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Administração
Administração

FuNDAMENTOS DA ECONOMIA

Introdução

O objetivo central deste Guia Acadêmico so-

bre Fundamentos da Economia é apresentar os principais conceitos desta área de forma

clara e objetiva para que o leitor tenha uma visão geral deste assunto e possa compreen- der melhor o mundo em que está inserido.

A economia estuda como os indivíduos

tomam decisões numa situação de conflito de interesses. De um lado, os indivíduos têm desejos infinitos, mas por outro, não há nem recursos financeiros e nem bens e

serviços disponíveis para atender a todos.

necessário fazer escolhas e é disso que trata a economia.

O estudo da economia pode ser subdividido

em duas áreas principais: a microeconomia

e a macroeconomia.

A microeconomia tem como objeto de estudo

o consumidor e a firma e cujos conceitos

principais são apresentados nos capítulos

2, 3 e 4.

Já a macroeconomia se ocupa de questões que envolvem um país e seu relacionamento com outros países. Seus principais conceitos são apresentados nos capítulos 5, 6, 7 e 8 deste Guia.

É

Economia como Ciência

1. Introdução à Economia

1.1. Origem: o termo economia é derivado do grego “oikos-

nomos”, sendo que “oiko” significa casa e “nomos”, lei ou norma. Pode ser interpretado como administração do lar, ou de forma mais abrangente, administração de uma empresa,

cidade ou país. 1.2. Definição: economia é a ciência social que estuda como os indivíduos ou a sociedade tomam decisões de alocação de recursos escassos.

1.3. A economia como ciência: tal como a física, a biologia

e outras ciências, em economia também se aplicam métodos científicos de análise, ou seja, desenvolvem-se teorias e são feitos testes para explicar o funcionamento da sociedade.

1.3.1. Metodologia empregada: formulam-se teorias, coletam-

se dados e comprovam-se as teorias formuladas para refutá-las

ou aceitá-las.

1.3.2. Formulação de hipóteses: são utilizadas com o objetivo

de simplificar o mundo real e torná-lo mais fácil de ser apreen- dido nos modelos econômicos. 1.3.3. Modelos econômicos: são formulações teóricas elaboradas pelos economistas para explicar o funcionamento do mundo real.

1.4. Principais subdivisões da economia:

1.4.1. Microeconomia: é o estudo de como empresas e famí-

lias tomam decisões e interagem em mercados específicos.

1.4.2. Macroeconomia: é o estudo da economia de um país e

sua interação com a economia de outros países.

2. Sistema econômico

2.1. Conceito: a forma política, social e econômica de organiza-

ção de uma sociedade. Em outras palavras, representa a forma

como está organizada a produção, distribuição e consumo de bens e serviços entre as pessoas.

2.2. Tipos de sistema econômico:

2.2.1. Sistema capitalista ou economia de mercado: regido

por forças de mercado, onde predomina a livre iniciativa e a

propriedade privada dos fatores de produção.

2.2.2. Sistema socialista ou economia centralizada: regido por

um órgão central de planejamento, onde predomina a propriedade

pública dos fatores de produção. (leia mais no Guia Acadêmico “Introdução à Sociologia”).

3. Conceitos importantes

3.1. Escassez: as pessoas não dispõem de todos os bens e serviços

que desejam possuir ou usufruir. Esta situação faz com que todos

tenham que tomar decisões de alocação de recursos, desde o indiví-

duo, passando pela família, a empresa e mesmo o governo.

3.2. Escolhas: os indivíduos fazem escolhas segundo suas

preferências.

3.3. Maximização: os indivíduos ao tomarem suas decisões procu-

ram maximizar seu bem-estar.

3.4. Fatores de produção: referem-se aos recursos necessários

para a produção de um bem ou serviço, por exemplo: mão-de-obra;

insumos; capital físico; capital humano; capacidade empresarial.

3.4.1. Capital físico: entendido como máquinas, equipamentos,

meios de transporte, infra-estrutura (estradas, portos, ferrovias,

tes, ou seja, a produção crescerá, mas a uma taxa decrescente.

6.4. Princípio da externalidade: os custos ou benefícios rela-

tivos à produção ou consumo de um bem não estão restritos à pessoa que está produzindo ou consumindo este bem.

6.5. Princípio do valor real: o que importa para as pessoas é o

valor real de sua renda, ou seja, seu poder de compra.

Link Acadêmico 1

Curvas de Demanda e Oferta e Estruturas de Mercado

1. Como funcionam os mercados?

Os mercados funcionam segundo leis de oferta e demanda que determinam as quantidades e os preços de cada bem

produzido e ou vendido.

2. Curva de demanda

2.1. Conceito: representa o quanto um consumidor deseja

adquirir de um determinado bem, por unidade de tempo.

etc.).

2.2.

Curva de demanda individual: expressa a relação entre

3.4.2.

Capital humano: entendido como o conhecimento ou habi-

preço e quantidade de um bem para um certo indivíduo.

lidade do trabalhador. Os fatores de produção também podem ser classificados como: terra,

trabalho e capital. Neste caso, o fator de produção terra engloba também os recursos naturais; enquanto trabalho refere-se à mão- de-obra e capital, diz respeito aos recursos financeiros que podem assumir a forma de recursos próprios ou de terceiros.

3.5. Mercado: conjunto formado por vendedores e compradores de um

bem ou serviço. De um lado, temos os compradores que determinam

a demanda por bem e de outro, temos a oferta estabelecida por um grupo de vendedores/produtores.

3.6. Ceteris paribus: ou coeteris paribus, do latim, significa “tudo o

mais constante”. (ver link)

4. Agentes econômicos

4.1. Conceito: são grupos que interagem e realizam transações

num determinado sistema econômico. Podem ser divididos em três

grupos principais:

4.1.1. Famílias: neste grupo incluem-se tanto indivíduos quanto uni-

dades familiares e representam os consumidores. Seus rendimentos

provêem de salários, aluguéis, juros ou lucros.

4.1.2. Firmas: corresponde ao grupo dos produtores, representam

as empresas encarregadas de produzir ou comercializar bens ou serviços.

4.1.3. Governo: refere-se a todas as instituições que representam o

Estado seja na esfera federal, estadual ou municipal.

5. Problemas econômicos fundamentais

5.1. Quanto produzir;

5.2. Como produzir;

5.3. Para quem produzir.

5.4. Curva de possibilidade de produção (CPP): numa economia

há diferentes combinações possíveis de produtos a serem produ- zidos, dados os recursos e tecnologias disponíveis. As diferentes combinações de produtos numa economia podem ser representadas através de uma curva de possibilidades de produção que ilustra os problemas econômicos a serem enfrentados (como e quanto produ- zir), a partir de um quadro de escassez e recursos limitados.

6. Princípios econômicos

6.1. Princípio do custo de oportunidade: consiste no custo de

obter algo em detrimento de outra coisa.

6.2. Princípio marginal: pensar de forma a avaliar que impactos

sobre uma variável é ocasionado pela mudança incremental em

outra variável.

6.3. Princípio dos retornos decrescentes: se todos os

fatores de produção necessários à produção de um bem

permanecerem constantes e um dos insumos for aumentado,

a produção será aumentada, mas com retornos decrescen-

2.3. Curva de demanda de mercado: expressa a relação

entre preços e quantidades de um produto que um conjunto de consumidores estão dispostos a consumir.

3. A demanda por um bem ou serviço depende de uma

série de fatores Por exemplo: preço do bem; renda do consumidor; preço dos bens substitutos; preço dos bens complementares; preferências do consumidor; expectativa do consumidor quanto à evolução dos preços dos bens no futuro.

3.1. Preço do bem: a quantidade demandada de um bem está

relacionada ao seu preço. Em geral, quanto maior for o preço de um bem, menor tende a ser a quantidade que um consumidor deseja obter deste bem.

3.2. Renda do consumidor: na maioria dos casos, um aumento

na renda do consumidor também leva a um incremento na quantidade demandada de bens. Estes bens são denominados “bens normais”. Mas, existem também exceções, conhecidas como “bens inferiores” e “bens de consumo saciado”.

3.2.1. Bens inferiores: são bens cuja demanda varia inversa-

mente ao nível de renda do consumidor. Ou seja, quanto maior

a renda, menor o consumo de determinado bem. Por exemplo:

margarina e manteiga, tubaína.

3.2.2. Bens de consumo saciado: são aqueles cuja demanda

do consumidor não se altera em função de aumentos adicionais na renda. Por exemplo: comida.

3.3. Preços de bens relacionados: a demanda por um bem pode

ser afetada por variações nos preços de outros bens, conhecidos como “bens complementares” ou “bens substitutos”.

3.3.1. Bens complementares: são produtos cujo consumo de

um determinado bem está relacionado ao consumo de outro bem. Exemplo: pão e manteiga; caneta-tinteiro e tinta.

3.3.2. Bens substitutos: são bens cujo consumo de um pode

substituir o de outro. Neste caso, o aumento do preço de um bem provoca o aumento da demanda do outro. Por exemplo:

telefone fixo e celular.

3.4. Preferências dos consumidores: a demanda por um bem

depende do gosto ou preferências do consumidor que, por sua vez, são influenciados por inúmeros fatores como sexo, idade, costumes, além de outros aspectos sócio-culturais.

3.5. Expectativas sobre preços, renda e disponibilidades: as

expectativas exercem uma forte influência sobre as decisões do

consumidor. Por exemplo, se existe expectativa de aumento de renda no futuro, o consumidor pode aumentar a demanda por bens e serviços; ou se houver expectativa de que bens estarão mais caros no futuro, pode haver aumento da demanda destes bens hoje; ou se houver expectativa de restrição de oferta de bens no futuro, pode-se aumentar a demanda corrente, com o

de restrição de oferta de bens no futuro, pode-se aumentar a demanda corrente, com o WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR

WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR

1

objetivo de estocar produtos.

4. Lei da demanda

Quanto maior for o preço de um bem, menor será sua quanti- dade demandada. Ou inversamente, quanto menor for o preço de um bem, maior será a quantidade demandada.

4.1. Exceções à lei de demanda: são conhecidos como “bens

de Giffen” e “bens de Veblen”

4.1.1. Bens de Giffen: são bens de pequeno valor, mas de elevada

participação no orçamento das pessoas de baixa renda. Quando há elevação nos preços destes bens, há também aumento em sua demanda.

4.1.2. Bens de Veblen: são também conhecidos como consumo

de luxo e possuem caráter de ostentação. Assim, é possível que a demanda por estes produtos aumente com o aumento dos preços.

5. Curva de Oferta

Os produtores determinam a quantidade que desejam vender

a determinados preços.

5.1. Curva de oferta individual: representa a relação entre

preço e quantidade de oferta de uma firma.

5.2. Curva de oferta de mercado: representa a relação entre

preço e quantidade de oferta de um conjunto de firmas.

6. A oferta de um produto depende de vários fatores

Por exemplo: preço do bem; custo dos insumos; tecnologia

disponível; número de concorrentes; expectativa do produtor em relação à evolução dos preços no futuro; impostos ou subsídios definidos pelo governo.

6.1. Preço do bem: quanto maior o preço de um bem ou

serviço, maior tende a ser a quantidade ofertada em mercado, bem como quanto menor o preço de um bem ou serviço, menor tende a ser a quantidade ofertada.

6.2. Preço dos fatores de produção: diminuição dos preços

dos fatores de produção representa custos menores para a empresa, o que aumenta sua lucratividade e estimula sua produção, levando ao aumento da quantidade ofertada.

6.3. Tecnologia disponível: avanços tecnológicos que au-

mentem a produtividade podem contribuir para o crescimento

da oferta de bens e serviços.

6.4. Preço de outros bens: a oferta de bens e serviços também

pode ser afetada por variações no preço de outros bens.

6.4.1. Bens substitutos na produção: o aumento do preço de

um bem pode estimular a produção de outro bem. Por exemplo:

o aumento do preço do petróleo tem estimulado a produção de fontes alternativas de energia como os biocombustíveis.

6.4.2. Bens complementares na produção: a variação no preço

de um bem pode desencadear alteração na produção de outro

bem. Por exemplo: o aumento do preço da carne pode estimular

o número de abates e aumentar a oferta de couro.

6.5. Expectativas: também influenciam as decisões do produtor.

Por exemplo: se o produtor vislumbra que o preço do milho será mais alto do que a soja no futuro, pode decidir hoje plantar milho ao invés de soja.

7. Lei de oferta

Quanto maior o preço de um bem, maior será a quantidade ofertada. Ou inversamente, quanto menor o preço de um bem, menor será a quantidade ofertada.

8. Equilíbrio nos mercados

Ocorre quando a demanda iguala a oferta.

Link Acadêmico 2

Elasticidades

1.

1.1. O conceito de elasticidade expressa uma relação entre duas

variáveis. Do ponto de vista microeconômico, está associado às relações entre preço e quantidade demandada (ou ofertada) de um bem.

Introdução

2. Elasticidade-preço da demanda

Mede a sensibilidade entre a quantidade demandada de um bem em

função da variação de seu preço. Em outras palavras, é a reação ou sensibilidade dos compradores a alterações no preço. 2.1. Definição: variação percentual na quantidade demandada dividida pela variação percentual do preço.

2.2. Fórmula da elasticidade preço da demanda no ponto:

 

Qd

% Qd

Qd

Qd

P

Qd

P

 

=

=

x

=

x

% P

P

Qd

P

P

Qd

P

Ed =

Onde:

Ed = coeficiente de elasticidade-preço da demanda

ΔQd = variação na quantidade demandada Qd = quantidade demandada ΔP = variação no preço

P = preço

2.3. Classificações da elasticidade-preço da demanda:

2.3.1. Demanda elástica: Ed > 1. Significa que uma variação (em

termos percentuais) no preço de um bem provoca uma variação

(também em termos percentuais) na quantidade demandada, no entanto maior que a variação do preço. Exemplo: suponha que uma redução de 10% no preço de um bem provoque uma elevação de 20% na quantidade demandada, teremos:

Ed =

% Qd

% P

=

20%

10%

= 2

Produtos cuja demanda é elástica são muito sensíveis a variações de preço. Elasticidade-preço da demanda do consumidor pelo produto é muito importante nos estudos de formação de preço de um produto.

2.3.2. Demanda inelástica: Ed < 1. Significa que uma variação (em

termos percentuais) no preço de um bem provoca uma variação (também em termos percentuais) na quantidade demandada, no entanto, menor que a variação do preço. Exemplo: suponha que uma redução de 10% no preço de um bem provoque uma elevação de 1% na quantidade demandada, teremos:

% Qd

% P

1%

10%

Ed =

=

= 0,1

Produtos cuja demanda é inelástica são muito pouco sensíveis a variações de preço.

2.3.3. Demanda unitária: Ed = 1. Significa que uma variação (em

termos percentuais) no preço de um bem provoca uma variação

(também em termos percentuais) na quantidade demandada de igual magnitude. Exemplo: suponha que uma redução de 10% no preço de um bem provoque uma elevação de 10% na quantidade demandada, teremos:

% Qd

% P

10%

10%

Ed =

=

= 1

Exemplo: um aumento de 5% na renda provoca um aumento de 5% na quantidade demandada.

Er =

% Qd

% R

=

5%

5%

= 1

c) Er > 1, significa que a elasticidade-renda deste bem é elevada, ou seja, a demanda é elástica em relação à renda. Fazem parte desta categoria os bens superiores como artigos de luxo. Exemplo: um aumento de 10% na renda provoca um aumento de 30% na quantidade demandada.

Er =

% Qd

% R

=

30%

10%

= 3

3.3.2. Bens inferiores: Er < 0 ou elasticidade-renda negativa.

Significa que uma variação positiva na renda leva a uma dimi- nuição na quantidade demandada deste tipo de bem.

3.3.3. Er = 0 ou elasticidade-renda nula. Significa que a

demanda é perfeitamente inelástica à renda, ou seja, aumentos

adicionais na renda não produzem efeito sobre a quantidade demandada.

4. Elasticidade-preço cruzada da demanda

Aquantidade demandada de um bem também é afetada pelo preço

de outro bem que seja relacionado (substituto ou complementar). A elasticidade-preço cruzada da demanda mede a sensibilidade da variação de preços de um bem sobre a demanda de outra mercadoria ou serviço.

4.1. Definição: variação percentual na quantidade demandada

de um bem dividido pela variação percentual no preço de outro bem.

4.2. Fórmula da elasticidade-preço cruzada da demanda:

Onde:

Exy

% Qx

= % Py

 

Qx

Qx

Qx

Py

Qx Py

=

Py

=

Qx

x

Py

=

x

Py Qx

Py

Produtos cuja demanda tem elasticidade unitária são sensíveis a variações de preço.

Exy = coeficiente de elasticidade-preço cruzada da demanda ΔQx = variação na quantidade demandada do bem x

2.4.

Fatores que influenciam a elasticidade-preço da deman-

Qx = quantidade demandada de x

da:

ΔPy = variação no preço do bem y

2.4.1.

Possibilidade de substituição: quanto maior o número de bens

Py = preço do bem y

substitutos de um produto, mais elástica deve ser a sua demanda. Quanto menor for o número de bens substitutos de um produto, mais inelástica deve ser a sua demanda.

2.4.2. Grau de essencialidade: bens essenciais tendem a ter

uma demanda inelástica, enquanto bens supérfluos ou facilmente

substituíveis tendem a ter uma demanda elástica.

2.4.3. Importância relativa do bem no orçamento do con-

sumidor: quanto menor for o peso de um bem no orçamento do consumidor, mais inelástica tende a ser a sua demanda;

assim como quanto maior for o peso de um bem no orçamento do consumidor, mais elástica tende a ser a sua demanda.

2.4.4. Tempo: a elasticidade de um bem também varia, de-

pendendo do horizonte de tempo empregado. No curto prazo, as chances de encontrar bens substitutos são menores que no longo prazo e isto afeta as relações de elasticidade da demanda.

3. Elasticidade-renda da demanda Mede a sensibilidade entre a quantidade demandada de um bem em função da variação da renda.

3.1. Definição: variação percentual na quantidade demandada dividida

pela variação percentual na renda do consumidor. 3.2. Fórmula da elasticidade-renda demanda:

Qd

Er

% Qd

= % R

=

Qd

R

R

=

Qd

Qd

x

R

R

=

Qd

R

x

R

Qd

Onde:

Er = coeficiente de elasticidade-renda da demanda

ΔQd = variação na quantidade demandada Qd = quantidade demandada ΔR = variação na renda

R = renda

3.3. Classificações da elasticidade-renda da demanda:

3.3.1. Bem Normal: Er > 0 ou elasticidade-renda positiva. Significa

que uma variação positiva na renda leva a um aumento na quantidade demandada de um bem.

a) Er > 0, mas < que 1, significa que a elasticidade-renda é positiva,

porém baixa, ou seja, a demanda é inelástica em relação a renda.

Fazem parte desta categoria os bens de necessidades.

Exemplo: um aumento de 10% na renda provoca um aumento de

1% na quantidade demandada.

Er =

% Qd

% R

=

1%

10%

= 0,1

b) Er = 1, significa que a demanda por este bem tem elasticidade-

renda unitária.

4.3. Classificações da elasticidade-preço cruzada da

demanda:

4.3.1. Bens substitutos: quando Exy > 0. Um aumento no preço do bem y provoca um aumento na quantidade demandada do bem x.

4.3.2. Bens complementares: quando Exy < 0. Um aumento

no preço do bem y provoca diminuição na quantidade deman- dada do bem x.

4.3.3. Bens independentes: quando Exy = 0. Um aumento

no preço do bem y não provoca alterações na quantidade demandada do bem x.

5. Elasticidade da oferta

Mede a sensibilidade da quantidade ofertada em função de variações no preço.

5.1. Definição: variação percentual na quantidade ofertada

dividida pela variação percentual no preço.

5.2. Fórmula da elasticidade-preço da oferta:

Eo

% Qo

= % P

 

Qo

 

Qo

 

Qo

P

Qo

 

P

=

P

=

Qo

x

P

=

P

x

Qo

Onde:

Eo = coeficiente de elasticidade-preço da oferta

ΔQo = variação na quantidade ofertada

Qo = quantidade ofertada

ΔP = variação no preço

P = preço

P

5.3. Classificações da elasticidade-preço da oferta:

5.3.1. Oferta elástica: Eo > 1. Significa que uma variação (em

termos percentuais) no preço de um bem provoca uma variação (também em termos percentuais) na quantidade ofertada, no entanto maior que a variação do preço.

5.3.2. Oferta inelástica: Eo < 1. Significa que uma variação (em

termos percentuais) no preço de um bem provoca uma variação

(também em termos percentuais) na quantidade ofertada, no entanto menor que a variação do preço.

5.3.3. Oferta com elasticidade unitária: Eo = 1. Significa

que uma variação (em termos percentuais) no preço de um

bem provoca uma variação (também em termos percentuais) na quantidade ofertada de igual magnitude.

Link Acadêmico 3

Comportamento de Consumidores e Produtores

ofertada de igual magnitude. Link Acadêmico 3 Comportamento de Consumidores e Produtores WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR 2

WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR

2

1. Introdução ao comportamento do consumidor

Um indivíduo ou unidade familiar tem alguma noção de sua renda monetária para determinado período de tempo e também tem alguma noção sobre como deseja gastar esta renda, ou seja, o que

deseja consumir. O indivíduo ou unidade familiar se esforçará para maximizar seu bem-estar, dada sua renda limitada.

1.1. Preferência do consumidor: o consumidor, seja ele um

indivíduo ou unidade familiar, obtém um determinado nível de

satisfação ou utilidade com o consumo de determinado bem por unidade de tempo. Para dado nível de renda monetária, o consumi- dor deverá comparar cestas diferentes de bens e avaliar seu nível de satisfação, para ordená-las e atingir seu objetivo de maximizar seu bem-estar para dado orçamento disponível.

1.2. Princípio da maximização: esta é uma das principais

hipóteses da teoria do consumidor que estabelece que o consumidor procurará alocar sua renda monetária em bens e serviços que maximizem seu bem-estar, sua satisfação. Se a renda monetária não fosse limitada, os consumidores não teriam que tomar decisões ou fazer escolha, pois estas teriam possibilidades infinitas.

4.

Estruturas de mercado

a)

IGP-M é divulgado no penúltimo dia útil de cada mês e apura

4.1.

Concorrência perfeita: existem muitos produtores e consumidores

a

variação de preços ocorrida entre o 21º dia do mês anterior

num determinado tipo de mercado de tal forma que ninguém agindo

e

o 20º dia do mês de referência.

individualmente consegue alterar o preço do produto. Além disso, os bens produzidos neste mercado são homogêneos.

b) IGP-DI é divulgado em torno do dia 10 do mês seguinte ao

de referência e apura a variação de preços ocorrida entre o 1º

4.2.

Concorrência monopolística: existem muitos produtores

e

o 30º dia do mês de referência.

neste mercado, mas ocorre diferenciação de produtos, embora

c)

IGP-10 é divulgado em torno do dia 20 do mês de referência

os produtos sejam substitutos próximos. Trata-se de uma es-

e

apura a variação de preços ocorrida entre o 11º dia do mês

trutura de mercado intermediária entre concorrência perfeita e

anterior e 10º do mês de referência.

o

monopólio.

2.2.3. A inflação pode ser classificada como sendo:

4.3. Monopólio: situação em que existe uma única empresa que

vende um produto sem substituto próximo. 4.4 Oligopólio: estrutura de mercado em que existem poucos produtores que vendem produtos diferenciados ou não. Neste caso, o pequeno grupo de produtores controla a oferta.

Link Acadêmico 4

Elementos de Macroeconomia

a) Inflação de demanda: ocorre quando a demanda agregada

cresce a uma velocidade superior que a capacidade de oferta da economia, provocando aumento de preços.

b) Inflação de custos: ocorre quando os custos das empresas

se elevam e são transferidos através da cadeia produtiva, produzindo elevação geral de preços. Exemplo: quando ocorre

aumento dos preços de energia.

c) Inflação inercial: quando o aumento de preços num período

é transferido a outro.

2.3. Desemprego: é a relação entre o número de desem-

 

1. Introdução

pregados e a força de trabalho. O desemprego pode ser

2.

Introdução ao comportamento do produtor

A macroeconomia é o ramo da economia que se preocupa com as

classificado como:

O

produtor ou a firma produtora procura maximizar seus

questões que afetam governos ou países. Trata de questões como

2.3.1.

Friccional: trata-se do desemprego que surge numa

ganhos, em função do capital disponível e das alternativas

crescimento econômico, desenvolvimento econômico, distribuição de

situação em que os trabalhadores estão à procura de empregos

de produção ao seu alcance. Assim, os empresários tomam decisões de produção (quanto e como produzir; quanto e como

renda, estabilidade de preços, nível de emprego, comércio internacio- nal, entre outras questões.

que melhor se adaptem a suas habilidades e aspirações. Consi- derado para períodos relativamente curtos de desemprego.

vender) com o objetivo de maximizar a renda auferida, ou seja, maximizar seus lucros.

2.1. Função de produção: mostra a relação entre a quan-

tidade máxima produto, por unidade de tempo, dada uma

determinada quantidade de fatores de produção e o processo de produção escolhido.

2.2. Fatores de produção: podem ser classificados como:

O estudo da macroeconomia nos proporciona maior entendimento sobre

como a economia de um país funciona; serve também para compreender

os debates de política econômica e auxilia a tomada de decisões de negó-

cios, na medida em que melhora a compreensão do cenário econômico atual e suas perspectivas futuras.

2. Conceitos importantes

2.3.2. Estrutural: quando a oferta de trabalho é insuficiente

para atender toda a procura por trabalho.

2.3.3. Conjuntural: também conhecido como desemprego

cíclico, causado por flutuações da economia.

2.3.4. Metodologias de cálculo: a taxa de desemprego no

Brasil é divulgada por duas instituições: pelo IBGE e pela Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados) do

2.2.1.

Fatores de produção fixos: são aqueles que não podem

2.1.

Produto Interno Bruto – PIB: representa toda a riqueza

Governo do Estado de São Paulo em conjunto com o DIEESE

ser alterados rapidamente. Por exemplo: instalações de uma fábrica, prédio sede de uma empresa, etc.

produzida por um país num certo período de tempo. Apesar de

ser um conceito abrangente, algumas atividades não entram em

O

PIB pode ser calculado de três maneiras:

(Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio- Econômicos). Mas, os números não são os mesmos em função

2.2.2.

Fatores de produção variáveis: são aqueles fatores

seu cálculo, por exemplo: atividades econômicas não-declaradas;

da metodologia empregada em cada pesquisa.

cuja quantidade pode variar mais facilmente para atender uma

elétrica, combustíveis, entre outros.

produção de bens e serviços sem valor de mercado; exaustão de

a)

SEADE/DIEESE: a Pesquisa de Emprego e Desemprego

maior ou menor produção. Exemplo: matérias-primas, energia

recursos naturais não-renováveis.

da Fundação SEADE/DIEESE divide o desemprego nas categorias aberto, oculto por trabalho precário e oculto por

30 dias anteriores à entrevista, mas o haviam feito no período

2.3 Períodos de tempo relevantes para a firma: podem ser

2.1.1.

Pela ótica do produto: valor da produção menos o valor do

desalento. A taxa de desemprego é calculada apenas para a

divididos em:

consumo intermediário.

região de São Paulo.

2.3.1.

Curto prazo: refere-se ao período de tempo em que

2.1.2.

Pela ótica da renda: soma das remunerações dos fatores

a1) Desemprego aberto: considera as pessoas que procura-

ao

menos um dos fatores de produção é fixo. Neste período

de produção.

ram emprego efetivamente nos 30 dias anteriores à entrevista,

de tempo, a expansão da produção é feita apenas com a

2.1.3.

Pela ótica da despesa ou gasto: soma dos gastos finais

mas não exerceram nenhum trabalho nos últimos sete dias;

utilização mais intensa dos fatores de produção variáveis. Por exemplo: utiliza-se mais horas trabalhadas na produção de uma quantidade maior de produto.

na economia em bens e serviços. As despesas finais em bens e serviços podem ser divididas em: gastos das famílias com consumo; gastos das empresas com investimentos; gastos do governo em

PIB = C + I + G + (X – M)

a2) Desemprego oculto pelo trabalho precário: considera as pessoas que realizaram trabalhos precários, por exemplo, exerceram algum trabalho, que pode ser remunerado, para

2.3.2.

Longo prazo: refere-se ao período de tempo em que todos

bens e serviços; exportações de bens e serviços e importações

manter-se ocupadas ou que realizaram trabalho não-remune-

os fatores de produção são variáveis. Neste período de tempo, o au-

de bens e serviços.

rado em negócios de parentes e procuraram emprego nos 30

mento da produção pode ser feito com uma expansão da fábrica ou com a construção de mais uma unidade produtiva, por exemplo.

De forma sintética, podemos representar o PIB da seguinte forma:

dias anteriores à entrevista ou que mesmo não tendo procurado trabalho neste período, procuraram emprego no período de 12

2.4.

Produção no curto prazo:

Onde:

meses atrás, mas sem sucesso.

2.4.1.

Curva de produção total de um determinado bem:

C

representa os gastos das famílias com consumo;

a3) desemprego oculto pelo desalento: considera as pessoas

expressa a relação entre variações na produção, em função de alterações nos fatores de produção variáveis. A partir do

representa os gastos das empresas com a ampliação da capaci- dade produtiva;

I

que não têm trabalho nem procuraram emprego nos últimos

momento em que acrescentamos unidades adicionais de um

G

representa os gastos do governo;

de 12 meses atrás.

fator de produção variável a um determinado montante de

X

representa as exportações de bens e serviços;

b)

IBGE: a Pesquisa mensal de Emprego e Salário do IBGE

fatores de produção fixos, a produção total de um bem aumenta.

M

representa as importações de bens e serviços.

considera como desempregado apenas aquela pessoa que

em seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo

Mas, há um momento em que a produção total atinge um valor máximo e começa a decrescer.

2.1.4.

dividindo-se o PIB do ano de referência pela população residente

PIB per capita: representa a renda média em um país. É obtido

padrão de vida e do desenvolvimento econômico de um país.

procurou emprego nos últimos 30 dias, utiliza o critério de desemprego aberto. Se o desempregado desistiu de procurar

Produtividade média de um fator de produção

variável: resulta da divisão da produção total de um bem pela quantidade do fator de produção variável utilizado.

2.4.2.

no país. Também é considerada uma medida que avalia o nível do

2.2. Inflação: denominamos inflação ao aumento generalizado e

emprego, esta pessoa está excluída do mercado de trabalho e da estatística de desemprego. A taxa de desemprego é calcula

2.4.3.

Produtividade marginal de um fator de produção

contínuo do nível geral de preços. Quando ocorre queda generalizada

Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre.

variável: é resultado da variação da produção total em função

do nível geral de preços denominamos deflação.

2.4.

Balanço de pagamentos: é o conjunto de contas que

da variação de uma unidade no fator de produção variável.

Há inúmeros índices de inflação no Brasil que procuram captar as

resume as transações de um país com o resto do mundo.

2.4.4.

Lei dos rendimentos decrescentes: a partir de deter-

variações de preços, dentre eles, podemos destacar:

2.5.

Taxa de câmbio: é o preço da moeda estrangeira em

minado ponto, aumentando-se a quantidade de um fator de produção, mantendo-se a quantidade dos demais fatores fixa, a produção total aumenta, mas a taxas cada vez menores.

3. Custos envolvidos na produção

Para atingir o objetivo de maximização dos lucros, os produto- res também precisam ficar atentos aos custos envolvidos na produção e procurar minimizá-los.

3.1. Custos de produção no curto prazo:

3.1.1. Custos fixos: dizem respeito aos custos relacionados aos

fatores de produção fixos, correspondem aos custos que a empresa

irá incorrer quer decida produzir ou não. Ou seja, são custos que a empresa arcará independentemente do nível da produção.

3.1.2. Custos variáveis: correspondem aos custos dos fatores

de produção variáveis. Estes custos dependem do volume de produção da empresa.

3.1.3. Custo total: corresponde a soma dos custos fixos e

variáveis de uma empresa.

2.2.1. Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): calcu-

lado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE), é utilizado como referência pelo Banco Central do Brasil para o regime de metas de inflação.

O IPCA capta as variações de preços ocorridas em nove regiões

metropolitanas do Brasil: Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo - além

de Brasília e o município de Goiânia.

O IPCA representa o padrão de consumo de uma família que ganha

entre 1 e 40 salários-mínimos.

2.2.2. Índice Geral de Preços (IGP-M, IGP-DI e IGP-10): calculados

mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Este índice

é composto por outros três índices: Índice de Preços no Atacado

(IPA), que possui peso de 60% no índice total; Índice de Preços ao

Consumidor (IPC), que possui peso de 30% no índice total e Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que possui peso de 10%. Os índices gerais de preços seguem a mesma metodologia e diferem apenas quanto ao período de coleta e a data de divulgação do índice:

termos da moeda nacional.

2.6. Taxa de juros: é o preço pago por abrir mão da liquidez

presente.

2.7. Dívida pública: trata-se de uma forma de financiar o

gasto público.

3. Estrutura da análise macroeconômica Para facilitar o estudo da macroeconomia, os mercados

são divididos em: mercado de bens e serviços, mercado de trabalho, mercado monetário, mercado de títulos e mercado de divisas. Os dois primeiros fazem parte do que ficou denominado como lado “real” da economia e os três últimos como o lado “monetário” da economia.

3.1. Mercado de bens e serviços: participam deste mercado

os consumidores, empresas, governo e setor externo.

A condição de equilíbrio deste mercado é dada por: oferta

agregada de bens e serviços = demanda agregada de bens

e

Através da interação entre os diversos agentes neste mercado,

serviços.

de bens e Através da interação entre os diversos agentes neste mercado, serviços. WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR 3

WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR

3

determina-se:

3.1.1. Nível de renda ou produto;

3.1.2. Nível de preços;

3.1.3. Consumo agregado;

3.1.4. Poupança agregada;

3.1.5. Investimentos agregados;

3.1.6.

3.1.7. Importações.

3.2. Mercado de trabalho: analisa-se este mercado de forma

agregada e sem fazer distinção de qualificação, escolaridade, sexo, etc.

A demanda por mão-de-obra depende de dois fatores básicos:

Exportações;

a) Expectativas dos empresários: se as expectativas em relação

ao futuro da economia são promissoras, os produtores podem tomar

decisões de investimento, de ampliação da capacidade produtiva.

b) Taxa de juros: esta variável define tanto o custo do capital para

o empresário quanto representa um custo de oportunidade do ponto

de vista do empresário para decidir investir ou não.

4.2.3. Governo: este agente econômico pode afetar a demanda

agregada ao decidir aumentar ou diminuir sua demanda por bens

ou serviços ou através de alterações na tributação. Um aumento de tributação diminuiu a renda disponível das famílias

e empresas e tem efeito contracionista sobre a demanda agregada.

Por outro lado, uma diminuição na tributação eleva a renda disponível

os recursos emprestáveis dos bancos. Assim, um aumento

das exigências obrigatórias dos bancos, diminui o montante de recursos emprestáveis dos bancos e há menor oferta de moeda na economia.

1.4.4. Redesconto: é uma linha de empréstimo dos bancos

comerciais junto ao Banco Central para casos de problemas

de liquidez.

1.4.5. Controle seletivo de crédito: as autoridades monetárias

podem estabelecer condições específicas, por exemplo: em termos de teto para a taxa de juros e outras condições para determinados tipos de empréstimos.

2. Sistema Financeiro Nacional

taxa de salário real (que representa o custo efetivo da mão-

e

tem efeito expansionista sobre a demanda agregada.

É

composto por um conjunto de instituições financeiras, por

de-obra para a empresa) e o nível de produção desejado

O

governo obtém receita através do recolhimento de impostos. No

órgãos normativos e por órgãos fiscalizadores.

pela empresa.

entanto, se suas receitas não são suficientes para fazer frente a seus

2.1.

Segmentos do Sistema Financeiro:

Por sua vez, a oferta de mão-de-obra também depende do salário real e da evolução da população economicamente ativa.

A condição de equilíbrio deste mercado é dada por: oferta de mão-de-obra = demanda de mão-de-obra.

As variáveis determinadas neste mercado são:

3.2.1. Nível de emprego;

3.2.2. Taxa de salários monetários.

3.3. Mercado monetário: os agentes econômicos que interagem neste mercado são aqueles que de um lado, são detentores de moeda e de outro, aqueles que desejam tê-la,

em função da necessidade de liquidez.

A condição de equilíbrio neste mercado é dada por: oferta de moeda = demanda por moeda.

As variáveis que são determinadas neste mercado são:

3.3.1. Taxa de juros;

3.3.2. Estoque de moeda.

3.4. Mercado de títulos: neste mercado interagem os agentes

que econômicos superavitários com aqueles deficitários. Os agentes econômicos superavitários são aqueles que possuem

um nível de gastos inferior à renda e podem efetuar emprésti- mos para os agentes deficitários.

A condição de equilíbrio é dada por: oferta de títulos = demanda

de títulos.

A variável determinada neste mercado é o preço dos títulos.

No entanto, a taxa de juros também sofre influência do que ocorre neste mercado.

3.5. Mercado de divisas: também conhecido como mercado

de moeda estrangeira. A oferta de divisas depende das

exportações e dos ingressos capitais estrangeiros; enquanto

a demanda de divisas depende das importações e do volume de saída de capital financeiro.

A condição de equilíbrio neste mercado é dada por: oferta de

divisas = demanda de divisas.

A variável determinada neste mercado é a taxa de câmbio.

4. Determinação da renda Ocorre no mercado de bens e serviços pela interação entre oferta agregada e demanda agregada.

4.1. Oferta agregada (OA): corresponde ao valor total da produ-

ção numa economia colocada à disposição das pessoas por um

gastos, pode optar por financiar seu déficit de duas maneiras:

a) através da emissão de moeda;

b) através da venda de títulos da dívida pública no mercado

financeiro.

Link Acadêmico 5

Lado Monetário e o Sistema Financeiro Nacional

1. Moeda

É utilizada para intermediar as transações realizadas no mercado de bens e serviços. As moedas podem ser de três tipos: moedas

metálicas; papel-moeda e moeda escritural ou bancária que é repre- sentada pelos depósitos à vista nos bancos comerciais.

1.1. Funções da moeda:

1.1.1. Meio de troca: é a função básica da moeda, servir como in-

termediária de trocas. Muitas mercadorias já exerceram esta função, desde a época do escambo. O fato da moeda possuir aceitação geral

proporcionou grande aceleração da realização dos negócios, além de diminuir os custos de transação.

1.1.2. Medida de valor ou unidade de conta: a moeda serve como

referência de valor para vários tipos de bens e serviços.

1.1.3. Reserva de valor: a moeda também é utilizada como meio

para preservar riqueza ou o poder de compra. A moeda é uma merca-

doria que pode comprar qualquer outra e possui liquidez imediata. A partir do momento em que não confiamos mais numa moeda, ela deixa de exercer a função de reserva de valor. Isto pode acontecer em economias que passam por períodos de hiperinflação e cujo poder de compra é corroído rapidamente. Nestas situações, costuma ocorrer também “fuga” para outra moeda.

1.2. Agregados monetários: a moeda em circulação na economia

pode assumir várias formas e segundo o grau de liquidez podem ser classificados em:

1.2.1. Base monetária: é a soma do papel-moeda em poder do público

e o total de reservas dos bancos comerciais, também corresponde ao total de moeda emitida pelo Banco Central.

1.2.2. M1: inclui o papel moeda em poder do público e os

depósitos à vista.

1.2.3. M2: inclui M1, os depósitos para investimentos, depósitos

de poupança e os títulos privados.

2.1.1. Mercado monetário: neste mercado são realizadas ope-

rações financeiras de curtíssimo e curto prazo. As operações de mercado aberto que envolve a autoridade monetária e as

instituições bancárias para ajustes de liquidez do sistema finan- ceiro também são realizadas neste mercado. Também podemos incluir neste mercado as operações interbancárias.

2.1.2. Mercado de crédito: neste mercado são realizadas as

operações de empréstimos, tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica. As modalidades de empréstimos mais utilizadas no caso de pessoa física são: cheque especial, empréstimo pessoal, empréstimo consignado em folha de pagamento e financiamento de veículos. No caso de pessoa

jurídica, as modalidades de destaque são para financiamento do capital de giro, conta-garantida e os financiamentos em moeda estrangeira (export notes, adiantamento de contratos de câmbio e repasses externos).

2.1.3. Mercado de capitais: correspondem às operações de

emissão ou negociação de ações ou outros títulos mobiliários

de empresas. Também é uma forma alternativa de financiar uma empresa.

2.1.4. Mercado de câmbio: neste mercado são realizadas

operações de compra e venda de moeda estrangeira.

2.1.5. Mercado de seguros, capitalização e previdência pri-

vada: neste mercado são realizadas operações de seguro tanto

para pessoa física quanto jurídica; operações de capitalização ou previdência privada que tem por objetivo proporcionar ao investidor uma alternativa de poupança de longo prazo.

2.1.6. Mercados de derivativos: neste mercado realizam-se

operações de compra e venda de contratos futuros, de opções

e trocas de indexadores (operações de swap).

2.2. Composição do Sistema Financeiro:

2.2.1. Conselho Monetário Nacional (CMN): formado pelo

Ministro da Fazenda, que preside o conselho; pelo Ministro

do Planejamento, Orçamento e Gestão e pelo Presidente o Banco Central do Brasil.

O CMN é a instituição superior do Sistema Financeiro e tem

como função formular a política monetária e de crédito, com

o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e social do país.

2.2.2. Banco Central do Brasil (BACEN): exerce função nor-

determinado período de tempo. As empresas podem reagir a um

1.2.4.

M3: inclui M2, as quotas de fundos de renda fixa e operações

mativa e reguladora. É o principal órgão executor das normas

aumento da demanda, através de três situações: aumentando

compromissadas com títulos federais.

definidas pelo CMN e da política monetária do governo. Tem

a

produção, sem aumento de preços; aumentando a produção

1.2.5.

M4: inclui M3, os títulos federais, títulos estaduais e municipais.

como missão garantir a estabilidade da economia, além de zelar

e

os preços ou apenas elevando os preços.

1.3.

Demanda por moeda: a moeda pode ser demandada por

pela liquidez do sistema financeiro; administrar as reservas

4.2.

Demanda agregada (DA): é composta pela demanda

motivos diferentes, por exemplo:

internacionais e fiscalizar as instituições bancárias a fim de

por bens de consumo pelas famílias (C); pela demanda por

1.3.1.

Demanda por moeda por motivo transacional: a moeda

garantir o adequado funcionamento do sistema bancário.

investimentos das empresas (I); pela demanda do governo por

pode ser demandada para ser utilizada como meio de pagamento

2.2.3.

Comissão de Valores Mobiliários (CVM): é o principal

bens e serviços (G) e pela demanda líquida do exterior (X – M) X:

em uma transação.

órgão normativo, regulador e fiscalizador do mercado de capi-

exportações; M: Importações. Se considerarmos uma economia fechada, ou seja, sem comércio exterior, a função da demanda agregada é dada por:

DA = C + I + G + (X-M) Essa fórmula também é considerada como PIB pela ótica

do dispêndio.

4.2.1. Função consumo: a demanda total de consumo de uma

família depende, principalmente, do seu nível de renda e pode ser descrito da seguinte forma:

C = f(Y), onde a renda (Y) é a variável independente e o

consumo (C), a variável dependente. Parte da renda das famílias será gasta com itens indispensáveis

à sobrevivência. No entanto, outra parte está diretamente

relacionada à renda disponível. Assim, aumentos adicionais na renda deverão ser acompanhados por elevação do consumo das famílias, ainda que não na mesma proporção. Desta forma, a função consumo das famílias pode ser desdobrada

1.3.2. Demanda por moeda por precaução: a moeda pode ser de-

mandada por precaução, ou seja, como prevenção para qualquer tipo de eventualidade não prevista que possa vir a ocorrer.

1.3.3. Demanda por moeda para especulação: a moeda pode ser

demandada para fins especulativos, em função da expectativa quanto

à evolução da taxa de juros, por exemplo.

1.4. Oferta monetária: a autoridade monetária pode interferir na

oferta de moeda através dos seguintes instrumentos:

1.4.1. Controle direto da quantidade de moeda em circulação: a

autoridade monetária controla a emissão de moeda na economia. A emissão monetária pode ser feita para: financiar déficits orçamentá-

rios do governo; conceder empréstimos de liquidez para instituições bancárias ou realizar operações de compra ou venda de divisas.

1.4.2. Operações no mercado aberto: o Banco Central realiza

diariamente operações de compra e venda de títulos públicos, com o objetivo de regular a liquidez entre as instituições financeiras. Se há

excesso de liquidez no mercado bancário, o Banco Central realiza

tais brasileiro. Tem como finalidade garantir o funcionamento adequado dos mercados de bolsa e balcão; coibir fraudes ou manipulações de mercado; garantir o acesso público adequado

a informações que afetam os valores mobiliários negociados em mercado, entre outras funções.

2.2.4. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico

e Social (BNDES): é um órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e tem como

finalidade financiar investimentos de longo prazo. É a principal instituição de fomento do país.

2.2.5. Instituições captadoras de depósitos à vista: podem

ser bancos múltiplos, bancos comerciais, caixa econômica ou cooperativas de crédito. Trata-se de instituições autorizadas

a captar recursos financeiros através de depósitos à vista (conta-corrente).

2.2.6. Bancos de investimento: são bancos autorizados

apenas a captarem recursos através de depósitos a prazo, ou

na

seguinte fórmula:

operações de venda de títulos públicos; se há escassez de liquidez,

seja, através da emissão de Certificado de Depósito Bancário

C

= C 0 + bY, onde C 0 representa o nível mínimo de consumo e

o

Banco Central realiza operações de compra de títulos públicos e

(CDB) ou Recibo de Depósitos Bancário (RDB). São instituições

b

representa a propensão marginal a consumir.

equilibra o mercado.

que atuam, principalmente, realizando operações financeiras

a) Propensão marginal a consumir representa a relação entre a

1.4.3.

Depósitos compulsórios: o Banco Central pode alterar a

para empresas e nos mercados de capitais.

variação no consumo em função de uma variação na renda.

quantidade de moeda em circulação na economia ao definir altera-

2.2.7.

Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários:

 

4.2.2.

Investimentos: a demanda por investimentos depende

ções nas exigências obrigatórias de encaixe dos bancos. Ao alterar

são instituições autorizadas a operar em bolsas de valores ou

de

dois fatores principais:

os depósitos compulsórios, o Banco Central atua diretamente sobre

bolsas de mercadorias e futuros; subscrever emissões de títulos e

diretamente sobre bolsas de mercadorias e futuros; subscrever emissões de títulos e 4 WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR

4

WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR

valores mobiliários; intermediar operações com moeda estrangeira, entre outras funções.

2.2.8. Bolsas de Valores: tem a função de organizar e manter

em funcionamento adequado a negociação de títulos e valores mobiliários.

2.2.9. Bolsas de mercadorias e futuros: tem a função de

organizar e operacionalizar a negociação de instrumentos financeiros derivativos.

3. Operações de empréstimos, taxas de juros e spread

bancário

3.1. Empréstimos: as operações de crédito podem ser sub-

dividas em operações de crédito com recursos direcionados

e livres; ou segundo o tipo de tomador, se pessoa física ou

pessoa jurídica; ou segundo a finalidade, por exemplo: crédito para indústria, para comércio, para habitação, entre outras destinações.

3.1.1. Operações de crédito com recursos direcionados:

referem-se aos empréstimos cujas taxas são definidas pelo governo ou cujos recursos dos empréstimos foram obtidos atra-

vés de normas definidas pelo governo. Exemplo: crédito rural, crédito habitacional e operações de empréstimo do BNDES.

3.1.2. Operações de crédito com recursos livres: referem-

se aos empréstimos cujas taxas de juros foram livremente pactuadas entre instituições financeiras e mutuários.

3.2. Taxas de juros dos empréstimos: as operações de

crédito podem ser contratadas com taxas prefixadas, flutuantes ou pós-fixadas.

3.2.1. Taxas prefixadas: referem-se às operações de emprés-

timos cuja correção do saldo ou das parcelas é definida à priori,

quando da contratação da operação de crédito.

3.2.2. Taxas pós-fixadas: referem-se às operações de crédito

que possuem taxa de juro variável.

3.2.3. Taxas flutuantes: distinguem-se das operações de

empréstimos contratadas com taxas pós-fixadas, pois o percentual variável é corrigido com base numa taxa de juro diária, por exemplo: taxa Selic ou taxa do CDI.

3.3. Spread bancário: usualmente é definido como sendo o

diferencial entre a taxa de captação dos bancos e a taxa de

aplicação dos bancos. Ou seja, é a diferença entre o que os bancos remuneram pelos depósitos captados do público e a taxa de juros dos empréstimos das instituições financeiras.

3.3.1. Decomposição do spread bancário: o Banco Central do

Brasil realizou uma série de estudos em que fez uma decom- posição contábil do spread bancário com base nos balanços

de uma amostra de bancos. De acordo com o “Relatório de Economia Bancária e Crédito – 2006”, os custos administra- tivos respondem por 16,9% do spread bancário; enquanto

a inadimplência representa 43,4%; o custo do compulsório,

4,7%; tributos e taxas ficam com 8,6%; impostos com 7,3% e

o

resíduo líquido dos bancos é de 19%.

Link Acadêmico 6

Políticas

Macroeconômicas

1. Introdução

governo dispõe de instrumentos de política econômica que

podem auxiliá-lo a promover o crescimento econômico ou man- ter a estabilidade de preços ou ainda a melhorar a distribuição de renda. Dentre estas políticas temos: política fiscal; política monetária; política cambial e de comércio exterior e de rendas. Neste tópico abordaremos os dois primeiros tipos de política econômica e no tópico seguinte, abordaremos o terceiro tipo. Além disso, também introduziremos o modelo IS-LM para me- lhor compreensão dos efeitos das políticas macroeconômicas sobre a demanda agregada.

O

2. Modelo IS-LM: foi desenvolvido por John Hicks e Alvin

Hansen para sintetizar as principais contribuições trazidas por Keynes na obra “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”.

tada no item 2.1., podemos notar que alterações na tributação (T) e nos gastos do governo (G) provocam deslocamentos na curva IS.

2.2. O mercado monetário e a curva LM: o equilíbrio no mercado

monetário é representado pela curva LM, cuja condição de equilíbrio

é

dada por oferta monetária igual à demanda por moeda, ou seja:

M

= $YL(i), onde:

M

representa a oferta de moeda;

$YL(i) representa a demanda por moeda que depende da renda nominal $Y e da taxa de juros (i). Podemos reescrever a equação acima para expressar o equilíbrio entre a oferta e demanda real de moeda, assim a condição de equilíbrio passa a ser:

M

= YL (i )
P

2.2.1. Inclinação da curva LM: a condição de equilíbrio no mercado

monetário implica que a taxa de juros é uma função decrescente do

nível de renda. A curva LM tem inclinação ascendente.

2.2.2. Deslocamento da curva LM: são provocados por variações

na quantidade de moeda que, por sua vez, provoca alteração na taxa de juros de equilíbrio.

3. Política fiscal

O governo pode dispor sobre a arrecadação de impostos e tributos

(política tributária) ou pode controlar ou expandir suas despesas (política de gastos).

3.1. A arrecadação de impostos: os impostos podem ser clas-

sificados em:

3.1.1. Diretos: são aqueles que incidem sobre o agente que

paga o tributo. Por exemplo: imposto de renda, imposto sobre propriedade, etc.

3.1.2. Indiretos: são aqueles que incidem sobre o preço da

mercadoria ou serviço. Por exemplo: imposto sobre circulação de mercadorias; imposto sobre produtos industrializados; imposto sobre serviços.

3.2. Classificação do sistema tributário: um sistema tributário

pode ser classificado como:

3.2.1. Progressivo: se a participação dos impostos na renda de um

indivíduo aumenta conforme sua renda cresce.

3.2.2. Regressivo: se a participação dos impostos na renda de um

indivíduo diminui conforme sua renda cresce.

3.2.3. Neutro: quando a participação dos impostos na renda de um

indivíduo continua a mesma, independente de alterações na renda.

3.3. Gastos do governo: as despesas do governo podem ser

divididas em:

3.3.1. Despesas correntes ou gastos de custeio;

3.3.2. Despesas de investimento;

3.3.3. Transferências para outras esferas de governo.

3.4. Déficit público: se a arrecadação de impostos não é suficiente

para o governo fazer frente a seus gastos, há uma situação de déficit

que pode ser financiado com a emissão de moeda ou emissão de títulos de dívida.

3.5. Política fiscal: podemos classificar a política fiscal como

sendo expansionista, ou seja, se contribui para a expansão da

demanda agregada ou contracionista, se contribui para a retração

da demanda agregada.

Aumentos de gastos do governo ou diminuição dos impostos – na medida em que aumentam a renda disponível – são vistos como iniciativas que promovem a expansão da demanda agregada. Por outro lado, diminuições nos gastos do governo ou aumento de impostos são considerados como medidas que diminuem a demanda agregada.

4. Política monetária

O governo pode influenciar a demanda agregada através dos

seguintes instrumentos:

4.1. Taxa de juros: ao fixar a taxa de juros básica num determina-

do patamar, o Banco Central estabelece o custo do dinheiro sobre

o qual as demais instituições financeiras passam a operar. Se o

banco central deseja diminuir o ritmo de expansão da demanda

agregada, pode elevar a taxa básica de juros, tornando assim

as taxas de empréstimos mais caras. Se, ao contrário, o banco

economia, pode optar por elevar as reservas compulsórias requeridas das instituições bancárias, reduzindo assim o ritmo de expansão da demanda agregada. 4.3. Operações de redesconto: é uma linha de financiamento

que o banco central disponibiliza para as instituições financeiras que estão com problemas de liquidez. É pouco utilizado como instrumento de política monetária.

4.4. Operações de open market (compra e venda de

títulos públicos): são operações que o banco central realiza diariamente com o objetivo de regular a liquidez no mercado

monetário. Não exerce um papel tão importante do ponto de vista da execução da política monetária, pois está mais

relacionado a garantir a eficiência e a operacionalidade diária

do mercado monetário. 4.5. Classificação da política monetária:

4.5.1. expansionista: através da redução da taxa de juros ou

redução dos recolhimentos compulsórios.

4.5.2. contracionista: através do aumento da taxa de juros ou

aumento dos recolhimentos compulsórios.

5. A controvérsia entre Keynesianos e Monetaristas:

5.1. Introdução: A macroeconomia moderna teve seu início

com a publicação da obra “Teoria Geral do Emprego, do

Juro e da Moeda” de John Maynard Keynes (1883-1946), economista inglês, considerado o mais importante economista do século XX.

5.2. Debate entre monetaristas e keynesianos: ocorreu na

década de 60 entre os seguidores de Keynes, conhecidos como keynesianos e os monetaristas, partidários das idéias do norte-americano Milton Friedman (1912-2006). As divergências ocorreram em torno de três temas: a eficácia da política fiscal versus a política monetária; a curva de Phillips e o papel da política econômica. 5.2.1. Política fiscal versus política monetária: para Keynes, a

política fiscal possuía maior efetividade que a política monetária para produzir impactos sobre a demanda agregada. No entanto, Friedman demonstrou que a política monetária também é muito poderosa neste quesito.

5.2.2. Curva de Phillips: explora a relação entre inflação e

desemprego. Não consta da formulação original de Keynes, mas foi introduzida no arcabouço teórico por seus seguidores. A

curva de Phillips demonstra uma relação negativa entre inflação e desemprego: quando o desemprego diminui a inflação sobe e vice-versa. No entanto, Friedman e Edmund Phelps argumenta- ram que no longo prazo esta dicotomia não prevalece.

5.2.3. O papel da política econômica: Milton Friedman via com

desconfiança a capacidade dos economistas em estabilizar o produto e dos formuladores de política econômica em adotarem medidas corretas. Esta questão continua em aberto.

Link Acadêmico 7

Relações Econômicas Internacionais

1. Introdução

Na era da globalização é quase impossível pensar num país que possa abdicar de manter relações econômicas com outros países. Não há países auto-suficientes em tudo e a integração à economia global também permite a absorção e utilização de tecnologias de “ponta”.

2. Comércio exterior

É um dos principais canais de acesso aos mercados interna- cionais. Os países se engajam no comércio internacional de bens e serviços por diferentes motivos: alguns não dispõem de reservas naturais suficientes para suas necessidades; outros não dispõem de capital ou trabalho suficientes para produzir mercadorias a preços competitivos ao de outros países ou ainda estão em estágios diferentes em termos de desenvolvimento tecnológico.

Existem teorias que procuram explicar a existência do comércio internacional, como veremos a seguir:

 

2.1.

O mercado de bens e a curva IS: o equilíbrio no mer-

central deseja aumentar o ritmo de expansão da demanda agrega-

2.1.

Fundamentos do comércio internacional: a teoria das

cado de bens é representado pela curva IS, cuja condição de equilíbrio é dada por:

da, pode reduzir a taxa básica de juros, tornando os empréstimos relativamente mais baratos.

vantagens absolutas. Esta formulação teórica remonta a Adam Smith que escreveu em 1776 o célebre livro “A Riqueza

Y

= C (Y – T) + I + G, onde:

O

Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central define a taxa

das Nações”. Para Smith, o livre comércio entre os países é a

Y

representa o produto;

básica de juros – a taxa Selic – em reuniões que ocorrem a cada 45 dias.

melhor alternativa, ao permitir de cada país se especialize na

C

representa a renda disponível para consumo, dada pela

4.2.

Reservas compulsórias: como vimos no capítulo anterior, o

produção de mercadorias que fabrica de modo mais eficiente, ou

renda (Y) menos a tributação (T);

I representa os investimentos que dependem do nível de produção e da taxa de juros;

G representa os gastos do governo.

2.1.1. Inclinação da curva IS: a condição de equilíbrio no

mercado de bens implica que o produto seja uma função

decrescente da taxa de juros. Ou seja, quanto maior a taxa de juros, menor o produto e vice-versa.

2.1.2. Deslocamentos da curva IS: a partir da função apresen-

Banco Central fixa alíquotas sobre os depósitos à vista, a prazo e de poupança que os bancos devem recolher e depositar na autoridade monetária. Ao fazer isto, os bancos têm menos recursos à disposição para emprestar. Por exemplo, se a alíquota de recolhimento compulsório que incide sobre

depósitos à vista é de 10%, a cada R$ 100 depositados em conta-corrente no banco, R$ 10 devem ser depositados obrigatoriamente junto ao banco central

e R$ 90 podem ser emprestados a outras pessoas ou empresas.

Se o banco central deseja diminuir o volume de empréstimos de uma

seja, naquele que possui vantagem absoluta.Assim, poderá deixar de produzir uma mercadoria em que apresenta desvantagem absoluta e passará a adquirir de outro país. Assim, os países poderão usufrui melhor do comércio internacional.

2.2. Fundamentos do comércio internacional: a teoria das

vantagens comparativas. No início do século XIX, David Ricardo formulou a teoria das vantagens comparativas que mostra que não é necessário existirem vantagens absolu- tas para se tirar proveito da especialização e do comércio

existirem vantagens absolu- tas para se tirar proveito da especialização e do comércio WWW.ADMINISTRACAO.MEMES.COM.BR 5

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internacional. Ricardo mostrou que mesmo para um país que apresente desvantagens absolutas na produção de duas mercadorias, por exemplo, em relação a outro país, ainda assim a espe-

cialização e a troca seriam vantajosas, desde que o país se especializasse na produção e exportação da mercadoria cuja vantagem absoluta fosse maior.

2.3. Política de comércio exterior: o livre comércio propagado

tanto pela teoria das vantagens absolutas quanto pela teoria das vantagens comparativas não existe, pois os países aplicam políticas de comércio exterior e intervêm tanto sobre operações de exportação quanto importação. O governo pode intervir aplicando as seguintes medidas:

2.3.1. Barreiras tarifárias: aplica-se um imposto sobre o pro-

duto importado, para torná-lo mais caro em relação ao similar nacional e assim proteger a produção de sua indústria.

2.3.2. Barreiras não-tarifárias: aplicam-se quotas ou obstáculos

tomada de decisões pelos agentes econômicos. Um pré-requisito do regime de câmbio fixo é que o país tenha um volume de reservas internacionais suficiente para fazer frente a uma situação em que terá que vender dólares para sustentar a taxa de câmbio determinada. Da mesma maneira, também deverá estar pre- parado para enfrentar uma situação excesso de moeda estrangeira, em que terá que comprar divisas à taxa fixada. Em geral, os países que optam por este tipo de regime cambial aplicam, na verdade, um regime de flutuação “suja”, pois fixam

uma determinada taxa de câmbio por um período e a alteram após certo tempo, promovendo desvalorizações cambiais graduais, para amenizar os impactos adversos sobre suas exportações. 4.2. Taxa de câmbio flutuante: o banco central não interfere no valor da taxa de câmbio, permitindo que seu preço seja fixado no mercado

de câmbio. Se há excesso de dólares no mercado de divisas, seu

preço cairá e haverá uma valorização da taxa de câmbio. Por outro

cota do país no FMI.

6.1.2. a Supplemental Reserve Facility que é uma modalidade de empréstimo emergencial. As taxas cobradas são mais elevadas e correspondem à taxa básica do FMI, acrescida de 3% a 5% ao ano. Por outro lado, os países não têm limites formais em relação às cotas que possuem.

6.2. Banco Mundial: assim como o FMI, também foi criado

a partir das negociações em Bretton Woods em 1944 e sua

origem remonta a necessidade da criação de um banco que financiasse a reconstrução dos países europeus após o fim da Segunda Grande Guerra.

Com o passar do tempo, sua finalidade voltou-se, prin- cipalmente, para os países em desenvolvimento e seu objetivo passou a ser o financiamento e o desenvolvimento de políticas que promovam o progresso e o desenvolvimento destes países.

6.3. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID): foi

burocráticos que inviabilizam a importação de determinados bens

lado, se há falta d e dólares no mercado de câmbio, seu preço subirá

criado em 1959 por iniciativa da Organização dos Estados

e

serviços.

e

haverá uma desvalorização da taxa de câmbio.

Americanos (OEA). Inicialmente possuía como membros

2.3.3.

Incentivos ou subsídios: que visam à ampliação do

países da América Latina, Caribe, além dos EUA. Mas, desde

comércio exterior. Estes incentivos podem ser fiscais (redução

5.

Modelos

1976 passou também a admitir membros fora do continente

de impostos, por exemplo) ou creditícios (melhores condições de financiamento da produção, por exemplo).

5.1.

“Políticas Macroeconômicas”, vimos a aplicação do modelo IS-LM para

Modelo IS-LM para economia aberta: no item 2, do capítulo

americano. O BID, além de financiar projetos, também foca em políticas

2.4.

Fatores condicionantes do comportamento das expor-

uma economia fechada, ou seja, sem acesso aos mercados de bens e

estruturantes. Assim, 25% dos empréstimos concedidos são

tações:

serviços internacionais. Neste item, veremos a aplicação deste modelo

direcionados para projetos de reformas da economia e que

2.4.1.

Desempenho da economia mundial: o desempenho

para uma economia que realizada transações com outros países.

aumentem a eficiência econômica.

das exportações nacionais está relacionado com o desempe-

nho da economia mundial, se há maior crescimento econômico, isto também tende a impulsionar as vendas externas.

2.4.2. Taxa de câmbio: uma desvalorização cambial tende a

favorecer os exportadores, pois seus produtos tornam-se mais baratos em dólares e, portanto, ficam mais competitivos nos

mercados externos. Por outro lado, uma valorização cambial tende

a prejudicá-los, uma vez que seus produtos tornam-se mais caros na moeda estrangeira.

2.4.3. Preços externos: uma elevação nos preços externos de

bens exportados também aumenta as exportações.

2.4.4. Preços internos: uma elevação nos preços internos de

produtos exportados pode diminuir as exportações, pois parte da

produção anteriormente exportada passa a ser direcionada para

o mercado interno.

2.5. Fatores condicionantes do comportamento das

importações:

2.5.1. Desempenho da economia nacional: maior crescimen-

to econômico tende a estimular as importações.

Numa situação de maior crescimento econômico de um país, é difícil imaginar que este produzirá todos os bens e mercadorias que necessita, portanto parte de seu consumo tende a ser suprido com bens importados, aumentando assim as importações.

2.5.2. Taxa de câmbio: uma desvalorização cambial torna os

bens importados mais caros, pois são necessários mais reais

para pagar o mesmo produto em moeda estrangeira. Da mesma forma, uma valorização cambial favorece as importações, pois os produtos importados ficam mais baratos, ou seja, são necessários menos reais para comprar o mesmo produto em moeda estrangeira.

2.5.3. Preços externos: um aumento no preço dos bens

importados (em moeda estrangeira) tende a desestimular as

importações.

2.5.4. Preços internos: um aumento no preço de bens produ-

zidos internamente pode estimular as importações de produtos

substitutos.

3. O Balanço de Pagamentos

Pode ser dividido em duas contas principais: saldo de transa- ções correntes e conta capital e financeira.

3.1. Saldo de transações correntes: tem como itens

principais:

3.1.1. Balança comercial, resultado do saldo de exportações

e importações;

3.1.2. Balança de serviços e rendas que inclui as despesas com

pagamento de juros, remessas de lucros ao exterior, despesas

com viagens internacionais, pagamento de fretes e seguros, entre outros itens;

3.1.3. Transferências unilaterais: recursos remetidos ou

recebidos do exterior sem contrapartida financeira ou física. 3.2. Conta capital e financeira: inclui transferências de patrimônio; vendas ou compras de ativos não-financeiros; investimentos diretos; operações de empréstimos; investimentos em carteira; entre outros.

4. Regimes cambiais

4.1. Regime de taxa de câmbio fixo: neste caso, o banco central se compromete a comprar ou vender dólares para manter a taxa de câmbio num determinado patamar fixado. Uma das vantagens deste regime é a previsibilidade, pois facilita a

5.1.1. Curva IS para economia aberta: a condição de equilíbrio no

mercado de bens e serviços numa economia aberta é dada por:

Y = C + I + G + X – εQ, onde:

X representa as exportações e

εQ representa as importações em termos dos preços dos bens

produzidos internamente (ε representa a taxa de câmbio e utilizamos nesta equação para representar a conversão dos preços dos bens importados em termos dos bens domésticos).

a) deslocamentos da curva IS numa economia aberta: um

aumento no produto doméstico tende a provocar também um au- mento das importações, pois nem toda a demanda doméstica deve

ser suprida com bens produzidos domesticamente. Por outro lado,

um crescimento na renda externa tende a produzir um aumento no

produto doméstico, pois deve haver uma elevação na demanda por bens produzidos internamente.

b) condição de Marshall-Lener: para que a balança comercial de

um país melhore após uma desvalorização cambial, as exportações

devem aumentar na proporção em que compensem o efeito do aumento de preços das importações.

5.1.2. Curva LM para economia aberta: a condição de equilíbrio

no mercado de bens continua sendo dado por:

M

P

= YL (i )

a) condição de paridade de juros: a taxa de juros interna deve ser

igual à taxa de juros externa, mais a taxa de depreciação esperada

da moeda nacional. Assim, uma redução da taxa de juros leva a

uma depreciação da moeda e um aumento da taxa de juros leva a uma apreciação da moeda.

5.1.3. Política fiscal para economia aberta:

a) Regime de câmbio flexível: um aumento no gasto do governo pro-

voca aumento do produto, da taxa de juros e uma apreciação cambial.

b) Regime de câmbio fixo: uma expansão do gasto do governo

provoca aumento do produto, mas como a taxa de câmbio é fixa, o

governo não pode deixar que esta se aprecie e precisa a acomodar

a demanda por moeda, expandindo a oferta monetária. Assim, o produto aumenta ainda mais.

5.1.4. Política monetária para economia aberta:

a) Regime de câmbio flexível: uma expansão monetária provoca

aumento do produto, diminuição da taxa de juros e depreciação cambial.

b) Regime de câmbio fixo: para manter a taxa de câmbio fixa,

o governo deve ajustar a oferta monetária à demanda e assim,

abre mão da utilização da política monetária sobre regime de

câmbio fixo.

6. Organismos internacionais

6.1. Fundo Monetário Internacional (FMI): foi criado com o fim

das negociações de Bretton Woods em 1944 e tem como objetivo

supervisionar o funcionamento do sistema monetário internacional. Os países-membros subscrevem cotas cuja quantidade procura refletir a importância do país na economia mundial.

O FMI concede empréstimos para os países-membros com

dificuldades de financiamento do balanço de pagamentos. Há duas linhas principais de empréstimos:

6.1.1. o Acordo stand-by que é uma operação de financiamento

de curto prazo em que os empréstimos devem ser pagos entre dois

anos e três meses até cinco anos. A taxa de juros cobrada nesta modalidade corresponde à taxa básica do FMI, acrescida de 1%

a 2% ao ano. O valor máximo concedido corresponde a 300% da

6.4. Organização Mundial do Comércio (OMC): foi criado

em 1995 para substituir o GATT – Acordo Geral de Tarifas

de Comércio.

O GATT foi criado alguns anos após a Conferência de Bret-

ton Woods, a mesma que levou a criação do FMI e Banco Mundial. O objetivo do GATT era reduzir as restrições ao livre comércio, com a diminuição das barreiras comerciais; com a não-discriminação comercial entre os países e a instituição de compensações para os países prejudicados por aumento de tarifas alfandegárias. O GATT atuava como árbitro nos conflitos comerciais e promovia rodadas de negociação entre os países.

Link Acadêmico 8

A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos es-

tudos das disciplinas dos cursos de graduação, devendo ser complementada com o material disponível nos Links

e com a leitura de livros didáticos.

Fundamentos da Economia - 2ª Edição - 2009

Coordenação:

Fundamentos da Economia - 2ª Edição - 2009 Coordenação: Autora: Ana Paula Higa. Professora, economista com

Autora:

Ana Paula Higa. Professora, economista com dez anos de experiência atuando em departamento econômico de instituições como FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos), Itaú Corretora, Banco Itaú e outros bancos. Mestre em Economia pela UNICAMP.

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