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MEDICINA LEGAL – JOSÉ HAMILTON 05/02/13 MEDICINA LEGAL é a massa de conhecimentos médicos e físicos que viabiliza o Direito, dando condições

de torná-lo operacional. É a aplicação dos conhecimentos médicobiológicos a serviço das ciências jurídicas. Dar sustentação a um fato jurídico. Não chega a ser propriamente uma especialidade, pois aplica o conhecimento dos diversos ramos da medicina às necessidades do Direito. Não existe prognóstico, previsão, na medicina legal. O exame é sempre atual ou passado. A medicina legal é exclusivamente objetiva. Não importa o que o examinado esteja sentindo (subjetivo). Sintomas nada valem. A medicina legal verifica os sinais. Ademais, a medicina legal participa da elaboração de novas regras. No momento de se estabelecer novas leis, faces aos avanços das técnicas científicas, ex. clonagem, cirurgias de transexuais, manipulação genética. A medicina legal pode ser dividida em duas áreas: geral e especial. GERAL: estuda os direitos e deveres dos profissionais: deontologia (áreas dos deveres – normas éticas) e disteologia (área dos direitos). Refere-se a exercício legal da medicina, segredo médico, responsabilidade médica, ética médica, etc. ESPECIAL: estuda as áreas de atuação: - identificação: identificação total ou parcial. - traumatologia: tudo que agride ou mata o ser humano. - toxicologia: procedimentos periciais em casos de envenenamento. - asfixiologia: formas de carência ou anulação da função respiratória. - sexologia: envolve questões de sexualidade humana. - infortunística: doenças profissionais. Estabelece o nexo entre os acidentes e as incapacidades laborativas. - tanatologia: estudo da morte (realidade, tempo, causa e demais aspectos); - psicopatologia: alterações mentais de importância no direito. Envolve teoria da imputabilidade e capacidade por modificações de natureza mental. - criminologia: estuda todos os aspectos pelos quais ocorre o crime. - vitimologia: estudo do papel da vítima nos eventos criminais. Elas não são totalmente irresponsáveis pela sua vitimização.

DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS DOCUMENTO é todo instrumento que tem a faculdade de reproduzir e representar uma manifestação do pensamento. No campo médico da prova, são expressões gráficas, públicas ou privadas, que têm o caráter representativo de um fato a ser avaliado em juízo. Os médicos, seja de qualquer especialidade, por força de lei, podem emitir documentos que possuem força de lei. Na missão de informar às autoridades, o médico produz documentos que apresentam uma configuração que varia conforme a situação e a sua finalidade.

1. ATESTADO MÉDICO

O documento médico mais comum é o ATESTADO MÉDICO. São os documentos mais elementares e resumem-se na declaração pura e simples, por escrito, de um fato médico e suas consequências. A falsidade de atestado médico é crime no Brasil (falsidade de atestado médico – artigo 302 CP) e infração ética. É um documento altamente corrompido, em razão da junção de médicos corruptos e interessados corruptores. Outro aspecto do atestado médico é o sigilo profissional. O sigilo não pertence ao médico, é a privacidade, intimidade do paciente que está protegida. Dada à profusão de atestados médicos, empresas passaram a exigir que se constasse nos atestados médicos o diagnóstico. Entretanto, tal exigência é ilegal, ainda que sob a forma codificada (CID – Código Internacional de Doenças). Para contornar a situação (paciente exigir diagnóstico), o médico passa a utilizar uma fórmula a constar que “atendendo a solicitação do interessado” atesta que o paciente está impossibilidade de exercer determinada atividade em razão de determinada patologia. Os atestados médicos são utilizados para diversas finalidades: oficiosos, administrativos e judiciários. - oficiosos: são solicitados pelo interessado e visam unicamente ao interesse privado. Ex. atestados médicos para justificar faltas ao trabalho ou para frequentar piscinas públicas. - administrativos: exigidos pela autoridade administrativa. Ex. servidores públicos que precisam apresentar atestado para solicitar licença; atestados exigidos para admissão em órgão público. - judiciário: são requisitados pelo juiz. Ex. jurado para justificar falta ao plenário. Os atestados médicos devem atender a alguns requisitos: - identificação clara sobre o médico: número de registro no CRM, endereço, telefone, especialidade; - título em destaque: atestado - deve começar com a expressão “atesto, para fins...” - local e data.

2. LAUDO OU RELATÓRIO MÉDICO-LEGAL Tem força de lei e, necessariamente, é mais sofisticado do que o atestado, pois tem descrição escrita e minuciosa de todas as operações de uma perícia médica a fim de responder à solicitação de autoridade policial ou judiciária. Deve constar necessariamente: - identificação completa do paciente; - histórico que justifique a elaboração do laudo. Compõem-se dos fatos mais significativos que motivam o pedido da perícia ou que possam esclarecer e orientar a ação do perito. - exame externo no paciente e eventualmente interno (paciente morto); - discussão e conclusões, ou seja, síntese dos achados médicos. - respostas aos quesitos formulados. A lei determina os quesitos oficiais. Eles definem o crime e suas circunstâncias. Quesitos são perguntas cuja finalidade é a caracterização de fatos relevantes que deram origem ao processo. Depois de terminada a perícia, o laudo será redigido.

Observada a violação. Essas pessoas são chamadas durante o processo. Juiz. 5. Este documento está praticamente restrito a uma única situação que. Terminada. temos que reconhecer dois aspectos distintos: . exige tal procedimento: é o auto de exumação de cadáver. no compromisso do auto. um zelador e dois coveiros. deve ser identificada a ação e descrita no auto. Ainda sim. de forma que ao término do ato pericial o documento está pronto. onde o corpo está sepultado. deve ser assinada por todos. que as partes envolvidas no processo escolhem. Difere do laudo que pode ser redigido depois de feita a perícia. eventual tirada de fragmento para perícia laboratorial. . por sua natureza. ATESTADO DE ÓBITO IDENTIDADE E PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO IDENTIDADE é tudo aquilo que faz alguém só ele e nenhum outro. pelo menos. porém diferencia-se porque é um documento redigido ao tempo em que se faz a perícia. acerca do sepultamento. desenho craniano. que devem ser compromissadas na forma da lei. É solicitado quando verificam que as perícias já realizadas são contraditórias ou divergentes. . É o conjunto de características exclusivas de alguém que o distingue dos demais.19/02/13 3. após compromissado. O zelador do cemitério deve indicar onde está o corpo e deve dar fé. crista papilar (que formam a impressão digital – desenho). No estudo da identidade humana. Portanto o documento deve ser redigido. finalizado e assinado ao término da perícia. Há diversos elementos no corpo humano que tornam uma pessoa única: íris. Essa perícia se diferencia das outras por algumas razões. As partes aceitam esse parecer não como nova perícia.subjetivo: é a consciência do indivíduo de ser ele mesmo durante toda a sua existência. o delegado deve estar presente. palato. indícios de eventual violação. deve ser feita a perícia. além dos funcionários que confeccionarão o laudo (digitação) e o perito. O perito dita e o servidor digita. a recolocação do corpo na urna. Tudo será descrito no auto. MP. entre elas porque é necessário incluir na perícia pessoas estranhas à prática pericial. mas como forma de análise dos documentos periciais já existentes. 4.objetivo: características físicas peculiares que lhe dão a individualidade. situação do cadáver. de notável saber e de moral ilibada. Deve incluir. Isso porque pode haver uma segunda exumação e o novo perito deve saber exatamente os fatos ocorridos. descrevendo exatamente a forma como foi deixado o cadáver. Convidam-se as partes envolvidas na questão que será esclarecida na exumação. etc. AUTO MÉDICO-LEGAL Tem a principio a mesma estrutura do laudo. Os coveiros são chamados também e prestam compromisso e devem responder às perguntas do perito. PARECER MÉDICO-LEGAL É um documento executado por alguém.

4 . Por fim. além de dados de fácil observação. A fotografia não serve para identificação. cabeça para frente e mãos com as palmas para frente: . Alguns reagentes químicos podem ajudar os peritos a identificarem se alguns elementos biológicos são humanos ou não. Método Datiloscópico O ser humano tem referências anatômicas a partir da posição de pés virados para frente. A base técnica para o reconhecimento de ossos humanos é o conhecimento detalhado das particularidades anatômicas do nosso esqueleto. Entretanto. Ex. podem auxiliar na identificação (ex. possam distingui-lo de todos os demais. sinais particulares do indivíduo. dados técnicos e métodos precisos que possibilitam estabelecer sem duvidas a identidade. exame radiológico). estudos da antropologia física (ou biológica) podem auxiliar na identificação do individuo. como na identificação do sangue. pois as pessoas modificam-se na aparência com o passar dos anos. O processo de identificação deve preencher os seguintes requisitos técnicos: 1 . fragmento de ossos. vivo ou morto. estatura. A identificação de corpos inteiros e conservados pode ser uma tarefa sem maiores problemas. Devem ser características que conservem o mesmo aspecto em qualquer época para posterior confronto. 2 .elementos que apareçam desde a vida embrionária (precoce). por exemplo.técnica econômica e prática. 3 . Ademais. Mas o que interessa mais vivamente à Medicina Legal é a identidade física.característica perene (imutabilidade): os elementos escolhidos para identificação não podem modificar-se facilmente pela ação do tempo ou de doenças. possibilitando a divisão em grupos que permitam a comparação e identificação. sêmen. previamente conhecidos. A IDENTIFICAÇÃO é o processo pelo qual se estabelece a identidade. Não deve ser confundida com simples reconhecimento. A identificação utiliza. a identificação de um indivíduo a partir de restos humanos trata-se de tarefa muito difícil: ex. raça.A identidade subjetiva pode ficar comprometida nos casos em que a consciência esteja perturbada. por meio de características próprias do esqueleto. É um conjunto de técnicas para identificar alguém. capazes de serem percebidos por pessoas leigas. idade aproximada e características pessoais (ex. como em certas doenças mentais ou perda da memória.que seja possível classificar (classificabilidade): o processo de identificação deve valer-se de elementos de fácil classificação. a partir da análise de osso inteiro (ex. ficha dentária.inferior e superior. num conjunto. sangue. embora sem deixarem de ser as mesmas desde que nascem. sêmen e fragmento de osso. MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO 1. cirurgias. Nenhuma pessoa é idêntica à outra e até mesmo gêmeos univitelinos podem ser diferenciados após exame minucioso. O processo de identificação tem que se basear em sinais e dados peculiares ao indivíduo e que. calo ósseo). . Trata-se de método para identificar o ser no todo ou parte dele. A medicina desenvolveu diversas técnicas para identificação. fêmur ou crânio) é possível estabelecer características como sexo. como peso e cor do cabelo.

As cristas papilares começam a surgir a partir do 6º mês de gestação e não sofrem qualquer alteração no decorrer da vida. Presidente externa (E): presença de delta à esquerda do observador. é uma característica perene e imutável. que recebem o nome de pontos característicos (ex. A única forma de anular essas cristas é através corte por bisturi. Portanto. . . A impressão digital será a mesma sempre. ventral (frente). os dedos são contados de 1 a 5 a partir do polegar. de todos os dedos das mãos têm cristas papilares separadas pro sulcos pouco profundos e. possibilitando a classificação das impressões digitais. portanto útil para a técnica de identificação. formam o DELTA. ilhotas. . 26/02/13 Já foram propostas diversas classificações das impressões digitais. No que tange à região palmares. depois de algum tempo elas se regeneram. ex. A impressão digital está na face palmar da mão. voltada para a frente. . não se tocando.quantitativos: a contagem do número de linhas existentes entre dois ou mais pontos característicos aumenta muito a capacidade de distinguir duas impressões entre si.qualitativos: desenhos formados pelas diversas cristas. há determinados padrões que se repetem. A análise de uma impressão digital deve levar em consideração elementos: . a referência é em relação à pessoa que está sendo observada. . As linhas horizontais das cristas papilares são chamadas de sistema basilar. com o auxilio de tinta e superfície lisa cria-se as impressões digitais. As pessoas podem ter delta: . Quando esses três sistemas se aproximavam. Na perícia.topográficos: a distribuição dos pontos na figura e o seu posicionamento. e interno o lado que está virada para a barriga (próximo ao dedo médio).dois lados.dorsal (atrás). Presilha interna (I): presença de delta à direita do observador. externo é o lado do dedo que está voltado para fora (próximo ao dedão). cessando a atividade. bifurcações.do lado interno da impressão. é uma perda transitória. O sistema no centro da polpa é o sistema nuclear. Portanto. 2. No dedo. verificou-se que todas as polpas digitais. Entretanto. indicador.ausência de delta. Arco (A): ausência de delta. etc).do lado externo da impressão. 3. . . Apesar da infinidade de desenhos observados nas impressões digitais. ausência e a posição da figura chamada de delta (em razão da semelhança com a letra grega).. É meio econômico e prático de identificação e não expõe o indivíduo a qualquer forma de constrangimento. A classificação de Vucetich toma como elemento básico a presença.laterais (direita e esquerda – de quem está sendo analisado). forquilhas. portanto. As linhas que acompanham a polpa digital é chamada de sistema marginal. porém a utilizada no Brasil é a de Jean Vucedish. São 4 os tipos fundamentais da classificação de Vucetich: 1. Essas cristas vão sendo achatadas com o passar dos tempos e de acordo com a atividade desenvolvida pelo indivíduo. Nas impressões digitais.

E – 4134 mão direita: polegar (pres. anelar e mínimo. Essa classificação alfabética é utilizada apenas para os polegares. ou seja. Ex. médio. Presilha interna I2 No sistema de Vucetich. Verticilo (V): presença de dois deltas.. externa).). médio (pres. indicador. são utilizadas as impressões digitais dos dez dedos das mãos do indivíduo. E-3. é um método alfanumérico. I-2. A-1). Para os demais dedos é utilizado um equivalente numérico (V=4. É utilizada uma fração: Numerador: código das polpas digitais da mão direita Denominador: código das polpas digitais da mão esquerda Utilizando-se a sequência dos dedos: polegar.. . indicador (verticilo). o arquivamento das impressões digitais é do tipo decadactilar. Portanto. um à direita e outro à esquerda..4. ext.

atropelamento. É o efeito do impacto. Os instrumentos contundentes não têm uma única lesão padrão . Dependendo da . energia cinética (resultado da massa de um instrumento multiplicado pela velocidade). etc. O delta classifica em grupos. os traumas são causados por AGENTES: físicos. etc. b) passiva: o corpo vai de encontro ao agente. Às vezes. faca sem ponta. causado basicamente pela energia mecânica. TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL Mortes e lesões determinadas por ações externas que causam cavidade ou fraturas. a velocidade é desprezível. bisturi. São instrumentos puramente perfurantes produzem uma lesão típica: ferida punctória ou puntiforme. Os agentes mecânicos podem atuar de maneira: a) ativa: o agente vai de encontro ao corpo. c) CONTUNDENTES: que age por um plano. agulha. soco. biológicos. A lesão típica da ação cortante recebe nome de ferida incisa.A – 1431 mão esquerda Essa fração é para encontrar o delta nas impressões digitais de um indivíduo. mas a massa é muito grande. ponta fixa de compasso. caco de vidro. navalha. mas havendo 12 coincidências nas características das linhas papilares.AGENTES MECÂNICOS: é um trauma que pode levar a alterações. Os agentes mecânicos podem agir no corpo de forma (modalidades simples): a) PERFURANTES: ex. Normalmente. Num acidente de trânsito. mecânicos e mistos. Ou seja. químicos. b) CORTANTES: ex. numa batida a 100km/h equivale a 500 quilos em cada centímetro do corpo humano. 1. lâmina de barbear. a pessoa será identificada. Ex. martelo.

é o instrumento que corta e contunde. c) PERFURO-CONTUSA: Alguns instrumentos associam ação perfurante contundente. b) CORTO-CONTUSA: Muito comum. O seu formato pode. projétil de arma de fogo. alguns dias depois roxa. É uma rubefação representada em razão da dilação momentânea dos vasos que logo se recompõe. II) equimose: se o impacto do instrumento contundente for maior um pouco. não tenha ação exclusiva. dedos. As feridas contusas mais comuns são: I) eritema ou rubefação: a mais simples das lesões. Não possui consequência anatômica alguma. amarelo e some. equimose por sucção próxima à genital da vítima). e Instrumentos CONTUNDENTES: Os instrumentos contundentes. ex. É o espectro equimótico em razão do qual é possível estabelecer aspectos temporais (cronologia). ainda. do terceiro ao sexto dia acentua-se a cor azulada que vai passando a esverdeada do sétimo ao décimo segundo dia e ao amarelado do décimo terceiro ao vigésimo dia. as feridas contusas podem ser de modalidade diferente. Ele vai cortando e contundindo. que seja suficiente para romper alguns vasos. do ângulo que atinge o corpo e da superfície do instrumento. para em seguida voltar à cor da pele vizinha”. formando aquela mancha roxa. Através dos aspectos da equimose é possível ainda sugerir a prática de crimes sexuais (ex. Ex.intensidade do instrumento agir. no dia em que ocorre o trauma é vermelho vivo. corda. verde. ainda. Evolução cromática: “de início a cor vermelha transforma-se em um tom vermelho violáceo. motivo pelo qual há doutrinadores (minoria) que entendem que a eritema não configura lesão corporal. identificar o instrumento agressor. não produzem uma única espécie de lesão. a) PERFURO-CORTANTE: Ex faca de ponta: duplicidade de ação que é mesmo tempo perfurante e cortante. São comuns os instrumentos que tenham mais de uma ação. ainda. COR Avermelhada Azulada Esverdeada Amarelada Desaparecimen to EVOLUÇÃO Do início ao 3º dia Do 4º ao 6º dia Do 7º ao 12º dia Do 13º ao 21º dia Depois do 22º dia . infiltração do sangue na malha do tecido. A lesão recebe o nome corto-contusa. Há. foice espesso. 3 modalidades complexas: talvez a maioria dos instrumentos. causando a lesão perfuro-contusa. machado. evolui para o azul. em decorrência desse rompimento. A. É transitória. Essa mancha. Ex. ao contrário dos instrumentos das perfurantes e das cortantes. etc.

nos pontos de flexão dos membros.o calibre do instrumento. . Se perdesse a pele inteira configura perda de tecido. mas tangencialmente. em que o cérebro está fortemente comprimido. não tem maior gravidade. A verdadeira escoriação não tem sequela. portanto. deixando a derme descoberta.entre uma lateral e outra da ferida há resto de tecido. A ferida causada por um instrumento perfurante liso e cilíndrico é preciso rasgar a pele a favor das linhas de resistência. mobilidade. formando uma lesão aberta. resultando uma lesão que é uma fenda. dando uma ralada na epiderme. supercílios. As incisões cirúrgicas feitas nos sentidos das linhas de resistência têm ótima cicatrização. não de impacto. Se a perfuração com instrumento liso e cilíndrico for num ponto onde muda a direção das linhas de tensão forma uma ferida triangular ou estrelar. no fígado e baço. Há uma membrana (meninge) que reveste o crânio. resultando em feridas em fenda. . É.local onde foi atingido. Em tese. É sempre perpendicular à pele. causando uma convulsão no sujeito que pode levar à morte se não for rapidamente drenado o sangue. Há o hematoma em dois tempos.III) hematoma: se o impacto é ainda maior. geralmente. . rompendo vasos debaixo da pele. Se tem muitas ações perfurantes. mas.A superfície exposta do vaso seccionado é menor. . chamada ferida botoeira. uma lesão superficial de atrito (ralada). onde a pela fica mais presa no plano profundo.as bordas são irregulares. retirando-a. Há um ponto de saturação. não deixa marcas. forma-se um volume sanguíneo. IV) escoriação: se o instrumento age. pois são oriundas de uma área de mesmo sentido de tensão. Já existem decisões de que o paciente alegou que era perfeitamente possível fazer uma lesão com menor sequela e o cirurgião não o fez. Se deixar cicatriz não foi escoriação.presença de lesão nas proximidades dessas bordas. Isso ocorre porque o vaso sanguíneo foi danificado. em fenda ou casa de botão. todas as fendas terão a mesma direção. Sequelas: Instrumento PERFURANTE: A pele humana tem diferenças resistência. Outra situação ocorre no crânio. tem linhas de tensão ou de resistência (linhas de langers). Ex. a não ser que seja a porta de entrada para bactérias resistentes. . fazendo com que essas feridas sangrem menos. V) ferida contusa: quando o tecido pouco espesso é rasgado por um instrumento que age com muita violência. formando um hematoma que progride (cresce) em direção ao cérebro. libertando sangue para os tecidos onde não pertence. mais profunda do que extensa. onde ocorre um processo demorado que pode levar à morte. Tem como características (opostas das incisas): . Consequências dos instrumentos perfurantes: As ações perfurantes tem sua nocividade de acordo com: . Há perda da epiderme. Numa pancada no crânio pode causar um trauma entre a meninge e o osso. etc. que rompe a epiderme.

bactérias. de forma que um instrumento menor faz um trajeto maior. ex. modificando-a de alguma forma. sem grande profundidade. Um instrumento perfurante pode fazer uma lesão mais profunda do que seu comprimento. Características: .esgorjamento: ferida incisa na face anterior do pescoço. mas também paralela à pele. pequena que seja. há a deformidade permanente que deve ser: .entre uma lateral e outra da ferida não há qualquer resto de tecido. . seccionando-as. .onde o vaso sanguíneo é cortado vai formando um coágulo em razão do depósito de plaquetas. mas quando o agente penetra costuma inocular agentes causadores de doenças (fungos. . as feridas incisas sangram mais que outros tipos de feridas. Com instrumento cortante a coagulação é mais demorada. Agem por uma linha: caco de vidro. A nocividade dessa ferida não é tanto da estrutura onde atinge.permanente e aparente. na parte lateral do pescoço pode levar à morte. pode ser considerada deformidade permanente. Só têm a interrupção da continuidade da superfície. As feridas incisas podem ser importantíssimas de acordo com o local onde estejam situadas.decapitação: ferida incisa que separa a cabeça do corpo. 05/03/13 Instrumento CORTANTE: As feridas incisas são aquelas realizadas por instrumentos só cortantes. isso porque os tecidos são comprimidos. diferente de feridas causadas por outros instrumentos.degolamento: ferida incisa na região da nuca. Qualquer cicatriz que possa enfeiar a expressão. tétano. . . as cicatrizes serão de aspectos ruins. .as bordas são regulares. . dependendo da pessoa. A superfície exposta do vaso seccionado é maior. pessoas que vivem da imagem (modelos. porque a secção do vaso é muito regular. A ferida incisa é sempre mais longa do que profunda. Portanto. .ausência de qualquer lesão nas proximidades dessas bordas. seccionando os planos até onde se esgota a sua força de aplicação. É chamado sinal do acordeão. recebem nome próprio: . atores).A ferida punctória é sempre mais profunda do que extensa. fibrinas e glóbulos brancos. Ex.o sentido da ferida pode cortar em perpendicular. Algumas feridas incisas. A grangrena gasosa é extremamente difícil o tratamento. Quando a ferida incisa é contrária às linhas de tensão da pele.ser de tal natureza que comprometa a identidade do indivíduo ou cause sério constrangimento. fazendo com que essas feridas sangrem mais. Para conter o sangramento decorrente de feridas incisas em extremidades do corpo (braços e pernas) com garrotes. pela sua gravidade e importância. Se o vaso foi rompido em razão de dilaceração a formação do coágulo espontâneo é mais rápida. Uma ferida incisa. Gravidade quanto à sequela: Entre as lesões gravíssimas tipificadas no CP. etc). Se realiza por pressão e tração.

Calibre é o diâmetro medido na saída do cano. fuzis e cartucheiras. que é um instrumento característico da ferida perfurocontusa. Na maioria das vezes. As armas podem ser classificadas em: Mecânica. manual: revólver. mas não de uso tão frequentes como as armas de fogo que. dispara o projétil. O instrumento cortante produz uma calda de escoriação. projétil único: revólver. 12/03/13 LESÕES COMBINADAS 1) Instrumentos PERFURO-CONTUNDENTES: Feridas Perfuro-contusas Essas lesões são produzidas por um mecanismo de ação que perfura e contunde (o instrumento é perfuro contundente). automáticas: metralhadoras. Existem outros instrumentos que produzem esse tipo de ferida. podem estar representados por meios semelhantes. projétil múltiplo: garrucha e cartucheira. rifle. longas: rifles. são caracterizadas como instrumentos perfurocontudente. As armas podem ser portáteis (mais comum) ou fixas (armas de guerra). . É a parte da ferida incisa em que o corte vai se tornando superficial. A arma de fogo. como a ponta de um guarda-chuva. não raras vezes. revólveres. quando aciona a munição. perdendo sua profundidade até que se torne mera escoriação. que nos permite saber o sentido em que o golpe foi aplicado e. semi-automática: pistolas. Flexão e extensão Quases todas as situações são feitas em musculatura de flexões. esclarece a situação em que o crime ocorreu. Esses ferimentos são produzidos quase sempre por projéteis de arma de fogo. curtas: pistolas. esses instrumentos são mais perfurantes do que contundentes. A extensão é uma exceção.Gravidade quanto ao local atingido: de acordo com o local do corpo atingido a ferida incisa pode gerar danos mais ou menos graves. ARMAS DE FOGO Acionam cartuchos com projétil. metralhadora. Essa medida é o que dá o calibre em milímetros ou em centésimos de polegada. sendo este o verdadeiro instrumento. no entanto.

labareda. O projétil é instrumento perfurocontundente. podendo ser revestido de níquel. Quando o orifício do cano está encostado à pele. Essa ferida recebe o nome de zona de Hoffman . impregnada por mercúrio.Nas armas de projétil múltiplo (carabinas. somadas. Ex. Junto com o projétil são lançados também restos da bucha. Essa área chama-se área de enxugo.Tiros à queima roupa.).Tiros Encostado. há uma peça de metal. bucha: disco de feltro. então. fica tudo sob a pele. Impactada pela espoleta. Acontece uma explosão interna: gases. composto de: cartucho: estojo de latão. projétil: de chumbo. Para nós é interessante. Dentro desse cilindro há a espoleta. botão etc. sob a forma de grãos. Tem a orla de fish e a orla de queimadura. como graxa. produziz uma pequena chama. Atingem a ferida tudo o que estava no caminho do projétil (tecido da roupa. Isso nos projéteis chamados de baixa energia. que. Uma parte da pólvora não se queima. ainda. fumaça e eventuais sujeiras. A queima de uma carga padrão (calibre 38) gera gases que. sendo lançada a uma distância de até 15cm. O projeto é. . pólvora. no entanto. enxofre e salitre. o calibre é dado pelo peso. Indicam fatalmente suicídio. fumaça. O cartucho é composto. fibra ou papelão. aquecidos. pólvora: carvão pulverizado. são capazes de saturar 800 cm³. O projétil se “enxuga” e chega limpo ao destino. de pólvora (enxofre+carvão+salitre). plástico ou papel prensado. a pólvora é incendiada. Tiros encostados (ver explicação sobre ‘cartuchos’). estudarmos as lesões decorrentes desse instrumento perfurocontundente (projétil): . Finalmente. . imprimindo-lhe uma velocidade em torno de 600 a 800 km/h. o que aumenta a pressão do compartimento e desentuba o projétil. espoleta: fulminato de mercúrio ou fosfato de bário. cartucheiras). encravado no cartucho. o cartucho é composto de um cilindro com uma extremidade fechada e outra aberta. Quando o projétil desentuba. A arma de fogo é o aparelho que coloca em ação o cartucho. que recebe o nome de bucha. ocorre a explosão do cartucho. papelão ou tecido. pelo atrito. Esse combustível é tamponado por papel.: calibre 12 – o cartucho dessa arma contém doze esferas de chumbo que.Tiros à distancia. não há espaço entre o cano e a pele. que é o projétil. De uma maneira geral. correspondem a uma libra.

Sinistrogiras: imprimem uma rotação no sentido anti-horário. o disparo foi perpendicular a pele. A pólvora que chega junto com o projétil e que se aloja na pele. o que propicia um alcance maior e uma direção mais precisa. O disparo encostado produz a impressão do cano quente na pele. queimará a pele. Nessa zona de enxugo serão encontrados tudo o que o projétil leva pelo caminho (tecido. desenhando a boca do cano na pele (sinal de Werkgaertner). de duas a quatro horas. sujeiras etc. Essa zona recebe o nome de zona de Fisch. não há zona de tatuagem e esfumaçamento. Gera um sinal circular na pele. formando a zona equimótica. além de contundir e perfurar. o disparo foi inclinado em relação a pele. A usinagem do cano possui cristas que recebem o nome de raia. rompe pequenos vasos. a zona atingida fica estufada e crepita (sinal de crepitação – os gases ficam “borbulhando). de projétil único. Qual a importância da distinção? Se é circular. O projétil. o projétil provoca na pele uma escoriação. denteada e com entalhes. perfurando a pele. Essa impressão recebe o nome de sinal de Werkgaertner (prof. devido à ação resultante dos gases que deslocam e dilaceram o tecido (sinal de Hoffmann). Nos três tipos de disparos. a forma do orifício é irregular. marca quente. coisas que estão interpostas entre o cano e a pele do indivíduo).. Esse sinal só vale para os primeiros momentos após o disparo. em forma de meia lua. os orifícios de entrada são menores que o diâmetro do projétil. A área fica meio abaulada. o projétil. Chegam também à ferida os detritos da bucha. as bordas da ferida estão voltadas para dentro. por causa da elasticidade da pele. pois os elementos da carga penetram pelo orifício da bala. que se chama zona de enxugo. O interior do cano das armas curtas. Onde o projétil perfurar. Gera uma marca ovalada na pele. Devido à rotação. No ser humano vivo.Após o disparo. no máximo quatros horas. o sinal de Werkgaertner aparece pela metade. Se é ovalar. A raia produz uma rotação do projétil a alta velocidade. Isso gera uma figura diferente. em geral. quando o revólver não está totalmente encostado à pele. não é liso. produz a zona de . São características das feridas produzidas por tiro encostado: orifício de diâmetro menor que o projétil. Tiros à queima-roupa Se o alvo estiver colocado a até 15 cm da arma. provocando uma zona de queimadura. não falou). As raias podem ser: Destrogiras: imprimem um movimento no sentido horário. haverá uma zona de escoriação. Existe uma outra hipótese. que são retidos pela pele.

São características do furo de entrada nos tiros à queima-roupa: menor que o diâmetro do projétil. É possível. determinar a qual distância foi dado o tiro. a linha reta que une o orifício de entrada e o orifício de saída representa o trajeto do projétil dentro do corpo. Tem o formato de um funil e. A orla de escoriações tem aspecto concêntrico nos orifícios arredondados e em crescente ou meia lua nos orifícios ovalares. vista apenas nos primeiros instantes. De maneira geral. pelo fato de o projétil mudar o seu trajeto dentro do corpo. onde o orifício de entrada é menor que o de saída. A característica da zona de esfumaçamento é que pode ser facilmente retirada com uma simples limpeza no local. zona de compressão de gases. na entrada. conforme o grau de impacto. zona de queimadura . Na cabeça. Só tem orla de fish e a zona equimótica). Em várias ocasiões.tatuagem. o diâmetro menor aponta a direção do projétil. A bala faz o trajeto entre o couro cabeludo e o tecido que envolve o crânio. (zona de tatuagem. a borda está voltada para dentro. dando-se o nome de bala giratória. a maior extensão da zona de Fisch indica a direção do projétil. e sob o couro existe um tecido mole. Quando o projétil entra. Tiros à distância São características do orifício de entrada: Forma arredondada ou ovalar. forma circular se o disparo for perpendicular à pele. Quanto maior a base do cone. Se traçarmos uma linha da zona de esfumaçamento. devido à elasticidade da pele. e forma ovalar se o disparo for tangencial. se for perpendicular ou oblíquo em relação à vítima. Bordas para dentro. também. a partir do exame da ferida. dependendo do disparo. zona de enxugo. presença de orla de escoriações (zona de Fisch). forma um cone que recebe o nome de sinal de Bonnet. A zona de Fisch alongada aponta na direção de onde veio o projétil. PROJETEIS NO CORPO: . de esfumaçamento não tem mais. teremos a figura geométrica de um cone. A localização do projétil de arma de fogo dentro do corpo humano é extremamente difícil sem o auxílio do raio X. Por fora dessa zona. o projétil passa pelo couro cabeludo e não penetra na cabeça. zona de esfumaçamento periférico. mudar de ângulo. Algumas vezes. Quando o tiro é dado em perpendicular. Presença da auréola equimótica (ruptura de pequenos vasos localizados na vizinhança do ferimento). Nos orifícios ovais. auréola equimótica.a borda é ligeiramente queimada pelo calor do projétil. o projétil pode mudar de trajeto dentro do corpo. o diâmetro da ferida é menor que o projétil. a fumaça: zona de esfumaçamento (é a mais periférica de todas). zona de tatuagem. maior a distância entre a arma e o alvo. pode ocorrer um fenômeno: O couro cabeludo é móvel. pode se fragmentar e pode.

pelo fato de o projétil mudar o seu trajeto dentro do corpo. na entrada. classificadas quanto à gravidade: leve. Esses resultados encontram-se no CP. terá uma orla de fish (orla de escoriação). nunca tem zona de Fisch. pode ocorrer um fenômeno: O couro cabeludo é móvel. há um trajeto pelo qual a bala percorreu. Essa classificação não leva em conta o tamanho ou localização da lesão ou agente causador. quando atinge o fêmur. o projétil não atingir nenhum órgão vital. A bala faz o trajeto entre o couro cabeludo e o tecido que envolve o crânio. pode haver zona de enxugo. isso porque o projétil não toca a epiderme da pele. grave e gravíssima. Quando o projétil entra. O CP estabeleceu três modalidades de lesões. Pode ser que tenha apenas um tiro no corpo da vitima. forma um cone que recebe o nome de sinal de Bonnet. 19/03/13 CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CORPORAIS Há necessidade de se classificar as lesões. Entre o orifício de entrada e o orifício de saída ou do orifício de entrada até onde a bala está alojada. nem qualquer outra lesão de pele. o que as produziu ou qual sua extensão. por exemplo. As bordas da pele estão para fora. Algumas vezes.Entrada e saída do corpo: A ferida de saída é sempre maior que a ferida de entrada. irregular. Na cabeça. Dificilmente há uma linha reta. A localização do projétil de arma de fogo dentro do corpo humano é extremamente difícil sem o auxílio do raio X. onde o orifício de entrada é menor que o de saída. É estrelada. Portanto. e depois a região das axilas). em hipótese alguma. pois o projétil pode levar tecidos. o trajeto é sempre irregular. Importa o que a lesão resultou para aquela pessoa. ele a vulnerou de dentro para fora. Tem o formato de um funil e. Características: O orifício de saída é maior que o de entrada. somente terá uma zona equimótica. não haverá maiores lesões. fragmentos de osso. mas somente o resultado da lesão no indivíduo. o diâmetro menor aponta a direção do projétil. a forma é de ferida estrelada (rasgada com as bordas voltadas para fora). dando-se o nome de bala giratória. não importando o seu lugar. o projétil passa pelo couro cabeludo e não penetra na cabeça. rasgada. conforme o grau de impacto. . Na saída da bala jamais. no entanto mais de uma entrada de saída e entrada (atravessa o braço. por exemplo. pela simples razão que em momento algum o projétil tocou a superfície da pele na saída. Se no trajeto. e sob o couro existe um tecido mole. Esse critério adotado é o chamado critério do “resultado”.

É perigo (concreto). Também não pode ser algo tão ínfimo que não tenha significado. de dormir direito. Estão no CP. Risco é prognóstico e não existe em medicina legal. mas é aquela que efetiva e concretamente causou a morte. Sua ocupação habitual é mamar. a permanência da debilidade ao fim comum do tratamento. Permanente é aquela sequela que se constata existir quando se encerram os meios comuns de tratamento. a própria vida do indivíduo esteve a ponto de se extinguir. Na verdade. Importa. é uma diminuição funcional. . II: Resultou perigo de vida A expressão usada pela lei é ‘perigo’ de vida e não risco de vida. Não é a perspectiva de que vai acontecer alguma coisa. somente. O fato da pessoa conseguir trabalhar. Como a medicina trabalha somente com diagnostico e não com prognósticos (como o que pode acontecer) é exigido o exame complementar no 30° dia da lesão para aferir se realmente houve incapacidade habitual. Para ser grave precisa ter um desses quatro elementos. para “cura” cessaram. LESÃO GRAVE São quatro hipóteses de resultados que importam em lesão grave. Porque essa expressão identifica o dano mental. Somente se atingir uma função vital é que se averiguará que a lesão gerou perigo de vida. E uma lesão corporal como qualquer outra. tomar banho. III: Debilidade permanente de sentido. Não devemos partir da premissa que “permanentemente” é algo que nunca cessa. Não pode ser uma inutilização porque o CP fala em delimitação. as importunações.. não é pelo o que ela é. em que uma função vital periclitou (ex. legalmente. redução de uma atividade. Não se pode exigir que a vitima vá atrás do melhores e mais modernos tratamento a fim de que sua debilidade se convalesça. bastando que o médico ateste que todos os meios habituais.vai gerando um crise de stress traumático. a expressão “risco de vida”. parada cerebral etc. estado de coma. A lesão é tida por mortal porque ela efetivamente matou. Uma lesão na boca impede essa ocupação habitual. a vida do individuo esteve a se extinguir.. É a lesão que causa uma quase morte. um instante. I: Incapacidade Habitual por mais de trinta dias Ocupação habitual é tudo o que agente realiza (comer. Por uma limitação. mas sinais possíveis de serem verificados. Num determinado momento. comuns. Perigo de vida é um momento. independe da lesão. Não importa..O tipo diz: “ofender a integridade física ou a saúde de outrem”. o que interessa é o resultado que ela causou no individuo porque o que interesse para o CP é o resultado da lesão. Isso reflete na vida da vitima que deixa de se alimentar. o dano psíquico (quando não há qualquer ofensa física). que provoca uma periclitação vital. não significa que não há incapacidade habitual. passível de pericia. em razão da lesão corporal. inclusive. Porque o CP também usa a expressão “saúde”. É um perigo visível.).: parada cardíaca. Diz-se que uma debilidade é permanente quando se encerram os meios habituais e comuns de tratamento ou recuperação. São as perseguições. trabalhar. Ex: um bebê de seis meses. Significa que em algum momento. Na medicina legal não existe sintoma. membro ou função Debilidade se conceitua por uma redução funcional. mas pelo fato concreto que ela determina (morte). Não é mortal aquela que pode vir a ser mortal. a evolução do organismo do sujeito ou adoção futura de meios que extingam a debilidade.). escovar os dentes. Não existe..

na verdade. mas sem qualquer utilidade. Não dá simplesmente para dizer que ele pode continuar na orquestra como. Não há a total infertilidade. órgão previdenciário brasileiro. Ex: perda parcial da visão. sentido ou função no corpo. função respiratória. sistema ou aparelho que conduz a uma atividade padrão (ex.. dedos) e inferiores (articulação do quadril. IV: Aceleração de Parto É um trauma que não se visava a gravidez.. Trauma bilateral de ovários que reduz significativamente a produção de óvulos. Ex: semi-esterilidade.: função digestiva. Exemplos de Perda: a) Membro: amputação de perna. olfato. função reprodutória). Ex. Em razão da lesão resulta uma patologia que é crônica. Redução da acuidade auditiva. LESÕES GRAVÍSSIMAS I: Incapacidade Permanente para o Trabalho Toda atividade laborativa no Brasil está sob a supervisão do INSS. Contudo. retirada do corpo. o direito do feto de permanecer as 40 semanas dentro do útero materno e o direito da mãe de gestar o seu filho durante as 40 semanas. audição. que entende que incapacidade permanente para o trabalho se refere a incapacidade para qualquer trabalho. percussionista (alegação provável do perito do INSS). . facada no tórax que cause uma debilidade nos pulmões. Função: é uma atividade fim para que concorre um ou mais órgãos. Não importa se a mãe teve lesão ou não ou se a criança nasceu perfeita ou não.. A incapacidade permanente é aquela que impeça a pessoa de desenvolver qualquer trabalho equivalente ao que exercia.. II: Resultar enfermidade incurável Doença que não tem cura. Ex: semi paralisia da mão.... porém desencadeia um trabalho de parto prematuro. de natureza diversa daquela que desempenhava. pernas e pés).. é deslocamento.. É incapacitado o individuo que está inviabilizado para todo e qualquer trabalho. Não desloca do corpo. paladar e tato. Não importa se ele pode desenvolver outra atividade. Já a expressão “inutilização” é a permanência do membro. mas zera o funcionamento. Tutela-se. Ex: violinista que perde o dedo. há uma debilidade. redução permanente na função procriadora.. Ele fica incapaz permanentemente para o próprio sustento. É o conjunto de atividades de um ou mais órgãos. cotovelos. por exemplo...Membros: superiores (braços. função sexual.. III: Perda ou Inutilização de membro. não é essa a visão dos tribunais e da medicina legal. paraplegia por trauma. Defende a plenitude da gravidez. coxas. Permanente é .. mãos. Sentidos: são a visão. antebraços. sentido ou função A expressão “Perda” é amputação. Como conseqüência da lesão corporal a mulher grávida tem antecipado o seu parto. porém.

mas pelo resultado aborto que qualifica a lesão. de maneira que a mesma lesão pode ou não ser deformidade permanente. radioatividade etc. b) Sentido: cegueira (sem retirada dos olhos). Se houver alguma lesão que não se enquadra nas hipóteses das lesões graves ou gravíssimas. luz. calor. IV: Deformidade Permanente É uma sequela do trauma. em relação à lesão. repulsa superveniente. Ações Físicas da Temperatura . Concausa: causa independente da causa direta. A perda deve ser aparente. c) Função: perda do órgão genital (perda da função sexual). Deformidade de útero (que ficou inviável para gestar). c) Função: esterilidade (inutilização da função reprodutora). Se a deformidade puder causar um constrangimento futuro. Esclareça-se que a lesão é gravíssima não é pela prática do aborto.AGENTES FÍSICOS ENERGIA DE ORDEM FÍSICA Vários são os agentes físicos: som. retirada do útero da mulher (perda da função reprodutora). deve o laudo pericial constar essa possibilidade. surdez bilateral. Inclui permanência e aparência e a capacidade de constranger o indivíduo. que cause constrangimento em razão da alteração na imagem do indivíduo. Exemplos de Inutilização: a) Membro: paralisia total do braço. o que lhe causa constrangimento. por exclusão. esse “constrangimento” varia de pessoa para pessoa. Se houver cegueira e os olhos permaneceram no corpo é inutilização. . de acordo com os reflexos subjetivos no indivíduo. é leve.b) Sentido: perda da visão (mas quando arranca os olhos fora). V: se da lesão corporal resultar aborto Aborto é a morte fetal. aparente e permanente. O individuo fica violado em sua imagem.Superveniente: possuem conotação jurídica. Contudo. frio. tornando-a gravíssima. 2) Instrumentos PERFURO-CORTANTES: Feridas Perfuro-cortantes 3) Instrumentos CORTO-CONTUNDENTES: Feridas corto-contusas 3. Ex.Preexistente: . pois determinadas lesões podem refletir até na vida conjugal. É uma perda da identificação positiva para o individuo.

perturbações dos movimentos. Se fizer um calor de 50 oC. os chamados isotérmicos. má alimentação. produz lesões muito parecidas com as queimaduras pelo calor e tem sua classificação em graus: a) Primeiro grau Área superficial pálida (ou rubefação). Se alguém ficar preso em um desses freezers. 35 graus centígrados de seu próprio corpo). se desarticulando do restante do corpo e entra em necrose. já na causada pelo frio o líquido é hemorrágico. c) Terceiro grau Se ficar exposto por mais tempo ao frio (frio muito intenso). a temperatura mantém-se constante pelo mecanismo termorregulador. . ponta da orelha) por falta de circulação. Depois de um tempo pára de doer. inchada e de aspecto anserino na pele. sonolência. se o indivíduo continua se expondo a frio intenso. Mas. convulsões. às vezes. certamente irá morrer. já que o sangue que alimenta tais extremidades está congelado. Por exemplo. com formação de bolhas de sangue que estouram e cicatrizam. há um líquido transparente. algumas doenças e álcool. pois a temperatura de seus corpos acompanha a do meio ambiente. A ação localizada do frio (ação do frio local.: suor). são necessários enxertos. os animais isotérmicos estarão com a mesma temperatura corporal. O frio sistêmico faz diminuir as funções circulatórias e cerebrais. o sangue pode congelar dentro dos vasos – o sangue não circula. anestesias. causando necrose dos tecidos das periferias moles (ponta de nariz. A característica é a gangrena ou desarticulação. Embora esteja em um ambiente de 0 o C. Se o ser humano não tivesse o mecanismo termorregulador (por ex. A ação do frio leva a alterações do sistema nervoso. ou seja. Porém. mas ainda assim. Alguns animais são heterotérmicos (que tem diferente temperatura). cor de sangue. Chamam-se bolhas ou friquitema. Já em relação aos demais animais. o membro do sujeito começa a ficar preto. b) Segundo grau Ação mais intensa do frio. localizada). que provoca a destruição da epiderme. o sangue fica congelado. podendo advir a morte. Algumas situações levam à falha no sistema regulador: desnutrição. delírios. isso não ocorre. na bolha causada pelo calor há formação de plasma. porém a pele descasca. Este é o frio sistêmico. ponta de dedo. há mecanismos termorreguladores que mantêm a temperatura estável em aproximadamente 36 graus centígrados (faz com que o corpo produza calor para manter a temperatura). ele morreria facilmente.Frio Os seres humanos são homeotérmicos (temperatura constante) e resistem a uma variação de temperatura pequena (abaixo de 42 graus centígrados e acima de 34. congestão ou isquemia das vísceras. mas não é o caso dos humanos: eles têm que manter a temperatura. Causam deformidades permanentes. Dura algumas horas e depois cessam os efeitos. obrigando a amputação. A pele chega a queimar. mas depois passa. Formam-se úlceras e. a carne de matadouros é conservada em grandes freezers de baixa temperatura. d) Quarto grau Quando uma parte do corpo fica exposta ao frio intenso por horas a fio. Para tanto. passados alguns minutos. Essa bolha é parecidíssima com a bolha de queimadura provocada por calor. também conhecida como geladura ou gelura. parecido com a água. o frio ainda pode atuar diretamente sobre o corpo.

A avaliação desses riscos tem uma regra. acúmulo de ácido lático. câimbras. Em Medicina Legal. É incômoda. provocando insuficiência renal. potássio. queimaduras de qualquer grau que atinjam mais de 40% da superfície do corpo determinarão a morte do indivíduo. interessa a sua extensão. convulsão. contração muscular. perda de chumbo. proteína. ocorre a descamação. serraria. paralisia de órgãos e morte. mas não apresenta maiores complicações (ex. não há lesão à epiderme – no dia seguinte está melhor. por alcoolismo. visão apagada. perde o controle do mecanismo termoregulador e sua temperatura começa a subir. formação de bolhas ou flictemas (sinal de Chambert). convulsão e morte.intermação: decorre do excesso de calor ambiental de outras fontes de calor. em Medicina Legal. adota-se a classificação das queimaduras feita por Hoffmann: a) Primeiro grau Vermelhão. A temperatura do corpo do indivíduo também subirá além do tolerável. . a pele apresenta-se inchada e quente. convulsão e até a morte. que se baseia na área corporal atingida. chamada de Regra dos Noves: .insolação: quando o ser humano é exposto a uma temperatura elevada. vestes inadequadas ou falta de ambientação climática. Mais do que a profundidade da queimadura. há destruição de hemoglobinas. Obs: A classificação das queimaduras. Presença de eritema (sinal de Christinson). II) Calor direto (queimaduras) Calor local tem como consequência as queimaduras. etc. Os materiais em combustão são instrumentos para essa ação. desidratação – perda de água. tais como: lugares mal arejados. b) Segundo grau A superfície apresenta vesículas com líquido amarelado (água. tendo como consequência as temonoses que podem ser de duas formas: . aumentando a freqüência cardíaca. sódio. gases. Assim.Chama-se de trincheira. Ambas desencadeiam sudorese. Se ficar só no vermelhão e com ardência. enfim sais e proteínas). Ocorre normalmente de forma acidental. dolorida. líquidos ou metais aquecidos. Após alguns dias. Ocorre geralmente quando se anda por terrenos congelados. . CALOR O calor pode atuar de duas formas: I) Calor difuso. taquicardia. Calor sistêmico. Ex: caldeira. ao contrário do critério clínico. terá convulsões e poderá até vir a óbito.: queimadura por raios solares quando da exposição do corpo na praia). É proveniente da exposição natural ao sol. e.cabeça e pescoço . além do eritema. Apresentam. Pode ocorrer a degeneração das proteínas. quase sempre confinados ou pouco abertos e sem a necessária ventilação. em ambiente aberto. desidratação.9% . por razões diversas. que podem ser causadas por chamas. toma como princípio a profundidade das lesões.

1%. eles estiverem limpos por dentro. geralmente. A queimadura de terceiro grau incide até no plano muscular. Se essas vias respiratórias estiverem queimadas. o médico tem condições de saber o percentual de área queimada. Algumas dessas cargas são automáticas. Ex. O cadáver carbonizado fica muito leve e pequeno.18% (9% para cada braço). como mãos. O cérebro gera pressão e estoura. A pesquisa não é tão complicada. casas e apresentam. c) Terceiro grau É a destruição total do tecido em local específico. 02/04/13 Eletricidade Ações Físicas da Eletricidade O ser humano funciona através de cargas elétricas. batida cardíaca. qual o tratamento e os prognósticos das chances de sobrevivência que o paciente apresenta. Nas redes baixas as cargas variam 110 ou 220 volts. As descargas atmosféricas.36% (18% para cada perna). . Se. .: pessoas que não voltaram para casa). Pode ser total ou generalizada. recebe o nome de fulminação. Quando mata. quando age letalmente (quando há óbito). pernas e pés tornam-se praticamente “toquinhos”. A partir desta avaliação. 2º) Saber se o indivíduo morreu devido à carbonização ou se já era cadáver quando posto para queimar (talvez para ocultar um crime). maiores são os riscos de vida. pois o cadáver. sujas de fumaça ou outro elemento ligado ao fogo (sinal de Montalti). pois ele fica irreconhecível.tronco . sendo 9% para cada parte superior do tórax e lombo e 9% para a parte inferior de cada um). ao contrário. devido à evaporação da água do corpo e da condensação dos tecidos. As cargas elétricas possuem cargas diversas. d) Quarto grau É a carbonização do plano ósseo. chama-se fulguração (ex. São impulsos elétricos encaminhados ao coração que estimulam a batida. Na área pulmonar ocorre a mesma coisa. . pequenos e quebradiços. alguns problemas na área jurídica: 1º) identificação: há dificuldade de identificação do cadáver.membro superior . . braços. é porque a pessoa estava viva e respirou durante a carbonização. retirada. Quando provoca apenas lesões corporais. com cicatrizes chamadas sinéquias.membro inferior . por mais carbonizado que esteja. sem matar. aviões. Geralmente ocorrem em incêndios em carros. A pele fica retrátil. Forma-se uma placa dura e preta que. resulta em úlcera. Portanto.: raios). sendo necessário o enxerto.36% (18% para o tórax e 18% para o lombo. quase sempre..área genital . São as queimaduras produzidas. recebendo descargas atmosféricas ou industrial. O indivíduo que sofre queimaduras acima de 75% certamente morrerá. por chama ou sólido superaquecido e determinam a queima da pele. até desaparecem. Quanto maior a porcentagem de área queimada. O ser humano pode entrar em contato. As extremidades menores. chama-se fulguração. a eletricidade natural e a artificial podem atuar como energia danificadora. A partir disso sabe-se a verdadeira causa da morte. A eletricidade natural. quando atingem o ser humano e produzem lesões. a pessoa já estava morta e foi queimada depois. Se for desastre de massa (grande quantidade de pessoas) deverá se analisar por meio de uma lista já existente (por ex. denomina-se fulminação. permite analisar os brônquios e bronquíolos do pulmão.

levando o indivíduo a uma parada respiratória que pode causar a morte. as lesões podem ser por queimaduras ou por alterações funcionais dos órgãos citados acima. Faz uma taquicardia. houve diversas ‘mortes’ cruéis. com ou sem morte. levando ao calor excessivo. que é a execução de sentença de morte em cadeira elétrica. A morte é instantânea. é difícil estabelecer relação entre o mecanismo e a morte (cardíaca. mas é a extensão (operagem) com que penetra no corpo do individuo. São assim chamadas todas as formas de lesões causadas por eletricidade industrial. não se trata de queimadura propriamente dita. quando mais intensa a carga.mecanismo cerebral: a carga elétrica leva à parada cerebral ocasionada por hemorragia das meninges. Na fulguração. produzindo queimaduras (“auto-fritura”). Quando descobriram essa ‘intensidade’ de descarga. contudo. O mais importante da descarga elétrica não é sua voltagem. afinal o indivíduo está morto. morrendo por ação de energia mecânica (contusão). Uma carga elétrica alta leva os músculos à contração. eles contraem e ficam contraturados parando os movimentos respiratórios.mecanismo cardíaco: a carga elétrica leva à desorganização dos batimentos cardíacos. levando ao calor. O individuo ficava ‘torrado’. a sua extensão com que penetra no corpo. na maioria das vezes. então. Criou-se. a eletrocussão. mas rápida a morte. de poucos achados. o tungstênio – fio de cobre). Os movimentos respiratórios é feito pela expansão e contratação da caixa torácica.mecanismo respiratório: a carga elétrica leva à contratura. a morte é devida a outras causas sobrevindas de quedas ocasionadas pela eletricidade. a vítima é precipitada ao solo. a cadeira elétrica. das paredes ventriculares. isso era até então desconhecido pela medicina. algumas pessoas apresentam no corpo sinais semelhantes á queimadura. produzindo queimaduras (“auto-fritura”). provocando a contração fibrilar do ventrículo e a morte. . O exame nas pessoas vítimas dessas descargas elétricas. entendendo que. também. (Calor = voltagem X resistência). Esses movimentos (expiratórios e inspiratórios) são fundamentais ao movimento da respiração. Ao receber o choque elétrico. . respiratória ou cerebral). o que realmente mata é a operagem da voltagem. Às vezes. Contudo. Entretanto. É necessário que o laudo tenha comprovação de que a morte decorreu da descarga elétrica. do bulbo e da medula espinhal. Quando a descarga elétrica é muito forte. É o calor (acréscimo de temperatura) causado pela voltagem num objeto resistente. mas ainda com vida. impedindo que a descarga penetre no corpo. na verdade. Há três hipóteses de morte causada por eletricidade (3 mecanismos bem claros): . Desconheciam que. É o chamado efeito Jaule. Mas pode ser que haja resistência. podendo levar o indivíduo à asfixia (contratura dos músculos respiratórios). Se a carga elétrica se espalhar pelos músculos respiratórios. uma arritmia e imediatamente o coração pode perder o movimento de contratação (fibrilação – não faz movimento eficaz). pensou-se na possibilidade de matar o individuo. É o chamado efeito Jaule. .A eletricidade industrial é a produzida pelo homem e tem como ação uma síndrome chamada eletroplessão. Pode ser que haja algum elemento que ofereça resistência (como por exemplo. Há. Em razão desse desconhecimento.

O indivíduo que formará o pilar desce até à caixa com escafandro e lá fica trabalhando por um período de 5 a 6 horas. ou seja. . mal estar. “no seco”. uma caixa (caixão) é lançada até atingir o fundo do mar (ou rio) e nela é bombeado ar em quantidade 5 ou 6 vezes maior que a pressão atmosférica normal para expulsar a água daquele ambiente. Todavia. À medida que sobe do nível do mar. o individuo já estava morto quando da colisão da aeronave. Ficam injetando ar no ambiente. cansaço profundo.1% A massa atmosférica que envolve o planeta Terra tem um peso. é de 1 atmosfera. pressão atmosférica diminui. É uma marca. mantendo uma pressão atmosférica equivalente a 1. Os laudos que atestam a morte em razão de descarga elétrica devem conter a descrição da marca de Jellineck. a perícia das vítimas de acidentes aéreos revela que elas morreram antes mesmo da queda da aeronave. tontura. No interior da aeronave. Isso faz com que até uma boa altura o sujeito não sinta maiores diferenças. e a composição do ar altera o fenômeno da hematose. A partir de certa altura ocorre falta de ar. próprio dos alpinistas. uma massa gasosa que envolve o nosso planeta. Se subir muito. Essa lesão é funda e amarelada. menos atrito e desgaste do material das aeronaves. após uma certa altura. precisa-se ter certeza de que a morte foi em decorrência de descarga elétrica. A marca do condutor fica no próprio corpo da pessoa. se a causa foi um evento eventual e imprevisível. começa a faltar oxigênio. que. respira automaticamente 16 vezes. há responsabilidade da empresa aérea. numa pressão equivalente a lugares de baixa altitude. Muitas vezes. em situações de repouso. caso contrário. por exemplo caso fortuito ou força maior. É fundamental que se localiza um sinal de certeza da eletricidade. Essa marca se caracteriza quando o elemento condutor de eletricidade entre em contato direto com o corpo humano. Se a causa da morte for uma falha mecânica. Isso se determina por perícia: foram encontradas lesões pósmorte.000m2 de altitude (reprodução artificial de pressão atmosférica). Mal dos caixões Nas construções de pontes sobre mares e rios.Primeiro. chamado sinal de Jellineck (espécie de baixo relevo na pele do condutor que levou a eletricidade no corpo do indivíduo. o ar é bombeado permanentemente. num processo denominado pressurização da cabine. Pressão Atmosférica É a pressão exercida sobre o corpo humano pela massa atmosférica. há diminuição do oxigênio e do gás carbônico. o laudo será totalmente contestável. fraqueza. o ar fica rarefeito. pequena. de modo que. difícil de encontrar). Essa massa atmosférica compõe-se de: nitrogênio (N): 78% oxigênio (O): 18 a 20% hidrogênio (H): 1% gases raros: 0. Se há falha no sistema de pressurização (falha mecânica) a causa da morte é por deficiência de oxigenação (asfixia). Os aviões que fazem grandes rotas internacionais voam acima dos níveis possíveis de respirar onde o ar é mais rarefeito sendo que é utilizado menos combustível. o sujeito pode morrer: é o chamado mal das montanhas. portanto a companhia aérea pode ser responsabilizada pela morte dos passageiros (diferente de caso fortuito). ao nível do mar. geralmente. respirando o ar que foi bombeado. não se caracteriza a responsabilidade da empresa aérea. para se alcançar o fundo (para firmar pilares). O ser humano. mais que isso.

Exige maiores cuidados. Perda do mecanismo imunológico.gaseificação). Nessa época o Brasil costumava a importar leite em pó holandês sendo que seis meses após o ocorrido ainda havia vestígios de radiação no leite. Até hoje o reator (ainda que sepultado em montanhas de concreto) continua emanando radioatividade – esse efeito se chama síndrome da China. Existem vários tipos de substâncias ionizantes. Se o sujeito não passar pelo processo de descompressão. ao subir. plutônio etc. o nitrogênio liquefeito na corrente sangüínea volta à sua forma gasosa (aliviada a pressão o gás que se liquifez volta ao estado gasoso .equipamento que meça a radiação. Esse é o mal denominado “mal dos caixões”. hoje existe uma tinta à base de bário que bloqueia a passagem do raio X. como o urânio. Radiodermite: Efeitos locais: O efeito sistêmico dá alterações nos espermatozoide e óvulos. plutânio. com paradas obrigatórias em alturas intermediárias. Se não houver proteção da sala (revestimento de metal que o raio X não atravesse. . em pressão mais elevada que o normal. mas acabam destruindo. sem a pressão da caixa.. também. usados no diagnóstico do câncer. somente destruindo seres biológicos. tecidos sãos. dependendo de qual órgão for atingido. São comuns os acidentes com o raio X. se transforme em gás. o ar que ele respirou. No entanto. Com o tempo. Para evitar que isso aconteça. A forma de ionização mais comum é o chamado raio X. esses íons se soltam da estrutura. cheia de material nuclear. As radiações são também usadas no tratamento de tumores para destruir os tecidos doentes. Mata as pessoas e conserva toda a riqueza do país. ainda que a máquina de raio X seja pequena: . A fonte de raio X deve ser totalmente vedada. poderá haver contaminação pela radioatividade. Radioatividade Algumas substâncias têm quantidade a mais de íons na estrutura atômica. de modo a evitar que o nitrogênio. os chamados isotopo-radioativos.pessoal deve utilizar roupas chumbadas (óculos e vestes). Foram encontradas outras utilizações para essas substâncias: usinas atômicas como geradores de energia. causando grandes e graves resultados. As mais preocupantes são as radiações ionizadas (energia nuclear). fez com que o nitrogênio (contido no oxigênio) se liquefizesse na circulação sanguínea do indivíduo (gás sob pressão se liquefaz – faz com que vire liquido). Ele é produzido voluntariamente. geralmente Chumbo ou Bário).Ao retornar à superfície. que pode levar à morte. No Brasil. .as paredes devem ser revestidas de chumbo ou pintada a base de bário. Esterilização. sob pena de ser responsabilizada em caso de acidentes. Ex: Chernobyl (usina russa que causou acidente). É responsabilidade da empresa organizar e fazer com que os empregados obedeçam a essa escala de subida. a subida deve ser gradual. A bomba de nêutrons outro modo odioso e repugnante utilizado nas guerras não causa destruição. Desenvolvimento de leucemia. . que são muito usadas em medicina ou radiologia. ocorreu o episódio de Goiânia. por certo período de tempo. para vedar que outras pessoas que estão no entorno de receber radioatividade. podendo causar embolia. pela falta abrupta de pressão. a famosa cápsula de Césio 137 abandonada em depósito sanitário aberto.

Com este incidente morreram instantaneamente 140 mil pessoas. que alto poder destrutivo.000 (seis milhões de graus) e ventos de 800 km/h de velocidade. No epicentro não sobrou nada. . Ainda hoje continuam morrendo. em muitos casos ficaram loucos ou morreram tempos depois em decorrência do mal que causaram a humanidade. eram quase 200 mil pessoas mortas. Já a energia nuclear. Ao final de 3 ou 4 meses. mas foram contaminados. entretanto. Dois alvos: Hiroshima e Nagasaki. a cidade de Nagasaki foi o alvo da vez. Conforme se afasta do epicentro. Os tripulantes da “fortaleza voadora” que levou a bomba. da duração e do grau de exposição. o sucesso não foi o mesmo (80 mil pessoas num primeiro momento. Calcularam para que não estourasse na superfície. É genocídio em essência.Os efeitos prejudiciais da radiação dependem da quantidade (dose). Outros tipos de radiação é a radiação gama. Não contente. Seu maior problema são as bombas nucleares. No fim da Segunda Guerra Mundial.000. Uma única dose rápida de radiação pode ser mortal. dois dias depois. Mais duas bombas estavam prontas e foram usadas sobre o povo japonês. Um projeto construiu a bomba nuclear – houve apenas um teste subterrâneo no deserto. Maquiavelicamente escolheram a hora: amanhecendo (hora de ir ao trabalho). utilizada para tratamento de tumores malignos. A dose total e o grau de exposição determinam os efeitos imediatos sobre o material genético das células. para realização de cirurgias. O que está em alta hoje são as armas nucleares. mas a mesma dose total aplicada num lapso de semanas ou meses pode provocar efeitos mínimos. Essa foi a maior selvageria da história da humanidade. radioatividade proveniente das usinas de fusão nuclear para geração de energia. 100 mil após). algumas pessoas sobreviveram. em virtude de deformidades genéticas. A temperatura constatada foi de 6. duas cidades civis. Thruman era o Presidente americano.

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