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Estudo Da Estrutura Hfc Utilizada Como Rede de Acesso a Internet

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FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE

Tecnologia em Informática para Gestão de Negócios

RONALDO BALBINO LUNA

ESTUDO DA ESTRUTURA HFC UTILIZADA COMO REDE DE ACESSO A INTERNET

São Paulo 2009

RONALDO BALBINO LUNA

ESTUDO DA ESTRUTURA HFC UTILIZADA COMO REDE DE ACESSO A INTERNET

Monografia apresentada no curso de Tecnologia em Informática para Gestão de Negócios na Faculdade de Tecnologia da Zona Leste como requisito parcial para obter o título de Tecnólogo. Orientador: Prof. MS. Antonio Tadeu Pellison

São Paulo 2009

                                   
            1. Internet. 2. Meio físico. 3. Rede HFC. I. Pellison, Antonio Tadeu. II. Faculdade de Tecnologia Zona Leste Fatec ZL. LUNA, Ronaldo Balbino Estudo da estrutura HFC utilizada como rede de acesso a Internet / Ronaldo Balbino Luna; orientador Antonio Tadeu Pellison. - São Paulo, 2009. 81f. Monografia – Faculdade de Tecnologia Zona Leste.  

                 

RONALDO BALBINO LUNA

ESTUDO DA ESTRUTURA HFC UTILIZADA COMO REDE DE ACESSO A INTERNET

Monografia apresentada no curso de Tecnologia em Informática para Gestão de Negócios na Faculdade de Tecnologia da Zona Leste como requisito parcial para obter o título de Tecnólogo.

COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________________ Prof. MS. Antonio Tadeu Pellison Faculdade de Tecnologia da Zona Leste ______________________________________ Prof. Luciano Francisco de Oliveira Faculdade de Tecnologia da Zona Leste ______________________________________ Carlos Henrique Rodrigues Silva

São Paulo, 11 de Dezembro de 2009

DEDICATÓRIA

A Deus, a minha família e aos meus amigos de empresa... Companheiros que estão ao meu lado em todas as horas...

AGRADECIMENTOS

Aos professores orientadores Antonio Tadeu Pellison e Ricardo Iannace, pela ajuda em de todas as etapas desta pesquisa. A minha família, pela compreensão, confiança e apoio. Aos amigos e colegas de empresa, pela ajuda e mudanças na disponibilidade de horário, que foram fundamentais para a conclusão da carga horária de estudo. Aos professores e amigos de curso, pois juntos trilhamos uma etapa importante de nossas vidas. A todos que contribuíram para a realização e finalização desta pesquisa.

“A teoria é assinada mais cedo ou mais tarde pela experiência.” Albert Einstein

LUNA, Ronaldo Balbino. Estudo da estrutura HFC utilizada como rede de acesso a Internet. 2009. 81f. Monografia (Graduação em Tecnologia em Informática para Gestão de Negócios) – Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, 2009. RESUMO As redes de TV a Cabo deixaram de ser apenas redes de transmissão de canais pagos para se transformar em redes de telecomunicações. Este estudo é focado nas redes Híbridas de Fibra Óptica e Cabos Coaxiais (HFC), uma rede que combina fibras ópticas e cabos coaxiais na transmissão e recepção de dados, sendo utilizada como acesso a Internet, um serviço prestado e operado por grandes empresas e muito importante na atualidade devido a sua rapidez e acesso facilitado e que tem a sua demanda crescendo a cada dia. Este trabalho abordará a evolução dos temas propostos, como a Internet, meio físico de acesso, cabo coaxial, fibra óptica e rede HFC, buscando apresentar seu histórico, seus conceitos básicos e sua funcionalidade realizando uma pesquisa bibliográfica para analisar as contribuições teóricas existentes sobre este assunto. Palavras chave: Internet. Meio Físico. Cabo coaxial. Fibra óptica. HFC

LUNA, Ronaldo Balbino. Study of the structure HFC used as Internet access network. 2009. 81f. Monograph (Graduation in Computer Technology for Business Management) - Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, 2009. ABSTRACT The Cable TV networks are no longer only Paid TV channels broadcasting networks but are more and more used as telecommunications networks. This Study is focused on The Hybrid Fiber Coaxial (HFC) network, which combines coaxial cable and optical fiber for data transmission and reception, being used for internet access service, provided today by big companies and increasing due the high demand and easier access. The objective of this work is to cover the relevant aspects of the physical transmission media like coaxial cables, optical fibers, HFC, covering their history, basic concepts, functionality, and based on the relevant bibliographic contributions and references.

Keywords: Internet. Physical Transmission Media. Coaxial cable. Optical fiber. HFC.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Base de assinantes de Banda Larga - Fonte ABTA-----------------------------28 Figura 2 - Cabo coaxial-------------------------------------------------------------------------------30 Figura 3 - Circuito equivalente----------------------------------------------------------------------31 Figura 4 - Medidas do cabo coaxial---------------------------------------------------------------32 Figura 5 - Impedância cabo coaxial---------------------------------------------------------------32 Figura 6 - Cabo troncal e cabo drop--------------------------------------------------------------33 Figura 7 - Fibra óptica--------------------------------------------------------------------------------35 Figura 8 - Estrutura básica da fibra óptica-------------------------------------------------------36 Figura 9 - Representação índice de refração---------------------------------------------------37 Figura 10 - Atenuação X Comprimento de onda-----------------------------------------------38 Figura 11 - Fibra óptica Multimodo de índice de degrau-------------------------------------39 Figura 12 - Fibra óptica Multimodo de índice gradual----------------------------------------40 Figura 13 - Dimensões de fibras multimodo índice degrau---------------------------------40 Figura 14 - Fibra monomodo índice de degrau------------------------------------------------42 Figura 15 - Fibra monomodo índice gradual----------------------------------------------------42 Figura 16 - Sistema básico de transmissão por fibra-----------------------------------------44 Figura 17 - Logomarca HBO------------------------------------------------------------------------47 Figura 18 - Arquitetura básica rede TV a Cabo------------------------------------------------49 Figura 19 - Arquitetura Tree and Branch--------------------------------------------------------50 Figura 20 - Cidade atendida por vários Headends--------------------------------------------51 Figura 21 - Fibra óptica sobre uma rede Tree and Branch----------------------------------52

Figura 22 - Arquitetura HFC-------------------------------------------------------------------------53 Figura 23 - Célula Supra-----------------------------------------------------------------------------56 Figura 24 - Espectro de frequência na rede HFC---------------------------------------------56 Figura 25 - Filtro Diplex em um amplificador Bidirecional-----------------------------------57 Figura 26 - Comunicação entre CMTS e CM---------------------------------------------------60 Figura 27 - Modulação QPSK e QAM------------------------------------------------------------62 Figura 28 - Conexão do Modem ao PC----------------------------------------------------------63 Figura 29 - Diagrama em bloco de um Cable Modem----------------------------------------64 Figura 30 - Portadora de Downstream-----------------------------------------------------------66 Figura 31 - Portadora de Upstream---------------------------------------------------------------66 Figura 32 - Diagrama em blocos da rede de acesso HFC----------------------------------67 Figura 33 - Conexão a casas e apartamentos (MDU)----------------------------------------68 Figura 34 - Divisor de sinal--------------------------------------------------------------------------69 Figura 35 - Acoplador Direcional de sinal-------------------------------------------------------70 Figura 36 - TAP ponto de acesso a Assinantes------------------------------------------------71 Figura 37 - Esquema de ligação da Fonte a Rede--------------------------------------------71 Figura 38 - LPI------------------------------------------------------------------------------------------72 Figura 39 - Comparação entre formas de onda------------------------------------------------72 Figura 40 - Amplificador Externo e Interno (MDU)--------------------------------------------73

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Camada ISO/OSI------------------------------------------------------------------------23 Tabela 2 - Comparativo entre modelo de camada OSI e TCP/IP-------------------------25 Tabela 3 - Taxas correlacionadas às características físicas da planta metálica------27 Tabela 4 - Tabela Material X Constante dielétrica--------------------------------------------33 Tabela 5 - Tabela de atenuação dos cabos de rede externa (dB/100m)----------------34 Tabela 6 - Tabela de atenuação dos cabos de rede interna (dB/100m)-----------------35 Tabela 7 - Prestadoras de Serviços de TV por Assinatura----------------------------------48 Tabela 8 - Outorgas de Serviços de TV por Assinatura-------------------------------------48 Tabela 9 - Tabela comparativa entre as dimensões de células----------------------------55 Tabela 10 - Parâmetros DOCSIS para Banda de Descida e Retorno--------------------60 Tabela 11- Taxas de bits da Banda de Descida e Retorno---------------------------------61 Tabela 12 - Especificação Técnica de um Cable Modem DOCSIS-----------------------65

   

LISTA DE SIGLAS

ABTA ADSL AM-VSB ANATEL ANS APD ARPA ASCII CATV CERN CM CMTS Db dBm dBmV DC DOCSIS DRI DTH EBCDIC FAPESP FBB FTB FTLA FTP FTSA FTTF

Associação Brasileira de Televisão por Assinatura Asymmetric Digital Subscriber Line Amplitude Modulation - Vestigial Side-Band Agência Nacional de Telecomunicações Advanced Network end Services Avalanche Photodiode Advanced Research and Projects Agency American Standard Code for Information Interchange Cable Television Center European for Nuclear Physics Cable Modem Cable Modem Termination System Decibel dB miliwatt dB milivolt Direct Current Data Over Cable Service Interface Specification Defense Research Internet Direct to home Extended Binary Coded Decimal Interchange Code Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo Backbone Fiber Fiber to Bridger Fiber to the Last Active File Transfer Protocol Fiber to the Service Area Fiber to the Feeder

FTTN HBO HFC HTML HTTP Hz ICQ IP IPv6 ISSO ISP ITU Kbps LAN LED LNCC LPI MAC Mbps MCNS MDU MHz MMDS MSO NSF OSI P2P PC PCI

Fiber to the Node Home Box Office Hybrid Fiber Coax Hyper Text Markup Language Hyper Text Transfer Protocol Hertz Programa de comunicação instantânea pela Internet Internet Protocol Internet Protocol versão 6 International Organization for Standardization Internet Service Provider International Telecommunication Union Kilo bit por segundo Local Area Network Light Emission Diode Laboratório Nacional de Computação Cientifica Line Power Inserter Media Access Control Mega bits por segundo Multimedia Cable Network System Multiple Dwelling Unit Mega Hertz Multipoint Multichannel Distribution Service Multi Systems Operator National Science Foundation Open System Interconnect Peer-to-Peer Personal Computer Peripheral Component Interface

PPV QAM QoS QPSK RNP S-CDMA SMTP STB TCP/IP TDMA UDP UFRJ UHF USB VHF VOD VOIP WWW

Pay per View Quadrature Amplitude Modulation Quality of Service Quadrature Phase Shift Keying Rede Nacional de Pesquisas Synchronous Code Division Multiple Access Simple Mail Transfer Protocol Set top Box Transmission Control Protocol/Internet Protocol Time Division Multiple Access User Datagram Protocol Universidade Federal do Rio de Janeiro Ultra High Frequency Universal Serial Bus Very High Frequency Video on Demand Voz sobre IP Word Wide Web

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO---------------------------------------------------------------------------------------18 2 INTERNET--------------------------------------------------------------------------------------------20 2.1 Evolução da Internet---------------------------------------------------------------------------20 2.2 Camadas de Protocolo------------------------------------------------------------------------22 2.2.1 Modelo ISO/OSI--------------------------------------------------------------------------------22 2.2.2 TCP/IP--------------------------------------------------------------------------------------------24 2.3 Internet de Alta Velocidade------------------------------------------------------------------26 2.4 Redes de Acesso--------------------------------------------------------------------------------28 3 MEIO FÍSICO-----------------------------------------------------------------------------------------30 3.1 Cabos Coaxiais----------------------------------------------------------------------------------30 3.2 Fibras Ópticas------------------------------------------------------------------------------------35 3.2.1 Cabos Multimodais e Monomodais-----------------------------------------------------39 3.2.2 Vantagens da Fibra Óptica----------------------------------------------------------------42 3.2.3 Desvantagens da Fibra Óptica-----------------------------------------------------------44 3.2.4 Sistemas Ópticos-----------------------------------------------------------------------------44 4 REDES HFC------------------------------------------------------------------------------------------46 4.1 Visão Geral----------------------------------------------------------------------------------------46 4.2 Arquitetura----------------------------------------------------------------------------------------49 4.2.1 Arquitetura Tree and Branch-------------------------------------------------------------49 4.2.2 Arquitetura HFC-------------------------------------------------------------------------------52 4.3 Espectro de Frequência-----------------------------------------------------------------------56

4.4 Camadas de Protocolo na Rede HFC-----------------------------------------------------57 4.5 DOCSIS---------------------------------------------------------------------------------------------58 4.6 Cable Modem-------------------------------------------------------------------------------------63 4.7 Diagrama da rede de acesso HFC---------------------------------------------------------67 4.7.1 Componentes da Rede Interna e Rede Externa------------------------------------67 4.7.2 Componentes do Headend e Internet--------------------------------------------------74 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS----------------------------------------------------------------------76 REFERÊNCIAS----------------------------------------------------------------------------------------79
 

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1 INTRODUÇÃO

Devido à popularização do acesso a rede mundial de computadores e o aumento da inclusão digital em grande escala, a rede HFC entra em evidência, pois as empresas que possuem este tipo de rede de acesso as Operadoras de TV a Cabo estão ao longo do tempo ganhando mercado e ficando conhecidos por oferecer seus serviços de acesso que antes estavam vinculadas a outras tecnologias e empresas de Telefonia como acesso discado e ADSL. Com o crescimento da utilização das redes HFC como redes de acesso a Internet, cresce também a demanda para obter informações sobre este sistema, sua arquitetura e funcionalidade bem como sua estrutura que é formada por uma rede mista de cabos coaxiais e fibra óptica. Os assuntos atingidos na pesquisa estão dispostos de acordo com esta demanda por informações, sendo abordados assuntos como Internet, meios físicos de acesso e detalhes sobre a rede HFC Este trabalho tem como objetivo indicar argumentos para desenvolvimento do assunto, contribuindo assim com a explanação da evolução e crescimento da Internet, bem como a crescente velocidade de conexão e comentar sobre os tipos de redes de acesso. Serão também analisados os meios físicos de transmissão de dados, os cabos coaxiais e fibras ópticas, suas formas de construção, tipos de cabos, funcionalidade, detalhes técnicos, vantagens e desvantagens Como principal contexto da pesquisa a rede HFC será detalhada, mostrando uma visão geral sobre o setor de CATV desde seu inicio nos Estados Unidos e chegada ao Brasil considerando os números do setor, os tipos de arquitetura de construção e distribuição de rede, disponibilização de banda larga, detalhes da comunicação Cliente-Sevidor, padrão DOCSIS de funcionamento e parâmetros do sistema, diagrama em blocos e componentes de rede. Para a realização deste trabalho será utilizado o método de pesquisa bibliográfica através de sites de Internet, livros publicados, mestrados, apostilas de curso e
 

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treinamento, bem como visita e levantamento de informações em empresa da área do tema abordado. Como justificativa desta pesquisa será analisada a arquitetura e funcionalidade das redes HFC, de forma geral para sua melhor compreensão e utilização, esta rede necessita de parâmetros e conhecimentos técnicos teóricos mais avançados os profissionais desta área obtém conhecimento quase que exclusivamente da própria empresa do ramo que trabalham sendo raro o oferecimento de cursos fora deste âmbito.

 

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2 INTERNET

2.1 Evolução da Internet “A internet surgiu de um projeto da agência norte-americana Advanced Research and Projects Agency (Arpa) com o objetivo de conectar os computadores dos seus departamentos de pesquisa.” (Cyclades Brasil, 2003, p.15). A conexão entre a Universidade da Califórnia de Los Angeles e Santa Bárbara, Universidade de Utah e Instituto de Pesquisa de Stanford em 1969 formaram a Arpanet.
Esse projeto inicial foi colocado a disposição de pesquisadores, o que resultou em uma intensa atividade de pesquisa durante a década de 70, cujo principal resultado foi a concepção do conjunto de protocolos que até hoje é a base da Internet, conhecido como TCP/IP. No inicio da década de 80, a Arpanet iniciou a integração das redes de computadores dos centros de pesquisa à Arpanet. Nessa mesma época foi feita na Universidade da Califórnia de Berkeley a implantação dos protocolos TCP/IP no sistema operacional Unix, o que possibilitou a integração de varias universidades à Arpanet. (Cyclades Brasil, 2003, p.15)

Cyclades Brasil (2003), afirma que em 1985 a (NSF) National Science Foundation uma entidade americana instituiu uma conexão entre seus centros de pesquisa e esta conexão foi dada o nome de NSFNET, e em 1986 foi conectada à Arpanet. ”O conjunto de todos os computadores e redes ligados a esses dois backbones (espinhas dorsais de uma rede) passou a ser conhecido oficialmente como Internet.”
Em 1988, a NSFNET passou a ser mantida com o apoio das organizações IBM, MCI (empresa de telecomunicações) e Merit (instituição responsável por uma rede de computadores de instituições educacionais de Michigan) que formaram uma associação, a Advanced Network and Services (ANS). Em 1990, o backbone Arpanet foi desativado, criando-se em seu lugar o backbone Defense Research Internet (DRI); entre 1991 e 1992, a ANS desenvolveu um novo backbone, conhecido como ANSNET, que passou a ser o backbone principal da Internet. [...] (Cyclades Brasil, 2003, p.16)

Kurose e Ross (2006), afirmam que a explosão da Internet na década de 90 teve inicio marcado pelos seguintes fatos que simbolizavam a evolução e iminente comercialização de acesso à Internet. Com o fim da progenitora da Internet Arpanet e o crescimento cada vez maior de trafego de dados da MILNET e da Defense Data Network (Rede de Dados de Defesa) a partir dos anos 80, o Departamento de
 

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defesa dos Estados Unidos e a NSFNET começou a utilizar sua rede como um backbone interligando sua rede nacional as suas bases em outros países, mas foi em 1991 que a NSFNET acaba com as restrições comerciais da rede que impossibilitava a utilização da Internet por corporações, anos mais tarde perde seu mandato no controle de trafego de backbone para as empresas provedoras de serviço de Internet.
A partir de 1993, a Internet deixou de ser uma instituição de natureza apenas acadêmica e passou a ser explorada comercialmente, tanto para a construção de novos backbones por empresas privadas como PSI, UUnet, Sprint, Teleglobe, Cable & Wireless, entre outras, como para o fornecimento de serviços diversos, abertura essa em nível mundial. (Cyclades Brasil, 2003, p.16)

Kurose e Ross (2006), afirmam que o fato marcante da explosão da Internet foi a criação do WWW (Word Wide Web) que popularizou o acesso a rede e possibilitou que milhões de pessoas e empresas do mundo inteiro ficassem conectadas, compartilhando arquivos e informações. A plataforma Web foi criada entre 1989 e 1991 por Tim Berners-Lee no CERN (Center European for Nuclear Physics) Centro Europeu para Pesquisa Nuclear em Genebra, Suíça, com base em trabalhos anteriores sobre hipertexto, como resultado surgiu também as primeiras versões de HTML (Hyper Text Markup Language) e HTTP (Hyper Text Transfer Protocol), servidor para Web e Browser respectivamente. No final de 1992 já existiam aproximadamente 200 servidores de Web em funcionamento e este numero expressivo era pouco para o que estava por vir, em 1994 Marc Anderson esteve à frente da criação do popular browser Mosaic que mais tarde se transformaria no gigante Netscape. A Netscape reinou entre os maiores browsers até 1996, neste ano a empresa Microsoft começou a criar browsers e competir diretamente pela liderança no mercado com o Internet Explorer dando inicio a uma grande batalha entre as empresas, vencida pela Microsoft anos depois. Cyclades Brasil (2003), afirma que no Brasil a Internet chegou em 1988 por iniciativa da comunidade acadêmica de São Paulo FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Cientifica). Foi criada pelo Ministério de Ciências e Tecnologia em 1989 a RNP (Rede Nacional
 

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de Pesquisas) uma instituição que iniciou e coordenou o fornecimento de serviço de acesso a Internet no Brasil com a construção de um backbone que interligou as instituições educacionais à Internet.
A exploração comercial da Internet foi iniciada em dezembro de 1994 com um projetopiloto da Embratel. Inicialmente o acesso a Internet efetuou-se por meio de linhas discadas, e posteriormente (abril de 1995) por acessos dedicados via Renpac ou Linhas E1. De 1995 até os dias de hoje, o mercado de Internet no Brasil popularizou-se e amadureceu. Hoje esse mercado é composto por provedores de backbone, provedores de acesso e de conteúdo de diversas origens e tamanhos. (Cyclades Brasil, 2003, p.16)

Kurose e Ross (2006), afirmam que até o final do milênio a Internet dava suporte para quatro aplicações principais de enorme popularidade mundial: Email. Navegação pela Web e comércio eletrônico. Serviço de mensagem instantânea como o ICQ. Compartilhamento P2P (peer-to-peer) de arquivos. Nas duas primeiras aplicações citadas foram criadas por comunidades de pesquisa enquanto que as duas últimas foram concebidas por iniciativa de jovens empreendedores. Nos anos que se seguiram a Internet teve um crescimento vertiginoso, milhões de usuários em um mercado recém lançado proporcionaram que centenas de empresas colocassem suas ações a venda nas Bolsas com valores milionários sem mesmo ter amostras de lucros, ou seja, a empresa era avaliada não só pelo seu fluxo de receita, mas por sua popularidade de acessos.

2.2 Camadas de Protocolo
 

2.2.1 Modelo ISO/OSI
O modelo Open System Interconnect (OSI) foi criado em 1977 pela International Organization for Standardization (ISO) com o objetivo de criar padrões de conectividade para a interligação de sistemas de computadores, as redes de computadores. (Cyclades Brasil, 2003, p.49)

 

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Cyclades Brasil (2003), afirma que para facilitar a compreensão dos fundamentos de uma comunicação entre programas de uma rede de computadores, os aspectos de conectividade foram divididos em sete camadas funcionais de protocolos, com isso é criado uma divisão clara das funcionalidades de cada uma das camadas de comunicação e ainda serve de ajuda para a compreensão das diversas arquiteturas disponíveis no mercado. As camadas de protocolo estão divididas em dois domínios, o domínio de rede que são os protocolos referentes à conectividade entre computadores, representados como camada (física, enlace e rede) e o domínio de aplicação que são protocolos referentes à comunicação entre programas, representados como camada de (sessão, apresentação e aplicação), a camada que faz a ligação entre os dois domínios é a camada de transporte conforme tabela 1 abaixo.
Tabela 1 - Camada ISO/OSI

Camadas
Camada 7 Camada 6 Camada 5 Camada 4 Camada 3 Camada 2 Camada 1

Domínios

Aplicação Apresentação Sessão Transporte Rede Enlace Física Rede Ligação Aplicação

Camada física compreende as especificações do hardware utilizado na rede, que abrange aspectos mecânicos, elétricos e físicos. Camada de enlace, os protocolos desta camada têm como principal função garantir que os dados transmitidos por um computador ligado diretamente a outro cheguem a seu destino com integridade e conta com algumas ferramentas como controle de fluxo e correção de erros, porem esta restrita a apenas dois nós da rede.
 

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Camada de rede, nesta camada a forma da topologia e estrutura da rede é apresentada, os protocolos utilizam algoritmos de roteamento como a Internet Protocol (IP) para tratar o fluxo de mensagens na rede, disciplinas de controle e endereçamento. Camada de Transporte, na camada de transporte os protocolos tem a função de garantir que os dados transmitidos por um programa de computador cheguem ao seu destino, (outro programa de computador) com integridade em um processo de comunicação. Camada de sessão, nesta camada os protocolos tratam da comunicação entre programas que estão rodando em computadores conectados à rede, tem a função de situar formas de comunicação como Half-duplex, full-duplex ou one-way, estabelecer pontos de sincronismo em uma comunicação, autenticação das informações e recuperação das informações na transmissão de dados. Camada de apresentação, na camada de apresentação é tratada a semântica e sintaxe das informações transmitidas entre os programas, criptografia, conversão entre caracteres de tabelas diferentes como ASCII e EBCDIC e compressão ou descompressão de dados. Camada de aplicação, camada onde residem as aplicações de rede e protocolos como o HTTP que fornece requisição e transferência de um documento pela rede, o SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) que fornece transferência de mensagem no correio eletrônico e FTP (File Transfer Protocol) que fornece a transferência entre dois arquivos finais Para cada tipo de comunicação é importante observar que esta camada não define como a aplicação final será, mas sim o protocolo de aplicação correspondente. (Cyclades Brasil, 2003)

2.2.2 TCP/IP Cyclades Brasil (2003), TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) da mesma forma que o modelo OSI o TCP/IP é formado por um conjunto de protocolos de comunicação que tem como função fazer a comunicação entre computadores em redes locais e remotas.
 

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A arquitetura TCP/IP surgiu em 1975 na rede Arpanet [...]. As especificações dos protocolos são públicas e genéricas, o que permite sua implementação por diversos fabricantes. O protocolo TCP/IP é hoje adotado comercialmente por muitos ambientes como Unix, Novel, Windows NT e OS/2. (Cyclades Brasil, 2003, p.67)

O protocolo TCP/IP é formado por quatro camadas aplicação, transporte, internet e interface de rede, a tabela 2 faz um comparativo entre as camadas de protocolo OSI e TCP/IP.
Tabela 2 - Comparativo entre modelo de camada OSI e TCP/IP

 

Modelo OSI
Camada 7 Camada 6 Camada 5 Camada 4 Camada 3 Camada 2

TCP/IP

Aplicação Apresentação Sessão Transporte Rede Enlace Interface de rede Transporte Internet Aplicação

Camada 1

Física

 

Aplicação – são aplicações e processos de comunicação em rede entre processos de diferentes computadores o TCP/IP é uma arquitetura aberta, portanto qualquer usuário pode criar suas aplicações na rede. Exemplos de protocolo de aplicação: telnet, FTP e SMTP.   Transporte provê serviços de comunicação ponto a ponto são utilizados dois protocolos nesta camada o TCP (Transmission Control Protocol) que é dirigido à conexão e garantia de entrega dos dados em ordem correta e o protocolo UDP (User Datagram Protocol) que não é dirigido à conexão e não é garantida a entrega dos dados, mesmo assim tem menos overhead (processamento em excesso) que o TCP.
 

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Camada Internet, são os protocolos responsáveis pelo roteamento dos dados e endereçamento dos equipamentos na rede e tem como principal protocolo o IP (Internet Protocol) Interface de rede, são os protocolos que formam as rotinas de acesso a rede física, como temos uma camada de comunicação com o hardware permite que as outras camadas trabalhem independentemente do equipamento utilizado. (Cyclades Brasil, 2003)

2.3 Internet de Alta Velocidade
 

A Internet de alta velocidade ou Banda Larga veio para oferecer um acesso com taxas mais altas de bits por segundo do que o utilizado na Banda Estreita. Banda Estreita é o acesso a Internet por modem discado, ligado por uma linha telefônica ao ISP (Internet Service Provider) provedores de serviços de Internet, este modem converte o sinal digital da saída de um PC em formato analógico e o transmite por uma linha telefônica analógica, constituída por um par trançado de fios de cobre até um modem na ISP que converte novamente o sinal analógico em digital para que seja tratado no roteador. As velocidades de conexão na Banda Estreita permitem taxas de até 56kbps, (Kurose e Ross, 2006) afirmam que como a qualidade das linhas de par trançado é baixa entre muitas residências a velocidade efetiva é muito menor do que a taxa nominal de 56kbps alem de impedir o uso da linha. Banda Larga é o acesso a Internet que proporciona taxas mais altas de bits aos usuários finais, oferece uma conexão mais rápida do que uma conexão discada e oferece meios para que os usuários acessem a Internet ao mesmo tempo em que falem ao telefone. Existem dois tipos mais comuns de acesso a banda larga o ADSL e o HFC que é o foco deste estudo: ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) é um acesso a banda larga feito por uma linha digital, normalmente oferecido por uma empresa de telefonia.
 

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Conceitualmente, similar aos modems discados, a DSL é uma nova tecnologia de modem que, novamente utiliza as linhas telefônicas de par trançado existentes. Mas por restringir a distancia entre usuário e modem ISP, a DSL pode transmitir e receber dados a taxas muito mais altas. As taxas de dados normalmente são assimétricas nas duas direções, sendo a taxa entre o roteador ISP e a residência mais alta do que entre a residência e o roteador ISP. (Kurose e Ross, 2006, p.20)

Esta tecnologia ADSL utiliza a multiplexação por divisão de frequência, dividindo o enlace de comunicação entre o provedor e o usuário em três faixas de frequências distintas: Canal em direção ao usuário, utilizando a faixa de frequência 240 kHz a 1,5 MHz. Canal em direção ao provedor na faixa de 25 kHz a 160kHz. Canal telefônico comum nos dois sentidos na faixa de 0 a 4 kHz. A taxa de transmissão disponível não é uniforme em toda a rede, pois depende de alguns fatores como a distancia entre o usuário e o provedor, bitola do cabo par trançado conforme tabela 3 e o grau de interferência eletromagnética entre outros aspectos para apresentar a velocidade efetiva da conexão, potencialmente às redes mais curtas em distancia entre o provedor e o usuário, oferecem as taxas mais altas aos usuários.
Tabela 3 - Taxas correlacionadas às características físicas da planta metálica

Taxa de Transferência (Mbps) 1,5 / 2,0 1,5 / 2,0 6,1 6,1

Bitola do fio (mm) 0,5 0,4 0,5 0,4

Distancia máxima central-usuário (Km) 5,5 4,6 3,7 2,7

  

 

HFC (Hybrid Fiber-Coax) enquanto as redes de telefonia utilizam as linhas comuns como rede de acesso, o HFC é um acesso a banda larga feito por uma rede mista entre fibra óptica e cabos coaxiais, que é a mesma estrutura de redes de cabo
 

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existentes na transmissão de TV por assinatura. Esta estrutura de rede foi escolhida como foco desta pesquisa, por evidenciar um enorme crescimento e popularização entre os usuários de Internet e ao longo desta pesquisa será detalhada sua estrutura e funcionalidade. Na figura 1 evidencia o alto crescimento da quantidade de assinantes de banda larga que utiliza as redes HFC e análoga, tendo como base o levantamento setorial dos resultados das operadoras de TV por assinatura no Brasil e foram obtidos através da aplicação da mesma variação ou relação média obtida pelas operadoras informantes no período sobre o valor estimado para as operadoras não-informantes, fonte - Associação Brasileira de Televisão por Assinatura – ABTA

Figura 1 - Base de assinantes de Banda Larga – Fonte ABTA

2.4 Redes de Acesso Rede de acesso é a infra-estrutura utilizada, necessária para fazer a conexão entre o usuário final e a Internet, esta tecnologia esta estreitamente ligada aos meios físicos disponíveis como pares telefônicos trançados, cabo coaxial, espectro de RF (Rádio) e fibra óptica. Kurose e Ross (2006) dividem em modo geral as Redes de Acesso em três categorias:
 

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Acesso Residencial, acesso de sistemas domésticos à rede. Acesso Corporativo, acesso de sistemas empresariais ou instituições à rede. Acesso sem fio é acesso a sistemas finais moveis à rede. Entre estas categorias o acesso residencial e corporativo está disponível através da rede HFC. As empresas de TV a Cabo que possuem redes de acesso HFC além de transmissão de conteúdo de canais por assinatura fornecem também este tipo de serviço, provê acesso a Internet distribuindo por comodato os (Cable Modems), modems a cabo que são equipamentos externos ligados aos PCs doméstico normalmente por uma saída Ethernet.

 

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3 MEIO FISICO

3.1 Cabos Coaxiais O cabo coaxial é utilizado em sistemas de transmissão e recepção mais sofisticados e profissionais, pois oferece menos perdas e maior largura de faixa que os condutores metálicos convencionais. “O termo ‘coaxial’ surgiu porque a malha de blindagem e o condutor central tem o mesmo eixo.” (Derfler Jr e Freed, 1994, p.31) Os cabos coaxiais são formados por dois condutores elétricos, sendo um interno e outro externo, entre estes dois condutores temos um material isolante a base de polietileno e envolvendo o cabo temos uma capa protetora de borracha ou PVC, que o protege contra a exposição ao tempo e proporciona melhor rigidez contra torções conforme figura 2.

Figura 2 - Cabo coaxial O condutor interno é formado por um único condutor rígido é construído de alumínio e uma camada superficial de cobre o que melhora a condução de sinais elétricos devido a uma propriedade física chamada de Efeito Pelicular, este efeito é caracterizado pelo fato de o sinal se propagar pela parte mais externa do condutor. (Cedetec Inatel, 2001a)
Efeito pelicular – Quando em um condutor elétrico existe a circulação de corrente elétrica, todos os elétrons do condutor se movimentam, quando a frequência do sinal é baixa (DC- contínua) teremos o seguinte efeito. Os elétrons se movimentam por todo o condutor. Quando aumentamos a frequência do sinal, os elétrons só irão fluir pela extremidade do condutor. Como a área efetiva de condução fica menor, as perdas no cabo aumentam, pois ocorre um aumento da resistência. Este é um dos efeitos que justificam o aumento de

 

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atenuação nos cabos coaxiais a medida que aumentamos a frequência. (Cedetec Inatel, 2001a, p.29)

Em qualquer condutor elétrico ocorre o efeito pelicular, que é a diminuição da área efetiva do condutor, à medida que se aumenta a frequência de trabalho. Soares, Lemos e Colcher (1995), afirmam que comparado com o par trançado, o cabo coaxial tem uma imunidade a ruído de crosstalk ou diafonia bem menor, e uma fuga eletromagnética mais baixa. Crosstalk ou diafonia é a medida da interferência elétrica gerada em um par pelo sinal que está trafegando num par adjacente dentro do mesmo cabo. Os condutores externos também conhecidos como malha possuem duas funções, a de proteger o cabo do ingresso de interferências eletromagnéticas inerentes no ar e garantir que o sinal que trafega no cabo não tenha fuga.
A malha externa do cabo coaxial forma metade do circuito elétrico, alem de funcionar como uma blindagem para o condutor interno. Portanto, ela deve estabelecer uma sólida conexão entre ambas as extremidades do cabo. Uma conexão com blindagem de má qualidade é a principal fonte de problemas em uma instalação de cabo coaxial. (Derfler Jr e Freed, 1994, p.31)

O cabo coaxial é uma linha de transmissão e pode ser imaginada como um circuito elétrico, equivalente a um circuito LRC, ou seja, um filtro passa baixa onde: L= Indutor, R= Resistor, C= Capacitor Na figura 3 abaixo ilustra esta propriedade dos cabos coaxiais que equivale a um filtro passa baixa, com a elevação da frequência de trabalho aumenta também a atenuação na estrutura.

Figura 3 - Circuito equivalente Para a construção do circuito equivalente da linha de transmissão é analisado sua construção física e o comportamento elétrico dos materiais envolvidos. Sabemos que em qualquer condutor, temos perda por efeito Joule, que ocorre
 

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devido à resistência ôhmica oferecida pelo material. Podemos concluir que os condutores da linha de transmissão serão representados por resistências e indutâncias distribuídas. Sabemos também que um capacitor é caracterizado por dois condutores separados por um material isolante (dielétrico). Para que seja definida a impedância característica dos cabos coaxiais, podemos atuar com as grandezas físicas. No cabo coaxial existem duas dimensões que devem ser levadas em consideração, o diâmetro do condutor interno e o diâmetro do condutor externo figura 4 para podermos realizar estes cálculos utilizamos a formula que aparece na figura 5. (Cedetec Inatel, 2001a)

Figura 4 - Medidas do cabo coaxial

Figura 5 - Impedância cabo coaxial

A impedância característica das redes coaxiais é (75 Ohms), por isso em toda a extensão do cabo deve manter a mesma relação de distancia entre diâmetro do condutor interno e o diâmetro do condutor externo, qualquer mudança sofrida pode alterar esta impedância e gerar descasamento, provocando reflexões que acabam afetando não só o ponto alterado, como toda a rede. Soares Lemos e Colcher (1995) firmam que o cabo coaxial mantém sua capacitância constante e baixa, teoricamente independentemente da extensão do cabo, por ter esta característica permite suportar velocidades na ordem de megabits por segundo, sem necessidade de regeneração do sinal e sem distorções ou ecos, propriedade que revela a alta tecnologia em uso. “No mercado normalmente as linhas de transmissão utilizam materiais dielétricos muito parecidos, ocorrendo quase uma padronização entre os fabricantes. Os mais comuns podem ser visualizados através da tabela 4 abaixo.” (Cedetec Inatel, 2001a, p31)

 

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Tabela 4 - Tabela Material X Constante dielétrica

Material Ar Teflon Polietileno Polystireno Mylar

e
1 2.0 2.25 2.60 2.80

“Se e = 2, significa que o dielétrico é duas vezes mais isolante que o ar.” (Cedetec Inatel, 2001a, p31)
A fórmula apresentada para cálculo da impedância característica só se aplica para estruturas cilíndricas. Caso ocorra alguma deformação, esta impedância será completamente alterada, causando descasamentos no sistema que, conseqüentemente, irão alterar o bom funcionamento da rede. (Cedetec Inatel, 2001a, p31)

Nas redes HFC os cabos coaxiais são utilizados tanto na rede externa Cabo Troncal quanto na instalação interna do usuário Cabo Drop conforme figura 6.

 
Cabo Troncal Cabo Drop

Figura 6 - Cabo troncal e cabo drop Na rede externa usamos cabos de bitola maior, pois essa característica garante melhor desempenho de blindagem e propagação de sinal e a nomenclatura dos cabos corresponde a seu diâmetro, em polegadas, por exemplo: Cabo tipo PIII (. 500 e. 750). Cabo tipo QR (. 540 e. 860. Os tipos mais usados na rede são QR e PIII e para instalações internas RG59, RG06 e RG11. A diferença básica entre os cabos PIII e QR está na construção, os cabos tipo PIII
 

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possuem condutor externo mais rígido e pesado que proporcione maior resistência mecânica enquanto que os cabos QR são mais modernos e leves, possuem uma maior flexibilidade e maleabilidade e um condutor externo com lâmina de alumínio mais leve e por isso têm uma resistência mecânica menor. A bitola do cabo na rede externa é determinada segundo as condições de projeto. Temos de usar um cabo mais grosso se tivermos uma linha troncal de longa extensão com muitas derivações, e utilizar cabos mais finos se tivermos uma linha mais curta com poucas derivações. (Cedetec Inatel, 2001a). Nas tabelas 5 e 6 correlacionam a bitola do cabo X frequência X atenuação em dB para cabos troncal e drop. Tabela 5 - Tabela de atenuação dos cabos de rede externa (dB/100m)

Tabela de atenuação dos cabos de rede externa (dB/100m)

Frequência .500 PIII .540 QR .625PIII .750PIII .860QR

5

0.52

0.46

0.43

0.36

0.30

50

1.71

1.44

1.44

1.15

1.02

110

2.49

2.26

2.17

1.71

1.51

220

3.64

3.22

3.08

2.49

2.13

300

4.30

3.74

3.61

2.95

2.49

450

5.35

4.63

4.43

3.67

3.12

550

5.97

5.18

4.92

4.07

3.48

750

7.12

6.10

5.84

5.02

4.07

1000

8.27

7.12

6.79

5.84

4.72

 

35 Tabela 6 - Tabela de atenuação dos cabos de rede interna (dB/100m)

RG59 Frequência MHz 5MHz 55 MHz 83 MHz 187 MHz 211 MHz 250 MHz 300 MHz 350 MHz 400 MHz 450 MHz 500 MHz 550 MHz 600 MHz 750 MHz 865 MHz 1000 MHz dB/100m MÁX.) 2.82 dB 6.73 dB 8.04 dB 11.81 dB 12.47 dB 13.45 dB 14.60 dB 15.75 dB 16.73 dB 17.72 dB 18.70 dB 19.52 dB 20.34 dB 22.87 dB 24.67 dB 26.64 dB

RG06 dB/100m (MÁX.) 1.90 dB 5.25 dB 6.40 dB 9.35 dB 10.00 dB 10.82 dB 11.64 dB 12.63 dB 13.61 dB 14.43 dB 15.09 dB 16.08 dB 16.73 dB 18.54 dB 20.01 dB 21.49 dB

RG11 dB/100m (MÁX.) 1.25 dB 3.15 dB 3.87 dB 5.74 dB 6.23 dB 6.72 dB 7.38 dB 7.94 dB 8.53 dB 9.02 dB 9.51 dB 9.97 dB 10.43 dB 11.97 dB 13.05 dB 14.27 dB

3.2 Fibras Ópticas “A transmissão em fibra óptica é realizada pelo envio de um sinal de luz codificado, dentro do domínio de frequência do infravermelho, 10¹² Hz, através de um cabo óptico.” (Soares; Lemos; Colcher, 1995, p.97) “Uma fibra óptica é composta basicamente de um material dielétrico (geralmente plástico ou vidro) transparente e flexível, de dimensões microscópicas (comparáveis às de um fio de cabelo).” (Cedetec Inatel, 2001b, p11) Na figura 7 mostra alguns tipos de fibras ópticas

Figura 7 - Fibra óptica
 

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A estrutura cilíndrica básica da fibra óptica é formada por uma região central, chamada núcleo, envolta por outra camada, também de material dielétrico, chamada casca, conforme mostrado na figura 8 a seguir. A seção do núcleo mais comum em corte transversal é a circular, porém existem fibras ópticas especiais que podem ter outro formato de seção (por exemplo, elíptica). (Cedetec Inatel, 2001b, p11)

 

Figura 8 - Estrutura básica da fibra óptica Derfler Jr e Freed (1994) afirmam que a fibra óptica é um meio de transmissão muito eficiente, pois em condições normais a luz é bem armazenada e ao contrario dos pulsos elétricos dos cabos de cobre, os pulsos de luz ficam completamente isolados do ambiente externo possibilitando que fibra esteja próxima a linhas de alta voltagem, de transmissores de rádio, de maquinas de solda e outros ambientes que degenerariam os sinais dos cabos comuns. O centro de cada canal de fibra de vidro é um condutor que transportará a luz de um diodo ou lazer de uma ponta à outra do cabo, isso é possível por causa de um fenômeno chamado reflexão interna total, quando temos o núcleo e o revestimento com densidades ópticas diferentes faz com que a luz reflita apenas dentro do núcleo. “Índice de Refração é a relação da velocidade da luz no vácuo e a velocidade da luz no meio em questão. Em fibras ópticas, é necessária a diferença de índice de refração entre o núcleo e a casca para ocorrer reflexão da luz dentro da fibra.” (Cedetec Inatel, 2001a, p14) A casca da fibra óptica é feita de um material com índice de refração menor do que o índice de refração do material do núcleo da fibra. A forma básica de transmissão da luz ao longo da fibra óptica consiste, em num processo de reflexão de luz no núcleo da fibra e este processo ocorre sempre que um feixe de luz emerge de um meio mais denso (com índice de refração maior) para um meio menos denso (com índice de refração menor). (Cedetec Inatel, 2001b)
 

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Esta diferença no índice de refração da casca para o núcleo pode ser conseguida utilizando-se materiais distintos como, por exemplo, Sílica-plástica, diferentes plásticos, etc. Esta diferença pode ser conseguida também através de dopagens convenientes de materiais semicondutores (GeO2, P2O5, etc.) na Sílica (SiO2). A variação de índices de refração pode ser feita de modo gradual ou de modo descontínuo (também conhecido como modo degrau). (Cedetec Inatel, 2001b, p12)

Na figura 9 abaixo representa a fibra óptica conduzindo a luz por sucessivas reflexões. Com o material da casca possuindo índice de refração (n) ligeiramente inferior ao do núcleo. (Cedetec Inatel, 2001a)

 

Figura 9 - Representação índice de refração A capacidade de transmissão (banda passante) de uma fibra é função de seu comprimento, da sua geometria e de seu perfil de índices de refração.
A grande capacidade de transmissão deve-se ao fato do espectro original de frequência RF ser convertido para a faixa de luz. Como a frequência da luz é muito mais elevada que as usadas em cabos coaxiais, a banda total de CATV fica reduzida a valores muito pequenos frente à capacidade de transmissão da fibra, permitindo operações com bandas e qualidades bem mais elevadas que numa rede coaxial. (Cedetec Inatel, 2001a, p15)

As principais causas de atenuação em fibras ópticas são: Espalhamento Absorção Deformações Mecânicas Espalhamento é causado por defeitos na estrutura da fibra, possuem dimensões inferiores ao comprimento de onda da luz e se caracterizam pelo desvio da luz em várias direções.
Nas fibras atuais, de boa qualidade, a atenuação nas regiões de 800 a 900 nm e 1000 a 1500 nm de comprimento de onda, é provocada pelo espalhamento Rayleigh.

 

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Podemos observar também alguns picos residuais de absorção em 740 nm, 950 nm e 2720 nm, devido a íons de água no vidro. A figura 10 a seguir mostra a atenuação em função do comprimento de onda em uma fibra óptica. Como o espalhamento de Rayleigh diminui com a quarta potência do comprimento de onda, as perdas menores estão nas regiões de 1300 nm e 1500 nm. Os valores experimentais atingidos atualmente (0,2 dB/Km em 1550 nm) estão próximos do valor teórico (0,18 dB/Km), limitado pelo espalhamento Rayleigh. (Cedetec Inatel, 2001b, p.16; 17)

 

Figura 10 - Atenuação X Comprimento de onda Absorção é o processo pelo qual a fibra óptica absorve parte da energia do sinal óptico e a dissipa em forma de calor devido às impurezas existentes na composição da fibra, com uma concentração de uma parte por bilhão, já são suficientes para produzir uma pequena atenuação.
Uma impureza que causa grande atenuação e é difícil de ser eliminada é o íon OH(conhecido como hidroxila). Além desta impureza, existem mais algumas outras que também provocam uma maior atenuação na fibra óptica. São elas: Cr3+, Cu2+ e Fe2+. (Cedetec Inatel, 2001b, p.18)

Deformações mecânicas são as perdas provocadas por microcurvaturas e macrocurvaturas causadas por alterações mecânicas no cabo.
Macrocurvaturas: São curvaturas cujos raios são grandes, se comparados com o diâmetro da fibra. Ocorrem, por exemplo, quando um cabo óptico dobra um canto ou uma esquina. Microcurvaturas: São curvaturas microscópicas e aleatórias do eixo da fibra. Os raios destas curvaturas são próximos ao raio do núcleo da fibra. “Ocorrem quando as fibras são incorporadas em cabos ópticos. (Cedetec Inatel, 2001b, p.18)

 

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3.2.1 Cabos Multimodais e Monomodais Derfler Jr e Freed (1994) afirmam que para uso comercial serão encontrados duas categorias de cabos de fibra óptica, os multimodais e os monomodais e estas categorias são definidas de acordo com a forma como a luz se move dentro do cabo. A fibra óptica multimodo está dividida em dois outros subgrupos, índice de degrau e índice gradual: Fibra óptica Multimodo de índice de degrau. A Multimodo de índice degrau tem como base o fenômeno da reflexão interna total, pois o índice de refração do núcleo é completamente diferente do índice de refração da casca esta variação abrupta do índice de refração do núcleo em relação à casca, dando origem ao perfil de índice tipo degrau, conforme mostrado na figura 11 a seguir.

Figura 11 - Fibra óptica Multimodo de índice de degrau
O termo degrau vem da existência de uma descontinuidade na mudança de índice de refração na fronteira entre o núcleo e a casca da fibra. A qualificação multimodo refere-se à possibilidade de que vários feixes em diferentes ângulos de incidência se propaguem através de diferentes caminhos pela fibra. (Soares; Lemos; Colcher, 1995, p.99)

São consideradas também as dimensões e diferenças relativas de índice de refração implicando na existência de múltiplos modos de propagação. As dimensões de uma fibra multímodo índice de degrau incluem diâmetros do núcleo variando entre 100 ou 200 µm com casca igual a 140 e 280 µm respectivamente.
Em fibras multímodo degrau, o fenômeno da dispersão modal é um dos maiores limitantes da taxa de transmissão. A dispersão modal refere-se ao fato de que os

 

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diferentes raios de um pulso de luz se propagaram por diferentes caminhos ao longo da fibra fazendo com que os momentos de chegada desses raios se espalhem pelo tempo. Assim existe a possibilidade de observarmos uma interferência entre pulsos consecutivos. As diferenças nos tempos de chegada dos raios são proporcionais ao cosseno do ângulo de incidência. (Soares; Lemos; Colcher, 1995, p.100)

Fibra óptica Multimodo de índice gradual Em comparação as fibras multimodo índice degrau as fibra óptica multimodo de índice gradual caracterizam-se principalmente pela sua maior capacidade de transmissão e apresentam dimensões menores, mas suficientemente moderadas de maneira a facilitar as conexões e acoplamentos.
Em vez de uma mudança brusca no índice de refração do núcleo para a casca, o índice de refração diminui gradativamente e de uma forma contínua. Os feixes de luz se propagam de forma gradual ao longo da fibra devido ao fato de que os índices de refração são mais uniformes na fronteira entre o núcleo e a casca da fibra óptica. (Pinheiro, 2003, p. 28)

O núcleo deste tipo de fibra, não tem um índice de refração constante, mais sim variável com a distância radial, de um valor máximo no eixo a um valor constante na casca conforme figura 12.

 

Figura 12 - Fibra óptica Multimodo de índice gradual As dimensões de uma fibra multímodo índice gradual incluem diâmetros do núcleo variando entre 50 e 85 µm com casca igual a 125 µm, conforme figura 13.

 

Figura 13 - Dimensões de fibras multimodo índice degrau
 

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Fibra óptica Monomodo A diferença básica entre estes dois tipos de categorias é que a fibra monomodal conduz o sinal por distâncias maiores e em velocidades mais altas que a fibra multimodal porem é mais cara e difícil de instalar. A fibra monomodal também é mais fina o que dificulta o seu manuseio e se faz necessário o uso de equipamentos especiais de alta precisão e elevado custo para a realização de conexões entre segmentos de fibra e do acoplamento da fibra com as fontes e detectores luminosos. Cedetec Inatel, (2001a) afirma que embora as fibras monomodais tenham sido as pioneiras e também demonstrado suas potencialidades em termos de banda passante, este tipo de fibra teve seu desenvolvimento e aplicações retardados por mais de uma década devido às complicações técnicas no manuseio e manutenção.
Fibra óptica tipo monomodo: significa que somente um raio de luz é propagado no núcleo da fibra, o que evita o problema da dispersão modal. Assim é possível atingir distâncias de transmissão por Km sem a necessidade de repetidores. O diâmetro do núcleo de uma fibra monomodo está na faixa de 10 mícron. (Sousa, 1999, p. 254)

A fibra monomodo de índice degrau: Por apresentar maior atenuação nas curvas, essa fibra não pode ser acondicionada de forma helicoidal.
Um fato importante é que a superfície de contato entre a casca e o núcleo de qualquer fibra monomodo, na prática não é tão fina assim. É necessário que uma parte da casca conduza a luz para viabilizar a reflexão interna total. Com isso, mesmo na fibra de índice degrau, o vidro de que é feita a parte mais interna da casca deve ser preparado para a condução de parte dos raios de luz. Uma das maiores complicações da fibra monomodo degrau é garantir que a parte interna da casca seja pura o suficiente para não atenuar irregularmente a luz. (Cedetec Inatel, 2001b, p.28)

As dimensões de uma fibra monomodo índice de degrau incluem diâmetro do núcleo 10 µm com casca igual a 125 µm, conforme figura 14. “Este tipo de fibra não atenua muito os modos não principais, sendo necessário pelo menos 20m entre duas emendas para garantir que os modos indesejados sejam satisfatoriamente atenuados.” (Cedetec Inatel, 2001b, p.29)

 

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Figura 14 - Fibra monomodo índice de degrau A fibra monomodo de índice gradual: Garante a menor atenuação na propagação fundamental da luz nas regiões em que ela é curvada, podendo ser agrupadas de forma helicoidal. “Na eventualidade de uma curvatura excessiva com a fibra monomodo gradual, sua atenuação aumentará consideravelmente, dando o alarme de que há algo errado.” (Cedetec Inatel, 2001b, p.27) As dimensões de uma fibra monomodo índice gradual incluem diâmetros do núcleo variando entre 14 ou 17 µm com casca igual a 125 µm, conforme figura 15.

Figura 15 - Fibra monomodo índice gradual

3.2.2 Vantagens da Fibra Óptica Com a utilização da fibra óptica obtemos varias vantagens que se sobrepõem a outros tipos de meios de transmissão de sinal como baixa atenuação, elevada largura de banda, baixo peso, pequenas dimensões e isolação elétrica.
 

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A atenuação, ou perda de transmissão é a diminuição da intensidade de energia de um sinal ao se propagar através de um meio qualquer. Como a potência óptica é medida em dBm a atenuação será dada em dB. Atenuação [dB] = PEntrada [dBm] - PSaída [dBm] Baixa atenuação, esta característica intrínseca à fibra óptica possibilita enlaces de grandes distâncias na ordem de quilômetros de distancia, representando uma diminuição dos investimentos no sistema, pois exigem raros repetidores ou regeneradores de sinal, a transmissão é feita a uma grande distancia e a degradação é muito baixa na ordem de 0,2 dB/Km. Largura de banda, a fibra possui uma elevada largura de banda, da ordem de 10¹² Hz (1 THz), que ainda está muito distante de ser utilizada, devido à limitação dos equipamentos e sistemas eletrônicos atuais. Como o material que constitui as fibras ópticas é dielétrico, estas não são afetadas por campos eletromagnéticos próximos. Baixo peso, a fibra óptica pesa aproximadamente 30 g/Km e, se comparada a um cabo coaxial, o cabo óptico possui um peso dez vezes menor, o que viabiliza o manuseio e instalações, facilitando o processo de transporte e lançamento dos cabos. Pequenas dimensões, o diâmetro externo de uma fibra óptica é 125 µm micrometros, o que permite a produção de cabos ópticos compactos, os cabos ópticos se tornam atrativos para aplicações, onde o espaço é restrito e deve-se fazer uma eficiente utilização do espaço disponível, propiciando também facilidade e rapidez de instalação. Isolação elétrica, como os materiais que compõem a fibra são dielétricos como o vidro ou plástico, os terminais de comunicação estão isolados eletricamente, eliminando o uso de dispositivos de proteção contra curto circuito, alem disso a luz que transporta o sinal dentro da fibra são imunes as interferências eletromagnéticas inerentes no meio físico. (Cedetec Inatel, 2001a)

 

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3.2.3 Desvantagens da Fibra Óptica Mesmo após observar varias vantagens no uso de fibras ópticas, elas ainda oferecem algumas desvantagens como a fusão ou emenda de fibras, limite de derivações e fragilidade. A fusão de fibra exige alguns cuidados especiais que devem ser tomados, quando é necessária a emenda das fibras ópticas esta não pode ser mal feita porque acarreta na perda de grande parte da potência óptica, estes procedimentos requerem a utilização de equipamentos e ferramentas de alta precisão como maquinas específicas de fusão de alto custo. Limites de derivações, os componentes (acopladores) inseridos na rede de fibra óptica causam grande atenuação do sinal por isso existem limitações quanto ao número de derivações passivas. Fragilidade, comparado com os meios físicos de transmissão convencionais as fibras ópticas possuem uma fragilidade muito grande quando manuseada sem a proteção mecânica (revestimento) está sujeita à quebra com mais facilidade. (Cedetec Inatel, 2001a)

3.2.4 Sistemas Ópticos Na figura 16 é um esquema de um sistema óptico básico de transmissão de dados.

Figura 16 - Sistema básico de transmissão por fibra Fibra óptica é o meio pelo qual a luz é propaga

 

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Conectores são responsáveis pela conexão da fibra ao emissor óptico e ao detector óptico. Transmissor converte o sinal elétrico em óptico onde o driver fornece o sinal elétrico devidamente adaptado para o emissor óptico. Este emissor converte o sinal elétrico em luz, podendo ser um LED ou um Diodo Laser. Receptor converte o sinal óptico em sinal elétrico, este detector óptico pode ser um diodo PIN ou um fotodiodo de Avalanche. A interface de saída basicamente amplifica e regenera o sinal elétrico. Todos os sistemas de transmissão por fibras ópticos mais simples ou mais complicados possuem os elementos acima citados.
LED (Light Emissor Diode) Diodo emissor de luz é o mais simples e barato dispositivo semicondutor emissor de luz, sua principal desvantagem em comunicações ópticas é a grande faixa de espectro luminoso gerado por esse componente. Empregado em sistemas de curtas distâncias e/ou baixa velocidade de transmissão. DIODO LASER - Dispositivo semicondutor que emite luz, sua principal diferença em relação ao LED é que ele emite uma irradiação muito mais coerente e intensa. Empregado em sistemas de longas distâncias e/ou alta velocidade de transmissão. FOTODIODO PIN - É um dispositivo semicondutor sensível à variação de luminosidade. Possui a característica de variar a sua resistência interna quando recebidos estímulos luminosos. Obtêm-se, assim, um sinal elétrico relativo ao sinal luminoso FOTODIODO DE AVALANCHE - Dispositivo semicondutor sensível a variação de luz. Conhecido como APD (Avalanche Photodiode) é um detector que apresenta ganho de corrente interno. Quando estimulado pela luz, o componente comporta-se gerando uma corrente conforme a variação de luz. Obtém-se deste modo o sinal elétrico correspondente à variação luminosa. (Cedetec Inatel, 2001a, p13)

 

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4 REDES HFC

4.1 Visão Geral Televisão por Assinatura no cabo, genericamente conhecida como CATV é a modalidade de operação onde uma empresa, conhecida como operadora faz a distribuição de sinais de áudio e vídeo para seus assinantes mediante transporte por meios físicos, cobrando pagamento mensal do serviço prestado. As primeiras experiências em CATV aconteceram em novembro de 1948 na Pensilvânia e Oregon nos Estados Unidos, com o objetivo de distribuir os sinais das transmissoras de televisão para as residências de pequenas comunidades do interior que não conseguiam um sinal de qualidade através das antenas de recepção comuns, esta situação ocorria porque os sinais só eram transmitidos em linha reta e a recepção em áreas distantes e mais baixas ficava prejudicada.
Ed Parsons, após acompanhar testes feitos na cidade de Seattle, inventou a CATV. Em junho de 1948 ele instalou uma antena num ponto elevado geograficamente, para melhor recepção de sinais, retransmitiu o sinal via cabo, usando amplificadores valvulados e mono canais ao longo da linha, para sua região e cobrou de seus vizinhos para receberem esse sinal. Surgia aí a primeira operadora de CATV do mundo. A instalação era bastante cara, chegando a centenas de dólares por casa e a mensalidade era em torno de US$3,00. (Cedetec Inatel, 2001a, p.2)

O primeiro sistema de rede nacional só foi concretizado em 1975 com o desenvolvimento na tecnologia dos satélites. Charles Dolan e Gerald Levin, donos da Sterling Manhattan Cable, foram os primeiros a apostar na TV paga, porque creditavam que as pessoas não se recusariam a pagar por uma programação alem dos canais abertos e convencionais, os dois criaram a Sterling Movie Network, que depois passou a se chamar Home Box Office (HBO). Atualmente a CATV norte-americana disponibiliza para seus 65 milhões de assinantes mais de 500 canais, movimentando um mercado de cerca de US$ 25 bilhões. Também foi nesse período que começaram a surgir os primeiros serviços interativos que permitiam ao assinante enviar dados à central de informações para liberação de canais (sistema bidirecional utilizado para "pay per view").
 

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Figura 17 - Logomarca HBO No Brasil, a cidade de São José dos Campos (SP) foi a pioneira, em 1976, foi instalado o primeiro sistema de distribuição de sinais de CATV, que oferecia sete canais de VHF. Treze anos depois as cidades de Presidente Prudente (SP), Santo Anastácio (SP) e Londrina (PR) receberam um sistema parecido. Em 1991 os grandes grupos começaram a se interessar pelo negócio e deram inicio a operações de CATV no país, foi criado a TVA pelo grupo Abril (operando com MMDS) e a GLOBOSAT pelas Organizações Globo (operando via satélite de banda C). “Sendo MMDS a abreviatura de Multipoint Multichannel Distribution Service, ou seja, serviço de distribuição multiponto multicanal. No Brasil este serviço atua na faixa de microondas, dividido em 31 canais de 6MHz AM-VSB analógico.” (Cedetec Inatel, 2001a, p.1) Nessa época já eram oferecidos os canais locais adicionados a canais internacionais transmitidos via satélite.
Até a promulgação da lei de TV a Cabo (Lei nº 8.977), em 6 de janeiro de 1995, após quase três anos de intensos debates no Congresso Nacional, as operadoras funcionavam com base na portaria ministerial 250, que criou o DISTV. Com a lei, as permissões de DISTV foram transformadas em concessões e o governo decidiu que a outorga de novas licenças somente seriam concedidas, daí por diante, por meio de licitação. As licitações então abertas pelo Ministério das Comunicações só foram concluídas em 1998, pela Anatel; os vencedores iniciaram a implantação de suas bases operacionais em 1999, para entrar em operação efetivamente a partir de 2000. Com a promulgação da Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº 9.472), em 1997, a Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações – assumiu a função de órgão regulador de todos os serviços de telecomunicações, inclusive de televisão por assinatura, e vem dado continuidade ao processo licitatório para expansão dos serviços. (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), 2009).

 

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Existem muitas operadoras atuando no mercado e o número aumenta a cada dia, à medida que o governo realiza a liberação de novas outorgas, segundo levantamento feito pela Anatel em Janeiro de 2008, a indústria de TV por Assinatura é representada por 173 empresas, que detêm 347 outorgas em operação conforme tabela 7 e tabela 8 abaixo.
Tabela 7 - Prestadoras de Serviços de TV por Assinatura

Prestadoras de Serviços de TV por Assinatura Tecnologia Prestadoras Cabo 111 MMDS 27 MMDS e Cabo 3 DTH 10 TVA 22 Tabela 8 - Outorgas de Serviços de TV por Assinatura

 
Outorgas de Serviços de TV por Assinatura Tecnologia MMDS Cabo DTH TVA Total 84 279 10 25 Em Operação 75 237 10 25 Em instalação 9 42 1 58

 

“Em 1994, havia apenas 400 mil assinantes de TV paga, mas em 2000 já se registravam 3,4 milhões, o que corresponde a um crescimento de 750% em seis anos.” (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), 2009). O sistema de televisão a cabo evoluiu de um sistema de simples distribuição de sinais de televisão para um sistema de telecomunicações, que fornece uma rede de comunicação bidirecional de alta velocidade e confiabilidade possibilitando as operadoras de televisão por assinatura fornecer outros serviços alem de sinal de televisão aos seus clientes como: Serviços de acesso a internet, telefonia (VOIP) voz sobre IP, vídeo interativo, Vídeosob-Demanda (VOD) e compra de eventos, filmes e jogos pagos PPV (Pay-perView).
 

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4.2 Arquitetura “TV a cabo é o serviço de telecomunicações que consiste na distribuição de sinais de vídeo e/ou áudio a assinantes, mediante transporte por meios físicos.” (Agencia Nacional de Telecomunicações ANATEL, 2009) Todas as arquiteturas de transmissão de TV a cabo mais simples ou mais complicado possuem os elementos citados na figura 18.

Figura 18 - Arquitetura básica rede TV a Cabo Headend ou “Cabeçal é o conjunto de meios de geração, recepção, tratamento, transmissão de programas e programações e sinais de TV necessários às atividades da operadora do Serviço de TV a Cabo;” (Lei do Cabo, 1995, p.4)
Rede Local de Distribuição de Sinais de TV - é o meio físico destinado à distribuição de sinais de TV e, eventualmente, de outros serviços de telecomunicações, que interligam os assinantes deste serviço à Rede de Transporte de Telecomunicações ou diretamente a um Cabeçal, quando este estiver no âmbito geográfico desta rede; (Lei do Cabo, 1995, p.4)

“Assinante é a pessoa física ou jurídica que recebe o Serviço de TV a Cabo mediante contrato;” (Lei do Cabo, 1995, p.3)

4.2.1 Arquitetura Tree and Branch A Arquitetura Tree and Branch / Arvore e Galho é a primeira e mais tradicional forma de construção de rede coaxial na distribuição de sinal de TV, e possui este nome devido a sua arquitetura ser semelhante à ramificação dos galhos de uma arvore

 

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onde temos um cabo troncal com origem no Headend fazendo a distribuição do sinal por várias regiões a serem atendidas. De acordo com a necessidade, colocam-se amplificadores no percurso para que os sinais possam ser recuperados conforme figura 19.

 

Figura 19 - Arquitetura Tree and Branch Podemos observar neste tipo de arquitetura a grande quantidade de amplificadores em série, a princípio não haveria maiores problemas, pois estes amplificadores apenas devolveriam os níveis de sinal que foi perdido durante o percurso pela atenuação, mas existe um porem, para recuperar os níveis sinal, todo amplificador acrescenta uma parcela de ruído. A intensidade de ruído inserida pelo amplificador é expressa pela figura de ruído do equipamento fornecida pelo fabricante, portanto quanto maior o número de amplificadores em cascata, maior o ruído inserido no sinal.
Para se diminuir o ruído no sistema, imaginamos que devemos utilizar amplificadores de maior potência de transmissão, reduzindo, assim, o número de amplificadores em cascata. Porém, esta solução requer um compromisso entre o número de canais de TV que trafegarão e suas respectivas potências, para que desta forma a distorção causada pela interação destes canais (intermodulação) não comprometa de forma prejudicial a qualidade do sinal transmitido. É necessário, então, um estudo da relação ótima do número de amplificadores, para que tenhamos o mínimo de ruído e intermodulação. Isto garante que todos recebam os sinais dentro de determinados padrões de qualidade. (Cedetec Inatel, 2001c, p.3)

Existem ainda outros principais problemas em relação a esta arquitetura: Dificuldade na manutenção e identificação de defeitos na rede, como existe muitos amplificadores em série instalados ao longo da linha, basta que um dos
 

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amplificadores da cascata ofereça algum tipo de falha para termos todos os equipamentos posteriores a esse ponto com sinal degradado. Necessidade de construção de vários Headends, como o tamanho da rede é limitado pela quantidade de ruído inerente no sistema, existem operações que, para cobrir uma grande região da cidade, são obrigadas a construir várias redes independentes conforme ilustração da figura 20.

Figura 20 - Cidade atendida por vários Headends Como a arquitetura é completamente Tree and Branch, o tamanho das redes é restringido, necessitando de um Headend em cada região da cidade para que todos os assinantes sejam atendidos pela rede. Inviabilidade na ativação da banda de retorno para oferecer serviços de telecomunicações como: Acesso a Internet e telefonia. Na rede completamente coaxial a faixa de frequência de 5 a 42 MHz, ou seja, a banda de retorno foi criada inicialmente para uso da própria operadora, exclusivamente para controle e monitoração da rede, mas com o avanço da tecnologia de telecomunicações, a exigência desta banda tornou-se cada vez maior para comunicação no sentido do assinante com o Headend. Na arquitetura Tree and Branch todos os assinantes irão compartilhar a mesma banda de retorno, o sistema todo converge para um ponto único e através de um único caminho, criando um efeito chamado de afunilamento de ruído que poderá até
 

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interromper o serviço. Como o espaço reservado para o retorno de informações é muito pequeno se comparado a banda disponível no sentido do Headend ao assinante, esta banda deve ser muito bem utilizada para oferecer qualidade de serviço, além disso, a interferência externa na rede coaxial é maior nesta faixa, sendo a principal responsável pela má qualidade da comunicação. A interferência externa só ocorre nos pontos da rede onde existe sinal de RF, na rede Tree and Branch, este sinal está presente em todos os pontos, sendo uma arquitetura extremamente vulnerável ao ingresso de interferência, que pode contaminar toda rede e conseqüentemente prejudicará consideravelmente a comunicação.

4.2.2 Arquitetura HFC Inicialmente as redes de fibra óptica em CATV eram conhecidas como Fiber Backbone Architecture e foram utilizadas como rede redundante à rede coaxial de amplificadores Tree and Branch conforme a figura 21.

Figura 21 - Fibra óptica sobre uma rede Tree and Branch A distribuição e lançamento de fibras até os Nodes ou (Nós ópticos) tem como objetivo inicial criar uma redundância na rede coaxial, no caso de falha na rede coaxial existe ainda o sinal transportado por fibra óptica aumentando assim a confiabilidade e disponibilidade da rede.

 

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Com o uso desta rede de fibra óptica para suprir as falhas na rede coaxial, verificouse que durante a ocupação da rede óptica, a qualidade de sinal também aumentava partindo desta constatação algumas operadoras passaram a utilizar a fibra óptica em sua rede principal iniciando assim o conceito de construção de arquiteturas HFC. Inicialmente nas redes com arquitetura HFC (híbridas com cabo coaxial e fibra) os cabos e amplificadores troncais são substituídos por fibras ópticas.

 

Figura 22 - Arquitetura HFC

HFC transforma-se em um nome genérico para vários conceitos de projeto óptico e coaxial como: FTTN (Fiber to the Node); FTSA (Fiber to the Service Area); FTTF (Fiber do the Feeder); FTB (Fiber to Bridger); FTLA (Fiber to the Last Active); FBB (Backbone Fiber); Qualquer variação de projeto utilizando fibra óptica e cabos coaxiais podem receber sua própria sigla.
 

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A fibra óptica é utilizada para transporte de sinal a longas distâncias, criando assim múltiplos pontos de distribuição conhecidos como Nodes (conversores ópticoelétricos).  Nesses nós a recepção é feita a partir da fibra e a distribuição é feita com cabos coaxiais. Cedetec Inatel, (2001c) afirma que devido à necessidade de se obter maior abrangência a partir de um único ponto central, a cada dia mais e mais fibras partem do Headend para formar nós óptico-elétricos e com isso simular Headends virtuais, tendo esta classificação devido a fibra possuir baixíssima dispersão e perdas, o que faz com que o seu sinal seja quase tão bom quanto o sinal que sai do Headend real. Na rede HFC a célula é a área alimentada por um único nó óptico, as dimensões das células podem ser determinadas de duas maneiras: a partir do número de residências atendidas ou pelo desempenho da área em questão: Célula Super, 7000 a 9000 residências atendidas. Célula Standard, 1500 a 2500 residências atendidas. Célula Mini, 500 a 650 residências atendidas. Célula Micro, 100 a 150 residências atendidas e Célula Pico, até 50 residências atendidas Célula Super foi uma configuração muito utilizada nos anos 80, porque nesta época os preços de enlaces ópticos eram muito elevados, sendo necessária uma grande quantidade de assinantes por Node para justificar os gastos com o investimento. Célula Standard é utilizada para a maioria das aplicações, esta configuração está dentro das dimensões mais atuais, numa célula padrão existe normalmente de 4 e 6 amplificadores na cascata de amplificadores. Célula Mini é um tipo de configuração que vem com o propósito de melhorar o uso da banda de retorno quanto menor for o tamanho da célula, maior a possibilidade da operadora oferecer serviços, pois a banda é compartilhada com um número menor de assinantes e o custo-benefício vem diminuindo com o decorrer do tempo. A célula mini pode ser criada a partir de uma célula standard desde que o projeto inicial assim o contemplasse desta forma a construção inicial pode ser realizada a
 

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um custo mais baixo e no futuro é feito o aproveitamento deste mesmo sistema já instalado para um aumento considerável da qualidade e número de serviços oferecidos ao assinante, numa célula mini existe normalmente menos de 2 amplificadores na cascata de amplificadores. Célula Micro e Pico estes tipos de configuração estão a um passo da distribuição de fibra à residência do assinante, quanto menor for o tamanho da célula, menor será a utilização de cabos coaxiais tendendo a uma rede apenas óptica. Com a redução do número de assinantes por célula, temos um maior reuso da banda de retorno e, conseqüentemente, a possibilidade de atender o assinante com maior número de serviços interativos, além de melhorar a qualidade do sinal no sentido direto. Na tabela 9 abaixo mostra os valores comparativos entre as dimensões de células.
Tabela 9 - Tabela comparativa entre as dimensões de células

  Super Célula Banda de Direto 54 MHz a 550 MHz 5 MHz a 42 MHz Standard 54 MHz a 750 MHz Mini 54 MHz a 1 GHz 5 MHz a 42 MHz Micro 54 MHz a 1 GHz 5 MHz a 42 MHz Apenas o transceptor óptico 50 a 53 dB Pico 54 MHz a 1 GHz 5 MHz a 42 MHz Apenas o transceptor óptico 50 a 53 dB

Banda de Retorno Qtd de Amplificadores na Cascata C/N

5 MHz a 42 MHz

10 a 15

4a8

1a2

45 a 47 dB

48 a 50 dB

50 a 51 dB

Célula Supra, permite interligações a nível regional e até nacional, para criar uma rede gigante de distribuição de informação, os Headends e Hubs estão interligados entre si formando um anel bidirecional, no caso de ocorrência de falha em um deles existe ainda a redundante de para assumir a rede de serviços, com isso novamente aumentamos a confiabilidade e disponibilidade. Os Hubs são extensões de um Headend, possuem quase todas as funções de um Headend e a partir deles são criados vários nós ópticos, que se desdobrarão em redes coaxiais para distribuição do sinal aos assinantes.
 

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Na figura 23 mostra um exemplo de Célula Supra.

 

Figura 23 - Célula Supra 4.3 Espectro de Frequência Nas redes HFC onde temos a banda de retorno ativada, ou seja, redes bidirecionais o espectro de frequências é separado em dois sentidos: Forward ou Downstream (sentido direto ou banda de descida) e Reverse ou Upstream (sentido reverso ou banda de retorno) conforme (Morais, 2006). Os canais no sentido direto são transmitidos do Headend para os assinantes e o sentido reverso dos assinantes para o Headend conforme ilustração da figura 24

 

Figura 24 - Espectro de frequência na rede HFC Banda de descida é o sentido do sinal que sai do Headend para o assinante, sendo responsável pela transmissão do sinal de vídeo analógico/digital e também do sinal de Downstream de uma comunicação com a Internet, dependendo do projeto de
 

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rede e amplificadores instalados a faixa de frequência pode variar com abrangência entre 54 MHz a 550 MHz, 750 MHz, 860 MHz e 1GHz as redes mais antigas possuem uma faixa menor de frequência enquanto que as redes mais novas ou atualizadas a faixa de frequência pode chegar a 1 GHz. Banda de retorno é o sentido do sinal que sai do assinante para o Headend, sendo responsável pela transmissão do sinal digital, ou seja, a Upstream de uma comunicação com a Internet, na comunicação de liberação de produtos pay per view ou interatividade, a faixa de frequência abrange entre 5 MHz a 30 Mhz ou 42 MHz dependendo dos amplificadores instalados na rede. No cabo coaxial temos sempre as duas bandas de descida e de retorno trafegando simultaneamente, para que exista a separação dos dois sentidos é instalado nos amplificadores e terminais de assinantes um filtro diplex, este filtro diplexador possui 3 terminais, um trabalha com os sinais na faixa de descida, outro na faixa de retorno e terceiro combina os dois sentidos. A figura 25 é um diagrama simplificado de um amplificador Bidirecional e mostra utilização do filtro na separação do sinal.

Figura 25 – Filtro Diplex em um amplificador Bidirecional
 

4.4 Camadas de Protocolo na Rede HFC As camadas de protocolo na rede HFC estão relacionadas apenas as três camadas mais inferiores do modelo OSI concentradas no domínio de rede que são os protocolos referentes à camada física, enlace e rede. Camada física compreende as especificações do hardware utilizado na rede e garante transmissão de dados de um ponto a outro.
 

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Navarro, (2006). A questão fundamental abordada nessa camada é a sincronização, ou seja, garantir que o tempo de recompor os dados no receptor, seja apropriado com o tempo de envio de dados pelo transmissor. Camada de enlace, os protocolos desta camada têm como principal função garantir que os dados transmitidos cheguem a seu destino, de modo geral essa camada empacota bits a serem transmitidos e garante que os de dados são colocados na mesma ordem em que foram enviados antes de serem passados para a camada de rede. Dentro da camada de enlace existe a subcamada MAC (Media Access Control) que controla o acesso ao meio físico O protocolo MAC estabelece as normas de acesso do canal de dados na banda de retorno, garantindo o compartilhamento do canal na transmissão de dados. No Cable Modem, modem utilizado nas comunicações em redes HFC é instituído funções de detecção e retransmissão dos dados de forma que o compartilhamento de banda exista sem colisões na transmissão. Camada de rede, nesta camada a forma da topologia e estrutura da rede é apresentada, os protocolos utilizam algoritmos de roteamento definindo sempre a melhor rota no envio de pacotes na rede, podendo consistir de muitos enlaces ponto a ponto. Navarro, (2006) informa que para se adequar ao avanço das novas formas de comunicação, que hoje são multipontos a multipontos, essa camada foi subdivida em duas: A subcamada de enlace lógico, com as funções tradicionais da antiga camada de enlace. A subcamada de controle de acesso ao meio MAC. 4.5 DOCSIS Um dos padrões existentes para sistemas bidirecionais em redes HFC é o DOCSIS (Data Over Cable Service Interface Specification) que define os requisitos de interface e o conjunto de especificações para padronização do funcionamento dos cable modems utilizados na distribuição de dados de alta velocidade através da rede HFC. A especificação DOCSIS foi criada pela Cable Labs (Cable Television Laboratories)
 

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uma organização sem fins lucrativos fundada em 1988 por empresas do ramo de, TV a cabo, com o propósito de desenvolver novas tecnologias de telecomunicações e ajudar na integração dos avanços técnicos aos negócios das empresas. Existem atualmente 47 empresas associadas à Cable Labs, localizadas nos Estados Unidos, Canadá, México, América do Sul, Europa e Ásia. (Cablelabs, 2009). O projeto DOCSIS teve início nos Estados Unidos, em 1995, a partir de um consórcio formado pelas operadoras MSO (Multi-Systems Operator) Comcast, Cox, TCI e Time Warner. Em janeiro de 1996, o grupo de estudos da MCNS (Multimedia Cable Network System) uma parceria limitada entre as operadoras de cabo Norte Americanas propôs a especificação DOCSIS e em seguida, com a aprovação pelo ITU (International Telecommunication Union) em 1998 (ITU J. 112), a comunicação de dados sobre a rede HFC teve grande evolução. (Morais, 2006). Evolução das especificações DOCSIS: 1999 DOCSIS 1.0 (acesso a Internet rápida) 2001 DOCSIS 1.1 (acesso a Internet rápida e VOIP) QoS (Quality of Service), autenticação de CM, download seguro; ferramentas de operações 2002 DOCSIS 2.0 (acesso a Internet rápida, VOIP e maior capacidade para serviços simétricos) – mais capacidade upstream que DOCSIS 1.0 e DOCSIS 1.1 e maior robustez contra interferências disponibilizando mais opções de modulação. 2006 DOCSIS 3.0 (acesso a Internet ultra-rápida e todas as facilidades das versões anteriores) concatenação de até 4 portadoras de Downstream e Upstream para maior velocidade de navegação, suporte a IPv6, etc. A arquitetura DOCSIS está relacionada diretamente à comunicação entre o CMTS (Cable Modem Termination System) e o CM (Cable Modem) sendo: CMTS equipamento do Headend que se concentra toda a comunicação dos cable modems instalados nos assinantes de um Node. CM dispositivo do assinante que conecta o PC ou LAN normalmente no padrão Ethernet, a rede HFC. Esta comunicação é feita através de dois canais distintos a Downstream sentido
 

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Headend/Assinante e a Upstream sentido Assinante/Headend. Conforme figura 26.

[]

 

Figura 26 – Comunicação entre CMTS e CM O padrão DOCSIS suporta modulação 64-QAM ou 256-QAM no canal direto com taxas de transmissão de 30,34 a 42,88 Mbps com largura de banda de 6 MHz e QPSK ou 16-QAM no canal de retorno, com taxas que variam de 0,32 a 10,24 Mbps com largura de banda de 200KHz a 3,2 MHz. Na tabela 10 indica os parâmetros DOCSIS utilizados na banda de descida e banda de retorno. Tabela 10 – Parâmetros DOCSIS para Banda de Descida e Retorno
Parâmetros DOCSIS para Banda de Descida Parâmetros Faixa de Freqüência Tipo de Modulação Largura de Banda do Canal Valor 88 a 860 MHz 64-QAM e 256-QAM 6 MHz

Parâmetros DOCSIS para Banda de Retorno Parâmetros Faixa de Freqüência Tipo de Modulação Largura de Banda do Canal Valor 5 a 42 MHz QPSK e 16-QAM 200, 400, 800, 1.600 e 3.200 kHz

Na tabela 11 indica as taxas de bits por segundo da Banda de Descida e Retorno para DOCSIS
 

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Tabela 11- Taxas de bits da Banda de Descida e Retorno

 
Taxas de bits da Banda de Descida para DOCSIS Taxa de Taxa de Largura Transmissão Modulação Transmissão de Banda Efetiva 64 QAM 6 MHz 8 MHz 256 QAM 64 QAM 256 QAM 30,34 Mbps 42,88 Mbps 40,44 Mbps 57,20 Mbps ~ 27 Mbps ~ 38 Mbps ~ 36 Mbps ~ 51 Mbps

Taxas de bits da Banda de Retorno para DOCSIS Taxa de Taxa de Largura Transmissão Modulação Transmissão de Banda Efetiva QPSK 200 kHz 400 kHz 800 kHz 1600 kHz 3200 kHz 16 QAM QPSK 16 QAM QPSK 16 QAM QPSK 16 QAM QPSK 16 QAM 0,32 Mbps 0,64 Mbps 0,64 Mbps 1,28 Mbps 1,28 Mbps 2,56 Mbps 2,56 Mbps 5,12 Mbps 5,12 Mbps 10,24 Mbps 0,27 Mbps 0,54 Mbps 0,54 Mbps 1,09 Mbps 1,09 Mbps 2,18 Mbps 2,18 Mbps 4,35 Mbps 4,35 Mbps 8,70 Mbps

 

Taxa de bits, ou taxa de transferência, é medida em bits por segundo (bps) e está associada com a velocidade dos dados transmitidos por meio de um determinado meio. Modulação QPSK (Quadrature Phase Shift Keying), é uma técnica de modulação, que manipula a fase do sinal em 90 graus para criar quatro símbolos diferentes que representam os números binários 00, 01, 10 e 11 Modulação QAM (Quadrature Amplitude Modulation), ou seja, modulação por amplitude e quadratura modifica simultaneamente as duas características da onda da portadora, a fase do sinal e a amplitude formando os símbolos que constituem os números binários, por exemplo, no caso da modulação 16-QAM que constitui os números binários de 0000 a 1111 Na figura 27 ilustra e compara as modulações QPSK e QAM fonte adaptada
 

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(Tompson, 2006)

Figura 27 – Modulação QPSK e QAM O sistema DOCSIS precisa que vários tipos de pacotes especiais sejam divulgados frequêntemente na rede pelo CMTS a todos os Cable Modems, para que possam receber a configuração de operação adequada. Estes pacotes são modulados em TDM com outras informações sendo transmitidas no Dowstream pelo CMTS. Um Cable Modem deve sempre ver estes pacotes de “keep-alive” dentro de um intervalo máximo específico, expresso no DOCSIS, ou o Cable Modem iniciará uma ação corretiva que interromperá a possibilidade de navegação do PC conectado ao Cable Modem. (JDSU, 2009). Estes pacotes especiais – SYNCs, UCDs e MAPs – são repetidos por broadcast pelo CMTS aos Cable Modems. SYNCs são pacotes de relógio de curta duração (10 por segundo), que dizem aos Cable Modems o exato timing em pulsos de 0,1 micro segundos. UCDs (Unique Channel Descriptor) são descritores de canais Upstream. Cada UCD é um pacote curto que diz a todos os Cable Modems as características do canal Upstream daquele grupo. Cada canal Upstream tem um UCD. Múltiplos UCDs devem ser divulgados em broadcast no Downstream para que múltiplos Upstream channels sejam ativados. Um UCD diz a um Cable Modem como transmitir pelo Upstream. MAPs são agendas de períodos de tempo disponíveis. Cada Upstream tem uma sequência
 

contínua

de

MAPs

correspondentes

sendo

geradas,

dizendo

precisamente qual Cable Modem está autorizado a usar o Upstream, quando e para

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que propósito. Um MAP diz quando ele pode transmitir usando um Upstream particular. (JDSU, 2009) 4.6 Cable Modem

Cable Modem é um dispositivo instalado no assinante que provê acesso a internet de alta velocidade conectando o PC a rede HFC No equipamento existem apenas duas conexões, uma à rede CATV feita por uma conexão ao cabo coaxial e a outra ao PC através de cabos CAT-5 com conectores RJ-45 a uma placa Ethernet 10Base-T ou 10/100Base-T, podendo ainda ter a alternativa de conexão por USB (Universal Serial Bus) ou PCI (Peripheral Component Interface) conforme figura 28 fonte manual cable modem Surf Board Motorola.

 

Figura 28 - Conexão do Modem ao PC

 

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Na figura 29 adaptada de (Samueli, 1999) mostra o diagrama em bloco de um cable modem onde na entrada coaxial existe um filtro diplex que divide a Downstream do Upstream.

Figura 29 – Diagrama em bloco de um Cable Modem Existem três tipos de cable modem:
Cable Modem externo: requer uma placa de rede, normalmente Ethernet 10Base-T, que deve ser instalada no computador do assinante. Mais de um computador pode ser conectado ao modem. É o tipo de modem mais comum e utilizado. Necessita de uma interface de dados para conexão com o computador. A maioria dos Cable Modems possui interfaces Ethernet e USB (Universal Serial Bus); Cable Modem interno: geralmente uma placa para conexão em barramento PCI (Peripheral Component Interconnect); Set-top Box: permite navegação na Internet diretamente na tela de uma televisão. (Morais, 2006, p25)

A especificação DOCSIS determina que os cable modems sigam alguns parâmetros de configuração para a comunicação com o CMTS, com estas características técnicas é estabelecido o trafego de dados entre o Headend e o Assinante conforme tabela 12.

 

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Tabela 12 - Especificação Técnica de um Cable Modem DOCSIS

Downstream Modulação Taxa de transmissão por canal Largura de banda do canal Faixa de freqüência Nível de entrada Relação portadora/ruído 64 e 256 QAM 30 e 43 Mbps 6 MHz 91 a 857 MHz -15 a +15 dBmV > =23,5 dB para 64 QAM > =30 dB para 256 QAM Upstream Modulação Taxa de transmissão por canal Largura de banda do canal Faixa de freqüência Nível de saída Acesso ao canal QPSK e 16 QAM 320 kbps a 10,24 Mbps 200 kHz a 3,2 MHz 5 a 42 MHz +8 a +58 dBmV TDMA ou S-CDMA

TDMA (Time Division Multiple Access) Acesso Múltiplo por Divisão de Tempo é uma tecnologia que permite o compartilhamento do mesmo canal de retorno por diversos cable modems e é utilizado na comunicação de Upstream dos cable modems na rede HFC sendo executado de duas maneiras, através de reserva de Slots ou disputa de Slots.
Reserva de slots de tempo: quando um cable modem necessita uma comunicação upstream, ele solicita a reserva de um slot de tempo para a transmissão com o headend. Cada slot é usado por um único equipamento, o que garante o conhecimento do fluxo e tempo de transmissão de dados entre equipamentos e headend. Cabe ao equipamento controlador no headend disponibilizar o slot ao solicitante. A desvantagem desse processo é que um cable modem pode não usar o seu espaço de tempo concedido para a transmissão ou transmitir muito pouco dado nesse tempo. O controlador no headend deve ter mecanismos de revogar a reserva de slot aos equipamentos que não o estejam usando, concedendo-os a outros. Disputa por Slots. Nesse esquema, quando um cable modem necessita transmitir, ele simplesmente o faz a qualquer tempo. O problema é que, diferente do Ethernet, quando o cable modem transmite, os outros cable modems são incapazes de escutálo. Isto causa colisões de dados se dois ou mais equipamentos transmitirem ao mesmo tempo. Com a colisão, o headend não conseguirá conceder o reconhecimento (acknowledgement) ao transmissor e, nesse caso, os cable modems tentarão transmitir novamente após um tempo. Caso haja colisão novamente, eles aguardam ("dormem") por um tempo aleatório e depois tentam a transmissão novamente. (Navarro, 2006, p17)

A especificação DOCSIS define que os cable modems decodifiquem sinais com modulação 64 ou 256-QAM no canal de descida que foram multiplexados por
 

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divisão de frequência no Headend obtendo uma taxa de transmissão de dados de 30 a 43 Mbps empregando uma largura de banda de 6 MHz, na figura 30 é visualizada uma portadora de Downstream visto da tela de um medidor de campo DSAM6000. (JDSU, 2009).

Figura 30 - Portadora de Downstream No canal de retorno os cable modems utilizam modulação QPSK ou 16 QAM para comunicação com o CMTS obtendo uma taxa de transmissão de dados de 320 kbps a 10,24 Mbps sendo a largura de banda 3.2 Mhz a mais utilizada e difundida entre as Operadoras, na figura 30 é visualizado uma portadora de Upstream visto no medidor de campo DSAM6000. (JDSU, 2009)

 

Figura 31 - Portadora de Upstream
 

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4.7 Diagrama da rede de acesso HFC Na figura 32 abaixo ilustra de forma simplificada o diagrama da rede de acesso HFC, qualquer operação com arquitetura de rede mais simples ou mais complicada possuem estes blocos. Fonte adaptada (Corrêa, 2008).

 

Figura 32 – Diagrama em blocos da rede de acesso HFC A rede de acesso HCF está dividida em blocos da seguinte forma para uma melhor compreensão de como é feito o acesso a Internet. Rede Interna (Assinante), Rede Externa, Headend e Internet

4.7.1 Componentes da Rede Interna e Rede Externa Na Rede Interna existem dois tipos básicos de conexões de assinantes, a conexão de assinantes que residem em casas e a conexão de assinantes que residem em
 

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apartamentos. Na instalação em casas a conexão é feita diretamente no componente de derivação de sinais (TAP) que está mais próximo da residência, é lançado um cabo que sai do poste e segue até a entrada da casa (Cabo Drop) conectando o CM e STB/Decoder do assinante. A instalação de um assinante que reside em um apartamento não é feita diretamente no TAP que está mais próximo ao prédio. Na maioria dos casos é necessária a construção de uma infra-estrutura interna de distribuição de sinais para que este assinante possa ser conectado, esta distribuição interna é chamada de MDU (Multiple Dwelling Unit). Assim como na conexão das casas, teremos um cabo Drop que sai do poste e segue até o subsolo ou térreo do prédio para alimentar um amplificador. É este amplificador em conjunto com os cabos e componentes passivos que garantirão a qualidade do sinal aos assinantes que residem no prédio conectando o CM e STB/Decoder. Na figura 33 mostra os dois tipos básicos de conexão com o assinante.

Figura 33 – Conexão a casas e apartamentos (MDU) Tanto na instalação de casas como a de apartamento e também na rede externa é sempre necessário a instalação de componentes passivos como é o caso do
 

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divisor, acoplador direcional e taps.

● Divisor é um dispositivo que como qualquer elemento passivo possui duas funções elementares, divide a potência do sinal de RF em duas saídas de igual amplitude quando analisamos no sinal de Downstream e funciona como um acoplador de sinal de RF quando é analisado o sinal de Upstream. O sinal é atenuado em aproximadamente 3,5 dB quando passa por este dispositivo, outra característica do divisor é a isolação entre suas duas saídas, o sinal de Upstream é propagado direto para a entrada, pois a atenuação é muito alta entre as suas saídas em torno de 20 a 30 dB de atenuação Na figura 34 temos o divisor da rede externa, da rede interna, símbolo e esquema elétrico. Fonte adaptada (Stolfi, 2007).

Figura 34 - Divisor de sinal Divisores também são conhecidos como Splitters, no caso onde temos duas saídas com perda igual chamamos de Splitter 2 way, mas com a associação interna de mais de um divisor no mesmo esquema elétrico podemos também ter Splitters 3 way balanceado (três saídas com a mesma atenuação) e Splitter 3 way desbalanceado (duas saídas com atenuação igual e a terceira com atenuação diferente).

● Acoplador direcional também é um divisor, mas faz a divisão da potência do sinal de forma assimétrica, tem a função de dividir os sinais de forma ramificada,
 

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podendo controlar o nível de saída de acordo com a necessidade. Um acoplador direcional possui uma entrada, uma saída e uma saída derivada chamada TAP, as atenuações estão divididas em perda por inserção, isolação e atenuação na TAP. Sendo a perda por inserção a atenuação IN/OUT, a perda por isolação a atenuação OUT/TAP e a atenuação TAP que são valores pré-concebidos de fabrica A perda por inserção do Acoplador Direcional é menor do que no divisor, visto que apenas uma pequena quantidade do sinal passa para o TAP, quanto maior for o valor da saída TAP menor vai ser a atenuação de inserção A perda por isolação entre as saídas OUT/TAP e TAP/OUT está entre 25 a 50 dB Na figura 35 temos o acoplador direcional da rede externa, da rede interna, símbolo e esquema elétrico. Fonte adaptada (Stolfi, 2007).

 

Figura 35 - Acoplador Direcional de sinal ● TAP consiste de um acoplador direcional associado a um divisor, normalmente resultando em componentes com 2, 4 ou 8 saídas, como já descrito anteriormente sua função é prover pontos de acesso para os assinantes Seus valores já vêm de fabrica e estão disponíveis em atenuações da ordem de 4 a 29 dB Na figura 36 temos o TAP da rede externa, da rede interna e símbolo do esquema elétrico. Fonte adaptada (Stolfi, 2007).
 

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Figura 36 – TAP ponto de acesso a Assinantes ● Fonte e LPI (Line Power Inserter) funcionam em conjunto para fazer a alimentação A/C da rede externa suprindo de tensão alternada 60 ou 90 volts de onda quasi-square (onda quase quadrada) para o funcionamento dos componentes ativos, ou seja, os amplificadores. As fontes são constituídas de uma caixa metálica (gabinete), um módulo conversor de tensão 110/220 V para 60 ou 90 V, um modulo inversor e 02 ou 03 baterias.

 

Figura 37 - Esquema de ligação da Fonte a Rede
 

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O módulo inversor retira corrente contínua das baterias e a transforma em alternada quando falta energia da concessionária elétrica, esta comutação é automática sendo que nas fontes mais antigas a troca de energia é feita por um relé e nas mais modernas realizam comutação eletrônica ininterrupta através de um processo de detecção de fase. A alimentação dos ativos é feita pelo próprio cabo coaxial e a inserção desta alimentação AC (60V ou 90V) se dá por um componente passivo denominado LPI, que também funciona como proteção para a rede para qualquer eventual curto circuito na fonte, o fusível de proteção agirá abrindo o circuito.

Figura 38 - LPI
Para que não ocorra uma contaminação espectral, foi adotado o uso de forma de onda quasi square, que oferece maior quantidade de energia que a senoidal, com menor quantidade de componentes espectrais se comparado com a onda quadrada. Com menor amplitude de pico, a onda quasi-square consegue transportar mais energia com menores níveis de corrente. Esta condição possibilita o trabalho com perdas menores de energia. (Cedetec Inatel, 2001c. p42)

 

Figura 39 Comparação entre formas de onda

 

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● Transceptores e Amplificadores são dispositivos que amplificam e equalizam um determinado sinal. “Os amplificadores devem ter resposta em freqüência complementar à curva de atenuação do cabo, e devem ser projetados para minimizar as degradações no sinal de RF”. (Stolfi, 2007, p9) “Resposta em freqüência é um parâmetro que mostra o comportamento de um componente, equipamento ou até mesmo de uma rede inteira para cada freqüência diferente do sinal transmitido” (Cedetec Inatel, 2001c, p55) Todos os amplificadores possuem ajustes de ganho (amplificação do sinal) e Tilt (equalização dos níveis entre frequências altas e baixas), e tem a finalidade de permitir ao sinal atingir distâncias maiores, regenerando-o para um nível satisfatório que atenda o próximo amplificador, a linha passiva ou a rede interna de um prédio. Para ajustes de ganho e tilt os amplificadores possuem peças internas removíveis de variados valores como Pad´s (atenuadores) e equalizadores que devidamente combinados ajustam o nível de saída ideal para qualquer necessidade. Os transceptores se diferenciam dos amplificadores em um único aspecto, os transceptores além de serem amplificadores possuem também sistemas ópticos de recepção e transmissão de dados estando ligados diretamente ao Headend por meio de fibras ópticas. Na figura temos um amplificador de rede externa e de rede interna (MDU).

 

Figura 40 - Amplificador Externo e Interno (MDU) Existem algumas diferenças entre amplificadores externos e internos principalmente
 

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no aspecto físico, mas a principal é que o amplificador interno é alimentado de tensão A/C pela rede elétrica do próprio prédio 110V ou 220V ao contrario da rede externa onde é necessária uma fonte de alimentação para energizar os amplificadores.

4.7.2 Componentes do Headend e Internet O Headend é o ponto aonde chega todos os sinais que serão transmitidos pelo sistema de CATV como links diretos das Emissoras de TV, sinais captados do ar VHF/UHF e também sinais de satélites, após a captação destes sinais em banda base é realocado as frequências conforme o plano de canalização estipulado pela Operadora, para isso utiliza-se de moduladores com filtros vestigiais que obedecem à alocação de banda de 6 MHz para cada canal. O Plano de Canais é amplificado, equalizado e associado ao sinal de Downstream do CMTS através de um combinador formando o espectro total do direto, contendo todos os canais da grade mais o canal de descida O espectro total do direto é distribuído a Rede externa pelo conjunto do sistema óptico: Transmissor óptico Enlace óptico Transceptor óptico (Node) Para a comunicação dos CM temos também o Canal de Retorno chegando ao Headend que utiliza o mesmo conjunto do sistema óptico, mas de forma inversa: Transceptor óptico (Node) Enlace óptico Receptor óptico O sinal de Upstream que chega ao Headend no receptor óptico é transformado em RF e é derivado através do uso de combinadores invertidos, dividindo o mesmo sinal para o CMTS e outros equipamentos como, por exemplo: Equipamentos de Monitoração do espectro de retorno e de Sweeper, equipamento de teste de desempenho da rede
 

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“Sistemas bidirecionais podem utilizar o canal de retorno para efetuar supervisão remota do estado da rede, monitorando amplitudes e estados dos amplificadores em tempo real.” (Stolfi, 2007, p18) Para o controle do CMTS e CM de Assinantes existe em todos os Headends interfaces de comunicação com Data Center´s que ficam com a responsabilidade de manter o sistema ativo e com alto desempenho. Todas as portas de Downstream e Upstream de um CMTS são monitorados de forma que mostre através de gráficos o rendimento da rede, possibilitando o balanceamento de quantidade de CM e trafego de dados entre as regiões atendidas pelo mesmo Node, mas isso só é possível devido a forma modular tanto de CMTS como da Rede Externa, podemos dividir a quantidade de portas de Downstream e Upstream de acordo com a demanda de Assinantes conectados em um Node ao Headend. Para a conexão com a Internet os CMTS´s do Headend são interligados a roteadores e estes a roteadores de borda que são aqueles que se encontram nas extremidades da conexão, servindo como porta de acesso a nuvem da Internet Roteadores são dispositivos que operam na terceira camada do modelo OSI onde a principal característica como já descrito anteriormente é selecionar a rota mais adequada para transmissão dos pacotes recebidos e escolher o melhor caminho disponível na rede para um determinado destino.

 

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Internet está se tornado uma necessidade indispensável às pessoas, existe um crescimento constante ao longo do tempo e sempre servindo de suporte a várias aplicações de enorme popularidade, como é o caso do email eletrônico, da navegação por sites de conteúdo, de noticias e de comercio eletrônico, não esquecendo também dos serviços de mensagem instantânea e relacionamento e até o compartilhamento de arquivos entre outras aplicações. Esta necessidade não ficou apenas em ter uma conexão com a Internet, mas a velocidade deste acesso também começou a ter uma grande importância, com o aumento das aplicações da rede criou-se a obrigação da invenção de sistemas de acesso em banda larga visto que as conexões de banda estreita, ou seja, a conexão por linha discada não atendia os anseios dos usuários. As Operadoras de TV por assinatura entraram na concorrência com outras empresas para oferecer uma conexão de banda larga, utilizando sua rede HFC uma rede mista de fibra óptica e cabos coaxiais como rede de acesso a Internet. Esta estrutura de rede evidencia um enorme crescimento e popularização entre os usuários de Internet chegando a aproximadamente 3 milhões de usuários até o segundo trimestre de 2009 e um crescimento de 36,8 % se comparada ao mesmo período de 2008. Para oferecer um serviço de transmissão e recepção sofisticada e profissional existe o cabo coaxial que consegue atender bem esta questão, pois se comparado a outros condutores metálicos convencionais os cabos coaxiais tem menos perdas e maior largura de faixa e ainda possui uma malha externa que tem duas funções, a de proteger o cabo do ingresso de interferências eletromagnéticas e garantir que o sinal que trafega no cabo não tenha fuga. O cabo coaxial mantém sua capacitância constante e baixa independente da extensão do cabo, por ter esta característica permitem suportar altas velocidades na transmissão de dados, sem a necessidade de regeneração do sinal, esta é uma propriedade que revela a alta tecnologia em uso atualmente. A fibra óptica é um meio de transmissão muito eficiente, pois em condições normais
 

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a luz é bem armazenada e isolada do ambiente externo possibilitando que fibra esteja próxima de outros condutores sem sofrer interferências. Com a utilização da fibra óptica obtemos varias vantagens que se sobrepõem a outros tipos de meios de transmissão de sinal como baixa atenuação, elevada largura de banda na ordem de 10¹² Hz, baixo peso e pequenas dimensões. Em destaque está a fibra do tipo monomodo que conduz o sinal por distâncias maiores e em velocidades mais altas, devido a este tipo de fibra as redes HFC ganharam uma maior dispersão porque possibilita enlaces de grandes distâncias na ordem de quilômetros de distancia, representando uma diminuição dos investimentos no sistema, pois exigem raros repetidores ou regeneradores de sinal, a transmissão é feita a uma grande distancia e a degradação é muito baixa na ordem de 0,2 dB/Km. Devido à necessidade de se obter maior abrangência a partir de um único ponto central, a cada dia mais e mais fibras partem do Headend para formar nós ópticoelétricos mais conhecidos como Nodes. As Operadoras de TV por assinatura atualmente podem oferecer outros serviços alem de uma conexão de banda larga como é o caso da Telefonia (VOIP), vídeo interativo, vídeo sob demanda (VOD), mas necessitam de uma rede confiável, de alta velocidade e disponibilidade, levando em consideração a característica celular de um Node, quanto menor a célula melhor o desempenho. Na rede HFC a célula é a área alimentada por um único nó óptico onde as dimensões das células são determinadas a partir do número de residências atendidas, as estruturas de célula Standard que atendem 1500 a 2500 residências estão deixando de existir para dar espaço às células Mini que atendem de 500 a 650 residências com o propósito de melhorar o uso da banda de retorno, a próxima convergência está em aumentar o numero de células Micro ou Pico que atendem 100 a 500 residências com maior número de serviços interativos e estando a um passo da distribuição de fibra à residência do assinante. Um dos padrões existentes em redes HFC é o DOCSIS que define os requisitos de interface e o conjunto de especificações para padronização do funcionamento dos cable modems utilizados na distribuição de dados de alta velocidade na rede. A arquitetura DOCSIS está relacionada diretamente à comunicação entre o CMTS
 

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um equipamento do Headend que se concentra toda a comunicação dos cable modems instalados nos assinantes de um Node e o Cable Modem um dispositivo instalado no assinante que provê acesso a internet de alta velocidade conectando o PC a rede HFC e esta comunicação é feita através de dois canais distintos a Downstream sentido Headend/Assinante e a Upstream sentido Assinante/Headend. A rede de acesso HCF também foi dividida nesta pesquisa em forma de blocos, Rede Interna (Assinante), Rede Externa e Headend, para uma melhor compreensão de como é feito o acesso a Internet Esta pesquisa teve como finalidade principal o entendimento das informações sobre este sistema, sua arquitetura e funcionalidade indicando argumentos para o desenvolvimento do assunto. Os assuntos abordados na pesquisa estão dispostos a contribuir assim com a explanação e difusão dos conhecimentos técnicos teóricos.

 

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