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G. LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1892 . ADOLPHO COELHO S.SOCIEDADE DE GEOGRAPHÍA DE LISBOA os CIGANOS DE CA)M UM ESTUDO SOBRE O GALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO no CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F. S. L.

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os CIGANOS DE PORTUGAL COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO .

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S. LISBOA IMPRENSA NACIONAL 189? . L.SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA OS CIGANOS DE COM UM ESTUDO SOBRE O CALÃO MEMORIA DESTIMDA A X SESSÃO DO CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ORIENTALISTAS POR F- ADOLPHO COELHO S. Q.

de las fuentes y de los rios . La Jitanilla. 1155349 . de los sembrados. Vicente. que fue cuntra nuz. cios por dorados techos j suntuosos paláestimamos estas baiTacas y movibles ranchos Cerrantea. . G. de los montes. somos senores de los campos. .Por Nuestra ventura. Farça das Ciganas. tierraz estranaz nuz tiene perdidaz. . . . de las selvas.

AO SENHOR a--A-ST03sr F-A-nis .

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Agora que se me offerece ensejo de lhe enviar uma ex- pressão publica do meu respeito e reconhecimento. tiram-me a segurança da per- spectiva de levar a cabo os trabalhos a que tenho consa- grado mais tempo e mais sacrifícios. vieram as suas palavras aífectuosas insuflar-me o animo que pois. mas como amigo a considere só pelo que quer significar. 1 de setembro de 1892. pedindo-lhe que. razão sobeja me fallecia. resultado previsto de causas contra as quaes combato ha mais de vinte annos. como critico a aprecie no pouco que ella ella vale. mas para provar que a tinha bem presente no meu espirito. o que eu destinava a esse ventura menos mas obra de mais fôlego e por imperfeita.Adoljpho Coelho. Lisboa. a incerteza do futuro. Todavia as circumstancias dolorosas da minha pátria. . não para pagar a divida. apro- veito-a. e mais de uma vez. Tinha eu. para honrar a pagina de dedicatória de o seu um livro meu com nome illustre e venerado. que não se paga. até o mais próximo.Meu querido amigo: Encontrei muitas e valiosissimas lições e direcção para os meus estudos em todos os seus escriptos. Não era este volume de modestissimas aspirações preito. nas horas de desalento. F.

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e fazer reproduá parte de ÕO exemplares. 8. com o auxilio de amigos seus . Divido o trabalho em três partes : I. já directamente. Typographie de FAcadémie Royale des Scienque elles quizeram dar-me a honra de inserir nesse zir numa tiragem volume. Thomaz Pires. já alemtejanos. que a pedido meu investigou a lingua e a ethnographia dos ciganos do Alemtejo. Mngua dos ciganos de Portugal. um contendo documentos. 667 a 681.) e (Lisbonne. Historia e esboço ethnographico dos ciganos de Portugal com dois appendices.o de uma presente trabalho é o desenvolvimento e complemento curta noticia que ministrei aos redactores de Con- gros International d'anthropologie et d'archéologie préhistoT^ queSy Comjpte rendu de la neuvième session à Lishonne. III. 1880 ces. dizer que este trabalho teve por ponto de Cumpre-me partida materiaes reunidos pelo intelligente e infatigável folk-lorista de Elvas. de pag. calão ou gíria portuguesa e suas relações com a língua dos ciganos. o sr. A O II. 1884. A.° gr. outro sobre os ciganos do Brasil.

em parte pelo menos. I (1887). co- lhido tudo da boca de um cigano pelo sr. existe também no Alemtejo. Os termos ou formas novas colhidas na Extremadura pelo sr. um Um dos ciganos. baseado sobre alguns palavras que aquelle investigador todo uns 250 termos. naquelle mesmo anno. lavrador dafreguezia de Santa Eulália. no concelho de Elvas. José Leite de Vasconcellos. . como provam Pires . disse que elle e a sua gente eram originários dos arredores de Lisboa. também entre os ciganos do Alemtejo. algumas formas não são dadas em ar- tigos especiaes. teve occasião de estudar grupo de ciganos que encontrou no Cadava] (Extremadura). notada pelo Leite de Vasconcellos. assim a forma romano. O confronto dos novos materiaes com os anteriores. sr. e enviou-me o resula lingua de tado d'esse estudo. suppoz a existência de um dialecto particular nesses ciganos que se diziam da Extremadura. sr. 3 a 20 publiquei um primeiro ensaio sobre a lingua dos ciganos do Alemcurtos textos e uma lista de tejo.Revista Lusitana. Francisco Lobão Rasquilha. As differenças notadas existem. Com os novos subsidios. Leite de Vasconcellos poude auxiliar-se do meu artigo. nova revisão dos vocabulários gitanos á minha disposição permittiram diversas correcções nos textos e vocabulário. que lhe ministrou os elementos da lingua. artigos que as variantes. contendo ao mas phrases novas Depois d'aquella publicação o sr. e como notou algumas differenças entre os dados alli reunidos e os que elle colheu. Na me enviara. em que supprimi também alguns artigos ou por muito duvidosos ou por inúteis. Pires enviou-me algue uma nova coUecção de termos. que as distingue das recebidas do Alemtejo. O sr. os factos novos que me deu a conhecer o sr. o vocabulário apresenta agora cerca do dobro dos termos ou formas differentes que tinha naquella publicação . pag. publicado na sua Revista. mas nos mesmos Leite de Vasconcellos levam a abreviatura —Vasc. De outro lado o redactor da Revista Lusitana.

llen. Pires conta. pato. foro. lhe respondeu que era balebá. llaque. comhisarar. tardimen.A investigação do sr. . incluindo os erros que revelam a novi- dade do assumpto para perfeita authenticidade elles. a perfeita seriedade do sr. Leite de Vasconcellos como dialectologo. gustipehi. satalla (mas ministrou o termo asitasatalla)^ somhrimé. pandelar. (mas conhecia a forma sohar). taripenas (cfr. que aliás significa toucinho. patê. provam-me á evidencia a dos textos e do vocabulário. tarihé (mas conhecia a forma estariben). peti. chuhelarj c}iorÍ7né. (mas conhecia ustilar). parnau (mas conhecia parnê). olíbás. millenj miquelar. Leite de Vasconcellos: abillar. ducção do vol. ii lembraria o exemplo de Pott. raisaro. que na introdos seus Zigeuner se occupou das girias em geral. olipandó. chor. essa partiu dos ciganos. istitelar grupo. papires. sorhar que é connexo com gano europeu. Thomaz A Pires e seus collaboradores. Se mais fosse preciso para me justificar. Leite de Vasconcellos confirmou pela maior parte os dados do vocabulário publicado na Rtvista Lusitaiia: ao cigano por elle explorado só eram desconhecidos os seguintes termos d'aquelle vocabulário: hocunchas (mas conhecia a forma boque). Em verdade o assumpto tomou aqui maiores di- mensões do que era meu intuito primitivo dar-lhe e ainda assim deixei de inserir muitos factos que determinei. culrró^ dicaní. tusa. Das formas e vocábulos novos recebidos ultimamente do Alemtejo vinham os seguintes na lista do sr. reconhecida competência do sr. As relações entre o tsigano e as girias justifica a adjuncção a este trabalho da parte II. que um cigano a quem perguntou o que era lua na sua lingua. jucalorro. Se nalguns raríssimos casos houve burla. najar. romano. cratiá. todos os caracteres intrinsecos do que reuniram. por exemplo. chasaVj chupe%o. Alguns desses termos soltar. churon. pallilli (paquilli)^ quer. estanão são do fundo tsiríberi)y trupo. mol. erná^ gajon^ gorhelar. sonsidelar. rebrandihi. O sr. lluna. chiquel (mas conhecia a forma chuqael). patarró.

as migrações. mas faltando-me o tempo para essas investigações. O fim principal d' este estudo é ministrar á sciencia os o dados essenciaes de que ella carecia para completar com conhecimento dos ciganos de Portugal o dos outros grupos irmãos. pois apenas aqui e alli se encontrava alguma rara e accidental noticia dos nossos ciera. que se Pires. outros investigadores. os ciganos portugueses e todos os grupos parentes dos outros paizes) têem sido objecto de consideráveis trabalhos. ganos e acerca da lingua d'elles nem palavra em os nossos escriptores. a que envio o leitor desejoso de se informar. e de porque poderia dar apenas a minha opinião resolver aquelles modo algum materiaes novos para problemas.Os ciados do esboço ethnographico dos ciganos sr. a Thomaz acha na parte III provêem principalmente do quem devo também o traslado dos documentos que descobriu no Archivo da Sem Gamara municipal de Elvas. creio. de que os dialectos tsiganos são tão frisantes exemplos. que os ciganos de Portugal devem ser considerados como um simples ramo . que esse mesmo estudo se liga ás minhas investigações geraes sobre as linguas mixtas. todavia. já mais ou menos estudados. Permitta. e essa mesma menos opinião não ofFereceria nada de se col- novo. pois eu sigo simplesmente a direcção em que locam os espirites phantasistas e que é a que pre- valecerá naturalmente na sciencia. virgem. O presente trabalho demonstra. as formas primitivas das relações internacionaes. duvida mais largas investigações nos archivos e nos escriptores permittiriam alargar essa terceira parte. taes como a persistência dos caracteres ethnicos. Julguei dever encerrar-me em muito modestos limites.se-me que ponha em relevo. problemas para cuja solução a tsiganologia ministra dados importantes. que até foram sempre escassos no que respeita aos ciganos em geral. e sobre os problemas da ethnologia geral. Os problemas geraes com relativos aos tsiganos (designo assim. O assumpto por assim dizer. exprimo o desejo que outrem as faça.

34. Guido Cora.dos gitanos de Hispanha. Storia âfun popolo errante. conhecidas. pag. 110-115. dos principaes glottologos que se occuparam da lingua tsigana. n. além dos trabalhos de Pott. em que. e esse pouco exigiria longos estudos faltam o tempo e os indispensáveis meios. Jahrgang 63 (1890). Diversas memorias. pag. que não haveria utilidade repetir aqui: Origin of Gypsies in Edimhurgh Review. por isso limitei-me. Pott Colocci. 353-375. sem ir mais longe. Gli Zingari. 33. . as seguintes publicações. 32. Pott. Francis H. em geral. 1889. acham em A. se acham abun- dantíssimas indicações bibliographicas.'^ 303. 611-618. Ascoli e Miklosich. 36. Sept.. Groome. Adriano Colocci. Turin. Gipsies in The Encylopaedia hri- nenhuma em tannica^ vol. n. Paul Bataíllard. ora a língua d' estes foi objecto de diversas publicações.°^ 31. Die Heimat der Zigeuner in Deutsche Rundschau 1883. a comparar o cigano o gitano. Die Zigeuner in Das Ausland. para os quaes me A cujos titules transcrevo mais abaixo. in Internationale Zeitschriftfur aUgemeine Sprach- loissenschaft. pp. Ascoli e Miklosich. II (1885). como nas d'esses glottologos. cujos titulos se Pischel. x (1879). quem queira instruir-se sobre os tsiganos em geral indicarei. porque se quizesse penetrar nas fontes remotas do cigano e do gitano pouco mais com poderia fazer que repetir o que escreveram aquelles investigadores celebres.

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Mira ese paio. está diquela. 5.A LINGUADOS CIGANOS* a) Textos 1. Moedas de oiro. Sigo a disposição usual nos vocabulários portugueses. Por Por la tasara di calicó la tardimen. 7. Non li pineles. 8. Um cordão de oiro. Não lhe peças. 4. Gorobon de sanacay. 6. ter ela boque. Bate-lhe. 13. 12. El jambo se camela rumandinar. jambo. eh 1 no Sul. Como a base principal da lingua dos ciganos de Portugal é o hispanhol. Represento todavia por x o som do port. CurrelalO. agarra-o. gajon Repara que o gajo olhando. Pela manhã. ainda que influenciado pelo português. Para j alar Parnés de sanacay. 3. Pede ao homem. 11. O homem que quer casar-se. Pela tarde. 9. Mira que 10. te dica. Ai chai! O tu! (?) 2. ! Olha esse estranho. Manguinela Ustilela ai el jambo. ustitelalo. . Para comer se tem^fome. Sonsidela qu'el Repara que te olha. emprego a orthographia hispanhola.

19. noite. 37. Já venho. Nem Deixa-me que me apanham. 21. Miquela que lo ba ajusti sarar. Lo maráron en un castí. pelo cur- 30. Manguinela que non é Dize-lhe que não é roubada. 36. beber em todas as panís. Plasarela el lampio. Es di chibe. 16. 22. E de dia. Médio Media chibe. Lá vou. Por el machingamó. nar (ou que non te . Mataram -no num forca. Estás 29. Deixa-me dormir. (?) 20. Está-se abanando (á lettra: está-se deitando ar). 15. abaixare- Abaixa-te. Allá chalo.te com uma faca. arachí. 24. 18. Miquelame sorbar. late. me quie- Querem-me roubar ral. 32. Estoy acharán. Estou zangado. Mato. Ni dicalo. poste. Manguiiiela ó labraoresa {ou laboroçal) que te dinele. palonó ren ustabar. vê-lo. (?) pirabada. Estás bêbado. 27. 26. 25. Pede ao lavrador que te dê. Ya chaso. Foi-se embora. Meio Meia dia.8 14. Non pmeles eso. Apaga a candeia. Miquela que m'istitelan. Pode pillar en todas las Pode aguas. Escusas que non nela). 23. 35. 31. Não o quero. 17. de manguinar te camela didi- Escusas de pedir que não te quer dar {ou que não te dá). Non le camelo. Aplasarelate. 33. Não una digas isso. Te amarelo con churí. S'está chibando airún. Deixa que o vá ajustar. Si chaló. 34. na 28.

El sacramento Otibé sea el Ihe o dinheiro. Chasa. a ber se lo se o podemos roubar. La dicaní está abertisa- A ra. a ver nos diquela. a ber s'el jambo o porta está aberta. Te bas alijerar tanto qui á luego los jambos nos ban a ustilar Vaes abarcando tanto que os homens vão-nos tirar com o vulto do que abarcas. 45. Mecles! les Non chingarelos Alto ! Não ralhes mais com mas con ga- os collegas! chés. a quem me encommendarei eu? yo? 40. 39. el grupo di lo que ligarelas. bea! 42. Del posonó si chicubela la paní. podemos la ustabar.9 38. Ai! mi patarró maró. Que carregado está o dia que não podem andar os cães. Deus ! Otibé!* el 43. manii! Ustila la pucf y amarila este Anda. . 41. e os jambos homens atrás d'ella corre- 1 Exclamação por occasião das trovoadas. a Ai! quien me combisararé meu pae morreu. Da nora se tira a agua. 47. que nos vae matar! Olha o que fazes. sacramento de Deus ve- que benga en mi el nha Ai! o em meu auxilio. Ay! sacramiento Oti- sacramento de Deus bé que nos bá marar! Mira lo que querela {sic). y y ustiló los Entrou a cigana numa loja e roubou dois lenços. a ver se homem nos olha. con 46. Entrun callí á una dos camallí diclés. homem! Toma a espingarda e mata esse ho- jambo que bamos a ni- mem O que vamos roubar- cobar los parnés. Que chorró está chibe que non pueden andar los chiqueles! 44.

te camela di- Escusas de pedir que não quer dar. Escusas de manguiiiar 48. Vem. Eu não tenho. Bamos? Nanais. Be se te dinela. 51. Pasa médio chibe. e tiraram-lhe os dois Tustilaran las dos di- lenços e á cadeia a leva- á la taripenas la chibaran (ou la ligaclés . apalé detrás. 64. (é tarde). mas ahillelar significa vir. pois. Abillela ó coi. no texto a traducçâo d'esse adverbio cigano. dinela. Vem cá. Abillela. Guillemos aracarar. Me lo pinaran a mangue. a noite feia. Non Não faça caso. — Vê se te dá. 60. 65. querela baguin. que que Vamos (roubar)? — está naracliicliunga. los jambos trás d'ala Tu sabes. Pinelale que ladé. os estranhos ciganos) atrás * (os não de de da gente (correm). deixas-te (ficas)? 52. Tusa chalelas. Tu billelas ou te maque- Vens ou las? 53. Amanga non palé suete. No molachí. Bamos pirabala. Bamos junar Otebel canguerí ? la Vamos Vamos fallar. ouvir missa? 61. Não. 63. 62. Passa de meio dia 1 Esta phrase trazia a traducçâo : olha que correm atrás de ti .10 detrá si la chalaban y ram ram. . 55. Terela alguna guchí. ou que não dá. (Diz-se de um cobarde ?) 59. terelo. está brosa. Vamos violentá-la (futuere). non es ma- Dize-lhe que não és roubada. poz-se. tene- 57. Terela bute pamés. muito dinheiro. raran). Tem Tem alguma coisa. ou que non te 50. 49. te te que non nar. 54. 58. Contaram-m'o a mim. 56.

Qu'estabas con 71. bato Qu'el arachí nos beremos 72. as ustabar. Cunhado de (á letra: marido meu * irmão ou irmã). para pirabar-te Pé^ non ha pódio sé.11 66. . 68. 69. Piar la cliaborilla. 67. . 1 Em (tua) casa. Como queres que leiteiro. Por no haberle dinau el mando. en . Plajo para las naclés. Posta dei can. Catro cales el arate. Castigai-ta de sus manos ^. Irmã. Deste-me (?) um . me diiiaste Hermosisimo chupeiio^ Y yo te he dicho trinca el ^. Ferbruno. Pôr do Rapé. Janeiro. desvia * o pae bellissimo beijo por quatro quartos que nos veremos á noite. Eueruuo. miquelas non não deixas roubar. o cão á rua pode sair teus dias. Se tu agua (chuva) fora deitas (?) nos teus tus mulés ni el me jinelo mortos me ca . 70. las Como carnes'eres si Fevereiro. 73. nem em 74. sol. Aora serrana me beo. 2 3 Fero. chuquel á la oricha puede sicabar en tus chibes. Se tu paní fu- rata chicubelas. Dama. A noche estube en chique . Ron de mi piar. se q'ustabele roube se és um un lecheruno. e eu disse-te Texto evidentemente incorrecto. porque as noites são penosas.

y chuga. Maio. Os segadores vão a brunchos ban a seguisegar e os ciganos vão^desarar y los cales ban trás e furtam os burros di trás. roubal-as pude. desamarisar las petís. grafíís la Como las Julho. Março. 78. e agora pas- raisaros estan di trás. y salen los cales e se las nicobelan? acabam a debulha. sabendo acaban mulla. ço. Vem com as favas no habuncbas en mandil. mandiluncho. e saem os ciganos e as roubam? que e . que yo baya a randaiv se tus panís son muchas. Marse as Marso. puedo los dos bar posso duas éguas. com o frio. desamarrar as bestas. Junioluncho. Los sega. arachís las patís mãos não me deixam. 77. j yo non que vá roubar. dei hir. guós. son penosas non mi miquelon. Com as éguas pões a pones a hacer muUa. y nicobelan quando dormindo s' estão. Julíuncho. los cando sor- bando s'están. Como queres.Junho. Nas saias de minha de mi romi mi sorbelo.12 porque las . mulher me durmo. tuas aguas são muitas e eu não posso passar? Se rou- puedo colisarar ? Se ustabar granis. las sar? Abela con el Abril. 75. randalas he podido. os ribeiros estão de trás. 79. Marso. En las fardisaras Maio. Abriluncho. sabiendo que la fazer a debulha. y ora el pasisarar ? 76. Como camelas.

ya le chicubelo dos petís que bariás son ya. contra- en los palonolarés. saímos a roubar. 84. vem um ciga- gustipenís? Dejastelas choriar. Janeiro vem. chubelo. 81. y te las nicoba. eu pão lhe dou. . Eneruno de abela. biene un calo no e t'as rouba. Está o pastor na sua choça. me yo ladrisare- hortelão. randar. e os cães la- y chu- dram e os ciganos lhe rouas burras. los chu- queles lan. Decembruncho. comer. para vir os filhos bom tempo. solto se Agosto. suncho de chas. pa los chaborrillos poder jalar. Agustimcho. Como mulas em os sendo o rio deixas as curraes. bam 83. já lhe furto duas manró le bestas que grandes são já. adormeceu já. pa benir bon tempisaro. Na horta está o ya . el mez mais mesuncho más contrariuncho de siendo los dos roubos ? Deixaste- las roubar. Outubro. Está los lo pastorchuncho en su chosimé.13 80. Octubruncho. 82. las bocun- Andam monte poder ciganos de para Andan los cales em e monte montuncho en montuncho para poder jalar. y los cales le nicobelan las ernás. queles ladrisarelan. os cães me ladram. para y sicabamos a poderem comer. El me- O mez os das fomes. Setembruncho. miquelas las chorís Como Setembro. En la huertisara sina el julay. Bíovembruncho ? Novembro ? Dezembro.

excluindo ou o que é sim- plesmente hispanhol ou português. or an account of the Gyjpsies ofSpain.^ ed. 2. de Rochas. 1844. V. 1846. The Zincali.) A seguinte publicação é. 1846. trabalhos que possuo sobre a lingua e litteratura dos tsiganos da Hispanha são os seguintes: Os George Borrow. D.^ ed. *3-*119. Essa parte comparativa seria talvez mais completa se eu tivesse á minha disposição as obras seguintes : R. 1878. (Contém palavras do dialecto dos gitanos do norte de Hispanha. sem suffixo novo. pp. um extracto da de Borrow. mas com significação própria ao cigano. segundo Pott. que seguem as definições. Vocabulary oftheir language. Vocabulário dei dialecto gitano.14 h) Vocabulário Incluo neste vocabulário todos os termos próprios da lingua dos ciganos. S. vol. de C. limito as minhas como comparações. ainda quando são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas. ao tsigano ou gitano da Hisas notas Em panha. 2 vol. já disse. con cerca de 3:000 palabras. Origen.^ edicion. A. ou ainda as formas mixtas hispano-portuguesas. Diccionario Barcelona. Gli Zingari in Spagna. Madrid. London. Bohémiens). Appendix: The Zincali. A. 2. Madrid. Campuzano. 1843. usos y costumbres de los gitanos^ y diccionario de su dialecto. Coritiene Origen y cosmas de 4:500 vocês. dei dialecto gitano. abaixo citada: Hudson. 1. Cruzillo. Sevilla. 1853. Vocabulário dei dialecto gitano. Les Parias de France et et d^Esjpagne (Cagots 1876. Jimenez. ii. . 1851. tumbres de los gitanos. Milano. Paris.*'. E. ou quando são palavras his- panholas ou portuguesas.

costumbres y dialecto de los gitanos^ por D. 8. Francisco Quindalé. V. muchas frases ilustrativas acepcion propia de las palabras dudosas. et sa musique. Pott. que contiene. sobre esse poeta flamenco F. Ascoli. 230-234. sa jpo^ulation. Halle a/S. 1844-1845. sa langue . unge- G. Le jpays Basque.° Dr. 1857. F. Besonders auch ais nachtrag in zu dem Pott'schen werke «Die Zigeuner Europa und Asien». Madrid.15 El gitanismo. pp. l-xii in Denkschriften der kaiserlichen Akademie der Wissenschaften. Novíssima edicion. Paris. recogidos e anotados por Demófilo (António Machado y Alvarez). iii. 8. Ueher die Mundarten und Wander- ungen der Zigeuner Europa's. Primer cancionero de coplas fiamencas populares segun el estilo de guez Marin. Schuchardt. de la Colecion de 1870. Con un epítome de gramática gitana. Sevilla. peq. vornehmlich ihrer Herkunft und Sprache. y un diccionario caló-castellano.« 76-76. Vid. Ethnographisch-linguistiche Untersuchungen. nach gedruckten und druckter Quellen. Os dos dialectos tsiganos trabalhos scientificos de que me sirvo para o estudo em geral são os seguintes : A. Philologie. 1865. Franz Micklosich. 1881. 8." 144-146. Por D. primer estúdio filológico publicado hasta el dia.° Die Cantes flamencos. Zigeunerisches. peq.)* Francisque Michel. VII: Les Bohémieíis du pays basque. 1881. Philosophisch- 1 Não esteve á miuha disposição o livro de Balsameda y Gonzalez. Vocabulaire p. 2 vol. pp. adernas de los significados. Rodrivol. Sevilla.« Halle. 8. Francisco de Sales May o. 8. I. von H. Cantos populares espanoles. ses moeurSj sa littérature. 1881. 8. Die Zigeuner in Europa und Asien. Andalucia. Halle.® (Separatabdruck aus der Zeitschrift fur rom. Cantes flamencosj.° Cap. Historia. .

Port. abalar. Quemar. 8 segg. f. Abaixar. jambo). porque acharán por *acharanô é uma forma do part. To come. Zangado. v. jacharar^ v. Mayo. xc. der Wissenschaften. Port. 1872 XXV. abriluiicho. Abhandl. Git. Git. Abaixar.16 historische Classe. Vid. abrasar. xxr. adj. impacientar-se. abril. Calentar. abaixisarelar. XXVII. abaixisarelar. es otro modismo andaluz que gnifica estar con disgusto. pret. XXVI. n.^ p. Das a paginação da separata. Akad. abillelar. Vid. v. ibid. Mayo. abillar. Borrow. s. colhida pelo sr. abillelar. Bd. em typo também . Quemazon. pela troca de gitano e cigano (vid. Olhos. To burn. Vir. Borrow. n. aberta.° phoneticamente. e justiíica-se 1. aEstar si- acharado^ diz Demófilo. a. Wien. Venir. um participio pret. entre outros. a.° morphologicamente. Kentniss der Zigeunermundarten. m. Port. v. ja- m. f. Bd. Esta derivação : foi-me suggerida porDemóíilo. e hisp. e adj. Lxxvii. três primeiras memorias cito abaixarelar. xxii. s. Venir. 43. frequente em tsigano (Miklosich. e que é c?o. a. ii. das outras a paginação do corpo dos Denkschriften. Aberta. i-iv. v. abillelar^ V. n. XXXI. vid pinodó) 3. Vasc. acudir. acbaráii. abaixar. Sitzungsberichte der kais. Wien. tormento. Colecíon de cantes fiamencos. abertisara. o que se confirma ainda pela forma achardó. Borrow. Lxxxiii. em facto. tidos de — de que o hisp. Mayo. pêro disgusto que tiene mas de . s. Abril. agastar-se. s. v. 1.Vir. Mayo. Uegar. XXX. pi. xxiii. 2. n. escaldar. — Beifrãge zur ss. h Q j em Leite de Vasconcellos. chegar. p. quemar se tem os senqueimar-se. frequente tsigano (Miklosich.^ semanticamente pelo . ahillar. chare. acais. sacais. 14). n. Git.

Behind. disgustarse». aire. Hisp. satisfazer. Borrow. acotistamente. Ajustar. f. Git. s. almarronas. manronas. nos?). Mayo. pron. s. Alforges. s. Mayo. Mayo. (Nós. achardój adj. Aparelhos de montar. f. Cão. Vid. giria. nosotras. s. gollás. s. amarelar. airesunchoj airun. Francisco Quindaló. Bags (for bread). agostuncho. Vasc. alsiplesis. m. andar. ajustar. m. v. Vid. amangue. f. Eu. infra calão ancia. a. m. Vasc. v. aplasarelar. cotistá. Guarda. m. a. Port. aracaná. a. T. p. 2. jacharar. Mayo. Alforja. Vid. enojarse. Vid. Laranja. ancian. Guard. s. 12. Borrow. Qçii. Schuchardt. Agosto. Zangado. pron. v. s. pess. e hisp. s. nos (en general). (amangues. Vasc. Meias. a. anela. Vid. s. achochinar. Este verbo se emplea mucho en Andalucia en sentido de incomodarse. acharado. v. s. T. BoRROW. s. aracate. m. Casas dos botões. Matar. giria. s. Ar. pi. f. Demóíilo correlaciona-o com git. Agua. mangue. e hisp. Louvar. Vasc. Mis- com ^ovi. s. s. Guarda. Borrow. Acena. giria. Vid. Borrow. Mill. aparador. aparador. marar. la palabra acharão. apalé. pi. aunque no lo bailamos en el diccionario de D. Sem ser presentido. Moinho. pess. Hisp. e hisp. giria. ajpald. Vasc. s. m. s.VASC). ligarar. jaracaliales. T. s. Pagar. plasarar. andantes. Pagar. . policia. aparelho ou hisp. pi. pi. m. m. alijerar. aparejo associado unicamente pelo som. adv. ' Mayo. agosto. Detrás. ajustisarar. apatuscos. osian. v. T. molino. v.17 pena concentrada que de ira. asiá. azia. Vid. s. Git. Detrás. Ar. Mayo. m. Nosotros. adv. Port. amanga. recompensar. a. tura de port. adv. a. manrona. patusco. m. Abaixar? Git. aire. Git. es el participio dei verbo achararse que parece calo. Hisp. agullá. Vasc. pi. f. Git. acharán. Port.

m. balul. aracarar. Last night. Vasc). balabá. a. Borrow. Hair. Mayo. a. s. atracaj^j s. bale. cabello. f. m. Banco. m. f. (balbá. Vid. Toucinho. Git. Git. BORROW. m. archí. s. arachí. Vasc). s. Vasc. Bor- ROW. Git. f. m. m. arboléo. Guardas. (balichó. Azeitona. BoRROW. pi. a. m. Cavalleiro. mensi^ort. araquerar. B baguim. balunés. Mayo. f. v. banco. Hisp. Cerdo.18 s. asitalluna. Sangre. f. balunes. Porco. bigode. m. Vasc Port. s. balicbil. s. Vid. balebá. Botões. Mayo. s. arate. Vasc. arai. Git. ofíicers of the revenue. baluné. Git. f. (balulas. talk. truacion. s. m. eray^ m. Eespeto. Vid. Pelo. knight. Vasc. arvoredo. s. hajin. s. Vasc. bato 2. Borrow. Pantaloons. m. Mayo. carabi- neros. pi. BoRROW. m. Mayo. Uva. senalar. Vid. arvore. por la noche. m. Pantalones. s. pi. corto. atencion. aricanás. balunes. Port. s. s. Azinheiro. Uva. Caballero. Caso (importância. Calças. Calson Borro w. ascuuo. m. s. Tocino. traquia. Git. s. s. s. . s. s. To speek. s. s. Git. pi. aracM. satalla. Git. Arvore. Mayo. Fallar. Hablar. e hisp.) s. halelá. v. bancuncho. Anoche. arhol^ aròoledo. Cf. Mayo. f. m. balichó. araquerar. s. arate. Abysmo? (Asco. Git. araquerar. m. s. s. m. arachí. Vasc). Noche. na. row. Mayo. call. Vasg. Guards. consideração). Cabello. pi. balabá. Los bales dei mui. halibá. balules. s. De noche. asco. s. v. Borhale. Marrano. s. haliché. Pelo. Sangue. Mayo. puerco. Noite. Hog. m. m. Vid. adv. s. Noite. Gentleman. nojo. hal. e hisp. s. Git. m. proclamar.

. grande. s. vaso. f. f. f. Cock. s. binar. hate^ haste. Gran. translação do accento. Horta. bea. adj. barco e branquiá. s. f. Git. Pico. pi. Vender. barr. hal. has^ f. Garden. Git. 2. m. basisaro. hata. Vid. giria. v. Michel. s. Git. Git. barbuiia. f.19 1. har^ sebe. BoRROW. Piedra. Vender. Git. Git. f. s. bobe. f. Mayo. BoRROW. s. m. To sell. 144. s. Mayo. Barba. s. s. s. bato. barco. blUelar-se. Abelha. bise. abillelar. f. bar 2. har. a. Carneiro. barbaló. Michel. Mãe. Pico. gallo. halicho. haticho.) [Git. hinar. . hicha. s. bocunchas. s. Jíhhandl. adj. f. Mano. Mayo. Copo. hoque. Cobra. Ovelha. dialectos tsiganos hári^ Noutros Jardin. T. v. Port. Port. harha. bibiora. m. Mayo. Borrow. s. Pae. v. bata. harhaló. s. Git. (Justiça.° 80 é o feminino plural. Mayo. superior. cochon. p. Borrow. Beans. Fome. excellente. e hisp. strong. bicha. Vasc. refl. Vid. f. hato. Mayo. f. Pich. f. s. blaucaera. m. hedeyo. Yasc. Habas. Madre. s. Stone. kitchengarden. basní. The hand. m. bato. f. Vasc. roca. s. Hisp. PIorta. abeille. s. Rico. m. Me- Mayo]. Auxilio. adj. i. bar. Git. Mayo. s. Fava. p. Borrow. Fr. Vid. BoRROW. bea. Vasc. hastes. Vasc. hlanco. Miklosich. Vid. Mayo. l)aró. A com s. Fatlier. forma hariás do texto n. Vid. Bise. m. Hisp. 144. Mão. Mano. exquisito. em git. haréj haró. Tsig. Pedra. Git. BoRROW. hasnó^ m. dida. Great. s. basiló. 2. Gallo. Haba. s. fiierte. adj. barquí. vii. Porco. pi. s. jardim. s. Gallinha. s. Vir. harij. s. baste. Mayo. s. bar. hohi. Grande. Cal. hóhes. Huerta. f. bartaSj. barquí e braiiquiá. Git. 17õ. 1. Borrow. Padre. f. Bokuow. s. a.. Fr.

Git. hraqui. m. Borrow. tré. Port. indef. branquiáj s. s. Mayo. cale. chamada a surda?] calduncho. caíque. adj. Cuarto nario. Vasc. Carneiro. adj. Git. Cordero. 1. BORROW. A de- f. adv. f. . s. cacha. m. Vid. callardo. Negro. Git. BoRROW. ho- quiy boquisj s. Git. Orifício. budar. a. moun2. calicó. Mas. jar. f. Git. braquíj s. Hunger. hucharrar. f. s. (Preta. adj. bute. callicó. Git. Mato. f. BoRROW. m. pi. Vasc. a. Mato. Morcella. Mayo. s. s. s. Mayo. cale. f. Muy. Borrow. s. f. cajuLima. brancuncho. Fome. Pão. adj. f. Mayo. f. s. Ovelha. Anno. Echar.) Lucto. Manhã. s. s. s. Git. caldo. Tesoira. Oveja. Vasc. Cabra. s. m. Porta. Mayo. hurda. Cabra. cajuquí. Mayo. Git. arroshoot. huter^ hu- cabruncha. m. Ninguém. s. f. Ano. Git. bregue. s. hoqui. m. Moeda de cobre. Negra. moneda. i. Madrugada. cachas. m. BoRROW. s. The anus. Git. f. Mayo. lanzar. s. Membro viril (?). A Oveja. Manana. ca- llardí. Vasc. Puerta. Mayo. s. etc. callicó. hut. m. hr acura. s. cajuquí. ano. m. m. Surda. f. e hisp. Carnero. Mayo. hul. m. famine. indef. BoRROW. s. s. huchararj v. Dawn. Gate. b regue. Vasc. Git. Black. f. tain. Ninguno. To BoRROW. adv. adj. Port. m. Field. callardí. callicó. Borrow. a. Git. caíque. m. Muito. m. Branco. bucharronj s. monte. door. Git. Monte. s. s. 2. boque. v. branco. Lua (?). adv. s. Tijera.20 s. cabra. m. m. Campo. a. quyy lua seria File. Hambre. borrego. hraquilô. y adv. hracô. Nadie. Port. Tiro. s. More. f. sheep. pron. s. bui. Scissors. Surda. pi. s. BORROW. BORROW. hre^e. f. f. e hisp. cachas. s.) [Git. hreji. Vid. pron. (adj. barquí e branquiá. f.

e s. cliaborron. Loja. Orelha. Tigella. Vid. chai. Mayo. a. Mayo. s. f. Gitano. BoRROW. Git. A Gypsy. s. m. woman. Centeio. f. castí. com a traducção Nina. s. Vasc. adj. m. s. caní. dá camelo. casa de venda. amor. chabó. Vasc. f. Jitános. consentir. Carro. s. s. f. Paio. Vasc. chedé. castí. caiu. a. cascabes. can. a black. calo. chaborrillo. coloro. fellows. Vid. s. Vasc). Git. cate. Vasc). Filho. carruncho. Mayo. calo. chaja. m. s. f. Pau. centenate. f. chaborrí. s. cam. s. m. Mayo. f. cané. s. s. Port. Atezado. Oido. pedaço de lenha. Couve. m. f. Camarada (?). Iglesia. Feira. como m. s. Mayo. muchachos. BoRROW. chadí. ! Mas pi. s. Memu- chacho. BORROW. Mayo. amisade. Tienda. chai. Prima (?). m. s.21 e s. Mayo. m. a. calli. camení. Vasc. chabaró. Git. s. ó tu chai. s. f. Git. baston. Herva. Children. Menina. Sol. mas é talvez 1. Mayo. Cigana. Ninos. s. v. s. camino. s. Gypsies. i. Vasc). Cigano. mocita. m. f. Git. Sun. Mayo. s. f. v. amar. can. f. Igreja. A phrase s. m. s. Hijo. adj. Git. Nino. m. e Hisp. prés. m. To love. carabelés. cangrí. Querer. Git. casté. A Gypsy caraallí. camelar. Ear. Sol. Caminho.) Git. carro. can- gari. Vasc. s. s. s. . a. Mayo. s. Borrow. chague. (de chabi). Git. m. cale. moreno. (casté. a. f. camelí. s. enamorar. Oreja. cam. Git. f. Hisp. ai Cabbage. s. m. Yerba. s. s. a. Querer. s. castende. BoRROW. Caldera. i. m. cha. BoRROW. (camellí. camelar. cascaraòi. centeno. chai. chai veiu ! Git. cangré. B. Bor: ro w. Hisp. calli^ adj. Col. s. chaborilla. Shop. Borrow. canguerí. m. camiua. (cangrí. (Vasc. ind.* pess. f. cani. f. árbol. nino. Varapau. f. m. Git. s. calo.

Borrow. chalelar. a. cama. adj.22 chalar. Borrow. adv. v. chichobo. a. clialar-se. Feria. Verdad. A fair. Estrella. Borrow. Disputar. caminar. BoiiROW. m. a. echar. Nada. To fight. To cast. fair. chibar. chi. Ralhar. Git. f. puU out. Dia. s. Gato. chíhé. chingarar. Lua. Sacar. bedstead. marchar. Vasc. Borrow. a. trasladar. chanavj. v. f. v. s. m. tender. s. Cabrão. Cat. a. Ir. m. Fugir. dor. correr. m. andar. Moon. m. v. Git. andar.) Óculos. Poner. reilir. posembrar. Pôr. Chavelho. a. chingarar. postrar. Git. Pasar. m. Borro av. m. chibe. s. Git. Git. esconder. cheripen. s. chachipé. BOEROW. a. meter. chindó. To know. chimutri. v. s. v. Mayo. n. Mayo. Vasc. Mayo. m. v. f. í. a. Mayo. Git. f. shoot. s. f. Mayo. s. chichoji. s. Bed. Cama. chasar. s. sicobelar. chicubelar. indef. Ir. reprender. caminhar. s. Mayo. a. chindos. s. V. s. chachipen. sar. n. s. Git. To walk^ to go. Traif. Ciego. charó^ s. conocer. sungaló. Truth. Vid. Git. chedé. Feria. a market. n. Dia. chalar. guerrear. charó. furtar. Mai^o. Mayo. v. Entender. v. f. Sim. Git. (Cegos. Gato. To extract. refl. m. Borrow. pron. Borrow. m. sicohar. chasar. Vasc. Plato. m. v. repartir. BoRROW. pasar. chinutra. chechipen. Saber. conducir. saber. Mayo. deitar. s. he goat. (jii. Mayo. cliati. Mayo. v. sicohar. cornudo. v. s. Saber. Git. . andar. Git. Tirar. jhiqalé. chliigarelar. Cas. Mayo. chibar. BORROW. Lecho. cabron. a. BoR- ROW. Vir. saltar. charipé^ s. Traitor. chingarar. f. chiiigle. chi. Grit. chimutra. Nada. Mayo. pi. (Bri>íar. Prato. Git. v. s. a. s. y adv. chardó. realidad. Mayo. charibéo. f. m.) Git. Cobertor. bron. Borrow. chanelar^ v. s. Mayo. a. chardí. Feira. v. Git.

v. s. Borrow. chor. chororó^ adj. s. Cebada. s. fango. pi. Pecho. chorí. pi. chorró. n. de port. thievish. Ugly. perverso. s. Maio. chubelar. Pobre. f. BoRROW. deforme. choriar. chuiigo. punal. choror(3. chunga. choror. f. O quadra cigana sr. Macho. choro. ro w]. Breast. Feio. La- chosimé.° 79. Mayo. adj. churí^ s. traz todavia os derivados que chungalipen. f. Seios de mulher. chuchai. rJiohelar^ v. Git. chuga? Significação incerta. Earth. s. s. a. chungalo. Pelo som só acho para comparar gitano chique. chucha. m. Ladrão. maio. chororo^ adj. Mayo. choro. evil. Git. Lavar. pap. Thief. chohar. choriar. chol. Vasc. Knife. chohelar. Textos. f. Mayo. Borrow. Pobre. Git. Git. Git. chuquel.° 70). m. Git. Git. BoRROW. Rociar. i. Frio. m. Mulher feia. Dar? [Git. s. Mayo. s. pecho. o seguinte. Vasc). fallando do dia. cho7. maio. Bors. pesado. indigente. geral). s. f. s. Pires traduz : chique. A palavra falta em Mayo. a. Pecador. s. Fêmea (em Mayo. Mula. Cuchillo. Thief. vid. adj. a. (Zangado. chorré^ adj. navaja. m. heavy. chorí. v. chuchas. Mulo. Feo. Cevada. dron. a. s. s. f. s. chungo. a. Feo. Cuchillo. chor. Der. preverso. chore. f. Poor. clioij m. s. chorar'. f. 1. choça. f. a. suélo. s. Mayo. chungalo. i. chorrés. Navalha. Mayo. BoRROW. mojar. Bobar. adj. Feo. Lodo. Vid. O sr. . Borrow. Roubar. pecador.23 Esta palavra occorre numa tua casa. Git. adj. Mayo. choi^. a. chorré^ i. pecador. s. To wash. adj. chorí. m. tsig. (n. Borrow. Mayo. m. com o suffixo men {== me). lavar. a. chiquel. f. Vid. s. BoRROW. Mayo. Git. Git. Vid. s. f. m. Leite de Vasconcellos verificou o sentido: casa. 2. Teta. Choça. adj. Policias. v. Ladron. Tierra. ground. de- forme. carregado. v. m.

Bolsa (?). p. Vid. colcorró. Dagger-blow. s. Milk. Rainha. Git. churi. Demofilo. BORROW. Ibid. BoRROW. Mayo. Perro. crally. p. n. Facada. 74. refl. . BORROW. colcorô. coi. m. BoRROW. Solo. f. f. significa também : A fuersa rebienta un cânon. adj. Git. Mayo. Jasiéndolo bien contigo. crallis. chi- cubelar. Alone. colcoré. Sósinho. Cf. m. s. Vid. Git. Aqui. churdiní. chorí 2. Mayo. Git. . Mayo. s. Perro. ir-se embora. acá. f. s. m. colcoro. Vasc. chupeno. Vid. Leche. refl. m. Borro w. e chungas partias e rebenta yo. m. Cão. m. acoi.) Ralhona. clalles. Mayo. espécie de salgueiro. f. Cá. chute. Mayo. s. Leite. chuquela. s. Rei. f. Rey. f. King. chuti. f.« 389. chupendó^ s. chuquel. (Cadella. Retirar-se. aqui. churdina^ s. chupa. punal. BoRROW. clicjii. Queen. único. adv. s. chuquel. crallisa. clave. cicubelar-se. b. s. Mayo. s.. s. Vid. chumendó. Aqui. Git. Provavelmente do portuguez chorão. s. Cuchillo. Git. Llave. Mayo.** 63. Beso. adj. cicubar-se. Dog. Git. f. f. chuque. s. s. Vasc. Here. Mayo. f. f.24 maldad de pensamiento Como Tengo Tentacion. Cantes flamencos. s. maio. Borrow. adj. clallesa. chuquel. Vasc. Git. Arvore. Punalada. Key. s. chuquel. clalles. 13. BORROW. Beijo. Yo no se porque motibo Tan chungamente me pagas. Jaqueta.] adv. clechí. Navalha. í. m. cicubelar-se. s. f. Vasc. v. s. v. s. m. Reina. churon. Borro w. [Git. n. chupí. Git. Vasc.

work. synonymo. v. m. cotobillo. Git. Padre (cura). cratiá. padre. Houve talvez confusão das duas palavras. combisarar. Contrario. Mayo. adv. f. ce- f. m. v. Ultrajar. V. f. a. Sem ser presentido. ello por hisp. penar. com troca de suffixo port. (cí. Castigar. m. v. s. Cotovello. s. trabajar. Fajã. BoRROW.25 colisarar. s. v. contrariuucho. acotista- mente. etc. Melhor git. s. pegar. coro. por gerta. latem gerta. Passar (o rio) (?) colpiche. Trabajo. a.] . Mayo. f. Friar. s. s. Frayle. The Moors. naranja ter-se-ha Laranja. Levantar. Borro w. adj. cotovello. curajay. Bater. Mayo. Vid. m. Trouble. loc. Mas dou isto como simples hypothese. Cinta. v. a. hacer. Git. costiuar. BoRROW. pena. orelha (Mayo). Mayo. Rice. Arroz. To strike. To mount. Git. trabalhar. (cf. costunar. s. creta. m. Vid. curelar. m. n. Montar. v. tornado oranja orangej e oranja assimilado a oreja e esta substituída formação das gírias. s. costinelar. Los Moros. m. arajay. a. curarar. cribó. o gitano mente um O cigano do Brasil tem gerta. v. s. a. v. a. corajai.) poderia ser o ponto de partida de uma forma greta. que é propriatermo de germania. s. Encommendar (?) s. pain. v. BoRROW. a. quirihó. do. currelar. o seguinte. colmar. git. costiuar. Borrow. ranja. Arroz. Cf. f. Abbadessa. fr. golpear. Arroz. Germânia: culehra. s. s. BoRROW. nidor. s. Mayo. pelos processos da O endurecimento da pronuncia do g gi e gui. Vasc). s. Port. O hisp. illo. Cântaro. cotistá (a). Vasc. m. Godfather. Borrow. a. Pitcher. Cântaro. (Ama de [Git. alzar. culebra. pi. Mayo. curar. Mayo. m. curelô. Git. s. correllar. m. Mayo. Pegar. corpiche^ corpichí. trabajar. a. Montar. Compadre. corá. Compadre. Git. curajaui.

Git. a. s. dinelô. Diente. daííes. Abegâo. v. m. v. conceder. No argot dinde significa tolo. v. v. s. acochar. Dedo. Git. port. Obrero. lli. Mayo. f. dicar. diiiar. hacer. trabaa. i. Nurse). To strike. Porta. = daíies^ cf. Borrow. v. s. Mayo. Dar. dicar. e bisp. Git. f. dezembro. s. f. o Peru. dialectal deuncho. dineló. Borrow. Git. dai. Sem m. Panuelo. Mayo. Port. s. Ultrajar. m. entregar. a. D dai. dehel. v. BoRROW. s. jador. Port. curará. Borrow. s. dicló. Lenço. s. desamarrar. Git. a. Dar. Vid. Mayo. paifial. desamarisar. golpear. Vasc. m. deciembre. janella. Mayo. pegar. s. adj. v. Pegar. v. v. s. Lenço. Dezembro. e adj. dicaní. díneló. s. s. Vid. curar. Mirada. s. s. anterior. Mayo. ra. f. BoRROW. correllar. Ver. Git. Tonto. give. To Borrow. Desamarrar. Git. currar. do. desatinado. a. m. liisp. Git. duvida (en general). Git. To give. work. Dentes. dentes d' alho. Lienzo. culiTÓ. Braço. louco. a. Ver. God. (danes. Window. see. m. Mother (projperly. m. a (?). a. s. . a. deo por dedo. s. Fool. dicló. dicaíií. curarar. Dios (en general). f. dinelar. dinar. ejecutor. Açoutar. Madre BoRROW. diíielar. Vasc. m. a. clout. v. panai. s. dani. Mayo. Vasc). s. a. ofrecer. dicahi. MayO- danes. Necio. Hisp. pi. m. Ventana. Deus. s. Mãe. Handkerchief. To diclé. i. m. f. Mayo. s. Alhos. a. a. Borrow. Git. Dar. trabajar. BoRROW. Mayo. Mayo. percibir. Borrow. debel. disoluto.26 cupchelo. decembruncho. Git. pi. Dar.

dundisqueró^ m. Burra. jundunar. m. Cf. Estrebaria. Mayo. s. s. m.. Tienda. m. Git. v. f. f.] s. estaríbel. estana^. vineyard. Mayo. Borro w. estar ipel. velon. isa. Mayo. prision. Git. Chapéu. Soldier. puesto de vender. drun. . Janeiro. coprisão. Attender. m. Borro w. jeró. candle. Eira (?). cmnbre. Cf. s. f. s. a. Borro w. ejeró. [Git. Mayo. estache. Vid. vacha. dandesquero. BoRROW. douares. BORROW. mulé. s. a. viaje. pi.27 mirar. Mayo. eragar. m. Cabeza. a. estaíia. Mayo. estache. s. llí. Candil. adj. Candiloii. Git. (estaribeii. Borro w. estripa^ v. Mayo. Git. Camiiio. Hat. curagaj^ eresí. Cerdo. Vasc). Mayo. s. Lanip. eri- eruá. estar ipel. droir. doudéscaro. v. s. Git. Git. Cabeça. Sombrero f. Git. BoRROW. diquelar. Fraile. m.eriné^ s. arajay. hes^ 8. m. m. BoRROW. druné^ m. f. s. f. Candieiro. m. s. cujo primeiro elemento é sem duvida o port. Vina. Cadeia. s. Carcel. s. Head. estripar^ e segundo o git. Git. s. Palavra composta. f. chambergo). esteribin. BORKOW. inerin^ eiieinmo. Ver. m. m. Mai^o. Hogs. s. BoiuíOW. s. Vine. Mayo. eiuro. s. a. Soldado. Prison. Fraile. Coveiro. etc. Git. estripamulés. erajay. m. Enero. s. Git. s. m. s. i^ Sacerdote. mulo. s. Git. Imiidunal. (hongo. m. Road. mulo_. Hisp. m. díquelar. eresí^ s. m. Mayo. Padre. s. Muerto. Caminho. s. s. A dead man. m. eresia. Mayo. Friar. Soldado. defunto. s. BoRROW. Mayo. Mayo. m. s.

Gallo. s. s. Negro. v. a. Vid. Burra. (Um quidam. . f. flor. City. man. Eopa. hisp. gachó. Hisp. Git. s. farda. Port. grení. s. Vasc). puca. e hisp. v. Gajo. Fevereiro. Mayo. Port. s. gani. s. s. Cualquiér hombre que no sea Git. f. frumachos. s. Mayo. s. Túnica. Relógio. garbo. ferbruuoj floruiicha. To be on one's guard. Hisp. m. Vaso. Escopeta. f. Cidade. loj. fupata. Borro w. gaché. f. s. Fora. Flor.28 fajima. A gentles. m. (a negra). Mayo. s. s. fuera. — Properly. Git. m. Git. s. m. BoRROW. port. Pólvora Any kind of person who Jitáno. foro. v. gate. Re- BORROW. m. garabelar. De port. f. Hisp. foro. Port. legua. pusca. f. Git. Saia. fardí. Mayo. ropage. a. CoUega. garabar. Cf. s. f. Cabellos. gallardíj Git. pi. f. Ciudad. grafíij Maré. gallardó. e hisp. camisa. m. f. Enterrar. Vid. pajardo. BoRROW. Camisa. (Cão. Espingarda. Shirt. Burra. garabar. Faixa. gajon. fardisara. Mayo. s. Git. pluma. galler. s. m. sepultar. not a Gypsy. guardar. gaché. s. i. s. s. fehrero. s. to guard. s. Figo. galluncho. gatuncho. Git. gallo. gato. Gato. adv. m. Git. m. m. m. plumacho. m. fora. Mayo. fajã. m. a. m. s. fusca. gaché. gachô. s. Vasc). BoRROW. Vasc. BORROW. Guardar. s. m. Caballero. Watch. BORROW. mancebo. gachó. Mayo. gate. Varon. Git. is s. m.

Borro w. f. goro. f. n. vacca. m. gel. Mayo. Git. jil. guer. ass. f. aldeã. Mayo. tsig. Logar. harvest. por bueno. café. grei. guel. s. (gresní. huchi. Cantar. Vid. Trigo. s. . Caballeria. s. Crop. BoRROW. goji. s. Git. : Mayo. Coisa. BoRROW. guillar. Burra. m. pi. a. Mayo. v. Git. v. legua. s. Mayo. Git. Ir. Burro. f. guiyabelar. Git. gui. Borro w. gorobó. Bestia. guil. guillàbar. s. guenassuertes. s. Git. trupe. Anything. gau -j- baró. f. m. a. . Boi. v. Ir aprisa ó de re- pente. Borrico. BoRROW. Cosa. grasrli. v. guer. Hisp. granja. Git. Git. pueblo. f. gra^ s. guillabar. Vid. guiyalar. m. goroboii. s. guchí. s. f. v. gruy. s. s.29 gau. Comp. goi. s. grai. Caballo. Donkej. guer. Propriamente doces. Vasc). gulôy llíy Laranjas. Esta palavra foi dada na i?e- vista lusitana. golheri. 12. Git. gau^ s. f. Mayo. goruy. Aldeia. gustipení. a. Borro w. Fortuna. vision. gao. Apanhar. Horse. Dulce. s. pi. Git. village. BoRROW. Vulto. n. Git. Yegua. Mayo. BoRROW. s. Mayo. dialectal gxieno. m. m. guillar. s. Cordão. ou f. Ox. s. sing. m. s. asno. etc. que supprimo por duvidosa. Potro. m. Cavallo. s. gi. gupui. Buey. Cantar. To Mayo. goroes. Town. Vasc. pi. a. s. s. Mayo. Git. adj. s. Maré. s. Cidade : gaubarí. Morcella. s. v. goUás. m. Mayo. m. Mayo. e suerte. m. Trigo. gi. Pueblo. m. m. Cosécba. gué. m. grahi. Em gorbelar. grani. f. Asno. s. m. s. I. guir. Égua. s. f. f. m. Borrow. Salchicba. s. m. Wheat. grupo. Git. com a significação de «toucinho». Pernas. gueriní. bohemio gudlo. s. echar a andar. burro. Koubo.

Vasc. jamar. Auctoridade superior. m. Mayo. f. f. a. jundunar^ s. Bonito. Descargár el vi entre. haller. liarou (h aspirado). (hil. a. goroes. Git. absorber. Vid. Vid. (?). Hesp. s. Comer. Gente. junduné. Jaqueta. v. eat. v. Vid. BoRROW. estranho. liuerta. Vid. s. jambo. Hesp. adj. s. Apanhar. Soldier. BORROW. n. Cold. To eat. baró. galler. Soldado. m. Fresco. Vid. jundóy jundunar. s. Comer. Comer. tribu. MayÔ. s. her Qi aspirado). Mayo. Cold. m. One who is not a Gypsy. m. ra. jil. m. a. El que no es Jitáno. Fava. B. ustilav. Burro. Pé. m. s. s. Frio. BoRROW. Vasc). Git. jambobaró. que não pertence á tribu. huertisara^ huiidunal {li aspirado). a. hamhé. Frio. m. jucalorro e ojacá. Comer. jalar^ v. horobar. pi. jocar. To v. f. s. jinelar. Homem s. v. Trovoada grande s. hacais. m. jinar^ v. s. Borrow. Git. disipar. To exonerate the belly. s. 2. haba. hir. BoRROW. s. adj. orobelar. Horta. v. BORROW. Vasc. s. s. istiteJar. guer. s. m. Vasc. Vid. juiz. liarame. Frio. Git. m. s. muchedumbre. Mulher estranha. a. jamba. . jambo -[- jambo. comer. É talvez erro por ustilelar^ vid. Cp. sacais. Git. que não pertence á Git. a. Cacare. Jiamho^ m. m. a. Soldado. jir. Mayo. jamar. m. BORROW. Mayo.30 H habiiuclia. jalar.

BoRKOW. m. f. a. Git. liguerár. Vasc. a. s. Olco. a.) Prender. Mayo. Azeite. labrosal. ? las dos pimbrés. ouvir. 2. m. Ua. julay. a. s. juliunclio. tente. Administrador auctoridade) escriba. a. a. ladrar. (Levar. ligerar. Candeia. f. m. Generoso. escuchar. Escutar. Borrow. 111. m. (Dono. lahio. v. jojoy. lechero. Leite. jucal^ roíis. Hisp. m. junelar. s. julio. Lavrador. m. m. ladrisarelar. jucal. agarrar. larapio. leche. o precedente e conf. hisp. Carta. junw. s. Ainoy duefío. Hisp. geneHerinoso. Git. Llevár. v. Escutar. a. lahrador.) Abarcar. Vasc. Hisp. junar. labraoresa. m. liberal. liquerar. Git. Vid. git. Git. adj. conducir. Candieiro. as significações do git. esplendido. Port.) Hortelão. Vid. os seguintes. credencial. (Levar. v. lias. v. Lavrador. ligar? Yiá. f. n. Carta. Vid. ou de port. Oir. Vid. v. Bonito. Borrow. ligarar. lechute. . jiiiiiolunclio. lahraoresa. v. m. v. To cariy. s. s. To hear. s. legerar. e hisp. s. a. s. Git. Vid. junar. Mayo. s. m. Vasc. m. generoso. s. Lábio. laborosal. Borkow. Lovely. Master. s. Mayo. s. Hisp. Mayo. lihanó. m. v. Mayo. v. v. jojoy. Vasc. adj. í. adj. liquerar. Git. listen. ligarar. A hare. BoRROW. Git. Conejo. s. e Hisp. labiunclio. a. Ladrar. Llevar. lecheruno. Git. Mayo. s. Meias. ( libanó. Mayo.31 Lebre. ligarelar. Escribano. julay. Port. junelar. juncal. lampio. li. Mayo. v. atender. Llevar. a. pirabré. Hisp. saber. s. cargar. jucalorro. Borrow. Mayo. . Leiteiro. m. percibir. a. Paper. mesonero. paa letter. làoduov^. s. m. Junho. Mayo. s. Oir. Notary public. junelar. Julho.

f. ^. Vasc. Rio. f. pers. Borrow. Fuego. riente. a. Mayo. The Virgen. Git. man. m. Raméra. Vid. Muchacha. f. pron. f. Matar. BORROW. Hisp. a letter. adj. lumí^ lumica. querida. lumbre. maché. Git. m. Pimentão. (mangues. Git. Salt. Cp. livruncho. Git. apple. Sal. i. a. bêbado. Librito. s. The beatic one. s. Git. A m. BoRROW. Mayo. s. ajusticiar. River. Git. Carta de jogar. f. Git. e garnó. m. Fire. Port. Borracho. f. Hárlot. v. majaríj s. a. m. (Lume. s. Tomate. muladar^ assassinar. Santo. mi. Me. Fish. Mayo. mandil. m. git. s. mangar^ mendigar. v. Livro. matój chargarno. s. e hisp. s. v. lumi^ lumia^ lumiaca. Pez. mangar. pron. s. Borrow. len. . M machingarnó. exterminar. Paper. mim. Sal. Borro w. araanga. Borracho. Rio. Mayo. No cigano do Brasil. Mayo. Borracho. Virgem. macho. m. lel^ s. mangue. BORROW. f. BoRROW. etc. s.. m. Roubado? Antes assassinado. cartera. s. lolé. mangue. Uaque. f. macho. por yerha. s. majarí. s. Santa. Pedir. Égua. e maladé. s. ahorcar. Vasc). The accusative of the pron. inundacion. Rio. leste. m. Vasc. Herva. majaró. pescado. magrena. adj. s. s. Mayo. Holy. liles. lingiui. s. Mayo. Lingua. Vasc. s.) Phosphoro. m. Santo. La Virgen. mandiluncho. m. BoRROW. Git. s. Pedir. mata- adj. adj. m. Borro w. pess. s. majarí. livro. adj. m. Me. llierba BoRROW. Port. Port. Mayo. f. s. ribeira. llierbisáj s. mu- lahar. rogar. Mayo. Vasc. majaro. linguncha. Bacalhau. s. Git. m. s. manceba.32 s. a. Mayo. Cf. Prostituta. li. yaque. Love lon. pes. machingano^ madrunkard. Git. m. m. len. dialectal lolé. macho. Mandil. e. lumí. lon. Mayo. Git. s. corlleii.

Légua. Carne. mãorron. League. Git. Borrow. manró. mesuncho. Pan. maás^ s. m. m. millaj port. pi. Deixar. Mayo. a. m. conveniente- mistos. flesh. m. Matar. v. Mayo. makill. minchabar. a. Phosphoros (?). Git. s. beneficio. Git. m. maçan. Parece composto com manró. (?) Borrow. misto. Mayo. s. Git. s. maiiguiííelar. dai^ s. beg. m. misto. Laranja f. manguinar. De- mecles. manguelar. Man. Pudendum muliebre. Pedir. Git. f. minche. adv. mangar). Meat. Deixar. Bem. v. mente. Calle. Morrer. Pão. Mayo. v. v. Pudendum feminae. Mãe (propriamente. Mayo. Port. en paz. s. 3 . vaya. hisp. f. Git. Bread. milha. a. entreat. Estrella d'alva. minha mãe). m. varon. jar. vianda. s. Matar. n. s. Descontar. mes. Mayo. zana. tar. V. f. Port. a. v. adv. Git. maquelar^ Vid. minchi. pedir. manú^ s. s. Bien. a. a. Hom- bre. milla. mistas. marar. Mayo. Pára. mecar. Maçã. milla^ s. To BORROW. matagaíianeSj v. mm. Dejar^ s. f. mes] hesp. masauuucha. alto lá! Git. Pedir. m. Vid. Dizer. Borrow. Conf. v. s. v. Homem tribu. medi. interj. Bien. Matar. Vasc. miquelar. Well. Mayo. s. f. BORROW. Git. BORROW. BoRROW. mauú. Git. ** v. Madre. suplicar. conveniência. sicubar. m. f. mindai. s. a.33 manguinar. rar^ v. a. s. Vid. maniscobar. minri. minha. Légua. f. destruir. v. Git. e s. permitir. a. Parir. da Git. Mês. sol- despedir. Carne. Borrow. Mayo. interj. (Vid. millen. mecar^ v. To marelar. m. m. a. más. miquelar. Abandonar. a. s. miquelar. Hisp. marar. assassinar. man- s. a. adv. v. mequelar. Vasc. Mayo. Orar. por git. bueno. a.

s. Textos. (vid. llejar. 7nulô^ mulU. BOR- RO w. Mayo. huir. nacH^ naquí. mui. Hisp. de ningun modo. Huir. fugar. píleca. Vinho. mudando o ô em E modificação seja inversa. àepelle (vid. V. alejar. No. adv. s. este). najelar. gueza debulha^ a que se m^ som muito próximo d'aquelle cp. Vasc. e s. Vinho. m. Fugir. molíno. Git. f. s. No. Mouth. huir. parte s. m. pop. s. hide. monte. s. montaiiésj molachí. Vasc. Nariz. parar. Boca. Git. n. Fugir. najar. Morto. mui^ s. m. BoRROW. Nanai. v. f. Mayo. No II). Marchar. s. cara.34 s. . moro. Skin. desaparecer. najarar. morchás^ s. Mayo. Muerto. Nariz. Boca. por rachichunga? rachí. Nostril. moro. najeJar. naqui^ uajai-. BoRROW. Git. Muérto. f. m. adj. narachichunga. s. BORROW. Git. Vid. tiniebla ne é prefixo chuugo (vid. s. s. Hisp. pasar. Mayo. racM. (iiacles. Vasc). adj. No git. v. Mayo. n. najalelar. Debulha. f. n. evitar. correr. To flee. hisp. nanais. f. Port. mol. morchada. Vid. s. Não. cavallo magro. m. arachí) e s. Pelléjo. difunto. adj. tenebrosa. m. Vasc). Git. n. port. Pelo som só acho que comparar git.° 58. s. mon. desaparecer. Borro w. Mayo. Vid. que permitte ligar o termo cigano ao gitano. adj. montanés^ m. correr. BORROW. Será erro git. mulé. Monte. escapar. face. raoliiiuncho. naclés. n. Wine. calão h^a. mulla. f. Noite escura. Mayo. Git. Burra (Burra fraca. BoRROW. sem duvida a palavra portutirou o prefixo. Significação incerta. f. òelancia por melancia^ baraço de árabe maras^ comquanto aqui a . mol. a. adv. Marchar. Noche. m. n. najar^ v. Vino. V. evitar. Moinho. mulo^ s. A dead man. Monte. montuiicho. Git. f. Cara.

35 negativo: nahelar. eruqué. neharó. f. Vid. ostebé. m. Git. vid. m. orocal. Calle. Mé- BoRROW. m. grande. ^ como prefixo indifferente a. poseer. basíii. único ser supremo. nasalo si ya. Orelha. God. Mayo. God. f. s. ? olipaudó. Die Zigeuner. s. crallis. destruir. Oliveira. nicobelar. Borro w. m. Arbol. Dios. debelj m. un-debél. Deus. Mayo. s. adj. ostebel. Port. a. Olivo. vedar. osté s. Git. Hisp. octubre. olicha. Dios. git.nicohelar. 14õ. olihias. pag. m. Falta em Mayo. m. de haró. s. nasalo. Outubro. git. : nahasnão. s. = hisp. Olivar. . a. . Conf. To weep. oricha. ojocá. Mayo. m. Borro w. pi. par. jucalorro. = *claLlis. Borrow. Mayo. s. Vid. m. 40. gemir. carecer. undebel. Llorar. o prostbetico também em vid. To take away. Cf. orobar. Maio. clalles. Rua. a. outubro. rei. a. Chover. otebel. Street. s. II. Vasc. Bonito. s. Parece haver aqui fusão de git. lamentar.. Git. vid. Roubar. BoRROW. Rua. f. orobelar. orobar. octubruncho. Mayo. jucal. s. eruquel. peNo cigano do Brasil na apparece queno. nicabar. s. Apartar. BOR- Row. v. Stockings. eridé. adj. v. Michel. gallo Git. a. nicabar. Borhisp. Dios. o precedente. Por jocar = pi. oreja. m. orucal. ostelende ondebel. m. s. Mayo. ulicha. m. nicobar. dias. s. s. m. s. adj. Mayo. oUcha. Olive-ground. Mayo. O o jaca. olibás. orejuncha. v. está nasalo^ lli. Git. otibé. v. f. (BORROw) e git. Olive-tree. v. Dios. adj. v. Enfermo.. oricha. v. pi. s. f. Git. orobiar. Calle. BORROW. impess. Olivar. robar. Fr. Sol. de abelar. steal. row. invalidar. ustéd. enfermo. desembaraçar. urucalj s. Chorar. s. eru. oclaye Um s. enfermo. Git. nicobar. Pott. Quitar. s. Meias. disi- l^ORROW. erucar. Dios.

s. f. Silver. Part. farm-house. arreliar. BoRROW. to shut. To exchange. Git. v. s. m. Dinheiro. Sorte. Dineros blancos. s. Dinero (haber). BoRROW. f. f. s. Atar. s. Git. v. f. Individuo. a. f. negociar. Mayo. pajin. parnau. Trafi- Mayo. papiri. Homem El que no es Jitáno. Enterrar. (Palheiro. Cambiar. v. hisp. que não pertence á tribu. papires. s. pa^ar. Dinheiro em prata. paquillí. s. Vid. a. f. s. s. paioj s. a. pasabelar. s. a. estrechar cerrar . Vid. s. to tie. m. Atar. f. extranho. BoRROW. s. m.36 paguillí. Bosque. Vasc. Agua. Mayo. . pani. Port. pandelar. s. Amarrar. Vid. Git. Corral. f. BoRROW. o seguinte. bono. a. Passar. v. BORROW. paUillí. passar. f. v. Vid. Port. Mayo. jpandelar^ v. también palonolaré. m. . m. s. Borro w. s. sujeito. s. barter. moeda. parrogar. m. pareauj parga. Git. Git. Git. Papel. pusoíiou. BoRROW. sujetar. v. m. hombre. f. Cigarro. pared. Plata. cortijo. trocar. Curral. m. s. Companheiro. Water. Vid. s. Palheiro. m. f. parugar. Carta. s. cerrar. Parte. pajo. Dinheiro. Papel. Agua. Vasc). parede. Opria. v. paillô. To pani. Git. s. jyapiri. hisp. palonó. Parede. naipe. parné. paillo. o precedente. Mayo. papira. Git. liar. pajé. a. paruguelar. Paper. v. s. Agua. pandar. Mayo. parné. jomalero. a. . Prata. m. pasisarar. One who is not a Gypsy. Git. s. Borro w. m. inclose. pandar. palunó. Vasc. paní. encubrir pandelar. Mayo. a. m. paguillí. s. mir. Curral. Vale. m. car. plajo. White or silver money. posonó. pasonó. Choça. f. apretar. A wood. BORROW. Trocar. s.

v. Vid. f. Padre.peperes. n. Vid. Git. BORROW. Pinheiro. Ladrão Talvez violentador. n. pele. Foot. f. i. um 8). pillar. Andar. Hisp. Git. Borrow. s. Vasc. Dizer. Huevero. pêra. s. Abhandl. Fornicar. v. Vasc. tuscos. Pae. Besta. m. decir. the genitais. Mayo. mandar. m. v. To walk. pinelar. perjj^na. pi. v. Vid. pisar. pirabelar. pirelar. To say. (patusco. To copulate. v. pinon. pinãro. m. m. e hisp. piyar. f. v. Pae. s. pinró. m. m. s. (?). Velho da tribu que pi. s. Mayo. BoRROW. m.. Cooperar. Mayo. patê. . adj. s. pelichó. hisp. v. Mão. m. a. contar. ha- blar. caminar. Decir . les. Andar. Pepper. pirabar. Pastor. to heat. Vid. pimbré. Mayo. Padrino. pimbré. Vasc. s. Vasc). pinrés. m. pinelar. Git. s. f. Dizer. los jenita- m. s. patarró. pirabaor. Git. Mayo. hatorré. Futuere. Port. pinar. Pescoço. m. pinar. pi- pisquèsuno. s. Pedir. V. bato. m. s. Port. s. s. petí. Pé. s. peito. Vid. penré. pescoço. s. m. pinar. Andar. Vasc. s. m. pirabar. Contado. a. v. Borro w]. m. s. Huevos. m. Mano. s. a prova da vir- gindade (entre os gitanos). Mayo. patuque. BORROW. pinré. Pié. Port. Pó. BoRROW. pepéres. . Mayo. patí. s. pi. Beber. a. Eggs. apatira peliche. Git. Referir. Vid. n. m. Vasc. a. de que pindó ó participio regular tsigano (Miklosich. baste. ii. pirar. s. Pimento. Beber. s. narrar. a. pino. Vid. bato. penar. Git. Git. a. pirar. Pêra. a. pato. Tomate. penelar^ V. a. [Git. 'n. Port. pimbré.37 pastorchunchoj patarró. rabar. Peito. Git. pedir. pinodó. pastor. hatú. s. s. v. petuno. Albarda. Mayo. cohabitar. Borro w. Mayo.

Borrow. piteira. Extrano. Mayo. Git. s. Cortijo. Vasc. Borrow. BoRROW. s. s. Vasc. Hennano. busnó. Git. panza. Paja. Apagar. m. Irmão. Escopeta. pusunon. pusanó. f. Mayo. s. s. s. f. Borrow. posabar. Capa. f. piticar. husné. platamugioii. Nora. Cf. BoRROw. pus. f. pu. placo. ju cal. s. (Lençol. pode estar ^or jucar. vientre. pocachiní. s. Ódio. m. tisfacer. Git. adj. pusuiion. s. Mayo. BORROW. s. m. m. a. v. m. posuno. s. House. cigarro. Vid. f. f. f. Tabaco. v. confrade. gentil? Mayo. puca. s. Mayo. Vasc. quer. Capa Mayo. plajo. Paja. A gentil. s. juealorro. Git. Borrow. Será o mesmo que git. s. plasarar. Git. corta. Barriga. Cf. Abegoaria. v. m. Brother. plasarelar. que bonito? hucar. m. Enterrar. plasta. Port. f. puca. Casa. Tabaco. Mayo. Vid. s. piai. quer. a. Espingarda. Borrow. Tabaco. s. Tobacco. a savage. f.38 Piteira. Eapazinho. s. plojorró. Borrow. BoRROW. m. s. quehonche (Ji . s. m. a. plasaravj. piar. every person who is not of the Gypsy sect. plasta. s. vid. s. pÀata. Será que hucar. Casa. Escopeta. pol. Straw. Mayo. pii. m. Palha. BORROW. m. s. plasarar. Mayo. s. quehucar. pi. aspirado). m. Q que.) Git. s. s. m. s. hiisnô. (Mi. pusca. s. Vasc. Corral. Court. Git. poriáj s. in. 9. pusnó. s. (plata. porias. Bonito. v. pusca. bárbaro. Cloak. m. poria. Entraiías. sa recompensar. m. plastami. Vid. Bowels. talma. pus. Mayo. m. Git. prucatihi. Musket. Pagar. s. m. Vasc). Capa. Git. jpita. plata. Barriga. f. a. esclavina. puy. posonó. pasabelar. f. Entraria. m. Pistola. s. yard. Vasc.

Git. m. Queso. pi. a. v. Port. m.) Vid. arrebatar. BoRROW. Hurtar. rau. rebraiidiuí. s. to make. randar^ v. s. quirá. Esposa. Aguardiente. o prefixo re e terminação gitana. Port. Mayo.39 querelar. raw^ Rod. Robar. s. Batata. BORROW. remendiíiar. Vasc. Queijo. Flatus ventris. Mayo. com f. Brandy. Jitána. a. redondis^ pi. quira. rom^ m. n. Fazer. redundes. a. ejecutar. Rio. Spoon. s. Marido. hacer. BoRROW. romí. s. Mayo. f. s. s. Vid. a. BoRROW. R raisaro. remondiíiar. Bordão. hrandy. m. (casada). a. s. quiral. romá. Mayo. Git. Grãos. s. BoRROw. f. ni. jundif m. a female Gjpsy. redundes. Vasc. To do. To rob. s. m. f. ranâelar. s. ribeira. querelar^ v. Furtar. m. (Feijões. raUj s. m. f. robar. s. s. s. s. s. v. Casar. BoRROW. Chôese. s. querar. m. Git. BoRROW. randundes. Grãos. a. homhusband. renduudes. f. rilo. Mayo. re- Garbanzo. Git. Git. v. Lingua dos ciganos. Pedo. rom. a. pi. mujer ron. Chick-peas. Desordem. Mayo. s. Cuchara. Quintal. Git. Aguardente. (espirituosa). quintal. quimera. A married woman. s. róis. s. randar. m. s. repafií. s. BoRROW. f. Mayo. Vid. Vara. s. v. vara. Mayo. romano. rio. quiutalzuncho. romí. Hacer. cigana. rumandiííap. Ejercer. e hisp. Vara. Bebida r 11 acra. f. A m. a mar- . redundi. varon (casado). Licor. aquerar^ v. bre. Queso. quirális. queraTj querelar^ v. Git. roin. rile. Vasc. Mayo. reparti^ s. Git. s. Mayo. m. Proveniente talvez do ingl. Git. rumaíío. f. m. Colher. BoRROW. m. Mulher da tribu. hacer^ etc. Mujér casada. Git. v. m. a. s. Marido. m.

the generic name s. romandinar. Casar. polaco rykonon. f. sanou. that. senelar. roma^ s. sr. Git. s. a married man. romandi/hary v. enlazar. Git. f. Sabão. romani. Who. rei. Pires com a traducção — um cobarde. s. Jabon. m. BoRROW. Git. sané^ s.) Git. romano. acais. a. 58. e hisp. To marry. Casar. v. v. Mayo. of the nation or sect of the Gypsies. n. V. Olhos. m. Oliva. salbana. rumandinar. Segador. f. A Gypsy language. Leite de Vasconcellos a phrase: 2. segar. BoRROW. Git. Ojos. BoR- ROW. Sardinha. Familiar. m. adj. BoRROW. 8. m. satalha. Cho- BoRROW. sapunes. s. f. Burro. Mayo. Língua dos ciganos. si- . Ouro. do sr. romí.] rumíj s. letaya^ Azeitona. 2. Vasc. pron. s. Oro. pi. Mayo. s. Que. Lengua sacais. Vid. desposar. húngaro rikonô. pi. sacais. Mayo. Borrow. de casta gitana. Videira. cuales. f. s. seguisarar. Vasc. Git. s. sos. Ser. Port. Que. m. domestico. s. no senela caíque. BoRROW. sonacai. husband. f. Mayo. Aceituna. Chouriço. Ahhandl. Cf. sinelar. Sausage. s. Soap. Vasc. segabruncho. Cf. rom. Miklosich. BoRROW. viii. m. tsigano grego rukonôj nrumeno rikonó. (Libras. relat. a Grypsy. sapuna. m. Gold. próprio. romandinelar. m. cão . Olive. a. Mayo. segar. a Gypsy. cual.. ni. [Cf. v. sinelar. f. Git. Port. Git. Segar. sanacay. s.40 ried man. The Husbands. rucó. Do recebi a phrase: 1. f. Vasc. se. sampuni. m. pi. Mayo. konó. s. a. s. senelar. rumano. s. rizo. s. s. m. chetalli. BoRROW. The Rommany or de los Jitános. e hisp. pron. m.

V. Freio. Sair. mangue com a traducção também siííel com a significação — — O sr. sonacay. n. f. Salir. Ketirar-se. seresí. Ser. de luto. sobap. sinar^ sinelar. que separadamente se ligam a callardó.41 nela damangues. V. que deve traduzir-se — E — de amanges^ vid. senelar. m. m. v. s. Mayo. Vid.se ao que. Virtud. Pires enviou-me demais a traducção de uma phrase em que esse sentido é dado a senela 4. facultad. Furtar. sicubar. o que corrigi por não guagem corrente. esse verbo que estar. Pires ainda a phrase quasi idêntica a essa: 3. por sina. é meu parente). s. refl. a. a. impeto.. Callar. f. parecer exacto. Força: a silas. sicahar. ducção sósinho. enmudecer. Olhar. reparar? [Git. Setembro. Vid. Vid. e hisp. parece. chicubelar. sicubelar-se. sila. senela la — primo. sanacay. v. v. Vid. se- sicabar. . ou estar por senela a parece é a mim (= é dos meus. Git. v. sorbar. Não mangue (sinela — ser acho no gitano nada que justifique o sentido attribuido a ha aqui sem duvida erro de sinelj sinela. sila. s. elle. n. n. Adormecer. soltar. n. senela terela callardó. uma alteração de 2. a. ir-se embora. v. me Vinha. Git. s. hisp. potencia. tiembre. sombrimé. Mayo. s. Borro w]. f. Port.° 80 trazia sin na com a traestá.. De não é ninguém temos na phrase 1. sinar. s. homem. sínar. Mayo. o sr. setembro. eresí. s. que deve traduzir-se vid. porfia. silbar. sonsibelar. f. Vid. To be. dois verbos Em senela terela juntaram. setembrimcho. como pronome . sicabar. caique)^ na (z= é de nós ou de mim phrase: 2. sombra. á força. V. do sr. v. na linO texto n. Mayo. sonsidelar. elle está : outro lado tem o git. com a traducção pertence-me . Vid. BoRROW. amanga^ mangue) 5 a phrase: 3. Port. aux. v. m. ó um um não ó cobarde. Arvore. Vasconcellos dá ella. v. interpretação.

v. sungU. possess. m. o seguinte. vid. a. do por- tuguez. s. sungolí. siiete. Vasc. Melão. s. a. To hold. Burrinha. tarelar. (vid. mattina. adv. v. Mayo. Port. s. Pires. Ascoli. Sandia. comp. calicó) e git. Mayo. tasala significa tarde (Mayo.. s. suetí. Ter. poseer. ZigeuneHsches. f. existir. v. Abhandl. sornibar^ v. Gente. Port. Cadeia. Vid. s. f. Mayo traduz por astrologia. Mayo. Git. f. Git. Haber.j ii. Talvez por terrosa. s. e hisp. Git. m. tardimen. joven (Miklosích. O mesmo que callardí: nos diaha outros exemplos de substituição de c tsiganos f. taripeuas. parece ligar-se ás formas ciganas tyrnój novo. Git. Git. tallardí. tprelar. tener. A. v. Dormir. Git. n. Ahhandl. s. s. f. genera- cion.42 sorbaPj v. tasara. terelar. Borrow. Telhado. lectos Morcella. Manhã. teja. BoRROW. have. Dormir. m. tempo. f. (pag. cárcere. — estariben. sorhelar. Batata. Adormecer. To a. Vid. sungoli. s. taribé. novilho^ anejo. s. tempisaro. tarrosa. Tarde. s. BoRROW. n. Th. tasara di calicó. Madrugada. tejauncho. 81). Zingaro laci tosara. sungló. buona mattina. World. m. tasalda. universo. familia. Hisp. Melon. v. sleep. mocidade 58). f. tarní. sungli. s. 82). a. f. aux. tosara. index. Cf. tarde. ternipe. f. (Miklosich. . 26). s. n. s. taripen não tem anade logia significação. Melancia. BoRROW. Vid. Vasc. people. v. ii. por t. fica Mas calicó signi- manhã Borrow). etc. Mayo. Gente. terelar. mas (ii. Tempo. Mayo. Falta em Mayo e Borrow. Vid. soymar. Cadeia. sorbar. vid.

e testuncha. Vasc. Mayo. Si. furtar. cliinutra) por ii. Luna. s. teriiegal. BoUROW. processo vulgar nas gírias. Mayo. trigo. ustabelar. s. e trincar. ti. Mayo. ustabar. Apre- trupo. tremácha. Git. Git. resuelto. m. Testa. Furtar. git. s. Cf. Moon. hisp. pron. Valiant. f. Corpo. Tomar. a. hisp. Cuerpo. Git. Vientre. de tucue. BoRROW. a. conj. Sim. prender. v. tirajay. tiragaisj s. testa. m. m. Git. exigir. vinagruncho. ternejá^ adj. U ua. Lua. tirajai. E. Shoes. Tu. s. 2. (vid. s. Mayo. acoger. tremuche. BoRROW. m. Apanhar (?). Tomar. unga. pi. a. s. apurar. Pott. s. Trigo. truly. V. Zapato. f. Zapatos. Sapatos. pess. f. v. tusa. adv. ternejal^ adj. cobrar. BoRROW. roubar. Mayo. ao que parece uma mutra simples alteração de chitroca de logar de consoantes. Vid. v. Vinagre. Tu. Valente. a. tar. 194-5. pron. adv. s. trúpo^ cuerpo. ustabar. te. ustilar^ ustitelar^ v. Vid. grangear. alzar. v. Vid. tue^ contr. Vasc. a. Body. Yea.43 adj. Git. a. Mayo. m. pi. trinqiidar. v. Mayo. comprimir. tute. m. v. ustibelar. llevar. s. . hospedar. Valiente. percibir. a. Coger. pess. ustilar. ustihar. Mayo. Port. ustilar. Port. Git. Git. yes. tomar. BoRROW. Git. a. arrebatar. ustitelar. triguisate.

na Allemanha . mas gitano conserva ainda partículas. rumeno. numea moção. na Bohemia e Mo. inglez e hispanhol. Miklosich não teve conhecimento do importante dialecto tsigano do paiz de Galles (tsigano welsh). na Hungria e Sirmia bohemio. Miklosich. basco. Siebenbúrgen. escandinavo. Como se vê. iv. italiano. Esses dialectos tsiganos apresentam algumas peculiaridades phoneticas archaicas que os approximam especialmente de linguas ainda pouco conhecidas do noroeste da índia. p. ravia . Miklosich enumera treze dialectos ou falias tsiganas na Europa: grego. O raes. Serbia e Rússia húngaro. conserva muitas particularidades perdidas noutros seus co. segundo os dados precedentes e os que me communicou o sr. certos processos de derivação e outras forgrammaticaes da lingua tsigana. representada por os mencionados dialectos ou sub-dialectos extra-hispanicos . nesse meio de lin- gua céltica. na Turquia da Europa.irmãos. Pires. na Rumenia. Bucovina. nia. na Polónia e Lituâfinno. paizes da Europa os tsiganos faliam verdadeiros dialectos ou antes sub-dialectos particudas quaes se encontram lares aparentados com os dialectos neo-hindus. e esse fallar a que elles chamam rumano. allemão. . pronomes. faliam o português. de que pode também no gitano ou linguagem dos Noutros de ciganos Hispanba. o hispanhol. a maior parte mano ou ainda romano. o rumanho não é mais do que o hispanhol influenciado pelo português e semeado de palavras particulares. na Rússia septentrional . saidos da mesma base popular de que o sanskrito se elevou á cate- goria de lingua litteraria. na Finlândia. 287 segs. russo. o qual. . Beitrãge. polaco. rofazer-se ideia pelos textos e vocabulário acima impressos. do Kafiristão e do Dardistão *.44 Os ciganos do Alemtejo.

éster dí setenta). que. Slawo-de?itsches U7id — Slawo-italien. de origem tsigana. Se tivéssemos documentos da linguagem dos gitanos provenientes dos séculos xvi e xvii. 4. no(s)^. si.. é). mitiva que o gitano. Ao lado de amaro. callí f. como mostrarei ' Schuchardt.. panchardi cincoenta. está (vid. e outras formas um ^ grammaticaes que ainda conserva o gitano representa pois estádio mais adeantado na ruina da lingua tsigana pri. a julgar pelos documentos que publico. velmente.. se). perdendo-se quasi por completo a antiga declinação e conjugação.45 mas doutro lado perdeu quasi por completo a antiga declinação. Vid. . É possível que ulteriores investigações descubram mais uma ou outra forma verbal tsigana no cigano. mindai. p. unicamente a vocábulos vação : feitos e alguns processos de deri- o hispanhol e ainda o português occupam o logar abandonado pela grammatica tsigana. 2 Todavia achamos ainda no cigano é. adoptou a conjugação hispanhola em -ar^ conservando algumas formas tsiganas do verbo sinar ser (sis. p.se ainda as formas femini- nas e do plural como calo m. amanguej mangue. Notem. apenas representada por ténues vesno rumanho os vestigios tsiganos reduzem-se quasi tígios . O rumanho. perdeu quasi todas as particulas e pronomes (vid. junto de otordé. ostardí quarenta. es. cales pi. Alguns numeraes gitanos mostram já influencia das formas hispanholas (johenta sessenta. e oíferece por esse lado interesse particular para o estudo de um dos processos de substituição da lingua de um povo por outra. 8-9. no vocabulário apalé. sisle. nosso. sirij sou. apresenta o gitano nonrió derivado do hisp. Assim por misturas successivas o elemento românico foi eliminando o tsigano. Nos dialectos tsi- ganos europeus extra-hispanicos conserva-se em geral a base indica primitiva do vocabulário e da grammatica no gitano os elementos tsiganos da grammatica reduzem-se considera.0. 53. Graz. comp. nasalo). 1885. ainda mais de perto poderíamos seguir esse processo. otorenta oitenta.

mas occorrem noutros dialectos tsiganos (hato. frumachos (fj. do modo seguinte 353 encontram-se também no gitano. 480-481 . tarní). biora. também apatuscos. guenassuertes. (anda) provém da germania ou do é : uma forma portuguesa muito alterada phonetica- mente mulla. port. 47 são de origem para mim incerta ou desconhecida. desamar isar. abaixisarelar (* abaixisar). Talvez que nova investigação do gitano e dos outros diaorigem tsigana de alguns desses dos termos. está longe de ser o único pelo qual um povo perde a sua própria lingua para adoptar a alheia. : em quanto á sua origem dif- próxima. e hisp. Ahhand. abaixar. e hisp.. tarrosa). vid. x. aparador ^ arboleo. ajustisarar. parte quaes tem aspecto que a faz suspeitar. patuque fe patusco). em geral sem ferença considerável de sentido ou de forma. 8 são palavras portuguesas ou hispanholas de significação alterada ou especialisada (andantes. calão. port. Vid. 3 não se encontram nos vocabulários gitanos que temos bi- 68 são derivados de palavras hispanholas ou portuguesas . ajustar. desamarrar 1 Sobre esse suffixo tsigano. Derivados com o suffixo -sar^: a) verbos. por * desamar risar. p. 1 (culebra) 1 1 provém da germania. Miklosich. Os 484 termos ou formas do rumanho reunidos em o nosso Vocabulário classificam-se. churon (?J. bicha. port. á mão.46 noutra parte. lectos tsiganos prove a Palavras do rumanho derivadas de palavras hispanholas ou portuguesas 1.

segahruncho compHca-se com outros elementos. tardimenj port. e hisp. huerta. port. cabruncha. — Vid. banco. hisp. Nas formas pastorchuncho. lUerha por yerha. no Vocabulário. port. íarra(/or. labrador. e hisp. de origem românica . quintahuncho. horta. templsaro. lahrosal (por Habrosaro) . labraor.. hisp. abaixar. choça. e hisp. teem o duplo suffixo -«aí* 2 ' Sobre o O : suffixo -uncho é ex. port. ?'io. cabra. hisp. vaso. àbaixarelar. port. e hisp. ladrar. port. hisp. port. calduncho. ahertisara. hisp. 4. disara. hisp. tempo. fa?'c?e. acha-se também no gigostuncho. e hisp. carro. port. port. Derivado com o suffixo -eZa. port. suffixo -mcw. 445. braiico. dialect.47 scguisarar^ port. e hisp. port. port. hasisaro. vid. e hisp. brancuncho. sombra. ahierta. Mayo. p. huertisara. hisp. jpasisarar. Derivados com o suffixo -me?z^ -me'^ : chosimé. também /ar- 2. hisp. segar. caldo. aberta. sombrimé. ladrisarelar. hisp. port. lUerhisá (por Hlierhisar). port. tano idem. . ladrisarelar (*ladrisararj^ port. blanco. passar. chosa. e hisp. carruncho. 1 As formas 4" "^^<^- abaixisarelar. Derivados com o suffixo -uncho^: bancuncho. e hisp. ^ò^c?. 3. h) substantivos : pasar *. tíempo. raisaro (por *rusaroJ port.

hisp. port. port. molino. libro. gatuncho. port. janeiro. haha. deo. íesía. gato. port. jfwmo^ port. port. hisp. segar. hisp. e hisp. e hisp. port. port. port. e hisp. Pott. tejauncho. a5HZ. mes. abriluncho. hisp. m. port. juniluncho. mes^ hisp. setembruncho. lábio. hisp. agosto. e hisp. port. setembro. orejimcha. . hisp. e hisp. octubrunchoj. /a/a^ port. e hisp. e hisp. port. deciembre. port. port. faixa. novembrunchoj port. contrario. e hisp. agostunchoj port. livruncho.ro. vinagre. port. dezembro. quintal. e hisp. barbuna. Z{i. dedo. labiuncho. hisp. octubre. fior. montuncho. 123-124. monte.48 contrariuncho. e hisp. p. oreja. hisp. julio. lingua. deuncho. port. dedo. íeZ^a. noviembre. e hisp. 1 Esse suffixo é de origem tsigana. e hisp. fajuna. mesunchoj port. fava. port. wandilunchoj port. moinho. hisp. vinagruncho. hisp. port. s. eneruno. barba. i. molinuncho. ^e/a^ port. hahuncha. quintalzuncho. novembi^o. hisp. lengua. Derivados com o suffixo -wtzo^ -m?i * . 5. segabruncho. hisp. Jloruncha. testuncha. Jim^o. port. pastor. mandil. hisp. hisp. port. septiembre. e hisp. galluncho. port. julho. port. enero. hisp. juliuncho. gallo. port. linguncha. orelha. port. pastor chuncho. decembruncho. e hisp. port. outubro.

fn^o. pisqiiesinio^ port. Derivados com o suffixo -ata: furata^ port. -z7Zoj. pinon.. centeio. hisp. do suffixo pelo hisp. dialectal labraor por labrador^ port. Os uomes de mês março e mato do rumanho (do port. centeno. cotovello (troca -eZZo da forma port. port. Derivados com o suffixo -ute: lechutej hisp. pefunOj. liisp. 10. port. Derivados com o suffixo -esa: lahraoresa. port. /^iVa^ piteira. hisp. leche. 4 . cotovillo. hranco. e hisp. 6. hisp. e hisp. Derivados diversos: hlancaera. j9iwo^ port. pinho. marzo e mayo) completam a lista acima. fevereiro^ lecheruno (suffixo composto -er-uno). ^^ori. leche. alpandy e quigléf abril. Como se vê. hisp.49 o (troca ferhruno. fora adv. marco. hisp. port. hisp. os ciganos perderam inteiramente os nomes particulares de meses tsi1 ganos. port. Ze^7e. piticar. maio. pareau. port. suffixo). hisp. hlanco. que os gitanos conservam ainda pela maior parte como ÇMÍrdaré. 7. pescvezo. fuera. Derivados com o suffixo -ate : centenate. liisp. port. qvindaU. pescoço^ hisp. parede. pecho. /éZ/re> de . peruna. leite. port. triguisate^ port. port. hisp. 9. jpera. 8. j)eitOj. pared. março e maio.

.50 Palavras do rumanho de proveniência incerta Referindo-nos só á proveniência immediata (gitano. que se encontram no rumanho ou de que derivam termos que neste se encontram. e não á proveniência remota dos termos do gitano. no estado actual da minha investigação: achochinar. do hispanhol e do português. hispanhol e português). reduz-se a lista aos seguintes.

51 chimutH .

lado de ao carabi. õ. gué a) por r: guer. Inversamente bar : = . git. git. O som representado no Vocabulário por y é o mesmo do = hispanhol e gitano j.Ò2 na boca dos portugueses e gallegos que faliam liispanhol^ reflexão previa sobre a differença dos sons. of) sem = aspiração forte h substitue o j gitano (pronunciado como j castelhano) nalgumas palavras: her ao lado de gueo^ A Ml. Metathese de r: barqui e braqui. ò) 11 por gu. sicobelar. . git. cascabes git. Inversamente eragar = por eh gitano em i git. pajardó. Esse pailló. llaque n: y) 11 por = ^«í-èo git. git. Suppressão de r chadi. gelj grei. = em chingle == git. jambo. som representado por eh é o mesmo que em (tch) s . len. ir). noliotros hisp. chedé ==-. gel. Por fim perde-se a aspiração: acais 6. qu: pallili git. chor. hundunal git. camalli = = git. git. l final aracaM git. hir == git. jingalé e por s em git. jaracanal. . r paragogico (ou substituindo : git. n por l: estar íben = n por 7iíZ. junduaracaná narj por '^haracanal. Suppressão de syllaba. moro git. jundunar = = chupeho n por m: chinutra == git. 8. 12. hundunal jundunar. chol = = git. y) por n: chalelar de git. crally (horta) l = = l poria. 4. eragay. E possível que a substituição nas palavras ciganas provenha dos colleccionadores. chetalU. jucal. git. (3) tue s: hacais ao lado de sacais. : = chardi. donares git. corpiche. estaripel. git. h por d: garbo git. git. (3) por 11 calicó ao lado de callicó. curelar. = paguilli chimumon = git. jir. Inversamente apparece em git. 7. clalles =^ git. mol. r: aij git. [3) tH. pol (ao lado de donares) = git. 9noZ. O som está por ill em pajo git. chatí. chupendó. influindo talvez chalar. = hispanhol se representa por esse signa] apparece chicube- por J gitano lar satalla final currelar = no dipthongo = = budar burda. nosotros = A = hacais. casZ 9. chanar. git. jil.' = = mesma aspiração substigitano hamòo cig. a) llen = = git. gani ao lado de graM. git. (Vasc). cameni. pajardó. 10. piyar. rr git. bal. [B) oí) 11 por y: pillar l: U por 11. ojacá ò) Suppressão de : = == = yaque. colpiche = git. paquilli.

chinutra i e satalla apparecem ainda no cigano. gitano chibe tem o plural chibeses . mal escripto. git. jpruscatifíi. puMs ^» . roin. róis ua chol = = git. 1 2 Mayo. fosse lido chariheu e reproduzido charibeo. de muchos a a seguidas. tatias. asiá. Os nossos : textos apresentam-nos as formas femininas do plural pa^is. p. Mas «el admite que.53 Varia. manrona. ansian git. unga. Formação do feminino e do plural As formas femininas em como no gitano. huchias. = git. gullás e olíhás (nas duas ultimas com perda do f). almarroíias azia. = git. que. atracai = chor\ pocachiní = == git. os textos dão-nos Em no cigano chibe. . taiíj febre. osian. seresí eresí . gitano as palavras femininas em i teem o plural Em em uso ias. charibeo git. chibes. petis. huchij coisa. sobre todo em poesia. apresentam uma ada- ptação ao typo feminino hispanhol e português. el plural de i se forme tambien con s solo : Puhi^ pena. Ê possivel que seja antes chariben. para evitar la cacofonia. 52. Houve translação do accento em hariás. granis. aracMs. = = traquia. cheripen^. choi ao lado de gii.

.

muitas vezes de caracter cómico. que foi prommettida em 1887 na Revista LusiI. 3. Sabemos já o que é a primeira. Por extensão dão-se ainda aquelles mesmos nomes á terminologia uma classe. garotos e em buscam não especial de outra gente de hábitos duvidosos. mas por processos geralmente distinctos dos que caracterisam a alteração calão ou giria não é : O phonetica dialectal . contrabandistas. como os estudantes. os typogra phos. gira^ gíria ou geringonça são os termos com que português se designa o vocabulário especial dos criminosos de profissão. que por aquelle meio ser entendidos da sociedade geral. e sobretudo ao conjuncto de termos particulares. para cuja elaboração faltam tempo e alguns subsidios. os actores. me . vejamos o que é o segundo e se entre tem quaesquer relações. não tem em regra nem morphologia * tana. o qual exigiria um volume. de uma profissão licita. uma e outro exis Calão. nâo pretende de modo nenhum ser um estudo completo sobre o calão. que usam certos grupos sociaes. radas um dialecto tem palavras altephoneticamente. os pedreiros. os soldados. fadistas. sem duvida. os pintores. Esta parte.n o CALÃO E A língua DOS CIGANOS / ' Tem-se confundido muitas vezes a linguagem dos tsiganos em geral com o calão.

primeira espécie é uma giria usada entre nós pelas creanças nos collegios. em Lisboa. Ha mente phoneticas duas espécies de giria numa as alterações são purasó a matéria da palavra se modifica. usavam e usam ainda uma do mesmo género. Essas girias podem ser denomi- Os nadas — de vocabulário particular. Uma outra diíFerença fundamental separa demais o calão dos dialectos. Tendo definido o que deve entender-se por calão ou giria. : ir passear hoje tornava-se ãon' reco ri sapear johe. modificações morphologicas e semânticas (de significação). xeringonça. os hollandezes com a expressão hargoensch ou dieventad lingua de ladrões). os russos com o vocábulo (á lettra — — afinskoey os tcheques com a palavra Jiantyrka. assim tu queres ir a casa torna-se tu-pu qué-pé-rés-pés ir-pir a-pa cásyllaba de (gj ou p pá-za-pa. os francezes com os termos jargon e argotj os italianos com os termos gergo e lingua furbesca. examinemos agora a origem d'estas palavras.56 nem syntaxe que o separem da lingua geral em que por assim dizer se encrava. nestes as transformações são geralmente espontâneas. Essa giria era fallada e entendida com muita facilidade pelos iniciados. que consiste em accrescentar a cada Da uma palavra uma outra constituída por um g seguido da vogal daquella syllaba. e tinham o synonymo antiquado gerigonza. mas mais pergiria provavelmente feita. giringonza. inintencionaes. — : noutras accrescem ás transformações dessa espécie. . principaes processos das girias do segundo género serão estudados abaixo. os inglezes com o termo cant. naquelle as transformações próprias são geralmente queridas. que consistia numa inversão de consoantes nao quero Os caixeiros da Baixa. Os hispanhoes denominam as mesmas linguagens artificiaes com o termo germanía. os allemães com o termo Eothwelsh (á lettra italiano vermelho). que então se tornam menos numerosas. intencionaes .

i. empregam a alteração as syllabas principiando por p^. em em de antigo dizia-se antigo inglez^ A * gargonner por jaryonner. Y. 185G). Mas em verdade a existência de giria. port. . gargaite. Assim os tsiganos espalhados nos Pyrineus bascos. s. fanjões por feijões). bulário.. V. gargalo. que como vimos se encontrava também em hispanliol. por exemplo. xxvm. senhor. g erg onça. uma * cedente. a gerigonqa. EíFecti vãmente fr. p. forma gira teria nascido de ^girionça pela suppressão do : A suffixo -onça. de * gergo. A palavra gira. giria liga. a sua etymocalão ^ propriamente. é um phenomeno assim dizer uni- por versal e por toda a parte os processos applicados são muito 8Ímilai-es.)i termo calào como synoiíymo de giria parece não ter correspondente plionetico fora de Portugal. plienomeno não raro (ex. A etymologia desses termos offerece hypothese mais favorecida é a que considera o francez jargon como derivado de forma jergue. de uma ou de outra natureza. garganta. de * gargoj. provençal gergonz. ao que parece. FÁymologisches Wõrterbuch. Os termos por si estrangeiros acima transcriptos revelam já a existência de girias nos principaes países da Eu- ropa. Littré e Scheler.se. lingua de cigano é um termo com que os ciganos do nosso país ainda hoje se designam (vid. . 2 Francisque Micliel. gergo. logia é todavia muito transparente : O quer dizer cigano. thema de que uma deri- vam fr. como na giria das ^. . v. s. Études de philologie comparée sur Vargot. derivado de gergo (interswarabactica de i) giringonça é uma forma em calação a nasal do suffixo que produziu a nasalisação do i pre. nossas creanças e fazem. jaii-jpau-na-pa ^ Diez.). gergone. giringonca. s. Voca. (Paris. e ao italiano gergo. jargon. A bastantes difficuldades. com que adoptaram a lingua do país. gargonn forma girigonça parece ter resultado girgonça. de jaiina. ao francez jargon.

uma uma a outra commum a homens. citada por da existência de uma giria dos salteadores chamada farsipé e cujo artificio consiste em introduzir ri ou fé depois de cada syllaba^. ao lado de . ceh seis.58 Os theg (thugs) ou phânsigâr da índia teem uma giria em que se notam mudanças de significação. «O hindustani é a base de ambas. serlú ou cerú. O mesmo eminente glottologo italiano extracta de uma memoria de Richardson sobre os Bâzígar.» Eis um espécimen: Hindustani . gente nómada da índia. modificações phoneticas e morphologicas assim os numeraes hindustanicos pane cinco. passagem relativa a duas girias por elles empregadas. sât sete. Os theg adoptam ainda palavras de linguas estranhas*. desrá^ jelú. e a segunda é patentemente uma conversão syste- matica de algumas poucas lettras. satúrú. da mera transposição ou inversão de syllabas. ek) . Ascoli repete de uma noticia de Klaproth. tornam-se nessa giria respe- ctivamente: pancúrú. mulheres e creanças. a primeira resulta^ em geral. des dez. pelos chefes. o facto circassios.Pott. o persa jek um (= hind.

inteiramente desconhecida. E assim também os Siganos tem outra espécie de Giria. 60. Francisque Michel fez referencia a uma lingua G. o haldihalan. Eufrosina^ acto v.^ ed. n. consistindo nota de Crowther. de que os taes usâo algumas vezes entre si. 300. Jeronymo de Argote nas Regras de lingua portugueza (p.. artificial asiática. O mesmo auctor emsentido pregou também a palavra geringonça. pertence á segunda das espécies acima referidas. sobre lettras. século XVI Jorge Ferreira de Vasconcellos fez uma referencia á germanía: «Quando elles querem falão Ger- No mânia». a que chamão de ganhar. scena il. sitr Vargot p. 2. Essa giria tem sido muito pouca estudada. Sprachwissensehaft. os ricos vilãos são roíns. comp. acto lil. r. Pott in Intei-nat. e a sua historia anterior ao século xvii é. allgemein. Eludes de phil. que fora objecto de invesde de Silvestre da Sacy^. um sobre termos de giria no Minahassa. 110. syllabas. por assim dizer. á das girías de vocabulário próprio. ii. 2 Fr. duz os títulos Zeitschrift f. mas não no de giria: «os honrados são pobres. propriamente dita. Ibid. outro sobre um calão mal aio e allude a uma ruha Vocab. Michel.59 Leitner estudou a giria dos ladroes dos paises do noroeste da lingiia numa publicação inacessível para mim*. . isto é. W. concertai-me esta geringonça». que também podem ehamar-se complexas. por que os outros». reprode dois estudos. se entendem huns com 1 Apud Pott in Internationale Zeitschrift fiir allgemeine Sprach- wissenschaff. uma giria africana. parte tigações As fontes do calão O calão ou giria portuguesa. ha um género de Dialecto a que chamão Giria. scena ii. No século XVIII D. 2. por apresentarem um conjuncto de processos vários. Yoem inversão de palavras ou proposições.. 487. 1725) disse: «Também em Lisboa entre os homens.

L)(.>

Uma investigação bastante extensa no theatro portugiiez dos séculos xvi e xvii não me deu elementos seguros para
o estudo da historia do calão. Outros talvez sejam mais felizes do que eu. Gil Vicente e J. Ferreira de Vasconcellos oíferecera

não

me

atrevi a considerar

grande numero de tennos populares, mas nenhum como de calão.

E numa

obra do notável escriptor do século xvii D.

Francisco Manuel de Mello (fallecido em 1666) que encontramos talvez os mais antigos termos indisputavelmente

de giria *, alguns dos quaes são dados como taes por auctores do século seguinte.

Nessa obra acha-se a palavra giria^ como adjectivo, num sentido que parece ser jproprio da giria: «Bem encaixava sobre as ordens aqui agora o bispar: que é palavra giria

significa as70)». Noutro logar tucioso: «Como vocês são girios! (p. 155)». Nesse mesmo sentido occorre a palavra noutros auctores e na boca do

a respeito do ver

(p.

^mo

povo, assim como substantivamente
astúcia.

com

a significação de

Giria,

como

substantivo, significando forma par-

ticular de linguagem,
s.

vem numa passagem

abaixo citada.

V. calcorrear.

Os termos de
os seguintes
:

giria contidos

na Feira dos Anexins são

aramesj armas. «Pois parece

bem um homem com

os

arames atravessados, mui direito (pag. 117).» Vid. Giria do século xviii.
bispar^ ver. Vid. acima.

infra

cachucho, annel de oiro.
lh'o disse
;

«Não me aponte com o dedo, já bem sabemos que tem annel, e eu ca-chucho no

dedo

179)». calcorrear correr.
(p.
j

que é

«Emquanto não recorrerem a pidhas, quem melhor os soccorre, porque concorre com o

Feira dos Anexins. Obra posthuma de D. Francisco Manuel de Agora dada á luz pela primeira vez. Edição revista e dirigida por Innocencio Francisco da Silva. Lisboa, 1875. Ha varias
1

Mello.

copias manuscriptas dos séculos xvii e

xviii.

íU

resto de todos os equívocos jocosos, e

em

se lhes

acabando,
cal-

botam a correr a outra matéria, ou metaphora, e vão correando com a g*iria que trazem estudada (p. 95).
;

gabeo, chapeo. «Elle é anexirista de arromba traz chapéu d'abah'oar. Girio equivoco de gabeo esteve aquelle

119)d. lanterna^ garrafa de vinho. «Da adega gosta você, que o vi est'outro dia todo arrodellado com a lanterna feito
(p.

Marcos, juiz da taverna (p. 117)». «... já o Joanico (que ainda não perdeu a confraria da camaldola) estará com as
lanternas.

esse bêbedo

Também você lhe resa pela conta benta? Nunca me encheu as medidas (p. 176))). marabuto, marinheiro, homem do mar. «Antes é rapae

zio,

bom

para marabutos

(tomaram «Basta serem do mar para não serem gente; e senão olhe: os homens do mar como se chamam ? Marabutos^ que vale
o

os marabutos)

(p. 117)». Olhem os poias com que nos apoiam? (p. 205)».

mesmo que mar

e brutos (p. 217)».

monteií^a, como adjectivo, mas evidentemente em jogo de palavra com allusão a monteira^ carapuça (vid. Giria do século xvm): «Também para Turquia se vae de barrete

veimelho

:

mas

ella

em campo com chapéu de

sol,

vae mais

a propósito para a sua belleza. Indo de monte a monte, a formosura monteíra não lhe havia de estar mal (p. 118)».
moscar-se, safar- se, ir-se embora. «Se lhe

deu a mosca,

vá-se moscando (p. 17õ)». moscoviaf «Ao cheiro da moscovia? (p. 176)». robtir, mascar, comer. «Vossê tem trazido nella os equivocos de rastos. Isso, é i-los assim rostindo ás marchadellas (p. 9)í>.

«Tenha mão: vossê suppunha, que sou bocado
o atravesso?

mal mastigado, que
vossê vai rostindo?

Que arenga

é essa, que

(p. metaphora de comer). somno. de sornaj, «Metaphora dormir, é boa para os sete dormentes. Quem duvida que havia de ser uma sornaf

88:

Em

(p.

100)».

A

mais antiga

lista

de termos de calão conhecida é a

que deu o padre D. Raphael Bluteau no seu Vocabulário

62
e latino (Coimbra, 1712-1721, 8 vols. foi.) e no Supplemento á mesma obra (Lisboa Occidental, 1727, 2 vols. foi.), respectivamente s. vv. gira e giria ou gira.
« Gira, diz o erudito theatino, que tomou em consideração a linguagem viva, he o mesmo, que a linguagem dos ma-

portuguez

rotos».

Fr. Luiz do Monte Carmelo, no seu Compendio de Ortho-

graphia (Lisboa, 1767), pp. 613-614, reproduziu parte dos termos reunidos por Bluteau (os dados no corpo do
Vocabulário) e juntou apenas uns quatro novos. litteratura do século xviii parece dar também poucos

A

elementos para a historia do calão. São bem conhecidos dois romances de Alexandre António de Lima, publicados nos seus Rasgos unetricos (Lisboa, 1742), em que se encon-

tram muitas alterações populares de vocábulos, e algumas
talvez apenas pretendidas populares e fabricadas simples-

mente pelo auctor, junto com uns 17 termos de calão, dos quaes somente 4 não se encontram em Bluteau. A leitura de
varias comedias do século

xvin ministrou-me apenas alguns termos de giria, quasi todos já conhecidos desses dois auctores citados. Por exemplo, na Piquena peça intitulada o alfaiate c Adélia ou o Careca e Carcunda na Praça (1792)
os termos gimbo, di china velho. e expressão que é empregada nheiro, geho, na mesma peça no sentido de dinheiro (A mim china não
-

e noutras da

mesma epocha occorrem

A

me

falta)

era talvez do

calão, e ginja velho (na

mesma

peça) saiu
decer

também

talvez do calão.

Nas Injírmidades da lingua e arte que a ensina a emmupara melhorar. Author Sylvestre Silvério da Silveira
Invoca-se a protecçam do glorioso Santo António

e Silva.

de Lisboa, por Manuel Joseph de Paiva, Lisboa 1759, 4.°, ha de pp. 104 a 153 uma collecção de palavras e phrases da linguagem popular, que o auctor condemna, e entre

surgem alguns termos de calão, em parte reproao duzidos, que parece, de A. António de Lima, como se concluo, por exemplo, da expressão cloris de cachimbo (meas quaes
retriz),

commum

aos dois e que é provavelmente da fabrica

63
de Lima termos
Infelizmente Paiva não deu a significação dos e phrases que colligiu^ o que torna em grande
*.

termo china, já mencionado^ parte inútil a sua lista. occorre também nessa lista na phrase tem muita china.
João Baptista da Silva Lopes, Historia do cativeiro dos presos doestado na Torre de S. Julião da Baí^ra de Lisboa
(4 vols. Lisboa,

O

1833-34) deu

uma

lista

de termos do calão

ou algaravia dos malandros, colhidos por elle na prisão. Depois da publicação dos MysteHos de Paris, de Eug. Sue, e da sua traducção portuguesa publicada no Porto

(1843-1846, 8

vols.),

começaram a

introduzir-se

em roman-

ces, figuravam individues das classes anti-sociaes, termos de calão, verdadeiros ou fabricados pelos auctores

em que

e traductores.

Já o traductor dos Mysl^rios de Paris

(o fal-

lecido dr. José Pereira Keis, faculta- ''o distincto) dizia: «A linguagem dos nossos ladrões nãu é tão rica como a

dos francezes; e por isso em alguns logares teremos de aportuguezar certos vocábulos». As aportuguesardes do dr. Pereira Reis e de outros traductores foram repetidas
posteriormente como productos insuspeitos do calão, e o que é mais curioso é que pode admittir-se que alguns d'esses termos mal adaptados tenham entrado por fim no calão,

por influencia das traducções, sendo todavia minar ao certo quaes elles são.

difíicil

deter-

No romance Fr. Paulo ou os doze mistérios (Lisboa 1844, 8.°, tomo i e único), colheu Francisque Michel os 38 termos ou phrases do calão que inseriu a p. 441 dos seus Etudes de philologie comparée sur Vargot, e os quaes devem ser considerados como genuinos.
Alguns jornaes teem publicado hstas, geralmente muito
curtas,

de termos de calão. Extractei duas d'essas

listas

publicadas uma no Jornal da Manhã, do Porto, ahi por 1886, outra num periódico de Lisboa, mas infelizmente

extraviou-se-me o extracto.

1

Clori no sentido de

amante vem já na Feira dos Anexins.

Ô4

Xa Revista do Minho, 1.° anno 187Õ, Barcellos), encontram-se os dois seguintes artigos que interessam ao nosso
(

assumpto Cândido A. Landolt. Vocabulário popular de alguns termos especiaes usados pelos fadistas do Porto (pp. 54—55).
:

Contem 53 termos dos quaes
populares e
J. Leite

lazeira,

pingas

e

versas são

não do calão.

de Vasconcellos. Gíria portuguesa (pp. 62-64). lista de Monte Carmelo, que suppoz ser o cola Reproduz lector de todos os termos, e dá 18 novos ouvidos aos garotos do Porto. De um philologo, como é o auctor, havia que
esperar mais.

mais extensa, muito mais extensa que todas as anteriores, dos termos de calão acha-se no artigo seguinte:
lista

A

J.

M. de Queiroz

Velloso.

A

logia e historia) in Revista de Portugal,
(pp. 153-183), Porto.

giria (vocabulário, etimonovembro de 189C>

Alem de varias considerações geraes e de indicações sobre as fontes do calão, contem uma lista com 1337 artigos (contei-os rapidamente, mas não pode ter havido senão muito pequeno erro) todavia o numero de termos distinctos
;

porque o auctor, seguindo o exemplo, a meu ver, criticável de vários collectores de gírias, separa em artigos
é menor,

diversos as diíFerentes accepções de uma mesma palavra: ó assim que o termo macaco tem quatro artigos, o termo pae três, ralé três. O auctor serviu-se de Bluteau, A. António de Lima, Silva

Lopes; examinou vários romances^

traduzidos e originaes, e outras fontes que não indica; mas a maior parte dos termos que publica foram colligidos da

traducção viva ou directamente por elle ou por outras pessoas, o que dá á lista valor particular, sem comtudo

tenham introduzido

ser possivel para nós a absoluta certeza de que não se nella alguns productos espúrios, apesar

da critica que o sr. Queiroz Yelloso se exforçou por exercer sobre os materiaes á sua disposição. Ha outra ordem de termos que não por sei'em espúrios, de falsa giria, mas
sim por serem genuinamente populares, da hnguagem geral

65
do povo não deviam figurar, como figuram na
são:
lista.

Taes

Alapar-se, esconder-se, muito usado nas províncias, deri-

vado apparentemente de lapa^ mas muito mais provavelmente modificado por dimissilação de * alaparar-se (cf. pela forma coitar vb. por coaltarar, do s. coaltar, do inglez, e
pelo sentido agachado^ propriamente escondido, de cachaj fr. cacher, e acaçapado, acachapado, abaixado, encolhido

como
dado,

o caçapo

na

com um d

Temos também epenthetico, também de
toca).

a forma alaparlaparo.

Alhada, compromettimento, etc. Vem já em Bluteau no sentido de embrulhada. E perfeitamente popular.
Almiscarado,
ó
i^oioisi^

como

o antigo alfeninadoj adj. es.,

termo familiar (um almíscar ado).
arranjo popular de sophisma. Badejo, bacalhau, propriamente bacalhau vivo ou fresco,

Asophisma é

um

termo perfeitamente geral, do hisp. abadio, de abhad, abhade, como bacallao de haccalario, segundo D. Carolina
é

MichaêHs de Vasconcellos ^
Baralha, tumulto, desordem, etc, é um velho termo, sempre vivo na boca do povo. Nos antigos documentos era principalmente usado na forma tautológica á volta e baralha:

baralha e depôs a baralha a sa cassa entrar e hy auudo conselho fuste pêra ele firir peyte
soldos.»

«Quem com alguém

Foral de Santarém in Portugal, mon, hist. 408. Leges, i, Cp. Foral de Lisboa, pag. 413, Foral de Almada, p. 476, Foral d*Aguiar, p. 714^ Foral de Extremoz, p. 681. «Alcaides ó iurados que a bolta ó baralla
sobreueneren e uiren
ferir ó

XXX. ^

mesar

e lo uire alkalde ó iurado

firme fasta en V morabitinos.» Costumes

Eodrigo,

ibid. p.

e foros de Castel888. «Ningud orne que fugir de bolta ó

1

«Certas Agulhas ferrugentas, tinham entre o Badejo e Bacalhao
:

mettido

Ha quem faça melhor tal enredo que dizia o Bacalhao cozimento ao estômago que eu? Arre com o Badejo, que a piiro azeite é que vai escorregando.» Feira dos Anexins, p. 215.

conservado até ao século xviii. Manchas era simplesmente um velho plebeismo. Lima. e foi empregada pelos abandonou (matelote. ex. no século XVI em Jorge Ferreira de Vasconcellos. propriamente lasca. cimeiro. matelot. nas girias dos diversos países.. copasio. barriga. p. porção. por exemplo. é alteração àe fallar Foliar fallar d'outivo ou amies fallar d'outiva (outiva = pular e foi clássico na ultima forma. de que provém. e cortado». Tira-me da baralha. scena vi: «Ai maochas. como se vê de A. na lista do sr. e outros que figuram na lista referida. a palavra significa marinheiro como o fr.» Actos dos Apóstolos (in Inéditos d* Alcobaça) vi. António de que anteriormente se encontra. propriamente do que não se conhece directamente. p. como pode auditiva).66 de rebata tresquilenlo e pierda el quinon. escriptores do século xvi no sentido de companheiro nas . bocado. mas só por ouvir fallar os outros. à^s^i fallar á toa.» Costumes e foros de Castel Melhorj ibid. é popular. Dicc. copo (grande). 932. «Em aquelles dias crecia muyto e muy o conto dos dicipulos. Não bulas baralhas velhas Não mettas mãos entre pedras. Estilha. é pover-se dos exemplos reunidos por Moraes. Sem duvida ha. 1. e levantouse muy gram volta gram baralha antre os diciplos Judeus. . d'otivo. Encontramo-lo ainda nos provérbios colligidos por Bluteau: Boca fechada. mas que esta Queiroz Velloso parece estar nesse caso. acto iii. fallar sem saber de que. que está no cimo. De modo nenhum podem ser considerados : como termos de giria os seguintes também popularissimos pança. velhos termos que pertenceram á lingua geral. Comedia todo vós estais Ulysippo.

refiro turas) dando indicações rápidas (por meio de abreviadas fontes litterarias que examinou. acrescentada depois e que continha 695 artigos. mum parte e ficou Queiroz Velloso. em muitas partes. todavia isso não impede que a historia e o uso actual das palavras nos permittam separar nitidamente em muitos casos o que é da linguagem popular geral e o que é das girias. O sr. d'estes. é mesmo mais que — sobretudo para o provável : sul do paiz — que ainda existem outros termos de giria. do seu trabalho. Da minha parte tinha eu já ha annos formado uma lista de termos de giria contemporânea. absoluto: e em raríssimos os que passarem d'uma extravagância ephemera da moda que as tem também e consideráveis o calão criminal». alem das já Apesar de todos esses reparos. A maior termos que faltam na collecção do referido d' esses escriptor tem ainda emprego e não foram puros caprichos do momento. Poucos serão. os limites entre a linguagem popular e as girias são indefinidos. eliminei delia tudo o que era comassim um residuo que abaixo publico. Queiroz Velloso foi demasiado longe na seguinte asseveração «E possivel. Queiroz Velloso introduziu com razão na sua lista os termos antiquados ou que tendem a sê-lo das listas de Bluteau e Silva Lopes e dos romances de A. — — . deve-se reconhecer que elle prestou um apreciável serviço. como tem sido observado. Tendo comparado essa lista com a do sr. A. Igualmente teria feito bem o auctor do trabalho a que me tes. de Lima. o que prova que o sr.67 do mar: (quem não sabe que Diogo do Couto cha- lides mava a Luiz de Camões seu maialote!). fontes que cita anteriores a 1830. além dos aqui incluidos: nem nós temos a estulta pretenção de exgotar completamente o assumpto. deveria ter notado todavia todos os termos que se acham nessas fonúnicas para assim apresentar no seu trabalho os poucos dados que possuimos para a historia do calão. no entanto. que naturalmente será completado com a segunda parte promettida indicadas.

4 vols.° pois que distinguir. L. não égua. minha audição casual nas ruas de Lisboa e Porto os termos colhidos por mim próprio levam a nota C. romance Eduardo ou pelo padre João Cândido de Carvalho (Lisboa. fontes da minha lista são : Uma lista manuscripta que me ministrou ha annos o fallecido escriptor Leite Bastos.*' tornaram termos populares. o que muitas vezes é antigos populares que se (ex. se dá noutros paizes relativamente ás gi- As duas listas comteeni também termos de girias de difficil classes não criminosas. mas sim agua (M. os termos aproveitados d'esta lista não 2. Queiroz Velloso como da minha. familiares (ex. 1865-1866. A . padre Carvalho (conhecido popularmente pela alcunha de padre Rabecão) colheu sem duvida da tradição viva alguns termos.).). além de alguns termos repetidos da traducção dos Mysterios de Parecia a palavra anciã no sentido de égua.° Termos das diversas girias. indicado pela abreviatura M. Ha 1. matelote). L. 2. levam nota particular. Assim encontrei nelle. ris. lista lista Os termos da Os termos da de Landolt (abreviatura Land. .68 Observarei que muitos dos termos da lista do sr. pois anda significa. 5. teem adquirido certa generalisação na linguagem do povo. podem ser erroneamente consi- derados como próprios do calão (ex.° : Termos se reduziram a termos giria de gíria Termos primitivamente de que 3. 3. 139).. de Leite de Vasconcellos (abreos mysterios do Limoeiro^ viatura 4. baralha). o que parece devido a um apontamento mal tomado. O Vasc). mas outros revelaram-me que não me- O sempre confiança. 4. alguns até na litteratura. Termos populares geraes que. Da lista de Leite Bastos tive que excluir muitos termos de genuidade suspeita mas é possivel que algum me escapasse que devesse ser também riscado. . gajo). phenomeno que rias. por serem empregados pelos que faliam o calão. As 1. i.

Cercar. s. a. Lanterna de furta fogo. v. Espertalhão. v. f. Queiroz. Phos- s. assoprar. moinar. s. Braços.69 abancado. I. Falta m. Feijão. refl. Vasc. badona. 1. C. Atrás. a. v. d'ar. m. midade. Es- aparelhado. az-de-copas. v. a. C. s. m. Vender. Alçapão. m. Denunciar. Cavallo. altar. sem real. alar. Homem Tesouras. Preso. n. ? atiçar. v. n. C. Porto. 143. pi. Viver. abridor. a. — s. — á mesa. pi. s. abuçar. baguines. ? arifes. adj. alcilante. s. receber. v. f. f. mento. f. Bruxaria. adv. Preso. Pudendum C. tar. s. Pão asas. C. s. badejo. Denunciar. p. á raposa. Acceitar. zanga. Meretriz senhora. adj. . m. C. bailharote. v. f. - m. Lanter- dex. a. s. m. algodâo-em-rama. Corda. alho. C. mulieris. C. L. C. po- amostradora. 6Õ). s. Bebedeira. s. vilissima. C. acha-cliumbada. M. adj. arrezinar-se. alumiada. — 2. M. s. Pedir esamoinar. Estar a troços de — .. m. Fome. assentar. s. ? atrimar. a. n. Furtar. Nádegas. m. atroços. f. Quisilia. Mordaça. ambria. n. Porto. extredo esqueci- s. f. ébrio. na. L. v. f. Queiroz. '? Sardinha. (Bacalhau. Land. f. aparelho. Cf. alvo. m. C. s. aguaruça. armar. Relógio de arrombada. e s. C. Ir. s. Vide Tem também o sentido de — ser sodo- mita passivo. C. a. f. 134. Triste. drifes. mola. s. s. assorda. phoro. alar. f. com antrolhos. I. C. aparar. Mesa de jans. m.. Falta s. Hor- alcide. Pão.. apertante. aranhota. de dinheiro. tar s. b ágata. C. v. v. f. Dinheiro. s. Fogueira. rorisar-se. archeiro. s. s. f. Evacuar. C. Picar (o cavallo). v. alisar. C. v. asca. rol Fim. C.. QuEiKOZ. adj. acaiihotado. ar.

V. butes. M. s. (de Silva M. Bom.bailique. Fazer quatro . Mulher desprem. Alfinete de m. Quarto de L. bater. caixilhos. hundra. C. bilontra. C. i. Quatro soldados e Paulo. cambão. s. Queiroz. f. rufa. Vid. C. caleço. borla. L* m. s. . bufo. I. m. um s. cagarrão. cair. C. Fr. m. s. m. m. s.. boa. — mão. preso.. s. f. s. tre. m. significa barriga. m. f. Pandega. C. n. f. 142. m. bote. adj. s. bomba. bola. Ir no bpoi^ broia. zivel. botica. Quartilho. s. besugo. calona. s. C. Que não tem bálsamo j s. Valentão. ris. adj. s. m. pi. Cara. proa. caldo. f. Seios de mulher. s. buldra. Vinho. s. s. n. s. adj. s. vintém. — . Land. Botas. v. C. borga. s. M. m. Presentemente tarimba. 400. Resegredo. Bofetada. pau. C. f. s. — no m. Vasc. v. v. Podex. C.ao i. naipe. orgia. um — A certo. pi. a. C. os cinco dedos. Thesouro. Maroto. m. f.. Pagar a patente. Podex mulieCf. Vasc. Que não tem s. Pedir. baldo. n. v. f. C. bai- dinheirama. L. C. f. Olhos. C. adj. de accordo. oiro. pi. n. caldaça. De — velar . Vasc.. peito. m. Espingarda. Queiroz s. s. m. cagar- bogalhão. Pudendum de cachorros. Grátis. —L. s. calmeirão. s. Queijo. — de preto. C. C (Pés. Preguiçoso. Rou- benzer. caganefa. balharote. Land. Queiroz. Iharote. s. cabo. C. brechar. balsar. um — . s. C. busilhâo. s. Lopes. Vinho. real. m. Estar soldados e bar. m. m. C. 129. Passeio nocturno. — mulieris. bil- cachucho. Ladrar. Policia secreta.) cabeça. s. Annel de f.) Melancia. prisão. bicudo. banano. Cf. Prisão. Podex. C.

cara. n. M. . v. em Queiroz. Racatraia. Quei- chibo. Copo. f. careta. Bater de chapa. que quer passar por valentão . Bofetada. f. á von- Queiroz). s. m. s. a. têem cunhado um 50 réis. C. cifra. carocha. collegio. m. Queiroz). adj. s.. Cantar. Anno. m. Fadista não ha dade ordinária. Padecer. s. s. réis. s. Land. Podex. C. cheira. chapar. Furtar. a. 2 gen. C. égua. f. C. (Cf. cheira. Land. chalrear. de prata. Espolio. V. 'Cf. m. contado. Prisão. ao café. v. que é de quali- caruiifeiro. garro. Japona. s. e tediço. f. chato. Botas. Libra cocar. f.71 eamelote. s. chinoca. fanfarrão. m. s. m. — á pal- paz. Capitão de la- Futuere. a. m. sof- Chão-grande. catraio. valor de 2?5000 réis. f. Como m. C. Met- 120. Chapéu cavallo). Ir Land. . Criança. Dinheiro. m. cardar. chalupas. C. Ver. chamborgas. m. C. v. s. frer. chimpar. f. Moeda de oiro do vintém. Casa pequena. C. s. O copadas. f. Vid. f. s. Land. C. V. s. a. adj. Ir ás — . s. Podex. droes. fiar. f. C. Alavanca. chaleira. Fechadura. cheira. Vid. Vid. Queiroz. cucar. m. (Cf. s. m. coco. s. s. s. Muito boa. Ponta de ci- chinfrim. Moeda de que cavallo. s. a. — o olho. adj. chavelho. geito. s. s. s. m. f. L. adj. roubo. C. cavalliiiho. coUa. a. Que não tem m. chegadinha. I. C. Cf. a. O Terreiro do Paço (praça de Lisboa). que casca. Moeda de 500 carinha. Que tem pouco valor. deia. Copo. m. cavalli- de amolgar. s. Sem — f. C. s. pi. roz). cardenho. s. em que C. v. fallador. C. s. clisar. capito. Ver a tade. Palavra. m. s. s. coragem. es- ma. Sem vintém. ca- chalrador. traidor. terlina (especialmente as cochicho. v. nho. cantar.

Gravata. poHcia. s. Ópio. m. matar. envergar-se. Fadista. v. v. s. v. Vestuá- culatrona. adj. v. C. m. refl. . — encaixotar. m. embeiçar. s. escovadinho. C. m. Buraco verdadeiro. Fadista. Faca. . chadura. Apresenf. s. Ves- cunha. C. faia. f. altanado. C. Meretriz vilissima. Koubo. Chapéu fino. Mandriar. assassinar. preguiçar. s. v. v. s. a. gar-se. s. Mata. m. coveiro. s. furtar. s. Famia expressão não empregarem o nome liarmente dor de cotovello tem o mesmo doutora. a. n. C. a. Empregado tir-se. C. esganar. corte. — o li- esganador. s. Sardinha. tido. m. Preso. refl. v. Mãe de Deus. rio. s. desconfiar. Andar geiro. Nome valendo como fulano que se dão os fadistas para dor. Ciúme. f. Moeda. toda a noite C. n. f. f. v. esteira. Estrada. faiante. bos- ?deza. C. encabrestar. cortesão. Pedex. Entrada. Zangado. s. s. v. descarregar. Mâe. Parar. dorminhoco. esfolado. da fefalso. Land. derrubador. V. dia. s. Compromet- Fabiano. culatra. s. s. m. espinheira. corveta. s. n. s. m. f. a. Queiroz. m. C. Cachimbo. Forca. s. cozinha. cucar. adj. s. f. Procurador régio. C. lá de darona. f. Excre- mento. esquilha. m. tar a ceia. f. f. entrames. m. C. s. f. Mês. envergadura. Esquadra de encanar. Ver. em folgança. s. Chapéu. n. s. Fazer Andar — que. encalhar. Cabeça. empandeirar. Atracar. que verifica passaportes. s. a. Ir-se em- espantar-se. cima. s. — escarnliida. Cp. s.cordaiite. Zan- bora. v. f. sentido. s. Enterrar. m. madeiramento. m. cor- empandeirado. m. f. doente. entrar. Cf. corrida. s. Esconder. s. C. tar-sBy Queiroz. m. f. adj.

ferrameutal. m. 129. s. a. ganau. folgar. v. da. Astúcia. M. Queiroz. f. m. ganfar. s. infra. Bluteau. garrafa. funeral. s. s. espe- gao.. Q^. Morreu Custodio. garganta. C. Garrafa. garulla. Vender. Queiroz. Vid. Mentira. furacão. rança fina. fundo. a. f. galdrana. Capote. Queiroz. Malandro. C. m. s. n. p. sentinel- Bebedeira. s. f. faxar. m. da á gandaia. fungágá. Official de jusci- galdrapinha. num. v. te vil. m. fraucisquinho. v. C. nica. fila. ferro. gangarina. f.73 farar. s. Elogio. mem. 6. f. O que an- Filante mor. s. Futuere. s. Apanhar. s. Cp. á boa vida. C.. f. m. na Gíria do século XVIII. Morte d'hos. Bater. gelfa. Philarmo- tusco. gateira. Vadiar. n. M. v. m. Prisão. gauderio. Ferros s. Applicar. m. s. Diz-se também no mesmo meirinho de Coimbra zia: sentido andar á gandaia. finfar. f. L. agen- galdropar. cangarína. m. gaio. Quarenta e dois. filante. s. C. Abrir. la. Cavallo. forty-two. Andar na pandega. n. Vadio. s. gandaieiro. fofa. Unha. num f. Gabão. Igreja. a. Cp. gaudinar. f. A von- fundo. Queiroz . v. para arrombamento. de poUcia. cão. s. gelfo . m. L. 136. Silva Lopes. Pa- m. gandaiar. s. filé. Cp. (=z helfo). — da corceia d' ou- Meretriz. gargan- tosa. Uma quadra do tempo da guerra liberal allusiva a um certo di- trem. C. gata. 81. Desde menino. s. C. f. de vinho. garuella. v. tade. Palpite. I. soldado. Vid. Cp. lissima. ganho. Perua. Piolho. Meretriz vi- m. s. v. Vasc. s. m. tiça. s. m. . Á — Queiroz. Cp. M. gando. a. m. L. gadachim. Velha. gabinardo. s. dar. Dinheiro. I. guarda Comer da Queiroz. s. s. Copo i. Meirinho fino. C. s.

livraria. gimbolinha. Bofe- grudar. grane. lamira. gerípit{_. m. s. s. f. lanterna. Caricato. s. f. s. Casaca. Escarro. Cantar a mitar. Guitarra.gesso. Jatingar. L. s. Laranja. giribato. granej. grossa-casca. Vinho. significação da palavra. Vasc. adj. Podex. m. f. Queiroz. m. a. m. diffe- lascar. s. 8. lirias. m. Fazer horas.. Queiroz. Artelho. m. m. Já nas cortes de Almeirim de 1544 prohibido deitar gesso no vinho. larias. lixar-se. Vasc. Repertório Caixa de grande de cantigas. Gritar. m. C. ^ris^ Blu- Vid. prata. maço. s. dente. Queiroz. f. adj. f. m. Vinho. Sapato. f. lyra. Convir. v. Evacuar. C. Pedra preFesta. f. grulha. s. m. grão. n. Sacola. Arroz. I. ilhoz. lamiro. s. m. m. Cf. peru. Vinho. Coxo. Garrafa de vinho. gnificações. s. s. C. m. Bêbado. s. f. s. giraldinha. grosso. s. s. s. s.. inglez. luzente. lofo. Vasc. Lettra commercial. s. C. m. gingão. Land. s. Aguardente. f. vinho. s. f. s. Patuscada. Bebedeira. griso. kioske. desajeitado. labita. M. m. Cavallo. v. s. m. largar. giielar. s. s. Porco. Queiroz. Aguar- s. m. s. f. Land. s. Mentir. macote. bebida composta de rentes Hcores. com outras luzida. Quartilho de grani. liré. tada. I. Vo- m. C. Frio. Libra. C. Podex. lupa. Comer. Estar de accordo. gregorio. v. pairar. Peru. foi guiho. Vasc. Cf. Irmão. C. . C. L. guesso. Nos 13Õ. s. C. horar. C. ciosa. v. 143. s. m. Penis. lostra. v. f. cacharolete : C. Vadio. C. TEAU. grelha. giripití. grossura. lavado. s. linguado. s. n. n. Em si- Queiroz. n. s. s. Vasc. m. C. n. s. Futuere. v. s. m. C Dessa falsificação vem a irmo. Pateta. girote. larias. aptar-se. f. f. — . Adaccomodar-se. Percevejo. M. C. v. f.

s. descoberto (num crime). Pregui- s. Bebida nar- miar. nha. Tolo. Vid. s. f. Chapéu (de s. . nis. m. marinheiro. . bolsa e achei só mil reis. m. amolgar). Mandamentos. — m. Cabeça. L. moco. ? s. s. pedaço de asno. Traição. C. prestar. Tra- meio quartilho. se designa um rapaz. Queiroz. m. pi. C. s. major. moca. s. adj. dedos da Queiroz. m. v. m. Ferramentas. çoso. Apanhado. Ter macacos na Ter — mimoso. dreiros. s. martyrios. manesa. s. Penis. menesa. Homem que não o tem. s. adj. o s. Copo de mocar. A evolução da linguagem. s. maqumeta. Mil réis. Sujeito de servir. Chapéu fino. p. f. O que traz dinheiro comsigo e diz minhocas. s. Prender. maduro. maudigula. Ardil. nao m. f. Land. Ter- malaíaía. Penis. f. f. lher. s. m. um homem. m. 53. Id. v. Sapato. a. Gritar.75 s. s. adj. martelinho. C. m. Facada. milhafre. Ir para matar. Cabeça. s. M. Cf. m. pi. f. f. 134. s. mandíl. loucura. Casaca. Concubina. s. giria dos pecoelho. profissão Não s.. m. s. marreta. f. Na marosca. muMenesa. mo vago que de desprezo com análoga á de melcatrefe. s. hir. mania. Land. Sopa de macarrão. . Enganar. duvidosa. m. — meio-bordo. abbadessa. Acordado. pi. melcatrefe. mente. n. v. Mastigar. mistico. Tolice. malva. alto. liomi- maseovia. macovia. . adj. f. f. mata. Logar onde se vende fato velho. Land. adj. marrão. madrinha. a. «Consultei a peva e achei só um milhafre» abri a man galho. v. Dez Os mão. mitra. f. Podex Land. Soldado. magal. Tolo. Significação f. s. macote. I. Pae. mangalhado. a. s. Preguiçoso. s. logro. Land. Vasc. s. m. cótica. midea. Testemude- masquir.

narro. monteira. pandego. a. um em nicar. C. m. — de pedras. C. m. assoar. Audar á — m. nicola. m. noz. Espião s.se. f. soldados. Pontas de boi. etc. C. s. s. m. Quebrar. v. Pudendum patrazana.. pantufo. C. Merem. pente. pi.se. m. s. s. s. palito. De — . m. Vasc. tostão. moleque. Justificar. Na pedreiros. m. Puden- morder. Casa. que segue regimento de terra terra. a. s. m. refl. m. s. Estômago. Gente m. Fazer mal a. 40. m. s. mulieris. panella. com roubo. (Cigarro. C. paiol. C. s. Cruzado boa). f. s. s. moscar. m. s. Futuere. Prisão. v. Bofetão. C. Tolo. Guarda nocturno. padrinho. f. m. Amasia. patuno. v. parelhar. v. C.76 mofo. Fugir parrançar. s. Roubo. Punhal. L. a. I. s. s. Grátis. Podex. amoiuar. Testemunha. f. — nocturno. Vasc. n. — mulieris. moscardo. Juiz da prisão. Carruagem. m. Cantor. Fome (Lis- A evolução p. s. dum mulieris. moxingueiro. n. Podex. 53. pardal. Mandriar. Meretriz de m. s. f. f. official. s. n. parrameiro. Soldado da guarda municipal. mosqueiro. m. s. novo. adj. triz. s. Dinheiro. s. m. f. patao. C. Pudendum m. patrajona. s. peneira. C. de boca giria dos pega. (pron. s. s. f. s. mosco. Verdade. Sede (Porto). Acção de nicar. olho. . s. Bofetão. money moute. C. s. sereno. v. m. moiua. Asno. f. nadar. s. suspeita. moucoso. M. Vid. m. móní). C. noscar. m. — da linguagem^ de boi. Lenço de s. Gordo. Nariz. m. C. C. Nos diccionarios como popular. Queiroz). C. C. v. s. Land. poli- Edifício da prisão. m. . pevide. Cabeça. s. Gato. Andar a pedir esmola. s. aberta. cial. v. patrona. peixe-na-costa. Divertir. s. nasio.

f. C. v. prata roçar-se. v. C. cia. s. a. adj. Senhora. m. Relógio. C. s. C. s. f. C. m. da palavra. Gravata. replicar. v. v. C. ponis. Prostituta. pilula. Land. Excremento s. f. s. s. chumbado. Patuscada. sebastião. bom senso. s. m. Pouco differente do uso commum rapiaça. f. m. querer. Queiroz. s. grosso. n. ladrões. quinhames. Tolo. f. queijo. jpil- reminicar. rodilha. Génio. deira. Moeda de réis. v. f. Rir-se. Espancar. servido. s. rustideira. Cama. Criança. Voltar. Silva Lopes. f. a navalha antes de dar a facada. s. Silva Lo- Penis. m. Masturbação. Sobre- reúnem refeita. piegas. Caldo. Queixar-se. samatra. s. morta. via. f. duvida. sem-luzios. s. Queiroz. C. f. Queiroz). Criada de Land. rolha. Índole. s. se s. C. ralé. Manobrar com respo. Enfermaria de meretrizes. Copinho. f. sinhama. Cabo de polipirata. m. teza. Queiroz). sinhá. m. placa. f. C. sarambia. pinto.77 philarmoiiica. m. f. Bengala. s. f. v. Diabo. remédio. v. s. C. da pro- quebrado. cia apitando. Coisa que se come. Annel. rabão. riscar. f. humano. risca. C. m. refl. ratoeira. s. m. adj. s. f. C. comer. Cp. ruiva. n. casaca. Vasc. . sobre-maco- Ceia. servir chegada víncia. — meça. (Bebe- pes. roedura. s. Acção de s. Cf. presunto. Juizo. Pessoa rola. Sapato ca- m. tris- Mulher. n. f. Pesar. Prato. Cego. s. pitada. quinta. A poli- regulado. Dado Pé. f. de 500 rodellinha. n. f. servir. s. s. f. m. s. saltante-picado. pire. C. C. f. s. Pôr Futuere. f. Casa onde sobremoscovia. s. Cp. roca. s. m. Penis. m. s. s. quilhar. f. s. C. s. s. Negocio. Desordem. (Moeda de prata de 240 réis. s. tra. s. nhantes^ botas. Cf. s. Preso. s. Explicação. a. s. Policia. f.

s. Avaro. — . simplesm. L. Queiroz. Pudendum mum. A evolução da linguagem. vegete. Na giria dos me. um-sete. v. C. chincha. v. . — a mona. C. sondar. cordo. Caixa. Na giria dos tocador. m. C. m. tento. todas. Preguiçoso. zuncho. C. o pae. pous. m. s. m. zona. s. Fazer Escada. xarifa. Morrer. a. tosse. M. Todo liró. p. Sapato. tacho. m. C. Bofetada. 53. sorna. I. s. heris. m. porta. Homem. 53. s. soiideque. pedreiros. Todo rinha. Quei- — sovelão. Pudenmulieris. L. s. s. coisa. verónica. n. s. pess. Zangar-se. Bebedor. C. — grossa. Fome. . f. Vasc. C. Burro. f. f. M. Vasc. 120. A da Noite. n. tardos. Podex. f. Cara. s.. pedreiros. m. s. I. C. f. verde. Umas — tocar. roz). liga. n. teu. v. f. s. temposa. traidor. s. subideira. Amante veEste Land. tronco. adj. f. Cama. tocar. Gritar. pron. m. á beitriques. s. 135. Falta de dinheiro. s. s. nuar. s. m. m. Lanu. Frio. pi. muito usado no theatro. f.. adj. I. tapor. C. s. tefe. p. s. s. Na lin- zarear. — com m. Embriagar-se. torcida. s. Navalhada. C. Podex. s. s. Vasc. — trombeta ou beber.. Conti- s. (Todo triques á marinha. V. ISõ. Bofetada. giria dos pedreiros. pado. f. teuéne. 53. C. sonhar. Cara. dar alar- s. zouca. p. s. Vid. pi. s. Pe- sona. lho. termo é m.78 soldados. zachael. f. dum L. f. evolução da linguagem. adj. ^ evolução guagemj. Jogo de alçapé. tampòsa. f. in.Vid. f. ugar. M. n. sulipa. Que está d'ac- A Uma bofetada. v. cabo.

Paium termo Pão. Usase ainda no sentido de — presente. avesar-se. os de A. Paiva. adaga. bagulho. A significação aos últimos é conjectural. va. banza. um certo fundo de termos e de processos que escapa a todas as innovaçoes. Aqui. A. Antiquado. . as girias experimentam. sentido. aifarreca. E antes bayuca. Guitarra. Queiroz Velloso mostra a persistência de boa parte d'esses termos. Dedos. Dinheiro. Termo popular. Paiva. A comparação das duas listas seguintes. uma de termos do século XVIII. C. Carapuça. Estão em uso as formas bago e hagalhoça. Estar altenado. apesar das modi- curto que seu de de no material termos e ainda naltempo espaço ha nellas uma unidade fundaguns processos secundários. arame. Girla do século XYIII Os termos de fonte viatura . Paiva. de Lima com o appellido attribuida Lima. bastos. os de colhidos por Bluteau não levam indicação Monte Carmelo vão indicados pela abre. cadentque Quae mine sunt in honore vocabida. E possivel até que alguns tergirias mos indicados como antiquados persistam ainda nas provinciaes. M. no navalha. Taverna. mesmo Zanga. Amo. observa-se o que nota Horácio : Multa renasceniur quae iam cecidere.79 Tem ficações sido notado noutros países que. alvada. como em toda a linguagem. Cabelleira. artife. popular. a outra de termos em uso no calão na epocha da guerra constitucional (Silva Lopes) com a minha lista e a do sr. si volet usus. avesar. ás vezes num mental que não se perde. os das Infermidades da língua com o appellido do auctor. Quisilia. Espada. asca.

Antiquado. que fez hum homem dormindo. s. Vid. ter ou possuir Minas de caroço usa-se ainda no sentido calmar. O dos miseráveis (entremez). Fabico. Vintém. Cosque no calão moderno é casa. hecy 8. boca. Pcs. riqueza. E mais significa- usada hoje a forma catrapós. alguma coisa. popular. eatropéo. Ver. embebedar-se. miuas de Antiquado. Antiquado. casebre. criar. 1 grande chelpa escondida. cosque morrosque? Paiva. Lisboa. Lisboa. gem citada s. Moeda de cobre ou bronze? Paiva. ao — Fallar? ).. Dar (bater. Oh ! tomara-lhe eu a china o damno ! dos miseráveis (entremez). Anti- quado. Cabeça. Antiquado. Cavallo. cascunhar. Dentes. Usado no sentido de beque (dar Paiva. bolonio. como hoje argot significa nariz. bola. . Correr. É propria- Termo basaruco. fr. calcorrear. Anti- quado. f. 2 178. chelpa. lar. cachimbos. Dez réis. aos alqueires a cheljm. 1784. Casa. espan- de fortuna. 1784. ^npregado ainda hoje no sentido de casa pequena e velha. pobrete. Sapatos. e Tem o damno . Bebedeira. zer o bico ao faxo. Segunda parte da viagem sonhada. Antiquado^. m. de tudo quanto tem. car). cachucho. — pataco.5. crivantes. Annel de oiro. muito. Taverneiro. noivo era fama que media . cria. calcos. Dinheiro. É Simples. . PaIVA. china. antes um termo popu- Carne de vacca. dez-bofas. Paiva. faxo. Beque ria aqui hoca. Dinheiro*.. he herdeira sua filha. Lisboa. cf. a passav.80 bayuqueiro. mente termo popular. ainda vivo. cheta. Ter — caroço.

Fome. . Meias. Dedos. fanfar. quado. Raio poético de Matusio Mattoso Matos das Matas. pobretões já ex professo. Gabinardo. estardato. Vadio. Antiqua- Beleguim? do? eiitrujir. gabão. . galrar. (hoje faxa no mesmo sentido). tristíssimos gandaeiros. Vid. Pau. . soberbo. viver ao Deus dará. Theatro novo. Bigodes. ganchorra. . Tabaco para fumar. Lisboa. Paiva. Correia Garção. espigas. scen. Qual saca o gandaeiro um prego torto Dentre os chichelos velhos da enxurrada. chulo no sentido de giAnti- Estoque. s. Lisboa. fumélio. ficando hum caxo. gaudaeiro. falso. Lima. tendo de dia feito ao faxo O bico muito bem. galga. O que anda á gandaia 2. Paiva. mãos. Antiquado. gantão. faxo. Vid. e estes peraltas. Lisboa andar á gandaia ó propriamente revolver os lodos do Tejo Em gabio. Pernas. eucaiilias. — diar. bico *.se a na baixa-mar para apanhar algum objecto aproveitável que por lá haja. Mão. Anti- quado. Antiquado. Lingua. 2 Deste cano real hoje te saco. . 5. Paiva. Usa. forma gabinardo. Paiva. 1786. Fallar? Paiva. gadanhos. m. Antiquado? Vagandaia (andar á ). Lenço. nâo vêem junto um só tostão. Incisão anatómica ao corpo da Peraltice. valente. Anti- termo galfarro é dado por Bluteau como O quado. ^ . e outros ejusdem furfiiris.81 galfarro. num cripto jocoso. Fallar. galradeira. 1771. C. gandaeiro. sentido de cara. Antiquado. M. Entender. gabrinaldo. Chapéu. No es- gambias. Antiquado. .

gaudiperio. Lisboa. . joruando. gimbo. C.mal pilhou seu Gebo a dormir. gao. gateira. he causada Do feio gaudiperio. Mãe velha.82 Dados. Dinheiro. formas ganau. M. a que a mulher Armas contra seu gosto faz trazer.se as grão. Frio. jorna. Cruzado novo. que ha pouco se casou . gebo. M. Vagar. gisar. g anisar o. Usa-se no Antiquado quado. . Antiquado. gaiiíços. m. golpe. Paiva. Lima. 1785. . que fez um homem dormindo. varias Estou sair. Furtar. em forma janisaro. geba. Lis- boa. Matos das Matas. Lisboa. que pregou A hum Ginja. Usam. Antiquado. Algibeira. C. Segunda parte da viagem sonhada. . mão. C. Em quero Não Bluteau. Injuria não. justa. gris. Velho. M. O . Casaca. Unha. Raio poético de M. * Assim como no leito foi pilhado (Marte) Fazendo gaudiperios ao coitado Do ferreiro Vulcano. M. Bebedeira. gando. . Toda essa gritaria. s. maga(Bluteau esAnti- que se faz tendo relações amorosas com a mulher creve quado. e apupada. — comedias 2. Que te fere os ouvidos. Parece uso a estar ainda griso. Antiquado. Sua mulher Segunda parte da viagem sonhada. lancho. Piolho. Antiquado. 1784.) ou amante de outrem*. Anti- sentido de jaqueta. 3. garrocha. Tunante. 3 Eu lhe buscarei idea para* lhe sacar o gimbo. Penedo. 1785. o damno dos miseráveis (entremez). quefe um homem dormindo. Antiquado..

Raio poético de M. Carapuça. 178G. sabes (sic). Usa-se no sentido rifar. as ma limosa no mesmo sen- formas no tido. rata. vil. Camisa. Lima. monteira. o éLamno dos miseráveis boa. 1 Então no tal casamento Desde já estou maribando. M. Tostão. marimbar. A Nesta certeza os mecos conloiados seu salvo as saúdes repetião. Antiquado. Fome. 1784. talhão. finório. Furtar. Fome. Antiquado? Sumir. não. Comer. Boca. Os diccio- rafar. etc. Olhos. Usa-se a ex- pressão ter um rato no gumas passagens equivale a não fazer caso — em que de. suquir. p. Furtar. no sentido a niente. niente.se de^ meço. rir. Usa-se no sentido de reles. moquideira. Vinho. Antiquado. rede.83 lima. luzios. . Usa-se forma nente^ tardar. m. soquir. C. nautesnem. (entremez). Homem. purrio. M. Capa. s. C. Parece ser idêntica sonar. esper100-101. de roupa. Bêbado. Lisboa. 2 alteza.2 Vid. Não a sornar. Antiquado. Dormir. raso. Paiva. pio. mesmo Paiva. marca. narios trazem este termo no sentido chulo de enganar. Lis- Ora eu estou maribando em vossa Lisboa. Cama. Usam-se i^eltra e píltra. Anti- roda. lostra. libertino. lograr. M. Vestido de mulher. 1786. rafa. n. rustir. Antiquado. Colligi al- v. sorna. Frade. Cama? Preguiça^? Antiquado. estômago^ na barriga^ no sentido de ter fome. sentido. Matos das Matas. Dormir? Paiva. Bofetada. Homem. nada. Puta. marco. Usa-se a for- piJra. quado ? Comer. Novo entremez dns regateiras bravas.

caurim. emhofea^ logro. 1807) traz uma lista de termos que pretende terem sido então introduzidos na linguagem dos tafnes: . interesse. ou Ton trouve tout à souhait. Anti- uuhante. propriamente fazer vispere) . tostão . na Camará óptica^ folheto (Lisboa. vinorica ugar. dinho . felicidade. desapparecer. acerto. Rosto. cruzado novo . trama (sic). bebedeira pec^mcAa^ lucro. 86 uga. Calão do primeiro terço do século XIX III José Daniel Rodrigues Costa. Corpo. caurim. maluco. tonto. moafa. pinto. ganho. teimoso. Lima. ninharia. cuquenha. perturbação de sentidos. petisco. outros sairam talvez da giria. ganso. Calções. valente. espelunca. jpimpão. pinto (cp. altivez . : caçoquim. p. fugir. meio . a que Terragosa. . verónica. 2 gen. Cuquenha é provavelmente o mesmo que cucanha. Antiquado. Ant. 1786. s. Littré. Costas. quinhão. Rosto. ganho de jogo embaçar. impertinência. cuquenha. rouba*. pays imaginaire abonde. calote . Lima. tal ar á^unhantCf Por ser dotada de Que excede a qualquer rapinante. Lisboa.84 terne. quado. ridicularia. vulto. oíi tout E por isso nâo pára ella Nem com em parte alguma também coisa nenhuma. jpitéo. Paiva. como pizorga. deita a unha ás coisas. Matos das Matas. M. (diz-se matuto. grifaria^ exótico (sic). Eaio poético de M. doudo. grazinador. cocagne: pays de cocagne. Andar. continuar. cruzado novo). O. chalaça^ zombaria. do fr. continuar? Paiva. tirantes. (= verónica). boca. Vid. Lisboa. escarneo. destemido. embriaguez. Alguns d^esses termos não eram por certo novos . pizorga. logro. parvo vispere. loquaz . engano.

sol. botins. vem de cauri^ nome das conchas que na costa de Africa servem de moeda. berrar. caldo. entrujão. artâo. espinha. bolsa. trabuco. farpela. garrafa de vinho. cagarrufa. cão. ao pé. por extensão. o sentido de A palavra parece ter tomado moeda falsa. mãos. gallo. amarra de lodo. aguardente.85 Caurim. calcos. lençol. sentir. meio quartilho de vinho. .- canhantes. cornante. e. barraca. falhas. clavina. bramar. cadeia de relógio. cadeia. avoador. juiz. chona. chapéu de batas. d'ahi impingir uma moeda falsa. tem. escamou-se. cantante. archote. toucinho. sentiu. denunciante. quartilho de vi- caugarina. botelha. balda. um caurim^ passar pregar um logro. fêmea. denunciar. cordão de oiro. espaldar. archote. estarim. cartas de jogar. tem. avesa. altanado. bocanhim. calcaiites. baquesim. diluvio. fechadura. afiançar. bola. * Modifiquei a orthographia de Silva Lopes. pegar. belfo. noite. Calão OU algaravia dos malandros ádica. algibeira de mulher. casa. barra. faca. cinta. olhos. queixar. bocanhím. punhal. pão. avela. cheta. pombo. escamar. boi. igreja. clizes. vintém. manta. cuelle. espingarda. cabra. sapatos. sapatos. amarra. perceber. ardose. comprador de roubos. entrujar. garrafa. nho.

cavallo. menina. dinheiro. ruço. furtar com subtileza. grani. não. guines. sobre-casobre-macovia. capitão de ladrões. mão. dez réis. ventana. cinco réis. laia. misto. sornar. lenços. fusca. pasma. coisa. esperto. golpe. soldados. uga. dono de alguma laivo.se. paivo. geba. gajo. penante. caixa. velha. ganau. lençol. gansos. lenço. xelro.'^0 fiJho do golpe^ ladrão de roubado. justiça. grane. tinente. capote. parné. grego. justo. continuar (sic). lepes. policia. da medunha. malandro. chave. meretriz. bom. dedos. faca. senhor. ir roda. foi feito j foi Matta. safar. macanjo. sarda. nuvem. peru. serralhas. égua. lodo. ladrão de casas. cruzados novos. piar. burro. tralha. lenço. troses. maquino. collete. oiro. beber. ratanhí. falso. geboj velho. sentinella. maço. cigarro. calsas. . ladrão de estrada. piolho. relógio. legante. maxa. casaca. lúmia. mulher. bolso. tamposa. relógio. saco. gadé. pirar. chapéu. fuiidaiiarios. pistola. gamar. soldados raaracão. fechadura. tostão. Lisboa. dormir. fundos. dinheiro. macovia. gallinha. respalde. saca. peças de léoOO. gazua. na pireza. capote. penduras de uvas ferraeâ. fugir. magano. pae. lâmpadas de prata. galé (prisão). prata. homem. nentes. gomarra. morte. gage. grillo. safo. chave. janella.

1 Cesare Lombroso. . de termos usados numa giria de gente de Albergaria-a. e tem contracto ciganos. ficam». colhido da tradição. Calão dos contrabandistas de Albergarla-a. et qu'il serait impossible de Calabre ont à un calabrais de comprendre un lombard. alguns que parecem especiaes ao calão de Albergaria de- A vem ter tido maior extensão no uso: só assim se explica como piovês (do argot francez pivois). ás (cuspir-lhe) . p.87 Junto o seguinte exercício do piolho. Paris. — competentes cuspideiras — limpar aos — dar passagem aos que beta (os tirar o (piolho). stockjish (do inglez. ci^ea le vin. a qual negoceia em com cavalgaduras. tirantes (calças). coronel Brito Rebello e medico Lemos (de Alque- maior parte de taes termos é-nos conhecida de rubim). L'argot de Marseille n'est pas autre que celui de Paris*». diz Lombroso.Velha. deux pays. tracl. infelizmente muito curta.Velha Para confirmar essa observação darei uma lista. outros pontos do paiz (especialmente de Lisboa e Porto). les voleurs le même lexique que ceux de Lombardie. fr. districto de Aveiro. 1887. junta-se a sua identidade no espaço assim a maiotermos do calão do norte de Portugal encontram-se sul. sendo até conhecida pela denominação im- própria de ciganos. a un dialecte propre. 465. Uhomme criminei. — levar ás entaladeiras pollegares apertados pelo lado das unhas). mas conhecido nessa forma no tempo a que remonta lista — a supra: «Metter a gao (mão). faz contrabando. ao O mesmo facto repete-se com as diversas girias nos outros paises. ai^ton le lensa la viande. on appelle chiaro Feau. les Dans pain. Á identidade dos elementos fundamentaes do calão no : ria dos tempo. Devo o conhecimento d'esses termos aos srs. «Tandis que chaque région de Fltalie.

adj. Gallinha. m. moquideira. n. Boca. s. m. trigo. m. s. f. Botas monteira. Futuere. s. a. s. bar. broi. s. Porco. Flatus vencasa. Pão. s. cachilras. m. f. Boca. estoio. escarnhida. v. f. m. m. gelfo. Porco. m. f. Poubo. Copo. f. s. m. n. de agua. coco. v. malurdia. m. f. Excremento humano. respo. gadanhos. s. Cabeça. Apanhar. m. s. broia. moinar. f. reichelo. s. Podex. Cavalgadura. s. Beber. Ver. arames^ artife. Cama. de stockfish. s. Porco. m. mosco. s. Dinheiro. Esporas. o-da-eira. Copo de mosquir. chavelho. m. v. s. s. s. fanfar. s. reco. Pão de f. m. Dona da desconfiar. s. Cão. dedos. catroio. Vinho. raso. . froina. vezer. m. Irmão. piovês. m. m. 8. Casa. s. s. s. m. pi. zagré. s. Dormir. fardelhas. suquidora. m. Pae. s. Comer. v. s. Broa. piar. a.88 a palavra significa bacalhau secco) chegaram até lista faz crer essa gente de Albergaria. s. V. trigo. m. v. V. Jumento. — humano. Ver. v. m. irmo. pi. Presunto. a. m. choinar. s. s. que o estudo das girias semelhantes das nossas províncias teria muito em que A interesse. Dedos. s. Dormir. s. n. s. porco. Cão. s. Comer. Excremento s. s. m. s. tó. palurdio. v. pi. lupar. s. m. moletos. m. manez. telo. Vinho. Mãe. cboina. calique. Olho. s. Pão. s. Pós ou catruchas. croia. m. f. pi. Porco. befe. boa. f. trigo. piar-do-ventre. vinho. rouf. Cavalgadura. pi. m. Retirar-se. gomarra. s. duque. a. Seios. m. Homem. maneza. f. s. zagrâo. pi. Padre. suquir. quilhar. Sardinha. Padre. a. cosque. s. V. tris. m. lupante. m. s. s. esquilha. Bom. Mulher. n. m. f. a.

A la Fresada Vellosa. infra) um em que uma serie de termos da giria hispanhola ó : dada com a traducção habla nueva Germanía porque no sea descornado. corcovado golfinho. donde sornan en poblado. Lá vâo alguns trinta e três (Não sei se nelles dou raia) A prata chamam-lhe laia. que mueho vello ha criado. Dice á la Sabana Alha A porque es alba en sumo grado. valente bogalhão. Entre o povo portuguez Ha calões tâo revesados Que deixam muitos pintados Por mais de cento e uma vez. A la Camisa Carona. etc. O seguinte /ac?o é no género do referido romance Ao Ao Ao Ao fadista chamam /aia agiota intrujão. fadista Aos porcos chamam Ao chamam faia. la Cama llama Blanda.. Al Jubon Uaman Apretado : dice el Sayo Tapador. — As nossas cabeças pinhas . que la otra era muy vieja y la entrévan los villanos. ete.89 Fado do calão ha Nos Romances de germanía de Juan Hidalgo (vid. le lleva porque tapado. . sardinhas.

A um agiota intrujão. a não ser que alguns proces- . aguardente piteira. Ao corcovado golfinho. quer de simples curiosi- um grande numero de objectos. Ao ébrio chamam-lhe archeiro. Chamam bico á bebedeira. relógio cebola. quer de caracter scientifico. A guitarra pianinJio. valente bogalhão. á cara botica.se ao vinho briol. chamam ralé. lhe Também Chamam chamam larica. Não admira dade. A uma sardinha aranhota. Chamam á casa mosqueiro . A A fome chamam peneira. Ao fugir chamam raspar .90 As Ao A chamam batas. Ao jogo chamam batota. por portanto que só possamos seguir directamente a historia do calão até ao século xvii. não se despertou se não mais tarde e em geral de modo menos completo que noutros paises. nossas mãos génio As bruxarias bagatas . Historia do cãlão Em o nosso país o interesse. Ao chapéo escovadinho . caldo chamam-lhe rola. E também é de calão Ao Ao Chamar. Ao comprehender toscar . nosso bucho paiol. As velhas chamam cascatas Ao poupado Ao Ao sovelão. Ao roubo chamam cortar. A uma mentira palão . Um gabinardo ao gabão . esperança chamam filé.

assim dirigida a Lorenzo il como numa carta uma pequena lista blicada com aquella a Lorenzo il Magnifico pelo anno de 1472. 1888. a historia do argot ow jargon. pode seguir. Paris. Paris. Na França. Paris. Noutros paises o investigador acha se em melhores condições. entre outros.se até aquelle século. já Luigi Pulei. 295-296. 1892. pp. e reproduzida in Archivio per lo studio delle tradizione j>opolari. Villon. i. Bonge e Leone Prete (Lucca. introduziu nas suas obras poéticas alguns termos furbescos. Na Itália. com sufficiente segurança de dados. graça ás celebres Ballades de Jargon ou Johelin de François Villon. de termos de antigo calão. messe fuori da Salv. Études sur Vargot. Le Jargon des Coquillars en 1465. e fez de termos furbescos. Francisque Michel. (Ignoro inteiramente Pierre d'Alheim. siècle. p. (1882). 3® (à suivre). dos quaes só tenho presentes os dois primeiros : O Auguste Vitu. Le Jargon johelin de maistre François que valor tenha este ultimo). 1884. esse escroc genial do século XV.91 SOS judiciaos venham revelar a existência de mina. 2®. xlvi. no século xv. do processo da confraria anti-social dos Coquillars em 1455 e outras fontes. dos seguintes trabalhos. Étude jphilologi- Mémoires de Mareei Schwob. jargon do século XV foi objecto. 1882). tome vii. in la Société de Linguisfique de Paris. até hoje desconhecida. o auctor do Ruby (nome em poema II Morgante maggiore. Le Jargon et Johelin de François du jargon au ihéâtre. Villon. Texplication en vulgaire»*. fase. Ao edição conhecida de fim do século xvi (1596) remonta a mais antiga um livro attribuido a um Pechon de argotico) que se acha um «dictionnaire en avec langage blesquin (argot). suivi Lucien Schõne. Le Jargon au xv® que. que se acha pucarta em Nuove lettere di Luigi Pulei Magnijico. .

. con el vocabulário por la orden dei a. girias europeas. A New Edition. Hlstorical and Anecdotal. revised and corrected with London. 1873. de que temos presente a many additions. 1779. pelos motivos já apontados. reimpresso moder- A namente em The Slang Dictionaryj Etymological. contentando-me com indicar o caminho que timos mais recentes : deve ser seguido. Os termos de calão que não levam indicação de facto acham-se na minha lista acima estampada. Studj criticif p. Não procederei aqui a uma comparação completa d'essas girias. Catedrático de Sagrada Escritura en la TJniversidad de : Juan Hidalgo El Toledo. c. * Ascoli. a par de emprés- A comparação do calão com as outras d'este modo colhem-se para a historia do calão preciosos dados indirectos. nenhum dos quaes consegui ver Inglaterra apresenta já no século xvi o vocabulário de Rogms Words de Harman (1Õ56). para declaracion de sus términos y lengua. especialmente das dos paises de linguas românicas. Começarei pela germania. romances de la Germania que escrihió Don Con licencia. publicaram-se no começo do século xvii os de germania de vários autores com um Romances (1609) vocabulário. y los Francisco de Quevedo.h. com o seguinte titulo Germânia de vários autores. En Madrid. O calão e a germania Os termos de germania apontados são os do vocabulário de Juan Hidalgo. que escrihió el Doctor Don Sancho de Moncada. prova que nellas ha um fundo commam antigo. 380. Na Hispanha Romances de edição mais vulgar. por Juan Hidalgo.'J2 Ha três vocabulários do gergo ou furbesco do século xvi. Com: — puesto por discurso de la expidsion de los Gitanos. mais próxima geographicamente do calão e com a qual este tem real- mente numerosos elementos communs. *.

Os sentidos são muito diversos para que os dois termos se liguem. vamo-nos que aqui Uma alteração a Londres. oro. branco. anubo. agua. nuhe. cachucho. isto é. cal. ir. alon. Na linguagem popular portuguesa reproduz-se ainda allon. — cal. Queiroz. estúpido. que d'essa — nao temos que que aproveitar. pagerm. que é terra de gaiteiros. ó soplon. cal.iQYmo ^o^wgerm. pan. artão. cal. lorpa. germ. não nos lar. 109. sobretudo na locu- — ção allorij allon. policia. correr. es irse. — phrase por etymologia popular deu — é terra de gaiteiros. calcorrear. Em alforja significa acha. annel de oiro. artife. balhestros. bola. Queiroz. anuhlar. ainda no uso popular. bufo.se em Paiva. artifara. cal. — — gar a patente. tristes balhestros. etc. 149. alforjas. ir. muito espalhado nas girias. germ. becil. diz-se assim : elle foi-se com os seus hisp.93 cal. cal. — dedo. bobo. cal. Queiroz. capa. provisão de viagem. Já em Bluteau. sem duvida do fr. meter um dado falso. cal. germ. p. que significa os haveres um pode levar comsigo. calcorrear. imgerm. pequena cada (roupas. es descobridor. bola. brechar. sapatos. como veremos abaixo. Já em da Paiva. Injirmidades lingua: tem hum bom caxucho no germ. banco. Já em Bluteau. que significa fazer. Termo muito espalhado. alloiis. — cal. com o pouco que tinha. . alar. cal. — giria. germ. calcos. Queiroz. germ. blanco. Termo germ. Queiroz. p. . germ. brechar. — — zapatos. correr. calcorros. ânsia. anciã. ir. colligido diccionarios. Propriagerm. germ. capa. cal. abancado preso. Injirmidades alforge. capote. artife.) que ballestas. — — harton. mente vamos. alar. cobrir. Balhestros da lingv^. somma de dinheiro . cachucko. carcel. e foi talvez um termo de feria. feira. germ. ó necio. agua. buho. — port. Queiroz.

germ. germ. teau. carduzador. cerda sarda. navalha. herido en olhos. preso. perceber. Queiroz. desjpalmar. sardinha. — um cal. — crI. Queiroz. roubo. panuelo de narices. quitar por fuerza. Queiroz. faca. Queiroz. furtar. empunhando uma punhal. germ. entruchar. que el germ. que desea la cal. Emprega-se em português a expressão cardar a lã no sentido de obter astuciosamente dinheiro de alguém : coisa por fraude. termo do calão liga-se evidentemente a cardar. cria. carne. — Comp. cuchillo. furto. germ. cal. punhal. 'palmar. seda = Os termos do cal. germ. bolsa. sarda. QuEiKOZ. o meliante julgou ser germ. germ. que um assaltante. Lembremos a anecdota do homem que na obscuridade nocturna se defendeu de sardinha. agente sentido de esjna no hispanhol geral. faca. dar por fuerza. Blu- . espia. clises. sica. Queiroz. sceiía iii. O significa pentear com carda e tirar. enrexado. — cal. germ. Queiroz. nhal. crioja. — de policia. — germ. palavra. tudo se consegue. falso. espia. lenço. Bluteau. cica. espinha. entender. Deixa cardar a Correia Garção. Porque a gente ordinária agasalhada Com uma tal lhaneza. entender. — — cal. puport. astúcia. Bluteau. bolsa. cal. fazo. sardinha. carduçador. ant. Em Mas com Tudo lábia se vence. cheira. Ligeira modificação do cal. carduzador^ ladrones. entender. cal. mas foram influenciados por 08 nomes de peixe portuguez sarda. Queiroz. Em hisp. rostro. germ. sardinha teem talvez o mesmo ponto de partida que germ. — carne. — el enreixadu. el que atalaya.94 ropa qui hurtan los cardanho. cerda. Asiembleiu. chilrar. do javali. intrujar. faca. facilmente la. hablar. Queiroz. cal. ganhar a alguém uma hisp. cp. cerda. esclisiado. palmar. roubar. preso. entrujir. cerda. cal. cal.---cp.

grão. falso. camisa. germ. germ. garlar. Queiroz. cal. beber. cal. germ. gidio. Bluteau. moquir. lienzo de narices. palavra que começou tal. Bluteau. credito. grunente. guido. bueno. grunhidor. ganau. gdfe. os dez germ. Silva germ. os dedos da mão. comer. germ. C. cabeça. gando. vellaco. . muquir. maçareno. Quei- roz. es ducado de once reales. marca. C. ordinário. piojo. Queiroz. muger pública. mandil. Bluteau. criado de Rufion. meretriz. cal. — cal. puerco.95 gorm. dedos de la mano. cru- germ. justo. Silva Lopes. maço. cal. germ. ^iar^ beber. mandil. Queiroz. — vez por ser um termo de giria. — germ. port. — cal. cp. perna. justa. vil. germ. gelfo. mandamentos. fallar. cão. Queiroz. lima. mechosa. Idem. jubon. meliante. Queiroz. Uma. moneda. C. comer. grano. — cal. Queiroz. maleante. germ. gallinha. pa- taco falso. Queiroz. — cal. moa. homem. moncoso. bom. moia. falso. Bluteau. cal. cal. C. plerna. camisa. (?) cal. mandamentos. roz. gao. gomari'a. gallina. gomarra. cabeza. moeda. ^Qvm. michosa. — germ. queta. Queiroz. mar^co. Queiroz. gamha. Queiroz. — — cp. Bluteau. marca.. casaca. germ. mosa. marquida. — — — cal. sujeito sem de más maroto obras. gaitar. Bluteau. Bluteau. Queiroz. camisa. mocante. cal. Lopes. len- — — cal. preguiçoso. — cal. Quei- — — germ. germ. gamhía. germ. gao. piar. germ. hablar. germ. — cal. fingido. porco. ó de muger publica. jali- justo. ço. burlador. — piolhí). esclavo negro. cal. zado novo. bello. — cal. marquisa. macanjo. cal. helfo. collete.

cal. — — capa. 1881. . quatropéo. — mas sim do justicia. rufon. Êtudes de philologie comparée sur Vargot. Lisboa. rufo. basquina de muger. germ. germ. bebedeira. vino. germ. — — cal. raso. tirantes. prisão. Tei^agoza. Dictionnaire d'argot moderne. — cal. catropéo. Lucien Rigaud. — cal. port. trabajar. — Queiroz. Bluteau. Dictionnaire historique d'argot. — germ. taragoza^ teau. cal. roupa. como se pretendeu. — cp. sornar. Queiroz. 1878. cal. calzos. germ. port. Queiroz. abbade. Blu- germ. germ. roz.96 germ. trabalhar. ^io^ vinho. pdtra. germ. turca. piltra. Bluteau. cavallo. cama. pilra germ. — cp. quartago. saia. rede. alem da obra já citada de Francisque Michel. cal. salvus. germ. sombra. do lat. sornar. Septieme édition des Excentricités du langage. pildra. capa. Quei- germ. safarse. roubar germ. — pueblo. Blu- tirantes. dormir. raso. cal. Queiroz. Bluteau. picar. roubar. Queiroz. — dormir. turco. eslabon com que sacan fuego. cal. cal. (Bluteau). es irse à priesa. redonda. Queiroz. de safo. sombra. cal. — germ. Paris. cal. furtar. Paris. abad. safar-se. teau. as seguintes : Lorédan Larchey. furtar. calções. escaparse. Queiroz. O termo da germanía não veiu do francez se sauver. — cal. germ. jpio^ vino. Queiroz. cal. O argot e o calão Para o conhecimento do argot moderno tenho á minha disposição. librarse. padre. pérola^ cama. rede. hurtar. safar-se. picar. frade. fogo. redonda.

do século XVI ao xvii. — cp. em vigor. pão. individu dont Tintelli- gence est est obtuse. sem mudar de nome. desde* o fim do primeiro quartel do século xvii. milho.» le jargon. Paris. artiffe. que traz os termos referidos. dans le jargon de Marseille une boule à jouer A phia transcripta. de 1617 até boje. Larchey. lance. attrimer. arg. indico ordinariados autores. prendre. lista. anda. . de bois. MiCHEL.» le langage blesquien. artife. Vid. e le langage narquois. expression àwjargon. Queiroz. — arg. Le Jargon du xv^ silcle. Michel. que continuou a experimentar mudanças.97 Mareei Schwob franqais in ris. hlé (du). cal. arg. Queiroz. — genuidade não posso afíirmar. tête le patois du peuple. coincidindo em parte com modificações mais ou menos numerosas no vocabulário do argot. geralmente Larchey. Étude sur Vargot Mémoires de la jSociété de linguistique de Pa- (1889). 7 . dure. fr. Sujpplément au Dlction*. aile. 33-56. do século xv ao xvi 2. bras. lartif. de que o livro de Pechon de Ruby contém o repertório. cal. ancb. dinheiro. artão. cp. Não vi de Lorédan Larchey. só um por simplificação. larton. Vitu. asa. arg. da giria franceza. agua. propriamente dito. isto é sem pontas mas mocha tem. * Na historia do argot marcam-se . cal. arton. de Fargent. Queicabeça humana poderia ser chamada mocha (o fechado). o aberto. 1. artif. termo cuja cal. Dans roz. lat. — que cal. A. pain. segundo a gra- une hoche. — cp. 1882 Na mente lista seguinte. c'est-à-dire. port. aile. RiGAULT. arg. (?) Bluteau. cp. os seguintes periodos . alleron. lartie. mocha. tête hoche (tête de). cal. Larchey. 3. vender. Essas divisões não tem nada de essencial referem-se principalmente aos nomes. eau. braço com a mesma significação arg. vol.» Vargot. 52. cabeça. p. artie. VII et Georges Guieysse. — . ala. a^a. Larchey. naire d'argot. na minha atrimar.

cornant. Cest Tantithèse de chenu. inglez (QueiDict. cica. Michel. houle. Larchey. le Fon assimilait aax Àlbigeois. de la langue française. Larchey. marchandise volée. chantage. sica. Larchey. mau vais. feira. Forme des mots . Larchey. Larchey. hougre à jpoilsy homme determine. — facadas. muito boa. bolsa. ciou. cal. germ. couarg. bolsa. cigue. churinar. Rigault. camelote. excellent. Queiroz. Larchey. cabeça. Terme de mépris langage populaire usité dans le plus trivial et le plus la Bulgarie. sob ameaça de fazer revelações. tage. . vache. habitant de J)ans le nioyen-âge. houle^ foire. hogre. v. arg. = arg. esfaquear. cal. arg. Fr. rendre quelqu'un victime tage. — dun chan- cal. boi. Queiroz. muito termo que é sem duvida popularisado. arg. espolio. cal. Littré. tête. chinoca. avarie et par extension «vieil infirme».U8 mot à noter comme ajant perdu sa portée antiphysique. — — cal. arg. chantage. s. hougre: rageux.^urin et suriner. faire chanter. Queiroz. . extorsion d'argent sous menace de révélations scandaleuses chanter^ être victime d'un chanarg. arg. arg. boeuf. etc. cigale. Etym. Ce n'est plus qu'un synonyme de garçon. arg. camelottej. prego. Nom de certains hérétiques que et d'injure. E phrase introduzida talvez no calão por influencia de traducçôes. Larchey. des doctrines religieuses semblables régnaient parmi les Bulgares et les Àlbigeois. cornante. Lauchey. Bulgarus. hola. chouriner. No calão jornalistico usa-se já chantagem arg. dar le même sens. — prison d'objets uma simples traducção do francez. obrigar a dar dinheiro. /azé?r cantar. hola. cormante. cigarra. Larchey. usités dans cal. chenoc. solide. penhores. Bougre. prison). — cal. Larchey. casa de engagés (ciou. Mot-à-mot: cal. grossier. — cal. Queiroz. — cp. pièce d'or. Mont-de-Piété. — roz) parece ligar-se a hougre. donner des coups de couteau: chourin couteau. — cal.

employé dans le langage popude maitre du logis. port. arg. Larchey. quilhai*. Cp. esperança. m.Ve- zolo. — pop. une des deux cartes qu'ils ont en main c'est un moyen comme un . Hébert)». futrica. Les joueurs honnêtes du baccarat servent de Fexpression jiler la carte. — daronne. f. daroiia. lha). como dabo. : Cacher entre ses jambes un objet volé. . père. dobe. Do arg. arg. homme nul. MiCHEL. fazzoletto. Larchey. loja pequena. dobo. comquanto não haja que admirar se cal. arg. o que não é estudante (na giria dos estudantes de Coimbra). fazo. et Fon sait que le joueur vit d'émotions. arg. paisano. palpite. de consommé dans au xvii° daho Vart de mal faire. futuere (Albergaria-a. mère. Bluteau. maitre. arg. sobriquet donné par le marechal Soult en pleine Chambre à un de nos plus petits hommes d'Etat. pae. — Ital. lenço. crie^ crignolle. foutriquet. homem desprezível. apesar de suspeitar d'elle. na lista manuscripta de que me servi. Bluteau. baiuca.' 99 Fk. xvi® et siècle.. entrer. dobe a le sens d'expert. etc. — cal. filé. — cp. cria. gàbelou. était Larchey. Fii. quille. e s. a palavra á referida arg. père^ daron. sous le rapport de la taille. aPetit foutriquet)) . se arg. Larchey. fassolette. cal. futre. autre de se procurer une émotion. falso. enquiller. patronne. mãe. carne de vacca. mouchoir de poche. faz- cal. realmente é empregado no calão. — germ. Rigault. Jiler la carte. «Tous les foutriquets à culottes serrées et aux habits carrés (1793. Au . . Dieu. — Os jogadores do monte ás vezes lentamente (os banqueiros) descobrem também a carta para terem e fazerem ter filé liga-se pois aos pontos palpites expressão francesa. s. Dans le laire avec la signification cant anglais. cal. '^Simhe. — cal. SLVg.. . Miciiel. Lar- chey. termo que reproduzi na impressa acima. employé des contributions indirectes. jiler pour designer Taction de découvrir par degrés. viande. Kigault. patron. três lentement. Mot-à-mot jouer des quilles dans.

maitre. goualer. cal. gamhille. gao. grãoy mot qu'on cruzado novo. gaudineur. arg. gaudinar. arg. calão. chemise (ViDOCQ. guiholle. cal. arg. giria. inculpe. 108 V. homem. cal. fanfarrão sem dinheiro. s'amuser. latim.: «esses mecos conjurados contra o mundo?». meço. pou. RiGAULT. — no Na litteratura encontrei bigorne mesmo mas creio que do argot bigorne. maluque. sem raizes no sentido . guibo. ganao. Larchey. jambe. parasita. f. — cal. gritar. — cal. homem. Larchey. giielar. espertalhão. doente. Larchey. gueule. arg. devasso». gando. Uma. — cal. (Porto). Bluteau. marco. Fr. lime. — pairar. perna. arg. Bluteau. cal. Larchey. jogador. Os diccionarios portuguezes dão todavia o termo como — chef. prostituée (Halbert). marca. malade. car on pour se debattre des pieds. arg. Bluteau. vem: v. Larchey. limosa. patusco (sujeito que se diverte). cal. limace. vadiar.. Diz-se: perdoaste ao meço? phrase plebea por injuria aos gallegos. guibon. mecque. arg. arg. m£c. disait jadis guiber arg. emquanto guelar deriva por certo de guela. dans le jargon des voleurs. Grand- val). — Rigault. goualer não deriva provavelmente de lat. Fr. da lingua geral: «Adultero. patron. limasse. arg. Michel. artelho (se é genuino). arg. divertir-se. — compromettido. argot. — cal. arrete. Larchey. guihe. o parentesco é pois só apparente. gau. rapaz vadio. — gauderio. cal. got. fallando dos boticários e a f . vadio. 236 «esse . Larchey. Larchey. fr. Land.100 gabiru. — gamhia. Cest un vieux rencontre souvent. Lembra pelo som roz. gula. Queihomme. roz. Vieux mot. Michel. Queiroz. chanter. grairij écu (Grandval). souteneur. malandro. diminutif du vieux gamòe. Du vieux mot gaudiner. décorateur. dissoluto. meretriz. Na Ulissijw. é uma simples translação calão. e Queical. latin. cal.

pildra. niente. — cal. piar. nasio. Quelle peut-être Forigine de cette expression? Je n'en trouve pas d'autre qu'une allusion aux bailes ou boulets. michaud. menos pejorativa». Larchey. maítresse. cama. Fr. beber. morrer. rien. Michel. que foi muitas vezes nas suas etymologias. Fr. Michel dá-lhe a significação de maitre. qui tombe elle même en désuétude: envoyer quelqu'un au peautre ou aux peautres. meretriz . mulher. boire. nariz . porque é mais natural ligá-los a mecha (de cabellos): mechosa designaria a cabeça como a que tem mechas. Michel. michosa. Fr. peltr a. le brusquer. le peuple de nos jours ne dit-il pas. não sabes arg. — cabeça. piauj pieu. arg. lit. moechus. Bluteau. que liga o termo ao fr. — cal. : mais vago de maganão». cal. — cal. csl. nentes. e o ou «pessoa. que Ton appellait autrefois. Bluteau. infeliz Queiroz. individuo. Bluteau. cal. A semelhança com o arg. inusité. (?) Larchey. Vieux mot. menesse. palmar. — — roz. o termo do calão e o correspondente da germ. peauire. pier. mec ó talvez casual. miches du couvent militaire : or. Larchey. . sauf dans cette locution populaire.* paumer. Michel. naze. Os sentidos em uso na boca do povo : la infante. nase. pour le congédier. com intenção mais atrevido. baile! voici une honne baile f Fr. perdre. vinho.» são: ahomem de maus costumes. acertou nessa de míchaud. arg. me' . Se Fr. roi. iieza. Queiroz. — cal. Colhi a forma pikãa. Queiroz. pio. que grosão retraliida está MoRAES. nasus. Em verdade michaud poderia do seu lado derivar de meche. mau- — vais lit. Larchey. mechosa devem ser separados. grabat. arg. pie. Italianisme. lat. nada. Michel. arg. Michel. palavra que occorre já no século xvn. par plaisanterie. prostituée. pour le chasser». arg. vin. abbadessa. nez. segundo Littré «vieux mot signifiant lit. niente. . Queiarg.101 meço não he de bons porretos. en parlant d'une tête: Quelle cal. la tête . pérola. arg. Considera-se como reproducção do lat. Fr.

não tem A vintém. rufo. sornir. vid. nuit. p. Michel. No abbade. rifle. que o deriva de trou. jpivois. some. mioches) du riffe qui leur creux (logis)». rup. — cal. arg. a policia (se o termo é genuino). agent de police. cal. piovez (Albergaria- a-Velha) *. toesa de francês a graphia oi representava ainda o antes do século xviii. arg. fogo. Larchey. isto é. infra Fr. a quem se ganba facilmente. cal. sor- nar. Michel. arg. encontro é talvez casual. que Bombet traduit par se chaiiffer On trouve dans le Jargon un article consacré aux ruffez ou . Fr. rase. RiGAULT. — arg. que phrase argotica plumer — la jpoide tinha o sentido de roubar (Fr. . — cp. Michel. élégant. Larchey. impiné. cure. noir. raso. On le tire chausses. rif. rico. Larchéy. . framloise. Queiroz. Fr. arg. feu. roussin. filouter. A palavra devia ter chegado a Portugal quando em diphthongo oe. «De rif . cama. Larchey. rupino. — arg. Larchey. arg. pennado. soma. calão dos nossos jogadores gallinha é o jogador pechote. tirantes. Fr. prêtre. Michel. arg. cal. p. Na linguagem popular portu- guesa emprega-se comer no sentido de enganar e de roubar ardilosamente. Rigault. toise. est venu . roustir. rwpart. 131). classe de gueux «feignans d'avoir eu de la peine riffoit à sauver leurs mions (enfants. Larchey. calções. arg. ruiva. — cal. comer. cal. trêfle. tromper. jplumer^ dépouiller un homme dans rintimité. sonar. tefe. bas. Michel^ Études. — escroquer. vin. . 160.102 arg. mesma significação. anus. — cal. — Bluteau. 1 O termo piovês está por "^pivoês. oboé de h: haut-bois. Gacal. Queiroz. padre. riffauder ou riffoder. riffodez. . tirant. rupim. dormir. tirantes. Larchey. rupin. framboesa de fr. cal. O mesmo se deu com fr. rustir. degner au jeu Targent d'un imbécile. pour le mettre. — homme riche. O cal. rousse.

artone. bola. artibrio. — — Cp. cal. p. cp. . per cui distingue Casa d'Austriay). che si trova presso Francisque-Michel (p. port. Levit. trabalhar^ furtar. furb. p. 23. 38. Libro delia regina Ancrojaj). calcosa. possue A Segundo Fr. é si uno che ha il mi dice il. furb. aggettivo. 15. dona da casa (Albergaria. diz Littré a respeito da phrase. angl. ala (asa). boJfo. p. il cane abbaja). matar o hiclio. Michel nos seus Bibliotheca Nacional de Lisboa não Études. — cal. maitre. — cal. 99. Queiroz. E uma palavra puramente hebraica: blia.Vieyra (Did. artão. voler. port. and labbro inferiore pendente. Deuter. braço. arg. braço. Belfo. calcante. le vin ou Teau-de-vie tuent libation matiiiale désignée les vers intestinaux)>. artife. n. cal. — cal. sapato. daòe. rainha. calcioso. nenhum dos vocabulários furbescos do século xvi. cidade cal. pé. ex. cp. furb. 19. ancroia. «On s'iraagme que. 7. patroa. 441: o belfo balsa (?). pris à cette licure (le matin à jeun). meretriz. asa. : que se encontra na Bi- Génesis. juiís. sara tutt'altro che il nostro bolfo. — cal. LarcHEY. publique. pé. zona. 425-434. roubar. pop. filie arg. roi. furb. Queiroz. furb. — furb. arg". pão. sapatos. Queiroz. O furbesco e o calão Os subsídios que tenho á mão para o conhecimento do furbesco reduzem-se ás palavras avulsas dadas por diversos auctores e á lista inserida por Fr.103 tucr. par ces mots.Velha). croia. 21. Michel «nom d'une reine amazone. tuer le ver^ boire de Teau-dc-vie ou du viu blanc . calcos. 408. père. bolla. cão.a. 1): «II belfo dei gergo portoghese. dans le jargon des raarcliands zoina. p. cp. Larchey. feira. RiGAULT. cal. belfo. alia guisa cal. cão. — — — cp. dont on a ííiit un poême généralement intitule : furb. Ascoli observa com razão (Studj critíci. mesmo sentido da phrase fr. arg. njlT. travailler. ).

fiirb. grunho. porco. gielfo. todas as relações existen- tes entre os termos das quatro girias argot e furbesco . — furb. exemplos dados bastam para ver — .* — bém no furb. casa. fogo. tirantes. morder. cosco. gato. cornante. luzente. port. (Alberg. Bluteau. furb. — — cal. marco. rufo. cal. boi. 161). homem. mas os calão. propriamente separar o tasco suppoz connexo com tascar. ganao. gelfo. tasca. furb. carne. pilula. pérola. tasquinhar. çaria por ser um termo da Em português a palavra comegiria. cama. tirante. ena. infra Relações do cigano com o calão. crea. creatura. — que se tascar). tascosa. loupe.) furb. alforge. — cal. Queiroz. cal. estalajadeira. germanía. cal. Observações sobre as três listas precedentes Não ficam notadas. criulfa. nada. Myst. á lettra. cp. lampante. — cal. fr. calções. estalajadeiro. cp. agua. (Alberg. porco. marca. — cal. por certo. — cal. que pensar tamcivettaj. vacca. Paris. — cp. taberna. gando. piolho. com a Em ital. fogo. marcona. tasca. agua. anciã. cal. cal. furb. Bluteau. furb. lupar. na expressão lamjpante di — escudo (moeda). cosque. furb. furb. olho de coruja. olho ver fazem lupante. poltro. grugnante.). roer (hisp. lente convergente. camisa. furb. grunhidor. tascheroso. peltra. nicolo. cal. — lima. não (alargamento lação ao nome próprio Nicolas). lenza. . olho. furb. holfoy acima. Queiroz. tascante. calções. taberneiro. liitui. — — — da negação por assimical. Cf. — camisa. cornantej boi. (Vid. cal.104 furb. ruffo. limosa. p. carne de vacca. pilra. meretriz. furb. guallino. creata. furb. nicles. cão. Queiroz. gao_. furb. cal. Queiroz. casa. tasca significa pro- priamente bolsa. mulher. ou tomentos do linho espadella ou tasquinha. cal. estalajem. cp.

ala. cabeço (Pott. : gente tola. branco significa estúpido. que parece ser o holm. Boiteux. Coincidências de desenvolvimento semântico notam-se entre todas as girias e entre todas as línguas geraes do mundo. dinheiro. Na maior parte dos ca- presença de verdadeiras identidades de vocábulos. pop. podiam ter passado de giria em giria ou ter-se produzido nas cal. do mesmo modo no é cal. asa e arg. como na han- tyrka (giria da Bohemia) o mesmo planeta é designado pela palavra tcheque belák. cabeça . dos.105 qual a natureza sos d' essas relações. uma moeda. três. uma mesma crença.. Zig. gru^ente na germanía. ciou. ali. giria allemã krunickel. ttier le ver. (Pott. braço. Os termos grão (grano). formado de weiss branco e hulm. que provêem de aile. kronickel (o grunhidor) Na si- gnifica porco. mesma etc. milho e arg. lueisshulm. noutros casos os vocábulos podem ter-se produzido independentemente sobre uma base commum. cor^iante. por ex. port.. ii. . matar o bicho e arg. un pié. ingénuo. e tirantes. 8). quatro e meio (90 réis ou quatro vinténs e meio). òoule. mn termo do calão parece traducção de : termo de outra giria pode ter havido realmente traduc- ção ou simplesmente coincidência de modificação semântica nas palavras correspondentes. Assim no calão queijo significa lua. imbecil. Rigault traz o seguinte artigo: Six et trois font neuf. exactamente como grunhidor. etc. cogito de Em Os hispanhoes dizem: Uno. Mas parece já haver traducção em prego relativamente a arg. quatro girias ou em algumas d'ellas independentemente. ii. calco. outeiro. calções. 8) lembre-se a fabula da raposa que tomou por um queijo a imada lua num No Rothwelsch gem poço. bra os gaiatos designavam também os coxos pela expressão cento e dez (110 réis). grunho no calão. por estamos em um mesmo um Nos casos em que processo semântico. cal. cal. blé. Assim ha por certo simples coincidência entre cal. 11). bola e arg. furb. ii. Allusion à Tallure inégale des boiteux dont les Coimpas semblent marquer des nombres diffórents. queijo (Pott. casa de penhores.

1U(J

o

que comparadas
calão

se

quadro seguinte compreliende uma serie de termos encontram em mais de duas das gírias românicas
:

107
parte, de um vocabulário estampado ches italiennes et françoises de Oudin

em
*
;

1549, e nas Recheralguns remontam,

com certeza, até ao século xv, como se mostrará. Os seguintes termos do jargon francez do século XV correlacionam-se real ou apparent emente com termos do
calão; de quasi todos elles dei já os correspondentes no argot mais recente. arton^ pain.

Tant

qu'il n'y eust

de Varton sur les cars.
Ballade
xi,

A. Vitu,

p. 163-4.

aarton^ c'est pain». Processo dos Coquillars. M. Schwob, cal. artào. Mém. de la Soe. de llng.^ vii, 180. 301.

hec^ nez, figure.

Luez au

bec

que ne
Ballade
i,

sois greffis.

A. Vitu,

p. 180.

Schwob,

p. 30Õ.

cp. cal. beque^ bique ^ nariz.
òelistre,

A. Vitu,
bilontra.

mediant, gueux qui vit d'aumône et de rapine. germ. belttre, picaro; port. biltre; cal. p. 183.

blanc^ sot, niais.

en

leurs sciences c'est

Processo dos
\colomb,

«Ung liomme simple qui ne se congnoit ung sire ou une duppe oumigblanc.)) Coquillars. Schwob, p. 179. 310. Blanc coulon
être pris en sens in-

pombo] parait au contraire
le

verse

:

dans

jargon de

la Coquille, c'est celui qui

joue

le niais. Ibid.

«Ung

blanc coulon c'est celluy qui se couche
aultre, etc, [et luy desrobe son argent,

avec

le

marchant ou

ses robes et tout ce qu'il a et les gette par

une fenestre

a son compaignon qui Fattent hors de la chambre].» Proc. dos Coquillars. SCHWOH, p. 179. cal. branco, estúpido,

ingénuo

.

'

Vid. Fr. Micliel, Études de philologie comparée sur V argot, p. 425

108
gaudinSj brigands ou petit-maítres.

Cest tout son

fait

d'engandrer

les

gavdins
A. Vitu,
p. 326-8.

A

hornangier
Ballade
ix.

Vid. acima p. 100 arg. gaudineur e
grain, écu, moniiaie.

cal.

gaudinar, gauderio,

Et

n' abater

de ces gi-ains neufs et vieulx
Ballade
vii.

A. Vitu,

p. 344.

cal.

grão, cruzado novo. Bluteau.

gris, froid.

Et vous gardez bien de
Qui aux
sires plante

la roe
grisj

du

En
cal. gris, frio.

leur faisant faire la moe.
Ballade
vi.

A. Vitu, 347-8.

Bluteau; mod.
ribaude.

griso,

marque,

filie,

Marques de
cal.

plant,

dames

et audinas

Ballade xi, etc. A. Vitu, p. 405-408.

marca, meretriz. Bluteau.

jpaulrmr, voler.
Puis, dist
cal.

ung gueulx,

j'ay

paulmé deux

florins

Ballade ix. A. Vitu, p. 434-5.

palmar, roubar.

pye, boisson, vin.
Pour avancer au poUiceur de pye.
BaUade
cal.
ix.

A. Vitu,

p.

467-470.

pio, vinho.

Bluteau.

pye^ry boire

Bab: Babille en gier en pyant à la fye
Ballade, ix. A' Vitu, p. 470-471.

cal.

piar, beber

109
jambe. «Les jambes ce sont
les quille8,y>

quille,

Proc.

dos Coquillars.

ScHWOB,

p.

180.
quille et brouez.
p. 472-3.

Poussez de la

Ballade v. A. Vitu,

cp. cal. quilhar.

rouhe, justice, alls appellent la justice de quelque lieu que ce soit la marine òu la rouhe.í> Proc. dos Coquillars.

ScHWOB,

p. 179.

— Cp.

acima arg. rousse^

cal. ruiva.

rufflsj feu.

arujle c'est le feu Saint-Antoine.» Proc. dos

Coquillars.

ScHWOB,

p. 180.

— Cp. acima arg.
sires sont rassis.

rif. cal. rtifo.

some,

la nuit, la

brune.

Sur

la

some que

Ballade

vii. Vitu, p. 503-505.

cal.

sornar, sonar, sornir, dormir.
carta de Luigi Pulei* lê-se: dove
si

Na
o

petinó quello

lustro la brigata sopra la lenzay>,

termo furbesco da
:

lista

acima.

em que lenza parece ser Na curta lista do mesmo
;

Pulei noto
calcose), le

cosco, casa

(cal.

cosque, casa)
;

caccose (leia-se

scarpette (cal. calcos, sapatos)

gvxildi, ipidocchi

(furb. guallino; cal. gao).

Assim pela comparação com as girias extrangeiras, estudadas nos seus mais antigos documentos, pode alargar-se
a historia do calão além dos limites que os documentos próprios nos impõem todavia não é possível dizer quando
;

Portugal se começou a usar esse calão de que acabamos de passar em revista alguns dos elementos mais
é que
antigos.

em

Emquanto
mentos das

ás origens

mesmas

d' esses

mais antigos

ele-

girias farei ainda as

observações seguintes.

Vid. acima pag. 91.

110 Alguns d'esses termos são já producyòes próprias das
girias,

feitas á custa dos materiaes das linguas geraes; taes são asa (día)^ branco (hlanco), calcos (calcose), cor-

nante, gunhidor (gruhente)^ palmar, rufo
fulvo),

(ital.

ruffo, ruivo,

tirantes (de tirar, ital. tirare, fr. tirer), trabalhar

e talvez mechosa.

Outros dos referidos termos são palavras tornadas archaicas nas linguas geraes, ou vindas de outras linguas
vivas,

ou de origem

incerta.

idêntico a hisp.

anela, agua, é considerada por Pott, Zig., II, 4, como aíisia «Da aíisia in Span. nicht bloss
:

Schmerz, sondern auch ein heftiges Verlangen bezeichnet, f ilhrt letztere leicht auf den Durst und das, womit er am
gewohnlichsten gelõscht wird, oder Wasser;
die
ais

— eine

Qual,

Klimaten noch mehr zu wiirdigen weiss, anderswo.» Mas a existência da palavra no argot e no
in heissen
d' essa

man

furbesco fazem duvidar
artona, pão, occorre

num

explicação. texto latino medieval

cit.

por

Ducange,

Schwob, p. 301, trata-se de um «texte qui n'a rien de populaire, un texte ecclesiastique ou aríowa semble une mauvaise transcription grecque».
s.

v.,

mas como

diz

Fr. Diez, Etymologisches Wõrterbuch, II 3, 208, diz: uArtoun neupr. brot, ein it. artone kennt Veneroni; dazu

kommt noch

tesa, pg. arteça

oder artalete pastetchen, und arbacktrog. Man vermuttet darin das gr. hat wohl das bask. artoa apTOç, aber náhere anspriiche maisbrot s. Larramendi, Diccion., I, p. xvi, nach Humsp. artalejo

boldt, Urbeic. Hisp. p.
art eichen. P.
(brot) hieher.»

155, urspr. eichelbrot, von a7'tea

Monti rechnet auch das comask adro-basto

fica, todavia, incerto.

Se a palavra é realmente de origem basca, O gitano tem harton, pão, em que Miklosich (Abhandl., II, A2) não hesita em ver reflexo do
gr.
apTcç;

a palavra podia ter passado do hisp. para o
este

gitano;

mas

tem também

artifero, padeiro,
1.

não podemos deixar de ver com Miklosich,

em que c, reflexo do

111
gr. ápTo^^óptov

(Ducange), e do qual é

difíicil
*.

separar a forma

artife das girias,

acima mencionada

port. biltre) não é nestas duas linguas termo de giria figura como tal na lista de Hidalgo e a elle se liga o mod. cal. hilontra, que foi talvez importado do Brasil,

hditre

(fr.^

;

onde ha tram

um

calão que, ao lado de elementos que se encon-

em

forma italiana

Portugal, possue muitos próprios. Talvez que a helitrone não seja estranha á producção

de hílontra (no Brasil ha muitos italianos). A origem de helitre é incerta. Vid. Diez, Scheler e Littré, s. v.
sentido de — companhia que
bola, feira, parece ligar-se a

um

ant.

fr.

boule, baule,

no

se diverte, pandiga,

em

diver-

sos textos reunidos por Fr. Michel, s. v. cosco (furb., cal. cosque) é considerado por Pott, Zig. II, 25, como tendo sido talvez modificado do italiano aasco,

caduco, velho, para não lembrar facilmente casa; a forma da germ. cuexca (cuescaj mostra, porém, ao que parece,

que a palavra ó velha na Hispanha; cp. port. cosco, coscorrão, e hisp. cuesco, que o sentido não permitte ligar a
cal. cosque.

São 48 as palavras do grego (moderno), incluindo quatro numeraes, que Miklosich, Abhandl. ii, 42-3, acha no gitano. Com relação a quarenta e cinco d'essas palavras parece-me que não pode duvidarse de que sejam um testemunho da residência dos antepassados
^

europeus dos gitanos na Grécia
é
suííixo ibérico -orro)

•,

que podem levantar- se duvidas.

sobre harton e as duas seguintes O gitano calca, calcorro (com o

diíficilmente pode separar- se dos termos de germ. calcorros, para o ligar ao gr. xáXTj^a, apesar da observação de Miklosich: «Die Oxytonirung weiset auf nicht- span. Ursprung». Nessa accentuação pode ter havido uma influencia analócal. calcos e

O git. furnia, cueva, não veiu talvez da Grécia (gr. cpovípvo;) com os tsiganos que se acham em a nossa península, pois já cá havia em hisp. furnia, usado ainda hoje em Cuba, e em port. ///r/ia, ainda vivo
gica.

no continente, e transplantado logo depois da colonisação da ilha de S. Miguel (Açores) para essa ilha, onde é celebre o Valle das Fu7'nas. O termo git. drun, camino, viaje, e também prudência, cordura, juicio (Mayo), do gr. ^poVoç, caminho, faz lembrar o termo pop. port., talvez primeiramente termo de giria, endromina, ardil, mentira

para defraudar.

112 cria foi ligada ao gr. segundo Pott. carriba^ cambaio. c. hisp. lictorem vel a limo vel a licio dictum scripsit Licio enim transverso. lat. ser curvo. camba (poema de Alexandre). xii. Ciceronis libertus. Umas. é uma velha palavra. 765-771. Zig. e as passagens de Joannis de Janua e do Gloss. parece ser também uma velha palavra. que coUigiu termos tsiganos e do Kothwelseh. sard. v. Vid. xii. Michel. inquit. e. praeministrabant. Basta lembrar as variadas signi- Professor hollandez. no ív.. Vid. i. A origem grega da palavra está muito longe de se achar liquidada. Beitr. picardo e yfdWon gamhe.jambe. II. o tsigano karialo. etc. provençal. gamba e jambe. pp. quod limum appellatur.^ i. Uma não designa a mesma peça de vestuário que Umus. nomen accepit. no ant. Aulu Gellio. 1 . Unde Nam limum obliquum dicimus. v... A origem parece estar num radical camh ou cam. Sérvio ad AEn. mas a mudança de significação não tem aqui nada de extraordinário.^ lib. também cama. 14. s. Scheler e Littré. como mostram os textos : Alii fontemque ignemque ferebant Vergilio. ainda Isidoro. Miklosich. lima^ camisa. 3. sui qua ab umbilico usque ad peHaec autem vestis in ex- purpuram limam.^ 1. Etymol. fallecido em 1614. cp. flexuosam habet. em Vulcanius * na forma creu (caro). cincti erant». A palavra encontra. hisp. 3. xix. 16. Ao lado d'essas formas ha o ant. aLimus autem tremo et est vestis. catalão. Velati limo et verbena têmpora vincti.. churwelsh comba. San- germ citadas Sem duvida em Ducange-Henschel.se na giria dinamarqueza kraegeSj e lembra. «Sed Tiro Tullius M.. port. se gamhia^ perna. no ant. 22. camerus. des teguntur pudenda poparum. camurus. xpia^ por Fr. Gall. Diez. Âentid. : Vid. XV. 120. Lat. que na forma gamba acha como termo da linguagem geral em hisp. fr. s. qui magistratibus.

do provençal som. francez noite esta a germania tinha soma. som . d'onde port.113 ficaçoes dos representantes do lat. . comme me fait observer M. noite. égua. D. 2) peça de vestuário. sorn. grisalho. Ascoli. saturnine. manteo significado: 1) capa. gao é de origem incerta. que parece vir do inglez pony. peautre_. peltra não pode separar-se realmente de fr. 88). e. ponis. enxergão. provém d'aquella que Storm (Romania. Só o port. em que por certo existiu um de que deriva sournois. cp. e germ. p. que ligo cal. e limsk. Firense. Studj. choina de choinar. 1885. Michel. almofada. somar. a relação com 2 as girias românicas pode ser apenas apparente. noche. O cal. limes. soma. a forma deve provir 'da lingua d'oíl. mantellum. ^sornCf tung. 184. guallino^ o arg. mas de somar. não vem directamente de arg. translada de Dorph. com roscas. adj. soime está por ^soome. alto allemão jpolstar. marcaj tem resistido a todas as tentativas etjmologicas foi-se até a derivá-la do céltico marka. obscur 2. 340. por causa da raridade da queda do t em provençal. Em verdade ha no cal. 184) de: havia some crepúsculo riva «de Saturnus. mantelum e seus derivados nas línguas românicas. mulher. p. 419. holstar. espécie de saia curta. referencia ao artigo citado de Storm. camisa. *. 157) deriva port. * Pott. sombre. pardo. Zig. etc. polster. ant. some. a some. teia. et opposé comme à Júpiter. v. Carolina Michaêlis de Vasconcellos (Studien zur hispanischen Wortdeud'e8te. hande grise. soma. é derivada por Fr. que Scheler liga ao ant. fr. auctor de um trabalho sobre a giria dinamarquesa. représentant le planète d'influence funeste. grisaldo ao lado de gualdo. ^sadorne. e a que se liga port. du xvi'' siècle saturnien (Littré)»' Segundo o mesmo philologo o ant. sombre. cama. allemão mod. d'oú jovial. e justificar essa etymologia. para cobrir o corpo da cintura para baixo de largo collarinho 3) peça para ornar o pescoço. espécie tem . (p. Angl. com a mesma significação possa fazer suppor uma connexão com griso.j II. como suggere No . comquanto o furb. morne. soturno de Saturnus. de hisp. Bugge. fr.

alar. de chame. mãe. embolo porte-horne. tu. de trowsers. de stockfish. . eu. miquelete. cão. verdes. cuté. trozes. transes. bofetada.Velha no sentido de . bacalháo. Do allemão: gute. nome de uma moeda. noite. nada. fish. 1 A palavra port. eu. legos. costas. Do nada. mim. Do inglez : bute. de noche. pistão. semoque. moa 6 moiene. francez cal. dinheiro de guinea. stockfish . chuzes. lofo de foi (com inversão). Do hispanhol: haguinos^ baixo. bacalháo. de hoot . calças. tuelles. guarda-sol. pé. ti. fumo. sapateiro. de porte-monnaie . clioinar. choupana dogue. de costillas . de shoemaker. de ventana. te. soldado da ventaria. chastre^ alfaiate. cuncharra. fiche. no calão de Albergaria. tivelve. janella. de gut. Do Do gallego: nai/a. chefia cadeia. não. trompar de tromper. lahita. de dog. de cucharra. : ir . agente de policia. faca. de riiabit. de smoke. segundo os processos de formação do calão abaixo expostos. casaca. casaca. ir. de aller. de shoes. de niente. de hajo. naifa. miquei. de moi. dormir. colher e gazua. sapatos . veste. faca. costilhas. colher. de knife. quarenta e dois guinés. afastado. sapatos. sapateiro de cottage. tabaco de fumar. de toi. . antiga guarda dos capitães generaes?. casa.114 Termos do calão provenientes das línguas modernas estranjelras Alguns d'esses termos experimentaram modificações. de de montanha na Catalunha. chona. galheta. . bolacha (biscoito chato) *. me. calças. toiene. fusileiro de lejos. bom. de galleta. de sastre. presunto fortytwo.a. . cão. bolacha (biscoito chato) toma familiarmente o sentido de bofetada. de na^. cabana. doze vinténs. de doze. italiano : nantes. guine. tu cadeia. chumeco. . rapé. simoco. bota. peixe. de piston. niente.

entrará na outra categoria depois de novos estudos. quer forma. apesar dos pontos de contacto que se notam entre essas duas ordens de phenoraenos. diz inselencia porque apercebeu sempre a palavra com esse aspecto phonetico. ou depois de mais ou menos detido exame. elle não a co- nhece. Quando um creador do calão modificou almocreve em almuque. Passaremos agora a estudar os processos pelos quaes dos termos da lingua geral se formam termos do calão e se neste ha verdadeiras creaçÔes novas.115 Os processos de formação do calão 8e separarmos do calão tudo que lhe tenha vindo for- mado. se nos apresenta como junto constituida por termos da lingua geral portuguesa. Quando o povo diz inselencia por excellencia. mas de que provavelmente uma parte os quaes experimentaram modificações mais ou . quer significação. e presente no espirito a forma perfeita da lingua fê-lo no intuito apenas de disfarçar. de enigmati- sar. preferivel empregar esta o expressão para distinguir processo consciente da modino calão das ficação phonetica alterações phoneticas da I. o termo da lingua evidente que os termos enigmatisados (quer . a forma culta da palavra não está no seu espirito. tendo bem geral. com alguns termos pouco numerosos d 'outras linguas. já das girias estrangeiras. segundo a corrente. E lingua geral e dos dialectos. Um exemplo fará comprehender bem a distincção estabelecida. fê-lo conscientemente. menos connos na na sideráveis. ou em mais de um d'esses aspectos ao mesmo tempo 2) outra camada constituida por termos que se nos afiguram irreductiveis. Deformações phoneticas. prompto para ser empregado sem modificação sencial. ha ainda uma maioria de termos em que distin- guimos duas camadas: 1) uma que immediatamente. É feliz expressão de Pott. quer sons. já das linguas es- dos ou- tros ficar-nós povos (separação que só parcialmente é possível).

Vejamos do calão. ex: No cepto carta) de port. a) as principaes espécies de deformação phonetica Mudanças de : fica-se ás accento. a que pertencem os seguintes exem- Vid. n. mudanças de accentuação que não coincidem com suppressão de syllabas. capitão. acébo do lat. Na linguagem familiar modivezes por gracejo a accentuação das palavras. são acompanhadas geralmente de modificações nos sons. 2 1 2. No processo evolu- tivo inconsciente danças. linguagem familiar dá-se essa abreviação nos termos de h) Na ca- rinho. : de trifolium. . trevo como mostram. diz-se tisoras por tesouras. sem que seja conhecida a sua relação para com os termos correntes de que sairam. Essa mudança de accentuação coincide nos exemplos dados. de fr. suta. Suppressão de syllabas (abreviação das palavras). ceroulas^ pápulo (todo escripto.116 no som. aqulfolium. quer na significação) podem ser repetidos depois por outros individues. irmo de port.' serie. 141 e n. e aquellas mesmas Ex. por da lingua deram-se também d'essas muex. especialmente nas formas hjpocoristicas dos nomes próprios. sautoir. p. com uma reducção de calão são raras as syllabas. 142-149. como pode ver-se nas observações que noutra parte consagrei a esse ponto 2. cérulas de port. irmão^ capito de port. a que terei me referir em parte*) com os termos da lingua na boca do povo que emprega em vez d'elles às suas formas próprias. O mesmo se dá no calão.® 3. Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa. caso ainda de culta que não se dá (salvo circumstancias especiaes. por ex. mas esses termos correntes serão empregados pelos mesmos individuos quando não faliam o calão. como noutros mais. p. Essa suppressão é geralmente acompanhada de outras modificações phoneticas. quer na forma. papel.

e noutras só pela interpretação secundaria pode tê-la. Como se vê. de port. de port. Pedro I. 2 < Queria gram mal a só indi- 10. Pela abreviação port. brasil. rijo. fabrico. almuque. de port. É um dos vários na termos populares que o auctor inseriu entre os archaismos.se uma longiqua ^. marac a de port. figura lista de Queiroz Velloso. tisas. 133-142. regedor. theatro. alcaiota ou alcoviteira^ . ai jabá (alpios: alcofa^ j de port. de port. algazarra). estalajem. indicamos o português geral camos a significação dos termos que nella experimentaram modificação. na maior parte d'esses exemplos a palavra . algibeira. de port. aljaba exis- tem na lingua como palavras radical distinctas e sem relação de com alcoviteira. pp. alcofa. rijo. alcofa acha-se no Elucidário das palavras. todavia um regedor pode ser denominado o rijo pelos meliantes e entre uma algibeira e uma aljaba concebe. restolhada (que ó propriamente o ruido produzido pelo vento no restolho) estola. termos e em Portugal antigamente se usarão. correlação Nos exemplos naes taco. 3 lar. vid. citados. de port. pataco. de port. Se brasil e restolho se reduzem apparentemente á substituição de derivados por primitivos. modificada veiu a tomar a forma de outra que nalguns casos não tem com ella a menor relação de significação. sinhá. as syllabas supprimidas são fi: mais rara ó a suppressão das syllabas iniciaes. bi^asileiro. ex. algibeira. Fernão Lopes empregou a forma alcouvetas: alcouvetas e feiticeiras». de port. de Santa Rosa de Vimas sem texto que prove a sua antiguidade. trio. . regedor.^ (1887). . trio. D. /abricante. de port. c. Chron. tesouras. theatro . i . croia *A forma frases que terbo. . senhora (sinhá é tam- bém forma crioula do Brasil) . restolho (barulho. Sobre factos análogos e o que os distingue da etymologia popuo meu artigo  etymologia popular in Revista lusitana. a que pertencem todos os de calão citados neste estudo que não se encontram nas nossas listas acima.117 de port. almocreve. camarada. de port. gibeira de mulher).

sus). ix. . Bluteau). magne fmanière). de origem italiana. e Bibi (Bicêtre). lutum^ carrascão por cascarrão de cascarra.s Grundriss der romanischeu i. pouchana por choupana. Talvez o^eco jumento esteja por burreco^ forma popular depreciativa. Die portugiesische Sprache in Grõber'. from (fromage). como vimos. taes são: a) autor (autorité). argot apresenta numerosos exemplos de suppressao de syllabas. croc (escroc) . No raras. diam (diamant). d) zouzou (zouave). por burrico. no seu bello trabalho sobre a lingua portuguesa. saj) (sapin) condice (condition) . tapor por porta. achar (acharnement). zouca por cousa. comme (cominerce). Philologie. jpoche (pochard). ser simples ou nhadas de outras modificações as acompada primeira espécie são : Exemplos d'inversão simples safo (lenço) por *fasso (d'onde falqo. occas (occasion). c) lubre (lúgubre) . Rasgos métricos ^ p. c) O Inversões de sons e syllabas. traz quesposso por pescoço^ que não sei se devo considerar como termo do calão. troquei (matroquet). 776-77. calão as inversões podem . Larchey. b) chand (marchand). chamfpa por jpranchaf manica por maquina . cesso basta para a formação de certa Vimos já que este proordem de girias. d' entre os quaes escolhemos alguns: agamo por âmago ^ atolar por *alotar de lat. reduplicação. se como termo popular. reuniu Júlio Cornu^ boa collecção d'elles. c{j)al (municipal). os das outras são raros *.118 de furbesco ancroja (?). O can (cânon). p. Schwob et Guieysse. 211. nounou (nourrice). Nos seguintes exemplos houve mais ou menos consideráveis modificações dos sons invertidos ou outras modifi- 1 2 Vid. p. que apresentam suppressao e argot apresenta sobretudo exemplos da primeira espécie (suppressao de finaes). Alexandre António de Lima. Nas linguas geraes portuguesa e hispanhola ou nas suas formas populares ha assas numerosos exemplos d'esse processo. pardesse (pardes. 46.

abjecto. de port.. oque. ou ème). . latino medial. m em * pedra. uche. que consiste numa inver- são da consoante inicial. 769. cavallo (b por musaranha. drepa (etymologia de Cornu) chona. 18). "^trespa. alhus de hisp. jpocírí?^ e talvez nelle se fundisse ainda *brope. escova.^orto. desventura. '^folo. encontramos Ostac por Costa. Tropo. : A grito por trigo. Pott. port. lofo por port. petra. dropa por drepa. etc. bafo (segundo Cornu *). macallo por *vacaUo^ de m. de Porto (cidade). taplo por plato. No argot são raras essas inversões. vapore = port. povo . server (pleurer. choina. de ^ort. tisoar * vistar de visto. germanía antiga apresenta-nos já vários exemplos de inversão de consoantes chepo por pecho. pobre. Drofo * por ^Trofo. adro de lat. adj. estivar. e miloger. na língua geral por h. crier).119 caçoes concomitantes cozinha. atte. pobre.. de port. chambrière. e um ao lado do outro: limogere. O calão drope. s. foi. de ir^. f. á Ballade V. II. populus. de lat. atrium. excepto em ligação com outros processos. (mirar) por Zig. Frequente no argot moderno é o processo chamado loucherbème. presta. Houve alteração de p V nas palavras lat. de . 38-39) e remontando até mais alto. valet (Schwob et Guieysse. de Villon. scopa. nome de um chefe de policia (Ibidem). em pedra de lat. p. toba de bota. adversidade. e : sor/uinha por ^zoquinlia. se faz seguir de um suffixo (particular- mente de ique. (Hidalgo. noche. de port. Já em Pechon de Ruby se encontra zerver. dep em /em lat. tropa. stivare. port.. e. talvez em busaranha de álamo. drofa por ^trofa. posta no fim da palavra. . pode estar de portanto por *trope. torpe ou port. Em de lat. português desenvolveu-se espontaneamente ár de <r por exemplo. de ver ser. lepar por pelar. * por *drespa. vidro em vitrum. greno por negro. port. que se substitue por um l. p. assim loucherbème 1 Ibid.

acima safo. emborilho . falcambista. port. alma de lat. calva. perdão. porem. perdoança *. falso. lemmefoque àefemme: emmef-^ l-emmef-oque. lastimoso. pérola e pilula. a que se suffixos. Ha. cambador. lastimeiro. mamão de melão. d) Alguns termos apresentam outras deformações phoneticas. A derivação propriadita consiste na formação de uma palavra nova. sura. chiloras de ceroulas. ex. calçado. peltra. * Vid.120 formado de boucher : oucherh-. palavra que exprime uma remais ou menos distincto do exou conceito presentação thema assim ama-r exprime uma acção presso por aquelle ama-dor o verbal. por II. do italiano fazzolo. fazzoletto * fosso). vinho. elimo de animo (cf. . tendo por base uma raiz ou tliema já existente. calçamento. embrulhada (emborilhada). e já antigo no argot das classes criminosas^ de onde passou em menor rístico grau para o argot geral. falsidade. p. germ. Exemplos: mostro. tendendo em regra a approximá-los ou confundi-los no som com termos da lingua geral. chimpar de chapar. lenço. l-oucherh-eme . (vid. muitos : derivados que são mais ou menos synonymos com relação a outros da mesma raiz. agente. Esse processo é caracteé do argot dos houckers (carniceiros). fizeram cair em desuso altividade. : conhecimento. çonhecença. 44-50. de cal. etc. cama. de mosto . pp. calveira. Questões da lingua portuguesa. fazo. não são synonymos. mente Deformações morphologicas. ama-torio. lenço. anima). por *fasso. porte-horne de porte-monnaie . ama-vel a qualidade do que me- juntam um ou mais : rece que aquella acção o tenha por objecto. amante e amador. Cada uma d'essas palavras tem pois emprego especial. Muitas vezes um mesma derivado fez desapparecer o seu synonymo da raiz assim em português altivez. que respeita ao amor.

petit taureau.* ed. ex. sentido. 262-3. ovicula.. p. i-oso . não mais que o simples latino mentum ou ren. [-itmiito {-mento i-edo i. diz Diez. tau-reau (=^ taurellus). quer para distinguir é mais frequente. *' falsl lastiml {-ura eivo oLiV\ .» Digo pelo menos apparentemente. II. antigas formas deminutivas cujo Assim como se preferiram aos de causa sua simples apis^ auris. II 2. 2 Grammatik der romaniscken Sprachen. . a uma mais peso idênticas formas palavra curta. . mas sim qualquer d'elle3 1 se produzido de lastima. . parece ter o francez allongado também sol. diz se. isto é. f . auricula... quer. lastimoso podia não ter sido derivado de lastimeiro. porque não se salvariam essas ser também podiam mesmas palavras allongando-as ? Mas só empregados com esse fim suffixos de significa. obscurecida outros teriam influido muito cla- ramente no sentido. trad. C= soliculus). ovis. O fr. taurus em soleil sentido já não era sensível.. {-ai que muitas vezes a derivação nas línguas românicas tem apenas em vista reforçar a forma ordinária da palavra sem fazer caso do «Não deve esquecer-se. pelo menos apparentemente. ou vice-versa. porque culus e ellus lhe eram conhecidos por numerosos exemplos como simples formulas de derivação 2. por pequeníssima dimensão. ção incerta. porque as formas podiam terindependentemente. troca de suffixos * : altivl \-ez . fr. para dar como ou semelhantes. Empregaramsobretudo para esse fim. 260-261. como petit soleil. numerosas palavras simples para as substituir por outras de mais corpo. . sem pensar em ver nelles deminutivos. da3. os diminutivos apicula. \-ença conheci . menton ou rognon. \-do calçai [-idade .121 Nalguns casos houve. como muito breves. {-idade . . Visto que se expulsaram da lingua.

de vino-. por exemplo. No calão ha alguns verdadeiros derivados. ainda que se apresentem por vezes com aspecto próprio. arder. -ulliim foram tomados como suffixos independentes. 1 W. luzio. 2. vinulo-. No calão encontramos factos das mesmas ou semelhantes categorias dos que acabamos de examinar com referencia á linguagem geral. port. Cf. de port.derivou-se puerulo-. como mostram. de kom-en. II 2. : com o suffixo -ina. -no (-na). Corssfen. -lo de uma Em (-la). olho. Taes são alam/par. 203-204.*. simples ou composto. cp. -illum. pela assimilação (depois da syncope de o. Paul. o suf. . ^lanipo ou *lampio. Principien der Sprachgeschichte. p. -n ou -ro (-ra). juntando-se a themas em -r. a.. deu logar á formação de derivados em -ellum. ruina de rue-re. homul-lo. sentina de senti-re. isto é. Ha certos suffixos que podem chamar-se falsos. d'onde villo-. aguardente o suffixo -oso. á lettra: o que arco. com significação distincta da dos themas de que são formados. Visto que havia outros deriin-) vados semelhantes. : arcoso. hom-ullus.(hom* homon-lo-. H. de port. -illum. com ardina. tem forma d'arco. á lettra a que arde. pu. em que : -ellum. Vokalismus imd Betonung der lateinischen Sprache. frequente se applica em português. mas que não a nossa Hngua directamente a themas ver- em baes.*» ed. v-illum. sentiam-se em formas como jpu-ella^ hom como radicaes.122 Proponho chamar indiíferentes esses suffixos que não dão origem a uma palavra de significação nova. 'ullum. annel. olho. TJeher Âusspraclie. d'onde puel-lo-. ver. v. por exemplo. lampião. latim. porque se formaram á custa de um buffixo com a parte thematica palavra e depois ganharam independência como verdadeiros suffixos. muito frequente em português. de port. terminal). termos formados de outros por meio de um suffixo (real ou apparente). de cal. cal. luz. ções novas que depois serviram para derivaassim de puero. . 527-530. lâmpada. 149. caso que aliás se dava em latim.

port. Cp. cp. com o suffixo frequente -nte. regueirão de rego. cano ou canna (da perna)? o suffixo -ante serve na lingua geral para formações de ca- mas tendo sempre por base themas verbaes. que se encontra. meiaí. gargalo. moeda de dez réis. gargantosa. como quanto ao sentido. por exemplo. mas que é muito frequente em derivados da lingua geral. bagaço calmeirão. de copasio copo. indolente. de cal. aguardente. com o suffixo -eco. calma. de garganta. sonneca de somno. naquelle mesmo sentido e no de pancada de chapa com a mão. broma. lingueirão de lingua. de cu. garrafa. folheca de folha. açougue. emquanto nas palavras da lingua geral esse suffixo indica um agente. mas. arder. (mãos. que se encontra na forma feminina -nta em port. larcomposto de largo. com o suffixo -oso. de chapa. àe fava. á lettra: a que se extrahe do o suffixo -eira. Bluteau. de port. bagaço.123 ardosa. com racter participai enfraquecido. de port. de port. — canhantes. cp. faveco (feijão). pescada (peixe). gera. governanta. cueca emh^omar-se. gatasio é antes termo gatasios popular. gereiro. irritar-se á lettra: fazer-se grosseiro. Em-eirão. chapeca. cp. botas. dedos) de gato. o suffixo -eca. com o suffixo frequente . lingua. aguardente. de trigo. trigueirão de trigueiro. -deira. bagaceira. bofetada. homem grosseiro. á lettra: a que tem garganta. com o suffixo frequente -osa. calmoso na significação de preguiçoso. balasio de bala. com o suffixo port. aqui significa: que tem (escamas). . espadeirão de espada. não se applica nella directamente a themas verbaes^ mas sim a themas nominaes. em port. de grunhir. encanhas. cp. com escamanta. grunhideira. que também se encontra com a forma sapeca. chapeca. hisp. de escamar. durasio de duro. gueirao toleirão de tolo. carne. com de mandrião. posto e derivado de port.

teziere. como vimos acima. Nalguns derivados apparecem-nos suffixos estranhos á . cal. nôziere 2 por naus. Em bém da lingua geral e do mesmo thema. cavallo magro. pela analogia das terminações de creme. como se verá mais abaixo. cálix de igreja. RiGAULT. seduncha. Scc. vouzigaudj voziere. de fado. por *peUeca. 46. ourives. tezingaud. toi. pela analogia das terminações de port. ete. Mem. mas de sentido um pouco diverso. sézigue. por port.12-4 piadoiro. pelle. com o suffixo -doiro. de chegado. pipa. 1 No argot é frequente a adjuncção de suffixos deformativos aos : nouzaille por nous. Cp. apresentam mitene (do um não usado em português. infuso.. a adjuncção de um suffixo suffixo. bebedoiro de beber. cp. abuso. A forma. toiene do suffixo -ene fr. estreme. teuene do port. a um thema da lingua Em geral. a adjuncção de um a suffixo sem valor derivativo ou indiflferente tem um fim diverso — conservação de uma palavra de pouco corpo. oiro. língua geral e isto que são devidos apenas a más analogias dá-se por exemplo em: loduso. moi. . um bolas. fr. vii. encontra-se em moiene do fr. apparentemente do plural. dentrémes. sezingaud por lui pronomes (soi). de seda. etc.^ administrante. faduncho. de port. no calão. de port. lodo. bolso interior do casaco ou collete. loimique pour moi. de cal. de tarde. loitHque. muitos casos. vouzaille. ou elemento com aspecto de tem apenas por fim o disfarce da palavra. ling. loitreme por toi . mitaine). teu. tarduncho. comedoiro de comer» pileca. chegaduncho. parafuso. temos a substituição de um derivado da lingua geral por outro tamcal. leme. beber. de piar. pipuncha. não havendo differença de significação entre o primitivo e o derivado ^ taes são : . Nas linguas românicas. vozigue por vous. meziguCf mézigo. administrador. Schwob et Guieysse. O calão junta noutros casos ainda um s a certos derivados seus. expressões populares como um bigorrilhas. seiziere.

aqui. de ca\. de longe. parné (dinheiro). Storm. parrelo. nota (de banco) alforjante. espião. denirávias (dentro de casa). todos com o suffixo -ante. deira). denunciante). aquera. de port. 43 . patáo. de cal. de de antrel de alli. . de tolo . exemplos do emprego de procestolo. na são outros lingua geral). de alli. chiheco. de cima. cal. de dentro . . de alforje. de seda. lonjantes. ante. notante. como no argot chiquoquandard de chie. denunciante. etc. antes. formação sem analogia na lingua geral. et Guieysse. cal. cal. de port. patego. emquanto na língua geral só serve para derivados de themas verbaes. de branco . allache. Englische Philologie.125 mesuncha^ de mesa. applicado porém a nomes. de maçã. haguines. de hisp. perunca. p. é uma agadancanhir por port. de longe. J. (adeante) bial Nos seguintes exemplos de arriba. de sinhá (cal. sedaite. acache. forantes. de cal.. Ling. paivote. cimantes (acima). de cal. cal. caixeirante. cp. de caixeiro. allimes. 156-157. pato no sentido de ingénuo (cp. hago (dinheiro). agadanhar. briol. vintanços. àQ fora. todos com o suffixo -iincho^ tão frequente no cigano (vid.. agadanchar. tolineiro. breu . 47-48) e que se encontra na lín- gua geral em caruncho. de hora. nenhures. horante. lonjantes. os processos de derivação adverapparente são mais irregulares. zarguncho. cal. cabra. Soe. perua (bebecal. vii. cal. maciosa. por causa do s final de algumas d'essas formas. todos de c&i. com assimilação de im em rr. sinhama. sos de derivação da lingua geral sem haver formação de palavras de sentido novo. os advérbios port. de vinte. de cal. de paivo. haguinos. no slang slandingcular (pela analogia de perpendicular)^. aqui. paivo. Mém. hranquioso. chibo (espião. arribatis. cair como um pato. e que lem- bra certas accumulaçoes de suffixos noutras girias. hajo. rupiquandard de rupin. paivante. de cal. patola. e creoulo por senhora). Cp. algures. 1 Schwob i.

picanço. influindo também maragota. sarampelo. bello. palavra toma inteiramente a forma de outra ou antes funde-se com outra com que tem apenas Muitas vezes uma commum alguns sons iniciaes ou até um só som inicial. marigoto. armadella. de um lado os noem -ame. de port. eiitrada'. balanço. como chaveco. varrasco. almazio. rei- nol. por port. rabeco. por cal. influindo cliilra (cp. malafaia. como cabedello. cp. capello. alimária. de um lado os ta- nomes em reco. arraia. . Velasco. cp. -anço. de carrascão. como em -adella como apalpadella. cal. crisol. pelo pop. rabello . de port. novello. sendo -igoto. como arame. pancada. cp. e de outro os nomes em -asco. paiol. armazém. ao que parece. conservando-se em regra a significação d'aquellas primeido 1 É menos cachorros. armar. cal. mes fartadella. de -ol. mannheiro. como anzol. dar. dinheiro para jogar. 'inheiro *. real ou apparente. pelo typo de pera digoto. bilro. e de outro copia. carrasco . briol. de um lado os nomes em avanço. cp. com a mesma . está por forte e áspero ao pala- pela terminação) ^ carrascana. armanço. do outro os nomes em -elo. -eco. Porto. catropéa. de pop. um lado os nomes em rouxinol. *catv-opia. cabaia. como estrada. etc. seios de mulher. lacaia. modelo. carraspana. por port. Exemplos cal. entrames. de um lado. Procopia. é substituído por : um outro suffixo. como pe- nhasco.126 Um suffixo. cal. ca- cadello. sentido como suffixo substituído cal. marreco. cal. nome dado que vêem ao aos barqueiros de cima do Douro. velame. catr-aia. nome de peixe. certo se cal. zumhaia. carol por *carrol. influindo raspar. camada. significação. se liga a cal. vinho ordinário. atalaia. ^alimal. cal. jaleco. por port. cachilras. real ou apparente. por cal. -ello. égua. rodeio. e do outro os nomes em -ada. alimazio. com influen- cia. e do outro os nomef. faneco. cal. cp. ainda e se cal. bebedeira.

faia. mandil. nome de uma Cal. pae^ por fusão com jpalurdio. pela fusão com^oíi- papa. com faia. panno cal. Exemplos: por port. parvo. Por analogia cal. com mandil. é sem duvida devido ao mesmo processo mas aqui em vez de * mcdaca. fusão arvore. atrás. por port. um resultado da fusão de marinheiro com marabuto. marihundo por moribundo (marihundio A. cal. por mãe. palurdiOj. pontífice. 209). malurdia. 61) parece ser uma formação do mesmo género. atroços. preguiçoso. por cal. milhafre. Qdl. fusão com baia. marinheiro. por port.127 ras palavras ou experimentando apenas alguma ligeira modificação. trave que separa as cavalgaduras na cavallariça. com milhafre. consoantes iniciaes l-j. mão. cal. nal. nome de religiosos musulmanos da Africa septentrio- em os nossos escriptores quinhentistas os nossos marinheiros tiveram conhecerto e de que por francez marabout tomou o sentido pejorativo cimento. marabuto (p. etc. * . polaco. mãe *. cal. temos simplesmente polcica. mandrião^ por fusão grosso de esfregar. pela fusão ave. Rasgos métricos. estúpido. pleta com loja. António de Lima. por mil (réis). brasileiro. feio. apresenta uma fusão incomessas palavras associado pelas tendo-se algibeira. o qual apparece Em de homem cal. por port. Nos exemplos seguintes houve fusão de palavras que só teem de commum uma consoante ou grupo de consoantes inicial : cal. p. cal. lojibeira. nome de tifice. fusão com marihundo. ^ov ponta (de cigarro). por port. formou-se cal. por pae. como se fosse uma expres- são adverbial a troços. pela em pop. . por fadista. baia. bata. mal feito.

para assar ou torrar de cal. Poder-se-hia em que beu fosse uma modificação de breu. depois em larias e lirias. praíct^ fusão cõm laia. fusão com veu. dizer grandes mentiras. cal. e é sem duvida originado da locução popular mettêlas gordas. mentir. metier golfas significa lisonjear. casta? cal. . ódio. grulha ou grelha. hufoy cal. cal. por port. por cal. dogus (do ingl. tem e aberto. por port. godo. fusão com laivo. mancha. etc. beu por * veu. titulo nobiliarchico. gordo. em forma de grade. fusão com chita^ nome de estofo. pela fusão com a mesma palavra golfo ? cal. peru. e r podem ser respectivamente 1 Cal. grego. etc. fusão com leria. cal. pelo grego. Vimos já que numa palavra como villum.128 cal. vinho. peça cal. por cal. chetuj vintém. por cal. í : assim em tosa. por cal. braço de mar. lenço. heta. ho]o do navio? por port. buraco^ fusão com bufo^ nome de ave. illum podia tomada como suffixo. sargaço ? No sentido de aíidalgado. cal. cal. Hata. leria. grulha^ peru. grelha^ por cal. Z^iirro^ fusão com huco. duque. pela fusão com golfo. de tecido para cobrir pensar um objecto. nome ethnico. huco^ cal. dog). ficando assim o conceito do radical ligado unicamente ao som v. nome de um saurio. mesma signifusão com ficação. por port. * laivo. também mas o termo é do Porto e cal. palavriado modificado astucioso. fusão com duque. rico ó principal (Hidalgo). cal. Pode dar. por port. etc. fusão com grelha^ instrumento. ao lado de mimosa. fusão com heta^ lista num vestido. por port. fusão com osga. golfo. laranja. por germ. hata^ mão. laia. osga por port. comestíveis . chitaj por port. rosa. dinheiro.se facto semeser lhante em muitas palavras religiosa.

folheto. ling. foi substi- tuído pelo suífixo -eto. carreto j coreto. froc^ '^froque (défroquer)^ sos suffixos. chajpeVy pren- de chojper^ chijper *. no espirito de todos os que faliam uma lingua ha distincção entre raiz e elementos de derivação.^ vii. não por uma fusão de palavras. o resultado de um processo semelhante de substituição de suffixos ou sons tomados por suffixos. ex. O conceito do : radical não existe só no espirito dos grammaticos actua também. zumhaia. A ou um reducção do radical de grupo de consoantes uma palavra a uma consoante inicial. etc. hotão explica-se. como categoria psyclioem que logica. mar otao. sentido como suf- íixo (cp. 40-42. habit. p. heto O uma palavra heto. lacaia. é um arg. ao lado . pelos radicaes. : Eu associo os nomes próprios pela sua inicial não me lembrando muitas vezes de um d'esses nomes por inteiro. em se Poderíamos ver analogamente nas palavras acima. Mém. que empregam no sentido de outras que com ellas só têem de commum uma syllaba ou um som : inicial. troca (cp. pelas categorias grammaticaes. em portuguez: -otcio. ex. malafaia. pois não ha cal. que se encontra por exemplo. fr. paparrotão). lembro-me todavia do seu som inicial e por ensaios successivos chego a restituí-lo na memoria. comquanto obscuramente. no- outro cabaia. No espirito as palavras associam-se pelos sons. frusquin. mas por uma troca de suffixos. em haia por hata. por port. de -ata por -aia vata. e de de um lado camarata.129 sentidos como constituindo a parte radical. horhotcio. ^ Schwob et Guieysse. pelas formas de derivação. etc. pela significação. Muitos individuos associam com facilidade as palavras pelas rimas. Soe. cantata. pelotão . fringue^ frijpe (fripierj dre. outros pelas syllabas iniciaes. . a que se ligam diver- processo conhecido do argot.: tranche^ tronche^ trogne (d'ahi trognasse e gnassé)^ todos com a significação de cabeça.

chama por associação phonetica punir (= lat. em huco por hurro troca de -urro por -uco (cp. de um lado esturro. p. 131. termo de calão archeiro. Littré. Essa explicação pode enunciar-se tamnos seguintes termos: uma palavra suggere outra (geralmente do mesmo numero de syllabas) que tem com bém ella de commum um ou mais sons iniciaes e a ultima passa a ser empregada no sentido da primeira. apresenta-nos o resultado de um processo complicado : O archote. francês souffreteux. souffreteux. s. iniciaes archeiro. E rara a fusão de palavras determinada por uma termi- nação morta. seja Deus! trazeis sacos. Em português. etc). pela influencia da associação dos sons communs souffr *. defunto. bêbado. La vie des mots. Nas linguas ge- raes ha lat. mas a explicação dada acima pare- ce-me preferivel. p.130 etc). o que tem o habito de beber vinho. toma o sentido um pouco modificado de soujffrant. Uma historieta popular serv^e de commentario a esse termo. filhos? terra. zaburro e de outro abelharucOj caduco. o qual seria archoteiro. minha avó.^ .ed. forasteiros: — Donde vindes meus — De Salvaterra. louvado seja Deus ! 1 Arsène Darmestcter. filhos? — Ai I defuntos. — Ai! de debaixo da louvado — Que meus vós nesses — Presuntos. ex. man- que). que desapparece (punir por alguém). minha avó. maluco. lembra pelos sons este pelo seu suffixo -eiró dá ideia de um derivado. . fr.. d'ahi o seu emprego como se fosse um verdadeiro derivado de archote. susurro. v. mas copo de vinho. Conta-se que uma velha surda teve o seguinte dialogo commum. factos análogos. tomar a defesa de alguém. um exemplo é cal. 2. do ant. e esta toma o Em sentido de aquella.. soiiffraite (disette. presunto por pessoa com uns vós. jounire). j>unar (== pugnare).

» stituido apataco. mal-eque. pode ter influido (cp. e navet a Navarin. sia coll' oíFerire allusioni o travestimenti burleschi. 9õ) ha também cal. invenções extraordinariamente burlescas. medunha. p. Silva Lopes. mal-uco para substituirem os usaes pataco e tabaco. sarcastici^.131 malacOy ^ov pataco. hattoir. seda. Cal. di prophete per jprofonde. maluco ^or pataco. dedunho? . estará por um sedulla não documentado? Cp. lingiia geral *. seda. ben il . cujos productos apresentam á primeira vista enigmas indecifráveis ou podem ser tomados como metaphoras atrevidas. serie de seduncha. nez a Nazareth. todavia malaco não se encontra como termo da cal. secondo la metáfora quel grego. L'alterazione fonética involve spesso dei significativo. estará por 2 StudJ crUici. Questo projphete potrebbe dirse você gergale innalzata alia seconda potenza. nello svisare la terminazione d'un vocábulo. Cal. dedos (sic). medulla. mentre il vero valor di cerron é tela grossolana. Nella germanía. Doutro lado parece que 1 tabaco foi egualmente assimilado a malaco. batelier per . sia col ritrarre qualche attinenza delia persona o delia cosa che è nominata. cal. mal-oque. ossia. da Guibray: Gibernej da poisson: poivre. falso. maloque e moleque para evitar a confusão em seguida mudado em com malaco = pataco. com i as seguintes observações de Ascoli: «Piu volte. per catenaccío si dirá cerron in luogo di cerrojoj. ci dà perche delia squisita elaborazione Da orfevre si fece orphelin. etc. Ter-se-ha produzido malaco primeiro por maluco e depois subA ideia de mau. cantina o tasca. gerghi riescono a transformarlo in uno di senso aífato diverso cosi Varíjot dice arsenal per arsenic. Temos assim uma formações mal-aco. filou s'è amplificato a Phillíbert. sia col ricordare un sinonimo. e Fim- portanza furbesca degli oggetti eh' essa accenna. 388. Concluirei a exposição d'esses curiosos processos de for- mação. parece ser devido a um processo similar. macanjo pag. .

diz Darmesteter. origem movimento da agua. 1884. que explicam a maior parte talvez do seu vocabulário. 1881 A. Arsène Darmesteter. Modificações de significação *. Paris. 1886). Die 'psychologischen . estudo das modificações semânticas no calão. na minha opinião. O processo pelo qual j>alurd{o vem a significar ^ae no calão não pode de forma nenhuma ser considerado como o resul- uma palavra como tado do que ordinariamente se chama modificação semântica. . La vie des móis étudiée dans leurs signijications' 2. a) «Todo o substantivo. etc. tricto não careço de - um schema completo de mudanças de signi- ficação. (1860). 34-36. Halle. III. sem a minima consideração pela significação d'aquella por isso foram examinados na secção anterior os exemplos d'esse género. Logik I. Danzig. o movimento da agua foi escolhido. designa na um objecto por uma qualidade particular que o determina. ed. são em geral um resultado Quando secundário. Kurt Bruchmann. Ludwig Etymologie in Zeitschrift f. 349-387 Herman Paul. W. psycfiologie Principien der Sprachgescliichte. Versuch emes Systems Bedingungen des Bedeutungswechsels derWôrter. deu o seu nome á coisa. o que como se vê dos nossos exemplos é raro. p. Assim também o que francez chama vaisseau. em geral. e uma palavra se substitue por outra. Passemos agora ao . por assimilação de forma a um grande vaso. . cada um dos quaes poderia servir para a denominar. e essa qualidade de agua corrente^ quod fluit^. 1886. apresenta diversos característicos: aspecto das margens.132 os eíFeitos burlescos existem. ou hâtiment por allusão ao trabalho de construcção. Assim. vid. Para o meu fim resSprachgescMchte. rio.* ed. Stuttgart. 2. Wundt. pois que o ponto de partida é uma associação pura- mente phonetica. (Leipzig. Eosenstein.." 1887. Psychologische Studien zur 306 e segs. segundo esse processo. Võlkeri U7id SprachwissenscJiaft. chama-o o latim 1 Sobre as mudanças de significação d. a coisa que o latim chama fluvius_. Tobler.

nuhere. quando o vento o move. crivantes^ por dentesy dentosa. » nuheSy (serpere). preta^ por garrafa (de vidro preto) tantes. serve para se passar sobre eWn)^ ^or ponte.133 ó^ o que nada. por serra. roncante. assimilada a sua explosão ao ruido de um nariz que funga. andante^ por carteiro^ comboio^ cavallo. como em furor. passante (a que passa de um lado a outro do rio. aurora é a brilhante (raiz us. redonda. official . Em moncoso. ou estabelece-se uma correlação metaphorica por vezes pouco natural assim o advogado é chamado não o discursante ou o defensor ou mesmo . designando um característico. corpóreo. calão é muito frequente o processo que consiste em um nome usual por um adjectivo (ou participio). pahnilhante. por saia. se amarella (da cor do oiro). exemplos a denominação é perfeita- mente simples espirito e natural . por libra. ^ov pedra preciosa. para ver se trazem contrabando sob os vestidos) apertantey por corda (da forca) chiante. o que tem raiva. sonante. navio (navigium)^ isto . rasteiros. brilhar) j nuvem. por juiz . por pão de trigo . por dinheiro (cf. a expressão Tmtal sonante) todos esses . a espingarda é chamada a fungante. tamposa. por viandante. . por lenço (cp. por carro de bois . velar. exemplos : senta alto^ no tribunal). . altanado (o que está. ras- por sapatos . o chapéu . fr. cobre (cp. quando é personificação determinada pelo seu eífeito adstringente. por sabão. fluctua ao cimo da Esses agua (natatj exemplos podem multiplicar-se indefiassim em latim serjpente ó o que se arrasta nidamente. por caixa. é chamado o doido. mouchoir). cantante^ por gallo. com um termo depreciativo o vinagre é o raivoso. passageiro . por isso que agita os seus braços . massudo . piolhosa. ferrugenta^ por espada (velha) filante^ \ por agente de policia. reptil. cobrir). apalpador^ por guarda-barreira (opalpadeira é a denominação de mulheres que nas barreiras apalpam as forasteiras. por uma espécie de . mas o palrante. luzente. cp. o fallante. que muitas vezes está longe substituir No de ser o essencial . espumante. noutros casos intervém um certo cómico ou depreciativo. forte o moinho. é a que vela. por cabeça. por chinelos .

adjectivos podem ser modificados na significação que rigorosamente resulta da sua forma. um derivado de de longe. que se compara á cortiça (o povo chama encortiçada á carne dura) cortiços. h) A metaphora. copo. touca. O tido calão legante^ pistola. ao serem convertidos atira de — a que cal. bala. é a mimosa. hreu. pela morrer semelhança de forma. penacho.). forca (por causa da forma e altura) cortiço. meretriz (por causa da lubricidade do animal). significando ha vagar designa a prisão. a que se deu o sen- Os assim vagaroso significa que procede vae de em que vagar. como no navio sobre lastro se põe a carga). que já indiquei. a camisa que. é denominado o o que pena. é muito frequente nos desvios de . cabelleira. vida é frequentemente comparada pelo povo a uma (a luz. botas gallinheiro. padece. quando não se tem ainda vinho no copo) harraca. segundo se me afíigura. ha um conto popular em que velas acccesas representam vidas de pessoas) archote. talvez porque a tinha comparada a escamas. gata. . (á mesa diz-se comicamente : estou ás escuras. da cabeça. comida (sobre a qual se bebe. quartilho de vinho. lavada e enpenante^ gommada. accende-me . . a luz. apagar-se a lamparina. . o que resulta do caracter geral das girias. cabelleira. cesto da gavia. em — com — — . guarda. Porque razão a sardinha é chamada foi tinhosa não é fácil de dizer. pela comparação dos cabellos com os tentaculos do animal .sol (por causa da forma e destino).134 sujeito a muitos accidentes. catafalso. carne de a carne coberta immediatamente pelo porco. vinho (por causa do aspecto) lastro. vagar vagarosa. exige cuidados para não se sujar de prompto. é. medusa). metaphora do calão diverge em muitos casos da metaphora da linguagem geral em não A ser espontânea e transparente. coiro. propriamente . longe (do hisp. ameixa. . varanda. bebedeira (diz-se que o vinho . substantivos . lejos. si- gnificação do calão já vários dos exemplos dados acima entram nesta categoria. Eis uma serie de exem- plos: alfarreca (alforreca.

por sova. esticar e espichar. diz-se /a^er aboiar. provêem das phrases isto é. panella. . pan- cada. linguado^ lettra. pão alvo (por causa do aspecto) rede. cadeia esponja. por espancar. palma da mão. c) Algumas mudanças de significação que nos apresenta . mínio da pura hypothese. por afogar. que os fumos do álcool sobem á cabeça: compara-se o que se suppõe haver dentro ao que cobre a cabeça) . prisão. provém de falho ao naipe. ^qy prisão. que não tem dinheiro. virar. bêbado rufar. pessoa com muitas vestes sobrepostas. capoeira. cadavérica) canivetes . espada rouxinol. ensinar. o calão resultam de simplificações de phrases assim falho. bofetada. No calão dos criminosos occorrem expressões que teem . por assim dizer. cachimbo. bolsa de prata (por causa da forma tira ) . . carruagem cebola. que de termo de jogo passou a ter aquella significação. abotoar-se com uma coisa. por morrer. no mesmo sentido. duvida la oslra. negar-se. pé panella. diz-se escovar. diz-se ^oy fugir. .13Õ sobe á cabeça. esticar ou espichar a canella (a perna. diz-se collegio. abafar. apito saca. diz-se picar. vindimar. relógio d'algibeira. ^oy matar. gaveta. lostra é sem . attenuar. de manu. entrar na rigidez espirrar. no sentido de morrer. d) Alguns nomes ethnicos ou próprios de pessoas. diz-se sondar. podex . mão por chave foi suggerido pela expressão chave da mão. espaço entre o pollegar e o index. diz-se calor. . é alteração de lagosta fica no doNa significação de escarro. . por fim adoçar. roubar. rama. cadeia de relógio. capa. . provém da phrase espirrar que se diz de quem se encolerisa facilmente . . lingua. . algodão em rama. experimentaram modificações de sentido ou applicações ás vezes ^ Se lostra. roupa ripa. (na gíria dos typographos: scripto) massa^ milho^ dinheiro pianinho. o que significam os correspondentes usuaes: assim t^oy furtar. provém da expressão ^or a cara vermelha como uma lagosta^. insultar. guitarra . . lagosta. bater (como se bate rufando tambor) chaleira. diz-se estafar.

que lhe fizeram attribuir o valor pejorativo. Não acha dinheiro. mas a Plebe e os Có* micos trocarão a significação deste vocábulo». por exemplo : se antes de umas . isto independentemente dos processos do calão que acima ficaram estudados^. imprimindo-lhes sentidos que nem de longe se correlacionam com os que ellas teem. Só sabe d'horas. Cf. que trazia o marechal Conde de Schomberg . Cava no cbâo. por causa da cor do insecto ser semelhante á das fardas dos soldados da marirtha inglesa. quando se note de que Como maneira o povo se appropria de palavras novas. é cavalleiro-. 71) parece *. a seguinte passagem de Monte Carmelo. significando francês. determinada sem duvida pelas syllabas mala. é carpinteiro. Tem Não Tem Nâo picão. serra. Eu colligi da tradição popular o seguinte enigma do gallo (ave). assim inglês significa percevejo. Tem Nâo esporas. 505: «á chomherga. por plataforma. p. é uma adaptação do nome de familia Malafaia. sujeito de profissão duvidosa. é pedreiro. No termo gallo. etc. ha um vestigio que não é o único da antiga denominação dos habitantes da França. chamhorgas (p. é empregada pelo povo correntemente . Chomherga foi certa moda de bigodes. janisaro (sem duvida o nome dos soldados da do guarda sultão) veiu a significar tunante na giria do século XVIII não deve causar estranheza. 2A palavra ohvio foi ouvida já no sentido de estranho. occultamente. pela calada. censurável plantaforma.136 curiosas. no sentido de apparato para illudir . Não sabe de mês. A meia noite Se levanta o francês. provir do nome do marechal conde de Schomberg malafaia.

a começar pelas danças e mascaradas carnavalescas e a acabar numa figura qualquer caricata. o que é permittido.. Vicente. No calão. havia cría^ carne de vacca. desenvolveu-se a serie synonymica de bolacha eleições se emprega o conhecido processo de mandar proceder ao estrada para uma localidade descontente. Fallar ou ser pespauterio. provém de navarro. É incerto se cal. Desde cabeça o momento em que uma pancada na mão. vid. isto é. vaidade. seg. que (quem sabe ?) talvez fosse suggerido por esses levantamentos illusorios de plantas. por allusão á lenda dos corvos de S. emquanto d'outro lado despauterio veiu a significar disparate. com importância. adquiriu o sentido de probo. Lembremos que o povo chama também ao macaco Simão (suggerido sem duvida por simio).se de vade-mecum. é incerta. cão. p. honrado.. cara ou assimilada ironicamente a foi um holo (bola ou holo. aqui licito. bacharelar. 1 Encontram-se factos similhantes noutros paises. rapazote atrevido. applica-se ao caso o termo. Faimepop. hademeco os = O termo hadameco. narro . conforme a grammatica de Despauterio. cuja ori- gem. parado a um cocheií-o dizer para um sujeito que estava esquina observando o quer que fosse «não estejas ahi de parodia. originou. tolice. u. á burra Joanna. de la France. e vem sem duvida de '^fallar pelo Despanterio . 132. por nomes da pega em Rolland.» Ouvi já empregar laudemio no sentido áQ presumd'estes dias ouvi um uma : por um processo fácil de comprehender. este nome significa na germanía antiga ansaron (ganso). ex. palmatoada). . é fallar senhor de si.137 No calão o nome vicente designa o gato. emquanto na linguagem popular designa o corvo. Um outro processo que podemos chamar da substitui- ção synonymica (falsa ou verdadeira) dá logar também a mudança de significação.. suppoz-se derivado de criar e como gerar ó synonymo de criar^ produziu-se o derivado sem suffixo gera^ carne de vacca. Num annuncio d'um açougue li: «O responsável d'este talho tem que ser licito nas transacções que faça com o publico». como vimos. pção. á coccinella septempunctata é) Joanninha *. palavra parodia designa na estudo de uma A boca do povo innumeras coisas variadas. ex.

p. pode pensar-se que no espirito do povo coiro e cação se associassem como se fossem perfeitos sjnonymos^. Este processo é tanto das girias como da lingua- gem popular. expressiva do estado colérico de alguém. e nas mesas o vinagre e o azeite se apresentam num par de galhetas. d' outro marmitte. e como se compreliende mais facilmente que a pelle dura do cação motivasse a ultima designação do que a que se nos offerece naquella locução. tahefe (pancada ligeira de- baixo do queixo.138 (bofetada) ou galheta (do hisp. Soe. 2 Cp. scortum. mudado em mar: motte. que como a portu- guesa. é difíicil de * determinar.se no sentido de rameira sórdida. vii. têem poucos documentos históricos. para o vinho e agua do sacrificio. principalmente nas girias. p. talvez. outra do lado esquerdo» A que sentido da palavra se liga a expressão burlesca volaverunt galhetas. biscoito /^pancada com as costas dos dedos na cabeça). Assim produziu-se um como crêem Schwob termo marmite no sentido àefemme. ora coiro e cação empregam. vinho ou vinagre e que na igreja se usa um par de gaIhetas. Mém. uma do lado direito. diz-se um par de galheias por duas bofetadas.)*. No argot encontram-se exemplos d'esse processo. mar-paut. 103) tem também a significação scortum.se até onde pode levar esse deve ser descobrir muitos dos seus productos. mar-quise. . mar-lon.^'^y. no sentido português próprio. que já não é nova. não por metaphora. Ha pouco deram-me a conhecer uma locução usada no Algarve que talvez se explique por elle: é estar em cação por estar nu. processo e quão diííicil Concebe. zoina que se tirou a pelle 3 ? Schwob et Guieysse. coiro e meretriz. Marmitte dá logar a duas series synonymicas: d'uni lado temos jpoé?o?i e casserole. como supposto radical de mar-que (vid. O hebreu p. propriamente leite cozido com ovos e assucar). mas por derivação de mar. garrafinha para azeite. 50. alludir-se-ha antes ao cação a cal. ling. Diz-se no mesmo sentido: estar em coiro. lat. chama taujpe^. femme. e Guieysse. 100). de que provém fundamental de (vid.. Na phrase estar em cação. Como galheta significa.

todos os processos anteriorcalão. ingenerate da mílle specie d'accidenti assai spesso imperscrutabili non maraviglierà per certo alio scorgere nè varj gerglii un . ou do país a que pertence essa giria ou de outro. p. Em investigações. morphologico ou semântico. e naturalmente a lista dos problemas. messa in serbo. . da quanta generazioni. 2 Chamo a um aqui etymologia immediata a que liga um termo de giria termo da liugua geral. vemos o como as outras girias. o meu estudo creio que me permitte affirmar todavia que dos termos de mim conhecidos apenas cerca de um sexto não é suscoptivel de explicação ou de etymologia immediata^.139 Attendendo ás diíficuldades que levantam á etyinologia esse e outros processos das girias. di quanto mai offerire? *» stra vagante e d'impenetrabile non potra Relativamente ao calão ou gíria portuguesa. Nada nos impede de crer na possibilidade da creação de novas línguas. Creação original. avendo in ogni época le sue peculiarità idiomatiche. ogni contrada starei per dire. agora insolutos. dalla società fursottoposta per soprassello ad artificj gergali. diminuirá com novas IV. Examinemos succintamente esse problema. vê-se com que inteira razão Ascoli escreveu: «Chi pensi agli innumerevoli enimmi che in se racchiude città. buon contingente di dizioni che sembrano voler perennemente rcstare quesiti etymologici insoluti. ogni ogni borgata. La quintessenza delia parte parte piu recôndita dei vernacoli. geralmente certa^ no menor numero de casos apenas verosímil. como os 1 Studj critid. já por processos espontâneos. mente examinados. 39G. il favellío d'una intera nazione. partir dos termos existentes e ligar a elles os seus productos por um nexo phonetico. Dir-se-hia que os creadores das girias ou não teeai facul- dade ou não se sentem impellidos de necessidade para fazer uma linguagem de sua inteira invenção. chi sa e fantina.

Os diversos de lingua universal. 1668). em grupos de indivíduos que nao tenham adquirido ou só tenham adquirido muito imperfeitamente tradicionaes. Miiller. Aus Anlass des VolapiiJcs (Berlin. 2) pelo systema do Volapuk. pão. mas com significações que não tenham relação nenhuma com a usual como se faria. Techmer in Internationale Zeitschriftfiir allgemeine Sprachidssenschaft. 339-34:0. 2 Sobre a legitimidade das tentativas volapukistas. gritar por fugir. Sobre outras tentativas semelhantes. . Do porque se tem em vista partir d' ele- mentos conhecidos por um numero mais ou menos conjcá siderável d'índividuos. por exemplo. inventando combinações phoneticas novas (raízes e suffixos) para exprimir as representações mentaes. se baseia sobre um processo em que o mais arbi- empreguem palavras já existentes. Max Miiller. Concebe-se a formação de uma lingua artificial: 1) pelo processo de Wilkíns. que nestes últimos projectos teem tempos apparecido. vid. H. afim de facilitar a acquisição do novo idioma 2. Apesar das producdois primeiros processos Os um 1 An Essay Uwards a Beal Character and a Philosophical Language (London. iv. exigem grau adeantado de reflexão. Como vemos não é assim que se formam as gírias. em que a relação entre o som e a significação a já existente 3) por trariamente possível se . Second Series. II Lect. como o Volapuk.140 que produziram as creaçôes primitivas. quer segundo uma classificação scientifica d'estas. uma lingua tradicional. Lectures on tke Science of Language. alem d'essa lição de M. de que não são capazes os indivíduos que constituem os grupos creadores das gírias. no século xvii *. quer sem essa classificação. modificando-o segundo princípios convencionaes. etc. soccorrem-se do ultimo caso temos material das linguas existentes. vid. já reflecti- damente por indivíduos senhores de uma ou mais linguas um exemplo no projecto de lingua do philosophica bispo inglez Wílkins. dizendo mar por . 1888). Schu- chardt.

O incapaz de explicar a si próprio por que processo o fizera. que intencionalmente ingerimos. cheia de sup- uma : : pressoes de consoantes e contracções de vogaes 5 outra menos con- . que modifica. experimentam em o nosso organismo. Guastella no livrinho Vesbm. Que se deu neste caso? Em vez de me surgir no espirito a forma verdadeira 1 que eu tinha intenção de produzir surgiu outra. Vimos já em que consiste a difí^erença entre a producção própria da giria e a da linguagem espontânea (vid. o fabricante de giria que primeiro disse almuque sabia porém perfeitamente que a forma corrente era almocreve e a sua uma alteração voluntária *. não se afastam essencialmente na sua marcha dos processos d'evo- luçào espontânea da linguagem: a nossa investigação assentou com evidencia esse facto importante. 1 15-116): o povo que àiz jpJiotogro por photograjpJio não tem consciência de que fez uma alteração. Pode objectar-se que até pessoas cultas que conliecem bem a forma das palavras as alteram por vezes. ella fazia tão pouca ideia d'isso como nós fazemos. ainda menos que outros termos de um giria eram assim formados . scenc dei popolo Siciliano (Ragusa. intencionaes. mocreve fez uma modificação intencional mas era por certo . em ser momentânea não ha no processo differença essencial. já fallando. individuo que primeiro disse almuque por alflectidas. porque não sabe da existência da íormsi j)hotograj)ho . apesar de ser a nossa actividade voluntária que está em jogo. das transformações que os alimentos. Supponhamos que eu vou para dizer ataraxia e digo ataxia. como já vimos. o que equivale a ignorância. p.141 ções d'estas serem. Isto significa que aquellas producçÔes são intencionaes mas não re_. S. dos movimentos complicados que são necessários para pronunciar uma palavra qualquer. que supprimira r na syllaba cre e eliminara por completo a syllaba final ve da forma usual. A. 1882) dá noticia de uma triplice forma de linguagem no povo de Chiaramonte uma a colloquial. que só se distingue da que o povo tem das formas cultas. por exemplo. que praticara uma deslocação de accento. sem estudos. já escrevendo.

Mais tarde o nexo pode esquecer. pbonetico. . Ccu la za Vita mastr^ Aràziu Vhavi. Linguagem da poesia : Lu zu mònucu la voli.142 A substituição de palavras da língua geral por outras da mesma que não tiveram com aquellas nenhuma relação de som. porper?*^ o termo gruemprego lha estabelece entre elles um nexo semântico. Essas três formas de linguagem correlacionam-se como dialectos differentes numa mesma boca e o seu emprego é determinado por necessidades diversas. nos imitadores. Destroe esse facto interessante o meu modo de ver? Creio que nâo. de outro. As formas eruditas ao lado das populares na boca do povo. que de um lado supporia um espirito assas reflectido. Cappicciavi lammassciarà. e apresenta os seguintes exemplos : Linguagem colloquial : Uzzumaò. Linguagem do canto : *u zzu mònucu 'a vo\ 6" 'a za Vita V ha massciu Ara. como se esqueceu na linguagem geral porque animal se chama burro. que as mantém até certo ponto isoladas. a linguagem do canto e por fim uma ainda mais perfeita que é a linguagem da poesia. tal outro serpente. por exemplo. cada caso surgem no espirito do que falia as representações das formas respectivas e ficam latentes na consciência as outras.se. no auctor. de um lado. como plano e chão. tal tracta. de modo que em cada caso ha uma orientação particular das representações. Noutra parte voltarei a este assumpto. uma facilidade de acceitar um emprego tão arbitrário. não podem também constituir objecção ao que exponho no texto essas : Em formas duplas ou divergentes apresentam-se estranhas umas ás outras no espirito popular. etc. Por mais arbitrário que pareça o de grelha. a qual realmente não existe era preciso que num e noutros se perturbassem muito fundamente os nexos : associativos existentes. que basta para a facilidade da producção e da propagação. forma ou significação exigiria uma quebra muito violenta com o uso tradicional. do outro.

Logik. 579.) O modo ordinário de considerar essa manifestação da tendência para a economia na substituição de sons que exigem maior esforço por sons que exigem menor esforço é refutado por Sievers. Míiller nas suas Lectures on the Science oj Langaage. foi Maupertuis quem primeiro enunciou. 1876. ligado no espirito d"elle a concepções teleo-theologicas. Second Series (1864). p. nas suas obras de linguistica geral. Progress and Poverty O Max principio foi applicado á linguagem em differentes direcções. no dominio do espirito*. Mayer.» p. cap. «relaxation of muscular energy» (p. (Leipzig. pp. e da qual é uma consequência a lei das A 1 Como é sabido. i. Vid. No IDcnsamento deve-se por tanto trabalhar com a possível economia de força. 186). Geschichte des Princips der kleinsten Action (Leipzig. Supplement. Henry Grcorge. « of Com relação ao trabalho humano em geral um economista formula o principio da seguinte forma: «The fundamental principie human action — the law that law of gravitation (London. 1877). 1882). 1876). «muscular relaxation» (p. 262-264 e o escripto por elle citado de A. no dominio phonetico. to physics — is to politicai economy what the to gratify their is that meu seek desires with the least exertion. com applicação á mechanica. 184. que acha luminosa applicação. iv. 185). Grund' ztíge der Lautphysiologie. não admittindo esse principio como exclusivo. «muscular eífeminacy» (p. fr.). 177). Whitney falia de uma tendência para a economia dos meios. (From Transactions of the American Philological Association. 176). ex. Boston. 1882. 1877. que modernamente foram postas de lado. ii.143 formação das girias não podia escapar á acção da lei do menor esforço. com quem concordam os neo-physiologos da linguagem. Prolegomena zu einer Kritik der reinen Erfahrung (Leipzig. Foi sobretudo Richard Avenarius quem applicou o principio ao dominio do espirito no seu opúsculo Philosophie ais Denlcen der Welt ycmãss dem Princip des kltinsten kraftmasses. La vie dii langage (trad. 197). explica a alteração phonetica (phonetic decay) por «want of muscular energy» (p. 119-120) fizera as seguintes observações nas melodias populares que um povo ora carece d'estes ora d'aquelles . para a commodidade. o principio da menor acção. 125-127. e consagrou á questão um estudo especial 7'he principie of Economy as a Phonetic : : Force. Já Steinthal em 1860 (Zeitschriftfúr Vôlkerpsy: chologie «Como notamos i. «tendence of language to facilitate pronunciation» (p. Wundt.) «Todo organismo que trabalha adequadamente para um fim deve realisar a sua tarefa com os meios relativamente menores.

versans in actu motus». Sprachwissenschaft ( vol. 437. Lautgesetze und tendência Ancúogie in Zeitschrift f. JJie EntsteJwng des Beharrnngsgesetzes in Zeit. applicando ao dominio psychico sua correspondente latina inertia. organico-meclianicas. o conceito experimenta todavia grande modificação ou antes recorre-se áquella f expressão em ser muito diversa do que ella designou psychologia para designar alguma coisa que se sabe em mechanica. Võlkerpsychologie^ xi. que na historia da meclianica nos apparecem pela primeira vez com Kepler. p. Vid- Emil Wohlwill. para exprimirem a incapacidade de se mover por si que o grande astrónomo attribue á matéria. Võlkerpsych. e todavia é esta a mais frequente. mas não a opposta. 370-371). até a alteração phonetica sob a influencia reciproca dos sons. Se a alteração phoprocesso psychico. a regressiva. dependem em pequeno grau de condições puramente somáticas. e são produzidas menos do que geralmente se julga pela forma de actividade e respectiva posição dos órgãos da linguagem. p. elle não admittiria essa translação do conceito da inércia ao dominio psychico. a allemã na sua Antwôrt A an Helisãus Rõslin e a latina no quarto livro do Epitome Âstronomiae Copernicae. accordes perfeitamente harmónicos. sou todavia da opinião que os processos phoneticos. Nessa translação. emquanto o sentimento do movimento (bewegung <gefuhl) é sempre o principio propriamente determinante. dentro das tendências geraes da linguagem e não contra ellas. ainda Misteli. 1886. 370-1. assim se nega elle a admittir na sua lingua determinados grupos de sons em virtude de certa idiosyncracia. Cf. xiv e xv (xv. vid. emquanto reconheço a causa primaria da . que as girias se formam.» Kruszewski mantém maior generalidade do principio da economia nos seus Prineipien der Spraclientwíckelvng in Internai. Elle que nos diz : nun diese proprietas libei-wunden werden. i. ex. por falta de . a mais regular. 54): «E de grande importância ter sempre presente que a commodidade representa o papel de causa muito secun- daria. .144 transições lentas: é com o menor esforço. comprehender-se-hia bem a influencia progressiva dos sons (na assimilação). alteração phonetica netica resultasse somente de tendência para a commodidade e euphonia. económica na linguagem é representada por alguns como vis inera expressão allemã Trãgheit e tiae. i-v. » num Paul diz (Prineipien der SpracU- geschichle. so gehõrt ein Bewein des Menschen Leib ein Seel. ger «Soll ein species immateriata. allgem. 301-302). Acceitando isso completamente. Essas relações somáticas parecem me ter acção secundaria. Zeitschrift f. in der grossen weiten Welt dazu. vol.

tando-se acima dos preconceitos d' esse meio e descobrindo novos horisontes ao pensamento. com referencia a parte dos auctores citados nesta nota. por trabalho lento. no seu livro Psychologische Studien zur Sprachgeschichte (Leipzig. é assim que na substituição das antigas medidas e pesos pelas medidas e pesos do systema decimal. 102. levan. Karl Bruchmann occupa-se da lei da menor acção no dominio da linguagem. o meio kilogramma como se arrátel novo. modificando-se. accumulando-se e substituindo-se parcialmente. que pouco e pouco se foram reduzindo até surgirem de novo os vestidos cingidos á pelle é assim que os espíritos que se emancipam do seu meio. como buscava mostrar no passado preas antigas cortes. tanto quanto é possível essa emancipação. 59. II 43. . cit. e conservava a realeza. do começo do século. um um fim a que pode adaptar-se com ou sem A damental da historia. tal como ha uma inércia da matéria. são geralmente mal recebidos no começo. 248-293 vações estendem-se ainda á rethoriea e á esthetica. mas por transições insensíveis que le- vam. politicas o partido liberal cedentes. sendo necessária uma infiltração lenta das melhor termo. E assim que no domínio das instituições . o povo começou por designar o metro como vara nova. para o systema parla- mentar. 117. ás monstruosas crinolines. ainda que reduzida a uma sombra. por exemplo. como faz Steintlial. p. é a condição funinstrumento já existente.» cia no dominio psychico é Em vez de fallar de uma taWei íZe mer- muito preferível fallar de uma lei de economia ou do menor esforço. é coisa que não existe e contém uma contradictio in adjecto. 177-185. dos vestidos de mulher cingidos á pelle. as suas obser- 10 . 1888) pp. Para que o que surge de novo seja recebido facilmente é preciso que se ligue por nexo claro ao já existente esse nexo pode ser externo (de forma) ou interno (de matéria). Âbriss der Sprachwissenschaft. i. Com razão diz Misteli (art. 437): «Uma inércia do espirito. No dominio da moda não procede por saltos.14Õ Não se sente necessidade de crear um instrumento para modificação conservação das acquisiçoes humanas. (cujas observações se modificam no § seguinte).

que nâo tenho á mão. reflectidamente. do novo. evidente que os formadores das girias não E procedem consciente.146 suas ideias para que emfim elles cheguem a ser comprehendidos. P. Como se vê do titulo repete-se aqui o conceito da inércia com applicaçào ao dominio psychico. 1884). de sorte que ella domina não só a propagação. in Merlino combateu as ideias de Lombroso num artigo La Néophobie Revue scienlifique (avril 26. S. não é de modo algum uma barreira invencivel opposta á innovação *. 1890). Considerando as coisas superficialmente poder-se-hia ver na abundância de synonymos das girias um facto contra Sobre o habito vid. Wichtigkeit fur der Erziehung (Berlin. Em toda a questão do philoneismo e do misoneismo não se tem tido em couta um lado importante a fadiga que causa a monotonia : e que suscita a tendência para a evitar pela variedade. Note-se todavia que Lombroso : escrevera «Le misonéisme n'est pas loi de nature que quand Tinnovation est trop radicale. C. Die Gewõhnung und ihre. tem papel assas considerável na formaé e lei um movei importante ção das girias. como nos psychologos citados em a nota precedente.»» A verdade é que o amor do novo cam perfeitamente pela que as contradicções apparentes se explido menor esforço. onde se acham reuni* das interessantes observações de diversos auctores. segundo as leis da appercepção (no sentido da escola de Herbart) e nessa adaptação é que Avenarius vê a manifestação da lei do menor esforço no domínio psychico. Radestock. pela inno- vação. Esse amor. Todavia se o habito tem uma importância capital nas coisas humanas. de modo que tenham em vista a facilidade da propagação dos seus productos entre os outros membros dos grupos a que pertencem. elles obedecem áquella lei inconscientemente. independentemente da necessidade. mas ainda a producção. Lombroso leva ao exagero o conceito do habito na vida social no seu artigo Le crime politique et le misonéisme ou la loi de Vinertie dans le monde : morcd in Nouvelle recue (février et mars 1890) e depois no seu livro sobre o crime politico.» Merlino da sua parte pensa que: «La somme des sentiments philonéiques est toujours supérieure à la somme des sentiments misonéiques. ao habitual. . Opera-se uma adaptação do não habitual.

nem de forças. ao emprego de novo processão que nos fatigaria. a economia de que julgamos achar o tes- temunho principalmente no mundo orgânico. pois. «Nas investigações. coisas todas que nada lhe custam. de modo que temos o habito. Mas então a medida a que se compara de todavia que essa despesa depende ainda de circumstancias que tornam mais importante para nós a economia. na ligação do novo para com o existente. a verdade é que não os conhecemos e não podemos indicar essa direcção da sua economia necessária. ou nos fazem proferir um modo de operar. é preciso primeiramente a economia tem maior valor. em circumé trata-se muitas vezes de princípios de uma ideia stancias dadas. não obteve formulação exempta de equivoco. diversos meios são egualmente praticáveis. diz elle. nem de caminho e de velocidade.147 a theoria apresentada. tudo o que affirmariamos talvez é que ella não é avara nem de massas. dizer-se que nas girias a manifestação do principio do menor esforço não está pois em a não producção do novo. guidade applicação fazer. H. para que produzir termos com o valor dos já existentes ? Mas observa-se que está em a natureza mesmo desde o momento das gírias serem constantemente neologicas. para resolver seguramente a questão do principio da menor despesa. Ella não começa a tornar -se clara senão quando se trata de fins para a realísação dos quaes. mas sim no modo d'essa producção. nem de tempo. D'acexposto deve. mas que ella é sóbria de princípios. Tal é. economia que ella muito observaria. vaga que. pelas varia- . com efFeito. quer de tempo. conduzam ao mesmo fim com maior ou menor despesa. que teem por objecto os grandes hábitos que caracterisam a acção da Natureza. Pois. pois em que um termo se propagou além dos foi grupos para que cordo com o que íica produzido^ deixou de ter valor. até no principio da menor acção. um na definição do fim. Lotze dirigiu algumas objecções ao principio da menor acção. quer de massa. Supposto que a Natureza mire a fins. a indicação da direcção em que E o que faz ver já a ambida d'essas ideias ás acções naturaes.

e não menos se manifesta naquelle falia dominio essa economia de princípios de que Lotze e da qual é a formação das gírias por não essencialmente dos que se divergem processos que encontram na evolução das línguas geraes. Métaphysique. com ma- das línguas tradícionaes não exclue por certo a possibilidade de haver nellas alguns productos de creação original. mas carece de fundamento. opinião de que só no período primitivo da huteriaes A manidade gem tem fosse possível a creação de elementos da linguasido enunciada por alguns auctores. trad. aqui ella parece-nos. § 216. o conceito da menor acção acha applicaçao irrecusável na sua generalidade. por inexgotaveis modificações do mesmo órgão. ideias não comportam applicaçao á mechanica.» E claro. . de Duval. a natureza produz a diversidade das creaturas. e prevê ás suas diversas coes de um necessidades . Essas cujas leis que pareceriam poder ser executadas desviando-se da via typica costu- effeito.148 pequeno numero de typos de conformação. revue par rauteur (Paris. E sem duvida muito dífíicil de determinar que palavras haja nas línguas modernas que não prove- nham por simples modificação phonetica ou por derivação 1 Hermann Lotze. que no real. onde se tem indicação da direcção em que a economia tem mais valor. se é permittido á nossa sabedoria limitada empregar essa linguagem. 1884). tem que cuidar não de um typo determinado de mas da realisação de todo phenomeno qualquer*. que se torna o typo de todas as outras finalidades pensadas. ser pródiga de massas e de tempo e recorrer a longos rodeios para realisar operações com maior promptidão. onde ha finalidade exposição. em virtude mesmo d'essa domínio do espirito. mada. no todo. um exemplo mesmo O facto das girias serem construídas. fr.

1882). pp. v. no existente na língua usual.. creanças podemos achar também creaçoes originaes. senão muito vago. vol. segundo que aindo nâo vi. que só conheço pelos extractos dados por junto com in Man (London 1888) pp. Ha esjpeclonderijico^ esta- pafúrdio^ que parecem perfeitas invenções sem apoio. Todos os annos.. Todavia ha sempre um certo numero de palavras que parecem de inteira creação moderna. Mental Evolution uma casos do mesmo género. deum numero maior ou menor desses enigmas. . inventada por E bem conhecido Van Helmont. J. leio numa noticia d'cssa edição. que não exclusivamente com elementos originaes^). vid. pode. § 510.se ser inclinado a crer que nesses termos irreductiveis haja restos de antigas línguas perdidas. se vae resolvendo origem á perícia dos investigadores. ainda que mais raras do que se poderia suppôr. quer reflectida*. xxxv. ou ainda representantes de termos não docu- mentados das linguas antigas conhecidas ou por ventura vocábulos modificados de tal modo que escondam a sua mais. a que ainda assim os etymologístas se esforçam por achar termos populares ou de gíria como uma etymología'^. Preyer.149 de palavras de línguas antigas. Ha também Deve ter-se em vista que as creanças transfor- í Sobre a creação original moderna nas linguas usuaes.^ ed. Principim der Sprachgeschichte. s. 4 Ha sobre linguas d'esse género um trabalho de Horatio Hale in Proceedings of the American Association for the Advancement of Learning. 532. Die Seele des Kindes (Leipzig. Steinthal. porque embora achemos nas primeiras um considerável numero de termos irreduetiveis a termos das ultimas. dá noticia de Gr. Der Ursprung der Sprache. Steinthal. observaçã») semelhante de um amigo do auctor d'esse livro. ix. 277278. muitas de caracter onoraatopaico^). 1886. W. Romanes. Seheler e Littré. mas o caso da palavra gaz. cap. Ahriss. 3Vid.^ ed. 4. Paul^ ^Vid. 2. quer espontânea. das Na linguagem observados casos de creação de linguas por ainda creanças. apesar de todos os esforços da sciencia etymologica. 138-143.

o próprio cuco. contar miudamente. o próprio cão. tim-tim por tim-tim (contar). isto é. agitado por por uma corrida. chichi. faze7' tefe- tefe. Na linguagem das amas e creanças: tutu. um Nas formações imitativas referidas nota-se a reduplicação syllabica. jogo nas feiras que consiste em atirar bolas a uns bonecos fixados pelo meio do corpo num arame. Duas creanque fallavam já correctamente a lingua materna. No calão. o canto do cuco. de modo que ganha o que os faz volver sobre esse eixo. escolho a seguinte ças. de observação minha. agua. são raros todavia os termos que se possam considerar innegavelmente como creaçoes originaes. heu-heu ou hau-hau. lia boca popular. sentimento ou as palpitações do coração. taes são zum-zum. como em muitas outras populares do mesmo género. o ladrar do cão. corneta. soldados novos (gaUuchos^ na desi- gnação popular) de carne e osso. a própria ovelha. no seu som ou na sua significação. urina. tris-tms. tUm-tlim . Tal é fun- gágá por philarmonica. buhu. . Na lista de Queiroz Velloso encontramos : cal. outra a applicava expressão jpípes que lhe ensinavam por piolhos junto com a expressão menirmo. gallinha. o composto pipes-meninào para designar uma immundicie. Tefe-tefe é uma expressão imitativa que parece ter designado primeiramente. pim-pam-pum (com variação vocálica). que tinha primeiro conhecido para designar um certo rapaz antipathico. ex. ou antes nos limites do calão e da linguagem popular. e produziam frequentes vezes derivados para substituirem as palavras correntes (p. Entre outras creaçoes originaes indubitáveis de creanças. pipi. ponto por ponto. fugir correndo. o balar da ovelha. . cu-cu.lôO inam ás vezes singularmente as palavras da lingua materna. mé-mé. moscata por mosca) designavam uns bonecos figurando soldados da armada ingleza pelo termo falofa^ que depois foi applicado por elles para designar os recrutas. Uma que eu conheço transformava café em pavá^ lenço em juso.

po!r hisp. 538.151 Algumas expressões das girias ligam-se a antigas onomatopeas. iii. «A separação da lingua dos tsiganos das girias não é fácil. reunião. Miklosich. Distingue-se notavelmente da giria allemã*. verbo /i^n- ant. fanfarrão.» sempre varias Pott notou já no gitano alguns termos da germanía e formações análogas ás das girias. Beitrúge zur Kenntniss der Z/(/€unenmmdar(en. Zigevnerische Elemenle in den Gaunersprache EnropcCs in Sifzber. gabar. Entre os termos dos ciganos da Extremadura colhidos pelo sr. 1 . remoque. sendo ondila a seu turno derivado de hisp. de músicos que tocam instrumentos de cobre. com troca do suffixo -ila por -amo (de álamo). etc. não tendo relação etymologica com fanfarrão. e dos quaes encontrámos processos que o mais frequente no cigano é o Como vemos emprego de suffixos desíi- gurantes. fanfa. Uma variante de fanfar ó hisp. lingua. de ondila como ondinamo por hisp. a linguagem dos ciganos tome de cada vez mais o as- pecto de uma giria. bazofia (vanterie). na lingiia geral. como fanfarra. pag. a linguagem dos ciganos de um certo numero de termos formados pelos contém Portugal também no calão. E de crer que. far basofiar. Com Littró creio furfante) deve considerar-se como um Relações do cigano com o calão de p. 46-49. ostentar valentia. dirigir a alguém que farfante (do ital. além de certos artificiaes. finfar. productos muito álamo. Assim o que neste artigo se designa como giria dinamarqueza (mais exactamente jutica) pode também ser considerada como tsigana. ala. Lxxxiii. ao passo que se vá perdendo a memoria dos termos tsiganos. Leite de Vasconcellos ha uma parte considerável que apresentam o suffixo -uncho.se.

. pedintes. 541. Seguindo o exemplo de Miklosich. mas geral todas as palavras que temos razão para julgar trazidas pelos ciganos até Portugal. Mas oíferece formas mais afastadas gresiton. o ultimo .. nalguns casos simplesmente d' esses termos acha. Miklosich. A A primeira palavra de cada artigo é o termo do calão. Pott.152 onda. cig. sanskrito agra. iii. Rothwelsch dichen^ ver. Abhandl. Cig. Maio traz no seu vocagitano alguns termos expressamente indicados como de germanía. fim. Voc. A lista seguinte comprehende termos em que essa origem é em provável. Die Zig. bohemio agor. vir. considero como tsiganos não só os elementos dos dialectos tsiganos. formas tsiganas ligam-se talvez ao ii.j ii. 38-43. adicar. avelar. cf. 2 Nâo apresento as formas de todos os dialectos tsiganos. indica o nosso Vocabulário cigano ^. fim . o git. 110-111. ver. tsig.. pela comparação do voo da ave com o movimento de nadar *. ladroes. àbelar. húngaro jagór. Pott. prakrito dèkkhami. fim tsig. Miklosich. 201. dicar. na orla. — Essas . 64. pp. relações dos ciganos com outros vagabundos. vir. 45. rumeno av. Abhandl. extremidade. gresité. artife. tsig. Origem indiana: sanskrito — diy. grego aváva. Lembra rumeno agor.se bastante generalisado. 305. resultou a introducção no calão de um certo Das numero de termos de origem tsigana e especialmente cigana ou gitana. tener. * Pott. 163. abreviatura Voe. fim. e em especial em do cigano e do gitano. ii. : fim. ligadas ás do calão. diqudar. avezar. ter. artão. Tsig.j vii. Beitr. poseer. vid. [Cp. as quaes se encontrarão nas obras citadas. agoré. Miklosich. rol do esquecimento. Voc. Git. aguaruça. bulário Bie Zigeuner. vii. i. O uso de alguns geral certa. abelar. tsigano grego agôr ponta. que são de origem indica. tsig.

Tsig. guitarra. ladrar. hindustani hãth. bella? Git. vii. Pott. 52. [Ligar-se-ha a git. Abhandl. 176. ladrar . decir la buena aventura. gallo tsig. Pott. Pode estar por hassar e ligar-se ao seguinte banza. um termo de origem africana]. felicidade. bui. Pott. algazarra. rumeno palavra backtj... que liga aquella ao persa hakht.. 57 Em hisp. Origem indiana: sans- — krito hasta. tsig. fallar. ru- meno .. haji^ fortuna. — Origem indiana : sanskrito ap^ alcançar. grego.] bolsar. II. 170-171. Voc. bocanhim. soar. prakrito hattha. acaso. clavina. git. ladrar. baM. basnó. Miklosich. 172. hung. banza. baste. Queiroz traz bunda. Abhandl. Miklosich.. 86. Grit. banzé. tocar. lingua dos gita- nos. no Brasil bunda podex. Voc). giria. gallo (= cig. pudendum mulieris. tumulto. bruxaria. brejina. tsig. emquanto o persa fora lers ao sanskrito hhang. De um dos nomes nacionaes dos tsiganos kaló. ii. bocachwi. dividere. rum. prosperity.'] buldr^a. felicidade . bellota (bolota). tsig. to tell fortune. escandinavo vast. tsig. calo. bachahi. git. é uma má traducção do termo foi que vem do árabe bellõtã. bohem... Tsig. Cig. : 426. calão. gralhar . [Ligar-se-ha a git. basno. gritaria. mão. cereja. pocachim. Parece ligar-se a banza.. vii. grego basáva. pois no tsig. pali bkãs. felido seu lado ligado por Vulcity. 92. fortune. bata. russo ha te baSés. barriga. Git. italiano vast. viii. vii. este. bohemio basavav. luck. baste. [Cp. Vid. hisp. Miklosich. 398-9. guitarra. basco basta. ii. russo te bases. frangere. bate. BORROW. sorte. sanskrito bhãs. vid. Vid. gritar . basta.). trabuco. grego hacht (eh =j hisp. mas que interpretado como Pott. pali. basnó. se derivasse de bello. . Ahhandl. ano? 422. etc.] hagata. mano Tsig. que significa propriamente negro. — Origem indiana ii. berjí. p. — Origem indiana: sanskrito . berjivia. Ahhandl.153 tsig. bohemio avav^ vir Pott. é talvez significa nádegas. tsig. jpenar haji. ii. Miklosich.

hindustani calna. Miklosich. chala. juiz tsig.. etc. chalarse. fallador. 229. temor. hindustani relação á forma ]\Iiklosich.154 hindustani kãlã^ sindhi hãrõ. longe sição A Meu velho! diz-se por carinho a um rapaz. cuarto. pali givhã. grego calauáva. antigo? um de ser está no sentido phenonemo raro. pasar. Com fanfarrão. viii. — Origem dzlbh. curda. Pott. De calão. chalado. Cig. estranho. acanhamento. curdi. lenço. Origem incerta. baindiana: sanskrito cal (cansativo). baré ao lado de baré. canguelar. Voc. chalar. e lembra que os iv no século transportavam em carros imagens a godos kangH. Git. calcorrear^ correr. Vid. agitar. Miklosich. cig.se noutros dialectos tsiganos. ii. git. foi o juizo). palrador: Hhanó. joven. cangré. colona. AhhandL. : andar. canguelo. oppochurré. Miklosich. . albanez. moeda. Cf. essas palavras provêem de tsig. cih. Hp. ir. iirdiana: bohemio cíbaU. idiota (litteralmente a que se fugir. 106. ter. 231. calão. 128. — absolvição. ébrio. cale. adj. tsig. cangueri. 111 n. carro. mover. [Cp. Voc. adj. surre. Ahhandl. marchar. adversário. chala- — Origem menear. git. propriamente cigana. pôr na chala. e pali kãla^ caleço. vii. busné ao lado de biisnó. p. ao lado de banjuló. etc. recelar. Pott. Cp. lõO-lõl. embriaguez. ii. bater contra. igreja. grego Hhaló.. hear. lingua. igreja. Pode ter influído no som port. talvez persa. 18Õ]. A palavra encontra. bebedeira. Abha7idl. amalucado. Git. vii. bandido. ii. bater. Pott. canguello. — Origem incerta. asiático compara kangalla. curdo. cangra. caleça. cardina. Pott. banjolé. cigano. Mayo. git.. [Cp. que prestavam culto. tsig. gangarina. temer. caminar. anterior. meter. quartilho. denario. 125. sanskrito gihvã. git. turbar. afugentar. Tsig. . . Cig. cangri. chalar. Queiroz. Git. Mayo. grande. 189-190. receio. Vid. diclé ao lado de em é. Git. ii. . cangarina. mover. Ahhandl. s. dicló. timidez.]. VII. chíbalé. mulher desprezível. cp. miedo.

el ojo de cerradui'a. grego klidí. la O clisé ya panduajujerear. p. cuchillo. — Do grego mod. ht^rir los ojos. cliseSf olhos. tsig. Git. 198. isto é. pufíal. pali èhurikã^ Ihuri. Orihnngar o pandel. basco curi. ojetear.. Miklo- AhhandL. vil. ii. arménio band. 115). Pott. o termo tenha vindo de Itália por intermédio dos ciganos. vil. Borrow. Mayo. Ahhandl. Abhandl. agujero. escand.. vid. Mayo. 242. kilidí^ chave. Miklosich. 37-38. casa. junho 1892).° 3:731 (19. Houve metathese da aspiração: phand. Cig. viii. cárcere. curripen. «Fomos todos impandeirados pela policia». hiing. git. apremar. Argot chouriner Tsig. churi. A raiz bhand está representada nas linguas germânicas por band. — gem indiana: sanskrito. pali bhand. : tsig. Miklosich. Dad é de origem indiana hindustani dãdãj.. sich. Tsig. banda. Suppuz primeiramente que dad. Tsig. hind. adicar. cUsé. ejercicio. atar. termo de mas sim um Esta palavra que não é termo popular muito generali- sado é talvez derivado do lat. Ahhandl. Git. — Origem indiana: prakrito sanskrito: churi.. Miklosich. churinar. avô 99) fazem-me hesitar. em logar de que se vê bem. sanskrito tãtã. fcorrijHO ou corrupio propriamente. chiira. u. chori. cosqué^ granja. Yoc. to tie. húngaro klidin^ fechadura. grego dadá^ todavia as formas do argot (p. . E Vid. ii. faca. vMiòi. 308-309. grego pandáva. ojo. encarcerar. 124. lida. Tsig. trabajo. pae. oprimir. pandh. cp. rerí. agarrado. apanhado. fechar. De empandeiradoy preso. Pott. giratório . 111. Git.1Õ5 churinar^ esfaquear. II. ligar. vii. òhurika. Pott. sujetar. corHpere. 210. — . dica {á)j perto. eclisar. Jornal O Século^ n. este. Pott. grego^ . acuchillar. to shut. possivel que cosquej. cortijo. dabo^ pae. fosse modificação do tsig. 197. churi. Mayo. bohem. movimento rápido grande giria. To inclose. Git. Borrow. mas lembra o git. avô. actividade. rumenp dad^. fazer ligar. Queiroz dá a empandeirar o sentido de matar. de que vem port.

cigano. 243.iólÒí. estanhei. sujeito. pali khãd.. Miklosich.jamar. alli Cig. rumeno gàzó. di^har. II. estaro. (aii. Origem indiana: sanskrito dã. dinno. gaché. Vid. estaribin. part. Mayo cara. os sentidos de tascar. 199. garandar. trilhar o linho. que anda á boa vida libertino Voc. Borrow. 73-81. e feia. estardelar. estardar. . prakrito khã. jalar. Além das formas citadas. estaríben. A palavra tsigana é de mas cp. vii. adj. grego dava^. nota-o como termo de germ. a gente de casa. Voc. Cp. a. grego stadik. II. Queiroz. Pott.. Cig. deriva do part. «Etwa ais Ge- mudar de no-lo gentheil von: Profil?» Pott. Ahhandl. 157-9. estache. homem. apparecer. encarcerelar estardó. furtar com Voc. 394. Tsig. vagabundear. Miklosich. A gamar liga-se talvez port. ii. subtileza. Cig. QQ. vadiar. p. barrete dos turcos. viii. Cig. estraespertalhão. git. — estarim^ prisão. o . fez. 217-218. Voc. Vid. mostrar a feia. lectos tsiganos. Borrow. que deveria separar-se portanto de gramar. chapéu. Ahhandl. que 148. 211-212. Git. — Origem indiana: sanskrito gaya. p. gadzo é propriamente um homem da casa. Tsig. ii. Miklosich. Ficou já estabelecida p. Voc. estache. cp. estaripel. etc» . pessoa. jawiar. comer. gandaiar. Germânia mod. ii. Tsig. . Git. mod. i. hospede. dadãmi. Jila^ face. Miklosich. cig. endromina.. vii. gramar. Mayo. — part. não nho. 102 a relação semântica entre comer e furtar. gajo. que apresenta formas correspondentes de outros dia- tribunal. dinó da raiz da. grego cháva. Cig. Ahhandl. Tsig. Mayo. — origem indiana: sanskrito. cara. casa. Git. prison. dar. dihar. 129. comer. git. comer. preso. 300..1Õ6 endinhar. Nas phrases : mudai' de feia. 111. etc. Pott. pop. 148. Pott. estrihelho. engulir. vii. dinó. Pott. Do grego mod. abonar. II. etc. ii. gamar. pali dêmi. Vid. mem. pass.) e o precedente estarim. 246. ii. encerrar. cara. etc. estariben (Voc. ho- homem. Ahhandl. Pott. grego gadzo. gy. tsig. cadeia. dá também como da germ.

327. lodo lat. sanskrito sita. grego sil. Tsig. cavalgadura. em Mayo. . etc. cavallo. BORROW. Em verdade o git. parece confirmar essa interpretação. cavallo . grasti. viii. As palavras regit. besta de carga. frio. pali Ma. Z^7o. . 335. inglez lóvo. Miklosich. gra. ii. gahí. git. luca. 108). tomar. hir. tsig. p. — já no jargon do sec. Cp. cavallo. égua Cig. Git. oiro. viii. extravagante. AbhandL. AbhandL. Pott. juego de dados. Pott. Ganar. 187. grasni. Git. O termo tsig. Abtrennung. lodo. 231-232. por uma metaphora exprimindo o desprezo pelo tão desejado objecto. sltala . vii. Pott. carta. provêem por certo do hisp. Tsig. Pott. lutum. ex. jil. 70. grasté. Mayo. fresco. ii. Cf. gania. gras. no qual toda- Beitr. e que lama teria sido produzido como pendant a lodo. Bluteau. embora este se originasse de tsig. Cp. lama. liró. liá^ A forma fundap. besta. frio. krito = via alguém poderia ter visto a verdadeira origem do termo do calão. grego grast. II. Cf. moeda. ii. ix. etwa Abschnitt. dinheiro. Cp. 145. faca. Pott. comquanto não figure nos vocabulários que tenho presentes. 1. mental tsigana parece ser liei. ganar. xv (vid. 143-4.1Õ7 ganiços.» No calão a palavra assimilou-se a port. é de origem indiana: AbhandL. mas afigurase-me que ao gitano não seria extranha a forma lodo. inderdicto). plata. git. — . git. tsig. VIII. hil. grani. AbhandL. tsig. Origem arménia: grast. cavallo . liga-o a lillar tomar (litteralmente. lovó. gris. grani. part. Voc. grenhi. Miklosich. dados. 7 . Rothwelsch lowi. grai. palavra noutras penetrou gírias. git. gray.. cig. produz ganisardar grane. frio. frio. sitala. grego lovó. sem indicação etymologica. ii. linó. égua. 546. lové di- nheiro allemão lõvo. loco. geld. 216. A — Ill. Origem incerta. gra. froid. janota. Miklosich. Hás (Voe). Tsig. Miklosich. lilô. Ligar-se-ha pelos processos examinados a 126 a segg. grego lava. égua etc. cig. 340. Pott. . p. AbhandL. burro. graste. to gain. II. Mas gris. griso. grane. em que compara sansdopa. ganisardar. 339-340. grastni^ grasni.

158
lumia, meretriz. Cig. lumi. Voc. Git. lumí^ lumica^

mu-

chacha, querida, manceba. Mayo. Tsig. grego lubni. Hure; tsig. allemão liibni, etc. A palavra penetrou no Rothwelscli
lupni. Miklosicli, Beitr,
iii,

546.

— Origem indiana:
lõhhirij,

sans-

krito lubh^ desejar, lõhha, cubica,
pali lohha^

desejoso, ávido; ávido, hindustani luhhnã^ ser cubiçoso, amo-

roso. Pott,
maries,

II,

334. Miklosich, Ahhandl.j,

viii, 7.

homem; manesuj mulher; menesa, abbadessa;
manu. Voc.
Git.

prostituta (arg. menessCj p. 101). Cig.

manu,

forma hombre, varon. Tsig. grego manús, homem, etc. do calão parece provir de uma cigana mamis, que suggeriu a troca de us em es. Origem indiana: sanskrito ma-

A

nma_,

hindustani

mcinus,

Pott,

ii,

446-447. Miklosich,

Abhandl.j, viii, 10.

mangue, eu. Cig. amanga, amangues, mangue, mangues,

Origem mangue, me, mi. Tsig. grego amen\ etc. indiana: sanskrito asmãn, pali amhê, hindustani ham, nós. Miklosich, AbhandL, vii, 164-165.
Git.

marar, matar. Cig. marar, marelar. Voc. Git. marar, matar. Reflexos nos diversos dialectos. Origem indiana

:

sanskrito
Pott,
II,

mãrayati, 450. Miklosich, Ahhandl., viii, 11. marrella, pão. Der. de cig. manró. Voc. Git. manró, pan. Tsig. grego manró, etc. Cp., por causa da forma, cal.

elle

mata, hindustani mãrnã,

ferir.

Origem indiana: sanskrito parrella àe parné (vid. infra). a camada saborosa de comidas Uquidas e manda, superior de bebidas, mandha, uma espécie de biscoito, pali manda.
Pott, u,

440-442. Miklosich, AhhandL, viii, 10. misto, bom. Cig. misto. Voc. Git. misto, bien, bueno.

Origem indiana: sanskrito Tsig. grego misto, bom, etc. hindustani mithã, sindhi mifhõ, mista, saboroso, doce;
doce. Pott, II, 459-461. Miklosich, AhhandL, viu, 15. Pott não considerou sufficiente essa etymologia que foi

primeiro apontada por Diefenbach e que Mikl. acceita. mistico, bom, bello, janota; mistangueiro, janota; mistago, acreditado.
rior.

Ligam-se todos a misto;

vid. o art. ante-

Cp.

litterario mystico.

159
nanaij, nada.

Cig. nanais. Voc. Gil. nanai^ no^ de nin-

giin modo. Tsig. grego na^ não; duplicado nana; nanay nana isi, não é. No git. ha também a forma nasti, adv.

=

Origem indiana: sanskrito na Miklosich, AhhanãL, viii, 19.

-\-

ásti.

Pott,

i,

318. 322.

pachacha, pudendum mulieris. Git. pachí^ virgindade espachilar, desflorar. Mayo. virgo pachibar^ honrar
;

;

Tsig.

grego pakyáva, crer, confiar, tsig. rumeno patá^ crer, patáj, casamento tsig. bohem. patav^ crer, git. pan;

chahavy pachahdar, crer.

— Miklosich,

Ahhandl.,

VIII,

33-

34, attribue-lhe origem indiana: «Aind. vergl. fraiyayá,

Glaube, Vertrauen. sindh. pati, avg pat, Ehre»; mas Ahhandl. vi, QÇtj dá aquellas formas tsiganas entre as de

origem arménia: «arm. pativ^ Ebre; jyatvel, ehren». As fonnas arménias são aparentadas com as indianas citadas. Pott, II, 346-347.
paivo, cigarro. Cig. pajo por plajo. Voc Git. placo, plajorró, tabaco pracos (Pott, i, 106), pracó (Mayo), pó.
;

Origem slava: mod.
Pott,
II,

slov.,

serbo, búlgaro,
i,

etc,

prah, pó.

32, viii, 51. parnau, parné, parne, parni, parneque, dinheiro. Cig. parnaUj, parné. Voc. Git. parné, prata, dinheiro. Tsig.

361. Miklosich, Ahhandl.,

grego pamój, branco; reflexos noutros dialectos tsiganos. Origem indiana: sanskrito ^ã>/f/w^ palHdo, branco ania-

rellado. Pott,

ii,
;

piar, beber

359. Miklosich^ Ahhandl., viii, 31. piela, bebedeira pielar-se, embriagar-se
;

;

pio,

s.

vinho; adj. embriagado. Cp.

'òx^ot. pie, etc. p.

201, etc.

Cig. pillar por piyar.
adj.

Voc
:

Git. piyar, beber; pile, pillí,

ébrio. Tsig.

indiana sanskrito pi, pali pi (pihati, hindustan' plnã, beber, sindhi pianu. Pott, ii, 342. pivati), Miklosich, Ahhandl., viii, 44-45. Da mesma raiz pi vem o
dialectos.
lat. hihere, d' onde port.

— Origem

grego piava, beber; reflexos nos outros

beber.

A íoroasi pielar, à^onàe, piela,

é derivação tsigana

:

húngaro piyel.

peltra, pildra, cama. Git. j^Utra, cama. Mayo. Borrow; o primeiro indica o termo expressamente como de germanía ;

encontrámo-lo já noutras girias (vid. p. 106)

;

ó possivel

que

160
os ciganos o trouxessem para Portugal. Pott, ciona-o.

ii,

371, men-

pirar-se, pôr-se na pireza, pôr-se no piro, fugir. Cig. pirar. Voc. Git. pirar, pirelar, andar. Tsig. grego pirava, ir, tsig. ruraen. pher, ir; etc. Origem indiana: hindus-

ir, viajar; phiranu, girar. Pott, ii, 382. 33. Ascoli, Zig,, Miklosich, Ahhandl,, viii, 40-41. plaustra, capa, capote. Cig. plasta, plata. Git. plasta,

tani:

phirnã,

Tsig. inglez plásta, aliem, hlasda, plochta; tsig. tsig. polaco piasèos, etc. slava : sloveno antigo Origem plaMth, polaco 'phaszczy, etc.

plastami, plata, capa corta, talma.

Pott,

II,

368. Miklosich, Ahhandl.,

viii,

46.

pocachim, clavina, trabuco. Cig. puca, pusca. Voc. Git.
pusJca, pruská, pruskatiHé, pistola, cachorillo.

grego puski; tsig. puska, que a seu turno provém do alie mão Biíchse, ant. alto aliem, huhsã, puhsã. Pott, IT, 365. Miklosich, Ahhandl.,

mm. púska;

etc.

— Origem

Mayo.

Tsig. slava: serbo

vm, 51-52.
punida, palha.

E

por certo

um

alargamento do

cig.

pu.
cig.

Voc.

Git. pus, paja, a

que se liga pusanó, cortigo

Origem inpuso^onj. Tsig. grego pus, bus, Stroh; etc. diana sanskrito busa, busa, palha pali bhusa, hindustani
:

(=

;

388. Miklosich, Abhandl., vm, 43. raso, padre. Não é inteiramente certo se a palavra se liga realmente ao tsigano (vid. argot rase, p. 102). Cp.
bhusl. Pott,
II,

arajay, erajay. Mayo. Borrow. Tsig. sacerdote christão, mestre-escola, tsig. rugrego ra^áy, meno rasáy ; tsig. hung., bohem., aliem, e russo rasay ;
cig.

eragar.

Git.

tsig.

escand. raso, etc.

A

forma do calão

ligar- se-hia as-

sim a formas mais distantes geographicamente que as do O termo tsigano é gitano, caso que todavia não é único.

de origem indiana duvidosa: cp. sanskrito rsi, pali Pott, II, 278-279. Miklosich, Abhandl, vm, 54.
abertura, agujero.

isi.

ratanhi, retanhi, chave falsa, gazua. Git. rotuhi, boca,

Mayo.
ant.

mod.
Pott,

pouGoúvi,
II,

gr.

cwGwv,

Tsig. grego rutuni, nariz. Gr. nariz. Miklosich, iii, 43.

281.

161

rupim,

rico.

Encontra-se

também no

Tsig. grego rup, prata;

tsig.

rum. rap, rupunó,

argot (vid. p. 102). adj. de

bohem. rup, ruplno, adj.; tsig. aliem, rupp, Falta no cigano e no gitano de mim conheThaler. prata,
prata;
cidos.
tsig.

— Origem

indiana:

sanskrito rupa, forma;

rupin,

que tem uma forma, bello; rupya, adj. que tem uma forma, B. oiro ou prata amoedada, rupia pali rupa, hindustani rupã. Pott, ii, 274-275. Miklosich, Ahhandl., viii, 58.
;

rustír,

comer. Argot roustir (pag. 102). Será connexo
riLSj

com

as formas tsig. rum.
riãt'i,

ser

mau;
;

tsig.

hung.

7'usel,

encolerisar-se,

encolerisado
tsig.

tsig.

bohem. ru^av ;

ruWas,

Origem
sich,

escand. roUo, colérico? indiana: sanskrito rus, ruUa. Pott, ii, 279. Mikloelle fez-se

mau;
58.

Abhandl.j

viii,

sarda, faca; sardinha, punhal, faca. Cp. vid. p. 94.
tasca,

glt.

serdahí, e

taberna.

Furb. tasca
:

(vid.

p.

104). Talvez por

intermédio dos ciganos
telo,

git. tasca, tasquera, taberna.

Mayo.
Tsig.

jumento (Albergaria-a- Velha). Cig. guer. Voe. Git.
asno, burro.

gel, grei,

Mayo.

guel, ass.

BORROW.

Origem grego kher, kfer, ftr, burro; tsig. asiático kar. eranica: kurdo ker. Miklosich, Ahhandl., vii, 237. Sobre
a troca de k e
sich,
t,

vid. Ascoli, Zig., index, p. 169. Miklo-

Ahhandl., IX, 186. 189.
prostituta.

tronga,

Git.

tronga,

barragana,

manceba.

Mayo.
sível

A

origem do termo é-me desconhecida, mas é pos-

que viesse pelos ciganos.

Como

se vê

da

lista anterior

alguns dos termos notados

do calão parecem provir, não directamente de formas ciganas ou gitanas, mas de formas tsiganas extrapeninsulares ;
o que pode ser devido a transmissão por tsiganos de outros paises, que teem cruzado ou até se teem estabelecido em
o nosso.

Alguns dos termos dados aqui como de origem tsigana foram já considerados como derivados de outras fontes;

162
assim banza
foi

considerado como de origem africana, com-

quaiito não se provasse essa etymologia. Schwob e Guyesse apresentam a conjectura de

que a

inversão phonetica na germanía (a que se deve juntar a observada no calão) seja devida a influencia gitana. Como

vimos

(p.

58),

encontra-se na índia esse processo;

mas

como

elle é

muito frequente no hispanhol e no português,

não precisamos para o explicar de recorrer á intervenção gitana ou cigana.

III

ESBOÇO HISTÓRICO E ETHNOGRAPHICO
Cancioneiro geral, colligido por Garcia de Resende, começou a imprimir-se em Almeirim em 1515 e acabou de
o ser

O

em Lisboa «Aos

xxviij dias de setêbro

da era de nosso

senhor Jesu Cristo de mil e quynhentos e xvi annos». Uma das peças mais curiosas d'esse famoso livro é a
longa serie de apodos dirigidos ao próprio coUector, a propósito da sua proverbial rotundidade, por AíFonso Valente,

peça que se encontra a p. 641 e segs. do tomo iii da edição de Stuttgart, e a folhas 224 e segs. da primeira edição. O humor cómico de Valente parece inexgotavel os termos
:

de comparação que lhe surgem no espirito lembram a maneira de Rabelais.

Entre outras coisas bastante
na composição mencionada:

difficeis

de entender,

lê-se

Pareçeys hum pouco o frato, preguador da vyda eterna, Grega bêbada, de parto, antre cubas em tauerna.

Assim

se

acha exactamente, e com a

mesma

pontuação,

na edição de Stuttgart, o que prova que o sábio editor

pelo menos. t. que pregam aos outros que cuidem das suas almas para evitar as penas eternas e ganhar a não se descuidam do corpo. Por tierraz estraííaz nuz tiene[n] perdidas. antre cubas em tauerna» aqui não ha. poe na boca de uma das personagens as palavras : Mantenga senhuraz y rozaz y ricaz. emquanto elles Resta saber o que é aquella «grega bêbada de parto. * les Jaubert de Passa. nhecedor dos termos apropriados. João. cor- O que é perfeitamente intelligivel. o terceiro deste nome. Essai Jiiaiorique sur les Gitanos in NouvelAnnáles des Voyages. a qual os meus leitores encontrarão mais abaixo transcripta por completo. os dois primeiros d'aquelles versos. o primeiro verso deve rimar rige-se pois: Pereceis uni pouco o farto pregador da vida eterna. Nuestra ventura que fue cuntra nuz. . em a sua cidade tuições da Catalunha *. foram considerados originários da Grécia. p. os tsiganos de Hispanha e Portugal. 1827). De Grécia sumuz hidalgaz por Diuz. 337. Valente compara Garcia de Resende a um d'esses fartos e rotundos ecclesiasticos. bom co. isto é. por essa razão que elles são chamados gregos nas Consti- E Gil Vicente. correcção de texto de outro lado não é possivel admittir que Valente empregasse ao acaso a palavra grega^ visto que elle se mostra forte nos recursos da lingua. in. com o terceiro. Pelo systema das estroplies da sátira de Valente. gloria.164 Kausler não comprehendeu. d'Evora era do Redemptor 1521». ao que parece. na sua interessante Farça das Ciganas «representada ao muyto alto e poderoso Rey D. Diversas noticias mostram-nos que os tsiganos e em especial os gitanos e ciganos. xxxiii (Paris.

de FúípTOi (AtyÚTTTtot). que é uma raridade bibliographica. Bibliotheca Nacional de Lisboa tem En . sino de perros y Vn hombre docto. ano 1540. y de la- 1 Em como. ameneçó a tu vida? Ohras métricas. començo en Aleraana. en casa de Juan Ihiguez de Lequerica. 1587. encontra-se a seguinte passagem. no lo entendian. 143 (Leon de Francia. espécie de pequena encyclopedia ou cartilha. usado pelos gregos modernos. como as que alguns dos eruditos mais distinctos de então não desdenhavam de escrever (lem- bremo-nos da Cartilha do nosso João de Barros). Hablo con elles en lengua de Egypto. de Gipsies. Fingem que salieron de Egypto : menor. que lhes dão os inglezes. como hablan hoy en la Morea y Arcipelago. Não é a primeira. ó aspid Gitano.165 Os tsiganos em geral diziam-se vindos do Egypto o d'ahi os nomes de gitano *. possível que alguns bandos se século curioso do Num livro muito xvi. Mello: hispanhol empregou. 16t>5).. y que tienen su perigrinacion por penitecia y para prouar esto muestrã cartas dei rey de Polónia. y vio con ella ser ya acabado el tiempo de su penitencia. o Gentiles : en Itália Cianos. ano 1517. Desde mi halago. Pêro mienten. intitulado El Estudioso Cortesano de Lorencio Palmireno^. co muitos halagos recabo dellos. em que : se vê que havia fun- damento para chamar gregos aos ciganos: «Que son Gitanos ? Responde Esta ruyn gête. mas é dissessem de origem grega.se giiano no sentido geral de egypcio. ladrones. ex. otros no: ansi. p. 2 A feita Ano um exemplar da edição Alcalá de Henares. mostrassen la carta dei rey. p. que têem na Hispanha. que como auia mucho tiempo que eran salidos de alia. que pues todos no entienden. senales. tomo ii. vnos entendian. na seguinte passagem do nosso Francisco Manuel de Que cerastes aleue. conjunctamente com T^íyyccvci. que la lengua que traen es fingida. porque su vida no es de penitencia. dezian. adonde les llaman Tártaros. Habloles en Griego vulgar.

Aproveito a occasião para dizer que o auctor d'esse artigo nada dá de novo para a questão dos tsiganos. ils en trouvent les moyens dans le gain 3» qu'ils font à tondre les mulets. vii. professor de grego na Universidade de Saragossa. sert aux Bohémiens à satisfaire leur goúi prononcé pour Tivro- gnerie hommes. : Uma quadra hispanhola diz: gitano se murió dejó en el testamento Que le enterrasen en vina los sarmientos^. Suppoz-se com razão que foi Palmireno um o hombre docto de que falia fosse elle próprio.» Vid. enfants. femmes. diz. encontra-se em documentos hoUandezes. etc. 232. cap. Vid. Gli Zingari. publicado in Positivismo. s'y livrent publiquement en toute occasion . Paul Bataillard. entre outros. p. 35-36. (Porto. i. Le pays Basque. e as suas palavras merecem todo o credito. Miguel Leitão d'Andrada escrevia a respeito dos ciganos: sendo Gregos que se vieram fugindo dos Turcos se fazem jEJgipcios ou Gitanos. pois. p. a mesma denominação de gregos. typographia Lusitana) 1 '< de 1877. Num artigo Origem dos ciganos. foi repetida est-a minha interpretação sem indicação de fonte. como la girigonça de los ciegos*». Apud Colocci. a palavra grega dos versos de Valente o mesmo que cigana? Sabendo que os tsiganos teem fama de se darem á embriaguez não restará muita duvida de que essa interpretação seja exacta^. o trecho inteiro d'esse auctor no fim dos Documentos do presente estudo. 2 Esta interpretação da passagem de Aífonso Valente foi publicada por mim no jornal A Borboleta (Braga. No século xvir. Francisque Michel.166 drones para encobrir sus hurtos. aL'argent. 1879) 269-278. 139. respeitável e eruditíssimo humanista. dada aos tsiganos. Un Y Para chupar El estudioso cortesano. todavia o que se diz mais abaixo com referencia aos ciganos de Portugal. excepto a invenção absurda de que elles 3 ^ descendem dos Hyksos. foi. Segundo uma communicação particular de M. Significará. .

acerca dos ciganos. Dadme una Luc. temos na passagem de Affonso Valente o mais antigo testemunho português. Nieve de eira. 122. O El preeiuza rozica-. A Farça dos ciganos é um documento precioso.Vid. Ascoli. La Virgen te traya buen sino j buen hado. que é o primeiro monumento da litteratura propriamente dita em que figuram tsiganos. camiza. Mantenga. A Cerca de nilla de um século havia de passar até apparecer a Jita- Cervantes (1612). Lucrécia. com esquecimento do nosso escriptor. Faliam Entram quatro um hispanhol modificado na pronuncia. senura. de mim esse segue-se o de conhecido. veiz aqui la cruz. Senura. como o primeiro que fez emprego artístico de typos d'esse povo errante *. cielo estrellado é um cumprimento á pessoa a quem se dirige a cigana e nâo um apposto de Grécia. ciganas. Gil Vicente na farça alludida. Luc. Tantico de pan. de Gigio Arthemio Giancarli Rhodigino. traçado com evidente fidelidade. na ed. como já se quiz ver. haré la mezura. Dadnuz limuzna. de Hamburgo: rozua. senuruz pudruzuz. mi cielo estrellado '. O ruza nacida en ribera dei Nilo. Dadme una saya. Mart.167 Se a minha conjectura é exacta. Giralda. Christianuz sumuz. que é geralmente conhecido. seuura. de 1586 rozica. cielo vuz cumpla luz descuz vuestruz. Dadnuz limuzna pur la amur de Diuz. que manifestam logo o caracter importunamente pedinchão das mulheres e creanças da sua raça. . 2 3 Na Mi ed. Zigeunerisches^ * pag. Mart. sin cera y pavilo. abstraindo alli da invenção cómica que introduz aqui e no quadro alguns desenvolvimentos. GiR. azucal colado. firmai preciuzo. dadme un tocado. A Itália oíferece já no século xvi uma comedia. Antucha dei cielo. senur graciuzo. Ca8. Lirio de Grécia. La Virgen Maria uz haga dichuzuz. fidalguz senurez hermuzuz. Cas. La cingana. Cassandra. Martina.

seuurez. Carmelio. Auricio e tractam de fazer trocas de cavalgaduras. No nuz curemuz desaz faranduraz. Ahora en páscoa de florez? Y AuR. Mar. pecho muy hidalgo. y estas senuraz de gran vamuz os quatro ciganos. realez. los piez trazeroz Mi Porque es calzado nel rabo. Trocará un rocin mio. Puez que quereiz. Claud. Zambro de Tiene el . Llamemuz á Cláudio antes que nuz vamuz. Andad A Cas. Cla. Mas antes loz trocaré. alem de animaes. Rocin que hubo de un judio. Mar. Y AuR. quereiz trocar Mi burra vieja á un galgo? As ciganas cantam e dançam. Martina. Senurez. por cualquier otro. : acá. la buena ventura. burricos compre. . . buenoz que talez. o senurez caballeroz. hermuzura Diremuz el siuo. hermanaz. querendo Vêem receber. Como hecimuz ayer por la siesta Vé á llamarluz y nuz esperamuz. Ya Cla. yo trocaré un potro Que Si tengo. Cual de vuz otroz. Liberto. tengo dos especialez Caballoz. cocea ai cabalgar. algum dinheiro. loz hubiera vendidoz. mi volveiz mil Car. Auricio y haremuz fiesta. Daran sus mercedes para que comamuz.108 Preparam-se para dizer a buena dicha: Luc. que hagamoz Cantemos la fiesta antez que noz vamoz ? A buscar luz sinuz á estas senuraz. Moriscoz prietos garri doz Que dos . Cláudio. Carmelio. Senurez. rocin tuerto os alabo.

Y vuz lo mudeiz á vuestro mandar. esmeraldaz polidaz. Que sepais hacer para muchaz cosaz ? Ezcuchad aquello. para vueztro avizo. Otro hechizo os puedo yo dar GiR. Otro hechizo. Que Diuz vuz defienda dei amur de engano. que encubren. Grécia sumuz hidalgaz por Diuz ^ Nuestra ventura que fue cuntra nuz. como noutros logares.» Cantando e e bailando ao som desta cantiga vâo ás damas pedem de novo Mart. don asno. senuraz hermuzaz. feitiços : Senuraz. de Hamburgo Duz. Y pone en peligro laz almaz y vidaz.169 Cantiga «'Eu la cosina estaba el asno " Bailando. esmola. Cual es el senuraz. saber Y Na el marido que habeiz de tener dia y la hora que habeiz de cazar. Por tierraz estranaz nuz tiene[n] perdidaz. de 1856 Dmz. "Que voz traen casamiento "Y os daban en axuar «Una manta y un paramiento. Con que pudaiz. Hechizos sabreiz para que sepaiz Por Luc. Que dicen. Por firme que este con fé verdadera. Que muztra una mueztra y vende otro pano. Los pensamientoz de cuantoz miraiz. Si vuz. . Mart. que pozaiz mudar La voluntad de hombre cualquiera. quereiz aprender á hechizo. Propõem-se a ensinar Luc. Dadnuz esmula. GiH. holgades con izo. «Hilando. la vida mia qu'ez vuestro servizo. De Mantenga senuraz y rozas y ricaz. i ed. (<Y dijéronme. na ed. ruza mia.

170

Dizem

a buena dicha ás damas
Cas.

:

Mustra

la

mano, senura.
receio.

Non hayas ningun

Bendígate Diuz dei cielo, Tu tienez buena ventura, Muy buena ventura tienez,

Muchuz bienez, muchuz bienez, Un hombre te quiere mueho.
Otroz te hablan de amurez
;

Tu, senura, no te curez De dar á muchuz escuto.

Mar.
Cas.

Dadnuz Dadnuz

algo, preciuza,

algo, preciuza.

Luc.

Puez que te digo tu sino, Alguna poquita cuza. Muztra la mano, ruciua,
Lirio de hermozura,

Dirte he la buena ventura.

Mustra ca, senura mia, Ora mustra acina aciíla.

Qué mano, qué Qué dama, que
Por mi

sino,

que flurez

!

ruza, que perla vida que por veria

!

Olvide loz miz amurez,

Yeamuz que

dice el sino,

El recado que te vino

No

lo creas,

alma mia,

Que otra mas alegria Te viene ya per camino. Durmiendo tu, fresca ruza, Te viene el bien por la mar.

Luego

tienez el mirar

De
GiR.

doncella

muy

dichuza.

Diuz te guarde hermozura Mustra la mano seiíura Porné ciento contra treinta
;

Que de Tienez

los piez á la cinta

la

buena ventura.

Tu haz de ser despozada En Alcazar de Zal
:

Con hombre bien principal

Te vernás

bien empleada.

171
Mar.

Dame

acá, dulce serena,

Esa mano cristalina. Buena dicha, perla fina, Tienez la ventura buena

;

Tu

has de ser alcaideza

Tu marido y
Cas.

Cierto tiernpo en Montemor; tu amor

Será bien celoza pieza.

Nueva

ruza,

nueva

estrella,

O brancaz manoz de Izeu, Tu cazarás em Viseu

Y
Y

ternáz liornoz de tella.
edificar

AUi haz de

Un muy

rico palomar,

doz parez de molinoz,

Luc.

Porque todoz loz caminoz A la puente van á dar. Diuz te guarde linda flor, Bendito sea el seiíor Que tal hermosura cria. Mueztra la mano, alma mia,

Por vida dei

servidor.

Fiosanda cazaraz Aqueste ano que vem

En

Santiago de Cacem Mucho rica, muclio bem, Buena ventura hallaráz, Buena dicha, buena estrena, Buena suerte, mucho buena, Muchas carretas, seilura, Y mucha buena ventura,
Placiendo á la Madalena

Que guarde
GiR.

tu hermozura. Muestra la mano, mi vida, Aguela en tierraz desiertaz

;

Dos personaz

traez muertaz,

Tu

Porque erez desgradecida. casarás en Alvito. Seíiura, marido rico,

Muchuz hijos, muchos bienez, Mucho luenga vida tienez, Buen sino, bueno, bendito.
Mar.

Mis ojos d'azor mudado,

172
Muestrame
la

mano, hermana

:

O mi

senura SanfAnna,
I
!

Qué sino, qué suerte, qué hado Qué ventura tan dichuza
Tu, senura graciuza,

Teruáz tierras y ganadoz, Cuatro hijos mucho honrados,

Mucho
Cas.

oro y mucha coza. mi ave fénix linda, Mi sibila, mi senura,

o

Dame

acá la mano ahura. Hermozura de Esmerinda Tu tienez muchos cuidados,

Y

algunos desviados
tu provecho,

De

alma mia.

Tienez alta fantasia, E los mundos son mundados.

Un

travesero que tienez,

Luc.

De dentro dei hallaráz Un espejo en que veraz Muy claroz todoz tuz bienez. Dad acá, garza real,
Gridonia natural,

Diré la buena ventura.

Viva

tu gran hermozura.

Que esta mano ez divinal Unaz personaz te ayudan

A una coza que quierez Estas son dambas mugerez Y otraz dos te desayudan.
;

Date un poquito á vagar, Que aun está por comenzar Lo bueno de tu ventura Confia en tu hermuzura Que ella te ha de descanzar.
:

GriR.

Dad
Por

acá, Mayo florido, Eza mano, Melibeai.

bien, senura, te sea

um

Na ed. de Hamburgo Eza mano melihea, como se melibea fosse adjectivo; é evidente que Melibea é um nome próprio, empregado aqui como epitheto, e reminiscência da Tragicomedia de Calisto
*
:

y Meliboea ou

Celestina.

173
Buen marido,
bueii marido.

Na Laadera
Nunca

cazaráz,

te arrepentiráz,

Y iraz morar á Y dentro on tu
Un gran

Pombal,

naranjal. tesoro hallaráz.

El que ha de ser tu marido

Anda ahora trasquilado. Mucho honrado, mucho honrado, En muy buen sino nacido.
Naciste en bucna ventura.

Mar.

Huerta de

la hermozura, Cirne de la mar salada,

Diuz
Cas.

te

tenga bien guardada
segura.

Y muy
.

Senuraz, con beuedicion

Oz quedad, puez no dais nada.
Luc.

No
Dar

vi gente tan

honrada

tan poço galardon.

Tornárão-se a ordenar em sua dança, e com ella se forão*.

Nas peças de Gil Vicente faliam castelhano personagens muito diversas todavia aqui não pode deixar de admittir;

que essa lingua, com as suas deformações em verdade não generalisadas, é uma particularidade interessante do
se

quadro. Os ciganos teriam vindo de Hispanha em tempos recentes lá ainda não tinham aprendido a pronunciar bem a
;

lingua do país e não teriam chegado a fallar a portuguesa.

A Bibliotheca Nacional de Lisboa não tem a primeira edição das obras de Gil Vicente, a qual num exemplar da Bibliotheca de Goettingen serviu de base íl edição de Hamburgo, de que por isso me servi, confrontando -a com a segunda edição (Lisboa, 1586).
1

A

orthographia em extremo caprichosa d'esta e o não poder determinar até que ponto essa orthographia reproduz a da primeira edição, levou-me a reproduzir com pequenas modificações a lição de Hamburgo. E muito pouco provável que Gil Vicente tentasse representar fielmente a pronuncia cigana. Na edição de 1586 o s hispanhol, não final de syllaba, acha-se representado muitas vezes por c (e, ^) ou ç.

174

De

facto as noticias históricas até hoje conhecidas estão

de accordo com esta interpretação. Um dos melhores conhecedores da litteratura relativa
aos tsiganos, Paul Bataillard, citou um documento que se julga ser o mais antigo com respeito aos tsiganos na His-

panha, e no qual se refere a chegada a Barcelona, a 11 de junho de 1847, de uma «multitud de Egypcios», que
d'alli

se espalharam,
*.

segundo a mesma

fonte, pelo reino

vizinho

Foi muito provavelmente no Alemtejo que Gil Vicente
a farça transcripta foi representada estudou os ciganos em Évora, como vimos. Tendo penetrado em Portugal, sem
;

duvida, pela fronteira da Extremadura hispanhola, os

ci-

ganos achavam a província do Alemtejo excellentemente

adaptada ao seu modo de vida, para centro de irradiação de suas excursões. Os grandes espaços despovoados d'essa
provincia, os seus matagaes, protegiam-nos contra as perseguições de que em breve se tornaram objecto.
cortes de 1525 ou 1535 ou nas duas (os documentos não nos permittem resolver ao certo este ponto) pediramse ao rei providencias contra os ciganos, o
lei

Nas

de 1538, precedida do alvará de 1526

2.

que motivou a Por essas disentre ciganos

posições legislativas
e

vemos

feita distincção

pessoas que viviam á maneira dos ciganos, algumas das quaes eram naturaes do reino; por certo vagabundos estranhos áquella raça e não representantes de uma velha
histórico
país, porque não ha nenhum dado ou supposição bem fundada que nos auctorise

camada tsigana do nosso

1

P. Bataillard,

De Vapparition et de

la dispersion dts

BoMmiens

en

Europe in Bihliotheque de VÉcole des Charles, 1844, p. 529. Idem, Les Gitanos d^Espagne et les Ciganos de Portugal in Compte-rendu de la 9^ Session da Congres iniernational d^anthropologie et d^archéo501. Já anteriorlogie préhistoriqucs en 1880. (Lisbonne, 1884), p. mente Henry se servira d' esse documento in Mém. de la Soe. des antiquaires de France t. x (1834), apud G. Lagneau, num artigo abaixo
citado
(p.

184, nota 1).
n.*»*

2Vid. Documentos

1 e 2.

175
a pensar que a primeira vinda de ciganos para Portugal
fosse anterior de muitos annos ao fim do século xv.

Em

tivos por

Gil Vicente e nos mais antigos documentos legislamim reunidos em appendix a esta parte, acha-se

fixado o nome de ciganos, facto curioso, pois em Hispanha gítanos é o nome preferido. Nem um nem outro ó nome nacional dos ciganos, que entre nós se chamam cales (sing.
calój fem. callí
,'

vid.

Voc),

talvez rons ou roíies (vid. ron

Voe,

e romi).

forma portuguesa cigano correspondem as seguintes estranjeiras i-umeno cigan; bohemio (tcheque) cigán, cin:

A

gán, cikán;

magyar

cigany, búlgaro acigannh, aciganim,

ciganhf grego médio àTGiyy.oívoç, T^íyyavoç; em documentos latinos da Grécia acíngayms ; italiano zingano, zíngaro,

allemão

hispanhol occorrem raramente as formas cíngalo, zíngaro, por imitação directa do italiano. Como a forma portuguesa se approxima particularmente
zigeuner.

No

das formas da Europa oriental e central, é um problema por que caminho ella cá chegou. O mais natural era que

imitássemos ou os hispanhoes ou os italianos. As denominações de gitano * e de egypcio ^ foram sempre entre nós puramente eruditas.

Nenhum documento

legislativo attribue aos ciganos

de

Portugal industrias de metaes, ou outra qualquer licita, excepto a de contratadores e tratadores de cavalgaduras.

Se os bandos que se estabeleceram em o nosso país conheciam a industria de caldeireiro, cedo a perderam. Miguel Leitão d'Andrada exprime a respeito d'elles o desejo:
«

que não fossem

ferreiros,

que

só vsão a fim

de fazer ga-

zuas e instrumentos de roubar^».

Empregada, por exemplo, no Doe. ii." 16. Outros traslados do doe. teem sempre ciganos. 2 Usada por exemplo nas Constituições synodaes do Arcebispado de Braga de 1639, xlix, 1: «E declaramos que os que pedem aos

1

mesmo

Egypcios lhes digam sua boa, ou má fortuna, peccão gravemente». 3 Vid. o extracto da Miscellanea d'e8se auctor no fim do Appendix I.

1615. aonde concorre de todas as nações. Nas cortes de 1525 ou 1535 accusaram-nos de «muytos furtos que fazem e feytiçarias que fingem saberá». e muitas vezes andão tem para si. 6 Doe. ed. ã Doe. e da alma.» 7. e outras peores se saibão delles. 5. os quaes posto que sejão de differentes linguas. n. ne os tocão. e perdido do parte onde se acha mais numero destes he no Reino de Delij.° 6.« 2. de que o povo recebe grande oppressão. a que se allude também noutros documentos posteriores^. A provisão de 1573 mencionava como crimes dos ciganos «muitos furtos e outros insultos e delitos. mas ao modo dos Cyganos que andão nesta parte de Europa. que lhes corpo. fizer mal. c5 a conversação que hus c5 outros tem nestas suas peregrinações. 5. n. 1 A propósito dos costumes dos calandares da índia. n. entêdem. que he hum dos votos de sua regra. E quando assi anda grande numero delles elegem hum à que obedecem à maneira que os Cyganos fazem à seu Conde. A em hua copanhia mais de dous mil." 12. Pouco nos dizem as disposições legislativas dos séculos XVI a xviil sobre a vida dos ciganos. perda e trabalho^». E posto que estas cousas. porque he como hum centro daquellas Províncias de Ásia.« 6.17G Da bém organisação social dos ciganos nada nos dizem tam- esses documentos. . Do alvará de 1579 se deprehende que elles procuravam viver juntos em certos bairros e tinham vestuário particular. Lavanha. diz o nosso historiador: «como homes santos nâo sâo buscados. No alvará de 1606 esses crimes são «roubos e damnos que fazem aos vassalos com geral escândalo^». A julgar por uma passagem falia de João elles de Barros. e os que passao pedraria furtada aos direitos dos portos. Nos tepos das guerras elles são os que de Reino à Reino levão todas as cartas. que fica escomugado.» Década iv. lei A de 1592 prohibe-os de andaram vagabundos e de viverem em ranchos ou quadrilhas *. 3 Doe. que todavia teriam condes *. 4 Doe. pousa fora do povoado. 2 Doe. n. e avisos. de modo muito geral. n. e alli lhe traz a gente do povo sua esmola. todos se Não entrao nas cidades.

a vae denunciar. receoso. á lingua (geregonça). deveriam apparentemente ser motivos para que a Inquisição não lhes poupasse perseguições. Doe. ás trocas de cavalgaduras. a cartomancia. As feitiçarias." 16. as leis de 1557 e 1573 accrescentam as penas com galés. fita Este jogo permittia fraudes e deu logar por isso á phrase cair na corriola^ . aos hábitos de mendicidade.177 O alvará de 24 de outubro de 1647 ó o documento le- gislativo que contém mais particularidades que nos inte- ressam*. apparecer a figura de um defunto num papel posto em agua. Nas minhas investigações não consegui todavia encontrar mais que um processo inquisitorial em que seja ré mulher d'essa raça e nenhum em que seja reu um uma calo. Nas leis posteriores desapparece.» 21. O alvará de 1526 ordena simplesmente que saiam do reino . Garcia de Mira. n. a lei de 1538 ordena a expulsão. 12 2 . e aos jogos de corriola. fez entre outras coisas. a buena dicha. Segundo a sua 1 Doe. deve ficar preso ao desenvolver a fita. que. a cigana processada pela Inquisição em 1582. á buena dicha. a irreli- giosidade dos ciganos. reino dentro de quatro meses. para desapparecer de novo. Segundo Moraes e Silva. n. Nelle se faz referencia ao vestuário. até 1694. Esse processo^ não tem outro interesse alem do que resulta de nos mostrar em acção a pequena feitiçaria das ciganas para burlar um pobre homem. deixar-se enganar» As penas comminadas aos ciganos vão num crescendo desde o primeiro documento legislativo conhecido até 1592. que significa «cair num logro. ou não se avizinhassem nos logares. porém. o jogo de corriola faz-se enrolando uma larga dobrada e mettendo nas suas voltas um ponteiro. enifim a lei de 1592 mandou applicar a pena capital aos que não saíssem do açoutados. para se ganhar. a pena de morte. depois de terem sido com baraço e pregão. que.

cit. 163-164. Sancho de Moncada. 2 Borrow. i. não achando no caso a unha de Satanaz e interessando-os pouco os segredos da fazer-lhe chimica cigana. 92. com uma gente. I. Discurso contra los gitavos (Madrid. Os inquisidores. se elles viviam sem religião ou não. ex. 1631). uma con- versação com um velho personagem que fora inquisidor. apud Borrow. vivendo em peccaminosa concubinagem. encantadores e adivinhos*. Borrow diz não ter encontrado nenhum exemplo de inter- ferência da Inquisição de Hispanha com os gitanos e busca explicar esse facto. quer para o estado. á primeira vista singular. Discurso dei Dr. quer para a igreja romana. Leitão d'Andrada. saidas ou não da boca de um verdadeiro ex-quisidor. no fim do Appendix I. com que brunira o papel. Garcia de Mira serviu-se de algum^ tinta sympathica. Quiiiones. Borrow accrescenta por 1 Vid. que lhe dá as se- guintes razões da tolerância inquisitória! para com os gitanos. cigana todavia burlou sem duvida A o santo tribunal. talvez de invenção do auctor.178 confissão servira-se para isso de pedra liuiue. p. que não podiam ver nelles se não atheus. porque como nenhum perigo podia derivar dos gitanos. cujo segredo não quiz revelar. cujos costumes causavam por certo horror aos bons cathoHcos peninsulares. contentaram-se com reprehender a mulher. me parecem corresponderá realidade dos factos: «A In- quisição olhou sempre para elles com muito desprezo para que se desse ao mais leve trabalho por sua causa. restituir o dinheiro que recebera e pagar as custas do processo. era matéria de perfeita indifferença para o santo officio. O y lera para gente muito diíFerente santo officio i-eservou sempre a sua cóos Gitanos foram sem: pre gente haráta desjpreciahley>'^. Esse processo é por ventura o primeiro no género que se faz conhecer das Inquisições de Portugal e Hispanha. a p. 158-160 e o extracto da Miscdlanea de M. se de facto as testemunhas viram o que disseram. O auctor inglez communica ecclesiastico. que. .

baptisariam os filhos. caracter accommodativo dos ciganos. graças ás condições particulares da província. não posso todavia deixar de reconhecer que outros existiam muitas vezes. Já no século xvi alguns ciganos tinham passado ao que parece á vida sedentária. que as suas feitiçarias eram apenas embustes. Não irei tão longe sem negar esses motivos. que. os sectários professos. os feiticeiros e feiticeiras com a que confesinte- savam ter feito pacto com o diabo eram muito mais ressantes para os inquisidores. » n. 11. contril^iiam. Os atheus.179 sua própria conta que a religião foi apenas mascara com que SC cobriam os verdadeiros motivos das perseguições religiosas. a lei de 1592 falla-nos de ciganos avizinhados"^. para que o famoso tribunal ecclesiastico não cuidasse d'elles. O alvará de 1606'prohibe que se lhes passem como faziam os corregedores de Lisboa^. n. n. mas é de crer que muitos escapassem ainda ás investigações policiaes. taes são a provisão de 1573^. iriam á missa e á confissão. 2 n. Albuquerque de 1655^. julgar por esse ultimo documento. ^Doc. Doe. em caso de ne- cessidade.** 8 e 9. eram naquella epocha muito poucos os ciganos que havia no Alemtejo e esses A não andavam em vida errante. em que o príncipe das trevas não tinha a min ima intervenção. e a carta de André de cartas de vizinhança. se casariam catholicamente." Doe. n.° õ. Outros documentos mencionam provisões que eram dadas a alguns para andarem ou estarem nestes reinos. motivos que eram a cubica e a avareza. miséria d'essa gente. em quadrilhas.<* 7. Vid. O . 20." 11. Sebastião de 1574*. O documento mais a^itigo cigano com nome portuguez em que figura um de Torres) é a provisão (João conhecido de D. também os does. Ou iDoc.« 6. 3Doc. como Garcia de Mira. . e confessariam.

como a Ormuz. João IV. . . sem soldo». Malaca e Sofala. a vencer soldos e condições. servindo nas fronteiras «com zelo e valor com que já forão muitos apremeados». livre de preoccupaçoes de raças. com a superioridade do seu espirito. não poucos. n. Os tempos novos trouxeram uma grande tolerância sem duvida mas essa não basta. devidos ou não devidos.lòO esses ou novos bandos vindos de logar á publicação de outras leis. 1 Doe. desde a restauração do reino. para o antepor ao d'aquelles. Thomé Pinheiro da Veiga. pedindo soldos atrasados. A carta do original e enérgico procurador da còrôa. Thomé Pinheiro da Veiga. no tempo de D. de 1646*. sem servir á sua custa. á vista dos que exforçadamente morreram ou pelejaram» e ao dos que vão ás fronteiras. porque elles reappa- Hispanha davam depois que evidentemente não recem sempre de novo onde se julgava tê-los extinguido. com muitas Esse facto basta para resgatar a raça cigana do opprobio de mais de quatro séculos e para nos fazer pensar em chamar os seus actuaes descendentes. O cigano outlaw subsiste ainda subsiste ainda o seu modo de encarar o esracional e vivio da .*» 15. Doe. até deixar a vida». tiveram a efficacia que pretendiam. ao concivilisação. por uma politica mais humana que a dos nossos antepassados. castas. Nem tudo nos documentos que reuni coUoca os ciganos a uma luz desfavorável. classes e fidalguias de sangue. e o alvará d' esse rei de 1649^ um facto esquecido^ embora do maior interesse a historia ^ caracteristica dos ciganos. para Mais de 250 homens.« 18. que d'esse mesmo campo «infamemente fugiram. aproveita o caso daquelle pobre cigano que serviu a sua pátria adoptiva «três annos con- tinuos com suas arinas e cavallo á sua custa. riquezas.d'essa raça se acharam alistados revelam-nos no exercito português. 2 n. combateu «valerosamente no campo.

181 tranbo como uma presa. Pires affirfoi por via de um. de cabello indirecta que pouco Todavia se eu pudesse viajar algum tempo no Alemtejo alguma coisa conseguiria. já por mim. que primeiro me indicara essa estatura como mais que regular. Mas sem os ciganos são gratos pela um subsidio do que respeita ao typo physico. A boa politica não pode deixar existir. A estatura dos ciganos é varia. Pires. modificou a sua observação numa feira de Villa Viçosa. em consequência do caracter desconfiado e supersticioso d'essa gente. Mas o que entende elle por estatura regular? . L. já pelos meus collaboradores. de Vasconcellos acha-os muito altos. como tenho verificado nos exemplares que por acaso tenho encontrado. Pelo momento tenho que me contentar no recebem. com os dados obtidos pela simples vista. mas que de nenhum modo são absolutamente refractários ao progresso e teem dotes naturaes que os podem tomar proveitosos. O estudo anthropologico e ethnographico dos ciganos offerece grandes difficuldades. alguns agigantados. onde viu gi-ande numero de até ciganos. recorrendo ao auxilio de um ma-me que elles não se deixariam medir e obteve elle um d' esses proprietários d'elles a quem protecção que estado ser-me-ha impossivel proceder ás investigações que tenho em vista. Typo physico. e no que respeita aos caracteres psychicos e aos costumes principalmente com as observações que me ministraram. obe- decendo a hábitos tradicionaes. e classificou a maioria d'elles como de estatura regular. um punhado de individuos que dinam á organisação social do país em que vivem. a titulo de curiosidade etimológica para o estudo dos esnão se suborpecialistas. É preciso que elle vença o espaço das que o separa da sua concepção primitiva das relações ethnica gentes para desapparecer com a sua individualidade em o nosso meio.

não de uma media. 2:902 de 1". 31) consideram os tsiganos como pertencendo aos povos de estatura elevada. .Õ4 de altura para o exercito ou l^jõO para a armada» mas trata-se aqui de um minimo. Abtheil. no continente e ilhas. vemos que foram inspeccionados no primeiro d'aquelles annos. Uma mudança de regimen alimentar basta para produzir num curto espaço de tempo o abaixamento do nivel da estatura geral de um grupo ethnico sujeito a essa mudança.50 a l^jõS e 59:336 l'". facilmente a difficuldade de interpretar as noticias dos auctores.74. Yid.** de lei do recrutamento de 12 de setembro de 1887. etc. Hovelacque et Hervé. 463.° 10.e altura menos de l'».53 e 41:867 5 1"'. 1890." 21 e 1891. dos quaes 2:259 tinham d. Segundo o art.54 ou mais. 2413 de 1"S50 a l'". p. de estatura media. Qual é essa estatura no povo português? Faltam-nos dados de investigação para poder responder á essa interrogação. Bom fora que o serviço da inspecção organisasse tabeliãs contendo o numero dos inspeccionados repartidos pelas cifras de estatura. P. dos quaes 1:436 tinham menos de l'". i890. Éléments cVanfhropologie g^nérale (Paris. Como é que se estabelece o typo mental da estatura media ou estatura regular dos observadores á simples vista? Pa- * rece que esse typo deve variar segundo os paises e depender da estatura mais frequente de cada povo. n. e que vem a ser l'". sem medições exactas. que. c): de que provêem essas differenças de estimativa? Dos observados ou dos observadores? As condições de vida podem influir para a differenciação das estaturas. os exemplos notáveis dados por Kõstlin in Das Kônigreich Wurttemherg.6õ*. 69.õO de altura.182 A experiência tem-me mostrado que o que entre nós se chama' estatura regular se approxima ou coincide (sobre" tudo de cima para baixo) com o que os anthropologos admittem como a estatura media. vid. de centímetro em centímetro. Conclue-se. . A miséria tem acção depressiva sobre a estatura. outros observadores attribuem-lhes estatura media (Cora 1. Pelos Mappas do serviço do recrutamento de 1888 e 1889. I.54 ou mais no segundo d'aquelles annos foram inspeccionados 45:535. pois. são isentos do serviço militar «os que tiverem menos de 1"'.59-60. Cora in Das Ausland. pois alguns attingem l'". Zweiter Band.50. nr. nos faliam de homens altos. Estes dados são insufficientes para resolver a nossa questão. 63:G74 mancebos. Precis d'anthropologie (apud G. p. n. 1885). A. Topinard. Das Volk. publicados no 5 Appendice ao Diário do Governo.

ágeis. quasi negra noutros. na mocidade. quando novo de movimentos fáceis. não muito saliente. se se prefere uma comparação já usada. a cintura delgada. Os pés e as mãos são pequenos segundo alguns observadores. A cabeça é geralmente caracteristica nas principaes par- ticularidades. maçãs geralmente um tanto salientes. A A por tez c trigueiro-pallida nuns. Nas mulheres. Excepcionalmente apparecem ciganos mais claros. que são bem accentuadas o mento em geral arredondado. ne- gro como azeviche oii. mais baixas. A forma da cabeça não pouco numerosas) a da franca dolichocephalia. nas ciganas justificam ás vezes o que se diz do tom mysterioso. perfeitamente semelhante ao dos canarins e que elle usa bastante comprido. muito vivos. nem da franca braimpressão chycephalia. isto c. já ser pelle a cor natural. de . mas é comprido. Os olhos são muito negros. deixa ver duas fileiras de dentes bem conformados e dispostos.183 Km geral o cigano não ó inferior a essa estatura e excede-a muitas vezes. E magro. A áspera. caindo direito. negra como o cabello e as sobrancelhas. Apesar do cabello. farto. o que não destoa da observação dos anthropo- dá (a julgar por inspecções rápidas e logos que põem o cranco tsigano nos limites da mesati- cephalia e da sub-dolichocephalia. O rosto nalguns exemplares um tanto agudo. pouco rasgada. a magreza é maior. não ondulado. enquadrado nos homens por uma barba cerrada ou em patilhas. Cobre-a um cabello. comquanto de apparencia robusta. . já pelo é eíFeito do ardor do sol. antes produz a impressão contraria. não se apresenta essa cabeça em geral como grande. como as pennas do corvo. alter- nativamente melancholico e alegre dos olhos das mulheres de outros ramos do povo tsigano. boca. ora um pouco achatado. os movimentos ainda mais ágeis que os dos homens. O nariz é aquilino ou recto. de dorso ora agudo. de grande brancura. Pires na resposta a esse i)onto do questionário .

plus ovale. e os auctores por esses citados.184 que lhe dirigi escreve — grandes. o que concorda em parte mesmo dos ciga- com nos. France sciences médides in Dictionnaire Race encydopédique tsigane pologie. . O cigano representa talvez esse segundo typo. João em Évora em 1888 que são feissimas. sem tecto. Ciganos e ciganas. aux traits plus ramassés. Na resposta ao questionário que lhe dirigi escreve Pires a respeito das ciganas Ha verdadeiras bellezas.) bonitas. Deehambre. deitam-se e dormem na terra muitas vezes húmida. uma ou outra até digna de ser chamada bella^. (Paris. au nez plus aquilin Tautre grossier. pp. lamacenta. curta duração : A belleza da cigana é porém de pouco depois dos vinte annos deáappareceIhe o viço da mocidade. caldeireiros. vistos pelo mesmo observador. v.» 3 : algumas. em maio de 1883. Lagneau. comquanto talvez em menor grau. Segundo Pires. 2 Hovelacque distinguiu dois typos tsiganos «l'un fin. as minhas observações pessoaes *. au regard moins per. dizem-me terem visto algumas (nas Caldas da Rainha. 471-2-. L c. G. 1877). E certo que a perda do viço não ó acompanhada de perda de forças. 15-22 . art. 1879). de apparencia juvenil ou decrépita. Extremamente formosas çant. Cora. L. au visage plus allongé. t. 5« serie. aux traits plus concentres. perto de Borba. a perda precoce do viço da mocidade. 1 — ccUes de A. vid. etc. Topinard. de Vasconcellos- Nos homens também se dá. resistem a grandes marchas. P. pp. mas a immundicie e os farrapos que as cobriam contribuíam sem duvida para augmentar em 1887.e essa impressão. entre os quaes algumas damas. como L. Mas outros observadores. D'ahi em parte a causa da má impressão de outros observadores. Sobre o typo physico dos tsiganos. As que eu tenho visto eram feias. era mais fino que o dos ciganos e gitanos^. no Algarve. G. o typo dos gitanos é o typo de uns ciganos húngaros. Todavia Pires diz-me que os ciganos gozam da reputação de longevos. VanthroAnthropologie (Paris. de Vasconcellos diz O com referencia ás mulheres ci- ganas que viu no Cadaval ás que viu na feira de S.

que são as usuaes no Alemtejo. p. Refere-me o sr. Colocci. como se vê pelas compras que fazem quando atravessam as povoações. Um bebam bem por observador não os crê bêbedos habituaes. Diversos auctores faliam da nenhuma repugnância dos tsiganos por animaes mortos de doença. 189. les désinfectent au moyen d'herbes à eux seuls connues. Le pays lasque. os ciganos. e que suspendem a três va- ras ensarilhadas. toda a carne de porco. 138: «d'autres fois ils ramassent les 1 animaux morts de maladie. Uno dei piu gran regali. preferiscono la birra e sopratutto gli spiriti. 166). principalmente de licores. Michel.« 2 «Amano poço il vino. comquanto occasião da feira de S. de ordinário. João em Évora. Alimentação. n. tudo misturado. de fome. Um observador diz-me que comem pedaços de toucinho cru com pão. Não parece haver nenhuma particulari- dade nas suas comidas. p.185 Alguns dão saltos e pulos prodigiosos. para os comerem*. p. che lor si possa fare. Dormem da noite e em rompendo pouco. che- em Trás-os-montes. Comem bem quando teem dinheiro. n'importe laquelle. . chamado Joaquim Canhoto. 189. mas que raras vezes se embriagam^. et s'en repaissent impunément. Deitam-se.os amigos do vinho (cf. vodka. quando menos certos bandos) lançam carne e peixe. Gli Zingari. a teem na sua caldeira onde (pelo Comem ainda que em decomposição. ás 11 horas o sol estão a pé. que tinham succumbido a uma epizotia. un álcool qualunque nè sapprebero senza : acquavite celebrare alcuna cerimonia o festa. è di offrire ad essi mastic. Um correspon dente de Barbacena conta que um.» Colocci. p. com dois pulos fez cair de um telhado uma navalha que lá tinham posto. com alguma ave morta que encontram pelo caminho. Relativamente a bebidas as testemunhas são divergentes. numa epocha garam a desenterrar porcos. Uma observadora julga. Ferreira Deusdado que. Vid. deitando-a. o que eu já vi fazer a hispanhoes da Extre- madura (não ciganos). Pires diz que são amigos de bebidas. 1 e F. rak.

muito. não a cultura mesma.\ «I\ est parfaitement vrai que les Indiens comptent plus sur leur mémoire que sur les procedes personne ne peut se mettre cn rapport avec ce pcuple sans être étonné de ses facultes prodigieuses à ce point de vue. 188. são notáveis cartographos (Francis G ai ton. p. juin 20. et A pays étaient incapables de lire et d'écrire. Grande numero de ho- mens analphabetos fazem cálculos mentaes prodigiosos. 1883. Londres. Co- locci. Vid. ' Gostam muito de doces de que fazem grande con feira do S. Faltam-nos infelizmente dados para apreciar bem o intellecto do cigano 2. tào costuma- dos estamos o considerá-lo como condição de toda cultura. Citemos alguns factos que provam o que ha de illusorio nesse modo de ver.186 summo na sr. extrahldo de um artigo de Pincott in Knowledge . director da Bibiiotheca Nacional). p. instrumentos indubitavelmente necessários para uma verdadeira cultura. um miséria intellectual. mas que podem também exercer uma acção puramente negativa quando não se ligam a um bem entendido systema de educação. sem terem recebido nenhum ensino de desenho. homens e mulheres. Caracteres psychicos. Esta qualidade todavia não significa si. A leitura e a escripta por estado de profunda si sós são apenas instrumentos de cultura. 2 Náo se faz ordinariamente ideia do desenvolvimento intellectual possível sem o conhecimento da leitura e da escripta. perspicaz relativamente ao circulo estreito de l'elaçoes em que vive. susceptivel talvez de o ser num circulo mais complexo de relações. Os esquimós. (Communieação do Gabriel Pereira. analphabetos. que . (Pires acha-os muito intelligentes. ///gw^r?/^^/ío í^e human Faculty. Tem elle uma 1 Esse gosto pelos doces parece ser geral nos tsiganos. O espirito do cigano é vivo. 103-104).) São analphabetos. II est de notoriété que la plupart des hommes les plus habiles de ce artificieis. Eu tenho já encon- Fumam trado ciganas de cachimbo na boca. car leur mémoire était chargée de plus de connaissnnce toujours à leur disposition. esse propósito lê-se no periódico La Nalure^ 1891. por como se figura a muitos. mais ces connaissances leur faisaient généralement peu defaut. João era Évora*.

. là nature de leurs revenus. como se acha consignado no Chronicon Fratris Hieronymi Froliviensis em Muratori. que aproveita nas suas industrias.) Em verdade os ciganos nada contam hoje ào seu passado aos estranhos. quando esmolam diaem «somos do tórica oral *. Conhece ainda. Os ciganos do Brasil conservam a tradição de uma emigração de Portugal em 1718 e dos nomes de alguns emigrantes (Mello Moraes Filho.187 boa memoria? Quaes as representações particulares que mais facilmente reproduz? As visuaes? As auditivas? Tem a memoria numérica que permitte o calculo mental? Sem duvida elle tem a memória topographica. les poirits forts et faibles de rAngleterre. un parfait administrateur. como seus irmãos doutros paises. qui coiiuaissait à cliaque instant Tétat de ses ricliesses. 2« série. 1882. 25). Tem um certo numero de conhecimentos tradicionaes. Cetait celles ((ue — un íinanier fort capable. os effeitos narcóticos de certas plantas? Tem alguns conhecimentos astronómicos? Pouco pudemos apurar da sua capacidade para conservar tradições. xv conservavam a tradição da sua origem indiana. p. quod erant de índia». Poude-se affirmar. Rangit Singh ne pouvait ni lire ni écrire. Cela nous con- duit à attribuer le plus grand prix à la lecture. et. as propriedades medicinaes. aliqui dicebant. ut audivi. mais il savait tout ce qui se passait dans uii royaume aussi grand que la France. 890: «Et. Os ciganos no Brazil. condição sine qua non das suas translações constantes. en un mot.^7. p. t. 2 Os tsiganos chegados a Forli no sec. les ressourees de ses provinces variées. o liispanhol e o portuguez. Scripforcs Ber. Nous devrons modiíier notre opinion sur ce point en nous rappelant que les merveilles de Tarcliitecture indienne sont dues à des hommes qui ne savaient ni lire ni écrire». et à traiter avec quelque mépris les peuples qui n'ont pas pris la routine de coucher leurs idées sur Ic papier. col. et à Tecriture. Ifalic. Nous commettons Terreur de clle croire que les de connaítre constituent la connaissance moyens même. à tous les points de vue. todavia a asserção é talvez um On sait que possédent ceux qui étuclient dans des livres. que não ha tradição hispouco absoluta 2. la puissance de ses voisins. Gaston Paris in Nevue critique. 1 Seguem outros factos interessantes. XIX. Falia o seu rumanho. 2. Também possuem boa memoria para os cantos (lettra e musica).

apesar dos factos contrários que já foram notados (p. hypocrisia é arma de defesa para elle. Parece que não são muito vaidosos. E E se muito nervoso e emocionavel. ainda por certo interesse. absolutamente irreligioso o cigano. O quando seja puramente negativo. — essas tendências dos ciga- nos os tornem impróprios para a vida militar. O gosto da ornamentação no vestuário liga-se. Todavia a humildade que o cigano tantas vezes manifesta ante os estranhos não é expressão de um sentimento espontâneo. Veja-se o que abaixo dizemos dos baptisados. sei que um cigano compellido em Elvas ao serviço militar desertou ao segundo dia e que os domiciliados em Elvas que são recrutados desertam tam- bém em regra. ainda que incompletamente. em que não sente outras obrigações alem da de acudir á sua sustentação immediata e á da sua familia. casamentos e enterramentos. Pelas in- formações que obtive. 180). mas sim a sentimentos esthetícos. não a um sentimento de en- grandecimento pessoal. pois a mulher é a principalmente encarregada do cuidado dos filhos. é ella e nada mais em geral A que o faz adaptar. resultado. como muitas vezes tem asseverado dos seus irmãos extra-peninsulares e . mas de um habito de precaução. porque a d'essa vida livre.188 Egypto. principalmente de lembranças das perseguições de que nos séculos ahteriores foram objecto. no sentido em que elle também tem uma ambição Concebe-se facilmente como ordinariamente se entende essa palavra. (As nossas noticias sobre essas relações familiares não são em verdade sufficientes. pode dizer-se sobretudo á O sua sustentação.) A imprevidência e a aversão tam d'aquella paixão e da sua a todo o trabalho regular resulfalta de ambição. mas as suas emoções são pouco persistentes. ás praticas religiosas do povo em que vive. terá cigano tem a paixão do seu modo de vida.» Convém insistir na investigação do que os ciganos possam conservar de tradições do seu passadO. da terra do Menino Deus.

certo é che essi (os tsigasi nos) hanno per tra in tutti i morti lo stesso superstizioso rispetto..se refutar a these da irreligiosidade dos tsiganos. as I have already observed. demonstração A dada no artigo não é sufficiente. 9. d'essa terra onde quasi tudo tem impresso o cunho religioso. poderia chegar a ser irrehgioso? primeira vista a asserção afidos gitanos ? * A gura-se absurda e está-se no direito de pedir d'ella rigorosa demonstração ^.. come dimostra lo Spencer». p. Vid. Num artigo do periódico Das Ausland. . heng. que nâo occorre no que reuni do Vocabulário dos ciganos.» Mas do simples temor supersticioso e do respeito dos mortos a um verdadeiro culto dos antepassados. 2. in devotion of the dead. isto é. : riscon- O mesmo auctor italiano cita (ibid. 10) em que figura a palavra otihé. Ahhandl. teem o culto dos antepassados. Da seriedade das crenças dos ciganos como christãos temos motivos para. como os tchangar do Panjab. como vimos no Vocabulário^ ou otihé^ que designam Deus. de Vasconcellos dizia em 1887.) as palavras de Leland «The real religion of the Gipsies. Em verdade Colocci diz i p.189 Como um povo originário da índia. O auctor funda-se principalmente na existência. che popoli primitivi. uma textos ha 49 e algumas phrases (n. consultado. Trumpp apud Miklosich.. 230: «. L. como o encontramos em diversos povos. 2 Na índia ha todavia grupos humanos. xlix Jahrg.. 60. Toda religião se manifesta principalmente em São pagãos ou christãos? De culto pagão não se indicam entre elles nenhuns claros vestígios. Mas o termo basta para que julguemos demonstrada a existência de concepções religiosas a elle debel e otebel Os ciganos têem. os ciganos? Teem-nos que «adoram os mortos». a distancia é ainda grande. os quaes teem sido comparados aos ciganos e parecem estranhos a quaesquer usos religiosos. consists like that of the Comteists. não me deu razões para poder-se acceitar isso como averiguado^. que Leland e Breitmann supposeram idêntica ao aquella palavra tsigana significa realmente deus. Os : tsiganos possuem uma palavra particular para diabo. p. duvidar. 838 e seg. numa carta.°^ 41. mas. 3 iii. da 1 inglez devil palavra devei. busca. Nos os termos ligadas? ritos. na lingua dos tsiganos.

etc. or what they now are. por exemplo. trust. and uever mentioning his .. porém. III. totally neglectful of worship of any kind and though not exactly prepared to deny the existence of a Supreme Being. 282. and is likely so to remaiu. p.. Dos não são absolutamente factos referidos parece concluir-se que os ciganos irreligiosos. Nós os portugueses empregamos a expressão oxalá como ção. therefore. xlviii (1875). Essa adopção de crença religiosa coincide com uma mais ou menos adeantada assimilação ao povo de que a receberam e em geral com o sedentarismo. Vid.» Das antigas disposições ecclesiasticas parece resvdtar que alguns se confessavam. or atheists.** 60 que se refere precisamente a ouvir o padre a dizer missa.» Borrow diz com referencia aos gitanos «Ali. as they have heard other people do. n.190 Os ciganos não sedentários não se casam catholicamente e se baptisam os filhos (varias vezes) é por motivos de interesse. but always without any íixed belief. name. 10-1 1 e Das Ausland. mas aqui o termo é estranho á lingua. stição é distincta da religião. Feitas e ordenadas pello Illustrissimo e Reverendíssimo Senhor Dom Sebastião de Matos de Noronha. . Os vagabundos aqui declarados sejâo assentados 'no rol dos confessa1 dos. As licenças são de 1634 e 1635). mas que nelles o sen- timento e o conceito religioso se reduzem a muito pouco 2. comediantes e Sig anos.) Frequentam. or in moments of pain or sudden surprise. 2 na freguezia em que se acharem ao tempo da Quaresma. (Mas vid. como se indica abaixo mas a super. fazem oração e deitam esmolas nas caixas. uDos vagabundos. isto v^. as igrejas ruraes. which : relates to their original religion is shrouded in mystery. em que necessa- Que o tsigano não tem incapacidade absoluta para a religião prova-se pelo facto de que em vários paises do Oriente o vemos mussulmano ou christão. Miklosich. o texto otebelj.» The Zincali. as regardless of him as if he existed not. com vontade ou sem ella*. or hope. riamente significou o conceito de uma divindade. save in oaths and blasphemy. Crer. They may have been idolaters. uma interjei: sem sabermos (salvo os eruditos) que ella significa queira Allah. t. Abhandl. Segundo uma informação dada a Pires: «Não consta ver-se um cigano na missa. Tit. xxxxi. que duas Primeiras ccnsiituiçòes Sinodaes do Bispado de Elvas. (Feitas em 1633. emquanto dehel pertence ao núcleo primitivo do vocabulário tsigano. i. São supersticiosos. 150-151.

os jambos ou paios (paillos) Para com os da sua raça reconhece o cigano direitos e deveres. preceito. regra. pp. 155) esquece-se que tal asserção só vale respectivamente ás relações externas da gente d'essa raça. para com elles tem até virtudes. a cartomancia e outros processos divinatorios podem ser também independentes de toda crença religiosa. nem direitos nem deveres: o estranho para elle é apenas trata de aproveitar o melhor que pode. em geral. mas . e admitte sem refle- xão um nexo causal entre os dois casos*. que aproxima as duas representações de mãos que agitam a agua e mãos que se agitam em lucta nmas contra as outras. uma com presa. vid. mas resulta do mechanismo psychoíogico. que a condição de o fazer o mais possivel a seu salvo 2. 11. os caUsj. Onde se revela por completo o estádio primitivo de cul- mentos e modo de acção. ^ 2 Quando se diz que o tsigano não conhece auctoridade. Os tsiganos em geral reconhecem chefes isso basta para fazer ver que lhes não é estranho o principio da auctoridade. dever (Colocci. sem dever não é possivel a existência de qualquer sociedade humana por mais rudimentar que seja. 83-101. para com os estranhos não reconhece. (1862). Steintlial. principio. atravessando povos com crenças e a que parcialmente pelo menos tiveram que adaptar-se. para escaparem a perseguições. Diz-se que desconhecem um verbo significando dever. estado. . A E difficil ou antes impossível resolver a questão se o indiíFerentismo ou quasi indiíFerentismo religioso dos tsiganos os caracterisava já ao saireni da índia ou se elles chegaram a esse ritos religiosos diversos. Ueber den Aberglaubcn \n Zeitschrift fur Volkerpsychologie. p. de outro para com os estranhos. H. tura do cigano é na diíFerença profunda dos seus sentium lado para com os da sua raça. de . chiromancia. Sobre o que separa a superstição da religião. sem regra. sem preceito.191 pessoas que lavam as mãos na mesma agua terão rixa nesse dia não se liga a nenhum conceito religioso. sem principio. Sem auctoridade.

p. 227 : «Per solito Tadulterio é raro fra le Zingare. 228 . reiro de segundo a tradição. Colocci. p. por exemplo. Le pays bosque. diz das relações conjugações dos tsiganos d'esse país é muito desfavorável. está quasi esquecida dos tsiganos da Ásia. fraternidade é ainda hoje bastante notável. Os ciganos e os gitanos teem nesse sentido terelar. tanto piú che la loro beltà sparisce presto. ». Colocci. O melhor que arranjam de ali- mentos é para os filhos ^ A fidelidade reciproca dos cônjuges era lei firme nou- tros tempos. Quando é possivel levam-nos num burro. expressa nos seus pronomes possessivos. São raras A as rixas entre os ciganos. que diz : «Gli Zingari hanno uno sviscerato amore per la loro prole». Mas vê-se. . de os habituar aos inci- dentes de uma vida dura e aventureira. ' Cf. que se encontram bem unidos palavra {patiy pachif etc). elles se fatiguem nas longas marchas a mãe transporta ás vezes três filhos ao mesmo : tempo. Um proprietário e ceaBarbacena diz «À cigana casada com um cigano : que é infiel a este é abandonada de todos» 2. . quando as suas forças não se acham desenvolvidas.» O que Francisque Michel. non si tosto divengono «Secondo il dott. o cuidado que teem em evitar que. pareçam á primeira vista excluir o carinho. 229. Os cuidados que principalmente as mães têem pela prole são numerosos. p. a fraternidade. emquanto elles vão a pé. significa terar^ possuir. teem uma palavra que honra n. mettidos numa espécie de saco. p. : niscono 1 'adultério col taglio dei naso alia donna e colle battiture sui goraiti o sui ginocchi per Fuomo. 140-141. que se liga a terar . e p. e um nos braços.. A 156 E mister nâo confundir a noção reflectida e abstracta do direito e do dever com as formas concretas e espontâneas com que surgem nas sociedades primitivas.192 Quatro sâo os sentimentos principaes dos ciganos para os da sua raça: o amor extremoso dos filhos. Solf gli Zingari tedeschi pumadri. mas por certo nenhum tsigano ignora a distincçào do meu e do teu. o respeito dos velhos. 2 Cf. a fide- com lidade conjugal. comquanto a educação physica que lhes dão com o fim de os endurecer. dois ás costas. diz Colocci.

espoliação do estranho faz-se por uma serie de pro- cessos. uma imposição. 263-266. etc. Para com os estranhos os ciganos são apparentemente muito corteses. que vão num crescendo até ao attentado grave. e li 2 Um informador falia todavia de chefes. Vid. IS . não esquecerão jamais a casa das bemfeitoras. In nessun altro popolo anzi il vincolo di gli Zingari razza è piú intenso e piú rispettato. carne. geralmente pão. fazendo para isso até uso dos vales do correio. o peditório adquire já o caracter de só as até primeiro objecto. protegem-se recicaso de prisão^ ministram os meios de *.193 em muitas occasiões e. queixou-se na feira de Villa da mudança dos costua Pires de J883) Viçosa (maio mes. São sobretudo as mulheres e as creanças que pedem. Gs ciganos do Alemtejo parece não reconhecerem chefes ^. 154 : «Una fratellanza sincera regna fra tutti unisce. Elias sabem commo- ver principalmente com o espectáculo dos seus filhos nus. meio mais suave e mais frequente é o peditório. mas a falta A O de veracidade. no Alemtejo). Segundo subsistência aos que estão prisioneiros. disse elle. O proprietário de Barbacena dá noticia de ter sido assastório sinado numa feira por trinta ciganos um da sua raça. p. hoje é raro que o pedi- chegue a render 2 libras. o intento de os lograr são a regra. as mães portuguesas. i. lenha e principalmente palha para 1 Cf. Aqui não pedem mulheres e as creanças. Borrow. os homens pedem também. respeitosos e não poupam hsonjas.» Vid. depois terceiro. ou semi-nus. p. Nos casaes isolados (montes. Antigamente. Alcançando e um E gundo. As mulheres já não são tão rigorosas na fidelidade. A arte das ciganas no peditório é perfeita. 216. Colocci. quando algum cigano era Em verdade um cigano velho preso iam os amigos mais Íntimos pedir a todos os outros ciganos soccorros para o desgraçado e obtinham de 15 a 16 libras que lhe entregavam. procamente em Pires. a descripção da sua vida de miséria. pedem seque a caridade se cance.

21 de julho de 1892. como se mostrará mais abaixo. Nâo sâo cigarros. O roubo á mão armada é muito raro. quer de defesa ou por vingança. Dia. animaes domésticos. cujo creado os intimou a saírem de lá. Ha pouco os jomaes deram noticia de um assassinio praticado por ciganos em Chacim. junto o seu desamor ao trabalho legitimo. principalmente na compra e venda de cavalgaduras^. todos os processos o mais frequente que o cigano dos dois sexos emprega para arrancar dinheiro ou algum objecto de valor ao estranho. O O modo por que o cigano considera o estranho é perfeitamente próprio de um povo que se conserva num estádio primitivo. Os ciganos roubam principalmente aves. Nas feiras. entre os quaes cavalgaduras. e sustento para estas. a lograr o es- tranho. communica-me Pires. não pode deixar de reconhecer-se um espirito de mystificação. É preciso satisfazê-los para que elles não recorram a outros processos mais violentos de espoliação. moços pedem apenas realmente os seus caracteres psychologicos e especialmente a natu- . senão sem exemplo. mas até no próprio logro. O immediato na escala d'esses processos é o roubo. n. 1 Em geral não pedem dinheiro. que o leva a comprazer-se não só no fructo do logro. Mas de com Independentemente da necessidade que o impelle. Então elles enfureceram." 1511. é o logro. a burla. quer do roubo. respeitando-lhe a propriedade e servindo-lhe até d'inter- medio fiel em negócios. comarca de Macedo de assassínio é O no intuito Cavalleiros (Trás-os-Montes) por um futilissimo motivo.se e crivaram de facadas o rapaz ^. Os ciganos andavam com as suas cavalgaduras numa proprie- dade do parocho. só os ciganos mais 2 3 Vid.194 sustento das suas cavalgaduras *. Diversos factos provam que o cigano é susceptível do sentimento de gratidão para com o estranho que o protege. quç se opera por modos muito variados e para que elle revela um talento especial. feito também perfeitamente excepcional.

. 22) notaram que a perfídia era característico de todos os bárbaros. junto com a mobilidade constante. O meio em que vivem os ciga- nos nâo lhes permitte hoje o roubo á mão armada. de abotoaduras metallicas mas deixam cair . Fallece-lhes o instincto do asseio. 14)». por isso elles se limitam ao furto. quum idem homines quietem (Germ. Grimm. Quando cantam acompanham-se de castanholas e pandeiretas. 279 e seg. as grandes violências. ao contrario do furto a occultas. sic Poder.IDô Parecem ser muito limitadas as aptidões estheticas dos ciganos. os attaques das aldeias. delegata domus et penatium et agrorum cura feminis senibusque et infirmissimo cuique ex família : ipsi hebent. 634-635). J. reza das suas relações com os estranhos que o distinguem verdadeiramente. Gostam de vestuários ornados. Colocci. de collares de contas mulheres). Já 98) e Tito Livio (xxii. p. õ) descreve-nos os lusitanos como ladrões. «matéria munificentiae per bella et raptus {Germ. Considerar o roubo exercido na propriedade dos estranhos á raça ou á tribu como um acto perfeitamente permittido é um conceito corrente nos povos primitivos. 3. Os . 2te Ausg. preguiça para o trabalho regular. mas sim a persistência d'esses caracteres no meio da civilisação europea. (Vid. ser apenas os cantos populares do país ou cantos hispanhoes^. de que na historia de outros ramos da sua raça ha alguns exemplos ao logro. Strabão Dos germanos diz Tácito Polybio (iii. Os seus cantos parecem não ter originalidade.ae-hiam multiplicar os parallelos ministrados pela ethno- graphia antiga e moderna. A verdade parece-me ter sido de perto attingida por Schuchardt no seu interessante estudo Die Cantes Jlamencos. Não teem musica instrumental propriamente dita*. através de alguns séculos. (mas essa ornamentação é muito rudimentar). Deutsche : (iii. 15)». (as em farrapos com facilidade esses vestuários que trazem até á ultima. Vid. o ódio ao repouso caracterisam tanto os ciganos como os povos bárbaros em geral. í Outros ramos da raça tsigana revelam considerável talento musical. Tácito refere dos germanos «Fortissimus : A quisque ac bellicosissimus nihil agens. O roubo a descoberto estava longe de ser considerado entre os bárbaros como deshonroso. principalmente os da Hungria. Rechtsalterthumer. ament inertiam et oderint mira diversitate naturae. 2 Ora se teem attribuido aos tsiganos talento poético ora se lh'o tem negado.

em geral. principalmente na lingua. mas na essência poesia andaluza. a rima e o rythmo que apresentam provêem de modelos magyares. faliam valentias e negócios de cavallos. Frederico que o valor artístico das poesias dos tsiganos húngaque elle colligiu. muito falladores. Vid. era nullo ou menos que nullo. aos que os gitanos se assimilaram. genuina poesia dos gitanos. que em primeiro logar experimentou uma certa gitanisaçâo na linguagem». seja um producto original d'elles. outra allusão no extracto da Miscellanea de Miguel Leitão d'Andrada. v. e em chegando Fizerão nas dançar como ciganas. 12. os canMiiller dissera ros. no Appendix 1 II algumas rápidas considerações sobre a poesia dos ciga- nos do Brasil. diz elle. Diogo Camacho. todavia a expo- sição de Schuchardt leva á convicção de que os cantos flamencos «não são de modo algum modificação de uma antiga. no fim do Appendix i. tos flamencos. são certamente um povo de muito poucos dotes poéticos e os rudes vestígios de poesia que entre elles colhemos revelam a influencia dos povos entre os quaes vivem. Uma pequena discussão torna-se entre elles fa- Quando em cilmente verdadeira algazarra. tsiganos.196 Os seus bailados são também reproduzidos dos populares do pais ou da Hispanha. segundo um informador de Pires. Que se acendeo nas damas Toledanas. conservado ou nascido no meio de um povo tão felizmente dotado com relação á poesia os habitantes do sul da Hispanha. Um quaes já vimos figurar versejador do sec. Esses factos tornam pouco crivei que a poesia dos gitanos. Acodirão da Sé com partazanas Seis cónegos mancebos. São. as em Gil Vicente : Como se viu aqui nesta pendência. Nas poesias dos tsiganos da Bucovina publicadas por Miklosich ha influencia manifesta da poesia popular dos rumenos e pequenos nissos. Sobre huma curiosa impertinência. Jornada ao Parnaso in Phenix renascida. principalmente dos últimos ^ Têem os ciganos contos tradicionaes e provérbios ? juntos. . Infelizmente a musica gitana está mal estudada e falta assim como o são o conhecimento de um importante dado da questão . xvii allude ás danças das ciganas. Vid. mais que os outros ramos tsiganos aos povos com que se achavam em contacto fora da península.

che li sa piu artigiani che agricoltori. algumas das quaes pouco próprias para os fazer seguir no caminho do progresso. peculiaridades que nos fazem ver nelles os descendentes dos germanos de Tácito e dos celtas de César. nos quatro ou cinco séculos que passaram immergidos no meio peninsular. mas vendo em breve as mãos callejadas. alguns dos quaes Em numericamente consideráveis.197 aptidões industriaes dos ciganos são menores que as de outros ramos da sua raça. a obra da assimilação tem progredido muito mais que em Portugal. que é transmontano. o cigano experimentaram já. A difica historia mostra-nos que o caracter dos povos se mo- sob a acção de diversos agentes. tentaram manejar a enchada. para o que contribuiu sem duvida o interesse que lá característicos tem inspirado communs o gitano e por ventura certos ao andaluz e ao cigano emquanto . nada queremos saber do cigano e só sabemos o que o acaso nos obriga a aprender. povo de indiíFerentes. mas que modificações profundas ao lado d'essa limitada persistência de velhos caracteres! O gitano. Os allemães. grandes modificações. Referiu-me o sr. Ferreira Deusdado. De todo o trabalho aquelle pelo qual teem maior negação é a lavoura. non li obbliga ai lavoro delia terra che per quel tanto. dizendo preferirem morrer de fome a tal trabalho. por certo. teem abandonado a vida nómade. Na Hispanha. e noutras artimanhas de que abaixo se encontrará noticia. Os homens manifestam a sua habilidade sobretudo em encobrir as mazellas do gado que querem tria dos metaes. visto terem perdido a indus- As As ciganas quando querem bordam com alguma perfeição. para se tornarem sedentários e se entregarem a misteres lícitos *. que ciganos esfaimados. che giudica conve1 . aos quaes se offerecia em razoáveis condições trabalho agrícola. nós. largaram-na. vender por bom. o latrocínio. diversos paises grupos tsiganos. «La Ungheria. os franceses de hoje conservam.

e que é mais fácil um cigano deixar-se matar que descobrir o segredo da sua lingua. Língua. musicisti e ballerini. costumes. . Como já se disse os ciganos de Portugal faliam o português e hispanhol. a quem dava esmolas. i lascia sperare alFUngheria piú 5 felici risultati delia sua iniciativa filantrópica. abitualmente dolce. — tinuano dunque ad esser ciò che sempre furono: calderaj e veteI battesimi sifanno rinarj. Affirma-se que todos fizeram o juramento de o nâo ensinarem a ninguém estranho á raça. professione o mestiere. niente ai lori bisogni e non vi costringe generalemente altro che Concoloro. conde de Ficalho que. todo o capitulo iv da sua obra. rumanho é só fallado entre elles. Pires encontrou em o monte em dezembro de 1883 um cigano. p. S'incisi viliscono. seguiu termos alguns que communicou a Pires e formaram o ponto Uma de partida de suas investigações. perto de Villa Fernando. taluni arricchiscono e la loro natura. As creanças tinham revelado os termos a medo e pedido á dama que as não denunciasse. i quali non hanno stato fisso. tendo interrogado um cigano alemtejano acerca da sua lingua particular.198 Completarei este esboço psychologico com algumas noti- cias relativas á lingua. Communicou-me o sr. buscando assim desviar o interrogatório sobre um assum- pto para elle melindroso. No Alemtejo faliam o português com a pronuncia alemtejana. 121 vid. especialmente quando O bebem. alem do rumanho ou romano.» Colocci. me- nos escrupuloso. artigiani e cantori. que lhe disse que o rumanho que faliam 08 ciganos alemtejanos é o mesmo que o dos hispanhoes. Essa senhora habitava em 1883 em Penna Clara. porque seus pães as matariam se o soubessem. — regolarmente 5 i fanciulli frequentano la scuola e la chiesa. mas havia já quarenta annos que tinha aprendido os termos (casal) da Defesa. industrias. senhora. mulher de um lavrador alemtejano. consaber de creanças ciganas. este lhe dissera que hoje quasi nin^em a sabia.

Pires enviou-me a seguinte descripção do vestuário dos ciganos alemtejanos. nhecido escriptor e bibliothecario da Bibliotheca publica d'aquella cidade. são como tuguês». que se os seus declarando que muito tinha elle já soubessem lhe cortavam a cabeça. Os de Évora não conservam segundo informação do sr. curta. Esse cigano dictou o calendário impresso nos textos. dito. p. nomadi le parole dei Anzi ciascun sa come loro idioma sia cosa spicciativa ed agevole. como elles dizem. por mais que Pires teimasse e com elle. com refego nos hombros. que teem vindo ao Alemtejo) faliam a mesma língua. de três ou quatro botões. que não se entende o que dizem em estando juntos e faliam em porelles querem . co- Vestuário. essi siano tanto generalmente e stranamente gelosi custodi dei segreto delia loro lingua che di rado Tun d'essi volle iniziare lo straniero nei misteri delia própria favella. 247. com a golla voltada. só se entende o que os cordoeiros da Galliza. Os homens usam jaqueta. muito justa ao corpo. Foi o que aconteceu a L. mas não deu a sentença relativa a novembro. «Os ciganos em estando juntos. Informação do proprietário de Barbacena*. de cordão entrançado ou de fita no dos pobres. de Vasconcellos. ou romano. .199 e pretendeu quo os hiingaros (tsiganos caldeireiros. 1 O « segredo da lingua é geral nos diversos ramos da raça tsigana non deve credersi che 11 raccogliere dalla viva você di quei . Armas. vestígios d'essa linguagem. Vid. Todavia.» Colocci. que são de prata no vestuário dos ricos. Parece que os ciganos sedentários de Lisboa conhecem em geral pouco do rumanho. canhSes com botões de alamares. a passagem de Paspati por elle citada. usualmente de astracan ou fa- zenda semelhante. António Francisco Barata. O collete é aberto. os que conhecem alguma coisa do rumanho conseguem mais facilmente obter informações sobre elle dos ciganos.

Os pobres apparecem nas sem meias. exactamente como as calças do fadista. verde. de modo que formam grandes ancas. As ciganas pobres usam vestido de cores vivas. A ca- cores "Usam. feiras esfarrapado. preto ou cor de café com leite. não usam coUar ao pescoço e muitas andam descalças. E a forma preferida pelos ciganos abastados. grandes botões de oiro na camisa e relógio com grossa corrente. Da cintura desce-lhe um avental de chita com grandes enfeites de fitas.200 As calças. Pende -lhe de uma fita. As costas lançam um pequeno chaile de cor (azul. com ou cinco ordens de folhos. etc). Os sapatos ou botas são brancas. Os ciganos abastados usam lenço de seda ao pescoço. com franzidos ou lisa. uma cruz de oiro. . Trazem muitas saias (como as ovarinas). apparecendo as asas por cima das cintas. O chapéu é de aba larga. mettidas nos coses das calças. de vivas. tomando sobre o sapato essa forma de polaina a que se dá o nome de boca de sino. com com o vestuário roto. quatro vivas ou azul o corpete é justo e afogado . Se são atacados. Tanto esses como os pobres trazem sempre esporas. com largas franjas. a manga curta. um pouco curto. Das orelhas pendem-lhes grandes brincos de oiro. usam calças direitas. de casimira ou de cotim. Usam todos um varapau curto e poucos trazem navalha. As mulheres abastadas usam vestido de chita de cores com pintas brancas. alargam para baixo. que põem ao pescoço. as meias brancas. emfim. em regra de seda. mas ordinariamente sem folhos e iim corpete largo. Alguns teem espingardas de caça. A camisa é de tecido branco os pobres ou chita estampada. sapatos ou botas brancas ou pretas. a partir da cintura. o calçado arruinado e alguns com grandes tesouras de tosquia de gado. defendem-se ou com as tesouras ou com o varapau. beça é coberta com lenço de seda ou algodão.

apartam o cabello ao meio e dividem-no aos lados. : relativa ao cabello das ciganas Pentiê o mê cabello ! P'ra trás com'ás ciganas Agora poss' ê dezer Qu'os trajos fazem as damas. nâo pode saber-se qual era o antigo trajo dos gitanos. As até aos creanças dos dois sexos não teem pela maior parte. vid. colores tambien chillones en todas sus prendas. á la camisia limpia y bien almidonada. hecho un nudo á la garganta.201 As ciganas. Asi se las ve con su saya corta y de poço vuelo. sombrero calanés. . de pano ó algodon . Ha uma quadra popular alemtejana.» Como mesmo nota Mayo. pregam-no com ganchos e atam-no com fitas de cores. p. prohibido pelas leis hispanholas. de pana ó terciopelo. flores y cintas por adornos. prohibido pelas leis portuguesas. 1 Sobre o vestuário dos tsiganos em geral. botines ó borceguíes. com alamares ó botonadura de plata-. «De las mujeres puede decirse otro tanto. com modificações. «El traje en rigor es el mismo que gasta el pueblo bajo en Andalucia. adornada de randas volantes. com Untam-no com azeite d'oliveira *. outro vestuário além da camisa. á la chorrera vistosa. Atrás fazem um grande periquito. e que era sem duvida o dos antigos ciganos. los hombres tienen 194. más ó menos rico. O especial aficion á la ropa blanca. 190- vestuário dos ciganos deriva sem duvida. alpargatas ó zapatos. 7 ou 8 annos. chaqueta ó zamarra bordada. e aos lados arranjam grandes caracoes sobre as orelhas com o cabello entrançado. su manton más ó menos grande sobre los hombros. 41 : «Cuando disfrutan de algunas comodidades. Outras tra- zem laços de fita nas pontas. o cabello entrançado e caido pelas costas abaixo. Colocci. que Mayo descreve. celeste ó encarnado. ancho en general. todo de colores chillones. pregando o com ganchos. p. ó gorro encarnado en la costa de Cataluíia. y que los gitanos non han cambiado. Su traje es el que las andalusas han llevado hasta hace poços anos. do dos gitanos. echado sobre la frente ó caido sobre la nuca á voluntad. á la pechera bordada. em geral. su panuelo de puntas á la cabeza. colhida por Pires.

ou nos fornos e cabanas das herdades. segundo uma ganas vestem os filhos. estacionando junto de cada um algumas semanas seguidas. durante essas estações. Viçosa.202 muitas vezes esfarrapada. se por ventura outra informação. porque os teme como roubadores de gado. como os que teem vida errante. Vidigueira. Estes. andam em ranhado geral descalços. Outros podem encontrar que lhes sirva para dormem junto das paredes. Têem Vagueiam de monte em monte (casaes. De inverno fazem grandes fogueiras com lenha dada pelos lavradores. no Alemtejo. e construem alguns abrigos com piorno e tudo o que esse fim. ou em casas meio arruinadas e abandonadas. de modo que os ciganos constituem. Os adolescentes solteiros.« Colocci. Villa Moura. e trazem o cabello sujo e emma*. Estancias. que não lh'a recusa de ordinário. enxergas em que se deitam e que nas jornadas servem de apparelho ás cavalgaduras. — Oraperò in quasi tutti i paesi sono stati costretti a smetteretale indecenza. cobertos com mantas e cobertores seus. são feitas pelas mulheres e ao ar livre. ou que elles apanham. Todavia. p. 194. e de ordinário pedem ao lavrador ou lavradora tudo o que precisam para seu sustento. como observa Pires. Estremoz. no Alemtejo). . Com os seus hábitos de cortesia. pedem previa licença ao lavrador. Domicilio. d'ahi ou remediados acham-se domiciliados partem para as feiras e diversas excursões. uma ver- dadeira praga do lavrador alemtejano. pobres. Viajens. Muitos ciganos abastados em Évora. 1 «I fanciulli non ricevono fino a dieci anni il vestito. estanceiam nos arredores dos montes (casaes) e ao ar livre. As comidas. Portel. em diversas terras da Extremadura e até algims em Lisboa. algumas ciobtém da caridade alguma roupa de creança.

Os pobres nómades vão ás feiras com todos os individuos da famiHa. Segundo uma informação do António Francisco Barata. do Forno uns ciganos. Chegados a um logar novo para tratam de se orien- tarem conhecerem bem os arredores. os ciganos que vão á feira do S. pobres e abastados estacionam ou outro logar próximo. Os ciganos do Alemtejo. e Para onde vão levam os seus gados. Ninguém lhes pedia renda d'essas casas arruinadas.203 de Barbacena. pelo luxo que rompiam. umas casas derrubadas na rua annos. de outro no chão que assim lhes serve de abrigo. se as ha. Quando não ha pasto. João naquella cidade não levam carros. ha muitos annos . nem carros. ao ar livre. presos pelo pescoço uns aos outros ou peados. para saberem onde poderão ir roubar. logar pobre. mas levantam pobres tendas cidade. mas Évora vivem e . já mais villa Na vezes referido. habitaram ha alguns durante um inverno. indo ás vezes dois e três no mesmo animal. oriental. na rua de Santa Maria e travessas próximas d'essa rua. põem-lhes frente golpelhas com palha. fora da muralha. segundo o informador. num campo Por occasião das feiras. d'essa localidade. nâo teem tendas sr. percorrendo-os. parecia que estavam bem. no bairro outras vieram-se fixar aqui. das arvores. Fazem longas marchas a pé. se não teem casa na Na Extremadura improvisam muitas vezes uma tenda com uma peça de linhagem ou outro tecido que fixam de um lado a uma parede a certa altura. debaixo elles. Em recentemente. para o que teem galgos. que. Pelo e caminho alguns vão caçando. sob pretexto de caça. de diversos pontos da Extremadura. Communica-me o sr. mas transportam-se também a cavallo. António Francisco Barata que em pousam ciganos no bairro de Cogulos. que deixam pastar em volta do seu acampamento. segundo as informações de Pires. em Lisboa residem algumas familias ciganas.

Occupações. dia appareceu-lhe um á medida dos seus desejos. Concorrem ás feiras (não ha nenhuma no Alemtejo e na Extremadura em que não appareçam) com seus gados e mercadorias.204 só 4 famílias teem residência fixa alli. Essas occupaçoes e industrias reduzem-se quasi exclusivamente para os homens á venda. um vizinho disse-lhe que a burra Um parecia a em comprador breve verificou que assim era. foi a uma feira e comprou-lhes uma burra que julgou ser bem differente da sua. para que pinoteie. troca e preparação para a venda e troca de gado muar. com que Um um sportman desejava um o picam. até os astúcia os compradores e trocadofinórios. em que escon- dem uma agulha. pondo-lhes em animal velho e cançado é vivo e cima a palma da mão. como era seu Pintam os animaes e disfarçam por todos os modos os seus defeitos. que . Gabriel Pereira) não admittem os ciganos. cavallo de detenninada cor. repellindo-os á força. os demais ciganos têem casas arrendadas para residência temporária. cedores. cavallar e asinino. e ao roubo. São toureiros. contrabando. outras Enganam com grande res. Arraiolos (e Torrão. O mal transpôz uma costume. que se julgam muito lavrador do Crato contou-me que um vizinho d'elle vendera uma burra viciosa aos ciganos. Fazem crer que um bravo. De volta a casa. como me diz o sr. deitou a correr mesma que vendera aos ciganos. á tosquia de gado. Alguns teem sido geral (e Algumas ciganas mais raramente ciganos) residentes em Lisboa são negociantes ambulantes de pannos. á venda de fazendas (principalmente na Extremadura). Nos negócios de troca de cavalgaduras querem sempre receber dinheiro além de animaes. Não são creadores de gado. porque apenas o anicancella. em mas passam por bons conhebons cavalleiros. entrando e saindo. industrias.

. Nenhumas ciganas em Portugal têem por profissão o canto e a dansa. que conservam noutros paises. No Alemtejo e talvez nas outras provincias não ha diíFerença de occupaçoes entre os ciganos abastados e os pobres. um divertimento. mendigarem com maior ou menor frequência. Vid. 175).» Co. buena dicha não gosa hoje entre o povo de tanto credito como noutros tempos. gridando alcune parole di eecitamento cosi. 2 Mayo. 64-65. p. homens.205 comprou. ao que parece. mas pouco depois reconheceu que fora burlado por ciganos que tinham pintado o animal*. O negocio de cavalgaduras pertence ao numero das mais antigas occupaçoes dos ciganos. e cioè che introducano un' anguilla viva sotto la coda dei cavalli onde con sifatto stimolo acquistono maggior alacrità. Muitas das burlas que elles fazem nesse negocio são mais ou menos typicas. solta e caracolla onde il compratore è persuaso che il cavallo è sensibile alia você e di carattere vivacissimo. quando si tratta di venderlo. vivem nas povoações e trajam melhor. os ciganos se occupem nas industrias O informador de Barbacena diz: «Só me lem- bro de apparecer aqui um que trabalhava de ferreiro e fez uma safra ao João Ferreiro. «Per far poi apparire il cavallo vivace e ardente. memore delle frustate. p. lerem a buena dicha. Occupaçoes das ciganas. Colocci. p. fazerem bruxarias e como sobretudo roubarem e burlarem os estranhos por diversos meios. Na Hispanha ha ainda gitanos ferreiros. serem curandeiras (o que parece raro). a industria dos metaes (vid. basta ripetere queste parole che la : povera bestia. 195200. todavia nas terras de provin- A cias. 37. é principalmente para as raparigas. Piú forte sarebbe Tingano che riferisce il Franz-. Borrow. si anima. Os ciganos perderam cedo. p. os vemo-las commerciarem em fazendas. que é onde malha o ferro». Não consta que dos metaes^. Vimo-lo já figurar na Farça das ciganas. — locci. 200. lo * frustano terribilmente. mas os primeiros não esmolam e só vão aos montes para negocio . i. Alem dos cuidados familiares. sem viverem exclusivamente da mendicidade.

i. na nombre sea de Dios. . de Gil Vicente. Trin pa acá.« . as quaes servirão de commentario á Farça das Ciganas. rumbeliyos : pos jase dias que te presiguen males lenguas tan sola- mente per conversasiones que tu tienes con ciertas presonas. grasiosa. que tu ventura sea buena. publicado em La Enciclopédia. Borrow. 208sobre a buenaventura dos gitanos. reproduzo aqui as seguintes buenaventuras de um artigo de Demófilo (Machado y Alvarez). Nâo tendo colligido nenhuma buena dicha. la buenaventura. A buena dicha divinação As ciganas também deitam muitas rivaes cartas. : : . p. 167 e segs. sina.» 2.206 que se paga a troco de alguns vinténs. «En el nombre sea de Dios. que tienes que sé pare e las espardas ibas á gorvé y le gorviste cuatro churumbeles tu has estão criando una cachigordita artita e pecho cumple tu con la gitana de buena gana que te voy a esí lo mejó e la buena ventura. catrafun catrafun y la santísima Triniá. resalá." 31 (Sevilla. modo de em que teem portuguesas. Coloeci. Sobre a chiromancia dos tsiganos em geral. vid. algumas das * 211 . que tu ventura sea buena. chamar uma cigana (mais raramente um cigano os homens também ás vezes : lêem a buena dicha) e ouvir d'ellas a lê-se nas linhas da palma da mão *. p. trin pa ayá. las piya á tiento Tu las tienes los ojiyos de enamorao que tu tu tienes me y me matas un poquito de mar génio pêro te se pasa ai instante eres hombre e secretos y hombre que nunca miras los intereses pa ná tu eres una presona que has querio á dos. n. En : el nombre sea Dios. 1885). á una ha sio lealmente y á otra pa gana e conversasion y á una le igiste.» 3. e buena maré y tierresita buena e por si: jase poços dia q'has tenio un disgustiyo con una presona que tu quieres en este mundo tu me quieres á dos presonas una para pasá ti empo y otra para tu gose. ano v. : . pues tu tas escubierto á una presona que ta pagão malamente pues tu tienes que recibí una carta de una presona que bien quieres y tiene que ser en un un dia seualao tu tienes que ser en este mundo maré e cinco hijos y tienes que ser casa con un José cumple tu con la gitana morena que t' ha dicho cayando . que tu ventura sea buena. : . parte respectiva. grasiosa. que vas a sé maré e cuatro chu1. Tu tienes un disgusto con una presona que bien quieres y no es per comia ni per bebia que es per una presona que tu quieres que la tienes en tierra estrana. «En el Eres hija e buenos pares y . .

e. fazia uso na cartomancia de um baralho de cartas muito pequeno e com desenhos não vulgares. Era preciso passar ás mãos das ciganas o melhor objecto de oiro que houvesse em casa: a esposa entregou-lhes um valioso cor- dão de feito oiro. segundo a informação de uma senhora que residiu no Algarve. As bruxarias das ciganas teem por fim burlar os pobres de espirito. presa ministrar os meios de fazer o grande feitiço. já em paga dos seus serviços. Uma cigana. a que Darei noticia de alguns casos modernos do mesmo género. p. como se tivessem por eíFeito de suas artes mysteriosas penetrado no segredo. São sobretudo victimas as esposas que desejam reconciliar o amor do marido infiel. tou-se em uma cidade do norte de Portugal uma hospedara em casa umas ciganas que não tardaram A pobre esposa. cujo resultado era asseverado infallivel. Ha em annos esposa descobrir que o marido d'ella não era fiel aos deveres conjugaes. da cor do da bella. onde a encontrou. em Lisboa e proximidades se dá o nome de hagatas 153). á vista O cordão formando como uma almofada. sem elle saber nem suspeitar tal lhas. não só se teria mallogrado o feitiço. que no século xvil nos apresenta exemplos das artes magicas das ciganas. arrancando-lhes dinheiro e objectos de valor. que não correria perigo.207 quaes teem feito fortuna. mas . espetaram-se muitas agudevia ser posto durante oito noites debaixo do travesseiro do infiel. os namorados e particularmente as namoradas que aspiram a ter firme a aíFeiçao do objecto amado. causa do ciúme o panno foi cosido á linha. foi . porque se o soubesse ou se alguém lhe tocasse antes de findo o prazo. (vid. se proposeram quebrar o encanto que prendia o adultero á mulher illegitima. e no embrulho. Referi-me já ao processo inquisitorial de Garcia de Mira. feitiço O coisa. dominada pelas feiticeiras. seria pelas ciganas envolvido em panno com um pouco de cabello loiro. os ambiciosos que cubicam thesouros escondidos ou a prompta multiplicação dos seus haveres. porque tudo d'ella. já subrepticiamente.

estando na casa.^ 6:591) : ser julgado hoje. lê-se no Diário de Noticias. oito dias para desfazerem o Mas ram. completamente cheio de dobrões em ouro de cinco moedas cada um. «Deve «Em principios de abril do anno passado apresentou-se no commissariado da 1. e por isso soubera que naquella casa havia um bahu escondido. de 31 de maio de 1884 (n. O caso era simples. e que. auctorisaram as mulheres a fazerem o que entendessem necessário para descobrir o appetecido bahu. queixando. sobre uma mesa. desde o tempo dos francezes. mas. o queixoso e a mulher. no 1. apesar d'isso. um Santo Christo. cada um com cinco fósforos accesos na mão e rezando uma estação ao milagreiras deitaroda da bacia estavam As Santissimo. morador na quinta Pequena do Valle Escuro. — . dizendo uma d'ellas á mulher do queixoso que a outra.se de terem ido a sua casa duas ciganas. O queixoso e a mulher não acreditaram nem deixaram de acreditar. ura processo a respeito de crime cuja historia nos parece interessante.* divisão Gonçalo António Rodrigues. Com o titulo de Bruxarias da actualidade. tendo de cada lado uma vela accesa. mas o cordão não estava lá. Não antecipemos juizos. adivinhava.208 ainda resultariam grandes males. Tudo lhes foi satisfeito. vamos aos factos. O queixoso e a mulher vendo arder o sal acreditaram no poder das o que ardia eram umas matronas. recommendando as ladras ao ingénuo queixoso que' deitasse na bacia todo a dinheiro e ouro que tivesse. No dia seguinte appareceram novamente as duas ciganas e pediram em uma bacia de mãos com agua e cinco pedras de sal. não é decerto um grande elogio á esperteza dos queixosos. se revela astúcia da parte dos auctores. ficaram duvida. A os dias passaram e as feiticeiras não voltaesposa aíflicta resolveu-se a abrir o embrulho enfeitiçado. Fez-se tudo como as ciganas indicaram.^ districto criminal. e offerecen- do-se para attrahirem o referido bahu. Elias disseram que iriam dar umas voltas e viriam ao fim dos feitiço. ram fogo ao sal e este ardeu!!! De as duas ciganas.

elles porque dessem. em seguida tiraram o ovo que realmente estava cozido (pudera. por sua parte só acceitariam o que porque não podiam pedir nada. nem mesmo o fizesse estremecer. se o ovo apparecesse cozido. «Voltaram no dia seguinte. Acabada a oração. João ao cimo da agua do poço e ellas o pu- uma fita. foram cinco cordoes. e deitasse por sua mão na agua da bacia. tudo de ouro. pediram um ovo fresco que deitaram em uma talha juntamente com o ouro que estava na bacia. uma me- dalha. tirando outra vez o ouro. um crucifixo. «Os objectos de valor que serviram a este estúpido ma- nejo. porque as de sal tinham sido substituidas por estas. duas de cinco mil reis. Assim que o queixoso deitou a chave no poço. mettendo-o em uma pucara de barro. dizendo que iam muito longe. dois corações. era signal certo de que o bahu queria que o tirassem do esconderijo. D' esta vez ainda se foram embora. guardaramna em uma commoda. deveria estar o bahu. recommendando-lhe que não num tocasse no bahu. pedindo duas garrafas para no dia seguinte levarem. uma cheia de agua de sete fontes e outra com agua benta de sete pias. dez libras. veiu novamente a bacia em que ellas deitaram o conteúdo das garrafas.209 pedras de camphora. e dinheiro em 14 . Dois ainda voltaram. dois anneis. misturou tudo e extraindo a agua. pois que observadas estas prescripçoes o bahu apparecia na noite de S. toalha. dois pares de botões. uma corrente com uma medalha. buscar terra de sete cemitérios que era chariam com só o cilas que faltava para os queixosos ficarem ricos. Embrulhando o ouro em uma dias depois. que fecharam bahu. juntando-lhe o ouro e dinheiro do queixoso . deitou-a em um quarto aonde. duas moedas de dez mil réis. cozido estava elle antes de entrar na talha) e disseram ao queixoso que o picasse. milagreira então esborrachou o ovo. cuja chave deram ao queixoso para que este a deitasse no poço afim de attrahir outro thesouro. A diziam. as santas mulheres despediram-se. affirmando que. com as garrafas cheias.

porque á a virtude operação. Foram quatro as rés duas. auctoras principaes do pronunciadas . chama-se Maria da Conceição. ainda não possivel prendê-las . fazendo o total de réis 3õ6j5iOOO. com a chegada de junho. periódico O Dia. com o titulo de A huena dicha: «Haverá uns dez meses appareceram em Mafra duas que se entregavam ao patusco mister de lêr a buena dicha a quem quer que se lhes explicasse com dois ciganas. ha uma afiançada e a quarta que deve ser julgada hoje. aproveitando a credulidade da pacovia amorosa manquéej. crime. vinténs. . os queixosos passaram o mês de maio a espreitar á borda do poço a chegada do bahu. e animo «Olharam e um foi porém. levantou um pedacinho a decepção O mysterioso cofre não tinha ! dentro um só dos valores policia. aqueceram-lhe o resolveram arrombar o bahu. « Concedido. também cigana. No lê. é accusada como cúmplice. o queixoso. por foi ser se em sua casa que se concertou o plano do crime. o teimoso não apparecia. as ciganas. disseram-lhe que no seu futuro haviam de dar-se factos de alta magnitude. . lhe ler a buena dicha.se apesar de lhe terem promettido quatro para se calar». Elias encarrega vam-se de mas em casa da rapariga e sem tesa mais ligeira indiscripção tiraria toda temunhas. os calores próprios da epocha. . rapariga do sitio parece que declarou ás ciganas vivia desgostosa e contrariada por Cupido a todo o que transe. . «Uma «Ab ciganas. e por ter aproveitado de parte do furto. mais audaz. de 6 de junho de 1892 (n.210 prata quarenta mil e quinhentos. Encontraram a pucara tapada com a toalha que lhe tinham posto. porém. «Como era de esperar. Afinal.° 1:498). pois recebeu uma libra. grande para o outro ainda na duvida de a destapar. «Correram á deviam estar! deram parte do facto e como conque lá sequência instaurou-se o processo.

133-137. o qual foi cosido em presença da rapariga e de um Christo (!) as levavam. 310-315.» Os processos. i. mas recommendaram-lhe que não abrisse o cofre nem pessoa extranha o visse sequer. . oito «As ciganas uma vez a libras em «Esses objectos foram mettidos num pedaço de ramagem. como se vê d'esses e de outros casos. Borrow. pertence ás velhas artes gitanas. que foi fechado á chave. baró (Mayo Borrow escreve hokkano haro)^ gran socagrande furto ardiloso. mas ellas se demorassem resolveu-se a abrir o cofre . repetem-se como provas de um mesmo cliché. mas o dinheiro que serve de isca é escamoteado pela enganadora gitana. um grande thesouro escondido na adega. Na novella de Geronimo d'Alcalá. contentaram-se com um bello cordão de ouro e três moedas de 500 réis em prata. nheiro. os travesseiros e os embrulhos representam o papel principal. O jonjanó toria amos. escripta no sec. «A como rapariga esteve até agora esperando as ciganas. I. A impiedade dos ciganos não os faz hesitar em acondimentarem os manejos com orações christãs e em acondimentarem a creduUdade presença de um Christo *. Os cordões de oiro. pois em caso de infidelidade não respondiam pela sua vida. mozo de muchos 1 . segundo os preceitos de uma gitana. afim de dizerem definitivamente o que o futuro lhe reser- «As ciganas voltaram no vava. Historia de Âlonso. pediram-llie mas como ella não tinha aquelle diouro. repetiram a operação e disseram á rapariga que voltariam oito dias depois. ainda o mesmo auctor. «Encontrou uma cadeia de ferro e três botões de latão. com a Nos estabelecimentos commerciaes exercem muitas vezes as ciganas os seus instinctos de gazze ladre. que ciganas Depois foi tudo mettido dentro de um cofre. xvii e citada por Borrow. as moedas de oiro. . Vid.211 sós com a rapariga. . Para comprarem liha. refere-se uma hismuito semelhante á reproduzida do Diário de Noticias e em que uma viuva cubiçosa junta jóias de oiro e prata para attrahir. dia seguinte. e a descoser a ramagem.

cujos donos ou caixeiros ainda não conhecem as suas artes. São realmente emi- nentes na escamoteação. 40. fazem vir para cima do balcão muitas peças para escolherem. Ihe um certo.212 os preparos de uma refeição. que teem cunhado um cavallo e a que o povo chama libras de cavallinho. tratavam de escamotear alguma com a máxima perfeição gocio que se tinha enganado em o numerou quadra alemtejana (canto de natal). por Uma 1 «Cada dia van slendo menos frecuentes las gitanas. para assim ter maior numero de occasiões de tentarem furtos. as ciganas costumavam dirigir-se aos commerciantes que acha- vam com cara de pobres de espirito e propunham-lhes trocar libras da rainha Victoria por libras de Jorge III. Quando giravam libras esterlinas nos negócios. p. Vid. Superstições. café. dando um cambio e allegando fazerem ne- com essas libras por serem muito procuradas. . 315-317. a fim de melhor poderem escamotear alguma ou algumas. Pouquissimo pude colher acerca das superstições ciganas. mano. feitiços. c de convencê-lo de Uma Sô cigana do Egypto Minlia sina é rôbar.» Mayo. feijão. Borrow. colhida por allude aos hábitos de ladroagem das ciganas: Pires. dirigem-se a muitas. Hê-de furtar o Dês-menino P'ra minha alma se salvar. no poder de alguns terminantemente dara Pires recusou cigana bocado do seu cabello. por exemplo^ toucinho. sem duvida com receio de Crêem. vstilar i. numa só meronde compram uma só coisa. ellas tenían especial liabilidad de manos las antigas prácticas de en las férias para hacer coger á la desaparecer las monedas cn los câmbios. mientres sus hombres chalaneaban j mercados. farinha em vez de entrarem cearia. quienes. Nas lojas de fazendas. á baste. assucar. Se um commerciante lhe apresentava um punhado d 'essas libras.

3. como uma occupação sem finalidade. . Segundo Pires. 1 Sobre as superstições dos tsiganos 215. Borrow i. p. Quebrar vidros. fazem negócios. três As primeiras superstições encontram-se no povo português ^ inaptidão para o trabalho regular junto Jogos. Jogar as cartas. observada no Algarve.. vid. Festas. se o signal da morte lhe apparecesse naquellas cartas. e durante três dias cantam. Alli concorrem numerosos ciganos (ha quem diga que todos os da provincia e ainda dição christã.216 e 217. parecia perfeitamente convencida da verdade da cartomancia que praticava. tra- adaptada. menciona o mau olbado como crença gitana. comem. Uma outra. pp. a qual existe talvez também entre os ciganos. Colocci. 4. No Alemtejo a principal. bebem. de epocha fixa é a do S. João. má Espalhar sal. o pulo e o jogo da barra. os ciganos alemtejanos : consideram como mau 1. como o uso dos amuletos. mas a pessoa que nào estava muito KM. com o amor do movimento levam os ciganos naturalmente A aos jogos.213 que fosse applicado a algum feitiço. Vid. exteriormente a uma festa É alguns de outras partes do pais) e alguns gitanos. celebram casa- mentos. em geral. Colocci. e dizia que ai d'ella. Das festas ciganas pouco pude colher. O cigano jogador tem mala pajé. senão a única. em Évora. então que se faz a maior feira do Alemtejo. Parece e Trás-os-montes os jogos preferidos são no Alemtejo que o salto. ó infeliz nas trocas. Mas essa festa não tem para elles nenhum caracter religioso. de que ouvi fallar. sorte. 2. certa a esse respeito. 138-139. embora represente talvez uma muito obliterada nacional. a 24 de junho. 213-214. dançam. agoiro Verter azeito. porque infallivel mente morreria. p.

Os tsiganos de outros paizes teem também festas de epocha Os da Turquia celebram a Icákkavá ou festa das caldeiras. p. reanimado pelas festas dos aryas europeus. G. formam a base do divertimento." de maio. a começar no dia de S. que chegou ao meu conhe- Segundo me informa em cimento. E um filho o baptisam. Depois d'isso as creanças são baptisadas catholicamente. A S. as bebidas. lavam a cara a noite de S.) nos paizes meridionaes da Rumelia e mais tarde no norte. e tantas vezes quantas os pães podem arranjar para pa- fixa. a gritaria.) é especial aos atsincani de Volo As comidas. a musica. Jorge. ciganos) que as ciganas quando teem isto é. no 1. que fundiram com dados christãos as velhas tradições naturalísticas do começo da primavera. Durante três dias os tchingianés 1 entregam-se a festas. do solstiçio de verão. a dansas e a jogos. A festa de 28 de agosto (est. voz constante no Alemtejo e Trás-os-montes (provavelmente também nas outras províncias em que ha Baptismo. Pereira. v. João á meia noite*. reunindo-se centenares de tendas. v. em a noite de João. Colocci. lavagem da cara dos ciganos do Alemtejo. 23 abril (est. E essa a única particularidade notável da festa. mergulham-no no primeiro ribeiro que encontram e dizem: Eu ou: te baptiso neste ribeiro P'ra que saias um ladrão bem ligeiro Eu te baptiso neste ribeiro Para que sejas valente de pé leve é unha ligeiro. do outomno. ao contrario d'esse escriptor italiano. João. referido por Colocci. Na Hispanha celebram os gitanos também uma festa pelo S.214 o sr. A festa por vezes é coUectiva. corresponde o costume de banhar três vezes as fontes da cabeça á beira do mar ou de um rio. que em taes festas ha vestígio muito obli- terado da tradição das festas naturalísticas dos aryas da Ásia. Essa coincidência inclina-me a pensar. 164. a dansa. 169-170. .

166. saindo para fora acima da cintura. mente os cacos. bordado. Alli a noiva tomou um pequeno cântaro de barro.» : Dos Michel. Casamento. Num d'elles estava a noiva. (presentes de baptismo. ils sont tous baptisés.215 drinhos lavradores ricos. levantou-o e deixou-o cair. segundo a infor- mação que um lhe deu. e das orelhas pendiam-lhe grandes arreO noivo bem vestido foi correndo do seu o d'ella. por debaixo de um jaleco de cores vivas. talvez significasse o numero de antado. 141 pliis tsiganos bascos diz Francisque «. afim de se relacionarem em com cada freguezia que percorrem. mais c'est calcul de leur part etun nouveau moyen de vivre au dépens d'autrui. Segundo já do ruido produzido pela quebra do cântaro. fazendo bolso. tomou-a nos braços e levou-a para o seu campo. reuniram cuidadosa- campo para e guardaram-nos depois de os ter cona minha informadora elles tiravam agoiro. 1 Cf. Nessa occasião vae o noivo saber se é da vontade da noiva o casamento: no caso afíirmativo. ca- misa do linho grosso branco. si las- ciano circoncidere fra turchi. «Si lasciano battezare fra i i cristiani. Havia a pequena distancia dois acampamentos ao ar noiva livre. vou alli um senhora que residiu no Algarve obsercasamento de ciganos que me descreveu da Uma seguinte maneira.. Parece. Quando um casamento está justo. Ao pescoço tinha muitos collares de cadas de latão. de Vasconcellos.» . Alemtejo) e mais tarde protecção. nos que viveriam casados. noutro o noivo. já do numero dos cacos. A vestia saia cor de rosa com tiras escarlates e pretas.. porém. isto é. p. que os ciganos abastados e sedentários só baptisam os filhos uma vez *. Tx pays hasque. elles e receberem as baetas. p. et même dune fois. Colocci. pagam as duas familias a meias as despesas no caso negativo estas são . etc. Os ciganos. contas de cores. casam só entre si. escreve L. que. celebra-se um grande banquete.

O noivo.216 á custa do noivo. com que estão acantoados um 1 pequeno lenço branco de algodão enrolado na mão di- Variante. até que recolheram para a casa onde habitavam no logar. mas da da familia d'ella. e fazendo outros divertimentos. houve aqui um casamento de ciganos. e deita-se de costas pe-se. e fizeram um grande banquete. montaram os homens e algu- mas mulheres e depois foram correndo. No dia do casamento ha uma corrida de informação ó talvez inexacta trata. não da vontade da noiva. Uma «A noiva é pedida pelos pães do noivo. gallos (vid. a noiva desficando apenas com a camisa. bebendo e bailando. fazem entrar os noivos no quarto e esperam na casa contigua. informador de Villa Viçosa escreve: «Para attestar Um a virgindade da noiva. é casado (catholicamente)^». cigana velha ministrou os seguintes dados acerca do casamento dos ciganos vagabundos. sempre a cavallo. O cigano que era o noivo corria atrás da noiva e os outros gritavam: «Pilha que é tua*». : A O informador de Barbacena diz: «Sendo eu pequeno. chefes da tribu. Ajustam então o dia do casamento. infra). Arrearam elles uns cavallos muito enfeitados. Nesse dia estendem no campo em um saco feito de estopa. três ciganos dos mais velhos. vão os chefes buscar o lençol e mostram-no aos demais ciganos. segundo outro informador : Pilhâ-lâ qu' é tuia! Pilhã- lâ q\C é tuia! 2 Esta informação como as duas seguintes foram obtidas por A. Reune-se em volta toda a tribu. estendem sobre a cama um lençol muito arrendado. foi ser padrinho. masparece-me que um Vicente. Esse lençol ó denominado lençol de honras). catholicamente). comendo. Consummado o acto. por aquelle tempo. e depois furtaram-lh'a. Não tornei a ver casamento de ciganos. de um filho e do qual F. Pires.se provavelmente. sobre o saco. Dizem que todos se casam assim que não se recebem de matrimonio (isto é. Thomaz .

Ha descantes. mais qui. vindo elle depois mostrar o lenço á gente dos noivos e aos convidados. ha grande contentamento e vivorio em toda a tribu. e moças solteiras teem grande resque usa a unha do indicador da mão direita muito crescida. autant que j'ai pu parmi les autres Tsiganes d'Europe. d'archéol. «E costume haver muitos casamentos no mesmo dia. entre os gitanos. entre os ciganos abastados. existência da prova da virgindade na Hispanha.» A mesma cigana deu ainda a informação seguinte Em Hespanha. com lanças (sicj na mão. et du Compte fíendu de la 9. rompimento do véo da que ha de ser sua companheira. etc. Correndo as mulheres á garupa e em com cavallos a toda a brida. a noiva é estrangulada pelos pacs do noivo (sic). e começam os divertimentos. o hymen é rasgado pelo 1 : peito. A sua nota Les Gitanos cVEspagne et les Ciganos de Portvgal (Extrait iniern. «O lenço «As raparigas casam entre os 16 e 18 annos. qui n'ont pas eu des relations particulières avec leurs frères d'Espagne Immédiatement avant sa première nuit de noces. procede de joelhos e cora esse ao dodo. du moins. sangue. Recebe de ordinário meia onça -(8 duros) pela operação. era já conhecida.217 no dedo indicador. seguida mostra o lenço se está manchado de reita c Em . écrivant pour le grand public anglais. etc. préhist). bailes. que é feita Peliche —-velho da tribu a que as a occultas. a évidem» le savoir. mais qui est entourée chez les Gitanos de beaucoup de solemnité le mouchoir sanglant qui a servi à lopération mystérieuse est montré à tous les gens de la noce et précieusement conserve dans la famille. «Se o lenço não apresenta vestígio algum de sangue. Borrovv. jantar da boda. parmi ceux.^ Session : du Congrcs une coutume qui. p. Bataillard na . Eis o que a esse respeito diz P. Cest une coutume d'ailleurs répandue chez les Musulmans. qui n'a guère pu ignorer cette coutume. a noiva ó abraçada por todos. 21 (501) «II existe parmi les Gitanos ne se retrouve point : : . ficam desde logo casados. d'antJiropol. é guardado pelos pães do noivo*. csfor- çam-se por espetar os gallos que estão dependurados de uma corda ligada a differentes arvores. la jeune filie est déflorée par des matrones qui attestcnt sa virginité. O divertimento favorito c o jogo dos gnllos.

j'ai rencontré bien des fois en France des Bohémiens plus ou moins affiliés à ceux d'Espagne. et qu'on avait arboré. Tendi mi panuelo Como salieron maré três rositas Como três luseros. mais avec des modifications importantes et qui lui ôtent une partie de son cachet oriental. craint de blesser sa pudeur. qu'il mentionne pourtant en le distinguant de la ceinture de chasteté (dont je parlerai tout à Flieure). as Bendita la maré Que tiene que dá Como dinaba rosita y mosquetas Po la madruga. ainsi que la ceinture il de chasteté elle-même. : parle même (p. 20 de las de esta Coleccion. avait en quelque façon pénétré chez les Bohémiens du Piémont et même de la Suisse. un autre Anglais Tavait décrite avec des détails accessoires qui ont leur intérêt. naturellement pratiquée aussi par la plupart des Bohémiens du sud-est de la France qui se rattachent étroitement à ceux d'Espagne. plusieurs me Tont décrite en : détail. 107 e 117.218 È raríssimo. ment (p. et moi. prés desquels j'ai pu m'assurer de sa réalité. emquanto a mulher permanecia em casa. 240) d'un mouchoir sans tache «sans lequel il n'y aurait pas eu de noce». nota: «Esta copla. riu-me o casamento catholico de O um sr. En un praito herde .» Machado y Alvarez dá nos Cantes seguintes seguidilhas gitanas : flamencos. ne fait qu'une allusion obscure 239) à la défloration par les matrones. Deusdado refe- cigano trasmontano com a filha de um lavrador que delle se agradou e se dei- xou raptar por elle. Ainsi Borrow ne nous renseigne pas sur le point essentiel décrivant une noce gitana à laquelle il avait assiste. Mais je puis affirmer que : la coutume que j'ai tout d'abord indiquée est certaine bien avant Borrow. casarem ciganos estranhas com mulheres á raça. J'ai appris ainsi que cette coutume. p. mas não sem exemplo. como la que lleva el num. alude á la costumbre que tieseguidillas gitanas diz E em . comme drapeau de la fête ce qui serait tout à fait de nature à induire en erreur. et supprime conséquemment les marques de sang sur le fameux mouchoir. O cigano não renunciou á sua vida pelas feiras.

as quaes são recebidas com tanta alegria quanto é o desprezo que ella merece. o qual se mostra ensaguentado aos parentes. ob. Das Weib in der Natur-und Võlkerkunde. da camisa da noiva. casos de ciganas casadas com estranhos á domiciliados dá. 303 e seg. prova da virgindade apparace já na Biblia. 301. Na Rússia meridional mostram-se as manchas sanguineas. 13-21. Barata. F. em Relativamente a divorcio nada pude apurar. Como vimos as ciganas gosam de reputade fidelidade. Segundo informação do sr. se a prova falhou. Uma matrona é quem entre os árabes e coptas procede á prova com um lenço de linho que lhe envolve o index. p.se de la virginidad de la doncella de la víspera. O mesmo se segundo apurei. os ciganos em Évora casam catholicamente. Ob. A. velhos. Usi Natalizi. traslada a respeito do mesmo costume no povo da Sicilia a seguinte passagem da obra de A G. cit. la camisa de la desposada para que las famílias conocidaspuedan cerciorar. o homem deseja convencer se que a mulher com quem vae casar está virgem. Deuteronomio . Nuziali lermo..219 Ha também raça. Na Núbia a operação faz-se simplesmente com o dedo e ante testemunhas. com relação aos ciganos domiciliados Lisboa. xxii. Funehri dei Popolo siciliano (Pasi mettea in mostra la cajni- . cit. nen los gitanos. essa operação. á virgindade que se enProstituição. de presentar. ai dia seguiente de la boda. p. No Egypto a prova é tirada com um lenço de musselina. se as ha.. As raparigas sakkalavas de Madagáscar praticam em si próprias Na Austrália ella é brutalmente realisada pelos logar solitário. o pae d'esta extendia o lençol com a prova á face dos anciãos da cidade. Costume semelhante se encontra entre muitos povos orientaes. como succede no continente africano e na Ásia. 1879): e «La dimane delle nozze. i^. H. Ploss. 117 n. num Mas nesses povos tal operação não tem por fim verificar o estado de virgindade. Os búlgaros exigem do noivo a prova de que a noiva estava virgem.» A laceração do hymen anterior ao coito apparece em vários povos. Se o noivo punha em duvida calumniosamente a virgindade da noiva. Pitré. e os costumes dessa gente provam o ção apreço dado á honra feminina. Na maior parte dos paises d'essas duas partes do mundo. Machado y Alvarez. logo que os seios da virgem começam a dilatar-se.

a fim de verem as provas da recente perda da virgindade da noiva e poderem attestá-la. 226. simulação do rapto da noiva. em um botequim. p. p. e a que se entrega é desprezada. : como não ha regra sem excepção. cerimonia (do madurante laquale giovane rapisce Un : monio zingaro a Costantinopoli viaggiatore cosi narra un matri«II y avait foule nombreuse à . pois os ciganos solteiros. la de mostrar á los convidados el .» em a mãe fazer a cama no Outra variante siciliana do costume dia seguinte ao da boda. ou solteiras ou casadas teem convivido com estranhos. questo fato pare che allude la frase popolare La me cammisa *un arristau hhianca. » cendal de la desposada. com ciganos. diz Colocci. e expulsa da tribu. la sposa. clie nelle loro zuífe le donne si riman- A dano per ventare Tonor consiste loro. que costumam entrar a miúdo em todos os botequins das feiras. nem ao pé d'esse botequim chegavam. exemplo: Numa das ultimas feiras de Villa Viçosa. a prova da virgindade de uma rainha e da consume maçâo do casamento era apresentada aos ministros grandes da Adoptaram gitanos tido e ciganos esse costume na Hispanha ? Trousó xeram-no de outra parte? E um problema que pode ser discu- num A estudo geral sobre as migrações dos tsiganos. la trimonio) consiste talvotta nel simulara una zufí'a. Esse caso de- via ter-se dado antes de 1879. Todavia algumas ciganas. Pires colligiu a seguinte informação «E rarissimo entregar-se uma cigana. «Fra il gli Zingari turchi. pois por essa epocha appro- cia delia sposa.220 trega ao esposo. assim como em muitos outros povos. havia uma cigana Um prostituta (caso rarissimo). dia de tornaboda . quando estão presentes os parentes do marido. as vizinhas e comadres do bairro. Mayo diz. e é até bem conhecida em diversos logares de Portugal. esto el es. perche i parenti e i vicini potessero scorgervi i segni suddetti. 42 : «Todavia se conserva entre muchas famílias gitanas la costumbre antigua espaiiola que desapareció con la accesion de la casa de Áustria ai trono de Espaiia y á la que se sujetó Isabel de Castilla cuando se caso em Valladolid con Fernando de Aragon. encontra-se entre tsiganos de outros paises. ultimo vestígio do verdadeiro rapto primitivo. la prueba justificativa. Referem-me que na corte portuguesa existia ainda neste século : egual costume corte.

. come Gringoire ed Esmeralda. 22Õ-226 «In Ispagna e in Moldávia (secondo Borrow e Cogal: niceano) la cerimonia delle nozze consiste ancora nel rompere clie fa la sposa di un vaso di terra davanti aCuomo dei qual è per farsi compagna. pp. Z. 628 segs. ecc. finchè sussiste presso di essi alcuni di quei frammenti. pendant laquelle les fiancés s'étaient rencontrés prés d'une des tentes. vejamos Colocci. accidentale o voluntária. e poi d'un terzo. . Ciascuna delle parti raccoglie alcuni frammenti dei vaso e li conserva presso di sè con moita cura. armes de batons et simulant une lutte. . l'entrée de la prairie de Boyuk-Deré. . préh. Consiglieri Sobre a simulação do rapto nos casamentos populares em PortuPedroso in Compte rendu de la neuvieme sesnnn dn Congres d'antropoL et d''arclieol. ainda alli xlmadamente foi vive uma cigana afamada.» gal. suivant Tusage.221 prohibido o estacionamento de prostitutas nos botequins das feiras de Villa Viçosa».» Essa explicação permitte-nos interpretar a informação incompleta reproduzida acima todavia o sentido da cerimonia pode ter-se alterado entre os ciganos. La convivenza loro è considerata obbligatoria. foi desprezada de todos e vive isolada com o filho . Relativamente á cerimonia do cântaro quebrado. et Ton voyait aller et veuir d'une tente à Tautre les parents des futurs époux ainsi que Ics invitós. p. Está na companhia de um filho que é alfaiate. outro que reside Lisboa e dizem ser rico. Les tentes des familles dcs futurs conjoints étaient à une distance d'une vingtaine de mètrcs environ. i coningi divengono perfettamente liberi. nè ponno piu rinnovare la loro unione. per qualunque causa. ou Ton célébrait im mariage bohcmien. Segundo uma informação recebida de Évora. como as demais que aberram dos principies da seita. . «Esta cigana. vid. diz o meu infor^ fidalgo. assim mas que tem nome como em mador. fiuit me s'empara accompagnés de leurs parents. Lejeunehom- de sa future et Tayant embrassée rentra avec elle dans sa tente. se non colla rottura d'un secondo vaso. ed essi son fatti legittimi coningi. Et ainsi cette noce patriarcale. que foi amante do ultimo conde de Vimioso. Esta cigana é a cantada nos acompanhamentos de viola com o nome de Severa». Questi smarriti. Après quoi ils partirent ensemble pour aller fêter la dive bouteille.

» . Os As ciganas são muito livres de lingua. chorae. que exaggeram sem duvida a virtude : da gitana e das tsiganas em geral. 1. junto com os seus modos facilmente provocadores. Cf. vid. Que a Severa falleceu. Que uma fadista morreu Hoje mesmo faz um anno. p. e d'ahi resultou mais que uma linha de bastardia. O Conde de Vimioso Um A Por isso duro golpe soíFreu. Sobre as desencontradas opiniões relativamente á prostituição ou castidade das tsiganas. attrahiu-lhes por vezes uma reputação que geralmente não merecem. parece-me que esta seria amante de um conde de Vimioso mais antigo que o ultimo. 39. Segundo uma informação de Pires. Colocci. fidalgos foram muito aficionados ás ciganas. 192. Theophilo Braga e começa pelas quadras seguintes Chorae. além do grande Cancioneiro popular (Porto. p. 140-141. 1867). . Bor323-337 e Mayo. O ultimo chega a dizer En ningun lupanar de Europa se encuentra una prostituta gitana. Costumes fúnebres. nesse ponto de vista.222 O Fado da Severa * foi colligido em Coimbra pelo : sr. porque o nome da cigana de Évora não é Severa. row. Quando lhe foram dizer tua Severa morreu. pp. supra i 2 p. Era considerado nesse tempo como o primeiro ter visto tourear cavalleiro e negociava em cavallos como os ciganos. 220-224 e 227. Isso. que eu me lembro de e na praça do Campo de Sant'Anna. vid. No que respeita ás gitanas. Hoje ellas estão evidentemente decahidas d'esse antigo favor. não se pejando de dizerem as maiores obscenidades. graças á sua obediência aos costumes tradicionaes da raça 2. em Lisboa. quando morre um cigano é enterrado pelos da tribu em pleno campo e sem mais formalidades. fadistas.

sejam elles Nas terras portuguesas próximas da fronteira são vistos muitas vezes. fora de sagrado. rados Em Cuba nas propriedades de um pensava-se que oram enterlavrador rico e titular. Os ciganos acham-se muitas vezes em contacto com os gitanos. soltando estas cadáver ó acompanhado de homens grandes alaridos.Viçosa fallar um cigano foi em ao parocho para lhe enterrar o pae. o troço do cabello e não o deixam crescer emquanto viuvas. tura nenhuns utensílios ou armas. Já vimos que vinham alguns dos últimos á feira de Évora.223 choro das mulheres e das creanças. o cigano marchou de noite com os es- abandonando o cadáver insepulto na casa onde luto pelos mortos tavam. que não dava mais de 500 réis. com tal oíFerta. Mas não bai- lam nem cantam por essa occasião. Não mettem na sepulmas simplesmente o Diversas pessoas diziam que os ciganos enten-avam a occultas os cadáveres dos adultos. diz-se que se ignora onde os ciganos enterram os cadáveres dos adultos. Nalguns pontos do Alemtejo. usando então de lenço amarrado Relações com os tsiganos dos outros países. Os ciganos deitam (callardó). Segundo uma informação. As creanças (pelo menos algumas) são enterradas nos cemitérios christãos. aquelle cigano que vivo não valia o pae esse dinheiro. segundo outras informações. quer sejam os gitanos que venham a Portugal. padre lhe pedisse 2j5i400 réis. em tempo Villa. quer que atravessem a fronteira para irem a Hispanha. protector d'elles. O e mulheres. e como o padre não se quiz satise como o disse-lhe fazer seus. corpo. principalmente por tsiganos caldei- . que é de cor preta As viuvas cortam á cabeça. parece que se entendem bem com os ci- ganos. Portugal é por vezes percorrido por bandos de tsiganos d'além dos Pyrineus.

como é de uso entre elles. que apresenta typo tsigano. Reproduzo uma noticia acerca de um d'esses bandos. tem contacto com os ciganos. . «Exerciam o mister de caldeireiros e com tal proficiência que deixaram pasmados os artistas nopolitanos de egual e tantos profissão. Infelizmente foi-me impossível então ir examiná-los de perto. Nestes últimos annos vieram até ás proximidades de Lisboa dois bandos de tsiganos húngaros. mais fino que o dos ciganos. estabelecidos nesta cidade.224 reiros da Hungria e tsiganos conductores de ursos e ma- cacos da Bucovina. etc. elles qualquer Informa-me o meu amigo sr. «Levantaram o campo em consequência de cento mil réis que a alfandega lhes exigia como fiança a 17 cavallos que traziam e puxavam os carros. e barba longa e esquálida. Entre a caravana vinham : dois duques. para que se produza entre influencia nos costumes. . ao que parece. «Acamparam ha dias no rocio da Fonte Nova e levantaram hontem. um tsigano húngaro ou filho de tsiganos húngaros a quem o país agradou. suas tendas. os quaes. pelas 3 horas da tarde. está estabelecido um individuo chamado José Duarte. uma caravana de ciganos húngaros que se compunha de uns 50 entre mulheres e creanças. quinta-feira. parte dos quaes entraram varias vezes na cidade. miseráveis como os restantes apenas os distinguiam os bastões com ponteira e maceta de metal branco. estação do caminho de ferro da Beira-Alta. toldos. e a quem chamam o húngaro. todavia parece que as relações não são muito intimas. Armaram as tendas. o corpo mal coberto de farrapos e esses sórdidos e fétidos. Augusto Neuparlh de que em Santa Combadão. visto ha annos em Elvas. E. «O aspecto d' esta gente é hediondo tez morena e afeiada pela habitual falta de limpeza. servindo-se. sem duvida. Duarte é casado com uma portuguesa. lingua. etc. de seus carromatos. cabellos compridos e immundos. Tem uma taberna e trens de aluguer.

antes se ou se torna indifferente » * ! surrateira Em maio de 1883 viu Thomaz Pires na alameda de Borba. «As creanças usavam igualmente botas até ao joelho. «Apesar de sabermos que a caravana trazia objectos preciosos de prata e oiro. Como em Elvas.se e. «Quando fizemos visita ao campo. porque tinham a cabeça atada com farrapos. 22 de outubro de 1869. as agua. quando algum estranho se appro- ximava. Queixavam-se de ter pouco negocio em Portugal e tencionavam voltar para Hispanha. 15 . tivemos occasião de ver como esta gente se alimenta: couve verde fervida simplesmente em em pedaços com e. 127. «Soubemos agora por uns amigos que chegaram de Badaque se acha alli acampada (a caravana) ás margens do Guadiana. ri E a caravana não pasma de curiosidade. etc. pés. mal cozida. sardinha feita mãos e lançada numa certa de ferro d'alli immunda. se não fossem mais felizes em Évora. garos. As mulheres não sabemos se usavam arrecadas. em forma e ta- manho de um ovo de gallinha. mas viam-se-lhes ao pescoço collares de preço e contas de oiro. faiscavam de brilhantes. iii anno. pediam-lhe de mãos postas alguns francos. Havia algumas com feições regularissimas. beijando-lhe as mãos. nabos crus salgados.225 e uns botões no collete do mesmo metal. Diziam-se feito 1 A Democracia pacifica. mas pretas. Elvas. com as mãos e comida com uma voracidade joz. traziam objectos para vender e concertavam os que lhes confiassem. Dois d'esses rapazes pedir disseram eram ciganos que caldeireiros. Vinham da Hispanha e dirigiam-se a Évora. e os olhos de todas. tirada canina. Os saíram á estrada a esmola. negros e rasgados. que tinham armado uma alli caravana de ciganos húntrês grandes barracas. é alli a spectactio gentium. e algumas usavam de botas encarnadas. á entrada da villa. as creanças acercavam. e quasi todas fumavam de cachimbo.

assim como o sr. um cigano alemtejano que lhe affirmou que os ciganos húngaros fal- lavam o rumanho. que não poderia entender o dialecto tsigano húngaro. como já foi referido. distincta. Não natiiraes gostavam de ser comparados com estes. qual o numero de ciganos que ha em Portugal ou ali em qualquer das suas províncias. O seu vestuário era como o da caravana descripta no artigo typo era mais . diziam. onde como se disse já. Traziam cavallos só para seu serviço. Talvez esses tsiganos fallassem o hispanhol misturado com termos da sua lingua e com termos gitanos. João em Évora. No Alemtejo ha quem calcule existirem 2:000 a 3:000. que o dos ciganos alemtejanos usavam o cabello muito comprido. não faziam negocio de gado. anteriormente transcripto. Os dois fallavam perfeitamente hispanhol e eram muito attenciosos e sympathicos. concor- dando ambos em que naquella província não haverá mais ou muito mais de 400 a 500. lhes pagassem em pintos (moeda portuguesa de 480 réis. como já vimos. dando assim ao cigano alemtea jano impressão de que fallavam a hnguagem peculiar deste. se julga reunírem-se todos os ciganos alemtejanos. ainda com a sua grammatica Estatística. mulheres e creanças. Os ciganos a que se refere esse artigo pediam que. Pires encontrou mais tarde. nas transacções feitas com elles. legal). O informador de Barbacena. ainda com alguns de outras províncias.226 da Hungria. O fino. Fallavam. Pires diz que á feira de Villa Viçosa de 30 de maio de 1883 concorreram mais de 500 ciganos alemtejanos. homens. que não era a dos ciganos hispanhoes. uma pois lingua especial. E impossível saber. sequer approximativa- mente. hoje fora do curso Parecia que conheciam bem essa moeda. O segundo informador baseia-se na estimativa a olho (sem contar) dos que concor- rem á feira de S. acham muito exaggerado esse numero. . como elle. Gabriel Pereira.

Nesta protambém deve haver alguns milhares de cigacômputos são talvez exaggerados. nos. diz-se. que principalmente se fazem sentir nos gitanos andaluzes. Esses doisultimos Conclusão. abstrahindo das diíFerenças resultantes de influencias locaes. Os factos glottologicos. todavia informam-me de que á feira annual de Sacavém. a historia e os cosdistin- tumes mostram que os ciganos de Portugal não se guem por nenhuma particularidade importante dos gitanos de Hispanha. perto de Lisboa víncia. .227 A uma feira das Caldas da Rainha ha quatro ou cinco annos não concorreram mais de 50 da Extremadura. vêem muitos centos d'elles.

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. feitas por D. 174 v. fl. 16 de setembro de 1566. António Francisco Barata. da Bibliotheca publica de Évora. 137 do II . fl.. Devo a copia dos documentos tholomeu de Azevedo. 315 do vi. 175 e 176 datas de 8 de outubro de com 1549. ordenam que os façam trabalhar e aprender ofíicios. communica-me o seguinte : «Existem na Camará (de Évora) documentos acerca de ciganos desde 1549. «Tratam da expulsão dos ciganos estranjeiros e da prolii- bição aos nacionaes de trajarem a seu uso e de nao trabalharem. 22 de maio de 1694 e 23 de janeiro do 1699. 17 de agosto de 1557.24. 28Õ do xii. Bar- O sr. D .°^ 5 e 6 ao sr. por faltarem os respectivos registos ou diplomas no Archivo Nacional. nem os originaes -ou copias coevas d'outros reproduzidos de collecções impressas. 15 de maio do 1694 (diversos). fl. n. 15 de julho de 1686. José Lopes de Mira e a do Livro VI de Registo^ fl.APPENDICE I DOCUMENTOS Não me foi mentos dados possível encontrar as integras dalguns docuem extracto. fl. nos Livros dos originaes a fl. João III. 314 do Livro de 100 v.'' das cortes de Évora de 1535. 20 de maio de 1587. P. Citam o art.

nov. 69. 1526 «Alvará de 13 de Março de 1526. das chamadas das Cortes. cortes de Torres nouas E nas Deuora : do anno de mil e quinhetos e vinte e cinco. e se saião os que nelle estiverem e diz quasi o mesmo que a lei 24. v.). tit. XVII. De mil c quinhetos e trinta e oyto anos» e entre eles se lê a foi. tem no fim Fora impres: sos estes Capitolos e leys per : dade de Lixboa per Germã dias do mes de Março.230 Lzo a dos documentos consoante se Reproduzo orthograph orthographia eucontram nos originaes. capitolos. Synopsis chronologica. iij sente dei rey nosso senhor na ciGalharde empremidor. do anno de mil e quinhetos e trinta e cinco com : : : suas respostas. (philippina). (74 foi. D. pedem a vossa alteza aja por bem que nunca em tempo alguu entre ciganos em vossos reynos.] 1638 No volume delles fezeram. registos ou collecções impressas. liv. «Capitolos geraes: que foram apresentados a el Rey dô Johã nosso senhor terceiro deste nome xv Rey de Portugal nas um bello exemplar em pergaminho do Archivo : : . da Supplicaçâo. para que não entrem Ciganos no Reino. 1790. Anno do nacimcto de nosso senhor Jesu christo. que cita o Liv. 321. 244. .». fl. roxo ou 3. no pr. E acabara se aos xxxix. encontram resolvendo em geral as abreviaturas. . intitulado Capítulos de cortes e leys que se sobre alguns Com priuilegio real. mandado do qual tive preNacional. i. e a Ord. senhor. e de 26 de Novembro de 1538. Lisboa. [José Anastácio de Figueiredo. introduzo todavia alguns signaes de pontuação e faço algumas correcções. acham-se.» em que o pouo recebe muyta perda e . xxxvi: : Capitolo CXXXVIII «Item. Anno de M. porque delles nâo resulta outro proueito se não niuytos furtos que fazem: e muytas feytyçarias que finge saber: fadiga. As leys que ho dito senhor fez sobre alguns dos ditos quaes fora publicadas na Cidade de Lixboa no ano : E de seu Reynado e xxxvii de sua idade xxix dias do mes de Nouembro.

das Cortes de Reinos. . Synopsis chronologica . se accrescentão as penas até galés. Lxvii : Ley XXIllI.231 Reposta «Ey por bera que nâo entrem ciganos em meus reynos daqui por diante como neste capitolo me pedis e disso farey ley. abril de 1579. O que auera lugar assi nos ciganos como em quaesquer outras pessoas de qualquer naçam que forem que andarem como ciganos posto que ho nâo sejam. 22. que não entrem os Ciganos nestes em que alem do que he mandado no Cap. abaixo reproduzido doe. o alvará de 11 de . dando appellação.>> (Vid. publicado na Chancellaria mor do mesmo mes e anno. e 1535.] 3Sr-<^ -3= 1573 em Évora a 28 «Alvará de 14 de Março de 1573.** 6). como for de justiça. 1525. 138. n. «Vendo eu o prejuízo que se segue de virem a meus reynos e senhorios ciganos: e neles andarem vagando pelos furtos e outros malefícios que cometem e fazem em muyto dano dos moradores de meus reynos e senhorios. Porem sendo alguu natural de meus reynos não será lançado fora delles e será degradado dous annos pêra cada huu dos lugares dafrica: alem das sobreditas penas. [Figueiredo. a cuja execução se procederá. E se despoys de passado o dito termo for mais achada algua das ditas pessoas por não se^ sayr dentro no dito termo ou posto que se saisse . . e aggravo. Mando que daqui em diante nenhuns ci- ganos rios : assi e entrando : pregam e homês como molheres entrem em meus reynos e senhosejam presos e pubricamète açoutados com baraço e despoys de feita nelles a dita execuçam lhe será assinado termo conveniente em que se sayâ dos ditos reynos e senhorios.» o : sar: e a outra : : 1557 «Lei de 17 de Agosto de 1557.w E a foi. tornar outra vez a entrar nos ditos reynos e senhorios será outra vez açoutado pubricamente com baraço e pregam e perdera todo : : mouel que teucr e lhe for achado a metade pêra quem o accumetade pêra a misericórdia do lugar onde for preso. Que os ciganos não entrem no rei/no.» il.

Liv. baraço he preguão hera feita execuçam e a dita sua molher hera fora do Reyno e elle ser presente. visto outrosy como he feyta execuçam dos haçoutes por tamto vos mando etc. ii. das (chamadas das) Cortes e que tanto estas.» [Figueiredo. em outros cimquo anos pêra o brasyll. homde perecia ha mjmgoa. que ^âo tjnha nada de seu. cO baraço e preguão. 168-1C9. e pelos Ouvidores nas Terras. me pedya que ouuese por bem que se sahyse loguo do Reyno ou que fose pêra o brasyll pêra sempre e podese leuar sua molher avemdo respeito a pena que já tinha Recebyda etc. onde . tores paullo affonso e amtonjo vaaz castello etc. visto ho que halegua e declara. fossem achados sem appellação nem aggravo. elle he sua molher amgylyna e condenado per sentença da mor allçada. me praz se assy he como dis. de lhe cumutar os cimquo anos em que foy condenado pêra as gualles.. que como nas mulheres não podia ter lugar a pena das galés. onde nào entrão os Corregedores por via de Correição. na forma dada em allmeyrim a vij dias dabrill. dinzemdo que semdo ley deste Reyno que toda geração de çiguanos não vjuesem neste Eeyno e delle se sahysem em certo tempo e por tella. e não hera pêra serujr em cousa de mar e muito pobre. elle em çimquo anos de degredo pêra as gualles e açoutados publicamente. e a dita sua molher se sahyrya do Reyno em dez dias. me êujou diser per sua petição que estamdo na villa de momtalluão morador e jmdo e vjmdo a castella fora preso he acusado pela justiça. fez. 16 de Legitim. el Rey noso snr ho mamdou pelos doue . he por que dos haçoutes. dioguo fernandez a v*' Ixxiiij" anos. Jleiír.] . homde se não mostraua certjdão de forão presos. çiguano preso no lymoeyro. pelo caso de que faz menção. queremdo lhe fazer mercê visto hu parece com o meu pase (?). Synopsis chronologica. ey por bem .232 «Na Apostilla de 15 de Abril do mesmo anno se declarou. D. fl. ano do naçimento de noso snr Jhu xpo de m Roque vieira a fez escreuer. visto como cada em momtalluão. faço saber que Johão de torres. ficassem sugeitas ás penas da dita Lei 24. 189.] 1574 Dom sebastiam etc. e hera fraquo he quebrado. homde leuara sua molher e filhos. quamdo hally fora pobrjcomo todo se mostraua da sentença que oferecia. fora elle não ser sabedor da tall ley por jr he vyr ha caspreso he acusado pela justiça. D. c [Archivo Nacional. estaua no lymoeiro. e Comarcas. e eu vemdo o que me asy dise he pedir emvyou. Seh. como as mais impostas aos Ciganos fossem executadas pelos Corregedores e Juizes de Fora dos Lugares.

os ditos ciganos e pessoas não deixão por jsso de estar e andar nelles e fazer muitos litos fui tos e outros insultos e del- de que ho pouo Recebe grande opressão. corregedores. como acjma he dito. que santa gloria aja. ne estem nos lugares dos ditos meus Rej nos. posto que polia ley vinte e quatro dos capitólios das cortes que se fezerão no ano de trjnta e ojto e pello capitólio vinte e cinquo do Regimento que mandey dar aos presjdentes das allça das que forâo visitar meus Rejuos. perda e trabalho. pobríquem loguo nos luguares homde estjuere e façao pobricar e todos os outros lugares de suas comarquas e ouujdorias e Registar nos liuros das camarás delles pêra que a todos seja notório c se . nas praças e lugares acostumados. que os ciganos e ciganas e quaes quer outras pessoas que em sua companhia andare se sayão dos ditos meus Reynos dentro de trjnta dias. hofficiaes e pessoas dos djtos meus Rejnos que cada hu e sua jurdiçam cumprão. ou minhas pêra podere estar nestes Rejnos. juizes de que se ha de preguntar por este caso e suas Resjdencias. está bastantemente proujdo pêra que hos ciganos. Eu el Rey faço saber que eu são jnformado que. guardem e façam asj jnteiramente fora. ouujdores. e acabados os ditos trjnta dias qualquer cigano que for achado nos ditos meus Reynos por esse mesmo feito será loguo omde for achado e degradado pêra sempre pêra as gallees posto que tenha proujsão do dito senhor Rej meu avo ou minha pêra poder estar ou andar nestes Rejnos. ouujdores.^ e 1579 Alluara sobre os ciganos Eu el Rej faço saber aos que este alluara uire [que hoj que cl Rey meu sobrinho que deus tem pasou hua proujsão feita a catorze dias do mez de março do ano de v^ setêta e três. e mando a todos meus desembargadopreso e açoutado publicamente no lugar res.233 3sr. da que o terllado lie o seguinte. e que achandose que não teuerã diso o cujdado que deujão se ha de proceder cõtra elles como ouuer por meu seruiço e asj mando ao chanceler mor que pobrique esta proujsão na chancelaria e euie . que começarão do dia e que se derê os taes pregoes. nc has pessoas que amdão ê sua companhia amdem. juizes de fora e ordjnarios e quaesqucr outras justiças. certos comprir e guardar semdo os ditos corregedores. se embarguo de allgus delles tere proujsões dei Rej meu senhor e avo. loguo cartas c5 ho treslado delia sob meu sello e seu sjnal aos ditos corregedores e asj aos ouujdores das terras e que elles não estão per uia de coreiçam aos quaes corregedores e ouujdores mando que ha . E querendo nisso prouer ey por bem e mando que e todos hos lugares de meus Reynos se lancem loguo pregões pubricos.

sê embargo da ordenaçam do segundo livro. ii. que se faria execu- e procetar. 1.» [Figueiredo. ou viver mais em ranchos. acima tresladada se cumpra e guarde jnteiramente como se nella conthem. tudo sob pena de morte natural. e este se Registara na mesa do despacho dos meus desembargadores do paço e nos livros das Rellações das casas de suplieaçam e do ciuel ê que se Registarão as semelhantes proujsões. não permitindo que uiuão juntamente c hum bairro. que samta gloria aja. pedro de sousa ha fiz e Lixboa a xi dabril de mv'' setenta e noue. dendo contra elles até á execução sem appellação. senão ê bairros apartados. aos quais mando que ho pobriquem nosloguares omde estiuerê e o façâo pobricar ê todos os lugares de suas comarquas e ouuidorias. com tal declaraçam que hos ciganos que teuere leçemças dei Rej meu jrmão. nem aggravo. e do dito Rey meu sobrias examine nho. e mando ao meu chanceler mor que pobrique este alluara na chancelaria e êuie o trelado delle sob meu sello e seu sinal aos corregedores e ouuj dores das comarquas de corregedores e ouujdores meus Rej nos. e que amdem vestidos ao modo português. ou Quadrilhas . Liv. E ora ey per bem e mando que ha proujsão do dito senhor Rej meu sobrinho. ou se não avizinhassem nos Lugares sem andarem vagabundos. perante hu dos Corregedores de minha corte dos feitos ciuis."] 1592 «fLei de 28 de Agosto de 1592. fiz escreuer. Gaspar de sousa a fiz em Évora a xiiij" de março de mv*^lxxiij. Synopsis chronologiea. não podendo andar. se Registara no Livro da mesa do despacho dos meus desembargos do paço e no das Rellaçõis das casas de suplicação e do çiuel e que se Registarão as semelhantes proujsões e ey por bem que valha e tenha força e vigore como se fose carta feita e meu nome por mj \ asjnada e passada por minha chancelaria. que dentro de quatro meses não sahissem de Portugal. que diz que has cousas cujo efeito ouuer de durar mais de hú ano passem per cartas e passando per alluaras não ualhão. para que a todos seja notório. fl. 57 v. e se sam casados e o modo e meneo de suas vjdas e costumes e parecêdo lhe que uiuê bem e que trabalhão e não são prejudiciais. lhe poderã dar licença. 261. nem estar. Jorge da costa a fiz escreuer. em que se exasperão mais as penas contra os Ciganos. Johào de sousa o [Archivo Nacional." de Leis. fazendo-os para isso prender os Ministros das terras. que deus tem. titulo xx.] . o qual se jnformara de como uiuê e de que mesteres usão do João.234 cumpra e de jnteiramente ha execuçam como nella se cothem e esta .

Por aqui ouuerão a Camará de Verasã por feita c acabada e se asinaram." de Carualjall. eu João Sirueira que ho escreui. Luiz Ferz. (a) Siqr. Joam -f- Soarez. Llogo nesta Camará pello Juiz e Veradores e procurador do concelho foi acordado que comvinha ao bem pubrico e quietaçã desta cidade nã se comsemtirem nella os siganos que os dias pasados se viera avisinar com precatório do corregedor do crime da Sidade de Lisboa. por quanto desdo dito tempo pêra ca se tinha feito muitos furtos de bestas e outras coizas e amdaua a gente da sidade ta es- camdalizada que se temia hu mutim comtra elles. [Livro das vereações da Camará Municipal de Elvas. Archivo da Gamara de Elvas. posto que as testemunhas nã sabem expesificaidamente quais dos ditos siganos o fizesse (sic) e alem diso por esta cidade ser de gemte belicoza e da raia e acim de comtino acomtesera muitos cri. maço n." 21. eu João Sirueira que ho escreui." N. e semdo achados pasado o dito termo se prosedera comtra elles com todo o rigor e de tudo mandara fazer este termo que todos asinarâ. armário n. do anno de 1597. mes de diverças maneiras. e amtes de se asinar o .Soarez. pello que detreminarã que fossem noteficados que demtro era três dias se saicem desta cidade e seu termo para o que se lhe pasaria carta pêra lugar serto. Joam -f. eu João Sirueira que ho escreui. queremdoa. os quais se emcobrem dibaicho desta capa de diserem que os fiserâ os siganos." 1. . N. por lhe asim pareser se asinaram todos.^ Carnjde. mandara requado ao sor amdre gomçalvez de Carnide Corregedor desta Comarca para lhe darem comta deste negosio amdito termo tes partes de se dar execuçã o qual dise que dipois de pasada a liei nas omde resedira nunqua comsemtira avesinarem-se siganos dipois de serem escolhidos lugares na forma da lei e que lhe pare- sia muito bem nã se ametirem os ditos siganos nesta cidade pellos gramdes emcomvenientes que quada dia pode soseder por ser terá belicoza e da raia.» fl. (a) Siqr.*» de Carualjall.] 54 a 55.235 jsr-° 8 1597 «Aos dezasete dias do mes de junho (de mil e quinhemtos nouemta e sete annos) fiserâ Camará de veraçâ os sennòres Juiz e Veradores e procurador do concelho abaixo asinados. eu João Sirueira que ho escreui. maiormente depois que ouve algfís furtos que conhesidamente se soube serem feitos per elles.

naturaes destes Reinos. llogo nesta Camará foi praticado dos muitos furtus que os siganos fazia nesta cidade e mandara os sennõres Veradores e procura- dor do concelho apregoar que todo o sigano. J. de qualquer Nação que sejaõ. . que com elles andarem. Persas. mas seraõ além das sobreditas penas degra- dados dous annos para Africa. (a) N<' de Carualjall. naõ nelles.^ IO 1603 Mandamos. E feita nelles entrando.] cm 1595 e publicadas em 1603. 50. que fosem achados nesta cidade e seu termo que fosem presos e que se prosederá comtra elles eomforme a liei . armário n. n. tit. como mulheres. oje três de iunho de mil e eu João Sirueira que ho escreui ualjall. nem outras pessoas. maço Elvas. ametade para quem os accusar. Luís Ferz. onde forem presos e sendo algumas da ditas pessoas. data que . As foi Ordenações philippinas foram concluídas posta no alto do extracto. que os ciganos.] fl.236 1597 «Aos e três dias do e sete anos fiserã mes de junho de mil e quinhemtos e novemta Camará deureaçâo os sennõres Juiz e Veredores procurador do Concelho e se asinarã. Que naõ entrem no Reino Ciganos. e a outra para a Misericórdia do lugar. tirado dois que esta avesinhados nesta cidade." de Carasi- por aqui ouverã a Camará de uerasã por feita e acabada e se narao. Arménios. de Lemos. alluez de Lemos. e percaõ o movei. E com baraço e pregão. que tiverem. eu João Sirueira que ho escreui. não entrem em nossos Reinos e açoutados e Senhorios. seraõ lançados delles. do anuo de 1597. Joam -j- Soarez." 1. sejaõ presos a dita execução. alluez quinhemto e novemta e sete anos. ou tornando outra vez entrar sejam outra vez açoutados. e lhes for achado. [Ordenações philipinas. E lhes seja assinado termo conveniente. em que se saiaõ fora delles. Arábios. Luis Ferz. nem Mouriscos de Granada. v. (a) J. eu João Sirueira que ho escreui. liv. que com os Ciganos andarem. 69. assi homens. Ar- IT. N." 21.« [Livro doa vereações chivo da da Camará Municipal de Camará de Elvas. naõ se saindo dentro do dito termo.

e os Ouuidores das terras dos donatários em que elles não entrão per via de correição e as justiças lhes darão tepo conueniente (que não passará de hum mes) para que se sayão do Reyno e pas: : . e outros julgadores lhes passâo cartas de vizinhança. d'aquem Philippe per graça de Deos. em seguimento impressa. que a Ley que fiz sobre os ciganos declarada na Ordenação do liuro 5 titulo 69 imprincipio. e dano do Reyno. e dos Algare d'alem Mar em Africa. reproduzido na tembro de 1613. da ínFaço saber aos que esta minha Ley virem. que fazem a meus vassallos com geral escândalo. Ev El Rey faço saber aos que este Aluará virem. nauegação. Pérsia. se não cumpre. sobre os ciganos. que não cõuem : e porque também tiue informação. nem as penas que nellas se declarâo são bastantes para elles se sahirem fora do Reyno. que fossem achados neste Reyno vagando em quadrilhas. e eu mandarey perguntar por isso : E assi ey por bem. e nelle residissem. antes continuao em roubos.237 lísT. sendo tudo em grande perjuizo seu. que tratão dos ditos ciganos se não guardão tão inteiramente. e contra forma delia os Corregedores do crime desta cidade de Lisboa.^ 11 1606 Alvará de 7 de janeiro de 1606. em três annos para galés. Senhor de Guiné. e em dez annos para galés e em todas estas penas os poderão condenar os Corregedores. e no dito degredo de em dobro e pella terceira vez serão açoutados. comercio de Ethiopia. Arábia. lei de 13 de se- IsT-^ 1Í3 1613 Dom ues. que cu mandei passar hum Aluará feito em sete de laneiro de mil seiscentos e seis. Rey de Portugal. e Ouuidores das comarcas. galés tados. e pella segunda vez sejão outra vez açounas residências. e nas mais penas das ditas Ordenações. e os fauorecem per outros modos. e encorrerão : : mais nas ditas penas. do qual o treslado he o seguinte. que eu sou informado. Ey por bem. e da con- quista. e dia. nem vsem de outros modos e fazendo o contrario se lhes dará em culpa. queredo nisso prouer. etc. e danos. e não passem as ditas cartas de vizinhãça. que as Ordenações. que posto que pellas ditas Ordee senão aos ditos ciganos mais penas que açoutes pella denações primeira vez que forem achados sejão degradados alem da dita pena. que todos os ditos julgadores tenhão grande vigilância em comprir inteiramente a dita Ordenação do livro 5.

como molheres. e facão em todo cumprir e ao Chãceller : mor. Ouuidores se executará : e aos dos Donatários das terras em que os Corregedores não entrão per correição para a fazerem logo publicar nos lugares públicos de suas camarcas e jurisdições. e as ey por de nenhum effecto. que de todo os não aja. e quietação de meus vassallos. a todos os Corregedores. E mando ao Doctor Damiam d'Aguiar do meu conselho Chanceller mòr destes Reynos. e casa da Supplicação. que assi o cumprão. que forem achados a pena de açoutes e galés. E por quanto a dita execução lie de grande importância. e do Porto e quero que valha. E mando aos Corregedores do crime em minha Corte. e do Reyno. titul. pella maneira que no dito Aluará se declara e nas molheres a pena de açoutes somête. e quão perjudiciaes são. e aos Ouuidores dos mestrados. ou que lhes fossem passadas cartas de vizinhança: as quaes todas annullo. meu sello pendente. que neste Reyno residem assi homes. sem demi: E nuição das penas que nelle se declarão. e énuiará logo o treslado delia sob meu sello.238 sado o dito termo tornando a entrar no Reyno se fará nelles a exe- cução pellas ditas penas na forma deste Aluara. Ey por bem. sem em cõtrario. porque sou informado. que faça publicar esta Ley em minha Chancellaria. que tanto que esta Ley chegar a sua noticia a facão logo publicar em todos os lugares de suas jurisdições. que tenhão res para nelle residirem. Aos quaes mãdo que logo o publiquem nas cabeças das core este Aluara será registado nos liuros da Mesa do Desembargo do Paço. e para vir a noticia de todos enuie logo cartas cõ o treslado delle sob meu sello e seu sinal aos Corregedores e Ouuidores das comarcas: e assi aos Ouuidores das terras em que os ditos Corregedores não entrão per via de correição. e mãdo per esta Ley que o Aluara nesta incorporado se cumpra e execute com todo o rigor delle. aos que viuem e residem nas cidades. e seu sinal. para bem. ne residão neste Reyno. que o publique na Chancellaria. como se fosse carta começada em meu reições : : nome por mi assinada. 40. E a todos os juizes de fora. que dêtro em quinze dias depois de esta publicada se sayão deste Reyno sem embargo de quaesquer liceças. em que os Corregedores não podem entrar per correição. e aos Corregedo- do crime desta cidade de Lisboa. e se executar como dos mestrados : . e asellada com o embargo da Ordenação do Seixas o fez em Lisboa a liuro 2. Mando aos ditos julgadores e justiças. e que andão muitos ciganos por este Reyno vagando em quadrilhas cometedo muitos excessos e desordes. e aos das terras dos donatários. Pêro de sete de laneiro de mil seiscentos e seis. E passado o dito termo de quinze dias em quaesquer ciganos. que o dito Aluará se não cumpre e executa. limitando aos ciganos. villas e lugares delle e querendo prouer de maneira. e aos das comarcas deste Reyno. tenha força e vigor. e das casas da Supplicação. posto que sejão por mi assinadas.

Anno do Nascimento do Senhor lesu Christo de mil seiscentos e treze. confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. Coimbra.] 1^-° 13 1614 Carta regia de 3 de dezembro de 1014. J. Collecção chronologica de leis extravagantes. e delia. n. de Ouctubro de 1G13 Taxada a oyto reis. e de outra vinha requerer seu despacho. mandando condemnar para Galés os Ciganos.» [G. Dada nesta cidade de Lisboa. man- darei proceder contra elles com todo o rigor: e esta Ley se registará no lluro do registo da Mesa dos meus Desembargadores do Paço. a 10. achava-se no Liv. 10. loão Pereira de Castelbranco a fez escreuer. Lisboa. 41. Pereira de Castro. sobre um requerimento de G." 4 1. 166-168. Nas Ordenações e lei/s. João IV. Senhor atras esmi Miguel Maldonado. que se acharem.° 14 1639 • Capitulo de huma Carta regia de 30 de Junho de 1639. De manu regia (Ludguni. J. 3sr. 1747. 217-218. i. dando-seIhe conta dos que já estavão nellas. d^ Aguiar. «porque importa que ella se guarde cumpridamente. João Pedro Ribeiro. Annos. e nos das casas da Supplicação. e a própria se lançara na Torre do Tombo. 62-^. . e mais justiças a que a execução. Fernandes. atin.239 nella se contem : sendo certos os ditos Corregedores. doe. 105-106. = REY. que ora siruo de escriuão da dita Chãcellaria. perãte os officiaes delia. C. i. e dos que se achavâo presos. de Andrade e Silva.). se excusará a sua petição. nelle se declara. p. e Relação do Porto. e comprimento desta Ley pertencer. Miguel Maldonado. que se descuidarão auer d'elles por mal seruido. I. = Damiam Foy publicada na Chancellaria crita por a Ley delRey N. O Collecção chronologica da legislação portugueza (Lisboa 1854 e segs. 9 de março de 1890. Francisco Ferreira a fez. 1819. ii. = Em muyta gente que Lisboa. que se à de perguntar em suas residências se a cumprirão. Ouuidores. alem de me que achandose.] t. índice chronolngico remissivo da legislação portuguesa i'. 1673). iii. e execu- como na execução tarão. iv do Desembargo do Paço. [Reproduzido de uma folha impressa avulsa no Correio Elvense. aos treze dias do mes de Septebro. Cortez e outros ciganos que pretendiam se dispensasse com elles a lei pela qual se mandavam sair do reino.

em sua mulher e filhos. que merece. Magestade três annos contínuos nas Fronteiras do Alemtejo. e sirvão sempre na rroza. o valor e esforso. que sejão havidos por naturaes do Reino. que me deixou em grande admiração. e fidalgamente e relata-se mais em nome de V. senão quando eu leio. Magestade pagar seus soldos devidos a sua mulher e filhos? E mande V. E se nesta forma deste homem.240 Participada em portaria da princeza Margarida de 8 de Agosto do mesmo armo. e cavallo. e proezas. que nelle se relatão .] 1646 Senhor Vi o Alvará da Suplicante. o pozessem a um oíficio macanico. sangue. ou tirar delle a narração de serviços. 249. e declarando que a qualidade de Cigano não he de natureza. P. Ao officio macanico mandara eu por o Ministro que tal Despacho deu e sem V. sérvio valerozamente no Campo. devendo estar chusmadas as Galés até 17 d'este mez. e espirites generosos deste homem. Ribeiro. e grandeza do animo de seu Pay em até que ridas. sem soldo. se relata. tudo á sua custa. por lhe não pagar seus soldos de hum esforçado com seu cavallo e armas à sua custa. que macanico. 360-361 j do Liv. Magestade o ver despachos com tão humildes espirites. e que nunca tenha. com suas : — armas. e vida pela sua terra. aonde tantos infamemente fugirão. sendo . guerra e milicia nos postos de Soldados e Presidies E que se não leia. Magestade. (que he assinado pela mam de V. sérvio a V.» (J. que Jerónimo da Costa. sem ser sua Pátria. com que em o dito tempo se houve. quanto a se condemnarèm. segundo a Lei do Reino.lhe Alvará de natural e Cavaleiro Fidalgo. herdeiro dos serviços. a vista dos que esforçadamente morrerão. o fizessem os Grandes e Capitaens . que em Alvará de Y. que tiverào estes serviços. sem levar soldo algum. que sem obrigação de sangue e natureza sérvio por honrra. franca. Mande V. athe deixar a vida. Magestade passar. com suas armas e cavalo á sua custa. para execução d'essa carta. fl. Magestade recolher este Alvará. Magestade filho de tal homem o pozerâo : a officio Cavaleiro. ix da Supplicação. ou pelejarão. índice chrpnologico ij*. seu Marido. : na Batalha do Campo de Montijo foi morto com muitas fesempre mui esforçadamente. valor. e morte hon- porque se sérvio três annos contínuos um pobre Sigano porque lhe não hade V. relatando suas proezas. E quando eu estava com alvoroço para ler o grande premio e remuneração. Magestade). que se lhe faz mercê. nem seus descendentes officio macanico. que he o menos Foro. pelejando despender a fazenda. e que o filho macho. mas do seu modo de vida. porque nelle.

devidos. esta mulher mande V. comersio. que vão a V. e índia. que muntos terão. e com tantas condições. ou na Petição que deferir a seus serviços em lhe mando fazer a V. Docum 131. forma. do qual o tresllado he o seguinte Eu ell Rej faso saber aos que este aluara de lej virem que per quanto dos gitanos que mandej prender pello Rejno e se embarquarão pêra as conquistas delle. e thesouros do Payz se não no natural valor.^ le 1647 Tresllado da ordem dos siguanos Dom Joam da quem e per grasa de Deus Rej de Portugual e dos algarues. em mento. em verificação do seu procedimento. dallem mar em afrjqua. snor de guiné e da conquista. neste tempo sem servir a sua custa. com molheres e filhos. nem com thesouros nem cavallos. e com pedir soldos atrazados. persja e da indja etc. gastando o que tem em sua defençâo. e riquezas. quem são. Magestade. e ras. pp. João Pedro Ribeiro. nem gente cm numero. O que requeiro como Procurador da Coroa. não havendo rezâo particular..241 Generaes. e seus filhos. de Castella. Ma- gestade. pois merece a Firma e Signal de V. Fronteiros e Governadores. e as Comendas e copiosos bens do Reino que para si o defendem. Lisboa 28 de julho maço 118. . Corpo Chron. E isto não he hir enrriquecer. e seus famozos Pays e Avós fizerão Armadas. como peço. = Thome Pinheiro da Veyga.. como elles mesmos. ou nao devidos. Magestade despachar. Isto se oflferece e de 1646. 215. iv. Disatr- tacões chronologicas. [Arch. de fazer natural seu genrro que por seus serviços pessoaes tãobem A o merece . 16 . e conquistado. pelo que cumpre ao Reino. e devem defender.] isr. imitando este Sigano humilde no nasciAfrica. e nobre. em que nunca podem igualar as dilatadas terras e Reinos isso. bastara ametade das decimas. e ganhar dinheiro. P. 1. partira V. Malaca. e ponto de honrra. com cavallos. &c. Magestade ella. 217. porque hir as Fronteicomo a Ormuz. Magestade. detiopia. e depois de quieto o Reino. e Çofala a vencer soldos. que vae junta para provocar os meios. e amor da Pátria e Reys. em que alguns podem degenerar. Magestade com elles o defendido. mas mande-lhe V. nâo lie o Portugal para que se nâo sustenta. servindo á sua custa em sua Pátria e sem outro soldo. e de sua Pátria. não só no que pede. falo em geral. e generozo no procedimento. navegasâo. e criados esforçada e como generozamente. R. fiquarão ainda na cadeja do limoejro des velhos e emcapazes de poderem seruir. faço saber a uós corgedor da comarqua de eluas que eu passej ora hum aluara per mim asjnado e pasado per minha chanchellaria. arábia.

e sendo capazes de seruir os porão a soldada na forma que se uza com os órfãos . e mando que na essicuçâo desta lei se proseda sumariamente e com seis testemunhas que pergunterá o juiz do loguar. ou Cabo uerde. hej bem e me pras de lies senallar pêra este efeito os luguares seguintes tores uedras. ouuidores. de que de antes ueuiâo. e sendo moller. rellasão. o fará publiquar na Chanchellaria e envjar com meu sello e seu senal aos ditos corgedores das comarquas. antes se devasará pelos corgedores das comarquas dos juizes dos loguares de seus destritos se observâo esta Hej e o que fiquar comprehendido paguara duzentos cruzados para as despezas da guera ou justiça. lleirja. os quaes os remeterão pelos loguares nomeados nenhum dos condenados admetjda petjsão para per- dão. fillos. e jogos de corjolla nem partidas de cavalgaduras. e da mesma manejra ás con quistas de este Rejno. como se nelle contem e o chaneeller mor destes Renos des. per toda a ujda sem leuar consigo filio ou filia. do porto onde . e estando empesebeljtados por doensa ou muita idade se lies permetira poderem pedir esmolla nos mesmos luguares em qu3 uiuerem. onde se pobliquara pêra que senão consinta aos siguanos que fore degradados o elles uzarem desonestos tratos e embustes. sopljquação gouernador da rellasão do porto e aos dezembarguadores das ditas rellasois e aos corgedores do crime de minha corte e aos de esta cidade e a todos os e juizes de fora das cidaonde os ditos siguanos uiuerem. seus nem andem em traballo em sem que fasão de suas trasas e embustes. e os autos que sobre a matéria se fizerem serão logo remetidos a hum dos corgedores do crime da minha coiie ou ministro a quem eu cometer a jurisdisão e superten- e não lies será a dencia dos siguanos. tomar. dos quais não poderão sahir sem licença dos per juizes delles a qual se lies não consedera per tempo llargo e se lies poreboira juntamente que não fallem geregonsa. da prizão ira pêra angolla degradada. e se rezestara nos Liuros do dezembarguo do paço. como fazem os naturaes do Rejno. a que chamão buenas dj- chas. nem a ensinem a traje de sjganos e serão obreguados a quanto puderem. pêra que a todos seja notório o que per este ordeno e o fasão dar a esecusão. villas e luguares mando ao regedor da casa da meus corgedores das comarquas. que cumpram e guardem e fasão enteiramente cumprir e guardar todo conteúdo neste aluara. com decla- rasão que quem o contrario fizer pella primeira ves será logo condenado em asoites e toda a ujda pêra gallés. antes se lies poreboirá com todo o rjgor comprar a troquados (sic). allanquer. onde o siguano for morador. monte mor o uello e coimbrã. juizes de fora. sem contradisão alguma. ourem. e os quais juizes não consentirão que os siguanos crjem seus fillos ou filias pasando de noue anos de idade. caza de sopliquasão. e conuir a familjas meu servisso que elles uiuão cõ suas em luguares afastados de esta corte e das frontejras.242 de pouqua idade. ouuidores.

confirmadas e estabelecidas pelo Senhor D. Baptista fangr. e a despeza que se fizer em se pobljquar nos mais loguares de vosa comarqua será á custa das despezas dos auizos (?) e quando não ouuer será a custa das rendas da Ca- mará da cabesa de vosa comarqua. iii Collecçâo ii dos Decretos e Cartas. 30 de Julho de 1648. 273. p. Co a qual liei mandej passar esta carta para vos. ii.''*' da fonseca e comigo taballiam Gomes Gallvam». João IV. denações e leys t.""" da fonseca escriuão da camará o escrevi. Com Rubrica de Sua Magestade. 515-517. 215. Estevão Ueitão de revellos Foi publjquado na Chanchelleria mor o aluara de ell Rej nosso snõr atras escrito por Miguel maldonado escrjuão da dita chanchelleria perante os ofisiais delia e de outra muita gente que uinha requerer seu despacho Lixboa . Coimbra. ora Ao qual em todo me reporto e consertei bem e fiel- mente com otro ofisial abaxo asjnado e eu Baptista fang. velho. Oriii. polia qual vos mando que tanto que vos for mostrada a fasais pobljquar e rezistar na cabesa de vosa comarqua e pobljquar brevemente nos mais luguares delia pêra vir a notisia de todos e se comprir e guardar como nelle se contem. António de Moraes o fes em Lisboa aos uinte quatro de outubro de mil e seis semtos e quarenta e sete. Para Vossa Magestade uer. aluara de Hei que se hade ter com os siguanos e fillos nelle declarados. ou alugarem casas incorrerão nas penas. 1747. em que se prohibio darem-se. in Ordenações e leys confirma' Senhor D.. estevão lleitão de revelnão dis mais a dita prouizão que bem e fielmente tresUarezistei do próprio que entreguei ao escriuão da coreisão que serue. que lhes derem. etc. Collecção chronologica de leis extravagantes. dada na sidade de Lixboa aos trese dias de novembro. el-rej noso Snõr pelo doutor estevâo lleitâo de revellos do seu conselho e chancheller mor destes Reynos e senhorios de Portugal Manoel antunes de sâpaio o fez. ou alugarem-se casas a Ciganos tualidade executar a Ao Desembargo do Paço hey por muy encarregado faça com põLey dos Ciganos. 552 v. foi. p. accrescentando a cila. Ano do nascimento de noso snõr Jesus Xro de mil e sessentos e quarenta e sete eu los. I e estabelecidas pelo : . O Conde de Santa Crus. Lisboa. 1819.] 1648 Decreto.. 168- 1G9. i. de outubro de 047 Miguel maldonado.] [Liv. 1747. das dos Decretos do Desembargo do Paço. que mandarei declarar. do Registo. vol. i. (Archivo da camará municipal de Elvas. Lisboa. fl. E dei e Miguel maldonado o fis escreuer. Rej. Pedro digene8(?) revello o fes escreuer. Lisboa. João IV. que as pessoas.243 semelhantes leis se costumao rezistar.

. sem asento. com que já forâo muitos apremeados e que a dita Ley geral da deney . e dos que ceda na forma de dito Aluara e os juizes das terras onde os mando . acabar de conseguir o modo de uida e memoria desta gente uadia. Hey por bem e mando que os ditos Corregedores das Comarcas executem com muita diligencia a dita primeira Ley da prizão. exceptuando os que assistem nas fronteiras e não andassem em companhia de outros. mandando que com os que fossem inhabeis se procedesse na forma do Aluara refecazo rido e nesta Corte se não consentissem em nenhum nem sinco léguas ao redor sigano nenhum nem sigana. [Vid. por muitas leis e prouisões se procurou extingir este nome e modo de gente uadia de siganos com prizoens . onde serião e penas de asoutes. sem uiuenda própria. mandey que trazidos a esta cidade. prizão se não podia emtender nelles . nem officio mais que os latrocínios de que uiuem. .o 18 1649 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará virem que por se ter entendido o grande prejuizo e inquietação que se padece no Reino com huma gente uagamunda que cõ o nome de siganos andam em quadrilhas vivendo de roubos enganos e imbustes contra o serviço de Deus e meu.] E porque no dito Aluara se trata somente dos ditos siganos prezos uelhos e incapazes sem se declarar outra parte de minha ordem e decreto que passey sobre os mais que ficarão ainda no Regno capazes de seruiço nas conquistas. . E querendo eu em tudo prover. cõ o mesmo intento mandey passar hum Alvará em vinte e quatro de outubro de seiscentos e quarenta e sete de que o treslado é o seguinte. Doe. e todo Reino fossem prezos e embarcados e leuados para serporquanto ficarão ainda na cadea em alguns velhos incapazes e outros escondidos neste Reino. sem e ultimamente querendo Eu desterrar de todo uirem nas comquistas diuididos . nem foro nem Parochia. prendendo logo todos os siganos que acharem capazes de seruir excepto aqueles que actualmente assistem nas fronteiras e não andarem na companhia de outros e os remetão a esta Corte ao Corregedor delia a que esta cometida a supritendençia forem velhos e inhabeis se pro(sic) deste negocio. Demais das ordenações do Reino. degredos e galés. n. mandando os prezos ou que fossem uiuer as ditas vilas do sertão.» 16. . e sem embargo disso se exe- cutava lançando -os fora da fronteira e sem paga de seus soldos. sou informado que nesta parte se não passou nem publicou em muitas partes como ore que pelos que estauâo servindo nas fronteiras se me fes queixa que estando mais de duzentos e cincoenta em meu serviço desde o tempo de minha filice aclamação alistados com zelo e valor.244 isr.

E o executarem inteiramente sem duuida nem costumadas em contradição algua e se registará de nouo nas partes semelhantes leis. trage e lugar dos naturais e onde com licença dos Governadores das Armas a negocio e tempo limitado forem e porque alguns por seruiços e rezões particulares estão naturalizados com cartas de na•. posto que digão vem seguindo seus maridos. procedendo na forma . Lisboa. e sendo de mayor calidade em dois annos para . 23 in Ordenações e leys confirmadas e estabelecidas pelo Lisboa. 1747. visto não terem ellas licenças para usarem do traje. v. iii Collecçíio ii «ios Decretos e Cartas. 273.1 . : X da Senhor D. fl. (Liv. p.] leys confirmadas t estaielecidas 1649 Decreto em que se mandarão avisar os Corregedores do Crime da Corte. iii. 1. ou giringonça. mas Ciganas as quaes. Lisboa em 20 de Septembro de 1649. a dita turaes e vezinhos de lugares e vilas do Reino se não entenda neles Ley guardando elles em tudo as condições de suas cartas. 169-170. E os fidtUgos fora da Corte. pelo Senhor [Archivo Nacional. E mando que nesta corte e sinco legoas ao redor delia se não consinta sigano nem sigana algna com cominação que o que nclla se achar passado o tempo da publicação desta seja sem mais proua nem deligencia condenado nn asoutcs e toda a vida para galés e a sigana degradada para Angola ou cabo Verde e as pessoas que lhe derem ou aluguarem casas e os recolherem sendo piães cncorrerão em pena de três annos de degredo para Castro Marim e trinta cruzados pêra captiuos e accusador. icis. Supplicação. e bem da Republica lança-las delias.245 recolher e abitar os obriguem a uzar como os mais uezinhos naturais. como nella Conde Regedor advertir da minha parte aos Corregedores me dizem andão actualmente algu. 1747. liugoa. Pello que mando ao dito meu chançarel mor faça publicar na Ciian- cellaria esta e seu sinal e declaração e delia enuiar copias sob meo selo aos ditos corregedores das Comarcas e mais justiças Ley destes Reinos para terem entendido o que ultimamente tenho resoluto sobre os ditos ciganos. e alimpar a Terra. bem garí^s em que por seus superiores seruirem. vol. Rey. E hey por declarar que esta ley da prizão senão emtende nos siganos alistados que seruem nas fronteiras actualmente nas companhias ou luAfrica e sincoenta cruzados. etc. André de Moraes o fez em Lixboa a sinco de fevereiro de mil e seis centos e quarenta e nove. João IV. Ordenações e D João IV. etc. Luiz de abreu de Freitas a fez escreuer. para que fizessem despejar os Ciganos Faça o do Crime da Corte. seria conveniente a meu serviço. — Com Rubrica de Sua Megestade. fl. liv.

que os Senhores Governadores das Armas escrevem a Sua Magestade que Deus guarde. como Vossa MaDeus Guarde a muito alta e poderosa pesgestade tem mandado. e disse chamar-se Manoel Alvares da Nóbrega official de brincos de cera. e também algumas mulheres. pelas quaes Vossa Magestade os ha por naturaes. que por Provisões de Vossa Magestade. e Governadores.246 1655 Carta de André «Snor d^ Albuquerque foi servido —A ordem. e morador nesta cidade. Saluador do Taboado. Pedro de Atayde de Castro mandou vir perante si da salla a hum homem por 'pedir audiência. freguezia de S. que por velhas e miseráveis se não devia intender a ordem com ellas. o Senhor Inquisidor estando Inquisição. que se achassem nesta Proviucia. para que a executassem em 25 do ditto. se me presentarem acharam somente alguns homens. Francisco de Santa Clara de um livro pertencente ao Archivo do governo militar de Elvas intitulado Livro II do Registo. natural do Lugar do Cabo Villa. termo da Villa de Amarante. o que prometteo cumprir. 2 de Fevereiro de 1655.° Í21 1682 Processo inquisitorial da cigana Garcia de Mira Aos e sette dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta em Lisboa nos Estaos e caza do despacho da Santa a ré em audiência de manhaã.] \ 1>T. nem tratavão com ella. e sendo presente disse a pedira para dous annos denunciar nesta meza couza a ella pertencente e logo lhe foi dado juramento dos Santos Evangelhos. como Vossa Magestade o ordenava. — Elvas. — soa de Vossa Magestade d^Albuquerque» . e ao diante se prenderão os siganos. os tornei a mandar soltar. e ser de trinta annos de idade. Corregedores e Ouvidores das Comarcas. que Vossa Magestade mandar-mc em carta de 12 de Septembro do anno passado para se prenderem os siganos. em que pos a mão sob cargo do que lhe foi mandado dizer uerdade e ter segredo. e havendo concorrido todos nesta diligencia. Nesta forma se procedeu neste particular. — André [Esta carta foi copiada pelo dr. e lhes dá permissão para viverem no Reino e me constar não andavâo em quadrilhas daquella gente. encarreguei aos go- vernadores e Capitães Mores das fronteiras. que apparecerem. E logo denunciando .

e que se os alfinetes se mouessem. e de Catherina da Costa. e dizendo-lhe elle Denunciante em que forma o havia de fazer. que o Denunciante prometteo assim fazer. lhe pegou na mão esquerda delle bolinhas de cera Denunciante na qual pos hum alfinete ou arame com duas em cada ponta sua. obrigando-o a que repetisse estas. e os guardou. Amen Jesus. era sem duuida ser morta. e só que traz huas contas brancas aconfeitadas. não se lembra do dia ao certo. de Deos. e lhe disse chamar-se Catherina. os dáquem e os dálem e os da nauegaçâo. Deos filho. fallando-lhe. hauendo-lhe a ditta Sigana primeiro ditto. com as extremidades uiradas para o pulso sem estarem juntas. e o outro gado hum com o bico em com a ca- beça pregada na ditta bola. vós fostes como nós. na parte que ficaua cercada dos alfinetes. não se lembra do dia ao certo. a qual. todos — = | uos ajuntareis. e que por todo este mez saberia que sua molher era morta. E logo os dous alfinetes das extremidades que estauão pregados nas bolas do arame ou alfinetes se uirarão. diante delle testemunha. e não tem parte notauel por que mais a haja de confrontar. c pelo premio do que nisso obrasse lhe hauia de dar duas moedas de ouro. dizendo as palavras seguintes em nome de Deos Padre. nos seremos como vos. que : Santos Fieis reynou e reynará para sempre jamais. e neste caso nos ajudareis. e direita dos dedos formando hua forca. e anda em trage de viuva com sua saya de estamenha parda e mantilha de baeta negra com capello cozido debaixo da barba. que aquella sorte fazia para saber se sua molher era morta ou viua. e as palavras seguintes e á ditta Catherina da Costa. que uiue em sua companhia. mas haverá quinze. lhe disse que elle tinha sua molher auzente. hum duas uezes e outro hua. para cujo effeito lhe pedio lhe havia de dar algum dinheiro que para os ingredientes lhe era necessário. e dous alfinetes mais. chegou á sua porta hua Sigana. e sem ofença de Deos. com as cabeças para as pontas quieta. fazendo-lhe alimpar a mão dos cuspos com hum papel e que o deitasse na rua. e lhe disse ter hua Irmaã chamada Antónia Ramalha. e logo o obrigou a que cuspisse por três uezes na ditta mão.247 Disse que haverá três semanas pouco mais ou menos. . ficando sempre pregados nas dittas bolas com os bicos. se queria que lhes atalhasse. Deos Spirito Santo. tendo elle Denunciante sempre a mão sem a mouer. prehíía das dittas bóias. e mora nesta cidade em companhia de Siganos junto as cazas do Enviado de Castella. obrando ella por meyos licites. e muitos perigos que passar. e tornando por outra uez a dita Sigana a sua caza. detraz da Igreja de Nossa Senhora da Palma. três Pessoas e hum só Deos verdadeiro. representa ter sessenta annos de idade. respondeo ella que por meyo dos fieis de Deos. e logo tomou os dittos alfinetes. e necessitaria de hum cruzado que elle lhe deu. estando elle Denunciante em sua casa na rua de Quebra Costas.

Joseph Coelho. em premio do que lhe pedio cinco tostões. Manoel Martins Cerqueira o escreui. de 30 annos de idade. com a particularidade a mais de que a cigana mandou comprar o papel dizendo «que era necessário nâo fosse a marca da que tivesse Crus». dizendo huas palauras que elle não percebeo. e merecia credito. pouco mais ou menos. em tudo conforme ao de Manoel Alvares. dous aos pées. Do que tudo uem dar conta nesta Meza» entendendo que as obras da dita Sigana não são naturaes. como elle pretendia. . João Cardoso. forão perguntados os dittos Licenciados se lhes parecia que elle fallaua uerdade. Manoel Martins Cerqueira o escreui. Pedro de Attaide de Castro. o que tudo se figuraua na parte do papel que ficou enxuto. e assinarão com elle Denunciante. Manoel Aluares Nóbrega. notários desta Inquisição que tudo uirâo e ouuirâo. e repetio também as palauras que atraz ficão dittas da Santíssima Trindade e Fieis de Deos. perfilado tudo como em debuxo. hauendo-o passado três uezes por baixo do trauesseiro da cama. e prometterão dizer uerdade e ter segredo no que lhes fosse perguntado sob cargo do juramento dos Santos Evangelhos que lhes foi dado. E sendo-lhe lida esta sua denunciação. e sem offença de Deos. E mais não disse e ao costume disse nada. que lhe pedio mandasse comprar. lhe pos a mão para que se molhasse. diminuir. e com outros tostões que lhe deu para a mortalha fez tudo soma de cinco mil réis. Ao que estiuerão presentes por honestas e religiosas pessoas os Licenciados João Cardoso de Andrade e Joseph Coelho. tomou a mesma Sigana a sua caza. obrigando-o a que rezasse o que quizesse pela alma que estiuesse mais uezinha a uer a Deos Senhor Nosso. e. e nella não tinha que acrescentar. e era a figura de hum defunto com quatro castiçaes^ dous á cabeceira. e por elles foi ditto que sim lhes paríícia que elle fallaua uerdade e merecia credito.*» O depoimento de Catherina da Costa. e com o ditto Senhor Inquisidor. nem ao costume ter que dizer de nouo. sendo que lhe havia dado mais meya moeda. ratificaua e tornaua a dizer de nouo sendo necessário. doso. disse estar escritta na uerdade e nella se affirmaua. e tornarão a assinar com o ditto Senhor Inquisidor. e dizen- bém de do-lhe se queria uer a certeza de sua molher ser morta.248 Disse mais que passados três ou quatro dias. e entender qae he a isso obrigado. — Joseph = Coelho. e para isso pedio hum alguidar com agoa e lançando nella meia folha de papel. — — Seguem: 1. nâo se lembra tamqual ao certo. sob cargo do juramento dos por Santos Evangelhos que outra uez lhe foi dado. e entendida. E ido o ditto Denunciante para fora. João CarPedro de Attaide de Castro. que lhe mostrou no ditto papel. e o faz por descargo de sua consciência. solteira. lh'a mostraria facilmente. mudar ou emmendar. e elle ouuida.

que foi Sigano. por pedir audiência. não impondo sobre si. o sahio a falUr-lhe da Sylua na mesma caza . e ter segredo. molher.*» com o diabo para advi- Despacho. e neste tempo se despedio o Clérigo que estaua fallando com o ditto Manoel Aluares. concluo: «do que tudo se colhe usar a delata de pala2. em que pos a mão.° A confissão da ré. 4. e sendo prezente disse a pedira para confessar nesta meza o que entendia podia conuir ao descargo de sua consciência.249 requerimento do promotor para que a cigana seja presa processada na forma do regimento. disse que tornaria a uer-se ella confitente á ditta Catherina com ella. lhe dissera que tinha muitos trabalhos que passar. E disse chamar-se Garcia de Mira. e fallando com elle lhe dissera que lhe mostrasse a o ditto mão para lhe dizer a buena dicha. mas era casado com hua molher que hauia fugido. 3. que lhe disse chamar-se Catherina da Sylva. e tinha illicita amizade com ella ditta Catherina da Sylua. porque fazendo assim porá sua alma em estado de saluação. esta lhe disse que o ditto Manoel Alvares não era seu marido." O e vras divinas para couzas illicitas e ter pacto nliar futuros». em o qual. e indo ella confitente a fallar com a ditta moça. estando alli em audiência de manhã o Senhor Inquisidor Pedro de Attayde de Castro. mandou vir perante si a hua molher que em onze deste presente mez foi preza nesta cidade. e que entrando neste tempo hum Clérigo a fallar com o ditto Manoel Alvares. e porque a ditta Catherina da Sylua dezejasse fallar com ella mais deuagar. «Aos quinze dias do mez de Dezembro de mil seiscentos e oitenta e dous annos em Lisboa nos Estaos. sob cargo do que lhe o que prometteo cumprir. foi mandado dizer uerdade. e que respondendo o ditto Manoel Alvares que já os tinha passado. e que mostrando-lh'a Manoel Alvares. tendo summariado os depoimentos. nem sobre outrem falço testemunho. que quizesse fazer-lhe alguãs deuoçoes ou feitiços que o obrigassem a recebella por molher. E promettendo de assim o fazer Disse que haverá três semanas nesta cidade foi ella confitente a rua do Quebra-Costas a caza de Manoel Alvares de Nóbrega. pois tomaua tão bom conselho como era confessar uoluntariamente nesta e ser de cincoenta annos de idade. meza suas culpas lhe conuinha muito dizer toda a uerdade delias. lhe tornou ella confitente a dizer que não erão esses. e moradora nesta cidade junto ao Enviado de Castella E logo foi admoestada que. mor digo. hua molher moça que estaua no quintal das mesmas cazas a chamou com as mãos. e alcançará a mizericordia que pretende. natural de Monteo Novo. pelo que lhe foi dado juramento dos Santos Euangelhos. e ella confitente lhe respi-ndeo que sim faria. senão outros que de nouo hauia de passar. official de brincos de cera. c recolhida nos cárceres de penitencia. viuua de António Soares.

era uiua ou morta. e que a mettesse debaixo da cabeceira. Filho c Em Spirito Santo. Disse mais que no dia seguinte. e não uoltando a ser uiua. que estava auzente sem lhe dizer aonde. do qual não está lembrada ao certo. E em premio do que lhe deu o ditto Manoel Aluares meya moeda de segunda sorte: a qual foi no (ao?) dia seguinte. e dos quatro castiçaes que ficão dittos. e fazendo algnas ligeirezas de mãos as troucou. e lançou com a agoa qiie tinha prepa- em hum 'alguidar a meya folha que hauia trazido. ao qual disse que o tornaria a buscar e lhe faria huas sortes para saber se sua molher era uiua. e ficarão fazendo a forma de híia forca. dizendomão para que recebendo humidade a ditta pallinha destorcesse para a banda dos dedos. tornou a caza do ditto Manoel Aluares da Nóbrega. tomou na outra mão a meya folha que se hauia comprado. e trouxesse uirados os dittos alfinetes que com effeito uirarão com a palhinha. e em quanto fes as sobredittas couzas dizia as palavras seguintes: nome do Padre. e lhe prometteo fazer e tornando no dia seguinte tomou folha do ditto papel e a dobrou em muitas dobras asemelhando a outra meya folha que leuaua debuxada com pedra hume. e pondo-lhe no alvo delia hua palhinha de balanço torsida e seca ao fogo. sorte. que que pedindo-lhe dinheiro para hua oíFerta. e ter filhos que alimentar. mandando-lhe comprar hua folha de papel. res e Catherina da Sylua ficarão admirados e entendendo Sylua poderão conhecer se forão aduertidos. do que os dittos Manoel Alua- que erâo e uiam nesta fes dos como na alfinetes. meya que fizesse a figura de hua pessoa morta com dous castiçaes á cabecira e dous aos pés. e ficou enxuta e figurada a estampa rada de um corpo morto. uzando de cousas naturaes. ao qual disse que queria lançar as sortes que lhe promettera para saber se a ditta sua molher. e tendo-a na mão debaixo da mantilha. e linha pregado hum alfinete Ihe que cuspisse na mesma em cada bo- com as cabeças para o pulso. em forma Chagas de Christo Senhor Nosso. o que elle fez. e que para isso abrisse a mão direita.250 o ditto Manoel Aluares de Nóbrega. ou morta. lhe dera o mesmo Manoel Aluares dez tostões e que as sobredittas couzas fez obrigada da sua muita pobreza por ser viuua. e em cada ponta da mesma palhinha hua bolinha de cera. que reynou e reynará para sempre jamais. e que assim mostraua a figura sobreditta. e tornou a dizer que toda a meya folha de papel se ensopou na agoa. rezando cinco credos á honra das cinco ouro. hauendo-lhe também ditto que se os dittos alfinetes uoltassem era sinal de ser morta a ditta sua molher. sem . amen. dizendo as palauras sobredittas e mandando dizer as orações que a Igreja approva. em premio do que lhe deu hum cruzado. que os mesmos Manoel Aluares e Catherina da feiticeirias o . sendo que não tinha duuida o hauer de destorcer a ditta palhinha. a qual burnida com a pedra hume molhou só aquella parte que não estaua burnida em a ditta pedra hume.

e abuzos no povo Christão. de consentimento da Rée por não saber escreuer. que pêra este eíFeito lhe foi dado e que lhe he dada licença e que restitua o dinheiro meyo de pêra se poder hir para onde bem lhe estiuesse e que goarde segredo em tudo o que vio. = PeíZro de Attaide de Castro. E outro sy será condemnada em penas pecuniárias.251 animo nenhum de oflfender a Deos Senhor a Nosso mas de ainda assim não lhe ser licito está muito arrependida. que se abstenha de as tornar a commetter.*" 3M-° Í3Í3 1686 Registo de húa Provisão de Sua Magestade sobre os Siganós «Dom daquem Pedro. de que fiz este termo de mandado dos Senhores Inquizidores que aqui assinarão e eu Notário. foi outra uez admoestada em forma. mandarão uir perante si a Gracia de Myra Sigana. Manoel Martins Cerqueira o escreui. porque tornando a reincidir nellas será castigada com todo o rigor. pede perdão e que *. n. dalém mar em Africa. Aos vinte e dous dias do mez de dezembro de mil seiscentos e' oitenta dous annos em Lisboa nos Estaos. por ser infor- mado de que de Castella se expulsavão os siganos e estes se passavão a este Reyno em tanta quantidade que aos Povos pequenos seria . Manuel Martins Cerqueira. Faço saber a vos corregedor da comarca da cidade de Elvas que. sas que acceitou a alguãs pessoas por e pesseus embustes. que por ella ouuida e entendida. disse estar escritta na uerdade e assinei eu Notário por ella não saber escreuer de seu consentimento com o ditto Senhor Inquisidor. Processos inquisitoiiaes. Ré = — preza conhecida neste processo. Pedro de Attaide de Castro. e sendo prezente foi reprehendida asperamente e aduertida que se tornar a cahir nas culpas porque foi preza será castigada com todo o rigor de justiça. E por dizer que nem por pensamento tornará a commetter semelhantes culpas. e mandada a seu cárcere. o que também promette comprir. 1236. sendo-lhe primeiro lida esta sua confissão. ouuiu e com ella nesta Meza se passou. João de Mesquita que o escreui. e engano. Senhor de Guiné &. — João de Mesquita de Macedo. se uze com ella de mizericordia. por graça de Deos e Rey de Portugal e dos Algarves.] [Archivo Nacional. o que tudo prometteo cumprir sob cargo de juramento dos Santos Euangelhos. Foi-lhe ditto que tomou bom conselho em declarar nesta meza as couzas de que tem dado conta nella. nem outras semelhantes que possão introduzir erros. e caza de Despacho da Santa Inquisição estando aly em audiência da manham senhores inquisidores.

com declaração que os annos que a dita Ley dá para Africa seyão para o Maranhão. que serão entregues a Francisco Pereyra de Castello branco. sem que se lhes premita habitação neste Reyno trato qualquer que seya. donde não poderão sahir nem mudar sem minha especial licensa. Hey por bem e vos mando não pre- mitaes entrem neste Reyno nenhum destes siganos e os que de facto tiverem entrado os prendereis logo nas cadeas publicas e me dareis conta. Cartas Jílvas. II 12. [Tombo a fl. escrivão da Camará. ambos do seu Conselho e seus Dezembargadores do Paço* Miguel vieyra a fez em Lixboa aos 15 de julho de 1686. se vos hade dar em culpa que para este eff^eito mandey dencias.» mais ordens de Sua Magestade . de que remetereis as certidões. o fis escrever e asinei. Francisco Pereyra de Castello branco a fez escrever. Por resolução de Sua Magestade de 10 de junho de 1686 em consulta do dezembargo do Passo. E em que lhes assinareis logo que esta receberdes mandareis pôr editaes públicos tempo para lhes ir a noticia esta minha re- solução. E quanto aos que ja são naturaes. não dando a execussão esta ordem. advertindo que toda a omissão com que vós e os ditos Juizes vos ouverdes neste particular. nem possão andar vagabundos em quadrilhas pelo Reyno e achando-os nesta forma (?) os prendereis e lhe não consentireis uzem de trage particular.252 muito deficultoso o poderem seportar esta quasi inundação de gente tão osioza e prejudicial por sua vida e costumes. mas que se vistão do costume do Reyno e em aquelles que encontrarem a Ley sobre elles estabelecida a fareis executar na forma que nella se contem. Brás ribeiro da Fonseca. Diogo Marchão Themudo. Archivo da Camará de do Registo dos Alvarás. como a experiência tê mostrado com as universaes quexas o que tudo se seguia de senão conservarem as Leis estabelecidas contra elles e se omittião por respeitos que a sua industria adqueria." 8]. andando armados para melhor cometerem seus asaltos. armário n. e . filhos e netos de Portuguezes (porem com habito género e vida de siganos). acrescentar este capitulo aos mais do Regimento das reziElRey nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Dezembargadores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da fonseca. Manuel da Silveira de Azevedo. Provisões. os obrigareis a tomarem domisilio serto. E convir ao serviço de Deos e meo que de nem todo se extreminê. escrivão da minha camará. Manoel da Silveira de Azevedo. Elvas aos vinte dias do mes de julho de mil seiscentos e outenta e seis annos. como nella se contem. e asestindo no nosso destrito os mandareis notificar e fareis trasladar esta ordem nas camarás dessa comarca para que os juizes delias a facão executar. E não continha mais a dita provizão que eu Manoel da Silveyra de Azevedo escrivão da camará fiz tresladar neste tombo e a propia me reporto e por verdade me asiney do meu sinal de que uzo e a propia entreguey ao Corregedor da Comarca.

p. sem tomarem género de vida possam sustentarse. que por quanto sou informado que os siganos" nascidos neste Reyno conthinuam em seus Dom daquem excessos e delitos. Africa. como nas mais Terras do Reyno com declaração. [Liv. 1747. Lisboa 27 de Agosto de 1686. 273]. in Ordenações e leya. e que os annos que a mesma Ley lhes impõem para omissão. e porque tem mostrado a experiência que não seruio thegora de remédio bastante e convém muito tratar da quietação e soccgo de meus vassalos. cm que se de Africa para o mandou commular o degredo Maranhão Tenho resoluto que assi nesta Corte. tudo contra a minha rezolução que sobre esta matéria mandey publicar no anno de 1689 (sic). que sobre este particular tiverem. com os Ciganos e Ciganas se pratique a Ley. X do Supplicação. c que os Ministros que assi o nâo executarem. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. iii: Col- locçâo II Cartas. lhes seja dado em culpa para serem castigados. O Regedor da Casa da Supplicação o tenha assi entendido.253 1686 Decreto. trazendo os mesmos habittos e trages de ciganos. Lisboa. 1694 Registo de liuma Prouizão de Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço ao Corregedor desta Comarca para que os siganos nascidos neste Reyno tomem género de vida ou o despejem dentro em dois mezes. senhor de Guine &. e que com todo o cuidado se empreguem nesta diligencia. encarregando -o aos Ministros de Justiça. . sem terem domecilio certo. euitandose todos os dias os delitos que se podem temer de gente tam licencioza na vida e costumes. e dalém mar em Africa. sejão para o Maranhão. e nesta forma o faça executar pela parte. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas. etc. confonne ao dolo. para o que ordenei ao Desembargo do Paço se accrescentasse este Capitulo aos mais do Regimento das Residências. que lhe toca. vol. dos Decretos e ÍL. — Com Rubrica de Sua Magestade. 276. vivendo arranchados e juntos nem officio de que em quadrilhas. Hey por bem e vos mando que tanto que esta receberdes mandeis logo por cm todas as Villas e lugares dessa .

sayam deste Reyno dentro em dois mezes com pena de morte e passado o ditto termo serão hauidos por banidos.. Thomas da Sylva a fes em Lixboa a 15 de Mayo de 1694. por quanto sou informado que pelas rayas deste Reino tem entrado muitos siganos cas- Dom daquem telhanos. quer descuido que nisto tiuerdes e para que os vossos sucessores não possão alegar ignorância. El Rey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pelos Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Fonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. Hey por bem e vos . çâo nos Livros da Correição e nos das Cameras de cada hua das Villas dessa Comarca. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarues. e nas terras aonde não entrardes enviareis a coppia desta Ordem ao Provedor dessa Comarca e da mesma sorte aos Juizes de fora e ordinário delia para que cada hum em sua jurisdição a execute e a obserue assy como a vós volla encarrego. 63 v. Diogo Marchão Themudo. fl. mandareis registar esta minha rezolu. porque da mesma sorte mandarei proceder contra elles pelo descuido que nisso tiuerem. de que possam sustentarse na forma da dita minha rezoluçam do anno de 1689. e porque convém evitar o grande prejuízo que de homens tam licenciozos e criminozos se pode seguir aos meus vassalos. Faço saber a vós Corregedor da Comarca de Elvas que. e dalém mar em Africa.254 Comarca edictais públicos que todos os ciganos nascidos neste Reyno que logo não tomarem género de vida. João Bress^e Leite escrivão da Camará o escrevi. Archivo da Gamara do Elvas.» 8. e se praticara com elles a pena do banimento na forma da ley. os quais havião cometido muitos e vários crimes. E não continha mais a dita Prouizão que bem e na verdade tresladey e a própria entreguey ao dito Corregedor e por verdade assiney em Elvas aos 17 de junho de 1694. assi e do mesmo modo que tenho rezo- com os siganos castelhanos que entrarão neste Reyno e na execução desta deligencia que vos hey por muito recomendada poreis todo o cuidado advertindovos sereis seueramente castigado por qualluto . remetendo certidão de como assy o tendes executado. armá- 1694 Registo de huma Prouizão de para que dentro em o Corregedor desta Sua Magestade pelo Dezembargo do Paço Comarca faça despejar deste Reino dois meses os siganos castelhanos intruzos nellc. y> [Tombo rio n. Braz Ribeiro de AfFonseca. de que me dareis conta. e/c. Senhor de Guiné &. João Bressane Leite.] II do Registo dos Alvarás.

Thomas rem. crivão da [Tombo Camará João Bressane Leite. c passado o dito termo serão havidos e bamnidos e se praticara com elles a pena de bamnimcuto na forma da ley e na execução desta deligencia que vos hey por . com pena de morte.255 tanto que esta receberdes mandeis logo por em todas as Villas e lugares dessa Comarca edictais públicos em que se declare que todos os que tiuerem entrado neste Reino sayão delle em termo mando que de dois mezes. E não continha mais a dita Prouizão que eu Ribeiro de Aífonseca. Diogo Marchão Themudo. advertindovos sereis seueramente castigado por qualquer descuido que nisso tiuerdes e . para que vossos sucessores não popsão alegar ignorância. de que me dareis conta.. Francisco Pereira Brás Castello branco a fes escreuer. Pedro por graça de Deus Rey de Portugal e dos Algarves daquem e dalém mar em Africa snõr de Guine c da conquista & nauegaçam comercio de Ethiopia Arábia Pérsia e da índia &. El da Sylva a fez em Lixboa a 15 de Mayo 694. e nas vedor dessa comarca e da e ordinários d'ella. João Brcssane Leite esescrevi. inviareis a coppia desta ordem ao Promesma sorte a todos os Juizes de fora E que cada hum em sua jurisdição a execute assim como a vós vollo encarrego porque do mesmo modo mandarey proceder contra elles pelo descuido que nisto tiueRey Nosso Senhor o mandou por seu especial mandado pios Doutores Diogo Marchão Themudo e Brás Ribeiro da Affonceca ambos do seu concelho e seus Dezembargadores do Paço. mandareis registar esta minha rezolução nos livros da correição e nos das camarás de cada Ima das terras villas dessa comarca. remetendo certidão de como assi o tendeis executado. aos 17 de Junho de 1694. 64 v]. c observe e aonde não entrardeis. fl. bem e na verdade tresladey e a própria entreguei ao dito Corre- — = gedor em Elvas cit. Faço saber aos que esta minha carta uirem que por parte de António Roiz de Pinna me foy aprezentado hum meu Aluara passado pia minha Chansellaria do theor seguinte este Dom El Rey faço saber aos que Aluara uirem que António Roiz de Pinna escriuão serventuário do officio das execuções da cidade de Elvas me representou que eu ordenar a Lopo Tavares de Araújo estando seruindo de & — Eu fui seruido . 1696? Registo da carta do oficio de Thezoiíreiro da Camará por que Sua ma- gestade que Deus guarde fes mercê da propriedade delle a António Róis de Pinna. nmito recommendada poreis todo o cuidado.

aonde viuia o sigano. e mando que não haja neste Reyno ou de de outro sexo. e commettão. e varias ordens. e compras. que se acha a fl. que. a qual o dito Corregedor encarregou ao meirinho da correição e a elle. ou . por convir muito á Justiça e se lhe bem do Reyno dar- por bem. ou um. que hindo ambos a villa de Oliuença. índice ehronologieo. nem pousaráo juntos por ellas. lhe entrarão em caza na noite de 26 do dito mes. nem para que estes." 8]. tirando-lhe muitas estocadas e pancadas. Provisões. e se conservarem nas Terras delle. requerendolhe da minha parte por muitas vezes se desse a prizão.256 Corregedor daquella Comarca em Abril de 694 que prendesse a hum cigano chamado Manuel Roiz Roza e hauendolhe por mi recomendado a dita prizão. facão com elles escandalosa vida. por ter mostrado a experiência não haverem sido bastantes as disposições da Ordenação do Reino e outras Leis posteriores. que os chamados Ciganos. V. que se lhes agregão. nem tratarão em vendas. enganos. ou pelos campos. toda a ponderação. Cartas [Não está concluído este registo. o que não quizera fazer. e outros homens.] 3Sr. 275. que em diversos tempos se passarão para os Ciganos não entrarem no Reyno. antes os envestira com estoque de seis palmos e húa rodella. P. que até dous casaes em cada rua.° Í38 1708 Eu ElRei faço saber aos que esta minha Lei virem. como frequentemente commettem. nem andarão juntos pelas estradas. ou pessoas. (J. não morem juntos mais. 80 do Tombo ii do Registo dos e mais ordens de Sua Magestade. e outros muitos e mandando considerar esta matéria com delictos e enormidades . furtos. que como taes se tratarem. Archivo da Gamara ile Elvas. Ribeiro. armário n. nem de impostura das suas chamadas. huenas remédio : Hey dichas: e outro-si. — 1699 «Provisão Regia de 9 de julho de 1699 para serem remettidos presos ao Limoeiro os Ciganos». que os Povos sentem. que use de trage. pessoa alguma Giringonça de Ciganos. com hua das quais lhe quebrara a espada ao meirinho e ficara brigando com elle somente Alvarás. e mulheres de ruim vida. lingua.

ainda que outro delicto não tenha. iii. . e e todas as informações necessárias. Fronteiras. ii. que frequentemente commettem Fui servido ordenar aos Governadores Reyno todos . 3G4-366. senão que no trage. 1819. mando aos Corregedores das Comarcas. . . e lei/f. a saber. ainda que seja de Terras do districto da Relação do Porto e ao dito Regedor mando que com toda a brevidade. da índia. [Ordenações vagantes. e Ordinários. Alvará de 10 de novembro de 1708. para serem repartidos por diversas Conquistas. S. que dos casos tiverem a qual devassa bastará ser de até oito testemunhas e ti. faça em sua presença deferir. com a noticia. se 17 . e aos Juizes de Fora. a executem em suas Jurisdicções. ColUcção chronologica deUis extra- Coimbra. que contra os culpados se deve proceder. ou seja para sentencear definitivamente. pp. Thomé. l' Tonteiras. e contra os transgres- sores procedão a prisão. se por ellas tanto se provar. ou seja para interlocutórias. como parecer justiça. e a devassa. quando convenha. e Ciganas presos. lingua. que pelos seus Officiaes os mandassem prender. com os Desembargadores. mandarão logo que os Reos summariamente respondão e com suas respostas enviaráõ os autos ao Regedor da casa da Supplicação. ou mulheres tiverem outros delictos de maior pena. radas que forem. por este facto. e elle etc. 170-171. Por convir á boa administração da Justiça exterminar deste os Ciganos pelos furtos. elles lha darão. . E para que pontualmente S3 cumpra esta minha Ley. para que se passe ordem aos Governadores das Ainms das para que mandassem prender todos os Ciganos. e será degradado por tempo de dez annos o qual degredo para os homens será de galés. e para as mulheres. e Cabo das Armas das E porque se me fez presente que em execução desta Ordem achavão nas cadêas do Limoeiro muitos Ciganos. : mesmo para o Brasil. t. Lisboa.] isT. que se os ditos homens. e sempre com muita brevidade. Benguella. usem fizer. poderá escrever e pedir conta aos Julgadores.<=* se 1718 Decreto. Ilha áó Princepe. deixe de se proceder a execução delia e nenhum outro Tribunal. Hey por bem que o Chancellér da Casa da Supplicação que Verde. Angola. ma dará. e excessos. etc. que lhe parecer. 1747. ou Ministro se intrometterá nesta matéria porque toda a superintendência delia commetto ao dito Regedor. Não he porem minha tenção. para proceder na forma desta Ley o qual para este eflPeito . e modo de viver do costume da outra gente das Terras e o que o contrario . incorrerá na pena de açoutes.257 trocas de bestas. delictos graves. .

iii: Collecção II e Cartas. pelo descuido. de sorte que em toda estta Província se não tornem a ver hum só individuo daquella prejudicial gente. que tenho de Sua Magestade. 274. não tendo produzido o seu devido effeito as Leys promulgadas para a expulsão delles.Carias. dos Decretos Ordenações e leys. 1747. vol. Sou servido que a Mesa do Desembargo do Paço faça repetir com mayor aperto as ordens necessárias. 273. fl. dando providencia efficaz. 1751 Copia de huma ordem que manou do Senhor Conde da Atalaja para o juizo da ovidoria e do ditto se enviou para o desta villa e se manda registar. e não admitta requerimento algum contrario a ellas. Lisboa. as ditas Conquistas os Lisboa Occi- dental 28 de Fevereiro de 1718. que Povos destes Reynos da assistência dos Ciganos. o que o ditto Senhor detremina logo que vosa mercê reseber estta pasará as ordens nesesarias sem demora alguma aos menistros das . otc. foi servido ordenar -me que procurase que fosem presos todos os que se achasem e remetidos ás cadeias das cabeças das comarcas. p. foi. A mesma Mesa o tenha assi entendido.] e leys. Com Rubrica [Liv. 14. para que inviolavelmente se executem as referidas Leys. xii da Supplieação. na forma.] IST-^ SO as Leys 1745 Decreto. Com Rubrica de Sua Magestade. 131. e o faça executar.258 serve de Regedor ordene se embarquem para que se acharem presos. e para que possa ter a devida execusam. 1747. vol. Lisboa 17 de Julho de 1745. in resoluto. etc. p. mandarão pôr em observância da expulsão resulta aos Por quanto tem mostrado a experiência o grande prejuízo. que tem havido na sua execução . [Livro III Lisboa. em que se dos Ciganos. e que nos giros que fazem tem cometido vários roubos e escandelosos insultos. «Sendo apresentada a Sua Magestade que esta província se acha infestada de siganos. havendo-se introduzido nella contra as leiis do Reyno e hordens reais expedidas sobre esta matéria. dos Registos do Desembargo do Paço. in Ordenações iii: Collecção ii dos Decretos e.

para que constando-me que algum delles. E não continha mais em a dita ordem. Senhor de Guiné & Fasso saber a vos corregedor da comarca de Elvas que Reprezentando-me os Juizes de fora das . 1753 Registo de huma carta precatória de deligencia fesso «O Doutor Joaquim António de Azevedo Soares. sem dilasam alguma. Villa Boim de agosto outo de mil settecentos e sincoenta e hum annos. depois de as reseber. a qual me reporto. daquem e dálem mar Africa. o farei presente a Sua Magestade para que o mesmo Senhor possa ter com os transgressores da sua Real ordem a severa demonstraçam que mereserem. que Deus guarde. em fé do que me asignei em raso. e se para segurança delia fôr ue- sesario que concorrão as tropas pagas. e das ordens que vosa mercê expedir aos menistros da sua comarca mandará vosa mercê pedir recibos da sua entrega. [Livro II Manoel Rodrigues Figueira^u do Copiador de alvará» Boim. 103 v. de modo que possa ter efifeito huma delegencia tam reterras da sua tritos se commendada por Sua Magestade. que me remeterá todos junttos. de cuja ordem o seu theor e forma de verbo ad verbum he o seguinte Dom Jozé por Graça a — de Deos em Rey de Portugal e dos Alguarves. Deos Guarde a vosa mercê munttos annos.259 comarca para [o] que constando-lhes que nos seos d esachão alguns siganos sájâo logo com os mesmos povos a prendellos. a fl. Conde da Atalaija. Villa Viçosa quinze de Julho de mil sette centos e sincoentta e hum. fcyta em nome de El-Rey noso Senhor. que de presente na mesma sirvo de Provedor & Faço saber ao senhor Doutor Juis de fora desta cidade. Sobreditto o escrevi. que bem e fielmente na verdade fis tresladar e tresladei. as não observão com a devida exatidão. e asinada pellos Doutores Dezembargadores Joze Pedro Emaus e António Velho da Costa. Estremes catorze de Julho de mil settecentos e sincoentta e hum. do Desenbargo de El-Rey nosso Senhor e seu Corregedor com alssada em esta munto nobre e sempre leal sidade de Elvas e sua comarca pello dito Senhor que Deos gvarde. Cavalleiro prona ordem de Christo. Cumpra e pase ordem geral na forma que se ordena. ou a quem em sua abzencia ou impedimento seu nobillissimo cargo tiver e servir. Archivo da e provisões da Gamara (extincta) Municipal de Villa Gamara Municipal de Elvas]. Oliveira. poderão as justiças requerer aos comandantes delias o aucilio que nesesitarem que pronptamente se lhes dará tudo o que for preciso. aonde as houver. em como mim hora me foy remetida huma ordem pello Tribunal do Dezenbargo do Passo.

acoutão protegem ou recolhem siganos. a cumpra e guarde. Cumprio asim. os autoeis e prendais debacho da chave na cadeya da Cabesa da Comarca. Por rezolução do Dezembargo do Paso. fasa munto intei- ramente cumprir e guardar asim e da maneyra que em ella se conthem e declara. ele me fez prezente em consulta da fuy servido rezolver e declarar que os ditos Juizes de fora fizerão o que deviâo em nâo executar as ordens do que governa as Armas. António Velho da Costa. tenho dado a providencia nesesaria. e pello que respeita aos siganos hey . António Luis Signet de Cordes a fez escrever. de por bem e vos mando que me dareis conta pella meza do mesmo Dezembargo do Paso. E nâo se contem mais a dita em a dita prouizão por virtude da qual mandey pasar a presente para a vos ella ser dirigida dito Senhor Doutor Juiz de fora desta cidade de Elvas ou a quem em sua auzencia ou impedimento seu nobilisimo cargo tiver e servir com nha a qual sendo-lhe apresentada indo primeiro por mim asinada e selada sello deste dito meu Juizo(?) que ante mim serve ou com a mi- rubrica. que também em semelhantes uzo e costuma servir. de que valha sem sello ex cauza. José Pedro Emaos. que.ambem participar as justiças subalternas de vosso destricto. mesma meza. rezoluçoes e decretos meos he que devem ser tiradas quanto a extracção do trigo. que gouverna as Armas dessa Província. e em seu cumprimento e por virtude delia. porque Devasas só por cazos de ley. constando-vos por qualquer modo que do voso destricto. fazer prezente. e con- que extrahirem trigo para o Eeino de Castella e lavradores que o vendem aos Castelhanos e Portuguezes que o conduzirem ou em suas cazas o deicharem albergar. ficando assim adisionado este capitulo aos da rezidencia. de qualquer qualidade ou condialgumas pessoas ção que sejão. sa- . Francisco Varella de Asis a fez em Lisboa a três de Novembro de mil setecentos e sincoenta e três. El-Rey noso Senhor o mandou por seu especial mandado pellos menistros abaixo asinados de seo conselho e seus Dezembargadores. digo por reziolução de Sua Magestad^ de dois de outubro de mil setecentos e sincoenta e três e despacho do dezembargo do Paso de doze do dito mez e anno. Por El-Rey noso Senhor ao Corregedor da Comarca de Elvas. para effeito de tirar devasa exacta contra os siganos e quem os protegese por ser o meio mais conveniente do socego dos Povos e Bem comum. E esta minha rezolução que mando participar a todos os corregedores ouvidores e provedores deste Reyno e do alguarve fareis i. dando-se-lhe parte do que tra os resultace desta diligencia para assim mo tudo visto na meza do Dezembargo do Passo. e sendo em que foi ouvido o procurador da minha Coroa. do Paço.260 Villas de Souzel e Mertola a duvida que tiverão ao cumprimento meu servisso lhe remetera o Sargento mor de das ordens que por Batalha. tendo entendido que na vosa rezidencia se perguntará se cumpristeis com esta obrigação.

Excellencia me Fazendo presente a Sua Magestade o Aviso. que inquietão os moradores do Termo desta Cidade : Foy . desta dita . Elvas dois demarco de mil e setecentos e sincoenta e quatro annos. sendo-me aprezentado da sua parte pedido e deprecado mediante Justiça etc. por algum modo acouta. feita em ella ao primeiro dia do mes de Dezenbro do Anno do Nascimento de Noso Senhor Jezus Christo de mil e setecentos e sincoenta e três annos etc. [Tombo cipal. Falcato. nesta incerta. Esta vai subescripta por Jozé Bernardes escrivão proprietário do oííicio da correição em esta cidade de Elvas e sua Comarca etc. que hora siruo de escrivam da Camará o subescrevi. que vosa merse mandará cumprir tam inteiramente como nella se conthem.261 bendo Vossa merse que alguma pesoa. sejão applicados a servirem nas obras publicas da 111. Ao sello valha sem sello ex causa trinta reis. que V. e vosa merse nie mandará pasar certidam de como esta lhe foi entregue e a cumprio como também mandará dar seja.™» mesma Cidade. protege ou recolhe siganos. tudo a justiça que costuma e he obrigado em rezão de seu nobelisimo cargo que ocupa e admenistra. José Bernardes. Cumprace. serviso a Sua Magestade cidade *. de qualquer qualidade que cidade e seu termo. escrivam das ^ecuções. o que eu não menos farey por outras suas semelhantes. E não se continha mais em a dita precatória que fiz regystar bem e na verdade e não leva cousa que duvida fasa. executando tudo na forma da Provizâo de Sua Magestade. Joachim António de Azevedo Soares. sendo feita esta despeza á custa dos bens do Conselho desta dita pagar o feitio e fará merse asim o cumprir e mandar se cumpra e guarde. Paguarse-ha de feitio desta ao todo contado na forma do Regimento duzentos e setenta reis e de asynar e sello noventa reis. dirigio na data de 13 do corrente sobre os Siganos. — Archivo Muni- 3Sr-° 33 1756 Aviso para o Duque Regedor ^ em que se lhe ordena. e de vosa em que Deus guarde e a mim mersé. que no fim hirá declarado.] iii do Registo da Camará Municipal de Elvas. que os Siganos. que inquietavào os moradores do Termo desta Cidade. e Ex."»o Sr. a fl. em fée do que a fiz escrever subescrevy e asynei de meus sinais costumado. E eu João Pereyra Coelho. João Pereira Coelho». E eu Jozé Bernardes escrivão da Correição o sobescrevy. Dada e pasada em esta dita cidade de Elvas. e asynatura e sello desta. 203. os actue e prenda logo na cadeya publica desta cidade. Elvas sinco de dezembro de mil e setesentos e sincoenta e três.

em que possão ser transportados os Siganos. . que de : . prohibindo-se a todos poderem comerciar em bestas e Escravos e andarem em ranchos Que não vivão em bairros separados. valíio c Mello. nem todos juntos. onde com declarada violência praticão mais a seo salvo os seus perniciozissimos procedimentos . de sorte que nunca estejão muitos juntos em hum mesmo Prezidio. e Escravos. que deste Reino tem sido degradados para o Estado do Brazil vivem tanto á disposição da sua vontade que uzando dos seus prejudiciaes costumes com total infracção das minhas Leis. que deponhão perante quaesquer dos Ministros criminaes respectivos aos destrictos. e carregados de armas de fogo pellas estradas. nem ainda nas viagens. Excellencia o Paço de Belém. ou se facão trabalhar nas obras publicas pagando-lhes o seo justo salário. e fasendo-se formidáveis por andarem sempre encorporados. causão intolerável incomodo aos moradores. mas tãobem aquellas.] 1760 Eu ElRey faço saber aos que este Alvará de Ley virem que sendome presente que os Siganos. nem per meyo de Apellação. = Sebastião Joseph de Car- {Memorias das principaes providencias que se derão no terremoto. que se condemnarem. que nào havendo presentemente navio para Angola. o que for comprehendido nella seja degradado poj toda a vida para a Ilha de S. aos adultos se lhes assente praça de soldados. sejâo applicados a servirem nas obras publicas da Cidade. que lhes ensinem os officios e artes mecânicas. que padeceu a Corte de Lisboa no anno de 1755. como para correcção de gente tão inútil e mal educada se faz precrso obriga-los pellos termos mais fortes e eficazes a tomar a vida civil sou servido ordenar que os rapazes de pequena idade filhos dos ditos siganos se entreguem judicialmente a Mestres.262 mesmo Senhor servido mandar declarar a V. Lisboa. e lhes não seja permittido trazerem armas. 106. a 15 de Mayo de 1756. Deos guarde a V. ou do Princepe sem mais ordem e figura de juizo. Excellencia. considerando que asim para socego publico. pag. 1758. mais leve transgressão do que neste Alvará Ordeno. Thomé. não só as que pellas minhas Leis são pro: : nenhuma maneira se lhes consentirão. cometendo continuados furtos de cavalos. ou Aggravo do que o conhecimento sumario que resultar do juramento de três testemunhas. que lhes poderião servir de adorno E que as mulheres vivão recolhidas e se ocupem naquelles mesmos exercícios de que uzão as do Pais e Hey por bem que pelhi hibidas. e por algum tempo se repartão pellos Prezidios.

Pelo que Mando ao Presidente e Concelheiros do meo Concelho Ultramarino. setecentos e secenta. relativa á lei de 20 de Setembro de nada accrescenta de interesse.' 749-750. aos Governadores das Rellações da Bahia e Rio de Janeiro. onde semelhantes se costumão registar. 786. e registará na minha Chancelaria mor do Reino.° se (sic) 1800 Rezisto de e huma ordem do Entendente Garal da Policia da Corte Beino para o Doutor Corregedor desta Comarqua a qual tíemeteo ao Doutor Juis de Fora desta Cidade na forma seguinte. como nelle se contem. pp. a qual 3sr.263 onde fizerem a transgressão. e Cappitães mores delle.*" [Registado a Silva.] 1761 Provisão de 8 de Fevereiro. p. e a todos os Ouvidores e mais Ministros. Supplemento á Collecção de legislação portugueza. e se não possa alegar ignorância será tãobem publicado nos Cappitanias do Estado do Brazil e em cada huma das suas Camarás e se registará nas ditas Rellaçoes. e a todos os Governadores. e para que venha á noticia de todos. Lisboa vinte de Setembro de mil. Vou munto Seriamente Recomendar a Vossa mercê que especa as ordens mais percizas a todos os magistrados da sua respectiva Comarca asim de vara Branca como ordinários avivandos da exze- cução da Lei de vinte e sinco de junho de mil e setesentos e secenta c com particolaridade o paragrafo doze dela e a de vinte e sinco de Dezembro de mil e seissentos e oito que fas parte da mesma Lei c a de quinze de janeiro de mil e setesentos e oitenta. 351 do L. [António Delgado da Silva. e provada quanto baste se execute logo a sentença do extermínio. x do Registo do Real Archivo. e nas mais partes.] 1760. Rcy •'• etc. sem que delia possa ter mais recurso. —António Delgado da da legislação porlugueza. 17501762. ColUcr^ão foi. lançando-se este próprio na Torre do Tombo. pois os Re- petidos fatos dos trangresores das edicadas Leis teem feito ver que os soberditos magistrados não cumprem o que nelas lhes he ordenado o que obrigou ao Genaral Dom Simmão Trazer a Reprezentar ao . 1750-1762. ao Vice-Rey e Cappitâo General de mar e terra do Pastado do Brazil. o qual se publicará. e Officiaes de Justiça do dito Estado executem e façâo observar sem duvida este meo Alvará. Desembargadores delias.

gencias aos soberditos magistrados mas vegiando se cumprem estes as çuas obrigacoins e asim continuar Vossa mercê."" Governador das Armas dessa Província que o ausseli na prizâo dos referidos siganos que por ela andarem vagando e nesta regra entrarão alguns engeitados e filhos famílias que andão fugi- dos girando de terra em terra sem se asoldadarem nem procorarem em que a que pezo ao estado consta finalmente nesta entendencia que muitos dos Ladroins que de novo teem aparesido são. pois que digo os que tiverem pois nestas sirconstancias devem ser logo prezos e apreendidas também as fazendas que se lhe encontrarem sejam o se ocopar vivendo de furtos que fazem e da mendacidade o ósio os condus em que depois ficão servindo de grave não de contrabando dendo-lhes. e Iguahnente na confermidade da ordenação do Livro quinto Titolo secenta e nove e dos decretos e Alvarás que vão nas coleçoins numaro primeiro e segundo ao dito Titolo e desesete de janeiro de mil e seissentos e seis e de treze de setembro de mil seiscentos e treze de vinte e quatro de outubro de mil seiscentos e quarenta e sete do decreto de vinte oito de Fevereiro de mil e setecentos e dezoito prendão todos os siganos de um e outro seco que vivão sem domecilio e andem vagos no Reino.264 Príncipe Nosso Senhor a grande dezerção das Tropas auseliares que estão debaxo do seo comando neste Reino. se as fazendas forem de Lei o elas forem de contrabando e nestes casos : e as aloará formando-lhes os seos porseços vencomo contrabandistas se Lembro a Vossa mercê o capitolo vinte sete da prematica de mil e setesentos e quarenta e nove como também a Lei de quatorze de Novembro de mil e sete . sempre foi nesceçariio huma grande circonspeção a vegilancia de tão emportantes mas munto mais. emquanto estiver regendo essa correição. esinciahnente em huma congetura que ofresem as critiquas sirconstancias e que são bem manifestas não se contentando Vossa mercê em recomendar a exzecução destas deliobgetos. e os filhos destes de que falo de um e outro sesso remetermos vossa mercê con toda a caridade e comedamente não lhes faltando ao nesceçario alimento conduzindos em carros e cavalgaduras aos portos do Mar mais prochimos para delles virem para a Rial Caza pia desta Corte e nela serem instruídos namorai Christã e nas obrigacoins suciais e aprenderem as Artes e manefaturas e aqueles que pelos seos talentos se recomendarem as mesmas siencias pedindo Vossa mercê ao Illustrissimo Ex. e neste Reino teem entrado outros muntos estrangeiros sem se legetimarem como ordenâo as soberditas Leis que se citoaram. que os masgestrados não cumprem as Leis e os dexão tranzitar para a Espanha. huma especia de contrabandistas que andão vendendo pelas cazas e mascarandose e por este modo não só exzeminão as entradas e saldas delas mas também costumão ganhar alguns dos domésticos que sara mais a seo salvo porpetrarem os robôs e furtos que intentão fazer.

» [Livro VI do Tombo do Registo da Camará Municipal de Elvas. E não continha mais no dito inserto em huma depercada que veio do Juizo da Correição. a fl. António Joaseçores desse tar. Lisboa doze de Julho de mil oito sentos. Diogo Ignacio de Pina Manique. 85 v. remetendo-me certidão de asim se ter exzecutado. e munto parti colarmente estando Vossa mercê como meo comiçario a comprir e fazer e exzecutar o que ordeno e também para de futuro recomendo a Vossa mercê que leia liuma e muntas vezes o seo Regimento de Corregedores que litaralmente deve observar em toda a sua Comarqua e que deve praticar adetrito como Corregedor e Prezidente dela e munto principalmente sobre as plantaçoins e rezalvas dos chaparros enxertos dos zambogeiros e abreturas de algumas terras próprias para as semanteiras dos pains de toda a especia segundo a qualidade do terreno o pedir e lembro a exzecução dos officios que deregi a esse lugar nas datas de vinte sete de Maio e de treze de Julho de mil e sete sentos e oitenta exzecutando o que dis respeito a este officio nas terras de donatários adonde não entrar a correição para nas mesmas terras fazer Vossa mercê observar o que neste lhes ordeno e o que ultimamente ordenei no officio que deregi a essa Provedoria em sinco do presente mês relativo aos 'engeitados nas correiçoins que fizer proguntara Vossa mercê se tem litaralmente exzicutado o ordenado no dito officio para Vossa mercê me dar conta da sua observância e se hover alguma omição. — quim Pereira. da parte dos exzecutores.l 3sr_^ ST 1848 «Deve cuidadosamente exigir-se passaporte aos bandos de ciganos que transitarem pelo reino.265 sentos e sincoenta c sete mas previno a Vossa mercê que deve ese- toar desta regra as fazendas que vão endiretura para espanba pois o que acabo de ordenar entendese a respeito das fazendas que se andào vendendo pelo entrior do Reino estas delegencias deverá Vossa mercê ter sempre em vista é não só contentarsse em dar as çuas ordens mas vegiar cuidadosamente nas ezecuçoins delas como já referi a Vossa mercê. espero da atividade e luzes de Vossa mercê cumpra e faça exzecutar o que tenho ordenado nos respectivos officios que estes fins tenho espedido a esse Lugar e avivar egualmente a exzecução das indicadas Leis para que de foturo os Lugar asim o cumprão enteiramente e facão exzecuVossa mercê fará rezistar o presente officio nos Livros dessa Correição. afim de se exercer contra os que o . Deos Guarde a Vossa mercê. para o Doutor Juis de Fora a quem entreguei e a mesma me reporto e eu António Joaquim Pereira escrivão da camará a fiz escrever.

Embaidoras que por dous vintêis. porque forão ellas muito pêra se ver. deixei eu por serem miúdas. porque a esmola dada por amor de Deos ainda que seja a indino não deixara de ter o seu merecimento. Outras cousas fora dessa. quando isso não fosse occasião de pecar ou de não deixar o peccado. sei Bem ridade terá o seu merecimento. . (Código administrativo. matadores. não duuidarão trazer á vossa escraua. 151. lhe dão com que os coitados vão ao outro mundo fazer experiência da mesinha. que o sol a todos allumia. e fazendoas mal parir. Gal. por donde se deue dar a todo o necessitado. E quanto às ciganas não as quis acceitar nesta festa o senhor deuoto antes as despedio.266 não trouxerem a correcção e repressão ordenadas na Lei de 20 de setembro de 1760.) Dial. p. e chaE quem a pudesse dar a todos por amor de Deos faria bem. ou criada a peçonha. porem quem não pode se não limitadamente. que a esmola conforme nellafoy o intento. Eepertorio admiràstrativo. e bebião quantos querião. onde estaua hua taça de prata com guarda. sem ley. Eezão tiuerão esses senhores. e ellns ladras. Ined. U. Lisboa. como haa fonte de vinho. que de cima corria em hua bacia por hua pena. que o senhor deuoto mandou por a nossa porta. 18 Março 1842. E ainda que o não seja basta ser por amor de Deos.sboa. ou dois pais. Tomo i. etc. e os muytos que dizeis aqui SC acharão nestas festas. Portaria circular 18 abril 1848. ladrões. Disso me marauilho eu muito. e elle dirá o porque. 1629. mostrar selo. Deuot. 181. nem Cr-isp. ou qu(. nem temor delia. xii.) « [Henrique da Gama Barros. Misccllanea do sitio de Nossa Senhora da Lvz do Pedrógão grande. quais são quasi todos estes Ciganos. E ainda à casada a titulo de o marido lhe querer bem. ' pg. Tenho tamanho aborrecimento a essa gente. e de 1854. hua dança de Ciganas que eu encontrei no caminho. (O prologo foi escrito em 1G22. feiticeiras inquietadoras da honestidade das molheres.] Miguel Leitão d'Ândrada sobre os ciganos ^ Crisp. 335-310. salteadores. 1860. e o mesmo solimão pêra matar seus senhores. ou ficão pêra nunca mais Trecho da descripção dumas festas na villa de Pedrógão grande (Bcira-Baixa) na obra de Miguel Leitão d'Andrada. que ao indigno. Porem ainda me parece vos ficou por contar. que esmolla à porta quero se lhes dê. por os ter por indinos delia. parece a deue antes de dar ao dino? Deuot. e enganar a simplez donzella c5 nome de mesinha pêra o outro casar com ella.

se sahirão a encher toda Europa porem que nenhures os consentem mais de três dias. a quantos isto cada dia acontece. nem ainda zombando ou rigor que notar. e males que nelle não se sabiâo. e que nuca deixarão a sua lingua Chaldea. senão pêra milhor inteligência de suas malas artes. Agasalhãdoos Portugal vindo perseguidos dos Turcos vzão tão mal desse gasalhado. o como. que deue ser a que lhe ouimos falar. e se hirião acabando de sair do Reyno. ou Gitanos. E o não perderem nunca a sua lingua não foy por certo. vedandolhes o yzo do trajo. e embelecos. pêra nella se lerem e vsarem de liuros Catholicos. e aozadas. com achaque de bona dicha. e que por essa causa os Venezeano£. e descuidados. e agora pêra a noua pouoaçâo do Maranhão poucos a poucos em cada nauio que fosse. prestar. e delle se mantém. : E . falo dos nós tão cegos. se fazem jEJgipcios. e os terem por sospeitos os lançarão de todas suas terras. em poucos annos logo falia a lingoa desse Reyno. E os que introduzirão em Portugal mil feitiçarias. E não sei como os conselheiros dos Reys. muito mais cautelosamente. e por carta. e sendo Chaldeos. Os quais de Zigaros se chamão ciganos. E sabe Deos. e palpandoo cada dia e cada hora a nossas portas. porque vzando tudo isto como vzão por officio os não possamos en- tender. embarcandoos diuididos pêra o Brazil e Angola e outras nossas conquistas. E he de que se hum nosso Português vai ser morador em outro Reyno. e quando isso não parecesse. e dentro de nossas próprias casas passão por isso.267 Então a descarga disto he. que he o mesmo. Supplementum chronicarum que de certos pouos chamados Zigaros. e falo de sciencia certa. ou de sciencias e artes que troxessem boas. fazendoos viuer dentro no meyo das cidades repartidos pello Reyno. ou enganos. como diz lacobo Philipo Bergamate no seu livro. não buscâo remédio a cousa tao importante como fora não estar Portugal e Espanha toda criando em suas entranhas. e os que gouernão as Republicas desuelando-se tanto em novas prematicas sobre ninharias. estes o são por officio. E seja verdade que todos somos peccadores. que gouernão. e andaua toda a noite. e com mais com hum ferido de peste. ou delles estes mãos costumes. E esta gente com auer tantos centos de annos que £'spanha os agasalhou. porque sendo Gregos que se vierâo fugindo dos Turcos. e beneficio. e seus filhos ja nella e em tudo o mais como naturais mesmos da terra. e suas próprias mulheres. E pudera isso ter muyto bom remédio. pola sutileza de seus furtos. e parece são estes de Portugal. que quasi elles mesmos não sabem de que nação ou Reyno procedem. E pello contrario. estas lombrigas ou digo Biboras que o estão roendo de continuo por todas as partes de seu todo. que digão que o marido era hum amancebado. que ninguém attenta nisto. e que disso^morreo assi mal. e vendoo. Por onde eu aconcelharia a todo o home que euitasse o fallar qualquer cousa sua com esta gente. latrocínios. que o puderâo remediar.

como ha naturais que por se darem a boa vida se lançâo a pedir. ou tribunal só pêra isso. E da mesma exercícios conuenientes. Não deue de o ter pois que tee gora se lhe não deu. e outras rodas. e os cegos nas casas dos ferreiros. Pondo se os coxos a officios que não hão mister pernas. Deuot. que ja não se praticão nem se goardão. tanger os folies. alfayates. Nem por isso deixaria de auer outros ciganos. e obrigandoos a officios com tenda sua. e na ribeira das nãos a puxar por cordas. lapidarios. como çapateiros. rodas de esparteiros. Deuot. Também esse he hum grande descuido dos que gouernão não atalharem a essa desordem com algum remédio. e pelos mais chegados nossos. Quanto mais que leys ouue. Crisp. com malefícios. E a ellas o mesmo a officios. e outros mil excessos cada dia vemos. e a seu aluedrio de cada hum. e acharse remédio a cousas que a nossos mayores não passou por f)ensamento. Aplicando a todos o exercício. que só vzâo a fim de fazer gazuas. E que não fossem ferreiros. egoarizos e caminheiros. conforme o aleijão. e chagas com este intento. porteiros de concelhos. e nem cegarião muitos pays os filhos minimos acinte pelos lançar a pedir (como se diz por cousa certa o fazem em certos lugares) nem se farião outros a si mesmos outros aleijões. e mandando vir de lá essas dizem são excelentíssimas em muitas cousas) que as leys leys que em todas as idades se buscarão e passarão de huns Reynos a outros pêra tomar delias o mais conueniente). o que ou outros remédios se lhes atalhasse o furtar. e trabalho de que se manter conforme sua sufficiencia. Crisp. pastores. E passão com toda a liberdade. e regimento. Pois a verdadeira charidade deue começar por nós mesmos. E os aleijados de mãos. de dia. dandolhe leys. E puderão as Republicas ou os Reys criar Magistrado. e ordenações excelentes sobre isso. Cordoeiros. E goardandose cõ rigor não se cortariâo muitos os braços a si mesmos cõ a cobiça de pedir. e maneira se puderão poer as mulheres a officios e acõmodandoas por casas a seruir onde . Nem estado em que andarião tantas mulheres pêra sustentarem o mao viuem. como tudo. ou vender em tendas. ou polias ruas e outros exercícios. e outros. ouriues. e toada muito prolongada. e o sair fora das Cidades e villas. cirgueiros. Não he essa boa consequecia que cada dia vemos darse. e de noite pedindo e lamentando-se com hua voz muito lastimosa. e outros E o pedir esmola que aos pobres se deue necessitados (que ha muitos nossos naturais) e não a elles que podem bem com trabalhar remediar sua vida.268 e da lingoagem. obrigando alternadamente aos officiaes siruirense delles. e o mais que aly ha. e instrumentos de roubar. ou obreiros nas alheas. e mais essencial. tirandoos das tauernas que destes de continuo 'estão cheas. e em portas de fidalgos. O que he muito importante. e pagarlhes ou mantelos (como dizem o fazem na China.

e peccados mortais. que nos não auemos de gouernar. e yr as cousas por onde vão. E pois me fes mercê festejarme tanto esta tarde. pois basta pediremna à porta. e tyranizarem e nas Igrejas mais quietação pêra as pessoas se poderem encomendar a Deos. Crisjp. e com letras muyto grossas e de forma. e o rigor que bastante esmola pêra quem direitamete pertence e não padecerião os necessitados nobres. Assim seja. se quer por rezão de estado. Deixemos os pobres Ciganos. e ellas logo se darem a esta vida calaceira de pedir com seus capelos. que he vergonha ver isto. E muytas vezes extremas. e sombras. E com trazer essa tal licença ao colo escrita em taboas. e bordão. o senhor Galacio de me Deuot. nem emmendar o mundo. Nâo aueria tantas desordens.269 estiuessem recolhidas. . juntemonos aqui à manham. e vos aueres de dar algumas. vedandolhes o pedir dentro e o dar a esmolla dentro. sem auer quem acuda a esta calaçaria. e a Deos. e enuergonhados tantas necessidades. como ha nem tantos males. donde poderemos yr dar quatro passeyos por recreação refrescandonos por essas fontes. por estes velhacos lha vsurpaaueria rem. E desta ou de outras maneiras mandandose o primeiro com todo ninguém pudesse pedir sem expressa licença do tal tribunal ou magistrado.

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APPENDICE 11 OS CIGANOS DO BRASIL Entre os documentos que reuni ha um já em 1Õ74 a pena de galés. o Maranhão 2. n. reunindo. Não seria naquelle século tal caso o único do género . graças ás condições particulares d'aquella nossa antiga colónia. em 1686 que vemos generalisado o desterro para uma parte do Brasil. 267. antes por Miguel Leitão d'Andrada^.se No Brasil. n.o 5.° 38. elles se atreviam a praticar violências. em numero e com armas. mas é só no fim do século seguinte. Does.°« 2 3 4 22 e 23. n. . como nos outros países europeus ou de civiHsação de origem europea. imposta a * um que nos mostra cigano. mais de meio século. p. como em Portugal. * Doe. Doe. n. as medidas legislativas não conseguiram fazer desàpparecer os ciganos nem sequer os seus costumes inveterados. Emfim o Alvará de 1760* sejo mostra-nos que no Brasil persistia o modo particular de vida dos ciganos e que. com- mutada em desterro para o Brasil. Doe. conforme ao deque fora expresso.« 34.

mas nunca tive occasião de ver um só. Pintam-nos como homens altos e bem feitos. vol. esses homens excitam alem d'isso menos interesse que os outros: todavia não se pode passar em silencio os ciganos^ (porque é assim que os chamam). Jay. Vagueiam em bando. e como fossem feitas tentativas para prender alguns. vendendo cavallos e jóias de oiro e de prata. (l'este século. as visitas acabaram.se noutros tempos. de cor acastanhada com feições semelhantes ás dos brancos. na aldeia de Pasmado e noutros sitios da província (de Pernambuco). em cavallos albardados. IV (Paris. — . de Fanglais par M. A. o titulo de Zingaris au Brésil se lê in Nouvelles annales des voyages. nos cestos misturados com a bagagem. mulheres. homens. comprando. As mulheres jornadeiam assentadas entre os cestos. II. Diz-se que não observam nenhuma pratica religiosa. deu-nos a seguinte noticia que bem «Resta-me ainda indivíduos que a a persistência d'aquella gente fallar de uma raça de homens. sem pensar em se apearem e repar- tirem as cargas por todos os animaes. 1820). quando os seus cavallos de carga estão ajoujados sob o peso. . que não vão nunca á missa ao confesso. t. Ouvi muitas vezes fallar d'elles. Paris.272 Um no começo nos mostra viajante inglez que percorreu uma parte do Brasil.*» nem com acabo de indicar se resumia o que apurara dos ciganos do Brasil quando me chegou á mão. mettem os filhos Os homens são excellentes cavalleiros. p. trad. por obsequio Ao que Henri Koster. mas o governador era inimigo d'elles. uma vez por anno. mas os : compõem não são em numero bastante grande para que a classifiquemos entre as grandes divisões da espécie humana que formam a população do Brasil. 474. Bandos de ciganos tinham por costume mostrar. Voyages dans la partie septentrionale du Brésil depuis 1809 jusqu'en 1815. contentam-se com abrandar o passo das cavalgaduras. accrescenta-se que se casam só pessoas da sua raça. creanças trocando. 1 Da curta noticia de Koster é extrahida a que com 1818.

609 a 624. outra collecção no Parnaso hrazileiro (Rio de Janeiro. ii. estimável e venerando calon (calo) de 89 annos. L. deu-lhe noticia de famílias importantes brasileiras cruzadas com os ciganos. e de outras particularidades degredados de 1818 entregar-se-hiam ás industrias dos metaes seriam caldeireiros. esse velho. 1886. suppondo rigorosamente histórica a noticia da migração das 1 Mello de Moraes Filho. t.° 204 pp. ordenando-se ao governador que ponha cobro e cuidado na prohibição do uso de sua lingua e giria. o qual tenho á mão. não permittindo que se ensine a seus filhos. sendo o cigano a solda que uniu as três peças de fundição da mestiçagem actual do Brazil». com ciganos do reino para a praça da cidade da Bahia.273 do sr. Os Ciganos no Brazil. Os rezariam de quebranto e leriam a buena dicha. mas com referencia quasi exclusiva aos ciganos do Rio de Janeiro auctor dessa obra começa por considerações de segunda mão sobre as primitivas migrações dos ciganos (tsivarias inexactidões. latoeiros e ourives. que chegaram ção. falla-nos depois da legislação portuguesa acerca d'esse povo e cita um decreto de 11 de abril de 1718 segundo o qual «foram degradados os O ganos). um volume que se occupa do assumpto. O auctor pretende que: «A reproducção entre si (entre os ciganos) deu-se em grande escala . que não 155 : Trovas O mesmo auctor publicou um Cancioneiro dos O volume que examinei contém de pp.» ções. ferreiros. Pinto Noites. De um lado. 113 a ciganas e Novo Cancioneiro. 18 . de p. quintos de ouro attribuido aos ciganos.» Segundo o auctor. a fim de obter-se a sua extinencontrei esse decreto. o cruzamento com as três raças existentes eífectuou-se. «Foi por essa data. 18. Ciganos. as mulheres : muito interessantes. Não ao Rio de Janeiro os seus avós e parentes nove famílias de roubo de em razão um para aqui degradadas. Aqui ha um exaggero evidente. de Vasconcellos. nas minhas investigasegundo o sr. *. Rio de Janeiro. Ha excerptos de uma e vi. — de prodigiosa memoria. 1885) do mesmo auctor.

primeiro e outras são communs nos diversos povos da Europa. que alcançou immensa fortuna como media. e falla-nos de calo rico. O alvará de 1760 prohibia aos ciganos do Brasil commerciarem em escravos. de outro lado não é de admittir. alguns séculos atrás em o nosso pais e por mais largo espaço de tempo noutros paises. calo de raça. pelos peores lados. que no brasileiro haja tanto sangue cigano como o auctor parece estar disposto a fácil acceitar. á civilisação brasileira. para onde já anteriormente teriam ido algumas..274 nove não pode admittir-se que tenham sido as famílias. neiro na compra de escravos e veiu a ser marquez de B . Esse phenomeno é apenas mais uma exemvirtude da qual um povo de civilisação rudimentar se adapta tanto mais rapidamente á civilisação phíicação da lei em de outro. . quanto ella é menos adeantada. e segundo porque podemos seguir a sua historia. Mas as superstições e os Num em que ha ensalmos que nos apresenta divergem muito pouco de superc stições e ensalmos vulgarissimos entre o povo português aos quaes me porque umas é impossível attribuir origem cigana. EUe elevava-se em verdade facilmente ao nivel do brasileiro. sargento-mór do regimento de milicias da corte «a quem a historia nacioum dia considere como uma força nas agitações nal talvez politicas da independência». outras muitas coisas inconsicapitulo attribue auctor o grande papel ao cigano como deradas. sem outras provas. sem citar documento. demais. Os ensalmos e pragas dos elementos ciganos. O sr. Joaquim António Rabello.° de Janeiro. . únicas desterradas para o Brasil no século xviii. passassem para alli mais ciganos. fonte de superstições brasileiras. porque o nivel do brasileiro era geralmente baixo. que 1808. estão por tal forma cheios de . Adaptando-se assim. um 3. O em Mello Moraes pretende. os ciganos não perdiam algumas das peculiariadadcs da sua raça. . Mello Moraes falla-nos d'essa lucrativa occupação dos ciganos e allude a um M. com a traslação da corte portuguesa para o Kio sr.

n. 1882). vi. Sage. encontramo las também nos documentos de outras velhas civili- exemplo nos textos cuneiformes de Babylonia. Sauvé in Revue celtique. pp. já no Rig-Veda. Observations on popular Antiquities. NorddeutscJie A. Deutsche Mythologie. Marin. e sobretudo no Atliarvaveda . cap. A. etc. iii (1874). 633-668. Notes on the Ft Ik Lore of the III. F. xxxvii e xxxviii. Grimm. Lenormant mas a comsaçoes. paração revela que o que dos ciganos do Brasil nos communica o sr. Idem. Schwartz. Adolpho Coelho. 67-85. A.275 que logo á primeira vista se desconfia da sua originalidade. 2. vulgarisados ate nas obras de Fr. pp. 4v4. in Zeitschrift 113-157 . . . 11. xxxvi. 269-278 Idem. Weber. pp. Birlin- 377. William Henderson. Mélusine. assim com minha conclusão é que os ciganos se dos formulários das nossas benzePortugal apropriaram deiras e feiticeiras. 1877. p. 11. por . Idem. são. Idem. etc. 1866. 405. ibidem. (Porto. todavia concebe-se que não deixe 2 A. ger. Fr. Aus Schicaben. Costumes e crenças populares in Boletim da Sociei. iv (1858). . ir. 108-142. F. Ueber Marcellus Burdigalensis in Kleinere Schrlften. 441-463. Ueher zwei entdeckte gediclite aus der Zeit des deutschen heidentliums. 114-151.°' 1054-1072. xiii (1864). 119-215. christãos encontramos coisas do mesmo género desde remota antigui^ dade. 431-444 Wesffalen. os ensalmos das ciganas. Sagen. t. London. em extremo 1 prosaicas . como os das suas collegas portuguesas. Sem duvida na índia. pp. por via de regra. Indische Studien. de onde veiu esse povo. Mello Moraes se parece muito mais com os ensalmos das benzedeiras e feiticeiras portuguesas que com como os ensalmos portuguemais dos outros povos europeus que ses se parecem com os os exemplares indianos. 49-74. pp. A em A As praticas de feiticeria. Kuhn. Contento-me com indicar alguns elementos para o estudo da : questão J. John Brand. Cantos populares espanoles. L. 393-430. orações e ensalmos do Minho in Romania. R. idem. ed. Mãrchen und Gebrauche aus . demonstração dessa Ihese exige de e espaço que agora não posso dispor 2. i. Kuhn und W. dade de geographia de Lisboa. 255-319 Northern counlries of England and the Borders. 512528. 1-29. Romances. e os outros trabalhos dos folkloristas portugueses. 560-578 . As superstições portuguesas in Revista scicntifica.^ serie. Indische und germanische Segenspriiche fur Vergleichende Sprachforschung. tempo os asiáticos.

o Migim-Migim. Apesar dos casamentos consanguineos. . são raros os casos pathologicos congénitos. e com um tom de voz plangente e vagaroso. assim como ainda hoje nas partidas de Minas. O casamento era por via de regra o resultado de uma combinação dos pães e não a almejada consequência do amor.276 de produzir certo effeito a phrase seguinte do nosso auctor: «A cigana é a sacerdotiza da nossa theurgia popular! » colónia cigana da Cidade Nova. não poderá haver menos de quinhentos habitantes. «As mulheres não dão a mão a apertar aos homens. e estçs. Minas. e esse consorcio com o estranho importava a exclusão igno- miniosa da tribu. imitaram-no as creanças ciganas das portuguesas.?» Esse costume . Se a um pae cuja filha não soubera conservar-sc pura esta era pedida para noiva. Os homens Na empregam-se geralmente no foi foro e são honestos. o Catú^ o Come-jpolvora (ciganos de Minas). alcunhado e outro o Eola^ foram notáveis nos annaes do crime. quando se encontram. dizem: Abença. como os fadistas taes sao. até 18Õ0. português. colono). Janeiro. o : Beijo j o Rola^ já referidos. excepto os frequentes de surdi- mudez. o primeiro contava mais de vinte mortes. não tinham passado da phase primitiva. elle não hesitava em revelar o segredo e tratava. marinheiro. informa- Mello Moraes. Os casamentos dos ciganos do Rio de nos ainda o sr. o Papagaio ^ o Pernas finas (ciganos da Cidade Nova). Mas se a filha era virgem havia grande . estendem o braço. Numa nota lemos que dois ciganos de um o Beijo ^ parente de Pinto Noites. trocam entre si como saudação as palavras: «Olé! olá! olô!» Os filhos não beijam as mãos aos pais. .se de a casar com um qiierdapanin {á. letra: «faz agua». Nenhum até ao presente processado por ladrão nos dois últimos decennios de sessão de jury apenas dois foram condemnados e por ferimentos leves. diz o auctor. Bahia e Maranhão. Tratam-se por alcunhas. segundo o já referido Pinto Noites.

se a festa da boda. embebido de aromas suaves. des- convidados até os inimigos e em que cantes. os padrinhos.277 satisfação c preparava. . As janellas fechavam-se. despedaçava a membrana hymen. cinco lençóes. e o marido mostrava no Gade as rosas da pureza aos alaridos do festim . das matronas despia a noiva. alvos como uma hóstia. aromatisados com alfazema e salpicados de flores. os padrinhos «Uma largavam os lençóes. «Logo que uma mulher gravida estava a termo. para que eram havia danças. assistiam no . «Quatro tochas accesas. adiantando-se os noivos e as duas madrinhas «Sobre um movei. encostadas a uma mesa. . . a inquietação transparecia em todos os semblantes o rito sagrado do Gade ia cumprir-se. a um signal ajustado. . . que o guardava para sempre como penhor de sua alliança.* . «Vestida novamente. e que as dores preparantes a arrojavam na cama. os suspendiam da cabeça. «Então nelle entravam os desposados e as duas sacerdotizas. . derramavam sobre o linho uma luz de âmbar e ouro. mas do que diz concluo. enxugando na camisa de cambraia as gottas de sangue da virgindade.se o catholicismo que os do Rio de Janeiro adoptaram por completo na sua forma popular. «O Gadej solemnemente acondicionado numa caixinha de preço. gina. ficava pertencendo ao esposo. banquete. alongando o braço opposto e formavam o quarto onde o sacrifício incruento (?) deveria celebrar-se. lado da sala. coberto de folhas de alecrim.» O auctor do livro não consagra nenhumas observações particulares á religião dos ciganos. de envolta com as superstições tradicionaes portuguesas. passando ura ao outro os cirios que sustinham. juntando as extre- «E midades. que também eram quatro. (íA meia noite retiravam-se todos para um . deitava-a sobre um o dedo indicador no vestibulo da vaintroduzia-lhe leito. desdobravam os lençóes. acha- vam-se superpostos.

se era um marido o fallecido. soprando-lhe no rosto. dos palançavam sortes. e tias. e. enxuto em riquíssima toalha de linho e crivo. sanc- cionando-se religiosamente a decisão do acaso. servindo o dinheiro para a compra do enxoval. . «O nome que Jhe punham drinhos. . era do santo do dia. «O baptisado não diíFeria dos nossos. deitava metade sobre a região precordial do finado e envolvia o rosto no vestido com que estava ao expirar o marido. atirava tudo fogueira lustral preparada para este fim». com rezas que lhe deitavam ao pes- com figas e bentinhos coço. e os parentes entravam para vê-lo. apoiavam nos braços a doente. para suavisar os soíFrimentos da enferma e dar boa sorte ao anjinho que ia nascer. . o quarto se abria a meia porta. defumada de alfazema. com talismans milagrosos. o pai a tomava no collo e a beijava com transporte. «Para que os visitantes não trouxessem maus ares e não levassem a felicidade que tivesse trazido o pequeno. «Na mesma noite ou na immediata havia cantoria e bailado. «A «Depois da ligadura e corte do cordão. no caso de divergências. para que tivesse fortuna. quando viera ao mundo .» Quando morria algum cigano havia lamentações (em prosa). sahimento dirigia-se á igreja. «As parteiras faziam a toilette da parida. «Jóias e objectos de valor cada um lhe oífertava. creança era lavada com agua e vinho.278 quarto á parturiente três parentas mais chegadas e na sala cantavam os visitantes cantos sagrados a Duvel (= git. encorajando-a. numa «O Proferindo palavras cabalísticas. Dehel). «As comadres infalliveis. dentro deitavam collares e moedas de ouro. «a viuva cortava os cabellos. numa bacia do prata. fazendo-a recordar do quanto padecera a Virgem por seu bemdito Filho. . . presentes estes que vendiam. defu- mavam-se antes e depois de penetrarem no aposento. botavam juntinho o recem-nascido.

vivem descontentes. Mello Moraes Além do que no cap. adorável belleza». eis o que de mais preciso nos diz o sr. são sublimes. de pés descalços. . a embriaguez a que se entregam para adormecer-lhes pesadumes innatos. ter precedido as observações sobre os costumes : os cara- cteres physicos e os psychicos. os Sigo a ordem adoptada pelo auctor na sua exposição c não a que dei atrás ao meu estudo por isso só agora chego a dois pontos que. uma ou outra se prostituo. mas não lhe votam rancor. veritícando-se que sempre em com pessoa da mesma casta. o abandono em graçados. matrimonio com corpo estranho são infe«Ligando-se lizes. a propósito dos costumes se colhe relativamente aos caracteres psychicos dos ciganos do Eia de Janeiro. segundo a minha disposição. esquife. sentimentos hostis. Muito poucos chegam além? quarenta familia na dos Cantanhedes. Sobre o typo physico apenas nos diz o auctor que «presentemente o colorido da pelle varia e com elle a nuança dos cabellos e dos olhos». flores e borrifado de lagrimas. vii «Os desclassificados habitadores da Cidade Nova são na : totalidade supersticiosos e desconfiados. em que os fallecimenexcepto tos não são vulgares antes dos setenta annos. . desDahi a sua pusilanimidade. na resignação. considerando-os desde logo irremediavelmente perdidos. attribuem os acontecimentos mais comezinhos a um destino de influencias o desalento aninhado «Com inevitáveis e a cujos effeitos o individuo tem de ceder ou succumbir na luta. tendo o auctor A verificado no obituário um de cem. Numa familia ha «mulheres de media da idade d'esse povo é de a cincoenta annos. . «O ia coberto de «A infeliz filhos e os parentes. «As mulheres calins^ no infortúnio. vestida de eterno » acompanhavam. . «Qualquer lance menos bondoso da sorte os abate. — que teem cabido. . deveriam . fogem dos outros homens.no. luto.279 carregado pelos Terceiros.

«Suas phrases são severas e concisas. homens conceituados no magistério. que. incumbem-se de soccorrer a viuva e encarregam-se dos orphãos. Os ciganos da familia dos Costas são «notáveis como can- tadores e tocadores de viola. «Se morre algum. se separam. António Curto e Fragas. a sua voz azaphica. as suas demonstrações revestem-se de apparato declamatório. bem intencionados. carinhosos. queixam-se e . os seus pensamentos melancólicos e aphorismaticos. «Entre si exaltam. .se. ha um medico que foi jornalista e a quem consideramos como de relevo. «Dos Catanas. as despesas do enterro missa correm por conta dos parentes.» collega distincto e intelligencia se funde assim Emquanto uma camada cigana na nacio- nalidade brasileira.280 «Os ciganos não aborrecem-se . «Reconhecidos ao mais fútil beneficio. resmungam. nem descuidam dos desvalidos. ciganos destemidos e das tropilhas nómades. que nos persuadimos serem oriundos dos Laços. desigual. Conhecemos uma que é a Providencia de duas se criancinhas a quem estremece e ensina todas as noites a orar por aquelle que já está no céo. protegem-se — são exploram. unem-se não se divertem. . não se não se diífamam. que nos tem dado oradores parlamentares. «As ciganas nunca separam-se de seus filhos pequenos.se lentamente na miséria. «O velho tronco (cigano) Luiz Rabello de Aragão perpoetas e litteratos. outra extingue. e francos. ao passo que uma terceira se mantém na vida errante. nos cargos de secretaria e na tribuna sagrada. e entrelaçou-se petuou-se nos Rabellos — com a familia Cabral (também cigana). aos quaes abrem coração materno. ofíiciaes do exercito. francos e generosos». como uma divida contrahida para com o morto. de expansões largas. não discutem. monologam comsigo. no foro.

Sou um quadro sem ter luz Sou um phantasma que vaga Entre o cypreste e a cruz. Não sou estatua nem .» . pudéssemos suspeitar tal origem. quadro. não porque ella seja uma reproducção servil. pessimista. Eis um exemplo cigano : Eu sou estatua quebrada.) preces. mas não de modo que. alturas . cuja espirito se manifesta aqui apenas no caracter doloroso e pessimista predominante das d'ellas composições. pois já não chegam a minhas Filho. Moraes «Meu filho. uma pura repetição. senii-culta ou culta brasileira em boca cigana. Ou tomaram mais Pois já não chegam a elles Os rogos das creaturas ! Já minhas preces não valem Como valeram outr'ora . Até do amor de Deus Pareço privada agora. é-o muitas vezes a poesia culta brasileira. é apenas poesia popular. é muitas vezes a poesia popular .^<^ Mãe do Dr. (Da Ex. se nalgumas quadras não houvesse palavras ciganas. ou os ceos são outros. .281 A poesia dos ciganos do Brasil. a julgar pelas amostras que tenho presentes. A seguinte composição. entre outras. Até nâo tenho figura Sou espectro que vagueia Que até nem tem sepultura. M. não tem o : menor característico cigano DESESPERANÇA E FÉ «Ah ! meu ! filho os céos me parecem mais elles as altos. mas porque é uma producção em moldes e em matéria simplesmente apropriada pelos ciganos. Dolorosa. se a proveniência não nos fosse indicada.

Peschel. e a ethnographia dá-no-los similares noutros domínios da actividade humana *. 2 a p. 1 . por exemplo. eternas ! Não A penseis que face dos ceos. Vôlkerlaindc. Pae de todos. 515-516. Faz reflectir sobre tudo Os raios do seu amor. — Não pode negar-se que ciganos brasileiros haja geral nessas prodiicções dos sopro poético: como se concilia em este facto com a opinião dos que negam dotes poéticos á raça tsigana? Essa falta de dotes poéticos não é absoluta (e nisto modifico eu o modo de ver de Schuchardt. Fr. Creador. i. p. e aquece Até a florinha. 195) : os tsiganos teem talento poético secundário. Cf. mas todos os processos poéticos) e de produzir com esses elementos eshistoria litteratranhos combinações novas e de valor. o que da capacidade de apropriação e incapacidade inventiva do negro diz O. e deixe virtude. mas teem a capacidade de apropriação da technica poética já desenvolvida . humilde.282 «Ali Mae ikIo temais que Prive assim de sua graça A quem como vós o ama. A ria apresenta-nos exemplos muito consideráveis do mesmo género. referido em a minha n. A quem sua fé abraça » ! ! um Deus ! Leis immutaveis. por outro povo (e por technica não entendo aqui só o que respeita á metrificação propriamente dita. Que nos abysmos Assim Deus Sol de grandeza. VõlkerJcunde ^. Ratzd. dia mude . por si sós não sao capazes de produzir uma poesia sua. um . floresce. etc. 219-220. não primário isto é. 14G. Deus de amparar a Como o sol que ás solidões Manda seus raios. Vide.

pobre . mas não nos diz como colheu esse vocabulário. acais. pu- nhal. git. acans. riqueza. roi. tope. palavras tsiganas experimentaram no Brasil novas modificações. preto. Mas em as notas transcreve a seguinte noticia de um «Esteve acampado tantos norte. hruckardi. olhos. bárbaro. escuro. errantes pelos sertões». busnô. covardia. afflictivo. impostura. escuro. no texto «ás partidas ciganas. cigano churin. etc. gentil calon. maldade. extrano. churí. hriplos : As jindia. git. espingarda. cuchillo. que teriam para nós muito mais interesse. git. que correspondem quasi todos a termos dos ciganos de Portugal ou dos gitanos de bulário de Hispanha. que vinham de Minas e seguiam para o «A propósito escrevem d'aquella cidade ao Pyrilamjpo de : Jacarehy «Essa gente. erani. Mello Moraes falla-nos de uma gíria dos ciganos de que coramunica os termos cabeça. como em Portugal. das quaes a mais geral é a nasalisação das vogaes accentuadas (e ainda dos diphthongos) finaes. . cujos costumes são bem diíferentes dos nossos. huchardin.283 O sr. rainha. onde assentou sua . aron. luxo. git. calin. como já mente os do Eio de Janeiro os ciganos sedentários. amaro. especialapenas de passagem allude . Mello Moraes tem por objecto quasi exdisse. caconda. deserto hatuesa. e dá-nos no fim um voca- 2Õ3 termos ciganos. A base do fallar não é já o hispanhol. de cuja authenticidade não ha aliás razão para duvidar. husnon. sacais. em Caçapava um bando periódico (188Õ): de cento e ciganos. . infeliz. pieza de argii. . tudo que imprestabilidade . git. farinha. clusivo. Os sons hispanhoes parecem ter dcsapparecido por completo. ruindade. ó triste. fraqueza. cigana . longitude. afastamento. negro. asseio. exemaranin. acampou-se á margem do Parah^^ba. tilleria. felicidade. O livro do dr. mas sim o português. brichindin. chuva^ git. mentira.

sendo exquisita. reflectiam-se nos raios do sol. de ambos os sexos. ura dos misteres de sua provisão de viagem. «ouro». sua felicidade póstera e até d' esta quando passarão para melhor. alegrias. usura de certo é que tem feito aquella riqueza ambu nem por isso. levantando 26 barracas de panno. conforme dizem. era de ver tudo a aquillo. «Os ciganitos e ciganitas creanças. formosura admirável e -uma velha essencialmente feia. «Dividida a comitiva em familias. deixava de cobrir-se de ouro. cousa «notável». realmente. ás vezes. uma verdadeira riqueza «embellezava» aquella gente «mysteriosa. de barba e cabellos demasiadamente compridos». Ahi utensilios domésticos. pa- «Vinte e tantos captivos da comitiva lavavam. lenhavam e coziam. de enorme «Também nem um grossura e em enorme quantidade. alguns deixavam de mandar passar bem. e roupa. porém. cada uma d'estas occupava uma barraca. lj$(000 réis. Cordões antigos. «Naquellas moradias tudo é ordem. te em enriquecido com o negocio dos animaes. mostravam o capricho dos exquisitos via- «Uma tropa cercava a «povoação» dos ciganos. . Conhecem e contam a «sina» boa ou má dos que lhes fizerem um pre- moça de uma sente — uma 2^000. movida da mais justa curiosidade. . brincos e medalhas de tamanhos despropositaes. «Mas. tirar os respectivos retratos xam de A «que parecem gente» e deisua «mesa» é appetitosa. até alguns moveis jantes. porque collares. um bordado. bem «Aqui deixa-se ver que muitas pessoas de Caçapava sao que hão de soffrer. para onde affluiu esta população. bicha de ouro. 5?$Í000. «Era um acampamento de paz.284 morada. chas e anneis de ouro eram em brinquedos. bi- em abundância nos seus corpos. dos ciganos. Entre esses ciganos ha uma . que rece. prata. que «perscrutam o futuro». «A lante . E.

Mello Moraes. escravos e com o «futuro» dos que não são ciganos. É de lastimar que. e que d'elle extrahimos. «Uma das queixosas chama-se Gustava Maria da Conceição que á sua porta foi bater uma mulher. acompanhada por uma creança.* Gustava tinha sobre uma mesa contendo 84jl?000 réis em dinheiro. grupos de tsiganos europeus de diversas proveniências. sentiu fugir-lhe e conta a vista e caiu desmaiada. Eis duas d 'essas noticias. 1 Como se vê dos dados um não aproveitasse os seus conhecimentos especiaes para nos dar estudo anthropologico dos ciganos brasileiros. a turca tinha desapparecido e com ella uma caixinha que a sr. ou no todo ou em parte.285 «Para ciando finalisar: a comitiva vai de terra em terra nego- com animaes.*» Não podemos. é interessante o mais o fora. acaba de ser presa uma quadrilha de bohemios que se dedicavam á pilhagem por «Em um «Homens mulheres processo deveras curioso e cheio de novidade. sem mais. contentando-se com um esboço puramente descriptivo. sendo elle medico. mas são incautos. Ultimamente os periódicos portugueses transcreveram dos brasileiros noticias acerca d'uma quadrilha de tsiganos ladroes e narcotizadores. e creanças. pedindo esmola. Rio de Janeiro. livro do dr. etc. Na destrinça d'esses elementos teem os ethnographos brasileiros matéria para estudo. julgar que essas quadrilhas errantes sejam sempre formadas. porque para o Brasil emigram. Gustava ia darIhe 100 réis em nickel. desde alguns annos pelo menos. de ciganos originários de Portugal. mas. subitamente. sabendo todos manejar habilmente vários narcóticos. cuja perfeita veracidade não discutirei : Nitheroy. um alfinete com três brilhantes. se o auctor nào preferisse os effeitos litterarios ao rigor scientifico e conhecesse um pouco mais de perto a litteratura ethnographica europea ou. . parte dos quaes tem até vindo embarcar ao Tejo. utilisavam-se delles para adormecer as pessoas a quem queriam roubar. na falta desse conhecimento. Quando tornou a si. nào se perdesse em theorias.

286 « Outra queixosa é Maria José Nunes. onde muita gente tem ido vê-los. para a A mulher. porque o é. etc. se isso lhes apraz. «A policia prendeu em Nitheroy 10 homens. que a curandeira metteu dentro de um copo. obedecendo a um chefe que recebe 40?5(000 réis por mez. c. pela quadri- em Ihe e o resto para os chefes. tem ramificações o «É enorme todos os estados do Brazil. Sentindo-se doente. rou- bam também creanças e adultos. alguém lhe inculcou uma curandeira. . «Os ciganos empregam-se durante o dia em vários misteres ambulantes. pediu a nota de maior valor que a sr. rapariga pernambucana. «Ha também uma outra queixosa. concertando louças. Esta associação. «A policia apprehendeu muitos valores. «Acerca da quadrilha de bohemios que roubava as pessoas por meio de narcóticos. Quando accordou. 10 mulheres e 17 creanças de ambos os sexos . etc.*^ Maria José Nunes tivesse em casa. turcos. Além de objectos de valor e dinheiro. já não viu a cigana nem os õOOáiOOO réis. numero de crimes praticados pela quadrilha. pedrarias. Foi adormecida e levada em seguida pelos bohemios. Assim conseguem insinuar. Arcelina Maria da Conceição. sendo obrigada a casar com um dos chefes da troupe. a cigana deu-lhe a cheirar umas essências e a sr.se no espirito das pessoas que se aproveitam do seu mister para as roubar. tratar. etc. Foi -lhe apresentada uma de 500?5000 réis. foram todos photo- graphados e os retratos expostos no salão do Paiz. as mulheres fazem sortilégios. etc.^ Maria José adormeceu profundamente. temos a accrescentar que chegaram ao Rio de Janeiro as bagagens dos larápios. . Depois. 25 de junho de 1892. O producto dos roubos é reunido em um cofre e distribuido 20 p. O Dia. magias. n. para fazer os seus exorcismos. ador* nos de mulher. que além de ciganos tem também individuos gregos.° 1489.

correntes de metal branco dois de metal branco 2j5(100 réis . com a declaração «este cordão pertence ao negociante Lazaro».° 1394. com a declaração «pertence ao marido da pernambucana». 1 livro e muitas outras bugigangas.287 «Diz o Paiz. como os de outras proveniências. . 8 de fevereiro de 1895. Ibidem. em que repugna até pôr as mãos. 1 de julho de 1892. sendo libras esterlinas de outros typos de diversos valores e nacionalidades. um par de esporas de metal branco um pequeno embrulho lacrado. .» a vencer-se em % Sendo possivel que o auctor do presente livro venha a completá-lo mais tarde com um supplemento. quantia essa que fôra depositada em um banco da Grécia a 8 de fevereiro de 1889 e vencia o juro de 3 V2 ao anno*. tanto os de origem portuguesa. em nickeis . agradecerá muito todas as noticias que lhe sejam enviadas acerca dos tsiganos do Brasil. 140 facas. «Dentro d' essas malas foram encontrados 3:945?5i500 réib cm e papel. respectivo «Antes d' essa remessa. de egual procedência. referindo-se-lhes «Entre o acervo de trouxas fedorentas. dois relógios e três grandes cachimbos. perfeitas. 939 moedas de prata. umas um saco pequeno contendo pó amarello um pequeno en- volucro lacrado. grande quantidade de collares de coral com contas de metal amarello e cordoes da mesma . 3 carteiras com papeis. 1:540 moedas de ouro. uma letra «Ficou tudo depositado na aos mesmos gregos tomada e no valor de 12:000 drachmas. que vieram lacradas e foram abertas na secretaria da policia. sendo . n. substancia. já havia a repartição de policia d'esta capital recebido. outras inutihsadas. ha duas malas. garfos e colheres. á vista do agente que as acompa- nhou. do thesoureiro da repartição e outros funccionarios. na mão do thesoureiro. mesma repartição. cestos e amarra: dos de todas as formas e volumes.

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o n. o n.°^ 2 e 3. A mulher n. tem 47 annos. mas aos 14 annos. de feições bastante grosseiras tem 38 annos. bem conservada.° assim como outras sedentárias. que ó muito magro. . representado nas estampas 6 e 7. representado nas estampas 4 e 5. As mulheres e os homens n. principalmente d'este ultimo. a n. tem 23 annos.'' 1 tem 22 annos. em é regularmente nutrida.° 2.^ 2.° 3 tem 28 annos. representada as nossas estampas n. o n.°* 2 e 3.°^ 2 a 4 naso n. tem 40 annos.° 4. procurei e tive ultimamente occasião de examinar. em que Esses individues são considerados como ciganos no bairro habitam. os dados sobre o typo physico dos ciganos. ainda que em más condições e muito rapidamente. no que se distinguem das nómades bem conservada.'' ceram em Lisboa. O n. ao contra- rio dos n. . n. apesar de M e 4 são bastante nutridos. ter sido mãe Os homens é magra. na medida de minhas forças. 1 veiu com gente sua de Alhan19 . alguns ciganos domiciliados em Lisboa e de tomar até algumas medidas em seis d'elles 1 — duas mulheres e quatro homens.ÂPPENDICE III TYPO PHYSICO DOS CIGANOS Desejoso de tornar menos imperfeitos.

° 3. . mais carregada nos homens. La caracteres que pere firme. mittem considerá-lo de sangue cigano. p.° 4). O plano inferior do nariz é horisontal (olha ligeiramente Os nossos exemplares não da convexidade do nariz do apresentam.° 2) . coloração da pelle ó trigueiro-pallida nas mulheres A O (manchada na n.^ 1 serem muito nervosos. apesar homem n. Os olhos castanhos em todos. apesar como os outros c a mulher n.° 2. em que via não se hesitaria o plano inferior olha para baixo.° 1 *.^ 1. em homem Topinard^). O rosto nos 6 indivíduos é moderadamente comprido. por tanto.° 2 maldizia do nome do ciganos em. mas em todos mais ou menos achatado. A mulher n. Reconhecem-se a si próprios como ciganos. todaem classificar vulgarmente o nariz do 2 como aquilino. excepto n. ctc.^ 3. excepto em o n. em que n. O homem na mulher n. apesar pelle e do cabello.° 4.° 3 tem o bigode aloirado. castanho claro no homem 3. quasi nada na mulher n. todavia. assim como outros ciganos domiciliados no mesmo bairro. Eltments. O nariz é em todos moderadamente saliente . com excepção do n.° 2 que nos outros.290 dra para aqui. o dorso do nariz de perfil é convexo no homem n. a reprehendia.° 4.° 2. excepto o n. seu irmão. não n.*' é bastante clara." 2 pareceu-me de animo resoluto 03 d'cstc homens mais timoratos. dos tsiganos de 2 Blumenbach. cabello é castanho escuro na mulher n.° homem * Nâo temos por tanto aqui o nariz de dorso agudo. recto ou quasi recto nos outros homens e nas mulheres. e pare- cia ter certa vangloria de ser cigano. quanto o homem n.° 2 em que são esverdeados.° 2 do quadro de para deante o n. nariz do typo aquilino (n. da coloraçíío da que se diz português puro. nunca acha- tado. mais comprido em a mulher n. A mulher n. preto nos outros. 298.

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« 2 .N.

«3 .N.

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°^ 1 e 3 *. differença explicada pelo facto de . Outro tem um braço ankylosado e atrophiado Um (consequência de tumor branco?) e ulceras nas pernas. Eis agora os resultados das medições: 1. apresentando as deformações irre- gulares desses positivos. Os homens apresentam todos degenerações somáticas. ao contrario bastante salientes em os homens n. tem um olho arruinado e padece talvez de lepra mutilante.*^ 4) marcou a pressão de 64 com a mão direita e de 34 com a esquerda. que lhe tem accommettido as articulações do braço esquerdo. tendo sido obrigado a deixar o officio de caldeireiro. feitas sobre Deve ter. A lepra tem um foco considerável nas immediaçoes da Alhandra. Altura total (estatura): Mulheres . a que serviu de base um positivo sobre papel.se em vista que foram photographia em madeira.° O homem 3 apresenta quarto do tamanho natural. As gravuras 2 a 7 representam approximadamente um n. padece do peito e é evidentemente muito fraco.que padece de rheuraatismo. para se entregar á venda ambulante outro . a que se destinava. uma notável depressão ou obliquidade da fronte. O mais forte de todos (n.291 apertado á altura das maçãs. No dynamometro de Collln marcou apenas a pressão de 30 kilogrammas com a mão direita e de 23 com a esquerda.

292 2. ant. índice cephalometrico Diam. : max.° homem homem homem homem .^ 2.° mulher mulher 2. 1.0 4." 1.° 3.-post.

293 3. A largura é a máxima na . índice nasal. naaal á raiz do nariz. A altura do nariz ó medida da espinha base.

294 5.^ pálpebras. Distancia dos olhos. Abertura palpebral. Distancia entre os angulos internos das Distancia entre os ângulos externos das Abertura i)alpcbral pálpebras. mulher . 1.

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' A^ N.M .

N." 5 .

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que reuni. x (1879). um phenomeno problema serão bemvindas. . ainda que o próprio estudo d' essas modificações interesse. p. O exame dos ciganos nómades recommenda-se muito loiros e e a existência de individues de olhos azues entre elles excita deveras a nossa curiosidade. Apenas as ciganas solteiras usam de caracoes artificiaes feitos á mão na testa. Trata-se do resultado de cruzamentos recentes ou ha aqui muito atávico cujas causas remontam a cruzamentos já no próprio solo indico? Todas as informações que sirvam para o estudo d'essc alto. G17. sobretudo da influencia das cidades. p. Não se encontram ciganos de cabello naturalmente enca- racolado ou frisado. Em muitos ciganos nota-se certo prognathismo ou saliên- cia do queixo inferior (vid. cx. não são os melhores exemplares para estudo." 1 tem olhos esverdeados. esclarecimentos do meu infatigável Ha excepcionalmente ciganos de cabellos loiros. certo insufficientissimos. isto c. Naturalmente os ciganos sedentários. Aucolheu também a noticia de ter sido vista gusto Neuparth no Alemtejo uma rapariga de cabello loiro e olhos azues. sobran- mesma coloração. por de oíFcrecer dentro de certos limites de variação caracteres raciaes importantes que se reproduzem noutros grupos tsiganos. e nota-me que o adolescente do grupo de ciganos da nossa estampa n.° 1 as raparigas terceira e quarta á direita). Os dados. na estampa n. Groom in Tlie Encyclopcedia hrítannica. Nunca o cabello do cigano é encarapinhado*. celhas e barbas da que fazia parte de um bando de ciganos. . 1 Alguns aiictorcs attribucm aos tsiganos cabello frisado t. O meu amigo sr. pcrmittem affirmar que os ciganos portugueses não apresentam um typo perfeitamente unitário mas não deixam por isso . mais sujeitos a mestiçagem ou modificações resultantes do modo diverso de vida.295 Eis ainda outros collaborador.

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— Convém a saber: auer muito mufo Mufo touros gente de cavalo com guiões e hu comer que chamão entricla.ADDIÇÕES E COERECÇÕES Pag. Thomaz Pires termos d'cssa lincod. 840 do Archivo O sr. Ou a anécdota é pura invenção ou o vereador se serviu de termos de alguma giria ou os forjou por sua conta e risco. sendo histórica. P. do século xvii. mas nenhum auctor português que eu conheça colligiu anteriormente ao gua.a — leia-sc —justificam. nenhum d'esses termos singulares mufo. meu collaborador sr. lin. 31. e entre ellas o seguinte secção com C." Dar As graças aos Vreadores pelo auere deixado Estar na cidade e despedrise e o tal Vreador lhe falou por senhoria e lhe pedio que se detiuesse para se achar em huas festas que a cidade fazia e lhe quis falar em siguano dizendo-lhe não : saia V.» Tanto quanto posso julgar. S. Bartholomeu de fl. Em vez de — justifi<. é cigano ou gitano. Em verdade além das referencias nos documentos legislativos acerca á2i geringonça dos ciganos. ha uma allusâo á lingua dos mesmos na passagem que transcrevi de Leitão de Andrada. 3. tem a anedocta o merecimento de nos dar a conhecer um aficionado dos ciganos no século xvii. lin. que temos huas festas lililao em que hade bandeira no grimpo pape amarela. lililao. Azevedo achou no 28. Nacional. 4. entricla. . a numa serie de anecdotas insulsas.""" : «O Avou de fernâo Roiz do amarai semdo Vreador foi hu Conde dos siguanos a Cam. uma Dcmendonça o titulo: «Parvoisses Deluas tiradas por Ant." nos 3 ou 4 annos que esteve cm Eluas tomou por lembransa estas E da sua letra as terey». Pag. 15 e 16.

ii. se. Chelpa occorre já no século xvii: Hora veja se presta. act. 9. 36. 84. aliás muito provável.» Ulysippo. junto á Prosódia de Bento Pereira. lin. 80. p. Academia dos (1G98). lin. Pag. 60. encontra-se no Victionnarium latino -lusitanum de Jcronymo Cardoso. col. Que custão bem de chclpa. 75. nào está talvez reduzido a novo termo de giria. de uma giria portuguesa no século XVI. lin. 83. v giria. Basainico é. 2. lin. 5. cul. Leia-sc — s. de egualar. 27. 2. linha 9. de galrar. 2. 03 (3. o alto. Pag. Uma nova leitura de Gil Vicente e Jorge Ferreira permittir-me-hia talvez ligar alguns dos termos populares d'esses auctores aos da giria posterior. 61. col. 1. 73. como nome de uma moeda lista asiática de cobre no século pregado como termo de de Paiva.^. 81. lin. Pag. 80. col. m. íl3. meu egual. — antes de — Homem se sabe. 1. 1. Pag. col. O verbo derivado galrejar. . pag. 6. lin. Carapuças de felpa. 1. Gahinardo. Assim o termo galga. apesar de gahào ser mais usado pelo povo. O povo diz : Ugar encontra-se como alteração popuhir «Não ó da minha vgualha». 28 e 31. Os rendados vestidos. 2. Moscovia (coiro da Rússia) não é termo de giria. provavelmente já emcomo hoje o é. Galfarro encontra-se com a significação de rapacissimus no llicsouro. Singtdai-es. 1. 1661). para significar — não 6 da minha condição social. lin. lin. Pag. 82. Os capotes de grã bem guainccidos.298 Pag. col. e por isso incluído na xviii era Pag. col. dado como de giria por Monte Carmclo (vid. . p. 28. 3. Em vez de — marihando — leia-se — marim- Pag. termo antigo na lingua. 81) no sentido de fome. Pag. lin. 3. encontra-se já em Jorge Ferreira: «Porque? tamanha galga trazeis vos? nâo ha tanto daqui à cca. sem todavia se poder affirmar a existência. Pag. E provável que cm Paiva vgar seja essa alteração popular e não termo de giria.« ed. bando.

Pag. 136. Em : «Alli se ve a cigana acurvada que passa por não ter religião c de mãos postas ante o Senhor Jesus. 23. lin. em vez de — dos ciganos — leia-se — das Ciganas. vid. representando suppostos 1892). lin. lin. Paris. De la possibilite et des condilions d'nne langue internationale. Sobre a vis minima na linguagem. Grober. e de G. lin. von der Gabelentz. 21. também G. 1860 a lingua que ellc próprio propõe é fundada lexicologicamente sobre o grego. p. gabeti. Jannot. 225-217. Pag.) Aqui o jogo de palavras da versão portuguesa era impossivel mas clle falta também na versão napolitana publicada . i. 105.299 Pag. Grundriss der romanischen Philolcgie. Ganiços liga-se talvez a ganizc. 116. que as assaltaram por occasião de virem de Évora assistir ás festas da Piedade. 140. Em vez de leia-se sautcrelle (faussc Pag. astragalos) de que se faz u«o no jogo do cucarnc. lin. 1. 132. p. óqucrre). Lá está representada com o seu vestido de folhos. Sobre a mudança de significação. der Gabelentz. 36 (nota). 12. 145. de umas sezões. Pag. peças (ordinariamente ossos. 21. 292 scg. 157. Die SpracJucissenschaft. 167. o~ n. que se acham na igreja da Piedade em Elvas. Die Sprachicissenschaft. apesar das formas napolitanas o gallo tornarem aqui possível esse jogo de palavras. Pag. que falta ainda noutras versões italianas citadas no mesmo periódico. 34 (nota). lin. 10. Methoden und hishengen Ergehnisse (Leipzig. von 35 (nota). 1892. O enigma do gallo encontra-se na traduc- francesa das Piacevole notte de Straparole (ed. Chegou-me recentemente ás mãos o es- cripto de Raoul de la Grasserie. milagres. Pag. ihre Avfp. 17. agradecendo. vcjam-se tambenj as valiosas observações de G. 1891). O auctor critica o Volapíik systema proposto pelo liispanhol Bonifácio Sotos Odiando no seu Diccionario de lengiia universal. o seu chaile de cadilhos . e o . i. 231 e segs. 190. Pag. e a — — uma sua irmã. lin. çíio lin. lin. t.s. Madrid. 191-195. no jicriodico Giamhattída Basile. Em vez de — cogito — Icia-sc — saiitoir cojito. diz-se Pag.lhe o te-ia livrado.« 1213 do Elvense (20 de setembro de dos fallando-se quadros (ex-votos). iv.

von Wlislocki. 26. se internou na direcção de Cintra. curte as maleitas. próximo de Cascaes. Dois Pag. «O cadáver foi conduzido e acompanhado por numeroso cortejo de ciganos.» mas nesta cidade mesma parece nada correr a tal respeito. H. Parece ser a mesma quadrilha que depois appareceu no Estoril.300 c o seu cabcllo negro como asa de corvo .» Este facto mostra. Pag. como para as ciganas que oíFerecem os seus ex votos. a irmã deitada sobre mantas listadas. que parece serem parte dos pretendidos narcotisadores. 15. Acamparam na Porcalhota. a Virgem e os santos são pouco mais de fetiches. 223. Pag. abraçanào todos o cadáver e beijando-o. Eram treze mulheres. Volksglauhe und religiõser Brauch der Zigeuner (Miinster. Lê-se no Diário de Noticias de hoje. que sinto não poder já aproveitar. e terem sido expulsos d'aquella republica. não < commetteram nenhum roubo. Depois as mulheres da tribu ficaram saudando com os lenços ate o cortejo desapparcccr. lin. com mais uns dez individues e que. gregos ou turcos. 193. em pleno campo.° 9:619): «Enterrou-se hontem no cemitério dos Remédios.» lin. mal recebida alli. sil. Chegou ha alguns dias a Lisboa. Só no momento desta folha é que em que mando para a imprensa a ultima prova me chega ás mãos a publicação do dr. onde. a arvore. . «Antes de sair de casa houve as despedidas do costume entre aquclla colónia. diz-se. em Évora. sete homens e vinte creanças. vinda do Braquadrilha de tsiganos. assim como outros. 28. com uma musica de gemidos e gritos de dôr. 8 de outu- (n. vendo-se. o corpo de uma formosa cigana que falleceu naquella cidade. a distancia. bro de 1892 lin. uma dos homens traziam assas consideráveis quantias em oiro. que nâo pode ncgar-se absolutamente a religiosidade aos ciganos. 1891). 287. No Alemtejo diz-se que o rei (o chefe superior) dos ciganos reside em Évora. a alguns kilometros de Lisboa. sob a qual. Para o nosso povo. comquanto sejam naturalmente as formas inferiores da religião que elles attingem.

POST-SCRIPTUM «In der Beschârkung zeigt sich der Meister. j-esultante me primeiro logar da difficuldade das investigações d' este género em toda a parte e cm especial neste país. que só deve ser estudado á luz dos documentos que respeitam a tal todos os ramos d'ella e para que falta um elemento capio conhecimento da historia dos dialectos neo-hindus. de que aliás os preveni logo no começo me occupo do problema da migração ou migrações dos : Apenas por um erro de methodo c que eu poderia num livro que tem apenas por objecto um ramo mínimo tsiganos. Tenho. desti- X . de porém. graças á auctorísação do estado para que a expensas suas fossem publicados os trabalhos nados á Sessão do Congresso dos Orientalistas. careceria ao contrario de fize-lo. em segundo da rapidez com que fui obrigado a prepará-la em para a impressão e rever as provas. que tentei confor- mar-me ao aphorismo de Goethe. d'essa raça occupar-me de semelhante problema. a fim de aproveitar uma occasiâo que não voltará provavelmente tão breve de a dar a lume. se por ven- abalançasse ao exame d'aquelle problema. pedir indulgência para a imperfeição da obra. — Ante tura os homens da sciencia não careço de me desculpar d'essa lacuna.» Não foi na pretenção de ser mestre. mas no desejo de imitar os mestres no que esteja ao meu alcance. Alguns livro não leitores portugueses (se os tiver) acharão no meu uma lacuna.

ao fechar a qual me acodem ao espirito. Betracht' ich mcinc Siebcnsachen. Se seli' So sch' ich. que tornaram possivel adornar o meu livro com uma foi parte grapliica. como ao abrir este ^osí-sc7*?}:>ít(m^. was ich liátt' sollcn machcn.me as investigações nesses dois estabelecimentos por elles administrados com rara boa vontade e ao meu amigo . Espero poder cedo ou tarde publicar um supplemento que preencha pelo menos parte das lacunas da presente obra. directoque res da Bibliotlieca Nacional e do Arcliivo Nacional facili- Agradeço a todo3 auxilio . Niio me despeço dos ciganos. A. tarem. Neuparth as suas excellentes pliotograpliias dcs ciganos.302 os meus collaboradores já referidos o tornou possivel o meu estudo aos srs. pala- vras do grande poeta philosopho: Seli' ich die Werkc der Meister an. que por certo lionra os artistas a que confiada. . ich das. was sie geíhan. sr.

III. II. lutroducçiio 1 7 II. III. e 55 .índice — A língua dos ciganos — O calào a lingua dos ciganos — Esboço histórico etlmograpbico — Documentos Appendice — Os ciganos do Brasil Appcndice — Typo physico dos ciganos Appendice I. 289 -.. 1G3 229 271 I.. e . Addições e correcções 297 Post-scriptum 301 .

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w/BÊÊ .

m estudo eobre calão.?) PLEASE DO NOT REMOVE FROM THIS CARDS OR SLIPS POCKET UNIVERSITY OF TORONTO LIBRARY .Coelho. McrorLfi dostin:'da a 10 sessão do| Congresso internacional dos orient alistas. ?rancisco Adolpho.nos de Portugal: com n. 1847-1919 Cs cig8. LisT^oa. Imprensa ITaeional (l^-^.

aár . .Pi- ai.

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