UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

FERNANDA DE SOUZA FEIJÓ

Trabalho sobre Amebídeos – Entamoeba coli e Entamoeba histolytica Parasitologia

Rio de Janeiro 2008. 1. Introdução:

As amebas são protozoários da superclasse Sarcodina. Caracterizam-se os sarcodíneos pela movimentação por meio de pseudópodes. Estes, além da função de locomoção, também servem para captura de alimentos, alimentando-se por fagocitose. Também são heterotróficos. Caracterizam-se por apresentar uma fase de vida comensal, por isso 90% dos casos de amebíase são assintomáticos, entretanto o parasito pode ser tornar patogênico, provocando quadros disentéricos de gravidade variável. Os Sarcodina de interesse deste trabalho são os da família Entamoebidae. Seus representantes compõem-se quase só de parasitos, abrange todas as amebas parasitas, patogênicas ou não, do homem e dos animais. Gênero: Entamoeba Espécie: histolytica e coli Embora o intestino do homem possa ser parasitado por diferentes espécies de amebas, a amebíase é reservada apenas para designar o parasitismo por uma dessas espécies, a Entamoeba histolytica, única, de acordo com consenso geral dos pesquisadores, capaz de desenvolver atividade patogênica. As demais amebas podem ser encontradas no intestino, inclusive a Entamoeba coli, são destituídas de atividade patogênica. Seu conhecimento, porém, é muito importante, pela possibilidade de serem confundidas com a E. histolytica em exames de fezes. Às vezes, observam-se bactérias (cocos, bacilos) e leveduras no citoplasma do E. coli. A E. histolytica se alimenta destes e de hemácias também; Esta é uma forma de diferencia-las. 2. Morfologia: • Trofozoítos E. coli – mede cerca de 20 a 50 µm, o citoplasma não é diferenciado em endo e ectoplasma; o núcleo apresenta a cromatina grosseira e irregular e o cariossoma grande e excêntrico. E. histolytica – mede de 20 a 40 µm (pode chegar a 60 µm), o citoplasma é dividido em ecto e endoplasma; o núcleo apresenta a cromatina constituída por grânulos delicados e o cariossoma é pequeno e central. • Cistos E. coli – apresenta-se como uma pequena esfera medindo 15 a 20 µm, contendo até oito núcleos, com corpos cromatóides finos, semelhantes a feixes ou "agulhas". E. histolytica – são esféricos ou ovais, medindo 8 a 20 µm de diâmetro. O número de núcleos varia de 1 a 4. Os corpos cromatóides quando presentes no cisto tem a forma de bastonetes ou de charutos, com pontas arredondadas.

3. Entamoeba coli:

A Entamoeba coli é uma ameba comensal não patogênica, que vive no intestino grosso humano. Como não prejudica o homem, não precisa ser tratada. Tanto os cistos quanto os trofozoítos podem ser encontrados nas fezes, sendo que os primeiros, conforme o grau de desenvolvimento, contêm de um a oito núcleos e, à medida que o número de núcleos aumenta, o diâmetro nuclear e a quantidade de cromatina do cisto reduzem. São unicelulares e possuem reprodução sexuada ou assexuada. Devido à semelhança existente entre os cistos de E. histolytica e os de E. coli, é preciso fazer o diagnóstico diferencial através da morfologia e do número de núcleos do organismo, entretanto a diferenciação de cistos nem sempre é conclusiva. 4. Entamoeba hystolitica: É um parasita essencialmente humano, vive e multiplica-se no intestino por divisão assexuada. Causadora da amebíase e embora seja uma doença intestinal pode por vezes implicar outros órgãos: fígado, pulmões e raramente o cérebro. É importante saber que nem todos os infectados por E. histolytica sofrem de amebíase, embora possam ajudar a espalhar a infecção entre outras pessoas. Seu ciclo evolutivo é monoxeno, ou seja, completa seu ciclo em apenas um hospedeiro, e o modo de infecção é fecal-oral, ou seja, o homem se infecta ao ingerir cistos presentes na água ou nos alimentos contaminados. Moscas e baratas, ao se alimentar de fezes de pessoas infectadas, também transmitem a parasitose a outras pessoas, defecando sobre os alimentos ou utensílios. Outra forma de transmissão é através do contato das patas sujas de fezes. Pode-se ainda contrair a ameba comendo frutas e verduras cruas, que foram regadas com água contaminada ou adubadas com terra misturada a fezes humanas infectadas. A ameba pode ficar agarrada nas verduras durante três semanas, mesmo expostas à chuva, ao frio e ao calor. Muito freqüente é a contaminação pelas mãos sujas de pessoas que lidam com os alimentos. Os portadores de ameba, em geral, queixam-se de dores abdominais; febre baixa; ataque de diarréia, seguido de períodos de prisão de ventre, disenteria aguda com fezes sanguinolentas, etc. Somente através do exame de fezes, as pessoas ficam sabendo se têm ameba ou outros parasitas. A E. histolytica apresenta duas fases no seu ciclo evolutivo: 1.Fase trofozoítica ou vegetativa (vive no intestino grosso ou nas últimas porções do íleo, movimentando-se, fagocitando e digerindo seu alimento e multiplicandose por divisão binária); 2.Fase cística (ela se imobiliza, deixa de fagocitar, rodeia-se de uma membrana resistente – membrana cística – e vive à custas de substâncias de reserva acumulada durante a fase anterior, sobretudo substâncias protéicas e hidrocarbonadas). O desencistamento ocorre na porção final do intestino delgado, liberando os trofozoítos que passam a viver como comensais e a reproduzir-se por divisão binária. Através de mecanismos ainda desconhecidos, mas possivelmente relacionados com a ruptura do equilíbrio intestinal (baixa de

imunidade local, alteração da flora intestinal, lesões de mucosa, etc.), os trofozoítos tornam-se patogênicos e invadem a parede intestinal, alimentandose de células da mucosa e de hemácias. Em casos de infecção crônica podem invadir outros órgãos através da circulação sangüínea, especialmente ao fígado, onde provocam a formação de abscessos e o desenvolvimento de um quadro freqüentemente fatal. Os trofozoítos que permanecem no intestino sob a forma comensal reduzem o seu metabolismo, armazenam reservas energéticas e secretam uma parede cística ao seu redor, formando os cistos, que são eliminados através das fezes. Dentro do cisto o parasito realiza divisão binária formando quatro novos indivíduos que desencistam quando chegam ao intestino de um novo hospedeiro. Os cistos podem permanecer viáveis fora do hospedeiro por cerca de 20 dias, caso as condições de temperatura e umidade não sejam adequadas, logo eles são as formas de resistência do parasito no ambiente. Os trofozoítos, entretanto, são lábeis no ambiente. As lesões produzidas pela E. histolytica localizam-se na mucosa e submucosa do intestino grosso. Sua distribuição relaciona-se com a estase do conteúdo cólico e ocorre na seguinte ordem, decrescente: ceco, cólon ascendente, reto, sigmóide e apêndice. Constitui-se em pequenas áreas edematosas, hiperêmicas, do tamanho de uma cabeça de alfinete ou de pequenas pápulas amareladas. O espectro infeccioso na amebíase varia desde a infecção assintomática do portador sadio até os casos abruptos e graves de abdome agudo. O ciclo não-patogênico, na luz do intestino grosso, e o ciclo patogênico, que se realiza na parede intestinal, no fígado e em outros órgãos, podem ocorrer simultaneamente. Com a mucosa intestinal inflamada, o paciente manifesta febre, dor abdominal prolongada, diarréia com posterior disenteria (fezes com muco, pus e sangue), distensão abdominal e flatulência. Em casos mais graves, pode ocorrer anemia, necroses extensas da mucosa, colite ulcerativa, apendicite, perfuração intestinal e peritonite. O diagnóstico laboratorial é feito pela visualização de trofozoítos com hemácias fagocitadas, presentes com maior freqüência em fezes diarréicas. O cisto de Entamoeba histolytica é bastante semelhante aos cistos de espécies comensais de Entamoeba sp. e a identificação, feita através da morfologia e do número de núcleos, torna o diagnóstico complexo. Atualmente, a detecção de anticorpos ou antígenos é uma importante ferramenta para o diagnóstico da amebíase e pode ser associado ao diagnóstico de imagem e histopatológico. A profilaxia da amebíase comporta medidas gerais e individuais. As geris objetivam o saneamento do meio e incluem providências como a adequada remoção de dejetos humanos e fornecimento de água não-contaminada à população; uso de instalações sanitárias para remoção das fezes; proibição de fezes humanas como adubo; educação sanitária da população; inquéritos epidemiológicos para descoberta das fontes de infecção; tratamentos dos indivíduos parasitados, doentes ou portadores sãos, mormente se forem manipuladores de alimentos. As medidas individuais são representadas pela filtração ou fervura da água usada na alimentação lembrando que a cloração da água não inativa os cistos; lavagem dos vegetais com água não-

contaminada ou água fervida; não ingestão de vegetais crus, procedentes de focos de infecção; proteção dos alimentos contra moscas e baratas; lavagem cuidadosa das mãos após a defecação e antes das refeições. 5. Imagens:

Ciclo da Entamoeba histolytica

Cisto da E. histolytica

Trofozoíto da E. histolytica

Cistos da Entamoeba coli

Trofozoíto da E. coli

6. Bibliografia: REY,L. Parasitologia. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara http://www.ufrgs.br/parasite/Imagensatlas/Protozoa/Entamoebahistolytica Acessado em 20/09/2008. http://www.fop.unicamp.br/microbiologia/aulas/protozoarios.pdf Acessado em 20/09/2008.

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