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Video como ferramenta pedagógica (Estudo de Caso)

Video como ferramenta pedagógica (Estudo de Caso)

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Resumo: O objetivo deste trabalho é suscitar um debate entre educadores e comunicadores sobre o uso da vídeo-reportagem como ferramenta pedagógica (educacional). A TV é objeto de estudo permanente: abordam a presença da TV em nossas vidas; os modos como diferentes públicos se relacionam com as construções simbólicas da TV; a criação e elaboração dos produtos televisivos; as estratégias de linguagem da TV; mas, pouco se fala sobre a possibilidade de utilizar a câmera para gravar, por exemplo: uma pesquisa escolar feita por um grupo de alunos, um debate organizado por jovens e crianças sobre as eleições na escola, uma peça de teatro escrita e interpretada por adolescentes de uma comunidade rural; em seguida editar o material gravado, e, finalmente, veicular o “programa” através do canal local de uma TV a cabo. O projeto Minha Escola na TV (cinco programas produzidos e veiculados em 2006), desenvolvido no semi-árido nordestino, constitui o corpus deste trabalho.
Resumo: O objetivo deste trabalho é suscitar um debate entre educadores e comunicadores sobre o uso da vídeo-reportagem como ferramenta pedagógica (educacional). A TV é objeto de estudo permanente: abordam a presença da TV em nossas vidas; os modos como diferentes públicos se relacionam com as construções simbólicas da TV; a criação e elaboração dos produtos televisivos; as estratégias de linguagem da TV; mas, pouco se fala sobre a possibilidade de utilizar a câmera para gravar, por exemplo: uma pesquisa escolar feita por um grupo de alunos, um debate organizado por jovens e crianças sobre as eleições na escola, uma peça de teatro escrita e interpretada por adolescentes de uma comunidade rural; em seguida editar o material gravado, e, finalmente, veicular o “programa” através do canal local de uma TV a cabo. O projeto Minha Escola na TV (cinco programas produzidos e veiculados em 2006), desenvolvido no semi-árido nordestino, constitui o corpus deste trabalho.

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A vídeo-reportagem como ferramenta pedagógica em Mossoró, RN: uma análise do Projeto Minha Escola na TV

Publicado na Ata da Conferência Internacional Educação, Globalização e Cidadania: Novas Perspectivas da Sociologia da Educação, CD Room ISBN 978-85-7745-120.

Regina Cunha
ginauk@gmail.com

Resumo O objetivo deste trabalho é suscitar um debate entre educadores e comunicadores sobre o uso da vídeo-reportagem como ferramenta pedagógica (educacional). A TV é objeto de estudo permanente: abordam a presença da TV em nossas vidas; os modos como diferentes públicos se relacionam com as construções simbólicas da TV; a criação e elaboração dos produtos televisivos; as estratégias de linguagem da TV; mas, pouco se fala sobre a possibilidade de utilizar a câmera para gravar, por exemplo: uma pesquisa escolar feita por um grupo de alunos, um debate organizado por jovens e crianças sobre as eleições na escola, uma peça de teatro escrita e interpretada por adolescentes de uma comunidade rural; em seguida editar o material gravado, e, finalmente, veicular o “programa” através do canal local de uma TV a cabo. O projeto Minha Escola na TV (cinco programas produzidos e veiculados em 2006), desenvolvido no semi-árido nordestino, constitui o corpus deste trabalho. Palavras-chave: educação e televisão, comunicação, responsabilidade social, cidadania. Video-reportage as a pedagogical tool in Mossoró, RN: analysis of the proyect ‘Minha Escola na TV’ Abstract The main purpose of this analysis is to promote a debate between educators and communicators about the use of the video-reportage as pedagogical tool (educational). TV is object of permanent study, as example: the presence of the TV in our lives; the ways as different public managing with the symbolic constructions of the TV; the creation and elaboration of TV-productions; the strategies of TV-language; although not too much is explained about the possibility to use the camera to record, as example: researches made by pupils in a classroom; debate organized by youth about school’s elections; a play written and interpreted by adolescents in a rural area; and after that, prepare to edit the recorded ‘material’, and, finally, to broadcast the ‘program’ by local channel in a cable TV of the city. ‘Minha Escola na TV’ (five programs produced in 2006), a video-proyect developed in Brazil’s Northeastern, is the ‘corpus’ of this presentation. Key-words: education and television, comunication, social responsibility, citizenship.

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Errar é humano, mas não culpem os professores Procurar bodes expiatórios quando o resultado não dá certo é tão antigo quanto a história da humanidade e pode assumir várias formas. As crianças que vão à escola hoje nasceram no século 21. Estes pequenos estudantes vivenciam um mundo completamente diferente de tudo o que foi vivido pelas gerações anteriores. Esta geração do milênio já chega à escola “plugada” na televisão, celular, videogame, Internet, enfim. Para acomodar os novos conhecimentos os educadores adicionam pequenas partículas de informação, no já “inchado e disforme” currículo escolar, ao mesmo tempo em que aumenta a cada dia, a responsabilidade da escola no sentido de ajudar a criança a entender o que significam os novos termos como cidadania, sexualidade, relações humanas, vida ativa e saudável, e ainda por cima, prepará-los para a carreira profissional. É fácil deduzir que estas crianças não discutem na escola, o próprio ambiente em que vivem, o qual hoje contém um dos mais ricos conteúdos para aprendizado, já que a criança vive rodeada de novas tecnologias, além disso, é provável que estes estudantes não estejam sendo preparados para a vida dos novos tempos. É preciso inovar pedagogicamente através da criação de contextos que permitam às crianças não somente adquirir conhecimentos que serão relevantes para suas vidas, mas também, aguçar a curiosidade e a criatividade para que as bases para toda a vida emocional e intelectual sejam estabelecidas. Será que o caminho da produção de programas de televisão por estudantes pode ajudar a melhorar o aprendizado tanto na sala de aula como na vida fora da escola? A utilização de novas tecnologias em sala de aula questionada por Yelland (2007) é um alerta os educadores:
Será que entender o processo da produção jornalística pode habilitar as crianças para desenvolver um aprendizado das matérias “antigas” e novas que jamais sequer havia sido pensado, antes da introdução das novas tecnologias, como computador, câmera digital, software de edição de vídeo on-line, entre outras inovações que estão disponíveis? (YELLAND, 2007, tradução feita pela autora do trabalho).

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Inovação tecnológica Versus Inovação Pedagógica Neste ponto é preciso recorrer a BELLONI (2003) para distinguir as inovações:
A primeira (inovação tecnológica) ocorre no campo social e econômico, quando uma nova técnica se impõe como objeto de consumo, mudando hábitos, saberes e modos de fazer. A inovação pedagógica é bem mais difícil de definir. Primeiro, porque ela é relativa ao contexto (nesse sentido pode ser uma espécie de “novo antigo”); em seguida, porque é resultado de uma intencionalidade (sempre presente no ato de educar), um desejo de mudar para melhorar, e, por último, porque, em geral, a inovação pedagógica ocorre num processo pouco planejado. Já a inovação educacional acontece quando a inovação pedagógica é alçada a um nível de ação política de maior amplitude no tempo e no espaço (abrangência), exigindo planejamento e definição de projetos. (BELLONI, 2003, p.290).

Quando os primeiros carros a motor começaram a ser fabricados em grandes quantidades, algumas pessoas acreditavam que apenas as pessoas capazes de entender o funcionamento do motor de combustão interna estariam aptas a dirigir. A prática mostrou que nem todo mundo precisou ser treinado para ser mecânico de oficina. O verdadeiro desafio da sociedade do chip de silicone não é entender o que faz o hardware funcionar ou como produzir o software. É saber o que eles podem fazer, o que pode ser feito com eles e como lidar com seu produto final, produzido em massa: a informação. (LEWIS, 1987, p. 253). E a televisão?
A tevê não pára nunca de produzir informações e o público não pára nunca de ver. Do outro lado da telinha, sentado na sala de casa ou na poltrona de um avião ou ônibus, está o telespectador. Você pode chamá-lo de cidadão, ou de consumidor. Normalmente ele é as duas coisas ao mesmo tempo. Nestas condições, ele cada vez mais opina, influi e decide sobre o que gosta e o que julga importante para sua vida. (BARBEIRO, 2002, p. 18).

Você na Telinha 3

A maioria dos manuais de “como fazer TV” apresenta fórmulas para produção de um programa de televisão. O problema é que as fórmulas têm um elemento intrínseco de fracasso. Elas podem se tornar cansativas, previsíveis e chatas. Você sabe que isso acontece quando é capaz de prever mais de 50% do programa, antes de assisti-lo. Em seu livro Você na Telinha, Como usar a mídia a seu favor, o professor Heródoto BARBEIRO (2002) ensina “como tratar as grandes estrelas da tevê e como se postar em condições de igualdade”, e mais, diz que “a missão do livro é treinar”, o leitor, “para dar boas entrevistas no estúdio ou em reportagens na televisão”. Aproveitando a idéia do livro, cujo objetivo do autor foi o de orientar o empresário interessado em tornar-se fonte1, o projeto Minha Escola na TV tem por objetivo treinar e dar oportunidade aos jovens e crianças mossoroenses de divulgar através do canal da TV a Cabo do município de Mossoró, as entrevistas, os debates, peças de teatro e outras produções feitas por eles, gravadas e transformadas em programas de televisão. O projeto Minha Escola na TV é uma atividade desenvolvida em sala de aula que permite ao aluno exercitar a criatividade, ampliar os canais de comunicação no próprio meio e desenvolver o sentido de equipe com aprendizagem responsável. Tendo-se por base que os jovens e crianças selecionados para participar do projeto devem estar regularmente matriculados em uma escola, eles podem atuar como na preparação de um trabalho escolar. Ou seja, os estudantes pesquisam um tema (escolhido por eles) e devem se familiarizar com o assunto, de tal maneira que o programa (depois de editado) seja compreensível para todos que o vejam. As reportagens também promovem a mobilização dos jovens em torno de conteúdos relacionados à diversidade da cultura local, levando em consideração a cidadania política, riqueza ambiental do semi-árido nordestino, e principalmente, permite que utilizem a informação como elemento transformador da realidade. Permitir que o jovem investigue possibilidades, faça escolhas, encontre soluções e respostas, tome decisões, seja o protagonista de seu processo educativo. Aproveite as próprias experiências presentes para modificar o futuro 4

para melhor. O prof. Francisco Gutiérrez, autor do livro Linguagem Total: uma Pedagogia dos Meios de Comunicação, em uma entrevista à prof. Tania Porto (1995) alerta para que a escola abrace os meios.
A sociedade atual criou diferentes linguagens para se comunicar: cinema, TV, rádio, histórias em quadrinhos, revistas, computadores, Internet, entre outros. Nós iniciamos com o termo Linguagem Total, que significa introduzir na escola todas estas linguagens que a sociedade usa, para que o aluno não encontre tanta diferença entre a escola e a sociedade. Na atual estrutura, a escola está isolada, mantendo-se, praticamente, apenas com a linguagem falada e escrita. Ela não usa estas linguagens, embora algumas instituições escolares creiam que as têm introduzido, simplesmente porque têm e usam os recursos citados. Isto nós consideramos apoio audiovisual. O importante não é que tenham estes apoios, mas que o aluno possa expressar-se através destas linguagens. Se há um vídeo na escola, é importante que o aluno se expresse, não pela forma rígida de um profissional, mas como um ser humano que se utiliza de recursos para seu desenvolvimento pessoal. E tudo isso requer uma pedagogia. A Pedagogia da Comunicação é a elaboração de estratégias, instrumentos, atividades (por exemplo: teatro, entrevistas, exposições, filmes, diálogos...) que permitam ao estudante aprender. Estas linguagens permitem ao estudante compreender o mundo e expressá-lo para conviver melhor e poder, assim, escrever sua história. (PORTO, 1995)

Escrevendo a própria história O primeiro programa da série Minha Escola na TV abordou o problema da poluição do Rio Mossoró – Meio Ambiente (esta reportagem ganhou o primeiro
lugar em maio de 2007, no concurso Mão Amiga promovido pela DNA e UFERSA – Universidade Federal Rural do Semi-Árido). Os alunos da Escola Municipal

Francisco de Assis Batista, do bairro Alto da Conceição, falam sobre a poluição do Rio Mossoró e o lamentável estado em que se encontra o campinho de futebol na margem do rio, transformado em lixão. O local da gravação (histórico) é a Ponte onde Jararaca (cangaceiro de Lampião) caiu derrotado pelo povo. Mais do que o descaso com a história da cidade, a matéria mostra o

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descaso com a vida das crianças que moram no bairro, que não têm um local para lazer e socialização.
Data 13/05/2006 Escola Municipal Francisco de Assis Batista Rua Eufrásio de Oliveira, s/n – Alto da Conceição Telefone 84 3315-5087 Alunos: Jucicléia, Elias, Thomas, Joamaia, André e José Carlos Professora Coordenadora: Irenice

O segundo programa tratou do jovem e da inclusão social (Participação Social). Os alunos apresentaram uma peça de teatro (escrita e interpretada por eles próprios) para os jovens da APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Mossoró. A peça aborda a preservação da natureza, inclusão social, respeito ao próximo, limpeza do Rio Mossoró e, principalmente, incentiva a vitória do amor sobre o ódio. O roteiro foi escrito pelos jovens com supervisão dos professores da escola. A proposta dos alunos foi mostrar na tevê a integração de jovens e crianças de diferentes bairros mossoroenses e, principalmente, o engajamento dos jovens para um projeto de responsabilidade social e exercício da cidadania, independente de status social e necessidades especiais de cada um.
Data: 17/05/2006 Escola Municipal Professora Celina Guimarães Viana Rua Tibério Burlamaqui, s/n – Barrocas Telefone 84 3315-5097 Local da Gravação: APAE - Mossoró Atores: Francisco (fogo), Sandbergson (ar), Neilson (amor), Adriano (terra), Fagner (água) e Jefferson. Professor: Alexandre Dançarinos: Aline, Jéssica, Marina, Maria Thereza, Suelen, Maria, Jéssica, Suyane, Moniele, Priscila, Cleidiane e Karen. Professor Coordenador: Joscelito

O terceiro programa da série abordou o tema “jovem e educação”. Os alunos questionam a participação dos pais, principalmente, no cotidiano escolar. Eles pedem mais “liberdade” para discutir “temas contemporâneos” em sala de aula. A reportagem mostra o trabalho voluntário de alguns profissionais que moram no bairro e que executam atividades na escola em diversas áreas. Um destes voluntários, durante a entrevista, afirma que o trabalho com as crianças o ajuda, pois dessa maneira ele próprio não fica “na rua”, suscetível aos contatos nocivos com drogados e traficantes. Os alunos também entrevistam a prefeita, que compareceu à escola, junto com a secretária de educação no dia da gravação. 6

Data: 19/05/2006 Escola Municipal Joaquim da Silveira Borges Av. Alberto Maranhão, s/n - Centro Local: Própria escola Alunos: Bruna, Edson, Tatamura, Jefferson, Isa, Deilson.

A quarta abordou temas como respeito pelo meio ambiente, passando pela reciclagem de lixo, até a interação da escola, com os pais e a comunidade. Os alunos convidaram os pais e a comunidade para uma visita à escola, num sábado pela manhã, denominando o evento como uma viagem de Volta ao Mundo/Feira das Nações. Cada sala de aula escolheu como tema, um País cuja seleção estivesse participando da Copa do Mundo de 2006. Os alunos deviam pesquisar e apresentar aos visitantes um pouco do País daquele time. A decoração dos países foi feita com material reciclado. Na entrada da escola cada família recebeu um passaporte (feito de papel reciclado). Em cada sala de aula, o visitante recebia um carimbo (figura ou assinatura) do País visitado. O objetivo dos alunos era incentivar a vinda dos pais para conhecer a escola e principalmente, provocar a participação deles na vida escolar. (Uma das maiores reclamações dos alunos, em todas as escolas: “meus pais brigam comigo para estudar, mas não vão até a escola para saber se sou bom aluno, ou não!”).
Data: 20/05/2006 Escola Municipal José Benjamim Rua Bodoca, 211 - Inoocop - São Manoel Alunos: Marcos Paulo, Mara Raquel, Nadja, Inavan, Gleiciane Anderson

O quinto programa foi gravado na zona rural, a 32 quilômetros de Mossoró, RN, num lugar chamado Assentamento Hipólito. O grupo de alunos foi um dos mais questionadores e dispostos a utilizar o espaço na telinha. A coordenadora da escola, na primeira reunião, sugeriu o tema da Higiene, mas os alunos mudaram tudo na hora da gravação, e decidiram escrever e interpretar uma peça de teatro. Uma psicopedagoga foi chamada para orientar o debate que se seguiu à apresentação e gravação da peça. O roteiro apresentou a história de uma adolescente que morava em um assentamento, e não podia ir até a cidade, porque a avó, com quem ela morava, tinha medo e não permitia. No texto as crianças afirmam que são reprimidos pelos pais e que não podem fazer nada (sair para festas ou reuniões na cidade, por exemplo).

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Afirmaram ainda, que os pais deles não estavam preparando-os para viver o mundo de hoje, mas sim, para uma realidade subserviente de vida no campo, já que eles não estavam aprendendo a tomar decisões e assumir responsabilidades.
Data: 23/05/2006 Escola Municipal Evilásio Leão (Assentamento Hipólito) Alunos: Jeová, Giovana, Raquel, Estela Professora Coordenadora: Carmem Diretora: Beônia

Vamos pescar? Reconhecer a própria capacidade e evoluir Conhecer para conquistar. A reportagem veiculada pela tevê local suscitou a vontade de outros jovens em muitas escolas. A possibilidade de um, deu a certeza a outro. Para confirmar que o conhecimento da dinâmica da produção televisiva pode ajudar professores e alunos, tanto dentro como fora da sala de aula, recorro ao trabalho de SALGADO (2005) para explicar o vídeo, pesquisa e intervenção:
Compartilhando da premissa marxista de que o conhecimento dos modos de produção permite uma postura mais crítica na relação com os bens materiais e culturais, construir imagens com as crianças apresenta-se como possibilidade de inseri-las na reflexão da própria produção cultural, suscitando-lhes outra postura que não apenas a de espectador, visando a recuperar a dimensão política da linguagem televisiva como um saber representativo de uma época: a da reprodução técnica (BENJAMIN, 1987). Assim, como cada época constrói suas questões e as formas para respondê-las, entendemos que é preciso formular nossas indagações – as nossas e as das crianças – ante o tema da mídia e também construir um modo próprio de abordagem: fazer uso da imagem e do som como forma de compreender uma época que se constitui em torno das tecnologias audiovisuais. Se a mídia televisiva obedece a uma linguagem específica, há que a conhecer para poder intervir a partir de um outro prisma. É certo que somente conhecer as condições de produção não garante a tomada de uma postura crítica perante essa produção; se houvesse essa garantia, o próprio campo da comunicação social seria necessariamente autocrítico, uma vez que dispõe desses saberes. Em

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contrapartida, o conhecimento do processo de produção pode ajudar na construção de uma postura indagadora. (SALGADO, et al, 2005, p.19)

Construir uma postura indagadora, promover a participação social e política de adolescentes, incentivar a educação ambiental e cultura popular. O projeto Minha Escola na TV acena com essa possibilidade positiva, através da produção televisiva. Muito se fala que devemos ensinar a pescar, e não dar o peixe. Mas, a realidade mostra que pouco está sendo feito nesse sentido. Os trabalhos desenvolvidos na área de responsabilidade social, principalmente no Nordeste continuam atuando como ‘arrecadador de doações’ para terceiros. Como um dos focos do presente trabalho é o fortalecimento do vínculo aluno/escola, através da produção para televisão, então será feito apenas um registro sobre possibilidade de ‘geração de renda’ aventada por uma das escolas participantes do projeto: Uma das escolas comercializou ‘cópias’ da gravação original da apresentação dos alunos. Em outro momento, a escola criou o ‘Dia de Ver TV na Escola’ para exibir o ‘programa’ para alunos, pais e comunidade em geral, pois nem todo estudante tem a assinatura da TV a cabo. (A documentação dessa ação será desenvolvida, no segundo semestre de 2007, por uma Assistente Social) O mercado como ele é hoje Com o surgimento dos serviços de TV paga no Brasil no final dos anos 80, o mercado de televisão no país passou a ser composto por três grandes segmentos: Redes abertas: que oferecem programação gratuita; Programadoras: são as empresas que fornecem conteúdo para TV paga, como Discovery Networks, HBO e Aol Time Warner; Operadoras: captam os sinais dos canais pagos (como HBO, Telecine, Sportv, TNT, CNN, ESPN International, Discovery, etc), canais abertos (Globo, SBT, Bandeirantes, TVE, entre outros) e canais públicos obrigatórios (de utilização gratuita, como TV Senado, TV da Câmara Federal etc) e transmitem aos assinantes. Como o trabalho enfoca o projeto desenvolvido em uma TV a Cabo, torna-se necessária a descrição deste segmento:

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TV a cabo é o serviço de telecomunicações que consiste na distribuição de sinais de vídeo e/ou áudio a assinantes, mediante transporte por meios físicos. Segundo a NEO TV, associação que congrega 59 operadoras de cabo no Brasil, atualmente estas operadoras respondem por 185 operações. Das quais, 144 já estão em funcionamento, cobrindo cerca de 325 municípios brasileiros.

A própria NEO TV reconhece que as operadoras de TV a Cabo devem desenvolver um trabalho de responsabilidade social junto às comunidades em que operam e para isso criou em 2006 o Prêmio Operador Cidadão:
O Prêmio Operador Cidadão tem por objetivo reconhecer todas as iniciativas que visam à melhoria das condições sociais e o desenvolvimento das comunidades onde as empresas associadas atuam. Neste primeiro concurso realizado em 2006, os projetos foram avaliados por uma comissão julgadora formada por programadores e jornalistas especializados em terceiro setor e TV por Assinatura. Os vencedores da primeira edição são: 1º Lugar – Viacabo

2º Lugar - TCM – Mossoró A operadora recebeu uma homenagem especial pela criatividade do projeto voltado à educação Minha Escola na TV. Ele possibilita que jovens e crianças mossoroenses façam parte de todas as etapas do processo de produção de vídeo-reportagens sobre temas importantes a suas realidades. Além disso, vincula a sua participação ao fato de estarem matriculados em uma escola.2
3º Lugar – CTBC

Qualidade. O público quer ver programas bons e bem feitos O projeto é desenvolvido por uma jornalista que, junto com um coordenador da escola, explica aos alunos os caminhos da notícia até chegar na telinha, estimula a iniciativa da colaboração, organização e coordenação e incentiva a participação. O processo leva, em média, quatro semanas: na primeira, a jornalista vai a escola e explica a base teórica do processo da produção da reportagem para os alunos; na segunda, os alunos vão até emissora de tevê e vivenciam o processo prático; na terceira semana é feita a gravação; e na quarta semana a matéria é veiculada pelo canal local da TV a Cabo. Um cinegrafista profissional opera a câmera da emissora (profissional) para oferecer uma gravação de qualidade ao público telespectador. A gravação com os jovens atuando como repórteres e apresentadores, leva em média, 10

duas horas; e depois da captação, as imagens são editadas em ilha não-linear, já que a empresa TCM® trabalha com equipamentos digitais. A veiculação acontece aos sábados, às três horas da tarde, com uma reprise durante a semana. Espelho, pauta e TP: o que é isso, professora? A metodologia do projeto Minha Escola na TV baseou-se no questionamento, e também utilizou o aprendizado cooperativo (ANTUNES, 2001) com o desenvolvimento de múltiplas inteligências:
• Inteligência lingüística – desenvolve no aluno a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias. Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou relatar experiências vividas. Na produção para televisão esta habilidade favorece o desenvolvimento da pauta (conteúdo) e a escrita do texto. Inteligência lógico-matemática – É a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. Na produção para televisão esta habilidade ajuda o aluno a desenvolver a produção técnica e edição. Inteligência musical - Esta inteligência se manifesta na habilidade para perceber temas musicais, ritmos, produção e reprodução de músicas. Na produção televisiva esta habilidade ajuda o estudante na edição da trilha sonora e escola da música tema da reportagem. Inteligência espacial – É a inteligência que ajuda entre outras habilidades a ter atenção aos detalhes visuais. Na produção para tevê o aluno desenvolve a habilidade para escolher os locais de gravação, desenvolvimento do conteúdo e apresentação. Inteligência sinestésica (corporal) – A criança ou jovem especialmente dotada de inteligência sinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais demonstrando uma grande habilidade ou coordenação fina apurada. É fácil concluir que aqueles que possuem esta habilidade não encontram dificuldades para executar o trabalho da apresentação da reportagem (movimentação em frente à câmera). Inteligência interpessoal – Esta inteligência pode ser descrita como habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos dos outros. Na produção de tevê ajuda na direção e produção e uso do talento pessoal. Inteligência intrapessoal – É o reconhecimento de habilidades, necessidades, inteligências e dos próprios desejos. Na produção para tevê ajuda no desenvolvimento do projeto, edição e preparo do texto.

Um dos grandes desafios para o educador (MORAN, 2000, p.23) é ajudar a tornar a informação significativa; a escolher as informações verdadeiramente importantes entre tantas possibilidades; a compreendê-las de

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forma cada vez mais abrangente e profunda; e a torná-las parte do nosso referencial. Os impactos efetivos ocorridos na vida dos participantes do projeto e da comunidade mossoroense (232.196 pessoas em 2007, segundo dados do IBGE) vão desde a melhora no desempenho escolar, passam pelo aumento do número de alunos que participam de atividades extracurriculares, quando estas atividades foram gravadas para veiculação pelo canal local da TCM®, até a criação de novos programas na grade da emissora para atender à solicitação da comunidade. A cada programa professores, coordenadores e alunos aproveitam para apresentar "avaliações informais" sobre o programa Minha Escola na TV. As gravações não são utilizadas para computar avaliações, embora estejam registradas em video, e futuramente, possam servir para estudo estatístico, ou análise científica da prática. Um dos pontos que demonstra a grande aceitação do público e que os alunos compreendem a importância da utilização da video reportagem como ferramenta pedagógica, é o aumento do número de pedidos para participar do programa. Telefonemas, cartas e e-mails com propostas para participar do Minha Escola na TV triplicaram nos últimos meses do ano de 2007. Os alunos entenderam que, organizados e com planejamento, conseguem fazer valer o direito deles como cidadãos e estão procurando mostrar para a comunidade que cuidar do meio ambiente, preservar a cultura regional entre outros temas importantes, é dever de todos. E quando uma escola muda a comunidade a sua volta, para melhor, é justo que outros também queiram tentá-lo e mostrar ao público mossoroense que vão conseguir. Por exemplo: em 2006 (maio) os alunos da Escola Municipal Francisco de Assis Batista prepararam uma reportagem sobre a poluição do Rio Mossoró e o lixão ao lado da escola, local que antes era um campinho de futebol. A reportagem ganhou o primeiro lugar do Prêmio Meio Ambiente DNA/UFERSA em março de 2007, mas melhor do que isso, os alunos conseguiram plantar árvores no local e em menos de um ano conseguiram recuperar a praça para esportes e lazer. A repercussão do prêmo, da vitória dos alunos e da melhora da qualidade de vida, incentivou outros alunos, do outro lado da periferia de Mossoró, também vizinhos de um 12

lixão, a pressionar a direção da escola (no caso estadual), mais conhecida como CAIC CARNAUBAL, a iniciar um processo de limpeza, em todos os sentidos. O dia da gravação do programa Minha Escola na TV, em dezembro de 2007, foi preeenchido com torneio de futebol e troféu, vacinação, apresentação de shows musicais, de grupos folclóricos e teatrais, palestras sobre drogas e gravidez na adolescência, aulas de artesanato, corte de cabelos para alunas e mães e o plantio de 30 árvores (após a limpeza geral da área em volta da escola, que incluiu até a retirada de animais mortos). Cada árvore ganhou um nome (o do aluno que ficou responsável pela sua manutenção). Em agosto de 2006, a TCM® recebeu o segundo lugar no Prêmio Operador Cidadã da NEOTV – Associação de TV por Assinatura e a Menção Honrosa em Criatividade pelo projeto Minha Escola na TV. O município de Mossoró recebeu o selo UNICEF em abril de 2007, pois entre os vários itens analisados pelo UNICEF estava o projeto de comunicação voltado para jovens e crianças, Minha Escola na TV e Minha Escola no Rádio3. Em março de 2007, o projeto recebeu o 1º lugar no Concurso DNA UFERSA como projeto de responsabilidade social voltado para difusão da preservação da natureza e do meio ambiente nas escolas mossoroenses. Em julho de 2007, o projeto foi apresentado durante o IV Congresso Brasileiro de Comunicação, realizado na Universidade Maurício de Nassau, em Recife, Brasil. Em agosto de 2007, a jornalista Regina Cunha, coordenadora do projeto Minha Escola na TV apresentou uma palestra sobre a importância da Responsabilidade Social (Minha Escola na TV, como exemplo) para os participantes do Congresso Internacional da ABTA – Associação Brasileira de TV por Assinatura. Em outubro de 2007, a jornalista Regina Cunha foi a única jornalista brasileira a participar do Congresso da UNICEF sobre os Direitos da Criança e do Adolescente no Chile. Em novembro de 2007, o projeto Minha Escola na TV recebeu o 1º prêmio de Melhor projeto de Responsabilidade Social da NEO TV, Associação Brasileira de TV por Assinatura.

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Em dezembro de 2007, o projeto Minha Escola na TV foi selecionado entre mais de mil práticas de Responsabilidade Social, de todo o Brasil, voltadas para difusão dos Objetivos do Milênio, e vai receber em janeiro de 2008, a visita de pesquisadores/avaliadores com referência ao Prêmio Objetivos do Milênio, da Presidência da República. A subjetividade e o sujeito Em seu trabalho O dispositivo pedagógico da mídia: modos de educar na (e pela) TV, Rosa Maria Bueno Fischer (2002) diz o seguinte:
No estudo da TV como dispositivo pedagógico – feito a partir de duas pesquisas recentes: O estatuto pedagógico da mídia4 e Subjetividade feminina e diferença no dispositivo pedagógico da mídia5 temos observado as mínimas estratégias de a televisão afirmar-se como um lugar especial de educar, de fazer justiça, de promover a "verdadeira" investigação dos fatos (relativos a violências, transgressões, crimes de todos os tipos) e ainda de concretamente "ensinar como fazer" determinadas tarefas cotidianas, determinadas operações com o próprio corpo, determinadas mudanças no cotidiano familiar e assim por diante.6

Durante as entrevistas com os alunos (antes das gravações) para saber a opinião sobre a televisão, fica claro que antes mesmo de ir para a escola a criança é educada pela mídia, principalmente pela televisão. Para a maioria dos jovens e crianças a relação com a televisão não é obrigatória, ela aprende a ver e ouvir a estória dos outros, num processo que não exige esforço. A televisão traz novidades, todos os dias, a música é engraçada, os trejeitos são fáceis de imitar e mexe com os sentimentos. Para analisar o processo de tomada de consciência recorro a análise de SALGADO, et al (2005):
O uso do vídeo, como disparador de reflexões sobre as práticas sociais (...), pode ser entendido como facilitador de processos de aprendizagem e desenvolvimento, envolvendo a reflexão e a tomada de consciência, graças ao distanciamento que o vídeo permite, dessas práticas e representações, transformando-as. Nesse duplo processo de pesquisa e intervenção pedagógica, cabe ao pesquisador compreender o que as crianças compreendem, realizando, assim, o que Krippendorf (1997) denomina de compreensão de segunda ordem, aquela que permite ao pesquisador uma reflexão recorrente sobre o seu próprio papel na realidade investigada. Trata-se, segundo o autor, de um envolvimento comunicativo que abarca tanto o pesquisador quanto o outro-pesquisado, em que ambos se transformam, assim como os processos de comunicação que se pretende compreender. (SALGADO, et al, 2005).

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Alguns professores admitem que a televisão “educa” enquanto mostra programas de entretenimento. Para a maioria dos professores, a educação escolar deve incorporar tecnologias mais avançadas; além disso, a escola deve ser um ambiente democrático e participativo onde a criança e o jovem tenham oportunidade de expressar o que pensam. Apenas um professor reagiu negativamente à realização da oficina de jornalismo com os alunos da escola, considerando que a emissora poderia estar utilizando o trabalho como uma forma de promoção. O mesmo professor criticou a programação de uma emissora aberta, mas não quis explicar porque não gostava dos programas. Os alunos de uma escola decidiram não utilizar o tempo para uma reportagem, mas sim, para apresentar uma peça de teatro (escrita por eles) e pediram que a apresentação fosse feita no teatro da APAE/Mossoró – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, promovendo a inclusão social de jovens com necessidades especiais. Durante o período pré-eleições 2006, muitos jovens decidiram utilizar o tempo do programa para promover campanhas para o voto consciente aos 16 anos, embora não obrigatório, nesta faixa etária. Mas a maioria dos jovens questionou a importância do voto, sendo que um deles abordou a questão do “pão e circo” relacionando os tempos atuais aos fatos ocorridos anteriormente na história da humanidade. A primeira reunião (teórica) realizada entre a jornalista e os alunos na sala de aula (reunião de pauta) mostrou que, na maioria das vezes, eles estão preparados para levantar problemas, comparar, distinguir e apresentar as soluções. Algumas questões foram repetidas e discutidas por vários grupos de alunos em diferentes escolas: meio-ambiente; lazer na escola e no bairro onde vivem; e a participação dos pais na vida escolar. O ensino e a forma de ensinar também foram temas de reportagens. O resultado apresentado, ou seja, a reportagem exibida pelo Canal local, feita pelos jovens e crianças motivou a comunidade a acreditar na televisão como um meio de comunicação “verdadeiro”, na opinião deles, porque se antes havia um sentimento de que a novela era uma “simulação” da vida real, e até houve um comentário de que o telejornal de uma emissora nacional mostrava uma realidade distante, como por exemplo, a guerra no Iraque, ou até mesmo 15

uma passeata de estudantes que parou o trânsito por dezenas de quilômetros numa rodovia do sudeste; agora a imagem era outra, a televisão (pelo menos a tevê a cabo local) permitiu à cidade, aos moradores, aos jovens e crianças, aos professores, se enxergarem na telinha – e eles gostaram do que viram. O exercício de auto-avaliação, ou seja, a experiência dentro da sala de aula, analisando o mundo em que vive, ajuda o sujeito a observar-se e formar sua subjetividade. Cultura da Inovação – você é o que você faz A maioria do conhecimento que os países em desenvolvimento têm, ainda precisa de um empurrão na área da educação, para se tornar realmente produtivo e agregar valor de mercado, tanto no setor de produção de equipamentos de alta tecnologia quanto no setor de prestação de serviços. Isso não é novidade nenhuma, porque os especialistas já descobriram isto há algum tempo, o problema é que ninguém faz nada para modificar a situação. Muito se fala em inclusão social, mas as crianças continuam excluídas do direito de participar de decisões importantes, principalmente na escola. Quem escolhe os livros que elas lêem? Quem decide a merenda escolar? Isto só para citar dois pontos. E a inclusão digital? Tem escola que recebe um “presente de grego”, primeiro vem o computador, depois que o equipamento já enferrujou de velho, é que vem a capacitação do professor. O aluno que já sai de casa “plugado na web”, porque atualmente, é relativamente fácil comprar um computador em suaves prestações, ou quando não tem, dá para viajar pela internet na “lan house” do bar da esquina. Este aluno curioso e atrevido, nascido no meio da evolução tecnológica, mesmo que saiba, não pode tocar o objeto sagrado, que fica empoeirando no meio da biblioteca ou da sala de vídeo, “ninguém mexe, senão quebra!”. Oferecer a este aluno a “ferramenta tecnológica” chamada vídeo reportagem para incentivar a criatividade, a auto expressão, a iniciativa própria, a possibilidade de buscar uma solução para um problema comum, e principalmente, incorporar ao processo de aprendizado uma habilidade maior de avançar no desenvolvimento das inteligências. Educar com a utilização da vídeo reportagem é mais do que necessário, porque o fazer e aprender fazendo, é mais do que aprender. É dar a possibilidade ao sujeito de analisar a subjetividade daquilo que o sujeito fez e é, contribuindo para o entendimento da 16

realidade para poder transformar a sociedade. A televisão na escola tem o poder e o dever de fazer com que professores e alunos se aproximem mais, e falem a mesma linguagem, quebrando os paradigmas convencionais do ensino atual. O desenvolvimento do conhecimento é um dos aspectos fundamentais da escola e deve ser acompanhado do desenvolvimento de habilidades e de atitudes, como a utilização de novas ferramentas pedagógicas, como a vídeo reportagem. A sala de aula tem que ser um lugar de produção do conhecimento A utilização da televisão (de produtos produzidos, gravados e editados por terceiros) já é bastante utilizada na educação. Vários autores confirmam as suas potencialidades para tornar o ensino mais eficaz. O desenvolvimento rápido das tecnologias da comunicação e da informação tem colocado à disposição da televisão novas possibilidades, oferecendo-lhe mais oportunidades do que propriamente ameaças. É o caso das redes de satélites, por exemplo, e da tecnologia digital. Como conseqüência, a televisão tem se tornado um meio bastante popular e de alcance ampliado através dos anos. As linguagens da TV também são fáceis de serem interpretadas, respondem à sensibilidade dos jovens e da maioria da população adulta. São dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. Entretanto, os estudantes precisam desenvolver, mais conscientemente, o conhecimento e a prática da imagem fixa, da imagem em movimento, da imagem sonora e fazer isso como parte do aprendizado central, e não, marginal. Aprender a ver mais completamente o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam perceber com maior profundidade. O desenvolvimento do conhecimento é um dos aspectos fundamentais da escola e deve ser acompanhado do desenvolvimento de habilidades e de atitudes, conforme foi dito no Curso de Extensão para Professores do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública desenvolvido pelo Ministério da Educação e Cultura:
Habilidades que levem o indivíduo a caminhar sozinho, a interpretar os fenômenos, a expressar-se melhor, a comunicar-se com facilidade, a dominar atitudes que o ajudem a ter autoestima, a ter impulso para avançar, para querer aprender sempre, evitando isolar-se, e colaborando para chegar a uma sociedade mais justa. O poder de interação não está fundamentalmente nas tecnologias, mas nas nossas mentes.7

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Educar com esta nova “velha ferramenta” será uma revolução, e quem sabe a televisão na escola faça com que professores e alunos se aproximem mais e falem a mesma linguagem, quebrando os paradigmas convencionais do ensino atual. Referências Bibliográficas: ANTUNES, C. As inteligências múltiplas e seus estímulos. São Paulo: Papirus, 2001. ARBEX, J. et al. Mundo pós-moderno. São Paulo: Scipione, 1996. BARBEIRO, H. Você na telinha: como usar a mídia a seu favor. São Paulo: Futura, 2002. BELLONI, M. A televisão como ferramenta pedagógica na formação de professores. Educação e Pesquisa, São Paulo: v. 29, n.2, p. 287-301, jul/dez 2003. BENJAMIN, W. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1987. BUCCI, E. Sobre Ética e Imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. DUARTE, L. É pagar para ver: a TV por assinatura em foco. São Paulo: Summus, 1996. FIORENTINI, L. et al. TV na escola e os desafios de hoje. Brasília: Ed.UnB, 2002. FISCHER, R. O dispositivo pedagógico da mídia: modos de educar na (e pela) TV. Educação e Pesquisa. São Paulo: vol.28 n.1, jan/jun 2002. KRIPPENDORF, K. Principales metáforas de la comunicación y algunas reflexiones constructivistas acerca de su utilización. In: Pakman, M. (Org.). Construcciones de la experiencia humana. Barcelona: Gedisa, 1997. v.2., p. 107-145. In: SALGADO, R. et al, Cad. Cedes, Campinas, v.25, n.65, p.9-24, jan/abr 2005. LAÏDI, Z. Um mundo sin sentido. Mexico: Fondo de Cultura Econômica,1997. LEWIS, D. Mentes Abertas: dê aos seus filhos um futuro mais brilhante. São Paulo: Nórdica, 1987. MILLERSON, G. Tecnicas de Realizacion y Produccion en Television. Madrid: Focal Press, 1983.

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MORAN, José M. et al., 2000, Novas tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo: Papirus. PORTO, T. Relações que a TV e a escola propiciam aos educandos. Entrevista prof. Francisco Gutiérrez. Rev.Fac.Ed. São Paulo: vol.23, n.1-2, jan/dez 1997. SALGADO, R. et al, Pela tela, pela janela: questões teóricas e práticas sobre infância e televisão. Caderno Cedes, Campinas: vol. 25, n. 65, p.9-24, jan/abr 2005. YELLAND, Nicola. Shift to the future: rethinking learning with new technologies in education. New York: LLC. 2007. WATTS, Harris. Direção de Câmera. um manual de técnicas de vídeo e cinema. São Paulo: Summus. 1999. Notas Explicativas

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Para construir a reportagem o jornalista precisa de uma fonte. Sem fonte não há notícia. Por isso o jornalista precisa que você conte fatos, dê testemunhos e sua opinião para que as reportagens possam ser desenvolvidas e divulgadas para toda a sociedade. (BARBEIRO, 2002, p.13) 2 O projeto Minha Escola na TV foi criado antes do lançamento do Prêmio Operador Cidadão. 3 O projeto Minha Escola no Rádio não foi incluído na pesquisa apresentada neste trabalho. 4 O corpus de análise da pesquisa "O estatuto pedagógico da mídia", desenvolvida de 1998 a 2000, com apoio do CNPq, constituiu-se de 66 produtos, entre documentários, seriados, comerciais, desenhos animados, telejornais, programas infantis, programas didático-instrucionais, novela, programa feminino, programa de auditório, talk show, programas humorísticos, veiculados na TV aberta e TV a cabo brasileiras, entre agosto de 1998 e julho de 2000. in FISCHER, R. Dispositivo Pedagógico da Mídia. SP: Ed.Pesq. v.28 n.1 Jan/jun 2002. 5 Na pesquisa "Subjetividade feminina e diferença no dispositivo pedagógico da mídia", iniciada em agosto de 2000 (também com apoio do CNPq), estamos investigando de que forma se constrói um discurso sobre a mulher na televisão veiculada no Brasil; ou seja, perguntamo-nos sobre a mulher e os modos de constituí-la na cultura brasileira contemporânea. Para tanto, selecionamos um conjunto de programas e comerciais de TV, em que a mulher é figura proeminente, e os submetemos a uma rigorosa análise, cruzando elementos de linguagem televisiva e tópicos referentes a técnicas de subjetivação, presentes nesses materiais; ainda, apresentamos alguns desses materiais a um grupo de mulheres, de 18 a 45 anos, estudantes de pedagogia, em sessões de discussão sobre a presença feminina na TV. Esse conjunto de enunciações (os textos retirados da TV e os textos produzidos pelo grupo de mulheres) constitui o corpus de análise dessa pesquisa. in FISCHER, R. Dispositivo Pedagógico da Mídia. SP: Ed.Pesq. v.28 n.1 Jan/jun 2002. 6 Conforme explicito no texto "Técnicas de si na TV: a mídia se faz pedagógica" (2000, p. 111-139). in FISCHER, R. Dispositivo Pedagógico da Mídia. SP: Ed.Pesq. v.28 n.1 Jan/jun 2002. 7 in TV na escola e os desafios de hoje: Curso de Extensão para Professores do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública. UniRede e Seed/MEC/Coordenação de Leda Maria Rangearo Fiorentini e Vânia Lúcia Quintão Carneiro. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2a Edição revisada, 2002.

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