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O que são colisões?

Segundo o livro Fundamentos de Física I, Halliday Resnick & Walker, uma colisão “é
um evento isolado no qual dois ou mais corpos (os corpos que colidem) exercem
uns sobre os outros forças relativamente elevadas por um tempo relativamente
curto”. No dia-a-dia dizemos que uma colisão é um choque, o contato de dois ou
mais corpos. Exemplos: Acidente de automóveis, jogo de sinuca... Contudo, não
necessariamente há contato entre os corpos para haver uma colisão. Por isso,
assumiremos que a colisão é uma interação entre partículas.

O que é importante relembrar?

As colisões são divididas em dois grupos: as Elásticas e as Inelásticas (essa


subdivida em colisões inelásticas e perfeitamente inelásticas). A colisão inelástica
tem como característica o fato do momento linear do sistema se conservar, mas a
energia cinética do sistema não. A colisão elástica tem como propriedade o fato de
tanto o momento linear como a energia cinética do sistema se conservarem.
Estudo das Colisões
Quando dois corpos colidem como, por exemplo, no choque entre duas bolas de
bilhar, pode acontecer que a direção do movimento dos corpos não seja alterada
pelo choque, isto é, eles se movimentam sobre uma mesma reta antes e depois da
colisão. Quando isso acontece, dizemos que ocorreu uma colisão unidimensional.
Entretanto, pode ocorrer que os corpos se movimentem em direções diferentes,
antes ou depois da colisão. Nesse caso, a colisão é denominada de colisão
bidimensional.

Colisão central
(Conceitos básicos)
Sólido real é sempre ligeiramente deformável. Em átomos e moléculas, sem
modificação de estrutura, a deformação é perfeitamente elástica; o mesmo se
admite em sólidos macroscópicos em caso ideal. Em corpos reais toda deformação
é, ao menos em parte, permanente.
Quando dois sólidos tendem a ocupar simultaneamente a mesma região de
espaço, dá-se entre eles urna interação breve e intensa chamada colisão ou
choque. O processo é brevíssimo, as velocidades variam bruscamente (quase-
descontinuidade) em percursos exíguos (quase no mesmo lugar).
Os corpos colidentes exercem mutuamente forças de duração desprezível e
impulso considerável; são forças impulsivas. O impulso de uma força impulsiva é
chamado percussão. Na breve duração de uma colisão, o impulso de forças não
impulsivas (ditas aqui, forças contínuas) pode ser desprezado.
Considera-se como sistema o par de corpos colidentes, logo as forças impulsivas
são internas e as forças externas são contínuas. O impulso externo é nulo ou
desprezível, por isso o sistema é considerado isolado. No sistema de corpos
colidentes, verifica-se a Conservação do Momento Linear.
Durante a colisão o deslocamento do sistema é desprezível e o trabalho externo,
se não for nulo, é desprezível. Se o sistema sofrer variação de energia cinética, é
devido ao trabalho interno. Na maioria dos casos o trabalho interno é negativo;
em valor absoluto, ele mede a energia mecânica dissipada. Se a colisão liberar
energia potencial interna (por exemplo, energia química) o trabalho interno é
positivo.
Os centros de massa dos móveis colidentes se avizinham na fase de deformação,
se distanciam na fase de recuperação; se não houver recuperação, eles mantêm a
menor separação.
Na região de contato, os corpos colidentes admitem um plano tangente comum
chamado plano de contato; a normal a ele é chamada linha de colisão. Se os
centros de massa dos corpos colidentes pertencerem ambos à linha de colisão, o
choque é dito central; se não, tem-se choque excêntrico. A colisão entre esferas
homogêneas é sempre central.

Colisão excêntrica (G1 fora da


LC) e
oblíqua (u2 não paralela à LC)

Experimento - Segure uma folha de papel entre duas esferas de rolamento.


Quando as duas esferas são lançadas uma contra a outra, é gerado calor no ponto
de contato, e pode-se perceber queimaduras em um buraco no papel. Parte da
energia cinética é transformada em calor. Preste bastante atenção para sentir o
cheiro de papel queimado.
Se as velocidades dos móveis forem ambas paralelas à linha de colisão, tem-se
choque direto; se não, tem-se choque oblíquo.
Seja como for a colisão, central ou excêntrica, direta ou oblíqua, no sistema dos
corpos colidentes o impulso externo é nulo, o trabalho externo é nulo:
Iext = 0, portanto, Qantes = Qapós ...(1)
Wext = 0 , portanto, D(Ecin) = Wint ... (2)
As massas dos moveis sejam m1 e m2; suas velocidades sejam u1 e u2 antes da
colisão, v1 e v2 após. O momento linear do sistema se conserva, logo a velocidade
do centro de massa se conserva:
m1.u1 + m2.u2 = m1.v1 + m2.v2 = (m1 + m2).vG ... (3)
Examinaremos somente colisões centrais (diretas ou oblíquas).

Colisão central e direta Colisão central oblíqua


(u1 > u2) (j1 e j2 não ambos nulos)

Em colisão oblíqua:
a) admitiremos que as velocidades dos centros de massa, e a linha de colisão,
sejam coplanares;
b) desprezaremos atrito entre os móveis, logo a linha de colisão é a linha de ação
comum das forças de interação impulsivas que os móveis exercem mutuamente;
c) quanto às velocidades, as componentes segundo a linha de colisão variam, mas
as componentes normais à linha de colisão se conservam (conseqüência da
propriedade b).
Adotemos a linha de colisão como eixo de abscissas.
Antes: u1 = u1x.i +u1y.j
u2 = u2x.i + u2y.j ... (4)
Depois: v1 = v1x.i + v1y.j
v2 = v2x.i + v2y.j ... (5)
Já temos: u1y = v1y e u2y = v2y -- propriedade (c) . ... (6)
A velocidade de aproximação dos moveis é (u1x - u2x), a velocidade de
afastamento é (v2x - v1x). Chama-se "coeficiente de restituição" do par de
materiais que constituem os móveis o quociente da velocidade de afastamento
pela velocidade de aproximação:
e = (v2x - v1x)/(u2x - u1x) ... (7)
O coeficiente de restituição depende essencialmente dos materiais dos móveis.
Demonstra-se que ele equivale à relação entre o impulso escalar que um dos
móveis recebe na recuperação, pelo impulso que ele recebe na deformação: e =
Irec./Idef.

Material e
Molécula em molécula,
1
sem variação de estrutura.
Vidro em vidro 0,93 a 0,95
Marfim em marfim 0,88 a 0,89
Aço em aço 0,50 a 0,80
Chumbo em chumbo 0,12 a 0,18
Argila em argila (úmidas) 0

Pelo coeficiente de restituição, as colisões se classificam conforme o quadro


seguinte:

Coeficiente
Colisão
de restituição
anelástica e = 0
mole 0 < e<1
elástica e = 1
explosiva 1 < e

Nos corpos colidentes realiza-se trabalho interno resistente na fase de


deformação, trabalho interno motor na eventual fase de recuperação. Finda a
deformação, a energia cinética do sistema é mínima no processo; sobrevindo
recuperação, a energia cinética aumenta outra vez.
Em colisão perfeitamente elástica o trabalho interno é realizado só por forças
conservativas, as mesmas na deformação como na recuperação; do início ao fim
do processo, a soma desses trabalhos é nula. Na deformação o sistema perde
energia cinética e armazena energia potencial elástica; na recuperação o sistema
converte a mesma energia potencial em energia cinética.
Em colisão perfeitamente elástica a energia cinética antes da interação é
igual à energia cinética após.
Em colisão mole (ou parcialmente elástica) ou totalmente inelástica, intervém
dissipação de energia mecânica; a recuperação é só parcial, ou nula. A energia
mecânica dissipada equivale à energia não mecânica que surge; via de regra,
surge energia térmica.
Colisão explosiva só ocorre em sistema contendo energia mecanizável que a
interação libera: mola tensa que se dispara, rompimento de recipiente contendo
gás comprimido, espoleta que deflagra explosão etc.
Em colisão central direta as velocidades são colineares com a linha de colisão
(eixo Ox). São elas u1 e u2 antes, v1 e v2 após o choque. Verifica-se a
Conservação do Momento Linear do sistema:
m1.u1 + m2.u2 = m1.v1 + m2.v2 = (m1 + m2).vG ... (8)
A velocidade do centro de massa é
vG = (m1.u1 + m2.u2)/(m1 + m2) ... (9)
O coeficiente de restituição é
e = (v2 - v1)/(u2 - u1) ... (10)
Tendo-se em vista a equação (9), as equações (8) e (10) fornecem:
v1 = vG + e.m2.(u2 - u1)/(m1 + m2)
v2 = vG + e.m1.(u1 - u2)/(m1 + m2) ... (11)
Em conseqüência da colisão, a energia cinética do sistema sofre o incremento
D(Ecin) = (Ecin)após - (Ecin)antes; esta grandeza é chamada "Q" do processo. Resulta:
Q = D(Ecin) = (e2 - 1).(1/2).(m1.m2).(u1 - u2)2/(m1 + m2) ... (12)
Em colisão anelástica (e = 0) é Q = - |Q|; a energia |Q| é dissipada, e é máxima
em igualdade das demais condições (materiais, massas e velocidades).
Em colisão elástica (e = 1) é Q = 0: a energia cinética do sistema após a colisão é
igual àquela antes da colisão, isto é:
(1/2).m1.u21+ (1/2).m2.u22 = (1/2).m1.v21 + (1/2).m2.v22 ... (13)
Neste caso pode-se prescindir do coeficiente de restituição; v1 e v2 resultam das
equações (8) e (13):
v1 = vG + m2.(u2 - u1)/(m1 + m2)
v2 = vG + m1.(u1 - u2)/(m1 + m2) ... (14)
Em colisão explosiva (e > 1) é Q = +|Q| =/= 0: a energia cinética do sistema
aumenta à custa de energia interna.
Exemplos: Tiro de fuzil em carga de dinamite. Nêutron penetrando em núcleo
que se fissiona. Ciclo de Bethe-Weizsacker, que libera a energia irradiada pelo Sol.
Em colisão central oblíqua aplicam-se, segundo Oy, as equações (6). Segundo Ox,
aplicam-se as equações 8, 9, 10 e 11.
Caso particular interessante é o da colisão de uma esfera homogênea com uma
parede lisa, rígida e indeslocável.
Colisão em parede fixa

A parede equivale a corpo estacionário tendo inércia infinita. Nas equações


precedentes, a massa da parede é concebida como variável que tende ao infinito.
Com a notação da ilustração acima, resultam:
v1x = - e.u1x
v1y = u1y ... (15)
tgb = (1/e).tga
v = u.cosa.(e2 + tg2a)1/2
Se a colisão for elástica, (e = 1), resultam a = b, u = v.
Em colisão anelástica (e = 0) resultam b = p/2, v = u.sena; após a colisão, a
esfera percussora desliza ao longo da parede (que foi considerada lisa).