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Contribuições Geotécnicas para o estudo do problema da erosão

Contribuições Geotécnicas para o estudo do problema da erosão

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Mesmo antes da exposição aos agentes externos, na sequência de fenómenos que as

fazem ascender e, subsequentemente, aflorar, as rochas sofrem modificações, à

medida que se elevam das zonas profundas onde se geraram, e que correspondem a

fases progressivas de adaptação a ambientes sucessivamente mais próximos das

condições físico-químicas que caracterizam a superfície do Globo, isto é, pressão e

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PANCD

Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação (os objectivos principais deste programa são: 1.
Conservação do solo e da água; 2. Fixação da população active nas zonas naturais; 3. Recuperação das áreas mais
afectadas pela desertificação; 4. Sensibilização da população para a problemática da desertificação e; 5. Consideração
da luta contra a desertificação nas políticas gerais e sectoriais).

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DGF

Direcção Geral das Florestas

A alteração das rochas e os agentes erosivos

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Mestrado em Georrecursos

temperaturas relativamente baixas, presença de água de oxigénio, de dióxido de

carbono, etc..

A alteração das rochas, usada como sinónimo de meteorização diz respeito às

modificações causadas nestas pelos agentes externos, sobretudo os relacionados

com as condições de humidade e de temperatura ambientais.

Nestas condições, as rochas vão ser alteradas e destruídas para originar os materiais

com que se irão formar outros tipos de rocha e o aparecimento do solo. Esta acção

geodinâmica externa provoca uma modificação constante do relevo, originando o

aparecimento de vários aspectos da paisagem, consoante as acções dos diferentes

agentes geodinâmicos externos e também dos tipos de rochas existentes no local.

É importante ressalvar que estes fenómenos de erosão das rochas são, por vezes, tão

lentos que não são perceptíveis. A duração da vida humana não é suficiente para que

seja possível, muitas vezes, observar os seus efeitos. O calcário da camada superficial

do solo, por exemplo, só desaparece, por dissolução, ao fim de cerca de 300 anos.

Figura 2.1. Aspecto geral da meteorização (a rocha firme vai-se transformando gradualmente de
baixo para cima).

Fonte: Geologia, 1981

Esta conversão resulta essencialmente por processos mecânicos (alteração física ou

mecânica) ou por processos químicos (alteração bioquímica).

A alteração das rochas traduz-se na conversão de uma certa espessura da capa

externa das massas rochosas num material mais ou menos incoerente e empobrecido

dos componentes mais instáveis, susceptível de ser, mais facilmente mobilizado e

evacuado pelos agentes de erosão e de transporte. A espessura desta capa, que

depende do tipo de rocha, do clima e do tempo decorrido, pode ir de escassos

milímetros a algumas dezenas de metros.

A alteração das rochas e os agentes erosivos

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Mestrado em Georrecursos

No primeiro caso empregam-se as expressões alteração mecânica, alteração física ou

desagregação, e, no segundo, alteração química ou decomposição. Esta última é

preferível considerá-la como alteração bioquímica visto que é praticamente impossível

concebê-la sem a participação da actividade biológica.

A Alteração Mecânica ou Física, resulta essencialmente de acções de natureza

física, tais como variações de volume produzidas por oscilações térmicas

(termoclastia4

), congelação e descongelação de água (gelivação5

) contida nos poros

das rochas, cristalização de sais dissolvidos na água de impregnação das fissuras e

poros das rochas após evaporação. Os mecanismos físicos citados provocam a

constante fissuração das rochas até estados de desagregação mais ou menos

avançados. As rochas perdem, assim, a sua coerência sem modificação das suas

composições mineralógica e química.

Este tipo de alteração está confinado a certas zonas do Globo que têm em comum

acentuada carência de água no estado líquido e, consequentemente, muitíssimo

pobres de vegetação e, portanto, de reduzidíssima actividade bioquímica. Estão

nestas condições as regiões glaciárias (polares e de alta montanha) com gelo

permanente a encobrir o solo, as regiões periglaciárias, de solo exposto mas quase

permanentemente gelado, e as regiões áridas ou desérticas ou semiáridas. No

conjunto, estas regiões perfazem cerca de 15% da área dos continentes.

Figura 2.2. Alargamento da rocha provocado pelos processos de termoclastia e gelivação.

Fonte: Ciências Naturais 7, 1995

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Termoclastia

Uma vez que muitas rochas contêm minerais escuros e minerais claros, portanto, com diferentes graus de absorção da
energia radiante, estes minerais aquecem e dilatam-se de modo diferente o que conduz a contínua "descolagem" dos
grãos da rocha que acaba por se desagregar. Por outro lado, devido à pouca condutibilidade térmica das rochas,
verifica-se um aquecimento da película externa dos afloramentos rochosos que contrasta com a temperatura do seio da
rocha.

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