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REVI STA DE PSIQUIATRIA aso xy Nt Rev, Psguiat. FM. IM Serie [XXIV) 12 Jaan 2003 COMPORTAMENTOS DISRUPTIVOS DOS ADOLESCENTES NA ESCOLA: INFLUENCIAS DO AUTOCONCEITO, SEXO, IDADE E REPETENCIA” AUTORA: Maria Olimpia Almeida de Paiva QUALIFICAGOES: Mestre em Psicologia Especializagao em Psicologia da Satide e Intervencdo Comunitaria LOCAL DE TRABALHO: Escola Secundaria Alexandre Herculano — Porto ENDERECO: Rua do Godim, 869, 3° Esquerdo - 4300-242 Porto RESUMO: Este estudo é o testemunho de uma Escola que pretende construir um bom ambiente, no dificil equilibrio entre a rigidez e a flexibilidade, com base no didlogo, negociacao e responsabilizacio. ‘A adolescéncia é, por exceléncia, um perfodo de mudanca e de instabilidade. Trata-se de uma fase critica de descoberta e de experimentagio, em que o jovem. procura ir além dos limites impostos pelos diversos sistemas, entre eles, a Escola, A revisao da literatura apontou para que se considerassem determinadas varigveis, como 0 sexo, a idade, a repeténcia e autoconceito, como possiveis influenciadoras dos comportamentos disruptivos. E, por isso, o objectivo principal deste estudo foi examinar as relagies presentes entre os comportamentos disruptivos, dos alunos do 3° ciclo de uma escola secundaria do centro do Porto, ¢ 0 autoconceito, considerando, também, os efeitos que determinadas varidveis, nomeadamente, 0 sexo, a idade e a repeténcia, poderdo exercer nesses mesmos comportamentos. (0) — Artigo decorrente da tese de mestrado apresentada na Faculdade de Ciéncias Humanas ¢ Sociais da Universidade Fermando Pessoa ~ Porto. 19 © instrumento administrado aos alunos foi a verso portuguesa de Piers-Harris Children’s Self Concept Seale (PEICSCS), que € um instrumento de avaliagdo do autoconceito néo académico. Aos professores foi aplicada a Escala de Disrupgito Escolar Inferida (EDED. Os dados, depois de recolhidos e compilados, foram tratados com 0 programa SPSS (versio 10.0) Da anélise dos resultados obtidos na disrupgao inferida em funggo do autoconceito nao académico, constatou-se que foi possivel generalizar 0 seu efeito a todas as dimens6es da distupgao escolar. O mesmo nao se pode comprovar sobre a influéncia de todas as dimensdes do auitoconceito na mesma disrupgio. As percepgies que 08 professores tém sobre a disrupeio escolar dos seus alunos tém significancia estatistica com o (p=.016) e com a «Popularidade» (p=.016). Também podemos dizer que a média dos comportamentos disruptivos dos jovens, em funcéo do sexo, é significativamente diferente (p=.004). Quanto a idade, € de referir que as médias dos comporiamentos distuptivos so significativamente diferentes, nos dois grupos considerados (12-14 anos e 15-19 anos), apenas nos factores «Distraccio-Transgressio» (p=009) ¢ «Agressio & Autoridade Escolar» (p=.016). Hé a destacar, ainda, que a média dos comportamentos disruptivos é, também, significativamente diferente (p=.042), quando se comparam os individuos nao repetentes, com os que jé repetiram, pelo menos, uma vez. Palavras-Chave: Comportamentos Disrup' Autoconceito; Sexo; Idade; Repeténcia. vos; Adolescer 1- INTRODUGAO Desde ha muito tempo que os professores tém enfrentado o estranho dilema de certos alunos, de niveis de inteligéncia normais, no apresentando, aparentemente, caréncias do tipo sociocultural, distirbios emocionais e manifestando um desenvolvimento dentro dos parametros da normalidade, evidenciarem, apesar de tudo, comportamentos disruptivos de uma certa gravidade, nomeadamente, agressividade, fugas, abandono escolar e distraccao permanente. A Escola pode combater estes comportamentos disruptivos, e a frustragéio que da decorre, se: desenvolver competéncias comportamentais sociocognitivas que auxiliem os adolescentes a tomar decisdes conscientes, relativamente aos comportamentos disruptivos; proporcionar a aquisicao de competéncias de regulacdo emocional e de autocontrolo; apoiar a aquisi¢ao de competéncias sociais e de resolugio de problemas; fomentar um melhor autoconhecimento dos seus dominios emocionais e despertar para o reconhecimento dos factores que podem exercer uma influéncia nos comportamentos. Quando comportamentos violentos sio exercidos pelos 20