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Recursos Recursos INTRODUÇÃO órgão julgador ou por outro que a lei designar, objetivando a reforma, a

Recursos

Recursos

INTRODUÇÃO órgão julgador ou por outro que a lei designar, objetivando a reforma, a invalidação, o
INTRODUÇÃO
órgão julgador ou por outro que a lei designar, objetivando a
reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração do
julgado.
O inconformismo atinge a sociedade como um todo,
mormente se levarmos em conta que os conflitos in-
tersubjetivos resolvidos pelo Estado, muitas vezes, em
primeiro momento não atendem plena e integralmente
os interesses dessa mesma sociedade, motivo pelo qual
o meio para reparar tal falibilidade somente pode ser a
impugnação do ato estatal. Essa impugnação, em linhas
gerais, após a primeira decisão oriunda do Estado-Juiz
é o instrumento tecnicamente chamado de recursos. É
sobre esse tema, que pretendemos dissertar.
No mais, os recursos ainda tendem a ser classificados pela
doutrina por uma simples questão didática, como corolário do
próprio conceito de recursos. A par das brilhantes e profundas
classificações apresentadas na essencial obra do Professor
Araken de Assis, (Manual dos Recursos, RT, 2007, paginas
31/65), optamos por uma didática mais simples, a fim de
apresentar o aluno da graduação conceitos mínimos para sua
compreensão.
CONCEITO DE RECURSO E
SUA CLASSIFICAÇÃO
NO PROCESSO CIVIL
A questão conceitual nunca é de simples deslinde, haja
vista que o Direito, como ciência viva, é submetido a
seguidas tentativas de interpretação, aperfeiçoamento
e evolução por vários doutrinadores. Optamos por uma
idéia mais simples, na medida em que, dessa base
conceitual, podemos evoluir para os demais elementos
Assim temos: a) classificação dos recursos quanto ao fim
almejado por quem recorre, que os divide entre de reforma,
quando têm o fito de obter resposta judicial mais favorável; de
invalidação, quando intentam anular ou cassar o provimento
judicial; e de esclarecimento ou integração, quando o objetivo
é suprir omissão, contradição ou obscuridade na decisão; b)
Quanto ao órgão jurisdicional que decidirá a demanda,
podendo ser os recursos devolutivos ou reiterativos, quando a
decisão é devolvida pelo juiz da causa a outro juiz; não devo-
lutivos ou iterativos, quando apreciados pelo mesmo juiz que
prolatou a decisão atacada; ou mistos, quando permitem as
duas soluções já expostas; c) Quanto à margem do proces-
so, segmentando os recursos entre suspensivos, que impe-
dem o início da execução; e não suspensivos, que permitem a
execução provisória.
zo, aderindo ao recurso da parte contrária no prazo das
contra-razões (art. 500 do CPC). O recurso adesivo tem
os mesmos pressupostos gerais dos recursos em geral,
sendo seus pressupostos específicos previstos junto ao
art. 500 do CPC e, desde que exista sucumbência recí-
proca, ou seja, que as partes contrárias sejam ao mesmo
tempo vencedoras e vencidas em parte, considerada a
sentença ou acórdão como um todo.
Da mesma forma, o popular recurso de ofício, também
conhecido como reexame necessário também não pode
ser considerado propriamente um recurso, uma vez que
não depende de qualquer ato voluntário, mas do interes-
se público revelado no processo, quando a sentença hou-
ver sido proferida de modo contrário a União, Estados,
Municípios, DF, Autarquias e fundações de direito público.
Tecnicamente não existe recurso, mas uma remessa feita
pelo juízo a instancia superior em virtude do previsto na
lei (475 CPC).
Por fim, é importante, ainda, declinar que Leis Proces-
suais Extravagantes, respeitadas a Competência Legis-
lativa da União (art. 22, I da CF-88), podem criar outros
recursos, além dos declinados junto ao art. 496 do CPC,
como é o caso dos Embargos Infringentes contra
as sentenças proferidas em execuções fiscais em
causas de alçada (Art. 34 da Lei 6830 de 22/09/1980)
e o Recurso Inominado contra as sentenças civis
de Teoria Geral que serão apresentados ao longo desse
ensaio.
NATUREZA JURÍDICA
Nesse contexto, o célebre professor Moacyr Amaral
proferido nos Juizados Especiais Cíveis Estaduais
e Federais ( art. 41, caput, da Lei 9099/95 e art. 5, da
Lei 10259/01). Estes casos específicos serão tratados
Santos preceitua: “Em princípio, todos os atos do juiz
podem ser impugnados, até mesmo simples despachos
objetivamente junto aos temas pertinentes à matéria, nos
demais manuais acadêmicos.
de expediente. Quando o ato impugnado é uma decisão
final (sentença, acórdão) ou decisão interlocutória, à im-
pugnação se dá o nome de recurso. Por meio do recurso,
a parte vencida, apontando e demonstrando o vício da
Regra geral, os recursos podem ser considerados como um
ônus da parte prejudicada pela decisão judicial que se preten-
de recorrer. Assim, o recurso não pode ser visto como uma
nova ação (pois não gera um outro processo), mas como uma
extensão do próprio Direito de Ação, haja vista que somente
podem ser interpostos recursos de “processos vivos”, isto é,
daqueles que ainda não terminaram.
Em nosso ordenamento jurídico, s.m.j., as decisões proferidas
em processos findos são impugnáveis por meio de ações au-
PRINCÍPIOS DO
SISTEMA RECURSAL
decisão, provoca o reexame da matéria decidida, visando
obter sua reforma ou modificação. Competente para o
reexame, regra geral, será o órgão judiciário hierarqui-
De forma geral, os princípios são regras não-escritas que
decorrem ou de outras regras escritas, ou de um conjunto
camente superior ao que proferiu a decisão recorrida,
admitindo-se que o seja, entretanto, em dadas hipóteses,
o próprio juiz que a proferiu. Recurso é, pois, o poder de
provocar o reexame de uma decisão, pela mesma auto-
ridade judiciária, ou por outra hierarquicamente superior,
visando a obter a sua reforma ou modificação”. (Primeiras
linhas de direito processual civil. 20. ed. 3. v. São Paulo:
tônomas, como a ação rescisória e a ação anulatória, ou ainda
em casos excepcionalíssimos, por meio de ação declaratória
de inexistência jurídica e pelo mandado de segurança, que
tecnicamente não são consideradas recursos.
ESPÉCIES DE RECURSO
de regras, ou do sistema jurídico como um todo, orientan-
do não apenas a aplicação do direito positivo, mas tam-
bém a própria elaboração de outras regras, que a eles
devem guardar obediência e hierarquia. Os princípios re-
cursais devem ser analisados em conjunto com normas
dos recursos em geral, suprindo e orientando a ausência
Saraiva, 2001, pág. 79/80)
de regras expressas.
Nesse campo, a Doutrina tem sido vasta em reconhecer
Não menos didático, Pontes de Miranda, peremptório,
assevera: “Nem sempre as resoluções judiciais – sen-
tenças, decisões ou despachos – são isentas de faltas
Os recursos, regra geral, encontram-se descritos nas hipó-
teses previstas junto ao artigo 496 do CPC. Assim, temos
os seguintes recursos: a) Apelação (Art. 285-a, 296 e 513 e
segs. do CPC); b) Agravo retido (522 e segs. do CPC), de
Instrumento (524 e segs. do CPC), contra decisão denegatória
de seguimento de Recurso Especial ou Extraordinário (544 e
segs. do CPC) e regimental ou interno (557, § 1º do CPC e
Regimento Interno dos Tribunais); c) Embargos Infringentes
um grande número de princípios pelos mais diversos au-
tores. Baseado nos ensinamentos do I. professor Nelson
ou defeitos quanto ao fundo ou sem infração das regras
jurídicas processuais concernentes à forma, ao proce-
Nery Junior, (“apud” Princípios fundamentais – Teoria
geral dos recursos. São Paulo: Revista dos Tribunais,
dimento. Desinteressar-se-ia o Estado da realização
2000, p. 34.), os princípios fundamentais dos recursos
civis são:
do seu direito material e formal, se não desse ensejo à
a)
princípio do duplo grau de jurisdição; princípio do
correção de tais resoluções defeituosas, ou confiaria de-
masiado na probabilidade de acerto do juiz singular, ou
do tribunal de inferior instância. Afastando esse perigo e
aquele descaso, o Estado admite, de regra, o recurso,
duplo grau de jurisdição voluntário; princípio do du-
plo grau de jurisdição mínimo; princípio do controle
hierárquico: (Consiste no principio segundo o qual uma
matéria deve ser decidida, ao menos, por duas vezes, por
que implica reexame do caso, em todos os seus elemen-
tos ou só em alguns deles. Em sentido lato, recorrer sig-
nifica comunicar vontade de que o feito ou parte do feito,
continue conhecido, não se tendo, portanto, como defini-
tiva a cognição incompleta ou completa, que se operara.
dois órgãos diferentes do Poder Judiciário. Esse princípio
hoje se encontra mitigado quando da análise da Súmula
Impeditiva de Recursos (art. 518, § 1 do CPC) e da pró-
pria Súmula Vinculante do STF em matéria constitucional
(art. 103-A da CF-88);
Não supõe devolução necessária à superior instância.
Há recursos no mesmo plano funcional da organização
judiciária”. Comentários ao Código de Processo Civil. 7. t.
São Paulo: Forense, 1975.
Em resumo dos termos expostos, recurso pode ser deli-
mitado como a faculdade própria da parte vencida – por-
que aquele que tem sua pretensão acolhida totalmente
(art. 530 e segs do CPC); d) Embargos de Declaração (art.
535 e segs. do CPC); e) Recurso Ordinário (Art. 539 e segs.
do CPC, art. 102, II e 105, II, ambos da Constituição Federal); f)
Recurso Especial (STJ) – art. 541 e segs. do CPC e art. 105,
III da CF / Recurso Especial Retido (art. 542, § 3º do CPC);
g) Recurso Extraordinário (STF) – art. 541 e segs. do CPC e
art. 102, III da CF / Recurso Extraordinário Retido (art. 542,
§ 3º do CPC); h) Embargos de Divergência do STF e STJ.
(art. 546 do CPC).
Importante, ainda, deixar consignado que, apesar de eventual
b)
princípio da taxatividade: somente existem os re-
divergência doutrinária, optamos por nos posicionar conjunta-
mente à doutrina majoritária e apontar que, apesar de sua exis-
tência junto ao Código de Processo Civil, o Recurso Adesivo
não é considerado recurso, uma vez que não se encontra pre-
cursos previstos em lei federal, não podendo as normas
processuais criadoras dos recursos ser interpretadas de
maneira extensiva;
c)
princípio da singularidade; princípio da unirrecor-
visto nas disposições do artigo 496 do CPC, consistindo numa
carece de interesse de agir para recorrer – de impugnar
voluntariamente a decisão do Estado-juiz no que lhe foi
verdadeira adesão a oportunidade recursal. Sua possibilidade
surge somente quando existir a sucumbência parcial ou recí-
proca, não tendo uma das partes recorrido dentro de seu pra-
ribilidade; princípio da unicidade: consiste na regra de
que, contra uma decisão judicial, somente pode caber um
recurso, ou, ao menos, um por vez. Possui como exce-
ção a regra, a possibilidade do Acórdão proferido por um
contrária, a fim de provocar nova apreciação pelo mesmo
Tribunal violar em sua decisão, ao mesmo tempo, matéria de ordem constitucional de repercussão geral e
Tribunal violar em sua decisão, ao mesmo tempo, matéria
de ordem constitucional de repercussão geral e matéria
de ordem infra-constitucional, quando, então, caberá, ao
mesmo tempo, Recurso Especial para o STJ e Recurso
Extraordinário para o STF) ;
passar esta fase, é que o Recurso poderá ser analisado em
seu mérito, isto é, poderá ser julgado conforme a pretensão do
recorrente e sua fundamentação.
c) Tempestividade: prevê a Lei um determinado prazo
para cada recurso. A maioria dos recursos possui um
prazo de 15 dias (art. 508 CPC), ressalvada a hipótese
de Embargos de Declaração (5 dias) ou Agravo (10 dias).
1.
O Juízo de Admissibilidade dos Recursos. Requisitos
d)
princípio da fungibilidade; princípio do recurso in-
Intrínsecos
O prazo para interposição dos recursos é prazo próprio,
fatal e improrrogável, ressalvada as hipóteses do art. 507
diferente; princípio da permutabilidade dos recursos;
Conforme lição de Nelson Nery Jr e de Barbosa Moreira, os
do CPC, tais como falecimento da parte, do advogado ou
princípio da conversibilidade dos recursos: princípio
que admite o recebimento de um recurso como se fos-
pressupostos intrínsecos são aqueles tidos como requisitos
relativos à própria existência do poder de recorrer. Para serem
ainda algum motivo de força maior que suspenda o curso
do processo. A tempestividade está intimamente ligada à
se outro, baseado na ausência de erro grosseiro, com a
efetiva demonstração pelo recorrente da existência de di-
vergência doutrinária e jurisprudencial a respeito de qual
aferidos, em síntese, leva-se em conta o conteúdo e a forma da
preclusão temporal. Daí se concluir que, extrapolando os
decisão impugnada, de tal modo que, pra proferir-se juízo de
seja o recurso cabível no caso especifico, bem como na
observância do prazo menor entre os recursos fungíveis;
admissibilidade, toma-se o ato judicial impugnado no momento
e da maneira como foi prolatado. São eles: a) Cabimento: pelo
Princípio da Taxatividade, o recurso deve ser cabível, ou seja,
e)
princípio da dialeticidade: consiste no ônus do recor-
rente motivar seu recurso no ato da interposição, sendo
previsto em lei (art. 496 do CPC). Completando o cabimento,
deve haver também a adequação (Princípio da Singularidade),
obrigatória a dedução das razões recursais para fixação
isto é, o recurso além de previsto deve ser adequado à deter-
prazos, o recurso não chegará a ser conhecido.
Os prazos recursais começam a fluir, regra geral, sem-
pre da intimação do ato judicial que se pretende recorrer,
podendo se dar: i) na própria audiência, quando o ato é
produzido na hora, na presença das partes, regularmente
intimadas para a realização daquela audiência; ii) quando
o ato não puder ser proferido na própria audiência, com
dos limites da irresignação da parte sucumbente, bem
como pela parte contrária ter direito de contraditar o recur-
so nos exatos limites do deduzido no pedido de reforma
do julgado);
minada decisão. Sob esse requisito, avalia-se a aptidão do ato
para sofrer impugnação, bem como a propriedade do recurso
a ser interposto; b) Legitimação para recorrer: no Processo
Civil, são partes com legitimidade para recorrer: as partes, o
a intimação das partes via imprensa oficial ou oficial de
justiça (nos casos de necessidade de intimação pessoal,
como MP, defensor público etc) ; iii) no caso de sentença
estenotipada (colhida pelo regime de estenotipia), o pra-
f)
princípio da voluntariedade: todo recurso deve ser
um ato voluntário da parte prejudicada;
terceiro prejudicado e o Ministério Público (art. 499 CPC), quer
como parte, quer como fiscal da lei; c) Interesse em recorrer:
g)
princípio da irrecorribilidade em separado das in-
o interesse em impugnar os atos decisórios surge ao recorren-
te quando este pretender uma situação mais favorável daquela
zo para recurso começa a fluir a partir da intimação de
sua transcrição – RT 649/352, RT619/151, RT607/112,
RT603/147 ; d) com a publicação da súmula do julgado
terlocutórias: todas as decisões interlocutórias podem
ser impugnadas via recurso de Agravo;
existente na decisão prolatada, resultando da conjugação de
no órgão oficial: aqui, um caso interessante – geralmen-
te, em tribunais, há a sustentação oral e a prolação dos
h)
princípio da complementaridade: é vedada a inter-
dois fatores autônomos, porém complementares, que podem
posição de recurso em uma ocasião e das respectivas
ser resumidos na análise do binômio necessidade x utilidade:
razões em outra, ainda que dentro do prazo recursal, bem
como eventual retificação ou complementaridade ulterior
das razões. Daí dizer-se, no entender de Barbosa Morei-
ra, que há preclusão consumativa quanto à dedução das
razões, se essas já não vieram acompanhando a petição
de interposição do recurso. Dessa forma, interposto o
por necessidade, entende-se que a decisão somente poderá
ser mudada por meio da utilização do recurso; por utilidade,
entende-se o próprio prejuízo da parte vencida ou de terceiro,
ao ver uma decisão desfavorável às suas pretensões (sucum-
bência processual), sendo o interesse do recorrente prepon-
votos, tudo na mesma audiência, o que levaria a pensar
que as partes já sairiam intimadas. Ocorre que, mesmo
estando presentes as partes e seus procuradores, estas
dar-se-ão por intimadas somente com a publicação do
julgado, conforme art. 506 do CPC.
No que diz respeito às decisões monocráticas para a afe-
rição da tempestividade do recurso, a noção de publica-
derante para o resultado de situação mais favorável do que
ção a ser considerada não é apenas a de veiculação da
recurso antes do prazo, é impossível à parte recorrente
aquela existente.
decisão nos órgãos da imprensa oficial. Uma vez tornada
completá-lo, ainda que dentro do mesmo prazo;
pública a decisão, por qualquer forma, ela se torna recor-
i)
princípio da proibição da “reformatio in pejus / non
2.
O Juízo de Admissibilidade dos Recursos. Requisitos
reformatio in pejus”; princípio da devolutividade ple-
na; princípio da devolutividade plena dos recursos,
princípio do “tantum devolutum quantum appella-
tum”; princípio do efeito devolutivo; princípio de de-
fesa da coisa julgada parcial: consiste no princípio de
Extrínsicos: os pressupostos extrínsecos respeitam os fato-
res externos à decisão judicial que se pretende impugnar. Nes-
se sentido, para serem aferidos, não são relevantes os dados
rível e tempestivo é o recurso contra ela dirigido nessas
circunstâncias, desde que observado o respectivo prazo,
contado da ciência inequívoca. A esse respeito, inclusive,
Theotônio Negrão com propriedade assevera que “A in-
que compõem o conteúdo da decisão recorrida, mas os fatos a
esta supervenientes. Deles fazem parte:
que o recorrente nunca poderá ver a sua situação piorada
quando do julgamento do recurso. Possui somente uma
exceção a regra: Quando o órgão julgador “ad quem” ti-
ver a necessidade de decidir matéria de ordem pública,
que pode resolver a causa de maneira diversa/contrária
a) Preparo: O preparo no sistema processual civil é imediato
(art. 511, CPC), consistindo no recolhimento prévio das despe-
sas relativas ao processamento do recurso. O valor é fixado
por lei de organização judiciária para cada recurso e, regra ge-
ral, emprega-se um percentual ad valorem. A falta de preparo
a decisão anterior – como por exemplo, ausência de con-
dições da ação, ausência de pressupostos processuais,
nulidades insanáveis, prescrição etc;
leva a pena de deserção, que nada mais é do que o não co-
nhecimento do recurso pela ausência de pagamento das cus-
tas recursais ou ainda o seu recolhimento em valor errôneo,
terposição de recursos contra decisões monocráticas ou
colegiadas proferidas pelo STJ pode, a partir de agora,
ser realizada antes da publicação dessas decisões na
imprensa oficial” (STJ-Corte Especial, ED no AI 522.249,
rel. Min. José Delgado, j. 2.2.05, acolheram os embs.,
v.u., DJU 16.5.05, p. 224). Também no STF, mais recen-
temente, ele foi objeto de flexibilização: “Conforme enten-
dimento predominante nessa colenda Corte, o prazo para
recorrer só começa a fluir com a publicação do acórdão
no órgão oficial, sendo prematuro o recurso que o antece-
j)
princípio da consumação: a prática de qualquer ato
sem atender ao pedido de complementação pelo juiz (art. 511,
processual produz imediatamente a consumação como
efeito, de modo que realizado o ato não mais será possí-
vel praticá-lo novamente ou acrescentar elementos.
§ 2 CPC). Não se exige preparo nos agravos retidos (art. 522,
par.ún, CPC), embargos de declaração (art. 536, CPC), bem
de. Entendimento que não se aplica no caso de decisão
monocrática, a cujo inteiro teor as partes têm acesso nos
como das demais pessoas isentas de preparo descritas junto
LINK ACADÊMICO 1
ao art. 511, § 1 CPC, como p. ex., o MP, a Fazenda Pública e
os beneficiários da gratuidade de justiça. Por fim, importante
próprios autos, antes da respectiva publicação” (STF-
Pleno, ACOr 1.133-AgRg-AgRg, rel. Min. Carlos Britto, j.
16.6.05, deram provimento, v.u., DJU 24.3.06, p. 7).
asseverar ainda que o fato de não haver coincidência entre o
JUÍZO DE
ADMISSIBILIDADE
E JUÍZO DE MÉRITO
expediente forense e o de funcionamento das agências bancá-
rias não projeta o termo final do prazo concernente ao preparo
d) Regularidade Formal ou Procedimental: Vige na
moderna doutrina o princípio da instrumentalidade das
formas, avalizando que o processo como um todo não
deve se apegar às formas e sim à finalidade que a lei
Sendo o recurso uma extensão da ação, o órgão julgador
deve também examinar as condições de admissibilidade
para o dia subseqüente ao do término do prazo recursal” (STF-
Pleno: RJ 305/103, cinco votos vencidos). Após essa decisão,
as duas turmas do STF passaram a decidir no mesmo sentido,
por votação unânime: STF-1ª Turma, AI 325.661-RJ-AgRg,
desses atos processuais, devendo os recursos se ade-
quarem às condições exigidas por lei e demais pressu-
postos processuais. Assim, as condições de admissibi-
rel. Min. Ellen Gracie, j. 5.2.02, negaram provimento, v.u.,
lidade dos recursos devem ser lógica e temporalmente
examinadas antes do juízo de mérito, haja vista que, sen-
do apreciadas negativamente, irão impedir que o órgão
julgador se manifeste sobre o pedido propriamente dito.
Importante salientar que o juízo de admissibilidade re-
alizado em primeira instância (decisão interlocutória) é
necessariamente repetido em segunda e não se vincula
àquele. Assim, mesmo tendo o recurso sido conhecido e
determinado seu processamento, pode ocorrer, em grau
superior, que o mesmo venha a ser considerado intem-
pestivo, carente de legitimidade, de interesse etc. Essa
DJU 15.3.02, p. 37; STF-2ª Turma, AI 364.669-RS-AgRg, rel.
Min. Carlos Velloso, j. 30.4.02, negaram provimento, v.u., DJU
14.6.02, p. 151;
b) Inexistência de Fato Impeditivo ou Extintivo: Existem
fatos prévios e ulteriores à interposição que extinguem o po-
der de recorrer e impedem o exame do recurso. Assim, temos
como fatos extintivos: 1) Renúncia ao poder de recorrer
(art. 502 CPC): podendo ser qualificada como um negócio
jurídico unilateral e independente de aceitação da outra parte,
consiste na declaração de vontade do legitimado a recorrer no
sentido de abdicar desse “poder de recorrer”, tornando o ato
processual irrecorrível. Assim, sendo o recurso um ato neces-
sariamente voluntário, é um direito que pode ser renunciado
a qualquer tempo, mesmo antes de prolatada a decisão, so-
mente não havendo possibilidade de renunciar ao direito de
se impugnar decisão que agrida a ordem pública ou maculada
de nulidade absoluta; 2) Aquiescência à decisão (Art. 503
CPC): Cuidando-se de negócio jurídico unilateral não recep-
tício (tal qual a renuncia), pode ser definido, em linhas gerais,
quer ver cumprida. Todavia, não podemos confundir a
“liberdade das formas” com a regularidade formal, uma
vez que cada recurso tem requisitos jurídicos mínimos
para ser processado e julgado. Assim, a regularidade for-
mal decorre da imposição legal da forma rígida ao ato de
recorrer, enumerando Araken de Assis quatro requisitos
genéricos de regularidade de forma: 1) petição escrita;
2) identificação das partes; 3) motivação; 4) pedido de
reforma ou de invalidação do pronunciamento recorrido
(Manual dos Recursos, RT, 2007, pag. 193); há ainda
outros requisitos específicos, tais como assinatura do ad-
vogado, formação do instrumento com peças obrigatórias
e legíveis etc. A regularidade procedimental, na lição de
Rodolfo de Camargo Mancuso, incluiria, ainda, o preparo,
a motivação, o pedido de nova decisão e o contraditório.
regra comporta uma exceção: No caso do agravo de
instrumento que é interposto diretamente ao Tribunal (art.
Conforme as lições de Nelson Nery Jr., podemos dividir
uma peça recursal claramente em dois momentos: de-
claração expressa de insatisfação (elemento volitivo)
e os motivos desta insatisfação (elemento descritivo).
Uma peça, nessa ótica, deve trilhar os seguintes passos:
524 CPC). Sendo decisão interlocutória, o recorrido teria,
em tese, interesse de agravar da decisão positiva de ad-
missibilidade feita em instância inferior. Todavia, o sistema
recursal confere a este modo mais célere para guerrear a
1) endereçamento correto – fixa a competência correta
para o processamento do recurso; 2) informações gerais:
decisão: as contra-razões, argüindo em preliminar o não-
cabimento daquele recurso.
Nesse contexto, podemos concluir que, para o Recur-
so ser admitido e processado normalmente, deve ele
preencher prévios requisitos legais, nominados como
pressupostos subjetivos e objetivos. Apenas após ultra-
como sendo um ato pelo qual alguém aceita de maneira tácita
ou expressa, mas sempre espontânea, no todo ou em parte, a
decisão proferida; e como fato impeditivo a Desistência (Art.
501 CPC): Consiste na revogação da interposição do recurso,
operando-se, por conseguinte, imediatamente os efeitos do
trânsito em julgado da decisão recorrida.
número dos autos e as partes; 3) nomeação e qualifi-
cação das partes – caracterizador de legitimidade; 4)
declaração expressa de insatisfação com a decisão re-
corrida – caracterizador de interesse; 5) pontuação sobre
a tempestividade e preparo, onde se fizer necessário; 6)
descrição dos fatos, ressaltando os elementos da decisão
recorrida – segundo caracterizador de interesse; 7) funda-
mentos preliminares do recurso – questionamento sobre
a vigência do dispositivo legal, sua constitucionalidade, competência do órgão julgador, prazos processuais, re- a um
a vigência do dispositivo legal, sua constitucionalidade,
competência do órgão julgador, prazos processuais, re-
a um esclarecimento de seu conteúdo. Excepcionalmente, os
embargos de declaração possuem efeito modificativo, quando
o próprio juízo deixa de observar questão relevante deduzida,
sendo forçado a proferir uma nova decisão. P. Ex., no caso de
juiz reformar sua própria decisão. Caso isso não ocorra, o
mesmo remete o processo ao Tribunal para julgamento;
afirmação de eventuais agravos retidos, entre outros ele-
mentos de ordem pública; 8) fundamentos de mérito do
recurso – atacando a própria decisão recorrida, em seu
omissão - se o juiz deixou de resolver uma questão de ordem
b) Artigo 285-A do CPC: hipótese legal que autoriza o
juiz a dispensar a citação do réu e proferir imediatamente
a sentença de mérito, quando a matéria controvertida nos
cerne, atingindo ou a incoerência legal do julgador, ou
demonstrando que a adequação dada ao caso poderia
ter sido outra ou, ainda, comprovando a patente ilegali-
dade do entendimento atacado, dependendo se o erro
incidir sobre os procedimentos do magistrado ou sobre
seus entendimentos subjetivos; 9) a pretensão recursal –
pedido de reforma ou de invalidação do pronunciamento
recorrido.
pública (coisa julgada), os embargos podem ter efeito modi-
autos versar sobre questão somente de direito e já existir
ficativo. Não obstante, tal recurso também pode ser utilizado
para efetivamente exercer o pré-questionamento da matéria
em relação ao Recurso Especial e/ou Extraordinário. (sumula
no juízo sentença proferida em caso semelhante. Nessa
hipótese, permite-se que o autor interponha recurso de
apelação no devido prazo legal (15 dias), sendo facultado
o exercício do juízo de retratação pelo julgador no prazo
de 5 dias. Caso o juiz se retrate, o mesmo determinará a
citação do réu para apresentar contestação (art. 285-A§ 1
Por fim, importante se faz, ainda, analisar a questão de
regularidade formal, quando da interposição de recursos
por sistema de transmissão de dados fac-simile (fax), sen-
CPC). Caso o juiz não se retrate, o mesmo determinará a
citação do réu para apresentar Contra-Razões de Recur-
so de Apelação e remeterá o processo ao Tribunal para
do esta permitida pela Lei 9800/99 (art. 2º), bastando seja
regularmente transmitido ao juízo ou Tribunal de destino,
98 STJ).
O recurso deve ser interposto no prazo de até 05 dias, contados
da publicação da sentença ou do acórdão, não estando sujeito
a preparo ou resposta da parte contrária, uma vez que são di-
rigidos diretamente ao juiz ou ao relator que prolatou a decisão
objeto do recurso. O recebimento deste recurso interrompe o
prazo para interposição dos demais, i.e., após a decisão dos
embargos, os prazos para os demais recursos recomeçam em
sua integralidade. (No caso do Juizado Especial Cível, quando
interposto de sentença, o efeito não é de interrupção, mas de
suspensão do prazo para interposição dos demais recursos.)
Caso o recurso seja manifestamente protelatório, poderá o
embargante ser condenado ao pagamento de uma multa de
seu efetivo julgamento;
c) Artigo 515, parágrafo 3.º do CPC: nos casos da extin-
ção do processo sem julgamento do mérito previstos no
devendo o recorrente protocolar o original, diretamente
no local da interposição do recurso em até 5 dias após
art. 267 do CPC, o Tribunal poderá, desde logo, proferir
o julgamento do mérito da demanda, se a causa versar
esse ato. Da mesma forma, a lei de informatização dos
processos judiciais (11419/06) permite a interposição de
sobre questão exclusivamente de direito e estiver em
condições de imediato julgamento, i.e., não necessite de
Recursos, via internet, desde que exista efetiva adoção
1% sobre o valor da causa, chegando até o limite de 10% em
do sistema de autenticação de documento eletrônico e
de assinatura eletrônica pelas chaves públicas (protocolo
caso de reiteração. Frise-se que a lei não prevê nem proíbe a
possibilidade de embargos de declaração contra embargos de
TCP/IP), conforme atualmente existente junto ao STJ,
declaração; não admite, contudo, tal repetição, quando discutir
produção de prova. Se presente essa necessidade, de-
verá o Tribunal remeter o processo ao primeiro grau para
que seja produzida a prova faltante e julgada a demanda
pelo seu mérito.
STF e TRT. Nesse caso, não se faz necessário o envio
a mesma matéria já discutida nos primeiros ou que poderia ter
LINK ACADÊMICO 3
do original no prazo mencionado.
sido apresentado desde logo, situação esta que sujeita o recor-
rente a multa acima descrita.
AGRAVO
3.
Juízo de Mérito: analisados os requisitos intrínsecos
e extrínsecos dos recursos e aprovada a admissibilidade
APELAÇÃO
recursal (conhecimento/admissão do recurso), passa-se
a análise do próprio conteúdo da impugnação à deci-
1. Cabimento: é admitido para todas as decisões interlo-
cutórias (art. 162, parágrafo 2.º do CPC), i.e., que solucio-
nam um ponto divergente de fato ou de direito no curso
são recorrida. Ao se examinar o mérito recursal, verifica
1. Conceito: espécie de recurso cabível para atacar o decidido
em sentença judicial, com o objetivo de anulá-la ou reformá-la.
o órgão julgador se a impugnação formulada é ou não
procedente e, portanto, se lhe deve ser dada ou não
provimento, para reformar ou anular, conforme o caso a
decisão recorrida.
A apelação pode ser total ou parcial segundo a extensão da
EFEITOS DOS RECURSOS
matéria devolvida ao conhecimento do tribunal, asseverando
que o Tribunal resta limitado à vontade do apelante em impug-
nar a sentença, sendo proibida, portanto, a “reformatio in peius”
(o tribunal não pode, em regra, proferir decisão mais desfavo-
rável ao recorrente, sob o ponto de vista prático, daquela con-
tra a qual se interpôs o recurso).
do processo, sem extingui-lo. Dependendo da decisão,
admite-se uma modalidade específica de agravo. Assim,
temos em primeiro plano o Agravo Retido e o Agravo
de Instrumento, cujo prazo para regular interposição é
de 10 dias.
1.1. Agravo Retido: como regra, tem cabimento de todas
as decisões interlocutórias, destacando-se aquelas profe-
ridas na audiência de instrução e julgamento, bem como
Ainda que inúmeras sejam as considerações doutrinárias
acerca dos efeitos dos recursos, esses tendem a evitar
a preclusão ou o trânsito em julgado da decisão. Regra
geral, os efeitos se dividem em: a) obstativo: a interposi-
ção de qualquer recurso adia a formação da coisa julgada
formal; b) devolutivo: é a aptidão que tem o recurso de
devolver a matéria ao tribunal para submetê-lo a novo
julgamento. Em relação à decisão recorrida, todo recurso
tem esse efeito que pode ser próprio (p. ex., na apelação)
ou impróprio, (p. ex. quando o recurso depende de outros
recursos para ser conhecido, ex.: agravo retido); c) sus-
pensivo: significa o poder que tem o recurso de impedir
que a decisão recorrida produza sua eficácia própria até
que o recurso seja devidamente julgado por quem de
direito. Somente existe efeito suspensivo se a lei previr
tal possibilidade; d) ativo: possibilidade de o relator ante-
cipar os efeitos da tutela recursal, concedendo antes do
julgamento pelo órgão colegiado a pretensão recursal do
recorrente; e) translativo: em determinados recursos, os
Tribunais podem julgar de ofício questões de ordem pú-
blica, independentemente de terem sido alegadas pelas
partes ou discutidas anteriormente (RESP-STJ 641.904/
DF). (Art. 515, § 1 a § 3 CPC, art.516 CPC); f) substituti-
vo: consiste na substituição da decisão recorrida no que
tiver sido objeto de recurso, pela nova decisão proferida
Ficam também sujeitas ao Tribunal “questões” (pontos contro-
vertidos de fato e de direito), das quais ainda não houve deci-
são, devolvendo-se o ponto ao exame do segundo grau por
força natural do efeito devolutivo da apelação (Art. 516 CPC).
Assim, interposto o recurso ficam transferidas ao exame do
Tribunal as eventuais questões decididas, de ordem pública,
cujo respeito ainda não se operou a preclusão. Frise-se, desde
logo, que as questões de fato não propostas no juízo inferior,
das decisões interlocutórias posteriores à sentença, res-
salvada a hipótese da decisão que não admite (não rece-
be) o recurso de apelação, da decisão relativa aos efeitos
em que a apelação é recebida ou, ainda, das decisões
interlocutórias passíveis de causar a parte uma lesão
grave ou de difícil reparação, hipóteses em que admite
recurso de Agravo de Instrumento - (art. 522 CPC). Tem
por finalidade evitar a preclusão da decisão interlocutória,
poderão ser suscitadas na apelação de a parte provar que dei-
xou de fazê-lo por motivo de força maior (art. 517 CPC).
Quanto aos efeitos da apelação, regra geral, o recurso será
permitindo-se sua posterior discussão quando da interpo-
sição do recurso da sentença. Não tem preparo.
recebido tanto no efeito devolutivo quanto no efeito suspensi-
O agravo retido pode ser oferecido tanto por escrito em
petição simples (decisão interlocutória proferida em regra
vo, exceção feita às hipóteses do art. 520 do CPC e algumas
no processo, como p. ex., em audiência de conciliação
leis especiais (p. ex. sentença que concede o despejo – Lei
do Inquilinato 8245/9). Nesses casos específicos, admite-se a
execução provisória do julgado, conforme disposto junto ao art.
475-O CPC. Vale deixar consignado que os efeitos da apela-
ção são disciplinados em lei, não cabendo arbítrio do juiz.
A interposição do recurso será feita por petição dirigida ao juiz,
com os requisitos do art. 514 do CPC, devendo ser apresenta-
(art. 277 e/ou 331 CPC) quanto oralmente (hipótese obri-
gatória quando a decisão interlocutória tiver sido proferida
em audiência de instrução e julgamento, devendo, inclu-
sive, os motivos do recurso constarem do termo de audi-
ência sob pena de preclusão – art. 522, § 3 CPC), ficando
do de uma só vez perante o protocolo um conjunto único for-
mado pela petição de interposição e pelas razões recursais e
o preparo. O prazo para interpor e apresentar resposta é de 15
o seu julgamento condicionado ao conhecimento da ape-
lação. Assim, a presença dos pressupostos recursais não
será analisada pelo juízo de primeiro grau, uma vez que
somente o Tribunal poderá negar seu conhecimento no
momento oportuno.
Assim, interposto regularmente em primeiro grau, o re-
curso somente será conhecido e julgado pelo Tribunal
por quem efetivamente julgou o recurso (art. 512 CPC).
dias (art. 508 CPC). Caso o recurso seja intempestivo ou hou-
ver falta de algum dos outros pressupostos de admissibilidade
recursal, o juiz rejeitará o recurso, negando-lhe seguimento.
LINK ACADÊMICO 2
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Dessa decisão cabe agravo de instrumento (art. 522 cc/ art.
524 CPC).
Frise-se, outrossim, que a Lei 11276/06 criou a Súmula impedi-
se houver expresso pedido do interessado nas razões ou
contra-razões de apelação. Assim, pode-se dizer que o
julgamento desse recurso está condicionado ao conhe-
cimento da apelação bem como ao expresso pedido de
tiva de Recursos, ao determinar, junto ao art. 518, § 1º do CPC,
julgamento do agravo retido como matéria preliminar ao
Tendo idéia de que o presente ensaio é voltado para o
Acadêmico de Direito, passamos a proceder a análise de
cada uma das espécies recursais, explorando aquilo que
entendemos ser relevante para o conhecimento destes,
sempre em consonância com a Doutrina e a Jurisprudên-
cia dominantes.
a possibilidade de o juiz não receber o recurso de apelação,
quando a sentença estiver em conformidade com sumula do
STJ e do STF. Apesar da redação do artigo e dos questio-
namentos de inconstitucionalidade da norma por violação ao
devido processo legal e ao duplo grau de jurisdição, a melhor
doutrina defende ser a norma de eficácia válida, porém consi-
dera ser a admissão ou não da apelação uma faculdade do
julgamento da apelação. Caso não haja este requerimen-
to específico, presume-se que o recorrente perdeu o inte-
resse no julgamento do agravo.
1.2. Agravo de Instrumento
Recurso cabível com a finalidade de imediato reexame
da decisão interlocutória desfavorável ao recorrente, nas
1.
Embargos de Declaração: tem seu cabimento delimi-
juiz, cabendo desta decisão Agravo de Instrumento (Art. 522
hipóteses do art. 522 CPC, devendo ser interposto direta-
mente junto ao Tribunal competente para seu julgamento
tado junto às hipóteses do art. 535 do CPC, em relação
à obscuridade (defeito consistente na difícil compreensão
do texto da sentença e pode decorrer de simples defeitos
cc/ art. 524 CPC), sob o fundamento de que a sentença não se
em petição acompanhada, desde logo das razões, a ser
redacionais ou mesmo da má formulação de conceitos),
encontra em conformidade com a Súmula dos mencionados
tribunais ou ainda que esta súmula utilizada pelo juiz não se
aplica as peculiaridades do caso concreto julgado.
instruída com as peças obrigatórias descritas no artigo
525 do CPC: cópia da decisão agravada, certidão de
intimação desta decisão e procurações outorgadas aos
omissão (consiste em o juiz ou o tribunal se manifestar
sobre os pontos omissos, sobre os quais deveriam ter se
pronunciado) ou contradição (afirmação conflitante, quer
na fundamentação, quer entre esta e a decisão). Nesses
casos, a correção da sentença, em princípio, não levaria
Por fim, a apelação apresenta ainda três situações importantes
que vêm sendo exploradas nos exames de ordem, cujos arti-
gos devem ser observados:
advogados das partes, sob pena do não conhecimento
do recurso. Ainda que, na prática, exista uma singela
discussão sobre o tema, para fins de Exame de Ordem,
a petição inicial não é considerada peça obrigatória para
conhecimento do recurso de Agravo de Instrumento.
a uma verdadeira modificação da sentença, mas apenas
a) Artigo 296 do CPC: apelação cabível, quando do indeferi-
mento da petição inicial e que prevê a possibilidade do exer-
cício do juízo de retratação no prazo de 48 horas, podendo o
Nos Estados onde se exige preparo, a petição se fará
acompanhar do comprovante do pagamento das respec- tivas custas e do porte de remessa e retorno,
acompanhar do comprovante do pagamento das respec-
tivas custas e do porte de remessa e retorno, quando de-
vidos, conforme tabela que será publicada pelos próprios
Tribunais.
Após a regular interposição do recurso, o agravante terá o
prazo de 3 dias para comunicar ao juízo de primeiro grau
a interposição do recurso, juntando a cópia da petição e
a relação dos documentos de instrução (art. 526 CPC).
Frise-se que esta providência é indispensável para que o
advogado da parte contrária prepare sua resposta, bem
como para que o juízo de primeiro grau possa exercer o
juízo de retratação. O não cumprimento do disposto neste
artigo, desde que argüido e provado pelo agravado impor-
ta na inadmissibilidade do agravo (Art. 526, § único CPC).
Assim, o cumprimento destas disposições passou a ser
obrigatório sob pena do não conhecimento do recurso.
Reformada a decisão pelo juízo monocrático, sendo a
mesma comunicada ao Tribunal, o agravo interposto
não será julgado diante da efetiva falta de interesse do
recorrente, podendo, todavia, a parte prejudicada recor-
rer desta decisão, através de novo recurso de agravo de
instrumento.
Assim que recebido, o agravo de instrumento será dis-
tribuído, cabendo ao Relator do recurso tomar diversas
providências, como p. ex.: a) negar seguimento limi-
narmente ao recurso de agravo de instrumento nos
casos do art. 557 do CPC, i.e., quando o recurso for
manifestamente inadmissível, improcedente, prejudica-
do ou em confronto com Súmula ou com jurisprudência
dominante do respectivo tribunal, do STF ou de Tribunal
Superior. Contra essa decisão caberá agravo inominado
(ou regimental) no prazo de 5 dias (art. 557, parágrafo 1.º
do CPC); b) converter o agravo de instrumento em
agravo retido, salvo quando se tratar de provisão jurisdi-
cional de urgência ou houver perigo de lesão grave ou de
difícil e incerta reparação; c) atribuir efeito suspensivo
ao recurso (Art. 527, II cc/ Art. 558 CPC) ou deferir em
antecipação de tutela total ou parcialmente a pretensão
recursal comunicando ao juiz sua decisão - (Art. 527, II
cc/ Art. 273 CPC); d) requisitar informações ao juiz da
causa; e) determinar a intimação do agravado, através
de ofício dirigido a seu advogado para apresentação de
contra-razões; f) determinar a intimação do Ministério
Público, se for o caso, para apresentação de regular
agravo interno (regimental) para uma das turmas no prazo de
cinco dias.
do denegatória a decisão (art. 105, II CF). Na hipótese
específica do mandado de segurança, apenas é cabível
1.3.2. Agravo Simples ( Interno) e Agravo Regimental:
subsiste a modalidade de agravo sem qualquer adjetivação
(Agravo Simples/ Interno) quando o recurso interposto deve
ser apreciado imediatamente nos mesmos autos em que a
decisão recorrida foi proferida, sendo desnecessária a forma-
o RO contra o acórdão denegatório da segurança ou,
ainda, acórdão parcialmente procedente, sendo este um
recurso exclusivo do impetrante, salientando que a parte
impetrada (autoridade coatora) nunca poderá se valer de
ção do instrumento. Tem cabimento, regra geral, das decisões
RO. Em caso de concessão da segurança a parte preju-
dicada somente terá em seu favor recurso especial e o
monocráticas do relator (relator decide sozinho). Esse recurso
deve ser interposto no prazo de 5 dias, contando-se o início
do prazo a partir da publicação do indeferimento do agravo no
extraordinário, segundo os requisitos específicos desses
recursos.
órgão oficial, sendo as hipóteses mais comuns de cabimento:
RECURSO ESPECIAL
a)
Da decisão do relator que julga de plano o conflito de com-
petência (Art. 120, § único do CPC); b) Da decisão do relator
que não admite os embargos infringentes (art. 532 CPC); c)
Das decisões do ministro relator que não admitir ou negar pro-
vimento a agravo de instrumento interposto contra decisão que
É um recurso de cabimento estrito em caso de violação
de matéria infraconstitucional, cujos pressupostos
negou seguimento a RESP ou RE, ou mesmo que tenha refor-
mado monocraticamente o acórdão recorrido (art. 545 CPC);
especiais, somando-os aos gerais, tornam restritas as
hipóteses em que será conhecido. A competência para
julgamento é do STJ, nas hipóteses previstas no art. 105,
III, da Constituição Federal.
d)
das decisões do relator que, em qualquer modalidade de
recurso, quando não o admite, o julga improcedente ou preju-
A interposição desse recurso será feita junto ao próprio
Tribunal que prolatou o acórdão recorrido (TJ/TRF - ofen-
dicado em razão de confronto com sumula ou jurisprudência
dominante do tribunal (art. 557, § 1 CPC).
O agravo regimental, por sua vez, encontra-se previsto junto
ao Regimento Interno dos Tribunais, sendo visível junto ao
STF (Art. 317 RISTF) para, no prazo de 5 dias, impugnar deci-
são monocrática do presidente do tribunal, da Turma Julgadora
ou do relator do processo, sempre que a decisão resultar pre-
dendo com sua decisão matéria de ordem infra-constitu-
cional), no prazo de 15 dias contados da regular intima-
ção. Recebido este recurso, abre-se vista a parte contrá-
ria para apresentação de contra-razões, remetendo-se
o recurso diretamente ao STJ para julgamento. Caso o
recurso não seja admitido, caberá agravo contra decisão
denegatória no prazo de 10 dias.
juízo a parte, bem como junto ao STJ (ARt. 258 RISTJ), a fim
se possibilitar um reexame pelo órgão colegiado da decisão
monocrática de seus ministros. De regra, importante asseverar
A Emenda 45 da Constituição Federal promulgada em
que este recurso se assemelha a um pedido de reconsidera-
ção dirigido ao próprio órgão colegiado do respectivo Tribunal
Superior contra ato monocrático do magistrado que integra o
Tribunal. Não pode ser considerado tecnicamente recurso,
na medida em que os Tribunais não possuem competência
para legislar acerca de matéria processual ou procedimental,
08.12.2004, delimitou as hipóteses de cabimento, quando
as causas decididas em única ou última instância pelos
Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais Estadu-
ais, do DF e Territórios: a) contrariar tratado ou lei federal
ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo
local contestado em face de lei federal; c) dar à lei federal
interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro
tribunal.
sendo estas de competência exclusiva da União (Art. 22, I da
CF-88).
Para cabimento deste recurso, restritivamente devem
ser analisados alguns pressupostos específicos, a saber:
LINK ACADÊMICO 4
EMBARGOS INFRINGENTES
parecer. Importante: de regra, importante asseverar que
nas hipóteses acima listadas – itens b e c – apesar de se
constituírem em decisão monocrática do relator, essas hi-
póteses não admitem a interposição de agravo regimen-
tal, mas somente pedido de reconsideração endereçado
ao próprio relator. (art. 527, § único CPC).
1.3. Outras Espécies De Agravo: outras espécies de
recurso de Agravo se encontram inseridos no sistema
processual, sendo disciplinados de forma específica e
com procedimentos próprios. Assim, para fins exclusivos
de Exame de Ordem, podemos ainda destacar:
Recurso que tem por finalidade provocar o reexame de acór-
dãos proferidos em apelação e ação rescisória, no que houver
divergência entre os juízes, possibilitando não só a retratação
i) a decisão deve ter sido proferida por um tribunal, ii) o
recorrente deve esgotar todas as hipóteses recursais
anteriores – se cabíveis; iii) a matéria objeto do recurso
deve ser de direito (tese jurídica), bem como deve ter
sido pré-questionada (limitada) oportunamente, podendo
este pré-questionamento ser feito no curso do processo
ou especificamente através de embargos de declaração
dos que anteriormente votaram, mas também a modificação
da decisão pelo ingresso, quando for o caso, de outros juízes
(Sumula 98 STJ); iv) rigorosa exigência da regularidade
procedimental, sendo que qualquer falha na forma de in-
terposição inviabiliza o recurso. Assim, não serão conhe-
no órgão julgador baseados na argumentação deduzida junto
ao voto vencido de um deles. Tem seu cabimento específico
cidos recursos que não contiverem as respectivas razões
ou que não indicarem expressamente o dispositivo legal
regido pelo artigo 530 do CPC, nas hipóteses de acórdãos não-
federal violado, ou mesmo o permissivo constitucional.
1.3.1. Agravo de instrumento contra decisão denega-
tória de seguimento de Recurso Especial ou Extraor-
unânimes que houveram reformado, em grau de apelação, a
sentença de mérito ou julgado procedente ação rescisória. Fri-
se-se que, caso o desacordo seja apenas parcial , apenas em
relação a parte divergente do julgamento serão admissíveis os
A despeito da existência de situação semelhante com
o Recurso Extraordinário, o legislador criou junto à Lei
11672/08 o artigo 543-C do CPC, permitindo que, dian-
te da existência de multiplicidade de recursos especiais
embargos infringentes (parte final do art. 530 do CPC).
Tendo prazo de interposição de 15 dias ( art. 508 CPC), os EI
com fundamento em idêntica questão de direito, caberá
dinário (art. 544 CPC): espécie de Recurso de Agravo
que tem a finalidade exclusiva junto ao exame da admis-
sibilidade do recurso extraordinário ou especial, com o
são processados nos próprios autos da causa e são dirigidos
ao relator do acórdão embargado, acompanhado nos Estados
ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais
recursos representativos da controvérsia, os quais serão
encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando
possível “destrancamento” do recurso em sede originária.
onde se exige preparo, do respectivo comprovante do paga-
mento das custas, sob pena de deserção. Após abrirem-se vis-
suspensos os demais recursos especiais até o pronun-
Assim, inadmitido o recurso extraordinário ou o recurso
ciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. Além
especial por problemas quanto ao juízo de admissibilida-
tas ao embargado para contra-razões, no mesmo prazo de 15
disso, é facultado ao mesmo a solicitação de informa-
de, o ato decisório em apreço desafia o recurso de agravo
com o regime jurídico próprio que lhe traça o art. 544 do
Código de Processo Civil. Tal agravo é de instrumento em
razão da necessidade de que o instrumento, contendo
o agravo, seja deslocado para o respectivo Tribunal Su-
perior, permanecendo os autos originais do processo no
próprio Tribunal “a quo”.
dias, compete ao relator apreciar a admissibilidade do recurso (
art. 531 do CPC ). Sendo negativo esse juízo de admissibilida-
de, desta decisão caberá recurso de agravo interno, no prazo
de cinco dias, para o órgão competente para o julgamento do
recurso ( art. 532 do CPC ). Se positivo o juízo de admissibili-
dade, o recurso será processado e julgado.
ções, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos
tribunais federais ou estaduais a respeito da controvér-
sia, bem como poderá admitir manifestação de pessoas,
órgãos ou entidades com interesse na controvérsia em
conformidade com regimento interno do Superior Tribunal
de Justiça e considerando a relevância da matéria.
LINK ACADÊMICO 5
Dispõe a lei que esse agravo é interponível no prazo de
Caso o relator no Superior Tribunal de Justiça identifique
que, sobre a controvérsia discutida nos recursos, já existe
10 (dez) dias, perante o tribunal recorrido para o tribunal
superior, i.e., o recurso será interposto no mesmo Tri-
bunal que negou seguimento ao Recurso Especial e/ou
RECURSO ORDINÁRIO
jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeita
ao colegiado, este poderá determinar a suspensão, nos
Extraordinário, mas somente será julgado pelo respectivo
Tribunal Superior (STJ/STF). A análise do juízo de ad-
missibilidade como do mérito do recurso é exclusiva dos
O recurso ordinário permite o amplo exame de matéria de di-
reito e de fato, não tendo qualquer limitação quanto à matéria
alegada. Subsiste em nosso ordenamento jurídico de maneira
independente, sendo aplicável em seu favor a mesma disci-
plina do recurso de apelação em relação ao procedimento e
pressupostos de admissibilidade.
Esse recurso será interposto no prazo de 15 dias (art. 508
CPC) e endereçado ao Supremo Tribunal Federal, no man-
dado de segurança, “habeas corpus”, “habeas data” e man-
dado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais
tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a
controvérsia já esteja estabelecida, impedindo sua regu-
lar subida por força da decisão já existente.
Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça,
tribunais superiores.
O instrumento do agravo, além das peças apresentadas
pelo agravante, deve conter, obrigatoriamente, sob pena
de não-conhecimento, cópia do acórdão recorrido, da
petição de interposição do recurso denegado, das contra-
os recursos especiais sobrestados na origem terão se-
guimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido
coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça
ou serão novamente examinados pelo tribunal de origem
razões e da decisão agravada, bem como certidão da
respectiva intimação e das procurações outorgadas aos
na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação
do Superior Tribunal de Justiça, caso em que, mantida
a decisão divergente pelo tribunal de origem, far-se-á o
advogados do agravante e do agravado.
Acolhido o agravo, o tribunal superior passa, de maneira
incontinente, a julgar o próprio recurso Especial ou Extra-
ordinário denegado (art. 544, § 3º, do CPC). Caso o re-
curso seja indeferido ou não conhecido pelo relator, cabe
Superiores, se denegatória sua decisão (art. 102, II CF). Será
exame de admissibilidade do recurso especial.
endereçado ao Superior Tribunal de Justiça, nos mandados
de segurança decididos em única instância (grau de compe-
tência originária) pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos
tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quan-
RECURSO EXTRAORDINÁRIO
1. Conceito: é um recurso de cabimento estrito em caso
de violação de matéria constitucional de repercussão ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação tribunal
de violação de matéria constitucional de repercussão
ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação
tribunal superior respectivo (STJ/STF) para seu regular
geral, cujos pressupostos especiais, somando-os aos
gerais, tornam restritas as hipóteses em que será co-
firmada” (art. 543-B, § 4º; destacamos). Pelo que se vê, a
expressão liminarmente confere ao relator competência para,
nhecido. A competência para julgamento é do STF, nas
hipóteses previstas junto ao art. 102, III, da Constituição
Federal. A EC 45 estabeleceu um novo requisito para a
admissibilidade do RE, qual seja, o de “repercussão geral
processamento, tendo esse recurso regra geral somente
efeito devolutivo. Em síntese, a petição de interposição
deve vir acompanhada das respectivas razões, protoco-
lada imediatamente na secretaria do tribunal, sendo en-
caminhada a um relator, responsável pela realização do
juízo de admissibilidade. Caso esse juízo esteja perfeito,
da questão constitucional”, (Art. 102, parágrafo 3.º da CF
a parte contrária será intimada a oferecer contra-razões
cc/ art. 543-A, e 543-B CPC), como, por exemplo, ocorre
monocraticamente, resolver o mérito do recurso extraordinário,
de modo semelhante ao que ocorre no caso do art 557, § 1º
- A, exceto pelo fato de que se dispensa a existência de sumula
ou jurisprudência dominante no caso do art 543-B, § 4º.
Por questões de segurança jurídica (direito intertemporal), a
exigência da alegação e demonstração da repercussão geral
em demanda em que se discute a constitucionalidade da
cobrança de determinado tributo. Em suma, não cabe
em caráter preliminar tem cabimento apenas para os recursos
mais ao STF decidir “briga de vizinhos”, ou seja, questões
interpostos contra acórdãos, cuja intimação tenha se aperfei-
çoado a partir de 03.05.07, data da publicação da Em. Reg. 21
no prazo de 15 dias e o recurso será encaminhado para
julgamento. Se negativo o juízo de admissibilidade, desta
decisão caberá agravo interno, no prazo de 5 dias, para o
órgão competente para o julgamento dos embargos.
cujo debate tenha relevância apenas para as partes liti-
gantes no processo, estando o STF dispensado de julgar
do STF, de 30.4.07 (STF-Pleno, AI 664.567-QO, Min. Gilmar
Mendes, j. 18.6.07, DJU 6.9.07).
2.
Reclamação aos Tribunais Superiores (STJ/STF)
tais processos.
Assim, o recorrente deverá demonstrar que o tema
discutido no recurso tem relevância no ponto de vista
econômico, social, político ou jurídico, revestindo-se de
interesse geral dos jurisdicionados, transcendendo, pois,
A interposição deste recurso será feita junto ao próprio Tribunal
Por meio desse recurso, a parte (reclamante) pretende
que prolatou o acórdão recorrido (TJ/TRF – ofendendo, com
os limites subjetivos do caso concreto. A exigência da
sua decisão, matéria de ordem constitucional de repercussão
geral), no prazo de 15 dias contados da regular intimação.
Recebido este recurso, abre-se vista à parte contrária para
apresentação de contra-razões, remetendo-se o recurso di-
retamente ao STF para julgamento. Caso o recurso não seja
que seja cassado o ato de ordem administrativa, judicial
ou privada proferido em sentido contrário à decisão do
STJ/STF ou, ainda, requerer que seja determinada me-
dida adequada à preservação da competência desses
tribunais para julgar determinada matéria. (Art. 102, I, l e
repercussão geral vale para todos os recursos extraordi-
nários, independentemente da natureza da matéria neles
105, I, f da CF). No STF também é cabível reclamação
admitido, caberá agravo contra decisão denegatória no prazo
contra ato administrativo ou decisão judicial que contrariar
veiculada (cível, criminal, trabalhista ou eleitoral) (STF-
Pleno, AI 664.567-QO, Min. Gilmar Mendes, j. 18.6.07,
DJU 6.9.07).
Importante asseverar que, conforme se extrai do art. 102,
de 10 dias. (Art. 544 CPC).
Também com nova redação dada pela emenda 45/2004, o
ou aplicar indevidamente sumula vinculante (103-A, § 3
da CF). Não se admite, contudo, a reclamação, quando
recurso extraordinário ficou reservado para as hipóteses de
já houver transitado em julgado o ato judicial que alega
tenha desrespeitado decisão do STF (Sumula 734 STF).
§ 3º, da CF/88, a relevância da questão constitucional é,
em principio, presumida, cabendo ao plenário do STF,
contrariedade a dispositivo da Constituição Federal, inconsti-
tucionalidade de tratado ou lei federal, validade de lei ou ato
de governo local em face da Constituição Federal, bem como
3.
Reclamação ao Conselho Nacional de Justiça
pela decisão de, pelo menos 2 terços de seus membros
Criado pela EC 45, o CNJ tem, como objetivo principal,
(oito ministros), rejeitá-la. Porém, “se a Turma decidir pela
existência da repercussão geral por, no mínimo, quatro
votos, ficará dispensada a remessa do recurso extraor-
quando o juiz julgar válida lei local contestada em face de lei
federal.
Seus pressupostos preliminares ou prévios são praticamente
a fiscalização funcional e administrativa de todo o Poder
Judiciário (art. 103-B da CF), podendo qualquer pessoa
os mesmos do recurso especial, exceto quanto à decisão ter
apresentar, perante o Conselho, reclamação contra ato
dinário ao Plenário” (art 543-A, § 4º). Se o plenário do
STF afastar a repercussão geral, a conseqüência é o não
conhecimento do recurso extraordinário em decisão irre-
corrível (art 543-A, caput). Nesse caso, denotada a inexis-
tência de repercussão geral, a decisão valerá para todos
os recursos sobre matéria idêntica que serão indeferidos
liminarmente pelo relator do recurso, salvo no tocante a
sido proferida por tribunal, basta que tenha sido por órgão de
última ou única instância. Assim, afirma-se a possibilidade de
interposição de Recurso Extraordinário ao STF no caso da de-
cisão (Acórdão) proferida pelo Colégio Recursal do JEC vier a
judicial que importe em grave violação aos deveres da
magistratura nacional, nas hipóteses de administração da
justiça, impedimentos, atribuições constitucionais ou ain-
da questões disciplinares envolvendo magistrados. Frise-
ofender matéria constitucional ou a própria CF de repercussão
se, desde logo, que o CNJ não está autorizado a receber
geral.
reclamações contra erros de julgamento, simplesmente
porque a parte não se conformou com a decisão, nem
revisão de tese (art 543-A, § 5º).
Frise-se que, em apenas uma situação, a relevância da
2.
Recurso Especial e Extraordinário Retidos (art. 542, Pa-
tampouco possui esse instrumento a possibilidade de
rágrafo 3.º CPC)
substituir recurso previsto na Lei processual Civil.
questão é presumida de modo absoluto isto é, “iure et
de iure”, quando o recurso impugnar decisão contrária a
Súmula ou jurisprudência dominante do STF (art 543-A,
§ 3º). Isso significa que pelo simples fato de determinada
matéria ser sumulada pelo STF ou objeto de reiteradas
decisões, há relevância jurídica que justifica a admissão
do Recurso Extraordinário, além de eventual relevância
Doutrinariamente conhecido como regime de retenção, o Re-
curso Especial ou o Recurso Extraordinário podem ser cabí-
veis de acórdãos prolatados em Recurso de Agravo. Todavia,
caso o recurso de agravo tenha sido interposto de decisão
interlocutória proferida em processo de conhecimento, em pro-
4.
Súmula Vinculante
A Emenda Constitucional n. 45/2004 atribuiu exclusiva-
mente ao STF – e apenas em matéria constitucional –
o poder de editar súmulas vinculantes em relação aos
cesso cautelar ou em embargos a execução, o RESP ou RE,
demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direita e indireta, nas esferas federal, estadual e
econômica, política, ou social.
Assim, pode o relator do RE admitir, nos termos do Re-
desde que preenchidos os requisitos legais pertinentes serão
processados na forma retida.
Assim, o RESP ou RE serão interpostos no próprio Tribunal “a
gimento interno do STF, a manifestação de terceiros na
análise da repercussão geral (art 543-A, § 6º) tratando-se
da figura do “amicus curiae” , cuja intervenção também é
admitida nas ações de controle de constitucionalidade.
A reforma do CPC trouxe importante modificação na forma
quo” e após a análise de sua admissibilidade, será remetido
por este ao juízo de primeiro grau, onde se encontram os autos
principais, para que, juntados ao processo, nele fiquem reti-
dos até que sobrevenha a decisão final, da qual caberá outro
RESP ou RE. Nas razões ou nas contra-razões desse novo
municipal, bem como proceder à sua revisão ou cance-
lamento, na forma estabelecida em lei. (CF, art. 103-A),
dependendo sua aprovação do voto de dois terços dos
seus integrantes, depois que uma determinada matéria já
tiver sido reiteradamente decidida (CF art. 103-A, caput).
A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a
eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja
de atuação do relator no que tange ao julgamento desses
recurso, em sede de preliminar, deverá o recorrente pleitear a
recursos. Assim, quando existir multiplicidade de recursos
apreciação do recurso que ficou retido. Em casos excepcionais
extraordinários com fundamento em idêntica controvér-
sia, cabe ao juízo de origem selecionar um ou mais re-
cursos representativos da controvérsia e encaminhá-los
ao STF, sobrestando os demais até o pronunciamento
definitivo da corte (art. 543-B, caput e § 1º). A finalidade
de tal disposição é permitir que os recursos selecionados
pelo juízo de origem sirvam de paradigma a respeito da
e urgentes, quando houver perigo de perecimento de direito ou
da ocorrência de dano de difícil ou incerta reparação, cabe o
controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses
e a administração pública que acarrete grave inseguran-
ça jurídica e relevante multiplicação de processos sobre
ajuizamento de medidas cautelares inominadas para permitir
que o recurso suba e seja apreciado de imediato, sem que per-
maneça retido nos autos. Assim, a Jurisprudência tem decidido
que não cabe retenção contra acórdão que decide a respeito
de competência, de valor da causa, contra determinação para
recolhimento de custas e honorários periciais. A este respeito
questão idêntica. A proposta de súmula vinculante pode
ser feita pelos próprios integrantes do STF ou pelos legiti-
mados para a ação direta de inconstitucionalidade, sendo
esses também quem detêm legitimidade para requerer a
existência ou não de repercussão geral, acerca da ques-
tão constitucional discutida nos recursos repetitivos (com
fundamento em idêntica controvérsia). Tanto é assim que
se “negada a existência de repercussão geral, os recur-
sos sobrestados considerar-se-ão automaticamente não
vide STJ, 2.ª T, AG 266834-PR- AgRg, Rel. Min. Eliana Calmon
e Marcus Vinicius Rios Gonçalves, Novo Curso de Direito Pro-
cessual Civil, Volume 2, Saraiva, 2005, Pag. 150/154.
revisão ou cancelamento desta súmula(art. 103-A, § 2º).
A “súmula vinculante”, vinculará os demais órgãos do Po-
der Judiciário e a própria Administração Pública, direta e
indireta, municipal, estadual e federal (art. 103-A, caput),
LINK ACADÊMICO 6
admitidos” (art. 543 –B, § 2º).
sendo certo que, em caso de desrespeito a esta súmula,
caberá reclamação para o STF (art. 102, I, l, e art. 103-A,
§ 3º). Já o Poder Legislativo, no exercício de sua função
normativa, não fica vinculado à ela, podendo, inclusive,
Se, de outro lado, o STF reputar presente a repercussão
editar lei em sentido oposto ao da súmula vinculante (art.
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA
geral, poderá, obviamente, negar provimento ao RE, para
manter a decisão recorrida ou dar provimento, reforman-
do a decisão. Na primeira hipótese (provimento negado),
os recursos extraordinários que se encontram sobresta-
dos no juízo de origem poderão ser considerados preju-
103-A, § 2º, parte inicial).
1.
Conceito: modalidade de recurso cabível junto aos Tribu-
5.
Ação Rescisoria
nais Superiores (STJ/STF) com a função específica de unifor-
mizar a jurisprudência, nos termos do art. 546 do CPC. Tem
dicados (art 543-B, § 3º), uma vez que, em se tratando
de recursos idênticos e havendo pronunciamento do STF
sobre o assunto, não se justifica a remessa dos autos
cabimento contra decisão de turma do STJ que, em recurso
especial, divergir do julgamento de outra turma, da seção ou
A ação rescisória é o meio processual destinado a des-
constituir a coisa julgada material (sentença de mérito
transitada em julgado), diante da ocorrência dos vícios
previstos junto ao art. 485 do CPC. Deve ser proposta em
àquela corte, para que seja proferida decisão de igual
teor. Trata-se, a toda evidência, de disposição semelhan-
do órgão especial e, contra decisão da turma que, em recurso
extraordinário divergir do julgamento de outra turma ou do ple-
nário. (Marcus Vinicius Rios Gonçalves, Novo Curso de Direito
te à da Súmula impeditiva de recursos (art 518, § 1ºCPC),
Processual Civil, Vol.2, Saraiva, 2005, pág. 162). Assim, so-
mente a “decisão colegiada” do STF ou do STJ é que enseja
até 02 anos, contados do trânsito em julgado da decisão,
sob pena de os vícios restarem convalidados pelo decur-
so do tempo, sendo este prazo considerado decadencial,
portanto insuscetível de suspensão ou interrupção (art.
exceto pelo fato de que não há, no caso analisado, sú-
mula alguma. Quanto à segunda hipótese (provimento
495 CPC). Para que tenhamos uma exata compreensão
o cabimento deste recurso. Ressalte-se que este recurso não
do tema, faz-se necessário relembrar alguns conceitos
concedido), pode o órgão de origem retratar-se da deci-
são proferida em sentido contrário à do STF (art 543-B,
§ 3º). Não o fazendo, os recursos extraordinários que se
encontravam sobrestados devem ser remetidos ao STF,
é admissível se a jurisprudência do tribunal superior (STJ/STF)
se firmou em sentido contrário ao da decisão embargada (su-
mula 247 STF).
específicos sobre coisa julgada e seus limites.
LINK ACADÊMICO 7
O prazo para interposição deste recurso é de 15 dias, sendo
COISA JULGADA
o qual poderá, “nos termos do Regimento Interno, cassar,
observadas as regras específicas do regimento interno do
1. Considerações Gerais uma segurança jurídica já existente. No mesmo sentido, vide Sérgio Gilberto Porto, Cidadania
1. Considerações Gerais
uma segurança jurídica já existente.
No mesmo sentido, vide Sérgio Gilberto Porto, Cidadania
Define-se coisa julgada como sendo a imutabilidade dos
efeitos da sentença ou da própria sentença que decorre
de estarem esgotados os recursos eventualmente cabí-
mento de 5% (cinco por cento) do valor dado à causa, a título
de multa que será revertida, diretamente a parte contrária na
hipótese de inadmissibilidade da demanda por unanimidade
ou improcedência.
Sorteado o relator, este mandará citar o réu assinalando o pra-
processual e relativização da coisa Julgada, RJ 304 pag.
veis (art. 467 CPC), tornando-se, portanto, lei entre as
partes. Com a certificação do trânsito em julgado dá-se
zo de quinze a trinta dias para responder (491 CPC). Com ou
ao vencedor o direito de iniciar a execução do que lhe
foi concedido junto ao processo de conhecimento, obri-
gando o suposto devedor a cumprir a obrigação imposta
na sentença, em caso do não cumprimento espontâneo
sem resposta, prossegue-se, como no procedimento ordinário,
com as providências preliminares e o julgamento conforme o
estado do processo (arts. 323 a 331 CPC). Em havendo ne-
da mesma, pondo-se fim a lide. A coisa julgada pode ser
cessidade de prova, esta será feita por carta de ordem - dele-
gando a competência onde deva ser produzida, que é aquela
que facilmente pode ser colhida, sendo possível que mais de
uma comarca receba a delegação se as circunstâncias assim
23/31; Luis Guilherme Marinoni, O princípio da segurança
dos atos jurisdicionais – RJ 371, pag. 14/33; Ovíio Araújo
Baptista da Silva, Coisa julgada Relativa, Genesis Pro-
cessual n.º 30, pag. 790/800; Nelson Nery Junior, CPC
Comentado, 8.ª Ed., 2004, RT, pag. 867/877. A posição
da jurisprudência ainda não é pacífica, ora provando
nosso posicionamento (TJRS, 7.ª CC, Ap 70005134747,
Rel. Des. Sergio Fernando V. Chaves, j. 18.12.2002; STJ,
4.ª T, RESP 196966-DF, Rel. Min Ruy Rosado de Aguiar
dividida em formal e material, à saber:
1.1.
Coisa julgada formal: Consiste na imutabilidade
dos efeitos da sentença dentro do processo em que ela
o exigirem (art. 492 CPC).
Frise-se que a ação rescisória não suspende a execução da
Jr. – RSTJ 133/386), ora demonstrando opinião contrária
(STJ, 4.ª T, RESP 226436-PR, Rel. Min. Salvio de Figuei-
redo Teixeira, j. 28.06.2001, DJU 04.02.2002, pag. 370).
foi proferida. Ocorre quando estiverem esgotados todos
os recursos previstos na lei processual, ou porque foram
sentença que se pretende rescindir, salvo nas hipóteses de
medida cautelar ou tutela antecipada concedidas em sentido
Assim, concluímos que os eventuais vícios de validade
e eficácia das decisões judiciais devem ser discutidos
todos utilizados e decididos, ou porque decorreu o prazo
de sua interposição. Todas as sentenças, em certo mo-
contrário (art. 489 CPC). Caso a rescisória tenha sido julgada
em sede recursal e, posteriormente, se for o caso, em
procedente e se houver consumado a execução, na execução
ação rescisória ou, até mesmo, posteriormente quando
mento, fazem a coisa julgada formal;
da rescisória se recomporá a lesão causada.
dos embargos do devedor e demais ações autônomas
1.2.
Coisa julgada material: Consiste na imutabilidade
Por fim, admite-se a Rescisória de Rescisória, asseverando
dos efeitos da sentença no mundo jurídico, i.e., imutabili-
dade dos efeitos que se projetam fora do processo (torna-
se lei entre as partes) e impede que nova demanda seja
proposta sobre a mesma lide, produzindo, desde logo, o
chamado efeito negativo da coisa julgada material, que
consiste na proibição de qualquer outro juiz vir a decidir a
mesma ação. A imutabilidade da coisa julgada é uma ga-
rantia constitucional, de modo que nem a lei pode violá-la
(art. 5, XXXVI). Após o trânsito em julgado da sentença e
que este ato não pode se apresentar como simples reiteração
da matéria decidida na ação anterior. Assim, a pretensão de
atacar o acórdão que julgou a primeira ação rescisória somen-
te terá cabimento se algum dos fatos mencionados no artigo
de impugnação, evitando ao máximo os problemas re-
lacionados a segurança jurídica e a própria constitucio-
nalidade da nova decisão que podem ser criados com a
relativização da coisa julgada.
LINK ACADÊMICO 8
485, incisos I a IX do CPC tiver ocorrido na relação processual
da ação rescisória antecedente.
1.4. Relativização da Coisa Julgada
Apesar da autoridade da coisa julgada material ser conside-
rada dogma absoluto junto ao Processo Civil brasileiro, parte
ocorrendo a coisa julgada material, ainda há possibilidade
de desfazê-la, por meio da ação rescisória - art. 485 do
CPC - em casos de grave defeito formal ou de conteúdo
da decisão, no prazo de 02 anos contados da data do
trânsito em julgado.
Importante: Especificamente para as sentenças de mé-
rito, quando ocorre a coisa julgada formal, (esgotamento
da doutrina e da jurisprudência sob o argumento de que a
sentença deve ser justa e perfeita, vem revelando certa
tendência a admitir em circunstâncias excepcionais a mitiga-
ção da autoridade da coisa julgada material, quando a mesma
contrariar valores que tendem a violar direitos ou garantias
dos recursos), ocorre também (salvo algumas exceções)
a coisa julgada material. Frise-se que as sentenças que
extinguem o processo sem julgamento do mérito (art. 267
CPC), ressalvadas as hipóteses descritas junto ao inciso
constitucionais cuja ofensa fere o ordenamento jurídico com
um todo, revelando situações juridicamente insustentáveis.
Como exemplo mais comum entre a Doutrina, temos: a) a hi-
pótese da ação de investigação de paternidade em que houve
o reconhecimento feito por sentença judicial da paternidade,
A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos estudos
das disciplinas dos cursos de graduação, devendo ser com-
plementada com o material disponível nos Links e com a lei-
tura de livros didáticos.
Recursos – 2ª edição - 2009
adotando como razões de decidir o laudo pericial realizado
Coordenadores:
V, não produzem coisa julgada material, podendo a ação
ser repetida em juízo desde que sanado o defeito que im-
pediu o julgamento de mérito. Inobstante a esse fato, em
face da natureza de certas relações jurídicas discutidas,
não faz também, coisa julgada material: a) as senten-
ças chamadas determinativas, por exemplo, a sentença
relativa à guarda dos filhos; b) as sentenças proferidas
em jurisdição voluntária (art. 1111 CPC); c) as sentenças
proferidas em ação de alimentos (Art. 15 Lei 5478/68; d)
as sentenças em geral, proferidas em casos de relações
jurídicas continuativas, quando sobrevêm modificação no
pelo exame de HLA (mais antigo) e posteriormente, advindo a
nova técnica probatória do exame de DNA, descobre-se que o
vencido não é pai; b) a hipótese do julgamento improcedente
da ação de investigação de paternidade, quando ainda não
Carlos Eduardo Witter, Professor universitário e de cursos
preparatórios há mais de 10 anos, Especialista em Direito
Educacional; Mestre em Educação e Semiótica Jurídica;
Membro da Associação Brasileira para o Progresso da Ciên-
cia; Palestrante; Advogado e Autor de obras jurídicas.
havia o exame de DNA; c) a desapropriação de imóvel com
avaliação supervalorizada;
Essa tese de relativização tem como fundamento três situa-
ções especificas: a) a sentença deve ser justa e perfeita (se
injusta não houve coisa julgada); b) a sentença deve ser dada
segundo o resultado da prova (descoberta nova técnica pro-
batória a ação pode ser reproposta, pois a sentença meritória
não teria sido acobertada pela coisa julgada); c) sendo a coisa
julgada regulada por lei ordinária junto ao art. 467 do CPC, esta
pode sofrer alterações por incidência de preceitos constitucio-
nais e de outras leis ordinárias.
Lúcio Teixeira dos Santos, Professor e Diretor do Curso de
Direito da UnP; Especialista em Ciência Política; Doutorando
em Direito; Presidente do Tribunal de Ética da OABRN; Pre-
sidente do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande
do Norte; e Membro da Academia de Letras Jurídicas do Rio
Grande do Norte.
Autor:
estado de fato ou de direito, caso em que a parte pode
Fabricio Sicchierolli Posocco. Advogado militante, Pós-
graduado em Direito Processual Civil (Unisantos/SP), Direito
pedir revisão do que foi estatuído na sentença, p.ex., re-
visional de alimentos (art. 471, I CPC). Por fim, na ação
popular, há tratamento especial da coisa julgada, na qual
é possível a repetição da demanda, se a ação foi julgada
do Consumidor (IBDC/SC), Direito de Família (IBDF/CEU).
MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas
(FGV/SP). Professor de Direito Processual Civil e Direito do
Consumidor em Faculdades, Cursos de Pós Graduação, e
Cursos Preparatórios para OAB/Carreiras Jurídicas.
Revisor:
improcedente por deficiência de provas (Lei nº4717/65,
art. 18) e nas ações coletivas (Lei nº 8078/90, c/c Lei nº
7347/85).
Note-se que não estamos mais falando de ação rescisória,
posto que se a decisão em apreço tivesse ocorrido no curso
do prazo de dois anos, este seria o remédio cabível. Estamos
falando de algo que já ocorreu há um tempo maior, e que, es-
Artur Roesler. Advogado em São Paulo. Professor assistente
em Prática Forense Civil na Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo e em cursos preparatórios para o exame de
1.3.
Coisa Julgada Material e a Ação Rescisória
taria acobertado pelo manto da coisa soberanamente julgada,
ordem na Memes Tecnologia Educacional
Assim, temos que ação rescisória é o meio processual
destinado a desconstituir a coisa julgada material (senten-
ça de mérito transitada em julgado), diante da ocorrência
conforme definição do célebre professor Frederico Marques.
Endereço eletrônico: www.memes.com.br
Todos os direitos reservados. É terminantemente proibida a
reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer
dos vícios previstos junto ao art. 485 do CPC. Deve ser
A par do questionamento jurisprudencial e da efetiva permissi-
bilidade dessas situações, perante o STF no que tange à hipó-
tese de desapropriação de imóvel com avaliação supervalori-
zada por efetivo dano ao erário publico, nos posicionamos de
maneira mais conservadora como a maioria da doutrina contra
a tese de relativização da coisa julgada nos questionamentos
de paternidade principalmente pelos efeitos desastrosos que
essa revisão pode fazer, uma vez que a coisa julgada possui
uma força efetivamente criadora, tornando imutável e indis-
cutível a matéria por ela acobertada, independentemente da
constitucionalidade, legalidade ou justiça do conteúdo desta
sentença.
Ademais, os controles de constitucionalidade ou legalidade
devem ser feitos de acordo com o devido processo legal, não
sendo possível a violação do ordenamento jurídico mesmo
meio ou processo, sem a expressa autorização do autor e da
proposta em até 02 anos contados do trânsito em julgado
da decisão, sob pena de os vícios restarem convalidados
pelo decurso do tempo, sendo este prazo considerado
decadencial, portanto insuscetível de suspensão ou inter-
editora. A violação dos direitos autorais caracteriza crime, sem
prejuízo das sanções civis cabíveis.
rupção (art. 495 CPC).
São fundamentos para a propositura da demanda resci-
sória as hipóteses taxativas declinadas junto ao art. 475
do CPC: a) Prevaricação, Concussão ou Corrupção do
juiz; b) Impedimento ou Incompetência absoluta do juiz;
c) Dolo da Parte vencedora; d) Colusão para fraudar a lei
; e) Ofensa a coisa julgada; f) Violação a literal dispositivo
de lei; g) Prova falas; h) Documento novo; i) Confissão,
desistência ou transação inválidas; j) Erro de Fato
Tem legitimidade para propor ação, as pessoas indica-
que em busca de um bem maior. Frise-se, ainda, que o estado
das no art. 487 do CPC, a saber: partes, MP e terceiro
interessado, devendo estar junto ao pólo passivo as mes-
mas partes do processo em que foi proferida a sentença
rescindenda. A ação rescisória deve ser julgada por um
Tribunal competente hierarquicamente superior a quem
proferiu a sentença que se pretende rescindir.
A inicial da ação rescisória deve atender os requisitos
democrático de direito descrito na própria CF (art. 1.º CF), tem
como elemento de existência e garantia fundamental a coisa
julgada (art. 5.º, XXXVI CF), sendo inclusive considerada uma
cláusula pétrea (art. 60, parágrafo 4.º, I a IV) que não pode
ser abolida ou modificada nem por emenda constitucional, não
podendo ser modificada ou abolida por lei ordinária ou por de-
cisão judicial posterior.
Além disso, se se admitisse em sentido contrário no caso es-
estipulados junto ao art. 488 do CPC, principalmente no
pecífico da investigação de paternidade, estar-se-ia violando o
que diz respeito ao pedido de rescisão do julgado, sendo
principio fundamental de dignidade da pessoa humana (Art. 1,
devidamente instruída com o comprovante de recolhi-
III da CF88), o que de certa forma se faz inadmissível perante