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Apostila ABIN

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APOSTILA PSICOLOGIA ABIN 2010

- REPRODUÇÃO PROIBIDA –

www.educapsico.com.br Índice: I A PESSOA E O COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL. 1. Teorias psicodinâmicas do desenvolvimento da personalidade. Página 04 2. Psicopatologias: diagnóstico e evolução (depressão, TOC, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, stress, TAG, síndrome do pânico; dependência química, entre outras). Página 77 3. Possibilidades de intervenção na área psicossocial: planos, programas, projetos e atividades de trabalho, psicoterapia breve, terapia de grupo. Página 133 4. Doenças sexualmente transmissíveis. Página 161 4.1 Atuação em programas de prevenção e tratamento. Página 161 5. As fontes de tensão: as emoções, as frustrações, a motivação, os conflitos. Página 164 6. Teorias da motivação. Página 168 7. Percepção, atitudes, valores e diferenças individuais. Página 177 8. Comunicação interpessoal. Página 187 9. O relacionamento interpessoal. Página 193 10. O comportamento social e o desenvolvimento de equipes - a Sociometria. Página 200 11. Teorias e técnicas de dinâmica de grupo. Página 203 12. Liderança: teorias. Página 210 13. A organização como sistema e o desenvolvimento organizacional: pressupostos

básicos, processos, técnicas. Página 216 14. Qualidade de vida no trabalho. Página 220 15. Clima organizacional. Página 225 16. Cultura organizacional. Página 226 17. Métodos e técnicas de pesquisa organizacional. Página 228 II MODELOS E PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS. 1. Modelos de gestão de pessoas. Página 230 2. Gestão de pessoas por Competências. Conceito e tipologia de competências. Identificação e priorização de competências. Mapeamento de perfis profissionais por competências. Avaliação de potencial e banco de talentos. Página 239 Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 2

www.educapsico.com.br 3. Recrutamento e seleção de pessoal: planejamento, técnicas, avaliação e controle de resultados. Seleção por competências. Página 253 4. Análise de cargo: objetivos e métodos. Página 258 5. Avaliação de perfil comportamental: teorias, métodos e técnicas. Página 261 6. Instrumentos psicológicos - testes projetivos, cognitivos, inventários aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia: fundamentos, aplicação, correção, levantamento, análise, elaboração de laudos e tabelas. Página 262 7. Treinamento e Desenvolvimento (T&D). Identificação das necessidades de treinamento por competência. O papel do T&D nos programas de gestão de competência. Recursos de ensino. Metodologias de ensino. Página 307 8. Avaliação e gestão de desempenho. Indicadores de desempenho. Avaliação de

resultados. Página 315 III O PSICÓLOGO NAS ORGANIZAÇÕES. 1. Papel profissional, atribuições e competência técnica do psicólogo nas organizações. Página 318 2. A ética do psicólogo nas organizações. Página 319 Referências bibliográficas. Página 330

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I A PESSOA E O COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL. 1. Teorias psicodinâmicas do desenvolvimento da personalidade. PERSONALIDADE: A OBRA DE SIGMUND FREUD "Se é verdade que a causação das enfermidades histéricas se encontra nas intimidades da vida psicossexual dos pacientes, e que os sintomas histéricos são a expressão de seus mais secretos desejos recalcados, a elucidação completa de um caso de histeria estará fadada a revelar essas intimidades e denunciar esses segredos." Trecho de "Fragmento da Análise de Um Caso de Histeria" (Freud, 1977). Sigmund Freud nasceu em Viena, na Áustria em 1856. Forma-se em medicina, interessa-se por neurologia. Vai estudar em Paris, onde conhece o médico Charcot que já pesquisava o tratamento da histeria através de técnicas com o uso de hipnose e sugestão através da palavra. Retorna à Viena em 1886 com suas observações e é ironizado, no círculo médico, a respeito de suas idéias. Conhece Breuer, renomado médico vienense e junto a este passa observar e estudar atendi mentos clínicos com o uso de hipnose. O denominado método catártico se refere à técnica em que a paciente, sob hipnose, fala sobre lembranças traumáticas retidas num suposto núcleo isolado da consciência. Freud passa então a aprofundar os seus estudos sobre a histeria e descobre o método da livre associação que consiste em convidar os pacientes a relatarem continuamente qualquer coisa que lhes vier à mente, sem levar em consideração quão sem importância ou possivelmente embaraçadora esta situação possa parecer. Abandona assim o método da hipnose e da sugestão. Ele percebe que a partir do momento em que ele se cala as pacientes começavam a associar livremente e elas começam a contar-lhe Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 4

www.educapsico.com.br os sonhos. É a partir da análise do conteúdo desses relatos que ele percebe o papel da sexualidade na formação da personalidade. Em 1900, Freud escreve então “Interpretação dos Sonhos” e em 1905 publica os seus “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”. Toda a teoria de Freud está baseada no pressuposto de que o corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. E afirmou que não há descontinuidade nos eventos mentais, isto é, estes, conscientes ou não, são influenciados por fatos que os precederam no passado, são ligados uns aos outros. Determinismo Psíquico. Freud empregou a palavra “aparelho” para caracterizar uma organização psíquica dividida em sistemas, ou instâncias psíquicas, com funções específicas para cada uma delas, que estão interligadas entre si, ocupando certo lugar na mente. Em grego, “topos ” quer dizer “lugar”, daí que o modelo tópico designa um “modelo de lugares”, sendo que Freud descreveu dois deles: a “Primeira Tópica” conhecida como Topográfica e a “Segunda Tópica”, como Estrutural. Primeira Tópica Nesse modelo tópico, o aparelho psíquico é composto por três sistemas: o inconsciente (Ics), o pré-consciente (Pcs) e o consciente (Cs). Algumas vezes, Freud denomina a este último sistema de sistema percepção-consciência. Consciente É através dele que se dá o contato com o mundo exterior. Inclui sensações e experiências das quais há a percepção a cada momento. O sistema consciente tem a função de receber informações provenientes das excitações oriundas do exterior e do interior, que ficam registradas qualitativamente de acordo com o prazer e/ou, desprazer que elas causam, porém ele não retém esses registros e representações como depósito ou arquivo deles. Assim, a maior parte das funções perceptivo – cognitivas - motoras do ego – como as de percepção, pensamento, juízo crítico, evocação, antecipação, atividade motora, etc., processam-se no sistema consciente, embora esse funcione intimamente conjugado com o sistema Inconsciente, com o qual quase sempre está em oposição. Freud não considerava este aspecto da vida mental o mais importante uma vez que há uma pequena parte de nossos pensamentos, sensações e lembranças perceptíveis todo o tempo. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 5 A esse pressuposto foi denominado o termo

www.educapsico.com.br Pré-consciente O sistema pré-consciente foi concebido como articulado com o consciente e funciona como uma espécie de peneira que seleciona aquilo que pode, ou não, passar para o consciente. É uma parte situada entre o consciente e o inconsciente. Parte do inconsciente que pode se tornar consciente com facilidade, na medida em que a consciência precisa de lembranças para desempenhar suas funções, ex. nome de pessoas, datas importantes, endereços, entre outros. Funciona também como um pequeno arquivo de registros, cabendo-lhe sediar a fundamental função de conter as representações de palavra, conforme foi conceituado por Freud, 1915. Inconsciente Parte do funcionamento mental que deposita os desejos instintivos e necessidades e ações fisiológicas. Para Freud, ao longo da vida do sujeito, o inconsciente torna-se um depósito para idéias sociais inaceitáveis, memórias traumáticas e emoções dolorosas colocadas fora da mente pelo mecanis mo da repressão psicológica. Na visão psicanalítica, o inconsciente se expressa no sintoma. Pensamentos inconscientes não

são diretamente acessíveis por uma ordinária introspecção, mas podem ser interpretados por métodos especiais e técnicas como a livre-associação, análise de sonhos e atos falhos presentes na fala, examinados e conduzidos durante o processo analítico. Instinto (Instinkt) Esquema de comportamento herdado, próprio de uma espécie ani mal, que pouco varia de um indivíduo para outro, que se desenrola segundo uma seqüência temporal pouco suscetível de alterações e que parece corresponder a uma finalidade. O termo instinto tem i mplicações nitidamente definidas, muito distantes da noção freudiana de pulsão. Fato que traz diferenças nas traduções, gerando então esta confusão entre os termos. Pulsão (Trieb) Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 6

A fonte é quando emerge uma necessidade. por exemplo. O objeto de uma pulsão é qualquer coisa. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 7 . um comportamento hereditariamente fixado e que aparece sob uma forma quase idêntica em todos os indivíduos de uma espécie. Por estas pulsões. A pressão é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer a pulsão e é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. uma pressão e um objeto. podendo ser uma parte ou todo corpo. A finalidade é reduzir essa necessidade até que nenhuma ação seja mais necessária. qualifica um comportamento ani mal fixado por hereditariedade. representadas pelas pulsões de vida (responsáveis pela sobrevivência do indivíduo e da espécie) e pelas pulsões de morte (agressivos e destrutivos). é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta. Karina de O. e por sua possibilidade de se submeterem a adiamentos. Segundo Freud: “As pulsões sexuais fazem-se notar por sua plasticidade. característico da espécie.. ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original. fazendo com que uma satisfação pulsional possa ser substituída por outra e se submeter a adiamentos. O termo pulsão tem como mérito por em evidencia o sentido de impulsão. o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional. sua capacidade de alterar suas finalidades. em zoologia.www.br tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão).educapsico. sua capacidade de se substituírem. As pulsões básicas foram divididos por Freud (1940) em duas forças antagônicas. As pulsões seriam então.com. canais através dos quais a energia pudesse fluir. uma finalidade.” (Freud. O mecanis mo pulsional é complexo. que permite uma satisfação pulsional ser substituída por outra. Quando Freud fala de Instinkt. Toda pulsão tem quatro componentes: uma fonte. uma energia pode fluir. pré-formado no seu desenvolvimento e adaptado ao seu objeto. é dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. 1933). Certos autores parecem empregar indiferentemente os termos Instinkt ou Trieb. outros parecem fazer uma distinção implícita reservando Instinkt para designar.. Em Freud encontramos os dois termos em acepções nitidamente distintas.

em Karina de O. A partir da elaboração das teorias ligadas ao Inconsciente Humano. encontramos. A pulsão de vida (Eros) seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão de vida. assim. A Pulsão de Morte (compulsão à repetição) descrita por Freud (1899) ao analisar sonhos.br As pulsões são a origem da energia psíquica que se acumula no interior do ser humano. com as outras pessoas e com nós mesmos. foram i mportantes para que os conceitos de Pulsão de Vida e Pulsão de Morte fossem formulados. poderiam ser constantemente repetidos. atingir um baixo nível de tensão interna.www. enquanto a pulsão de morte (Thânatos) seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo e para o outro. Embora pareçam concepções opostas. Já a pulsão de morte. do movimento de retorno à inércia pela morte também. antes dividida em pulsões de auto-conservação e pulsões sexuais. Freud irá então reformular sua teoria das pulsões. O objetivo do indivíduo seria. gerando uma tensão que exige ser descarregada. A conexão só seria acabada com a morte física do sujeito. percebeu que eventos desagradáveis. o autor aprofundou as concepções relativas às pulsões. Nesse processo de descarregamento de tensões psíquicas. as três estruturas da mente (id. a pulsão de morte.com. Pulsões básicas postuladas por Freud (1933) As descobertas de Freud referentes ao descentramento do sujeito. a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas. as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo. detrminando a forma como esse descarregamento se manifestará. mas na fronteira entre os dois. importantes para o surgimento da perspectiva do deslocamento da soberania do consciente e do eu para os registros do inconsciente e das pulsões. Todos esses processos se desenvolvem inconscientemente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 8 . como lembranças de guerra. que determinam o Ser do Psiquismo. Para Freud (1933). e teriam como fonte o Id (será descrito na segunda tópica). Explica que repetições.educapsico. fundidas e onde há pulsão de vida. também. além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à repetição. ego e super ego) desempenham um papel primordial.

em que o bebê na ausência do objeto de satisfação tem uma Karina de O. objetos. Há satisfações alucinatórias neste período. tendo como característica central a ausência de contradição. sadismo. destruição. em idéias. A pulsão de morte estaria presente no interior da vida psíquica dos indivíduos (sob a forma de autodestruição. já os segundos são os responsáveis pela manutenção da vida do indivíduo (comer. Este princípio rege as primeiras experiências da vida de um bebê recém-nascido. como uma retirada de libido dos relacionamentos habituais e cotidianos e uma extrema catexia da pessoa perdida. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 9 . masoquismo. O luto. pessoas. A mobilidade original da libido é perdida quando há a catexia voltada para um determinado objeto. não leva em conta a realidade. Alguns conceitos que Freud desenvolveu ao longo de seus estudos relativos à primeira tópica: • Impulso: Energia que possui uma origem interna. A catexia está relacionada aos sentimentos de amor. isto é. • Princípio do Prazer / Processo primário: Explicado pelo mecanis mo psíquico em que as pulsões agem no sentido de busca de prazer e evita o desprazer (prazer causado pela redução da tensão.). etc).educapsico. no qual pode haver um desinteresse por parte do indivíduo pelas ocupações normais e a preocupação com o recente finado pode ser interpretado neste sentido. podendo ser projetado para o mundo externo sob a forma de agressividade. beber. etc. dormir. entre outras. raiva. situada entre o corpo (somático).br sonhos ou mesmo em atos. ódio.www. desprazer causado pelo acúmulo de tensão produzida no interior do aparelho psíquico). em uma região deste corpo onde nasce uma excitação e o psíquico.com. • Libido: impulsos sexuais e impulsos de auto-conservação. que podem ser relacionados aos objetos. Freud nominou este funcionamento de processos mentais pri mários. • Catexia do objeto: processo de investimento da energia libidinal. pudesse ser fruto do que ele chamou de pulsão de morte e estas estariam em contradição com o princípio do prazer que rege as pulsões de vida. Os primeiros são os responsáveis pela manutenção da vida da espécie e estão relacionados à reprodução.

Apesar de seus conteúdos serem quase todos inconscientes. o EGO e o SUPEREGO. sintomas neuróticos. o Id tem o poder de agir na vida mental de um indivíduo. fornecendo toda a energia para eles. produto de uma longa elaboração. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 10 . é a forma latina do pronome neutro “isto”).educapsico. os dois formam um complexo mecanismo de funcionamento psíquico. a personalidade é dividida em três partes que mantém relações mútuas entre si. São elas o ID. Refere-se à parte inacessível da personalidade. • Fantasia: Modo de pensar inconsciente que não leva em conta a realidade.www. porém desta maneira se mostra mais segura e provoca menor risco para a integridade do indivíduo.br revivescência (reaparecimento de estados de consciência esquecidos ou bloqueados) perceptiva de algo que proporcionou prazer no passado. isto é. Além disso. apesar de também o ego e o superego possuírem aspectos inconscientes. faz com que esse sujeito passe a considerar a realidade para que suas satisfações sejam obtidas sem que a alucinação seja o meio de alcançálas. ics e pré-cs) não foi abandonada. • Princípio de Realidade / Processo secundário: As experiências pelas quais o bebê vai passando. Id (“es” em alemão. Segunda Tópica: Freud (1975) Freud a fim de apreender a complexidade do dinamismo do aparelho psíquico reelaborou a sua concepção sobre a estrutura da personalidade. sonhos. um processo não substitui o outro. Este mecanismo foi denominado processo secundário e co-existe ao lado dos processos primários. Tal concepção foi denominada 2ª tópica. o ID é o reservatório dos instintos (tanto de vida quanto de morte) e da energia libidinal e é ele que fornece e satisfaz as exigências do Ego e do Superego. ela foi integrada à nova concepção. iniciada em 1914 no artigo “Sobre o narcisismo: uma introdução”. Entretanto. Corresponde ao conceito inicial de inconsciente. a primeira concepção (aparelho dividido em cs. Características do Id É regida pelo Karina de O. Está presente nas brincadeiras infantis. processo primário. Nesta.com. A satisfação passa a considerar adiamentos e atrasos.

Tem por objetivo ajudar o Id a satisfazer suas pulsões. sem que um anule ou diminua o outro. instrumentos do Ego para lidar com a tensão emanada pelo Id. objetos e momentos socialmente aceitos.com. É regido segundo o processo secundário. e que passa a funcionar como uma defesa protetora contra o que ameaça a vida psíquica. contato e defesa. em que as satisfações são obtidas por meio de atos reflexos e fantasias.br Caótico e Desorganizado: As leis lógicas do pensamento não se aplicam a ele. Parte do ID que passa a ser influenciada pelo mundo externo. escolhendo lugares. Superego Forma-se a partir do Ego. É o caso dos mecanismos de defesa. seu objetivo é reduzir a tensão sem levar em consideração os atrasos. necessariamente. Modelo com relação ao ideal e obstáculo com relação ao proibido. pelo Ego. Em relação ao Ego pode-se dizer que o superego age como modelo e obstáculo. Impulsos contraditórios coexistem lado a lado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 11 Os . onde predominam a realidade e a razão. com relação a fatos que ocorreram recentemente.• www. planejada. Exerce função crítica e normativa e também de formação de ideais. Restrições inconscientes são indiretas podendo aparecer sob a forma de compulsões e proibições. Forma-se a partir do declínio do Complexo de Édipo. adiamentos e o outro. portanto exerce função de síntese. Assim é regido pelo processo primário.educapsico. consciência moral e sentimentos de culpa. porém de forma racional. • É orientado pelo princípio do prazer: isto é. o Ego é desenvolvido com o passar da vida do indivíduo. muitos conteúdos inconscientes também o compõe. Embora muitas características do Ego coincidam com o consciente. Não leva em conta a realidade. Karina de O. • Atemporal: Fatos que ocorreram no passado convivem paralelamente e sem desvantagem de intensidade. Ego Segundo Freud. É receptivo tanto às excitações internas quanto externas ao indivíduo. investi mentos libidinais. embora oriundos do Id passam. O ego. a partir da interiorização das imagens idealizadas dos pais. É o responsável pela auto-estima. Age conscientemente e também inconscientemente.

Ansiedade Provocada por um aumento de tensão ou desprazer desencadeado por um evento real ou imaginário. Ego Ideal ou Eu Ideal Formação intrapsíquica que define Ego Ideal como um ideal narcísico de onipotência forjado a partir do modelo do narcisismo infantil. que aparece a expressão “ideal do ego” para designar uma formação intrapsíquica relativamente autônoma que serve de referência ao ego para apreciar as suas realizações efetivas. Além das divergências. Freud (1914). É em Sobre o narcisismo: uma introdução. perda da auto-estima (desaprovação do superego que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo).www. Enquanto instância diferenciada.educapsico. enquanto em outros textos a função do ideal é atribuída a uma instância diferenciada.br Ideal do ego ou Ideal do eu Instancia da personalidade resultante da convergência do narcisismo (idealização do ego) e das identificações com os pais. Em O ego e o id.com. porém outros autores o designam como formações diferentes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 12 . Nas obras de Freud. coloca-se o ideal de ego e o superego como sinôni mos. colocando em primeiro plano o caráter narcísico desta formação. Karina de O. não se encontram qualquer distinção conceitual entre ego ideal e ideal do ego. Quando isto acontece. com os seus substitutos e com os ideais coletivos. Traz uma ameaça para o Ego. Freud (1923). Mecanismos de defesa O ego muitas vezes não consegue lidar com as demandas do Id e com as cobranças do superego. perda de identidade (prestígio). ou pelo menos a uma subestrutura especial no seio do superego. Exemplo de estressores que podem levar à ansiedade: perda de um objeto desejado. todos os autores estão de acordo quanto à afirmação da formação inconsciente do ego ideal. perda de amor (rejeição). o ideal do ego constitui um modelo a que o sujeito procura conformar-se. alguns mecanismos de defesa aparecem. provocando ansiedade.

etc. A moral do sujeito está ligada a este mecanismo. esquecimento de fatos traumáticos acontecidos na infância (ato de violência.com. pois ele diminui a tensão. a criação artística. Os conteúdos tornam-se pré-conscientes ” (Laplanche. Vejamos agora alguns mecanismos de defesa. São eles: Recalcamento/Recalque “Operação pela qual o sujeito procura repelir ou manter no inconsciente representações (pensamentos. Por outro lado não possibilitam um conhecimento real sobre os desejos.www. Freud utilizou a expressão pela primeira vez no seu "As neuroses e psicoses de defesa". medos e necessidades. Mecanismos de defesa patogênicos Defesas que não eliminam a tensão apenas a encobrem. não percebendo algo da realidade: no caso da morte de alguém pelo qual um sujeito tinha sentimentos de amor e ódio. O ego protege o indivíduo inconscientemente.br A psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e que batalham entre si. ex. Envolve a não-percepção. através de distorções da realidade. na percepção do presente (p. 1991). que atua como censura. Repressão “Operação psíquica que tende a fazer desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: idéia. a consciência de algo que traz constrangimento ou sofrimento. Na ocasião de seu faleci mento os senti mentos tanto de Karina de O. acidente. Por força de um contra-investimento. descritos por LAPLANCHE (1991) Sublimação Defesa bem sucedida contra a ansiedade. recordações) ligadas a uma pulsão. Mecanismo consciente. Por exemplo. entre outros).educapsico. O recalque produz-se nos casos em que a satisfação de uma pulsão – suscetível de proporcionar prazer por si mesma – ameaçaria provocar desprazer relativamente a outras exigências” (Lapanche. de 1894. Fatos que só são acessados através de análise ou interpretações de sonhos. O aumento de tensão ou desprazer é desviado para outros canais de expressão socialmente aceitáveis como. afeto. 1991). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 13 . imagens. um ato psíquico ou uma idéia é excluído da consciência e jogado para o inconsciente. Pode atuar nas lembranças. por exemplo.

na qual houve sofrimento. O impulso é cada vez mais ocultado.: Uma mulher pode repri mir tanto um desejo sexual que pode chegar a tornar-se frígida). Culpar um objeto por falhas pessoais ao invés de culpar-se a si mesmo.br hostilidade quanto de perda podem não ser percebidos e este sujeito pode mostrar-se indiferente) e até mesmo no funcionamento do corpo (p. ex.www. atribuir repugnância e nojo ao sexo. intenções e sentimentos que são ignorados em si mes mo são atribuídos a outras pessoas. Por exemplo: negação de um diagnóstico grave. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 14 . Isolamento Uma idéia ou ato sofre o rompi mento de suas conexões com outras idéias e pensamentos. Por ex.: um sujeito fala sobre traição conjugal. negação de algo que aconteceu no passado. fantasia de que alguns fatos não ocorreram ou não “foi bem assim”.com. Um sentimento contrário é colocado no lugar de outro para disfarçá-lo. enquanto no passado este sujeito já passou por uma situação de traição conjugal. Por exemplo. O sujeito nega a existência de alguma ameaça ou evento traumático ocorrido. quando os impulsos sexuais não podem ser satisfeitos. O fato isolado passa a receber pouca ou nenhuma reação emocional. Por exemplo: dar explicações racionais para a perda de um emprego ou relacionamento convencendo-se de que estes objetos perdidos possuíam defeitos. Processo de colocar motivos aceitáveis para atos ou idéias inaceitáveis. Impulsos agressivos podem dar lugar a comportamentos solícitos e amigáveis. como se eles tivessem relacionados a outro sujeito. Projeção Colocar algo do mundo interno no mundo externo.educapsico. Formação Reativa Inversão da realidade. objetos ou Karina de O. demonstrando compreensão e indiferença ao assunto. negação da iminência de morte de um ente querido. Racionalização Redefinição da realidade. Fatos podem ser relatados sem sentimento quando um sujeito fala de conteúdos que foram isolados de sua personalidade. Negação Está relacionado à repressão. Desejos.

São elas: fase oral. Deslocamento Acontece quando o objeto que satisfazia um impulso do Id não está presente. Neurose Os mecanismos de defesa contra a ansiedade podem ser encontrados em indivíduos saudáveis. Através de suas observações ele categorizou o desenvolvi mento infantil em fases psicossexuais do desenvolvimento.com. O corpo é cercado de regiões (zonas) erógenas que sob estimulação provocam sensações prazerosas. vestir-se como criança. A pessoa então desloca este impulso para outro objeto. Retorno do sujeito a etapas de desenvolvimento anterior. histeria. Freud associou a satisfação através desta estimulação às fases de desenvolvimento infantil.: Um pai pode dizer ao seu filho que este não cumpre suas tarefas. fase fálica. Ao nascer o bebê vai descobrindo tais áreas através da estimulação. porém quando estão fortemente associados e trazem dificuldades sociais caracterizam-se enquanto neuroses. período de latência e fase genital.www. Karina de O. que este não tem aprovação dos outros. por o dedo no nariz. com menos frustração e ansiedade.br animais. que foram mais agradáveis. Por exemplo: fobias. fase anal. dirigir rápida e imprudentemente. ou bater numa criança quando uma agressividade não pode ser expressa em direção ao fator desencadeante. Exemplo: falar como criança. entre outros. Desenvolvimento Psicossexual Freud (1933) revelou a presença de uma sexualidade infantil. Regressão Escapar da realidade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 15 . destruir propriedades. entre outros. que este não será bem-sucedido. transtorno obsessivocompulsivo (TOC). quando na verdade este sentimento é para com ele mesmo. Seria esta a responsável pela compreensão de toda a vida psíquica posterior na fase adulta.educapsico. quando a tensão foi provocada por outro estressor. Por ex. Por exemplo: gritar com um cachorro. roer unhas.

Além disso. as crianças vão percebendo que este controle pode ser alvo de elogios e atenção por parte dos pais. A boca neste momento é a única parte do corpo que a criança pode controlar. devido a uma frustração na fase atual ou satisfação excessiva na fase anterior. Dúvidas e fantasias aparecem. mais tarde quando descobre a verdade.br O termo fixação foi designado para descrever um estado em que parte da libido permanece investida em uma das fases psicossexuais. A fase oral desenvolvida tardiamente pode incluir a gratificação de instintos agressivos com o uso dos dentes para morder o seio.com. etc. O foco do prazer deixa de ser o ânus e passa a ser o genital. que a criança pode perceber que ir ao banheiro é algo “sujo” e traz repugnância. Este conflito foi denominado por Freud de Complexo de Édipo. O jovem Édipo. Nesta fase aparece o conflito de substituir os pais e a rivalidade contra aquele que “está tomando o seu lugar”. língua e mais tarde dentes. A obtenção deste controle fisiológico provoca sensações de prazer. As crianças demonstram interesse em explorar e manipular esses genitais. é comum que brinquem ou perguntar se podem se casar com os pais. V antes de Cristo. se elas conseguem urinar. Fase Fálica: Acontece quando as crianças se dão conta da diferença sexual. mata o pai e se casa com a mãe. frente aos desejos incestuosos e à masturbação. Neste momento. sem saber de quem era filho realmente. enquanto os meninos se dão conta da presença de um. Além disso. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 16 .www. a criança é também confortada.educapsico. ao ser amamentada. uma vez que hábitos de higiene são treinados cercando esta zona erógena de tabus e proibições. como por exemplo. Podem manifestar ciúmes da atenção dada um pelo outro no casal. a Castração Karina de O. inspirado no mito grego do Édipo Rei. a realidade e a moral colocada pelos pais entram em conflito com os impulsos do Id. estimulada através da amamentação e do seio materno. O pai e a mãe passam a ser objetos de curiosidade e interesse também. por que as meninas não tem pênis. porém. As meninas se dão conta da falta de um pênis. Complexo de Édipo – A Lei. de Sófocles no séc. Fase Anal: Por volta dos dois anos de idade a criança aprende a controlar os esfíncteres anais e a bexiga. Acontece. Fase Oral: A pri meira zona erógena é a boca. acalentada e acariciada. ele próprio arranca seus dois olhos.

A resolução do Complexo: a ansiedade de castração nos meninos fará com que eles abandonem seus desejos incestuosos pela mãe e superem o complexo identificandose ao pai. àquele que pode lhe dar um pênis ou um substituto deste. No conflito das meninas. As meninas também passam a identificar-se com a mãe e assumem uma identidade feminina.educapsico.www. É tarefa do superego (que está em desenvolvimento) impedí-lo de aparecer ou até mesmo que haja uma reflexão sobre ele. parece haver uma menor repressão e o que foi observado é que elas permanecem nesta situação edipiana por mais tempo e até mesmo a resolução pode ser incompleta. Ele interpreta este anseio como um temor de que seu pênis seja cortado. a maioria das crianças por volta dos 5 anos de idade passam a demonstrar interesse em outros relacionamentos. que deseja estar próximo de sua mãe. Para as meninas é justamente a castração que faz iniciar Complexo de Édipo. para as meninas o primeiro objeto de amor é a mãe. Freud explicou o Complexo de Édipo masculino mais detalhadamente.com. que é nesta época o órgão de sua satisfação de prazer. uma vez que ela é a fonte de alimento. Mas ela perceberá que a mãe não pode lhe dar aquilo que lhe falta: um pênis. Karina de O. A repressão feita pelo superego neste momento é bem sucedida e os desejos não resolvidos da fase fálica não perturbam mais. permanece inconsciente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 17 . Junto com o desejo de tomar o lugar do pai está o medo de ser machucado. esportes. A sexualidade não avança mais e os anseios sexuais até diminuem. quando é instaurada a lei da proibição gerando a interdição paterna. Ao mes mo tempo ele também deseja o amor e afeição de seu pai e desta forma ele vive um conflito de desejar o amor dos pais e ao mesmo tempo temê-los. Este é o chamado temor de castração. como nas amizades. o pai aparece como um rival. Esse complexo acaba sendo reprimido. Período de latência Independentemente de como se dará a resolução deste conflito com os pais. de forma parecida com o que acontece no mito do Édipo rei. Para as meninas o complexo foi chamado de Complexo de Electra. Passa a buscar nos homens similaridades do pai. Para o menino. entre outros. afeto e segurança. Assi m como para os meninos. Para os meninos é a castração que os faz superar o complexo de Édipo.br O Complexo de Édipo acontece diferentemente para as meninas e meninos. Surge aí uma hostilidade frente à mãe e seu interesse será destinado ao pai.

desenvolvendo o que Freud chamou de amor objetal. ele ama alguém que apresenta características bem semelhantes às que ele próprio possui ou possuiu. o indivíduo busca no amor objetal a sua própria i magem. e o auto-erotismo (satisfação pelo e no próprio corpo: chupar o dedo.com. O narcisismo pri mário termina quando o desenvolvimento psicossexual se completa. este indivíduo volta-se finalmente para um objeto externo. Já na escolha narcisista. Os impulsos sexuais pré-genitais que acabem não tendo êxito na sexualidade genital podem então ser recalcados ou subli mados. ou gostaria de possuir. portanto uma renúncia ao próprio narcisismo que ele já viveu. o sujeito deve fazer escolhas e para que isto ocorra o indivíduo deve ter percorrido os estágios psicossexuais do desenvolvimento e até mes mo elaborado o complexo de Édipo. Durante as primeiras experiências do bebê o ego ainda não está formado. a mulher ou o homem que uma vez o protegeu. há. Depois. Narcisismo secundário: A escolha objetal pode dar-se de duas maneiras. Manifestações do Inconsciente Freud percebeu. morder o pé) vem como uma forma de satisfação libidinal. isto é.br Fase Genital Nesta fase final do desenvolvimento psicossexual. transformados em atividades socialmente produtivas. Neste amor objetal.www. o indivíduo busca no objeto de amor. por exemplo. Narcisismo Narcisismo primário: Foi explicado por Freud (1914) como auto-erotis mo.educapsico. Na escolha anaclítica. Existe a escolha anaclítica e a escolha narcisista. através da Karina de O. meninos e meninas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 18 . na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor. através do método da associação-livre e a partir dos relatos de sonhos de seus pacientes que o inconsciente não se revela diretamente. conscientes de suas identidades sexuais distintas começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais.

br consciência e si m de forma encoberta. Esta distorção permite que o desejo seja aceitável ao ego.com. aparentemente sem nexo e sentido. ajudar o paciente a interpretar o sonho. os conteúdos aparecem disfarçados. isto é. Nos sonhos. nos pesadelos. A interpretação de um sonho para Freud só terá sentido no próprio discurso do indivíduo. erro de endereço. Muitos sonhos traumáticos de guerra que aconteciam repetidamente durante o sono de alguns indivíduos que viveram situações de guerra. Regras gerais podem não ser válidas. Nos sonhos traumáticos. não temendo punições. diferentemente de conteúdos latentes. são manifestados. um dos livros mais importantes. É trabalho do analista. proporcionar um momento de satisfação para que o indivíduo não desperte. foram interpretados por Freud como uma necessidade de elaboração da situação traumática. distorcidos pelos mecanismos de deslocamento e da condensação. Chistes. mes mo que não tenha havido uma realização na realidade físico-sensorial dos desejos. Assim. uma vez que no estado de vigília muitas ações são inaceitáveis devido à repressão e moral. Essas repetições podem ajudar o indivíduo de alguma forma a elaborar suas angústias. “A interpretação dos Sonhos” é considerado dentro de sua obra. Fisiologicamente a função do sonho é manter o sono. piadas) e atos falhos (troca de nome aparentemente acidental. temores e ódio.educapsico. O inconsciente aparece então nos sonhos. os conteúdos do sonho são conteúdos manifestos. ato falhos Assim como nos sonhos o inconsciente se manifesta nos chistes (brincadeiras. pois energias acumuladas são descarregadas. nos chistes e atos-falhos. entre Karina de O. que não conseguem aparecer.www. durante o sonho há uma satisfação adicional ou uma redução da tensão. embora apareçam de maneira não clara. De acordo com Freud (1900). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 19 . também há redução de tensão e produção de prazer. O livro de Freud publicado em 1900. Sonhos e elaboração onírica Forma de satisfação de desejos que não foram ou não puderam ser realizados.

do paciente para com seu analista e do analista para com seu paciente. o que pode dificultar a relação terapêutica. permite a construção de um relacionamento inédito para o paciente.com. Foi primeiramente descrita por Freud.www. ele criou o conceito de transferência e contratransferência: Transferência Transferência é um fenômeno na psicologia. foi um psicanalista francês. Esta aparição do inconsciente é dada através dos mecanismos de condensação e deslocamento. A transferência que surge nesta relação torna-se então. com o processo contrário em que afetos do analista são transferidos para o paciente.educapsico.tanto negativos quanto positivos . A partir daí. Tais sentimentos estariam contribuindo para o sucesso do tratamento ou fracasso. Formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 20 . dependendo de como fossem manejados.br outros). Trabalhou como interno da Enfermaria Karina de O. Contratransferência O analista deve tomar cuidado com a contra-transferência. quem reconheceu sua importância para a psicanálise para uma melhor compreensão dos sentimentos dos pacientes. caracterizado pelo direcionamento inconsciente de sentimentos de uma pessoa para outra. Freud percebeu a i mportância de analisar e perceber a expectativa projetada e os sentimentos . A relação paciente-terapeuta sob o contexto da livre-associação. o instrumento terapêutico principal. No decorrer de seus atendi mentos e a partir de alguns casos de abandono de tratamento. isto é. sem risco de juízos alheios. na medida em que permite a atualização dos conteúdos inconscientes que permeiam as relações interpessoais do paciente. CONCEITOS PRINCIPAIS DE JAQUES LACAN “Sou onde não penso. penso onde não sou” (Lacan) Marie Émile Lacan (1901-1981).

desta forma. 1933).br Especial para alienados da Chefatura de Polícia. sem encontrar outro eco senão o toque de campainha de E. Karina de O.(Freud. escreveu ele. será a matriz das futuras identificações.Jones. ao Congresso internacional de psicanálise. O olhar do outro devolve a imagem do que eu sou. Interessou-se pelo estudo das psicoses e em toda sua obra haverá um aprofundamento sobre tratamento de psicóticos. Freud introduziu o que irá chamar de segunda tópica: uma tese que torna o “eu” (ego). não suscitou maior entusiasmo. Estudou lingüística e antropologia estrutural (Levi-Strauss) e incorporou esses conhecimentos em sua teoria. uma instância reguladora entre o “isso” (id. em 1947. Propõe então um “Retorno a Freud” . pelo próprio movimento pelo qual ele me esconde de mi m mesmo. instala-se o desconhecimento em minha inti midade e. Teoria Lacaniana Após 1920.www.agente das exigências morais) e a realidade (lugar onde se exerce a atividade) . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 21 . o que irei encontrar será um outro. “boa”.educapsico. constrói-se à imagem do semelhante e primeiramente da i magem que me é devolvida pelo espelhoeste sou eu. para “harmonizar” essas correntes. por seu desejo. O investi mento libidinal desta forma pri mordial. bem como uma tensão ciumenta com esse intruso que. o supereu (superego. Ora. em 1936. Lacan faz sua entrada no meio psicanalítico com uma tese completamente diferente: o eu.com. O bebê olha para a mãe buscando a aprovação do Outro simbólico (Lacan. Isso. um reforço do eu. Num primeiro momento fez parte da IPA (International Psicoanalises Association) mas depois acabou saindo e afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado da proposta Freudiana. Pode surgir. Sua reapresentação em Paris. uma dimensão paranóica. Fica assim sendo representante importante do Estruturalismo. Id). 1998). Estudou literatura e filosofia e aproxi mou-se dos surrealistas. ao querer forçá-la. O artigo “O Estádio do Espelho como formadora da Função do ‘jé’” foi apresentado. normalmente constituinte da organização do “je” (eu inconsciente. ao mesmo tempo em que os esconde de mim. no neurótico. É como outro que sou levado a conhecer o mundo: sendo. constitui meus objetos. como uma finalidade de tratamento. interrompendo uma comunicação demasiado longa. Assim.fonte das pulsões). porque supre a carência de meu ser.

Reconhece que seu filho é um ser humano e quando este chora porque está com fome lhe dá o “Objeto seio” para a satisfação do bebê no prazer da oralidade (leite/alimento e a catexia da libido oral) passando o bebê da natureza (instinto-animal) para a cultura (pulsão-homem).com. A mãe deseja ter um filho (lhe dá um nome). Quando a criança se torna uma Karina de O. falta) da mãe é completado com o nascimento do filho. se sente como um corpo fragmentado. é que leva o bebê sair da sua prematuração neonatal. neste outro.). graças ao fato de que ele se projeta na imagem do outro (figura materna) que se encontra como que por milagre diante dele. leva o bebê a uma alienação. individualidade.www. Esta perda/separação vem através do “Significante Nome do Pai” que são as leis e limitações naturais da vida (trabalho. a idéia é que o bebê só conseguirá encontrar uma solução para tal estado de desamparo por intermédio de uma “precipitação” pela qual ele “antecipará” o amadurecimento de seu próprio corpo. Com o fim da fase oral (canibalesca 0 a 1. Este passa por um processo de “alienação” para se constituir como sujeito. o bebê busca o prazer através do seio materno (leite e libido oral). engravida. Estabelece uma “linguagem” com o “simbólico” mãe.br O termo “Estádio do Espelho” teria sido inventado por Henri Wallon. “boca do jacaré”) sente como se ele (filho/falo) fosse parte dela (Lacan.educapsico. Essa precipitação na imagem do outro. Porém só quando o bebê perde o objeto do seu desejo (mãe/seio) é que ele verifica que sua mãe não faz parte do seu corpo e não é completa (completude). canibalizar) o seu filho como se fosse parte do seu corpo. dependente da mãe. O bebê antes do “Estádio do Espelho” (6 meses a 18 meses) não se vê como um corpo unificado. O bebê tem (é obrigado) a se “alienar” para que se constitua um “sujeito”. Com o princípio prazer/desprazer verificamos que a energia é maior no desprazer. entretanto. necessidades outras. Lacan apresentou com uma outra forma. Sua mãe/seio faz parte dele e ela (mãe. sendo que este movimento de precipitação. Ele apresenta iniciando com um mito e apóia-se na idéia de que o ser humano é um ser prematuro no nascimento com uma incoordenação motora constitutiva. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 22 . O “falo” (falus.5 anos). Este desejo natural coloca o filho em uma situação de escolha definitiva: ou se torna independente pela falta da mãe se transferir para o filho e se tornar um “sujeito faltante” ou é engolido pela “boca de jacaré” da mãe e se torna um “altista” ou um doente mental. Chamamos “boca do jacaré ou crocodilo” o desejo da mãe de possuir (comer. etc. fragmentado sem unidade. De acordo com Lacan (1998).1987).

o destino do ser humano é absorver as dívidas do Outro. pensamos poder encontrar uma saída para a repetição da dívida. Esta escolha. O sujeito neurótico paga uma dívida que não contraiu. o bebê (eu. ao torná-la um processo histórico constituído pelo e no “Outro”. sujeito).educapsico. O ser humano é constituído. O bebê na grande maioria das vezes escolhe ser um “sujeito faltante” ou um “sujeito neurótico normal”. no encontro com o espelho. Lacan (1987) cita um relato da escolha que mostra esta situação. não vemos o discurso do Outro. É no outro e pelo outro que aquilo que quero me é revelado. segundo Lacan (1987). a partir do momento em que começa a falar. existindo duas pessoas distintas. verifica o “rapto” que esse outro opera nele. No entanto. na verdade não é uma escolha. conseguiremos. e poder encontrá-la na “fala”. por conseguinte. Não sei nada de meu desejo. Neste momento identifica a “falta”. que o antecipa em sua história. que define a alienação constitutiva do ser. na medida em que substituímos um Outro que a contraiu por mi m. Meu desejo é o desejo do outro. O desejo é. De modo que o objeto de meu desejo é o objeto do desejo do outro. pela primeira vez. foi nas gerações precedentes que ela foi contraída. uma seqüela dessa constituição do eu no outro. a separação da mãe e a constituição do “sujeito faltante”. acima de tudo. ao torná-la “simbólica”. O “sujeito”. é senão a imagem do outro. de uma ameaça de um ladrão onde ele pergunta: “Ou a bolsa ou a vida”. de saída por uma dívida que não foi ele que a contraiu.br psicótica a figura materna não o reconheceu como ser humano e não aconteceu a alienação com separação. o sujeito já não é como antes. O inconsciente é o lugar onde se encontra a dívida. uma dívida contraída pelos outros. ou o que o Outro queria ou via em nós. Sendo que o “desejo”. inserila na linguagem. deixando de ser fragmentado. e ele constitui como sujeito devido ao resultado do efeito que esse outro (mãe) tem no bebê. Na fala encontraremos a saída para a “repetição da dívida”. A alienação tem o sentido de que o bebê não tem uma unificação. substituir o Outro para pagar a dívida em questão. Na verdade não seria uma pergunta. No sujeito humano se produzem substituições de posição que fazem com que. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 23 . Essa história de alienação no outro. seria uma escolha lógica e única: “Você perde a bolsa e ganha a vida” ou “Perde a bolsa e perde a vida”. Quando realizamos uma análise. embora tenha que pagá-la. a não ser o que o outro me revela.com. que é o “desejo do Karina de O.www. No espelho a criança vê que ele existe e não é o Outro (mãe). Nessas condições. É no espelho que a criança vê seu corpo unificado.

obrigação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 24 . Distingue-se do Sujeito do Inconsciente. “paciência” e sem medo de aprender novos termos. que separando sons e pensamentos. através da fala e da linguagem que é possível haver acesso ao inconsciente. efeito de uma dívida constitutiva. Se existe um mais-além da demanda. Sua primeira intervenção na psicanálise é para situar o Eu como instância de desconheci mento.www. do significante. no que é seguido por Lacan. engendrava o signo. em Lacan. por conseguinte) residia no corte de elemento distinto. que Karina de O. sede do narcisismo. juntamente com fenômenos como amor. O mais-além da demanda foi interpretado como o significante. É a partir do campo simbólico. isto é. então. O significante inconsciente.com. É o momento do Estádio do Espelho. Lacan reafirma. na medida em que o sujeito humano é efeito da linguagem. de alienação. instância simbólica. Outros conceitos foram desenvolvidos por Lacan que só com o tempo. É o lugar das identificações e das relações duais. definirá os caminhos que o Outro me prescreveu. corte. É a criação de “cortes” que produz a ordem Significante e Lacan chamaria estes de “ponto de basta” com a operação do “Nome-do-Pai” (As leis da cultura: trabalho. o significante precede e determina o significado”. “apagou” efetivamente a problemática do mais-além e passou a dissimulá-la por completo. que a demanda é dirigida ao Outro. agressividade. foi o nome próprio assumido pelo mais-além da demanda. Seu ensino deu-se primordialmente através de seminários e conferências.educapsico. pois. Esse além assumiu o nome próprio de “desejo”. etc. O Eu é situado no registro do Imaginário. é que nos acostumamos. Para Lacan (1998) há três registros psíquicos: o registro no Campo Imaginário. que foi definido pelo autor como “estruturado como uma linguagem”. A criação do significante (e do significado. ódio. Este salto foi fundamental. O inconsciente é o discurso do Outro. é o campo da linguagem. que marca o desejo do Outro é a “pulsão”. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito. a divisão do sujeito. LéviStrauss afirmava que "os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam. o registro no Campo Si mbólico e o Registro no Campo do Real. Esse desejo. de ilusão. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica.br Outro”. pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. É o Significante do Nome do Pai). Esse registro é o do Simbólico.

Simbólico e Imaginário. Real. Lacan articula neste processo dois grandes conceitos. pelo Nó Borromeano. enfim. já que é "aquilo que não serve para nada". as mulheres.com. O Real toca naquilo que no sujeito é o "improdutivo". ao Real cabe aquilo que resiste a simbolização. (1998) "a lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa". "o real é o impossível". Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 25 . A isto se refere o aforismo lacaniano "o inconsciente é estruturado como uma linguagem". sua "parte maldita". "A Mulher não existe").educapsico. 1987): Imaginário Forma-se a partir do Estádio do Espelho: Estádio do espelho Karina de O. e do conceito de realidade psíquica. chistes e de relatos de sonhos. Seu pensamento sobre o Real deriva pri meiramente de três fontes: a ciência do real. É na década de 1970 que Lacan dará cada vez mais prioridade ao registro do Real. Para operar com este campo. onde o inconsciente se manifesta. O desejo é uma falta-a-ser metaforizada na interdição edipiana. Lacan pensa a lei a partir de Lévi-Strauss. junto com o Objeto a ("objeto ausente"). naqueles fenômenos que Lacan nomeia como "formações do inconsciente". Em sua tópica de três registros. da interdição do incesto que possibilita a circulação do maior dos bens simbólicos. Lacan considera o Real. o gozo. Se grande parte de sua obra foi marcada pelo signo de um retorno a Freud. operador do Complexo de Édipo."o inconsciente é o discurso do Outro". Lacan envereda pela Topologia. através de atos falhos. da Heterologia. "não cessa de não se inscrever". resto inassi milável. de Freud.br só se constitui através deste . cria seus Matemas. de Meyerson. o Nome-do-Pai e o Falo. Para Lacan. esquecimentos.www. revalorizando a escrita. constrói uma Lógica da Sexuação ("não há relação sexual". "o desejo é o desejo do Outro". O Simbólico é o registro em que se marca a ligação do Desejo com a Lei e a Falta. Na tentativa de fazer a psicanálise operar com este registro. desejo enquanto metonímia. ou seja. O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala. RSI. através do Complexo de Castração. Registros (Lacan. a falta possibilitando a deriva do desejo. de Bataille. suas criações.

a hiância que havia antes entre o corpo e sua imagem é então preenchida. mas também que seja o que falta a essa mãe. Passa a haver uma divisão entre um mundo interno e externo. por exemplo. ao desejo de sua mãe.br Descrito como o momento em que a criança descobre. um complemento. que lhe permite reconhecer-se. onde uma imagem é projetada ou não necessariamente. Ponto decisivo na origem do ser. portanto. Em termos lacanianos esta criança deseja ser o Falo desta mãe. Esta relação com o espelho.www. Lacan descreve uma identificação primária da criança com a sua própria imagem e a qualifica de imaginária. Pode prescindir de um espelho. A brecha. momento de constituição do ser. mas. tem traços em comum com a relação da criança com sua mãe. com o órgão sexual. indistinção. No estádio do espelho este corpo dá lugar a uma imagem totalizada do corpo. Há uma indistinção da criança com a mãe. aos seus semelhantes. aquele que detém o poder de possuir o que falta ao outro. com o pênis. Traços imaginários. Falo não deve se confundido. subjugação da criança à sua imagem. Não há um eu antes do estádio do espelho. No caso de uma pessoa cega. 1ª etapa: a criança reconhece na imagem do espelho uma realidade ou pelo menos a imagem de um outro. este outro que estaria detrás do espelho. E é por isto que a definição de desejo na teoria lacaniana é: “o desejo é o desejo do outro”. cujas características são: relação imediata. Antes há a noção de um corpo despedaçado. A criança deseja não só receber os cuidados e afeto de sua mãe. constrói uma imagem de si. Simbólico Karina de O. alienação. uma vez que a criança identifica-se com algo que não é ela própria. deseja ser um todo. pois o outro também faz a função de espelho. identificação narcísica.com.educapsico. Uma unidade e uma subjetivação e também alienação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 26 . 3ª etapa: A criança reconhece este outro como sendo sua própria imagem. 2ª etapa: A criança não mais tenta pegar este objeto real. O indivíduo tem por desejo ser o desejo de sua mãe. ou relação especular.

” Rede ou cadeia significante Significantes inconscientes. a criança então se identificará ao pai. castração (ser castrado significando não ter o Falo). a linguagem e a civilização. a entrada da criança na ordem si mbólica. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 27 .) . uma vez que a criança percebe que este pai é desejo da mãe.br Acesso à ordem simbólica: a partir do Complexo de Édipo. o código. portanto. aquele quem tem o falo e haverá então. O pai. 1º tempo do Édipo: Coincide com a 3ª etapa do Estádio do espelho. O sujeito entra na trama da linguagem .educapsico. – (Semântica). A língua.(Semiologia) O discurso pronunciado refere-se aos significados. Esta castração mostra ao sujeito que há uma FALTA.www. Lacan enquanto pesquisador no campo da lingüística traz a contribuição de F. é quem tem o falo. refere-se aos significantes. muitos Por exemplo: as inscrições: Homem/Mulher nas portas de banheiros públicos tem por traz destes significantes muitos outros relativos à cultura da segregação Karina de O. 3º tempo do Édipo: acesso ao Nome-do-Pai e à ordem si mbólica..com. de Saussure sobre significantes e significados .. Acontece aí o encontro com a Lei do Pai. uma falta de ser. é privada disto pelo pai. A criança sai da relação dual com a mãe para entrar então na tríade familiar. Supremacia do significante “Os significados são apenas variações individuais e só ganham coerência dentro da coerência da rede significante. Significantes são desde oposições fonemáticas até locuções compostas (frases. o sujeito é dominado e constituído pela ordem simbólica. Este priva a mãe de um Falo. Passagem do ser ao ter. 2º tempo do Édipo: interdição do pai. inerentes a esta trama da linguagem. dos sexos. Se a mãe aceita a lei paterna. O simbólico traz consigo a cultura. O inconsciente é estruturado como linguagem : ao adquirir a linguagem. onde havia uma indistinção dela com esta própria mãe. A criança que queria ser o falo da mãe. expressos possuem outros significantes associados.

Sentem-se amados demais pela mãe. braveza. Dificuldade de perceber a ausência do pênis na mãe. Parte pelo todo. Há uma substituição. se submetendo a ela de bom ou mau grado. “Estou numa fase de transição. Psicose. “ainda não possuo um título”. Por exemplo. Não há o desejo do desejo do outro. mas desenvolve uma nostalgia sintomática diante da perda sofrida. Frente à angústia de castração há a mobilização de recursos defensivos para contorná-la. um estágio pelo qual devo passar para alcançar algo”. Perversão descrita e percebida nos homens. Não há a renúncia ao objeto primordial. Perversão feminina traz uma discussão problemática. A única lei do desejo é a sua e não do outro. Traços: desafio e transgressão. etc. Ocupa o lugar de gozo do outro. A mãe poderia encontrar nesta criança o que supostamente espera do pai. Competição e rivalidade. Há uma combinação. Sincronia. Neurose Obsessiva: Nostálgicos do ser. dizer a um homem: “Você é um touro”.www. Quer assegurar o controle onipotente do objeto. Criança se coloca numa posição de suplência à satisfação do desejo materno. são elas: a metáfora e a metonímia. Não consegue assumir a sua parte perdedora. Mecanismos constitutivos da homossexualidade e do fetichismo.br Há leis que regem a linguagem e o inconsciente. “minha responsabilidade ainda não é a de um profissional”. resistência. Estruturas clínicas: Neurose. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 28 . Perversão (Lacan.educapsico. Defesas: fixação e a regressão.com. Todo pela parte. Desejo: orientado pela questão da castração. e denegação da realidade. Perversão: No Édipo só aceitará a castração se houver a possibilidade de transgredi-la. 1987) Dependem principalmente do que se passou durante as fases inicias: Estádio do Espelho e vivência do Édipo. Neurose: Aceita a obrigatoriedade da castração. Exemplo: “Sou Estagiário”. O significante Touro engloba outros: força. Metonímia Correspondente do termo Freudiano de deslocamento. Como se esta satisfação lhe tivesse sido uma falha. Este significante esconde outros tantos como. Diacronia. Metáfora Correspondente do termo Freudiano de condensação. Karina de O.

Organização obcecante do prazer. com tal interesse pelo homem. Depois teve interesse pelas idéias de Schopenhauer e Nietzsche. Ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar medicina. que utilizava a teoria do associacionismo. Sedução: mais colocada a serviço do falo do que de seu desejo. idéias que influenciaram a construção de sua Psicologia Analítica. a Psicologia entra na sua vida. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 29 . Isolamento. cavando seu leito num único percurso. já tinha noções de Kant e Goethe. Jung conclui a faculdade de medicina e saiu da Basiléia para ser o segundo assistente no Hospital Psiquiátrico Burgholzli em Zurique.br Traços: economia obsessiva do desejo. Psicose: A psicose está relacionada com uma passagem mal sucedida pelo estádio do espelho. Traços: reivindicação do ter. Implicitamente há uma sensação no histérico de que ele não pode ter o falo. INTRODUÇÃO A TEORIA DE REICH E JUNG “Somente nela poderiam confluir os dois rios do meu interesse. No desejo histérico há uma constante: permanecer insatisfeita.educapsico. Então. cursou Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Neurose Histérica: Questão do passo a dar na assunção da conquista do falo. que é quem o possuía anteriormente. Indecisão permanente. Ambivalência. Obstinação. que tem como base Karina de O.com. O hospital era dirigido por Eugen Bleuler. p.104) Integrando o Biológico e o Espiritual Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça. Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dos dados espirituais” (JUNG. Anulação Retroativa.www. Evita o encontro com a falta. Em 1900. O pai tem direito ao falo e é por isso que a mãe o deseja. Mas acredita que o pai só o tem porque tirou da mãe. Há assim uma reivindicação permanente pelo fato de a mãe também poder tê-lo e o próprio sujeito também poder tê-lo. que se dá no declínio do Complexo de Édipo. tanto biológica como espiritualmente. que existe antes da identificação do corpo à i magem especular. Os psicóticos estariam presos ao corpo despedaçado. Caráter imperioso da necessidade e do dever. 1981.

formando assim a chamada “psique parcelada”. Era medido o tempo de resposta entre dizer a palavra indutora e responder a palavra induzida. em que Jung apresenta noções parecidas entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos. Neste modelo havia uma pessoa. essas experiências tornaram-se uma forma de explorar o inconsciente. o experimentador. A afinidade entre as idéias de Freud e Jung deteriorou-se com a publicação da Psicologia do Inconsciente. Os estudos de Bleuler e seus colaboradores. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 30 . pois.www.br experiências de associação verbal. Com sua experiência. a chamada palavra induzida. incentivado por colegas. amigos e pacientes cria sua Escola. Nisso. Índia e Quênia Karina de O. e com isso veio a hipótese de que essas palavras deveriam atingir conteúdos emocionais das pessoas. em 1912 (revista em 1916). Bleuler também trazia à Psiquiatria uma base psicológica. Jung se interessava pelos estudos feitos por Freud.com. há um núcleo que possui alta carga afetiva. aproxima-se da Psicanálise. Para o desenvolvimento de suas teorias Jung utilizou conhecimento de mitologia (trabalhos em colaboração com Kerensky) e História e culturas de países como México.educapsico. Este pedia que o sujeito do experimento respondesse com a primeira palavra que viesse a sua mente. ou ainda áreas de bloqueio afetivo de que os sujeito não tinham consciência. chamadas palavras indutoras. que dizia palavras isoladas. a cada palavra indutora. como Jung. Jung observou as diferentes reações nos sujeitos. idéias ou representações afetivamente carregadas e autônomas da psique consciente. ou seja. Dessa maneira. voltam-se à esquizofrenia. Desde então. Este passa a estabelecer associações com outros elementos. A origem do complexo é uma situação psíquica considerada incompatível tanto com a atitude como com a atmosfera consciente de costume. Buscava com palavras indutoras descobrir os conteúdos inconscientes que estavam sendo alcançados e denominou-os “complexo psíquico”. Notando uma proximidade entre seus estudos e aqueles feitos por Freud.

educapsico. ou imagens primordiais.com. Deixa contribuições científicas importantes para o estudo e compreensão da alma humana. preenchidas por materiais da realidade. sendo assim. Para Jung os arquétipos são elementos necessários para a auto-regulação da psique. Os principais arquétipos descritos no Karina de O. são experiências comuns a toda humanidade. postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos. Em sua obra constam as questões espirituais. na filosofia. nos contos de fadas e outros. ou seja. em imagens formadas a partir da interação com ambiente. “A noção de arquétipo. em Kusnacht. O inconsciente coletivo se compõe do que ele chamou de arquétipos. nos mitos nos dogmas e ritos das religiões.www. enquanto fenômenos psíquicos. então. nas grandes religiões. tais como: enfrentar a morte de um ente e cuja manifestação simbólica encontra-se nos mitos. nos contos de fadas. na Alquimia. nas produções do inconsciente de modo geralseja nos sonhos de pessoas normais. tornar-se um ser único. Criou a Psicologia Analítica e é visto como um dos grandes expoentes do século XX. 1971). pensamentos e memórias compartilhadas por todos os seres humanos. permite compreender por que em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos. nas fantasias.br Jung adoeceu e faleceu em 06 de junho de 1961. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 31 . nas artes. independente das diferenças de raça. O arquétipo traduz-se. sejam em delírios dos loucos” (SILVEIRA. ou seja. Inconsciente Coletivo O inconsciente coletivo são sensações. Processo de Individuação e os Arquétipos Através do processo de individuação o homem realiza sua potencialidade ou autodesenvolvimento. cultura e individuais.

O termo Persona é derivado da palavra latina equivalente à máscara. dos seus defeitos e impulsos contrários aos padrões e ideais sociais. ou seja. Já o Animus é representado como príncipe. Sombra É o centro do inconsciente pessoal. tais como: sentimentos. haverá outra parte feminina em seu inconsciente e vice-versa para a mulher. o indivíduo passa a se defrontar com outro lado.com. Anima e Animus São os arquétipos. a Sombra é aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade. feminino e masculino. Persona É a forma que nos apresentamos ao mundo. A Persona inclui nossos papéis familiares. sensibilidade e outros. A Anima geralmente é representada por princesa. O Ego identifica-se com a Persona em maior ou menor grau. tentando preenchê-los e corresponder às expectativas. É o nosso caráter. Abaixo descrevemos cada um desses arquétipos. Para Jung. ou seja. À medida que o Ego rejeita a imagem ideal que tem de si. para se adaptar ao ambiente em que vive. fada. estados de humor. Este outro lado foi chamado de Sombra. isto se torna. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 32 . a Ani ma. então. São componentes contra-sexuais inconscientes. ninguém vive inteiramente dentro dos moldes que são determinados pela consciência coletiva. através dela nos relacionamos com as outras pessoas. feiticeiro etc. o Animus e o Self. uma fonte de neuroses. aquilo que descuidamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Já na mulher o Animus personifica as Karina de O.br processo de individuação são: a Persona. herói. o núcleo do material que foi reprimido da consciência. profissionais e nossa expressão pessoal.www. pois. a Sombra. o indivíduo assume os papéis que lhe cabem nas diferentes situações em que se encontra. sereia etc.educapsico. à medida que a consciência do homem é masculina. Então. a Ani ma é a personificação das tendências psicológicas femininas na psique do homem.

Introversão e Extroversão Para Jung cada indivíduo se caracteriza de acordo com como é voltado para seu interior ou para o exterior. Estes são arquétipos que determinam o encontro do eu com o outro. os objetivos do processo de individuação. ou de forma pessoal como um velho ou uma velha sábia.br características masculinas. ou equilíbrio dinâmico. eles se complementam. Os dois tipos de pessoas são necessários no mundo. muda de acordo com a ocasião em que algumas vezes a introversão é mais apropriada e.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 33 . Self É chamado por Jung de arquétipo central. Mas. portanto não se pode manter ambas ao mesmo tempo e uma não é melhor do que a outra. ou seja. o ideal é que cada indivíduo seja flexível e possa adotar uma das duas de acordo com o que for necessário. Este centro se constituirá num ponto de equilíbrio que garante uma base sólida para a personalidade. a) Introvertidos Os introvertidos estão ligados em seus próprios pensamentos e sentimentos. A energia daqueles que são introvertidos se direciona para seu mundo interno. O processo de individuação tem como meta o Self. como um círculo ou quadrado. enquanto a energia do extrovertido se direciona mais para seu mundo externo. Como o processo de individuação é uma aproximação entre consciente e inconsciente. uma criança divina. tem que se tomar cuidado para Karina de O. O Self é simbolizado em sonhos ou imagens de forma impessoal. como pensamentos rígidos. da totalidade da personalidade.educapsico. ou seja. em outras situações a extroversão é mais adequada. o arquétipo da ordem. em seu mundo interior.www. nenhum indivíduo é apenas introvertido ou extrovertido. com tendência à introspecção. Mas. ou na forma de outro símbolo de divindade. o Ego não será mais o centro. unificação. Mas. Todos estes são símbolos da totalidade. é organizador e determina o desenvolvimento psíquico. e que haja um equilíbrio. Uma exclui a outra.

b) Extrovertidos Já os extrovertidos estão ligados ao mundo externo das pessoas e dos objetos. São pessoas sociáveis e conscientes do que acontece à sua volta. objetivos futuros e processos inconscientes. O pensamento está relacionado com a verdade e com julgamentos. A Sensação está ligada à experiência direta.educapsico. ou seja. tocar. Sensação e Sentimento Para Jung. Karina de O. ou a integridade. um paciente pode alcançar um estado de individuação. pois.www. tais como. e acabam não desenvolvendo suas próprias idéias e opiniões. de fatos concretos. tornando raro seu contato com o ambiente externo. sensação e percepção. através da reconciliação dos diversos estados da personalidade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 34 . São pessoas que têm como base as idéias de outros. o que se pode ver. que é dividido também nas sub-variáveis. intuição. Pensamento É uma maneira diferente de preparar julgamentos e tomar decisões. que às vivências. Pensamento. Eles relacionam prontamente as experiências passadas complacentes e as experiências relevantes atuais. As pessoas em que predomina o pensamento são consideradas reflexivas e. Intuição. confrontando-se o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente coletivo. ou que seria possível. têm como característica fazer grandes planos. são formas de adquirir informações e não formas de tomar decisões.br que estas pessoas não mergulhem de forma excessiva em seu mundo interior. pensamento. Os intuitivos dão mais importância ao que poderia vir a acontecer.com. Intuição É uma forma de acionar informações das experiências passadas. na percepção de detalhes. Têm que se proteger para que não sejam englobados pelo mundo externo. Sensação É classificada junto com a intuição. representado no arquétipo da sombra coletiva.

Trabalham como pontes entre consciente e inconsciente. no Império Austro-Húngaro. em 1918 ingressou na Faculdade de Medicina de Viena. Para ele um símbolo é alguma coisa em si mesma. um nome ou uma imagem familiar na vida diária. mas possui significados além do convencional e óbvio. a função dos sonhos é tentar equilibrar o nosso psicológico através da produção de um material do sonho que refaz o equilíbrio psíquico total. que são produções espontâneas da psique individual.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 35 . de preferência emoções fortes. algo dinâmico. ressaltamos três momentos da sua vida e obra: Karina de O. têm facilidade de lidar com crises e emergências cotidianas. Símbolos Para Jung. Sonhos Os sonhos possuem mais emoções intensas e imagens simbólicas que nosso pensamento consciente. Para Jung. a priori o inconsciente se expressa através de símbolos. Em 1915 serviu ao exército.educapsico. A partir de então. que representa uma dada situação psíquica do indivíduo. Dão valor à consistência e princípios abstratos. Visitou Freud pela primeira vez com o intuito de buscar ajuda para organizar um seminário de sexologia na escola de Medicina que ele freqüentava em 1919. Suas decisões são tomadas de acordo com seus valores. Ele se interessa por símbolos naturais. Pode ser um termo. Os sentimentais são voltados para o lado emocional da experiência. Sentimento Uma maneira alternativa de preparar julgamentos e tomar decisões. Os símbolos coletivos também são importantes e geralmente são imagens religiosas.com.br Os sensitivos respondem ao presente. Reich Psicologia Corporal:o histórico de sua formação Wilhelm Reich nasceu em 24 de março de 1897 na Galícia ucraniana.

Após a morte de dois operários numa reunião do partido socialista e o fato dos assassinos serem julgados e absolvidos. em que em um ano teve 20 mil membros. os operários se revoltam e fazem uma manifestação de repúdio da qual Reich participa. pois. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 36 . 2) 1927 a 1935: É o momento de crítica à Psicanálise ortodoxa. pelo divórcio e sugere tratamento para as agressões sexuais e não punição. Reich ingressa na Sociedade Vienense de Psicanálise.com. com a intenção de conquistar a legalização do aborto. Em 1929.br 1) 1919 a 1926: É o momento que se dedica à Psicanálise. uma clínica gratuita em Viena. funda a Associação Socialista para a Investigação e Ajuda Sexual. realiza conferências em congressos psicanalíticos. a geradora das patologias. estabelecendo-se em Berlim. Karina de O. Estabelece uma ligação entre a ansiedade.educapsico. Em 1922. Reich inscreve-se no Partido Comunista e intensifica seus estudos sobre Marx a fim de aproximar-se do Materialismo Dialético e Psicanálise. funda a Policlínica Psicanalítica. onde vários operários foram massacrados. Publica seus primeiros trabalhos. Luta pelo fim da proibição do aborto. que está ligada à procriação e a origem das neuroses. que seriam para ele. voltando sua atenção à miséria sexual dos operários e a relação desses com suas neuroses. propõe a prática revolucionária da Psicanálise. já com alguma resistência dos psicanalistas com as questões da potência orgástica e da couraça caracterológica.www. o aborto era proibido e os anticoncepcionais controlados. Em 1930. a eliminação de doenças venéreas e a prevenção dos problemas sexuais através de uma educação sexual e distribuição de anticoncepcionais. devido a aproxi mação com o ideal de Marx. Em 1928. Especializa-se em neuropsiquiatria e passa a trabalhar como psicanalista em consultório. tornando-se assim discípulo de Freud. Neste dia. Reich busca uma revolução sexual que elimine a repressão imposta pela moral conservadora. Neste trabalho mostra interesse pela miséria sexual dos operários. Em 1931 funda a SEXPOL (Associação para uma Política Sexual Proletária). Nesta houve choque com a polícia. vincula-se ao Partido Comunista alemão. criou seis centros de Higiene Sexual nos subúrbios de Viena.

vai deixando o Materialismo Dialético e se aproxi mando da Fisiologia e da Biofísica. Em 1944. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 37 . Começa suas pesquisas sobre bions e orgone cósmico. é expulso do Partido Comunista. é perseguido pelo FBI que considera que suas pesquisas referentes à energia orgônica são para espionagem nazista ou comunista. é condenado por vender aparelhos terapêuticos ilegalmente. Com tudo isto. posteriormente compreende a neurose como resultante de energia sexual. a libido. que são causadas por uma disfunção somática. submetida à repressão moral. desenvolve aparelhos. 3) 1936 a 1957: Neste momento começa a deixar a prática político-psicanalítica. monta um laboratório e lança um jornal.com. cuja origem é a insatisfação sexual. entra em contato com a Fisiologia e com a Biologia até chegar à Cosmogonia. onde funda uma editora. as psiconeuroses.br Em 1933. Pensava em uma política sexual libertadora. Freud desenvolve a classificação das neuroses. que são neuroses com causas psíquicas. Então. as neuroses atuais. com esta visão das neuroses ele se aproxima do Marxismo e da Biologia.educapsico. Em 1957. seus dirigentes se assustam com dimensão da SEXPOL e. que acumulam energia orgone. Em 1939. dividindo-as em duas. Em 1934. Desenvolvimento da Psicologia Corporal Em 1915. pois. Nesse momento. vai para os Estados Unidos. Reich passa a estudar a intensidade da energia e o Karina de O. é perseguido pelos nazistas. pois. para serem utilizados na prevenção e cura das doenças mentais e físicas. mas. nesta os sintomas somáticos não passam por intermédio psíquico.www. À priori Reich se aprofunda no estudo psicanalítico. é preso e morre na prisão. voltada à juventude e ao proletariado. Reich defronta-se com os conceitos freudianos. Em 1954. é expulso da Associação Psicanalítica Internacional (IPA). tendo como principal causa as neuroses atuais. que têm como sintomas uma expressão simbólica dos conflitos de infância e.

a couraça torna-se cada vez mais crônica. que impedem que o organismo tenha um fluxo vital saudável. a qual é aceita pelo ego. a origem do caráter tem por base o conflito entre as demandas pulsionais e o meio exterior. estrutura o caráter. o desenvolvimento de um traço neurótico de caráter pode ser a resolução de um conflito repri mido ou. Durante sua vida.com. a energia se concentra ainda mais. se torna o processo de repressão não necessário ou ainda transforma a repressão numa formação rígida. O Ego. o Ego aumenta suas defesas. Isto se torna repetitivo.educapsico. é uma defesa do ego contra as dificuldades i mpostas ao organismo. o indivíduo passa pelos conflitos entre o desejo libidinal e as pressões da sociedade. A energia acumulada adquire força. Os traços de caráter são como parte integrante da personalidade. pelo mundo externo e interno. originada pelos sentimentos sexuais impetuosos da criança e seu medo da punição. As defesas de caráter são difíceis de Karina de O. Esta é uma defesa contra a ansiedade. que está continuamente pressionando a partir do Id”. que faz o intermédio entre as demandas do Id e do Superego. consegue ser um meio de obter controle sobre a libido. Para este autor. o Ego utiliza a mesma energia para reprimi-la. de proteção contra os estímulos externos e. então. Uma parte da energia do Id é utilizada pelo Ego.1933). (REICH. A proposta da análise do caráter de Reich inclui a noção de desenvolvimento da couraça caracterológica.br grau de excitação somática do indivíduo dedicando-se à análise de seus dois casos clínicos. por um lado. por outro lado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 38 . Para Reich. que são emoções não expressas bloqueadas na musculatura que geram uma tensão crônica e inconsciente.www. como formação reativa. O caráter se dá de acordo atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão de respostas para diversas situações. “Tal couraça serve. ou seja.

a perda da couraça muscular libertava energia libidinal. então. A couraça caracterológica equivale à hipertonia (enrijecimento) muscular. uma só unidade. o bebê sofre pelo excesso e pela falta. no relaxamento da couraça muscular. A cada atitude do caráter há uma atitude física correspondente. Reich analisava a postura e hábitos físicos de seus pacientes para torná-los consciente de como reprimiam seus senti mentos em diversas partes do corpo. pois. pois. seu trabalho trazia a libertação das emoções através do trabalho com o corpo. genitais. Em cada fase do desenvolvi mento psicossexual pode se desenvolver um bloqueio por dois tipos de “trauma”: um por insatisfação (hipotonia muscular). Karina de O. o bebê encontra diferentes tipos de dificuldades. Durante seu desenvolvimento psicossexual. pois. o caráter do indivíduo se expressa de forma corporal como couraça muscular. assim.www.educapsico. pelo muito e pelo pouco e estas são as marcas da infância que a estrutura de ego do bebê não consegue executar. Reich começa a observar as expressões corporais dos seus pacientes. a tensão crônica pode ser aliviada. orgonomista. o ego frágil não sustenta as “agressões” do mundo.com. temos quatro zonas erógenas principais: olhos. outro por repressão (hipertonia muscular). ou seja. Durante os cinco primeiros anos de vida. pelo abandono. Segundo Baker. portanto. boca. pela traição pelo controle exacerbado. só após a expressão da emoção. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 39 . ânus. pela rejeição. Estágios do Desenvolvimento Psicossexual Reich utiliza-se da mes ma teoria de desenvolvimento psicossexual da Psicanálise freudiana. limita e muda o sentido da expressão dos sentimentos. Desta forma. Ele descobre que. as emoções bloqueadas não são liberadas. estágio oral. nunca serão expressas completamente.br extirparem. são racionalizadas pelo indivíduo que tem um estilo de comportamento e de atitudes físicas. o desenvolvimento psicossexual atravessa quatro fases: estágio ocular. A couraça não permite que o indivíduo vivencie fortes emoções e. estágio anal e estágio fálico. Reich considerava corpo e mente de forma integral.

www.educapsico.com.br É de acordo com tais traumas que criamos as defesas que definem nossas couraças e caráter. Ou seja, o caráter se dá de acordo com o estágio de fixação da libido que causou conflitos mais intensos na história de seu relacionamento com o ambiente externo. Durante seu desenvolvimento psicossexual, encontram-se diferentes tipos de dificuldades, o ego frágil não sustenta as “agressões” do mundo, então, o bebê sofre pelo excesso e pela falta, pela rejeição, pelo abandono, pela traição pelo controle exacerbado, pelo muito e pelo pouco e estas são as marcas da infância que a estrutura de ego do bebê não consegue executar. As couraças estão centradas nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve. Reich coloca-nos os tipos de caráter, segundo a fase de fixação que provocou maior intensidade de conflitos, afetando a formação da couraça caracterológica. São eles: ESTÁGIO ANEL EMOÇÃO BLOQUEADA

OCULAR

OCULAR

ALARME/ MEDO

ORAL

ORAL CERVICAL

ABANDONO/ RAIVA MEDO DE PERDER O CONTROLE

ANAL

TORÁCICO DIAFRAGMA

MÁGOA/ TRISTEZA ANGÚSTIA/ ANSIEDADE

FÁLICO

ABDOMINAL

TRISTEZA/ ALEGRIA Página 40

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www.educapsico.com.br PÉLVICO EXCITAÇÃO

Caráter Esquizóide Tensão no anel ocular. Couraça ocular, defesa contra a ansiedade de não ser acolhido pela mãe. A criança sente-se rejeitada, não bem-vinda. A mãe pode odiar a criança ou pode ter sido um nascimento traumático que não foi seguido pelo amor materno. Mãe fria ou odiosa. No contato ocular entre a mãe e o bebê houve trauma, gerou ansiedade. A criança é bastante sensível, seu desenvolvimento é difícil. Tem corpo desarticulado, são altos, dedos grandes e finos, por mais que comam não engordam. A criança bloqueia a energia vital se encolhendo para dentro. A criança se segura contra a ameaça de desintegração; lida com seu self mecanicamente; pode ter tendências autistas; perde o contato com a realidade externa; tem comportamentos ilegítimos com explosões ocasionais, agressões breves; não sustenta a agressão, então, foge ou chora. Superfocado em si mesmo; fora de contato com o self e com o mundo. Sente terror; nunca está totalmente a par dos seus sentimentos; o sentimento de ódio em relação à mãe leva-o ao terror de ser destruído; inseguro; confuso; sente-se isolado. Mas, são pessoas sensíveis, perceptivas, criativas etc. Caráter Oral Ocorre nos primeiros dois anos de vida, pois, o sentimento de precisar da mãe é reprimido antes que suas necessidades sejam satisfeitas. a) Privação (quando a criança recebe da mãe nutrição insuficiente). Criança sente-se privada, a mãe não ofereceu “boa” amamentação. A mãe não está disponível por alguma razão, não pode ir ao encontro das necessidades da criança. A criança é privada de contato físico, atenção, talvez comida e nutrição. A criança não Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 41

www.educapsico.com.br desenvolve confiança. Há também uma sensação interna de vazio e incapacidade de ficar sozinha. Tendência à dependência, almeja que os outros cuidem dela. Tem problemas para estar no mundo adulto, desiste quando encontra alguma dificuldade, sente-se cansada. A privação leva a senti mentos de fraqueza, medo de ser abandonada, deixada sozinha. Persecutório, tendência à bulimia e anorexia. Contudo, são pessoas

interessadas nas outras, fácil de confiar, de conversar. São afetuosas, de relacionamento fácil. b) Compensado (quando a criança recebe da mãe nutrição exagerada). Mãe muito ansiosa. Pessoa que considera que não precisa de ninguém, tem medo de deixar os outros tomarem conta dela; tenta ser forte em termos de força física para tentar dar conta de si mes ma. Corpo parece infantil, são gordinhos, rosto com jeito de bebê. Dificuldade de ouvir. Caráter Psicopata Mãe exibe o filho, que para ela é o máximo, ou coloca-a para baixo. Ocorre antes do quatro anos de idade; a criança está desenvolvendo autonomia, mas ainda quer ajuda. Criança sente-se impotente, não tem poder.Toda energia está no peito. Pessoa nunca descansa, sempre tenta agradar a mãe. a) Transição entre oralidade e psicopatia: mais agressivo, duro, menos elaborado. b) Anal expulsivo: sedutor, meigo, educado e sensível. Caráter Masoquista Ocorre na idade em que a criança está preparando-se para andar, mover-se livremente, afirmar-se. A criança sente-se pressionada; a mãe é dominante, o pai é submisso. O amor é condicionado à obediência. Foco no comer e defecar. Pessoa tem dificuldade na expressão das emoções e afirmação do self, em descarregar, liberar. Voltas os impulsos para dentro. Sentimentos de ressenti mento e perda. Sente culpa. Caráter Histérico

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www.educapsico.com.br Ocorre quando a criança é suficientemente ciente das diferenças sexuais. Os pais não trataram a criança com direitos próprios, não prestaram atenção à criança. O pai era amoroso nos primeiros anos, mas congelou-se frente à sexualidade desta. Agarra-se em ser criança e ter proteção dos pais, entristece facilmente. É nervosa, dramática e teatral. Tende a ser dispersiva, focada no problema. Caráter Fálico-narcisista Ocorre quando a criança é suficientemente consciente das diferenças sexuais. O principal problema é o pai que rejeita a criança, que luta pelo seu status de adulto. É frustrada em suas tentativas de conseguir prazer. Cresce rapidamente, lhe é dada responsabilidade prematuramente. Não lhe é permitido ser criança. Esforça-se para ser perfeita, competitiva. Tenta ganhar a aprovação do pai. Reprime as emoções. A Função do Orgasmo “... a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo.” (REICH, 1942) Reich descobriu que a movi mentação e a descarga de bioenergia são essenciais no processo de excitação sexual e orgasmo. Este é o processo da Função do Orgasmo, o qual tem quatro partes que Reich acreditava existir em todos os seres vivos. As partes são: tensão mecânica; carga bioenergética; descarga bioenergética e relaxamento mecânico. O orgasmo é um mecanismo de descarga energética, pois, após o contato físico, a energia se acumula nos corpos e, então, é descarregada no orgasmo. A seqüência do ato sexual é constituída do intumescimento dos órgãos sexuais (tensão mecânica) que produz grande excitação (carga bioenergética). Devido às contrações musculares essa excitação sexual é descarregada (descarga bioenergética) e finalmente há o relaxamento físico, ou seja, relaxamento mecânico.

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www.educapsico.com.br Portanto, a função do orgasmo é essencial para o problema da fonte de energia na neurose. As neuroses são resultados de um acúmulo da energia sexual. Essa estase é causada por um distúrbio na descarga de grande excitação sexual no organismo, percebida ou não pelo ego. Ou seja, o neurótico tem sua potência orgástica limitada. Este processo tem como característica uma intensa excitação biológica, expansão e contração repetidas, ou seja, movimentos pulsionais, ejaculação de substâncias corporais e uma rápida diminuição da excitação biológica. Quando a tensão e a carga bioenergéticas chegam numa certa intensidade, acontecem convulsões, ou seja, em todo o sistema biológico acontece contrações. Liberase grande tensão de energia e com isto há uma abrupta queda do potencial energético da pele e, assi m, uma rápida diminuição da excitação. Após esta descarga energética, há o relaxamento mecânico dos tecidos, resultante do reflexo das substâncias do corpo. Essa descarga acontece quando o organismo não consegue repetir sua excitação sexual logo em seguida. De acordo com a Psicologia, este é o estado de “gratificação” do organismo, ou, de liberar o excesso de energia junto a outro organis mo que se repete em intervalos de períodos regulares, de acordo com termos biofísicos. A função do orgasmo acontece em quatro momentos: tensão mecânica → carga bioenergética → descarga bioenergética → relaxamento mecânico. A função do orgas mo tem, então, o objetivo de atingir a auto-regulação destes indivíduos, aliviando suas couraças musculares e caracterológicas. Caráter Genital Este termo foi utilizado por Freud para denominar o último estágio do desenvolvimento psicossexual. Já Reich utilizou-o para definir a pessoa que adquiriu potência orgástica, ou seja, pessoa com capacidade de ver-se livre das inibições e chegar ao fluxo de energia biológica, de descarregar completamente a excitação sexual reprimida através de convulsões do corpo. Com isso o indivíduo adquire a capacidade de autoregulação, ao invés de rígidos controles neuróticos.

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www.educapsico.com.br Melanie Klein Melanie Klein (1882-1960) nasceu em Viena, em uma família judia pobre. Formouse em Arte e História, mas assim que iniciou sua incursão nas idéias de Freud, delegou suas atividades à psicanálise de crianças. Protagonista das ditas Grandes Controvérsias internas à Sociedade Britânica de Psicanálise, em que estabeleceu grande rivalidade em relação às idéias de Anna Freud sobre a análise com crianças, organizou em torno de si uma verdadeira escola de psicanálise, contribuindo para o surgimento de reconhecidos autores pós e neo-kleinianos (ZIMERMAN, 2001). Dentre os postulados advindos de um princípio próprio de psicanálise com crianças, Klein afirma ser possível a transferência na análise infantil, tornando então desnecessária qualquer atitude pedagógica em relação aos pais (FUNDAMENTOS, 2008). Essa questão foi o alvo do embate teórico travado entre Klein e Anna Freud. Contudo, o reconhecimento do trabalho de Klein advém da criação da psicanálise da criança por meio da técnica do brincar. Ela o considerou como processo equivalente à associação livre do adulto, sendo o conteúdo emocional do brincar correspondente ao sonho do adulto. É deste modo que a compreensão da estrutura emocional do bebê possibilitou a investigação das atividades mentais primitivas de psicóticos e pacientes regressivos (ZIMERMAN, 1999; BARROS, E.M.R.; BARROS E.L.R.,2006). Klein postula que as fantasias estão presentes desde muito cedo na vida do bebê e se constituem enquanto representantes mentais das pulsões instintivas, tomando forma em representações figurativas que evocam estados e significados afetivos, os quais organizam as emoções enquanto a vivemos. Todo i mpulso instintivo é dirigido a um objeto interno (representação figurativa capaz de evocar afetos), que nada mais é que uma imagem distorcida dos objetos reais, mas que se instalam não só no mundo externo, como também internamente incorporando-se ao ego (BARROS, E.M.R.; BARROS E.L.R.,2006). O primeiro objeto interno do bebê é a mãe, ou sua representação parcial como seio alimentador, e pode adquirir qualidades boas e más. A fome, por exemplo, é vivida pelo bebê como a presença de um objeto que frustra, como fruto de uma ação de algo existente dentro dele, e que provoca senti mentos bons quando alimentado, e sentimentos Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 45

www.educapsico.com.br maus quando não satisfeitos. Com a progressiva associação de moções pulsionais com os objetos internos representantes do mundo externo, são gerados os significados para as experiências vividas, dando sentido às ações, crenças e percepções, bem como uma tonalidade afetiva às relações com o mundo externo e interno (expressos em fantasias inconscientes) (ibid). Concomitante ao nascimento, já se inicia o embate permanente entre o instinto de vida e o de morte: “diante da pressão exercida no nível mental pelas necessidades físicas ligadas à sobrevivência, o bebê é colocado diante de duas possibilidades: ou se organiza para satisfazê-las (pulsão de vida) ou para negá-las (pulsão de morte ).” (ibid). A pulsão de morte se expressa por meio de ataques invejosos (inveja primária) e sádico-destrutivos contra o seio materno. Essas pulsões provocam internamente a “angústia de aniquilamento” ou “ansiedade de morte”. É neste contexto que o ego rudimentar do recém-nascido assume a posição de defesa contra a angústia através de mecanismos primitivos, como a negação onipotente, a dissociação, a identificação projetiva, a introjeção e a idealização (como veremos em alguns destes conceitos mais adiante) (ZIMERMAN, 1999, 2001). Inaugurando dessa forma um modo particular de conceber o desenvolvimento humano, Klein considera não somente o passado histórico de repressões inconscientes acumuladas como fatores intervenientes no desenvolvimento (normal ou patológico). Ela amplia o conceito de instinto de morte como principal fonte de ansiedade, relacionando-o com o medo de não sobreviver, e esta ansiedade de morte se torna o motor do desenvolvimento (BARROS, E.M.R.; BARROS E.L.R.,2006). Essas pulsões provocam um intenso intercâmbio entre o mundo externo e interno, através de um movimento permanente de projeção e introjeção de estados de espírito. É neste cenário de processos projetivos e introjetivos, intrínsecos ao modo de operar da mente humana, que são gerados os significados das experiências emocionais e os afetos envolvidos nas relações humanas em geral (ibid). Assim, o ego se desenvolve mediante a introjeção de objetos que são sentidos como pertencentes a ele. Simultaneamente, os objetos externos se constituem por meio da projeção, no mundo externo, de objetos provenientes da fantasia inconsciente e de experiências anteriores de objeto, o que indica Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 46

2006). para dentro de um objeto.br a combinação de aspectos do self com características reais dos objetos presentes e passados (GEVERTS. BARROS E. mas a sobrevivência do objeto não está em jogo. BARROS E. Há a necessidade de preservar a experiência prazerosa e rechaçar a experiência dolorosa. E.R. Karina de O. da concepção das relações humanas e do desenvolvimento. o que leva à primeira dissociação de forma que o psiquismo gira em torno do estruturante (“seio bom”).M. ou podemos ter parte de nossas vidas vividas em identificação com aspectos da vida de outrem. Dessa dinâmica decorre que podemos viver parte de nossas vidas projetados (em fantasia) no mundo interno de outra pessoa.M. Estes mecanis mos de projeção e introjeção possibilitam a defesa (contra a ansiedade) do ego incipiente do bebê. mas também partes do próprio self. Esse mecanismo se faz presente desde o nascimento. 2006). para Klein.educapsico.. é vivida como uma ameaça à integridade do ego. não só é perdido como também confere nova identidade a esse objeto (BARROS. e ser projetadas para fora. Às integrações possíveis entre o tipo de ansiedade e os modos de defesa ativados pelo ego.2006).com..R. E. ou posição esquizoparanóide. um de seus mais importantes legados conceituais. de modo que as estruturas precursoras do ego podem dividir-se ou excindir-se. Deste modo. A ansiedade paranóide. indicando áreas ainda não consideradas pela psicanálise em seu foco central (BARROS. o que é projetado para fora. de forma que tenha a sensação de controlar o objeto desde dentro e que o projetor vivencie o objeto como parte dele mes mo (GEVERTS.www.R.R. da própria personalidade.2006). Klein dá o nome de posição. e em síntese. a qualidade da natureza da ansiedade pode ser paranóide ou depressiva. determinando assim a natureza do conjunto de defesas estruturantes do ego. pois é tido somente como fonte de ameaça e não de amor.. isto é.L. Esse tipo de ansiedade mobiliza uma defesa para sobrevivência do ego. dentro do objeto. não são apenas projetados os estados perturbadores. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 47 . se baseia na fantasia de que certos aspectos do self estão situados fora dele. Atribui-se ao conceito de introjeção projetiva a profunda modificação da técnica psicanalítica. que caracteriza o modo de o individuo ver a si mesmo e o mundo à sua volta. Esse mecanis mo é denominado por Klein de introjeção projetiva. Assim.L.. Por fim. principalmente pelo mecanis mo de dissociação (divisão do self ou do objeto) e a identificação projetiva (ibid).

br e de um desestruturante (“seio mau”).www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 48 . atuando na área de pediatria por 40 anos.R. Formou-se em medicina.com. Nos pri meiros meses da vida do bebê. seu interesse voltou-se para a vida dos recémnascidos e para os distúrbios cuja etiologia era anterior à fase edipiana. Dentro do campo psicanalítico. Em 1935 tornou-se psicanalista habilitado na Sociedade Britânica de Psicanálise. ainda que houvesse divergências teóricas e técnicas (ZIMERMAN. 1995). Ao contrário da posição esquizoparanóide. Em detrimento do estudo dos conflitos Karina de O. Seu estudo enfatizou a influência dos fatores ambientais no desenvolvi mento psíquico. como um afastamento temporário da mãe (ZIMERMAN.. Por outro lado. Essa posição é fundamental para o desenvolvimento psíquico da criança pequena.R. mobilizando defesas de natureza diferente da de caráter paranóide (BARROS. a despeito da concepção de “fases” como descrita por Freud. a posição depressiva é definida por uma ansiedade de perda do objeto de seu amor e se organiza a fim de se proteger dessa experiência dolorosa. e a progressiva aceitação de perdas parciais.. ampliando o campo de reflexão e atuação da psicanálise. NASIO. A criancinha pode então reconhecer e integrar os aspectos clivados da mãe.2006). E. BARROS E. quando se aproximou de Melanie Klein. DESENVOLVIMENTO Winnicott: o ambiente suficientemente bom Donald Woods Winnicott (1896 – 1971) nasceu na Inglaterra. a posição depressiva consiste na integração das partes do sujeito que estão dispersas. as defesas características da posição esquizoparanóide são necessárias. 1999). agora como objeto total. então vigente entre os psicanalistas (ibid). 2001. caracterizada pela dissociação do todo em partes. possibilitando a criação de núcleos básicos de confiança pela introjeção do “seio bom”. 1999). onde viveu num lar estruturado econômico e afetivamente.educapsico. Klein realizou uma mudança significativa na forma de entender os movi mentos evolutivos do psiquis mo. A partir do seu conceito de posição. mas a persistência exagerada das mesmas a outros períodos da evolução psíquica pode determinar condições para uma psicopatologia (ZIMERMAN.M.L.

1995). aos cuidados maternos. de acordo com Winnicott. No entanto. é pela perfeita adaptação às necessidades do bebê que a mãe permite o livre desenrolar dos processos de maturação (ibid). Para Winnicott. A apresentação do objeto começa com a pri meira refeição do bebê (apresentação do seio ou da mamadeira). já que em sua mente ele e o meio são uma coisa só. Winnicott passa ao estudo dos conflitos interpsíquicos. como distorções psíquicas provocadas por um ambiente patogênico. quando a criança está à espera de algo. mas há também as necessidades psíquicas. É para satisfação destas necessidades ligadas ao desenvolvimento psíquico que a mãe exerce três funções básicas. visando os pacientes que se depararam com um ambiente falho na adaptação às necessidades da pri meira infância (NASIO.educapsico.www. pronto para imaginá-lo. é importante considerar o desconhecimento do bebê em relação ao seu estado de dependência.com. isto é. Ele propôs. dá a seu filho a ilusão de que ele mesmo criou o objeto do qual sente confusamente a necessidade. isto é. do id e do superego. são os aspectos ambientais. alterações na técnica terapêutica clássica. exercidas em simultaneidade: a apresentação do objeto. que si mbolicamente. que compreende o nascimento aos seis meses. a formação do ego. constitui-se a primeira refeição teórica. inicialmente representados pela mãe ou seus substitutos. bem como das defesas do ego num indivíduo sadio. caracterizase pela condição de dependência absoluta do bebê em relação ao meio. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 49 . A criança tem então uma experiência de onipotência. As necessidades do bebê não se constituem somente daquelas de ordem fisiológica. A fase inicial da vida. pela soma das experiências precoces de muitas refeições na vida real. É neste momento que Karina de O. deste modo.br intrapsíquicos. o ser humano apresenta uma tendência inata a se desenvolver. A mãe. Idealmente. que permitem ou dificultam o livre desenrolar desses processos de maturação (ibid). já que o objeto adquire existência real no momento em que é esperado pelo bebê. ao oferecer o seio ao bebê mais ou menos no momento certo. para encontrá-lo. Mas ainda que dependa inteiramente do que lhe é oferecido pela mãe. o holding e o handling (ibid). que se realiza pelos processos maturacionais.

e permite à criança desenvolver uma vida psíquica e física fundamentada em suas tendências inatas. resultante da aceitação dos gestos espontâneos do bebê pela mãe. É identificando-se estreitamente com o bebê. Por outro lado. 1995). dando apoio ao eu do bebê em seu desenvolvimento.www. conseqüentemente. NASIO. 1995). unindo-o à sua vida psíquica. o falso self é o traço principal da reação do bebê às falhas de adaptação da mãe. ou seja. o encontro com os objetos do mundo externo e a unificação entre a vida psíquica e o corpo. e indica a emergência de um verdadeiro eu. a mãe incapaz de se identificar com as necessidades do bebê é denominada mãe insuficientemente boa. a mãe segura o bebê não somente física. O handling é a manipulação do bebê enquanto ele é cuidado. que pode ser representada por uma mãe real ou Karina de O. corresponde à pessoa que se constitui a partir do emprego de suas tendências inatas. Através dos cuidados cotidianos. A segunda função materna corresponde ao holding. É ela que permite à criança o desenvolvimento das principais funções do eu: integração no tempo e no espaço. O self verdadeiro. sobre a qual pode integrar-se no tempo e no espaço (ibid). rotineira e estável. obriga-o a adotar um modo de ser falso e artificial (coloca o seu próprio gesto) (ZIMERMAN. A esta mãe Winnicott denomina mãe suficientemente boa. todos os seres humanos apresentam dois aspectos do self: um verdadeiro e um falso. 2001. necessária ao seu bem-estar físico. adaptando-se às suas necessidades. A criança se submete às pressões de uma mãe que lhe impõe uma maneira inadequada de exprimir suas tendências inatas e que. com seqüências repetitivas. a criança encontra uma realidade externa simplificada. Este processo é denominado personalização (ibid). um verdadeiro self (ibid). Assim.com. Desse modo. que a mãe representa assim o ambiente suficientemente bom. Em proporções variadas. ele deforma o seu verdadeiro self submetendo-se às exigências ambientais.educapsico. mas psiquicamente. A relação assim estabelecida provê um sentimento de continuidade da vida. e assim aos poucos ele se experimenta como vivendo dentro de um corpo.br se desenvolve a capacidade de experimentar sentimentos como amor e ódio de forma necessariamente angustiante. quando as falhas do ambiente ameaçam a continuidade existencial do bebê. o que leva à construção de um falso self. à sustentação. Neste caso. insuportável (NASIO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 50 .

da qual reconhece depender para o seu bem-estar. a criança se conscientiza de sua sujeição. é nesta fase que a criança deve entender que a mãe dos momentos de tranqüilidade. que zela. a criança sente uma angústia depressiva e culpa pela destruição que provoca na mãe. Este conflito tende à resolução através dos atos da mãe suficientemente boa . A criança se depara então com uma mãe dividida em partes. por exemplo. etc. 1995). segurar.educapsico. um apoio frente à angústia.www.br uma situação. como também realizar uma união entre sua vida psíquica e seu corpo. como na hora das refeições. A criança já é capaz de se situar no tempo e no espaço. se acariciar ou chupar um pedaço de tecido. após a desilusão por perceber que a fantasia não corresponde à realidade. passa a haver uma identificação com o filho menos intensa. que assim se mostra capaz de sobreviver à possibilidade de destruição (ibid).). quando a criança fantasia que a satisfação da fome acarreta uma deterioração do corpo da mãe. e experiência os cuidados em sua complexidade. Desse modo. e estes objetos utilizados foram chamados de objetos transicionais (ibid). etc. quando os cuidados são exercidos por diversas pessoas. que se estende do sexto mês aos dois anos. e conseqüentemente tolera melhor as falhas de adaptação da mãe. Na segunda fase do desenvolvimento da criança. Neste momento. Entre outras coisas. Apesar destes avanços em seu desenvolvimento. a criança desenvolve atividades que permitem uma sustentação. Por parte da mãe. pano. cuida e brinca com o bebê. Por conseguinte.com. Tais atividades foram denominadas fenômenos transicionais. surge nesta fase um novo desafio: lidar com a constante tensão da realidade de dentro (povoada de fantasias pessoais) com a realidade de fora (povoada de coisas e pessoas) (ibid). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 51 . Karina de O. o que permite reconhecer as pessoas e objetos como parte da realidade externa e perceber a mãe como separada dela. é a mesma mãe dos momentos de tensão pulsional em que a agressividade está implicada. ela se encontra num estado de dependência relativa em relação ao meio. e dessa forma se torna capaz de tirar proveito delas para se desenvolver. como levar à boca algum objeto externo (travesseiro. e não pela si mplicidade que seria desejável (NASIO. reintroduzindo então “falhas de adaptação” moderadas (ibid). balbucios.

Bowlby observou que os efeitos das separações permaneciam para além do período de sua ocorrência. Assim.br O termo “transicional” indica que essa atitude da criança ocupa um lugar intermediário entre as realidades externa e interna.educapsico. Investigando as conseqüências negativas das separações na formação da personalidade em jovens delinqüentes e em crianças hospitalizadas. verificando-se dificuldades comportamentais como agressividade e imaturidade. suas observações acerca dos cuidados inadequados dispensados às crianças na pri meira infância.www. mas. o surgimento dessa dimensão no desenvolvimento da criança é sinal de que a mãe da primeira fase foi suficientemente boa. o ambiente desempenha papel fundamental no aparecimento e na evolução dos fenômenos transicionais. tendo a missão de respeitar e proteger a expressão destes. Formou-se em Psiquiatria e especializou-se em Psicanálise (AUGUSTO.com. A Teoria do Apego de John Bowlby Nascido numa família aristocrática inglesa. e do desconforto e ansiedade acarretados pela separação dos cuidadores. Para Winnicott. John Bowlby (1907-1990) iniciou sua formação em Medicina. Interrompeu seus estudos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 52 . retomou suas atividades acadêmicas. O ambiente continuar a exercer influência na criança que cresce. Antes de tudo. ao constatar os efeitos prejudiciais das experiências interpessoais negativas em crianças. que persiste ao longo de toda a vida. 2008). assim como nos outros campos do desenvolvimento psíquico. Este espaço existente entre o mundo interior e mundo externo é chamado de espaço transicional. o levaram à análise dos efeitos adversos desse rompi mento no Karina de O. bem como efeitos mais permanentes sobre a capacidade de estabeleci mento de vínculos afetivos significativos e estáveis no futuro (ibid). no adolescente e até no adulto (ibid). JERÔNIMO. numa tentativa de amortecer o choque provocado pela conscientização da tensão entre ambos os aspectos de sua vida. 1995). sendo ocupado por atividades lúdicas e criativas diversificadas através das quais o ser humano busca aliviar a permanente tensão (NASIO.

a relação entre o bebê e seus cuidadores é permeada pelas respostas inatas da criança que demandam proximidade. Sua obra apresenta referências aos campos da psicanálise. suas investigações. Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. o bebê chora e esperneia. JERÔNIMO. 2005). o mecanis mo de apego se refere a um comportamento biologicamente programado. da biologia evolucionária. a vinculação é um importante elemento organizador da atividade sócio-emocional da criança (AUGUSTO.educapsico.com. 1980) (AUGUSTO. cansada de esperar que sente tudo como perda. reforçou a i mportância da criação de um vínculo afetivo baseado na confiança em relação à figura de vinculação. Bowlby defende a prevalência do fenômeno de vinculação afetiva dentre tais necessidades. Indo além de uma compreensão meramente fisiológica das ações da criança para satisfação de suas necessidades vitais. desenvolvendo-se pouco a 1 BOWLBY. Dessa forma. De acordo com Bowlby 1 (apud DALBEM. Separação. das ciências cognitivas. DELL’AGLIO. DELL’AGLIO. ZIMERMAN. e que funciona em consonância com outros sistemas de controle comportamentais. JERÔNIMO. 2005). J. novos trabalhos vieram confirmar as idéias de Bowlby.www. Karina de O. Juntamente com a colaboração da norte-americana Mary Ainsworth no início dos anos 50. Este vínculo afetivo primário. dentre outras (DALBEM. Assim. 2005). 2008. as pri meiras relações de apego estabelecidas pela criança. DELL’AGLIO.br desenvolvimento infantil (DALBEM. Perda. agindo conforme um sistema de controle homeostático. 2001). em três volumes (1969. 2001). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 53 . Dessa forma. Porto Alegre: Artes Médicas. além dos estudos de outros pesquisadores proeminentes. e o retraimento indica o desapego emocional e indiferença (ZIMERMAN. Bowlby estabelece então três fases pelas quais passam as crianças privadas precocemente das mães: na fase de protesto. da etologia.1989. Entendido como um instinto voltado à proximidade recíproca entre os indivíduos. afetarão o caráter de seu comportamento de apego ao longo de sua vida. 2008). isto é. 1973. culminando no aprofundamento de sua teoria em obras de fundamental importância: Cuidados Maternos e Saúde Mental (1951) e Apego. voltando-se a qualquer som que possa indicar a presença da mãe. a desesperança caracteriza a criança apática. originaram as formulações e pressupostos iniciais da Teoria do Apego.

oferecendo um sentimento de segurança que fortifica a relação. DELL’AGLIO.educapsico. sobre os outros e o mundo. com a forma de interação com tais figuras. pois envolve uma representação mental das figuras de apego. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 54 . sendo estas baseadas na experiência. de maneira geral. 2005). o papel do apego no desenvolvimento é definido em termos do reconheci mento de que uma figura de apego se faz presente e disponível. claramente considerado como mais apto a lidar com o mundo. Em síntese. uma vez que ambos os fatores interferem na ativação do sistema do comportamento de apego. É dessa forma que as pri meiras experiências entre a criança e a figura de apego darão início ao que futuramente se generalizará em relação às expectativas sobre si mesmo. refere-se às ações de um indivíduo em vistas a obter proximidade com outro. DELL’AGLIO. de si mesmo e do ambiente. da estimulação do sistema de apego (DALBEM. serão estas representações e expectativas que guiarão a conduta individual. pela sensibilidade e responsividade dos cuidadores. Essa capacidade de representação mental.br pouco um vínculo afetivo. tendo importantes implicações para o desenvolvimento da personalidade (ibid). 2005). assim como pela consistência dos procedimentos de cuidado. Esse vínculo é então garantido pelas capacidades cognitivas e emocionais da criança.com. Esse sistema tem função direta nas respostas afetivas e no desenvolvimento cognitivo. essa interação depende de certa forma. com a probabilidade de recebimento de suporte emocional em momentos de estresse e. outro conceito fundamental. Bowlby considera também a interação complexa existente entre as condições físicas e temperamentais da criança e as condições do ambiente. No entanto. E em sua complexidade.www. Os working models (modelos de funcionamento) se relacionam então com os sentimentos de disponibilidade das figuras de apego. que surge ao longo do desenvolvimento da criança. é denominada modelo interno de funcionamento. servindo como base de predição e interpretação do Karina de O. O comportamento de apego. A função desse comportamento remete a uma necessidade (de caráter biológico) de proteção e segurança (DALBEM. Sendo assim.

DELL’AGLIO.www. J. mesmo que os cuidadores não estejam tão próximos. a imagem interna construída inicialmente com os cuidadores primários se expressa nos padrões de apego e de vinculação também com outras pessoas desde cedo. Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. DELL’AGLIO. Porto Alegre: Artes Médicas. algumas dúvidas em relação às razões pelas quais algumas crianças desenvolvem apego seguro. tais indagações sugerem alguns li mites dessa abordagem teórica. ocorre essa tendência de recriação do padrão interno de apego primário nas relações atuais do indivíduo. São Paulo: Martins Fontes. e a partir daí será considerada a base para todos os relacionamentos significativos futuros (DALBEM. Contudo. 2005). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 55 . sob certa influência das experiências de apego precoces. J. Ou seja. DELL’AGLIO. 2005). Erik Erikson: as crises psicossociais 2 BOWLBY.1989. ainda que essas representações constituam-se desde muito cedo no desenvolvimento da criança. Permanecem.educapsico. evidenciando assim a necessidade de maiores aprofundamentos e análises científicas. De qualquer forma. 1979. DELL’AGLIO. 3 Karina de O. 2005). Atualmente. as pesquisas relativas à Teoria do Apego caminham na direção do estudo do apego para além de sua expressão na infância. admite-se haver controvérsias quanto à generalização dos padrões de interação primários para relações futuras. BOWLBY. ademais. Questiona-se também o forte cunho naturalista/biologicista dessa teoria. 2005).br comportamento de outras pessoas às quais se é apegado (BOWLBY 2 apud DALBEM. elas permanecem em evolução.com. por seu determinismo i mplícito na análise da influência das relações de apego precoce. Embora sejam menos evidentes nos adolescentes e adultos. por meio de pesquisas que possam enriquecer seu arcabouço conceitual e sua aplicação prática de forma coerente (DALBEM. Em outras palavras. Isso indica que a necessidade de figuras de apego que proporcionem uma base segura não se limita absolutamente às crianças (BOWLBY3 apud DALBEM. Formação e rompimento dos laços afetivos.

com. onde se dedicou à análise de crianças e adolescentes. Quando há uma resposta negativa à crise. isto é. surgem as forças básicas ou virtudes. predeterminantes na evolução dos estágios. Outro de seus pressupostos se baseia na idéia de que todos os aspectos da personalidade podem ser explicados em termos de momentos críticos ou crises. o qual é principalmente influenciado pelas interações sociais e a aprendizagem (SHULTZ.. um conflito em cada fase faz a pessoa se deparar com formas bem e mal adaptadas de reagir.P. quando o nosso ambiente requer determinadas adaptações. Fez sua formação psicanalítica em Viena. e ao reconhecer o impacto na personalidade das forças culturais e históricas.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 56 . os fatores ambientais/sociais influenciam a forma com que as fases se realizam (ibid). Dessa forma. Filiou-se à escola da Psicologia do Ego. aproximando-se depois à corrente do culturalismo. o desenvolvimento depende de forças genéticas. Erikson apresentou significativas inovações ao destacar o ego como parte independente da personalidade. Ao mesmo tempo em que manteve as bases centrais da teoria freudiana.P. No período da II Guerra Mundial. Para ele. numa família judaica de classe média. É com a resolução dos conflitos próprios de cada fase que se torna possível a progressão normal do desenvolvimento (SHULTZ.. Por outro lado.E.br Erikson (1902-1994) nasceu na Alemanha. formulando o crescimento humano em oito etapas. o que o levou a enfatizar a importância dos efeitos sociais na formação da personalidade (ZIMERMAN. convertendo-se posteriormente ao protestantismo. D. As crises se constituem por confrontos com o ambiente. D. 2002).. SHULTZ.S. ou seja. do nasci mento à morte. exigindo a reconcentração da energia instintiva de acordo com as necessidades de cada estágio do ciclo vital. quando a crise é resolvida satisfatoriamente. Regido pelo princípio epigenético (epi = sobre). exilou-se nos Estados Unidos. envolvendo uma mudança de perspectiva. não explicam completamente o processo de desenvolvimento. Entretanto.educapsico. com Anna Freud.E. Karina de O. relegando as funções do id a segundo plano. 2002). inevitáveis em cada fase do desenvolvimento. haverá menor possibilidade de uma adaptação adequada..S. Sua abordagem de estágios contínuos se concentra no desenvolvi mento da personalidade durante toda a vida. embora os fatores biológicos inatos sejam importantes. ao aprimorar os estágios de desenvolvimento. 2001). SHULTZ. se o conflito é mal resolvido.

a idade adulta. o ego deve incorporar maneiras tanto positivas quanto negativas de lidar com as crises. fálica e de latência propostas por Freud.br oportunizadas pelos diferentes estágios. a fase muscular-anal.com. para Erikson. como uma aquisição interior que marca uma etapa de conquista ou seu reverso patológico (FIORI. temos: a fase oral-sensorial. a cada estágio corresponde uma determinada forma positiva e negativa de reação: Formas versus positivas formas Forças básicas Estágio Idades aproximadas negativas de reagir Confiança desconfiança Autonomia versus versus Oral-sensorial Nascimento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 57 .1 ano Esperança Muscular-anal 1-3 anos dúvida. Erikson dividiu o desenvolvimento da personalidade em oito estágios psicossociais. vemos o estabelecimento de um “sentimento de” ou “sentido de”. 1982). início da fase adulta.educapsico. e a maturidade (ibid). fase de latência. Assim.www. sendo os quatro primeiros semelhantes às fases oral. vergonha Iniciativa culpa até Diligência inferioridade Coesão da versus versus Vontade Locomotora-genital 3-5 anos Objetivo Latência 6-11 anos puberdade Competência Adolescência 12-18 anos identidade versus Fidelidade confusão de papéis Karina de O. Assi m. de forma sempre equilibrada (ibid). a fase locomotora-genital. No entanto. anal. a adolescência. Em cada um destes períodos. Estas forças são interdependentes: uma força básica só se desenvolve quando a força associada à fase anterior for confirmada.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 58 . atenção e afeto proporcionados principalmente pela mãe. 2005). higiênico e de verbalização. p. de tal forma que o conteúdo dessa experiência pode ser expressa como: “ Eu sou o que posso querer livremente” (ibid). 2002. isolamento. Porém. Seguiremos com uma sucinta descrição das etapas psicossociais: Confiança X desconfiança – Nesta fase inicial da infância. 208.br Idade jovem adulta 18-35 anos Inti midade isolamento Generatividade versus estagnação Integridade desespero versus versus Amor Adulto 35-55 anos Cuidado Maturidade velhice e 55 + anos Sabedoria Fonte: adaptado de SHULTZ.P. e da heteronomia (capacidade de receber orientação e ajuda do outro). A confiança básica como força fundamental desta etapa nasce da certeza interior e da sensação de bem estar físico e psíquico. D. separação e confusão existencial. de discernir e decidir. locomotora e verbal). A virtude que pode nascer é a vontade de aprender. que advém da uniformidade. Autonomia X vergonha e dúvida – Nesta etapa há a maturação muscular.educapsico. e da capacidade de verbalização. Há o desenvolvimento da autonomia (auto-expressão da liberdade física.com.E. certa desconfiança é inevitável e significativa para a formação da prudência e da atitude crítica.S. e SHULTZ. Da resolução da antítese confiança/desconfiança surge a esperança como sentido e significado para a continuidade da vida. do sistema retentivo e eliminatório (controle dos esfíncteres). A desconfiança básica se desenvolve na medida em que não encontra resposta às necessidades. dando à criança uma sensação de abandono.www. como impossibilidade de desenvolvimento psicomotor. Karina de O. a criança aprende a receber e aceitar o que lhe é dado para conseguir doar. Porém um excessivo senti mento de autoconfiança e a perda de autocontrole podem fazer surgir a vergonha e a dúvida.. e o sentimento de ser incapaz e insegura de si e de suas qualidades. fidelidade e qualidade no provimento da alimentação. de acordo com a frase: “Eu sou a esperança de ter e dar ” (BORDIGNON.

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de uma nova ciência (Rosa & Montero. A corrente dialética acreditava em um princípio exploratório aberto e não determinista. a ciência seria auto-suficiente. descobrindo suas próprias leis por meio da pesquisa. sendo assim. Vygotsky. Os eventos. o budismo (ibid). ou seja. desde a não unidade dentre os marxistas sobre o conceito de método materialista. A teoria por ele proposta surge como meio de superar a crise na ciência psicologia.educapsico. que se encontrava dividida em duas orientações: uma naturalista e uma mentalista. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 186 . mas que uma abordagem completa deve considerar todos os níveis.br Consciência.ao lado de seus colaboradores: Alexander Luria e Alexei Leontiev. A consciência é uma característica humana. com seus estudos – aproxi madamente 180 trabalhos num período breve de dez anos . Em sua teoria fazia referencias a religião. “talvez a pri meira tentativa de fornecer uma compreensão global e não-excludente de todas as abordagens em Psicologia”. propõe uma nova ciência na tentativa de evitar reducionismos e simplificações de qualquer espécie (Bonin. e a ação consciente favorece a disposição para a construção dos eventos. Lev Semionovitch Vygotsky (1896 – 1934). 1996).www. são dependentes da ação humana. um psicólogo bielorusso. os dirigentes do novo estado almejavam a reconstrução baseada na teoria marxista de uma nova sociedade. Vygotsky e a psicologia sócio-histórica Em 1921 com a liderança comunista de Lênin. 1979). sendo uma corrente mecanicista e a outra dialética: De acordo com a filosofia mecanicista. 1996). Afirma que cada abordagem psicológica especializou-se em trabalhar em determinado nível. deste modo. Neste contexto. Pedagogia e Psicologia. natureza-cultura e consciência-atividade (ibid). Possuía formação humanista e bagagem cultural (ibid. Luria.com. Karina de O. tal teoria assinala a existência de diversos níveis de consciência. o que acentuava a questão do dualismo mente-corpo. fundou a linha que ele denominou Psicologia Integral. Um outro fator relevante é a ascensão de Stalin no poder (ibid). desenvolveu sua nova concepção de Educação. Vários desafios estavam no percurso.

em especial a linguagem. e com as quais interage dialeticamente. Ao se pensar que toda relação é mediada pelas condições materiais. O que está na base destas relações são relações sociais de produção. coletiva. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 187 . 1979. 1996). Comunicação interpessoal. 8.educapsico. O ser humano tem a habilidade de se expressa e se comunicar com o meio e com outro indivíduo através de todos os sentidos (visão. 1989). Canal: Forma da qual a mensagem é enviada e quem escolhe o canal é o emissor.com. e compreende o ser humano como historicamente construído. Basicamente os elementos para que haja uma comunicação são: • • • Emissor: Sujeito que emite a mensagem. (Vygotsky. a atividade vital humana é essencialmente social. podendo utilizá-los de isoladamente ou de forma combinada. Karina de O. olfato e paladar). essas relações têm que considerar as diferentes condições materiais das diferentes classes sociais (Marx & Engels. O que a natureza lhe dá quando nasce não é o bastante para viver em sociedade. tida como instrumento do pensamento (Bonin. Receptor: Sujeito que recebe a mensagem. É necessário que este indivíduo adquira o que foi alcançado ao longo do desenvolvi mento histórico da sociedade. audição. que visa ao máxi mo desenvolvimento de todos os indivíduos. Desta forma. Vygotsky.www. 1989) Cada indivíduo aprende a ser um homem.br A Psicologia Sócio-Histórica tem como filosofia o Materialismo Histórico Dialético que é fundado numa perspectiva histórica de homem. Vygotsky comprometeu-se a criar uma nova teoria fundada na concepção de desenvolvimento cultural do ser humano por meio do uso de instrumentos. Esta atividade se firma nas relações entre os homens pautadas por condições materiais. agente e construtor da história e cultura em que vive. contrariando a idéia de naturalização do homem ou de uma essência humana dada a priori. Comunicação é tudo que há um emissor e um receptor de alguma mensagem ou informação por meio de um canal de informação. tato.

o ser humano busca de forma mais simples e de maior eficácia a melhoria destas formas de comunicação como enviar. o ser humano de uma forma inteligível faz com que toda a sua forma de vida e seus conhecimentos evoluam. já na forma não-verbal o que vem a tona é o psicológico. porém mesmo está sendo a forma de maior importância o ser humano sempre se comunicou mes mo por meio de gestos de grunhidos. Através da comunicação interpessoal. duas delas pode ser a comunicação verbal e a não verbal. Cada vez mais em suas comunicações interpessoais. ela está entre as pessoas diariamente. Há várias maneiras das pessoas se comunicarem. o receptor por sua vez vai reagir a tais comunicados a partir de sua história pessoal. A transmissão de informações verbais mostra o indivíduo social. por exemplo.br • • Mensagem: É a maneira da qual o emissor envia sua codificação ao receptor. pinturas e diversas outras formas que o ser humano tem de se expressar.com. porém. podemse transmitir inúmeras mensagens que nem sempre são conscientes.educapsico. A comunicação verbal se propaga por meio da linguagem falada ou escrita. cultura. crenças etc. a cinésica (estudo da linguagem corporal) considera que a habilidade de ouvir e entender o outro não inclui somente a fala. geralmente a esse tipo de comunicação é dada uma atenção maior. Ela pode ser vista em esculturas. a comunicação por ter influência direta sobre o comportamento da pessoa que está recebendo. muitas vezes o indivíduo não a percebe. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 188 . assi m como permitir que determinada função seja compreendida por um novo funcionário. Assim. e o diretor de uma escola pode fazer com o ensino-aprendizagem dos alunos seja mais satisfatório. literaturas. O uso consciente dessas trocas de informações facilita alcançar determinados objetivos. a boa troca de dados entre o professor. Informação: É o conteúdo que o emissor quer passar ao receptador.www. ou até mesmo que não possam ser verbalizadas em um determinado momento. mais inclui também os componentes e Karina de O. receber e guardar estas informações. como por exemplo. sendo seu principal papel a demonstração dos sentimentos. Através da linguagem corporal. Além de transmitir uma mensagem.

por exemplo. das linguagens que faz com que o ser humano possa compreender o próprio mundo e o mundo do outro. Esse entendimento do contexto do paciente é se suma importância para que ambos se comuniquem de forma satisfatória e todas as metas do tratamento sejam alcançadas. como por exemplo. situação socioeconômica.www. gravidade da enfermidade. a consulta da enfermagem deve ter alterações nas práticas da maioria desses profissionais a fi m de atender as expectativas do paciente. é preciso quem ele esteja envolvido em um contexto.educapsico. enfermeiro. é necessário que o profissional ouça atentamente o outro lado que está envolvido em uma determinada situação. Por estarem intimamente ligados à cultura de um povo. os gestos e movi mentações não podem ser entendidos como universais cada povo e região estabelece sua cultura. portanto sua própria linguagem verbal e não-verbal. pose-se afirmar que o movimento isolado não demonstra o significado. No caso de um enfermeiro. em encontros face a face sustentam uma interação. professor.br expressões corporais como itens básicos no processo de comunicação. ela assume. Nos cargos em que a profissional lida diretamente com outras pessoas. sintomas de dor. de modo que o sinal ganhe uma definição nas diferentes sociedades. BARNLUND (1978) apud Silva (1998) classifica a comunicação interpessoal como aquela que é desenvolvida “em situações sociais relativamente informais em que pessoas. e mesmo o psicólogo em clínica ou mesmo no trabalho em uma empresa.com. seus rituais e. religião. dos gestos. entre outros. levanto em conta todo o contexto do indivíduo em questão. concentrada através da Karina de O. funcionário etc seja atendida. sua condição emocional. é de extrema importância que a comunicação seja realizada de forma satisfatória para que os objetivos do profissional e a expectativa do cliente. aluno. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 189 . O profissional deve levar em consideração que o cliente vivencia esse momento conforme a percepção que ele tem daquela situação. Assim. por exemplo. Para isso. uma função importante na interpretação de informações enviadas e recebidas em um ambiente de trabalho. paciente. entre outras coisas. É a capacidade de percepção do outro.

o entendimento do indivíduo em relação à situação e ambiente . refletindo sobre tal conceito. Portanto é i mportante que as pessoas fiquem atentas no seu dia-a-dia para que isso possa acontecer da melhor maneira possível. que. A troca de informações é um elemento indispensável para que haja a socialização entre as pessoas. visa aproximar e integrar os públicos aos princípios e objetivos centrais da empresa (Curvello.com.” Assim. Comunicação na organização Os estudos sobre a comunicação praticada nas organizações tem-se ampliado devido às inúmeras mudanças implementadas nas mesmas.br permuta recíproca de pistas verbais e não verbais. Comunicar-ser faz parte de todas as etapas da vida do ser humano.a percepção do indivíduo em relação ao outro . 1997). percebe-se que nas relações de trabalho e do dia-a-dia a existência desses itens citados e importância de estar atento a todas as informações transmitidas em uma mensagem. ou mesmo em um ambiente informal de descontração com um amigo. é necessário que três pontos básicos sejam analisados: . mas. aliado às políticas de administração de recursos humanos.educapsico. não como mero instrumento gerencial para transmissão de ordens e informações. pois assi m a comunicação tem mais chance de ser satisfatória atendendo as expectativas do transmissor e do receptor da mensagem a ser transmitida. Aprender a se perceber no espaço e se portar de forma que facilite o entendimento do outro e consequentemente a troca de informações é de extrema importância em um ambiente de trabalho. seja ela verbal ou mesmo corporal. como uma i mportante estratégia para a construção de um universo simbólico. A comunicação organizacional começa a ser vista.e a autopercepção. Ainda utilizando-se dessa idéia da comunicação interpessoal nas relações de trabalho. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 190 . seja no ambiente de trabalho.www. Karina de O. A autopercepção é um elemento no qual o profissional deve estar bastante atento.

seus valores pessoais e suas motivações. sem contar que a comunicação (apesar da impessoalidade) tende a se tornar mais franca.www.educapsico. Tal fato exige novas atitudes e novas competências por parte de organizações e empregados. Para Curvello (1997). constituindo um padrão pessoal de referencia que torna bastante pessoal e singular sua interpretação das coisas. 1997). o desemprego e a imaterialidade). de modo a condicionar a Karina de O. “do ponto de vista da teoria da comunicação organizacional. A nova era da interatividade transfere ao antigo receptor o poder de conduzir o processo comunicativo.com. O novo modelo. ouvir. ganhos em eficácia (por parte da organização) em razão do livre trânsito de idéias e do incentivo à inovação permanente. Os empregados. ver ou saber. Ele passa a definir o que quer ler. ocorre uma revolução nos processos produtivos e de troca de informações. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 191 . como a possibilidade de se estabelecerem novas relações de trabalho. o aumento da qualificação das pessoas com a maior circulação e o maior acesso às informações. administrador e profissional de comunicação só tem de apontar os rumos e oferecer o acesso.br Com as novas tecnologias e a virtualização das organizações. Comunicação interpessoal nas organizações Quando estamos falando da comunicação entre pessoas algumas complicações adicionais podem surgir. são cada vez mais cobrados em relação a sua capacidade de transformar uma enxurrada de informações recebidas em conhecimento produtivo (Curvello. Antes. O modelo teórico da mensagem que parte de um emissor a um receptor em situação de inferioridade cai por terra. essa definição era prerrogativa do administrador e do profissional de comunicação a seu serviço. as mudanças trazidas pelas novas tecnologias representam um resgate do receptor como ser ativo no processo comunicativo. por exemplo. Hoje. descreve a comunicação como processo de intercâmbio de mensagens entre comunicador/comunicador”. se é que possível ainda prescrever modelos. em razão da maior interatividade (Curvello. “É que cada pessoa tem seu próprio sistema cognitivo. o processo de virtualização traz inúmeras oportunidades novas. Paralelamente aos inúmeros problemas que causa (por exemplo. 1997). suas percepções. Esse padrão pessoal de referência age como um filtro codificador.

Percebedor: é a pessoa que tenta compreender o outro. Há uma codificação perceptiva (percepção seletiva) que atua como mecanismo de defesa. existem três aspectos na percepção social: . Já as barreiras físicas são aquelas interferências do contexto ambiental que atingem o processo de comunicação como.br aceitação e o processamento de qualquer informação. distorções. relacionada com as percepções e motivações tanto da fonte quanto do destino.educapsico. interferências. Karina de O. Entender os padrões pessoais de referência é i mportante para entender os processos de comunicação humana. 2002). A idéia comunicada é.99). Daí resulta a percepção social (Chiavenato. Barreiras são variáveis que intervém no processo de comunicação e que o afetam profundamente fazendo com que a mensagem enviada chegue diferente ao destino. um trabalho que possa distrair. A percepção social é o meio pelo qual a pessoa forma i mpressões de outra pessoa na esperança de compreendê-la. 2002). etc. compilações ou ainda desvios.Situação: é o contexto onde ocorre o ato da percepção social. . Além disso. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 192 . Tais barreiras podem ser “pessoais”. ampliada ou desviada. 2002. ou a distância física entre as pessoas. Essa defesa pode prejudicar tanto o envio como a recepção de informação ou mes mo obliterar a retroação da informação” (Chiavenato. “físicas” ou “semânticas” (Chiavenato.com. ruídos. Segundo Chiavenato (2002). é quando encontramos pessoas que não sabem ouvir. por exemplo. .www. No processo de comunicação nem todo sinal emitido pela fonte chega incólume ao destino. mutilações. portanto. Ele pode sofrer perdas. Na situação de trabalho. p. Essa percepção nem sempre é racional ou consciente. por exemplo. existem barreiras no processo de comunicação interpessoal.Percebido: é a pessoa que esta sendo compreendida por alguém. Esse filtro seleciona e rejeita toda a informação não ajustada (dissonante) a esse sistema ou que possa ameaçá-lo. dentro de um determinado contexto. As barreiras pessoais são aquelas que decorrem de limitações. bloqueando informações não desejadas ou não relevantes. Decorre daí a necessidade de em algumas vezes recorrer-se a repetição para superar tais fontes de erros (ruídos). valores e emoções de cada pessoa. O boato é um exemplo típico de comunicação distorcida. ou estão muito preocupadas com algo e devido a isso não “ouvem”. vazamentos.

se inicia o trabalho e a sociedade. Em uma concepção biológica tem-se que o indiíduo é um representante de uma espécie. assi m o seu desenvolvimento biológico vai tornando-se dependente do desenvolvi mento da produção humana (LEONTIEV.com. 102). modificações anatômicas ocorrem nesse homem. O relacionamento interpessoal. ou seja. É também o ponto de maiores desentendi mentos e conflitos entre duas ou mais pessoas.www. O homem começa a produzir instrumentos.Em decorrência. a distorção (deturpação da mensagem original modificando seu conteúdo para o destino) e a sobrecarga (volume muito grande de informações que ultrapassa a capacidade pessoal do destinatário de processá-las). p. O homem é um ser diferente dos outros animais. 9. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 193 . também destaca-se os fatores que levam o indivíduo a se desenvolver. 1978). já que mesmo sendo produto da evolução do mundo ani mal e tendo uma origem animal. por sua vez. Além dessas. o homem possui uma natureza social. distorcer o significado da mensagem. podendo assim. as distorções ou limitações decorrentes dos símbolos. Já em uma concepção humanista. “A comunicação constitui-se a primeira área a ser focalizada quando se estuda as interações humanas e os métodos para a mudança ou influenciação do comportamento humano. entre membros de um grupo. além dessa noção de representante único de uma espécie. 2002.br As barreiras semânticas são.educapsico. a possuir linguagem. possui características únicas ao mesmo tempo que apresenta características que o definem como representante daquela espécie. ou seja. por exemplo. outras questões pode interferir nesse processo. Essas barreiras podem ocorrer concomitantemente atrapalhando o processo de comunicação interpessoal. As palavras ou outras formas de comunicação podem ter diferentes significados. como. entre grupos e dentro da organização como um sistema” (Chiavenato. a omissão (aspectos i mportantes da mensagem são omitidos fazendo com que seu significado perca alguma substância). O conceito de indivíduo varia de acordo com a concepção de homem que se tem. Trata-se de uma área em que cada pessoa pode fazer grandes progressos na melhoria de sua própria eficácia e em seu relacionamento interpessoal ou com o mundo externo. ele se constitui enquanto homem na sociedade.

esta individualidade é potencial. Existem características individuais. as organizações fazem parte da vida em sociedade e estas contribuem para que os indivíduos alcancem metas/ objetivos. e a humanidade tem sua evolução historicamente determinada. tonalidade de voz. conhecimentos idéias e representações.com. tem-se formada uma sociedade. no entanto.1994). Ela deve ser clara e levar em conta aspectos como gestos. as quais ocorrem dentro de uma realidade concreta na medida em que se dão as transformações históricas.www. que quando o ser humano se organiza em grupos com regras de conviência. Desta forma. Elas contribuem para reprodução social através da manutenção da e aceitação da ordem social. Assi m o homem se desenvolve como produto de suas práticas. e este se percebe assim (GUHUR. uma estrutura de poder. na medida em que o ser humano se apropria do que foi acumulado ao longo da história (LEONTIEV. Diferentes momentos históricos possuem suas realizações humanas. Instituições se definem como uma estrutura que tem uma finalidade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 194 . e para se desenvolver necessita da atividade. ou seja. da atividade teleológica se constitui homem na sociedade. entre outros. Nota-se então. Todas as relações humanas com o mundo acontecem com a apropriação da realidade humana. visa um objeto. Os gestores devem se preocupar em organizar um ambiente que possibilite que as pessoas tenham na empresa e nos seus companheiros um sentimento de confiança para. que se diferencia dos mesmos a partir do trabalho. entre outros aspectos. 1978). das suas relações com outros homens. que é objetiva. criar um clima amistoso e um melhor diálogo. Karina de O. Algo muito importante para que o relacionamento interpessoal na empresa seja bom é a comunicação.educapsico.br O homem aprende a ser homem no contato com o outro. que não conseguiriam alcançar sozinhos. Contudo para que isso aconteça é necessário que os indivíduos tenham um bom relacionamento para que consigam alcançar seus objetivos e os objetivos da organização da qual fazem parte. na vida em sociedade. possui uma finalidade. assim. a qual controla comportamentos individuias dentro de um grupo social. O homem é um ser diferente dos demais animais.

www. As relações interpessoais tiveram como um de seus primeiros pesquisadores o psicólogo Kurt Lewin. a comunicação acontece bem. treino de habilidades e discussões podem ser utilizadas. Assim. MAILHIOT (1976: 66). respectivamente. que emerge das experiências do diaa-dia) integram-se para produzir o padrão real de relacionamento humano na organização: como o trabalho é verdadeiramente executado e quais as regras comportamentais implícitas que governam os contatos entre as pessoas – esta é a estrutura de contatos e comunicações humanas a partir da qual os problemas de política Karina de O.educapsico. Os elementos formais (estrutura administrativa) e informais (relacionamento humano. afirma que ele chegou à constatação de que “A produtividade de um grupo e sua eficiência estão estreitamente relacionadas não somente com a competência de seus membros. necessidade de responsabilizar-se pela existência e manutenção do grupo. pode facilitar o trabalho em equipe e o bom relacionamento de seus membros. mas sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais”. competência de seus membros. que constituem a sua seiva vital. necessidade de ser valorizado pelo grupo. controle e afeição. quando este faz referência aos estudos de Schutz: necessidades de inclusão. trata de uma teoria das necessidades interpessoais: necessidade de ser aceito pelo grupo. um outro psicólogo.com. o qual é extremamente importante na sociedade atual. já que são diferentes personalidades atuando juntas na tentativa de buscar um objetivo. Tais necessidades formam a tríade de que fala MAILHIOT (1976: 67). um lugar em que o trabalho conjunto é valorizado. COSTA (2002: 21) aponta as relações interpessoais como um dos elementos que contribuem para a formação do relacionamento real na organização: “É mister observar a operação real da organização. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 195 . Técnicas como dinâmicas de grupos. aqui incluídas as relações interpessoais. O trabalho em equipe nem sempre é fácil. ao se referir a uma das pesquisas realizadas por esse psicólogo. Ao discorrer acerca da humanização no ambiente de trabalho. Um trabalho dirigido especificamente para melhoras as relações interpessoais dos membros de uma empresa pode ser feito. os gestores são flexíveis e claros ao pedir as tarefas e fornecer feedback das mesmas.br O bom relacionamento interpessoal contribui para o trabalho em equipe. Schutz. mas sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais”.

Embora estas inteligências sejam. Em crianças. sociais. experiências vividas. Inteligência léxico-lingüística – os seus componentes centrais são uma sensibilidade para os sons.” SAIBA MAIS: Competência interpessoais e a idéia de inteligências múltiplas: Segundo o renomado professor de psicologia do comportamento da Universidade de Harward. cada área ou domínio tem seu sistema simbólico próprio. É a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas pois relaciona-se com a subjetividade e o abstrato através do código das linguagens.www.com. entre outros. têm sua origem e li mites genéticos próprios. independentes uma das outras. agradar. Num plano de análise psicológico. além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou para relatar. biológicos e até mes mo ali mentares. afirma Gardner. É a habilidade de usar a linguagem para convencer. ritmos e significados das palavras. econômicos. De acordo com sua teoria de “multiplicidade” da inteligência humana. elas muito raramente funcionam isoladamente. e devido a uma série incrivelmente variada de fatores ainda muito estudados .educapsico. Karina de O. utilizando-se dessas capacidades internas para resolver problemas e criar produtos. etc. Atribui-se então “sete inteligências" ao ser humano e se postula que essas competências intelectuais são relativamente independentes. Howard Gardner. cada um de nós tem latente em si múltiplos processos inteligentes que serão desenvolvidos durante o curso de nossas vidas. geográficos e genéticos. cada domínio se caracterizaria pelo desenvolvimento de competências valorizadas em culturas específicas. Num plano sociológico de estudo.culturais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 196 .br de pessoal e de tomada de decisões podem ser compreendidos e tratados pelos administradores. não existe a menor possibilidade de você “não ser” inteligente. uma anatomia neurológica específica e dispõem de processos cognitivos únicos. os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma dessas inteligências e maneiras diferentes de combiná-las e organizá-las. Segundo as premissas de base da teoria. estimular ou transmitir idéias. até certo ponto. com precisão.

reconhecer problemas e resolvê-los. canta para si mesma ou reproduz grande quantidade de sons e ruídos com relativa perfeição. ordem.se manifesta através de uma habilidade para apreciar. a partir das percepções iniciais. o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais. formas ou objetos mentalmente e.www. É a habilidade para manipular espaços.com. texturas e timbre. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e. através da manipulação de objetos ou símbolos. movimentar o outro sem a necessidade de palavras. ou seja.a capacidade para perceber. criar tensão. combinação. freqüentemente. compor ou reproduzir uma peça ou lógica musical de maneira fluída e pouco racional. através das diferentes modalidades da visão. habilidade para perceber temas musicais. artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. Em crianças pequenas. Inteligência visual-espacial . De experimentar de forma controlada. cálculos. e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. sensibilidade para ritmos. é a habilidade para lidar com séries diversas de raciocínios. É também a habilidade para usar a coordenação máxima ou mínima em esportes. categorias e padrões. o mundo de maneira geral (ou detalhada) de forma precisa. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio.br Inteligência fonológico-musical . É também a habilidade de influenciar a movimentação corporal ou cinestésica de um outro indivíduo através das características dessa mesma inteligência. Inclui a discriminação de sons. tem seus movimentos muito bem coordenados e fluídos e demonstra uma grande habilidade atlética e/ou coordenação fina apurada. orientação espacial até mes mo com os olhos fechados e a atenção a detalhes visuais. equilíbrio e composição numa representação visual ou espacial. mecânica lógica e sistematização.educapsico. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 197 . A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais. É a habilidade para explorar relações. Inteligência corporal-cinestésica – a habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso parcial ou total do corpo e todas as suas sensações. Inteligência lógico-matemática – seus componentes centrais desta inteligência são uma sensibilidade para padrões.

certas habilidades básicas em todas as inteligências. É também a boa habilidade que um indivíduo tem de “regular” sua realidade interna (psíquica) com a realidade externa. além de seu sistema simbólico. sensações.br Inteligência interpessoal . Karina de O. Como esta inteligência é a mais individual de todas. expectativas e desejos de outras pessoas. para discri miná-los e lançar mão deles na solução de problemas tanto internos quanto externos. motivações. Ele propõe. A capacidade para formular uma i magem precisa de si mes mo e a habilidade para usar essa imagem para funcionar e operar no meio externo de forma efetiva. etc). como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. têm a habilidade de questionar e procurar respostas usando todas as inteligências. desejos e inteligências próprios. ainda. será determinada tanto por fatores genéticos e neurobiológicos quanto por condições ambientais. temperamentos. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças através dessa inteligência (não pela força). necessidades. congruência integral (emoção.www. crenças. professores e comunicadores vendedores bem sucedidos.pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores. ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências.educapsico.com. uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros. Na sua forma mais primitiva. A linha de desenvolvimento de cada inteligência. percepção. sonhos e idéias. ou de processamento de informações. Todos os indivíduos. e na sua forma mais avançada. Inteligência intrapessoal .é o correlativo interno da inteligência interpessoal. ou seja. em princípio. a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas. como parte de sua bagagem genética. musicais ou cinestésicas. através de manifestações lingüísticas. ou seja. ou seja. Estes sistemas simbólicos estabelecem o contato entre os aspectos básicos da cognição e a variedade de papéis e funções culturais. necessidades. Todos os indivíduos possuem. no entanto. que cada uma destas inteligências tem sua forma própria de pensamento. a habilidade de se ter acesso aos próprios sentimentos. É o reconheci mento de habilidades. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 198 .

a linguagem através de conversas ou histórias.). O aparecimento da competência simbólica é visto em bebês quando eles começam a perceber o mundo ao seu redor. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 199 . o potencial para desenvolver sistemas de símbolos. uma vez que ela aprimorará os sistemas simbólicos que demonstrem ter maior eficácia no desempenho de atividades valorizadas pelo grupo cultural. pode ser visto em termos de uma seqüência de estágios: enquanto todos os indivíduos normais possuem os estágios mais básicos em todas as inteligências. Aqui. Nesta fase. os estágios mais sofisticados dependem de maior trabalho ou aprendizado. ocorre aproximadamente dos dois aos cinco anos de idade. o indivíduo adota um Karina de O. Assim. que devem ser dominados por uma quantidade de indivíduos e. alguns talentos só se desenvolvem porque são valorizados pelo ambiente. depois.www. ou simbólicos. as inteligências se revelam através de ocupações vocacionais ou não-vocacionais. a criança. depois de ter adquirido alguma competência no uso das simbolizações básicas. elas aprendem os sistemas chamados de sistemas de segunda ordem. os vários aspectos da cultura têm impacto considerável sobre o desenvolvimento da criança.Cada cultura valoriza certos talentos.com. no entanto. de simbolizações básicas. Nesta fase. O segundo estágio. Eles já possuem. os bebês apresentam capacidade de processar diferentes informações. a inteligência espacial através de desenhos etc.br A noção de cultura é básica para a Teoria das Inteligências Múltiplas. A seqüência de estágios se inicia com a habilidade de padrão "elementar". durante a adolescência e a idade adulta. a grafia dos sistemas (a escrita. Cada domínio. À medida que as crianças progridem na sua compreensão dos sistemas si mbólicos. a criança demonstra sua habilidade em cada inteligência através da compreensão e uso de símbolos: a música através de sons. Nesta fase. ou seja. uma cultura que valoriza a música terá um maior número de pessoas que atingirão uma produção musical de alto nível. os símbolos matemáticos. No estágio seguinte.educapsico. ou inteligência. passados para a geração seguinte. a música escrita etc. Finalmente. Neste estágio as inteligências se revelam através dos sistemas simbólicos. prossegue para adquirir níveis mais altos de destreza em domínios valorizados em sua cultura. Com a sua definição de inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que são significativos em um ou mais ambientes culturais.

10. O comportamento social e o desenvolvimento de equipes . a sociometria também pode realizar análise do indivíduo em seu dia-a-dia em relação juntamente a outros indivíduos independente do seu grupo social podendo-se obter uma análise de forma sucinta de como o indivíduo se comporta dentro do ambiente da sociedade. Karina de O. A sociometria pensa o indivíduo analisando-o de forma profunda aspectos de processos físicos.a A sociometria estuda os comportamentos interpessoais por meio das escolhas dos Sociometria. pois. a comunicação entre todos. indivíduos que as fazem. pode. planejamento comunitário e empresas. A singularidade pessoal é como um todo maior que os papéis sociais que são desempenhados no dia-a-dia na sociedade. analisar a organização social dos indivíduos dentro da empresa e o papel que cada indivíduo desempenha dentro dela analisando quem exerce maiores ações positivas. Cada papel social é desenvolvido a partir do intuito para o qual ele é executado.www. Assim. do que os próprios papéis sociais do indivíduo representa dentro da sociedade. cada ação social acontece aos pares a fim de ser caracterizado como algo feito em conjunto com um ou mais indivíduos de seu grupo social ou de outra forma.com.educapsico. quem emite mais mensagens de comunicação. são encontradas técnicas da sociometria para aplicação em vários campos como na saúde. e se realiza em papéis que são significativos em sua cultura.br campo específico e focalizado. quem recebe e descodifica para si melhor as mensagens e todo um histórico dos indivíduos na empresa. Cada indivíduo tem seu papel dentro da sociedade e cada ação verbal tem seu par como exemplo um indivíduo chamando o outro de “burro”. quem é mais submisso. educação. pois pode-se dizer que há mais personalidades individuais e históricos de vida individuais. biológicos. É no processo do conhecimento individual que a engenhosidade do ser se desperta o transformando cada vez mais durante sua vida em um ser único de ideias e pensamentos individualizados. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 200 . em um ambiente de trabalho. sociais e psicológicos que os predeterminam. por exemplo. um indivíduo solicitando a presença do outro para estudar.

maior a sinergia resultante do trabalho coletivo. Portanto. Tal desenvolvimento passa por diversas fases. Com isso se analisa o indivíduo de forma integrada entre estes pontos de observação realizando a análise geral. Desenvolvimento de equipes: processos grupais e o papel do facilitador. entre outros). Já em sociedade o indivíduo é analisado de forma mais ampla focando suas reações com quaisquer pessoas da sociedade sendo o outro indivíduo conhecido ou não.br É importante ressaltar que a sociometria permite que se analisem de forma sucinta os funcionários para colocá-los em postos específicos de trabalho. com metas específicas de desempenho. é um processo de socialização de indivíduos orientado no sentido da obtenção de resultados comuns. Em seu grupo social se analisa o indivíduo em relação a estímulos e respostas e qualificação entre estes estímulos. comprometidas com um propósito comum. a Sociometria estuda sucintamente o indivíduo nesse aspecto. comunidade. As equipes podem ser consideradas como um pequeno número de pessoas com habilidades complementares. pode-se propiciar desenvolvimento não somente do ponto de vista produtivo. Karina de O. ou se analisa de forma mais individual focando a introspecção do indivíduo e seu papel dentro da sociedade. O desenvolvi mento de equipes faz parte das práticas modernas de gestão e que dependendo do uso que se faz deste espaço. Dentro dessa análise fazem-se gráficos de avaliação dos resultados. mas pessoal com reflexos no social (família. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 201 . os quais podem contribuir para os objetivos acima descritos.com. com um mes mo método de trabalho e responsabilidade mútua. Assi m quanto maior o grau de desenvolvimento. fato que contribui para o funcionamento/ gerenciamento organizacional como um todo. é necessário este tipo de análise para melhor atender os objetivos da empresa e também a melhor comunicação e interação social entre os funcionários. sua relação com o seu grupo social e com a sociedade de maneira mais ampla e abstrata.educapsico. No que diz respeito ao aspecto introspectivo.www.

o próprio desempenho do gestor. porque colegas podem relatar o que acontece em outras partes da organização bem como podem propiciar feedback sobre o estilo e pensar em modos alternativos de lidar com os problemas” (Campos. na Hierarquia ou no Grupo: a SINERGIA. Os gestores também devem se preocupar com os relacionamentos laterais. auto-gerenciáveis. os interesses. em última análise. a inteligência.www. que espelham. virtuais. decorrente da confrontação. Aos gestores cabe diagnosticar o grau de desenvolvimento e sinergia de suas equipes. em que os resultados obtidos são iguais a zero. A sinergia é nula se a maneira como os talentos individuais estão sendo combinados não está sendo administrada adequadamente. pois “Os relacionamentos laterais são importantes. As equipes podem ser de vários tipos: multidisciplinares. Do correto diagnóstico e consequente ação administrativa dependem os resultados obtidos pela equipe. as aptidões. p. Ela dispõe de um recurso não encontrado no indivíduo. Kouzes e Posner também defendem que os gestores. que constitui um efeito de ampliação da energia dos indivíduos.br Os recursos de que uma equipe dispõe são inúmeros. especialmente em situações onde se exige multiplicidade de habilidades. Atualmente. neste caso. principalmente pelo fato de que a equipe não é a soma aritmética de seus componentes individuais. Dizemos. de desenvolvimento. A razão para que isto ocorra é que.educapsico. etc. os valores do indivíduo são ampliados e melhor aproveitados pelo efeito sinérgico da equipe. as informações. as experiências. Assim. em geral. Um caso extremo da ausência de sinergia ocorre quando os membros de uma equipe atrapalham-se mais do que se ajudam. que pode variar de um grau mínimo até o ponto máximo.com. as equipes têm um desempenho melhor do que as pessoas individualmente. Karina de O. os objetivos. como treinadores informais são fontes importantes de feedback e de exemplos. gerando resultados ainda menores do que seriam obtidos pelos indivíduos trabalhando isoladamente. de tomada de decisão.11). 2005. na Série. complementação e adição de idéias emitidas em situação de elevado envolvimento. que a equipe está num processo de entropia. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 202 . julgamentos e experiências. a maioria dos executivos concorda que a atuação de equipes é fundamental para o alcance do diferencial de manutenção de um alto desempenho organizacional.

fatores como a natureza dos serviços. um recurso para facilitar o aprendizado dos participantes em atividades de treinamento e também para identificar aspectos psicológicos. Cenas da vida de cada um e de todos sao representadas por meio de dramatizações e da re-significação das mesmas. Diferentes orientações teóricas se referem a dinâmica de grupo e podem ser divididos em quatro correntes (ZIMERMAN. recomendam que dado trabalho seja executado individualmente. o diretor. exige a participação de conjuntos humanos. e a cena a ser representada. Em alguns momentos.com. Isto se da através de jogos. comportamentais dos candidatos. complementação e suplementação dos papéis que lhes foram atribuídos e que cada um dos componentes se vê impelido a desempenhar. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 203 . proporcionando situações e sensações da vida real. pois. o risco envolvido etc. Teorias e técnicas de dinâmica de grupo. 11. o meio mais eficaz de trabalho. nos ajudam a definir o profissional mais adequado par ao perfil do cargo.br Contudo. A dinâmica de grupo é uma técnica. de forma mais rápida e eficaz. a disponibilidade de tempo. A dinâmica em seleção pode ser usada quando temos bons e vários candidatos para poucas vagas. tais situações não constituem a regra. em todas as circunstâncias. 1998): Psicodramática: seus elementos básicos são o cenário. Porém. o publico. nas quais os participantes poderão agir com autenticidade. Diversos aspectos propostos para análise sociométrica são discutidos em outros itens dessa apostila. Sistêmica: parte do principio de que os grupos funcionam como um sistema onde ha uma constante interação. Equipes não são a solução para todos os problemas gerenciais.www. na maioria das organizações.educapsico. brincadeiras e exercícios que são vivenciados. o ego auxiliar. o protagonista. o nível de conhecimento e experiência necessários. Karina de O. ajudando no processo seletivo de forma a ser mais um dos recursos para avaliação. a equipe não constitui. o trabalho. Mas este não deve ser o único e decisório método de seleção dos candidatos.. Cada organização deve fazer uma análise realística de suas necessidades e motivações antes de iniciar uma jornada nesta direção.

Esse espaço é composto pelo palco. um diretor ou terapeuta. da resposta nova. sobre os outros e sobre o ambiente. O espaço cênico é multidimensional.. Karina de O. pois inclui os aspectos: verbal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 204 . a imaginação. Psicanalítica: tem como respaldo toda a obra de Freud e seus seguidores. ele propõe uma inversão de papéis entre os atores e o público. o protagonista ou paciente. do ambiente e do grupo. também fez parte de sua constituição o teatro. baseando-se em três princípios.br Cognitivo-comportamental: preconiza três objetivos principais. p. o duplo. possibilitando novas formas de vida para seus participantes. influenciam as práticas grupais dentro das organizações. o jogo. da eventualidade. Além da medicina.com. na percepção dos outros. permitindo o surgimento do novo. realizando trabalhos nesta área desde muito cedo. o espelho. no qual o público passa a representar seus dramas cotidianos no espaço cênico. 4). as pessoas desenvolvem uma nova percepção sobre si mesmas. um treinamento de habilidades comportamentais e uma modificação no estilo de viver. 2000. ambos com suas respectivas teorias. da interpolação de resistência. a concretização da imagem de um sentimento. Inicia o desenvolvimento desta atividade como meio de se conhecer e atuar em grupo. Foi em 1922 o iniciou do desenvolvimento do que depois ficou conhecido como Psicodrama.educapsico. neste ano alugou um teatro e lá: “. Moreno formou-se em medicina em Viena no ano de 1917. uma reeducação das concepções errôneas do individuo. resistência. a cultura. o corporal. uma emoção. precipitando mudanças na auto-percepção. gestual. Técnicas de coordenação e avaliação do processo grupal Dois autores merecem destaque: Moreno e Pichon. uma nova linguagem re-significada” (Mesquita. Através do uso de técnicas como a inversão de papéis. no aqui e agora. entre outras.www.. atuando principalmente na área da psiquiatria. egos auxiliares e o público ou platéia. transferência e interpretação. ou seja. Psicodrama Começaremos pela tendência Européia de Jacob Levy Moreno. presentificados no momento.

a outra na frente educacional. hospitais e consultórios médicos e. Para Pichon-Rivière o indivíduo é considerado um pólo vincular. Além disso. porém demonstrava grande interesse pela psicologia social. Toma. 2000). culturais e imaginários. e é o psicanalista que introduziu a dinâmica de grupos operativos. nascido na Suíça em 1907. e ao se mudar para Nova Iorque em 1925. empresas e instituições comunitárias. então. trabalha-se a aleatoriedade através de jogos que envolvem a linguagem verbal. é o momento de dar significado aos conteúdos da cena (Mesquita. já com lugar para outro. como também as denominava: aquecimento.www. Era adepto do referencial kleiniano. no compartilhar. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 205 . onde o trabalho é desenvolvido em escolas.br Portanto. o que faz até a sua morte em 1974 (Mesquita. o outro seria o ego auxiliar e é neste jogo intersubjetivo de papel e contra papel que o “eu” se constitui. Na últi ma etapa. impressões e reflexões sobre o acontecido em cena. Na dramatização alguma situação já adquiriu significado para o grupo. 2000). Karina de O. 2000). sócio e axiodramático ou. na década de 40. tendo como foco principal o grupo. suas intervenções estão listadas no site da federação e se dão em duas principais frentes: uma psicoterapêutica. Cada uma das etapas representa um momento diferente no processo. Já a técnica. para o protagonista emergente ou paciente. Na interação entre os homens. onde produziu sua obra. do corpo e a imaginação. Grupos Operativos Pichon-Rivière. O homem desenvolve diversos papéis psicodramáticos: fisiológicos. Moreno considera que os papéis desenvolvidos pelas pessoas se alteram ao longo da vida e que a saúde mental está muito ligada a sua flexibilidade e adequação (Mesquita. há troca de sentimentos. psicossomáticos. em que os psicodramatistas atuam em clínicas.com. Na primeira. Moreno considera o teatro um espaço privilegiado para atuar como terapeuta e assim proporcionar efeitos transformadores e terapêuticos em seus clientes. viveu na Argentina. A teoria dos papéis é um dos constructos fundamentais do Psicodrama. A aplicabilidade do Psicodrama é vasta. teve como embasamento as contribuições teóricas de Kurt Lewin. ao desenvolvê-la. tem a possibilidade de aperfeiçoar a metodologia do Psicodrama. decompõe-na em três etapas: psico. este espaço como metodologia principal em sua atividade.educapsico. dramatização e o compartilhar.

preservando o grupo da destruição. atribuindo à técnica um caráter dinâmico e interdisciplinar. o paciente tem um papel. podemos destacar dois: a formação de papéis (como bode expiatório. na sua "relação objeto" e no grupo.educapsico. porta-voz. pois tem uma estrutura que lhe permite encarregar-se da doença grupal. chamado de "grupo centrado na tarefa que tem por finalidade aprender a pensar em termos de resolução das dificuldades criadas e manifestadas no campo grupal". empregado na educação (grupos de ensino) e na terapia (grupoterapia). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 206 . Algumas de suas idéias são: • Para fazer um diagnóstico.br Para Pichon-Rivière o grupo operativo é constituído de pessoas reunidas com um objetivo comum.com. e a emergência de diferentes tipos de líderes) e a noção dos três “Ds”. dando-se um interjogo dialético entre mundo interno/externo. sabotador. Os grupos operativos visam operar em uma determinada tarefa. O paciente é o depositário das ansiedades e tensões do grupo familiar. que se relaciona com o outro em grupo. • Certa economia sociodinâmica é mantida pelo grupo. Dentre os fatores descritos por este autor. como pano de fundo situacional há sempre uma instituição familiar doente. o depositado e o depositário das ansiedades básicas que surgem no campo grupal (ZIMERMAN. 1998). Visualiza o homem com necessidades que são internas que mobilizam ações diante do mundo externo. O paciente é o membro dinamicamente mais forte. o depositante. o porta-voz da enfermidade familiar. O autor desenvolve toda uma teoria em que explicita sua forma de pensar no sujeito. enquanto o papel é assumido pelo paciente. tendo como base a estrutura vincular modelando a sua intervenção em grupo. do qual o paciente é a figura emergente.www. Princípios Teóricos de Pichon-Rivière A psicologia social de Pichon-Rivière está voltada ao estudo do homem como um ser social. Karina de O. • • • Na situação grupal. sem que haja finalidade psicoterápica.

• www. Por meio do ECRO há a apreensão da realidade que se propõe estudar (ZIMERMAN. FERNANDE. 2003). manter e desenvolver o grupo como equipe de trabalho. Para ele. 2003). SVARTMAN. existem dois níveis de atividade mental: um racional. como em outros grupos. conjugando o papel a ser desempenhado. SVARTMAN. teóricos.educapsico. lógico e relacionado realisticamente com a tarefa. Para compreensão da técnica elaborada por Pichon-Rivière. referentes a um setor real. Se alguém ensina outro aprende. que permite uma aproximação instrumental do objeto particular (conceito)". 2003). denominada grupo operativo. o conhecimento é terapêutico. sempre em mútua reali mentação enquanto se mantém a interação com o meio (FERNANDES. compartilhada entre os integrantes. Karina de O. definido "como um conjunto organizado de conceitos gerais.com. Estes níveis representam as histórias do indivíduo e do grupo que se fundem. Nos grupos operativos. A tarefa interna exige que os membros façam uma permanente indagação das operações que se realizam internamente no grupo. que é o trabalho produtivo cuja realização constitui a razão de ser do grupo. O mundo interno é definido como um sistema em que interatuam relações e objetos. 1998).br Podem surgir mecanismos segregatórios como desejo de extirpar a doença grupal (FERNANDES. referencial e operativo. em relação à tarefa externa (FERNANDES. Há dois aspectos da tarefa: uma tarefa externa. FERNANDE. a um determinado universo de discurso. faz-se necessário comentar sobre o ECRO – esquema conceitual. A tarefa externa é a organizadora do processo grupal. SVARTMAN. e uma tarefa interna. que consiste na totalidade das operações que os membros do grupo devem realizar juntos para montar. Os níveis articulares no grupo relacionados à inserção da pessoa são: verticalidade referente à vida pessoal de cada membro e horizontalidade que é a história grupal. É essencial fazer algo para conseguir que esse nível básico – processo primário – atue a favor do nível mais elaborado – processo secundário – assegurando o cumprimento da tarefa grupal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 207 . e outro carregado de emoções e conectado magicamente com as fantasias inconscientes presentes no grupo. FERNANDE. que surge com base na existência do grupo até o momento presente.

hospitais e comunidades terapêuticas. Quanto ao uso dos grupos operativos. sendo importante o tipo de líder (autocrático. laissez-faire ou demagógico) (FERNANDES. grupos para empresas.br O Trabalho com Grupos Operativos O grupo operativo deve configurar um ECRO. No grupo operativo coincidem o esclareci mento. Fernandes. 2. a aprendizagem. a comunicação. De acordo com Fernandes. FERNANDE. Svartman e Fernandes (2003) nesse tipo de grupo ocorre uma atividade centrada na mobilização de estruturas estereotipadas. Tal elaboração implica um processo de aprendizagem. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 208 Fernandes (2003) há dois momentos . e a resolução da tarefa. Karina de O. SVARTMAN. Cada integrante tem um esquema de referência. com rompimento de estereotipias e aproxi mação do objeto de conhecimento. nas dificuldades de aprendizagem e de comunicação. em que as contradições referentes ao campo de trabalho devem ser resolvidas como tarefa e durante o transcorrer do grupo.com. Svartman e importantes: 1. momento de pré-tarefa com mecanismos de dissociação entre o bom e o mau e diferentes defesas para não entrar na tarefa. grupos para professores que querem aplicar o método. mas com um trabalho grupal configura-se um ECRO grupal. A situação grupal de enfermidade é o emergente. democrático. o grupo passa de estereotipado para uma estrutura com maior mobilidade de papéis. 2003). Segundo Fernandes. momento de tarefa com a elaboração das ansiedades e a emergência da posição depressiva. Svartman e Fernandes (2003) referem que há grupos no ensino de forma geral. A tarefa grupal prioritária será a construção de um ECRO grupal comum para poder estabelecer uma comunicação com afinidades entre os esquemas referenciais do emissor e do receptor. de caráter dialético.www.educapsico. sendo o porta-voz o veículo por meio do qual esse emergente manifesta-se. instituições. Normalmente. por ansiedades despertadas pela mudança.

que facilitam uma avaliação dos processos de interação grupal. Svartman e Fernandes (2003) apontam um interessante estudo de Pichon-Rivière capaz de permitir que se observe graficamente a dinâmica entre o explicito e o implícito do grupo. Svartman e Fernandes (2003. líder. vai emergindo na tarefa um planejamento para o futuro. 199) Os vetores do cone invertido são os seguintes: • Afiliação e pertença: o grau de identificação dos membros com a tarefa. Explícito Implícito Figura Adaptada de Fernandes. etc. Há também as comunicações do tipo um para todos – apenas um fala e os outros escutam – todos para um – somente um não fala – parcerias excludentes – todos tem espaço para falar. não-comunicação. • Cooperação: capacidade de ajuda mútua e com relação ao coordenador do grupo. • Pertinência: capacidade de concentração na tarefa.br Ao se elaborar uma estratégia operativa.www. bode-expiatório. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 209 . subgrupos. Karina de O. A afiliação é o nível mais superficial de identificação e a pertença o mais profundo. nos objetivos. São os vetores do cone invertido. ordem. Fernandes.com. e articulação entre as tarefas explícita e implícita.educapsico. Os papéis circulam dentro do grupo. caos. quando os participantes sentem que fazem parte do grupo. o projeto. o que é fundamental para que ocorra a cooperação. • Comunicação: pode-se ver as diferentes formas de vinculação entre as pessoas. p.

. nem a um tipo determinado de grupo. É a capacidade do grupo e de cada participante de se adaptar. poderia ser grupo terapêutico. FERNANDE. FERNANDE. 12. O grupo operativo não é um termo utilizado para se referir a uma técnica específica de coordenação de grupos. de inovar e de desenvolver condutas alternativas diante dos obstáculos. conforme cita Bergamini (1994. p.7 apud Bergamini. 2003). Karina de O.• www.. liderança é um tipo especial de relacionamento de poder caracterizado pela percepção dos membros do grupo no sentido de que outro membro do grupo tem o direito de prescrever padrões de comportamento na posição daquele que dirige. 2003). p. p.14).14): ". no que diz respeito à sua atividade na qualidade de membro do grupo” (JANDA. 1994.educapsico. Em função de seu objetivo. Há uma relação entre esse conceito. ". Para Pichon-Rivière. 1994.br Aprendizagem: depende da adaptação ativa à realidade.35 apud Bergamini. o grupo operativo é um instrumento de trabalho e também um método de investigação. A expressão grupo operativo refere-se a uma forma de pensar e de operar em grupos. da psicanálise. A principal questão diante dos grupos operativos é saber se o mesmo é um grupo terapêutico. p. da corrente psicodramática. que pode ser aplicada a coordenação de numerosos tipos de grupos. de atração ou rejeição. 1960. SVARTMAN.. SVARTMAN. 1957. mas cumpre com uma função terapêutica (FERNANDES.14). com o conceito de transferência.. Liderança: teorias.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 210 . • Tele: termo criado por Moreno para se referir ao sentimento para interatuar com alguns membros mais do que com outros. Existem diferentes conceitos de liderança na literatura. liderança é o comportamento de um indivíduo quando está dirigindo as atividades de um grupo em direção a um objetivo comum“ (HEMPHILL & COONS. grupo de aprendizagem ou grupo de discussão (FERNANDES. p.

por exemplo. ". traços de liderança. p. no sentido do atingimento de um objetivo específico ou objetivos” (TANNENBAUM et all. Portanto a liderança não é apenas o cargo do líder. Entendia-se como líder eficaz aquela pessoa que assumia formalmente a postura do “chefe controlador”. p. p. 1978. pode-se dizer que a análise da liderança é feita a partir de três principais teorias..14). motivações.14). “.com. comportamentos. O conceito de liderança associava-se muito ao de chefia... liderança é influência pessoal. organização ou sociedade. A liderança é analisada nesses estudos a partir de enfoques diferentes: alguns estudos ressaltam traços de personalidade do líder.br ". p. mas também requer esforços de cooperação por parte de outras pessoas” (HOLLANDER. Karina de O. ou seja. são elas (segundo Bergamini. 1994. Seguindo essa lógica. tais como. 1994.232. p. 1994).. p. 1994).2. a pessoa nasceria com características físicas e traços de personalidade relacionados à liderança.14). liderança é uma interação entre pessoas na qual uma apresenta informação de um tipo e de tal maneira que os outros se tornam convencidos de que seus resultados serão melhorados caso se comporte da maneira sugerida ou desejada ” (JACOBS..educapsico. 1961. habilidades. Assim. 1970. apud Bergamini.24 apud Bergamini.www. 1994): Teoria dos Traços Essa teoria preconiza que o líder já nasce líder. a liderança é analisada em função das variáveis do ambiente que favorecem a eficácia do líder (Bergamini. apud Bergamini. O interesse em se estudar o processo de liderança surge devido a necessidade de identificar formas para avaliar a sua eficácia. orientado principalmente para o atendimento de objetivos mútuos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 211 .. muitos estudos foram realizados no intuito de se estabelecer parâmetros como. 1994. exercida em uma situação e dirigida através do processo de comunicação. tipos de fontes de poder e outras características que fossem capazes de explicar as variáveis mais importantes para se conseguir tornar o líder mais notável em suas atividades de influenciar seus seguidores (Bergamini. outros quais seriam as características de estilo do líder e mais recentemente. O processo de liderança normalmente envolve um relacionamento de influência em duplo sentido. aqueles de um grupo.

fluência verbal.com. desta forma. administração de conflitos. as ordens dadas e os princípios admitidos” (PARK. 1994). 37. participação dos funcionários no processo decisório. nível de conhecimento etc. podem ser ensinadas a outras pessoas que.br preocupado apenas com as tarefas da organização e que trabalhava a partir da seguinte filosofia: “gerenciar é verificar se tudo corre de acordo com o programa adotado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 212 . introversão. físico. 1997. Normalmente estudavam-se os seguintes traços (BERGAMINI. procurando-se evidenciar as relações existentes entre estes estilos e a eficácia da liderança. Aqui se estabelece uma nova visão para o entendi mento da liderança. idade etc. 1994). 1994). uma vez identificadas.educapsico.Habilidades Características: inteligência. peso. Numerosas pesquisas foram realizadas examinando-se os estilos de liderança de diferentes pessoas dentro das organizações. 1994): . passa-se a entender a gerência eficaz como um processo que lida bem com os seguintes parâmetros: trabalho em grupo. escolaridade. variedade no trabalho. Quanto aos aspectos gerenciais. focalizandose o estudo de um conjunto específico de comportamentos. 1994). extroversão. 1994. Aspectos de Personalidade: moderação. ajustamento pessoal. apud Bergamini. Desta forma não se acreditava na possibilidade de se formar líderes por meio de técnicas de desenvolvi mento pessoal. Teoria dos Estilos de Liderança Segundo esta visão o líder pode ser formado. entendidos como habilidades de liderança. apud Bergamini. entre outros (FERREIRA et all. apud Bergamini. estas pesquisas tiveram como premissa básica o entendimento de que o estilo de liderança manifestado pelo líder determina o nível de desempenho atingido pelo grupo e/ou unidade organizacional por ele comandada (BERGAMINI. dominância. Karina de O. têm a possibilidade de se tornarem líderes eficazes (SMITH & PETERSON. estabelecimento de comunicação entre os integrantes da organização. e sua eficácia depende do seu estilo gerencial. Estas habilidades.Fatores Físicos: altura. autoconfiança. p. mas que não são inerentes à pessoa. Assim. aparência. sensibilidade. controle emocional etc.www. 1997. .

pois cada um desses tipos de liderança vai ter conseqüências positivas e negativas para a organização. o líder um original. do seu estilo de gerenciamento e do ambiente. neste momento. Mais recentemente. . sem voz.com. principalmente em relação ao modo de execução de suas funções. . Não existe o melhor estilo de liderança. o líder inspira confiança. o líder prioriza as pessoas. · o gerente pergunta como e quando. Karina de O. .www. como segue: · o gerente administra. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 213 . dependendo do objetivo que se deseja alcançar determinada forma de liderança pode ser melhor que as demais.Laissez-Faire: não há liderança. ela passa a ser entendida como um sistema aberto que sofre influência tanto de fatores internos como de fatores externos. ao contrário. acatando imposições passivelmente. · o gerente vive com os olhos voltados para o possível. · o gerente mantém.educapsico. o líder com os olhos no horizonte. o líder inventa. relação equilibrada. · o gerente i mita. como evolução das idéias iniciadas neste momento. o líder inova.Autoritária: funcionários submissos. o líder o desafia. Assim. · o gerente prioriza sistemas e estruturas. o líder perspectiva de futuro. o líder se abstém dessa função. o líder desenvolve. · o gerente é uma cópia.br Alguns estilos de liderança descritos na literatura são: . · o gerente aceita o status quo. Passou-se a entender que a organização não é uma “caixa preta” isolada de tudo e imune as mudanças ambientais.Transição da Autoritária para a Democrática: funcionários que eram submissos começam a impor alguma resistência sobre o manipulador. · o gerente depende de controle. Teoria Situacional Essa teoria defende que o líder pode ser formado e que sua eficácia depende do grupo. diferencia-se em muito do papel do líder. o líder pergunta o que e por quê. · o gerente tem uma visão de curto prazo.Democrática: diálogo entre funcionários e administrativo. pode ser citada uma lista de diferenças cruciais entre líderes e gerentes. O papel da gerência.

na qual. com a qualidade total de seus produtos e com o real atendimento e satisfação de seus clientes. Para Aguiar.2). Visões contemporâneas e desenvolvimento das habilidades de liderança Durante muito tempo a liderança foi exercida verticalmente. o líder faz a coisa certa. devido às idéias de gerência eficaz promulgadas pela escola tradicionalista de administração. Ao contrário. abre-se espaço para a tão almejada procura pelos verdadeiros lideres ou ainda pela corrida das empresas em formar. Hoje nota-se uma tendência das lideranças acontecerem horizontalmente.com. administrando de forma contundente os conflitos que possam aparecer durante a execução do trabalho e acima de tudo.www. Além de melhorias na produtividade e qualidade. preocupando-se em motivar realmente cada um dos integrantes desta equipe. incentivando o aparecimento de novos talentos. “Neste novo cenário não existe mais espaço para as gerências controladoras e autoritárias. Karina de O. ensinar ou treinar a qualquer custo seus antigos chefes e gerentes em técnicas e habilidades de liderança” (p. Escrivão Filho & Rozenfeld. surge juntamente com as novas descobertas que as empresas estão vivendo. Apesar dessa tendência para relações horizontais o que se encontra muito hoje são níveis intermediários entre as lideranças verticais e horizontais.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 214 . os líderes tomavam as decisões e os funcionários dos níveis mais baixos apenas executavam. A preocupação com o tema “liderança”. observa-se a necessidade de pessoas que assumam o papel de facilitadores do trabalho da equipe que coordenam. as empresas perceberam que somente esta ação não garante mais sua sobrevivência no mercado global.br · o gerente é um bom soldado clássico. o líder é seu próprio comandante. que ocorre hoje no mundo organizacional. muito em voga no inicio deste século. as empresas atualmente preocupam-se mais com o envolvimento e o comprometimento de seus funcionários com as estratégias da organização. · o gerente faz as coisas direito. possibilitando a participação efetiva dos colaboradores nas tomadas de decisão. Neste ponto. Depois de décadas buscando apenas melhorias tecnológicas em seus processos produtivos e gerenciais.

o processo de influência. Karina de O. 1994. pois não resiste a uma prova prática quanto à eficácia de atuação do líder em relação aos liderados. Além de que o próprio tema liderança precisa ser compreendido como um conjunto de sub-temas em interação. têm demonstrado que a liderança eficaz depende de diversos fatores ambientais. como por exemplo. . a liderança não pode ser teorizada de modo isolado das interações e influências de outros temas administrativos. motivações. Alguns estudos.18).br No entanto.com. . Vários estudos que compõem a teoria situacional. considerados tão decisivos quanto o comportamento do próprio líder” (BERGAMINI. com o tempo percebe-se que o processo de liderança se vincula a contingências mais profundas.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 215 . Escrivão Filho & Rozenfeld). Escrivão Filho & Rozenfeld. . . tecnologia.tempo exigido para a tomada de decisões. a cultura organizacional. o comportamento dos indivíduos. “Não é pura e simplesmente a ação do líder que determina sua eficácia. o processo de percepção. Escrivão Filho & Rozenfeld apud Bergamini (1994).3). a motivação.educapsico. por exemplo. conforme Aguiar. buscam levantar parâmetros como traços de personalidade. dentre eles: . tipos de fontes de poder e características extrínsecas ao processo de liderança no intuito de identificar as variáveis mais i mportantes e assim poder desenvolver métodos e técnicas que visam atuar em tais variáveis na busca do desenvolvimento de lideres (Aguiar. estrutura etc. não dependendo si mplesmente da ação do líder” (p.clima psicológico do grupo liderado.a história da organização. Escrivão Filho & Rozenfeld). entre outros (Aguiar. no entanto.personalidades e influências culturais dos membros do grupo e. Não somente o líder. como estratégia. Assim. “embora existam muitos trabalhos que tragam verdadeiras receitas em busca da boa liderança. Mais do que isso. p. mas o liderado e as contingências do momento e do ambiente desempenham papéis importantes. não existe uma receita pronta de “como formar um líder” devido a complexidade de variáveis que estão implícitas a este fenômeno. as bases da autoridade. Segundo Aguiar. habilidades e comportamentos. este tipo de simplificação é perigosa.a comunidade na qual a organização opera.

A organização como sistema e o desenvolvimento organizacional: pressupostos básicos.br “Os autores acreditam que a maior eficácia da aplicação dos conceitos de liderança está fundamentalmente associada à compreensão de que a liderança é parte de um todo maior (organização) e um conjunto de sub-partes (traços. são importantes. Como destacado em Rapizo (2002 p. Algumas habilidades. comunicação. Podemos concluir assi m. A cibernética surge na década de 40 como um modelo de pensamento que questionava o modelo cartesiano de ciência. sempre levando em conta quais os interesses dessa organização e quais as habilidades de liderança são importantes para a atuação efetiva do líder na organização especifica. Escrivão Filho & Rozenfeld. retroalimentação e auto-referência em sistemas artificiais. 7). biológicos e sociais” Como ciência a cibernética preocupa-se com a relação entre os componentes de um sistema. saber ouvir. mas é preciso considerar o contexto no qual o líder está inserido. 13. processos. um por um (RAPIZO. como por exemplo. pragmático e que promove a visão fragmentada e isolada dos fenômenos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 216 . relações interpessoais. técnicas. para “Von Foerster (1991) a Cibernética se ocupa basicamente da circularidade no estudo dos mecanis mos de causação circular. peças em uma máquina.www. contexto. Cibernética e teoria geral dos sistemas A Cibernética e a Teoria Geral dos Sistemas são importantes constructos que irão permitir as mudanças nas formas de gestão administrativa das empresas de uma maneira geral. dentre outras. estilos. 30). É necessário realizar um planejamento minucioso e um programa sistemático e permanente de desenvolvi mento de liderança na organização. como por exemplo. ser empático. como será visto na seqüência do texto. saber dar feedback. incentivos etc)” (Aguiar. que não há uma receita genérica para o desenvolvimento de habilidades de liderança. o que implicava em desenvolver um circuito circular que realizasse esta Karina de O. 2002). e não entendê-los somente isoladamente. p. As pesquisas matemáticas de Nobert Wiener. o qual é mecanicista.com. tinham o propósito de conceber máquinas que pudessem corrigir seu próprio funcionamento.educapsico.

Ele considerava que a cibernética tinha aspectos mais mecanicistas até mesmo porque suas características derivam da matemática. porém uma preocupação de Bertalanffy era esclarecer as diferenças entre elas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 217 . militares e religiosas. os sistemas não podem ser compreendidos plenamente apenas pela análise separada e exclusiva de cada uma de suas partes. 1988). 2002). no qual os indivíduos pertencentes a ela não recebiam influência do meio externo. Segundo essa teoria. A teoria geral dos sistemas foi desenvolvida por Ludwing von Bertalanffy na década de 30 e 40. A cibernética e a teoria dos sistemas possuem semelhanças. materiais do ambiente externo a ele. de serviços. intelectuais entre outras. As organizações afetam a vida dos indivíduos em diversos campos.www. energia. Esta interação com o ambiente é que permite a sobrevivência do sistema. previsível e totalmente mensurável. as organizações são sistemas que permitem às pessoas satisfazerem inúmeras necessidades. emocionais. públicas. 1988). pois existem organizações variadas como industriais comerciais. caso contrário. As organizações surgem de indivíduos que para cumprir seus objetivos unem-se na busca da superação pessoal para realizarem atividades que seriam i mpossíveis de serem feitas individualmente. pensar. conseqüentemente. 2002). Este mecanismo foi chamado então de retroalimentação (RAPIZO.br auto-correção e. econômicas.educapsico. poderia ocorrer o fenômeno da entropia que consiste tendência dos sistemas fechados de seus movimentos irem em direção a um estado caótico (CHIAVENATO. O autor tentou explicar o funcionamento dos sistemas gerais independentes do que eram formados (RAPIZO. Segundo CHIAVENATO (1988). esta visão de mundo foi-se modificando com a entrada de novas correntes filosóficas e modelos de gestão iniciadas no fim da década de 60 no Japão com o surgimento do Toyotismo. As organizações provocam impacto na maneira de vestir. O sistema aberto recebe informações. A organização na época do taylorismo e fordismo era vista como um sistema fechado. Dentro desta visão o trabalho poderia ser realizado de maneira mecânica. Ela Karina de O. alimentar e até mes mo de relacionar-se das pessoas (CHIAVENATO.com. levasse este sistema a aproveitar o máximo de sua capacidade. Em oposição ao que se pensava das organizações. hoje se percebe as organizações como sistemas abertos.

ou seja. Assim. ao estado anterior que o sistema apresentava. 2002). A ciência tradicional clássica trabalha a partir da causalidade linear onde existe uma causa e um efeito.com. O feedback negativo é a maneira do sistema responder à mudança que ocorre com ele. Para FILOMENO (2002): “A Teoria Sistêmica faz o convite a este novo paradigma da ciência. 2002).1987). mas sim some estas diferenças”. os diversos ramos do conhecimento.br se baseia na compreensão da dependência recíproca de todas as disciplinas e da necessidade de sua integração.www. Ou seja. Este quando não dilui o sistema. que é a busca do sistema em manter um equilíbrio dinâmico para sua manutenção. as várias ciências. a visão global é mais importante do que a divisão das partes para a análise. Muitas ciências possuem suas versões de abordagem sistêmica. permite a sua transformação.educapsico. Já o feedback positivo é a uma resposta à desestabilização do sistema para a mudança e evolução do mes mo. sempre partindo de seus próprios conceitos para a busca da harmonização com os conceitos de outras ciências.até então estranhos uns aos outros pela intensa especialização e consequente isolamento passaram a tratar seus objetivos de estudos como sistemas. isto não se faz para a teoria dos sistemas senão de maneira artificial e imposta. Dentro do conceito da causalidade circular trabalhada por esta teoria é que o todo não possui um começo nem um fim (CALIL. Karina de O. permitindo aproximação entre as suas fronteiras e o preenchimento dos espaços vazios entre elas (RAPIZO. Deve-se entender o feedback em relação à homeostase. na busca de retornar a sua situação anterior. A hipótese sistêmica ainda traz que o todo é maior que a soma das partes em um sistema (GALERA e LUIS. . Os sistemas têm a propriedade da retroalimentação ou feedback que podem ser positivos e negativos no sistema. Enquanto que o feedback positivo busca o equilíbrio dinâmico através da transformação e da mudança do estado anterior no qual estava o sistema. a substituição desta forma de pensar separativista do ou-ou para um pensamento integrador e-e que não reduza as diferenças. Portanto o feedback negativo busca a manutenção do sistema em termos estáticos de retorno da homeostase. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 218 . Essa teoria interdisiciplinar demonstra o isomorfismo das várias ciências.

Assim.com. Todo e qualquer sistema comporta-se como um todo em busca da coesão. Permite às organizações que cada parte do conjunto que compõe o objetivo global. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 219 .www.educapsico. descrevendo-os em função de um objetivo global. mudanças em processos e estrutura organizacionais. vislumbrando mudanças na totalidade da organizacional. Elas são órgãos estruturados. Karina de O. 2002). de modo geral. A abordagem sistêmica enfatiza princípios básicos de organização ao invés de concentrar-se em elementos ou substâncias básicas dos sistemas (CAPRA. As modificações para o desenvolvi mento organizacional baseiam-se em mudanças de longo prazo. pessoas. este subsistema trabalha com o treinamento e o desenvolvimento organizacional. a concepção sistêmica enxerga o mundo em termos de relações e de integração entre os sistemas. Então este modo de pensar a respeito dos sistemas e de seus componentes. 2005).br Portanto. Subsistema de Desenvolvimento Este subsistema trabalha a capacidade de aprendizagem das pessoas em relação a novos conhecimentos e na modificação de comportamentos existentes. exercem influência uns sobre os outros. seja adequadamente definido. no caso a missão desta organização. investimentos. portanto são abordadas de modo equivalente a um sistema no qual todos os elementos. por exemplo. abertos e relacionados intensamente a outros sistemas com os quais compartilham informações. As organizações. controlado e avaliado. Os sistemas são totalidades e não podem ser reduzidos em unidades menores. Desenvolvimento Organizacional O desenvolvi mento organizacional está atrelado a mudanças estruturais de ordem sistêmica na organização ao contrário das mudanças estabelecidas nos treinamentos. cargos. A mudança em uma parte do sistema provoca mudança em todas as outras partes e no sistema como um todo (FILOMENO. referente às questões de desenvolvimento individual. Estes temas serão tratados mais a frente nessa apostila.

abrangendo não apenas aquelas máquinas e equipamentos utilizados para transformar os materiais. 14. O trabalho aqui tem uma acepção bastante ampla. Segue então o Diagnóstico Organizacional que é a fase que analisa. mas também os aspectos organizacionais de como esse trabalho é programado e controlado para produzir os resultados desejados. Qualidade de vida no trabalho. lei do trabalho. desenvolvimento de equipes. Para LIDA (1993) apud KANIKADAN s/d. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 220 . visando melhor utilização destes nos campos de batalha. mas também toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o homem e seu trabalho. na qual são escolhidas as melhores ações para a intervenção visando atingir os objetivos das modificações verificadas pelo diagnóstico. O DO segue no sentido de mudança da organização e para tal utiliza-se de técnicas de intervenção como: feedback de dados. segundo ela a organização do trabalho deve ser adequada às Karina de O. treinamentos e modificações de processos.com. Ergonomia A Ergonomia surge a partir de adaptações feitas por diversos profissionais aos veículos e armamentos no período entre Primeira e Segunda Guerra Mundial.educapsico. Assim. enriqueci mento de cargos.br Na busca por estas mudanças o processo de Desenvolvimento Organizacional (DO) se faz em 3 etapas: iniciando com a Coleta de Dados que consiste no levantamento de informações sobre os elementos da organização pertinentes para a identificação de problemas. Isso envolve não somente o ambiente físico. com o final destes confrontos as indústrias não bélicas nos EUA e Europa perceberam que poderiam levar vantagens no uso desta nova ciência que tem o nome originário de duas palavras gregas: gregas Ergon (Trabalho) e Nomos (Lei). “a ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ao homem. e assim buscar objetivos para a ação.www. E por último a Ação de Intervenção. interpreta os dados coletados a fim de obter o diagnóstico propriamente dito.” A Ergonomia é abordada pela legislação do Ministério do Trabalho na Norma Reguladora a NR-17. ou seja.

br características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado (http://www. produtividade e rentabilidade do indivíduo em seu trabalho (http://www. a ergonomia atua para que o cansaço tanto físico quanto mental do trabalhador seja reduzido e.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_17. Estaremos abordando aqui aspectos das doenças relacionadas ao trabalho. o trabalho mais seguro será aquele que permita ao trabalhador Karina de O. Se uma pessoa tem a capacidade de entender uma tarefa.com. “Os limites mentais e emocionais são de predição mais difícil e. A exigência de tempo. A determinação do conteúdo de tempo. Porém. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 221 . variam de dia para dia.com/Athens/Troy/8084/idx_erg.html). O ritmo de trabalho. em geral.gov. conseqüentemente. Desta forma existem tipos de trabalhos que necessitam de cuidados especiais.geocities. As normas de produção. os erros e acidentes de trabalho. Considerando os aspectos mentais-emocionais. Desta forma. o ser humano apresenta limites físicos e mentais quanto às funções desempenhadas nas empresas. ela tem como objetivos trazer condições melhores e mais produtivas ao trabalho. Ergonomia auxilia para que isto seja mini mizado. aumentar o conforto.asp).mte. Doenças Ocupacionais O trabalho como a atividade de transformação do homem também pode trazer conseqüências físicas e psicológicas nocivas à saúde quando não realizado em condições adequadas. deve também ser capaz de executar um bom trabalho com segurança. Para que isto ocorra devem ser considerados: • • • • • • O modo operatório.educapsico. Trataremos de três delas em especial.www. e O conteúdo das tarefas. captar a informação e tomar decisões acertadas. dependendo do nível de estresse mental do indivíduo. Possibilita assim.

LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) São doenças ocupacionais. KARO= excesso de trabalho e SHI = Morte. os digitadores e atualmente. que anteriormente acometiam. medicamentos. terapias psicológicas e até mesmo intervenções cirúrgicas podem ocorrer.com. Mazelas adquiridas em decorrência do trabalho e tem origem multicausal. sendo considerada uma doença relacionada ao trabalho e que freqüentemente está associada a longos períodos de horas trabalhadas (http://www. Causam a incapacidade de movimentos e isto interfere nas atividades diárias do indivíduo. Karina de O. por exemplo. úlcera.br executá-lo de modo feliz. O KAROSHI (morte por sobrecarga de trabalho).br/institutos/it/de/acidentes/ergo7. há o impedimento de realização do trabalho.. KAROSHI é um acometimento fatal por sobre-esforço.htm). tem acometido um maior número de pessoas.ufrrj. falta de saúde com alterações cardíacas e respiratórias.ufrrj. Karoshi Karoshi se origina de duas palavras japonesas.www. pois.br/institutos/it/de/acidentes/ergo7. sintomas de ordem psicológica. Ocorre com freqüência no Japão e é descrito na literatura sócio-médica como um quadro clínico extremo (ligado ao estresse ocupacional) com morte súbita por patologia coronária isquêmica ou cérebro vascular.educapsico.. Os tratamentos são no sentido de minimizar a dor e possibilitar o não agravamento dos sintomas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 222 . náuseas e com isso há desgaste do rendimento ou da qualidade de trabalho” (http://www. terapias físicas. Elas possuem características sintomatológicas de dor no local onde as lesões ocorrem. podendo causar além dos sintomas físicos. age sob a forma de moléstia. com seqüelas nocivas para o indivíduo. transtorno do sono. trazendo ai um sentimento de degradação emocional. satisfeito e bem ajustado. gastrite.htm). devido ao aumento no uso do computador como ferramenta de trabalho. Assim são utilizadas diversas técnicas em um trabalho multidisciplinar no qual. O estresse laboral.

ginástica laboral. chefia. insatisfação (resultante da comparação com a situação vivenciada e seus anseios). e os outros profissionais).br A questão principal é a prevenção para o não aparecimento destas lesões. Formas de prevenção comuns são relaxamentos durante o expediente. baixo envolvimento com o pessoal do local de trabalho. atividades de lazer para tornar o ambiente de trabalho menos estressante. resistência e crueldade (decorrentes das relações do trabalho e incompatibilidade com a hierarquia. HOEFEL. ansiedade (caracterizada por tensão nervosa e medo).ufrrj.www. insônia. A vontade de realizar suas atividades rotineiras passa a não existir mais e sintomas comuns a esta doença laboral são. intervalos para descanso do indivíduo. alcoolismo (vícios decorrentes de insatisfação e frustração)” (www. JACQUES. medo (caracterizado por problemas de sono e pelo consumo de medicamentos). alongamentos e melhores índices de satisfação no trabalho podem prevenir estas doenças (MERLO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 223 . em uma visão ergonômica.htm). agressividade. além desta anedonia. Este tipo de síndrome acomete geralmente funções nas quais as tarefas e responsabilidades são altas e Karina de O. angústia (resultante do conflito da contradição entre os impulsos das pressões e dos desejos). Burnout Burnout é uma doença do trabalho no qual o trabalhador passa a apresentar um esgotamento e uma perda em sua vitalidade em decorrência de um esgotamento físico e mental causado pelo seu trabalho. Através da adequação de equipamentos e atividades. fadiga.br/institutos/it/de/acidentes/ergo7.educapsico. distúrbios gastro-intestinais. também irritação. 2001).com. “As pessoas em estado extremo de estresse sentem fadiga (resultante da sobrecarga de trabalho). frustração (resultante de um teor impróprio em relação às competências e às necessidades do indivíduo).

Como investigação científica na esfera do trabalhador. condições ambientais gerais e promoção de saúde. sendo estes explicitados a seguir: redução do absenteís mo. 2004). a QVT surgiu em 1950 com os estudos de Eric Trist para designar experiências calcadas na reestruturação da tarefa com o objetivo de tornar a vida dos trabalhadores menos penosa. desejos. com sentimentos. o conceito de qualidade de vida no trabalho e um conjunto de ações. tecnológicas e estruturais. e temores. observando tarefas. São muitos os benefícios da QVT. De forma geral. redução/eliminação da fadiga.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 224 . da satisfação e do desempenho dos trabalhadores. movida pela necessidade de contrapor-se a desumanização no trabalho surgida com a aplicação de métodos rigorosos. de uma empresa que envolve: diagnósticos e implantação de melhorias e inovações gerenciais. integração social. desenvolvimento. promoção de saúde e segurança. Karina de O. Qualidade de vida no trabalho (QVT) Na década de 1940.educapsico. surge a teoria das relações humanas com a concepção do homem social. BAPTISTA.www. A busca da produtividade e qualidade tem constituído um fator principal para as empresas proporcionarem a qualidade de vida dentro das organizações e não fora delas como mecanismos compensatórios. os autores que trataram sobre o tema. dentro e fora do ambiente de trabalho. As pessoas são motivadas por certas necessidades e alcançam satisfação através dos grupos com os quais interagem.br geralmente há o trato e cuidado com pessoas como atividade principal (INOCENTE. CALAIS. visto que ao promover a saúde e o bem estar de seus funcionários. redução da rotatividade. MORAIS. desenvolvimento das capacidades humanas e aumento da produtividade. obtêm-se o aumento da motivação. Segundo Franca. atitude favorável ao trabalho. observam os conceitos de QVT com os enfoques: grau de satisfação da pessoa com a empresa. desempenhos. elementos que a QVT gerencia. visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para e durante e a realização do trabalho. que considera os trabalhadores como seres complexos.

insumos. O levantamento de opiniões que caracterizam a organização em um determinado momento é o que podemos conceituar de pesquisa de clima.br Assim como é necessário que os processos produtivos estejam sobre controle.com. como se um não pudesse interferir no outro. Este conceito está para a organização numa visão de qualidade do ambiente e das relações e assim influencia o comportamento dos indivíduos dentro da organização ao passo que é percebida e experimentada por eles.educapsico. pois ele apóia à gestão de recursos humanos no sentido da produtividade e qualidade dentro da empresas. Clima organizacional. todo o trabalho pode ficar comprometido. 15. na forma de pesquisa. Ora. dentro das organizações é importante. 2008). Os estudos sobre clima organizacional surgiram nos Estados Unidos no início da década de 60. O clima organizacional como instrumento. que sejam seguidos os procedimentos de todas as etapas do processo produtivo para que sejam produzidos e entregues produtos com a qualidade requerida pelo cliente de forma eficaz e eficiente. Se uma delas falhar. É feito um levantamento dos comportamentos a fim de conhecer questões conflitivas dentro da organização e a partir de então realizar o planejamento de ações do núcleo de Recursos Humanos das organizações. feitos por Forehand e Gilmor (Silva. as possibilidades de erros tornam-se muito grandes. tornando o gerenciamento da QVT um instrumento importante para alcançar os objetivos da qualidade e da empresa como um todo. é necessário a capacitação e envolvimento das pessoas que vão realizar todas estas atividades. Não é possível dissociar a condição humana do processo. a qualidade do produto depende da qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas com as atividades relacionadas aos produtos. que a matéria prima. mas se o trabalhador não tiver condições de trabalho adequadas. e peças em processos estejam em conformidade com as especificações técnicas. se estiver sofrendo processos de desmotivação. ela traz à tona os conceitos dos funcionários sobre as características momentâneas da organização no sentido de Karina de O. Logo. se estiver com sua saúde comprometida. Dornelas.www. Santos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 225 .

Algumas categorias de análise do clima organizacional foram propostas por diferentes autores. em seguida. Modelo de Kolb (1986) e Modelo de Sbragia (1983) (SILVA. SANTOS.com. 2008). sendo que os principais modelos são: Modelo Litwin e Stringer (1968). pensar e sentir esses problemas. Em princípio a cultura organizacional foi um conceito elaborado pela antropologia. sentimentos e comportamentos daqueles que fazem parte da organização.educapsico. este proporciona uma satisfação do trabalhador. costumes. 2006). já quando é desfavorável proporciona a frustração do mesmo. DORNELAS. A cultura organizacional abarca idéias de várias áreas do conhecimento. slogans. Edgar Schein (1982) apud Rocha-Pinto (2007) afirma que a cultura organizacional é um conjunto de padrões de suposições básicas inventadas. esta visão permite a identificação de diferenças entre os diferentes grupos humanos em suas culturas. 1988). Karina de O.br indicar as características positivas e negativas que estão influenciando o trabalho (BREDARIOLLI. valores. Portanto. tabus. Quando favorável o clima. Estes padrões funcionam com eficácia suficiente para serem considerados válidos e. Então temos o conceito de clima e a ferramenta “pesquisa de clima” que identificam o que está sendo favorável e desfavorável à motivação dos trabalhadores neste clima organizacional. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 226 . LUNARDELLI. rituais.www. das quais pode-se destacar a aplicação de questionários aos funcionários. Cultura organizacional. descobertas ou desenvolvidas pelos membros de uma empresa para lidar com problemas de adaptação externa e integração interna. Para a pesquisa do cli ma organizacional várias técnicas são utilizadas. ensinados aos novos membros com a maneira correta de perceber. tradições. mitos. Para a análise do clima organizacional é necessário levar-se em conta a cultura organização. 16. analisando os seguintes aspectos: crenças. o clima organizacional influencia o estado motivacional das pessoas e por conseqüência também é influenciado por ele (Chiavenato.

com. regras. Relaciona-se com as normas da empresa. 2007). mobiliário. recompensas e poder. Já os fatores intangíveis são as crenças. Como fatores tangíveis. Cada maneira de organizar o poder dentro da organização pode ser usada para a análise da cultura de cada organização e também irá influenciar no cli ma organizacional. Percebe-se que a cultura organizacional influencia o comportamento dos funcionários. c) Recompensas: É aquilo que se oferece de positivo ao funcionário em função de certos comportamentos. temos: aspectos concretos da organização como a arquitetura dos prédios. porém não são especificadas abertamente no acordo de trabalho. costumes presentes dentro da organização. seja através de normas e regras explícitas ou através de regras que estão presentes no cotidiano da empresa. Alguns outros elementos também estão presentes na cultura organizacional. mas também usar o sistema de recompensas para incentivar aqueles funcionários que precisam melhorar seus desempenhos. marcas. Assim as organizações possuem cada qual sua cultura e os funcionários ao adentrarem na instituição são inseridos neste contexto e no momento que a cultura organizacional é absorvida pelos trabalhadores é quando estes começam a partilhar as visões parecidas de mundo (ROCHA-PINTO. b) Valores: São “coisas” que as pessoas que fazem parte da organização avaliam como positivo ou negativo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 227 . bom ou rui m. são eles: Karina de O. d) Poder: O poder na organização pode ser mais centralizado ou ser distribuído. Enfatiza-se aqui a importância de recompensar óti mos desempenhos.educapsico. Ela engloba normas. Vejamos cada um desses aspectos da cultura organizacional: a) Normas: Elas podem ser explicitas ou implícitas e dizem respeito a padrões/ normas de comportamento que as pessoas que fazem parte da organização devem seguir. idéias preestabelecidas. comunicações visuais e também os produtos e serviços que a empresa realiza.www. valores.br De modo multidisciplinar a cultura das organizações decorre de um processo complexo social no qual estão presentes fatores tangíveis e intangíveis.

com. tais como: Pesquisa documental É direcionada geralmente ao histórico da organização: como surgiu? Quem a fundou? Como se consolidou no mercado? Se. e) Mito: histórias que servem para explicar diferentes fenômenos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 228 . d) Endoculturação: diante da necessidade de aprender a desempenhar novos papéis as pessoas aprendem novas habilidades e valores para os mes mos. anotações e análise para chegar a Karina de O. Entrevistas São de grande valia quando há a necessidade de realizar um diagnóstico para orientar intervenções (treinamento. As observações sistemáticas requerem planejamento. é de caráter familiar. antes de propor qualquer intervenção. O psicólogo quando ingressa em uma organização. f) Ritos: atividades que buscam a afirmação de aspectos que representam certa cultura. bandeira).educapsico. revisão da política de recursos humanos. que abrange os diversos aspectos já mencionados nesta apostila. definição de objetivos. porém com presença de elementos fictícios. é importante entrevistar tanto líderes quanto subordinados (Ver mais sobre entrevista no capítulo seguinte). c) Estórias: narrativas com base em fatos reais. Métodos e técnicas de pesquisa organizacional. precisa compreender sua cultura organizacional.www. utilizando diversas técnicas e materiais. avaliação de desempenho) elas se constituem um importante instrumento para obter dados sobre o funcionamento do trabalho e sobre o clima organizacional. Para isso deve se valer da pesquisa. Observações As observações podem ser sistemáticas ou livres. 17. Tem a função de informar o comportamento esperado. internacional ou nacional? Entre outros elementos. b) Heróis: funcionam como modelos de comportamento e valores.br a) Símbolo: representa algo que dever ser decodificado por aqueles que entram em contato com o mesmo (ex.

Diversas escalas são relatadas na literatura. mas com cuidado para que elas não caiam no senso comum.www. é necessário decidir quantos níveis (ou pontos) de escala serão considerados para conseguir obter informações mais ricas e precisas do nosso público alvo. Além disso. Outra dificuldade que surge algumas vezes quando se trabalha com muitos pontos de escala é definir palavras que se distribuam de forma eqüidistante numa escala de satisfação ou concordância. Questionários Os questionários podem ter diversas utilizações. por exemplo. A desvantagem de se utilizar sete ou mais pontos é o tempo e a complexidade que seriam necessários para se conduzir uma pesquisa por telefone. por exemplo. estudos mostram que as pessoas têm dificuldade de memorizar mais de cinco alternativas de resposta (embora algumas escalas sejam mais fáceis de memorizar do que outras). ou pesquisa para planejamento de intervenções futuras em geral. consegue-se extrair uma informação mais rica. Concordo plenamente.educapsico. Após o levantamento e formulação das questões que farão parte do instrumento de pesquisa. sendo importante instrumento de pesquisa de clima organizacional. As Escalas Um cuidado fundamental na fase de projeto de uma pesquisa quantitativa é a definição das escalas ou alternativas adequadas de resposta para cada uma das questões. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 229 . Não concordo nem discordo. Karina de O. Já as observações livres podem ser utilizadas como dados para compreensão do cotidiano. em geral utiliza 5 pontos: -Discordo plenamente. pois permite obter do entrevistado mais detalhes de percepção. Concordo parcialmente. sendo a de Likert a mais comumente empregada em pesquisas quantitativas. Esta escala. Discordo parcialmente.com. Uma má definição de categorias pode não representar bem todas as possibilidades de resposta para uma questão. conhecida por escala de concordância.br conclusões. Quando são utilizados de cinco a sete pontos ao invés de menos de cinco.

Bom. Este paradigma é baseado principalmente nas teorias do taylorismo e fordismo do início do século XX.com. Ruim e Não sei Os dados obtidos a partir da escala acima estarão tendendo para o lado positivo. Esse desequilíbrio.www. informação e privatização. Os recursos humanos são vistos como agente Karina de O. apresentando ou não uma categoria “neutra”. no qual a distribuição de poder é realizada por uma minoria da alta direção e as decisões vêm do alto escalão da organização. não é possível utilizar uma única escala que sirva adequadamente para todas as perguntas de um instrumento de pesquisa. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 230 . cada questão deve ser discutida e sugere-se aplicar questionários piloto. Embora existam diversos estudos sobre escalas de pesquisa. pois há mais categorias positivas que negativas. Este equilíbrio garante a análise adequada e não-tendenciosa dos dados. 1. Razoável. Uma recente pesquisa. combinada com a crescente competitividade no mercado empresas e instituições viram a necessidade de repensar e discutir diferentes modos de realizar a gestão de pessoas. Assim. A sociedade vive a globalização e tem como pilares o conhecimento. poderá prejudicar a análise estatística dos dados. além de dar uma falsa idéia de que estamos melhores que pensamos. Gestão de pessoas A idéia primeira de gestão de pessoas vem de um modelo autocrático e absolutista. critério fundamental para validação científica de qualquer pesquisa. por exemplo. Muito bom. A administração de pessoas está passando de um si mples departamento de pessoal para um RH transformador na organização.br O requisito básico para definição de uma escala adequada é o equilíbrio entre as respostas “positivas” e as “negativas”.educapsico. O mercado de trabalho sofre modificações quanto aos postos de emprego que surgem (FRAGA. apresentou algumas questões com a seguinte escala de respostas: Excelente. por questões de mudanças sociais e históricas que vem refletindo na estrutura das organizações. Atualmente. estes se confrontam com as maneiras anteriores de realizar estas atividades. 2005). II MODELOS E PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS. Modelos de gestão de pessoas. buscando definir uma escala que permita obter respostas adequadas para o contexto da pesquisa e o conseqüente plano de ações.

A gestão de pessoas possui então ferramentas que auxiliam na obtenção dos resultados supra-citados. É importante que se crie um cli ma positivo para o desenvolvimento de treinamentos na organização. depois são preparados materiais e formas para treinar e desenvolver as necessidades apresentadas.www. Após estas atividades são avaliados se estes processos desenvolveram ou permitirão o desenvolvimento das habilidades ou não e quais serão os passos para cada um destes parâmetros. para a integração entre os setores e departamentos e para a Karina de O. atitudes e comportamentos que permitem ao indivíduo desempenhar com eficácia determinadas tarefas. remuneração/seleção por competência e habilidade e avaliação 360 graus. habilidades. que serão discutidos adiante. Já as competências comportamentais são atitudes e comportamentos que a pessoa deve ter para ocupar certas posições (RABAGLIO. 2001). sendo elas treinamento e desenvolvimento. em qualquer situação. visando o desenvolvimento das habilidades e competências nos colaboradores da organização.educapsico. aumento de produtividade e satisfação dos funcionários. As competências técnicas são mais simples de serem percebidas e desenvolvidas. Um diagnóstico é realizado levantando as necessidades na preparação profissional dos funcionários. como um conjunto de conhecimentos.com.br de transformação no sentido de realizar melhores resultados na saúde organizacional. Estas novas maneiras de gestão são voltadas para uma maior participação dos colaboradores. As competências dentro de um perfil profissional devem compreender competências técnicas e comportamentais. levam em consideração conhecimentos e habilidades técnicas específicas para uma função. O treinamento e desenvolvi mento são umas destas ferramentas muito usadas pela gestão de pessoas. O conceito de competência é caracterizado por RABAGLIO (2001). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 231 . O conceito de competência não levava em consideração as questões comportamentais como acontece atualmente. se mantém a forma de trabalho da empresa ou a modifica.

redefinida.educapsico. a desenvolver uma ótima estratégia. SEDRANI. dinâmico e competitivo. Muitas organizações se dedicam.com. mais importante do que a estratégia em si. o diferencial na gestão de pessoas reside em superar a visão tradicional da administração de recursos humanos que concebe as pessoas como recursos semelhantes aos demais recursos da organização. SEDRANI. Mas afinal de contas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 232 . objetivos. Tipos de gestão: Planejamento estratégico e gestão estratégica: missão. Portanto. LIMA. LIMA. a gestão de pessoas é compreendida como um conjunto de políticas e práticas definidas para orientar o comportamento humano e as relações interpessoais no ambiente de trabalho (BEZERRA. Neste mesmo sentido. Entretanto. Balanced Scorecard (BSC) A gestão estratégica é hoje. metas indicadores. Falham. analisada e. um estudo da Ernest & Young revela que do ponto de vista da avaliação das empresas. deve ser gerenciado para ser implementado com sucesso (MOREIRA. de forma acertada.br descentralização do poder e redução na quantidade de níveis hierárquicos (ROCHAPINTO. LIMA. concentrando seus principais executivos em complexos ciclos anuais de reflexão e formulação da estratégia. valores. 2005). entretanto. visão de futuro.www. 2005). o que é Planejamento/Gestão Estratégica? A gestão estratégica consiste em fazer com que a estratégia definida seja sistematicamente acompanhada. 2005). é preciso gerenciála. um dos principais desafios de executivos em todas as organizações. A partir do enfoque sistêmico. para garantir que Karina de O. esquecendo-se de que o produto desta reflexão. se for preciso. gerenciar é uma atividade complexa e requer uma mudança cultural dos executivos (MOREIRA. 2007). O cenário dos negócios está cada vez mais imprevisível. SEDRANI. após o encerramento dessa atividade. reforçando a necessidade de gerenciar a estratégia de forma contínua (MOREIRA. é a sua implementação e para garantir uma efetiva e correta implementação. 2006).

Foi criado por Robert Kaplan. Sedrani. fundamentados em indicadores que reflitam o progresso da organização em direção à sua visão de futuro. a partir da tradução da visão em objetivos. 2005). O BSC é um modelo de gestão estratégica que auxilia a empresa na mensuração do progresso rumo à suas metas de longo prazo. Sedrani. dando resultados favoráveis ao mesmo tempo em que os diferenciassem dos seus concorrentes. 2005).br a visão de futuro.www. um dos conceitos mais utilizados na gestão estratégica (Moreira. surgindo então uma revolução no modelo de competição. no início da década de 90 é hoje. Lima. a sistemática formal de Planejamento Estratégico cria um “hábito” inadequado de pensar na estratégia somente ao final de cada ciclo anual (Moreira. incluindo áreas de apoio e. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 233 . consultor de empresas. seja alcançada (Moreira. Sedrani. objetivo maior da organização. professor de Harvard. Lima. os empresários começaram a ver seu desempenho organizacional através de novos horizontes.com. 2005). e David Norton. Balanced Scorecard (BSC) Na década de 1980. Dentre as ferramentas e conceitos que ajudam estes gestores na gestão e implementação da estratégia está o Balanced Scorecard (Moreira. Os números financeiros deixaram de ser o único alvo desses gestores que começaram a buscar estratégias competitivas que fizessem com que suas organizações permanecessem no mercado por mais tempo. Sedrani. indicadores. Entretanto. até mesmo os terceiros (Moreira. Lima. desde a presidência até a operação. 2005). metas e projetos estratégicos. As mudanças no cenário competitivo.educapsico. A gestão estratégica pressupõe uma mudança cultural e de atitude na organização. cada vez mais comuns e acontecendo em ciclos menores. obrigam os executivos a pensar estrategicamente todo o tempo. A alta gestão carece de mecanismos efetivos de acompanhamento da estratégia e suporte à tomada de decisões. Sedrani. na maioria das vezes. Karina de O. Li ma. Lima. 2005).

www. entre outros. metas de longo prazo e projetos. as medidas financeiras são valiosas por sintetizar as conseqüências econômicas relativas às ações. Li ma. • Aprendizado e Crescimento Perspectiva financeira De acordo com Kaplan e Norton (1997). aquisição de novos clientes. contudo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 234 .com. Inclui-se entre as medidas de desempenho essenciais desta perspectiva: nível de satisfação dos clientes. fluxo de caixa. crescimento das vendas. apoiando todo esse processo (Moreira.educapsico. Perspectiva dos processos internos Karina de O. e também. lucratividade dos clientes. ou seja.br O BSC. índice de participação no mercado. incluindo sua implementação e execução tem contribuído para o alcance dos resultados financeiros. lembrando que normalmente os objetivos financeiros estão relacionados à lucratividade. entre outros. capacidade de retenção de clientes. não contábeis são eles: • Financeiro. Mas como se faz o BSC? O BSC possui indicadores que ajudam na mensuração de elementos intangíveis. 2005). dever-se-á contemplar aspectos relativos à competitividade dentro do segmento alvo. indicadores de desempenho. tem sido implementado por empresas em todo o mundo. • Clientes. por absorver em sua arquitetura a tradução da estratégia com os grandes objetivos da empresa. Sedrani. retorno sobre o capital investido. ou seja: receita operacional. • Processos Internos. indicam se as estratégias da empresa. Perspectiva dos clientes O BSC tem como um dos objetivos principais conhecer quais os mercados e clientes que a organização busca atender.

aqueles que elevam a satisfação das expectativas que os acionistas ou sócios tem em vistas de retornos financeiros. A partir desta visão. integração de novas tecnologias. Em suma. Embora o processo de construção do BSC por si só propicie um forte alinhamento da equipe executiva. da estratégia e da visão de futuro da organização. entre outros. etc. a utilização do BSC na criação de um processo efetivo de gestão estratégica deve considerar: • entendimento. crescimento e inovação relativo aos recursos humanos de uma organização.br Kaplan e Norton (1997). estabelecendo bases que permitam gerenciar as estratégias competitivas da organização. eficácia do processo de treinamento e capacitação. afirmam que através desta perspectiva é possível identificar os processos internos críticos ao funcionamento excelente da empresa que se direcionam principalmente ao oferecimento de valores capazes de atrair e reter clientes dos segmentos alvo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 235 . Karina de O.educapsico. produção. Contudo. nível de conhecimento agregado aos recursos humanos. definem um conjunto de medidas genéricas capazes de medir o nível de aprendizado. • definição de responsabilidade pela estratégia. gestão de custos e de preços. a capacitação da força de trabalho.www. Perspectiva do aprendizado e crescimento A contínua interação entre pessoas. Kaplan e Norton (1997). o seu valor só se efetiva com a criação de um processo de gestão da estratégia baseado nesta estrutura. sistemas e procedimentos organizacionais é responsável pela necessidade de identificação de meios que possam determinar a geração de conheci mento e melhorias fundamentadas pelas estratégias e direcionadas ao longo prazo. preparando a empresa para desafios futuros. e também. criação e desenvolvimento de produtos. em todos os níveis da organização. por todos.com. elevação da capacidade de gerenciamento. são elas: grau de satisfação dos funcionários. entrega e assistência técnica. capacidade de retenção dos funcionários. Isso se deve principalmente por ser bastante improvável que as empresas atinjam metas a longo prazo sem que sejam desenvolvidas em conjunto a melhoria dos processos internos. entre outras. processos operacionais. • alinhamento da organização em torno da estratégia. destaca-se que nesta perspectiva serão incorporados processos de inovação.

se necessário. o auto-conceito e a imagem pública. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 236 . os objetivos e a filosofia da organização. apresenta-se abaixo a declaração da missão da General Motors (GM): “O propósito fundamental da General Motors é fornecer produtos e serviços de qualidade tal que nossos clientes recebam um valor superior. o mercado (a quem se destina). Definindo o negócio a partir do planejamento estratégico Missão Ao buscar o estabeleci mento da missão de uma organização.www. nossos funcionários e parceiros partilhem de nosso sucesso e nossos acionistas recebam um retorno sustentado e superior sobre seus investimento”. para garantir que a organização realmente alcance a visão de futuro. estabelecendo objetivos. Visão de Futuro Karina de O. • análises sistemáticas acerca da implementação da estratégia e do alcance da visão de futuro.educapsico. valores e princípios capazes de determinar sua orientação estratégica. metas. com propósito de permitir visualizar a mesma no futuro. • definição de novos caminhos. deve-se atentar para alguns propósitos em especial: o produto ou serviço oferecido pela empresa.br • acompanhamento da implementação da estratégia. a tecnologia (diferencial). • comunicação sistemática da implementação da estratégia e das decisões tomadas. Desta forma.com. Para que fique um tanto mais clara a definição da missão de uma empresa. percebe-se que a gestão eficaz tende ser direcionada pela razão de existir da organização focada na missão da empresa. • realimentação do processo de concepção da estratégia com o aprendizado adquirido durante as etapas de gerenciamento da implementação da estratégia.

para definir a visão. controle e condiciona a definição dos valores a serem seguidos pela mes ma. algumas perguntas podem facilitar sua formalização. Entre outros fatores. assim como. ou seja. definindo claramente a imagem no futuro e conseqüentemente gerando um compromisso com desempenho. portanto.www. Mesmo incluída em um contexto político democrático a empresa geralmente é dominada por um grupo que define necessariamente a estrutura do poder. Entretanto. de modo que haja compreensão de onde se pretende chegar a curto. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 237 . Fred Smith desejava “entregar encomendas em qualquer lugar dos Estados Unidos antes das 10:30 do dia seguinte”. médio e longo prazos.com. o que leva a organização a ser mais flexível ou Karina de O. destaca-se que a visão deve ser coerente. Valores Nos processos estratégicos é preciso considerar a influência dos valores dos trabalhadores que fazem parte da organização. da própria organização sobre a escolha da estratégia a ser escolhida.br A visão serve como inspiração e também como senso que direciona para o que deve ser feito pela organização em determinado período de tempo. Akio Morita. Metas e Objetivos Definir objetivos e metas é necessário para medir progressos da organização. Contudo. ressalta-se que a empresa como um organismo vivo mantém um processo de equilíbrio buscando se ajustar às necessidades do ambiente em que opera.educapsico. ex-presidente da Sony. uma vez que a adoção de determinados conceitos. são elas: qual é o objetivo da empresa? Qual a força propulsora ou impulsionadora? Quais os valores da organização? O que fazemos de melhor? O que desejamos realizar? Quais mudanças gostaríamos de implantar? As declarações de missão são melhores quando orientadas por uma visão. e criou a Federal Express. não basta defini-los é preciso envolver os profissionais. ferramentas e técnicas gerenciais podem ser diferenciados dos valores incluídos na cultura da empresa. desejava que todos tivessem acesso ao “som pessoal portátil” e sua empresa criou o walkman e o aparelho cd portátil. quase um “sonho impossível” que fornece direção para os próximos dez ou vinte anos da empresa.

educapsico. os processos de negócio. a tecnologia e tudo mais que possa trazer vantagem competitiva para a organização. passando a ser cotado a partir de seus ativos intangíveis. a concorrência. Para estes autores. identifica o conhecimento como algo inseparável das pessoas. livros. por conexão com outros conhecimentos e através das outras pessoas. Gestão do Conhecimento Gestão do Conheci mento. da criatividade. Stewart (1998) e Edvinsson (1998). As atividades de criação de conhecimento têm lugar com e entre os seres humanos. como prédios e máquinas. responsabilidade. e etc. Exemplo de valores: democracia. cooperação. uso e disseminação do conhecimento na organização. Conhecimento útil. o valor de empresas intensivas/onde o Conhecimento sobeja. oriundo da experiência. Nas organizações o conhecimento se encontra não apenas nos documentos. através de meios estruturados como vídeos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 238 . da inovação. da pesquisa. do estudo. em busca de pontos dos processos de negócio em que o conhecimento possa ser usado como vantagem competitiva.www. documentos. os pioneiros da Gestão do Conhecimento. Muitos autores propuseram modelos de gestão do Conheci mento. A Gestão do Conhecimento é um conjunto de processos que governam a criação. deixou de estar relacionado aos bens tangíveis. as pessoas obtêm conheci mento daqueles que já o têm. bases de dados e sistemas de informação. Inteligência Competitiva e vários outros novos termos tem surgido para tentar caracterizar uma nova área de interesse na administração das organizações. Capital Intelectual. Conhecimento sobre o mercado. páginas web. Todos os três Karina de O. eram empresários e jornalistas. útil para aplicações ao trabalho e às organizações. As pessoas derivam conhecimento das informações de diversas formas: por comparação. nas práticas dos grupos e na experiência acumulada pelas pessoas. através de aprendizado interpessoal e compartilhamento de experiências e idéias. de forma a atingir seus objetivos de negócio. Além disso. por exemplo. da análise.com. os clientes. mas também nos processos de negócio. O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. Esta abordagem. Sveiby (1998).br menos flexível quanto a suas decisões cabe a estruturação dos valores que são definidos por esses grupos. Gestão do Conheci mento é certa forma de olhar a organização. pela experimentação.

Stewart chama de capital estrutural e Edvinsonn de capital organizacional. que elaborou um conceito de competência relacionado com o conceito de qualificação. Avaliação de potencial e banco de talentos. Todos os modelos apresentados coincidem num ponto: monitorar e gerenciar a informação e o Conhecimento é uma tarefa essencial para todas as pessoas e organizações desejosas de competir num mundo cada vez mais globalizado.com. permitem que ela atinja com sucesso os resultados que deseja. Habilidades e Atitudes (CHA) que. Os três modelos analisados não são. Eles estão se referindo às patentes. parceiros. estão incluídas as habilidades.www. quando integrados e utilizados estrategicamente pela pessoa. contraditórios. Neste último se inscrevem os clientes. Este capital tem a ver com a capacidade individual de atuação de cada integrante da empresa.educapsico. ser capaz de compreender e dominar novas situações no trabalho. O segundo capital é o que Sveiby chama de competências enquanto que Stewart e Edvinsonn chamam de capital humano. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 239 . a experiência e os valores de um determinado indivíduo. conceitos e modelos administrativos e informatizados de uma organização. referindo-se à capacidade da pessoa em assumir iniciativas. Finalmente. Um desses pesquisadores foi Philippe Zarifian.br propõem um modelo de gestão para as empresas. O primeiro deles. Nesta categoria. 2. Sveiby nomeia estrutura interna. ir além das atividades prescritas. Conceito e tipologia de competências. ser responsável e ser reconhecida Karina de O. a educação formal. formado por três componentes básicos. Mapeamento de perfis profissionais por competências. A partir dos anos 80 a temática da competência começou a surgir nas empresas e pesquisadores começaram a se interessar por ela. o terceiro capital é chamado de estrutura externa por Sveiby e de capital de clientes por Stewart e Edvinsonn. Gestão de pessoas por Competências. Competências são conjuntos de Conhecimentos. Identificação e priorização de competências. fornecedores e a imagem que a empresa tem junto a eles e ao mercado. obviamente.

Pois não adianta uma empresa se esforçar em fazer um produto excelente.educapsico. tecnologias. Foi Durand que construiu um conceito de competência baseado em três dimensões: • Conhecimentos (saber o que fazer) • Habilidades (saber como fazer) • Atitudes (querer fazer) Essas dimensões são interdependentes. O importante é que a gestão de competências esteja em perfeita sintonia com a estratégia organizacional.com. o fato de uma pessoa possuir habilidades não implica que elas sejam necessariamente aplicadas na organização. Para Prahalad e Hanel competência é um conjunto de conhecimentos. passando pelo divisional e o grupal. mas também de habilidades e atitudes adequadas à situação em Karina de O.br por isto. exerçam maior influência na decisão do cliente. para que eles conheçam profundamente o produto que vendem e. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 240 . se os seus clientes internos não sabem das informações sobre o que fabricam ou vendem. a capacitação dos colaboradores e de parceiros de uma organização. Mapear e desenvolver competências organizacionais e individuais tem se tornado uma das estratégias das grandes empresas para atingir seu consumidor final de forma mais eficiente. desde o coorporativo até o individual. competência é sinônimo de capacitação profissional. pois para a adoção de um padrão de comportamento no ambiente de trabalho exige-se da pessoa a utilização não apenas de conhecimentos. a gestão de competências deve ser vista como um processo circular. Faz parte dessa estratégia. sistemas e gerências inerentes a uma organização. pois compreende os conhecimentos adquiridos.www. as habilidades físicas e mentais e a experiência. habilidades. dessa forma. envolvendo os diversos níveis da organização. com ela você compete no mercado. mas também crenças e comportamentos. Como a competência compreende não apenas as habilidades. Já para Minarelli. Segundo este modelo. Sua definição de competência é centrada na mudança de comportamento social dos seres humanos em relação ao trabalho e sua organização.

A qualificação é um conceito que se relaciona aos requisitos da posição ou cargo do indivíduo ou. ser responsável e ser reconhecida por isto. e que se relacionam com o desempenho no trabalho.www. é a seguinte: Competência é o conjunto de conhecimentos. Karina de O. mas procura ser mais amplo. pois se não possuir essas competências. Parte destes conhecimentos pode ser classificada e certificada pelo sistema educacional. faz parte de uma competência básica. mas nem por isso deixa de ser importante. e as essenciais. O conceito de competência se relaciona com o conceito de qualificação. uma definição para a competência. No plano individual. ao conhecimento acumulado pelo indivíduo ao longo dos anos. para muitas empresas. Durand esclarece que crenças e valores compartilhados pela equipe de trabalho influenciam muito o comportamento e o desempenho de seus componentes. atitudes que afetam a maior parte do trabalho de uma pessoa. que garantem a sobrevivência de uma empresa. a competência pode ser mensurada. que permitem a diferenciação de uma empresa no mercado. ser capaz de compreender e dominar novas situações no trabalho. ir além das atividades prescritas. comumente adotada pelos profissionais de gestão (principalmente os ligados à área de gestão de pessoas). ainda. O conceito de competência relaciona-se intimamente com as tarefas desempenhadas pelo indivíduo e com o conceito de qualificação. identificar as lacunas entre as competências disponíveis na empresa e as necessárias para que estes objetivos sejam atingidos.com. o desenvolvimento e a avaliação das competências com o intuito de minimizar essas lacunas.educapsico. quando comparada com padrões estabelecidos e desenvolvida por meio de treinamento. Há basicamente dois tipos de competências organizacionais: as básicas. Outro modelo de gestão por competência é apresentado por Brandão (2001) que consiste em estabelecer as metas e os objetivos a serem alcançados e em seguida. O conceito de competência também pode ser aplicado à equipe de trabalho e à organização como um todo. As ações seguintes devem envolver a seleção.br questão. referindo-se à capacidade da pessoa assumir iniciativas. A gestão da qualidade hoje em dia. estará fora do mercado. habilidades. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 241 .

A gestão por competências é uma nova tendência da gestão de pessoas. aos conhecimentos tácitos (teóricos e empíricos) adquiridos pelo indivíduo ao longo de sua vida e. se valem de programas de trainees. para tal. como foi observado por Fischer: (a) captação de pessoas.com. (b) desenvolvimento de competências. Competências essenciais são segundo Hamel e Prahalad um Karina de O. visto que as empresas contam ainda com a possibilidade de desenvolver as competências essenciais dos indivíduos. as empresas buscam por pessoas que tenham um nível educacional elevado e. e (c) remuneração por competência. A rede de conhecimentos em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e com isso gere competência aplicável. visando adequá-las às necessidades organizacionais.educapsico. visando adequar as competências necessárias às estratégias de negócio formuladas. Para tratar a competência no plano das organizações é preciso considerar duas outras di mensões. encontra-se associada na tarefa que este indivíduo desempenha. visto que os conheci mentos e o know-how não adquirem status de competência. Esta nova forma de gestão. portanto. considerados fundamentais para atrair novos talentos. na prática.br A competência não se limita. que é uma prática utilizada por empresas preocupadas em resguardar parte do conhecimento tácito de seus colaboradores e mantê-los nas organizações. nacional ou global) e (b) visão estratégica. Alguns autores mostram que as competências são sempre contextualizadas. regional. a não ser que sejam comunicados e trocados. desenvolve as seguintes atividades. que vem servindo para que empresas implantem novas formas de remuneração de seus empregados. remuneração variável e remuneração baseada nas competências desenvolvidas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 242 . Diferencia-se uma competência essencial de uma habilidade verificando o valor percebido pelos clientes. dentre elas: participação nos resultados. ligadas às transformações que o mundo dos negócios vem sofrendo: (a) âmbito de atuação da organização (local. muito menos. através das mais diversas práticas.www.

E a partir desses dados a empresa poderá realmente conhecer seu potencial humano. em alguns casos pode-se formatar um programa. Esses resultados têm quatro vertentes: financeiros.www. formar pequenos grupos para trabalhar nesse desenvolvimento de uma forma Karina de O. porque a estratégia acaba definindo aonde se quer ir. como quero me diferenciar. Definir e desenvolver competências As competências são definidas e desenvolvidas em uma empresa de acordo com seus objetivos e necessidades de mercado. mas que não são suficientes para manter a sua posição competitiva no mercado. além do levantamento dos recursos que a empresa dispõe (capitais do conhecimento). pela diferença operacional de seus produtos. Mapear as competências essenciais e individuais da organização torna-se vital para garantir a sobrevivência das organizações. com clientes de mercado. Definida a estratégia. e também uma proposta de agregação de valor. por sua vez. Para desenvolver competências. ou seja.com. é preciso estabelecer os resultados que se quer alcançar. de processos internos que é preciso ter. e o que é preciso aprender para fazer tudo isso. em outros. é formada por todas as capacidades necessárias à existência da organização. Baldicero e Figueiredo propõem a seguinte definição para competência essencial: “uma competência essencial é uma combinação de habilidades complementares e conhecimentos embutida em um grupo ou time que resulta na habilidade de executar um ou mais processos críticos num padrão classe-mundial”. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 243 . Toda origem das competências deve surgir de uma definição clara da estratégia. FLEURY e FLEURY (2001) afirmam que a definição das competências essenciais de uma organização está intimamente relacionada com a estratégia de negócio que a empresa adota.br grupo de habilidades que permitem às empresas entregar um benefício fundamental aos seus clientes. A competência básica.educapsico. ou seja. De acordo com os resultados visados. e que competências são necessárias para desenvolver esse desempenho. pelo grau de intimidade que tenho com os clientes. é preciso definir o desempenho necessário para alcançá-los.

não compartilhado. Alguns indicadores podem ser usados como ferramenta gerencial para avaliação e desenvolvimento da gestão de competência. o excesso aderente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 244 . dividido em grupos como: Indicadores com foco na unidade organizacional Nesse grupo estão presentes.com. porém há sempre um processo de aprendizado nele. entre outros. escondido. às vezes. A empresa tem de verificar se o conhecimento necessário se encontra dentro dela.br muito mais emergente e informal. Esse grupo serve para as análises comparativas da situação de conhecimento de cada unidade organizacional através de uma abordagem por processos. Indicadores de competências Os investimentos realizados com os recursos humanos sempre se desdobrarão em melhorias à execução dos processos da organização. ou se vai ter de buscá-lo no mercado. ou aplicado apenas em um setor. o conhecimento operacional. a necessidade.www. remuneração e demissão de pessoal. Assim. O programa de desenvolvimento de competências vai mostrar como fazer para que esse conhecimento passe a ser compartilhado pela população-alvo. Indicadores com foco no conhecimento Karina de O. o processo de gestão de competências não se transforma necessariamente em programas de capacitação. de recolocação horizontal e vertical de pessoal de contratação. o excesso extra de conhecimento e o percentual de cobertura da árvore de conhecimento necessário. Os conhecimentos necessários em uma organização podem ser mapeados com base na modelagem dos processos da mesma.educapsico. possibilitando a geração de um “mapa” de conhecimentos que representam uma parte relevante da competência requerida. fornecendo insumos para elaboração de programas de treinamento.

A geração de indicadores não é por si só suficiente para gerar melhorias para a empresa. Modelo de competências O modelo das competências profissionais começa a ser discutido no mundo empresarial a partir dos anos oitenta. como acontece nos sistemas tradicionais.com. Esse sistema de remuneração passou a ser interessante em função de diversos fatores como o crescimento do setor de serviços na economia. comportamentos e atitudes que os profissionais deveriam possuir para enfrentar a nova realidade e desempenhar melhor suas funções.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 245 . Remuneração por competência As remunerações por competência são diretamente vinculadas a um processo de certificação. implantação de sistemas mais flexíveis e redução de estruturas hierárquicas rígidas e popularidade do conceito de competência. procurando identificar os conhecimentos. nos países centrais. No modelo de competências importa não só a posse dos saberes disciplinares escolares ou técnico Karina de O. no qual o empregado necessita demonstrar sua competência. no contexto da crise estrutural do capitalismo que se configura.www.br Este grupo muda o foco das unidades organizacionais para o conhecimento em si. no início da década de setenta. É preciso que a gestão de competências seja um incentivador da criação de conhecimentos pelos profissionais da empresa. devem ser utilizados para aquisição de um conjunto de percepções e entendi mentos globais a respeito da organização. por sua vez. bem como a utilização das mesmas no dia-a-dia. Diante desse contexto várias empresas iniciaram seus estudos para que a remuneração fosse de acordo com as competências. aumento da demanda de profissionais qualificados. ajuda a organização melhor focar sua missão e consequentemente atingir seus objetivos. não está vinculado à promoção. Se utilizada com eficácia. englobando diversos setores da organização. a remuneração por competência. necessidade de conhecimento intensivo nas empresas em geral. O uso de aumento de salário. além de recompensar os funcionários pelo valor que agregam aos seus cargos.

O modelo das competências remete. que assume um caráter mais intelectualizado. assumem extrema relevância.com. também. participação e autonomia para o planejamento. uma maior polivalência do trabalhador. avaliar todos os itens de prós e contras na gestão de competências. pois não basta só pensar nos rendi mentos da empresa. novo tipo de compromisso no que concerne à mobilidade interna. a possibilidade de construir competências coletivas a partir do trabalho em equipe. mas a capacidade de mobilizá-los para resolver problemas e enfrentar os imprevistos na situação de trabalho. A adoção do modelo das competências no mundo do trabalho traz. implicações contraditórias para o trabalhador.www. independente de títulos ou diplomas. pode-se apontar. assim. Os componentes não organizados da formação. a valorização dos saberes em ação. execução e controle dos processos produtivos. O modelo de competências implica em novas práticas de recrutamento. no entanto. do enfrentamento cada vez maior de responsabilidades no trabalho sem a contrapartida do aumento do salário ou da estabilidade no emprego e de ambientes de trabalho extremamente competitivos e individualistas. assumir diferentes funções e tornar-se multiqualificado.br profissionais. às características individuais dos trabalhadores. positivamente. da inteligência prática dos trabalhadores.educapsico. alto índice de stress. Ressalta-se. como aspecto positivo. que permite lidar com diferentes processos e equipamentos. A implantação de um modelo de competências também traz consigo alguns pontos negativos nos empregados. mas também no Karina de O. Por isso cabe à empresa. maior comunicação. menos prescritivo. tais como uma busca incansável de ser o melhor. como as qualificações tácitas ou sociais e a subjetividade do trabalhador. a valorização do trabalho. demandando novas exigências de qualificação do trabalhador e a elevação dos níveis de escolaridade. da intensificação e expansão da jornada de trabalho. insistência inédita na “responsabilização” dos assalariados e na questão da modificação dos sistemas de classificação e de remuneração. ansiedade decorrentes do medo da perda do emprego das relações de trabalho inseguras. Por um lado. exigindo a mobilização de competências que envolvem domínios cognitivos mais complexos e que vão além da dimensão técnica. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 246 .

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 247 . de forma a haver a compatibilização entre estas realidades e a superação ou redução dos diferenciais encontrados. que também.com. além de haver uma maior responsabilidade pelo processo de aprendizagem. No escopo da gestão do conheci mento. as competências inerentes aos cargos devem ser identificadas e comparadas com aquelas competências existentes na força de trabalho. denominado de “gestão de talentos”). Assim.br bem-estar das pessoas que ali trabalham. b) a criação de um “banco de talentos”. que permita identificar conhecimentos. Gestão de recursos humanos. sendo necessário que esteja em perfeita sintonia com a estratégia organizacional. “gestão de competências” é a expressão utilizada para promover a integração entre as atitudes. mas estão associadas a organizações e sistemas tradicionais. possibilite estabelecer diretrizes para a alocação de pessoas aos grupos de trabalho (este tipo de atividade é. tornam-se preponderantes: a) o desenvolvimento de um programa de capacitação que proporcione uma maior adequação ou que elimine os diferenciais existentes entre as competências desejadas (ideais) e as competências apresentadas (reais). O gerenciamento baseado em competências representa uma mudança cultural em direção a um maior senso de responsabilidade e autogestão dos funcionários. habilidades e potenciais na equipe de colaboradores e. usualmente. gestão de pessoal e gestão de pessoas ainda são expressões largamente difundidas. as habilidades e os conhecimentos necessários para que as pessoas alcancem resultados diferenciados. Se os conhecimentos. quanto por parte dos colaboradores. de modo a que seja iniciado um processo de negociação entre gerentes e equipes. e. Karina de O. onde os processos de capacitação e de treinamento não estão atrelados à obtenção de melhores resultados organizacionais e/ou à satisfação das pessoas.educapsico.www. Deve ser encarada como parte de um sistema maior de gestão organizacional. em uma organização que busca melhores níveis de desempenho. tanto por parte do gerente. as habilidades e as experiências dos indivíduos que compõem uma organização são essenciais à melhoria do desempenho e à difusão de práticas inovadoras. A gestão de competências é uma ferramenta muito importante para a gestão de recursos humanos.

e assumirem que a função ou a responsabilidade pelos processos de aprendizagem extrapola os departamentos de treinamento e de capacitação e torna-se um imperativo para as ações gerenciais das organizações modernas.br Aprendizagem contínua As constantes e rápidas mudanças nas tecnologias e nos desafios com que se deparam as organizações exigem competências e habilidades cada vez mais distintas dos trabalhadores e é consenso.www. as organizações devem buscar soluções (integradas com o conceito de gestão de competências.learning ( via Internet ). as ferramentas mais utilizadas para o desenvolvimento de ações voltadas à aprendizagem contínua e à construção de um processo de educação organizacional estão baseadas na instituição das “Universidades Corporativas”. bem como no desenvolvimento de portais corporativos onde o intercâmbio de informações e conhecimentos sirva como facilitador e catalisador de inovações e de geração de novos conhecimentos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 248 . Esse é um ponto crucial: se as equipes não tiverem capacidade de aprender. assim como no uso intensivo das facilidades tecnológicas embutidas nas práticas de ensino à distância ( EAD ). pois as equipes. Desta forma. apresentado acima) para o desenvolvimento de ferramentas e métodos de aprendizagem individuais e coletivos. o fato de que o melhor profissional é aquele que “sabe aprender” ou que “está continuamente aprendendo”. na disseminação de bases de dados com as “melhores práticas” ( best practices ) e as “lições aprendidas” ( lessons learned ). Portais corporativos Karina de O. a organização não o terá.educapsico. Hoje em dia. conforme a disciplina ou o processo de aprendizagem em equipe é vital. Entretanto. no e .com. e não os indivíduos são a unidade de aprendizagem fundamental nas organizações modernas. atualmente.

atividades. ao integrarem os fluxos de dados. De forma a serem reconhecidos como legítimos portais corporativos. e) “permitir a criação de níveis mais profundos de colaboração entre os funcionários”. os portais de conhecimento corporativo são a nova cola para dar apoio à transformação fundamental nos atuais modelos organizacionais e naquelas atividades intensivas em conhecimento. quais sejam. b) conectar os indivíduos às fontes de informação. também podem ser utilizados como ferramenta de apoio à mudança da cultura das organizações.com. unificando os ambientes de pesquisa. incentivando a colaboração e o compartilhamento de experiências e conhecimentos.www. f) “fomentar a criação e a reutilização do conhecimento explícito e a localização de pessoas que podem aplicar seu conhecimento tácito em situações específicas”. e promoverem o aumento da capacidade de solução de problemas e/ou de geração de inovações no interior das organizações. remodelando as formas de organização do trabalho e de capacitação. Além disso. assim como são os provedores de um ambiente tecnológico que permite a adequada gestão das informações e dos conhecimentos de uma organização. estes devem atender a determinados objetivos específicos. assim como redesenhando hierarquias e estruturas.educapsico. os de: a) integrar o uso de aplicativos e bases de dados informatizadas. organização e divulgação e/ou publicação das informações e do conhecimento necessário às organizações. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 249 . informações e conhecimentos. d) automatizar e aperfeiçoar os ciclos de decisão dos trabalhadores do conhecimento. c) “permitir a personalização do acesso à informação”. e. processos.br De forma distinta dos portais comerciais e de acesso à Internet. os portais corporativos. relacionamentos.

Avaliar pressupõe o estabelecimento de critérios de avaliação. o ‘o que?’.H. promoções e bonificações.www. Saber os requisitos de competências para cada posição nos processos da empresa possibilita entender a adequação de cada colaborador a sua função. ela tem em mãos um poderoso ferramental para promover a melhoria de seus colaboradores. alinhando isto aos requisitos de suas funções. a política..A. Só tendo critérios. já que ele exige um complemento. Empresas que desejam estabelecer uma cultura de avaliação e aperfeiçoamento contínuo de seus funcionários devem.educapsico. a Avaliação 360º mostra-se como a ferramenta mais adequada. Avaliar o quê? Os valores.. através de um trabalho conjunto do RH e os outros departamentos. dentro do processo da empresa. a gestão de competências tem ganhado cada vez mais espaço no ambiente corporativo. Só assim é possível definir a tríade CHA que cada funcionário (ou grupo destes) necessita.) abrange o profissional em todos os aspectos de sua atuação.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 250 . é possível avaliar. Habilidades e Atitudes (C. Quando a empresa consegue entender quais elementos da tríade CHA necessita para atingir suas metas. em função destas competências. além de treinamentos específicos. quais são as competências que ela deseja que seus funcionários tenham. aliada a um mapeamento das competências que estes exigem. que permeia todas as atividades organizacionais. descobrir. Habilidades e Atitudes de cada colaborador. estabelecendo critérios claros para avaliação. pri meiramente.br Enfim. pois ela obtém informações sobre um funcionário de diversas fontes internas e externas. os talentos. Ela leva em conta o fator humano. que visem melhorar o desempenho individual. tornando possível mapear as pessoas da organização. O sucesso na implementação deste tipo de gestão depende de uma metodologia de estudo de processos. Karina de O. A gestão de competências permite o contínuo aperfeiçoamento dos Conhecimentos. os lucros. Neste escopo. A tríade formada por Conhecimentos. Avaliação por competência Avaliar é um verbo transitivo.

O dicionário Houaiss mostra a expressão como originária de 1950. Karina de O. com a chegada das primeiras multinacionais ao Brasil.br As competências desejadas em uma empresa são únicas. tendo um diferencial para que a empresa consiga suprir as necessidades que não mais os clientes e sim os consumidores exigem hoje em dia. subordinados e clientes. sua cultura. traçar um plano de metas. seus clientes.com. O que se faz com o resultado de uma avaliação? Ela deve servir de base para a elaboração de um plano de melhorias. subordinados e clientes.educapsico. Cada competência envolve habilidades que o empregado deve possuir.d. não coincidentemente. Avaliação 360° O termo feedback figura no vocabulário empresarial há alguns anos.www. Mapeamento de perfis profissionais por competências. em que o funcionário é avaliado por seus pares. seus pares. é fundamental que o avaliado utilize o feedback para individualmente e junto de sua chefia. s. contudo além da tecnologia de maquinário é preciso investir na capacitação de seus funcionários. Avaliação de potencial e banco de talentos. A ideia é de uma opinião em resposta a um estímulo. pois elas devem estar diretamente relacionadas com o tipo de atividade que ela desenvolve. Hoje em dia as empresas se preocupam mais com a capacitação de seus funcionários para que os mesmos tenham um melhor desempenho em suas funções. como por exemplo. e ressalta a importância do resultado deste tipo de processo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 251 . em que um funcionário é avaliado por sua chefia. uma avaliação. chefia. seus produtos/serviços.). Gasta-se muito dinheiro com maquinários e tecnologia. Ou seja. No caso de uma Avaliação 360º. para alcançar um melhor desempenho desses com suas funções dentro da empresa (GRAMIGNA. O método de avaliação mais eficiente para isto é a Avaliação 360º. suas metas e planejamento futuro. Ou seja. ela deve indicar tendências futuras.

como cumprimento de objetivos e escolha dos profissionais para suas funções mais relativas a eles. é preciso analisar desempenhos e competências em potencial.com. Há diversas formas de analise e cada uma tem suas vantagens e desvantagens. realizando dinâmicas. O banco de talentos contribui para que os funcionários trabalhem da melhor maneira possível em seus respectivos cargos.www. É possível e desejável que se busque objetivos dentro da empresa junto aos funcionários. o banco de talentos permite que haja uma melhor análise dos funcionários de uma empresa em relação às suas necessidades. Para que haja uma melhor análise feita a partir do banco de talentos. elaboração de planos de treinamento e dentro desses planos de treinamento buscar ocupar mais vagas onde há déficit. A avaliação dos funcionários pode ser realizada de maneira Tecnocreática. Assim.br Nessa direção. no qual possam vir a desempenhar de forma melhor a partir do que mais são competentes e capacitados a realizar. vivências.d.). jogos.). apresentando nesta todas as funções e analises de seus funcionários com suas respectivas funções correspondentes e com suas competências.). Nesse sentido. a empresa e o funcionário podem conseguir ter um melhor desempenho (GRAMIGNA.d.educapsico. ter assertividade com relação a recolocação dos indivíduos com base em suas competências(GRAMIGNA. a empresa é recolocada em termos de funções de seus funcionários (GRAMIGNA. aproveitar funcionários para formação de equipes para que eles consigam empregar funções mais rapidamente e de forma mais completa com menos esforço. s. s. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 252 . Fica a mercê da empresa selecionar o que quer usar e extrair o melhor de cada opção oferecida em conjunto com suas probabilidades (GRAMIGNA. s. realizando uma análise de forma a separar cada indivíduo em sua analise. s.d. e estes integrados ao todo. Dentro dessas atividades Karina de O.d. discussões orientadas e debates que poderá ser comparado com as outras formas de estratégia empregadas. Contudo. Pode-se usar uma tabela para análise de desempenhos e competências em potencial. é preciso reunir um numero satisfatório de instrumentos e estratégias levando o consultor a ter uma metodologia o mais completa possível e desta forma coletar um número satisfatório de informações para realizar um mapeamento dos funcionários.).

pode-se indicar um valor maior na criatividade. 3. o qual recebe vários recursos externos é a partir disto que este subsistema receberá seus suprimentos. comunicação. s.d. Quando há uma analise ótima do banco de talentos e as informações são bem utilizadas. Recrutamento e seleção de pessoal: planejamento. oferecer aos funcionários treinamento e desenvolvimento para que busquem melhorar suas competências e ampliar os seus domínios sobre elas e aqueles que de certa forma não se sentirem recolocados em suas funções devem receber uma vigilância maior para que se não desempenharem a função de forma esperada busque-se uma recolocação novamente e analisados novamente para que haja o realinhamento (GRAMIGNA.com.d.br tecnocreáticas os funcionários demonstram de forma mais naturalística suas deficiências e competências (GRAMIGNA. Portanto.www. Karina de O.d. s.d. relação interpessoal. instigando e estimulando a busca de novas competências nas quais eles foram designados. técnicas.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 253 . Os suprimentos para o departamento de Recursos Humanos são as pessoas que virão trabalhar junto à empresa advindas do mercado de trabalho. O domínio de uma competência pelo indivíduo representa um potencial quando usado de forma correta e com criatividade (GRAMIGNA. há um grande benefício competitivo e há também um melhor emprego e fixação de seus funcionários a empresa (GRAMIGNA.). Algumas formas de empregar o banco de talentos após a análise dos funcionários é colocando-os em projetos e funções desafiadoras e significativas. é preciso tais empresas devem indicar em quais valores se apoiam para a recolocação de seus funcionários.d. liderança.). por exemplo. Para isso. Seleção por competências. as empresas devem caracterizar seus âmbitos de atuação de forma a realizar a relocação de funcionários e oferecer um emprego de desenvolvimentos e treinamentos para os mesmos.). avaliação e controle de resultados.). liderança e negociação entre outras (GRAMIGNA. s. s.). s. Subsistema de Suprimento Entendendo a organização como um sistema aberto.

www.educapsico.com.br Para Chiavenato: “Mercado de trabalho é o conjunto das ofertas de trabalho oferecidas pelas empresas em certa época e em determinado lugar. Mercado de Recursos Humanos é o conjunto de indivíduos aptos ao trabalho em certa época e em determinado lugar.” (CHIAVENATO, 1988, p. 105).

Portanto estes “dois” mercados atuam em conjunto, sendo que um, o mercado de trabalho, oportuniza as vagas e postos de trabalho e o outro, mercado de recursos humanos, fornece a mão de obra para aquelas oportunidades em aberto. Um aspecto importante que ocorre, já no universo organizacional, é a rotatividade de pessoas. Esta rotatividade também é conhecida como “turn-over” é mais uma questão de interação organização-ambiente. A rotatividade ou rotação de pessoas é a flutuação de pessoal entre o ambiente e a organização. Em resumo o número de pessoas que ingressa na organização e o número de pessoas que se desliga ou é desligado dela. Este fenômeno gera um índice de rotação de pessoal. Este índice é obtido em uma relação entre o percentual da entrada e da saída de trabalhadores da organização. O índice de rotação deve ser estudado para cada organização, pois não há como identificar um índice ideal, assi m, cada organização tem um valor para a análise própria. O que normalmente ocorre é que um índice de rotação muito elevado indica que existe uma rotatividade alta de pessoas na organização, o que pode indicar pouca capacidade de retenção de pessoal. Em contrapartida um índice que tendesse a zero, o que na realidade é pouco provável de ocorrer, pode indicar que a organização está totalmente paralisada e endurecida quanto ao seu crescimento e desenvolvimento organizacional. Recrutamento é a maneira pela qual a organização vai ao mercado de trabalho oportunizar vagas. Quer dizer a partir do recrutamento a empresa expõe ao mercado as vagas que tem disponíveis em sua organização e que perfil de profissional poderá ocupar estas vagas. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 254

www.educapsico.com.br As fontes de recrutamento de pessoas são “os locais” nos quais os recursos humanos, para as organizações, serão obtidos. No recrutamento a organização irá identificar, selecionar e manter fontes de recrutamento para futuras seleções deste tipo (CHIAVENATO, 1988). O recrutamento pode ser feito de três maneiras: interno, externo e misto. Cada qual com suas peculiaridades, vantagens e desvantagens. Recrutamento Recrutamento interno O recrutamento interno é realizado quando surge uma vaga na empresa e esta tenta preenchê-la através de um remanejamento de seus colaboradores. Isto pode ocorrer quando o funcionário é promovido (movimentação vertical) ou transferido (movimentação horizontal) ou até mesmo transferido com promoção (movimentação diagonal). Esta forma de recrutamento tem algumas vantagens como: poder ser uma fonte de motivação para os funcionários, o aproveitamento dos treinamentos que o colaborador já fez, não há um gasto econômico tão alto, pois não existe a necessidade de captação de pessoas fora da organização. Algumas desvantagens seriam o desenvolvimento dos colaboradores para receberem promoções, conflitos de interesses dentro da organização. Ás vezes explicar algumas formas de promoção dentro da instituição torna-se complexo ao ponto dos profissionais de cargos mais altos poderem boicotar o desenvolvimento de seus subordinados devido à possibilidade de superação destes em relação aos seus cargos. Recrutamento Externo Esta modalidade de recrutamento é utilizada para a captação de pessoas de fora da organização. Através de abordagens em fontes de captação de pessoas é que se dá este tipo de recrutamento. Estas abordagens podem ser diretas (contato empresamercado) ou indiretas (contato indireto da empresa com o mercado). Como principais técnicas de abordagem para o recrutamento externo temos: a consulta a banco de dados de candidatos, indicações de possíveis perfis, cartazes nos Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 255

www.educapsico.com.br portões da empresa, contato com sindicatos, outras empresas, escolas universidades e associações de classes para captação de candidatos, anúncios em jornais e revistas e agências de recrutamento. As vantagens do recrutamento externo são no sentido de renovação de idéias e experiências que as “pessoas de fora” podem trazer a organização, aproveitamento de investi mentos de treinamentos e desenvolvimento que estas pessoas já trazem de outras empresas. Todavia as desvantagens também existem a frustração dos funcionários que por ventura foram privados de mudanças de cargo e/ou promoções, a política salarial pode sofrer alterações devido à influência de políticas praticadas em outras empresas. Recrutamento Misto Nada mais é que a união dos dois recrutamentos apresentados anteriormente. As empresas geralmente utilizam essa forma de recrutamento, captando pessoas interna e externamente para a realização de seus processos seletivos. Esta modalidade de recrutamento pode ser realizada tanto com o recrutamento internos antes do externo, quanto com o recrutamento externo anteriormente ao interno e os dois tipos de recrutamento ocorrendo concomitantemente.

Seleção de Pessoas Após a realização do recrutamento para a captação de candidatos a vaga aberta na organização passa-se a fase de seleção de pessoas. É o momento de escolha de um candidato, restringindo-os e chegando a um número cada vez mais reduzido até a escolha, apresentação de proposta e contratação deste candidato. A seleção ocorre em fases. Após a triagem de candidatos são aplicadas técnicas para identificar o candidato mais adequado ao cargo ou que poderá ter melhor desempenho neste cargo.

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www.educapsico.com.br A seleção de pessoas utiliza para identificar o candidato mais próximo ao perfil, técnicas de entrevistas de seleção, prova de conhecimento ou de capacidade, testes psicométricos, de personalidade e técnicas de dinâmica de grupo e simulação. Cada uma destas técnicas deve ser escolhida de acordo com o que se exige para o cargo, o tipo de empresa e as condições para a realização desta seleção. Dentre as formas de avaliação temos as entrevistas que é, ainda, o instrumento mais utilizado para a seleção de pessoas. Também os testes escritos são uma ferramenta bastante utilizada. Segundo ROBBINS (2009), esta forma de avaliação teve seu uso reduzido a partir do fi m da década de 1960, porém houve uma retomada deste tipo de avaliação cerca de 20 anos depois. Estas avaliações atualmente buscam identificar no sujeito fatores como confiabilidade, atenção, responsabilidade e honestidade. A partir de evidências é possível prever comportamentos de roubo, problemas disciplinares, por exemplo. Os testes de simulação de desempenho fortemente utilizados hoje são aqueles que colocam o candidato para realizar atividades referentes ao trabalho que irá executar caso ingresse na empresa que o está testando. Comumente são utilizadas duas técnicas como mostra ROBBINS (2009), uma chamada de amostragens de trabalho, mais utilizada para avaliar trabalhos rotineiros e a outra chamada de centros de avaliação para cargos mais administrativos. Para os testes de amostragens de trabalho, como o próprio nome sugere são feitas simulações do trabalho como um todo ou de parte dele para saber qual a capacidade do candidato. Já os centros de avaliação são realizados de modo que o candidato é submetido a diversas provas e testagens sendo avaliado por uma equipe de profissionais que irão avaliar como este sujeito supera situações de dilemas da posição que está buscando.

Seleção por competências Este tipo de seleção utilizado largamente pelas organizações atuais traz vantagens para a escolha do profissional. Este método parte das necessidades técnicas e Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 257

www.educapsico.com.br comportamentais que o cargo exige. A partir daí é elaborado um perfil comportamental, no qual as competências necessárias para este cargo serão elencadas. As avaliações como dinâmicas, entrevistas são realizadas a partir do pressuposto de que o comportamento passado prediz o comportamento futuro, como citado em RABAGLIO (2001). Isto quer dizer que tendo como base o que a pessoa já executou em sua carreira. O que o candidato responder deve satisfazer três quesitos obrigatoriamente para ser analisado: 1 – Contexto: Em qual contexto ocorreu à determinada situação. 2 – Ação: Qual ação foi realizada pelo sujeito. 3 – Resultado: O resultado atingido pela ação realizada dentro do contexto descrito. Com estes dados em mãos o avaliador passa a comparar os perfis selecionados para realizar a escolha. Este tipo de seleção carrega consigo vantagens em relação aos métodos tradicionais, pois, possui mais foco e objetividade, tem uma sistematização e planejamento, traz maior garantia no momento da contratação em conseqüência diminui o turnover, e assim custos com novas contratações.

4. Análise de cargo: objetivos e métodos. A Descrição de cargos é um processo que consiste em enumerar as tarefas ou atribuições que compõem um cargo e que o torna distinto de todos os outros cargos existentes na organização. Ela consiste no detalhamento das atribuições ou tarefas do cargo (o que o ocupante faz), a periodicidade da execução (quanto faz), os métodos empregados para a execução dessas atribuições ou tarefas (como faz) e os objetivos do cargo (porque faz). É, portanto, basicamente, um levantamento escrito dos principais aspectos significativos do cargo e dos deveres e responsabilidades envolvidas (Chiavenato, 2002). Feita a descrição, segue-se a análise do cargo. Em outros termos, identificado o conteúdo do cargo (aspectos intrínsecos), passa-se a analisar o cargo em relação aos aspectos extrínsecos (requisitos que o cargo impõe ao ocupante) (Chiavenato, 2002). Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 258

www.educapsico.com.br O autor ressalta que enquanto que a descrição se preocupa com o conteúdo do cargo a analise pretende estudar e determinar os requisitos qualitativos,

responsabilidades envolvidas e as condições exigidas pelo cargo, para seu desempenho adequado. É através dessa análise que os cargos serão posteriormente avaliados e devidamente classificados para efeito de comparação. Geralmente, a análise de cargos concentra-se em quatro áreas de requisitos quase sempre aplicadas a qualquer tipo ou nível de cargo, são eles (Chiavenato, 2002): - Requisitos mentais: envolvem instrução essencial; experiência anterior essencial; adaptabilidade ao cargo; iniciativa necessária; e aptidões necessárias. - Requisitos físicos: envolvem esforço físico necessário; concentração visual; destreza ou habilidade; e compleição física necessária. - Responsabilidades: envolvem supervisão de pessoal; material, ferramenta ou equipamento; dinheiro títulos ou documentos; contatos internos e externos; e informações confidenciais. - Condições de trabalho: envolvem ambiente de trabalho e riscos. Métodos de descrição e análise de cargos Segundo Chiavenato (2002), os métodos mais amplamente utilizados para descrição e análise de cargos são:

- Observação Direta: é efetuado através da observação direta e dinâmica do ocupante em pleno exercício de suas funções enquanto o analista de cargos registra os pontoschave de sua observação na folha de análise de cargos. É o método mais aplicável aos trabalhos que envolvam operações manuais ou aqueles que tenham caráter simples e repetitivo. Como nem sempre produz todas as respostas e, na maioria das vezes, dissipa muitas dúvidas, é aconselhável que este método seja utilizado em combinação com outros métodos, como a entrevista, por exemplo. Neste método tem-se a participação ativa do analista de cargos na colheita de dados, e uma participação passiva do ocupante. Dentre as vantagens da observação direta podemos destacar a veracidade dos fatos e a não paralisação do ocupante no cargo. Porém, o custo elevado (tempo prolongado do trabalho do analista de cargos) e o não contato direto e verbal com o Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 259

sem afetar o tempo e as atividades dos executivos. Nesse método temos a participação ativa do ocupante enquanto a participação do analista de cargos é passiva. Tem-se nesse método uma participação ativa na colheita de dados. por escrito.com.br executante do cargo. Assegura uma interpretação face-a-face entre analista e empregado que permite a eliminação de dúvidas. pois. é contra-indicado para aplicação em cargos de baixo nível nos quais o ocupante tem dificuldade de interpretar as questões e/ou de responder por escrito. e também. e sobre os “porquês” e “quando”. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 260 . Os métodos mistos mais utilizados são: questionário + entrevista. ambos com o ocupante do cargo. o mais abrangente. solicitando aos executantes do cargo que preencham um questionário de análise do cargo respondendo. .Métodos mistos: Para neutralizar as desvantagens e tirar o maior proveito possível das vantagens. É o método mais econômico da análise de cargos. a opção é utilizar métodos mistos. tanto do analista quanto do ocupante do cargo. Além disso. A desvantagem está no fato de seu custo operacional ser elevado (exige analistas experientes e a paralisação do trabalho do ocupante). Uma das vantagens desse método é a possibilidade de discutir e aclarar todas as dúvidas. Karina de O. ele não tem contra indicação. todas as indicações possíveis sobre o cargo.www. . são algumas das desvantagens que podem ser apontadas. que podem afetar a obtenção de dados realmente importantes para a análise. pode ser aplicado a qualquer tipo ou nível de cargo. O questionário deve ser feito sob medida para permitir as respostas corretas e obter informação utilizável.educapsico. ideal para analisar cargos de alto nível.Entrevista Direta: é o método mais produtivo e flexível. questionário com o ocupante + entrevista com o superior. Mas. Um pré-requisito do questionário é submetê-lo anteriormente pelo menos a um ocupante e seu superior. sobre a natureza e a sequencia das várias tarefas componentes. que são combinações ecléticas de dois ou mais métodos. pode obter informações sobre todos os aspectos do cargo. . para sentir a pertinência e adequação das perguntas. sobre o seu conteúdo e sobre suas características. e eliminar os detalhes desnecessários e as distorções. quando bem estruturada.Questionário: a análise é feita.

redação provisória da analise de cargo. Karina de O. . questionário + observação direta do ocupante. colheita de dados prévios. pois. seleção dos fatores de especificações a serem utilizados na análise. Os usos dos resultados da descrição e análise de cargos são amplos: recrutamento e seleção de pessoal. A escolha dessas combinações deve considerar as particularidades de cada empresa. Avaliação de perfil comportamental: teorias.educapsico. dimensionamento dos fatores de especificação. os cargos constituem a base fundamental para qualquer programa de RH. um programa de análise de cargos envolve três fases: . ambos com o superior. projeto de equipamentos e métodos de trabalho. questionário com o superior + observação direta do ocupante.Preparação: recrutamento.www.br questionário + entrevista. seleção e treinamento dos analistas. definição de programas de treinamento.Planejamento: determinação dos cargos a serem descritos. avaliação de cargos. 5. preparação do material. graduação dos fatores de especificação. triagem de dados obtidos.com. observação direta do ocupante + entrevista do superior. apresentação da redação provisória ao supervisor imediato do cargo para ratificação. redação definitiva. apresentação da redação definitiva para aprovação final. De acordo com Chiavenato (2002). identificação de necessidades de treinamento. elaboração do cronograma de trabalho. planejamento da força de trabalho. Quase todas as atividades de RH baseiam-se em informações proporcionadas pela análise de cargos. elaboração do organograma de cargos. . Os objetivos da descrição e análise de cargos são muitos. escolha dos métodos de análise a ser aplicado. métodos e técnicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 261 . preparação do ambiente.Execução: colheita de dados sobre os cargos.

finalidade. Sobre os testes que podem ser utilizados para a avaliação do perfil comportamental veja o item seguinte dessa apostila. levantamento. sendo assim. 6. Instrumentos psicológicos . o que torna esta lista sempre mutável.com. É importante ressaltar que esta unidade não esgota a totalidade de testes existentes. tipo de aplicação. em psicométricos ou projetivos. porém. Assim.br Através do perfil comportamental do indivíduo se pode chegar a suas características pessoais podendo assim apresentar diretrizes profissionais compatíveis com a capacidade de desenvolvimento do mesmo. Existem diferentes formas de se classificar os testes psicológicos.testes projetivos. o que se observa é que algumas destas alterações aparentam-se sutis. Os métodos de avaliação comportamental consistem em testes psicológicos. como é o caso da alteração da edição do teste ou este ser o modelo Karina de O. elaboração de laudos e tabelas. cognitivos. inventários aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia: fundamentos. análise. principalmente pelo fato de o Conselho Federal de Psicologia (CFP) sempre realizar avaliações a respeito da validação destes testes. a avaliação do perfil comportamental pode contribuir para uma maior qualidade e produtividade do funcionário. esta avaliação fornece diretrizes sobre o caminho que o sujeito deve seguir dentro de sua profissão. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 262 . mas são de extrema relevância. que por si é uma padronização da amostra do comportamento do indivíduo. já que cria uma motivação que antes do perfil comportamental ser traçado não existia.educapsico. Sobre esse tópico ver item 1. tem-se a necessidade de consultas freqüentes ao site do conselho para averiguação dos testes aprovados por este. e em cada uma delas o resultado apresentado parecer ser semelhante ao anterior. As necessidades e competências do indivíduo tem que ser levadas a sério. correção. pois. Muitas vezes ocorre de um teste passar por esta avaliação diversas vezes. aplicação. 2 e 3 do tópico II MODELOS E PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS dessa apostila.www. etc. e devido a isto. Nesta apostila optou-se por dividir os testes pelo método.

psicomotricidade.br/satepsi) você poderá acessar a lista dos testes aprovados para utilização. c) Forma de Resposta: Verbal. corrige com rapidez. biografias). Plano de Avaliação e Bateria de Testes Relembrando que o processo psicodiagnóstico parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação. Motor. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 263 . Nota: no site do Conselho Federal de Psicologia (www2. correção e interpretação dos dados.educapsico. Os testes que não constam na relação dos testes aprovados pelo CFP só podem ser utilizados para fins de pesquisa. b) Construto (processo psicológico) que Medem: Testes de capacidade intelectual (inteligência geral – Q. atitudes: valores. os testes podem ser divididos e subdivididos nas seguintes categorias: a) Objetividade e Padronização: Testes psicométricos e impressionistas. Karina de O. etc. é importante explorarmos um pouco o que seriam este plano de avaliação e as técnicas subjacentes a este.). Escrita: papel-e-lápis. etc. a forma de aplicação do teste.com. com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos. espacial. Teste de aptidões (inteligência diferencial: numérica. Testes de desempenho acadêmico (provas educacionais. produz registros legíveis em grande número e os trans mite à distância.www. digestivos. etc. enquadra de imediato o perfil nas tabelas de interpretação. Testes de aptidões específicas (música.pol. abstrata. Testes neuropsicológicos (testes de disfunções cerebrais. Via computador: Vantagens: apresentam em melhores condições as questões do teste. situacionais: observação de comportamento. mecânica. etc. Categoria dos Testes Segundo Gonçalves da Silva (S/D). Desvantagens: a interpretação dos resultados do perfil psicológico é mais limitada do que a realizada pelo psicólogo. e muitas vezes modificam.br revisado. neurológicos. verbal.).). Tais alterações podem modificar.). projetivos.). motiva os testandos ao interagir com o computador.I. interesses.org. Testes de preferência individual (personalidade.

cognitivos – permanentes ou temporários). esta informação não é suficiente. este plano só é estabelecido após entrevistas com o sujeito e/ou responsável (CUNHA. Por se acreditar que o uso de diferentes testes envolve a tentativa de uma validação intertestes dos dados obtidos. suas condições específicas (comprometimentos sensoriais. diminuindo assim a margem de erro e provendo um Karina de O. o plano de avaliação envolve a organização de uma “bateria de testes”. na maioria das vezes. O que irá confirmar ou refutar as hipóteses de modo mais seguro (CUNHA. sexo.). etc. Porém. 1995. programando a administração de alguns instrumentos que sejam adequados e especialmente selecionados para fornecer subsídios para se chegar às respostas das perguntas iniciais. que podem variar entre dois e cinco ou mais instrumentos. motores. uma vez que este sugere um objetivo para o exame psicológico. Por se considerar que nenhum teste sozinho conseguiria fazer uma avaliação abrangente da pessoa como um todo. 2000). Um dos fatores que podem colaborar com a escolha do material mais adequado para a investigação é o encaminhamento feito por outro profissional. esta é uma expressão usada para designar “um conjunto de testes ou de técnicas. Segundo Cunha (2000). A bateria de testes é utilizada principalmente por duas razões: 1. O plano de avaliação consiste então em traduzir as perguntas sugeridas inicialmente em testes e técnicas. Por isto. 2000).br Através do plano de avaliação. o psicólogo deve complementá-la e confrontá-la com os dados objetivos e subjetivos do caso. fatores situacionais (ex: medicação. procurase identificar quais recursos auxiliariam o investigador (neste caso o psicólogo) a estabelecer uma relação entre suas hipóteses iniciais e suas possíveis respostas (CUNHA. Como pode ser observado então.com. CUNHA. nível sociocultural.) (ARZENO. atendendo o objetivo da avaliação”. que são incluídos no processo psicodiagnóstico para fornecer subsídios que permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais. 2000). É importante ressaltar que a testagem de uma hipótese pode ser feita por diferentes instrumentos. etc. e que a opção por um específico deve levar em consideração os seguintes itens: características demográficas do sujeito (idade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 264 . internação. 2000).www. o qual se caracteriza por ser um processo. 2.educapsico.

e as não-padronizadas: mais comuns na prática clínica . 2000). tempo de administração. . Karina de O. 1995. Complementando. é o sujeito e não o teste. Lembrando-se que o mais importante. que auxiliam a realização de exames bastante específicos. Porém. como alguns exames neuropsicológicos.br fundamento mais embasado para se chegar a inferências clínicas (Exner. iniciando e terminando o processo com testes pouco ou não-ansiogênicos para o paciente. Quanto a isto. Cunha (2000) propõe que à medida que são apresentadas as técnicas projetivas. não se deve utilizar um número extensivo de testes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 265 . ao se organizar a bateria de testes. e quais as características e particularidades tanto do teste em si como de sua aplicação. E sua distribuição e seqüência devem ser consideradas levando-se em conta o tempo de aplicação. grau de dificuldade. 1980 apud CUNHA.www. e. que embora isto garanta maior segurança nas conclusões.a bateria de testes é selecionada de acordo com o objetivo da consulta e características do paciente. durante o plano de avaliação.educapsico.as padronizadas: para avaliações mais específicas . baseando-se nisto. constantemente a bateria de testes é composta por testes psicométricos e técnicas projetivas. deve-se revisar quem é o cliente.com. propriedades psicométricas. tipo. o quanto de ansiedade pode gerar. maior a mobilização de ansiedade. se necessário. por oferecer estímulos pouco estruturados e o paciente ter que se responsabilizar pela situação e respostas dadas (uma vez que não há certo e errado). conseqüentemente. de acordo com sua natureza. CUNHA. para não aumentar. para o segundo ponto. e as características individuais do paciente (ARZENO. é importante ressaltar. mas o psicólogo pode incluir alguns testes. seu valor persecutório. Sendo assim. Devido à grande variedade de questões iniciais e aos objetivos do psicodiagnóstico. o número de sessões do psicodiagnóstico e. Cunha (2000) apresenta dois tipos de principais de baterias de testes: . coloca-se que o conveniente seria que houvesse uma alternância entre técnicas projetivas e psicométricas. 2000). desnecessariamente. grau de dificuldade. e qualidade ansiogênica. o foco da investigação. determina-se o número e tipos de testes.nestas a organização da bateria provém de vários estudos.

Os itens do teste são objetivos e podem ser computados de forma independente uns dos outros.59 apud SILVA. sua precisão (fidedignidade nos valores quanto à confiabilidade e estabilidade dos resultados) e validade (segurança de que o teste mede o que se deseja medir). FORMIGA. Utilizam números para descrever os fenômenos psicológicos. seguindo uma tabela (ex.com. portanto.: testes de inteligência). MELLO.br Testes Psicométricos Os testes psicométricos têm um caráter científico. 2008). são considerados objetivos (SILVA. diz-se que um teste psicométrico é aquele cujas normas gerais utilizadas são quantitativas.ESCALA ESPECIAL RAVEN RAVEN (AVANÇADO) RAVEN (GERAL) RTLO (TESTE RAVEN DE OPERAÇÕES LÓGICAS) 1999 2002 2001 1995 CETEPP Favorável CEPA CEPA CEPA Desfavorável Favorável Desfavorável Karina de O. Entretanto. p. sem ambigüidade por parte do avaliador (ESTÁCIO. os instrumentos psicométricos estão basicamente fundamentados em valores estatísticos que indicam sua sensibilidade (ou adaptabilidade do teste ao grupo examinado). na psicometria. A correção ou apuração é mecânica. 2008.educapsico. mais especificamente. se baseiam na teoria da medida e. SILVA. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 266 . 2008). quando se trata da metodologia utilizada para a obtenção de dados. A seguir serão apresentados alguns destes testes: 1)Testes das Matrizes Progressivas de Raven Parecer do CFP MANUAL MATRIZES PROGRESSIVAS COLORIDAS DE RAVEN . assi m. escalas em que o sujeito deve simplesmente marcar suas respostas. que é traduzida em tarefas padronizadas. Para Alchieri e Cruz (2003. Tem-se denominado método psicométrico o procedimento estatístico sobre o qual se baseia a construção dos testes. Primam pela objetividade. 2008). assim como a elaboração dos dados da investigação.www. A técnica se caracteriza por ser de escolha forçada. o que quer dizer que o resultado é um número ou medida (ESTÁCIO. 2000). 2008.

br Criada pelo psicólogo J. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 267 . Ab e B -. Todas as séries são apresentadas na forma de caderno. Os problemas seguintes aumentam gradualmente sua dificuldade. e os mais fáceis da série C e D. A escala consta de 60 problemas divididos em cinco séries com 12 problemas cada uma. é também suficientemente longa para avaliar a capacidade máxi ma de uma pessoa para estabelecer comparações e raciocinar por analogia sem. que completa o conjunto. na qual o sujeito deve encaixar a prancha que completa corretamente a figura (CUNHA. Na parte inferior. Raven. 2000). em 1938.educapsico. entre os quais falta um. se constitui num teste que revela a capacidade que um indivíduo possui. imaginar a natureza da figura que completaria o sistema de relações implícito e. B. ser indevidamente cansativa ou extremamente difícil (RAVEN. 2000). nos Karina de O.www. D e E -. três séries – A. a Escala Especial (Matrizes Progressivas Coloridas). As cinco séries fornecem cinco oportunidades para compreender o método e cinco apreciações progressivas da capacidade de um indivíduo para a atividade intelectual (RAVEN. ao fazê-lo. Considera-se a escala como um teste de observação e de clareza do pensamento. 1997). todavia. A escala propõe-se abranger toda a gama do desenvolvimento intelectual a partir do momento em que uma criança é capaz de compreender a idéia de complementar uma figura ou peça que lhes falte. duas – I e II (incluída somente para os sujeitos que resolvem mais da metade da série I) (CUNHA. Na série geral. 1997). enquanto possível. A ordem dos itens facilita um treinamento uniforme no método de trabalho. Atualmente existem três séries das Matrizes Progressivas. C. 2000). descobrir as relações que existem entre elas. contendo desenhos impressos na parte superior de cada página. desenvolver um método sistemático de raciocínio (RAVEN. no momento de fazer a prova. 1997. as quais são ordenadas por dificuldade crescente e podem ser aplicadas de forma individual ou coletiva. a escala das Matrizes Progressivas. Em cada série. CUNHA. A Escala Geral compreende cinco séries – A. C. e a Avançada. há de seis a oito figuras como alternativas para o sujeito escolher para completar a figura superior. Existe ainda a versão tabuleiro do teste. deficientes mentais e pessoas muito idosas costumam resolver apenas os problemas das séries A e B. crianças pequenas. para apreender figuras sem significado/abstratas que se submetem a sua observação. o primeiro problema tem uma solução óbvia.com.

tanto na forma impressa como na de peças móveis. Ao se pensar em desenvolvimento intelectual. Progride sem dificuldade desde os problemas das séries A e B até os problemas que aparecem nas séries C. não compreendem ou falam o idioma nacional.educapsico. As Matrizes Progressivas Coloridas. por algum motivo. uma criança é incapaz de compreender muito mais do que problema do tipo que apresentam as séries A e B da Escala Geral das Matrizes Progressivas. Seu vocabulário tende a ser limitado e a sua educação depende amplamente do trabalho prático e de ajuda visuais. D e E. esse parece ocorrer. Antes dessa transformação. Desta forma. de amadurecimento intelectual diferencia as pessoas intelectualmente imaturas daquelas cuja inteligência é normal ou superior a média.br quais o raciocínio por analogia não é essencial (RAVEN. Séries A. Essa etapa. as Matrizes Progressivas são um instrumento válido para apurar a capacidade atual de uma pessoa para pensar claramente e realizar um trabalho intelectual preciso (RAVEN. Foi criada em 1947 e.com. Blum e Lorge.www. são intelectualmente subnormais ou estão em processo de deterioração mental. como adotar esse tipo de pensamento como método consistente de raciocínio. São também especialmente úteis para avaliar o desenvolvimento intelectual na ocorrência de defeitos físicos (RAVEN. aparentemente decisiva. sofrem defeitos físicos. 1997). entre as idades de 8 a 11 anos. as Matrizes Progressivas Coloridas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 268 . Ab e B. 1997). 1997). ocorrendo uma transformação quase que completa nos processos de raciocínio da criança. Podem ser usados satisfatoriamente com os que.CMMS (ESCALA DE MATURIDADE MENTAL COLÚMBIA) 2001 CASA DO PSICÓLOGO Favorável A Escala Colúmbia de Maturidade Intelectual – Colúmbia (CMMS – Columbia Mental Maturity Scale) é de autoria de Burgemeister. nos dão um valioso teste para crianças e pessoas idosas. foram preparadas para o exame psicológico do desenvolvimento mental anterior à fase de amadurecimento intelectual. Posteriormente a criança é capaz não só de estabelecer comparações e de raciocinar por analogia. sabe apreender os significados das palavras abstratas (RAVEN. 2) Escala Colúmbia de Maturidade Intelectual Parecer do CFP COLÚMBIA COLÚMBIA . 1997). Karina de O. Nesse sentido.

que só permita excluir uma delas (RODRIGUES. atualmente. Para cada item. São apresentados. ou não relacionada com elas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 269 . foi verificada sua adaptabilidade à cultura brasileira (RODRIGUES. 1994).br inicialmente. rápido. O desempenho de uma criança é o resultado de fatores complexos e em interação. escolher uma que seja diferente das outras. São usadas cores diferentes para alguns dos itens. audição. mesmo as pertencentes a famílias muito pobres. Possui 92 itens de classificação de figuras e desenhos que são dispostos em uma série de 8 escalas ou níveis que se hiperpõem. entre 51 e 65 itens dependendo do nível aplicado. Para tanto. visava a avaliação de sujeitos com paralisia cerebral. de fácil aplicação. O fato de a maioria das crianças. a fim de tornar as figuras mais atraentes para as crianças (RODRIGUES. O Colúmbia mede habilidade de raciocínio que são particularmente importantes para o sucesso na escola. i mpressos sobre uma lamina de 15x48 cm. e em seguida. não há um teste de aptidão mental que suporte tal proposição. Na tradução. que afetam o desenvolvimento de sua habilidade de compreender os tipos de material apresentados no teste. que fornece uma estimativa da aptidão geral de raciocínio de crianças. ela deve descobrir um princípio de organização das figuras.www. Na realidade. de fato. O teste Colúmbia foi preparado com vistas a assegurar que os estímulos apresentados sejam familiares a todas as crianças. Os objetos desenhados estão. 1994). 1994). O Colúmbia não mede a capacidade inata da criança.educapsico. é muito útil para a avaliação da capacidade de raciocínio geral de crianças normais e também de crianças que tenham qualquer problema de comunicação. de um modo geral. O teste se caracteriza por ser individual. um dos melhores instrumentos para avaliar crianças em idade pré-escolar (CUNHA. o Karina de O.com. a criança é solicitada a olhar para todas as figuras da lamina. onde a habilidade de discernir relações entre vários tipos de símbolos é enfatizada e. mesmo daquelas cujo ambiente tenha sido limitado. Aplica-se à criança o nível indicado para sua idade cronológica. dentro do campo de experiência da maioria das crianças americanas. É considerada. linguagem ou motor. a partir da idade de 3 anos e 6 meses até 9 anos e 11 meses. Cada item consiste em uma série com 3 a 5 desenhos. Hoje. 1994). indicar a figura escolhida apontando para ela. significa que elas têm visto objetos com os quais elas poderiam não ter tido realmente um contato direto no seu dia a dia (RODRIGUES. terem sido expostas à televisão desde o nasci mento. 2000).

por suas autoras. sendo utilizadas cada vez menos para determinação de um nível intelectual e cada vez mais para atender necessidades bastante específicas no diagnóstico de psicopatologistas e avaliações neuropsicológicas. 2000). o instrumento pode ser útil não apenas para diagnósticos de deficiências ou avaliações de uma criança. desenvolvida por David Wechsler em 1991. 1994). o WISC-III pode ser utilizado para diferentes finalidades. 2000). ele tem sido mais indicado como teste de triagem intelectual. mas também para identificar as forças e fraquezas do sujeito Karina de O. 2000). avaliação clínica. A seguir serão expostas as duas versões mais usadas e mais recentes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 270 . Teste WISC – III Parecer do CFP WISC WISC-III (ESCALA DE INTELIGÊNCIA WECHSLER PARA CRIANÇAS) 2002 CASA DO PSICÓLOGO Favorável A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III). 2000). de alguma maneira. embora não sirva somente para isto. para selecionar crianças a serem submetidas a uma avaliação intelectual completa (CUNHA. Observação importante: embora considerado uma medida de raciocínio geral ou de maturidade mental. tendo variações que permitem a avaliação desde crianças a idosos (CUNHA.www. São consideradas “padrão ouro” nas avaliações psicométricas.educapsico. neuropsicológica e pesquisa.br desempenho numa tarefa medindo essas habilidades reflete.com. Como medida da capacidade intelectual geral. Além disso. a experiência que ela possui em lidar com tais relações (RODRIGUES. estas escalas têm sido incluídas entre os instrumentos mais conhecidos para avaliação da inteligência (QI). e vêm sendo constantemente revisadas para maior adaptação à população brasileira (CUNHA. como por exemplo: avaliação psicoeducacional. 3) Escalas Wechsler de Inteligência Desenvolvidas por David Wechsler. representa a terceira edição da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC) e tem por finalidade avaliar a capacidade intelectual de crianças (CUNHA. diagnóstico de crianças excepcionais em idade escolar.

2002). Dígitos e Labirintos não entram neste compito). Vocabulário e Compreensão. como no WISC-R. ou Karina de O.www. Na elaboração do WISC-III. as características fundamentais do WISC e do WISCR mantiveram-se iguais no WISC-III (WECHSLER.educapsico. Procurar Símbolos e Labirintos. Os subtestes são organizados nos seguintes conjuntos: a) Subtestes Verbais: Informação.com.br e fornecer informações relevantes para a elaboração de uma programação educacional específica para cada caso (FIGUEIREDO. Vocabulário. Armar Objetos. Cubos e Armar objetos. sendo eles agrupados da seguinte maneira: a) Compreensão Verbal: Informação. Semelhanças. quando agrupados. Semelhanças. o desempenho das crianças nesses subtestes fornecem estimativas da capacidade intelectual das mesmas. o teste também fornece os Índices Fatoriais. Procurar Símbolos e Labirintos. que são aplicados nas crianças em ordem alternadas. Procurador de Símbolos. Cubos. ou seja. o WISC-III. A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças WISC-III foi desenvolvida levando em consideração a concepção da inteligência como uma entidade agregada e global. a saber: QIs Verbal. de Execução e Total (sendo que os subtestes Procurar Símbolos. Arranjo de Figuras. O WISC-III é composto por 13 subtestes. organizados em dois grupos: Verbais e Perceptivos-motores (ou de Execução). embora tenham sido realizadas melhoras substanciais e acrescentado importante número de itens novos. Compreensão e Dígitos. que estimam diferentes construtos subjacentes ao teste. d) Velocidade de Processamento: Código e Procurar Símbolos. b) Organização Perceptual: Completar Figuras. c) Resistência à Distração: Aritmética e Dígitos. é formado por diversos subtestes que. sendo 12 deles mantidos do WISC-R e um novo subteste. Além da escala de QI. Arranjo de Figuras. um subteste de Execução e depois um subteste verbal e vice-versa (WECHSLER. Código. individualmente. b) Subtestes de Execução: Completar Figuras. Aritmética. Figueiredo (2000) aponta que. avaliam e predizem várias dimensões da habilidade cognitiva. c) Subtestes Suplementares: Dígitos. 2000). muitas investigações foram realizadas (teóricas e empíricas) e. 2002). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 271 . sendo que.

176-204. capacidade do indivíduo em raciocinar. Desta forma. Permite verificar a organização temporal. 51-58) a fi m de esboçar algumas análises relativas à interpretação associadas a cada subteste isoladamente. a qual. Por esta razão. pp. 2000). 81-190. incluindo os que são considerados facultativos e não entram no cálculo dos três quocientes de base (QI-verbal. O mesmo autor afirma que na análise item a item. e que serão exibidas a seguir. mas que juntas oferecem uma estimativa da capacidade intelectual geral da criança (FIGUEIREDO. Sub-escala Verbal a) Informação: mede o nível dos conheci mentos adquiridos a partir da educação na família e na escola. QI-execução. lidar e operar com propósito. pp. É aconselhado que o teste seja aplicado de forma integral. dificuldades de aprendizagem (déficits seqüenciais) ou desatenção-impulsividade é particularmente freqüente a existência de um déficit na organização temporal. pode também revelar aspectos importantes para a explicação do funcionamento cognitivo da criança. 2001. Nas crianças que apresentam problemas de linguagem (disfasias). 2000. por permitir uma investigação mais acurada da especificidade medida por eles. racionalmente e efetivamente com o seu meio ambiente. incluindo todos os subtestes do WISC-III.com.educapsico. QI-total) (CUNHA. Kaufman & Lichtenberger. 2001. Karina de O. O reagrupamento de alguns subtestes. FIGUEIREDO. 329336. diretamente comparados com os resultados nos restantes subtestes e com os do seu grupo etário. ou seja. 2000. ocorre a apreciação qualitativa. colocando assim em evidência áreas fortes e fracas. 2002). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 272 . WECHSLER. Lussier & Flessas. pp. os subtestes foram selecionados com o objetivo de investigar muitas capacidades mentais diferentes. Simões (2002) aponta que a observação do perfil constituído pelas pontuações ponderadas de cada subescala e de cada subteste comporta uma explicação de natureza quantitativa. 2000. 2000.www. Simões (2002) retomou trabalhos de vários investigadores (Goia. ao mesmo tempo. Recorre à memória de longo prazo.br seja. Grégoire. no interior de cada subescala. Isquith & Guy. Todos os subtestes devem ser valorizados do ponto de vista da avaliação. de cada subteste. muitas vezes se mostra de grande relevância. Os desempenhos da criança em cada subteste são.

educapsico.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 273 . Pode ser o melhor resultado da subescala verbal para os sujeitos disfásicos que freqüentemente apresentam um nível elevado de inteligência geral e. além da capacidade de síntese e de integração de conhecimentos. tratase especificamente de capacidade de evocação seqüencial em modalidade auditiva e não de um déficit de natureza mnésica ou atencional. sobretudo. É um subteste difícil para as crianças com limitações intelectuais. a compreensão de enunciados verbais de certa complexidade e a capacidade de raciocínio. em especial. mas não na ordem em que eles lhe foram apresentados. Um resultado fraco pode sugerir certa dificuldade neurológica do sujeito na mobilização dos seus recursos cognitivos durante a tentativa de evocação de várias soluções para um mesmo problema ou revelar desconheci mento das regras sociais. e) Compreensão: Examina a capacidade de o sujeito exprimir as suas experiências. Permite observar a facilidade de argumentação (quando o sujeito justifica suas respostas). Um desempenho baixo pode traduzir falta de familiarização com o contexto educativo ou ausência de experiência escolar. falta de empatia e de julgamento (que caracterizam freqüentemente os sujeitos que apresentam uma disfunção não verbal). a prova mede a memória auditiva seqüencial e é bastante sensível à capacidade de escuta e às flutuações da atenção. Assim como em “ Semelhanças”. É bastante sensível a um déficit de atenção (e à falta de controle da impulsividade). a facilidade de elaboração do discurso. d) Vocabulário: Mede a competência lingüística. f) Dígitos: na Ordem Direta. devese observar a equidade do vocabulário utilizado e a precisão do pensamento. Requer uma boa capacidade da memória de trabalho (e da memória para seqüências de procedi mentos) necessária para manter presente todos os elementos do problema a resolver.br b) Semelhanças: avalia a capacidade de estabelecer relações lógicas e a formação de conceitos verbais ou de categorias. os conhecimentos lexicais e. É importante observar se a criança alcança a pontuação máxi ma nos itens através de uma única resposta correta ou de explicações pormenorizadas. Apela ao conhecimento de regras de relacionamento social.www. Quando o sujeito repete todos os números. e a flexibilidade mental (quando é solicitada uma segunda resposta ao mesmo item). c) Aritmética: Avalia a capacidade de cálculo mental. A Memória de Dígitos no Sentido Karina de O. uma boa capacidade de síntese.

que podem ser detectadas nesta tarefa. Sub-Escala de Execução a) Completar Figuras: É o primeiro subteste da escala a ser aplicado podendo. esperar-se que o resultado obtido seja negativamente influenciado pelo efeito de novidade. a fim de executar a tarefa o mais rapidamente possível.www. bem como uma integração do conjunto das informações disponíveis.“capacidade da criança reter os movimentos motores necessários à realização gráfica” (PSICOPEDAGOGIA BRASIL. Um resultado fraco pode dever-se a uma dificuldade da memória cinestésica . 2009) . muitas vezes ausente nas crianças impulsivas (os problemas neuromotores finos são freqüentemente relacionados com esta problemática). Um bom resultado sugere um estilo seqüencial preferencial. Muitas vezes as crianças disfásicas evidenciam dificuldades na percepção do tempo e do espaço. ou ser observado em certas crianças dispráxicas (com dificuldades motoras e de linguagem). sobretudo numa criança tímida. b) Código: Mede a capacidade de associar números a símbolos e de memorizar corretamente essas associações. Examina a capacidade de organização e processamento viso espacial/ não-verbal. Um resultado (excepcional) igual ou superior na Ordem Inversa parece indicativo do recurso a excelentes estratégias executivas e da utilização preferencial de um modo de evocação visual (que substitui uma atenção auditiva enfraquecida). d) Cubos. por uma reação de inibição ansiosa. É considerada uma medida de resolução de problemas não verbais Karina de O. por isso. A relação dos desenhos que compõem cada história exige uma forma de discurso interior funcional. Avalia a capacidade de aprendizagem mecânica/automatizada.educapsico. A reprodução dos símbolos requer uma boa caligrafia. o que pode não ocorrer nos sujeitos que apresentam uma disfasia. c) Arranjo de Figuras: Requer uma boa capacidade de análise perceptiva. Em termos globais esta prova está também associada ao processamento verbal auditivo. É esperado que o resultado na Ordem Inversa seja um ou dois pontos inferiores ao obtido na Ordem Direta. a capacidade para decompor mentalmente os elementos constituintes do modelo a reproduzir. Recorre à memória visual e a um bom senso prático. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 274 . Esta tarefa é geralmente mais difícil que a precedente.br Inverso mede a capacidade de memória de trabalho (inteligência geral).da seqüência gestual a executar.com. sobretudo receptiva.

mes mo quando é desafiada a descobrir esses erros ou a comparar o seu trabalho com o estímulo. rapidez psicomotora. 2000). permite identificar dificuldades de auto-monitorização presentes quando a criança é incapaz de reconhecer erros evidentes. Neste contexto. As crianças mais jovens. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 275 . f) Procurar Símbolos: recorre à capacidade de discriminação perceptiva. apresentam dificuldades na realização desta tarefa: o insucesso provém de uma incapacidade de planificação da sua execução gestual. Em comparação com outras medidas de aptidão viso-espacial. Mostrando-se como importantes recursos diagnósticos para identificar tanto diferentes habilidades cognitivas.br e usada como uma das contra-provas de déficits nas funções executivas. psiquiátricos e neurológicos no funcionamento cognitivo (NASCIMENTO.www. g) Labirintos: Examina a capacidade de antecipação e de planificação.com. no Código e no Procurar Símbolos.educapsico. coordenação. requer uma estratégia viso-espacial em memória de trabalho. o subteste de Cubos supõe o recurso a um funcionamento viso-perceptivo. como se existisse uma desconexão entre a intenção e a realização do gesto a efetuar. quanto à investigação do impacto de problemas emocionais. capacidades construtivas. da subescala de execução. Depende de uma boa capacidade de atenção visual e de memória de trabalho. As crianças impulsivas. Proporciona uma oportunidade para observar diretamente a estratégia de resolução dos problemas (itens). É bastante sensível à impulsividade do método ou abordagem adaptada. ou com déficit de atenção.WAIS III 2004 CASA DO PSICÓLOGO Favorável As Escalas Wechsler de Inteligência para adultos (WAIS) foram desenvolvidas a fim de auxiliar na avaliação do funcionamento intelectual de adolescentes e adultos. que sofrem de dispraxia motora. recorre à capacidade de integração perceptiva. Mede a capacidade de organizar um todo a partir de elementos separados. analítica ou sintética) que permite a execução da tarefa revela-se um excelente índice da inteligência não-verbal. após a aplicação formal do subteste. e) Armar Objetos. A escolha do tipo de estratégia (global. obtêm com freqüência os resultados mais baixos. WAIS – III Parecer do CFP WAIS ESCALA DE INTELIGÊNCIA WECHSLER PARA ADULTOS . bem como das capacidades de raciocínio viso-espacial. Karina de O.

Para o cálculo do QI total. Ele compreende 14 subtestes. NASCIMENTO. Aritmética. Compreensão e Seqüência de Números e Letras (suplementar). Raciocínio Mental. Arranjo de Figuras. Pode ser indicado para medir a inteligência geral. Códigos. Cubos. 2000). são necessários 11 subtestes (CUNHA.educapsico. Dígitos. de execução e total) além dos Índices Fatoriais (NASCIMENTO. identificar potencialidades e fraquezas do funcionamento cognitivo e avaliar o impacto de problemas psicopatológicos no funcionamento cognitivo (CUNHA. Completar Figuras e Raciocínio Matricial. a aplicação de todos não é necessária. raciocínio fluido. dependendo do objetivo da avaliação. b) Organização Perceptual: formado pelos subtestes Cubos. oferece a possibilidade de oferecer medidas referentes às escalas de QI (verbal.Vocabulário. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 276 . publicada em 1997. A seguir serão apresentados os subtestes que compõe os conjuntos de aplicação (verbal e de execução – lembrando que os testes suplementares e opcional não entram no compito do QI total): a) Subtestes Verbais: Vocabulário. O que cada Índice Fatorial reflete e os subtestes referentes a cada um deles são: a) Compreensão Verbal: subtestes . mas. O WAIS – III segue os mesmos passos para interpretação das outras Escalas Wechsler de Inteligência. É composto pela mesma estrutura do WAIS – R. por exemplo. predição de desempenho acadêmico futuro. sendo assim. 2000). O WAIS – III apresenta-se como uma versão mais recente do WAIS. Informação. Informação e Semelhanças. 2000). sendo aplicados de forma alternada (subteste de execução em seguida o verbal) iniciando pelo subteste de execução Completar Figuras. Semelhanças.www. atenção para detalhes e integração viso motora. e sua idade de aplicação atual vai de 16 a 89 anos (CUNHA. Karina de O. sendo que houve um aumento de 32% de novos itens. mede o raciocínio não-verbal. diagnóstico de transtornos psiquiátricos e neurológicos (NASCIMENTO. evidencia o conhecimento verbal adquirido e o processo mental necessário para responder às questões. 2000). Procurar Símbolos (suplementar) e Armar Objetos (opcional).com. b) Subtestes de Execução: Completar Figuras.br O objetivo de sua utilização incide sobre a avaliação de problemas de aprendizagem. 2000). que seria a capacidade de compreensão (raciocínio verbal).

mantê-la brevemente e processá-la na memória. composta por figuras diferenciadas que estão desenhadas em cor preta. 1955).MANUAL DE DIAGNÓSTICO CLÍNICO ADAPTAÇÃO: AILEEN CLAWSON TESTE GESTÁLTICO VISO-MOTOR DE BENDER SISTEMA DE PONTUAÇÃO GRADUAL (B-SPG) 1992 2005 ARTMED Desfavorável VETOR Favorável O Teste Guestáltico Visomotor de Bender é também conhecido como Teste de Bender. O instrumento é composto por nove cartões medindo 14. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 277 . refere-se à resistência à distrabilidade. Sua finalidade era entender que tipos de erros poderiam ocorrer na percepção de um estímulo dado (as figuras do teste) e se estes seriam decorrentes de distúrbios a nível cerebral ou de i maturidade para perceber e reproduzir corretamente (NUNES. simples mente o Bender (CUNHA. Existem várias edições.1 cm de altura. ou BGVMT ( Bender GestaltVisual Motor Test).9 cm de compri mento por 10. No Brasil. Consiste de cartelas em cor branca. para em seguida.br c) Memória de Trabalho: obtido pelos subtestes Aritmética.educapsico. São estímulos formados por linhas contínuas ou pontos. curvas sinuosas ou ângulos (BENDER. o teste visava verificar a maturação perceptomotora da criança. Elas também podem diferenciar quanto à população Karina de O. a informação visual. rapidamente. mas categorizou. ou B-G (Bender Gestalt). LOPES. de forma mais reduzida. mede os processos relacionados à atenção. Bender não propôs nenhuma forma de correção para as respostas. 2007). Inicialmente proposto por Lauretta Bender em 1946.www. E concluiu em seus estudos que o sujeito reage ao estímulo dado pelo ato motor conforme suas possibilidades maturativas (NUNES. está relacionado à capacidade de atentar-se para a informação. cada um deles. LOPES. as respostas mais freqüentes para cada faixa etária. 2000). emitir uma resposta. 4) Teste Bender Parecer do CFP BENDER BENDER INFANTIL . d) Velocidade de Processamento: subtestes componentes – Códigos e Procurar Símbolos. FERREIRA. com variações quanto a detalhes formais de unidades e até quanto ao número de desenhos. seu nome mais utilizado pelos psicólogos é Teste Bender ou ainda. 2007). FERREIRA. memória e concentração para processar. Dígitos e Seqüência de Números e Letras.com. em forma de quadro.

www. simplificação. 2007). A aplicação deve ser feita de forma individual. pois.com. combinando ou elaborando à vontade (CUNHA. podemos utilizar o Teste Bender como técnica projetiva. por sua vez. 2007). os sistemas de Koppitz (1971).educapsico. Os demais sistemas foram restringidos por não atenderem aos requisitos da Comissão (2001. 2000). LOPES. Na associação. Como a intenção do teste é compreender a organização da personalidade da criança. dependendo a edição escolhida (CUNHA. atualmente. A autora propõe alternativas à utilização do teste. dentre eles. convida a criança a desenhá-los da maneira como quiser: alternando. com crianças de idade entre sete e doze anos. FERREIRA. além da administração pelo procedi mento-padrão.2003). uma vez que seu comportamento frente ao estímulo é um dado muito i mportante na integração dos resultados (NUNES. com crianças. Ela considera os aspectos do desenvolvimento normal da função viso motora em todas as faixas etárias e apenas analisa as questões emocionais após descartar qualquer possibilidade de problemas orgânicos (NUNES. modificações da gestalt (mudança na angulação. A forma de correção proposta por Clawson é interpretativa e analisa os seguintes aspectos: aspectos gerais ou fatores organizacionais (como as figuras são distribuídas na folha). Hain (1964) e Hutt (1985). Sistema Clawson Segundo Clawson. O objetivo é avaliar o quão inflexíveis possam ser os seus aspectos perceptuais (NUNES. os cartões são apresentados à criança e é pedido para que ela diga com que se parecem. adolescentes e adultos. Dentre estas edições.br a ser aplicada. 2000). De acordo com Clawson. Na elaboração. 2007). os mais utilizados para adultos são: Pascal e Suttel (1951). a autora enfatiza que todos os movimentos devem ser registrados. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 278 . somente o Sistema de Pontuação Gradual (BSPG) é aceito pelo Conselho Federal de Psicologia. LOPES. deverá desenhar novamente a figura após concluir o teste. analisando possíveis dificuldades emocionais. tendo esta duas fases: de associação e de elaboração. FERREIRA. FERREIRA. se a criança fizer rotações grosseiras. Porém. LOPES. e a criança deve estar a vontade pra realizar a tarefa. vários sistemas de escore são utilizados. Para crianças. rotação e Karina de O. podem ser aplicadas a partir dos 4 anos de idade. 2000). Clawson (1980) e Santucci e Percheux (1968) (CUNHA.

). Sistema Hutt de correção A partir de 1960. FERREIRA. tempo. 2000).br fechamento das figuras. Devem ser utilizadas as instruções específicas do manual (CUNHA. O escore é atribuído conforme o nível de sucesso da reprodução.) (NUNES. etc. p. LOPES. conceito espacial. Para Hutt. em cada figura-modelo. a percepção não apenas seria o ato de perceber o estímulo externo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 279 . 2007).3 e 7. qualidade da linha. número de colunas ou círculos. e para auxiliar esta correção Cunha (2000. O sistema de escore de Santucci-Percheux Para aplicação do Bender como prova de organização grafo perceptiva. Os critérios utilizados na correção são bastante complexos. além de pesquisar a relação entre deficiência mental e a organização perceptomotora (NUNES. FERREIRA. LOPES. mas também o ato de o sujeito colocar o seu modo interno de perceber este mesmo estímulo (NUNES. suas necessidades. 2007). 2007). relação contigüidade-separação e junção ou separação das subpartes. etc. LOPES.www. Karina de O.4. e métodos de trabalho (ordem e direção. rasura. Seu foco é compreender o comportamento do indivíduo.com. LOPES. Este sistema teve dois objetivos principais: pesquisar um possível déficit da organização grafo perceptiva entre as crianças com atraso escolar. porém pouco no Brasil. utiliza-se os seguintes elementos: forma. FERREIRA. 2007). 303) elaborou uma folha de registros (NUNES. 2007). Este sistema utiliza uma análise projetiva embasados em pressupostos psicanalíticos para avaliação de adultos (NUNES. é necessário ter em mãos o Manual. Hutt elaborou o sistema de correção com o título Escala de Psicopatologia. É importante ressaltar que esta forma de correção é bastante utilizada na Europa.2. Para interpretação dos resultados.educapsico. LOPES. FERREIRA. FERREIRA. a força do ego. as máscaras e a cinco lâminas do teste na seguinte ordem: A. conflitos e defesas. personalidade e maturidade emocional.

sendo bastante utilizado para obter diagnóstico diferencial (NUNES. LOPES. FERREIRA. FERREIRA. ou seja. FERREIRA. FERREIRA. quanto maior o escore. com inteligência normal. a capacidade integradora ou força do Ego. perguntando o que lhe recorda cada uma delas (NUNES. mas também foi utilizado como forma de avaliação do desempenho escolar. sendo um sistema bastante complexo de avaliação. Sistema Koppitz Método criado por Koppitz (1961/1989) que teve como objetivo principal fazer uma escala de maturação viso motora infantil. procurando descrevê-lo e até mesmo predizer alguns aspectos significativos do seu comportamento em situações definidas (NUNES. 2007). fazendo este da forma que mais o agradar . FERREIRA.educapsico. 2007).2007). Considera-se que.com. apareceu em 1951 como uma abordagem psicométrica para adultos. LOPES. Karina de O. 2007). os autores elaboraram uma lista de 150 desvios. LOPES. construto emocional e possibilitou a realização do diagnóstico de lesão cerebral para crianças de cinco a 10 anos (NUNES.www. 2ª)elaboração: é solicitado que o sujeito mude o desenho. Para administração do teste existem três fases: 1ª)cópia: reprodução dos desenhos. 2007). 3ª)associação: mostra-se ao sujeito cada desenho da 1ª e 2ª fase. Seu objetivo é investigar a capacidade de ajustamento emocional. conforme nomeiam os autores. a qual refere-se à contagem dos erros na reprodução dos desenhos.br Como objetivo tem-se a compreensão do funcionamento global do indivíduo. LOPES. maior a probabilidade de a pessoa ter algum distúrbio psiquiátrico (NUNES. A forma de aplicação inclui os nove desenhos elaborados por Bender. É um sistema de avaliação planejado para pacientes psiquiátricos com idades entre 15 e 50 anos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 280 . 2000). capacidade para reproduzir os desenhos sem erros e sem dificuldades cognitivas (CUNHA. Sistema Pascal e Suttel O trabalho da Pascal e Suttel. Comparando protocolos de indivíduos normais com protocolos de pacientes psiquiátricos. O desempenho do adulto no teste seria um espelho de suas atitudes diante da realidade. LOPES.

Porém. SANTOS. Os demais erros são considerados indicativos de imaturidade. Caso a criança faça alguma pergunta.Sistema de Pontuação Gradual. além de apontar a partir de qual idade estes erros são significativos ou altamente significativos para lesão cerebral. LOPES.www. 2001. Sistema de Pontuação Gradual (B-SPG) No Brasil.com. FERREIRA. o sistema desenvolvido por Koppitz era freqüentemente empregado até a promulgação das Resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP. precisão e normatização com amostras brasileiras. um a um. Não há tempo limite para a realização da tarefa. e é pedido que ela os copie.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 281 . 2007). O sistema de pontuação de Koppitz classifica a presença ou a ausência de indicadores orgânicos. e pode ser coletiva (máximo 30 crianças e utilizando-se transparências) ou individual. um de cada vez. Noronha e Santos (2006). Este sistema se destina a crianças com idade entre seis e dez anos. em casos de avaliação infantil (NUNES. Sendo entregue à duas folhas de papel. um lápis e uma borracha (esta não deve ser esti mulada e nem impedida de ser usada). tendo como embasamento os pressupostos teóricos de Bender (1955) (NORONHA. o Bender não podia mais ser usado para fins diagnósticos. Os nove cartões são mostrados à criança. 2003). SISTO. LOPES. Assim. Sua forma de aplicação é individual. Possivelmente isso justificou o desenvolvimento do teste Gestáltico Visomotor de Bender . e esta nunca deve ser interrompida Karina de O. publicado ( B-SPG) por Sisto. 2007). FERREIRA. 2007). comparados à idade cronológica da criança (NUNES. LOPES. que estabeleceu princípios sobre a elaboração. FERREIRA. reafirmando a necessidade de novas pesquisas. fazendo o mais parecido que conseguir com o desenho do cartão. as respostas devem ser neutras e seu comportamento deve ser observado e anotado (NUNES. Sua aplicação utiliza as mesmas nove figuras propostas por Bender. por não possuir estudos de validade. o uso e a comercialização de testes psicológicos.br Seu sistema de pontuação e análise de possíveis comprometimentos neurológicos é o mais aceito e utilizado pelos psicólogos brasileiros. o Conselho Federal de Psicologia não o tem na relação dos testes aceitos. 2007).

2007). LOPES.com. Na coluna idade aparece a porcentagem de erros do item por idade. 2007). além de existirem outros fatores Karina de O. pressupõe-se que “dependa de certas áreas intactas de integração cortical. 2007). 2007. figuras. pontuação e idades. possibilitando uma comparação do desempenho da criança avaliada com outras da mesma idade. SISTO. linhas.educapsico.erros mais freqüentes. sendo zero o de melhor reprodução e três pontos o de pior. Desvios no Bender relacionados com transtornos no desenvolvimento neuropsicológico e disfunções cerebrais Como se trata de um teste que envolve percepção e coordenação neuromuscular. 2007). 2007). 1980). de modo tal que pontos. Cada figura pode ser pontuada apenas uma vez. FERREIRA. LOPES. O objetivo do Sistema de Pontuação Gradual é avaliar a maturidade perceptomotora. FERREIRA. NUNES. Há vários graus e tipos de comprometi mento. seguindo os pressupostos de Bender (1955).média de erros. Assim é possível observar as defasagens e os adiantamentos do traçado da criança. constatando o seu ritmo de desenvolvi mento representacional (NUNES. LOPES. O sistema de correção atribui escores de zero a três. O faz a partir da avaliação da distorção de forma. laranja . LOPES. não há uma entidade única de lesão cerebral. Os critérios de correção são bastante diferentes dos sistemas anteriores. O rapport segue o modelo de Koppitz: os sujeitos devem copiar os desenhos. da forma mais parecida à do original. SANTOS. para sua execução satisfatória” (Clawson. um a um. buscando estabelecer o nível de maturação da função gestáltica viso motora através da reprodução dos desenhos (NUNES.www. a fim de facilitar a interpretação dos resultados. SISTO. 2007). As pontuações possíveis para cada figura estão separadas por cores: azul . pois avalia somente o critério distorção da forma e pretende analisar a reprodução dos sujeitos com maior refinamento e de forma quantitativa (NUNES. LOPES. A diferença é que não é permitido uso de borracha (NUNES. retas. compreendida como o desrespeito aos aspectos estruturais do desenho. FERREIRA.br e não existe tempo mínimo ou máximo para realização da tarefa (NORONHA. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 282 . Foi produzida uma ficha dividindo colunas para soma. FERREIRA. curvas e ângulos são desenhados sem precisão (NORONHA. FERREIRA. contudo. SANTOS. e verde menor freqüência de erros.

no desenvolvimento neuropsicológico. como por fatores emocionais (CUNHA. 2000). ou seja. 2000). Por terem uma avaliação qualitativa. são testes menos objetivos. portanto. que não se referem aos aspectos cognitivos da conduta. Conseqüentemente. dos seus critérios de entendimento e bom senso. A seguir. etc. alguns exemplares destes testes. Os testes de personalidade. Os testes cuja metodologia é projetiva são aqueles cujas normas são qualitativas. 2008). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 283 . como um todo. Porém. que dará a relativa certeza de um diagnóstico (ex. a apuração das respostas deixa margem para interpretações subjetivas do próprio avaliador. Ao se avaliar um Bender. sujeita aos vieses de interpretação do avaliador.com. mas mesmo assim. o que realmente é medido são as características mais ou menos constantes da personalidade. os testes projetivos requerem respostas livres. medem as características de personalidade propriamente ditas. em determinado momento (ESTÁCIO.: testes de personalidade em geral) (ESTÁCIO. 1) O Teste das Fábulas Karina de O. dificuldades na realização da tarefa podem ocorrer não só por problemas no Sistema Nervoso Central. O psicólogo trabalha com tarefas pouco ou nada estruturadas. Todavia.br individuais que concorrem para dificultar um diagnóstico referencial.www. e os resultados são totalmente dependentes da sua percepção. para triagem de disfunção cerebral. atitude. julga-se o grau de precisão na reprodução dos desenhos. seus elementos (itens de teste) não podem ser medidos em separado.educapsico. sociabilidade. interesse. A constância de certas características avaliadas no teste. Portanto. como integrantes dos projetivos.: estabilidade emocional. a hipótese de disfunção cerebral encontra apoio numa primeira hipótese de que existe um déficit numa função cognitiva. a partir de um teste psicológico (CUNHA. 2008). O resultado se expressa através de uma tipologia. Ex. sabe-se que a personalidade de um indivíduo muda constantemente. sua apuração é ambígua. levam-se hipóteses que têm relação com o funcionamento viso perceptivo e construcional. Testes/Técnicas Projetivos (as) Segundo Silva (2008). bem como na reprodução global da figura.

www. É indicado para realização de psicodiagnóstico de crianças.educapsico. avaliação dinâmica de adolescentes e adultos. podendo atribuir certos senti mentos ou pensamentos não aceitáveis aos personagens das fábulas (TARDIVO. Por meio das fábulas. e faz suas interpretações fundamentadas num referencial teórico completo e complexo (essencialmente freudiano) (CUNHA. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 284 . PINTO. além de possibilitar a triagem de conflitos emocionais em crianças. sua inclusão no processo psicodiagnóstico de crianças revela-se extremamente rica para o conhecimento e entendimento do funcionamento mental dos sujeitos (TARDIVO. com o intuito de investigar conflitos inconscientes. Nesse sentido. Assim. conhecido popularmente no meio acadêmico como Fábulas de Düss. com uma base teórica essencialmente freudiana (CUNHA. o teste das Fábulas de Düss. SANTOS. O teste é composto de dez fábulas. de fácil compreensão às crianças. 2005). Para análise do teste. TARDIVO. foi criado por Louisa Düss em 1940. 2000. seus temores. existem 12 pranchas. 2000). por se tratar de uma técnica projetiva. Karina de O. PINTO. as crianças podem expressar seus desejos. 2005). cada uma delas referindo-se a um complexo específico. 2005). inclusive de terceira idade. pequenas.br Parecer do CFP TESTE DAS FÁBULAS TESTE DAS FÁBULAS 1993 CETEPP Favorável O Teste das Fábulas. que seja feita a apresentação da forma verbal e pictória concomitantemente. Ele propõe. sendo que na forma pictória. na administração. SANTOS. 2000). adolescentes e adultos por meio de administração coletiva (CUNHA. é utilizado um sistema de categorização de respostas. propicia uma investigação profunda sobre os conflitos vivenciados pela criança e da forma como avalia a relação intrafamiliar. suas necessidades e seus pensamentos como se na realidade não lhes pertencessem. PINTO. o qual identifica respostas populares e fenômenos específicos. avaliação dinâmica em casos clínicos (auxiliando na detecção rápida do complexo ou do conflito presente no paciente). SANTOS. uma vez que existem duas alternativas possíveis para a fábula 4 (conforme a idade) e para a fábula 8 (de acordo com o sexo) (CUNHA. 2000).com.

PINTO. 3 b) onipotente 4. 5 a) hostilidade manifesta. 2 a) dependência e passividade. Relação de agressividade e hostilidade diante da cena pri mária. 1 b) independência e atividade.br Cada fábula apresenta uma situação-problema. Relação de aceitação e mais realista diante da cena primária. 5 b) hostilidade latente. Uma das formas mais utilizadas para a avaliação do teste é a proposta por Tardivo (1998. 7. SANTOS. 1 a) dependência e passividade. 2000). derivada da esfera do ego livre de conflitos. Total i mpotência – Morte Fábula 2 – Aniversário de casamento 5. Independência e Autonomia. 2 b) independência e atividade. para a qual deve ser encontrada uma solução. WERLANG. Fornece determinadas informações que devem ser elaboradas por meio de operações cognitivas. Karina de O. 3. As categorias para cada fábula são as seguintes: Fábula 1 – Pássaro 1.www. procurando abranger o significado mais latente das respostas do sujeito. Relação com a Figura Materna. 6. Relação com a Figura Paterna. 2005).com. citado em TARDIVO. com base nas quais o sujeito pode produzir uma resposta lógica. Total i mpossibilidade de lidar com a situação de cena pri mária. 2. 3 a) realista. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 285 . Isso pode ocorrer por duas razões: a) o conteúdo da fábula não produziu uma mobilização afetiva ou b) o sujeito é capaz de controle de sua expressão afetiva. ARGIMON. A autora propõe algumas categorias de análise para cada fábula. Tanto as respostas populares quando as respostas ‘normais’ são isentas de simbolismo personalizado e não envolvem indícios de conflito. produzindo uma resposta que está em concordância com a expectativa social (CUNHA.educapsico.

br 7 a) rejeição completa da fábula. Presença de angústia ligada ao complexo de castração. Aceitação em relação à figura fraterna. Relação com a figura paterna – desejos destrutivos. Medo de autodestruição. 21. 22 a) masculinos. Autodestruição. 22 c) sem definição clara de sexo. 14.www. 15. Provocadas por outros. Fábula 4 – Enterro 13. Fábula 5 – Medo 22. Doença. 12. Acidental. 7 b) respostas ilógicas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 286 . 19 a) coração. 11. 24. Fábula 3 – Carneirinho 8. 17. 19 b) outras.com. 9.educapsico. Total impossibilidade de lidar com a situação de desmame ou morte. 20. 18. Outros não significativos. 16. Karina de O. Relação com a figura materna – desejos destrutivos. 23. Desmame vivido de forma esquizoparanóide. 10 b) agressividade e hostilidade latentes. 25 a) transformações causadas pela própria criança. Fábula 6 – Elefante 25. 19. Velhice. 10. Respostas adequadas à realidade. Desmame vivido de forma depressiva. Medo de objetos externos reais. 10 a) agressividade e hostilidade manifestas. Medo de Objetos Internos. 22 b) femininos. Rivalidade fraterna.

Temores – notícias desagradáveis. 29 a) espontâneo.com. Presença do caráter possessivo na relação com a figura materna. 27.DFH III LAURA CANÇADO RIBEIRO LAMP PUCCAMPINAS Karina de O. Fábula 10 – Sonho mau 34. 30 c) presença de angústia persecutória na criança. 35.educapsico.br 25 b) transformações provocadas por outros. Desejos – notícias agradáveis. Fábula 7 – Objeto fabricado 28.www. Complexo de Édipo superado. Relação com pessoas reais. 30 d) presença de culpa depressiva na criança.DFH 2005 Não consta 2003 VETOR Favorável Desfavorável Favorável O DESENHO DA FIGURA HUMANA: AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE CRIANÇAS BRASILEIRAS . Complexo de Édipo vivido de forma angustiante. Superação do complexo de castração. 36. 29. Total impossibilidade de lidar com o complexo de castração. Relação com autodestruição. 2) Teste do Desenho da Figura Humana (DFH) Parecer do CFP DESENHO DA FIGURA HUMANA ESCALA SISTO (DFH-ESCALA SISTO) DFH DESENHO DA FIGURA HUMANA CLÍNICO EM ADULTOS: MANUAL COMPREENSIVO . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 287 . 31. Fábula 9 – Notícia 32. 33. Ausência do caráter possessivo na relação com a figura materna. 26. 30 b) figura paterna do mes mo sexo da criança com senti mentos depressivos. 37. Fábula 8 – Passeio com o pai ou com a mãe 30. 30 a) figura paterna do mes mo sexo da criança com senti mentos de raiva e inveja. Relação com circunstância difícil. 29 b) por imposição. Relação com figuras fantásticas.

como a criança compreende o corpo humano. Posteriormente. Manchover. Goodenough foi pioneira. incomuns e excepcionais conforme a idade da criança. em cada nível de Karina de O. A avaliação é feita com um único desenho. e assi m surgiu um novo caráter dado ao DFH. é considerado pelo CFP. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 288 . O instrumento. 2000). 2000). Harris. BANDEIRA. 2000).www. DFH: Avaliação do desenvolvimento infantil Ao revisar e ampliar a escala de Goodenough. pede se à criança que faça o desenho de uma pessoa inteira em uma folha branca. (HUTZ. BANDEIRA. em 1926 desenvolveu a primeira escala com critérios de análise do Desenho da Figura Humana (DFH). BANDEIRA. Este tipo de análise se popularizou. Atualmente. publicou tais resultados em 1949. ou seja. já se acreditava que o desenho de crianças podia ser avaliado como indicador do desenvolvimento psicológico. introduzindo o enfoque do desenvolvimento infantil no desenho. a pessoa manifesta alguma quantidade de determinada habilidade. A análise também pode ser realizada na avaliação pela presença de itens esperados. criado em 1960. que somados. comuns. para avaliação do desenvolvimento cognitivo. revisou a escala e a expandiu. passou a ser um sistema de avaliação objetivo utilizado internacionalmente. BANDEIRA. colocando a sua disposição um lápis preto número dois e uma borracha. baseado no modelo de Rasch.educapsico. hoje é um dos mais utilizados como método de avaliação da personalidade (HUTZ. após análise de diversas observações clínicas sobre a representação gráfica de figuras humanas desenhadas por crianças e adultos que apresentavam problemas psicológicos. a forma de correção proposta por Sisto. amplamente estudado por Koppitz (HUTZ. pontuados como ausentes ou presentes. Assim. Harris (1963) já questionava o uso do DFH como teste de inteligência. após a colaboração de Koppitz. em 1963. Após duas décadas. sendo esta passando a ser considerada como medida de maturidade (HUTZ.com. gerando um escore global. o qual supõe que ao responder um item do teste. entendendo-o como medida de maturidade conceitual. tamanho ofício. Para a aplicação dessa técnica. como medida de desenvolvimento intelectual de crianças. 2000). Esta forma de aplicação do DFH mede o desenvolvimento cognitivo. ainda tendo como referencia os estudos de Goodenough.br Ao final do século XIX. inclui 30 itens evolutivos. o projetivo.

www. 2005). existência de uma classificação hierárquica de itens de acordo com o sexo e a idade da criança. mudam-se as normas). ficando claro sua relação com a operatoriedade. 2005). propôs outra forma de avaliação descrita para a interpretação do DFH. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 289 . o sistema proposto por Sisto fornece as seguintes contribuições (VETOR – EDITORA. Além destas. Estabelecendo uma escala de 30 indicadores Karina de O.educapsico.com. 2) A manutenção do caráter evolutivo da proposta original. Os itens se apresentam então de forma hierárquica de acordo com sua dificuldade e da habilidade do sujeito. Algumas vantagens apresentadas por este sistema de correção: menor número de itens (30). a operatoriedade (conceito de Piaget referente ao desenvolvimento cognitivo em crianças) e aprendizagem escolar (VETOR-EDITORA. não (RUEDA.br habilidade. existe a probabilidade das pessoas desse nível fornecerem resposta correta para aquele item. de tal modo que as pessoas mais habilidosas desenharão os itens mais difíceis e as menos. DFH: Avaliação da Personalidade e Ajustamento Emocional Koppitz em 1968. 2009): 1) Estudo dos itens quanto ao funcionamento diferencial e a análise de sua influência. O DFH – Escala Sisto é uma medida de inteligência e está relacionada ao fator g. que foram selecionados com vistas a se constituírem em uma escala e não em um simples inventário de itens (VETOR – EDITORA. itens predominantemente masculinos e femininos (o sistema de correção é o mesmo. procurando selecionar os itens em relação às idades cronológicas. baseada nos estudos de Machover e Hammer. quando passou a avaliar os aspectos emocionais em crianças pelo DFH. 3) Além de fornecer evidências de validade em termos de desenvolvimento cronológico e inteligência como fez Goodenough fornece evidências de validade em termos de desenvolvimento cognitivo na perspectiva de Piaget. solicitação de apenas um desenho. São técnicas de análises não disponíveis à época para Goodenough. A escala solicita o desenho de uma pessoa e reduziu os itens a 30 diferentemente de Kopitz. esta forma de correção possibilita uma escala unidimensional (RUEDA. 2009). 2009). não levando em consideração se a figura desenhada é feminina ou masculina.

ou seja. sendo uma combinação de tudo isso. pessoas vinculadas a ele. Ao se desenhar uma pessoa. uma projeção da imagem ideal do eu. a realização de um inquérito ou a construção de uma história sobre a figura (HUTZ. 2000). o desenho pode ser uma expressão consciente ou pode incluir símbolos profundamente disfarçados. corrobora estes fatos citando Levy. citado em HUTZ. BANDEIRA. DFH e a Ansiedade Karina de O. Além do mais. BANDEIRA. em 1949. o indivíduo projeta a sua imagem corporal no papel. padrões de hábitos. e dessa forma ocorre à projeção de sua imagem corporal.com. o que permitiria investigar as reações do examinando a situações de tensão. quando um sujeito realiza o Desenho da Figura Humana. Há outra possibilidade. e mostra-se como um dos mais ricos instrumentos para a investigação da personalidade e de características psicológicas. uma projeção de atitudes do sujeito para com o examinador e a situação. Recomendase ainda. preferências. atitudes para com o examinador e a situação de testagem. pode ser uma projeção de auto-conceito. o desenho pode também ser a representação de outros aspectos do indivíduo. uma expressão de tonalidade emocional.www. é como a figuração de nosso corpo formada em nossa mente.br emocionais que seriam suficientes para diferenciar crianças com e sem problemas emocionais (HUTZ. BANDEIRA. 2000).educapsico. Na aplicação. 2000). citado em HUTZ. O DFH pode também ter uma avaliação que aborde a personalidade e seus aspectos estruturais e dinâmicos. uma expressão de padrões de hábitos. um modo pelo qual o corpo se apresenta para nós (Schilder. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 290 . 1987. como aspirações. 1981. uma projeção de atitudes para com alguém do ambiente. é solicitado também que se faça o desenho DFH do sexo oposto à primeira figura desenhada (em folhas separadas). Para Van Kolker (1984. pedindo que se desenhe a pessoa na chuva. 1959. 2000). ao dizer que o desenho “além de veículo de projeção da imagem corporal. imagem ideal. expressivos de fenômenos inconscientes. um resultado de circunstâncias externas. Esta forma de avaliação teve origem com as pesquisas de Machover. BANDEIRA. refere-se necessariamente às i magens internalizadas que tem de si próprio e dos outros. Machover (1967) afirma que. uma expressão de suas atitudes para com a vida e a sociedade em geral”. Trinca.

Foram descritos vinte índices. BANDEIRA. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 291 . não há confirmação da hipótese lançada por Machover. atribuindo-se escores de acordo com as características do desenho de cada um deles. BUCK Instrumento criado por Buck. Karina de O. porque faz uso do desenho.www. por solicitar que o sujeito fale sobre cada desenho.br O DFH pode ser utilizado também para a avaliação de aspectos específicos. propôs uma escala para avaliação da ansiedade de adolescente e adultos. O Sexo da Figura Sendo o DFH considerado uma expressão da auto-imagem de crianças que projetam suas identificações e conflitos nos desenhos. Handler. 3) Teste Casa. o DFH não pode ser utilizado como indicador de patologia (HUTZ. Machover (1949) afirmou que crianças que desenham figuras do sexo oposto provavelmente apresentam um problema no desenvolvimento de sua identidade sexual. em 1967. Porém recomenda-se cautela na utilização deste material com tal finalidade (HUTZ. Sua administração é muito similar aos outros testes que recorrem a desenhos como forma de projeção (CUNHA. tais com a ansiedade. onde. Árvore e Pessoa (HTP) Parecer do CFP HTP TESTE HTP (CASA-ÁRVORE-PESSOA) 2000 CASA DO PSICÓLOGO 2003 VETOR Desfavorável Favorável THE HOUSE-TREE-PERSON (HTP) DE JOHN N. estabelecendo critérios de escore para análise de maneira formal. seria esperado que os mes mos fossem correspondentes ao sexo da criança que o desenhou.com. 2000). o HTP é um teste gráfico. em escalas de quatro ou dois pontos. a presença é um indicador de ansiedade. e verbal. 2000). que abrangem tanto a ansiedade causada por situações externas estressantes como causas intrapsíquicas. Vários estudos mostraram que há uma tendência geral das pessoas desenharem figuras do mesmo sexo. BANDEIRA. Desta forma.educapsico. nesta última. com 20 itens de ansiedade. 2000). contudo.

se revelaria a expressão da visão de si mes mo. solicitando que ele desenhe uma casa. que podem envolver indícios de ansiedade. 2000) coloca que é essencial considerar as áreas mais amplas da personalidade investigadas em cada um dos desenhos. CUNHA. partes dos aspectos gerais comuns aos três desenhos além de fazer uma análise das características individuais de cada figura. como por exemplo. De modo geral. CUNHA.educapsico. sendo esta mais próxima da consciência e de sua relação com o ambiente (FREITAS. Deve-se registrar as reações do sujeito às instruções. Um dos pontos mais importantes durante a aplicação do teste é a observação que é feita pelo psicólogo. a folha seja entregue na posição horizontal e para os outros dois desenhos. sendo que para o desenho da casa. utilizando-se de um material estruturado com questionamentos específicos para este fim (BUCK. o tempo de reação e os comportamentos verbais e não verbais (BUCK. citado em FREITAS. Hammer (1991. A fase gráfica de cada desenho precede a uma fase verbal. conforme o autor aci ma.www. Aspectos projetados na árvore estariam relacionados com conteúdos mais profundos da personalidade. subentendendo o clima da vida doméstica e as inter-relações familiares. A árvore e a pessoa permitem investigar o que se costuma chamar de autoimagem e auto-conceito ou diferentes aspectos do self. pensa-se na casa como o lar e as suas implicações. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 292 . da árvore e da pessoa. Os conceitos interpretativos são indicados no manual de interpretação do HTP de Buck (2003). enquanto. 2000). 2003. de cooperação. um lápis e uma borracha. Deve ser anotados também. resistência. Propõe-se que seja entregue uma folha de cada vez. tanto na época atual como na infância. seja na posição vertical. desconfiança ou.br São entregues ao indivíduo três folhas em branco. 2003). ou de aceitação passiva da tarefa. 2000). na pessoa. uma árvore e uma pessoa. CUNHA. pelo contrário. Interpretação Para analisar os desenhos da casa. mais existe a possibilidade de projeções de relações mais regressivas. FREITAS. sugerindo que o indivíduo fale sobre cada um dos desenhos.com. Quanto mais o sujeito estiver comprometido. A seguir é apresentado o objetivo de avaliação de cada desenho e os elementos a serem considerados para a análise do sujeito: Karina de O.

tensão nas relações e para analisar criticamente problemas gerados por essa situação. Desenho da pessoa Facilita mais associações conscientes do que os outros desenhos e contém elementos diretos da auto-imagem corporal. nível de contato com a realidade e grau de rigidez do indivíduo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 293 . linha de solo. etc. Finalmente os detalhes. ou galhos. se são essenciais ou não. Indica a capacidade do indivíduo em lidar com situações de estresse. Ênfase no detalhe. determinada pela localização no papel e pelo tipo de árvore. ou seja. Deve-se considerar na interpretação o tronco. como chaminé.www. Podem revelar os valores que o indivíduo atribui aos objetos. posição. Desenho da árvore Possibilita mais as ações pré-conscientes e inconscientes.com. a copa. qualidade da linha – podem ser considerados como um índice de reconhecimento. transparências e movimento – podem indicar a medida da compreensão do indivíduo. de interesse e de reação aos elementos da vida diária. Reflete ainda a capacidade do sujeito para relacionar e para submeter o self e as relações interpessoais à avaliação critica objetiva. acessórios. o sombreamento. mais abstratos da vida. como compreende e reage a aspectos mais complexos. bizarros. telhado. Desenho da Casa Estimula associações conscientes e inconscientes referentes ao lar e as relações interpessoais. é uma expressão gráfica da experiência de equilíbrio sentida pelo indivíduo e da visão de seus recursos internos para obter satisfação no meio ambiente.br Características gerais dos desenhos Observa-se a proporção entre a figura desenhada e a folha do desenho. pessoas e de como se sente no ambiente. em grande parte. e as partes que compõe a figura em relação a ela mesma. porta e janelas. Na análise são considerados os elementos essenciais. linha do solo e raízes. perspectiva. paredes. As áreas de interpretação no desenho da casa referem-se à acessibilidade. A perspectiva pode ser verificada na localização do desenho na página. A impressão geral do desenho é.educapsico. Karina de O. irrelevantes. situações.

após o término da tarefa gráfica. OLIVEIRA. conflitos. al. 4) Teste Desenho da Família (DF) Este teste. 2007). Segundo Cunha e Freitas (2003) há três formas de interpretação do desenho da família: de suas Karina de O. apesar de bastante conhecido e utilizado. os braços e as mãos e o tronco incluindo pernas e pés. atualmente não consta na lista de testes aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia. segundo os critérios propostos por Corman. lançou o desenho da família com a intenção de desvelar os conteúdos e processos emocionais inconscientes e conscientes referentes às relações dos participantes com seus objetos internos e externos pertinentes ao mundo familiar. et. em especial. da que representa o próprio indivíduo. em 1961. al. 2007). 2007). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 294 . os traços faciais. considerar as partes como a cabeça. Obtém-se. Trata-se de um instrumento gráfico projetivo indicado como recurso auxiliar na investigação clínica da personalidade de crianças e adolescentes (CUNHA. o modo como vivencia a relação com seus pais e demais membros familiares que constituíram figuras significativas em suas vidas (objetos internos) bem como as fantasias inconscientes. 2000. fundamentais na estruturação da personalidade e na relação estabelecida como o ambiente social (OLIVEIRA. solicita-se ao sujeito a realização de um desenho.com. no qual o aplicador obtém esclarecimentos acerca da produção do participante (OLIVEIRA. integrando dados relativos ao grupo familiar com hipóteses interpretativas de desenho da figura humana.www. al. uma apreciação do modo como se deu o processo de interiorização dos objetos e das relações objetais bem como da qualidade desses relacionamentos pri mários. Corman. et. al. et. 2007). mediante a instrução verbal “desenhe uma família”. aspectos formais e estruturais de cada figura. A análise. ansiedades e impulsos ligados à satisfação necessidades básicas (OLIVEIRA. et.educapsico. Parte-se do pressuposto de que o sujeito projeta.br É importante verificar o tipo de pessoa desenhada. leva em conta. Na aplicação do DF. assim. inicia-se um inquérito. em sua representação gráfica da família.

o nível gráfico: que leva em conta a amplitude.o uso de associações livres por parte do examinando. Ao acabar o desenho. não ultrapassando de duas sessões (TRINCA. solicita-se que o mes mo conte uma história sobre aquele desenho. bem como as angústias e fantasias Karina de O. 4.a extensão dos processos da entrevista semi-estruturada e não estruturada Para a aplicação.o objetivo de atingir aspectos inconscientes da personalidade. tamanho ofício. 5. constituindo-se da seqüência de cinco unidades de produção gráfica – desenhos livres – cada uma delas seguida de estória contada a partir daquele estímulo. que é feita de maneira individual. 2000). TARDIVO. deve-se utilizar a seguinte.Estórias (D-E) É uma técnica bastante utilizada em consultas clínicas. A produção gráfica tende a revelar a concepção e os conflitos inerentes ao manejo espacial. Espalham-se os lápis sobre a mesa.www. .br .o emprego de meios indiretos de expressão. mas. 2000): 1. o procedimento de desenhos-estórias é um instrumento que permite investigar aspectos da personalidade.o nível das estruturas formais: representação da figura humana como esquema corporal do sujeito. 6. 3. 1989).educapsico.nível de conteúdo: onde podem ser encontrados os principais aspectos projetivos do desenho. A folha é posta na horizontal e solicita-se que o sujeito faça um desenho livre. TARDIVO. A interpretação do material parte dos pressupostos psicodinâmicos (TRINCA. . É solicitado o procedimento desenho-história novamente. inquérito e título do desenho.a ampliação de possibilidades da observação livre. às funções e ao interior do próprio corpo. a localização na página e o movimento do traçado. LIMA. não faz parte do rol de testes aprovados pela última lista liberada pelo CFP. até que se completem cinco desenhos com suas respectivas histórias.com.a participação em recursos de investigação próprios de técnicas projetivas. Criado por Trinca em 1972. 2. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 295 . tem como características principais (TRINCA. lápis preto. a força e o ritmo do traçado. tendo o lápis grafite entre os coloridos. e caso não se consiga o produto de cinco desenhos em uma única sessão. A técnica do D-E. Deve-se tomar nota detalhada das histórias. coloca-se a disposição do sujeito. 5) Procedimentos de Desenhos. folhas em branco. uma caixa de lápis de cor.

6MF. 12H. 7MF. 6) Teste de Apercepção Temática (TAT) Parecer do CFP TAT TAT (TESTE DE APERCEPÇÃO TEMÁTICA) 1995 CASA DO PSICÓLOGO Favorável O TAT foi idealizado por Murray e Morgan em 1935. . Por meio dessa análise. LIMA. 17MF. as histórias e os títulos. e 18MF. 12RM. 12F. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 296 . Karina de O. porém. temporal. Além destas. 17RH e 18 RH. grau de coerência entre os desenhos. 2009). qualidade do grafismo. O teste pretende revelar impulsos. porém.br dominantes com relação ao corpo de outras pessoas construídas desde as pri mitivas relações de objeto. 2000). pode-se avaliar o grau das funções egóicas.Homens adultos as pranchas 3RH. entrevista devolutiva e outras áreas (TRINCA E TARDIVO. e uma em branco. Ela se revela útil em diagnóstico breve. Seu valor está presente principalmente no fato de tornar visível tendências subjacentes inibidas que o sujeito não deseja aceitar ou que não tem condições de admitir por serem inconscientes (CASA DO PSICÓLOGO. 17RH e 18RH. 13M. 12RM. 17MF. 7RH. 9MF. (TRINCA. 9RH. Tais relatos se fazem a partir de pranchas que são apresentadas aos sujeitos.educapsico. Utiliza-se um total de 30 pranchas com gravuras. a estruturação espacial.www. 9MF. emoções e sentimentos conflituosos de sujeitos de ambos os sexos com idade variante entre 14 e 40 anos.Homens jovens: 3RH. temas predominantes. etc. 13HF. 13R. 1989). São consideradas também as qualidades da verbalização: adequação ao nível evolutivo do sujeito. 8RH. a memória. uso de cores. 18MF. se dá nos aspectos formais e estruturais. . Destas. etc. 9RH. 13H. alógica. 6RH. como o raciocínio. significado das cores. entre elas a de Bellak. 8RH.).Mulheres jovens: 3MF. além de outros aspectos. recomenda-se aplicar as seguintes pranchas para cada sexo e faixa etária (FREITAS.Mulheres adultas: 3MF. A análise do D-E. 11 são aplicadas ambos os sexos e todas as idades. hoje só é considerada a forma de correção proposta por Murray (CUNHA. 2000): .com. só foi lançado em 1943. psicoterapia breve. 8MF. 6RH. 7RH. dando-se ênfase nas qualidades aparentes dos desenhos (localização. 8MF. . Contou com várias formas de interpretação. 7MF. 2000). 6MF.

gratidão. extroversão. 1977. senti mentos. Você me dirá o que aconteceu antes. autonomia. ou revelar o papel que estes desempenham na vida do sujeito (frustração. Cada uma das pranchas tem um significado específico e explora questões específicas. dependência. Aqui tenho algumas lâminas que vou lhe mostrar. As relações que se estabelecem entre o herói e outros personagens pode refletir atitudes conscientes ou inconscientes do sujeito frente a estes. inferioridade. e como terminará. introversão). é dada uma instrução sobre como proceder com o relato. etc. Para analisar o TAT. medo.Identificação do herói da história: que seria com quem o sujeito se identifica.www.). No início da aplicação. Explique o que sentem e pensam os personagens.Reconhecimento de seus motivos. é preciso fazer uma análise do discurso. para isto. citado em Freitas (2000). ou reação do herói às ações de outras pessoas. Exemplos: realização. tanto em seu aspecto formal quanto de seu conteúdo. objetos. Pode inventar a história que quiser”. É importante que se identifique os traços e tendências dos heróis (superioridade. Quero que você me conte uma história sobre cada uma. Murray. tendências e necessidades: são identificados na conduta do herói. podendo explorar a estrutura da personalidade subjacente. etc. é preciso que esta seja desmembrada nos conteúdos expressos no tema central. situações. É importante também que o psicólogo faça um exame das histórias do sujeito e de sua conduta durante a aplicação do teste (FREITAS. construção. geralmente são aplicadas em cada sujeito uma média de 20 pranchas (11 universais e nove selecionadas conforme sexo e faixa etária). Para análise do conteúdo da história. 2000). passividade. etc. 2000). levando o sujeito a comunicar imagens.educapsico.com.br Sendo assim. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 297 . aquisição. aventura. como ações de iniciativa em relação a pessoas. . Karina de O. curiosidade. agressão.). idéias e lembranças vividas diante de cada um desses enfrentamentos (FREITAS. agressão. e o que está acontecendo agora. podendo ser utilizadas duas sessões para aplicação. propõe as seguintes instruções básicas: “Este é um teste que consiste em contar histórias. estimulação. segundo Freitas (2000) é preciso que se faça: . bem como atitudes frente à autoridade (submissão.

Por vezes pode ocorrer também um novo pedido de avaliação após algum tempo. e até mesmo um outro profissional da área de psicologia. conflitos e como trabalha suas necessidades internas e enfrenta as pressões do ambiente. 1995). permite avaliar a adequação ou não à realidade. . seja devido à rotatividade encontrada em tais estabelecimentos. ou a ter realizado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 298 . como dito anteriormente.com. em Karina de O.www. devendo ser guardados por um período de cinco anos (ARZENO. se consegue chegar a conclusões sobre estas. seja em instituições.br . seja num trabalho particular (como consultório). e por geralmente estes informes serem encaminhados de modo escrito. a avaliação.Exame das pressões ambientais: identificar e avaliar as pressões que o herói percebe como vindas do ambiente e os efeitos destas.Desfecho da história: indica como o herói resolve suas dificuldades. mágicos e realistas ou os convencionais. como se resolvem e qual a intensidade dos conflitos. como resposta a um pedido de avaliação. por exemplo (ARZENO. representando assim. Também deve-se analisar como surgem. fornecendo alguns dados para a formulação terapêutica.educapsico. 2006). Além disto. refere-se ao resumo das conclusões diagnósticas e prognósticas. CFP. A partir do desfecho pode-se identificar o êxito ou fracasso na resolução das dificuldades. oti mistas e pessimistas. o que permite uma comparação entre o informe atual e o anterior (ARZENO. Pelo fato de poder ser outro o profissional a realizar. 1995. a realização do informe é imprescindível.Exploração dos estados interiores do herói: procura-se avaliar os afetos que se manifestam e em que direção e forma são conduzidos. . como no caso de alguma intervenção terapêutica ou cirúrgica. ou pelo falto de este poder dar seguimento ao caso num trabalho terapêutico. e deve fazer parte de cada conjunto dos documentos relativos às avaliações realizadas. a forma como o sujeito vê ou interpreta seu meio. As pressões podem facilitar ou impedir a satisfação da necessidade. No trabalho institucional. 1995). uma vez que diversos profissionais poderão ter acesso a este. Examina-se também se o herói demonstra insights das suas dificuldades. Informe Psicodiagnóstico O informe. observando a proporção entre os finais felizes e infelizes.

são presentes. preferencialmente. não só da área da saúde.com. Algumas vezes. lembrando-se de apresentar as potencialidades do sujeito. psicoterapia. do paciente avaliado. para que as informações passadas não sejam utilizadas como convier à causa.br forma de documento. etc. Uma linguagem menos técnica e mais concisa é utilizada ao se emitir o informe a profissionais da área da educação. a outros profissionais. sendo importante evidenciar potencialidades. 2006). Documentos Emitidos pelos profissionais Psicólogos Dando continuidade às questões referentes à maneira de se redigir os documentos de informe.www. adequados. CFP. ou deixar brechas para a utilização de rótulos desnecessários. pela resolução nº007/2003.educapsico. 1995). Para médicos. por insegurança. uma vez que qualquer informação colocada poderá ser utilizada a favor. tomando maiores precauções para não transparecer intimidades do caso que não se relacionem com campo pedagógico. informar se os traços de personalidade requeridos para a função. a maneira de redigi-los é bastante relevante. ou não. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 299 . termos comuns à psicopatologia. o profissional psicólogo pode vir a colocar no documento de informe tudo o que foi observado durante a avaliação. porém. não se deve dizer absolutamente tudo. afirmações que não sejam dúbias. instituiu um Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de Avaliações Psicológicas. ou com a finalidade de fazer muito bem seu trabalho. este deve. No campo judicial. o informe pode ser conciso. mas também educacional e judicial. 1995. fazendo uso de alguns pontos do material utilizado e termos comuns ao âmbito forense. e sim o que foi solicitado e servirá para esclarecer as conclusões obtidas. o Conselho Federal de Psicologia. Já no informe para fins trabalhistas. geralmente interessados em receber informações sobre a presença ou ausência de transtornos. aceitáveis ou ausentes no aspirante ao cargo. Ou seja. é importante dizer o necessário e de uma forma que sempre possa ser interpretado com objetividade e não possa ser usado em prejuízo do sujeito avaliado (ARZENO. A linguagem técnica é geralmente utilizada ao se enviar o documento a um outro profissional da mes ma área. inexperiência. definições e conclusões claras e elucidativas. o informe deve ser expresso em termos bastante inequívocos. Referindo-se a testes. Este será Karina de O. com respostas claras aos objetivos da avaliação. e até mesmo qual seria o cargo para o qual estas seriam mais aproveitadas (ARZENO.

dos documentos. deve se restringir pontualmente às informações que se fizerem necessárias. no aspecto sonoro e na ausência de vícios de linguagem e/ou cacofonias (sons desagradáveis formados pela união de palavras que podem dar a estas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 300 .br utilizado nos tópicos a seguir a fim de elucidar. ao produzir documentos escritos. estrutura e composição de parágrafos ou frases. Essa “economia verbal” requer do psicólogo a atenção para o equilíbrio que evite uma redação muito sucinta ou o exagero de uma redação prolixa. dinâmicas Karina de O. o psicólogo deverá adotar técnicas de linguagem escrita e os princípios éticos.com. considerando a quem o documento será destinado. estes devem corresponder aos seus reais significados. formas de apresentação. Por fi m. O que não significa que a linguagem deva ser sempre técnica. deve se basear exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas. o que é permitido pela coerência gramatical. evitando a diversidade de significações da linguagem popular. Com relação aos princípios técnicos. testes. A concisão se verifica no emprego da linguagem adequada. obsceno ou engraçado). a harmonia está presente na correlação adequada das frases. concisa. as definições. como dito no tópico anterior. não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo. baseado nos preceitos do CFP. recusando qualquer tipo de consideração que não tenha relação com a finalidade do documento específico. observações. A clareza se revela na estrutura frasal. e si m que quando há necessidade de termos mais simples. técnicos e científicos de sua profissão. garantindo a precisão da comunicação. sentido pejorativo. Quanto à linguagem escrita. Desta forma. A ordenação do documento deve possibilitar sua compreensão por quem o lê. harmônica e clara.educapsico. o documento deve apresentar uma redação bem estruturada. Princípios para redação dos documentos Para a redação dos documentos. pela seqüência/ordenamento adequado dos conteúdos. etc. O profissional psicólogo.www. possibilitando a expressão do que realmente se quer comunicar. da palavra exata e necessária. Frases e termos devem ser utilizados de forma compatível com as expressões próprias da linguagem profissional. o documento deve considerar a natureza dinâmica.

em toda e qualquer modalidade de documento. escuta. atestado psicológico. às relações com a justiça e ao alcance das informações – identificando riscos e compromissos em relação à utilização das informações presentes nos documentos em sua dimensão de relações de poder.educapsico. desde a primeira até a penúltima. Tipos de documentos Neste tópico será apresentado conceito. Dentre estes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 301 .com. Esses instrumentais técnicos devem obedecer às condições mínimas requeridas de qualidade e de uso. Outro fato importante de ser lembrado é que todas as laudas. do uso dos instrumentos. finalidade e estrutura de cada tipo de documento que pode ser emitido pelo profissional psicólogo. ao elaborar um documento. técnicas psicológicas e da experiência profissional da Psicologia na sustentação de modelos institucionais e ideológicos que perpetuem qualquer forma de segregação. estudos e interpretações de informações a respeito do sujeito atendido. bem como sobre outros materiais e grupo atendidos e sobre outros materiais e documentos produzidos anteriormente e pertinentes à matéria em questão. Deve-se realizar uma prestação de serviço responsável pela execução de um trabalho de qualidade cujos princípios éticos sustentam o compromisso social da Psicologia. Declaração Karina de O. Seria expressamente proibido realizar. devem ser rubricadas. ao sigilo profissional.br de grupo. relatório/laudo psicológico e parecer psicológico. sob toda e qualquer condição. a saber: declaração. Por fi m. considerando que a última estará assinada. o psicólogo deverá sempre basear suas informações nos princípios e dispositivos do Código de Ética Profissional do Psicólogo. devendo ser adequados à investigação em questão.www. os cuidados em relação aos deveres do psicólogo nas suas relações com a pessoa atendida. intervenções verbais) que se caracterizam como métodos e técnicas psicológicas para a coleta de dados. fazendo referência aos princípios éticos.

Justificar estar apto ou não para atividades específicas.Registro do local e data da expedição da declaração. para fins de comprovação). . . . Karina de O. situações ou estados psicológicos. A declaração deve ser emitida em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo.Finalidade do documento (por exemplo. Nele não devem ser feitos registros de sintomas. Quanto à estrutura. Tem a finalidade de declarar: .Comparecimentos do atendido e/ou do seu acompanhante.Informações sobre as condições do atendimento (tempo de acompanhamento.Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante.Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.br Documento que visa informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas relacionados ao atendimento psicológico. . após realização de um processo de avaliação psicológica.º da inscrição”). subsidiado na afirmação atestada do fato. quando necessário. a declaração deve expor: .Registro do nome e sobrenome do solicitante.educapsico.Registro de informações solicitadas em relação ao atendi mento (por exemplo: se faz acompanhamento psicológico.Acompanhamento psicológico do atendido. por requerimento. acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N. com fins de: . . . e tem como finalidade afirmar sobre as condições psicológicas de quem o solicita. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 302 . . dentro do rigor técnico e ético.www. . dias ou horários). em acordo com o disposto na Resolução CFP nº. . em quais dias. sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações. qual horário).Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante.Registro do nome completo do psicólogo.com. em que constem nome e sobrenome do psicólogo. Atestado Psicológico Este documento é utilizado para certificar uma determinada situação ou estado psicológico. 015/96.

Relatório ou Laudo Psicológico Referem-se a uma apresentação descritiva acerca de situações e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas. situação ou condições psicológicas que justifiquem o atendimento. separados apenas pela pontuação. acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N. deve ser subsidiado nos dados colhidos e analisados. afastamento ou falta – podendo ser registrado sob o indicativo do código da Classificação Internacional de Doenças em vigor.www. contendo somente o fato constatado.Finalidade do documento. pesquisadas no processo de avaliação psicológica. .Registro do nome completo do psicólogo. os registros devem estar transcritos de forma corrida. . . deve ter seu relatório correspondente guardado nos arquivos profissionais do psicólogo. em que conste o nome e sobrenome do psicólogo. . Ele deve expor: . ou o prazo previsto por lei. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 303 . .Registro do nome e sobrenome do cliente. o psicólogo deve preencher esses espaços com traços.com. O atestado deve ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo.º da inscrição”). Karina de O. Para evitar adulterações no documento. através do uso do psicodiagnóstico. ou seja. sem parágrafos.br Ao se formular o atestado.Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.educapsico. Caso haja necessidade da utilização de parágrafos. Como todo documento. sociais. à luz de um instrumental técnico baseado em referencial técnico-filosófico e científico adotado pelo psicólogo. Embora seja um documento simples. deve cumprir algumas formalidades. sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações. políticas e culturais.Registro do local e data da expedição do atestado.Registro da informação do sintoma. as informações devem restringir-se às solicitadas. É importante ressaltar que o atestado emitido para justificar aptidão ou não para determinada atividade. pelo prazo mínimo de cinco anos.

INTERESSADO – quem solicita . estar acompanhados das explicações e/ou conceituação retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que os sustentam. portanto.AUTOR/relator – quem elabora . precisão e harmonia. Nesta parte. prorrogação de prazo para acompanhamento ou outras razões pertinentes a uma avaliação psicológica).www. se foi de empresas. Os termos técnicos devem. o prognóstico e evolução do caso. tornando-se acessível e compreensível ao destinatário. procedi mento. entidades ou do cliente).nome(s) do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a avaliação. Quanto à sua estrutura. Procedimento Karina de O. deve conter narrativa detalhada e didática. caso necessário. limitando-se a fornecer somente as informações necessárias relacionadas à demanda. o relatório psicológico deve conter no míni mo cinco itens: identificação. as intervenções. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 304 . relatando sobre o motivo do encaminhamento. Descrição da demanda Esta parte destina-se à descrição das informações referentes à problemática apresentada e dos motivos.br Finalidade do relatório ou laudo psicológico: apresentar os procedimentos e conclusões geradas pelo processo da avaliação psicológica. o diagnóstico. justificando o procedimento adotado.ASSUNTO/finalidade – o psicólogo indicará a razão.educapsico.nome do autor do pedido (se a solicitação foi da Justiça. deve-se apresentar a análise que se faz da demanda.. o motivo do pedido (se para acompanhamento psicológico. O relatório psicológico é uma peça escrita de natureza e valor científicos. solicitação ou petição. Identificação Constitui-se da parte superior do primeiro tópico do documento com a finalidade de identificar: . . orientação e sugestão de projeto terapêutico.com. razões e expectativas que produziram o pedido do documento. descrição da demanda. com a(s) respectiva(s) inscrição(ões) no Conselho Regional. . solicitação de acompanhamento psicológico. bem como. Sendo assim. com clareza. análise e conclusão.

Conclusão Na conclusão do relatório.) à luz do referencial teórico-filosófico que os embasa. objetiva e fiel dos dados colhidos e das situações vividas relacionados à demanda. portanto. deve considerar a natureza dinâmica. econômicas e políticas. o documento é encerrado. Vale ressaltar a importância de sugestões e projetos de trabalho que contemplem as variáveis envolvidas durante todo o processo. Análise Na análise. As considerações geradas pelo processo de avaliação psicológica devem trans mitir ao solicitante tanto a análise da demanda como do processo de avaliação psicológica como um todo. O documento. data de emissão. ainda nesta parte. “O processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste procedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações históricas. deve-se respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental técnico utilizado. Somente deve ser relatado o que for necessário para o esclarecimento do encaminhamento. Após isto. Como apresentado anteriormente. não deve fazer afirmações sem sustentação em fatos e/ou teorias.educapsico. sociais. o psicólogo faz uma exposição descritiva de forma metódica.com. especialmente quando se referir a dados subjetivos. O procedi mento adotado deve ser pertinente para avaliar a complexidade do que está sendo demandado. assinatura do psicólogo e o seu número de inscrição no CRP. O psicólogo. devendo ter linguagem precisa. nos princípios técnicos. bem como princípios éticos e as questões relativas ao sigilo das informações. sendo as mesmas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 305 . não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo”. conforme explicita o Código de Ética Profissional do Psicólogo. com indicação do local. elementos constitutivos no processo de subjetivação. Nessa exposição. serão expostos o resultado e/ou considerações a respeito de sua investigação.br Nesta parte serão apresentados os recursos e instrumentos técnicos utilizados para coletar as informações (número de encontros. pessoas ouvidas etc. Karina de O.www.

pode-se afirmar “prejudicado”. Havendo quesitos. considerando os quesitos apontados e com fundamento em referencial teórico-científico. “sem elementos” ou “aguarda evolução”. visando diminuir dúvidas que estão interferindo na decisão. o psicólogo deve respondê-los de forma sintética e convincente. como os dados colhidos ou o nome dos envolvidos. portanto. o nome do autor da solicitação e sua titulação. que exige de quem responde competência no assunto. a descrição detalhada dos procedimentos. de uma “questão problema”.www. Ele tem como finalidade apresentar uma resposta esclarecedora no campo do conhecimento psicológico. exposição de motivos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 306 . Se o quesito estiver mal formulado. seja na ética. destacando os aspectos relevantes e opinar a respeito.com. Karina de O. através de uma avaliação especializada. Análise A discussão do Parecer Psicológico se constitui na análise minuciosa da questão explanada e argumentada com base nos fundamentos necessários existentes. sendo. análise e conclusão. não sendo necessária.br Parecer Psicológico O parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo. Quando não houver dados para a resposta ou quando o psicólogo não puder ser categórico.educapsico. Exposição de Motivos Nesta parte o parecerista transcreve o objetivo da consulta e dos quesitos ou apresenta as dúvidas levantadas pelo solicitante. uma resposta a uma consulta. tem-se que o parecer é composto de quatro itens: identificação. Quanto à estrutura. não deixando nenhum sem resposta. Identificação Identifica o nome do parecerista e sua titulação. O psicólogo parecerista deve fazer a análise do problema apresentado. portanto. Deve-se apresentar a questão em tese. deve-se utilizar a expressão “sem elementos de convicção”. na técnica ou no corpo conceitual da ciência psicológica.

a prática e a conduta requeridos pela organização” (Chiavenato. proporcionando oportunidades aos empregados de todos os níveis de obter o conhecimento. sendo assim classificados: . atitudes (frente aos aspectos da organização) e habilidades em função de objetivos definidos. Obedece a um programa preestabelecido e sistemático com objetivos de uma adaptação mais rápida da pessoa ao trabalho.Desenvolvimento de habilidades: . Treinamento e Desenvolvimento (T&D). deve informar o local e data em que foi elaborado o documento e assiná-lo.Transmissão de informação. Identificação das necessidades de treinamento por competência. o treinamento pode ser considerado um processo educacional de curto prazo aplicado de maneira sistemática e organizada. através do qual as pessoas aprendem conhecimentos (conhecimentos específicos relativos ao trabalho). respondendo à questão levantada. O conteúdo do treinamento pode ser classificado em quatro tipos.br Nesta parte. de acordo com a finalidade dos mesmos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 307 . É realizado por empresas terceiras especializadas ou pela própria empresa. 2002). Karina de O.Desenvolvimento ou modificação de atitudes. “O treinamento tem por finalidade ajudar a alcançar os objetivos da empresa. O psicólogo deve apresentar seu posicionamento. Segundo o mes mo autor. Capacitação e treinamento em ambientes organizacionais O treinamento é a educação do profissional para adaptá-lo a uma determinada empresa e cargo. Recursos de ensino. Metodologias de ensino. Em seguida.com. O papel do T&D nos programas de gestão de competência. deve respeitar as normas de referências de trabalhos científicos para suas citações e informações.educapsico. . Conclusão Parte final do parecer.www. 7.

diagnóstico e programações de treinamento.saídas: pessoal habilitado. Mas esta responsabilidade preferencialmente deve ser dividida entre o órgão responsável pelas atividades e o órgão de treinamento que deve prestar uma consultoria a este. seja para criar um clima mais satisfatório entre empregados. separado ou conjuntamente.com. cujos componentes são: . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 308 . .mudar a atitude das pessoas. informação. o processo de treinamento se assemelha a um modelo de sistema aberto. mas também para outras funções para as quais a pessoa pode ser considerada. programa de treinamento. implementação e execução. e avaliação dos resultados.Desenvolvimento de conceitos: Tais conteúdos podem ser utilizados. Os objetivos principais de um treinamento são: .www. não apenas em seus cargos atuais.educapsico.br . Karina de O. No processo de treinamento e desenvolvimento há a necessidade de se pensar nas seguintes etapas: levantamento das necessidades.preparar o pessoal para a execução imediata as diversas tarefas do cargo. . programação. etc.processamento: processo de aprendizagem.proporcionar oportunidades para o contínuo desenvolvimento pessoal. Para Chiavenato (2002).entradas: os treinandos. os recursos organizacionais.retroação: avaliação dos procedi mentos e resultados do treinamento através de meios informais ou de pesquisas sistemáticas. sucesso ou eficácia organizacional. etc. aumentar-lhes a motivação e torná-las mais receptivas às técnicas de supervisão e gerência. . habilidades. realizando levantamentos de necessidades. . . As responsabilidades do treinamento organizacional de uma maneira geral são ou dos órgãos de treinamento ou dos órgãos responsáveis pelas próprias atividades.

Entrevistas com os supervisores e gerentes.Entrevista de saída (para saber as causas do desligamento do empregado). são eles: . . Estão relacionados com a produção ou com o pessoal e servem como diagnóstico de treinamento. . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 309 . Além desses métodos. Os principais métodos para o levantamento das necessidades de treinamento são: .Reunião interdepartamentais. modernização do maquinário.com. . redução do número de empregados.Solicitação de supervisores e gerentes.Avaliação de Desempenho.br Levantamento das necessidades O levantamento das necessidades é uma forma de diagnóstico organizacional. entre outros. .Indicadores a priori: são os eventos que se acontecerem proporcionarão necessidades futuras de treinamento. .Análise de cargos. . .Relatórios periódicos. . existem alguns indicadores que podem sinalizar a necessidade de um programa de treinamento na organização.Modificação do trabalho (quando introduzidas na organização).educapsico.Exame de empregados (resultados dos exames de seleção). . Exemplos desses indicadores são: expansão da empresa.Observação. produção e/ou comercialização de novos produtos. .www. Exemplos desses indicadores são: baixa Karina de O.Indicadores a posteriori: são os problemas provocados por necessidades de treinamento não atendidas. .Questionários.

educapsico.A necessidade é imediata? Qual a sua prioridade em relação às demais? . elevado número de acidentes.br produtividade. o levantamento das necessidades realizado deve dizer O QUE deve ser ensinado.É preciso alguma providência inicial.www.Como resolvê-la: em separado ou combinada com outras? . QUANDO.A necessidade é permanente ou temporária? . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 310 . excesso de erros e desperdícios. etc.Qual o custo provável do treinamento.Qual a sua causa? .Qual o tempo disponível para o treinamento? .Qual é a necessidade? .É parte de uma necessidade maior? .com. POR QUE e QUEM deve ensinar. falta de cooperação entre os empregados. número excessivo de faltas dos empregados. erro na execução de ordens.Ocorre em outra área ou setor? .Quantas pessoas e quantos serviços serão atingidos? . . para QUEM. COMO. Programação A programação de treinamento é sistematizada e fundamentada sobre os seguintes aspectos que devem ser analisados durante o levantamento: . ONDE. antes de resolvê-la? .Quem irá executar o treinamento? Segundo Chiavenato (2002). Karina de O.Onde foi assinalada em primeiro lugar? .

. .br Os principais itens a serem lembrados durante o planejamento de uma programação de treinamento são: ...definição clara do objetivo do treinamento. 2002).controle e avaliação de resultados. As técnicas a serem utilizadas num programa de treinamento devem ser escolhidas levando-se em conta a otimização da aprendizagem. tempo e local de aplicação (Chiavenato.escolha dos métodos e tecnologia disponível. recursos áudio-visuais.com.determinação do conteúdo.educapsico. . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 311 .).divisão do trabalho a ser desenvolvido (módulos). . instrução programada. .. Técnicas de treinamento classificadas quanto ao uso .definição dos recursos necessários.cálculo da relação custo – benefício. .características pessoais. . grau de conheci mento.definição da população alvo (qtde. Essas técnicas podem ser classificadas quanto ao uso. instrução assistida por computador (essas duas ulti mas são também chamadas de técnicas auto-instrucionais). .local. Karina de O.Orientadas para o conteúdo: desenhadas para a transmissão de conhecimento ou informação como a técnica da leitura. . .www.abordagem de uma necessidade especifica de cada vez.época ou periodicidade.

treinamento de grupos. si mulações e jogos. partimos para a etapa da execução. Karina de O. etc. . Exemplos: RolePlaying. instrução no cargo. Técnicas de treinamento classificadas quanto ao local de aplicação . rotação de cargos.Treinamento depois do ingresso no trabalho: pode ser feito sob dois aspectos. treinamento da sensitividade. dentro ou fora do local de trabalho. Exemplo: programas de integração.Orientadas para o processo: desenhadas para mudar atitudes. etc. dramatização.educapsico. desenvolver consciência de si e dos outros e desenvolver habilidades interpessoais. etc. . com isto. rodízio de cargos.www.com. jogos. treinamento em tarefas. Execução Após o levantamento das necessidades de treinamento e sua programação. discussão em grupo.No local de trabalho: o treinamento no trabalho apresenta várias modalidades: admissão. Técnicas de treinamento classificadas quanto ao tempo . a classificação das técnicas de treinamento passa a depender do local de aplicação.Treinamento de indução ou de integração à empresa: visa a adaptação e ambientação inicial do empregado à empresa. filmes. etc. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 312 .Fora do local de trabalho: as principais técnicas de treinamento fora do trabalho são: aulas expositivas. enriquecimento de cargos. estudo de caso.Mistas: através das quais se transmite informação. . Exemplos: estudo de casos. instrução programada. e se procura mudar atitude e comportamentos.br .

redução do índice de manutenção de máquinas e equipamentos. mudanças de atitude e de comportamento das pessoas. aumento da eficiência. melhoria do cli ma organizacional. etc.www. . e depende dos seguintes fatores (Chiavenato. 2002): . Essa avaliação pode ser realizada em três níveis: .qualidade e preparo dos instrutores.adequação do programa de treinamento às necessidades da organização.Avaliação ao nível dos Recursos Humanos: o treinamento deve proporcionar resultados como: redução da rotatividade de pessoal. . melhoria da i magem da empresa. Karina de O.qualidade do material de treinamento apresentado. .Avaliação ao nível Organizacional: o treinamento deve proporcionar resultados como: aumento da eficácia organizacional.qualidade dos aprendizes (seleção do grupo adequada). . etc.br A execução do treinamento pressupõe o binômio instrutor X aprendiz e a relação instrução aprendizagem. redução do absenteísmo.cooperação dos chefes e dirigentes da empresa. .com.Avaliação ao nível das tarefas e operações: o treinamento deve proporcionar resultados como: aumento da produtividade. etc. elevação do conhecimento das pessoas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 313 .educapsico. redução do índice de acidentes. . Avaliação É a etapa final do processo de treinamento e deve considerar: se o treinamento produziu as modificações desejadas no comportamento dos empregados e se os resultados apresentam relação com o alcance das metas da empresa. melhoria da qualidade dos produtos e serviços.

assim como no uso intensivo das facilidades tecnológicas embutidas nas práticas de ensino à distância (EAD). bem como no desenvolvimento de portais corporativos onde o intercâmbio de informações e conhecimentos sirva como facilitador e catalisador de inovações e de geração de novos conhecimentos. o treinamento pode ser considerado uma resposta a um quadro de condições ambientais mutáveis e exigência de novos requisitos para a “sobrevivência e crescimento organizacional”. De forma a serem reconhecidos como legítimos portais corporativos. as organizações devem buscar soluções para o desenvolvimento de ferramentas e métodos de aprendizagens individuais e coletivas. e promoverem o aumento da capacidade de solução de Karina de O.educapsico. o fato de que o melhor profissional é aquele que “sabe aprender” ou que “está continuamente aprendendo”. Os Portais Corporativos.com. Metodologias em Desenvolvimento humano As constantes e rápidas mudanças nas tecnologias e nos desafios com que se deparam as organizações exigem competências e habilidades cada vez mais distintas dos trabalhadores e é consenso. atualmente. assi m como são os provedores de um ambiente tecnológico que permite a adequada gestão das informações e dos conheci mentos de uma organização. são a nova cola para dar apoio à transformação fundamental nos atuais modelos organizacionais e naquelas atividades intensivas em conhecimento. de forma distinta dos portais comerciais e de acesso à Internet.br Segundo Chiavenato (2002). na disseminação de bases de dados com as “melhores práticas” (best practices) e as “lições aprendidas” (lessons learned). Hoje em dia. as ferramentas mais utilizadas para o desenvolvimento de ações voltadas à aprendizagem contínua e à construção de um processo de educação organizacional estão baseadas na instituição das “Universidades Corporativas”. no e-learning (via Internet). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 314 . e assumirem que a função ou a responsabilidade pelos processos de aprendizagem extrapola os departamentos de treinamento e de capacitação e torna-se um imperativo para as ações gerenciais das organizações modernas.www. Desta forma.

incentivando a colaboração e o compartilhamento de experiências e conhecimentos. Avaliação e gestão de desempenho. fisicamente. b) conectar os indivíduos às fontes de informação. organização e divulgação e/ou publicação das informações e do conhecimento necessário às organizações. a televisão.educapsico. o vídeo. principalmente as telemáticas. unificando os ambientes de pesquisa. processos. Avaliação de resultados. o fax e tecnologias semelhantes. 8. atividades. estes devem atender a determinados objetivos específicos: a) integrar o uso de aplicativos e bases de dados informatizadas. o rádio. É ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos. o telefone. também podem ser utilizados como ferramenta de apoio à mudança da cultura das organizações. assim como redesenhando hierarquias e estruturas. e) permitir a criação de níveis mais profundos de colaboração entre os funcionários. o CD-ROM. d) automatizar e aperfeiçoar os ciclos de decisão dos trabalhadores do conhecimento. mas podem estar conectados. os portais corporativos. Indicadores de desempenho. interligados por tecnologias. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 315 . mediado por tecnologias. como a Internet. Por sua vez. c) “permitir a personalização do acesso à informação”. Mas também podem ser utilizados o correio.br problemas e/ou de geração de inovações no interior das organizações. informações e conhecimentos. onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. o Ensino a distância ou Educação a distância é o processo de ensinoaprendizagem. f) “fomentar a criação e a reutilização do conhecimento explícito e a localização de pessoas que podem aplicar seu conhecimento tácito em situações específicas”. Além disso. remodelando as formas de organização do trabalho e de capacitação. Karina de O. relacionamentos. ao integrarem os fluxos de dados.www.com.

informações sobre os cargos.com. 3) Comparação do desempenho com os padrões desejados. Desta forma o controle será exercido para que os diversos órgão e divisões da empresa tenham responsabilidades com o desenvolvimento de pessoal e também suas atividades sejam cumpridas da melhor forma possível. Ou seja. sobre os departamentos.br Há a necessidade de se controlar os recursos humanos. Os dados e informações fazem parte deste subsistema através dos bancos de dados e sistemas de informações. controle no sentido de perceber e avaliar desempenhos a fim de realizar correções para que os objetivos da empresa sejam atingidos. 1988. tais como dados pessoais. Karina de O. classificados e relacionados entre si permitem o surgimento da informação. O banco de dados no RH é utilizado de maneiras a armazenar dados sobre os funcionários. Banco de dados é um sistema de armazenamento e acumulação de dados devidamente codificados e disponíveis para o processamento e obtenção de informações. em consonância com os planos adotados. 335). A partir do momento que os dados são armazenados. 4) Ação corretiva. “quando se fala em resultados desejados.www. p. o banco de dados é um arquivo organizado para permitir a compilação dos mesmos. para o posterior uso. Os dados são informações coletadas que tem a finalidade de servirem de fundamentação para decisões e serem tomadas ou mesmo para criação de juízos. Assim.educapsico. CHIAVENATO (1988) traz que o processo de controle segue padrões que ocorrem em quatro etapas: 1)Estabelecimento de padrões desejados. parte-se do princípio de que estes resultados foram previstos e conhecidos” (CHIAVENATO. 2) Observação de desempenho. sobre pessoas currículos de pessoas de fora da organização. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 316 .

o processamento de requisições de pessoal.www. p. segundo Chiavenato (1988): gerar condições para perceber o potencial humano e desenvolvê-lo para sua plena aplicação. 1988. por exemplo. Os objetivos da Avaliação/Gestão de Desempenho. o resultado de treinamento. A literatura traz que normalmente os padrões na avaliação e controle do sistema de RH são: • • • • Padrões de quantidade: os quais são estabelecidos numericamente. deve identificar. possibilitar que os recursos humanos sejam percebidos como recursos básicos da organização e a partir disso trabalhar a administração da melhor maneira a fim de se obter maior produtividade e alinhar os interesses do funcionário ao da organização. Padrões de qualidade: são aqueles em que a quantificação não é possível. a porcentagem de rotatividade de empregados.educapsico. documentos. por exemplo. Lembrando que o controle neste caso significa a avaliação em busca de melhorar o funcionamento do sistema. Por fazer parte da base do processo decisório das organizações o sistema da informação. por exemplo. A avaliação deve ser vista como um meio e não como finalidade na busca pela produtividade e qualidade. tanto para a correção como dos desvios como para melhoria” (CHIAVENATO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 317 . envolver a rede de fluxos de informações da organização. medidas estatísticas entre outros. 350). E ele deve ser montado para atingir objetivos determinados para que o sistema torne-se eficiente de fato. que são os relatórios. Karina de O. Padrões de tempo: a velocidade que os processos ocorrem na organização. Padrões de custo: o custo que as ações do RH terão na organização. Tendo o objetivo de obter padrões a fim de que as avaliações possam ser realizadas e o controle possa ser estabelecido. por exemplo.com. A Auditoria de Recursos Humanos “é a análise das políticas e práticas de pessoal e a avaliação do seu funcionamento. custo com benefícios aos funcionários.br O sistema de informação no RH funciona através das entradas de dados (inputs) que serão computadas e transformadas em saídas (outputs).

atribuições e competência técnica do psicólogo nas organizações. luminosidade. foram se acentuando as inquietações com práticas organizacionais punitivas e discriminatórias“ (Bastos & Zanelli. moral no trabalho... p. 2004. Nas décadas seguintes. Neste período o desempenho no trabalho e a eficiência organizacional eram as preocupações que orientavam as atividades do psicólogo organizacional (Bastos & Zanelli. Até meados da década de 1930 o campo de aplicação das intervenções do psicólogo organizacional centrava-se em: treinamento. 468). turnos de trabalho. 2004. estudos se tempo e movimento. fadiga e monotonia. 468). “As investigações de Elton Mayo (. avaliação de executivos. entrevista de aconselhamento (Bastos & Zanelli. “Até metade do século XX.) que ficaram conhecidas como os estudos de Hawthorne (um bairro da cidade de Chicago) marcaram as décadas de 1920 e 1930 e revelaram a importância de considerar os fatores sociais implicados em uma situação de trabalho. ventilação. as atividades ampliaram-se para os incentivos não financeiros como liderança e supervisão. pois para se ter a compreensão integrada do ser humano é preciso a compreensão de sua inserção no mesmo. 2004). 2004).www.) desde então alcançaram relevância no mundo dos negócios” (Bastos & Zanelli.br III O PSICÓLOGO NAS ORGANIZAÇÕES. O surgi mento da Psicologia Organizacional e do trabalho dá-se num cenário de industrialização dos países dominantes no final do século XIX... Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 318 . Karina de O. como também compreender aspectos das relações que são criadas dentro das organizações (Bastos & Zanelli. A Psicologia tradicionalmente ocupou-se em compreender e intervir sobre fenômenos e processos relativos ao mundo do trabalho. segurança e disciplina. 2004). 1. p.educapsico. As atividades mais características e dominantes da Psicologia Organizacional por muito tempo foram a seleção de pessoal e o uso de testes psicológicos para maximizar o ajuste das pessoas aos cargos. relações homem X máquina. Papel profissional. As ciências do comportamento (.com. sob crescente pressão dos sindicatos para garantir os direitos dos trabalhadores. testes de admissão. relações interpessoais. atitude dos empregados.

www. E quando a profissão foi reconhecida legalmente. etc. a Psicologia Organizacional não se finda apenas nas práticas descritas aqui. surgem os primeiros investimentos e preocupações com os métodos de gestão mais apropriados às condições e características da realidade brasileira “(Bastos & Zanelli. A ética do psicólogo nas organizações. na década de 1960. É importante salientar que como em outras áreas da psicologia. .do foco no indivíduo há um movi mento consistente para entender e intervir sobre questões organizacionais mais amplas (Gestão de RH integrada e estratégica).br A Psicologia Organizacional aparece no cenário brasileiro na primeira metade do século XX. Assim como as transformações nas formas de produção são constantes no mundo de hoje. a atuação do psicólogo organizacional amplia-se ainda mais. com o aumento da competitividade. e posteriormente para o plano das políticas para as ações organizacionais. 2. a medida em que.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 319 . Durante o governo de Getúlio Vargas há uma reconfiguração do cenário nacional no que tange as relações de trabalho. Karina de O.amplia-se o reconhecimento de que a pesquisa é uma prática indispensável para fundamentar as intervenções organizacionais. Posteriormente.do plano das técnicas a atuação evolui para o plano das táticas e estratégias. na busca de respostas para os possíveis problemas que emergem das novas contingências. a Psicologia há que acompanhar tais mudanças.educapsico. A partir daí. Podemos enfatizar aqui algumas áreas como: qualificação. novas práticas do psicólogo organizacional são incorporadas. 2004). o campo da psicologia aplicada ao trabalho já estava consolidado. 2004). relações de trabalho. Podem-se destacar aqui alguns pontos como (Bastos & Zanelli. as organizações passam a exigir novas competências e formas de trabalho. condições de trabalho e higiene. com o crescente estudo do comportamento humano no mundo do trabalho. . desenvolvimento de novas tecnologias. 2004): . A partir disso. Na década de 1990. “(Bastos & Zanelli. globalização. sua área de atuação é ampliada dia a dia. mudanças organizacionais. ampliando as proposta de intervenção. etc. conseqüentemente. frente aos novos problemas surgidos no mudo do trabalho.

www.br Primeiramente devemos entender o profissional organizacional como sendo Psicólogo e estando. contribuíram para os avanços obtidos e expressos neste novo texto. Respeitar as indicações éticas da profissão é o pri meiro ponto ao qual devemos estar atentos. que consolida o Estado Democrático de Direito e legislações dela decorrentes. CONSIDERANDO o disposto na Constituição Federal de 1988.766. Deixamos aqui registrado nosso reconhecimento aos colegas do XII Plenário e a todos que. direta ou indiretamente. Ao Grupo. inciso VII.com. Código de ética profissional do psicólogo “Aos Psicólogos O XIII Plenário do Conselho Federal de Psicologia entrega aos psicólogos e à sociedade o novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. quando foi finalizado o texto que ora se apresenta. letra "e". do Decreto no 79.766 de 20/12/1971. portanto. agosto de 2005 XIII Plenário do Conselho Federal de Psicologia Aprova o Código de Ética Profissional do Psicólogo. O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Brasília. e o Art. Karina de O. Ao XII Plenário coube também a formação do Grupo de Profissionais e Professores convidados. CONSIDERANDO o disposto no Art. 6º. responsável por traduzir os debates nacionais do II Fórum Nacional de Ética. que lhe são conferidas pela Lei no 5. sujeito ao Código de Ética profissional do Psicólogo. Para isto segue abaixo o Código de Ética da Profissão Psicólogo. 6º. O trabalho de construção democrática deste Código esteve sob responsabilidade do XII Plenário. os resultados foram submetidos à aprovação da Assembléia de Políticas Administrativas e Financeiras do Sistema Conselhos de Psicologia. da Lei no 5. APAF. nossos agradecimentos e elogios pelo trabalho de tradução fiel aos debates e preocupações expressas no Fórum. sob a presidência do psicólogo Odair Furtado e sob a coordenação do psicólogo Aluízio Lopes de Brito. de 20 de dezembro de 1971.educapsico. no uso de suas atribuições legais e regimentais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 320 . Em nossa Gestão. conhecida como Constituição cidadã. então Secretário de Orientação e Ética.822 de 17/6/1977.

por ações e suas conseqüências no exercício profissional. e. a de assegurar.Aprovar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Karina de O. de modo a responsabilizálo.br CONSIDERANDO decisão deste Plenário em reunião realizada no dia 21 de julho de 2005. Art. A missão primordial de um código de ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho. sócio-culturais. em especial a Resolução CFP n º 002/87. Por constituir a expressão de valores universais. dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas.educapsico. 21 de julho de 2005. as profissões transformam-se e isso exige. 2º .Revogam-se as disposições em contrário. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 321 . um código de ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo. 1º . Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. Art.www. ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade. que refletem a realidade do país. tais como os constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta. RESOLVE: Art. 3º . Um Código de Ética profissional. As sociedades mudam.com. também. norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantam a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo. um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria. ANA MERCÊS BAHIA BOCK Conselheiro Presidente Apresentação Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais. e de valores que estruturam uma profissão. pessoal e coletivamente. sim.A presente Resolução entrará em vigor no dia 27 de agosto de 2005. Brasília. procura fomentar a auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis.

em 1988. d. de atender à evolução do contexto institucional legal do país.com. a profissão. responde ao contexto organizativo dos psicólogos. dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos. as entidades profissionais e a ciência. c.br A formulação deste Código de Ética. a expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres do psicólogo. Para tanto. Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. o presente Código foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão. contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da profissão. questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade. Consoante com a conjuntura democrática vigente. pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares. e das legislações dela decorrentes.educapsico. Karina de O. b. Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade. na sua construção buscou-se: a. sentida pela categoria e suas entidades representativas. O processo ocorreu ao longo de três anos. o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil. Abrir espaço para a discussão. em todo o país. oferecer diretrizes para a sua formação e balizar os julgamentos das suas ações.www. ao momento do país e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais. Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 322 . os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços. com a participação direta dos psicólogos e aberto à sociedade. marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade. pelo psicólogo. suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação.

cumprir e fazer cumprir este Código. Karina de O.www. IV. violência. analisando crítica e historicamente a realidade política. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código. V. O psicólogo atuará com responsabilidade social.São deveres fundamentais dos psicólogos: a. por meio do contínuo aprimoramento profissional. social e cultural. crueldade e opressão. Prestar serviços psicológicos de qualidade. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. 1º . c. conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 323 . contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática. divulgar. b. O psicólogo atuará com responsabilidade. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade. II. VII. econômica. III. da igualdade e da integridade do ser humano. discriminação.br Princípios Fundamentais I. teórica e tecnicamente. rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada. Das Responsabilidades do Psicólogo Art. ao conhecimento da ciência psicológica. Conhecer.com. apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços.educapsico. utilizando princípios. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações. VI. Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. exploração. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência. aos serviços e aos padrões éticos da profissão. da dignidade. na ética e na legislação profissional.

para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais. fornecendo ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho. consideração e solidariedade. discriminação. colaborar com estes. guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste Código. e. por motivos justificáveis. sempre que solicitado. a quem de direito. e fornecer. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional.educapsico. Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência. exploração. i. religiosas. respeito. k. de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. Art. e. na prestação de serviços psicológicos. a quem de direito. Sugerir serviços de outros psicólogos. j. empréstimo. violência. Zelar para que a comercialização. Informar. Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados.br d. Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão. sempre que.com. b. sem visar benefício pessoal. Ter. crueldade ou opressão. g. f. aquisição. salvo impedimento por motivo relevante. 2º . l. Fornecer. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia. Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente.Ao psicólogo é vedado: a. quando solicitado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 324 . transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. filosóficas. doação. Karina de O. transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. morais. h. ideológicas.www. Induzir a convicções políticas. a partir da prestação de serviços psicológicos. quando do exercício de suas funções profissionais.

técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão. Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica. desnecessariamente.www. decorrentes de informações privilegiadas. faltas éticas. assim como intermediar transações financeiras.br c. visando benefício próprio.educapsico. k. Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo. m. Desviar para serviço particular ou de outra instituição. Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas. h. além dos honorários contratados. relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 325 . pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. atuais ou anteriores. a prestação de serviços profissionais. Pleitear ou receber comissões. Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos. Ser perito. familiar ou terceiro. que tenha vínculo com o atendido. Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas. Prolongar. Estabelecer com a pessoa atendida. violação de direitos. Karina de O. l. empréstimos. d. doações ou vantagens outras de qualquer espécie. crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais. i. Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. j. e. tortura ou qualquer forma de violência. Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional. f. o. possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas. Ser conivente com erros. g. avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais. n.

Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado. q. 5º . Art. resguardando o caráter confidencial das comunicações. no relacionamento com profissionais não psicólogos: a. para ingressar. A pedido do profissional responsável pelo serviço. Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados demandas que extrapolem seu campo de atuação. Parágrafo único: Existindo incompatibilidade. de preservar o sigilo.O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional. Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado. de quem as receber.com. as políticas. garantirá que: a.O psicólogo. Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado. a filosofia. se pertinente. de forma a expor pessoas. Receber. quando participar de greves ou paralisações.O psicólogo. 7º . divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação. b. c.br p. considerará a missão. b.www. Art. as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código. Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as condições do usuário ou beneficiário. assinalando a responsabilidade. Art. apresentar denúncia ao órgão competente. pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de serviços. Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários dos serviços atingidos pela mesma.Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho. Art.educapsico. o psicólogo: a. 4º .O psicólogo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 326 . Karina de O. grupos ou organizações. associar-se ou permanecer em uma organização. 3º . b. 6º . Art. Realizar diagnósticos. As atividades de emergência não sejam interrompidas. nas seguintes situações: a. cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e.

13 . da interrupção voluntária e definitiva do serviço. o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias. a que tenha acesso no exercício profissional. baseando sua decisão na busca do menor prejuízo. deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício. quando dará imediata ciência ao profissional. Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada. por meio da confidencialidade. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais deste Código. Art.É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. 10 . Art. adolescente ou interdito. ao adolescente ou ao interdito. d. grupos ou organizações. Art. observadas as determinações da legislação vigente. Art. 12 . 9º .Quando requisitado a depor em juízo. o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo. o atendimento deverá ser efetuado e comunicado às autoridades competentes.educapsico. excetuando-se os casos previstos em lei. o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o cumprimento dos objetivos do trabalho. 11 .Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrentes do disposto no Art. c. Parágrafo Único .com.O psicólogo responsabilizar-se-á pelos enc aminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteção integral do atendido. considerando o previsto neste Código.www. Art.Nos documentos que embasam as atividades em equipe multiprofissional. 1.Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo. o psicólogo poderá prestar informações. 8º . a intimidade das pessoas.br b. o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 327 . Art. §2° . Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço.Para realizar atendimento não eventual de criança. por qualquer uma das partes.No atendimento à criança. Quando informado expressamente. 2. §1° .No caso de não se apresentar um responsáve l legal.

desde o início. 17 .Em caso de extinção do serviço de Psicolo gia. 18 . organizações e comunidades envolvidas. o psicólogo responsável informará ao Conselho Regional de Psicologia. ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais. grupos.com. 14 .O psicólogo. 19 . por quaisquer motivos. pesquisas e atividades voltadas para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias: a. b.Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer. § 2° .educapsico. grupos ou organizações. Garantirá o acesso das pessoas.www.O psicólogo. Art. c. Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos. emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão. salvo nas situações previstas em legislação específica e respeitando os princípios deste Código.A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigente. como pela divulgação dos resultados. 15 . Art. ou lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto. orientar e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas neste Código. informar. Art. Karina de O. d. grupos ou organizações aos resultados das pesquisas ou estudos. tanto pelos procedimentos. zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições. com o objetivo de proteger as pessoas. o psic ólogo deverá repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo. Garantirá o anonimato das pessoas.O psicólogo não divulgará.Em caso de demissão ou exoneração. salvo interesse manifesto destes. cederá. 16 . ensinará. ao participar de atividade em veículos de comunicação. ser informado.br Art. 1. Art. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 328 . devendo o usuário ou beneficiário. após seu encerramento. 2. que providenciará a destinação dos arquivos confidenciais. sempre que assim o desejarem. da base científica e do papel social da profissão. Avaliará os riscos envolvidos. mediante consentimento livre e esclarecido. Art. § 1° . na realização de estudos.Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo.

Divulgará somente qualificações.O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Psicologia.O psicólogo. h. c. ao promover publicamente seus serviços. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. d. c. o CRP e seu número de registro. na forma dos dispositivos legais ou regimentais: a. Art. 21 . 22 . 20 . Art.Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. 25 . 23 . ouvidos os Conselhos Regionais de Psicologia. g. Das Disposições Gerais Art.As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades.As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia. Multa. Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda. Suspensão do exercício profissional.educapsico. Não fará previsão taxativa de resultados. f. Karina de O. Art. por iniciativa própria ou da categoria. Advertência. d. Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais. 24 . por quaisquer meios.com. b. b. e. Informará o seu nome completo. atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão. individual ou coletivamente: a.Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005. por até 30 (trinta) dias. e. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Página 329 . cassação do exercício profissional. Censura pública.br Art. Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais.www. Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais. Art.

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