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“Sou eu mesmo!

Um dia chegou à nossa casa de acolhimento de meninas carenciadas, a Rute. Uma jovem inteligente, mas
devido ao seu mau comportamento, já tinha sido expulsa de duas instituições. O seu curriculum era
“famoso”, já ninguém acreditava nela. Também nós fomos tentadas a, perante tais rumores, não lhe dar muito
espaço. Estava no 12º ano, e uma nova expulsão, seria o seu fim como estudante. A irmã Anita depois de uma
conversa com ela, decidiu confiar e atribui-lhe uma bolsa de estudo. Surgiram de imediato os primeiros
comentários: “isso é dar pérolas a porcos”; “seria melhor por o dinheiro por água abaixo”; “É gente desta que
ajudamos?”. Três anos depois, e a mil quilómetros de distância, uma irmã informa-me que está uma jovem, à
porta, à minha procura. Desço, e… não queria acreditar! És mesmo a Rute? Responde-me com alegria. “Sou
eu mesmo! Estou a terminar a licenciatura.

Uma questão de identidade!


Jesus decidiu, um dia, curar um cego de nascença! Os vizinhos, habituados a vê-lo a mendigar estranharam, e
perguntavam-se: «Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola?» Uns diziam: «É ele mesmo!»
Outros afirmavam: «De modo nenhum. É outro parecido com ele.» (Jo 9, 8-9). Ninguém podia imaginar que
um dia aquele homem pudesse vir a ver! O destino estava traçado! Era cego de nascença. Como se o
nascimento tivesse sido para este homem, ao mesmo tempo, início e fim. Para Jesus, nascimento é
nascimento, é inicio de um processo, de uma vida… a cura, a vida na sua plenitude pode sempre acontecer!
Para Deus não há limites, não há fins decretados pelos nossos preconceitos… O cego acreditou em Jesus, e
viu. A Rute sentiu a confiança da irmã Anita e estudou a sério. Quando a fé e a confiança move as nossas
acções, uma nova identidade pode surgir, mas tem que ser afirmada!

Anunciar a Boa Noticia


O cego de nascença, conta e reconta o que se tinha passado com ele. Não esconde a sua alegria, nem se deixa
abater pela “falsa identidade”. Vizinhos, Judeus e mesmo os seus pais, não compreendem o que se passou e
confrontam-no repetidamente com o seu passado “era cego de nascença”. A oposição faz recordar ao cego o
encontro com Jesus. A adversidade torna-se ocasião para dar testemunho daquele que lhe deu a vida, que lhe
deu Luz. Uma boa notícia não se pode guardar, não pode ser secreta, tem que ser partilhada, anunciada!
Outros têm que sentir alegria com a minha cura, com a minha nova identidade. “Sou eu mesmo”, dizia aquele
que um dia fora cego, disse-o mais tarde o próprio Jesus, após a Ressurreição…continuam a dize-lo hoje
todos os que fazem a experiência do encontro com pessoas que acreditam neste Deus dos “nossos casos
perdidos”, neste Deus da Vida.
A Celebração do mistério Pascal é um apelo a olhar para além das aparências, a discernir nos feridos da vida
e da nossa sociedade brechas de esperança, raios de luz…! Não é fácil! Por vezes os “3 dias” do sepulcro são
demasiado longos, mas quem sabe se “3 anos depois”, alguém bate à nossa porta… Valeu a pena confiar e
defender a Vida!

Para reflexão:
Lê esta passagem: Jo 9, 1-41
1. Já algum dia fizeste a experiência de acreditar em alguém contra corrente?
2. Quais as razões que nos levam a deixar de acreditar numa pessoa?
3. A Páscoa é a festa da vida. A morte não é a última palavra de Deus. Quais são as
situações da tua vida em que gostarias ver nascer a Luz de Jesus?