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LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1892 . L. G.SOCIEDADE DE GEOGRAPHÍA DE LISBOA os CIGANOS DE CA)M UM ESTUDO SOBRE O GALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO no CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F. S. ADOLPHO COELHO S.

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os CIGANOS DE PORTUGAL COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO .

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SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA OS CIGANOS DE COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO DO CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F- ADOLPHO COELHO S. Q. L. S. LISBOA IMPRENSA NACIONAL 189? .

somos senores de los campos. . . . de los sembrados. de las selvas. tierraz estranaz nuz tiene perdidaz. . Farça das Ciganas. de los montes. que fue cuntra nuz. 1155349 . La Jitanilla.Por Nuestra ventura. de las fuentes y de los rios . . Vicente. cios por dorados techos j suntuosos paláestimamos estas baiTacas y movibles ranchos Cerrantea. G.

AO SENHOR a--A-ST03sr F-A-nis .

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mas como amigo a considere só pelo que quer significar. mas para provar que a tinha bem presente no meu espirito. nas horas de desalento. apro- veito-a. até o mais próximo. razão sobeja me fallecia. vieram as suas palavras aífectuosas insuflar-me o animo que pois. . Todavia as circumstancias dolorosas da minha pátria.Adoljpho Coelho. a incerteza do futuro. não para pagar a divida. tiram-me a segurança da per- spectiva de levar a cabo os trabalhos a que tenho consa- grado mais tempo e mais sacrifícios.Meu querido amigo: Encontrei muitas e valiosissimas lições e direcção para os meus estudos em todos os seus escriptos. como critico a aprecie no pouco que ella ella vale. F. o que eu destinava a esse ventura menos mas obra de mais fôlego e por imperfeita. resultado previsto de causas contra as quaes combato ha mais de vinte annos. Tinha eu. Não era este volume de modestissimas aspirações preito. Lisboa. e mais de uma vez. Agora que se me offerece ensejo de lhe enviar uma ex- pressão publica do meu respeito e reconhecimento. pedindo-lhe que. que não se paga. 1 de setembro de 1892. para honrar a pagina de dedicatória de o seu um livro meu com nome illustre e venerado.

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Typographie de FAcadémie Royale des Scienque elles quizeram dar-me a honra de inserir nesse zir numa tiragem volume. um contendo documentos. o sr. já directamente. já alemtejanos. 1880 ces. outro sobre os ciganos do Brasil. de pag. A O II.) e (Lisbonne.° gr. A.o de uma presente trabalho é o desenvolvimento e complemento curta noticia que ministrei aos redactores de Con- gros International d'anthropologie et d'archéologie préhistoT^ queSy Comjpte rendu de la neuvième session à Lishonne. que a pedido meu investigou a lingua e a ethnographia dos ciganos do Alemtejo. dizer que este trabalho teve por ponto de Cumpre-me partida materiaes reunidos pelo intelligente e infatigável folk-lorista de Elvas. 8. Historia e esboço ethnographico dos ciganos de Portugal com dois appendices. e fazer reproduá parte de ÕO exemplares. Thomaz Pires. Mngua dos ciganos de Portugal. com o auxilio de amigos seus . 667 a 681. Divido o trabalho em três partes : I. III. 1884. calão ou gíria portuguesa e suas relações com a língua dos ciganos.

algumas formas não são dadas em ar- tigos especiaes. 3 a 20 publiquei um primeiro ensaio sobre a lingua dos ciganos do Alemcurtos textos e uma lista de tejo. Com os novos subsidios. pag. Francisco Lobão Rasquilha. Leite de Vasconcellos poude auxiliar-se do meu artigo. que as distingue das recebidas do Alemtejo. Pires enviou-me algue uma nova coUecção de termos.Revista Lusitana. De outro lado o redactor da Revista Lusitana. nova revisão dos vocabulários gitanos á minha disposição permittiram diversas correcções nos textos e vocabulário. em que supprimi também alguns artigos ou por muito duvidosos ou por inúteis. baseado sobre alguns palavras que aquelle investigador todo uns 250 termos. também entre os ciganos do Alemtejo. artigos que as variantes. sr. As differenças notadas existem. O sr. teve occasião de estudar grupo de ciganos que encontrou no Cadava] (Extremadura). suppoz a existência de um dialecto particular nesses ciganos que se diziam da Extremadura. lavrador dafreguezia de Santa Eulália. I (1887). assim a forma romano. existe também no Alemtejo. os factos novos que me deu a conhecer o sr. Os termos ou formas novas colhidas na Extremadura pelo sr. como provam Pires . e como notou algumas differenças entre os dados alli reunidos e os que elle colheu. José Leite de Vasconcellos. no concelho de Elvas. em parte pelo menos. disse que elle e a sua gente eram originários dos arredores de Lisboa. que lhe ministrou os elementos da lingua. sr. . publicado na sua Revista. e enviou-me o resula lingua de tado d'esse estudo. notada pelo Leite de Vasconcellos. o vocabulário apresenta agora cerca do dobro dos termos ou formas differentes que tinha naquella publicação . Na me enviara. co- lhido tudo da boca de um cigano pelo sr. O confronto dos novos materiaes com os anteriores. naquelle mesmo anno. mas nos mesmos Leite de Vasconcellos levam a abreviatura —Vasc. contendo ao mas phrases novas Depois d'aquella publicação o sr. um Um dos ciganos.

olipandó. najar. cratiá. Em verdade o assumpto tomou aqui maiores di- mensões do que era meu intuito primitivo dar-lhe e ainda assim deixei de inserir muitos factos que determinei. gustipehi. Das formas e vocábulos novos recebidos ultimamente do Alemtejo vinham os seguintes na lista do sr. Leite de Vasconcellos como dialectologo. essa partiu dos ciganos. sonsidelar. todos os caracteres intrinsecos do que reuniram. chasaVj chupe%o. (mas conhecia a forma sohar). Thomaz A Pires e seus collaboradores. pallilli (paquilli)^ quer. llaque. parnau (mas conhecia parnê). tusa. lhe respondeu que era balebá. tarihé (mas conhecia a forma estariben). culrró^ dicaní. Leite de Vasconcellos: abillar. raisaro. chiquel (mas conhecia a forma chuqael). ducção do vol. estanão são do fundo tsiríberi)y trupo. por exemplo. Leite de Vasconcellos confirmou pela maior parte os dados do vocabulário publicado na Rtvista Lusitaiia: ao cigano por elle explorado só eram desconhecidos os seguintes termos d'aquelle vocabulário: hocunchas (mas conhecia a forma boque). . satalla (mas ministrou o termo asitasatalla)^ somhrimé. chor. churon.A investigação do sr. papires. (mas conhecia ustilar). romano. reconhecida competência do sr. pato. Pires conta. incluindo os erros que revelam a novi- dade do assumpto para perfeita authenticidade elles. foro. patarró. chuhelarj c}iorÍ7né. provam-me á evidencia a dos textos e do vocabulário. lluna. tardimen. sorhar que é connexo com gano europeu. erná^ gajon^ gorhelar. Alguns desses termos soltar. comhisarar. mol. rebrandihi. pandelar. que um cigano a quem perguntou o que era lua na sua lingua. olíbás. millenj miquelar. peti. que aliás significa toucinho. jucalorro. patê. llen. a perfeita seriedade do sr. istitelar grupo. que na introdos seus Zigeuner se occupou das girias em geral. taripenas (cfr. O sr. Se mais fosse preciso para me justificar. As relações entre o tsigano e as girias justifica a adjuncção a este trabalho da parte II. Se nalguns raríssimos casos houve burla. ii lembraria o exemplo de Pott.

outros investigadores. Julguei dever encerrar-me em muito modestos limites. que os ciganos de Portugal devem ser considerados como um simples ramo . a que envio o leitor desejoso de se informar. que esse mesmo estudo se liga ás minhas investigações geraes sobre as linguas mixtas. e de porque poderia dar apenas a minha opinião resolver aquelles modo algum materiaes novos para problemas. pois apenas aqui e alli se encontrava alguma rara e accidental noticia dos nossos ciera.Os ciados do esboço ethnographico dos ciganos sr. Permitta. e sobre os problemas da ethnologia geral. as migrações. de que os dialectos tsiganos são tão frisantes exemplos. taes como a persistência dos caracteres ethnicos. O presente trabalho demonstra. todavia. O assumpto por assim dizer. duvida mais largas investigações nos archivos e nos escriptores permittiriam alargar essa terceira parte. que se Pires. a Thomaz acha na parte III provêem principalmente do quem devo também o traslado dos documentos que descobriu no Archivo da Sem Gamara municipal de Elvas. pois eu sigo simplesmente a direcção em que locam os espirites phantasistas e que é a que pre- valecerá naturalmente na sciencia. problemas para cuja solução a tsiganologia ministra dados importantes. os ciganos portugueses e todos os grupos parentes dos outros paizes) têem sido objecto de consideráveis trabalhos. creio. virgem. as formas primitivas das relações internacionaes. Os problemas geraes com relativos aos tsiganos (designo assim. exprimo o desejo que outrem as faça. ganos e acerca da lingua d'elles nem palavra em os nossos escriptores. mas faltando-me o tempo para essas investigações. já mais ou menos estudados.se-me que ponha em relevo. que até foram sempre escassos no que respeita aos ciganos em geral. O fim principal d' este estudo é ministrar á sciencia os o dados essenciaes de que ella carecia para completar com conhecimento dos ciganos de Portugal o dos outros grupos irmãos. e essa mesma menos opinião não ofFereceria nada de se col- novo.

Francis H. 1889. porque se quizesse penetrar nas fontes remotas do cigano e do gitano pouco mais com poderia fazer que repetir o que escreveram aquelles investigadores celebres. dos principaes glottologos que se occuparam da lingua tsigana. Gipsies in The Encylopaedia hri- nenhuma em tannica^ vol. 353-375. em geral. Guido Cora. as seguintes publicações. acham em A. Ascoli e Miklosich. n. pag.. cujos titulos se Pischel. Diversas memorias. Jahrgang 63 (1890). II (1885). a comparar o cigano o gitano. 36. em que. 611-618. Turin. pag. in Internationale Zeitschriftfur aUgemeine Sprach- loissenschaft. Die Heimat der Zigeuner in Deutsche Rundschau 1883. ora a língua d' estes foi objecto de diversas publicações. que não haveria utilidade repetir aqui: Origin of Gypsies in Edimhurgh Review. Pott. como nas d'esses glottologos. n.dos gitanos de Hispanha. sem ir mais longe. Paul Bataíllard. Groome. se acham abun- dantíssimas indicações bibliographicas. Adriano Colocci. e esse pouco exigiria longos estudos faltam o tempo e os indispensáveis meios. 33. Pott Colocci. quem queira instruir-se sobre os tsiganos em geral indicarei. além dos trabalhos de Pott. x (1879). 32. 110-115. por isso limitei-me. para os quaes me A cujos titules transcrevo mais abaixo. . Storia âfun popolo errante. Gli Zingari. Die Zigeuner in Das Ausland. conhecidas. Ascoli e Miklosich. 34.°^ 31. Sept. pp.'^ 303.

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O homem que quer casar-se. ter ela boque. 12. 6. 11. Pela manhã. 3. Para j alar Parnés de sanacay. Ai chai! O tu! (?) 2. Não lhe peças. Sonsidela qu'el Repara que te olha. 8. ustitelalo. te dica. ! Olha esse estranho. Bate-lhe. jambo. Por Por la tasara di calicó la tardimen. Mira ese paio. 9. eh 1 no Sul. Pela tarde. Um cordão de oiro. Para comer se tem^fome. Mira que 10. gajon Repara que o gajo olhando. ainda que influenciado pelo português. Moedas de oiro. emprego a orthographia hispanhola. Sigo a disposição usual nos vocabulários portugueses. El jambo se camela rumandinar. . Represento todavia por x o som do port. 5. 13. Gorobon de sanacay. Como a base principal da lingua dos ciganos de Portugal é o hispanhol. 4. Manguinela Ustilela ai el jambo. está diquela.A LINGUADOS CIGANOS* a) Textos 1. 7. Non li pineles. Pede ao homem. agarra-o. CurrelalO.

Estoy acharán. Por el machingamó. Estou zangado. 33. Médio Media chibe. 15. 22. na 28. pelo cur- 30. de manguinar te camela didi- Escusas de pedir que não te quer dar {ou que não te dá). Miquelame sorbar. Es di chibe. vê-lo. noite. Deixa-me dormir. 17. Escusas que non nela). 27. 18. Miquela que m'istitelan. Mataram -no num forca. 16. Estás 29. Meio Meia dia. Lo maráron en un castí. arachí. 21. Não o quero. 34. S'está chibando airún. late. Mato. me quie- Querem-me roubar ral. Apaga a candeia. Plasarela el lampio. 24. Te amarelo con churí. (?) 20. Pede ao lavrador que te dê. abaixare- Abaixa-te. Deixa que o vá ajustar. beber em todas as panís. Lá vou. Ni dicalo. 25. E de dia. Allá chalo. Non le camelo.8 14. poste.te com uma faca. 31. Si chaló. 36. Non pmeles eso. nar (ou que non te . Manguinela que non é Dize-lhe que não é roubada. (?) pirabada. Miquela que lo ba ajusti sarar. Ya chaso. 32. Nem Deixa-me que me apanham. palonó ren ustabar. 35. Pode pillar en todas las Pode aguas. Estás bêbado. Não una digas isso. 26. 37. Foi-se embora. Aplasarelate. 19. 23. Manguiiiela ó labraoresa {ou laboroçal) que te dinele. Está-se abanando (á lettra: está-se deitando ar). Já venho.

a ber se lo se o podemos roubar. Da nora se tira a agua. homem! Toma a espingarda e mata esse ho- jambo que bamos a ni- mem O que vamos roubar- cobar los parnés. Mecles! les Non chingarelos Alto ! Não ralhes mais com mas con ga- os collegas! chés. podemos la ustabar.9 38. Que chorró está chibe que non pueden andar los chiqueles! 44. bea! 42. . a quem me encommendarei eu? yo? 40. y y ustiló los Entrou a cigana numa loja e roubou dois lenços. Que carregado está o dia que não podem andar os cães. Deus ! Otibé!* el 43. a ber s'el jambo o porta está aberta. el grupo di lo que ligarelas. Ay! sacramiento Oti- sacramento de Deus bé que nos bá marar! Mira lo que querela {sic). La dicaní está abertisa- A ra. e os jambos homens atrás d'ella corre- 1 Exclamação por occasião das trovoadas. manii! Ustila la pucf y amarila este Anda. sacramento de Deus ve- que benga en mi el nha Ai! o em meu auxilio. 47. Entrun callí á una dos camallí diclés. 41. Te bas alijerar tanto qui á luego los jambos nos ban a ustilar Vaes abarcando tanto que os homens vão-nos tirar com o vulto do que abarcas. con 46. a ver nos diquela. Ai! mi patarró maró. Del posonó si chicubela la paní. 39. que nos vae matar! Olha o que fazes. 45. a Ai! quien me combisararé meu pae morreu. Chasa. a ver se homem nos olha. El sacramento Otibé sea el Ihe o dinheiro.

mas ahillelar significa vir. apalé detrás. a noite feia. Passa de meio dia 1 Esta phrase trazia a traducçâo : olha que correm atrás de ti . Abillela ó coi. ouvir missa? 61. e tiraram-lhe os dois Tustilaran las dos di- lenços e á cadeia a leva- á la taripenas la chibaran (ou la ligaclés . ou que non te 50. Eu não tenho. Non Não faça caso. 65. non es ma- Dize-lhe que não és roubada. Terela alguna guchí. querela baguin. Tu billelas ou te maque- Vens ou las? 53. Amanga non palé suete. 63. Tem Tem alguma coisa. te camela di- Escusas de pedir que não quer dar. 55. Contaram-m'o a mim. Não. no texto a traducçâo d'esse adverbio cigano. Escusas de manguiiiar 48. os estranhos ciganos) atrás * (os não de de da gente (correm). — Vê se te dá. dinela. Bamos pirabala. 62. ou que não dá. (Diz-se de um cobarde ?) 59. 58. Vamos violentá-la (futuere). que que Vamos (roubar)? — está naracliicliunga. Bamos? Nanais. los jambos trás d'ala Tu sabes. raran). está brosa. 64. pois. (é tarde). Guillemos aracarar. 51. Me lo pinaran a mangue. deixas-te (ficas)? 52. Pinelale que ladé. muito dinheiro. 60. Be se te dinela. 49. No molachí. poz-se. Tusa chalelas. te te que non nar. tene- 57. Bamos junar Otebel canguerí ? la Vamos Vamos fallar. Pasa médio chibe.10 detrá si la chalaban y ram ram. Abillela. . Vem cá. terelo. 54. Terela bute pamés. 56. Vem.

se q'ustabele roube se és um un lecheruno. chuquel á la oricha puede sicabar en tus chibes. . e eu disse-te Texto evidentemente incorrecto. 73. 1 Em (tua) casa. Dama. porque as noites são penosas. miquelas non não deixas roubar. Janeiro. Plajo para las naclés. las Como carnes'eres si Fevereiro. Piar la cliaborilla. 70. Eueruuo. en . Cunhado de (á letra: marido meu * irmão ou irmã). A noche estube en chique . . Se tu agua (chuva) fora deitas (?) nos teus tus mulés ni el me jinelo mortos me ca . sol. Posta dei can. Qu'estabas con 71. o cão á rua pode sair teus dias. me diiiaste Hermosisimo chupeiio^ Y yo te he dicho trinca el ^. Castigai-ta de sus manos ^. para pirabar-te Pé^ non ha pódio sé. 67. as ustabar. bato Qu'el arachí nos beremos 72. Por no haberle dinau el mando. Deste-me (?) um . 68. Aora serrana me beo. 69. Se tu paní fu- rata chicubelas. Ferbruno.11 66. Pôr do Rapé. nem em 74. Ron de mi piar. Catro cales el arate. Como queres que leiteiro. Irmã. desvia * o pae bellissimo beijo por quatro quartos que nos veremos á noite. 2 3 Fero.

los cando sor- bando s'están. roubal-as pude. y salen los cales e se las nicobelan? acabam a debulha. dei hir. desamarrar as bestas. Os segadores vão a brunchos ban a seguisegar e os ciganos vão^desarar y los cales ban trás e furtam os burros di trás.Junho. y nicobelan quando dormindo s' estão. desamarisar las petís. Como queres. 77. Com as éguas pões a pones a hacer muUa. Marso. sabendo acaban mulla. Los sega. Como camelas. y ora el pasisarar ? 76. j yo non que vá roubar. Marse as Marso. Julíuncho. Abriluncho. las sar? Abela con el Abril. mulher me durmo. arachís las patís mãos não me deixam. 75. Nas saias de minha de mi romi mi sorbelo. sabiendo que la fazer a debulha. tuas aguas são muitas e eu não posso passar? Se rou- puedo colisarar ? Se ustabar granis. y chuga. Maio.12 porque las . randalas he podido. com o frio. Março. e saem os ciganos e as roubam? que e . mandiluncho. puedo los dos bar posso duas éguas. 79. En las fardisaras Maio. 78. Junioluncho. que yo baya a randaiv se tus panís son muchas. grafíís la Como las Julho. Vem com as favas no habuncbas en mandil. guós. ço. e agora pas- raisaros estan di trás. os ribeiros estão de trás. son penosas non mi miquelon.

para y sicabamos a poderem comer.13 80. saímos a roubar. suncho de chas. miquelas las chorís Como Setembro. Setembruncho. ya le chicubelo dos petís que bariás son ya. Eneruno de abela. El me- O mez os das fomes. solto se Agosto. biene un calo no e t'as rouba. 84. Outubro. eu pão lhe dou. 82. En la huertisara sina el julay. Na horta está o ya . . bam 83. me yo ladrisare- hortelão. Está los lo pastorchuncho en su chosimé. adormeceu já. 81. y te las nicoba. Janeiro vem. Octubruncho. Bíovembruncho ? Novembro ? Dezembro. Como mulas em os sendo o rio deixas as curraes. queles ladrisarelan. las bocun- Andam monte poder ciganos de para Andan los cales em e monte montuncho en montuncho para poder jalar. pa los chaborrillos poder jalar. já lhe furto duas manró le bestas que grandes são já. chubelo. os cães me ladram. Agustimcho. y los cales le nicobelan las ernás. randar. el mez mais mesuncho más contrariuncho de siendo los dos roubos ? Deixaste- las roubar. Está o pastor na sua choça. para vir os filhos bom tempo. e os cães la- y chu- dram e os ciganos lhe rouas burras. comer. vem um ciga- gustipenís? Dejastelas choriar. los chu- queles lan. pa benir bon tempisaro. Decembruncho. contra- en los palonolarés.

vol. ou ainda as formas mixtas hispano-portuguesas. Vocabulary oftheir language. Bohémiens). sem suffixo novo. Les Parias de France et et d^Esjpagne (Cagots 1876. con cerca de 3:000 palabras. Vocabulário dei dialecto gitano. ao tsigano ou gitano da Hisas notas Em panha. 2. Appendix: The Zincali. dei dialecto gitano. mas com significação própria ao cigano. 2.^ ed. ainda quando são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas. Coritiene Origen y cosmas de 4:500 vocês. Vocabulário dei dialecto gitano. A. abaixo citada: Hudson. The Zincali. Essa parte comparativa seria talvez mais completa se eu tivesse á minha disposição as obras seguintes : R. pp. 1853. Gli Zingari in Spagna. 2 vol. Madrid. 1878. usos y costumbres de los gitanos^ y diccionario de su dialecto. S. 1.*'. or an account of the Gyjpsies ofSpain. de C. A. ou quando são palavras his- panholas ou portuguesas. um extracto da de Borrow. 1846. Sevilla. 1843. 1844.14 h) Vocabulário Incluo neste vocabulário todos os termos próprios da lingua dos ciganos. excluindo ou o que é sim- plesmente hispanhol ou português. Milano.^ edicion. V. *3-*119. Jimenez. (Contém palavras do dialecto dos gitanos do norte de Hispanha. London. limito as minhas como comparações. de Rochas. trabalhos que possuo sobre a lingua e litteratura dos tsiganos da Hispanha são os seguintes: Os George Borrow. Cruzillo. D. E. 1846. que seguem as definições. já disse. Paris. segundo Pott. 1851.) A seguinte publicação é. Origen. . Diccionario Barcelona. Campuzano. tumbres de los gitanos. Madrid.^ ed. ii.

230-234. Le jpays Basque. adernas de los significados. F. muchas frases ilustrativas acepcion propia de las palabras dudosas. peq. Philosophisch- 1 Não esteve á miuha disposição o livro de Balsameda y Gonzalez. Novíssima edicion. Con un epítome de gramática gitana. Vid. primer estúdio filológico publicado hasta el dia. 8. Madrid.)* Francisque Michel. que contiene. Philologie. Os dos dialectos tsiganos trabalhos scientificos de que me sirvo para o estudo em geral são os seguintes : A. unge- G.« 76-76. Sevilla. l-xii in Denkschriften der kaiserlichen Akademie der Wissenschaften. 1857. 8. I. 2 vol. Rodrivol. 8. Die Zigeuner in Europa und Asien. 8. sa jpo^ulation. 8. Pott.° Dr. Ascoli.° Cap. Schuchardt. 1865. Vocabulaire p. sa langue . y un diccionario caló-castellano. Besonders auch ais nachtrag in zu dem Pott'schen werke «Die Zigeuner Europa und Asien». peq. nach gedruckten und druckter Quellen. de la Colecion de 1870. sobre esse poeta flamenco F. V. 1881. 1881. Halle. Halle a/S. Primer cancionero de coplas fiamencas populares segun el estilo de guez Marin.° Die Cantes flamencos. 8. costumbres y dialecto de los gitanos^ por D. ses moeurSj sa littérature. Cantos populares espanoles. . Historia. Por D. Paris. pp.15 El gitanismo. 1844-1845. Ueher die Mundarten und Wander- ungen der Zigeuner Europa's. von H. 1881. VII: Les Bohémieíis du pays basque." 144-146. Zigeunerisches. Francisco Quindalé. pp. vornehmlich ihrer Herkunft und Sprache. recogidos e anotados por Demófilo (António Machado y Alvarez). et sa musique. Sevilla. Andalucia. Franz Micklosich.® (Separatabdruck aus der Zeitschrift fur rom. Ethnographisch-linguistiche Untersuchungen. Cantes flamencosj. Francisco de Sales May o.« Halle. iii.

i-iv. Bd. porque acharán por *acharanô é uma forma do part. Bd. ja- m. To burn. Port. abriluiicho. pela troca de gitano e cigano (vid. Abaixar. abaixar. s. xxr. três primeiras memorias cito abaixarelar. tidos de — de que o hisp. Port. abillelar. Vasc. Esta derivação : foi-me suggerida porDemóíilo. a. e justiíica-se 1. p. Lxxvii. jambo). o que se confirma ainda pela forma achardó. v. XXXI. abillelar. Git. pi. s. Venir. Colecíon de cantes fiamencos. Quemar. e que é c?o. To come. Git. n. quemar se tem os senqueimar-se. Borrow. 8 segg. jacharar^ v. ibid.^ p. abertisara. Olhos. abril. ahillar. pret. h Q j em Leite de Vasconcellos. Sitzungsberichte der kais. Zangado. Akad. Vid. — Beifrãge zur ss. aEstar si- acharado^ diz Demófilo. chegar. acudir. xxii. xxiii. f. um participio pret. Abaixar. Lxxxiii. abillar. Kentniss der Zigeunermundarten. Calentar. colhida pelo sr. 1. s. e hisp. 43. abillelar^ V. agastar-se.16 historische Classe. das outras a paginação do corpo dos Denkschriften.^ semanticamente pelo . Wien. n. XXVII. abaixisarelar.° morphologicamente. a. s. Uegar. frequente tsigano (Miklosich. Mayo. Borrow. Mayo. v.Vir. em facto. vid pinodó) 3. Vid. aberta. 1872 XXV. pêro disgusto que tiene mas de . impacientar-se. XXVI. tormento. entre outros. es otro modismo andaluz que gnifica estar con disgusto. ii. der Wissenschaften. Abhandl. Vir. em typo também . m. XXX. Das a paginação da separata. acbaráii. f. a. chare. 2. n. Aberta. 14). Wien. n. v. Git. v. abaixisarelar. escaldar. abalar. xc.° phoneticamente. Venir. Abril. n. e adj. Port. acais. Mayo. Borrow. abrasar. adj. frequente em tsigano (Miklosich. Mayo. sacais. v. Quemazon.

adv. Vid. molino. Cão. pron. Hisp. anela. m. manrona. a. ajustisarar. jaracaliales. s. Agosto. Demóíilo correlaciona-o com git. aunque no lo bailamos en el diccionario de D. Matar. Vasc. Vasc. s. amarelar. aracaná. Git. Hisp. T. aplasarelar. Git. Vid. Vid. Mill. policia. s. s. cotistá. ligarar. ' Mayo. 2. m. s. apalé. f. Detrás. es el participio dei verbo achararse que parece calo. pi. a. Vasc. plasarar. v. s. Vasc. ajpald. e hisp. m. aparejo associado unicamente pelo som. v. pi. f. Este verbo se emplea mucho en Andalucia en sentido de incomodarse. Schuchardt. s. (Nós. aire. s. v. pess. s. marar. s. achochinar. Meias. Vid. s. ajustar. Vasc. Mayo. amanga. 12. nosotras. alsiplesis. asiá. Acena. Nosotros. pess. pi. Vasc. satisfazer. almarronas. Port. giria. (amangues. Louvar. Detrás. gollás.VASC). pi. e hisp. Aparelhos de montar. giria. Sem ser presentido. jacharar. pi. Abaixar? Git. a. alijerar. Borrow. Borrow. Pagar. m. acharado. Behind. enojarse. aparador. m. Ar. azia. Borrow. Agua. agosto. agostuncho. Git. Git. Eu. f. adv. Mayo. Guarda. patusco. airesunchoj airun. m. a. Vid. s. e hisp. v. Guard. Pagar. infra calão ancia. Borrow. Moinho. f. s. adv. Hisp. aire. m. Alforges. andantes. s. pron. Bags (for bread). T. BoRROW. acharán. Mayo. a. s. Francisco Quindaló. T. m. s. nos (en general). a. Qçii. s. Port. m. Ajustar. . T. nos?). Mis- com ^ovi. Mayo. Vid. giria. Vid. agullá. acotistamente. Laranja. mangue. andar. aparador. aparelho ou hisp. recompensar. Port. Mayo. v. apatuscos. f.17 pena concentrada que de ira. giria. Alforja. p. s. Ar. manronas. m. v. Zangado. osian. la palabra acharão. disgustarse». amangue. ancian. Guarda. achardój adj. aracate. Casas dos botões. tura de port.

arhol^ aròoledo. Azinheiro. m. atracaj^j s. Uva. m. Noite. arai. Vid. s. s. Vasc. call. bale. m. f. archí. Cabello. senalar. s. Mayo. halibá. s. arate. Vasc). Hablar. balicbil. knight. e hisp. s. Hisp. f. Sangue. s. hal. Port. s. arvore. Git. araquerar. arboléo. Porco. Git. Git. Vasc. m. s. Pantaloons. s. Noite. v. BoRROW. Git. balules. balebá. m. Git. Git. s. Banco. (balbá. baluné. Vid. s. Azeitona. Hair. s. proclamar. s. bato 2. Pelo. Gentleman. Borhale. f. pi. Last night. por la noche. Mayo. aracarar. Mayo. halelá. Eespeto. Mayo. Vid. cabello. aricanás. traquia. Caballero. Toucinho. s. Borrow. Vid. m.) s. Vasc). consideração). Cavalleiro. Git. carabi- neros. m. Sangre. ofíicers of the revenue. m. Vid. arachí. m. v. f. arate. Git. v. B baguim. Borrow. haliché. s. balunés. puerco. a. pi. a. BORROW. row. s. Los bales dei mui. Cf. (balulas. Pantalones. Vasc. balunes. balichó. m. Mayo. s. s. Cerdo. f. Marrano. ascuuo. Vasg. Vasc Port. s. pi. Vasc). s. arachí. bancuncho. e hisp. Abysmo? (Asco. Calson Borro w. s. Mayo. balabá. Noche. araquerar. mensi^ort. f. s. balabá. nojo. Pelo. BoRROW. Arvore. Git. arvoredo. Fallar. m. Guards. asitalluna. pi. Botões. hajin. Git. m. a. m. asco. satalla. m. m. s. Vasc. Hog. (balichó. De noche. Guardas. atencion. s. Uva. To speek. Mayo. corto. Mayo. eray^ m. s. na. adv. bigode. f. Anoche. m. pi. .18 s. s. Tocino. m. s. araquerar. m. Caso (importância. aracM. balul. banco. Mayo. m. s. truacion. balunes. Bor- ROW. talk. Calças.

Copo. pi. Pico. Horta. Fr. Mayo. hohi. 1. 17õ. bobe. bar. s. barco e branquiá. m. Git. hal. f. bicha. s. Vender. BoRROW. s. Vid. Mayo. Cobra. s. gallo. bise. a. Great. basní. bar 2. Pich. Git. Pae. Me- Mayo]. f. excellente. fiierte. s. s. Vid. Mayo. m. blUelar-se. bea. Git. baste. s. Borrow. Vid. grande.19 1. p. Huerta. s. bea. f. Habas. Git. cochon. s. m. Vir. Fatlier. Borrow. Mano. s. Mayo. s. adj. Git. em git. Vasc. har. s. Abelha. bartaSj. har^ sebe. Git. adj. barquí. hedeyo. v. m. v. Hisp. Mayo. dialectos tsiganos hári^ Noutros Jardin. p. barbaló. s. f. e hisp. Git.. hasnó^ m. Padre. s. hate^ haste. vaso. Vasc. f. m. Madre. l)aró. s. Miklosich. BoRROW. Michel. Mano. abeille. i. Porco. f. harij. halicho. Fr. hastes. f. hinar. Stone. Haba. s. barquí e braiiquiá. Ovelha. exquisito.. adj. Git. Git. Michel. barr. Beans. hlanco. vii. Vasc. s. Garden. (Justiça. haticho.° 80 é o feminino plural. Mão. s. dida. hicha. haréj haró. Vid. hóhes. s. s. a. superior. bato. kitchengarden.) [Git. Cock. Grande. Mayo. A com s. Auxilio. Pico. translação do accento. blaucaera. harhaló. s. binar. f. 2. Piedra. Gallinha. T. Vasc. f. giria. 2. abillelar. Tsig. Borrow. Fava. barbuiia. To sell. Vid. hato. roca. f. Mayo. s. Bokuow. Mayo. PIorta. Gran. refl. harha. BoRROW. BoRROW. hata. f. Borrow. Vender. Mayo. s. bata. Cal. The hand. s. m. . Rico. Port. basiló. f. Carneiro. forma hariás do texto n. Jíhhandl. bato. basisaro. Port. Bise. Barba. bocunchas. bibiora. Git. s. jardim. adj. strong. s. Pedra. pi. Hisp. f. hoque. m. Yasc. f. v. 144. f. 144. barco. Mãe. Gallo. bar. has^ f. Fome. s.

huter^ hu- cabruncha. adj. moun2. sheep. Vasc. m. adj. Oveja. f. m. f. Surda. f. m. Surda. caíque. More. Mato. m. Vasc. Cuarto nario. adv. Git. Fome. Git. Mas. Mayo. cajuLima. famine. ca- llardí. s. Monte. . s. bute. Morcella. b regue. f. s. f. bui. s. s. hucharrar. Pão. adj. Port. Orifício. Madrugada. Gate. Port. Membro viril (?). Vasc. callicó. Git. s. BoRROW. s. e hisp. bregue. Ano. budar. Borrow. barquí e branquiá. braquíj s. Git. Cabra. Mayo. hr acura. s. f. m. f. Carnero. hraquilô. Lua (?). cajuquí. s. Port. ano. hul. Dawn. arroshoot. cachas. Vasc. ho- quiy boquisj s.20 s. Mayo. 2. Cordero. s. Ovelha. s. pi. Tiro. s. Porta. s. f. Ninguno. chamada a surda?] calduncho. cachas. Campo. boque. A de- f. BORROW. tain. adj. BoRROW. Cabra. m. s. indef. hurda. Mayo. lanzar. caldo. a. f. m. adj. Field. Carneiro. s. Moeda de cobre. moneda. pi. Mato. Vid. cabra. bucharronj s. i. f. y adv. s. m. huchararj v. callicó. Muy. adv. Ninguém. Muito. s. m. Anno. m. callicó. s. Borrow. (adj. f. s. caíque. hoqui.) [Git. Vid. Tijera. Hunger. monte. s. s. BORROW. m. Git. BoRROW. Black. Mayo. a. s. calicó. callardí. s. adv. Git. m. BORROW. 1. Puerta. m. a. door. Nadie. Mayo. a. cale. s. f. borrego. cale. Git. Echar. jar. hracô. pron. v. tré. Vasc. Git. Mayo. Negra. A Oveja. e hisp.) Lucto. Tesoira. s. (Preta. The anus. BoRROW. etc. quyy lua seria File. s. s. f. branco. indef. Hambre. Git. f. brancuncho. hre^e. Git. Manhã. Git. m. m. m. branquiáj s. Scissors. Borrow. f. pron. callardo. Mayo. cajuquí. hreji. hut. cacha. Git. Negro. Branco. To BoRROW. Git. Manana. Mayo. f. hraqui.

Prima (?). camino. Mayo. ! Mas pi. s. Gypsies. e s. dá camelo. Git. m. centeno. Mayo. Vasc. chai. Mayo. calo. Paio. amor. Camarada (?). Mayo. adj. Vasc. f. Gitano. woman. Git. Querer. BoRROW. Vasc. f. s. Children. (Vasc. e Hisp. Mayo. m. mocita. castende. coloro. f. Filho. Pau.) Git. BORROW. A phrase s. chabaró. Couve. casa de venda. centenate. Sol. f. Sol. m. Nino. consentir. adj. Vid. BoRROW. cha. can. Tigella. Loja. s. Git. s. a black. Oido. a. camení. can. Caldera. m. casté. f. chague. f. chabó. f. chedé. f. B. baston. camelí. s. f. A Gypsy caraallí. s. Ninos. Git. calli. m. i. camiua. Mayo. v. Port. Vasc. castí. Centeio. (cangrí. pedaço de lenha.21 e s. Bor: ro w.* pess. s. Oreja. s. chai. s. enamorar. Jitános. ai Cabbage. cale. BoRROW. f. Atezado. cané. Memu- chacho. castí. s. calo. Git. s. Vasc. caiu. cam. carruncho. f. . Querer. Herva. Cigano. Yerba. f. Tienda. s. amisade. Git. s. cascaraòi. chaja. com a traducção Nina. s. Vasc). Sun. Vid. árbol. Cigana. s. s. chaborrillo. s. cliaborron. (camellí. m. can- gari. m. s. calli^ adj. Hisp. cascabes. m. Ear. Borrow. como m. m. cangré. (casté. s. f. Shop. m. Git. Git. Hisp. Mayo. s. a. ind. chadí. A Gypsy. calo. m. f. Git. Mayo. Borrow. ó tu chai. camelar. i. s. s. s. chaborrí. s. s. To love. a. s. s. nino. Vasc). prés. BoRROW. Igreja. a. Mayo. canguerí. s. cangrí. amar. chai. carabelés. muchachos. s. m. Vasc). s. Mayo. mas é talvez 1. v. Menina. chaborilla. Varapau. camelar. Hijo. m. f. chai veiu ! Git. fellows. caní. s. Orelha. carro. cani. moreno. f. Caminho. s. (de chabi). m. Col. Iglesia. f. a. m. a. m. Feira. cam. s. Carro. cate. Git.

v. Git. m. Git. Git. BoiiROW. s. v. sicohar. Vir. Ciego. (Bri>íar. repartir. refl. Vasc. chimutra.) Git. chindó. Mayo. Entender. Git. a. Mayo. chingarar. Cabrão. furtar. m. Feria. s. puU out. a. Cama. y adv. pasar. s. m. v. cliati. m. Ralhar. n. s. m. he goat. (jii. a market. To walk^ to go. BoR- ROW. sicohar. s. caminar. Git. marchar. Mayo. Borrow. m. Git. Mayo. Git. Bed. chi. v. Poner. BORROW. chichoji. Mai^o. pron. n. Lua. cheripen. a. Borrow.) Óculos. chicubelar. Borrow. Moon. s. chasar. a. Ir. s. reilir. Sacar. Nada. s. Pasar. f. Pôr. s. chibar. v. Mayo. Disputar. reprender. Gato. s. m. To extract. s. chardí. v. Feira. chachipé. Mayo.22 chalar. BOEROW. Mayo. Gato. clialar-se. v. charibéo. Git. A fair. adj. Ir. v. m. Cobertor. bedstead. chiiigle. Sim. Nada. Git. f. jhiqalé. charipé^ s. s. pi. chalar. Cas. f. Chavelho. bron. Estrella. a. To fight. Traitor. Lecho. í. s. a. chasar. adv. trasladar. sicobelar. v. tender. Vasc. Saber. Mayo. chanavj. realidad. correr. m. guerrear. cama. deitar. v. postrar. Git. f. Borrow. s. Truth. Grit. chichobo. v. v. esconder. Borrow. conducir. BoRROW. v. chibar. echar. chingarar. Mayo. Dia. Git. a. chingarar. dor. Borrow. To know. chalelar. Borro av. Traif. Dia. Vid. Mayo. Git. Saber. m. fair. f. chliigarelar. meter. a. andar. shoot. n. Borrow. Mayo. cabron. (Cegos. Git. conocer. chibe. chi. v. s. Fugir. . charó. saltar. s. chanelar^ v. Verdad. cornudo. To cast. m. sungaló. Cat. chedé. a. chachipen. andar. a. Prato. V. andar. caminhar. s. chinutra. a. sar. Mayo. f. indef. charó^ s. Vasc. m. Tirar. Plato. chimutri. chardó. Feria. a. Mayo. chindos. saber. f. f. chechipen. s. chíhé. posembrar. s. Mayo.

chuchas. chorró. Feio. chorí. Vasc. Thief. chor. s. s. Tierra. thievish. Frio. Pires traduz : chique. de- forme. indigente. choriar. v. m. m. Mayo. f. Mula. evil. perverso. Git. Feo. Git. chuga? Significação incerta. chor. choro. Dar? [Git. choriar. lavar. 2. Vid. adj. s. chohar. Teta. ground. Git. Breast. s. chungo. adj. 1. clioij m. pesado. f. chorar'. chucha. heavy. Roubar. mojar.° 70). Vid.° 79. com o suffixo men {== me). choça. traz todavia os derivados que chungalipen. choror. adj. chuiigo. s. chiquel. Ugly. Borrow. carregado. punal. m. v. maio. Ladron. s. Navalha. chuchai. m. Borrow. geral). Pecador. chorré^ adj. Mayo. f. m. Git. s. f. cho7. f. chorí. chunga. Borrow. Git. fango. adj. Seios de mulher. i. f. Pelo som só acho para comparar gitano chique. chorré^ i. i. Vasc). O sr. maio. f. Git. (n. pap. Pobre. s. Lavar. a. o seguinte. Bors. Der. chungalo. chol. s. ro w]. adj. chuquel. Git. a. chubelar. Mayo. a. Mayo. v. v. a. Earth. pecador. Git. Policias. Mayo. Mayo. dron. chorí. churí^ s. BoRROW.23 Esta palavra occorre numa tua casa. m. Mulo. O quadra cigana sr. fallando do dia. To wash. pecho. vid. BoRROW. Poor. s. Git. s. Cuchillo. Mayo. s. n. tsig. BoRROW. Choça. rJiohelar^ v. Rociar. f. Mayo. Git. Maio. Feo. choro. Cevada. Fêmea (em Mayo. s. navaja. chororó^ adj. f. Ladrão. Leite de Vasconcellos verificou o sentido: casa. a. pecador. Thief. Textos. pi. chohelar. Cuchillo. m. choror(3. Macho. Cebada. m. a. preverso. choi^. (Zangado. Bobar. s. a. f. Lodo. Borrow. s. deforme. s. chore. chorrés. s. pi. f. Mayo. Mulher feia. A palavra falta em Mayo. Pecho. chungalo. a. . BoRROW. s. de port. La- chosimé. chororo^ adj. Pobre. adj. Knife. suélo. Vid. Feo. s.

Git. s. e chungas partias e rebenta yo. Git. s. m. cicubelar-se. clallesa. Jasiéndolo bien contigo. Beso. f. Key. s. chuquel. Leite. Ibid. chi- cubelar. m. ir-se embora. Cá. f. Aqui. Navalha. Yo no se porque motibo Tan chungamente me pagas. [Git. chute. adj. s. churdiní. Aqui. Provavelmente do portuguez chorão. Facada. adj. crallisa. s. Retirar-se. BORROW. s. crallis. Vid. Dog. n. colcoro. chupí. chuquel. churi. chumendó. f. Rainha. chuquel. . chupendó^ s. Git. Mayo. chorí 2. BoRROW. colcoré.** 63. f. acá. Demofilo. chupeno. chuquel. Mayo.) Ralhona. . Borro w. Mayo. Mayo. maio. b. BoRROW. Leche. chuti. p. BoRROW. Cf. adj. (Cadella. p. v. s. Rei. s. 74. Mayo. Solo. Alone. crally. 13. s. Llave. clave. Dagger-blow. f. Reina. f. Cão. f. Cuchillo. Perro. Perro. s. Vasc. Jaqueta. Git. m. f. Mayo. Git. churon. s. m. Mayo. Beijo. s. colcorô. Git. m. clicjii.24 maldad de pensamiento Como Tengo Tentacion. refl. Git. chuque. s. m. Borro w. cicubar-se. Queen. Borrow. Vid. Git. Vasc. f. espécie de salgueiro. Vasc. Arvore. n. í. clalles. Git.. Bolsa (?). f. Vasc. colcorró. churdina^ s. f. adv. s. Mayo. clechí. Punalada. aqui. f.] adv. m. m. Milk. acoi. refl. único. BORROW. Vasc. Vid. Here. significa também : A fuersa rebienta un cânon. Rey. clalles.« 389. punal. Vid. s. BORROW. Cantes flamencos. s. chuquela. s. v. King. Sósinho. chupa. Mayo. coi. s. cicubelar-se.

Friar. v. Encommendar (?) s. pain. f. s. s. f. alzar. Ultrajar. Los Moros. corajai. ello por hisp. curelô. Pegar. coro. pegar. ce- f.25 colisarar. Germânia: culehra. Vid. fr. contrariuucho. Mayo. Fajã. Mayo. Mayo. BoRROW. latem gerta. correllar. trabalhar. costiuar. Houve talvez confusão das duas palavras. pelos processos da O endurecimento da pronuncia do g gi e gui. Sem ser presentido. m. culebra. que é propriatermo de germania. penar. Borrow. n. Cântaro. cribó. curajay. Pitcher. illo. cotovello. m. m. v. (cf. git. BoRROW. o gitano mente um O cigano do Brasil tem gerta. naranja ter-se-ha Laranja. arajay. do. O hisp. Mayo. m. adj. s. s. currelar. Borro w. Castigar. Vasc). pi. Git. Cotovello. v. Godfather. BoRROW. Arroz. m. Arroz. Melhor git. trabajar. m. Mayo. cratiá. To strike. To mount. s. BoRROW. Trabajo. Compadre. Arroz. Vid. v. Rice. padre.) poderia ser o ponto de partida de uma forma greta. com troca de suffixo port. quirihó. The Moors. f. s. Port. Abbadessa. hacer. a. o seguinte. corpiche^ corpichí. costiuar. a. s. pena. a. Mas dou isto como simples hypothese. Contrario. costinelar. Git. curajaui. (Ama de [Git. por gerta. V. costunar. s. a. tornado oranja orangej e oranja assimilado a oreja e esta substituída formação das gírias. Levantar. creta.] . corá. golpear. ranja. a. Compadre. Mayo. s. cotobillo. f. curar. a. v. curelar. s. v. s. combisarar. Cântaro. Trouble. Vasc. Padre (cura). s. a. acotista- mente. (cí. Cf. Git. Frayle. Git. loc. s. trabajar. orelha (Mayo). Montar. Git. Passar (o rio) (?) colpiche. cotistá (a). Mayo. colmar. curarar. Montar. v. m. Mayo. a. v. m. a. m. Bater. m. v. adv. Borrow. Cinta. s. s. nidor. work. etc. synonymo.

v. s. m. panai. paifial. BoRROW. deciembre. Git. debel. a. decembruncho. Git. s. diiiar. Ultrajar. Port. i.26 cupchelo. dezembro. Sem m. Dar. Mirada. deo por dedo. Vid. pi. Git. louco. Git. Alhos. To diclé. Dezembro. díneló. v. v. Dar. desamarrar. s. a. Porta. v. Madre BoRROW. Borrow. Window. liisp. dicló. Vid. a. Borrow. Mayo. golpear. v. dentes d' alho. curar. m. m. do. Ver. f. s. m. give. trabajar. percibir. dicahi. m. Dar. m. currar. Mayo. Git. v. f. a. a. To Borrow. Ventana. s. dicló. dicaíií. Port. Git. a. s. anterior. dinelô. D dai. Borrow. diíielar. Borrow. Vasc. dialectal deuncho. acochar. Git. a. a. Vasc. Nurse). disoluto. Tonto. trabaa. dinar. Mayo. work. BoRROW. adj. Mayo. Diente. Braço. Git. To strike. s. No argot dinde significa tolo. Git. v. s. a. . Git. Mayo. Abegâo. f. dai. ofrecer. Mayo. Mother (projperly. Fool. conceder. Dedo. Lenço. e bisp. Mayo. Desamarrar. lli. s. janella. o Peru. BoRROW. entregar. dicar. curará. daííes. Deus. Lienzo. Dar. pi. MayO- danes. ra. God. Handkerchief. dineló. f. clout. s. Git. a (?). see. a. ejecutor. Dentes. v. culiTÓ. desamarisar. s. port. m. Obrero. s. Ver. dinelar. Borrow. dani. m. Mãe. Mayo. hacer. Panuelo. m. curarar. Mayo. s. pegar. s. dicaní. Açoutar. jador. Dios (en general). s. duvida (en general). s. desatinado. (danes. dehel. v. dicar. f. = daíies^ cf. correllar. s. i. Necio. v. Hisp. e adj. f. Vasc). s. To give. a. s. Mayo. Lenço. s. Pegar.

doudéscaro. dandesquero. Burra. Mayo. Road. vineyard. Eira (?). s. Git. mulé. estaríbel. Hat. estripar^ e segundo o git. Mayo. s. Git. i^ Sacerdote. Soldado. Palavra composta. estaíia. Hogs. Mayo. Cerdo. prision.] s. díquelar. (hongo. Soldier. s. estar ipel. Imiidunal. puesto de vender. Mayo. a. hes^ 8. Git. Coveiro. s. BORROW. Mayo. Mai^o. m. eresí^ s. erajay. jeró. Friar. estana^. Git. m. Borro w. s. Cabeça. s. esteribin. s.27 mirar. eiuro. Mayo. Git. (estaribeii. Enero. druné^ m. v. m. estache. [Git. Tienda. v. estripa^ v. defunto. Chapéu. Mayo. s.eriné^ s. BoRROW. m. A dead man. m. Ver. llí. s. eragar. Carcel. m. s. m. inerin^ eiieinmo. Vasc). estache. douares. m. Vid. . Git. Camiiio. s. jundunar. m. mulo_. Git. Borro w. Lanip. Mayo. Borro w. Cf. Padre. s. s. Candil. arajay. Mayo. Estrebaria. eresia. estar ipel. Cabeza. Git. f. m. m. f. adj. BoRROW. estripamulés. dundisqueró^ m. Candieiro. f. Janeiro. Fraile. Git.. vacha. s. Caminho. velon. pi. Borro w. s. s. s. Prison. Head. droir. Mayo. f. BoiuíOW. candle. Vine. m. ejeró. Vina. BoRROW. m. Hisp. s. s. Git. a. chambergo). isa. eri- eruá. m. diquelar. Git. f. cmnbre. BoRROW. a. Sombrero f. etc. s. BORKOW. f. s. Candiloii. s. m. Attender. Mayo. m. m. drun. Cadeia. cujo primeiro elemento é sem duvida o port. Muerto. Mayo. mulo. m. curagaj^ eresí. s. viaje. Cf. Soldado. s. Fraile. coprisão. a. s. Mayo.

(Cão. garabelar. Git. BoRROW. De port. BORROW. man. BORROW. Port. grafíij Maré. gallardíj Git. f. s. gate. ropage. f. Escopeta. gatuncho. Vasc. pajardo. ferbruuoj floruiicha. hisp. s. m. s. (Um quidam. s. Git. s. s. fupata. m. m. A gentles. Re- BORROW. s. m. m. Hisp. Cf. Hisp. f. s. Camisa. Vid. s. fuera. m. — Properly. To be on one's guard. Vasc). puca. Varon. Git. v. Gallo. f. gallo. s. legua. Fevereiro. Mayo. gachó. Vid. s. Negro. gallardó. s. galler. gachó. Port. Relógio. fajã. a. a. farda. a. Figo. Mayo. Git. loj. s. Git. Vaso. Burra. Faixa. v. f. s. Mayo. Fora. Eopa. Mayo. Guardar. gate. i. s. e hisp. flor. f. Túnica. foro. fusca. gaché. m. s. pluma. m. Borro w. s. m. m. m. Caballero. Flor. s. Mayo. mancebo. gaché. Cabellos. s. Pólvora Any kind of person who Jitáno. (a negra). s. is s. m. pi. guardar. m. Cualquiér hombre que no sea Git. galluncho. pusca. garbo. Espingarda. not a Gypsy. to guard. Gajo. foro. Git. s. fora. e hisp. Hisp. Saia. camisa. fehrero. City. v. Burra. garabar. gaché. Ciudad. sepultar. Mayo. m. s. BoRROW. port. fardí. Port. m. Shirt. s. Enterrar. gato. gani. s. m. frumachos. BoRROW. grení. Git. f. Gato. gajon. fardisara. Mayo.28 fajima. Git. garabar. gachô. f. plumacho. CoUega. . f. Vasc). Watch. adv. Cidade.

f. Git. f. goi. s. guer. To Mayo. a. s. que supprimo por duvidosa. Cavallo. s. Buey. Morcella. grani. granja. adj. Ir aprisa ó de re- pente. gi. Vulto. goruy. . golheri. s. s. Git. BoRROW. tsig. Potro. v. guenassuertes. a. s. Burra. guer. f. vacca. gra^ s. m. Town. m. Git. guchí. . café. Vid. s. Caballeria. echar a andar. Mayo. m. gupui. guiyalar. ass. aldeã. guillàbar. goro. s. s. Burro. Anything. BoRROW. s. gustipení. f. huchi. Caballo. Asno. pi. grahi. m. Donkej. f. s. Horse. gulôy llíy Laranjas. legua. s. s. s. : Mayo. gao. m. Boi. Égua. Git. gel. e suerte. Borro w. Cidade : gaubarí. Propriamente doces. Comp. pueblo. grei. Apanhar. goUás. vision. Git. dialectal gxieno. Mayo. Esta palavra foi dada na i?e- vista lusitana. v. a. f. gi. gué. Bestia. Cordão. Borrow. Mayo. gruy. goroboii. Borro w. Git. f. Mayo. Git. Coisa. BoRROW. Mayo. m. village. pi. Salchicba. asno. s. guiyabelar. burro. Dulce. guir. Borrico. gueriní. Mayo. Git. Git. guel. etc. s. m. s. s. Trigo. por bueno. Wheat. f. Hisp. Borro w. v. gui. Vid. m. s. harvest. guil. Aldeia. s. trupe. s. com a significação de «toucinho». Pernas. n. Mayo.29 gau. f. grai. s. Ox. guillar. guillar. Em gorbelar. m. Git. m. Cantar. BoRROW. m. a. grupo. v. m. gau^ s. Pueblo. Fortuna. s. Trigo. m. f. Cosa. grasrli. sing. s. Koubo. BoRROW. Vasc). Git. Yegua. Git. I. jil. m. guer. s. pi. Cantar. Ir. Mayo. n. Cosécba. bohemio gudlo. guillabar. goroes. s. Mayo. (gresní. f. gau -j- baró. m. Git. s. gorobó. v. goji. m. Mayo. ou f. Maré. Crop. Logar. s. 12. v. m. Vasc.

f. disipar. Cold. s. adj. hamhé. Descargár el vi entre. jamar. f. m. (hil. One who is not a Gypsy. junduné. m. Borrow. Vasc. hacais. liarou (h aspirado). Vid. Gente. s. BoRROW. jamba. Bonito. jinelar. Git. liarame. s. jamar. ustilav. Git. BORROW. liuerta. MayÔ. m. ra. absorber. BoRROW. her Qi aspirado). BoRROW. BORROW. comer. jocar. Hesp. s. guer. a. To eat. Comer. Frio. hir. orobelar. s. Fava. Fresco. jambo. v. Mayo. jir. jalar^ v. Mulher estranha. m. s.30 H habiiuclia. Git. m. estranho. muchedumbre. 2. m. haba. jalar. (?). É talvez erro por ustilelar^ vid. huertisara^ huiidunal {li aspirado). s. Cold. goroes. s. a. haller. Jiamho^ m. a. s. s. BORROW. Vasc. Mayo. Vid. pi. Burro. Comer. Vid. galler. . s. Trovoada grande s. v. tribu. m. Hesp. s. m. Comer. Vasc. m. Soldado. v. a. Vid. horobar. jambobaró. adj. jinar^ v. jundunar^ s. To exonerate the belly. Mayo. El que no es Jitáno. Git. f. que não pertence á Git. Vid. v. Soldado. n. To v. istiteJar. Soldier. Frio. jambo -[- jambo. eat. s. Apanhar. s. jundóy jundunar. a. Auctoridade superior. m. Homem s. sacais. m. Mayo. Horta. m. a. Pé. que não pertence á tribu. Jaqueta. Git. jucalorro e ojacá. Vid. Vasc). Cacare. s. jil. Frio. juiz. B. Cp. baró. a. Comer.

s. làoduov^. Port. legerar. Ua. m. Llevar. Llevar. tente. adj. n. liquerar. junar. s. labiunclio. m. ou de port. a. A hare.) Prender. Git. Mayo. ladrisarelar. percibir. Bonito. junelar. Paper. Mayo. cargar. v. ligarelar. liquerar. BoRROW. Hisp. Leiteiro. lahraoresa. a. v. m. jucal. jojoy. a. Olco. m. Vid. Borrow. s. Hisp. hisp. jucal^ roíis. ligerar. junelar. Git. Lovely. lahrador. Carta. juncal. s. Ladrar. Hisp. lias. s. Vid. ladrar. v. Vid. To hear. s. liguerár. ? las dos pimbrés. m.) Hortelão. Mayo. f. juliunclio. ligarar. conducir. v. Borrow. m. Junho. li. Vasc. Lábio. a. ligarar. Leite. a. s. Carta. geneHerinoso. julay. . julio.31 Lebre. Escutar. s. Mayo. esplendido. f. Llevár. paa letter. Azeite. o precedente e conf. lihanó. Master. Vid. 2. labraoresa. Vasc. lahio. as significações do git. listen. Hisp. v. lampio. adj. Conejo. lechero. s. m. Git. escuchar. Lavrador. laborosal. Mayo. ouvir. s. Meias. Mayo. s. a. (Levar. liberal. jiiiiiolunclio. Mayo. v. julay. ligar? Yiá. Port. Git. (Levar. s. saber. Vid. Oir. Git. e Hisp. s. Git. v. adj. a. a. a. Mayo. Ainoy duefío. Administrador auctoridade) escriba. atender. leche. lecheruno. Oir. junw. Lavrador. Escribano. 111. Borkow. larapio. To cariy. Candeia. v. v. s. Mayo. s. m. labrosal. BoRKOW. m. a. f. Vasc. Generoso. e hisp. Vasc. s. . í. m. junelar. ( libanó. Borrow. Candieiro. Hisp. s. s. Git.) Abarcar. jucalorro. git. os seguintes. Git. m. agarrar. (Dono. junar. Escutar. v. v. mesonero. m. Notary public. Mayo. m. jojoy. pirabré. credencial. generoso. lechute. a. Julho. m.

s. f. s. Rio. livruncho. Vid. No cigano do Brasil. len. f. The accusative of the pron. Borracho. lon. llierba BoRROW. m. BORROW. majaríj s. etc. machingano^ madrunkard. BoRROW. Santo. macho. s. Fuego. s. ribeira. s. a letter. m. Tomate. Holy. yaque. s. macho. muladar^ assassinar. Rio. git. M machingarnó. Mayo. s. Sal. pron. e maladé. f. Pedir. Git. lolé. Love lon. Herva. m. man. len. apple. s. majarí. River. m. mandiluncho. Me. Fire. pess. m. mangar^ mendigar. liles. The beatic one. riente. s. majaró. dialectal lolé. m. Mayo. majaro. Borracho. bêbado. Git. m. Roubado? Antes assassinado. Vasc. Git. m. Mayo. Git. Rio. m. Borro w. Fish. m. BORROW. Vasc. s. Santa. Mayo. Port. Mayo. mu- lahar. f. m. a. ^. s. (mangues. Librito. m. La Virgen. BoRROW. f. Vasc. Livro.. Cp. Paper. lel^ s. i. linguncha. Mayo. llierbisáj s. Égua. macho. Git. Uaque. s. Matar. Carta de jogar. leste. Git. s. Sal. Borro w. Borrow. Mayo. pescado. rogar. A m. . Virgem. pes. f. s. BoRROW. matój chargarno. a. s. (Lume. mangue. adj. manceba. maché. por yerha. corlleii. s. Raméra. Port. Port. Git. lumí. s. Santo. Hisp. e. Pedir. v. Vasc). mata- adj. mandil. lumi^ lumia^ lumiaca. Mayo. The Virgen. Git. mim. magrena. s. Salt. Git. Cf. Mayo. mangar. cartera. Git. m. araanga. exterminar. Borracho. adj. pers. li. s. s. Mayo.) Phosphoro.32 s. lumí^ lumica. livro. lumbre. mi. v. Pimentão. Bacalhau. v. m. Muchacha. m. Mandil. Git. a. s. inundacion. querida. Hárlot. s. Pez. Lingua. f. e garnó. ahorcar. s. adj. Prostituta. Me. e hisp. Borrow. adj. Mayo. Vasc. ajusticiar. f. f. mangue. a. majarí. pron. lingiui.

e s. v. f. Port. Pára. interj. maiiguiííelar. mecar^ v. f. Bien. Parir. minchi. Orar. mangar). a. assassinar. varon. s. a. m. minchabar. manró. a. más. Hisp. v. v. miquelar. Git. interj. millaj port. Borrow. v. Git. milla. conveniente- mistos. v. makill. a. Borrow. Well. s. BORROW. Carne. s. Dizer. Homem tribu. Git. Git. manguinar. s. vianda. Git. f. m. V. a. marar. v. a. Pedir. Bien. Mayo. minha mãe). m. da Git. dai^ s. hisp. BoRROW. Légua. Parece composto com manró. Mayo. maás^ s. Pudendum feminae. misto. manú^ s. en paz. s. Maçã. Vid. Mayo. (?) Borrow. s. Mayo. a. Man. por git. s. miquelar. matagaíianeSj v. n. f. maçan. a. Madre. pi. milha. flesh. milla^ s. suplicar. Carne. Git. marar. permitir. Abandonar. man- s. conveniência. m. Git. beneficio. Pedir. mequelar. Mayo. 3 . minha. v. De- mecles. Mayo. Dejar^ s. Deixar. Phosphoros (?). s. s. millen. Pan. zana. m. Mayo. f. Git. maquelar^ Vid.33 manguinar. Descontar. Borrow. s. Pudendum muliebre. Conf. sol- despedir. BORROW. Deixar. m. mauú. m. Mãe (propriamente. masauuucha. Mês. v. m. vaya. Matar. mes. destruir. Pão. medi. Matar. a. ** v. sicubar. jar. mecar. tar. To marelar. minche. Mayo. adv. f. Estrella d'alva. misto. entreat. Meat. pedir. bueno. mãorron. m. Git. adv. Port. v. Vasc. Mayo. minri. miquelar. a. mente. Vid. League. Bem. mesuncho. alto lá! Git. Vasc. f. Matar. beg. mm. Laranja f. Git. rar^ v. Hom- bre. m. manguelar. Mayo. maniscobar. mes] hesp. mistas. m. adv. Calle. mindai. a. a. (Vid. s. Morrer. a. Bread. s. Légua. To BORROW.

Git. Vid. arachí) e s. To flee. najarar. Cara. n. huir. BOR- RO w. No. escapar. Skin. m. f. tiniebla ne é prefixo chuugo (vid. evitar. f. v. BORROW. s. Nariz. nanais. mol. (iiacles. Boca. s. Vasc. Vinho. montanés^ m. montaiiésj molachí. m. Significação incerta. òelancia por melancia^ baraço de árabe maras^ comquanto aqui a . que permitte ligar o termo cigano ao gitano. najar^ v. adj. Git. Muerto. Port. mon. Debulha. Vino. racM. adj. llejar. s. n. najalelar. A dead man. (vid. Fugir. No git. Monte. Fugir. Vid. No. Moinho. Monte. n. Pelo som só acho que comparar git. parte s. cavallo magro. por rachichunga? rachí. Huir. Muérto. s. Mouth. f. e s. n. . Mayo. V. morchada. BoRROW. cara. Git. s. alejar. Mayo. Burra (Burra fraca. mulo^ s. correr. Textos. este). Nanai. Marchar. nacH^ naquí. m. Noche. m. pasar. Hisp. BoRROW. Noite escura. s. v. hisp. desaparecer. moro. m. molíno. gueza debulha^ a que se m^ som muito próximo d'aquelle cp. port. najar. n. Mayo. mui^ s. Wine. Vinho. difunto. najelar. Pelléjo. Mayo. m. f. BoRROW. montuiicho. mudando o ô em E modificação seja inversa. Mayo. raoliiiuncho. de ningun modo. Morto. mulla. face. f. moro. a.° 58. mulé. Boca. s. sem duvida a palavra portutirou o prefixo. f. naclés. BORROW. s. hide. f. Mayo. Git. desaparecer. Git. s. calão h^a. s. adj.34 s. narachichunga. adv. Marchar. adj. tenebrosa. najeJar. parar. píleca. morchás^ s. s. Vasc). Não. m. monte. Vid. Vasc. fugar. correr. pop. Nariz. Git. huir. evitar. Nostril. Hisp. 7nulô^ mulU. àepelle (vid. Será erro git. Git. mol. naqui^ uajai-. Borro w. No II). mui. Mayo. V. adv. Vasc). f. n.

35 negativo: nahelar. m.. Borro w. Chover. Deus. pag. Mayo. s. pi. m. lamentar. v. Michel. m. s. v. Oliveira. Olive-tree. impess. Street. Borro w. Git. erucar. ostebel. octubre. orobelar. m. a. f. Roubar. otibé. orobiar. gemir. Fr. m. Git. . nicobar. Dios. nicabar. Port. disi- l^ORROW. s. Outubro. m. m. s. adj. está nasalo^ lli. Stockings. orobar. Olivar. Mayo. s. eridé. Bonito. adj. Llorar. basíii. Arbol. adj. s. eru. Borrow. BORROW. Vid. m. (BORROw) e git. clalles. enfermo. : nahasnão. nasalo. oreja. s. oricha. pi. nicobelar. Enfermo. ostelende ondebel. enfermo. Pott. Por jocar = pi. s.nicohelar. Maio. a. Cf. steal. peNo cigano do Brasil na apparece queno. Meias. Mayo. O o jaca. desembaraçar. ostebé. s. s. ? olipaudó. ojocá. a. Dios. crallis. Rua. octubruncho. grande. v. dias. Orelha. Borhisp. v. undebel. Dios. otebel. Dios. God. Mayo. Falta em Mayo. v. a. Quitar. a. ustéd. git. orejuncha. BOR- Row. orucal. Calle. Dios. vid. vedar. carecer. Hisp. Mé- BoRROW. 40. s. olihias. = hisp. neharó. par. vid. Git. s. m. Chorar. row. f. único ser supremo. f. nasalo si ya. eruquel. Parece haver aqui fusão de git. orobar. Die Zigeuner. m. Git. rei. s. outubro. de abelar. urucalj s. olibás. nicobar. . git. Conf. s. o precedente. Apartar. Sol. debelj m. ^ como prefixo indifferente a. Mayo. Olive-ground. v. ulicha. jucal. invalidar. Vasc. Olivar. = *claLlis. BoRROW. robar. Mayo. Mayo. m. s. f. f. To weep. v. Rua. oricha. eruqué. poseer. adj. jucalorro. oUcha. s. un-debél. olicha. Vid. Olivo. Git. Mayo. Git. orocal. de haró. osté s. II. To take away. Calle. m. nicabar. 14õ. o prostbetico também em vid.. God. oclaye Um s. destruir. gallo Git. s.

s. Agua. s. inclose. s. Opria. negociar. pared. White or silver money. Curral. Atar. f. Choça. Part. Prata. a. Passar. Parte. pajin. s. a. s. Companheiro. hisp. pusoíiou. plajo. s. arreliar. extranho. paruguelar. apretar. m. farm-house. v. a. m. a. barter. Mayo. Git. f. Dinheiro. pandar. m. Borro w. Papel. Dinero (haber). f. palonó. paillo. f. a. Vasc). Mayo. paillô. Vid. Palheiro. v. m. a. paní. Atar. v. parné. to shut. jyapiri. passar. pani. Borro w. a. Vid. BoRROW. Port. Git. Papel. BoRROW. s. v. Sorte. . sujeito. bono. v. Plata. . pa^ar. papires. BoRROW. jomalero. papira. Vid. Curral. también palonolaré. Vale. Cambiar.36 paguillí. One who is not a Gypsy. BORROW. encubrir pandelar. parnau. m. Trocar. Mayo. parrogar. m. m. f. Git. Bosque. Mayo. Vasc. hisp. que não pertence á tribu. cerrar. s. pasabelar. s. Parede. f. s. mir. m. s. Git. moeda. posonó. paguillí. parné. Dinheiro. f. m. palunó. pajé. pasisarar. Amarrar. Git. v. s. Trafi- Mayo. Port. f. f. pasonó. s. jpandelar^ v. s. trocar. (Palheiro. Homem El que no es Jitáno. to tie. naipe. s. Paper. liar. s. s. Corral. pandar. . To pani. papiri. BoRROW. Git. A wood. BoRROW. cortijo. Water. sujetar. s. m. BORROW. m. Vasc. Carta. s. Enterrar. Vid. Individuo. Agua. Git. m. s. paUillí. pandelar. v. Mayo. Git. Git. parugar. Mayo. Dineros blancos. pajo. paioj s. s. hombre. s. f. paquillí. m. Silver. estrechar cerrar . pareauj parga. a. To exchange. Agua. Vid. s. parede. f. s. Cigarro. car. o precedente. Dinheiro em prata. f. v. o seguinte.

hatú. pino. pinelar. Abhandl. pirabaor. pirar. a. pillar. penelar^ V. hisp. BORROW. m. Port. Hisp. decir. Git. Vasc. Decir . Git. tuscos. m. peito. BoRROW. Pimento. Vasc). de que pindó ó participio regular tsigano (Miklosich. m. a. adj. Peito. (?). s. Vid. Git. Albarda. e hisp. pinrés. a. a prova da vir- gindade (entre os gitanos). m. Tomate. s. a. v. v. s. Git. Vid. Pescoço. f. patê. Vid. f. Pé. 'n. Vid. Port. s. pinré. Vid. rabar. Pié. Velho da tribu que pi. To say. patí. Mano. m. v. a. patarró. penar. v. v. pi. Git. Pinheiro. pelichó. pimbré. Pastor. m. pinar. v. V.peperes. m. pinodó. Eggs. penré. Vasc. ha- blar. Vid. Mayo. s. Vasc. s. Vid. perjj^na. Futuere. pedir. s. m. s. . Referir. Andar. Mayo. Mayo. m. pinelar. hatorré. Padre. pinar. s. Pae. pi- pisquèsuno. Mayo. v. Huevero.37 pastorchunchoj patarró. s. Git. Borro w]. Mayo. Fornicar. n. contar. los jenita- m. Dizer. m. Beber. um 8). s. Git. pisar. m. Contado. m. pirabar. [Git. pastor. Pae. s. Dizer. To copulate. a. s. Pó. Huevos. s. s. Pepper. To walk. pêra. mandar. . s. caminar. the genitais. BoRROW. m. s. pinar. n. m. les. Andar. s. i. pinãro. m. Port. Git. Borrow. pirabar. pirar. Andar. Foot. to heat. Vasc. f. s. Besta. piyar. Mão. pimbré. pato. petí. baste. Borro w. s. pirabelar. v. s. Ladrão Talvez violentador. pinró. Padrino. bato. Mayo. f. petuno. Pêra. bato.. v. Mayo. BORROW. Vasc. Pedir. Port. s. Cooperar. pescoço. pele. pi. pinon. s. cohabitar. Mayo. Mayo. Beber. a. pimbré. a. pirelar. m. narrar. (patusco. apatira peliche. ii. n. patuque. pepéres.

BORROW. f. a. vientre. f. BoRROw. Tabaco. Git. BoRROW. gentil? Mayo. Capa. posonó. poriáj s. Casa. Palha. Mayo. pus. Tabaco. piar. m. (Lençol. Git. m. m. corta. Borrow. que bonito? hucar. Cortijo. Brother. a. s. m. Abegoaria. m. Vid. jpita. f. s. BoRROW. puy. Barriga. ju cal. Hennano. plasarar. Entraiías. s. m. a. Mayo. a savage. s. s. Straw. s. pusanó. v. Mayo. s. Capa Mayo.) Git. Vasc. s. aspirado). Mayo. f. Escopeta. s. Mayo. (Mi. Musket. poria. v. Borrow. Port. Borrow. s. Entraria. pÀata. Paja. confrade. prucatihi. Será o mesmo que git. s. m. s. Barriga. every person who is not of the Gypsy sect. f. Enterrar. Git. bárbaro. s. sa recompensar. pii. s. placo. tisfacer. plastami. Tabaco. pasabelar. quehucar. plasaravj. f. Git. Bowels. Vasc. yard. pus. busnó. 9. Cloak. plasta. puca. v. s. m. pusuiion. Vasc. adj. f. Borrow. cigarro. in. platamugioii. quehonche (Ji . hiisnô. Nora. s. piticar. BORROW. Tobacco. juealorro. vid. esclavina. panza. pu. Q que. quer. s. Capa. puca. m. m. a. s. s. plojorró. Mayo. Extrano. pusunon. Vasc. talma. s. Pistola. Vid. pocachiní. s. Casa. Mayo. f. House. Cf. Espingarda. Paja. Git. pol. m. Git. s. Escopeta. s. pi. Borrow. plata. Git.38 Piteira. f. s. pusnó. piteira. plajo. posuno. A gentil. Cf. posabar. Eapazinho. Vid. s. m. (plata. Irmão. s. Será que hucar. plasarar. Vasc). v. porias. Ódio. pode estar ^or jucar. Bonito. Mayo. f. plasta. Apagar. plasarelar. quer. m. Corral. Borrow. pusca. f. m. s. Court. Pagar. m. Git. pusca. m. husné. m. s. s. m. s. Vasc. piai.

quirá. s. s. Batata. quintal. a female Gjpsy. Chick-peas. Mulher da tribu. Desordem. ni. BoRROW. quirális. ejecutar. quira. Brandy. rau. Colher. romá. rio. s. Mayo. ribeira. queraTj querelar^ v. s. s. m. aquerar^ v. a. Lingua dos ciganos. Hurtar. s. Mayo. Queijo. Vara. robar. BoRROW. e hisp. querelar^ v. m. v. Port. (casada). BoRROW. Bebida r 11 acra. s. f. Vasc. s. querar. BoRROW. s. renduudes. cigana. hacer^ etc. m. ranâelar. to make. m. redundi. Git. R raisaro. s. Port. m. BORROW. Hacer. rebraiidiuí. Vasc. s. redondis^ pi. rilo. A m. Cuchara. romí. Git. pi. Marido. Mayo. Ejercer. Mayo. A married woman. a mar- . Rio. raUj s. varon (casado). Marido. Git. s. f. Mayo. f. Furtar. mujer ron. Pedo. Mayo. s. BoRROw. To rob. f. a. a. m. raw^ Rod. m. Jitána. romano. randundes. m. s. m. vara. Spoon. Mayo. Vid. Vara. Fazer. To do. quimera. homhusband. remondiíiar. Queso. s. s. rumandiííap. arrebatar. o prefixo re e terminação gitana. Queso. Git. Git. Esposa.) Vid. Grãos. quiutalzuncho. v. a. Git. BoRROW. rile. Robar. Quintal. randar^ v. hrandy. roin. v. Git. n. Chôese. reparti^ s. com f. Mayo. róis. s. a. f. a. Bordão. rom. f. pi. a. m. Git. Aguardiente. s. jundif m. s. s. m. s. redundes. rumaíío. Git. Mayo. hacer. redundes. quiral. bre. Aguardente. romí. Grãos. f.39 querelar. m. repafií. Proveniente talvez do ingl. Mayo. f. Casar. (Feijões. Git. (espirituosa). v. BoRROW. Vid. randar. s. Mujér casada. Licor. s. s. remendiíiar. a. Flatus ventris. BoRROW. s. v. Vasc. m. re- Garbanzo. rom^ m.

s. m. Vasc. V. BoRROW. sos. s. Segar. Leite de Vasconcellos a phrase: 2. husband. 8. enlazar. that. Git. 2. romano. m. polaco rykonon.) Git. Cf. rom. rizo. senelar. Vasc. Que. Vasc. n.] rumíj s. Familiar. ni. Oliva. Port. f. m. m. BoRROW. sané^ s. BoRROW. Casar.. rumandinar. s. Mayo. Mayo. sampuni. m. letaya^ Azeitona. Aceituna. Que. sanou. Videira. e hisp. tsigano grego rukonôj nrumeno rikonó. senelar. desposar. sonacai. a Gypsy. To marry. Borrow. f. pron. segar. Lengua sacais. konó. do sr. si- . satalha. de casta gitana. húngaro rikonô. the generic name s. m. cuales. no senela caíque. romandinar. 58. m. Sabão. v. m. salbana. Olhos. Cho- BoRROW. roma^ s. s. s. v. A Gypsy language. Git. próprio. Língua dos ciganos. f. sapunes. s. Who. Chouriço. pi. Vid. [Cf. f. The Husbands. Pires com a traducção — um cobarde. f. romani. rucó. Port. a. sapuna. m. Sausage. f. rei. rumano. pi. a. Mayo. BoRROW. Ojos. m. f. sr. v. sinelar. cão . BoRROW. Ser. pi. Gold. pron. s. BoRROW. Olive. Segador. seguisarar. chetalli. f. a. a Grypsy. Mayo. cual. segar. Jabon. Burro. s. Git. Soap. s. segabruncho. s. Git. domestico. sacais. acais. of the nation or sect of the Gypsies. Miklosich. BoR- ROW. romandinelar. viii. m.40 ried man. Git. Oro. s. The Rommany or de los Jitános. sanacay. Vasc. romí. Mayo. e hisp. sinelar. se. adj. s. s. Casar. Ahhandl. Mayo. romandi/hary v. Git. relat. Do recebi a phrase: 1. Mayo. s. Ouro. s. Sardinha. Cf. (Libras. Git. a married man.

silbar. do sr. n. Virtud. n. Vid. de luto. interpretação. Mayo. sicubelar-se. homem. enmudecer. V. caique)^ na (z= é de nós ou de mim phrase: 2. Ketirar-se. To be. Setembro. porfia. hisp. impeto. s. a. facultad. Olhar. por sina.° 80 trazia sin na com a traestá. f. a. n.41 nela damangues. com a traducção pertence-me . elle está : outro lado tem o git. que deve traduzir-se — E — de amanges^ vid. Vid. Adormecer. s. Mayo. f. sicubar. Sair. sinar^ sinelar. v. sicahar. chicubelar. ducção sósinho. v. V. ó um um não ó cobarde. senela la — primo. senelar. Vid. Salir. f. parece. Port. reparar? [Git. s. me Vinha. Git.. Port. Vasconcellos dá ella. se- sicabar. parecer exacto. ou estar por senela a parece é a mim (= é dos meus. aux. setembrimcho. e hisp. s. sínar. sanacay. v. m.se ao que. Ser. V. ir-se embora. Git. s. BoRROW. Vid. Vid. sonsibelar. senela terela callardó. Vid. Furtar. dois verbos Em senela terela juntaram. v. n. mangue com a traducção também siííel com a significação — — O sr. s. sonacay. Mayo. v. sobap. setembro. o que corrigi por não guagem corrente. sila. sombra. sila. elle. o sr. á força. tiembre. m. Pires ainda a phrase quasi idêntica a essa: 3. v. como pronome . De não é ninguém temos na phrase 1. Callar. na linO texto n. Força: a silas. uma alteração de 2. sonsidelar. m. eresí. sinar. Arvore. Mayo. sicabar. sorbar. Pires enviou-me demais a traducção de uma phrase em que esse sentido é dado a senela 4. amanga^ mangue) 5 a phrase: 3. seresí. soltar. Não mangue (sinela — ser acho no gitano nada que justifique o sentido attribuido a ha aqui sem duvida erro de sinelj sinela. que separadamente se ligam a callardó. v. Borro w].. é meu parente). v. Freio. potencia. sombrimé. que deve traduzir-se vid. f. esse verbo que estar. s. a. refl. .

(pag. Dormir. 81). have. Git. tasala significa tarde (Mayo. Mayo. s. Th. s. s. ZigeuneHsches. sungoli. mattina. Melão. Gente. e hisp. siiete. taribé. f. n. people. poseer. Sandia. Mayo. (vid. Talvez por terrosa. f. To a. m. teja. Ahhandl. Adormecer. Mayo. s. etc. f. Cf. do por- tuguez. tasara. tardimen. index. Manhã. Zingaro laci tosara. s. m. s. Haber. parece ligar-se ás formas ciganas tyrnój novo. terelar. a. f. possess. tarní. tosara. sornibar^ v. soymar. ternipe. Vid. Git. Burrinha. tarelar. sungli. Melon. Vid. Mayo. f. m. Git. A. tejauncho. s. mas (ii. m. Git. Port.. s. To hold. Madrugada. vid. Cadeia. familia. Vasc. Melancia. Mayo. v. adv. s.j ii. mocidade 58). v. tempisaro.42 sorbaPj v. comp. Vid. Batata. tarrosa. Ascoli. tarde. 26). f. Cadeia. taripeuas. Falta em Mayo e Borrow. 82). taripen não tem anade logia significação. Port. tempo. Telhado. BoRROW. fica Mas calicó signi- manhã Borrow). Git. n. Git. tasara di calicó. genera- cion. O mesmo que callardí: nos diaha outros exemplos de substituição de c tsiganos f. universo. tprelar. Vid. vid. Pires. existir. f. Gente. sorbar. a. lectos Morcella. s. suetí. Mayo traduz por astrologia. Vasc. tasalda. s. Hisp. World. Borrow. sorhelar. calicó) e git. ii. v. BoRROW. s. Tempo. . (Miklosich. buona mattina. v. BoRROW. Abhandl. s. sleep. joven (Miklosích. cárcere. s. sungU. v. f. Dormir. tener. Tarde. aux. sungolí. a. sungló. v. terelar. tallardí. — estariben. o seguinte. Ter. novilho^ anejo. por t. n.

ao que parece uma mutra simples alteração de chitroca de logar de consoantes. tirajai. Vasc. m. Zapato. BoRROW. adv. Mayo. pess. Apre- trupo. ustabelar. ustilar. tirajay. s. tomar. Mayo. ternejal^ adj. Zapatos. Body. testa. m. s. s. E. grangear. teriiegal. Git. trúpo^ cuerpo. Git. pron. Corpo. a. s. llevar. Tomar. Cuerpo. s. tar. a. v. ustabar. Git. pess. hisp. percibir. s.43 adj. s. cobrar. v. a. Vasc. tute. 194-5. Sim. roubar. a. Tu. tue^ contr. yes. Luna. Git. ustilar. vinagruncho. Lua. Cf. s. f. alzar. ustitelar. Testa. m. a. arrebatar. tusa. exigir. Mayo. Furtar. tremácha. tremuche. te. Mayo. furtar. Port. trigo. f. hisp. Trigo. m. U ua. Mayo. triguisate. Git. Apanhar (?). ustihar. Moon. 2. Valente. ti. m. Coger. hospedar. Git. Si. Vid. ustibelar. Shoes. Valiant. (vid. Vientre. v. processo vulgar nas gírias. a. v. a. Yea. v. cliinutra) por ii. pi. Sapatos. Pott. Tu. Mayo. conj. Vinagre. acoger. resuelto. unga. a. Mayo. BoRROW. e testuncha. s. Vid. Mayo. ustilar^ ustitelar^ v. BoRROW. de tucue. . adv. f. Vid. tiragaisj s. Git. pron. V. Tomar. BoRROW. comprimir. Valiente. trinqiidar. git. apurar. BoUROW. v. ternejá^ adj. e trincar. pi. prender. truly. ustabar. Git. m. Port.

faliam o português. pronomes. o rumanho não é mais do que o hispanhol influenciado pelo português e semeado de palavras particulares. russo. . nia. p. e esse fallar a que elles chamam rumano. na Allemanha . saidos da mesma base popular de que o sanskrito se elevou á cate- goria de lingua litteraria. Siebenbúrgen. Bucovina. a maior parte mano ou ainda romano. iv.irmãos. polaco. na Bohemia e Mo. conserva muitas particularidades perdidas noutros seus co. ravia . paizes da Europa os tsiganos faliam verdadeiros dialectos ou antes sub-dialectos particudas quaes se encontram lares aparentados com os dialectos neo-hindus. certos processos de derivação e outras forgrammaticaes da lingua tsigana. Miklosich. Pires. Como se vê. na Rumenia. o hispanhol. de que pode também no gitano ou linguagem dos Noutros de ciganos Hispanba. Beitrãge. rofazer-se ideia pelos textos e vocabulário acima impressos. na Turquia da Europa. representada por os mencionados dialectos ou sub-dialectos extra-hispanicos . 287 segs. na Rússia septentrional . Miklosich não teve conhecimento do importante dialecto tsigano do paiz de Galles (tsigano welsh). numea moção. basco. inglez e hispanhol. Esses dialectos tsiganos apresentam algumas peculiaridades phoneticas archaicas que os approximam especialmente de linguas ainda pouco conhecidas do noroeste da índia. o qual. segundo os dados precedentes e os que me communicou o sr. rumeno. do Kafiristão e do Dardistão *. nesse meio de lin- gua céltica. Miklosich enumera treze dialectos ou falias tsiganas na Europa: grego. . mas gitano conserva ainda partículas. escandinavo. O raes. na Polónia e Lituâfinno. na Hungria e Sirmia bohemio. Serbia e Rússia húngaro. na Finlândia. allemão.44 Os ciganos do Alemtejo. italiano.

mitiva que o gitano. É possível que ulteriores investigações descubram mais uma ou outra forma verbal tsigana no cigano. otorenta oitenta. si. ostardí quarenta. Vid. Nos dialectos tsi- ganos europeus extra-hispanicos conserva-se em geral a base indica primitiva do vocabulário e da grammatica no gitano os elementos tsiganos da grammatica reduzem-se considera.0. p. cales pi. de origem tsigana. comp. mindai. 1885. que. é). apenas representada por ténues vesno rumanho os vestigios tsiganos reduzem-se quasi tígios . 53. p.. 4. no vocabulário apalé. velmente. Assim por misturas successivas o elemento românico foi eliminando o tsigano. junto de otordé. e outras formas um ^ grammaticaes que ainda conserva o gitano representa pois estádio mais adeantado na ruina da lingua tsigana pri.se ainda as formas femini- nas e do plural como calo m. 2 Todavia achamos ainda no cigano é. nosso.. Notem. es. Se tivéssemos documentos da linguagem dos gitanos provenientes dos séculos xvi e xvii. 8-9. ainda mais de perto poderíamos seguir esse processo. perdeu quasi todas as particulas e pronomes (vid. se). Alguns numeraes gitanos mostram já influencia das formas hispanholas (johenta sessenta.45 mas doutro lado perdeu quasi por completo a antiga declinação. e oíferece por esse lado interesse particular para o estudo de um dos processos de substituição da lingua de um povo por outra. callí f. Ao lado de amaro. adoptou a conjugação hispanhola em -ar^ conservando algumas formas tsiganas do verbo sinar ser (sis. O rumanho. Slawo-de?itsches U7id — Slawo-italien.. sirij sou. panchardi cincoenta. a julgar pelos documentos que publico. . amanguej mangue. nasalo). no(s)^. sisle. Graz. unicamente a vocábulos vação : feitos e alguns processos de deri- o hispanhol e ainda o português occupam o logar abandonado pela grammatica tsigana. está (vid. éster dí setenta). perdendo-se quasi por completo a antiga declinação e conjugação. como mostrarei ' Schuchardt. apresenta o gitano nonrió derivado do hisp.

port. tarrosa). patuque fe patusco). e hisp. em geral sem ferença considerável de sentido ou de forma. guenassuertes. á mão.46 noutra parte.. parte quaes tem aspecto que a faz suspeitar. por * desamar risar. Vid. Miklosich. 3 não se encontram nos vocabulários gitanos que temos bi- 68 são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas . x. aparador ^ arboleo. 8 são palavras portuguesas ou hispanholas de significação alterada ou especialisada (andantes. lectos tsiganos prove a Palavras do rumanho derivadas de palavras hispanholas ou portuguesas 1. tarní). 480-481 . vid. Os 484 termos ou formas do rumanho reunidos em o nosso Vocabulário classificam-se. e hisp. ajustar. 47 são de origem para mim incerta ou desconhecida. abaixar. do modo seguinte 353 encontram-se também no gitano. churon (?J. mas occorrem noutros dialectos tsiganos (hato. (anda) provém da germania ou do é : uma forma portuguesa muito alterada phonetica- mente mulla. está longe de ser o único pelo qual um povo perde a sua própria lingua para adoptar a alheia. Ahhand. calão. desamarrar 1 Sobre esse suffixo tsigano. ajustisarar. port. bicha. Talvez que nova investigação do gitano e dos outros diaorigem tsigana de alguns desses dos termos. port. Derivados com o suffixo -sar^: a) verbos. desamar isar. também apatuscos. biora. : em quanto á sua origem dif- próxima. 1 (culebra) 1 1 provém da germania. frumachos (fj. p. abaixisarelar (* abaixisar).

carruncho. disara. hisp. port. chosa. brancuncho. hisp. e hisp. calduncho. e hisp. port. h) substantivos : pasar *. port. ^ò^c?. port. sombra. hisp. hisp. caldo. 1 As formas 4" "^^<^- abaixisarelar. sombrimé. port. carro. 4. no Vocabulário. Derivado com o suffixo -eZa. lUerha por yerha. huertisara. tano idem. hisp. labrador. templsaro. — Vid. tardimenj port. p. tempo. cabruncha. . também /ar- 2. huerta. teem o duplo suffixo -«aí* 2 ' Sobre o O : suffixo -uncho é ex. hisp. fa?'c?e. dialect. port. choça. hisp. port. e hisp. segahruncho compHca-se com outros elementos. acha-se também no gigostuncho. suffixo -mcw. blanco. port. segar. ladrisarelar (*ladrisararj^ port. e hisp. de origem românica . port. port. port. abaixar. Derivados com o suffixo -me?z^ -me'^ : chosimé. Mayo. banco. labraor. e hisp. 445. e hisp. hisp. port. Derivados com o suffixo -uncho^: bancuncho. passar. ?'io. hisp.. tíempo. ladrar.47 scguisarar^ port. jpasisarar. 3. braiico. àbaixarelar. aberta. horta. port. ahertisara. cabra. raisaro (por *rusaroJ port. e hisp. íarra(/or. ahierta. lahrosal (por Habrosaro) . e hisp. lUerhisá (por Hlierhisar). e hisp. vid. quintahuncho. Nas formas pastorchuncho. vaso. hasisaro. ladrisarelar.

octubrunchoj. hisp. juniluncho. port. Derivados com o suffixo -wtzo^ -m?i * . molinuncho. dedo. contrario. vinagruncho. hisp. port.ro. i. port. Pott. íeZ^a. port. port. pastor. mandil. port. port. lengua. e hisp. decembruncho. e hisp. tejauncho. livruncho. 5. port. 1 Esse suffixo é de origem tsigana. lingua. juliuncho. deo. linguncha. wandilunchoj port. dezembro. agostunchoj port. outubro. Jloruncha. julho. /a/a^ port. mesunchoj port. molino. monte. port. montuncho. port. m. gatuncho. p. port. port. port. ^e/a^ port. pastor chuncho. e hisp. deuncho. port. hahuncha. dedo. quintalzuncho. gato. port. mes^ hisp. haha. enero. e hisp. hisp. port. e hisp. port. e hisp.48 contrariuncho. lábio. setembro. e hisp. port. hisp. oreja. moinho. . hisp. fior. abriluncho. hisp. e hisp. testuncha. janeiro. julio. e hisp. jfwmo^ port. e hisp. s. novembi^o. hisp. barbuna. quintal. hisp. hisp. hisp. e hisp. barba. gallo. íesía. octubre. 123-124. port. Z{i. e hisp. a5HZ. mes. orejimcha. port. e hisp. libro. novembrunchoj port. port. orelha. hisp. hisp. segar. hisp. hisp. deciembre. port. galluncho. fajuna. vinagre. e hisp. faixa. Jim^o. agosto. port. septiembre. noviembre. eneruno. segabruncho. fava. labiuncho. setembruncho. port. hisp.

liisp. centeio. centeno. pared. marzo e mayo) completam a lista acima. port.49 o (troca ferhruno. que os gitanos conservam ainda pela maior parte como ÇMÍrdaré. port. suffixo). cotovillo.. piticar. pecho. Derivados com o suffixo -esa: lahraoresa. Os uomes de mês março e mato do rumanho (do port. /^iVa^ piteira. março e maio. pisqiiesinio^ port. Derivados com o suffixo -ate : centenate. port. hisp. hisp. hisp. port. -z7Zoj. e hisp. Derivados com o suffixo -ata: furata^ port. pinon. pareau. peruna. fevereiro^ lecheruno (suffixo composto -er-uno). alpandy e quigléf abril. marco. hisp. /éZ/re> de . qvindaU. hlanco. leite. hranco. pinho. j)eitOj. e hisp. hisp. maio. fora adv. port. leche. 6. 9. jpera. port. triguisate^ port. liisp. port. Derivados diversos: hlancaera. 10. 8. dialectal labraor por labrador^ port. Como se vê. ^^ori. pefunOj. do suffixo pelo hisp. leche. port. hisp. hisp. 7. pescvezo. Ze^7e. 4 . parede. pescoço^ hisp. j9iwo^ port. Derivados com o suffixo -ute: lechutej hisp. hisp. fuera. fn^o. cotovello (troca -eZZo da forma port. os ciganos perderam inteiramente os nomes particulares de meses tsi1 ganos. port.

reduz-se a lista aos seguintes. no estado actual da minha investigação: achochinar.50 Palavras do rumanho de proveniência incerta Referindo-nos só á proveniência immediata (gitano. que se encontram no rumanho ou de que derivam termos que neste se encontram. e não á proveniência remota dos termos do gitano. . hispanhol e português). do hispanhol e do português.

51 chimutH .

casZ 9. git. chupendó. Inversamente bar : = . Metathese de r: barqui e braqui. git. jucal. ir). 7. 12. hundunal jundunar. qu: pallili git. paquilli. piyar. bal. ò) 11 por gu. cameni. cascabes git. 10. hir == git. r paragogico (ou substituindo : git. ojacá ò) Suppressão de : = == = yaque. . jaracanal. rr git. moro git. 9noZ. len. õ. colpiche = git. jambo. gani ao lado de graM. h por d: garbo git. noliotros hisp. git. jir. pol (ao lado de donares) = git. Suppressão de r chadi. a) llen = = git. chor. = hispanhol se representa por esse signa] apparece chicube- por J gitano lar satalla final currelar = no dipthongo = = budar burda. Esse pailló. (3) tue s: hacais ao lado de sacais. = paguilli chimumon = git. lado de ao carabi. . (Vasc). Inversamente eragar = por eh gitano em i git. O som está por ill em pajo git. gelj grei. git. Por fim perde-se a aspiração: acais 6. [3) tH. donares git. = em chingle == git. 8. gel. camalli = = git. 4. crally (horta) l = = l poria. hundunal git.' = = mesma aspiração substigitano hamòo cig.Ò2 na boca dos portugueses e gallegos que faliam liispanhol^ reflexão previa sobre a differença dos sons. r: aij git. n por l: estar íben = n por 7iíZ. jingalé e por s em git. git. of) sem = aspiração forte h substitue o j gitano (pronunciado como j castelhano) nalgumas palavras: her ao lado de gueo^ A Ml. llaque n: y) 11 por = ^«í-èo git. chetalU. git. Inversamente apparece em git. chol = = git. pajardó. mol. : = chardi. curelar. jil. git. git. git. gué a) por r: guer. chatí. chedé ==-. junduaracaná narj por '^haracanal. git. corpiche. y) por n: chalelar de git. O som representado no Vocabulário por y é o mesmo do = hispanhol e gitano j. nosotros = A = hacais. jundunar = = chupeho n por m: chinutra == git. estaripel. eragay. influindo talvez chalar. [B) oí) 11 por y: pillar l: U por 11. clalles =^ git. som representado por eh é o mesmo que em (tch) s . pajardó. l final aracaM git. E possível que a substituição nas palavras ciganas provenha dos colleccionadores. sicobelar. chanar. (3) por 11 calicó ao lado de callicó. Suppressão de syllaba.

atracai = chor\ pocachiní = == git. puMs ^» . git. gullás e olíhás (nas duas ultimas com perda do f). asiá. Os nossos : textos apresentam-nos as formas femininas do plural pa^is. Mas «el admite que. 52. sobre todo em poesia. chibes. = git. que. charibeo git. el plural de i se forme tambien con s solo : Puhi^ pena. Houve translação do accento em hariás. ansian git. unga. cheripen^. petis. huchij coisa. Ê possivel que seja antes chariben. = = traquia. tatias. os textos dão-nos Em no cigano chibe. Formação do feminino e do plural As formas femininas em como no gitano. para evitar la cacofonia. seresí eresí . huchias. almarroíias azia. de muchos a a seguidas. aracMs. choi ao lado de gii. manrona. jpruscatifíi. osian. 1 2 Mayo. = git. gitano chibe tem o plural chibeses . apresentam uma ada- ptação ao typo feminino hispanhol e português. mal escripto. fosse lido chariheu e reproduzido charibeo. gitano as palavras femininas em i teem o plural Em em uso ias. . chinutra i e satalla apparecem ainda no cigano. granis. roin.53 Varia. taiíj febre. p. róis ua chol = = git.

.

3. nâo pretende de modo nenhum ser um estudo completo sobre o calão. como os estudantes. os pintores. os actores. os pedreiros. para cuja elaboração faltam tempo e alguns subsidios. e sobretudo ao conjuncto de termos particulares. Sabemos já o que é a primeira. fadistas.n o CALÃO E A língua DOS CIGANOS / ' Tem-se confundido muitas vezes a linguagem dos tsiganos em geral com o calão. garotos e em buscam não especial de outra gente de hábitos duvidosos. Esta parte. Por extensão dão-se ainda aquelles mesmos nomes á terminologia uma classe. gira^ gíria ou geringonça são os termos com que português se designa o vocabulário especial dos criminosos de profissão. mas por processos geralmente distinctos dos que caracterisam a alteração calão ou giria não é : O phonetica dialectal . os soldados. uma e outro exis Calão. de uma profissão licita. contrabandistas. os typogra phos. sem duvida. muitas vezes de caracter cómico. que usam certos grupos sociaes. radas um dialecto tem palavras altephoneticamente. vejamos o que é o segundo e se entre tem quaesquer relações. que por aquelle meio ser entendidos da sociedade geral. que foi prommettida em 1887 na Revista LusiI. não tem em regra nem morphologia * tana. o qual exigiria um volume. me .

os hollandezes com a expressão hargoensch ou dieventad lingua de ladrões). os allemães com o termo Eothwelsh (á lettra italiano vermelho). os inglezes com o termo cant. intencionaes . — : noutras accrescem ás transformações dessa espécie. que consistia numa inversão de consoantes nao quero Os caixeiros da Baixa. naquelle as transformações próprias são geralmente queridas. os francezes com os termos jargon e argotj os italianos com os termos gergo e lingua furbesca. : ir passear hoje tornava-se ãon' reco ri sapear johe. e tinham o synonymo antiquado gerigonza. que então se tornam menos numerosas. que consiste em accrescentar a cada Da uma palavra uma outra constituída por um g seguido da vogal daquella syllaba. primeira espécie é uma giria usada entre nós pelas creanças nos collegios. Essa giria era fallada e entendida com muita facilidade pelos iniciados. Essas girias podem ser denomi- Os nadas — de vocabulário particular. Tendo definido o que deve entender-se por calão ou giria. nestes as transformações são geralmente espontâneas. mas mais pergiria provavelmente feita. . assim tu queres ir a casa torna-se tu-pu qué-pé-rés-pés ir-pir a-pa cásyllaba de (gj ou p pá-za-pa. inintencionaes. Os hispanhoes denominam as mesmas linguagens artificiaes com o termo germanía. em Lisboa. Uma outra diíFerença fundamental separa demais o calão dos dialectos. examinemos agora a origem d'estas palavras.56 nem syntaxe que o separem da lingua geral em que por assim dizer se encrava. principaes processos das girias do segundo género serão estudados abaixo. giringonza. usavam e usam ainda uma do mesmo género. Ha mente phoneticas duas espécies de giria numa as alterações são purasó a matéria da palavra se modifica. os russos com o vocábulo (á lettra — — afinskoey os tcheques com a palavra Jiantyrka. modificações morphologicas e semânticas (de significação). xeringonça.

s. ao francez jargon. Mas em verdade a existência de giria. Assim os tsiganos espalhados nos Pyrineus bascos. v. jargon. uma * cedente. p. Os termos por si estrangeiros acima transcriptos revelam já a existência de girias nos principaes países da Eu- ropa. a sua etymocalão ^ propriamente. A palavra gira. Études de philologie comparée sur Vargot.)i termo calào como synoiíymo de giria parece não ter correspondente plionetico fora de Portugal. gargonn forma girigonça parece ter resultado girgonça. FÁymologisches Wõrterbuch. provençal gergonz. lingua de cigano é um termo com que os ciganos do nosso país ainda hoje se designam (vid. xxvm. plienomeno não raro (ex. i. é um phenomeno assim dizer uni- por versal e por toda a parte os processos applicados são muito 8Ímilai-es. logia é todavia muito transparente : O quer dizer cigano. giringonca. em em de antigo dizia-se antigo inglez^ A * gargonner por jaryonner. A etymologia desses termos offerece hypothese mais favorecida é a que considera o francez jargon como derivado de forma jergue. e ao italiano gergo. fanjões por feijões). a gerigonqa. bulário. Y. derivado de gergo (interswarabactica de i) giringonça é uma forma em calação a nasal do suffixo que produziu a nasalisação do i pre.). g erg onça. (Paris. 2 Francisque Micliel. V. gargaite. giria liga.. que como vimos se encontrava também em hispanliol. de uma ou de outra natureza. s. . com que adoptaram a lingua do país. de jaiina. gergone. ao que parece. por exemplo. thema de que uma deri- vam fr.se. 185G). Voca. como na giria das ^. s. A bastantes difficuldades. empregam a alteração as syllabas principiando por p^. senhor. Littré e Scheler. de * gargoj. gargalo. de * gergo. . gergo. port. jaii-jpau-na-pa ^ Diez. nossas creanças e fazem. EíFecti vãmente fr. . garganta. forma gira teria nascido de ^girionça pela suppressão do : A suffixo -onça.

des dez. «O hindustani é a base de ambas. ceh seis. passagem relativa a duas girias por elles empregadas.Pott. o facto circassios. tornam-se nessa giria respe- ctivamente: pancúrú. serlú ou cerú. ao lado de . pelos chefes. ek) . satúrú.58 Os theg (thugs) ou phânsigâr da índia teem uma giria em que se notam mudanças de significação. desrá^ jelú. mulheres e creanças.» Eis um espécimen: Hindustani . e a segunda é patentemente uma conversão syste- matica de algumas poucas lettras. Os theg adoptam ainda palavras de linguas estranhas*. a primeira resulta^ em geral. da mera transposição ou inversão de syllabas. O mesmo eminente glottologo italiano extracta de uma memoria de Richardson sobre os Bâzígar. citada por da existência de uma giria dos salteadores chamada farsipé e cujo artificio consiste em introduzir ri ou fé depois de cada syllaba^. modificações phoneticas e morphologicas assim os numeraes hindustanicos pane cinco. uma uma a outra commum a homens. Ascoli repete de uma noticia de Klaproth. sât sete. gente nómada da índia. o persa jek um (= hind.

sobre lettras. sitr Vargot p. duz os títulos Zeitschrift f. uma giria africana. 1725) disse: «Também em Lisboa entre os homens. Essa giria tem sido muito pouca estudada. inteiramente desconhecida. E assim também os Siganos tem outra espécie de Giria. século XVI Jorge Ferreira de Vasconcellos fez uma referencia á germanía: «Quando elles querem falão Ger- No mânia». Pott in Intei-nat. 2 Fr. se entendem huns com 1 Apud Pott in Internationale Zeitschrift fiir allgemeine Sprach- wissenschaff. Eludes de phil. o haldihalan. que fora objecto de invesde de Silvestre da Sacy^. No século XVIII D. outro sobre um calão mal aio e allude a uma ruha Vocab. propriamente dita.. Yoem inversão de palavras ou proposições. Ibid.59 Leitner estudou a giria dos ladroes dos paises do noroeste da lingiia numa publicação inacessível para mim*. 487. 2.^ ed. a que chamão de ganhar. allgemein. r. scena ii. por apresentarem um conjuncto de processos vários. 2. ha um género de Dialecto a que chamão Giria. W. um sobre termos de giria no Minahassa. á das girías de vocabulário próprio. acto lil. 110. ii. n. . e a sua historia anterior ao século xvii é. reprode dois estudos.. Sprachwissensehaft. 60. consistindo nota de Crowther. syllabas. Jeronymo de Argote nas Regras de lingua portugueza (p. pertence á segunda das espécies acima referidas. de que os taes usâo algumas vezes entre si. Eufrosina^ acto v. que também podem ehamar-se complexas. O mesmo auctor emsentido pregou também a palavra geringonça. os ricos vilãos são roíns. mas não no de giria: «os honrados são pobres. isto é. parte tigações As fontes do calão O calão ou giria portuguesa. por assim dizer. concertai-me esta geringonça». comp. artificial asiática. Michel. por que os outros». 300. Francisque Michel fez referencia a uma lingua G. scena il.

L)(.>

Uma investigação bastante extensa no theatro portugiiez dos séculos xvi e xvii não me deu elementos seguros para
o estudo da historia do calão. Outros talvez sejam mais felizes do que eu. Gil Vicente e J. Ferreira de Vasconcellos oíferecera

não

me

atrevi a considerar

grande numero de tennos populares, mas nenhum como de calão.

E numa

obra do notável escriptor do século xvii D.

Francisco Manuel de Mello (fallecido em 1666) que encontramos talvez os mais antigos termos indisputavelmente

de giria *, alguns dos quaes são dados como taes por auctores do século seguinte.

Nessa obra acha-se a palavra giria^ como adjectivo, num sentido que parece ser jproprio da giria: «Bem encaixava sobre as ordens aqui agora o bispar: que é palavra giria

significa as70)». Noutro logar tucioso: «Como vocês são girios! (p. 155)». Nesse mesmo sentido occorre a palavra noutros auctores e na boca do

a respeito do ver

(p.

^mo

povo, assim como substantivamente
astúcia.

com

a significação de

Giria,

como

substantivo, significando forma par-

ticular de linguagem,
s.

vem numa passagem

abaixo citada.

V. calcorrear.

Os termos de
os seguintes
:

giria contidos

na Feira dos Anexins são

aramesj armas. «Pois parece

bem um homem com

os

arames atravessados, mui direito (pag. 117).» Vid. Giria do século xviii.
bispar^ ver. Vid. acima.

infra

cachucho, annel de oiro.
lh'o disse
;

«Não me aponte com o dedo, já bem sabemos que tem annel, e eu ca-chucho no

dedo

179)». calcorrear correr.
(p.
j

que é

«Emquanto não recorrerem a pidhas, quem melhor os soccorre, porque concorre com o

Feira dos Anexins. Obra posthuma de D. Francisco Manuel de Agora dada á luz pela primeira vez. Edição revista e dirigida por Innocencio Francisco da Silva. Lisboa, 1875. Ha varias
1

Mello.

copias manuscriptas dos séculos xvii e

xviii.

íU

resto de todos os equívocos jocosos, e

em

se lhes

acabando,
cal-

botam a correr a outra matéria, ou metaphora, e vão correando com a g*iria que trazem estudada (p. 95).
;

gabeo, chapeo. «Elle é anexirista de arromba traz chapéu d'abah'oar. Girio equivoco de gabeo esteve aquelle

119)d. lanterna^ garrafa de vinho. «Da adega gosta você, que o vi est'outro dia todo arrodellado com a lanterna feito
(p.

Marcos, juiz da taverna (p. 117)». «... já o Joanico (que ainda não perdeu a confraria da camaldola) estará com as
lanternas.

esse bêbedo

Também você lhe resa pela conta benta? Nunca me encheu as medidas (p. 176))). marabuto, marinheiro, homem do mar. «Antes é rapae

zio,

bom

para marabutos

(tomaram «Basta serem do mar para não serem gente; e senão olhe: os homens do mar como se chamam ? Marabutos^ que vale
o

os marabutos)

(p. 117)». Olhem os poias com que nos apoiam? (p. 205)».

mesmo que mar

e brutos (p. 217)».

monteií^a, como adjectivo, mas evidentemente em jogo de palavra com allusão a monteira^ carapuça (vid. Giria do século xvm): «Também para Turquia se vae de barrete

veimelho

:

mas

ella

em campo com chapéu de

sol,

vae mais

a propósito para a sua belleza. Indo de monte a monte, a formosura monteíra não lhe havia de estar mal (p. 118)».
moscar-se, safar- se, ir-se embora. «Se lhe

deu a mosca,

vá-se moscando (p. 17õ)». moscoviaf «Ao cheiro da moscovia? (p. 176)». robtir, mascar, comer. «Vossê tem trazido nella os equivocos de rastos. Isso, é i-los assim rostindo ás marchadellas (p. 9)í>.

«Tenha mão: vossê suppunha, que sou bocado
o atravesso?

mal mastigado, que
vossê vai rostindo?

Que arenga

é essa, que

(p. metaphora de comer). somno. de sornaj, «Metaphora dormir, é boa para os sete dormentes. Quem duvida que havia de ser uma sornaf

88:

Em

(p.

100)».

A

mais antiga

lista

de termos de calão conhecida é a

que deu o padre D. Raphael Bluteau no seu Vocabulário

62
e latino (Coimbra, 1712-1721, 8 vols. foi.) e no Supplemento á mesma obra (Lisboa Occidental, 1727, 2 vols. foi.), respectivamente s. vv. gira e giria ou gira.
« Gira, diz o erudito theatino, que tomou em consideração a linguagem viva, he o mesmo, que a linguagem dos ma-

portuguez

rotos».

Fr. Luiz do Monte Carmelo, no seu Compendio de Ortho-

graphia (Lisboa, 1767), pp. 613-614, reproduziu parte dos termos reunidos por Bluteau (os dados no corpo do
Vocabulário) e juntou apenas uns quatro novos. litteratura do século xviii parece dar também poucos

A

elementos para a historia do calão. São bem conhecidos dois romances de Alexandre António de Lima, publicados nos seus Rasgos unetricos (Lisboa, 1742), em que se encon-

tram muitas alterações populares de vocábulos, e algumas
talvez apenas pretendidas populares e fabricadas simples-

mente pelo auctor, junto com uns 17 termos de calão, dos quaes somente 4 não se encontram em Bluteau. A leitura de
varias comedias do século

xvin ministrou-me apenas alguns termos de giria, quasi todos já conhecidos desses dois auctores citados. Por exemplo, na Piquena peça intitulada o alfaiate c Adélia ou o Careca e Carcunda na Praça (1792)
os termos gimbo, di china velho. e expressão que é empregada nheiro, geho, na mesma peça no sentido de dinheiro (A mim china não
-

e noutras da

mesma epocha occorrem

A

me

falta)

era talvez do

calão, e ginja velho (na

mesma

peça) saiu
decer

também

talvez do calão.

Nas Injírmidades da lingua e arte que a ensina a emmupara melhorar. Author Sylvestre Silvério da Silveira
Invoca-se a protecçam do glorioso Santo António

e Silva.

de Lisboa, por Manuel Joseph de Paiva, Lisboa 1759, 4.°, ha de pp. 104 a 153 uma collecção de palavras e phrases da linguagem popular, que o auctor condemna, e entre

surgem alguns termos de calão, em parte reproao duzidos, que parece, de A. António de Lima, como se concluo, por exemplo, da expressão cloris de cachimbo (meas quaes
retriz),

commum

aos dois e que é provavelmente da fabrica

63
de Lima termos
Infelizmente Paiva não deu a significação dos e phrases que colligiu^ o que torna em grande
*.

termo china, já mencionado^ parte inútil a sua lista. occorre também nessa lista na phrase tem muita china.
João Baptista da Silva Lopes, Historia do cativeiro dos presos doestado na Torre de S. Julião da Baí^ra de Lisboa
(4 vols. Lisboa,

O

1833-34) deu

uma

lista

de termos do calão

ou algaravia dos malandros, colhidos por elle na prisão. Depois da publicação dos MysteHos de Paris, de Eug. Sue, e da sua traducção portuguesa publicada no Porto

(1843-1846, 8

vols.),

começaram a

introduzir-se

em roman-

ces, figuravam individues das classes anti-sociaes, termos de calão, verdadeiros ou fabricados pelos auctores

em que

e traductores.

Já o traductor dos Mysl^rios de Paris

(o fal-

lecido dr. José Pereira Keis, faculta- ''o distincto) dizia: «A linguagem dos nossos ladrões nãu é tão rica como a

dos francezes; e por isso em alguns logares teremos de aportuguezar certos vocábulos». As aportuguesardes do dr. Pereira Reis e de outros traductores foram repetidas
posteriormente como productos insuspeitos do calão, e o que é mais curioso é que pode admittir-se que alguns d'esses termos mal adaptados tenham entrado por fim no calão,

por influencia das traducções, sendo todavia minar ao certo quaes elles são.

difíicil

deter-

No romance Fr. Paulo ou os doze mistérios (Lisboa 1844, 8.°, tomo i e único), colheu Francisque Michel os 38 termos ou phrases do calão que inseriu a p. 441 dos seus Etudes de philologie comparée sur Vargot, e os quaes devem ser considerados como genuinos.
Alguns jornaes teem publicado hstas, geralmente muito
curtas,

de termos de calão. Extractei duas d'essas

listas

publicadas uma no Jornal da Manhã, do Porto, ahi por 1886, outra num periódico de Lisboa, mas infelizmente

extraviou-se-me o extracto.

1

Clori no sentido de

amante vem já na Feira dos Anexins.

Ô4

Xa Revista do Minho, 1.° anno 187Õ, Barcellos), encontram-se os dois seguintes artigos que interessam ao nosso
(

assumpto Cândido A. Landolt. Vocabulário popular de alguns termos especiaes usados pelos fadistas do Porto (pp. 54—55).
:

Contem 53 termos dos quaes
populares e
J. Leite

lazeira,

pingas

e

versas são

não do calão.

de Vasconcellos. Gíria portuguesa (pp. 62-64). lista de Monte Carmelo, que suppoz ser o cola Reproduz lector de todos os termos, e dá 18 novos ouvidos aos garotos do Porto. De um philologo, como é o auctor, havia que
esperar mais.

mais extensa, muito mais extensa que todas as anteriores, dos termos de calão acha-se no artigo seguinte:
lista

A

J.

M. de Queiroz

Velloso.

A

logia e historia) in Revista de Portugal,
(pp. 153-183), Porto.

giria (vocabulário, etimonovembro de 189C>

Alem de varias considerações geraes e de indicações sobre as fontes do calão, contem uma lista com 1337 artigos (contei-os rapidamente, mas não pode ter havido senão muito pequeno erro) todavia o numero de termos distinctos
;

porque o auctor, seguindo o exemplo, a meu ver, criticável de vários collectores de gírias, separa em artigos
é menor,

diversos as diíFerentes accepções de uma mesma palavra: ó assim que o termo macaco tem quatro artigos, o termo pae três, ralé três. O auctor serviu-se de Bluteau, A. António de Lima, Silva

Lopes; examinou vários romances^

traduzidos e originaes, e outras fontes que não indica; mas a maior parte dos termos que publica foram colligidos da

traducção viva ou directamente por elle ou por outras pessoas, o que dá á lista valor particular, sem comtudo

tenham introduzido

ser possivel para nós a absoluta certeza de que não se nella alguns productos espúrios, apesar

da critica que o sr. Queiroz Yelloso se exforçou por exercer sobre os materiaes á sua disposição. Ha outra ordem de termos que não por sei'em espúrios, de falsa giria, mas
sim por serem genuinamente populares, da hnguagem geral

65
do povo não deviam figurar, como figuram na
são:
lista.

Taes

Alapar-se, esconder-se, muito usado nas províncias, deri-

vado apparentemente de lapa^ mas muito mais provavelmente modificado por dimissilação de * alaparar-se (cf. pela forma coitar vb. por coaltarar, do s. coaltar, do inglez, e
pelo sentido agachado^ propriamente escondido, de cachaj fr. cacher, e acaçapado, acachapado, abaixado, encolhido

como
dado,

o caçapo

na

com um d

Temos também epenthetico, também de
toca).

a forma alaparlaparo.

Alhada, compromettimento, etc. Vem já em Bluteau no sentido de embrulhada. E perfeitamente popular.
Almiscarado,
ó
i^oioisi^

como

o antigo alfeninadoj adj. es.,

termo familiar (um almíscar ado).
arranjo popular de sophisma. Badejo, bacalhau, propriamente bacalhau vivo ou fresco,

Asophisma é

um

termo perfeitamente geral, do hisp. abadio, de abhad, abhade, como bacallao de haccalario, segundo D. Carolina
é

MichaêHs de Vasconcellos ^
Baralha, tumulto, desordem, etc, é um velho termo, sempre vivo na boca do povo. Nos antigos documentos era principalmente usado na forma tautológica á volta e baralha:

baralha e depôs a baralha a sa cassa entrar e hy auudo conselho fuste pêra ele firir peyte
soldos.»

«Quem com alguém

Foral de Santarém in Portugal, mon, hist. 408. Leges, i, Cp. Foral de Lisboa, pag. 413, Foral de Almada, p. 476, Foral d*Aguiar, p. 714^ Foral de Extremoz, p. 681. «Alcaides ó iurados que a bolta ó baralla
sobreueneren e uiren
ferir ó

XXX. ^

mesar

e lo uire alkalde ó iurado

firme fasta en V morabitinos.» Costumes

Eodrigo,

ibid. p.

e foros de Castel888. «Ningud orne que fugir de bolta ó

1

«Certas Agulhas ferrugentas, tinham entre o Badejo e Bacalhao
:

mettido

Ha quem faça melhor tal enredo que dizia o Bacalhao cozimento ao estômago que eu? Arre com o Badejo, que a piiro azeite é que vai escorregando.» Feira dos Anexins, p. 215.

que está no cimo. mas só por ouvir fallar os outros. António de que anteriormente se encontra. e levantouse muy gram volta gram baralha antre os diciplos Judeus. De modo nenhum podem ser considerados : como termos de giria os seguintes também popularissimos pança. copasio. na lista do sr. «Em aquelles dias crecia muyto e muy o conto dos dicipulos. e outros que figuram na lista referida. é pover-se dos exemplos reunidos por Moraes. no século XVI em Jorge Ferreira de Vasconcellos. p. velhos termos que pertenceram á lingua geral. nas girias dos diversos países. propriamente do que não se conhece directamente. acto iii. Encontramo-lo ainda nos provérbios colligidos por Bluteau: Boca fechada. é alteração àe fallar Foliar fallar d'outivo ou amies fallar d'outiva (outiva = pular e foi clássico na ultima forma.» Costumes e foros de Castel Melhorj ibid. porção. conservado até ao século xviii. scena vi: «Ai maochas. de que provém. 1. bocado. como pode auditiva). ex. cimeiro. à^s^i fallar á toa. propriamente lasca. é popular. escriptores do século xvi no sentido de companheiro nas . fallar sem saber de que. Estilha. por exemplo. como se vê de A. e foi empregada pelos abandonou (matelote. matelot. Dicc. 932. barriga. . Comedia todo vós estais Ulysippo. a palavra significa marinheiro como o fr. Sem duvida ha. Tira-me da baralha. d'otivo. Manchas era simplesmente um velho plebeismo.. p. copo (grande). mas que esta Queiroz Velloso parece estar nesse caso. Lima. e cortado».» Actos dos Apóstolos (in Inéditos d* Alcobaça) vi. Não bulas baralhas velhas Não mettas mãos entre pedras.66 de rebata tresquilenlo e pierda el quinon.

como tem sido observado. O sr. absoluto: e em raríssimos os que passarem d'uma extravagância ephemera da moda que as tem também e consideráveis o calão criminal». Igualmente teria feito bem o auctor do trabalho a que me tes.67 do mar: (quem não sabe que Diogo do Couto cha- lides mava a Luiz de Camões seu maialote!). que naturalmente será completado com a segunda parte promettida indicadas. acrescentada depois e que continha 695 artigos. Queiroz Velloso foi demasiado longe na seguinte asseveração «E possivel. no entanto. eliminei delia tudo o que era comassim um residuo que abaixo publico. mum parte e ficou Queiroz Velloso. os limites entre a linguagem popular e as girias são indefinidos. além dos aqui incluidos: nem nós temos a estulta pretenção de exgotar completamente o assumpto. o que prova que o sr. fontes que cita anteriores a 1830. em muitas partes. é mesmo mais que — sobretudo para o provável : sul do paiz — que ainda existem outros termos de giria. refiro turas) dando indicações rápidas (por meio de abreviadas fontes litterarias que examinou. Queiroz Velloso introduziu com razão na sua lista os termos antiquados ou que tendem a sê-lo das listas de Bluteau e Silva Lopes e dos romances de A. do seu trabalho. alem das já Apesar de todos esses reparos. d'estes. Da minha parte tinha eu já ha annos formado uma lista de termos de giria contemporânea. deve-se reconhecer que elle prestou um apreciável serviço. A maior termos que faltam na collecção do referido d' esses escriptor tem ainda emprego e não foram puros caprichos do momento. Poucos serão. todavia isso não impede que a historia e o uso actual das palavras nos permittam separar nitidamente em muitos casos o que é da linguagem popular geral e o que é das girias. de Lima. — — . deveria ter notado todavia todos os termos que se acham nessas fonúnicas para assim apresentar no seu trabalho os poucos dados que possuimos para a historia do calão. A. Tendo comparado essa lista com a do sr.

Termos populares geraes que. alguns até na litteratura. o que muitas vezes é antigos populares que se (ex. i. de Leite de Vasconcellos (abreos mysterios do Limoeiro^ viatura 4. matelote). além de alguns termos repetidos da traducção dos Mysterios de Parecia a palavra anciã no sentido de égua. baralha).). phenomeno que rias. 139). Ha 1. 4. 3. As 1. minha audição casual nas ruas de Lisboa e Porto os termos colhidos por mim próprio levam a nota C. familiares (ex. mas outros revelaram-me que não me- O sempre confiança. .° pois que distinguir. Da lista de Leite Bastos tive que excluir muitos termos de genuidade suspeita mas é possivel que algum me escapasse que devesse ser também riscado. o que parece devido a um apontamento mal tomado. pois anda significa.° : Termos se reduziram a termos giria de gíria Termos primitivamente de que 3. se dá noutros paizes relativamente ás gi- As duas listas comteeni também termos de girias de difficil classes não criminosas. O Vasc). padre Carvalho (conhecido popularmente pela alcunha de padre Rabecão) colheu sem duvida da tradição viva alguns termos. Assim encontrei nelle. A . fontes da minha lista são : Uma lista manuscripta que me ministrou ha annos o fallecido escriptor Leite Bastos. Queiroz Velloso como da minha. não égua. mas sim agua (M. indicado pela abreviatura M. podem ser erroneamente consi- derados como próprios do calão (ex. levam nota particular. 1865-1866. teem adquirido certa generalisação na linguagem do povo. 5. ris.. lista lista Os termos da Os termos da de Landolt (abreviatura Land.68 Observarei que muitos dos termos da lista do sr. 2. romance Eduardo ou pelo padre João Cândido de Carvalho (Lisboa. os termos aproveitados d'esta lista não 2.*' tornaram termos populares. gajo). 4 vols. L. por serem empregados pelos que faliam o calão.).° Termos das diversas girias. . L.

adj. a. baguines. C. Porto. s. Fogueira. aguaruça. v. assorda. Triste. com antrolhos. ar. C. Denunciar. Mesa de jans. mento. - m. adj. Meretriz senhora. n. Preso. midade. — s. Porto. C. alho. atroços. s. Evacuar. C. Vasc. C.. f. Denunciar. alumiada. f. Cf. n. m. adv. adj. aparelho. receber. v. vilissima. s. Lanter- dex. a. s. aparar. asca. M. C. v. C. Falta m. Es- aparelhado. — á mesa. Bebedeira. archeiro. d'ar. alisar. Fome. C. s. . Pudendum C. a. moinar. b ágata. m. f. Picar (o cavallo). zanga. C. s. apertante. s. s. Ir. á raposa. phoro. de dinheiro. f. m. s. v. Relógio de arrombada. adj. m. v. Homem Tesouras. ? atrimar. C. assoprar. altar.69 abancado. s. Bruxaria. C. s. armar. Corda. v. Lanterna de furta fogo. Feijão. algodâo-em-rama. mola. acha-cliumbada. tar s. f. Braços. a. sem real. v. refl. mulieris. p. Pão. m. rol Fim. badona.. m. v. f. Queiroz. s. Cavallo. Vender. ambria. a. pi. — 2. L. f. Land. a. alar. C. na. alvo. 1. I. Atrás. Mordaça. Dinheiro. m. M. Nádegas. abuçar. arrezinar-se. Viver. n. s. f. po- amostradora. 6Õ). (Bacalhau. C. s. rorisar-se. badejo. n. 143. tar. extredo esqueci- s. Quisilia. C. Vide Tem também o sentido de — ser sodo- mita passivo. assentar.. Preso. acaiihotado. v. m. '? Sardinha. bailharote. e s. ? arifes. I. Alçapão. Falta s. ? atiçar. QuEiKOZ. s.. drifes. 134. Cercar. abridor. s. C. s. ébrio. f. f. Espertalhão. aranhota. s. Acceitar. f. f. Estar a troços de — . Furtar. Hor- alcide. pi. v. C. C. m. a. f. Queiroz. alar. Pedir esamoinar. alcilante. L. v. Phos- s. az-de-copas. v. s. Pão asas.

142. s. Que não tem s. cagarrão. s.ao i. s. cabo. bilontra. Vinho. s. bil- cachucho. Thesouro. bufo. pi. m. C. Queiroz s. real. C. Rou- benzer. n. Lopes. Seios de mulher. s. Vasc. m. Ir no bpoi^ broia. ris. Land. adj.) Melancia. Preguiçoso. C. v. Espingarda. Podex. v. Policia secreta. bater. vintém. m. Land. f. Quarto de L. s. C. proa. Cara. banano. C. Olhos. m. f. Presentemente tarimba. C. — de preto. Fazer quatro . s. Vasc. Ladrar. L.. preso. besugo. v. calona. rufa. m. f. bomba. f. tre. pi. Queiroz. — . m. s. baldo. C. os cinco dedos. bote. Pagar a patente. cambão. a. — no m. Grátis. f. M. orgia. balharote. Podex mulieCf. cair. C. s. s. s. s. um — . m. f.) cabeça. Queijo. um — A certo. bola. butes. 400. C. adj. naipe.. Fr. adj. I. Prisão. s. s. Quartilho. Botas. m. s. C. Cf. C. m. buldra. V. peito. Maroto.bailique. pi. s. i. oiro. busilhâo. brechar. s. caldaça. Queiroz. s. Valentão. f. Vasc. C. Passeio nocturno. f. Bofetada. (de Silva M. s. n. bicudo. Iharote. m. de accordo. C (Pés. caganefa. s. um s. 129. C. C. n. pau. zivel. Vinho. —L. Podex. m. Annel de f. Pudendum de cachorros. . Resegredo. Vid. L* m. s. adj. s. C. Estar soldados e bar.. boa. m. prisão. m. s. Que não tem bálsamo j s. C. caleço. — mão.. balsar. f. borga. significa barriga. Alfinete de m. borla. hundra. cagar- bogalhão. s. Pandega. caldo. v. Bom. Pedir. De — velar . m. bai- dinheirama. caixilhos. C. M. calmeirão. botica. n. C. s. Mulher desprem. m. Quatro soldados e Paulo. — mulieris.

coUa. Padecer. Palavra. Casa pequena. collegio. m. L. réis. égua. O copadas. Muito boa. s. Podex. m. Queiroz. roubo. v. chinoca. s. Anno. s. s. e tediço. f. f. Copo. Copo. v. valor de 2?5000 réis. f. Alavanca. Cf. s. terlina (especialmente as cochicho. chegadinha. I. s. Land. m. v. cheira. em que C. em Queiroz. Como m. m. chato. a. C. m. chimpar. Sem — f. s. chalupas. Prisão. s. pi. a. — o olho. á von- Queiroz). . Quei- chibo. s. cantar. C. Moeda de que cavallo. C. roz). Ver a tade. cardar. que casca. chapar. 'Cf. C. s. m. Ver. Land. cara. chamborgas. Criança. . sof- Chão-grande. C. f. ao café. Vid. fanfarrão. s. garro. — á pal- paz. Vid. Que não tem m. f. C. Dinheiro. s. catraio. chavelho. f. cucar. chaleira. fiar. Racatraia. C. cavalliiiho. Espolio. Que tem pouco valor. Chapéu cavallo). Ir ás — . O Terreiro do Paço (praça de Lisboa). Botas. s. Cantar. fallador. s. Bater de chapa. Moeda de oiro do vintém. s. m. v. de prata. cheira. ca- chalrador. Queiroz). chalrear. a. es- ma. f. s. s. s. m. têem cunhado um 50 réis. s. a. traidor. s. Libra cocar. m. M. (Cf. V. f. C. a. f. coco. C. cheira. v. Moeda de 500 carinha. m. m. C. Japona. s. clisar. careta. droes. s. Ir Land. cifra. a. capito. adj. m. Land. Furtar. Sem vintém. C. frer. m. coragem.. adj. s. Vid. Met- 120. cardenho. m. Bofetada. a. f. Capitão de la- Futuere. adj.71 eamelote. s. 2 gen. deia. Podex. s. C. (Cf. s. C. adj. V. s. carocha. n. que é de quali- caruiifeiro. Fechadura. contado. f. geito. C. Ponta de ci- chinfrim. nho. cavalli- de amolgar. que quer passar por valentão . Fadista não ha dade ordinária. s.

esfolado. Preso. m. embeiçar. Forca. s. s. s. . s. n. m. Parar. Cabeça. v. Cp. s. Empregado tir-se. m. envergadura. f. m. Compromet- Fabiano. f. esteira. m. preguiçar. Fadista. refl. Koubo. . Chapéu. esquilha. Ciúme. bos- ?deza. f. v. Esconder. m. Fadista. rio. empandeirar. s. que verifica passaportes. Chapéu fino. refl. C. C. Zan- bora. m. s. f. chadura. em folgança. s. assassinar. lá de darona. V. corveta. toda a noite C. C. — o li- esganador. sentido. s. entrames. Ver. a. m. Excre- mento. v. escovadinho. espinheira. C. doente. gar-se. Estrada. envergar-se. Apresenf. Esquadra de encanar. Queiroz. Zangado. s. f. f. matar. Ópio. cor- empandeirado. s. Land. m. furtar. — encaixotar. f. Buraco verdadeiro. f. C. s. f. s. m. a. C. madeiramento. m. s. dia. s. m. C. f. tido. a. v. Pedex. f. Enterrar. s. s. corrida. da fefalso. v. corte. a. m. tar a ceia. Ves- cunha. v. Mês. Ir-se em- espantar-se. faiante. v. m. s. culatra. Atracar. cima. Cf. adj. s. Famia expressão não empregarem o nome liarmente dor de cotovello tem o mesmo doutora. poHcia. s. C. C. a. f. C. altanado. — escarnliida. f. Vestuá- culatrona. Gravata. cucar. s. v. Andar geiro. n.cordaiite. n. derrubador. dorminhoco. encabrestar. Procurador régio. s. s. Sardinha. Moeda. Fazer Andar — que. encalhar. Cachimbo. adj. Mãe de Deus. Mâe. s. esganar. cortesão. tar-sBy Queiroz. s. coveiro. n. s. v. entrar. Entrada. Mandriar. Nome valendo como fulano que se dão os fadistas para dor. s. desconfiar. Mata. v. cozinha. C. s. adj. m. faia. Faca. s. descarregar. Meretriz vilissima.

Astúcia. C. s. Igreja. Vadio. s. s. á boa vida. Gabão. num. ganfar. Silva Lopes. Official de jusci- galdrapinha. Prisão. filante. m. f. s. Morte d'hos. f. m. agen- galdropar. Desde menino. L. Palpite. de vinho. Diz-se também no mesmo meirinho de Coimbra zia: sentido andar á gandaia. C. n. na Gíria do século XVIII. garulla. nica. gabinardo. tiça. faxar. O que an- Filante mor. n. s. fungágá. da. 136. M. Queiroz. C. garrafa. ferro. cão. gaudinar. garganta. gaio. finfar. f. Dinheiro. galdrana. Vid. m. s. a.. n. Mentira. Cp. Vid. s. Capote. fofa. Copo i. gelfo . m. Vender. fila. Queiroz. Applicar. Philarmo- tusco. — da corceia d' ou- Meretriz. Meretriz vi- m. Meirinho fino. Futuere. v. de poUcia. m. forty-two. 6.. 129. s. L. a. s. f. s. s.73 farar. num f. s. f. f. m. Pa- m. Vasc. Cavallo. s. C. s. gateira. para arrombamento. Abrir. funeral. Queiroz. Cp. filé. (=z helfo). m. Piolho. a. s. gandaiar. m. . Cp. C. lissima. Q^. Cp. gelfa. s. I. Unha. s. Garrafa. Elogio. Apanhar. s. Queiroz . v. Bater. Malandro. f. s. rança fina. Perua. garuella. L. A von- fundo. fraucisquinho. Quarenta e dois. gadachim. p. a. gata. Vadiar. sentinel- Bebedeira. v. la. M. Á — Queiroz. m. infra. Ferros s. cangarína. Bluteau. ganau. gauderio. ganho. f. Cp. furacão. Velha. s. C. m. fundo. ferrameutal. Uma quadra do tempo da guerra liberal allusiva a um certo di- trem. mem. folgar. m. gandaieiro. Andar na pandega. m. Morreu Custodio. C. te vil. s. guarda Comer da Queiroz. v. v. gando. espe- gao. f. C. s. 81. v. gargan- tosa. da á gandaia. dar. M. gangarina. v. tade. I. m. soldado. s.

Bofe- grudar. Garrafa de vinho. Nos 13Õ. tada. larias. n. significação da palavra. f. v. Guitarra. m.. Futuere. Land. gingão. C. L. f. Porco. C. Escarro. s. Percevejo. Patuscada. v. Irmão. I. lanterna. s. Vasc. s. Convir. m. lamiro. v. Vinho. C. f. cacharolete : C. M. Arroz. bebida composta de rentes Hcores. peru. v. m. Queiroz. v. Aguardente. m. s. m. girote. Em si- Queiroz. 143. ciosa. grão. Pateta. Caricato. s. m. livraria. Pedra preFesta. s. guesso. Comer. Cf. f. griso. adj. Vasc. C. Gritar. s. m. C. lavado. Queiroz. m. Vadio. s. C. luzente. n. Lettra commercial. Podex. L. inglez. n. Vasc. horar. gregorio. Fazer horas. giraldinha. Estar de accordo. f.. Adaccomodar-se. f. s. ^ris^ Blu- Vid. diffe- lascar. m. s. m. ilhoz.gesso. gimbolinha. lixar-se. linguado. vinho. Vo- m. Artelho. C. Queiroz. lupa. Cf. f. s. Aguar- s. Vinho. s. gnificações. Coxo. s. giielar. m. Bebedeira. I. m. s. Casaca. grossura. s. Vinho. f. desajeitado. s. lirias. s. s. C. s. dente. Land. aptar-se. foi guiho. largar. v. s. m. grossa-casca. Podex. Laranja. f. n. Frio. s. s. grane. larias. m. f. grelha. m. Sacola. grulha. s. s. m. prata. — . Queiroz. M. pairar. Libra. lostra. lamira. Vasc. s. Bêbado. granej. Já nas cortes de Almeirim de 1544 prohibido deitar gesso no vinho. C. C. s. gerípit{_. a. s. s. adj. Cantar a mitar. lyra. v. s. Cavallo. s. giribato. s. f. C. giripití. s. Evacuar. s. macote. kioske. m. labita. n. m. Vasc. Peru. C. com outras luzida. Repertório Caixa de grande de cantigas. . Mentir. f. 8. C. f. s. m. f. grosso. TEAU. Penis. liré. C Dessa falsificação vem a irmo. f. Sapato. Quartilho de grani. Jatingar. m. maço. lofo.

s. m. liomi- maseovia. abbadessa. Ter macacos na Ter — mimoso. s. Significação f. Cabeça. f. descoberto (num crime). v. Ferramentas. macovia. C. marreta. f. Sopa de macarrão. Na marosca. moco. a. duvidosa. L. a. adj. dreiros. s. f. maqumeta. Ter- malaíaía. Land. mata. s. 53.75 s. m. Land. giria dos pecoelho. muMenesa. pi. f. mente. lher. malva. f. Facada. dedos da Queiroz. Soldado. C. mistico. um homem. f. Tolice. s. Enganar. m. m. çoso. hir. madrinha. — meio-bordo. Logar onde se vende fato velho. s. Cabeça. adj. p. s. midea. s. maduro. Queiroz. Podex Land. Apanhado. Tolo. s. f. m. Id. macote. f. menesa. s. m. Gritar. m. Vid. m. s. Dez Os mão. f. mania. Pregui- s. Sujeito de servir. Casaca. s. f. loucura. Tra- meio quartilho. s. Copo de mocar. major. Sapato. Ardil. adj. s. maudigula. Cf. Mastigar. Vasc. «Consultei a peva e achei só um milhafre» abri a man galho. — m. Preguiçoso. mandíl. martyrios. profissão Não s. Homem que não o tem. . O que traz dinheiro comsigo e diz minhocas. prestar. marinheiro. s. Ir para matar. o s. s. logro. magal. . s. Chapéu (de s. s. martelinho. bolsa e achei só mil reis. mangalhado. M. Acordado. ? s. m. Land. pi.. A evolução da linguagem. Chapéu fino. Penis. m. nis. s. v. cótica. s. amolgar). mitra. . s. a. alto. Land. Penis. pi. melcatrefe. Mandamentos. v. nha. v. Bebida nar- miar. Prender. moca. Pae. nao m. pedaço de asno. n. Tolo. adj. Testemude- masquir. manesa. mo vago que de desprezo com análoga á de melcatrefe. Traição. m. se designa um rapaz. Concubina. marrão. m. C. adj. I. . milhafre. Mil réis. 134. f.

Cruzado boa). pi. Podex. n. s. Nos diccionarios como popular. Grátis. um em nicar. s. nicola. parrameiro. s. s. com roubo. C. moscar. C. money moute. m. v. Gente m. v. noz. soldados. pantufo. m. Prisão. Lenço de s. 53. C. Justificar. assoar.. Acção de nicar. m. poli- Edifício da prisão. Asno. Pudendum m. monteira. s. De — . Puden- morder. Andar a pedir esmola. s. Fazer mal a. Vid. — de pedras. Roubo. C. — da linguagem^ de boi. adj. pandego. Verdade.se. m. v. peneira. m. Amasia. Gordo. nasio. — mulieris. s. . Testemunha. f. Podex.se. Carruagem. Espião s. moiua. mulieris. s. n. m. etc. m. m. f. s. moscardo. palito. novo. Cantor. padrinho. s. pevide. Futuere. Nariz. f. Fugir parrançar. m. C. de boca giria dos pega. (Cigarro. C. m. sereno. refl. peixe-na-costa. v. C. s. s. m. I. a. móní). s. s. f. Sede (Porto). n. s. amoiuar. Casa. m. m. m. Audar á — m. nadar. Merem. m. suspeita. a. s. Guarda nocturno. que segue regimento de terra terra. Pudendum patrazana. s. patrona. s. Soldado da guarda municipal. Punhal. Estômago. — nocturno. Juiz da prisão. s. Meretriz de m. patao. Divertir. C. moxingueiro. Land. dum mulieris. Vasc. panella. s. aberta. f. v. f. Bofetão. cial. patrajona. mosco. C. (pron. C. s. Quebrar. pardal. narro. f. C. C. triz. s. Bofetão. mosqueiro. v. noscar. s. m. Na pedreiros. C. paiol. a. patuno. C. Tolo. olho. s. m. M. m. Fome (Lis- A evolução p. f. s. s. Gato. s. s. 40. official. s. Cabeça. m. Dinheiro. L. f. parelhar. Mandriar. s. v. tostão. Pontas de boi. s. C. Vasc. m. moleque. moucoso.76 mofo. C. . s. Queiroz). pente.

Silva Lo- Penis. bom senso. s. rustideira. C. saltante-picado. Índole. ponis. Copinho. adj. C. Patuscada. m. humano. Pouco differente do uso commum rapiaça. f. Relógio. v. m. f. Prato. (Moeda de prata de 240 réis. n. Annel. f. s. v. quilhar. f. f. f. Criada de Land. Policia. s. f. f. Silva Lopes. C. C. f. da palavra. querer. tris- Mulher. Dado Pé. f. pire. grosso. v. m.77 philarmoiiica. Sapato ca- m. s. n. s. C. sebastião. casaca. Tolo. s. sinhá. da pro- quebrado. se s. f. replicar. Pesar. f. v. C. tra. f. Cf. C. ladrões. cia. servido. roedura. s. m. comer. Diabo. a. f. C. m. adj. risca. s. Génio. Caldo. nhantes^ botas. Senhora. sem-luzios. Queiroz). m. Vasc. Manobrar com respo. Criança. v. via. roca. s. s. f. Cf. queijo. Pessoa rola. m. samatra. Cego. Cabo de polipirata. v. rodilha. Queiroz). a navalha antes de dar a facada. f. m. s. — meça. s. Voltar. Bengala. Rir-se. Pôr Futuere. Penis. a. quinhames. m. Cp. quinta. s. rolha. (Bebe- pes. Negocio. C. f. Juizo. C. s. Cama. s. Gravata. Sobre- reúnem refeita. servir chegada víncia. C. Prostituta. f. s. refl. Casa onde sobremoscovia. s. s. s. Moeda de réis. morta. s. C. sarambia. Queiroz. Masturbação. Espancar. pilula. m. f. chumbado. C. s. s. duvida. deira. s. Desordem. s. Excremento s. . n. Preso. placa. Enfermaria de meretrizes. f. Acção de s. sinhama. jpil- reminicar. prata roçar-se. s. f. Queiroz. Cp. s. n. ruiva. C. teza. riscar. s. s. Queixar-se. ratoeira. v. s. s. servir. f. s. presunto. m. de 500 rodellinha. sobre-maco- Ceia. A poli- regulado. pitada. pinto. Land. Coisa que se come. Explicação. m. cia apitando. C. rabão. remédio. ralé. f. s. piegas. s. m. s.

sorna. Pudenmulieris. pous. m. termo é m. — trombeta ou beber. 53. 53. temposa. C. Cara. Vasc. s. dum L. f. Fazer Escada. Cara. Todo liró. pado. Jogo de alçapé. v. f. Quei- — sovelão. Preguiçoso. s. p. s. coisa. cordo. C. s. um-sete. roz). á beitriques. s. adj. Na giria dos me. chincha. m. Navalhada. Homem. tardos. f. cabo. adj. Na lin- zarear. Na giria dos tocador. I. f.78 soldados. L. s. evolução da linguagem. f. soiideque. tosse. f. m. M. C. s. s. n. n. C. A evolução da linguagem. pedreiros.. f. Pe- sona. tocar. s. m. Frio. pedreiros. nuar. Zangar-se. xarifa. tefe. pess. muito usado no theatro. Embriagar-se. simplesm. Lanu. torcida. C. dar alar- s. 135. — . m. M. 120. heris. s. f. s. m. Podex. I. 53.Vid. zuncho. v. C. ugar. zachael. p. Bofetada. pi. Bebedor. s. Cama. vegete. p. s. Bofetada. giria dos pedreiros. Avaro. verónica. Vid. — a mona. — grossa. s. M. pron. adj. a. Que está d'ac- A Uma bofetada. o pae. Todo rinha. subideira. s. s. Queiroz. m. s. m. s. C. — com m. sonhar. f. ISõ. Vasc. s. Vasc. Umas — tocar. traidor. f. s. C. tapor. f. lho. tampòsa. sondar. L. f. liga. Fome. s. teuéne. s. tronco. C. C. tento.. Caixa. n. verde. in. zona. Podex. V. . A da Noite. Conti- s. v. s. tacho.. I. Amante veEste Land. porta. Pudendum mum. Morrer. v. Falta de dinheiro. Gritar. Sapato. teu. ^ evolução guagemj. Burro. (Todo triques á marinha. f. m. zouca. sulipa. pi. n. todas. m. s. . C.

adaga. Estão em uso as formas bago e hagalhoça. observa-se o que nota Horácio : Multa renasceniur quae iam cecidere. Espada. va. no navalha. Amo. arame. banza. um certo fundo de termos e de processos que escapa a todas as innovaçoes. artife. Dinheiro. Paiva. asca. Taverna. Antiquado. a outra de termos em uso no calão na epocha da guerra constitucional (Silva Lopes) com a minha lista e a do sr. avesar. os das Infermidades da língua com o appellido do auctor. E possivel até que alguns tergirias mos indicados como antiquados persistam ainda nas provinciaes. E antes bayuca. Cabelleira. Paium termo Pão. . Paiva. Quisilia. bastos. Paiva. A significação aos últimos é conjectural. Estar altenado.79 Tem ficações sido notado noutros países que. Termo popular. Girla do século XYIII Os termos de fonte viatura . como em toda a linguagem. uma de termos do século XVIII. A. mesmo Zanga. Dedos. os de colhidos por Bluteau não levam indicação Monte Carmelo vão indicados pela abre. as girias experimentam. apesar das modi- curto que seu de de no material termos e ainda naltempo espaço ha nellas uma unidade fundaguns processos secundários. popular. sentido. aifarreca. cadentque Quae mine sunt in honore vocabida. Usase ainda no sentido de — presente. si volet usus. de Lima com o appellido attribuida Lima. C. ás vezes num mental que não se perde. Carapuça. M. bagulho. A comparação das duas listas seguintes. avesar-se. os de A. alvada. Aqui. Guitarra. Queiroz Velloso mostra a persistência de boa parte d'esses termos.

bola. mente termo popular. Antiquado. . noivo era fama que media . gem citada s.80 bayuqueiro. bolonio. Usado no sentido de beque (dar Paiva. Ter — caroço. criar. Oh ! tomara-lhe eu a china o damno ! dos miseráveis (entremez). Antiquado. . ainda vivo. car). espan- de fortuna. PaIVA. a passav. cria. Dinheiro. aos alqueires a cheljm. pobrete. chelpa. ter ou possuir Minas de caroço usa-se ainda no sentido calmar. Anti- quado. riqueza. Ver. calcos. Vintém. lar. Vid. casebre. hecy 8. 1784. 2 178. Dez réis. Pcs. alguma coisa. embebedar-se. cachimbos. eatropéo. Sapatos. miuas de Antiquado. ^npregado ainda hoje no sentido de casa pequena e velha. cosque morrosque? Paiva. É propria- Termo basaruco. cascunhar. s. E mais significa- usada hoje a forma catrapós. muito. cheta. de tudo quanto tem. Beque ria aqui hoca. Antiquado^. cf. É Simples. Moeda de cobre ou bronze? Paiva.5. popular. cachucho. boca. O dos miseráveis (entremez). zer o bico ao faxo. ao — Fallar? ). he herdeira sua filha. f. Dar (bater. Correr. como hoje argot significa nariz. dez-bofas. Annel de oiro. Taverneiro. Antiquado. Bebedeira. Lisboa. china.. Cavallo. Fabico. Dentes. Cabeça. Paiva. 1 grande chelpa escondida. Dinheiro*. crivantes. Anti- quado. Lisboa. faxo. fr. e Tem o damno . que fez hum homem dormindo. Casa. calcorrear. antes um termo popu- Carne de vacca. Lisboa. — pataco.. 1784. m. Cosque no calão moderno é casa. Segunda parte da viagem sonhada.

gandaeiro. Raio poético de Matusio Mattoso Matos das Matas. e estes peraltas. Antiquado. Pernas. Fallar? Paiva. estardato. viver ao Deus dará. s. quado. . M. Fome. pobretões já ex professo. Theatro novo. . ficando hum caxo. Chapéu. C. espigas. Pau. Bigodes. fanfar. ^ . (hoje faxa no mesmo sentido). Gabinardo. Tabaco para fumar. eucaiilias. Paiva. gadanhos. Paiva. faxo. . Antiquado. 1771. Paiva. gabão. Fallar. m. soberbo. Lingua. Mão. Incisão anatómica ao corpo da Peraltice. Antiqua- Beleguim? do? eiitrujir. . Anti- quado. gabrinaldo. Qual saca o gandaeiro um prego torto Dentre os chichelos velhos da enxurrada. nâo vêem junto um só tostão. Antiquado. mãos. gaudaeiro. Vid. Anti- termo galfarro é dado por Bluteau como O quado. Usa. 1786. falso. num cripto jocoso. Entender. O que anda á gandaia 2. valente. Antiquado. galga. gantão. 5. Lisboa. Paiva. galradeira. . ganchorra. Lisboa. tristíssimos gandaeiros. . Vid. galrar. No es- gambias. Correia Garção. 2 Deste cano real hoje te saco. scen. chulo no sentido de giAnti- Estoque. bico *. Vadio. Antiquado? Vagandaia (andar á ). forma gabinardo. Lenço. Lima.81 galfarro. e outros ejusdem furfiiris. Meias.se a na baixa-mar para apanhar algum objecto aproveitável que por lá haja. sentido de cara. Dedos. fumélio. tendo de dia feito ao faxo O bico muito bem. — diar. Lisboa andar á gandaia ó propriamente revolver os lodos do Tejo Em gabio.

. Antiquado. que pregou A hum Ginja. o damno dos miseráveis (entremez). m. Antiquado. Cruzado novo.82 Dados. Matos das Matas. Vagar. joruando. Paiva. Antiquado. Usa-se no Antiquado quado. 1785. jorna. M.mal pilhou seu Gebo a dormir. a que a mulher Armas contra seu gosto faz trazer. . maga(Bluteau esAnti- que se faz tendo relações amorosas com a mulher creve quado. gateira. gebo. he causada Do feio gaudiperio. Velho. Furtar. gris. Lisboa. Antiquado. s. gao. Mãe velha. Que te fere os ouvidos. — comedias 2. em forma janisaro. gando. Lisboa. * Assim como no leito foi pilhado (Marte) Fazendo gaudiperios ao coitado Do ferreiro Vulcano. Segunda parte da viagem sonhada. C. garrocha. Raio poético de M. Bebedeira. quefe um homem dormindo. formas ganau.. golpe. C. 3. gisar.se as grão. Antiquado. Usam. Dinheiro. Anti- sentido de jaqueta. Lis- boa. Piolho. varias Estou sair. que fez um homem dormindo. lancho.) ou amante de outrem*. Tunante. M. M. 3 Eu lhe buscarei idea para* lhe sacar o gimbo. Injuria não. justa. e apupada. Sua mulher Segunda parte da viagem sonhada. g anisar o. gaiiíços. geba. 1784. . Em quero Não Bluteau. . Casaca. Lima. . Frio. mão. 1785. gimbo. Toda essa gritaria. gaudiperio. Unha. Parece uso a estar ainda griso. Penedo. O . C. que ha pouco se casou . Algibeira. M.

no sentido a niente. Cama? Preguiça^? Antiquado. monteira. quado ? Comer. não. Usa-se a ex- pressão ter um rato no gumas passagens equivale a não fazer caso — em que de. Colligi al- v. Novo entremez dns regateiras bravas. s.83 lima. Matos das Matas. Puta. nautesnem. niente. Capa. Carapuça. n. Usam-se i^eltra e píltra. 1 Então no tal casamento Desde já estou maribando. suquir. Tostão. 1786. (entremez). lostra. Homem. libertino. p. M. Usa-se no sentido rifar. Antiquado. marco. Olhos. Lima. as ma limosa no mesmo sen- formas no tido. C.2 Vid. Fome. 1784. lograr. Não a sornar. narios trazem este termo no sentido chulo de enganar. estômago^ na barriga^ no sentido de ter fome. M. etc. Camisa. rede. M. soquir. m. Furtar. Fome. talhão. Os diccio- rafar. C. Vinho. nada. Paiva. sentido. Furtar. Antiquado? Sumir. Homem. sabes (sic). vil. luzios. Frade. Comer. moquideira. rir. o éLamno dos miseráveis boa. mesmo Paiva. marimbar. marca. . Lis- Ora eu estou maribando em vossa Lisboa. Vestido de mulher. Antiquado. Bofetada. Raio poético de M. Usa-se forma nente^ tardar. 178G. Parece ser idêntica sonar. Dormir? Paiva. 2 alteza. A Nesta certeza os mecos conloiados seu salvo as saúdes repetião. purrio. Dormir. Usa-se a for- piJra. esper100-101. Anti- roda. Antiquado. pio. sorna. rafa. Antiquado. Bêbado.se de^ meço. Usa-se no sentido de reles. Boca. Cama. finório. raso. Lisboa. rata. rustir. de roupa.

Andar. tirantes. Littré. parvo vispere. engano. cruzado novo). loquaz . bebedeira pec^mcAa^ lucro. Ant. ridicularia. cuquenha. vulto. . tonto. emhofea^ logro. teimoso. s. jpimpão. Lisboa. oíi tout E por isso nâo pára ella Nem com em parte alguma também coisa nenhuma. cocagne: pays de cocagne. 1786.84 terne. 2 gen. jpitéo. Cuquenha é provavelmente o mesmo que cucanha. ninharia. continuar? Paiva. (diz-se matuto. caurim. Vid. p. acerto. Eaio poético de M. petisco. Paiva. maluco. Rosto. verónica. propriamente fazer vispere) . cuquenha. perturbação de sentidos. fugir. escarneo. grifaria^ exótico (sic). interesse. pinto (cp. Rosto. : caçoquim. boca. espelunca. continuar. altivez . Calções. a que Terragosa. cruzado novo . ou Ton trouve tout à souhait. embriaguez. Alguns d^esses termos não eram por certo novos . rouba*. dinho . doudo. pizorga. na Camará óptica^ folheto (Lisboa. tostão . Corpo. Lisboa. Calão do primeiro terço do século XIX III José Daniel Rodrigues Costa. outros sairam talvez da giria. valente. quado. Lima. O. do fr. calote . impertinência. (= verónica). vinorica ugar. ganho de jogo embaçar. 1807) traz uma lista de termos que pretende terem sido então introduzidos na linguagem dos tafnes: . caurim. Costas. Lima. grazinador. desapparecer. Antiquado. chalaça^ zombaria. quinhão. felicidade. ganso. meio . como pizorga. pays imaginaire abonde. deita a unha ás coisas. Matos das Matas. logro. M. destemido. tal ar á^unhantCf Por ser dotada de Que excede a qualquer rapinante. 86 uga. moafa. trama (sic). Anti- uuhante. ganho. pinto.

clavina. pegar. cabra. algibeira de mulher. perceber. entrujão. toucinho. garrafa. archote. calcaiites. quartilho de vi- caugarina. bramar. chona. balda. pão. trabuco. falhas. um caurim^ passar pregar um logro. botins. avoador. bolsa. cuelle. escamar. caldo. por extensão. cadeia. farpela. belfo. . faca. ardose. o sentido de A palavra parece ter tomado moeda falsa. igreja. espaldar. amarra de lodo. vem de cauri^ nome das conchas que na costa de Africa servem de moeda. garrafa de vinho. tem. sentir. chapéu de batas. altanado. denunciar. fêmea. cornante. cadeia de relógio. sapatos. amarra. avesa. vintém. comprador de roubos. cagarrufa. denunciante. artâo. avela. cordão de oiro. espinha. noite. gallo. barra. sapatos. calcos. sol. * Modifiquei a orthographia de Silva Lopes. estarim. bocanhim. barraca. mãos. manta. meio quartilho de vinho. botelha. archote. cinta. espingarda. fechadura. cheta. afiançar. entrujar. escamou-se. bola. juiz. cão. e. queixar. cartas de jogar. boi. nho. sentiu. cantante. pombo. ao pé. punhal.85 Caurim. baquesim. Calão OU algaravia dos malandros ádica. aguardente.- canhantes. diluvio. tem. olhos. berrar. d'ahi impingir uma moeda falsa. lençol. casa. bocanhím. clizes.

burro. na pireza. cigarro. continuar (sic). capote. foi feito j foi Matta. magano. grillo. senhor. fechadura. tralha. janella. macovia. pirar. nentes. sarda. lenço. velha. piar. pae. ladrão de casas. mão. uga. lençol. lodo. xelro. pasma. troses. oiro. fugir. parné. misto. grane. penduras de uvas ferraeâ. sobre-casobre-macovia. gansos. dono de alguma laivo. gamar. gazua. prata. ir roda. chave. galé (prisão). capote. lúmia. peças de léoOO. peru. justiça. faca. esperto. maquino. ganau. calsas. sentinella. beber. grego. furtar com subtileza. serralhas. falso. égua. respalde. cruzados novos. capitão de ladrões. homem. não. dinheiro.se. ratanhí. gajo. coisa. tamposa. soldados. gage. safo. piolho. dedos. legante. pistola. ruço. saco. tinente. cinco réis. sornar. relógio. gomarra. bom. Lisboa. morte. casaca. saca. dinheiro. lenço.'^0 fiJho do golpe^ ladrão de roubado. gallinha. fundos. dez réis. soldados raaracão. tostão. nuvem. maxa. fuiidaiiarios. lenços. ventana. lâmpadas de prata. laia. policia. chave. mulher. menina. bolso. collete. gadé. lepes. dormir. penante. caixa. maço. cavallo. geboj velho. guines. paivo. geba. . ladrão de estrada. relógio. safar. meretriz. malandro. grani. golpe. justo. fusca. macanjo. da medunha. chapéu.

Devo o conhecimento d'esses termos aos srs. «Tandis que chaque région de Fltalie. ás (cuspir-lhe) . a un dialecte propre. Á identidade dos elementos fundamentaes do calão no : ria dos tempo. 1887. les Dans pain. tirantes (calças). junta-se a sua identidade no espaço assim a maiotermos do calão do norte de Portugal encontram-se sul. — levar ás entaladeiras pollegares apertados pelo lado das unhas). stockjish (do inglez.87 Junto o seguinte exercício do piolho. ci^ea le vin. colhido da tradição. ai^ton le lensa la viande. Paris. mas conhecido nessa forma no tempo a que remonta lista — a supra: «Metter a gao (mão). tracl. ao O mesmo facto repete-se com as diversas girias nos outros paises. districto de Aveiro. on appelle chiaro Feau.Velha. Calão dos contrabandistas de Albergarla-a. Uhomme criminei.Velha Para confirmar essa observação darei uma lista. p. outros pontos do paiz (especialmente de Lisboa e Porto). de termos usados numa giria de gente de Albergaria-a. . — competentes cuspideiras — limpar aos — dar passagem aos que beta (os tirar o (piolho). ficam». coronel Brito Rebello e medico Lemos (de Alque- maior parte de taes termos é-nos conhecida de rubim). fr. alguns que parecem especiaes ao calão de Albergaria de- A vem ter tido maior extensão no uso: só assim se explica como piovês (do argot francez pivois). faz contrabando. sendo até conhecida pela denominação im- própria de ciganos. les voleurs le même lexique que ceux de Lombardie. infelizmente muito curta. 1 Cesare Lombroso. deux pays. 465. diz Lombroso. et qu'il serait impossible de Calabre ont à un calabrais de comprendre un lombard. L'argot de Marseille n'est pas autre que celui de Paris*». e tem contracto ciganos. a qual negoceia em com cavalgaduras.

f. s. reco. cachilras. Porco. v. Copo. arames^ artife. V. a. chavelho. Seios. Cavalgadura. Porco. m. m. duque. Cama. — humano. s. s. m. Pão. Padre. Vinho. m. Mulher. f. lupar. manez. m. s. s. m. s. s. Comer. m. Apanhar. suquir. n. . coco. suquidora. s. a. Podex. a. lupante. s. m. a. piar-do-ventre. befe. s. piovês. bar. m. froina. tris. Copo de mosquir. Boca. gadanhos. s. Excremento s. f. s. cosque. m. m. m. Homem. Cabeça. n. Irmão. s. o-da-eira. que o estudo das girias semelhantes das nossas províncias teria muito em que A interesse. f. m. s. moquideira. pi. f. m. m. s. m. s. irmo. m. v. s. Casa. zagré. vezer. vinho. m. Cão. s. palurdio. Vinho. trigo. s. Porco. Ver. respo. pi. trigo. Dormir. n. Boca. m. raso. gelfo. a. Olho. s. V. m. Ver. estoio. m. s. V. s. f. Bom. f. Gallinha. Dinheiro. esquilha. s. m. fanfar. Pão de f. malurdia. tó. piar. m. s. Presunto.88 a palavra significa bacalhau secco) chegaram até lista faz crer essa gente de Albergaria. v. s. Mãe. Futuere. Cão. Padre. telo. mosco. de agua. Beber. s. f. Botas monteira. pi. Excremento humano. Pão. v. m. m. n. s. moletos. Retirar-se. quilhar. s. Porco. choinar. adj. f. trigo. f. catroio. calique. pi. m. v. s. Broa. s. de stockfish. pi. Esporas. s. croia. moinar. v. m. rouf. m. s. f. cboina. pi. Sardinha. zagrâo. s. Comer. Dona da desconfiar. Dormir. m. porco. dedos. s. broia. a. Poubo. Pae. s. s. Pós ou catruchas. boa. s. broi. s. Flatus vencasa. s. 8. fardelhas. maneza. Jumento. s. gomarra. s. escarnhida. reichelo. Cavalgadura. v. Dedos. m.

Lá vâo alguns trinta e três (Não sei se nelles dou raia) A prata chamam-lhe laia. Al Jubon Uaman Apretado : dice el Sayo Tapador. Entre o povo portuguez Ha calões tâo revesados Que deixam muitos pintados Por mais de cento e uma vez. A la Camisa Carona.. — As nossas cabeças pinhas . donde sornan en poblado. que mueho vello ha criado. A la Fresada Vellosa. corcovado golfinho. que la otra era muy vieja y la entrévan los villanos. sardinhas. valente bogalhão. O seguinte /ac?o é no género do referido romance Ao Ao Ao Ao fadista chamam /aia agiota intrujão. Dice á la Sabana Alha A porque es alba en sumo grado. le lleva porque tapado. ete. fadista Aos porcos chamam Ao chamam faia. la Cama llama Blanda. infra) um em que uma serie de termos da giria hispanhola ó : dada com a traducção habla nueva Germanía porque no sea descornado. . etc.89 Fado do calão ha Nos Romances de germanía de Juan Hidalgo (vid.

Ao ébrio chamam-lhe archeiro. A guitarra pianinJio. As velhas chamam cascatas Ao poupado Ao Ao sovelão. E também é de calão Ao Ao Chamar. Um gabinardo ao gabão . lhe Também Chamam chamam larica. caldo chamam-lhe rola. nossas mãos génio As bruxarias bagatas . Ao chapéo escovadinho . Historia do cãlão Em o nosso país o interesse. A um agiota intrujão. nosso bucho paiol. Chamam á casa mosqueiro . por portanto que só possamos seguir directamente a historia do calão até ao século xvii. quer de caracter scientifico.se ao vinho briol.90 As Ao A chamam batas. não se despertou se não mais tarde e em geral de modo menos completo que noutros paises. A A fome chamam peneira. Não admira dade. á cara botica. Chamam bico á bebedeira. valente bogalhão. aguardente piteira. A uma mentira palão . a não ser que alguns proces- . quer de simples curiosi- um grande numero de objectos. Ao comprehender toscar . Ao jogo chamam batota. chamam ralé. Ao fugir chamam raspar . Ao roubo chamam cortar. relógio cebola. esperança chamam filé. Ao corcovado golfinho. A uma sardinha aranhota.

. (1882).91 SOS judiciaos venham revelar a existência de mina. Villon. de termos de antigo calão. já Luigi Pulei. e reproduzida in Archivio per lo studio delle tradizione j>opolari. dos quaes só tenho presentes os dois primeiros : O Auguste Vitu. xlvi. do processo da confraria anti-social dos Coquillars em 1455 e outras fontes. 1882). até hoje desconhecida. 3® (à suivre). e fez de termos furbescos. introduziu nas suas obras poéticas alguns termos furbescos. (Ignoro inteiramente Pierre d'Alheim. p. Na Itália. graça ás celebres Ballades de Jargon ou Johelin de François Villon. dos seguintes trabalhos. esse escroc genial do século XV. Étude jphilologi- Mémoires de Mareei Schwob. messe fuori da Salv. Paris. Texplication en vulgaire»*. o auctor do Ruby (nome em poema II Morgante maggiore. entre outros. 1892. 1888. fase. no século xv. Francisque Michel. Le Jargon au xv® que. 1884. Na França. Études sur Vargot. Bonge e Leone Prete (Lucca. in la Société de Linguisfique de Paris. siècle. com sufficiente segurança de dados. tome vii.se até aquelle século. Le Jargon johelin de maistre François que valor tenha este ultimo). Paris. pp. 2®. suivi Lucien Schõne. Paris. Villon. Noutros paises o investigador acha se em melhores condições. jargon do século XV foi objecto. que se acha pucarta em Nuove lettere di Luigi Pulei Magnijico. i. 295-296. Le Jargon des Coquillars en 1465. assim dirigida a Lorenzo il como numa carta uma pequena lista blicada com aquella a Lorenzo il Magnifico pelo anno de 1472. Le Jargon et Johelin de François du jargon au ihéâtre. Ao edição conhecida de fim do século xvi (1596) remonta a mais antiga um livro attribuido a um Pechon de argotico) que se acha um «dictionnaire en avec langage blesquin (argot). a historia do argot ow jargon. pode seguir.

. de que temos presente a many additions. Hlstorical and Anecdotal. contentando-me com indicar o caminho que timos mais recentes : deve ser seguido. nenhum dos quaes consegui ver Inglaterra apresenta já no século xvi o vocabulário de Rogms Words de Harman (1Õ56). O calão e a germania Os termos de germania apontados são os do vocabulário de Juan Hidalgo. Não procederei aqui a uma comparação completa d'essas girias. romances de la Germania que escrihió Don Con licencia. 380. revised and corrected with London. Começarei pela germania. 1779. girias europeas. a par de emprés- A comparação do calão com as outras d'este modo colhem-se para a historia do calão preciosos dados indirectos. *. por Juan Hidalgo. mais próxima geographicamente do calão e com a qual este tem real- mente numerosos elementos communs. En Madrid. 1873.h. pelos motivos já apontados. Studj criticif p. Na Hispanha Romances de edição mais vulgar. Os termos de calão que não levam indicação de facto acham-se na minha lista acima estampada. Catedrático de Sagrada Escritura en la TJniversidad de : Juan Hidalgo El Toledo.'J2 Ha três vocabulários do gergo ou furbesco do século xvi. con el vocabulário por la orden dei a. y los Francisco de Quevedo. * Ascoli. publicaram-se no começo do século xvii os de germania de vários autores com um Romances (1609) vocabulário. Com: — puesto por discurso de la expidsion de los Gitanos. reimpresso moder- A namente em The Slang Dictionaryj Etymological. com o seguinte titulo Germânia de vários autores. prova que nellas ha um fundo commam antigo. especialmente das dos paises de linguas românicas. para declaracion de sus términos y lengua. que escrihió el Doctor Don Sancho de Moncada. c. A New Edition.

Balhestros da lingv^. agua. calcos. alar. correr. balhestros. anciã. bobo. anubo. — giria. germ. — cal. que é terra de gaiteiros. . calcorros. agua. somma de dinheiro . Queiroz. calcorrear. alloiis. não nos lar. ainda no uso popular. Queiroz. Queiroz. bola. 149. ir. policia. colligido diccionarios. Já em da Paiva. meter um dado falso. ir. etc. cal. ir. Injirmidades lingua: tem hum bom caxucho no germ. imgerm. ó soplon. pequena cada (roupas. germ. pagerm. germ. germ. brechar. — port. germ. cobrir. cal. vamo-nos que aqui Uma alteração a Londres. com o pouco que tinha. anuhlar.93 cal. 109. cal. es descobridor.iQYmo ^o^wgerm. Os sentidos são muito diversos para que os dois termos se liguem. bola. cal. lorpa. buho. es irse. Já em Bluteau. p. isto é. germ. muito espalhado nas girias. correr. tristes balhestros. abancado preso. germ. artife. Queiroz. calcorrear. carcel. cal. Queiroz. oro. Termo germ. Já em Bluteau.) que ballestas. — dedo. blanco. germ. nuhe. cal. cal. alar. estúpido. annel de oiro. capa. alon. Em alforja significa acha. brechar. . sapatos. que significa fazer. sobretudo na locu- — ção allorij allon. como veremos abaixo. — — zapatos. — cal. que d'essa — nao temos que que aproveitar. cachucko. — — gar a patente. diz-se assim : elle foi-se com os seus hisp. branco. becil. p.se em Paiva. pan. artifara. — phrase por etymologia popular deu — é terra de gaiteiros. Na linguagem popular portuguesa reproduz-se ainda allon. — — harton. Queiroz. provisão de viagem. alforjas. Propriagerm. cachucho. capote. cal. artão. e foi talvez um termo de feria. ó necio. feira. sem duvida do fr. que significa os haveres um pode levar comsigo. Injirmidades alforge. mente vamos. cal. ânsia. Termo muito espalhado. capa. banco. artife. bufo.

sardinha. preso. cal. sceiía iii. — el enreixadu. Queiroz. O significa pentear com carda e tirar. tudo se consegue. Blu- . cal. que um assaltante. puport. roubo. que el germ. cal. desjpalmar. germ. cal. furtar. do javali. enrexado. sica. herido en olhos. astúcia. que desea la cal. germ. Queiroz. — Comp. Asiembleiu. el que atalaya. falso. Queiroz. faca. cerda. chilrar. termo do calão liga-se evidentemente a cardar. cal.94 ropa qui hurtan los cardanho. espia. espinha. ant. crioja. cuchillo. cerda. hablar. intrujar. — crI. Em Mas com Tudo lábia se vence. entender. cerda sarda. dar por fuerza. espia. cria. Queiroz. Em hisp. Porque a gente ordinária agasalhada Com uma tal lhaneza. carne. panuelo de narices. germ. carduçador. carduzador^ ladrones. germ. mas foram influenciados por 08 nomes de peixe portuguez sarda. Ligeira modificação do cal. nhal. lenço. palavra. carduzador. facilmente la. faca. fazo. — de policia. seda = Os termos do cal. sardinha. — cal. — carne. bolsa. cerda. cheira. rostro. agente sentido de esjna no hispanhol geral. germ. perceber. Queiroz. sarda. Bluteau. clises. QuEiKOZ. entender. Bluteau. Emprega-se em português a expressão cardar a lã no sentido de obter astuciosamente dinheiro de alguém : coisa por fraude. esclisiado. Queiroz. o meliante julgou ser germ. cica. Deixa cardar a Correia Garção. faca. entrujir. Lembremos a anecdota do homem que na obscuridade nocturna se defendeu de sardinha. navalha. punhal. Queiroz. germ. — um cal. entruchar. cp. germ. 'palmar. — germ. preso. palmar. roubar. ganhar a alguém uma hisp. sardinha teem talvez o mesmo ponto de partida que germ. — — cal. entender.---cp. teau. cal. quitar por fuerza. Queiroz. bolsa. empunhando uma punhal. germ. furto.

camisa. Queiroz. preguiçoso. Queiroz. germ. roz. os dedos da mão. gallinha. germ. mandamentos. fingido. cal.95 gorm. guido. helfo. burlador. germ. Queiroz. falso. meretriz. Queiroz. Queiroz. ganau. Lopes. Silva Lopes. cal. Bluteau. muquir. — cal. cal. gamha. macanjo. ^iar^ beber. moeda. — cal. Bluteau. mosa. cal. fallar. gaitar. cão. C. falso. gao. Idem. Bluteau. piar. gando. moquir. perna. ordinário. esclavo negro. len- — — cal. Queiroz. pa- taco falso. criado de Rufion. porco. zado novo. — cal. jubon. credito. C. camisa. maçareno. maleante. dedos de la mano. (?) cal. ^Qvm. — — — cal. — germ. meliante. comer. — cal.. collete. Queiroz. hablar. germ. michosa. palavra que começou tal. gdfe. mar^co. germ. vil. camisa. cal. bom. Queiroz. beber. mechosa. sujeito sem de más maroto obras. grão. bueno. Queiroz. — cal. germ. cabeça. ço. Queiroz. — vez por ser um termo de giria. garlar. piojo. maço. gamhía. mocante. Bluteau. Silva germ. grunente. germ. — — cp. Uma. germ. cal. homem. cp. plerna. cru- germ. cabeza. moneda. — cal. moa. queta. jali- justo. gomarra. marquisa. mandamentos. cal. germ. lima. gidio. marca. Queiroz. C. cal. vellaco. Bluteau. C. germ. germ. cal. . ó de muger publica. casaca. gelfo. moia. marquida. marca. muger pública. gallina. Bluteau. lienzo de narices. es ducado de once reales. Bluteau. germ. — cal. justa. mandil. grano. Quei- — — germ. gao. mandil. gomari'a. — piolhí). port. comer. os dez germ. justo. moncoso. Quei- roz. puerco. grunhidor. — germ. bello.

cal. piltra. raso. raso. cal. dormir. as seguintes : Lorédan Larchey. Queiroz. saia. — cal. rufon. germ. safarse. cavallo. rufo. germ. cal. Queiroz. pdtra. rede. roz. turca. Queiroz. cal. abbade. sornar. — cal. bebedeira. cama. furtar. Lucien Rigaud. — Queiroz. trabajar. germ. como se pretendeu. tirantes. roupa. germ. picar. — cal. 1881. calzos. rede. — cp. cal. port. O argot e o calão Para o conhecimento do argot moderno tenho á minha disposição. pilra germ. — germ. Dictionnaire d'argot moderne. alem da obra já citada de Francisque Michel. turco. redonda. Bluteau. Blu- germ. — cp. Bluteau. Bluteau. sombra. trabalhar. es irse à priesa. calções. (Bluteau).96 germ. . — — cal. — pueblo. pérola^ cama. sornar. Queiroz. Queiroz. Blu- tirantes. abad. capa. Queiroz. jpio^ vino. Septieme édition des Excentricités du langage. cal. quartago. salvus. germ. ^io^ vinho. picar. do lat. escaparse. — — capa. cal. safar-se. roubar germ. germ. port. de safo. eslabon com que sacan fuego. Paris. padre. 1878. — dormir. basquina de muger. safar-se. Êtudes de philologie comparée sur Vargot. frade. roubar. pildra. Quei- germ. cal. hurtar. furtar. sombra. Dictionnaire historique d'argot. germ. catropéo. Queiroz. prisão. fogo. vino. cal. taragoza^ teau. cal. Paris. librarse. — germ. quatropéo. Lisboa. teau. O termo da germanía não veiu do francez se sauver. Tei^agoza. redonda. — mas sim do justicia. germ.

geralmente Larchey. cp. milho. de que o livro de Pechon de Ruby contém o repertório. aile. Vid. do século xv ao xvi 2. Essas divisões não tem nada de essencial referem-se principalmente aos nomes. segundo a gra- une hoche. 7 . Le Jargon du xv^ silcle. vender. arg. eau. c'est-à-dire. — cp. do século XVI ao xvii. coincidindo em parte com modificações mais ou menos numerosas no vocabulário do argot. — cp. cp. attrimer. 1. cal. artife. que continuou a experimentar mudanças. sem mudar de nome. a^a. arton. Larchey. dans le jargon de Marseille une boule à jouer A phia transcripta. dure. pain. arg. bras. lat. dinheiro. Étude sur Vargot Mémoires de la jSociété de linguistique de Pa- (1889). 1882 Na mente lista seguinte. asa. mocha. lista. Paris. VII et Georges Guieysse. Queicabeça humana poderia ser chamada mocha (o fechado). — arg. — que cal. naire d'argot. Queiroz.» le langage blesquien. que traz os termos referidos. tête hoche (tête de). Vitu. * Na historia do argot marcam-se . pão. aile. . artiffe. de 1617 até boje. anda. hlé (du). 3. arg. p. isto é sem pontas mas mocha tem. Não vi de Lorédan Larchey. cal. braço com a mesma significação arg. da giria franceza. ancb. vol. (?) Bluteau. de Fargent. os seguintes periodos . arg. lance. Larchey. Queiroz. propriamente dito. 52. A. na minha atrimar. de bois. artie. alleron. lartie. só um por simplificação. prendre. e le langage narquois. em vigor. cal. desde* o fim do primeiro quartel do século xvii. tête le patois du peuple.» Vargot. individu dont Tintelli- gence est est obtuse. fr. Dans roz. Sujpplément au Dlction*. artif. artão. expression àwjargon. indico ordinariados autores. — . cabeça. termo cuja cal. larton. cal. ala. Larchey. 33-56. — genuidade não posso afíirmar. port. Michel. o aberto.97 Mareei Schwob franqais in ris. RiGAULT. lartif. MiCHEL. agua.» le jargon.

Mont-de-Piété. — cal. Ce n'est plus qu'un synonyme de garçon. Queiroz. hougre à jpoilsy homme determine. tête. germ. — cp. s. ciou. Larchey. cal. arg. — cal. couarg. de la langue française. chenoc. extorsion d'argent sous menace de révélations scandaleuses chanter^ être victime d'un chanarg. Nom de certains hérétiques que et d'injure. inglez (QueiDict. casa de engagés (ciou. bolsa. houle. . vache. Larchey. boeuf. chantage. boi. esfaquear. cornante. camelottej. arg. hola. sob ameaça de fazer revelações. donner des coups de couteau: chourin couteau. chouriner. camelote. Bulgarus. mau vais. . Larchey. Cest Tantithèse de chenu. cal. — cal. hougre: rageux. rendre quelqu'un victime tage. Larchey. habitant de J)ans le nioyen-âge. excellent. etc. houle^ foire. arg. Lauchey. cigale. Larchey. Larchey. Queiroz. dar le même sens. muito boa. cormante. v. cabeça. hogre. — dun chan- cal. arg.U8 mot à noter comme ajant perdu sa portée antiphysique. cigue. Larchey. pièce d'or. /azé?r cantar. — facadas. muito termo que é sem duvida popularisado. obrigar a dar dinheiro. Terme de mépris langage populaire usité dans le plus trivial et le plus la Bulgarie. prego.^urin et suriner. espolio. faire chanter. cal. Littré. penhores. marchandise volée. usités dans cal. avarie et par extension «vieil infirme». — roz) parece ligar-se a hougre. — — cal. No calão jornalistico usa-se já chantagem arg. hola. prison). arg. le Fon assimilait aax Àlbigeois. arg. cica. E phrase introduzida talvez no calão por influencia de traducçôes. Larchey. Queiroz. Fr. Forme des mots . solide. Queiroz. des doctrines religieuses semblables régnaient parmi les Bulgares et les Àlbigeois. Mot-à-mot: cal. Larchey. feira. sica. Etym. — prison d'objets uma simples traducção do francez. grossier. arg. Rigault. chantage. Michel. tage. = arg. bolsa. cornant. cigarra. chinoca. churinar. Bougre.

na lista manuscripta de que me servi. Bluteau. cal. sous le rapport de la taille. et Fon sait que le joueur vit d'émotions. pae. futrica. Dieu. enquiller. de consommé dans au xvii° daho Vart de mal faire. falso. filé. une des deux cartes qu'ils ont en main c'est un moyen comme un .. três lentement. faz- cal. homme nul. Larchey. quille. comquanto não haja que admirar se cal. Mot-à-mot jouer des quilles dans. Dans le laire avec la signification cant anglais. Rigault. Cp. père^ daron. employé dans le langage popude maitre du logis. . Kigault. homem desprezível. fazo. aPetit foutriquet)) . gàbelou. mãe. futuere (Albergaria-a. Larchey. mouchoir de poche. se arg. Miciiel. Hébert)». — Os jogadores do monte ás vezes lentamente (os banqueiros) descobrem também a carta para terem e fazerem ter filé liga-se pois aos pontos palpites expressão francesa. paisano. xvi® et siècle. esperança. realmente é empregado no calão. s. carne de vacca. maitre. '^Simhe. fassolette. e s. futre. a palavra á referida arg. sobriquet donné par le marechal Soult en pleine Chambre à un de nos plus petits hommes d'Etat. .. como dabo. Les joueurs honnêtes du baccarat servent de Fexpression jiler la carte. cal. — germ.Ve- zolo. viande. SLVg. cria. MiCHEL. patronne. employé des contributions indirectes. apesar de suspeitar d'elle. arg. arg. — Ital. Lar- chey. m. Jiler la carte. jiler pour designer Taction de découvrir par degrés. était Larchey. : Cacher entre ses jambes un objet volé. Larchey. quilhai*. Au . dobe a le sens d'expert. — cp. mère. daroiia. Bluteau. etc. termo que reproduzi na impressa acima. crie^ crignolle. arg. fazzoletto. foutriquet. patron. père. «Tous les foutriquets à culottes serrées et aux habits carrés (1793. — pop. arg. f. baiuca. Do arg. o que não é estudante (na giria dos estudantes de Coimbra). . lenço. port. autre de se procurer une émotion. — cal. dobe. entrer. lha). Fii. loja pequena.' 99 Fk. dobo. palpite. — daronne. arg. — cal.

emquanto guelar deriva por certo de guela. malade. m£c. gritar. goualer não deriva provavelmente de lat. roz. Larchey. mecque. disait jadis guiber arg. Lembra pelo som roz. calão. limosa. homem. — pairar. arg. Cest un vieux rencontre souvent. chanter. cal. — cal. arg. (Porto). giria. patusco (sujeito que se diverte). arg. Land. gau. Larchey. Bluteau. doente. diminutif du vieux gamòe. — no Na litteratura encontrei bigorne mesmo mas creio que do argot bigorne. dans le jargon des voleurs. grãoy mot qu'on cruzado novo. homem. Larchey. Fr. arg. da lingua geral: «Adultero. Na Ulissijw. 236 «esse . parasita. Larchey. arg. latim. s'amuser. rapaz vadio.100 gabiru. o parentesco é pois só apparente. car on pour se debattre des pieds.. — cal. — compromettido. meretriz. limace. Bluteau. maluque. Larchey. vadiar. cal. cal. pou. patron. 108 V. chemise (ViDOCQ. Bluteau. artelho (se é genuino). sem raizes no sentido . lime. guihe. Vieux mot. Michel. arg. Fr. é uma simples translação calão. devasso». ganao. cal. Larchey. Grand- val). cal. cal. vadio. jogador. cal. arg. dissoluto. f. perna. giielar. — cal. fr. — Rigault. e Queical. divertir-se. Uma. — gamhia. Michel. Diz-se: perdoaste ao meço? phrase plebea por injuria aos gallegos. gueule. Queiroz. got. prostituée (Halbert). meço. gula. grairij écu (Grandval). limasse. goualer. fallando dos boticários e a f . Du vieux mot gaudiner. marco. — gauderio. RiGAULT. marca. jambe. latin. gamhille. guibo. fanfarrão sem dinheiro. gaudineur. — cal. Os diccionarios portuguezes dão todavia o termo como — chef. guiholle.: «esses mecos conjurados contra o mundo?». gaudinar. inculpe. guibon. décorateur. arg. souteneur. malandro. maitre. Larchey. Queihomme. argot. Larchey. arg. gao. arg. vem: v. arrete. espertalhão. gando.

Michel. nasio. lat. pie. mechosa devem ser separados. vin.* paumer. pour le congédier. : mais vago de maganão». mec ó talvez casual. arg. Michel dá-lhe a significação de maitre. individuo. abbadessa. A semelhança com o arg. pio. nentes. boire. arg. beber. pildra. piauj pieu. cal. e o ou «pessoa. cal. baile! voici une honne baile f Fr. la tête .101 meço não he de bons porretos. acertou nessa de míchaud. — cabeça. cama. pour le chasser». Queiarg. mau- — vais lit. me' . le peuple de nos jours ne dit-il pas.» são: ahomem de maus costumes. csl. — — roz. miches du couvent militaire : or. meretriz . Larchey. nasus. sauf dans cette locution populaire. Quelle peut-être Forigine de cette expression? Je n'en trouve pas d'autre qu'une allusion aux bailes ou boulets. niente. Fr. menos pejorativa». Em verdade michaud poderia do seu lado derivar de meche. moechus. Colhi a forma pikãa. . Italianisme. . en parlant d'une tête: Quelle cal. com intenção mais atrevido. — cal. peauire. piar. palmar. inusité. Larchey. vinho. que Ton appellait autrefois. arg. morrer. roi. par plaisanterie. Queiroz. Michel. qui tombe elle même en désuétude: envoyer quelqu'un au peautre ou aux peautres. não sabes arg. nase. arg. grabat. Michel. Michel. le brusquer. — cal. o termo do calão e o correspondente da germ. Vieux mot. que grosão retraliida está MoRAES. nada. Queiroz. nariz . Bluteau. Fr. niente. Bluteau. menesse. Se Fr. porque é mais natural ligá-los a mecha (de cabellos): mechosa designaria a cabeça como a que tem mechas. que foi muitas vezes nas suas etymologias. Larchey. arg. Bluteau. Considera-se como reproducção do lat. Os sentidos em uso na boca do povo : la infante. peltr a. infeliz Queiroz. Michel. lit. — cal. rien. nez. que liga o termo ao fr. — cal. pier. (?) Larchey. michosa. iieza. palavra que occorre já no século xvn. pérola. Fr. segundo Littré «vieux mot signifiant lit. michaud. prostituée. maítresse. arg. perdre. mulher. naze. Fr.

que o deriva de trou. — cal. some. 1 O termo piovês está por "^pivoês. arg. rupino. cure. — Bluteau. mesma significação. rif. Queiroz. Michel. rupim. Larchey. cal. classe de gueux «feignans d'avoir eu de la peine riffoit à sauver leurs mions (enfants. toesa de francês a graphia oi representava ainda o antes do século xviii. . mioches) du riffe qui leur creux (logis)». feu. tirantes. — escroquer. Gacal. . tirant. jplumer^ dépouiller un homme dans rintimité. riffodez. framboesa de fr. Larchéy. roustir. Fr. RiGAULT. dormir. toise. No abbade. On le tire chausses. agent de police. Rigault. arg. Michel. — cal. roussin. — arg. impiné. tromper. calão dos nossos jogadores gallinha é o jogador pechote. rupin. tirantes. rustir. rousse. Queiroz. Michel. Larchey. — cal. Larchey. piovez (Albergaria- a-Velha) *. rifle. Fr. vin. O cal. Larchey. A palavra devia ter chegado a Portugal quando em diphthongo oe. rup. infra Fr. Na linguagem popular portu- guesa emprega-se comer no sentido de enganar e de roubar ardilosamente. rufo. cal. arg. Fr. — cp. que Bombet traduit par se chaiiffer On trouve dans le Jargon un article consacré aux ruffez ou . rase. riffauder ou riffoder. cal. que phrase argotica plumer — la jpoide tinha o sentido de roubar (Fr. a policia (se o termo é genuino). encontro é talvez casual. . trêfle. isto é. élégant. «De rif . 131). Larchey. arg. soma. est venu . ruiva. rico. — arg. sor- nar.102 arg. O mesmo se deu com fr. framloise. cal. sornir. oboé de h: haut-bois. raso. p. arg. arg. cal. pennado. não tem A vintém. cama. nuit. 160. Michel. jpivois. vid. comer. noir. degner au jeu Targent d'un imbécile. — homme riche. Larchey. padre. fogo. prêtre. anus. p. a quem se ganba facilmente. tefe. arg. filouter. sonar. bas. Michel^ Études. pour le mettre. calções. . rwpart.

23. cão. and labbro inferiore pendente. Libro delia regina Ancrojaj).Vieyra (Did. cp. — cal. tuer le ver^ boire de Teau-dc-vie ou du viu blanc . — cal. RiGAULT. pris à cette licure (le matin à jeun). matar o hiclio. calcioso. croia. par ces mots. asa. 21. ). boJfo. dans le jargon des raarcliands zoina. artife. : que se encontra na Bi- Génesis. che si trova presso Francisque-Michel (p. furb. voler. braço. Belfo. 1): «II belfo dei gergo portoghese. trabalhar^ furtar. Levit. njlT. artone. possue A Segundo Fr. 38.Velha). alia guisa cal. pop. bola. LarcHEY. roi. sapatos. père. — cal. roubar. Queiroz. p. port. diz Littré a respeito da phrase. «On s'iraagme que. belfo.103 tucr. é si uno che ha il mi dice il. il cane abbaja). zona. ala (asa). publique. artão. 19. Queiroz. p. Deuter. furb. cal. travailler. mesmo sentido da phrase fr. port. pão. 441: o belfo balsa (?). aggettivo. — furb. cal. meretriz. filie arg. 408. p. cp. 15. cal. Ascoli observa com razão (Studj critíci. pé. Michel «nom d'une reine amazone. nenhum dos vocabulários furbescos do século xvi. ex. arg". — — Cp. juiís. calcos. angl. calcante. Larchey. braço. cidade cal. pé. bolla.a. arg. n. maitre. dona da casa (Albergaria. E uma palavra puramente hebraica: blia. dont on a ííiit un poême généralement intitule : furb. Queiroz. ancroia. 99. — — — cp. rainha. artibrio. patroa. Michel nos seus Bibliotheca Nacional de Lisboa não Études. . — cal. le vin ou Teau-de-vie tuent libation matiiiale désignée les vers intestinaux)>. furb. daòe. arg. furb. per cui distingue Casa d'Austriay). cão. feira. cp. p. furb. 7. calcosa. sara tutt'altro che il nostro bolfo. sapato. 425-434. O furbesco e o calão Os subsídios que tenho á mão para o conhecimento do furbesco reduzem-se ás palavras avulsas dadas por diversos auctores e á lista inserida por Fr.

Queiroz. cornante. Paris. cama. tirante. cal. agua. cosque. ou tomentos do linho espadella ou tasquinha. — lima. olho. furb. cal. boi. alforge. furb. — que se tascar). não (alargamento lação ao nome próprio Nicolas). nada. grunhidor.) furb. (Alberg. pérola. cão. lenza. rufo. luzente. cp. liitui. . Queiroz. cornantej boi. gao_. casa. tasca significa pro- priamente bolsa. á lettra. anciã. — — cal. cal. Observações sobre as três listas precedentes Não ficam notadas. cal. Queiroz. tascheroso. ruffo. com a Em ital. camisa. vacca. taberna. gelfo. todas as relações existen- tes entre os termos das quatro girias argot e furbesco . furb. cal. Bluteau. furb. nicolo. infra Relações do cigano com o calão. (Vid. que pensar tamcivettaj. cosco. marco. furb. tascosa. creatura. holfoy acima. pilra. — cal. — camisa. fogo. germanía. piolho. cal. Cf. grunho. p. casa. porco. tasca. furb. lupar. limosa. tascante. poltro. taberneiro. cal. meretriz. port. tasca. estalajadeira. loupe. lente convergente. morder. gato. ganao. gielfo. homem. fiirb. porco. Queiroz. olho de coruja. cal. estalajem. por certo. furb. roer (hisp. na expressão lamjpante di — escudo (moeda). peltra. — cal. mulher. gando. cp. marcona. furb. propriamente separar o tasco suppoz connexo com tascar. criulfa. furb. 161).* — bém no furb. nicles. ena. grugnante. carne de vacca. estalajadeiro. cal. crea. çaria por ser um termo da Em português a palavra comegiria. fr. cp. fogo. marca. Myst. guallino. — — — da negação por assimical. olho ver fazem lupante. Bluteau. lampante. calções. (Alberg. pilula. mas os calão. furb. calções. agua.). — cal. — furb. tasquinhar. — cal. exemplos dados bastam para ver — . creata. — cp. tirantes. furb. carne.104 furb.

bra os gaiatos designavam também os coxos pela expressão cento e dez (110 réis). imbecil. pop.. Zig. Assim ha por certo simples coincidência entre cal. Os termos grão (grano). noutros casos os vocábulos podem ter-se produzido independentemente sobre uma base commum. giria allemã krunickel. ii. ii. cal. casa de penhores. ciou. braço. calções. do mesmo modo no é cal. matar o bicho e arg. 8). grunho no calão. mesma etc. kronickel (o grunhidor) Na si- gnifica porco. e tirantes. asa e arg. três. bola e arg. dinheiro. cogito de Em Os hispanhoes dizem: Uno. furb. gru^ente na germanía. cor^iante. (Pott. dos. ala. 8) lembre-se a fabula da raposa que tomou por um queijo a imada lua num No Rothwelsch gem poço. ingénuo. outeiro. queijo (Pott. calco. Na maior parte dos ca- presença de verdadeiras identidades de vocábulos. uma moeda. cabeço (Pott. por ex. por estamos em um mesmo um Nos casos em que processo semântico.. cal. Allusion à Tallure inégale des boiteux dont les Coimpas semblent marquer des nombres diffórents. òoule. etc. port. formado de weiss branco e hulm. . ali. Coincidências de desenvolvimento semântico notam-se entre todas as girias e entre todas as línguas geraes do mundo. que provêem de aile. uma mesma crença. lueisshulm. 11). podiam ter passado de giria em giria ou ter-se produzido nas cal. quatro girias ou em algumas d'ellas independentemente. quatro e meio (90 réis ou quatro vinténs e meio).105 qual a natureza sos d' essas relações. Boiteux. Rigault traz o seguinte artigo: Six et trois font neuf. que parece ser o holm. Assim no calão queijo significa lua. un pié. cabeça . ii. mn termo do calão parece traducção de : termo de outra giria pode ter havido realmente traduc- ção ou simplesmente coincidência de modificação semântica nas palavras correspondentes. milho e arg. exactamente como grunhidor. : gente tola. como na han- tyrka (giria da Bohemia) o mesmo planeta é designado pela palavra tcheque belák. branco significa estúpido. ttier le ver. Mas parece já haver traducção em prego relativamente a arg. blé.

1U(J

o

que comparadas
calão

se

quadro seguinte compreliende uma serie de termos encontram em mais de duas das gírias românicas
:

107
parte, de um vocabulário estampado ches italiennes et françoises de Oudin

em
*
;

1549, e nas Recheralguns remontam,

com certeza, até ao século xv, como se mostrará. Os seguintes termos do jargon francez do século XV correlacionam-se real ou apparent emente com termos do
calão; de quasi todos elles dei já os correspondentes no argot mais recente. arton^ pain.

Tant

qu'il n'y eust

de Varton sur les cars.
Ballade
xi,

A. Vitu,

p. 163-4.

aarton^ c'est pain». Processo dos Coquillars. M. Schwob, cal. artào. Mém. de la Soe. de llng.^ vii, 180. 301.

hec^ nez, figure.

Luez au

bec

que ne
Ballade
i,

sois greffis.

A. Vitu,

p. 180.

Schwob,

p. 30Õ.

cp. cal. beque^ bique ^ nariz.
òelistre,

A. Vitu,
bilontra.

mediant, gueux qui vit d'aumône et de rapine. germ. belttre, picaro; port. biltre; cal. p. 183.

blanc^ sot, niais.

en

leurs sciences c'est

Processo dos
\colomb,

«Ung liomme simple qui ne se congnoit ung sire ou une duppe oumigblanc.)) Coquillars. Schwob, p. 179. 310. Blanc coulon
être pris en sens in-

pombo] parait au contraire
le

verse

:

dans

jargon de

la Coquille, c'est celui qui

joue

le niais. Ibid.

«Ung

blanc coulon c'est celluy qui se couche
aultre, etc, [et luy desrobe son argent,

avec

le

marchant ou

ses robes et tout ce qu'il a et les gette par

une fenestre

a son compaignon qui Fattent hors de la chambre].» Proc. dos Coquillars. SCHWOH, p. 179. cal. branco, estúpido,

ingénuo

.

'

Vid. Fr. Micliel, Études de philologie comparée sur V argot, p. 425

108
gaudinSj brigands ou petit-maítres.

Cest tout son

fait

d'engandrer

les

gavdins
A. Vitu,
p. 326-8.

A

hornangier
Ballade
ix.

Vid. acima p. 100 arg. gaudineur e
grain, écu, moniiaie.

cal.

gaudinar, gauderio,

Et

n' abater

de ces gi-ains neufs et vieulx
Ballade
vii.

A. Vitu,

p. 344.

cal.

grão, cruzado novo. Bluteau.

gris, froid.

Et vous gardez bien de
Qui aux
sires plante

la roe
grisj

du

En
cal. gris, frio.

leur faisant faire la moe.
Ballade
vi.

A. Vitu, 347-8.

Bluteau; mod.
ribaude.

griso,

marque,

filie,

Marques de
cal.

plant,

dames

et audinas

Ballade xi, etc. A. Vitu, p. 405-408.

marca, meretriz. Bluteau.

jpaulrmr, voler.
Puis, dist
cal.

ung gueulx,

j'ay

paulmé deux

florins

Ballade ix. A. Vitu, p. 434-5.

palmar, roubar.

pye, boisson, vin.
Pour avancer au poUiceur de pye.
BaUade
cal.
ix.

A. Vitu,

p.

467-470.

pio, vinho.

Bluteau.

pye^ry boire

Bab: Babille en gier en pyant à la fye
Ballade, ix. A' Vitu, p. 470-471.

cal.

piar, beber

109
jambe. «Les jambes ce sont
les quille8,y>

quille,

Proc.

dos Coquillars.

ScHWOB,

p.

180.
quille et brouez.
p. 472-3.

Poussez de la

Ballade v. A. Vitu,

cp. cal. quilhar.

rouhe, justice, alls appellent la justice de quelque lieu que ce soit la marine òu la rouhe.í> Proc. dos Coquillars.

ScHWOB,

p. 179.

— Cp.

acima arg. rousse^

cal. ruiva.

rufflsj feu.

arujle c'est le feu Saint-Antoine.» Proc. dos

Coquillars.

ScHWOB,

p. 180.

— Cp. acima arg.
sires sont rassis.

rif. cal. rtifo.

some,

la nuit, la

brune.

Sur

la

some que

Ballade

vii. Vitu, p. 503-505.

cal.

sornar, sonar, sornir, dormir.
carta de Luigi Pulei* lê-se: dove
si

Na
o

petinó quello

lustro la brigata sopra la lenzay>,

termo furbesco da
:

lista

acima.

em que lenza parece ser Na curta lista do mesmo
;

Pulei noto
calcose), le

cosco, casa

(cal.

cosque, casa)
;

caccose (leia-se

scarpette (cal. calcos, sapatos)

gvxildi, ipidocchi

(furb. guallino; cal. gao).

Assim pela comparação com as girias extrangeiras, estudadas nos seus mais antigos documentos, pode alargar-se
a historia do calão além dos limites que os documentos próprios nos impõem todavia não é possível dizer quando
;

Portugal se começou a usar esse calão de que acabamos de passar em revista alguns dos elementos mais
é que
antigos.

em

Emquanto
mentos das

ás origens

mesmas

d' esses

mais antigos

ele-

girias farei ainda as

observações seguintes.

Vid. acima pag. 91.

110 Alguns d'esses termos são já producyòes próprias das
girias,

feitas á custa dos materiaes das linguas geraes; taes são asa (día)^ branco (hlanco), calcos (calcose), cor-

nante, gunhidor (gruhente)^ palmar, rufo
fulvo),

(ital.

ruffo, ruivo,

tirantes (de tirar, ital. tirare, fr. tirer), trabalhar

e talvez mechosa.

Outros dos referidos termos são palavras tornadas archaicas nas linguas geraes, ou vindas de outras linguas
vivas,

ou de origem

incerta.

idêntico a hisp.

anela, agua, é considerada por Pott, Zig., II, 4, como aíisia «Da aíisia in Span. nicht bloss
:

Schmerz, sondern auch ein heftiges Verlangen bezeichnet, f ilhrt letztere leicht auf den Durst und das, womit er am
gewohnlichsten gelõscht wird, oder Wasser;
die
ais

— eine

Qual,

Klimaten noch mehr zu wiirdigen weiss, anderswo.» Mas a existência da palavra no argot e no
in heissen
d' essa

man

furbesco fazem duvidar
artona, pão, occorre

num

explicação. texto latino medieval

cit.

por

Ducange,

Schwob, p. 301, trata-se de um «texte qui n'a rien de populaire, un texte ecclesiastique ou aríowa semble une mauvaise transcription grecque».
s.

v.,

mas como

diz

Fr. Diez, Etymologisches Wõrterbuch, II 3, 208, diz: uArtoun neupr. brot, ein it. artone kennt Veneroni; dazu

kommt noch

tesa, pg. arteça

oder artalete pastetchen, und arbacktrog. Man vermuttet darin das gr. hat wohl das bask. artoa apTOç, aber náhere anspriiche maisbrot s. Larramendi, Diccion., I, p. xvi, nach Humsp. artalejo

boldt, Urbeic. Hisp. p.
art eichen. P.
(brot) hieher.»

155, urspr. eichelbrot, von a7'tea

Monti rechnet auch das comask adro-basto

fica, todavia, incerto.

Se a palavra é realmente de origem basca, O gitano tem harton, pão, em que Miklosich (Abhandl., II, A2) não hesita em ver reflexo do
gr.
apTcç;

a palavra podia ter passado do hisp. para o
este

gitano;

mas

tem também

artifero, padeiro,
1.

não podemos deixar de ver com Miklosich,

em que c, reflexo do

111
gr. ápTo^^óptov

(Ducange), e do qual é

difíicil
*.

separar a forma

artife das girias,

acima mencionada

port. biltre) não é nestas duas linguas termo de giria figura como tal na lista de Hidalgo e a elle se liga o mod. cal. hilontra, que foi talvez importado do Brasil,

hditre

(fr.^

;

onde ha tram

um

calão que, ao lado de elementos que se encon-

em

forma italiana

Portugal, possue muitos próprios. Talvez que a helitrone não seja estranha á producção

de hílontra (no Brasil ha muitos italianos). A origem de helitre é incerta. Vid. Diez, Scheler e Littré, s. v.
sentido de — companhia que
bola, feira, parece ligar-se a

um

ant.

fr.

boule, baule,

no

se diverte, pandiga,

em

diver-

sos textos reunidos por Fr. Michel, s. v. cosco (furb., cal. cosque) é considerado por Pott, Zig. II, 25, como tendo sido talvez modificado do italiano aasco,

caduco, velho, para não lembrar facilmente casa; a forma da germ. cuexca (cuescaj mostra, porém, ao que parece,

que a palavra ó velha na Hispanha; cp. port. cosco, coscorrão, e hisp. cuesco, que o sentido não permitte ligar a
cal. cosque.

São 48 as palavras do grego (moderno), incluindo quatro numeraes, que Miklosich, Abhandl. ii, 42-3, acha no gitano. Com relação a quarenta e cinco d'essas palavras parece-me que não pode duvidarse de que sejam um testemunho da residência dos antepassados
^

europeus dos gitanos na Grécia
é
suííixo ibérico -orro)

•,

que podem levantar- se duvidas.

sobre harton e as duas seguintes O gitano calca, calcorro (com o

diíficilmente pode separar- se dos termos de germ. calcorros, para o ligar ao gr. xáXTj^a, apesar da observação de Miklosich: «Die Oxytonirung weiset auf nicht- span. Ursprung». Nessa accentuação pode ter havido uma influencia analócal. calcos e

O git. furnia, cueva, não veiu talvez da Grécia (gr. cpovípvo;) com os tsiganos que se acham em a nossa península, pois já cá havia em hisp. furnia, usado ainda hoje em Cuba, e em port. ///r/ia, ainda vivo
gica.

no continente, e transplantado logo depois da colonisação da ilha de S. Miguel (Açores) para essa ilha, onde é celebre o Valle das Fu7'nas. O termo git. drun, camino, viaje, e também prudência, cordura, juicio (Mayo), do gr. ^poVoç, caminho, faz lembrar o termo pop. port., talvez primeiramente termo de giria, endromina, ardil, mentira

para defraudar.

que na forma gamba acha como termo da linguagem geral em hisp. i. cincti erant». Uma não designa a mesma peça de vestuário que Umus. Ciceronis libertus. Beitr. aLimus autem tremo et est vestis. Miklosich. camerus. provençal. Michel. sui qua ab umbilico usque ad peHaec autem vestis in ex- purpuram limam. hisp. inquit. fallecido em 1614. San- germ citadas Sem duvida em Ducange-Henschel. picardo e yfdWon gamhe. c.. s. catalão. camba (poema de Alexandre). XV.. como mostram os textos : Alii fontemque ignemque ferebant Vergilio. no ant.. «Sed Tiro Tullius M.. 765-771.se na giria dinamarqueza kraegeSj e lembra.jambe. lictorem vel a limo vel a licio dictum scripsit Licio enim transverso. des teguntur pudenda poparum. o tsigano karialo. A origem grega da palavra está muito longe de se achar liquidada. fr. Sérvio ad AEn. hisp. camurus. xpia^ por Fr. 3. carriba^ cambaio. v. Gall. Basta lembrar as variadas signi- Professor hollandez. Velati limo et verbena têmpora vincti. churwelsh comba. xii. e as passagens de Joannis de Janua e do Gloss. no ív. mas a mudança de significação não tem aqui nada de extraordinário. : Vid. sard. Umas. qui magistratibus. Vid. nomen accepit. v.112 cria foi ligada ao gr. segundo Pott.^ 1. ainda Isidoro. Lat. s. xii.. lat. Ao lado d'essas formas ha o ant. 3. cp. port. é uma velha palavra. quod limum appellatur. Scheler e Littré. em Vulcanius * na forma creu (caro). II. 14. praeministrabant. Etymol. Aulu Gellio. pp. e. 1 . 22.^ i. 16. Âentid. gamba e jambe. 120. ser curvo. Zig. Unde Nam limum obliquum dicimus. lima^ camisa. A palavra encontra. se gamhia^ perna. no ant. parece ser também uma velha palavra. A origem parece estar num radical camh ou cam. Diez. xix. Vid.^ lib. flexuosam habet. também cama. que coUigiu termos tsiganos e do Kothwelseh. etc.

comme me fait observer M. O cal. manteo significado: 1) capa. mas de somar. représentant le planète d'influence funeste. 2) peça de vestuário. ^sadorne. fr. de hisp. du xvi'' siècle saturnien (Littré)»' Segundo o mesmo philologo o ant. do provençal som. que parece vir do inglez pony.j II.113 ficaçoes dos representantes do lat. polster. espécie de saia curta. adj. marcaj tem resistido a todas as tentativas etjmologicas foi-se até a derivá-la do céltico marka. égua. 88). ponis. * Pott. por causa da raridade da queda do t em provençal. enxergão. francez noite esta a germania tinha soma. sorn. a relação com 2 as girias românicas pode ser apenas apparente. camisa. Angl. sombre. Studj. guallino^ o arg. et opposé comme à Júpiter. noche. Bugge. saturnine. Zig. obscur 2. auctor de um trabalho sobre a giria dinamarquesa. D. 184) de: havia some crepúsculo riva «de Saturnus. cp. . como suggere No . Michel. mantellum. gao é de origem incerta. com a mesma significação possa fazer suppor uma connexão com griso. (p. e germ. pardo. Só o port. a some. soma. provém d'aquella que Storm (Romania. e justificar essa etymologia. 419. 184. e a que se liga port. não vem directamente de arg. somar. para cobrir o corpo da cintura para baixo de largo collarinho 3) peça para ornar o pescoço. 1885. noite. soime está por ^soome. holstar. que Scheler liga ao ant. referencia ao artigo citado de Storm. allemão mod. teia. p. morne. Firense. almofada. mulher. soma. d'oú jovial. espécie tem . peautre_. *. limes. Em verdade ha no cal. comquanto o furb. choina de choinar. soturno de Saturnus. a forma deve provir 'da lingua d'oíl. e limsk. grisaldo ao lado de gualdo. etc. peltra não pode separar-se realmente de fr. em que por certo existiu um de que deriva sournois. alto allemão jpolstar. translada de Dorph. que ligo cal. sombre. fr. é derivada por Fr. ^sornCf tung. grisalho. some. v. som . Ascoli. 340. Carolina Michaêlis de Vasconcellos (Studien zur hispanischen Wortdeud'e8te. e. com roscas. p. 157) deriva port. mantelum e seus derivados nas línguas românicas. hande grise. cama. ant. d'onde port.

cão. miquelete. sapateiro. trompar de tromper. Do allemão: gute. de na^.114 Termos do calão provenientes das línguas modernas estranjelras Alguns d'esses termos experimentaram modificações. stockfish . tu. de hoot . guine. semoque. de noche. faca. chumeco. nome de uma moeda. de riiabit. . italiano : nantes. de dog. veste. noite. francez cal. legos. choupana dogue. pistão. naifa. doze vinténs. moa 6 moiene. rapé. de porte-monnaie . de moi. de hajo. miquei. antiga guarda dos capitães generaes?. de aller. chastre^ alfaiate. galheta. de chame. mãe. verdes. de doze. Do inglez : bute. de niente. embolo porte-horne. . lofo de foi (com inversão). presunto fortytwo. tuelles. costas. Do hispanhol: haguinos^ baixo. bolacha (biscoito chato) toma familiarmente o sentido de bofetada. lahita. de knife. te. me. tabaco de fumar. sapatos . calças. toiene. de sastre. bolacha (biscoito chato) *. chefia cadeia. segundo os processos de formação do calão abaixo expostos. peixe. casaca. de ventana. fusileiro de lejos.a. bacalháo. trozes. cabana. guarda-sol. de stockfish. chona. no calão de Albergaria. costilhas. clioinar. de gut. casa. de shoes. dormir. colher e gazua. de galleta. fiche. . 1 A palavra port. mim. sapatos. de shoemaker. ti. tu cadeia. Do Do gallego: nai/a. de costillas . niente. de cucharra. eu. casaca. cuté. pé. agente de policia. de trowsers. . faca. bom. eu. tivelve. bofetada. dinheiro de guinea. afastado. chuzes. . cão. janella. nada. calças. fish.Velha no sentido de . simoco. de smoke. Do nada. soldado da ventaria. cuncharra. de toi. quarenta e dois guinés. : ir . de piston. alar. sapateiro de cottage. fumo. bacalháo. colher. ir. bota. de de montanha na Catalunha. não. transes.

segundo a corrente. fê-lo conscientemente. Quando um creador do calão modificou almocreve em almuque. Quando o povo diz inselencia por excellencia. menos connos na na sideráveis. prompto para ser empregado sem modificação sencial. se nos apresenta como junto constituida por termos da lingua geral portuguesa. tendo bem geral. mas de que provavelmente uma parte os quaes experimentaram modificações mais ou . já das girias estrangeiras. É feliz expressão de Pott. elle não a co- nhece. ou em mais de um d'esses aspectos ao mesmo tempo 2) outra camada constituida por termos que se nos afiguram irreductiveis. Deformações phoneticas. quer forma. o termo da lingua evidente que os termos enigmatisados (quer . quer sons. e presente no espirito a forma perfeita da lingua fê-lo no intuito apenas de disfarçar. com alguns termos pouco numerosos d 'outras linguas. ou depois de mais ou menos detido exame. preferivel empregar esta o expressão para distinguir processo consciente da modino calão das ficação phonetica alterações phoneticas da I. de enigmati- sar. Um exemplo fará comprehender bem a distincção estabelecida. já das linguas es- dos ou- tros ficar-nós povos (separação que só parcialmente é possível).115 Os processos de formação do calão 8e separarmos do calão tudo que lhe tenha vindo for- mado. E lingua geral e dos dialectos. ha ainda uma maioria de termos em que distin- guimos duas camadas: 1) uma que immediatamente. diz inselencia porque apercebeu sempre a palavra com esse aspecto phonetico. quer significação. apesar dos pontos de contacto que se notam entre essas duas ordens de phenoraenos. a forma culta da palavra não está no seu espirito. entrará na outra categoria depois de novos estudos. Passaremos agora a estudar os processos pelos quaes dos termos da lingua geral se formam termos do calão e se neste ha verdadeiras creaçÔes novas.

p. ex: No cepto carta) de port. cérulas de port. mas esses termos correntes serão empregados pelos mesmos individuos quando não faliam o calão. papel. como pode ver-se nas observações que noutra parte consagrei a esse ponto 2. Suppressão de syllabas (abreviação das palavras). sautoir. de fr. 2 1 2. capitão. linguagem familiar dá-se essa abreviação nos termos de h) Na ca- rinho. aqulfolium. irmão^ capito de port. a que terei me referir em parte*) com os termos da lingua na boca do povo que emprega em vez d'elles às suas formas próprias. trevo como mostram. quer na forma. n. com uma reducção de calão são raras as syllabas. ceroulas^ pápulo (todo escripto. por da lingua deram-se também d'essas muex. acébo do lat. diz-se tisoras por tesouras.116 no som. a) as principaes espécies de deformação phonetica Mudanças de : fica-se ás accento. O mesmo se dá no calão. 141 e n. Essa suppressão é geralmente acompanhada de outras modificações phoneticas. especialmente nas formas hjpocoristicas dos nomes próprios. sem que seja conhecida a sua relação para com os termos correntes de que sairam. irmo de port. p. como noutros mais. mudanças de accentuação que não coincidem com suppressão de syllabas.' serie. . Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa. No processo evolu- tivo inconsciente danças. quer na significação) podem ser repetidos depois por outros individues. Na linguagem familiar modivezes por gracejo a accentuação das palavras. suta. e aquellas mesmas Ex. são acompanhadas geralmente de modificações nos sons. a que pertencem os seguintes exem- Vid. 142-149. : de trifolium. caso ainda de culta que não se dá (salvo circumstancias especiaes. Essa mudança de accentuação coincide nos exemplos dados. Vejamos do calão.® 3. por ex.

gibeira de mulher). rijo. rijo. alcaiota ou alcoviteira^ . aljaba exis- tem na lingua como palavras radical distinctas e sem relação de com alcoviteira. /abricante. de port. Chron. marac a de port. de port. Se brasil e restolho se reduzem apparentemente á substituição de derivados por primitivos. alcofa acha-se no Elucidário das palavras. correlação Nos exemplos naes taco. de port. de port. indicamos o português geral camos a significação dos termos que nella experimentaram modificação. croia *A forma frases que terbo. algazarra). vid. a que pertencem todos os de calão citados neste estudo que não se encontram nas nossas listas acima. ai jabá (alpios: alcofa^ j de port. pp. e noutras só pela interpretação secundaria pode tê-la.^ (1887). de port. termos e em Portugal antigamente se usarão. trio. theatro. de port. regedor. Pela abreviação port.117 de port. fabrico. de port. c. . Sobre factos análogos e o que os distingue da etymologia popuo meu artigo  etymologia popular in Revista lusitana. alcofa. pataco. 3 lar. citados. de port. almuque. . restolho (barulho. sinhá. todavia um regedor pode ser denominado o rijo pelos meliantes e entre uma algibeira e uma aljaba concebe. as syllabas supprimidas são fi: mais rara ó a suppressão das syllabas iniciaes. 2 < Queria gram mal a só indi- 10. theatro . camarada. Como se vê. É um dos vários na termos populares que o auctor inseriu entre os archaismos. tisas. algibeira. 133-142. ex. i . Fernão Lopes empregou a forma alcouvetas: alcouvetas e feiticeiras». de Santa Rosa de Vimas sem texto que prove a sua antiguidade. figura lista de Queiroz Velloso. senhora (sinhá é tam- bém forma crioula do Brasil) . de port. bi^asileiro. almocreve. D. trio. Pedro I. . restolhada (que ó propriamente o ruido produzido pelo vento no restolho) estola. regedor. tesouras. algibeira. modificada veiu a tomar a forma de outra que nalguns casos não tem com ella a menor relação de significação. brasil. na maior parte d'esses exemplos a palavra . de port. estalajem.se uma longiqua ^.

d' entre os quaes escolhemos alguns: agamo por âmago ^ atolar por *alotar de lat. se como termo popular. No raras. p. argot apresenta numerosos exemplos de suppressao de syllabas.118 de furbesco ancroja (?). nounou (nourrice). c) O Inversões de sons e syllabas. chamfpa por jpranchaf manica por maquina .s Grundriss der romanischeu i. diam (diamant). taes são: a) autor (autorité). Nos seguintes exemplos houve mais ou menos consideráveis modificações dos sons invertidos ou outras modifi- 1 2 Vid. ix. c) lubre (lúgubre) . no seu bello trabalho sobre a lingua portuguesa. de origem italiana. b) chand (marchand). 776-77. 211. os das outras são raros *. cesso basta para a formação de certa Vimos já que este proordem de girias. ser simples ou nhadas de outras modificações as acompada primeira espécie são : Exemplos d'inversão simples safo (lenço) por *fasso (d'onde falqo. Bluteau). Rasgos métricos ^ p. lutum^ carrascão por cascarrão de cascarra. . p. Nas linguas geraes portuguesa e hispanhola ou nas suas formas populares ha assas numerosos exemplos d'esse processo. from (fromage). pardesse (pardes. 46. Larchey. achar (acharnement). reduplicação. saj) (sapin) condice (condition) . Talvez o^eco jumento esteja por burreco^ forma popular depreciativa. Alexandre António de Lima. e Bibi (Bicêtre). c{j)al (municipal). Die portugiesische Sprache in Grõber'. tapor por porta. sus). calão as inversões podem . Schwob et Guieysse. croc (escroc) . jpoche (pochard). zouca por cousa. como vimos. que apresentam suppressao e argot apresenta sobretudo exemplos da primeira espécie (suppressao de finaes). d) zouzou (zouave). por burrico. reuniu Júlio Cornu^ boa collecção d'elles. comme (cominerce). pouchana por choupana. traz quesposso por pescoço^ que não sei se devo considerar como termo do calão. troquei (matroquet). occas (occasion). Philologie. O can (cânon). magne fmanière).

de ver ser. tropa. s. jpocírí?^ e talvez nelle se fundisse ainda *brope. toba de bota. de port. greno por negro. (Hidalgo. dep em /em lat. atte. vidro em vitrum. de . em pedra de lat. cavallo (b por musaranha. "^trespa. talvez em busaranha de álamo. germanía antiga apresenta-nos já vários exemplos de inversão de consoantes chepo por pecho. de lat. excepto em ligação com outros processos. No argot são raras essas inversões. port. posta no fim da palavra. Já em Pechon de Ruby se encontra zerver. petra. Frequente no argot moderno é o processo chamado loucherbème. tisoar * vistar de visto. latino medial. pode estar de portanto por *trope. estivar. dropa por drepa. vapore = port.. que consiste numa inver- são da consoante inicial. encontramos Ostac por Costa. . alhus de hisp. e miloger. macallo por *vacaUo^ de m. crier). (mirar) por Zig. 18). desventura. populus.. uche. e. pobre. lofo por port.. p. de ir^. ou ème). noche. 38-39) e remontando até mais alto. adro de lat. Drofo * por ^Trofo. adj. de port. II. lepar por pelar. port. povo .^orto. : A grito por trigo. chambrière. foi. atrium. escova. de ^ort. presta. oque. choina. O calão drope. na língua geral por h. que se substitue por um l. português desenvolveu-se espontaneamente ár de <r por exemplo. de Porto (cidade). nome de um chefe de policia (Ibidem). * por *drespa. de port. 769. Houve alteração de p V nas palavras lat. pobre. abjecto. torpe ou port. m em * pedra.119 caçoes concomitantes cozinha. p. stivare. valet (Schwob et Guieysse. Pott. '^folo. port. drofa por ^trofa. f. Em de lat. . bafo (segundo Cornu *). de Villon. e : sor/uinha por ^zoquinlia. drepa (etymologia de Cornu) chona. scopa. adversidade. á Ballade V. Tropo. taplo por plato. etc. server (pleurer. e um ao lado do outro: limogere. assim loucherbème 1 Ibid. se faz seguir de um suffixo (particular- mente de ique.

embrulhada (emborilhada). sura. 44-50. de cal. mente Deformações morphologicas. perdoança *. A derivação propriadita consiste na formação de uma palavra nova. do italiano fazzolo. peltra. calçamento. Exemplos: mostro. lemmefoque àefemme: emmef-^ l-emmef-oque. ex. fazo. germ. por *fasso. chiloras de ceroulas. anima). d) Alguns termos apresentam outras deformações phoneticas. lenço. vinho. p. por II. ama-vel a qualidade do que me- juntam um ou mais : rece que aquella acção o tenha por objecto. * Vid. (vid. amante e amador. Cada uma d'essas palavras tem pois emprego especial. fizeram cair em desuso altividade. : conhecimento. mamão de melão. e já antigo no argot das classes criminosas^ de onde passou em menor rístico grau para o argot geral. porem. tendo por base uma raiz ou tliema já existente.120 formado de boucher : oucherh-. a que se suffixos. palavra que exprime uma remais ou menos distincto do exou conceito presentação thema assim ama-r exprime uma acção presso por aquelle ama-dor o verbal. lastimoso. Muitas vezes um mesma derivado fez desapparecer o seu synonymo da raiz assim em português altivez. cama. fazzoletto * fosso). calveira. cambador. falsidade. lastimeiro. emborilho . Esse processo é caracteé do argot dos houckers (carniceiros). Ha. etc. ama-torio. perdão. falcambista. . acima safo. tendendo em regra a approximá-los ou confundi-los no som com termos da lingua geral. chimpar de chapar. alma de lat. agente. Questões da lingua portuguesa. calva. pérola e pilula. muitos : derivados que são mais ou menos synonymos com relação a outros da mesma raiz. port. não são synonymos. l-oucherh-eme . pp. de mosto . que respeita ao amor. çonhecença. falso. lenço. calçado. porte-horne de porte-monnaie . elimo de animo (cf.

ovicula. . por pequeníssima dimensão. sem pensar em ver nelles deminutivos. II 2.» Digo pelo menos apparentemente. taurus em soleil sentido já não era sensível. {-idade . a uma mais peso idênticas formas palavra curta. C= soliculus). *' falsl lastiml {-ura eivo oLiV\ . numerosas palavras simples para as substituir por outras de mais corpo. fr. sentido. não mais que o simples latino mentum ou ren. {-ai que muitas vezes a derivação nas línguas românicas tem apenas em vista reforçar a forma ordinária da palavra sem fazer caso do «Não deve esquecer-se. i-oso . O fr. da3. II. [-itmiito {-mento i-edo i. p. tau-reau (=^ taurellus). . porque não se salvariam essas ser também podiam mesmas palavras allongando-as ? Mas só empregados com esse fim suffixos de significa. os diminutivos apicula. f . 262-3. 260-261. obscurecida outros teriam influido muito cla- ramente no sentido.. como petit soleil. . 2 Grammatik der romaniscken Sprachen. parece ter o francez allongado também sol. diz Diez.121 Nalguns casos houve. quer. ou vice-versa. pelo menos apparentemente.* ed. porque as formas podiam terindependentemente. diz se. \-ença conheci . . Visto que se expulsaram da lingua. ex.. \-do calçai [-idade . auricula. antigas formas deminutivas cujo Assim como se preferiram aos de causa sua simples apis^ auris. isto é. troca de suffixos * : altivl \-ez . menton ou rognon.. trad. ção incerta. . mas sim qualquer d'elle3 1 se produzido de lastima. para dar como ou semelhantes. Empregaramsobretudo para esse fim. porque culus e ellus lhe eram conhecidos por numerosos exemplos como simples formulas de derivação 2.. como muito breves. ovis. lastimoso podia não ter sido derivado de lastimeiro. petit taureau. quer para distinguir é mais frequente.

ruina de rue-re. ainda que se apresentem por vezes com aspecto próprio. á lettra: o que arco. com ardina. ver. 2. -illum. o suf. de kom-en. lâmpada. II 2. olho. tem forma d'arco. -illum. Visto que havia outros deriin-) vados semelhantes. vinulo-. Paul. . 149. sentina de senti-re. isto é. annel. -n ou -ro (-ra). olho. de cal. de port. com significação distincta da dos themas de que são formados. por exemplo. port. TJeher Âusspraclie. Cf.(hom* homon-lo-. termos formados de outros por meio de um suffixo (real ou apparente). : com o suffixo -ina. hom-ullus. Vokalismus imd Betonung der lateinischen Sprache. de port. terminal). Ha certos suffixos que podem chamar-se falsos. caso que aliás se dava em latim. -no (-na). 527-530. por exemplo. ções novas que depois serviram para derivaassim de puero. d'onde puel-lo-. porque se formaram á custa de um buffixo com a parte thematica palavra e depois ganharam independência como verdadeiros suffixos. simples ou composto. v-illum. mas que não a nossa Hngua directamente a themas ver- em baes. sentiam-se em formas como jpu-ella^ hom como radicaes. : arcoso. juntando-se a themas em -r. aguardente o suffixo -oso. como mostram. v. d'onde villo-. .*» ed. frequente se applica em português. No calão encontramos factos das mesmas ou semelhantes categorias dos que acabamos de examinar com referencia á linguagem geral. p. á lettra a que arde. deu logar á formação de derivados em -ellum. Taes são alam/par. de vino-. arder. No calão ha alguns verdadeiros derivados. Corssfen. 1 W. latim. lampião.122 Proponho chamar indiíferentes esses suffixos que não dão origem a uma palavra de significação nova. de port. ^lanipo ou *lampio. cp. pela assimilação (depois da syncope de o. luzio. cal. -ulliim foram tomados como suffixos independentes. -lo de uma Em (-la).derivou-se puerulo-.. 'ullum. homul-lo. Principien der Sprachgeschichte. 203-204. a. H. pu.*. em que : -ellum. muito frequente em português. luz.

Em-eirão. dedos) de gato. como quanto ao sentido. -deira. com o suffixo -oso. de copasio copo. pescada (peixe). com o suffixo port. cano ou canna (da perna)? o suffixo -ante serve na lingua geral para formações de ca- mas tendo sempre por base themas verbaes. moeda de dez réis. com o suffixo frequente -osa. bofetada. — canhantes. de port. sonneca de somno. folheca de folha. naquelle mesmo sentido e no de pancada de chapa com a mão. Bluteau. faveco (feijão). meiaí. de port. chapeca. de chapa. encanhas. àe fava. de grunhir. á lettra: a que se extrahe do o suffixo -eira. carne. cueca emh^omar-se. com de mandrião. com racter participai enfraquecido. gera. de cal. de garganta. gueirao toleirão de tolo. irritar-se á lettra: fazer-se grosseiro. grunhideira. cp. açougue. balasio de bala. hisp. bagaço calmeirão. aguardente. o suffixo -eca. á lettra: a que tem garganta. que se encontra na forma feminina -nta em port. bagaceira. garrafa. emquanto nas palavras da lingua geral esse suffixo indica um agente. calma. . indolente. bagaço. (mãos. posto e derivado de port. regueirão de rego. Cp. cp.123 ardosa. cp. espadeirão de espada. port. trigueirão de trigueiro. cp. lingua. de port. broma. que também se encontra com a forma sapeca. de escamar. de cu. gargalo. aguardente. botas. homem grosseiro. não se applica nella directamente a themas verbaes^ mas sim a themas nominaes. com escamanta. em port. arder. lingueirão de lingua. mas. que se encontra. por exemplo. larcomposto de largo. calmoso na significação de preguiçoso. com o suffixo frequente -nte. durasio de duro. aqui significa: que tem (escamas). gargantosa. mas que é muito frequente em derivados da lingua geral. com o suffixo frequente . chapeca. gatasio é antes termo gatasios popular. com o suffixo -eco. de trigo. governanta. gereiro.

um bolas. expressões populares como um bigorrilhas. bebedoiro de beber. sézigue. no calão. de cal. sezingaud por lui pronomes (soi). seduncha. bolso interior do casaco ou collete. 46.12-4 piadoiro. .^ administrante. loitHque. toiene do suffixo -ene fr. pela analogia das terminações de port. cálix de igreja. a adjuncção de um a suffixo sem valor derivativo ou indiflferente tem um fim diverso — conservação de uma palavra de pouco corpo. de fado. abuso. a um thema da lingua Em geral. etc. vii. de piar. ou elemento com aspecto de tem apenas por fim o disfarce da palavra. de seda. dentrémes. língua geral e isto que são devidos apenas a más analogias dá-se por exemplo em: loduso. RiGAULT. leme. de port. meziguCf mézigo. apresentam mitene (do um não usado em português. mitaine). de chegado. como vimos acima. 1 No argot é frequente a adjuncção de suffixos deformativos aos : nouzaille por nous. Scc. chegaduncho. encontra-se em moiene do fr. estreme. administrador. loimique pour moi. infuso. moi. parafuso. pipuncha. ourives. oiro. como se verá mais abaixo. seiziere. Schwob et Guieysse. de tarde. pela analogia das terminações de creme. mas de sentido um pouco diverso. faduncho. de port. fr. cavallo magro. Mem. tezingaud. comedoiro de comer» pileca. vouzaille. vouzigaudj voziere. tarduncho. pelle. teuene do port. cp. teu. temos a substituição de um derivado da lingua geral por outro tamcal. Nas linguas românicas. toi. vozigue por vous. nôziere 2 por naus.. pipa. não havendo differença de significação entre o primitivo e o derivado ^ taes são : . por *peUeca. Nalguns derivados apparecem-nos suffixos estranhos á . Cp. ling. A forma. cal. ete. a adjuncção de um suffixo suffixo. lodo. teziere. beber. por port. muitos casos. com o suffixo -doiro. Em bém da lingua geral e do mesmo thema. loitreme por toi . O calão junta noutros casos ainda um s a certos derivados seus. apparentemente do plural.

125 mesuncha^ de mesa. por causa do s final de algumas d'essas formas. et Guieysse. espião. chibo (espião. haguines. os processos de derivação adverapparente são mais irregulares. cal. parrelo. cabra. patáo. 1 Schwob i. no slang slandingcular (pela analogia de perpendicular)^. e que lem- bra certas accumulaçoes de suffixos noutras girias. deira). forantes. cp. vii. de longe. . caixeirante. denirávias (dentro de casa). allache. de de antrel de alli. de ca\. cal. todos com o suffixo -iincho^ tão frequente no cigano (vid. agadanchar. J. agadanhar. zarguncho. aqui. denunciante. briol. hranquioso. Storm. de alli. cimantes (acima). 47-48) e que se encontra na lín- gua geral em caruncho. perunca. sinhama. vintanços. de cal. de alforje. cal. emquanto na língua geral só serve para derivados de themas verbaes. sos de derivação da lingua geral sem haver formação de palavras de sentido novo. de seda. 43 . de vinte. cal. de cima. de cal. acache. Englische Philologie. algures. sedaite. etc. Ling. de caixeiro. applicado porém a nomes. arribatis. denunciante). cair como um pato. de hisp. paivote. lonjantes. como no argot chiquoquandard de chie. de cal. Mém.. antes. paivo. notante. de branco . de port. horante. hajo. de hora. é uma agadancanhir por port. chiheco.. hago (dinheiro). parné (dinheiro). de maçã. de paivo. pato no sentido de ingénuo (cp. exemplos do emprego de procestolo. de sinhá (cal. allimes. patola. paivante. patego. na são outros lingua geral). os advérbios port. lonjantes. rupiquandard de rupin. cal. maciosa. de cal. com assimilação de im em rr. todos de c&i. de port. todos com o suffixo -ante. ante. àQ fora. de dentro . aqui. cal. aquera. 156-157. Soe. perua (bebecal. de tolo . de longe. haguinos. breu . tolineiro. formação sem analogia na lingua geral. . nenhures. nota (de banco) alforjante. Cp. e creoulo por senhora). p. (adeante) bial Nos seguintes exemplos de arriba. de cal.

influindo cliilra (cp. marreco. mannheiro. égua. -anço. de pop. real ou apparente. modelo. alimazio. por port.126 Um suffixo. sentido como suffixo substituído cal. cal. -ello. certo se cal. do outro os nomes em -elo. balanço. ca- cadello. ao que parece. sarampelo. e do outro os nomef. vinho ordinário. com influen- cia. influindo raspar. de um lado. pancada. capello. eiitrada'. armar. -eco. alimária. etc. faneco. picanço. está por forte e áspero ao pala- pela terminação) ^ carrascana. cal. lacaia. almazio. Velasco. um lado os nomes em rouxinol. cal. dinheiro para jogar. bello. como estrada. armadella. varrasco. e de outro copia. malafaia. crisol. bilro. por cal. zumhaia. de -ol. marigoto. bebedeira. de um lado os noem -ame. com a mesma . cp. cachilras. armazém. Exemplos cal. cp. novello. ^alimal. carol por *carrol. rabeco. por cal. velame. como anzol. camada. rei- nol. *catv-opia. catropéa. cabaia. entrames. influindo também maragota. conservando-se em regra a significação d'aquellas primeido 1 É menos cachorros. de port. de um lado os ta- nomes em reco. ainda e se cal. briol. cal. e do outro os nomes em -ada. rabello . dar. pelo pop. significação. carrasco . cp. como arame. de um lado os nomes em avanço. como em -adella como apalpadella. como pe- nhasco. Procopia. seios de mulher. como cabedello. pelo typo de pera digoto. 'inheiro *. mes fartadella. cal. sendo -igoto. Porto. cp. por port. se liga a cal. cp. armanço. nome dado que vêem ao aos barqueiros de cima do Douro. cal. arraia. é substituído por : um outro suffixo. nome de peixe. como chaveco. de port. rodeio. paiol. catr-aia. por port. atalaia. . e de outro os nomes em -asco. jaleco. carraspana. real ou apparente. palavra toma inteiramente a forma de outra ou antes funde-se com outra com que tem apenas Muitas vezes uma commum alguns sons iniciaes ou até um só som inicial. de carrascão.

pela fusão com^oíi- papa. p. com milhafre. é sem duvida devido ao mesmo processo mas aqui em vez de * mcdaca. um resultado da fusão de marinheiro com marabuto. atroços. pela fusão ave. por fadista. marabuto (p. António de Lima. como se fosse uma expres- são adverbial a troços. por port. parvo. baia. apresenta uma fusão incomessas palavras associado pelas tendo-se algibeira. brasileiro. pleta com loja. por mil (réis). nome de religiosos musulmanos da Africa septentrio- em os nossos escriptores quinhentistas os nossos marinheiros tiveram conhecerto e de que por francez marabout tomou o sentido pejorativo cimento. Qdl. com faia. fusão com marihundo. milhafre. mãe *. 61) parece ser uma formação do mesmo género. feio. com mandil. pae^ por fusão com jpalurdio. por port. * . Rasgos métricos. Por analogia cal. estúpido. panno cal. por port. nome de tifice. por cal. por mãe. fusão com baia. palurdiOj. marinheiro. mandil. Exemplos: por port. nome de uma Cal. fusão arvore. . o qual apparece Em de homem cal. cal. pela em pop.127 ras palavras ou experimentando apenas alguma ligeira modificação. preguiçoso. nal. faia. trave que separa as cavalgaduras na cavallariça. lojibeira. cal. atrás. por port. formou-se cal. mão. polaco. malurdia. 209). cal. consoantes iniciaes l-j. etc. cal. ^ov ponta (de cigarro). pontífice. mandrião^ por fusão grosso de esfregar. temos simplesmente polcica. mal feito. Nos exemplos seguintes houve fusão de palavras que só teem de commum uma consoante ou grupo de consoantes inicial : cal. bata. por pae. marihundo por moribundo (marihundio A.

grego. godo. palavriado modificado astucioso.128 cal. ho]o do navio? por port. laia. cal.se facto semeser lhante em muitas palavras religiosa. heta. osga por port. etc. cal. vinho. cal. gordo. titulo nobiliarchico. fusão com grelha^ instrumento. mentir. por port. depois em larias e lirias. ficando assim o conceito do radical ligado unicamente ao som v. por germ. fusão com heta^ lista num vestido. Z^iirro^ fusão com huco. grulha^ peru. de tecido para cobrir pensar um objecto. por port. Vimos já que numa palavra como villum. mesma signifusão com ficação. dinheiro. dizer grandes mentiras. grulha ou grelha. chitaj por port. illum podia tomada como suffixo. tem e aberto. lenço. fusão com chita^ nome de estofo. golfo. por cal. por cal. para assar ou torrar de cal. grelha^ por cal. fusão com leria. pela fusão com golfo. também mas o termo é do Porto e cal. comestíveis . Pode dar. nome ethnico. braço de mar. beu por * veu. leria. etc. chetuj vintém. praíct^ fusão cõm laia. peça cal. hufoy cal. por port. Hata. por port. ao lado de mimosa. laranja. por cal. duque. ódio. dog). casta? cal. hata^ mão. e é sem duvida originado da locução popular mettêlas gordas. fusão com osga. metier golfas significa lisonjear. e r podem ser respectivamente 1 Cal. sargaço ? No sentido de aíidalgado. cal. por cal. dogus (do ingl. cal. nome de um saurio. pelo grego. . fusão com duque. por port. em forma de grade. peru. mancha. cal. buraco^ fusão com bufo^ nome de ave. í : assim em tosa. rico ó principal (Hidalgo). Poder-se-hia em que beu fosse uma modificação de breu. etc. fusão com veu. fusão com laivo. pela fusão com a mesma palavra golfo ? cal. rosa. * laivo. huco^ cal.

. pelas formas de derivação. chajpeVy pren- de chojper^ chijper *. : Eu associo os nomes próprios pela sua inicial não me lembrando muitas vezes de um d'esses nomes por inteiro. o resultado de um processo semelhante de substituição de suffixos ou sons tomados por suffixos. no- outro cabaia. pelas categorias grammaticaes. 40-42. habit. etc. sentido como suf- íixo (cp. em haia por hata. pelotão . como categoria psyclioem que logica. heto O uma palavra heto. foi substi- tuído pelo suífixo -eto. cantata. No espirito as palavras associam-se pelos sons. p. O conceito do : radical não existe só no espirito dos grammaticos actua também. e de de um lado camarata. ex. ling. Muitos individuos associam com facilidade as palavras pelas rimas. paparrotão). que se encontra por exemplo. folheto. que empregam no sentido de outras que com ellas só têem de commum uma syllaba ou um som : inicial. lacaia. no espirito de todos os que faliam uma lingua ha distincção entre raiz e elementos de derivação. ao lado . froc^ '^froque (défroquer)^ sos suffixos. é um arg. por port. comquanto obscuramente. outros pelas syllabas iniciaes. frusquin. A ou um reducção do radical de grupo de consoantes uma palavra a uma consoante inicial. ^ Schwob et Guieysse.129 sentidos como constituindo a parte radical. horhotcio. a que se ligam diver- processo conhecido do argot. carreto j coreto. troca (cp.: tranche^ tronche^ trogne (d'ahi trognasse e gnassé)^ todos com a significação de cabeça. mas por uma troca de suffixos. fr. em portuguez: -otcio. Mém. fringue^ frijpe (fripierj dre. lembro-me todavia do seu som inicial e por ensaios successivos chego a restituí-lo na memoria. pela significação. pois não ha cal. zumhaia. não por uma fusão de palavras. em se Poderíamos ver analogamente nas palavras acima. etc. de -ata por -aia vata. malafaia. ex.^ vii. Soe. mar otao. pelos radicaes. hotão explica-se.

pela influencia da associação dos sons communs souffr *. factos análogos. mas a explicação dada acima pare- ce-me preferivel. chama por associação phonetica punir (= lat. toma o sentido um pouco modificado de soujffrant. Uma historieta popular serv^e de commentario a esse termo. zaburro e de outro abelharucOj caduco. v. louvado seja Deus ! 1 Arsène Darmestcter. souffreteux. forasteiros: — Donde vindes meus — De Salvaterra. termo de calão archeiro. 2. p. em huco por hurro troca de -urro por -uco (cp. seja Deus! trazeis sacos. etc). soiiffraite (disette. maluco. Nas linguas ge- raes ha lat. que desapparece (punir por alguém). 131. um exemplo é cal. jounire). o qual seria archoteiro. Littré.. man- que). s. tomar a defesa de alguém. defunto. Conta-se que uma velha surda teve o seguinte dialogo commum. d'ahi o seu emprego como se fosse um verdadeiro derivado de archote.ed. j>unar (== pugnare).130 etc). filhos? — Ai I defuntos. susurro. filhos? terra. e esta toma o Em sentido de aquella. La vie des mots. minha avó. presunto por pessoa com uns vós. bêbado. — Ai! de debaixo da louvado — Que meus vós nesses — Presuntos. fr. o que tem o habito de beber vinho. iniciaes archeiro. E rara a fusão de palavras determinada por uma termi- nação morta. Essa explicação pode enunciar-se tamnos seguintes termos: uma palavra suggere outra (geralmente do mesmo numero de syllabas) que tem com bém ella de commum um ou mais sons iniciaes e a ultima passa a ser empregada no sentido da primeira. Em português. mas copo de vinho. ex.^ . de um lado esturro. do ant. minha avó. lembra pelos sons este pelo seu suffixo -eiró dá ideia de um derivado. apresenta-nos o resultado de um processo complicado : O archote. p.. francês souffreteux. .

Temos assim uma formações mal-aco. L'alterazione fonética involve spesso dei significativo. Doutro lado parece que 1 tabaco foi egualmente assimilado a malaco. medunha. sia col ritrarre qualche attinenza delia persona o delia cosa che è nominata. per catenaccío si dirá cerron in luogo di cerrojoj. mentre il vero valor di cerron é tela grossolana. com i as seguintes observações de Ascoli: «Piu volte.131 malacOy ^ov pataco. mal-uco para substituirem os usaes pataco e tabaco. invenções extraordinariamente burlescas. secondo la metáfora quel grego. medulla. Questo projphete potrebbe dirse você gergale innalzata alia seconda potenza. dedunho? . Cal. pode ter influido (cp. seda. estará por um sedulla não documentado? Cp. cal. maloque e moleque para evitar a confusão em seguida mudado em com malaco = pataco. parece ser devido a um processo similar. sia col ricordare un sinonimo. ben il . Concluirei a exposição d'esses curiosos processos de for- mação. ci dà perche delia squisita elaborazione Da orfevre si fece orphelin. seda. maluco ^or pataco. Silva Lopes.» stituido apataco. 9õ) ha também cal. . di prophete per jprofonde. hattoir. e Fim- portanza furbesca degli oggetti eh' essa accenna. falso. sarcastici^. batelier per . Cal. cantina o tasca. ossia. filou s'è amplificato a Phillíbert. estará por 2 StudJ crUici. lingiia geral *. serie de seduncha. Ter-se-ha produzido malaco primeiro por maluco e depois subA ideia de mau. e navet a Navarin. cujos productos apresentam á primeira vista enigmas indecifráveis ou podem ser tomados como metaphoras atrevidas. gerghi riescono a transformarlo in uno di senso aífato diverso cosi Varíjot dice arsenal per arsenic. sia coll' oíFerire allusioni o travestimenti burleschi. p. Nella germanía. macanjo pag. da Guibray: Gibernej da poisson: poivre. dedos (sic). 388. todavia malaco não se encontra como termo da cal. mal-eque. mal-oque. nello svisare la terminazione d'un vocábulo. nez a Nazareth. etc.

ou hâtiment por allusão ao trabalho de construcção. Võlkeri U7id SprachwissenscJiaft. Tobler. o movimento da agua foi escolhido.* ed. cada um dos quaes poderia servir para a denominar. e essa qualidade de agua corrente^ quod fluit^. Passemos agora ao . Arsène Darmesteter. e uma palavra se substitue por outra. 34-36. 2. rio. tricto não careço de - um schema completo de mudanças de signi- ficação. Paris. vid. O processo pelo qual j>alurd{o vem a significar ^ae no calão não pode de forma nenhuma ser considerado como o resul- uma palavra como tado do que ordinariamente se chama modificação semântica. III. Eosenstein. Assim também o que francez chama vaisseau. 1886). designa na um objecto por uma qualidade particular que o determina. em geral. a) «Todo o substantivo. sem a minima consideração pela significação d'aquella por isso foram examinados na secção anterior os exemplos d'esse género.132 os eíFeitos burlescos existem. Wundt. Logik I. 1886. . Versuch emes Systems Bedingungen des Bedeutungswechsels derWôrter. Die 'psychologischen . chama-o o latim 1 Sobre as mudanças de significação d. o que como se vê dos nossos exemplos é raro. 1884. W. Modificações de significação *. La vie des móis étudiée dans leurs signijications' 2. 1881 A. Para o meu fim resSprachgescMchte. Danzig. . (Leipzig. origem movimento da agua. diz Darmesteter. Halle. 349-387 Herman Paul. na minha opinião. (1860).. Kurt Bruchmann. apresenta diversos característicos: aspecto das margens. deu o seu nome á coisa. Assim. que explicam a maior parte talvez do seu vocabulário. pois que o ponto de partida é uma associação pura- mente phonetica. estudo das modificações semânticas no calão. etc. Ludwig Etymologie in Zeitschrift f. Stuttgart. a coisa que o latim chama fluvius_. são em geral um resultado Quando secundário. ed. Psychologische Studien zur 306 e segs. por assimilação de forma a um grande vaso. psycfiologie Principien der Sprachgescliichte." 1887. segundo esse processo. p.

crivantes^ por dentesy dentosa. redonda. a espingarda é chamada a fungante. apalpador^ por guarda-barreira (opalpadeira é a denominação de mulheres que nas barreiras apalpam as forasteiras. por dinheiro (cf. rasteiros. pahnilhante. massudo . official . altanado (o que está. cantante^ por gallo. passageiro . com um termo depreciativo o vinagre é o raivoso. por caixa.133 ó^ o que nada. tamposa. piolhosa. passante (a que passa de um lado a outro do rio. mas o palrante. é a que vela. ^ov pedra preciosa. por uma espécie de . roncante. calão é muito frequente o processo que consiste em um nome usual por um adjectivo (ou participio). por sabão. andante^ por carteiro^ comboio^ cavallo. cobrir). por chinelos . luzente. designando um característico. brilhar) j nuvem. por saia. por lenço (cp. forte o moinho. mouchoir). fluctua ao cimo da Esses agua (natatj exemplos podem multiplicar-se indefiassim em latim serjpente ó o que se arrasta nidamente. quando o vento o move. por carro de bois . velar. reptil. por juiz . navio (navigium)^ isto . assimilada a sua explosão ao ruido de um nariz que funga. o que tem raiva. nuhere. exemplos a denominação é perfeita- mente simples espirito e natural . quando é personificação determinada pelo seu eífeito adstringente. ras- por sapatos . corpóreo. a expressão Tmtal sonante) todos esses . por libra. exemplos : senta alto^ no tribunal). para ver se trazem contrabando sob os vestidos) apertantey por corda (da forca) chiante. por isso que agita os seus braços . é chamado o doido. que muitas vezes está longe substituir No de ser o essencial . como em furor. o chapéu . sonante. preta^ por garrafa (de vidro preto) tantes. por viandante. se amarella (da cor do oiro). cp. cobre (cp. Em moncoso. por cabeça. aurora é a brilhante (raiz us. noutros casos intervém um certo cómico ou depreciativo. por serra. . espumante. ferrugenta^ por espada (velha) filante^ \ por agente de policia. serve para se passar sobre eWn)^ ^or ponte. ou estabelece-se uma correlação metaphorica por vezes pouco natural assim o advogado é chamado não o discursante ou o defensor ou mesmo . . o fallante. » nuheSy (serpere). por pão de trigo . fr.

cesto da gavia. vagar vagarosa. hreu. botas gallinheiro. accende-me . a luz. forca (por causa da forma e altura) cortiço. longe (do hisp. . h) A metaphora.). pela comparação dos cabellos com os tentaculos do animal . ameixa. que já indiquei. . gata. em — com — — . que se compara á cortiça (o povo chama encortiçada á carne dura) cortiços. touca. lavada e enpenante^ gommada. varanda. adjectivos podem ser modificados na significação que rigorosamente resulta da sua forma. copo. catafalso. o que resulta do caracter geral das girias. ao serem convertidos atira de — a que cal. . bebedeira (diz-se que o vinho . penacho. é denominado o o que pena. é a mimosa. O tido calão legante^ pistola. como no navio sobre lastro se põe a carga). (á mesa diz-se comicamente : estou ás escuras. cabelleira. quando não se tem ainda vinho no copo) harraca. si- gnificação do calão já vários dos exemplos dados acima entram nesta categoria. Eis uma serie de exem- plos: alfarreca (alforreca. metaphora do calão diverge em muitos casos da metaphora da linguagem geral em não A ser espontânea e transparente. exige cuidados para não se sujar de prompto. pela morrer semelhança de forma. segundo se me afíigura. medusa).134 sujeito a muitos accidentes. carne de a carne coberta immediatamente pelo porco. significando ha vagar designa a prisão. apagar-se a lamparina. substantivos . cabelleira.sol (por causa da forma e destino). comida (sobre a qual se bebe. vinho (por causa do aspecto) lastro. guarda. . ha um conto popular em que velas acccesas representam vidas de pessoas) archote. lejos. a que se deu o sen- Os assim vagaroso significa que procede vae de em que vagar. bala. Porque razão a sardinha é chamada foi tinhosa não é fácil de dizer. coiro. padece. meretriz (por causa da lubricidade do animal). propriamente . quartilho de vinho. da cabeça. um derivado de de longe. é muito frequente nos desvios de . talvez porque a tinha comparada a escamas. a camisa que. vida é frequentemente comparada pelo povo a uma (a luz. é.

algodão em rama. bêbado rufar. mínio da pura hypothese. por assim dizer. esticar ou espichar a canella (a perna. lostra é sem . pão alvo (por causa do aspecto) rede. ensinar. mão por chave foi suggerido pela expressão chave da mão. capoeira. é alteração de lagosta fica no doNa significação de escarro. linguado^ lettra. por espancar. podex . provém de falho ao naipe. diz-se collegio. roubar. . por morrer. o que significam os correspondentes usuaes: assim t^oy furtar. abafar. virar. no sentido de morrer. diz-se escovar. ^oy matar. apito saca. (na gíria dos typographos: scripto) massa^ milho^ dinheiro pianinho. diz-se calor. no mesmo sentido. provém da expressão ^or a cara vermelha como uma lagosta^. diz-se /a^er aboiar. provêem das phrases isto é. cachimbo. provém da phrase espirrar que se diz de quem se encolerisa facilmente . pan- cada. espaço entre o pollegar e o index. esticar e espichar. diz-se picar. attenuar. bater (como se bate rufando tambor) chaleira. o calão resultam de simplificações de phrases assim falho. . negar-se. cadeia esponja. guitarra . que não tem dinheiro. cadeia de relógio. entrar na rigidez espirrar. abotoar-se com uma coisa. prisão. c) Algumas mudanças de significação que nos apresenta . lagosta. rama. . duvida la oslra. . vindimar. diz-se sondar. bofetada. por afogar. de manu. experimentaram modificações de sentido ou applicações ás vezes ^ Se lostra. . No calão dos criminosos occorrem expressões que teem . ^qy prisão. palma da mão. pessoa com muitas vestes sobrepostas. bolsa de prata (por causa da forma tira ) . diz-se estafar. carruagem cebola. . diz-se ^oy fugir. . lingua. panella. roupa ripa. cadavérica) canivetes . . por sova. espada rouxinol. . por fim adoçar. d) Alguns nomes ethnicos ou próprios de pessoas. que de termo de jogo passou a ter aquella significação. capa. que os fumos do álcool sobem á cabeça: compara-se o que se suppõe haver dentro ao que cobre a cabeça) . insultar. pé panella. gaveta.13Õ sobe á cabeça. relógio d'algibeira.

ha um vestigio que não é o único da antiga denominação dos habitantes da França. é empregada pelo povo correntemente . Tem Nâo esporas. por causa da cor do insecto ser semelhante á das fardas dos soldados da marirtha inglesa. Não acha dinheiro. censurável plantaforma. que trazia o marechal Conde de Schomberg . quando se note de que Como maneira o povo se appropria de palavras novas. Não sabe de mês. significando francês. pela calada. 71) parece *. mas a Plebe e os Có* micos trocarão a significação deste vocábulo». Cava no cbâo. provir do nome do marechal conde de Schomberg malafaia.136 curiosas. é cavalleiro-. janisaro (sem duvida o nome dos soldados da do guarda sultão) veiu a significar tunante na giria do século XVIII não deve causar estranheza. etc. serra. 505: «á chomherga. é uma adaptação do nome de familia Malafaia. a seguinte passagem de Monte Carmelo. determinada sem duvida pelas syllabas mala. Tem Não Tem Nâo picão. Chomherga foi certa moda de bigodes. p. chamhorgas (p. por plataforma. é carpinteiro. occultamente. por exemplo : se antes de umas . isto independentemente dos processos do calão que acima ficaram estudados^. No termo gallo. A meia noite Se levanta o francês. Cf. assim inglês significa percevejo. no sentido de apparato para illudir . Só sabe d'horas. imprimindo-lhes sentidos que nem de longe se correlacionam com os que ellas teem. 2A palavra ohvio foi ouvida já no sentido de estranho. sujeito de profissão duvidosa. Eu colligi da tradição popular o seguinte enigma do gallo (ave). é pedreiro. que lhe fizeram attribuir o valor pejorativo.

se de vade-mecum. Fallar ou ser pespauterio. ex. applica-se ao caso o termo. 132. p.137 No calão o nome vicente designa o gato. parado a um cocheií-o dizer para um sujeito que estava esquina observando o quer que fosse «não estejas ahi de parodia. Num annuncio d'um açougue li: «O responsável d'este talho tem que ser licito nas transacções que faça com o publico».» Ouvi já empregar laudemio no sentido áQ presumd'estes dias ouvi um uma : por um processo fácil de comprehender. u. a começar pelas danças e mascaradas carnavalescas e a acabar numa figura qualquer caricata.. tolice. de la France. palmatoada). cão. No calão. o que é permittido. á coccinella septempunctata é) Joanninha *. provém de navarro. que (quem sabe ?) talvez fosse suggerido por esses levantamentos illusorios de plantas. adquiriu o sentido de probo. com importância. narro . cara ou assimilada ironicamente a foi um holo (bola ou holo. vaidade. havia cría^ carne de vacca. é fallar senhor de si. como vimos. pção. bacharelar. aqui licito. cuja ori- gem. emquanto na linguagem popular designa o corvo. palavra parodia designa na estudo de uma A boca do povo innumeras coisas variadas. e vem sem duvida de '^fallar pelo Despanterio . desenvolveu-se a serie synonymica de bolacha eleições se emprega o conhecido processo de mandar proceder ao estrada para uma localidade descontente. por nomes da pega em Rolland. honrado.. Vicente. seg. hademeco os = O termo hadameco. originou.. conforme a grammatica de Despauterio. Desde cabeça o momento em que uma pancada na mão. á burra Joanna. isto é. É incerto se cal. por allusão á lenda dos corvos de S. este nome significa na germanía antiga ansaron (ganso). rapazote atrevido. ex. Um outro processo que podemos chamar da substitui- ção synonymica (falsa ou verdadeira) dá logar também a mudança de significação. emquanto d'outro lado despauterio veiu a significar disparate. . Faimepop. suppoz-se derivado de criar e como gerar ó synonymo de criar^ produziu-se o derivado sem suffixo gera^ carne de vacca. vid. 1 Encontram-se factos similhantes noutros paises. Lembremos que o povo chama também ao macaco Simão (suggerido sem duvida por simio). é incerta.

mar-paut. .)*. mar-quise. Diz-se no mesmo sentido: estar em coiro. e como se compreliende mais facilmente que a pelle dura do cação motivasse a ultima designação do que a que se nos offerece naquella locução. Marmitte dá logar a duas series synonymicas: d'uni lado temos jpoé?o?i e casserole. coiro e meretriz. propriamente leite cozido com ovos e assucar). lat. diz-se um par de galheias por duas bofetadas. alludir-se-ha antes ao cação a cal. 2 Cp. pode pensar-se que no espirito do povo coiro e cação se associassem como se fossem perfeitos sjnonymos^. mudado em mar: motte. processo e quão diííicil Concebe. como supposto radical de mar-que (vid. e nas mesas o vinagre e o azeite se apresentam num par de galhetas. O hebreu p. chama taujpe^. ora coiro e cação empregam. Soe. No argot encontram-se exemplos d'esse processo. outra do lado esquerdo» A que sentido da palavra se liga a expressão burlesca volaverunt galhetas. que como a portu- guesa. Assim produziu-se um como crêem Schwob termo marmite no sentido àefemme.se no sentido de rameira sórdida.138 (bofetada) ou galheta (do hisp. Mém. mas por derivação de mar. scortum. Este processo é tanto das girias como da lingua- gem popular. Na phrase estar em cação. 100). femme. no sentido português próprio. talvez. é difíicil de * determinar. têem poucos documentos históricos. Como galheta significa. que já não é nova.^'^y. mar-lon. vii. p. ling. 50. zoina que se tirou a pelle 3 ? Schwob et Guieysse. principalmente nas girias. 103) tem também a significação scortum.. Ha pouco deram-me a conhecer uma locução usada no Algarve que talvez se explique por elle: é estar em cação por estar nu. d' outro marmitte.se até onde pode levar esse deve ser descobrir muitos dos seus productos. biscoito /^pancada com as costas dos dedos na cabeça). expressiva do estado colérico de alguém. não por metaphora. de que provém fundamental de (vid. e Guieysse. vinho ou vinagre e que na igreja se usa um par de gaIhetas. uma do lado direito. tahefe (pancada ligeira de- baixo do queixo. p. garrafinha para azeite. para o vinho e agua do sacrificio.

p. vemos o como as outras girias. . messa in serbo. todos os processos anteriorcalão. ogni contrada starei per dire. ou do país a que pertence essa giria ou de outro.139 Attendendo ás diíficuldades que levantam á etyinologia esse e outros processos das girias. partir dos termos existentes e ligar a elles os seus productos por um nexo phonetico. avendo in ogni época le sue peculiarità idiomatiche. mente examinados. já por processos espontâneos. buon contingente di dizioni che sembrano voler perennemente rcstare quesiti etymologici insoluti. La quintessenza delia parte parte piu recôndita dei vernacoli. Nada nos impede de crer na possibilidade da creação de novas línguas. chi sa e fantina. e naturalmente a lista dos problemas. diminuirá com novas IV. Examinemos succintamente esse problema. 39G. Creação original. ingenerate da mílle specie d'accidenti assai spesso imperscrutabili non maraviglierà per certo alio scorgere nè varj gerglii un . como os 1 Studj critid. o meu estudo creio que me permitte affirmar todavia que dos termos de mim conhecidos apenas cerca de um sexto não é suscoptivel de explicação ou de etymologia immediata^. geralmente certa^ no menor numero de casos apenas verosímil. agora insolutos. ogni ogni borgata. morphologico ou semântico. da quanta generazioni. vê-se com que inteira razão Ascoli escreveu: «Chi pensi agli innumerevoli enimmi che in se racchiude città. dalla società fursottoposta per soprassello ad artificj gergali. 2 Chamo a um aqui etymologia immediata a que liga um termo de giria termo da liugua geral. Em investigações. il favellío d'una intera nazione. Dir-se-hia que os creadores das girias ou não teeai facul- dade ou não se sentem impellidos de necessidade para fazer uma linguagem de sua inteira invenção. di quanto mai offerire? *» stra vagante e d'impenetrabile non potra Relativamente ao calão ou gíria portuguesa.

1888).140 que produziram as creaçôes primitivas. quer segundo uma classificação scientifica d'estas. em grupos de indivíduos que nao tenham adquirido ou só tenham adquirido muito imperfeitamente tradicionaes. iv. que nestes últimos projectos teem tempos apparecido. alem d'essa lição de M. por exemplo. uma lingua tradicional. pão. quer sem essa classificação. Schu- chardt. Do porque se tem em vista partir d' ele- mentos conhecidos por um numero mais ou menos conjcá siderável d'índividuos. Second Series. 1668). Sobre outras tentativas semelhantes. Miiller. de que não são capazes os indivíduos que constituem os grupos creadores das gírias. já reflecti- damente por indivíduos senhores de uma ou mais linguas um exemplo no projecto de lingua do philosophica bispo inglez Wílkins. Como vemos não é assim que se formam as gírias. exigem grau adeantado de reflexão. soccorrem-se do ultimo caso temos material das linguas existentes. Os diversos de lingua universal. dizendo mar por . como o Volapuk. vid. Apesar das producdois primeiros processos Os um 1 An Essay Uwards a Beal Character and a Philosophical Language (London. no século xvii *. Concebe-se a formação de uma lingua artificial: 1) pelo processo de Wilkíns. Aus Anlass des VolapiiJcs (Berlin. . H. 2 Sobre a legitimidade das tentativas volapukistas. Techmer in Internationale Zeitschriftfiir allgemeine Sprachidssenschaft. II Lect. Lectures on tke Science of Language. gritar por fugir. afim de facilitar a acquisição do novo idioma 2. em que a relação entre o som e a significação a já existente 3) por trariamente possível se . modificando-o segundo princípios convencionaes. 2) pelo systema do Volapuk. mas com significações que não tenham relação nenhuma com a usual como se faria. inventando combinações phoneticas novas (raízes e suffixos) para exprimir as representações mentaes. Max Miiller. 339-34:0. etc. se baseia sobre um processo em que o mais arbi- empreguem palavras já existentes. vid.

que modifica. sem estudos. não se afastam essencialmente na sua marcha dos processos d'evo- luçào espontânea da linguagem: a nossa investigação assentou com evidencia esse facto importante. scenc dei popolo Siciliano (Ragusa. individuo que primeiro disse almuque por alflectidas. A. mocreve fez uma modificação intencional mas era por certo . S. por exemplo. ella fazia tão pouca ideia d'isso como nós fazemos. p. intencionaes. 1 15-116): o povo que àiz jpJiotogro por photograjpJio não tem consciência de que fez uma alteração. experimentam em o nosso organismo. porque não sabe da existência da íormsi j)hotograj)ho . Guastella no livrinho Vesbm. Vimos já em que consiste a difí^erença entre a producção própria da giria e a da linguagem espontânea (vid. já fallando. cheia de sup- uma : : pressoes de consoantes e contracções de vogaes 5 outra menos con- . o que equivale a ignorância. que praticara uma deslocação de accento. Supponhamos que eu vou para dizer ataraxia e digo ataxia. Que se deu neste caso? Em vez de me surgir no espirito a forma verdadeira 1 que eu tinha intenção de produzir surgiu outra. O incapaz de explicar a si próprio por que processo o fizera. o fabricante de giria que primeiro disse almuque sabia porém perfeitamente que a forma corrente era almocreve e a sua uma alteração voluntária *. que intencionalmente ingerimos. apesar de ser a nossa actividade voluntária que está em jogo. dos movimentos complicados que são necessários para pronunciar uma palavra qualquer. em ser momentânea não ha no processo differença essencial. que só se distingue da que o povo tem das formas cultas.141 ções d'estas serem. Pode objectar-se que até pessoas cultas que conliecem bem a forma das palavras as alteram por vezes. ainda menos que outros termos de um giria eram assim formados . das transformações que os alimentos. já escrevendo. Isto significa que aquellas producçÔes são intencionaes mas não re_. como já vimos. 1882) dá noticia de uma triplice forma de linguagem no povo de Chiaramonte uma a colloquial. que supprimira r na syllaba cre e eliminara por completo a syllaba final ve da forma usual.

Essas três formas de linguagem correlacionam-se como dialectos differentes numa mesma boca e o seu emprego é determinado por necessidades diversas. Mais tarde o nexo pode esquecer. porper?*^ o termo gruemprego lha estabelece entre elles um nexo semântico. como se esqueceu na linguagem geral porque animal se chama burro. que de um lado supporia um espirito assas reflectido. pbonetico. Linguagem do canto : *u zzu mònucu 'a vo\ 6" 'a za Vita V ha massciu Ara. como plano e chão. que as mantém até certo ponto isoladas. Noutra parte voltarei a este assumpto. que basta para a facilidade da producção e da propagação. de outro. e apresenta os seguintes exemplos : Linguagem colloquial : Uzzumaò. nos imitadores. por exemplo.142 A substituição de palavras da língua geral por outras da mesma que não tiveram com aquellas nenhuma relação de som.se. no auctor. Linguagem da poesia : Lu zu mònucu la voli. . As formas eruditas ao lado das populares na boca do povo. de modo que em cada caso ha uma orientação particular das representações. não podem também constituir objecção ao que exponho no texto essas : Em formas duplas ou divergentes apresentam-se estranhas umas ás outras no espirito popular. de um lado. a qual realmente não existe era preciso que num e noutros se perturbassem muito fundamente os nexos : associativos existentes. uma facilidade de acceitar um emprego tão arbitrário. a linguagem do canto e por fim uma ainda mais perfeita que é a linguagem da poesia. cada caso surgem no espirito do que falia as representações das formas respectivas e ficam latentes na consciência as outras. tal outro serpente. etc. tal tracta. Cappicciavi lammassciarà. Ccu la za Vita mastr^ Aràziu Vhavi. Destroe esse facto interessante o meu modo de ver? Creio que nâo. Por mais arbitrário que pareça o de grelha. forma ou significação exigiria uma quebra muito violenta com o uso tradicional. do outro.

não admittindo esse principio como exclusivo. Supplement. 262-264 e o escripto por elle citado de A. 119-120) fizera as seguintes observações nas melodias populares que um povo ora carece d'estes ora d'aquelles . e consagrou á questão um estudo especial 7'he principie of Economy as a Phonetic : : Force. Henry Grcorge. fr. Second Series (1864). « of Com relação ao trabalho humano em geral um economista formula o principio da seguinte forma: «The fundamental principie human action — the law that law of gravitation (London. «relaxation of muscular energy» (p. ligado no espirito d"elle a concepções teleo-theologicas. 185).) O modo ordinário de considerar essa manifestação da tendência para a economia na substituição de sons que exigem maior esforço por sons que exigem menor esforço é refutado por Sievers. Foi sobretudo Richard Avenarius quem applicou o principio ao dominio do espirito no seu opúsculo Philosophie ais Denlcen der Welt ycmãss dem Princip des kltinsten kraftmasses. com applicação á mechanica. com quem concordam os neo-physiologos da linguagem. 184. Mayer. 186).). La vie dii langage (trad. e da qual é uma consequência a lei das A 1 Como é sabido. foi Maupertuis quem primeiro enunciou. que acha luminosa applicação. «muscular eífeminacy» (p. 197). 1877. 579. «tendence of language to facilitate pronunciation» (p.) «Todo organismo que trabalha adequadamente para um fim deve realisar a sua tarefa com os meios relativamente menores. Prolegomena zu einer Kritik der reinen Erfahrung (Leipzig. cap. i. 177). Boston. 1882). 1882. Vid. Já Steinthal em 1860 (Zeitschriftfúr Vôlkerpsy: chologie «Como notamos i.» p. 1876). explica a alteração phonetica (phonetic decay) por «want of muscular energy» (p. iv. to physics — is to politicai economy what the to gratify their is that meu seek desires with the least exertion. No IDcnsamento deve-se por tanto trabalhar com a possível economia de força. o principio da menor acção. 1876. no dominio do espirito*. nas suas obras de linguistica geral. ii. Whitney falia de uma tendência para a economia dos meios. pp. p. que modernamente foram postas de lado. ex. (Leipzig.143 formação das girias não podia escapar á acção da lei do menor esforço. (From Transactions of the American Philological Association. no dominio phonetico. 1877). Progress and Poverty O Max principio foi applicado á linguagem em differentes direcções. Wundt. 176). Grund' ztíge der Lautphysiologie. 125-127. Logik. Geschichte des Princips der kleinsten Action (Leipzig. Míiller nas suas Lectures on the Science oj Langaage. «muscular relaxation» (p. para a commodidade.

Võlkerpsych. a mais regular. ger «Soll ein species immateriata. económica na linguagem é representada por alguns como vis inera expressão allemã Trãgheit e tiae. Sprachwissenschaft ( vol. accordes perfeitamente harmónicos. sou todavia da opinião que os processos phoneticos. e todavia é esta a mais frequente. emquanto o sentimento do movimento (bewegung <gefuhl) é sempre o principio propriamente determinante. e são produzidas menos do que geralmente se julga pela forma de actividade e respectiva posição dos órgãos da linguagem. JJie EntsteJwng des Beharrnngsgesetzes in Zeit. 370-1. Essas relações somáticas parecem me ter acção secundaria. 54): «E de grande importância ter sempre presente que a commodidade representa o papel de causa muito secun- daria. a allemã na sua Antwôrt A an Helisãus Rõslin e a latina no quarto livro do Epitome Âstronomiae Copernicae.144 transições lentas: é com o menor esforço. applicando ao dominio psychico sua correspondente latina inertia. » num Paul diz (Prineipien der SpracU- geschichle. que as girias se formam. 301-302). in der grossen weiten Welt dazu. ex.» Kruszewski mantém maior generalidade do principio da economia nos seus Prineipien der Spraclientwíckelvng in Internai. so gehõrt ein Bewein des Menschen Leib ein Seel. assim se nega elle a admittir na sua lingua determinados grupos de sons em virtude de certa idiosyncracia. organico-meclianicas. Se a alteração phoprocesso psychico. vid. dentro das tendências geraes da linguagem e não contra ellas. 370-371). elle não admittiria essa translação do conceito da inércia ao dominio psychico. Elle que nos diz : nun diese proprietas libei-wunden werden. emquanto reconheço a causa primaria da . por falta de . Lautgesetze und tendência Ancúogie in Zeitschrift f. o conceito experimenta todavia grande modificação ou antes recorre-se áquella f expressão em ser muito diversa do que ella designou psychologia para designar alguma coisa que se sabe em mechanica. versans in actu motus». alteração phonetica netica resultasse somente de tendência para a commodidade e euphonia. Zeitschrift f. ainda Misteli. . p. Cf. xiv e xv (xv. Acceitando isso completamente. 1886. Nessa translação. Võlkerpsychologie^ xi. a regressiva. i. até a alteração phonetica sob a influencia reciproca dos sons. 437. i-v. dependem em pequeno grau de condições puramente somáticas. allgem. p. para exprimirem a incapacidade de se mover por si que o grande astrónomo attribue á matéria. comprehender-se-hia bem a influencia progressiva dos sons (na assimilação). vol. que na historia da meclianica nos apparecem pela primeira vez com Kepler. mas não a opposta. Vid- Emil Wohlwill.

1888) pp. i. ainda que reduzida a uma sombra. 102. II 43. 437): «Uma inércia do espirito. um um fim a que pode adaptar-se com ou sem A damental da historia. são geralmente mal recebidos no começo. . com referencia a parte dos auctores citados nesta nota. sendo necessária uma infiltração lenta das melhor termo. mas por transições insensíveis que le- vam. Karl Bruchmann occupa-se da lei da menor acção no dominio da linguagem. do começo do século. modificando-se. levan. 248-293 vações estendem-se ainda á rethoriea e á esthetica. tal como ha uma inércia da matéria. 117. p. é coisa que não existe e contém uma contradictio in adjecto. dos vestidos de mulher cingidos á pelle. E assim que no domínio das instituições . é assim que na substituição das antigas medidas e pesos pelas medidas e pesos do systema decimal.» cia no dominio psychico é Em vez de fallar de uma taWei íZe mer- muito preferível fallar de uma lei de economia ou do menor esforço. tando-se acima dos preconceitos d' esse meio e descobrindo novos horisontes ao pensamento. Para que o que surge de novo seja recebido facilmente é preciso que se ligue por nexo claro ao já existente esse nexo pode ser externo (de forma) ou interno (de matéria). para o systema parla- mentar. politicas o partido liberal cedentes. o povo começou por designar o metro como vara nova. cit. (cujas observações se modificam no § seguinte). tanto quanto é possível essa emancipação.14Õ Não se sente necessidade de crear um instrumento para modificação conservação das acquisiçoes humanas. como faz Steintlial. o meio kilogramma como se arrátel novo. 59. e conservava a realeza. que pouco e pouco se foram reduzindo até surgirem de novo os vestidos cingidos á pelle é assim que os espíritos que se emancipam do seu meio. No dominio da moda não procede por saltos. as suas obser- 10 . Com razão diz Misteli (art. como buscava mostrar no passado preas antigas cortes. 177-185. ás monstruosas crinolines. é a condição funinstrumento já existente. por trabalho lento. accumulando-se e substituindo-se parcialmente. Âbriss der Sprachwissenschaft. no seu livro Psychologische Studien zur Sprachgeschichte (Leipzig. por exemplo.

de modo que tenham em vista a facilidade da propagação dos seus productos entre os outros membros dos grupos a que pertencem. independentemente da necessidade. Lombroso leva ao exagero o conceito do habito na vida social no seu artigo Le crime politique et le misonéisme ou la loi de Vinertie dans le monde : morcd in Nouvelle recue (février et mars 1890) e depois no seu livro sobre o crime politico. não é de modo algum uma barreira invencivel opposta á innovação *. Como se vê do titulo repete-se aqui o conceito da inércia com applicaçào ao dominio psychico. segundo as leis da appercepção (no sentido da escola de Herbart) e nessa adaptação é que Avenarius vê a manifestação da lei do menor esforço no domínio psychico.»» A verdade é que o amor do novo cam perfeitamente pela que as contradicções apparentes se explido menor esforço. ao habitual. 1884). evidente que os formadores das girias não E procedem consciente. in Merlino combateu as ideias de Lombroso num artigo La Néophobie Revue scienlifique (avril 26. S. Radestock. 1890). do novo. de sorte que ella domina não só a propagação. Considerando as coisas superficialmente poder-se-hia ver na abundância de synonymos das girias um facto contra Sobre o habito vid. como nos psychologos citados em a nota precedente. tem papel assas considerável na formaé e lei um movei importante ção das girias. Die Gewõhnung und ihre. mas ainda a producção.» Merlino da sua parte pensa que: «La somme des sentiments philonéiques est toujours supérieure à la somme des sentiments misonéiques. reflectidamente. elles obedecem áquella lei inconscientemente. Note-se todavia que Lombroso : escrevera «Le misonéisme n'est pas loi de nature que quand Tinnovation est trop radicale. Em toda a questão do philoneismo e do misoneismo não se tem tido em couta um lado importante a fadiga que causa a monotonia : e que suscita a tendência para a evitar pela variedade. Wichtigkeit fur der Erziehung (Berlin. P. onde se acham reuni* das interessantes observações de diversos auctores. C. Opera-se uma adaptação do não habitual. Esse amor.146 suas ideias para que emfim elles cheguem a ser comprehendidos. . que nâo tenho á mão. pela inno- vação. Todavia se o habito tem uma importância capital nas coisas humanas.

não obteve formulação exempta de equivoco. quer de tempo. Tal é. para que produzir termos com o valor dos já existentes ? Mas observa-se que está em a natureza mesmo desde o momento das gírias serem constantemente neologicas. H. a indicação da direcção em que E o que faz ver já a ambida d'essas ideias ás acções naturaes. coisas todas que nada lhe custam. dizer-se que nas girias a manifestação do principio do menor esforço não está pois em a não producção do novo. Pois. guidade applicação fazer. nem de tempo. até no principio da menor acção. pelas varia- .147 a theoria apresentada. mas sim no modo d'essa producção. diz elle. vaga que. que teem por objecto os grandes hábitos que caracterisam a acção da Natureza. com efFeito. conduzam ao mesmo fim com maior ou menor despesa. tudo o que affirmariamos talvez é que ella não é avara nem de massas. a economia de que julgamos achar o tes- temunho principalmente no mundo orgânico. «Nas investigações. pois. diversos meios são egualmente praticáveis. pois em que um termo se propagou além dos foi grupos para que cordo com o que íica produzido^ deixou de ter valor. na ligação do novo para com o existente. em circumé trata-se muitas vezes de princípios de uma ideia stancias dadas. economia que ella muito observaria. a verdade é que não os conhecemos e não podemos indicar essa direcção da sua economia necessária. Supposto que a Natureza mire a fins. quer de massa. Mas então a medida a que se compara de todavia que essa despesa depende ainda de circumstancias que tornam mais importante para nós a economia. Lotze dirigiu algumas objecções ao principio da menor acção. um na definição do fim. nem de forças. é preciso primeiramente a economia tem maior valor. D'acexposto deve. mas que ella é sóbria de princípios. nem de caminho e de velocidade. ou nos fazem proferir um modo de operar. de modo que temos o habito. Ella não começa a tornar -se clara senão quando se trata de fins para a realísação dos quaes. ao emprego de novo processão que nos fatigaria. para resolver seguramente a questão do principio da menor despesa.

e prevê ás suas diversas coes de um necessidades . onde ha finalidade exposição. por inexgotaveis modificações do mesmo órgão. o conceito da menor acção acha applicaçao irrecusável na sua generalidade. mada. com ma- das línguas tradícionaes não exclue por certo a possibilidade de haver nellas alguns productos de creação original. que se torna o typo de todas as outras finalidades pensadas. ser pródiga de massas e de tempo e recorrer a longos rodeios para realisar operações com maior promptidão. um exemplo mesmo O facto das girias serem construídas. onde se tem indicação da direcção em que a economia tem mais valor. aqui ella parece-nos. e não menos se manifesta naquelle falia dominio essa economia de princípios de que Lotze e da qual é a formação das gírias por não essencialmente dos que se divergem processos que encontram na evolução das línguas geraes.148 pequeno numero de typos de conformação. fr.» E claro. tem que cuidar não de um typo determinado de mas da realisação de todo phenomeno qualquer*. que no real. de Duval. a natureza produz a diversidade das creaturas. 1884). opinião de que só no período primitivo da huteriaes A manidade gem tem fosse possível a creação de elementos da linguasido enunciada por alguns auctores. revue par rauteur (Paris. § 216. ideias não comportam applicaçao á mechanica. trad. mas carece de fundamento. . se é permittido á nossa sabedoria limitada empregar essa linguagem. Essas cujas leis que pareceriam poder ser executadas desviando-se da via typica costu- effeito. Métaphysique. E sem duvida muito dífíicil de determinar que palavras haja nas línguas modernas que não prove- nham por simples modificação phonetica ou por derivação 1 Hermann Lotze. em virtude mesmo d'essa domínio do espirito. no todo.

mas o caso da palavra gaz. Principim der Sprachgeschichte. Ha esjpeclonderijico^ esta- pafúrdio^ que parecem perfeitas invenções sem apoio. 4. muitas de caracter onoraatopaico^). vol. Todos os annos. 3Vid. Seheler e Littré.^ ed. s. cap. Mental Evolution uma casos do mesmo género. Ahriss. a que ainda assim os etymologístas se esforçam por achar termos populares ou de gíria como uma etymología'^. das Na linguagem observados casos de creação de linguas por ainda creanças. 1886. Romanes. Die Seele des Kindes (Leipzig. Ha também Deve ter-se em vista que as creanças transfor- í Sobre a creação original moderna nas linguas usuaes. Todavia ha sempre um certo numero de palavras que parecem de inteira creação moderna. . quer espontânea. quer reflectida*.149 de palavras de línguas antigas. Preyer.se ser inclinado a crer que nesses termos irreductiveis haja restos de antigas línguas perdidas. ix. observaçã») semelhante de um amigo do auctor d'esse livro. Steinthal. apesar de todos os esforços da sciencia etymologica. 532. W. inventada por E bem conhecido Van Helmont. que não exclusivamente com elementos originaes^). ainda que mais raras do que se poderia suppôr. porque embora achemos nas primeiras um considerável numero de termos irreduetiveis a termos das ultimas. 277278. se vae resolvendo origem á perícia dos investigadores. 138-143. 1882). segundo que aindo nâo vi. leio numa noticia d'cssa edição.. xxxv. Steinthal. v. pp. Der Ursprung der Sprache. senão muito vago. no existente na língua usual. Paul^ ^Vid. deum numero maior ou menor desses enigmas. pode. que só conheço pelos extractos dados por junto com in Man (London 1888) pp. J. 4 Ha sobre linguas d'esse género um trabalho de Horatio Hale in Proceedings of the American Association for the Advancement of Learning. ou ainda representantes de termos não docu- mentados das linguas antigas conhecidas ou por ventura vocábulos modificados de tal modo que escondam a sua mais.^ ed. vid. 2. § 510. dá noticia de Gr. creanças podemos achar também creaçoes originaes..

. jogo nas feiras que consiste em atirar bolas a uns bonecos fixados pelo meio do corpo num arame. lia boca popular. tUm-tlim . no seu som ou na sua significação. escolho a seguinte ças. ex. o canto do cuco. ponto por ponto. de observação minha. pipi. agua. gallinha. o próprio cão. um Nas formações imitativas referidas nota-se a reduplicação syllabica. são raros todavia os termos que se possam considerar innegavelmente como creaçoes originaes. soldados novos (gaUuchos^ na desi- gnação popular) de carne e osso. ou antes nos limites do calão e da linguagem popular. pim-pam-pum (com variação vocálica). Na linguagem das amas e creanças: tutu. sentimento ou as palpitações do coração. como em muitas outras populares do mesmo género. outra a applicava expressão jpípes que lhe ensinavam por piolhos junto com a expressão menirmo. fugir correndo. Tal é fun- gágá por philarmonica. Entre outras creaçoes originaes indubitáveis de creanças. isto é. corneta. . cu-cu. No calão. mé-mé. o próprio cuco. e produziam frequentes vezes derivados para substituirem as palavras correntes (p. contar miudamente.lôO inam ás vezes singularmente as palavras da lingua materna. agitado por por uma corrida. de modo que ganha o que os faz volver sobre esse eixo. o ladrar do cão. o balar da ovelha. Na lista de Queiroz Velloso encontramos : cal. buhu. urina. tim-tim por tim-tim (contar). que tinha primeiro conhecido para designar um certo rapaz antipathico. heu-heu ou hau-hau. Tefe-tefe é uma expressão imitativa que parece ter designado primeiramente. tris-tms. moscata por mosca) designavam uns bonecos figurando soldados da armada ingleza pelo termo falofa^ que depois foi applicado por elles para designar os recrutas. a própria ovelha. chichi. o composto pipes-meninào para designar uma immundicie. Duas creanque fallavam já correctamente a lingua materna. taes são zum-zum. faze7' tefe- tefe. Uma que eu conheço transformava café em pavá^ lenço em juso.

de músicos que tocam instrumentos de cobre. productos muito álamo. na lingiia geral. ao passo que se vá perdendo a memoria dos termos tsiganos. bazofia (vanterie). E de crer que. a linguagem dos ciganos tome de cada vez mais o as- pecto de uma giria. «A separação da lingua dos tsiganos das girias não é fácil. como fanfarra. reunião.se. Beitrúge zur Kenntniss der Z/(/€unenmmdar(en. fanfarrão. remoque. Lxxxiii. ala. Entre os termos dos ciganos da Extremadura colhidos pelo sr. 46-49. e dos quaes encontrámos processos que o mais frequente no cigano é o Como vemos emprego de suffixos desíi- gurantes. iii. 1 . far basofiar. verbo /i^n- ant. Com Littró creio furfante) deve considerar-se como um Relações do cigano com o calão de p. com troca do suffixo -ila por -amo (de álamo). além de certos artificiaes. finfar. lingua. Uma variante de fanfar ó hisp. não tendo relação etymologica com fanfarrão. Zigevnerische Elemenle in den Gaunersprache EnropcCs in Sifzber. a linguagem dos ciganos de um certo numero de termos formados pelos contém Portugal também no calão. ostentar valentia.151 Algumas expressões das girias ligam-se a antigas onomatopeas. sendo ondila a seu turno derivado de hisp. dirigir a alguém que farfante (do ital.» sempre varias Pott notou já no gitano alguns termos da germanía e formações análogas ás das girias. Distingue-se notavelmente da giria allemã*. 538. Miklosich. Leite de Vasconcellos ha uma parte considerável que apresentam o suffixo -uncho. etc. Assim o que neste artigo se designa como giria dinamarqueza (mais exactamente jutica) pode também ser considerada como tsigana. de ondila como ondinamo por hisp. pag. po!r hisp. gabar. fanfa.

adicar. ii. [Cp.. Pott. 201.152 onda. na orla. o ultimo . Lembra rumeno agor. Git. ligadas ás do calão. Miklosich. diqudar. as quaes se encontrarão nas obras citadas. pp. 45. avelar. vir. vii. rol do esquecimento. Seguindo o exemplo de Miklosich. aguaruça. indica o nosso Vocabulário cigano ^. pela comparação do voo da ave com o movimento de nadar *. Origem indiana: sanskrito — diy. abreviatura Voe.j ii. rumeno av. tsig. pedintes. Die Zig. 2 Nâo apresento as formas de todos os dialectos tsiganos. Abhandl. que são de origem indica. A A primeira palavra de cada artigo é o termo do calão. húngaro jagór. 38-43. tsig. vir. tener. * Pott. prakrito dèkkhami. grego aváva. Voc. agoré. abelar. Cig. — Essas .j vii. 110-111. fim tsig. nalguns casos simplesmente d' esses termos acha. sanskrito agra. dicar. extremidade. àbelar. Mas oíferece formas mais afastadas gresiton. mas geral todas as palavras que temos razão para julgar trazidas pelos ciganos até Portugal. tsigano grego agôr ponta. Maio traz no seu vocagitano alguns termos expressamente indicados como de germanía. fim. ladroes. cig. Tsig. . 541. A lista seguinte comprehende termos em que essa origem é em provável. Beitr. Miklosich. gresité. tsig. relações dos ciganos com outros vagabundos. fim . ter. Rothwelsch dichen^ ver. Miklosich. Abhandl. avezar. iii. : fim. poseer. 64. artife. O uso de alguns geral certa. o git. Voc. 305. vid. bulário Bie Zigeuner. ver. i. artão. formas tsiganas ligam-se talvez ao ii. Pott.. considero como tsiganos não só os elementos dos dialectos tsiganos. bohemio agor. cf.se bastante generalisado. e em especial em do cigano e do gitano. fim. 163. resultou a introducção no calão de um certo Das numero de termos de origem tsigana e especialmente cigana ou gitana.

luck. algazarra. ladrar . mas que interpretado como Pott. vii. gritar . bocanhim. soar. [Cp. grego hacht (eh =j hisp. [Ligar-se-ha a git. Abhandl. um termo de origem africana]. banza. barriga. no Brasil bunda podex. tsig. giria. 398-9. p. pali bkãs. prosperity. Miklosich. Tsig. pois no tsig. BORROW. mano Tsig. guitarra. tsig.. mão.. felido seu lado ligado por Vulcity. baM. frangere. vii. fortune. bella? Git. Cig. 92. Voc. Miklosich. berjí. Vid. basno.. 86. 172. ii. bohemio avav^ vir Pott. acaso.] hagata. vid. basnó. tumulto. tsig. Git. Pott. jpenar haji. bachahi. rumeno palavra backtj. git. hung. berjivia. gallo tsig. tocar. 57 Em hisp. haji^ fortuna. bohemio basavav. brejina. vii. Queiroz traz bunda. clavina. 176. — Origem indiana : sanskrito ap^ alcançar. gralhar . se derivasse de bello. ru- meno . Pott. bocachwi. [Ligar-se-ha a git. gallo (= cig. Voc). .. rum. decir la buena aventura. pali. guitarra. hisp.] bolsar. sorte. Abhandl. pocachim. basnó. pudendum mulieris. Pott. bohem. felicidade . baste. Ahhandl. prakrito hattha.153 tsig.. grego basáva. cereja.). trabuco. Tsig. fallar. calo. Parece ligar-se a banza. ano? 422. calão. git. Ahhandl. banzé. bate. que significa propriamente negro. italiano vast. Miklosich. é talvez significa nádegas. basco basta. grego. ladrar.. Origem indiana: sans- — krito hasta. sanskrito bhãs. emquanto o persa fora lers ao sanskrito hhang. etc.'] buldr^a. De um dos nomes nacionaes dos tsiganos kaló. lingua dos gita- nos. hindustani hãth. II. bata. é uma má traducção do termo foi que vem do árabe bellõtã. ladrar. : 426. Pode estar por hassar e ligar-se ao seguinte banza. bui. Grit. gritaria. bellota (bolota). russo te bases. — Origem indiana ii. Miklosich. que liga aquella ao persa hakht. tsig. bruxaria. Vid. escandinavo vast. 170-171. felicidade. to tell fortune. ii. dividere. 52. russo ha te baSés.. este. basta. viii. ii.. tsig. — Origem indiana: sanskrito . baste.

curda. carro.. Hp. e lembra que os iv no século transportavam em carros imagens a godos kangH. chala- — Origem menear. colona. chala. cangra. chalado. git. oppochurré. pasar. grego calauáva. agitar. sanskrito gihvã. p.se noutros dialectos tsiganos.]. Origem incerta. 18Õ]. longe sição A Meu velho! diz-se por carinho a um rapaz. tsig. 128. — Origem incerta. Queiroz. Cp. Abha7idl. ii. 189-190. grego Hhaló. pôr na chala. etc. quartilho. foi o juizo). moeda. talvez persa. vii. ii. adversário. asiático compara kangalla. vii. Com fanfarrão. receio. iirdiana: bohemio cíbaU. grande. . ébrio. turbar. canguelar. cangri. cuarto. amalucado. albanez. Git. hindustani calna. timidez. cardina. lõO-lõl. estranho. palrador: Hhanó. git. chalar. caminar. temor. git. fallador. . essas palavras provêem de tsig. . meter. cigano. Mayo. cig. bater. curdi. s. igreja. marchar. Cig. Pott. mover. 231. cp.. Miklosich. Pott. denario. git. — absolvição. viii. cangarina. recelar. acanhamento. De calão. Cig. mulher desprezível. etc. temer. [Cp. adj. — Origem dzlbh. hindustani relação á forma ]\Iiklosich. Ahhandl. [Cp. Miklosich. diclé ao lado de em é. bater contra. idiota (litteralmente a que se fugir. igreja. e pali kãla^ caleço. banjolé. . Cf. chalar. 111 n. mover. Mayo. Tsig. canguelo. hear. canguello. Vid.154 hindustani kãlã^ sindhi hãrõ. anterior. antigo? um de ser está no sentido phenonemo raro. cih. miedo. calão. : andar. lingua. calcorrear^ correr. VII. lenço. 125. embriaguez. cale. bebedeira. Miklosich. pali givhã. AhhandL. bandido. caleça. Git. Git. propriamente cigana. Pott. curdo. ii. ter. A palavra encontra. adj. cangré. busné ao lado de biisnó. Voc.. joven. juiz tsig. ir. gangarina. 106. afugentar. Pott. Ahhandl. Voc. ii. surre. chíbalé. ao lado de banjuló. Vid. que prestavam culto. cangueri. dicló. 229. tsig. Pode ter influído no som port. baré ao lado de baré. chalarse. baindiana: sanskrito cal (cansativo). Git.

Ahhandl. 115). git. ligar. to tie. ojetear. sanskrito tãtã. Ahhandl. To inclose. avô. actividade. cUsé. grego pandáva.1Õ5 churinar^ esfaquear. cárcere. grego dadá^ todavia as formas do argot (p. fazer ligar. Git. lida. possivel que cosquej. grego klidí. arménio band. Borrow. apremar. cliseSf olhos. Abhandl.° 3:731 (19. junho 1892). pandh. avô 99) fazem-me hesitar. agujero. — Origem indiana: prakrito sanskrito: churi. rumenp dad^. atar. pali èhurikã^ Ihuri.. pali bhand. adicar. fosse modificação do tsig. Houve metathese da aspiração: phand. Tsig. húngaro klidin^ fechadura. Queiroz dá a empandeirar o sentido de matar. dabo^ pae. Pott. hiing. viii. chiira. 111. — . Orihnngar o pandel. Pott.. cosqué^ granja. Mayo. fcorrijHO ou corrupio propriamente. Git. bohem. 37-38. Jornal O Século^ n. 308-309. oprimir. vil. Yoc. este. 124. cuchillo. «Fomos todos impandeirados pela policia». pufíal. mas lembra o git. Cig. grego^ . u. E Vid. kilidí^ chave. agarrado. el ojo de cerradui'a.. faca. basco curi. Mayo. o termo tenha vindo de Itália por intermédio dos ciganos. ojo. eclisar. Tsig. Miklo- AhhandL.. Tsig. 210. sujetar. Miklosich. Suppuz primeiramente que dad. De empandeiradoy preso. giratório . 197. chori. fechar. acuchillar. em logar de que se vê bem. pae. churinar. A raiz bhand está representada nas linguas germânicas por band. 242. casa. Argot chouriner Tsig. p. corHpere. curripen. vMiòi. movimento rápido grande giria. — Do grego mod. la O clisé ya panduajujerear. ht^rir los ojos. Miklosich. òhurika. 198. Pott. vii. Dad é de origem indiana hindustani dãdãj. encarcerar. tsig. Git. . Borrow. trabajo. Mayo. Miklosich. hind. apanhado. vil. escand. : tsig. ejercicio. cp. banda. II. vid. de que vem port. rerí. to shut. Git. churi. — gem indiana: sanskrito. ii. Pott. dica {á)j perto. churi. ii. isto é. sich. cortijo. termo de mas sim um Esta palavra que não é termo popular muito generali- sado é talvez derivado do lat.

Ahhandl. pass. viii. barrete dos turcos. Tsig. 217-218. hospede. estaripel. Ahhandl.. mod. preso. Cig. Tsig. Cp. tsig.. Miklosich. 102 a relação semântica entre comer e furtar. git. gandaiar. dinno. A palavra tsigana é de mas cp. ii. comer. a. Cig. Git. II. Pott. .) e o precedente estarim. Queiroz. Germânia mod. encerrar. dá também como da germ. a gente de casa. sujeito. Git. Cig. cigano. que apresenta formas correspondentes de outros dia- tribunal. cp. git. Vid. comer. 246. 243. fez. prison. dinó da raiz da. Do grego mod. Jila^ face. mostrar a feia. Cig. chapéu. cara. etc. (aii. dihar. cara. nota-o como termo de germ. grego stadik. Origem indiana: sanskrito dã. gy. estaríben. o . estardelar.. estraespertalhão. Pott.jamar.1Õ6 endinhar. adj. trilhar o linho. Vid. gadzo é propriamente um homem da casa. 129. gramar. estache. «Etwa ais Ge- mudar de no-lo gentheil von: Profil?» Pott. dadãmi. gajo. QQ. casa. — estarim^ prisão. Além das formas citadas. Ahhandl. Borrow. rumeno gàzó. grego dava^. lectos tsiganos. p. mem. estanhei. Mayo. subtileza. estaro. Miklosich. vii. Voc. — origem indiana: sanskrito. II. II. Pott. ii. Miklosich. grego cháva. pessoa. 300. grego gadzo. Pott. A gamar liga-se talvez port. vii. não nho. — Origem indiana: sanskrito gaya. p. ii. apparecer. — part. Ficou já estabelecida p. cadeia. estaribin. Borrow. etc. Nas phrases : mudai' de feia. homem. gaché. 157-9. Pott. Mayo cara. encarcerelar estardó. vadiar. pali dêmi. furtar com Voc. garandar. Tsig. Ahhandl. vii. pop. Voc. que deveria separar-se portanto de gramar. 73-81. os sentidos de tascar. Vid. prakrito khã. jalar. estariben (Voc. Mayo. 111. abonar. dar. que 148.. que anda á boa vida libertino Voc. etc» . pali khãd. 394. gamar. cig. 211-212. engulir. 148. etc. Git. alli Cig. endromina. di^har. dinó. deriva do part. 199. ho- homem. . ii. jawiar. Miklosich. i. vagabundear. Voc. comer. e feia. estrihelho. part. Tsig.iólÒí. ii. estache. estardar.

Origem arménia: grast. geld. é de origem indiana: AbhandL. e que lama teria sido produzido como pendant a lodo. A — Ill. grego sil. Abtrennung. 1. grenhi. 327. ii. gray. grego grast. Pott. frio.1Õ7 ganiços. II. to gain. no qual toda- Beitr. lilô. . 187. git. tsig. ii. cavallo . Miklosich. xv (vid. viii. p. sem indicação etymologica. Bluteau. lutum. Git. Pott. krito = via alguém poderia ter visto a verdadeira origem do termo do calão. gania. O termo tsig. Hás (Voe). produz ganisardar grane. Miklosich. Cp. 216. lama. em Mayo. oiro. 335. 7 . frio. Mas gris. grane. VIII. grasté. Pott. frio. Cf. juego de dados. burro. mas afigurase-me que ao gitano não seria extranha a forma lodo. palavra noutras penetrou gírias. provêem por certo do hisp. grasni. besta de carga. 339-340. ix. tomar. viii. etwa Abschnitt. frio. gras. ii. Em verdade o git. gra. carta. part. parece confirmar essa interpretação.. griso. Rothwelsch lowi. sitala. besta. grasti. gra. 108). Pott. AbhandL. grego lovó. 145. mental tsigana parece ser liei. grani. gris. Z^7o. Voc. 231-232. p. As palavras regit. inglez lóvo. 340. jil. cavallo . cavallo. liga-o a lillar tomar (litteralmente. BORROW. Ganar. pali Ma. em que compara sansdopa. hir.» No calão a palavra assimilou-se a port. Cp. ii. — já no jargon do sec. égua. Mayo. lovó. fresco. etc. Tsig. froid. dados. Cp. égua Cig. lodo lat. inderdicto). cig. — . lové di- nheiro allemão lõvo. AbhandL. janota. Cf. sanskrito sita. Origem incerta. hil. faca. vii. cavalgadura. ganar. 143-4. Git. grastni^ grasni. . git. grani. AbhandL. sltala . lodo. dinheiro. Tsig. grego lava. luca. por uma metaphora exprimindo o desprezo pelo tão desejado objecto. linó. git. cavallo. gahí. . AbhandL. Pott. cig. égua etc. II. loco. graste. ex. Miklosich. extravagante. moeda. 546. liá^ A forma fundap. grai. liró. Miklosich. ganisardar. tsig. embora este se originasse de tsig. Pott. plata. git. tsig. Tsig. 70. Ligar-se-ha pelos processos examinados a 126 a segg. comquanto não figure nos vocabulários que tenho presentes.

158
lumia, meretriz. Cig. lumi. Voc. Git. lumí^ lumica^

mu-

chacha, querida, manceba. Mayo. Tsig. grego lubni. Hure; tsig. allemão liibni, etc. A palavra penetrou no Rothwelscli
lupni. Miklosicli, Beitr,
iii,

546.

— Origem indiana:
lõhhirij,

sans-

krito lubh^ desejar, lõhha, cubica,
pali lohha^

desejoso, ávido; ávido, hindustani luhhnã^ ser cubiçoso, amo-

roso. Pott,
maries,

II,

334. Miklosich, Ahhandl.j,

viii, 7.

homem; manesuj mulher; menesa, abbadessa;
manu. Voc.
Git.

prostituta (arg. menessCj p. 101). Cig.

manu,

forma hombre, varon. Tsig. grego manús, homem, etc. do calão parece provir de uma cigana mamis, que suggeriu a troca de us em es. Origem indiana: sanskrito ma-

A

nma_,

hindustani

mcinus,

Pott,

ii,

446-447. Miklosich,

Abhandl.j, viii, 10.

mangue, eu. Cig. amanga, amangues, mangue, mangues,

Origem mangue, me, mi. Tsig. grego amen\ etc. indiana: sanskrito asmãn, pali amhê, hindustani ham, nós. Miklosich, AbhandL, vii, 164-165.
Git.

marar, matar. Cig. marar, marelar. Voc. Git. marar, matar. Reflexos nos diversos dialectos. Origem indiana

:

sanskrito
Pott,
II,

mãrayati, 450. Miklosich, Ahhandl., viii, 11. marrella, pão. Der. de cig. manró. Voc. Git. manró, pan. Tsig. grego manró, etc. Cp., por causa da forma, cal.

elle

mata, hindustani mãrnã,

ferir.

Origem indiana: sanskrito parrella àe parné (vid. infra). a camada saborosa de comidas Uquidas e manda, superior de bebidas, mandha, uma espécie de biscoito, pali manda.
Pott, u,

440-442. Miklosich, AhhandL, viii, 10. misto, bom. Cig. misto. Voc. Git. misto, bien, bueno.

Origem indiana: sanskrito Tsig. grego misto, bom, etc. hindustani mithã, sindhi mifhõ, mista, saboroso, doce;
doce. Pott, II, 459-461. Miklosich, AhhandL, viu, 15. Pott não considerou sufficiente essa etymologia que foi

primeiro apontada por Diefenbach e que Mikl. acceita. mistico, bom, bello, janota; mistangueiro, janota; mistago, acreditado.
rior.

Ligam-se todos a misto;

vid. o art. ante-

Cp.

litterario mystico.

159
nanaij, nada.

Cig. nanais. Voc. Gil. nanai^ no^ de nin-

giin modo. Tsig. grego na^ não; duplicado nana; nanay nana isi, não é. No git. ha também a forma nasti, adv.

=

Origem indiana: sanskrito na Miklosich, AhhanãL, viii, 19.

-\-

ásti.

Pott,

i,

318. 322.

pachacha, pudendum mulieris. Git. pachí^ virgindade espachilar, desflorar. Mayo. virgo pachibar^ honrar
;

;

Tsig.

grego pakyáva, crer, confiar, tsig. rumeno patá^ crer, patáj, casamento tsig. bohem. patav^ crer, git. pan;

chahavy pachahdar, crer.

— Miklosich,

Ahhandl.,

VIII,

33-

34, attribue-lhe origem indiana: «Aind. vergl. fraiyayá,

Glaube, Vertrauen. sindh. pati, avg pat, Ehre»; mas Ahhandl. vi, QÇtj dá aquellas formas tsiganas entre as de

origem arménia: «arm. pativ^ Ebre; jyatvel, ehren». As fonnas arménias são aparentadas com as indianas citadas. Pott, II, 346-347.
paivo, cigarro. Cig. pajo por plajo. Voc Git. placo, plajorró, tabaco pracos (Pott, i, 106), pracó (Mayo), pó.
;

Origem slava: mod.
Pott,
II,

slov.,

serbo, búlgaro,
i,

etc,

prah, pó.

32, viii, 51. parnau, parné, parne, parni, parneque, dinheiro. Cig. parnaUj, parné. Voc. Git. parné, prata, dinheiro. Tsig.

361. Miklosich, Ahhandl.,

grego pamój, branco; reflexos noutros dialectos tsiganos. Origem indiana: sanskrito ^ã>/f/w^ palHdo, branco ania-

rellado. Pott,

ii,
;

piar, beber

359. Miklosich^ Ahhandl., viii, 31. piela, bebedeira pielar-se, embriagar-se
;

;

pio,

s.

vinho; adj. embriagado. Cp.

'òx^ot. pie, etc. p.

201, etc.

Cig. pillar por piyar.
adj.

Voc
:

Git. piyar, beber; pile, pillí,

ébrio. Tsig.

indiana sanskrito pi, pali pi (pihati, hindustan' plnã, beber, sindhi pianu. Pott, ii, 342. pivati), Miklosich, Ahhandl., viii, 44-45. Da mesma raiz pi vem o
dialectos.
lat. hihere, d' onde port.

— Origem

grego piava, beber; reflexos nos outros

beber.

A íoroasi pielar, à^onàe, piela,

é derivação tsigana

:

húngaro piyel.

peltra, pildra, cama. Git. j^Utra, cama. Mayo. Borrow; o primeiro indica o termo expressamente como de germanía ;

encontrámo-lo já noutras girias (vid. p. 106)

;

ó possivel

que

160
os ciganos o trouxessem para Portugal. Pott, ciona-o.

ii,

371, men-

pirar-se, pôr-se na pireza, pôr-se no piro, fugir. Cig. pirar. Voc. Git. pirar, pirelar, andar. Tsig. grego pirava, ir, tsig. ruraen. pher, ir; etc. Origem indiana: hindus-

ir, viajar; phiranu, girar. Pott, ii, 382. 33. Ascoli, Zig,, Miklosich, Ahhandl,, viii, 40-41. plaustra, capa, capote. Cig. plasta, plata. Git. plasta,

tani:

phirnã,

Tsig. inglez plásta, aliem, hlasda, plochta; tsig. tsig. polaco piasèos, etc. slava : sloveno antigo Origem plaMth, polaco 'phaszczy, etc.

plastami, plata, capa corta, talma.

Pott,

II,

368. Miklosich, Ahhandl.,

viii,

46.

pocachim, clavina, trabuco. Cig. puca, pusca. Voc. Git.
pusJca, pruská, pruskatiHé, pistola, cachorillo.

grego puski; tsig. puska, que a seu turno provém do alie mão Biíchse, ant. alto aliem, huhsã, puhsã. Pott, IT, 365. Miklosich, Ahhandl.,

mm. púska;

etc.

— Origem

Mayo.

Tsig. slava: serbo

vm, 51-52.
punida, palha.

E

por certo

um

alargamento do

cig.

pu.
cig.

Voc.

Git. pus, paja, a

que se liga pusanó, cortigo

Origem inpuso^onj. Tsig. grego pus, bus, Stroh; etc. diana sanskrito busa, busa, palha pali bhusa, hindustani
:

(=

;

388. Miklosich, Abhandl., vm, 43. raso, padre. Não é inteiramente certo se a palavra se liga realmente ao tsigano (vid. argot rase, p. 102). Cp.
bhusl. Pott,
II,

arajay, erajay. Mayo. Borrow. Tsig. sacerdote christão, mestre-escola, tsig. rugrego ra^áy, meno rasáy ; tsig. hung., bohem., aliem, e russo rasay ;
cig.

eragar.

Git.

tsig.

escand. raso, etc.

A

forma do calão

ligar- se-hia as-

sim a formas mais distantes geographicamente que as do O termo tsigano é gitano, caso que todavia não é único.

de origem indiana duvidosa: cp. sanskrito rsi, pali Pott, II, 278-279. Miklosich, Abhandl, vm, 54.
abertura, agujero.

isi.

ratanhi, retanhi, chave falsa, gazua. Git. rotuhi, boca,

Mayo.
ant.

mod.
Pott,

pouGoúvi,
II,

gr.

cwGwv,

Tsig. grego rutuni, nariz. Gr. nariz. Miklosich, iii, 43.

281.

161

rupim,

rico.

Encontra-se

também no

Tsig. grego rup, prata;

tsig.

rum. rap, rupunó,

argot (vid. p. 102). adj. de

bohem. rup, ruplno, adj.; tsig. aliem, rupp, Falta no cigano e no gitano de mim conheThaler. prata,
prata;
cidos.
tsig.

— Origem

indiana:

sanskrito rupa, forma;

rupin,

que tem uma forma, bello; rupya, adj. que tem uma forma, B. oiro ou prata amoedada, rupia pali rupa, hindustani rupã. Pott, ii, 274-275. Miklosich, Ahhandl., viii, 58.
;

rustír,

comer. Argot roustir (pag. 102). Será connexo
riLSj

com

as formas tsig. rum.
riãt'i,

ser

mau;
;

tsig.

hung.

7'usel,

encolerisar-se,

encolerisado
tsig.

tsig.

bohem. ru^av ;

ruWas,

Origem
sich,

escand. roUo, colérico? indiana: sanskrito rus, ruUa. Pott, ii, 279. Mikloelle fez-se

mau;
58.

Abhandl.j

viii,

sarda, faca; sardinha, punhal, faca. Cp. vid. p. 94.
tasca,

glt.

serdahí, e

taberna.

Furb. tasca
:

(vid.

p.

104). Talvez por

intermédio dos ciganos
telo,

git. tasca, tasquera, taberna.

Mayo.
Tsig.

jumento (Albergaria-a- Velha). Cig. guer. Voe. Git.
asno, burro.

gel, grei,

Mayo.

guel, ass.

BORROW.

Origem grego kher, kfer, ftr, burro; tsig. asiático kar. eranica: kurdo ker. Miklosich, Ahhandl., vii, 237. Sobre
a troca de k e
sich,
t,

vid. Ascoli, Zig., index, p. 169. Miklo-

Ahhandl., IX, 186. 189.
prostituta.

tronga,

Git.

tronga,

barragana,

manceba.

Mayo.
sível

A

origem do termo é-me desconhecida, mas é pos-

que viesse pelos ciganos.

Como

se vê

da

lista anterior

alguns dos termos notados

do calão parecem provir, não directamente de formas ciganas ou gitanas, mas de formas tsiganas extrapeninsulares ;
o que pode ser devido a transmissão por tsiganos de outros paises, que teem cruzado ou até se teem estabelecido em
o nosso.

Alguns dos termos dados aqui como de origem tsigana foram já considerados como derivados de outras fontes;

162
assim banza
foi

considerado como de origem africana, com-

quaiito não se provasse essa etymologia. Schwob e Guyesse apresentam a conjectura de

que a

inversão phonetica na germanía (a que se deve juntar a observada no calão) seja devida a influencia gitana. Como

vimos

(p.

58),

encontra-se na índia esse processo;

mas

como

elle é

muito frequente no hispanhol e no português,

não precisamos para o explicar de recorrer á intervenção gitana ou cigana.

III

ESBOÇO HISTÓRICO E ETHNOGRAPHICO
Cancioneiro geral, colligido por Garcia de Resende, começou a imprimir-se em Almeirim em 1515 e acabou de
o ser

O

em Lisboa «Aos

xxviij dias de setêbro

da era de nosso

senhor Jesu Cristo de mil e quynhentos e xvi annos». Uma das peças mais curiosas d'esse famoso livro é a
longa serie de apodos dirigidos ao próprio coUector, a propósito da sua proverbial rotundidade, por AíFonso Valente,

peça que se encontra a p. 641 e segs. do tomo iii da edição de Stuttgart, e a folhas 224 e segs. da primeira edição. O humor cómico de Valente parece inexgotavel os termos
:

de comparação que lhe surgem no espirito lembram a maneira de Rabelais.

Entre outras coisas bastante
na composição mencionada:

difficeis

de entender,

lê-se

Pareçeys hum pouco o frato, preguador da vyda eterna, Grega bêbada, de parto, antre cubas em tauerna.

Assim

se

acha exactamente, e com a

mesma

pontuação,

na edição de Stuttgart, o que prova que o sábio editor

p. o terceiro deste nome. gloria. Por tierraz estraííaz nuz tiene[n] perdidas. * les Jaubert de Passa. De Grécia sumuz hidalgaz por Diuz. ao que parece. foram considerados originários da Grécia. poe na boca de uma das personagens as palavras : Mantenga senhuraz y rozaz y ricaz. Nuestra ventura que fue cuntra nuz. . a qual os meus leitores encontrarão mais abaixo transcripta por completo. pelo menos. Diversas noticias mostram-nos que os tsiganos e em especial os gitanos e ciganos. os dois primeiros d'aquelles versos. xxxiii (Paris. antre cubas em tauerna» aqui não ha. nhecedor dos termos apropriados. com o terceiro.164 Kausler não comprehendeu. cor- O que é perfeitamente intelligivel. os tsiganos de Hispanha e Portugal. Pelo systema das estroplies da sátira de Valente. o primeiro verso deve rimar rige-se pois: Pereceis uni pouco o farto pregador da vida eterna. Essai Jiiaiorique sur les Gitanos in NouvelAnnáles des Voyages. isto é. in. por essa razão que elles são chamados gregos nas Consti- E Gil Vicente. 1827). em a sua cidade tuições da Catalunha *. t. 337. na sua interessante Farça das Ciganas «representada ao muyto alto e poderoso Rey D. Valente compara Garcia de Resende a um d'esses fartos e rotundos ecclesiasticos. correcção de texto de outro lado não é possivel admittir que Valente empregasse ao acaso a palavra grega^ visto que elle se mostra forte nos recursos da lingua. emquanto elles Resta saber o que é aquella «grega bêbada de parto. bom co. d'Evora era do Redemptor 1521». que pregam aos outros que cuidem das suas almas para evitar as penas eternas e ganhar a não se descuidam do corpo. João.

Pêro mienten.165 Os tsiganos em geral diziam-se vindos do Egypto o d'ahi os nomes de gitano *. usado pelos gregos modernos. Hablo con elles en lengua de Egypto. 1587. p. que é uma raridade bibliographica. 143 (Leon de Francia. p. sino de perros y Vn hombre docto. vnos entendian. adonde les llaman Tártaros. començo en Aleraana. o Gentiles : en Itália Cianos. espécie de pequena encyclopedia ou cartilha. conjunctamente com T^íyyccvci. Mello: hispanhol empregou. de Gipsies. mostrassen la carta dei rey. ladrones. ano 1540. otros no: ansi. ano 1517.. no lo entendian. Fingem que salieron de Egypto : menor. que lhes dão os inglezes. como as que alguns dos eruditos mais distinctos de então não desdenhavam de escrever (lem- bremo-nos da Cartilha do nosso João de Barros). Habloles en Griego vulgar. ó aspid Gitano. mas é dissessem de origem grega. y que tienen su perigrinacion por penitecia y para prouar esto muestrã cartas dei rey de Polónia. encontra-se a seguinte passagem. em que : se vê que havia fun- damento para chamar gregos aos ciganos: «Que son Gitanos ? Responde Esta ruyn gête. que pues todos no entienden. y vio con ella ser ya acabado el tiempo de su penitencia. intitulado El Estudioso Cortesano de Lorencio Palmireno^. que têem na Hispanha. como hablan hoy en la Morea y Arcipelago. tomo ii. que la lengua que traen es fingida.se giiano no sentido geral de egypcio. ameneçó a tu vida? Ohras métricas. de FúípTOi (AtyÚTTTtot). en casa de Juan Ihiguez de Lequerica. Não é a primeira. que como auia mucho tiempo que eran salidos de alia. possível que alguns bandos se século curioso do Num livro muito xvi. Desde mi halago. na seguinte passagem do nosso Francisco Manuel de Que cerastes aleue. ex. 16t>5). 2 A feita Ano um exemplar da edição Alcalá de Henares. dezian. y de la- 1 Em como. co muitos halagos recabo dellos. porque su vida no es de penitencia. senales. Bibliotheca Nacional de Lisboa tem En .

. 232. Gli Zingari. sert aux Bohémiens à satisfaire leur goúi prononcé pour Tivro- gnerie hommes. i. Un Y Para chupar El estudioso cortesano. professor de grego na Universidade de Saragossa. foi repetida est-a minha interpretação sem indicação de fonte. e as suas palavras merecem todo o credito.» Vid. foi.166 drones para encobrir sus hurtos. Num artigo Origem dos ciganos. 2 Esta interpretação da passagem de Aífonso Valente foi publicada por mim no jornal A Borboleta (Braga. 35-36. : Uma quadra hispanhola diz: gitano se murió dejó en el testamento Que le enterrasen en vina los sarmientos^. publicado in Positivismo. respeitável e eruditíssimo humanista. enfants. Le pays Basque. Paul Bataillard. a mesma denominação de gregos. femmes. p. excepto a invenção absurda de que elles 3 ^ descendem dos Hyksos. Miguel Leitão d'Andrada escrevia a respeito dos ciganos: sendo Gregos que se vieram fugindo dos Turcos se fazem jEJgipcios ou Gitanos. vii. ils en trouvent les moyens dans le gain 3» qu'ils font à tondre les mulets. a palavra grega dos versos de Valente o mesmo que cigana? Sabendo que os tsiganos teem fama de se darem á embriaguez não restará muita duvida de que essa interpretação seja exacta^. p. o trecho inteiro d'esse auctor no fim dos Documentos do presente estudo. (Porto. typographia Lusitana) 1 '< de 1877. pois. entre outros. 139. No século xvir. dada aos tsiganos. s'y livrent publiquement en toute occasion . diz. Vid. Francisque Michel. todavia o que se diz mais abaixo com referencia aos ciganos de Portugal. como la girigonça de los ciegos*». Apud Colocci. Suppoz-se com razão que foi Palmireno um o hombre docto de que falia fosse elle próprio. etc. Aproveito a occasião para dizer que o auctor d'esse artigo nada dá de novo para a questão dos tsiganos. Segundo uma communicação particular de M. cap. 1879) 269-278. Significará. aL'argent. encontra-se em documentos hoUandezes.

temos na passagem de Affonso Valente o mais antigo testemunho português. O El preeiuza rozica-. Ascoli. veiz aqui la cruz. Luc. Tantico de pan. de mim esse segue-se o de conhecido. Antucha dei cielo. com esquecimento do nosso escriptor. como o primeiro que fez emprego artístico de typos d'esse povo errante *. como já se quiz ver. mi cielo estrellado '. senuruz pudruzuz. Dadnuz limuzna pur la amur de Diuz. dadme un tocado. Giralda. de Hamburgo: rozua. senur graciuzo. Nieve de eira. acerca dos ciganos. traçado com evidente fidelidade. ciganas. firmai preciuzo. de 1586 rozica. cielo vuz cumpla luz descuz vuestruz. Ca8. Mantenga. 2 3 Na Mi ed. de Gigio Arthemio Giancarli Rhodigino. fidalguz senurez hermuzuz. que é geralmente conhecido. senura. Faliam Entram quatro um hispanhol modificado na pronuncia. O ruza nacida en ribera dei Nilo. Zigeunerisches^ * pag. Lucrécia. Senura. Dadnuz limuzna. Cassandra. Dadme una saya. na ed. 122. sin cera y pavilo. seuura. abstraindo alli da invenção cómica que introduz aqui e no quadro alguns desenvolvimentos. Mart. Lirio de Grécia. La cingana.167 Se a minha conjectura é exacta. . La Virgen Maria uz haga dichuzuz. que manifestam logo o caracter importunamente pedinchão das mulheres e creanças da sua raça. GiR. A Farça dos ciganos é um documento precioso. Christianuz sumuz. Gil Vicente na farça alludida. Martina. A Cerca de nilla de um século havia de passar até apparecer a Jita- Cervantes (1612). azucal colado. La Virgen te traya buen sino j buen hado. que é o primeiro monumento da litteratura propriamente dita em que figuram tsiganos. A Itália oíferece já no século xvi uma comedia. cielo estrellado é um cumprimento á pessoa a quem se dirige a cigana e nâo um apposto de Grécia. Dadme una Luc. Mart.Vid. haré la mezura. Cas. camiza.

tengo dos especialez Caballoz. algum dinheiro. Llamemuz á Cláudio antes que nuz vamuz. Senurez. hermanaz. los piez trazeroz Mi Porque es calzado nel rabo.108 Preparam-se para dizer a buena dicha: Luc. Puez que quereiz. alem de animaes. Mas antes loz trocaré. Trocará un rocin mio. seuurez. Mar. Andad A Cas. . Cual de vuz otroz. cocea ai cabalgar. buenoz que talez. . Y AuR. y estas senuraz de gran vamuz os quatro ciganos. que hagamoz Cantemos la fiesta antez que noz vamoz ? A buscar luz sinuz á estas senuraz. Auricio y haremuz fiesta. Moriscoz prietos garri doz Que dos . mi volveiz mil Car. o senurez caballeroz. Auricio e tractam de fazer trocas de cavalgaduras. Rocin que hubo de un judio. hermuzura Diremuz el siuo. Liberto. Ahora en páscoa de florez? Y AuR. Zambro de Tiene el . por cualquier otro. Claud. Cláudio. yo trocaré un potro Que Si tengo. realez. rocin tuerto os alabo. burricos compre. Ya Cla. Mar. querendo Vêem receber. pecho muy hidalgo. : acá. Senurez. Cla. Martina. No nuz curemuz desaz faranduraz. quereiz trocar Mi burra vieja á un galgo? As ciganas cantam e dançam. loz hubiera vendidoz. Carmelio. Carmelio. la buena ventura. Daran sus mercedes para que comamuz. Como hecimuz ayer por la siesta Vé á llamarluz y nuz esperamuz.

don asno. "Que voz traen casamiento "Y os daban en axuar «Una manta y un paramiento. de 1856 Dmz. Que muztra una mueztra y vende otro pano. que pozaiz mudar La voluntad de hombre cualquiera. Grécia sumuz hidalgaz por Diuz ^ Nuestra ventura que fue cuntra nuz. Mart. senuraz hermuzaz. ruza mia. Otro hechizo. la vida mia qu'ez vuestro servizo. de Hamburgo Duz. Que Diuz vuz defienda dei amur de engano. Los pensamientoz de cuantoz miraiz. como noutros logares. Y vuz lo mudeiz á vuestro mandar. Que dicen. Dadnuz esmula. Hechizos sabreiz para que sepaiz Por Luc. (<Y dijéronme. quereiz aprender á hechizo.» Cantando e e bailando ao som desta cantiga vâo ás damas pedem de novo Mart. Y pone en peligro laz almaz y vidaz. Con que pudaiz. para vueztro avizo. Que sepais hacer para muchaz cosaz ? Ezcuchad aquello. .169 Cantiga «'Eu la cosina estaba el asno " Bailando. «Hilando. na ed. Si vuz. holgades con izo. De Mantenga senuraz y rozas y ricaz. Por tierraz estranaz nuz tiene[n] perdidaz. Cual es el senuraz. Por firme que este con fé verdadera. saber Y Na el marido que habeiz de tener dia y la hora que habeiz de cazar. feitiços : Senuraz. Propõem-se a ensinar Luc. esmeraldaz polidaz. GiH. que encubren. Otro hechizo os puedo yo dar GiR. i ed. esmola.

170

Dizem

a buena dicha ás damas
Cas.

:

Mustra

la

mano, senura.
receio.

Non hayas ningun

Bendígate Diuz dei cielo, Tu tienez buena ventura, Muy buena ventura tienez,

Muchuz bienez, muchuz bienez, Un hombre te quiere mueho.
Otroz te hablan de amurez
;

Tu, senura, no te curez De dar á muchuz escuto.

Mar.
Cas.

Dadnuz Dadnuz

algo, preciuza,

algo, preciuza.

Luc.

Puez que te digo tu sino, Alguna poquita cuza. Muztra la mano, ruciua,
Lirio de hermozura,

Dirte he la buena ventura.

Mustra ca, senura mia, Ora mustra acina aciíla.

Qué mano, qué Qué dama, que
Por mi

sino,

que flurez

!

ruza, que perla vida que por veria

!

Olvide loz miz amurez,

Yeamuz que

dice el sino,

El recado que te vino

No

lo creas,

alma mia,

Que otra mas alegria Te viene ya per camino. Durmiendo tu, fresca ruza, Te viene el bien por la mar.

Luego

tienez el mirar

De
GiR.

doncella

muy

dichuza.

Diuz te guarde hermozura Mustra la mano seiíura Porné ciento contra treinta
;

Que de Tienez

los piez á la cinta

la

buena ventura.

Tu haz de ser despozada En Alcazar de Zal
:

Con hombre bien principal

Te vernás

bien empleada.

171
Mar.

Dame

acá, dulce serena,

Esa mano cristalina. Buena dicha, perla fina, Tienez la ventura buena

;

Tu

has de ser alcaideza

Tu marido y
Cas.

Cierto tiernpo en Montemor; tu amor

Será bien celoza pieza.

Nueva

ruza,

nueva

estrella,

O brancaz manoz de Izeu, Tu cazarás em Viseu

Y
Y

ternáz liornoz de tella.
edificar

AUi haz de

Un muy

rico palomar,

doz parez de molinoz,

Luc.

Porque todoz loz caminoz A la puente van á dar. Diuz te guarde linda flor, Bendito sea el seiíor Que tal hermosura cria. Mueztra la mano, alma mia,

Por vida dei

servidor.

Fiosanda cazaraz Aqueste ano que vem

En

Santiago de Cacem Mucho rica, muclio bem, Buena ventura hallaráz, Buena dicha, buena estrena, Buena suerte, mucho buena, Muchas carretas, seilura, Y mucha buena ventura,
Placiendo á la Madalena

Que guarde
GiR.

tu hermozura. Muestra la mano, mi vida, Aguela en tierraz desiertaz

;

Dos personaz

traez muertaz,

Tu

Porque erez desgradecida. casarás en Alvito. Seíiura, marido rico,

Muchuz hijos, muchos bienez, Mucho luenga vida tienez, Buen sino, bueno, bendito.
Mar.

Mis ojos d'azor mudado,

172
Muestrame
la

mano, hermana

:

O mi

senura SanfAnna,
I
!

Qué sino, qué suerte, qué hado Qué ventura tan dichuza
Tu, senura graciuza,

Teruáz tierras y ganadoz, Cuatro hijos mucho honrados,

Mucho
Cas.

oro y mucha coza. mi ave fénix linda, Mi sibila, mi senura,

o

Dame

acá la mano ahura. Hermozura de Esmerinda Tu tienez muchos cuidados,

Y

algunos desviados
tu provecho,

De

alma mia.

Tienez alta fantasia, E los mundos son mundados.

Un

travesero que tienez,

Luc.

De dentro dei hallaráz Un espejo en que veraz Muy claroz todoz tuz bienez. Dad acá, garza real,
Gridonia natural,

Diré la buena ventura.

Viva

tu gran hermozura.

Que esta mano ez divinal Unaz personaz te ayudan

A una coza que quierez Estas son dambas mugerez Y otraz dos te desayudan.
;

Date un poquito á vagar, Que aun está por comenzar Lo bueno de tu ventura Confia en tu hermuzura Que ella te ha de descanzar.
:

GriR.

Dad
Por

acá, Mayo florido, Eza mano, Melibeai.

bien, senura, te sea

um

Na ed. de Hamburgo Eza mano melihea, como se melibea fosse adjectivo; é evidente que Melibea é um nome próprio, empregado aqui como epitheto, e reminiscência da Tragicomedia de Calisto
*
:

y Meliboea ou

Celestina.

173
Buen marido,
bueii marido.

Na Laadera
Nunca

cazaráz,

te arrepentiráz,

Y iraz morar á Y dentro on tu
Un gran

Pombal,

naranjal. tesoro hallaráz.

El que ha de ser tu marido

Anda ahora trasquilado. Mucho honrado, mucho honrado, En muy buen sino nacido.
Naciste en bucna ventura.

Mar.

Huerta de

la hermozura, Cirne de la mar salada,

Diuz
Cas.

te

tenga bien guardada
segura.

Y muy
.

Senuraz, con beuedicion

Oz quedad, puez no dais nada.
Luc.

No
Dar

vi gente tan

honrada

tan poço galardon.

Tornárão-se a ordenar em sua dança, e com ella se forão*.

Nas peças de Gil Vicente faliam castelhano personagens muito diversas todavia aqui não pode deixar de admittir;

que essa lingua, com as suas deformações em verdade não generalisadas, é uma particularidade interessante do
se

quadro. Os ciganos teriam vindo de Hispanha em tempos recentes lá ainda não tinham aprendido a pronunciar bem a
;

lingua do país e não teriam chegado a fallar a portuguesa.

A Bibliotheca Nacional de Lisboa não tem a primeira edição das obras de Gil Vicente, a qual num exemplar da Bibliotheca de Goettingen serviu de base íl edição de Hamburgo, de que por isso me servi, confrontando -a com a segunda edição (Lisboa, 1586).
1

A

orthographia em extremo caprichosa d'esta e o não poder determinar até que ponto essa orthographia reproduz a da primeira edição, levou-me a reproduzir com pequenas modificações a lição de Hamburgo. E muito pouco provável que Gil Vicente tentasse representar fielmente a pronuncia cigana. Na edição de 1586 o s hispanhol, não final de syllaba, acha-se representado muitas vezes por c (e, ^) ou ç.

174

De

facto as noticias históricas até hoje conhecidas estão

de accordo com esta interpretação. Um dos melhores conhecedores da litteratura relativa
aos tsiganos, Paul Bataillard, citou um documento que se julga ser o mais antigo com respeito aos tsiganos na His-

panha, e no qual se refere a chegada a Barcelona, a 11 de junho de 1847, de uma «multitud de Egypcios», que
d'alli

se espalharam,
*.

segundo a mesma

fonte, pelo reino

vizinho

Foi muito provavelmente no Alemtejo que Gil Vicente
a farça transcripta foi representada estudou os ciganos em Évora, como vimos. Tendo penetrado em Portugal, sem
;

duvida, pela fronteira da Extremadura hispanhola, os

ci-

ganos achavam a província do Alemtejo excellentemente

adaptada ao seu modo de vida, para centro de irradiação de suas excursões. Os grandes espaços despovoados d'essa
provincia, os seus matagaes, protegiam-nos contra as perseguições de que em breve se tornaram objecto.
cortes de 1525 ou 1535 ou nas duas (os documentos não nos permittem resolver ao certo este ponto) pediramse ao rei providencias contra os ciganos, o
lei

Nas

de 1538, precedida do alvará de 1526

2.

que motivou a Por essas disentre ciganos

posições legislativas
e

vemos

feita distincção

pessoas que viviam á maneira dos ciganos, algumas das quaes eram naturaes do reino; por certo vagabundos estranhos áquella raça e não representantes de uma velha
histórico
país, porque não ha nenhum dado ou supposição bem fundada que nos auctorise

camada tsigana do nosso

1

P. Bataillard,

De Vapparition et de

la dispersion dts

BoMmiens

en

Europe in Bihliotheque de VÉcole des Charles, 1844, p. 529. Idem, Les Gitanos d^Espagne et les Ciganos de Portugal in Compte-rendu de la 9^ Session da Congres iniernational d^anthropologie et d^archéo501. Já anteriorlogie préhistoriqucs en 1880. (Lisbonne, 1884), p. mente Henry se servira d' esse documento in Mém. de la Soe. des antiquaires de France t. x (1834), apud G. Lagneau, num artigo abaixo
citado
(p.

184, nota 1).
n.*»*

2Vid. Documentos

1 e 2.

175
a pensar que a primeira vinda de ciganos para Portugal
fosse anterior de muitos annos ao fim do século xv.

Em

tivos por

Gil Vicente e nos mais antigos documentos legislamim reunidos em appendix a esta parte, acha-se

fixado o nome de ciganos, facto curioso, pois em Hispanha gítanos é o nome preferido. Nem um nem outro ó nome nacional dos ciganos, que entre nós se chamam cales (sing.
calój fem. callí
,'

vid.

Voc),

talvez rons ou roíies (vid. ron

Voe,

e romi).

forma portuguesa cigano correspondem as seguintes estranjeiras i-umeno cigan; bohemio (tcheque) cigán, cin:

A

gán, cikán;

magyar

cigany, búlgaro acigannh, aciganim,

ciganhf grego médio àTGiyy.oívoç, T^íyyavoç; em documentos latinos da Grécia acíngayms ; italiano zingano, zíngaro,

allemão

hispanhol occorrem raramente as formas cíngalo, zíngaro, por imitação directa do italiano. Como a forma portuguesa se approxima particularmente
zigeuner.

No

das formas da Europa oriental e central, é um problema por que caminho ella cá chegou. O mais natural era que

imitássemos ou os hispanhoes ou os italianos. As denominações de gitano * e de egypcio ^ foram sempre entre nós puramente eruditas.

Nenhum documento

legislativo attribue aos ciganos

de

Portugal industrias de metaes, ou outra qualquer licita, excepto a de contratadores e tratadores de cavalgaduras.

Se os bandos que se estabeleceram em o nosso país conheciam a industria de caldeireiro, cedo a perderam. Miguel Leitão d'Andrada exprime a respeito d'elles o desejo:
«

que não fossem

ferreiros,

que

só vsão a fim

de fazer ga-

zuas e instrumentos de roubar^».

Empregada, por exemplo, no Doe. ii." 16. Outros traslados do doe. teem sempre ciganos. 2 Usada por exemplo nas Constituições synodaes do Arcebispado de Braga de 1639, xlix, 1: «E declaramos que os que pedem aos

1

mesmo

Egypcios lhes digam sua boa, ou má fortuna, peccão gravemente». 3 Vid. o extracto da Miscellanea d'e8se auctor no fim do Appendix I.

de modo muito geral. que todavia teriam condes *. que fica escomugado. e muitas vezes andão tem para si. 2 Doe. Do alvará de 1579 se deprehende que elles procuravam viver juntos em certos bairros e tinham vestuário particular. n. n. porque he como hum centro daquellas Províncias de Ásia. aonde concorre de todas as nações. e da alma. c5 a conversação que hus c5 outros tem nestas suas peregrinações. A provisão de 1573 mencionava como crimes dos ciganos «muitos furtos e outros insultos e delitos. A julgar por uma passagem falia de João elles de Barros. e os que passao pedraria furtada aos direitos dos portos. n. 3 Doe. Nas cortes de 1525 ou 1535 accusaram-nos de «muytos furtos que fazem e feytiçarias que fingem saberá». Lavanha. os quaes posto que sejão de differentes linguas. 4 Doe. lei A de 1592 prohibe-os de andaram vagabundos e de viverem em ranchos ou quadrilhas *. de que o povo recebe grande oppressão. todos se Não entrao nas cidades. que lhes corpo. mas ao modo dos Cyganos que andão nesta parte de Europa. n. e avisos. e alli lhe traz a gente do povo sua esmola. 6 Doe. perda e trabalho^».« 6. E posto que estas cousas. ã Doe. A em hua copanhia mais de dous mil. No alvará de 1606 esses crimes são «roubos e damnos que fazem aos vassalos com geral escândalo^». fizer mal. Nos tepos das guerras elles são os que de Reino à Reino levão todas as cartas. ne os tocão.« 2. . e outras peores se saibão delles. pousa fora do povoado. n.° 6. 1615. diz o nosso historiador: «como homes santos nâo sâo buscados. ed.» 7. Pouco nos dizem as disposições legislativas dos séculos XVI a xviil sobre a vida dos ciganos. 5. entêdem.17G Da bém organisação social dos ciganos nada nos dizem tam- esses documentos. e perdido do parte onde se acha mais numero destes he no Reino de Delij. 5. E quando assi anda grande numero delles elegem hum à que obedecem à maneira que os Cyganos fazem à seu Conde.» Década iv. que he hum dos votos de sua regra." 12. 1 A propósito dos costumes dos calandares da índia. a que se allude também noutros documentos posteriores^.

á buena dicha. a buena dicha. fita Este jogo permittia fraudes e deu logar por isso á phrase cair na corriola^ . As feitiçarias. o jogo de corriola faz-se enrolando uma larga dobrada e mettendo nas suas voltas um ponteiro.» 21. Esse processo^ não tem outro interesse alem do que resulta de nos mostrar em acção a pequena feitiçaria das ciganas para burlar um pobre homem. á lingua (geregonça). ou não se avizinhassem nos logares. que. Garcia de Mira. e aos jogos de corriola. n. Nelle se faz referencia ao vestuário.177 O alvará de 24 de outubro de 1647 ó o documento le- gislativo que contém mais particularidades que nos inte- ressam*. ás trocas de cavalgaduras. a lei de 1538 ordena a expulsão. Nas minhas investigações não consegui todavia encontrar mais que um processo inquisitorial em que seja ré mulher d'essa raça e nenhum em que seja reu um uma calo. a irreli- giosidade dos ciganos. deveriam apparentemente ser motivos para que a Inquisição não lhes poupasse perseguições. depois de terem sido com baraço e pregão. aos hábitos de mendicidade. para desapparecer de novo. até 1694. as leis de 1557 e 1573 accrescentam as penas com galés. fez entre outras coisas. 12 2 . que. a vae denunciar. Nas leis posteriores desapparece. receoso. Doe. O alvará de 1526 ordena simplesmente que saiam do reino . a cigana processada pela Inquisição em 1582. Segundo Moraes e Silva. apparecer a figura de um defunto num papel posto em agua. deve ficar preso ao desenvolver a fita. a pena de morte. que significa «cair num logro. n. a cartomancia. reino dentro de quatro meses. para se ganhar. porém. Segundo a sua 1 Doe. enifim a lei de 1592 mandou applicar a pena capital aos que não saíssem do açoutados. deixar-se enganar» As penas comminadas aos ciganos vão num crescendo desde o primeiro documento legislativo conhecido até 1592." 16.

saidas ou não da boca de um verdadeiro ex-quisidor. cujo segredo não quiz revelar. talvez de invenção do auctor. com que brunira o papel. Os inquisidores. Borrow diz não ter encontrado nenhum exemplo de inter- ferência da Inquisição de Hispanha com os gitanos e busca explicar esse facto. 2 Borrow. cigana todavia burlou sem duvida A o santo tribunal. a p. O y lera para gente muito diíFerente santo officio i-eservou sempre a sua cóos Gitanos foram sem: pre gente haráta desjpreciahley>'^. cujos costumes causavam por certo horror aos bons cathoHcos peninsulares. se de facto as testemunhas viram o que disseram. uma con- versação com um velho personagem que fora inquisidor. era matéria de perfeita indifferença para o santo officio. Leitão d'Andrada. cit.178 confissão servira-se para isso de pedra liuiue. . 92. restituir o dinheiro que recebera e pagar as custas do processo. p. que não podiam ver nelles se não atheus. porque como nenhum perigo podia derivar dos gitanos. Esse processo é por ventura o primeiro no género que se faz conhecer das Inquisições de Portugal e Hispanha. encantadores e adivinhos*. quer para o estado. que lhe dá as se- guintes razões da tolerância inquisitória! para com os gitanos. me parecem corresponderá realidade dos factos: «A In- quisição olhou sempre para elles com muito desprezo para que se desse ao mais leve trabalho por sua causa. no fim do Appendix I. O auctor inglez communica ecclesiastico. Sancho de Moncada. contentaram-se com reprehender a mulher. 163-164. quer para a igreja romana. 1631). Discurso contra los gitavos (Madrid. Discurso dei Dr. com uma gente. Quiiiones. á primeira vista singular. apud Borrow. se elles viviam sem religião ou não. Borrow accrescenta por 1 Vid. vivendo em peccaminosa concubinagem. que. i. ex. 158-160 e o extracto da Miscdlanea de M. Garcia de Mira serviu-se de algum^ tinta sympathica. I. não achando no caso a unha de Satanaz e interessando-os pouco os segredos da fazer-lhe chimica cigana.

n. » n. . iriam á missa e á confissão. eram naquella epocha muito poucos os ciganos que havia no Alemtejo e esses A não andavam em vida errante.** 8 e 9. 11. O . a lei de 1592 falla-nos de ciganos avizinhados"^. em que o príncipe das trevas não tinha a min ima intervenção. e a carta de André de cartas de vizinhança. que. os sectários professos. ^Doc. O documento mais a^itigo cigano com nome portuguez em que figura um de Torres) é a provisão (João conhecido de D. graças ás condições particulares da província. contril^iiam. n. também os does.179 sua própria conta que a religião foi apenas mascara com que SC cobriam os verdadeiros motivos das perseguições religiosas." Doe. Albuquerque de 1655^. não posso todavia deixar de reconhecer que outros existiam muitas vezes. n. motivos que eram a cubica e a avareza. julgar por esse ultimo documento. Já no século xvi alguns ciganos tinham passado ao que parece á vida sedentária. taes são a provisão de 1573^. como Garcia de Mira. Vid. Não irei tão longe sem negar esses motivos. em quadrilhas. os feiticeiros e feiticeiras com a que confesinte- savam ter feito pacto com o diabo eram muito mais ressantes para os inquisidores. baptisariam os filhos." 11. para que o famoso tribunal ecclesiastico não cuidasse d'elles.<* 7.« 6.° õ. que as suas feitiçarias eram apenas embustes. Doe. O alvará de 1606'prohibe que se lhes passem como faziam os corregedores de Lisboa^. Sebastião de 1574*. caracter accommodativo dos ciganos. Ou iDoc. Os atheus. se casariam catholicamente. mas é de crer que muitos escapassem ainda ás investigações policiaes. Outros documentos mencionam provisões que eram dadas a alguns para andarem ou estarem nestes reinos. em caso de ne- cessidade. 20. 2 n. 3Doc. e confessariam. miséria d'essa gente.

O cigano outlaw subsiste ainda subsiste ainda o seu modo de encarar o esracional e vivio da .d'essa raça se acharam alistados revelam-nos no exercito português. pedindo soldos atrasados. sem soldo». riquezas. no tempo de D. 1 Doe. por uma politica mais humana que a dos nossos antepassados. A carta do original e enérgico procurador da còrôa. classes e fidalguias de sangue. de 1646*.« 18. . Thomé Pinheiro da Veiga.lòO esses ou novos bandos vindos de logar á publicação de outras leis. João IV. com muitas Esse facto basta para resgatar a raça cigana do opprobio de mais de quatro séculos e para nos fazer pensar em chamar os seus actuaes descendentes. não poucos. Nem tudo nos documentos que reuni coUoca os ciganos a uma luz desfavorável. 2 n. até deixar a vida». n. desde a restauração do reino. a vencer soldos e condições. para Mais de 250 homens.*» 15. castas. como a Ormuz. devidos ou não devidos. livre de preoccupaçoes de raças. Os tempos novos trouxeram uma grande tolerância sem duvida mas essa não basta. á vista dos que exforçadamente morreram ou pelejaram» e ao dos que vão ás fronteiras. aproveita o caso daquelle pobre cigano que serviu a sua pátria adoptiva «três annos con- tinuos com suas arinas e cavallo á sua custa. para o antepor ao d'aquelles. Doe. . Malaca e Sofala. servindo nas fronteiras «com zelo e valor com que já forão muitos apremeados». tiveram a efficacia que pretendiam. que d'esse mesmo campo «infamemente fugiram. Thomé Pinheiro da Veiga. sem servir á sua custa. combateu «valerosamente no campo. e o alvará d' esse rei de 1649^ um facto esquecido^ embora do maior interesse a historia ^ caracteristica dos ciganos. porque elles reappa- Hispanha davam depois que evidentemente não recem sempre de novo onde se julgava tê-los extinguido. com a superioridade do seu espirito. ao concivilisação.

recorrendo ao auxilio de um ma-me que elles não se deixariam medir e obteve elle um d' esses proprietários d'elles a quem protecção que estado ser-me-ha impossivel proceder ás investigações que tenho em vista. em consequência do caracter desconfiado e supersticioso d'essa gente. que primeiro me indicara essa estatura como mais que regular. um punhado de individuos que dinam á organisação social do país em que vivem. modificou a sua observação numa feira de Villa Viçosa. e classificou a maioria d'elles como de estatura regular. Mas sem os ciganos são gratos pela um subsidio do que respeita ao typo physico. A boa politica não pode deixar existir. É preciso que elle vença o espaço das que o separa da sua concepção primitiva das relações ethnica gentes para desapparecer com a sua individualidade em o nosso meio. de Vasconcellos acha-os muito altos. já pelos meus collaboradores. como tenho verificado nos exemplares que por acaso tenho encontrado. com os dados obtidos pela simples vista. A estatura dos ciganos é varia. onde viu gi-ande numero de até ciganos. L. O estudo anthropologico e ethnographico dos ciganos offerece grandes difficuldades. já por mim. Typo physico. alguns agigantados. Pires. a titulo de curiosidade etimológica para o estudo dos esnão se suborpecialistas. mas que de nenhum modo são absolutamente refractários ao progresso e teem dotes naturaes que os podem tomar proveitosos.181 tranbo como uma presa. e no que respeita aos caracteres psychicos e aos costumes principalmente com as observações que me ministraram. Pires affirfoi por via de um. Pelo momento tenho que me contentar no recebem. obe- decendo a hábitos tradicionaes. de cabello indirecta que pouco Todavia se eu pudesse viajar algum tempo no Alemtejo alguma coisa conseguiria. Mas o que entende elle por estatura regular? .

vemos que foram inspeccionados no primeiro d'aquelles annos.54 ou mais. 2:902 de 1". nr. P. Bom fora que o serviço da inspecção organisasse tabeliãs contendo o numero dos inspeccionados repartidos pelas cifras de estatura. 63:G74 mancebos.50. Abtheil.° 10.Õ4 de altura para o exercito ou l^jõO para a armada» mas trata-se aqui de um minimo. e que vem a ser l'". dos quaes 1:436 tinham menos de l'". pois alguns attingem l'". 1890. no continente e ilhas. não de uma media.54 ou mais no segundo d'aquelles annos foram inspeccionados 45:535. Hovelacque et Hervé. Pelos Mappas do serviço do recrutamento de 1888 e 1889. Yid. Conclue-se.59-60. que. c): de que provêem essas differenças de estimativa? Dos observados ou dos observadores? As condições de vida podem influir para a differenciação das estaturas. Topinard. de centímetro em centímetro. 463. I. Das Volk. p. Cora in Das Ausland. facilmente a difficuldade de interpretar as noticias dos auctores. vid.53 e 41:867 5 1"'. de estatura media. Segundo o art. Estes dados são insufficientes para resolver a nossa questão. Éléments cVanfhropologie g^nérale (Paris. 69. Uma mudança de regimen alimentar basta para produzir num curto espaço de tempo o abaixamento do nivel da estatura geral de um grupo ethnico sujeito a essa mudança. A miséria tem acção depressiva sobre a estatura. .6õ*. são isentos do serviço militar «os que tiverem menos de 1"'. etc. n. dos quaes 2:259 tinham d. Qual é essa estatura no povo português? Faltam-nos dados de investigação para poder responder á essa interrogação. sem medições exactas. n.182 A experiência tem-me mostrado que o que entre nós se chama' estatura regular se approxima ou coincide (sobre" tudo de cima para baixo) com o que os anthropologos admittem como a estatura media. os exemplos notáveis dados por Kõstlin in Das Kônigreich Wurttemherg.** de lei do recrutamento de 12 de setembro de 1887.õO de altura. A.50 a l^jõS e 59:336 l'". nos faliam de homens altos.e altura menos de l'».74. i890. 31) consideram os tsiganos como pertencendo aos povos de estatura elevada. . p. pois. Precis d'anthropologie (apud G. Como é que se estabelece o typo mental da estatura media ou estatura regular dos observadores á simples vista? Pa- * rece que esse typo deve variar segundo os paises e depender da estatura mais frequente de cada povo. Zweiter Band." 21 e 1891. publicados no 5 Appendice ao Diário do Governo. outros observadores attribuem-lhes estatura media (Cora 1. 1885). 2413 de 1"S50 a l'".

muito vivos. comquanto de apparencia robusta. de dorso ora agudo. A áspera. quasi negra noutros. Pires na resposta a esse i)onto do questionário . farto. mais baixas. negra como o cabello e as sobrancelhas. enquadrado nos homens por uma barba cerrada ou em patilhas. ora um pouco achatado. nem da franca braimpressão chycephalia. pouco rasgada. a magreza é maior. boca.183 Km geral o cigano não ó inferior a essa estatura e excede-a muitas vezes. Apesar do cabello. de . não se apresenta essa cabeça em geral como grande. já ser pelle a cor natural. o que não destoa da observação dos anthropo- dá (a julgar por inspecções rápidas e logos que põem o cranco tsigano nos limites da mesati- cephalia e da sub-dolichocephalia. na mocidade. alter- nativamente melancholico e alegre dos olhos das mulheres de outros ramos do povo tsigano. perfeitamente semelhante ao dos canarins e que elle usa bastante comprido. . não ondulado. Os pés e as mãos são pequenos segundo alguns observadores. Excepcionalmente apparecem ciganos mais claros. já pelo é eíFeito do ardor do sol. O nariz é aquilino ou recto. caindo direito. antes produz a impressão contraria. ágeis. mas é comprido. A A por tez c trigueiro-pallida nuns. Os olhos são muito negros. O rosto nalguns exemplares um tanto agudo. que são bem accentuadas o mento em geral arredondado. A cabeça é geralmente caracteristica nas principaes par- ticularidades. a cintura delgada. deixa ver duas fileiras de dentes bem conformados e dispostos. se se prefere uma comparação já usada. os movimentos ainda mais ágeis que os dos homens. nas ciganas justificam ás vezes o que se diz do tom mysterioso. A forma da cabeça não pouco numerosas) a da franca dolichocephalia. não muito saliente. de grande brancura. Cobre-a um cabello. E magro. como as pennas do corvo. quando novo de movimentos fáceis. Nas mulheres. ne- gro como azeviche oii. isto c. maçãs geralmente um tanto salientes.

(Paris. L. P. 1879). Topinard. como L. caldeireiros. o typo dos gitanos é o typo de uns ciganos húngaros. era mais fino que o dos ciganos e gitanos^. Segundo Pires. uma ou outra até digna de ser chamada bella^. em maio de 1883. pp.» 3 : algumas. Deehambre. João em Évora em 1888 que são feissimas. . aux traits plus ramassés. perto de Borba. pp. as minhas observações pessoaes *. Sobre o typo physico dos tsiganos. etc. mas a immundicie e os farrapos que as cobriam contribuíam sem duvida para augmentar em 1887. D'ahi em parte a causa da má impressão de outros observadores. 15-22 . L c. v. VanthroAnthropologie (Paris. e os auctores por esses citados. sem tecto. vid.184 que lhe dirigi escreve — grandes. comquanto talvez em menor grau. art. Lagneau. a perda precoce do viço da mocidade. G. lamacenta. au regard moins per. de apparencia juvenil ou decrépita. E certo que a perda do viço não ó acompanhada de perda de forças. dizem-me terem visto algumas (nas Caldas da Rainha. au nez plus aquilin Tautre grossier. curta duração : A belleza da cigana é porém de pouco depois dos vinte annos deáappareceIhe o viço da mocidade. deitam-se e dormem na terra muitas vezes húmida. aux traits plus concentres. 1 — ccUes de A. resistem a grandes marchas. O cigano representa talvez esse segundo typo. entre os quaes algumas damas. 1877). o que concorda em parte mesmo dos ciga- com nos. no Algarve. 2 Hovelacque distinguiu dois typos tsiganos «l'un fin. t. de Vasconcellos- Nos homens também se dá. Na resposta ao questionário que lhe dirigi escreve Pires a respeito das ciganas Ha verdadeiras bellezas.) bonitas. 5« serie. plus ovale. de Vasconcellos diz O com referencia ás mulheres ci- ganas que viu no Cadaval ás que viu na feira de S. au visage plus allongé. Cora. 471-2-. Todavia Pires diz-me que os ciganos gozam da reputação de longevos. France sciences médides in Dictionnaire Race encydopédique tsigane pologie. G.e essa impressão. Extremamente formosas çant. vistos pelo mesmo observador. Ciganos e ciganas. Mas outros observadores. As que eu tenho visto eram feias.

com dois pulos fez cair de um telhado uma navalha que lá tinham posto. Diversos auctores faliam da nenhuma repugnância dos tsiganos por animaes mortos de doença. que são as usuaes no Alemtejo. Não parece haver nenhuma particulari- dade nas suas comidas. preferiscono la birra e sopratutto gli spiriti. o que eu já vi fazer a hispanhoes da Extre- madura (não ciganos). Deitam-se. os ciganos. p. João em Évora. chamado Joaquim Canhoto. 189. e que suspendem a três va- ras ensarilhadas. Uno dei piu gran regali. n'importe laquelle. comquanto occasião da feira de S. . com alguma ave morta que encontram pelo caminho. Um correspon dente de Barbacena conta que um. tudo misturado. Michel. de ordinário. quando menos certos bandos) lançam carne e peixe. che lor si possa fare. un álcool qualunque nè sapprebero senza : acquavite celebrare alcuna cerimonia o festa. è di offrire ad essi mastic.» Colocci. 189. Relativamente a bebidas as testemunhas são divergentes. Colocci. Alimentação. de fome. Uma observadora julga. Vid. mas que raras vezes se embriagam^. Pires diz que são amigos de bebidas. vodka. toda a carne de porco. 166). Gli Zingari. Refere-me o sr. les désinfectent au moyen d'herbes à eux seuls connues. 138: «d'autres fois ils ramassent les 1 animaux morts de maladie. Ferreira Deusdado que. numa epocha garam a desenterrar porcos. como se vê pelas compras que fazem quando atravessam as povoações. Le pays lasque.« 2 «Amano poço il vino. p. 1 e F. ás 11 horas o sol estão a pé. p. para os comerem*.os amigos do vinho (cf. p. Comem bem quando teem dinheiro. a teem na sua caldeira onde (pelo Comem ainda que em decomposição. deitando-a. que tinham succumbido a uma epizotia. Um observador diz-me que comem pedaços de toucinho cru com pão. Dormem da noite e em rompendo pouco. et s'en repaissent impunément. n. che- em Trás-os-montes.185 Alguns dão saltos e pulos prodigiosos. Um bebam bem por observador não os crê bêbedos habituaes. rak. principalmente de licores.

são notáveis cartographos (Francis G ai ton. Citemos alguns factos que provam o que ha de illusorio nesse modo de ver. extrahldo de um artigo de Pincott in Knowledge . 103-104). muito. juin 20. sem terem recebido nenhum ensino de desenho. João era Évora*.186 summo na sr. Esta qualidade todavia não significa si. um miséria intellectual. Os esquimós. 2 Náo se faz ordinariamente ideia do desenvolvimento intellectual possível sem o conhecimento da leitura e da escripta. car leur mémoire était chargée de plus de connaissnnce toujours à leur disposition. mas que podem também exercer uma acção puramente negativa quando não se ligam a um bem entendido systema de educação. Grande numero de ho- mens analphabetos fazem cálculos mentaes prodigiosos. Caracteres psychicos. esse propósito lê-se no periódico La Nalure^ 1891. Co- locci. p. não a cultura mesma. 1883. tào costuma- dos estamos o considerá-lo como condição de toda cultura. perspicaz relativamente ao circulo estreito de l'elaçoes em que vive. por como se figura a muitos. Eu tenho já encon- Fumam trado ciganas de cachimbo na boca. Tem elle uma 1 Esse gosto pelos doces parece ser geral nos tsiganos. homens e mulheres. (Pires acha-os muito intelligentes. mais ces connaissances leur faisaient généralement peu defaut. ' Gostam muito de doces de que fazem grande con feira do S. susceptivel talvez de o ser num circulo mais complexo de relações. Faltam-nos infelizmente dados para apreciar bem o intellecto do cigano 2. Vid.) São analphabetos. (Communieação do Gabriel Pereira. instrumentos indubitavelmente necessários para uma verdadeira cultura. et A pays étaient incapables de lire et d'écrire. analphabetos. director da Bibiiotheca Nacional). II est de notoriété que la plupart des hommes les plus habiles de ce artificieis. 188. O espirito do cigano é vivo. que . p. Londres. ///gw^r?/^^/ío í^e human Faculty. A leitura e a escripta por estado de profunda si sós são apenas instrumentos de cultura.\ «I\ est parfaitement vrai que les Indiens comptent plus sur leur mémoire que sur les procedes personne ne peut se mettre cn rapport avec ce pcuple sans être étonné de ses facultes prodigieuses à ce point de vue.

Os ciganos no Brazil.^7. . o liispanhol e o portuguez. et à Tecriture. p. xv conservavam a tradição da sua origem indiana. Poude-se affirmar. qui coiiuaissait à cliaque instant Tétat de ses ricliesses. as propriedades medicinaes. p. Tem um certo numero de conhecimentos tradicionaes. les ressourees de ses provinces variées. 2« série. 25). aliqui dicebant. 2 Os tsiganos chegados a Forli no sec. ut audivi. Falia o seu rumanho. que aproveita nas suas industrias. 1 Seguem outros factos interessantes. Os ciganos do Brasil conservam a tradição de uma emigração de Portugal em 1718 e dos nomes de alguns emigrantes (Mello Moraes Filho. 890: «Et. les poirits forts et faibles de rAngleterre. Rangit Singh ne pouvait ni lire ni écrire. todavia a asserção é talvez um On sait que possédent ceux qui étuclient dans des livres. là nature de leurs revenus. un parfait administrateur. quando esmolam diaem «somos do tórica oral *. quod erant de índia». col.187 boa memoria? Quaes as representações particulares que mais facilmente reproduz? As visuaes? As auditivas? Tem a memoria numérica que permitte o calculo mental? Sem duvida elle tem a memória topographica. os effeitos narcóticos de certas plantas? Tem alguns conhecimentos astronómicos? Pouco pudemos apurar da sua capacidade para conservar tradições. 1882. XIX. Também possuem boa memoria para os cantos (lettra e musica). como seus irmãos doutros paises. Gaston Paris in Nevue critique. que não ha tradição hispouco absoluta 2. en un mot. à tous les points de vue. como se acha consignado no Chronicon Fratris Hieronymi Froliviensis em Muratori. Scripforcs Ber. et. Conhece ainda. condição sine qua non das suas translações constantes. la puissance de ses voisins. Ifalic. mais il savait tout ce qui se passait dans uii royaume aussi grand que la France. Nous devrons modiíier notre opinion sur ce point en nous rappelant que les merveilles de Tarcliitecture indienne sont dues à des hommes qui ne savaient ni lire ni écrire». Nous commettons Terreur de clle croire que les de connaítre constituent la connaissance moyens même. Cela nous con- duit à attribuer le plus grand prix à la lecture. et à traiter avec quelque mépris les peuples qui n'ont pas pris la routine de coucher leurs idées sur Ic papier.) Em verdade os ciganos nada contam hoje ào seu passado aos estranhos. t. 2. Cetait celles ((ue — un íinanier fort capable.

ainda por certo interesse. ainda que incompletamente. Parece que não são muito vaidosos. hypocrisia é arma de defesa para elle. apesar dos factos contrários que já foram notados (p. Pelas in- formações que obtive. 180). ás praticas religiosas do povo em que vive. é ella e nada mais em geral A que o faz adaptar. Veja-se o que abaixo dizemos dos baptisados. não a um sentimento de en- grandecimento pessoal. resultado. pode dizer-se sobretudo á O sua sustentação. mas sim a sentimentos esthetícos. principalmente de lembranças das perseguições de que nos séculos ahteriores foram objecto. em que não sente outras obrigações alem da de acudir á sua sustentação immediata e á da sua familia. mas de um habito de precaução.) A imprevidência e a aversão tam d'aquella paixão e da sua a todo o trabalho regular resulfalta de ambição. E E se muito nervoso e emocionavel.188 Egypto. casamentos e enterramentos. terá cigano tem a paixão do seu modo de vida. (As nossas noticias sobre essas relações familiares não são em verdade sufficientes. mas as suas emoções são pouco persistentes. como muitas vezes tem asseverado dos seus irmãos extra-peninsulares e .» Convém insistir na investigação do que os ciganos possam conservar de tradições do seu passadO. O quando seja puramente negativo. Todavia a humildade que o cigano tantas vezes manifesta ante os estranhos não é expressão de um sentimento espontâneo. — essas tendências dos ciga- nos os tornem impróprios para a vida militar. pois a mulher é a principalmente encarregada do cuidado dos filhos. no sentido em que elle também tem uma ambição Concebe-se facilmente como ordinariamente se entende essa palavra. absolutamente irreligioso o cigano. sei que um cigano compellido em Elvas ao serviço militar desertou ao segundo dia e que os domiciliados em Elvas que são recrutados desertam tam- bém em regra. porque a d'essa vida livre. O gosto da ornamentação no vestuário liga-se. da terra do Menino Deus.

consultado. Ahhandl. Mas o termo basta para que julguemos demonstrada a existência de concepções religiosas a elle debel e otebel Os ciganos têem. Num artigo do periódico Das Ausland. Em verdade Colocci diz i p. Da seriedade das crenças dos ciganos como christãos temos motivos para. Os : tsiganos possuem uma palavra particular para diabo.. in devotion of the dead. como os tchangar do Panjab. busca.189 Como um povo originário da índia. 3 iii. teem o culto dos antepassados. de Vasconcellos dizia em 1887. duvidar. xlix Jahrg. uma textos ha 49 e algumas phrases (n. 230: «. os ciganos? Teem-nos que «adoram os mortos». Toda religião se manifesta principalmente em São pagãos ou christãos? De culto pagão não se indicam entre elles nenhuns claros vestígios. p. consists like that of the Comteists.°^ 41. heng.» Mas do simples temor supersticioso e do respeito dos mortos a um verdadeiro culto dos antepassados. poderia chegar a ser irrehgioso? primeira vista a asserção afidos gitanos ? * A gura-se absurda e está-se no direito de pedir d'ella rigorosa demonstração ^. as I have already observed. os quaes teem sido comparados aos ciganos e parecem estranhos a quaesquer usos religiosos. 838 e seg. d'essa terra onde quasi tudo tem impresso o cunho religioso. 9. certo é che essi (os tsigasi nos) hanno per tra in tutti i morti lo stesso superstizioso rispetto. numa carta. che popoli primitivi..se refutar a these da irreligiosidade dos tsiganos.) as palavras de Leland «The real religion of the Gipsies. não me deu razões para poder-se acceitar isso como averiguado^.. L. . mas. p. O auctor funda-se principalmente na existência. como vimos no Vocabulário^ ou otihé^ que designam Deus. come dimostra lo Spencer». 2. a distancia é ainda grande. Nos os termos ligadas? ritos. demonstração A dada no artigo não é sufficiente. como o encontramos em diversos povos. na lingua dos tsiganos. da 1 inglez devil palavra devei. Vid. que Leland e Breitmann supposeram idêntica ao aquella palavra tsigana significa realmente deus. 10) em que figura a palavra otihé. que nâo occorre no que reuni do Vocabulário dos ciganos. Trumpp apud Miklosich. 60. : riscon- O mesmo auctor italiano cita (ibid. isto é.. 2 Na índia ha todavia grupos humanos.

Essa adopção de crença religiosa coincide com uma mais ou menos adeantada assimilação ao povo de que a receberam e em geral com o sedentarismo. riamente significou o conceito de uma divindade.. uma interjei: sem sabermos (salvo os eruditos) que ella significa queira Allah. isto v^. por exemplo. uDos vagabundos. etc. São supersticiosos. Segundo uma informação dada a Pires: «Não consta ver-se um cigano na missa. Miklosich. or hope. Crer. em que necessa- Que o tsigano não tem incapacidade absoluta para a religião prova-se pelo facto de que em vários paises do Oriente o vemos mussulmano ou christão. comediantes e Sig anos. Abhandl. emquanto dehel pertence ao núcleo primitivo do vocabulário tsigano. and is likely so to remaiu. stição é distincta da religião. o texto otebelj. mas aqui o termo é estranho á lingua. or atheists. As licenças são de 1634 e 1635). . III. como se indica abaixo mas a super. (Mas vid. com vontade ou sem ella*.190 Os ciganos não sedentários não se casam catholicamente e se baptisam os filhos (varias vezes) é por motivos de interesse. t. 2 na freguezia em que se acharem ao tempo da Quaresma.» Borrow diz com referencia aos gitanos «Ali. p. totally neglectful of worship of any kind and though not exactly prepared to deny the existence of a Supreme Being. Feitas e ordenadas pello Illustrissimo e Reverendíssimo Senhor Dom Sebastião de Matos de Noronha. mas que nelles o sen- timento e o conceito religioso se reduzem a muito pouco 2. n. Nós os portugueses empregamos a expressão oxalá como ção. therefore. which : relates to their original religion is shrouded in mystery. xxxxi. name. They may have been idolaters. as they have heard other people do. (Feitas em 1633.** 60 que se refere precisamente a ouvir o padre a dizer missa. que duas Primeiras ccnsiituiçòes Sinodaes do Bispado de Elvas. or in moments of pain or sudden surprise.» The Zincali.» Das antigas disposições ecclesiasticas parece resvdtar que alguns se confessavam. Tit. 10-1 1 e Das Ausland. 282. fazem oração e deitam esmolas nas caixas. Dos não são absolutamente factos referidos parece concluir-se que os ciganos irreligiosos. xlviii (1875). or what they now are.) Frequentam. porém. Vid. as igrejas ruraes. Os vagabundos aqui declarados sejâo assentados 'no rol dos confessa1 dos. and uever mentioning his .. i. save in oaths and blasphemy. but always without any íixed belief. trust. as regardless of him as if he existed not. 150-151.

mas . Diz-se que desconhecem um verbo significando dever. atravessando povos com crenças e a que parcialmente pelo menos tiveram que adaptar-se. (1862). sem regra. Sem auctoridade. Sobre o que separa a superstição da religião. tura do cigano é na diíFerença profunda dos seus sentium lado para com os da sua raça. para com elles tem até virtudes. . chiromancia. Steintlial. 11. nem direitos nem deveres: o estranho para elle é apenas trata de aproveitar o melhor que pode. que aproxima as duas representações de mãos que agitam a agua e mãos que se agitam em lucta nmas contra as outras. regra. preceito. principio. e admitte sem refle- xão um nexo causal entre os dois casos*. vid. em geral. A E difficil ou antes impossível resolver a questão se o indiíFerentismo ou quasi indiíFerentismo religioso dos tsiganos os caracterisava já ao saireni da índia ou se elles chegaram a esse ritos religiosos diversos. estado. uma com presa. dever (Colocci. a cartomancia e outros processos divinatorios podem ser também independentes de toda crença religiosa. pp. H. Os tsiganos em geral reconhecem chefes isso basta para fazer ver que lhes não é estranho o principio da auctoridade. mas resulta do mechanismo psychoíogico. os jambos ou paios (paillos) Para com os da sua raça reconhece o cigano direitos e deveres. 155) esquece-se que tal asserção só vale respectivamente ás relações externas da gente d'essa raça. ^ 2 Quando se diz que o tsigano não conhece auctoridade. para escaparem a perseguições. 83-101.191 pessoas que lavam as mãos na mesma agua terão rixa nesse dia não se liga a nenhum conceito religioso. de . que a condição de o fazer o mais possivel a seu salvo 2. Ueber den Aberglaubcn \n Zeitschrift fur Volkerpsychologie. para com os estranhos não reconhece. p. sem principio. sem dever não é possivel a existência de qualquer sociedade humana por mais rudimentar que seja. Onde se revela por completo o estádio primitivo de cul- mentos e modo de acção. sem preceito. de outro para com os estranhos. os caUsj.

está quasi esquecida dos tsiganos da Ásia. comquanto a educação physica que lhes dão com o fim de os endurecer. Solf gli Zingari tedeschi pumadri. que diz : «Gli Zingari hanno uno sviscerato amore per la loro prole». p. . A 156 E mister nâo confundir a noção reflectida e abstracta do direito e do dever com as formas concretas e espontâneas com que surgem nas sociedades primitivas. reiro de segundo a tradição. diz das relações conjugações dos tsiganos d'esse país é muito desfavorável. Mas vê-se. tanto piú che la loro beltà sparisce presto. Colocci. que se liga a terar .. a fide- com lidade conjugal. o respeito dos velhos. 228 .192 Quatro sâo os sentimentos principaes dos ciganos para os da sua raça: o amor extremoso dos filhos. e p.» O que Francisque Michel. . 227 : «Per solito Tadulterio é raro fra le Zingare. Colocci. elles se fatiguem nas longas marchas a mãe transporta ás vezes três filhos ao mesmo : tempo. e um nos braços. que se encontram bem unidos palavra {patiy pachif etc). mettidos numa espécie de saco. ». expressa nos seus pronomes possessivos. de os habituar aos inci- dentes de uma vida dura e aventureira. ' Cf. diz Colocci. a fraternidade. p. mas por certo nenhum tsigano ignora a distincçào do meu e do teu. dois ás costas. o cuidado que teem em evitar que. São raras A as rixas entre os ciganos. teem uma palavra que honra n. 229. Quando é possivel levam-nos num burro. por exemplo. quando as suas forças não se acham desenvolvidas. O melhor que arranjam de ali- mentos é para os filhos ^ A fidelidade reciproca dos cônjuges era lei firme nou- tros tempos. : niscono 1 'adultério col taglio dei naso alia donna e colle battiture sui goraiti o sui ginocchi per Fuomo. pareçam á primeira vista excluir o carinho. p. Os cuidados que principalmente as mães têem pela prole são numerosos. Os ciganos e os gitanos teem nesse sentido terelar. p. Um proprietário e ceaBarbacena diz «À cigana casada com um cigano : que é infiel a este é abandonada de todos» 2. fraternidade é ainda hoje bastante notável. significa terar^ possuir. non si tosto divengono «Secondo il dott. 140-141. Le pays bosque. 2 Cf. emquanto elles vão a pé.

A arte das ciganas no peditório é perfeita. Alcançando e um E gundo. quando algum cigano era Em verdade um cigano velho preso iam os amigos mais Íntimos pedir a todos os outros ciganos soccorros para o desgraçado e obtinham de 15 a 16 libras que lhe entregavam. In nessun altro popolo anzi il vincolo di gli Zingari razza è piú intenso e piú rispettato. Para com os estranhos os ciganos são apparentemente muito corteses. a descripção da sua vida de miséria. queixou-se na feira de Villa da mudança dos costua Pires de J883) Viçosa (maio mes. no Alemtejo). espoliação do estranho faz-se por uma serie de pro- cessos. carne. meio mais suave e mais frequente é o peditório. As mulheres já não são tão rigorosas na fidelidade. e li 2 Um informador falia todavia de chefes. Nos casaes isolados (montes. hoje é raro que o pedi- chegue a render 2 libras. fazendo para isso até uso dos vales do correio. não esquecerão jamais a casa das bemfeitoras. Aqui não pedem mulheres e as creanças. depois terceiro. São sobretudo as mulheres e as creanças que pedem. Borrow. protegem-se recicaso de prisão^ ministram os meios de *. respeitosos e não poupam hsonjas. O proprietário de Barbacena dá noticia de ter sido assastório sinado numa feira por trinta ciganos um da sua raça. uma imposição. o intento de os lograr são a regra. geralmente pão. i. 154 : «Una fratellanza sincera regna fra tutti unisce. o peditório adquire já o caracter de só as até primeiro objecto. Antigamente. IS . Elias sabem commo- ver principalmente com o espectáculo dos seus filhos nus. Vid. Segundo subsistência aos que estão prisioneiros. Gs ciganos do Alemtejo parece não reconhecerem chefes ^. disse elle. 216. Colocci. p. p. as mães portuguesas. que vão num crescendo até ao attentado grave.» Vid. 263-266. os homens pedem também.193 em muitas occasiões e. mas a falta A O de veracidade. procamente em Pires. lenha e principalmente palha para 1 Cf. ou semi-nus. etc. pedem seque a caridade se cance.

communica-me Pires. respeitando-lhe a propriedade e servindo-lhe até d'inter- medio fiel em negócios. que o leva a comprazer-se não só no fructo do logro. Nâo sâo cigarros. Ha pouco os jomaes deram noticia de um assassinio praticado por ciganos em Chacim. como se mostrará mais abaixo. O roubo á mão armada é muito raro. Diversos factos provam que o cigano é susceptível do sentimento de gratidão para com o estranho que o protege. cujo creado os intimou a saírem de lá. junto o seu desamor ao trabalho legitimo. Os ciganos andavam com as suas cavalgaduras numa proprie- dade do parocho. quer de defesa ou por vingança. a burla. é o logro. Então elles enfureceram. a lograr o es- tranho. Os ciganos roubam principalmente aves. feito também perfeitamente excepcional. n.se e crivaram de facadas o rapaz ^. animaes domésticos. Nas feiras. O immediato na escala d'esses processos é o roubo. quç se opera por modos muito variados e para que elle revela um talento especial.194 sustento das suas cavalgaduras *. Dia. 21 de julho de 1892. não pode deixar de reconhecer-se um espirito de mystificação. senão sem exemplo. todos os processos o mais frequente que o cigano dos dois sexos emprega para arrancar dinheiro ou algum objecto de valor ao estranho. e sustento para estas. Mas de com Independentemente da necessidade que o impelle. só os ciganos mais 2 3 Vid." 1511. principalmente na compra e venda de cavalgaduras^. comarca de Macedo de assassínio é O no intuito Cavalleiros (Trás-os-Montes) por um futilissimo motivo. quer do roubo. 1 Em geral não pedem dinheiro. É preciso satisfazê-los para que elles não recorram a outros processos mais violentos de espoliação. moços pedem apenas realmente os seus caracteres psychologicos e especialmente a natu- . entre os quaes cavalgaduras. mas até no próprio logro. O O modo por que o cigano considera o estranho é perfeitamente próprio de um povo que se conserva num estádio primitivo.

(Vid. Strabão Dos germanos diz Tácito Polybio (iii. Fallece-lhes o instincto do asseio. Já 98) e Tito Livio (xxii. Gostam de vestuários ornados. (mas essa ornamentação é muito rudimentar). 2te Ausg. ao contrario do furto a occultas. 279 e seg. através de alguns séculos. 3. principalmente os da Hungria. mas sim a persistência d'esses caracteres no meio da civilisação europea. Os seus cantos parecem não ter originalidade. os attaques das aldeias. 634-635). as grandes violências. ament inertiam et oderint mira diversitate naturae. de que na historia de outros ramos da sua raça ha alguns exemplos ao logro. por isso elles se limitam ao furto. Os . 2 Ora se teem attribuido aos tsiganos talento poético ora se lh'o tem negado. reza das suas relações com os estranhos que o distinguem verdadeiramente. quum idem homines quietem (Germ. 14)». Deutsche : (iii. sic Poder. õ) descreve-nos os lusitanos como ladrões. o ódio ao repouso caracterisam tanto os ciganos como os povos bárbaros em geral. junto com a mobilidade constante. . O meio em que vivem os ciga- nos nâo lhes permitte hoje o roubo á mão armada. p. Considerar o roubo exercido na propriedade dos estranhos á raça ou á tribu como um acto perfeitamente permittido é um conceito corrente nos povos primitivos. (as em farrapos com facilidade esses vestuários que trazem até á ultima. 15)». Tácito refere dos germanos «Fortissimus : A quisque ac bellicosissimus nihil agens. Vid. Não teem musica instrumental propriamente dita*.IDô Parecem ser muito limitadas as aptidões estheticas dos ciganos. 22) notaram que a perfídia era característico de todos os bárbaros. de abotoaduras metallicas mas deixam cair . A verdade parece-me ter sido de perto attingida por Schuchardt no seu interessante estudo Die Cantes Jlamencos. Grimm. Quando cantam acompanham-se de castanholas e pandeiretas. preguiça para o trabalho regular. Rechtsalterthumer. «matéria munificentiae per bella et raptus {Germ. í Outros ramos da raça tsigana revelam considerável talento musical. Colocci. J. ser apenas os cantos populares do país ou cantos hispanhoes^. O roubo a descoberto estava longe de ser considerado entre os bárbaros como deshonroso.ae-hiam multiplicar os parallelos ministrados pela ethno- graphia antiga e moderna. delegata domus et penatium et agrorum cura feminis senibusque et infirmissimo cuique ex família : ipsi hebent. de collares de contas mulheres).

tsiganos. mas na essência poesia andaluza. Que se acendeo nas damas Toledanas. as em Gil Vicente : Como se viu aqui nesta pendência. no fim do Appendix i. Vid. v. os canMiiller dissera ros. São. e em chegando Fizerão nas dançar como ciganas. Esses factos tornam pouco crivei que a poesia dos gitanos. conservado ou nascido no meio de um povo tão felizmente dotado com relação á poesia os habitantes do sul da Hispanha. 12. xvii allude ás danças das ciganas. a rima e o rythmo que apresentam provêem de modelos magyares. Sobre huma curiosa impertinência. principalmente na lingua. muito falladores. genuina poesia dos gitanos. seja um producto original d'elles. em geral. outra allusão no extracto da Miscellanea de Miguel Leitão d'Andrada. Acodirão da Sé com partazanas Seis cónegos mancebos. .196 Os seus bailados são também reproduzidos dos populares do pais ou da Hispanha. Frederico que o valor artístico das poesias dos tsiganos húngaque elle colligiu. Nas poesias dos tsiganos da Bucovina publicadas por Miklosich ha influencia manifesta da poesia popular dos rumenos e pequenos nissos. Uma pequena discussão torna-se entre elles fa- Quando em cilmente verdadeira algazarra. era nullo ou menos que nullo. principalmente dos últimos ^ Têem os ciganos contos tradicionaes e provérbios ? juntos. Infelizmente a musica gitana está mal estudada e falta assim como o são o conhecimento de um importante dado da questão . Vid. segundo um informador de Pires. que em primeiro logar experimentou uma certa gitanisaçâo na linguagem». mais que os outros ramos tsiganos aos povos com que se achavam em contacto fora da península. no Appendix 1 II algumas rápidas considerações sobre a poesia dos ciga- nos do Brasil. aos que os gitanos se assimilaram. faliam valentias e negócios de cavallos. todavia a expo- sição de Schuchardt leva á convicção de que os cantos flamencos «não são de modo algum modificação de uma antiga. Diogo Camacho. Um quaes já vimos figurar versejador do sec. tos flamencos. Jornada ao Parnaso in Phenix renascida. são certamente um povo de muito poucos dotes poéticos e os rudes vestígios de poesia que entre elles colhemos revelam a influencia dos povos entre os quaes vivem. diz elle.

Os allemães. visto terem perdido a indus- As As ciganas quando querem bordam com alguma perfeição. para se tornarem sedentários e se entregarem a misteres lícitos *. nada queremos saber do cigano e só sabemos o que o acaso nos obriga a aprender. o latrocínio.197 aptidões industriaes dos ciganos são menores que as de outros ramos da sua raça. e noutras artimanhas de que abaixo se encontrará noticia. tentaram manejar a enchada. Os homens manifestam a sua habilidade sobretudo em encobrir as mazellas do gado que querem tria dos metaes. teem abandonado a vida nómade. para o que contribuiu sem duvida o interesse que lá característicos tem inspirado communs o gitano e por ventura certos ao andaluz e ao cigano emquanto . Na Hispanha. «La Ungheria. dizendo preferirem morrer de fome a tal trabalho. por certo. povo de indiíFerentes. que é transmontano. o cigano experimentaram já. que ciganos esfaimados. algumas das quaes pouco próprias para os fazer seguir no caminho do progresso. os franceses de hoje conservam. nos quatro ou cinco séculos que passaram immergidos no meio peninsular. non li obbliga ai lavoro delia terra che per quel tanto. aos quaes se offerecia em razoáveis condições trabalho agrícola. nós. mas que modificações profundas ao lado d'essa limitada persistência de velhos caracteres! O gitano. largaram-na. Ferreira Deusdado. De todo o trabalho aquelle pelo qual teem maior negação é a lavoura. che li sa piu artigiani che agricoltori. grandes modificações. che giudica conve1 . A difica historia mostra-nos que o caracter dos povos se mo- sob a acção de diversos agentes. alguns dos quaes Em numericamente consideráveis. diversos paises grupos tsiganos. peculiaridades que nos fazem ver nelles os descendentes dos germanos de Tácito e dos celtas de César. a obra da assimilação tem progredido muito mais que em Portugal. Referiu-me o sr. mas vendo em breve as mãos callejadas. vender por bom.

senhora.198 Completarei este esboço psychologico com algumas noti- cias relativas á lingua. alem do rumanho ou romano. Communicou-me o sr. Affirma-se que todos fizeram o juramento de o nâo ensinarem a ninguém estranho á raça. musicisti e ballerini. As creanças tinham revelado os termos a medo e pedido á dama que as não denunciasse. i quali non hanno stato fisso. industrias. conde de Ficalho que. — tinuano dunque ad esser ciò che sempre furono: calderaj e veteI battesimi sifanno rinarj. professione o mestiere. seguiu termos alguns que communicou a Pires e formaram o ponto Uma de partida de suas investigações. costumes. a quem dava esmolas. tendo interrogado um cigano alemtejano acerca da sua lingua particular. . Língua. Essa senhora habitava em 1883 em Penna Clara.» Colocci. artigiani e cantori. e que é mais fácil um cigano deixar-se matar que descobrir o segredo da sua lingua. consaber de creanças ciganas. Como já se disse os ciganos de Portugal faliam o português e hispanhol. abitualmente dolce. que lhe disse que o rumanho que faliam 08 ciganos alemtejanos é o mesmo que o dos hispanhoes. i lascia sperare alFUngheria piú 5 felici risultati delia sua iniciativa filantrópica. porque seus pães as matariam se o soubessem. todo o capitulo iv da sua obra. S'incisi viliscono. p. perto de Villa Fernando. rumanho é só fallado entre elles. mulher de um lavrador alemtejano. especialmente quando O bebem. — regolarmente 5 i fanciulli frequentano la scuola e la chiesa. 121 vid. niente ai lori bisogni e non vi costringe generalemente altro che Concoloro. taluni arricchiscono e la loro natura. este lhe dissera que hoje quasi nin^em a sabia. mas havia já quarenta annos que tinha aprendido os termos (casal) da Defesa. buscando assim desviar o interrogatório sobre um assum- pto para elle melindroso. No Alemtejo faliam o português com a pronuncia alemtejana. Pires encontrou em o monte em dezembro de 1883 um cigano. me- nos escrupuloso.

de Vasconcellos. com a golla voltada. ou romano. 247.» Colocci. Os de Évora não conservam segundo informação do sr. canhSes com botões de alamares. Pires enviou-me a seguinte descripção do vestuário dos ciganos alemtejanos. a passagem de Paspati por elle citada. Vid. nomadi le parole dei Anzi ciascun sa come loro idioma sia cosa spicciativa ed agevole. Os homens usam jaqueta. são como tuguês». nhecido escriptor e bibliothecario da Bibliotheca publica d'aquella cidade. mas não deu a sentença relativa a novembro. só se entende o que os cordoeiros da Galliza. que não se entende o que dizem em estando juntos e faliam em porelles querem . O collete é aberto. Todavia. Parece que os ciganos sedentários de Lisboa conhecem em geral pouco do rumanho. que são de prata no vestuário dos ricos. de cordão entrançado ou de fita no dos pobres. curta. que se os seus declarando que muito tinha elle já soubessem lhe cortavam a cabeça. os que conhecem alguma coisa do rumanho conseguem mais facilmente obter informações sobre elle dos ciganos. por mais que Pires teimasse e com elle. com refego nos hombros. muito justa ao corpo. António Francisco Barata.199 e pretendeu quo os hiingaros (tsiganos caldeireiros. . 1 O « segredo da lingua é geral nos diversos ramos da raça tsigana non deve credersi che 11 raccogliere dalla viva você di quei . Esse cigano dictou o calendário impresso nos textos. de três ou quatro botões. Foi o que aconteceu a L. usualmente de astracan ou fa- zenda semelhante. «Os ciganos em estando juntos. Informação do proprietário de Barbacena*. dito. essi siano tanto generalmente e stranamente gelosi custodi dei segreto delia loro lingua che di rado Tun d'essi volle iniziare lo straniero nei misteri delia própria favella. vestígios d'essa linguagem. co- Vestuário. como elles dizem. que teem vindo ao Alemtejo) faliam a mesma língua. p. Armas.

emfim. com ou cinco ordens de folhos. Das orelhas pendem-lhes grandes brincos de oiro. não usam coUar ao pescoço e muitas andam descalças. A ca- cores "Usam. mettidas nos coses das calças. Da cintura desce-lhe um avental de chita com grandes enfeites de fitas. apparecendo as asas por cima das cintas. etc). Alguns teem espingardas de caça. grandes botões de oiro na camisa e relógio com grossa corrente. Trazem muitas saias (como as ovarinas). . Usam todos um varapau curto e poucos trazem navalha. O chapéu é de aba larga. o calçado arruinado e alguns com grandes tesouras de tosquia de gado. um pouco curto. preto ou cor de café com leite. sapatos ou botas brancas ou pretas. A camisa é de tecido branco os pobres ou chita estampada. quatro vivas ou azul o corpete é justo e afogado . Os ciganos abastados usam lenço de seda ao pescoço. exactamente como as calças do fadista. As mulheres abastadas usam vestido de chita de cores com pintas brancas. feiras esfarrapado. alargam para baixo. a manga curta. As costas lançam um pequeno chaile de cor (azul. mas ordinariamente sem folhos e iim corpete largo. que põem ao pescoço. Tanto esses como os pobres trazem sempre esporas. de vivas. tomando sobre o sapato essa forma de polaina a que se dá o nome de boca de sino. a partir da cintura. Os pobres apparecem nas sem meias. uma cruz de oiro. As ciganas pobres usam vestido de cores vivas. com franzidos ou lisa. as meias brancas. de casimira ou de cotim. verde. em regra de seda. usam calças direitas. com com o vestuário roto. Os sapatos ou botas são brancas. E a forma preferida pelos ciganos abastados. de modo que formam grandes ancas. com largas franjas. defendem-se ou com as tesouras ou com o varapau. Se são atacados. Pende -lhe de uma fita. beça é coberta com lenço de seda ou algodão.200 As calças.

Ha uma quadra popular alemtejana. de pano ó algodon . ancho en general. 1 Sobre o vestuário dos tsiganos em geral. Outras tra- zem laços de fita nas pontas. más ó menos rico. As até aos creanças dos dois sexos não teem pela maior parte. e que era sem duvida o dos antigos ciganos. outro vestuário além da camisa. pregam-no com ganchos e atam-no com fitas de cores. adornada de randas volantes. sombrero calanés.201 As ciganas. chaqueta ó zamarra bordada. á la camisia limpia y bien almidonada. Su traje es el que las andalusas han llevado hasta hace poços anos. Asi se las ve con su saya corta y de poço vuelo. do dos gitanos. nâo pode saber-se qual era o antigo trajo dos gitanos. que Mayo descreve.» Como mesmo nota Mayo. de pana ó terciopelo. : relativa ao cabello das ciganas Pentiê o mê cabello ! P'ra trás com'ás ciganas Agora poss' ê dezer Qu'os trajos fazem as damas. O especial aficion á la ropa blanca. Colocci. su panuelo de puntas á la cabeza. ó gorro encarnado en la costa de Cataluíia. 7 ou 8 annos. p. hecho un nudo á la garganta. colores tambien chillones en todas sus prendas. todo de colores chillones. «El traje en rigor es el mismo que gasta el pueblo bajo en Andalucia. pregando o com ganchos. á la pechera bordada. botines ó borceguíes. prohibido pelas leis hispanholas. su manton más ó menos grande sobre los hombros. celeste ó encarnado. echado sobre la frente ó caido sobre la nuca á voluntad. com Untam-no com azeite d'oliveira *. los hombres tienen 194. alpargatas ó zapatos. . á la chorrera vistosa. vid. colhida por Pires. Atrás fazem um grande periquito. «De las mujeres puede decirse otro tanto. o cabello entrançado e caido pelas costas abaixo. p. com alamares ó botonadura de plata-. flores y cintas por adornos. prohibido pelas leis portuguesas. 41 : «Cuando disfrutan de algunas comodidades. apartam o cabello ao meio e dividem-no aos lados. 190- vestuário dos ciganos deriva sem duvida. em geral. e aos lados arranjam grandes caracoes sobre as orelhas com o cabello entrançado. y que los gitanos non han cambiado. com modificações.

como observa Pires. e construem alguns abrigos com piorno e tudo o que esse fim. algumas ciobtém da caridade alguma roupa de creança. Estes. Estremoz. pedem previa licença ao lavrador. são feitas pelas mulheres e ao ar livre. Vidigueira. enxergas em que se deitam e que nas jornadas servem de apparelho ás cavalgaduras. d'ahi ou remediados acham-se domiciliados partem para as feiras e diversas excursões. ou em casas meio arruinadas e abandonadas. que não lh'a recusa de ordinário. como os que teem vida errante. no Alemtejo). e de ordinário pedem ao lavrador ou lavradora tudo o que precisam para seu sustento. no Alemtejo. Estancias. estacionando junto de cada um algumas semanas seguidas. Domicilio. segundo uma ganas vestem os filhos. De inverno fazem grandes fogueiras com lenha dada pelos lavradores. Com os seus hábitos de cortesia. ou nos fornos e cabanas das herdades. p. Os adolescentes solteiros. estanceiam nos arredores dos montes (casaes) e ao ar livre. e trazem o cabello sujo e emma*. Portel. pobres. durante essas estações. andam em ranhado geral descalços. Viçosa. — Oraperò in quasi tutti i paesi sono stati costretti a smetteretale indecenza. Muitos ciganos abastados em Évora. uma ver- dadeira praga do lavrador alemtejano. Todavia. As comidas. Outros podem encontrar que lhes sirva para dormem junto das paredes. Villa Moura. Viajens. 194. Têem Vagueiam de monte em monte (casaes. em diversas terras da Extremadura e até algims em Lisboa. . de modo que os ciganos constituem. se por ventura outra informação.« Colocci. cobertos com mantas e cobertores seus.202 muitas vezes esfarrapada. 1 «I fanciulli non ricevono fino a dieci anni il vestito. porque os teme como roubadores de gado. ou que elles apanham.

oriental. segundo o informador. para saberem onde poderão ir roubar. indo ás vezes dois e três no mesmo animal. no bairro outras vieram-se fixar aqui.203 de Barbacena. Fazem longas marchas a pé. percorrendo-os. d'essa localidade. põem-lhes frente golpelhas com palha. e Para onde vão levam os seus gados. na rua de Santa Maria e travessas próximas d'essa rua. António Francisco Barata que em pousam ciganos no bairro de Cogulos. se não teem casa na Na Extremadura improvisam muitas vezes uma tenda com uma peça de linhagem ou outro tecido que fixam de um lado a uma parede a certa altura. Os pobres nómades vão ás feiras com todos os individuos da famiHa. sob pretexto de caça. habitaram ha alguns durante um inverno. Communica-me o sr. já mais villa Na vezes referido. Ninguém lhes pedia renda d'essas casas arruinadas. João naquella cidade não levam carros. segundo as informações de Pires. ao ar livre. que deixam pastar em volta do seu acampamento. de outro no chão que assim lhes serve de abrigo. parecia que estavam bem. das arvores. se as ha. pobres e abastados estacionam ou outro logar próximo. de diversos pontos da Extremadura. Chegados a um logar novo para tratam de se orien- tarem conhecerem bem os arredores. para o que teem galgos. que. Segundo uma informação do António Francisco Barata. em Lisboa residem algumas familias ciganas. Os ciganos do Alemtejo. Quando não ha pasto. fora da muralha. Pelo e caminho alguns vão caçando. mas Évora vivem e . os ciganos que vão á feira do S. ha muitos annos . pelo luxo que rompiam. debaixo elles. nâo teem tendas sr. logar pobre. mas levantam pobres tendas cidade. nem carros. mas transportam-se também a cavallo. do Forno uns ciganos. umas casas derrubadas na rua annos. Em recentemente. presos pelo pescoço uns aos outros ou peados. num campo Por occasião das feiras.

cavallar e asinino. um vizinho disse-lhe que a burra Um parecia a em comprador breve verificou que assim era. industrias. Alguns teem sido geral (e Algumas ciganas mais raramente ciganos) residentes em Lisboa são negociantes ambulantes de pannos. porque apenas o anicancella. repellindo-os á força. dia appareceu-lhe um á medida dos seus desejos. que se julgam muito lavrador do Crato contou-me que um vizinho d'elle vendera uma burra viciosa aos ciganos. Fazem crer que um bravo. Arraiolos (e Torrão. De volta a casa. Essas occupaçoes e industrias reduzem-se quasi exclusivamente para os homens á venda. com que Um um sportman desejava um o picam. cavallo de detenninada cor. os demais ciganos têem casas arrendadas para residência temporária. e ao roubo. Nos negócios de troca de cavalgaduras querem sempre receber dinheiro além de animaes. foi a uma feira e comprou-lhes uma burra que julgou ser bem differente da sua. á venda de fazendas (principalmente na Extremadura). pondo-lhes em animal velho e cançado é vivo e cima a palma da mão. á tosquia de gado. Occupações. como me diz o sr. Gabriel Pereira) não admittem os ciganos. cedores. em mas passam por bons conhebons cavalleiros. O mal transpôz uma costume. troca e preparação para a venda e troca de gado muar. até os astúcia os compradores e trocadofinórios. Concorrem ás feiras (não ha nenhuma no Alemtejo e na Extremadura em que não appareçam) com seus gados e mercadorias. deitou a correr mesma que vendera aos ciganos. para que pinoteie. entrando e saindo. em que escon- dem uma agulha. contrabando. Não são creadores de gado. como era seu Pintam os animaes e disfarçam por todos os modos os seus defeitos. outras Enganam com grande res.204 só 4 famílias teem residência fixa alli. São toureiros. que .

todavia nas terras de provin- A cias. buena dicha não gosa hoje entre o povo de tanto credito como noutros tempos. No Alemtejo e talvez nas outras provincias não ha diíFerença de occupaçoes entre os ciganos abastados e os pobres. Os ciganos perderam cedo. . é principalmente para as raparigas. 200. os ciganos se occupem nas industrias O informador de Barbacena diz: «Só me lem- bro de apparecer aqui um que trabalhava de ferreiro e fez uma safra ao João Ferreiro. Occupaçoes das ciganas. 64-65. Vimo-lo já figurar na Farça das ciganas. lerem a buena dicha. O negocio de cavalgaduras pertence ao numero das mais antigas occupaçoes dos ciganos. Muitas das burlas que elles fazem nesse negocio são mais ou menos typicas. que é onde malha o ferro». p. Vid. p. Na Hispanha ha ainda gitanos ferreiros. 195200. solta e caracolla onde il compratore è persuaso che il cavallo è sensibile alia você e di carattere vivacissimo. um divertimento. quando si tratta di venderlo.205 comprou. basta ripetere queste parole che la : povera bestia. Nenhumas ciganas em Portugal têem por profissão o canto e a dansa. os vemo-las commerciarem em fazendas. gridando alcune parole di eecitamento cosi. fazerem bruxarias e como sobretudo roubarem e burlarem os estranhos por diversos meios. Alem dos cuidados familiares. Não consta que dos metaes^. ao que parece. memore delle frustate. mas pouco depois reconheceu que fora burlado por ciganos que tinham pintado o animal*. p. Piú forte sarebbe Tingano che riferisce il Franz-. mendigarem com maior ou menor frequência. a industria dos metaes (vid. homens. sem viverem exclusivamente da mendicidade. Colocci. si anima. 175). que conservam noutros paises. lo * frustano terribilmente. mas os primeiros não esmolam e só vão aos montes para negocio . serem curandeiras (o que parece raro). 37. e cioè che introducano un' anguilla viva sotto la coda dei cavalli onde con sifatto stimolo acquistono maggior alacrità. i.» Co. Borrow. — locci. «Per far poi apparire il cavallo vivace e ardente. 2 Mayo. vivem nas povoações e trajam melhor. p.

reproduzo aqui as seguintes buenaventuras de um artigo de Demófilo (Machado y Alvarez). resalá.206 que se paga a troco de alguns vinténs. . 208sobre a buenaventura dos gitanos. na nombre sea de Dios. p. parte respectiva. trin pa ayá. las piya á tiento Tu las tienes los ojiyos de enamorao que tu tu tienes me y me matas un poquito de mar génio pêro te se pasa ai instante eres hombre e secretos y hombre que nunca miras los intereses pa ná tu eres una presona que has querio á dos. catrafun catrafun y la santísima Triniá. 167 e segs. grasiosa. Tu tienes un disgusto con una presona que bien quieres y no es per comia ni per bebia que es per una presona que tu quieres que la tienes en tierra estrana. modo de em que teem portuguesas.« . que tu ventura sea buena. : . : . «En el nombre sea de Dios. as quaes servirão de commentario á Farça das Ciganas. Borrow. á una ha sio lealmente y á otra pa gana e conversasion y á una le igiste. n. de Gil Vicente. En : el nombre sea Dios. A buena dicha divinação As ciganas também deitam muitas rivaes cartas. Sobre a chiromancia dos tsiganos em geral. rumbeliyos : pos jase dias que te presiguen males lenguas tan sola- mente per conversasiones que tu tienes con ciertas presonas. i. publicado em La Enciclopédia. e buena maré y tierresita buena e por si: jase poços dia q'has tenio un disgustiyo con una presona que tu quieres en este mundo tu me quieres á dos presonas una para pasá ti empo y otra para tu gose. que vas a sé maré e cuatro chu1. que tu ventura sea buena.» 3." 31 (Sevilla. . la buenaventura. vid. 1885). «En el Eres hija e buenos pares y . pues tu tas escubierto á una presona que ta pagão malamente pues tu tienes que recibí una carta de una presona que bien quieres y tiene que ser en un un dia seualao tu tienes que ser en este mundo maré e cinco hijos y tienes que ser casa con un José cumple tu con la gitana morena que t' ha dicho cayando . algumas das * 211 . grasiosa. que tienes que sé pare e las espardas ibas á gorvé y le gorviste cuatro churumbeles tu has estão criando una cachigordita artita e pecho cumple tu con la gitana de buena gana que te voy a esí lo mejó e la buena ventura.» 2. Coloeci. Trin pa acá. Nâo tendo colligido nenhuma buena dicha. p. que tu ventura sea buena. chamar uma cigana (mais raramente um cigano os homens também ás vezes : lêem a buena dicha) e ouvir d'ellas a lê-se nas linhas da palma da mão *. sina. : : . ano v.

porque tudo d'ella. p. arrancando-lhes dinheiro e objectos de valor. que não correria perigo.207 quaes teem feito fortuna. segundo a informação de uma senhora que residiu no Algarve. Uma cigana. que no século xvil nos apresenta exemplos das artes magicas das ciganas. Referi-me já ao processo inquisitorial de Garcia de Mira. (vid. sem elle saber nem suspeitar tal lhas. já em paga dos seus serviços. se proposeram quebrar o encanto que prendia o adultero á mulher illegitima. presa ministrar os meios de fazer o grande feitiço. como se tivessem por eíFeito de suas artes mysteriosas penetrado no segredo. feitiço O coisa. e no embrulho. tou-se em uma cidade do norte de Portugal uma hospedara em casa umas ciganas que não tardaram A pobre esposa. dominada pelas feiticeiras. já subrepticiamente. seria pelas ciganas envolvido em panno com um pouco de cabello loiro. onde a encontrou. São sobretudo victimas as esposas que desejam reconciliar o amor do marido infiel. espetaram-se muitas agudevia ser posto durante oito noites debaixo do travesseiro do infiel. não só se teria mallogrado o feitiço. Era preciso passar ás mãos das ciganas o melhor objecto de oiro que houvesse em casa: a esposa entregou-lhes um valioso cor- dão de feito oiro. á vista O cordão formando como uma almofada. porque se o soubesse ou se alguém lhe tocasse antes de findo o prazo. e. em Lisboa e proximidades se dá o nome de hagatas 153). foi . da cor do da bella. fazia uso na cartomancia de um baralho de cartas muito pequeno e com desenhos não vulgares. a que Darei noticia de alguns casos modernos do mesmo género. As bruxarias das ciganas teem por fim burlar os pobres de espirito. os namorados e particularmente as namoradas que aspiram a ter firme a aíFeiçao do objecto amado. Ha em annos esposa descobrir que o marido d'ella não era fiel aos deveres conjugaes. cujo resultado era asseverado infallivel. causa do ciúme o panno foi cosido á linha. os ambiciosos que cubicam thesouros escondidos ou a prompta multiplicação dos seus haveres. mas .

A os dias passaram e as feiticeiras não voltaesposa aíflicta resolveu-se a abrir o embrulho enfeitiçado. adivinhava. O caso era simples. se revela astúcia da parte dos auctores. e offerecen- do-se para attrahirem o referido bahu. mas o cordão não estava lá. tendo de cada lado uma vela accesa. e que. completamente cheio de dobrões em ouro de cinco moedas cada um. de 31 de maio de 1884 (n. auctorisaram as mulheres a fazerem o que entendessem necessário para descobrir o appetecido bahu. desde o tempo dos francezes. queixando.208 ainda resultariam grandes males. No dia seguinte appareceram novamente as duas ciganas e pediram em uma bacia de mãos com agua e cinco pedras de sal. sobre uma mesa. dizendo uma d'ellas á mulher do queixoso que a outra. cada um com cinco fósforos accesos na mão e rezando uma estação ao milagreiras deitaroda da bacia estavam As Santissimo. recommendando as ladras ao ingénuo queixoso que' deitasse na bacia todo a dinheiro e ouro que tivesse. não é decerto um grande elogio á esperteza dos queixosos. lê-se no Diário de Noticias. «Deve «Em principios de abril do anno passado apresentou-se no commissariado da 1. O queixoso e a mulher não acreditaram nem deixaram de acreditar. Fez-se tudo como as ciganas indicaram. estando na casa. vamos aos factos. morador na quinta Pequena do Valle Escuro. um Santo Christo.se de terem ido a sua casa duas ciganas. oito dias para desfazerem o Mas ram. apesar d'isso. no 1. Com o titulo de Bruxarias da actualidade.^ districto criminal. O queixoso e a mulher vendo arder o sal acreditaram no poder das o que ardia eram umas matronas. Tudo lhes foi satisfeito. — . Elias disseram que iriam dar umas voltas e viriam ao fim dos feitiço. ram fogo ao sal e este ardeu!!! De as duas ciganas. Não antecipemos juizos. mas.^ 6:591) : ser julgado hoje. o queixoso e a mulher. ura processo a respeito de crime cuja historia nos parece interessante.* divisão Gonçalo António Rodrigues. ficaram duvida. e por isso soubera que naquella casa havia um bahu escondido.

as santas mulheres despediram-se. affirmando que. cuja chave deram ao queixoso para que este a deitasse no poço afim de attrahir outro thesouro. A diziam. dois corações. juntando-lhe o ouro e dinheiro do queixoso . veiu novamente a bacia em que ellas deitaram o conteúdo das garrafas. D' esta vez ainda se foram embora. Embrulhando o ouro em uma dias depois. «Os objectos de valor que serviram a este estúpido ma- nejo. foram cinco cordoes. nem mesmo o fizesse estremecer. «Voltaram no dia seguinte. cozido estava elle antes de entrar na talha) e disseram ao queixoso que o picasse. elles porque dessem. duas moedas de dez mil réis. deveria estar o bahu. recommendando-lhe que não num tocasse no bahu. mettendo-o em uma pucara de barro. Assim que o queixoso deitou a chave no poço. que fecharam bahu. guardaramna em uma commoda. duas de cinco mil reis. e deitasse por sua mão na agua da bacia. pois que observadas estas prescripçoes o bahu apparecia na noite de S. uma cheia de agua de sete fontes e outra com agua benta de sete pias. dois pares de botões. pedindo duas garrafas para no dia seguinte levarem. deitou-a em um quarto aonde.209 pedras de camphora. milagreira então esborrachou o ovo. era signal certo de que o bahu queria que o tirassem do esconderijo. pediram um ovo fresco que deitaram em uma talha juntamente com o ouro que estava na bacia. uma me- dalha. dez libras. em seguida tiraram o ovo que realmente estava cozido (pudera. misturou tudo e extraindo a agua. buscar terra de sete cemitérios que era chariam com só o cilas que faltava para os queixosos ficarem ricos. Dois ainda voltaram. se o ovo apparecesse cozido. tirando outra vez o ouro. uma corrente com uma medalha. tudo de ouro. Acabada a oração. e dinheiro em 14 . com as garrafas cheias. dizendo que iam muito longe. toalha. porque as de sal tinham sido substituidas por estas. João ao cimo da agua do poço e ellas o pu- uma fita. dois anneis. por sua parte só acceitariam o que porque não podiam pedir nada. um crucifixo.

as ciganas. aqueceram-lhe o resolveram arrombar o bahu. porque á a virtude operação. periódico O Dia.210 prata quarenta mil e quinhentos. rapariga do sitio parece que declarou ás ciganas vivia desgostosa e contrariada por Cupido a todo o que transe. com a chegada de junho. auctoras principaes do pronunciadas . de 6 de junho de 1892 (n. disseram-lhe que no seu futuro haviam de dar-se factos de alta magnitude.se apesar de lhe terem promettido quatro para se calar». também cigana. «Como era de esperar. porém. por foi ser se em sua casa que se concertou o plano do crime. ainda não possivel prendê-las . « Concedido. fazendo o total de réis 3õ6j5iOOO. ha uma afiançada e a quarta que deve ser julgada hoje. o queixoso. levantou um pedacinho a decepção O mysterioso cofre não tinha ! dentro um só dos valores policia. «Correram á deviam estar! deram parte do facto e como conque lá sequência instaurou-se o processo. é accusada como cúmplice. vinténs. . Foram quatro as rés duas. aproveitando a credulidade da pacovia amorosa manquéej. e animo «Olharam e um foi porém. e por ter aproveitado de parte do furto. No lê. os calores próprios da epocha. «Uma «Ab ciganas. Afinal. . com o titulo de A huena dicha: «Haverá uns dez meses appareceram em Mafra duas que se entregavam ao patusco mister de lêr a buena dicha a quem quer que se lhes explicasse com dois ciganas. mais audaz.° 1:498). crime. Encontraram a pucara tapada com a toalha que lhe tinham posto. grande para o outro ainda na duvida de a destapar. . chama-se Maria da Conceição. os queixosos passaram o mês de maio a espreitar á borda do poço a chegada do bahu. Elias encarrega vam-se de mas em casa da rapariga e sem tesa mais ligeira indiscripção tiraria toda temunhas. . pois recebeu uma libra. lhe ler a buena dicha. o teimoso não apparecia.

um grande thesouro escondido na adega. mas ellas se demorassem resolveu-se a abrir o cofre . pertence ás velhas artes gitanas. que ciganas Depois foi tudo mettido dentro de um cofre. refere-se uma hismuito semelhante á reproduzida do Diário de Noticias e em que uma viuva cubiçosa junta jóias de oiro e prata para attrahir. os travesseiros e os embrulhos representam o papel principal. nheiro. escripta no sec. oito «As ciganas uma vez a libras em «Esses objectos foram mettidos num pedaço de ramagem. segundo os preceitos de uma gitana. Na novella de Geronimo d'Alcalá. Para comprarem liha.211 sós com a rapariga. 133-137. Borrow. Historia de Âlonso. que foi fechado á chave. pois em caso de infidelidade não respondiam pela sua vida. baró (Mayo Borrow escreve hokkano haro)^ gran socagrande furto ardiloso. com a Nos estabelecimentos commerciaes exercem muitas vezes as ciganas os seus instinctos de gazze ladre. e a descoser a ramagem. mas recommendaram-lhe que não abrisse o cofre nem pessoa extranha o visse sequer. Os cordões de oiro. 310-315. . repetiram a operação e disseram á rapariga que voltariam oito dias depois. o qual foi cosido em presença da rapariga e de um Christo (!) as levavam. i. mozo de muchos 1 . «A como rapariga esteve até agora esperando as ciganas. afim de dizerem definitivamente o que o futuro lhe reser- «As ciganas voltaram no vava. como se vê d'esses e de outros casos. I. mas o dinheiro que serve de isca é escamoteado pela enganadora gitana. . as moedas de oiro.» Os processos. . ainda o mesmo auctor. xvii e citada por Borrow. Vid. contentaram-se com um bello cordão de ouro e três moedas de 500 réis em prata. A impiedade dos ciganos não os faz hesitar em acondimentarem os manejos com orações christãs e em acondimentarem a creduUdade presença de um Christo *. «Encontrou uma cadeia de ferro e três botões de latão. repetem-se como provas de um mesmo cliché. dia seguinte. O jonjanó toria amos. pediram-llie mas como ella não tinha aquelle diouro.

quienes. Quando giravam libras esterlinas nos negócios.» Mayo. cujos donos ou caixeiros ainda não conhecem as suas artes. que teem cunhado um cavallo e a que o povo chama libras de cavallinho. feijão. fazem vir para cima do balcão muitas peças para escolherem. Borrow. por Uma 1 «Cada dia van slendo menos frecuentes las gitanas. Pouquissimo pude colher acerca das superstições ciganas. colhida por allude aos hábitos de ladroagem das ciganas: Pires. Ihe um certo. por exemplo^ toucinho. 40. dirigem-se a muitas.212 os preparos de uma refeição. vstilar i. para assim ter maior numero de occasiões de tentarem furtos. mano. á baste. ellas tenían especial liabilidad de manos las antigas prácticas de en las férias para hacer coger á la desaparecer las monedas cn los câmbios. Superstições. Se um commerciante lhe apresentava um punhado d 'essas libras. assucar. tratavam de escamotear alguma com a máxima perfeição gocio que se tinha enganado em o numerou quadra alemtejana (canto de natal). Vid. p. as ciganas costumavam dirigir-se aos commerciantes que acha- vam com cara de pobres de espirito e propunham-lhes trocar libras da rainha Victoria por libras de Jorge III. numa só meronde compram uma só coisa. Hê-de furtar o Dês-menino P'ra minha alma se salvar. no poder de alguns terminantemente dara Pires recusou cigana bocado do seu cabello. c de convencê-lo de Uma Sô cigana do Egypto Minlia sina é rôbar. dando um cambio e allegando fazerem ne- com essas libras por serem muito procuradas. feitiços. Nas lojas de fazendas. São realmente emi- nentes na escamoteação. . sem duvida com receio de Crêem. farinha em vez de entrarem cearia. 315-317. mientres sus hombres chalaneaban j mercados. café. a fim de melhor poderem escamotear alguma ou algumas.

como o uso dos amuletos. má Espalhar sal. Jogar as cartas. 4. 2. observada no Algarve. e durante três dias cantam. p. de epocha fixa é a do S. dançam.216 e 217. Festas. comem. Segundo Pires. exteriormente a uma festa É alguns de outras partes do pais) e alguns gitanos. mas a pessoa que nào estava muito KM. 138-139. certa a esse respeito. pp.. parecia perfeitamente convencida da verdade da cartomancia que praticava. bebem. de que ouvi fallar. 1 Sobre as superstições dos tsiganos 215. Quebrar vidros. menciona o mau olbado como crença gitana. como uma occupação sem finalidade. Das festas ciganas pouco pude colher. em geral. três As primeiras superstições encontram-se no povo português ^ inaptidão para o trabalho regular junto Jogos. Colocci. p. se o signal da morte lhe apparecesse naquellas cartas. então que se faz a maior feira do Alemtejo. O cigano jogador tem mala pajé. em Évora.213 que fosse applicado a algum feitiço. celebram casa- mentos. João. sorte. Borrow i. vid. agoiro Verter azeito. porque infallivel mente morreria. No Alemtejo a principal. . tra- adaptada. e dizia que ai d'ella. Alli concorrem numerosos ciganos (ha quem diga que todos os da provincia e ainda dição christã. Vid. Parece e Trás-os-montes os jogos preferidos são no Alemtejo que o salto. a 24 de junho. Colocci. os ciganos alemtejanos : consideram como mau 1. embora represente talvez uma muito obliterada nacional. senão a única. ó infeliz nas trocas. o pulo e o jogo da barra. Uma outra. Mas essa festa não tem para elles nenhum caracter religioso. 3. com o amor do movimento levam os ciganos naturalmente A aos jogos. fazem negócios. 213-214. a qual existe talvez também entre os ciganos.

Depois d'isso as creanças são baptisadas catholicamente.) nos paizes meridionaes da Rumelia e mais tarde no norte. que em taes festas ha vestígio muito obli- terado da tradição das festas naturalísticas dos aryas da Ásia. em a noite de João. formam a base do divertimento. A festa por vezes é coUectiva. no 1. ciganos) que as ciganas quando teem isto é. A festa de 28 de agosto (est. E essa a única particularidade notável da festa. Pereira. a dansa. referido por Colocci. E um filho o baptisam. Os tsiganos de outros paizes teem também festas de epocha Os da Turquia celebram a Icákkavá ou festa das caldeiras. v. e tantas vezes quantas os pães podem arranjar para pa- fixa." de maio. reanimado pelas festas dos aryas europeus.214 o sr. G. 164. a começar no dia de S. Na Hispanha celebram os gitanos também uma festa pelo S. João á meia noite*.) é especial aos atsincani de Volo As comidas. que chegou ao meu conhe- Segundo me informa em cimento. as bebidas. 169-170. ao contrario d'esse escriptor italiano. . Jorge. a musica. do solstiçio de verão. p. reunindo-se centenares de tendas. João. v. voz constante no Alemtejo e Trás-os-montes (provavelmente também nas outras províncias em que ha Baptismo. Durante três dias os tchingianés 1 entregam-se a festas. lavam a cara a noite de S. Essa coincidência inclina-me a pensar. a gritaria. mergulham-no no primeiro ribeiro que encontram e dizem: Eu ou: te baptiso neste ribeiro P'ra que saias um ladrão bem ligeiro Eu te baptiso neste ribeiro Para que sejas valente de pé leve é unha ligeiro. 23 abril (est. lavagem da cara dos ciganos do Alemtejo. a dansas e a jogos. Colocci. que fundiram com dados christãos as velhas tradições naturalísticas do começo da primavera. do outomno. A S. corresponde o costume de banhar três vezes as fontes da cabeça á beira do mar ou de um rio.

porém. A vestia saia cor de rosa com tiras escarlates e pretas. Nessa occasião vae o noivo saber se é da vontade da noiva o casamento: no caso afíirmativo. e das orelhas pendiam-lhe grandes arreO noivo bem vestido foi correndo do seu o d'ella. p. etc. celebra-se um grande banquete. si las- ciano circoncidere fra turchi. Havia a pequena distancia dois acampamentos ao ar noiva livre. Parece. 1 Cf. contas de cores. ca- misa do linho grosso branco. isto é. Num d'elles estava a noiva. que os ciganos abastados e sedentários só baptisam os filhos uma vez *.» . talvez significasse o numero de antado. nos que viveriam casados. et même dune fois. levantou-o e deixou-o cair. tomou-a nos braços e levou-a para o seu campo. «Si lasciano battezare fra i i cristiani.» : Dos Michel. casam só entre si. afim de se relacionarem em com cada freguezia que percorrem. 141 pliis tsiganos bascos diz Francisque «. que. Alli a noiva tomou um pequeno cântaro de barro. pagam as duas familias a meias as despesas no caso negativo estas são . de Vasconcellos. por debaixo de um jaleco de cores vivas. bordado. p. já do numero dos cacos. reuniram cuidadosa- campo para e guardaram-nos depois de os ter cona minha informadora elles tiravam agoiro. ils sont tous baptisés. Colocci. elles e receberem as baetas. Ao pescoço tinha muitos collares de cadas de latão. segundo a infor- mação que um lhe deu. fazendo bolso. 166. vou alli um senhora que residiu no Algarve obsercasamento de ciganos que me descreveu da Uma seguinte maneira.. Segundo já do ruido produzido pela quebra do cântaro. Quando um casamento está justo. Os ciganos. noutro o noivo. mais c'est calcul de leur part etun nouveau moyen de vivre au dépens d'autrui. Tx pays hasque. saindo para fora acima da cintura.. Casamento. (presentes de baptismo. Alemtejo) e mais tarde protecção.215 drinhos lavradores ricos. mente os cacos. escreve L.

de um filho e do qual F. O cigano que era o noivo corria atrás da noiva e os outros gritavam: «Pilha que é tua*». sempre a cavallo. masparece-me que um Vicente. até que recolheram para a casa onde habitavam no logar. gallos (vid. Arrearam elles uns cavallos muito enfeitados.se provavelmente. três ciganos dos mais velhos. e fizeram um grande banquete. estendem sobre a cama um lençol muito arrendado. Ajustam então o dia do casamento. sobre o saco. é casado (catholicamente)^». bebendo e bailando. montaram os homens e algu- mas mulheres e depois foram correndo. e fazendo outros divertimentos. : A O informador de Barbacena diz: «Sendo eu pequeno. Thomaz . a noiva desficando apenas com a camisa. houve aqui um casamento de ciganos. e depois furtaram-lh'a. com que estão acantoados um 1 pequeno lenço branco de algodão enrolado na mão di- Variante. fazem entrar os noivos no quarto e esperam na casa contigua.216 á custa do noivo. infra). por aquelle tempo. Reune-se em volta toda a tribu. e deita-se de costas pe-se. O noivo. Nesse dia estendem no campo em um saco feito de estopa. informador de Villa Viçosa escreve: «Para attestar Um a virgindade da noiva. cigana velha ministrou os seguintes dados acerca do casamento dos ciganos vagabundos. Uma «A noiva é pedida pelos pães do noivo. chefes da tribu. vão os chefes buscar o lençol e mostram-no aos demais ciganos. No dia do casamento ha uma corrida de informação ó talvez inexacta trata. foi ser padrinho. Pires. não da vontade da noiva. segundo outro informador : Pilhâ-lâ qu' é tuia! Pilhã- lâ q\C é tuia! 2 Esta informação como as duas seguintes foram obtidas por A. Não tornei a ver casamento de ciganos. Consummado o acto. Esse lençol ó denominado lençol de honras). Dizem que todos se casam assim que não se recebem de matrimonio (isto é. catholicamente). comendo. mas da da familia d'ella.

ha grande contentamento e vivorio em toda a tribu. jantar da boda. 21 (501) «II existe parmi les Gitanos ne se retrouve point : : . etc. A sua nota Les Gitanos cVEspagne et les Ciganos de Portvgal (Extrait iniern. existência da prova da virgindade na Hispanha. que é feita Peliche —-velho da tribu a que as a occultas.217 no dedo indicador. Borrovv. Correndo as mulheres á garupa e em com cavallos a toda a brida. entre os ciganos abastados. e começam os divertimentos. «Se o lenço não apresenta vestígio algum de sangue. «O lenço «As raparigas casam entre os 16 e 18 annos. bailes. O divertimento favorito c o jogo dos gnllos. era já conhecida. la jeune filie est déflorée par des matrones qui attestcnt sa virginité. p.» A mesma cigana deu ainda a informação seguinte Em Hespanha. csfor- çam-se por espetar os gallos que estão dependurados de uma corda ligada a differentes arvores. procede de joelhos e cora esse ao dodo. d'archéol. Eis o que a esse respeito diz P. mais qui. parmi ceux. autant que j'ai pu parmi les autres Tsiganes d'Europe. vindo elle depois mostrar o lenço á gente dos noivos e aos convidados. d'antJiropol. préhist). et du Compte fíendu de la 9. du moins. o hymen é rasgado pelo 1 : peito. seguida mostra o lenço se está manchado de reita c Em . rompimento do véo da que ha de ser sua companheira. a évidem» le savoir. qui n'a guère pu ignorer cette coutume. «E costume haver muitos casamentos no mesmo dia. qui n'ont pas eu des relations particulières avec leurs frères d'Espagne Immédiatement avant sa première nuit de noces. etc.^ Session : du Congrcs une coutume qui. e moças solteiras teem grande resque usa a unha do indicador da mão direita muito crescida. a noiva é estrangulada pelos pacs do noivo (sic). com lanças (sicj na mão. Ha descantes. é guardado pelos pães do noivo*. écrivant pour le grand public anglais. ficam desde logo casados. entre os gitanos. Recebe de ordinário meia onça -(8 duros) pela operação. a noiva ó abraçada por todos. mais qui est entourée chez les Gitanos de beaucoup de solemnité le mouchoir sanglant qui a servi à lopération mystérieuse est montré à tous les gens de la noce et précieusement conserve dans la famille. Cest une coutume d'ailleurs répandue chez les Musulmans. sangue. Bataillard na .

p. : parle même (p. ne fait qu'une allusion obscure 239) à la défloration par les matrones. et qu'on avait arboré. et moi. prés desquels j'ai pu m'assurer de sa réalité. 20 de las de esta Coleccion. O cigano não renunciou á sua vida pelas feiras. et supprime conséquemment les marques de sang sur le fameux mouchoir. 107 e 117. avait en quelque façon pénétré chez les Bohémiens du Piémont et même de la Suisse. alude á la costumbre que tieseguidillas gitanas diz E em . comme drapeau de la fête ce qui serait tout à fait de nature à induire en erreur. un autre Anglais Tavait décrite avec des détails accessoires qui ont leur intérêt. ainsi que la ceinture il de chasteté elle-même. craint de blesser sa pudeur. como la que lleva el num. mas não sem exemplo. En un praito herde . plusieurs me Tont décrite en : détail. mais avec des modifications importantes et qui lui ôtent une partie de son cachet oriental.218 È raríssimo. 240) d'un mouchoir sans tache «sans lequel il n'y aurait pas eu de noce». nota: «Esta copla. riu-me o casamento catholico de O um sr. qu'il mentionne pourtant en le distinguant de la ceinture de chasteté (dont je parlerai tout à Flieure). as Bendita la maré Que tiene que dá Como dinaba rosita y mosquetas Po la madruga. j'ai rencontré bien des fois en France des Bohémiens plus ou moins affiliés à ceux d'Espagne. J'ai appris ainsi que cette coutume. Deusdado refe- cigano trasmontano com a filha de um lavrador que delle se agradou e se dei- xou raptar por elle. Ainsi Borrow ne nous renseigne pas sur le point essentiel décrivant une noce gitana à laquelle il avait assiste. ment (p. casarem ciganos estranhas com mulheres á raça.» Machado y Alvarez dá nos Cantes seguintes seguidilhas gitanas : flamencos. Tendi mi panuelo Como salieron maré três rositas Como três luseros. naturellement pratiquée aussi par la plupart des Bohémiens du sud-est de la France qui se rattachent étroitement à ceux d'Espagne. emquanto a mulher permanecia em casa. Mais je puis affirmer que : la coutume que j'ai tout d'abord indiquée est certaine bien avant Borrow.

Deuteronomio . Barata. H. o qual se mostra ensaguentado aos parentes. Machado y Alvarez. Segundo informação do sr. o homem deseja convencer se que a mulher com quem vae casar está virgem. Uma matrona é quem entre os árabes e coptas procede á prova com um lenço de linho que lhe envolve o index.. Como vimos as ciganas gosam de reputade fidelidade. As raparigas sakkalavas de Madagáscar praticam em si próprias Na Austrália ella é brutalmente realisada pelos logar solitário. prova da virgindade apparace já na Biblia. casos de ciganas casadas com estranhos á domiciliados dá. xxii. Costume semelhante se encontra entre muitos povos orientaes. Os búlgaros exigem do noivo a prova de que a noiva estava virgem. essa operação. Na Rússia meridional mostram-se as manchas sanguineas. Das Weib in der Natur-und Võlkerkunde..» A laceração do hymen anterior ao coito apparece em vários povos. cit. A. como succede no continente africano e na Ásia. as quaes são recebidas com tanta alegria quanto é o desprezo que ella merece. num Mas nesses povos tal operação não tem por fim verificar o estado de virgindade. Ob. p. Pitré.219 Ha também raça. 117 n. Ploss. No Egypto a prova é tirada com um lenço de musselina. da camisa da noiva. com relação aos ciganos domiciliados Lisboa. Na maior parte dos paises d'essas duas partes do mundo. 303 e seg. p. velhos. Funehri dei Popolo siciliano (Pasi mettea in mostra la cajni- . o pae d'esta extendia o lençol com a prova á face dos anciãos da cidade. la camisa de la desposada para que las famílias conocidaspuedan cerciorar. Usi Natalizi. F. traslada a respeito do mesmo costume no povo da Sicilia a seguinte passagem da obra de A G. os ciganos em Évora casam catholicamente. cit. O mesmo se segundo apurei. ai dia seguiente de la boda. 301. se as ha. 13-21.se de la virginidad de la doncella de la víspera. á virgindade que se enProstituição. nen los gitanos. i^. de presentar. ob. Na Núbia a operação faz-se simplesmente com o dedo e ante testemunhas. Se o noivo punha em duvida calumniosamente a virgindade da noiva. em Relativamente a divorcio nada pude apurar. logo que os seios da virgem começam a dilatar-se. e os costumes dessa gente provam o ção apreço dado á honra feminina. 1879): e «La dimane delle nozze. Nuziali lermo. se a prova falhou.

as vizinhas e comadres do bairro.» em a mãe fazer a cama no Outra variante siciliana do costume dia seguinte ao da boda. ou solteiras ou casadas teem convivido com estranhos. «Fra il gli Zingari turchi. la de mostrar á los convidados el . e expulsa da tribu. la sposa. cerimonia (do madurante laquale giovane rapisce Un : monio zingaro a Costantinopoli viaggiatore cosi narra un matri«II y avait foule nombreuse à . simulação do rapto da noiva. e a que se entrega é desprezada. em um botequim. encontra-se entre tsiganos de outros paises. Pires colligiu a seguinte informação «E rarissimo entregar-se uma cigana. havia uma cigana Um prostituta (caso rarissimo). 226. pois por essa epocha appro- cia delia sposa. clie nelle loro zuífe le donne si riman- A dano per ventare Tonor consiste loro. 42 : «Todavia se conserva entre muchas famílias gitanas la costumbre antigua espaiiola que desapareció con la accesion de la casa de Áustria ai trono de Espaiia y á la que se sujetó Isabel de Castilla cuando se caso em Valladolid con Fernando de Aragon. a prova da virgindade de uma rainha e da consume maçâo do casamento era apresentada aos ministros grandes da Adoptaram gitanos tido e ciganos esse costume na Hispanha ? Trousó xeram-no de outra parte? E um problema que pode ser discu- num A estudo geral sobre as migrações dos tsiganos. que costumam entrar a miúdo em todos os botequins das feiras. esto el es. quando estão presentes os parentes do marido. dia de tornaboda . Todavia algumas ciganas. pois os ciganos solteiros. questo fato pare che allude la frase popolare La me cammisa *un arristau hhianca. » cendal de la desposada. la trimonio) consiste talvotta nel simulara una zufí'a. Esse caso de- via ter-se dado antes de 1879. p. exemplo: Numa das ultimas feiras de Villa Viçosa. Mayo diz. perche i parenti e i vicini potessero scorgervi i segni suddetti. e é até bem conhecida em diversos logares de Portugal. diz Colocci. nem ao pé d'esse botequim chegavam. assim como em muitos outros povos.220 trega ao esposo. a fim de verem as provas da recente perda da virgindade da noiva e poderem attestá-la. la prueba justificativa. ultimo vestígio do verdadeiro rapto primitivo. com ciganos. : como não ha regra sem excepção. Referem-me que na corte portuguesa existia ainda neste século : egual costume corte. p.

i coningi divengono perfettamente liberi. 628 segs. se non colla rottura d'un secondo vaso. La convivenza loro è considerata obbligatoria. Esta cigana é a cantada nos acompanhamentos de viola com o nome de Severa». l'entrée de la prairie de Boyuk-Deré. per qualunque causa. Ciascuna delle parti raccoglie alcuni frammenti dei vaso e li conserva presso di sè con moita cura. e poi d'un terzo. suivant Tusage. .» Essa explicação permitte-nos interpretar a informação incompleta reproduzida acima todavia o sentido da cerimonia pode ter-se alterado entre os ciganos. ainda alli xlmadamente foi vive uma cigana afamada. et Ton voyait aller et veuir d'une tente à Tautre les parents des futurs époux ainsi que Ics invitós.» gal. ed essi son fatti legittimi coningi. ou Ton célébrait im mariage bohcmien. como as demais que aberram dos principies da seita. p. vid. Segundo uma informação recebida de Évora. vejamos Colocci. armes de batons et simulant une lutte. nè ponno piu rinnovare la loro unione. . accidentale o voluntária. foi desprezada de todos e vive isolada com o filho . Está na companhia de um filho que é alfaiate. finchè sussiste presso di essi alcuni di quei frammenti. Consiglieri Sobre a simulação do rapto nos casamentos populares em PortuPedroso in Compte rendu de la neuvieme sesnnn dn Congres d'antropoL et d''arclieol. diz o meu infor^ fidalgo. Les tentes des familles dcs futurs conjoints étaient à une distance d'une vingtaine de mètrcs environ. Questi smarriti.. que foi amante do ultimo conde de Vimioso. 22Õ-226 «In Ispagna e in Moldávia (secondo Borrow e Cogal: niceano) la cerimonia delle nozze consiste ancora nel rompere clie fa la sposa di un vaso di terra davanti aCuomo dei qual è per farsi compagna. Z. Relativamente á cerimonia do cântaro quebrado. Et ainsi cette noce patriarcale. assim mas que tem nome como em mador. Après quoi ils partirent ensemble pour aller fêter la dive bouteille.221 prohibido o estacionamento de prostitutas nos botequins das feiras de Villa Viçosa». . fiuit me s'empara accompagnés de leurs parents. pendant laquelle les fiancés s'étaient rencontrés prés d'une des tentes. come Gringoire ed Esmeralda. préh. . ecc. outro que reside Lisboa e dizem ser rico. «Esta cigana. pp. Lejeunehom- de sa future et Tayant embrassée rentra avec elle dans sa tente.

Hoje ellas estão evidentemente decahidas d'esse antigo favor. porque o nome da cigana de Évora não é Severa. graças á sua obediência aos costumes tradicionaes da raça 2. não se pejando de dizerem as maiores obscenidades. No que respeita ás gitanas. e d'ahi resultou mais que uma linha de bastardia. 1867). Costumes fúnebres. O ultimo chega a dizer En ningun lupanar de Europa se encuentra una prostituta gitana. Cf. O Conde de Vimioso Um A Por isso duro golpe soíFreu. junto com os seus modos facilmente provocadores. attrahiu-lhes por vezes uma reputação que geralmente não merecem. parece-me que esta seria amante de um conde de Vimioso mais antigo que o ultimo. quando morre um cigano é enterrado pelos da tribu em pleno campo e sem mais formalidades. Era considerado nesse tempo como o primeiro ter visto tourear cavalleiro e negociava em cavallos como os ciganos. Que uma fadista morreu Hoje mesmo faz um anno. Quando lhe foram dizer tua Severa morreu. chorae. em Lisboa. Sobre as desencontradas opiniões relativamente á prostituição ou castidade das tsiganas. vid. que eu me lembro de e na praça do Campo de Sant'Anna. . p. 192. além do grande Cancioneiro popular (Porto. pp. fidalgos foram muito aficionados ás ciganas. 1. fadistas. que exaggeram sem duvida a virtude : da gitana e das tsiganas em geral. Segundo uma informação de Pires. Theophilo Braga e começa pelas quadras seguintes Chorae. 220-224 e 227. Isso. Bor323-337 e Mayo.» . row. nesse ponto de vista. Colocci. Os As ciganas são muito livres de lingua. p. supra i 2 p.222 O Fado da Severa * foi colligido em Coimbra pelo : sr. Que a Severa falleceu. vid. 140-141. 39.

principalmente por tsiganos caldei- . padre lhe pedisse 2j5i400 réis. As creanças (pelo menos algumas) são enterradas nos cemitérios christãos. segundo outras informações. Portugal é por vezes percorrido por bandos de tsiganos d'além dos Pyrineus. com tal oíFerta. diz-se que se ignora onde os ciganos enterram os cadáveres dos adultos. Os ciganos deitam (callardó). fora de sagrado. Mas não bai- lam nem cantam por essa occasião. Segundo uma informação. aquelle cigano que vivo não valia o pae esse dinheiro. quer que atravessem a fronteira para irem a Hispanha. tura nenhuns utensílios ou armas. parece que se entendem bem com os ci- ganos. soltando estas cadáver ó acompanhado de homens grandes alaridos. usando então de lenço amarrado Relações com os tsiganos dos outros países. que não dava mais de 500 réis. corpo. o troço do cabello e não o deixam crescer emquanto viuvas.223 choro das mulheres e das creanças. O e mulheres. rados Em Cuba nas propriedades de um pensava-se que oram enterlavrador rico e titular. o cigano marchou de noite com os es- abandonando o cadáver insepulto na casa onde luto pelos mortos tavam. quer sejam os gitanos que venham a Portugal. em tempo Villa. Já vimos que vinham alguns dos últimos á feira de Évora. protector d'elles.Viçosa fallar um cigano foi em ao parocho para lhe enterrar o pae. sejam elles Nas terras portuguesas próximas da fronteira são vistos muitas vezes. Não mettem na sepulmas simplesmente o Diversas pessoas diziam que os ciganos enten-avam a occultas os cadáveres dos adultos. Os ciganos acham-se muitas vezes em contacto com os gitanos. e como o padre não se quiz satise como o disse-lhe fazer seus. que é de cor preta As viuvas cortam á cabeça. Nalguns pontos do Alemtejo.

parte dos quaes entraram varias vezes na cidade. suas tendas. pelas 3 horas da tarde. «Acamparam ha dias no rocio da Fonte Nova e levantaram hontem. como é de uso entre elles. . Duarte é casado com uma portuguesa. Armaram as tendas. Entre a caravana vinham : dois duques. lingua. «O aspecto d' esta gente é hediondo tez morena e afeiada pela habitual falta de limpeza. tem contacto com os ciganos. estação do caminho de ferro da Beira-Alta. todavia parece que as relações não são muito intimas. o corpo mal coberto de farrapos e esses sórdidos e fétidos. cabellos compridos e immundos. ao que parece. Infelizmente foi-me impossível então ir examiná-los de perto. visto ha annos em Elvas. «Levantaram o campo em consequência de cento mil réis que a alfandega lhes exigia como fiança a 17 cavallos que traziam e puxavam os carros. os quaes. quinta-feira. está estabelecido um individuo chamado José Duarte. de seus carromatos. etc. E. . servindo-se. que apresenta typo tsigano. miseráveis como os restantes apenas os distinguiam os bastões com ponteira e maceta de metal branco. e a quem chamam o húngaro. «Exerciam o mister de caldeireiros e com tal proficiência que deixaram pasmados os artistas nopolitanos de egual e tantos profissão. Nestes últimos annos vieram até ás proximidades de Lisboa dois bandos de tsiganos húngaros. para que se produza entre influencia nos costumes. Augusto Neuparlh de que em Santa Combadão. um tsigano húngaro ou filho de tsiganos húngaros a quem o país agradou. Reproduzo uma noticia acerca de um d'esses bandos. estabelecidos nesta cidade. uma caravana de ciganos húngaros que se compunha de uns 50 entre mulheres e creanças. mais fino que o dos ciganos. e barba longa e esquálida. Tem uma taberna e trens de aluguer. etc.224 reiros da Hungria e tsiganos conductores de ursos e ma- cacos da Bucovina. toldos. elles qualquer Informa-me o meu amigo sr. sem duvida.

as creanças acercavam. Como em Elvas. «Quando fizemos visita ao campo. nabos crus salgados. mas viam-se-lhes ao pescoço collares de preço e contas de oiro. beijando-lhe as mãos. mas pretas. pés. pediam-lhe de mãos postas alguns francos. iii anno. tirada canina. 22 de outubro de 1869. «Soubemos agora por uns amigos que chegaram de Badaque se acha alli acampada (a caravana) ás margens do Guadiana. tivemos occasião de ver como esta gente se alimenta: couve verde fervida simplesmente em em pedaços com e. que tinham armado uma alli caravana de ciganos húntrês grandes barracas. Vinham da Hispanha e dirigiam-se a Évora. Elvas. ri E a caravana não pasma de curiosidade. as agua. Queixavam-se de ter pouco negocio em Portugal e tencionavam voltar para Hispanha. «Apesar de sabermos que a caravana trazia objectos preciosos de prata e oiro. Havia algumas com feições regularissimas. á entrada da villa. antes se ou se torna indifferente » * ! surrateira Em maio de 1883 viu Thomaz Pires na alameda de Borba. «As creanças usavam igualmente botas até ao joelho. porque tinham a cabeça atada com farrapos. Dois d'esses rapazes pedir disseram eram ciganos que caldeireiros. quando algum estranho se appro- ximava. em forma e ta- manho de um ovo de gallinha. garos. e os olhos de todas. negros e rasgados. faiscavam de brilhantes. 127. 15 . se não fossem mais felizes em Évora. mal cozida. As mulheres não sabemos se usavam arrecadas.se e. é alli a spectactio gentium. etc. e quasi todas fumavam de cachimbo. sardinha feita mãos e lançada numa certa de ferro d'alli immunda. Diziam-se feito 1 A Democracia pacifica. com as mãos e comida com uma voracidade joz.225 e uns botões no collete do mesmo metal. traziam objectos para vender e concertavam os que lhes confiassem. e algumas usavam de botas encarnadas. Os saíram á estrada a esmola.

.226 da Hungria. O segundo informador baseia-se na estimativa a olho (sem contar) dos que concor- rem á feira de S. E impossível saber. diziam. não faziam negocio de gado. mulheres e creanças. Não natiiraes gostavam de ser comparados com estes. Pires encontrou mais tarde. se julga reunírem-se todos os ciganos alemtejanos. lhes pagassem em pintos (moeda portuguesa de 480 réis. nas transacções feitas com elles. Pires diz que á feira de Villa Viçosa de 30 de maio de 1883 concorreram mais de 500 ciganos alemtejanos. sequer approximativa- mente. que não poderia entender o dialecto tsigano húngaro. assim como o sr. Gabriel Pereira. ainda com a sua grammatica Estatística. que o dos ciganos alemtejanos usavam o cabello muito comprido. concor- dando ambos em que naquella província não haverá mais ou muito mais de 400 a 500. onde como se disse já. Talvez esses tsiganos fallassem o hispanhol misturado com termos da sua lingua e com termos gitanos. O seu vestuário era como o da caravana descripta no artigo typo era mais . João em Évora. No Alemtejo ha quem calcule existirem 2:000 a 3:000. dando assim ao cigano alemtea jano impressão de que fallavam a hnguagem peculiar deste. Os dois fallavam perfeitamente hispanhol e eram muito attenciosos e sympathicos. como já foi referido. um cigano alemtejano que lhe affirmou que os ciganos húngaros fal- lavam o rumanho. homens. acham muito exaggerado esse numero. que não era a dos ciganos hispanhoes. como já vimos. distincta. legal). como elle. Traziam cavallos só para seu serviço. O informador de Barbacena. Fallavam. qual o numero de ciganos que ha em Portugal ou ali em qualquer das suas províncias. Os ciganos a que se refere esse artigo pediam que. anteriormente transcripto. uma pois lingua especial. hoje fora do curso Parecia que conheciam bem essa moeda. ainda com alguns de outras províncias. O fino.

Nesta protambém deve haver alguns milhares de cigacômputos são talvez exaggerados. Esses doisultimos Conclusão. vêem muitos centos d'elles. todavia informam-me de que á feira annual de Sacavém. Os factos glottologicos. abstrahindo das diíFerenças resultantes de influencias locaes.227 A uma feira das Caldas da Rainha ha quatro ou cinco annos não concorreram mais de 50 da Extremadura. a historia e os cosdistin- tumes mostram que os ciganos de Portugal não se guem por nenhuma particularidade importante dos gitanos de Hispanha. diz-se. perto de Lisboa víncia. nos. . que principalmente se fazem sentir nos gitanos andaluzes.

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15 de julho de 1686. 17 de agosto de 1557. nem os originaes -ou copias coevas d'outros reproduzidos de collecções impressas. Bar- O sr.. 174 v. communica-me o seguinte : «Existem na Camará (de Évora) documentos acerca de ciganos desde 1549. n. por faltarem os respectivos registos ou diplomas no Archivo Nacional. 22 de maio de 1694 e 23 de janeiro do 1699. fl. 15 de maio do 1694 (diversos).'' das cortes de Évora de 1535. D .24. António Francisco Barata. 314 do Livro de 100 v. 137 do II . fl. fl. 16 de setembro de 1566. feitas por D. da Bibliotheca publica de Évora. «Tratam da expulsão dos ciganos estranjeiros e da prolii- bição aos nacionaes de trajarem a seu uso e de nao trabalharem. Citam o art.. 20 de maio de 1587. João III. Devo a copia dos documentos tholomeu de Azevedo. 28Õ do xii. nos Livros dos originaes a fl. P.°^ 5 e 6 ao sr. José Lopes de Mira e a do Livro VI de Registo^ fl. ordenam que os façam trabalhar e aprender ofíicios. 175 e 176 datas de 8 de outubro de com 1549.APPENDICE I DOCUMENTOS Não me foi mentos dados possível encontrar as integras dalguns docuem extracto. fl. 315 do vi.

1790.230 Lzo a dos documentos consoante se Reproduzo orthograph orthographia eucontram nos originaes. 321. xxxvi: : Capitolo CXXXVIII «Item. D.] 1638 No volume delles fezeram. pedem a vossa alteza aja por bem que nunca em tempo alguu entre ciganos em vossos reynos. das chamadas das Cortes. senhor. do anno de mil e quinhetos e trinta e cinco com : : : suas respostas. iij sente dei rey nosso senhor na ciGalharde empremidor. registos ou collecções impressas. . [José Anastácio de Figueiredo. As leys que ho dito senhor fez sobre alguns dos ditos quaes fora publicadas na Cidade de Lixboa no ano : E de seu Reynado e xxxvii de sua idade xxix dias do mes de Nouembro. i. E acabara se aos xxxix. cortes de Torres nouas E nas Deuora : do anno de mil e quinhetos e vinte e cinco. que cita o Liv. . e se saião os que nelle estiverem e diz quasi o mesmo que a lei 24. e a Ord.» em que o pouo recebe muyta perda e . introduzo todavia alguns signaes de pontuação e faço algumas correcções. roxo ou 3.». da Supplicaçâo. acham-se. v. 69. capitolos. mandado do qual tive preNacional. encontram resolvendo em geral as abreviaturas. tit. 244.). Lisboa. 1526 «Alvará de 13 de Março de 1526. fl. tem no fim Fora impres: sos estes Capitolos e leys per : dade de Lixboa per Germã dias do mes de Março. liv. De mil c quinhetos e trinta e oyto anos» e entre eles se lê a foi. no pr. e de 26 de Novembro de 1538. intitulado Capítulos de cortes e leys que se sobre alguns Com priuilegio real. para que não entrem Ciganos no Reino. nov. Anno de M. Anno do nacimcto de nosso senhor Jesu christo. «Capitolos geraes: que foram apresentados a el Rey dô Johã nosso senhor terceiro deste nome xv Rey de Portugal nas um bello exemplar em pergaminho do Archivo : : . (philippina). Synopsis chronologica. XVII. (74 foi. porque delles nâo resulta outro proueito se não niuytos furtos que fazem: e muytas feytyçarias que finge saber: fadiga.

e aggravo. «Vendo eu o prejuízo que se segue de virem a meus reynos e senhorios ciganos: e neles andarem vagando pelos furtos e outros malefícios que cometem e fazem em muyto dano dos moradores de meus reynos e senhorios. a cuja execução se procederá. como for de justiça.231 Reposta «Ey por bera que nâo entrem ciganos em meus reynos daqui por diante como neste capitolo me pedis e disso farey ley. abaixo reproduzido doe. 138. e 1535. se accrescentão as penas até galés. .** 6).>> (Vid. [Figueiredo. abril de 1579. das Cortes de Reinos.» il. que não entrem os Ciganos nestes em que alem do que he mandado no Cap. 1525. tornar outra vez a entrar nos ditos reynos e senhorios será outra vez açoutado pubricamente com baraço e pregam e perdera todo : : mouel que teucr e lhe for achado a metade pêra quem o accumetade pêra a misericórdia do lugar onde for preso. n. dando appellação. E se despoys de passado o dito termo for mais achada algua das ditas pessoas por não se^ sayr dentro no dito termo ou posto que se saisse . O que auera lugar assi nos ciganos como em quaesquer outras pessoas de qualquer naçam que forem que andarem como ciganos posto que ho nâo sejam. Mando que daqui em diante nenhuns ci- ganos rios : assi e entrando : pregam e homês como molheres entrem em meus reynos e senhosejam presos e pubricamète açoutados com baraço e despoys de feita nelles a dita execuçam lhe será assinado termo conveniente em que se sayâ dos ditos reynos e senhorios.» o : sar: e a outra : : 1557 «Lei de 17 de Agosto de 1557. Porem sendo alguu natural de meus reynos não será lançado fora delles e será degradado dous annos pêra cada huu dos lugares dafrica: alem das sobreditas penas. Synopsis chronologica . Lxvii : Ley XXIllI.w E a foi. Que os ciganos não entrem no rei/no.] 3Sr-<^ -3= 1573 em Évora a 28 «Alvará de 14 de Março de 1573. o alvará de 11 de . . 22. publicado na Chancellaria mor do mesmo mes e anno.

e eu vemdo o que me asy dise he pedir emvyou.» [Figueiredo. de lhe cumutar os cimquo anos em que foy condenado pêra as gualles. ficassem sugeitas ás penas da dita Lei 24. que ^âo tjnha nada de seu. quamdo hally fora pobrjcomo todo se mostraua da sentença que oferecia.232 «Na Apostilla de 15 de Abril do mesmo anno se declarou. fez. me pedya que ouuese por bem que se sahyse loguo do Reyno ou que fose pêra o brasyll pêra sempre e podese leuar sua molher avemdo respeito a pena que já tinha Recebyda etc. fl. D. tores paullo affonso e amtonjo vaaz castello etc. 189. ano do naçimento de noso snr Jhu xpo de m Roque vieira a fez escreuer.] 1574 Dom sebastiam etc. cO baraço e preguão. dinzemdo que semdo ley deste Reyno que toda geração de çiguanos não vjuesem neste Eeyno e delle se sahysem em certo tempo e por tella. baraço he preguão hera feita execuçam e a dita sua molher hera fora do Reyno e elle ser presente. Jleiír. queremdo lhe fazer mercê visto hu parece com o meu pase (?). onde . el Rey noso snr ho mamdou pelos doue . homde perecia ha mjmgoa. e pelos Ouvidores nas Terras. Seh. ey por bem . ii. e Comarcas. Liv. visto como cada em momtalluão. como as mais impostas aos Ciganos fossem executadas pelos Corregedores e Juizes de Fora dos Lugares. he por que dos haçoutes. homde leuara sua molher e filhos. çiguano preso no lymoeyro. me êujou diser per sua petição que estamdo na villa de momtalluão morador e jmdo e vjmdo a castella fora preso he acusado pela justiça. e a dita sua molher se sahyrya do Reyno em dez dias. dioguo fernandez a v*' Ixxiiij" anos. pelo caso de que faz menção. que como nas mulheres não podia ter lugar a pena das galés. na forma dada em allmeyrim a vij dias dabrill. 16 de Legitim. faço saber que Johão de torres. 168-1C9. fossem achados sem appellação nem aggravo. visto outrosy como he feyta execuçam dos haçoutes por tamto vos mando etc. c [Archivo Nacional. fora elle não ser sabedor da tall ley por jr he vyr ha caspreso he acusado pela justiça. onde nào entrão os Corregedores por via de Correição. visto ho que halegua e declara. elle he sua molher amgylyna e condenado per sentença da mor allçada. homde se não mostraua certjdão de forão presos. e não hera pêra serujr em cousa de mar e muito pobre. Synopsis chronologica. me praz se assy he como dis..] . e hera fraquo he quebrado. em outros cimquo anos pêra o brasyll. das (chamadas das) Cortes e que tanto estas. estaua no lymoeiro. D. elle em çimquo anos de degredo pêra as gualles e açoutados publicamente.

como acjma he dito. E querendo nisso prouer ey por bem e mando que e todos hos lugares de meus Reynos se lancem loguo pregões pubricos. certos comprir e guardar semdo os ditos corregedores. ou minhas pêra podere estar nestes Rejnos. posto que polia ley vinte e quatro dos capitólios das cortes que se fezerão no ano de trjnta e ojto e pello capitólio vinte e cinquo do Regimento que mandey dar aos presjdentes das allça das que forâo visitar meus Rejuos. juizes de fora e ordjnarios e quaesqucr outras justiças. e acabados os ditos trjnta dias qualquer cigano que for achado nos ditos meus Reynos por esse mesmo feito será loguo omde for achado e degradado pêra sempre pêra as gallees posto que tenha proujsão do dito senhor Rej meu avo ou minha pêra poder estar ou andar nestes Rejnos. se embarguo de allgus delles tere proujsões dei Rej meu senhor e avo. que santa gloria aja. Eu el Rey faço saber que eu são jnformado que.^ e 1579 Alluara sobre os ciganos Eu el Rej faço saber aos que este alluara uire [que hoj que cl Rey meu sobrinho que deus tem pasou hua proujsão feita a catorze dias do mez de março do ano de v^ setêta e três. está bastantemente proujdo pêra que hos ciganos. nc has pessoas que amdão ê sua companhia amdem. corregedores. que começarão do dia e que se derê os taes pregoes. os ditos ciganos e pessoas não deixão por jsso de estar e andar nelles e fazer muitos litos fui tos e outros insultos e del- de que ho pouo Recebe grande opressão. juizes de que se ha de preguntar por este caso e suas Resjdencias. guardem e façam asj jnteiramente fora. ouujdores. nas praças e lugares acostumados. hofficiaes e pessoas dos djtos meus Rejnos que cada hu e sua jurdiçam cumprão. e mando a todos meus desembargadopreso e açoutado publicamente no lugar res. ne estem nos lugares dos ditos meus Rej nos. pobríquem loguo nos luguares homde estjuere e façao pobricar e todos os outros lugares de suas comarquas e ouujdorias e Registar nos liuros das camarás delles pêra que a todos seja notório c se . ouujdores. que os ciganos e ciganas e quaes quer outras pessoas que em sua companhia andare se sayão dos ditos meus Reynos dentro de trjnta dias.233 3sr. da que o terllado lie o seguinte. e que achandose que não teuerã diso o cujdado que deujão se ha de proceder cõtra elles como ouuer por meu seruiço e asj mando ao chanceler mor que pobrique esta proujsão na chancelaria e euie . perda e trabalho. loguo cartas c5 ho treslado delia sob meu sello e seu sjnal aos ditos corregedores e asj aos ouujdores das terras e que elles não estão per uia de coreiçam aos quaes corregedores e ouujdores mando que ha .

Gaspar de sousa a fiz em Évora a xiiij" de março de mv*^lxxiij.] . aos quais mando que ho pobriquem nosloguares omde estiuerê e o façâo pobricar ê todos os lugares de suas comarquas e ouuidorias. que samta gloria aja. ou se não avizinhassem nos Lugares sem andarem vagabundos. fiz escreuer. ou viver mais em ranchos. com tal declaraçam que hos ciganos que teuere leçemças dei Rej meu jrmão. que se faria execu- e procetar. acima tresladada se cumpra e guarde jnteiramente como se nella conthem. 1. Synopsis chronologiea. tudo sob pena de morte natural. ii. não podendo andar.234 cumpra e de jnteiramente ha execuçam como nella se cothem e esta . que diz que has cousas cujo efeito ouuer de durar mais de hú ano passem per cartas e passando per alluaras não ualhão. perante hu dos Corregedores de minha corte dos feitos ciuis. e se sam casados e o modo e meneo de suas vjdas e costumes e parecêdo lhe que uiuê bem e que trabalhão e não são prejudiciais. fl."] 1592 «fLei de 28 de Agosto de 1592. 261. pedro de sousa ha fiz e Lixboa a xi dabril de mv'' setenta e noue. se Registara no Livro da mesa do despacho dos meus desembargos do paço e no das Rellaçõis das casas de suplicação e do çiuel e que se Registarão as semelhantes proujsões e ey por bem que valha e tenha força e vigore como se fose carta feita e meu nome por mj \ asjnada e passada por minha chancelaria. E ora ey per bem e mando que ha proujsão do dito senhor Rej meu sobrinho. titulo xx." de Leis. ou Quadrilhas . em que se exasperão mais as penas contra os Ciganos. nem estar. Jorge da costa a fiz escreuer. que deus tem. e este se Registara na mesa do despacho dos meus desembargadores do paço e nos livros das Rellações das casas de suplieaçam e do ciuel ê que se Registarão as semelhantes proujsões. 57 v. Liv. que dentro de quatro meses não sahissem de Portugal. dendo contra elles até á execução sem appellação. Johào de sousa o [Archivo Nacional. e mando ao meu chanceler mor que pobrique este alluara na chancelaria e êuie o trelado delle sob meu sello e seu sinal aos corregedores e ouuj dores das comarquas de corregedores e ouujdores meus Rej nos. para que a todos seja notório.» [Figueiredo. e do dito Rey meu sobrias examine nho. não permitindo que uiuão juntamente c hum bairro. nem aggravo. lhe poderã dar licença. fazendo-os para isso prender os Ministros das terras. senão ê bairros apartados. o qual se jnformara de como uiuê e de que mesteres usão do João. e que amdem vestidos ao modo português. sê embargo da ordenaçam do segundo livro.

do anno de 1597. por lhe asim pareser se asinaram todos. Luiz Ferz. e amtes de se asinar o ." 21. eu João Sirueira que ho escreui. posto que as testemunhas nã sabem expesificaidamente quais dos ditos siganos o fizesse (sic) e alem diso por esta cidade ser de gemte belicoza e da raia e acim de comtino acomtesera muitos cri. (a) Siqr.235 jsr-° 8 1597 «Aos dezasete dias do mes de junho (de mil e quinhemtos nouemta e sete annos) fiserâ Camará de veraçâ os sennòres Juiz e Veradores e procurador do concelho abaixo asinados. os quais se emcobrem dibaicho desta capa de diserem que os fiserâ os siganos. por quanto desdo dito tempo pêra ca se tinha feito muitos furtos de bestas e outras coizas e amdaua a gente da sidade ta es- camdalizada que se temia hu mutim comtra elles. Llogo nesta Camará pello Juiz e Veradores e procurador do concelho foi acordado que comvinha ao bem pubrico e quietaçã desta cidade nã se comsemtirem nella os siganos que os dias pasados se viera avisinar com precatório do corregedor do crime da Sidade de Lisboa. eu João Sirueira que ho escreui. (a) Siqr. [Livro das vereações da Camará Municipal de Elvas." 1. eu João Sirueira que ho escreui. pello que detreminarã que fossem noteficados que demtro era três dias se saicem desta cidade e seu termo para o que se lhe pasaria carta pêra lugar serto." N. Por aqui ouuerão a Camará de Verasã por feita c acabada e se asinaram. Archivo da Gamara de Elvas. e semdo achados pasado o dito termo se prosedera comtra elles com todo o rigor e de tudo mandara fazer este termo que todos asinarâ.*» de Carualjall." de Carualjall. mandara requado ao sor amdre gomçalvez de Carnide Corregedor desta Comarca para lhe darem comta deste negosio amdito termo tes partes de se dar execuçã o qual dise que dipois de pasada a liei nas omde resedira nunqua comsemtira avesinarem-se siganos dipois de serem escolhidos lugares na forma da lei e que lhe pare- sia muito bem nã se ametirem os ditos siganos nesta cidade pellos gramdes emcomvenientes que quada dia pode soseder por ser terá belicoza e da raia.Soarez. .» fl. maço n. eu João Sirueira que ho escreui.] 54 a 55. maiormente depois que ouve algfís furtos que conhesidamente se soube serem feitos per elles. queremdoa. mes de diverças maneiras. Joam -f- Soarez.^ Carnjde. Joam -f. armário n. N.

llogo nesta Camará foi praticado dos muitos furtus que os siganos fazia nesta cidade e mandara os sennõres Veradores e procura- dor do concelho apregoar que todo o sigano. E feita nelles entrando. em que se saiaõ fora delles. que tiverem. [Ordenações philipinas.] fl. Que naõ entrem no Reino Ciganos. Joam -j- Soarez. liv. (a) J. e a outra para a Misericórdia do lugar. 50.« [Livro doa vereações chivo da da Camará Municipal de Camará de Elvas. Persas. e percaõ o movei. que fosem achados nesta cidade e seu termo que fosem presos e que se prosederá comtra elles eomforme a liei . alluez de Lemos. mas seraõ além das sobreditas penas degra- dados dous annos para Africa. tirado dois que esta avesinhados nesta cidade.236 1597 «Aos e três dias do e sete anos fiserã mes de junho de mil e quinhemtos e novemta Camará deureaçâo os sennõres Juiz e Veredores procurador do Concelho e se asinarã. Arménios. ametade para quem os accusar. naõ se saindo dentro do dito termo. N. (a) N<' de Carualjall. de qualquer Nação que sejaõ. eu João Sirueira que ho escreui." 1. alluez quinhemto e novemta e sete anos. onde forem presos e sendo algumas da ditas pessoas. seraõ lançados delles. oje três de iunho de mil e eu João Sirueira que ho escreui ualjall." de Carasi- por aqui ouverã a Camará de uerasã por feita e acabada e se narao. como mulheres. naõ nelles. assi homens. que com elles andarem. de Lemos. nem outras pessoas. Ar- IT. nem Mouriscos de Granada. 69. J. maço Elvas. do anuo de 1597. n. não entrem em nossos Reinos e açoutados e Senhorios. tit. e lhes for achado. ou tornando outra vez entrar sejam outra vez açoutados. naturaes destes Reinos. As foi Ordenações philippinas foram concluídas posta no alto do extracto. armário n. que com os Ciganos andarem. que os ciganos. Luís Ferz. E com baraço e pregão.] cm 1595 e publicadas em 1603. Luis Ferz. eu João Sirueira que ho escreui. . data que . E lhes seja assinado termo conveniente. v." 21.^ IO 1603 Mandamos. Arábios. sejaõ presos a dita execução.

do qual o treslado he o seguinte. e da con- quista. e nelle residissem. em seguimento impressa. e contra forma delia os Corregedores do crime desta cidade de Lisboa. que não cõuem : e porque também tiue informação. que fazem a meus vassallos com geral escândalo. e dia. nauegação. e encorrerão : : mais nas ditas penas. lei de 13 de se- IsT-^ 1Í3 1613 Dom ues. que fossem achados neste Reyno vagando em quadrilhas. reproduzido na tembro de 1613. se não cumpre. e pella segunda vez sejão outra vez açounas residências. da ínFaço saber aos que esta minha Ley virem. sendo tudo em grande perjuizo seu. que posto que pellas ditas Ordee senão aos ditos ciganos mais penas que açoutes pella denações primeira vez que forem achados sejão degradados alem da dita pena. que eu sou informado. d'aquem Philippe per graça de Deos. que a Ley que fiz sobre os ciganos declarada na Ordenação do liuro 5 titulo 69 imprincipio. Senhor de Guiné. e dos Algare d'alem Mar em Africa. nem vsem de outros modos e fazendo o contrario se lhes dará em culpa. e danos. Pérsia. em três annos para galés. e outros julgadores lhes passâo cartas de vizinhança. que tratão dos ditos ciganos se não guardão tão inteiramente. e os fauorecem per outros modos. e no dito degredo de em dobro e pella terceira vez serão açoutados. Arábia. galés tados. que todos os ditos julgadores tenhão grande vigilância em comprir inteiramente a dita Ordenação do livro 5. comercio de Ethiopia. antes continuao em roubos. que cu mandei passar hum Aluará feito em sete de laneiro de mil seiscentos e seis. etc. e eu mandarey perguntar por isso : E assi ey por bem. e não passem as ditas cartas de vizinhãça. e os Ouuidores das terras dos donatários em que elles não entrão per via de correição e as justiças lhes darão tepo conueniente (que não passará de hum mes) para que se sayão do Reyno e pas: : . e dano do Reyno. Ev El Rey faço saber aos que este Aluará virem. queredo nisso prouer. e em dez annos para galés e em todas estas penas os poderão condenar os Corregedores. e Ouuidores das comarcas. Rey de Portugal. e nas mais penas das ditas Ordenações. sobre os ciganos.^ 11 1606 Alvará de 7 de janeiro de 1606.237 lísT. Ey por bem. que as Ordenações. nem as penas que nellas se declarâo são bastantes para elles se sahirem fora do Reyno.

E a todos os juizes de fora. que o publique na Chancellaria. e aos das terras dos donatários. e as ey por de nenhum effecto. E passado o dito termo de quinze dias em quaesquer ciganos. Ouuidores se executará : e aos dos Donatários das terras em que os Corregedores não entrão per correição para a fazerem logo publicar nos lugares públicos de suas camarcas e jurisdições. villas e lugares delle e querendo prouer de maneira. e que andão muitos ciganos por este Reyno vagando em quadrilhas cometedo muitos excessos e desordes. e para vir a noticia de todos enuie logo cartas cõ o treslado delle sob meu sello e seu sinal aos Corregedores e Ouuidores das comarcas: e assi aos Ouuidores das terras em que os ditos Corregedores não entrão per via de correição. e aos das comarcas deste Reyno. e casa da Supplicação. que neste Reyno residem assi homes. que forem achados a pena de açoutes e galés. e énuiará logo o treslado delia sob meu sello. porque sou informado. meu sello pendente. titul. Mando aos ditos julgadores e justiças. e quietação de meus vassallos. e seu sinal. para bem. e asellada com o embargo da Ordenação do Seixas o fez em Lisboa a liuro 2. que assi o cumprão. como molheres. que o dito Aluará se não cumpre e executa. 40. que tanto que esta Ley chegar a sua noticia a facão logo publicar em todos os lugares de suas jurisdições. e quão perjudiciaes são. que dêtro em quinze dias depois de esta publicada se sayão deste Reyno sem embargo de quaesquer liceças. sem em cõtrario. a todos os Corregedores. E mando ao Doctor Damiam d'Aguiar do meu conselho Chanceller mòr destes Reynos. como se fosse carta começada em meu reições : : nome por mi assinada. Ey por bem. E mando aos Corregedores do crime em minha Corte. pella maneira que no dito Aluará se declara e nas molheres a pena de açoutes somête. que tenhão res para nelle residirem. sem demi: E nuição das penas que nelle se declarão. aos que viuem e residem nas cidades. e do Reyno. que faça publicar esta Ley em minha Chancellaria. que de todo os não aja. tenha força e vigor. Pêro de sete de laneiro de mil seiscentos e seis. ne residão neste Reyno. e facão em todo cumprir e ao Chãceller : mor. e mãdo per esta Ley que o Aluara nesta incorporado se cumpra e execute com todo o rigor delle. Aos quaes mãdo que logo o publiquem nas cabeças das core este Aluara será registado nos liuros da Mesa do Desembargo do Paço. posto que sejão por mi assinadas.238 sado o dito termo tornando a entrar no Reyno se fará nelles a exe- cução pellas ditas penas na forma deste Aluara. limitando aos ciganos. e se executar como dos mestrados : . e aos Corregedo- do crime desta cidade de Lisboa. ou que lhes fossem passadas cartas de vizinhança: as quaes todas annullo. E por quanto a dita execução lie de grande importância. em que os Corregedores não podem entrar per correição. e das casas da Supplicação. e do Porto e quero que valha. e aos Ouuidores dos mestrados.

iv do Desembargo do Paço. 105-106. que se acharem. nelle se declara. [Reproduzido de uma folha impressa avulsa no Correio Elvense. J. man- darei proceder contra elles com todo o rigor: e esta Ley se registará no lluro do registo da Mesa dos meus Desembargadores do Paço. 1673). Dada nesta cidade de Lisboa. de Ouctubro de 1G13 Taxada a oyto reis. Fernandes. Coimbra. Ouuidores. Miguel Maldonado. . e Relação do Porto. 1747. J. O Collecção chronologica da legislação portugueza (Lisboa 1854 e segs. 166-168. doe. se excusará a sua petição.» [G. Senhor atras esmi Miguel Maldonado. perãte os officiaes delia. d^ Aguiar. atin. ii.] t. 217-218. de Andrade e Silva. p. achava-se no Liv.). e nos das casas da Supplicação. aos treze dias do mes de Septebro. = REY. mandando condemnar para Galés os Ciganos. e dos que se achavâo presos. Anno do Nascimento do Senhor lesu Christo de mil seiscentos e treze. 41. sobre um requerimento de G. que se descuidarão auer d'elles por mal seruido. 1819. e a própria se lançara na Torre do Tombo. que se à de perguntar em suas residências se a cumprirão. que ora siruo de escriuão da dita Chãcellaria. I. Annos. loão Pereira de Castelbranco a fez escreuer." 4 1. i. alem de me que achandose. 9 de março de 1890. iii. 3sr. João IV. Collecção chronologica de leis extravagantes. índice chronolngico remissivo da legislação portuguesa i'. n. a 10. e execu- como na execução tarão. e delia. Lisboa. C. = Damiam Foy publicada na Chancellaria crita por a Ley delRey N. 10. Nas Ordenações e lei/s. Pereira de Castro. = Em muyta gente que Lisboa. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D.239 nella se contem : sendo certos os ditos Corregedores. João Pedro Ribeiro. De manu regia (Ludguni. Cortez e outros ciganos que pretendiam se dispensasse com elles a lei pela qual se mandavam sair do reino. «porque importa que ella se guarde cumpridamente. i. dando-seIhe conta dos que já estavão nellas. e de outra vinha requerer seu despacho.] 1^-° 13 1614 Carta regia de 3 de dezembro de 1014.° 14 1639 • Capitulo de huma Carta regia de 30 de Junho de 1639. e comprimento desta Ley pertencer. Francisco Ferreira a fez. e mais justiças a que a execução. 62-^.

senão quando eu leio. Mande V. relatando suas proezas. que sem obrigação de sangue e natureza sérvio por honrra. com suas armas e cavalo á sua custa. sérvio a V. Magestade três annos contínuos nas Fronteiras do Alemtejo. e espirites generosos deste homem. sendo . fl. por lhe não pagar seus soldos de hum esforçado com seu cavallo e armas à sua custa.240 Participada em portaria da princeza Margarida de 8 de Agosto do mesmo armo. quanto a se condemnarèm. valor. seu Marido. e que nunca tenha. e vida pela sua terra. athe deixar a vida. Magestade pagar seus soldos devidos a sua mulher e filhos? E mande V. que he o menos Foro. e proezas. franca. mas do seu modo de vida. o pozessem a um oíficio macanico.] 1646 Senhor Vi o Alvará da Suplicante. Magestade passar. que tiverào estes serviços. em sua mulher e filhos. E quando eu estava com alvoroço para ler o grande premio e remuneração. Magestade recolher este Alvará. E se nesta forma deste homem. para execução d'essa carta. ou pelejarão. : na Batalha do Campo de Montijo foi morto com muitas fesempre mui esforçadamente. o fizessem os Grandes e Capitaens . (que he assinado pela mam de V. Ribeiro. sérvio valerozamente no Campo. aonde tantos infamemente fugirão.lhe Alvará de natural e Cavaleiro Fidalgo. segundo a Lei do Reino. que macanico. e sirvão sempre na rroza. tudo á sua custa. índice chrpnologico ij*. Magestade). que em Alvará de Y. ou tirar delle a narração de serviços. sangue. que Jerónimo da Costa. e cavallo. pelejando despender a fazenda. a vista dos que esforçadamente morrerão. que me deixou em grande admiração. 249. ix da Supplicação. herdeiro dos serviços. 360-361 j do Liv. devendo estar chusmadas as Galés até 17 d'este mez. que merece. que se lhe faz mercê. e que o filho macho.» (J. guerra e milicia nos postos de Soldados e Presidies E que se não leia. e declarando que a qualidade de Cigano não he de natureza. sem levar soldo algum. e fidalgamente e relata-se mais em nome de V. que nelle se relatão . porque nelle. Magestade. nem seus descendentes officio macanico. P. e morte hon- porque se sérvio três annos contínuos um pobre Sigano porque lhe não hade V. com que em o dito tempo se houve. Ao officio macanico mandara eu por o Ministro que tal Despacho deu e sem V. se relata. sem ser sua Pátria. e grandeza do animo de seu Pay em até que ridas. Magestade filho de tal homem o pozerâo : a officio Cavaleiro. que sejão havidos por naturaes do Reino. Magestade o ver despachos com tão humildes espirites. sem soldo. o valor e esforso. com suas : — armas.

que vão a V. 215. dallem mar em afrjqua. esta mulher mande V. Fronteiros e Governadores. Magestade. e riquezas. e ras. 16 . servindo á sua custa em sua Pátria e sem outro soldo. E isto não he hir enrriquecer. snor de guiné e da conquista.^ le 1647 Tresllado da ordem dos siguanos Dom Joam da quem e per grasa de Deus Rej de Portugual e dos algarues. forma. e seus filhos. Malaca. Magestade ella. como elles mesmos. que muntos terão. e nobre. fiquarão ainda na cadeja do limoejro des velhos e emcapazes de poderem seruir. quem são. com cavallos. com molheres e filhos. nem com thesouros nem cavallos. imitando este Sigano humilde no nasciAfrica. e devem defender. pelo que cumpre ao Reino. Isto se oflferece e de 1646. de Castella. 217. gastando o que tem em sua defençâo. Docum 131. e depois de quieto o Reino. navegasâo. Magestade com elles o defendido. comersio. . O que requeiro como Procurador da Coroa. que vae junta para provocar os meios. pois merece a Firma e Signal de V. e as Comendas e copiosos bens do Reino que para si o defendem. nâo lie o Portugal para que se nâo sustenta. e com tantas condições. persja e da indja etc. em que alguns podem degenerar. em verificação do seu procedimento. = Thome Pinheiro da Veyga. e ponto de honrra. Magestade. e índia. arábia. P. e conquistado. R. Disatr- tacões chronologicas. iv. [Arch. 1. João Pedro Ribeiro. e generozo no procedimento. nem gente cm numero. e com pedir soldos atrazados. Ma- gestade.. mas mande-lhe V. Magestade despachar. como peço.] isr.. ou nao devidos. devidos. faço saber a uós corgedor da comarqua de eluas que eu passej ora hum aluara per mim asjnado e pasado per minha chanchellaria. ou na Petição que deferir a seus serviços em lhe mando fazer a V. em que nunca podem igualar as dilatadas terras e Reinos isso. falo em geral. e de sua Pátria. &c. neste tempo sem servir a sua custa. do qual o tresllado he o seguinte Eu ell Rej faso saber aos que este aluara de lej virem que per quanto dos gitanos que mandej prender pello Rejno e se embarquarão pêra as conquistas delle. detiopia. não só no que pede. pp. partira V. não havendo rezâo particular. e thesouros do Payz se não no natural valor. e Çofala a vencer soldos. Lisboa 28 de julho maço 118. porque hir as Fronteicomo a Ormuz. e criados esforçada e como generozamente. e seus famozos Pays e Avós fizerão Armadas. Corpo Chron. em mento. e amor da Pátria e Reys. bastara ametade das decimas. e ganhar dinheiro. de fazer natural seu genrro que por seus serviços pessoaes tãobem A o merece .241 Generaes.

antes se lies poreboirá com todo o rjgor comprar a troquados (sic). o fará publiquar na Chanchellaria e envjar com meu sello e seu senal aos ditos corgedores das comarquas. ou Cabo uerde. onde se pobliquara pêra que senão consinta aos siguanos que fore degradados o elles uzarem desonestos tratos e embustes. e jogos de corjolla nem partidas de cavalgaduras. sopljquação gouernador da rellasão do porto e aos dezembarguadores das ditas rellasois e aos corgedores do crime de minha corte e aos de esta cidade e a todos os e juizes de fora das cidaonde os ditos siguanos uiuerem. ouuidores. hej bem e me pras de lies senallar pêra este efeito os luguares seguintes tores uedras. de que de antes ueuiâo. villas e luguares mando ao regedor da casa da meus corgedores das comarquas. e os quais juizes não consentirão que os siguanos crjem seus fillos ou filias pasando de noue anos de idade. que cumpram e guardem e fasão enteiramente cumprir e guardar todo conteúdo neste aluara. dos quais não poderão sahir sem licença dos per juizes delles a qual se lies não consedera per tempo llargo e se lies poreboira juntamente que não fallem geregonsa. da prizão ira pêra angolla degradada. per toda a ujda sem leuar consigo filio ou filia. tomar. ouuidores. os quaes os remeterão pelos loguares nomeados nenhum dos condenados admetjda petjsão para per- dão. e sendo capazes de seruir os porão a soldada na forma que se uza com os órfãos . caza de sopliquasão. rellasão. como fazem os naturaes do Rejno. e da mesma manejra ás con quistas de este Rejno. e se rezestara nos Liuros do dezembarguo do paço. monte mor o uello e coimbrã.242 de pouqua idade. a que chamão buenas dj- chas. seus nem andem em traballo em sem que fasão de suas trasas e embustes. com decla- rasão que quem o contrario fizer pella primeira ves será logo condenado em asoites e toda a ujda pêra gallés. e conuir a familjas meu servisso que elles uiuão cõ suas em luguares afastados de esta corte e das frontejras. e os autos que sobre a matéria se fizerem serão logo remetidos a hum dos corgedores do crime da minha coiie ou ministro a quem eu cometer a jurisdisão e superten- e não lies será a dencia dos siguanos. ourem. pêra que a todos seja notório o que per este ordeno e o fasão dar a esecusão. e sendo moller. e mando que na essicuçâo desta lei se proseda sumariamente e com seis testemunhas que pergunterá o juiz do loguar. como se nelle contem e o chaneeller mor destes Renos des. fillos. allanquer. e estando empesebeljtados por doensa ou muita idade se lies permetira poderem pedir esmolla nos mesmos luguares em qu3 uiuerem. sem contradisão alguma. nem a ensinem a traje de sjganos e serão obreguados a quanto puderem. antes se devasará pelos corgedores das comarquas dos juizes dos loguares de seus destritos se observâo esta Hej e o que fiquar comprehendido paguara duzentos cruzados para as despezas da guera ou justiça. juizes de fora. do porto onde . lleirja. onde o siguano for morador.

João IV. Ano do nascimento de noso snõr Jesus Xro de mil e sessentos e quarenta e sete eu los.243 semelhantes leis se costumao rezistar.. de outubro de 047 Miguel maldonado.] 1648 Decreto. 1819. i.. 30 de Julho de 1648. i. 1747. que as pessoas. dada na sidade de Lixboa aos trese dias de novembro. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. Coimbra. 168- 1G9. António de Moraes o fes em Lisboa aos uinte quatro de outubro de mil e seis semtos e quarenta e sete. 552 v. Collecção chronologica de leis extravagantes. polia qual vos mando que tanto que vos for mostrada a fasais pobljquar e rezistar na cabesa de vosa comarqua e pobljquar brevemente nos mais luguares delia pêra vir a notisia de todos e se comprir e guardar como nelle se contem. Lisboa. in Ordenações e leys confirma' Senhor D. 1747. vol. do Registo. 273. foi. Para Vossa Magestade uer. fl. Rej. Com Rubrica de Sua Magestade. etc.""" da fonseca escriuão da camará o escrevi. I e estabelecidas pelo : . ii. Estevão Ueitão de revellos Foi publjquado na Chanchelleria mor o aluara de ell Rej nosso snõr atras escrito por Miguel maldonado escrjuão da dita chanchelleria perante os ofisiais delia e de outra muita gente que uinha requerer seu despacho Lixboa . que lhes derem. E dei e Miguel maldonado o fis escreuer. em que se prohibio darem-se. ou alugarem-se casas a Ciganos tualidade executar a Ao Desembargo do Paço hey por muy encarregado faça com põLey dos Ciganos. p. velho. Co a qual liei mandej passar esta carta para vos. 215. estevão lleitão de revelnão dis mais a dita prouizão que bem e fielmente tresUarezistei do próprio que entreguei ao escriuão da coreisão que serue. ora Ao qual em todo me reporto e consertei bem e fiel- mente com otro ofisial abaxo asjnado e eu Baptista fang. que mandarei declarar. aluara de Hei que se hade ter com os siguanos e fillos nelle declarados.''*' da fonseca e comigo taballiam Gomes Gallvam». accrescentando a cila.] [Liv. Oriii. ou alugarem casas incorrerão nas penas. (Archivo da camará municipal de Elvas. Lisboa. e a despeza que se fizer em se pobljquar nos mais loguares de vosa comarqua será á custa das despezas dos auizos (?) e quando não ouuer será a custa das rendas da Ca- mará da cabesa de vosa comarqua. Lisboa. João IV. Baptista fangr. iii Collecçâo ii dos Decretos e Cartas. el-rej noso Snõr pelo doutor estevâo lleitâo de revellos do seu conselho e chancheller mor destes Reynos e senhorios de Portugal Manoel antunes de sâpaio o fez. p. Pedro digene8(?) revello o fes escreuer. O Conde de Santa Crus. 515-517. denações e leys t. das dos Decretos do Desembargo do Paço.

244 isr. sou informado que nesta parte se não passou nem publicou em muitas partes como ore que pelos que estauâo servindo nas fronteiras se me fes queixa que estando mais de duzentos e cincoenta em meu serviço desde o tempo de minha filice aclamação alistados com zelo e valor.» 16. n. prendendo logo todos os siganos que acharem capazes de seruir excepto aqueles que actualmente assistem nas fronteiras e não andarem na companhia de outros e os remetão a esta Corte ao Corregedor delia a que esta cometida a supritendençia forem velhos e inhabeis se pro(sic) deste negocio. sem uiuenda própria.o 18 1649 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará virem que por se ter entendido o grande prejuizo e inquietação que se padece no Reino com huma gente uagamunda que cõ o nome de siganos andam em quadrilhas vivendo de roubos enganos e imbustes contra o serviço de Deus e meu. mandey que trazidos a esta cidade. acabar de conseguir o modo de uida e memoria desta gente uadia. degredos e galés. . prizão se não podia emtender nelles . nem foro nem Parochia. Doe.] E porque no dito Aluara se trata somente dos ditos siganos prezos uelhos e incapazes sem se declarar outra parte de minha ordem e decreto que passey sobre os mais que ficarão ainda no Regno capazes de seruiço nas conquistas. sem e ultimamente querendo Eu desterrar de todo uirem nas comquistas diuididos . . exceptuando os que assistem nas fronteiras e não andassem em companhia de outros. . cõ o mesmo intento mandey passar hum Alvará em vinte e quatro de outubro de seiscentos e quarenta e sete de que o treslado é o seguinte. Hey por bem e mando que os ditos Corregedores das Comarcas executem com muita diligencia a dita primeira Ley da prizão. mandando os prezos ou que fossem uiuer as ditas vilas do sertão. com que já forâo muitos apremeados e que a dita Ley geral da deney . e dos que ceda na forma de dito Aluara e os juizes das terras onde os mando . onde serião e penas de asoutes. sem asento. mandando que com os que fossem inhabeis se procedesse na forma do Aluara refecazo rido e nesta Corte se não consentissem em nenhum nem sinco léguas ao redor sigano nenhum nem sigana. e sem embargo disso se exe- cutava lançando -os fora da fronteira e sem paga de seus soldos. [Vid. E querendo eu em tudo prover. Demais das ordenações do Reino. nem officio mais que os latrocínios de que uiuem. . e todo Reino fossem prezos e embarcados e leuados para serporquanto ficarão ainda na cadea em alguns velhos incapazes e outros escondidos neste Reino. por muitas leis e prouisões se procurou extingir este nome e modo de gente uadia de siganos com prizoens .

: X da Senhor D. como nella Conde Regedor advertir da minha parte aos Corregedores me dizem andão actualmente algu. E mando que nesta corte e sinco legoas ao redor delia se não consinta sigano nem sigana algna com cominação que o que nclla se achar passado o tempo da publicação desta seja sem mais proua nem deligencia condenado nn asoutcs e toda a vida para galés e a sigana degradada para Angola ou cabo Verde e as pessoas que lhe derem ou aluguarem casas e os recolherem sendo piães cncorrerão em pena de três annos de degredo para Castro Marim e trinta cruzados pêra captiuos e accusador. liugoa. fl. pelo Senhor [Archivo Nacional.] leys confirmadas t estaielecidas 1649 Decreto em que se mandarão avisar os Corregedores do Crime da Corte. etc. Ordenações e D João IV. Rey. mas Ciganas as quaes. a dita turaes e vezinhos de lugares e vilas do Reino se não entenda neles Ley guardando elles em tudo as condições de suas cartas. visto não terem ellas licenças para usarem do traje. etc. André de Moraes o fez em Lixboa a sinco de fevereiro de mil e seis centos e quarenta e nove. ou giringonça. Lisboa em 20 de Septembro de 1649. para que fizessem despejar os Ciganos Faça o do Crime da Corte.1 . E hey por declarar que esta ley da prizão senão emtende nos siganos alistados que seruem nas fronteiras actualmente nas companhias ou luAfrica e sincoenta cruzados. iii Collecçíio ii «ios Decretos e Cartas. iii. fl. 1747. icis. e bem da Republica lança-las delias. 23 in Ordenações e leys confirmadas e estabelecidas pelo Lisboa. Luiz de abreu de Freitas a fez escreuer. Supplicação. E os fidtUgos fora da Corte. bem garí^s em que por seus superiores seruirem. Pello que mando ao dito meu chançarel mor faça publicar na Ciian- cellaria esta e seu sinal e declaração e delia enuiar copias sob meo selo aos ditos corregedores das Comarcas e mais justiças Ley destes Reinos para terem entendido o que ultimamente tenho resoluto sobre os ditos ciganos. 1747. trage e lugar dos naturais e onde com licença dos Governadores das Armas a negocio e tempo limitado forem e porque alguns por seruiços e rezões particulares estão naturalizados com cartas de na•. seria conveniente a meu serviço. — Com Rubrica de Sua Megestade. (Liv. liv.245 recolher e abitar os obriguem a uzar como os mais uezinhos naturais. vol. E o executarem inteiramente sem duuida nem costumadas em contradição algua e se registará de nouo nas partes semelhantes leis. 273. p. Lisboa. posto que digão vem seguindo seus maridos. procedendo na forma . e sendo de mayor calidade em dois annos para . 1. João IV. v. 169-170. e alimpar a Terra.

Pedro de Atayde de Castro mandou vir perante si da salla a hum homem por 'pedir audiência. se me presentarem acharam somente alguns homens. E logo denunciando . o que prometteo cumprir. termo da Villa de Amarante. e havendo concorrido todos nesta diligencia. e disse chamar-se Manoel Alvares da Nóbrega official de brincos de cera. Nesta forma se procedeu neste particular. os tornei a mandar soltar. e lhes dá permissão para viverem no Reino e me constar não andavâo em quadrilhas daquella gente. — André [Esta carta foi copiada pelo dr. encarreguei aos go- vernadores e Capitães Mores das fronteiras. que apparecerem. Francisco de Santa Clara de um livro pertencente ao Archivo do governo militar de Elvas intitulado Livro II do Registo. que por Provisões de Vossa Magestade. Corregedores e Ouvidores das Comarcas. freguezia de S.] \ 1>T.° Í21 1682 Processo inquisitorial da cigana Garcia de Mira Aos e sette dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta em Lisboa nos Estaos e caza do despacho da Santa a ré em audiência de manhaã. que Vossa Magestade mandar-mc em carta de 12 de Septembro do anno passado para se prenderem os siganos. para que a executassem em 25 do ditto. natural do Lugar do Cabo Villa. e morador nesta cidade. que se achassem nesta Proviucia. pelas quaes Vossa Magestade os ha por naturaes. e ao diante se prenderão os siganos. que por velhas e miseráveis se não devia intender a ordem com ellas. o Senhor Inquisidor estando Inquisição. em que pos a mão sob cargo do que lhe foi mandado dizer uerdade e ter segredo. nem tratavão com ella. e ser de trinta annos de idade. e também algumas mulheres. — soa de Vossa Magestade d^Albuquerque» . como Vossa MaDeus Guarde a muito alta e poderosa pesgestade tem mandado. Saluador do Taboado.246 1655 Carta de André «Snor d^ Albuquerque foi servido —A ordem. 2 de Fevereiro de 1655. como Vossa Magestade o ordenava. e sendo presente disse a pedira para dous annos denunciar nesta meza couza a ella pertencente e logo lhe foi dado juramento dos Santos Evangelhos. que os Senhores Governadores das Armas escrevem a Sua Magestade que Deus guarde. e Governadores. — Elvas.

e necessitaria de hum cruzado que elle lhe deu. que o Denunciante prometteo assim fazer. hauendo-lhe a ditta Sigana primeiro ditto. vós fostes como nós. lhe disse que elle tinha sua molher auzente. fallando-lhe. e dous alfinetes mais. dizendo as palavras seguintes em nome de Deos Padre. fazendo-lhe alimpar a mão dos cuspos com hum papel e que o deitasse na rua. os dáquem e os dálem e os da nauegaçâo. com as extremidades uiradas para o pulso sem estarem juntas. que : Santos Fieis reynou e reynará para sempre jamais. e tornando por outra uez a dita Sigana a sua caza. com as cabeças para as pontas quieta. tendo elle Denunciante sempre a mão sem a mouer. nos seremos como vos. respondeo ella que por meyo dos fieis de Deos. se queria que lhes atalhasse. que aquella sorte fazia para saber se sua molher era morta ou viua. e não tem parte notauel por que mais a haja de confrontar. representa ter sessenta annos de idade. e lhe disse chamar-se Catherina. hum duas uezes e outro hua. que uiue em sua companhia. e só que traz huas contas brancas aconfeitadas. e sem ofença de Deos. c pelo premio do que nisso obrasse lhe hauia de dar duas moedas de ouro. para cujo effeito lhe pedio lhe havia de dar algum dinheiro que para os ingredientes lhe era necessário. e as palavras seguintes e á ditta Catherina da Costa. e direita dos dedos formando hua forca. e muitos perigos que passar. e lhe disse ter hua Irmaã chamada Antónia Ramalha. e que se os alfinetes se mouessem. obrigando-o a que repetisse estas. e o outro gado hum com o bico em com a ca- beça pregada na ditta bola. obrando ella por meyos licites. E logo os dous alfinetes das extremidades que estauão pregados nas bolas do arame ou alfinetes se uirarão. era sem duuida ser morta. não se lembra do dia ao certo. de Deos. e anda em trage de viuva com sua saya de estamenha parda e mantilha de baeta negra com capello cozido debaixo da barba. Amen Jesus.247 Disse que haverá três semanas pouco mais ou menos. prehíía das dittas bóias. Deos filho. e que por todo este mez saberia que sua molher era morta. Deos Spirito Santo. estando elle Denunciante em sua casa na rua de Quebra Costas. mas haverá quinze. lhe pegou na mão esquerda delle bolinhas de cera Denunciante na qual pos hum alfinete ou arame com duas em cada ponta sua. não se lembra do dia ao certo. detraz da Igreja de Nossa Senhora da Palma. diante delle testemunha. e os guardou. e logo o obrigou a que cuspisse por três uezes na ditta mão. na parte que ficaua cercada dos alfinetes. e mora nesta cidade em companhia de Siganos junto as cazas do Enviado de Castella. . e neste caso nos ajudareis. a qual. ficando sempre pregados nas dittas bolas com os bicos. chegou á sua porta hua Sigana. todos — = | uos ajuntareis. três Pessoas e hum só Deos verdadeiro. e de Catherina da Costa. e logo tomou os dittos alfinetes. e dizendo-lhe elle Denunciante em que forma o havia de fazer.

que lhe mostrou no ditto papel. Joseph Coelho. e sem offença de Deos. sob cargo do juramento dos por Santos Evangelhos que outra uez lhe foi dado. mudar ou emmendar. como elle pretendia. em tudo conforme ao de Manoel Alvares. E mais não disse e ao costume disse nada.*» O depoimento de Catherina da Costa. e entender qae he a isso obrigado. dous aos pées. Manoel Martins Cerqueira o escreui. e elle ouuida. hauendo-o passado três uezes por baixo do trauesseiro da cama. João Cardoso. E ido o ditto Denunciante para fora. com a particularidade a mais de que a cigana mandou comprar o papel dizendo «que era necessário nâo fosse a marca da que tivesse Crus». e para isso pedio hum alguidar com agoa e lançando nella meia folha de papel. perfilado tudo como em debuxo. João CarPedro de Attaide de Castro. obrigando-o a que rezasse o que quizesse pela alma que estiuesse mais uezinha a uer a Deos Senhor Nosso. que lhe pedio mandasse comprar. doso. E sendo-lhe lida esta sua denunciação. lh'a mostraria facilmente. disse estar escritta na uerdade e nella se affirmaua. e por elles foi ditto que sim lhes paríícia que elle fallaua uerdade e merecia credito. e o faz por descargo de sua consciência. e. e nella não tinha que acrescentar. de 30 annos de idade. e era a figura de hum defunto com quatro castiçaes^ dous á cabeceira. forão perguntados os dittos Licenciados se lhes parecia que elle fallaua uerdade. Do que tudo uem dar conta nesta Meza» entendendo que as obras da dita Sigana não são naturaes. solteira. e com o ditto Senhor Inquisidor. sendo que lhe havia dado mais meya moeda. e repetio também as palauras que atraz ficão dittas da Santíssima Trindade e Fieis de Deos. diminuir. e assinarão com elle Denunciante. lhe pos a mão para que se molhasse. Manoel Martins Cerqueira o escreui. Manoel Aluares Nóbrega. o que tudo se figuraua na parte do papel que ficou enxuto. — Joseph = Coelho. e tornarão a assinar com o ditto Senhor Inquisidor. . tomou a mesma Sigana a sua caza. pouco mais ou menos. dizendo huas palauras que elle não percebeo. notários desta Inquisição que tudo uirâo e ouuirâo. e merecia credito. e com outros tostões que lhe deu para a mortalha fez tudo soma de cinco mil réis. Ao que estiuerão presentes por honestas e religiosas pessoas os Licenciados João Cardoso de Andrade e Joseph Coelho. ratificaua e tornaua a dizer de nouo sendo necessário.248 Disse mais que passados três ou quatro dias. nâo se lembra tamqual ao certo. em premio do que lhe pedio cinco tostões. Pedro de Attaide de Castro. nem ao costume ter que dizer de nouo. e prometterão dizer uerdade e ter segredo no que lhes fosse perguntado sob cargo do juramento dos Santos Evangelhos que lhes foi dado. e dizen- bém de do-lhe se queria uer a certeza de sua molher ser morta. — — Seguem: 1. e entendida.

e porque a ditta Catherina da Sylua dezejasse fallar com ella mais deuagar. em o qual. official de brincos de cera.° A confissão da ré. mandou vir perante si a hua molher que em onze deste presente mez foi preza nesta cidade. mas era casado com hua molher que hauia fugido. e ter segredo. foi mandado dizer uerdade. lhe dissera que tinha muitos trabalhos que passar. e ella confitente lhe respi-ndeo que sim faria. molher. que lhe disse chamar-se Catherina da Sylva. «Aos quinze dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta e dous annos em Lisboa nos Estaos. pelo que lhe foi dado juramento dos Santos Euangelhos. mor digo. meza suas culpas lhe conuinha muito dizer toda a uerdade delias. viuua de António Soares. disse que tornaria a uer-se ella confitente á ditta Catherina com ella. c recolhida nos cárceres de penitencia. e que entrando neste tempo hum Clérigo a fallar com o ditto Manoel Alvares. nem sobre outrem falço testemunho." O e vras divinas para couzas illicitas e ter pacto nliar futuros». e tinha illicita amizade com ella ditta Catherina da Sylua. lhe tornou ella confitente a dizer que não erão esses. e que mostrando-lh'a Manoel Alvares. que quizesse fazer-lhe alguãs deuoçoes ou feitiços que o obrigassem a recebella por molher. 4. 3. tendo summariado os depoimentos. e neste tempo se despedio o Clérigo que estaua fallando com o ditto Manoel Aluares. que foi Sigano. estando alli em audiência de manhã o Senhor Inquisidor Pedro de Attayde de Castro. E disse chamar-se Garcia de Mira. e moradora nesta cidade junto ao Enviado de Castella E logo foi admoestada que. por pedir audiência. esta lhe disse que o ditto Manoel Alvares não era seu marido. E promettendo de assim o fazer Disse que haverá três semanas nesta cidade foi ella confitente a rua do Quebra-Costas a caza de Manoel Alvares de Nóbrega. não impondo sobre si. natural de Monteo Novo. concluo: «do que tudo se colhe usar a delata de pala2.249 requerimento do promotor para que a cigana seja presa processada na forma do regimento. hua molher moça que estaua no quintal das mesmas cazas a chamou com as mãos. e sendo prezente disse a pedira para confessar nesta meza o que entendia podia conuir ao descargo de sua consciência. pois tomaua tão bom conselho como era confessar uoluntariamente nesta e ser de cincoenta annos de idade. e alcançará a mizericordia que pretende. o sahio a falUr-lhe da Sylua na mesma caza . em que pos a mão.*» com o diabo para advi- Despacho. e fallando com elle lhe dissera que lhe mostrasse a o ditto mão para lhe dizer a buena dicha. sob cargo do que lhe o que prometteo cumprir. e indo ella confitente a fallar com a ditta moça. senão outros que de nouo hauia de passar. e que respondendo o ditto Manoel Alvares que já os tinha passado. porque fazendo assim porá sua alma em estado de saluação.

e dos quatro castiçaes que ficão dittos. e tendo-a na mão debaixo da mantilha. rezando cinco credos á honra das cinco ouro. e ter filhos que alimentar. Filho c Em Spirito Santo. tomou na outra mão a meya folha que se hauia comprado. que os mesmos Manoel Aluares e Catherina da feiticeirias o . e ficou enxuta e figurada a estampa rada de um corpo morto. e não uoltando a ser uiua. e fazendo algnas ligeirezas de mãos as troucou. hauendo-lhe também ditto que se os dittos alfinetes uoltassem era sinal de ser morta a ditta sua molher. e trouxesse uirados os dittos alfinetes que com effeito uirarão com a palhinha. ao qual disse que o tornaria a buscar e lhe faria huas sortes para saber se sua molher era uiua. ao qual disse que queria lançar as sortes que lhe promettera para saber se a ditta sua molher. o que elle fez. a qual burnida com a pedra hume molhou só aquella parte que não estaua burnida em a ditta pedra hume. sem . meya que fizesse a figura de hua pessoa morta com dous castiçaes á cabecira e dous aos pés. e lançou com a agoa qiie tinha prepa- em hum 'alguidar a meya folha que hauia trazido. em premio do que lhe deu hum cruzado. que que pedindo-lhe dinheiro para hua oíFerta. e lhe prometteo fazer e tornando no dia seguinte tomou folha do ditto papel e a dobrou em muitas dobras asemelhando a outra meya folha que leuaua debuxada com pedra hume. tornou a caza do ditto Manoel Aluares da Nóbrega. em forma Chagas de Christo Senhor Nosso. E em premio do que lhe deu o ditto Manoel Aluares meya moeda de segunda sorte: a qual foi no (ao?) dia seguinte. e que a mettesse debaixo da cabeceira. e linha pregado hum alfinete Ihe que cuspisse na mesma em cada bo- com as cabeças para o pulso. e em cada ponta da mesma palhinha hua bolinha de cera. ou morta. e que assim mostraua a figura sobreditta. dizendomão para que recebendo humidade a ditta pallinha destorcesse para a banda dos dedos. sorte. e em quanto fes as sobredittas couzas dizia as palavras seguintes: nome do Padre. res e Catherina da Sylua ficarão admirados e entendendo Sylua poderão conhecer se forão aduertidos. lhe dera o mesmo Manoel Aluares dez tostões e que as sobredittas couzas fez obrigada da sua muita pobreza por ser viuua. e pondo-lhe no alvo delia hua palhinha de balanço torsida e seca ao fogo. e que para isso abrisse a mão direita. dizendo as palauras sobredittas e mandando dizer as orações que a Igreja approva. que estava auzente sem lhe dizer aonde. amen. sendo que não tinha duuida o hauer de destorcer a ditta palhinha. do qual não está lembrada ao certo. do que os dittos Manoel Alua- que erâo e uiam nesta fes dos como na alfinetes.250 o ditto Manoel Aluares de Nóbrega. e tornou a dizer que toda a meya folha de papel se ensopou na agoa. Disse mais que no dia seguinte. mandando-lhe comprar hua folha de papel. era uiua ou morta. uzando de cousas naturaes. que reynou e reynará para sempre jamais. e ficarão fazendo a forma de híia forca.

disse estar escritta na uerdade e assinei eu Notário por ella não saber escreuer de seu consentimento com o ditto Senhor Inquisidor. por graça de Deos e Rey de Portugal e dos Algarves. e mandada a seu cárcere. E outro sy será condemnada em penas pecuniárias. Processos inquisitoiiaes. ouuiu e com ella nesta Meza se passou. mandarão uir perante si a Gracia de Myra Sigana.] [Archivo Nacional. e abuzos no povo Christão. pede perdão e que *. = PeíZro de Attaide de Castro. o que tudo prometteo cumprir sob cargo de juramento dos Santos Euangelhos.251 animo nenhum de oflfender a Deos Senhor a Nosso mas de ainda assim não lhe ser licito está muito arrependida. se uze com ella de mizericordia. Manuel Martins Cerqueira. o que também promette comprir. João de Mesquita que o escreui. e engano. — João de Mesquita de Macedo. e caza de Despacho da Santa Inquisição estando aly em audiência da manham senhores inquisidores. 1236. foi outra uez admoestada em forma. de consentimento da Rée por não saber escreuer. nem outras semelhantes que possão introduzir erros. Aos vinte e dous dias do mez de dezembro de mil seiscentos e' oitenta dous annos em Lisboa nos Estaos. que se abstenha de as tornar a commetter. Pedro de Attaide de Castro. n. Senhor de Guiné &. E por dizer que nem por pensamento tornará a commetter semelhantes culpas. que por ella ouuida e entendida. de que fiz este termo de mandado dos Senhores Inquizidores que aqui assinarão e eu Notário. Ré = — preza conhecida neste processo. sas que acceitou a alguãs pessoas por e pesseus embustes. que pêra este eíFeito lhe foi dado e que lhe he dada licença e que restitua o dinheiro meyo de pêra se poder hir para onde bem lhe estiuesse e que goarde segredo em tudo o que vio. porque tornando a reincidir nellas será castigada com todo o rigor. dalém mar em Africa. sendo-lhe primeiro lida esta sua confissão. Manoel Martins Cerqueira o escreui. Faço saber a vos corregedor da comarca da cidade de Elvas que. por ser infor- mado de que de Castella se expulsavão os siganos e estes se passavão a este Reyno em tanta quantidade que aos Povos pequenos seria . e sendo prezente foi reprehendida asperamente e aduertida que se tornar a cahir nas culpas porque foi preza será castigada com todo o rigor de justiça. Foi-lhe ditto que tomou bom conselho em declarar nesta meza as couzas de que tem dado conta nella.*" 3M-° Í3Í3 1686 Registo de húa Provisão de Sua Magestade sobre os Siganós «Dom daquem Pedro.

Elvas aos vinte dias do mes de julho de mil seiscentos e outenta e seis annos.252 muito deficultoso o poderem seportar esta quasi inundação de gente tão osioza e prejudicial por sua vida e costumes. E convir ao serviço de Deos e meo que de nem todo se extreminê. Manoel da Silveira de Azevedo. escrivão da Camará. Diogo Marchão Themudo. Provisões. Cartas Jílvas. escrivão da minha camará. Francisco Pereyra de Castello branco a fez escrever. nem possão andar vagabundos em quadrilhas pelo Reyno e achando-os nesta forma (?) os prendereis e lhe não consentireis uzem de trage particular. Brás ribeiro da Fonseca. Manuel da Silveira de Azevedo. se vos hade dar em culpa que para este eff^eito mandey dencias. de que remetereis as certidões. Por resolução de Sua Magestade de 10 de junho de 1686 em consulta do dezembargo do Passo. advertindo que toda a omissão com que vós e os ditos Juizes vos ouverdes neste particular. andando armados para melhor cometerem seus asaltos. não dando a execussão esta ordem. E em que lhes assinareis logo que esta receberdes mandareis pôr editaes públicos tempo para lhes ir a noticia esta minha re- solução. mas que se vistão do costume do Reyno e em aquelles que encontrarem a Ley sobre elles estabelecida a fareis executar na forma que nella se contem. com declaração que os annos que a dita Ley dá para Africa seyão para o Maranhão. que serão entregues a Francisco Pereyra de Castello branco. como a experiência tê mostrado com as universaes quexas o que tudo se seguia de senão conservarem as Leis estabelecidas contra elles e se omittião por respeitos que a sua industria adqueria. ambos do seu Conselho e seus Dezembargadores do Paço* Miguel vieyra a fez em Lixboa aos 15 de julho de 1686. e asestindo no nosso destrito os mandareis notificar e fareis trasladar esta ordem nas camarás dessa comarca para que os juizes delias a facão executar. o fis escrever e asinei. sem que se lhes premita habitação neste Reyno trato qualquer que seya. Hey por bem e vos mando não pre- mitaes entrem neste Reyno nenhum destes siganos e os que de facto tiverem entrado os prendereis logo nas cadeas publicas e me dareis conta. como nella se contem. donde não poderão sahir nem mudar sem minha especial licensa. II 12. acrescentar este capitulo aos mais do Regimento das reziElRey nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Dezembargadores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da fonseca." 8]. e . Archivo da Camará de do Registo dos Alvarás. filhos e netos de Portuguezes (porem com habito género e vida de siganos). armário n.» mais ordens de Sua Magestade . os obrigareis a tomarem domisilio serto. [Tombo a fl. E quanto aos que ja são naturaes. E não continha mais a dita provizão que eu Manoel da Silveyra de Azevedo escrivão da camará fiz tresladar neste tombo e a propia me reporto e por verdade me asiney do meu sinal de que uzo e a propia entreguey ao Corregedor da Comarca.

. 1747. c que os Ministros que assi o nâo executarem. que lhe toca. confonne ao dolo. iii: Col- locçâo II Cartas. e que os annos que a mesma Ley lhes impõem para omissão. p. 1694 Registo de liuma Prouizão de Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço ao Corregedor desta Comarca para que os siganos nascidos neste Reyno tomem género de vida ou o despejem dentro em dois mezes. etc. — Com Rubrica de Sua Magestade. 276. Hey por bem e vos mando que tanto que esta receberdes mandeis logo por cm todas as Villas e lugares dessa . sem terem domecilio certo. Lisboa 27 de Agosto de 1686. in Ordenações e leya. [Liv. e dalém mar em Africa.253 1686 Decreto. Lisboa. trazendo os mesmos habittos e trages de ciganos. cm que se de Africa para o mandou commular o degredo Maranhão Tenho resoluto que assi nesta Corte. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. e porque tem mostrado a experiência que não seruio thegora de remédio bastante e convém muito tratar da quietação e soccgo de meus vassalos. euitandose todos os dias os delitos que se podem temer de gente tam licencioza na vida e costumes. vivendo arranchados e juntos nem officio de que em quadrilhas. para o que ordenei ao Desembargo do Paço se accrescentasse este Capitulo aos mais do Regimento das Residências. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas. e nesta forma o faça executar pela parte. 273]. encarregando -o aos Ministros de Justiça. O Regedor da Casa da Supplicação o tenha assi entendido. senhor de Guine &. sejão para o Maranhão. com os Ciganos e Ciganas se pratique a Ley. que sobre este particular tiverem. dos Decretos e ÍL. que por quanto sou informado que os siganos" nascidos neste Reyno conthinuam em seus Dom daquem excessos e delitos. tudo contra a minha rezolução que sobre esta matéria mandey publicar no anno de 1689 (sic). Africa. e que com todo o cuidado se empreguem nesta diligencia. lhes seja dado em culpa para serem castigados. sem tomarem género de vida possam sustentarse. vol. como nas mais Terras do Reyno com declaração. X do Supplicação.

e nas terras aonde não entrardes enviareis a coppia desta Ordem ao Provedor dessa Comarca e da mesma sorte aos Juizes de fora e ordinário delia para que cada hum em sua jurisdição a execute e a obserue assy como a vós volla encarrego. armá- 1694 Registo de huma Prouizão de para que dentro em o Corregedor desta Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço Comarca faça despejar deste Reino dois meses os siganos castelhanos intruzos nellc. e dalém mar em Africa. El Rey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Fonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. remetendo certidão de como assy o tendes executado. porque da mesma sorte mandarei proceder contra elles pelo descuido que nisso tiuerem. Braz Ribeiro de AfFonseca. e/c. Hey por bem e vos .] II do Registo dos Alvarás. Archivo da Gamara do Elvas. 63 v. Senhor de Guiné &. de que possam sustentarse na forma da dita minha rezoluçam do anno de 1689. y> [Tombo rio n. de que me dareis conta. Diogo Marchão Themudo. João Bress^e Leite escrivão da Camará o escrevi. çâo nos Livros da Correição e nos das Cameras de cada hua das Villas dessa Comarca.» 8. mandareis registar esta minha rezolu. sayam deste Reyno dentro em dois mezes com pena de morte e passado o ditto termo serão hauidos por banidos. quer descuido que nisto tiuerdes e para que os vossos sucessores não possão alegar ignorância. e porque convém evitar o grande prejuízo que de homens tam licenciozos e criminozos se pode seguir aos meus vassalos. e se praticara com elles a pena do banimento na forma da ley. E não continha mais a dita Prouizão que bem e na verdade tresladey e a própria entreguey ao dito Corregedor e por verdade assiney em Elvas aos 17 de junho de 1694. os quais havião cometido muitos e vários crimes. por quanto sou informado que pelas rayas deste Reino tem entrado muitos siganos cas- Dom daquem telhanos. fl. assi e do mesmo modo que tenho rezo- com os siganos castelhanos que entrarão neste Reyno e na execução desta deligencia que vos hey por muito recomendada poreis todo o cuidado advertindovos sereis seueramente castigado por qualluto .254 Comarca edictais públicos que todos os ciganos nascidos neste Reyno que logo não tomarem género de vida. João Bressane Leite. Thomas da Sylva a fes em Lixboa a 15 de Mayo de 1694.. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas que. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues.

nmito recommendada poreis todo o cuidado. Francisco Pereira Brás Castello branco a fes escreuer. 1696? Registo da carta do oficio de Thezoiíreiro da Camará por que Sua ma- gestade que Deus guarde fes mercê da propriedade delle a António Róis de Pinna. c passado o dito termo serão havidos e bamnidos e se praticara com elles a pena de bamnimcuto na forma da ley e na execução desta deligencia que vos hey por . advertindovos sereis seueramente castigado por qualquer descuido que nisso tiuerdes e . aos 17 de Junho de 1694. El da Sylva a fez em Lixboa a 15 de Mayo 694. mandareis registar esta minha rezolução nos livros da correição e nos das camarás de cada Ima das terras villas dessa comarca. com pena de morte.255 tanto que esta receberdes mandeis logo por em todas as Villas e lugares dessa Comarca edictais públicos em que se declare que todos os que tiuerem entrado neste Reino sayão delle em termo mando que de dois mezes. Diogo Marchão Themudo.. c observe e aonde não entrardeis. bem e na verdade tresladey e a própria entreguei ao dito Corre- — = gedor em Elvas cit. 64 v]. para que vossos sucessores não popsão alegar ignorância. remetendo certidão de como assi o tendeis executado. de que me dareis conta. crivão da [Tombo Camará João Bressane Leite. Thomas rem. inviareis a coppia desta ordem ao Promesma sorte a todos os Juizes de fora E que cada hum em sua jurisdição a execute assim como a vós vollo encarrego porque do mesmo modo mandarey proceder contra elles pelo descuido que nisto tiueRey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pios Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Affonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. João Brcssane Leite esescrevi. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarves daquem e dalém mar em Africa snõr de Guine c da conquista & nauegaçam comercio de Ethiopia Arábia Pérsia e da índia &. fl. e nas vedor dessa comarca e da e ordinários d'ella. E não continha mais a dita Prouizão que eu Ribeiro de Aífonseca. Faço saber aos que esta minha carta uirem que por parte de António Roiz de Pinna me foy aprezentado hum meu Aluara passado pia minha Chansellaria do theor seguinte este Dom El Rey faço saber aos que Aluara uirem que António Roiz de Pinna escriuão serventuário do officio das execuções da cidade de Elvas me representou que eu ordenar a Lopo Tavares de Araújo estando seruindo de & — Eu fui seruido .

256 Corregedor daquella Comarca em Abril de 694 que prendesse a hum cigano chamado Manuel Roiz Roza e hauendolhe por mi recomendado a dita prizão. nem de impostura das suas chamadas. lhe entrarão em caza na noite de 26 do dito mes. pessoa alguma Giringonça de Ciganos. índice ehronologieo. e outros muitos e mandando considerar esta matéria com delictos e enormidades . por convir muito á Justiça e se lhe bem do Reyno dar- por bem. Archivo da Gamara ile Elvas. e commettão. e mando que não haja neste Reyno ou de de outro sexo. toda a ponderação. Ribeiro. que os chamados Ciganos. furtos. antes os envestira com estoque de seis palmos e húa rodella. (J. e varias ordens. armário n. lingua. com hua das quais lhe quebrara a espada ao meirinho e ficara brigando com elle somente Alvarás. e mulheres de ruim vida. huenas remédio : Hey dichas: e outro-si. e outros homens. nem para que estes. ou pessoas. enganos. por ter mostrado a experiência não haverem sido bastantes as disposições da Ordenação do Reino e outras Leis posteriores. o que não quizera fazer. facão com elles escandalosa vida. ou um. a qual o dito Corregedor encarregou ao meirinho da correição e a elle. que use de trage. que até dous casaes em cada rua.] 3Sr. Provisões. ou pelos campos. não morem juntos mais. — 1699 «Provisão Regia de 9 de julho de 1699 para serem remettidos presos ao Limoeiro os Ciganos». 275. que como taes se tratarem. que os Povos sentem. que. e compras. nem pousaráo juntos por ellas. nem andarão juntos pelas estradas. 80 do Tombo ii do Registo dos e mais ordens de Sua Magestade. que hindo ambos a villa de Oliuença. que se lhes agregão. que se acha a fl." 8]. P. que em diversos tempos se passarão para os Ciganos não entrarem no Reyno. e se conservarem nas Terras delle. requerendolhe da minha parte por muitas vezes se desse a prizão. Cartas [Não está concluído este registo. como frequentemente commettem. V. ou . nem tratarão em vendas. tirando-lhe muitas estocadas e pancadas. aonde viuia o sigano.° Í38 1708 Eu ElRei faço saber aos que esta minha Lei virem.

se 17 . e e todas as informações necessárias. se por ellas tanto se provar. Fronteiras. e modo de viver do costume da outra gente das Terras e o que o contrario . iii. . que se os ditos homens. da índia. . 1747. ou seja para interlocutórias. Não he porem minha tenção. ma dará. faça em sua presença deferir. Por convir á boa administração da Justiça exterminar deste os Ciganos pelos furtos. que contra os culpados se deve proceder. Lisboa. lingua. delictos graves. para proceder na forma desta Ley o qual para este eflPeito . para que se passe ordem aos Governadores das Ainms das para que mandassem prender todos os Ciganos. ColUcção chronologica deUis extra- Coimbra. que pelos seus Officiaes os mandassem prender. l' Tonteiras. e elle etc. que lhe parecer. e a devassa. [Ordenações vagantes. e excessos. e contra os transgres- sores procedão a prisão. pp. 170-171. com os Desembargadores. Benguella. a executem em suas Jurisdicções. como parecer justiça. e aos Juizes de Fora. e lei/f. . com a noticia. que frequentemente commettem Fui servido ordenar aos Governadores Reyno todos . Alvará de 10 de novembro de 1708. mando aos Corregedores das Comarcas. Thomé. incorrerá na pena de açoutes.] isT. poderá escrever e pedir conta aos Julgadores. ainda que seja de Terras do districto da Relação do Porto e ao dito Regedor mando que com toda a brevidade. 3G4-366. para serem repartidos por diversas Conquistas. deixe de se proceder a execução delia e nenhum outro Tribunal. a saber.<=* se 1718 Decreto. e para as mulheres. e Ciganas presos. senão que no trage. ou seja para sentencear definitivamente. E para que pontualmente S3 cumpra esta minha Ley. e será degradado por tempo de dez annos o qual degredo para os homens será de galés. mandarão logo que os Reos summariamente respondão e com suas respostas enviaráõ os autos ao Regedor da casa da Supplicação.257 trocas de bestas. Angola. 1819. . radas que forem. elles lha darão. : mesmo para o Brasil. e sempre com muita brevidade. ainda que outro delicto não tenha. ou mulheres tiverem outros delictos de maior pena. t. Hey por bem que o Chancellér da Casa da Supplicação que Verde. S. e Ordinários. que dos casos tiverem a qual devassa bastará ser de até oito testemunhas e ti. Ilha áó Princepe. quando convenha. usem fizer. ii. e Cabo das Armas das E porque se me fez presente que em execução desta Ordem achavão nas cadêas do Limoeiro muitos Ciganos. ou Ministro se intrometterá nesta matéria porque toda a superintendência delia commetto ao dito Regedor. etc. por este facto. .

Lisboa. Com Rubrica de Sua Magestade. foi. 1747. in Ordenações iii: Collecção ii dos Decretos e. A mesma Mesa o tenha assi entendido. 131. Sou servido que a Mesa do Desembargo do Paço faça repetir com mayor aperto as ordens necessárias. otc.] e leys. havendo-se introduzido nella contra as leiis do Reyno e hordens reais expedidas sobre esta matéria. de sorte que em toda estta Província se não tornem a ver hum só individuo daquella prejudicial gente.Carias. que Povos destes Reynos da assistência dos Ciganos. o que o ditto Senhor detremina logo que vosa mercê reseber estta pasará as ordens nesesarias sem demora alguma aos menistros das . 274.258 serve de Regedor ordene se embarquem para que se acharem presos. que tem havido na sua execução . dos Registos do Desembargo do Paço. na forma. vol. vol. foi servido ordenar -me que procurase que fosem presos todos os que se achasem e remetidos ás cadeias das cabeças das comarcas. p. 1751 Copia de huma ordem que manou do Senhor Conde da Atalaja para o juizo da ovidoria e do ditto se enviou para o desta villa e se manda registar. mandarão pôr em observância da expulsão resulta aos Por quanto tem mostrado a experiência o grande prejuízo. e não admitta requerimento algum contrario a ellas.] IST-^ SO as Leys 1745 Decreto. não tendo produzido o seu devido effeito as Leys promulgadas para a expulsão delles. pelo descuido. 1747. e o faça executar. Com Rubrica [Liv. que tenho de Sua Magestade. dando providencia efficaz. in resoluto. fl. as ditas Conquistas os Lisboa Occi- dental 28 de Fevereiro de 1718. p. dos Decretos Ordenações e leys. iii: Collecção II e Cartas. xii da Supplieação. etc. em que se dos Ciganos. e que nos giros que fazem tem cometido vários roubos e escandelosos insultos. para que inviolavelmente se executem as referidas Leys. e para que possa ter a devida execusam. «Sendo apresentada a Sua Magestade que esta província se acha infestada de siganos. [Livro III Lisboa. 273. 14. Lisboa 17 de Julho de 1745.

e asinada pellos Doutores Dezembargadores Joze Pedro Emaus e António Velho da Costa. E não continha mais em a dita ordem. para que constando-me que algum delles. 1753 Registo de huma carta precatória de deligencia fesso «O Doutor Joaquim António de Azevedo Soares. Senhor de Guiné & Fasso saber a vos corregedor da comarca de Elvas que Reprezentando-me os Juizes de fora das .259 comarca para [o] que constando-lhes que nos seos d esachão alguns siganos sájâo logo com os mesmos povos a prendellos. Archivo da e provisões da Gamara (extincta) Municipal de Villa Gamara Municipal de Elvas]. Villa Viçosa quinze de Julho de mil sette centos e sincoentta e hum. [Livro II Manoel Rodrigues Figueira^u do Copiador de alvará» Boim. depois de as reseber. Deos Guarde a vosa mercê munttos annos. Sobreditto o escrevi. de modo que possa ter efifeito huma delegencia tam reterras da sua tritos se commendada por Sua Magestade. 103 v. do Desenbargo de El-Rey nosso Senhor e seu Corregedor com alssada em esta munto nobre e sempre leal sidade de Elvas e sua comarca pello dito Senhor que Deos gvarde. Oliveira. a fl. a qual me reporto. aonde as houver. e se para segurança delia fôr ue- sesario que concorrão as tropas pagas. em fé do que me asignei em raso. que bem e fielmente na verdade fis tresladar e tresladei. as não observão com a devida exatidão. e das ordens que vosa mercê expedir aos menistros da sua comarca mandará vosa mercê pedir recibos da sua entrega. o farei presente a Sua Magestade para que o mesmo Senhor possa ter com os transgressores da sua Real ordem a severa demonstraçam que mereserem. Cavalleiro prona ordem de Christo. Villa Boim de agosto outo de mil settecentos e sincoenta e hum annos. de cuja ordem o seu theor e forma de verbo ad verbum he o seguinte Dom Jozé por Graça a — de Deos em Rey de Portugal e dos Alguarves. em como mim hora me foy remetida huma ordem pello Tribunal do Dezenbargo do Passo. Estremes catorze de Julho de mil settecentos e sincoentta e hum. daquem e dálem mar Africa. que me remeterá todos junttos. Cumpra e pase ordem geral na forma que se ordena. que Deus guarde. que de presente na mesma sirvo de Provedor & Faço saber ao senhor Doutor Juis de fora desta cidade. ou a quem em sua abzencia ou impedimento seu nobillissimo cargo tiver e servir. poderão as justiças requerer aos comandantes delias o aucilio que nesesitarem que pronptamente se lhes dará tudo o que for preciso. sem dilasam alguma. Conde da Atalaija. fcyta em nome de El-Rey noso Senhor.

e pello que respeita aos siganos hey . tenho dado a providencia nesesaria. mesma meza. e em seu cumprimento e por virtude delia. Francisco Varella de Asis a fez em Lisboa a três de Novembro de mil setecentos e sincoenta e três. de qualquer qualidade ou condialgumas pessoas ção que sejão. ele me fez prezente em consulta da fuy servido rezolver e declarar que os ditos Juizes de fora fizerão o que deviâo em nâo executar as ordens do que governa as Armas. José Pedro Emaos. acoutão protegem ou recolhem siganos. de que valha sem sello ex cauza. E nâo se contem mais a dita em a dita prouizão por virtude da qual mandey pasar a presente para a vos ella ser dirigida dito Senhor Doutor Juiz de fora desta cidade de Elvas ou a quem em sua auzencia ou impedimento seu nobilisimo cargo tiver e servir com nha a qual sendo-lhe apresentada indo primeiro por mim asinada e selada sello deste dito meu Juizo(?) que ante mim serve ou com a mi- rubrica. El-Rey noso Senhor o mandou por seu especial mandado pellos menistros abaixo asinados de seo conselho e seus Dezembargadores. os autoeis e prendais debacho da chave na cadeya da Cabesa da Comarca. digo por reziolução de Sua Magestad^ de dois de outubro de mil setecentos e sincoenta e três e despacho do dezembargo do Paso de doze do dito mez e anno. António Velho da Costa.260 Villas de Souzel e Mertola a duvida que tiverão ao cumprimento meu servisso lhe remetera o Sargento mor de das ordens que por Batalha.ambem participar as justiças subalternas de vosso destricto. e sendo em que foi ouvido o procurador da minha Coroa. Por El-Rey noso Senhor ao Corregedor da Comarca de Elvas. a cumpra e guarde. António Luis Signet de Cordes a fez escrever. do Paço. fazer prezente. que. que também em semelhantes uzo e costuma servir. E esta minha rezolução que mando participar a todos os corregedores ouvidores e provedores deste Reyno e do alguarve fareis i. Por rezolução do Dezembargo do Paso. sa- . fasa munto intei- ramente cumprir e guardar asim e da maneyra que em ella se conthem e declara. para effeito de tirar devasa exacta contra os siganos e quem os protegese por ser o meio mais conveniente do socego dos Povos e Bem comum. Cumprio asim. rezoluçoes e decretos meos he que devem ser tiradas quanto a extracção do trigo. e con- que extrahirem trigo para o Eeino de Castella e lavradores que o vendem aos Castelhanos e Portuguezes que o conduzirem ou em suas cazas o deicharem albergar. constando-vos por qualquer modo que do voso destricto. porque Devasas só por cazos de ley. tendo entendido que na vosa rezidencia se perguntará se cumpristeis com esta obrigação. ficando assim adisionado este capitulo aos da rezidencia. de por bem e vos mando que me dareis conta pella meza do mesmo Dezembargo do Paso. que gouverna as Armas dessa Província. dando-se-lhe parte do que tra os resultace desta diligencia para assim mo tudo visto na meza do Dezembargo do Passo.

— Archivo Muni- 3Sr-° 33 1756 Aviso para o Duque Regedor ^ em que se lhe ordena. sejão applicados a servirem nas obras publicas da 111. feita em ella ao primeiro dia do mes de Dezenbro do Anno do Nascimento de Noso Senhor Jezus Christo de mil e setecentos e sincoenta e três annos etc. que os Siganos. Excellencia me Fazendo presente a Sua Magestade o Aviso.™» mesma Cidade. escrivam das ^ecuções.] iii do Registo da Camará Municipal de Elvas. o que eu não menos farey por outras suas semelhantes. de qualquer qualidade que cidade e seu termo. Paguarse-ha de feitio desta ao todo contado na forma do Regimento duzentos e setenta reis e de asynar e sello noventa reis. desta dita . a fl. Cumprace. e vosa merse nie mandará pasar certidam de como esta lhe foi entregue e a cumprio como também mandará dar seja. E eu João Pereyra Coelho.261 bendo Vossa merse que alguma pesoa. nesta incerta. E não se continha mais em a dita precatória que fiz regystar bem e na verdade e não leva cousa que duvida fasa. João Pereira Coelho». E eu Jozé Bernardes escrivão da Correição o sobescrevy. Esta vai subescripta por Jozé Bernardes escrivão proprietário do oííicio da correição em esta cidade de Elvas e sua Comarca etc. que no fim hirá declarado. Elvas dois demarco de mil e setecentos e sincoenta e quatro annos. que inquietão os moradores do Termo desta Cidade : Foy . Dada e pasada em esta dita cidade de Elvas. Ao sello valha sem sello ex causa trinta reis. que hora siruo de escrivam da Camará o subescrevi. dirigio na data de 13 do corrente sobre os Siganos."»o Sr. que inquietavào os moradores do Termo desta Cidade. sendo feita esta despeza á custa dos bens do Conselho desta dita pagar o feitio e fará merse asim o cumprir e mandar se cumpra e guarde. e Ex. que vosa merse mandará cumprir tam inteiramente como nella se conthem. protege ou recolhe siganos. Joachim António de Azevedo Soares. que V. sendo-me aprezentado da sua parte pedido e deprecado mediante Justiça etc. executando tudo na forma da Provizâo de Sua Magestade. José Bernardes. Elvas sinco de dezembro de mil e setesentos e sincoenta e três. e asynatura e sello desta. por algum modo acouta. e de vosa em que Deus guarde e a mim mersé. os actue e prenda logo na cadeya publica desta cidade. em fée do que a fiz escrever subescrevy e asynei de meus sinais costumado. [Tombo cipal. serviso a Sua Magestade cidade *. 203. Falcato. tudo a justiça que costuma e he obrigado em rezão de seu nobelisimo cargo que ocupa e admenistra.

= Sebastião Joseph de Car- {Memorias das principaes providencias que se derão no terremoto. Excellencia o Paço de Belém. nem per meyo de Apellação. considerando que asim para socego publico. 1758. e carregados de armas de fogo pellas estradas. sejâo applicados a servirem nas obras publicas da Cidade. não só as que pellas minhas Leis são pro: : nenhuma maneira se lhes consentirão. valíio c Mello. como para correcção de gente tão inútil e mal educada se faz precrso obriga-los pellos termos mais fortes e eficazes a tomar a vida civil sou servido ordenar que os rapazes de pequena idade filhos dos ditos siganos se entreguem judicialmente a Mestres. que se condemnarem. mas tãobem aquellas. que deste Reino tem sido degradados para o Estado do Brazil vivem tanto á disposição da sua vontade que uzando dos seus prejudiciaes costumes com total infracção das minhas Leis. que nào havendo presentemente navio para Angola. que lhes poderião servir de adorno E que as mulheres vivão recolhidas e se ocupem naquelles mesmos exercícios de que uzão as do Pais e Hey por bem que pelhi hibidas. onde com declarada violência praticão mais a seo salvo os seus perniciozissimos procedimentos . Excellencia. aos adultos se lhes assente praça de soldados.262 mesmo Senhor servido mandar declarar a V. mais leve transgressão do que neste Alvará Ordeno. ou do Princepe sem mais ordem e figura de juizo. prohibindo-se a todos poderem comerciar em bestas e Escravos e andarem em ranchos Que não vivão em bairros separados. Thomé. pag. a 15 de Mayo de 1756. que lhes ensinem os officios e artes mecânicas. nem todos juntos. e fasendo-se formidáveis por andarem sempre encorporados. ou se facão trabalhar nas obras publicas pagando-lhes o seo justo salário. Deos guarde a V. cometendo continuados furtos de cavalos. que deponhão perante quaesquer dos Ministros criminaes respectivos aos destrictos. causão intolerável incomodo aos moradores. o que for comprehendido nella seja degradado poj toda a vida para a Ilha de S. Lisboa. e lhes não seja permittido trazerem armas. que de : . . 106.] 1760 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará de Ley virem que sendome presente que os Siganos. ou Aggravo do que o conhecimento sumario que resultar do juramento de três testemunhas. que padeceu a Corte de Lisboa no anno de 1755. e Escravos. de sorte que nunca estejão muitos juntos em hum mesmo Prezidio. em que possão ser transportados os Siganos. e por algum tempo se repartão pellos Prezidios. nem ainda nas viagens.

Supplemento á Collecção de legislação portugueza. Rcy •'• etc. onde semelhantes se costumão registar. 17501762. e se não possa alegar ignorância será tãobem publicado nos Cappitanias do Estado do Brazil e em cada huma das suas Camarás e se registará nas ditas Rellaçoes. p. 351 do L. Desembargadores delias. x do Registo do Real Archivo. 1750-1762. lançando-se este próprio na Torre do Tombo.] 1761 Provisão de 8 de Fevereiro. ao Vice-Rey e Cappitâo General de mar e terra do Pastado do Brazil. —António Delgado da da legislação porlugueza. e a todos os Governadores.263 onde fizerem a transgressão. e para que venha á noticia de todos. e Officiaes de Justiça do dito Estado executem e façâo observar sem duvida este meo Alvará. e provada quanto baste se execute logo a sentença do extermínio.] 1760. e Cappitães mores delle. e nas mais partes. ColUcr^ão foi. sem que delia possa ter mais recurso. setecentos e secenta. Vou munto Seriamente Recomendar a Vossa mercê que especa as ordens mais percizas a todos os magistrados da sua respectiva Comarca asim de vara Branca como ordinários avivandos da exze- cução da Lei de vinte e sinco de junho de mil e setesentos e secenta c com particolaridade o paragrafo doze dela e a de vinte e sinco de Dezembro de mil e seissentos e oito que fas parte da mesma Lei c a de quinze de janeiro de mil e setesentos e oitenta. relativa á lei de 20 de Setembro de nada accrescenta de interesse. como nelle se contem.' 749-750. aos Governadores das Rellações da Bahia e Rio de Janeiro. 786. [António Delgado da Silva. a qual 3sr.*" [Registado a Silva. e registará na minha Chancelaria mor do Reino. pois os Re- petidos fatos dos trangresores das edicadas Leis teem feito ver que os soberditos magistrados não cumprem o que nelas lhes he ordenado o que obrigou ao Genaral Dom Simmão Trazer a Reprezentar ao . Pelo que Mando ao Presidente e Concelheiros do meo Concelho Ultramarino. o qual se publicará. pp. e a todos os Ouvidores e mais Ministros. Lisboa vinte de Setembro de mil.° se (sic) 1800 Rezisto de e huma ordem do Entendente Garal da Policia da Corte Beino para o Doutor Corregedor desta Comarqua a qual tíemeteo ao Doutor Juis de Fora desta Cidade na forma seguinte.

e Iguahnente na confermidade da ordenação do Livro quinto Titolo secenta e nove e dos decretos e Alvarás que vão nas coleçoins numaro primeiro e segundo ao dito Titolo e desesete de janeiro de mil e seissentos e seis e de treze de setembro de mil seiscentos e treze de vinte e quatro de outubro de mil seiscentos e quarenta e sete do decreto de vinte oito de Fevereiro de mil e setecentos e dezoito prendão todos os siganos de um e outro seco que vivão sem domecilio e andem vagos no Reino. pois que digo os que tiverem pois nestas sirconstancias devem ser logo prezos e apreendidas também as fazendas que se lhe encontrarem sejam o se ocopar vivendo de furtos que fazem e da mendacidade o ósio os condus em que depois ficão servindo de grave não de contrabando dendo-lhes. e neste Reino teem entrado outros muntos estrangeiros sem se legetimarem como ordenâo as soberditas Leis que se citoaram. emquanto estiver regendo essa correição. que os masgestrados não cumprem as Leis e os dexão tranzitar para a Espanha."" Governador das Armas dessa Província que o ausseli na prizâo dos referidos siganos que por ela andarem vagando e nesta regra entrarão alguns engeitados e filhos famílias que andão fugi- dos girando de terra em terra sem se asoldadarem nem procorarem em que a que pezo ao estado consta finalmente nesta entendencia que muitos dos Ladroins que de novo teem aparesido são. sempre foi nesceçariio huma grande circonspeção a vegilancia de tão emportantes mas munto mais. esinciahnente em huma congetura que ofresem as critiquas sirconstancias e que são bem manifestas não se contentando Vossa mercê em recomendar a exzecução destas deliobgetos. se as fazendas forem de Lei o elas forem de contrabando e nestes casos : e as aloará formando-lhes os seos porseços vencomo contrabandistas se Lembro a Vossa mercê o capitolo vinte sete da prematica de mil e setesentos e quarenta e nove como também a Lei de quatorze de Novembro de mil e sete .264 Príncipe Nosso Senhor a grande dezerção das Tropas auseliares que estão debaxo do seo comando neste Reino. gencias aos soberditos magistrados mas vegiando se cumprem estes as çuas obrigacoins e asim continuar Vossa mercê. e os filhos destes de que falo de um e outro sesso remetermos vossa mercê con toda a caridade e comedamente não lhes faltando ao nesceçario alimento conduzindos em carros e cavalgaduras aos portos do Mar mais prochimos para delles virem para a Rial Caza pia desta Corte e nela serem instruídos namorai Christã e nas obrigacoins suciais e aprenderem as Artes e manefaturas e aqueles que pelos seos talentos se recomendarem as mesmas siencias pedindo Vossa mercê ao Illustrissimo Ex. huma especia de contrabandistas que andão vendendo pelas cazas e mascarandose e por este modo não só exzeminão as entradas e saldas delas mas também costumão ganhar alguns dos domésticos que sara mais a seo salvo porpetrarem os robôs e furtos que intentão fazer.

espero da atividade e luzes de Vossa mercê cumpra e faça exzecutar o que tenho ordenado nos respectivos officios que estes fins tenho espedido a esse Lugar e avivar egualmente a exzecução das indicadas Leis para que de foturo os Lugar asim o cumprão enteiramente e facão exzecuVossa mercê fará rezistar o presente officio nos Livros dessa Correição. 85 v. para o Doutor Juis de Fora a quem entreguei e a mesma me reporto e eu António Joaquim Pereira escrivão da camará a fiz escrever. E não continha mais no dito inserto em huma depercada que veio do Juizo da Correição. a fl. Diogo Ignacio de Pina Manique. da parte dos exzecutores.265 sentos e sincoenta c sete mas previno a Vossa mercê que deve ese- toar desta regra as fazendas que vão endiretura para espanba pois o que acabo de ordenar entendese a respeito das fazendas que se andào vendendo pelo entrior do Reino estas delegencias deverá Vossa mercê ter sempre em vista é não só contentarsse em dar as çuas ordens mas vegiar cuidadosamente nas ezecuçoins delas como já referi a Vossa mercê. remetendo-me certidão de asim se ter exzecutado. Lisboa doze de Julho de mil oito sentos.l 3sr_^ ST 1848 «Deve cuidadosamente exigir-se passaporte aos bandos de ciganos que transitarem pelo reino.» [Livro VI do Tombo do Registo da Camará Municipal de Elvas. — quim Pereira. e munto parti colarmente estando Vossa mercê como meo comiçario a comprir e fazer e exzecutar o que ordeno e também para de futuro recomendo a Vossa mercê que leia liuma e muntas vezes o seo Regimento de Corregedores que litaralmente deve observar em toda a sua Comarqua e que deve praticar adetrito como Corregedor e Prezidente dela e munto principalmente sobre as plantaçoins e rezalvas dos chaparros enxertos dos zambogeiros e abreturas de algumas terras próprias para as semanteiras dos pains de toda a especia segundo a qualidade do terreno o pedir e lembro a exzecução dos officios que deregi a esse lugar nas datas de vinte sete de Maio e de treze de Julho de mil e sete sentos e oitenta exzecutando o que dis respeito a este officio nas terras de donatários adonde não entrar a correição para nas mesmas terras fazer Vossa mercê observar o que neste lhes ordeno e o que ultimamente ordenei no officio que deregi a essa Provedoria em sinco do presente mês relativo aos 'engeitados nas correiçoins que fizer proguntara Vossa mercê se tem litaralmente exzicutado o ordenado no dito officio para Vossa mercê me dar conta da sua observância e se hover alguma omição. Deos Guarde a Vossa mercê. António Joaseçores desse tar. afim de se exercer contra os que o .

Lisboa. matadores. . e chaE quem a pudesse dar a todos por amor de Deos faria bem.sboa. hua dança de Ciganas que eu encontrei no caminho. Ined. 335-310.) « [Henrique da Gama Barros. Gal.] Miguel Leitão d'Ândrada sobre os ciganos ^ Crisp. ou ficão pêra nunca mais Trecho da descripção dumas festas na villa de Pedrógão grande (Bcira-Baixa) na obra de Miguel Leitão d'Andrada. que ao indigno. xii. feiticeiras inquietadoras da honestidade das molheres. e os muytos que dizeis aqui SC acharão nestas festas. quais são quasi todos estes Ciganos. Eepertorio admiràstrativo. e o mesmo solimão pêra matar seus senhores. Porem ainda me parece vos ficou por contar. como haa fonte de vinho. que de cima corria em hua bacia por hua pena. porque a esmola dada por amor de Deos ainda que seja a indino não deixara de ter o seu merecimento. e ellns ladras.) Dial. sem ley. que a esmola conforme nellafoy o intento. etc. mostrar selo. e enganar a simplez donzella c5 nome de mesinha pêra o outro casar com ella. E quanto às ciganas não as quis acceitar nesta festa o senhor deuoto antes as despedio. ladrões. salteadores. ou qu(. Outras cousas fora dessa. Tenho tamanho aborrecimento a essa gente. não duuidarão trazer á vossa escraua.266 não trouxerem a correcção e repressão ordenadas na Lei de 20 de setembro de 1760. que o sol a todos allumia. deixei eu por serem miúdas. ou criada a peçonha. 181. 1860. onde estaua hua taça de prata com guarda. e bebião quantos querião. e fazendoas mal parir. que o senhor deuoto mandou por a nossa porta. Embaidoras que por dous vintêis. Disso me marauilho eu muito. 1629. Deuot. p. porem quem não pode se não limitadamente. E ainda à casada a titulo de o marido lhe querer bem. ou dois pais. Portaria circular 18 abril 1848. (Código administrativo. U. que esmolla à porta quero se lhes dê. por os ter por indinos delia. lhe dão com que os coitados vão ao outro mundo fazer experiência da mesinha. 18 Março 1842. Misccllanea do sitio de Nossa Senhora da Lvz do Pedrógão grande. ' pg. quando isso não fosse occasião de pecar ou de não deixar o peccado. e de 1854. E ainda que o não seja basta ser por amor de Deos. (O prologo foi escrito em 1G22. sei Bem ridade terá o seu merecimento. nem Cr-isp. por donde se deue dar a todo o necessitado. Tomo i. e elle dirá o porque. porque forão ellas muito pêra se ver. nem temor delia. 151. Eezão tiuerão esses senhores. parece a deue antes de dar ao dino? Deuot.

: E . Por onde eu aconcelharia a todo o home que euitasse o fallar qualquer cousa sua com esta gente. se fazem jEJgipcios. ou delles estes mãos costumes. e suas próprias mulheres. pêra nella se lerem e vsarem de liuros Catholicos. e se hirião acabando de sair do Reyno. e sendo Chaldeos. que ninguém attenta nisto. e delle se mantém. pola sutileza de seus furtos. e palpandoo cada dia e cada hora a nossas portas. e os terem por sospeitos os lançarão de todas suas terras. E seja verdade que todos somos peccadores. e andaua toda a noite. vedandolhes o yzo do trajo. e seus filhos ja nella e em tudo o mais como naturais mesmos da terra. que digão que o marido era hum amancebado. estes o são por officio. e beneficio. que quasi elles mesmos não sabem de que nação ou Reyno procedem. senão pêra milhor inteligência de suas malas artes. muito mais cautelosamente. E esta gente com auer tantos centos de annos que £'spanha os agasalhou. fazendoos viuer dentro no meyo das cidades repartidos pello Reyno. e aozadas. a quantos isto cada dia acontece. falo dos nós tão cegos. e males que nelle não se sabiâo. com achaque de bona dicha. ou enganos. E pello contrario. Os quais de Zigaros se chamão ciganos. E sabe Deos. embarcandoos diuididos pêra o Brazil e Angola e outras nossas conquistas. se sahirão a encher toda Europa porem que nenhures os consentem mais de três dias. e falo de sciencia certa. e descuidados. porque vzando tudo isto como vzão por officio os não possamos en- tender. E os que introduzirão em Portugal mil feitiçarias. e quando isso não parecesse. prestar. e que disso^morreo assi mal. E pudera isso ter muyto bom remédio. e que por essa causa os Venezeano£. como diz lacobo Philipo Bergamate no seu livro. não buscâo remédio a cousa tao importante como fora não estar Portugal e Espanha toda criando em suas entranhas. e com mais com hum ferido de peste. e parece são estes de Portugal. que gouernão. E he de que se hum nosso Português vai ser morador em outro Reyno. ou Gitanos. e vendoo. que o puderâo remediar. o como. e agora pêra a noua pouoaçâo do Maranhão poucos a poucos em cada nauio que fosse. que he o mesmo. porque sendo Gregos que se vierâo fugindo dos Turcos. e dentro de nossas próprias casas passão por isso. ou de sciencias e artes que troxessem boas. e os que gouernão as Republicas desuelando-se tanto em novas prematicas sobre ninharias. Supplementum chronicarum que de certos pouos chamados Zigaros.267 Então a descarga disto he. E não sei como os conselheiros dos Reys. latrocínios. em poucos annos logo falia a lingoa desse Reyno. e que nuca deixarão a sua lingua Chaldea. que deue ser a que lhe ouimos falar. nem ainda zombando ou rigor que notar. e embelecos. e por carta. estas lombrigas ou digo Biboras que o estão roendo de continuo por todas as partes de seu todo. E o não perderem nunca a sua lingua não foy por certo. Agasalhãdoos Portugal vindo perseguidos dos Turcos vzão tão mal desse gasalhado.

Quanto mais que leys ouue. e de noite pedindo e lamentando-se com hua voz muito lastimosa. de dia. como tudo. Pondo se os coxos a officios que não hão mister pernas. Crisp. E os aleijados de mãos. e mais essencial. e maneira se puderão poer as mulheres a officios e acõmodandoas por casas a seruir onde . e outras rodas. e na ribeira das nãos a puxar por cordas. Crisp. Não deue de o ter pois que tee gora se lhe não deu. E puderão as Republicas ou os Reys criar Magistrado. e ordenações excelentes sobre isso. e os cegos nas casas dos ferreiros. com malefícios. Deuot. pastores. egoarizos e caminheiros. e em portas de fidalgos. tanger os folies. ou vender em tendas. e acharse remédio a cousas que a nossos mayores não passou por f)ensamento. Pois a verdadeira charidade deue começar por nós mesmos. como çapateiros. o que ou outros remédios se lhes atalhasse o furtar. Nem estado em que andarião tantas mulheres pêra sustentarem o mao viuem. O que he muito importante. e mandando vir de lá essas dizem são excelentíssimas em muitas cousas) que as leys leys que em todas as idades se buscarão e passarão de huns Reynos a outros pêra tomar delias o mais conueniente). ou tribunal só pêra isso. cirgueiros. tirandoos das tauernas que destes de continuo 'estão cheas. que só vzâo a fim de fazer gazuas. lapidarios. e nem cegarião muitos pays os filhos minimos acinte pelos lançar a pedir (como se diz por cousa certa o fazem em certos lugares) nem se farião outros a si mesmos outros aleijões. E goardandose cõ rigor não se cortariâo muitos os braços a si mesmos cõ a cobiça de pedir. e chagas com este intento. ou obreiros nas alheas. Cordoeiros.268 e da lingoagem. e trabalho de que se manter conforme sua sufficiencia. e outros E o pedir esmola que aos pobres se deue necessitados (que ha muitos nossos naturais) e não a elles que podem bem com trabalhar remediar sua vida. ouriues. Nem por isso deixaria de auer outros ciganos. e obrigandoos a officios com tenda sua. Aplicando a todos o exercício. ou polias ruas e outros exercícios. E que não fossem ferreiros. e pelos mais chegados nossos. Deuot. e regimento. Não he essa boa consequecia que cada dia vemos darse. E a ellas o mesmo a officios. e a seu aluedrio de cada hum. e o sair fora das Cidades e villas. dandolhe leys. como ha naturais que por se darem a boa vida se lançâo a pedir. e outros mil excessos cada dia vemos. que ja não se praticão nem se goardão. e toada muito prolongada. E da mesma exercícios conuenientes. Também esse he hum grande descuido dos que gouernão não atalharem a essa desordem com algum remédio. porteiros de concelhos. e o mais que aly ha. rodas de esparteiros. E passão com toda a liberdade. alfayates. e pagarlhes ou mantelos (como dizem o fazem na China. e instrumentos de roubar. e outros. conforme o aleijão. obrigando alternadamente aos officiaes siruirense delles.

E com trazer essa tal licença ao colo escrita em taboas. Deixemos os pobres Ciganos. se quer por rezão de estado. nem emmendar o mundo. sem auer quem acuda a esta calaçaria. Assim seja. e yr as cousas por onde vão. que nos não auemos de gouernar. e com letras muyto grossas e de forma. e bordão. Nâo aueria tantas desordens. e tyranizarem e nas Igrejas mais quietação pêra as pessoas se poderem encomendar a Deos. e vos aueres de dar algumas. e o rigor que bastante esmola pêra quem direitamete pertence e não padecerião os necessitados nobres. donde poderemos yr dar quatro passeyos por recreação refrescandonos por essas fontes. por estes velhacos lha vsurpaaueria rem. Crisjp. E muytas vezes extremas. vedandolhes o pedir dentro e o dar a esmolla dentro. e peccados mortais. e a Deos. como ha nem tantos males. e ellas logo se darem a esta vida calaceira de pedir com seus capelos. que he vergonha ver isto. . o senhor Galacio de me Deuot. juntemonos aqui à manham.269 estiuessem recolhidas. E pois me fes mercê festejarme tanto esta tarde. pois basta pediremna à porta. e enuergonhados tantas necessidades. E desta ou de outras maneiras mandandose o primeiro com todo ninguém pudesse pedir sem expressa licença do tal tribunal ou magistrado. e sombras.

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APPENDICE 11 OS CIGANOS DO BRASIL Entre os documentos que reuni ha um já em 1Õ74 a pena de galés. Não seria naquelle século tal caso o único do género . n. em numero e com armas. Doe.« 34. conforme ao deque fora expresso. em 1686 que vemos generalisado o desterro para uma parte do Brasil. 267.° 38. n. como em Portugal. Does. reunindo. Emfim o Alvará de 1760* sejo mostra-nos que no Brasil persistia o modo particular de vida dos ciganos e que. graças ás condições particulares d'aquella nossa antiga colónia. .se No Brasil. imposta a * um que nos mostra cigano.°« 2 3 4 22 e 23. o Maranhão 2. p. elles se atreviam a praticar violências. n. com- mutada em desterro para o Brasil. * Doe. antes por Miguel Leitão d'Andrada^. as medidas legislativas não conseguiram fazer desàpparecer os ciganos nem sequer os seus costumes inveterados. mas é só no fim do século seguinte. n. como nos outros países europeus ou de civiHsação de origem europea. mais de meio século. Doe.o 5.

homens. p. Ouvi muitas vezes fallar d'elles. que não vão nunca á missa ao confesso. quando os seus cavallos de carga estão ajoujados sob o peso. IV (Paris. mas os : compõem não são em numero bastante grande para que a classifiquemos entre as grandes divisões da espécie humana que formam a população do Brasil. Voyages dans la partie septentrionale du Brésil depuis 1809 jusqu'en 1815. e como fossem feitas tentativas para prender alguns. Vagueiam em bando. o titulo de Zingaris au Brésil se lê in Nouvelles annales des voyages. Pintam-nos como homens altos e bem feitos. por obsequio Ao que Henri Koster.se noutros tempos. Jay. (l'este século. vol. em cavallos albardados. mettem os filhos Os homens são excellentes cavalleiros. contentam-se com abrandar o passo das cavalgaduras. vendendo cavallos e jóias de oiro e de prata. Paris. as visitas acabaram. mas o governador era inimigo d'elles. sem pensar em se apearem e repar- tirem as cargas por todos os animaes. trad. . Bandos de ciganos tinham por costume mostrar. uma vez por anno. — . na aldeia de Pasmado e noutros sitios da província (de Pernambuco). Diz-se que não observam nenhuma pratica religiosa. As mulheres jornadeiam assentadas entre os cestos. 1820). comprando.*» nem com acabo de indicar se resumia o que apurara dos ciganos do Brasil quando me chegou á mão. deu-nos a seguinte noticia que bem «Resta-me ainda indivíduos que a a persistência d'aquella gente fallar de uma raça de homens. 1 Da curta noticia de Koster é extrahida a que com 1818. de cor acastanhada com feições semelhantes ás dos brancos. t. A. mulheres. creanças trocando. II.272 Um no começo nos mostra viajante inglez que percorreu uma parte do Brasil. de Fanglais par M. esses homens excitam alem d'isso menos interesse que os outros: todavia não se pode passar em silencio os ciganos^ (porque é assim que os chamam). accrescenta-se que se casam só pessoas da sua raça. nos cestos misturados com a bagagem. 474. mas nunca tive occasião de ver um só.

18. latoeiros e ourives. «Foi por essa data. t.273 do sr. as mulheres : muito interessantes.» ções. — de prodigiosa memoria. falla-nos depois da legislação portuguesa acerca d'esse povo e cita um decreto de 11 de abril de 1718 segundo o qual «foram degradados os O ganos). 609 a 624. Ha excerptos de uma e vi. Ciganos. suppondo rigorosamente histórica a noticia da migração das 1 Mello de Moraes Filho. sendo o cigano a solda que uniu as três peças de fundição da mestiçagem actual do Brazil». Rio de Janeiro. e de outras particularidades degredados de 1818 entregar-se-hiam ás industrias dos metaes seriam caldeireiros. que chegaram ção. outra collecção no Parnaso hrazileiro (Rio de Janeiro. deu-lhe noticia de famílias importantes brasileiras cruzadas com os ciganos. esse velho. 1886. nas minhas investigasegundo o sr. De um lado. mas com referencia quasi exclusiva aos ciganos do Rio de Janeiro auctor dessa obra começa por considerações de segunda mão sobre as primitivas migrações dos ciganos (tsivarias inexactidões. quintos de ouro attribuido aos ciganos. *. Os Ciganos no Brazil. de Vasconcellos. estimável e venerando calon (calo) de 89 annos. 18 . a fim de obter-se a sua extinencontrei esse decreto. ii. ordenando-se ao governador que ponha cobro e cuidado na prohibição do uso de sua lingua e giria. L. Os rezariam de quebranto e leriam a buena dicha. Não ao Rio de Janeiro os seus avós e parentes nove famílias de roubo de em razão um para aqui degradadas. de p. o qual tenho á mão. não permittindo que se ensine a seus filhos.» Segundo o auctor. ferreiros. Pinto Noites. com ciganos do reino para a praça da cidade da Bahia. um volume que se occupa do assumpto. 113 a ciganas e Novo Cancioneiro. Aqui ha um exaggero evidente. que não 155 : Trovas O mesmo auctor publicou um Cancioneiro dos O volume que examinei contém de pp. 1885) do mesmo auctor.° 204 pp. o cruzamento com as três raças existentes eífectuou-se. O auctor pretende que: «A reproducção entre si (entre os ciganos) deu-se em grande escala .

O em Mello Moraes pretende. e segundo porque podemos seguir a sua historia.274 nove não pode admittir-se que tenham sido as famílias. que 1808. que alcançou immensa fortuna como media. Joaquim António Rabello. os ciganos não perdiam algumas das peculiariadadcs da sua raça. calo de raça. . de outro lado não é de admittir. únicas desterradas para o Brasil no século xviii. estão por tal forma cheios de . passassem para alli mais ciganos. sem outras provas. fonte de superstições brasileiras. á civilisação brasileira. um 3. porque o nivel do brasileiro era geralmente baixo. Esse phenomeno é apenas mais uma exemvirtude da qual um povo de civilisação rudimentar se adapta tanto mais rapidamente á civilisação phíicação da lei em de outro. Adaptando-se assim. quanto ella é menos adeantada. pelos peores lados. com a traslação da corte portuguesa para o Kio sr. primeiro e outras são communs nos diversos povos da Europa. para onde já anteriormente teriam ido algumas. O alvará de 1760 prohibia aos ciganos do Brasil commerciarem em escravos. EUe elevava-se em verdade facilmente ao nivel do brasileiro. que no brasileiro haja tanto sangue cigano como o auctor parece estar disposto a fácil acceitar. . O sr. .. Mello Moraes falla-nos d'essa lucrativa occupação dos ciganos e allude a um M. Mas as superstições e os Num em que ha ensalmos que nos apresenta divergem muito pouco de superc stições e ensalmos vulgarissimos entre o povo português aos quaes me porque umas é impossível attribuir origem cigana. e falla-nos de calo rico. sargento-mór do regimento de milicias da corte «a quem a historia nacioum dia considere como uma força nas agitações nal talvez politicas da independência». alguns séculos atrás em o nosso pais e por mais largo espaço de tempo noutros paises.° de Janeiro. Os ensalmos e pragas dos elementos ciganos. sem citar documento. outras muitas coisas inconsicapitulo attribue auctor o grande papel ao cigano como deradas. demais. neiro na compra de escravos e veiu a ser marquez de B .

11. cap. Marin. Mãrchen und Gebrauche aus . Kuhn und W. pp.^ serie. Adolpho Coelho. pp. . F. pp. 255-319 Northern counlries of England and the Borders. . dade de geographia de Lisboa.275 que logo á primeira vista se desconfia da sua originalidade. . Grimm. 2. Ueher zwei entdeckte gediclite aus der Zeit des deutschen heidentliums. Sauvé in Revue celtique. As superstições portuguesas in Revista scicntifica. Costumes e crenças populares in Boletim da Sociei. A. iii (1874). Weber. pp. Fr. demonstração dessa Ihese exige de e espaço que agora não posso dispor 2. Schwartz. 1866. 119-215. Aus Schicaben. e sobretudo no Atliarvaveda . 512528. Contento-me com indicar alguns elementos para o estudo da : questão J. assim com minha conclusão é que os ciganos se dos formulários das nossas benzePortugal apropriaram deiras e feiticeiras. ger. 431-444 Wesffalen. xxxvii e xxxviii. christãos encontramos coisas do mesmo género desde remota antigui^ dade. John Brand. ibidem. Mello Moraes se parece muito mais com os ensalmos das benzedeiras e feiticeiras portuguesas que com como os ensalmos portuguemais dos outros povos europeus que ses se parecem com os os exemplares indianos. os ensalmos das ciganas. A. London. 4v4. por . já no Rig-Veda. como os das suas collegas portuguesas. todavia concebe-se que não deixe 2 A. 114-151. 49-74. i. idem. Ueber Marcellus Burdigalensis in Kleinere Schrlften. encontramo las também nos documentos de outras velhas civili- exemplo nos textos cuneiformes de Babylonia. Sagen. ed. ir. paração revela que o que dos ciganos do Brasil nos communica o sr. Birlin- 377. William Henderson. R. 1-29. Idem. in Zeitschrift 113-157 . 1882). 560-578 . 269-278 Idem. n. Lenormant mas a comsaçoes. xxxvi. L. e os outros trabalhos dos folkloristas portugueses. Idem. t. 108-142. (Porto. Indische und germanische Segenspriiche fur Vergleichende Sprachforschung. p. 11.°' 1054-1072. 393-430. pp. Romances. F. vulgarisados ate nas obras de Fr. iv (1858). Deutsche Mythologie. tempo os asiáticos. Sem duvida na índia. são. Indische Studien. 405. 441-463. de onde veiu esse povo. 633-668. etc. 1877. Mélusine. orações e ensalmos do Minho in Romania. em extremo 1 prosaicas . etc. xiii (1864). A em A As praticas de feiticeria. por via de regra. NorddeutscJie A. 67-85. Notes on the Ft Ik Lore of the III. Idem. Observations on popular Antiquities. vi. Kuhn. Sage. Cantos populares espanoles.

são raros os casos pathologicos congénitos. Numa nota lemos que dois ciganos de um o Beijo ^ parente de Pinto Noites. segundo o já referido Pinto Noites. excepto os frequentes de surdi- mudez. imitaram-no as creanças ciganas das portuguesas. português. assim como ainda hoje nas partidas de Minas. quando se encontram. O casamento era por via de regra o resultado de uma combinação dos pães e não a almejada consequência do amor. como os fadistas taes sao. elle não hesitava em revelar o segredo e tratava. o : Beijo j o Rola^ já referidos.?» Esse costume . o Papagaio ^ o Pernas finas (ciganos da Cidade Nova). Se a um pae cuja filha não soubera conservar-sc pura esta era pedida para noiva. Bahia e Maranhão. Apesar dos casamentos consanguineos. . informa- Mello Moraes. .se de a casar com um qiierdapanin {á. Mas se a filha era virgem havia grande . o primeiro contava mais de vinte mortes. e com um tom de voz plangente e vagaroso. letra: «faz agua». até 18Õ0. Os casamentos dos ciganos do Rio de nos ainda o sr. Tratam-se por alcunhas. estendem o braço. não tinham passado da phase primitiva. Minas. Nenhum até ao presente processado por ladrão nos dois últimos decennios de sessão de jury apenas dois foram condemnados e por ferimentos leves. Os homens Na empregam-se geralmente no foi foro e são honestos. diz o auctor. dizem: Abença. não poderá haver menos de quinhentos habitantes. «As mulheres não dão a mão a apertar aos homens. e esse consorcio com o estranho importava a exclusão igno- miniosa da tribu. o Catú^ o Come-jpolvora (ciganos de Minas). alcunhado e outro o Eola^ foram notáveis nos annaes do crime.276 de produzir certo effeito a phrase seguinte do nosso auctor: «A cigana é a sacerdotiza da nossa theurgia popular! » colónia cigana da Cidade Nova. colono). e estçs. trocam entre si como saudação as palavras: «Olé! olá! olô!» Os filhos não beijam as mãos aos pais. Janeiro. o Migim-Migim. marinheiro.

gina. . que o guardava para sempre como penhor de sua alliança. juntando as extre- «E midades.se a festa da boda. despedaçava a membrana hymen. . para que eram havia danças. de envolta com as superstições tradicionaes portuguesas. ficava pertencendo ao esposo. acha- vam-se superpostos. . . deitava-a sobre um o dedo indicador no vestibulo da vaintroduzia-lhe leito. «O Gadej solemnemente acondicionado numa caixinha de preço. encostadas a uma mesa.se o catholicismo que os do Rio de Janeiro adoptaram por completo na sua forma popular. passando ura ao outro os cirios que sustinham. assistiam no . os padrinhos. «Então nelle entravam os desposados e as duas sacerdotizas. enxugando na camisa de cambraia as gottas de sangue da virgindade. banquete. alvos como uma hóstia. e que as dores preparantes a arrojavam na cama. . e o marido mostrava no Gade as rosas da pureza aos alaridos do festim . os padrinhos «Uma largavam os lençóes. «Logo que uma mulher gravida estava a termo. As janellas fechavam-se. . coberto de folhas de alecrim. «Quatro tochas accesas. derramavam sobre o linho uma luz de âmbar e ouro. das matronas despia a noiva. aromatisados com alfazema e salpicados de flores. desdobravam os lençóes. «Vestida novamente. a um signal ajustado. (íA meia noite retiravam-se todos para um . lado da sala. que também eram quatro.» O auctor do livro não consagra nenhumas observações particulares á religião dos ciganos.277 satisfação c preparava. adiantando-se os noivos e as duas madrinhas «Sobre um movei. des- convidados até os inimigos e em que cantes.* . embebido de aromas suaves. a inquietação transparecia em todos os semblantes o rito sagrado do Gade ia cumprir-se. alongando o braço opposto e formavam o quarto onde o sacrifício incruento (?) deveria celebrar-se. cinco lençóes. os suspendiam da cabeça. mas do que diz concluo.

apoiavam nos braços a doente. quando viera ao mundo . no caso de divergências. sanc- cionando-se religiosamente a decisão do acaso.» Quando morria algum cigano havia lamentações (em prosa). atirava tudo fogueira lustral preparada para este fim». se era um marido o fallecido. . e tias. . o quarto se abria a meia porta. . botavam juntinho o recem-nascido. presentes estes que vendiam. era do santo do dia. «O nome que Jhe punham drinhos. dos palançavam sortes. «As comadres infalliveis.278 quarto á parturiente três parentas mais chegadas e na sala cantavam os visitantes cantos sagrados a Duvel (= git. «Na mesma noite ou na immediata havia cantoria e bailado. o pai a tomava no collo e a beijava com transporte. Dehel). enxuto em riquíssima toalha de linho e crivo. . «Para que os visitantes não trouxessem maus ares e não levassem a felicidade que tivesse trazido o pequeno. . creança era lavada com agua e vinho. e os parentes entravam para vê-lo. dentro deitavam collares e moedas de ouro. deitava metade sobre a região precordial do finado e envolvia o rosto no vestido com que estava ao expirar o marido. «a viuva cortava os cabellos. servindo o dinheiro para a compra do enxoval. para suavisar os soíFrimentos da enferma e dar boa sorte ao anjinho que ia nascer. «Jóias e objectos de valor cada um lhe oífertava. com rezas que lhe deitavam ao pes- com figas e bentinhos coço. defu- mavam-se antes e depois de penetrarem no aposento. e. numa «O Proferindo palavras cabalísticas. «A «Depois da ligadura e corte do cordão. defumada de alfazema. encorajando-a. «As parteiras faziam a toilette da parida. numa bacia do prata. soprando-lhe no rosto. com talismans milagrosos. para que tivesse fortuna. «O baptisado não diíFeria dos nossos. sahimento dirigia-se á igreja. fazendo-a recordar do quanto padecera a Virgem por seu bemdito Filho.

vestida de eterno » acompanhavam. flores e borrifado de lagrimas. tendo o auctor A verificado no obituário um de cem. vivem descontentes. considerando-os desde logo irremediavelmente perdidos. de pés descalços. Mello Moraes Além do que no cap. «As mulheres calins^ no infortúnio. . deveriam . a embriaguez a que se entregam para adormecer-lhes pesadumes innatos.no. «O ia coberto de «A infeliz filhos e os parentes. ter precedido as observações sobre os costumes : os cara- cteres physicos e os psychicos. a propósito dos costumes se colhe relativamente aos caracteres psychicos dos ciganos do Eia de Janeiro. attribuem os acontecimentos mais comezinhos a um destino de influencias o desalento aninhado «Com inevitáveis e a cujos effeitos o individuo tem de ceder ou succumbir na luta. na resignação.279 carregado pelos Terceiros. Sobre o typo physico apenas nos diz o auctor que «presentemente o colorido da pelle varia e com elle a nuança dos cabellos e dos olhos». . . sentimentos hostis. eis o que de mais preciso nos diz o sr. matrimonio com corpo estranho são infe«Ligando-se lizes. mas não lhe votam rancor. o abandono em graçados. fogem dos outros homens. segundo a minha disposição. vii «Os desclassificados habitadores da Cidade Nova são na : totalidade supersticiosos e desconfiados. — que teem cabido. Muito poucos chegam além? quarenta familia na dos Cantanhedes. uma ou outra se prostituo. em que os fallecimenexcepto tos não são vulgares antes dos setenta annos. veritícando-se que sempre em com pessoa da mesma casta. . desDahi a sua pusilanimidade. adorável belleza». esquife. Numa familia ha «mulheres de media da idade d'esse povo é de a cincoenta annos. os Sigo a ordem adoptada pelo auctor na sua exposição c não a que dei atrás ao meu estudo por isso só agora chego a dois pontos que. luto. . são sublimes. «Qualquer lance menos bondoso da sorte os abate.

e entrelaçou-se petuou-se nos Rabellos — com a familia Cabral (também cigana). se separam. Conhecemos uma que é a Providencia de duas se criancinhas a quem estremece e ensina todas as noites a orar por aquelle que já está no céo.se lentamente na miséria. António Curto e Fragas. queixam-se e . ha um medico que foi jornalista e a quem consideramos como de relevo. desigual. não discutem. homens conceituados no magistério. «O velho tronco (cigano) Luiz Rabello de Aragão perpoetas e litteratos. a sua voz azaphica. ofíiciaes do exercito. «Entre si exaltam. carinhosos. não se não se diífamam. «Dos Catanas.280 «Os ciganos não aborrecem-se . aos quaes abrem coração materno. outra extingue. nos cargos de secretaria e na tribuna sagrada. as suas demonstrações revestem-se de apparato declamatório. que nos tem dado oradores parlamentares.se. Os ciganos da familia dos Costas são «notáveis como can- tadores e tocadores de viola. francos e generosos». . que nos persuadimos serem oriundos dos Laços.» collega distincto e intelligencia se funde assim Emquanto uma camada cigana na nacio- nalidade brasileira. incumbem-se de soccorrer a viuva e encarregam-se dos orphãos. que. bem intencionados. «Suas phrases são severas e concisas. resmungam. no foro. monologam comsigo. nem descuidam dos desvalidos. ciganos destemidos e das tropilhas nómades. ao passo que uma terceira se mantém na vida errante. «Se morre algum. «As ciganas nunca separam-se de seus filhos pequenos. como uma divida contrahida para com o morto. e francos. «Reconhecidos ao mais fútil beneficio. os seus pensamentos melancólicos e aphorismaticos. de expansões largas. as despesas do enterro missa correm por conta dos parentes. unem-se não se divertem. protegem-se — são exploram. .

é apenas poesia popular. não tem o : menor característico cigano DESESPERANÇA E FÉ «Ah ! meu ! filho os céos me parecem mais elles as altos.^<^ Mãe do Dr. se a proveniência não nos fosse indicada. Até do amor de Deus Pareço privada agora. Ou tomaram mais Pois já não chegam a elles Os rogos das creaturas ! Já minhas preces não valem Como valeram outr'ora . uma pura repetição. Eis um exemplo cigano : Eu sou estatua quebrada. pessimista. a julgar pelas amostras que tenho presentes. é-o muitas vezes a poesia culta brasileira. alturas .281 A poesia dos ciganos do Brasil. se nalgumas quadras não houvesse palavras ciganas. mas porque é uma producção em moldes e em matéria simplesmente apropriada pelos ciganos. . mas não de modo que. Não sou estatua nem . Sou um quadro sem ter luz Sou um phantasma que vaga Entre o cypreste e a cruz. (Da Ex. senii-culta ou culta brasileira em boca cigana. Moraes «Meu filho. M. pois já não chegam a minhas Filho. Dolorosa.) preces. entre outras. ou os ceos são outros. quadro. A seguinte composição. Até nâo tenho figura Sou espectro que vagueia Que até nem tem sepultura. não porque ella seja uma reproducção servil. é muitas vezes a poesia popular .» . cuja espirito se manifesta aqui apenas no caracter doloroso e pessimista predominante das d'ellas composições. pudéssemos suspeitar tal origem.

Creador. VõlkerJcunde ^. não primário isto é. 2 a p. e aquece Até a florinha. Pae de todos. floresce. Faz reflectir sobre tudo Os raios do seu amor. por outro povo (e por technica não entendo aqui só o que respeita á metrificação propriamente dita. Cf. A ria apresenta-nos exemplos muito consideráveis do mesmo género. etc. um . mas teem a capacidade de apropriação da technica poética já desenvolvida . Que nos abysmos Assim Deus Sol de grandeza. eternas ! Não A penseis que face dos ceos. Deus de amparar a Como o sol que ás solidões Manda seus raios. 515-516. 14G. referido em a minha n. e deixe virtude.282 «Ali Mae ikIo temais que Prive assim de sua graça A quem como vós o ama. A quem sua fé abraça » ! ! um Deus ! Leis immutaveis. p. 195) : os tsiganos teem talento poético secundário. por si sós não sao capazes de produzir uma poesia sua. o que da capacidade de apropriação e incapacidade inventiva do negro diz O. Ratzd. Fr. i. e a ethnographia dá-no-los similares noutros domínios da actividade humana *. — Não pode negar-se que ciganos brasileiros haja geral nessas prodiicções dos sopro poético: como se concilia em este facto com a opinião dos que negam dotes poéticos á raça tsigana? Essa falta de dotes poéticos não é absoluta (e nisto modifico eu o modo de ver de Schuchardt. humilde. 219-220. Vôlkerlaindc. dia mude . Peschel. por exemplo. 1 . Vide. mas todos os processos poéticos) e de produzir com esses elementos eshistoria litteratranhos combinações novas e de valor.

Mello Moraes tem por objecto quasi exdisse. longitude. onde assentou sua . amaro. tudo que imprestabilidade . deserto hatuesa. como em Portugal. tope. acampou-se á margem do Parah^^ba. afflictivo. pieza de argii. das quaes a mais geral é a nasalisação das vogaes accentuadas (e ainda dos diphthongos) finaes. calin. git. asseio. clusivo. mentira. ó triste. mas sim o português. . O livro do dr. infeliz. escuro. exemaranin. fraqueza. que vinham de Minas e seguiam para o «A propósito escrevem d'aquella cidade ao Pyrilamjpo de : Jacarehy «Essa gente. Mello Moraes falla-nos de uma gíria dos ciganos de que coramunica os termos cabeça. no texto «ás partidas ciganas. git. felicidade. git. acais. Mas em as notas transcreve a seguinte noticia de um «Esteve acampado tantos norte. errantes pelos sertões». git. maldade. git. extrano. em Caçapava um bando periódico (188Õ): de cento e ciganos. etc. espingarda. . ruindade. roi. erani. hriplos : As jindia. cuchillo. cujos costumes são bem diíferentes dos nossos. caconda. rainha.283 O sr. olhos. e dá-nos no fim um voca- 2Õ3 termos ciganos. huchardin. que correspondem quasi todos a termos dos ciganos de Portugal ou dos gitanos de bulário de Hispanha. escuro. . cigana . afastamento. sacais. busnô. pu- nhal. hruckardi. negro. impostura. acans. que teriam para nós muito mais interesse. A base do fallar não é já o hispanhol. pobre . como já mente os do Eio de Janeiro os ciganos sedentários. preto. mas não nos diz como colheu esse vocabulário. gentil calon. covardia. tilleria. bárbaro. riqueza. brichindin. chuva^ git. aron. Os sons hispanhoes parecem ter dcsapparecido por completo. churí. farinha. de cuja authenticidade não ha aliás razão para duvidar. cigano churin. husnon. especialapenas de passagem allude . luxo. palavras tsiganas experimentaram no Brasil novas modificações.

uma verdadeira riqueza «embellezava» aquella gente «mysteriosa. «Mas. bicha de ouro. conforme dizem. formosura admirável e -uma velha essencialmente feia. «Dividida a comitiva em familias. cada uma d'estas occupava uma barraca. deixava de cobrir-se de ouro. Conhecem e contam a «sina» boa ou má dos que lhes fizerem um pre- moça de uma sente — uma 2^000. Cordões antigos. chas e anneis de ouro eram em brinquedos. ás vezes. para onde affluiu esta população. Entre esses ciganos ha uma . te em enriquecido com o negocio dos animaes. levantando 26 barracas de panno. cousa «notável». ura dos misteres de sua provisão de viagem. lj$(000 réis. de enorme «Também nem um grossura e em enorme quantidade. usura de certo é que tem feito aquella riqueza ambu nem por isso. bem «Aqui deixa-se ver que muitas pessoas de Caçapava sao que hão de soffrer. pa- «Vinte e tantos captivos da comitiva lavavam. «A lante . alguns deixavam de mandar passar bem. sendo exquisita. prata.284 morada. que «perscrutam o futuro». 5?$Í000. mostravam o capricho dos exquisitos via- «Uma tropa cercava a «povoação» dos ciganos. até alguns moveis jantes. «Era um acampamento de paz. . que rece. realmente. era de ver tudo a aquillo. tirar os respectivos retratos xam de A «que parecem gente» e deisua «mesa» é appetitosa. «Os ciganitos e ciganitas creanças. . brincos e medalhas de tamanhos despropositaes. porém. dos ciganos. e roupa. reflectiam-se nos raios do sol. sua felicidade póstera e até d' esta quando passarão para melhor. «Naquellas moradias tudo é ordem. um bordado. «ouro». de barba e cabellos demasiadamente compridos». Ahi utensilios domésticos. movida da mais justa curiosidade. porque collares. E. alegrias. bi- em abundância nos seus corpos. lenhavam e coziam. de ambos os sexos.

Eis duas d 'essas noticias. sem mais. Gustava ia darIhe 100 réis em nickel. Na destrinça d'esses elementos teem os ethnographos brasileiros matéria para estudo. acompanhada por uma creança.*» Não podemos. Ultimamente os periódicos portugueses transcreveram dos brasileiros noticias acerca d'uma quadrilha de tsiganos ladroes e narcotizadores. de ciganos originários de Portugal.* Gustava tinha sobre uma mesa contendo 84jl?000 réis em dinheiro. e creanças.285 «Para ciando finalisar: a comitiva vai de terra em terra nego- com animaes. se o auctor nào preferisse os effeitos litterarios ao rigor scientifico e conhecesse um pouco mais de perto a litteratura ethnographica europea ou. mas são incautos. desde alguns annos pelo menos. etc. É de lastimar que. parte dos quaes tem até vindo embarcar ao Tejo. . Rio de Janeiro. livro do dr. cuja perfeita veracidade não discutirei : Nitheroy. nào se perdesse em theorias. «Uma das queixosas chama-se Gustava Maria da Conceição que á sua porta foi bater uma mulher. utilisavam-se delles para adormecer as pessoas a quem queriam roubar. Quando tornou a si. é interessante o mais o fora. 1 Como se vê dos dados um não aproveitasse os seus conhecimentos especiaes para nos dar estudo anthropologico dos ciganos brasileiros. sabendo todos manejar habilmente vários narcóticos. na falta desse conhecimento. grupos de tsiganos europeus de diversas proveniências. julgar que essas quadrilhas errantes sejam sempre formadas. e que d'elle extrahimos. mas. subitamente. sentiu fugir-lhe e conta a vista e caiu desmaiada. escravos e com o «futuro» dos que não são ciganos. sendo elle medico. Mello Moraes. porque para o Brasil emigram. um alfinete com três brilhantes. pedindo esmola. acaba de ser presa uma quadrilha de bohemios que se dedicavam á pilhagem por «Em um «Homens mulheres processo deveras curioso e cheio de novidade. a turca tinha desapparecido e com ella uma caixinha que a sr. ou no todo ou em parte. contentando-se com um esboço puramente descriptivo.

obedecendo a um chefe que recebe 40?5(000 réis por mez. Quando accordou. «A policia prendeu em Nitheroy 10 homens. a cigana deu-lhe a cheirar umas essências e a sr. Esta associação. Arcelina Maria da Conceição. ador* nos de mulher. «Acerca da quadrilha de bohemios que roubava as pessoas por meio de narcóticos.se no espirito das pessoas que se aproveitam do seu mister para as roubar. porque o é. já não viu a cigana nem os õOOáiOOO réis. para a A mulher.286 « Outra queixosa é Maria José Nunes. Além de objectos de valor e dinheiro. c. turcos. sendo obrigada a casar com um dos chefes da troupe. «A policia apprehendeu muitos valores. se isso lhes apraz. n.^ Maria José adormeceu profundamente. etc. Foi adormecida e levada em seguida pelos bohemios. Foi -lhe apresentada uma de 500?5000 réis. onde muita gente tem ido vê-los. etc. que a curandeira metteu dentro de um copo. pela quadri- em Ihe e o resto para os chefes. . «Ha também uma outra queixosa. etc. pedrarias. Assim conseguem insinuar. O producto dos roubos é reunido em um cofre e distribuido 20 p. magias. Depois. alguém lhe inculcou uma curandeira. tem ramificações o «É enorme todos os estados do Brazil. O Dia. concertando louças.° 1489. rapariga pernambucana. numero de crimes praticados pela quadrilha. temos a accrescentar que chegaram ao Rio de Janeiro as bagagens dos larápios. pediu a nota de maior valor que a sr. foram todos photo- graphados e os retratos expostos no salão do Paiz. que além de ciganos tem também individuos gregos. etc. 25 de junho de 1892. . Sentindo-se doente.*^ Maria José Nunes tivesse em casa. para fazer os seus exorcismos. «Os ciganos empregam-se durante o dia em vários misteres ambulantes. as mulheres fazem sortilégios. 10 mulheres e 17 creanças de ambos os sexos . tratar. rou- bam também creanças e adultos.

que vieram lacradas e foram abertas na secretaria da policia. dois relógios e três grandes cachimbos. «Dentro d' essas malas foram encontrados 3:945?5i500 réib cm e papel. á vista do agente que as acompa- nhou. mesma repartição. 1 livro e muitas outras bugigangas. agradecerá muito todas as noticias que lhe sejam enviadas acerca dos tsiganos do Brasil.287 «Diz o Paiz. um par de esporas de metal branco um pequeno embrulho lacrado. correntes de metal branco dois de metal branco 2j5(100 réis . na mão do thesoureiro. perfeitas. substancia. de egual procedência. uma letra «Ficou tudo depositado na aos mesmos gregos tomada e no valor de 12:000 drachmas.» a vencer-se em % Sendo possivel que o auctor do presente livro venha a completá-lo mais tarde com um supplemento. como os de outras proveniências. n. cestos e amarra: dos de todas as formas e volumes. já havia a repartição de policia d'esta capital recebido. . do thesoureiro da repartição e outros funccionarios. Ibidem. 939 moedas de prata. com a declaração «este cordão pertence ao negociante Lazaro». garfos e colheres. ha duas malas. respectivo «Antes d' essa remessa.° 1394. umas um saco pequeno contendo pó amarello um pequeno en- volucro lacrado. . sendo libras esterlinas de outros typos de diversos valores e nacionalidades. 140 facas. sendo . 3 carteiras com papeis. referindo-se-lhes «Entre o acervo de trouxas fedorentas. 1 de julho de 1892. outras inutihsadas. com a declaração «pertence ao marido da pernambucana». em nickeis . grande quantidade de collares de coral com contas de metal amarello e cordoes da mesma . tanto os de origem portuguesa. 8 de fevereiro de 1895. quantia essa que fôra depositada em um banco da Grécia a 8 de fevereiro de 1889 e vencia o juro de 3 V2 ao anno*. 1:540 moedas de ouro. em que repugna até pôr as mãos.

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ainda que em más condições e muito rapidamente. em é regularmente nutrida. o n. os dados sobre o typo physico dos ciganos. . As mulheres e os homens n. . que ó muito magro. tem 23 annos. representado nas estampas 4 e 5. procurei e tive ultimamente occasião de examinar. o n.'' 1 tem 22 annos. no que se distinguem das nómades bem conservada.'' ceram em Lisboa. em que Esses individues são considerados como ciganos no bairro habitam.° 4. tem 47 annos. mas aos 14 annos. de feições bastante grosseiras tem 38 annos. tem 40 annos. a n. representado nas estampas 6 e 7. n. apesar de M e 4 são bastante nutridos.°^ 2 a 4 naso n. bem conservada. ao contra- rio dos n. o n. O n.ÂPPENDICE III TYPO PHYSICO DOS CIGANOS Desejoso de tornar menos imperfeitos.° 2. A mulher n.° assim como outras sedentárias.°^ 2 e 3.^ 2. na medida de minhas forças. alguns ciganos domiciliados em Lisboa e de tomar até algumas medidas em seis d'elles 1 — duas mulheres e quatro homens.°* 2 e 3. representada as nossas estampas n. principalmente d'este ultimo.° 3 tem 28 annos. 1 veiu com gente sua de Alhan19 . ter sido mãe Os homens é magra.

298. Eltments.° 4. em homem Topinard^).° 2 que nos outros. recto ou quasi recto nos outros homens e nas mulheres. excepto em o n. . apesar como os outros c a mulher n. o dorso do nariz de perfil é convexo no homem n. p. não n. excepto o n. a reprehendia. e pare- cia ter certa vangloria de ser cigano. preto nos outros. mas em todos mais ou menos achatado. O plano inferior do nariz é horisontal (olha ligeiramente Os nossos exemplares não da convexidade do nariz do apresentam. nunca acha- tado.^ 3. todavia.° 4). Os olhos castanhos em todos.° 2.° 2 maldizia do nome do ciganos em. mais comprido em a mulher n. apesar pelle e do cabello. O rosto nos 6 indivíduos é moderadamente comprido. cabello é castanho escuro na mulher n. seu irmão.° 4. em que via não se hesitaria o plano inferior olha para baixo.*' é bastante clara.° 2. todaem classificar vulgarmente o nariz do 2 como aquilino. por tanto. excepto n. A mulher n.^ 1 serem muito nervosos.° 2 em que são esverdeados. quasi nada na mulher n.° 2) . O homem na mulher n. coloração da pelle ó trigueiro-pallida nas mulheres A O (manchada na n. em que n. Reconhecem-se a si próprios como ciganos.° 3. nariz do typo aquilino (n. dos tsiganos de 2 Blumenbach. O nariz é em todos moderadamente saliente . mais carregada nos homens." 2 pareceu-me de animo resoluto 03 d'cstc homens mais timoratos. da coloraçíío da que se diz português puro. La caracteres que pere firme. castanho claro no homem 3.290 dra para aqui.° 3 tem o bigode aloirado. A mulher n.° homem * Nâo temos por tanto aqui o nariz de dorso agudo.^ 1. mittem considerá-lo de sangue cigano. ctc.° 2 do quadro de para deante o n.° 1 *. com excepção do n. assim como outros ciganos domiciliados no mesmo bairro. quanto o homem n. apesar homem n.

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N.« 2 .

N.«3 .

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tendo sido obrigado a deixar o officio de caldeireiro.° O homem 3 apresenta quarto do tamanho natural. tem um olho arruinado e padece talvez de lepra mutilante. padece do peito e é evidentemente muito fraco. uma notável depressão ou obliquidade da fronte. ao contrario bastante salientes em os homens n. Os homens apresentam todos degenerações somáticas.que padece de rheuraatismo. apresentando as deformações irre- gulares desses positivos. No dynamometro de Collln marcou apenas a pressão de 30 kilogrammas com a mão direita e de 23 com a esquerda. O mais forte de todos (n. que lhe tem accommettido as articulações do braço esquerdo. A lepra tem um foco considerável nas immediaçoes da Alhandra. As gravuras 2 a 7 representam approximadamente um n. differença explicada pelo facto de . Outro tem um braço ankylosado e atrophiado Um (consequência de tumor branco?) e ulceras nas pernas. a que serviu de base um positivo sobre papel.*^ 4) marcou a pressão de 64 com a mão direita e de 34 com a esquerda.°^ 1 e 3 *. Altura total (estatura): Mulheres .se em vista que foram photographia em madeira. feitas sobre Deve ter. Eis agora os resultados das medições: 1. para se entregar á venda ambulante outro . a que se destinava.291 apertado á altura das maçãs.

-post. ant. 1. : max." 1.^ 2.° homem homem homem homem .292 2.0 4.° 3. índice cephalometrico Diam.° mulher mulher 2.

293 3. naaal á raiz do nariz. índice nasal. A largura é a máxima na . A altura do nariz ó medida da espinha base.

mulher . 1. Distancia dos olhos. Distancia entre os angulos internos das Distancia entre os ângulos externos das Abertura i)alpcbral pálpebras. Abertura palpebral.294 5.^ pálpebras.

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M .' A^ N.

N." 5 .

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^"6 .

N." 7 .

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sobretudo da influencia das cidades. Trata-se do resultado de cruzamentos recentes ou ha aqui muito atávico cujas causas remontam a cruzamentos já no próprio solo indico? Todas as informações que sirvam para o estudo d'essc alto. G17.° 1 as raparigas terceira e quarta á direita). Naturalmente os ciganos sedentários. mais sujeitos a mestiçagem ou modificações resultantes do modo diverso de vida. sobran- mesma coloração. Os dados. O meu amigo sr. x (1879). Não se encontram ciganos de cabello naturalmente enca- racolado ou frisado. esclarecimentos do meu infatigável Ha excepcionalmente ciganos de cabellos loiros. Apenas as ciganas solteiras usam de caracoes artificiaes feitos á mão na testa. p. p. O exame dos ciganos nómades recommenda-se muito loiros e e a existência de individues de olhos azues entre elles excita deveras a nossa curiosidade. na estampa n. um phenomeno problema serão bemvindas. Aucolheu também a noticia de ter sido vista gusto Neuparth no Alemtejo uma rapariga de cabello loiro e olhos azues. isto c. . por de oíFcrecer dentro de certos limites de variação caracteres raciaes importantes que se reproduzem noutros grupos tsiganos. 1 Alguns aiictorcs attribucm aos tsiganos cabello frisado t. não são os melhores exemplares para estudo." 1 tem olhos esverdeados.295 Eis ainda outros collaborador. ainda que o próprio estudo d' essas modificações interesse. e nota-me que o adolescente do grupo de ciganos da nossa estampa n. Em muitos ciganos nota-se certo prognathismo ou saliên- cia do queixo inferior (vid. Nunca o cabello do cigano é encarapinhado*. cx. . Groom in Tlie Encyclopcedia hrítannica. certo insufficientissimos. celhas e barbas da que fazia parte de um bando de ciganos. pcrmittem affirmar que os ciganos portugueses não apresentam um typo perfeitamente unitário mas não deixam por isso . que reuni.

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lililao. entricla." Dar As graças aos Vreadores pelo auere deixado Estar na cidade e despedrise e o tal Vreador lhe falou por senhoria e lhe pedio que se detiuesse para se achar em huas festas que a cidade fazia e lhe quis falar em siguano dizendo-lhe não : saia V. ha uma allusâo á lingua dos mesmos na passagem que transcrevi de Leitão de Andrada. a numa serie de anecdotas insulsas. do século xvii. ." nos 3 ou 4 annos que esteve cm Eluas tomou por lembransa estas E da sua letra as terey». lin. 4. — Convém a saber: auer muito mufo Mufo touros gente de cavalo com guiões e hu comer que chamão entricla. P. Pag. que temos huas festas lililao em que hade bandeira no grimpo pape amarela. meu collaborador sr. Azevedo achou no 28. tem a anedocta o merecimento de nos dar a conhecer um aficionado dos ciganos no século xvii. lin. nenhum d'esses termos singulares mufo. é cigano ou gitano.» Tanto quanto posso julgar. S. uma Dcmendonça o titulo: «Parvoisses Deluas tiradas por Ant. Bartholomeu de fl. Em vez de — justifi<. sendo histórica. 31. 840 do Archivo O sr.ADDIÇÕES E COERECÇÕES Pag.a — leia-sc —justificam. mas nenhum auctor português que eu conheça colligiu anteriormente ao gua.""" : «O Avou de fernâo Roiz do amarai semdo Vreador foi hu Conde dos siguanos a Cam. Ou a anécdota é pura invenção ou o vereador se serviu de termos de alguma giria ou os forjou por sua conta e risco. 15 e 16. 3. Thomaz Pires termos d'cssa lincod. Em verdade além das referencias nos documentos legislativos acerca á2i geringonça dos ciganos. e entre ellas o seguinte secção com C. Nacional.

1. O povo diz : Ugar encontra-se como alteração popuhir «Não ó da minha vgualha». lin. Gahinardo. encontra-se no Victionnarium latino -lusitanum de Jcronymo Cardoso. para significar — não 6 da minha condição social. Leia-sc — s.298 Pag. Pag. nào está talvez reduzido a novo termo de giria. 27. sem todavia se poder affirmar a existência. termo antigo na lingua. cul. col. 60. o alto. Singtdai-es. Assim o termo galga. — antes de — Homem se sabe. lin. 84. 75. 81. apesar de gahào ser mais usado pelo povo. 6. Uma nova leitura de Gil Vicente e Jorge Ferreira permittir-me-hia talvez ligar alguns dos termos populares d'esses auctores aos da giria posterior.» Ulysippo. 5. Galfarro encontra-se com a significação de rapacissimus no llicsouro. de galrar. Os rendados vestidos. m.« ed. Pag. 9. lin. 83. 1. E provável que cm Paiva vgar seja essa alteração popular e não termo de giria. 2. aliás muito provável. 82. e por isso incluído na xviii era Pag. se. O verbo derivado galrejar. 28. linha 9. col. 2. de uma giria portuguesa no século XVI. 1661). . íl3. 3. meu egual. 28 e 31. 61. col. lin. provavelmente já emcomo hoje o é. dado como de giria por Monte Carmclo (vid. 73. junto á Prosódia de Bento Pereira. de egualar. como nome de uma moeda lista asiática de cobre no século pregado como termo de de Paiva. Pag. col. act. lin. 03 (3. col. Os capotes de grã bem guainccidos. 36. Carapuças de felpa. p. bando. v giria. p. Basainico é. pag. 80. 3. Em vez de — marihando — leia-se — marim- Pag. 80.^. Pag. Pag. 2. encontra-se já em Jorge Ferreira: «Porque? tamanha galga trazeis vos? nâo ha tanto daqui à cca. 1. Chelpa occorre já no século xvii: Hora veja se presta. 1. lin. Moscovia (coiro da Rússia) não é termo de giria. Academia dos (1G98). lin. ii. 81) no sentido de fome. col. lin. 2. lin. Pag. . Que custão bem de chclpa. 1. Pag.

Pag. Die Sprachicissenschaft. der Gabelentz. 167. Sobre a vis minima na linguagem.) Aqui o jogo de palavras da versão portuguesa era impossivel mas clle falta também na versão napolitana publicada . que as assaltaram por occasião de virem de Évora assistir ás festas da Piedade. 116.lhe o te-ia livrado. 136. lin. De la possibilite et des condilions d'nne langue internationale. de umas sezões. 132. Pag. 1891). diz-se Pag. 10. 17. Lá está representada com o seu vestido de folhos. lin. 157. lin. apesar das formas napolitanas o gallo tornarem aqui possível esse jogo de palavras. i. gabeti. lin. lin. 145. no jicriodico Giamhattída Basile. lin. e de G. Die SpracJucissenschaft. que se acham na igreja da Piedade em Elvas. Ganiços liga-se talvez a ganizc. 225-217. lin. peças (ordinariamente ossos. O enigma do gallo encontra-se na traduc- francesa das Piacevole notte de Straparole (ed. Pag. Madrid. Pag. e a — — uma sua irmã. 36 (nota). 21. Paris. em vez de — dos ciganos — leia-se — das Ciganas. representando suppostos 1892). óqucrre). 140. O auctor critica o Volapíik systema proposto pelo liispanhol Bonifácio Sotos Odiando no seu Diccionario de lengiia universal. lin. agradecendo. çíio lin. 190. 1860 a lingua que ellc próprio propõe é fundada lexicologicamente sobre o grego. von 35 (nota). Em : «Alli se ve a cigana acurvada que passa por não ter religião c de mãos postas ante o Senhor Jesus. Chegou-me recentemente ás mãos o es- cripto de Raoul de la Grasserie. Em vez de leia-se sautcrelle (faussc Pag. 191-195. 1892. Methoden und hishengen Ergehnisse (Leipzig. 23. 12. t. 1. milagres. 34 (nota). e o . von der Gabelentz. Jannot. 21. Pag. também G. que falta ainda noutras versões italianas citadas no mesmo periódico. vcjam-se tambenj as valiosas observações de G. Grundriss der romanischen Philolcgie. astragalos) de que se faz u«o no jogo do cucarnc. 105. ihre Avfp. o seu chaile de cadilhos .299 Pag. Sobre a mudança de significação. o~ n. vid. i.s. 231 e segs. Pag. iv.« 1213 do Elvense (20 de setembro de dos fallando-se quadros (ex-votos). Em vez de — cogito — Icia-sc — saiitoir cojito. p. p. Grober. 292 scg.

300 c o seu cabcllo negro como asa de corvo . o corpo de uma formosa cigana que falleceu naquella cidade. bro de 1892 lin. Pag. comquanto sejam naturalmente as formas inferiores da religião que elles attingem. vinda do Braquadrilha de tsiganos. diz-se. Dois Pag.» mas nesta cidade mesma parece nada correr a tal respeito. em Évora. Lê-se no Diário de Noticias de hoje. que parece serem parte dos pretendidos narcotisadores. a arvore. que nâo pode ncgar-se absolutamente a religiosidade aos ciganos. a Virgem e os santos são pouco mais de fetiches. onde. Só no momento desta folha é que em que mando para a imprensa a ultima prova me chega ás mãos a publicação do dr. Eram treze mulheres. 287. próximo de Cascaes. No Alemtejo diz-se que o rei (o chefe superior) dos ciganos reside em Évora. Pag. a distancia. se internou na direcção de Cintra. . com mais uns dez individues e que. sete homens e vinte creanças. Chegou ha alguns dias a Lisboa. não < commetteram nenhum roubo. Depois as mulheres da tribu ficaram saudando com os lenços ate o cortejo desapparcccr.° 9:619): «Enterrou-se hontem no cemitério dos Remédios. uma dos homens traziam assas consideráveis quantias em oiro. vendo-se. 1891). a alguns kilometros de Lisboa. e terem sido expulsos d'aquella republica. assim como outros. 26. em pleno campo. mal recebida alli. Parece ser a mesma quadrilha que depois appareceu no Estoril. 15. 223.» Este facto mostra. como para as ciganas que oíFerecem os seus ex votos. a irmã deitada sobre mantas listadas. que sinto não poder já aproveitar. Volksglauhe und religiõser Brauch der Zigeuner (Miinster. H. 28.» lin. «Antes de sair de casa houve as despedidas do costume entre aquclla colónia. lin. 193. abraçanào todos o cadáver e beijando-o. sil. com uma musica de gemidos e gritos de dôr. gregos ou turcos. 8 de outu- (n. «O cadáver foi conduzido e acompanhado por numeroso cortejo de ciganos. curte as maleitas. Acamparam na Porcalhota. Para o nosso povo. sob a qual. von Wlislocki.

» Não foi na pretenção de ser mestre. a fim de aproveitar uma occasiâo que não voltará provavelmente tão breve de a dar a lume. se por ven- abalançasse ao exame d'aquelle problema. Tenho. de que aliás os preveni logo no começo me occupo do problema da migração ou migrações dos : Apenas por um erro de methodo c que eu poderia num livro que tem apenas por objecto um ramo mínimo tsiganos. mas no desejo de imitar os mestres no que esteja ao meu alcance. pedir indulgência para a imperfeição da obra. que tentei confor- mar-me ao aphorismo de Goethe. d'essa raça occupar-me de semelhante problema. j-esultante me primeiro logar da difficuldade das investigações d' este género em toda a parte e cm especial neste país. de porém. Alguns livro não leitores portugueses (se os tiver) acharão no meu uma lacuna. que só deve ser estudado á luz dos documentos que respeitam a tal todos os ramos d'ella e para que falta um elemento capio conhecimento da historia dos dialectos neo-hindus. graças á auctorísação do estado para que a expensas suas fossem publicados os trabalhos nados á Sessão do Congresso dos Orientalistas. em segundo da rapidez com que fui obrigado a prepará-la em para a impressão e rever as provas. — Ante tura os homens da sciencia não careço de me desculpar d'essa lacuna.POST-SCRIPTUM «In der Beschârkung zeigt sich der Meister. desti- X . careceria ao contrario de fize-lo.

was sie geíhan. Espero poder cedo ou tarde publicar um supplemento que preencha pelo menos parte das lacunas da presente obra. que tornaram possivel adornar o meu livro com uma foi parte grapliica. A. Neuparth as suas excellentes pliotograpliias dcs ciganos. como ao abrir este ^osí-sc7*?}:>ít(m^. . directoque res da Bibliotlieca Nacional e do Arcliivo Nacional facili- Agradeço a todo3 auxilio . Betracht' ich mcinc Siebcnsachen. tarem. Se seli' So sch' ich. was ich liátt' sollcn machcn. pala- vras do grande poeta philosopho: Seli' ich die Werkc der Meister an. ao fechar a qual me acodem ao espirito. Niio me despeço dos ciganos. sr. ich das.me as investigações nesses dois estabelecimentos por elles administrados com rara boa vontade e ao meu amigo . que por certo lionra os artistas a que confiada.302 os meus collaboradores já referidos o tornou possivel o meu estudo aos srs.

. e 55 .índice — A língua dos ciganos — O calào a lingua dos ciganos — Esboço histórico etlmograpbico — Documentos Appendice — Os ciganos do Brasil Appcndice — Typo physico dos ciganos Appendice I. lutroducçiio 1 7 II.. 289 -. e . II. Addições e correcções 297 Post-scriptum 301 . 1G3 229 271 I. III. III.

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w/BÊÊ .

m estudo eobre calão. McrorLfi dostin:'da a 10 sessão do| Congresso internacional dos orient alistas. LisT^oa. 1847-1919 Cs cig8.nos de Portugal: com n. Imprensa ITaeional (l^-^. ?rancisco Adolpho.?) PLEASE DO NOT REMOVE FROM THIS CARDS OR SLIPS POCKET UNIVERSITY OF TORONTO LIBRARY .Coelho.

Pi- ai. .aár .

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