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processo civil - classificação das ações

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CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES

Considerações iniciais
• A atuação do Poder Judiciário, à luz das normas processuais, se dá tendo em vista um dos diferentes tipos de provimentos jurisdicionais desejados pelo autor, ou seja, por aquele que procura o Poder Judiciário em busca de uma solução para a lide, tencionando fazer valer aquilo que afirma ser seu direito. • A doutrina costuma proceder à classificação das ações tendo em vista o tipo de provimento jurisdicional pedido pelo autor, quando do exercício do direito de ação. • Essa forma de classificação das ações parte do pressuposto de que, se toda ação implica determinado pedido de provimento jurisdicional, e, ainda mais, se entre as ações é possível estabelecer diferenças exatamente na medida da distinção entre os provimentos pedidos em juízo, é justificável classificá-las de acordo com esse critério.

através de sentença de mérito.AÇÃO DE CONHECIMENTO • é aquele em que a parte realiza afirmação de direito. voltadas a demonstrar a existência do direito (regra geral. modifique ou extinga (regra geral. • As partes têm oportunidade de realizar ampla produção de provas. pelo réu) ou a existência de fato que o impeça. analisando todos os fatos alegados pelas partes.decidindo. cuja solução será ou no sentido positivo ou no sentido negativo. demonstrando sua pretensão de vê-lo reconhecido pelo Poder Judiciário. • o juiz realiza ampla cognição. pela procedência ou pela improcedência do pedido . mediante a formulação de um pedido. pelo réu). conforme esse pleito da parte seja resolvido por sentença de procedência ou de improcedência. aos quais deverá conhecer e sobre eles aplicar o direito.

em razão de dano que lhe tenha sido causado por B (por exemplo. as partes (A e B) produzirão provas a respeito de tudo quanto tenham alegado. causado por B. Pedirá ao juiz a condenação de B ao ressarcimento dos danos que sofreu. em seguida. no qual sofreu danos pessoais (ferimentos. B terá oportunidade para ampla defesa e. dando pela procedência ou pela improcedência do pedido formulado por A. por ex.) e materiais (estragos em seu veículo). .AÇÃO DE CONHECIMENTO • Se A afirma ser titular de direito a indenização. em acidente de automóvel). o meio para a obtenção de provimento jurisdicional que resolva essa lide será o processo de conhecimento. Após a produção das provas o juiz sentenciará. • No pedido. A dirá que em determinado dia e hora foi vítima de acidente de automóvel.

4. nem quer "criar" relação jurídica nova. que foi. por exemplo) não tendo. afinal. e já pagou o título. Ex2: Usucapião . como efetuar a comprovação do pagamento.as ações declaratórias (meramente declaratórias) são aquelas em que o interesse do autor se limita à obtenção de uma declaração judicial acerca da existência ou inexistência de determinada relação jurídica ou a respeito da autenticidade ou da falsidade de um documento (art. • Ex: A. extraviou o título de crédito (duplicata de prestação de serviços. Quer apenas e tão-somente a declaração judicial da inexistência da relação jurídica noticiada.° do CPC). Também. Necessitando fazê-lo. já se havia extinguido com o pagamento. cujo pedido é limitado à declaração da inexistência da relação débito/crédito entre A e B. propõe ação declaratória. no passado. não quer desconstituir a relação que. devedor de B.ESPÉCIES DE AÇÃO DE CONHECIMENTO • Ações declaratórias . A não quer que B a nada seja condenado. agora.

por exemplo).ESPÉCIES DE AÇÃO DE CONHECIMENTO • Ações constitutivas . modificação ou desconstituição do estado ou relação jurídica por via jurisdicional (Ex: a anulação do casamento). estaremos diante de sentença constitutiva. A propõe ação de anulação de contrato. alegando vício de vontade (coação. mas declaração acompanhada da constituição. e sentenças constitutivas nãonecessárias. . ex. porque estará desconstituída a relação jurídica entre A e B. a anulação dos atos jurídicos etc. Se for julgado procedente o pedido. não contêm condenação. para a produção de certos efeitos jurídicos que também poderiam ser conseguidos extrajudicialmente: p. a rescisão de contrato. • Ex: Contra B.. modificação ou desconstituição de uma situação jurídica.As ações constitutivas. por seu turno. • Existem sentenças constitutivas necessárias quando o ordenamento jurídico só admite a constituição.

além da declaração (que é a eficácia inicial da sentença). em razão do dano que lhe foi causado por este. • Ex: A promove ação de reparação de danos contra B. haverá sentença condenatória. a uma condenação do réu ao cumprimento de obrigação ativa ou omissiva. as ações condenatórias são as mais frequentes. no campo não-penal são condenatórios todos as ações que visem a obter a imposição ao réu de uma prestação de dar.As ações condenatórias são aquelas em que o autor instaura processo de conhecimento visando. que autorizará posterior execução • Tanto no civil como no penal. alegando que.ESPÉCIES DE AÇÃO DE CONHECIMENTO • Ações condenatórias . fazer ou não-fazer . Se seu pedido for julgado procedente. sofreu prejuízos materiais e morais que precisam ser ressarcidos e reparados (respectivamente) por B.

civis e processuais cabíveis. que reverterá aos cofres públicos.As ações mandamentais têm por objetivo a obtenção de sentença em que o juiz emite uma ordem cujo descumprimento por quem a receba caracteriza desobediência à autoridade estatal passível de sanções.ESPÉCIES DE AÇÃO DE CONHECIMENTO • Ações mandamentais . • O não cumprimento com exatidão do provimento mandamental sujeita o destinatário da ordem do juiz a multa de até 20% do valor da causa. 330 do CP tipifica o crime de desobediência). Exemplos típicos são as sentenças proferidas no mandado de segurança e na ação de nunciação de obra nova (art. 938 do CPC). sem prejuízo da imposição das demais sanções criminais. . inclusive de caráter penal (o art.

• Ação de execução – era voltada.AÇÃO DE EXECUÇÃO • De nada adiantaria para a parte a obtenção de uma sentença de mérito condenatória. diante do réu que. apesar de condenado a cumprir determinada obrigação. resista à espontânea observância do provimento jurisdicional. . Tratava-se de meio de estabelecer coativamente o cumprimento do comando existente na sentença. em que o Poder Judiciário determinasse ao réu o cumprimento de certa obrigação. para atuar concretamente o provimento de mérito proferido em processo de conhecimento condenatório anterior. em regra.

. a ação de execução seria o meio tradicional criado pelo sistema processual para que. atos de força. coativamente realizados pelo Estado). através das quais se dê pleno cumprimento àquilo que se tenha decidido na sentença. mediante os chamados meios executórios (isto é.AÇÃO DE EXECUÇÃO • Esse tipo de ação se destinava a operar modificações no mundo empírico (isto é.: Se a sentença condenou B a pagar a A determinada quantia em dinheiro e se B não o faz espontaneamente. no mundo dos fatos). • Ex. A efetivamente receba de B aquilo a que tem direito.

Nelas há uma autorização para executar. 475-I e seguintes do CPC – Fim da “execução de título judicial” • As ações condenatórias são. a sentença de procedência das ações de conhecimento são executadas no próprio processo em que proferida e não se vincula a um novo processo de execução. agora. No entanto.O Fim da ação de execução? • Lei n. • Em suma. a produção de efeitos práticos.232/2005 (Lei do Cumprimento das sentenças) – art. As sentenças de procedência são exequíveis no mesmo processo em que foi proferida. . executivas lato sensu. por meio de cumprimento da sentença. 11. independe de posterior ação (processo) de execução autonôma. no mundo dos fatos. • O autor não necessita ajuizar ação de execução para obter a pretendida alteração no mundo dos fatos.

São os chamados títulos executivos extrajudiciais (exs. contratos etc. . cheque.: nota promissória. somente para: • atuar concretamente comandos existentes em documentos firmados entre as partes. estrangeiras devidamente homologadas.AÇÃO DE EXECUÇÃO • A ação autônoma de execução.) • Atuar concretamente comandos em títulos extrajudiciais tais como sentenças arbitrais. aos quais a lei confere a mesma força executiva atribuída à sentença condenatória. etc. atualmente.

AÇÃO CAUTELAR • O espírito que norteia o sistema processual é o da efetividade. em princípio. no tempo decorrido entre o pedido e a sentença ou entre o ajuizamento da inicial da execução e o pagamento ao credor. em razão do tempo ou de atos do réu tendentes à sua frustração. que resolva a lide no sentido jurídico e prático. que. isto é. deve receber uma resposta satisfatória. pouco importando. no sentido de que todo aquele que invoca a tutela do Estado. que seja uma resposta de procedência ou de improcedência. a todos quantos da função jurisdicional precisem. para esse fim. se a jurisdição é. ela deve. inafastável e indelegável. uma resposta efetiva. exista o risco do esvaziamento do resultado útil do processo. Afinal. por meio da jurisdição (por via de ação de conhecimento ou de execução). entretanto. . • Pode ocorrer.

AÇÃO CAUTELAR • Ex. mas sim com a atuação concreta no sentido de fazer com que. ocorra a transformação consistente em fazer com que B efetivamente pague aquilo a que tenha sido condenado. • Pode ocorrer. todavia. no mundo dos fatos. sabendo que fatalmente será condenado a indenizar os danos que causou no patrimônio de A por meio de retirada forçada de bens de seu patrimônio. não haverá mais bens capazes de responder pela obrigação. diante da inexorabilidade do provimento jurisdicional contrário a seu interesse. para que com tais bens se obtenha o dinheiro suficiente para pagar o que deve a A. que atitudes de B tendam a inviabilizar o provimento jurisdicional. B. . A não se contenta com a sentença que condena B ao pagamento. começa a vender todos os seus bens. quando advier o cumprimento da sentença.: Se A pediu a condenação de B ao pagamento de uma indenização (processo de conhecimento). de forma que.

tendentes a assegurar os efeitos de um provimento principal. em perigo por eventual demora na solução do processo. seja o resultado de processo de execução que já se encontra em curso. • Finalidade: proteger contra o risco de ineficácia o resultado do processo: seja a eficácia futura de provimento jurisdicional que muito provavelmente será proferido em processo de conhecimento. ou que brevemente estará tramitando em juízo (processo cautelar incidental ou preparatório).AÇÃO CAUTELAR • Ações Cautelares: são ações preventivas e acessórias que visam a providências urgentes e provisórias. .

ainda que mínima. a fim de evitar a frustração de seus efeitos concretos • Hipóteses no CPC – medidas típicas (a produção antecipada de provas. pode o autor servir-se do processo cautelar para que.etc. por meio de uma medida de natureza cautelar.) e atípicas (poder geral de cautela do Juiz. arresto. garanta a eficácia do processo principal. seja do provimento jurisdicional definitivo. com base no qual ele pode conceder medidas cautelares modeladas segundo a necessidade de cada caso concreto .AÇÃO CAUTELAR • Pressupostos da ação cautelar: • Estando presente esse risco (periculum in mora) e sendo razoável a hipótese de que o provimento jurisdicional seja favorável ao autor. porque existe indicação. da plausibilidade do direito de que afirma ser titular (fumus boni iuris).

CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES PENAIS .

b) de iniciativa privada. independe da manifestação de vontade de quem quer que seja. não excepcionar. dizendo qual a natureza da ação. ao definir o crime. ela é pública incondicionada. Ação penal pública condicionada . • A AÇÃO PENAL PÚBLICA subdivide-se: • Ação penal incondicionada . 100. a ação penal se classifica em: a) pública. . art.o Ministério Público. apresentando-se a condicionada como exceção. por isso.embora a titularidade da ação seja sempre do representante do Ministério Público. a lei condiciona o exercício desta à representação do ofendido ou à requisição do Ministro da Justiça (CP. para promovêla. quando a lei. § 1º) • A ação penal pública incondicionada é a regra.AÇÃO PENAL (CRITÉRIO SUBJETIVO) • Do ponto de vista de quem a promove.

Por isso mesmo que o ofendido.a qualquer das pessoas citadas (art. que se prefere relegar a um plano secundário a pretensão punitiva estatal. Uma vez intentada. 29. • Ação penal de iniciativa privada subsidiária da pública . . além de intervir obrigatoriamente em todos os atos do processo. o Ministério Público. CP). noutros casos. §3º. ao seu representante legal ou sucessor. CPP. a lesão é particularmente insignificante para a ordem pública. poderá retomar a ação como parte principal a qualquer tempo. 100. já que continua titular dela. sempre que o titular da ação penal deixar de intentá-la no prazo legal. titular da ação privada.AÇÃO PENAL (CRITÉRIO SUBJETIVO) • A AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA subdivide-se: • Ação penal de iniciativa exclusivamente privada . tem como razão de ser o fato de que a publicidade do delito afeta tão marcantemente a esfera íntima e secreta do indivíduo.compete exclusivamente ao ofendido. pode a qualquer momento desistir dela. ao contrário do acusador oficial. art.

tipicamente condenatória a sentença criminal que impõe ao réu a pena cominada pela lei em virtude do ilícito penal cometido. art. do CPP (a qual declara a inexistência da relação jurídica consubstanciada no direito de punir) ou a ação em que se declara extinta a punibilidade (CPP. • Exemplos de ação meramente declaratórias .AÇÃO PENAL (Pelo tipo de provimento judicial) • A ação condenatória é a regra. pois. CPP). 102-107).o habeas corpus previsto no art. 632 ss. • É exemplo de ação constitutiva a revisão criminal (arts. É. inc. arts. VII. 61). 648. ou condenatória (CP. . de vez que a pretensão do Estado configura normalmente pretensão punitiva.

do CPP (a qual declara a inexistência da relação jurídica consubstanciada no direito de punir) ou a ação em que se declara extinta a punibilidade (CPP. 61). VII. inc.depoimento ad perpetuam rei memoriam (art. 648. p. 225. antecipações de provas. ex. como o exame de corpo de delito (art. 648.habeas-corpus (art. prisão cautelar (CPP. art. V. do CPP). 311. CPP). § 2º e 594). 301.o habeas corpus previsto no art.AÇÃO PENAL (Pelo tipo de provimento judicial) • Exemplos de ação meramente declaratórias . CPC). . inc. 408. • A execução penal – função de natureza jurisdicional (mas não tem natureza de ação) • Exemplos de ação cautelar . • Medidas cautelares . 158. arts.

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