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Regra De Preferência SCRIBD

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REGRAS DE PREFERÊNCIA – CTB - PRF

1.1. Regra De Preferência
Quando veículos, transitando por fluxos que se cruzem, se aproximarem de local não sinalizado, terá preferência de passagem:  No caso de apenas um fluxo ser proveniente de rodovia, aquele que estiver circulando por ela;  No caso de rotatória, aquele que estiver circulando por ela;  Nos demais casos, o que vier pela direita do condutor. É a chamada cláusula constitutiva da preferência em zona de conflito de tráfego. Na antiga Teoria do Eixo Médio, a preferência de passagem era concedida ao veículo que mais ligeiramente se aproximasse na zona de conflito, ou seja, a preferência seria daquele que chegasse antes na área de cruzamento. No entanto, as regras atuais não admitem mais esse entendimento, devendo os usuários observarem as novas regras disciplinadas pelo CTB, consoante entendimento jurisprudencial que passo a colacionar:
A teoria do eixo médio não mais tem aceitação pela jurisprudência, pois, levaria a admitir-se que teria razão o motorista do veículo que estivesse animado de mais velocidade. Com efeito, se dois veículos aproximassem-se do cruzamento ao mesmo tempo, atingiria o eixo médio central aquele que estivesse com mais velocidade, e tal teoria acabava por estimular o excesso de velocidade. Daí a sua rejeição hoje pela doutrina e jurisprudência (1º TACSP, 5ª Câm, AC 329.443, 05.09.1984).

Para que seja definida a preferência numa superfície de conflito de fluxos de veículos automotores, deve-se identificar, antes de tudo, a natureza das vias por onde circulam os veículos, a teor do art. 60 do CTB. Caso uma única via envolvida em conflito seja identificada como RODOVIA, seja federal, estadual ou municipal, a preferência será do veículo que por ela transita, independentemente do lado esquerdo ou direito do outro veículo em conflito, uma vez que nesse caso resta afastada a aplicação da regra da mão direita. 1.1.1. Quanto à Rotatória Aqueles que circulam pela rotatória possuem preferência com relação aos veículos que dela se aproximam. É de se destacar que, apesar de ser regra, a preferência na rotatória não é absoluta. A existência de sinalização ou a engenharia do anel viário podem fazer com que os veículos ingressem na rotatória diretamente e através de faixa própria, conforme figura abaixo, devendo-se observar as regras de mudança de transposição de faixas, ao entrar ou sair das faixas interiores que compõem o anel viário.

Para todas as demais situações, a preferência será daquele que transita pela DIREITA. 1.1.2. Casos Práticos

Apresentamos aqui alguns casos práticos de conflito de fluxos para análise da preferência, em observância à legislação vigente: É de ver que, em todos os casos as vias são urbanas e desprovidas de sinalização.

JEAN DINIZ

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REGRAS DE PREFERÊNCIA – CTB - PRF

Nesse caso, a preferência é do veículo 2.

Nesse caso, a preferência é do veículo 1.

Nesse caso, a preferência inicial pertence ao veículo 3. Logo depois, ao veículo 2.

Nesse caso, a preferência é do veículo 2.

Nesse caso, a preferência é do veículo 2.

Nesse caso, a preferência é do veículo 2, já que, o veículo 3 não está em zona de conflito.

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Nessa situação, devemos inicialmente analisar o conflito sob duas vertentes: A Zona de conflito Originária (precedente) e a Secundária (consequente). 1.1.3. Zona de Conflito Originária ou Antecedente

Consiste na interseção formada entre todos os veículos que estão na iminência de ingressar na área de conflito de fluxos, partindo da ciência de que numa perspectiva próxima haverá necessidade da observância de regras para solucionar problemas referentes à preferência no trânsito. Nesse momento, não se analisam os conflitos individualizados, por veículo, tomados um a um, mas, sim, de forma genérica, sem observância das luzes indicadoras de direção, como subsídio à definição pessoal dos conflitos. 1.1.4. Zona de Conflito Secundária ou Principal

No caso apresentado, teríamos a zona de conflito secundária formada pelos veículos 2 e 1, e 3 e 1. Para resolver esse conflito, deve-se combinar o dispositivo do art. 38, desta norma, com a Regra Manidestra (mão direita) insculpida no art. 29 do mesmo diploma, nos seguintes termos:
ʻʻParágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, RESPEITADAS AS NORMAS DE PREFERÊNCIA DE PASSAGEM.’’ (grifo nosso)

Se aplicássemos isoladamente este fundamento jurídico, ao realizar “manobra de mudança de direção”, o condutor (veículo 3) deveria ceder passagem aos veículos e demais usuários que viessem em sentido contrário da pista da qual vai SAIR (veículo 1). Porem, observando o dispositivo legal em sua estrita dicção, constata-se ao final que as normas de preferência de passagem devem ser RESPEITADAS, curvando-se a mudança de direção contida no parágrafo único às regras de preferência estudadas nesse capítulo. Por essa razão, se conferíssemos a preferência de passagem ao veículo 1, estaríamos desrespeitando norma de preferência estatuída no art. 29 inc. III, alínea “c”, da lei 9.503/97 (regra de preferência), contrariando a norma mais fundamental de regra de preferência. Nessa ordem de ideias, primeiramente, a preferência de passagem deve ser atribuída de forma originária ao veículo 3, respeitando a Regra da mão direita, para que haja uma interpretação sistemática do CTB e harmonizando os dispositivos jurídicos em análise. De fato, quando houver mudança de direção, o condutor deve sim ceder passagem aos veículos e demais usuários que transitem em sentido contrário da pista da qual vai sair, mas desde que não contrarie as regras de preferência de passagem, conforme expressa disposição final do parágrafo único do art. 38. Desse modo, a preferência deve ser atribuída ao veículo 3, em seguida ao veículo 2, para, só após, o veículo 1 avançar. Nesse sentido, é interessante o registro da posição do Dr. Arnaldo Rizzardo, consolidada na sua obra Comentários ao Código de Trânsito Brasileiro:
No parágrafo único, vem estabelecida a preferência de passagem aos pedestres, ciclistas e veículos que transitem em sentido contrário. Respeitam-se, assim, as normas atinentes à preferência de passagem, ou seja, quem já estiver circulando na via terá a preferência, obedecendo–se, é claro, às exceções que constarem no Código, como, v.g., a atribuída às ambulâncias, e aos veículos de polícia, quando em serviço. (Arnaldo Rizzardo, 2006, p.140)

Por fim, o código revogado previa conceito semelhante, quando definia no seu art. 13, III que : “todo veículo, para entrar numa esquina à esquerda, terá de atingir primeiramente, a zona central do cruzamento, exceto quando uma ou ambas as vias tiverem sentido único de trânsito, respeitada SEMPRE a preferência de passagem do veículo que venha em sentido contrário’’(Grifo nosso). Vários operadores do trânsito entendem que essa regra ainda permanece em vigor, sem atentar para o fato de que o novo código; primeiro, retirou a expressão ‘ ’respeitada SEMPRE a preferência de passagem do veículo que venha em sentido contrário’’; e segundo, inseriu, ao final, o respeito às regras

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de preferência de passagem, como condição para manobra de mudança de direção, isso sem falar que o revogou expressamente. Numa questão da CESPE/UNB, cobrada no concurso da Polícia Rodoviária Federal de 2004, o tema foi cobrado da seguinte forma: “Em um cruzamento não -sinalizado de uma via coletora com uma arterial, terá preferência de passagem o veículo que vier pela esquerda de um dos d ois condutores envolvidos”. O elaborador teve cuidado em definir as vias envolvidas no caso (coletora e local), além de ausentá-las de qualquer sinalização. Com todos esses elementos assumidos, a afirmação deve ser considerada absolutamente FALSA, pois, a preferência pertence ao veículo que transita pela direita, contrariando a afirmação exarada. Noutro giro, a Regra Manidestra (mão direita) não se aplica nos seguintes casos:  Todo condutor que surgir de uma vereda ou de uma estrada de terra para entrar na via que não seja vereda ou estrada de terra é obrigado a dar passagem aos veículos que trafegam nessa via. Para finalidade do presente Artigo, os termos vereda e estrada de terra poderão ser definidos na legislação nacional (Tratado de Viena).  Veículo parado ao longo da via que se incorpora ao fluxo sem dar preferência aos veículos de fluxo principal. (Código de Trânsito Brasileiro art. 14, item 1).  Acesso a propriedades lindeiras a via: a preferência é do condutor que transita pela via (Código de Trânsito Brasileiro art. 18, item 3);  Os veículos que se deslocam sobre trilhos terão preferência de passagem sobre os demais, respeitadas as normas de circulação. Vale destacar que apesar de tratarmos nesse tópico sobre conflitos laterais, a formação de caminhos ou passagens proporciona, naturalmente, espaço suficiente para o trânsito de um único veículo automotor, originando, nesse contexto, a potencialidade de conflitos frontais. Impasses resolvidos nos termos do artigo 12 do Tratado de Viena de 1981.
“Em vias de montanhas e vias de grande declive que tenham características análogas, nas quais seja impossível ou difícil passar ao lado de outro veículo, o condutor do veículo que desce deverá afastar- se para dar passagem para os veículos que sobem...’’

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