. v. Preso. f. C. v. alvo. á raposa. C. C. f. Porto. aparelho. C. Homem Tesouras. v. Bruxaria. 1. f. m. Alçapão. mulieris. Lanter- dex. archeiro. a. acha-cliumbada.. Dinheiro. Land. a. Feijão.. m. alisar. algodâo-em-rama. C. badona. Mesa de jans. zanga. a. drifes. vilissima. L. m. f. altar. v. s. s. s. s. Pudendum C. Quisilia. a. na. adj. refl. Cf. Relógio de arrombada. Hor- alcide. Ir. midade. s. badejo. rol Fim. — s. alcilante. e s. Triste. adv. receber. sem real. adj. m. abuçar. m. C. Evacuar. adj. f. acaiihotado. s. ? atrimar. Fogueira.. Bebedeira. Pão. ar. arrezinar-se. alho. baguines. C. ébrio. n. s. C. Atrás. a. f. aparar. s. f. abridor.. adj. C. 143. ? atiçar. f. Viver. n. s. m. Corda. M. a. '? Sardinha. tar. a. Falta s. v. extredo esqueci- s. 134. tar s. I. Fome. aguaruça. (Bacalhau. po- amostradora. pi. v. s. — á mesa. C. v. n. alumiada. b ágata. n. 6Õ). C. Espertalhão. Mordaça. mola. p. . armar. Picar (o cavallo). pi. ? arifes. Vender. de dinheiro. Denunciar. rorisar-se. Vide Tem também o sentido de — ser sodo- mita passivo. v. f. C. m. f. v. Queiroz. v. v. az-de-copas. C. d'ar. Vasc. Furtar. f. — 2. s. Queiroz. ambria.

pi. um — A certo. Seios de mulher. s. Fr. Alfinete de m. besugo. Annel de f. f. Grátis. f. Quatro soldados e Paulo. M. bai- dinheirama. L. s. cambão. Ir no bpoi^ broia. real. C. caganefa. Pagar a patente. Estar soldados e bar. s. caleço. Vasc. C. vintém. botica. bater. s. — mão. — . Queiroz. C. peito. preso. s. Cf. borla. Que não tem s. busilhâo. v. borga. Thesouro. cair. s. calmeirão. s. 129.. s. cagarrão. m. a. Resegredo. butes. C. pi. s. v. Pandega. C. adj. m. C. pi. m. f. Lopes. Bofetada. Land. boa. n. C.. m. De — velar . Policia secreta. hundra. Olhos.bailique. C. v. Maroto. f. Fazer quatro . f. m. de accordo. i.. f. oiro. Presentemente tarimba. I. — mulieris. s. Que não tem bálsamo j s. proa. calona. Quarto de L. v. m. C. caldaça. bomba. Vasc. Iharote. C. buldra. banano. m. orgia. n. — no m.ao i. Queiroz. m. baldo. C. C. C. f. — de preto. naipe. bufo. bicudo. n. zivel. ris. m. s. C.) cabeça. Podex. m. C. 142. s. C. pau. bilontra. rufa. adj. Vinho. Passeio nocturno. s. M. f. brechar. C (Pés. Rou- benzer. s. Vasc. m. Mulher desprem. cabo. s. prisão. Botas. um s. s. Bom. Ladrar. s. m. (de Silva M. s. Pedir. balsar.) Melancia. Pudendum de cachorros. s. Queiroz s. significa barriga. s. bil- cachucho. C. —L. Preguiçoso. Podex. Cara. caldo. L* m. V. n. Quartilho. Prisão. s. Espingarda. m. adj. . C. f. bola. cagar- bogalhão. 400. s. Vinho. s. Valentão. Vid. m. caixilhos. os cinco dedos. Queijo. tre. m. bote. s. Podex mulieCf. balharote. Land. s.. um — . adj.

Chapéu cavallo). v. s. Bofetada. s. Anno. ao café. clisar. C. s. Cantar. Moeda de que cavallo. m. Moeda de 500 carinha. (Cf. s. C. terlina (especialmente as cochicho. Ver. ca- chalrador. Fechadura. cardenho. s. Alavanca. cifra. droes. f. adj. s. a. s. I. f. L. Cf. cheira. f. 2 gen. Copo. f. s. m. a. Vid. C. Furtar. . s. nho. f. Land. Podex. O Terreiro do Paço (praça de Lisboa). C. réis. cucar. m. s. m. O copadas. Capitão de la- Futuere. Land. s. s. s. coragem. m. Land. Queiroz. s. m. v. chavelho. Vid. C. Espolio. Como m. Sem — f. Criança. f. m. têem cunhado um 50 réis. a. Prisão. de prata. Ir Land. m. chato. chinoca. C. C. Que não tem m. s. C. chalrear. e tediço. f. que quer passar por valentão . f. s. cheira. geito. v. m. cavalliiiho. s. s. a. Que tem pouco valor. valor de 2?5000 réis. fallador. chimpar. que é de quali- caruiifeiro. contado. a. s. m. Copo. a. C. coco. Casa pequena. M. adj. Sem vintém. v. catraio. collegio. Met- 120. em que C. m. C. Padecer. Ponta de ci- chinfrim. chapar. carocha. (Cf. Ver a tade. C. coUa. cheira. Queiroz). — o olho. f. garro. cantar. adj. s. s. Dinheiro. . m. es- ma. roubo. cara. n. C. Muito boa. fanfarrão. Vid. C. cavalli- de amolgar. égua. s. Bater de chapa. Quei- chibo. Botas. m. em Queiroz. — á pal- paz. s. traidor. Libra cocar. á von- Queiroz). V. Palavra. chamborgas. a. cardar. 'Cf. f. C. s. chalupas.. v. m. V. sof- Chão-grande. chaleira. Fadista não ha dade ordinária. Ir ás — . chegadinha. s. s. Japona.71 eamelote. f. pi. Moeda de oiro do vintém. Racatraia. capito. careta. Podex. frer. s. deia. adj. roz). s. que casca. fiar.

corte. s. s. — escarnliida. s. s. s. f. esquilha. C. f. poHcia. Fazer Andar — que. m. s. espinheira. Andar geiro. desconfiar. m. tido. Forca. preguiçar. m. s. Koubo.cordaiite. v. Esconder. m. bos- ?deza. n. dorminhoco. m. doente. f. a. s. Apresenf. Preso. f. Zangado. f. toda a noite C. v. s. cucar. empandeirar. Mata. refl. dia. Fadista. escovadinho. Chapéu. n. s. m. Vestuá- culatrona. Enterrar. Empregado tir-se. Estrada. C. faia. a. V. v. . v. Atracar. Ciúme. Cachimbo. v. Famia expressão não empregarem o nome liarmente dor de cotovello tem o mesmo doutora. Ir-se em- espantar-se. sentido. corveta. v. s. s. C. s. f. envergadura. Cabeça. v. encabrestar. rio. assassinar. — o li- esganador. Excre- mento. s. m. Cp. Meretriz vilissima. s. Moeda. que verifica passaportes. culatra. Esquadra de encanar. adj. Compromet- Fabiano. a. faiante. m. Mês. lá de darona. f. entrar. n. s. s. m. derrubador. Ver. matar. C. chadura. C. C. f. Mãe de Deus. Mâe. . s. s. f. gar-se. Gravata. m. a. coveiro. adj. Fadista. encalhar. Chapéu fino. Procurador régio. Buraco verdadeiro. entrames. envergar-se. Cf. cozinha. — encaixotar. tar-sBy Queiroz. s. s. s. Entrada. m. Land. s. f. Parar. esfolado. esteira. Nome valendo como fulano que se dão os fadistas para dor. em folgança. C. C. v. Zan- bora. s. C. Ópio. m. m. madeiramento. C. m. furtar. cima. refl. Pedex. Faca. f. altanado. cortesão. embeiçar. n. Ves- cunha. Sardinha. esganar. f. cor- empandeirado. s. v. s. adj. da fefalso. f. s. descarregar. v. s. m. corrida. Mandriar. s. tar a ceia. a. C. Queiroz.

gangarina. soldado. C. Palpite. Vid. num f. a. gargan- tosa. f. gaio. Vadio. f. s. m. a. Queiroz. lissima. guarda Comer da Queiroz. Philarmo- tusco. I. s. Perua. galdrana. Astúcia. s. Applicar. s. Malandro. 6. fungágá. s. 81. O que an- Filante mor. infra. (=z helfo). v. sentinel- Bebedeira. gaudinar. m. m. gandaiar. s. s. furacão. n. Capote. Cavallo. 136. C. Silva Lopes. s. Cp. finfar. ganau. f. tiça. A von- fundo. forty-two. C. n. L. s. f. — da corceia d' ou- Meretriz. mem. n. Vid. num. gandaieiro. te vil. cangarína. la. v. Vadiar. C. v. Futuere. s. Á — Queiroz. . Queiroz . Piolho. Bluteau. m. ganfar. Garrafa. gelfo . a.73 farar. de poUcia. s. da á gandaia. Queiroz. m. Diz-se também no mesmo meirinho de Coimbra zia: sentido andar á gandaia. L. Unha. rança fina. v. garuella. s. Bater. C. nica. f. Meretriz vi- m. cão. Cp. C. Uma quadra do tempo da guerra liberal allusiva a um certo di- trem. s. gauderio. C. Vasc. fundo. Q^. ferro. a. m. Elogio. Pa- m. agen- galdropar. filante. v. f. 129. Vender. s.. Cp.. s. Andar na pandega. Official de jusci- galdrapinha. na Gíria do século XVIII. fraucisquinho. filé. m. Gabão. C. m. para arrombamento. dar. faxar. m. M. M. s. Cp. Queiroz. m. ganho. Mentira. gateira. Apanhar. s. f. gando. v. s. m. v. gata. da. fofa. m. gadachim. garrafa. Copo i. p. Morreu Custodio. ferrameutal. á boa vida. Meirinho fino. s. Cp. Prisão. m. s. L. M. de vinho. tade. f. espe- gao. s. Dinheiro. Igreja. garulla. Ferros s. Abrir. I. f. gabinardo. s. Desde menino. Quarenta e dois. fila. Velha. folgar. funeral. gelfa. garganta. Morte d'hos. s.

s. Cf. Vasc. f. gregorio. f. m. C Dessa falsificação vem a irmo. m. . Evacuar. s. grosso. s. s. Mentir. f. Guitarra. a. s. I. s. n. s. f. grelha. C. s. s. Vasc. com outras luzida. f. inglez. s. lixar-se. TEAU. Garrafa de vinho. giripití. Nos 13Õ. s. dente. s. v. n. giraldinha. Cantar a mitar. cacharolete : C. guesso. f. s. lavado. s. Estar de accordo. lupa. Vasc. Laranja. m. C. C.. s. v. luzente. Frio. C. Queiroz. m. v. m. granej. Percevejo. lofo. Libra. Comer. C. Em si- Queiroz. C. s. Quartilho de grani. f. m. I. f. larias. griso. gimbolinha. grão.. giielar. macote. Vo- m. grulha. C. Jatingar. diffe- lascar.gesso. Fazer horas. m. kioske. largar. prata. v. lostra. s. vinho. f. M. s. adj. Aguardente. ^ris^ Blu- Vid. pairar. s. — . s. bebida composta de rentes Hcores. Vasc. Podex. v. giribato. labita. Coxo. Vinho. horar. s. s. C. m. f. Pedra preFesta. linguado. Bêbado. grossura. m. Peru. s. lamiro. gnificações. significação da palavra. s. tada. Futuere. Vinho. grossa-casca. Vinho. m. f. s. C. Escarro. m. s. m. Vasc. Artelho. foi guiho. f. Gritar. m. livraria. girote. 8. Convir. Pateta. n. L. Queiroz. Penis. lanterna. m. m. Cavallo. gingão. m. ilhoz. maço. lyra. Aguar- s. s. m. Arroz. desajeitado. s. Irmão. Bebedeira. C. Land. m. f. s. s. lamira. Land. peru. ciosa. grane. Caricato. C. s. M. Patuscada. Lettra commercial. n. Queiroz. C. Bofe- grudar. v. Sacola. Porco. s. Casaca. aptar-se. v. Adaccomodar-se. m. Sapato. Vadio. f. L. gerípit{_. liré. Queiroz. m. n. f. Já nas cortes de Almeirim de 1544 prohibido deitar gesso no vinho. s. lirias. 143. s. Podex. adj. Repertório Caixa de grande de cantigas. Cf. C. larias.

v. Vid. m. midea. profissão Não s. Chapéu (de s. macovia. madrinha. s. Testemude- masquir. s. f. p. prestar. m. s.. O que traz dinheiro comsigo e diz minhocas. pedaço de asno. f. f. Mastigar. s. m. Chapéu fino. s. C. Copo de mocar. A evolução da linguagem. muMenesa. s. lher. Land. . Vasc. mistico. Enganar. Cf. moco. maudigula. Podex Land. L. . mitra. liomi- maseovia. se designa um rapaz. f. s. adj. Id. Na marosca. «Consultei a peva e achei só um milhafre» abri a man galho. Land. m. Ir para matar.75 s. a. Land. Casaca. f. marinheiro. maqumeta. pi. I. um homem. çoso. s. nis. marrão. v. o s. Acordado. milhafre. s. Tra- meio quartilho. C. Dez Os mão. s. Penis. C. amolgar). duvidosa. adj. s. Concubina. s. adj. Sapato. pi. v. nao m. s. M. s. Preguiçoso. ? s. 134. s. martelinho. magal. m. m. Facada. adj. adj. malva. logro. alto. s. marreta. descoberto (num crime). Cabeça. Pregui- s. Ardil. Sopa de macarrão. m. Penis. mo vago que de desprezo com análoga á de melcatrefe. s. Tolo. s. Tolice. mente. Soldado. maduro. Tolo. Homem que não o tem. Logar onde se vende fato velho. macote. hir. Prender. m. mania. Traição. nha. Queiroz. major. pi. m. dreiros. Cabeça. Mil réis. m. cótica. Ferramentas. dedos da Queiroz. v. menesa. melcatrefe. f. Ter macacos na Ter — mimoso. f. a. f. . — m. loucura. — meio-bordo. s. f. Mandamentos. s. mandíl. mangalhado. a. f. Ter- malaíaía. Pae. giria dos pecoelho. Gritar. Sujeito de servir. m. Bebida nar- miar. manesa. f. moca. Apanhado. m. Land. abbadessa. bolsa e achei só mil reis. . Significação f. martyrios. 53. mata. n. s.

narro. C. s. mulieris. Tolo. padrinho. C. official. f. C. Acção de nicar. parelhar. f. Land. aberta. Justificar. v. Soldado da guarda municipal. C. a. novo. Guarda nocturno. . Nos diccionarios como popular. f. móní). nadar. nicola. Puden- morder. Bofetão. noz. Carruagem. C. s. que segue regimento de terra terra. m. pandego. Fome (Lis- A evolução p. Gato. s. Meretriz de m. Asno.76 mofo. mosco. s. v. Vid. v. f. s. tostão. Vasc. a. etc. Bofetão. Merem. 40. pi. paiol. v. pente. m. s. Cantor. m. n. m. moleque. f. olho. de boca giria dos pega. Fazer mal a. n. I. m. . s. patrona. monteira. Verdade. s. Grátis. 53. C. s. Divertir. Na pedreiros. C. m. panella. m. m. s. Lenço de s. moiua. mosqueiro. Amasia. s. s. Futuere. a. — de pedras. s. Punhal. — nocturno. s.. cial. — da linguagem^ de boi. C. s. Fugir parrançar. s. m. um em nicar. m. Vasc. s. Nariz. Pontas de boi. peixe-na-costa. nasio. s. patrajona. f. suspeita. Testemunha. n. s. Sede (Porto). f. palito. s. dum mulieris. f. C. poli- Edifício da prisão. assoar. Podex. m. Cabeça. parrameiro. C. s. moxingueiro. s. Gordo.se. m. peneira.se. money moute. C. s. pantufo. (pron. Audar á — m. patuno. Andar a pedir esmola. Podex. Roubo. Queiroz). soldados. refl. s. triz. amoiuar. Prisão. m. s. sereno. m. m. pevide. pardal. patao. Gente m. C. com roubo. noscar. Espião s. adj. m. Pudendum m. s. m. Juiz da prisão. moucoso. Casa. v. Mandriar. (Cigarro. s. v. v. s. Quebrar. L. M. De — . Estômago. s. C. s. moscardo. Cruzado boa). f. m. s. C. s. moscar. m. m. Pudendum patrazana. Dinheiro. — mulieris. C. C.

a. prata roçar-se. quinta. n. Manobrar com respo. s. C. remédio. C. Queiroz. queijo. Coisa que se come. saltante-picado. sobre-maco- Ceia. sarambia. roedura. rolha. s. s. Desordem. Silva Lo- Penis. s. s. quinhames. Juizo. piegas. s. f. ralé. C. C. morta. a navalha antes de dar a facada. s. f. Silva Lopes. ladrões. Queiroz). f. s. s. Cf. cia apitando. quilhar. Pesar. Copinho. Gravata. da pro- quebrado. Vasc. s. v. tris- Mulher. m. se s. s. Queiroz). Criança. f. cia. s. a. Masturbação. Sobre- reúnem refeita. s. de 500 rodellinha. Casa onde sobremoscovia. Diabo. chumbado. Senhora. v. n. f. f. s. s. Cp. v. Negocio. . servir chegada víncia. Relógio. C. roca. v. tra. querer. f. C. m. s. C. m. deira. f. s. s. pitada. pilula. adj. Cp. riscar. C. sinhá. Rir-se. f. v. casaca. n. C. ruiva. — meça. servido. refl. replicar. f. rodilha. s. f. C. Pessoa rola.77 philarmoiiica. servir. f. Excremento s. Explicação. pinto. Caldo. Criada de Land. f. s. Pouco differente do uso commum rapiaça. Bengala. jpil- reminicar. m. da palavra. m. Voltar. s. placa. v. Annel. s. Sapato ca- m. m. s. m. Land. s. sebastião. duvida. C. C. s. s. s. f. ponis. m. C. sinhama. f. Prato. teza. f. Prostituta. Enfermaria de meretrizes. Génio. Moeda de réis. Cama. ratoeira. Queiroz. Penis. Acção de s. s. comer. via. samatra. m. rabão. s. Patuscada. pire. nhantes^ botas. Tolo. f. risca. Cego. Preso. adj. s. (Bebe- pes. C. C. Índole. s. humano. v. s. m. Dado Pé. f. m. A poli- regulado. s. f. m. f. rustideira. Cabo de polipirata. f. Queixar-se. f. (Moeda de prata de 240 réis. Policia. bom senso. sem-luzios. Cf. Espancar. grosso. n. Pôr Futuere. presunto. m. s. f.

evolução da linguagem. Preguiçoso. — a mona. s. ugar. um-sete. Falta de dinheiro. (Todo triques á marinha. pess. nuar. C. Na giria dos me. 53. Fazer Escada. Bofetada. Vasc. soiideque. s. Podex. s. traidor. f. pous. 53. s. Bofetada. Fome. s. . f. Amante veEste Land. n. subideira. M. Na giria dos tocador. termo é m. — . Vasc. m. s. f. M. Avaro. pron. s. f. s. C. s. s. s. m.Vid. muito usado no theatro. ^ evolução guagemj. Burro. pi. tapor. dum L. f. p. 135. dar alar- s. adj. f. f. A evolução da linguagem. s. Na lin- zarear. Caixa. s. s. C. heris. Cara. Todo liró. zona. s. teuéne. L. cordo. m. — grossa. Pe- sona. s. f. v. 53. Todo rinha.. adj. chincha. sondar. tocar. m. Homem. giria dos pedreiros. Podex. Pudendum mum. Vid. A da Noite. p.. v. porta. s. f. I. p. s. tardos. C. Gritar.78 soldados. M. Que está d'ac- A Uma bofetada. teu. verde. C. lho. tosse. f. Frio. verónica. s. s. tento. n. todas. m. zuncho. Morrer. . m. a. tacho. pedreiros.. C. á beitriques. s. tefe. Queiroz. zouca. vegete. m. n. coisa. C. 120. Bebedor. Navalhada. Vasc. xarifa. Cara. zachael. pi. n. sulipa. f. Lanu. — com m. C. sorna. — trombeta ou beber. sonhar. Jogo de alçapé. tronco. ISõ. m. C. v. I. Cama. Conti- s. Umas — tocar. C. in. v. Sapato. s. pedreiros. temposa. cabo. simplesm. V. Quei- — sovelão. s. f. liga. f. I. adj. m. Pudenmulieris. tampòsa. C. torcida. m. Zangar-se. Embriagar-se. o pae. L. pado. s. roz).

adaga. banza. a outra de termos em uso no calão na epocha da guerra constitucional (Silva Lopes) com a minha lista e a do sr. Antiquado. Cabelleira. A comparação das duas listas seguintes. M. Espada. avesar-se. E antes bayuca. como em toda a linguagem. E possivel até que alguns tergirias mos indicados como antiquados persistam ainda nas provinciaes. uma de termos do século XVIII. os das Infermidades da língua com o appellido do auctor. Paium termo Pão. os de A. Guitarra. va. cadentque Quae mine sunt in honore vocabida. avesar. Usase ainda no sentido de — presente. . os de colhidos por Bluteau não levam indicação Monte Carmelo vão indicados pela abre. Girla do século XYIII Os termos de fonte viatura . bagulho. C. ás vezes num mental que não se perde. sentido. Dedos. asca. Taverna. Paiva. Paiva. A significação aos últimos é conjectural. Carapuça. Amo. arame. mesmo Zanga.79 Tem ficações sido notado noutros países que. Dinheiro. artife. popular. apesar das modi- curto que seu de de no material termos e ainda naltempo espaço ha nellas uma unidade fundaguns processos secundários. Estão em uso as formas bago e hagalhoça. Paiva. si volet usus. as girias experimentam. um certo fundo de termos e de processos que escapa a todas as innovaçoes. de Lima com o appellido attribuida Lima. bastos. Termo popular. Quisilia. no navalha. alvada. aifarreca. Queiroz Velloso mostra a persistência de boa parte d'esses termos. observa-se o que nota Horácio : Multa renasceniur quae iam cecidere. A. Aqui. Estar altenado.

Oh ! tomara-lhe eu a china o damno ! dos miseráveis (entremez). Lisboa. Cavallo. Fabico. dez-bofas. Cosque no calão moderno é casa. Dar (bater. Paiva. Beque ria aqui hoca. pobrete. Antiquado. . popular. zer o bico ao faxo. Antiquado. crivantes. alguma coisa. calcos. cachimbos. Dinheiro*. chelpa.. aos alqueires a cheljm.. Casa. noivo era fama que media . Dinheiro. Sapatos. 2 178. Anti- quado. Vid. . m. como hoje argot significa nariz. f. 1 grande chelpa escondida.80 bayuqueiro. china. ao — Fallar? ). embebedar-se. ainda vivo. Ter — caroço. Usado no sentido de beque (dar Paiva. hecy 8. cachucho. e Tem o damno . bolonio. antes um termo popu- Carne de vacca. Moeda de cobre ou bronze? Paiva. 1784. Dentes. miuas de Antiquado. cheta. boca. cosque morrosque? Paiva. 1784. Vintém. É Simples. Correr. eatropéo. Lisboa. Taverneiro. Antiquado^. faxo. s. riqueza. Antiquado. fr. calcorrear. Dez réis. cria. ter ou possuir Minas de caroço usa-se ainda no sentido calmar. de tudo quanto tem. — pataco. Anti- quado. Segunda parte da viagem sonhada. ^npregado ainda hoje no sentido de casa pequena e velha. Bebedeira. lar. mente termo popular. cf. Ver. Pcs. Cabeça. criar. car). cascunhar. gem citada s. É propria- Termo basaruco. que fez hum homem dormindo. Lisboa. bola. he herdeira sua filha. PaIVA.5. Annel de oiro. E mais significa- usada hoje a forma catrapós. a passav. muito. espan- de fortuna. O dos miseráveis (entremez). casebre.

(hoje faxa no mesmo sentido). galradeira. Antiquado. Lisboa. fanfar. ^ . Lisboa. galrar. s. ganchorra. Correia Garção.81 galfarro. Chapéu. C. e estes peraltas. gadanhos. Lingua. Lenço. faxo. Pau. eucaiilias. viver ao Deus dará. . soberbo. sentido de cara. scen. . Pernas. O que anda á gandaia 2. Paiva. Tabaco para fumar. espigas. Antiquado. gantão. forma gabinardo. tendo de dia feito ao faxo O bico muito bem. Vid. valente. Qual saca o gandaeiro um prego torto Dentre os chichelos velhos da enxurrada. . Meias. falso. pobretões já ex professo. Fallar? Paiva. Gabinardo. mãos. bico *. gandaeiro. Anti- quado. Antiquado? Vagandaia (andar á ). Antiqua- Beleguim? do? eiitrujir. tristíssimos gandaeiros. Entender. Lima. Paiva. Paiva. — diar. . M. 5. fumélio. num cripto jocoso. Vid. 1786. Fallar. Raio poético de Matusio Mattoso Matos das Matas. . Fome. e outros ejusdem furfiiris. . gabão. Usa. Mão. ficando hum caxo. 2 Deste cano real hoje te saco. galga. nâo vêem junto um só tostão. gabrinaldo. Bigodes. Incisão anatómica ao corpo da Peraltice. gaudaeiro. Anti- termo galfarro é dado por Bluteau como O quado. chulo no sentido de giAnti- Estoque. quado.se a na baixa-mar para apanhar algum objecto aproveitável que por lá haja. Dedos. m. Antiquado. 1771. No es- gambias. Vadio. Theatro novo. Lisboa andar á gandaia ó propriamente revolver os lodos do Tejo Em gabio. Paiva. estardato. Antiquado.

M. * Assim como no leito foi pilhado (Marte) Fazendo gaudiperios ao coitado Do ferreiro Vulcano. C. Unha. Tunante. Usa-se no Antiquado quado. Lis- boa. quefe um homem dormindo. a que a mulher Armas contra seu gosto faz trazer. gaiiíços. . geba. O .. que ha pouco se casou . . s. mão. que fez um homem dormindo. gris. 1784. em forma janisaro. lancho. Anti- sentido de jaqueta. Antiquado. varias Estou sair. Segunda parte da viagem sonhada. 1785. 3 Eu lhe buscarei idea para* lhe sacar o gimbo. g anisar o. Matos das Matas. Raio poético de M. Vagar.82 Dados. Que te fere os ouvidos. golpe. Casaca. 1785. C. Frio. o damno dos miseráveis (entremez). . Toda essa gritaria. Antiquado. Injuria não. e apupada. que pregou A hum Ginja. — comedias 2. Velho. Piolho. C. Paiva. gando. gisar. Cruzado novo. M. joruando.se as grão. gateira. Algibeira. justa. Dinheiro. . jorna. Lisboa. Antiquado. he causada Do feio gaudiperio. garrocha. formas ganau. Furtar. Mãe velha. .mal pilhou seu Gebo a dormir. Usam. Lisboa. M. gao. Antiquado. 3. Penedo. M. gimbo. Bebedeira. Em quero Não Bluteau. Lima. gaudiperio. maga(Bluteau esAnti- que se faz tendo relações amorosas com a mulher creve quado.) ou amante de outrem*. m. Parece uso a estar ainda griso. Antiquado. gebo. Sua mulher Segunda parte da viagem sonhada.

Fome. não. Paiva. Furtar. etc. p. Boca. no sentido a niente. marca. Olhos. rustir. 1784. as ma limosa no mesmo sen- formas no tido. o éLamno dos miseráveis boa. Lima. monteira. rede.se de^ meço. Parece ser idêntica sonar. raso. C.83 lima. M. Vinho. Raio poético de M. Frade.2 Vid. Lisboa. s. Antiquado. Furtar. sabes (sic). m. C. pio. Anti- roda. Colligi al- v. Bofetada. Lis- Ora eu estou maribando em vossa Lisboa. Os diccio- rafar. A Nesta certeza os mecos conloiados seu salvo as saúdes repetião. lograr. Bêbado. purrio. niente. 1 Então no tal casamento Desde já estou maribando. finório. narios trazem este termo no sentido chulo de enganar. Puta. talhão. esper100-101. . soquir. moquideira. Homem. sorna. 178G. Tostão. Antiquado? Sumir. Carapuça. rata. Usa-se no sentido de reles. Antiquado. Usa-se a ex- pressão ter um rato no gumas passagens equivale a não fazer caso — em que de. sentido. libertino. vil. 2 alteza. Vestido de mulher. Cama? Preguiça^? Antiquado. mesmo Paiva. M. Homem. luzios. Camisa. Capa. Matos das Matas. (entremez). Fome. lostra. Dormir? Paiva. Comer. Dormir. quado ? Comer. Usa-se no sentido rifar. Antiquado. Usam-se i^eltra e píltra. Usa-se forma nente^ tardar. rafa. suquir. estômago^ na barriga^ no sentido de ter fome. 1786. marco. marimbar. Novo entremez dns regateiras bravas. de roupa. M. Cama. nautesnem. Não a sornar. n. rir. Antiquado. nada. Usa-se a for- piJra.

outros sairam talvez da giria. chalaça^ zombaria. pinto (cp. Rosto. deita a unha ás coisas. O. emhofea^ logro. maluco. Lisboa. verónica. Lima. petisco. ou Ton trouve tout à souhait. fugir. pizorga. do fr. oíi tout E por isso nâo pára ella Nem com em parte alguma também coisa nenhuma. moafa. a que Terragosa. quinhão. parvo vispere. Vid. ridicularia. desapparecer. Lima. Cuquenha é provavelmente o mesmo que cucanha. jpitéo. 1786. s. cocagne: pays de cocagne. ganho. : caçoquim. pays imaginaire abonde. boca. continuar. Littré. continuar? Paiva. grifaria^ exótico (sic). 2 gen. doudo. caurim. caurim.84 terne. (diz-se matuto. destemido. Ant. valente. Corpo. como pizorga. Alguns d^esses termos não eram por certo novos . (= verónica). acerto. trama (sic). logro. tostão . pinto. rouba*. Paiva. ninharia. cruzado novo . p. Antiquado. Eaio poético de M. ganso. calote . felicidade. 1807) traz uma lista de termos que pretende terem sido então introduzidos na linguagem dos tafnes: . interesse. engano. Lisboa. Costas. Rosto. 86 uga. tonto. dinho . cuquenha. cuquenha. meio . impertinência. tirantes. ganho de jogo embaçar. espelunca. grazinador. vinorica ugar. Andar. cruzado novo). Matos das Matas. . Anti- uuhante. perturbação de sentidos. teimoso. escarneo. embriaguez. altivez . vulto. loquaz . jpimpão. Calções. quado. M. bebedeira pec^mcAa^ lucro. na Camará óptica^ folheto (Lisboa. Calão do primeiro terço do século XIX III José Daniel Rodrigues Costa. propriamente fazer vispere) . tal ar á^unhantCf Por ser dotada de Que excede a qualquer rapinante.

punhal. avesa. por extensão. um caurim^ passar pregar um logro. escamar. espinha. espaldar. bolsa. quartilho de vi- caugarina.- canhantes. botelha. entrujar. bocanhim. pegar. . fechadura. clavina. botins. queixar. cabra. boi. toucinho. altanado. gallo. vem de cauri^ nome das conchas que na costa de Africa servem de moeda. tem. diluvio. caldo. cantante. juiz. pombo. clizes. calcos. trabuco. sentir. garrafa de vinho. chona. manta. avela. igreja. denunciar. berrar. meio quartilho de vinho. mãos. noite. cheta. ao pé. barraca. denunciante. amarra de lodo. farpela. e. escamou-se. garrafa. belfo. cartas de jogar. cadeia de relógio. sapatos. algibeira de mulher. cão. artâo. cadeia. sol. baquesim. cinta. estarim. nho. cornante. casa. tem. sentiu. faca. lençol. olhos. sapatos. ardose. entrujão. archote. amarra. Calão OU algaravia dos malandros ádica. cagarrufa. calcaiites. pão. chapéu de batas. balda. avoador. * Modifiquei a orthographia de Silva Lopes. cordão de oiro.85 Caurim. falhas. o sentido de A palavra parece ter tomado moeda falsa. cuelle. comprador de roubos. archote. aguardente. bocanhím. espingarda. vintém. afiançar. barra. bola. d'ahi impingir uma moeda falsa. bramar. perceber. fêmea.

dinheiro. da medunha. dinheiro. sentinella. gage. justo. relógio. grane. gamar. furtar com subtileza. tostão. soldados. Lisboa. mão. dono de alguma laivo. saco. bom. maço. lúmia. dez réis. pasma. penante. sarda. xelro.'^0 fiJho do golpe^ ladrão de roubado. sornar. fechadura. pistola. respalde. laia. lâmpadas de prata. grillo. chapéu. sobre-casobre-macovia. ganau. capote. continuar (sic). nuvem. na pireza. galé (prisão). mulher. guines. gansos. misto. relógio. prata. burro. malandro.se. capitão de ladrões. falso. ir roda. cigarro. ladrão de estrada. oiro. justiça. piolho. lençol. safar. troses. collete. maxa. macovia. não. fuiidaiiarios. fusca. menina. dormir. calsas. cruzados novos. grani. geba. paivo. geboj velho. peças de léoOO. gadé. bolso. dedos. lepes. capote. peru. legante. lodo. serralhas. pae. beber. lenços. uga. faca. pirar. soldados raaracão. égua. cinco réis. golpe. saca. gomarra. cavallo. macanjo. caixa. janella. lenço. coisa. senhor. ladrão de casas. policia. foi feito j foi Matta. . meretriz. ruço. esperto. tralha. fundos. tinente. velha. maquino. nentes. tamposa. fugir. casaca. parné. chave. morte. gazua. gallinha. piar. homem. chave. grego. penduras de uvas ferraeâ. ventana. lenço. gajo. ratanhí. magano. safo.

de termos usados numa giria de gente de Albergaria-a. on appelle chiaro Feau. infelizmente muito curta.87 Junto o seguinte exercício do piolho. 465. a qual negoceia em com cavalgaduras. ás (cuspir-lhe) . sendo até conhecida pela denominação im- própria de ciganos. stockjish (do inglez. tracl. ficam».Velha Para confirmar essa observação darei uma lista. et qu'il serait impossible de Calabre ont à un calabrais de comprendre un lombard. — levar ás entaladeiras pollegares apertados pelo lado das unhas). mas conhecido nessa forma no tempo a que remonta lista — a supra: «Metter a gao (mão). colhido da tradição. tirantes (calças). Uhomme criminei. a un dialecte propre.Velha. coronel Brito Rebello e medico Lemos (de Alque- maior parte de taes termos é-nos conhecida de rubim). 1 Cesare Lombroso. . Devo o conhecimento d'esses termos aos srs. — competentes cuspideiras — limpar aos — dar passagem aos que beta (os tirar o (piolho). e tem contracto ciganos. «Tandis que chaque région de Fltalie. deux pays. fr. Paris. diz Lombroso. junta-se a sua identidade no espaço assim a maiotermos do calão do norte de Portugal encontram-se sul. ai^ton le lensa la viande. alguns que parecem especiaes ao calão de Albergaria de- A vem ter tido maior extensão no uso: só assim se explica como piovês (do argot francez pivois). les voleurs le même lexique que ceux de Lombardie. ao O mesmo facto repete-se com as diversas girias nos outros paises. ci^ea le vin. 1887. les Dans pain. L'argot de Marseille n'est pas autre que celui de Paris*». outros pontos do paiz (especialmente de Lisboa e Porto). districto de Aveiro. Calão dos contrabandistas de Albergarla-a. Á identidade dos elementos fundamentaes do calão no : ria dos tempo. faz contrabando. p.

moletos. Futuere. s. o-da-eira. pi. V. s. piar-do-ventre. m. fardelhas. v. m. Cão. Ver. s. m. irmo. trigo. s. gadanhos. . moinar. n. Porco. Presunto. Apanhar. Olho. Copo de mosquir. v. Porco. v. m. Padre. s. n. s. m. v. Cabeça. broi. Podex. Excremento humano. Cama. Irmão. arames^ artife. croia. telo. Seios. Botas monteira. raso. Porco. m. s. Dormir. a. f. suquidora. Ver. s. zagré. Dormir. m. f. Padre. f. Vinho. s. Bom. f. m. pi. befe. Cavalgadura. s. de agua. m. v. Boca. coco. s. vinho. porco. m. s. de stockfish. m. Pae. — humano. s. s. bar. Pós ou catruchas. trigo. cachilras. m. Dinheiro. pi. mosco. s. s. s. piovês. Pão. choinar. s. V. Dona da desconfiar. m. pi. trigo. Beber. gelfo. manez. f. s. m. s. m. lupar. m. Dedos. m. m. froina. s. m.88 a palavra significa bacalhau secco) chegaram até lista faz crer essa gente de Albergaria. s. duque. m. Casa. adj. Excremento s. Boca. s. Mulher. reichelo. s. palurdio. estoio. esquilha. cosque. maneza. que o estudo das girias semelhantes das nossas províncias teria muito em que A interesse. m. Pão de f. Copo. catroio. Flatus vencasa. reco. fanfar. Retirar-se. Pão. s. lupante. s. dedos. a. rouf. s. 8. gomarra. a. s. Poubo. f. s. escarnhida. f. Jumento. respo. boa. f. a. tris. Sardinha. quilhar. s. s. s. a. Gallinha. s. tó. moquideira. m. suquir. n. chavelho. Comer. v. m. piar. cboina. f. Cavalgadura. v. vezer. s. broia. Esporas. n. f. m. m. m. Comer. pi. zagrâo. m. a. Porco. s. m. calique. V. s. Cão. m. Homem. s. s. s. Vinho. s. f. pi. malurdia. Mãe. m. s. Broa.

corcovado golfinho. infra) um em que uma serie de termos da giria hispanhola ó : dada com a traducção habla nueva Germanía porque no sea descornado. . sardinhas. valente bogalhão. la Cama llama Blanda. fadista Aos porcos chamam Ao chamam faia. Entre o povo portuguez Ha calões tâo revesados Que deixam muitos pintados Por mais de cento e uma vez. etc. donde sornan en poblado. Al Jubon Uaman Apretado : dice el Sayo Tapador. A la Camisa Carona. Dice á la Sabana Alha A porque es alba en sumo grado. O seguinte /ac?o é no género do referido romance Ao Ao Ao Ao fadista chamam /aia agiota intrujão. ete. — As nossas cabeças pinhas . Lá vâo alguns trinta e três (Não sei se nelles dou raia) A prata chamam-lhe laia. que la otra era muy vieja y la entrévan los villanos. le lleva porque tapado.. que mueho vello ha criado. A la Fresada Vellosa.89 Fado do calão ha Nos Romances de germanía de Juan Hidalgo (vid.

A uma sardinha aranhota. Ao roubo chamam cortar. quer de caracter scientifico. valente bogalhão. A guitarra pianinJio. Chamam bico á bebedeira. relógio cebola. Ao ébrio chamam-lhe archeiro. aguardente piteira. a não ser que alguns proces- . Um gabinardo ao gabão . caldo chamam-lhe rola. Ao comprehender toscar . quer de simples curiosi- um grande numero de objectos. A uma mentira palão . A A fome chamam peneira. Ao fugir chamam raspar . por portanto que só possamos seguir directamente a historia do calão até ao século xvii. As velhas chamam cascatas Ao poupado Ao Ao sovelão. lhe Também Chamam chamam larica. nossas mãos génio As bruxarias bagatas . esperança chamam filé.se ao vinho briol. Ao jogo chamam batota. Historia do cãlão Em o nosso país o interesse. chamam ralé. á cara botica. Chamam á casa mosqueiro . Ao chapéo escovadinho . não se despertou se não mais tarde e em geral de modo menos completo que noutros paises. nosso bucho paiol. A um agiota intrujão. E também é de calão Ao Ao Chamar.90 As Ao A chamam batas. Não admira dade. Ao corcovado golfinho.

. messe fuori da Salv. Na França. xlvi. 3® (à suivre). Le Jargon des Coquillars en 1465. suivi Lucien Schõne. introduziu nas suas obras poéticas alguns termos furbescos. o auctor do Ruby (nome em poema II Morgante maggiore. Villon. i. 2®. Na Itália. 1888. pp. do processo da confraria anti-social dos Coquillars em 1455 e outras fontes. Texplication en vulgaire»*. Villon. graça ás celebres Ballades de Jargon ou Johelin de François Villon. de termos de antigo calão. já Luigi Pulei. assim dirigida a Lorenzo il como numa carta uma pequena lista blicada com aquella a Lorenzo il Magnifico pelo anno de 1472. jargon do século XV foi objecto. e fez de termos furbescos. Ao edição conhecida de fim do século xvi (1596) remonta a mais antiga um livro attribuido a um Pechon de argotico) que se acha um «dictionnaire en avec langage blesquin (argot). tome vii. Francisque Michel. 1884. Le Jargon au xv® que. esse escroc genial do século XV. (1882). entre outros. in la Société de Linguisfique de Paris. até hoje desconhecida.91 SOS judiciaos venham revelar a existência de mina. p. siècle. no século xv. 295-296. 1892. e reproduzida in Archivio per lo studio delle tradizione j>opolari. Études sur Vargot. Le Jargon et Johelin de François du jargon au ihéâtre. fase. Noutros paises o investigador acha se em melhores condições. Paris. com sufficiente segurança de dados. Bonge e Leone Prete (Lucca. Paris. (Ignoro inteiramente Pierre d'Alheim. dos seguintes trabalhos. Paris. 1882).se até aquelle século. Le Jargon johelin de maistre François que valor tenha este ultimo). dos quaes só tenho presentes os dois primeiros : O Auguste Vitu. pode seguir. Étude jphilologi- Mémoires de Mareei Schwob. que se acha pucarta em Nuove lettere di Luigi Pulei Magnijico. a historia do argot ow jargon.

mais próxima geographicamente do calão e com a qual este tem real- mente numerosos elementos communs. Studj criticif p.h. con el vocabulário por la orden dei a. . que escrihió el Doctor Don Sancho de Moncada. Os termos de calão que não levam indicação de facto acham-se na minha lista acima estampada. especialmente das dos paises de linguas românicas. Na Hispanha Romances de edição mais vulgar. a par de emprés- A comparação do calão com as outras d'este modo colhem-se para a historia do calão preciosos dados indirectos. pelos motivos já apontados. publicaram-se no começo do século xvii os de germania de vários autores com um Romances (1609) vocabulário. 1873. de que temos presente a many additions. revised and corrected with London. * Ascoli. Hlstorical and Anecdotal. A New Edition. y los Francisco de Quevedo. c. En Madrid. com o seguinte titulo Germânia de vários autores. Catedrático de Sagrada Escritura en la TJniversidad de : Juan Hidalgo El Toledo. 380. nenhum dos quaes consegui ver Inglaterra apresenta já no século xvi o vocabulário de Rogms Words de Harman (1Õ56). O calão e a germania Os termos de germania apontados são os do vocabulário de Juan Hidalgo. Começarei pela germania. para declaracion de sus términos y lengua. reimpresso moder- A namente em The Slang Dictionaryj Etymological. Não procederei aqui a uma comparação completa d'essas girias.'J2 Ha três vocabulários do gergo ou furbesco do século xvi. Com: — puesto por discurso de la expidsion de los Gitanos. 1779. *. por Juan Hidalgo. contentando-me com indicar o caminho que timos mais recentes : deve ser seguido. romances de la Germania que escrihió Don Con licencia. girias europeas. prova que nellas ha um fundo commam antigo.

que d'essa — nao temos que que aproveitar. germ. calcorrear. cal. Já em Bluteau. colligido diccionarios. . anubo. Queiroz. Os sentidos são muito diversos para que os dois termos se liguem. cal. diz-se assim : elle foi-se com os seus hisp. p. Em alforja significa acha. bobo. que significa fazer. — — harton. Na linguagem popular portuguesa reproduz-se ainda allon. brechar. germ. blanco. estúpido. muito espalhado nas girias. alon. germ. cal. oro. capote. cal. correr. anciã. becil. alar. cal. policia. ó necio. ir. Balhestros da lingv^. germ. imgerm. feira. ir. — cal. — — zapatos. calcos. bufo. sapatos. — cal. tristes balhestros. buho. abancado preso. es descobridor. lorpa. — — gar a patente. Queiroz. 149. calcorrear. carcel.iQYmo ^o^wgerm. e foi talvez um termo de feria. balhestros. etc. Queiroz. calcorros. ir.) que ballestas. somma de dinheiro . cobrir. Termo germ. alforjas. ainda no uso popular. germ. p. anuhlar. — giria. bola. Já em Bluteau. Queiroz. cal. agua. cal. — port. mente vamos. es irse. branco. brechar. não nos lar. bola. cachucho. 109. alloiis. sem duvida do fr. Injirmidades lingua: tem hum bom caxucho no germ. cal. cal. — dedo. nuhe. pagerm. pequena cada (roupas. Queiroz. vamo-nos que aqui Uma alteração a Londres. que é terra de gaiteiros. capa. annel de oiro.se em Paiva. como veremos abaixo. Injirmidades alforge. sobretudo na locu- — ção allorij allon. agua. germ. com o pouco que tinha. artão. — phrase por etymologia popular deu — é terra de gaiteiros. germ. alar. meter um dado falso. cachucko. Termo muito espalhado. que significa os haveres um pode levar comsigo. banco. provisão de viagem. Propriagerm. germ. artife. pan. ânsia. Já em da Paiva. artife. isto é. correr. . capa. artifara. ó soplon.93 cal. Queiroz.

cerda. preso. clises. Deixa cardar a Correia Garção. mas foram influenciados por 08 nomes de peixe portuguez sarda. herido en olhos. sceiía iii. que desea la cal. Queiroz. Ligeira modificação do cal. sarda. faca. enrexado. entender. puport. germ. bolsa. falso. cerda. empunhando uma punhal. esclisiado. carne. Queiroz. lenço. desjpalmar. — — cal. faca. 'palmar. preso. — el enreixadu. seda = Os termos do cal. chilrar. Bluteau. Emprega-se em português a expressão cardar a lã no sentido de obter astuciosamente dinheiro de alguém : coisa por fraude. O significa pentear com carda e tirar. roubar. punhal. ganhar a alguém uma hisp.94 ropa qui hurtan los cardanho. carduçador. espinha. navalha. germ. Queiroz. germ. agente sentido de esjna no hispanhol geral. Queiroz. sardinha. entender. el que atalaya. Queiroz. germ. tudo se consegue. cerda sarda. cal. sardinha teem talvez o mesmo ponto de partida que germ. quitar por fuerza. faca. intrujar. Bluteau. — germ. — um cal. — cal. que um assaltante. cica. entender.---cp. Asiembleiu. cal. dar por fuerza. espia. cp. cerda. cal. cheira. do javali. astúcia. espia. facilmente la. Lembremos a anecdota do homem que na obscuridade nocturna se defendeu de sardinha. germ. Em Mas com Tudo lábia se vence. furto. teau. germ. — de policia. sardinha. perceber. furtar. Queiroz. crioja. sica. panuelo de narices. cuchillo. QuEiKOZ. Queiroz. carduzador^ ladrones. roubo. termo do calão liga-se evidentemente a cardar. — carne. cria. — crI. fazo. cal. nhal. entrujir. entruchar. Blu- . rostro. — Comp. cal. hablar. palmar. ant. cal. palavra. Porque a gente ordinária agasalhada Com uma tal lhaneza. germ. carduzador. o meliante julgou ser germ. que el germ. germ. bolsa. Queiroz. Em hisp.

— piolhí). moncoso. ço. — cal. Bluteau. marca. cabeça. C. C. es ducado de once reales. falso. gallinha. muger pública. grunhidor. muquir. Queiroz. comer. camisa. germ. . porco. grão. mandil. lienzo de narices. cal. palavra que começou tal. falso. cabeza. — vez por ser um termo de giria. camisa. maço. bom. queta. ordinário. preguiçoso. Lopes. Queiroz. mandil. cão. maleante. cal. collete. germ. mosa. Bluteau. moeda. os dedos da mão. gomarra. germ. macanjo. C. vil. gallina. gelfo. justo. gao. (?) cal. hablar. — cal. bello. Queiroz. — germ. gamhía. port. mandamentos. len- — — cal. bueno. cal. sujeito sem de más maroto obras. Quei- — — germ. casaca. Queiroz. meliante. criado de Rufion. justa. mar^co. grunente. cal. Bluteau. meretriz. moneda. credito. piar. plerna. ^iar^ beber. Bluteau.95 gorm. burlador. maçareno. cal. — cal. germ. moquir. germ. gando. Uma. Silva Lopes. ^Qvm. — — cp.. grano. cru- germ. beber. Bluteau. roz. Queiroz. Idem. os dez germ. comer. lima. Queiroz. puerco. fallar. esclavo negro. marquisa. gaitar. pa- taco falso. germ. Queiroz. — cal. germ. garlar. michosa. — — — cal. ganau. jali- justo. — cal. piojo. zado novo. gao. germ. germ. marca. — cal. mocante. Queiroz. camisa. marquida. helfo. — germ. Quei- roz. gomari'a. Bluteau. Queiroz. C. guido. homem. Queiroz. gidio. cal. germ. jubon. mandamentos. Silva germ. — cal. germ. moa. gamha. cal. dedos de la mano. fingido. perna. gdfe. ó de muger publica. germ. cal. mechosa. cal. cp. Queiroz. moia. vellaco. Bluteau.

sornar. roubar germ. germ. basquina de muger. cal. taragoza^ teau. ^io^ vinho. como se pretendeu. germ. roz. picar. germ. raso. calções. Blu- tirantes. teau. turca. rufo. sornar. cal. do lat. Queiroz. — Queiroz. roupa. hurtar. Septieme édition des Excentricités du langage. Dictionnaire historique d'argot. pildra. cal. — dormir. sombra. cal. picar. germ. — mas sim do justicia. safarse. cal. Queiroz. tirantes. escaparse. — — cal. — pueblo. roubar. raso. rede. cal. turco. Dictionnaire d'argot moderne. . vino. bebedeira. trabajar. safar-se. Queiroz. alem da obra já citada de Francisque Michel. Bluteau. frade. — cp. Lucien Rigaud. germ. port. — cp. 1878. abad. pdtra. padre. Quei- germ. germ. saia. Queiroz. Êtudes de philologie comparée sur Vargot. prisão. furtar. Paris. Tei^agoza. port.96 germ. Paris. cal. cal. pérola^ cama. eslabon com que sacan fuego. Queiroz. catropéo. Blu- germ. quatropéo. safar-se. calzos. fogo. Lisboa. O termo da germanía não veiu do francez se sauver. as seguintes : Lorédan Larchey. — germ. jpio^ vino. dormir. cal. cal. — cal. abbade. cama. de safo. redonda. capa. librarse. — cal. furtar. — cal. redonda. Bluteau. salvus. — — capa. es irse à priesa. 1881. (Bluteau). rede. — germ. germ. Bluteau. piltra. pilra germ. quartago. O argot e o calão Para o conhecimento do argot moderno tenho á minha disposição. cavallo. sombra. Queiroz. trabalhar. Queiroz. germ. rufon.

coincidindo em parte com modificações mais ou menos numerosas no vocabulário do argot. individu dont Tintelli- gence est est obtuse. dinheiro. expression àwjargon. geralmente Larchey.» le jargon. artif. ancb. 1882 Na mente lista seguinte. . na minha atrimar. MiCHEL. Queiroz. ala. Essas divisões não tem nada de essencial referem-se principalmente aos nomes. aile. aile. Vid. cal. Queicabeça humana poderia ser chamada mocha (o fechado). 7 . de 1617 até boje. attrimer. VII et Georges Guieysse. os seguintes periodos . do século XVI ao xvii. agua. só um por simplificação.97 Mareei Schwob franqais in ris. de bois. 52. em vigor. Paris. prendre. arton. segundo a gra- une hoche. cal. c'est-à-dire.» le langage blesquien. — arg. cal. naire d'argot. artife. 33-56. bras. Étude sur Vargot Mémoires de la jSociété de linguistique de Pa- (1889). — cp. Sujpplément au Dlction*. do século xv ao xvi 2. o aberto. p. — . arg. Michel. RiGAULT. cp. A. 3. larton. hlé (du). que traz os termos referidos. tête le patois du peuple. — genuidade não posso afíirmar. mocha. sem mudar de nome. tête hoche (tête de). port. artão. isto é sem pontas mas mocha tem. propriamente dito. lartif. Larchey. e le langage narquois. dans le jargon de Marseille une boule à jouer A phia transcripta. cal. pão. lista. pain. eau. lat. fr. que continuou a experimentar mudanças. Queiroz. Larchey. alleron. artiffe. Le Jargon du xv^ silcle. * Na historia do argot marcam-se . artie. a^a. desde* o fim do primeiro quartel do século xvii. 1. — cp. arg. Dans roz. cabeça. vender. de Fargent. braço com a mesma significação arg. Vitu. vol. de que o livro de Pechon de Ruby contém o repertório. lartie. asa. anda.» Vargot. indico ordinariados autores. termo cuja cal. cp. arg. (?) Bluteau. da giria franceza. Larchey. dure. milho. arg. lance. — que cal. Não vi de Lorédan Larchey.

Larchey. Ce n'est plus qu'un synonyme de garçon. avarie et par extension «vieil infirme». arg. camelote. Larchey. Mot-à-mot: cal. chenoc. Terme de mépris langage populaire usité dans le plus trivial et le plus la Bulgarie. arg. casa de engagés (ciou. Lauchey. boi. — dun chan- cal. — cal. Bougre. Larchey. usités dans cal. — roz) parece ligar-se a hougre. arg. Forme des mots . chouriner. cica. arg. Queiroz. feira. esfaquear. arg. Queiroz.U8 mot à noter comme ajant perdu sa portée antiphysique. . Larchey. marchandise volée. cornant. pièce d'or. ciou. houle^ foire. donner des coups de couteau: chourin couteau. Queiroz. faire chanter. Larchey. Mont-de-Piété. Queiroz. dar le même sens. Rigault. prego. mau vais. houle. — prison d'objets uma simples traducção do francez. boeuf. = arg. cormante. muito boa. — — cal. churinar. penhores. de la langue française. Larchey. des doctrines religieuses semblables régnaient parmi les Bulgares et les Àlbigeois. tage. Bulgarus. cigarra. espolio. chinoca. No calão jornalistico usa-se já chantagem arg. couarg. habitant de J)ans le nioyen-âge. hougre: rageux. — facadas. muito termo que é sem duvida popularisado. extorsion d'argent sous menace de révélations scandaleuses chanter^ être victime d'un chanarg. tête. Larchey. rendre quelqu'un victime tage. grossier. bolsa. inglez (QueiDict. cal. cigue. solide. Fr. prison). arg. hola. — cp. cabeça. Larchey. cal. sica. hougre à jpoilsy homme determine. Michel. cigale. chantage. vache. obrigar a dar dinheiro. s. camelottej. excellent. — cal. arg. E phrase introduzida talvez no calão por influencia de traducçôes. bolsa. Cest Tantithèse de chenu. v. /azé?r cantar. hogre. sob ameaça de fazer revelações. Nom de certains hérétiques que et d'injure. cal. chantage.^urin et suriner. hola. etc. le Fon assimilait aax Àlbigeois. — cal. germ. Larchey. . cornante. Etym. Littré.

e s. — daronne. faz- cal. baiuca. se arg... mouchoir de poche. — cp. Dieu. Fii. gàbelou. était Larchey. port. o que não é estudante (na giria dos estudantes de Coimbra). Mot-à-mot jouer des quilles dans. filé. cal. Larchey. de consommé dans au xvii° daho Vart de mal faire. homme nul. sobriquet donné par le marechal Soult en pleine Chambre à un de nos plus petits hommes d'Etat. Hébert)». sous le rapport de la taille. — cal. — Ital. . arg. «Tous les foutriquets à culottes serrées et aux habits carrés (1793. . Dans le laire avec la signification cant anglais. père^ daron. xvi® et siècle. lha). fassolette. homem desprezível. carne de vacca. loja pequena. futuere (Albergaria-a. patron. '^Simhe. dobo. na lista manuscripta de que me servi. arg. enquiller. entrer. s. paisano. foutriquet. Lar- chey. — pop. Larchey. et Fon sait que le joueur vit d'émotions. patronne. como dabo. futrica. Miciiel. Au . maitre. mère. aPetit foutriquet)) . fazo. a palavra á referida arg. SLVg. realmente é empregado no calão. autre de se procurer une émotion. arg.Ve- zolo. MiCHEL. quille. cal. m. Bluteau. daroiia. etc. três lentement. — germ. employé dans le langage popude maitre du logis. — Os jogadores do monte ás vezes lentamente (os banqueiros) descobrem também a carta para terem e fazerem ter filé liga-se pois aos pontos palpites expressão francesa. Do arg. : Cacher entre ses jambes un objet volé. Les joueurs honnêtes du baccarat servent de Fexpression jiler la carte. jiler pour designer Taction de découvrir par degrés. Bluteau. comquanto não haja que admirar se cal. falso. Rigault. fazzoletto. apesar de suspeitar d'elle. cria. arg. f. futre. Jiler la carte. lenço. esperança. palpite. employé des contributions indirectes. Larchey.' 99 Fk. — cal. pae. crie^ crignolle. dobe. termo que reproduzi na impressa acima. Kigault. . père. mãe. viande. arg. Cp. dobe a le sens d'expert. une des deux cartes qu'ils ont en main c'est un moyen comme un . quilhai*.

cal. arg. Bluteau. Cest un vieux rencontre souvent. goualer. gamhille.100 gabiru. Grand- val). chanter. Michel. Larchey. sem raizes no sentido . patron. f. jogador. Bluteau. arrete. guiholle. Vieux mot. malade. arg. — cal. Larchey. souteneur. rapaz vadio. — cal. argot. Larchey. vadio. — gauderio. giielar. — compromettido. (Porto). Lembra pelo som roz. décorateur. Larchey. arg. homem. — cal. got. arg. fr. 108 V. car on pour se debattre des pieds. diminutif du vieux gamòe. roz. disait jadis guiber arg. — cal. — pairar. gao. cal. Larchey. fanfarrão sem dinheiro. lime. latin. fallando dos boticários e a f . grairij écu (Grandval). Fr. — Rigault.. cal. marca. goualer não deriva provavelmente de lat. dissoluto. vadiar. cal. perna. gau. Os diccionarios portuguezes dão todavia o termo como — chef. Du vieux mot gaudiner. guihe. pou. grãoy mot qu'on cruzado novo. arg. arg. guibo. chemise (ViDOCQ. arg. calão. Larchey. — no Na litteratura encontrei bigorne mesmo mas creio que do argot bigorne. espertalhão. gritar. cal. e Queical. devasso». maluque. giria. Michel. Uma. s'amuser. malandro. vem: v. é uma simples translação calão. gaudinar. marco. Larchey. dans le jargon des voleurs. jambe. guibon. Land. arg. Bluteau. arg. da lingua geral: «Adultero. limace. RiGAULT. Diz-se: perdoaste ao meço? phrase plebea por injuria aos gallegos. emquanto guelar deriva por certo de guela. prostituée (Halbert). maitre. Queiroz. — gamhia. Queihomme. meretriz. Larchey. mecque. limosa. Na Ulissijw. cal. doente. arg. m£c. Fr. divertir-se. artelho (se é genuino). patusco (sujeito que se diverte). inculpe. limasse. cal. gaudineur. latim. o parentesco é pois só apparente. 236 «esse . homem. parasita.: «esses mecos conjurados contra o mundo?». ganao. meço. gueule. gando. gula.

me' . infeliz Queiroz. : mais vago de maganão». — cal. pérola. piauj pieu. vinho. . niente. Queiroz. Vieux mot. pie. palavra que occorre já no século xvn. abbadessa. — cabeça. iieza. la tête . Larchey. palmar. pour le congédier. par plaisanterie. que liga o termo ao fr. Fr. Bluteau. Michel. . maítresse. Larchey. com intenção mais atrevido. Fr. — cal. arg. michosa. mechosa devem ser separados. porque é mais natural ligá-los a mecha (de cabellos): mechosa designaria a cabeça como a que tem mechas. moechus. csl. niente. Michel dá-lhe a significação de maitre. — — roz. en parlant d'une tête: Quelle cal. michaud. Queiroz. Larchey. nase. nada. Considera-se como reproducção do lat. Bluteau. arg. o termo do calão e o correspondente da germ. Michel. qui tombe elle même en désuétude: envoyer quelqu'un au peautre ou aux peautres. naze.* paumer. menos pejorativa». Se Fr. mau- — vais lit. Colhi a forma pikãa. miches du couvent militaire : or. individuo. vin. mec ó talvez casual. nez. lit. cama. prostituée. grabat. beber. acertou nessa de míchaud. perdre. Fr. e o ou «pessoa. le peuple de nos jours ne dit-il pas. meretriz . piar. menesse. nariz . Italianisme. pier. que grosão retraliida está MoRAES. morrer. segundo Littré «vieux mot signifiant lit.101 meço não he de bons porretos. arg. que foi muitas vezes nas suas etymologias. Michel. arg.» são: ahomem de maus costumes. A semelhança com o arg. que Ton appellait autrefois. Michel. nentes. cal. Em verdade michaud poderia do seu lado derivar de meche. — cal. mulher. arg. Os sentidos em uso na boca do povo : la infante. Bluteau. peauire. Fr. pio. — cal. Quelle peut-être Forigine de cette expression? Je n'en trouve pas d'autre qu'une allusion aux bailes ou boulets. pildra. Queiarg. (?) Larchey. roi. não sabes arg. boire. cal. inusité. arg. nasus. nasio. peltr a. Michel. rien. baile! voici une honne baile f Fr. lat. le brusquer. sauf dans cette locution populaire. pour le chasser».

— homme riche. cal. A palavra devia ter chegado a Portugal quando em diphthongo oe. Larchey. Gacal. agent de police. — cal. arg. RiGAULT. rousse. Larchey. Rigault. arg. . riffauder ou riffoder. que o deriva de trou. vid. filouter. rwpart. tirantes. Michel. bas. trêfle. raso. noir. p. cal. jplumer^ dépouiller un homme dans rintimité. cure. . On le tire chausses. p. feu. O mesmo se deu com fr. oboé de h: haut-bois. Larchey. tromper. a quem se ganba facilmente. anus. infra Fr. . roustir. calão dos nossos jogadores gallinha é o jogador pechote. toesa de francês a graphia oi representava ainda o antes do século xviii. rup. cal. soma. framloise. Larchey. riffodez. jpivois. que Bombet traduit par se chaiiffer On trouve dans le Jargon un article consacré aux ruffez ou . rifle. pour le mettre. 1 O termo piovês está por "^pivoês. — cal. Larchey. rif. comer. sornir. Fr. — escroquer. degner au jeu Targent d'un imbécile. . O cal. Na linguagem popular portu- guesa emprega-se comer no sentido de enganar e de roubar ardilosamente. roussin. calções. classe de gueux «feignans d'avoir eu de la peine riffoit à sauver leurs mions (enfants. framboesa de fr. 131). some. mioches) du riffe qui leur creux (logis)». — cal. mesma significação. padre. que phrase argotica plumer — la jpoide tinha o sentido de roubar (Fr. sor- nar. Queiroz. nuit. rupino. piovez (Albergaria- a-Velha) *. cama. — arg. Fr. Larchéy. vin. tefe. arg. est venu . dormir. No abbade. Michel.102 arg. «De rif . impiné. a policia (se o termo é genuino). rico. Michel^ Études. — cp. élégant. tirant. toise. ruiva. rustir. rupin. encontro é talvez casual. sonar. Queiroz. — Bluteau. rufo. arg. pennado. Fr. Michel. — arg. arg. fogo. rupim. tirantes. isto é. não tem A vintém. arg. arg. cal. 160. rase. Michel. Larchey. cal. prêtre.

«On s'iraagme que. voler. nenhum dos vocabulários furbescos do século xvi. 408. cp. patroa. arg". angl. cidade cal. braço. 441: o belfo balsa (?). RiGAULT. belfo. Queiroz. O furbesco e o calão Os subsídios que tenho á mão para o conhecimento do furbesco reduzem-se ás palavras avulsas dadas por diversos auctores e á lista inserida por Fr. calcioso. diz Littré a respeito da phrase. mesmo sentido da phrase fr. p. calcante. : que se encontra na Bi- Génesis.103 tucr. é si uno che ha il mi dice il. ex. cal. boJfo. ). Queiroz. ancroia. meretriz. 19. 1): «II belfo dei gergo portoghese. par ces mots. croia. artão. feira. — cal. n. LarcHEY. bola. 15. 99. père. — furb. Libro delia regina Ancrojaj). cp. port. Michel nos seus Bibliotheca Nacional de Lisboa não Études. pé.Velha). port. p. cão. sara tutt'altro che il nostro bolfo. publique. Larchey. 425-434. 7. ala (asa). furb. matar o hiclio. rainha. furb. Deuter.Vieyra (Did. artife. cal. E uma palavra puramente hebraica: blia.a. che si trova presso Francisque-Michel (p. juiís. cal. braço. filie arg. sapato. — — Cp. per cui distingue Casa d'Austriay). furb. . zona. possue A Segundo Fr. tuer le ver^ boire de Teau-dc-vie ou du viu blanc . Levit. roubar. pão. furb. cp. dans le jargon des raarcliands zoina. p. Ascoli observa com razão (Studj critíci. arg. 23. calcosa. 38. le vin ou Teau-de-vie tuent libation matiiiale désignée les vers intestinaux)>. Queiroz. arg. calcos. — cal. roi. travailler. Belfo. bolla. furb. — cal. 21. asa. trabalhar^ furtar. maitre. dont on a ííiit un poême généralement intitule : furb. daòe. p. pris à cette licure (le matin à jeun). pé. — cal. il cane abbaja). dona da casa (Albergaria. njlT. alia guisa cal. and labbro inferiore pendente. sapatos. — — — cp. aggettivo. cão. Michel «nom d'une reine amazone. artone. artibrio. pop.

). nada. ena. mulher. fr. (Alberg.* — bém no furb. taberna. cal. agua. — lima. todas as relações existen- tes entre os termos das quatro girias argot e furbesco . peltra. cornante. cosque. fogo. — cal. port. fiirb. com a Em ital. 161). Queiroz. calções. cal. vacca. morder. grunhidor. alforge. Cf. furb. criulfa. furb.104 furb. — cal. furb. crea. furb. çaria por ser um termo da Em português a palavra comegiria. cosco. loupe. rufo. gando. taberneiro. roer (hisp. — cal. — — — da negação por assimical. cal. agua. (Alberg. casa. não (alargamento lação ao nome próprio Nicolas). nicles. Observações sobre as três listas precedentes Não ficam notadas. Paris. Bluteau. pilula. que pensar tamcivettaj. cama. cal. — que se tascar). lente convergente. — cp. furb. tascheroso. limosa. lupar. poltro. grunho. marcona. carne. guallino. homem.) furb. casa. cp. furb. tirantes. luzente. cp. fogo. Queiroz. furb. creata. piolho. exemplos dados bastam para ver — . Queiroz. gato. cornantej boi. anciã. na expressão lamjpante di — escudo (moeda). ruffo. cal. por certo. furb. carne de vacca. cal. pilra. furb. tirante. cal. gielfo. furb. camisa. Queiroz. á lettra. germanía. Bluteau. tasca. holfoy acima. ganao. cal. pérola. — furb. liitui. olho. (Vid. cp. porco. Myst. calções. — — cal. estalajadeira. tascosa. tasquinhar. estalajadeiro. mas os calão. — cal. gao_. tasca significa pro- priamente bolsa. porco. olho ver fazem lupante. lenza. marco. nicolo. propriamente separar o tasco suppoz connexo com tascar. gelfo. infra Relações do cigano com o calão. furb. ou tomentos do linho espadella ou tasquinha. marca. creatura. tasca. — camisa. estalajem. . meretriz. olho de coruja. cal. p. boi. cão. tascante. lampante. grugnante.

105 qual a natureza sos d' essas relações. furb. Boiteux. blé. ali. lueisshulm. giria allemã krunickel. kronickel (o grunhidor) Na si- gnifica porco. braço. podiam ter passado de giria em giria ou ter-se produzido nas cal. cabeço (Pott. por estamos em um mesmo um Nos casos em que processo semântico. Coincidências de desenvolvimento semântico notam-se entre todas as girias e entre todas as línguas geraes do mundo. ciou. calco. ingénuo. dinheiro. formado de weiss branco e hulm. casa de penhores. por ex. mesma etc. ala. (Pott. milho e arg. cabeça . quatro e meio (90 réis ou quatro vinténs e meio). port. 8). calções. ttier le ver.. noutros casos os vocábulos podem ter-se produzido independentemente sobre uma base commum. 11). ii. gru^ente na germanía. . que provêem de aile. uma mesma crença. bra os gaiatos designavam também os coxos pela expressão cento e dez (110 réis). mn termo do calão parece traducção de : termo de outra giria pode ter havido realmente traduc- ção ou simplesmente coincidência de modificação semântica nas palavras correspondentes. Assim no calão queijo significa lua. pop. un pié. bola e arg. como na han- tyrka (giria da Bohemia) o mesmo planeta é designado pela palavra tcheque belák. queijo (Pott. exactamente como grunhidor. Mas parece já haver traducção em prego relativamente a arg. grunho no calão. cor^iante. etc. : gente tola. que parece ser o holm. Zig. ii. Rigault traz o seguinte artigo: Six et trois font neuf. Os termos grão (grano). quatro girias ou em algumas d'ellas independentemente. outeiro. cal. asa e arg. três. uma moeda. 8) lembre-se a fabula da raposa que tomou por um queijo a imada lua num No Rothwelsch gem poço. cogito de Em Os hispanhoes dizem: Uno.. ii. do mesmo modo no é cal. e tirantes. Allusion à Tallure inégale des boiteux dont les Coimpas semblent marquer des nombres diffórents. matar o bicho e arg. imbecil. cal. Na maior parte dos ca- presença de verdadeiras identidades de vocábulos. Assim ha por certo simples coincidência entre cal. dos. òoule. branco significa estúpido.

1U(J

o

que comparadas
calão

se

quadro seguinte compreliende uma serie de termos encontram em mais de duas das gírias românicas
:

107
parte, de um vocabulário estampado ches italiennes et françoises de Oudin

em
*
;

1549, e nas Recheralguns remontam,

com certeza, até ao século xv, como se mostrará. Os seguintes termos do jargon francez do século XV correlacionam-se real ou apparent emente com termos do
calão; de quasi todos elles dei já os correspondentes no argot mais recente. arton^ pain.

Tant

qu'il n'y eust

de Varton sur les cars.
Ballade
xi,

A. Vitu,

p. 163-4.

aarton^ c'est pain». Processo dos Coquillars. M. Schwob, cal. artào. Mém. de la Soe. de llng.^ vii, 180. 301.

hec^ nez, figure.

Luez au

bec

que ne
Ballade
i,

sois greffis.

A. Vitu,

p. 180.

Schwob,

p. 30Õ.

cp. cal. beque^ bique ^ nariz.
òelistre,

A. Vitu,
bilontra.

mediant, gueux qui vit d'aumône et de rapine. germ. belttre, picaro; port. biltre; cal. p. 183.

blanc^ sot, niais.

en

leurs sciences c'est

Processo dos
\colomb,

«Ung liomme simple qui ne se congnoit ung sire ou une duppe oumigblanc.)) Coquillars. Schwob, p. 179. 310. Blanc coulon
être pris en sens in-

pombo] parait au contraire
le

verse

:

dans

jargon de

la Coquille, c'est celui qui

joue

le niais. Ibid.

«Ung

blanc coulon c'est celluy qui se couche
aultre, etc, [et luy desrobe son argent,

avec

le

marchant ou

ses robes et tout ce qu'il a et les gette par

une fenestre

a son compaignon qui Fattent hors de la chambre].» Proc. dos Coquillars. SCHWOH, p. 179. cal. branco, estúpido,

ingénuo

.

'

Vid. Fr. Micliel, Études de philologie comparée sur V argot, p. 425

108
gaudinSj brigands ou petit-maítres.

Cest tout son

fait

d'engandrer

les

gavdins
A. Vitu,
p. 326-8.

A

hornangier
Ballade
ix.

Vid. acima p. 100 arg. gaudineur e
grain, écu, moniiaie.

cal.

gaudinar, gauderio,

Et

n' abater

de ces gi-ains neufs et vieulx
Ballade
vii.

A. Vitu,

p. 344.

cal.

grão, cruzado novo. Bluteau.

gris, froid.

Et vous gardez bien de
Qui aux
sires plante

la roe
grisj

du

En
cal. gris, frio.

leur faisant faire la moe.
Ballade
vi.

A. Vitu, 347-8.

Bluteau; mod.
ribaude.

griso,

marque,

filie,

Marques de
cal.

plant,

dames

et audinas

Ballade xi, etc. A. Vitu, p. 405-408.

marca, meretriz. Bluteau.

jpaulrmr, voler.
Puis, dist
cal.

ung gueulx,

j'ay

paulmé deux

florins

Ballade ix. A. Vitu, p. 434-5.

palmar, roubar.

pye, boisson, vin.
Pour avancer au poUiceur de pye.
BaUade
cal.
ix.

A. Vitu,

p.

467-470.

pio, vinho.

Bluteau.

pye^ry boire

Bab: Babille en gier en pyant à la fye
Ballade, ix. A' Vitu, p. 470-471.

cal.

piar, beber

109
jambe. «Les jambes ce sont
les quille8,y>

quille,

Proc.

dos Coquillars.

ScHWOB,

p.

180.
quille et brouez.
p. 472-3.

Poussez de la

Ballade v. A. Vitu,

cp. cal. quilhar.

rouhe, justice, alls appellent la justice de quelque lieu que ce soit la marine òu la rouhe.í> Proc. dos Coquillars.

ScHWOB,

p. 179.

— Cp.

acima arg. rousse^

cal. ruiva.

rufflsj feu.

arujle c'est le feu Saint-Antoine.» Proc. dos

Coquillars.

ScHWOB,

p. 180.

— Cp. acima arg.
sires sont rassis.

rif. cal. rtifo.

some,

la nuit, la

brune.

Sur

la

some que

Ballade

vii. Vitu, p. 503-505.

cal.

sornar, sonar, sornir, dormir.
carta de Luigi Pulei* lê-se: dove
si

Na
o

petinó quello

lustro la brigata sopra la lenzay>,

termo furbesco da
:

lista

acima.

em que lenza parece ser Na curta lista do mesmo
;

Pulei noto
calcose), le

cosco, casa

(cal.

cosque, casa)
;

caccose (leia-se

scarpette (cal. calcos, sapatos)

gvxildi, ipidocchi

(furb. guallino; cal. gao).

Assim pela comparação com as girias extrangeiras, estudadas nos seus mais antigos documentos, pode alargar-se
a historia do calão além dos limites que os documentos próprios nos impõem todavia não é possível dizer quando
;

Portugal se começou a usar esse calão de que acabamos de passar em revista alguns dos elementos mais
é que
antigos.

em

Emquanto
mentos das

ás origens

mesmas

d' esses

mais antigos

ele-

girias farei ainda as

observações seguintes.

Vid. acima pag. 91.

110 Alguns d'esses termos são já producyòes próprias das
girias,

feitas á custa dos materiaes das linguas geraes; taes são asa (día)^ branco (hlanco), calcos (calcose), cor-

nante, gunhidor (gruhente)^ palmar, rufo
fulvo),

(ital.

ruffo, ruivo,

tirantes (de tirar, ital. tirare, fr. tirer), trabalhar

e talvez mechosa.

Outros dos referidos termos são palavras tornadas archaicas nas linguas geraes, ou vindas de outras linguas
vivas,

ou de origem

incerta.

idêntico a hisp.

anela, agua, é considerada por Pott, Zig., II, 4, como aíisia «Da aíisia in Span. nicht bloss
:

Schmerz, sondern auch ein heftiges Verlangen bezeichnet, f ilhrt letztere leicht auf den Durst und das, womit er am
gewohnlichsten gelõscht wird, oder Wasser;
die
ais

— eine

Qual,

Klimaten noch mehr zu wiirdigen weiss, anderswo.» Mas a existência da palavra no argot e no
in heissen
d' essa

man

furbesco fazem duvidar
artona, pão, occorre

num

explicação. texto latino medieval

cit.

por

Ducange,

Schwob, p. 301, trata-se de um «texte qui n'a rien de populaire, un texte ecclesiastique ou aríowa semble une mauvaise transcription grecque».
s.

v.,

mas como

diz

Fr. Diez, Etymologisches Wõrterbuch, II 3, 208, diz: uArtoun neupr. brot, ein it. artone kennt Veneroni; dazu

kommt noch

tesa, pg. arteça

oder artalete pastetchen, und arbacktrog. Man vermuttet darin das gr. hat wohl das bask. artoa apTOç, aber náhere anspriiche maisbrot s. Larramendi, Diccion., I, p. xvi, nach Humsp. artalejo

boldt, Urbeic. Hisp. p.
art eichen. P.
(brot) hieher.»

155, urspr. eichelbrot, von a7'tea

Monti rechnet auch das comask adro-basto

fica, todavia, incerto.

Se a palavra é realmente de origem basca, O gitano tem harton, pão, em que Miklosich (Abhandl., II, A2) não hesita em ver reflexo do
gr.
apTcç;

a palavra podia ter passado do hisp. para o
este

gitano;

mas

tem também

artifero, padeiro,
1.

não podemos deixar de ver com Miklosich,

em que c, reflexo do

111
gr. ápTo^^óptov

(Ducange), e do qual é

difíicil
*.

separar a forma

artife das girias,

acima mencionada

port. biltre) não é nestas duas linguas termo de giria figura como tal na lista de Hidalgo e a elle se liga o mod. cal. hilontra, que foi talvez importado do Brasil,

hditre

(fr.^

;

onde ha tram

um

calão que, ao lado de elementos que se encon-

em

forma italiana

Portugal, possue muitos próprios. Talvez que a helitrone não seja estranha á producção

de hílontra (no Brasil ha muitos italianos). A origem de helitre é incerta. Vid. Diez, Scheler e Littré, s. v.
sentido de — companhia que
bola, feira, parece ligar-se a

um

ant.

fr.

boule, baule,

no

se diverte, pandiga,

em

diver-

sos textos reunidos por Fr. Michel, s. v. cosco (furb., cal. cosque) é considerado por Pott, Zig. II, 25, como tendo sido talvez modificado do italiano aasco,

caduco, velho, para não lembrar facilmente casa; a forma da germ. cuexca (cuescaj mostra, porém, ao que parece,

que a palavra ó velha na Hispanha; cp. port. cosco, coscorrão, e hisp. cuesco, que o sentido não permitte ligar a
cal. cosque.

São 48 as palavras do grego (moderno), incluindo quatro numeraes, que Miklosich, Abhandl. ii, 42-3, acha no gitano. Com relação a quarenta e cinco d'essas palavras parece-me que não pode duvidarse de que sejam um testemunho da residência dos antepassados
^

europeus dos gitanos na Grécia
é
suííixo ibérico -orro)

•,

que podem levantar- se duvidas.

sobre harton e as duas seguintes O gitano calca, calcorro (com o

diíficilmente pode separar- se dos termos de germ. calcorros, para o ligar ao gr. xáXTj^a, apesar da observação de Miklosich: «Die Oxytonirung weiset auf nicht- span. Ursprung». Nessa accentuação pode ter havido uma influencia analócal. calcos e

O git. furnia, cueva, não veiu talvez da Grécia (gr. cpovípvo;) com os tsiganos que se acham em a nossa península, pois já cá havia em hisp. furnia, usado ainda hoje em Cuba, e em port. ///r/ia, ainda vivo
gica.

no continente, e transplantado logo depois da colonisação da ilha de S. Miguel (Açores) para essa ilha, onde é celebre o Valle das Fu7'nas. O termo git. drun, camino, viaje, e também prudência, cordura, juicio (Mayo), do gr. ^poVoç, caminho, faz lembrar o termo pop. port., talvez primeiramente termo de giria, endromina, ardil, mentira

para defraudar.

nomen accepit. sui qua ab umbilico usque ad peHaec autem vestis in ex- purpuram limam.se na giria dinamarqueza kraegeSj e lembra. no ant. Scheler e Littré. xpia^ por Fr. etc. é uma velha palavra. se gamhia^ perna. 120. camerus. cp. como mostram os textos : Alii fontemque ignemque ferebant Vergilio..^ lib. fallecido em 1614. ser curvo. parece ser também uma velha palavra. hisp. hisp. quod limum appellatur. s. Velati limo et verbena têmpora vincti. Uma não designa a mesma peça de vestuário que Umus. 3. 1 .. o tsigano karialo. Beitr. A origem parece estar num radical camh ou cam. também cama. San- germ citadas Sem duvida em Ducange-Henschel. churwelsh comba. II. Âentid. s. Etymol. : Vid. Diez. Umas. xii. ainda Isidoro.^ i. Vid. flexuosam habet. Lat. Unde Nam limum obliquum dicimus. e as passagens de Joannis de Janua e do Gloss. v. Gall. lat. pp. e. i. gamba e jambe. catalão. Zig. Ciceronis libertus. carriba^ cambaio. segundo Pott. Basta lembrar as variadas signi- Professor hollandez. que na forma gamba acha como termo da linguagem geral em hisp. Ao lado d'essas formas ha o ant. sard.112 cria foi ligada ao gr. 3. A palavra encontra. provençal. Sérvio ad AEn. cincti erant». des teguntur pudenda poparum. 14. Aulu Gellio. port. 765-771. Michel. fr..jambe.^ 1. lictorem vel a limo vel a licio dictum scripsit Licio enim transverso. no ant. Miklosich. que coUigiu termos tsiganos e do Kothwelseh. picardo e yfdWon gamhe. lima^ camisa. xii. camba (poema de Alexandre).. xix. camurus. inquit. Vid. em Vulcanius * na forma creu (caro). 16. 22. qui magistratibus.. c. mas a mudança de significação não tem aqui nada de extraordinário. A origem grega da palavra está muito longe de se achar liquidada. praeministrabant. XV. v. aLimus autem tremo et est vestis. no ív. «Sed Tiro Tullius M.

que parece vir do inglez pony. translada de Dorph. d'oú jovial. como suggere No . noche. em que por certo existiu um de que deriva sournois. noite. holstar. sombre. Carolina Michaêlis de Vasconcellos (Studien zur hispanischen Wortdeud'e8te. d'onde port. a relação com 2 as girias românicas pode ser apenas apparente. v. comquanto o furb. por causa da raridade da queda do t em provençal. marcaj tem resistido a todas as tentativas etjmologicas foi-se até a derivá-la do céltico marka. almofada. Zig. *. espécie de saia curta. Studj. espécie tem . 419. . adj. manteo significado: 1) capa. comme me fait observer M. et opposé comme à Júpiter. e justificar essa etymologia. limes. égua. hande grise. Bugge. p. fr. alto allemão jpolstar. 1885. sorn. som . gao é de origem incerta. e germ. (p. soime está por ^soome. soturno de Saturnus. para cobrir o corpo da cintura para baixo de largo collarinho 3) peça para ornar o pescoço. O cal. * Pott. camisa. mulher. obscur 2. du xvi'' siècle saturnien (Littré)»' Segundo o mesmo philologo o ant. é derivada por Fr. teia. com a mesma significação possa fazer suppor uma connexão com griso. grisalho. do provençal som. somar. Só o port. cp. 157) deriva port. enxergão. ant. allemão mod. sombre. mas de somar. provém d'aquella que Storm (Romania. ponis.113 ficaçoes dos representantes do lat. francez noite esta a germania tinha soma. não vem directamente de arg. mantellum. com roscas.j II. 184. saturnine. e a que se liga port. cama. guallino^ o arg. Firense. 88). morne. peltra não pode separar-se realmente de fr. fr. peautre_. referencia ao artigo citado de Storm. Michel. Em verdade ha no cal. e limsk. ^sadorne. auctor de um trabalho sobre a giria dinamarquesa. que Scheler liga ao ant. choina de choinar. de hisp. p. etc. 184) de: havia some crepúsculo riva «de Saturnus. que ligo cal. 340. e. pardo. ^sornCf tung. a some. soma. a forma deve provir 'da lingua d'oíl. représentant le planète d'influence funeste. Angl. mantelum e seus derivados nas línguas românicas. some. soma. grisaldo ao lado de gualdo. Ascoli. polster. D. 2) peça de vestuário.

verdes. eu. sapatos. sapatos . costas. fumo. noite.a. sapateiro. nada. doze vinténs. peixe. antiga guarda dos capitães generaes?. simoco. guarda-sol. francez cal. bolacha (biscoito chato) *. . cabana. faca. chefia cadeia. fish. te. chastre^ alfaiate. bom. 1 A palavra port. de smoke. de toi. Do Do gallego: nai/a. de shoemaker. de galleta. quarenta e dois guinés. embolo porte-horne. tabaco de fumar.Velha no sentido de . de knife. choupana dogue. de gut. cuté. de costillas . de hoot . me. alar. de riiabit. trompar de tromper. bacalháo. fusileiro de lejos. . veste. dinheiro de guinea. stockfish . bofetada. de stockfish. bota. de na^. de trowsers. galheta. bacalháo. pé. calças. casaca. bolacha (biscoito chato) toma familiarmente o sentido de bofetada. de piston. chona. ir. chumeco. calças. Do nada. dormir. semoque. segundo os processos de formação do calão abaixo expostos. naifa. rapé. Do inglez : bute. costilhas. de dog. lofo de foi (com inversão). miquelete. de hajo. . faca. miquei. de porte-monnaie . moa 6 moiene. clioinar. no calão de Albergaria.114 Termos do calão provenientes das línguas modernas estranjelras Alguns d'esses termos experimentaram modificações. tu cadeia. de moi. janella. tivelve. nome de uma moeda. mim. de de montanha na Catalunha. de ventana. casa. . lahita. de doze. Do allemão: gute. de cucharra. toiene. de noche. soldado da ventaria. transes. presunto fortytwo. casaca. . colher e gazua. ti. cão. agente de policia. de sastre. sapateiro de cottage. tuelles. mãe. colher. : ir . tu. não. trozes. de niente. afastado. de aller. pistão. cão. guine. legos. de shoes. de chame. Do hispanhol: haguinos^ baixo. italiano : nantes. cuncharra. niente. fiche. chuzes. eu.

ou depois de mais ou menos detido exame. fê-lo conscientemente. o termo da lingua evidente que os termos enigmatisados (quer . ha ainda uma maioria de termos em que distin- guimos duas camadas: 1) uma que immediatamente. a forma culta da palavra não está no seu espirito. se nos apresenta como junto constituida por termos da lingua geral portuguesa. Quando o povo diz inselencia por excellencia. de enigmati- sar. tendo bem geral. já das linguas es- dos ou- tros ficar-nós povos (separação que só parcialmente é possível). mas de que provavelmente uma parte os quaes experimentaram modificações mais ou . É feliz expressão de Pott. Um exemplo fará comprehender bem a distincção estabelecida. E lingua geral e dos dialectos. quer sons.115 Os processos de formação do calão 8e separarmos do calão tudo que lhe tenha vindo for- mado. quer forma. entrará na outra categoria depois de novos estudos. Deformações phoneticas. elle não a co- nhece. Quando um creador do calão modificou almocreve em almuque. menos connos na na sideráveis. segundo a corrente. com alguns termos pouco numerosos d 'outras linguas. Passaremos agora a estudar os processos pelos quaes dos termos da lingua geral se formam termos do calão e se neste ha verdadeiras creaçÔes novas. diz inselencia porque apercebeu sempre a palavra com esse aspecto phonetico. ou em mais de um d'esses aspectos ao mesmo tempo 2) outra camada constituida por termos que se nos afiguram irreductiveis. apesar dos pontos de contacto que se notam entre essas duas ordens de phenoraenos. prompto para ser empregado sem modificação sencial. e presente no espirito a forma perfeita da lingua fê-lo no intuito apenas de disfarçar. quer significação. preferivel empregar esta o expressão para distinguir processo consciente da modino calão das ficação phonetica alterações phoneticas da I. já das girias estrangeiras.

e aquellas mesmas Ex. caso ainda de culta que não se dá (salvo circumstancias especiaes. : de trifolium. trevo como mostram. como pode ver-se nas observações que noutra parte consagrei a esse ponto 2. como noutros mais. 141 e n. a que pertencem os seguintes exem- Vid. Essa mudança de accentuação coincide nos exemplos dados. 2 1 2. são acompanhadas geralmente de modificações nos sons. Vejamos do calão. Essa suppressão é geralmente acompanhada de outras modificações phoneticas. por ex.116 no som.® 3. Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa. com uma reducção de calão são raras as syllabas. diz-se tisoras por tesouras. por da lingua deram-se também d'essas muex. papel. especialmente nas formas hjpocoristicas dos nomes próprios. acébo do lat. a) as principaes espécies de deformação phonetica Mudanças de : fica-se ás accento. quer na forma. Suppressão de syllabas (abreviação das palavras). ceroulas^ pápulo (todo escripto. 142-149. quer na significação) podem ser repetidos depois por outros individues. mas esses termos correntes serão empregados pelos mesmos individuos quando não faliam o calão. . capitão. sem que seja conhecida a sua relação para com os termos correntes de que sairam. p. No processo evolu- tivo inconsciente danças. p. aqulfolium. linguagem familiar dá-se essa abreviação nos termos de h) Na ca- rinho. n. suta. O mesmo se dá no calão. de fr. sautoir. cérulas de port. Na linguagem familiar modivezes por gracejo a accentuação das palavras.' serie. irmão^ capito de port. a que terei me referir em parte*) com os termos da lingua na boca do povo que emprega em vez d'elles às suas formas próprias. irmo de port. ex: No cepto carta) de port. mudanças de accentuação que não coincidem com suppressão de syllabas.

alcofa. aljaba exis- tem na lingua como palavras radical distinctas e sem relação de com alcoviteira. 133-142. restolhada (que ó propriamente o ruido produzido pelo vento no restolho) estola. restolho (barulho. e noutras só pela interpretação secundaria pode tê-la. senhora (sinhá é tam- bém forma crioula do Brasil) .se uma longiqua ^.^ (1887). rijo. ai jabá (alpios: alcofa^ j de port. de port. D. gibeira de mulher). Chron. trio. Pedro I. de port. figura lista de Queiroz Velloso. 2 < Queria gram mal a só indi- 10. tisas. c. de port. Fernão Lopes empregou a forma alcouvetas: alcouvetas e feiticeiras». tesouras. de port. indicamos o português geral camos a significação dos termos que nella experimentaram modificação. pataco. ex. Pela abreviação port. brasil. almuque. vid. alcofa acha-se no Elucidário das palavras. modificada veiu a tomar a forma de outra que nalguns casos não tem com ella a menor relação de significação. trio. croia *A forma frases que terbo. i . de port. correlação Nos exemplos naes taco.117 de port. as syllabas supprimidas são fi: mais rara ó a suppressão das syllabas iniciaes. algibeira. rijo. estalajem. fabrico. todavia um regedor pode ser denominado o rijo pelos meliantes e entre uma algibeira e uma aljaba concebe. na maior parte d'esses exemplos a palavra . Como se vê. de port. algibeira. marac a de port. 3 lar. É um dos vários na termos populares que o auctor inseriu entre os archaismos. de port. Se brasil e restolho se reduzem apparentemente á substituição de derivados por primitivos. algazarra). almocreve. . /abricante. citados. de Santa Rosa de Vimas sem texto que prove a sua antiguidade. regedor. pp. . alcaiota ou alcoviteira^ . de port. Sobre factos análogos e o que os distingue da etymologia popuo meu artigo  etymologia popular in Revista lusitana. regedor. bi^asileiro. sinhá. termos e em Portugal antigamente se usarão. a que pertencem todos os de calão citados neste estudo que não se encontram nas nossas listas acima. . de port. camarada. theatro. theatro . de port.

por burrico. pardesse (pardes. ix. lutum^ carrascão por cascarrão de cascarra. argot apresenta numerosos exemplos de suppressao de syllabas. Die portugiesische Sprache in Grõber'. p. e Bibi (Bicêtre). 46. como vimos. . No raras. achar (acharnement). zouca por cousa. d) zouzou (zouave).118 de furbesco ancroja (?). O can (cânon). calão as inversões podem . cesso basta para a formação de certa Vimos já que este proordem de girias. c) lubre (lúgubre) . comme (cominerce). Schwob et Guieysse. b) chand (marchand). diam (diamant). p. traz quesposso por pescoço^ que não sei se devo considerar como termo do calão. ser simples ou nhadas de outras modificações as acompada primeira espécie são : Exemplos d'inversão simples safo (lenço) por *fasso (d'onde falqo. 211. tapor por porta. taes são: a) autor (autorité). os das outras são raros *. sus). troquei (matroquet). chamfpa por jpranchaf manica por maquina . pouchana por choupana. se como termo popular. Philologie.s Grundriss der romanischeu i. magne fmanière). c) O Inversões de sons e syllabas. Nas linguas geraes portuguesa e hispanhola ou nas suas formas populares ha assas numerosos exemplos d'esse processo. Talvez o^eco jumento esteja por burreco^ forma popular depreciativa. Larchey. occas (occasion). c{j)al (municipal). no seu bello trabalho sobre a lingua portuguesa. Nos seguintes exemplos houve mais ou menos consideráveis modificações dos sons invertidos ou outras modifi- 1 2 Vid. Bluteau). saj) (sapin) condice (condition) . 776-77. que apresentam suppressao e argot apresenta sobretudo exemplos da primeira espécie (suppressao de finaes). croc (escroc) . nounou (nourrice). jpoche (pochard). d' entre os quaes escolhemos alguns: agamo por âmago ^ atolar por *alotar de lat. Alexandre António de Lima. from (fromage). Rasgos métricos ^ p. reduplicação. reuniu Júlio Cornu^ boa collecção d'elles. de origem italiana.

torpe ou port. O calão drope. Pott. escova. port. noche. cavallo (b por musaranha. de ver ser. : A grito por trigo. ou ème). desventura. tisoar * vistar de visto. tropa. encontramos Ostac por Costa. Tropo. português desenvolveu-se espontaneamente ár de <r por exemplo. f. Frequente no argot moderno é o processo chamado loucherbème. adro de lat. m em * pedra. estivar. populus. choina. vidro em vitrum. e : sor/uinha por ^zoquinlia. posta no fim da palavra. de ir^. de port. vapore = port. server (pleurer.. (mirar) por Zig. excepto em ligação com outros processos. uche. petra. greno por negro. talvez em busaranha de álamo. em pedra de lat. jpocírí?^ e talvez nelle se fundisse ainda *brope. de . . lofo por port. á Ballade V. macallo por *vacaUo^ de m. se faz seguir de um suffixo (particular- mente de ique. Já em Pechon de Ruby se encontra zerver. crier). valet (Schwob et Guieysse. de lat. que se substitue por um l. e um ao lado do outro: limogere. povo . p. No argot são raras essas inversões. pobre. na língua geral por h. dep em /em lat. assim loucherbème 1 Ibid. port. 18). de port.119 caçoes concomitantes cozinha. Drofo * por ^Trofo. 769. etc.^orto. pode estar de portanto por *trope. e.. germanía antiga apresenta-nos já vários exemplos de inversão de consoantes chepo por pecho. dropa por drepa. stivare. * por *drespa. presta. adversidade. drepa (etymologia de Cornu) chona. foi. e miloger. atte. taplo por plato. II. (Hidalgo. scopa. nome de um chefe de policia (Ibidem). 38-39) e remontando até mais alto. de Porto (cidade). pobre. bafo (segundo Cornu *). drofa por ^trofa. de ^ort. port. alhus de hisp. abjecto. latino medial. s. que consiste numa inver- são da consoante inicial. adj. p. Houve alteração de p V nas palavras lat. toba de bota. '^folo. Em de lat. chambrière. . de Villon. oque. "^trespa.. de port. lepar por pelar. atrium.

por II. ama-torio. porte-horne de porte-monnaie . calçado. Exemplos: mostro. falso. lenço. cambador. : conhecimento. do italiano fazzolo. Ha. pp. chiloras de ceroulas. Cada uma d'essas palavras tem pois emprego especial. mamão de melão. sura.120 formado de boucher : oucherh-. por *fasso. lenço. etc. palavra que exprime uma remais ou menos distincto do exou conceito presentação thema assim ama-r exprime uma acção presso por aquelle ama-dor o verbal. p. lastimoso. fizeram cair em desuso altividade. vinho. l-oucherh-eme . . lastimeiro. * Vid. A derivação propriadita consiste na formação de uma palavra nova. peltra. tendendo em regra a approximá-los ou confundi-los no som com termos da lingua geral. embrulhada (emborilhada). pérola e pilula. (vid. Questões da lingua portuguesa. germ. fazzoletto * fosso). ex. falcambista. tendo por base uma raiz ou tliema já existente. perdão. chimpar de chapar. a que se suffixos. calçamento. muitos : derivados que são mais ou menos synonymos com relação a outros da mesma raiz. que respeita ao amor. fazo. elimo de animo (cf. e já antigo no argot das classes criminosas^ de onde passou em menor rístico grau para o argot geral. não são synonymos. d) Alguns termos apresentam outras deformações phoneticas. cama. lemmefoque àefemme: emmef-^ l-emmef-oque. de mosto . falsidade. port. amante e amador. anima). alma de lat. Muitas vezes um mesma derivado fez desapparecer o seu synonymo da raiz assim em português altivez. emborilho . de cal. çonhecença. acima safo. mente Deformações morphologicas. 44-50. agente. Esse processo é caracteé do argot dos houckers (carniceiros). perdoança *. calva. porem. calveira. ama-vel a qualidade do que me- juntam um ou mais : rece que aquella acção o tenha por objecto.

» Digo pelo menos apparentemente. Empregaramsobretudo para esse fim. petit taureau. tau-reau (=^ taurellus). parece ter o francez allongado também sol. i-oso . auricula. [-itmiito {-mento i-edo i. \-ença conheci . II 2. . lastimoso podia não ter sido derivado de lastimeiro. C= soliculus). antigas formas deminutivas cujo Assim como se preferiram aos de causa sua simples apis^ auris. ou vice-versa. {-ai que muitas vezes a derivação nas línguas românicas tem apenas em vista reforçar a forma ordinária da palavra sem fazer caso do «Não deve esquecer-se. quer. ex. 262-3. da3. como muito breves. f .. isto é. . {-idade . 260-261. por pequeníssima dimensão. \-do calçai [-idade .. quer para distinguir é mais frequente. Visto que se expulsaram da lingua. trad. fr.* ed. . diz se. sem pensar em ver nelles deminutivos. II. .121 Nalguns casos houve. como petit soleil. ovis. ovicula. mas sim qualquer d'elle3 1 se produzido de lastima. numerosas palavras simples para as substituir por outras de mais corpo. O fr. porque não se salvariam essas ser também podiam mesmas palavras allongando-as ? Mas só empregados com esse fim suffixos de significa. porque culus e ellus lhe eram conhecidos por numerosos exemplos como simples formulas de derivação 2. p. não mais que o simples latino mentum ou ren. ção incerta.. sentido. porque as formas podiam terindependentemente. para dar como ou semelhantes. obscurecida outros teriam influido muito cla- ramente no sentido. *' falsl lastiml {-ura eivo oLiV\ . . taurus em soleil sentido já não era sensível. troca de suffixos * : altivl \-ez . os diminutivos apicula. pelo menos apparentemente. 2 Grammatik der romaniscken Sprachen. a uma mais peso idênticas formas palavra curta.. diz Diez. menton ou rognon.

pu. deu logar á formação de derivados em -ellum. porque se formaram á custa de um buffixo com a parte thematica palavra e depois ganharam independência como verdadeiros suffixos. por exemplo. 149. p. juntando-se a themas em -r. 527-530. com significação distincta da dos themas de que são formados. o suf. 2. Vokalismus imd Betonung der lateinischen Sprache. : com o suffixo -ina.122 Proponho chamar indiíferentes esses suffixos que não dão origem a uma palavra de significação nova. cal. com ardina. cp.(hom* homon-lo-. -n ou -ro (-ra). hom-ullus. como mostram. d'onde villo-. homul-lo. 'ullum. TJeher Âusspraclie. Principien der Sprachgeschichte. Corssfen. tem forma d'arco. luz. sentiam-se em formas como jpu-ella^ hom como radicaes. olho. port. lâmpada. II 2. terminal). -illum.*» ed. latim. de kom-en. ções novas que depois serviram para derivaassim de puero. de vino-. Cf. de port. No calão ha alguns verdadeiros derivados. -no (-na). isto é. pela assimilação (depois da syncope de o. mas que não a nossa Hngua directamente a themas ver- em baes. d'onde puel-lo-. á lettra: o que arco. luzio.derivou-se puerulo-. muito frequente em português. de cal. caso que aliás se dava em latim. sentina de senti-re. arder. frequente se applica em português. Taes são alam/par. ruina de rue-re. por exemplo. . H. : arcoso. . de port. -lo de uma Em (-la). -ulliim foram tomados como suffixos independentes. ainda que se apresentem por vezes com aspecto próprio. -illum. Ha certos suffixos que podem chamar-se falsos. vinulo-. v. de port. lampião. v-illum. Paul. ^lanipo ou *lampio. aguardente o suffixo -oso. ver. No calão encontramos factos das mesmas ou semelhantes categorias dos que acabamos de examinar com referencia á linguagem geral. simples ou composto. 203-204. olho.. termos formados de outros por meio de um suffixo (real ou apparente). em que : -ellum.*. Visto que havia outros deriin-) vados semelhantes. á lettra a que arde. a. annel. 1 W.

de copasio copo. -deira. botas. durasio de duro. cp. gargalo. hisp. broma. com o suffixo frequente -nte. gargantosa. port. á lettra: a que se extrahe do o suffixo -eira. com o suffixo -oso. Cp. que se encontra. calma. de garganta. que se encontra na forma feminina -nta em port. o suffixo -eca. cp. faveco (feijão). mas. espadeirão de espada. aqui significa: que tem (escamas). mas que é muito frequente em derivados da lingua geral. pescada (peixe). com o suffixo frequente . bofetada. gereiro. naquelle mesmo sentido e no de pancada de chapa com a mão. em port. cp. sonneca de somno. bagaço. regueirão de rego. gatasio é antes termo gatasios popular. folheca de folha. com escamanta. chapeca. de port. cp. àe fava. cueca emh^omar-se. chapeca. que também se encontra com a forma sapeca. á lettra: a que tem garganta. — canhantes. gera. aguardente. bagaceira. açougue. trigueirão de trigueiro. . garrafa. como quanto ao sentido. arder. indolente. moeda de dez réis. (mãos. grunhideira. calmoso na significação de preguiçoso. posto e derivado de port. não se applica nella directamente a themas verbaes^ mas sim a themas nominaes. de trigo. de chapa. com o suffixo port. cano ou canna (da perna)? o suffixo -ante serve na lingua geral para formações de ca- mas tendo sempre por base themas verbaes. irritar-se á lettra: fazer-se grosseiro. carne. por exemplo. Bluteau. com de mandrião. larcomposto de largo. de port. aguardente. com o suffixo -eco. com racter participai enfraquecido. meiaí. emquanto nas palavras da lingua geral esse suffixo indica um agente. de grunhir. de port. de escamar. balasio de bala. Em-eirão. bagaço calmeirão. governanta. gueirao toleirão de tolo. com o suffixo frequente -osa. encanhas.123 ardosa. dedos) de gato. homem grosseiro. lingua. de cal. lingueirão de lingua. de cu.

toiene do suffixo -ene fr. no calão. beber. 1 No argot é frequente a adjuncção de suffixos deformativos aos : nouzaille por nous. dentrémes. Em bém da lingua geral e do mesmo thema. .^ administrante. Scc. pela analogia das terminações de port. lodo. faduncho. Nas linguas românicas. ou elemento com aspecto de tem apenas por fim o disfarce da palavra. loimique pour moi. meziguCf mézigo. a adjuncção de um suffixo suffixo. cavallo magro. parafuso. ling. a um thema da lingua Em geral. tarduncho. vouzaille. muitos casos. por port. pela analogia das terminações de creme. 46. administrador. RiGAULT. encontra-se em moiene do fr. temos a substituição de um derivado da lingua geral por outro tamcal. apresentam mitene (do um não usado em português. Mem. Schwob et Guieysse.12-4 piadoiro. seduncha. como vimos acima. cálix de igreja. com o suffixo -doiro. apparentemente do plural. língua geral e isto que são devidos apenas a más analogias dá-se por exemplo em: loduso. não havendo differença de significação entre o primitivo e o derivado ^ taes são : . oiro. fr. sézigue. teziere. de cal. etc. loitreme por toi . ourives. comedoiro de comer» pileca. mitaine). vouzigaudj voziere. a adjuncção de um a suffixo sem valor derivativo ou indiflferente tem um fim diverso — conservação de uma palavra de pouco corpo. de tarde. moi. leme. loitHque. Cp. A forma. cal. nôziere 2 por naus. por *peUeca. de fado. expressões populares como um bigorrilhas. ete. abuso. toi. pipa. de port. bebedoiro de beber. seiziere. pipuncha. de seda. estreme. teuene do port. tezingaud.. O calão junta noutros casos ainda um s a certos derivados seus. sezingaud por lui pronomes (soi). bolso interior do casaco ou collete. teu. vozigue por vous. pelle. vii. como se verá mais abaixo. chegaduncho. de chegado. de port. cp. um bolas. Nalguns derivados apparecem-nos suffixos estranhos á . de piar. infuso. mas de sentido um pouco diverso.

haguinos. parrelo. horante. Storm. de alli. de seda. cabra. de caixeiro. todos com o suffixo -ante. de sinhá (cal. aquera. de paivo. . zarguncho. os advérbios port. antes. de cal. de branco . Ling. algures. denunciante. 47-48) e que se encontra na lín- gua geral em caruncho. de hisp. allimes. de vinte. lonjantes. pato no sentido de ingénuo (cp.125 mesuncha^ de mesa. forantes. 43 . com assimilação de im em rr. cair como um pato. por causa do s final de algumas d'essas formas. de cal. de cal. aqui. arribatis. emquanto na língua geral só serve para derivados de themas verbaes. e creoulo por senhora). 156-157. de alforje. de de antrel de alli. ante. Soe. briol. agadanhar. . J. Cp. nenhures. haguines. de longe. de longe.. breu . os processos de derivação adverapparente são mais irregulares. hranquioso. no slang slandingcular (pela analogia de perpendicular)^. nota (de banco) alforjante. de maçã. aqui. applicado porém a nomes. de cal. de hora. patola. cal. perua (bebecal. notante. parné (dinheiro). formação sem analogia na lingua geral. caixeirante. de port. paivo. chibo (espião. de ca\. cal. sedaite. patáo. (adeante) bial Nos seguintes exemplos de arriba. etc. cal. vii. na são outros lingua geral). perunca. e que lem- bra certas accumulaçoes de suffixos noutras girias. exemplos do emprego de procestolo. agadanchar. deira). rupiquandard de rupin. espião. et Guieysse. todos com o suffixo -iincho^ tão frequente no cigano (vid. Englische Philologie. 1 Schwob i. àQ fora. denunciante). lonjantes. acache. paivante. sinhama. chiheco.. patego. é uma agadancanhir por port. paivote. de tolo . vintanços. cimantes (acima). de dentro . todos de c&i. cal. cp. maciosa. de cal. hago (dinheiro). cal. como no argot chiquoquandard de chie. Mém. tolineiro. de port. allache. p. de cima. denirávias (dentro de casa). sos de derivação da lingua geral sem haver formação de palavras de sentido novo. hajo. cal.

cp. . -ello. crisol. Porto. varrasco. rodeio. dar. briol. de port. *catv-opia. cabaia. carrasco . real ou apparente. ^alimal. faneco. ca- cadello. palavra toma inteiramente a forma de outra ou antes funde-se com outra com que tem apenas Muitas vezes uma commum alguns sons iniciaes ou até um só som inicial. como arame. paiol. cal. como pe- nhasco. pancada. ao que parece. está por forte e áspero ao pala- pela terminação) ^ carrascana. ainda e se cal. marreco. influindo raspar. do outro os nomes em -elo. de -ol. pelo pop. atalaia. sendo -igoto. velame. cp. vinho ordinário. Exemplos cal.126 Um suffixo. armar. carraspana. de um lado. bilro. Procopia. sentido como suffixo substituído cal. e do outro os nomes em -ada. jaleco. novello. balanço. influindo cliilra (cp. e de outro copia. conservando-se em regra a significação d'aquellas primeido 1 É menos cachorros. como cabedello. certo se cal. cal. por port. modelo. é substituído por : um outro suffixo. alimária. por cal. como chaveco. com a mesma . e de outro os nomes em -asco. como estrada. zumhaia. mes fartadella. cp. influindo também maragota. cal. dinheiro para jogar. arraia. rei- nol. armadella. -anço. cachilras. sarampelo. cal. malafaia. por port. mannheiro. de um lado os nomes em avanço. lacaia. almazio. cp. como em -adella como apalpadella. -eco. cal. camada. bello. égua. picanço. de um lado os noem -ame. etc. por port. de port. cp. 'inheiro *. rabello . como anzol. carol por *carrol. bebedeira. seios de mulher. de pop. marigoto. entrames. capello. real ou apparente. alimazio. rabeco. um lado os nomes em rouxinol. eiitrada'. catropéa. nome dado que vêem ao aos barqueiros de cima do Douro. armanço. Velasco. por cal. cal. de carrascão. catr-aia. significação. armazém. pelo typo de pera digoto. se liga a cal. com influen- cia. e do outro os nomef. de um lado os ta- nomes em reco. nome de peixe.

baia. faia. palurdiOj. Qdl. mal feito. estúpido. trave que separa as cavalgaduras na cavallariça. brasileiro. 209). bata. por mãe. fusão arvore. por port. o qual apparece Em de homem cal. nome de tifice. pae^ por fusão com jpalurdio. com faia. por fadista. . * . por mil (réis). etc. mãe *. marabuto (p. pela fusão com^oíi- papa. p. milhafre. Rasgos métricos. nal. um resultado da fusão de marinheiro com marabuto. lojibeira. preguiçoso. cal. marihundo por moribundo (marihundio A. António de Lima. marinheiro. nome de uma Cal. parvo. cal. temos simplesmente polcica. atroços. feio. ^ov ponta (de cigarro).127 ras palavras ou experimentando apenas alguma ligeira modificação. mão. mandil. fusão com marihundo. cal. apresenta uma fusão incomessas palavras associado pelas tendo-se algibeira. Por analogia cal. por port. nome de religiosos musulmanos da Africa septentrio- em os nossos escriptores quinhentistas os nossos marinheiros tiveram conhecerto e de que por francez marabout tomou o sentido pejorativo cimento. por port. como se fosse uma expres- são adverbial a troços. pela fusão ave. pleta com loja. fusão com baia. malurdia. mandrião^ por fusão grosso de esfregar. com mandil. pontífice. pela em pop. polaco. formou-se cal. atrás. 61) parece ser uma formação do mesmo género. Nos exemplos seguintes houve fusão de palavras que só teem de commum uma consoante ou grupo de consoantes inicial : cal. panno cal. é sem duvida devido ao mesmo processo mas aqui em vez de * mcdaca. por port. cal. por cal. com milhafre. consoantes iniciaes l-j. Exemplos: por port. por pae.

illum podia tomada como suffixo. palavriado modificado astucioso. duque. por port. laia. cal. dog). por cal. hata^ mão. í : assim em tosa. fusão com grelha^ instrumento. cal. sargaço ? No sentido de aíidalgado. também mas o termo é do Porto e cal. por cal. fusão com chita^ nome de estofo. Z^iirro^ fusão com huco. cal. grelha^ por cal. gordo. por germ. fusão com laivo. fusão com duque. para assar ou torrar de cal. depois em larias e lirias.se facto semeser lhante em muitas palavras religiosa.128 cal. peça cal. ódio. golfo. nome ethnico. rosa. chetuj vintém. Poder-se-hia em que beu fosse uma modificação de breu. * laivo. fusão com heta^ lista num vestido. por port. pelo grego. ao lado de mimosa. vinho. e é sem duvida originado da locução popular mettêlas gordas. grulha^ peru. dogus (do ingl. pela fusão com a mesma palavra golfo ? cal. por port. peru. Hata. . heta. etc. etc. por port. por cal. braço de mar. grego. Pode dar. buraco^ fusão com bufo^ nome de ave. cal. fusão com veu. hufoy cal. etc. mesma signifusão com ficação. nome de um saurio. cal. fusão com leria. mentir. leria. e r podem ser respectivamente 1 Cal. fusão com osga. praíct^ fusão cõm laia. Vimos já que numa palavra como villum. dizer grandes mentiras. rico ó principal (Hidalgo). laranja. metier golfas significa lisonjear. ho]o do navio? por port. tem e aberto. dinheiro. godo. mancha. casta? cal. comestíveis . chitaj por port. beu por * veu. huco^ cal. de tecido para cobrir pensar um objecto. ficando assim o conceito do radical ligado unicamente ao som v. cal. por port. por cal. osga por port. em forma de grade. pela fusão com golfo. lenço. grulha ou grelha. titulo nobiliarchico.

em haia por hata. No espirito as palavras associam-se pelos sons. não por uma fusão de palavras. troca (cp.^ vii. lembro-me todavia do seu som inicial e por ensaios successivos chego a restituí-lo na memoria. é um arg. Mém. carreto j coreto. etc. mar otao. e de de um lado camarata. horhotcio. de -ata por -aia vata. que empregam no sentido de outras que com ellas só têem de commum uma syllaba ou um som : inicial. outros pelas syllabas iniciaes. Muitos individuos associam com facilidade as palavras pelas rimas. pela significação. pelas categorias grammaticaes. pelos radicaes. em se Poderíamos ver analogamente nas palavras acima. a que se ligam diver- processo conhecido do argot. fr. etc. mas por uma troca de suffixos. p. no- outro cabaia. sentido como suf- íixo (cp. lacaia. pelas formas de derivação. foi substi- tuído pelo suífixo -eto. pois não ha cal.129 sentidos como constituindo a parte radical. cantata. o resultado de um processo semelhante de substituição de suffixos ou sons tomados por suffixos.: tranche^ tronche^ trogne (d'ahi trognasse e gnassé)^ todos com a significação de cabeça. comquanto obscuramente. em portuguez: -otcio. como categoria psyclioem que logica. chajpeVy pren- de chojper^ chijper *. ex. por port. . heto O uma palavra heto. malafaia. paparrotão). no espirito de todos os que faliam uma lingua ha distincção entre raiz e elementos de derivação. ^ Schwob et Guieysse. folheto. froc^ '^froque (défroquer)^ sos suffixos. ex. ao lado . pelotão . hotão explica-se. habit. : Eu associo os nomes próprios pela sua inicial não me lembrando muitas vezes de um d'esses nomes por inteiro. A ou um reducção do radical de grupo de consoantes uma palavra a uma consoante inicial. zumhaia. O conceito do : radical não existe só no espirito dos grammaticos actua também. ling. Soe. que se encontra por exemplo. fringue^ frijpe (fripierj dre. frusquin. 40-42.

forasteiros: — Donde vindes meus — De Salvaterra. fr. v. La vie des mots. em huco por hurro troca de -urro por -uco (cp. ex. mas a explicação dada acima pare- ce-me preferivel.ed. 131.. toma o sentido um pouco modificado de soujffrant. Essa explicação pode enunciar-se tamnos seguintes termos: uma palavra suggere outra (geralmente do mesmo numero de syllabas) que tem com bém ella de commum um ou mais sons iniciaes e a ultima passa a ser empregada no sentido da primeira. minha avó. filhos? — Ai I defuntos. bêbado. Em português. minha avó. . maluco.^ . de um lado esturro.. que desapparece (punir por alguém). zaburro e de outro abelharucOj caduco. mas copo de vinho. seja Deus! trazeis sacos. pela influencia da associação dos sons communs souffr *. lembra pelos sons este pelo seu suffixo -eiró dá ideia de um derivado. jounire). factos análogos. s. Conta-se que uma velha surda teve o seguinte dialogo commum. o qual seria archoteiro. apresenta-nos o resultado de um processo complicado : O archote. j>unar (== pugnare). souffreteux. d'ahi o seu emprego como se fosse um verdadeiro derivado de archote. presunto por pessoa com uns vós. — Ai! de debaixo da louvado — Que meus vós nesses — Presuntos. p. termo de calão archeiro. do ant. p. o que tem o habito de beber vinho. E rara a fusão de palavras determinada por uma termi- nação morta. francês souffreteux. e esta toma o Em sentido de aquella. tomar a defesa de alguém. Nas linguas ge- raes ha lat. filhos? terra. um exemplo é cal. iniciaes archeiro. susurro. etc). chama por associação phonetica punir (= lat. Littré. Uma historieta popular serv^e de commentario a esse termo.130 etc). soiiffraite (disette. defunto. 2. louvado seja Deus ! 1 Arsène Darmestcter. man- que).

» stituido apataco. nello svisare la terminazione d'un vocábulo. mentre il vero valor di cerron é tela grossolana. sia coll' oíFerire allusioni o travestimenti burleschi. e Fim- portanza furbesca degli oggetti eh' essa accenna. dedunho? . mal-eque. Nella germanía. ben il . mal-uco para substituirem os usaes pataco e tabaco. cantina o tasca. maloque e moleque para evitar a confusão em seguida mudado em com malaco = pataco. com i as seguintes observações de Ascoli: «Piu volte. cujos productos apresentam á primeira vista enigmas indecifráveis ou podem ser tomados como metaphoras atrevidas. ci dà perche delia squisita elaborazione Da orfevre si fece orphelin. hattoir. etc. sia col ricordare un sinonimo. Silva Lopes. secondo la metáfora quel grego. macanjo pag. nez a Nazareth. 9õ) ha também cal. Cal. . seda. estará por um sedulla não documentado? Cp. batelier per . pode ter influido (cp. gerghi riescono a transformarlo in uno di senso aífato diverso cosi Varíjot dice arsenal per arsenic. da Guibray: Gibernej da poisson: poivre. Doutro lado parece que 1 tabaco foi egualmente assimilado a malaco. todavia malaco não se encontra como termo da cal. per catenaccío si dirá cerron in luogo di cerrojoj. Cal. p. L'alterazione fonética involve spesso dei significativo. medulla. Ter-se-ha produzido malaco primeiro por maluco e depois subA ideia de mau. e navet a Navarin. invenções extraordinariamente burlescas. dedos (sic). ossia. serie de seduncha. seda. estará por 2 StudJ crUici. Temos assim uma formações mal-aco. lingiia geral *. medunha. mal-oque. di prophete per jprofonde. sarcastici^. cal. maluco ^or pataco. Concluirei a exposição d'esses curiosos processos de for- mação. parece ser devido a um processo similar.131 malacOy ^ov pataco. 388. filou s'è amplificato a Phillíbert. sia col ritrarre qualche attinenza delia persona o delia cosa che è nominata. Questo projphete potrebbe dirse você gergale innalzata alia seconda potenza. falso.

1884. e uma palavra se substitue por outra. Die 'psychologischen . 1886). chama-o o latim 1 Sobre as mudanças de significação d. W. Halle. III. 34-36. ou hâtiment por allusão ao trabalho de construcção. 1881 A. p. designa na um objecto por uma qualidade particular que o determina." 1887. deu o seu nome á coisa. a coisa que o latim chama fluvius_. Wundt. Danzig. e essa qualidade de agua corrente^ quod fluit^. O processo pelo qual j>alurd{o vem a significar ^ae no calão não pode de forma nenhuma ser considerado como o resul- uma palavra como tado do que ordinariamente se chama modificação semântica. são em geral um resultado Quando secundário. origem movimento da agua. Kurt Bruchmann. (Leipzig.* ed. vid. Para o meu fim resSprachgescMchte. ed. Eosenstein. . 1886. segundo esse processo. a) «Todo o substantivo. Arsène Darmesteter. psycfiologie Principien der Sprachgescliichte. Võlkeri U7id SprachwissenscJiaft. etc. (1860). Tobler. Assim também o que francez chama vaisseau.132 os eíFeitos burlescos existem. diz Darmesteter. tricto não careço de - um schema completo de mudanças de signi- ficação. pois que o ponto de partida é uma associação pura- mente phonetica. em geral. Assim. sem a minima consideração pela significação d'aquella por isso foram examinados na secção anterior os exemplos d'esse género. Ludwig Etymologie in Zeitschrift f. na minha opinião. Stuttgart. Psychologische Studien zur 306 e segs. 2. o movimento da agua foi escolhido. Modificações de significação *. que explicam a maior parte talvez do seu vocabulário. estudo das modificações semânticas no calão. Passemos agora ao . apresenta diversos característicos: aspecto das margens. Paris. por assimilação de forma a um grande vaso. Logik I. o que como se vê dos nossos exemplos é raro. Versuch emes Systems Bedingungen des Bedeutungswechsels derWôrter. La vie des móis étudiée dans leurs signijications' 2. . cada um dos quaes poderia servir para a denominar.. rio. 349-387 Herman Paul.

exemplos : senta alto^ no tribunal). cp. cantante^ por gallo. o fallante. pahnilhante. por viandante. aurora é a brilhante (raiz us. quando é personificação determinada pelo seu eífeito adstringente. por juiz . apalpador^ por guarda-barreira (opalpadeira é a denominação de mulheres que nas barreiras apalpam as forasteiras. sonante. por lenço (cp. ferrugenta^ por espada (velha) filante^ \ por agente de policia. por pão de trigo . como em furor. espumante. cobrir). nuhere. o que tem raiva. massudo . com um termo depreciativo o vinagre é o raivoso. velar. crivantes^ por dentesy dentosa. fluctua ao cimo da Esses agua (natatj exemplos podem multiplicar-se indefiassim em latim serjpente ó o que se arrasta nidamente. para ver se trazem contrabando sob os vestidos) apertantey por corda (da forca) chiante. mas o palrante. . a expressão Tmtal sonante) todos esses . por carro de bois . . ou estabelece-se uma correlação metaphorica por vezes pouco natural assim o advogado é chamado não o discursante ou o defensor ou mesmo . passageiro . exemplos a denominação é perfeita- mente simples espirito e natural . roncante. por libra. redonda. noutros casos intervém um certo cómico ou depreciativo. assimilada a sua explosão ao ruido de um nariz que funga. preta^ por garrafa (de vidro preto) tantes. tamposa. por uma espécie de . passante (a que passa de um lado a outro do rio. altanado (o que está. que muitas vezes está longe substituir No de ser o essencial . Em moncoso. serve para se passar sobre eWn)^ ^or ponte. o chapéu . reptil. se amarella (da cor do oiro).133 ó^ o que nada. rasteiros. é chamado o doido. por saia. official . é a que vela. forte o moinho. a espingarda é chamada a fungante. cobre (cp. mouchoir). por isso que agita os seus braços . por serra. brilhar) j nuvem. quando o vento o move. calão é muito frequente o processo que consiste em um nome usual por um adjectivo (ou participio). fr. corpóreo. designando um característico. por cabeça. ras- por sapatos . por dinheiro (cf. andante^ por carteiro^ comboio^ cavallo. por sabão. por chinelos . por caixa. luzente. navio (navigium)^ isto . ^ov pedra preciosa. piolhosa. » nuheSy (serpere).

segundo se me afíigura. bebedeira (diz-se que o vinho . Porque razão a sardinha é chamada foi tinhosa não é fácil de dizer. é muito frequente nos desvios de . um derivado de de longe. vinho (por causa do aspecto) lastro. comida (sobre a qual se bebe. a luz. catafalso. ao serem convertidos atira de — a que cal. lavada e enpenante^ gommada. substantivos . ameixa. talvez porque a tinha comparada a escamas. . botas gallinheiro. lejos. pela morrer semelhança de forma. a que se deu o sen- Os assim vagaroso significa que procede vae de em que vagar. . pela comparação dos cabellos com os tentaculos do animal . vagar vagarosa. touca. (á mesa diz-se comicamente : estou ás escuras. carne de a carne coberta immediatamente pelo porco. apagar-se a lamparina. accende-me . que já indiquei. quando não se tem ainda vinho no copo) harraca. coiro. cabelleira. que se compara á cortiça (o povo chama encortiçada á carne dura) cortiços. gata. meretriz (por causa da lubricidade do animal). padece. é denominado o o que pena. O tido calão legante^ pistola. bala. em — com — — . cesto da gavia. varanda. o que resulta do caracter geral das girias. quartilho de vinho. é. .). a camisa que. hreu. h) A metaphora.sol (por causa da forma e destino). medusa). como no navio sobre lastro se põe a carga). propriamente . adjectivos podem ser modificados na significação que rigorosamente resulta da sua forma. forca (por causa da forma e altura) cortiço. cabelleira. é a mimosa. longe (do hisp. da cabeça. si- gnificação do calão já vários dos exemplos dados acima entram nesta categoria. Eis uma serie de exem- plos: alfarreca (alforreca. metaphora do calão diverge em muitos casos da metaphora da linguagem geral em não A ser espontânea e transparente. ha um conto popular em que velas acccesas representam vidas de pessoas) archote. vida é frequentemente comparada pelo povo a uma (a luz. exige cuidados para não se sujar de prompto. penacho. guarda. significando ha vagar designa a prisão. copo. .134 sujeito a muitos accidentes.

mínio da pura hypothese. diz-se /a^er aboiar. experimentaram modificações de sentido ou applicações ás vezes ^ Se lostra. por morrer. roubar. d) Alguns nomes ethnicos ou próprios de pessoas. (na gíria dos typographos: scripto) massa^ milho^ dinheiro pianinho. apito saca. provém de falho ao naipe. provém da phrase espirrar que se diz de quem se encolerisa facilmente . diz-se collegio. carruagem cebola. gaveta. attenuar. capa. diz-se picar. . . entrar na rigidez espirrar. rama. guitarra . esticar ou espichar a canella (a perna. por espancar. por sova. o que significam os correspondentes usuaes: assim t^oy furtar. diz-se calor. por afogar. ^oy matar. . diz-se sondar. abotoar-se com uma coisa. algodão em rama. cachimbo. ^qy prisão. cadeia de relógio. ensinar. por fim adoçar. diz-se estafar. pé panella. negar-se. espaço entre o pollegar e o index. capoeira. no mesmo sentido. bofetada. cadavérica) canivetes . cadeia esponja. lagosta. insultar. . . é alteração de lagosta fica no doNa significação de escarro. lingua. duvida la oslra. panella. c) Algumas mudanças de significação que nos apresenta . de manu. virar. mão por chave foi suggerido pela expressão chave da mão. podex . que não tem dinheiro. provém da expressão ^or a cara vermelha como uma lagosta^. espada rouxinol. prisão. bolsa de prata (por causa da forma tira ) . esticar e espichar. palma da mão. bater (como se bate rufando tambor) chaleira. por assim dizer. abafar. o calão resultam de simplificações de phrases assim falho. roupa ripa. diz-se ^oy fugir. No calão dos criminosos occorrem expressões que teem . lostra é sem .13Õ sobe á cabeça. provêem das phrases isto é. que de termo de jogo passou a ter aquella significação. bêbado rufar. que os fumos do álcool sobem á cabeça: compara-se o que se suppõe haver dentro ao que cobre a cabeça) . vindimar. diz-se escovar. relógio d'algibeira. pan- cada. pão alvo (por causa do aspecto) rede. no sentido de morrer. . linguado^ lettra. . . . pessoa com muitas vestes sobrepostas.

isto independentemente dos processos do calão que acima ficaram estudados^. é carpinteiro. 71) parece *. Tem Não Tem Nâo picão. mas a Plebe e os Có* micos trocarão a significação deste vocábulo». Chomherga foi certa moda de bigodes.136 curiosas. Só sabe d'horas. por causa da cor do insecto ser semelhante á das fardas dos soldados da marirtha inglesa. Cava no cbâo. que trazia o marechal Conde de Schomberg . occultamente. ha um vestigio que não é o único da antiga denominação dos habitantes da França. 505: «á chomherga. A meia noite Se levanta o francês. significando francês. Não sabe de mês. a seguinte passagem de Monte Carmelo. é uma adaptação do nome de familia Malafaia. assim inglês significa percevejo. 2A palavra ohvio foi ouvida já no sentido de estranho. Não acha dinheiro. pela calada. por plataforma. quando se note de que Como maneira o povo se appropria de palavras novas. é empregada pelo povo correntemente . sujeito de profissão duvidosa. Eu colligi da tradição popular o seguinte enigma do gallo (ave). no sentido de apparato para illudir . por exemplo : se antes de umas . provir do nome do marechal conde de Schomberg malafaia. p. determinada sem duvida pelas syllabas mala. Cf. censurável plantaforma. etc. janisaro (sem duvida o nome dos soldados da do guarda sultão) veiu a significar tunante na giria do século XVIII não deve causar estranheza. imprimindo-lhes sentidos que nem de longe se correlacionam com os que ellas teem. serra. No termo gallo. é cavalleiro-. é pedreiro. chamhorgas (p. Tem Nâo esporas. que lhe fizeram attribuir o valor pejorativo.

rapazote atrevido. emquanto na linguagem popular designa o corvo. ex. por allusão á lenda dos corvos de S.137 No calão o nome vicente designa o gato. honrado. este nome significa na germanía antiga ansaron (ganso). á coccinella septempunctata é) Joanninha *. . ex.. pção. o que é permittido. suppoz-se derivado de criar e como gerar ó synonymo de criar^ produziu-se o derivado sem suffixo gera^ carne de vacca. adquiriu o sentido de probo. havia cría^ carne de vacca. Faimepop. isto é. á burra Joanna. desenvolveu-se a serie synonymica de bolacha eleições se emprega o conhecido processo de mandar proceder ao estrada para uma localidade descontente. palavra parodia designa na estudo de uma A boca do povo innumeras coisas variadas. p. cuja ori- gem. vaidade. Fallar ou ser pespauterio. applica-se ao caso o termo. Um outro processo que podemos chamar da substitui- ção synonymica (falsa ou verdadeira) dá logar também a mudança de significação.. Vicente. palmatoada). aqui licito. com importância. parado a um cocheií-o dizer para um sujeito que estava esquina observando o quer que fosse «não estejas ahi de parodia. Lembremos que o povo chama também ao macaco Simão (suggerido sem duvida por simio). de la France. seg.. conforme a grammatica de Despauterio.se de vade-mecum. É incerto se cal. é fallar senhor de si. narro . vid. e vem sem duvida de '^fallar pelo Despanterio . cara ou assimilada ironicamente a foi um holo (bola ou holo. hademeco os = O termo hadameco. que (quem sabe ?) talvez fosse suggerido por esses levantamentos illusorios de plantas. provém de navarro. 132. a começar pelas danças e mascaradas carnavalescas e a acabar numa figura qualquer caricata. originou. emquanto d'outro lado despauterio veiu a significar disparate. é incerta. cão. como vimos. por nomes da pega em Rolland. Desde cabeça o momento em que uma pancada na mão.» Ouvi já empregar laudemio no sentido áQ presumd'estes dias ouvi um uma : por um processo fácil de comprehender. No calão. bacharelar. tolice. u. 1 Encontram-se factos similhantes noutros paises. Num annuncio d'um açougue li: «O responsável d'este talho tem que ser licito nas transacções que faça com o publico».

tahefe (pancada ligeira de- baixo do queixo. biscoito /^pancada com as costas dos dedos na cabeça).138 (bofetada) ou galheta (do hisp. 103) tem também a significação scortum. zoina que se tirou a pelle 3 ? Schwob et Guieysse. mar-paut. que como a portu- guesa. e como se compreliende mais facilmente que a pelle dura do cação motivasse a ultima designação do que a que se nos offerece naquella locução. Marmitte dá logar a duas series synonymicas: d'uni lado temos jpoé?o?i e casserole. vinho ou vinagre e que na igreja se usa um par de gaIhetas. não por metaphora. mudado em mar: motte. expressiva do estado colérico de alguém. No argot encontram-se exemplos d'esse processo. lat. p. Este processo é tanto das girias como da lingua- gem popular. coiro e meretriz. d' outro marmitte. Ha pouco deram-me a conhecer uma locução usada no Algarve que talvez se explique por elle: é estar em cação por estar nu. no sentido português próprio. garrafinha para azeite. e nas mesas o vinagre e o azeite se apresentam num par de galhetas.. é difíicil de * determinar. mar-quise. 50. mar-lon. e Guieysse.^'^y. . scortum. ling. 100). femme. Como galheta significa. ora coiro e cação empregam. O hebreu p. Assim produziu-se um como crêem Schwob termo marmite no sentido àefemme. processo e quão diííicil Concebe. pode pensar-se que no espirito do povo coiro e cação se associassem como se fossem perfeitos sjnonymos^. diz-se um par de galheias por duas bofetadas.se até onde pode levar esse deve ser descobrir muitos dos seus productos. que já não é nova. talvez. Soe. alludir-se-ha antes ao cação a cal. Na phrase estar em cação. como supposto radical de mar-que (vid. principalmente nas girias. têem poucos documentos históricos. de que provém fundamental de (vid. p.)*. Diz-se no mesmo sentido: estar em coiro. 2 Cp. propriamente leite cozido com ovos e assucar). chama taujpe^.se no sentido de rameira sórdida. vii. uma do lado direito. Mém. mas por derivação de mar. outra do lado esquerdo» A que sentido da palavra se liga a expressão burlesca volaverunt galhetas. para o vinho e agua do sacrificio.

Em investigações. di quanto mai offerire? *» stra vagante e d'impenetrabile non potra Relativamente ao calão ou gíria portuguesa. 39G. 2 Chamo a um aqui etymologia immediata a que liga um termo de giria termo da liugua geral. dalla società fursottoposta per soprassello ad artificj gergali. todos os processos anteriorcalão. Nada nos impede de crer na possibilidade da creação de novas línguas. il favellío d'una intera nazione. Creação original. geralmente certa^ no menor numero de casos apenas verosímil. o meu estudo creio que me permitte affirmar todavia que dos termos de mim conhecidos apenas cerca de um sexto não é suscoptivel de explicação ou de etymologia immediata^. diminuirá com novas IV. vê-se com que inteira razão Ascoli escreveu: «Chi pensi agli innumerevoli enimmi che in se racchiude città. e naturalmente a lista dos problemas. avendo in ogni época le sue peculiarità idiomatiche. já por processos espontâneos.139 Attendendo ás diíficuldades que levantam á etyinologia esse e outros processos das girias. La quintessenza delia parte parte piu recôndita dei vernacoli. p. ogni ogni borgata. buon contingente di dizioni che sembrano voler perennemente rcstare quesiti etymologici insoluti. da quanta generazioni. Dir-se-hia que os creadores das girias ou não teeai facul- dade ou não se sentem impellidos de necessidade para fazer uma linguagem de sua inteira invenção. Examinemos succintamente esse problema. partir dos termos existentes e ligar a elles os seus productos por um nexo phonetico. mente examinados. agora insolutos. ingenerate da mílle specie d'accidenti assai spesso imperscrutabili non maraviglierà per certo alio scorgere nè varj gerglii un . . morphologico ou semântico. chi sa e fantina. vemos o como as outras girias. como os 1 Studj critid. ogni contrada starei per dire. messa in serbo. ou do país a que pertence essa giria ou de outro.

no século xvii *. Apesar das producdois primeiros processos Os um 1 An Essay Uwards a Beal Character and a Philosophical Language (London. uma lingua tradicional. Aus Anlass des VolapiiJcs (Berlin. 1888). já reflecti- damente por indivíduos senhores de uma ou mais linguas um exemplo no projecto de lingua do philosophica bispo inglez Wílkins. em que a relação entre o som e a significação a já existente 3) por trariamente possível se . 1668). mas com significações que não tenham relação nenhuma com a usual como se faria. Max Miiller. Como vemos não é assim que se formam as gírias. como o Volapuk. dizendo mar por . Do porque se tem em vista partir d' ele- mentos conhecidos por um numero mais ou menos conjcá siderável d'índividuos. Os diversos de lingua universal. etc. alem d'essa lição de M.140 que produziram as creaçôes primitivas. vid. Techmer in Internationale Zeitschriftfiir allgemeine Sprachidssenschaft. inventando combinações phoneticas novas (raízes e suffixos) para exprimir as representações mentaes. . vid. pão. Lectures on tke Science of Language. iv. que nestes últimos projectos teem tempos apparecido. Concebe-se a formação de uma lingua artificial: 1) pelo processo de Wilkíns. modificando-o segundo princípios convencionaes. exigem grau adeantado de reflexão. por exemplo. gritar por fugir. 2 Sobre a legitimidade das tentativas volapukistas. quer segundo uma classificação scientifica d'estas. Schu- chardt. afim de facilitar a acquisição do novo idioma 2. Miiller. II Lect. 2) pelo systema do Volapuk. em grupos de indivíduos que nao tenham adquirido ou só tenham adquirido muito imperfeitamente tradicionaes. Second Series. 339-34:0. se baseia sobre um processo em que o mais arbi- empreguem palavras já existentes. de que não são capazes os indivíduos que constituem os grupos creadores das gírias. soccorrem-se do ultimo caso temos material das linguas existentes. Sobre outras tentativas semelhantes. quer sem essa classificação. H.

Que se deu neste caso? Em vez de me surgir no espirito a forma verdadeira 1 que eu tinha intenção de produzir surgiu outra. das transformações que os alimentos. já escrevendo. individuo que primeiro disse almuque por alflectidas. intencionaes. p. A. Vimos já em que consiste a difí^erença entre a producção própria da giria e a da linguagem espontânea (vid. que modifica. que só se distingue da que o povo tem das formas cultas. experimentam em o nosso organismo. 1 15-116): o povo que àiz jpJiotogro por photograjpJio não tem consciência de que fez uma alteração. O incapaz de explicar a si próprio por que processo o fizera. não se afastam essencialmente na sua marcha dos processos d'evo- luçào espontânea da linguagem: a nossa investigação assentou com evidencia esse facto importante. scenc dei popolo Siciliano (Ragusa. o que equivale a ignorância. Supponhamos que eu vou para dizer ataraxia e digo ataxia. dos movimentos complicados que são necessários para pronunciar uma palavra qualquer. por exemplo. que supprimira r na syllaba cre e eliminara por completo a syllaba final ve da forma usual. ella fazia tão pouca ideia d'isso como nós fazemos. sem estudos.141 ções d'estas serem. como já vimos. apesar de ser a nossa actividade voluntária que está em jogo. 1882) dá noticia de uma triplice forma de linguagem no povo de Chiaramonte uma a colloquial. o fabricante de giria que primeiro disse almuque sabia porém perfeitamente que a forma corrente era almocreve e a sua uma alteração voluntária *. S. cheia de sup- uma : : pressoes de consoantes e contracções de vogaes 5 outra menos con- . porque não sabe da existência da íormsi j)hotograj)ho . em ser momentânea não ha no processo differença essencial. Pode objectar-se que até pessoas cultas que conliecem bem a forma das palavras as alteram por vezes. Isto significa que aquellas producçÔes são intencionaes mas não re_. Guastella no livrinho Vesbm. mocreve fez uma modificação intencional mas era por certo . que intencionalmente ingerimos. que praticara uma deslocação de accento. já fallando. ainda menos que outros termos de um giria eram assim formados .

não podem também constituir objecção ao que exponho no texto essas : Em formas duplas ou divergentes apresentam-se estranhas umas ás outras no espirito popular.142 A substituição de palavras da língua geral por outras da mesma que não tiveram com aquellas nenhuma relação de som. tal tracta. Noutra parte voltarei a este assumpto. no auctor. Linguagem do canto : *u zzu mònucu 'a vo\ 6" 'a za Vita V ha massciu Ara.se. nos imitadores. tal outro serpente. Essas três formas de linguagem correlacionam-se como dialectos differentes numa mesma boca e o seu emprego é determinado por necessidades diversas. forma ou significação exigiria uma quebra muito violenta com o uso tradicional. de outro. pbonetico. porper?*^ o termo gruemprego lha estabelece entre elles um nexo semântico. que as mantém até certo ponto isoladas. cada caso surgem no espirito do que falia as representações das formas respectivas e ficam latentes na consciência as outras. Linguagem da poesia : Lu zu mònucu la voli. Mais tarde o nexo pode esquecer. Ccu la za Vita mastr^ Aràziu Vhavi. Destroe esse facto interessante o meu modo de ver? Creio que nâo. de modo que em cada caso ha uma orientação particular das representações. por exemplo. do outro. como se esqueceu na linguagem geral porque animal se chama burro. e apresenta os seguintes exemplos : Linguagem colloquial : Uzzumaò. a linguagem do canto e por fim uma ainda mais perfeita que é a linguagem da poesia. que de um lado supporia um espirito assas reflectido. como plano e chão. a qual realmente não existe era preciso que num e noutros se perturbassem muito fundamente os nexos : associativos existentes. . uma facilidade de acceitar um emprego tão arbitrário. Cappicciavi lammassciarà. de um lado. As formas eruditas ao lado das populares na boca do povo. etc. Por mais arbitrário que pareça o de grelha. que basta para a facilidade da producção e da propagação.

«muscular eífeminacy» (p. não admittindo esse principio como exclusivo. 1877. fr. pp. foi Maupertuis quem primeiro enunciou. ligado no espirito d"elle a concepções teleo-theologicas. 1876. Progress and Poverty O Max principio foi applicado á linguagem em differentes direcções. e consagrou á questão um estudo especial 7'he principie of Economy as a Phonetic : : Force. 1882). ii. com quem concordam os neo-physiologos da linguagem. Boston.). Logik. nas suas obras de linguistica geral. 176). Prolegomena zu einer Kritik der reinen Erfahrung (Leipzig. to physics — is to politicai economy what the to gratify their is that meu seek desires with the least exertion. 119-120) fizera as seguintes observações nas melodias populares que um povo ora carece d'estes ora d'aquelles . Geschichte des Princips der kleinsten Action (Leipzig. iv.143 formação das girias não podia escapar á acção da lei do menor esforço. que acha luminosa applicação. Henry Grcorge. 177). que modernamente foram postas de lado. o principio da menor acção. 184. cap. 185). no dominio do espirito*. No IDcnsamento deve-se por tanto trabalhar com a possível economia de força. Foi sobretudo Richard Avenarius quem applicou o principio ao dominio do espirito no seu opúsculo Philosophie ais Denlcen der Welt ycmãss dem Princip des kltinsten kraftmasses. Wundt. «tendence of language to facilitate pronunciation» (p. 125-127. «relaxation of muscular energy» (p. 579. ex. «muscular relaxation» (p. 1877). e da qual é uma consequência a lei das A 1 Como é sabido. « of Com relação ao trabalho humano em geral um economista formula o principio da seguinte forma: «The fundamental principie human action — the law that law of gravitation (London.) «Todo organismo que trabalha adequadamente para um fim deve realisar a sua tarefa com os meios relativamente menores. 1882. para a commodidade. (Leipzig. explica a alteração phonetica (phonetic decay) por «want of muscular energy» (p. Já Steinthal em 1860 (Zeitschriftfúr Vôlkerpsy: chologie «Como notamos i. com applicação á mechanica. La vie dii langage (trad. i. 262-264 e o escripto por elle citado de A. 1876). Supplement. 186). p. (From Transactions of the American Philological Association.» p. Vid. Whitney falia de uma tendência para a economia dos meios. Míiller nas suas Lectures on the Science oj Langaage. Grund' ztíge der Lautphysiologie. Mayer.) O modo ordinário de considerar essa manifestação da tendência para a economia na substituição de sons que exigem maior esforço por sons que exigem menor esforço é refutado por Sievers. no dominio phonetico. Second Series (1864). 197).

370-1. assim se nega elle a admittir na sua lingua determinados grupos de sons em virtude de certa idiosyncracia. que na historia da meclianica nos apparecem pela primeira vez com Kepler.144 transições lentas: é com o menor esforço.» Kruszewski mantém maior generalidade do principio da economia nos seus Prineipien der Spraclientwíckelvng in Internai. allgem. . vol. emquanto o sentimento do movimento (bewegung <gefuhl) é sempre o principio propriamente determinante. so gehõrt ein Bewein des Menschen Leib ein Seel. para exprimirem a incapacidade de se mover por si que o grande astrónomo attribue á matéria. 301-302). a mais regular. e todavia é esta a mais frequente. até a alteração phonetica sob a influencia reciproca dos sons. a regressiva. Elle que nos diz : nun diese proprietas libei-wunden werden. Essas relações somáticas parecem me ter acção secundaria. organico-meclianicas. vid. in der grossen weiten Welt dazu. alteração phonetica netica resultasse somente de tendência para a commodidade e euphonia. Sprachwissenschaft ( vol. elle não admittiria essa translação do conceito da inércia ao dominio psychico. emquanto reconheço a causa primaria da . Zeitschrift f. ex. comprehender-se-hia bem a influencia progressiva dos sons (na assimilação). accordes perfeitamente harmónicos. económica na linguagem é representada por alguns como vis inera expressão allemã Trãgheit e tiae. 1886. versans in actu motus». dependem em pequeno grau de condições puramente somáticas. Se a alteração phoprocesso psychico. dentro das tendências geraes da linguagem e não contra ellas. p. xiv e xv (xv. 54): «E de grande importância ter sempre presente que a commodidade representa o papel de causa muito secun- daria. Acceitando isso completamente. que as girias se formam. por falta de . Vid- Emil Wohlwill. ainda Misteli. p. i-v. e são produzidas menos do que geralmente se julga pela forma de actividade e respectiva posição dos órgãos da linguagem. mas não a opposta. 437. Võlkerpsychologie^ xi. ger «Soll ein species immateriata. applicando ao dominio psychico sua correspondente latina inertia. i. 370-371). » num Paul diz (Prineipien der SpracU- geschichle. o conceito experimenta todavia grande modificação ou antes recorre-se áquella f expressão em ser muito diversa do que ella designou psychologia para designar alguma coisa que se sabe em mechanica. Lautgesetze und tendência Ancúogie in Zeitschrift f. Võlkerpsych. JJie EntsteJwng des Beharrnngsgesetzes in Zeit. Nessa translação. a allemã na sua Antwôrt A an Helisãus Rõslin e a latina no quarto livro do Epitome Âstronomiae Copernicae. Cf. sou todavia da opinião que os processos phoneticos.

14Õ Não se sente necessidade de crear um instrumento para modificação conservação das acquisiçoes humanas. no seu livro Psychologische Studien zur Sprachgeschichte (Leipzig. como buscava mostrar no passado preas antigas cortes. p. cit. é assim que na substituição das antigas medidas e pesos pelas medidas e pesos do systema decimal. accumulando-se e substituindo-se parcialmente. 1888) pp. dos vestidos de mulher cingidos á pelle. politicas o partido liberal cedentes. 59. Para que o que surge de novo seja recebido facilmente é preciso que se ligue por nexo claro ao já existente esse nexo pode ser externo (de forma) ou interno (de matéria). tanto quanto é possível essa emancipação. um um fim a que pode adaptar-se com ou sem A damental da historia. E assim que no domínio das instituições . No dominio da moda não procede por saltos. com referencia a parte dos auctores citados nesta nota. . (cujas observações se modificam no § seguinte). i. por exemplo. que pouco e pouco se foram reduzindo até surgirem de novo os vestidos cingidos á pelle é assim que os espíritos que se emancipam do seu meio. sendo necessária uma infiltração lenta das melhor termo. 248-293 vações estendem-se ainda á rethoriea e á esthetica. do começo do século. mas por transições insensíveis que le- vam. como faz Steintlial. 102. 177-185. e conservava a realeza. Karl Bruchmann occupa-se da lei da menor acção no dominio da linguagem. são geralmente mal recebidos no começo. Âbriss der Sprachwissenschaft. 437): «Uma inércia do espirito. o meio kilogramma como se arrátel novo. II 43. é coisa que não existe e contém uma contradictio in adjecto. para o systema parla- mentar. tal como ha uma inércia da matéria. por trabalho lento.» cia no dominio psychico é Em vez de fallar de uma taWei íZe mer- muito preferível fallar de uma lei de economia ou do menor esforço. as suas obser- 10 . o povo começou por designar o metro como vara nova. ainda que reduzida a uma sombra. tando-se acima dos preconceitos d' esse meio e descobrindo novos horisontes ao pensamento. 117. levan. Com razão diz Misteli (art. é a condição funinstrumento já existente. modificando-se. ás monstruosas crinolines.

Die Gewõhnung und ihre. segundo as leis da appercepção (no sentido da escola de Herbart) e nessa adaptação é que Avenarius vê a manifestação da lei do menor esforço no domínio psychico. 1890). 1884). do novo. não é de modo algum uma barreira invencivel opposta á innovação *. Como se vê do titulo repete-se aqui o conceito da inércia com applicaçào ao dominio psychico. como nos psychologos citados em a nota precedente. Opera-se uma adaptação do não habitual.» Merlino da sua parte pensa que: «La somme des sentiments philonéiques est toujours supérieure à la somme des sentiments misonéiques.»» A verdade é que o amor do novo cam perfeitamente pela que as contradicções apparentes se explido menor esforço.146 suas ideias para que emfim elles cheguem a ser comprehendidos. S. tem papel assas considerável na formaé e lei um movei importante ção das girias. evidente que os formadores das girias não E procedem consciente. Note-se todavia que Lombroso : escrevera «Le misonéisme n'est pas loi de nature que quand Tinnovation est trop radicale. Radestock. independentemente da necessidade. reflectidamente. de modo que tenham em vista a facilidade da propagação dos seus productos entre os outros membros dos grupos a que pertencem. Em toda a questão do philoneismo e do misoneismo não se tem tido em couta um lado importante a fadiga que causa a monotonia : e que suscita a tendência para a evitar pela variedade. Todavia se o habito tem uma importância capital nas coisas humanas. Wichtigkeit fur der Erziehung (Berlin. onde se acham reuni* das interessantes observações de diversos auctores. pela inno- vação. C. elles obedecem áquella lei inconscientemente. . ao habitual. Lombroso leva ao exagero o conceito do habito na vida social no seu artigo Le crime politique et le misonéisme ou la loi de Vinertie dans le monde : morcd in Nouvelle recue (février et mars 1890) e depois no seu livro sobre o crime politico. mas ainda a producção. P. Esse amor. Considerando as coisas superficialmente poder-se-hia ver na abundância de synonymos das girias um facto contra Sobre o habito vid. que nâo tenho á mão. de sorte que ella domina não só a propagação. in Merlino combateu as ideias de Lombroso num artigo La Néophobie Revue scienlifique (avril 26.

quer de tempo. na ligação do novo para com o existente. Pois.147 a theoria apresentada. conduzam ao mesmo fim com maior ou menor despesa. tudo o que affirmariamos talvez é que ella não é avara nem de massas. vaga que. Lotze dirigiu algumas objecções ao principio da menor acção. D'acexposto deve. dizer-se que nas girias a manifestação do principio do menor esforço não está pois em a não producção do novo. diz elle. H. nem de forças. em circumé trata-se muitas vezes de princípios de uma ideia stancias dadas. Ella não começa a tornar -se clara senão quando se trata de fins para a realísação dos quaes. quer de massa. pelas varia- . a economia de que julgamos achar o tes- temunho principalmente no mundo orgânico. Supposto que a Natureza mire a fins. nem de tempo. mas sim no modo d'essa producção. pois em que um termo se propagou além dos foi grupos para que cordo com o que íica produzido^ deixou de ter valor. mas que ella é sóbria de princípios. Tal é. de modo que temos o habito. nem de caminho e de velocidade. é preciso primeiramente a economia tem maior valor. diversos meios são egualmente praticáveis. até no principio da menor acção. economia que ella muito observaria. com efFeito. a verdade é que não os conhecemos e não podemos indicar essa direcção da sua economia necessária. para que produzir termos com o valor dos já existentes ? Mas observa-se que está em a natureza mesmo desde o momento das gírias serem constantemente neologicas. coisas todas que nada lhe custam. que teem por objecto os grandes hábitos que caracterisam a acção da Natureza. para resolver seguramente a questão do principio da menor despesa. «Nas investigações. a indicação da direcção em que E o que faz ver já a ambida d'essas ideias ás acções naturaes. ou nos fazem proferir um modo de operar. um na definição do fim. não obteve formulação exempta de equivoco. ao emprego de novo processão que nos fatigaria. pois. guidade applicação fazer. Mas então a medida a que se compara de todavia que essa despesa depende ainda de circumstancias que tornam mais importante para nós a economia.

» E claro. um exemplo mesmo O facto das girias serem construídas. com ma- das línguas tradícionaes não exclue por certo a possibilidade de haver nellas alguns productos de creação original. que se torna o typo de todas as outras finalidades pensadas. fr. onde se tem indicação da direcção em que a economia tem mais valor. mada. no todo. em virtude mesmo d'essa domínio do espirito. o conceito da menor acção acha applicaçao irrecusável na sua generalidade.148 pequeno numero de typos de conformação. e prevê ás suas diversas coes de um necessidades . por inexgotaveis modificações do mesmo órgão. E sem duvida muito dífíicil de determinar que palavras haja nas línguas modernas que não prove- nham por simples modificação phonetica ou por derivação 1 Hermann Lotze. opinião de que só no período primitivo da huteriaes A manidade gem tem fosse possível a creação de elementos da linguasido enunciada por alguns auctores. trad. e não menos se manifesta naquelle falia dominio essa economia de princípios de que Lotze e da qual é a formação das gírias por não essencialmente dos que se divergem processos que encontram na evolução das línguas geraes. revue par rauteur (Paris. se é permittido á nossa sabedoria limitada empregar essa linguagem. Essas cujas leis que pareceriam poder ser executadas desviando-se da via typica costu- effeito. de Duval. onde ha finalidade exposição. ideias não comportam applicaçao á mechanica. 1884). que no real. . ser pródiga de massas e de tempo e recorrer a longos rodeios para realisar operações com maior promptidão. tem que cuidar não de um typo determinado de mas da realisação de todo phenomeno qualquer*. a natureza produz a diversidade das creaturas. aqui ella parece-nos. § 216. Métaphysique. mas carece de fundamento.

532. s. muitas de caracter onoraatopaico^). Mental Evolution uma casos do mesmo género. deum numero maior ou menor desses enigmas. quer reflectida*.^ ed. 3Vid. Ahriss. creanças podemos achar também creaçoes originaes. mas o caso da palavra gaz. 4 Ha sobre linguas d'esse género um trabalho de Horatio Hale in Proceedings of the American Association for the Advancement of Learning.. Ha também Deve ter-se em vista que as creanças transfor- í Sobre a creação original moderna nas linguas usuaes. Ha esjpeclonderijico^ esta- pafúrdio^ que parecem perfeitas invenções sem apoio. leio numa noticia d'cssa edição. vol. que só conheço pelos extractos dados por junto com in Man (London 1888) pp. Steinthal. pode. Todavia ha sempre um certo numero de palavras que parecem de inteira creação moderna. . ix. Paul^ ^Vid. Principim der Sprachgeschichte. v. § 510. 4. senão muito vago.se ser inclinado a crer que nesses termos irreductiveis haja restos de antigas línguas perdidas. a que ainda assim os etymologístas se esforçam por achar termos populares ou de gíria como uma etymología'^. vid. apesar de todos os esforços da sciencia etymologica. 1882). inventada por E bem conhecido Van Helmont. Todos os annos. Preyer. Der Ursprung der Sprache. dá noticia de Gr. porque embora achemos nas primeiras um considerável numero de termos irreduetiveis a termos das ultimas.^ ed. Romanes. Die Seele des Kindes (Leipzig. Seheler e Littré. quer espontânea.. segundo que aindo nâo vi. ainda que mais raras do que se poderia suppôr. pp.149 de palavras de línguas antigas. 277278. que não exclusivamente com elementos originaes^). ou ainda representantes de termos não docu- mentados das linguas antigas conhecidas ou por ventura vocábulos modificados de tal modo que escondam a sua mais. xxxv. das Na linguagem observados casos de creação de linguas por ainda creanças. J. 138-143. se vae resolvendo origem á perícia dos investigadores. 2. cap. observaçã») semelhante de um amigo do auctor d'esse livro. Steinthal. no existente na língua usual. 1886. W.

sentimento ou as palpitações do coração. jogo nas feiras que consiste em atirar bolas a uns bonecos fixados pelo meio do corpo num arame. . são raros todavia os termos que se possam considerar innegavelmente como creaçoes originaes. Duas creanque fallavam já correctamente a lingua materna. Uma que eu conheço transformava café em pavá^ lenço em juso. tim-tim por tim-tim (contar). gallinha. ex. moscata por mosca) designavam uns bonecos figurando soldados da armada ingleza pelo termo falofa^ que depois foi applicado por elles para designar os recrutas. o próprio cão. escolho a seguinte ças. um Nas formações imitativas referidas nota-se a reduplicação syllabica.lôO inam ás vezes singularmente as palavras da lingua materna. como em muitas outras populares do mesmo género. ou antes nos limites do calão e da linguagem popular. Tefe-tefe é uma expressão imitativa que parece ter designado primeiramente. No calão. outra a applicava expressão jpípes que lhe ensinavam por piolhos junto com a expressão menirmo. e produziam frequentes vezes derivados para substituirem as palavras correntes (p. de modo que ganha o que os faz volver sobre esse eixo. Entre outras creaçoes originaes indubitáveis de creanças. heu-heu ou hau-hau. soldados novos (gaUuchos^ na desi- gnação popular) de carne e osso. . taes são zum-zum. contar miudamente. a própria ovelha. o composto pipes-meninào para designar uma immundicie. chichi. pipi. corneta. isto é. Tal é fun- gágá por philarmonica. o canto do cuco. faze7' tefe- tefe. lia boca popular. ponto por ponto. pim-pam-pum (com variação vocálica). o ladrar do cão. urina. tUm-tlim . cu-cu. que tinha primeiro conhecido para designar um certo rapaz antipathico. buhu. o balar da ovelha. fugir correndo. Na linguagem das amas e creanças: tutu. agitado por por uma corrida. mé-mé. o próprio cuco. de observação minha. agua. no seu som ou na sua significação. tris-tms. Na lista de Queiroz Velloso encontramos : cal.

de ondila como ondinamo por hisp. «A separação da lingua dos tsiganos das girias não é fácil. como fanfarra. finfar. iii. bazofia (vanterie).151 Algumas expressões das girias ligam-se a antigas onomatopeas. dirigir a alguém que farfante (do ital. Zigevnerische Elemenle in den Gaunersprache EnropcCs in Sifzber. ao passo que se vá perdendo a memoria dos termos tsiganos. ostentar valentia. Lxxxiii. Beitrúge zur Kenntniss der Z/(/€unenmmdar(en. Miklosich. far basofiar. Com Littró creio furfante) deve considerar-se como um Relações do cigano com o calão de p. na lingiia geral. po!r hisp. verbo /i^n- ant. Leite de Vasconcellos ha uma parte considerável que apresentam o suffixo -uncho. 538. remoque. de músicos que tocam instrumentos de cobre. etc.se. a linguagem dos ciganos de um certo numero de termos formados pelos contém Portugal também no calão. E de crer que. além de certos artificiaes. sendo ondila a seu turno derivado de hisp. com troca do suffixo -ila por -amo (de álamo).» sempre varias Pott notou já no gitano alguns termos da germanía e formações análogas ás das girias. Assim o que neste artigo se designa como giria dinamarqueza (mais exactamente jutica) pode também ser considerada como tsigana. Uma variante de fanfar ó hisp. reunião. fanfarrão. ala. 46-49. productos muito álamo. pag. não tendo relação etymologica com fanfarrão. 1 . lingua. fanfa. gabar. a linguagem dos ciganos tome de cada vez mais o as- pecto de uma giria. e dos quaes encontrámos processos que o mais frequente no cigano é o Como vemos emprego de suffixos desíi- gurantes. Distingue-se notavelmente da giria allemã*. Entre os termos dos ciganos da Extremadura colhidos pelo sr.

iii. vir.se bastante generalisado. ligadas ás do calão. artife. dicar. rumeno av. i. rol do esquecimento. 2 Nâo apresento as formas de todos os dialectos tsiganos. as quaes se encontrarão nas obras citadas. avezar. Origem indiana: sanskrito — diy. considero como tsiganos não só os elementos dos dialectos tsiganos. tsig. Mas oíferece formas mais afastadas gresiton. grego aváva. Rothwelsch dichen^ ver. na orla. nalguns casos simplesmente d' esses termos acha. Maio traz no seu vocagitano alguns termos expressamente indicados como de germanía. Seguindo o exemplo de Miklosich. húngaro jagór. extremidade. Beitr. adicar. Git. [Cp. o git. — Essas . cf. bulário Bie Zigeuner. Tsig. Voc. Miklosich.152 onda.. 38-43. Voc. tsigano grego agôr ponta. tsig. ter. tener. prakrito dèkkhami. vir. Abhandl. artão. que são de origem indica. o ultimo . relações dos ciganos com outros vagabundos. Pott. pela comparação do voo da ave com o movimento de nadar *. formas tsiganas ligam-se talvez ao ii.j ii. e em especial em do cigano e do gitano. 64. Die Zig. abelar. aguaruça. * Pott. bohemio agor. 201. indica o nosso Vocabulário cigano ^. 305. tsig. resultou a introducção no calão de um certo Das numero de termos de origem tsigana e especialmente cigana ou gitana. ladroes. O uso de alguns geral certa. fim. mas geral todas as palavras que temos razão para julgar trazidas pelos ciganos até Portugal. .j vii. diqudar. Abhandl. vii. : fim. 45. fim tsig. fim. Miklosich. ii. Lembra rumeno agor. A A primeira palavra de cada artigo é o termo do calão. 110-111. 163. gresité. pp. Miklosich. sanskrito agra.. A lista seguinte comprehende termos em que essa origem é em provável. pedintes. vid. avelar. 541. poseer. abreviatura Voe. Pott. agoré. fim . àbelar. cig. ver. Cig.

] hagata. bohemio avav^ vir Pott. p. um termo de origem africana]. calão. — Origem indiana ii. 92.. — Origem indiana: sanskrito . pali bkãs. 172.'] buldr^a. gallo tsig. lingua dos gita- nos.. 57 Em hisp. brejina. decir la buena aventura.] bolsar. Cig. ladrar. . que significa propriamente negro.. bella? Git. fortune. emquanto o persa fora lers ao sanskrito hhang. 398-9. felido seu lado ligado por Vulcity. que liga aquella ao persa hakht. prakrito hattha. guitarra. bohem. hung. Voc. felicidade . luck. italiano vast. Voc). barriga. guitarra. ii. acaso. gritar . hisp. Miklosich. 170-171. Queiroz traz bunda. bohemio basavav. pali. etc. Pode estar por hassar e ligar-se ao seguinte banza. gralhar . hindustani hãth. viii. 86. este. [Ligar-se-ha a git. no Brasil bunda podex. git. Ahhandl. Origem indiana: sans- — krito hasta. Abhandl. BORROW.. ii. ladrar. bui. Tsig. giria. Vid. fallar. tsig. tumulto. tocar. trabuco. Miklosich. II. to tell fortune. se derivasse de bello. 176. haji^ fortuna. baM. Parece ligar-se a banza. ano? 422. Grit. bate. basta. Git. vii. git. basno. vid. clavina. ladrar . Ahhandl.. mano Tsig. basco basta. pocachim. : 426. rum. jpenar haji. tsig. mão. baste. russo te bases. russo ha te baSés. bellota (bolota). soar. bachahi. rumeno palavra backtj. cereja. Pott. basnó. sanskrito bhãs. banza. gallo (= cig. calo. bruxaria. Vid. pois no tsig. berjí. basnó. Pott. [Cp. 52. Abhandl. Tsig. escandinavo vast.. tsig. tsig. baste. bata.153 tsig. tsig. berjivia. Miklosich. frangere. banzé. é talvez significa nádegas. sorte. felicidade. mas que interpretado como Pott. gritaria.. grego hacht (eh =j hisp. grego basáva.). algazarra. ru- meno . pudendum mulieris. é uma má traducção do termo foi que vem do árabe bellõtã. Miklosich. De um dos nomes nacionaes dos tsiganos kaló. ii. Pott. vii. bocanhim. grego. prosperity. vii. bocachwi.. — Origem indiana : sanskrito ap^ alcançar. dividere. [Ligar-se-ha a git.

Git. chíbalé. colona. : andar. moeda. marchar. De calão.154 hindustani kãlã^ sindhi hãrõ. 125. adj. cangra. ii. carro.. meter. tsig. s. Pott. longe sição A Meu velho! diz-se por carinho a um rapaz. idiota (litteralmente a que se fugir. denario. busné ao lado de biisnó. Vid. curda. foi o juizo). bebedeira. Pott. canguello. juiz tsig. grego calauáva. hindustani relação á forma ]\Iiklosich. recelar. 128. Miklosich. — Origem incerta. e lembra que os iv no século transportavam em carros imagens a godos kangH. Miklosich. 106. Cp. iirdiana: bohemio cíbaU. Vid. cih. cardina. etc. propriamente cigana. 111 n. igreja. VII. A palavra encontra. receio. cale. ao lado de banjuló. Ahhandl. canguelo. gangarina. calcorrear^ correr. bater. mover. chalado. [Cp. Pott. lingua. cp. Abha7idl. Git. pasar. ii. Voc. Cig.]. vii. fallador. caleça. adversário. chalarse. bater contra. cuarto. Ahhandl. 189-190. temer. Cf. temor. ter. Hp.. tsig. amalucado. sanskrito gihvã. talvez persa. calão. agitar. Mayo. cig. Voc. albanez. chalar. git. hear. essas palavras provêem de tsig. git. Git. Pott. banjolé. cangré. Git. curdi. 231. git. bandido. cangri. anterior. Queiroz. grande. mulher desprezível. Pode ter influído no som port. chalar. timidez. ii. . canguelar. igreja. cangarina. baré ao lado de baré. chala- — Origem menear. adj. surre. miedo. ii. e pali kãla^ caleço. git. . viii. caminar. hindustani calna. afugentar. Cig. acanhamento. pôr na chala. antigo? um de ser está no sentido phenonemo raro. cangueri. baindiana: sanskrito cal (cansativo). . ir.. . Miklosich. chala. diclé ao lado de em é. lenço. quartilho. etc. joven. grego Hhaló. cigano. oppochurré. ébrio. Origem incerta. turbar. AhhandL. curdo. lõO-lõl.se noutros dialectos tsiganos. asiático compara kangalla. embriaguez. 18Õ]. estranho. p. 229. — Origem dzlbh. [Cp. Com fanfarrão. palrador: Hhanó. dicló. que prestavam culto. pali givhã. Tsig. vii. — absolvição. mover. Mayo.

To inclose. Borrow. cosqué^ granja. Git. vil. lida. agarrado.. isto é. grego klidí. Tsig. la O clisé ya panduajujerear. cp. fechar. 197. bohem. p. fcorrijHO ou corrupio propriamente. pufíal. sich.. II. grego pandáva. rumenp dad^. fosse modificação do tsig. tsig. Ahhandl. kilidí^ chave. Queiroz dá a empandeirar o sentido de matar. Tsig. sanskrito tãtã. este. grego^ . encarcerar. em logar de que se vê bem. vii. Miklosich. Pott. grego dadá^ todavia as formas do argot (p. 37-38. Pott. git. atar. banda. avô.. fazer ligar. Jornal O Século^ n. «Fomos todos impandeirados pela policia». churi. Suppuz primeiramente que dad. trabajo. vil. — Origem indiana: prakrito sanskrito: churi. apanhado. possivel que cosquej. Dad é de origem indiana hindustani dãdãj. . — gem indiana: sanskrito. Mayo. Ahhandl. arménio band. basco curi. pali bhand. cortijo. giratório . Mayo. Git. ii. agujero. cliseSf olhos. ii. oprimir. sujetar. el ojo de cerradui'a. o termo tenha vindo de Itália por intermédio dos ciganos. ligar. Miklosich. ejercicio. u. ht^rir los ojos. pae.1Õ5 churinar^ esfaquear. húngaro klidin^ fechadura. 308-309. faca. cuchillo. rerí. cárcere. vid. avô 99) fazem-me hesitar. hiing. Orihnngar o pandel. actividade. escand. dica {á)j perto. chori.. to tie. Cig. vMiòi. Pott. ojetear. 111. dabo^ pae. junho 1892). A raiz bhand está representada nas linguas germânicas por band. Tsig. Argot chouriner Tsig. movimento rápido grande giria. Mayo. Miklo- AhhandL. curripen. churinar. ojo. casa. Houve metathese da aspiração: phand. 198. chiira. viii. termo de mas sim um Esta palavra que não é termo popular muito generali- sado é talvez derivado do lat. hind. adicar. de que vem port. Yoc. Git. eclisar. to shut. : tsig. Pott. 242. mas lembra o git. cUsé. Borrow.° 3:731 (19. De empandeiradoy preso. 210. Git. òhurika. — Do grego mod. 115). pali èhurikã^ Ihuri. E Vid. churi. corHpere. apremar. Miklosich. acuchillar. — . Abhandl. 124. pandh.

Ahhandl. ii. estaripel. 300. Ahhandl. Mayo cara. comer. casa. engulir. homem. Git. pessoa. mostrar a feia. grego stadik. ii. a. Cig. A palavra tsigana é de mas cp. pass. o . grego gadzo. dinno. etc» . Miklosich. deriva do part. jalar. 246. prison. hospede. — part. gandaiar. cadeia. di^har. II. nota-o como termo de germ. garandar.. Miklosich. grego cháva. gaché. part. Vid. Git. que apresenta formas correspondentes de outros dia- tribunal. . etc. vagabundear. Além das formas citadas.. gramar. Ficou já estabelecida p. 111. pop. estardar. Ahhandl. QQ. 129. estrihelho.jamar. «Etwa ais Ge- mudar de no-lo gentheil von: Profil?» Pott. Voc. dinó. Borrow. 217-218. fez. cig. (aii. Cp. etc. Cig. rumeno gàzó. grego dava^. git. estaro.) e o precedente estarim. alli Cig. mod. ii.1Õ6 endinhar. Cig. 148. subtileza. Jila^ face. Voc. 157-9. 199. Pott. Origem indiana: sanskrito dã. Voc. Tsig. 243. Nas phrases : mudai' de feia. furtar com Voc.. encerrar.iólÒí. Ahhandl. gy. mem. vadiar. que deveria separar-se portanto de gramar. Git. ho- homem. pali khãd. gamar. Vid. estaribin. Borrow. comer. que 148. trilhar o linho. Do grego mod. . ii. chapéu. estariben (Voc. pali dêmi. que anda á boa vida libertino Voc. 73-81. Pott. Pott. vii. tsig. jawiar. 211-212. estanhei. encarcerelar estardó. dinó da raiz da. abonar. adj. Queiroz. Mayo. gajo. Pott. barrete dos turcos. estache. e feia. Mayo. a gente de casa. estaríben. p. Miklosich. estache. prakrito khã. Tsig. endromina. viii. sujeito. vii. — estarim^ prisão. cp. Pott. não nho. Tsig. vii. cigano. Miklosich. dá também como da germ. git. cara. II. — origem indiana: sanskrito. apparecer. Vid. comer. gadzo é propriamente um homem da casa. lectos tsiganos. Cig. os sentidos de tascar. cara. 102 a relação semântica entre comer e furtar. II. preso. ii. dar.. 394. estraespertalhão. Tsig. etc. dadãmi. dihar. estardelar. i. Germânia mod. p. A gamar liga-se talvez port. — Origem indiana: sanskrito gaya.

besta.. Rothwelsch lowi. lutum. mas afigurase-me que ao gitano não seria extranha a forma lodo. AbhandL. git. Origem arménia: grast.1Õ7 ganiços. tsig. p. sitala. froid. . carta. II. AbhandL. II. liró. ix. grani. Z^7o. Bluteau. grane. é de origem indiana: AbhandL. viii. ganar. grani. VIII. Pott. Abtrennung. 339-340. sltala . grasni. jil. 7 . Git. 1. Tsig. 108). sanskrito sita. grasté. ex. embora este se originasse de tsig. grego sil. Hás (Voe). luca. ganisardar. dados. grasti. grego lava. Miklosich. geld. Ganar. gahí. frio. Cf. etc. linó. Cf. frio. 145. Origem incerta. Pott. Miklosich. gras. BORROW. oiro. Em verdade o git. Pott. Cp. tomar. Cp. cavallo . 187. As palavras regit. fresco. juego de dados. em que compara sansdopa. e que lama teria sido produzido como pendant a lodo. por uma metaphora exprimindo o desprezo pelo tão desejado objecto. gra. cavallo. Tsig. janota. AbhandL. tsig. besta de carga. extravagante. plata. to gain. palavra noutras penetrou gírias. gra. égua.» No calão a palavra assimilou-se a port. Pott. égua etc. grego lovó. ii. dinheiro. Ligar-se-ha pelos processos examinados a 126 a segg. Git. lodo lat. 327. . — já no jargon do sec. grai. grenhi. cavallo. 335. graste. tsig. Pott. loco. liá^ A forma fundap. A — Ill. Voc. inderdicto). no qual toda- Beitr. 143-4. lovó. liga-o a lillar tomar (litteralmente. Miklosich. pali Ma. griso. part. vii. Cp. gris. . cavallo . faca. cig. mental tsigana parece ser liei. lodo. frio. comquanto não figure nos vocabulários que tenho presentes. parece confirmar essa interpretação. 70. em Mayo. 340. etwa Abschnitt. 546. grego grast. 231-232. Tsig. lama. Mayo. ii. 216. ii. lilô. Mas gris. krito = via alguém poderia ter visto a verdadeira origem do termo do calão. hil. gray. gania. — . ii. produz ganisardar grane. grastni^ grasni. Miklosich. cig. O termo tsig. git. hir. burro. xv (vid. lové di- nheiro allemão lõvo. viii. cavalgadura. Pott. AbhandL. inglez lóvo. sem indicação etymologica. moeda. provêem por certo do hisp. frio. git. égua Cig. git. p.

158
lumia, meretriz. Cig. lumi. Voc. Git. lumí^ lumica^

mu-

chacha, querida, manceba. Mayo. Tsig. grego lubni. Hure; tsig. allemão liibni, etc. A palavra penetrou no Rothwelscli
lupni. Miklosicli, Beitr,
iii,

546.

— Origem indiana:
lõhhirij,

sans-

krito lubh^ desejar, lõhha, cubica,
pali lohha^

desejoso, ávido; ávido, hindustani luhhnã^ ser cubiçoso, amo-

roso. Pott,
maries,

II,

334. Miklosich, Ahhandl.j,

viii, 7.

homem; manesuj mulher; menesa, abbadessa;
manu. Voc.
Git.

prostituta (arg. menessCj p. 101). Cig.

manu,

forma hombre, varon. Tsig. grego manús, homem, etc. do calão parece provir de uma cigana mamis, que suggeriu a troca de us em es. Origem indiana: sanskrito ma-

A

nma_,

hindustani

mcinus,

Pott,

ii,

446-447. Miklosich,

Abhandl.j, viii, 10.

mangue, eu. Cig. amanga, amangues, mangue, mangues,

Origem mangue, me, mi. Tsig. grego amen\ etc. indiana: sanskrito asmãn, pali amhê, hindustani ham, nós. Miklosich, AbhandL, vii, 164-165.
Git.

marar, matar. Cig. marar, marelar. Voc. Git. marar, matar. Reflexos nos diversos dialectos. Origem indiana

:

sanskrito
Pott,
II,

mãrayati, 450. Miklosich, Ahhandl., viii, 11. marrella, pão. Der. de cig. manró. Voc. Git. manró, pan. Tsig. grego manró, etc. Cp., por causa da forma, cal.

elle

mata, hindustani mãrnã,

ferir.

Origem indiana: sanskrito parrella àe parné (vid. infra). a camada saborosa de comidas Uquidas e manda, superior de bebidas, mandha, uma espécie de biscoito, pali manda.
Pott, u,

440-442. Miklosich, AhhandL, viii, 10. misto, bom. Cig. misto. Voc. Git. misto, bien, bueno.

Origem indiana: sanskrito Tsig. grego misto, bom, etc. hindustani mithã, sindhi mifhõ, mista, saboroso, doce;
doce. Pott, II, 459-461. Miklosich, AhhandL, viu, 15. Pott não considerou sufficiente essa etymologia que foi

primeiro apontada por Diefenbach e que Mikl. acceita. mistico, bom, bello, janota; mistangueiro, janota; mistago, acreditado.
rior.

Ligam-se todos a misto;

vid. o art. ante-

Cp.

litterario mystico.

159
nanaij, nada.

Cig. nanais. Voc. Gil. nanai^ no^ de nin-

giin modo. Tsig. grego na^ não; duplicado nana; nanay nana isi, não é. No git. ha também a forma nasti, adv.

=

Origem indiana: sanskrito na Miklosich, AhhanãL, viii, 19.

-\-

ásti.

Pott,

i,

318. 322.

pachacha, pudendum mulieris. Git. pachí^ virgindade espachilar, desflorar. Mayo. virgo pachibar^ honrar
;

;

Tsig.

grego pakyáva, crer, confiar, tsig. rumeno patá^ crer, patáj, casamento tsig. bohem. patav^ crer, git. pan;

chahavy pachahdar, crer.

— Miklosich,

Ahhandl.,

VIII,

33-

34, attribue-lhe origem indiana: «Aind. vergl. fraiyayá,

Glaube, Vertrauen. sindh. pati, avg pat, Ehre»; mas Ahhandl. vi, QÇtj dá aquellas formas tsiganas entre as de

origem arménia: «arm. pativ^ Ebre; jyatvel, ehren». As fonnas arménias são aparentadas com as indianas citadas. Pott, II, 346-347.
paivo, cigarro. Cig. pajo por plajo. Voc Git. placo, plajorró, tabaco pracos (Pott, i, 106), pracó (Mayo), pó.
;

Origem slava: mod.
Pott,
II,

slov.,

serbo, búlgaro,
i,

etc,

prah, pó.

32, viii, 51. parnau, parné, parne, parni, parneque, dinheiro. Cig. parnaUj, parné. Voc. Git. parné, prata, dinheiro. Tsig.

361. Miklosich, Ahhandl.,

grego pamój, branco; reflexos noutros dialectos tsiganos. Origem indiana: sanskrito ^ã>/f/w^ palHdo, branco ania-

rellado. Pott,

ii,
;

piar, beber

359. Miklosich^ Ahhandl., viii, 31. piela, bebedeira pielar-se, embriagar-se
;

;

pio,

s.

vinho; adj. embriagado. Cp.

'òx^ot. pie, etc. p.

201, etc.

Cig. pillar por piyar.
adj.

Voc
:

Git. piyar, beber; pile, pillí,

ébrio. Tsig.

indiana sanskrito pi, pali pi (pihati, hindustan' plnã, beber, sindhi pianu. Pott, ii, 342. pivati), Miklosich, Ahhandl., viii, 44-45. Da mesma raiz pi vem o
dialectos.
lat. hihere, d' onde port.

— Origem

grego piava, beber; reflexos nos outros

beber.

A íoroasi pielar, à^onàe, piela,

é derivação tsigana

:

húngaro piyel.

peltra, pildra, cama. Git. j^Utra, cama. Mayo. Borrow; o primeiro indica o termo expressamente como de germanía ;

encontrámo-lo já noutras girias (vid. p. 106)

;

ó possivel

que

160
os ciganos o trouxessem para Portugal. Pott, ciona-o.

ii,

371, men-

pirar-se, pôr-se na pireza, pôr-se no piro, fugir. Cig. pirar. Voc. Git. pirar, pirelar, andar. Tsig. grego pirava, ir, tsig. ruraen. pher, ir; etc. Origem indiana: hindus-

ir, viajar; phiranu, girar. Pott, ii, 382. 33. Ascoli, Zig,, Miklosich, Ahhandl,, viii, 40-41. plaustra, capa, capote. Cig. plasta, plata. Git. plasta,

tani:

phirnã,

Tsig. inglez plásta, aliem, hlasda, plochta; tsig. tsig. polaco piasèos, etc. slava : sloveno antigo Origem plaMth, polaco 'phaszczy, etc.

plastami, plata, capa corta, talma.

Pott,

II,

368. Miklosich, Ahhandl.,

viii,

46.

pocachim, clavina, trabuco. Cig. puca, pusca. Voc. Git.
pusJca, pruská, pruskatiHé, pistola, cachorillo.

grego puski; tsig. puska, que a seu turno provém do alie mão Biíchse, ant. alto aliem, huhsã, puhsã. Pott, IT, 365. Miklosich, Ahhandl.,

mm. púska;

etc.

— Origem

Mayo.

Tsig. slava: serbo

vm, 51-52.
punida, palha.

E

por certo

um

alargamento do

cig.

pu.
cig.

Voc.

Git. pus, paja, a

que se liga pusanó, cortigo

Origem inpuso^onj. Tsig. grego pus, bus, Stroh; etc. diana sanskrito busa, busa, palha pali bhusa, hindustani
:

(=

;

388. Miklosich, Abhandl., vm, 43. raso, padre. Não é inteiramente certo se a palavra se liga realmente ao tsigano (vid. argot rase, p. 102). Cp.
bhusl. Pott,
II,

arajay, erajay. Mayo. Borrow. Tsig. sacerdote christão, mestre-escola, tsig. rugrego ra^áy, meno rasáy ; tsig. hung., bohem., aliem, e russo rasay ;
cig.

eragar.

Git.

tsig.

escand. raso, etc.

A

forma do calão

ligar- se-hia as-

sim a formas mais distantes geographicamente que as do O termo tsigano é gitano, caso que todavia não é único.

de origem indiana duvidosa: cp. sanskrito rsi, pali Pott, II, 278-279. Miklosich, Abhandl, vm, 54.
abertura, agujero.

isi.

ratanhi, retanhi, chave falsa, gazua. Git. rotuhi, boca,

Mayo.
ant.

mod.
Pott,

pouGoúvi,
II,

gr.

cwGwv,

Tsig. grego rutuni, nariz. Gr. nariz. Miklosich, iii, 43.

281.

161

rupim,

rico.

Encontra-se

também no

Tsig. grego rup, prata;

tsig.

rum. rap, rupunó,

argot (vid. p. 102). adj. de

bohem. rup, ruplno, adj.; tsig. aliem, rupp, Falta no cigano e no gitano de mim conheThaler. prata,
prata;
cidos.
tsig.

— Origem

indiana:

sanskrito rupa, forma;

rupin,

que tem uma forma, bello; rupya, adj. que tem uma forma, B. oiro ou prata amoedada, rupia pali rupa, hindustani rupã. Pott, ii, 274-275. Miklosich, Ahhandl., viii, 58.
;

rustír,

comer. Argot roustir (pag. 102). Será connexo
riLSj

com

as formas tsig. rum.
riãt'i,

ser

mau;
;

tsig.

hung.

7'usel,

encolerisar-se,

encolerisado
tsig.

tsig.

bohem. ru^av ;

ruWas,

Origem
sich,

escand. roUo, colérico? indiana: sanskrito rus, ruUa. Pott, ii, 279. Mikloelle fez-se

mau;
58.

Abhandl.j

viii,

sarda, faca; sardinha, punhal, faca. Cp. vid. p. 94.
tasca,

glt.

serdahí, e

taberna.

Furb. tasca
:

(vid.

p.

104). Talvez por

intermédio dos ciganos
telo,

git. tasca, tasquera, taberna.

Mayo.
Tsig.

jumento (Albergaria-a- Velha). Cig. guer. Voe. Git.
asno, burro.

gel, grei,

Mayo.

guel, ass.

BORROW.

Origem grego kher, kfer, ftr, burro; tsig. asiático kar. eranica: kurdo ker. Miklosich, Ahhandl., vii, 237. Sobre
a troca de k e
sich,
t,

vid. Ascoli, Zig., index, p. 169. Miklo-

Ahhandl., IX, 186. 189.
prostituta.

tronga,

Git.

tronga,

barragana,

manceba.

Mayo.
sível

A

origem do termo é-me desconhecida, mas é pos-

que viesse pelos ciganos.

Como

se vê

da

lista anterior

alguns dos termos notados

do calão parecem provir, não directamente de formas ciganas ou gitanas, mas de formas tsiganas extrapeninsulares ;
o que pode ser devido a transmissão por tsiganos de outros paises, que teem cruzado ou até se teem estabelecido em
o nosso.

Alguns dos termos dados aqui como de origem tsigana foram já considerados como derivados de outras fontes;

162
assim banza
foi

considerado como de origem africana, com-

quaiito não se provasse essa etymologia. Schwob e Guyesse apresentam a conjectura de

que a

inversão phonetica na germanía (a que se deve juntar a observada no calão) seja devida a influencia gitana. Como

vimos

(p.

58),

encontra-se na índia esse processo;

mas

como

elle é

muito frequente no hispanhol e no português,

não precisamos para o explicar de recorrer á intervenção gitana ou cigana.

III

ESBOÇO HISTÓRICO E ETHNOGRAPHICO
Cancioneiro geral, colligido por Garcia de Resende, começou a imprimir-se em Almeirim em 1515 e acabou de
o ser

O

em Lisboa «Aos

xxviij dias de setêbro

da era de nosso

senhor Jesu Cristo de mil e quynhentos e xvi annos». Uma das peças mais curiosas d'esse famoso livro é a
longa serie de apodos dirigidos ao próprio coUector, a propósito da sua proverbial rotundidade, por AíFonso Valente,

peça que se encontra a p. 641 e segs. do tomo iii da edição de Stuttgart, e a folhas 224 e segs. da primeira edição. O humor cómico de Valente parece inexgotavel os termos
:

de comparação que lhe surgem no espirito lembram a maneira de Rabelais.

Entre outras coisas bastante
na composição mencionada:

difficeis

de entender,

lê-se

Pareçeys hum pouco o frato, preguador da vyda eterna, Grega bêbada, de parto, antre cubas em tauerna.

Assim

se

acha exactamente, e com a

mesma

pontuação,

na edição de Stuttgart, o que prova que o sábio editor

poe na boca de uma das personagens as palavras : Mantenga senhuraz y rozaz y ricaz. com o terceiro. por essa razão que elles são chamados gregos nas Consti- E Gil Vicente. 1827). Nuestra ventura que fue cuntra nuz. correcção de texto de outro lado não é possivel admittir que Valente empregasse ao acaso a palavra grega^ visto que elle se mostra forte nos recursos da lingua. isto é. . Pelo systema das estroplies da sátira de Valente. Por tierraz estraííaz nuz tiene[n] perdidas. o terceiro deste nome. a qual os meus leitores encontrarão mais abaixo transcripta por completo. os tsiganos de Hispanha e Portugal. emquanto elles Resta saber o que é aquella «grega bêbada de parto. nhecedor dos termos apropriados. * les Jaubert de Passa. d'Evora era do Redemptor 1521». bom co. 337. gloria. De Grécia sumuz hidalgaz por Diuz. foram considerados originários da Grécia. na sua interessante Farça das Ciganas «representada ao muyto alto e poderoso Rey D. xxxiii (Paris. Valente compara Garcia de Resende a um d'esses fartos e rotundos ecclesiasticos. in. t. os dois primeiros d'aquelles versos. cor- O que é perfeitamente intelligivel. pelo menos. João. p. Diversas noticias mostram-nos que os tsiganos e em especial os gitanos e ciganos. que pregam aos outros que cuidem das suas almas para evitar as penas eternas e ganhar a não se descuidam do corpo.164 Kausler não comprehendeu. o primeiro verso deve rimar rige-se pois: Pereceis uni pouco o farto pregador da vida eterna. antre cubas em tauerna» aqui não ha. em a sua cidade tuições da Catalunha *. Essai Jiiaiorique sur les Gitanos in NouvelAnnáles des Voyages. ao que parece.

Hablo con elles en lengua de Egypto. usado pelos gregos modernos. y que tienen su perigrinacion por penitecia y para prouar esto muestrã cartas dei rey de Polónia. ano 1517. que la lengua que traen es fingida. Bibliotheca Nacional de Lisboa tem En . espécie de pequena encyclopedia ou cartilha. sino de perros y Vn hombre docto. ex. ladrones. que pues todos no entienden. 143 (Leon de Francia. que como auia mucho tiempo que eran salidos de alia. que lhes dão os inglezes. p. ano 1540. ó aspid Gitano. adonde les llaman Tártaros.165 Os tsiganos em geral diziam-se vindos do Egypto o d'ahi os nomes de gitano *. que é uma raridade bibliographica. ameneçó a tu vida? Ohras métricas. mas é dissessem de origem grega. em que : se vê que havia fun- damento para chamar gregos aos ciganos: «Que son Gitanos ? Responde Esta ruyn gête. tomo ii. de FúípTOi (AtyÚTTTtot). y de la- 1 Em como. 2 A feita Ano um exemplar da edição Alcalá de Henares. possível que alguns bandos se século curioso do Num livro muito xvi. Pêro mienten. vnos entendian. intitulado El Estudioso Cortesano de Lorencio Palmireno^. otros no: ansi. de Gipsies. senales. Mello: hispanhol empregou. y vio con ella ser ya acabado el tiempo de su penitencia. mostrassen la carta dei rey.se giiano no sentido geral de egypcio. dezian. començo en Aleraana. Desde mi halago. como hablan hoy en la Morea y Arcipelago. co muitos halagos recabo dellos. como as que alguns dos eruditos mais distinctos de então não desdenhavam de escrever (lem- bremo-nos da Cartilha do nosso João de Barros). no lo entendian.. conjunctamente com T^íyyccvci. Fingem que salieron de Egypto : menor. porque su vida no es de penitencia. na seguinte passagem do nosso Francisco Manuel de Que cerastes aleue. 1587. encontra-se a seguinte passagem. Habloles en Griego vulgar. Não é a primeira. en casa de Juan Ihiguez de Lequerica. o Gentiles : en Itália Cianos. p. que têem na Hispanha. 16t>5).

Suppoz-se com razão que foi Palmireno um o hombre docto de que falia fosse elle próprio. etc. excepto a invenção absurda de que elles 3 ^ descendem dos Hyksos. Num artigo Origem dos ciganos. Le pays Basque. dada aos tsiganos. cap. foi repetida est-a minha interpretação sem indicação de fonte. typographia Lusitana) 1 '< de 1877. 1879) 269-278. . femmes. No século xvir. 35-36. Vid. sert aux Bohémiens à satisfaire leur goúi prononcé pour Tivro- gnerie hommes. Un Y Para chupar El estudioso cortesano. a palavra grega dos versos de Valente o mesmo que cigana? Sabendo que os tsiganos teem fama de se darem á embriaguez não restará muita duvida de que essa interpretação seja exacta^.» Vid. p. s'y livrent publiquement en toute occasion . respeitável e eruditíssimo humanista. Aproveito a occasião para dizer que o auctor d'esse artigo nada dá de novo para a questão dos tsiganos. 232. (Porto. Gli Zingari. i. pois. Significará. professor de grego na Universidade de Saragossa. 2 Esta interpretação da passagem de Aífonso Valente foi publicada por mim no jornal A Borboleta (Braga. diz. entre outros. ils en trouvent les moyens dans le gain 3» qu'ils font à tondre les mulets.166 drones para encobrir sus hurtos. o trecho inteiro d'esse auctor no fim dos Documentos do presente estudo. p. e as suas palavras merecem todo o credito. todavia o que se diz mais abaixo com referencia aos ciganos de Portugal. aL'argent. vii. Francisque Michel. 139. a mesma denominação de gregos. Miguel Leitão d'Andrada escrevia a respeito dos ciganos: sendo Gregos que se vieram fugindo dos Turcos se fazem jEJgipcios ou Gitanos. foi. : Uma quadra hispanhola diz: gitano se murió dejó en el testamento Que le enterrasen en vina los sarmientos^. Segundo uma communicação particular de M. Paul Bataillard. como la girigonça de los ciegos*». enfants. publicado in Positivismo. encontra-se em documentos hoUandezes. Apud Colocci.

azucal colado. Cas. como o primeiro que fez emprego artístico de typos d'esse povo errante *. camiza. de Gigio Arthemio Giancarli Rhodigino. A Itália oíferece já no século xvi uma comedia. Faliam Entram quatro um hispanhol modificado na pronuncia.167 Se a minha conjectura é exacta. como já se quiz ver. acerca dos ciganos. . O El preeiuza rozica-. ciganas. Lirio de Grécia. Dadnuz limuzna pur la amur de Diuz. Zigeunerisches^ * pag.Vid. A Cerca de nilla de um século havia de passar até apparecer a Jita- Cervantes (1612). com esquecimento do nosso escriptor. Senura. senur graciuzo. sin cera y pavilo. Lucrécia. firmai preciuzo. La Virgen te traya buen sino j buen hado. que manifestam logo o caracter importunamente pedinchão das mulheres e creanças da sua raça. senura. que é geralmente conhecido. Ca8. Tantico de pan. na ed. que é o primeiro monumento da litteratura propriamente dita em que figuram tsiganos. dadme un tocado. Gil Vicente na farça alludida. cielo estrellado é um cumprimento á pessoa a quem se dirige a cigana e nâo um apposto de Grécia. Cassandra. Dadme una Luc. senuruz pudruzuz. Giralda. La Virgen Maria uz haga dichuzuz. 2 3 Na Mi ed. cielo vuz cumpla luz descuz vuestruz. Mart. O ruza nacida en ribera dei Nilo. Dadme una saya. 122. Antucha dei cielo. Martina. GiR. haré la mezura. seuura. Nieve de eira. mi cielo estrellado '. Christianuz sumuz. fidalguz senurez hermuzuz. Dadnuz limuzna. veiz aqui la cruz. temos na passagem de Affonso Valente o mais antigo testemunho português. de mim esse segue-se o de conhecido. Luc. A Farça dos ciganos é um documento precioso. Mart. de Hamburgo: rozua. Mantenga. de 1586 rozica. Ascoli. La cingana. traçado com evidente fidelidade. abstraindo alli da invenção cómica que introduz aqui e no quadro alguns desenvolvimentos.

Rocin que hubo de un judio. hermanaz. Mar. Llamemuz á Cláudio antes que nuz vamuz. mi volveiz mil Car. realez. que hagamoz Cantemos la fiesta antez que noz vamoz ? A buscar luz sinuz á estas senuraz. burricos compre. Claud. No nuz curemuz desaz faranduraz. Ahora en páscoa de florez? Y AuR. Daran sus mercedes para que comamuz. Senurez. los piez trazeroz Mi Porque es calzado nel rabo. Andad A Cas. Trocará un rocin mio. querendo Vêem receber. yo trocaré un potro Que Si tengo. Auricio y haremuz fiesta. . Zambro de Tiene el . Moriscoz prietos garri doz Que dos . quereiz trocar Mi burra vieja á un galgo? As ciganas cantam e dançam. Puez que quereiz. Mar.108 Preparam-se para dizer a buena dicha: Luc. hermuzura Diremuz el siuo. Auricio e tractam de fazer trocas de cavalgaduras. Senurez. Cláudio. por cualquier otro. Carmelio. Ya Cla. rocin tuerto os alabo. algum dinheiro. pecho muy hidalgo. . o senurez caballeroz. y estas senuraz de gran vamuz os quatro ciganos. Cual de vuz otroz. Liberto. Carmelio. Cla. la buena ventura. Como hecimuz ayer por la siesta Vé á llamarluz y nuz esperamuz. : acá. alem de animaes. Mas antes loz trocaré. tengo dos especialez Caballoz. seuurez. Martina. Y AuR. loz hubiera vendidoz. cocea ai cabalgar. buenoz que talez.

i ed. Mart. Grécia sumuz hidalgaz por Diuz ^ Nuestra ventura que fue cuntra nuz. para vueztro avizo. Por tierraz estranaz nuz tiene[n] perdidaz. Otro hechizo os puedo yo dar GiR. «Hilando. feitiços : Senuraz. Que Diuz vuz defienda dei amur de engano. holgades con izo. esmeraldaz polidaz. (<Y dijéronme. "Que voz traen casamiento "Y os daban en axuar «Una manta y un paramiento.169 Cantiga «'Eu la cosina estaba el asno " Bailando. . na ed.» Cantando e e bailando ao som desta cantiga vâo ás damas pedem de novo Mart. Si vuz. Que muztra una mueztra y vende otro pano. esmola. Que dicen. quereiz aprender á hechizo. ruza mia. como noutros logares. la vida mia qu'ez vuestro servizo. Dadnuz esmula. Por firme que este con fé verdadera. de 1856 Dmz. que encubren. Y pone en peligro laz almaz y vidaz. senuraz hermuzaz. Con que pudaiz. Hechizos sabreiz para que sepaiz Por Luc. Que sepais hacer para muchaz cosaz ? Ezcuchad aquello. Propõem-se a ensinar Luc. Cual es el senuraz. que pozaiz mudar La voluntad de hombre cualquiera. Y vuz lo mudeiz á vuestro mandar. Los pensamientoz de cuantoz miraiz. GiH. don asno. Otro hechizo. De Mantenga senuraz y rozas y ricaz. saber Y Na el marido que habeiz de tener dia y la hora que habeiz de cazar. de Hamburgo Duz.

170

Dizem

a buena dicha ás damas
Cas.

:

Mustra

la

mano, senura.
receio.

Non hayas ningun

Bendígate Diuz dei cielo, Tu tienez buena ventura, Muy buena ventura tienez,

Muchuz bienez, muchuz bienez, Un hombre te quiere mueho.
Otroz te hablan de amurez
;

Tu, senura, no te curez De dar á muchuz escuto.

Mar.
Cas.

Dadnuz Dadnuz

algo, preciuza,

algo, preciuza.

Luc.

Puez que te digo tu sino, Alguna poquita cuza. Muztra la mano, ruciua,
Lirio de hermozura,

Dirte he la buena ventura.

Mustra ca, senura mia, Ora mustra acina aciíla.

Qué mano, qué Qué dama, que
Por mi

sino,

que flurez

!

ruza, que perla vida que por veria

!

Olvide loz miz amurez,

Yeamuz que

dice el sino,

El recado que te vino

No

lo creas,

alma mia,

Que otra mas alegria Te viene ya per camino. Durmiendo tu, fresca ruza, Te viene el bien por la mar.

Luego

tienez el mirar

De
GiR.

doncella

muy

dichuza.

Diuz te guarde hermozura Mustra la mano seiíura Porné ciento contra treinta
;

Que de Tienez

los piez á la cinta

la

buena ventura.

Tu haz de ser despozada En Alcazar de Zal
:

Con hombre bien principal

Te vernás

bien empleada.

171
Mar.

Dame

acá, dulce serena,

Esa mano cristalina. Buena dicha, perla fina, Tienez la ventura buena

;

Tu

has de ser alcaideza

Tu marido y
Cas.

Cierto tiernpo en Montemor; tu amor

Será bien celoza pieza.

Nueva

ruza,

nueva

estrella,

O brancaz manoz de Izeu, Tu cazarás em Viseu

Y
Y

ternáz liornoz de tella.
edificar

AUi haz de

Un muy

rico palomar,

doz parez de molinoz,

Luc.

Porque todoz loz caminoz A la puente van á dar. Diuz te guarde linda flor, Bendito sea el seiíor Que tal hermosura cria. Mueztra la mano, alma mia,

Por vida dei

servidor.

Fiosanda cazaraz Aqueste ano que vem

En

Santiago de Cacem Mucho rica, muclio bem, Buena ventura hallaráz, Buena dicha, buena estrena, Buena suerte, mucho buena, Muchas carretas, seilura, Y mucha buena ventura,
Placiendo á la Madalena

Que guarde
GiR.

tu hermozura. Muestra la mano, mi vida, Aguela en tierraz desiertaz

;

Dos personaz

traez muertaz,

Tu

Porque erez desgradecida. casarás en Alvito. Seíiura, marido rico,

Muchuz hijos, muchos bienez, Mucho luenga vida tienez, Buen sino, bueno, bendito.
Mar.

Mis ojos d'azor mudado,

172
Muestrame
la

mano, hermana

:

O mi

senura SanfAnna,
I
!

Qué sino, qué suerte, qué hado Qué ventura tan dichuza
Tu, senura graciuza,

Teruáz tierras y ganadoz, Cuatro hijos mucho honrados,

Mucho
Cas.

oro y mucha coza. mi ave fénix linda, Mi sibila, mi senura,

o

Dame

acá la mano ahura. Hermozura de Esmerinda Tu tienez muchos cuidados,

Y

algunos desviados
tu provecho,

De

alma mia.

Tienez alta fantasia, E los mundos son mundados.

Un

travesero que tienez,

Luc.

De dentro dei hallaráz Un espejo en que veraz Muy claroz todoz tuz bienez. Dad acá, garza real,
Gridonia natural,

Diré la buena ventura.

Viva

tu gran hermozura.

Que esta mano ez divinal Unaz personaz te ayudan

A una coza que quierez Estas son dambas mugerez Y otraz dos te desayudan.
;

Date un poquito á vagar, Que aun está por comenzar Lo bueno de tu ventura Confia en tu hermuzura Que ella te ha de descanzar.
:

GriR.

Dad
Por

acá, Mayo florido, Eza mano, Melibeai.

bien, senura, te sea

um

Na ed. de Hamburgo Eza mano melihea, como se melibea fosse adjectivo; é evidente que Melibea é um nome próprio, empregado aqui como epitheto, e reminiscência da Tragicomedia de Calisto
*
:

y Meliboea ou

Celestina.

173
Buen marido,
bueii marido.

Na Laadera
Nunca

cazaráz,

te arrepentiráz,

Y iraz morar á Y dentro on tu
Un gran

Pombal,

naranjal. tesoro hallaráz.

El que ha de ser tu marido

Anda ahora trasquilado. Mucho honrado, mucho honrado, En muy buen sino nacido.
Naciste en bucna ventura.

Mar.

Huerta de

la hermozura, Cirne de la mar salada,

Diuz
Cas.

te

tenga bien guardada
segura.

Y muy
.

Senuraz, con beuedicion

Oz quedad, puez no dais nada.
Luc.

No
Dar

vi gente tan

honrada

tan poço galardon.

Tornárão-se a ordenar em sua dança, e com ella se forão*.

Nas peças de Gil Vicente faliam castelhano personagens muito diversas todavia aqui não pode deixar de admittir;

que essa lingua, com as suas deformações em verdade não generalisadas, é uma particularidade interessante do
se

quadro. Os ciganos teriam vindo de Hispanha em tempos recentes lá ainda não tinham aprendido a pronunciar bem a
;

lingua do país e não teriam chegado a fallar a portuguesa.

A Bibliotheca Nacional de Lisboa não tem a primeira edição das obras de Gil Vicente, a qual num exemplar da Bibliotheca de Goettingen serviu de base íl edição de Hamburgo, de que por isso me servi, confrontando -a com a segunda edição (Lisboa, 1586).
1

A

orthographia em extremo caprichosa d'esta e o não poder determinar até que ponto essa orthographia reproduz a da primeira edição, levou-me a reproduzir com pequenas modificações a lição de Hamburgo. E muito pouco provável que Gil Vicente tentasse representar fielmente a pronuncia cigana. Na edição de 1586 o s hispanhol, não final de syllaba, acha-se representado muitas vezes por c (e, ^) ou ç.

174

De

facto as noticias históricas até hoje conhecidas estão

de accordo com esta interpretação. Um dos melhores conhecedores da litteratura relativa
aos tsiganos, Paul Bataillard, citou um documento que se julga ser o mais antigo com respeito aos tsiganos na His-

panha, e no qual se refere a chegada a Barcelona, a 11 de junho de 1847, de uma «multitud de Egypcios», que
d'alli

se espalharam,
*.

segundo a mesma

fonte, pelo reino

vizinho

Foi muito provavelmente no Alemtejo que Gil Vicente
a farça transcripta foi representada estudou os ciganos em Évora, como vimos. Tendo penetrado em Portugal, sem
;

duvida, pela fronteira da Extremadura hispanhola, os

ci-

ganos achavam a província do Alemtejo excellentemente

adaptada ao seu modo de vida, para centro de irradiação de suas excursões. Os grandes espaços despovoados d'essa
provincia, os seus matagaes, protegiam-nos contra as perseguições de que em breve se tornaram objecto.
cortes de 1525 ou 1535 ou nas duas (os documentos não nos permittem resolver ao certo este ponto) pediramse ao rei providencias contra os ciganos, o
lei

Nas

de 1538, precedida do alvará de 1526

2.

que motivou a Por essas disentre ciganos

posições legislativas
e

vemos

feita distincção

pessoas que viviam á maneira dos ciganos, algumas das quaes eram naturaes do reino; por certo vagabundos estranhos áquella raça e não representantes de uma velha
histórico
país, porque não ha nenhum dado ou supposição bem fundada que nos auctorise

camada tsigana do nosso

1

P. Bataillard,

De Vapparition et de

la dispersion dts

BoMmiens

en

Europe in Bihliotheque de VÉcole des Charles, 1844, p. 529. Idem, Les Gitanos d^Espagne et les Ciganos de Portugal in Compte-rendu de la 9^ Session da Congres iniernational d^anthropologie et d^archéo501. Já anteriorlogie préhistoriqucs en 1880. (Lisbonne, 1884), p. mente Henry se servira d' esse documento in Mém. de la Soe. des antiquaires de France t. x (1834), apud G. Lagneau, num artigo abaixo
citado
(p.

184, nota 1).
n.*»*

2Vid. Documentos

1 e 2.

175
a pensar que a primeira vinda de ciganos para Portugal
fosse anterior de muitos annos ao fim do século xv.

Em

tivos por

Gil Vicente e nos mais antigos documentos legislamim reunidos em appendix a esta parte, acha-se

fixado o nome de ciganos, facto curioso, pois em Hispanha gítanos é o nome preferido. Nem um nem outro ó nome nacional dos ciganos, que entre nós se chamam cales (sing.
calój fem. callí
,'

vid.

Voc),

talvez rons ou roíies (vid. ron

Voe,

e romi).

forma portuguesa cigano correspondem as seguintes estranjeiras i-umeno cigan; bohemio (tcheque) cigán, cin:

A

gán, cikán;

magyar

cigany, búlgaro acigannh, aciganim,

ciganhf grego médio àTGiyy.oívoç, T^íyyavoç; em documentos latinos da Grécia acíngayms ; italiano zingano, zíngaro,

allemão

hispanhol occorrem raramente as formas cíngalo, zíngaro, por imitação directa do italiano. Como a forma portuguesa se approxima particularmente
zigeuner.

No

das formas da Europa oriental e central, é um problema por que caminho ella cá chegou. O mais natural era que

imitássemos ou os hispanhoes ou os italianos. As denominações de gitano * e de egypcio ^ foram sempre entre nós puramente eruditas.

Nenhum documento

legislativo attribue aos ciganos

de

Portugal industrias de metaes, ou outra qualquer licita, excepto a de contratadores e tratadores de cavalgaduras.

Se os bandos que se estabeleceram em o nosso país conheciam a industria de caldeireiro, cedo a perderam. Miguel Leitão d'Andrada exprime a respeito d'elles o desejo:
«

que não fossem

ferreiros,

que

só vsão a fim

de fazer ga-

zuas e instrumentos de roubar^».

Empregada, por exemplo, no Doe. ii." 16. Outros traslados do doe. teem sempre ciganos. 2 Usada por exemplo nas Constituições synodaes do Arcebispado de Braga de 1639, xlix, 1: «E declaramos que os que pedem aos

1

mesmo

Egypcios lhes digam sua boa, ou má fortuna, peccão gravemente». 3 Vid. o extracto da Miscellanea d'e8se auctor no fim do Appendix I.

e da alma. fizer mal. perda e trabalho^». e muitas vezes andão tem para si. 5.17G Da bém organisação social dos ciganos nada nos dizem tam- esses documentos. E quando assi anda grande numero delles elegem hum à que obedecem à maneira que os Cyganos fazem à seu Conde. e alli lhe traz a gente do povo sua esmola. a que se allude também noutros documentos posteriores^. que todavia teriam condes *. Nos tepos das guerras elles são os que de Reino à Reino levão todas as cartas. A provisão de 1573 mencionava como crimes dos ciganos «muitos furtos e outros insultos e delitos. ed. n. que he hum dos votos de sua regra. E posto que estas cousas. aonde concorre de todas as nações. mas ao modo dos Cyganos que andão nesta parte de Europa. 1 A propósito dos costumes dos calandares da índia. A em hua copanhia mais de dous mil.» Década iv. n. diz o nosso historiador: «como homes santos nâo sâo buscados. ne os tocão.« 6. entêdem. lei A de 1592 prohibe-os de andaram vagabundos e de viverem em ranchos ou quadrilhas *. Pouco nos dizem as disposições legislativas dos séculos XVI a xviil sobre a vida dos ciganos. . No alvará de 1606 esses crimes são «roubos e damnos que fazem aos vassalos com geral escândalo^». n." 12. Do alvará de 1579 se deprehende que elles procuravam viver juntos em certos bairros e tinham vestuário particular. A julgar por uma passagem falia de João elles de Barros. ã Doe. 1615. e avisos. 5. os quaes posto que sejão de differentes linguas. e os que passao pedraria furtada aos direitos dos portos.» 7. Nas cortes de 1525 ou 1535 accusaram-nos de «muytos furtos que fazem e feytiçarias que fingem saberá». c5 a conversação que hus c5 outros tem nestas suas peregrinações. e perdido do parte onde se acha mais numero destes he no Reino de Delij. porque he como hum centro daquellas Províncias de Ásia. que lhes corpo. n.° 6. 2 Doe. n. que fica escomugado. de modo muito geral. de que o povo recebe grande oppressão. e outras peores se saibão delles. 3 Doe. Lavanha. pousa fora do povoado.« 2. todos se Não entrao nas cidades. 6 Doe. 4 Doe.

á buena dicha. Doe. receoso. a vae denunciar. a cartomancia. a pena de morte. para se ganhar. a irreli- giosidade dos ciganos. fita Este jogo permittia fraudes e deu logar por isso á phrase cair na corriola^ . a lei de 1538 ordena a expulsão. deveriam apparentemente ser motivos para que a Inquisição não lhes poupasse perseguições. porém. que significa «cair num logro. que." 16. Esse processo^ não tem outro interesse alem do que resulta de nos mostrar em acção a pequena feitiçaria das ciganas para burlar um pobre homem. as leis de 1557 e 1573 accrescentam as penas com galés. O alvará de 1526 ordena simplesmente que saiam do reino . a cigana processada pela Inquisição em 1582. Segundo Moraes e Silva.» 21. que. Nas minhas investigações não consegui todavia encontrar mais que um processo inquisitorial em que seja ré mulher d'essa raça e nenhum em que seja reu um uma calo. reino dentro de quatro meses. ou não se avizinhassem nos logares. Nelle se faz referencia ao vestuário. á lingua (geregonça).177 O alvará de 24 de outubro de 1647 ó o documento le- gislativo que contém mais particularidades que nos inte- ressam*. deixar-se enganar» As penas comminadas aos ciganos vão num crescendo desde o primeiro documento legislativo conhecido até 1592. deve ficar preso ao desenvolver a fita. a buena dicha. depois de terem sido com baraço e pregão. 12 2 . Nas leis posteriores desapparece. fez entre outras coisas. até 1694. n. As feitiçarias. n. Segundo a sua 1 Doe. o jogo de corriola faz-se enrolando uma larga dobrada e mettendo nas suas voltas um ponteiro. Garcia de Mira. enifim a lei de 1592 mandou applicar a pena capital aos que não saíssem do açoutados. apparecer a figura de um defunto num papel posto em agua. para desapparecer de novo. e aos jogos de corriola. aos hábitos de mendicidade. ás trocas de cavalgaduras.

Esse processo é por ventura o primeiro no género que se faz conhecer das Inquisições de Portugal e Hispanha. me parecem corresponderá realidade dos factos: «A In- quisição olhou sempre para elles com muito desprezo para que se desse ao mais leve trabalho por sua causa. I. cujo segredo não quiz revelar. vivendo em peccaminosa concubinagem. saidas ou não da boca de um verdadeiro ex-quisidor. Borrow diz não ter encontrado nenhum exemplo de inter- ferência da Inquisição de Hispanha com os gitanos e busca explicar esse facto. no fim do Appendix I. com que brunira o papel. Os inquisidores. 92. O auctor inglez communica ecclesiastico. talvez de invenção do auctor. Leitão d'Andrada. Garcia de Mira serviu-se de algum^ tinta sympathica. não achando no caso a unha de Satanaz e interessando-os pouco os segredos da fazer-lhe chimica cigana. cujos costumes causavam por certo horror aos bons cathoHcos peninsulares. contentaram-se com reprehender a mulher. a p. uma con- versação com um velho personagem que fora inquisidor. 1631). cigana todavia burlou sem duvida A o santo tribunal. quer para o estado. que não podiam ver nelles se não atheus. encantadores e adivinhos*. apud Borrow. Discurso dei Dr. Quiiiones. O y lera para gente muito diíFerente santo officio i-eservou sempre a sua cóos Gitanos foram sem: pre gente haráta desjpreciahley>'^. que lhe dá as se- guintes razões da tolerância inquisitória! para com os gitanos. 2 Borrow. que. com uma gente. cit. i. ex. p. Sancho de Moncada. era matéria de perfeita indifferença para o santo officio. porque como nenhum perigo podia derivar dos gitanos. 158-160 e o extracto da Miscdlanea de M. . quer para a igreja romana. Discurso contra los gitavos (Madrid. se de facto as testemunhas viram o que disseram. restituir o dinheiro que recebera e pagar as custas do processo.178 confissão servira-se para isso de pedra liuiue. 163-164. se elles viviam sem religião ou não. á primeira vista singular. Borrow accrescenta por 1 Vid.

» n.« 6. Já no século xvi alguns ciganos tinham passado ao que parece á vida sedentária. miséria d'essa gente. iriam á missa e á confissão. O . n. caracter accommodativo dos ciganos. eram naquella epocha muito poucos os ciganos que havia no Alemtejo e esses A não andavam em vida errante. 11. como Garcia de Mira. Vid. contril^iiam. O documento mais a^itigo cigano com nome portuguez em que figura um de Torres) é a provisão (João conhecido de D. a lei de 1592 falla-nos de ciganos avizinhados"^. Não irei tão longe sem negar esses motivos.** 8 e 9." Doe. para que o famoso tribunal ecclesiastico não cuidasse d'elles.° õ.179 sua própria conta que a religião foi apenas mascara com que SC cobriam os verdadeiros motivos das perseguições religiosas. se casariam catholicamente.<* 7. não posso todavia deixar de reconhecer que outros existiam muitas vezes. Ou iDoc. e a carta de André de cartas de vizinhança. e confessariam. em caso de ne- cessidade. taes são a provisão de 1573^. motivos que eram a cubica e a avareza. que. ^Doc. Os atheus. que as suas feitiçarias eram apenas embustes. mas é de crer que muitos escapassem ainda ás investigações policiaes. Albuquerque de 1655^. graças ás condições particulares da província. n. Sebastião de 1574*." 11. em quadrilhas. 3Doc. em que o príncipe das trevas não tinha a min ima intervenção. julgar por esse ultimo documento. n. baptisariam os filhos. O alvará de 1606'prohibe que se lhes passem como faziam os corregedores de Lisboa^. os feiticeiros e feiticeiras com a que confesinte- savam ter feito pacto com o diabo eram muito mais ressantes para os inquisidores. 20. Outros documentos mencionam provisões que eram dadas a alguns para andarem ou estarem nestes reinos. 2 n. os sectários professos. . Doe. também os does.

1 Doe.*» 15. tiveram a efficacia que pretendiam. O cigano outlaw subsiste ainda subsiste ainda o seu modo de encarar o esracional e vivio da . por uma politica mais humana que a dos nossos antepassados. e o alvará d' esse rei de 1649^ um facto esquecido^ embora do maior interesse a historia ^ caracteristica dos ciganos. para Mais de 250 homens. de 1646*.d'essa raça se acharam alistados revelam-nos no exercito português. Thomé Pinheiro da Veiga. desde a restauração do reino. no tempo de D. que d'esse mesmo campo «infamemente fugiram. livre de preoccupaçoes de raças. n. pedindo soldos atrasados. sem servir á sua custa. a vencer soldos e condições. para o antepor ao d'aquelles. Nem tudo nos documentos que reuni coUoca os ciganos a uma luz desfavorável. como a Ormuz.« 18. Os tempos novos trouxeram uma grande tolerância sem duvida mas essa não basta. servindo nas fronteiras «com zelo e valor com que já forão muitos apremeados». castas. porque elles reappa- Hispanha davam depois que evidentemente não recem sempre de novo onde se julgava tê-los extinguido. João IV. aproveita o caso daquelle pobre cigano que serviu a sua pátria adoptiva «três annos con- tinuos com suas arinas e cavallo á sua custa. Thomé Pinheiro da Veiga. sem soldo». Doe. . classes e fidalguias de sangue. devidos ou não devidos. riquezas.lòO esses ou novos bandos vindos de logar á publicação de outras leis. até deixar a vida». com a superioridade do seu espirito. á vista dos que exforçadamente morreram ou pelejaram» e ao dos que vão ás fronteiras. não poucos. 2 n. . ao concivilisação. combateu «valerosamente no campo. Malaca e Sofala. A carta do original e enérgico procurador da còrôa. com muitas Esse facto basta para resgatar a raça cigana do opprobio de mais de quatro séculos e para nos fazer pensar em chamar os seus actuaes descendentes.

obe- decendo a hábitos tradicionaes. com os dados obtidos pela simples vista. onde viu gi-ande numero de até ciganos. alguns agigantados. já pelos meus collaboradores. Mas o que entende elle por estatura regular? .181 tranbo como uma presa. A estatura dos ciganos é varia. O estudo anthropologico e ethnographico dos ciganos offerece grandes difficuldades. mas que de nenhum modo são absolutamente refractários ao progresso e teem dotes naturaes que os podem tomar proveitosos. e classificou a maioria d'elles como de estatura regular. modificou a sua observação numa feira de Villa Viçosa. A boa politica não pode deixar existir. a titulo de curiosidade etimológica para o estudo dos esnão se suborpecialistas. Pelo momento tenho que me contentar no recebem. Mas sem os ciganos são gratos pela um subsidio do que respeita ao typo physico. que primeiro me indicara essa estatura como mais que regular. É preciso que elle vença o espaço das que o separa da sua concepção primitiva das relações ethnica gentes para desapparecer com a sua individualidade em o nosso meio. e no que respeita aos caracteres psychicos e aos costumes principalmente com as observações que me ministraram. de cabello indirecta que pouco Todavia se eu pudesse viajar algum tempo no Alemtejo alguma coisa conseguiria. Typo physico. como tenho verificado nos exemplares que por acaso tenho encontrado. em consequência do caracter desconfiado e supersticioso d'essa gente. um punhado de individuos que dinam á organisação social do país em que vivem. recorrendo ao auxilio de um ma-me que elles não se deixariam medir e obteve elle um d' esses proprietários d'elles a quem protecção que estado ser-me-ha impossivel proceder ás investigações que tenho em vista. já por mim. Pires affirfoi por via de um. L. Pires. de Vasconcellos acha-os muito altos.

Zweiter Band.Õ4 de altura para o exercito ou l^jõO para a armada» mas trata-se aqui de um minimo. não de uma media." 21 e 1891. pois. 1885). 2413 de 1"S50 a l'". são isentos do serviço militar «os que tiverem menos de 1"'. Hovelacque et Hervé.õO de altura. de estatura media. i890. Bom fora que o serviço da inspecção organisasse tabeliãs contendo o numero dos inspeccionados repartidos pelas cifras de estatura.e altura menos de l'». 1890. .54 ou mais no segundo d'aquelles annos foram inspeccionados 45:535. c): de que provêem essas differenças de estimativa? Dos observados ou dos observadores? As condições de vida podem influir para a differenciação das estaturas. A. pois alguns attingem l'". Éléments cVanfhropologie g^nérale (Paris.50. nr.6õ*.74. vemos que foram inspeccionados no primeiro d'aquelles annos. p. que. P. 2:902 de 1". I. vid. no continente e ilhas. de centímetro em centímetro. os exemplos notáveis dados por Kõstlin in Das Kônigreich Wurttemherg. nos faliam de homens altos.50 a l^jõS e 59:336 l'". n.59-60. e que vem a ser l'".** de lei do recrutamento de 12 de setembro de 1887. Conclue-se. Estes dados são insufficientes para resolver a nossa questão.53 e 41:867 5 1"'. Uma mudança de regimen alimentar basta para produzir num curto espaço de tempo o abaixamento do nivel da estatura geral de um grupo ethnico sujeito a essa mudança. 69. sem medições exactas. Das Volk. n. dos quaes 1:436 tinham menos de l'". facilmente a difficuldade de interpretar as noticias dos auctores. .54 ou mais. Qual é essa estatura no povo português? Faltam-nos dados de investigação para poder responder á essa interrogação. Abtheil. Como é que se estabelece o typo mental da estatura media ou estatura regular dos observadores á simples vista? Pa- * rece que esse typo deve variar segundo os paises e depender da estatura mais frequente de cada povo. 31) consideram os tsiganos como pertencendo aos povos de estatura elevada. A miséria tem acção depressiva sobre a estatura. Cora in Das Ausland. 63:G74 mancebos. dos quaes 2:259 tinham d. p. etc.° 10.182 A experiência tem-me mostrado que o que entre nós se chama' estatura regular se approxima ou coincide (sobre" tudo de cima para baixo) com o que os anthropologos admittem como a estatura media. 463. Yid. publicados no 5 Appendice ao Diário do Governo. Pelos Mappas do serviço do recrutamento de 1888 e 1889. Topinard. Precis d'anthropologie (apud G. Segundo o art. outros observadores attribuem-lhes estatura media (Cora 1.

Apesar do cabello. O nariz é aquilino ou recto. não muito saliente. muito vivos. farto. nem da franca braimpressão chycephalia. mas é comprido. de dorso ora agudo. A A por tez c trigueiro-pallida nuns. Excepcionalmente apparecem ciganos mais claros. A forma da cabeça não pouco numerosas) a da franca dolichocephalia. boca. já ser pelle a cor natural. que são bem accentuadas o mento em geral arredondado. já pelo é eíFeito do ardor do sol. Nas mulheres. antes produz a impressão contraria. se se prefere uma comparação já usada. E magro. comquanto de apparencia robusta. isto c. A áspera. de grande brancura. Os olhos são muito negros. de . como as pennas do corvo. enquadrado nos homens por uma barba cerrada ou em patilhas. O rosto nalguns exemplares um tanto agudo. na mocidade. caindo direito. ora um pouco achatado.183 Km geral o cigano não ó inferior a essa estatura e excede-a muitas vezes. Pires na resposta a esse i)onto do questionário . Cobre-a um cabello. quando novo de movimentos fáceis. o que não destoa da observação dos anthropo- dá (a julgar por inspecções rápidas e logos que põem o cranco tsigano nos limites da mesati- cephalia e da sub-dolichocephalia. mais baixas. . maçãs geralmente um tanto salientes. ágeis. os movimentos ainda mais ágeis que os dos homens. perfeitamente semelhante ao dos canarins e que elle usa bastante comprido. nas ciganas justificam ás vezes o que se diz do tom mysterioso. não ondulado. alter- nativamente melancholico e alegre dos olhos das mulheres de outros ramos do povo tsigano. A cabeça é geralmente caracteristica nas principaes par- ticularidades. deixa ver duas fileiras de dentes bem conformados e dispostos. pouco rasgada. Os pés e as mãos são pequenos segundo alguns observadores. negra como o cabello e as sobrancelhas. ne- gro como azeviche oii. a cintura delgada. a magreza é maior. não se apresenta essa cabeça em geral como grande. quasi negra noutros.

pp. João em Évora em 1888 que são feissimas. no Algarve. Mas outros observadores. as minhas observações pessoaes *. lamacenta. pp. o que concorda em parte mesmo dos ciga- com nos. v. Topinard. au visage plus allongé. e os auctores por esses citados. P.» 3 : algumas. Todavia Pires diz-me que os ciganos gozam da reputação de longevos. Extremamente formosas çant. de Vasconcellos- Nos homens também se dá. deitam-se e dormem na terra muitas vezes húmida. au nez plus aquilin Tautre grossier. Cora.) bonitas. em maio de 1883. G. 5« serie. vid. curta duração : A belleza da cigana é porém de pouco depois dos vinte annos deáappareceIhe o viço da mocidade. (Paris. uma ou outra até digna de ser chamada bella^. Sobre o typo physico dos tsiganos. como L. Segundo Pires. comquanto talvez em menor grau. France sciences médides in Dictionnaire Race encydopédique tsigane pologie. a perda precoce do viço da mocidade. 1879). G. E certo que a perda do viço não ó acompanhada de perda de forças. Na resposta ao questionário que lhe dirigi escreve Pires a respeito das ciganas Ha verdadeiras bellezas. 2 Hovelacque distinguiu dois typos tsiganos «l'un fin. Ciganos e ciganas. dizem-me terem visto algumas (nas Caldas da Rainha. mas a immundicie e os farrapos que as cobriam contribuíam sem duvida para augmentar em 1887. o typo dos gitanos é o typo de uns ciganos húngaros. aux traits plus concentres. perto de Borba. art. 15-22 . aux traits plus ramassés. de apparencia juvenil ou decrépita. etc.e essa impressão. de Vasconcellos diz O com referencia ás mulheres ci- ganas que viu no Cadaval ás que viu na feira de S. au regard moins per. entre os quaes algumas damas. L. .184 que lhe dirigi escreve — grandes. era mais fino que o dos ciganos e gitanos^. VanthroAnthropologie (Paris. t. D'ahi em parte a causa da má impressão de outros observadores. caldeireiros. sem tecto. As que eu tenho visto eram feias. Deehambre. vistos pelo mesmo observador. 1 — ccUes de A. plus ovale. resistem a grandes marchas. O cigano representa talvez esse segundo typo. 471-2-. L c. Lagneau. 1877).

de fome. et s'en repaissent impunément. les désinfectent au moyen d'herbes à eux seuls connues. quando menos certos bandos) lançam carne e peixe. Deitam-se. p. os ciganos. mas que raras vezes se embriagam^. Um correspon dente de Barbacena conta que um. Uno dei piu gran regali.« 2 «Amano poço il vino.» Colocci. para os comerem*. chamado Joaquim Canhoto. Colocci. Vid. principalmente de licores.185 Alguns dão saltos e pulos prodigiosos. deitando-a. 166).os amigos do vinho (cf. Não parece haver nenhuma particulari- dade nas suas comidas. 189. p. ás 11 horas o sol estão a pé. comquanto occasião da feira de S. numa epocha garam a desenterrar porcos. Um observador diz-me que comem pedaços de toucinho cru com pão. Uma observadora julga. vodka. Um bebam bem por observador não os crê bêbedos habituaes. . e que suspendem a três va- ras ensarilhadas. 138: «d'autres fois ils ramassent les 1 animaux morts de maladie. p. Alimentação. Refere-me o sr. com dois pulos fez cair de um telhado uma navalha que lá tinham posto. è di offrire ad essi mastic. a teem na sua caldeira onde (pelo Comem ainda que em decomposição. preferiscono la birra e sopratutto gli spiriti. Relativamente a bebidas as testemunhas são divergentes. che- em Trás-os-montes. Ferreira Deusdado que. p. Pires diz que são amigos de bebidas. tudo misturado. 189. como se vê pelas compras que fazem quando atravessam as povoações. Dormem da noite e em rompendo pouco. Le pays lasque. rak. o que eu já vi fazer a hispanhoes da Extre- madura (não ciganos). Gli Zingari. João em Évora. Comem bem quando teem dinheiro. toda a carne de porco. n. de ordinário. 1 e F. un álcool qualunque nè sapprebero senza : acquavite celebrare alcuna cerimonia o festa. que tinham succumbido a uma epizotia. que são as usuaes no Alemtejo. n'importe laquelle. Diversos auctores faliam da nenhuma repugnância dos tsiganos por animaes mortos de doença. Michel. che lor si possa fare. com alguma ave morta que encontram pelo caminho.

extrahldo de um artigo de Pincott in Knowledge . instrumentos indubitavelmente necessários para uma verdadeira cultura. Vid. Faltam-nos infelizmente dados para apreciar bem o intellecto do cigano 2. et A pays étaient incapables de lire et d'écrire. sem terem recebido nenhum ensino de desenho. são notáveis cartographos (Francis G ai ton. por como se figura a muitos. Co- locci. Esta qualidade todavia não significa si. susceptivel talvez de o ser num circulo mais complexo de relações. que . Caracteres psychicos. 2 Náo se faz ordinariamente ideia do desenvolvimento intellectual possível sem o conhecimento da leitura e da escripta. 103-104). ' Gostam muito de doces de que fazem grande con feira do S. director da Bibiiotheca Nacional). (Pires acha-os muito intelligentes. esse propósito lê-se no periódico La Nalure^ 1891. Citemos alguns factos que provam o que ha de illusorio nesse modo de ver. A leitura e a escripta por estado de profunda si sós são apenas instrumentos de cultura. p.\ «I\ est parfaitement vrai que les Indiens comptent plus sur leur mémoire que sur les procedes personne ne peut se mettre cn rapport avec ce pcuple sans être étonné de ses facultes prodigieuses à ce point de vue. (Communieação do Gabriel Pereira. não a cultura mesma.) São analphabetos. II est de notoriété que la plupart des hommes les plus habiles de ce artificieis. homens e mulheres. Londres. 1883.186 summo na sr. Os esquimós. tào costuma- dos estamos o considerá-lo como condição de toda cultura. João era Évora*. car leur mémoire était chargée de plus de connaissnnce toujours à leur disposition. 188. Eu tenho já encon- Fumam trado ciganas de cachimbo na boca. analphabetos. perspicaz relativamente ao circulo estreito de l'elaçoes em que vive. Grande numero de ho- mens analphabetos fazem cálculos mentaes prodigiosos. mais ces connaissances leur faisaient généralement peu defaut. O espirito do cigano é vivo. Tem elle uma 1 Esse gosto pelos doces parece ser geral nos tsiganos. ///gw^r?/^^/ío í^e human Faculty. muito. mas que podem também exercer uma acção puramente negativa quando não se ligam a um bem entendido systema de educação. p. juin 20. um miséria intellectual.

mais il savait tout ce qui se passait dans uii royaume aussi grand que la France. 2 Os tsiganos chegados a Forli no sec. Tem um certo numero de conhecimentos tradicionaes. Nous commettons Terreur de clle croire que les de connaítre constituent la connaissance moyens même. Os ciganos do Brasil conservam a tradição de uma emigração de Portugal em 1718 e dos nomes de alguns emigrantes (Mello Moraes Filho. p. la puissance de ses voisins. 1 Seguem outros factos interessantes. como se acha consignado no Chronicon Fratris Hieronymi Froliviensis em Muratori. 890: «Et. 1882. et à Tecriture. col. Conhece ainda. qui coiiuaissait à cliaque instant Tétat de ses ricliesses. à tous les points de vue. Scripforcs Ber. ut audivi. les ressourees de ses provinces variées.187 boa memoria? Quaes as representações particulares que mais facilmente reproduz? As visuaes? As auditivas? Tem a memoria numérica que permitte o calculo mental? Sem duvida elle tem a memória topographica. Falia o seu rumanho.^7. et. un parfait administrateur. là nature de leurs revenus. et à traiter avec quelque mépris les peuples qui n'ont pas pris la routine de coucher leurs idées sur Ic papier.) Em verdade os ciganos nada contam hoje ào seu passado aos estranhos. Os ciganos no Brazil. Cela nous con- duit à attribuer le plus grand prix à la lecture. todavia a asserção é talvez um On sait que possédent ceux qui étuclient dans des livres. 2« série. Cetait celles ((ue — un íinanier fort capable. p. os effeitos narcóticos de certas plantas? Tem alguns conhecimentos astronómicos? Pouco pudemos apurar da sua capacidade para conservar tradições. 2. Nous devrons modiíier notre opinion sur ce point en nous rappelant que les merveilles de Tarcliitecture indienne sont dues à des hommes qui ne savaient ni lire ni écrire». quando esmolam diaem «somos do tórica oral *. xv conservavam a tradição da sua origem indiana. Rangit Singh ne pouvait ni lire ni écrire. quod erant de índia». o liispanhol e o portuguez. aliqui dicebant. Ifalic. les poirits forts et faibles de rAngleterre. as propriedades medicinaes. condição sine qua non das suas translações constantes. Gaston Paris in Nevue critique. en un mot. Também possuem boa memoria para os cantos (lettra e musica). como seus irmãos doutros paises. XIX. que não ha tradição hispouco absoluta 2. t. Poude-se affirmar. que aproveita nas suas industrias. 25). .

não a um sentimento de en- grandecimento pessoal. 180). Pelas in- formações que obtive. Parece que não são muito vaidosos. como muitas vezes tem asseverado dos seus irmãos extra-peninsulares e . ás praticas religiosas do povo em que vive. O gosto da ornamentação no vestuário liga-se. ainda que incompletamente. Todavia a humildade que o cigano tantas vezes manifesta ante os estranhos não é expressão de um sentimento espontâneo. porque a d'essa vida livre.188 Egypto. Veja-se o que abaixo dizemos dos baptisados. (As nossas noticias sobre essas relações familiares não são em verdade sufficientes. pode dizer-se sobretudo á O sua sustentação. resultado. em que não sente outras obrigações alem da de acudir á sua sustentação immediata e á da sua familia. ainda por certo interesse. O quando seja puramente negativo.) A imprevidência e a aversão tam d'aquella paixão e da sua a todo o trabalho regular resulfalta de ambição. absolutamente irreligioso o cigano. mas de um habito de precaução. terá cigano tem a paixão do seu modo de vida. mas as suas emoções são pouco persistentes. apesar dos factos contrários que já foram notados (p. casamentos e enterramentos.» Convém insistir na investigação do que os ciganos possam conservar de tradições do seu passadO. principalmente de lembranças das perseguições de que nos séculos ahteriores foram objecto. no sentido em que elle também tem uma ambição Concebe-se facilmente como ordinariamente se entende essa palavra. — essas tendências dos ciga- nos os tornem impróprios para a vida militar. da terra do Menino Deus. pois a mulher é a principalmente encarregada do cuidado dos filhos. E E se muito nervoso e emocionavel. é ella e nada mais em geral A que o faz adaptar. hypocrisia é arma de defesa para elle. sei que um cigano compellido em Elvas ao serviço militar desertou ao segundo dia e que os domiciliados em Elvas que são recrutados desertam tam- bém em regra. mas sim a sentimentos esthetícos.

p. isto é. 838 e seg.. che popoli primitivi. Nos os termos ligadas? ritos. 2 Na índia ha todavia grupos humanos. Os : tsiganos possuem uma palavra particular para diabo. da 1 inglez devil palavra devei..se refutar a these da irreligiosidade dos tsiganos. as I have already observed. Num artigo do periódico Das Ausland. 2. demonstração A dada no artigo não é sufficiente. consultado. os quaes teem sido comparados aos ciganos e parecem estranhos a quaesquer usos religiosos. Trumpp apud Miklosich. duvidar. como vimos no Vocabulário^ ou otihé^ que designam Deus. Mas o termo basta para que julguemos demonstrada a existência de concepções religiosas a elle debel e otebel Os ciganos têem. busca. Em verdade Colocci diz i p.) as palavras de Leland «The real religion of the Gipsies..°^ 41. 3 iii. poderia chegar a ser irrehgioso? primeira vista a asserção afidos gitanos ? * A gura-se absurda e está-se no direito de pedir d'ella rigorosa demonstração ^. certo é che essi (os tsigasi nos) hanno per tra in tutti i morti lo stesso superstizioso rispetto. consists like that of the Comteists. Da seriedade das crenças dos ciganos como christãos temos motivos para. come dimostra lo Spencer». os ciganos? Teem-nos que «adoram os mortos». não me deu razões para poder-se acceitar isso como averiguado^.. L. . 10) em que figura a palavra otihé. O auctor funda-se principalmente na existência. Toda religião se manifesta principalmente em São pagãos ou christãos? De culto pagão não se indicam entre elles nenhuns claros vestígios. xlix Jahrg. uma textos ha 49 e algumas phrases (n. Ahhandl. p. a distancia é ainda grande. teem o culto dos antepassados.189 Como um povo originário da índia. como os tchangar do Panjab. : riscon- O mesmo auctor italiano cita (ibid. que nâo occorre no que reuni do Vocabulário dos ciganos. na lingua dos tsiganos. que Leland e Breitmann supposeram idêntica ao aquella palavra tsigana significa realmente deus. 230: «. como o encontramos em diversos povos. 9. numa carta. mas. in devotion of the dead.» Mas do simples temor supersticioso e do respeito dos mortos a um verdadeiro culto dos antepassados. d'essa terra onde quasi tudo tem impresso o cunho religioso. Vid. de Vasconcellos dizia em 1887. heng. 60.

Crer. xlviii (1875). t. As licenças são de 1634 e 1635).** 60 que se refere precisamente a ouvir o padre a dizer missa. (Feitas em 1633. (Mas vid. São supersticiosos. com vontade ou sem ella*. riamente significou o conceito de uma divindade. which : relates to their original religion is shrouded in mystery. emquanto dehel pertence ao núcleo primitivo do vocabulário tsigano. o texto otebelj.» Das antigas disposições ecclesiasticas parece resvdtar que alguns se confessavam. or what they now are. fazem oração e deitam esmolas nas caixas. Tit. totally neglectful of worship of any kind and though not exactly prepared to deny the existence of a Supreme Being. Essa adopção de crença religiosa coincide com uma mais ou menos adeantada assimilação ao povo de que a receberam e em geral com o sedentarismo. name. comediantes e Sig anos. save in oaths and blasphemy.» The Zincali. as igrejas ruraes. etc. They may have been idolaters. III. and is likely so to remaiu. Miklosich. Os vagabundos aqui declarados sejâo assentados 'no rol dos confessa1 dos. Segundo uma informação dada a Pires: «Não consta ver-se um cigano na missa. que duas Primeiras ccnsiituiçòes Sinodaes do Bispado de Elvas. Abhandl. mas que nelles o sen- timento e o conceito religioso se reduzem a muito pouco 2. 10-1 1 e Das Ausland. uDos vagabundos. but always without any íixed belief. n. 2 na freguezia em que se acharem ao tempo da Quaresma. Nós os portugueses empregamos a expressão oxalá como ção. trust.. or atheists. as they have heard other people do. p. Vid. or in moments of pain or sudden surprise. isto v^. mas aqui o termo é estranho á lingua. porém.» Borrow diz com referencia aos gitanos «Ali.) Frequentam. . xxxxi. por exemplo. como se indica abaixo mas a super. i. and uever mentioning his . em que necessa- Que o tsigano não tem incapacidade absoluta para a religião prova-se pelo facto de que em vários paises do Oriente o vemos mussulmano ou christão.190 Os ciganos não sedentários não se casam catholicamente e se baptisam os filhos (varias vezes) é por motivos de interesse. Dos não são absolutamente factos referidos parece concluir-se que os ciganos irreligiosos. stição é distincta da religião. 282. or hope. as regardless of him as if he existed not. uma interjei: sem sabermos (salvo os eruditos) que ella significa queira Allah. 150-151.. Feitas e ordenadas pello Illustrissimo e Reverendíssimo Senhor Dom Sebastião de Matos de Noronha. therefore.

sem dever não é possivel a existência de qualquer sociedade humana por mais rudimentar que seja. sem principio.191 pessoas que lavam as mãos na mesma agua terão rixa nesse dia não se liga a nenhum conceito religioso. sem preceito. que aproxima as duas representações de mãos que agitam a agua e mãos que se agitam em lucta nmas contra as outras. e admitte sem refle- xão um nexo causal entre os dois casos*. Steintlial. vid. regra. mas resulta do mechanismo psychoíogico. de . 155) esquece-se que tal asserção só vale respectivamente ás relações externas da gente d'essa raça. pp. em geral. 83-101. chiromancia. tura do cigano é na diíFerença profunda dos seus sentium lado para com os da sua raça. ^ 2 Quando se diz que o tsigano não conhece auctoridade. 11. de outro para com os estranhos. dever (Colocci. Os tsiganos em geral reconhecem chefes isso basta para fazer ver que lhes não é estranho o principio da auctoridade. Onde se revela por completo o estádio primitivo de cul- mentos e modo de acção. . uma com presa. os jambos ou paios (paillos) Para com os da sua raça reconhece o cigano direitos e deveres. nem direitos nem deveres: o estranho para elle é apenas trata de aproveitar o melhor que pode. para com elles tem até virtudes. que a condição de o fazer o mais possivel a seu salvo 2. Sobre o que separa a superstição da religião. estado. Ueber den Aberglaubcn \n Zeitschrift fur Volkerpsychologie. a cartomancia e outros processos divinatorios podem ser também independentes de toda crença religiosa. A E difficil ou antes impossível resolver a questão se o indiíFerentismo ou quasi indiíFerentismo religioso dos tsiganos os caracterisava já ao saireni da índia ou se elles chegaram a esse ritos religiosos diversos. mas . p. para com os estranhos não reconhece. sem regra. Sem auctoridade. atravessando povos com crenças e a que parcialmente pelo menos tiveram que adaptar-se. preceito. Diz-se que desconhecem um verbo significando dever. H. os caUsj. (1862). para escaparem a perseguições. principio.

non si tosto divengono «Secondo il dott. quando as suas forças não se acham desenvolvidas. Solf gli Zingari tedeschi pumadri. diz Colocci. mettidos numa espécie de saco. significa terar^ possuir. p. comquanto a educação physica que lhes dão com o fim de os endurecer. Colocci. de os habituar aos inci- dentes de uma vida dura e aventureira.» O que Francisque Michel. 2 Cf. A 156 E mister nâo confundir a noção reflectida e abstracta do direito e do dever com as formas concretas e espontâneas com que surgem nas sociedades primitivas. Os cuidados que principalmente as mães têem pela prole são numerosos. reiro de segundo a tradição. O melhor que arranjam de ali- mentos é para os filhos ^ A fidelidade reciproca dos cônjuges era lei firme nou- tros tempos.. São raras A as rixas entre os ciganos. que se encontram bem unidos palavra {patiy pachif etc). Mas vê-se. p. Os ciganos e os gitanos teem nesse sentido terelar. fraternidade é ainda hoje bastante notável. 229. está quasi esquecida dos tsiganos da Ásia. . : niscono 1 'adultério col taglio dei naso alia donna e colle battiture sui goraiti o sui ginocchi per Fuomo.192 Quatro sâo os sentimentos principaes dos ciganos para os da sua raça: o amor extremoso dos filhos. diz das relações conjugações dos tsiganos d'esse país é muito desfavorável. p. . dois ás costas. Um proprietário e ceaBarbacena diz «À cigana casada com um cigano : que é infiel a este é abandonada de todos» 2. teem uma palavra que honra n. e p. elles se fatiguem nas longas marchas a mãe transporta ás vezes três filhos ao mesmo : tempo. que se liga a terar . 227 : «Per solito Tadulterio é raro fra le Zingare. o respeito dos velhos. que diz : «Gli Zingari hanno uno sviscerato amore per la loro prole». expressa nos seus pronomes possessivos. Le pays bosque. mas por certo nenhum tsigano ignora a distincçào do meu e do teu. e um nos braços. pareçam á primeira vista excluir o carinho. 228 . por exemplo. Quando é possivel levam-nos num burro. Colocci. 140-141. a fraternidade. p. o cuidado que teem em evitar que. ». tanto piú che la loro beltà sparisce presto. ' Cf. emquanto elles vão a pé. a fide- com lidade conjugal.

que vão num crescendo até ao attentado grave. carne. Aqui não pedem mulheres e as creanças. A arte das ciganas no peditório é perfeita. procamente em Pires. disse elle. espoliação do estranho faz-se por uma serie de pro- cessos. As mulheres já não são tão rigorosas na fidelidade. depois terceiro. o peditório adquire já o caracter de só as até primeiro objecto. São sobretudo as mulheres e as creanças que pedem. Antigamente. o intento de os lograr são a regra. as mães portuguesas. Vid. no Alemtejo). lenha e principalmente palha para 1 Cf. ou semi-nus. Gs ciganos do Alemtejo parece não reconhecerem chefes ^.193 em muitas occasiões e. quando algum cigano era Em verdade um cigano velho preso iam os amigos mais Íntimos pedir a todos os outros ciganos soccorros para o desgraçado e obtinham de 15 a 16 libras que lhe entregavam. i. In nessun altro popolo anzi il vincolo di gli Zingari razza è piú intenso e piú rispettato. O proprietário de Barbacena dá noticia de ter sido assastório sinado numa feira por trinta ciganos um da sua raça. uma imposição. Borrow.» Vid. meio mais suave e mais frequente é o peditório. 263-266. os homens pedem também. respeitosos e não poupam hsonjas. etc. mas a falta A O de veracidade. p. Segundo subsistência aos que estão prisioneiros. protegem-se recicaso de prisão^ ministram os meios de *. fazendo para isso até uso dos vales do correio. pedem seque a caridade se cance. Alcançando e um E gundo. 154 : «Una fratellanza sincera regna fra tutti unisce. a descripção da sua vida de miséria. Colocci. Para com os estranhos os ciganos são apparentemente muito corteses. Nos casaes isolados (montes. Elias sabem commo- ver principalmente com o espectáculo dos seus filhos nus. geralmente pão. não esquecerão jamais a casa das bemfeitoras. hoje é raro que o pedi- chegue a render 2 libras. e li 2 Um informador falia todavia de chefes. queixou-se na feira de Villa da mudança dos costua Pires de J883) Viçosa (maio mes. IS . 216. p.

Diversos factos provam que o cigano é susceptível do sentimento de gratidão para com o estranho que o protege. Mas de com Independentemente da necessidade que o impelle. Ha pouco os jomaes deram noticia de um assassinio praticado por ciganos em Chacim. respeitando-lhe a propriedade e servindo-lhe até d'inter- medio fiel em negócios. Nâo sâo cigarros.se e crivaram de facadas o rapaz ^. junto o seu desamor ao trabalho legitimo. quer do roubo. é o logro. O immediato na escala d'esses processos é o roubo. O roubo á mão armada é muito raro. n." 1511. mas até no próprio logro. O O modo por que o cigano considera o estranho é perfeitamente próprio de um povo que se conserva num estádio primitivo.194 sustento das suas cavalgaduras *. É preciso satisfazê-los para que elles não recorram a outros processos mais violentos de espoliação. só os ciganos mais 2 3 Vid. comarca de Macedo de assassínio é O no intuito Cavalleiros (Trás-os-Montes) por um futilissimo motivo. como se mostrará mais abaixo. feito também perfeitamente excepcional. e sustento para estas. Nas feiras. quç se opera por modos muito variados e para que elle revela um talento especial. Dia. a lograr o es- tranho. Os ciganos andavam com as suas cavalgaduras numa proprie- dade do parocho. moços pedem apenas realmente os seus caracteres psychologicos e especialmente a natu- . quer de defesa ou por vingança. communica-me Pires. que o leva a comprazer-se não só no fructo do logro. todos os processos o mais frequente que o cigano dos dois sexos emprega para arrancar dinheiro ou algum objecto de valor ao estranho. principalmente na compra e venda de cavalgaduras^. a burla. Os ciganos roubam principalmente aves. 21 de julho de 1892. cujo creado os intimou a saírem de lá. Então elles enfureceram. 1 Em geral não pedem dinheiro. não pode deixar de reconhecer-se um espirito de mystificação. senão sem exemplo. entre os quaes cavalgaduras. animaes domésticos.

delegata domus et penatium et agrorum cura feminis senibusque et infirmissimo cuique ex família : ipsi hebent. 15)». Strabão Dos germanos diz Tácito Polybio (iii. 22) notaram que a perfídia era característico de todos os bárbaros. (mas essa ornamentação é muito rudimentar). A verdade parece-me ter sido de perto attingida por Schuchardt no seu interessante estudo Die Cantes Jlamencos. 3. Já 98) e Tito Livio (xxii. através de alguns séculos.IDô Parecem ser muito limitadas as aptidões estheticas dos ciganos. preguiça para o trabalho regular. Vid. de collares de contas mulheres). 2te Ausg. as grandes violências. o ódio ao repouso caracterisam tanto os ciganos como os povos bárbaros em geral. sic Poder. ament inertiam et oderint mira diversitate naturae. O meio em que vivem os ciga- nos nâo lhes permitte hoje o roubo á mão armada. mas sim a persistência d'esses caracteres no meio da civilisação europea. O roubo a descoberto estava longe de ser considerado entre os bárbaros como deshonroso. J. Colocci. Grimm. 14)». í Outros ramos da raça tsigana revelam considerável talento musical. Fallece-lhes o instincto do asseio. . Rechtsalterthumer. Os . Quando cantam acompanham-se de castanholas e pandeiretas. Considerar o roubo exercido na propriedade dos estranhos á raça ou á tribu como um acto perfeitamente permittido é um conceito corrente nos povos primitivos. por isso elles se limitam ao furto. (Vid. Deutsche : (iii. ao contrario do furto a occultas. de que na historia de outros ramos da sua raça ha alguns exemplos ao logro. (as em farrapos com facilidade esses vestuários que trazem até á ultima. Não teem musica instrumental propriamente dita*.ae-hiam multiplicar os parallelos ministrados pela ethno- graphia antiga e moderna. ser apenas os cantos populares do país ou cantos hispanhoes^. õ) descreve-nos os lusitanos como ladrões. 279 e seg. 2 Ora se teem attribuido aos tsiganos talento poético ora se lh'o tem negado. Os seus cantos parecem não ter originalidade. de abotoaduras metallicas mas deixam cair . 634-635). principalmente os da Hungria. Tácito refere dos germanos «Fortissimus : A quisque ac bellicosissimus nihil agens. junto com a mobilidade constante. p. reza das suas relações com os estranhos que o distinguem verdadeiramente. «matéria munificentiae per bella et raptus {Germ. Gostam de vestuários ornados. quum idem homines quietem (Germ. os attaques das aldeias.

que em primeiro logar experimentou uma certa gitanisaçâo na linguagem». em geral. mas na essência poesia andaluza. conservado ou nascido no meio de um povo tão felizmente dotado com relação á poesia os habitantes do sul da Hispanha. Sobre huma curiosa impertinência. Frederico que o valor artístico das poesias dos tsiganos húngaque elle colligiu. Esses factos tornam pouco crivei que a poesia dos gitanos. aos que os gitanos se assimilaram. mais que os outros ramos tsiganos aos povos com que se achavam em contacto fora da península. as em Gil Vicente : Como se viu aqui nesta pendência. Vid. Nas poesias dos tsiganos da Bucovina publicadas por Miklosich ha influencia manifesta da poesia popular dos rumenos e pequenos nissos. Que se acendeo nas damas Toledanas. Jornada ao Parnaso in Phenix renascida. muito falladores. Um quaes já vimos figurar versejador do sec. segundo um informador de Pires. Acodirão da Sé com partazanas Seis cónegos mancebos. tsiganos. faliam valentias e negócios de cavallos. principalmente na lingua. principalmente dos últimos ^ Têem os ciganos contos tradicionaes e provérbios ? juntos. . Vid. outra allusão no extracto da Miscellanea de Miguel Leitão d'Andrada. no Appendix 1 II algumas rápidas considerações sobre a poesia dos ciga- nos do Brasil.196 Os seus bailados são também reproduzidos dos populares do pais ou da Hispanha. genuina poesia dos gitanos. diz elle. a rima e o rythmo que apresentam provêem de modelos magyares. são certamente um povo de muito poucos dotes poéticos e os rudes vestígios de poesia que entre elles colhemos revelam a influencia dos povos entre os quaes vivem. São. Uma pequena discussão torna-se entre elles fa- Quando em cilmente verdadeira algazarra. os canMiiller dissera ros. Diogo Camacho. tos flamencos. v. 12. no fim do Appendix i. e em chegando Fizerão nas dançar como ciganas. todavia a expo- sição de Schuchardt leva á convicção de que os cantos flamencos «não são de modo algum modificação de uma antiga. era nullo ou menos que nullo. seja um producto original d'elles. Infelizmente a musica gitana está mal estudada e falta assim como o são o conhecimento de um importante dado da questão . xvii allude ás danças das ciganas.

197 aptidões industriaes dos ciganos são menores que as de outros ramos da sua raça. mas vendo em breve as mãos callejadas. De todo o trabalho aquelle pelo qual teem maior negação é a lavoura. teem abandonado a vida nómade. nós. para se tornarem sedentários e se entregarem a misteres lícitos *. aos quaes se offerecia em razoáveis condições trabalho agrícola. che giudica conve1 . o latrocínio. o cigano experimentaram já. Na Hispanha. a obra da assimilação tem progredido muito mais que em Portugal. os franceses de hoje conservam. tentaram manejar a enchada. alguns dos quaes Em numericamente consideráveis. Os allemães. non li obbliga ai lavoro delia terra che per quel tanto. peculiaridades que nos fazem ver nelles os descendentes dos germanos de Tácito e dos celtas de César. nos quatro ou cinco séculos que passaram immergidos no meio peninsular. mas que modificações profundas ao lado d'essa limitada persistência de velhos caracteres! O gitano. nada queremos saber do cigano e só sabemos o que o acaso nos obriga a aprender. que ciganos esfaimados. «La Ungheria. povo de indiíFerentes. para o que contribuiu sem duvida o interesse que lá característicos tem inspirado communs o gitano e por ventura certos ao andaluz e ao cigano emquanto . Os homens manifestam a sua habilidade sobretudo em encobrir as mazellas do gado que querem tria dos metaes. A difica historia mostra-nos que o caracter dos povos se mo- sob a acção de diversos agentes. che li sa piu artigiani che agricoltori. dizendo preferirem morrer de fome a tal trabalho. por certo. diversos paises grupos tsiganos. vender por bom. Ferreira Deusdado. e noutras artimanhas de que abaixo se encontrará noticia. que é transmontano. algumas das quaes pouco próprias para os fazer seguir no caminho do progresso. largaram-na. Referiu-me o sr. grandes modificações. visto terem perdido a indus- As As ciganas quando querem bordam com alguma perfeição.

Pires encontrou em o monte em dezembro de 1883 um cigano. abitualmente dolce. Communicou-me o sr. conde de Ficalho que. porque seus pães as matariam se o soubessem. este lhe dissera que hoje quasi nin^em a sabia. especialmente quando O bebem. i quali non hanno stato fisso. consaber de creanças ciganas. Essa senhora habitava em 1883 em Penna Clara. Língua. No Alemtejo faliam o português com a pronuncia alemtejana. mas havia já quarenta annos que tinha aprendido os termos (casal) da Defesa. taluni arricchiscono e la loro natura.» Colocci. mulher de um lavrador alemtejano. e que é mais fácil um cigano deixar-se matar que descobrir o segredo da sua lingua. professione o mestiere. a quem dava esmolas. niente ai lori bisogni e non vi costringe generalemente altro che Concoloro. que lhe disse que o rumanho que faliam 08 ciganos alemtejanos é o mesmo que o dos hispanhoes. senhora. As creanças tinham revelado os termos a medo e pedido á dama que as não denunciasse. seguiu termos alguns que communicou a Pires e formaram o ponto Uma de partida de suas investigações. Como já se disse os ciganos de Portugal faliam o português e hispanhol. alem do rumanho ou romano. i lascia sperare alFUngheria piú 5 felici risultati delia sua iniciativa filantrópica. — regolarmente 5 i fanciulli frequentano la scuola e la chiesa. rumanho é só fallado entre elles. tendo interrogado um cigano alemtejano acerca da sua lingua particular. artigiani e cantori. musicisti e ballerini. me- nos escrupuloso. buscando assim desviar o interrogatório sobre um assum- pto para elle melindroso. todo o capitulo iv da sua obra. p. 121 vid.198 Completarei este esboço psychologico com algumas noti- cias relativas á lingua. — tinuano dunque ad esser ciò che sempre furono: calderaj e veteI battesimi sifanno rinarj. industrias. Affirma-se que todos fizeram o juramento de o nâo ensinarem a ninguém estranho á raça. S'incisi viliscono. costumes. perto de Villa Fernando. .

247.199 e pretendeu quo os hiingaros (tsiganos caldeireiros. 1 O « segredo da lingua é geral nos diversos ramos da raça tsigana non deve credersi che 11 raccogliere dalla viva você di quei . só se entende o que os cordoeiros da Galliza. a passagem de Paspati por elle citada. canhSes com botões de alamares. Todavia. ou romano. essi siano tanto generalmente e stranamente gelosi custodi dei segreto delia loro lingua che di rado Tun d'essi volle iniziare lo straniero nei misteri delia própria favella. Os de Évora não conservam segundo informação do sr. que são de prata no vestuário dos ricos. curta. mas não deu a sentença relativa a novembro. são como tuguês». vestígios d'essa linguagem. que se os seus declarando que muito tinha elle já soubessem lhe cortavam a cabeça. António Francisco Barata. como elles dizem. nomadi le parole dei Anzi ciascun sa come loro idioma sia cosa spicciativa ed agevole. dito. co- Vestuário. Vid. Informação do proprietário de Barbacena*. Foi o que aconteceu a L. nhecido escriptor e bibliothecario da Bibliotheca publica d'aquella cidade. de Vasconcellos. os que conhecem alguma coisa do rumanho conseguem mais facilmente obter informações sobre elle dos ciganos. Parece que os ciganos sedentários de Lisboa conhecem em geral pouco do rumanho. usualmente de astracan ou fa- zenda semelhante. de três ou quatro botões. com a golla voltada. que não se entende o que dizem em estando juntos e faliam em porelles querem . «Os ciganos em estando juntos. O collete é aberto. por mais que Pires teimasse e com elle. p. muito justa ao corpo. . Esse cigano dictou o calendário impresso nos textos. Os homens usam jaqueta. Armas. de cordão entrançado ou de fita no dos pobres. que teem vindo ao Alemtejo) faliam a mesma língua. com refego nos hombros.» Colocci. Pires enviou-me a seguinte descripção do vestuário dos ciganos alemtejanos.

feiras esfarrapado. Os pobres apparecem nas sem meias. emfim. defendem-se ou com as tesouras ou com o varapau. com ou cinco ordens de folhos. com franzidos ou lisa. Os sapatos ou botas são brancas. As costas lançam um pequeno chaile de cor (azul. . uma cruz de oiro. Trazem muitas saias (como as ovarinas). de casimira ou de cotim. As ciganas pobres usam vestido de cores vivas. a manga curta. tomando sobre o sapato essa forma de polaina a que se dá o nome de boca de sino. não usam coUar ao pescoço e muitas andam descalças. sapatos ou botas brancas ou pretas. um pouco curto. de vivas. a partir da cintura. E a forma preferida pelos ciganos abastados. Usam todos um varapau curto e poucos trazem navalha. alargam para baixo. o calçado arruinado e alguns com grandes tesouras de tosquia de gado. em regra de seda. O chapéu é de aba larga.200 As calças. exactamente como as calças do fadista. beça é coberta com lenço de seda ou algodão. Os ciganos abastados usam lenço de seda ao pescoço. grandes botões de oiro na camisa e relógio com grossa corrente. Se são atacados. mas ordinariamente sem folhos e iim corpete largo. preto ou cor de café com leite. que põem ao pescoço. quatro vivas ou azul o corpete é justo e afogado . verde. Pende -lhe de uma fita. com com o vestuário roto. as meias brancas. Alguns teem espingardas de caça. Da cintura desce-lhe um avental de chita com grandes enfeites de fitas. de modo que formam grandes ancas. Tanto esses como os pobres trazem sempre esporas. usam calças direitas. apparecendo as asas por cima das cintas. mettidas nos coses das calças. com largas franjas. A ca- cores "Usam. A camisa é de tecido branco os pobres ou chita estampada. etc). Das orelhas pendem-lhes grandes brincos de oiro. As mulheres abastadas usam vestido de chita de cores com pintas brancas.

vid. á la camisia limpia y bien almidonada. ancho en general. alpargatas ó zapatos. su manton más ó menos grande sobre los hombros. adornada de randas volantes. todo de colores chillones. 1 Sobre o vestuário dos tsiganos em geral. em geral. com modificações. com alamares ó botonadura de plata-. ó gorro encarnado en la costa de Cataluíia. apartam o cabello ao meio e dividem-no aos lados. Outras tra- zem laços de fita nas pontas. sombrero calanés. 41 : «Cuando disfrutan de algunas comodidades. que Mayo descreve. más ó menos rico. outro vestuário além da camisa. Colocci. los hombres tienen 194. O especial aficion á la ropa blanca. y que los gitanos non han cambiado. 7 ou 8 annos. Ha uma quadra popular alemtejana. pregam-no com ganchos e atam-no com fitas de cores. celeste ó encarnado. e aos lados arranjam grandes caracoes sobre as orelhas com o cabello entrançado. . echado sobre la frente ó caido sobre la nuca á voluntad. 190- vestuário dos ciganos deriva sem duvida. e que era sem duvida o dos antigos ciganos.» Como mesmo nota Mayo.201 As ciganas. á la chorrera vistosa. de pano ó algodon . hecho un nudo á la garganta. «De las mujeres puede decirse otro tanto. p. nâo pode saber-se qual era o antigo trajo dos gitanos. do dos gitanos. Su traje es el que las andalusas han llevado hasta hace poços anos. As até aos creanças dos dois sexos não teem pela maior parte. colores tambien chillones en todas sus prendas. Atrás fazem um grande periquito. p. com Untam-no com azeite d'oliveira *. o cabello entrançado e caido pelas costas abaixo. su panuelo de puntas á la cabeza. á la pechera bordada. colhida por Pires. prohibido pelas leis hispanholas. : relativa ao cabello das ciganas Pentiê o mê cabello ! P'ra trás com'ás ciganas Agora poss' ê dezer Qu'os trajos fazem as damas. botines ó borceguíes. Asi se las ve con su saya corta y de poço vuelo. prohibido pelas leis portuguesas. flores y cintas por adornos. pregando o com ganchos. de pana ó terciopelo. «El traje en rigor es el mismo que gasta el pueblo bajo en Andalucia. chaqueta ó zamarra bordada.

d'ahi ou remediados acham-se domiciliados partem para as feiras e diversas excursões. enxergas em que se deitam e que nas jornadas servem de apparelho ás cavalgaduras. Todavia. pobres. Villa Moura. Vidigueira. são feitas pelas mulheres e ao ar livre. pedem previa licença ao lavrador. uma ver- dadeira praga do lavrador alemtejano. no Alemtejo). 194. cobertos com mantas e cobertores seus. como os que teem vida errante. estanceiam nos arredores dos montes (casaes) e ao ar livre. Outros podem encontrar que lhes sirva para dormem junto das paredes. ou em casas meio arruinadas e abandonadas. ou que elles apanham. ou nos fornos e cabanas das herdades. que não lh'a recusa de ordinário. de modo que os ciganos constituem. e construem alguns abrigos com piorno e tudo o que esse fim. porque os teme como roubadores de gado. 1 «I fanciulli non ricevono fino a dieci anni il vestito. algumas ciobtém da caridade alguma roupa de creança. As comidas. no Alemtejo.« Colocci. durante essas estações. — Oraperò in quasi tutti i paesi sono stati costretti a smetteretale indecenza. De inverno fazem grandes fogueiras com lenha dada pelos lavradores. se por ventura outra informação. estacionando junto de cada um algumas semanas seguidas. Com os seus hábitos de cortesia. e de ordinário pedem ao lavrador ou lavradora tudo o que precisam para seu sustento. e trazem o cabello sujo e emma*. Muitos ciganos abastados em Évora. em diversas terras da Extremadura e até algims em Lisboa. Domicilio. Estes.202 muitas vezes esfarrapada. Viçosa. como observa Pires. Portel. Viajens. Têem Vagueiam de monte em monte (casaes. Estancias. p. andam em ranhado geral descalços. Estremoz. segundo uma ganas vestem os filhos. . Os adolescentes solteiros.

em Lisboa residem algumas familias ciganas. ha muitos annos . mas Évora vivem e . fora da muralha. Quando não ha pasto. põem-lhes frente golpelhas com palha.203 de Barbacena. logar pobre. indo ás vezes dois e três no mesmo animal. para saberem onde poderão ir roubar. de diversos pontos da Extremadura. Ninguém lhes pedia renda d'essas casas arruinadas. e Para onde vão levam os seus gados. Chegados a um logar novo para tratam de se orien- tarem conhecerem bem os arredores. nâo teem tendas sr. debaixo elles. nem carros. umas casas derrubadas na rua annos. num campo Por occasião das feiras. de outro no chão que assim lhes serve de abrigo. mas levantam pobres tendas cidade. que. António Francisco Barata que em pousam ciganos no bairro de Cogulos. d'essa localidade. João naquella cidade não levam carros. Os ciganos do Alemtejo. ao ar livre. sob pretexto de caça. parecia que estavam bem. segundo o informador. habitaram ha alguns durante um inverno. Em recentemente. oriental. que deixam pastar em volta do seu acampamento. percorrendo-os. no bairro outras vieram-se fixar aqui. das arvores. pobres e abastados estacionam ou outro logar próximo. já mais villa Na vezes referido. na rua de Santa Maria e travessas próximas d'essa rua. se as ha. Pelo e caminho alguns vão caçando. mas transportam-se também a cavallo. segundo as informações de Pires. Fazem longas marchas a pé. pelo luxo que rompiam. presos pelo pescoço uns aos outros ou peados. se não teem casa na Na Extremadura improvisam muitas vezes uma tenda com uma peça de linhagem ou outro tecido que fixam de um lado a uma parede a certa altura. Communica-me o sr. os ciganos que vão á feira do S. Segundo uma informação do António Francisco Barata. para o que teem galgos. do Forno uns ciganos. Os pobres nómades vão ás feiras com todos os individuos da famiHa.

Nos negócios de troca de cavalgaduras querem sempre receber dinheiro além de animaes. á tosquia de gado. Concorrem ás feiras (não ha nenhuma no Alemtejo e na Extremadura em que não appareçam) com seus gados e mercadorias. que se julgam muito lavrador do Crato contou-me que um vizinho d'elle vendera uma burra viciosa aos ciganos. os demais ciganos têem casas arrendadas para residência temporária. De volta a casa. como era seu Pintam os animaes e disfarçam por todos os modos os seus defeitos. Não são creadores de gado. industrias. O mal transpôz uma costume. como me diz o sr. foi a uma feira e comprou-lhes uma burra que julgou ser bem differente da sua. outras Enganam com grande res. São toureiros. em que escon- dem uma agulha. um vizinho disse-lhe que a burra Um parecia a em comprador breve verificou que assim era. porque apenas o anicancella. Fazem crer que um bravo. Arraiolos (e Torrão. á venda de fazendas (principalmente na Extremadura). em mas passam por bons conhebons cavalleiros. troca e preparação para a venda e troca de gado muar. que . até os astúcia os compradores e trocadofinórios. Gabriel Pereira) não admittem os ciganos. cavallar e asinino. Alguns teem sido geral (e Algumas ciganas mais raramente ciganos) residentes em Lisboa são negociantes ambulantes de pannos. e ao roubo. cedores. entrando e saindo. cavallo de detenninada cor. dia appareceu-lhe um á medida dos seus desejos. contrabando.204 só 4 famílias teem residência fixa alli. Occupações. pondo-lhes em animal velho e cançado é vivo e cima a palma da mão. repellindo-os á força. deitou a correr mesma que vendera aos ciganos. com que Um um sportman desejava um o picam. para que pinoteie. Essas occupaçoes e industrias reduzem-se quasi exclusivamente para os homens á venda.

Piú forte sarebbe Tingano che riferisce il Franz-. basta ripetere queste parole che la : povera bestia. um divertimento. Nenhumas ciganas em Portugal têem por profissão o canto e a dansa. solta e caracolla onde il compratore è persuaso che il cavallo è sensibile alia você e di carattere vivacissimo. 2 Mayo. ao que parece.205 comprou. p. 64-65.» Co. vivem nas povoações e trajam melhor. «Per far poi apparire il cavallo vivace e ardente. p. Colocci. e cioè che introducano un' anguilla viva sotto la coda dei cavalli onde con sifatto stimolo acquistono maggior alacrità. p. No Alemtejo e talvez nas outras provincias não ha diíFerença de occupaçoes entre os ciganos abastados e os pobres. si anima. 37. buena dicha não gosa hoje entre o povo de tanto credito como noutros tempos. Muitas das burlas que elles fazem nesse negocio são mais ou menos typicas. que é onde malha o ferro». 175). é principalmente para as raparigas. p. os vemo-las commerciarem em fazendas. os ciganos se occupem nas industrias O informador de Barbacena diz: «Só me lem- bro de apparecer aqui um que trabalhava de ferreiro e fez uma safra ao João Ferreiro. mas pouco depois reconheceu que fora burlado por ciganos que tinham pintado o animal*. O negocio de cavalgaduras pertence ao numero das mais antigas occupaçoes dos ciganos. Vid. Borrow. lo * frustano terribilmente. gridando alcune parole di eecitamento cosi. fazerem bruxarias e como sobretudo roubarem e burlarem os estranhos por diversos meios. serem curandeiras (o que parece raro). a industria dos metaes (vid. memore delle frustate. quando si tratta di venderlo. homens. sem viverem exclusivamente da mendicidade. Occupaçoes das ciganas. 195200. Alem dos cuidados familiares. Na Hispanha ha ainda gitanos ferreiros. i. lerem a buena dicha. mas os primeiros não esmolam e só vão aos montes para negocio . Os ciganos perderam cedo. Vimo-lo já figurar na Farça das ciganas. — locci. todavia nas terras de provin- A cias. que conservam noutros paises. 200. mendigarem com maior ou menor frequência. . Não consta que dos metaes^.

1885). as quaes servirão de commentario á Farça das Ciganas. «En el nombre sea de Dios. las piya á tiento Tu las tienes los ojiyos de enamorao que tu tu tienes me y me matas un poquito de mar génio pêro te se pasa ai instante eres hombre e secretos y hombre que nunca miras los intereses pa ná tu eres una presona que has querio á dos. pues tu tas escubierto á una presona que ta pagão malamente pues tu tienes que recibí una carta de una presona que bien quieres y tiene que ser en un un dia seualao tu tienes que ser en este mundo maré e cinco hijos y tienes que ser casa con un José cumple tu con la gitana morena que t' ha dicho cayando . grasiosa. 167 e segs. Sobre a chiromancia dos tsiganos em geral. que tu ventura sea buena. la buenaventura. na nombre sea de Dios.» 2.» 3. vid. algumas das * 211 . En : el nombre sea Dios. que tu ventura sea buena. chamar uma cigana (mais raramente um cigano os homens também ás vezes : lêem a buena dicha) e ouvir d'ellas a lê-se nas linhas da palma da mão *. p. Borrow. sina. . e buena maré y tierresita buena e por si: jase poços dia q'has tenio un disgustiyo con una presona que tu quieres en este mundo tu me quieres á dos presonas una para pasá ti empo y otra para tu gose. : ." 31 (Sevilla. p. ano v. A buena dicha divinação As ciganas também deitam muitas rivaes cartas. que tu ventura sea buena. catrafun catrafun y la santísima Triniá. «En el Eres hija e buenos pares y .206 que se paga a troco de alguns vinténs. de Gil Vicente. Tu tienes un disgusto con una presona que bien quieres y no es per comia ni per bebia que es per una presona que tu quieres que la tienes en tierra estrana. : : . Nâo tendo colligido nenhuma buena dicha. á una ha sio lealmente y á otra pa gana e conversasion y á una le igiste. que tienes que sé pare e las espardas ibas á gorvé y le gorviste cuatro churumbeles tu has estão criando una cachigordita artita e pecho cumple tu con la gitana de buena gana que te voy a esí lo mejó e la buena ventura. n. que vas a sé maré e cuatro chu1.« . modo de em que teem portuguesas. Coloeci. parte respectiva. . reproduzo aqui as seguintes buenaventuras de um artigo de Demófilo (Machado y Alvarez). Trin pa acá. publicado em La Enciclopédia. rumbeliyos : pos jase dias que te presiguen males lenguas tan sola- mente per conversasiones que tu tienes con ciertas presonas. trin pa ayá. grasiosa. resalá. 208sobre a buenaventura dos gitanos. i. : .

sem elle saber nem suspeitar tal lhas. e. Referi-me já ao processo inquisitorial de Garcia de Mira. tou-se em uma cidade do norte de Portugal uma hospedara em casa umas ciganas que não tardaram A pobre esposa. foi . os namorados e particularmente as namoradas que aspiram a ter firme a aíFeiçao do objecto amado. causa do ciúme o panno foi cosido á linha. fazia uso na cartomancia de um baralho de cartas muito pequeno e com desenhos não vulgares. dominada pelas feiticeiras. cujo resultado era asseverado infallivel. e no embrulho. As bruxarias das ciganas teem por fim burlar os pobres de espirito. espetaram-se muitas agudevia ser posto durante oito noites debaixo do travesseiro do infiel. onde a encontrou. se proposeram quebrar o encanto que prendia o adultero á mulher illegitima. já em paga dos seus serviços. Uma cigana. São sobretudo victimas as esposas que desejam reconciliar o amor do marido infiel. os ambiciosos que cubicam thesouros escondidos ou a prompta multiplicação dos seus haveres. em Lisboa e proximidades se dá o nome de hagatas 153). que no século xvil nos apresenta exemplos das artes magicas das ciganas. seria pelas ciganas envolvido em panno com um pouco de cabello loiro. que não correria perigo. Ha em annos esposa descobrir que o marido d'ella não era fiel aos deveres conjugaes. p. porque se o soubesse ou se alguém lhe tocasse antes de findo o prazo. á vista O cordão formando como uma almofada. Era preciso passar ás mãos das ciganas o melhor objecto de oiro que houvesse em casa: a esposa entregou-lhes um valioso cor- dão de feito oiro. da cor do da bella. (vid. feitiço O coisa. porque tudo d'ella. não só se teria mallogrado o feitiço. mas . como se tivessem por eíFeito de suas artes mysteriosas penetrado no segredo. presa ministrar os meios de fazer o grande feitiço. já subrepticiamente. arrancando-lhes dinheiro e objectos de valor. a que Darei noticia de alguns casos modernos do mesmo género.207 quaes teem feito fortuna. segundo a informação de uma senhora que residiu no Algarve.

No dia seguinte appareceram novamente as duas ciganas e pediram em uma bacia de mãos com agua e cinco pedras de sal. mas o cordão não estava lá. ram fogo ao sal e este ardeu!!! De as duas ciganas. O queixoso e a mulher não acreditaram nem deixaram de acreditar. queixando. adivinhava. estando na casa. sobre uma mesa. O queixoso e a mulher vendo arder o sal acreditaram no poder das o que ardia eram umas matronas. no 1. «Deve «Em principios de abril do anno passado apresentou-se no commissariado da 1. apesar d'isso. oito dias para desfazerem o Mas ram. mas. tendo de cada lado uma vela accesa. Não antecipemos juizos. Com o titulo de Bruxarias da actualidade. não é decerto um grande elogio á esperteza dos queixosos. recommendando as ladras ao ingénuo queixoso que' deitasse na bacia todo a dinheiro e ouro que tivesse. A os dias passaram e as feiticeiras não voltaesposa aíflicta resolveu-se a abrir o embrulho enfeitiçado. O caso era simples. de 31 de maio de 1884 (n. vamos aos factos. e que. Elias disseram que iriam dar umas voltas e viriam ao fim dos feitiço. um Santo Christo. o queixoso e a mulher.^ districto criminal. se revela astúcia da parte dos auctores. desde o tempo dos francezes.^ 6:591) : ser julgado hoje. cada um com cinco fósforos accesos na mão e rezando uma estação ao milagreiras deitaroda da bacia estavam As Santissimo.208 ainda resultariam grandes males.se de terem ido a sua casa duas ciganas. e offerecen- do-se para attrahirem o referido bahu. dizendo uma d'ellas á mulher do queixoso que a outra. e por isso soubera que naquella casa havia um bahu escondido. — . Tudo lhes foi satisfeito. completamente cheio de dobrões em ouro de cinco moedas cada um. ficaram duvida.* divisão Gonçalo António Rodrigues. auctorisaram as mulheres a fazerem o que entendessem necessário para descobrir o appetecido bahu. morador na quinta Pequena do Valle Escuro. Fez-se tudo como as ciganas indicaram. lê-se no Diário de Noticias. ura processo a respeito de crime cuja historia nos parece interessante.

veiu novamente a bacia em que ellas deitaram o conteúdo das garrafas. dez libras. deitou-a em um quarto aonde. guardaramna em uma commoda. cuja chave deram ao queixoso para que este a deitasse no poço afim de attrahir outro thesouro. affirmando que. toalha. pois que observadas estas prescripçoes o bahu apparecia na noite de S. uma corrente com uma medalha. e deitasse por sua mão na agua da bacia. e dinheiro em 14 . se o ovo apparecesse cozido. foram cinco cordoes. milagreira então esborrachou o ovo. nem mesmo o fizesse estremecer. tudo de ouro. dois anneis. duas de cinco mil reis. Assim que o queixoso deitou a chave no poço. Embrulhando o ouro em uma dias depois. uma me- dalha. porque as de sal tinham sido substituidas por estas. as santas mulheres despediram-se. recommendando-lhe que não num tocasse no bahu. um crucifixo. Acabada a oração. por sua parte só acceitariam o que porque não podiam pedir nada. pediram um ovo fresco que deitaram em uma talha juntamente com o ouro que estava na bacia. duas moedas de dez mil réis. «Os objectos de valor que serviram a este estúpido ma- nejo. dois corações. A diziam. deveria estar o bahu. Dois ainda voltaram. pedindo duas garrafas para no dia seguinte levarem. elles porque dessem. dois pares de botões. uma cheia de agua de sete fontes e outra com agua benta de sete pias. mettendo-o em uma pucara de barro. era signal certo de que o bahu queria que o tirassem do esconderijo. João ao cimo da agua do poço e ellas o pu- uma fita. com as garrafas cheias. cozido estava elle antes de entrar na talha) e disseram ao queixoso que o picasse. «Voltaram no dia seguinte. juntando-lhe o ouro e dinheiro do queixoso . buscar terra de sete cemitérios que era chariam com só o cilas que faltava para os queixosos ficarem ricos. tirando outra vez o ouro.209 pedras de camphora. D' esta vez ainda se foram embora. em seguida tiraram o ovo que realmente estava cozido (pudera. misturou tudo e extraindo a agua. que fecharam bahu. dizendo que iam muito longe.

periódico O Dia. « Concedido.se apesar de lhe terem promettido quatro para se calar». porque á a virtude operação. é accusada como cúmplice. de 6 de junho de 1892 (n. auctoras principaes do pronunciadas . . vinténs. . «Como era de esperar. com o titulo de A huena dicha: «Haverá uns dez meses appareceram em Mafra duas que se entregavam ao patusco mister de lêr a buena dicha a quem quer que se lhes explicasse com dois ciganas. disseram-lhe que no seu futuro haviam de dar-se factos de alta magnitude. porém. grande para o outro ainda na duvida de a destapar. o teimoso não apparecia. aproveitando a credulidade da pacovia amorosa manquéej. aqueceram-lhe o resolveram arrombar o bahu. ainda não possivel prendê-las . . chama-se Maria da Conceição. ha uma afiançada e a quarta que deve ser julgada hoje. os calores próprios da epocha. pois recebeu uma libra. rapariga do sitio parece que declarou ás ciganas vivia desgostosa e contrariada por Cupido a todo o que transe. por foi ser se em sua casa que se concertou o plano do crime. lhe ler a buena dicha. «Correram á deviam estar! deram parte do facto e como conque lá sequência instaurou-se o processo. Encontraram a pucara tapada com a toalha que lhe tinham posto. também cigana. e por ter aproveitado de parte do furto. mais audaz. .° 1:498). e animo «Olharam e um foi porém. «Uma «Ab ciganas. Afinal.210 prata quarenta mil e quinhentos. Foram quatro as rés duas. crime. com a chegada de junho. levantou um pedacinho a decepção O mysterioso cofre não tinha ! dentro um só dos valores policia. as ciganas. No lê. o queixoso. fazendo o total de réis 3õ6j5iOOO. Elias encarrega vam-se de mas em casa da rapariga e sem tesa mais ligeira indiscripção tiraria toda temunhas. os queixosos passaram o mês de maio a espreitar á borda do poço a chegada do bahu.

mas recommendaram-lhe que não abrisse o cofre nem pessoa extranha o visse sequer. dia seguinte. afim de dizerem definitivamente o que o futuro lhe reser- «As ciganas voltaram no vava. pediram-llie mas como ella não tinha aquelle diouro. repetiram a operação e disseram á rapariga que voltariam oito dias depois. Borrow. 310-315. Vid. 133-137. repetem-se como provas de um mesmo cliché. . refere-se uma hismuito semelhante á reproduzida do Diário de Noticias e em que uma viuva cubiçosa junta jóias de oiro e prata para attrahir. «Encontrou uma cadeia de ferro e três botões de latão. Historia de Âlonso. O jonjanó toria amos. que foi fechado á chave. como se vê d'esses e de outros casos. mas o dinheiro que serve de isca é escamoteado pela enganadora gitana. os travesseiros e os embrulhos representam o papel principal. pertence ás velhas artes gitanas. I. que ciganas Depois foi tudo mettido dentro de um cofre. Na novella de Geronimo d'Alcalá. o qual foi cosido em presença da rapariga e de um Christo (!) as levavam. Para comprarem liha. um grande thesouro escondido na adega. i. . as moedas de oiro. baró (Mayo Borrow escreve hokkano haro)^ gran socagrande furto ardiloso. escripta no sec. ainda o mesmo auctor. oito «As ciganas uma vez a libras em «Esses objectos foram mettidos num pedaço de ramagem. A impiedade dos ciganos não os faz hesitar em acondimentarem os manejos com orações christãs e em acondimentarem a creduUdade presença de um Christo *. xvii e citada por Borrow. com a Nos estabelecimentos commerciaes exercem muitas vezes as ciganas os seus instinctos de gazze ladre. nheiro. «A como rapariga esteve até agora esperando as ciganas. . e a descoser a ramagem. contentaram-se com um bello cordão de ouro e três moedas de 500 réis em prata.211 sós com a rapariga. segundo os preceitos de uma gitana. pois em caso de infidelidade não respondiam pela sua vida.» Os processos. mozo de muchos 1 . mas ellas se demorassem resolveu-se a abrir o cofre . Os cordões de oiro.

mientres sus hombres chalaneaban j mercados. Ihe um certo. quienes. São realmente emi- nentes na escamoteação. tratavam de escamotear alguma com a máxima perfeição gocio que se tinha enganado em o numerou quadra alemtejana (canto de natal). Vid. assucar. c de convencê-lo de Uma Sô cigana do Egypto Minlia sina é rôbar. cujos donos ou caixeiros ainda não conhecem as suas artes. que teem cunhado um cavallo e a que o povo chama libras de cavallinho. Hê-de furtar o Dês-menino P'ra minha alma se salvar. sem duvida com receio de Crêem. feijão. colhida por allude aos hábitos de ladroagem das ciganas: Pires. p. numa só meronde compram uma só coisa. por exemplo^ toucinho.» Mayo. 40. dando um cambio e allegando fazerem ne- com essas libras por serem muito procuradas. Superstições. vstilar i. Nas lojas de fazendas. Borrow. por Uma 1 «Cada dia van slendo menos frecuentes las gitanas. fazem vir para cima do balcão muitas peças para escolherem. café. á baste. Se um commerciante lhe apresentava um punhado d 'essas libras. dirigem-se a muitas. para assim ter maior numero de occasiões de tentarem furtos. ellas tenían especial liabilidad de manos las antigas prácticas de en las férias para hacer coger á la desaparecer las monedas cn los câmbios.212 os preparos de uma refeição. a fim de melhor poderem escamotear alguma ou algumas. farinha em vez de entrarem cearia. Pouquissimo pude colher acerca das superstições ciganas. no poder de alguns terminantemente dara Pires recusou cigana bocado do seu cabello. 315-317. feitiços. mano. as ciganas costumavam dirigir-se aos commerciantes que acha- vam com cara de pobres de espirito e propunham-lhes trocar libras da rainha Victoria por libras de Jorge III. Quando giravam libras esterlinas nos negócios. .

fazem negócios. comem. certa a esse respeito. com o amor do movimento levam os ciganos naturalmente A aos jogos. Parece e Trás-os-montes os jogos preferidos são no Alemtejo que o salto. Vid. 213-214. Segundo Pires. Quebrar vidros. pp. Colocci. má Espalhar sal. o pulo e o jogo da barra. mas a pessoa que nào estava muito KM. Das festas ciganas pouco pude colher. de que ouvi fallar. três As primeiras superstições encontram-se no povo português ^ inaptidão para o trabalho regular junto Jogos. a qual existe talvez também entre os ciganos. menciona o mau olbado como crença gitana.213 que fosse applicado a algum feitiço. exteriormente a uma festa É alguns de outras partes do pais) e alguns gitanos. parecia perfeitamente convencida da verdade da cartomancia que praticava. .. senão a única. O cigano jogador tem mala pajé. porque infallivel mente morreria. embora represente talvez uma muito obliterada nacional. 4. ó infeliz nas trocas. de epocha fixa é a do S.216 e 217. como uma occupação sem finalidade. bebem. e durante três dias cantam. Colocci. observada no Algarve. vid. a 24 de junho. como o uso dos amuletos. p. em Évora. 2. tra- adaptada. 1 Sobre as superstições dos tsiganos 215. celebram casa- mentos. e dizia que ai d'ella. Festas. então que se faz a maior feira do Alemtejo. 3. Jogar as cartas. Alli concorrem numerosos ciganos (ha quem diga que todos os da provincia e ainda dição christã. em geral. 138-139. Uma outra. João. Mas essa festa não tem para elles nenhum caracter religioso. p. dançam. se o signal da morte lhe apparecesse naquellas cartas. sorte. os ciganos alemtejanos : consideram como mau 1. No Alemtejo a principal. Borrow i. agoiro Verter azeito.

que em taes festas ha vestígio muito obli- terado da tradição das festas naturalísticas dos aryas da Ásia. do solstiçio de verão. mergulham-no no primeiro ribeiro que encontram e dizem: Eu ou: te baptiso neste ribeiro P'ra que saias um ladrão bem ligeiro Eu te baptiso neste ribeiro Para que sejas valente de pé leve é unha ligeiro. v.214 o sr.) é especial aos atsincani de Volo As comidas. formam a base do divertimento. João á meia noite*. Essa coincidência inclina-me a pensar. a musica. em a noite de João. 169-170. reunindo-se centenares de tendas. a gritaria. as bebidas. Depois d'isso as creanças são baptisadas catholicamente. no 1. João. que chegou ao meu conhe- Segundo me informa em cimento. do outomno. A S. A festa de 28 de agosto (est. a dansa. voz constante no Alemtejo e Trás-os-montes (provavelmente também nas outras províncias em que ha Baptismo. a dansas e a jogos. E essa a única particularidade notável da festa. Os tsiganos de outros paizes teem também festas de epocha Os da Turquia celebram a Icákkavá ou festa das caldeiras. Na Hispanha celebram os gitanos também uma festa pelo S. A festa por vezes é coUectiva. a começar no dia de S. ciganos) que as ciganas quando teem isto é. lavam a cara a noite de S. ao contrario d'esse escriptor italiano. G. e tantas vezes quantas os pães podem arranjar para pa- fixa. que fundiram com dados christãos as velhas tradições naturalísticas do começo da primavera. v. 23 abril (est. E um filho o baptisam. corresponde o costume de banhar três vezes as fontes da cabeça á beira do mar ou de um rio. . Pereira. referido por Colocci. 164. Jorge. Colocci. reanimado pelas festas dos aryas europeus. lavagem da cara dos ciganos do Alemtejo.) nos paizes meridionaes da Rumelia e mais tarde no norte." de maio. p. Durante três dias os tchingianés 1 entregam-se a festas.

Tx pays hasque. ils sont tous baptisés. reuniram cuidadosa- campo para e guardaram-nos depois de os ter cona minha informadora elles tiravam agoiro. por debaixo de um jaleco de cores vivas.. Os ciganos. saindo para fora acima da cintura. tomou-a nos braços e levou-a para o seu campo. Quando um casamento está justo. Parece. 141 pliis tsiganos bascos diz Francisque «. vou alli um senhora que residiu no Algarve obsercasamento de ciganos que me descreveu da Uma seguinte maneira. contas de cores. Nessa occasião vae o noivo saber se é da vontade da noiva o casamento: no caso afíirmativo. bordado. Num d'elles estava a noiva. segundo a infor- mação que um lhe deu. mente os cacos. e das orelhas pendiam-lhe grandes arreO noivo bem vestido foi correndo do seu o d'ella. p. Havia a pequena distancia dois acampamentos ao ar noiva livre. fazendo bolso. de Vasconcellos. mais c'est calcul de leur part etun nouveau moyen de vivre au dépens d'autrui. porém. que. isto é. ca- misa do linho grosso branco. p. escreve L.» . Casamento.» : Dos Michel. Segundo já do ruido produzido pela quebra do cântaro. levantou-o e deixou-o cair. já do numero dos cacos. Ao pescoço tinha muitos collares de cadas de latão. pagam as duas familias a meias as despesas no caso negativo estas são . noutro o noivo. Colocci. elles e receberem as baetas. A vestia saia cor de rosa com tiras escarlates e pretas. Alli a noiva tomou um pequeno cântaro de barro. si las- ciano circoncidere fra turchi. casam só entre si. afim de se relacionarem em com cada freguezia que percorrem. 1 Cf. celebra-se um grande banquete.215 drinhos lavradores ricos. Alemtejo) e mais tarde protecção. talvez significasse o numero de antado. 166. que os ciganos abastados e sedentários só baptisam os filhos uma vez *. «Si lasciano battezare fra i i cristiani.. etc. (presentes de baptismo. et même dune fois. nos que viveriam casados.

até que recolheram para a casa onde habitavam no logar. houve aqui um casamento de ciganos. sempre a cavallo. infra). cigana velha ministrou os seguintes dados acerca do casamento dos ciganos vagabundos. : A O informador de Barbacena diz: «Sendo eu pequeno. No dia do casamento ha uma corrida de informação ó talvez inexacta trata. Thomaz . gallos (vid. não da vontade da noiva. foi ser padrinho. Consummado o acto. e fizeram um grande banquete. com que estão acantoados um 1 pequeno lenço branco de algodão enrolado na mão di- Variante. O cigano que era o noivo corria atrás da noiva e os outros gritavam: «Pilha que é tua*». mas da da familia d'ella. segundo outro informador : Pilhâ-lâ qu' é tuia! Pilhã- lâ q\C é tuia! 2 Esta informação como as duas seguintes foram obtidas por A. fazem entrar os noivos no quarto e esperam na casa contigua. comendo. catholicamente). é casado (catholicamente)^». Arrearam elles uns cavallos muito enfeitados. Não tornei a ver casamento de ciganos. e fazendo outros divertimentos. montaram os homens e algu- mas mulheres e depois foram correndo. e deita-se de costas pe-se. estendem sobre a cama um lençol muito arrendado. Uma «A noiva é pedida pelos pães do noivo. informador de Villa Viçosa escreve: «Para attestar Um a virgindade da noiva. e depois furtaram-lh'a. sobre o saco. Dizem que todos se casam assim que não se recebem de matrimonio (isto é. bebendo e bailando. vão os chefes buscar o lençol e mostram-no aos demais ciganos. O noivo. Nesse dia estendem no campo em um saco feito de estopa. Reune-se em volta toda a tribu.216 á custa do noivo. a noiva desficando apenas com a camisa. de um filho e do qual F. Pires.se provavelmente. masparece-me que um Vicente. Esse lençol ó denominado lençol de honras). por aquelle tempo. chefes da tribu. três ciganos dos mais velhos. Ajustam então o dia do casamento.

«O lenço «As raparigas casam entre os 16 e 18 annos. Correndo as mulheres á garupa e em com cavallos a toda a brida. d'archéol. vindo elle depois mostrar o lenço á gente dos noivos e aos convidados. e começam os divertimentos. d'antJiropol. et du Compte fíendu de la 9.217 no dedo indicador. Borrovv. ficam desde logo casados. etc. mais qui. que é feita Peliche —-velho da tribu a que as a occultas. a noiva é estrangulada pelos pacs do noivo (sic). autant que j'ai pu parmi les autres Tsiganes d'Europe. O divertimento favorito c o jogo dos gnllos. qui n'a guère pu ignorer cette coutume. Eis o que a esse respeito diz P. la jeune filie est déflorée par des matrones qui attestcnt sa virginité. 21 (501) «II existe parmi les Gitanos ne se retrouve point : : . seguida mostra o lenço se está manchado de reita c Em . A sua nota Les Gitanos cVEspagne et les Ciganos de Portvgal (Extrait iniern. qui n'ont pas eu des relations particulières avec leurs frères d'Espagne Immédiatement avant sa première nuit de noces.» A mesma cigana deu ainda a informação seguinte Em Hespanha. etc. bailes. era já conhecida. existência da prova da virgindade na Hispanha. Bataillard na . entre os ciganos abastados. o hymen é rasgado pelo 1 : peito. Cest une coutume d'ailleurs répandue chez les Musulmans. csfor- çam-se por espetar os gallos que estão dependurados de uma corda ligada a differentes arvores. é guardado pelos pães do noivo*. rompimento do véo da que ha de ser sua companheira. ha grande contentamento e vivorio em toda a tribu. a évidem» le savoir. a noiva ó abraçada por todos. sangue. «Se o lenço não apresenta vestígio algum de sangue. parmi ceux. e moças solteiras teem grande resque usa a unha do indicador da mão direita muito crescida. mais qui est entourée chez les Gitanos de beaucoup de solemnité le mouchoir sanglant qui a servi à lopération mystérieuse est montré à tous les gens de la noce et précieusement conserve dans la famille.^ Session : du Congrcs une coutume qui. com lanças (sicj na mão. «E costume haver muitos casamentos no mesmo dia. p. Recebe de ordinário meia onça -(8 duros) pela operação. procede de joelhos e cora esse ao dodo. préhist). écrivant pour le grand public anglais. entre os gitanos. Ha descantes. jantar da boda. du moins.

218 È raríssimo. naturellement pratiquée aussi par la plupart des Bohémiens du sud-est de la France qui se rattachent étroitement à ceux d'Espagne. 107 e 117. Deusdado refe- cigano trasmontano com a filha de um lavrador que delle se agradou e se dei- xou raptar por elle. p. J'ai appris ainsi que cette coutume. avait en quelque façon pénétré chez les Bohémiens du Piémont et même de la Suisse. un autre Anglais Tavait décrite avec des détails accessoires qui ont leur intérêt. et supprime conséquemment les marques de sang sur le fameux mouchoir. et qu'on avait arboré. casarem ciganos estranhas com mulheres á raça. comme drapeau de la fête ce qui serait tout à fait de nature à induire en erreur. O cigano não renunciou á sua vida pelas feiras. Ainsi Borrow ne nous renseigne pas sur le point essentiel décrivant une noce gitana à laquelle il avait assiste. riu-me o casamento catholico de O um sr. et moi. Tendi mi panuelo Como salieron maré três rositas Como três luseros. Mais je puis affirmer que : la coutume que j'ai tout d'abord indiquée est certaine bien avant Borrow. ne fait qu'une allusion obscure 239) à la défloration par les matrones. mais avec des modifications importantes et qui lui ôtent une partie de son cachet oriental. : parle même (p. 20 de las de esta Coleccion. craint de blesser sa pudeur. 240) d'un mouchoir sans tache «sans lequel il n'y aurait pas eu de noce». mas não sem exemplo. as Bendita la maré Que tiene que dá Como dinaba rosita y mosquetas Po la madruga.» Machado y Alvarez dá nos Cantes seguintes seguidilhas gitanas : flamencos. ainsi que la ceinture il de chasteté elle-même. qu'il mentionne pourtant en le distinguant de la ceinture de chasteté (dont je parlerai tout à Flieure). prés desquels j'ai pu m'assurer de sa réalité. En un praito herde . emquanto a mulher permanecia em casa. nota: «Esta copla. j'ai rencontré bien des fois en France des Bohémiens plus ou moins affiliés à ceux d'Espagne. plusieurs me Tont décrite en : détail. alude á la costumbre que tieseguidillas gitanas diz E em . como la que lleva el num. ment (p.

em Relativamente a divorcio nada pude apurar. essa operação. F. traslada a respeito do mesmo costume no povo da Sicilia a seguinte passagem da obra de A G. Nuziali lermo. da camisa da noiva. e os costumes dessa gente provam o ção apreço dado á honra feminina. 117 n. ob. Na Rússia meridional mostram-se as manchas sanguineas. se as ha. p. o qual se mostra ensaguentado aos parentes. velhos. i^. Como vimos as ciganas gosam de reputade fidelidade. Usi Natalizi.. Barata. xxii. Machado y Alvarez. la camisa de la desposada para que las famílias conocidaspuedan cerciorar. nen los gitanos. Ob. as quaes são recebidas com tanta alegria quanto é o desprezo que ella merece. como succede no continente africano e na Ásia. á virgindade que se enProstituição. Ploss. de presentar. o pae d'esta extendia o lençol com a prova á face dos anciãos da cidade. Costume semelhante se encontra entre muitos povos orientaes. casos de ciganas casadas com estranhos á domiciliados dá. cit. p. H. Pitré. Se o noivo punha em duvida calumniosamente a virgindade da noiva. 301. 303 e seg. A. ai dia seguiente de la boda. Funehri dei Popolo siciliano (Pasi mettea in mostra la cajni- . Das Weib in der Natur-und Võlkerkunde.» A laceração do hymen anterior ao coito apparece em vários povos. logo que os seios da virgem começam a dilatar-se. cit. com relação aos ciganos domiciliados Lisboa. 13-21. o homem deseja convencer se que a mulher com quem vae casar está virgem. Uma matrona é quem entre os árabes e coptas procede á prova com um lenço de linho que lhe envolve o index.219 Ha também raça. os ciganos em Évora casam catholicamente. Deuteronomio . se a prova falhou. O mesmo se segundo apurei. No Egypto a prova é tirada com um lenço de musselina. Na Núbia a operação faz-se simplesmente com o dedo e ante testemunhas.se de la virginidad de la doncella de la víspera. 1879): e «La dimane delle nozze. Segundo informação do sr. Os búlgaros exigem do noivo a prova de que a noiva estava virgem. Na maior parte dos paises d'essas duas partes do mundo. prova da virgindade apparace já na Biblia.. As raparigas sakkalavas de Madagáscar praticam em si próprias Na Austrália ella é brutalmente realisada pelos logar solitário. num Mas nesses povos tal operação não tem por fim verificar o estado de virgindade.

» em a mãe fazer a cama no Outra variante siciliana do costume dia seguinte ao da boda. em um botequim. ultimo vestígio do verdadeiro rapto primitivo. exemplo: Numa das ultimas feiras de Villa Viçosa. e é até bem conhecida em diversos logares de Portugal. p. perche i parenti e i vicini potessero scorgervi i segni suddetti. assim como em muitos outros povos. Referem-me que na corte portuguesa existia ainda neste século : egual costume corte. p. e a que se entrega é desprezada. la de mostrar á los convidados el . que costumam entrar a miúdo em todos os botequins das feiras. Esse caso de- via ter-se dado antes de 1879. as vizinhas e comadres do bairro. pois os ciganos solteiros. simulação do rapto da noiva. encontra-se entre tsiganos de outros paises.220 trega ao esposo. ou solteiras ou casadas teem convivido com estranhos. Pires colligiu a seguinte informação «E rarissimo entregar-se uma cigana. clie nelle loro zuífe le donne si riman- A dano per ventare Tonor consiste loro. dia de tornaboda . questo fato pare che allude la frase popolare La me cammisa *un arristau hhianca. a fim de verem as provas da recente perda da virgindade da noiva e poderem attestá-la. «Fra il gli Zingari turchi. la sposa. 226. e expulsa da tribu. cerimonia (do madurante laquale giovane rapisce Un : monio zingaro a Costantinopoli viaggiatore cosi narra un matri«II y avait foule nombreuse à . la prueba justificativa. nem ao pé d'esse botequim chegavam. quando estão presentes os parentes do marido. com ciganos. Todavia algumas ciganas. 42 : «Todavia se conserva entre muchas famílias gitanas la costumbre antigua espaiiola que desapareció con la accesion de la casa de Áustria ai trono de Espaiia y á la que se sujetó Isabel de Castilla cuando se caso em Valladolid con Fernando de Aragon. diz Colocci. pois por essa epocha appro- cia delia sposa. : como não ha regra sem excepção. a prova da virgindade de uma rainha e da consume maçâo do casamento era apresentada aos ministros grandes da Adoptaram gitanos tido e ciganos esse costume na Hispanha ? Trousó xeram-no de outra parte? E um problema que pode ser discu- num A estudo geral sobre as migrações dos tsiganos. havia uma cigana Um prostituta (caso rarissimo). » cendal de la desposada. esto el es. la trimonio) consiste talvotta nel simulara una zufí'a. Mayo diz.

como as demais que aberram dos principies da seita. Après quoi ils partirent ensemble pour aller fêter la dive bouteille.221 prohibido o estacionamento de prostitutas nos botequins das feiras de Villa Viçosa». Consiglieri Sobre a simulação do rapto nos casamentos populares em PortuPedroso in Compte rendu de la neuvieme sesnnn dn Congres d'antropoL et d''arclieol. que foi amante do ultimo conde de Vimioso. Z. Esta cigana é a cantada nos acompanhamentos de viola com o nome de Severa». l'entrée de la prairie de Boyuk-Deré. nè ponno piu rinnovare la loro unione. . ou Ton célébrait im mariage bohcmien. 628 segs. et Ton voyait aller et veuir d'une tente à Tautre les parents des futurs époux ainsi que Ics invitós. finchè sussiste presso di essi alcuni di quei frammenti. outro que reside Lisboa e dizem ser rico. per qualunque causa. Ciascuna delle parti raccoglie alcuni frammenti dei vaso e li conserva presso di sè con moita cura. e poi d'un terzo. se non colla rottura d'un secondo vaso. Está na companhia de um filho que é alfaiate. . Relativamente á cerimonia do cântaro quebrado. Segundo uma informação recebida de Évora. p. vejamos Colocci. armes de batons et simulant une lutte.» Essa explicação permitte-nos interpretar a informação incompleta reproduzida acima todavia o sentido da cerimonia pode ter-se alterado entre os ciganos. come Gringoire ed Esmeralda. ainda alli xlmadamente foi vive uma cigana afamada. 22Õ-226 «In Ispagna e in Moldávia (secondo Borrow e Cogal: niceano) la cerimonia delle nozze consiste ancora nel rompere clie fa la sposa di un vaso di terra davanti aCuomo dei qual è per farsi compagna. Questi smarriti. La convivenza loro è considerata obbligatoria. Les tentes des familles dcs futurs conjoints étaient à une distance d'une vingtaine de mètrcs environ. accidentale o voluntária. pp. . Et ainsi cette noce patriarcale. i coningi divengono perfettamente liberi. ed essi son fatti legittimi coningi. . assim mas que tem nome como em mador.. vid. Lejeunehom- de sa future et Tayant embrassée rentra avec elle dans sa tente. foi desprezada de todos e vive isolada com o filho . préh. «Esta cigana. pendant laquelle les fiancés s'étaient rencontrés prés d'une des tentes. suivant Tusage.» gal. diz o meu infor^ fidalgo. fiuit me s'empara accompagnés de leurs parents. ecc.

Que a Severa falleceu. attrahiu-lhes por vezes uma reputação que geralmente não merecem. O ultimo chega a dizer En ningun lupanar de Europa se encuentra una prostituta gitana. graças á sua obediência aos costumes tradicionaes da raça 2. Quando lhe foram dizer tua Severa morreu. 1867). quando morre um cigano é enterrado pelos da tribu em pleno campo e sem mais formalidades. porque o nome da cigana de Évora não é Severa. 39. que exaggeram sem duvida a virtude : da gitana e das tsiganas em geral.» . Que uma fadista morreu Hoje mesmo faz um anno. vid. row. e d'ahi resultou mais que uma linha de bastardia. 220-224 e 227. No que respeita ás gitanas. p. nesse ponto de vista. que eu me lembro de e na praça do Campo de Sant'Anna. p. 1. Costumes fúnebres. fadistas.222 O Fado da Severa * foi colligido em Coimbra pelo : sr. O Conde de Vimioso Um A Por isso duro golpe soíFreu. vid. 192. supra i 2 p. em Lisboa. Cf. Bor323-337 e Mayo. 140-141. Isso. fidalgos foram muito aficionados ás ciganas. Theophilo Braga e começa pelas quadras seguintes Chorae. pp. Era considerado nesse tempo como o primeiro ter visto tourear cavalleiro e negociava em cavallos como os ciganos. Sobre as desencontradas opiniões relativamente á prostituição ou castidade das tsiganas. Segundo uma informação de Pires. além do grande Cancioneiro popular (Porto. . não se pejando de dizerem as maiores obscenidades. chorae. Hoje ellas estão evidentemente decahidas d'esse antigo favor. parece-me que esta seria amante de um conde de Vimioso mais antigo que o ultimo. Os As ciganas são muito livres de lingua. Colocci. junto com os seus modos facilmente provocadores.

soltando estas cadáver ó acompanhado de homens grandes alaridos. Mas não bai- lam nem cantam por essa occasião. tura nenhuns utensílios ou armas. Os ciganos deitam (callardó). quer sejam os gitanos que venham a Portugal. corpo. quer que atravessem a fronteira para irem a Hispanha. principalmente por tsiganos caldei- . sejam elles Nas terras portuguesas próximas da fronteira são vistos muitas vezes. Não mettem na sepulmas simplesmente o Diversas pessoas diziam que os ciganos enten-avam a occultas os cadáveres dos adultos. que não dava mais de 500 réis. Segundo uma informação. diz-se que se ignora onde os ciganos enterram os cadáveres dos adultos. o cigano marchou de noite com os es- abandonando o cadáver insepulto na casa onde luto pelos mortos tavam.Viçosa fallar um cigano foi em ao parocho para lhe enterrar o pae. fora de sagrado. Já vimos que vinham alguns dos últimos á feira de Évora. o troço do cabello e não o deixam crescer emquanto viuvas. O e mulheres. parece que se entendem bem com os ci- ganos. aquelle cigano que vivo não valia o pae esse dinheiro. Os ciganos acham-se muitas vezes em contacto com os gitanos. usando então de lenço amarrado Relações com os tsiganos dos outros países. Nalguns pontos do Alemtejo.223 choro das mulheres e das creanças. rados Em Cuba nas propriedades de um pensava-se que oram enterlavrador rico e titular. As creanças (pelo menos algumas) são enterradas nos cemitérios christãos. que é de cor preta As viuvas cortam á cabeça. protector d'elles. e como o padre não se quiz satise como o disse-lhe fazer seus. Portugal é por vezes percorrido por bandos de tsiganos d'além dos Pyrineus. segundo outras informações. em tempo Villa. com tal oíFerta. padre lhe pedisse 2j5i400 réis.

pelas 3 horas da tarde. lingua. estação do caminho de ferro da Beira-Alta. visto ha annos em Elvas. uma caravana de ciganos húngaros que se compunha de uns 50 entre mulheres e creanças. de seus carromatos. um tsigano húngaro ou filho de tsiganos húngaros a quem o país agradou. o corpo mal coberto de farrapos e esses sórdidos e fétidos. suas tendas. etc. e a quem chamam o húngaro. e barba longa e esquálida. mais fino que o dos ciganos. «O aspecto d' esta gente é hediondo tez morena e afeiada pela habitual falta de limpeza. Reproduzo uma noticia acerca de um d'esses bandos. . sem duvida. Tem uma taberna e trens de aluguer. E.224 reiros da Hungria e tsiganos conductores de ursos e ma- cacos da Bucovina. elles qualquer Informa-me o meu amigo sr. Augusto Neuparlh de que em Santa Combadão. como é de uso entre elles. «Exerciam o mister de caldeireiros e com tal proficiência que deixaram pasmados os artistas nopolitanos de egual e tantos profissão. parte dos quaes entraram varias vezes na cidade. que apresenta typo tsigano. . os quaes. todavia parece que as relações não são muito intimas. tem contacto com os ciganos. «Levantaram o campo em consequência de cento mil réis que a alfandega lhes exigia como fiança a 17 cavallos que traziam e puxavam os carros. Infelizmente foi-me impossível então ir examiná-los de perto. etc. Armaram as tendas. estabelecidos nesta cidade. está estabelecido um individuo chamado José Duarte. Nestes últimos annos vieram até ás proximidades de Lisboa dois bandos de tsiganos húngaros. ao que parece. quinta-feira. para que se produza entre influencia nos costumes. cabellos compridos e immundos. «Acamparam ha dias no rocio da Fonte Nova e levantaram hontem. Entre a caravana vinham : dois duques. miseráveis como os restantes apenas os distinguiam os bastões com ponteira e maceta de metal branco. servindo-se. toldos. Duarte é casado com uma portuguesa.

tivemos occasião de ver como esta gente se alimenta: couve verde fervida simplesmente em em pedaços com e. As mulheres não sabemos se usavam arrecadas. «Quando fizemos visita ao campo. «Apesar de sabermos que a caravana trazia objectos preciosos de prata e oiro. em forma e ta- manho de um ovo de gallinha. traziam objectos para vender e concertavam os que lhes confiassem. antes se ou se torna indifferente » * ! surrateira Em maio de 1883 viu Thomaz Pires na alameda de Borba. etc. se não fossem mais felizes em Évora. Vinham da Hispanha e dirigiam-se a Évora. Havia algumas com feições regularissimas. «As creanças usavam igualmente botas até ao joelho. mas viam-se-lhes ao pescoço collares de preço e contas de oiro. Como em Elvas. porque tinham a cabeça atada com farrapos. com as mãos e comida com uma voracidade joz. á entrada da villa. as agua. pediam-lhe de mãos postas alguns francos. 22 de outubro de 1869. Elvas. faiscavam de brilhantes. as creanças acercavam. mas pretas. mal cozida. quando algum estranho se appro- ximava.se e. 127. que tinham armado uma alli caravana de ciganos húntrês grandes barracas. tirada canina. 15 . e algumas usavam de botas encarnadas. Dois d'esses rapazes pedir disseram eram ciganos que caldeireiros. é alli a spectactio gentium. «Soubemos agora por uns amigos que chegaram de Badaque se acha alli acampada (a caravana) ás margens do Guadiana. Os saíram á estrada a esmola. e quasi todas fumavam de cachimbo. garos. iii anno. ri E a caravana não pasma de curiosidade.225 e uns botões no collete do mesmo metal. Diziam-se feito 1 A Democracia pacifica. negros e rasgados. Queixavam-se de ter pouco negocio em Portugal e tencionavam voltar para Hispanha. nabos crus salgados. sardinha feita mãos e lançada numa certa de ferro d'alli immunda. e os olhos de todas. beijando-lhe as mãos. pés.

que não poderia entender o dialecto tsigano húngaro. distincta. que não era a dos ciganos hispanhoes. Os ciganos a que se refere esse artigo pediam que. lhes pagassem em pintos (moeda portuguesa de 480 réis. como já vimos. anteriormente transcripto. Gabriel Pereira. como já foi referido. sequer approximativa- mente. concor- dando ambos em que naquella província não haverá mais ou muito mais de 400 a 500. uma pois lingua especial. Os dois fallavam perfeitamente hispanhol e eram muito attenciosos e sympathicos. hoje fora do curso Parecia que conheciam bem essa moeda. homens. assim como o sr. um cigano alemtejano que lhe affirmou que os ciganos húngaros fal- lavam o rumanho. João em Évora.226 da Hungria. O segundo informador baseia-se na estimativa a olho (sem contar) dos que concor- rem á feira de S. Traziam cavallos só para seu serviço. não faziam negocio de gado. E impossível saber. Pires encontrou mais tarde. Pires diz que á feira de Villa Viçosa de 30 de maio de 1883 concorreram mais de 500 ciganos alemtejanos. acham muito exaggerado esse numero. onde como se disse já. qual o numero de ciganos que ha em Portugal ou ali em qualquer das suas províncias. diziam. que o dos ciganos alemtejanos usavam o cabello muito comprido. O informador de Barbacena. No Alemtejo ha quem calcule existirem 2:000 a 3:000. legal). nas transacções feitas com elles. mulheres e creanças. como elle. Não natiiraes gostavam de ser comparados com estes. O seu vestuário era como o da caravana descripta no artigo typo era mais . . dando assim ao cigano alemtea jano impressão de que fallavam a hnguagem peculiar deste. ainda com a sua grammatica Estatística. Talvez esses tsiganos fallassem o hispanhol misturado com termos da sua lingua e com termos gitanos. Fallavam. se julga reunírem-se todos os ciganos alemtejanos. ainda com alguns de outras províncias. O fino.

perto de Lisboa víncia. nos. Nesta protambém deve haver alguns milhares de cigacômputos são talvez exaggerados. a historia e os cosdistin- tumes mostram que os ciganos de Portugal não se guem por nenhuma particularidade importante dos gitanos de Hispanha. diz-se. vêem muitos centos d'elles. . todavia informam-me de que á feira annual de Sacavém. que principalmente se fazem sentir nos gitanos andaluzes. Esses doisultimos Conclusão. Os factos glottologicos.227 A uma feira das Caldas da Rainha ha quatro ou cinco annos não concorreram mais de 50 da Extremadura. abstrahindo das diíFerenças resultantes de influencias locaes.

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António Francisco Barata. Bar- O sr. fl. 175 e 176 datas de 8 de outubro de com 1549. 15 de maio do 1694 (diversos). 20 de maio de 1587.24. fl.'' das cortes de Évora de 1535. 22 de maio de 1694 e 23 de janeiro do 1699. 315 do vi. «Tratam da expulsão dos ciganos estranjeiros e da prolii- bição aos nacionaes de trajarem a seu uso e de nao trabalharem. ordenam que os façam trabalhar e aprender ofíicios. 137 do II . fl. feitas por D. 17 de agosto de 1557. n. por faltarem os respectivos registos ou diplomas no Archivo Nacional. 15 de julho de 1686. 28Õ do xii. nos Livros dos originaes a fl.APPENDICE I DOCUMENTOS Não me foi mentos dados possível encontrar as integras dalguns docuem extracto.. fl. João III. D . da Bibliotheca publica de Évora. Citam o art. Devo a copia dos documentos tholomeu de Azevedo. 174 v. José Lopes de Mira e a do Livro VI de Registo^ fl.. 314 do Livro de 100 v. 16 de setembro de 1566. P. communica-me o seguinte : «Existem na Camará (de Évora) documentos acerca de ciganos desde 1549. nem os originaes -ou copias coevas d'outros reproduzidos de collecções impressas.°^ 5 e 6 ao sr.

iij sente dei rey nosso senhor na ciGalharde empremidor.] 1638 No volume delles fezeram. capitolos. intitulado Capítulos de cortes e leys que se sobre alguns Com priuilegio real. encontram resolvendo em geral as abreviaturas. acham-se. porque delles nâo resulta outro proueito se não niuytos furtos que fazem: e muytas feytyçarias que finge saber: fadiga. fl. que cita o Liv. 1790. das chamadas das Cortes.» em que o pouo recebe muyta perda e . xxxvi: : Capitolo CXXXVIII «Item. e de 26 de Novembro de 1538. nov. Lisboa. senhor. roxo ou 3. 321.). e a Ord. 69. para que não entrem Ciganos no Reino. 1526 «Alvará de 13 de Março de 1526. pedem a vossa alteza aja por bem que nunca em tempo alguu entre ciganos em vossos reynos. «Capitolos geraes: que foram apresentados a el Rey dô Johã nosso senhor terceiro deste nome xv Rey de Portugal nas um bello exemplar em pergaminho do Archivo : : . E acabara se aos xxxix. v. registos ou collecções impressas. tit. XVII. introduzo todavia alguns signaes de pontuação e faço algumas correcções. liv. Anno de M.». D. tem no fim Fora impres: sos estes Capitolos e leys per : dade de Lixboa per Germã dias do mes de Março. no pr. (74 foi. . (philippina). e se saião os que nelle estiverem e diz quasi o mesmo que a lei 24. da Supplicaçâo. As leys que ho dito senhor fez sobre alguns dos ditos quaes fora publicadas na Cidade de Lixboa no ano : E de seu Reynado e xxxvii de sua idade xxix dias do mes de Nouembro. [José Anastácio de Figueiredo. mandado do qual tive preNacional. Synopsis chronologica. do anno de mil e quinhetos e trinta e cinco com : : : suas respostas. 244. i. . Anno do nacimcto de nosso senhor Jesu christo. cortes de Torres nouas E nas Deuora : do anno de mil e quinhetos e vinte e cinco.230 Lzo a dos documentos consoante se Reproduzo orthograph orthographia eucontram nos originaes. De mil c quinhetos e trinta e oyto anos» e entre eles se lê a foi.

] 3Sr-<^ -3= 1573 em Évora a 28 «Alvará de 14 de Março de 1573.231 Reposta «Ey por bera que nâo entrem ciganos em meus reynos daqui por diante como neste capitolo me pedis e disso farey ley. O que auera lugar assi nos ciganos como em quaesquer outras pessoas de qualquer naçam que forem que andarem como ciganos posto que ho nâo sejam. abril de 1579. o alvará de 11 de .>> (Vid. tornar outra vez a entrar nos ditos reynos e senhorios será outra vez açoutado pubricamente com baraço e pregam e perdera todo : : mouel que teucr e lhe for achado a metade pêra quem o accumetade pêra a misericórdia do lugar onde for preso. Que os ciganos não entrem no rei/no. E se despoys de passado o dito termo for mais achada algua das ditas pessoas por não se^ sayr dentro no dito termo ou posto que se saisse . das Cortes de Reinos. abaixo reproduzido doe.» il. dando appellação. se accrescentão as penas até galés. 138. [Figueiredo. . «Vendo eu o prejuízo que se segue de virem a meus reynos e senhorios ciganos: e neles andarem vagando pelos furtos e outros malefícios que cometem e fazem em muyto dano dos moradores de meus reynos e senhorios. 1525.** 6). n. publicado na Chancellaria mor do mesmo mes e anno. e 1535.» o : sar: e a outra : : 1557 «Lei de 17 de Agosto de 1557. como for de justiça. Synopsis chronologica . e aggravo. a cuja execução se procederá. . 22.w E a foi. Lxvii : Ley XXIllI. Porem sendo alguu natural de meus reynos não será lançado fora delles e será degradado dous annos pêra cada huu dos lugares dafrica: alem das sobreditas penas. que não entrem os Ciganos nestes em que alem do que he mandado no Cap. Mando que daqui em diante nenhuns ci- ganos rios : assi e entrando : pregam e homês como molheres entrem em meus reynos e senhosejam presos e pubricamète açoutados com baraço e despoys de feita nelles a dita execuçam lhe será assinado termo conveniente em que se sayâ dos ditos reynos e senhorios.

e hera fraquo he quebrado. c [Archivo Nacional. homde leuara sua molher e filhos. ey por bem . pelo caso de que faz menção. Liv. elle em çimquo anos de degredo pêra as gualles e açoutados publicamente. visto outrosy como he feyta execuçam dos haçoutes por tamto vos mando etc. fez. D. fossem achados sem appellação nem aggravo. na forma dada em allmeyrim a vij dias dabrill. quamdo hally fora pobrjcomo todo se mostraua da sentença que oferecia. ano do naçimento de noso snr Jhu xpo de m Roque vieira a fez escreuer. Seh. visto como cada em momtalluão. como as mais impostas aos Ciganos fossem executadas pelos Corregedores e Juizes de Fora dos Lugares. 189. e pelos Ouvidores nas Terras. tores paullo affonso e amtonjo vaaz castello etc. das (chamadas das) Cortes e que tanto estas. me pedya que ouuese por bem que se sahyse loguo do Reyno ou que fose pêra o brasyll pêra sempre e podese leuar sua molher avemdo respeito a pena que já tinha Recebyda etc. e a dita sua molher se sahyrya do Reyno em dez dias. queremdo lhe fazer mercê visto hu parece com o meu pase (?). 168-1C9. baraço he preguão hera feita execuçam e a dita sua molher hera fora do Reyno e elle ser presente.232 «Na Apostilla de 15 de Abril do mesmo anno se declarou. me praz se assy he como dis. Jleiír. homde se não mostraua certjdão de forão presos. faço saber que Johão de torres. e não hera pêra serujr em cousa de mar e muito pobre. estaua no lymoeiro. que como nas mulheres não podia ter lugar a pena das galés. Synopsis chronologica.. onde . 16 de Legitim. e Comarcas. cO baraço e preguão. dinzemdo que semdo ley deste Reyno que toda geração de çiguanos não vjuesem neste Eeyno e delle se sahysem em certo tempo e por tella. ficassem sugeitas ás penas da dita Lei 24.] .] 1574 Dom sebastiam etc. he por que dos haçoutes. homde perecia ha mjmgoa. me êujou diser per sua petição que estamdo na villa de momtalluão morador e jmdo e vjmdo a castella fora preso he acusado pela justiça. ii. fora elle não ser sabedor da tall ley por jr he vyr ha caspreso he acusado pela justiça. em outros cimquo anos pêra o brasyll. que ^âo tjnha nada de seu.» [Figueiredo. e eu vemdo o que me asy dise he pedir emvyou. dioguo fernandez a v*' Ixxiiij" anos. elle he sua molher amgylyna e condenado per sentença da mor allçada. visto ho que halegua e declara. onde nào entrão os Corregedores por via de Correição. çiguano preso no lymoeyro. D. el Rey noso snr ho mamdou pelos doue . fl. de lhe cumutar os cimquo anos em que foy condenado pêra as gualles.

e que achandose que não teuerã diso o cujdado que deujão se ha de proceder cõtra elles como ouuer por meu seruiço e asj mando ao chanceler mor que pobrique esta proujsão na chancelaria e euie . nc has pessoas que amdão ê sua companhia amdem. certos comprir e guardar semdo os ditos corregedores. ou minhas pêra podere estar nestes Rejnos. como acjma he dito. Eu el Rey faço saber que eu são jnformado que. ouujdores. que começarão do dia e que se derê os taes pregoes. loguo cartas c5 ho treslado delia sob meu sello e seu sjnal aos ditos corregedores e asj aos ouujdores das terras e que elles não estão per uia de coreiçam aos quaes corregedores e ouujdores mando que ha . que santa gloria aja. pobríquem loguo nos luguares homde estjuere e façao pobricar e todos os outros lugares de suas comarquas e ouujdorias e Registar nos liuros das camarás delles pêra que a todos seja notório c se . corregedores. posto que polia ley vinte e quatro dos capitólios das cortes que se fezerão no ano de trjnta e ojto e pello capitólio vinte e cinquo do Regimento que mandey dar aos presjdentes das allça das que forâo visitar meus Rejuos. e mando a todos meus desembargadopreso e açoutado publicamente no lugar res. os ditos ciganos e pessoas não deixão por jsso de estar e andar nelles e fazer muitos litos fui tos e outros insultos e del- de que ho pouo Recebe grande opressão. juizes de fora e ordjnarios e quaesqucr outras justiças. e acabados os ditos trjnta dias qualquer cigano que for achado nos ditos meus Reynos por esse mesmo feito será loguo omde for achado e degradado pêra sempre pêra as gallees posto que tenha proujsão do dito senhor Rej meu avo ou minha pêra poder estar ou andar nestes Rejnos. hofficiaes e pessoas dos djtos meus Rejnos que cada hu e sua jurdiçam cumprão. perda e trabalho. E querendo nisso prouer ey por bem e mando que e todos hos lugares de meus Reynos se lancem loguo pregões pubricos.^ e 1579 Alluara sobre os ciganos Eu el Rej faço saber aos que este alluara uire [que hoj que cl Rey meu sobrinho que deus tem pasou hua proujsão feita a catorze dias do mez de março do ano de v^ setêta e três. ne estem nos lugares dos ditos meus Rej nos. que os ciganos e ciganas e quaes quer outras pessoas que em sua companhia andare se sayão dos ditos meus Reynos dentro de trjnta dias. guardem e façam asj jnteiramente fora. nas praças e lugares acostumados. ouujdores. se embarguo de allgus delles tere proujsões dei Rej meu senhor e avo. da que o terllado lie o seguinte. está bastantemente proujdo pêra que hos ciganos. juizes de que se ha de preguntar por este caso e suas Resjdencias.233 3sr.

em que se exasperão mais as penas contra os Ciganos. e mando ao meu chanceler mor que pobrique este alluara na chancelaria e êuie o trelado delle sob meu sello e seu sinal aos corregedores e ouuj dores das comarquas de corregedores e ouujdores meus Rej nos. lhe poderã dar licença. nem aggravo. ou se não avizinhassem nos Lugares sem andarem vagabundos. e se sam casados e o modo e meneo de suas vjdas e costumes e parecêdo lhe que uiuê bem e que trabalhão e não são prejudiciais.234 cumpra e de jnteiramente ha execuçam como nella se cothem e esta . nem estar. que diz que has cousas cujo efeito ouuer de durar mais de hú ano passem per cartas e passando per alluaras não ualhão. pedro de sousa ha fiz e Lixboa a xi dabril de mv'' setenta e noue. Johào de sousa o [Archivo Nacional. Jorge da costa a fiz escreuer. fiz escreuer. e este se Registara na mesa do despacho dos meus desembargadores do paço e nos livros das Rellações das casas de suplieaçam e do ciuel ê que se Registarão as semelhantes proujsões. e que amdem vestidos ao modo português. dendo contra elles até á execução sem appellação.» [Figueiredo. Liv." de Leis. Gaspar de sousa a fiz em Évora a xiiij" de março de mv*^lxxiij. que se faria execu- e procetar. se Registara no Livro da mesa do despacho dos meus desembargos do paço e no das Rellaçõis das casas de suplicação e do çiuel e que se Registarão as semelhantes proujsões e ey por bem que valha e tenha força e vigore como se fose carta feita e meu nome por mj \ asjnada e passada por minha chancelaria. sê embargo da ordenaçam do segundo livro. tudo sob pena de morte natural."] 1592 «fLei de 28 de Agosto de 1592. Synopsis chronologiea. e do dito Rey meu sobrias examine nho. ou Quadrilhas . aos quais mando que ho pobriquem nosloguares omde estiuerê e o façâo pobricar ê todos os lugares de suas comarquas e ouuidorias. que samta gloria aja. E ora ey per bem e mando que ha proujsão do dito senhor Rej meu sobrinho. ii. 1. perante hu dos Corregedores de minha corte dos feitos ciuis. que deus tem. 261. fazendo-os para isso prender os Ministros das terras. senão ê bairros apartados. com tal declaraçam que hos ciganos que teuere leçemças dei Rej meu jrmão. 57 v. que dentro de quatro meses não sahissem de Portugal. o qual se jnformara de como uiuê e de que mesteres usão do João. acima tresladada se cumpra e guarde jnteiramente como se nella conthem. fl.] . para que a todos seja notório. ou viver mais em ranchos. não podendo andar. não permitindo que uiuão juntamente c hum bairro. titulo xx.

» fl. Joam -f. eu João Sirueira que ho escreui. os quais se emcobrem dibaicho desta capa de diserem que os fiserâ os siganos." N.235 jsr-° 8 1597 «Aos dezasete dias do mes de junho (de mil e quinhemtos nouemta e sete annos) fiserâ Camará de veraçâ os sennòres Juiz e Veradores e procurador do concelho abaixo asinados. queremdoa. pello que detreminarã que fossem noteficados que demtro era três dias se saicem desta cidade e seu termo para o que se lhe pasaria carta pêra lugar serto. e amtes de se asinar o . Archivo da Gamara de Elvas. maiormente depois que ouve algfís furtos que conhesidamente se soube serem feitos per elles. . Joam -f- Soarez. maço n." 1. armário n. (a) Siqr. [Livro das vereações da Camará Municipal de Elvas.] 54 a 55. Por aqui ouuerão a Camará de Verasã por feita c acabada e se asinaram. por quanto desdo dito tempo pêra ca se tinha feito muitos furtos de bestas e outras coizas e amdaua a gente da sidade ta es- camdalizada que se temia hu mutim comtra elles. por lhe asim pareser se asinaram todos. Luiz Ferz. N.^ Carnjde. eu João Sirueira que ho escreui. eu João Sirueira que ho escreui. posto que as testemunhas nã sabem expesificaidamente quais dos ditos siganos o fizesse (sic) e alem diso por esta cidade ser de gemte belicoza e da raia e acim de comtino acomtesera muitos cri. do anno de 1597.Soarez." 21. (a) Siqr.*» de Carualjall." de Carualjall. e semdo achados pasado o dito termo se prosedera comtra elles com todo o rigor e de tudo mandara fazer este termo que todos asinarâ. Llogo nesta Camará pello Juiz e Veradores e procurador do concelho foi acordado que comvinha ao bem pubrico e quietaçã desta cidade nã se comsemtirem nella os siganos que os dias pasados se viera avisinar com precatório do corregedor do crime da Sidade de Lisboa. mes de diverças maneiras. eu João Sirueira que ho escreui. mandara requado ao sor amdre gomçalvez de Carnide Corregedor desta Comarca para lhe darem comta deste negosio amdito termo tes partes de se dar execuçã o qual dise que dipois de pasada a liei nas omde resedira nunqua comsemtira avesinarem-se siganos dipois de serem escolhidos lugares na forma da lei e que lhe pare- sia muito bem nã se ametirem os ditos siganos nesta cidade pellos gramdes emcomvenientes que quada dia pode soseder por ser terá belicoza e da raia.

oje três de iunho de mil e eu João Sirueira que ho escreui ualjall. não entrem em nossos Reinos e açoutados e Senhorios.] cm 1595 e publicadas em 1603. . seraõ lançados delles. Joam -j- Soarez. eu João Sirueira que ho escreui. alluez de Lemos. E feita nelles entrando. que fosem achados nesta cidade e seu termo que fosem presos e que se prosederá comtra elles eomforme a liei . v. que tiverem.] fl. (a) J. eu João Sirueira que ho escreui.« [Livro doa vereações chivo da da Camará Municipal de Camará de Elvas. Ar- IT. mas seraõ além das sobreditas penas degra- dados dous annos para Africa. Persas. llogo nesta Camará foi praticado dos muitos furtus que os siganos fazia nesta cidade e mandara os sennõres Veradores e procura- dor do concelho apregoar que todo o sigano. ametade para quem os accusar. liv. [Ordenações philipinas. e a outra para a Misericórdia do lugar. nem Mouriscos de Granada. tit. em que se saiaõ fora delles. naõ se saindo dentro do dito termo. As foi Ordenações philippinas foram concluídas posta no alto do extracto. e percaõ o movei. naturaes destes Reinos. como mulheres. ou tornando outra vez entrar sejam outra vez açoutados. alluez quinhemto e novemta e sete anos.^ IO 1603 Mandamos. J. data que . (a) N<' de Carualjall. nem outras pessoas. Que naõ entrem no Reino Ciganos. que os ciganos. n. E lhes seja assinado termo conveniente. N. Luis Ferz. Arménios. que com elles andarem. que com os Ciganos andarem. E com baraço e pregão. armário n. de qualquer Nação que sejaõ. 50. Arábios." 21. de Lemos. naõ nelles. e lhes for achado. 69. do anuo de 1597. assi homens." 1.236 1597 «Aos e três dias do e sete anos fiserã mes de junho de mil e quinhemtos e novemta Camará deureaçâo os sennõres Juiz e Veredores procurador do Concelho e se asinarã. sejaõ presos a dita execução." de Carasi- por aqui ouverã a Camará de uerasã por feita e acabada e se narao. Luís Ferz. maço Elvas. tirado dois que esta avesinhados nesta cidade. onde forem presos e sendo algumas da ditas pessoas.

e nas mais penas das ditas Ordenações. e pella segunda vez sejão outra vez açounas residências. comercio de Ethiopia. Ey por bem. da ínFaço saber aos que esta minha Ley virem. que eu sou informado. que cu mandei passar hum Aluará feito em sete de laneiro de mil seiscentos e seis. e dano do Reyno. do qual o treslado he o seguinte. Ev El Rey faço saber aos que este Aluará virem. e os Ouuidores das terras dos donatários em que elles não entrão per via de correição e as justiças lhes darão tepo conueniente (que não passará de hum mes) para que se sayão do Reyno e pas: : . queredo nisso prouer. e não passem as ditas cartas de vizinhãça. e dia. que a Ley que fiz sobre os ciganos declarada na Ordenação do liuro 5 titulo 69 imprincipio. que todos os ditos julgadores tenhão grande vigilância em comprir inteiramente a dita Ordenação do livro 5. se não cumpre. nem as penas que nellas se declarâo são bastantes para elles se sahirem fora do Reyno. Senhor de Guiné. e encorrerão : : mais nas ditas penas. e outros julgadores lhes passâo cartas de vizinhança. sobre os ciganos. etc. e no dito degredo de em dobro e pella terceira vez serão açoutados. que não cõuem : e porque também tiue informação. reproduzido na tembro de 1613. que tratão dos ditos ciganos se não guardão tão inteiramente. antes continuao em roubos.^ 11 1606 Alvará de 7 de janeiro de 1606. nem vsem de outros modos e fazendo o contrario se lhes dará em culpa. nauegação. e nelle residissem. que as Ordenações. lei de 13 de se- IsT-^ 1Í3 1613 Dom ues. d'aquem Philippe per graça de Deos. em seguimento impressa. sendo tudo em grande perjuizo seu. e Ouuidores das comarcas. e contra forma delia os Corregedores do crime desta cidade de Lisboa. Pérsia. e dos Algare d'alem Mar em Africa.237 lísT. e os fauorecem per outros modos. que fossem achados neste Reyno vagando em quadrilhas. e danos. em três annos para galés. Rey de Portugal. e em dez annos para galés e em todas estas penas os poderão condenar os Corregedores. que fazem a meus vassallos com geral escândalo. e da con- quista. e eu mandarey perguntar por isso : E assi ey por bem. que posto que pellas ditas Ordee senão aos ditos ciganos mais penas que açoutes pella denações primeira vez que forem achados sejão degradados alem da dita pena. Arábia. galés tados.

aos que viuem e residem nas cidades. ou que lhes fossem passadas cartas de vizinhança: as quaes todas annullo. Ouuidores se executará : e aos dos Donatários das terras em que os Corregedores não entrão per correição para a fazerem logo publicar nos lugares públicos de suas camarcas e jurisdições. que de todo os não aja. Aos quaes mãdo que logo o publiquem nas cabeças das core este Aluara será registado nos liuros da Mesa do Desembargo do Paço. e aos Ouuidores dos mestrados. limitando aos ciganos. e énuiará logo o treslado delia sob meu sello. E mando aos Corregedores do crime em minha Corte. sem em cõtrario. e quão perjudiciaes são. villas e lugares delle e querendo prouer de maneira.238 sado o dito termo tornando a entrar no Reyno se fará nelles a exe- cução pellas ditas penas na forma deste Aluara. e as ey por de nenhum effecto. que o publique na Chancellaria. e casa da Supplicação. Mando aos ditos julgadores e justiças. que neste Reyno residem assi homes. e do Porto e quero que valha. e das casas da Supplicação. que tenhão res para nelle residirem. e do Reyno. e que andão muitos ciganos por este Reyno vagando em quadrilhas cometedo muitos excessos e desordes. sem demi: E nuição das penas que nelle se declarão. que tanto que esta Ley chegar a sua noticia a facão logo publicar em todos os lugares de suas jurisdições. E a todos os juizes de fora. e aos das comarcas deste Reyno. e seu sinal. que forem achados a pena de açoutes e galés. Ey por bem. que assi o cumprão. Pêro de sete de laneiro de mil seiscentos e seis. 40. a todos os Corregedores. posto que sejão por mi assinadas. ne residão neste Reyno. e facão em todo cumprir e ao Chãceller : mor. e se executar como dos mestrados : . que faça publicar esta Ley em minha Chancellaria. tenha força e vigor. como molheres. e mãdo per esta Ley que o Aluara nesta incorporado se cumpra e execute com todo o rigor delle. E passado o dito termo de quinze dias em quaesquer ciganos. que dêtro em quinze dias depois de esta publicada se sayão deste Reyno sem embargo de quaesquer liceças. e aos das terras dos donatários. em que os Corregedores não podem entrar per correição. porque sou informado. e asellada com o embargo da Ordenação do Seixas o fez em Lisboa a liuro 2. E por quanto a dita execução lie de grande importância. titul. para bem. que o dito Aluará se não cumpre e executa. e quietação de meus vassallos. meu sello pendente. e para vir a noticia de todos enuie logo cartas cõ o treslado delle sob meu sello e seu sinal aos Corregedores e Ouuidores das comarcas: e assi aos Ouuidores das terras em que os ditos Corregedores não entrão per via de correição. E mando ao Doctor Damiam d'Aguiar do meu conselho Chanceller mòr destes Reynos. como se fosse carta começada em meu reições : : nome por mi assinada. e aos Corregedo- do crime desta cidade de Lisboa. pella maneira que no dito Aluará se declara e nas molheres a pena de açoutes somête.

confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. 62-^. = Em muyta gente que Lisboa. e mais justiças a que a execução. alem de me que achandose. e execu- como na execução tarão. O Collecção chronologica da legislação portugueza (Lisboa 1854 e segs. iv do Desembargo do Paço. i.» [G." 4 1.] t. man- darei proceder contra elles com todo o rigor: e esta Ley se registará no lluro do registo da Mesa dos meus Desembargadores do Paço. achava-se no Liv. que se à de perguntar em suas residências se a cumprirão. Pereira de Castro. 217-218. De manu regia (Ludguni. Lisboa. ii. João Pedro Ribeiro. e delia. perãte os officiaes delia. 105-106. I. e comprimento desta Ley pertencer. a 10. = Damiam Foy publicada na Chancellaria crita por a Ley delRey N. índice chronolngico remissivo da legislação portuguesa i'. que se descuidarão auer d'elles por mal seruido.). = REY. nelle se declara. de Andrade e Silva. Miguel Maldonado. Annos. p. e a própria se lançara na Torre do Tombo. mandando condemnar para Galés os Ciganos. sobre um requerimento de G.239 nella se contem : sendo certos os ditos Corregedores. Coimbra. atin. Dada nesta cidade de Lisboa. iii. se excusará a sua petição. Cortez e outros ciganos que pretendiam se dispensasse com elles a lei pela qual se mandavam sair do reino. e nos das casas da Supplicação. 10. que ora siruo de escriuão da dita Chãcellaria.° 14 1639 • Capitulo de huma Carta regia de 30 de Junho de 1639. . e de outra vinha requerer seu despacho. Nas Ordenações e lei/s. J. que se acharem. loão Pereira de Castelbranco a fez escreuer. dando-seIhe conta dos que já estavão nellas. Francisco Ferreira a fez. d^ Aguiar. doe. João IV. n. Fernandes. J. 1673). aos treze dias do mes de Septebro. 9 de março de 1890. Senhor atras esmi Miguel Maldonado. [Reproduzido de uma folha impressa avulsa no Correio Elvense. «porque importa que ella se guarde cumpridamente. de Ouctubro de 1G13 Taxada a oyto reis. 1819. 166-168. 41.] 1^-° 13 1614 Carta regia de 3 de dezembro de 1014. Anno do Nascimento do Senhor lesu Christo de mil seiscentos e treze. i. e dos que se achavâo presos. 1747. Collecção chronologica de leis extravagantes. 3sr. C. e Relação do Porto. Ouuidores.

sem ser sua Pátria. Magestade recolher este Alvará. e cavallo. E se nesta forma deste homem. e espirites generosos deste homem.lhe Alvará de natural e Cavaleiro Fidalgo. com que em o dito tempo se houve. com suas : — armas. Mande V. segundo a Lei do Reino. mas do seu modo de vida. Ribeiro. e que nunca tenha. e vida pela sua terra. que se lhe faz mercê. que em Alvará de Y. e que o filho macho. E quando eu estava com alvoroço para ler o grande premio e remuneração. o valor e esforso. para execução d'essa carta. que macanico. que sejão havidos por naturaes do Reino. Magestade pagar seus soldos devidos a sua mulher e filhos? E mande V. herdeiro dos serviços. ou tirar delle a narração de serviços. Magestade filho de tal homem o pozerâo : a officio Cavaleiro. Ao officio macanico mandara eu por o Ministro que tal Despacho deu e sem V. : na Batalha do Campo de Montijo foi morto com muitas fesempre mui esforçadamente. sem soldo. ou pelejarão. 249. se relata. guerra e milicia nos postos de Soldados e Presidies E que se não leia. e sirvão sempre na rroza. sérvio a V. sérvio valerozamente no Campo. P. pelejando despender a fazenda. franca. que sem obrigação de sangue e natureza sérvio por honrra. que Jerónimo da Costa. e proezas. e morte hon- porque se sérvio três annos contínuos um pobre Sigano porque lhe não hade V. Magestade). o fizessem os Grandes e Capitaens . que merece. a vista dos que esforçadamente morrerão. athe deixar a vida. Magestade três annos contínuos nas Fronteiras do Alemtejo. (que he assinado pela mam de V. 360-361 j do Liv. por lhe não pagar seus soldos de hum esforçado com seu cavallo e armas à sua custa. e grandeza do animo de seu Pay em até que ridas. com suas armas e cavalo á sua custa. relatando suas proezas. sendo . em sua mulher e filhos. devendo estar chusmadas as Galés até 17 d'este mez. que nelle se relatão . e declarando que a qualidade de Cigano não he de natureza.» (J. que he o menos Foro. que me deixou em grande admiração. Magestade o ver despachos com tão humildes espirites. valor. que tiverào estes serviços. porque nelle. o pozessem a um oíficio macanico. seu Marido.] 1646 Senhor Vi o Alvará da Suplicante. fl. aonde tantos infamemente fugirão. tudo á sua custa.240 Participada em portaria da princeza Margarida de 8 de Agosto do mesmo armo. e fidalgamente e relata-se mais em nome de V. nem seus descendentes officio macanico. sangue. Magestade passar. sem levar soldo algum. senão quando eu leio. índice chrpnologico ij*. ix da Supplicação. quanto a se condemnarèm. Magestade.

esta mulher mande V. Magestade com elles o defendido. com molheres e filhos. e ganhar dinheiro. fiquarão ainda na cadeja do limoejro des velhos e emcapazes de poderem seruir. e criados esforçada e como generozamente. e amor da Pátria e Reys. e depois de quieto o Reino. dallem mar em afrjqua.241 Generaes. [Arch.. em que nunca podem igualar as dilatadas terras e Reinos isso. e devem defender. como peço. com cavallos. Magestade ella. comersio. detiopia. de Castella. = Thome Pinheiro da Veyga. João Pedro Ribeiro. em que alguns podem degenerar. nem com thesouros nem cavallos. neste tempo sem servir a sua custa. e seus famozos Pays e Avós fizerão Armadas. e índia. 215. &c. . R. que muntos terão. Isto se oflferece e de 1646. pp. e nobre. arábia. que vão a V. persja e da indja etc.^ le 1647 Tresllado da ordem dos siguanos Dom Joam da quem e per grasa de Deus Rej de Portugual e dos algarues. e ponto de honrra.] isr. que vae junta para provocar os meios. 16 . de fazer natural seu genrro que por seus serviços pessoaes tãobem A o merece . como elles mesmos. Corpo Chron. Docum 131. Malaca. e generozo no procedimento. gastando o que tem em sua defençâo. nâo lie o Portugal para que se nâo sustenta. e com tantas condições. não só no que pede. 217. forma.. ou nao devidos. do qual o tresllado he o seguinte Eu ell Rej faso saber aos que este aluara de lej virem que per quanto dos gitanos que mandej prender pello Rejno e se embarquarão pêra as conquistas delle. em verificação do seu procedimento. Magestade. e Çofala a vencer soldos. snor de guiné e da conquista. Magestade. Magestade despachar. partira V. pelo que cumpre ao Reino. bastara ametade das decimas. e ras. pois merece a Firma e Signal de V. imitando este Sigano humilde no nasciAfrica. Lisboa 28 de julho maço 118. Fronteiros e Governadores. falo em geral. e riquezas. e conquistado. quem são. Disatr- tacões chronologicas. 1. navegasâo. P. porque hir as Fronteicomo a Ormuz. nem gente cm numero. e as Comendas e copiosos bens do Reino que para si o defendem. e de sua Pátria. e seus filhos. e thesouros do Payz se não no natural valor. Ma- gestade. e com pedir soldos atrazados. ou na Petição que deferir a seus serviços em lhe mando fazer a V. não havendo rezâo particular. servindo á sua custa em sua Pátria e sem outro soldo. mas mande-lhe V. faço saber a uós corgedor da comarqua de eluas que eu passej ora hum aluara per mim asjnado e pasado per minha chanchellaria. iv. devidos. E isto não he hir enrriquecer. O que requeiro como Procurador da Coroa. em mento.

sem contradisão alguma. ou Cabo uerde. e sendo capazes de seruir os porão a soldada na forma que se uza com os órfãos . e jogos de corjolla nem partidas de cavalgaduras. per toda a ujda sem leuar consigo filio ou filia. onde o siguano for morador. de que de antes ueuiâo. como fazem os naturaes do Rejno. allanquer. juizes de fora. sopljquação gouernador da rellasão do porto e aos dezembarguadores das ditas rellasois e aos corgedores do crime de minha corte e aos de esta cidade e a todos os e juizes de fora das cidaonde os ditos siguanos uiuerem. a que chamão buenas dj- chas. caza de sopliquasão. lleirja. com decla- rasão que quem o contrario fizer pella primeira ves será logo condenado em asoites e toda a ujda pêra gallés. os quaes os remeterão pelos loguares nomeados nenhum dos condenados admetjda petjsão para per- dão. que cumpram e guardem e fasão enteiramente cumprir e guardar todo conteúdo neste aluara. fillos. hej bem e me pras de lies senallar pêra este efeito os luguares seguintes tores uedras. antes se lies poreboirá com todo o rjgor comprar a troquados (sic). e da mesma manejra ás con quistas de este Rejno. como se nelle contem e o chaneeller mor destes Renos des. da prizão ira pêra angolla degradada. e mando que na essicuçâo desta lei se proseda sumariamente e com seis testemunhas que pergunterá o juiz do loguar. seus nem andem em traballo em sem que fasão de suas trasas e embustes. villas e luguares mando ao regedor da casa da meus corgedores das comarquas. ouuidores. onde se pobliquara pêra que senão consinta aos siguanos que fore degradados o elles uzarem desonestos tratos e embustes. antes se devasará pelos corgedores das comarquas dos juizes dos loguares de seus destritos se observâo esta Hej e o que fiquar comprehendido paguara duzentos cruzados para as despezas da guera ou justiça. e se rezestara nos Liuros do dezembarguo do paço. monte mor o uello e coimbrã. o fará publiquar na Chanchellaria e envjar com meu sello e seu senal aos ditos corgedores das comarquas. pêra que a todos seja notório o que per este ordeno e o fasão dar a esecusão. tomar. dos quais não poderão sahir sem licença dos per juizes delles a qual se lies não consedera per tempo llargo e se lies poreboira juntamente que não fallem geregonsa. e os quais juizes não consentirão que os siguanos crjem seus fillos ou filias pasando de noue anos de idade. e sendo moller. nem a ensinem a traje de sjganos e serão obreguados a quanto puderem. do porto onde . ourem. e os autos que sobre a matéria se fizerem serão logo remetidos a hum dos corgedores do crime da minha coiie ou ministro a quem eu cometer a jurisdisão e superten- e não lies será a dencia dos siguanos. ouuidores. rellasão. e estando empesebeljtados por doensa ou muita idade se lies permetira poderem pedir esmolla nos mesmos luguares em qu3 uiuerem.242 de pouqua idade. e conuir a familjas meu servisso que elles uiuão cõ suas em luguares afastados de esta corte e das frontejras.

ii. ora Ao qual em todo me reporto e consertei bem e fiel- mente com otro ofisial abaxo asjnado e eu Baptista fang. estevão lleitão de revelnão dis mais a dita prouizão que bem e fielmente tresUarezistei do próprio que entreguei ao escriuão da coreisão que serue. Pedro digene8(?) revello o fes escreuer. p.''*' da fonseca e comigo taballiam Gomes Gallvam». Estevão Ueitão de revellos Foi publjquado na Chanchelleria mor o aluara de ell Rej nosso snõr atras escrito por Miguel maldonado escrjuão da dita chanchelleria perante os ofisiais delia e de outra muita gente que uinha requerer seu despacho Lixboa . i. 552 v. denações e leys t. (Archivo da camará municipal de Elvas. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D.. Coimbra. Com Rubrica de Sua Magestade. iii Collecçâo ii dos Decretos e Cartas. 1747. 1819. E dei e Miguel maldonado o fis escreuer. Para Vossa Magestade uer. e a despeza que se fizer em se pobljquar nos mais loguares de vosa comarqua será á custa das despezas dos auizos (?) e quando não ouuer será a custa das rendas da Ca- mará da cabesa de vosa comarqua. Rej. ou alugarem-se casas a Ciganos tualidade executar a Ao Desembargo do Paço hey por muy encarregado faça com põLey dos Ciganos. Lisboa. 168- 1G9. Ano do nascimento de noso snõr Jesus Xro de mil e sessentos e quarenta e sete eu los. in Ordenações e leys confirma' Senhor D. do Registo. 30 de Julho de 1648. fl. João IV.""" da fonseca escriuão da camará o escrevi. Lisboa. foi.] 1648 Decreto.] [Liv. i. 515-517. aluara de Hei que se hade ter com os siguanos e fillos nelle declarados. 1747. accrescentando a cila. 273. das dos Decretos do Desembargo do Paço. Collecção chronologica de leis extravagantes. O Conde de Santa Crus. polia qual vos mando que tanto que vos for mostrada a fasais pobljquar e rezistar na cabesa de vosa comarqua e pobljquar brevemente nos mais luguares delia pêra vir a notisia de todos e se comprir e guardar como nelle se contem. p. Oriii. que as pessoas. el-rej noso Snõr pelo doutor estevâo lleitâo de revellos do seu conselho e chancheller mor destes Reynos e senhorios de Portugal Manoel antunes de sâpaio o fez. vol. I e estabelecidas pelo : . Co a qual liei mandej passar esta carta para vos. João IV.243 semelhantes leis se costumao rezistar. 215. que lhes derem. em que se prohibio darem-se. etc. Lisboa. velho. dada na sidade de Lixboa aos trese dias de novembro. ou alugarem casas incorrerão nas penas. de outubro de 047 Miguel maldonado. Baptista fangr.. António de Moraes o fes em Lisboa aos uinte quatro de outubro de mil e seis semtos e quarenta e sete. que mandarei declarar.

sou informado que nesta parte se não passou nem publicou em muitas partes como ore que pelos que estauâo servindo nas fronteiras se me fes queixa que estando mais de duzentos e cincoenta em meu serviço desde o tempo de minha filice aclamação alistados com zelo e valor. . . n. exceptuando os que assistem nas fronteiras e não andassem em companhia de outros. e todo Reino fossem prezos e embarcados e leuados para serporquanto ficarão ainda na cadea em alguns velhos incapazes e outros escondidos neste Reino.244 isr. Hey por bem e mando que os ditos Corregedores das Comarcas executem com muita diligencia a dita primeira Ley da prizão. Demais das ordenações do Reino. com que já forâo muitos apremeados e que a dita Ley geral da deney . e dos que ceda na forma de dito Aluara e os juizes das terras onde os mando . mandando que com os que fossem inhabeis se procedesse na forma do Aluara refecazo rido e nesta Corte se não consentissem em nenhum nem sinco léguas ao redor sigano nenhum nem sigana. nem officio mais que os latrocínios de que uiuem. onde serião e penas de asoutes. nem foro nem Parochia. sem uiuenda própria. sem e ultimamente querendo Eu desterrar de todo uirem nas comquistas diuididos .» 16.] E porque no dito Aluara se trata somente dos ditos siganos prezos uelhos e incapazes sem se declarar outra parte de minha ordem e decreto que passey sobre os mais que ficarão ainda no Regno capazes de seruiço nas conquistas. cõ o mesmo intento mandey passar hum Alvará em vinte e quatro de outubro de seiscentos e quarenta e sete de que o treslado é o seguinte. Doe. sem asento. prizão se não podia emtender nelles . mandey que trazidos a esta cidade. . [Vid. . acabar de conseguir o modo de uida e memoria desta gente uadia. prendendo logo todos os siganos que acharem capazes de seruir excepto aqueles que actualmente assistem nas fronteiras e não andarem na companhia de outros e os remetão a esta Corte ao Corregedor delia a que esta cometida a supritendençia forem velhos e inhabeis se pro(sic) deste negocio. degredos e galés. mandando os prezos ou que fossem uiuer as ditas vilas do sertão. por muitas leis e prouisões se procurou extingir este nome e modo de gente uadia de siganos com prizoens . e sem embargo disso se exe- cutava lançando -os fora da fronteira e sem paga de seus soldos.o 18 1649 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará virem que por se ter entendido o grande prejuizo e inquietação que se padece no Reino com huma gente uagamunda que cõ o nome de siganos andam em quadrilhas vivendo de roubos enganos e imbustes contra o serviço de Deus e meu. E querendo eu em tudo prover.

1747. posto que digão vem seguindo seus maridos. 1. Ordenações e D João IV. 23 in Ordenações e leys confirmadas e estabelecidas pelo Lisboa. p. João IV. v.1 . e sendo de mayor calidade em dois annos para . como nella Conde Regedor advertir da minha parte aos Corregedores me dizem andão actualmente algu. Rey. Lisboa. fl. E os fidtUgos fora da Corte. André de Moraes o fez em Lixboa a sinco de fevereiro de mil e seis centos e quarenta e nove. e alimpar a Terra. bem garí^s em que por seus superiores seruirem. liv. visto não terem ellas licenças para usarem do traje. Pello que mando ao dito meu chançarel mor faça publicar na Ciian- cellaria esta e seu sinal e declaração e delia enuiar copias sob meo selo aos ditos corregedores das Comarcas e mais justiças Ley destes Reinos para terem entendido o que ultimamente tenho resoluto sobre os ditos ciganos. procedendo na forma . 273. : X da Senhor D. vol. icis. 169-170. Lisboa em 20 de Septembro de 1649. 1747. seria conveniente a meu serviço. ou giringonça. trage e lugar dos naturais e onde com licença dos Governadores das Armas a negocio e tempo limitado forem e porque alguns por seruiços e rezões particulares estão naturalizados com cartas de na•. liugoa. iii Collecçíio ii «ios Decretos e Cartas. — Com Rubrica de Sua Megestade. mas Ciganas as quaes. e bem da Republica lança-las delias. iii. E o executarem inteiramente sem duuida nem costumadas em contradição algua e se registará de nouo nas partes semelhantes leis.245 recolher e abitar os obriguem a uzar como os mais uezinhos naturais. Supplicação. etc. pelo Senhor [Archivo Nacional. fl. Luiz de abreu de Freitas a fez escreuer. (Liv.] leys confirmadas t estaielecidas 1649 Decreto em que se mandarão avisar os Corregedores do Crime da Corte. E mando que nesta corte e sinco legoas ao redor delia se não consinta sigano nem sigana algna com cominação que o que nclla se achar passado o tempo da publicação desta seja sem mais proua nem deligencia condenado nn asoutcs e toda a vida para galés e a sigana degradada para Angola ou cabo Verde e as pessoas que lhe derem ou aluguarem casas e os recolherem sendo piães cncorrerão em pena de três annos de degredo para Castro Marim e trinta cruzados pêra captiuos e accusador. a dita turaes e vezinhos de lugares e vilas do Reino se não entenda neles Ley guardando elles em tudo as condições de suas cartas. etc. E hey por declarar que esta ley da prizão senão emtende nos siganos alistados que seruem nas fronteiras actualmente nas companhias ou luAfrica e sincoenta cruzados. para que fizessem despejar os Ciganos Faça o do Crime da Corte.

— André [Esta carta foi copiada pelo dr. que por velhas e miseráveis se não devia intender a ordem com ellas. 2 de Fevereiro de 1655. e ser de trinta annos de idade. que apparecerem. — Elvas. pelas quaes Vossa Magestade os ha por naturaes. e disse chamar-se Manoel Alvares da Nóbrega official de brincos de cera. para que a executassem em 25 do ditto. Francisco de Santa Clara de um livro pertencente ao Archivo do governo militar de Elvas intitulado Livro II do Registo. que por Provisões de Vossa Magestade.] \ 1>T. e havendo concorrido todos nesta diligencia. que os Senhores Governadores das Armas escrevem a Sua Magestade que Deus guarde. se me presentarem acharam somente alguns homens. natural do Lugar do Cabo Villa. E logo denunciando . Nesta forma se procedeu neste particular.246 1655 Carta de André «Snor d^ Albuquerque foi servido —A ordem. termo da Villa de Amarante. o que prometteo cumprir. como Vossa MaDeus Guarde a muito alta e poderosa pesgestade tem mandado. e morador nesta cidade. encarreguei aos go- vernadores e Capitães Mores das fronteiras. Saluador do Taboado. e também algumas mulheres. e ao diante se prenderão os siganos. o Senhor Inquisidor estando Inquisição. e Governadores. e lhes dá permissão para viverem no Reino e me constar não andavâo em quadrilhas daquella gente. os tornei a mandar soltar. que Vossa Magestade mandar-mc em carta de 12 de Septembro do anno passado para se prenderem os siganos. que se achassem nesta Proviucia.° Í21 1682 Processo inquisitorial da cigana Garcia de Mira Aos e sette dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta em Lisboa nos Estaos e caza do despacho da Santa a ré em audiência de manhaã. Pedro de Atayde de Castro mandou vir perante si da salla a hum homem por 'pedir audiência. em que pos a mão sob cargo do que lhe foi mandado dizer uerdade e ter segredo. freguezia de S. Corregedores e Ouvidores das Comarcas. — soa de Vossa Magestade d^Albuquerque» . nem tratavão com ella. e sendo presente disse a pedira para dous annos denunciar nesta meza couza a ella pertencente e logo lhe foi dado juramento dos Santos Evangelhos. como Vossa Magestade o ordenava.

chegou á sua porta hua Sigana. e o outro gado hum com o bico em com a ca- beça pregada na ditta bola. e logo o obrigou a que cuspisse por três uezes na ditta mão. c pelo premio do que nisso obrasse lhe hauia de dar duas moedas de ouro. e mora nesta cidade em companhia de Siganos junto as cazas do Enviado de Castella. Deos Spirito Santo.247 Disse que haverá três semanas pouco mais ou menos. prehíía das dittas bóias. não se lembra do dia ao certo. e necessitaria de hum cruzado que elle lhe deu. e tornando por outra uez a dita Sigana a sua caza. três Pessoas e hum só Deos verdadeiro. não se lembra do dia ao certo. e sem ofença de Deos. e logo tomou os dittos alfinetes. e de Catherina da Costa. e não tem parte notauel por que mais a haja de confrontar. que : Santos Fieis reynou e reynará para sempre jamais. hum duas uezes e outro hua. e anda em trage de viuva com sua saya de estamenha parda e mantilha de baeta negra com capello cozido debaixo da barba. ficando sempre pregados nas dittas bolas com os bicos. na parte que ficaua cercada dos alfinetes. e só que traz huas contas brancas aconfeitadas. obrando ella por meyos licites. fazendo-lhe alimpar a mão dos cuspos com hum papel e que o deitasse na rua. tendo elle Denunciante sempre a mão sem a mouer. Deos filho. vós fostes como nós. E logo os dous alfinetes das extremidades que estauão pregados nas bolas do arame ou alfinetes se uirarão. e que por todo este mez saberia que sua molher era morta. diante delle testemunha. e muitos perigos que passar. se queria que lhes atalhasse. com as extremidades uiradas para o pulso sem estarem juntas. nos seremos como vos. fallando-lhe. detraz da Igreja de Nossa Senhora da Palma. Amen Jesus. todos — = | uos ajuntareis. os dáquem e os dálem e os da nauegaçâo. estando elle Denunciante em sua casa na rua de Quebra Costas. que aquella sorte fazia para saber se sua molher era morta ou viua. de Deos. lhe pegou na mão esquerda delle bolinhas de cera Denunciante na qual pos hum alfinete ou arame com duas em cada ponta sua. e os guardou. e que se os alfinetes se mouessem. com as cabeças para as pontas quieta. hauendo-lhe a ditta Sigana primeiro ditto. obrigando-o a que repetisse estas. representa ter sessenta annos de idade. a qual. e lhe disse chamar-se Catherina. e dous alfinetes mais. que uiue em sua companhia. e as palavras seguintes e á ditta Catherina da Costa. e neste caso nos ajudareis. que o Denunciante prometteo assim fazer. mas haverá quinze. era sem duuida ser morta. e lhe disse ter hua Irmaã chamada Antónia Ramalha. e dizendo-lhe elle Denunciante em que forma o havia de fazer. para cujo effeito lhe pedio lhe havia de dar algum dinheiro que para os ingredientes lhe era necessário. dizendo as palavras seguintes em nome de Deos Padre. e direita dos dedos formando hua forca. . lhe disse que elle tinha sua molher auzente. respondeo ella que por meyo dos fieis de Deos.

e entendida. . e dizen- bém de do-lhe se queria uer a certeza de sua molher ser morta. sob cargo do juramento dos por Santos Evangelhos que outra uez lhe foi dado. de 30 annos de idade. tomou a mesma Sigana a sua caza. sendo que lhe havia dado mais meya moeda. — — Seguem: 1. e com o ditto Senhor Inquisidor. Manoel Martins Cerqueira o escreui. em tudo conforme ao de Manoel Alvares. e tornarão a assinar com o ditto Senhor Inquisidor. João CarPedro de Attaide de Castro. solteira. obrigando-o a que rezasse o que quizesse pela alma que estiuesse mais uezinha a uer a Deos Senhor Nosso. disse estar escritta na uerdade e nella se affirmaua. e era a figura de hum defunto com quatro castiçaes^ dous á cabeceira. E sendo-lhe lida esta sua denunciação. em premio do que lhe pedio cinco tostões. que lhe mostrou no ditto papel. ratificaua e tornaua a dizer de nouo sendo necessário. diminuir. e nella não tinha que acrescentar. — Joseph = Coelho. e para isso pedio hum alguidar com agoa e lançando nella meia folha de papel. E ido o ditto Denunciante para fora. e merecia credito. forão perguntados os dittos Licenciados se lhes parecia que elle fallaua uerdade. lh'a mostraria facilmente. dous aos pées. lhe pos a mão para que se molhasse. e repetio também as palauras que atraz ficão dittas da Santíssima Trindade e Fieis de Deos. e sem offença de Deos. pouco mais ou menos. hauendo-o passado três uezes por baixo do trauesseiro da cama. nem ao costume ter que dizer de nouo. Ao que estiuerão presentes por honestas e religiosas pessoas os Licenciados João Cardoso de Andrade e Joseph Coelho. Joseph Coelho. notários desta Inquisição que tudo uirâo e ouuirâo. doso. Manoel Aluares Nóbrega. e por elles foi ditto que sim lhes paríícia que elle fallaua uerdade e merecia credito. Do que tudo uem dar conta nesta Meza» entendendo que as obras da dita Sigana não são naturaes. e prometterão dizer uerdade e ter segredo no que lhes fosse perguntado sob cargo do juramento dos Santos Evangelhos que lhes foi dado. com a particularidade a mais de que a cigana mandou comprar o papel dizendo «que era necessário nâo fosse a marca da que tivesse Crus». o que tudo se figuraua na parte do papel que ficou enxuto. nâo se lembra tamqual ao certo. Manoel Martins Cerqueira o escreui. como elle pretendia. mudar ou emmendar. Pedro de Attaide de Castro. e elle ouuida. João Cardoso.248 Disse mais que passados três ou quatro dias. e o faz por descargo de sua consciência. e com outros tostões que lhe deu para a mortalha fez tudo soma de cinco mil réis. e. e entender qae he a isso obrigado.*» O depoimento de Catherina da Costa. que lhe pedio mandasse comprar. E mais não disse e ao costume disse nada. dizendo huas palauras que elle não percebeo. perfilado tudo como em debuxo. e assinarão com elle Denunciante.

porque fazendo assim porá sua alma em estado de saluação. mandou vir perante si a hua molher que em onze deste presente mez foi preza nesta cidade. e fallando com elle lhe dissera que lhe mostrasse a o ditto mão para lhe dizer a buena dicha. que lhe disse chamar-se Catherina da Sylva. em que pos a mão. que quizesse fazer-lhe alguãs deuoçoes ou feitiços que o obrigassem a recebella por molher.249 requerimento do promotor para que a cigana seja presa processada na forma do regimento. e indo ella confitente a fallar com a ditta moça. «Aos quinze dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta e dous annos em Lisboa nos Estaos. o sahio a falUr-lhe da Sylua na mesma caza . lhe tornou ella confitente a dizer que não erão esses. foi mandado dizer uerdade. E promettendo de assim o fazer Disse que haverá três semanas nesta cidade foi ella confitente a rua do Quebra-Costas a caza de Manoel Alvares de Nóbrega. meza suas culpas lhe conuinha muito dizer toda a uerdade delias. que foi Sigano. pois tomaua tão bom conselho como era confessar uoluntariamente nesta e ser de cincoenta annos de idade. mas era casado com hua molher que hauia fugido. e que entrando neste tempo hum Clérigo a fallar com o ditto Manoel Alvares.° A confissão da ré. e alcançará a mizericordia que pretende. e porque a ditta Catherina da Sylua dezejasse fallar com ella mais deuagar. e neste tempo se despedio o Clérigo que estaua fallando com o ditto Manoel Aluares. nem sobre outrem falço testemunho. e sendo prezente disse a pedira para confessar nesta meza o que entendia podia conuir ao descargo de sua consciência. official de brincos de cera. tendo summariado os depoimentos. 4. c recolhida nos cárceres de penitencia. mor digo. por pedir audiência. disse que tornaria a uer-se ella confitente á ditta Catherina com ella. E disse chamar-se Garcia de Mira." O e vras divinas para couzas illicitas e ter pacto nliar futuros». e que mostrando-lh'a Manoel Alvares. lhe dissera que tinha muitos trabalhos que passar. pelo que lhe foi dado juramento dos Santos Euangelhos. e ter segredo. e ella confitente lhe respi-ndeo que sim faria. hua molher moça que estaua no quintal das mesmas cazas a chamou com as mãos. e que respondendo o ditto Manoel Alvares que já os tinha passado. esta lhe disse que o ditto Manoel Alvares não era seu marido.*» com o diabo para advi- Despacho. e tinha illicita amizade com ella ditta Catherina da Sylua. sob cargo do que lhe o que prometteo cumprir. 3. concluo: «do que tudo se colhe usar a delata de pala2. molher. natural de Monteo Novo. não impondo sobre si. senão outros que de nouo hauia de passar. em o qual. viuua de António Soares. estando alli em audiência de manhã o Senhor Inquisidor Pedro de Attayde de Castro. e moradora nesta cidade junto ao Enviado de Castella E logo foi admoestada que.

que reynou e reynará para sempre jamais. ao qual disse que o tornaria a buscar e lhe faria huas sortes para saber se sua molher era uiua. tornou a caza do ditto Manoel Aluares da Nóbrega. e em quanto fes as sobredittas couzas dizia as palavras seguintes: nome do Padre. dizendomão para que recebendo humidade a ditta pallinha destorcesse para a banda dos dedos. e em cada ponta da mesma palhinha hua bolinha de cera. mandando-lhe comprar hua folha de papel.250 o ditto Manoel Aluares de Nóbrega. e ter filhos que alimentar. que os mesmos Manoel Aluares e Catherina da feiticeirias o . Disse mais que no dia seguinte. em premio do que lhe deu hum cruzado. e que assim mostraua a figura sobreditta. dizendo as palauras sobredittas e mandando dizer as orações que a Igreja approva. e que a mettesse debaixo da cabeceira. hauendo-lhe também ditto que se os dittos alfinetes uoltassem era sinal de ser morta a ditta sua molher. e ficarão fazendo a forma de híia forca. ou morta. lhe dera o mesmo Manoel Aluares dez tostões e que as sobredittas couzas fez obrigada da sua muita pobreza por ser viuua. sendo que não tinha duuida o hauer de destorcer a ditta palhinha. e fazendo algnas ligeirezas de mãos as troucou. era uiua ou morta. e lançou com a agoa qiie tinha prepa- em hum 'alguidar a meya folha que hauia trazido. a qual burnida com a pedra hume molhou só aquella parte que não estaua burnida em a ditta pedra hume. ao qual disse que queria lançar as sortes que lhe promettera para saber se a ditta sua molher. e tendo-a na mão debaixo da mantilha. tomou na outra mão a meya folha que se hauia comprado. sem . res e Catherina da Sylua ficarão admirados e entendendo Sylua poderão conhecer se forão aduertidos. Filho c Em Spirito Santo. amen. e dos quatro castiçaes que ficão dittos. e lhe prometteo fazer e tornando no dia seguinte tomou folha do ditto papel e a dobrou em muitas dobras asemelhando a outra meya folha que leuaua debuxada com pedra hume. do que os dittos Manoel Alua- que erâo e uiam nesta fes dos como na alfinetes. e trouxesse uirados os dittos alfinetes que com effeito uirarão com a palhinha. rezando cinco credos á honra das cinco ouro. o que elle fez. que que pedindo-lhe dinheiro para hua oíFerta. em forma Chagas de Christo Senhor Nosso. E em premio do que lhe deu o ditto Manoel Aluares meya moeda de segunda sorte: a qual foi no (ao?) dia seguinte. uzando de cousas naturaes. e ficou enxuta e figurada a estampa rada de um corpo morto. e que para isso abrisse a mão direita. do qual não está lembrada ao certo. e linha pregado hum alfinete Ihe que cuspisse na mesma em cada bo- com as cabeças para o pulso. e pondo-lhe no alvo delia hua palhinha de balanço torsida e seca ao fogo. e não uoltando a ser uiua. sorte. meya que fizesse a figura de hua pessoa morta com dous castiçaes á cabecira e dous aos pés. que estava auzente sem lhe dizer aonde. e tornou a dizer que toda a meya folha de papel se ensopou na agoa.

e caza de Despacho da Santa Inquisição estando aly em audiência da manham senhores inquisidores. que pêra este eíFeito lhe foi dado e que lhe he dada licença e que restitua o dinheiro meyo de pêra se poder hir para onde bem lhe estiuesse e que goarde segredo em tudo o que vio. n. E por dizer que nem por pensamento tornará a commetter semelhantes culpas. se uze com ella de mizericordia. que por ella ouuida e entendida. Processos inquisitoiiaes. dalém mar em Africa. = PeíZro de Attaide de Castro. sendo-lhe primeiro lida esta sua confissão. o que também promette comprir. por ser infor- mado de que de Castella se expulsavão os siganos e estes se passavão a este Reyno em tanta quantidade que aos Povos pequenos seria . Foi-lhe ditto que tomou bom conselho em declarar nesta meza as couzas de que tem dado conta nella. nem outras semelhantes que possão introduzir erros. João de Mesquita que o escreui. o que tudo prometteo cumprir sob cargo de juramento dos Santos Euangelhos. porque tornando a reincidir nellas será castigada com todo o rigor. que se abstenha de as tornar a commetter. Manuel Martins Cerqueira. e sendo prezente foi reprehendida asperamente e aduertida que se tornar a cahir nas culpas porque foi preza será castigada com todo o rigor de justiça. Ré = — preza conhecida neste processo. E outro sy será condemnada em penas pecuniárias. Manoel Martins Cerqueira o escreui. Senhor de Guiné &. 1236.] [Archivo Nacional. pede perdão e que *. de que fiz este termo de mandado dos Senhores Inquizidores que aqui assinarão e eu Notário. — João de Mesquita de Macedo.251 animo nenhum de oflfender a Deos Senhor a Nosso mas de ainda assim não lhe ser licito está muito arrependida. e mandada a seu cárcere. sas que acceitou a alguãs pessoas por e pesseus embustes. Aos vinte e dous dias do mez de dezembro de mil seiscentos e' oitenta dous annos em Lisboa nos Estaos. Pedro de Attaide de Castro. por graça de Deos e Rey de Portugal e dos Algarves. Faço saber a vos corregedor da comarca da cidade de Elvas que. disse estar escritta na uerdade e assinei eu Notário por ella não saber escreuer de seu consentimento com o ditto Senhor Inquisidor. mandarão uir perante si a Gracia de Myra Sigana. ouuiu e com ella nesta Meza se passou. e engano. e abuzos no povo Christão.*" 3M-° Í3Í3 1686 Registo de húa Provisão de Sua Magestade sobre os Siganós «Dom daquem Pedro. de consentimento da Rée por não saber escreuer. foi outra uez admoestada em forma.

ambos do seu Conselho e seus Dezembargadores do Paço* Miguel vieyra a fez em Lixboa aos 15 de julho de 1686. E não continha mais a dita provizão que eu Manoel da Silveyra de Azevedo escrivão da camará fiz tresladar neste tombo e a propia me reporto e por verdade me asiney do meu sinal de que uzo e a propia entreguey ao Corregedor da Comarca. de que remetereis as certidões." 8]. E quanto aos que ja são naturaes. Archivo da Camará de do Registo dos Alvarás. como nella se contem. Hey por bem e vos mando não pre- mitaes entrem neste Reyno nenhum destes siganos e os que de facto tiverem entrado os prendereis logo nas cadeas publicas e me dareis conta. andando armados para melhor cometerem seus asaltos. filhos e netos de Portuguezes (porem com habito género e vida de siganos). Cartas Jílvas. Por resolução de Sua Magestade de 10 de junho de 1686 em consulta do dezembargo do Passo. acrescentar este capitulo aos mais do Regimento das reziElRey nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Dezembargadores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da fonseca. Manuel da Silveira de Azevedo. os obrigareis a tomarem domisilio serto. e asestindo no nosso destrito os mandareis notificar e fareis trasladar esta ordem nas camarás dessa comarca para que os juizes delias a facão executar. Brás ribeiro da Fonseca. Francisco Pereyra de Castello branco a fez escrever. Manoel da Silveira de Azevedo. escrivão da Camará. [Tombo a fl. E em que lhes assinareis logo que esta receberdes mandareis pôr editaes públicos tempo para lhes ir a noticia esta minha re- solução. se vos hade dar em culpa que para este eff^eito mandey dencias. escrivão da minha camará. Provisões. Elvas aos vinte dias do mes de julho de mil seiscentos e outenta e seis annos. mas que se vistão do costume do Reyno e em aquelles que encontrarem a Ley sobre elles estabelecida a fareis executar na forma que nella se contem. Diogo Marchão Themudo. donde não poderão sahir nem mudar sem minha especial licensa. com declaração que os annos que a dita Ley dá para Africa seyão para o Maranhão. E convir ao serviço de Deos e meo que de nem todo se extreminê. sem que se lhes premita habitação neste Reyno trato qualquer que seya. armário n. como a experiência tê mostrado com as universaes quexas o que tudo se seguia de senão conservarem as Leis estabelecidas contra elles e se omittião por respeitos que a sua industria adqueria. não dando a execussão esta ordem. II 12. nem possão andar vagabundos em quadrilhas pelo Reyno e achando-os nesta forma (?) os prendereis e lhe não consentireis uzem de trage particular. que serão entregues a Francisco Pereyra de Castello branco. advertindo que toda a omissão com que vós e os ditos Juizes vos ouverdes neste particular.» mais ordens de Sua Magestade . e . o fis escrever e asinei.252 muito deficultoso o poderem seportar esta quasi inundação de gente tão osioza e prejudicial por sua vida e costumes.

como nas mais Terras do Reyno com declaração. e que com todo o cuidado se empreguem nesta diligencia. tudo contra a minha rezolução que sobre esta matéria mandey publicar no anno de 1689 (sic). sem terem domecilio certo. iii: Col- locçâo II Cartas. c que os Ministros que assi o nâo executarem. vivendo arranchados e juntos nem officio de que em quadrilhas. etc. vol. e nesta forma o faça executar pela parte. com os Ciganos e Ciganas se pratique a Ley. e dalém mar em Africa. que sobre este particular tiverem. cm que se de Africa para o mandou commular o degredo Maranhão Tenho resoluto que assi nesta Corte. . sejão para o Maranhão. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas. dos Decretos e ÍL. que por quanto sou informado que os siganos" nascidos neste Reyno conthinuam em seus Dom daquem excessos e delitos. e que os annos que a mesma Ley lhes impõem para omissão. p. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. Hey por bem e vos mando que tanto que esta receberdes mandeis logo por cm todas as Villas e lugares dessa . trazendo os mesmos habittos e trages de ciganos. euitandose todos os dias os delitos que se podem temer de gente tam licencioza na vida e costumes. O Regedor da Casa da Supplicação o tenha assi entendido. 1694 Registo de liuma Prouizão de Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço ao Corregedor desta Comarca para que os siganos nascidos neste Reyno tomem género de vida ou o despejem dentro em dois mezes. X do Supplicação.253 1686 Decreto. Lisboa. sem tomarem género de vida possam sustentarse. Lisboa 27 de Agosto de 1686. 1747. 273]. para o que ordenei ao Desembargo do Paço se accrescentasse este Capitulo aos mais do Regimento das Residências. que lhe toca. confonne ao dolo. [Liv. senhor de Guine &. 276. encarregando -o aos Ministros de Justiça. Africa. — Com Rubrica de Sua Magestade. e porque tem mostrado a experiência que não seruio thegora de remédio bastante e convém muito tratar da quietação e soccgo de meus vassalos. lhes seja dado em culpa para serem castigados. in Ordenações e leya.

e porque convém evitar o grande prejuízo que de homens tam licenciozos e criminozos se pode seguir aos meus vassalos. remetendo certidão de como assy o tendes executado. de que possam sustentarse na forma da dita minha rezoluçam do anno de 1689. mandareis registar esta minha rezolu. Braz Ribeiro de AfFonseca. 63 v. Senhor de Guiné &. Thomas da Sylva a fes em Lixboa a 15 de Mayo de 1694. E não continha mais a dita Prouizão que bem e na verdade tresladey e a própria entreguey ao dito Corregedor e por verdade assiney em Elvas aos 17 de junho de 1694. e dalém mar em Africa. por quanto sou informado que pelas rayas deste Reino tem entrado muitos siganos cas- Dom daquem telhanos. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. Diogo Marchão Themudo. sayam deste Reyno dentro em dois mezes com pena de morte e passado o ditto termo serão hauidos por banidos. quer descuido que nisto tiuerdes e para que os vossos sucessores não possão alegar ignorância.] II do Registo dos Alvarás. çâo nos Livros da Correição e nos das Cameras de cada hua das Villas dessa Comarca. fl. porque da mesma sorte mandarei proceder contra elles pelo descuido que nisso tiuerem. e nas terras aonde não entrardes enviareis a coppia desta Ordem ao Provedor dessa Comarca e da mesma sorte aos Juizes de fora e ordinário delia para que cada hum em sua jurisdição a execute e a obserue assy como a vós volla encarrego.254 Comarca edictais públicos que todos os ciganos nascidos neste Reyno que logo não tomarem género de vida.. assi e do mesmo modo que tenho rezo- com os siganos castelhanos que entrarão neste Reyno e na execução desta deligencia que vos hey por muito recomendada poreis todo o cuidado advertindovos sereis seueramente castigado por qualluto . Hey por bem e vos . João Bressane Leite. y> [Tombo rio n. de que me dareis conta. os quais havião cometido muitos e vários crimes. Archivo da Gamara do Elvas. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas que. El Rey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Fonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. João Bress^e Leite escrivão da Camará o escrevi. e/c.» 8. armá- 1694 Registo de huma Prouizão de para que dentro em o Corregedor desta Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço Comarca faça despejar deste Reino dois meses os siganos castelhanos intruzos nellc. e se praticara com elles a pena do banimento na forma da ley.

aos 17 de Junho de 1694. João Brcssane Leite esescrevi. inviareis a coppia desta ordem ao Promesma sorte a todos os Juizes de fora E que cada hum em sua jurisdição a execute assim como a vós vollo encarrego porque do mesmo modo mandarey proceder contra elles pelo descuido que nisto tiueRey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pios Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Affonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. Thomas rem. para que vossos sucessores não popsão alegar ignorância. El da Sylva a fez em Lixboa a 15 de Mayo 694. e nas vedor dessa comarca e da e ordinários d'ella. de que me dareis conta. Faço saber aos que esta minha carta uirem que por parte de António Roiz de Pinna me foy aprezentado hum meu Aluara passado pia minha Chansellaria do theor seguinte este Dom El Rey faço saber aos que Aluara uirem que António Roiz de Pinna escriuão serventuário do officio das execuções da cidade de Elvas me representou que eu ordenar a Lopo Tavares de Araújo estando seruindo de & — Eu fui seruido . Francisco Pereira Brás Castello branco a fes escreuer. c passado o dito termo serão havidos e bamnidos e se praticara com elles a pena de bamnimcuto na forma da ley e na execução desta deligencia que vos hey por . 1696? Registo da carta do oficio de Thezoiíreiro da Camará por que Sua ma- gestade que Deus guarde fes mercê da propriedade delle a António Róis de Pinna. com pena de morte. mandareis registar esta minha rezolução nos livros da correição e nos das camarás de cada Ima das terras villas dessa comarca. c observe e aonde não entrardeis. bem e na verdade tresladey e a própria entreguei ao dito Corre- — = gedor em Elvas cit.. nmito recommendada poreis todo o cuidado. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarves daquem e dalém mar em Africa snõr de Guine c da conquista & nauegaçam comercio de Ethiopia Arábia Pérsia e da índia &. E não continha mais a dita Prouizão que eu Ribeiro de Aífonseca. 64 v]. crivão da [Tombo Camará João Bressane Leite. fl. advertindovos sereis seueramente castigado por qualquer descuido que nisso tiuerdes e . remetendo certidão de como assi o tendeis executado.255 tanto que esta receberdes mandeis logo por em todas as Villas e lugares dessa Comarca edictais públicos em que se declare que todos os que tiuerem entrado neste Reino sayão delle em termo mando que de dois mezes. Diogo Marchão Themudo.

com hua das quais lhe quebrara a espada ao meirinho e ficara brigando com elle somente Alvarás. por ter mostrado a experiência não haverem sido bastantes as disposições da Ordenação do Reino e outras Leis posteriores. que use de trage. requerendolhe da minha parte por muitas vezes se desse a prizão. ou . lingua. furtos. nem para que estes. facão com elles escandalosa vida. por convir muito á Justiça e se lhe bem do Reyno dar- por bem. e mando que não haja neste Reyno ou de de outro sexo.] 3Sr. e compras. que hindo ambos a villa de Oliuença. e mulheres de ruim vida. a qual o dito Corregedor encarregou ao meirinho da correição e a elle. e outros homens." 8]. e varias ordens. 275. huenas remédio : Hey dichas: e outro-si. que os Povos sentem. V. toda a ponderação. não morem juntos mais. nem andarão juntos pelas estradas. Archivo da Gamara ile Elvas.256 Corregedor daquella Comarca em Abril de 694 que prendesse a hum cigano chamado Manuel Roiz Roza e hauendolhe por mi recomendado a dita prizão. e se conservarem nas Terras delle. — 1699 «Provisão Regia de 9 de julho de 1699 para serem remettidos presos ao Limoeiro os Ciganos». aonde viuia o sigano. enganos. tirando-lhe muitas estocadas e pancadas. Cartas [Não está concluído este registo. que se acha a fl. o que não quizera fazer. pessoa alguma Giringonça de Ciganos. 80 do Tombo ii do Registo dos e mais ordens de Sua Magestade. e outros muitos e mandando considerar esta matéria com delictos e enormidades . armário n. ou um. que se lhes agregão. índice ehronologieo. ou pessoas. que os chamados Ciganos.° Í38 1708 Eu ElRei faço saber aos que esta minha Lei virem. como frequentemente commettem. lhe entrarão em caza na noite de 26 do dito mes. (J. ou pelos campos. nem pousaráo juntos por ellas. que como taes se tratarem. nem de impostura das suas chamadas. que em diversos tempos se passarão para os Ciganos não entrarem no Reyno. que até dous casaes em cada rua. e commettão. nem tratarão em vendas. P. que. antes os envestira com estoque de seis palmos e húa rodella. Ribeiro. Provisões.

l' Tonteiras.] isT. . e sempre com muita brevidade. e e todas as informações necessárias. faça em sua presença deferir. Benguella. com os Desembargadores. iii. e Cabo das Armas das E porque se me fez presente que em execução desta Ordem achavão nas cadêas do Limoeiro muitos Ciganos. [Ordenações vagantes. mando aos Corregedores das Comarcas. 3G4-366. 1747. para proceder na forma desta Ley o qual para este eflPeito . etc. e elle etc. : mesmo para o Brasil. incorrerá na pena de açoutes. Angola. que pelos seus Officiaes os mandassem prender. ou mulheres tiverem outros delictos de maior pena. quando convenha. Thomé. lingua. ou seja para sentencear definitivamente. e aos Juizes de Fora. ColUcção chronologica deUis extra- Coimbra. .257 trocas de bestas. Lisboa. e Ordinários. ma dará. ainda que seja de Terras do districto da Relação do Porto e ao dito Regedor mando que com toda a brevidade. t. Hey por bem que o Chancellér da Casa da Supplicação que Verde. 1819. e lei/f. pp. mandarão logo que os Reos summariamente respondão e com suas respostas enviaráõ os autos ao Regedor da casa da Supplicação. poderá escrever e pedir conta aos Julgadores. Fronteiras. e para as mulheres. se por ellas tanto se provar. usem fizer. que contra os culpados se deve proceder. ainda que outro delicto não tenha. Ilha áó Princepe. delictos graves. que lhe parecer. ii. com a noticia. E para que pontualmente S3 cumpra esta minha Ley. ou seja para interlocutórias. . como parecer justiça. senão que no trage. e excessos. por este facto. que dos casos tiverem a qual devassa bastará ser de até oito testemunhas e ti. Por convir á boa administração da Justiça exterminar deste os Ciganos pelos furtos. ou Ministro se intrometterá nesta matéria porque toda a superintendência delia commetto ao dito Regedor. a executem em suas Jurisdicções. que se os ditos homens. radas que forem. da índia. e modo de viver do costume da outra gente das Terras e o que o contrario . para que se passe ordem aos Governadores das Ainms das para que mandassem prender todos os Ciganos. se 17 . elles lha darão. e Ciganas presos. que frequentemente commettem Fui servido ordenar aos Governadores Reyno todos . Não he porem minha tenção. e será degradado por tempo de dez annos o qual degredo para os homens será de galés. Alvará de 10 de novembro de 1708. a saber. . S. para serem repartidos por diversas Conquistas. e a devassa. . e contra os transgres- sores procedão a prisão. 170-171. deixe de se proceder a execução delia e nenhum outro Tribunal.<=* se 1718 Decreto.

vol. in resoluto. xii da Supplieação. 14. que tenho de Sua Magestade. in Ordenações iii: Collecção ii dos Decretos e.Carias. 274. foi. Lisboa. e o faça executar. p. o que o ditto Senhor detremina logo que vosa mercê reseber estta pasará as ordens nesesarias sem demora alguma aos menistros das . fl. e que nos giros que fazem tem cometido vários roubos e escandelosos insultos. e não admitta requerimento algum contrario a ellas. 273. Com Rubrica de Sua Magestade. as ditas Conquistas os Lisboa Occi- dental 28 de Fevereiro de 1718. vol. A mesma Mesa o tenha assi entendido. que Povos destes Reynos da assistência dos Ciganos. otc. p.258 serve de Regedor ordene se embarquem para que se acharem presos. foi servido ordenar -me que procurase que fosem presos todos os que se achasem e remetidos ás cadeias das cabeças das comarcas. dos Registos do Desembargo do Paço. pelo descuido.] e leys. Sou servido que a Mesa do Desembargo do Paço faça repetir com mayor aperto as ordens necessárias. [Livro III Lisboa. iii: Collecção II e Cartas. dando providencia efficaz. mandarão pôr em observância da expulsão resulta aos Por quanto tem mostrado a experiência o grande prejuízo. em que se dos Ciganos. na forma. 131.] IST-^ SO as Leys 1745 Decreto. 1747. para que inviolavelmente se executem as referidas Leys. e para que possa ter a devida execusam. 1751 Copia de huma ordem que manou do Senhor Conde da Atalaja para o juizo da ovidoria e do ditto se enviou para o desta villa e se manda registar. Com Rubrica [Liv. havendo-se introduzido nella contra as leiis do Reyno e hordens reais expedidas sobre esta matéria. que tem havido na sua execução . dos Decretos Ordenações e leys. Lisboa 17 de Julho de 1745. não tendo produzido o seu devido effeito as Leys promulgadas para a expulsão delles. de sorte que em toda estta Província se não tornem a ver hum só individuo daquella prejudicial gente. 1747. «Sendo apresentada a Sua Magestade que esta província se acha infestada de siganos. etc.

Archivo da e provisões da Gamara (extincta) Municipal de Villa Gamara Municipal de Elvas]. ou a quem em sua abzencia ou impedimento seu nobillissimo cargo tiver e servir. Estremes catorze de Julho de mil settecentos e sincoentta e hum. a fl. Oliveira. que de presente na mesma sirvo de Provedor & Faço saber ao senhor Doutor Juis de fora desta cidade. que Deus guarde. Villa Viçosa quinze de Julho de mil sette centos e sincoentta e hum. que me remeterá todos junttos. E não continha mais em a dita ordem. de modo que possa ter efifeito huma delegencia tam reterras da sua tritos se commendada por Sua Magestade. sem dilasam alguma. em fé do que me asignei em raso. fcyta em nome de El-Rey noso Senhor. do Desenbargo de El-Rey nosso Senhor e seu Corregedor com alssada em esta munto nobre e sempre leal sidade de Elvas e sua comarca pello dito Senhor que Deos gvarde. daquem e dálem mar Africa. Cavalleiro prona ordem de Christo. Sobreditto o escrevi. aonde as houver. [Livro II Manoel Rodrigues Figueira^u do Copiador de alvará» Boim. Senhor de Guiné & Fasso saber a vos corregedor da comarca de Elvas que Reprezentando-me os Juizes de fora das . as não observão com a devida exatidão. Deos Guarde a vosa mercê munttos annos. e se para segurança delia fôr ue- sesario que concorrão as tropas pagas. 103 v. que bem e fielmente na verdade fis tresladar e tresladei. em como mim hora me foy remetida huma ordem pello Tribunal do Dezenbargo do Passo. 1753 Registo de huma carta precatória de deligencia fesso «O Doutor Joaquim António de Azevedo Soares.259 comarca para [o] que constando-lhes que nos seos d esachão alguns siganos sájâo logo com os mesmos povos a prendellos. o farei presente a Sua Magestade para que o mesmo Senhor possa ter com os transgressores da sua Real ordem a severa demonstraçam que mereserem. e das ordens que vosa mercê expedir aos menistros da sua comarca mandará vosa mercê pedir recibos da sua entrega. a qual me reporto. Villa Boim de agosto outo de mil settecentos e sincoenta e hum annos. de cuja ordem o seu theor e forma de verbo ad verbum he o seguinte Dom Jozé por Graça a — de Deos em Rey de Portugal e dos Alguarves. para que constando-me que algum delles. depois de as reseber. Cumpra e pase ordem geral na forma que se ordena. e asinada pellos Doutores Dezembargadores Joze Pedro Emaus e António Velho da Costa. Conde da Atalaija. poderão as justiças requerer aos comandantes delias o aucilio que nesesitarem que pronptamente se lhes dará tudo o que for preciso.

E esta minha rezolução que mando participar a todos os corregedores ouvidores e provedores deste Reyno e do alguarve fareis i. que gouverna as Armas dessa Província. ele me fez prezente em consulta da fuy servido rezolver e declarar que os ditos Juizes de fora fizerão o que deviâo em nâo executar as ordens do que governa as Armas. de que valha sem sello ex cauza. fazer prezente. sa- . Cumprio asim. os autoeis e prendais debacho da chave na cadeya da Cabesa da Comarca. porque Devasas só por cazos de ley. rezoluçoes e decretos meos he que devem ser tiradas quanto a extracção do trigo. que também em semelhantes uzo e costuma servir.ambem participar as justiças subalternas de vosso destricto. de qualquer qualidade ou condialgumas pessoas ção que sejão. El-Rey noso Senhor o mandou por seu especial mandado pellos menistros abaixo asinados de seo conselho e seus Dezembargadores. e em seu cumprimento e por virtude delia. e pello que respeita aos siganos hey . José Pedro Emaos. António Velho da Costa. ficando assim adisionado este capitulo aos da rezidencia. Francisco Varella de Asis a fez em Lisboa a três de Novembro de mil setecentos e sincoenta e três. digo por reziolução de Sua Magestad^ de dois de outubro de mil setecentos e sincoenta e três e despacho do dezembargo do Paso de doze do dito mez e anno. a cumpra e guarde. constando-vos por qualquer modo que do voso destricto. fasa munto intei- ramente cumprir e guardar asim e da maneyra que em ella se conthem e declara. Por rezolução do Dezembargo do Paso.260 Villas de Souzel e Mertola a duvida que tiverão ao cumprimento meu servisso lhe remetera o Sargento mor de das ordens que por Batalha. tenho dado a providencia nesesaria. que. do Paço. e con- que extrahirem trigo para o Eeino de Castella e lavradores que o vendem aos Castelhanos e Portuguezes que o conduzirem ou em suas cazas o deicharem albergar. de por bem e vos mando que me dareis conta pella meza do mesmo Dezembargo do Paso. dando-se-lhe parte do que tra os resultace desta diligencia para assim mo tudo visto na meza do Dezembargo do Passo. Por El-Rey noso Senhor ao Corregedor da Comarca de Elvas. mesma meza. António Luis Signet de Cordes a fez escrever. acoutão protegem ou recolhem siganos. E nâo se contem mais a dita em a dita prouizão por virtude da qual mandey pasar a presente para a vos ella ser dirigida dito Senhor Doutor Juiz de fora desta cidade de Elvas ou a quem em sua auzencia ou impedimento seu nobilisimo cargo tiver e servir com nha a qual sendo-lhe apresentada indo primeiro por mim asinada e selada sello deste dito meu Juizo(?) que ante mim serve ou com a mi- rubrica. tendo entendido que na vosa rezidencia se perguntará se cumpristeis com esta obrigação. e sendo em que foi ouvido o procurador da minha Coroa. para effeito de tirar devasa exacta contra os siganos e quem os protegese por ser o meio mais conveniente do socego dos Povos e Bem comum.

E eu João Pereyra Coelho. E eu Jozé Bernardes escrivão da Correição o sobescrevy. em fée do que a fiz escrever subescrevy e asynei de meus sinais costumado. e Ex. E não se continha mais em a dita precatória que fiz regystar bem e na verdade e não leva cousa que duvida fasa. Joachim António de Azevedo Soares. que V. Falcato. sejão applicados a servirem nas obras publicas da 111. — Archivo Muni- 3Sr-° 33 1756 Aviso para o Duque Regedor ^ em que se lhe ordena. Esta vai subescripta por Jozé Bernardes escrivão proprietário do oííicio da correição em esta cidade de Elvas e sua Comarca etc. 203. que inquietavào os moradores do Termo desta Cidade. que vosa merse mandará cumprir tam inteiramente como nella se conthem. executando tudo na forma da Provizâo de Sua Magestade. Cumprace. que inquietão os moradores do Termo desta Cidade : Foy . por algum modo acouta. Elvas dois demarco de mil e setecentos e sincoenta e quatro annos. tudo a justiça que costuma e he obrigado em rezão de seu nobelisimo cargo que ocupa e admenistra. José Bernardes. Dada e pasada em esta dita cidade de Elvas. e de vosa em que Deus guarde e a mim mersé. Excellencia me Fazendo presente a Sua Magestade o Aviso."»o Sr. e asynatura e sello desta. de qualquer qualidade que cidade e seu termo. e vosa merse nie mandará pasar certidam de como esta lhe foi entregue e a cumprio como também mandará dar seja. desta dita .261 bendo Vossa merse que alguma pesoa. protege ou recolhe siganos. Elvas sinco de dezembro de mil e setesentos e sincoenta e três. dirigio na data de 13 do corrente sobre os Siganos. nesta incerta. sendo feita esta despeza á custa dos bens do Conselho desta dita pagar o feitio e fará merse asim o cumprir e mandar se cumpra e guarde. João Pereira Coelho».] iii do Registo da Camará Municipal de Elvas. que no fim hirá declarado. o que eu não menos farey por outras suas semelhantes.™» mesma Cidade. [Tombo cipal. sendo-me aprezentado da sua parte pedido e deprecado mediante Justiça etc. que os Siganos. Ao sello valha sem sello ex causa trinta reis. serviso a Sua Magestade cidade *. que hora siruo de escrivam da Camará o subescrevi. escrivam das ^ecuções. a fl. os actue e prenda logo na cadeya publica desta cidade. Paguarse-ha de feitio desta ao todo contado na forma do Regimento duzentos e setenta reis e de asynar e sello noventa reis. feita em ella ao primeiro dia do mes de Dezenbro do Anno do Nascimento de Noso Senhor Jezus Christo de mil e setecentos e sincoenta e três annos etc.

valíio c Mello. mais leve transgressão do que neste Alvará Ordeno. nem todos juntos. e por algum tempo se repartão pellos Prezidios. em que possão ser transportados os Siganos.262 mesmo Senhor servido mandar declarar a V. não só as que pellas minhas Leis são pro: : nenhuma maneira se lhes consentirão. . considerando que asim para socego publico. de sorte que nunca estejão muitos juntos em hum mesmo Prezidio. mas tãobem aquellas. ou Aggravo do que o conhecimento sumario que resultar do juramento de três testemunhas. como para correcção de gente tão inútil e mal educada se faz precrso obriga-los pellos termos mais fortes e eficazes a tomar a vida civil sou servido ordenar que os rapazes de pequena idade filhos dos ditos siganos se entreguem judicialmente a Mestres. que de : . aos adultos se lhes assente praça de soldados. o que for comprehendido nella seja degradado poj toda a vida para a Ilha de S. nem per meyo de Apellação. ou se facão trabalhar nas obras publicas pagando-lhes o seo justo salário. Excellencia o Paço de Belém. = Sebastião Joseph de Car- {Memorias das principaes providencias que se derão no terremoto. 106. que padeceu a Corte de Lisboa no anno de 1755. a 15 de Mayo de 1756. Excellencia. Lisboa. e fasendo-se formidáveis por andarem sempre encorporados. que se condemnarem.] 1760 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará de Ley virem que sendome presente que os Siganos. que deponhão perante quaesquer dos Ministros criminaes respectivos aos destrictos. que deste Reino tem sido degradados para o Estado do Brazil vivem tanto á disposição da sua vontade que uzando dos seus prejudiciaes costumes com total infracção das minhas Leis. 1758. prohibindo-se a todos poderem comerciar em bestas e Escravos e andarem em ranchos Que não vivão em bairros separados. Deos guarde a V. ou do Princepe sem mais ordem e figura de juizo. pag. e lhes não seja permittido trazerem armas. que nào havendo presentemente navio para Angola. nem ainda nas viagens. que lhes ensinem os officios e artes mecânicas. sejâo applicados a servirem nas obras publicas da Cidade. que lhes poderião servir de adorno E que as mulheres vivão recolhidas e se ocupem naquelles mesmos exercícios de que uzão as do Pais e Hey por bem que pelhi hibidas. e carregados de armas de fogo pellas estradas. cometendo continuados furtos de cavalos. Thomé. causão intolerável incomodo aos moradores. onde com declarada violência praticão mais a seo salvo os seus perniciozissimos procedimentos . e Escravos.

Desembargadores delias. Supplemento á Collecção de legislação portugueza. relativa á lei de 20 de Setembro de nada accrescenta de interesse. ao Vice-Rey e Cappitâo General de mar e terra do Pastado do Brazil.] 1760. e a todos os Ouvidores e mais Ministros. e Officiaes de Justiça do dito Estado executem e façâo observar sem duvida este meo Alvará. e para que venha á noticia de todos. e a todos os Governadores. 351 do L. Vou munto Seriamente Recomendar a Vossa mercê que especa as ordens mais percizas a todos os magistrados da sua respectiva Comarca asim de vara Branca como ordinários avivandos da exze- cução da Lei de vinte e sinco de junho de mil e setesentos e secenta c com particolaridade o paragrafo doze dela e a de vinte e sinco de Dezembro de mil e seissentos e oito que fas parte da mesma Lei c a de quinze de janeiro de mil e setesentos e oitenta.263 onde fizerem a transgressão. Pelo que Mando ao Presidente e Concelheiros do meo Concelho Ultramarino. —António Delgado da da legislação porlugueza. 1750-1762. ColUcr^ão foi. como nelle se contem. a qual 3sr.] 1761 Provisão de 8 de Fevereiro. pp. e se não possa alegar ignorância será tãobem publicado nos Cappitanias do Estado do Brazil e em cada huma das suas Camarás e se registará nas ditas Rellaçoes. e Cappitães mores delle. o qual se publicará. e registará na minha Chancelaria mor do Reino. 17501762. x do Registo do Real Archivo. 786. Rcy •'• etc. Lisboa vinte de Setembro de mil. pois os Re- petidos fatos dos trangresores das edicadas Leis teem feito ver que os soberditos magistrados não cumprem o que nelas lhes he ordenado o que obrigou ao Genaral Dom Simmão Trazer a Reprezentar ao . e nas mais partes.° se (sic) 1800 Rezisto de e huma ordem do Entendente Garal da Policia da Corte Beino para o Doutor Corregedor desta Comarqua a qual tíemeteo ao Doutor Juis de Fora desta Cidade na forma seguinte. aos Governadores das Rellações da Bahia e Rio de Janeiro. [António Delgado da Silva.*" [Registado a Silva. onde semelhantes se costumão registar. setecentos e secenta.' 749-750. sem que delia possa ter mais recurso. lançando-se este próprio na Torre do Tombo. p. e provada quanto baste se execute logo a sentença do extermínio.

que os masgestrados não cumprem as Leis e os dexão tranzitar para a Espanha. huma especia de contrabandistas que andão vendendo pelas cazas e mascarandose e por este modo não só exzeminão as entradas e saldas delas mas também costumão ganhar alguns dos domésticos que sara mais a seo salvo porpetrarem os robôs e furtos que intentão fazer.264 Príncipe Nosso Senhor a grande dezerção das Tropas auseliares que estão debaxo do seo comando neste Reino. emquanto estiver regendo essa correição."" Governador das Armas dessa Província que o ausseli na prizâo dos referidos siganos que por ela andarem vagando e nesta regra entrarão alguns engeitados e filhos famílias que andão fugi- dos girando de terra em terra sem se asoldadarem nem procorarem em que a que pezo ao estado consta finalmente nesta entendencia que muitos dos Ladroins que de novo teem aparesido são. pois que digo os que tiverem pois nestas sirconstancias devem ser logo prezos e apreendidas também as fazendas que se lhe encontrarem sejam o se ocopar vivendo de furtos que fazem e da mendacidade o ósio os condus em que depois ficão servindo de grave não de contrabando dendo-lhes. gencias aos soberditos magistrados mas vegiando se cumprem estes as çuas obrigacoins e asim continuar Vossa mercê. e Iguahnente na confermidade da ordenação do Livro quinto Titolo secenta e nove e dos decretos e Alvarás que vão nas coleçoins numaro primeiro e segundo ao dito Titolo e desesete de janeiro de mil e seissentos e seis e de treze de setembro de mil seiscentos e treze de vinte e quatro de outubro de mil seiscentos e quarenta e sete do decreto de vinte oito de Fevereiro de mil e setecentos e dezoito prendão todos os siganos de um e outro seco que vivão sem domecilio e andem vagos no Reino. e os filhos destes de que falo de um e outro sesso remetermos vossa mercê con toda a caridade e comedamente não lhes faltando ao nesceçario alimento conduzindos em carros e cavalgaduras aos portos do Mar mais prochimos para delles virem para a Rial Caza pia desta Corte e nela serem instruídos namorai Christã e nas obrigacoins suciais e aprenderem as Artes e manefaturas e aqueles que pelos seos talentos se recomendarem as mesmas siencias pedindo Vossa mercê ao Illustrissimo Ex. esinciahnente em huma congetura que ofresem as critiquas sirconstancias e que são bem manifestas não se contentando Vossa mercê em recomendar a exzecução destas deliobgetos. e neste Reino teem entrado outros muntos estrangeiros sem se legetimarem como ordenâo as soberditas Leis que se citoaram. se as fazendas forem de Lei o elas forem de contrabando e nestes casos : e as aloará formando-lhes os seos porseços vencomo contrabandistas se Lembro a Vossa mercê o capitolo vinte sete da prematica de mil e setesentos e quarenta e nove como também a Lei de quatorze de Novembro de mil e sete . sempre foi nesceçariio huma grande circonspeção a vegilancia de tão emportantes mas munto mais.

António Joaseçores desse tar. da parte dos exzecutores. Deos Guarde a Vossa mercê. e munto parti colarmente estando Vossa mercê como meo comiçario a comprir e fazer e exzecutar o que ordeno e também para de futuro recomendo a Vossa mercê que leia liuma e muntas vezes o seo Regimento de Corregedores que litaralmente deve observar em toda a sua Comarqua e que deve praticar adetrito como Corregedor e Prezidente dela e munto principalmente sobre as plantaçoins e rezalvas dos chaparros enxertos dos zambogeiros e abreturas de algumas terras próprias para as semanteiras dos pains de toda a especia segundo a qualidade do terreno o pedir e lembro a exzecução dos officios que deregi a esse lugar nas datas de vinte sete de Maio e de treze de Julho de mil e sete sentos e oitenta exzecutando o que dis respeito a este officio nas terras de donatários adonde não entrar a correição para nas mesmas terras fazer Vossa mercê observar o que neste lhes ordeno e o que ultimamente ordenei no officio que deregi a essa Provedoria em sinco do presente mês relativo aos 'engeitados nas correiçoins que fizer proguntara Vossa mercê se tem litaralmente exzicutado o ordenado no dito officio para Vossa mercê me dar conta da sua observância e se hover alguma omição. espero da atividade e luzes de Vossa mercê cumpra e faça exzecutar o que tenho ordenado nos respectivos officios que estes fins tenho espedido a esse Lugar e avivar egualmente a exzecução das indicadas Leis para que de foturo os Lugar asim o cumprão enteiramente e facão exzecuVossa mercê fará rezistar o presente officio nos Livros dessa Correição. a fl.l 3sr_^ ST 1848 «Deve cuidadosamente exigir-se passaporte aos bandos de ciganos que transitarem pelo reino.265 sentos e sincoenta c sete mas previno a Vossa mercê que deve ese- toar desta regra as fazendas que vão endiretura para espanba pois o que acabo de ordenar entendese a respeito das fazendas que se andào vendendo pelo entrior do Reino estas delegencias deverá Vossa mercê ter sempre em vista é não só contentarsse em dar as çuas ordens mas vegiar cuidadosamente nas ezecuçoins delas como já referi a Vossa mercê. 85 v.» [Livro VI do Tombo do Registo da Camará Municipal de Elvas. afim de se exercer contra os que o . Lisboa doze de Julho de mil oito sentos. remetendo-me certidão de asim se ter exzecutado. para o Doutor Juis de Fora a quem entreguei e a mesma me reporto e eu António Joaquim Pereira escrivão da camará a fiz escrever. — quim Pereira. E não continha mais no dito inserto em huma depercada que veio do Juizo da Correição. Diogo Ignacio de Pina Manique.

e os muytos que dizeis aqui SC acharão nestas festas. ou qu(. (Código administrativo. Tenho tamanho aborrecimento a essa gente. E ainda que o não seja basta ser por amor de Deos.266 não trouxerem a correcção e repressão ordenadas na Lei de 20 de setembro de 1760. que a esmola conforme nellafoy o intento. hua dança de Ciganas que eu encontrei no caminho. Deuot. 18 Março 1842. e elle dirá o porque. etc. por donde se deue dar a todo o necessitado. que esmolla à porta quero se lhes dê. 151. U.sboa. quais são quasi todos estes Ciganos. sei Bem ridade terá o seu merecimento. 335-310. Eepertorio admiràstrativo. que o sol a todos allumia. nem temor delia. e fazendoas mal parir. onde estaua hua taça de prata com guarda. matadores. deixei eu por serem miúdas. Eezão tiuerão esses senhores. e de 1854. e ellns ladras. (O prologo foi escrito em 1G22. ' pg. como haa fonte de vinho. Porem ainda me parece vos ficou por contar.) Dial. que ao indigno. Ined. ou dois pais.) « [Henrique da Gama Barros. Disso me marauilho eu muito. Misccllanea do sitio de Nossa Senhora da Lvz do Pedrógão grande. E quanto às ciganas não as quis acceitar nesta festa o senhor deuoto antes as despedio. feiticeiras inquietadoras da honestidade das molheres. xii. lhe dão com que os coitados vão ao outro mundo fazer experiência da mesinha. 1860. Lisboa. 181. . salteadores. ou criada a peçonha. Tomo i. Embaidoras que por dous vintêis. e enganar a simplez donzella c5 nome de mesinha pêra o outro casar com ella. e chaE quem a pudesse dar a todos por amor de Deos faria bem. 1629. p. por os ter por indinos delia. e o mesmo solimão pêra matar seus senhores. E ainda à casada a titulo de o marido lhe querer bem. porque forão ellas muito pêra se ver. ou ficão pêra nunca mais Trecho da descripção dumas festas na villa de Pedrógão grande (Bcira-Baixa) na obra de Miguel Leitão d'Andrada. mostrar selo. nem Cr-isp. Portaria circular 18 abril 1848. sem ley. ladrões.] Miguel Leitão d'Ândrada sobre os ciganos ^ Crisp. que o senhor deuoto mandou por a nossa porta. que de cima corria em hua bacia por hua pena. porque a esmola dada por amor de Deos ainda que seja a indino não deixara de ter o seu merecimento. e bebião quantos querião. quando isso não fosse occasião de pecar ou de não deixar o peccado. porem quem não pode se não limitadamente. Outras cousas fora dessa. não duuidarão trazer á vossa escraua. parece a deue antes de dar ao dino? Deuot. Gal.

estas lombrigas ou digo Biboras que o estão roendo de continuo por todas as partes de seu todo. pêra nella se lerem e vsarem de liuros Catholicos. e suas próprias mulheres. e por carta. e descuidados. estes o são por officio. e embelecos. que ninguém attenta nisto. que gouernão. que digão que o marido era hum amancebado. ou de sciencias e artes que troxessem boas. E esta gente com auer tantos centos de annos que £'spanha os agasalhou. ou Gitanos. falo dos nós tão cegos. E pudera isso ter muyto bom remédio. e males que nelle não se sabiâo. e com mais com hum ferido de peste. E não sei como os conselheiros dos Reys. E os que introduzirão em Portugal mil feitiçarias. porque sendo Gregos que se vierâo fugindo dos Turcos. : E . que o puderâo remediar. nem ainda zombando ou rigor que notar. E o não perderem nunca a sua lingua não foy por certo. e sendo Chaldeos. se fazem jEJgipcios. e os que gouernão as Republicas desuelando-se tanto em novas prematicas sobre ninharias. e vendoo. embarcandoos diuididos pêra o Brazil e Angola e outras nossas conquistas. como diz lacobo Philipo Bergamate no seu livro. se sahirão a encher toda Europa porem que nenhures os consentem mais de três dias. E seja verdade que todos somos peccadores. e parece são estes de Portugal. e que nuca deixarão a sua lingua Chaldea. e andaua toda a noite. e que por essa causa os Venezeano£. muito mais cautelosamente. e que disso^morreo assi mal. com achaque de bona dicha. que quasi elles mesmos não sabem de que nação ou Reyno procedem. e aozadas. Supplementum chronicarum que de certos pouos chamados Zigaros. E he de que se hum nosso Português vai ser morador em outro Reyno. e delle se mantém. e os terem por sospeitos os lançarão de todas suas terras. o como. ou enganos. vedandolhes o yzo do trajo. não buscâo remédio a cousa tao importante como fora não estar Portugal e Espanha toda criando em suas entranhas. E pello contrario. latrocínios. e seus filhos ja nella e em tudo o mais como naturais mesmos da terra. que he o mesmo. em poucos annos logo falia a lingoa desse Reyno. senão pêra milhor inteligência de suas malas artes. e quando isso não parecesse. e agora pêra a noua pouoaçâo do Maranhão poucos a poucos em cada nauio que fosse. prestar. e falo de sciencia certa. fazendoos viuer dentro no meyo das cidades repartidos pello Reyno. e palpandoo cada dia e cada hora a nossas portas. a quantos isto cada dia acontece. e se hirião acabando de sair do Reyno. E sabe Deos. e dentro de nossas próprias casas passão por isso. Por onde eu aconcelharia a todo o home que euitasse o fallar qualquer cousa sua com esta gente.267 Então a descarga disto he. porque vzando tudo isto como vzão por officio os não possamos en- tender. Os quais de Zigaros se chamão ciganos. ou delles estes mãos costumes. que deue ser a que lhe ouimos falar. pola sutileza de seus furtos. Agasalhãdoos Portugal vindo perseguidos dos Turcos vzão tão mal desse gasalhado. e beneficio.

ou vender em tendas. E que não fossem ferreiros. que ja não se praticão nem se goardão. e obrigandoos a officios com tenda sua. E puderão as Republicas ou os Reys criar Magistrado. e regimento. e outros. E os aleijados de mãos. e os cegos nas casas dos ferreiros. Não deue de o ter pois que tee gora se lhe não deu. E da mesma exercícios conuenientes. e trabalho de que se manter conforme sua sufficiencia. ouriues. e nem cegarião muitos pays os filhos minimos acinte pelos lançar a pedir (como se diz por cousa certa o fazem em certos lugares) nem se farião outros a si mesmos outros aleijões. e de noite pedindo e lamentando-se com hua voz muito lastimosa. e outras rodas. ou tribunal só pêra isso. e o mais que aly ha. e outros E o pedir esmola que aos pobres se deue necessitados (que ha muitos nossos naturais) e não a elles que podem bem com trabalhar remediar sua vida. rodas de esparteiros. o que ou outros remédios se lhes atalhasse o furtar. Cordoeiros. ou obreiros nas alheas. e acharse remédio a cousas que a nossos mayores não passou por f)ensamento. Nem por isso deixaria de auer outros ciganos. e em portas de fidalgos. de dia. como tudo. e ordenações excelentes sobre isso. lapidarios. Crisp. Crisp. e a seu aluedrio de cada hum. alfayates. tirandoos das tauernas que destes de continuo 'estão cheas. tanger os folies. Pondo se os coxos a officios que não hão mister pernas. Quanto mais que leys ouue. Deuot. obrigando alternadamente aos officiaes siruirense delles. Deuot. Também esse he hum grande descuido dos que gouernão não atalharem a essa desordem com algum remédio. e o sair fora das Cidades e villas. como ha naturais que por se darem a boa vida se lançâo a pedir. O que he muito importante. ou polias ruas e outros exercícios. Pois a verdadeira charidade deue começar por nós mesmos. e pagarlhes ou mantelos (como dizem o fazem na China. e instrumentos de roubar. e na ribeira das nãos a puxar por cordas. Aplicando a todos o exercício.268 e da lingoagem. E a ellas o mesmo a officios. cirgueiros. Nem estado em que andarião tantas mulheres pêra sustentarem o mao viuem. e mandando vir de lá essas dizem são excelentíssimas em muitas cousas) que as leys leys que em todas as idades se buscarão e passarão de huns Reynos a outros pêra tomar delias o mais conueniente). Não he essa boa consequecia que cada dia vemos darse. E goardandose cõ rigor não se cortariâo muitos os braços a si mesmos cõ a cobiça de pedir. pastores. e outros mil excessos cada dia vemos. e mais essencial. e maneira se puderão poer as mulheres a officios e acõmodandoas por casas a seruir onde . e pelos mais chegados nossos. como çapateiros. porteiros de concelhos. com malefícios. E passão com toda a liberdade. e toada muito prolongada. conforme o aleijão. e chagas com este intento. egoarizos e caminheiros. que só vzâo a fim de fazer gazuas. dandolhe leys.

e peccados mortais. e o rigor que bastante esmola pêra quem direitamete pertence e não padecerião os necessitados nobres. E desta ou de outras maneiras mandandose o primeiro com todo ninguém pudesse pedir sem expressa licença do tal tribunal ou magistrado. E muytas vezes extremas. que nos não auemos de gouernar. Deixemos os pobres Ciganos. o senhor Galacio de me Deuot. e sombras. e yr as cousas por onde vão. sem auer quem acuda a esta calaçaria.269 estiuessem recolhidas. donde poderemos yr dar quatro passeyos por recreação refrescandonos por essas fontes. E com trazer essa tal licença ao colo escrita em taboas. juntemonos aqui à manham. vedandolhes o pedir dentro e o dar a esmolla dentro. pois basta pediremna à porta. Assim seja. Crisjp. que he vergonha ver isto. e ellas logo se darem a esta vida calaceira de pedir com seus capelos. se quer por rezão de estado. como ha nem tantos males. e com letras muyto grossas e de forma. e enuergonhados tantas necessidades. . nem emmendar o mundo. por estes velhacos lha vsurpaaueria rem. e tyranizarem e nas Igrejas mais quietação pêra as pessoas se poderem encomendar a Deos. e vos aueres de dar algumas. e bordão. Nâo aueria tantas desordens. E pois me fes mercê festejarme tanto esta tarde. e a Deos.

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antes por Miguel Leitão d'Andrada^.° 38. mais de meio século. em numero e com armas. .APPENDICE 11 OS CIGANOS DO BRASIL Entre os documentos que reuni ha um já em 1Õ74 a pena de galés.« 34.se No Brasil. n. imposta a * um que nos mostra cigano. reunindo. em 1686 que vemos generalisado o desterro para uma parte do Brasil. n. com- mutada em desterro para o Brasil. Emfim o Alvará de 1760* sejo mostra-nos que no Brasil persistia o modo particular de vida dos ciganos e que. graças ás condições particulares d'aquella nossa antiga colónia. * Doe. p. elles se atreviam a praticar violências. 267. Não seria naquelle século tal caso o único do género . o Maranhão 2. Doe. as medidas legislativas não conseguiram fazer desàpparecer os ciganos nem sequer os seus costumes inveterados. mas é só no fim do século seguinte. n.°« 2 3 4 22 e 23. conforme ao deque fora expresso.o 5. Does. como em Portugal. n. Doe. como nos outros países europeus ou de civiHsação de origem europea.

*» nem com acabo de indicar se resumia o que apurara dos ciganos do Brasil quando me chegou á mão. accrescenta-se que se casam só pessoas da sua raça. deu-nos a seguinte noticia que bem «Resta-me ainda indivíduos que a a persistência d'aquella gente fallar de uma raça de homens. — . As mulheres jornadeiam assentadas entre os cestos. A. Voyages dans la partie septentrionale du Brésil depuis 1809 jusqu'en 1815. mulheres. em cavallos albardados. por obsequio Ao que Henri Koster. mas os : compõem não são em numero bastante grande para que a classifiquemos entre as grandes divisões da espécie humana que formam a população do Brasil. vendendo cavallos e jóias de oiro e de prata. Jay. na aldeia de Pasmado e noutros sitios da província (de Pernambuco). Paris. de cor acastanhada com feições semelhantes ás dos brancos. as visitas acabaram. uma vez por anno. Bandos de ciganos tinham por costume mostrar. trad. Vagueiam em bando. 474. . sem pensar em se apearem e repar- tirem as cargas por todos os animaes. o titulo de Zingaris au Brésil se lê in Nouvelles annales des voyages. IV (Paris. que não vão nunca á missa ao confesso. 1 Da curta noticia de Koster é extrahida a que com 1818. mas o governador era inimigo d'elles.se noutros tempos. e como fossem feitas tentativas para prender alguns. mas nunca tive occasião de ver um só. quando os seus cavallos de carga estão ajoujados sob o peso. esses homens excitam alem d'isso menos interesse que os outros: todavia não se pode passar em silencio os ciganos^ (porque é assim que os chamam). Ouvi muitas vezes fallar d'elles. p. 1820). de Fanglais par M. creanças trocando. nos cestos misturados com a bagagem. mettem os filhos Os homens são excellentes cavalleiros. comprando. Pintam-nos como homens altos e bem feitos. (l'este século. II. t.272 Um no começo nos mostra viajante inglez que percorreu uma parte do Brasil. vol. contentam-se com abrandar o passo das cavalgaduras. Diz-se que não observam nenhuma pratica religiosa. homens.

° 204 pp. ii. t. latoeiros e ourives. com ciganos do reino para a praça da cidade da Bahia. O auctor pretende que: «A reproducção entre si (entre os ciganos) deu-se em grande escala . 1886. 18 . não permittindo que se ensine a seus filhos.273 do sr. o cruzamento com as três raças existentes eífectuou-se. Não ao Rio de Janeiro os seus avós e parentes nove famílias de roubo de em razão um para aqui degradadas. Pinto Noites. — de prodigiosa memoria. falla-nos depois da legislação portuguesa acerca d'esse povo e cita um decreto de 11 de abril de 1718 segundo o qual «foram degradados os O ganos). Aqui ha um exaggero evidente. Rio de Janeiro. Os rezariam de quebranto e leriam a buena dicha. de p. as mulheres : muito interessantes. 18. suppondo rigorosamente histórica a noticia da migração das 1 Mello de Moraes Filho. que chegaram ção. um volume que se occupa do assumpto. estimável e venerando calon (calo) de 89 annos.» ções. esse velho. nas minhas investigasegundo o sr. sendo o cigano a solda que uniu as três peças de fundição da mestiçagem actual do Brazil». que não 155 : Trovas O mesmo auctor publicou um Cancioneiro dos O volume que examinei contém de pp. o qual tenho á mão. De um lado. quintos de ouro attribuido aos ciganos. «Foi por essa data. L. mas com referencia quasi exclusiva aos ciganos do Rio de Janeiro auctor dessa obra começa por considerações de segunda mão sobre as primitivas migrações dos ciganos (tsivarias inexactidões. Ha excerptos de uma e vi. *. e de outras particularidades degredados de 1818 entregar-se-hiam ás industrias dos metaes seriam caldeireiros. ferreiros. 113 a ciganas e Novo Cancioneiro.» Segundo o auctor. a fim de obter-se a sua extinencontrei esse decreto. deu-lhe noticia de famílias importantes brasileiras cruzadas com os ciganos. 609 a 624. outra collecção no Parnaso hrazileiro (Rio de Janeiro. Ciganos. Os Ciganos no Brazil. ordenando-se ao governador que ponha cobro e cuidado na prohibição do uso de sua lingua e giria. de Vasconcellos. 1885) do mesmo auctor.

. O em Mello Moraes pretende. únicas desterradas para o Brasil no século xviii. que 1808. EUe elevava-se em verdade facilmente ao nivel do brasileiro. e falla-nos de calo rico. sem outras provas. Adaptando-se assim. calo de raça. Esse phenomeno é apenas mais uma exemvirtude da qual um povo de civilisação rudimentar se adapta tanto mais rapidamente á civilisação phíicação da lei em de outro. porque o nivel do brasileiro era geralmente baixo. para onde já anteriormente teriam ido algumas. que no brasileiro haja tanto sangue cigano como o auctor parece estar disposto a fácil acceitar.. sargento-mór do regimento de milicias da corte «a quem a historia nacioum dia considere como uma força nas agitações nal talvez politicas da independência». passassem para alli mais ciganos.° de Janeiro. demais. á civilisação brasileira. Os ensalmos e pragas dos elementos ciganos. e segundo porque podemos seguir a sua historia. alguns séculos atrás em o nosso pais e por mais largo espaço de tempo noutros paises. outras muitas coisas inconsicapitulo attribue auctor o grande papel ao cigano como deradas. neiro na compra de escravos e veiu a ser marquez de B . Joaquim António Rabello. Mas as superstições e os Num em que ha ensalmos que nos apresenta divergem muito pouco de superc stições e ensalmos vulgarissimos entre o povo português aos quaes me porque umas é impossível attribuir origem cigana. com a traslação da corte portuguesa para o Kio sr. um 3. de outro lado não é de admittir. . primeiro e outras são communs nos diversos povos da Europa. os ciganos não perdiam algumas das peculiariadadcs da sua raça. quanto ella é menos adeantada. fonte de superstições brasileiras. sem citar documento. O alvará de 1760 prohibia aos ciganos do Brasil commerciarem em escravos. estão por tal forma cheios de . que alcançou immensa fortuna como media. . O sr. pelos peores lados.274 nove não pode admittir-se que tenham sido as famílias. Mello Moraes falla-nos d'essa lucrativa occupação dos ciganos e allude a um M.

405. pp. . paração revela que o que dos ciganos do Brasil nos communica o sr. Indische und germanische Segenspriiche fur Vergleichende Sprachforschung. ibidem. dade de geographia de Lisboa. 393-430. 119-215. etc. n. 1-29. (Porto. Lenormant mas a comsaçoes. Ueber Marcellus Burdigalensis in Kleinere Schrlften. em extremo 1 prosaicas . Sauvé in Revue celtique. Kuhn und W. A. Indische Studien. orações e ensalmos do Minho in Romania. vulgarisados ate nas obras de Fr. assim com minha conclusão é que os ciganos se dos formulários das nossas benzePortugal apropriaram deiras e feiticeiras. Observations on popular Antiquities. pp. Grimm. ger. F. Sagen. Idem. por . Deutsche Mythologie. Aus Schicaben. Sem duvida na índia. como os das suas collegas portuguesas. p. e sobretudo no Atliarvaveda . 1877. t. London. 4v4. 1866. 11. são. xxxvi. christãos encontramos coisas do mesmo género desde remota antigui^ dade. Costumes e crenças populares in Boletim da Sociei. pp.^ serie. 560-578 .°' 1054-1072. 441-463. 49-74. A. pp. 512528. 269-278 Idem. in Zeitschrift 113-157 . 1882). ir.275 que logo á primeira vista se desconfia da sua originalidade. xxxvii e xxxviii. As superstições portuguesas in Revista scicntifica. ed. 431-444 Wesffalen. idem. Ueher zwei entdeckte gediclite aus der Zeit des deutschen heidentliums. 255-319 Northern counlries of England and the Borders. 11. 108-142. 633-668. Birlin- 377. vi. 2. . A em A As praticas de feiticeria. Sage. os ensalmos das ciganas. iii (1874). L. . Adolpho Coelho. etc. Marin. e os outros trabalhos dos folkloristas portugueses. já no Rig-Veda. Cantos populares espanoles. i. Romances. de onde veiu esse povo. Mãrchen und Gebrauche aus . John Brand. R. tempo os asiáticos. Weber. NorddeutscJie A. Idem. iv (1858). William Henderson. F. encontramo las também nos documentos de outras velhas civili- exemplo nos textos cuneiformes de Babylonia. Schwartz. Mélusine. Mello Moraes se parece muito mais com os ensalmos das benzedeiras e feiticeiras portuguesas que com como os ensalmos portuguemais dos outros povos europeus que ses se parecem com os os exemplares indianos. xiii (1864). demonstração dessa Ihese exige de e espaço que agora não posso dispor 2. por via de regra. cap. 114-151. pp. Kuhn. 67-85. Idem. Contento-me com indicar alguns elementos para o estudo da : questão J. todavia concebe-se que não deixe 2 A. Notes on the Ft Ik Lore of the III. Fr.

segundo o já referido Pinto Noites. dizem: Abença. Os homens Na empregam-se geralmente no foi foro e são honestos. e com um tom de voz plangente e vagaroso. português. letra: «faz agua».?» Esse costume . Janeiro. «As mulheres não dão a mão a apertar aos homens. Tratam-se por alcunhas. diz o auctor. Bahia e Maranhão. Minas. Apesar dos casamentos consanguineos. como os fadistas taes sao. elle não hesitava em revelar o segredo e tratava. o Papagaio ^ o Pernas finas (ciganos da Cidade Nova). o primeiro contava mais de vinte mortes. Se a um pae cuja filha não soubera conservar-sc pura esta era pedida para noiva. marinheiro. não tinham passado da phase primitiva.se de a casar com um qiierdapanin {á. e esse consorcio com o estranho importava a exclusão igno- miniosa da tribu. e estçs. excepto os frequentes de surdi- mudez. trocam entre si como saudação as palavras: «Olé! olá! olô!» Os filhos não beijam as mãos aos pais. Numa nota lemos que dois ciganos de um o Beijo ^ parente de Pinto Noites. . não poderá haver menos de quinhentos habitantes.276 de produzir certo effeito a phrase seguinte do nosso auctor: «A cigana é a sacerdotiza da nossa theurgia popular! » colónia cigana da Cidade Nova. Nenhum até ao presente processado por ladrão nos dois últimos decennios de sessão de jury apenas dois foram condemnados e por ferimentos leves. até 18Õ0. Mas se a filha era virgem havia grande . quando se encontram. assim como ainda hoje nas partidas de Minas. informa- Mello Moraes. são raros os casos pathologicos congénitos. alcunhado e outro o Eola^ foram notáveis nos annaes do crime. o Catú^ o Come-jpolvora (ciganos de Minas). imitaram-no as creanças ciganas das portuguesas. estendem o braço. O casamento era por via de regra o resultado de uma combinação dos pães e não a almejada consequência do amor. o : Beijo j o Rola^ já referidos. o Migim-Migim. colono). Os casamentos dos ciganos do Rio de nos ainda o sr. .

. e o marido mostrava no Gade as rosas da pureza aos alaridos do festim . assistiam no . «O Gadej solemnemente acondicionado numa caixinha de preço. enxugando na camisa de cambraia as gottas de sangue da virgindade. de envolta com as superstições tradicionaes portuguesas. . «Vestida novamente. «Logo que uma mulher gravida estava a termo. e que as dores preparantes a arrojavam na cama.se a festa da boda. adiantando-se os noivos e as duas madrinhas «Sobre um movei. . que também eram quatro. «Então nelle entravam os desposados e as duas sacerdotizas. os suspendiam da cabeça. ficava pertencendo ao esposo. banquete. que o guardava para sempre como penhor de sua alliança. os padrinhos «Uma largavam os lençóes. cinco lençóes.» O auctor do livro não consagra nenhumas observações particulares á religião dos ciganos. das matronas despia a noiva. coberto de folhas de alecrim. a um signal ajustado. derramavam sobre o linho uma luz de âmbar e ouro. os padrinhos. .* . para que eram havia danças. lado da sala. . passando ura ao outro os cirios que sustinham. des- convidados até os inimigos e em que cantes. encostadas a uma mesa.277 satisfação c preparava. «Quatro tochas accesas. despedaçava a membrana hymen. desdobravam os lençóes. gina. aromatisados com alfazema e salpicados de flores. juntando as extre- «E midades. As janellas fechavam-se. a inquietação transparecia em todos os semblantes o rito sagrado do Gade ia cumprir-se.se o catholicismo que os do Rio de Janeiro adoptaram por completo na sua forma popular. acha- vam-se superpostos. alvos como uma hóstia. mas do que diz concluo. . embebido de aromas suaves. deitava-a sobre um o dedo indicador no vestibulo da vaintroduzia-lhe leito. alongando o braço opposto e formavam o quarto onde o sacrifício incruento (?) deveria celebrar-se. (íA meia noite retiravam-se todos para um .

sanc- cionando-se religiosamente a decisão do acaso. apoiavam nos braços a doente. o pai a tomava no collo e a beijava com transporte. «A «Depois da ligadura e corte do cordão. dos palançavam sortes. soprando-lhe no rosto. e tias. «O baptisado não diíFeria dos nossos. numa «O Proferindo palavras cabalísticas. «Jóias e objectos de valor cada um lhe oífertava. «As parteiras faziam a toilette da parida. presentes estes que vendiam. e. . «As comadres infalliveis. fazendo-a recordar do quanto padecera a Virgem por seu bemdito Filho. dentro deitavam collares e moedas de ouro. sahimento dirigia-se á igreja. Dehel). servindo o dinheiro para a compra do enxoval. encorajando-a.278 quarto á parturiente três parentas mais chegadas e na sala cantavam os visitantes cantos sagrados a Duvel (= git. deitava metade sobre a região precordial do finado e envolvia o rosto no vestido com que estava ao expirar o marido. . o quarto se abria a meia porta. . creança era lavada com agua e vinho. para que tivesse fortuna. para suavisar os soíFrimentos da enferma e dar boa sorte ao anjinho que ia nascer. quando viera ao mundo . «Na mesma noite ou na immediata havia cantoria e bailado. com rezas que lhe deitavam ao pes- com figas e bentinhos coço. no caso de divergências. «O nome que Jhe punham drinhos. . «Para que os visitantes não trouxessem maus ares e não levassem a felicidade que tivesse trazido o pequeno. botavam juntinho o recem-nascido. era do santo do dia. se era um marido o fallecido. enxuto em riquíssima toalha de linho e crivo. e os parentes entravam para vê-lo. . defu- mavam-se antes e depois de penetrarem no aposento. defumada de alfazema. atirava tudo fogueira lustral preparada para este fim».» Quando morria algum cigano havia lamentações (em prosa). «a viuva cortava os cabellos. com talismans milagrosos. numa bacia do prata.

de pés descalços. na resignação. Mello Moraes Além do que no cap. matrimonio com corpo estranho são infe«Ligando-se lizes. esquife. deveriam . . attribuem os acontecimentos mais comezinhos a um destino de influencias o desalento aninhado «Com inevitáveis e a cujos effeitos o individuo tem de ceder ou succumbir na luta. segundo a minha disposição. . . uma ou outra se prostituo. «O ia coberto de «A infeliz filhos e os parentes. em que os fallecimenexcepto tos não são vulgares antes dos setenta annos. . a embriaguez a que se entregam para adormecer-lhes pesadumes innatos. mas não lhe votam rancor. «As mulheres calins^ no infortúnio. desDahi a sua pusilanimidade. os Sigo a ordem adoptada pelo auctor na sua exposição c não a que dei atrás ao meu estudo por isso só agora chego a dois pontos que. flores e borrifado de lagrimas. fogem dos outros homens. Numa familia ha «mulheres de media da idade d'esse povo é de a cincoenta annos. a propósito dos costumes se colhe relativamente aos caracteres psychicos dos ciganos do Eia de Janeiro. tendo o auctor A verificado no obituário um de cem. adorável belleza». .279 carregado pelos Terceiros. — que teem cabido. ter precedido as observações sobre os costumes : os cara- cteres physicos e os psychicos. Muito poucos chegam além? quarenta familia na dos Cantanhedes. vivem descontentes. vestida de eterno » acompanhavam. «Qualquer lance menos bondoso da sorte os abate. Sobre o typo physico apenas nos diz o auctor que «presentemente o colorido da pelle varia e com elle a nuança dos cabellos e dos olhos». considerando-os desde logo irremediavelmente perdidos. vii «Os desclassificados habitadores da Cidade Nova são na : totalidade supersticiosos e desconfiados. veritícando-se que sempre em com pessoa da mesma casta. são sublimes. luto.no. sentimentos hostis. eis o que de mais preciso nos diz o sr. o abandono em graçados.

. não discutem. carinhosos.se. se separam. aos quaes abrem coração materno.» collega distincto e intelligencia se funde assim Emquanto uma camada cigana na nacio- nalidade brasileira. homens conceituados no magistério. outra extingue. que nos tem dado oradores parlamentares. de expansões largas. «O velho tronco (cigano) Luiz Rabello de Aragão perpoetas e litteratos. no foro. ciganos destemidos e das tropilhas nómades. e entrelaçou-se petuou-se nos Rabellos — com a familia Cabral (também cigana). e francos. as despesas do enterro missa correm por conta dos parentes. «Se morre algum. «Entre si exaltam. resmungam. como uma divida contrahida para com o morto. unem-se não se divertem. «Dos Catanas. as suas demonstrações revestem-se de apparato declamatório. incumbem-se de soccorrer a viuva e encarregam-se dos orphãos. monologam comsigo. Os ciganos da familia dos Costas são «notáveis como can- tadores e tocadores de viola. que. protegem-se — são exploram. «Reconhecidos ao mais fútil beneficio. não se não se diífamam. os seus pensamentos melancólicos e aphorismaticos. bem intencionados. ao passo que uma terceira se mantém na vida errante. ofíiciaes do exercito. nem descuidam dos desvalidos. «As ciganas nunca separam-se de seus filhos pequenos. nos cargos de secretaria e na tribuna sagrada. que nos persuadimos serem oriundos dos Laços. Conhecemos uma que é a Providencia de duas se criancinhas a quem estremece e ensina todas as noites a orar por aquelle que já está no céo. a sua voz azaphica. ha um medico que foi jornalista e a quem consideramos como de relevo. . António Curto e Fragas. queixam-se e .se lentamente na miséria. desigual.280 «Os ciganos não aborrecem-se . «Suas phrases são severas e concisas. francos e generosos».

quadro. se nalgumas quadras não houvesse palavras ciganas. M. pessimista. a julgar pelas amostras que tenho presentes. cuja espirito se manifesta aqui apenas no caracter doloroso e pessimista predominante das d'ellas composições. senii-culta ou culta brasileira em boca cigana.» . alturas . pudéssemos suspeitar tal origem. não tem o : menor característico cigano DESESPERANÇA E FÉ «Ah ! meu ! filho os céos me parecem mais elles as altos. Até nâo tenho figura Sou espectro que vagueia Que até nem tem sepultura.281 A poesia dos ciganos do Brasil. Sou um quadro sem ter luz Sou um phantasma que vaga Entre o cypreste e a cruz. não porque ella seja uma reproducção servil. (Da Ex.) preces.^<^ Mãe do Dr. entre outras. pois já não chegam a minhas Filho. se a proveniência não nos fosse indicada. ou os ceos são outros. A seguinte composição. Ou tomaram mais Pois já não chegam a elles Os rogos das creaturas ! Já minhas preces não valem Como valeram outr'ora . é apenas poesia popular. é muitas vezes a poesia popular . Moraes «Meu filho. mas porque é uma producção em moldes e em matéria simplesmente apropriada pelos ciganos. Eis um exemplo cigano : Eu sou estatua quebrada. . mas não de modo que. Até do amor de Deus Pareço privada agora. Não sou estatua nem . Dolorosa. uma pura repetição. é-o muitas vezes a poesia culta brasileira.

Fr. Faz reflectir sobre tudo Os raios do seu amor. Ratzd. A quem sua fé abraça » ! ! um Deus ! Leis immutaveis. mas teem a capacidade de apropriação da technica poética já desenvolvida . 195) : os tsiganos teem talento poético secundário. Cf. e deixe virtude. 1 .282 «Ali Mae ikIo temais que Prive assim de sua graça A quem como vós o ama. floresce. eternas ! Não A penseis que face dos ceos. mas todos os processos poéticos) e de produzir com esses elementos eshistoria litteratranhos combinações novas e de valor. Deus de amparar a Como o sol que ás solidões Manda seus raios. A ria apresenta-nos exemplos muito consideráveis do mesmo género. por si sós não sao capazes de produzir uma poesia sua. i. por exemplo. Creador. 515-516. referido em a minha n. Vôlkerlaindc. o que da capacidade de apropriação e incapacidade inventiva do negro diz O. um . VõlkerJcunde ^. e a ethnographia dá-no-los similares noutros domínios da actividade humana *. Peschel. etc. — Não pode negar-se que ciganos brasileiros haja geral nessas prodiicções dos sopro poético: como se concilia em este facto com a opinião dos que negam dotes poéticos á raça tsigana? Essa falta de dotes poéticos não é absoluta (e nisto modifico eu o modo de ver de Schuchardt. 14G. 219-220. humilde. dia mude . Pae de todos. 2 a p. Que nos abysmos Assim Deus Sol de grandeza. Vide. não primário isto é. p. por outro povo (e por technica não entendo aqui só o que respeita á metrificação propriamente dita. e aquece Até a florinha.

longitude. luxo. A base do fallar não é já o hispanhol. exemaranin. de cuja authenticidade não ha aliás razão para duvidar. etc. Mas em as notas transcreve a seguinte noticia de um «Esteve acampado tantos norte. acans. covardia. aron. que teriam para nós muito mais interesse. sacais. acais.283 O sr. git. pieza de argii. tilleria. cigano churin. em Caçapava um bando periódico (188Õ): de cento e ciganos. impostura. riqueza. git. git. asseio. que correspondem quasi todos a termos dos ciganos de Portugal ou dos gitanos de bulário de Hispanha. ó triste. extrano. Os sons hispanhoes parecem ter dcsapparecido por completo. . escuro. negro. chuva^ git. roi. mas não nos diz como colheu esse vocabulário. tudo que imprestabilidade . churí. huchardin. cuchillo. gentil calon. afflictivo. tope. clusivo. mentira. acampou-se á margem do Parah^^ba. afastamento. cujos costumes são bem diíferentes dos nossos. maldade. errantes pelos sertões». amaro. cigana . como em Portugal. ruindade. felicidade. especialapenas de passagem allude . como já mente os do Eio de Janeiro os ciganos sedentários. no texto «ás partidas ciganas. rainha. husnon. erani. . git. deserto hatuesa. calin. fraqueza. busnô. Mello Moraes tem por objecto quasi exdisse. e dá-nos no fim um voca- 2Õ3 termos ciganos. brichindin. hruckardi. . escuro. hriplos : As jindia. pu- nhal. caconda. preto. pobre . mas sim o português. espingarda. olhos. bárbaro. onde assentou sua . palavras tsiganas experimentaram no Brasil novas modificações. farinha. O livro do dr. infeliz. que vinham de Minas e seguiam para o «A propósito escrevem d'aquella cidade ao Pyrilamjpo de : Jacarehy «Essa gente. das quaes a mais geral é a nasalisação das vogaes accentuadas (e ainda dos diphthongos) finaes. git. Mello Moraes falla-nos de uma gíria dos ciganos de que coramunica os termos cabeça.

«ouro». pa- «Vinte e tantos captivos da comitiva lavavam. para onde affluiu esta população. ura dos misteres de sua provisão de viagem.284 morada. porém. Entre esses ciganos ha uma . realmente. deixava de cobrir-se de ouro. . Cordões antigos. cousa «notável». conforme dizem. chas e anneis de ouro eram em brinquedos. «Os ciganitos e ciganitas creanças. dos ciganos. tirar os respectivos retratos xam de A «que parecem gente» e deisua «mesa» é appetitosa. reflectiam-se nos raios do sol. bem «Aqui deixa-se ver que muitas pessoas de Caçapava sao que hão de soffrer. até alguns moveis jantes. que «perscrutam o futuro». lenhavam e coziam. de ambos os sexos. movida da mais justa curiosidade. «Dividida a comitiva em familias. uma verdadeira riqueza «embellezava» aquella gente «mysteriosa. um bordado. 5?$Í000. E. «Era um acampamento de paz. prata. cada uma d'estas occupava uma barraca. alegrias. brincos e medalhas de tamanhos despropositaes. alguns deixavam de mandar passar bem. bi- em abundância nos seus corpos. «Mas. e roupa. levantando 26 barracas de panno. bicha de ouro. mostravam o capricho dos exquisitos via- «Uma tropa cercava a «povoação» dos ciganos. sua felicidade póstera e até d' esta quando passarão para melhor. te em enriquecido com o negocio dos animaes. Conhecem e contam a «sina» boa ou má dos que lhes fizerem um pre- moça de uma sente — uma 2^000. ás vezes. porque collares. Ahi utensilios domésticos. sendo exquisita. usura de certo é que tem feito aquella riqueza ambu nem por isso. de barba e cabellos demasiadamente compridos». «Naquellas moradias tudo é ordem. que rece. lj$(000 réis. «A lante . de enorme «Também nem um grossura e em enorme quantidade. era de ver tudo a aquillo. formosura admirável e -uma velha essencialmente feia. .

«Uma das queixosas chama-se Gustava Maria da Conceição que á sua porta foi bater uma mulher. cuja perfeita veracidade não discutirei : Nitheroy. e que d'elle extrahimos. livro do dr. grupos de tsiganos europeus de diversas proveniências. sem mais. parte dos quaes tem até vindo embarcar ao Tejo. Eis duas d 'essas noticias. sendo elle medico. na falta desse conhecimento. a turca tinha desapparecido e com ella uma caixinha que a sr. Ultimamente os periódicos portugueses transcreveram dos brasileiros noticias acerca d'uma quadrilha de tsiganos ladroes e narcotizadores. porque para o Brasil emigram. é interessante o mais o fora. desde alguns annos pelo menos. Quando tornou a si. ou no todo ou em parte. pedindo esmola.285 «Para ciando finalisar: a comitiva vai de terra em terra nego- com animaes. Mello Moraes. mas.* Gustava tinha sobre uma mesa contendo 84jl?000 réis em dinheiro. acompanhada por uma creança. Na destrinça d'esses elementos teem os ethnographos brasileiros matéria para estudo. escravos e com o «futuro» dos que não são ciganos.*» Não podemos. sabendo todos manejar habilmente vários narcóticos. e creanças. 1 Como se vê dos dados um não aproveitasse os seus conhecimentos especiaes para nos dar estudo anthropologico dos ciganos brasileiros. mas são incautos. de ciganos originários de Portugal. etc. se o auctor nào preferisse os effeitos litterarios ao rigor scientifico e conhecesse um pouco mais de perto a litteratura ethnographica europea ou. Rio de Janeiro. Gustava ia darIhe 100 réis em nickel. subitamente. julgar que essas quadrilhas errantes sejam sempre formadas. um alfinete com três brilhantes. acaba de ser presa uma quadrilha de bohemios que se dedicavam á pilhagem por «Em um «Homens mulheres processo deveras curioso e cheio de novidade. É de lastimar que. utilisavam-se delles para adormecer as pessoas a quem queriam roubar. nào se perdesse em theorias. contentando-se com um esboço puramente descriptivo. . sentiu fugir-lhe e conta a vista e caiu desmaiada.

10 mulheres e 17 creanças de ambos os sexos . tratar. n. rapariga pernambucana.*^ Maria José Nunes tivesse em casa. «Ha também uma outra queixosa. magias. pela quadri- em Ihe e o resto para os chefes. ador* nos de mulher. etc. pedrarias. .286 « Outra queixosa é Maria José Nunes. «A policia prendeu em Nitheroy 10 homens. Assim conseguem insinuar. Além de objectos de valor e dinheiro. Quando accordou. se isso lhes apraz. que além de ciganos tem também individuos gregos. numero de crimes praticados pela quadrilha. etc. a cigana deu-lhe a cheirar umas essências e a sr. as mulheres fazem sortilégios. pediu a nota de maior valor que a sr. Sentindo-se doente. «Acerca da quadrilha de bohemios que roubava as pessoas por meio de narcóticos.° 1489. Depois. sendo obrigada a casar com um dos chefes da troupe. tem ramificações o «É enorme todos os estados do Brazil. c. que a curandeira metteu dentro de um copo. foram todos photo- graphados e os retratos expostos no salão do Paiz. alguém lhe inculcou uma curandeira. . rou- bam também creanças e adultos. O Dia. O producto dos roubos é reunido em um cofre e distribuido 20 p. temos a accrescentar que chegaram ao Rio de Janeiro as bagagens dos larápios. Esta associação. etc. onde muita gente tem ido vê-los. obedecendo a um chefe que recebe 40?5(000 réis por mez. para a A mulher. Foi adormecida e levada em seguida pelos bohemios. «Os ciganos empregam-se durante o dia em vários misteres ambulantes. turcos. para fazer os seus exorcismos.^ Maria José adormeceu profundamente. Arcelina Maria da Conceição. 25 de junho de 1892. «A policia apprehendeu muitos valores. concertando louças.se no espirito das pessoas que se aproveitam do seu mister para as roubar. Foi -lhe apresentada uma de 500?5000 réis. etc. porque o é. já não viu a cigana nem os õOOáiOOO réis.

n. 3 carteiras com papeis. um par de esporas de metal branco um pequeno embrulho lacrado. cestos e amarra: dos de todas as formas e volumes. correntes de metal branco dois de metal branco 2j5(100 réis . 939 moedas de prata. quantia essa que fôra depositada em um banco da Grécia a 8 de fevereiro de 1889 e vencia o juro de 3 V2 ao anno*. 8 de fevereiro de 1895. sendo libras esterlinas de outros typos de diversos valores e nacionalidades. já havia a repartição de policia d'esta capital recebido. perfeitas. com a declaração «este cordão pertence ao negociante Lazaro». 1:540 moedas de ouro. em nickeis . «Dentro d' essas malas foram encontrados 3:945?5i500 réib cm e papel. mesma repartição. dois relógios e três grandes cachimbos. do thesoureiro da repartição e outros funccionarios. outras inutihsadas. garfos e colheres. 1 de julho de 1892. na mão do thesoureiro. umas um saco pequeno contendo pó amarello um pequeno en- volucro lacrado. sendo . grande quantidade de collares de coral com contas de metal amarello e cordoes da mesma . ha duas malas. . Ibidem. que vieram lacradas e foram abertas na secretaria da policia.287 «Diz o Paiz. á vista do agente que as acompa- nhou. em que repugna até pôr as mãos. 140 facas.° 1394. como os de outras proveniências. tanto os de origem portuguesa. 1 livro e muitas outras bugigangas. referindo-se-lhes «Entre o acervo de trouxas fedorentas. substancia. de egual procedência. com a declaração «pertence ao marido da pernambucana». uma letra «Ficou tudo depositado na aos mesmos gregos tomada e no valor de 12:000 drachmas. agradecerá muito todas as noticias que lhe sejam enviadas acerca dos tsiganos do Brasil. respectivo «Antes d' essa remessa. .» a vencer-se em % Sendo possivel que o auctor do presente livro venha a completá-lo mais tarde com um supplemento.

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o n. a n. em é regularmente nutrida. principalmente d'este ultimo. ainda que em más condições e muito rapidamente.°* 2 e 3. apesar de M e 4 são bastante nutridos. os dados sobre o typo physico dos ciganos.° 2. representado nas estampas 6 e 7.° 4. no que se distinguem das nómades bem conservada.^ 2.ÂPPENDICE III TYPO PHYSICO DOS CIGANOS Desejoso de tornar menos imperfeitos. de feições bastante grosseiras tem 38 annos.°^ 2 e 3. alguns ciganos domiciliados em Lisboa e de tomar até algumas medidas em seis d'elles 1 — duas mulheres e quatro homens. As mulheres e os homens n. tem 23 annos. o n.'' ceram em Lisboa.° 3 tem 28 annos. O n. o n. tem 40 annos. ter sido mãe Os homens é magra. representada as nossas estampas n. mas aos 14 annos. na medida de minhas forças. . em que Esses individues são considerados como ciganos no bairro habitam. ao contra- rio dos n.°^ 2 a 4 naso n. 1 veiu com gente sua de Alhan19 . n. A mulher n. procurei e tive ultimamente occasião de examinar. . representado nas estampas 4 e 5. que ó muito magro. bem conservada. tem 47 annos.° assim como outras sedentárias.'' 1 tem 22 annos.

nunca acha- tado.° 4). e pare- cia ter certa vangloria de ser cigano. em homem Topinard^). todaem classificar vulgarmente o nariz do 2 como aquilino. apesar pelle e do cabello. La caracteres que pere firme. ctc.° 2 que nos outros. O rosto nos 6 indivíduos é moderadamente comprido. quanto o homem n. Os olhos castanhos em todos. O homem na mulher n. Eltments.° 4. mais carregada nos homens. todavia. p. mas em todos mais ou menos achatado.^ 1. com excepção do n. coloração da pelle ó trigueiro-pallida nas mulheres A O (manchada na n.° 2 em que são esverdeados. . apesar homem n. em que n.° 2. excepto em o n. mais comprido em a mulher n.*' é bastante clara. nariz do typo aquilino (n. a reprehendia. 298.° 3.° 4.° 2. A mulher n. assim como outros ciganos domiciliados no mesmo bairro. em que via não se hesitaria o plano inferior olha para baixo. cabello é castanho escuro na mulher n. não n. o dorso do nariz de perfil é convexo no homem n.° 3 tem o bigode aloirado. quasi nada na mulher n. castanho claro no homem 3. apesar como os outros c a mulher n. dos tsiganos de 2 Blumenbach. O nariz é em todos moderadamente saliente .° 2) ." 2 pareceu-me de animo resoluto 03 d'cstc homens mais timoratos.290 dra para aqui. excepto n. seu irmão. preto nos outros. A mulher n.^ 3.° homem * Nâo temos por tanto aqui o nariz de dorso agudo. excepto o n.° 2 maldizia do nome do ciganos em.^ 1 serem muito nervosos. da coloraçíío da que se diz português puro. O plano inferior do nariz é horisontal (olha ligeiramente Os nossos exemplares não da convexidade do nariz do apresentam. mittem considerá-lo de sangue cigano.° 2 do quadro de para deante o n. por tanto. recto ou quasi recto nos outros homens e nas mulheres. Reconhecem-se a si próprios como ciganos.° 1 *.

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« 2 .N.

«3 .N.

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291 apertado á altura das maçãs. para se entregar á venda ambulante outro . feitas sobre Deve ter. a que serviu de base um positivo sobre papel.que padece de rheuraatismo.°^ 1 e 3 *. padece do peito e é evidentemente muito fraco. As gravuras 2 a 7 representam approximadamente um n.se em vista que foram photographia em madeira. uma notável depressão ou obliquidade da fronte. Outro tem um braço ankylosado e atrophiado Um (consequência de tumor branco?) e ulceras nas pernas. tem um olho arruinado e padece talvez de lepra mutilante. que lhe tem accommettido as articulações do braço esquerdo. differença explicada pelo facto de . apresentando as deformações irre- gulares desses positivos. a que se destinava. ao contrario bastante salientes em os homens n.*^ 4) marcou a pressão de 64 com a mão direita e de 34 com a esquerda. O mais forte de todos (n.° O homem 3 apresenta quarto do tamanho natural. Os homens apresentam todos degenerações somáticas. Eis agora os resultados das medições: 1. A lepra tem um foco considerável nas immediaçoes da Alhandra. Altura total (estatura): Mulheres . No dynamometro de Collln marcou apenas a pressão de 30 kilogrammas com a mão direita e de 23 com a esquerda. tendo sido obrigado a deixar o officio de caldeireiro.

^ 2.° mulher mulher 2.292 2.° homem homem homem homem . ant.° 3.0 4. : max.-post. índice cephalometrico Diam. 1." 1.

naaal á raiz do nariz. A altura do nariz ó medida da espinha base. índice nasal.293 3. A largura é a máxima na .

^ pálpebras. Distancia dos olhos. 1. Distancia entre os angulos internos das Distancia entre os ângulos externos das Abertura i)alpcbral pálpebras. Abertura palpebral.294 5. mulher .

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sobretudo da influencia das cidades. isto c. Não se encontram ciganos de cabello naturalmente enca- racolado ou frisado. Aucolheu também a noticia de ter sido vista gusto Neuparth no Alemtejo uma rapariga de cabello loiro e olhos azues. Nunca o cabello do cigano é encarapinhado*. certo insufficientissimos. mais sujeitos a mestiçagem ou modificações resultantes do modo diverso de vida.295 Eis ainda outros collaborador. . O exame dos ciganos nómades recommenda-se muito loiros e e a existência de individues de olhos azues entre elles excita deveras a nossa curiosidade. x (1879). ainda que o próprio estudo d' essas modificações interesse. . na estampa n. p." 1 tem olhos esverdeados. Apenas as ciganas solteiras usam de caracoes artificiaes feitos á mão na testa. 1 Alguns aiictorcs attribucm aos tsiganos cabello frisado t. não são os melhores exemplares para estudo. Em muitos ciganos nota-se certo prognathismo ou saliên- cia do queixo inferior (vid. por de oíFcrecer dentro de certos limites de variação caracteres raciaes importantes que se reproduzem noutros grupos tsiganos. Groom in Tlie Encyclopcedia hrítannica. O meu amigo sr. esclarecimentos do meu infatigável Ha excepcionalmente ciganos de cabellos loiros.° 1 as raparigas terceira e quarta á direita). Naturalmente os ciganos sedentários. cx. celhas e barbas da que fazia parte de um bando de ciganos. sobran- mesma coloração. que reuni. um phenomeno problema serão bemvindas. Os dados. p. Trata-se do resultado de cruzamentos recentes ou ha aqui muito atávico cujas causas remontam a cruzamentos já no próprio solo indico? Todas as informações que sirvam para o estudo d'essc alto. e nota-me que o adolescente do grupo de ciganos da nossa estampa n. G17. pcrmittem affirmar que os ciganos portugueses não apresentam um typo perfeitamente unitário mas não deixam por isso .

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lin. Azevedo achou no 28.» Tanto quanto posso julgar. uma Dcmendonça o titulo: «Parvoisses Deluas tiradas por Ant. que temos huas festas lililao em que hade bandeira no grimpo pape amarela. Nacional.a — leia-sc —justificam. meu collaborador sr. — Convém a saber: auer muito mufo Mufo touros gente de cavalo com guiões e hu comer que chamão entricla. Pag. 15 e 16. sendo histórica. a numa serie de anecdotas insulsas. tem a anedocta o merecimento de nos dar a conhecer um aficionado dos ciganos no século xvii. do século xvii.""" : «O Avou de fernâo Roiz do amarai semdo Vreador foi hu Conde dos siguanos a Cam. Em verdade além das referencias nos documentos legislativos acerca á2i geringonça dos ciganos. S. lin. mas nenhum auctor português que eu conheça colligiu anteriormente ao gua. ha uma allusâo á lingua dos mesmos na passagem que transcrevi de Leitão de Andrada. e entre ellas o seguinte secção com C.ADDIÇÕES E COERECÇÕES Pag. ." nos 3 ou 4 annos que esteve cm Eluas tomou por lembransa estas E da sua letra as terey». nenhum d'esses termos singulares mufo. 4. entricla. 3. Ou a anécdota é pura invenção ou o vereador se serviu de termos de alguma giria ou os forjou por sua conta e risco." Dar As graças aos Vreadores pelo auere deixado Estar na cidade e despedrise e o tal Vreador lhe falou por senhoria e lhe pedio que se detiuesse para se achar em huas festas que a cidade fazia e lhe quis falar em siguano dizendo-lhe não : saia V. P. 840 do Archivo O sr. Thomaz Pires termos d'cssa lincod. 31. é cigano ou gitano. lililao. Bartholomeu de fl. Em vez de — justifi<.

de galrar. lin. 27. encontra-se no Victionnarium latino -lusitanum de Jcronymo Cardoso. de uma giria portuguesa no século XVI. 1. Academia dos (1G98).» Ulysippo. col. O povo diz : Ugar encontra-se como alteração popuhir «Não ó da minha vgualha». 03 (3. lin. sem todavia se poder affirmar a existência. 1. Os rendados vestidos. act. 5. meu egual. . 82. lin. apesar de gahào ser mais usado pelo povo. 9. pag. o alto. O verbo derivado galrejar. 81. junto á Prosódia de Bento Pereira. Em vez de — marihando — leia-se — marim- Pag. Basainico é. e por isso incluído na xviii era Pag. 2. Uma nova leitura de Gil Vicente e Jorge Ferreira permittir-me-hia talvez ligar alguns dos termos populares d'esses auctores aos da giria posterior. 2. Singtdai-es. aliás muito provável. 28.298 Pag. Assim o termo galga. Leia-sc — s.^. 1. Que custão bem de chclpa. 61. linha 9. provavelmente já emcomo hoje o é. 3. Gahinardo. 36. lin. Pag. lin. 1. p. Pag. 80. Pag. 84. se. col. de egualar. dado como de giria por Monte Carmclo (vid. Pag. lin. 81) no sentido de fome. Os capotes de grã bem guainccidos. Galfarro encontra-se com a significação de rapacissimus no llicsouro. v giria. lin. 28 e 31. cul. Moscovia (coiro da Rússia) não é termo de giria. Pag. encontra-se já em Jorge Ferreira: «Porque? tamanha galga trazeis vos? nâo ha tanto daqui à cca. col. bando. lin. nào está talvez reduzido a novo termo de giria. para significar — não 6 da minha condição social. 6. 83. Carapuças de felpa. 1661). — antes de — Homem se sabe. Pag. E provável que cm Paiva vgar seja essa alteração popular e não termo de giria. íl3. col. termo antigo na lingua. col. Chelpa occorre já no século xvii: Hora veja se presta. 3. 2. 80. m. p. . 73. lin. 75. Pag. 1. ii. como nome de uma moeda lista asiática de cobre no século pregado como termo de de Paiva. col. 60.« ed. 2.

s. 1891). p. e o .lhe o te-ia livrado. von der Gabelentz. i.) Aqui o jogo de palavras da versão portuguesa era impossivel mas clle falta também na versão napolitana publicada . der Gabelentz. representando suppostos 1892). lin. que falta ainda noutras versões italianas citadas no mesmo periódico. no jicriodico Giamhattída Basile. 132. Ganiços liga-se talvez a ganizc. t. 1892. i. ihre Avfp. 190. 10. vcjam-se tambenj as valiosas observações de G. Chegou-me recentemente ás mãos o es- cripto de Raoul de la Grasserie. lin. iv. O auctor critica o Volapíik systema proposto pelo liispanhol Bonifácio Sotos Odiando no seu Diccionario de lengiia universal. De la possibilite et des condilions d'nne langue internationale. apesar das formas napolitanas o gallo tornarem aqui possível esse jogo de palavras. peças (ordinariamente ossos. Pag. diz-se Pag. p. Madrid. o~ n. também G. óqucrre). que as assaltaram por occasião de virem de Évora assistir ás festas da Piedade. lin. 140. lin. 225-217. 17. Paris. lin. Grundriss der romanischen Philolcgie. 12. o seu chaile de cadilhos . gabeti. 21. Lá está representada com o seu vestido de folhos. von 35 (nota). 292 scg. Pag. Die Sprachicissenschaft. 36 (nota). agradecendo. O enigma do gallo encontra-se na traduc- francesa das Piacevole notte de Straparole (ed. lin. de umas sezões. e a — — uma sua irmã. çíio lin. Jannot. Sobre a mudança de significação. Pag. Em : «Alli se ve a cigana acurvada que passa por não ter religião c de mãos postas ante o Senhor Jesus. lin. Die SpracJucissenschaft. Methoden und hishengen Ergehnisse (Leipzig. 231 e segs.299 Pag. Pag. milagres. 191-195. 1860 a lingua que ellc próprio propõe é fundada lexicologicamente sobre o grego. e de G. em vez de — dos ciganos — leia-se — das Ciganas. Pag. 105.« 1213 do Elvense (20 de setembro de dos fallando-se quadros (ex-votos). 167. Em vez de — cogito — Icia-sc — saiitoir cojito. Grober. 145. lin. 23. 116. 1. 21. que se acham na igreja da Piedade em Elvas. 136. Pag. vid. 157. astragalos) de que se faz u«o no jogo do cucarnc. Em vez de leia-se sautcrelle (faussc Pag. Sobre a vis minima na linguagem. 34 (nota).

abraçanào todos o cadáver e beijando-o. von Wlislocki. Pag.» Este facto mostra. Volksglauhe und religiõser Brauch der Zigeuner (Miinster. No Alemtejo diz-se que o rei (o chefe superior) dos ciganos reside em Évora.° 9:619): «Enterrou-se hontem no cemitério dos Remédios. Para o nosso povo. sil. bro de 1892 lin. gregos ou turcos.» lin. 15. 223. 193. H. Acamparam na Porcalhota. Lê-se no Diário de Noticias de hoje. comquanto sejam naturalmente as formas inferiores da religião que elles attingem. não < commetteram nenhum roubo. a alguns kilometros de Lisboa. diz-se. sete homens e vinte creanças. em pleno campo. Pag. como para as ciganas que oíFerecem os seus ex votos. a distancia. a Virgem e os santos são pouco mais de fetiches. . Só no momento desta folha é que em que mando para a imprensa a ultima prova me chega ás mãos a publicação do dr. 28. se internou na direcção de Cintra. Depois as mulheres da tribu ficaram saudando com os lenços ate o cortejo desapparcccr.» mas nesta cidade mesma parece nada correr a tal respeito. vendo-se. em Évora. próximo de Cascaes. curte as maleitas. com uma musica de gemidos e gritos de dôr. 1891). assim como outros. 8 de outu- (n. vinda do Braquadrilha de tsiganos. uma dos homens traziam assas consideráveis quantias em oiro. a irmã deitada sobre mantas listadas. onde. a arvore. «O cadáver foi conduzido e acompanhado por numeroso cortejo de ciganos. 287. «Antes de sair de casa houve as despedidas do costume entre aquclla colónia. o corpo de uma formosa cigana que falleceu naquella cidade.300 c o seu cabcllo negro como asa de corvo . Chegou ha alguns dias a Lisboa. Eram treze mulheres. que sinto não poder já aproveitar. lin. Parece ser a mesma quadrilha que depois appareceu no Estoril. e terem sido expulsos d'aquella republica. mal recebida alli. com mais uns dez individues e que. sob a qual. que parece serem parte dos pretendidos narcotisadores. Dois Pag. que nâo pode ncgar-se absolutamente a religiosidade aos ciganos. 26.

Alguns livro não leitores portugueses (se os tiver) acharão no meu uma lacuna. desti- X . a fim de aproveitar uma occasiâo que não voltará provavelmente tão breve de a dar a lume. careceria ao contrario de fize-lo. mas no desejo de imitar os mestres no que esteja ao meu alcance.» Não foi na pretenção de ser mestre. j-esultante me primeiro logar da difficuldade das investigações d' este género em toda a parte e cm especial neste país. — Ante tura os homens da sciencia não careço de me desculpar d'essa lacuna. pedir indulgência para a imperfeição da obra. graças á auctorísação do estado para que a expensas suas fossem publicados os trabalhos nados á Sessão do Congresso dos Orientalistas. que só deve ser estudado á luz dos documentos que respeitam a tal todos os ramos d'ella e para que falta um elemento capio conhecimento da historia dos dialectos neo-hindus. d'essa raça occupar-me de semelhante problema.POST-SCRIPTUM «In der Beschârkung zeigt sich der Meister. Tenho. que tentei confor- mar-me ao aphorismo de Goethe. se por ven- abalançasse ao exame d'aquelle problema. de que aliás os preveni logo no começo me occupo do problema da migração ou migrações dos : Apenas por um erro de methodo c que eu poderia num livro que tem apenas por objecto um ramo mínimo tsiganos. em segundo da rapidez com que fui obrigado a prepará-la em para a impressão e rever as provas. de porém.

directoque res da Bibliotlieca Nacional e do Arcliivo Nacional facili- Agradeço a todo3 auxilio . was sie geíhan. tarem. que por certo lionra os artistas a que confiada. Neuparth as suas excellentes pliotograpliias dcs ciganos. ich das.me as investigações nesses dois estabelecimentos por elles administrados com rara boa vontade e ao meu amigo . was ich liátt' sollcn machcn. Betracht' ich mcinc Siebcnsachen. Niio me despeço dos ciganos. pala- vras do grande poeta philosopho: Seli' ich die Werkc der Meister an. Espero poder cedo ou tarde publicar um supplemento que preencha pelo menos parte das lacunas da presente obra. sr. que tornaram possivel adornar o meu livro com uma foi parte grapliica.302 os meus collaboradores já referidos o tornou possivel o meu estudo aos srs. como ao abrir este ^osí-sc7*?}:>ít(m^. Se seli' So sch' ich. ao fechar a qual me acodem ao espirito. . A.

III.. III. 1G3 229 271 I. II. e 55 ..índice — A língua dos ciganos — O calào a lingua dos ciganos — Esboço histórico etlmograpbico — Documentos Appendice — Os ciganos do Brasil Appcndice — Typo physico dos ciganos Appendice I. e . lutroducçiio 1 7 II. Addições e correcções 297 Post-scriptum 301 . 289 -.

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w/BÊÊ .

1847-1919 Cs cig8. McrorLfi dostin:'da a 10 sessão do| Congresso internacional dos orient alistas. Imprensa ITaeional (l^-^. LisT^oa.Coelho.nos de Portugal: com n. ?rancisco Adolpho.?) PLEASE DO NOT REMOVE FROM THIS CARDS OR SLIPS POCKET UNIVERSITY OF TORONTO LIBRARY .m estudo eobre calão.

Pi- ai.aár . .

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