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Índice

Introdução ..................................................................................................................................... 2 Objectivo geral .......................................................................................................................... 2 Objectivos especificos ............................................................................................................... 2 Metodologia .............................................................................................................................. 2 O Enquadramento Da Reforma E Seus Antecedentes Históricos ................................................. 3 3.1. Pilares principais da Reforma ............................................................................................ 3 Sistema fiscal em Moçambique..................................................................................................... 5 A Reforma fiscal em Moçambique ........................................................................................... 6 1ª Fase da Reforma Fiscal ..................................................................................................... 6 2ª Fase da reforma fiscal ....................................................................................................... 7 3ª Fase da Reforma Fiscal de Junho de 2002 ........................................................................ 8 Os grandes Objectivos da Presente Reforma Tributária ........................................................... 8 Reformas Fiscais Em Moçambique E O Seu Impacto No Crescimento Economico ................ 9 O Alargamento da Base Fiscal ................................................................................................ 10 A Problemática do “Alargamento” da Base Tributária ....................................................... 10 Eficácia dos instrumentos legais já aprovados .................................................................... 11 Conclusão .................................................................................................................................... 12 Referência Bibliográfica ............................................................................................................. 12

especialmente as que integram o Sector Público Administrativo (Chichava. Objectivo geral Avaliação do Estagio da implementação da reforma fiscal em Moçambique Objectivos específicos   Alargamento da base tributária A melhoria dos padrões de eficiência e eficácia da administração fiscal e bem como a diversificação das fontes de captação de receita do estado Metodologia Para a realização do presente estudo de avaliação do impacto da Reforma fiscal na economia empresarial e no País em geral adoptou-se uma abordagem que se pretendeu fosse (i) o mais quantificável possível e (iii) susceptível de tomar em devida atenção a especificidade dos principais sectores empresariais e os resultantes impactos na competitividade e nos grandes equilíbrios macroeconómicos. 2008). que as reformas na administração pública têm caracterizado os discursos políticos no mundo inteiro e as razões têm sido praticamente similares para todos os países. Desde os finais dos anos 80 e princípios da década 90.Introdução O presente trabalho ira discutir a questão da Reforma fiscal em Moçambique durante o período 1975-2004. . o facto de os modelos tradicionais da administração pública não conseguirem dar respostas satisfatórias aos novos desafios e Moçambique não é excepção facto que se verifica com as significativas mudanças no funcionamento das entidades públicas.

por um imposto complementar de englobamento (imposto complementar). b) No âmbito da tributação directa dos rendimentos. incidentes sobre as diferentes espécies de rendimento mais relevantes. as viaturas automóveis. . A contribuição predial. e uma gama de outros produtos. compreendendo. respectivamente 5% no produtor ou importador. o IRPC – Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas e o IRPS – Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares. arrendados ou não. no caso das pessoas singulares. e bem assim das cooperativas de camponeses. incidente sobre os rendimentos das actividades de natureza comercial ou industrial (actividades empresariais). de natureza não empresarial. e que substituiu o anterior imposto de circulação. designadamente: • • A contribuição industrial. no qual eram ainda tributados directamente os rendimentos provenientes da aplicação de capitais. o IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado. O imposto sobre os rendimentos do trabalho – secção A. • • Este sistema de impostos cedulares (ou parcelares) era completado. e certas espécies de juro. com taxas diferenciadas nas diferentes fases de comercialização. o qual revestia a natureza de “imposto em cascata”. 5% no grossista e 10% no retalhista. silvícolas e pecuárias. as bebidas alcoólicas e o tabaco. O imposto sobre os rendimentos do trabalho – secção B. os quais vieram substituir o anterior sistema de impostos cedulares. entre outras.O Enquadramento Da Reforma E Seus Antecedentes Históricos 3. incluindo a importação. e bem assim os provenientes de qualquer actividade profissional remunerada em regime de avença ou equiparado (rendimentos das actividades profissionais). designadamente lucros e dividendos. incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado. Completam o actual sistema tributário: a) O imposto sobre consumos específicos. incidente à taxa geral de 17% sobre as transacções de bens e serviços realizadas no País. considerados de luxo ou de consumo não essencial. Pilares principais da Reforma A reforma em curso desde 1998 do sistema tributário do País tem como seus pilares principais: a) No âmbito da tributação indirecta (tributação da despesa). incidente a taxa diversificadas e de uma só vez (na importação ou no produtor) sobre determinada lista de mercadorias. incidente sobre o conjunto dos rendimentos do agregado familiar sujeito aos diferentes impostos parcelares. incidente sobre os rendimentos das explorações individuais agrícolas.1. incidente sobre o rendimento dos prédios urbanos.

Taxas e licenças diversas. O Imposto Predial Autárquico. incluindo a prestação de serviços. ainda que acidental. devida pelo exercício de qualquer actividade de natureza comercial ou industrial. sobre o valor patrimonial dos prédios urbanos situados no território da autarquia. real ou presumido. por pessoas singulares relativamente às quais se mostrem reunidas certas condições. incidentes à taxa máxima de 25% sobre a generalidade das mercadorias importadas. incidente segundo taxas específicas anuais. no território da autarquia. maiores de 18 anos. e) O subsistema de impostos autárquicos. ou serem apenas auxiliados por familiares ou estranhos em número não excedente a três. incidente à taxa máxima de 1%. A Taxa por actividade económica. com a caracterização do sistema fiscal vigente à data da Independência Nacional em 1975 e sua evolução até à presente Reforma.b) Os direitos aduaneiros.   f) O Imposto de Reconstrução Nacional. e bem assim porque aspectos essenciais da abordagem que a norteiam e das soluções recolhidas nos novos códigos igualmente diferem de modo radical da abordagem seguida em reformas anteriores. das suas vendas ou da sua produção não exceder. o equivalente do Imposto Pessoal Autárquico. no território da respectiva autarquia. e bem assim as taxas e licenças cobradas por diversos serviços do Estado. a sisa e o imposto sucessório). incidente sobre o exercício. contemporânea da introdução do PRE – Programa de Reabilitação Económica. d) O imposto sobre veículos automóveis. compreendendo:    O Imposto Pessoal Autárquico (imposto de capitação). devido exclusivamente nas áreas não municipalizadas do País. de reduzida expressão nas colectas. representando uma parcela expressiva do respectivo preço de venda. incluindo a prestação de serviços. designadamente (i) trabalharem sozinhos. c) O imposto especial sobre combustíveis. Porque a actual reforma representa uma ruptura profunda com o sistema tributário anteriormente vigente. determinado quantitativo mensal. variava consoante a cilindrada. o tipo de combustível usado e a antiguidade dos veículos sujeitos ao imposto. g) Impostos diversos (incluindo o imposto do selo. desde que exercida num estabelecimento. revestindo a natureza de “licença de porta aberta”. no âmbito municipal. incidindo segundo determinado quantitativo anual sobre os residentes. e (ii) o valor. apresenta-se no capítulo seguinte uma breve resenha histórica. na média dos últimos três anos. graduada segundo a natureza da actividade e a dimensão e localização do estabelecimento. de qualquer actividade de natureza comercial ou industrial. no território da respectiva autarquia. . O Imposto Autárquico de Comércio e Indústria. nomeadamente o pragmatismo que orientou a Reforma de 1987.

alertou Ernesto Gove. minas. isto porque apesar deste grande crescimento das receitas fiscais. que falava aquando de uma visita que efectuo no fim-de-semana finda ao Instituto de Finanças Públicas e Formação Tributária . as previsões de despesas públicas tiveram logo após a independência uma tendência crescente.IFPFT. O governador do Banco de Moçambique considera que é preciso dar uma educação fiscal aos cidadãos nacionais de modo que sintam a importância de cumprir com as obrigações tributárias. ao situar-se nos cerca de 16 a 17% (em relação ao PIB). tal como acontece nos países produtores de petróleo. de impostos internos e também de impostos externos que influenciam o desenvolvimento interno da economia. ainda há défice muito grande”. Entretanto. se compararmos com os níveis de despesas que temos. disse que a criação do Instituto enquadra-se na necessidade de formar indivíduos em matéria de finanças públicas. Tal deveu-se a enorme dependência do orçamento geral do estado das receitas fiscais provenientes de um sistema de tributação incidente sobre a economia. educação. O Instituto de Finanças Públicas e Formação Tributária vai iniciar a sua actividade em Fevereiro próximo. perante pressões de natureza política. obrigando a alterações sucessivas e constantes do sistema fiscal por forma a garantir o nível de receitas pretendidas. disse que os sectores de estradas. o presidente da Autoridade Tributária de Moçambique ATM.Sistema fiscal em Moçambique Moçambique é um país que sofreu várias mutações no seu sistema fiscal desde a independência nacional. saúde entre outros. Ernesto Gove avança inclusive que o projecto de alargamento da base tributária no país passa pela sensibilização da população em relação ao contributo da mesma no desenvolvimento dos sectores chaves no âmbito socioeconómico nacional. mas ainda precisa de ser mais ambicioso para se enquadrar nos níveis em que a região atingiu (22% em relação PIB). Rosário Fernandes. Assim. diamante. bancária e de micro-finanças. económica e social. precisam de uma contribuição maior dos cidadãos para que desenvolvam de forma dinâmica Por outro lado. etc. Por seu turno. Gove. O nível de fiscalidade no país é bom. a adequação desejada do sistema fiscal nem sempre conheceu os melhores resultados. destacou o facto das receitas públicas nacionais situarem-se abaixo do nível regional o que impõe desafios para o sector tributário para os próximos anos. contudo orientado apenas a capacitação de funcionários do Ministério das Finanças. Rosário afirmou que o grande desafio desta instituição é transformar-se no instituto politécnico de âmbito regional especializado na leccionação de matérias tributária e não . incluindo no domínio de especialidades tributárias. Moçambique não possui ainda explorações de recursos naturais que possibilitem uma receita fiscal proveniente dos mesmos.

II. Júlio Mazembe. da assembleia popular. permitiu a geração de receitas necessárias e de certa forma contribuíram para o melhoramento do desempenho do sistema fiscal até o biénio 1981/82 coincidindo com o período em que a economia teve sucesso no período pós colonial. que prevê formar inclusive membros do sector privado sobre questões tributárias. estabelecendo-se taxas progressiva neste imposto de acordo com as normas constitucionais. foi inaugurado a 5 de Dezembro de 2008 e tem uma capacidade para albergar 70 formandos. IV. a instituição vai capacitar. O instituto. No país destacam-se três fases de Reforma fiscal após a independência. e só em 2010 é que vai abrir ao público. A reforma fiscal introduzida em 1978. numa primeira fase. V. . Simplificar o processo de captação de rendimentos das empresas através da retenção antecipada deste no processo de circulação de mercadorias de facturação de serviço.só. Manter a contribuição industrial e o imposto complementar apenas como impostos correctivos. De acordo com o Director Interino do IFPT. Simplificar a legislação fiscal em vigor. Esta linha tinha como objectivos: I. funcionários do Ministério das Finanças. e assente nos princípios de política fiscal definida na resolução n° 5/77 de 1 de Setembro. com maior enfoque para os da Autoridade Tributária. Esta reforma foi induzida para adequar-se o sistema fiscal a filosofia do estado que acabava de emergir. Na altura dava se ênfase a necessidade de sistema fiscal promover maior justiça e contribuir para o desejado progresso social. a saber: 1ª Fase da Reforma Fiscal Realizada desde Fevereiro de 1978. divididos em quatro salas de aulas (Fonte: o jornal País) A Reforma fiscal em Moçambique A Reforma fiscal no país enquadra-se nas reformas fiscais em cursos nos PVD’s como anteriormente nos referimos nas necessidades de aumentar o volume de receitas internas do estado com base no alargamento da base tributária e através da criação dum quadro fiscal que promova o desenvolvimento do sector privado. Para a concretização deste desiderato a AT está a aproximar-se das suas congéneres da África do Sul e Angola. Fundir as diversas formas de contribuição do rendimento do trabalho num imposto apenas. Agravar as taxas dos impostos sobre os lucros das empresas. III.

mas porque era concebido para funcionar normalmente. O PRE que também precisou de novas reformas na área fiscal. a ineficácia do sistema fiscal. consequentemente. Após este período assiste se uma degradação acentuada da economia e. de política fiscal e outras estruturas administrativas visando melhorar a eficiência dos agentes económicos. 2. Objectivos essenciais desta fase: 1. 4. fez com que se reduzissem alguns impostos tal como o imposto de circulação. Basta no entanto. Realizar a justiça social através de uma tributação diferenciada dos rendimentos de trabalho. assim como minimizar os efeitos nefastos da guerra. subiu em 9% em 1976 para 16% em1983.Ibraimo Ibraimo. condições fundamentais para o êxito das medidas na área económica.De acordo com a entrevista do Dr. Oneração dos consumos através da tributação diferenciada de imposto de consumo. Caracterização de excedentes para o orçamento do estado que permitia o financiamento do investimento direito do estado. Factores como a guerra fizeram com que houvesse um aumento acentuado das despesas públicas não acompanhada pelo melhoramento das receitas fiscais criando um desajustamento do sistema económico. em que o mercado oficial de mercadorias fosse controlado pelo estado. 2ª Fase da reforma fiscal Dá-se a reforma fiscal no contexto PRE (programa de reabilitação económica). . Realização de receitas com vista a custear a actividade corrente do estado e financiar as suas instituições. de taxa de câmbio. O sistema fiscal apresentava ineficaz não porque os serviços da administração não correspondessem. verificar que a relação entre a receita fiscal/PIB. do capital e de uma personalização e progressividade do imposto. O programa no domínio da reabilitação da economia consistia numa série de acções de formações de preços. porque na altura. O sistema tributário tinha em vista aumentar a elasticidade das receitas em relação PIB e alargar a base tributária. Deste modo. o êxito da reforma de 1978 estava assente nos impostos directos e constitui uma realidade até 1983. os impostos indicam apenas sobre o mercado de preços oficiais. Este imposto ganha proeminência por se considerar que era importante para a redução dos canais de distribuição que tinha surgido com o desenvolvimento do sector informal. numa situação de paz. em 1987. 3. aumentando o abastecimento e produção e ajudar a estabelecer o equilíbrio financeiro. a degradação da economia e ineficácia do sistema económico criam espaço para o surgimento de um amplo sector informal que reduziu o espaço de tributação e das receitas fiscais. que tinha como objectivo corrigir os desequilíbrios da economia nacional.

Simplificação dos procedimentos. Modernização do sistema de impostos. No caso do IVA – o primeiro dos pilares da referida Reforma – igualmente se argumentava a necessidade da respectiva introdução como pré-requisito das iniciativas no âmbito da suavização do endividamento externo do País. Nos seus programas orçamentais. como também visava introduzir algumas formas na área dos recursos humanos. para tal a ênfase recai na continuação da modernização do aparelho de cobrança de imposto interno e sobre o comércio internacional. em síntese. a modernização de sistemas e a simplificação de procedimentos são. Os grandes Objectivos da Presente Reforma Tributária Na enunciação do Governo O alargamento da base tributária. imposto sobre o consumo e circulação. em substituição dos impostos indirectos que vigorava.3ª Fase da Reforma Fiscal de Junho de 2002 Nesta fase. O incentivo às exportações do País que teoricamente um imposto com as características do IVA poderia proporcionar. quer em termos quantitativos. assim como a redução nas inserções fiscais. enquanto “imposto em cascata”. o governo tem priorizado a melhoria de grau de efectividade na cobrança de receita conjugada com a alocação eficiente da despesa quer em termos qualitativos. . sublinhando-se adicionalmente: • • Os efeitos negativos associados à concepção do imposto de circulação. Um aspecto importante no sistema de finanças públicas moçambicano deu-se com a reforma fiscal de 2002que iniciou com a introdução do imposto sobre valor acrescentado (IVA). visava prosseguir os seguintes objectivos: • • • • • • Alargamento da base tributária. os grandes objectivos “oficiais” com que o Governo aparece a anunciar a presente Reforma Tributária. o que permitiria o alargamento da base tributária. Racionalização do sistema de benefícios fiscais. Redução da carga fiscal no conjunto da tributação directa. a reforma na administração financeira do estado não só visava alterar aspectos meramente financeiros. nomeadamente. Aumento no nível de receitas fiscais.

todavia. postos em execução: no caso do IVA. . neste capítulo será abordada a tendência de crescimento de pais. prenunciando-se em alternativa por alguma diversificação de taxas. aferida quer por comparação com as taxas vigentes nas principais economias da região quer relativamente ao que eram as taxas efectivas de arrecadação do anterior imposto de circulação.Na perspectiva do sector privado Enquanto enunciados teóricos. constitui desde o início uma das reclamações não atendidas do sector privado. quando se iniciou o debate que precedeu a entrada em vigor do IVA: a) O facto de o sector privado ter sido chamado a pronunciar-se numa fase demasiado avançada do processo de preparação da Reforma. enfatizandose adicionalmente que o desejado alargamento da base tributária do País deveria ser acompanhado desde o início de um efectivo e imediato desagravamento da carga fiscal incidente sob o chamado “sector formal” da economia. desde o início o sector privado argumentou contra o princípio de taxa única (graduada em 17%) acolhido no Código do IVA. assim se combatendo também a expansão do “sector informal” e se reorientando – através de uma política de taxas moderadas do imposto. designadamente quanto à oportunidade da introdução do IVA e do princípio do “imposto único” na tributação do rendimento. que entraram em vigor em 1 de Janeiro de 2003. Sem que estivesse mesmo concluída a preparação e aprovação da indispensável regulamentação complementar e outros instrumentos indispensáveis para a aplicação dos novos impostos (no caso do IRPC e do IRPS. sem que se apreenda a razão lógica para esta posição de recusa. c) No caso particular do IVA. b) A forma demasiado apressada que tem caracterizado a entrada em vigor dos novos códigos. a gravosidade da respectiva taxa. em particular no caso dos direitos aduaneiros. os objectivos formais enunciados pelo Governo não podem deixar de reunir o consenso e até mesmo aplauso do sector privado. IVA e imposto de consumo – os respectivos agentes para o “sector formal” As seguintes principais críticas à Reforma em curso têm. pretensão até aqui também recusada pela administração fiscal. e estando também em falta parte essencial da respectiva regulamentação complementar). sido enunciadas desde 1998. Reformas Fiscais Em Moçambique E O Seu Impacto No Crescimento Economico Analisando as reformas fiscais ocorridas nos pais e nos indicadores e dados estatísticos sobre as tendências gerais das receitas e despesas. decorreram até hoje cerca de nove meses sem que exista ainda a generalidade dos modelos de impressos e declarações previstos nos respectivos Códigos. sem que tivesse decorrido o tempo mínimo de preparação dos agentes económicos e da própria administração fiscal para “conviver” com o novo imposto. não deixando qualquer oportunidade de se discutirem os fundamentos e a eficácia do modelo escolhido. d) Adicionalmente.

O alargamento da base tributável através da ampliação da rede de contribuintes não significa necessariamente maiores receitas. Se estes recursos aumentarem e forem usados de reforma eficiente. Os alvos principais devem ser aqueles que beneficiam de preferências fiscais.uma que dizia respeito a redefinição dos objectivos políticos do sistema. de forma produtiva. O ponto de partida do sistema fiscal moçambicano foi o sistema fiscal herdado do período. uma vez que os custos de cobrança têm de ser tidos em consideração.5%. Muitos países alargaram. espera-se que impulsione a actividades económica. com sucesso. i. aumentando assim o nível de produção da economia e consequentemente o crescimento económico. 1997b:111): 1.e. trata-se de tornar o imposto “acessível” e. a partir de uma opção socialista de desenvolvimento e de organização. dessa forma alargar o número de potenciais contribuintes.O crescimento duma economia é afectado pelas variações de recursos dessa economia (humanos e financeiros) e pela forma estes recursos são utilizados. gradualmente levando também aqueles que actualmente fogem ao imposto a concluir que a diferença (entre o fisco oficial e o fisco “paralelo”) não compensa. Por outras palavras. a sua base fiscal. que constituiu na manutenção da estrutura deste sistema depois da independência. a África do Sul e o Egipto mais do que dobraram as suas nos últimos 5 anos. com duas importantes alterações (Ibraimo. importa sublinhar a posição desde sempre manifestada pelo sector privado no sentido de que era/é indispensável que esse objectivo – para ser consistente com as circunstâncias reais da economia do País e as dificuldades que afectam a generalidade das empresas do sector formal – fosse/seja acompanhado da prévia suavização da carga fiscal incidente sobre os actuais contribuintes. A outra que distinguia e diferenciava os impostos sobre as unidades económicas e sobre a população. . O Alargamento da Base Fiscal A base fiscal é constituída pelo conjunto das actividades económicas e dos recursos que são tributados. enquanto a Costa do Marfim reconstruiu a base tributária após a guerra civil. A Tunísia aumentou-a numa média anual de 3. integrando novos impostos e alterando a incidência dos outros. aqueles que utilizam abusivamente os preços de transferência para alterar os lucros e as indústrias extractivas. A Problemática do “Alargamento” da Base Tributária Como ponto prévio de qualquer tentativa de discussão sobre os possíveis instrumentos que permitam a realização deste grande objectivo. Qualquer tentativa de ampliar a rede de impostos tem de analisar se as receitas adicionais serão superiores aos custos de cobrança. 2.

3ª A própria concepção do modelo de tributação escolhido – próprio de economias em estádio de desenvolvimento muito diferente daquele em que se encontra ainda a economia moçambicana – e que assenta em instrumentos de tributação que não atendem às especificidades do País (enquanto formas de produção dominantes e também no que respeita ao incipiente desenvolvimento de instrumentos como a contabilidade e a gestão empresarial). 2ª A grande complexidade dos diplomas aprovados. a redução do número de impostos não significa necessariamente a simplificação do sistema. em lugar do desejado alargamento da base tributária. a inexistência dos modelos de impressos previstos nos respectivos Códigos. que continua a “desencorajar” o pagamento do imposto. alargando também o fosso entre as margens com que trabalha o sector formal e as praticadas no sector “informal”. ainda agravada pela falta de instrumentos indispensáveis ao cumprimento das obrigações do contribuinte. resulte exactamente o efeito contrário – a rápida erosão e depauperação da estreita base de contribuintes ainda existente . Muito pelo contrário. Numa crítica mais profunda. que não se esgota nas dificuldades de leitura e interpretação dos Códigos (cuja compreensão é apenas acessível a uma minoria de eleitos). a própria administração fiscal não estava preparada para um “passo em frente” desta natureza.Eficácia dos instrumentos legais já aprovados Três razões principais tornam bastante discutível que os instrumentos legais já aprovados (IVA e IRPC+IRPS) sejam os mais efectivos para prosseguir o ambicionado objectivo do alargamento da base tributária do País: 1ª A gravosidade das respectivas taxa. a natureza de instrumentos como o IVA e o imposto único sobre o rendimento socorre-se de conceitos e procedimentos bem mais complexos do que o anterior sistema de imposto de circulação e impostos parcelares sobre as diferentes fontes de rendimento. existe risco sério de que. entendido num sentido amplo que abarque todas as formas de evasão fiscal. e as dificuldades aí sentidas apagam fazendo ricochete sobre os contribuintes existentes. como sejam. Nestas diversas circunstâncias. mas é extensiva à própria complexidade dos procedimentos envolvidos na aplicação do imposto. Eventualmente. no caso do IRPC e do IRPS.

Conclusão Referência Bibliográfica .