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Materiais de Construção Mecânica II (UFSM)

Materiais de Construção Mecânica II (UFSM)

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  • 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS
  • 1.1 - INTRODUÇÃO
  • 1.2 - CLASSIFICAÇÃO
  • 1.2.1 - METAIS ESCUROS
  • 1.2.2 - METAIS CLAROS
  • 2 - AÇOS E FERROS FUNDIDOS
  • 2.1 - INTRODUÇÃO
  • 2.2 - MINÉRIO DE FERRO
  • Figura 2.2 – Campo de mineração
  • Figura 2.3 – Sínter
  • 2.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA
  • Figura 2.5 – Vista parcial de um alto-forno
  • Figura 2.7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa
  • 2.4 - AÇO
  • Figura 2.8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa)
  • Figura 2.10 – Operação de um conversor
  • 2.4.1 - DEFINIÇÃO
  • Figura 2.11 – Estrutura cristalina da cementita
  • Figura 2.13 – Curva de resfriamento do ferro
  • 2.4.2 - CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO
  • Figura 2.15 – Ferritas
  • Figura 2.16 – cementitas
  • Figura 2.17 – Perlitas. A) Perlita normal; B) Perlita sorbítica
  • Figura 2.18 – Austenita
  • Figura 2.21 – Trostita
  • Figura 2.22 – Sorbita
  • Figura 2.24 – Esteadita
  • Figura 2.26 – Microestrutura de aço eutetóide. Somente perlitas
  • Figura 2.27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide. Perlitas e cementitas
  • 2.4.3 - CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS - ABNT - SAE - AISI
  • 2.4.4.1 – Elementos de adição
  • 2.5 – FERRO FUNDIDO
  • Figura 2,28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento
  • Figura 2.29 – Microestrutura do ferro fundido nodular
  • 2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS - ABNT
  • 2.6 - TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES
  • 2.6.1 - TRATAMENTOS TÉRMICOS
  • Figura 2.30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos
  • Figura 2.31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização
  • 2.6.1.1 - Recozimento
  • Figura 2.32 – Ciclo do recozimento
  • Figura 2.33 – Ciclo da esferoidização
  • 2.6.1.2 - Normalização
  • 2.6.1.3 - Revenimento
  • 2.6.1.4 - Têmpera
  • 2.6.1.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação
  • Figura 2.35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide
  • Figura 2.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos
  • Figura 2.37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça
  • Figura 2.38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide
  • Figura 2.39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide
  • Figura 2.41 – Diagrama TTT para o aço 4340
  • 2.6.1.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos
  • Figura 2.42 – Austêmpera
  • Figura 2.43 – Martêmpera
  • 2.6.2 - TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES
  • 2.6.2.1 - Tratamentos termo-químicos
  • Figura 2.44 - Diagrama de equilíbrio Fe-N
  • Figura 2.45 – Célula unitária da fase γ’
  • Figura 2.46 – Célula unitária da fase ε
  • Figura 2.49 – Esquema do reator iônico
  • Figura 2.50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono
  • 2.6.2.2 - Tratamentos de revestimentos
  • Figura 2.51 – Esquema da eletrodeposição
  • 3 - ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
  • 3.1 – INTRODUÇÃO
  • 3.2 - PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO
  • 3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
  • 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO
  • 3.3.1.1 - Liga de Al-Cu
  • Figura 3.1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu
  • 3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag)
  • Figura 3.2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg
  • 3.3.1.3 - Liga de Al-Mn
  • 3.3.1.4 - Liga de Al-Si
  • Figura 3.3 - Diagrama de fases da liga binária Al-Si
  • 3.3.1.5- Liga de Al-Si
  • Figura 3.4 - Diagrama de fases da liga binária Al-Si
  • 3.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO
  • 4 - COBRE E SUAS LIGAS
  • 4.1 - INTRODUÇÃO
  • 4.2 - PRODUÇÃO DE COBRE
  • Figura 4.1 – Beneficiamento do cobre. A) Trituração do minério; B) Flotação
  • Figura 4.2 - Esquema do forno revérbero e obtenção do mate
  • Figura 4.3 - Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica
  • 4.3 - PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS
  • Figura 4.4 - Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre
  • 4.3.1 - LIGAS DE COBRE
  • 4.3.1.1 - Latão
  • Figura 4.5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn
  • Figura 4.7 - Diagrama do comportamento mecânico dos latões
  • Figura 4.8 - Aplicações dos latões
  • 4.3.1.2 - Bronze
  • Figura 4.9 - Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn
  • Figura 4.11 - Aplicações do bronze
  • 4.3.1.3 - Ligas de cobre-alumínio
  • Figura 4.12 - Diagrama de fases da liga binária Cu-Al
  • 4.3.1.4 - Cuproníquel
  • Figura 4.13 - Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni
  • Figura 4.14 - Aplicações do cuproníquel
  • 4.3.1.5 - Ligas de cobre e berílio
  • Figura 4.15 - Diagrama de fases da liga binária Cu-Be
  • 4.3.1.6 - Ligas de cobre e silício
  • 4.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE
  • 5 - NÍQUEL E SUAS LIGAS
  • 5.1 - INTRODUÇÃO
  • 5.2 - PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS
  • 5.2.1 - NÍQUEL
  • Figura 5.1 - Aplicações do níquel
  • 5.2.2 - LIGAS DE NÍQUEL
  • 5.2.2.1 - Ligas de níquel e berílio
  • 4.2.2.2 - Ligas de níquel e cromo
  • 5.2.2.3 - Ligas de níquel e molibdênio
  • 6 - COBALTO E SUAS LIGAS
  • 6.1 - INTRODUÇÃO
  • 6.2 - PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS
  • 6.2.1 - COBALTO
  • Figura 6.1 - Aplicações do cobalto
  • 6.2.2 - LIGAS DE COBALTO
  • 7 - TITÂNIO E SUAS LIGAS
  • 7.1 - INTRODUÇÃO
  • 7.2 - PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS
  • 7.2.1 - TITÂNIO
  • 7.2.2 - LIGAS DE TITÂNIO
  • 8 - MAGNÉSIO E SUAS LIGAS
  • 8.1 - INTRODUÇÃO
  • 8.2 - PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS
  • 8.2.1 - MAGNÉSIO
  • Figura 8.1 - Aplicações do magnésio
  • 8.2.2 - LIGAS DE MAGNÉSIO
  • 9 - ZINCO E SUAS LIGAS
  • 9.1 - INTRODUÇÃO
  • 9.2 - PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS
  • 9.2.1 - LIGAS DE ZINCO
  • 9.2.2 - LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO
  • 10 - CHUMBO E SUAS LIGAS
  • 10.1 - INTRODUÇÃO
  • 10.2 - PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS
  • Figura 10.1 - Diagrama de fases da liga Pb-Sn
  • Figura 10.2 - Diagrama de fases da liga Pb-Sb
  • 11 - OUTROS METAIS
  • 11.1 - ESTANHO
  • 11.2 - CROMO
  • Figura 11.1 - Aplicações do cromo
  • 11.3 - TUNGSTÊNIO
  • Figura 11.2 - Aplicações da tungstênio
  • 11.4 - PRATA
  • Figura 11.3 - Aplicações da prata
  • 11.5 - OURO
  • Figura 11.4 - Aplicações do ouro
  • 12 - POLÍMEROS
  • 12.1 - INTRODUÇÃO
  • Figura 12.1 - Monômeros. a) metano; b) etano; c) eteno
  • Figura 12.2 - Monômeros. a) propano; b) n-butano; c) isobutano
  • Figura 12.3 - Monômeros. a) n-pentano; b) Isopentano; c) Neopentano
  • Figura 12.4 – Representação de polímero
  • Figura 12.5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila
  • Figura 12.6 – Reação de copolimerização do náilon 66
  • 12.2 – PROPRIEDADES
  • 12.2.1 - MORFOLOGIA
  • Figura 12.9 – Cristalinidade em polímeros
  • 12.2.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM
  • 12.2.3 - ADITIVOS
  • Figura 12.10 – Reação do baquelite
  • Figura 12.11 – Reação do agente de esponjamento
  • 12.2.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS
  • 12.2.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS
  • 12.3 - PLÁSTICOS
  • 12.3.1 - POLIOLEFINAS
  • Figura 12.15 – Fórmula geral da poliolefina
  • 12.3.2 - POLICARBONATOS
  • Figura 12.16 – Fórmula policarbonato
  • 12.3.3 - ALÍLICOS
  • 12.3.4 - ACRILICOS
  • Figura 12.17 – Polimetacrilato de metila
  • Figura 12.18 – Poliacrilonitrilo
  • Figura 12.19 – ABS
  • Figura 12.20 – SAN
  • 12.3.5 - POLIIMIDAS
  • Figura 12.21 – Poliimida
  • 12.3.6 - AMINOPLÁSTICOS
  • 12.3.7 - CELULÓSICOS
  • 12.3.8 - POLIOXIMETILÊNICOS
  • 12.3.9 - EPOXÍDICOS
  • 12.3.10 - FLUOROPLÁSTICOS
  • Figura 12.22 – Fórmula do teflon
  • Figura 2.23 – PCTFE
  • 12.3.11 - POLISULFONAS
  • Figura 12.24 - Polisulfona
  • 12.3.12 - FENÓLICOS
  • Figura 12.25 – Fenólicos
  • 12.3.13 – POLIALÔMEROS
  • 12.3.14 - POLIFENILÊNICOS
  • 12.3.15 - SILICONES
  • 12.3.16 - POLIAMIDAS
  • 12.3.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS
  • 12.4 - ELASTÔMEROS
  • Figura 12.27 – Polisopreno
  • Figura 12.28 – SBR
  • 12.5 – POLÍMERO NATURAL - MADEIRA
  • 12.5.1 - MADEIRAS TRANSFORMADAS
  • Figura 12.30 – Cortes da madeira
  • 12.5.2 - TRATAMENTO SUPERFICIAL
  • Figura 12.32 – Efeito decapê
  • Figura 12.33 – Efeito satinê
  • Figura 12.34 – Efeito estêncil
  • 13 – CERÂMICOS
  • 13.1 – INTRODUÇÃO
  • Figura 13.1 – Peças de cerâmica
  • 13.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL
  • 13.2.1 – CERÂMICA VERMELHA
  • 13.2.1.1 – Massa cerâmica
  • 13.2.1.2 – Esmaltes
  • 13.2.1.3 – Engobe
  • Figura 13.2 – Produção de cerâmica
  • 13.2.2 – CERÂMICA BRANCA
  • Figura 13.3 - Louça sanitária
  • Figura 13.4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos
  • 13.2.2.1 - Processamento
  • 13.3 – CERÂMICA AVANÇADA
  • Figura 13.5 - Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro
  • Figura 13.6 - Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro
  • 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS
  • 14.1 – INTRODUÇÃO
  • 14.2 - ENSAIO DE TRAÇÃO
  • Figura 14.2 - Peça tracionada
  • 14.2.1 - DIAGRAMA TENSÃO - DEFORMAÇÃO
  • Figura 14.4 - Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε
  • Figura 14.5 - Material dúctil. a) diagrama σ x ε; b) aspecto da fratura
  • 14.2.2 - PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS
  • Figura 14.7 - diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono
  • Figura 14.8 - Alongamentos na tração e na compressão
  • 14.2.3 - CORPOS DE PROVA
  • Figura 14.9 - Máquina de ensaio e registrador
  • Figura 14.10 - Corpos de prova
  • Figura 14.11 - Tipos de fixação
  • Figura 14.12 - Preparação de corpo de prova
  • Figura 14.13 - Ruptura do corpo de prova no centro
  • Figura 14.14 - Ruptura do corpo de prova fora de centro
  • 14.2.3.1 - Limite de escoamento: valores convencionais
  • Figura 14.15 - Determinação do limite de escoamento
  • 14.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO
  • 14.3.1 - LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO
  • Figura 14.17 - Ensaio de compressão. a) normal; b) flambagem
  • 14.3.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL
  • Figura 14.21 - Ensaios em molas
  • 14.4 - ENSAIO DE FLEXÃO
  • 14.4.1 - SIGNIFICADO DE FLEXÃO
  • Figura 14.22 - Flexão em uma barra de secção retangular
  • Figura 14.23 - Elemento da barra submetido à flexão
  • 14.4.2 - MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO
  • Figura 14.25 - Método de flexão a quatro pontos
  • 14.5 - ENSAIO DE DUREZA
  • 14.5.1 - DUREZA BRINELL
  • Figura 14.27 - Ângulo φ nas impressões Brinell
  • 14.5.2 - DUREZA ROCKWELL
  • Figura 14.28 - Penetradores de Dureza Rockwell
  • 14.5.3 - DUREZA VICKERS
  • 14.5.4 - DUREZA SHORE
  • 14.6 - ENSAIO DE IMPACTO
  • Figura 14.29 - Aspectos da fratura
  • 14.6.1 - TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO
  • 14.6.1.1 - Fatores que influenciam a temperatura de transição
  • Figura 14.31 - Curvas de energia absorvida de um mesmo material
  • 14.6.1.2 - Resfriamento do corpo de prova
  • Figura 14.32 - Máquina de ensaio de impacto
  • Figura 14.33 - Ensaio Charpy e Izod
  • Figura 14.34 - Corpos de prova Charpy e Izod
  • 14.7 - ENSAIOS METALOGRÁFICOS
  • 14.7.1 - ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO
  • 14.7.2 - ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO
  • 14.7.2.1 - Etapas metalográficas
  • Figura 14.38 - Micrografia da perlita
  • 14.8 - PROPRIEDADES TÉRMICAS
  • 14.9 - PROPRIEDADES ELÉTRICAS
  • Figura 14.39 - Curva de resistividade elétrica em função da temperatura
  • 14.10 - PROPRIEDADES MAGNÉTICAS
  • Figura 14.44 - Esquema de momentos magnéticos do MnO
  • Figura 14.45 - Esquema dos momentos magnéticos da ferrita
  • 14.10.1 - MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS
  • 14.11 - PROPRIEDADES ÓTICAS
  • 14.11.1 - REFLETIVIDADE, TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO
  • Figura 14.53 - Espectros de radiação eletromagnética
  • 14.12 - PROPRIEDADES QUÍMICAS
  • 14.12.1 - RESISTÊNCIA A CORROSÃO
  • Figura 14.54 - Esquema dos tipos de corrosão
  • 14.12.2 - RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO
  • 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS
  • Figura 15.1 – Símbolo da reciclagem
  • 15.1 - INTRODUÇÃO
  • 16 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS
  • 17 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • ANEXOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
Direitos autorais reservados

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II

Prof. Cláudio Roberto Losekann, Dr. Eng.

2007

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
Direitos autorais reservados

ÍNDICE ANALÍTICO
ÍNDICE ANALÍTICO ............................................................................................... II ÍNDICE DE FIGURAS ........................................................................................... VI 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS ........................................................................ 1 1.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 1.2 - CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................... 1 1.2.1 - METAIS ESCUROS ............................................................................. 1 1.2.2 - METAIS CLAROS ................................................................................ 2 2 - AÇOS E FERROS FUNDIDOS ......................................................................... 3 2.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 2.2 - MINÉRIO DE FERRO................................................................................. 3 2.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA................................................................ 5 2.4 - AÇO............................................................................................................ 7 2.4.1 - DEFINIÇÃO ....................................................................................... 10 2.4.2 - CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO............................... 13 2.4.3 - CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS - ABNT - SAE - AISI.......................... 18 2.4.4 - INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO ................................. 22 2.4.4.1 – Elementos de adição .................................................................. 23 2.4.5 - RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA ................................................................................................... 27 2.5 – FERRO FUNDIDO ................................................................................... 30 2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS - ABNT ..................... 31 2.6 - TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES................................. 32 2.6.1 - TRATAMENTOS TÉRMICOS ............................................................ 32 2.6.1.1 - Recozimento................................................................................ 36 2.6.1.2 - Normalização............................................................................... 37 2.6.1.3 - Revenimento ............................................................................... 37 2.6.1.4 - Têmpera ...................................................................................... 38 2.6.1.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação .................... 40 2.6.1.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos ............................................... 45 2.6.2 - TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES ................................................. 49 2.6.2.1 - Tratamentos termo-químicos....................................................... 50 2.6.2.2 - Tratamentos de revestimentos .................................................... 65 3 - ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ............................................................................. 68 3.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................... 68 3.2 - PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO..................................................................... 69 3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ................................... 71 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO ........................................................................ 73 3.3.1.1 - Liga de Al-Cu............................................................................... 74 3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) ............................................................... 74 3.3.1.3 - Liga de Al-Mn .............................................................................. 75 3.3.1.4 - Liga de Al-Si ................................................................................ 75 3.3.1.5- Liga de Al-Si ................................................................................. 76 3.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO .................................. 78 4 - COBRE E SUAS LIGAS.................................................................................. 80 4.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................... 80 4.2 - PRODUÇÃO DE COBRE ......................................................................... 81 II 2007

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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4.3 - PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS ....................................... 83 4.3.1 - LIGAS DE COBRE............................................................................. 85 4.3.1.1 - Latão ........................................................................................... 85 4.3.1.2 - Bronze ......................................................................................... 90 4.3.1.3 - Ligas de cobre-alumínio .............................................................. 95 4.3.1.4 - Cuproníquel ................................................................................. 97 4.3.1.5 - Ligas de cobre e berílio ............................................................... 98 4.3.1.6 - Ligas de cobre e silício ...............................................................100 4.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE......................................100 5 - NÍQUEL E SUAS LIGAS ................................................................................101 5.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................101 5.2 - PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS......................................102 5.2.1 - NÍQUEL.............................................................................................102 5.2.2 - LIGAS DE NÍQUEL ...........................................................................103 5.2.2.1 - Ligas de níquel e berílio .............................................................104 4.2.2.2 - Ligas de níquel e cromo .............................................................104 5.2.2.3 - Ligas de níquel e molibdênio ......................................................104 6 - COBALTO E SUAS LIGAS ............................................................................105 6.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................105 6.2 - PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS ..................................105 6.2.1 - COBALTO .........................................................................................105 6.2.2 - LIGAS DE COBALTO .......................................................................106 7 - TITÂNIO E SUAS LIGAS ...............................................................................107 7.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................107 7.2 - PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS .....................................107 7.2.1 - TITÂNIO............................................................................................107 7.2.2 - LIGAS DE TITÂNIO ..........................................................................109 8 - MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ..........................................................................109 8.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................109 8.2 - PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ................................110 8.2.1 - MAGNÉSIO.......................................................................................110 8.2.2 - LIGAS DE MAGNÉSIO .....................................................................111 9 - ZINCO E SUAS LIGAS ..................................................................................111 9.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................111 9.2 - PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS ........................................111 9.2.1 - LIGAS DE ZINCO .............................................................................113 9.2.2 - LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO........................................................113 10 - CHUMBO E SUAS LIGAS............................................................................113 10.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................113 10.2 - PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS .................................114 11 - OUTROS METAIS .......................................................................................116 11.1 - ESTANHO .............................................................................................116 11.2 - CROMO.................................................................................................117 11.3 - TUNGSTÊNIO .......................................................................................118 11.4 - PRATA...................................................................................................119 11.5 - OURO....................................................................................................119 12 - POLÍMEROS................................................................................................121 12.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................121 12.2 – PROPRIEDADES .................................................................................123 12.2.1 - MORFOLOGIA................................................................................123 III 2007

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12.2.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM ............................................125 12.2.3 - ADITIVOS .......................................................................................126 12.2.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS .......................................................128 12.2.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS.....................................................129 12.3 - PLÁSTICOS ..........................................................................................130 12.3.1 - POLIOLEFINAS ..............................................................................131 12.3.2 - POLICARBONATOS.......................................................................138 12.3.3 - ALÍLICOS........................................................................................140 12.3.4 - ACRILICOS.....................................................................................140 12.3.5 - POLIIMIDAS ...................................................................................143 12.3.6 - AMINOPLÁSTICOS ........................................................................144 12.3.7 - CELULÓSICOS...............................................................................145 12.3.8 - POLIOXIMETILÊNICOS .................................................................145 12.3.9 - EPOXÍDICOS..................................................................................145 12.3.10 - FLUOROPLÁSTICOS ...................................................................146 12.3.11 - POLISULFONAS...........................................................................147 12.3.12 - FENÓLICOS .................................................................................147 12.3.13 – POLIALÔMEROS.........................................................................148 12.3.14 - POLIFENILÊNICOS ......................................................................148 12.3.15 - SILICONES ...................................................................................149 12.3.16 - POLIAMIDAS ................................................................................149 12.3.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS ............................................152 12.4 - ELASTÔMEROS ...................................................................................153 12.5 – POLÍMERO NATURAL - MADEIRA......................................................158 12.5.1 - MADEIRAS TRANSFORMADAS ....................................................162 12.5.2 - TRATAMENTO SUPERFICIAL .......................................................163 12.5.3 - TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. .....................................................................................................................163 13 – CERÂMICOS...............................................................................................168 13.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................168 13.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL .............................................................170 13.2.1 – CERÂMICA VERMELHA................................................................170 13.2.1.1 – Massa cerâmica.......................................................................170 13.2.1.2 – Esmaltes ..................................................................................172 13.2.1.3 – Engobe ....................................................................................173 13.2.2 – CERÂMICA BRANCA ....................................................................174 13.2.2.1 - Processamento.........................................................................176 13.3 – CERÂMICA AVANÇADA ......................................................................177 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS ..........................................................................187 14.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................187 14.2 - ENSAIO DE TRAÇÃO ...........................................................................189 14.2.1 - DIAGRAMA TENSÃO - DEFORMAÇÃO ........................................191 14.2.2 - PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS ................................193 14.2.3 - CORPOS DE PROVA .....................................................................196 14.2.3.1 - Limite de escoamento: valores convencionais .........................198 14.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO ................................................................199 14.3.1 - LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO .............................200 14.3.2 - ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS...............200 14.3.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL ....................................201 14.4 - ENSAIO DE FLEXÃO ............................................................................205 IV 2007

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14.4.1 - SIGNIFICADO DE FLEXÃO............................................................205 14.4.2 - MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO ..............................................207 14.5 - ENSAIO DE DUREZA ...........................................................................208 14.5.1 - DUREZA BRINELL .........................................................................209 14.5.2 - DUREZA ROCKWELL ....................................................................210 14.5.3 - DUREZA VICKERS.........................................................................212 14.5.4 - DUREZA SHORE............................................................................212 14.6 - ENSAIO DE IMPACTO..........................................................................213 14.6.1 - TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO .................................................214 14.6.1.1 - Fatores que influenciam a temperatura de transição................215 14.6.1.2 - Resfriamento do corpo de prova ..............................................216 14.7 - ENSAIOS METALOGRÁFICOS ............................................................220 14.7.1 - ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO ............................221 14.7.2 - ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO .............................221 14.7.2.1 - Etapas metalográficas ..............................................................221 14.8 - PROPRIEDADES TÉRMICAS...............................................................228 14.9 - PROPRIEDADES ELÉTRICAS .............................................................228 14.10 - PROPRIEDADES MAGNÉTICAS........................................................231 14.10.1 - MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS ...........................237 14.11 - PROPRIEDADES ÓTICAS..................................................................238 14.11.1 - REFLETIVIDADE, TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. .................238 14.12 - PROPRIEDADES QUÍMICAS .............................................................244 14.12.1 - RESISTÊNCIA A CORROSÃO .....................................................244 14.12.2 - RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO ................................................245 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS ............................................246 15.1 - INTRODUÇÃO .....................................................................................246 16 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS .......................................................................249 17 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................251 ANEXOS .............................................................................................................254

V 2007

........................................14 – Diagrama de equilíbrio .......12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono....31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização.......8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa).......... ...1 – Minério de ferro.......22 – Sorbita............ 43 Figura 2...............................................34 – Ciclos de tratamentos........... 6 Figura 2......... Dr................. 4 Figura 2.........39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide......................................... 8 Figura 2...............................................................................................................21 – Trostita.....33 – Ciclo da esferoidização.............. 35 Figura 2....3 – Sínter........................... 15 Figura 2................................ .......................................................25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide..................... ................................. .................. ......5 – Vista parcial de um alto-forno................10 – Operação de um conversor...........11 – Estrutura cristalina da cementita.. 42 Figura 2..............................40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono...... 16 Figura 2............................................................... 5 Figura 2.......................................................26 – Microestrutura de aço eutetóide.................................... . 14 Figura 2.........................37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça................ 17 Figura 2............... 45 Figura 2.....24 – Esteadita... 37 Figura 2.....................................42 – Austêmpera. 37 Figura 2............................................... 3 Figura 2....aço...... perlitas (escuras)...............................................19 – Martensita......................................... ................ 13 Figura 2........................ 41 Figura 2.................. .......................... 18 Figura 2... ............................17 – Perlitas.........38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide..... ................................20 – Bainita inferior..28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento....18 – Austenita.........................41 – Diagrama TTT para o aço 4340.............. .................... Cláudio R................ .6 – Alto-forno...36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos........................... 43 Figura 2........................32 – Ciclo do recozimento............. 4 Figura 2........................................... 17 Figura 2..... 7 Figura 2..........................23 – Ledebuirta................................30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos ..........7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa..... Losekann Direitos autorais reservados ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2....... A) Perlita normal.................................... ......................Diagrama de equilíbrio Fe-N..................29 – Microestrutura do ferro fundido nodular..........................27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide.....................................43 – Martêmpera............................... ......... ............................... 34 Figura 2.........9 – Aspecto construtivo de um conversor.. 30 Figura 2................... B) Perlita sorbítica..................... 12 Figura 2......... ............. ................................................44 .... 16 Figura 2.................................................................. 16 Figura 2............. 17 Figura 2................ 13 Figura 2.................. 53 VI 2007 ................15 – Ferritas........................................4 – Pelotas....... .......... 44 Figura 2............ 11 Figura 2....................................... 5 Figura 2.............. Somente perlitas....................................................................................35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide................... 7 Figura 2.................................... 41 Figura 2............13 – Curva de resfriamento do ferro........ .......................................................... ................................... 36 Figura 2..... Perlitas e cementitas............................ ......... 44 Figura 2............ 49 Figura 2............................................ 10 Figura 2.................................................................................2 – Campo de mineração......... 31 Figura 2............... 12 Figura 2..... ............................................................................................. Ferritas (claras)........UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof..... . 14 Figura 2. 4 Figura 2....................................................... ........................................................................ .............. 15 Figura 2............ ..16 – cementitas..................... .... .......

....46 – Célula unitária da fase ε......... ........... submetidos ao processo líquido.............. 92 Figura 4..................... 74 Figura 3........................Monômeros......45 – Célula unitária da fase γ’...................1 ....... 83 Figura 4....... Cu-Zn 34% Mn 1............................... a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]............................4 ........ A) Trituração do minério.........Aplicações do cuproníquel........ 81 Figura 4.....................................14 .... 98 Figura 4....51 – Esquema da eletrodeposição..........4 ..............2 ................................................Diagrama de fases da liga binária Cu-Al........115 Figura 10....... ...................Diagrama de fases da liga Pb-Sn.Aplicações do cobalto...121 Figura 12...............47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada..........................................................121 Figura 12...................... b) etano...... B) Flotação ........ .............3 .......15 ...................................... 89 Figura 4........ 94 Figura 4........... ........12% Pb 1..... 97 Figura 4......... 60 Figura 2... a) n-pentano... 54 Figura 2......... Cláudio R.. c) isobutano. ..................... ....... c) eteno.....Aplicações do níquel..Diagrama de fases da liga binária Cu-Be....... 66 Figura 3......117 Figura 11...................111 Figura 8.1 .......................108 Figura 8......112 Figura 10...1 ........4% Pb 2.............................6 – Micrografias de latões......... b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] ........... ........................... ......Aplicações da tungstênio.......48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços.......3 ...... Pb 5%....5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn...... 87 Figura 4...........106 Figura 7........................Esquema do forno revérbero e obtenção do mate..........................Aplicações do bronze.......122 Figura 12............. Dr.....................Monômeros.....................Aplicações dos latões............ .. 82 Figura 4. Cu-Zn 24............Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica.. ......... ...................... ....................... .........Diagrama de fases da liga binária Al-Si...2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg............... 99 Figura 5...........................4 – Representação de polímero.........92% [fase α + nódulos de Pb].......Aplicações da prata..........................................50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono.............. b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] ................Aplicações do magnésio...........9 ..1 .......................Aplicações do ouro............... a) metano............1 .2 . 92 Figura 4.......... b) n-butano..................................123 VII 2007 ... ..................1 ..........10 .......................................... c) Neopentano...........Diagrama de fases da liga Pb-Sb.........6 – Reação de copolimerização do náilon 66...............Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn..UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.....11 .................................................. 88 Figura 4..9% [fase α + Cu3Sn]............................. 53 Figura 2. 57 Figura 2................103 Figura 6..........................Monômeros..................... ....................7 ..... ................Aplicações do titânio...... 58 Figura 2...1 ..8 . .. 82 Figura 4..........1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu................ a) propano..........Micrografias de bronzes........Aplicações do cromo.................................... 95 Figura 4..................... ..7% Ni 3.Aplicações do zinco.......2 .......................Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre..................3 ........................ .........1 .115 Figura 11..3 .... c) Cu-Sn 10%........... ...... ...118 Figura 11........119 Figura 11... ............................... .7% Sn 2...12 .............1 – Beneficiamento do cobre.....49 – Esquema do reator iônico................................... 77 Figura 4.................................Diagrama do comportamento mecânico dos latões.13 ..............120 Figura 12.... 75 Figura 3...............................................121 Figura 12............................... Losekann Direitos autorais reservados Figura 2............................122 Figura 12..........2 ..............4 ..Diagrama de fases da liga binária Al-Si......... a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]........ b) Isopentano...Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni..................................... 74 Figura 3....... ...................... 90 Figura 4...... ..... ...................5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila... 56 Figura 2................

......124 Figura 12...167 Figura 13.......................... Losekann Direitos autorais reservados Figura 12........ .......... . .............................183 Figura 14................. B) região viscosa.................................................................... a) antes do ensaio...20 – SAN.....................174 Figura 13................... .........5 .............129 Figura 12............... ...............................................32 – Efeito decapê......... ........ ............. ..................................Equipamentos de ensaios mecânicos..........10 – Reação do baquelite.............................. b) aspecto da fratura........Material dúctil..................................................128 Figura 12................................................................ ................diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono..........154 Figura 12................................Peça tracionada.................Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro...Polisulfona ...................................................6 ....................................19 – ABS................143 Figura 12................139 Figura 12.................................................12 – Curvas de volume específico em função da temperatura..........................Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro................................ b) Durômetro....4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos...................190 Figura 14.174 Figura 13.........15 – Fórmula geral da poliolefina......... ........................125 Figura 12....................................7 – Representação das cadeias poliméricas..128 Figura 12....................21 – Poliimida. a) diagrama σ x ε...............127 Figura 12................................... .192 Figura 14.......................176 Figura 13................ F) região viscosa com cristalitos.................................................. .........30 – Cortes da madeira.............. ..........22 – Fórmula do teflon... c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas.......UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof...............14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear..... .......Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε......... a) Máquina de ensaio universal.............165 Figura 12................................................. .....27 – Polisopreno.....................................................31 – Efeito pátina................195 VIII 2007 ...........26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros... .............2 .......................8 .....147 Figura 12........................23 – PCTFE...............................162 Figura 12....... b) aspecto da fratura...141 Figura 12...............................................158 Figura 12......147 Figura 12...3 ..............193 Figura 14........5 .........Alongamentos na tração e na compressão.18 – Poliacrilonitrilo.............. Dr..2 – Produção de cerâmica...180 Figura 13................ b) após o ensaio.......129 Figura 12....................................8 – Formas isoméricas......................147 Figura 12.......................................................192 Figura 14............................. ..............13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino...................... . E) região com cristalitos na região vítrea.3 ......1 – Peças de cerâmica..............Curvas de tensões reais e de engenharia....................1 .........155 Figura 12..............................................................190 Figura 14................................140 Figura 12.......................24 ............165 Figura 12...................................... .....Material frágil.195 Figura 14...34 – Efeito estêncil......................................... .............Louça sanitária.................17 – Polimetacrilato de metila........ C e D) região líquida com baixa viscosidade........146 Figura 2...28 – SBR............ ......................................33 – Efeito satinê..................7 ............................188 Figura 14.................................................................................131 Figura 12.............................................................164 Figura 12.................. ..........................................................6 ..................144 Figura 12..........29 – Uso da floresta..........25 – Fenólicos..11 – Reação do agente de esponjamento.............. ...9 .........9 – Cristalinidade em polímeros.......123 Figura 12... ........ a) diagrama σ x ε......169 Figura 13............... ................ A) região vítrea.......Corpo de prova de ensaio de tração....................... b) cadeia com ramificações incompletas........................................................ a) Cadeia linear........153 Figura 12..........4 ....16 – Fórmula policarbonato............192 Figura 14...............141 Figura 12............................................................................ Cláudio R.........................................

..........233 Figura 14..........................................................Determinação do limite de escoamento...........................234 Figura 14...Curvas de energia absorvida de um mesmo material..................22 .....206 Figura 14.........................................18 ..............................................................Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético...............................235 Figura 14......................199 Figura 14...............................................Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária.....Flexão em uma barra de secção retangular......27 .... ..................................224 Figura 14.................. . ...........37 ..........................................Ruptura do corpo de prova fora de centro...... a) normal.219 Figura 14......Método de flexão a três pontos.... ..........Temperatura de transição......... b) Na presença de um campo magnético..Corpos de prova Charpy e Izod.....Micrografia da perlita...210 Figura 14..................25 .......197 Figura 14..223 Figura 14.......210 Figura 14.........205 Figura 14................................................196 Figura 14...............42 .............45 .......200 Figura 14....198 Figura 14.................. ..................................................... ...............................................30 ..206 Figura 14..198 Figura 14...214 Figura 14.15 ............................. Dr......... ...................29 ..................Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação.................34 ..221 Figura 14.............................Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L................Ensaio Charpy e Izod...............213 Figura 14.Ensaios em molas..207 Figura 14..............................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof...... ......236 IX 2007 .....16 .........31 ............Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl.......24 .197 Figura 14....... .......................................39 ................................................... Losekann Direitos autorais reservados Figura 14....................Curva de resistividade elétrica em função da temperatura..... ..........................9 ........... ....200 Figura 14.........13 ...Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético......Ensaio de compressão..................Ruptura do corpo de prova no centro...................38 ...............20 .216 Figura 14.........Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração................198 Figura 14....Máquina de ensaio e registrador............................................. Cláudio R. .............. ...202 Figura 14......43 ........... ......................................................44 .........36 ..19 ......... ......Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético... ...........40 .................................10 ......Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz...17 ............................Elemento da barra submetido à flexão......................................... ..Tipos de fixação............ ...........33 ..35 ....................12 .........................21 ...........................11 ............201 Figura 14........................Preparação de corpo de prova....................32 .14 .........................................................201 Figura 14....... a) Na ausência de um campo magnético..................235 Figura 14........Corpos de prova............Aspectos da fratura ...... .........Método de flexão a quatro pontos......196 Figura 14..Ângulo φ nas impressões Brinell...........................................................Esquema dos momentos magnéticos da ferrita. .................. ................... b) Na presença de um campo magnético..............................Ensaio de compressão em materiais dúcteis.......231 Figura 14..................... b) flambagem.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade......................... a) Na ausência de um campo magnético............................................................232 Figura 14....................... ......Esquema de momentos magnéticos do MnO.218 Figura 14.........23 .............................................28 .221 Figura 14.......Penetradores de Dureza Rockwell..............26 .Máquina de ensaio de impacto......41 ...........Esquema da compressão.........217 Figura 14..207 Figura 14.......

...........Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado....................... Cláudio R.........................................237 Figura 14.245 Figura 15... ..... ......49 ....................... ..............53 ............239 Figura 14..242 Figura 14.....a) Esquema de um experimento de transmissão......47 ......................Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro.....54 ......................... b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs.......240 Figura 14... ............................................................52 ..........................Espectros de radiação eletromagnética...246 X 2007 ....... A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor.............................................243 Figura 14......238 Figura 14....................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof................1 – Símbolo da reciclagem... .239 Figura 14.48 .. Espectro com irradiação do ultravioleta............... .............................Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro.Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo)............... Losekann Direitos autorais reservados Figura 14...46 ................. ..................Esquema dos tipos de corrosão... ............... Dr..........Curvas de transmitância da amostra BLC1................................240 Figura 14..................51 .......................50 .......Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios..

entende-se como metais os elementos químicos que se situam na parte esquerda da Tabela Periódica dos Elementos Químicos construída por Mendeleyev. é quase inteiramente refletido. mas ao grupo todo.CLASSIFICAÇÃO Cada metal se diferencia de outro pela sua estrutura e propriedades. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. o elemento químico selênio (Se) possui brilho e não é metal. Na prática. Os metais escuros. tornando-o opaco. Esta característica também pode ser afetada por impurezas ou inclusões por outros elementos químicos. O tipo de ligação característica entre os elementos metálicos é a ligação metálica. Dr. A condutibilidade elétrica e térmica são duas características dos metais que estão relacionadas com a configuração eletrônica dos mesmos. com mobilidade livre do elétron. com grau menor para o ouro. entende-se por metais. toda substância que possui brilho. e a platina.2. excitado pelo impacto de uma radiação. mas existem certos indícios pelas quais podem ser agrupados. cujas propriedades se aproximam daqueles. densidade elevada (menos os alcalinos). uma das características principais dos metais. cai em um nível mais baixo de energia. Metais refratários: apresentam temperatura de fusão superior a do ferro (1. Em primeiro lugar.METAIS ESCUROS Apresentam cor cinza escuro. por exemplo. possuem polimorfismo. 1. Deste modo. todos os metais podem dividir-se em dois grandes grupos: metais escuros e metais claros. o níquel e o manganês se empregam com freqüência como elementos de adição às ligas de ferro para alterar as propriedades mecânicas da liga. Cláudio R. 1 . A característica deles é de possuir poucos elétrons na última camada. entretanto. em muitos casos. por sua vez. dureza elevada e. Outra característica que os metais possuem é a ductibilidade. como nos aços.2 . caracterizando a boa condutibilidade elétrica. 1. dando lugar ao brilho metálico. quando o elétron. 2. Losekann Direitos autorais reservados 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS 1. O cobalto. A maioria dos metais se oxida com facilidade diminuindo o seu brilho. Estas propriedades dos metais de opacidade ótica e refletividade atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem re-emitir.1 .539 ºC). a prata.INTRODUÇÃO Conforme a química.1 . Metais férricos: ferro. elevada temperatura de fusão. dividem-se em: 1. cobalto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O metal mais característico deste grupo é o ferro. onde os elétrons da última camada não pertencem ao átomo. níquel (chamados ferromagnéticos) e o manganês. camada de valência. Também empregados como elemento de adição às ligas de ferro.

hólmio. o netúnio. por sua vez. porém suas propriedades físicas são muito distintas. Metais urânicos: (actinídeos) Os elementos que constituem um grupo com propriedades semelhantes. Estes metais possuem propriedades químicas muito parecidas. o amerício. samário. itérbio. pouca dureza. o berquélio. 2 . promécio. disprósio. de propriedades metálicas muito parecidas. lutécio. cádmio. érbio. o protactínio. 4. térbio e túlio. prasiodímio. Possuem grande ductibilidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. temperatura de fusão relativamente baixa e neles é característico a ausência de polimorfismo. 2. Metais alcalinos-térreos: No estado livre são pouco utilizados.2 . gadolínio. com exceção de alguns casos especiais. o cúrio. magnésio e alumínio. Metais facilmente fusíveis: Zinco. Os metais mais característicos deste grupo são o ouro. 1. mercúrio. o urânio. rutênio. Metais lantanídeos: (terras-raras) Grupo de elementos. Possuem grande a resistência a oxidação. o plutônio. dividem-se em: 1. 5. lantânio. chumbo. de número atômico entre 57 e 71. o einstéinio. Metais nobres: Ouro. Os metais claros. európio. o califórnio. ósmio. bismuto. neodímio. 3. o cobre e a prata. vermelha ou branca. irídio. prata e metais do grupo da platina (platina. Cláudio R. o tório. Losekann Direitos autorais reservados 3. São utilizados como fonte de energia nuclear. paládio. Metais ligeiros: Berílio. e que compreende: cério.2. tálio.METAIS CLAROS Apresentam coloração amarela. antimônio e os elementos com propriedades metálicas debilitadas como o gálio e germânio. O cobre é considerado como seminobre. cuja densidade é baixa. Dr. o férmio e o mendelévio. que inclui o actínio. estanho.

óxido ..C.MINÉRIO DE FERRO O ferro não se encontra puro na natureza. Cláudio R. • Figura 2.Fe2O3 . Os gregos.de 45 a 70% de ferro – cor cinza a vermelho fosco . se fazia experiência com esse metal em um lugar chamado Anatolia na Rússia. Também há 7 mil anos a.de 45 a 72% de ferro – cor cinza escuro.AÇOS E FERROS FUNDIDOS 2. é muito antiga. 500 anos a. 3 .C. Os minerais que contêm ferro em quantidade apreciável são óxidos.C.Cu2SFe2S3 (sulfeto férrico) – baixo teor de ferro. • Limonita . partindo do minério de ferro. Os minérios de ferro mais importantes sob o ponto de vista da siderurgia são: • Hematita .INTRODUÇÃO O ferro se conhece há tempos remotos.óxido . há 7 mil anos a. A fabricação do ferro fundido. • Pirita . mas sim combinado (ganga) com outros elementos químicos formando os denominados minérios. • Magnetita .. silicatos e os sulfetos. Na Ìndia encontrou-se uma coluna de ferro que media 7 m de altura e 40 cm de diâmetro com peso de 6 toneladas.FeCO3 (carbonato férrico) .sulfeto .2Fe2O33H2O de 40 a 62% de ferro – cor amarela para marrom escuro. Dr. Losekann Direitos autorais reservados 2 . provavelmente construída em 912 anos a. Na natureza.1 .carbonato . já tinham ferro temperado e crê-se que a obtenção foi por uma maneira casual.óxido – Fe3O4 . 2. carbonatos. encontra-se em torno de 50 minerais que contém ferro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 . Quando se pode extrair economicamente um elemento químico de um mineral.1 – Minério de ferro. o mesmo passa a ser denominado de minério. No Egito.abundante no Brasil. • Siderita . encontrou-se amuletos de ferro que provavelmente provinham de minérios beneficiados.C.de 30 a 48% de ferro – cor cinza esverdeado.

Cláudio R. Quando quebrados em pedaços menores são chamados de sinter de ferro. Gera 5 a 10% de finos de retorno do altoforno. após a extração da jazida. peneiramento. Elevada resistência mecânica e baixa degradação no transporte.2 – Campo de mineração. moagem. Redutibilidade alta.5 mm. • Pelotização – Um tambor giratório que contém um disco inclinado e em rotação é alimentado com finos de minério e aglomerantes. Figura 2. mistura. Aproveitamento dos finos de mineração de 0. carvão moído. que está a uma temperatura em torno de 1. unem-se e acabam formando um bloco poroso. A aglomeração visa o aproveitamento dos finos de minério. recebendo jatos de água que unem as partículas molhadas para formar um aglomerado na forma de bolas (pelotas). Pelotas .64 a 67% de ferro. melhorar a permeabilidade da carga do alto-forno. Resistência mecânica média e possível degradação no transporte. Dr. Tamanho de 5 a 50 mm de formato irregular.3 – Sínter. Losekann Direitos autorais reservados O minério de ferro é submetido a beneficiamento. Figura 2. Figura 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. como britagem.4 – Pelotas. aglomeração. reduzindo-se o consumo de carvão. concentração. calcário e água são misturados e aglomerados e depois são colocados sobre uma grelha em um equipamento especial. classificação. Tamanho de 10 a 12 mm de formato esférico.15 mm até 8 mm. Aproveitamento dos finos de mineração abaixo de 0. Redutibilidade alta. Os principais processo de aglomeração do minério de ferro são: • Sinterização – Neste processo o minério de ferro. Gera 7 a 10% de finos de retorno no transporte da sinterização ao alto-forno.51 a 61% de ferro. Sinter . 4 .300 oC.000 a 1. Após esta etapa as pelotas são aquecidas para secagem e endurecimento.

2% de S. Todas as suas partes internas.600 ºC na presença de uma substância redutora (coque) em um equipamento denominado de alto-forno. O cadinho é o lugar onde o ferro gusa líquido é depositado. e até 0.000 ºC em câmaras ausentes de oxigênio. como principal elemento de liga. como combustível. e a cuba (seção superior).5% de Si. A escória que se forma durante o processo.5% a 2. como corretivo de solo.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA É o processo de obtenção do ferro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. b) como fornecedor de carbono para a redução do óxido de ferro e c) como fornecedor de carbono. com eliminação dos produtos voláteis do carvão mineral) com possibilidade do carvão vegetal. que posteriormente é utilizado na fabricação do aço ou ferro fundido.6 – Alto-forno. Três zonas fundamentais caracterizam o alto-forno: o cadinho. Os refratários são materiais resistentes a altas temperaturas. flutua sobre o ferro que é mais pesado. 0. o coque (carvão mineral tratado em temperaturas de mais ou menos 1.5% de P. 2. sujeitas a altas temperaturas. são revestidas com tijolos refratários. O ferro gusa é uma liga metálica de Fe. na fabricação de cimento. obtendo-se no final um produto da fusão denominado de ferro gusa. Dr. S. 5 . Losekann Direitos autorais reservados Nos processos de redução do minério de ferro em ferro gusa. Si. 0. na fabricação de tijolos refratários e em isolamento térmico e acústico. onde apresenta a seguinte composição média 3% a 8% de C. utilizados nos revestimentos dos fornos e panelas de vazamento. a rampa. O alto-forno é construído de tijolos e envolvido por uma carcaça protetora de aço. Mn. onde o minério a ser reduzido. O processo consiste em aquecer o minério de ferro em temperaturas acima de 1. Escória é um produto resultante da ação do fundente sobre a ganga (do minério) e do combustível. C. Figura 2.5 – Vista parcial de um alto-forno. P. Cláudio R.5% a 4. A ação do carvão se faz sentir de três maneiras: a) como fornecedor de calor para a fusão do minério. A escória pode ser utilizada como base para estradas de ferro. Figura 2. usa-se. atinge seu ponto de fusão.

a carga vai descendo para ocupar os espaços vazios. Estas são as reações químicas provocadas pelas altas temperaturas obtidas dentro do forno que trabalham com o princípio da contra-corrente. carbono) com o oxigênio do ar quente (em torno de 1. A redução dos óxidos de ferro acontece à medida que o minério. • Certos elementos da ganga são parcialmente reduzidos. em relação aos gases. • O ferro sofre carbonetação (o carbono proveniente do combustível é incorporado ao ferro líquido). se utiliza fundentes neutro. o fundente deve ser básico. ou seja.000 ºC) soprado pelas ventaneiras. entre o cadinho e a rampa ficam as ventaneiras. algumas impurezas são incorporadas ao ferro gusa. Dr. e que escapam da zona de combustão. e se a carga for ácida. ou seja. Esse movimento de descida vai se espalhando lateralmente pela carga. geram dois produtos líquidos: a escória e o 6 . As reações de redução. Esses são os resultados da queima do coque (basicamente. principalmente para cima. até atingir toda a largura da cuba. Cláudio R. no alto-forno ocorre o seguinte: • Os óxidos de ferro sofrem redução. • O gusa se funde (o ferro de primeira fusão se derrete). que são furos distribuídos uniformemente por onde o ar pré-aquecido é soprado sob pressão. a carga sólida desce. carbonetação e fusão. Isso quer dizer que enquanto o gás redutor sobe. o oxigênio é eliminado do minério de ferro. Losekann Direitos autorais reservados Na rampa acontece a combustão e a fusão. o fundente deve ser ácido. que foi descrito anteriormente.7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa. Figura 2. Conforme o coque vai se queimando. e queimam os pedaços de coque que estão na abóbada (ou parte superior) da zona de combustão. • A ganga se funde (as impurezas reagem com o fundente formando escória e metal fundido).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o agente redutor (coque ou carvão vegetal) e os fundentes (calcário ou fluorita) descem em contra-corrente. Para facilitar esses processos. Para o caso de não se querer alterar a natureza da carga. Se a carga for básica. Em resumo.

O alto forno possui ainda alguns equipamentos auxiliares como: • Coletor de poeiras. Figura 2. Na redução do ferro gusa em aço. S e Mn. para transformá-lo em aço. – onde os substâncias sólidas contendo Processo Pneumático Bessemer O equipamento usado no processo de Bessemer não possui fonte de calor próprio. • Instrumentos de controle e medição. Cláudio R. • Processos pneumáticos . 2. que é uma liga de mais baixo teor destes últimos elementos químicos. de natureza gasosa. Dúplex etc.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. oxidantes são Elétrico. Siemens–Martin. é necessário um processo de oxigenação desta liga para reduzir a percentagem destes elementos até os valores desejados. Assim. Losekann Direitos autorais reservados ferro gusa. formado de chapas de aço e revestimento interno de material refratário ácido (silício – alumínio). Figura 2. e por isso não é denominado forno e sim conversor. tipo pêra. • Regeneradores de calor ou estufas.9 – Aspecto construtivo de um conversor. os processos para produção do aço podem ser classificados de acordo com agente redutor utilizado. P.AÇO Sendo o ferro gusa uma liga de Fe. 7 . como o ar ou oxigênio. Si. C. ou de natureza sólida como minério na forma de óxidos. pelos gases que estão subindo e escorrem para o cadinho. utiliza-se agentes oxidantes. • Lavadores de gás.onde o agente oxidante é o ar ou oxigênio • Processo agentes oxigênio. que são empurrados para os lados. Dr. O conversor Bessemer consta de um recipiente. de onde saem pelo furo de corrida (gusa) e pelo furo da escória.4 .8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa).

silício . através dos orifícios existentes na parte inferior do conversor. que passam a escória). impedindo que as reações exotérmicas permitem a passagem do fósforo para as escórias. manganês . manganês e a maior parte do carbono durante o tempo de 15 minutos aproximadamente. Figura 2. A transformação do ferro gusa em aço é conseguida pelo insuflamento de ar. fósforo e enxofre o mínimo possível. principalmente o alumínio. O conversor Thomas é revestido internamente com material refratário básico derivado da dolomita (óxido de cálcio e manganês).1%. elimina o carbono (em CO e CO2. arames e perfilados. este não pode ser tratado no conversor Bessemer porque o revestimento dele é ácido (carbono (4%).05 a 0. transformando-se em escória.5%.4%. usado na fabricação de chapas. combinam-se facilmente com o oxigênio. O ar atravessa o ferro gusa líquido e o oxigênio presente vai reagindo com o silício. A fim de eliminar o óxido de ferro e controlar o teor do carbono. a fim de colocálo na posição horizontal para receber ou retirar a carga.5%). silício (1. isto é. através do metal líquido. Sendo o ponto de fusão do aço maior que do ferro gusa. Quando o ferro gusa é rico em fósforo. Cláudio R.1. aumentar a temperatura do banho líquido. Dr. formando uma chama larga). de ferro gusa líquido procedente do alto-forno cuja composição média é a seguinte: carbono . pouco a pouco e com pressão moderada. Processo Pneumático Thomas . Neste processo. ao tempo que se situa o conversor na posição vertical. A capacidade de carga do conversor Bessemer varia de 25 a 40 toneladas. 8 .10 – Operação de um conversor. Durante o processo forma-se óxido de ferro que deixa o aço frágil e quebradiço. aumentando a temperatura do banho. Quando a chama da boca do conversor está a ponto de se apagar. cabem as reações exotérmicas do oxigênio com o silício e carbono. fósforo e enxofre o mínimo possível. O aço produzido em conversor Thomas é mais mole do que do Bessemer.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o silício e o manganês (em silicatos. Estes elementos. o fósforo também reage exotermicamente com o oxigênio. gira em torno de um eixo. A escória obtida com o processo Thomas é um fosfato de cálcio (combinação do fósforo do metal com o cálcio da cal adicionado) e pode ser emprega como fertilizante na agricultura. o aço contém aproximadamente 0. É realizado o vazamento inclinando o conversor e tendo cuidado de que não deslizem as escórias com o aço líquido. adiciona-se quantidade de ferro-silício ou ferromanganês ou pequenas quantidades de alumínio.O processo Thomas difere um pouco do processo Bessemer. Para evitar a oxidação excessiva do aço.1% de carbono e porcentagens mais baixas de Mg e Si. Até mesmo carvão para recarburar o aço. Losekann Direitos autorais reservados O conversor é basculante. O borbulhamento do ar. usa-se certa quantidade de cal. manganês (1%).

5% .4%C) + (1.No processo Siemens-Martin pode-se alcançar temperaturas de até 2. é de qualidade superior ao Bessemer. para o tratamento da carga silicosa.750 kcal/kg de silício C + O = CO + 2. A operação dura somente de 10 a 20 minutos. dando entrada no forno em altas temperaturas.D. O consumo de oxigênio é em torno de 50 m3 por tonelada de ferro gusa líquido. • Os ferros fundidos aptos para o conversor podem ser: Ferro fundido saído do cubilô: Ctot = (3% .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A capacidade dos conversores modernos é de mais ou menos100 toneladas. O carbono. Segundo a composição da carga (como acontece no processo Bessemer e Thomas).757 kcal/kg de manganês.950.2%Si) + (0. A capacidade do forno varia de 50 a 300 toneladas. Ao invés de usar o oxigênio do ar (que em cada 100 m3 aproveita apenas 21 m3 de oxigênio) usa oxigênio puro com 99 à 99. torna-o dispendioso e de baixa aplicação na siderurgia. quando a carga é fosforosa. respectivamente. o silício e o carbono são os que liberam maior quantidade de calor.5% . previamente aquecidos. O oxigênio é previamente aquecido e injetado na massa líquida pela parte superior do conversor. Thomas e SiemensMartins.D. porém o alto custo de operação e instalação. e de dois pares de câmaras recuperadoras.5%Si) + (0. como também eleva a temperatura de 300 a 400 ºC. .2%Mn) + P e S o mínimo possível. Dr. As reações exotérmicas produzidas alcançam temperatura de 2. como elementos desoxidantes. Dos três elementos citados.000 ºC.6% .3 m a 1 m do fundo. O processo de obtenção do aço pode levar de 4 a 5 horas. ferro-manganês ou cal. os fornos Siemens-Martin são construídos com revestimento ácido.2%C) + (1% .407 kcal/kg de carbono Mn + O = MnO + 1. O forno é constituído de uma mufla de tijolos refratários para receber a carga que pode ser sólida ou líquida.Este processo introduzido pelos austríacos Linz e Donavitz em 1. também de tijolos refratários. • Ferro fundido saído do alto forno: Ctot = (3. O aço L. com efeito: Si + O2 = SiO2 + 6. Os produtos da reação do silício e do manganês formam a escória e. Adiciona-se ferro-silício. e revestimento básico. lança de oxigênio que fica a uma distância de 0.1%Mn) + P e S o mínimo possível. o silício.400 ºC e o tempo total da operação é de 35 a 40 minutos. Cláudio R. dependendo da natureza da carga e do refratário. Processo Siemens-Martin . usando gás combustível e ar. é uma variante do processo Bessemer.5% .5% de pureza.1. e o manganês contidos no ferro fundido reagem ao entrar em contato com o oxigênio do ar: o calor gerado por esta reação não somente mantém líquida a massa. Losekann Direitos autorais reservados Processo Pneumático L. O forno funciona pelo sistema de regeneração de calor dos gases quentes que saem do forno que vão aquecendo o gás e o ar.4. os do carbono formam os gases (CO) 9 .

Em 1. J. • • • • • • • • Em 1. pesquisadores como A. J. e marca as posições dos pontos críticos Ar1. Cementita e Perlita. Estuda também os tratamentos térmicos.11 – Estrutura cristalina da cementita.900. sugeridas por Howe e acrescentou os de Austenita e Martensita. utilizando os resultados de análises térmicas feitas por Robert Austen. F. Abel.1 .890. Dr. Rozeboon. F.DEFINIÇÃO Após a redução do carbono do ferro gusa líquido nos conversores. C. é que pode se dizer da ocorrência da fabricação dos aços. laminados. Em 1. Ac1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Ac3 e as suas relações com o ferro α. Cláudio R. Osmond e outros deram. F. Sorby. 2. Ac2.900. A. A capacidade dos conversores varia de 1 a 50 toneladas.4. com o emprego do microscópio. Gibbs. Em 1. Em 1. D. K Chernov. Brinell verificou que propriedades mecânicas diferentes em aços que foram forjados. Ar2. C. Em 1.876. D. β e γ.883. F. por A.885.863 nasceu a metalografia. na observação da superfície metálica polida. Osmond consagrou os nomes dos constituintes Ferrita. F. 10 . K Chernov apresentou o resultado dos seus estudos sobre cristalização e macroestruturas dos lingotes de aço vazado. A. F. com suas descobertas.903. Gibbs anunciou a lei das fases que teve grande interesse no estabelecimento dos diagramas de equilíbrio dos sistemas de ligas. Sorby. e baseando-se nas leis de Gibbs. Em 1. Neste mesmo período. traça o diagrama da liga de Fe-C contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da indústria siderurgica. estirados e dos que sofreram tratamentos térmicos e passa a ser registrado fotograficamente as observações microscópicas. Desta forma. este material dúctil e maleável fez com que vários pesquisadores da época se interessassem em investigar a estrutura e comportamento mecânico. Brinell. aproximadamente. corresponde a fórmula Fe3C e conclui que nem todo o carbono existente no aço pode ser isolado. Sugere as transformações alotrópicas do ferro e a existência do ferro γ. Em 1. carboneto de ferro. Figura 2.850 a 1. Abel determinou que o composto isolado por KARSTEN. Osmond publica “Théorie céllulaires des propriétes de l' acier”. Losekann Direitos autorais reservados monóxido de carbono (venenoso) que escapa da boca do conversor. Osmond estudou o comportamento do ferro em temperaturas elevadas utilizando par termoelétrico Pt/Pt-Rh. Devido ao grande interesse comercial.880. Ar3. o que hoje é definido como aço. entre os anos de 1.

P.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono. Dr. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício. outros elementos adicionados para melhoria de suas propriedades (Cr.008%. P. Losekann Direitos autorais reservados Em função do diagrama de equilíbrio traçado por Rozeboon.148 2.C ternária composta basicamente de três FERROS FUNDIDOS AÇOS elementos: ferro. a temperatura ambiente e. W). carbono (2 a 4. a temperatura de máxima solubilidade (1.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos 1538 1500 químicos residuais Au ste Líquido oriundos de sua 1394 nita Liq ( F u fabricação (Mn. Na 912 prática.77% 727 C (Feα ) carbono e principalmente com 500 teores próximo de 4. Si. a temperatura ambiente e.008 ºC). 11 . Do diagrama de equilíbrio do Fe-C. como teor máximo de carbono. a temperatura ambiente. Entretanto. V. S) idu So eγ ) s Líquido + Fe3C +l lid íqu ou quando ligados us ido com elementos Austenita (Feγ ) 4.7%. pode-se definir também o denominado ferro fundido que é uma liga binária de ferro-carbono. Cláudio R.5% de 0.11 0. %C TEMPERATURA ( oC ) Figura 2. denominando-se assim como uma liga DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe . além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn.3% 1148 oC adicionados para melhoria de suas 1000 propriedades.148 ºC). tendo como teor mínimo de carbono o valor de 2. o valor de 6. às vezes.1%.7 solidificação (1. como teor máximo de carbono. o valor de 2.1%. O aço pode ser definido como uma liga binária de ferro-carbono. S) e.3% de carbono (Feα ) + Fe3C visto que o eutético (Feα ) + Fe3C + (Grafite) produzido por esta concentração de carbono reduz a 0 temperatura de 0 1 2 3 4 5 6 6. o ferro Austenita (Feγ ) + Fe3C fundido contém de o 2% a 4. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 0.

5 3. hiper-eutetóide .AÇOS • hipo-eutetóide . A região circulada mostra a área de interesse de conformação mecânica a quente dos aços comuns no comércio.aço. Figura 2.77%.0 1. não deve ser usado para tratamentos térmicos comerciais. denotando mudança de fase.com carbono superior a 0. Dr. observa-se que há pontos de parada (temperatura constante). mostra de forma ampliada o diagrama de equilíbrio do aço. Vê-se.77%. A importância deste fato é que.11% 1400 eutetóide .0 2. nas paradas. Além disso. que os aços podem ser divididos em três grupos: DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe-C . a pressão é uma atmosfera. A figura. enquanto a forma CCC pode dissolver carbono até um máximo de 0. Pelo gráfico esquemático abaixo. Pode-se observar que. (Ar1.77%.77% o TEMPERATURA Feγ + Fe3C A1 A1 727 C 600 0. Cláudio R. a forma CFC pode dissolver até 2. 12 . que segue. Figura 2. Ar2 e Ar3 – transformações no resfriamento) observa-se contrações que são devidas também às mudanças de fase. Assim sendo. é interessante salientar que este diagrama é teórico.com carbono igual a 0. no resfriamento.008%.5 1. Líquido + austenita 1200 Austenita 1000 912 800 A3 Feα +Feγ ( oC ) • Feγ Acm 0. Losekann Direitos autorais reservados O ferro.14 – Diagrama de equilíbrio .0 0. Entretanto. e no caso.0218% 400 200 0 0. tem estrutura cristalina.5 2.com carbono 1600 Líquido Liquidu s até 0. pelo diagrama de equilíbrio do FeC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. visto que a maioria das reações metalúrgicas ocorre sempre à pressão constante. pois parte do princípio que a velocidade de resfriamento é infinitamente lenta e que não há outros elementos de liga que possam influenciar nas curvas de resfriamento.0 %C Como observação. há expansão de volume. pode apresentar-se em duas formas cristalinas diferentes: cúbica de corpo centrado e cúbica face centrada. • 2. como todos os metais no estado sólido.1 % de carbono. Não é considerada a variável pressão.13 – Curva de resfriamento do ferro.

troostita. Tem dureza de 90HB aproximadamente. Dr. cujas características serão visto a seguir: Ferrita . A ferrita é um dos constituintes mais moles e dúcteis dos aços. portanto 6.16 – cementitas. Cristaliza-se sob forma ortorrômbica. É um dos constituintes mais duros e frágeis dos aços. como sendo ferro puro. a partir da qual perde o magnetismo.110 °C. A máxima solubilidade de carbono no ferro alfa é 0. Cláudio R. martensita. austenita. São denominados: ferrita. Losekann Direitos autorais reservados 2. Sua solubilidade na temperatura ambiente é tão pequena que dissolve apenas 0. sorbita. resistência a ruptura de 28 kgf/mm² (Lr ≈ 280 MPa).CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO As ligas Fe-C são formadas por grupos de cristais que recebem o nome de constituintes. Por isso. É magnética até a temperatura de 2. esteadita e grafita. resistência a ruptura de 80 kgf/mm2 (Lr ≈ 800 MPa) e alongamento de 15%. e contém.67%C e 93.5% de cementita. podem ser denominados em constituintes primários (por resfriamento lento) ou secundários (por tratamento térmico) e também de acordo com as proporções dos componentes das ligas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Tem semelhança com madre-pérola A perlita tem uma dureza de aproximadamente de 200HB.4. ledeburita.2 . bainita. perlita. cementita. e dependendo da forma de resfriamento da liga.008% de carbono. alcançando dureza de 700HB ou 68HRC. Figura 2.33% de ferro. 13 .15 – Ferritas. Cementita – É o carboneto de ferro de fórmula Fe3C. A estrutura lamelar se observa na perlita quando ocorre resfriamento lento. praticamente se considera a ferrita. Cada grão de perlita está formado por lâminas ou placas alternadas de cementita e ferrita. Perlita – É um constituinte composto por 88% de ferrita e 11.A ferrita é uma solução sólida de carbono em ferro alfa (Fe α). é magnética até 770°C. alongamento de 35 a 40%.0218% de carbono a 727 ºC. Cristaliza-se sob a forma cúbica de corpo centrado (CCC). Figura 2.

Figura 2. A austenita nos aços carbono. É um dos constituintes mais elásticos dos aços. É obtida por resfriamento muito rápido dos aços.11%. a baixa temperatura. onde os átomos de carbono estão inseridos principalmente nas faces das células unitárias. resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1. Dr.18 – Austenita. Se o resfriamento é mais brusco. visto que o resfriamento rápido mantém os átomos de carbono que estavam dissolvidos na estrutura cúbica de face centrada da austenita.11% a máxima solubilidade a temperatura de 1. A) Perlita normal. B) Perlita sorbítica. uma vez elevando-se à temperatura suficiente para conseguir uma constituição austenítica.17 – Perlitas.000 MPa) e alongamento de 30% e não é magnética. o cromo-níquel. Se a perlita lamelar permanecer durante algum tempo a uma temperatura um pouco inferior a critica (727 °C) a cementita toma a forma de glóbulos incrustrados à massa da ferrita. Losekann Direitos autorais reservados a) b) Figura 2. recebendo assim. A austenita tem dureza de aproximadamente 300HB. Austenita . Martensita . encontra-se toda a massa transformada em cristais de austenita. a denominação de perlita globular ou esferoidizada.É uma solução sólida de carbono em ferro gama (Fe γ). A quantidade de carbono dissolvido na estrutura cristalina. sendo esta austenita não estável e com o tempo poderá transformar-se em ferrita e perlita ou perlita e cementita. em aços com elevado teor de níquel. sendo denominadas de austenita retida ou residual.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.148 °C. 14 . começa a se formar em temperaturas de 727 °C (linha A1 ponto crítico inferior). mantendo-se na estrutura cúbica de corpo centrado do ferro alfa. sendo a concentração de carbono de 2. Elas se apresentam em aços ligas especiais como. A martensita se apresenta sob a forma agulhas devido a grande deformação da rede cristalina. A austenita é formada por cristais cúbicos de face centrada (CFC). Há outros autores que consideram essa estrutura como sorbita.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). se os mesmos não contem elementos de liga. a estrutura é mais borrosa e é denominada então de perlita sorbítica. por exemplo. varia entre 0 e 2. e a partir da temperatura crítica superior (linha A3 ou Acm). Pode-se obter estruturas austeníticas nos aços na temperatura ambiente.

entre as temperaturas de 250 e 500 °C. em conseqüência. As duas bainitas são constituídas por placas de carbono sobre uma matriz ferrítica. da mesma maneira que os metais deformados a frio.500 MPa). é obtida entre a temperaturas de 300 e 500 °C e a bainita inferior de aspecto acicular. durante um tempo suficiente para que toda massa se transforme. resistência mecânica de 175 a 250 kgf/mm2 (1. A bainita superior. a bainita. Losekann Direitos autorais reservados Antigamente acreditava-se que a martensita originava uma estrutura tetragonal em virtude da grande dureza. com o aumento de carbono.5 a 2. onde a tensão entre os grãos aumenta.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). Bainita . um processo de transformação interrompida da perlita. resistência mecânica e fragilidade.3%. é um constituinte secundário da liga Fe-C que sofreu tratamento térmico com resfriamento rápido. de aspecto arborescente. entretanto esta e evidenciada pelo início da transformação das lamelas de cementita.19 – Martensita. Pode-se obter dois tipos de bainita.5% e é magnética. Figura 2. Possui excelentes propriedades mecânicas e não necessita de operações de revenido após ter sido obtida. Sua dureza varia de 50 a 68 HRC. alongamento de 0.20 – Bainita inferior. sendo que varia até o máximo de 0. é obtida entre temperaturas de 250 e 400 °C. a dureza aumenta. aumentando sua dureza. A dureza da martensita pode atribuir-se à tensão produzida entre os cristais deformados. dependendo da temperatura em que o material foi tratado. similar a martensita. Em outras palavras. Apresenta durezas intermediárias da perlita fina com a martensita. É obtida também por resfriamento rápido dos aços com concentração de carbono acima de 0. tanto quanto a martensita. O processo de obtenção de bainita é similar ao da martensita. assemelhando-se a estrutura do diamante. Dr.750 a 2. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ou seja. A bainita é obtida por transformação isotérmica da austenita. Figura 2. A percentagem de carbono da martensita não é constante. Tal operação recebe de peças de pequenas dimensões. 15 .8%C.

148 °C. A dureza da sorbita é de aproximadamente 350 HB e resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1.A sorbita é obtida por transformação isotérmica da austenita. Sorbita . A trostita também é obtida através do resfriamento com a velocidade inferior a crítica (velocidade crítica de resfriamento é a mínima velocidade para que toda a austenita se transforme em martensita).23 – Ledebuirta.3%.5%. Figura 2. resistência mecânica de 250 kgf/mm2 (2. porem mais finas. É formada por 52% de cementita e 48% de austenita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mas sim dos ferros fundidos. ainda mais finas que as da trostita. decompondo-se em ferrita e cementita. Figura 2.21 – Trostita.A ledeburita não é um constituinte dos aços.3% C desde temperatura de 1.500 MPa) e alongamento de 7. Também é obtida. entre as temperaturas de 600 e 650 °C e mantendo esta temperatura constante durante um tempo suficiente para toda massa se transforme. Ledeburita . A ledeburita é obtida resfriando-se a liga líquida de 4. É encontrada nas ligas Fe-C com teores de carbono superior a 2.000 MPa) e alongamento de 15%. A quantidade total de carbono da ledeburita é de 4.22 – Sorbita. É um constituinte eutético e empregada para designar uma mistura de componentes que passam sem decomposição nem segregação do estado sólido para o líquido. parecidas com as da perlita. Figura 2. nos quais a velocidade de resfriamento suficientemente rápida não dá tempo para a formação da trostita. A sorbita se apresenta sob a forma de lâminas.11%. quando resfriamos a austenita a uma velocidade bem inferior a velocidade crítica de resfriamento. Dr. 16 . e também parecidas com as da perlita. Por essa razão aparece nos aços forjados e laminados. Cláudio R. sendo estável até 727 °C. Losekann Direitos autorais reservados Trostita . A dureza da troostita é de aproximadamente 450HB.A trostita se obtém por transformação isotérmica da austenita entre as temperaturas de 500 e 600 °C. A trostita se apresenta em forma de módulos de lâminas radiais de cementita sobre a ferrita.

Somente perlitas. Em condições de resfriamento lento.25 g/cm3. um ferro fundido que contém 0. Figura 2. 17 .25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide. Por exemplo.24 – Esteadita. Dr. terá aproximadamente 15% de esteadita. as seguintes estruturas são formadas no aço: a) No aço hipo-eutetóide abaixo de 727 ºC. Figura 2. Figura 2. Grafita . Ferritas (claras). Como a esteadita se compõem de uns 10% de fósforo aproximadamente. elasticidade e plasticidade.26 – Microestrutura de aço eutetóide. Possui cor marrom escuro e peso específico 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. diminuindo a quantidade de ferrita. Confere a liga ferrosa baixo valor de dureza. b) No aço eutetóide.15% de fósforo. • Perlita. Apresenta-se em forma de lâminas nos ferros fundidos cinzentos e em forma de esferoidal em alguns ferros fundidos especiais. Com concentração de 0. funde a 960 °C. e aparece nos ferros fundidos com mais de 0.É um constituinte de natureza eutética. e quase todo fósforo da liga se encontra neste constituinte. resistência mecânica. pode-se calcular a percentagem de esteadita que contém o ferro fundido por sua quantidade de fósforo. É muito dura e frágil.77% de carbono encontram-se na matriz do aço somente grãos de perlitas. Cláudio R.15% de fósforo. No entanto melhora a resistência ao desgaste (serve como lubrificante seco) e a corrosão. As quantidades de perlitas aumentam com o aumento do teor de carbono. Losekann Direitos autorais reservados Esteadita . perlitas (escuras).A grafita é um dos três estados alotrópicos em que encontramos carbono livre na natureza. • Ferrita + Perlita.

2315 AISI . no contorno de grão. de acordo com a norma NB-82. a cementita. adotadas hoje por muitos países. Perlitas e cementitas. caracterizando fragilidade intergranular. Losekann Direitos autorais reservados c) No aço hiper-eutetóide até 2% de C. denominada “classificação SAE”.AISI A classificação. é evidente que nunca há velocidade infinitamente lenta.SAE .2315 ABNT . ar.941 estas normas foram encampadas pela “AISI”. que estaremos praticamente nos referindo a um mesmo critério de tipos e valores.CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS . A base deste sistema é. Por outro lado.2315 18 . a classificação básica inicial SAE e partindo desta foram feitas modificações necessárias e ampliações. o da classificação em relação a sua composição química. podemos falar em classificação SAE ou AISI ou também SAE-AISI. sendo suas normas de classificação dos aços ou das bases de seu sistema. praticamente. Assim sendo. em princípio. São perfeitamente equivalentes. foi organizada. Desta forma. martensita. No Brasil também foi.27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide. Nos aços com teores acima de 0. forno. Nas condições normais. adotada a classificação SAE. No caso de resfriamento convencional.3 . os elementos de liga influem na morfologia do diagrama de equilíbrio.conhecida pela sigla “SAE ”. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.77% de carbono se encontram grãos perlíticos e.912 nos Estados Unidos da América do Norte. apresentada e normalizada em 1. bainita superior e inferior. há a formação de outros constituintes. ou seja. a classificação tem como critério básico a composição química de aço.4. • Perlita + Cementita. Assim. entidade norteamericana que congrega e normaliza toda a indústria de ferro e aço naquele país. tem-se como exemplo: Aço-Níquel: SAE . da Associação Brasileira de Normas Técnicas. tornou-se conhecida mundialmente.ABNT . Figura 2. Dr. sigla da “American Iron and Steel Institute” (Instituto Americano de Ferro e Aço). pela famosa “Society of Automotive Engineers” (Sociedade dos Engenheiros Automobilistas) . permanecendo o princípio adotado anteriormente. o que faz a AISI não foi nada mais do que adotar em princípio. 2. cuja sigla é ABNT. óleo e água. como perlita fina. por exemplo. Em 1.

XX . • Prefixo T é empregado para indicar a maior proporção de Mn.AISI tornando possível especificar. ABNT 4524 AF – aço fundido com tensão de ruptura de 45 kgf/mm2 e alongamento de 24%. Losekann Direitos autorais reservados • Sistema básico de classificação Um sistema codificado é usado para designação dos aços laminados na classificação SAE .1o algarismo: indica o “tipo” de aço. Tem-se então: UMA sigla e QUATRO algarismos ⇒ SAE XXXX SAE : “Sigla” da Instituição Normalizadora X . o tipo de aço usado. antes dos 4 algarismos. • A letra L intercalada entre o 2º e o 3º algarismo indica a presença de chumbo (lead). • A letra D precedendo os algarismos indica aços com composição química exatamente igual a estabelecida pelas norma DIN (Deutsche Industrie Norm). Em alguns casos. O propósito desta publicação é exatamente de estudar o sistema de classificação destes tipos de aços. permitindo descrever. O código básico de representação dos tipos de aços.2o algarismo: indica o “grupo” dentro do tipo. 19 . onde os dois primeiros números indicam a tensão de ruptura em kgf/mm2 e os dois últimos algarismos representa o alongamento. nos sistemas normalizados SAE e ou AISI é constituído sistematicamente por quatro algarismos (ocasionalmente por cinco algarismos no SAE e três no sistema AISI). ou entre o 2º e o 3º ocorre a inclusão de letras como: • Prefixo X indica a variação de enxofre ou cromo. Sigla • • • Cada instituição normalizadora usa a sua sigla: Society of Automotive Engineers SAE . parcialmente.3o e 4o algarismos: indicam o “percentual médio” de carbono. Entende-se como “aços laminados” (wrought or rolled steel) os “aços carbono” (carbon steel) e “aços-liga” (alloy steel) usados em construção mecânica e obtidos por laminação em laminadores.XXXX American Iron and Steel Institute AISI .XXXX Associação Brasileira de Norma Técnica ABNT . Dr.XXXX. nos desenhos de oficina e especificações técnicas. Exemplo: D5116 corresponde a 16 Mn Cr 5 Os aços fundidos são designados por 4 algarismos seguidos de AF. Cláudio R. a composição química dos mesmos. precedidos da sigla indicadora da constituição normalizadora.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. X . Ex.

23% C. com “dois elementos de liga” indica uma determinada combinação de porcentagem média dos (ou de alguns dos) componentes da liga. pode indicar a existência de variações de outros elementos da liga. O quadro abaixo indica esta identificação: TIPO DE AÇO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 DESIGNAÇÃO Aço Carbono (sem metal de liga) Aço Níquel Aço Níquel-Cromo Aço Molibdênio Aço Cromo Aço Cromo-Vanádio Aço Tungstênio-Cromo Aço Níquel-Cromo-Molibdênio Aço Silício-Manganês 2o Algarismo . procura identificar de uma maneira geral e global o tipo de aço a que pertence. Será visto. algumas vezes. um elemento de liga que. Cláudio R. indica a percentagem aproximada do elemento predominante na liga. para identificar bem os aços comerciais disponíveis. 3o e 4o Algarismo . e que geralmente lhe dá o nome. Dentro do mesmo “tipo” e “grupo” estão compreendidas uma série de ligas com as mesmas porcentagens de elementos componentes. indica a percentagem aproximada deste elemento. Losekann Direitos autorais reservados 1o algarismo . Dr. que.Percentagem média de Carbono Os dois últimos algarismos XX indicam sempre a percentagem média de carbono no aço.2% C) e SAE 1021 (0. em centésimo percentual.: 0. muitas vezes. significando a indicação de metal (ou metais) básico adicionado a liga de ferro carbono. por exemplo. Ambos apresentam uma porcentagem de C entre 0. geralmente. ou seja: 0. entre os aços indicados por SAE 1020 (0. XX % C Ex.18 a 0.“Tipo” de Aço Um sistema numérico de 1 a 9. que.25% C Significado especial do 4o Algarismo Muitas vezes. que nestes casos denominamos de combinação da liga. Nas ligas com “dois elementos de liga”.21% C) as tabelas não apresentam diferença na porcentagem média de carbono.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o 4o ou último algarismo.grupo dentro do tipo Nas “ligas simples”. posteriormente nas tabelas. Por 20 . Nas ligas com “três elementos de liga” e também. permanecem constantes para todos os aços com o mesmo 2o algarismo. em alguns casos. quando for considerado isoladamente.

10%C).Sem elemento de liga além da combinação ferro e carbono. com percentagem média de carbono de 1%.75% Ni e 1.Percentagem média de 0.98 e 1. no entanto. como os aços SAE 50100. Dr. apresentam na porcentagem de Mn. o último contém maior porcentagem.Percentagem aproximada de Cromo na liga . 100 . Exemplos: Aço SAE .0% Cr Aço com 3.5140 5 . os três últimos (XXX) indicam a percentagem média de carbono (entre 0. Losekann Direitos autorais reservados outro lado.5% de Ni Aço com 1.10% de Nb Aço com Mn entre 1. exceto elementos residuais.65% Cr Aço com 1. 0 .30% de C.75% de Mn Aço com elevado teor de Mn Aço com 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Caracteriza “Aço Cromo”.1% Cr.0% Ni e 0.1% Cr.5% de Ni Aço com 5.5% de Ni Inox e resistente à altas temperaturas Aço com 1.Percentagem média de 0.Percentagem aproximada de cromo na liga .Percentagem média de 1% de carbono .40% de C.8630 8 .98 a 1. 1 .Caracteriza Aço Níquel-Cromo-Molibdênio 6 .25% Mo Aço Ni Aço Ni-Cr Aço Mo 21 . Cláudio R.5% Cr Aço com 3.65% Aço com 0.8% Cr Aço com 0. 30 .1035 1 .(0. Aço SAE .10% de C. Aços classificados com cinco algarismos Algarismos (XXXXX). Tipo Aço carbono Classe 10xx 11xx 12xx 13xx T-13xx 14xx 15xx 20xx 21xx 23xx 25xx 30xx 31xx 32xx 33xx 34xx 40xx Teor aproximado dos elementos Aço sem elemento de adição Aço resulfurado – de usinagem fácil Aço resulfurado e refosfatado Aço com 1.00 a 1.51100 5 .Caracteriza “Aço Cromo” 1 . SAE 51100 e 52100.35% de carbono na liga.5% de Ni Aço com 3.Caracteriza a combinação em determinadas percentagens dos três elementos de liga.25% Ni e 0.5% Ni e 1.Corresponde a uma percentagem média de 0. 40 . cujos valores médios estão especificados nas respectivas tabelas de composição química. Aço SAE . Aço SAE . 35 .).Caracteriza “Aço Carbono”.

sempre existem nos aços.0% Si e 0. tal como é usado industrialmente.4.INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO Como foi estudado anteriormente. o aço.2% Mo e 0. Dr. 1o Grupo .5% Ni e 0.55% Ni e 0.5% Cr e 0.8% Cr e 0. ou introduzidas durante os processos de fabricação. o alumínio (Al) ou o titânio (Ti).25% Mo Aço com 1.45% de Cr Aço com 0. Losekann Direitos autorais reservados Aço Cr Aço V Aço W Aço Ni-Cr-Mo Aço Si-Mn 41xx 43xx 46xx 48xx 50xx 50xxx 501xx 51xxx 511xx 514xx 515xx 52xx 52xxx 521xx 61xx 70xx 86xx 87xx 92xx 93xx 94xx 97xx 98xx Aço com 0.4% Cr e 0. 3o Grupo .45% de Cr e 1% de C Aço com 1. embora em pequenas percentagens.12% Mo Aço com 0.75% Ni e 0.25% Mo 2.Elementos resultantes da elaboração Pertencem a este grupo os elementos como o manganês (Mn).Elementos resultantes da elaboração. o silício (Si).55% Mn Aço com 3.4 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2% Cr e 0.5% de Cr Aço com 0.Impurezas São constituídas pelos elementos que sendo componentes das matérias primas usadas.15% de V Aço com tungstênio Aço com 0. • • 2o Grupo – Impurezas. São constituídas principalmente 22 .20% Mo Aço com 1% Ni e 0. possui além do ferro e do carbono.Elementos de liga.5% de Cr e 1% de C (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1. Cláudio R.12% Mo e 1% Mo Aço com 0.8% Cr e 0.2% de Cr Aço com 1. outros elementos que podem ser classificados e divididos em três grupos.45% Ni e 0.25% Mo Aço com 3. como decorrência dos processos de fabricação e que.6% de Cr Aço com 0.3% a 0. por serem no caso.25% Mo Aço com 2.25% Ni e 1. • 1o Grupo .15% Mo Aço com 0.9% Cr Aço com 1.5% Cr e 0.10% Mo Aço com 0.17% Cr e 0.9% de Cr a 0. devem ser reduzidas as menores porcentagens possíveis.75% Ni e 0.55% Ni e 0. 2o Grupo .55% Ni e 0. cuja presença no aço. manifestamente prejudiciais a qualidade do aço.

será abordado um resumo da sua ação específica e em especial. “aços especiais”.. Manganês (Mn) .É o elemento que desafia o aço e estabelece suas propriedades básicas. Aumenta a velocidade de penetração do carbono na cementação. conferem propriedades particulares. oxigênio. tungstênio. Aumenta a resistência mecânica dos aços de baixa liga e melhora a resistência à oxidação em altas 23 . alumínio. vanádio. selênio. titânio. que definem a qualidade do aço.Elementos de Liga Também denominados de “elementos especiais”. ou ainda. molibdênio. etc. silício e manganês. Poderão dar ao aço propriedades indesejáveis para o fim a que se destinam. ou conseqüentes dos processos de fabricação são constituídos principalmente pelo enxofre. Manganês. classificam-no como aços de construção. quando a percentagem média excede a 0. As impurezas provenientes da matériaprima. uma quantidade de peças de aço (de diversas ligas) é adicionada junto com o ferro e carbono para formar o aço. etc. Cláudio R. Associado ao silício.50 a 1. Se nenhum destes elementos atinge a porcentagem de 5% o aço diz-se “baixo teor elementos de liga” se a percentagem ultrapasse os 5% são classificados como de “médio” ou “alto” teor em elementos de liga. assim como a resistência ao desgaste. Silício (Si) . Percentagens que oscilam entre 0.É um elemento que se apresenta em todos os aços. boro. Para cada um dos elementos de adição existentes ou adicionados aos aços de construção.10 a 1. O seu valor porcentual está. em geral. devido aos processos de fabricação. níquel. fósforo. cobre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O teor de carbono varia entre 0. fósforo. compreendido entre dois limites. Percentagens entre 0. Sabe-se que entre as matérias primas usadas para a fabricação do aço. chumbo. zircônio.70% C.6% de Mn. Somente é considerado como elemento de liga nos aços. relacionando a sua influência sobre os tratamentos térmicos e a influência destes elementos e destes tratamentos sobre as características de comportamento mecânico dos aços. serve para fabricar aços especiais para molas. silício. estanho. nitrogênio.1 – Elementos de adição Carbono (C) .35% pois é empregado como desoxidante durante o processo de fabricação do aço. chumbo. cobalto. Aumenta a dureza e resistência e diminui a ductilidade e plasticidade.5% aproximadamente. A percentagem de carbono influi apenas na dureza de aço. 3o Grupo . mas também por diversos metais. como o cobre. são aqueles que se adiciona intencionalmente ao aço. acha-se presente em todos os aços em pequenas proporções. Losekann Direitos autorais reservados por elementos não metálicos como o enxofre. até 0. uma boa percentagem é de “sucata” ou seja. As deformações produzidas pela têmpera são diminuídas pela adição de Mn. em pequenas percentagens. níquel.4. tântalo.50% C constituem os Aços Ferramentas. Faz aumentar moderadamente a temperabilidade e contrabalança a fragilidade dos aços devido ao enxofre. enquanto que as outras propriedades dependem do grau de pureza. 2. cromo.10% a 0.4. Dr. Aumenta a dureza e a resistência.O silício como o Mn.

0% de Ti tornam os aços com 0.Em princípio o nitrogênio tem muitas vezes uma influência nociva sobre os aços. Percentagens de 2. maior afinidade pelo oxigênio do que o ferro. Faz aumentar o coeficiente de elasticidade o que torna sua presença inconveniente nos aços destinados a receberem deformação por estampagem.É um elemento prejudicial aos aços tornando-os frágeis e quebradiços ao rubro. Dr.É usado para desoxidação e como estabilizador dos aços inoxidáveis austeníticos. A presença do enxofre faz com que os aços tenham características mecânicas inferiores. atingindo os aços especiais. Os aços-silício são muito usados para chapas de núcleo de transformadores e motores elétricos. para este efeito. Aumenta a existência e dureza dos aços de baixa percentagem de carbono melhora nestes aços a sua usinabilidade. sendo então considerado como “aço-silício”. porem considerada de natureza nociva. a percentagem de silício deve ser superior a 0. É empregado também como elemento de liga. de até 0. em muitos casos. Oxigênio (O) . prestando-se muito bem para imantação por corrente alternada.35% é usado na produção dos aços de “corte livre”. por serem usados para a fabricação de pequenas peças. Fósforo (P) . Por esta razão nos aços de alta qualidade.05%. causando principalmente dureza e fragilidade.30 a 0. Melhora ligeiramente a resistência à corrosão. devido a fragilidade destes aços. Nitrogênio (N) . O oxigênio endurece o aço. é considerado elemento benéfico.5%. Enxofre (S) . Aumenta a dureza e a resistência dos aços de baixo teor de carbono. pois sua edição em percentagem. pois aumenta a facilidade de usinagem e os cavacos se destacam em pequenos pedaços. Os aços-silício resistem muito bem ao desgaste.10% e percentagens de silício até 4.Como o nitrogênio. da forma que a combinação daqueles elementos com o oxigênio torna-se inofensivo. magnetizando e perdendo rapidamente o magnetismo. por sua ação de aumentar a temperabilidade e penetração da têmpera. com carbono até 0. prevenindo a corrosão intergranular e a tendência à fragilidade. Felizmente. Para ser considerado como elemento de liga. Losekann Direitos autorais reservados temperaturas. altos valores de carga de ruptura. A percentagem máxima admissível e em torno de 0. o oxigênio é prejudicial ao aço.É uma impureza normal existente nos aços. de modo que o seu teor deve ser mantido o mais baixo possível. Atualmente. o Nitrogênio deixou de ser considerado elemento nocivo. Cláudio R.5% C não temperáveis. pois foi verificado que. adicionam-se elementos de liga. Titânio (Ti) . Em um caso especial.4% Si. melhora certas propriedades dos aços. São também chamados “aços para tornos automáticos”. Aumenta a 24 . dando origem aos aços de “corte livre”. durante os processos de fabricação. para permitir altas velocidades de corte. diminuindo conseqüentemente sua tenacidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. deseja-se limites máximos entre 0. É usado também na fabricação de molas. que possui.0% por possuírem boa permeabilidade magnética. empregando-se em ferramentas para trabalhos em pedreiras. tornando-o frágil.

porém seu efeito é muito mais intenso. O molibdênio atua sobre propriedades muito diversas do aço e o seu emprego generaliza-se cada vez mais. sendo invariavelmente usado em complemento de outros elementos de liga (pois o molibdênio. O aço-níquel com baixa percentagem de Carbono (0. melhora ainda a corrosão. melhora a resistência ao choque e a resistência à fluência a quente. Eleva a resistência à corrosão a temperatura ambiente e altas temperaturas. O nitrogênio é também usado num processo de endurecimento superficial chamado de “nitretação”.15% C) e 2% de Ni prestam-se notavelmente bem para cementação. Níquel (Ni) . sendo usados para réguas padrão. Dá ao aço resistência à tração. a tenacidade e a resistência ao choque. assim como a resistência a corrosão e a oxidação. As ligas com altas percentagens de Ni (e Cr) são os elementos básicos dos aços inoxidáveis.10 a 0. como o Invar (35. quando a percentagem é menor ou maior de 25% de Ni.5% de Ni) e a Platinite (46% de Ni).Junto com o Ni. Os aços são classificados e representam propriedades sensivelmente diferentes. As ligas com fortes percentagens de Ni apresentam reduzido coeficiente de dilatação pelo calor. Dr.20% aumenta a profundidade de têmpera. O cromo aumenta consideravelmente a resistência a temperatura ambiente e a altas temperaturas: aumenta a dureza e o limite de escoamento do aço. Aumenta a penetração da têmpera. Aumenta a resistência a tração. Os aços-cromo melhoram consideravelmente as suas propriedades pelo tratamento de revenido após o tratamento de têmpera. De um modo geral. peças para relógios. constitui um dos elementos mais importantes na fabricação dos aços de alta qualidade. isoladamente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. especialmente a baixas temperaturas. os efeitos produzidos pelo Mo nos aços assemelham-se as produzidas pelo tungstênio. 25 . Cobre (Cu) . pois mesmo com pequenas porcentagens obtém-se efeitos consideráveis. sobretudo nas percentagens de 0. Oferecem também boa resistência ao desgaste.Consiste um dos elementos de liga mais importantes. nos aços inoxidáveis. Aumenta a resistência a ruptura à tração e o limite de elasticidade. Em percentagem de 0. pela contribuição efetiva e econômica para as características pretendidas.5% melhora a resistência à corrosão atmosférica. alta tenacidade e boa ductibilidade. Cromo (Cr) . do que resulta uma grande resistência ao desgaste e alta capacidade de corte.Em percentagens de 0. Em conjunto com o níquel e cromo.5% e confere boas propriedades mecânicas para utilização a temperaturas elevadas. etc. onde entrará como elemento de liga. tende a diminuir a tenacidade dos aços). ou associado ao Ni. e um dos primeiros a serem utilizados nos aços. sendo as vezes usados nos aços cromo-níquel resistentes à corrosão. Molibdênio (Mo) .A ação do molibdênio é muito intensa. Cláudio R. Tem pouca influência sobre a ductibilidade. especialmente nas de corte rápido. É largamente utilizado na fabricação dos aços inoxidáveis. Losekann Direitos autorais reservados resistência ao calor e à fadiga dos aços austeníticos. Aumenta a resistência à ação corrosiva dos ácidos.

O objetivo da adição de chumbo no aço é o de melhorar a usinabilidade dos aços-carbono. Melhora a resistência à fadiga e as suas características de laminação. Aumenta o limite de escoamento e resistência.Uma das principais características da adição do vanádio nos aços. Melhora a resistência ao choque dos aços de construção. É elemento importante em todos os aços rápidos. Sempre é empregado em conjunto com outros elementos. Emprega-se nos aços para imãs e ligado ao Cr e ao Ni nos aços “superinvar” de baixo coeficiente de dilatação. e resistem bem ao revenido. sem diminuir. forjamento e usinagem. afim de que os aços não percam a sua capacidade de têmpera. São aços com preço elevado. Alumínio (Al) . V. Chumbo (Pb) .É um elemento muito interessante. O cavaco formado e frágil é descontínuo. especialmente com o cromo. Cobalto (Co) . o alumínio aumenta a resistência do aço à oxidação e ao calor. sendo o mais comum o cromo. A sua ação mais importante é o extraordinário aumento da temperabilidade do aço. W. como as molas. Mo. é um elemento importante nos aços que vão ser submetidos a nitretação. Losekann Direitos autorais reservados Vanádio (V) . o que torna pouco econômico o seu uso quando são desejáveis as suas excelentes propriedades mecânicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Oferecem também boa resistência ao desgaste. além de melhorar o acabamento. O seu emprego em teores elevados. melhorando as suas características de forjamento e usinagem. etc. Aumenta a dureza e contribui para a melhoria acentuada da capacidade de corte a altas temperaturas. Os aços ao tungstênio podem ser temperados em água sem rachar. Forma carbonetos muito estáveis e resistentes ao desgaste. é torná-lo insensível ao super aquecimento. que se obtém. entretanto. Mantém uma dureza elevada em temperatura elevada (500 ºC) e. por esta razão. Boro (B) . o alongamento. Dr. pois facilita a penetração do nitrogênio. sendo o elemento básico dos aços rápidos.004%. mesmo com teores bastante baixos. onde é muito empregado. Geralmente são adicionados com outros elementos. Tungstênio (W) . Cláudio R. Também são empregados em peças que estão sujeitos à fadiga. como o Cr.Aumenta consideravelmente a dureza a resistência do aço a temperatura ambiente e em especial a altas temperaturas. deve ser acompanhado por um aumento do teor de carbono. Devido a grande afinidade pelo oxigênio. como seria de esperar. incorporado recentemente na tecnologia de fabricação do aço. principalmente como desoxidante durante o processo de fabricação. Emprega-se especialmente nos aços ferramentas com o W e o Cr em teores de 3 a 10%. pelo que é extraordinariamente importante seu efeito nos aços para ferramentas. Como elemento de liga.O alumínio é empregado nos aços. são geralmente usados na fabricação de estampas e matrizes. O vanádio aliado ao molibdênio melhora a resistência à fluência. em torno de 0.Aumenta a resistência do aço. 26 .

Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. partes soldadas. 1020 .4. tubos e outras aplicações. partes soldadas. barras de torção.Aço cromo-niquel-molibdênio usado para cementação na fabricação de engrenagens. conexões e outros produtos que necessitam de alta usinabilidade. sem elementos de liga. etc. etc.Aço cromo-vanádio para beneficiamento que apresenta excelente tenacidade e média temperabilidade sendo usado em molas helicoidais. eixos. Losekann Direitos autorais reservados 2. 9260 . Apresenta algumas melhorias em trabalhos que necessitem de compressão. roscas laminadas ou partes recartilhadas em relação ao 1212 e 12L14. de uso geral. é de difícil soldabilidade exceto mediante a uso de eletrodos de baixo teor de hidrogênio. chavetas e peças de espessura média. usado em molas para serviço pesado como tratores e caminhões. Como exemplo. 1045 . ferramentas. pinças para máquinas operatrizes. usado tipicamente na fabricação de molas semi-elípticas e helicoidais para veículos.Aço cromo-níquel-molibdênio para cementação que alia alta temperabilidade com boa tenacidade. capas de rolamentos. Dr. usado em peças de seções grandes como eixos. E6015 (AWS). parafusos. onde apresenta capacidade superior a 60% em relação ao 1212. etc. pinos.Aço ao carbono. etc. usados em peças de construção mecânica em geral.Aço cromo-manganês para beneficiamento. para uso geral. terminais. engrenagens. pinhões. usado em eixos. componentes aeronáuticos. usado em peças mecânicas. etc.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. cremalheiras. 8620 . • • • • • • • • • • 27 . de média temperabilidade.Aço cromo-níquel-molibdênio de alta temperabilidade. contudo. (limite de resistência do núcleo: entre 80 120 kgf/mm2). arames em geral. de uso geral em aplicações que exigem resistência mecânica superior ao 1020 ou têmpera superficial (em óleo ou água).Aço com teor médio de carbono.5 . 5140 . bielas.. 8640 . oferecendo um bom acabamento superficial. 6150. Cláudio R. onde apresenta capacidade superior a 100% em relação ao 1212. etc.. 5160 .Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade.Aço de alto teor de silício com alta resistência. 1212 . usado em parafusos. 4320 . semi-eixos. 4340 . conformada ou cementadas.Aço ao carbono sem elementos de liga. porém não devem ser utilizados em partes vitais de máquinas ou equipamentos que estejam sujeitos a esforços severos ou impactos. usado em coroa e pinhões. cruzetas. Usa-se comumente na fabricação de porcas. virabrequins. 12T14 .Aço cromo-níquel-molibdênio de média temperabilidade.Aço cromo-manganês de boa tenacidade com média temperabilidade. eixos. terminais de direção. (limite de resistência do núcleo: entre 70 e 110 kgf/mm2).RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA • • • • 1010 . usado em peças mecânicas. peças dobradas. peças para tratores e caminhões.Fácil de ser usinado. como por exemplo. 12L14 .

3135. 4340 1040. 1040 2330 52100 1085 1060 5150 1060 1020 1040 1085 1035 1040. usado tipicamente em esferas. 4815. das características precisas do trabalho a que se destina. do custo. 4340. 1015 1030. 1132. 4140 1045. 3120. 8620 3115. Losekann Direitos autorais reservados • 52100 . roletes e capas de rolamentos e em ferramentas como estampos. 4620 5150 4140 1320. uma seleção criteriosa do material depende. Cláudio R. 8640. 12T14. 2340. APLICAÇÃO Aço de corte livre Aço de deformação mínima Aço p/ ferramentas agrícolas Aço p/ferramentas agrícolas Aço para laminação a frio Alavanca de freio Alavanca temperada Anel de rolamento Arame de aço Arruela de encosto Arruela de encosto temperada Arruela de pressão Barra de distribuição Barra de distribuição Barra do amortecedor Barra para estiragem a frio Biela Chapas. tiras e tubos Chaveta Corrente de transmissão Disco de arado Disco de fricção Eixo Eixo de automóvel Eixo do ventilador Eixo ranhurado Eixo para serviço severo Eixo temperado em óleo Eixo de transmissão Engrenagem cementada Engrenagem de corrente Engrenagem do diferencial Engrenagem em serviço severo Engrenagem temperada TIPO DE AÇO SAE 12L14. além de outros fatores. da usinabilidade do material. 2317. brocas. 1144 4615 4620 1070. 3141. sobretudo. 1080 1070 1030. Portanto. 4063. 1045. 4023. As aplicações dos aços mencionados na tabela que se segue não passam de orientações gerais. etc. 1137. 6150 4615. 2340. 6150 2345 28 . 1070 1085 1040. 3115. 3140. 1213. 4119 4023 4640. 1095 1060. 5115. 4119. 1320. 2345. 4125 4320. alargadores. 2330. 3120.Aço que atinge elevada dureza em têmpera profunda. 3115 3135. 4820. 3140 1080. 1212. 3141 1008 1010. Dr. 4615. 3140. 2340. tiras e tubos Chapas. 2345. 3510.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 2340 2340.

3120. 1010. 1022. 4063. 2515. 9260. 2317. 5140. 6150 5150 1035 3130 1211. 1036 1035 4140 3240. Losekann Direitos autorais reservados 3145. 8640. 4620 1144 1085. 3115. 4340. 3135.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Engrenagem temperada em óleo Esfera de rolamento Estampagem profunda Excêntrico para volante Junta universal Lâmina para molas Mola de compressão Mola helicoidal Mola temperada em óleo Parafuso Parafuso de barra de direção Parafuso de corte livre Parafuso estampado a frio Parafuso esticador Parafuso para biela Parafuso para cilindro Parafuso para serviço severo Parafuso temperado Peça cementada Peça forjada Peça forjada média e pequena Peça forjada p/ar comprimido Peça forjada temperada Peça forjada p/trabalho severo Pinhão cementado Pino (corrente de transmissão) Pino (pistão) Porca Porca temperada Rebite Roletes para rolamento Tubos para peças mecânicas Tubos sem costura Tubos soldados Virabrequim Prof. 4140 29 . 4063 1095. Cláudio R. 1015 4615. 4068. 2340 1020. 3120 3130 2330 1008. 4023. 1117. 1212. 4320 3135. 4815. 6150 1060. 1024. 3150. 4820 3115. 3120. 1010. 4032. 4063. 5150 52100 1008. 1320. 1213 4042 3130 3130 3130 4815. 1040 1045. 8620. Dr. 4820 2330. 6150 6150 3115. 3140. 1015 52100 1010 1010 1020 1045 1145. 3310. 1118. 1095.

Esta formação do carbono deve-se ao silício quando tem teores de até 2. S) ou quando ligados com elementos adicionados para melhoria de suas propriedades.28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento. molibdênio e vanádio estabilizam os carbonetos. dando cor acinzentada ao material.8%.1%. carbono (2 a 4.7%. entretanto. Dr. onde a dureza é a principal característica.148 ºC). 30 . Na prática. Dependendo da concentração de cada elemento e da maneira como o material é resfriado ou tratado termicamente. pode-se definir também o ferro fundido como uma liga binária de ferro-carbono. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício. teor máximo de carbono. Assim. Cláudio R. A figura ao lado mostra este tipo de estrutura. Devido a estas características são muito empregados na indústria automobilística e indústria de equipamentos agrícolas. lâminas ou flocos. cinzento. o carbono pode se apresentar de duas formas: na forma de cementita (Fe3C) e na forma de grafite. Losekann Direitos autorais reservados 2. o ferro fundido será branco. o carbono se apresenta na forma de grafita. O ferro fundido branco é formado através de um resfriamento mais rápido do metal líquido. De acordo com o diagrama de Fe-C. moagem. Em função disto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os elementos químicos adicionados ao ferro fundido branco como cromo. maleável ou nodular. de 6. embora tenham uma grande resistência à compressão e ao desgaste.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn.3% de carbono visto que o eutético produzido por esta concentração de carbono reduz a temperatura de solidificação (1. não ocorre a formação de grafite e todo carbono fica na forma da cementita. revestimentos de moinhos e outras. o ferro fundido contém de 2% a 4. tendo teor mínimo de carbono o valor de 2. Figura 2. os ferros fundidos brancos são frágeis. entretanto. a temperatura ambiente e. P. este ferro fundido apresenta cor clara. As principais aplicações deste ferro fundido são em equipamentos de mineração. aumentando a dureza. Estas denominações que se dá ao ferro fundido é devido ao aspecto da fratura do material e também pela forma como o carbono se apresenta na massa metálica. além de um resfriamento muito lento.5% de carbono e principalmente com teores próximo de 4. denominando-se assim como uma liga ternária composta basicamente de três elementos: ferro. Desta forma. Este tipo de ferro fundido apresenta boa usinabilidade é ótima capacidade de amortecer vibrações. No ferro fundido cinzento. a temperatura ambiente. são também necessárias concentrações menores de carbono e de silício.5 – FERRO FUNDIDO Pelo diagrama de equilíbrio do Fe-C acima.

Em virtude disto.ABNT Os ferros fundidos são classificados pela ABNT conforme o tipo de ferro fundido. conexões hidráulicas. O ferro fundido maleável de núcleo branco é submetido a um tratamento térmico em atmosfera oxidadante. caixas de direção. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. Para o ferro fundido cinzento utiliza-se a norma NBR 6589. não havendo a formação de grafita.CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS . cuja codificação é composta por três letras e cinco dígitos. bielas. Exemplo: FC-350 é um ferro fundido cinzento com tensão de ruptura à tração de 350 MPa (Lr = ≈ 35 kgf/mm2). fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. 2. cubos de rodas. As principais aplicações são de fabricação de flanges. O ferro fundido maleável de núcleo preto é classificado segundo a norma NBR 6590. Losekann Direitos autorais reservados O ferro fundido maleável é produzido a partir do ferro fundido branco que é submetido a tratamento térmico. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. cubos de rodas. na qual o carbono é removido por descarbonetação. Figura 2. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois 31 . Dependendo das condições do tratamento térmico o ferro pode apresentar o núcleo preto ou branco. São muito usados para fabricação de suporte de molas. cuja codificação é composta por quatro letras e cinco dígitos. caixas de direção. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido cinzento e os dígitos indicam a resistência à tração em MPa. podendo ser soldado.29 – Microestrutura do ferro fundido nodular. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta.1 . barras de torção. e partes de mancais. FMP 32015 (σr = 320 MPa e ε = 15%). conexões hidráulicas. cuja classificação é codificada por duas letras e um número de três dígitos: FC-XXX.5. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos algarismos representam a deformação em percentual. este ferro fundido adquire características similares ao dos aços de baixo teor de carbono. bielas. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. tornando as peças fabricadas mais resistentes ao impacto e às deformações. Dr. São muito usados para fabricação de suporte de molas. Exemplos: FMP 45007 (σr = 450 MPa e ε = 7%). O ferro fundido maleável de núcleo branco é classificado segundo a norma NBR 6914.

FMBS 32008 (σr = 320 MPa e ε = 8%). muitas vezes. Por exemplo. usinagem. necessário tratar as superfícies das peças por meio de pintura ou também por meio de tratamento termo-químico.6. Exemplo: FE-35010 (σr = 350 MPa e ε = 10%). independente do processo de fabricação utilizado para obtenção de peças e aumentar a longevidade destas em relação à corrosão é. Assim.TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES Os processos de produção industrial nem sempre fornecem materiais de construção nas condições desejadas. ou seja. as tensões internas que se originam nos processos de fundição. embora muitas outras ligas e metais não ferrosos também sejam tratados termicamente. • Melhoria da ductilidade. • Melhoria da usinabilidade. obtém-se. os objetivos gerais dos tratamentos térmicos ou de superfície são: • Remoção de tensões internas (oriundas de resfriamento desigual. 2. cuja classificação é codificada por duas letras e um número de cinco dígitos: FE-XXXXX. Deve-se verificar que a melhoria de uma ou mais propriedades do material geralmente é obtida com prejuízo de outras. Por outro lado. Desta forma. O ferro fundido nodular utiliza-se a norma NBR 6916.6 . há a necessidade de submeter as peças metálicas. que objetivam minimizar ou eliminar aqueles problemas.TRATAMENTOS TÉRMICOS Os materiais metálicos formados por ligas de Fe-C. entre outros. • Melhoria da resistência ao calor. que serão vistos posteriormente. podem criar problemas de distorções e empenamentos. • Melhoria das propriedades de corte. Losekann Direitos autorais reservados últimos algarismos representam a deformação em percentual. • Aumento ou diminuição da dureza. Dr. a determinados tratamentos térmicos ou termo-químicos. • Aumento da resistência mecânica.1 . Cláudio R. • Melhoria da resistência ao desgaste. o tratamento térmico deve ser planejado cuidadosamente. aumentandose a resistência mecânica e a dureza de aços. trabalho mecânico ou outras causas). Exemplos: FMBS 39012 (σr = 390 MPa e ε = 12%). simultaneamente uma diminuição da ductilidade. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido esferoidal e os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos a deformação em porcentual.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 2. • Modificação das propriedades elétricas e magnéticas. em geral os aços. conformação mecânica. são os mais submetidos a tratamentos térmicos. 32 . Devido a isso. antes de serem aproveitadas efetivamente. verificando-se sempre o resultando final que se deseja obter. • Melhoria da resistência à corrosão.

têmpera. Se a liga contém elementos químicos que possuem alotropia como as ligas de ferro-carbono (aços e ferros fundidos) cujos dois elementos principais. cujo objetivo é transformar os constituintes primários em outros constituintes. Ambiente de aquecimento: em certas ligas metálicas a atmosfera comum pode provocar alguns fenômenos prejudiciais como a oxidação e a descarbonetação. Também. normalização. endurecimento por precipitação. óleos de várias viscosidades. que significa constituintes que sofreram tratamento térmico. como solução aquosa. Estas transformações dos constituintes dependem também da liga metálica. Deve-se observar que meios muito drásticos de resfriamento. lento ou intermediário. De uma forma geral. ferro e carbono. 3. que não pode ser muito lenta (promove o crescimento do grão).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 2. 4. ar ou vácuo. devese considerar a velocidade de aquecimento. Os meios mais comuns de resfriamento são: solução aquosa a 10% de NaCl. revenimento. modificandose a velocidade de resfriamento. Evita-se que esse tempo ultrapasse o estritamente necessário. posteriormente um resfriamento que pode ser rápido. a temperatura de recristalização do material. Tempo de permanência na temperatura: deve ser suficiente para que a peça se aqueça uniformemente. os tratamentos térmicos obedecem a um aquecimento. estrutura CCC e CFC para o ferro e tetragonal e hexagonal compacta para o carbono. O resfriamento subseqüente completa as alterações estruturais e confere ao material as propriedades mecânicas desejadas. • Tipos de tratamentos térmicos: Os tratamentos térmicos mais comuns das ligas metálicas são: recozimento. por exemplo. principalmente as de aço. 33 . manutenção a uma determinada temperatura e. possuem formas alotrópicas diferentes. pode levar ao aparecimento de elevadas tensões internas. Aquecimento: a temperatura indicada para se obter um resultado satisfatório corresponde. geralmente denominados secundários. nem muito rápida (pode causar empenamento ou fissuras). água pura. Cláudio R. Cada material tem a sua própria velocidade ideal de aquecimento. Resfriamento: em algumas ligas. Esses fenômenos são evitados pela utilização de uma atmosfera protetora ou controlada no interior do forno. coalescimento. tratamentos isotérmicos. Losekann Direitos autorais reservados • Fatores que influenciam os tratamentos térmicos: 1. pode-se obter mudanças estruturais que promovem o aumento da ductilidade ou elevação da dureza ou da resistência mecânica. Dr. geralmente. pois pode haver crescimento indesejável dos grãos ou possibilidade de oxidação (em algumas ligas).

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. representado pela linha 1. Os fornos mais comuns. pode-se conseguir a estrutura inicial cúbica de corpo centrado. entretanto. são: fornos de resistência elétrica. representada pela linha 3. 4.30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos O aquecimento em uma liga metálica depende muito da inércia do forno ou do meio de aquecimento. a temperatura de 800 ºC esta estrutura é transformado em cúbica de face centrada onde nas faces da estrutura cristalina o átomo de carbono é dissolvido. Cláudio R. O ferro contido no aço. a estrutura cúbica de face centrada deveria se transformar na estrutura cúbica de corpo centrado. Losekann Direitos autorais reservados 800 2 Manutenção 5 4 Resfriamento lento Temperatura ( oC) 600 Aqu ecim ento Resfriamento intermediário 400 1 3 Resfriamento rápido 200 0 0 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. Dr. tem a estrutura cristalina cúbica de corpo centrado e. da massa metálica que se deseja aquecer. 5. Com resfriamento rápido. 34 . de indução e fornos que produzem aquecimento por chama que pode ser direta ou indireta. permitindo a ocupação do carbono no centro do cubo. a manutenção da temperatura representada pela linha 2. Em um resfriamento lento. que depende por sua vez. para aquecimento de ligas como o aço. A figura acima esquematiza um ciclo de aquecimento de um aço carbono ABNT 1030 com uma taxa constante de aquecimento. e diferentes taxas de resfriamento representado pelas linhas 3. a baixa temperatura. o resfriamento rápido impede esta transformação fazendo a distorção da rede cristalina.

Esta transformação se completa a 790 ºC. Em peças com espessuras maiores poderá ocorrer na superfície o resfriamento rápido.5% de carbono apresenta os constituintes perlita e ferrita.0 %C Dependendo da espessura da peça. com exceção para o aço eutetóide ABNT 1080 que. a matriz da perlita (Fe α) tem estrutura CCC e vai se transformando em CFC (Fe γ) . por isto. Isto produziria a formação do constituinte martensita na superfície com dureza muito elevada e no interior. a zona crítica para este aço. um resfriamento lento. isto é. faz-se aquecimento em temperaturas em torno de 800 ºC. Portanto. A escolha do tipo de tratamento térmico depende da natureza do material e de sua composição química. a composição química até 1% de carbono e. ou seja. não apresentando zona crítica ou o intervalo de temperatura é muito pequeno. acima de 727 ºC os grãos perlíticos se transformam em grãos austeníticos. em geral. ou na parte central da peça. e as lamelas de cementita (Fe3C) começa a se diluir na estrutura cúbica de face centrada. A mesma analogia pode ser feita para os demais aços.11% 1000 912 Austenita Acm A3 Feα +Feγ A1 727 C o Feγ o 800 790 C Feα +Feγ A1 1.0 0. Os aços comerciais têm. constituintes como perlita e ferrita. como o e de uma agulha. Cláudio R.31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização. o resfriamento rápido como o mostrado na figura acima poderá ocorrer em toda a massa metálica. Em temperaturas acima de 727 ºC a perlita começa a se transformar em austenita. Ao mesmo tempo ocorre com os grãos ferríticos. além da aplicação que se deseja da peça. O correto é verificar no diagrama de equilíbrio qual a temperatura limite superior da zona crítica adicionando-se mais ou menos 50 ºC em virtude de imprecisões de registros de temperaturas em alguns fornos. pode-se tirar o intervalo de temperatura considerado como zona crítica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Um resfriamento muito rápido em uma peça como uma agulha para um aço carbono comum pode produzir tensões internas que produz micro-fissuras na peça.5 0. Dr. Losekann Direitos autorais reservados 1600 Liquidu s o Líquido C) 1400 Líquido + austenita 1200 2. Figura 2. mas no seu interior.austenita. Até 727 ºC. por exemplo. Tendo-se o aço carbono ABNT 1050 como exemplo e verificando no diagrama de equilíbrio do Fe-C. muitos tratamentos térmicos que precisam da transformação da austenita.0 600 0.77%1. o aço com 0. o intervalo de temperatura que começa ocorrer a transformação de grãos perlíticos e grãos ferríticos em grãos austeníticos. TEMPERATURA ( 35 . corresponde ao intervalo de temperatura de 727 ºC a 790 ºC. conforme as linhas 4 ou 5.5 2. conforme a linha 3. produzindo uma fratura total após o tratamento térmico.

a região da superfície do aço pode se resfriar com velocidade diferente da região central. linha 5. definem o intervalo da zona crítica.Recozimento Seus objetivos principais são remover tensões devidas aos processos de fundição e conformação mecânicas a quente ou a frio. normalização e revenimento. O fim destas transformações vai depender da composição de carbono que o aço apresenta que. seguido de resfriamento lento.32 – Ciclo do recozimento.1. melhorar a ductilidade. Estas tensões podem decorrer também de outros fatores como os que ocorrem nos processos de conformação mecânica. diminuir a dureza. Esse tratamento aplica-se a todas as ligas Fe-C e a um grande número de ligas não-ferrosas. esse processo leva um tempo relativamente longo. desligando o forno e mantendo-se Tempo as peças no seu interior. O recozimento mais comum é o chamado de total ou pleno. Temperatura O tempo de permanência na temperatura de austenização depende da quantidade de material e da sua massa. Tanto na laminação quanto no forjamento. ferrita e cementita. A partir da temperatura de 727 ºC estes constituintes vão se transformando em austenita. Durante o processo de solidificação do aço na sua fabricação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. porém. Cláudio R. Como foi visto em capítulo anterior. os aços-carbonos apresentam os constituintes perlita. As tensões internas começam a ser aliviadas quando o aço atinge a temperatura ambiente. 2. 36 . os grãos são comprimidos uns contra os outros e apresentam aparência de grãos amassados (encruados). os grãos deformados não têm a mesma resistência e as mesmas propriedades mecânicas dos grãos normais. na temperatura ambiente ou a 500 ºC. onde o material é geralmente aquecido a uma temperatura acima da zona crítica (zona de austenização). para aquele tipo de aço. podem-se fazer tratamentos de alívio de tensões que são: recozimento. como exemplos têm-se os processos de laminação. rupturas ou corrosão. podendo dar margem a empenamentos.1 . Dr. ajustar o tamanho dos grãos e eliminar defeitos de quaisquer naturezas provocados por processos mecânicos ou térmicos que o material tenha sido Zona crítica anteriormente submetido. conforme as curvas A2 ou Acm. O tempo necessário para ocorrer transformação completa depende também da composição de carbono presente no aço. Na laminação.30. Losekann Direitos autorais reservados Resumindo. conforme a figura 2. Figura 2.6. Para isto. forjamento e estampagem. essa diferença dá origem a grãos com formas também diferentes entre si. que pode provocar tensões internas na estrutura do aço.

esse processo.Normalização Tem os mesmos objetivos do recozimento e se faz também com aquecimento até a zona de austenização. e conseqüentemente propriedades mecânicas ligeiramente superiores.6. As temperaturas mais usuais do revenimento são 400 ºC. reduz os valores de dureza e resistência AÇO 1060 . o aquecimento é levado a efeito a uma temperatura em torno da linha inferior da zona crítica. A têmpera e o revenido 0 estão sempre associados.AÇO 1090 a tração. e diminui ou 2 Manutenção mesmo elimina as 800 765 C tensões internas. com o objetivo de melhorar sua usinabilidade. Temperatura Zona crítica Tempo Figura 2.1.1. Nesse processo. Zonacrítica 727 C Dependendo da 5 Recozimento 600 temperatura em que 4 Normalização o revenido é processado pode-se 1 3 Têmpera 400 obter nos aços melhores condições 200 de usinabilidade. A diferença do processo é que o resfriamento na normalização é ao ar.Revenimento Aplicado nos aços temperados. figura 2. Losekann Direitos autorais reservados Há também o recozimento em caixa que é aplicado principalmente no aço.2 . o o Temperatura ( C) o 0 Aqu ecim ento 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. 500 ºC e 600 ºC. imediatamente após a têmpera.34 – Ciclos de tratamentos. fora do forno.34. 2. O revenimento melhora a ductilidade. A esferoidização é um tipo de recozimento aplicável em aços de médio a alto teor de carbono. 2. 37 .33 – Ciclo da esferoidização. Nesse processo existe uma atmosfera protetora que elimina o efeito do encruamento e protege a superfície contra a oxidação. Dr. portanto mais rápido que o recozimento o resultando uma estrutura mais fina do que a produzida no recozimento. Cláudio R. Aplica-se. principalmente nos aços. a temperaturas inferiores a da temperatura crítica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.6.3 .

34. utilizam-se aços com teores de carbono acima de 0. da resistência do desgaste e da resistência a tração. a temperatura varia de 750 °C a 900 °C. os átomos de carbonos. como exemplo. porém. Esse problema pode ser corrigido posteriormente pelo revenimento. grandes cilindros. nessas aplicações. dissolvidos na austenita . os átomos produzem considerável deformação no retículo da ferrita.1. 38 . Cláudio R. A forma do resfriamento é o que distingue esse tipo de tratamento. partes do amortecedor do carro e as brocas devem ser fabricadas com aço endurecido para suportarem esforços a que são submetidos. Dentes de engrenagem. figura 2. Dr.6.4 . em grande número de aplicações de peças de máquinas.estrutura CFC. é. Para o aço-carbono. que não se desgasta nem se deforma rapidamente. etc. objetivase apenas a criação de uma superfície dura e de grande resistência ao desgaste e à abrasão. As condições de aquecimento são idênticas as que ocorrem no recozimento e na normalização. que assim adquirirá as propriedades e os característicos típicos da estatura martensítica. O tratamento consiste em aquecer o aço em um forno com temperatura acima da zona crítica e resfriar rapidamente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A têmpera é um dos tratamentos térmicos destinados à obtenção de dureza nos aços. pois varia com a composição de carbono presente. • Possibilidade de endurecer apenas as áreas críticas de determinadas peças.3%. Desse modo. Em geral. Os resfriamentos menos bruscos são os realizados em óleo queimado. A têmpera superficial consiste em produzir uma têmpera localizada apenas na superfície das peças de aço. Vários são os motivos que determinam a preferência do endurecimento superficial em relação ao endurecimento total como: • Dificuldade. geralmente. A peça permanece nessa temperatura o tempo necessário para se transformar em austenita. em poucos segundos. As peças temperadas possuem consideráveis aumento de sua dureza. guias de máquinas operatrizes. de tratar-se de peças de grandes dimensões nos fornos de tratamento térmico convencional. engate de veículos. mais conveniente que seu endurecimento total pela têmpera normal. Trata-se de um resfriamento brusco que produz a martensita. No resfriamento rápido em água. Uma têmpera feita corretamente possibilita vida longa à ferramenta. dentes de grandes engrenagens. sob os pontos de vista prático e econômico.O endurecimento superficial dos aços. ou óleos especiais (óleo para têmpera) emulsionáveis em água produzidos por fabricantes de óleo.Têmpera Em muitos aços é necessário conferir dureza na superfície ou parte dela ou mesmo em toda a peça. dando tensão ao material e aumentando sua dureza. sofrem uma apreciável diminuição na ductilidade. A temperatura cai de 850 °C para 20 °C se for a temperatura ambiente. mas a quantidade de carbono deve ser suficiente para produzir a martensita. Losekann Direitos autorais reservados 2. não tem cinética química para se alojar nas estruturas CCC da ferrita e da estrutura complexa da cementita. Têmpera superficial . a peça é retirada do forno e mergulhada apenas em água. visto que. Neste tipo.

variações em profundidades de endurecimento ou de dureza. como aços-carbono. Exemplos: hastes de êmbolos de cilindros hidráulicos. as dimensões destas e. conforme mostro quadro abaixo: Teor de carbono Temperaturas Meio de recomendáveis resfriamento 0. Boa resistência à fadiga por dobramento. evitando-se o endurecimento total. Possibilidade de se utilizar aços mais econômicos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.60% água 850 . inclusive o equipamento disponível. As temperaturas. se desejável. deve-se lembrar que se a camada endurecida corresponder a uma fração significativa da espessura da peça. no caso de se adotar endurecimento superficial por indução e bem menor. profundidades maiores desnecessárias podem provocar o empenamento ou fissura de têmpera ou desenvolver tensões residuais excessivamente altas. Boa capacidade para resistir cargas de contato. Por outro lado. em lugar de aços-liga. como exemplo. Cláudio R. de modo a produzir. em seções diferentes das peças. as propriedades resultantes da têmpera superficial são: Superfícies de alta dureza e resistência ao desgaste. • • • • Algumas recomendações são necessárias para a obtenção de melhores resultados como: • Procurar obter camadas endurecidas pouco profundas.975 °C 0. Possibilidade de controlar o processo. grandes ou delgadas. os meios de resfriamento recomendados e as durezas resultantes para aços-carbonos são os seguintes. Investimento de capital médio. tendo em vista as resistências ao desgaste e á fadiga desejadas.900 °C 0. Dr.875 °C Dureza 50 HRC 52 HRC 55 HRC 58 HRC 60 HRC 64 HRC 39 .975 °C 0.900 °C 0. • Levar em conta que a espessura da camada endurecida depende de cada caso específico. podem resultar tensões residuais de compressão de pequeno valor nessa camada endurecida.30% água 900 . sob a camada endurecida. após o aquecimento. Diminuição dos riscos de aparecimento de fissuras originadas no resfriamento. a carga de serviço das peças. Resistência satisfatória ao empenamento.50% água 870 .45% água 870 . de modo a ter-se melhora significativa na resistência à fadiga.900 °C 0. de fato. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • Possibilidade de melhorar a precisão dimensional de peças planas.40% água 870 . no caso de endurecimento por chama.35% água 900 .

com o teor de carbono acima. A duração do aquecimento é muito curta. A linha acima das curvas é a linha limite inferior da zona crítica de temperatura 727 ºC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. molibdênio. bainita inferior e martensita. fácil de instalar e manter e menos perigosa que os outros meios. tempo e transformação). no caso de se adotar o processo de têmpera superficial. 2. entretanto o custo operacional destes métodos é muito elevado. tempo extremamente curto para obter a martensita exclusivamente. Quando os elementos de liga provocam a formação de carbonetos (cromo.1. Estes outros são salmoura. na qual se faz em zonas muito pequenas e precisamente localizadas. óleo. Os processos mais comuns de têmpera superficial são: têmpera por chama (com maçaricos de oxiacetileno ou GLP) e têmpera por indução. para a compreensão dos tratamentos térmicos denominados isotérmicos. são endurecidos por indução. A figura que segue mostra esquematicamente um diagrama TTT de um aço eutetóide. para produzir uma nítida fronteira entre a secção endurecida e o resto da secção. O cuidado que se deve ter aqui. lembrando que estes podem ser os constituintes do aço eutetóide. a peça é imersa no meio refrigerante.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação A partir deste ponto é necessário introduzir as curvas denominadas de TTT (temperatura. Bi e Mi é a curva de início de transformação respectivamente para perlita (Pi). a temperatura em graus centígrados. que não apresenta zona crítica e o produto da transformação da austenita em velocidade relativamente lenta é a perlita que ocorre a 727 ºC. 40 . A abcissa do gráfico mostra o tempo em segundos em escala logarítmica e a ordenada. pois. ar comprimido e polímeros líquidos.6. O diagrama mostra que é possível obter diferentes tipos de constituintes em função do tipo de resfriamento que se queira dar. os aços correspondentes devem ser aquecidos a temperaturas 50 a 100°C acima das indicadas. Bf e Mf é a curva de fim de transformação respectivamente para perlita (Pf). Dr. O meio de resfriamento usual na têmpera superficial é a água. Normalmente. Pode-se ver que o diagrama apresenta constituintes diferentes como: perlita grossa. geralmente poucos segundos. A curva representa pelas letras Pi. bainita (Bi) e martensita (Mi) e a curva representa pelas letras Pf. estes diagramas tornam-se imprescindíveis. que na abcissa o fator 100 significa 1 segundo. vanádio ou tungstênio). bainita superior. bainita (Bf) e martensita (Mf). Há também métodos mais modernos de aquecimento como a de utilização de feixes de laser e de elétrons. perlita fina. ou o meio refrigerante é jorrado sobre a secção aquecida. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Os aços-liga e os aços de usinagem fácil.

Losekann Direitos autorais reservados 800 727 oC 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi 600 Temperatura ( oC) Pf 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Bi Bf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. normalização e têmpera ao óleo e à água. Tomando-se como exemplos os tratamentos térmicos de recozimento. D e E respectivamente. Cláudio R. No recozimento. Em ambos os casos partese da temperatura de 800 ºC. A seta na extremidade das curvas indica a “direção” do resfriamento. B. curva com letra A e têmpera à água. representados pelas curvas com letras A. o início da transformação da austenita em perlita ocorre a temperatura de 624 ºC em 300 segundos (5 minutos) e o fim da transformação 41 . C.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos. Dr.35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide. A figura que segue mostra os tratamentos térmicos de recozimento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 B 600 D C A ustenita A Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 E 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Mi Bi Bf Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.

se for considerado um eixo. Na superfície um resfriamento muito rápido produzindo a martensita e. As figuras abaixo mostram estes casos. produzindo perlitas. Na têmpera à água. o início da transformação da austenita em martensita ocorre a temperatura de 200 ºC em 2. O aço hipo-eutetóide apresenta ferrita e perlita e o aço hiper-eutetóide apresenta perlita e cementita. A figura abaixo representa esta situação. poderão ocorrer os dois resfriamentos ao mesmo tempo. poderá se encontrar todos os constituintes descritos na figura 2. Conforme foi visto anteriormente.36 como martensita. um resfriamento mais lento.37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça. 42 . mergulhando esta suposta peça na água resfriada e observando a secção transversal no microscópio. Os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hiper-eutetóides variam ligeiramente em relação ao aço eutetóide em função dos constituientes ferrita e cementita.3 segundos e o fim da transformação ocorre a temperatura de 100 ºC em 3. no centro da peça. De qualquer forma. bainita superior. com diâmetro relativamente grande. Cláudio R. dependendo da espessura da peça. perlita fina e perlita grossa da superfície ao centro e conseqüentemente diferentes durezas. Mais duro na superfície e menos duro no centro. bainita inferior. o aço eutetóide apresenta como constituinte primário a perlita unicamente quando resfriado lentamente. isto é. considerando apenas resfriamento lento. Losekann Direitos autorais reservados ocorre a temperatura de 563 ºC em 1500 segundos (25 minutos). poderá se encontrar vários tratamentos térmicos na sua massa partindo de um único tratamento térmico – a têmpera à água. Considerando estas duas análises de resfriamento do aço pode-se concluir que. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 A ie erfíc Sup A ustenita Pi Ce ntr o 600 Temperatura ( oC) Pf Perlita grossa HRC 5 a 25 500 400 300 200 100 0 10-1 E A ustenita Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 segundos. Dr.

Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 43 .39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide. Dr. Losekann Direitos autorais reservados 800 700 600 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi Perlita grossa A ustenita + Ferrita + Cementita Mi Mf Martensita Pf Perlita fina Fi A ustenita + Ferrita + 727 oC Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. 1000 900 800 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 727 oC A ustenita Cementita Perlita grossa Temperatura ( oC) Pi 600 500 400 300 200 100 0 10-1 Mi Mf 10 0 Pf Perlita fina A ustenita + Ferrita + Cementita + Martensita 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide.

3 0.0 1. Dr.5 0. Em certos casos como em aços cementados com alto teor de carbono níquel ou cromo em teores variáveis.41 – Diagrama TTT para o aço 4340. Diagrama TTT (aço ABNT 4340) 800 727 oC 700 A+ F 600 F +C A ustenita Temperatura ( oC) 500 400 A ustenita 300 200 100 0 10-1 Mi Mf Martensita Bi Bf 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.1 0. Losekann Direitos autorais reservados Observando-se os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hipereutetóides verifica-se ainda que o aumento da concentração de 500 carbono desloca a curva em C para a direita.7 0.2 0. A figura abaixo mostra 0 estas condições. os elementos de liga deslocam a curva para a direita.9 1. Além do carbono. Outros fatores podem modificar a posição das linhas de início e de fim de transformação dos diagramas TTT. tem-se à temperatura ambiente uma certa quantidade de austenita residual ou “austenita retida”. equipamentos que para trabalhos em regiões do círculo polar.8 0. Com exceção do cobalto. O aço ABNT 4340 é altamente temperável. não se ter formação completa da martensita à temperatura ambiente pelo resfriamento comum em água.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. retardando o início 400 e o fim da transformação da Mi 300 perlita e também que a temperatura. em virtude da linha Mf ficar localizada abaixo dessa temperatura. Cláudio R. Nessas condições. os elementos de liga no aço também podem influenciar a posição das curvas.4 0.6 0. visto que as curvas em C encontram-se 44 .40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono.1 Temperatura ( oC) Concentração de carbono (%) Figura 2. tanto para o início 200 quanto para o fim da Mf 100 transformação da martensita é diminuída. Isto pode produzir algumas conseqüências como a transformação destas em lugares muito frio. como por exemplo. retardando as transformações. -100 0.

molas de qualquer natureza. Austêmpera A austêmpera é um processo de tratamento isotérmico dos aços. Losekann Direitos autorais reservados posterior a 10 segundos. por exemplo. • Resfriar bruscamente em banho de sal fundido ou em óleo quente até a temperatura de formação da bainita. segue o diagrama TTT. 45 . Cláudio R. A figura acima mostra esta situação. 2. Diagrama TTT (transformação da bainita inferior) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 3 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. bainita superior e bainita isenta de carbono ou ferrita acicular. O processo caracteriza-se pela formação de uma microestrutura metalográfica constituída por bainita e apresenta. Para ficar mais claro o tratamento por austêmpera. seguido de revenimento.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos São os tratamentos de austêmpera e martêmpera. aliando uma boa dureza como o exigem. basicamente as seguintes etapas.6. O tamanho do grão da austenita e sua homogeneidade são outros dois fatores que afetam a posição das curvas de transformação. ou seja. • Resfriar até a temperatura ambiente (posição 3). Dr. conforme a figura 2. cujo objetivo é a obtenção de peças com alta tenacidade e resistência à fadiga.42: • Aquecer até a temperatura de austenitização (posição 1).42 – Austêmpera.1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. temperaturas entre 250 ºC a 400 ºC (posição 2). A austêmpera pode produzir 3 tipos de bainita que são: bainita inferior. Esse tratamento pode proporcionar melhores resultados do que a combinação de têmpera. • Manter a temperatura pelo tempo necessário até a completa transformação da austenita em bainita (transformação isotérmica).

8 8. Na bainita superior a microestrutura metalográfica é similar à da perlita. As agulhas são longas. Diferenciar a microestrutura metalográfica da bainita superior daquela da perlita fina.210 alongamento (%) 4.0 resistência ao impacto (J/cm2) 38 a 43 72 a 76 resistência à fadiga (ciclos) 8. por meio de microscopia óptica. apresentar imagens bastante variadas em função da maior ou menor presença de carbono e elementos de liga no aço...530 1. Os resultados dos ensaios mecânicos realizados encontram-se descritos no quadro abaixo.150 17. As propriedades das peças austemperadas poderão ser melhores compreendidas quando comparadas àquelas obtidas por peças do mesmo aço. Por microscopia eletrônica. é praticamente impossível... Losekann Direitos autorais reservados A bainita inferior possui grande semelhança com a martensita. Observada num microscópio eletrônico.. A título de exemplo. A principal diferença entre ambas está na presença de carbonetos.. porém apresenta menor regularidade geométrica do que esta e pode.400 1.5 36. paralelas a carbonetos alongados que somente são visíveis através de microscopia eletrônica. através de todo o comprimento dos grãos e partem. Cláudio R..UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Típica da bainita inferior é a distribuição ordenada de “bastonetes” de carbonetos que. submetido aos seguintes tratamentos térmicos : TR ____ têmpera + 830 ºC óleo 460 ºC revenido. dos contornos dos grãos originais de austenita.590 limite de escoamento (MPa) 1... 320ºC ar AT ____ austêmpera. às vezes... normalmente.. percebe-se que a ferrita da bainita superior apresenta maior densidade de discordâncias do que aquela apresentada pela ferrita contida na perlita.. Provavelmente estes carbonetos são inicialmente segregados como carbonetos.. toma-se um corpo de prova ∅ 10 x 100mm. PROPRIEDADES TR AT limite de resistência (MPa) 1. se alinham com ângulos de 50º a 60º em relação ao eixo das agulhas de bainita. Propriedades mecânicas de um aço para molas submetidos aos tratamentos térmicos TR e AT. Dr. a ferrita acicular ou bainita isenta de carbono é sempre acompanhada por uma “esponja” de austenita retida e uma leve segregação de carbonetos.060 46 .2 estricção (%) 9. enquanto que a característica principal da bainita superior é a presença de placas longas de ferrita. estendem-se. ainda. dando origem à formação de Fe3C à medida que a transformação bainítica progride. 830 ºC . cuja forma e distribuição depende muito do teor de carbono do aço. temperadas e revenidas.. de aço ABNT 5160.

os aços-carbono utilizados para a austêmpera devem conter um teor de carbono mínimo de 0. normalmente. o mesmo raciocínio é válido para peças que sejam resfriadas muito depois. fechos de cintos de segurança. A temperatura de transformação isotérmica precisa ser cuidadosamente mantida. mesmo que as peças apresentem regiões com grandes concentrações de tensões como. pois requerem alta resistência à fadiga e. limitam-se ao intervalo de durezas entre 40 e 50 HRC. ou seja. A formação da bainita. Evidentemente. Losekann Direitos autorais reservados Analisando-se estes dados percebe-se que. Quando a dureza necessária for inferior a 40 HRC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Quanto à resistência à fadiga por flexões alternadas. no campo. entre 280 ºC e 350 ºC. suas durezas encontram-se na faixa de 40 a 50HRC. ocorrerão alterações indesejadas na microestrutura metalográfica que. a austêmpera apresenta vantagens significativas. Evidentemente. determinarão uma queda significativa da tenacidade e da resistência à fadiga das peças. as peças tratadas não devem ser mais espessas do que 3mm. Uma aplicação vantajosa da austêmpera é aplicá-la a aços que apresentem tendência à fragilidade de revenido. podem aumentar ou diminuir significativamente o tempo necessário à transformação isotérmica. A austêmpera aplica-se com sucesso a todos os tipos de molas.5% e. entalhes. por exemplo. pás de pedreiros. 47 . do tempo correto para a transformação isotérmica. o que não pode ser desprezado ao dimensionar-se qualquer elemento de máquina. Peças que necessitem de elevada resistência à tração e tenacidade como. Por esta razão. por exemplo. Pequenas variações no teor de cromo. a têmpera e o revenimento proporcionarão melhores resultados. o limite de escoamento das peças austemperadas é consideravelmente menor que o alcançado pelas peças temperadas e revenidas. mesmo apresentando um limite de resistência superior ao das peças temperadas e revenidas. as peças austemperadas alcançam valores significativamente maiores de alongamento. Para peças maiores é aconselhável escolherem-se aços com teores de manganês e cromo mais elevados. evitando-se o intervalo crítico de fragilização. permite que se alcance a dureza desejada. Cláudio R. deve-se retratar o lote pois. furações. após a têmpera devam ser revenidos entre 350 ºC e 500 ºC. aços ligados com Cr e/ou Mo que. A austêmpera requer rígido controle da qualidade do aço e dos parâmetros (tempos e temperatura) do tratamento térmico. Já. caso seja realizado um simples revenimento. Dr. quanto a dureza alcançada pela austêmpera são inferiores àquelas possíveis de serem obtidas pelo tratamento de têmpera e revenido. ou muito antes. As excelentes propriedades de resistência à fadiga por flexões alternadas e tenacidade. Tanto a profundidade endurecida. estricção e resistência ao impacto. Se a dureza final desejada estiver abaixo daquela obtida após a austêmpera. por exemplo. obtidas pela austêmpera. etc. a austêmpera tem suas limitações. variações geométricas abruptas.

portanto. em função do volume de produção. A peça é aquecida acima da zona crítica para se obter a austenita (posição 1). O 48 . podem ser austemperadas com sucesso. Antes. Martêmpera A martêmpera é um tipo de tratamento indicado para aços-liga porque reduz o risco de empenamento das peças. deve-se realizar alguns ensaios mecânicos. sendo equipados com sistemas de aquecimento elétrico.47 400ºC 293 Calor Médio AS 140 AS 220 AS 235 140 220 235 Os fornos que contém estes banhos de sais podem ser estacionários ou contínuos. pois a microestrutura bainítica. alavancas para máquinas de escrever. Na primeira. Tipo Sal de Temperatura de Fusão (ºC) Temperatura de Trabalho (ºC) Min. A transformação isotérmica necessária à obtenção de uma microestrutura metalográfica bainítica é normalmente realizada em leitos fluidizados ou em banhos de sais fundidos. em temperatura ambiente (posição 4). Quase sempre é possível compensar-se esta diferença através da seleção de uma dureza mais alta para as peças austemperadas. 160 250 280 550 550 550 Densidade (g/cm2) 1. pode-se afirmar que elementos de máquinas sujeitos a esforços de fadiga. A segunda etapa é a do resfriamento final. apresenta menor limite de escoamento. A martêmpera proporciona as mesmas propriedades que a têmpera e o revenido. constituídos por uma mistura de nitretos e nitritos alcalinos. porém. com temperatura um pouco acima da linha Mi (posição 2). A martensita obtida apresenta-se uniforme e homogênea. porém as tensões resultantes do processo são mais facilmente eliminadas. de dureza) que a microestrutura martensítica. Genericamente.8 Específico Calor Latente de Fusão ( J/g) a ºC (J/g. etc. conforme mostra a figura 2. apesar de oferecer praticamente os mesmos valores de resistência à tração (e. a peça é mergulhada num banho de sal fundido ou óleo quente. Após a martêmpera é necessário submeter a peça a revenimento.8 1. onde a vida útil é um fator decisivo e a geometria favorece a concentração de tensões localizadas podem ser submetidas ao tratamento de austêmpera.ºC) entre 20ºC e 300 1. de tomar-se a decisão de substituir um tratamento térmico de têmpera e revenido por austêmpera.8 1.43. recirculadores e a automação necessária à manutenção de uma temperatura constante para a transformação isotérmica.18 350ºC 310 400 1. Máx. Dr.43 200ºC 256 400 1. Losekann Direitos autorais reservados componentes de fechaduras. elos para determinadas correntes de transporte de ração animal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. trocadores de calor. ao ar. Cláudio R. Mantém-se a peça nessa temperatura por certo tempo. e depois é resfriada em duas etapas. diminuindo riscos de trincas. Características físicas dos sais Durferrit. tendo-se o cuidado de não cortar a primeira curva (posição 3).

pode-se generalizar tratamento superficial os tratamentos que objetivam melhorar o aspecto do material utilizado. Entretanto há o tratamento térmico-químico que pode ser produzido nas superfícies destas ligas como cementação. por sua vez. se devem se situar na secção de tratamentos de superfície. Pode-se definir por corrosão como a destruição dos metais devido as suas reações químicas eletroquímicas em um meio corrosivo. mas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. existem os processos de revestimentos metálicos. Dr. os tratamentos térmicos que produzem modificações nos constituintes primários das ligas ferrosas (aços e ferros fundidos) sem alterar a composição química.2 . Em virtude disto. O meio corrosivo pode ser o próprio ambiente em que se encontra o metal como o solo. característica dos tratamentos térmicos. Cláudio R. o qual pode apresentar características ácidas ou básicas. exclusivamente. a água que pode conter sais 49 .43 – Martêmpera. Quando se trata de pintura. Em virtude da explanação feita acima. mas sim. cromagem. não podendo ser regra. produzem modificações parciais em sua composição química para melhorar as propriedades de suas superfícies. Diagrama TTT (transformação da martensita) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf 3 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Martensita HRC 65 a 70 100 4 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. ferroxidação e outros que.TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES Na secção anterior foram abordados. Alguns destes revestimentos podem ser feitos à frio ou à quente. além da pintura. deposição de ouro e etc. cianitretação. aconselhamento. denominados também de metalização como a galvanização (zincagem). protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca como a corrosão e também aumentar a resistência ao desgaste elevando a dureza da superfície. estanhagem. 2. optou-se em classificar os tratamentos térmico-químicos ou termoquímicos como tratamento de superfície.6. Losekann Direitos autorais reservados processo é ilustrado no diagrama seguinte. Isto leva dúvida se os tratamentos térmicoquímicos devem situar-se na secção de tratamentos térmicos ou. não há dúvida qualquer que é um tratamento de superfície de revestimento. nitretação.

lembrando que as aplicações destes podem ser mútuos. eventualmente ácidos ou básicos e o ar que contém umidade e sais em suspensão. Uma das formas de combater a corrosão consiste em evitar o contato do metal com o meio corrosivo. • Solubilização: uso de solventes.. Em relação ao aumento da dureza na superfície os tratamentos térmicoquímicos que promovem uma modificação parcial na composição química do metal como aumento do teor de carbono. pelos processos químicos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tartáricos. por exemplo. • Ação química: decapagem ácida. hidróxidos. nitratos. pelas técnicas de execução e outras características. lixadeiras. além do fator tempo de processo. associado à imersão a quente ou vapor ou. Cláudio R.1 . Os mais comuns são sais sódicos. ou limpeza a jato (mais eficiente). No caso de substâncias orgânicas. sendo estes dois fatores . De maneira geral os processos termo-químicos consistem em submeter as peças ao calor em um meio apropriado. deve-se limpar e preparar adequadamente a superfície. etc. enquanto que a proteção oferecida por substâncias inorgânica durabilidade maior. Antes de se efetuar os tratamentos classificados acima. hidróxidos e os silicatos. raspadeiras. O objetivo principal destes tratamentos é aumentar a dureza e a resistência ao desgaste superficial. pelo tipo e composição do meio externo. etc. Para isso. líquido/vapor. de nitrogênio e cromo são mais eficientes para o aumento da resistência ao desgaste. dependendo do caso. • Ação mecânica: atividade abrasiva por meio de lixas. que utilizam ácidos orgânicos como acéticos. recobrir o metal com substâncias orgânicas como óleo de peroba. oxálicos. aplicados pelos processos de desengraxamento por vapor. Dr. que será responsável pela profundidade até a qual esta alteração se efetuará. os fosfatos. cera de carnaúba. que remove a casca de óxidos. os responsáveis pela alteração da composição química superficial.2. ao mesmo tempo em que se mantém dúctil e tenaz o núcleo do material. sulfetos. cera de abelha. a proteção geralmente tem durabilidade baixa. de mamona. pode-se utilizar as seguintes técnicas: • Detergência: uso de reativos químicos.6. Essa possibilidade de se aliar uma superfície dura com um núcleo mais mole e tenaz é de grande importância em inúmeras aplicações. Em virtude da complexidade deste tema. 2. serão classificados os tratamentos superficiais em dois tipos de tratamentos: tratamentos para aumentar a resistência ao desgaste ou tratamentos termo-químicos e tratamentos de proteção contra à corrosão ou tratamentos de revestimentos. Losekann Direitos autorais reservados minerais. cítricos. etc. ou a decapagem alcalina. politrizes.Tratamentos termo-químicos Na indústria é utilizada uma multiplicidade de tratamentos termo-químicos que se diferenciam pelos elementos que se difundem. fluoretos. óleo mineral ou através de substâncias inorgânicas como fosfatos. carbonatos. sobre 50 . como alcalinos pesados ou médios (depende de seu PH). associado a um jato de solvente. entre eles.

Geralmente o meio sólido é utilizado para produzir um gás ativo ou fase gasosa. a cementação do aço no carburante sólido deve se relacionar com o método de saturação da fase gasosa. Para o tratamento termo-químico é mais conveniente o meio gasoso puro: sua composição é fácil de controlar. como os fornecedores dos elementos dos átomos que enriquecem as camadas superficiais das peças. formam-se como resultado de reações químicas no sal fundido (por exemplo. Cláudio R. o elemento difusor forma-se como resultado das reações de dissociação CH 4 → C + 2 H 2 . saturação da fase gasosa e saturação da fase líquida. pode-se conseguir núcleo de elevada resistência e tenacidade. pelo emprego de aços com elementos de liga. diretamente pelos locais de seus contatos com a superfície da peça. Os exemplos citados mostram que a classificação dos métodos de tratamento termo-químicos pelo estado de agregação do meio no qual a peça é introduzida. Por exemplo. dispersão 2CO → C + CO2 . é aquecido rapidamente até a temperatura desejada. resultando num material capaz de suportar em alto grau certos tipos de tensões. quando a peça é empacotada no pó de cromo ou liga ferro-cromo. 2CO → C + CO2 . diferenciam-se os tratamentos termo-químicos em meio sólido. servem. O meio gasoso e a fase gasosa ativa. Dr. Este processo é pouco efetivo e pouco utilizado. que se formam com o aquecimento da peça no meio sólido. nos processos industriais. De acordo com essa classificação. 51 . com superfície extremamente dura. nem sempre coincide com a essência físico-química do processo de tratamento. da qual os átomos ingressam na peça. N. permite mecanizar e automatizar completamente o processo e realizar imediatamente a têmpera (sem repetição de aquecimento). No tratamento termo-químico em meio gasoso. líquido e gasoso. Outro exemplo é a crometação por difusão no meio “sólido”. Baseando-se nas características físico-químicas da fase ativa que fornece o elemento difusor. no NaCN durante a cianetação). e não nos locais de contato direto do pó com a superfície da peça. Dubinin propôs os seguintes métodos de classificação dos tratamentos termo-químicos: saturação da fase sólida. G. os átomos do elemento difusor na peça. Dependendo do estado de agregação do meio externo no qual se introduz a peça que esta sendo tratada. na cementação os átomos de carbono do carburante sólido (carvão vegetal) que difundem no aço formam-se do óxido de carbono.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Com o aquecimento. troca CrCl 2 + Fe → Cr + FeCl 2 ou reconstituição VCl 2 + H 2 → V + 2 HCl . o cromo vaporiza e seus átomos ingressam na peça. saturação da fase vaporizada. No tratamento termo-químico em meio líquido. principalmente da fase gasosa. é necessário apenas para a formação da fase gasosa. Os átomos do elemento difusor ingressam da substância sólida. e crometação por difusão no cromo pulverizado com o método de saturação da fase vaporizada. Losekann Direitos autorais reservados tudo porque.

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Pela característica da variação da composição química da peça tratada todas as variedades de tratamentos termo-químicos podem ser divididas em três grupos: saturação com não-metais por difusão, saturação com metais por difusão e remoção dos elementos por difusão. Estes grupos incluem os diversos processos industriais de tratamento termo-químico como pode ser visto no quadro abaixo. Variedades de tratamento termo-químico. Saturação com não-metais por Saturação com metais por Remoção de difusão difusão elementos por difusão Carbonetação(cementação) Aluminetação Desidrogenação Nitretação Crometação por difusão Desoxidação Cianetação Cromocalorização Descarbonetaçã o Nitrocementação Galvanização por difusão Remoção de conjunto de impurezas Boretação Cupretação por difusão Silicietação Titanetação Sulfetação Beliretação Sulfocianetação Vanadetação Saturação de oxigênio* Oxigenação interna * * Saturação de oxigênio é superficial, e oxigenação interna é a saturação de todo o volume da peça com oxigênio com o objetivo de formação de óxidos dispersos. A superfície do aço, saturada em carbono e nitrogênio, ou simultaneamente com estes dois elementos, é o processo de tratamento termo-químico mais amplamente usado. O carbono e o nitrogênio se solubilizam intersticialmente no ferro, e por isso podem difundir rapidamente a uma profundidade significativa. Os meios ativos contendo estes elementos são baratos, e as fases que se formam com a participação do carbono e do nitrogênio no processo de saturação, ou com posterior tratamento térmico, modificam bruscamente as propriedades mecânicas e físico-químicas do aço.

Nitretação
A nitretação é um processo de endurecimento superficial em que se introduz superficialmente no aço, até uma certa profundidade, nitrogênio, sob a ação de um meio nitrogenoso, a uma determinada temperatura. A nitretação é realizada com os seguintes objetivos: - Obtenção de elevada dureza superficial. - Aumento da resistência ao desgaste e escoriação. - Baixo coeficiente de atrito. - Aumento da resistência à fadiga. - Melhora da resistência à corrosão e à oxidação.

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Algumas características do processo são: - A temperatura de tratamento é inferior à crítica (500 ºC a 570 ºC), o que leva a menores distorções dimensionais e empenamentos nas peças. - Não há necessidade de qualquer tratamento térmico posterior a nitretação. - Não modifica as características mecânicas do núcleo obtidas por têmpera e revenido, desde que este último tenha sido executado a uma temperatura em torno de 30 ºC acima da temperatura de nitretação. - Como as temperaturas são relativamente baixas não há aumento significativo do tamanho de grão. O entendimento do processo requer um adequado conhecimento do sistema ferro-nitrogênio e por isto há necessidade de analisar o diagrama de equilíbrio Fe-N, em termos de identificação das diferentes fases.

900 800 700 Fe4N

γ α
0,1% 650 oC 2,8% 4,5% 2,35% 490 oC 590 oC

650 oC

Fe2N

Temperatura ( oC)

600 500 400 300 200 100

ε

α + γ' γ' γ' + ε ζ

5,7%

6,2%

8,25%

11,1%

11,35%

0

0

2

4

6

8

10

12

14

16

Concentração de nitrogênio (%)
Figura 2.44 - Diagrama de equilíbrio Fe-N.

A fase α é constituída de uma solução sólida de nitrogênio no ferro com um limite máximo de solubilidade próxima de 0,1%. A fase γ é constituída de uma solução de nitrogênio no ferro γ e tem estrutura CFC da austenita, figura 2.45. É estável acima de 590 ºC e pode conter até um máximo de cerca de 3 % de nitrogênio. A fase γ’ é constituída de (composto não estequiométrico, Fe4N composição teórica 5,7% a 6,2% de nitrogênio) de reticulado CFC; estável até 680 ºC. O eutetóide α - γ’ ocorre à temperatura de 590 ºC.
Figura 2.45 – Célula unitária da fase γ’.

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A fase ε (Fe2-3N) tem estrutura hexagonal compacta, 2.46, e pode conter uma quantidade de nitrogênio bastante variável. Quando o nitrogênio alcança a concentração de 11,1% a 11,35% se transforma na fase ξ (Fe2-3N). A nitretação acima de 590 ºC forma camadas duras, mas extremamente frágeis, sendo que o processo acima desta temperatura tem aplicação industrial restrita. Isto se deve a formação do constituinte eutetóide denominado braunita com 2,35% de nitrogênio, sendo Fe α + Fe4N. A nitretação abaixo de 590 ºC forma microconstituintes muito finos, dispersos e difíceis de se observar ao microscópio ótico. Resumindo, a formação da camada de nitretos de ferro durante a nitretação, nas temperaturas usadas industrialmente, em função do aumento do teor de nitrogênio na peça será:
Figura 2.46 – Célula unitária da fase ε.

- Até o valor de 0,1% de N, a temperatura de 590 ºC, limite de solubilidade do N no ferro, tem-se a fase α; - Acima de 0,1% começa a se formar a fase γ’ em contornos de grãos e ao longo de certos planos cristalográficos, até o valor de 6,2% de nitrogênio; - Para teores acima de 6,2 % a fase γ’ começa a se transformar na fase ε; - Entre 11,1 e 11,35% forma-se a fase ξ, mas que só é estável abaixo de 450 ºC, portanto raramente é observada. Os aços utilizados para nitretação podem conter elementos de liga como Al, Ti, Cr, Mo e V. O alumínio e o titânio promovem a maior dureza da camada nitretada, seguidos pelo Cr, Mo e V. O aumento de dureza conferido por estes elementos é devido à formação de seus respectivos nitretos (AlN, TiN, CrN, MoN e VN) em planos preferenciais da ferrita {0,0,1}. A profundidade da camada nitretada decresce com o aumento dos teores dos elementos de liga. O Al e o Ti, que possuem a maior influência na dureza, também tem o maior efeito na redução da na espessura da camada nitretada, quando seus teores são elevados. Esses elementos de liga, principalmente Al, Ti e o Cr, possuem alta afinidade química com o nitrogênio, e quando estão presentes em teores elevados, reduzem o teor de nitrogênio livre para a zona de difusão, através da formação da camada branca. O carbono é um elemento comum nos aços, e sendo intersticial como o nitrogênio, possui uma forte influência na formação da fase ε e γ’. Na presença de carbono, a fase ε é na realidade um carbonitreto de composição variável entre o Fe3(CN) e o Fe2(CN). Um outro fenômeno importante durante a nitretação, é a transformação de carbonetos em nitretos. Isto pode ser entendido considerandose as energias de Gibbs para carbonetos e nitretos. Para o cromo, por exemplo, o ∆Gº do Cr2N é menor do que o ∆Gº do Cr7C3. É de se esperar, portanto, que 54

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durante o processo de nitretação os carbonetos de cromo se desestabilizem para formar nitretos de cromo, e o carbono livre se difunde para o lado de menor potencial químico, formando CrFe3C nos contornos de grão da ferrita e não Fe3C isento de cromo, indicando que o potencial químico do CrFe3C é mais baixo do que o da cementita, Fe3C. Assim, pode-se se esperar que o carbono dificulte a difusão do nitrogênio para a zona de difusão. Como os aços empregados para a nitretação são temperados e revenidos entre 550 ºC e 650 ºC, ocorre a precipitação e crescimento de carbonetos, preferencialmente em contornos de grão durante o revenimento. Como a difusão do nitrogênio é muito mais rápida pelos contornos de grão, estes precipitados dificultam a difusão deste. Por outro lado a temperatura de revenimento deve ser acima da temperatura de nitretação para minimizar erros dimensionais que possam vir a ocorrer devido à precipitação de carbonetos durante a nitretação. Os aços especiais para a nitretação, além de teores relativamente elevados de carbono, contêm, como já vimos, alumínio, cromo, molibdênio e ainda o níquel. Os teores usuais destes elementos nos aços para nitretação são os seguintes: - Carbono: 0,30 a 0,45% - confere ao aço não só temperabilidade como também suporte adequado à camada nitretada extremamente dura e muito fina; - Alumínio: 0,85 a 1,20% e Cromo: 0,90 a 1,80% - são elementos que formam nitretos de elevada dureza; - Molibdênio: 0,15 a 0,45% - diminui a fragilidade de revenido que pode ocorrer durante a nitretação, em função das temperaturas usadas; - Níquel: normalmente ausente, é adicionado em teores de 3,25 a 3,75%, quando de deseja um núcleo de dureza mais elevada. Os aços para nitretação, contendo como elementos de ligas fundamentais como cromo e o alumínio são conhecidos como Nitralloy, sendo que apresentam, após a nitretação, a camada superficial mais dura e o núcleo de resistência mecânica mais adequada. Além destes aços especialmente desenvolvidos para a nitretação, outros tipos de aços podem ser submetidos à nitretação, desde aços comuns ao carbono, aços com altos teores de elementos de liga, como os aços para matrizes e inoxidáveis. O resultado obtido em um determinado tipo de aço, em termos das características específicas da camada de nitretos formada, vai depender ainda do processo de nitretação utilizado, sendo normalmente, um deles o mais apropriado para uma determinada classe de aços. A nitretação pode ser realizada por três processos: nitretação a gás, nitretação líquida ou em banho de sal e nitretação por plasma ou iônica, sendo este último, objeto de estudo nos últimos 10 anos em virtude de ser menos poluente, por formar camada nitretada com espessura e composição bem definida e por obter ótimos resultados com menor custo. Nitretação a gás - Este é o processo clássico, consistindo em submeter as peças a serem nitretadas à ação de um meio gasoso contendo nitrogênio, geralmente amônia (NH3), a uma temperatura determinada, entre 500 e 570 ºC. Neste processo a difusão do nitrogênio é muito lenta, de modo que a operação é muito demorada, durando às vezes até 90 horas. Geralmente o tempo varia de 48 a 72 horas. Mesmo com tempos mais longos a espessura da camada nitretada é inferior à da camada cementada, dificilmente ultrapassando 0,8 mm. 55

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Industrialmente, requer-se aços ligados para a nitretação gasosa, com elementos de liga formadores de nitreto. De modo geral, não se nitreta aços comuns por este processo, pois em princípio, não há vantagem em se nitretar aços comuns (baixo carbono), pois o nitreto de ferro que se forma, apesar de ser duro, é muito frágil.

0,9 0,8

Profundidade nitretada (mm)

0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 -0,1 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Tempo (horas)
Figura 2.47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada.

Nitretação líquida - Trata-se de um processo de nitretação que permite, em tempos muito mais curtos que a nitretação gasosas, obter superfícies muito resistentes ao desgaste, sem tendência ao engripamento, de alto limite de fadiga e elevada resistência à corrosão atmosférica. Além disso, ao contrário da nitretação a gás que exige aços especiais para a obtenção de melhores resultados, a nitretação líquida pode ser realizada em aços comuns, de baixo carbono, como o ABNT 1045. A faixa de temperatura é aproximadamente a mesma que é utilizada na nitretação a gás, 500 a 575 ºC. O meio líquido utilizado é cianeto fundido, como na cementação líquida, no entanto a nitretação adiciona muito mais nitrogênio que carbono à superfície das peças. Um banho comercial típico para nitretação líquida é constituído de uma mistura de sais de sódio e potássio, os primeiros de 60 a 70% em peso da mistura total e os segundos de 30 a 40%. Os sais de sódio consistem de: - 96,5% NaCN (cianeto de sódio); - 2,5% Na2CO3 (carbonato de sódio); - 0,5% NaCNO (cianato de sódio). 56

1 0.2 0. liberando carbono e nitrogênio. que pode variar de 1 a 3 horas.9 0. .7 1045 0. V ou outros elementos formadores de 57 .6 0. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga.8 1015 Profundidade nitretada (mm) 0. Losekann Direitos autorais reservados Os sais de potássio consistem de: . nos aços ligados com Cr. para garantir alto limite de fadiga. resultando nitretos em maior quantidade que carbonetos na camada branca (ou faixa de compostos) que pode atingir deste 5 a 15 mm. Cláudio R.0. entretanto nestas temperaturas o nitrogênio se difunde mais que o carbono. seu limite de fadiga.48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços. forma segregações aciculares de Fe4N. portanto.0. atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. sendo o cianato o principal responsável pela nitretação. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns.0. V ou outros elementos formadores de nitretos especiais.0 0 2 4 6 8 10 Tempo (horas) Figura 2.75% KCNO (cianato de potássio). ocorre um considerável aumento de dureza. conforme o tempo de operação. . submetidos ao processo líquido. elevando seu limite de escoamento e. 0. A figura que segue mostra a profundidade de nitretação para alguns aços submetidos à nitretação líquida a 570 ºC.3 0. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. Nas temperaturas de nitretação o cianato decompõese. forma segregações aciculares de Fe4N.4 A ços ligas 0. W. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns. Al. . W.5 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que não interferem na dureza. Al. que não interferem na dureza. Dr.5% KCl (cloreto de potássio) A relação entre cianeto e cianato é crítica.0% KCN (cianeto de potássio).96. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução.6% K2CO3 (carbonato de potássio). nos aços ligados com Cr.

negativo (cátodo) e positivo (ânodo). Cláudio R. O plasma é composto de elétrons. a uma tensão elétrica entre dois pólos. independente do gás utilizado. podem ocorrer os seguintes eventos: .O íon incidente pode ser implantado na rede cristalina do substrato: Implantação iônica. que depende da reatividade do gás utilizado. íons e partículas neutras. promovendo um tratamento uniforme em toda a peça. a temperatura da peça é igual a temperatura do gás.49 – Esquema do reator iônico. já que a peça a ser nitretada é o cátodo. moléculas ou átomos. para garantir alto limite de fadiga. dependendo da relação entre tensão e corrente. tendo em vista que o livre caminho médio diminui com a pressão. seu limite de fadiga. as energias dos íons e moléculas se tornam iguais. Nestas condições de equilíbrio o aquecimento da peça é provocado igualmente pelas colisões de moléculas e íons e. portanto. Dr. Figura 2. estabelecendo-se um equilíbrio térmico na bainha catódica. 58 . ocorre um considerável aumento de dureza. com o substrato. O número de colisões é diretamente proporcional a pressão de N2 no reator. As peças ficam presas ao cátodo. com transferência de carga e energia cinética.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O cátodo é totalmente envolvido pelo plasma. Quando estas espécies colidem com a superfície do substrato (cátodo). também chamado de plasma. Nitretação iônica . atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. O tratamento consiste basicamente em submeter uma mistura de gases (N2 ou N2 + CH4) em uma câmara hermeticamente fechada. e temperatura. Na nitretação por plasma. Esta queda de tensão provoca uma aceleração dos íons N+ a partir da região luminescente em direção ao cátodo. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos.A aplicação de uma tensão contínua entre dois eletrodos. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução. o que não acontece em outros regimes de descarga. no estado fundamental ou excitado. mantidos em uma atmosfera gasosa. que tem um pronunciado efeito sobre a cinética de nucleação e crescimento do filme depositado. além de um efeito químico. elevando seu limite de escoamento e. Losekann Direitos autorais reservados nitretos especiais. conforme mostra o esquema abaixo. portanto. Quando o número de colisões atinge um valor suficientemente alto. o importante é a queda de tensão catódica. permite a obtenção de um gás ionizado. O bombardeamento de uma superfície por íons. produz um efeito físico. os regimes de descarga. colisões entre os íons acelerados e moléculas. Na região da bainha ocorre então. Neste ambiente são monitoradas as variáveis do processo como pressão do gás.

59 . N*. o que o torna mais econômico.Reações químicas entre o gás da descarga e o material do substrato. podem ser resumidas citando-se os seguintes aspectos: . contribuindo para a manutenção da descarga. por exemplo. portanto. As colisões de elétrons com moléculas do gás podem provocar dissociação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Rearranjos de ordem microestrutural no interior do material. além das espécies correspondentes ao hidrogênio. frente aos outros processos de nitretação. Cláudio R. formando nitretos estáveis como Fe2-3N ou Fe4N. . o que permite reduzir-se o tempo e a temperatura do processo. vazios. aumentando sua densidade de defeitos. Este composto é instável entre 350 e 600 ºC. .0 mm para tempos longos. formando espécies que reagem como substrato. O modelo de mecanismo de nitretação sugerido por Kobel e Edenhoffer propõe que os átomos de ferro são arrancados da superfície por bombardeamento iônico e combinam com o nitrogênio atômico no plasma. sendo de grande importância para os aços sinterizados.Ejeção de átomos do substrato (sputtering). As principais espécies reativas em um plasma de N2 são: N. liberando nitrogênio atômico que se difunde no reticulado cristalino do ferro. combinam-se com o ferro e elementos de liga presentes na peça promovendo a formação da camada nitretada. . As vantagens da nitretação por plasma. Devido a diferença de potencial e à baixa pressão no reator. os quais são acelerados na bainha catódica pelo campo elétrico. espécies do tipo Ni + Hj. ainda. A vantagem de usar hidrogênio na mistura é função de seu potencial redutor. As peças a serem nitretadas são colocadas no cátodo. As diversas espécies reativas de nitrogênio (com potencial nitretante). Este processo pode ser aplicado em todos os tipos de aços. é admitido atualmente. uma melhoria na eficiência do processo. e se dissocia. N+ e N2+ . Dr. N2*. como. em uma atmosfera de N 2 + H 2 em baixa pressão (4 Torr).Emissão de elétrons secundários. é a formação de espécies reativas de nitrogênio. formadas no plasma. excitação e ionização. Em função dos vários modelos. ocupando posições intersticiais ou pelos contornos de grãos.Permite nitretar apenas as áreas desejadas em uma mesma peça. formando o composto FeN que se deposita por retro-difusão na superfície da peça.Reflexão do íon a partir da superfície e posterior neutralização. Os mecanismos de nitretação por plasma propostos são vários. . que o fato mais importante na nitretação por plasma. A espessura da camada branca varia de 5 a 25 µm e a de difusão pode se aproximar de 1. podem surgir. além de propiciar uma ionização maior e. no estado excitado e também NHj ou NHj+ em misturas N 2 + H 2 com energia potencial suficiente para a formação de nitretos de ferro. a mistura gasosa se ioniza e os íons formados são acelerados contra as peças e as colisões promovendo seu aquecimento. Losekann Direitos autorais reservados . Em termos práticos a nitretação por plasma consiste em aplicar-se uma diferença de potencial de 500 a 1000 VDC entre dois eletrodos. e no caso de um plasma N2 + H2.Possui uma maior taxa de crescimento de camadas. As diferentes fases de nitretos que se formarão dependerão das condições adotadas. na forma atômica ou molecular. .

Cementação Em parágrafos anteriores foram citadas várias vezes a cementação. Posteriormente.5 simultaneamente durante ao trabalho ao 0. em altas temperaturas de 800 ºC a 950 ºC. a profundidade da camada cementada pode variar de 0.É um processo não poluente. .Apresenta ótima repetibilidade de resultados.2% de carbono e que são submetidas 0. O tempo de permanência no forno pode variar de um a trinta horas. submete-se a peça à têmpera para obter a dureza desejada. saturada de carbono. os óleos etc.5 o também de aços ligas) 800 C que contém de 0.5% de carbonato de sódio e o restante de carvão vegetal. depois. por não produzir resíduos tóxicos. A finalidade da cementação é elevar a dureza e a tenacidade da peça para depois sofrer a têmpera. . O processo de cementação pode ser efetuado em um meio sólido.0 mm ou mais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.5 até 5. É um dos tratamentos térmico-químicos realizados com freqüência.Permite escolher o tipo de fase da camada nitretada pela adequada escolha dos parâmetros operacionais.0 0.1% a 1. No meio sólido normalmente utiliza-se carvão vegetal ou coque com adições especiais de carbono de bário. A cementação está baseada nas propriedades do ferro que.0 desgaste e as cargas 0 2 4 6 8 dinâmicas. chama-se camada cementada. Tempo (horas) Figura 2. mantendo ao mesmo tempo o núcleo dúctil. a peça é levada ao forno a uma temperatura em torno de 930 ºC. como querosene. líquido ou gasoso. e em meio gasoso. Em meio líquido faz-se por meio de sais fundidos. o gasogênio.A composição do carburizador contém geralmente a seguinte composição: 20 a 25% em peso de carbonato de bário.0 baixo teor de carbono o 850 C (algumas vezes 1. Cementação sólida . 60 . Losekann Direitos autorais reservados . quando o ferro apresenta-se com estrutura CFC. durante o tempo necessário para obtenção da camada desejada.5 mm até 2. de 3. 1. Espessura da camada (mm) Dependendo das condições e solicitações de trabalho da peça. A camada superficial.50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono.000 oC 2. O meio em que é efetuado a cementação chama-se carburizador.5 São cementadas as peças de aço com 2. absorve o carbono em processo de saturação a camada superficial dos aços de baixo carbono. Dr. que é produto da decomposição do petróleo.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. produção contínua. em que a camada cementada de 1mm de profundidade se obtém em 45 minutos aproximadamente.A cementação gasosa é efetuada em uma atmosfera de gases que contém carbono. que pode ser visto como uma operação secundária na indústria de peças sinterizadas: o tratamento a vapor (steam treatment. as peças são introduzidas em câmaras especiais. steam blackning). ferro fundido comum e nodular. fluoreto duplo de boro e potássio. Losekann Direitos autorais reservados Cementação líquida . A espessura da camada cementada é da ordem de 0. . Este processo transcorre à temperatura de 870 a 900 ºC durante 0.Aumento da resistência à corrosão. e a temperatura nas câmaras é mantida entre os limites de 900 ºC a 950 ºC. por exemplo. A temperatura de tratamento varia entre 800 e 1. O meio difusor é sólido formado de um granulado de carboneto de boro B4C e de um ativador.5 a 2 horas. menor tempo e possibilidade de têmpera imediatamente após o banho. enquanto o ativador facilita e acelera a formação da camada superficial dura e de grande uniformidade.Aumento da dureza e densidade das peças. Fe2B com 100 µm em 8 horas. formando boreto de ferro com uma dureza Vickers de 1. O tempo depende da espessura de camada desejada.2 mm em 40 a 50 minutos. e seu controle necessita ser rigoroso. Dr. Para evitar deformações. também chamado de ferroxidação. steam oxidation. ou ainda aços especiais de níquel ou de níquel cromo. o elemento boro. A vantagem da cementação em sais é o aquecimento uniforme da peça. Após a boretação os aços são normalmente temperados e revenidos. 150 µm a 200 µm em 12 horas. aços com baixa e alta liga. . as peças devem ser préaquecidas até 500 ºC antes de entrar para o banho de cementação. Cláudio R. Os principais benefícios trazidos por este processo são: .000 kgf/cm2.700 a 2.Aumento da resistência à compressão. Cementação gasosa .Neste processo. A cementação líquida é empregada em aços com baixos teores de carbono. O carboneto fornece o metal para a boretação. 61 . Na cementação gasosa. Podem ser boretados os aços carbono. efetua-se a cementação mergulhando a peça em sais fundidos de cianeto ou carbonatos que contém carbono em suspensão em 5 a 10%. em 4 horas de tratamento apresenta uma camada de boreto de ferro.050 ºC (sendo 900 ºC a mais usada). por difusão. um aço ABNT 1045. Boretação Por este processo introduz-se na superfície de aço. Atualmente é muito empregado a cementação rápida com gases. Ferroxidação As propriedades físicas de peças ferrosas sinterizadas podem ser melhoradas por um processo econômico e versátil que vem sendo usado desde 1950 e. através dos quais passam os gases.

bem como sobre a superfície externa da peça. A camada óxida obtida desta forma é muito aderente e menos propensa a defeitos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. quando se faz passar um fluxo de vapor de água superaquecido pelas mesmas.Da resistência ao impacto. Uma ventoinha interna é usada para forçar o vapor a circular. do que óxidos formados ao ar. Normalmente é usada a temperatura de 315 ºC para o primeiro estágio. para depois removê-la e introduzir nova carga. um fluxo de gás pode passar através de toda sua seção. o fluxo de vapor é reduzido à metade e a temperatura é aumentada para valores entre 430 e 600 ºC (no limite inferior o óxido produzido tem a cor preta azulada e no superior.Obtenção de um excelente acabamento superficial com a redução da rugosidade inicial. Fe3O4. para evitar a condensação do vapor sobre as peças. A ferroxidação é geralmente realizada em fornos verticais com convecção forçada. dependendo da quantidade de óxido que se deseja. o óxido é cinzento). Quando a purga do forno for completada. ou seja. pois os equipamentos não são caros. FeO. além disso. A melhoria das propriedades das peças sinterizadas com a aplicação do processo de ferroxidação é conseguida com baixo investimento de capital. os quais são projetados para serem relativamente estanques.Da ductilidade. Losekann Direitos autorais reservados . . vai crescendo em 62 . Cláudio R. O fluxo de vapor é então introduzido na câmara do forno com alta taxa (4. por um tempo de 15 a 30 minutos até que todas as peças atinjam esta temperatura. dando estanqueidade à peça. dependendo das condições de tratamento. . O processo é aplicado principalmente em peças sinterizadas de baixa e média densidade (5. Como nestas peças existe uma rede de poros comunicantes. . A carga é então mantida a esta temperatura de 0. ou pelo menos até que o centro da carga do forno atinja a temperatura mínima de 100 ºC. na superfície e na rede de poros comunicantes de peças ferrosas sinterizadas. Após o tempo necessário.4 – 7. O processo de ferroxidação é utilizado para criar uma camada de magnetita. como trincas e bolhas. a wustita.5 a 163 kg/h. mas sempre abaixo do ponto critico de oxidação ao ar e descoloração. Então. Acima do ponto de ebulição da água (100 ºC) e abaixo de 570 ºC a reação do vapor d’água com o ferro para formar o Fe3O4 é: 3Fe + 4 H 2 O (gás) ⇔ Fe3 O2 + 4 H 2 (gás) Inicialmente a carga do forno deve ser aquecida acima de 100 ºC. uma camada de óxido de ferro se forma nas paredes da rede de poros comunicantes.0 g/cm3 ).Selamento da porosidade interligada. 427 ºC. Um óxido intermediário. é estável somente acima de 570 ºC.5 a 4 horas. Dr. De maneira geral. o custo por peça ferroxidada é baixo. a carga é removida do forno ou é resfriada sob vapor até temperaturas abaixo de 427 ºC. Durante a ferroxidação uma camada de óxido. como desvantagens da ferroxidação podem-se citar o decréscimo: . dependendo do tamanho do forno) para purgar o ar. Fe3O4.Do limite de resistência à tração. assegurando a exposição uniforme de todas as peças à temperatura e atmosfera de tratamento.

propana ou butana. A camada produzida tem espessura entre 0. Processos variantes São tratamentos térmico-químicos similares aos de nitreção e cementação quanto ao meio. E razoável assumir que a reatividade do vapor. na proporção de 77 a 89% em volume. ou seja. Industrialmente o processo é uma cementação a gás modificada pela injeção de amônia na atmosfera carbonetante. Dr. em função da diminuição da proporção H2O/H2 e que a taxa de crescimento da camada óxida seria um tanto maior próximo à superfície.Este processo consiste em submeter o aço a uma temperatura geralmente acima da crítica em uma atmosfera gasosa capaz de fornecer tanto carbono como nitrogênio que difundem simultaneamente para superfície da peça. . Os constituintes da atmosfera utilizada na carbonitretação são: .Amônia (NH3). Cláudio R.Gás endotérmico (N2. Quando todos os poros estão fechados o vapor não tem mais acesso ao interior do corpo sinterizado e.7 mm. para esta faixa de espessura de camada. Na prática consiste em introduzir um gás carbonetante na atmosfera de nitretação. no entanto possui melhor temperabilidade e é mais resistente ao amolecimento durante o revenimento. a taxa de formação de óxidos diminui por causa do fechamento dos poros. Portanto os poros próximos à superfície. A taxa de crescimento da camada superficial decresce porque a camada de óxido dificulta a difusão do Fe e O atômicos. Tem a função de criar pressão positiva para impedir a entrada de oxigênio e diluir gases ativos (hidrocarbonetos e amônia) de modo a facilitar o controle do processo.07 a 0. confirma tal pressuposto. decresceria com a distância abaixo da superfície externa. H2 e CO.Esta variação do processo de nitretação a gás consiste em submeter as peças a uma temperatura em torno de 580 ºC (abaixo da crítica) em uma atmosfera com nitrogênio e carbono. além disso. sendo menor que as obtidas na cementação. na faixa de 2 a 8%. Com o prosseguimento do tempo. promovendo sua nitretação. e após o fechamento da superfície. Na sua dissociação forma nitrogênio nascente na superfície do aço. mais impurezas: O2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nas paredes da rede interligada de poros e na superfície externa da peça. apresenta um custo menor que a cementação. Losekann Direitos autorais reservados todas as superfícies expostas. dentro dos poros. na proporção de 9 a 15%. a partir deste momento. A dependência do ganho em peso e da densidade final da peça. com relação ao tempo de ferroxidação. O objetivo principal da carbonitretação é conferir ao aço uma camada dura e resistente ao desgaste. até um dado tamanho. a continuidade do processo de ferroxidação produziria muito pouca mudança na porosidade final da peça. seriam fechados mais rapidamente. H2O e CO2). b) Nitrocarbonetação a gás de ciclo curto – DEGANIT . 63 . só a oxidação superficial progride. Torna a atmosfera carbonetante. .Gás natural. São eles: a) Carbonitretação ou cianetação a gás .

A denominação TENOX é uma variante deste processo.3 mm. O tempo de tratamento é normalmente de 1 a 3 horas e o resfriamento das peças é feito sob atmosfera de nitrogênio até a temperatura ambiente. Dr. A camada branca contém enxofre. por um tempo em torno de 2 horas. com resultados equivalentes ou superiores.O processo consiste em introduzir enxofre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 a 1 hora.1 a 0.O TENIFER realizado em banhos de sais fundidos.Consiste em submeter as peças a uma temperatura acima da crítica. ferros fundidos ou materiais sinterizados e em muitos casos é uma alternativa a outros tratamentos.TENIFER/TENOX . de 760 a 870 ºC. Cláudio R. onde o resfriamento é realizado em um banho de sal oxidante seguido de polimento e nova oxidação em banho de sal. e agulhas de nitretos. Losekann Direitos autorais reservados A atmosfera é constituída de amônia dissociada. cementação e cromo duro. O processo é aplicado em aços. Os objetivos e resultados são praticamente idênticos aos da sulcarbonitretação gasosa. diferenciando-se pelo fator do banho conter sais de lítio e compostos de enxofre. c) Sulfocarbonitretação gasosa . Este processo produz camadas brancas de 10 a 30 µm de espessura altamente resistente ao desgaste por atrito. ocorrendo difusão simultânea de carbono e nitrogênio. porém com maior economia. produzindo camadas de 0. Possui a vantagem de conferir aos aços tratados (comuns e de baixo teor de elementos de liga) melhores características de resistência ao engripamento. além do carbono e nitrogênio no meio difusor.3 mm e é constituída por nitretos de ferro e dos elementos de liga. A camada de difusão apresenta nitrogênio em solução sólida no ferro alfa. e o caráter oxidante para o TENOX é obtido por insuflamento de ar ao banho. Os sais são compostos de cianetos e cianatos alcalinos que fornecem o nitrogênio e o carbono ao meio. contendo mais nitrogênio e menos carbono que as camadas cementadas e) Nitrocarbonetação em banho de sal . O tempo de tratamento varia de 0. d) Cianetação ou carbonitretação líquida . como.É um processo similar ao processo TENIFER. além dos cianetos e cianatos. onde as peças são submetidas a temperaturas entre 550 e 570 ºC seguido de resfriamento ao ar. 64 . gás endotérmico ou outro qualquer que forneça CO e nitrogênio. mantendo as outras propriedades equivalentes. A têmpera posterior produz uma camada superficial dura e de elevada resistência ao desgaste.3 mm que aumenta e resistência à fadiga. sulfeto de ferro e carbonitretos. ou água. à corrosão e ao engripamento. num banho adequado de sal cianeto fundido. f) Sulfocarbononitretação líquida – SURSULF . para resfriamentos lentos. além de uma camada de difusão de até 0. submetendo as peças a uma temperatura entre 550 e 575 ºC. A camada de difusão apresenta valores da ordem de 0. quando o resfriamento é rápido. A camada branca resultante é da ordem de 10 a 20 µm e constitui-se carbonitretos de ferro e carbonetos e nitretos dos elementos de liga presentes no material.

no lugar do hidrogênio e nitrogênio. densidade da corrente do cátodo. na qual a diferença consiste em utilizar-se um gás carbonetante. pois promove espessuras finas. Desse modo. estanho. cobre. cádmio. Dr. Losekann Direitos autorais reservados g) Cementação por plasma (“Ioncarburizing”) . 2. em parte. níquel. permitindo seu uso na aparelhagem de armazenamento e manuseio de alimentos. que promove a drenagem do excesso de material e auxilia na formação de um revestimento uniforme de espessura satisfatória e isenta de defeitos. sendo esse tempo normalmente próximo a 2 minutos. O metal mais comum utilizado nessa técnica é o alumínio. No caso da galvanização. uniformes e isentas de poros. ou liga. a espessura da camada galvanizada. A eficiência depende de uma série de fatores. um banho de óleo de coco (ou sebo quente). O tempo de imersão das peças determina. As vantagens deste processo de cementação sobre os convencionais são as mesmas obtidas com a nitretação por plasma. com a resistência à corrosão (através do alumínio).2. etc. sendo que a última. A peça a ser revestida funciona como cátodo numa célula eletrolítica. aquosa ou em solo. Existem três processos: a galvanização. a principal vantagem do revestimento é seu aspecto não-tóxico. metano (CH4).2 .Este processo é uma variação da nitretação por plasma. pode-se fazer a estanhagem simples. em peças de ferro e aço. prata e ouro. Cláudio R.6. pode-se obter materiais em que são combinados à resistência mecânica.Tratamentos de revestimentos Revestimentos metálicos Dentre outros. onde o eletrólito contém sal do metal protetor. b) Imersão à quente: nessa técnica as peças a serem protegidas são imersas num banho de metal protetor fundido. recebe. a estanhagem e o banho em chumbo. Uma conhecida 65 . É um processo utilizado basicamente para peças sujeitas à corrosão atmosférica. e a operação é efetuada por laminação a quente ou a frio.050 ºC com um tempo de tratamento em torno de 2 horas. um revestimento galvanizado apresenta uma estrutura de componentes químicos complexa. Através dessa técnica. entre eles a composição química do eletrólito.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. dupla ou tripla. camadas aderentes de zinco. numa faixa de temperatura entre 840 e 1. difusão e subseqüente resfriamento. ainda quente. Conforme for o grau de acabamento. A figura seguinte mostra o processo. No caso da estanhagem. dependendo da atividade química. entre camadas de um outro metal de maior resistência à corrosão. a temperatura. após a dupla estanhagem. Nesse processo podem ser empregados como metais de deposição zinco. que varia gradualmente sua composição e suas propriedades físicas e mecânicas. através do elemento de liga. cromo. pode-se citar os seguintes processos de tratamentos superficiais com revestimento metálico em metais: a) Cladização: consiste em colocar o metal. c) Eletrodeposição: é o processo de revestimento metálico mais empregado. formam-se. podendo o ânodo ser do mesmo metal a ser depositado.

concreto. fluoretos. Também são usados em componentes elétricos e eletrônicos. madeira. Esse método é utilizado para proteger peças contra oxidação. aumento da adesão de tintas. As peças a serem protegidas constituem o ânodo e ocorre a conversão do alumínio em óxido de alumínio. No choque. permite um revestimento por eletrodeposição (devido a sua porosidade). Figura 2. magnésio. d) Metalização (sputtering): o processo se dá através do aquecimento de um metal até seu ponto de fusão. embora utiliza-se o cromo duro para revestir ferramentas. etc. fazendo-o passar. Dr. sulfúrico (ácido sulfúrico como agente ativo) e duro (ácidos sulfúrico e oxálico como agentes ativos). Nesses tambores. aço. fosfatos. erosão e impactos. que origina as folhas de flandres ou latas. mas pode ser usado em ferro. cloretos. Com esse processo ocorre nas peças um aumento da resistência à corrosão. Os principais tipos de anodização são: crômico (ácido crômico como agente ativo). ligas de níquel. Losekann Direitos autorais reservados aplicação dessa técnica é a eletrodeposição de estanho. O conjunto é aquecido a altas temperaturas e então ocorre a difusão do metal protetor nas peças a serem revestidas. que é colocado em uma célula eletrolítica. Os revestimentos comuns usados nessa técnica são: o alumínio (calorização). nitratos. de titânio e de zircônio. de modo a desintegrá-lo em partículas que são lançadas contra a superfície da peça. com um fundente. além de restaurar componentes de máquinas desgastados ou usinados erradamente. na forma de pó. através de uma fonte de calor a alta temperatura. como papel. Cláudio R. cobre. na forma de um filete. f) Anodização: utiliza o alumínio.51 – Esquema da eletrodeposição. 66 . o zinco (sherardização) e o silício (siliconização). etc. Praticamente todos os metais e ligas podem servir como agente protetor e o método também pode ser usado para proteger superfícies não metálicas. confere isolamento elétrico e aumenta a resistência a abrasão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. vidro. abrasão. Os processos que utilizam níquel e cromo são mais utilizados para fins decorativos. Esse processo é preferencialmente aplicado em alumínio. e) Difusão: nesse processo. zinco e cádmio. corrosão. as partículas aderem-se tenazmente à superfície metálica que se deseja proteger. colocam-se as peças a serem protegidas no interior de tambores rotativos. melhora a aparência superficial. é colocado uma mistura do metal protetor. ao atrito e à corrosão. matrizes e peças que necessitem boa resistência ao desgaste. conectores elétricos e aplicações que exijam alta soldabilidade. g) Cromatização: são obtidos a partir de soluções contendo cromatos com adição de ativadores como sulfatos.

acetatos. Consiste basicamente no tratamento de peças de ferro e aço. facilitar o manuseio e reduzir a quantidade de vapor de água que seria introduzida nos fornos de queima. Essa secagem se faz necessário para novas aplicações de esmalte. carga. porém necessitam várias demãos) ou conversíveis (são os vernizes óleoresinosos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. como parafusos e porcas e peças estampadas de pequenas dimensões são revestidas em tambores rotativos contendo solução fosfatizante. Geralmente é aplicado numa suspensão em água. Revestimentos cerâmicos A esmaltação à porcelana constitui o principal processo. Dr. Após a aplicação do esmalte. Os pigmentos também são de natureza inorgânica (naturais ou sintéticos) ou orgânica. as tintas constituem o principal revestimento anticorrosivo. Os principais constituintes do esmalte são sistemas complexos vítreos ou cerâmicos. etc. que dissolve o veículo para que este possa ser aplicado em camadas mais finas. que eventualmente substitui o pigmento. Os esmaltes são revestimentos vítreos aplicados principalmente em aço. por serem de mais fácil aplicação e de menor custo que os demais. de secagem rápida. a fosfatização serve de base para aplicação de óleo e outros materiais que previnem contra corrosão. naftas leves e pesadas. mediante uma solução diluída de ácido fosfórico e outras substâncias químicas. 67 . onde os mais comuns são os secantes. Além de servirem de base para a pintura. para melhorar a aparência superficial e conferir melhor resistência a corrosão. Pequenos objetos. Os veículos podem ser não-conversíveis (mais fácil de aplicar. As cargas são compostos inorgânicos. as peças são deixadas secar antes da queima ou sinterização final. as peças maiores são colocadas em tanques. solvente. Os solventes podem ser hidrocarbonatos (aguarrás. epóxi. e materiais auxiliares. Revestimentos poliméricos Dos revestimentos poliméricos. poliuretadas e silicones). aumenta a resistência ao desgaste e à escoriação de peças que se movimentam em contato. completamente misturados e fundidos. Losekann Direitos autorais reservados h) Fosfatização: processo que objetiva um tratamento prévio da superfície para posterior pintura. As tintas constituem-se basicamente dos seguintes componentes: veículo. pigmentos. cuja função é formar a película (além de agregar os pigmentos e as cargas. Cláudio R. de modo a torná-las parte integrante da película). tolueno) ou sintéticos (etanol. produzem uma superfície que facilita a conformação a frio e servem de base para adesivos em laminados metal-plástico. resinas alquídicas. ferro fundido e alumínio. que objetivam reduzir o custo das composições.). A secagem é realizada ao ar ou em estufas. que são pequenas partículas cristalinas insolúveis nos solventes utilizados (orgânicos ou inorgânicos).

a coroa do rei da Dinamarca e a capa do Monumento de Washington. Isto só foi possível devido a invenção do dínamo elétrico. entre 1.a alumina. E então. Cláudio R. Afeganistão) faziam seus vasos com um tipo de argila contendo óxido de alumínio . Séculos depois. quando 2 toneladas de alumínio foram produzidas.7 gf/cm3 ). em 1. Em 1. resistente à corrosão. o professor Frank Jewett mostrou a seus estudantes de Química um pequeno pedaço de alumínio e disse a eles que quem conseguisse descobrir um modo econômico de se obter este metal ficaria rico. Dr. Um de seus estudantes.00 para $17.812.886.869. separando-o do oxigênio. Outros melhoraram seu processo até 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os ceramistas da Pérsia (atualmente alguns países como Irã. obtendo uma liga de ferro-alumínio e sem saber direito o que havia obtido. em laboratório improvisado. Logo depois.825.808 e 1. Charles Martin Hall. o alumínio era um metal semiprecioso. substituiu o potássio pelo sódio. ele colocou num recipiente um banho de criolita contendo alumina e passou uma corrente elétrica. o cientista francês Henri Saint Claire Deville. Aprendeu como fazer óxido de alumínio – alumina. várias partículas de puro alumínio se formaram.00 o grama. o físico alemão Hans Christian Oersted se encarregou de produzir pequenas quantidades do metal. Em 1. dando o nome de aluminium. ele não se encontra naturalmente na forma de metal. O primeiro foi o inglês Humphrey Davy. mas na forma de óxido (Al2O3) no minério da bauxita. Iraque. sugeriu que poderia ser um óxido de um metal. através da destilação com aquecimento da mistura de potássio e óxido de alumínio. O resultado foi uma massa que ele trabalhou com martelo.1 – INTRODUÇÃO O alumínio é um metal leve ( γ = 2.854. reduzindo o óxido existente na alumina e obteve um alumínio com 97% de pureza. que tentou isolar o metal. Na Oberlin College de Ohio. Há mais de 7 mil anos. Um preço razoável. Losekann Direitos autorais reservados 3 . 68 . quase o mesmo valor da prata. tanto é que serviu para ornar a mesa da Corte Francesa. os egípcios e babilônicos usavam o óxido de alumínio em cosméticos e produtos medicinais. Isso baixou seu custo de $545. Vários pesquisadores participaram da descoberta do alumínio. tão raro quanto a prata. continuou seus experimentos. Em meados de 1. já vinha fazendo experimentos com minérios desde os 12 anos de idade.880.ALUMÍNIO E SUAS LIGAS 3. Apesar de ser o metal mais abundante na crosta terrestre. Depois de formado. bom condutor de calor e eletricidade. possui brilho e tem um baixo ponto de fusão 658 oC. dando origem a um dos metais mais usados pela indústria na história.

a matéria-prima . o que possibilita a sua extração a céu aberto com a utilização de retroescavadeiras. lixado e polido.é formado por uma reação química natural. A bauxita encontra-se próxima à superfície. cerâmicas avançadas.alumina . predominantemente iônica. Esta solução. O alumínio é facilmente moldável e permite todo tipo de processo de fabricação: pode ser laminado. Se for seca e calcinada (1.000 a 1. que contém em torno de 40 a 60% de alumina e o restante de óxido de ferro. Aquecida sobre pressão e recebendo nova adição de soda cáustica. Dr. rebitagem. A terra fértil acumulada sobre as jazidas é removida juntamente com a vegetação e reservada para um futuro trabalho de recomposição do terreno. Desta forma. serrado. a alumina contida na solução precipita-se através do processo chamado de "cristalização por semente". em uma espessura média de 4 a 5 metros. prensado. furado. titânio e outras impurezas. Depois de minerada. o alumínio é um material que pode ser unido por todos os processos usuais: soldagem. Sua condutividade térmica é quatro vezes maior que a do aço. permitindo a adição de novas cargas de alumina. Porém. esta pronta para que dela se extraia apenas a alumina. sílica. O calor gerado pela corrente elétrica mantém a solução em estado líquido. forjado.2 .minério do qual se extrai a alumina e o alumínio . com impurezas que precisam ser eliminadas. o que torna o processo contínuo para fabricação de lingotes ou laminados. é moída e misturada a uma solução de soda cáustica que a transforma em pasta. A bauxita. Até mesmo a bauxita . Losekann Direitos autorais reservados 3. além disso. e nesse processo. entre os seus átomos e que para separá-los é necessário a utilização de fornos eletrolíticos. isoladores térmicos. No momento que ocorre a passagem da corrente elétrica. Cláudio R. após a extração do minério. Os fornos são ligados a um circuito elétrico de corrente contínua. dobrado.300 oC). onde chega em seu estado natural. antes de se iniciar a exploração. causada pela infiltração de água em rochas alcalinas que entram em decomposição e adquirem uma nova constituição química. E aí se inicia a primeira reação química da série que vai viabilizar a obtenção da alumina e do alumínio. ocorre a reação de dissociação e o alumínio se separa do oxigênio.PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO O processo de produção de alumínio é composto por uma série de reações químicas. envernizado e esmaltado. Em equipamentos chamados de precipitadores. obtém-se a alumina hidratada. repuxado. esta pasta se dissolve formando uma solução que passa por processos de sedimentação e filtragem que eliminam todas as impurezas. O alumínio líquido se deposita no fundo do forno que é bombeado para fornalhas onde será purificado ou receberá a adição de outros metais para formação de ligas. pode ser usada no tratamento de água e na indústria de celulose e papel. 69 . Isso é feito através de reação química. chamada de aluminato de sódio. a bauxita é transportada para a fábrica. A alumina é dissolvida dentro destes fornos em um banho a base de fluoretos. refratários. A alumina (Al2O3) tem uma ligação muito forte.poderá ser utilizada como abrasivos. As peças de alumínio podem também ser produzidas por processos de fundição. torneado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Ele pode ser anodizado. corantes e cremes dentais. alguns cuidados devem ser tomados para proteger o meio ambiente. colagem e brasagem.

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Uma das grandes utilizações do alumínio é no seu formato de pó. É produzido a partir da atomização do alumínio em estado líquido, na qual, o alumínio no estado líquido é aspirado para uma câmara onde se introduz um jato de ar pressurizado, desintegrando-o em pequenas partículas de formato semiesférico que depois é peneirado e classificado de acordo com a sua granulação que pode ser: fino, médio e grosso. As principais aplicações do pó de alumínio são:

Aluminotermia: É empregada na produção de ligas de ferro, ligas não-ferrosas e metais puros: ferro-nióbio, ferro-vanádio, ferro-molibdênio, ferro-titânio, cromo, etc... Funciona como agente de redução de óxidos e fonte de calor.

Refratários: É aplicado em tijolos e concretos para canal de corrida. O pó de alumínio reage com o oxigênio da água, gerando hidrogênio que facilita a secagem dos concretos e evita a formação de trincas. Em tijolos de magnésiacarbono, o alumínio reage com o oxigênio do aço fundido, preservando o carbono do aço, aumentando a vida útil do refratário.

Metalurgia: É utilizado na produção de briquetes, que são misturas de alumínio e outros pós metálicos, moldados em pequenos lingotes sob pressão. Endurecem, reforçam e refinam a estrutura granular das ligas de alumínio. Utilizado em solda exotérmica, a reação de pós de alumínio e óxidos metálicos fornece o calor e metal de enchimento, utilizado na soldagem de cabos, bastões, trilhos, ligas de cobre, alumínio e outros metais.

Indústria química: É utilizado na produção de derivados aluminosos quando se necessita de uma reação de alta pureza e eficiência. É aplicado em cloridróxido de alumínio, cloreto de alumínio anidro, agentes de redução, fosfeto de alumínio, hidróxido de alumínio, produção de pigmentos para de tintas automotivas e industriais, gráfica, etc.

Explosivos: O pó de alumínio é misturado a compostos explosivos, aumentando o desempenho e a potência de explosão. Alguns tipos de explosivos são NA/FO, aminometilaminas, etc.

• •

Forno auto limpante: O pó de alumínio age como elemento de suporte na formulação de esmaltes, dando o efeito de limpeza. Propelentes para mísseis e foguetes: o pó é utilizado na produção de combustíveis sólidos para mísseis e foguetes. Os compostos sólidos são formados por um oxidante forte, pó de alumínio, ligantes e aditivos especiais.

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3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
O alumínio comercialmente puro ( 99,99% ) e recozido tem uma resistência de ruptura à tração de 5 kgf/mm² (49 MPa) e peso específico de 2,7 gf/cm3 e a tensão de escoamento está em torno de 1,3 kgf/mm² (12,7 MPa). Quando laminados, extrudados ou forjados, a tensão de ruptura à tração pode alcançar a 57 kgf/mm2 (559 MPa) e a tensão de escoamento fica em torno de 50 kgf/mm² (490 MPa). As impurezas metálicas podem aumentar a sua resistência à tração em cerca de 50% sem aumentar muito o peso específico (dependente da concentração). O módulo de elasticidade longitudinal depende também da concentração de elementos de liga, mas para o alumínio comercial vale E = 7.000 kgf/mm². A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 35.000 11.900 7.000 4.550 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 19.600 14.000 7.700 - 11.900 10.500

Ferro, níquel, cobalto Molibdênio, tungstênio Cobre Alumínio Magnésio

Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro, prata Platina

9.800 10.150 4.200 25.700 56.000 10.000 1.750 29.750 10.500 7.850 18.800

Aços-carbono e aços-liga Aços inoxidáveis austeníticos Ferro Fundido Nodular Bronzes e latões Bronzes de manganês e ao silício Bronzes de alumínio Ligas de alumínio Monel Hastelloy Invar (níquel-ferro) Inconel Ilium (liga de níquel) Ligas de titânio Ligas de magnésio Ligas de estanho Ligas de chumbo

8.400 - 13.300 7.000 - 7.450 13.000 - 18.200 18.900 - 21.500 14.000 16.000 18.700 11.200 - 12.100 4.550 5.100 - 5.400 1.400 - 2.950

O alumínio comercialmente puro é pouco tenaz, mas possui excelente maleabilidade sendo possível laminar folhas de 0,005 mm de espessura. Também tem boa ductilidade com alongamento de 30 a 40%, sendo possível obter fios de 0,03 mm de diâmetro. De pequena dureza podendo ser riscado pela maior parte dos metais. Sob ação do trabalho mecânico a quente (laminação, forjamento) o alumínio se encrua. Para melhorar ou modificar as propriedades do alumínio, pode-se fazer tratamentos térmicos ou adicionar elementos químicos quando o metal está no estado líquido, fazendo-se as ligas. 71

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Propriedades físicas Massa atômica: 26,97 g Peso específico: 2,70 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 °C): CFC, a = 0,404 nm Ponto de fusão: 658 °C [931,15K] Ponto de ebulição: 2.000 °C Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 °C): 23 x 10-6/ °C [24 - 24,2.10-6/K] Resistividade: (20 °C): 2,699 µΩ.cm [2,63 - 2,692.10-8 Ω.m] Condutividade térmica: (20 °C): 0,52 cal.cm-1.s-1. °C -1 [222 - 224,2 W/m.K] Refletividade (chapa polida): 0,06 Calor específico: 900,4 - 909,4 J/kg.K Calor latente de fusão: 388 - 391,9 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 370 - 420K Em relação ao cobre, a condutividade elétrica é cerca de 62 % da do cobre e tal como diminui ligeiramente por deformação a frio e fortemente com a presença de impurezas. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,3 % Coeficiente de Poisson: 0,34 Dureza: 15 a 25 HB [147 a 245 MPa] Módulo de cisalhamento: 26,2 - 26,4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 68,9 - 69,6 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 12,7 a 30 MPa Tenacidade a ruptura: 30 - 35 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 a 50 MPa Alongamento: 30 a 40 % Estricção: > 60 % Estas características correspondem a alumínio no estado recozido. É, portanto, um metal muito maleável. Pode ser trabalhado a frio e a quente e após recristalização não apresenta maclas como o cobre. O trabalho a quente é efetuado entre 250 - 500 °C. Propriedades químicas Reage facilmente com o oxigênio. Esta propriedade se dá na superfície do alumínio e forma uma película espessa e aderente de alumina que o protege da continuação da reação para o alumínio subjacente. A adição de qualquer elemento químico prejudica esta resistência a corrosão, de tal modo que nas ligas de alumínio de alta resistência estas têm de ser revestidas por folha de alumínio puro. Forma pares galvânicos com os metais mais nobres, como o cobre e o ferro, os quais destroem a camada de alumina protetora e provocam forte corrosão. Devem por isso ser evitadas ligações metálicas entre aqueles metais e o alumínio. Resiste bem a corrosão atmosférica, soluções salinas, mas e atacado pela água pura a temperatura elevada. Também resistente a atmosferas sulfurosas ou muito úmidas. É atacado pela maior parte dos ácidos minerais, 72

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sobretudo o ácido clorídrico. O ácido nítrico e os ácidos orgânicos, com exceção do ácido fórmico, não atacam o alumínio. Os produtos mais resistentes são: os vários graus de alumínio puro, seguidos das ligas Al-Mg, Al-Mn, Al-Mg-Si, e Al-Si. As ligas que contém cobre são as menos resistentes a corrosão e, por isso, devem ser revestidas de alumínio puro e não sofrer nenhum tratamento térmico para evitar a difusão dos elementos entre as folhas da superfície e da alma. Composição química Pode obter-se por refinação eletrolítica o alumínio comercialmente puro, 99,99%. O alumínio comercial contém geralmente impurezas que atingem cerca de 0,5%, sendo o ferro e o silício as principais. Estas impurezas são vantajosas do ponto de vista de propriedades mecânicas, elevando a resistência mecânica, mas são prejudiciais a maleabilidade, a resistência corrosão, a condutividade elétrica. Se a proporção de silício ultrapassar o teor de ferro poderá ocorrer trincas a quente. Os principais graus de alumínio são: 99,99%; 99,5%e 99%. Tratamentos térmicos O único tratamento com interesse é o recozimento de homogeneização que, ao assegurar a redistribuição do ferro sob a forma de precipitado fino intragranular de FeAl3, retarda a recristalização após laminação e modifica a estrutura (evita o aparecimento da estrutura cúbica) o que tem como conseqüência uma diminuição apreciável da resistividade do metal vazado. Aplicações O seu baixo peso específico, cerca de 1/3 do peso específico do cobre, justifica o seu emprego na construção veículos motorizados e da aviação; na indústria mecânica, pistões, eletrodos, folha de alumínio, portas e esquadrias, latas, placas, embalagens, painéis, sinalizadores, placas de sinalização. A condutividade térmica e apenas ultrapassada pela prata, cobre e o ouro, e por isso, é utilizado em material de cozinha, trocadores de calor, instalações de refrigeração, pistões, etc. Mas, devido ao baixo ponto de fusão a temperatura de serviço, não deve ser superior a 200 oC. 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO O principal objetivo da adição de elementos ao alumínio é a melhorar o limite elástico, resistência à tração e dureza. Em contrapartida, propriedades como a ductilidade, condutividade térmica e resistência à corrosão diminuem. As ligas são formadas principalmente com a adição de cobre (Cu), magnésio (Mg), manganês (Mn), silício (Si) ou zinco (Zn) ao alumínio (Al). A escolha dos elementos e sua proporção, nessa adição, dependem das propriedades finais que se quer obter. A maior parte das ligas de alumínio é ainda susceptível de endurecimento por precipitação que aumenta consideravelmente o limite de elasticidade e resistência à tração e a dureza. O alumínio entra em grande número de ligas de dois ou mais componentes. As principais ligas de alumínio são: ligas de solução sólida Al-Cu; Al-Si, Al-Mg2Si, Al-Mg e Al-Mn.

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3.3.1.1 - Liga de Al-Cu O diagrama de fases da liga binária Al-Cu mostrado abaixo mostra a complexidade do conhecimento completo de ligas formadas pelo alumínio e cobre. Entretanto, ao se fabricar uma liga de alumínio AlCu e submeter essa liga a processos especiais de tratamento, esse material terá uma resistência à tração equivalente ou até maior que a de aços de baixo teor de carbono com boa usinabilidade. É indicada para peças que devem suportar temperaturas em torno de 150 oC.
Figura 3.1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu.

3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) As ligas de Al-Mg conhecidas como alumag são susceptíveis de endurecimento por precipitação ou por deformação a frio. O magnésio tem um máximo de solubilidade no alumínio a 450 oC e para o teor de 15%, valor que desce para 1,5% à temperatura ambiente. As ligas comerciais tem mais de 4% de Mg, sendo portanto bifásicas, ou seja, constituída pela fase α pela fase β, Al3Mg2, que precipita durante o resfriamento. A resistência à corrosão pode ser restaurada por reaquecimento seguido de resfriamento controlado. As ligas de Al-Mg são excelentes para a soldagem, e por serem também resistentes à corrosão, principalmente em atmosferas marinhas.
Figura 3.2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg.

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têm elevada resistência à corrosão.3 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas.3 . Esta liga é usada na fabricação de latas de bebidas. Essa liga aceita acabamento de superfície. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. Depois de passar por tratamento térmico. É possível também combinar elementos de liga. como por exemplo a prensagem.Liga de Al-Mn Quando se adiciona manganês (Mn) ao alumínio. a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas. porém. trocadores de calor e como elemento decorativo na construção civil.1% de sódio no momento de vazamento. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem. é resistente à corrosão. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. a soldagem e a rebitagem. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. 3.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. Cláudio R.1. estanho (Sn). Quando o teor de silício é elevado.composição eutética . São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações.1. 13% de Si. principalmente na construção de aviões.3. chumbo (Pb). usinadas. equipamentos químicos. a resistência mecânica dessa liga aumenta em até 20% quando comparada ao alumínio puro. com maior tenacidade. telhas. Losekann Direitos autorais reservados 3. placas de carro. titânio (Ti). cobre (Cu) ou cromo (Cr). Figura 3. possui elevada condutividade elétrica. níquel (Ni) etc. com a capacidade de ser trabalhado por todos os processos de conformação e fabricação mecânicas. refletores.3. .Diagrama de fases da liga binária Al-Si. tais 75 .4 .e se dá com adição de 0. São facilmente moldadas. Dr. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição.composição eutética . Cláudio R. o envernizamento e a esmaltação.1. Após este tratamento. fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão.e se dá com adição de 0. porém.5. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado. titânio (Ti).Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. com maior tenacidade. chumbo (Pb). a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. 13% de Si. É possível também combinar elementos de liga. estanho (Sn). cobre (Cu) ou cromo (Cr).5 a 5% de Cu e 0. principalmente na construção de aviões. além de pequenas porcentagens de Fe.5 a 1% de Mn e 0. Em outros casos. endurecer por revenido à temperatura ambiente. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções. Por exemplo. em geral. Neste caso deve-se usar água a100 oC. Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). Estas ligas de alumínio podem. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si.5 a 0. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. São usadas na construção civil. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. usinadas. São facilmente moldadas. Depois de passar por tratamento térmico. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas. . níquel (Ni) etc. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa.3. Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. após a têmpera. Dr. óleo ou sais fundidos. têm elevada resistência à corrosão. O duralumínio contém em média 2.5 a 1% de Mg e 0.8% de Si. No caso de peças de formas complicadas. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. tais 76 . 3. Quando o teor de silício é elevado.1% de sódio no momento de vazamento. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem.

cobre (Cu) ou cromo (Cr). óleo ou sais fundidos. fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão.5 a 5% de Cu e 0. níquel (Ni) etc. Cláudio R.4 . obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi).5 a 1% de Mn e 0.5 a 0. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Figura 3. São usadas na construção civil. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções. O duralumínio contém em média 2. de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. chumbo (Pb). Neste caso deve-se usar água a100 oC. Por 77 .Diagrama de fases da liga binária Al-Si. endurecer por revenido à temperatura ambiente. Depois de passar por tratamento térmico. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 a 1% de Mg e 0. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente. Após este tratamento. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado. principalmente na construção de aviões. após a têmpera. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. o envernizamento e a esmaltação. Estas ligas de alumínio podem. Em outros casos. em geral. Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg).8% de Si. Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. titânio (Ti). No caso de peças de formas complicadas. estanho (Sn). Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa. além de pequenas porcentagens de Fe.

Ligas de alumínio para conformação. as ligas são comercializadas sob a forma de laminados planos (chapas e folhas). Tanto as ligas para conformação. se for diferente de zero. Quando se referem às ligas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. os materiais para conformação mecânica são indicados por um número de quatro dígitos: • O primeiro classifica a liga pela série de acordo com o principal elemento adicionado. As ligas para fundição devem ter resistência mecânica. Designação Indicação na composição da série 1XXX 99% mínimo de alumínio 2XXX Cobre 3XXX Manganês 4XXX Silício 5XXX Magnésio 6XXX Magnésio e silício 7XXX Zinco 8XXX Outros elementos 9XXX Série não utilizada Pela norma citada (NBR . Dr. 3. quanto as ligas para fundição seguem um sistema de designação de acordo com a norma da ABNT NBR . para o alumínio puro.3.6834 conforme o principal elemento de liga presente em sua composição.2 . a ABNT e outras associações de normas técnicas classificaram essas ligas de acordo com o processo de fabricação e a composição química. indicam o teor de alumínio acima de 99%. indica modificações nos limites de impureza: 0 (nenhum controle) ou l a 9 (para controle especial de uma ou mais impurezas). Cláudio R. Após passarem por esses processos. Losekann Direitos autorais reservados exemplo. barras. fluidez e estabilidade dimensional e térmica para suportar os diferentes processos de fundição. Foram divididas em ligas para conformação (ou dúcteis) e 1igas para fundição. indica qualquer modificação na liga original. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. Para as ligas. 78 . arames. identificam as diferentes ligas do grupo (é um número arbitrário). • O terceiro e o quarto dígitos.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO Para organizar e facilitar a seleção das ligas de alumínio.6834). Essa divisão foi criada porque as diferentes ligas têm que ter características diferentes para os diferentes processos de fabricação. para o alumínio puro. • O segundo dígito. Desta forma. perfis e tubos extrudados e peças forjadas. as ligas para conformação devem ser bastante dúcteis para serem trabalhadas a frio ou a quente pelos processos de conformação mecânica.

Sem controle especial de impurezas.X 5XX.Alumínio com magnésio.para alumínio reciclado. Ligas de alumínio para fundição. Para conformação M1A CS41A CG30A CG42A GS10A GS11A ZG62A Para fundição C4A CG100A CN42A CS72A G8A G10A SN122A 79 .99.para peças fundidas.Alumínio comercialmente puro.Alumínio com magnésio. N níquel.X 9XX.Alumínio com silício/cobre ou magnésio.cobre.X 8XX. 0 . 1 . Dr. 0 .X 6XX. 1 para lingotes e 2 . 4 . Losekann Direitos autorais reservados Exemplos: 1 . O segundo e o terceiro dígitos indicam centésimos da porcentagem mínima de alumínio (para o alumínio puro) ou diferentes ligas do grupo. Exemplos: 1) Liga de alumínio 319. As letras indicam os principais elementos (C.X 7XX.X 2XX.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0 3 .magnésio. 2) Liga de alumínio 580.1 5 .manganês). 35 . 80 .É a liga de número 80 desta série.X 4XX.Com controle especial de impurezas (modificado).silício. M . G .Peça fundida.Lingote. O dígito após o ponto indica a forma do produto: 0 .zinco. 2) Liga de alumínio 5470 5 .É a liga de número 19 desta série. Z . S .X 3XX. Cláudio R. A ASTM designa as ligas de alumínio com letras e números. 19 .X 99% mínimo de alumínio Cobre Cobre e silício e ou magnésio Silício Magnésio Série não utilizada Zinco Estanho Outros elementos • • • O primeiro dígito classifica a liga segundo o elemento principal da liga.35% de alumínio.É a liga de número 70 desta série. Designação Indicação na composição da série 1XX. 70 .

cujo teor não deve exceder de 0. A primeira utilização do cobre conhecida é datada de 8. Elementos indesejáveis em jazidas de cobre compreendem o Bi. Aproximadamente 3. 80 .C. o bronze (Cu-Sn). Porém em contato com ar úmido ele se recobre de uma camada esverdeada.000 anos atrás. aproximadamente. São Paulo. As reservas mundiais de cobre são estimadas em. conhecida por azinhavre ou zinabre (hidrocarbanato de cobre).C. a civilização veio a conhecer o ouro e a liga mais antiga que existe.INTRODUÇÃO O cobre foi o primeiro metal usado pela civilização. a cerca de 10. instrumentação e indústria química. O bronze teve absoluta supremacia durante séculos. Em relação a outros metais. até o advento do ferro. Por isso. o que é corrigido com o tratamento térmico. porém diminui sua maleabilidade. estirado ou estampado.1 . utensílios e na guerra. nos Estados Unidos da América do Norte e no Chile.000 anos a. Isso o torna mais frágil. O azinhavre impede a oxidação do cobre. 2% de As. para muitas aplicações. e é um excelente condutor de eletricidade e calor.000 anos a.7% de Cu. o cobre é um material relativamente escasso na crosta terrestre. automotiva. tendo sido encontrado vestígios de seu uso no norte do Iraque.C. Dr. em depósitos de grande porte e lavra subterrânea. O Brasil tem jazidas de cobre no Rio Grande do Sul. a 3%. pois pode ser encontrada junto na natureza. O cobre é um metal não-ferroso e não magnético que se funde aproximadamente 1. utilizadas na arte. de aeronaves. ele adquire um endurecimento superficial que aumenta sua resistência..UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 393 milhões de toneladas de metal. Goiás e Bahia. vieram a ser descobertos a prata e o chumbo. Ao ser laminado a frio. distribuídas com a maior percentagem na Rodésia. Cerca de 50% da produção mundial do metal é consumida pela indústria eletrônica. decoração. Durante aproximadamente 5. Para lavra a céu aberto. seguida da construção naval. não deve ser inferior a 1% de Cu e em depósitos de pequeno porte.700 anos a. os teores mínimos situam-se entre 0. Cláudio R.5 e 0. o cobre não se oxida.5%. tendo assim muitas aplicações inclusive. o cobre vem sendo substituído pelo alumínio.000 anos. É um metal dúctil e maleável que pode ser laminado a frio ou a quente. Losekann Direitos autorais reservados 4 . o cobre foi o único metal conhecido pelo homem. Estima-se que somente 4. Em contato com o ar seco e em temperatura ambiente. 1% de Sb e 10% Zn. sendo encontrado aproximadamente 0.COBRE E SUAS LIGAS 4.083 ºC..007% em toda a crosta. O teor de cobre.

... 6. 89% de Cu Os minérios devem passar por um processo que é composto por várias etapas como: 1.... 2. Na base desse equipamento existe uma entrada por onde o ar é soprado. os de cobre pórfiro...... Realizado essas etapas.. Em seguida.. 52-65% de Cu Enargita (Cu3AsS4) ... 48% de Cu Cuprita (Cu2O) ... A) Trituração do minério.. porque não se mistura na água. a) b) Figura 4..... Losekann Direitos autorais reservados 4. os de escarnitos.. os vulcanogênicos.. 5. Após ser extraído o minério da natureza..2 .. 66% de Cu Bornita Cu5 FeS4 .... 80% de Cu Covelina (CuS).... Trituração e moagem.. 3.. a qual é recolhida e desidratada. 4. Cláudio R.. e vão para o fundo do tanque... o sulfeto de cobre e o sulfeto de ferro fixam-se nas bolhas de ar sopradas. Dr.. Flotação ou concentração..... o minério moído é colocado em uma máquina cheia de água misturada a produtos químicos.. ele passa por um triturador giratório que irá reduzir o tamanho do mineral ao equivalente ao de uma bola de futebol.1 – Beneficiamento do cobre.PRODUÇÃO DE COBRE Os principais tipos de depósitos de cobre compreendem os de segregação magmática. Como o minério sulfuroso flutua...... Extração do minério...... Obtenção do mate.......... As partículas que não contêm cobre são encharcadas pela solução de água e produtos químicos...5 mm.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.... B) Flotação O minério de cobre e moído em moinho de bolas para reduzir o seu tamanho entre 0..... Essa etapa chama-se flotação ou concentração........ formando uma espuma concentrada na superfície do tanque. 34% de Cu Calcosita (Cu2S) ... chamado ganga. os filoneanos e os das séries sedimentares e os principais minerais de minério de cobre são: Calcopirita (CuFeS2) .... Refino....05 e 0............... formam um lodo.. Obtenção do cobre blíster.. resta em torno de 1% do 81 .

A seguir. A etapa seguinte é a decantação e filtragem.5% de cobre. e apresenta uma pureza entre 98% e 99.9% de impureza sendo o mais utilizado comercialmente. chumbo. Figura 4. o blíster é fundido e parte das impurezas restantes é eliminada. níquel etc. o concentrado é levado a um forno de chama direta chamado revérbero.3 . Na refinação térmica. podendo ser térmica ou eletrolítica. A última etapa é o refino do blíster.Esquema do forno revérbero e obtenção do mate. Depois. O cobre passa a ter 99. 82 . e também metais nobres como ouro e prata. O mate é levado aos conversores para oxidação para retirar o enxofre e o ferro. Losekann Direitos autorais reservados material inicial. bismuto. o enxofre que sobrou também é eliminado sob a forma de gás. o ferro se oxida e se une a sílica para ser transformado em escória que é eliminada. O cobre bruto obtido nesta etapa recebe o nome de blíster. Figura 4. Dr.2 . No conversor.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com impurezas como antimônio.. O material resultante passa a ter entre 35 e 55% de concentração de cobre e é chamado de mate. A maior parte do enxofre e de impurezas como arsênico e antimônio são eliminados. Cláudio R. quando se obtém um concentrado com 15 a 30% de cobre.Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica.

laminação) e a conformação a frio (trefilação. bismuto. A redução de condutividade é devida a deformação da rede cristalina provocada pelos átomos das impureza. endurece facilmente e tanto mais quanto maior for a deformação e. As principais impurezas que podem existir no cobre são a prata. Figura 4. Os valores da dureza e da resistência à tração são bastante diferenciados entre as temperaturas baixas e as temperaturas elevadas. Estas impurezas. em particular na condutividade elétrica. estanho. o fósforo.065 oC e que. durante a solidificação produz poros. particularmente. o ferro e o arsênio.PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS As propriedades mecânicas do cobre favorecem a conformação a quente (forjamento. O cobre comercial contém sempre impurezas que vão influir nas suas propriedades físicas. por isso. oxigênio. etc. diminuindo o limite de elasticidade muito rapidamente acima de 200 oC.04% de fósforo reduz a condutividade a 75% em relação ao cobre puro. níquel. zinco. é conveniente efetuar um recozimento para ir eliminando o endurecimento obtido. a não ser que o trabalho de deformação é realizado a quente. arsênio. de acordo com a sua estrutura cristalina. Também dissolve o oxigênio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. depositando-se nos contornos de grão. a qual dificulta o transporte dos elétrons. Cláudio R. de cuja natureza e teor. 83 .900 kgf/mm2 (119 GPa). Tem tendência a dissolver certos gases como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de carbono (CO2) que. Losekann Direitos autorais reservados 4. cobalto. Por exemplo. chumbo. Dr. laminação). torna o metal frágil. 0. mesmo em quantidades pequenas atuam prejudicialmente sobre a condutividade elétrica.Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre. O módulo de elasticidade longitudinal médio é de 11. antimônio.99%) é obtido por eletrólise. enxofre. selênio. O oxigênio forma dióxido cuproso (Cu2O) solúvel no metal líquido e pode dar o eutético Cu-CuO2 que funde em torno de 1. ferro. Por deformação a frio.3 . O cobre é dúctil e maleável a frio. O cobre mais puro ( > 99. e nas propriedades mecânicas.4 . dependem do processo de fabricação.

356. Aplicações As aplicações mais importantes do cobre são conseqüências da elevada condutividade elétrica e boa resistência a corrosão. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Massa atômica: 63.47.106. Resiste muito bem a água do mar.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 1. a = 0.0.387 J/kg.083 oC [1. mas reveste-se de uma camada esverdeada no ar úmido.94 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC.1 . Tem um potencial de dissolução cujo valor se situa entre os metais nobres. sobretudo em presença de dióxido de enxofre (SO2) e de ácido sulfídrico (SH2).cm-1. mas não se passiva e as películas formadas pelos produtos de corrosão são pouco resistentes.8 x 10-6/ oC [16. Dr.94 cal.95 µΩ.25 % Coeficiente de Poisson: 0.35 Dureza: 43 a 46 HB [430 a 460 MPa] Módulo de cisalhamento: 45. oC-1 [390 . Cláudio R.8.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0. Por estes motivos o teor de oxigênio deve ser inferior a 0.K Calor latente de fusão: 200 .23 . em uma atmosfera redutora.398 W/m.K] Calor específico: 383 . sofrendo ataque uniforme em torno de 1 µm/ano.m1/2 Tensão de compressão: 28 .40 MPa Tensão de ruptura por tração: 145 a 160 MPa Propriedades químicas O cobre puro apresenta boa resistência a corrosão.360 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 16. A aplicação principal é para 84 .95. pode reduzir o óxido de cobre com formação de vapor de água e tornar o metal poroso e frágil.0.360 nm Ponto de fusão: 1. o cobre não se altera ao ar seco. A presença de hidrogênio.4%.128 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 28 a 40 MPa Tenacidade a ruptura: 100 .15K] Ponto de ebulição: 2.34 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 122 . Assim.57 g Peso específico: 8.s-1. Tratamentos térmicos Esta fragilidade pode ser eliminado por meio de recozimentos e forjamento feito convenientemente.10% e o total de impurezas inferior a 0.10-8 Ω.208 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 350 .360K Constante dielétrica: Não se aplica Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.cm [1.7 MPa. não dando qualquer proteção.

Cláudio R. conforme mostra o quadro abaixo: Porcentagem 2 10 de zinco ( % ) Cor Cobre Ouro velho 15 a 20 30 a 35 40 Amarelo claro Avermelhado Amarelo brilhante 85 . quanto maior. Quando contém até 30% de zinco. pode se unir por solda de estanho e solda de prata. mais baixa para a temperatura de fusão. Com os outros três componentes há formação de diversas fases intermediárias à medida que os teores vão aumentando. A cor do latão varia de acordo com a porcentagem de cobre que a liga apresenta. podem ser monofásicas (α) ou bifásicas (α + β) as ligas de cobrealumínio. trocadores de calor. dobramento. São. resistência mecânica. ferragens. sol. Está liga é utilizada em moedas.1. Igualmente a adição de um terceiro componente dá lugar a constituintes duros e frágeis que comprometem a tenacidade da liga. por ordem decrescente de solubilidade. quer no estado líquido quer no estado sólido. ligas.Latão É uma liga formada por cobre e zinco sendo que a quantidade de zinco pode variar de 5% a 45%. corte. a liga deixa de ter interesse industrial dada a sua elevada fragilidade. forjada e estirada ao frio. radiadores de automóveis. geralmente. pois depende do teor de zinco que apresenta. 4. excelente resistência à corrosão. resistência a corrosão. boa resistência mecânica. aceita quase todos métodos de conformação. e usinagem.070 ºC. melhora a resistência mas piora a ductilidade e logo que a liga contenha outras fases. cartuchos. medalhas. mais entram na composição das ligas de cobre são. α) todas as ligas de cobre e níquel. o níquel. cobre-zinco e cobre-estanho considerando apenas as ligas em que os teores do segundo componente têm interesse industrial. a microestruturas idênticas as que correspondem a ligas tenazes e dúcteis.3. etc. ou seja. Pode ser fundida. Sua temperatura de fusão varia de 800 ºC a 1. bijuterias. condensadores e tubulações para água do mar. a quente e frio. O aparecimento de uma segunda fase. o alumínio e o estanho.3. alças de móveis. monofásicas (sol.1 . Apenas no caso do níquel a solubilidade é total. Em maior ou menor proporção diversos elementos são miscíveis com o cobre no estado sólido e dão lugar a uma solução sólida α. além de α e β. é usado na fabricação de barras para enchimento.1 . então. a fase β. Losekann Direitos autorais reservados fabricação de condutores elétricos. 4. fechaduras. o zinco.LIGAS DE COBRE Cada elemento adicionado o cobre permite obter ligas com diferentes características tais como: maior dureza. doce e vapor saturado. Dr. O latão que tem entre 40 à 45% de zinco. etc. usadas na solda forte de aços-carbonos e outros mais. É uma liga dúctil.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. boa condutora de eletricidade e calor. Os elementos que. o latão é conformado por estiramento. usinabilidade ou até para obter uma cor especial para combinar com certas aplicações.

Estanho: Aumenta a resistência à tração. o níquel. Níquel: Dá a cor prateada no latão. que no interior da liga. É usado no lugar do bronze para fabricar molas. É utilizado nos latões de alta resistência mecânica. devem ser limitados a 0. aparece um filme de óxido de alumínio.89 x 10-8 ohm.000 MPa Módulo de cisalhamento: 33 .34 -0. aumentando a fragilidade. há formação de manchas escuras.500 MPa Tenacidade a ruptura: 30 . casquilhos de mancais. Por exemplo. Quanto as propriedades mecânica.1% pode criar descontinuidades na estrutura da liga favorescendo a usinabilidade e em proporções superiores a 3%. além de melhorar a refletividade. destrói a coesão da liga.8 a 8.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.5 .8 kgf/dm3 Calor específico: 372 . diminui a resistência mecânica. o chumbo e o bismuto. Sua adição é limitada pelo aparecimento da fase γ. por isso. mas diminui a ductilidade quando é usado teores acima de 1%. quando em estado líquido e. Dr.1. É o elemento mais utilizado para obter latões de alta resistência. Para terores acima de 0.m1/2 86 .20. o ferro.05 . É empregado na fabricação de peças para construção de barcos. o estanho. Para melhorar a resistência mecânica e a corrosão do latão. Alumínio: Influencia na resistência a tração.002% respectivamente para trabalhos a quente.86 MPa. Melhora a resistência à corrosão por cavitação.7 x 10-6/K Condutividade térmica: 110 . Entre 0.25% facilita a introdução do chumbo. Manganês: Forma solução sólida e aumenta a solubilidade do ferro no latão.3% refina o grão. Silício: Melhora a fluidez. que diminui a resistência a corrosão por águas salinas e aumenta a tendência a fratura intergranular.20.K Calor latente de fusão: 220 .02% e 0.340K Temperatura máxima de serviço: 370 .7% e.55 % Coeficiente de Poisson: 0. mas os teores admissíveis dependem do fim a que se destina a liga. Ferro: Terores acima de 0.K Ponto de fusão: 1.480K Resistividade: 3. Losekann Direitos autorais reservados Diversos elementos químicos podem ser adicionados em sua composição. de baixo ponto de fusão. é utilizado na fundição por injeção.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3. A influência deles são: Chumbo: Acima de 0.8 a 1. o manganês e o silício. É resistente à corrosão em atmosferas marinhas. Aumenta a resistência a corrosão. Cláudio R.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.220 W/m.0.383 J/kg.150 . outros elementos de liga são adicionados em sua composição como: o alumínio.35 Dureza: 460 . só e perceptível com teores acima de 2% e pode apresentar o composto metálico FeZn10.120 GPa Limite elástico: 70 . Propriedades físicas Peso específico: 7.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 90 . Quando latão ao alumínio é utilizado na solda e na fundição.09 . em presença de silício.

com percentagens de zinco que variam de 10 a 45%. as ligas utilizadas são as ligas monofásicas α ou β e as bifásicas α + β’. Do diagrama de fases da liga Cu-Zn. acima.56. Dr. Muitos dos elementos que se adicionam aos latões modificam a sua microestrutura.46. decrescendo depois até a temperatura ambiente. Deve-se ainda notar que a solubilidade do zinco na solução sólida α aumenta até à temperatura de 453 oC (29%). Cláudio R. aparecendo a forma ordenada β’. Dado que a fase γ é demasiado frágil e as ligas com interesse industrial ficam limitadas as de teor de zinco inferior a 50%. Cu5Zn8.6 A estrutura cristalina da fase α é cúbica de face centrada (CFC) e a das fases β e γ é cúbica de corpo centrado (CCC).6 γ 36.32.6 .5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn. Após solidificação Temperatura. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 70 . A fase β atribui-se a composição CuZn e a fase γ. exceto o níquel que tem efeito contrário.0 .0 % Zn α+β 32.4 . 87 .500 MPa Tensão de ruptura por tração:150 . aparece as seguintes fases do latão comercial.8 36. fazendo aparecer mais cedo o constituinte β. ambiente α 0 .36.5 0 .8 .50.5 46. Industrialmente.850 MPa Constituição Figura 4. Entre 470 oC e 453 oC a fase β sofre uma transformação ordem ⇔ desordem.36.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.7% Sn 2. Cu-Zn 24. Losekann Direitos autorais reservados Latões α: Nas ligas monofásicas. CuZn 34% Mn 1. a 800 oC. os latões α são ainda particularmente sensíveis ao tamanho de grão. À temperatura ambiente. tal como o cobre.92% [fase α + nódulos de Pb].6 – Micrografias de latões.12% Pb 1. Apenas se usa a liga com 50% de Zn devido ao seu baixo ponto de fusão para união de metais por brasagem. é superior é das ligas bifásicas. de recozimentos freqüentes. alcançando o máximo para 100% desta fase e passando a diminuir logo que aparece a fase frágil γ. Latões β + γ : As ligas bifásicas β + γ são duras e extremamente frágeis. Figura 4.4% Pb 2. mas tem boa resistência a corrosão por águas salinas. Latões α + β: Nestas ligas bifásicas. a resistência e o alongamento aumentam com o teor de zinco. b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] . por isso. mas a resistência a fluência a temperaturas elevadas. A resistência ao impacto no intervalo de 350 oC a 650 oC é extremamente baixa. a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]. mas a resistência e a dureza aumentam com a proporção da fase β. o alongamento diminui. 88 . sendo. este último com um máximo de 30% de Zn.9% [fase α + Cu3Sn]. Acima de 500 oC a maleabilidade é fraca. No entanto a 470 oC. Este fato torna estas ligas facilmente conformados a quente. é muito mais fácil de deformar do que o constituinte α. Endurecem fortemente por deformação a frio e necessitam.7% Ni 3. Cláudio R. Estas ligas têm uma boa aptidão a conformação a frio. Dr. após a transformação ordem-desordem torna-se repentinamente macia e. a fase β’ é mais dura que a fase α e pouco deformável a frio. laminadas a quente entre 650 e 800 oC.

portanto. mas diminui a ductilidade. de modo a obter um grão uniforme e adequado aos tratamentos mecânicos. e talvez o chumbo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A figura abaixo mostra a correlação existente entre a composição de zinco e as propriedades mecânicas. o que aumenta a resistência. sobretudo para eliminar as tensões residuais provocadas nas ligas bifásicas α + β’ após deformação a frio. O primeiro permite prosseguir a operação de conformação. Estes latões podem recuperar-se por recozimento a 800 oC após deformação a frio.650 oC. Dr. Figura 4. As tensões residuais sensibilizam os latões a um tipo particular de corrosão trincas espontâneas . as propriedades de um latão dependem da relação dos volumes das fases presentes. Quando o recozimento é efetuado acima de 700 oC aparece grão grosso e após a deformação reconhece-se pelo aspecto da superfície “casca de laranja”. aptidão a niquelagem e a cromagem. Losekann Direitos autorais reservados As principais propriedades com interesse técnico são: resistência a corrosão. Pode-se aplicar têmpera nas ligas Cu-Zn 40 a partir de 600 oC em que a liga se encontra na fase β. O alívio de tensões é efetuado em torno de 300 oC durante 1 hora. usinabilidade (sobretudo com adição de chumbo). e certos reagentes coma o amoníaco. zonada e torna-se necessário um recozimento para homogeneização a 600 . 89 . aptidão a conformação a quente (latão β). Desta forma. aptidão a conformação a frio (latão α).Diagrama do comportamento mecânico dos latões. Suprime-se assim a fase α que pode precipitar no resfriamento segundo certos planos cristalográficos da fase β inicial ou nos contornos de grão. Cláudio R. a estrutura dos latões é dendrítica e. O aquecimento de latões dá lugar a alteração da superfície devido a oxidação e volatilização do zinco.7 . aptidão a brasagem. Tratamentos térmicos Os tratamentos mais usados são os de recozimentos para recristalização e os de alívio de tensões que se efetuam nos produtos endurecidos por deformação a frio.que se manifesta por fratura intergranular em ambientes corrosivos fracos como a atmosfera ambiente e pode ser acelerada pela presença de certos elementos como o ferro. Após o vazamento.

O bronze apresenta elevada dureza e boa resistência mecânica a corrosão. devido à semelhança da sua cor com o ouro. geralmente. evaporadores e aquecedores.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a corrosão e à fadiga. Os latões α se destinam especialmente a laminação a frio. Bismuto: Causa fragilidade devido a formação de uma película intergranular para teores superiores a 0. utilizada em trocadores de calor. Figura 4. sendo que estas quantidades variam de acordo com as propriedades que se quer aproveitar. Atualmente a proporção de estanho que é adicionada ao cobre é de até 12%. . usada para medalhas.Aplicações dos latões. sendo que a quantidade de estanho pode chegar até 20%. rebites. prejudicando a laminação. mancais e componentes que suportam pesadas cargas de compressão.3. Cláudio R.Cu-Zn 5.3%. pregos e parafusos. componentes para industria têxtil.7% de cobre e 1. forte.Bronze É uma liga formada por cobre e estanho. e para artigos obtidos por conformação. Dr. moeda e objetos decorativos e ainda pequenos cartuchos de amas. limitado a 0.3% de estanho. na fabricação de cartuchos. química e de papel. e também é um bom condutor elétrico. na indústria elétrica. Este bronze possui 98. Antimônio: Dá com o cobre diversas fases intermediárias que aumentam a dureza mas igualmente a fragilidade. Pertencem a este grupo entre outros as seguintes ligas: . tubos. na construção mecânica. A liga de cobre e estanho que é desoxidada com fósforo. usada em imitações de joalharia.Cu-Zn 30. Podem ser conformados por dobramento. prensagem e forjamento em matrizes. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações Dada a variação da resistência a corrosão e das propriedades mecânicas com o teor de zinco.2 .005% pode apresentar de zonas de porosidade devidas a retração ou à retenção de gases pela película de alumina. recalcamento. O seu teor é. 4. .Cu-Zn 15. As ligas com esta faixa de estanho (10%) são usadas para fabricação de parafusos e engrenagens para trabalho pesado. sendo facilmente unido por meio de solda. nas cápsulas e rosca das lâmpadas. estiragem. O bronze com até 10% de estanho pode ser laminado e estirado e tem alta resistência a tração. de solda prata. fabricação de tubos e prensagem. chama-se bronze fosforoso.04%.8 . 90 .1. Só se usa em casos especiais. as aplicações de latões são bastante diversificadas. O bronze também pode receber pequenas quantidades de outros elementos cuja influência é descrito abaixo: Alumínio: Com 0.

Propriedades físicas Peso específico: 8. devido à diferença de densidade.K Calor latente de fusão: 220 . um ponto eutéctico e quatro pontos eutectóides.02 . Embora.2. a estanqueidade das peças fundidas.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16. ε. em proporção limitada (< 4%).5%. em porcentagem superior a 2% prejudica a resistência mecânica.8% de Sn à temperatura de 520 oC para se reduzir progressivamente a 1% à temperatura ambiente. Dr. a presença de 1% de níquel tende a uniformizar a distribuição dos glóbulos de chumbo na matriz. Cláudio R. ξ. Comporta sete fases α.m1/2 Tensão de compressão: 65 .90 MPa.2%.5% < Sn < 25. Mesmo em teores baixos prejudica a laminação.K Ponto de fusão: 1.140 .95 x 10-8 ohm. entretanto. e η. associado a fase α.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. em geral. portanto.6 % Coeficiente de Poisson: 0.400 MPa Módulo de cisalhamento: 25 . Esta solubilidade aumenta até 15.19 x 10-6/K Condutividade térmica: 50 . γ. δ. reduzindo a solubilidade do estanho na solução sólida α. Para ligas com 13.800 MPa Constituição A figura 4.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. aumenta a quantidade de eutectóide.5 a 9 kgf/dm3 Calor específico: 140 .9 representa o diagrama de equilíbrio do sistema de ligas cobre e estanho. facilita o vazamento e melhora o aspecto superficial da peça (ausência de porosidade) e.5%.3% de P e 10% de Sn forma-se o constituinte Cu3P.500 MPa Tenacidade a ruptura: 24 . Para teores de 0. dando. lugar a heterogeneidades difíceis de evitar. Fósforo: Entra na composição de bronzes bifásicos cujos constituintes são a solução sólida α e o eutectóide. Losekann Direitos autorais reservados Chumbo: O cobre e o chumbo não são miscíveis no estado líquido para teores de chumbo de 36 a 92. forma-se a solução sólida α de estrutura cristalina cúbica de face centrada.90 W/m. Após solidificação. dá-se a 799 oC uma reação 91 . Melhora a fluidez no estado líquido visto que abaixa o ponto de fusão.0.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 70 . mas facilita a usinagem: Ferro: Endurece e torna os bronzes frágeis com teores superiores a 0. cinco pontos peritécticos. Zinco: Diminui a dureza da solução sólida α o que se aproveita na cunhagem de moedas e medalhas. β.5 .120 GPa Limite elástico: 65 .08 . Aumenta a dureza visto que.340K Temperatura máxima de serviço: 420 . a 799 oC. não é praticamente solúvel no bronze α.5%. duro que vem.35 Dureza: 460 .19.800 J/kg.34 -0. Por este motivo o teor de chumbo nos bronzes está limitado a 30%.1.700 MPa Tensão de ruptura por tração:140 .450K Resistividade: 7. e para teores de estanho de 0% a 13.

Assim. a austenita.Micrografias de bronzes. Figura 4. 92 . b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] . são então constituídos à temperatura ambiente ou só pela fase α.9 . Por outro lado. c) Cu-Sn 10%. Por resfriamento. A solução sólida intermediária γ é de estrutura cúbica de faces centradas e o constituinte parece ser o composto intermediário Cu31Sn8. As ligas fundidas estão fora de equilíbrio e tem uma estrutura α + eutectóide (α + δ). Entretanto. mas o equilíbrio não é atingido a baixa temperatura senão em condições especiais (endurecimento a frio e recozimento prolongado) e. a) b) c) Figura 4. a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]. ou pelas fases α + δ. para fase ε atribui-se a composição Cu3Sn. O limite entre estas duas estruturas parece tender para a do cobre quando a temperatura abaixa.Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn. a não ser que por têmpera se mantenha a fase β à temperatura ambiente. o limite entre os dois domínios é marcado aproximadamente pela linha pontilhada no diagrama. Pb 5%. a 520 oC sofre a transformação eutectóide (27% de Sn). α + β. β. a fase β transforma-se em γ a 586 oC e esta. neste intervalo as ligas podem ser bifásicas. a estrutura α + ε só se obtém depois de tratamento térmico prolongado a baixa temperatura nas ligas de até 15% de Sn. Dr. fase γ.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tal como nos aços.10 . se transforma a 723 oC em ferrita e cementita. solução sólida de estrutura cúbica de corpo centrado. Os bronzes industriais. Cláudio R. muito duro e frágil. por sua vez. em que Sn é menor que 20% (com exceção dos destinados a sinos). monofásicas. γ → α + β . ou monofásicas. na prática. Losekann Direitos autorais reservados peritéctica de que resulta o aparecimento da fase β. como o equilíbrio é difícil de se obter. o grande intervalo de solidificação dá lugar a zonamento pronunciado e a difusão é tão lenta que o constituinte δ chega a aparecer em fundições com 7% de Sn.

o teor de estanho deve ser tanto mais baixo quanto o trabalho for mais difícil. sólida α). sendo avermelhada até 5% e amarelo claro acima de 15%. Em contrapartida. apresentar um elevado limite de elasticidade. a 7% nas ligas destinadas a fabricação de fios. mantendo-se a fase β à temperatura ambiente. Da mesma forma pode-se evitar. a dificuldade de usinagem e boas qualidades de fundição levam a utilizá-los principalmente sob a forma de peças fundidas: 93 . ligas com maior porcentagem de estanho são de difícil laminação. ao contrário do que acontece nos aços. Aplicações As qualidades autolubrificantes e boa resistência à corrosão são as principais aplicações dos bronzes. Se efetua têmpera nos bronzes com mais de 13% de Sn para evitar a precipitação da fase δ. do que resulta melhor resistência e facilidade de deformação devido ao fato de. No entanto. De um modo geral. Bronzes α + ε: Estas ligas têm boas propriedades autolubrificantes. a estrutura α + δ. Tratamentos térmicos O recozimento é amplamente utilizado para homogeneizar os produtos fundidos e para redução de dureza devido ao encruamento por deformação a frio. verifica-se que melhoram com o teor de estanho até 13% (sol. Dr. A cor dos bronzes varia apreciavelmente com o teor de estanho. por deformação a frio podem adquirir características mecânicas interessantes. resulta de. É uma têmpera martensítica em que as fases são α ou α + β de acordo com o teor de estanho. visto que apresentam grãos duros em uma matriz muito plástica (α). Losekann Direitos autorais reservados Deste fato resulta que. No que se refere às propriedades mecânicas. no que se refere a homogeneização da matriz do que os latões. este tratamento não é. Por este motivo ligas com teores de Sn maiores que 7% são usadas apenas em fundição. em geral. após endurecimento a frio. enquanto que os outros bronzes só podem ser trabalhos a quente acima de 600 oC para se obter as soluções sólidas α e β. Cláudio R. Uma dessas propriedades mais interessantes. por têmpera. Por outro lado. as ligas de alto teor de estanho são deformáveis a quente (fases α + β) ou deformáveis a frio após recozimento e têmpera. Assim. Dado o intervalo de solidificação. estas ligas têm boa resistência ao desgaste e muito boa soldabilidade. o material fica mais macio dada a ausência da fase δ. mas a partir deste valor as ligas tornam-se cada vez mais frágeis e duras devido à presença da fase δ. são mais caras. as peças fundidas de bronze são melhores.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mas para folhas laminadas pode alcançar 10%. aconselhado visto que há outras ligas mais baratas que os bronzes com propriedades equivalentes obtidas por este tratamento. devido a menores retrações. a não ser após recozimentos prolongados para homogeneizar a solução sólida. Por isso é limitado a 4% na fabricação de tubos. No entanto. Bronzes α: São maleáveis a frio e a quente. que e aproveitada na fabricação de molas.

componentes de torres de resfriamento. As ligas de 3. Figura 4. Bronze ao silício: Com até 4% de silício.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. essa liga é indicada para equipamentos de soldagem e ferramentas elétricas não faiscante.Aplicações do bronze. na fabricação de tubos de condensadores.As ligas de 14% ou 18% de Sn são usadas para fabricação de peças que exijam boa resistência ao desgaste por abrasão e resistência a água do mar. parafusos. Por sua alta resistência mecânica e propriedades anti-faiscantes. sendo que é empregado na laminação a frio de chapas resistentes a corrosão. engrenagens e ferramentas para conformação de plásticos. Dr. podendo o teor de estanho atingir 30% com baixos teores de zinco e de chumbo.As ligas de 10% ou 12% de Sn são usadas para fabricação de torneiras. possui alta resistência a corrosão e à fadiga. É usado para fabricação de peças para a indústria naval. Bronze ao berílio: Contém até 2% de berílio. Cláudio R.3% a 1%. Com o desenvolvimento da tecnologia foram criados os bronzes especiais que contém pouco estanho ou que não contém estanho. Usam-se para peças de máquinas resistentes ao desgaste ou sujeitos a esforços elevados como rodas dentadas. Nas ligas destinadas a fundição o estanho varia de 5 a 13% e o fósforo de 0. conservando a tenacidade. Podem funcionar sem lubrificante e suportam cargas maiores que as ligas antifricção. casquilhos. apresenta alta resistência à ruptura e alta renacidade. alta condutividade elétrica e alta dureza. Losekann Direitos autorais reservados .11 . Estas características são adquiridas após o tratamento térmico. . autoclaves. buchas e peças resistentes à corrosão. Os bronzes com teor acima de 20% de Sn são usados para fabricação de sinos onde a sonoridade parece estar relacionada a fase δ (Cu31Sn8). acessórios de tubulações.As ligas de 4% a 10% de Sn são usadas para fabricação de medalhas e moedas. pregos. discos de fricção.5% de Sn e 1. Bronze ao zinco: Corresponde a composições de até 2% de zinco e esse teor é sempre inferior ao de estanho. instalações criogênicas. Bronze de alumínio: Possui normalmente 13% de alumínio. tubos para trocadores de calor e caldeiras. Bronze ao chumbo: Os teores de chumbo podem variar de 8 a 20% e até 30% e o estanho até 10%. recipientes para industria química. Bronze ao fósforo: São também chamados bronze fosforoso. evaporadores e trocadores de calor. tanques para água quente. hastes e hélices mavais. 94 . .5% de Zn são empregados na fabricação de moedas e medalhas.

fragiliza o material e.Ligas de cobre-alumínio As composições mais usuais satisfazem os seguintes tipos: Cu-Al . Quando a temperatura baixa. pode ser trabalhada a quente. As fases α + β correspondem a um eutéctico de 8.3. Constituição Os do de equilíbrio relacionados com as ligas que. industrialmente têm mais interesse. Após a solidificação forma-se solução sólida α com até 7. o teor de alumínio raramente vai além de 12%. como há dificuldade em estabelecer o equilíbrio. Dr.3 % de Al formado a 1. Para teores de Al > 7. Entretanto.036 oC. Losekann Direitos autorais reservados 4. embora as ligas industriais raramente tenham mais de 12% de Al.Fe . por isso. Cu-Al-FeNi . temperatura bastante elevada que provoca a sua coalescência de modo que.4% de Al a 1. não se encontra a microestrutura eutéctica. em grandes quantidades. domínios diagrama Figura 4.Al > 15% e Fe + Mn + Ni < 15%.5%. o 95 . estão representados na figura abaixo. O diagrama abrange os teores de 0 a 100%.12 .Diagrama de fases da liga binária Cu-Al. A fase γ2 é muito dura e frágil e a sua existência em pequenas quantidades aumenta a resistência da liga e.4% por resfriamento a 565 oC. como a dos latões.Cu > 90% e Al < 10%. A fase β é mais dura e mais frágil que a fase α. As adições de manganês. mas. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e que é do tipo lamelar. ferro e níquel melhoram o limite de elasticidade longitudinal das ligas bifásicas.5% e Fe < 2. O manganês melhora a fluidez no estado líquido. Al < 7. porcentagem que aumenta até 9.4% aparece uma mistura de α + β ou só a fase β. o domínio β reduz-se e desaparece a 565 oC dando lugar ao eutectóide α + γ2. com cerca de 12% de alumínio. a fase β aparece já para 7% de Al.Cu > 90%. Cu-Al .036 C. Assemelhando-se a perlita dos aços. mantendo-se este valor até temperatura ambiente. à temperatura ambiente.3 .1.

Se a liga for revenida entre 350 oC a 560 oC formam-se pequenas partículas do constituinte e a estrutura é semelhante a perlita fina.6 kgf/dm3.000 oC) e um intervalo de solidificação muito estreito. As ligas de cobre-alumínio têm um módulo de elasticidade de 11 GPa e peso específico de 7. no estado líquido.É a liga superstone. A têmpera martensítica realiza-se a partir da temperatura de 850 oC a 900 oC e é seguida de revenido a 550 . 12% de Mn . como o solidus corresponde a temperaturas mais elevadas que nas outras ligas de cobre. estas ligas resistem bem a atmosferas urbanas ou marítimas e a água doce e salina. tubos de condensadores. aplicamse em construção mecânica. α + β → α + (α + γ2). Ligas de 5 a 7% de Al . Não apresentam zona de fragilidade a quente e. etc. hélices. Ligas de 9 a 10% de Al . ser cuidadosamente desgasificada. lamiminação ou fundição sob pressão. tal como os aços. Estas têm um ponto de fusão relativamente elevado ( > 1. recipientes para substâncias ácidas e alcalinas.5% (na prática 7%) e bifásicas (α + eutectóide ou α + β) as de 8. sendo monofásicas (α) de teor de alumínio até 8. a liga mais usual é a que tem em torno de 7% de Al. Ligas bifásicas. Ligas de 8% de Al. forjamento. Dão estrutura maclada por recozimento. de alta resistência ao impacto (40 J Izod) e tensão de ruptura a tração 70 kgf/mm2. Devido a película protetora de alumina que se forma na superfície. A compacidade das peças de fundição espessa. Aplicações Dadas as boas propriedades mecânicas e resistência à corrosão. permitindo grande economia de material em relação a outras ligas de igual resistência. Estes dois fatos dão lugar a forte retração na fundição e tendência notável para rechupe ou vazio.650 oC durante 2 h. temperada e revenida. Losekann Direitos autorais reservados As ligas de cobre alumínio que se utilizam são todas hipoeutectóides. Devido à sua cor. por isso. Cláudio R.Tubos de trocadores de calor. A têmpera impede a precipitação do eutectóide e o revenido dá lugar a um precipitado muito fino.5% e 12% de Al. Dr. Da mesma forma a presença de alumínio dá lugar a formação de uma película de alumina na superfície do banho que pode ser arrastada para o interior e comprometer a coesão da liga. A liga de 20% de Al. 96 . Ligas α: A resistência cresce regularmente com o teor de alumínio e.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. devendo por isso a liga. (α + γ2): Têm características mecânicas mais elevadas que as anteriores com exceção da resiliência. pode ser comprometida pelos gases que tendem a desenvolver-se no decurso da solidificação. moedas. Tratamentos térmicos Estas ligas. após trabalho a frio. 3% de Fe. Destinam-se ao trabalho a quente. peças de bombas.Instrumentos elétricos. Endurecem por deformação a frio e são facilmente conformáveis a frio ou a quente. tem características idênticas a de um aço meio doce. como hélices de turbinas. isto é. têm possibilidade de ser submetidos a tratamentos térmicos. semelhante ao ouro são usadas em bijuteria.

1420 420 .22.8% de Mn/ 0.1450 470 . As ligas com teores de níquel na faixa de 35 a 57% recebem o nome de constantan e são usadas para fabricação de resistores e termopares.240 16 .5 .94 kgf/dm3 para 32. Até 30% de níquel a liga é usada em medalhas e na fabricação de resistores. Dr.91 Peso específico (kgf/dm3): Calor específico (J/kg.5% < Fe < 1%).25% de Fe / 0.Cuproníquel As últimas ligas do cobre são aquelas que o níquel participa com 5 a 50%. sempre a soluções sólidas do tipo α.85 . tiras.9 220 . para 40% de Ni (0.5% de Mn / Cu 8. conforme o teor de ferro presente.8 .384.33 1440 . resistência mecânica e a oxidação.8.44 1390 .8.2% de Ni.30. fios.1.1510 440 .K): Ponto de fusão: Temperatura máxima de serviço: Resistividade (ohm. boa condutividade térmica.9 220 .17 30 .7 .240 16 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.480 26.5% de Cr. facilmente conformáveis.85 . Losekann Direitos autorais reservados 4.450 20. São sensíveis a corrosão sob tensão apenas em meio amoniacal.384.23 1460 .5% de Si / Cu 8. Podem ser unidas pela maioria dos métodos por solda forte e por solda de estanho.42 . Esta sensibilidade é máxima para 12% de Ni e desaparece. o parâmetro apresenta um mínimo e o peso específico de 8.75 384.240 16 .m): 97 .8. Propriedades físicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni. Figura 4. O ponto de Curie desce o linearmente de 368 C (para o níquel puro) para 0 oC na liga com 31.9 .5% de Fe / 1% de Mn / Cu 8. Cláudio R.89 384.K): Calor latente de fusão (kJ/kg): Coeficiente de dilatação térmica linear (10-6 K-1): Condutividade térmica (W/m.8 .17 19 . etc.4 . Correspondem. As ligas de cobre e níquel são solúveis no estado líquido e totalmente miscíveis no estado sólido. Essas ligas têm boa ductilidade. portanto.1% de Fe) ou para 30% de Ni ( 0.13 .89 384. a liga apresenta cor branca.6 220 .15 70/30 30% de Ni / 1.4 . etc.17 40 . pode ser transformadas em chapas. A estrutura da solução sólida é cúbica de face centrada. A partir de 20% de níquel. São maleáveis e resistem particularmente bem corrosão.37.3.9 80/20 20% de Ni / 0.470 32.384.

4 .4 0. ácidos sulfúrico.5% de Si / Cu 0.2 . resistência elétricas. Figura 4.São utilizados com artigos de decoração de ourivesarias. elevada resistência ao desgaste e a corrosão. Ligas de 30% de Cu e 67% de Ni (monel ) .35 1200 . A sua resistividade elétrica é de 41 µΩ. o valor da tensão de ruptura a tração é igual a 77 kgf/mm2.120 70.340 70/30 30% de Ni / 1.55. as microestruturas são idênticas.35 800 . e 70 HB de dureza. 4. Cláudio R.1.0.34 .1 110 . As características mecânicas do monel recozido são σe = 250 MPa.1650 53.38 .São resistentes a água salina. sulfuretos de sódio. σe = 770 MPa.140 65.5 145 .5 145 .150 128 .0.7 . tubos de Bourbon.3 128 .Ligas de cobre e berílio Estas ligas apresentam elevada resistência à tração e à fadiga e elevado limite de elasticidade. Dr.0.1100 53.55.140 290 .490 29.68.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.7 .55.5 145 .3 0. álcalis. σe = 550 MPa. diafragmas e cabos 98 .150 110 .34 .3. São utilizadas em molas de instrumentos.3 .5% de Fe / 1% de Mn / Cu 0.5% de Mn / Cu 0.7 .5 .7 .120 330 .41. Tem pouca resistência ao ácido nítrico e cianetos.8% de Mn/ 0. σe = 600 MPa.73.5 .14 .310 Ductilidade (%): Coeficiente de Poisson: Dureza (MPa): Módulo de cisalhamento (GPa): Módulo de elasticidade longitudinal (GPa): Limite elástico (MPa): Tenacidade a ruptura (MPa. 9% a 26% de Ni e 17 a 45% de Zn (alpacas ) .m1/2): Tensão de compressão (MPa): Tensão de ruptura por tração (MPa): Tratamentos térmicos Após recozimento.35 1000 .0. e do monel extrudado.550 80/20 20% de Ni / 0. O recozimento de amolecimento é feito a 550 oC .0. Ligas de 54% a 66% de Cu.0.690 oC e não deve ir além de 800 oC para evitar a precipitação de carbono presente.34 . Severamente deformada.25% de Fe / 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.850 53.cm e praticamente independente da temperatura no intervalo de 20 a 250 oC.Moedas e tubos de condensação para água do mar.35 0. e 100 HB de dureza. Ligas de 35% a 50% de Ni (constantan) . Aplicações Ligas de Ni < 25% .3 310 .Aplicações do cuproníquel.É usada em resistências elétricas e termopares.150 310 .490 400 .

Propriedades físicas Peso específico: 8.52 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 120 .210 W/m.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.01 .138 GPa Limite elástico: 110 . em martelos e outras ferramentas quando é necessário propriedades não magnética. Por têmpera. portanto. Com a composição de 1.470K Resistividade: 15. obtêm-se ligas com características interessantes após endurecimento por revenido devido a precipitação. componentes de alta condutividade e componentes elétricos que necessitam alta resistência mecânica.5 .K Ponto de fusão: 1.85 .70 MPa. Dr. a partir de 800 o C. facilmente deformadas na condição de peça fundida ou temperada.5% de cobalto ou níquel.25 a 8. clipes.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. produz-se uma solução macia sobressaturada que pode ser endurecida por trabalho a frio. Losekann Direitos autorais reservados flexíveis. São.15 . A solubilidade do berílio no cobre varia com a temperatura.1. componentes eletrônicos.5 x 10-6/K Condutividade térmica: 85 .413 J/kg. Figura 4.45 % Coeficiente de Poisson: 0.35 Dureza: 600 MPa Módulo de cisalhamento: 45 .m1/2 Tensão de compressão: 110 .1450 MPa 99 .3% de Be Temperatura máxima de serviço: 330 .34 -0.8% de berílio e 0. moldes.75 kgf/dm3 Calor específico: 390 .19.K Calor latente de fusão: 220 .1200 MPa Tensão de ruptura por tração:300 .135K no eutéctico de 5.0.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.1200 MPa Tenacidade a ruptura: 15 .Diagrama de fases da liga binária Cu-Be. São também usadas em matrizes para fundição. Cláudio R.20 x 10-8 ohm.

Ligas de cobre e silício Têm composições dos tipos: Cu > 95%. esse código indica que é uma liga de cobre e zinco. devido a trabalho a frio. seguida de cinco algarismos. Considere a liga C 22000. conseguindo-se obter um valor que é 40% em relação ao cobre. cobre-silício. Losekann Direitos autorais reservados 4. cobre. Dr. Si < 3% e Al + Fe + Mn + Sn + Zn < 7%.2 . São deformáveis a quente e a frio. Dentro de duas classificações elas ainda são designadas com sua composição química.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE As ligas de cobre são classificadas em dois grupos: ligas dúcteis e ligas para fundição. Por endurecimento. Classe C 80XXX a C 81100 C 81XXX a C 82XXX C 83XXX a C 84XXX Liga para fundição Cobre puro Ligas com elevado teor de cobre ( exceto 81100 ) Cobre-estanho-zinco com ou sem chumbo e com teor de zinco igual ou maior que do estanho Cobre-zinco (com ou sem chumbo ) Cobre-zinco 100 Designação comum Cobre com pequenas adições Bronzes especiais C 85XXX C 86XXX Latões Latões especiais de . Onde está estabelecido é a NBR 7554.3.3. Si < 5% e Cu > 90%. O primeiro ou os dois primeiros algarismos indicam a classe do material e os dois últimos referem-se a identificação desse material. São aplicadas nas linhas telefônicas. A condutividade elétrica é melhorada com a adição de 1.4% de níquel.6 . zinco ( especiais ) bronze de silício. embora menos que o cobre. obtém-se resistências muito elevadas (750 MPa para 1% de Si). conhecida popularmente como latão. São maleáveis e dúcteis. Só tem interesse as ligas monofásicas até 4% de Si. Latões especiais Cobre-níquel ou cobre-níquel-zinco Alpacas C 7XXXX As ligas são identificadas pela letra C.Bronzes de alumínio. é baseada na ASTM. 4. Cláudio R. Classe C 1XXXX C 2XXXX C 3XXXX C 4XXXX C 5XXXX C 6XXXX Liga dúcteis Designação comum Cobre puro e ligas com alto teor de Cobre cobre Cobre-zinco Latões Cobre-zinco-chumbo Latões com chumbo Cobre-zinco-estanho Latões especiais com estanho Cobre-estanho Bronzes Cobre-alumínio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1. As ligas dúcteis são designadas a seguinte maneira.

portanto C 94400 é uma liga cobre-estanho com elevado teor de chumbo ou liga de cobre-estanho-zinco com elevado teor de chumbo. Para certas ligas assegura resistência a corrosão.1 . É um metal branco de brilho intenso quando polido. Veja um exemplo: C 94400. chumbo e teor de zinco inferior ao de estanho Cobre-estanho com elevado teor Bronzes. O níquel é um metal que ligado a outros transmite propriedades distintas e características na liga resultante. a outras assegura módulo de elasticidade constante numa extensa faixa de temperatura. Cobre-estanho-zinco com Bronzes especiais. Losekann Direitos autorais reservados C 87XXX C 90XXX a C 91XXX C 92XXX C 93XXX a C 945XX C 947XX a C 949XX C 95XXX C 96XXX C 97XXX C 98XXX C 99XXX elevada resistência mecânica Cobre-silício Bronze de silício Cobre-estanho. na última fase. tendo todas as qualidades mecânicas e tecnológicas que podemos exigir de um metal: maleabilidade. sendo o níquel bruto submetido. Cláudio R. na tabela existem várias ligas da classe 9. de chumbo. designando um bronze comum ou especial.NÍQUEL E SUAS LIGAS 5. Muito importante tanto na metalurgia de ligas ferrosas quanto na de não ferrosas.Bronzes.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o sistema de designação é o mesmo. É mais resistente a corrosão e oxidação do que o ferro. Ni > 99. cobre-estanho-zinco Bronzes especiais. com elevado teor de chumbo. Cobre-estanho-níquel com Bronzes com níquel outros elementos Cobre-alumínio Bronzes com alumínio Cobre-níquel-ferro Cobre-níquel-zinco com outros Alpacas elementos Cobre-chumbo Ligas diversas Nesta segunda tabela.INTRODUÇÃO O níquel comercialmente puro. 5 . O processo de extração se faz de modo semelhante ao do cobre. cobre-estanho. fusibilidade. Dr. bronzes zinco com teor de zinco inferior especiais. soldabilidade aliada a uma boa resistência mecânica e tenacidade. Seu minério é a garnierita com aproximadamente 5% de Ni. ao de estanho Cobre-estanho com chumbo. Bronzes. 101 .98%. a uma refinação eletrolítica. A que foi escolhida está entre 93XXX e 945XX. é obtido por eletrólise.

cobre < 0.10-8 Ω.352 nm Ponto de fusão: 1. com exceção do módulo de elasticidade longitudinal correspondem ao metal recozido. Oferece também boa resistência ao desgaste.21 cal.2.5%.730 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.cm-1.s-1. O níquel destinado a elaboração das ligas deve ser de no mínimo de 98.cm [6.32 Dureza: 110 HB Módulo de cisalhamento: 69 .6% Coeficiente de Poisson: 0.25%.130 MPa. 102 .234 GPa Limite elástico: 150 a 1600 MPa Tenacidade a ruptura: 60 .15K] Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC.5% de pureza.0.04 .90 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 180 .3. Dr.451 oC [1.520 J/kg.76 µΩ. usinagem. Losekann Direitos autorais reservados 5.1%. Propriedades físicas Massa atômica: 58. Como conseqüência da sua estrutura cristalina e como evidenciam as suas propriedades mecânicas. Fe < 0. Os principais processos de fabricação de peças a base de níquel são fundição. o níquel é muito maleável e é o mais tenaz de todos os metais puros.m1/2 Tensão de compressão: 180 MPa Tensão de ruptura por tração: 400 MPa Alongamento: 40% Estricção: 45% Estas características.25% e Si < 0. Cláudio R. elementos térmicos.724.NÍQUEL As aplicações mais comuns do níquel e suas ligas são para equipamentos que devem suportar temperatura elevada como pás e discos de turbinas. conformação mecânica e metalurgia do pó.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6. ligas magnéticas.PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS 5.15K] Ponto de ebulição: 2. cobalto < 0.3 .300 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 600 oC [873.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a = 0.2 .71 g Peso específico: 8.3 x 10-6/ oC [13.0.005%.1 . O níquel industrial contém sempre um pouco de carbono. O enxofre pela sua ação fragilizante deve ser limitado a 0. tubos de fornos da engenharia química e em tratamentos de superfície como niquelagem de peças. queimadores.76.K Calor latente de fusão: 284 . oC-1 [11 -90 W/m.K] Ponto de Curie: 358 oC Calor específico: 381 .

o ferro e o cromo. em revestimentos eletrolíticos ou químicos. Tem boa resistência aos álcalis. além disso. 9 % em ligas à base de níquel tais como Ni maleável. emprega-se nas indústrias químicas e de alimentos. Cerca de 64% do Ni produzido é empregado para adições no aço e no ferro fundido. etc. folhas de níquel . chapas de aço recobertas de níquel por laminação. Aplicações As principais aplicações do níquel residem na excelente resistência a corrosão e como componente de diversas ligas.Aplicações do níquel. sob a forma de precipitado e dá lugar a endurecimento estrutural. 5. A absorção de oxigênio fragiliza o metal e na sua desoxidação utilizam-se adições de boro e de titânio. os de maior interesse são o cobre. bronze.1 . A dessulfuração é feita com manganês e magnésio que dão lugar a sulfuretos que não formam eutécticos com o níquel. amônia. E inalterável ao ar úmido e resiste é maior parte dos agentes químicos. Estas ligas são monofásicas e quando intervém uma segunda fase é. moedas. Dr. o níquel é susceptível de um ataque geral bastante ativo e de um ataque intergranular por gases que contenham enxofre ou compostos sulfurados. Assim. níquel-cromo. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades químicas O níquel tem elevada resistência á corrosão.LIGAS DE NÍQUEL O níquel forma soluções sólidas de substituição com numerosos metais dos quais. É componente principal. como componente secundário em várias ligas como latão. principal dos seguintes sistemas de ligas: níquel-berílio. Entra.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 9 % em galvanoplastia e 3% para ligas de resistência elétrica e peças resistentes ao calor. 14% às ligas de Cu e Zn. Figura 5. níquel-molibdênio e níquel-cobalto. sulfúrico e clorídrico. devido a formação de filmes intracristalinos de Ni3S2 que funde a 787 oC e que pode dar com o níquel um eutéctico de ponto de fusão ainda mais baixo. Cláudio R. soluções salinas e ácidos orgânicos. aços inoxidáveis.2 . 103 . em geral. instrumentos cirúrgicos. Na construção mecânica a sua maior utilização é como revestimento. 645 oC. etc.2. É atacado unicamente pelo ácidos nítrico. Em temperaturas superiores a 375 oC.

A adição de ferro é. Se for deformada a frio e depois revenido.2.2. 16% de Cr. com a vantagem de se usar um teor de berílio mais baixo e a dureza obtida ser mais elevada.2. Adições de nióbio e zircônio melhoram a ductilidade e a fluência. 5. Mantendo durante tempo prolongado a 1. equivalente ao níquel.080 MPa e com dureza de 310 HB.Ligas de níquel e berílio A importância destas ligas deve-se a possibilidade de endurecimento estrutural. obtêm-se uma liga macia que pode endurecer por revenido a 600 . Após têmpera em água. obtém-se resistência a tração de 1.2. molas. As ligas NiCr 50 servem para fundição e são usadas em caldeiras e refinarias. Assim.Ligas de níquel e cromo Neste sistema. entre 800 oC e 1. Esta liga é usada em resistências elétricas visto que a sua resistividade é bastante elevada e varia pouco com a temperatura. conhecidas por hastelloys de excepcional resistência a ácidos em altas temperaturas e de elevada resistência mecânica.2. estruturalmente.800 oC. isto é. tal como nos casos das ligas cobre-berílio. não apresenta fragilidade de sobreaquecimento. 16% de Cr. obtendo se tensões de ruptura a tração de 860 MPa e uma dureza de 270 HB. Losekann Direitos autorais reservados 5.berílio. A tabela abaixo mostra a composição e aplicação destas ligas. Com adição de ferro formam-se ligas complexas.200 oC. apresenta boa resistência à oxidação. Dr. Tipo Ni Hastelloy A 56 Hastelloy B 62 Hastelloy C 53 Composição (%) Mo Fe Cr W 22 22 32 6 19 6 17 5 Resistência a corrosão Ácido clorídrico Ácido clorídrico Agentes oxidantes. A liga mais clássica é a liga NiCr 20 (Nimonic) que.3 . 4.2 . soluções a base de cloro e ácido nítrico 104 .100 oC. a liga com 2% de Be. 24% de Fe). a altas temperaturas. com Ni > 70%. de miscibilidade parcial no estado sólido.1 . tratada após endurecimento por deformação a frio.850 MPa e um alongamento de 8% que assegura a sua aplicação em agulhas para injeção.2. A dureza pode ser ainda aumentada com 1% de Ti em ligas utilizadas para esferas inoxidáveis para mancais de rolamentos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Ligas de níquel e molibdênio São como as ligas de níquel . ligas susceptíveis de endurecimento estrutural. Pertencem a este tipo as ligas Nicrome (60% de Ni. a resistência sobe para 1. etc. as ligas de maior interesse são as ligas monofásicas de estrutura CFC. 24% de Fe) e Inconel (60% de Ni. Cláudio R.

s-1.3 % Coeficiente de Poisson: 0.INTRODUÇÃO O cobalto foi empregado pela primeira vez como metal de adição nas ferramentas de aços rápido em meados de 1. mesmo por fusão e vazamento.500 MPa 105 .PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS 6. As aplicações mais comuns são em implantes cirúrgicos. conformação mecânica e metalurgia do pó. Cláudio R.0.98%.1 .05 .0.1.8 x 10-6/ oC [13.1 Propriedades físicas Massa atômica: 58. Taxa de reciclagem: 0.cm-1. c/a = 1. oC-1 Ponto de Curie: 1.0.m1/2 Tensão de compressão: 345 .K Calor latente de fusão: 260 . Dr.31 .2 . Também é utilizado para melhorar propriedades dos aços em relação as resistência a alta temperatura.4.493 oC [1.15K] Ponto de ebulição: 3.15K] Ponto de fusão: 1.2.40 MPa.950 seu uso teve maior importância para fabricação de ligas complexas como turbinas e pastilhas cerâmicas.4 µΩ.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.266 kJ/kg Permeabilidade magnética: 68 até 245 gauss/oersted Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.520 J/kg.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.766. Losekann Direitos autorais reservados 6 .10-8 Ω.cm [6.165 cal. Os principais processos de fabricação de peças a base de cobalto são fundição. a = 0.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0. Pelo processo de fusão por zona flutuante consegue-se um grau de pureza de Co = 99. 99. 6.93 g Peso específico: 8. usinagem.121 oC Calor específico: 456 .910.1 .03 .361 nm Temperatura de transformação: β → α: 427 oC [700.9%.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6.95 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 21 GPa Limite elástico: 240 MPa Tenacidade a ruptura: 25 .100 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.250 MPa] Módulo de cisalhamento: 76 .8.COBALTO Consegue-se obter um elevado grau de pureza. mas apenas a partir de 1.COBALTO E SUAS LIGAS 6.623 nm β CFC.32 Dureza: 125 HB [1.

tesouras. válvulas) Instrumentos de precisão Próteses Alnicos Estelites 5 .LIGAS DE COBALTO Estas ligas são caracterizadas por propriedades muito especiais: refratariedade.2 . ligas muito complexas que. Dr. podem se classificar nos tipos que constam a tabela abaixo. magnéticas e de resistência a abrasão.65 Dif.5 30 36.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 . Tipo Superliga s HS 23 Co 66 Ni 2 Composição (%) Cr Fe 24 1 Aplicações C 0.2. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de ruptura por tração: 760 .11 Invar Vitalium 54 64 9. Aplicações É essencialmente utilizado como elemento de liga. propriedades mecânicas excelentes. Cláudio R. boa resistência à corrosão. sobretudo a quente (forma β) e pode ser extrudado em arame fino. 6. São. >1 Al 5 . em geral. Figura 6.3 0. aproveitando-se especialmente as suas propriedades refratárias.25 25 . etc. segundo a composição. fundição de precisão Imãs permanentes Peças resistentes a corrosão e a abrasão (ferramentas.35 40 .100 MPa Alongamento: 8 % O cobalto pode ser utilizado em trabalho a frio e a quente.Aplicações do cobalto.6 Peças resistentes em temperaturas elevadas.35 12 . propriedades magnéticas especificas.4 Mn 0.5 5 106 .2.

1 .m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.660 oC [1. mas é pouco resistente a fluência. em sua superfície. placas e pinos para unir ossos. a = 0. hipocloritos e ao cloro úmido e a resistência ao acido nítrico.1 . forma-se. Losekann Direitos autorais reservados 7 . O fato mais interessante a respeito do titânio é que. com Ph ácido.08% de C.650 J/kg.10-8 Ω. Essa qualidade torna-o ideal para a fabricação de prótese humanais tais como componentes de válvulas cardíacas.s-1. Os processos de fabricação usuais de peças a base de titânio são: fundição.933. No titânio comercial os teores de não-metais estão. 7. Disso decorre sua propriedade mais importante: a resistência a corrosão a água salina e outras soluções cloretos.INTRODUÇÃO O Titânio é um metal não-ferroso que ganhou importância estratégica há somente 40 anos por sua alta resistência mecânica .15K] Ponto de fusão: 1. Em contado com o ar. aproximadamente.alta resistência a corrosão e por ter. o berílio e o nióbio.90 g Peso específico: 4. tal como o zircônio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. embora ele exista em grande quantidade na crosta terrestre .15K] Ponto de ebulição: 3.K Calor latente de fusão: 360 .TITÂNIO E SUAS LIGAS 7. usinagem. um oxido impermeável e protetor muito importante em um meio muito corrosivo.21.037 cal.332 nm Temperatura de transformação: β → α: 880 oC [1.cm [50.K] Calor específico: 510 . passou a ter um interesse grande com o desenvolvimento das indústrias de aviação e nucleares. limitados a 0.5 x 10-6/ oC [8. Propriedades físicas Massa atômica: 47. Dr.cm-1. o custo de sua obtenção é muito alto. Elas contêm outros ácidos orgânicos aos quais o titânio é inerte. Tem características mecânicas superiores aos do ferro que podem ser ainda melhoradas em certas ligas.9 W/m.153. 0. Cláudio R.PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS 7.2.260 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 8. oC-1 [4 .TITÂNIO Este metal. conformação e metalurgia do pó. O calor específico e a condutividade elétrica e térmica do titânio são idênticas dos aços inoxidáveis.43 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC. pois os fluidos que existem dentro de nosso corpo são soluções salinas.5.015% de H.2 . 55% da densidade do aço. geralmente.370 kJ/kg 107 .587 nm β CCC.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 50 µΩ. c/a = 1.05% de N e 0.

02 . São empregados também em rotores de bombas usadas para bombear hidrogênio líquido. Acima de 350 oC. pois apresentam resistência específica. Aplicações Os elementos que são adicionados as ligas resistentes corrosão são: paládio (Pd). Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. não-metais que o tornam frágil. É atacado por soluções concentradas de ácidos.280 MPa Alongamento: 28 % Propriedades químicas Em temperatura elevada. 108 . tem grande afinidade com o oxigênio. Essas ligas são usadas na fabricação de próteses. Ligas de titânio com alumínio e estanho e alumínio e vanádio são usadas em aplicações muito especiais.000 MPa] Módulo de cisalhamento: 35 . Cláudio R. molibdênio. e a numerosos produtos químicos.050 MPa Tenacidade a ruptura: 55 . até mesmo os orgânicos.3 % Coeficiente de Poisson: 0.358 .50 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 95 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1. relação resistência mecânica/peso muito elevadas em temperaturas abaixo de zero (entre -196 e -269 ºC ). em particular os que contém cloro. água salina. níquel. nitrogênio.1 .m1/2 Tensão de compressão: 130 .123 MPa. Resiste bem a todos os meios naturais (atmosfera. Figura 7.Aplicações do titânio. o titânio é susceptível de corrosão sob tensão em presença de cloretos. manganês e estanho. elas são empregadas em vasos de pressão que fazem parte do sistema de controle de propulsão e reação dos foguetes que transportaram as naves Apollo e Saturno e dos módulos lunares. ou seja.0. Por isso. alumínio.364 Dureza: 200 HB [2.1.125 GPa Limite elástico: 172 -1.0. carbono e hidrogênio.400 MPa Tensão de ruptura por tração: 241 . Dr.

Inalterável ao ar seco. magnésio desempenha um papel importante.2. Ao contrário do Al.MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8.INTRODUÇÃO O magnésio é um metal branco. Devem ser adequadamente protegidas a sua superfície. ligas muito complexas que. o magnésio e suas ligas formam uma película natural de hidróxido de magnésio ou de carbonato de magnésio que facilita a continuação do ataque. molibdênio. Outra propriedade importante aliada ao magnésio e suas ligas é facilidade de ser usinado.LIGAS DE TITÂNIO São. Resistência mecânica e à corrosão sob tensão. resistente à corrosão. Cláudio R. zircônio e estanho. A propriedade mais importante do magnésio é seu baixo peso específico 1. A baixa resistência a corrosão é uma das desvantagens do magnésio. Na indústria aeronáutica. e Elevada resistência específica e a altas temperaturas. em geral. 8 .1 . ELEMENTO ADICIONADO Alumínio. Peças estruturais naves supersônicas. de Molibdênio. bem como na indústria automobilística. vanádio. Suas principais aplicação eram em certos processos químicos e pirotécnico. paládio. O coeficiente de dilatação térmica linear é maior do que o coeficiente de dilatação térmica linear do Al e a maioria de suas ligas ferrosas. Losekann Direitos autorais reservados 7. leve com ponto de fusão 650 ºC.2 . Molibdênio. segundo a composição.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e Resistência à corrosão em salmoura a altas temperaturas e em meios oxidantes e redutores. 109 . Tanques e tubulações em indústrias químicas. silício.74 gf/cm³. Alumínio. níquel Resistência a temperaturas elevadas. podem se apresentar conforme a influência dos elementos adicionados e suas aplicações de acordo com a tabela abaixo. menor ductilidade. Dr. Geradores de turbinas a vapor e a gás. molibdênio INFLUÊNCIAS APLICAÇÕES Estruturas aeroespaciais.

Propriedades físicas Massa atômica: 29. tem influência o tamanho de grão do metal.29 .310 MPa Propriedades químicas Tem extraordinária afinidade com oxigênio e.s-1. aeroespaciais.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.46.1 x 10-6/ oC [24.6 .739 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): HC. É inalterável ao ar seco à temperatura ambiente.PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8.3 .624 nm Ponto de fusão: 650 oC [923. mas muito atacado em atmosferas marinhas.37 cal. ao ar úmido forma uma película superficial de Mg(OH)2 que.350 MPa Tensão de ruptura por tração: 138 .80 W/m.1.45 GPa Limite elástico: 80 . Si.K Calor latente de fusão: 358 . Al e Ca. oC-1 [51 .MAGNÉSIO Nas características acima descritos. E inalterável em meio alcalino.03 .cm-1.17 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 40 . Losekann Direitos autorais reservados 8. se utiliza com desoxidante de certas ligas de cobre.m1/2 Tensão de compressão: 80 .120 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 26.305 Dureza: 36 HB [36 MPa] Módulo de Bulk: 32 .10-8 Ω. Dr.27.36 GPa Módulo de cisalhamento: 15.15K] Ponto de ebulição: 1. O magnésio industrial contém cerca de 0. c/a = 1.1 .32 g Peso específico: 1. a maleabilidade é baixa e por isso a obtenção de peças só pode ser feita por fundição e trabalho a quente à temperatura de 300 a 900 oC.050 J/kg.18 MPa. Cláudio R. O magnésio pode ser obtido bastante puro (Mg > 99. pode proteger as camadas subjacentes.cm [4. Fe.0.K] Calor específico: 960 . Aplicações Equipamentos esportivos.220 MPa Tenacidade a ruptura: 11 . nucleares e produtos 110 . De acordo com a sua estrutura cristalina.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por isso.14 % Coeficiente de Poisson: 0.2. zinco e níquel. somente após um tratamento oxidante. ácidas e soluções de cloretos.2.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 4.46 µΩ.2 .8% de impurezas como K.0.99 %).366 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. automotivos.

Aplicações do magnésio.2 .10-6/K] Resistividade: (20 oC): 5.2% de Mn e suas características mecânicas após a têmpera e revenido a 250 oC por 5 horas são: limite elástico de 15 kgf/mm2 e tensão de ruptura a tração de 26 kgf/mm2. considerando que os teores de alumínio devem ficar em torno de 8% em virtude da formação do composto metálico Mg3Al3 que dificultam a deformação a quente.99% destina-se a fundição injetada. cujos teores não ultrapassam l0% em massa. Cu e Zn. Não é susceptível de endurecimento a frio devido baixa temperatura de recristalização e a estrutura cristalina explica a anisotropia importante verificada nos produtos de zinco laminados.14 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.ZINCO E SUAS LIGAS 9. Dr.34 x 10-6/ oC [28 .856 nm o Ponto de fusão: 419 C [692. Mn.957 .cm [5. o teor máximo de chumbo é de 0.1 . Cd. O zinco 99.31.957 µΩ.34. Além. O principal objetivo destas ligas e a diminuição de peso que pode atingir 20 a 35 % de peso em relação ao alumínio.5% de Al.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. c/a = 1. Cláudio R.6.38 g Peso específico: 7. A principal liga tem a seguinte composição: 8.INTRODUÇÃO É um metal pouco resistente á tração e a fluência o que reduz as suas possibilidades como material de construção. 8. 9 . 0. Losekann Direitos autorais reservados Figura 8. Fe. Outras ligas com a adição de zircônio e composições aproximadas tem dado bons resultados de resistência mecânica.006%.LIGAS DE MAGNÉSIO O magnésio entra na composição das chamadas ligas leves. Zn.2 . Para outras utilizações. do magnésio entram na sua composição o Al.1 .PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 65. 9. Sn e Cu.5% de Zn e 0.2.15K] Ponto de ebulição: 907 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 .10-8 Ω. As impurezas normais do zinco são Pb.m] 111 .

1 .248 .113 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. canalização de esgotamento de chuva em telhados. É facilmente atacado por ácidos e álcalis.3 % Coeficiente de Poisson: 0. onde a peça. é imersa em zinco fundido. Cláudio R.5 .K Calor latente de fusão: 108 . cerca de 3 dias a se formar.zincagem a quente por imersão (galvanização). em presença de ar úmido. 112 . previamente decapada.cm .1 . Esta propriedade é aproveitada quando se utiliza o zinco ou materiais zincados em coberturas expostas à atmosfera. Assim é usado em coberturas.397 J/kg.0.s . Aplicações As suas aplicações baseiam-se essencialmente como películas protetivas em metais. como o aço. enquanto que. Revestese de uma camada de hidrocarbonato que protege o metal subjacente.m1/2 Tensão de compressão: 160 . a sua formação é muito mais lenta levando cerca de 3 meses.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II o -1 -1 o -1 Prof.42 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 80 . Os principais processos de proteção de revestimento de zinco são: . em atmosfera seca. . . onde ocorre deposição do zinco sobre o aço por meio de solução eletrolítica de sais de zinco.Aplicações do zinco.40 MPa. Em relação ao seu potencial eletroquímico confere uma aplicação importante na proteção superficial. corroendo-se e protegendo assim o aço ou qualquer outro metal.1260 MPa] Módulo de cisalhamento: 32 .0.Pintura com tintas com elevada percentagem de zinco em pó. C [108 .zincagem eletrolítica (tratamento termoquímico). Figura 8.K] Calor específico: 385 .265 cal. isto é. Losekann Direitos autorais reservados Condutividade térmica: (20 C): 0.5 GPa Limite elástico: 160 -421 MPa Tenacidade a ruptura: 18.421 MPa Tensão de ruptura por tração: 200 . o zinco é utilizado como ânodo.25 Dureza: 50 HB [500 . a qual leva.104.115 W/m.500 MPa Alongamento: 50 % Propriedades químicas Resiste bem a corrosão pelos agentes atmosféricos e pela água. Dr.

Estas impurezas. mecânicas e de fundição associadas à capacidade de serem facilmente revestidas por eletrodeposição (cobre. mas é fortemente atacado por substâncias básicas. Sn e Pb. Dr.1 . A fluidez no estado líquido e as propriedades mecânicas são melhoradas pela adição de Al. aspiradores. estas ligas são as de maior utilização devido as suas particularidades físicas. porém dúctil e maleável. com teores de até 0. manômetros. de acordo com o teor de alumínio e outros elementos. maçanetas. facilidade em fundir e formar ligas com outros elementos. engrenagens. principalmente o zinco. Os zamacs são extremamente sensíveis às impurezas. 9.latão. Pode ser endurecido em liga com enxofre ou antimônio. componentes de equipamentos elétricos. O principal minério do 113 . componentes de relógios. roldanas. pois é o mais mole dos metais pesados. níquel e cromo) ou por pinturas com tintas e vernizes. alpacas. A liga zamac é a que tem maior importância. Outras propriedades que permitem grande variedade de aplicações são: elevado peso específico.05%. As principais aplicações destas ligas encontram-se em: componentes de automóveis como radiadores. formando um par galvânico que dá lugar a forte corrosão em atmosfera úmida.2. O magnésio contraria este efeito e refina o grão. 10 . antifricção. Cláudio R. A boa fluidez permite a fundição de peças de formas complexas com paredes finas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 .1 .CHUMBO E SUAS LIGAS 10. É bom condutor de eletricidade embora não seja magnético e mau condutor de calor. O magnésio pode ser adicionado. alto coeficiente de expansão térmica. como inibidor da corrosão intergranular. geralmente até 4% de Al e até 3% de Cu para melhorar as propriedades mecânicas e a corrosão. dobradiças. A fabricação destas ligas exige matériasprimas. Na sua maior parte esta liga tem composições hipoeutécticas.2. Cu. componentes de aparelhos eletrodomésticos.INTRODUÇÃO O chumbo é um metal de cor acinzentada pouco tenaz. Losekann Direitos autorais reservados 9. Oxida-se com facilidade em contato com o ar. etc. quase puras. É facilmente laminado. precipitam-se nos contornos de grão. carburadores. brinquedos. Funde-se a 327ºC.LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO De todas as ligas não-ferrosas para fundição por injeção. É resistente a água do mar e aos ácidos. fechaduras. flexibilidade. boa condutividade elétrica. — mas este elemento tem também interesse como componente principal em ligas para fundição e ligas para forjamento e estampagem.LIGAS DE ZINCO O zinco entra na composição de numerosas ligas como componente secundário ou componente menor . sobretudo chumbo e cádmio.

2 .PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 207.m1/2 Tensão de compressão: 5.10-8 Ω. é atacado por água muito pura.34 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α CFC.O processo de obtenção do chumbo tem várias etapas.15K] Ponto de ebulição: 1.K Calor específico: 159 . É também material utilizado como dispositivos de balanceamento de massa em rodas automotivas.3 x 10-6/ oC [28 . é na fabricação de baterias.35.m] Condutividade térmica: (20 oC): 28 . Ele pode ser laminado a espessuras de até 0. Dr.50 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 . como a água da chuva. formação do aglomerado.106 /K] Resistividade: (20 oC): 20. desargentação. Devido o seu baixo ponto de fusão e elevada maleabilidade. Na água.29.492 nm o Ponto de fusão: 327 C [600.170 J/kg. mas as principais são: concentração por flotação. a = 0. entretanto. ou seja. esse minério possui também prata . Resistente ao ácido sulfúrico pouco concentrado.2 .60 MPa Alongamento: 60 % Propriedades químicas Ao ar.44 . E.1 . pelo contrário.2 .61 .cm [20.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.01mm. destilação a vácuo e refino.K Calor latente de fusão: 23. Aplicações Devido ao seu elevado peso específico é usado como contrapeso em determinados equipamentos e nos lastros de navios. cujo teor de chumbo varia entre 1 e 12%. Ao chumbo pode-se acrescentar os seguintes elementos de liga: cobre.8 % Coeficiente de Poisson: 0.0. prata e antimônio. devido é existência de sulfatos e/ou de carbonatos forma-se também uma camada insolúvel de sulfato e/ou carbonato de chumbo que permite o emprego deste metal em condutas de água potável sem perigo de toxicidade.6 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 16.45 Dureza: 1.18 GPa Limite elástico: 5. Sua maior utilização (80%). Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados qual o chumbo é extraído é a galena (PbS).2 g Peso específico: 11.749 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 .3 W/m.Em geral. redução dos óxidos.5 .6 HB [16 .21.29. o chumbo recobre-se de uma camada protetora de Pb20 e de hidrocarbonato.50 MPa. o chumbo e moldado com 114 .5 .0.150 MPa] Módulo de cisalhamento: 4. 10.88.61 µΩ.50 MPa Tenacidade a ruptura: 30 .5 .3. retirada da prata.25 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.

o que provoca falhas em certas aplicações como tubulações de esgoto de grande extensão. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. Losekann Direitos autorais reservados facilidade.1 . em alguma casos. 115 . para placa de acumuladores e acessórios isolantes de radiações. e ligas de chumbo com adição de bismuto. Todavia. - Ligas de chumbo e antimônio . Cláudio R.183 oC.É o tipo de liga usada para soldas elétricas que.É o tipo de liga que apresenta um eutéctico com 11.Diagrama de fases da liga Pb-Sn. a estricção local. com teores de estanho próximo do eutéctico ( 62 % de Sn).Ligas de chumbo. É empregado também em juntas para vedação.Com adição de até 2% de prata apresenta boa resistência a corrosão por água salina e tem como principal aplicação a proteção catódica de equipamentos marinhos. - - Ligas de chumbo e prata . Com composições maiores ou menores. As ligas de chumbo e antimônio podem ter composições de 1 a 3% de Sb. Com esta composição a liga muda de estado sólido para líquido de forma rápida ao atingir aquela temperatura. Ligas de chumbo e cobre . produz a menor temperatura de fusão .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. gaxetas e arruelas.2 . 6 a 12% de Sb.2 % de Sb a uma temperatura de 251 oC. passa a ter uma passagem pastosa. usado para revestimento de cabo e laminados como folhas de chumbo. O Chumbo é usado como isolante acústico e amortecedor de vibrações e isolante de radiações X e γ devido a sua massa atômica. Ligas de chumbo e estanho . antimônio e estanho.Com adição de até 0.Diagrama de fases da liga Pb-Sb. antimônio e estanho. cádmio. usadas como ligas antifricção. utilizados como fusíveis e sistemas anti-incêndio. podendo ser utilizada em alguns tipos de fusíveis. Figura 10.006% de cobre apresenta boa resistência a corrosão e tem como principal aplicação construção de equipamentos para ácido sulfúrico. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. o baixo valor da tensão limite de fluência produz. em ligas para fabricação de mancais. Figura 10. Outras ligas .

66.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 . Dr.35 . 116 .05 .85.15.135 MPa Módulo de cisalhamento: 15 . São prejudiciais o zinco e o magnésio. Dado a transformação e fazendo-se o reaquecimento acima daquela temperatura.53 GPa Limite elástico: 7 .225 J/kg. Propriedades físicas Calor específico: 213 .8 kgf/dm3 Resistividade: 12.35 MPa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 .5 10-6/K Condutividade térmica: 30 .ESTANHO A característica de maior interesse é o seu baixo ponto de fusão que baixa consideravelmente o ponto de fusão em ligas.K Ponto de fusão: 400 . É inalterável ao ar e é água.504.19 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 44 . É um metal macio mas muito maleável. mas se o estanho for conservado abaixo de 16 oC em um período muito longo. mas acelera o processo de crescimento de embriões que pode ser impedido pelo bismuto.60 MPa Propriedades químicas Oferece boa resistência a corrosão. Losekann Direitos autorais reservados 11 .K Calor latente de fusão:59.60 kJ/Kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 23 .4 % Coeficiente de Poisson: 0.59 . só é significativo a temperaturas abaixo de 0 oC. quebradiço e pulverulento devido é grande variação de volume que acompanha a transformação. A adição de 2% de prata baixa o ponto de transformação alotrópica para 10 oC. Cláudio R. mas o metal conserva-se em pó. entretanto como o tempo de transformação completa é relativamente longo.9 K Peso específico: 7. Resiste bem aos ácidos orgânicos. Como a velocidade de transformação é muito baixa. Em virtude de sua baixa temperatura de recristalização não endurece por deformação a frio. cádmio. alumínio.m1/2 Tensão de ruptura por compressão: 7 . O estanho forma soluções sólidas com a maior parte dos metais.363 Dureza: 21 .8 W/m.OUTROS METAIS 11.45 Tenacidade a ruptura: 20 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.4 . e o cobre baixa esta temperatura para -30 oC. A baixa temperatura de transformação alotrópica (16 oC) é chamado de doença do estanho. sempre que a temperatura se eleva acima de 16 oC. o sentido da reação muda. os embriões (pequenos cristais) de estanho cinzento são recristalizados. antimônio e chumbo.0. formam-se manchas localizadas de estanho cinzento.23.10-8 ohm.28 .0.

6. Para a estanhagem. outros.Aplicações do cromo.para a fabricação de soldas.7.130 -2.K Ponto de fusão: 2.49 10-8 ohm. permitindo o revestimento de outros metais como: . Dr.5% de impurezas no estanho. Processos: eletrodeposição.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0.18 kgf/dm3 Resistividade:12.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. uniões. as folhas de flandres devem ser fabricadas com um máximo de 0.CROMO Aplicações: Revestimentos protetores.208 . eletrodeposição.estanhagem de chapa de aço (folha de flandres). usinagem. elemento de liga em aços. Cláudio R. o estanho pode conter até 2% de impurezas.88 .140K Peso específico: 7.212 117 . .para ligas antifricção e bronzes. .03 . tubos extrudados e objetos decorativos. superlotas. .15 .262 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 6.2 % Coeficiente de Poisson: 0. 11.2 .K Calor latente de fusão: 258 .0.94 W/m.518 J/kg. Figura 11.3 . Para a indústria de alimentos.13. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações As principais aplicações do estanho devem-se ao seu baixo ponto de fusão e da sua resistência corrosão. Propriedades físicas Calor específico: 495 .folhas de estanho.5 10-6/K Condutividade térmica: 78 .1 .

m1/2 Tensão de compressão: 500 . Processos: fundição.Aplicações da tungstênio. usinagem.K Calor latente de fusão: 190 .K Ponto de fusão: 3.3.m1/2 Tensão de compressão: 350 . Losekann Direitos autorais reservados Dureza: 1.140 J/kg.6. outros.2 .500 .411 GPa Limite elástico: 500 .680K Peso específico: 16 . ferramentas de corte.37 .10-8 ohm.3 10-6/K Condutividade térmica: 130 -173 W/m.40 MPa.3 . alvos de raio-x. conformação.194 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 4. uniões.000 . ligas de aço.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0.430 MPa) Tensão de ruptura por tração: 400 .580 MPa Tenacidade a ruptura: 20 . combustível nuclear.026.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.1.26 .28 Dureza: 3.300 -2.TUNGSTÊNIO Aplicações: Filamentos de lâmpadas incandescentes.3 % Coeficiente de Poisson: 0. Dr.286 GPa Limite elástico: 350 .175 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 380 .920 MPa 118 .690 MPa 11. Propriedades físicas Calor específico: 133 . Cláudio R.580 MPa Tensão de ruptura por tração: 550 .02 .30 MPa.19. Figura 11.200 MPa Módulo de cisalhamento: 100 . contatos elétricos.430 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .3 kgf/dm3 Resistividade: 5.5.0.120 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 279 .000 MPa Módulo de cisalhamento: 160 .5 .5.

429 W/m.5 .9 .106 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 18. contatos elétricos.3 . moedas. espelhos. outros.240 J/kg. condutores.950 MPa Módulo de cisalhamento: 29 . Losekann Direitos autorais reservados 11.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. próteses dentárias.19.84 GPa Limite elástico: 30 .2. medalhas.369 Dureza: 250 . Processos: conformação. uniões.365 .31 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 78 .Processos: fundição. circuito impresso.PRATA Aplicações: contatos elétricos.6 . implantes.90 Tensão de ruptura por compressão: 30 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.K Calor latente de fusão: 100 . fotografia.818. revestimento de equipamentos químicos. usinagem. Propriedades físicas Calor específico: 234 . usinagem. outros.8 kgf/dm3 Resistividade: 1.OURO Aplicações: Joalharia. Dr.330 MPa 11.180 MPa Tensão de ruptura por tração: 172 .7. revestimentos protetores. Cláudio R. conformação. uniões.K Peso específico: 6.0.10-6/K Condutividade térmica: 350 .180 MPa Tenacidade a ruptura:60 .10-8 ohm.622 .4 .6 % Coeficiente de Poisson: 0.0. 119 . joalharia. fundição.6.3 . Figura 11.Aplicações da prata.

K Ponto de fusão: 1.42 Dureza: 200 .m1/2 Tensão de compressão: 40 .340K Peso específico: 19.19.2.340 .29 GPa Módulo de elasticidade: 78 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.2.10-8 ohm.131 J/kg.4 . Cláudio R.10-6/K Condutividade térmica: 310 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.70 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 14 .318 W/m. Propriedades físicas Calor específico: 129 .3 .5 % Coeficiente de Poisson: 0.Aplicações do ouro.200 MPa Tensão de ruptura por tração:130 .188 .14.200 MPa Tenacidade a ruptura: 50 .K Calor latente de fusão: 64.220 MPa 120 .600 MPa Módulo de cisalhamento: 26 .0.79 GPa Limite elástico: 40 .41 .203. Losekann Direitos autorais reservados Figura 11.1. Dr.32 kgf/dm3 Resistividade: 2.80 MPa.8 .

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a) CH3CH2CH(CH3 b) CH3(CH2)3CH3 c) (CH3)4C Figura 12. a) metano. c) isobutano. propano. butano e etc.INTRODUÇÃO Para conceituar polímeros é melhor definir antes os monômeros. a) CH4 b) CH3C c) CH2CH2 Figura 12. a) n-pentano. b) Isopentano. a) CH3CH2CH3 b) CH3(CH2)2CH3 c) (CH3)3CH Figura 12.Monômeros.Monômeros. Os monômeros são moléculas de cadeia pequena.Monômeros. 121 .2 .3 . c) eteno. c) Neopentano. Dr. b) etano.1 . b) n-butano. a) propano.1 . etano. Losekann Direitos autorais reservados 12 . Exemplos típicos de monômeros são os hidrocarbonetos básicos como metano.POLÍMEROS 12. Cláudio R.

As reações de polimerização podem ser de dois tipos: aditiva e condensada. Cláudio R. a partir De benzoíla do cloreto de vinila: n n cloreto de vinila policloreto de vinila Figura 12. É o que ocorre. Exemplo: o polietileno que tem sua estrutura molecular representada pela fórmula geral abaixo. Nesta reação. Muitos polímeros. todo material que intervém na reação é convertido em polímero. Losekann Direitos autorais reservados Observando os monômeros. liberando algum produto secundário.5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila. são conhecidos como homopolímero. Grau elevado de polimerização assegura melhores propriedades físicas do produto. por exemplo. em cujas moléculas comparecem apenas um tipo de unidade básica. sem liberar qualquer produto secundário. o peróxido de benzoíla atua como catalisador. Quando há dois ou mais meros distintos na molécula é dito copolímero. caracterizadas pela repetição de uma unidade básica mero).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. polimeriza pela ruptura de uma ligação covalente dupla. são formados por reações de adição.4 – Representação de polímero. Polímeros. Outros polímeros são produzidos em uma reação condensada. na produção do policloreto de vinila ou Peróxido PVC. Certas famílias de poliamidas (náilons) são obtidas pela condensação de um ácido adípico com uma diamina. e em presença de um catalisador adequado. os compostos cuja molécula é constituída pela associação de diversas moléculas de outro composto mais simples através da reação de polimerização (reação em que duas ou mais moléculas menores (monômeros) reagem entre si. na qual um monômero não saturado. especialmente os vinílicos. também sob condições de temperatura e pressão controladas e na presença de um catalisador adequado. Figura 12. conceitua-se polímeros. liberando água como um subproduto da reação: 122 . ou seja. O número de vezes que se repete a unidade básica na molécula do polímero representa o grau de polimerização. gerando meros que se interencadeiam. formando outras maiores que contêm os mesmos elementos na mesma proporção que as pequenas. ou de policondensação. em que dois reagentes geram o polímero. sob condições bem definidas de temperatura e pressão.

A formação de 123 .7 – Representação das cadeias poliméricas.2. são afetadas. a) b) c) Figura 12. formando reticulados tridimensionais ou ligações cruzadas. Em outras palavras. pode ser considerado um polímero. em virtude destas diferentes configurações moleculares. Losekann Direitos autorais reservados Ácido acético n Ácido adípico Hexameilenodiamina + n (H2O) n Polihexametileno adipamida (náilon 66) Figura 12. especialmente a fusibilidade e a solubilidade.2 – PROPRIEDADES 12. os polímeros podem ser divididos em plásticos e elastômeros. a) Cadeia linear. Desta forma.MORFOLOGIA Os polímeros podem apresentar moléculas sem ramificações (lineares) ou com ramificações. com isso impedindo a formação de cristalitos e afetando as propriedades mecânicas. que se forma através de polimerização. um macrocristal de SiO2. Dr. A figura abaixo representa estas condições.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Usa-se muito o termo polímero para representar os produtos derivados do petróleo ou hidrocarbonetos naturais (derivado de plantas). Assim. Ao dificultarem a aproximação das moléculas. 12.6 – Reação de copolimerização do náilon 66. as ramificações tendem a diminuir as interações entre as mesmas. c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas. os polímeros são cadeias longas de um determinado conjunto de moléculas. entretanto é considerado também um material cerâmico. Cláudio R. átomos ou compostos. As ramificações podem ser constituídas de cadeia linear básica ou que promovam a interligação de diferentes cadeias lineares. Certas propriedades dos polímeros.1 . b) cadeia com ramificações incompletas.

O grau de cristalinidade de um polímero depende muito da distribuição geométrica dos radicais méricos no espaço. aumentando a resistência mecânica. com as moléculas em forma de novelo e caótico. A estrutura molecular dos altos polímeros pode ser amorfa. a)Polímero isostático b) Polímero sindiostático c) Polímero atático Figura 12.8 – Formas isoméricas. conforme é ilustrado abaixo. O termo técnico microestrutura é pouco utilizado pelos especialistas em materiais e é preferido o termo morfologia. dando um produto infusível e insolúvel. todas as estruturas apresentam estruturas amorfas. causada pela diminuição de temperatura. Cláudio R. cristalina ou cristalina e orientada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os materiais poliméricos totalmente cristalinos são muito raros e tem pouco significado econômico. Por exemplo. Os polímeros termorígidos são totalmente amorfos. Losekann Direitos autorais reservados ramificações tridimensionais impede o deslizamento relativo das moléculas. os termoplásticos apresentam-se freqüentemente cristalinos. separadas por regiões amorfas. 124 . Com o resfriamento. Em temperaturas acima do ponto de amolecimento. certas resinas tendem a se dispor em regiões cristalinas (cristalitos) aleatoriamente orientadas. por outro lado. Os radicais méricos podem estar arranjados de três maneiras. Os cristalitos satisfazem aos requisitos geral de cristalinidade – um arranjo ordenado das moléculas que exibem franjas de interferência definidas ao raio-X. embora existam termoplásticos totalmente amorfos. Dr. é possível obter-se pequenos cristais de polietileno por meio de precipitação em toluol.

maciez. 125 . Quando não existe regularidade na distribuição dos radicais. que depende das condições de moldagem. alcançando dimensões que podem ser alguns micrômetros de diâmetro. que crescem radialmente em direção à região amorfa adjacente. diz-se que o arranjo é sindiotático.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM Os materiais poliméricos podem ser classificados em duas categorias: termoplásticos ou termoestáveis (termofixos. flexibilidade e. Os termoplásticos podem ser endurecidos ou amolecidos reversivelmente. As regiões cristalinas são mais densas. Se um termoplástico é aquecido. estas interações são mais enfraquecidas. mas sim uma mistura deles.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. podem desenvolver-se regiões esféricas contendo material cristalino (esferulitos). Os polímeros raramente apresentam apenas um único tipo de arranjo. a deformação do polímero amolecendo-o. 12. Dr. enquanto que as regiões amorfas conferem elasticidade. a cristalização pode ser facilitada através de aplicação de tensões externas e desaparece gradualmente com aquecimento. Em alguns materiais poliméricos. razoável nos sindiotáticos e pequena nos atáticos. transparência. e apresentam maior rigidez e resistência mecânica e térmica. Quando a cristalização é nucleada em uma resina rapidamente resfriada.2. às vezes. Um novo aquecimento novamente torna-o amolecido para moldagem. permite um controle das propriedades mecânicas e óticas da peça. como a borracha. A propensão a cristalização é maior nos arranjos isostáticos. desde que não seja superada sua temperatura de degradação. Figura 12. A figura abaixo representa estas condições de cristalinidade. O resfriamento restabelece as forças de ligação intermoleculares. Se o radical localiza-se dos dois lados da cadeia de forma organizada e repetitiva. ao completar-se a polimerização. portanto.9 – Cristalinidade em polímeros. o arranjo é denominado atático. Os termoplásticos caracterizam-se por. Losekann Direitos autorais reservados Quando o radical localiza-se sempre do mesmo lado da cadeia diz-se que o arranjo é isostático. que se evidencia por uma sensível transparência progressiva de certos polímeros. eventualmente apresentam ramificações. tornando possível a movimentação relativa das moléculas e. Cláudio R. possuírem moléculas com cadeia predominantemente linear. A distribuição das regiões cristalinas em um polímero parcialmente cristalino é objeto de pesquisa. tornando-o rígido novamente. Um controle do teor de esferulitos. termoduros).

A cura pode ser induzida à temperatura ambiente. agentes de esponjamento.2. Mica e asbesto são usados para melhorar características dielétricas. os plásticos tendem a se degradar com o tempo quando estão expostos a ação de raios ultravioletas e da ação do oxigênio. A degradação torna os polímeros quebradiços e porosos. desde que sejam fornecidas as condições adequadas ao seu desencadeamento. A polimerização desses materiais ocorre em dois estágios. produtos líquidos de alto ponto de fusão e baixa taxa de evaporação. em proporções adequadas. Exemplos de catalisadores são o peróxido de benzoíla e ácido acético na 126 . A adição de um ou mais plastificantes. Dr. 12. com finalidades variadas. misturados à resina previamente à moldagem. agentes de cura. principalmente. Entre esses ingredientes adicionais incluem-se. estabilizadores. produz um composto intermediário. A serragem e pós-metálicos são utilizados para reforçar e economizar resina. Outros tipos de carga são tecidos. que são adicionados às resinas. aumentam consideravelmente a velocidade das reações químicas ou retardam uma reação que. Catalisadores são substâncias químicas que. Os polímeros termoestáveis geralmente apresentam melhor resistência à temperatura. em que devem ser solúveis. em determinados casos. por ocasião da moldagem. ao nível do fabricante do produto. geralmente.3 . reduzindo a aderência do polímero às superfícies metálicas do molde. resistência química e propriedades elétricas superiores às dos termoplásticos. adicionadas em pequena quantidade. lubrificantes e agentes antiestáticos Plastificantes são. as moléculas reagem entre si ou com o agente de cura. cujas moléculas apresentam cadeias lineares ou ramificadas. Carga ou enchimento é um aditivo utilizado com finalidades específicas. A polimerização completa ocorre num segundo estágio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por causa do calor ou de um agente de cura ou mesmo de um catalisador. Losekann Direitos autorais reservados Os termoestáveis apresentam um comportamento inverso do termoplástico. Corantes e pigmentos tem a finalidade de conferir cores aos polímeros. estabelecendo ligações transversais que produzem complexas moléculas tridimensionais. são inconvenientes. Cláudio R. retardantes de chama. que são altamente estáveis à temperatura e à deformação. O primeiro estágio. catalisadores. os seguintes: plastificantes. estabilidade dimensional. e de baixo peso molecular. cargas. corantes e pigmentos. Aditivos antioxidantes tem por objetivo retardar o envelhecimento do plástico. a fim de melhorar seu comportamento plástico. fornece ao produto composto que pode apresentar propriedades distintas da resina original. principalmente nos plásticos. Os lubrificantes têm a finalidade de auxiliar no processo de moldagem. fibras de vidro e de carbono que tem por objetivo também de melhorar as propriedades mecânicas.ADITIVOS Para a produção de peças em material plástico são utilizados ingredientes adicionais. Quando. ou seja.

A amônia atua como catalisador. estabelecendo as ligações transversais numa reação condensada. quando empregados nos polímeros. Os retardantes de chama são adicionados por razões óbvias de segurança.10 – Reação do baquelite. os agentes de cura participam ativamente da reação de cura. no segundo estágio. A cura é desencadeada. visto que os polímeros têm por natureza a flamabilidade. ajudam a reduzir as cargas eletrostáticas na superfície. a resina fenol-formaldeído é obtida no primeiro estágio da polimerização pela reação condensada do fenol com o formaldeído. que sob temperatura adequada (160 oC) e pressão (7 MPa) se decompõe em formaldeído e amônia. estabelecendo assim as ligações transversais que geram complexos tridimensionais. + n H2 O n Fenol Formaldeído Fenol-formaldeído n 1 → Amônia 2 Figura 12. Cláudio R. Os agentes de esponjamento são aditivos empregados na produção de compostos poliméricos como as espumas expandidas. Ao contrário dos catalisadores. quando a mesma é pretendida. Um destes agentes é o trióxido de antimônio usado em materiais de construção e em fibras têxteis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os agentes antiestáticos são aditivos que. pela adição de hexametileno-tetramina. Losekann Direitos autorais reservados produção de PVC e náilon 66 respectivamente. Dr. que reduz o risco de inflamação nos polímeros. Eles possuem moléculas cujos terminais reagem com posições intermediárias ou terminais da cadeia principal das moléculas da resina. Agentes de cura são aditivos que servem para desencadear a reação de cura dos termoestáveis. Por exemplo. que estimulam as reações sem participar das mesmas. Elas provocam a expansão 127 . e o formaldeído como agente de cura. com exceção do PVC e de alguns elastômeros.

passa por uma região de transição. C e D) região líquida com baixa viscosidade. B) região viscosa. A liberação deste gás – nitrogênio ou dióxido de carbono . mas de magnitudes diferentes nas regiões amorfas e cristalinas. devido o aumento da mobilidade das cadeias. que se decompõe na forma: Figura 12. quando a temperatura é elevada. amorfo. Figura 12. O material D dessas regiões passa a 7 C comportar-se como fluido cada vez menos viscoso. 128 . a partir da qual as cadeias moleculares das regiões amorfas se afastam e adquirem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. se o aquecimento for lento e se o polímero for susceptível de cristalizar. como conseqüência a decomposição do aditivo. aos poucos. 8 sua mobilidade. se comportam similar aos vidros (curva A-B-C-D). tenaz e quebradiça. Cláudio R. nestas condições. Os agentes de esponjamento utilizados geralmente são substâncias orgânicas nitrogenadas. F) região viscosa com cristalitos.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS Uma massa de polímero mantida a temperatura suficientemente baixa. Volume específico A maior mobilidade das cadeias moleculares pode. o material se dilata progressivamente. rígida. A figura que segue mostra uma curva típica do índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero linear.11 – Reação do agente de esponjamento. E) região com cristalitos na região vítrea. é relativamente dura. com uma temperatura denominada 2 de moldagem ou fusão. B 6 Alguns polímeros F A 5 comportam-se com uma E região brusca de variação 4 do volume específico. em torno de uma temperatura “tg” que é característico para cada polímero.12. Dr. promover um momentâneo aumento do índice de cristalinidade que prosseguindo o aquecimento torna a cair este índice. Aumentandose progressivamente a temperatura. Temperatura característica de sólido semicristalino. figura 12. conhecida como transição vítrea. Losekann Direitos autorais reservados do polímero plastificado pela geração de um gás. 0 20 40 t 60 100 120 tm 80 g (curva E-F-C-D). Enquanto isto. como o AZDN (azobisdiisobutironitrila ). A) região vítrea.2. 12. As regiões amorfas. 3 tornado-se fluido.12 – Curvas de volume específico em função da temperatura. em virtude de apresentar pouca mobilidade de suas moléculas.deve coincidir com o momento de maior plasticidade do polímero.

Certos materiais (polietileno. Losekann Direitos autorais reservados Prosseguindo o aquecimento. na qual desaparecem as regiões cristalinas e a partir da 4 qual o material passa a comportar-se mais ou menos como um líquido 3 viscoso. resistência ao impacto. Um material polimérico pode sofrer deformações progressivas 100 o que podem afetar o desempenho . Figura 12. Mas se 2 a temperatura continuar a aumentar.14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear. é perigoso 25 oC 40 projetar com dados de ensaios 50 oC de curta duração. em Temperatura uma reação irreversível. A figura ao 20 lado mostra o comportamento de um mesmo material polimérico 0 submetido a ensaio de tração em 0 6 12 18 24 30 diferentes temperaturas.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS Várias propriedades mecânicas devem ser levadas em conta ao escolher um material polimérico em um determinado projeto. fluência. Figura 12. Por isso. resistência à abrasão e fadiga são fundamentais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. atinge-se uma temperatura “tm”. polipropileno) apresentam temperaturas de transição vítrea bem abaixo das temperaturas ambientes usuais. Estes materiais não são adequados à produção de fibras. 12.2. Tensão de ruptura. o polímero se 0 20 40 60 80 100 tm 120 tg degrada ou queima. Materiais como policarbonatos e o polistireno são frágeis e quebradiços por que suas temperaturas de transição vítrea se situam bem acima das temperaturas ambiente usuais. como materiais flexíveis. É acima desta temperatura que se pode moldar o material. Cláudio R.25 C de uma determinada peça 80 quando submetidos a esforços 0 oC mecânicos a temperaturas 60 ambiente. conhecida como temperatura de fusão cristalina. Deformação (%) próximas da ambiente. e se apresentam. também característica para cada 5 tipo de polímero. por isso. Dr. Tensão de ruptura à tração (MPa) Índice de cristalinidade 129 .13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino.

em 1. certa arbitrariedade na conceituação deste tipo de material. mas apresentam esta propriedade em algum momento da fabricação. A partir deste período e. quando foram moldados. Losekann Direitos autorais reservados O comportamento dos plásticos ao impacto é também bastante variável e fortemente dependente da temperatura e. Materiais de origem orgânica sintética resultam de processos químicos e de sínteses. principalmente. em 1. Cláudio R. areia ou minérios). ele acelerou o processo em autoclave a uma temperatura de 200 o C. John Weley Hyatt. Em vez de retardar a polimerização. Outros materiais como o aço e o vidro também apresentam essa característica e não são classificados como plásticos. Leo Hendrik Baekeland. cuja superfície detinha a impressão exata do fundo da autoclave. a partir de matérias primas orgânicas simples. dentaduras artificiais. a tenacidade deve ser levado em conta nos projetos nas quais os mesmos podem ser submetidos a impactos. através da ação de calor e pressão. bolas de tênis de mesa e filmes fotográficos. Os materiais geralmente designados como plásticos não tem.PLÁSTICOS Da mesma forma. durante o momento de sua moldagem. Dr. com a vantagem de ser mais estável e não inflamável como os primeiros. a palavra plástico é um termo geral que significa “capaz de ser moldado”. O produto obtido tinha cor de âmbar.862. necessariamente. Materiais artificiais são aqueles provenientes de misturas e reações. 12. os polímeros tiveram avanços significativos. sintetizando resina de fenol-formaldeído.907. com o emprego de molde. 130 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Este produto posteriormente denominou-se de Baquelite. os plásticos são radicalmente distintos dos aços. Os materiais plásticos são materiais artificiais. em algum estágio de sua fabricação adquiriram condição plástica. Vários pesquisadores em meados de 1. portanto. conseguiu viabilizar um método de reações controladas de polimerização. esta propriedade. Há. e que denominou de Celulóide. criando um produto que se tornou economicamente viável. abaixo da qual não ocorre falha por fadiga. estudando a polimerização e condensação. qualquer que seja o número de ciclos de carga aplicada. sendo distintos dos materiais de ocorrência natural (como madeira.800 procuravam um material para substituir o marfim para fabricação de bola de bilhar. visto que os aços apresentam uma amplitude máxima de tensão de trabalho. Durante várias décadas este material teve grande utilização na fabricação de pentes. Em 1. com isso. Quanto à resistência à fadiga. geralmente de origem orgânica. Alexandre Parkes patenteou sua invenção com nome de Parkesina que tratava-se de um material celulósico (resíduo de algodão) com ácidos nítrico e sulfúrico na presença de óleo de rícino. patenteou um processo alternativo de fabricação na qual substituía o óleo de rícino por cânfora. bonecas.870. após a Segunda Grande Guerra mundial. que.3 . nos Estados Unidos da América.

Polifenilênicos 15. Poliamidas 17. O uso de diferentes tipos de aditivos gera uma variedade de produtos distintos. Dr. Policarbonatos 3. Poliimidas 6. onde “X” representa um radical monovalente que caracteriza a resina. Técnicas de irradiação com ultravioleta. Fenólicos 13. misturas e versões quimicamente modificadas. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados As borrachas naturais ou sintéticas possuem características que se assemelham aos plásticos. Poliolefinas comuns Polímero Polietileno Polipropileno Policloreto de vinila Polistireno Abreviatura PE PP PVC PS Radical X 131 . Acrílicos 5. e outras técnicas. mas também possuem características próprias que as distinguem dos mesmos e por isto são denominados de elastômeros. O quadro abaixo mostra alguma das poliolefinas mais comuns e seus radicais.3. Poliésteres 18. Aminoplásticos 7. Polissulfonas 12. e “n” indica o grau de polimerização. Há mais de quarenta famílias de termoplásticos e dez diferentes famílias básicas de termoestáveis entre os plásticos mais comuns de uso em engenharia. Polialômeros 14. gerando novos produtos. Celulósicos 8. Fluoroplásticos 11.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 . Poliuretanos 12. Poliolefinas (resinas 2. Polioximetilênicos 9.POLIOLEFINAS A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos é representada pela figura ao lado. Os plásticos mais comuns em engenharia podem ser dividas em 19 famílias que são: 1. Os copolímeros. Éteres poliarílicos 19. permitem alterar consideravelmente o comportamento de certos polímeros. ampliam o número de materiais plásticos disponíveis ao usuário. derivados de um mesmo plástico básico. Epoxídicos 10.15 – Fórmula geral da poliolefina. Figura 12. Alílicos vinílicas) 4. Silicones 16.

outros.(CH2)n .000 a 2.000 atm) e temperaturas na faixa de 100 a 300 oC.200 (J/m.40 MPa 132 . usinagem.4 – 0.28 (MPa) Tenacidade a ruptura: 2. Polietileno de Alta Densidade – PEAD .080 (J/m. etc. Limite elástico: 20 . O polietileno de peso molecular ultra elevado (PELUAPM) é caracterizado pela sua elevada viscosidade à fusão. notação Izod).93) [moléculas bastante ramificadas]. Losekann Direitos autorais reservados Poliacetato de vinila PVAC Polibuteno-1 PBT Poli-4-metilpenteno. extrusão ou sopro.3 – 1. não sendo adequado para os processos de injeção e extrusão.2 . cabos e cordas para empacotamento. O polietileno de média densidade (0.42 Dureza: D60 . extrusão.91 a 0.3 – 0. 025 .93 a 0. sopro.4 MPa.m1/2 Tensão de escoamento: 23 – 33. Cláudio R. filmes para embalagens.945) é obtido sob condições intermediárias. tanques de combustível para veículos automotores. obtêm-se o polietileno de baixa densidade (0. para PEAD de baixa massa molar.46 GPa Módulo de elasticidade: 0.D 70 Shore Módulo de cisalhamento: 0.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 . Dr. termoformagem. Polialden.6 GPa Resistência ao impacto: 150 . Com pressões menores ( < 30 atm) e temperaturas de 40 a 150 oC. Aplicações: embalagens finas. Fornecedor: Ipiranga Química IPQ. obtêm-se o polietileno de alta densidade (0.PMP 1 Álcool polivinílico PVAL O polietileno (PE) é um termoplástico tenaz usado na fabricação de diversos brinquedos.945 a 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1.1 MPa Tensão de compressão: 30 .5 % Coeficiente de Poisson: 0. Polytech. moldes para injeção canos e tubos. Processos: injeção.8 – 1. isolantes flexíveis para cabos elétricos e recipientes produzidos por injeção. OPP.96) [moléculas longas lineares]. notação Izod). Sob pressões elevadas (1. para PEAD de alta massa molar.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

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Propriedades térmicas Calor específico: 2.200 J/kg Dilatação térmica: 100 - 120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,45 – 0,52 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 160 - 165 K Temperatura máxima de serviço: 340 - 370 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,01(%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,941 – 0,965 gf/cm3 Índice de refração: 1,54 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,3 – 2,4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1015 ohm.m) Polietileno de Baixa Densidade – PEBD - (CH2)n. Aplicações: embalagens de alimentos e de produtos de limpeza, sacos de lixo, sacolas plásticas, plasticultura. Processos: injeção, sopro, laminação, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Ipiranga Química, OPP, PPH. Propriedades mecânicas Ductilidade: 3,5 - 4 % Coeficiente de Poisson: 0,43 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,28 – 0,3 Dureza: D41 - D46 Shore Módulo de cisalhamento: 0,05 – 0,09 GPa Módulo de elasticidade: 0,1 – 0,25 GPa Resistência ao impacto: Não quebra. Limite elástico: 6 - 10 MPa Tenacidade a ruptura: 2 – 2,3 MPa.m1/2 Tensão de escoamento: 6,9 – 15,9 MPa Tensão de compressão: 15 - 25 MPa Tensão de ruptura por tração: 10 - 25 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.950 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 180 - 200 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,29 – 0,35 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 180 - 185 K Temperatura máxima de serviço: 323 - 363 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,015 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,91 – 0,93 gf/cm3 Índice de refração: 1,51 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,25 – 2,35 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1013 ohm.m) 133

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Polietileno tereftalato – PET - (OOC-C6H4-COO-(CH2)2)n. Aplicações: garrafas de refrigerante, escovas. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, spray, outros. Fornecedor: Rhodia, Du Pont, Bayer, Hoechst, GE, RhônePoulenc Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,65 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,38 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,2 – 0,4 Dureza: 140 - 210 MPa Módulo de cisalhamento: 0,83 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,2 – 3,5 GPa Resistência ao impacto: 15 - 35 (J/m; notação Izod) Limite Elástico: 50 - 72 MPa Tenacidade a Ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 65 - 90 MPa Tensão de ruptura por tração: 50 - 80 MPa Propriedades Térmicas Calor específico: 1,40 – 1,60 (103 J/kg.K) Dilatação térmica: 50 - 80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,15 – 0,34 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 340 - 345 K Temperatura máxima de serviço: 388 - 430 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,1 – 0,15 % Densidade: 1,32 – 1,38 gf/cm3 Índice de refração: Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3,6 (106 F/m, 23 oC) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1013 ohm.m) O polipropileno (PP) - (CH2-CH-CH3)n - é um plástico de características similar ao do polietileno, sendo a densidade menor (0,905) com maior resistência ao calor. A temperatura de amolecimento é de 160 oC, conferindo elevada cristalinidade (como os polietilenos de alta densidade) e conseqüentemente boa resistência mecânica. Aplicações: fibras para tapetes, tecidos, embalagens, sacolas, garrafas, pás de ventiladores, cabos de ferramentas e talheres, cadeiras de piscinas, pedais de aceleradores, componentes automotivos. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, usinagem, outros. Fornecedor: Amoco, Chemicals, Exxon, Fina, Phillips, Rexene, Soltex, Thermofil, OPP, Elf Atochen, Ipiranga Química, IPQ, Polibrasil. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,1 – 0,3 Dureza: 80 - 100 MPa 134

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Módulo de cisalhamento: 0,5 – 0,6 GPa Módulo de elasticidade: 1 – 1,6 GPa Resistência ao impacto: 50 - 80 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 28 - 33 MPa Tenacidade a ruptura: 1,9 – 2,1 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 25 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.920 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 80 - 150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,16 – 0,24 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 260 - 270 K Temperatura máxima de serviço: 370 - 380 K Temperatura mínima de serviço: 150 - 200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,02 – 0,03 % Densidade: 0,9 – 0,91 gf/cm3 Índice de refração: 1,49 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,26 – 2,.4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1014 ohm.m) Óxido de Polipropileno - PPO (Polipropileno-eter blenda poliestireno) (CH2-OHOCH3)n-(CH2-CH-C6H4)m . Aplicações: bases de medidores elétricos, paralamas e outros painéis exteriores de automóveis. Processos: injeção, termoformagem, usinagem, outros. Taxa de reciclagem: 0.3 - 0.35 Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,5 – 0,7 % Coeficiente de Poisson: 0,35 – 0,4 Coeficiente de atrito: 0,33 – 0,36 Dureza: 120 - 180 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 – 0,9 GPa Módulo de elasticidade: 2,4 – 2,5 GPa Resistência ao impacto: 120 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 40 - 60 MPa Tenacidade a ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 90 - 105 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 - 75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.600 – 2.000 J/kg.K Dilatação Térmica: 60 - 70 (10-6/K) Condutividade Térmica: 0,16 – 0,22 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 208 - 238 K Temperatura máxima de serviço: 360 - 390 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K

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Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,25 % Densidade: 1,06 – 1,08 gf/cm3 Flamabilidade: péssima Constante dielétrica: 2,6 – 2,7 (106 F/m) Resistividade: 1,0 - 10 (1015 ohm.m) O policloreto de vinila (PVC) - (CH2-CH-Cl)n - e seus copolímeros é um dos mais importantes termoplásticos sintéticos em uso. A resina deste plástico é dura e rígida, mas com introdução de modificadores permite amolecimento em qualquer grau desejado. Tem como principal característica a resistência à combustão e dureza, mas tem baixa resistência ao ataque de solventes orgânicos clorados. Aplicações: Telhas translúcidas, divisórias, portas sanfonadas, persianas, perfis, tubos e conexões para esgotos e ventilação, esquadrias, molduras para tetos e paredes. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, usinagem, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Goldplast, Polymerpar, Trikem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,1 – 3 % Coeficiente de Poisson: 0,37 – 0,43 Dureza: R110 Módulo de cisalhamento: 0,7 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,5 – 3,8 GPa Resistência ao impacto: 50 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 23 - 52 MPa Tenacidade a ruptura: 1 - 4 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 32 - 80 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 - 70 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.000 – 1.100 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 95 10-6/K Condutividade térmica: 0,13 – 0,25 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 350 - 355 K Temperatura máxima de serviço: 348 - 365 K Temperatura mínima de serviço: 240 - 245 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 1,34 – 1,52 gf/cm3 Índice de refração: 1,52 - 1,55 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,7 – 3,3 (106 F/m) Resistividade: 3.,16 – 10,0 (1013 ohm.m)

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O polistireno (PS) - (CH2-CH-C6H5)n - é um plástico que tem como característica principal a elevada resistência à água, dimensionalmente estável e boa moldabilidade. É usado na fabricação de componentes de geladeiras, conexões e assentos para vasos sanitários, brinquedos e determinadas carcaças de aparelhos. Pode ser moldado por injeção, termoformagem, moldagem química e extrusão. PS expandido: forros, isolamento acústico, térmico e caixas. O isopor é uma forma de espuma que bolhas pequenas de gás reduzem a densidade de 2 a 3% do valor original. Fornecedor: Pepasa, Ipubrás Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,015 – 0,02 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,25 – 0,3 Dureza: 90 - 120 MPa Módulo de cisalhamento: 1 – 1,2 GPa Módulo de elasticidade: 2,9 – 3,3 GPa Resistência ao impacto: 20 - 25 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 30 - 32 MPa Tenacidade a ruptura: 0,8 – 0,9 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.200 – 1.440 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 100 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,12 – 0,17 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 360 - 380 K Temperatura máxima de serviço: 355 - 368 K Temperatura mínima de serviço: 200 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,07 % Densidade: 1,04 – 1,06 gf/cm3 Índice de refração: 1,59 - 1,60 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,55 – 2,65 (106 F/m) Resistividade: 6,31 – 15,8 (1013 ohm.m) O polibuteno-1 ou polibutileno tereftalato (PBT) - (OOC-C6H4-COO-(CH2)4)n - pode apresentar com diferentes arranjos estruturais, que afetam substancialmente a resistência mecânica (tração e dureza). A temperatura de moldagem está na faixa de 165 a 180 oC. Aplicações: Embalagens, circuitos. Processos: injeção, extrusão, usinagem, outros. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1,5 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,35 - 0,4 Coeficiente de atrito: 0,25 - 0,3 Dureza: 105 - 165 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 - 0,85 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2,3 GPa 137

Dr. adesivos e tintas de secagem rápida.K) Temperatura de transição vítrea: 310 . 12.(O-C6H4-C-(CH3)2C6H4-O-CO)n.60 – 2. é usado na preparação de colas e agentes separador em moldagem de peças de plásticos para evitar a adesão da resina ao molde.00 (1012 ohm. Cláudio R.150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.2 MPa. por isto.m1/2 Tensão de escoamento: 97 MPa Tensão de compressão: 100 .09 % Densidade: 1. 138 .125 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 . boas propriedades elásticas e temperatura de amolecimento acima de 200 oC. Caracteriza-se por apresentar alta transparência. mas insolúvel em muitos solventes orgânicos.m) Poliacetato de vinila (PVAC) é bastante usado em películas de papéis e tecidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3 – 1. Álcool polivinílico (PVAL) é solúvel em água. PC .00 ( 103 J/kg.3.3 . Poli-4-metilpentano-1 (PMP) tem grande aplicação na fabricação de embalagens plásticas para aquecimento em microondas.55 (J/m.59 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.320 K Temperatura máxima de serviço: 390 .2 .55 MPa Tenacidade a ruptura: 1.395 K Temperatura mínima de serviço: 140 . Izod) Limite elástico: 35 .2 .00 – 2.POLICARBONATOS São derivados do bisfenol A e do ácido carbônico.32 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 3.08 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Resistência ao impacto: 40 .4 (103 F/m) Resistividade: 1.

GE Plastic. Fornecedor: Allcolor. Quimpetrol. Compact Disc.9 – 3. recipientes para filtros. Figura 12. aparelhos elétricos.44 Coeficiente de atrito: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.16 – Fórmula policarbonato Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 1.75 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.3 Dureza: 150 .1 (106 F/m) Resistividade: 1 . componentes de interiores de aviões.05 GPa Módulo de elasticidade:2 .K Temperatura de transição vítrea: 420 . Uniflon. Re Plas. Usado em instrumentos cirúrgicos.65 MPa Tenacidade a ruptura: 3 – 3.3 MPa.700 (J/m.2.20 – 1.3 % Coeficiente de Poisson: 0.9 (GPa) Resistência ao impacto: 400 . usinagem. Dr.425 K Temperatura máxima de serviço: 385 .95 – 1.65 – 0. termoformagem.100 (1012 ohm. outros.120 MPa Tensão de ruptura por tração: 56 . divisórias . Mauá.584 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2. Losekann Direitos autorais reservados A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos de origem dos poliésteres é representada pela figura ao lado. Cláudio R.7 % Densidade: 1. Petropol. coberturas translúcidas. vitrines.180 MPa Módulo de cisalhamento: 0.30 (103 J/kg.m) 139 .39 – 0. Processos: injeção.2 – 1.K) Dilatação térmica: 40 .390 K Temperatura mínima de serviço: 140 .150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. Bayer Polímeros. Tem boas propriedades elétricas e mecânicas e estabilidade dimensional.m1/2 Tensão de escoamento: Tensão de compressão: 100 . etc.68 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. extrusão.2 – 0.22 W/m.14 – 0.22 gf/cm3 Índice de refração: 1. notação Izod) Limite elástico: 55 . garrafas de água. Apresentam temperaturas de amolecimento acima de 200 oC.

é um produto não cristalino com boas propriedades óticas.325 K Temperatura mínima de serviço: 150 . usinagem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Dr. Processos: injeção. poliacrilonitrilo (PAN) e copolímeros do acrilonitilo como acrilonitrilo-budadieno-estireno (ABS) e o estireno-acrilonitrilo (SAN). notação Izod) Limite elástico: 35 .450 J/kg.ACRILICOS São plásticos que constituem uma subclasse de poliolefínicas que tem grande aplicação de uso doméstico e industrial.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.22 (J/m.2 GPa Resistência ao impacto: 20 . Com excelente estabilidade dimensional e alta resistência elétrica. 12. quando adicionado pós de metais nobres torna-se material condutor elétrico ou magnético. réguas.K Temperatura de transição vítrea: 370 .3 MPa.(CH3-CH2-C-COOCH3)n -.4 . lentes.4 – 0.3 . É usado para produção de dentaduras (resina de dentista).220 MPa Módulo de cisalhamento: 0. outros. embalagens e painéis de propaganda.4 – 0.13 – 0.8 – 3. cuja fórmula está abaixo. dependendo do metal adicionado.8 – 1.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.21 W/m.2 GPa Módulo de elasticidade: 1.03 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 45 .3. cuja resina mais importante é o dialil-ftalato (DAP).3.375 K Temperatura máxima de serviço: 320 . Geralmente são moldadas a partir de pós misturados com catalisador.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 38 . As resinas mais importantes desta família são: polimetacrilato de metila (PMMA). Figura 12.17 – Polimetacrilato de metila. entretanto.43 Coeficiente de atrito: 0. Cláudio R.75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.200 K 140 .5 Dureza: 100 .6 – 1. O polimetacrilato de metila .ALÍLICOS São plásticos termoestáveis.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0.280 – 1.06 % Coeficiente de Poisson: 0.K Dilatação térmica: 62 . Losekann Direitos autorais reservados 12.

Dr.2 (106 F/m) Resistividade: 2 – 15.8 (1013 ohm. Processos: injeção.38 – 0.2 gf/cm3 Índice de refração: 1.18 – Poliacrilonitrilo.19 – ABS. Usado também com aditivo para o PVC e borrachas sintéticas.09 % Coeficiente de Poisson: 0.8 – 2. O ABS é um polímero que apresenta três meros com seus respectivos graus de polimerização. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. outros.95 GPa Módulo de elasticidade: 1.400 (J/m. notação Izod) Limite elástico: 27 .06 – 0.5 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.100 MPa Tensão de ruptura por tração: 36 . batedeiras e liqüidificadores.4 % Densidade: 1. Apresenta estabilidade dimensional.m) O poliacrilonitrilo.6 – 3. Figura 12.m1/2 Tensão de compressão: 60 . Figura 12. box para chuveiros. pode ser cristalizado fornecendo uma fibra sintética muito resistente mecanicamente e quimicamente.47 – 0.15 – 1.55 MPa Tenacidade a ruptura: 3 .140 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Cláudio R.7 GPa Resistência ao impacto: 200 . telefones.52 Dureza: 70 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Uns dos principais usos deste plástico são na confecção de cordas e tecidos náuticas que podem ser combinados com o algodão. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0. cuja fórmula segue abaixo.7 – 0. usinagem. resistência química e elétrica. caixas de televisão.48 MPa 141 .2 – 0.4 MPa. ABS .42 Coeficiente de atrito: 0.Aplicações: Gabinetes e caixas domésticas. com faixa de temperatura de – 40 oC e 115 oC.alto impacto . aspiradores de pó.

9 (106 F/m) Resistividade: 6.85 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.02 – 1.360 K Temperatura máxima de serviço: 358 .Aplicações: gabinetes e caixas para objetos domésticos.2 W/m.14 – 0. Cláudio R.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.80 J/m Limite elástico: 40 . banheiros. Processos: injeção.95 GPa Módulo de elasticidade: 2.32 % Densidade: 1.370 K Temperatura mínima de serviço: 150 .3 – 0. telefones.530 J/kg.06 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.m1/2 Tensão de compressão: 55 . Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.8 – 2. usinagem.48 – 0.4 – 2.m) ABS .4 MPa.500 – 1.00 (1014 ohm.1 gf/m3 Constante dielétrica: 2.31 – 15.42 Coeficiente de atrito: 0.12 % Coeficiente de Poisson: 0.04 – 1. caixas de TV.38 – 0.350 K Temperatura mínima de serviço: 150 .150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.9 (106 F/m) Resistividade: 1. Dr.K Dilatação térmica: 80 .200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.45 MPa Tenacidade a ruptura: 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 (1013 ohm.K Dilatação térmica: 70 .60 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 .5 – 2.3 % Densidade: 1.médio impacto .48 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.375 K Temperatura máxima de serviço: 340 .2 – 0. aspiradores de pó.510 J/kg.9 – 3.m) 142 . outros.85 – 0.07 – 0.14 – 0.22 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 370 .95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.9 GPa Resistência ao impacto: 70 .500 – 1.52 Dureza: 100 .K Temperatura de transição vítrea: 350 .

Figura 12. placas de circuitos impressos.5 . Cláudio R. dureza e estabilidade dimensional ao aquecimento. rolamentos.17 W/m.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. peças para aspiradores e umidificadores.1 (106 F/m) Resistividade: 6.31 – 15.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0.350 K Temperatura máxima de serviço: 360 .365 K Temperatura mínima de serviço: 200 . copos de liquidificadores e bobinas para computadores.K Dilatação térmica: 50 . copos. notação Izod) Limite elástico: 65 . seringas médicas.m1/2 Tensão de compressão: 80 .20 – SAN. Processos: injeção.022 – 0. Por isto são usados na forma de blocos para usinagem e forjamento. Dr.80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.K Temperatura de transição vítrea: 340 . adesivos.2 – 1.3 Dureza: 160 .4 GPa Módulo de elasticidade: 3. 143 . divisões para geladeiras.08 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.300 – 1. corpos para isqueiros. Losekann Direitos autorais reservados O SAN apresenta alta resistência mecânica. Fornecedor: Nitriflex . mancais. isolantes elétricos. anéis de pistão. Boas propriedades mecânicas em temperaturas elevadas (450 oC) em curtos intervalo de tempo.8 (1013 ohm.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 65 .22 (J/m. usinagem.3.24 – 0.85 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.m) 12.POLIIMIDAS Apresentam temperatura de fusão cristalina elevada que só podem ser moldados por processos especiais.06 – 1.2 – 3.26 % Densidade: 1.500 J/kg. Aplicações: lentes para instrumentos.37 – 0.220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.13 – 0.25 – 0.200 MPa Módulo de cisalhamento: 1. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.6 GPa Resistência ao impacto: 20 . assentos de válvula. Fabricação de engrenagens.8 . outros.1 MPa.4 Coeficiente de atrito: 0. peças de motores.05 % Coeficiente de Poisson: 0.

quando moléculas se interencadeiam formando estrutura tridimensional.85 GPa Módulo de elasticidade: 2.72 MPa Tenacidade a ruptura: 1.08 % Coeficiente de Poisson: 0. Fornecedor: Du Pont.K Dilatação térmica: 32 .480 K Temperatura máxima de serviço: 520 .45 Dureza: 195 .K Temperatura de transição vítrea: 470 . Ensinger.3.590 K Temperatura mínima de serviço: 3 .(N-(CO)2-C6H2-(CO)2-N-C6H4)n São termoplásticos obtidos pela reação de um dianidrido aromático com uma diamina.20 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. outros.120 – 1.4 – 0.1.21 – Poliimida.19 – 0.100 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. Losekann Direitos autorais reservados (PI) . cuja formula geral é dado ao lado.5 MPa.42 W/m.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.05 – 0. aditivos na indústria de papel].AMINOPLÁSTICOS Tem reação similar a das resinas fenólicas.1 – 0.5 – 2.15 % Densidade: 1. 144 . Processos: injeção.210 MPa Módulo de cisalhamento: 0.65 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.45 Coeficiente de atrito: 0.6 (106 F/m.95 – 1. melamina-formaldeído (MF) [produção de louças] e anilinaformaldeído (AF) [blocos e faixas terminais de circuitos elétricos].32 – 1. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. extrusão.85 (J/m. 23oC) Resistividade: 1 – 10 (1013 ohm. usinagem. Figura 12.6 . onde inicialmente se formam moléculas lineares e posteriormente é desenvolvida a reação de cura. Os principais plásticos desta família são: uréia-formaldeído (UF) [artigos de iluminação. notação Izod) Limite elástico: 52 . Dr.m1/2 Tensão de compressão: 80 .38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.140 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 . Cláudio R.5 – 4.03 – 0. Taxa de reciclagem: 0.4 – 0.m) 12.130 J/kg.8 GPa Resistência ao impacto: 75 .

obtendo-se plásticos explosivos que deve-se ter cuidado na moldagem.3. Losekann Direitos autorais reservados 12. É a mistura da resina de epoxeto com agente de cura aminado. e após sua purificação. O grau de nitratação pode ser variado. que possui moléculas grandes (n = 5. acetobutirato de celulose e etil-celulose. que é matéria prima para muitas resinas.. Aceto-butirato de celulose (CAB) – É um éster misto da celulose. resultando da reação da celulose química com misturas de anidridos acético e butírico. Um dos plásticos encontrados no comércio é o acetato. 145 .EPOXÍDICOS São polímeros que se completam com agentes de cura (catalisadores). Apresenta um elevado índice de cristalinidade. 12. Devido as suas ligações transversais. Sem os problemas do anterior como sensibilidade à temperatura e facilidade a combustão. algodão. excelente desempenho à fadiga e estabilidade dimensional. Os adesivos epoxídicos dão ligações extremamente fortes de metal com metal.POLIOXIMETILÊNICOS (POM) – Polímeros lineares do formaldeído. além de serem empregadas em vernizes de acabamento.000.CELULÓSICOS São polímeros naturais encontrado na madeira. etc. Dr.3. com n = 1. Cláudio R. 12. Etil-celulose (EC) – É um termoplástico utilizado para situações que deve ocorrer impactos. ( -CH2-O-)n. entre as quais. é obtida a celulose química. sua moldabilidade é dificultada. que podem ser moldados por injeção ou extrusão.000). palha.8 .9 . Apresenta boa resistência a abrasão. cita-se o nitrato de celulose.3. devido a excelente tenacidade. Da extração da madeira. elevada resistência à tração (70 MPa) e rigidez à flexão. É empregado na forma de pós para injeção. é usado na fabricação de brinquedos. Acetato de celulose (CA) – É obtido do tratamento da celulose com ácido e anidro acéticos.7 . Há vários tipos de radicais. Utilizado para fabricação de bolas de tênis de mesa. Nitrato de celulose (CN) – Obtido do tratamento da celulose com ácido nítrico. películas para embalagens e filmes fotográficos de segurança.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Menos denso e mais resistente que o acetato de celulose à intempéries do tempo. acetato de celulose.

Incopol. É altamente cristalino com elevada resistência ao calor.5 .10 .24 GPa Módulo de elasticidade: 0.19 – 0. embalagens. Figura 12. ICI.015 % Densidade: 2.30 MPa Tenacidade a ruptura: 2. válvulas. mas apresentam baixa resistência mecânica.0 (1016 ohm.18 gf/cm3 Índice de refração: 1.1(106 F/m) Resistividade: 1. Dr. Uniflon.3 – 0. Aplicações: Vedações hidráulicas (herméticas para condensadores). extrusão. Cláudio R. outros.K Temperatura de transição vítrea: 293 . Fornecedor: Enro.3 MPa.60 MPa Tensão de ruptura por tração: 15 . Losekann Direitos autorais reservados 12.35 Flamabilidade: excelente Constante dielétrica: 2 – 2. gaxetas. transparente. Apresentam boa estabilidade química. Mauá. Propriedades mecânicas Ductilidade: 2.3 % Coeficiente de Poisson: 0. spray.295 K Temperatura máxima de serviço: 510 .25 W/m.20 (K) Propriedades físicas Absorção de água: 0. Du Pont. revestimento de pára-quedas. baixo coeficiente de atrito e excelentes propriedades dielétricas. Petropol.01 – 0.FLUOROPLÁSTICOS São polímeros termoplásticos com o elemento mais ativo flúor.K Dilatação térmica: 100 .00 – 10. Processos: injeção.47 Coeficiente de atrito: 0. Temperado a 3300 oC. transformadores isolados. apoio para pontes e tubulações. notação Izod) Limite elástico: 15 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. revestimento para panelas e ferros de passar.m1/2 Tensão de compressão: 30 .(CF2)n .150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.m) 146 .7 GPa Resistência ao impacto: 160 .05 – 0. tenaz e flexível.010 J/kg.40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. resistência a temperatura elevada.5 . torna-se amorfo. Hoechst.44 – 0.90 MPa Módulo de cisalhamento: 0. isolante elétrico. anti-aderente.3.1 – 2. Dois tipos são de maior uso: Politetrafluoretileno (PTFE) .O PTFE foi descoberto em 1938 por um químico da Du Pont e patenteado em 1941 sob a marca registrada de TEFLON.000 – 1.22 – Fórmula do teflon.180 (J/m.11 – 0.15 Dureza: 75 .530 K Temperatura mínima de serviço: 10 .

Polisulfona Como termoplásticos rígidos. soldas eletrônicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Exigem temperaturas da ordem de 350 a 400 oC para o processamento. Cláudio R. ataques de solventes e à inflamação.11 .FENÓLICOS Também conhecido como baquelite. Essa resina pura é moída a um pó fino. A resina inicialmente se geleifica e posteriormente se torna dura e infusível. podendo ser então removida do molde. terminais para lâmpadas fluorescentes. como carga de reforço. Dr.3. 12. A cura é desencadeada pela adição de hexametileno tetramina (C6H12N4). suas propriedades podem ser melhoradas ainda com carga de fibra de vidro. especialmente em cinzeiros e caixas de instrumentos.3. pigmentos e lubrificantes específicos de acordo com cada aplicação. Figura 2. 147 . Podem ser soldados por pulsos de calor ou por ultra-som. sua resina pura resulta da reação do formaldeído com o fenol e tem a fórmula estrutural como segue: Figura 12. Usa-se. usinagem. na qual se adicionam cargas. estabelecendo as reações transversais entre as moléculas.25 – Fenólicos. equipamentos elétricos e mecânicos. geralmente serragem. Losekann Direitos autorais reservados policlorotrifluoretileno (PCTFE) – É resistente à umidade. Aplicações: Condensadores eletrolíticos. com temperatura de trabalho até 130 oC.POLISULFONAS São produzidos através de uma série de reações entre o bisfenol A e a 4-4diclorodifenilsulfona. que nas condições de 160 oC de temperatura e 72 kgf/cm2 se decompõem em formaldeído e amônia.12 . 12. A moldagem se dá a 260 oC. fazendo com que o formaldeído gerado reaja com a resina. Processos: moldagem química. com a seguinte fórmula geral: Figura 12. intempéries.24 . outros. Este último funciona como catalisador. resistentes e dimensionalmente estáveis. papel ou tecido picado.23 – PCTFE.

4 – 0. Tem tido aplicações em recobrimento termicamente estáveis em conexões e tubulações industriais. Seu uso tem destaque nos utensílios domésticos e instrumentos cirúrgicos.38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 7 – 9 F/m Resistividade: 1.25 (J/m.50 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.POLIFENILÊNICOS São termoplásticos de base fenólica.K Dilatação térmica: 30 .24 – 1.13 – POLIALÔMEROS São variedades de poliolefinas que apresentam um comportamento intermediário ao polietileno de alta densidade e ao polipropileno.8 – 1.3 MPa.02 % Coeficiente de Poisson: 0.3. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.m) 12.5 GPa Módulo de elasticidade: 6 – 9.100 (1010 ohm.16 – 0. Há duas resinas que tem grande importância comercial.425 K Temperatura mínima de serviço: 180 .3 – 0. 12.70 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 .2 – 3. O polisulfeto de fenileno (PPS) que apresenta elevada resistência química e resistência mecânica à tração. notação Izod) Limite elástico: 40 . O polióxido de fenileno (PPO) que apresenta boa estabilidade dimensional e propriedades mecânicas e elétricas e notável estabilidade hidrolítica.110 MPa Módulo de cisalhamento: 2.14 . 148 . mas com melhor desempenho a temperaturas baixas. Usados em conexões hidráulicas.45 Coeficiente de atrito: 0.420 K Temperatura máxima de serviço: 415 .250 – 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.m1/2 Tensão de compressão: 50 . caixas para ferramentas com dobradiças integrais.5 Dureza: 60 .460 J/kg.K Temperatura de transição vítrea: 400 .200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.8 – 0.3.36 W/m.01 – 0. filmes e placas. Cláudio R.44 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.00 .5 GPa Resistência ao impacto: 24 . onde se utiliza vapor de água para esterilização.9 % Densidade: 1. Dr.50 MPa Tenacidade a ruptura: 0.

15 – 0. mas com melhor resistência ao calor e ao ar.K Temperatura de transição vítrea: 150 . resistência ao impacto e elevada resistência a abrasão. cobertas de proteção contra a abrasão e resistentes ao tempo.Aplicações: é utilizado em cápsulas de componentes eletrônicos. Losekann Direitos autorais reservados 12.70 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Pode ser usados como vernizes.1.K Dilatação térmica: 55 . NYLON 6 . ou seja. dobradiças.9 gf/cm3 Flamabilidade: boa Constante dielétrica: 44 . Resistem a ação do óleo. Processos: injeção. compostos deste tipo tem fórmula geral RSiO e são conhecidos como silicones. usinagem. Propriedades mecânicas Ductilidade:0.280 J/kg.015 – 0.3 W/m.3. quatro recebem grande importância: o náilon 66. Este efeito é obtido através da ligação ( ≡ Si – O – ). óleos lubrificantes. películas.4 Módulo de cisalhamento: 1 – 1. o náilon 610.15 .3 GPa Módulo de elasticidade: 3 . SILICONE RÍGIDO (SIL) . válvula de 149 . outros.((CH3)2 SiO)n .46 MPa Tenacidade a ruptura: 0.POLIAMIDAS (PA) – São termoplásticos desenvolvidos pela Du Pont e são mais conhecidos como náilons (Nylon). náilon 6 e náilon 11.025 % Coeficiente de Poisson: 0. engrenagens.1. mas são amolecidos por álcoois.Aplicações: Como reforço nas telhas plásticas de fibra.050 .(NH-(CH2)5CO)n .3.45 – 1. Apresentam elevada resistência à tração. glicóis e água. em buchas para fixação.SILICONES Há vários tipos de plásticos e elastômeros onde o mero não é o principal elemento de construção. Cláudio R. fazendo com que os compostos assim obtidos sejam similares aos carbonados.540 K Temperatura mínima de serviço: 90 . neste tipo de polímero o Si tem substituído o C.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.6 – 1.16 .00+21 .200 K Temperatura máxima de serviço: 510 .46 106 F/m Resistividade: 1. contração das palavras New York – London.46 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.m) 12. etc. Dentre os vários náilons encontrados no comércio.m1/2 Tensão de compressão: 40 .3 MPa.8 GPa Limite elástico: 27 . borrachas.150 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 .100 K Propriedades físicas Densidade: 1.37 – 0.00+22 (10-8 ohm. Dr. hidrocarbonetos e ésteres.

40 MPa Tenacidade a ruptura: 2.m) NYLON 66 .6 % Densidade: 1. Processos: injeção.39 – 0.26 W/m.16 .1.2 – 0. carenagens.8 GPa) Resistência ao impacto: 43 .15 gf/cm3 Índice de refração: 1.400 .6 – 3.420 K Temperatura Mínima de Serviço: 225 . Pepasa.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 – 42 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.5 MPa.53 (J/m. Quimpetrol.5 .Aplicações: tecidos.22 – 0.62 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .4 – 1.m1/2 Tensão de compressão: 58 .13 – 1. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. engrenagens. mancais.K Dilatação térmica: 95 .6 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0.6 – 0. termoformagem. outros.42 Coeficiente de atrito: 0.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.10 (1010 ohm.86 MPa 150 . extrusão. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Rhodia. Losekann Direitos autorais reservados regulagem de assento.(NH-(CH2)6-NH-CO(CH2)4CO)n .230 K Propriedades físicas Absorção de água: 1.38 – 0.3 Dureza: 100 .2 MPa. outros.53 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3. notação Izod) Limite elástico: 38 .58 – 0.3 Dureza: 140 .42 Coeficiente de atrito: 0. notação Izod) Limite elástico: 56 . Fornecedor: Bayer Polímeros.160 MPa Módulo de cisalhamento: 0.8 (106 F/m) Resistividade: 3.46 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2.m1/2 Tensão de Compressão: 40 .53 (J/m.2 – 0.8 GPa Resistência ao impacto: 32 .600 J/kg.330 K Temperatura Máxima de Serviço: 370 . extrusão. Du Pont.58 MPa Tenacidade a ruptura: 1. Processos: injeção.79 GPa Módulo de elasticidade: 2.K Temperatura de transição vítrea: 320 .2 – 2.120 MPa Módulo de cisalhamento: 0.38 – 0.3 – 2. Cláudio R. Dr. usinagem. usinagem.65 % Coeficiente de Poisson: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

6 % Densidade: 1.K Dilatação térmica: 95 .400 K Temperatura mínima de serviço: 220 .95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.95 GPa Resistência ao impacto: 50 .6 (1011 ohm.m1/2 Tensão de compressão: 51.58 MPa Tensão de ruptura por tração: 51.03 – 1.K Temperatura de transição vítrea: 330 .8 – 1.m) 151 . Dr.2 % Coeficiente de Poisson: 0.K Temperatura de transição vítrea: 360 .20 (1010 ohm.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.32 – 0.240 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.450 K Temperatura mínima de serviço: 235 .1 – 3.3 – 3.700 J/kg.5 MPa.2 – 0.51 MPa Tenacidade a ruptura: 1 – 1.350 K Temperatura máxima de serviço: 350 . notação Izod) Limite elástico: 49 .4 % Densidade: 1.25 W/m.6 (10-6 F/m) Resistividade: 6.05 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.31 .53 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.600 J/kg.15 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.(NH-(CH2)10CO)n Propriedades mecânicas Ductilidade: 3. Cláudio R.6 (106 F/m) Resistividade: 6.3 Dureza: 120 . Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.650 – 1..9 – 0.25 – 0.400 – 1.120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.29 W/m.31 – 12.38 – 0.365 K Temperatura máxima de serviço: 380 .2 – 0.m) NYLON 11 .3 – 0.90 (J/m.K Dilatação térmica: 80 .42 Coeficiente de atrito: 0.34 GPa Módulo de elasticidade: 0.13 – 1.

5 – 0.2 Dureza (MPa) 100 . chapas.85 3. ferramentas de cirurgia. extrusão. estofamento de automóveis.60 (PU) Ductilidade (%) 0.5 (MPa. Losekann Direitos autorais reservados 12.(OOC.2 0.120 Módulo de cisalhamento 1.9 (GPa) Resistência ao impacto 85 .3 200 . Cláudio R. outros.002 – 0.0 2. Resana. isolamento em refrigeradores industriais e domésticos.4 – 0.49 – 0.2 – 0.06 0. correias. usinagem.4 – 2.100 70 .3 – 0.60 0.3 – 2. isolamento térmico de roupas impermeáveis. outros. extrusão. equipamentos de laboratório.4 (GPa) Módulo de elasticidade 3.140 0. instrumentos para medições.4 45 . Fornecedor: Bayer.5 – 4.3. Processos: injeção.048 Coeficiente de Poisson 0.(C6H4-SO2-C6H4-O-C6H4-C(CH3)2-C6H4-O)n Aplicações: componentes elétricos. Fornecedor: Autotravi. isoladores.100 40 . moldagem química.25 – 0.51 0. outros. placas de circuitos impressos.9 45 .100 tração (MPa) 0. componentes de reatores nucleares. Taxa de reciclagem: 0.(CO-NH-R-NH-CO-O-R-O)n Aplicações: esquadrias.C6H4-COO-C6H10)n Aplicações: cubas. Poliester sulfona (PES) .3 – 0. Poly-urethane.43 Coeficiente de atrito 0. usinagem. Processos: injeção.2 – 0.04 – 0.9 82 .70 40 .m1/2) Tensão de compressão 80 .7 – 3.6 2.9 – 1. polias.8 – 1. filmes. em móveis.120 (MPa) Tensão de ruptura por 70 .498 0.18 – 0. Poliester rígido . Processos: injeção.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS Polieter-eter-cetona (PEEK) . Fornecedor: Ensinger.100 25 .240 0.0 90 . componentes médicos e agrícolas. assentos.4 50 .5 60 .38 – 0. tanques de esterilização. células de combustível.90 (J/m) Limite elástico (MPa) 55 . Petropol. outros.2 – 1. (PEEK) Propriedades mecânicas (PES) Poliester rígido 0. corpos de válvula.(O-C6H4-O-C6H4-CO-C6H4)n Aplicações: conectores elétricos.70 1. Taxa de reciclagem: 0.03 25 . impelidores.86 60 . dispositivos para quimioterapia.3 – 2. Processos: injeção. BASF.007 – 0. Dr.42 0. ventiladores. Brasppoly.60 Tenacidade a ruptura 2. revestimento de fios.1 – 0.3.045 – 0.08 0. Poliuretano flexível – PU . suportes para lâmpadas fotográficas. molduras. bolltrade.51 152 .8 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 – 7. revestimentos.15.38 – 0.45 0.

Dr.0 . ao 100 ser submetido a uma Comportamento frágil determinada tensão ou 80 força.700 53 .6.410 390 .0 .13 – 0.5 – 9.3 200 . Tensão de ruptura à tração (MPa) 153 .6 350 .31 (1014 ohm.0.455 160 .280 1.530 serviço (K) Temperatura mínima de 150 .2 – 0.2 .360 200 .3.165 0. o mesmo apresenta um campo de deformação 60 elástico bastante Comportamento dúctil diferenciado dos outros materiais.23 – 0.26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros.29 – 1.77 1.14 – 1.K) Dilatação térmica (10-6/K) Condutividade térmica 0.25 1.15 – 0.1. como característica principal.0.46 regular 4.m) (1011 ohm.170 serviço (K) Propriedades físicas 1.260 1.60 1.28 – 0.K) Temperatura de 530 .25 – 0.200 150 .240 – 1.1.3 1.5 – 3.5 .650 .200 – 1.3 – 1. ou seja.16 – 12.150 0.3 1.410 190 .480 450 .100 0.1 .5 – 5.30 3 Densidade (gf/cm ) 1.1000 10 (10 ohm.15 .3 F/m) Resistividade 1.4 .55 .1.02 .6 0.5 1.38 regular 3.m) 12.6 (1014 ohm. que. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico (J/kg. após 40 cessado a força ou tensão que a deformou. Figura 12.250 Absorção de água (%) 0.18 460 .6 muito ruim 3.ELASTÔMEROS Elastômeros são polímeros que tem.32 Índice de refração Flamabilidade regular 6 Constante dielétrica (10 3.500 1600 50 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.6 3.26 (W/m. o 20 Comportamento elástico material volta as suas dimensões nominais 0 0 6 12 18 24 30 verificadas antes dos Deformação (%) esforços.m) 0.58 0.250 340 . Cláudio R.m) 0.540 transição vítrea (GPa) Temperatura máxima de 520 .165 80 . a propriedade de exibir elasticidade.

).27 – Polisopreno. Os elastômeros têm sua origem do látex da seiva da seringueira (Hevea brasiliensis). um material termoestável como o polimetacrilato de metila apresenta um comportamento tão frágil que se assemelha com materiais cerâmicos. A borracha é elástica. planta da Amazônia que Charles Goodyear descobriu. que é um processo termoquímico por enxofre (2 a 4%) a temperatura em torno de 110 oC. Desta forma. os materiais poliméricos apresentam comportamento mecânico bastante variável. na sua quase totalidade (elastômeros). materiais termoplásticos parcialmente cristalinos apresentam comportamento dúcteis similares aos aços de baixo carbono e os elastômeros apresentam comportamento atípico.931) na Alemanha. por acaso em 1. A vulcanização. por exemplo. Além de aditivos e cargas. entretanto. e por volta de 1. os elastômeros são freqüentemente usados em máquinas e equipamento com objetivo de reduzir vibrações tanto acústica como mecânicas. mas as pesquisas em busca de borrachas sintéticas levaram a descoberta do neopreno (1. A borracha é produto da polimerização do isopreno.936) nos Estados Unidos da América e da Buna (1.839. que é objeto de estudo nesta seção. resistente à abrasão. ao deixar cair uma mistura de látex com enxofre sobre uma chapa quente de fogão. eletricidade e à água.880. Era a descoberta da vulcanização. Figura 12. propriedades elásticas deste material. 60. Cláudio R. geralmente. apresentando regime elástico de deformação. mas se altera na presença de luz. ingleses passaram a explorar a seringueira cultivando mudas da planta na Indonésia e em Filipinas. querosene. Losekann Direitos autorais reservados A figura acima mostra situações de comportamento de três polímeros à temperatura ambiente. cujo mero apresenta a fórmula abaixo. Dr. Todos relativos a ensaios de tração. Em virtude deste comportamento atípico à tração. Dois tipos levaram importância: o buna-S (copolímero de estireno-butadieno) ou SBR e o buna-N 154 . torna-a mais elástica e insolúvel. Os índios amazonenses já usavam o látex como elemento de vedação em canoas e em determinados jogos esportivos. calor e a muitos óleos e solventes (gasolina. serem ótimos isolantes elétricos. 90% de polisopreno além de polímeros do tipo elastômeros sintéticos. São muito poucos os produtos industrializados de borracha pura. as borrachas industriais podem conter 30. O uso de aceleradores de vulcanização e de antioxidantes ajudou a melhorar as propriedades da borracha natural. realizado em autoclaves. mas de comportamento frágil. um segundo apresenta regime elástico e plástico de deformação com comportamento dito dúctil e um terceiro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. além de. etc. Com a invenção do automóvel. onde um apresenta somente regime elástico de deformação.

21 MPa Módulo de cisalhamento: 0.1 – 0.3 – 0. artigos médicoshospitalares e peças para a indústria automotiva.21 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2. à eletricidade. calor e luz.21 MPa Tenacidade a ruptura: 0.28 – SBR.07 – 0. mangueiras.143 – 1. Processos: vulcanização. isolantes vibratórios. Estireno-butadieno – SBR (CH2-C(CH3)-C(CH3)-CH2)n Aplicações: Pneus.01 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 12 . injeção.393 K Temperatura mínima de serviço: 210 .215 K Temperatura máxima de serviço: 383 . resistência à água.002 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 210 .3 MPa.m) Copolímero de etileno propileno – EPDM . Propriedades mecânicas 155 .09 % Densidade: 0.94 (1013 ohm.6 Dureza: 12 .K Dilatação térmica: 660 . Processos: vulcanização. Propriedades mecânicas Ductilidade: 4. As borrachas sintéticas têm as mesmas propriedades das borrachas naturais quanto a vulcanização.5 – 5 % Coeficiente de Poisson: 0. Losekann Direitos autorais reservados (copolímero de butadieno-acrilonitrila).4 – 25.94 – 0.200 J/kg. Dr. mas apresentam melhor resistência a óleos. Os SBRs contêm cerca de 75% de butadieno e 25% de estireno e são as borrachas sintéticas mais comuns no mercado. Figura 12. outros.48 W/m.5 – 3 V/m Resistividade: 5. Cláudio R. bandas de recapagem. correias.215 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. solubilidade em solventes.000 – 2.496 Coeficiente de Atrito: 0. peças técnicas calandradas ou extrudadas.0033 GPa Módulo de elasticidade: 0.675 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.0007 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 14. outros. solados.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. injeção.2 MPa Tensão de ruptura por tração: 12 .48 – 0.01 – 7.(CH2-CH2-CH(CH3))n Aplicações: mancais.95 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.

filmes para revestimento.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.4 .14 – 0..5 – 0.K Temperatura de transição vítrea: Temperatura máxima de serviço: 320 .000 – 2.000 – 2.455 K Temperatura mínima de serviço: 206 .4 .01 GPa Módulo de elasticidade: 0.34 – 0.3 MPa. mouse pads. chapéus.3 V/m Resistividade: 1.04 Propriedades mecânicas Ductilidade:7.17 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.01 – 0.200 J/kg.K Dilatação térmica: 160 .590 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.(CH2)n-(CH2-CHR)n Aplicações: Brinquedos flexíveis. chinelos.EVA . viseiras.K Dilatação térmica: 550 .m) Copolímero de etileno acetato de vinil .190 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.3 – 0.6 Dureza: 3.7 % Coeficiente de Poisson: 0.4 .55 MPa Módulo de cisalhamento: 0.012 % Densidade: 0.m1/2 Tensão de compressão: 4.007 GPa Módulo de elasticidade: 0.10 (1016 ohm.17 MPa Tenacidade a ruptura: 0.4 W/m.02 – 0.49 Coeficiente de atrito: 0.200 J/kg.325 K Temperatura mínima de serviço: 150 .87 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante Dielétrica: 2.7 MPa.17 W/m.03 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 16 .86 – 0. Cláudio R.m1/2 Tensão de compressão: 20 . Processos: injeção.0007 – 0.1 – 0.47 – 0.2 .495 Coeficiente de atrito: 0.008 – 0.226 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. extrusão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.08 – 28.00 .48 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 198 . outros.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.3 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Ductilidade: 1 .021 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3. Taxa de reciclagem: 0.0002 – 0.30 MPa Tensão de ruptura por tração: 16 .3 – 7.02 – 0.223 K Temperatura máxima de serviço: 445 .83 Dureza: 40 .24 MPa Módulo de cisalhamento: 0.200 K 156 .7 % Coeficiente de Poisson: 0. Dr.

007 GPa Módulo de elasticidade: 0.0007 – 0.002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 23 .3 – 0.07 – 0.1 – 0.4 .6 Dureza: 3.6 .m1/2 Tensão de compressão: 23 .3 MPa.390 K Temperatura mínima de serviço: 220 .495 Coeficiente de atrito: 0.0004 – 0.5 – 3 V/m Resistividade: 1 .(CH2-C(CH3)-CH-CH2)n .14 W/m. Processos: injeção.25 MPa Módulo de cisalhamento: 0. outros.0006 GPa Módulo de elasticidade: 0. outros. Cláudio R.1 MPa.500 J/kg. instalações elétricas.6 Dureza: 23 .3 – 0.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0. injeção.48 – 0. Dr.1 – 0.93 – 0.002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3.4 .Aplicações: Roupas impermeáveis de mergulho.95 Resistividade: 31.Aplicações: pneus de carros.499 – 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 .K Temperatura de transição vítrea: 190 .0017 – 0. sapatos.5 % Coeficiente de Poisson: 0.800 – 2.230 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.05 – 0.450 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.4995 Coeficiente de atrito: 0. cintos.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.15 % Densidade: 0. fechos.0002 – 0.K Dilatação térmica: 150 .m1/2 157 .195 K Temperatura máxima de serviço: 370 .m) Policloroprene – NEOPRENE .08 – 0.9 – 2.945 – 0.100 (1012 ohm. Propriedades mecânicas Ductilidade: 5 – 5.2 % Densidade: 0.8 % Coeficiente de Poisson: 0.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.m) Isopreno . Processos: vulcanização.(CH2-CCl-CH2-CH2)n . instalações anti-vibração.10 (107 ohm.24 MPa Módulo de cisalhamento: 0.955 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2. tubos internos. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.25 MPa Tensão de ruptura por tração: 23 .94 gf/m3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.

K Dilatação térmica: 605 .7 – 8 V/m Resistividade: 1. fragilidade no sentido contrário às fibras e é susceptível ao ataque de predadores. empena e racha conforme variações de umidade e temperatura ambiente).23 – 1. o fato de ser relativamente leve e resistente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.00 .MADEIRA A madeira é um dos mais antigos materiais utilizados pelo homem que possui como vantagens.12 W/m.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.10000 (1011 ohm.1 – 0.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. apresentar uma estética agradável e possuir boas características isolantes.72 – 28.29 – Uso da floresta. Figura 12.230 K Temperatura Máxima de Serviço: 375 .K Temperatura de transição vítrea: 225 .385 K Temperatura Mínima de Serviço: 220 .25 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 6.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2. Dr. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 3.m) 12.200 J/kg. 158 . ser de fácil desdobro. dentre outras.2 % Densidade: 1. As principais desvantagens da madeira como material de fabricação é a instabilidade dimensional (a madeira incha.5 – POLÍMERO NATURAL .625 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.000 – 2.1 – 0.4 .

rica em desenhos. textura lisa e fina. - - - - forros. fácil de trabalhar. cabos de vassoura. móveis. baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins. pesada e dura. rosado ou acinzentado. instrumentos musicais. dureza média. Cláudio R. fácil de trabalhar. cheiro imperceptível e gosto amargo. rápido crescimento. baixa resistência a organismos xilófagos. laminado decorativo. compensado. peças torneadas. palha amarelado. cheiro pouco intenso. grã direita. Imbuia (Ocotea porosa) - - esquadrias e portas. Pinus (Pinus elliot) - amarelo claro. veios de manchas escuras. textura e brilho acetinados. peças torneadas. tenra e fácil de trabalhar. fácil desdobro. assoalhos. textura fina e uniforme. folhas decorativas. resistência mecânica média. média durabilidade. Losekann Direitos autorais reservados Atualmente o uso das madeiras naturais está bastante limitado em função da crescente conscientização ambiental. postes e dormentes. O quadro abaixo mostra alguns tipos de árvores utilizado na indústria moveleira. compacta e de poros fechados. entalhes e venezianas. madeira leve. massa específica e dureza elevadas. creme.000. a madeira proveniente das florestas nativas está sendo cada vez mais substituída por produtos de reflorestamento ou pelas chamadas madeiras transformadas. lustrosa e lisa ao tato. - Pinheiro (Araucarie angustifclia) - Pau-marfim (Baltourodendro riede. Cerejeira (Amburana cearensis) - - - móveis de luxo. textura fina e uniforme. retratilidade baixa. massa específica elevada. cheiro acentuado. Com o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável (a partir de 1987). Dr. 159 . porosa e macia. grã irregular. grã direita e irregular. veios avermelhados. decoração teatral. cabos de machado. pasta de celulose. construção civil. Aplicações aeromodelismo. ferramentas (cabo). metro para medição. baixa resistêcia. móveis. Propriedades leve e porosa. veios paralelos. boa durabilidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. resistente ao ataque de organismos xilófagos. palitos de fósforo e de sorvete. isolante térmico e sonoro.lianum) - branco-amarelado ou tom rosado. forração de refrigeradores. fácil de trabalhar. bóias e salva-vidas. aglomerado. e chegada das normas da série ISO 14. superfície lisa. cachimbos. gosto adocicado. construção civil. grã direita e fibra esponjosa. cor do pardo-claro amarelado ao pardo escuro. grão direita. Madeira Balsa (Ochromae pyramidale) Características branco. lasca facilmente. maquetes. construção de balsa e jangada. bengalas. instrumentos musicais. aroma suave. frágil e macia. artigos esportivos. marcenaria de luxo. bege amarelado ou bege rosado. pasta celulósica.

em ondas ou em lágrimas. Em tratamentos severos sob pressão. Cerne de cor variável. lambris. alburno diferenciado. móveis. mourões. Tem baixa durabilidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. pesada. Alta resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins de madeira seca. de baixa permeabilidade às soluções preservantes. vigas. Cláudio R. na construção civil.. quando recém-cortado. mourões. esquadrias. folhas faqueadas. ripas. fácil de trabalhar. persianas. - Mogno (Swietenia macro-phyfla) - castanho avermelhado. Aroeira do Sertão ou Urundeúva (Astronium urundeuva): construções externas. textura fina. degraus de escada. mourões. do pardo-claro-rosado ao pardo-escuro-rosado ou acastanhado. caibros. postes. como vigas. E em ensaios de laboratório. vagões. como vigamentos de pontes. dormentes. alto polimento. demonstrou ser de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. janelas e marcos. rodapés. peças torneadas. como dormentes. estacas. porém é bem permeável ao tratamento preservativo. em construção civil. média resistência mecânica. alburno nitidamente diferenciado. construções externas. peças torneadas e instrumentos musicais. tábuas e tacos para assoalhos. folhas decorativas e contraplacados. ripas. Dr. Cerne de cor castanho-amarelado quando recémpolido. cabos de ferramentas e outros. tacos para assoalhos. - boa durabilidade. peças torneadas. escurecendo para castanho-escuro-amarelado com exposição ao ar. como vigas. cheiro e gosto imperceptíveis. lambris. com aproximadamente 4. tendo seus vasos excessivamente obstruídos por tilos e óleo-resina e fibras de lume extremamente reduzido. alto brilho e grã direita. branco-amarelado. resistência adequada ao apodrecimento e ao ataque de cupins. no acabamento interno. - coronhas de armas de fogo. etc. consistência finíssima. etc. molduras. caibros. - Além destas. diferenciado do albumo de cor branco-rosado. escurecendo para castanho ou castanho-avermelhado-escuro. Cabriúva-parda (Myrocarpus frondosus): móveis. demonstrou ter permeabilidade extremamente baixa às soluções preservantes. embarcações. em construções externas. painéis. branco levemente rosado. divisórias. Cerne de cor bege-rosado ou castanho-claro. 160 • • . e outros. fácil de trabalhar. Canela . postes. dura e compacta. tacos e tábuas para assoalhos. pisos e utensílios de cozinha. esteios. É moderadamente permeável às soluções preservantes. grã ondulada. guarnições e forros. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. embalagens. dormentes. portas. veios em espiral. Losekann Direitos autorais reservados - pouco brilho. textura média e uniforme. cruzetas. carrocerias.Sassafrás (Ocotea pretiosa): fabricação de móveis.0 cm de largura. • • Angico (Peptadenia paniculata Betham): fabricaçãp de tabuados. em construção civil. folhas faqueadas decorativas para painéis. diversas outras espécies de madeiras naturais podem ser utilizadas para produtos diversos: • Angelim: acabamentos internos.

ripas. Jatobá (Hymenea stilbocarpa Hayne): utilizado na construção civil. forros. molduras para quadros. degraus de escadas. geralmente uniforme. esquadrias e peças torneadas. carteiras escolares. acabamentos internos. tacos e tábuas para assoalhos. construções externas. artigos de esporte. peças torneadas. desde o castanhoclaro rosado ao castanho avermelhado. móveis. vagões. implementos agrícolas. fôrmas para calcados. Ipê-Roxo ou Ipê-Una (Tabeuia impetiginosa): acabamentos internos. portões. portas. venezianas. molduras. uniforme. como vigas. Cerne pardo acastanhado ou pardo-hava-claro. móveis de luxo. guarnicões. com tonalidade mais ou menos intensa. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • • Candeia ou Cambará (Moquinia polymorpha): construções externas. cabos de ferramentas e implementos agrícolas. cordões. embalagens decorativas. mpermeável ou pouco permeável às soluções preservantes. Peroba Rosa (Aspidosperma polyneuron): utilizada em construcão civil. artigos de escritório. casco de embarcacões leves. tendendo para castanho-claro levemente rosado. lambris. pouco permeável a soluções preservantes. correspondendo às linhas vasculares envolvidas pelo parênquima axial. branco-cinza. alburno destacado. pontes. Cedro: indicada para partes internas de móveis finos. carrocerias e instrumentos musicais. bolas de bocha e boliche. cruzetas. construcão de vagões. etc. pisos e outros. até o castanho avermelhado. como tacos e tábuas para assoalhos e labris. lambris. às vezes com reflexos esverdeados. alburno nitidamente demarcado. marcos de portas e janelas. folhas faqueadas decorativas. obras de entalhe. Alburno espesso branco ligeiramente amarelado. Cerne variando de pardoacastanhado ou castanho escuro. cerne variável. venezianas. dormentes. etc. Cerne recém-polido apresenta-se amarelo-claro. instrumentos musicais. carrocerias. Dr. artigos de esportes. em construções esxternas. Alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. 161 . mais ou menos intenso. móveis pesados. como vigas. modelos de fundicão. Sucupira-parda ou Sucupira-preta (Bowdichia virgilioides): pode ser usada para folhas faqueadas decorativas. Resistente ao ataque de organismo xilófagos. cabos de vassouras. com numerosos e largos riscos mais claros. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cerne variando do bege-rosado-escuro ou castanho-claro-rosado. carpintaria em geral. em construcão naval como acabamentos internos decorativos. degraus de escada. construções externas (estruturas. ripas. carrocerias. cruzetas. Demostrou ser impermeável às soluções preservantes. folhas faqueadas. caibros. entalhes. rodapés. Resistência moderada ao ataque de organismos xilófagos. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. branco levemente amarelado.. e outros. tábuas e tacos para assoalhos. baixa permeabilidade às soluções preservantes. dormentes. caibros. rodapés. vagões. escurecendo para bege-claro com manchas amareladas. esquadrias. esquadrias. dormentes).

possibilidade de obtenção de chapas de grandes dimensões e maior estabilidade dimensional. etc.1 . (aglomerados). visando a correção das características negativas. armários. Entre as vantagens da utilização das madeiras transformadas destacamse: a homogeneidade de composição no caráter físico e mecânico. mas as medidas são consideradas padrões. É bastante indicado para a fabricação de móveis em geral. principalmente em situações de corte para exportação. são prensados. Os nomes de cortes podem variar de região para região. A madeira aglomerada são placas de madeira desfibradas e secas.30 – Cortes da madeira. aproveitamento integral do material lenhoso contido nas árvores. aparas. 162 . copas. peso específico. melhoria de propriedades como a retratilidade. As fibras são misturadas com resina de uréia-formaldeído.5..MADEIRAS TRANSFORMADAS As madeiras transformadas são fabricadas através da alteração da estrutura fibrosa orientada do material. na sequência. Dr. com espessura que varia de 9 a 30 mm.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. lascas. O MDF (Médium Density Fiberboard) é fabricado através de troncos selecionados que. cujas partículas são coladas entre si por meio de aglutinantes (à base de uréia e formol). após descascados. da reaglomeração de madeira reduzida a fragmentos. Cláudio R. Figura 12. etc. O produto final apresenta peso específico na ordem de 700 a 750 kg/m3. Os tipos mais comuns são através da reaglomeração de madeira reduzida a fibras (chapadura). embutidos. são fragmentados e desfibrados. da aglomeração por colagem de finas lâminas desdobradas (laminados compensados) e da aglomeração de fibras de madeiras de média densidade (MDF). cozinhas. Losekann Direitos autorais reservados 12. etc. resistências ao cisalhamento e ao fendilhamento. e são levadas por meio pneumático para uma máquina formadora. onde.

pode danificar-se em contato com líquidos ou com o calor. outros são mais aconselhados para usos em madeiras transformadas. envernizamento: os vernizes formam uma película protetora transparente. O verniz de nitrocelulose é o mais utilizado na indústria moveleira e seu acabamento pode ser incolor. madeiras e móveis. brilhante ou fosco. Inicia-se o preparo da madeira pelo lixamento. tais como: • manchas de óleo ou graxa: podem ser removidas com nafta ou benzina. boa flexibilidade. seguido pela remoção do pó (com escova fina) e aplicação de uma demão de selador. tetos.TRATAMENTO SUPERFICIAL Os tratamentos superficiais objetivam melhorar o aspecto do material utilizado e também protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca. 12. Completa-se a etapa de preparo da superfície com um novo lixamento. boa flexibilidade e resistência satisfatória para emprego em ambientes internos (é utilizado sobre uma demão de selador nitro). que estufará as células da madeira. Durante o preparo da superfície deve-se observar a presença de defeitos. da mais grossa à mais fina. 163 . para evitar arranhões. Em contrapartida à baixa resistência à luz e a um longo tempo de secagem. cimento de madeira. Seu principal uso são superfícies decorativas ou que não serão manuseadas. e • depressões: utiliza-se uma estopa de algodão molhada em água quente. Logo. maior brilho. antes da execução do trabalho propriamente dito.3 . resistência ao calor. boa aderência. Os mais comuns são goma-laca. é susceptível a manchas por contato com a pele e é pouco resistente ao calor. Dr. poliuretano e poliéster. • fendas e/ou furos: podem ser eliminados através de massa corrida acrílica (ou a óleo para madeiras). As lixas devem ser usadas gradualmente. Alguns tratamentos são mais específicos para determinadas espécies de madeiras naturais. apresenta grande durabilidade.5. Como qualidades apresenta um tempo curto de secagem. É indicado para cozinhas e banheiros e tanto pode ser usado como verniz de cobertura quanto como selador. nitrocelulose. Promove um acabamento liso e brilhante que. O verniz goma-laca é indicado para reparar móveis antigos ou harmonizar uma peça com outras já existentes em um ambiente.TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. • • polimento com cera: confere brilho e maciez. Losekann Direitos autorais reservados 12. aos álcoois e a abrasão. executado preferencialmente sempre no mesmo sentido.5. O verniz de poliuretano é usado em pisos. mas. é aconselhável um estudo completo das características da madeira e do tipo de tratamento superficial que se pretende aplicar.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. boa resistência física e química. tingido. a água. Cláudio R. betume ou resina.2 .

sobre as imperfeições. Losekann Direitos autorais reservados O verniz de poliéster forma uma película dura e transparente e apresenta uma elevada resistência química e física (atrito). limpa-se a peça novamente. Distribuir a massa corrida. Antes da pintura. • clareamento ou alvejamento: técnica para descolorir a madeira. passase uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. Com a evaporação da parte líquida. teca. do tipo poliéster e nitrocelulose). Dr. promovem um aumento na resistência ao choque.31 – Efeito pátina. Consiste basicamente em cobrir os veios naturais da madeira com tinta esmalte. Por isso. usa-se a lixa n0 180. 2. à base de água ou solvente. sobre o substrato. Após o lixamento. Esperar secar por quatro horas. mas escurecem a madeira). • óleos: a aplicação de óleos (linhaça. com a espátula. proporciona bom acabamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 164 . • laqueação: pintura aplicada com pistola. • esmalte poliuretano: essas tintas formam películas estruturalmente duras e resistentes química. Permitem acabamento de alto brilho ou fosco e possuem boa aderência em madeiras resinosas (que não são boas para vernizes. o corante deposita-se na camada superior da madeira. sendo o alvejante mais usado o peróxido de hidrogênio misturado com amônia. Os elementos pigmentados possuem as mesmas características dos vernizes. A operação consta dos seguintes passos: 1. de cima para baixo. limpá-la com o pano. Passar a lixa n0 60 sobre a peça até tirar todo o verniz e após. são indicados para o mobiliário de quartos de crianças e de cozinha. Figura 12. • tingimento: aplicação do tingidor. onde os veios da madeira ficam totalmente escondidos. peroba e cerejeira). sendo mais apropriados para madeiras escuras. Para retirar os excessos e nivelar a madeira. O tingimento pode ser translúcido (permite a apreciação dos veios da madeira) ou opaco (os pigmentos bloqueiam a visualização dos veios). Os óleos formam um filme resistente e fosco (não encobrem a textura. PVA ou emborrachado automativo e com uma estopa embebida em solvente dá-se o efeito de “manchado”. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. Com a ajuda do rolo. Seu principal uso é a correção de riscos superficiais. 3. física e mecanicamente. Cláudio R. São resistentes à água e. • pátina: é a denominação das texturas que apresentam efeitos de envelhecimento. com o uso contínuo. confere uma aparência lisa e espelhada na superfície.

Deve-se manter a mão firme. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. com o móvel completamente seco. Quando a superfície estiver bem lisa. melhores serão os resultados obtidos. Com o pano. Se ainda houver imperfeições. 165 . passa-se uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. no mesmo sentido. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. Finalmente. desde que estejam em bom estado. Com a ajuda do rolo. Figura 12. procede-se o acabamento. até que se retire completamente o verniz. enquanto a pátina usa duas cores de tinta. Figura 12. suavemente. 5. Logo após. Desliza-se a escova de aço. porque é a palha de aço que vai criar o efeito de “riscado” da pátina. deve-se repetir o procedimento com a massa corrida. limpa-se bem a peça. até que se retire completamente o verniz. passa-se uma segunda demão de tinta branca. riscando sempre no mesmo sentido. sendo preferível as tonalidades mais claras. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. melhores serão os resultados obtidos. formam-se relevos. Repete-se esse procedimento até três vezes. A operação consta dos seguintes passos: 1. Espera-se secar por mais duas horas e trabalha-se cada uma das outras partes. 6. Antes da pintura. satinê: ou pátina lavada. Porém. A figura mostra um móvel submetido a esse tipo de tratamento superficial. tirando os excessos da tinta. Losekann Direitos autorais reservados 4. aplicando-se duas demãos de verniz. 8. aplica-o sobre o móvel. A figura mostra o efeito de decapê em uma peça de madeira. 3. 7.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. • 2. Quando essa superfície recebe uma pátina. • decapê: consiste na aplicação de dióxido de titânio (pó branco). deixando o branco aparecer. Com o pano. Com a tinta ainda fresca. limpa-se bem a peça. mergulha-se bem o rolo (lavado) na tinta da cor escolhida e. e espera-se mais duas horas. Cláudio R.32 – Efeito decapê. ressaltando seus veios. de cima para baixo. no sentido dos veios da madeira. passa-se a palha de aço de uma só vez. bastante diluída.33 – Efeito satinê. As madeiras cerejeira e marfim são as ideais para esse processo. é usada para clarear a madeira. Quanto mais lisa estiver a madeira. o satinê é feito com apenas uma. sem retirar o excesso. Dr. Quanto mais lisa estiver a madeira.

etc. Dilui-se a tinta látex e com o rolo. deve-se diluir toda a anilina em 1 litro de álcool. raspa-se a tinta em locais onde o desgaste ocorreria naturalmente (cantos. Utilizando-se da espátula. A operação consta dos seguintes passos: 166 . para efetuar a manutenção do móvel. pois a madeira escurecida com anilina precisa estar bem seca antes de receber tinta branca. para evitar manchas. Usa-se a lixa n 180 para alisar a superfície.). • estonado: também conhecido por pátina provençal. Losekann Direitos autorais reservados 4. serve para madeiras escuras. 5. Para passar a tinta. fazendose movimentos circulares com um pouco de estopa até obter uma esfera do tamanho de uma bola de tênis. Esse procedimento deve ser repetido a cada seis meses. passa-se a lixa n0 320. 1. 8. deve-se ir direto para a etapa de diluição de tinta látex. 5. Para estonar madeiras claras. aplica-se a cera com uma nova bolinha de estopa (boneca). partes perto de puxadores. Para escurecer a madeira.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II 0 Prof. 6. pequenas depressões na madeira. deve-se primeiro escurecê-las. concentrando-se esse trabalho. Espera-se secar por duas horas. Deve-se deixar secar durante três horas. mas fácil será o desgaste. conforme ilustra a figura. que serve para disfarçar irregularidades da tinta ou da madeira. Com suavidade. A boneca é molhada na tinta e à seguir. passando nova demão de tinta e seguindo os mesmos passos descritos anteriormente. aplica-se três demãos. Deve-se passar quantas demãos se achar necessário. Essa aplicação deve ser feita de uma só vez. • estêncil: basicamente é a pintura com moldes. A espátula não permite um desgaste muito detalhado. nos pontos desgastados. 6. Se estiver trabalhando com madeira escura. A operação consta dos seguintes passos: Usa-se a lixa n0 180 para nivelar a superfície e tirar restos de verniz. Quanto mais tinta for aplicada. A tinta é preparada na seguinte proporção: seis partes de látex para quatro partes de água. mas o manejo é mais seguro do que a lâmina. 4. A principal característica é o contraste da tinta branca sobre um fundo escuro. Cláudio R. Finalizando. procede-se limpeza com pano. 7. Esse movimento deve ser feito de uma só vez e num único sentido. passada na peça a ser trabalhada. após. para que a madeira fique bem escura. Após fazer uma bolina com a estopa. Se a cor não estiver do agrado. ou aparecerão manchas. 2. pode-se clarear ainda mais. deve-se usar uma boneca sobre uma mesa. Dr. 3. num mesmo sentido e com firmeza. O móvel deve ser nivelado com a lixa n0 220. O tempo de secagem é de uma hora para cada demão. passe toda a solução preparada na peça. e passa-se a cera incolor com outra bolinha de estopa.

Dr. Pinta-se a superfície que servirá de fundo para o estêncil e aplica-se uma demão de tinta branca fosca. para remover o verniz e nivelar a superfície. água oxigenada e produtos de limpeza que contenham cloro. Figura 12. Sobre uma base de vidro. A cada nova cor utilizada. prensadas a alta temperatura. 5. Essas devem ser corrigidas com um pincel fino. Deve-se esperar em torno de seis horas. • fórmica: são placas rígidas compostas por camadas de papel e resina. 8. recorta-se o desenho do acetato com um estilete. deve-se esperar a primeira cor secar completamente antes de prosseguir. desenha-se o que se deseja reproduzir no estêncil e coloca-se o acetato sobre o papel fazendo-se assim o contorno da figura com a caneta de reprojetor. deixando o desenho nivelado. Para empregar outras tintas. fica-se “batendo” a tinta no desenho. deve-se cobrir com fita crepe as áreas vizinhas já prontas. 13. Cláudio R. Lixa-se toda a peça. pois esta pode escorrer ou se acumular nas bordas do molde. quando a tinta não completa todo o desenho. os espaços que não serão pintados. Limpa-se com o pano. até que se obtenha as nuances desejadas. 167 . limpa-se o acetato até que toda a tinta da caneta seja retirada. Deixa-se secar por seis horas. Isso disfarça eventuais imperfeições e relevos. 3. 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 7. Com o pano embebido de álcool. Com a esponja. com o rolo. Fixa-se o molde sobre o móvel com tinta crepe. 10. pinta-se o móvel com a primeira cor escolhida. Apresenta boa resistência química e mecânica. 12. Quando for realizado um desenho de várias cores. 11. deve-se lavar a máscara e cobrir. entre cada demão. Numa folha de papel. É importante que não se permita que a esponja fique com excesso de tinta. com fita crepe. aplica-se a massa a óleo em toda a peça. 9. 4. Usa-se uma régua para fazer as medidas necessárias. Pequenas falhas podem surgir. 6.34 – Efeito estêncil. Enegrecimento: aplicado na madeira de carvalho. Com a espátula. Molha-se a esponja na tinta e pressiona-a levemente sobre o desenho. O tempo de secagem é de seis horas. permite o escurecimento através da exposição à vapores de amoníaco. Espera-se secar. Sua superfície pode ser manchada por produtos químicos. Losekann Direitos autorais reservados 1. Usando o pincel chato. como soda cáustica.

tanto na forma de blocos e telhas. ladrilhos. Losekann Direitos autorais reservados 13 – CERÂMICOS 13.C. os materiais cerâmicos também estão entre os mais antigos. que são utilizados em recipientes. • Vidros. Para uso na construção. • Cerâmica branca . tais como azulejos. Atualmente os materiais cerâmicos estão cada vez mais presentes no cotidiano e suas aplicações são as mais diversas. para transmissão e distribuição. A grande variedade de materiais que se enquadra nesta classificação inclui cerâmicos que são compostos por minerais argilosos. 2) Cerâmica avançada • Isoladores elétricos. e cerâmicas técnicas como piezo elétrico.1 – INTRODUÇÃO O termo “cerâmica” vem da palavra grega keramikos. fabricação de vidros e dos próprios revestimentos cerâmicos. • Revestimentos cerâmicos . telas de tv e fibra de vidro.Louças sanitárias e domésticas.000 a. A fabricação de revestimentos para a construção civil. • Cerâmicas duras que podem ser matérias primas de motores a combustão interna e de turbina. muito utilizados na siderurgia. placas ou ladrilhos para piso e pastilhas.Compreendem a produção de materiais usados na construção civil para revestimento de paredes. • Materiais refratários e isolantes térmicos. quanto na de placas de revestimento. as possibilidades de emprego de materiais cerâmicos ampliaram-se muito. na forma de potes para o armazenamento de grãos. Os cerâmicos podem ser classificados nas seguintes categorias: 1) Cerâmica convencional • Cerâmica vermelha – Abrange as telhas e manilhas até objetos artesanais. para fins diversos. é apenas uma das diversas atividades que têm como finalidade a produção de materiais cerâmicos. Atualmente. janelas. em chapas de blindagem. lentes. • Semicondutores e imãs. Os cerâmicos são compostos entre os elementos metálicos e nãometálicos para os quais as ligações interatômicas ou são totalmente iônicas ou são predominantemente iônica com alguma natureza covalente.). cimento e vidro. pastilhas e placas. Dr. que significa “matéria-prima queimada”. dando a entender que as propriedades finais desejáveis desses materiais são normalmente atingidas através de um processo de tratamento térmico a alta temperatura.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nitretos e carbonetos. indo de utensílios domésticos como potes a utensílios industriais como a fibra ótica. Eles são freqüentemente óxidos. Cláudio R. 168 . tais como azulejos. pisos e bancadas. Os primeiros vestígios da utilização da cerâmica datam do início do Neolítico (entre 10.000 e 6. em embalagens de componentes eletrônicos e como ferramentas de corte.

misturados em diferentes proporções. cerâmicas piezo elétricas. as fibras óticas contêm basicamente SiO2 e B2O3. caulim. usa-se muito argila. silimanita. a resistência ao choque térmico. Entretanto. cada vez mais a cerâmica vem substituindo peças de metais nos mais variados equipamentos. Desta forma. caulim. materiais magnéticos. a condutividade térmica. Para cerâmicas de uso especial e com processamento de alta tecnologia. a matéria prima é cuidadosamente selecionada e a composição destes no produto dependerá da sua aplicação e das propriedades desejadas. como telas de televisão. após queima em altas temperaturas. etc nas proporções adequadas. diásporo. bário. por exemplo. fibra ótica. Figura 13. materiais biocompatíveis. lentes. corindon. Tanto nos materiais cerâmicos quanto outros materiais é preciso estabelecer o fim que o produto vai ter para que se possa escolher de forma precisa a matéria prima. chamadas de cerâmicas avançadas. Dr. 169 . bauxita. as matérias primas utilizadas podem ser a argila refratária. quartzito. material sanitário. Isso permite que os produtos de cerâmica sejam usados tanto para louça doméstica quanto para construção (material refratário de altosfornos. cuja estrutura. A Ciência dos Materiais tem desenvolvido materiais alternativos dos materiais tradicionais. resistência à tração e à compressão e a dureza. Se for necessária a fabricação de um material refratário. cerâmicas supercondutoras. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais cerâmicos são materiais inorgânicos. A cristalização confere aos materiais cerâmicos propriedades físicas como a refratariedade. a exemplo das superligas a base de níquel. pisos e revestimentos ou material de laboratório para a indústria química. Cláudio R.1 – Peças de cerâmica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com notáveis resistências mecânica e à oxidação em altas temperaturas. Para a fabricação de cerâmica convencional como louça doméstica. a resistência ao ataque de produtos químicos. quartzo e feldspato. cianita. pastilhas de corte. ferramentas de corte em máquinas-ferramentas). usada em turbinas de aviões. muitos materiais cerâmicos ainda têm suas aplicações limitadas devido a sua fragilidade. Atualmente existe alguns de tipos de fibras óticas com composição mais intrínseca como o ZBLAN a base de zircônio. apresenta-se totalmente ou parcialmente cristalizados.

por exemplo. filitas. materiais para ferramentas de corte.O termo argila se usa em linguagem comum num sentido muito amplo com o fim de simplificar definições muito complexas. em geral. 13. caolim. O engobe é uma composição intermediária da massa cerâmica e do esmalte que tem como finalidade facilitar a aderência entre os dois. etc) com outros que não 170 . O esmalte é composto de vários óxidos na forma de pós que. Dr. Cláudio R. alumínio e sódio. não tratado previamente.2. esmalte e engobe. itérbio e tório. a zircônia ou carbeto de silício.1. após a queima. As propriedades óticas têm maior importância neste campo. cloritas. A massa cerâmica é a que se apresenta geralmente em maior quantidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. todos com propriedades mecânicas de elevada dureza e resistência a abrasão para produzir. mas o objeto deste estudo é apenas para dar uma visão geral de ambos os casos. índio. Quando se trata de pastilha de corte. As matérias primas utilizadas na preparação de massas cerâmicas geralmente não são substâncias puras.1 – Massa cerâmica As massas cerâmicas são misturas equilibradas de matérias primas plásticas e não plásticas.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL 13. 13. a matéria prima poderá ter composição bem distinta do último como o nitreto cúbico de boro. Losekann Direitos autorais reservados lantânio. que cumprem uma série de exigências que as fazem útil e rentáveis para fabricação de produtos cerâmicos convencionais. ou seja. bentonita. Argilas . que o caso de alguns tipos de vasos de flores e tijolos vermelhos.1 – CERÂMICA VERMELHA Podem-se apresentar três composições básicas que são: massa cerâmica. a alumina. O esmalte é a composição vítrea que geralmente recobre a massa cerâmica conferindo um ótimo aspecto visual e impermeabilizante da massa. A massa cerâmica pode ser esmaltada ou não. Os produtos cerâmicos são obtidos pela composição destes ou não e sinterizados (queimados). o HZBLAN com háfnio e o BIZYT a base de bário. formado por uma mistura de minerais argilosos (caolinita. tijolos isolantes térmicos). entendese como argila um produto natural. Matérias primas plásticas As matérias primas plásticas são: argila. zinco. vitrifica-se. onde pode ser de baixa porosidade (piso) ou de elevada porosidade (revestimento.2. Tanto a cerâmica convencional quanto a cerâmica avançada tem atingido grau de desenvolvimento na produção que poderia ser descrito cursos especiais para cada caso. A qualidade e defeito de um produto cerâmico depende muito do conhecimento das matérias primas de cada componente bem como das condições físico-químicas do processamento.

MgO. feldspatos óxidos e etc.2SiO2. de baixa plasticidade e elevada refratariedade. Pode apresentar elevado conteúdo de sílica com granulometria grosseira além de apresentar outros minerais como illita e montmorillonita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Fe2O3. CaO.3Al2O3.4SiO2.H2O K2O. 171 . restante. K2O.2H2O montmorilonita (bentonita) 3MgO.). carbonato. Losekann Direitos autorais reservados são argilosos como (quartzo. Os principais óxidos do caolim são: SiO2 (54%). da mesma forma. Matérias primas não plásticas As matérias primas não plásticas são: quartzo.4SiO2. filitas C Grupo de clorita clorita haloisita caolinita diquita nacritra montmorilonita talco pirofilita filitas clorita Al2O3. 6SiO2 H2O clorita Caolim – O caolim é uma argila contendo elevado índice de caolinita. Os minerais argilosos se dividem em 3 grupos conforme a tabela abaixo: A Grupo caolinita Hidratados haloisita caolinita Não hidratados diquita nacritra B Grupo da mica Hidratados montmorilonita Não hidratados talco pirofilita Parcialmente hidrat. é a forma cristalina. melhorando de forma significativa a plasticidade com a adição deste na massa cerâmica.2SiO2. Desta forma. que absorve água com facilidade. É extremamente plástica.H2O Al2O3. dilatando sua estrutura até 4 ou 5 vezes seu volume a seco. denominará argila calcárea e.2H2O + 2H2O Al2O3. Na2O. Al2O3 (33%). carbonatos. TiO2. Dr. em uma argila onde há predominância de cal. Quartzo – O quartzo é a forma predominante da sílica (SiO2) – Sílica contém 98% de SiO2 – ou seja. As argilas utilizadas para fabricação de pisos e revestimentos geralmente tem em torno de 20% de sílica. quando se tem o objetivo de diminuir a plasticidade da mesma. feldspato. As propriedades de cada argila estão de acordo com suas composições. Cláudio R. Utiliza-se como carga na massa cerâmica. talco. Bentonita – O principal mineral argiloso da bentonita é a montmorilonita. para a argila caolinítica.

Al2O3. Fe2O3.5 O ponto de fusão dos feldspato oscila entre 1.2. Losekann Direitos autorais reservados Feldspato – São minerais ígneos encontrados em rochas primárias em que aparecem junto com o quartzo e a mica. MgO (32%) e restante de Al2O3. Os vidros são substâncias amorfas formadas por fusão e posteriormente esfriamento de silicatos desorientados.70/2. que se apresentam em quantidades iguais.2 – Esmaltes Em muitos produtos cerâmicos a massa é recoberta por uma película vítrea que também é denominado como vidrado que tem como função recobrir recobrir o material com uma camada uniforme e impermeável.41 Dureza (Mohs0 6 6/6.64 2. Se trata de vidros que tem diferentes composições de óxidos inclusive metais como ouro e prata (revestimentos de encomenda especial).5 >6 6. Cláudio R.4Al2O3 9SiO2 Densidade aparente (g/cm3) 2.3Na2O.76 3.110 a 1. Dr.6SiO2 CaO.6SiO2 Na2O.37 2. Adicionando-se talco na massa cerâmica aumenta-se a resistência a ácidos e reduz a expansão por umidade.56 2.Al2O3.Al2O3. Pode ter formas cristalinas ou não em sua composição.Al2O3.Al2O3. Mineral Fórmula molecular Carbonato CaCO3 cálcico Dolomita CaO MgO.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os cristais são estruturas com orientação. Trata-se de aluminosilicatos de metais alcalinos e alcalinos térreos.1. 13. na qual os elementos químicos constituintes estão arranjados de forma ordenada e 172 .8SiO2 K2O. massa branca para revestimentos. Os principais óxidos que podem estar contidos no talco são: SiO2 (60%). CaO. realizando também funções de estética e decorativas. O quadro abaixo mostra fórmulas moleculares teóricas de alguns tipos de feldspato mais comuns (minerais puros). Estas temperaturas relativamente baixas são devido a presença dos metais alcalinos e alcalinos térreos.2CO2 Talco – O talco é um silicato de magnésio. Mineral Ortosa Albita Anortita Celsiana Petalita Nefelina Fórmula molecular K2O.2SiO2 BaO. por exemplo. aluminosilicato de sódio. Carbonato cálcico e dolomita – Se utilizam em massas cerâmicas de produtos porosos em que é difícil introduzir argilas calcares como. por exemplo.5 6/6.2SiO2 Li2O. A dolomita pode ser considerada como um carbonato duplo de cálcio e magnésio.530 oC. e etc. podendo apresentar-se associado com impurezas como o ferro e cálcio e outros metais alcalinos. Na2O.61/2. aluminosilicato de cálcio. quando há dificuldade de se encontrar argilas de queima branca e alto conteúdo de carbonatos.

quartzo e silicato de zircônio). Portanto.1. a camada vítrea que cobre a massa cerâmica tem na realidade a estrutura de um líquido subresfriado que pode conter partículas cristalinas em suspensão. . 173 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.) e aditivos (modificadores de propriedades reológicas). . . De acordo com o descrito. Losekann Direitos autorais reservados repetitiva nas três dimensões.Capacidade de formar uma mistura que pode se dar por fusão um vidro homogêneo a uma dada temperatura. Há uma série de fatores determinantes da composição do esmalte que tem de se levar em conta na hora da escolha da matéria prima que são: . feldspato. textura. calcinação. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. extrusão. misturadas de forma homogênea Moagem: o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos Umidificação: o acréscimo de água para formar a massa cerâmica Conformação: onde as peças são produzidas por vários métodos: colagem. prensagem ou injeção. Regular a adaptação entre o esmalte e a massa cerâmica. etc.3 – Engobe A função do engobe é diferente do esmalte e também as suas propriedades. caolim. esmalte = vidro + cristais.2. Isolar da superfície da massa cerâmica a ação de partículas contaminantes e proporcionar uma superfície branca sobre a qual se aplicara o esmalte. oxidação e formação de silicatos. Dr. Secagem: pode ser natural ou artificial. ou seja. 13. atuando sobre seus coeficientes de dilatação térmica ou sobre sua refratariedade. elementos de carga (argila. um engobe deverá: Cobrir e homogeneizar a superfície da massa. Ter opacidade adequada.A composição do esmalte deve estar de acordo com as propriedades desejadas. Em geral. a composição de um esmalte estará composta por fundentes (fritas) modificadores de propriedades (propriedades óticas.Interação adequada com a massa cerâmica. formando um conjunto de células unitárias. Zr2O3). os engobes têm composições sensíveis formadas por um fundente (PbO. Em geral.Os coeficientes de dilatação térmica da massa cerâmica e esmalte devem ser compatíveis a fim de evitar defeitos devido a forças de tração e de compressão entre ambos. na qual grande parte da água livre é evaporada Queima: a temperatura é definida em função da composição química da mistura e na qual o aumento de temperatura causa as seguintes reações: desidratação.

compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa. Figura 13.000 °C. com matériasprimas com certo grau de impurezas.2. • utensílios domésticos e adornos. em temperaturas superiores a 1. 13. Com o advento dos vidrados opacificados. Losekann Direitos autorais reservados Figura 13. A preparação de um 174 . O calor é muito importante para que o produto cerâmico tenha garantidas as propriedades que o caracterizam. caracterizada pela cor branca ou clara de queima de sua massa básica. • cerâmica artística (decorativa e utilitária). sem prejuízo das características para uma dada aplicação. Dr. Cláudio R.2 – CERÂMICA BRANCA Este grupo é bastante diversificado. necessária por razões estéticas e técnicas. É mais adequado subdividir este grupo em: • louça sanitária.3 . muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados. responsáveis pela coloração. A cerâmica branca é um segmento da cerâmica tradicional (ou de silicatos) bastante abrangente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 – Produção de cerâmica. • louça de mesa.Louça sanitária.

para satisfazer a uma dada composição química prefixada para massa e finalmente para o corpo cerâmico. considerando os coeficientes de dilatação térmica da massa e do vidrado. Conformação: os minerais à base de argila. água). porém variar dentro de faixas de acordo com a composição química desses materiais. Os caolins. Esse líquido é removido em um processo de secagem. ou idealmente. quartzo e feldspato. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. A massa da cerâmica branca é composta. a densidade e a resistência são melhoradas com a secagem e a queima. Além do mais. a faixa usual de queima para material sanitário compreende 1230 ºC a 1280 ºC. Esse processo é seguido por um peneiramento ou uma classificação por granulometria que produz um produto pulverizado que possui uma faixa desejada de tamanho de partículas. Umidificação: os materiais pulverizados devem ser completamente misturados com água e. misturadas de forma homogênea Moagem: para que se reduza o tamanho das partículas da matéria-prima da argila é necessário que se faça um procedimento de moagem ou trituração. materiais com a função física durante o processo de conformação das peças (agentes de ligação. preparação. por uma mistura de argila plástica. geralmente. e acabamento.o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos. secagem. Essa massa é geralmente total ou parcialmente vitrificada e apresenta uma certa coloração escura indesejável. com cor escura a temperatura usual de queima é a 1450 ºC. Secagem: uma peça cerâmica que tenha sido moldada retém uma porosidade significativa e também possui uma resistência que é insuficiente para a maioria das aplicações práticas. quartzo e feldspato. e podem ser moldados sem que ocorram trincas. para cerâmica branca. prensagem ou injeção. entretanto. talvez. ela pode conter ainda algum líquido (por exemplo. de maneira geral. se tornam altamente plásticos e flexíveis. composição e homogeneização da massa cerâmica. requerendo que seja coberta por um vidrado contendo um pigmento e com opacificantes (ZrSiO4). queima. A consistência (razão água-argila) da massa hidroplástica deve dar um limite de resistência suficiente para permitir que uma peça conformada mantenha a sua forma durante o manuseio e a secagem. Esses componentes podem ser agrupados em materiais plásticos e não-plásticos. Cláudio R. que foi adicionado para auxiliar na operação de conformação. queimam com cores claras a 1250 ºC. na proporção de 25% para cada componente. 175 . caolim. As matérias primas devem apresentar. podendo. Em geral. quando misturados com água. suspensão e plasticidade). Os processos podem ser: colagem. outros ingredientes para dar as características de escoamento que são compatíveis com a técnica particular de moldagem. fundentes e inertes). extrusão. Quando ricos em ferro. e função química no processo de queima (elementos estabilizadores. Não há uma única massa-padrão com características que satisfaçam aos requisitos de todos os diferentes produtos da cerâmica branca. isolada ou conjuntamente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. formação dos corpos cerâmicos. traduzidos por três matérias primas: argila. Dr. eles possuem limites de escoamento extremamente baixos. Losekann Direitos autorais reservados produto cerâmico desta classe abrange. as seguintes etapas: seleção das matérias primas. manganês ou titânio.

O grau de vitrificação depende da temperatura e do tempo de queima. A temperatura na qual a fase líquida se forma é reduzida pela adição de agentes fundentes. Por outro lado. 13. entre 900 °C e 1400 °C. Cláudio R. Uma dessas reações é a vitrificação. Tijolos. ocorrem algumas reações consideravelmente complexas. Dessa forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. Esse processo 176 . tubos. a formação gradual de um vidro líquido que flui para dentro e preenche parte do volume dos poros.4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos. a barbotina (mistura líquida de argilas) é derramada dentro de um molde poroso (em geral de gesso). bem como da composição química da peça. e são relativamente porosos. Um outro processo de modelação usado para composições à base de argila é a moldagem por suspensão.Processamento A técnica de conformação hidroplástica mais comum é a extrusão. ocorre em temperaturas muito mais altas. A temperatura de queima depende da composição e das propriedades desejadas para a peça acabada. Normalmente. As técnicas de secagem e queima são críticas no sentido de que defeitos como contração de volume de forma irregular torna a peça inútil. a água da suspensão é absorvida no interior do molde. Figura 13. uma contração de volume também acompanha esse processo. As colunas ocas no interior da peça extrudada (por exemplo. Os tijolos de construção são queimados normalmente a uma temperatura de aproximadamente 900 °C. Durante a operação de queima. blocos cerâmicos e azulejos são todos geralmente fabricados utilizando uma técnica de conformação hidroplástica. Quando materiais à base de argila são aquecidos a temperaturas mais elevadas. deixando para trás uma camada sobre a parede do molde. mas que não tenha sido queimada é conhecido por cru. As seguintes reações ocorrem através da queima: desidratação.2. Losekann Direitos autorais reservados Queima: uma peça que tenha sido conformado e que esteja seco. como o feldspato. ela é semelhante à extrusão de metais. calcinação. variando. essa fase fundida forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. o tijolo de construção) são formadas pela introdução de inserções colocadas dentro do molde. oxidação e formação de silicatos. a densidade e a resistência mecânica devido à diminuição da porosidade. a queima de uma porcelana altamente vitrificada. Dr. cuja espessura irá depender do tempo. onde uma massa cerâmica plástica rígida é forçada através de um orifício de uma matriz que possui a geometria de seção reta desejada. A temperatura é definida em função da composição química da mistura. Com o resfriamento. Essa fase fluída escoa ao redor das partículas não fundidas que permanecem no meio e preenche os poros. que está no limiar de ser oticamente translúcida. geralmente.1 . para melhorar a densidade da peça.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a cerâmica plástica é forçada através de uma matriz por meio de uma rosca sem fim acionada por um motor.2. como resultado de forças de tensão superficial. Neste processo. e o ar é freqüentemente removido em uma câmara a vácuo.

é usado como material de molde. Produtos: lâmpada de descarga elétrica de vapor de sódio. Produtos: suportes de catalisadores. absorção de calor. Propriedades: condutividade térmica. tais como tubos cerâmicos. 4) Alumina. catálise. A natureza da suspensão é extremamente importante. isolação térmica. relativamente fácil de ser fabricado em formas intrincadas e reutilizáveis. bem como de outros agentes que são adicionados. condução de luz. As propriedades do molde também influenciam a qualidade da modelação. Cláudio R. Propriedades: condensação ótica. ossos. Losekann Direitos autorais reservados pode ser continuado até que a totalidade da cavidade do molde se torne resistente mecanicamente. titanato de bário. ela precisa possuir uma gravidade específica alta. termistores. Aplicação: cerâmicas elétricas e magnéticas. Propriedades: capacidade de adsorsão. sensores de gases. semicondutores. polarizadores. 5) Alumina. ímãs. e ainda assim precisa ser muito fluida. Essas características dependem da razão sólido-água. eletrólitos sólidos. Aplicação: cerâmicas óticas. Os pós são produzidos através da atomização ou pulverização de barbotina em contra corrente a um fluxo de ar aquecido e que circula em uma torre. sinterizadas em condições rigidamente controladas a fim de apresentarem propriedades superiores. geradores de faísca. memórias óticas. normalmente sintéticas e conformadas por processos especiais. 2) Alumina. Aplicação: cerâmicas biológicas. piezoeletricidade. Propriedades: biocompatibilidade Produtos: implantes para substituir dentes. Aplicação: cerâmicas químicas e eletroquímicas. vidro de sílica. zircônia. A prensagem “a seco” é um outro importante método de conformação de produtos cerâmicos e é realizado através da prensagem de pós da matéria prima. resistência a corrosão. varistores. refratários. Produtos: radiadores de infravermelho. A maioria dos moldes é composta por peças múltiplas. 3) Alumina. objetos de arte e peças de laboratórios científicos. fluorescência. Abaixo está alguns exemplos de cerâmicas avançadas para perceber a abrangência desses materiais: 1) Óxido de ferro. Propriedades: magnetismo. Dr. isolantes térmicos. 13. que é econômico. semi-condutividade. As formas cerâmicas consideravelmente complexas que podem ser produzidas por este método incluem louças sanitárias. refratariedade. carbonato de bário e de estrôncio. dieletricidade. Aplicação: cerâmicas térmicas.3 – CERÂMICA AVANÇADA Pode-se dizer que esta expressão define produtos cerâmicos manufaturados a partir de matérias primas puras. Após a conformação a peça entra num sistema contínuo de secagem e queima. 177 . que posteriormente e transportado para matrizes de prensagem. que devem ser montadas antes da queima. juntas. No final do percurso encontra-se o pó de cerâmica (matéria prima plástica). translucidez. Produtos: capacitores. cabos óticos. Normalmente o gesso-de-paris.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. zircônia.

baixa expansão térmica. 178 . carbeto de silício. rebolos. os grãos abrasivos podem ser unidos por meio de um material aglomerante na forma de uma liga cerâmica. O diamante. o carboneto de silício (SiC). A presença de impurezas piora suas propriedades. alta resistência ao choque térmico. quanto mais fino for o grão do abrasivo.300 oC. esferas e cilindros para moagem. alumina. alumina. que são depois moídos em grãos com arestas ou cantos agudos. Os abrasivos da qual são fabricadas podem ser usados sob a forma de pós. Losekann Direitos autorais reservados 6) Zircônia. Os abrasivos sintéticos também são de origem cerâmica. pás de turbinas para altas velocidades. por sua vez. 7) Carbeto de boro.200 oC e 2. seja ele natural ou sintético Para formar ferramentas do tipo rebolo abrasivo. com velocidades de corte maiores. com até 95% de óxido de alumínio. carbeto de boro. barras e placas de diferentes formas e dimensões. O corindon. Propriedades: alta resistência mecânica e à abrasão. nitreto de silício. matrizes e gabaritos. O rebolo é usada na retificação cilíndrica em superfície plana e paralela. Produto: ferramentas de corte. por outro lado. é o mais duro dos abrasivos naturais. essas ferramentas podem cortar durante mais tempo. desde os mais macios até os mais duros. acendedores para caldeiras. O carbeto de boro com até 95% de carbeto de boro cristalino. bicos de maçaricos. Cláudio R. capacidade de lubrificação. revestimento de reatores. na eliminação de rebarbas e na afiação de ferramentas. Dr. às altas temperaturas e à radiação. geralmente chamado de carborundum e formado por uma combinação química de silício com carbono obtida a temperaturas entre 2. obtido por fusão elétrica a partir da alumina pura. é o abrasivo natural mais utilizado. mais fino e polido será o acabamento obtido. anéis de vedação de bombas d’água. O uso dos diamantes artificiais também é cada vez mais comum para o mesmo tipo de aplicação. zircônia Aplicação: cerâmicas abrasivas e termomecânicas. O tamanho de cada grão determina a classificação da capacidade de corte do abrasivo. o atrito do abrasivo com a peça retira quantidades variadas de material. elevado ponto de fusão. Esses abrasivos são usados principalmente para afiar ferramentas de corte ou polir e dar acabamento final a estampos. Essas ferramentas tem alta resistência ao desgaste e a deformação em temperaturas altas. rotores. Produtos: Materiais para blindagem. uma resina ou um metal. grãos soltos. Outras ferramentas de corte possuem pontas feitas com óxido de alumínio que podem ser unidas por meio de um processo de prensagem a frio seguido de sinterização ou por uma única operação de prensagem a quente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.As ferramentas de corte feitas de materiais abrasivos são usadas para trabalhar todos os materiais e metais. Por isso. Aplicação: cerâmicas nucleares. dependendo do resultado que se quer obter. Nas operações executadas com o auxílio desses materiais. São eles: o eletrocorindon (normal e branco). Cerâmicas abrasivas . Todos os abrasivos sintéticos são processados a quente e saem do forno em forma de pedaços maciços. São esses cantos que dão ao material abrasivo sua capacidade de cortar outros materiais. elevada condutividade térmica. sendo usado para afiar ferramentas desgastadas. refratariedade. é um óxido de alumínio (Al2O3) com 90% de pureza. Propriedades: resistência a corrosão. Grãos mais grossos retiram mais material.

desde cedo os fabricantes de lâmpadas pesquisaram a possibilidade de aplicação do tungstênio na fabricação dos filamentos. ferro fundido cinzento. Assim. como fase dispersante. As fases constituintes podem ser quimicamente dissimilares e são separados por uma interface distinta. " como diamante". principalmente para a usinagem em alta velocidade de aços carbono. superligas de ferro fundido especial e aços de alta resistência. A dificuldade de fusão do tungstênio. foram cedidos a Krupp para o estudo da aplicação do carboneto de tungstênio na usinagem de metais. 6% de carbono e 13% de cobalto.387 oC. O tungstênio é obtido em estado extremamente puro e dividido em partículas. São usadas na indústria metal-mecânica. peso específico de 19.927 a Krupp fez sucesso com o seu produto "Widia". Nestas últimas décadas houve um grande avanço no desenvolvimento de materiais cerâmicos ou compósitos para produção de tambores e disco de freio.400 oC. W. resistência ao desgaste. A resistência à propagação de trincas em materiais frágeis pode ser fortemente influenciada pela microestrutura e pelo uso de vários reforços de inclusões na matriz. Dr. a outra. levou a técnica da sinterização e ao desenvolvimento da chamada “metalurgia do pó”. Através de uma série de operações químicas é o mesmo reduzido a trióxido de tungstênio (WO3). 2. assim chamada em homenagem ao químico sueco K. Losekann Direitos autorais reservados Compósitos . nome comercial tomado em linguagem popular como sinônimo de metal duro e que provém da contração das palavras alemãs " wie diamant".10-6 oC-1. resultando os denominados compósitos. Em 1. pela redução do trióxido de tungstênio pelo hidrogênio. à deformação plástica e elevada estabilidade química. além de pastilhas de metal duro e cerâmicos para ferramentas de corte. de mais alta resistência a tração: 4. isto é. Esses materiais apresentam elevada dureza.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. de modo bastante sintético. na Alemanha. Trata-se quimicamente do tungstato de cálcio (CaWO4). para a fabricação de filamentos de tungstênio para lâmpadas incandescentes. Scheele. 179 . Uma composição típica é a seguinte: 81% de tungstênio. Como o aumento do rendimento luminoso das lâmpadas incandescentes depende da elevação de temperatura do filamento. A técnica de fabricação dos metais duros pode ser descrita. Cláudio R. como segue: 1. de mais baixo coeficiente de dilatação térmica linear: 4. pela inexistência de cadinhos que possam suportar a temperatura de 3. compactação e sinterização. Um compósito é um material multifásico produzido artificialmente.3 kgf/dm3. do qual existem quantidades apreciáveis no nordeste brasileiro. será descrito abaixo a evolução destes materiais: Metais duros . especialmente quando eles são diferenciados da fase única. Em sua composição original participa somente o carboneto de tungstênio.O tungstênio é o metal de mais alto ponto de fusão: 3.Um dos meios mais eficaz pelos quais materiais frágeis podem ser tenacificados é através da dispersão de metais na matriz cerâmica. Os cermetos são exemplos de compósitos cerâmica-metal.4. Os estudos desenvolvidos inicialmente pela Osram. Muitas das propriedades mecânicas são fortemente dependentes da microestrutura. O minério do qual se parte para obtenção do carboneto de tungstênio é geralmente a Scheelita. Eles são manufaturados principalmente pela mistura de componentes. tendo como ligante o cobalto. A fase dominante em % de volume atua como matriz.200 MPa.

ainda. 4. 180 . em seguida. Dr. uma liga eutética de cobalto se funde e introduz-se. Na sinterização. se obtém o carboneto de tungstênio. A temperatura varia de 1. Figura 13. em matrizes. onde.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 8. sem maior dificuldade. Losekann Direitos autorais reservados 3.600 oC.350 a 1. 7. são levadas para o forno de sinterização que trabalha sobre vácuo ou em atmosfera de hidrogênio. dependendo teor de cobalto e da pressão com que o material foi prensado nas matrizes.Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro. pois qualquer operação posterior à sinterização resulta difícil e onerosa. As pressões usadas são da ordem de 400 MPa.5 . As peças pré-sinterizadas e usinadas. As pastilhas são levadas a um forno de pré-sinterização com atmosfera de hidrogênio. Esta operação deve levar as pecas à formas precisas. assim como as pastilhas prensadas. 6. moído e misturado com pó muito puro e fino de cobalto. com a retração na operação final de sinterização. pois as peças não possuem ainda nenhuma dureza. há uma contração linear de 15 a 22%. No decorrer da sinterização. Deve-se contar. com resistência suficiente para serem manipulados. dependendo da composição do material e do tipo de forno. obtendo-se peças já com a forma desejada (pastilhas). O carboneto é. sem quebra. Resfriado o produto. pela ação de capilaridade. envolvendo e dissolvendo algumas destas partículas. em condições apropriadas de temperatura. A mistura é. este é cortado e levado à forma final por meio de rebolos apropriados. comprimida a frio. A uma temperatura em torno de 900oC se dá uma sinterização parcial do cobalto. Este processo é utilizado na fabricação de peças de forma especial ou pastilhas de pequeno consumo. O tungstênio é misturado com carbono puro (grafite) e a mistura é levada a um forno. O conjunto é perfeitamente misturado num moinho de bolas. entre as partículas de carboneto. Cláudio R. 5. adquirindo o produto uma consistência e dureza suficientes para a sua manipulação nas operações subsequentes. em seguida.

1. Também ocorrem problemas de difusão e de dissolução. Verificou-se que a causa principal do insucesso residia no forte atrito que se estabelece entre a ferramenta de metal duro e o cavaco de aço. Cada classe possui uma composição química diferente e tipos específicos de material a usinar. M e K. os metais duros foram aperfeiçoados para cada aplicação específica. módulo de elasticidade E = 620. porém em paralelo. mantendo elevada dureza até cerca de 1. densidade da ordem de 14 kgf/dm3. Devido à adição dos carbonetos combinados. o carboneto de tântalo atua no sentido de diminuir o tamanho dos grãos. Atualmente são usados como componentes dos metais duros: WC . A seleção de pastilhas será visto em capítulo posterior. 3. a resistência das ligações internas e dos cantos.Muitos anos após a introdução dos metais duros. melhorando assim a tenacidade e a resistência dos cantos. mas a utilização na usinagem de aço é limitada pela tendência de difusão do carbono e de dissolução no cobalto e no ferro. Reduz-se. Losekann Direitos autorais reservados O metal duro apresenta uma altíssima resistência à compressão. 4. TaC .000 °C. mas com resultados medíocres na maioria das operações com aço. verificou-se que o atrito entre o carboneto e o cavaco era fortemente reduzido pela adição de carboneto de titânio e de tântalo na composição original. elevada condutibilidade térmica (8 a 20 vezes a do aço).Em pequenas percentagens.O carboneto de tungstênio é solúvel no cobalto. 181 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. TiC . Cláudio R. Disto resulta a alta resistência dos metais duros que tem TiC na sua composição. Dr. com forte formação de calor.O carboneto de nióbio tem efeito semelhante ao TaC. cada uma indicada para uma dada aplicação. dureza 76 a 78 Rockwell C.000 N/mm2. o que resulta a alta resistência das ligações internas e dos cantos dos metais duros de puro WCCo. São utilizados na usinagem de aços com altas velocidades de corte. Metais duros com alto teor de TiC são frágeis.500 N/mm2. dando origem a uma série de tipos de ferramentas. notável resistência à compressão de cerca de 3. NbC . O WC tem alta resistência à abrasão. levando o gume de corte ao esfacelamento. As ferramentas de carboneto de tungstênio foram empregadas a princípio com extraordinário sucesso na usinagem de ferro fundido e materiais não ferrosos. Isto faz com que o cavaco escorregue com grande pressão e sob elevada resistência.Os carbonetos de titânio têm pouca tendência à difusão. e foi necessário classificá-los conforme o tipo de trabalho a ser feito. 2. Os metais duros são divididos em três grupos de aplicação P. Metais duros com carbonetos combinados . Estes carbonetos apresentam maior dureza do que o de tungstênio. Ambos os carbonetos ocorrem no metal duro como cristais mistos Ta-Nb-C. que solucionar este problema foram feitos vários desenvolvimentos no metal duro. coeficiente de dilatação térmica cerca de metade da do aço. Na ferramenta forma-se rapidamente uma cratera. TiC forma um carboneto misto com WC.

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Grupo principal de usinagem P (Classe azul)
Indicado para a usinagem de aço, aço fundido e ferro fundido maleável, nodular ou ligado, de cavaco comprido. Além de WC, tem percentagens mais ou menos elevadas de TiC ( até 35%) e TaC ( até 7%), apresentando um atrito baixo com cavacos de materiais dúcteis.

Grupo principal de usinagem M (Classe amarela)
Para usinagem de aço, aço fundido, aço ao Mn, ferros fundidos ligados, aços inoxidáveis austeníticos, ferros fundido maleável e nodular e aços de corte livre, ou seja, par uso universal em condições satisfatórias. Constituem tipos intermediários entre o grupo P e K.

Grupo principal de usinagem K (Classe vermelha)
Para usinagem de ferros fundido comum e coquilhado, ferro fundidos maleáveis de cavaco curto, aços temperados, não ferrosos, não metálicos e madeira. Os metais duros deste grupo se compõem quase que exclusivamente de WC e de Co, como elemento ligante. Pequenas percentagens de VC, TiC, TaC e NbC são acrescentadas as vezes para melhorar certas características. Em cada grupo, os metais duros são fabricados em diversos graus, correspondendo a uma dureza decrescente e uma tenacidade crescente e vice-versa. Os tipos mais duros são usados em usinagens de acabamento (altas velocidades e cortes leves), enquanto que os tipos mais tenazes e menos duros, em virtude de teores mais altos de cobalto, são usados em cortes pesados de desbaste, em velocidades mais baixas ou em condições desfavoráveis de usinagem (vibrações, cortes interrompidos, máquinas velhas etc.). Os tipos mais duros, em geral exigem ângulos de saída negativos. Metais duros de múltiplas faixas de aplicação - Partindo de matérias primas com mais alto grau de pureza e com controle mais rigoroso do processo de sinterização, foi possível obter pastilhas de metal duro de elevada resistência à flexão com mínima perda de dureza. Os cuidados se referem especialmente à granulometria mais fina e uniforme, à distribuição mais perfeita dos carbonetos e a melhoria da solubilidade dos carbonetos no metal de ligação. Pode-se assim produzir pastilhas que cobrem mais faixas de aplicação, reduzindo assim o número de tipos necessários nas diversas operações de usinagem. Existem inclusive propostas para eliminar da norma o grupo de aplicação K. Metais duros com uma camada de revestimento - Com objetivo de melhor explorar as vantagens de cada um dos carbonetos componentes, desenvolveu-se os metais duros revestidos. Eles se compõem de uma base de metal duro relativamente tenaz, sobre a qual se aplica uma ou mais camadas finas, duras, resistentes à abrasão e de fina granulometria, de um material composto de carbonetos (por exemplo: TiC, HfC, ZrC), de nitretos (TiN, HfN, Zr2O3), de carbonitretos (TiCN) ou de óxidos (Al2O3). Estes 182

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revestimentos permitem um aumento substancial da vida das ferramentas. Em condições adequadas este aumento corresponde a um múltiplo de tempo de vida das ferramentas de metal duro convencional. O revestimento é hoje mais freqüentemente aplicado pelo processo de deposição química de vapor (CVD). A figura abaixo mostra como são estas camadas em uma pastilha de metal duro (GC4025 - Sandvic). Neste tipo de pastilha a camada total de revestimento não ultrapassa a 10 µm de espessura.

Figura 13.6 - Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro.

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Cerâmica - As ferramentas de cerâmica de óxido de alumínio extremamente puro como de misturas de óxido de alumínio com carbonetos metálicos têm adquirido importância crescente em máquinas automáticas de alta velocidade, para usinagem de peças de aço e ferro fundido. Em condições adequadas, é possível usar velocidades de corte 4 a 5 vezes maiores do que aquelas empregadas com metal duro, o que representa uma vantagem na redução do tempo efetivo de corte. Cerâmicas brancas - Durante muitos anos as pastilhas cerâmicas não tiveram o sucesso industrial esperado. Isto se deve, em parte, ao fato de que as cerâmicas exigem máquinas-ferramentas de elevada velocidade, grande potência e extrema rigidez. Além disto, a alta velocidade de corte implica em um fluxo intenso de cavacos muito quentes, tornando imprescindível uma proteção adequada ao operador. O componente principal da cerâmica de corte é o Al2O3. O material de partida apresenta sob a forma de um pó finíssimo, cujas partículas estão compreendidas entre 1 e 10 µm. As peças se obtém prensando fortemente a matéria prima que pode ser Al2O3 com 99,98% de pureza, ou então, em composição de 89 a 99% de Al2O3 e o restante de óxido de silício, de magnésio, de cromo ou de níquel ou, ainda, outros componentes. A qualidade de uma ferramenta de cerâmica depende de sua baixa porosidade associada a tamanhos de grãos pequenos A cerâmica, como ferramenta de corte, tem as seguintes características: Alta dureza a quente, que se mantém até cerca de 1.600 °C, permitindo altas velocidades de corte (5 a 10 vezes superiores a do metal duro convencional); Elevada estabilidade química do óxido de alumínio, que se mantém até uma temperatura próxima do seu ponto de fusão (2.050 °C); Altíssima resistência a compressão; Baixo coeficiente de atrito; Nenhuma afinidade química com o aço, não formando gume postiço.

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1. 2. 3. 4. 5.

Estas duas últimas qualidades asseguram um excelente acabamento superficial. O menor desgaste da ferramenta, assegura também melhor precisão dimensional das peças. Como problemas da usinagem com cerâmica, pode-se citar: 183

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1. Grande fragilidade; 2. Condutibilidade térmica muito baixa. A fixação das pastilhas cerâmicas tem sido feita por colagem (Araldite, Epoxy) ou por grampos. Este último modo é o mais freqüente. As pastilhas podem ser reafiadas por rebolos de diamante, porém, a tendência é a utilização das assim chamadas pastilhas "descartáveis". Estas, de forma quadrada ou triangular, apresentam 8 ou 6 gumes afiados de fábrica, que são usados sucessivamente por giro da pastilha em seu suporte. Depois de usados todos os gumes, a pastilha é jogada fora. As ferramentas de cerâmica têm sido utilizadas com sucesso no acabamento e desbaste de ferro fundido com dureza Brinell superior a 180 kgf/mm2 e o ferro fundido coquilhado com dureza Brinell até 500 kgf/mm2, inclusive para aço temperado com uma dureza até 60 HRC. Também são próprias para a usinagem de materiais que apresentam forte efeito abrasivo, como plástico, grafite, ebonite. Na realidade quase todos os materiais podem ser usinados com cerâmica. As poucas exceções são: 1. Alumínio, que reage quimicamente com Al2O3. 2. Ligas de titânio, com alta percentagem de níquel e materiais resistentes ao calor, devido a tendência a reações químicas. 3. Magnésio, berílio e zircônio, que são inflamáveis na temperatura de trabalho da cerâmica. A pastilha de cerâmica de corte tem as seguintes propriedades: Cor (cerâmica pura) branca 3 Peso específico (gf/cm ) 3,7 a 4,1 Dureza (HRA) 90 a 95 3.500 Resistência à compressão (N/mm2) Resistência à flexão (N/mm2) 150 a 400 Temperatura de amolecimento (°C) 1.800 Coeficiente de dilatação térmica linear (°C-1) 0,8.10-6 Cerâmicas mistas - Ao lado das pastilhas cerâmicas acima descritas, estão sendo utilizadas ferramentas de corte com menos de 90% de Al2O3, porém com adições de óxidos e carbonetos metálicos, especialmente de carboneto de titânio e também carboneto de tungstênio. Estes materiais são denominados CERMETOS (cerâmica + metal) na literatura anglo-americana, que são compósitos. São obtidos por prensagem a quente, o que produz uma estrutura de partida mais compacta do que no caso da cerâmica pura. São em geral de cor preta. Na sinterização, a presença de carbonetos de titânio e outros óxidos, inibe o crescimento dos grãos. Isto confere aos cermetos elevada dureza, maior tenacidade, resistência ao desgaste do gume e à formação de crateras. Ao contrário dos materiais cerâmicos, os cermets são condutores elétricos, têm razoável condutividade térmica e são menos frágeis. Têm um peso específico de 5 a 6 gf/cm3. São menos sujeitos à trincas térmicas do que as cerâmicas puras. São usados na usinagem de ferro fundido com dureza Brinell maior que 235 HB e aços com dureza de 34 a 66 HRC. Cerâmicas à base de nitreto de silício - Em 1.981, foi introduzido um novo tipo de cerâmica de corte, denominada SIALON que contém nitreto de silício (Si3N4), além do Al2O3 e de uma fase TiC. Sua dureza a quente é ainda melhor 184

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que a das cerâmicas mistas. A resistência a choques térmicos aproxima-se da dos carbonetos. O SIALON, sob a forma de pastilhas pretas, está superando as outras cerâmicas na usinagem em alta velocidade de ferro fundido e ligas de níquel. Diamantes naturais (monocristalinos) - Os diamantes naturais são obtidos com a extração mineral e classificam-se em Carbonos, Ballos e Borts. Os Carbonos ou diamantes negros são diamantes aparentemente "amorfos", que por aquecimento, perdem a sua dureza e, por isto são empregados apenas para aplicações especiais, como ferramentas para retificar rebolos, pontas de brocas para minas, assim como para trabalhar fibras, borracha e plásticos. Os Ballos são diamantes claros, de crescimento irregular, especialmente duros em virtude de sua estrutura. Pelo fato de serem redondos, não encontram aplicação na fabricação de ferramentas de corte e de rebolos. Os Borts, especialmente o africano, é claro. Seu valor depende da qualidade e do número de bordos naturais de trabalho que oferece, se bem que hoje dá-se mais importância à dureza. Isto porque, em lugar de bordos naturais, preferese gumes lapidados no diamante com ângulos apropriados. Os Borts são diamantes mono-cristalinos. Sua característica principal é a sua anisotropia, isto é, suas propriedades mecânicas (dureza, resistência, módulo de elasticidade) variam com a direção. Eles têm também quatro direções preferenciais de clivagem. Conclui-se daí, que para tanto a preparação do diamante por lapidação como para a sua montagem num porta-ferramenta, deve-se conhecer a disposição da estrutura cristalina. Enquanto que a lapidação deve ocorrer sempre na direção de mínima dureza, a montagem do monocristal no porta ferramenta deve ser feita de modo que a força de usinagem seja orientada na direção de máxima dureza. Ferramentas de diamante monocristalino são especialmente indicadas na usinagem de metais leves como bronze, latão, cobre, ligas de estanho, borracha dura e mole, bem como vidro, plástico e pedras. O campo de aplicação são principalmente as operações de usinagem fina, onde são feitas grandes exigências de precisão dimensional e qualidade superficial.

A usinagem de aço e ferro fundido não é possível, em virtude da afinidade do ferro com o carbono. O diamante, na zona de contato com a peça de aço, em virtude da alta temperatura, transforma-se em grafite e reage com o ferro. Isto leva a um rápido desgaste do gume. O diamante permite obter uma elevada precisão dimensional e acabamento brilhante que iguala-se a um apurado polimento. A velocidade de corte praticamente não tem limite superior. Velocidades de 2.000 m/min já foram experimentadas com sucesso. Não se recomendam velocidades inferiores a 100 rpm. Os avanços usualmente de 0,02 mm/rot a 0,06 mm/rot e as profundidades de corte de 0,01 ate 0,2 mm. Diamante policristalino - Em 1.973 foi apresentado pela primeira vez uma ferramenta com uma camada de diamante sintético policristalino. A matéria prima são partículas muito finas de diamantes sintéticos, de granulação muito definida para obter-se o máximo de homogeneidade e densidade. A camada de diamante policristalino é produzida pela sinterização das partículas de diamante com cobalto num processo de alta pressão (6.000 a 7.000 MPa) e alta temperatura (1.400 a 2.000 oC). A camada de aproximadamente 0,5 mm de espessura, ou é aplicada diretamente sobre uma pastilha de metal duro 185

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pré-sinterizado ou então é ligada ao metal duro através de uma fina camada intermediária de um metal de baixo módulo de elasticidade. A camada de diamante tem caráter isotrópico em virtude da distribuição irregular dos grãos de diamante. Não atinge nunca a dureza do diamante monocristalino na direção de máxima dureza. As pastilhas com uma camada de diamante policristalino podem ser soldadas em cabos ou fixadas mecanicamente em porta-ferramentas padronizados, pois tem a forma e as dimensões iguais as das pastilhas comerciais de metal duro. As ferramentas de diamante policristalino podem ser usadas na usinagem de metais leves, cobre, latão, bronze, estanho, diversos plásticos, asbesto, fibras reforçadas de vidro, carbono ou outros materiais, exceto materiais ferrosos e duralumínio. Nitreto de boro cúbico cristalino (CBN) Depois do diamante, os cristais cúbicos de nitreto de boro são o material mais duro que se conhece. Trata-se de um material sintético, obtido pela reação de halogênietos de boro com amoníaco. Como no carbono, existe uma forma macia, de estrutura cristalina hexagonal, igual ao do grafite e uma forma dura, tetragonal, de estrutura idêntica ao do diamante. Nitreto de boro foi obtido pela primeira vez em 1.957, pela transformação de nitreto de boro de estrutura hexagonal em estrutura tetragonal, sob pressões de 5.000 a 9.000 MPa e temperaturas de 1.500 a 1.900 °C, na presença de um catalisador (lítio). O CBN é quimicamente bem mais estável do que o diamante, especialmente contra oxidação. Sob pressão atmosférica, o CBN é estável até 2.000 °C, enquanto no diamante já ocorre grafitização a 900 °C.

As pastilhas de CBN são executadas de forma análoga as de diamante policristalino. Umas camada de 0,5 mm de espessura de partículas de nitreto de boro são sinterizadas num processo de alta pressão e alta temperatura, com a presença de uma fase ligante, efetivando-se simultaneamente a fixação sobre uma base de metal duro. Distinguem-se pastilhas que devem ser soldadas num cabo e retificadas com rebolo de diamante e pastilhas de fixação mecânica, que podem ser usadas com porta-ferramentas convencionais. As ferramentas de CBN são empregadas preferencialmente na usinagem dos aços duros (45 a 65 HRC), mesmo em condições difíceis, aço rápido, ligas resistentes a altas temperaturas na base de níquel e cobalto. Além disso, servem para a usinagem de revestimentos duros, com altas percentagens de carbonetos de tungstênio ou CrNi, aplicados por soldagem de deposição ou jato de material liquefeito por chama. São usadas velocidades de corte de 50 a 200 m/min, avanços de 0,1 a 0,3 mm, profundidade menor ou igual a 2,5 mm. Devido sua elevada resistência ao impacto, podem ser usadas em cortes severos, interrompidos e na remoção de cascas tenazes, abrasivas e irregulares de peças fundidas e forjadas e peças de ferro fundido coquilhado. As ferramentas de CBN servem para cortes interrompidos bem como par usinagem de desbaste, de acabamento e usinagem fina. Rugosidades inferiores a 1 µm são obtidos, dispensando a retificação.

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a esta propriedade. elétricas. outros são moles e dúcteis. as propriedades de atividade. metais. Todos esses materiais podem ser encontrados tanto em uma cama quanto em uma aeronave. O uso correto do material depende do profundo conhecimento dele e das implicações tecnológicas de sua obtenção. GaAsP. as propriedades mecânicas..) Borracha Chumbo Tungstênio Sintéticos Vidro Cerâmica Plástico Semicondutor (GaAs. Entende-se que o controle de qualidade precisa começar pela matéria prima e deve ocorrer durante todo o processo de produção. Losekann Direitos autorais reservados 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS 14.. outros tem baixo e alguns nem apresentam ponto de fusão definido. materiais não-metálicos. Ge.. magnéticas e óticas. Uns tem elevado ponto de fusão. Os materiais acima descritos podem ser agrupados em dois grupos e quatro subgrupos: materiais metálicos. semicondutores. onde cada elemento químico tem um número e massa atômica própria.. resistência à corrosão. Às vezes é comum encontrar a propriedade mecânica de um material distinta da propriedade física. Propriedades químicas: podem ser agrupadas. Propriedades físicas: podem ser agrupadas. por exemplo. ou seja. plásticos. térmicas. MATERIAIS METÁLICOS Ferrosos Aços Ferros fundidos Não-ferrosos Alumínio Cobre Zinco Magnésio NÃO-METÁLICOS Naturais Madeira Asbesto Couro Semicondutor (C. 187 . Todos os materiais têm propriedades distintas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. incluindo a inspeção e os ensaios finais nos produtos acabados. Si. compósitos. CdS. desenvolveram-se processos e métodos de controle de qualidade dos produtos. resistência a oxidação.) Borracha Compósito Alguns dos materiais do quadro acima são duros e frágeis. a esta propriedade. A começar pela Tabela Periódica.. difusividade. e ao mesmo tempo.1 – INTRODUÇÃO A nova tendência de matérias-primas e o desenvolvimento dos processos de fabricação determinaram à criação de métodos padronizados de produção. Dr. cerâmicos.. Cláudio R. os materiais apresentam propriedades físicas e químicas distintas.

tenacidade. quando for submetido a pressão estática. e recuperar sua forma original. 188 . ou ao desgaste. Essa capacidade é necessária durante o processo de fabricação. mineralógicas e mecânicas. dureza. Dr. propriedades que determinam a maior ou menor capacidade de resistir ou transmitir esforços que lhe são aplicados. Elasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar.1 . Em termos de indústria mecânica. Dureza: é a resistência que o material oferece à penetração. isto é. Ductilidade: é a capacidade que um material tem de se deformar sem rompimento. Resistência à tração e compressão: é a resistência que o material oferece à esforços de tração ou de compressão até a sua ruptura. Esta propriedade tem definições metalúrgicas. plasticidade.Equipamentos de ensaios mecânicos. Esta resistência é medida através de ensaios de dureza. a) Máquina de ensaio universal. Cláudio R. à deformação plástica permanente e. fragilidade. os materiais duros são também frágeis. As propriedades mecânicas que se tem maior interesse são: resistência à tração e compressão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. b) Durômetro. quando for cessado o esforço que o deformou. Em geral. a) b) Figura 14. a propriedade mecânica é considerada uma das mais importantes para a escolha da matériaprima. Losekann Direitos autorais reservados As propriedades mecânicas aparecem quando o material está sujeito a esforços de natureza mecânica. quando submetido a um esforço. como também durante a sua utilização. Fragilidade: é a capacidade que um material apresenta de romper-se quando for submetido a impacto. ductilidade. elasticidade. maleabilidade. Esta resistência é medida através de ensaios de tração ou de compressão na máquina universal de ensaio.

Flexão. podem ser usados para detectar falhas em produtos acabados ou semi-acabados. Estes ensaios são: Líquido Penetrante.2 . Estes ensaios são: Tração. Maleabilidade: é a capacidade que um material tem de se transformar em lâminas quando submetidos a esforços estáticos. Ensaios não destrutivos: são aqueles que após sua realização não deixam nenhuma marca ou sinal e. quando o mesmo for submetido à esforços estáticos ou dinâmicos. Realizar um ensaio consiste em submeter um objeto já fabricado ou um material que vai ser processado industrialmente a situações que simulam esforços nas condições reais de uso. 14. Dobramento. Torção. Fluência. Fadiga. gráficos para a determinação de propriedades mecânicas. Impacto. DIN (Deuches Institut für Normung). por conseqüência. que são lidos na própria máquina de ensaio ou através de um computador acoplado que registra 189 . chegando a limites extremos de solicitação. Cisalhamento. alguns ensaios não padronizados para uma análise prévia.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Compressão. pode ser feita em oficina como o ensaio por lima (verificação de dureza por meio do corte de cavaco).ENSAIO DE TRAÇÃO O ensaio de tração consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende alongá-lo até a ruptura. Os ensaios mecânicos padronizados são realizados em laboratórios equipados adequadamente para levantamento de dados. Por esta razão. JIS (Japanese Industrial Standards). e manter-se deformado após cessado o esforço que o deformou. Ultra-som e Radiografia Industrial. os ferros fundidos apresentam maior tenacidade que os vidros. quando submetido a um esforço. ASTM (American Society for Testing and Materials). Losekann Direitos autorais reservados Plasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. SAE (Society of Automotive Engineers). Dureza. AFNOR (Association Française de Normalisation). As normas técnicas mais utilizadas pelos laboratórios de ensaios vem das seguintes instituições: ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de tração. Cláudio R. mesmo que estes não fiquem inutilizados. Os materiais dúcteis apresentam maior tenacidade que os materiais frágeis. desta forma. ensaio em esmeril (verificação do teor de carbono em um aço através da análise da centelha). Partículas Magnéticas. entretanto. Os ensaios mecânicos dos materiais são procedimentos padronizados mediante normas técnicas que compreendem testes. ASME (American Society of Mechanical Engineer). Existem vários critérios para classificar os ensaios mecânicos. A classificação mais utilizada é a que separa em dois grupos: Ensaios destrutivos: são aqueles que ocorrem mediante a destruição do corpo de prova ou peça ou que deixam algum sinal. Tenacidade: é a capacidade que um material tem de absorver energia até a sua ruptura. ensaio de tombamento (verificação da resistência ao impacto). cálculos. Embutimento. ISO (International Organization for Standardization). nunca inutilizam a peça ou corpo de prova. Dr. O ferro fundido e o vidro são dois materiais frágeis. BSI (British Standards Institution). entretanto.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o pascal torna-se uma medida muito pequena para tensão. a área em metros quadrados (m2).3 . Figura 14.] A . a peça está tracionada. Losekann Direitos autorais reservados as cargas e as deformações ocorridas.102 kgf/mm2 A aplicação de uma força axial de tração em um corpo de prova produz uma deformação neste corpo. atuar sobre a área de secção transversal da peça. Quando a carga atuar no F sentido dirigido para o exterior da peça. embora muitas vezes não perceptível a olho. a força é expressa em newtons (N). . A tensão (σ) será expressa. Esta tensão é também denominada de tensão normal de tração. kN.força normal ou axial [N. pode-se determinar a tenacidade de um material.. que atua na peça. a) antes do ensaio. b) após o ensaio. Na prática.área da secção transversal da peça [m2. A carga normal “F”. . em N/m2.Corpo de prova de ensaio de tração. megapascal (MPa) e o gigapascal (GPa). Dr. 1 Pa 1 MPa 1 GPa 1 MPa 1 N/m2 1 N/mm2 103 MPa 0.Peça tracionada.] No Sistema Internacional. Pode-se afirmar que uma peça está submetida a esforços de tração. onde: σ . Esta deformação é seguida de um aumento no seu comprimento com diminuição da área da secção transversal. e a área de seção transversal da peça “A”. Através deste ensaio.tensão normal [ N/mm2... mm2. quando uma carga normal “F” (tem a A direção do eixo da peça).2 . 190 . que são o quilopascal (kPa). então usa-se múltiplos desta unidade. então. unidade que é denominada pascal (Pa). . Cláudio R. uma tensão normal “σ” (sigma). origina nesta.] F . F Figura 14. que é determinada através da relação entre a intensidade da carga aplicada “F”.. e quais os limites de tração que suportam. MPa. conforme ilustra a figura ao lado...

que são os materiais dúteis e os materiais frágeis. visto que ocorrem discordâncias irreversíveis após a aplicação de uma carga..] O diagrama tensão .DEFORMAÇÃO Durante o ensaio de tração. para um mesmo material podem ocorrer resultados diferentes devido a variação de temperatura do corpo de prova e da velocidade da carga aplicada. distinguir algumas características comuns. cm2.. Entre os diagramas σ x ε de vários grupos de materiais é possível. e principalmente pela anisotropia. o alongamento.comprimento inicial do CP [mm. Os materiais dúcteis. A deformação L − L0 .comprimento final do CP [mm... latão. A0 é área de L0 secção transversal inicial [mm2. a estricção. o material volta a sua forma original. pode-se fazer a razão da força pela área F da secção transversal inicial ( ) e do alongamento pelo comprimento inicial A0 L − L0 ( f ). Cláudio R. Esta afirmação tem caráter macroscópico. longitudinal de um material é definida como: ε = f L0 onde: ε .. Losekann Direitos autorais reservados Antes do ensaio são medidas a área de seção transversal “A0” do CP e a distância “L0” entre dois pontos marcados neste. as máquinas de ensaio realizam a relação F x ∆ (força x alongamento) na qual ocorre variação da carga aplicada e conseqüentemente o alongamento (Lf . alumínio. resultando o diagrama tensão . níquel e outros.DIAGRAMA TENSÃO .deformação (σ x ε). cobre. Uma vez cessados os esforços. é geralmente confundido com a deformação. e a redução da área na secção transversal. . cm. O alongamento. % ] Lo .1 . sendo portanto adimensional. cm. pode-se medir o aumento na distância entre os pontos marcados.deformação varia muito de material para material. A deformação elástica não é permanente.. e ainda.] Embora a deformação é uma razão do alongamento com o comprimento inicial. . até a ruptura do material.L0) do corpo de prova e se considerar que a área da seção transversal é invariável. A deformação plástica é permanente. Dr. À medida que este carregamento aumenta.] Lf . . No ensaio de tração. como o aço. no entanto. são caracterizados por apresentarem escoamento à temperaturas 191 . elas nos levam a dividir os materiais em duas importantes categorias. é muito comum entre técnicos a unidade mm/m pois dá uma idéia rápida do alongamento de um corpo com 1 metro de comprimento. Cessado os esforços. o CP é submetido a uma carga normal “F”. Há dois tipos de deformação que ocorrem quando um material é submetido a um esforço: a elástica e a plástica.2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o material não volta a sua forma original. mm/m. 14. bronze.deformação [mm/mm. cuja expressão matemática é ∆ = L f − L0 .

] Ψ = Após ter começado a estricção. vidro e pedra. . de início lenta e proporcionalmente ao carregamento. devido a perda de resistência local. a) diagrama σ x ε. e com isso seu comprimento aumenta.. Quando o carregamento atinge um certo valor máximo. Cláudio R.4 . Losekann Direitos autorais reservados normais.Material dúctil. como ferro fundido.. a tensão σR correspondente a carga máxima aplicada ao material é conhecida como tensão de resistência. quando é atingido um valor crítico de tensão (tensão de escoamento .área da secção transversal final [mm2. até a sua ruptura.estricção [%] A0 . Então para os materiais frágeis não existe diferença entre tensão de resistência e tensão de ruptura.. A esse fenômeno é dado o nome de estricção: Figura 14. Af − A0 ⋅ 100 A0 onde: ψ . Dr. o diâmetro do CP começa a diminuir. Figura 14. cm2.. b) aspecto da fratura. A tensão σE correspondente ao início do escoamento é chamada de tensão de escoamento do material. 192 .] Af .σE). a) diagrama σ x ε. Figura 14. cm2. b) aspecto da fratura. e a tensão σr correspondente ao ponto de ruptura é chamada tensão de ruptura. O corpo de prova é submetido a carregamento crescente.6 . . um carregamento mais baixo é o suficiente para a deformação do corpo de prova. Materiais frágeis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Entretanto.Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε.área de secção transversal inicial [mm2. Desse modo.Material frágil. são caracterizados por uma ruptura que ocorre sem nenhuma mudança sensível no modo de deformação do material. o corpo de prova sofre uma grande deformação com pouco aumento da carga aplicada.5 . a parte inicial do diagrama é uma linha reta com grande coeficiente angular.

2 . a deformação até a ruptura é muito menor nos materiais frágeis do que nos materiais dúcteis. σE – Tensão Limite de Escoamento: A partir deste ponto aumentam as deformações sem que se altere. Região Plástica: Chama-se região plástica o trecho compreendido entre o limite de proporcionalidade e o ponto correspondente a ruptura do material. mostra algumas propriedades significantes que são: Figura 14.7 . são duas outras propriedades mecânicas que podem ser tiradas deste diagrama através de cálculos. no regime elástico. O módulo de elasticidade longitudinal só é válido para a região que obedece a Lei de Hooke. enquanto que o módulo de elasticidade longitudinal é determinado através de: E = tgα .Tensão Limite de Resistência: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de resistência ou resistência a tração. praticamente.deformação com a abcissa (deformação). diz-se que o material passa a escoar-se. .Tensão de Ruptura: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de ruptura. ou seja. σr . Não há estricção nos materiais frágeis e a ruptura se dá em uma superfície perpendicular ao carregamento. Losekann Direitos autorais reservados Além disso. Quando se atinge o limite de escoamento. compreendido entre a origem e o limite de proporcionalidade.deformação de um material com inclusões não-metálicas (Fe3C. σR .2. A tenacidade e o módulo de elasticidade longitudinal... é a que corresponde a ruptura do corpo de prova. σp .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A tenacidade pode ser determinada através da área da curva de tensão . 14. pois corresponde a máxima tensão atingida no ensaio de tração.Tensão Limite de Proporcionalidade: Representa o valor máximo da tensão.PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS A figura ao lado que representa um diagrama tensão . AlSi.) em aços e algumas ligas de alumínio.deformação. 193 . Região Elástica: O trecho da curva tensão . Dr.diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono. o valor da tensão. Cláudio R. abaixo do qual o material obedece a lei de Hooke. geralmente representada pela letra “E”. recebe o nome de região elástica.

000 18. material. O coeficiente “E” é chamado módulo de elasticidade longitudinal.100 . prata Platina Aços-carbono e aços-liga 21.750 10.500 Invar (níquel-ferro) 14.800 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) Ferro. a tensão “σ” é diretamente σ proporcional à deformação “ε” e pode-se escrever: E = .7 x 104 kgf/mm2.400 .550 9. direção de crescimento do cristal. quando maior a atração entre átomos. etc. a orientação e tamanho dos cristais (grãos). Dr.400 .750 29.000 Inconel 16. ou módulo de Young (cientista inglês. Esta propriedade também é anisotrópica.200 25. níquel.11.450 Monel 13.600 Ferro Fundido Nodular 14. O alongamento será positivo.100 Ligas de magnésio 4.000 1.900 21. Essa relação é ε conhecida como Lei de Hooke. maior o seu módulo de elasticidade.13. pois depende do material ser monocristalino. A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia. que é determinado pela força de atração entre átomos dos materiais.000 11. tungstênio Cobre Alumínio Magnésio Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro.7.000 . e será negativo quando a carga aplicada comprimir a peça. isto é. cobalto Molibdênio.635-1.400 Ligas de chumbo 1.550 Ligas de estanho 5.300 Ligas de alumínio 7. Ealumínio = 0. Exemplos: Eaço = 2. Cláudio R.700 56. e se deve ao matemático inglês Robert Hooke (1. pode-se tirar ε A L0 a seguinte expressão para cálculos de alongamento no regime elástico: F ⋅ L0 ∆ = .850 18.000 35.000 Aços inoxidáveis austeníticos 19. 1.800 10.000 10.900 7.5.500 7.829).000 Bronzes e latões 7.150 4. Sendo E = 194 .000 Illium 18. Losekann Direitos autorais reservados Lei de Hooke No trecho inicial do diagrama da figura acima.500 silício Bronzes de alumínio 8.700 .2.1 x 104 kgf/mm2. e no caso de policristalino.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.703).773-1.900 Bronzes de manganês e ao 10.700 Ligas de titânio 11.200 12.950 σ F L − L0 e σ = E ⋅ ε e também que σ = e ε= f .000 4. quando a carga aplicada tracionar a A0 ⋅ E peça.200 Hastelloy 18.

e que a partir do momento que se atinge a carga máxima. pode-se definir a deformação longitudinal real a cada L dL ⎛ L⎞ = ln⎜ ⎟ . onde pode-se tirar valores apropriados até o momento em que se atinge a carga máxima. a área da secção transversal começa a reduzir-se de forma brusca. começa ocorrer fratura no sentido de dentro para fora. εt Observe que o coeficiente de poisson terá um valor negativo tanto para a tração quanto para a compressão em virtude dos sinais contrários da deformação longitudinal e deformação transversal. instante dado por: ε real = ∫ L0 L ⎝ L0 ⎠ 0 Supondo que a deformação ao longo do corpo de prova seja uniforme e admitindose volume constante pode-se demonstrar que: ε real = ln(1+ ε ) .Curvas de tensões reais e de engenharia. σ Curva real Curva de engenharia ε Figura 14.Alongamentos na tração e na compressão. Dr. A figura abaixo representa esta consideração da determinação da curva real de tensão. Cláudio R. em caso de CP cilíndrico. ocorre na realidade um aumento de tensão que obedece uma função logarítima. A curva de tensão . σ real = σ (1 + ε ) . onde “D” é a D0 medida nominal do diâmetro do corpo de prova submetida a ação de carga ε normal.deformação descrita acima é chamada de curva de engenharia. Da mesma forma. abrange também a deformação D − D0 transversal que. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14. onde “F” e “A” são as forças e A áreas da secção transversal em cada instante. A tensão real. σreal . é dado por: ε t = f .8 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. é definida por: F σ real = . 195 . A lei de Hooke. O coeficiente de Poisson (ν) é determinado pela relação ν = . Tendo em vista que a área da secção transversal diminui à medida que amplia-se a carga no corpo de prova. Como a tensão é a razão entre força e área da secção transversal.9 . em toda a sua amplitude.

identificada no desenho anterior por L0. Os tipos de fixação mais comuns são: cunha.CORPOS DE PROVA O ensaio de tração é feito em corpos de prova com características especificadas de acordo com normas técnicas. Dr. é a região onde são feitas as medidas das propriedades mecânicas do material. deve-se adotar um corpo com dimensões proporcionais a essas medidas. Suas dimensões e formas dependem do tipo de fixação à máquina. chapas ou lâminas. Suas 196 . como mostram as figuras a seguir.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Geralmente utilizam-se corpos de prova de seção circular ou de seção retangular. flange.Máquina de ensaio e registrador. Devem ter seção maior do que a parte útil para que a ruptura do corpo de prova não ocorra nelas.9 . Corpos de prova com seção retangular são geralmente retirados de placas. Cláudio R. O comprimento da parte útil dos corpos de prova utilizados nos ensaios de tração deve corresponder a 5 vezes o diâmetro da seção da parte útil.Corpos de prova. Entre as cabeças e a parte útil há um raio de concordância para evitar que a ruptura ocorra fora da parte útil do corpo de prova.3 .2. que servem para fixar o corpo de prova à máquina de modo que a força de tração atuante seja axial. Losekann Direitos autorais reservados 14. Figura 14.10 . rosca. Sempre que possível um corpo de prova deve ter 10 mm de diâmetro e 50 mm de comprimento inicial. A parte útil do corpo de prova. As cabeças são as regiões extremas. Figura 14. Estas condições dependem dos acessórios da máquina de ensaio de tração e também dependem da forma e tamanho do produto acabado do qual foram retirados. Não sendo possível a retirada de um corpo de prova deste tipo.

Figura 14. Este é o método para determinar o comprimento final quando a ruptura ocorre no centro da parte útil do corpo de prova. tensionase simultaneamente dois materiais de propriedades diferentes (metal de base e metal de solda). Figura 14. que corresponde à distância entre os dois externos dessa contagem. A norma brasileira (NBR . Os valores obtidos no ensaio não representam as propriedades nem de um nem de outro material. Losekann Direitos autorais reservados dimensões e tolerâncias de usinagem são normalizadas pela ISO/ R377 enquanto não existir norma brasileira correspondente. Em materiais soldados. figura abaixo. Mede-se então o comprimento final. O limite de resistência à tração também é afetado por esta interação. mas é determinado mesmo assim para finalidades práticas. Dr. Em um corpo de prova de 50 mm de comprimento.6152.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Preparação de corpo de prova. e calcular a média. Ao efetuar o ensaio de tração de um corpo de prova com solda. pois umas são afetadas pelas outras. utilizando um micrômetro. deve-se traçar as divisões no comprimento útil. Cláudio R.11 . 197 . Os ensaios dos corpos de prova soldados normalmente determinam apenas o limite de resistência à tração. Procura-se o risco mais próximo da ruptura e conta-se a metade das divisões (n/2) para cada lado. Após o ensaio. as marcações devem ser feitas de 5 em 5 mm. Por fim. as duas partes do corpo de prova. podem ser retirados corpos de prova com a solda no meio ou no sentido longitudinal da solda.Tipos de fixação. junta-se da melhor forma possível.12 . Para preparar o corpo de prova para o ensaio de tração deve-se medir o diâmetro do corpo de prova em vários pontos na parte útil. dez./1980) somente indica que os corpos de prova devem apresentar bom acabamento de superfície e ausência de trincas.

em algumas situações.14 . 198 . Figura 14.2. Entretanto.3. A medida de Lf será a somatória de L’+ L”. pois também delimita o início da deformação permanente (um pouco acima). Com esse dado é possível calcular o limite de escoamento do material. de modo a não permitir a contagem de n/2 divisões de cada lado. porque acontece muito rápido e não é possível detectá-lo. • Acrescentam-se ao comprimento do lado oposto quantas divisões forem necessárias completar divisões. • Conta-se n/2 divisões de um dos lados.Determinação do limite de escoamento. conforme mostra a figura a seguir. deve-se adotar o seguinte procedimento normalizado: • Toma-se o risco mais ruptura. Ele é obtido verificando-se a parada do ponteiro na escala da força durante o ensaio e o patamar formado no gráfico exibido pela máquina.Limite de escoamento: valores convencionais O limite de escoamento é.Ruptura do corpo de prova fora de centro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 . Cláudio R. alternativo ao limite elástico. 14. Losekann Direitos autorais reservados Quando a ruptura ocorre fora do centro. Dr. vários metais não apresentam escoamento.Ruptura do corpo de prova no centro.13 .15 . e mesmo nas ligas em que ocorre ele não pode ser observado. próximo da Figura 14. na maioria dos casos. as para n/2 Figura 14.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. isso significa que um corpo submetido a compressão também sofre uma deformação elástica seguido de uma deformação plástica. • n = 0. O valor convencionado (n) corresponde a um alongamento percentual. a partir do ponto “n”.1%. madeira. O ensaio de compressão é o mais indicado para avaliar essas características. desta forma. os corpos de prova são submetidos a uma força axial para dentro. Do mesmo modo que o ensaio de tração. 199 . a lei de F F Hooke também vale para a fase σ= elástica da deformação. Não se costuma utilizar ensaios de compressão para os metais. É também recomendado para produtos acabados.3 . 14. distribuída de modo uniforme em toda a seção transversal do corpo de prova. Nos ensaios de compressão.16 . é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de compressão. e é A possível determinar o módulo de elasticidade para diferentes materiais. Cláudio R. Graficamente. em virtude que a resistência compressão é aproximadamente igual a da tração.ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende a encurtá-lo até a ruptura.Esquema da compressão.01%. como ferro fundido. para aços ou ligas não ferrosas mais duras. Figura 14. para metais e ligas metálicas em geral. o ensaio de compressão pode ser executado na máquina universal de ensaios. Dr. Quando essa linha interceptar a curva. como molas e tubos.2%. principalmente quando se trata de materiais frágeis. com a adaptação de duas placas lisas — uma fixa e outra móvel. pedra e concreto. As relações matemáticas para a tração valem F F também para a compressão. Os valores de uso mais freqüente são: • n = 0. Nos ensaios de compressão. E entre elas que o corpo de prova é apoiado e mantido firme durante a A compressão. para aços-mola e ferros fundidos. foram convencionados alguns valores para determinar este limite. • n = 0. o limite de escoamento estará determinado. Losekann Direitos autorais reservados Por essas razões. o limite de escoamento dos materiais citados pode ser determinado pelo traçado de uma linha paralela ao trecho reto do diagrama tensão-deformação. como mostra a figura abaixo.

há diversas possibilidades de encurvamento.3. Cláudio R. é necessário limitar o comprimento dos corpos de prova. Um problema que sempre ocorre no ensaio de compressão é o atrito entre o corpo de prova e as placas da máquina de ensaio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. conforme mostra a figura ao lado. b) flambagem. Losekann Direitos autorais reservados 14. sem que ocorra a ruptura. para garantir que o esforço de compressão se distribua uniformemente. Em alguns materiais muito dúcteis esta relação pode chegar a 1:1 (um por um). A flambagem ocorre principalmente em corpos de prova com comprimento maior em relação ao diâmetro.18 . Os valores numéricos são de difícil verificação. Deve-se centrar o corpo de prova no equipamento de teste. Outro cuidado a ser tomado para evitar a flambagem é o de garantir o perfeito paralelismo entre as placas do equipamento utilizado no ensaio de compressão. é necessário revestir as faces superior e inferior do corpo de prova com materiais de baixo atrito (parafina. podendo levar a erros. Dependendo das formas de fixação do corpo de prova. encurvamento do corpo de prova. Figura 14.3. Dr. Isso decorre da instabilidade na compressão do metal dúctil.1 . A deformação lateral do corpo de prova é barrada pelo atrito entre as superfícies do corpo de prova e da máquina.LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão não é muito utilizado para os metais em razão das dificuldades para medir as propriedades avaliadas neste tipo de ensaio. teflon etc). Outro problema é a possível ocorrência de flambagem. Por esse motivo.Ensaio de compressão. 14.Ensaio de compressão em materiais dúcteis. dependendo do grau de ductilidade do material. que devem ter de 3 a 8 vezes o valor de seu diâmetro. Para diminuir esse problema. Figura 14. 200 .ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS Nos materiais dúcteis a compressão vai provocando uma deformação lateral apreciável.2 . Essa deformação lateral prossegue com o ensaio até o corpo de prova se transformar num disco.17 . isto é. a) normal.

como. Quando isto ocorre.ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL Para materiais com elevado módulo de elasticidade. A distância final entre as placas. tensões de contato entre uma roda e um trilho. Ensaios de achatamento de tubos — Consiste em colocar uma amostra de um segmento de tubo deitada entre as placas da máquina de compressão e aplicar carga até achatar a amostra. As propriedades mecânicas mais avaliadas por meio do ensaio são: limite de proporcionalidade. As distribuições de tensões estão representadas na figura abaixo.3 .19 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados Em virtude disto é que o ensaio de compressão de materiais dúcteis fornece apenas as propriedades mecânicas referentes à zona elástica.3. que é o caso de muitos materiais metálicos e cerâmicos. por exemplo. A medida da força de ruptura nos permite determinar a tensão limite de resistência à tração simples. resultando um estado triaxial de tensões. P é a carga de ruptura [N]. D é o diâmetro [mm] do corpo de prova e L [mm] é a espessura do corpo de prova. de acordo 2⋅ P . mais dúctil será o material. a teoria mais conhecida é a teoria das tensões de Hertz ou tensões de contato. que varia conforme a dimensão do tubo. ou seja. Cláudio R.20 . onde temos situações estabelecendo superfícies planas e curvas em contato. 201 . 14. amplamente utilizada no dimensionamento de elementos de máquinas. deve ser registrada. limite de escoamento e módulo de elasticidade. o ponto ou linha de contato passa a ser efetivamente a área de contato. sem levar em conta a carga aplicada. desenvolvendo-se nestas regiões tensões tridimensionais. P O ensaio aplicado é o de compressão diametral. Figura 14. A P P figura abaixo mostra o esquema do método do Ensaio de D Compressão Diametral que é L baseado nas normas brasileiras ABNT MB-212/58 e NBR-7222/83. pois quanto mais o tubo se deformar sem P trincas. Este ensaio permite avaliar qualitativamente a ductilidade do material. onde: σ é a tensão limite de resistência à tração com a equação: σ = π ⋅ D⋅ L simples [MPa]. do tubo e do cordão de solda do mesmo. O resultado é avaliado pelo aparecimento ou não de fissuras. P P Figura 14. Dr. ou entre duas rodas dentadas. pressionadas umas contra outras. ou seja. rachaduras. a tensão de tração de ruptura.Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração.Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L.

ou seja. Exercícios resolvidos 1) Um aço de baixo carbono (SAE 1010) tem como tensão de ruptura 40 Kgf/mm2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Por outro lado. Cláudio R.140 Kgf 2 202 . faz-se o ensaio de compressão.Ensaios em molas. constrói-se um gráfico tensão-deformação. Dr. ou para verificar sua resistência.21 .5 mm 2 4 4 F σ= ⇔ F =σ⋅ A A Kgf F = σ ⋅ A = 40 ⋅ 78. aplicam-se cargas predeterminadas e mede-se a altura da mola após cada carga. Losekann Direitos autorais reservados Ensaios em molas — Para determinar a constante elástica de uma mola. para verificar a resistência da mola. obtendo-se um coeficiente angular que é a constante da mola. Para determinar a constante da mola. Considerando que o corpo de prova tem diâmetro nominal de 10 mm. Figura 14. o módulo de elasticidade. qual será a força de ruptura? a) Dados: σr = 40 Kgf/mm2 D = 10 mm Fr = ? b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: πD 2 π ⋅ [10 mm] A= = = 78.5 mm 2 mm 2 F = 3.

Losekann Direitos autorais reservados 2) Considerando que um corpo de prova de aço SAE 1070 tem um diâmetro nominal de 15 mm e a força com que o material se rompeu foi de 16. Dr.8 A 176.74 mm de diâmetro sem que ocorra deformação permanente? a) Dados: σe = 28 Kgf/mm2 D = 1. Qual é a tensão de tração de ruptura (em MPa) que este aço apresenta? a) Dados: σr = ? D = 15 mm Fr = 16.74 mm 203 . a) Dados: lo = 15 cm lf = 16 cm ε=? b) Fórmulas: l f − lo ε= lo c) Solução: ε= ε= l f − lo lo l f − lo lo = 16 − 15 = 6.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.625 mm mm2 Kgf σ = 93.570 Kgf.570 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: 2 πD 2 π ⋅ [15 mm] A= = = 176. Pede-se: • Qual a carga que pode ser suportado por um fio de 1.625 mm 2 4 4 F 16570 Kgf Kgf σ= = 2 = 93.040 Kgf/mm2 e um limite de escoamento de 28 Kgf/mm2. Cláudio R.3 MPa mm2 3) Calcule a deformação sofrida por um corpo de prova de 15 cm de comprimento e que após o ensaio de tração apresentou 16 cm de comprimento.8 = 920.67 ⋅ 10−2 15 4) Uma liga de alumínio possui um Módulo de Elasticidade Longitudinal de 7.

02 A 7.30 mm mm2 σ σ E= ⇒ ε= ε E Kgf 6. Cláudio R.040 Kgf/mm2 ε=? σ=? F = 44 Kgf D = 3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.30 mm2 4 4 F 44 Kgf Kgf σ= = 2 = 6. Losekann Direitos autorais reservados Fe = 7.54 Kgf 2 Se uma carga de 44 kgf é suportada por um fio de 3. qual será a deformação? a) Dados: E = 7.55 ⋅ 10−4 ε= = Kgf E 7. Dr.800 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: π ⋅ D 2 π ⋅ (1.040 mm2 2 • 204 .05 mm) A= = = 7.05 mm de diâmetro.02 σ mm2 = 8.377 mm A mm F = σ ⋅ A = 66.377 mm2 4 4 F Kgf 2 σ = ⇒ F = σ ⋅ A = 28 2 ⋅ 2.05 mm b) Fórmulas: σ E= ε π D2 A= 4 F σ= A σ = ε⋅E c) Solução: π D 2 π ⋅ (3.74 mm) A= = = 2.

a barra pode ser vertical ou horizontal. • flexão plana normal. conforme indica a figura. ou seja. Os casos mais simples são: • flexão plana circular. Figura 14.Flexão em uma barra de secção retangular. ficando a outra extremidade presa por meio de dispositivos. 14. no laboratório.22 . Losekann Direitos autorais reservados 14. a carga defletora pode ser: • • • concentrada ou distribuída. as duas apoiadas. no meio ou em um ponto qualquer.4. Desse modo. tensão resultante é zero. mas há um plano em que não há tensão.1 . e a carga é aplicada próximo à extremidade de uma das partes até que haja inicio de ruptura na junção. e largura “b” da secção normal. altura “a”. A flexão de uma barra pode ser obtida nas seguintes condições: • • • • a barra pode ter suas duas extremidades engastadas. pode-se verificar até que esforço de flexão a peça pode sofrer sem se romper. Este plano geralmente é denominado de linha neutra. as condições da prática. Muitas vezes. Cláudio R. uma engastada e outra apoiada. Por outro lado. é possível criar várias maneiras de se efetuar esse ensaio. Os elementos internos da barra estarão sujeitos a um sistema de tensões de compressão e tração. Dr. estar aplicada numa das extremidades. em balanço.SIGNIFICADO DE FLEXÃO Flexão é a solicitação que tende a modificar a direção do eixo geométrico de uma peça. 205 .ENSAIO DE FLEXÃO O ensaio de flexão é geralmente feito de modo a reproduzir.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. são feitos ensaios de flexão em produtos contendo partes soldadas ou unidas por qualquer tipo de junção. Quando se tem uma barra de secção retangular de comprimento “L”.4 . Além disso. desde que a peça possa ser adaptada diretamente em uma máquina comum. assim. e no centro está aplicado uma força cortante “F”.

Figura 101 . onde “D” é o diâmetro da secção circular.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade. com uma extremidade engastada. Na “linha neutra”. podendo haver a ruptura do material. vista sob um plano. O sinal positivo e negativo corresponde as tensões de tração e de compressão respectivamente. Figura 14. por exemplo.Elemento da barra submetido à flexão. Em primeira deformação e dentro de um campo limitado de deformações. Com o tempo. I é o momento de inércia da secção transversal. o momento de inércia 12 π ⋅ D4 em relação ao eixoY ou Z é: I = . a tensão resultante é zero. permanece uma deformação residual. c é a distância da linha neutra a fibra mais afastada.24 . a calcita e a mica. nas regiões que se tem momento fletor máximo que produzirá tensões de compressão e de tração máximas. As deformações perfeitamente elásticas em geral só ocorrem no início do processo. Mf é o momento fletor.23 . O momento de inércia de uma secção retangular segundo a ⋅ b3 um sistema de eixo carteziano “YZ” é: I y = (em relação ao eixo Y) e 12 b ⋅ a3 Iz = (em relação ao eixo Z). os corpos sólidos reais obedecem à lei de Hooke. I onde: σ é a tensão fletora (tensão normal de compressão ou de tração). Para uma secção circular. Figura 14. como. a qual poderá ser superior a tensão de resistência do material. Cláudio R. após a aplicação sucessiva de esforços de tração ou compressão. o efeito de esfoliação ou clivagem em placas em determinadas direções e em certos materiais cristalinos. Dr. A fórmula da tensão é aplicada nas secções onde pode haver ruptura do material.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade. ou seja . A tensão de trabalho é fixada pelo fator de segurança ou pela tensão admissível. No dimensionamento das peças à flexão admitem-se apenas deformações elásticas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a fadiga do mesmo. ou a variação da sua tensão elástica. 64 206 . em que. Losekann Direitos autorais reservados A tensão fletora é dada pela Mf ⋅c expressão matemática σ = ± . A figura abaixo mostra o caso da flexão plana normal produzida por uma força “F” aplicada na extremidade livre de uma barra de balanço. o esforço e a deformação atingem valores assintóticos.

Cláudio R.26 . “MOR” .Método de flexão a quatro pontos.MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO A resistência à flexão é definida como a tensão máxima de tração na ruptura e é denominado freqüentemente como módulo de ruptura.Método de flexão a três pontos. com um comprimento especificado.4. Figura 14. Dr. com corpo de prova constituído por uma barra de secção circular ou retangular para facilitar os cálculos. Losekann Direitos autorais reservados 14. sendo a carga de dobramento ou de flexão aplicada no centro do corpo de prova a uma distância L/2 de cada apoio (método de ensaio a três pontos).de quatro pontos. O ensaio consiste em apoiar o corpo de prova sob dois apoios distanciados entre si de uma distancia “L”. O ensaio flexão é feito. 207 . Figura 14. do inglês “modulus of rupture”. geralmente.25 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 . A resistência a flexão é determinada através de fórmulas acima descritas e envolve cálculos de resistência dos materiais para a determinação do momento fletor máximo.

por choque e por riscamento. apatita (5). ortoclásio (6). o valor obtido para MOR é maior que a tensão máxima realmente atingida. que consiste em uma tabela de 10 minerais padrões arranjados na ordem crescente da possibilidade de ser riscado pelo mineral seguinte. calcita (3).822). mesmo porque para cada um desses significados de dureza. Cláudio R. existem um ou mais tipos de medidas adequados. a dureza é a resistência ao riscamento que um material pode fazer no outro. que dependem da maneira com que o ensaio é conduzido que são: por penetração. porque a expressão é determinada para uma distribuição linear (elástica) de tensão entre o eixo da barra e as fibras externas. O cobre recozido tem dureza Mohs 3. e assim por diante. MOR representará. Entretanto.tem dureza Mohs (isto é. um engenheiro define a dureza como a resistência à penetração de um material duro no outro.5 . vários minerais e outros materiais são relacionados quanto à possibilidade de um riscar o outro. o quartzo risca o ortoclásio e é riscado pelo topázio. fluorita (4). quartzo (7). Para um metalurgista. como o módulo de ruptura “MOR” ou resistência ao dobramento. a tensão máxima na fibra externa. dureza significa a resistência à deformação plástica permanente. não é possível encontrar uma definição única de dureza que englobe todos os conceitos acima mencionados. o conceito de dureza não tem um mesmo significado para todas as pessoas que tratam com essa propriedade. O valor do módulo de ruptura também pode ser relacionado com o limite de resistência do material. Assim. pois ele risca a gipsita e é riscado pela fluorita. O conceito divergente da dureza depende da experiência de cada um ao estudar o assunto. Assim. Dr. O riscamento é raramente usado para os metais. para um projetista. caso ocorra na zona plástica. por exemplo. Sob esse ponto de vista. seguindo-se a gipsita (2). A escala de dureza mais antiga para esse tipo é a escala de Mohs (1. pode-se dividir o ensaio de dureza em três tipos principais. a dureza é considerada uma base de medida para o conhecimento da resistência e do tratamento térmico ou mecânico de um metal e da sua resistência ao corte do metal. pode ser riscado por todos os outros seguintes). Se a ruptura ocorrer dentro da zona elástica do material. que é o valor máximo da tensão de tração ou compressão nas fibras extremas do corpo de prova durante o ensaio de flexão (ou torção). topázio (8). pode-se também retirar outras propriedades do material. a martensita tem dureza Mohs aproximadamente igual a 7. safira (9) e diamante (10). Desse modo. Com esse tipo de medida de dureza. 208 . mas bastante utilizado em cerâmicos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. pois. nos estudos e pesquisas mecânicas e metalúrgicas e na comparação de diversos materiais. verifica-se que o talco (1) . Desse ensaio. Losekann Direitos autorais reservados A carga deve ser elevada lentamente até romper o corpo de prova. 14.ENSAIO DE DUREZA A propriedade mecânica denominada dureza é amplamente utilizada na especificação de materiais. e para um mineralogista.

conforme a expressão: HB = 2Q Q Q = = S C πD. p πD( D − D 2 − d 2 ) 209 .5. A dureza Brinell é definida. Cláudio R. S. o qual é medido por intermédio de um micrômetro óptico (microscópio ou lupa graduados). Dr. proposta por J. essa escala não é conveniente. 14. A dureza por penetração é a mais utilizada e citada nas especificações técnicas. Knoop e Meyer e a dureza por choque Shore (escleroscópica).900. mas não são métodos de medida precisa ou de boa reprodução. O ensaio de dureza Brinell consiste em comprimir lentamente uma esfera de aço. a qual é relacionada com os valores D e d. sobre a superfície plana.1 . sendo mais usados no ramo da Mineralogia. 1 talco Mg3H2Si4O12 2 gipsita CaSO4 . Rockwell. principalmente na região de altas durezas e a maioria dos metais fica entre as durezas Mohs 4 e 8. em N/mm² (ou kgf/mm²). Essa compressão provocará uma impressão permanente no metal com o formato de uma calota esférica. como o quociente entre a carga aplicada pela área de contato (área superficial). A. Esses métodos seriam úteis para a medição da dureza relativa de microconstituintes de uma liga metálica. 2H2O 3 calcita CaCO3 4 fluorita CaF2 5 apatita CaF (PO4)3 6 ortoclásio KAISio4 7 quartzo Sio2 8 topázio A12F2SiO2 9 corinto A12 O3 10 C diamante Para os metais. é o tipo de dureza mais usado até os dias de hoje na Engenharia.DUREZA BRINELL A dureza por penetração. Losekann Direitos autorais reservados Escala de dureza Mohs. Serão vistos com mais detalhes as durezas por penetração Brinell. O valor de d deve ser tomado como média de duas leituras feitas a 90º uma da outra. porque os seus intervalos não são propriamente espaçados para ele. sendo que pequenas diferenças de dureza não são precisamente acusadas por esse método. com um diâmetro d.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Brinell em 1. depois de removida a carga. polida e limpa de um metal através de uma carga Q durante um tempo t. de diâmetro D. denominada dureza Brinell e simbolizada por HB. Vickers.

pode ser omitida. O ensaio é baseado na profundidade de penetração de uma ponta. utilizando penetradores pequenos.2 .). Dr.DUREZA ROCKWELL Outro tipo de dureza por penetração foi introduzido em 1. 14. A rapidez do ensaio torna-o próprio para usos em linhas de produção. Além disso. portanto. A dureza Brinell não serve para peças que sofreram tratamento superficial (cementação.922 por Rockwell. elimina o tempo necessário para a medição de qualquer dimensão da impressão causada. que leva o seu nome e oferece algumas vantagens significantes que faz esse tipo de dureza ser de grade uso internacional. que deveria ser sempre colocada após o valor de HB. A dureza Rockwell.27 . porque a equação que fornece a dureza Brinell não leva em consideração o valor médio da pressão sobre toda a superfície da impressão. Superfícies não planas não são propícias para o ensaio Brinell.5. pois acarreta erro na leitura do diâmetro. pois o resultado é lido direta e automaticamente na máquina de ensaio. A unidade N/mm² ou kgf/mm². para verificação de tratamentos térmicos ou superficiais e para laboratório. nitretação. etc. uma vez que a dureza Brinell não é um conceito físico satisfatório. Cláudio R. admite-se o ensaio em uma superfície com o diâmetro 10 vezes o diâmetro da esfera utilizada. que é o que realmente deveria ser observado.Penetradores de Dureza Rockwell. um ensaio mais rápido e livre de erros pessoais. Figura 14. Os penetradores utilizados na dureza Rockwell são do tipo esférico (esfera de aço temperado) ou 210 . simbolizada por HR. d.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a impressão pede muitas vezes não prejudicar a peça ensaiada e pode ser usada também para indicar diferenças pequenas de dureza numa mesma região de uma peça. Figura 14. Losekann Direitos autorais reservados Sendo p a profundidade da impressão. subtraída da recuperação elástica devida à retirada de uma carga maior e da profundidade causada pela aplicação de uma carga menor. sendo. Em geral.Ângulo φ nas impressões Brinell.28 .

15 N 15 Cone de 30 N 30 diamante 45 N 45 15 T 15 Esfera 1/16” 30 T 30 45 T 45 LEITURA Preta Preta Preta Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha CAMPO DE AMPLIÇÃO Aço cementado ou temperado Aço. Losekann Direitos autorais reservados cônico (cone de diamante. etc. nitretação. As máquinas vêm com as várias 211 . O número de dureza obtido correspondente a um valor adimensional. porém baseadas na profundidade da penetração e são designadas por letras (A. A dureza Rockwell superficial emprega igualmente várias escalas independentes e é utilizada para ensaios de dureza em corpos de prova de pequena espessura. etc. como cemetação. etc. Essas escalas de dureza Rockwell são arbitrárias. bronze. tendo as arestas do cone 120º). C. também chamado de penetrador-Brale. etc. as cargas maiores e algumas aplicações de cada escala. como lâminas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. chapas. latão. as quais devem sempre aparecer após a sigla HR para diferenciar e definir a dureza. e para metais que sofreram algum tratamento superficial. Escala de dureza Rockwell comum.). B. ao contrário da dureza Brinell. Dr. Na tabela abaixo são dadas as escalas usadas com o tipo de penetrador. ferro e outros metais até 240 Brinell. ferro. até 240 Brinell Metal plástico Aço cementado ou temperado Aço. Algumas máquinas analógicas já vêm providas das escalas justapostas que servem para todos os tipos de dureza Rockwell existentes e outras podem ser lidas em visor digital. CARGA PENETRADOR ESCALA (kgf) ROCKWELL A 60 Cone diamante ROCKWELL C 150 120° ROCKWELL D 100 ROCKWELL B 100 Esfera 1/16” ROCKWELL F 60 ROCKWELL G 150 ROCKWELL E 100 Esfera 1/8” ROCKWELL H 60 ROCKWELL K 150 ROCKWELL L 60 Esfera 1/4” ROCKWELL M 100 ROCKWELL N 150 ROCKWELL R 60 Esfera 1/2” ROCKWELL S 100 ROCKWELL V 150 Escala de dureza Rockwell superficial. Cláudio R.

absorvida pelo corpo de prova. deve-se empregar a escala B para evitar erros. para depois tentar as outras. assim. naturalmente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Como o penetrador é um diamante. não importando o seu tamanho. Ao se fazer uma dureza num material desconhecido. Dr. ou seja. a carga varia de 1 até 100 ou 120 kgf. As demais só são empregadas em casos especiais. 212 . a dureza Rockwell B varia de aproximadamente 50 a 100. ou seja.925 por Smith e Standland.DUREZA SHORE Em 1. C.4 . a dimensão da dureza Vickers é N/mm² ou kgf/mm².5 e a escala A é a de maior amplitude de variações. Para esse tipo de dureza. Losekann Direitos autorais reservados escalas acompanhadas.DUREZA VICKERS Essa dureza foi introduzida em 1. Shore propôs uma medida de dureza por choque que mede a altura do ressalto (rebote) de um peso que cai livremente até bater na superfície lisa e plana de um corpo de prova. e pela média L das suas diagonais. 14. deve-se primeiro tentar uma escala mais alta para evitar danificação do penetrador. No caso da dureza Rockwell superficial. a dureza carga Vickers: HV = . a pré-carga é sempre de 3 kgf. Assim. uma escala contínua de dureza (de HV = 5 até HV = 1 000 kgf/mm²) para cada carga usada. quadrada. porque a Companhia Vickers-Armstrong Ltda fabricou as máquinas mais conhecidas para operar com esse tipo de dureza. F. N e T.907. tem-se. por exemplo. caso o resultado caia fora do intervalo de dureza HRC. sem deformação no visor da máquina. Cláudio R. A escala C tem seu uso prático entre os números 20 e 70. isso depende.3 . conforme a expressão seguinte. Esse tipo de dureza fornece. o número de dureza obtido é o mesmo qualquer que seja a carga usada para materiais homogêneos. Esse método é conhecido por dureza escleroscópica ou dureza de Shore. Essa altura de ressalto mede a perda da energia cinética do peso. 14. A mudança da carga é necessária para se obter uma impressão regular. com um ângulo de 136º entre as faces opostas. O penetrador é uma pirâmide de diamante de base quadrada. A. HRC.5. a escala F entre 73 e 116. Abaixo de 20. A forma da impressão é um losango regular. As escalas mais utilizadas são B. como no caso da dureza Brinell. levando o nome Vickers.5. a dureza Vickers (HV) é independente da carga. que simplificado fica: HV = 1. da dureza do material que se está ensaiando. area da superficie piramidal 2Qsen 136 2 .8544Q 2 L L2 HV = Como Q é dado em kgf ou N e L em mm. isto é. usa-se antes a escala Rockwell C. ele é praticamente indeformável e como todas as impressões são semelhantes entre si.

o ensaio correspondente leva mais em conta o fato de serem cíclicos. As fraturas produzidas por impacto podem ser frágeis ou dúcteis. Estes testes são usados para caracterizar a propensão e o grau de fragilidade de um polímero quando submetido à ação de esforços bruscos.ENSAIO DE IMPACTO Os ensaios de impacto são utilizados a fim de descobrirmos o quanto um material resiste às cargas dinâmicas para que. Para equipamentos que são submetidos a esforços de impacto. Losekann Direitos autorais reservados 14. Dr. e assim determinamos a utilização ou não dos mesmos. O ensaio de impacto caracteriza-se por submeter o corpo ensaiado a uma força brusca e repentina. embora os esforços sejam dinâmicos. despertando o interesse de pesquisa por este assunto. Por isso. Através dos ensaios obtemos os valores de energia absorvida para cada material ensaiado. de forma brusca. materiais que apresentem tenacidade. com resistência suficiente para suportar uma determinada aplicação. esses materiais não podem ser utilizados em aplicações nas quais sejam comuns esforços bruscos. Figura 14. No caso da fadiga. Esta característica dos materiais ficou mais evidente durante a Segunda Guerra Mundial. devem ser utilizados materiais capazes de absorver energia e dissipá-la. bielas etc.6 .Aspectos da fratura . É bem melhor saber quanto o material resiste a uma carga dinâmica numa situação de ensaio do que numa situação real de uso. ou seja. Porém a maioria das máquinas e equipamentos. está submetida a esforços dinâmicos. para que a ruptura não aconteça. quando em funcionamento. As fraturas frágeis caracterizam-se pelo aspecto cristalino e as fraturas dúcteis apresentam aparência fibrosa. Essa condição de trabalho empregada no corpo para que atinge o seu limite máximo de elasticidade é denominada resiliência. Para estas aplicações são desejáveis materiais que tenham capacidade de absorver energia e dissipá-la. A maioria dos ensaios mecânicos não avalia o comportamento dos materiais submetidos a esforços dinâmicos. inviabilizando assim a utilização de determinados equipamentos. mesmo utilizando ligas dúcteis. quando os equipamentos bélicos foram levados a solicitações críticas de uso.29 . em situações reais de uso. que deve rompê-lo. evitando assim sua ruptura. não ocorram fraturas nesse material. Porém. Cláudio R. como em eixos de máquinas. Os materiais dúcteis podem romper-se sem deformação plástica 213 . Os materiais frágeis rompem-se sem nenhuma deformação plástica. Esta propriedade está relacionada com a fase plástica dos materiais e por isso se utilizam as ligas metálicas dúcteis neste tipo de aplicação. verificou-se na prática que um material dúctil pode romper-se de forma frágil.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Quando a temperatura desce a -23 0 C.6. a mesma exerce um efeito muito acentuado na resistência dos metais ao choque. é freqüentemente chamada de sensibilidade ao entalhe. atingindo 16 joules. apresentando uma sensibilidade que é chamada sensibilidade à velocidade. de comportar-se como frágil devido à trinca. 214 . verificou-se que há uma faixa de temperatura relativamente pequena na qual a energia absorvida pelo corpo de prova cai apreciavelmente. A energia absorvida por um corpo de prova varia sensivelmente com a temperatura do ensaio. Uma trinca promove concentração de tensões muito elevadas. um dado aço absorve 17 joules de energia de impacto à temperatura ambiente (± 25 0C). não é repentina é usual define-se uma faixa de temperatura de transição. Este valor cai para 3 joules à temperatura de -26 0C. ou seja. passando de dúctil a frágil ou vice-versa. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por menor que seja. Esta característica do material dúctil. ou seja. A temperatura de transição é aquela em que ocorre uma mudança no carácter da ruptura do material. a existência de trincas no material. muda substancialmente o comportamento do material dúctil. de maneira frágil. 14. a baixa temperatura e a alta velocidade de carregamento constituem os fatores básicos para que ocorra uma fratura do tipo frágil nos materiais metálicos dúcteis. Um corpo de prova a uma temperatura T1 pode absorver muito mais energia do que se estivesse a uma temperatura T2. Figura 14. Como esta passagem. o que faz com que a maior parte da energia produzida pela ação do golpe seja concentrada numa região localizada da peça.30 . pouco menor que T2. Dr. Alguns materiais são mais afetados pela velocidade alta do impacto. • trinca ou entalhe no material. na maioria dos casos. Por exemplo.Temperatura de transição. com a conseqüente formação da fratura frágil. • temperatura de uso do material suficientemente baixa. Losekann Direitos autorais reservados apreciável. Esta faixa é denominada temperatura de transição. bem menor que T1. ou pode absorver a mesma energia a uma temperatura T3. A existência de uma trinca. quando as condições abaixo estiverem presentes: • velocidade de aplicação da carga suficientemente alta.1 .TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO Ao ensaiar os metais ao impacto. o valor de energia absorvida é pouco alterado. ao contrário do que ocorre na resistência estática. Com relação à temperatura.

1 . A definição dessa faixa é importante porque só podemos utilizar um material numa faixa de temperatura em que não se manifeste a mudança brusca do carácter da ruptura. como o cobre. de modo a produzir fratura frágil em temperaturas mais próximas à temperatura ambiente. nos produtos siderúrgicos.6. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Impurezas — A presença de impurezas. não apresentam temperatura de transição. produzido por processos diferentes. 215 . E a temperatura T2 é o ponto no qual a fratura se apresenta 50% dúctil e 50% frágil. Os metais que têm estrutura cristalina CFC. tendem a apresentar maior temperatura de transição. bem como a posição do entalhe. aço inoxidável austenítico etc. Pode-se representar a temperatura de transição graficamente. As normas internacionais geralmente especificam a posição da retirada dos corpos de prova. O tamanho dessa faixa varia conforme o metal. alumínio. Indicandose os valores de temperatura no eixo das abscissas e os valores de energia absorvida no eixo das ordenadas. níquel. A temperatura T3 corresponde à fratura 30% dúctil e 70% frágil. que fragilizam a estrutura do material. que sofreram quebra dos grãos que compõem sua estrutura. possuirá temperaturas de transição diferentes. O intervalo de temperatura de transição corresponde ao intervalo entre T1 e T3. como o níquel. Losekann Direitos autorais reservados A faixa de temperatura de transição compreende o intervalo de temperatura em que a fratura se apresenta com 70% de aspecto frágil (cristalina) e 30% de aspecto dúctil (fibrosa) e 70% de aspecto dúctil e 30% de aspecto frágil. tende a elevar a temperatura de transição. ou seja. Processos de fabricação — Um mesmo aço. os valores de impacto não são influenciados pela temperatura.1. pois a região de onde eles são retirados.Fatores que influenciam a temperatura de transição O intervalo de transição é influenciado por certas características como: Tratamento térmico — Aços-carbono e de baixa liga são menos sujeitos à influência da temperatura quando submetidos a tratamento térmico que aumenta sua resistência. Cláudio R. 14. Tamanho de grãos — Tamanhos de grãos grosseiros tendem a elevar a temperatura de transição. como tanques criogênicos. tende a melhorar a resistência ao impacto. A temperatura T1 corresponde à fratura 70% dúctil e 30% frágil. é possível traçar a curva que mostra o comportamento do material quanto ao tipo de fratura (frágil ou dúctil). Por isso esses materiais são indicados para trabalhos em baixíssimas temperaturas. mesmo a temperaturas mais baixas. Retirada do corpo de prova — A forma de retirada dos corpos de prova interfere na posição das fibras do material.. Encruamento — Materiais encruados. Elementos de liga — A adição de certos elementos de liga. têm fundamental importância sobre os valores obtidos no ensaio. por exemplo. Tamanhos de grãos finos abaixam a temperatura de transição.

Para responder a essas necessidades práticas. Cláudio R. esses corpos apresentaram três curvas diferentes. quanto na capacitação da mão de obra técnica. Outra forma de obter o resfriamento é por meio de uma mistura de álcool e gelo seco. Apesar de simples e rápidos de serem executados.6. um dos maiores causadores de problemas e distorções nos resultados. os testes exigem precisão tanto na aferição do equipamento (medidor de resistência ao impacto). principalmente próximo à temperatura de transição. cortando todas as fibras transversalmente. As técnicas de resfriamento são determinadas em normas técnicas específicas. Devido à grande dispersão dos resultados dos ensaios. o entalhe atravessa o núcleo da chapa. que permite atingir temperaturas de até 70 °C negativos. Losekann Direitos autorais reservados Submetidos ao ensaio de impacto. No corpo de prova A.Resfriamento do corpo de prova Os corpos de prova retirados para ensaio de impacto devem ser resfriados. foram desenvolvidos outros tipos de ensaio de impacto e outros equipamentos. o ensaio de impacto comum não oferece resultados aplicáveis a projetos de engenharia estrutural. gerada pela dificuldade de obter corpos de prova rigorosamente iguais e pela falta de homogeneidade dos materiais. O tempo máximo para romper o corpo de prova após o resfriamento é de 5 segundos.Curvas de energia absorvida de um mesmo material. o entalhe está no sentido da fibra. 14. Um modo de obter o resfriamento consiste em mergulhar o corpo de prova num tanque contendo nitrogênio líquido. O corpo de prova B também tem entalhe transversal. Como mostra a ilustração seguinte. Neste caso. Figura 14.1. Tempo necessário para homogeneizar a temperatura em todo o corpo de prova. o entalhe está transversal às fibras do material. até que se atinja a temperatura desejada para o ensaio. No corpo de prova C. na confecção do corpo de prova.31 . por aproximadamente 15 minutos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 . O ensaio de impacto é um teste dinâmico em que um corpo de prova padronizado é golpeado e rompido por um pêndulo ou martelo em uma máquina de ensaios especialmente projetada e é medida a energia absorvida para romper o corpo de prova. Os valores da energia servem como guia útil para comparações qualitativas entre diferentes lotes do mesmo tipo de material. O choque ou 216 . principalmente no entalhe. o que favorece o cisalhamento. Dr.. A absorção de energia é a pior possível.

Ao cair. Pêndulo de Impacto . característica que possibilita sua ancoragem em uma base. a máquina Izod e a máquina Hatt-Tuner. onde o pêndulo apresenta uma energia final.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados impacto representa um esforço de natureza dinâmica. Nesta estrutura 217 . Em máquinas mais antigas. A sua trajetória continua até certa altura. Força associada com velocidade traduz-se em energia. que se rompe. desferido por um peso em oscilação. O ensaio de impacto consiste em medir a quantidade de energia absorvida por uma amostra do material.32 .Máquina de ensaio de impacto. a unidade de energia pode ser dada em kgfm. quando submetido à ação de um esforço de choque de valor conhecido. a unidade de energia adotada é o joule.determina a resistência das películas plásticas e avalia essa característica quando o material é atingido por um peso em queda livre. também sólida. que é obtida pelo ensaio. onde adquire uma energia inicial. kgfcm ou kgfmm. a massa do martelo e a aceleração da gravidade são conhecidas. Figura 14. A máquina é dotada de uma escala. após o rompimento do corpo de prova. Dr. A máquina correspondente é o martelo pendular. que evitará a perda de energia durante o ensaio. o dardo é liberado por meio de um dispositivo eletromecânico quando a pressão negativa de fixação da amostra se apresenta a um determinado valor. que indica a posição do pêndulo. A diferença entre as energias inicial e final corresponde à energia absorvida pelo material. A última é usada principalmente para ensaiar madeira. O método mais comum para ensaiar metais é o do golpe. os quais são descritos abaixo: Queda de Dardo . não é só a força aplicada que conta. porque a carga é aplicada repentina e bruscamente. De acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI). Outro fator é a velocidade de aplicação da força. numa escala relacionada com a unidade de medida de energia adotada. O pêndulo é levado a uma certa posição. A única variável desconhecida é a altura final. A altura inicial também é conhecida. No impacto. e é calibrada de modo a indicar a energia potencial. O mostrador da máquina simplesmente registra a diferença entre a altura inicial e a altura final.é representada por uma sólida estrutura metálica fundida em corpo único. Três máquinas são geralmente usadas para ensaiar materiais de engenharia: a máquina Charpy. que corresponde à posição final. Cláudio R. Durante o teste. No ensaio de impacto. ele encontra no seu percurso o corpo de prova. Para os ensaios em materiais poliméricos é comum o uso de equipamentos que funcionam por queda de dardo ou pêndulo de impacto.

tanto mais frágil será o comportamento do material ao impacto. O tipo com uma capacidade de energia de 30 a 33 kgfm é usado para metais. Na configuração de Charpy o corpo de prova fica na posição horizontal. articulando-se com um sistema de engate e desengate para sua liberação. Desta forma. o pêndulo empurra um indicador sobre uma escala que é usualmente graduada diretamente em kgfm. quanto menor for a energia absorvida pelo corpo de prova. Dr. O pêndulo de impacto segue dois tipos de configurações diferentes: Pêndulo de Impacto na Configuração Charpy . Esta amostra que é carregada como uma barra simples. e uma máquina de 50 kgfcm é geralmente usada para plásticos. A máquina Charpy é disponível em pelo menos dois tamanhos.Ensaio Charpy e Izod. No seu movimento de ascendência após a ruptura. Losekann Direitos autorais reservados apoia-se o pêndulo propriamente dito. no qual uma amostra é normalizada com um entalhe central em U ou V. 218 .33 . que. Cláudio R. onde. A energia absorvida pela amostra durante o ensaio é indicada num mostrador em escala calibrada em joules e graus.é usado em ensaios de impacto. por sua vez. É submetido a uma flexão desencadeada pelo impacto de um martelo fixado na extremidade de um pêndulo. nos quais se fixa o suporte do corpo de prova. A energia que um corpo absorve para se deformar e quebrar é quantificada pela diferença entre a altura atingida pelo martelo antes e após o impacto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O pêndulo é elevado até sua posição mais alta e seguro por um prendedor ajustado para dar altura de queda constante para todos os ensaios. Figura 14. é fixado o martelo. detalhe dinamicamente calculado de modo a permitir que o centro de percussão coincida com o ponto de impacto no corpo de prova. Isso impede esforços no eixo de suspensão. Na máquina Charpy. que quantifica o deslocamento de um ponteiro indicador e outro de arraste. numa das extremidades. o pêndulo consiste de um perfil I com um disco pesado na extremidade. feito para alocar sua ruptura produzida por uma condição triaxial de tensão. O movimento de levantamento do pêndulo até sua posição de queda é feito manualmente por um conjunto de cremalheiras. fica apoiado em rolamentos especiais para eliminar atritos. ligados simultaneamente ao movimento do pêndulo. Ele é então solto para permitir a queda e a ruptura do corpo de prova. O pêndulo é suspenso em um eixo que gira sobre rolamentos e oscila entre dois suportes laterais rígidos. é colocada horizontalmente entre duas bigornas de modo que a lâmina golpeie do lado oposto ao entalhe. composto de uma haste tubular.

Figura 14. 219 . o corpo de prova é fixado para agir como uma viga vertical em balanço.0 cm até que se consiga a ruptura completa.7 kg é seguro por um eletromagneto que é alimentado por um motor. e geralmente é medida em joule. Losekann Direitos autorais reservados Pêndulo de Impacto na Configuração Izod . O entalhe faz face ao pêndulo e o corpo de prova é então posicionado para que o entalhe seja visível acima do suporte fixador. Ele tem as dimensões de 10 mm por 10 mm na secção reta e 75 mm de comprimento e tem um entalhe padronizado de 45º e 2 mm de profundidade no meio do corpo de prova. a altura de queda é aumentada por estágios até que ocorra o rompimento. Um peso de queda com 22. ou seja.Corpos de prova Charpy e Izod. O corpo de prova deve ter 5 x 5 x 75 cm. Cláudio R. Para ensaios em madeira.5 kgfm.5 cm.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.34 . A diferença básica entre as duas configurações está na posição do corpo de prova. Ná máquina Izod. A primeira queda é da altura de 2. e no local onde se dá o impacto. A máquina para ensaio de impacto Izod usualmente tem a capacidade de 16. O peso cai entre colunas-guias verticais quando o circuito do magneto é aberto por um relé. com possibilidade de trocar os suportes fixadores dos corpos de prova.A técnica deste teste não diferencia do teste de resistência ao impacto na configuração Charpy. O mesmo é simplesmente apoiado sobre um vão de 70 cm tal que o peso caia exatamente no meio do vão. a mesma máquina de impacto é projetada para permitir os testes Charpy e Izod.5 cm e as quedas subseqüentes são acrescidas de 2. que neste caso é vertical. o qual é acionado por um contato elétrico entre o magneto e uma polia móvel que pode ser ajustada para qualquer posição desejada ao longo da escala vertical sobre uma coluna-guia. é utilizada a máquina Hatt-Turner. até que se alcance a altura de 25 cm. no entalhe ou no seu lado oposto. Freqüentemente. no tipo de pêndulo empregado. após o que são usados incrementos de 5. alcançada uma deflexão de 15 cm. A amostra é normalizada com um entalhe central em V. A resistência ao impacto é avaliada pelos métodos ASTM D256. Aqui. D746 e D2463. Dr.

826 – 1. Através do ensaio metalográfico. polida. A metalografia envolve basicamente três estágios de preparação de um corpo de prova: a obtenção de uma seção plana e polida. ou que proíbam sua destruição. conservando-se as características de precisão do ensaio. Losekann Direitos autorais reservados 14. tido como o precursor da moderna metalografia. foram desenvolvidas técnicas para a realização do ensaio “in loco”. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a metalografia está classificada em: macrográfico. quando em 1. A maioria dos ensaios metalográficos realizados são destrutivos. e por via de regra atacada por um reativo adequado. • Formas de grafita. pode-se determinar: • tipo. devido as condições que não permitem retirar amostras da peça. a metalografia é a ciência que estuda os metais e ligas metálicas. A metalografia pode ser dividida em: ensaio metalográfico destrutivo e ensaio metalográfico não destrutivo. micrográfico. tamanho do grão.ENSAIOS METALOGRÁFICOS A metalografia surgiu praticamente com o trabalho de Henri Clifton Sorby (1. nem sempre isso é possível. como também a relação entre as suas composições químicas. Quanto ao grau de aplicação com que a imagem metalográfica é visualizada. • Outros. ensaio metalográfico não destrutivo. Cláudio R.908).7 . • Tipos de inclusões.863 observou pela primeira vez uma estrutura metálica ao microscópio. o tamanho. Para determinação de um microestrutura foram desenvolvidos ao longo dos anos muitos métodos de preparação de amostras. lixada. • Valor da camada carbonetada ou descarbonetada. pois se retira amostras para análise do material ou peça solicitada. Por este motivo. Desta forma. • Penetração do cordão de solda. • Identificar o tipo de tratamento térmico ou termoquímico. especialmente em peças de grande porte. o realce da microestrutura através de um ataque adequado e a posterior observação ao microscópio. o local e a intensidade das descontinuidades. propriedades físicas e mecânicas. • Identificar o possível processo de fabricação da peça. • Zonas de alterações térmicas sofridas por soldagem. quando nos mesmos obtivermos um superfície plana. entretanto. a observação através de um microscópio continua sendo o mais importante. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. 220 . microconstituição. Desde então pode-se defini-la como o ramo da tecnologia que estuda e interpreta a estrutura interna dos metais e suas ligas. Mas.

ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO A macrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas quando obtivermos uma superfície. Dr.7. Esta visualização se fará a olho nu ou com uma ampliação de no máximo dez vezes através de lupa. o tipo. conhecendo-se apenas sua seção a-a b-b longitudinal. o tipo de micro inclusão. Assim sendo. plana. etc. o tamanho. Losekann Direitos autorais reservados 14. não é prudente a b concluir que uma barra apresenta uma segregação maior do que outra.ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO A micrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. quando obtivermos nos mesmos uma superfície plana. lixada e atacada por um reativo adequado. 14. 14. 221 . a forma da grafita. Alguns dos objetivos da macrografia são determinar do material ensaiado. Figura 14. a b Figura 14. Cláudio R.7.1 .2 .Etapas metalográficas Escolha da seção a ser cortada: Existem duas seções de corte: seção transversal e seção longitudinal. o tipo de tratamento térmico ou termoquímico sofrido.35 . o que para tal. o local e a intensidade das continuidades. identificar o processo de fabricação da peça.36 . zonas de alteração térmica provocadas por soldagem ou tratamento térmico. a microconstituição do material. a forma. usa-se microscópio ótico ou microscópio eletrônico de varredura ou microscópio de tunelamento A micrografia têm por objetivos determinar do material ensaiado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl.7. onde a imagem obtida nessa superfície.2. será visualizada com um grau de ampliação superior a dez vezes. lixada. bem como da granulação. polida. e atacada por um reativo adequando.Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação. por exemplo: o aspecto da seção longitudinal de barras com segregação depende da maneira pela qual o corte seciona esse defeito.1 . A escolha da seção a ser cortada depende dos objetivos do ensaio. etc.

Durante a operação de corte. evitar que as amostras danifiquem as lixas e o pano metalográfico.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o que mais se adapta para o ensaio metalográfico é o corte por abrasão a úmido. locais de excessivos aquecimento (a mais de 100 0C) em peças temperadas. as quais consistem geralmente de duas substâncias formando um líquido viscoso quando misturadas. Os abrasivos mais utilizados nas lixas são: óxido de alumínio. contudo. permitir que seja feito um estudo da periferia da amostra. Cláudio R. carbeto de silício. dura e resistente ao desgaste. geralmente óxido de alumínio. dispersos em meio de material sintético. Montagem da amostra: A montagem do corpo de prova tem por objetivos: facilitar o manuseio de peças pequenas. O grão abrasivo e o meio de dispersão devem estar perfeitamente adaptados para que permitam um corte preciso. Dr. melhorando com isso a qualidade da imagem obtida. dependendo do tipo de resina e do catalisador. e embutimento consiste em circundar a amostra com baquelite. (polimetacrilato de metila). A lixa é uma ferramenta de corte por abrasão. A máquina de corte por disco abrasivo. O corte por abrasão a úmido é feito com uma cortadeira de disco abrasivo. pois estes fenômenos seriam mais tarde postos em evidência pelo ataque. Esta mistura é vertida dentro de um molde plástico onde se encontra a amostra. Losekann Direitos autorais reservados Nota-se a diferença de aspecto em porcas cortadas transversal ou longitudinalmente provenientes de barras com segregação central. evitar a formação de vários planos durante que influenciam na observação ao microscópio. A montagem do corpo de prova se divide em: fixação e embutimento. A reação de polimerização. polimezando-se após um certo tempo. o corte é guiado apenas pela forma da peça. adulterando-se as conclusões do ensaio. deformação. com interesse de alguma parte em especial. carbeto de silício ou diamante com diferentes granulometrias. deve-se tomar o máximo de cuidado para não danificar a estrutura da amostra por: encruamento. Marcação para identificação: A marcação de amostra serve para identificação e pode ser feita com canetas especiais. isento de qualquer tipo de defeito da superfície da amostra. ou resinas plásticas auto-polimerizáveis. com um tempo de endurecimento que varia de 0. onde o abrasivo é uma substância de origem mineral. ou que secione transversalmente as suas arestas ou cantos vivos para se apreciar a forma da estrutura dendrítica nesses pontos ou eventual existência de pequenas fissuras. Lixamento da amostra na seção cortada: O lixamento da amostra é necessário para diminuir o grau de rugosidade da superfície. sob condições nas quais a amostra não sofrerá deterioração de sua estrutura. Corte da amostra na seção escolhida: Vários meios de corte podem ser utilizados para a realização do corte da amostra na seção escolhida. “cut-off” garante boa precisão do corte. As lixas são classificadas de acordo com o tamanho 222 . preferindo-se. A fixação é feita através de placas metálicas fixadas com parafusos e porcas. é geralmente exotérmica atingindo temperaturas entre 50 a 120 0C. Os discos de corte consistem de um abrasivo. carbeto de boro e diamante.2 a 24h. Nas peças fundidas diretamente na sua forma definitiva. possuindo um sistema de refrigeração e lubrificação garantindo que a temperatura da superfície não ultrapasse a 100 0C e a rugosidade superficial de corte seja reduzida.

600 . 223 .000. segundo a norma ABNT MB-481. encontra-se em bastão. O processo de polimento eletrolítico. ao mudar de lixa. coloca-se o pano metalográfico (feltro) que serve de apoio para o abrasivo. Na lixadeira rotativa de prato. encontra-se em pasta ou suspensão e diamante sintético ou natural. e bastão. reagindo com o meio de ataque de maneira mais intensa que os mais nobres. Polimento da amostra na seção lixada: O polimento se faz necessário para aumentar a nitidez da imagem. permite obter por dissolução anódica de um metal em um eletrólito e uma superfície plana. Dr. deve ser do centro para periferia e deve-se fazer um giro de 180° na amostra periodicamente. Ataque com reativo adequado: A superfície da amostra. Os abrasivos mais utilizados são: óxido de cromo (Cr2O3). São formados células locais onde os constituintes quimicamente menos nobres atuam como ânodo. óxido de alumínio (Al2O3 – alumina). suspensão. sofre uma série de transformações eletroquímicas baseadas no processo de óxido – redução. Este tipo de lixadeira divide-se em dois tipos: Se a amostra foi cortada com a serra de disco. deve-se virar a amostra 90° em relação aos riscos deixados pela lixa anterior. encontra-se em bastão ou suspensão. para aumentarmos o rendimento de corte. A seqüência de lixas para o lixamento é 120 .25 µm e encontra-se na forma de pasta. quando atacada por reagentes específicos. neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador e pelo movimento da lixa. suspensão em água destilada. Destes agentes polidores a alumina e o diamante são os mais utilizados para o polimento mecânico.280 320 . Para a realização do lixamento metalográfico. O diamante se destaca como mais eficiente devido suas características de granulometria. para evitar a formação de planos inclinados.400 . aerossol. A politriz mecânica possui um prato giratório sobre o qual. Lixadeira Metalográfica Manual Rotativa por Via Úmido. O polimento pode ser feito através de politriz mecânica ou eletrolítica.500 .240 .Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz. forma dos grãos e poder de desbaste.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.180 .37 . geralmente são utilizadas dois tipos de lixadeiras: Lixadeira Metalográfica Manual Estacionária por Via Úmido. cujo aumento do contraste se deve às diferenças do potencial eletroquímico. inicia-se o lixamento com lixa de grana 220. Na lixadeira manual.1. Figura 14. o movimento de corte durante o lixamento. Losekann Direitos autorais reservados dos grãos. pasta. causados pela não uniformidade da velocidade de corte. A verificação da rugosidade da superfície na prática é feita através do tato. óxido de magnésio (MgO). dureza. pois os riscos e a deformação superficial deixados pelo lixamento impedem a visualização correta da amostra no microscópio metalúrgico. onde neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador. geralmente em bastão. Cláudio R. O abrasivo varia de 5 à 0. Na metalografia utilizamos o lixamento via úmido pois evita o entupimento da lixa e a água serve como refrigerante e lubrificante para o corte.

Após o ataque químico a amostra deve ser rigorosamente limpa. Dr.38 . e posteriormente seca através de jato de ar quente. Losekann Direitos autorais reservados Para o ataque químico são usadas soluções alcoólicas de ácidos. O microataque evidencia a estrutura íntima do material em estudo. As condições de ataque tais como composição química.. porém. Usado em casos de amostras muito grandes ou quando existe grande desprendimento de gás durante o ataque. temperatura e tempo. Em alguns casos. A figura ao lado mostra uma micrografia de um aço onde aparece grãos perlíticos (ferrita + cementita). bem como sais fundidos ou vapores. estando a amostra imersa na solução de ataque. bases e sais. As técnicas mais comuns de ataque são descritas na tabela abaixo: Técnica Ataque por imersão Ataque por gotejamento Descrição A superfície da amostra é imersa na solução de ataque. A superfície da amostra é enxaguada com a solução de ataque. Método usado com soluções reativas dispendiosas. Este processo é usado com o polimento mecano-eletrolítico Ataque por lavagem Ataque por esfregação Ataque – polimento 224 . Figura 14. através de lavagem em água destilada. devendo ser observada através de microscópio. Cláudio R. álcool ou acetona.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Geralmente a preparação da amostra para o macroataque limita-se ao lixamento. têm uma reatividade química maior que o interior do grão o que permite por em evidência. podem ser variadas para atingir as mais diversas finalidades de contraste. embebida em um chumaço de algodão ou pano. O polimento é efetuado. O ataque químico ocorre principalmente em contornos de grãos por serem zonas de maior energia. para remover os resíduos do processo. deve-se efetuar um pré-polimento. a fim de evitar a formação de camadas oriundas da reação química. é esfregado sobre a superfície da amostra o que serve para remover as camadas oriundas da reação.Micrografia da perlita. A figura abaixo mostra o esquema de um metal policristalino com os contornos de grão postos em evidência através de ataque químico. é o método mais usado. As linhas com seta mostram a incidência de feixe de luz com a respectiva reflexão. A solução de ataque é gotejada sobre a superfície da amostra. A solução de ataque.

100 ml Ácido clorídrico – 120 ml Cloreto cúprico .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5% Álcool etílico – 99 . Linhas com ramificações e pequenas áreas escuras próximas ao centro de peças laminadas vistas em seção transversal. Interpretação depois do ataque: o quadro abaixo mostra algumas interpretações costumeiras. Losekann Direitos autorais reservados Soluções mais usadas na macrografia de metais ferrosos Reativo Reativo de iodo Composição Iodo sublimado – 10g Iodeto de potássio – 20g Água – 100 ml Cloreto cuproamoniacal – 10g Água – 120 ml Ácido clorídrico – 50 ml Água . A perlita escurece porque o reativo ataca a linha de contato entre a ferrita e as lamelas de cementita. Linhas pretas aparentemente contínuas internas oriundas da periferia. em aço moldado. os carbonetos complexos dos aços-ligas e a esteadita dos ferros fundidos. O reativo de picrato de sódio colore a cementita.90 ml Água . mas delineia os contornos de grãos e colore escuro a perlita.95% Ácido pícrico – 4% Álcool etílico .95% Reativo de heyn Reativo de ácido clorídrico Reativo de ácido sulfúrico Reativos de frey Reativo nital Soluções mais usadas na micrografia de metais ferrosos Reativo Reativo nital Reativo de ácido pícrico Composição Ácido nítrico – 1 .25 g Água – 100 ml Reativo picrato de sódio O reativo de nital e de ácido pícrico não ataca a ferrita e nem a cementita. (quando sua forma tem certa simetria podem provir da ruptura durante o forjamento ou laminação).96% Ácido pícrico – 2 ml Soda a 36o . Aspectos Pontinhos pretos mais ou menos agrupados numa secção. b) No ferro de pacote são 225 . laminadas ou forjadas. moles. Pontos ou bastonetes pretos dispostos a) No ferro pudlado são as irregularmente na secção transversal de peças escórias maiores. Restos de vazio. Significação provável Porosidade.5% Álcool etílico – 99 .100 ml Ácido nítrico – 1 . Dr.50 ml Ácido sulfúrico – 20 ml Água . Cláudio R. Trincas ou inclusões grandes alinhadas.

Pontinhos escuros distribuídos com certa regularidade por toda a secção exceto junto à periferia. material duro. as alterações de b) Solda: emendas restaurações. grande em atacar Escurecimento rápido da superfície com o depósito preto pulverilento. Cláudio R. No ferro pudlado. Ferro fundido mesclado. b) Aço rico em carbono e temperado em água. Dr. cementação e descarbonetação). c) Aço liga (inoxidável). Material temperado e revenido ou Aparecimento de regiões de temperado grandemente. (excluída a segregação. Losekann Direitos autorais reservados defeitos de caldeamento ou partículas de escória dos pedações de ferro pudlado que contiver. a) b) grandes. restos de vazio. 226 . Dificuldade superfície. material mole. defeitos de Com reativo de iodo a) Aço de teor de carbono muito baixo e bastante puro (pouco enxofre e a fósforo). Pequeninas áreas cinzentas arredondadas distribuídas uniformemente pela secção.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. escórias No ferro de pacote. tonalidades diferentes com a separação nítida a) Materiais vários caldeados. c) caldeamento No aço. geralmente menos numerosas junto a periferia. origem técnica. Linhas escuras orientadas longitudinalmente Ferro fundido maleabilizado.

• Nunca despejar um produto químico. Também vapores dessas substâncias sempre venenosos. • Todas as substâncias críticas devem ser guardadas em ambientes refrigerados. à prova de fogo e não exposto à luz. peróxidos. diretamente no esgoto. ou externos. causado por inalação ou ingestão. • Substâncias combustíveis e explosivas (benzol. • No trabalho com materiais tóxicos como berílio suas respectivas ligas. • Ácido fluorídrico. etc) não podem ser aquecidas nem ser manipuladas na proximidade do fogo aberto. sais fundidos e soluções salinas). • As soluções de substâncias ativas devem ser preparadas da seguinte maneira: sempre colocar em primeiro lugar a água e em seguida. • Óxido de cromo. como distúrbios nos olhos ou na pele. limpar perfeitamente a amostra pelo menos 15 minutos antes de levá-la para observação microscópica. Losekann Direitos autorais reservados Recomendações práticas para o manuseio de produtos químicos O manuseio de produtos químicos sempre requer cuidados especiais. devem ser observadas as medidas de segurança que se aplicam a qualquer laboratório químico. Cláudio R. os olhos. 227 . Em caso de emanação de gases venenosos. Os efeitos podem ser internos. • Ácido perclórico. bases. mesmo quando impuros. e também alguns metais. o produto químico. A amostra atacada por este reativo pode danificar as lentes focais da objetiva do microscópio. Em conseqüência devem ser evitadas concentrações elevadas e o aquecimento. basicamente para a preparação dos reagentes usados no ataque metalográfico. As misturas de óxido de cromo VI com materiais orgânicos são explosivas. inodoro e insípido porem extremamente tóxico. Após o ataque com reativos à base de ácido fluorídico. • Ácido fosfórico. pode causar conseqüências letais. a pele e roupa devem ser protegidos por óculos. Algumas medidas de segurança de maior importância: • Todos os recipientes devem ser rotulados correta e visivelmente. Praticamente todos os produtos químicos. Não é somente um veneno para a pele e o aparelho respiratório.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. é imprescindível o uso de máscaras adequadas. cuidadosamente. devemse usar luvas especiais. Isto ocorre nas presença de materiais orgânicos ou metais facilmente oxidáveis como por exemplo o Bi. são perigosos para o organismo humano. luvas e uniformes adequados. Misturar com cuidado e não armazenar. As misturas desta substância com álcool podem provocar a formação de dimetilsulfato. devendo-se por isso trabalhar em ambiente muito arejado. Dr. nitratos. • No manuseio de substâncias cáusticas (ácidos. mas também um corrosivo energético para o vidro. acetona. éter. quando concentrado. Quando absorvido pela pele ou inalado. mesmo com a máscara. Por este motivo. Em concentração acima de 60% é facilmente combustível e explosivo.

onde αV é a dilatação térmica volumétrica. geralmente. tais como a alumina.PROPRIEDADES TÉRMICAS As propriedades térmicas determinam o comportamento dos materiais quando são submetidos a variações de temperatura. Dr. Eles podiam também medir as diferenças de potenciais que causavam e 228 .9 . O coeficiente de dilatação térmica linear (αL) é definido pela seguinte expressão: αL = li Tf − Ti ( l f − li ) Onde li é o comprimento inicial. Muitos materiais cristalinos.PROPRIEDADES ELÉTRICAS As propriedades elétricas estão. Para materiais em que a dilatação térmica é isotrópica. O processo inverso é a temperatura de solidificação. Isto acontece tanto no processo de obtenção do material quanto na utilização. entretanto. a maioria dos sólidos aumentam de dimensões com o aumento da temperatura durante o aquecimento e contraem com a diminuição de temperatura. cujo coeficiente de dilatação térmica é 27 vezes mais baixo no plano basal do que na direção perpendicular a ele. calcita e grafite. lf é o comprimento final. Cláudio R. A cerâmica. • Dilatação térmica: é a propriedade que os materiais tem de aumentarem ou diminuírem de dimensões com a temperatura. os físicos já podiam produzir e detectar correntes elétrica.820. O processo inverso é a temperatura de liquidificação ou condensação. em geral. Losekann Direitos autorais reservados 14. onde αS é a dilatação térmica superficial. Por volta de 1. • Condutividade térmica: é a propriedade que os materiais tem de conduzirem calor. que a capacidade de conduzir eletricidade. associadas com a condutibilidade elétrica. e a resistividade elétrica. pode-se demonstrar que: α S ≅ 2 ⋅ α L . quartzo. Ex. Tf é a temperatura final e Ti é a temperatura inicial.8 . Na ausência de transformações de fase. O grafite apresenta um caso de anisotropia extremo. • Ponto de ebulição ou de vaporização: é a temperatura na qual um material muda de estado líquido para o estado gasoso. Esta propriedade é análoga ao da difusividade nos sólidos 14. que é a capacidade de oferecer resistência à condução de eletricidade. e α V ≅ 3 ⋅ α L . há cerâmicas supercondutoras. • Ponto de fusão: é a temperatura na qual um material muda de estado sólido para o estado líquido. são maus condutores de eletricidade. apresentam anisotropia quanto a dilatação térmica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e por isso. titânia. As velocidades de corte elevadas da ferramenta de corte geram aumento da temperatura. elas precisam ser resistentes a temperaturas elevadas.

Em 1. amorfo) e é para muitos materiais independente da corrente elétrica.6 x 10-6 6. a resistência elétrica (R) e a corrente elétrica (i). como o polietileno. l é a distância entre dois pontos em que a diferença de potencial é medida e R a resistência elétrica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O valor de R depende do material.8 x 10-6 2 x 10-6 3 x 10-6 3 x 10-6 5.7 x10-6 1. a que apresenta valores mais característicos e distantes. A condutividade elétrica (σ) indica a facilidade com que um material conduz corrente elétrica e é o inverso da resistividade. Material Ouro Prata Cobre ReO3 CrO2 Alumínio Tungstênio Níquel Ferro Resistividade elétrica (Ωcm) a 20 oC Condutores 1. o físico alemão Georg Simon Ohm (1.827. Cláudio R. Dr.6 x 10-6 1. A condutividade elétrica é. a corrente é medida em ampères (A) ou em C/s e a resistência elétrica é medida em ohms (Ω) ou em V/A. por exemplo. V = R⋅i A diferença de potencial é medida em volts (V) ou em J/C. Losekann Direitos autorais reservados quantificar a resistência elétrica dos materiais condutores. a condutividade elétrica de um condutor como a prata ou ouro.5 SiC 10 Germânio 40 Isolantes Borracha vulcanizada (Buna-S) Butadieno + 1014 estireno Nylon 1014 PTFE (teflon) 1016 PS (polistireno) 1018 229 . A tabela abaixo mostra a resistividade elétrica de alguns materiais. é mais de 20 ordens de grandeza maior que a condutividade de um isolante.854) formulou a lei que relaciona a diferença de potencial (V). A unidade de resistividade elétrica é Ωm. A resistividade elétrica (ρ) é uma propriedade do material e está relacionada com a resistência elétrica da seguinte maneira: ρ = R⋅ A l Onde A é a área da secção reta perpendicular à direção da corrente elétrica. dentre as propriedades dos materiais.787-1. σ= 1 ρ A unidade de condutividade elétrica é (Ωm)-1. policristal. da geometria e do polimorfismo (monocristal.8 x 10-6 13 x 10-6 Semicondutores Silício 2 x 10-5 Fe3O4 10-2 B4C 0.

A condução iônica tem um papel importante nos líquidos. A condutividade elétrica será tanto maior quanto maior for a mobilidade dos elétrons. quando se aplica um campo elétrico em um metal. 230 . em torno de 10-24 (Ωcm)-1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Al2O3 SiO2 Si3N4 MgO > 10 > 1014 > 1014 > 1014 14 Prof. da temperatura.visto que a amplitude das vibrações térmicas é influenciada pela temperatura e. potássio. elétrons ou vazios “eletron holes” por unidade de volume (n). esta propriedade variável com os elementos é. a resistividade de um metal é dada pela equação abaixo: ρ = ρT + ρD Esta lei não é aplicável aos materiais semicondutores em que a resistividade devido a defeitos . Dr. Segundo Matthiessen. discordâncias. A condução iônica é de importância secundária nos sólidos em temperaturas moderadas. diminuindo o livre percurso médio. a condutividade elétrica é explicada. Cláudio R. mais elevada nos metais com menor número de elétrons de valência como o sódio. Losekann Direitos autorais reservados A condutividade elétrica de um material depende do número de condutores ou de portadores de cargas como cátions. quase exclusivamente. entretanto tem importância a temperaturas elevadas. das vibrações térmicas dos íons e dos defeitos nos cristais ou grãos (lacunas. produzindo uma corrente de certa intensidade. o metal oferece uma certa resistência a passagem da corrente elétrica denominado de resistividade elétrica ( ρ). enquanto que no cobre é de 64. por isso. Para o cobre e a prata pura o livre percurso médio dos elétrons à temperatura ambiente é de cerca de 100 distâncias interatômicas.ρD . átomos substitucionais. em geral.diminui quando a temperatura se eleva. σ = n⋅ q⋅ m Nos metais. Como conseqüência disto. maclas e contornos de grãos) que provocam a difusão da corrente elétrica. para um dado elemento. os elétrons de valência que fazem a ligação entre os átomos de silício e os de oxigênio não têm mobilidade dos elétrons de uma ligação metálica e. visto que. ou pelo menos os de energia máxima. Desta forma.ρT .ρD .104 (Ωcm)-1 a 0 oC. mas é freqüentemente utilizada para o estudo de defeitos pontuais e para determinação de pequenas quantidades de impurezas nos semicondutores que são matérias primas para fabricação de dispositivos opto-eletrônicos. a sua condutividade é muito fraca. Na sílica. dirigem-se ao polo positivo. ânions. mas sim no modo em que foi produzido o metal . Assim. esses elétrons. pela nuvem de elétrons livres. dos defeitos existentes na estrutura que são independentes da temperatura. átomos intersticiais. ouro.5. por exemplo. prata e cobre e depende. Tanto o número de condutores (n) como a sua mobilidade (m) dependem da temperatura. a resistividade elétrica depende da temperatura . Ou seja. maior o seu livre percurso médio o qual aumenta rapidamente quando a temperatura diminui (maior que 106 vezes a distância interatômica a baixas temperaturas). por outro lado. da carga (q) de cada condutor e sua mobilidade (m). ou seja.

Losekann Direitos autorais reservados ρ αT ρ αT 5 ρT ρD 0 100 Tf O aumento da resistividade com a temperatura é considerado uma das propriedades mais características dos metais. YBa2Cu3O7. O fenômeno da supercondutividade que se observa em certos metais como o chumbo.39 . Resistividade ( Ω mm ) Temperatura (K) Figura 14. Os dipolos magnéticos são análogos aos dipolos elétricos e podem ser imaginados como pequenas barras compostas de polo norte e polo sul.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. várias ligas sendo estudados a supercondutividade como: UPd2Al3. 231 . O momento magnético do corpo é a soma dos momentos magnéticos das unidades elementares que o constituem. é sabido que estes metais e ligas são más condutoras de eletricidade a temperatura ambiente. 14. NbTi. atualmente. como por exemplo. Há. NdBa2Cu3O7. É conveniente raciocinar em termos de campo magnético e linhas de força (imaginárias) podem ser tracejadas indicando a distribuição do campo magnético. Nb3Sn que se dá em temperaturas baixas deve-se a diminuição de defeitos. mas para baixas temperaturas a variação torna-se proporcional a T5 e tende-se anular para 0K. o nióbio e suas ligas. tornando-se ótimos condutores. a resistividade é proporcional a temperatura absoluta T. Assim.PROPRIEDADES MAGNÉTICAS Forças magnéticas aparecem quando partículas eletricamente carregadas se movimentam. o mercúrio.Curva de resistividade elétrica em função da temperatura. A figura abaixo mostra um esquema dos momentos magnéticos de um corpo sólido. conforme mostra a figura abaixo. a temperaturas inferiores a 20K (-253.15 oC). etc. para um metal puro e uma distribuição atômica perfeita ( ρD = 0) a resistência tende a zero com a diminuição da temperatura.10 .15 oC) a resistividade anula-se bruscamente. que na teoria é possível extingüí-los. Outro conceito importante é o conceito de dipolo magnético. mas. o estanho. Cláudio R. restando unicamente a resistividade devido a defeitos nos metais. Entretanto. Para temperaturas superiores a 100K (-173.

como em um cristal.no S. é o Tesla. designado pelo símbolo “µ”. torna-se conveniente pensar em termos de momento magnético por unidade de volume. Pode-se usar a mesma unidade para M e H. o outro parâmetro importante é permeabilidade magnética relativa: µr = µ µo As permeabilidades µ e µr medem a facilidade com que um campo magnético B pode ser introduzido em um material sob ação de um campo 232 . Na maioria dos materiais.B . M é zero na ausência de campo magnético. se esses materiais são colocadas em um campo magnético. Wb significa weber. entretanto. Cláudio R. então vale a expressão: M = χ⋅H Onde χ é a susceptibilidade magnética por unidade de volume e H é a intensidade do campo magnético. quantidade mensurável. Dr. Um deles é a susceptibilidade magnética acima descrito.Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14.I. Quando consideramos os efeitos magnéticos provenientes de átomos e elétrons reunidos. cujo símbolo é “M”. O campo magnético H é medido em termos do fluxo magnético no vácuo Bo (Wb/m2): Bo = µ o ⋅ H Onde µo é a permeabilidade magnética no vácuo (4π10-7H/m). Vários parâmetros podem ser utilizados para descrever as propriedades magnéticas de um material. H significa henry e a unidade de fluxo magnético .40 . A propriedade mais característica de qualquer material magnético é o seu momento magnético.

25% Si) com grãos orientados Ferrita cerâmica (Mn. a) Na ausência de um campo magnético.5 x 103 0. Na ausência de campo magnético. a qual não varia com a temperatura. paramagnéticos.25% Si) Aço ao silício (3. os átomos de um material diamagnético têm momento nulo. 233 . quanto ao seu comportamento magnético. A susceptibilidade magnética χ. podem ser classificados em: diamagnéticos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético. Os efeitos magnéticos nos materiais originam-se nas pequenas correntes elétricas associadas ou a elétrons em órbitas atômicas ou a spins de elétrons. b) Na presença de um campo magnético. Zn) Fe2O4) Ferrita cerâmica (Mn. é negativa e está na ordem de -10-6 a -10-5.41 . Os materiais. A tabela abaixo mostra valores de permeabilidade magnética relativa (µr) para alguns materiais.5 x 103 1.0 x 103 1. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material diamagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. que só persiste enquanto houver um campo magnético externo aplicado. a) b) Figura 14. antiferromagnéticos e ferrimagnéticos. • Diamagnéticos: é uma forma muito fraca de magnetismo. Zn) Fe2O4) 0. Losekann Direitos autorais reservados magnético externo H. A magnitude do momento magnético induzido pelo campo externo é extremamente pequena e sua direção é oposta à direção do campo aplicado. Dr.1% de impurezas) Aço ao silício (4. Cláudio R. Material Permeabilidade magnética relativa Ferro (0. ferromagnéticos.3 x 103 A permeabilidade magnética e a susceptibilidade magnética podem ser correlacionadas através da expressão: χ = µr −1 Do mesmo modo que os materiais diferem na sua resposta a um campo elétrico. eles também diferem substancialmente quando expostos a um campo magnético.5 x 103 2.

31 x 10-6 -1. níquel e gadolíneo.61 x 10-6 0. A susceptibilidade magnética χ.53 x 10-6 0. Losekann Direitos autorais reservados Material Al2O3 Cobre Ouro Mercúrio Chumbo Índio Susceptibilidade magnética -1. o material é classificado como ferromagnético.42 . Além disto. Material Césio Potássio Alumínio Sódio Zircônio Nióbio Susceptibilidade magnética 0. mas neste caso os átomos de um material paramagnético têm momento magnético. denominada 234 .22 x 10-6 0. b) Na presença de um campo magnético. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material paramagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. a qual diminui com o aumento da temperatura. Dr.81 x 10-5 -0. os materiais ferromagnéticos se magnetizam espontaneamente e podem reter um momento magnético permanente.17 x 10-6 -0.11 x 10-6 -0. a) Na ausência de um campo magnético.2 x 10-6 Material Tungstênio Magnésio Tório Platina Molibdênio Titânio Susceptibilidade magnética 0. Eles apresentam temperatura crítica. Quando o campo magnético H é removido desses materiais. cobalto.1 x 10-6 • Paramagnéticos: é também uma forma muito fraca de magnetismo. tais como MnBi.04 x 10-6 1. cuja orientação ao acaso.13 x 10-6 -0.18 x 10-6 -0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.56 x 10-6 Material Silício Prata NaCl Zinco Cádmio Antimônio Susceptibilidade magnética -0.70 x 10-6 1. Cláudio R.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético. é pequena e positiva e está na ordem de +10-5 a +10-3.41 x 10-5 -0. também apresentam ferromagnetismo. resulta em magnetização nula.3 x 10-6 2. Os dipolos podem ser alinhados na direção do campo magnético aplicado.14 x 10-6 -0.18 x 10-6 -1. É o caso do ferro α.0 x 10-6 • Ferromagnéticos: quando a susceptibilidade magnética χ for positiva e elevada.096 x 10-6 -0.8 x 10-6 3. Algumas ligas e compostos de manganês.54 x 10-6 0. M não cai a zero. melhor será os efeitos magnéticos. Quanto melhor for a orientação dos momentos magnéticos.32 x 10-6 0. a) b) Figura 14.66 x 10-6 1. e Cu2MnAl.

Vários compostos de metais de transição apresentam comportamento antiferromagnético: MnO. • Antiferromagnéticos: alguns materiais apresentam o comportamento antiferromagnético. Material Ferro α Níquel Cobalto Temperatura de Curie 770 oC 358 oC 1130 oC Material Gadolíneo SmCo5 Nd2Fe14B Temperatura de Curie 20 oC 720 oC 312 oC A susceptibilidade magnética dos materiais ferromagnéticos diminui com o aumento da temperatura segundo a lei de Curie-Weiss: χ= C T−θ Onde C é uma constante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O MnO é um material cerâmico com ligação iônica e a sua estrutura cristalina é CFC.é zero. T a temperatura em graus Kelvin e θc é aproximadamente θc. Dr. Losekann Direitos autorais reservados temperatura de Curie (θc). Cr2O3. Os íons Mn2+ apresentam momento magnético permanente. O material como um todo não apresenta momento magnético.43 . CoO. NiO. mas estão arranjados na estrutura de modo que os íons adjacentes têm momentos opostos ou antiparalelos.Esquema de momentos magnéticos do MnO. MnSe e CuCl2. O momento magnético associado aos íons O2. acima da qual perdem o ferromagnetismo e tornam-se paramagnéticos. Figura 14. Cláudio R. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos do MnO.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético. 235 .44 . A figura abaixo mostra um esquema da configuração de dipolos de um material ferroamagnético e a tabela que segue mostra a temperatura de Curie para alguns materiais ferromagnéticos Figura 14. MnS.

A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos de ferrita. A susceptibilidade dos materiais antiferromagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais paramagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. Figura 14. χ= C T±θ de θn. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente 236 . A resultante dos momentos magnéticos dos dois tipos de íons de ferro não se anula e o material apresenta magnetismo permanente. onde M deve ser um elemento metálico. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente • ferrimagnéticos: alguns outros materiais cerâmicos também apresentam forte magnetização permanente. Na estrutura cúbica da magnetita o cátion ocupa interstícios Fe2+ octaédricos e o cátion Fe3+ ocupa interstícios tetraédricos. O Fe3O4. pode ser escrita como Fe2+O2(Fe3+)2(O2-)3 . Cláudio R. Estes materiais são denominados de ferritas (não confundir com a fase ferro α do ferro. Dr. χ= C T±θ de θc. denominada de ferrimagnetismo. o Cu. As ferritas podem ser representadas por Mfe2O4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. denominada de temperatura de Néel (θn). o Ni. As características macroscópicas do ferromagnetismo e do ferrimagnetismos são parecidas. Onde C é uma constante. A susceptibilidade dos materiais ferrimagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais ferromagnéticos e diminui com o aumento da temperatura.45 .Esquema dos momentos magnéticos da ferrita. Estes materiais também apresentam temperatura crítica de Curie (θc). O ânion O2. que foi a primeira ferrita conhecida.é magneticamente neutro. o Mn. Onde C é uma constante. além do ferro. de estrutura CCC). e o Mg. O íon M2+ pode ser. Losekann Direitos autorais reservados Estes materiais apresentam temperatura crítica.

Para estas aplicações são necessários materiais magnéticos moles como Fe. Geradores de c. usado para magnetizá-la. O desenvolvimento de materiais magnéticos mais eficientes tem sido contínuo.MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS As propriedades magnéticas de um material são determinadas pela sua estrutura eletrônica. motores elétricos de c. exibindo elevada coercividade e elevada remanescência e o produto H x B deve ser máximo.Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo). por exemplo. e Fe-Co-V (supermalloy). Em termos de aplicações.1 . Fe-P-Si). baixa remanescência (Br). combinado com elevada permeabilidade magnética (µ) e saturação magnética. Fe-P. Este comportamento é útil em aplicações que envolvem mudanças contínuas na direção de magnetização.10. 237 . Um material magnético duro tem sua magnetização durante a fabricação e deve retê-la depois que o campo magnético externo. A figura abaixo mostra as curvas de magnetização e ciclos de histerese típicos de materiais magnéticos moles e duros. de modo que a magnetização de um material ferromagnético pode ser pequena ou até mesmo nula. os materiais magnéticos podem ser divididos em dois grupos. alternadores. Cláudio R. Figura 14. geradores de c. Losekann Direitos autorais reservados 14. dentro das quais a magnetização é igual ao valor da saturação. pela sua estrutura cristalina e por seus domínios magnéticos. sendo estes últimos produzidos a partir de 1970 pela metalurgia do pó.46 .a. Fe-Co. Os materiais magnéticos duros apresentam um ciclo de histerese elevado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.c. Um material magnético mole opera na presença de um campo magnético.a. fones de ouvido e alto-falantes necessitam de materiais magnéticos duros como SmCo5.. Fe-Si (aço ao silício). materiais magnéticos moles significa ser facilmente magnetizado e desmagnetizado. Dr. Fe-Ni. Atinge-se o valor de saturação quando os domínios são alinhados pela aplicação de um campo magnético externo.a. e transformadores de c.907) para explicar o comportamento dos materiais ferromagnéticos. Em outras palavras. tendo baixa coercividade (Hc). materiais duros ou permanentes deve ser resistente a desmagnetização. denominados de materiais moles. O conceito de domínio magnético foi introduzido por Weiss (1. A magnetização de diferentes domínios varia com a direção. for removido. Sm2Co17 e NdFeB. Ele postulou que um material ferromagnético é dividido em domínios.

Para um feixe incidente normal. Losekann Direitos autorais reservados 14.Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios. Figura 14. Pela conservação de energia. It é a Io intensidade do feixe transmitido e Ir é a intensidade do feixe refletido. Em outras palavras. dada pela equação abaixo: Io = It + Ia + Ir (W/m2) Equação 24 14.47 . pode-se notar que parte desta intensidade é refletida nas interfaces. Ia é a intensidade do feixe absorvido. Além disto. ele sofre reflexão e refração. onde Io é a intensidade do feixe incidente. Dr. Cláudio R. Io 238 . TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. a reflexão na frente e na saída da superfície devem ser levadas em conta. A absorção I pode ser expressa por A = a onde. Ia. por exemplo. conforme mostra a figura abaixo. ao se iluminar uma amostra. absorvidas e refletidas. Assim. a intensidade do feixe incidente Io para a superfície do meio sólido deve ser igual a soma das intensidades transmitidas. respectivamente. e Ir. O coeficiente de absorção α não pode ser obtido diretamente de um único experimento de transmitância. a intensidade de I um feixe refletido pela frente da superfície é dado pela refletividade R = r e a Io It transmitância é dado por T = . parte é absorvida pela amostra e outra parte emerge do outro lado (transmitido).REFLETIVIDADE.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.11 . com intensidade Io.PROPRIEDADES ÓTICAS Quando um feixe de luz encontra uma interface entre dois meios. A perda linear por absorção de um meio pode ser expressa pela lei de Beer-Lambert [: I = I o ⋅ e − α l Onde Io. It. parte da radiação da luz pode ser absorvida pelo meio em que se propaga. do ar para dentro de uma substância sólida.11. l a espessura da amostra e α o coeficiente de absorção por unidade de comprimento. é a intensidade do feixe incidente.1 .

48 . Dr. A figura ao lado mostra um típico espectrômetro com compartimento aberto onde se posicionam amostras para a incidência de feixes de luz para a obtenção de dados de absorção e transmitância. pode-se expressar a intensidade do feixe transmitido pela equação: I t = I o ⋅ e −αl Onde α é o coeficiente de absorção (mm-1) que varia com o comprimento de onda da radiação incidente. 239 . e l é a espessura do material na qual atravessa o feixe. é mais conveniente evitar medições de refletância. IoA I t A = I o A ⋅ e −αl TA = ItA I oA = e −αl Figura 14. Figura 14. ou zero (Ir ≅ 0). Às vezes. Transmitância de uma amostra A figura abaixo mostra o esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente em uma amostra de vidro. Se intensidade do feixe refletido for aproximadamente igual a zero. Losekann Direitos autorais reservados A intensidade do feixe transmitido pode ser expressa pela equação: It = Io − Ir − Ia 2 I t = I o ⋅ ( 1 − R ) ⋅ e − αl Logo. Cláudio R.49 . quando as espessuras do meio são muito finas ou transparentes (em vidros).Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro. a transmitância será nula (It = 0). se a intensidade do feixe refletido for igual a intensidade do feixe incidente (Ir = Io ).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro.

um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. cai em um nível mais baixo de energia. Pode-se observar que a transmitância reduz com a diminuição do comprimento de onda que é devido a absorção dos cristais de PbS. Transmitância (%) 240 .Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado. Transmitância (%) 1 00 200 300 400 500 600 700 800 900 Comprimento de onda (nm) Figura 14. é quase inteiramente refletido. 98 com algumas flutuações. Estas propriedades dos metais atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem reemitir. quando o elétron. Figura 14. Espectro com irradiação do ultravioleta. denominado de STW4. isto é. Deste modo. Dr. Os materiais metálicos são inteiramente opacos no espectro da luz visível. Cláudio R. Podese observar que a 1 04 transmitância para a 1 02 amostra BLC1 é de 1 00 aproximadamente 100%.50 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mas são transparentes para ondas eletromagnéticas de pequeno comprimento de onda como raio-X e raio-γ. O ruído que aparece entre 180 nm e 280 nm é devido a absorção do ultravioleta BLC1 1 08 pela lâmina de vidro que 1 06 suporta a amostra. toda radiação de luz é absorvida ou refletida ou ambas. Losekann Direitos autorais reservados A figura que segue mostra o resultado de transmitância em função do comprimento de onda de uma lâmina de vidro denominado BLC1. excitado pelo impacto de uma radiação.Curvas de transmitância da amostra BLC1. dando lugar ao brilho metálico. para o intervalo de 96 comprimento de onda de 94 280 nm a 850 nm. 1 00 STW4 80 60 40 20 0 200 300 400 500 600 700 800 900 1 000 Comprimento de onda (nm) A figura que segue mostra a curva de transmitância em função do comprimento de onda de uma amostra de vidro dopado com cristais de PbS de tamanho nanométrico.51 .

Para analisar determinados fenômenos. utilizou os conceitos da teoria quântica.76 1. Assim. que indica que a velocidade de propagação da luz naquele meio (c) é menor que a velocidade de propagação da luz no vácuo (co = 3 x 10 8 m/s). onde o índice de refração independe da direção de propagação e da polarização da luz.49 1. como o vidro. A energia de um fóton pode assumir determinados valores definidos pela relação: h ⋅ co E = h⋅ ν = λ 241 .74 1. Cristais com outras estrutura são anisotrópicos e seus índices de refração são função da orientação e da polarização. Material Sílica Soda-lime Pyrex Dense optical flint glass Corundum (Al2O3) Periclase (MgO) Quartzo (SiO2) Spinel (MgAl2O4) Politetrafluoretileno Polietileno Polistireno Polimetilmetacrilato Polipropileno Heptano Etanol Índice médio de refração 1.60 1.47 1. Cláudio R.38 1.72 1.51 1.55 1. Losekann Direitos autorais reservados Materiais isolantes podem ser transparentes e alguns materiais semicondutores são transparentes e outros são opacos. o índice de refração (n ≥ 1). co n c = Cristais com estrutura cúbica são isotrópicos.49 1.46 1.36 Do exposto acima. Einstein.35 1. Dr. e propôs que um feixe de luz consiste de pequenos pacotes de energia. conhecidos como quanta de luz ou fótons. pode-se concluir que a radiação eletromagnética pode ser tratada de dois modos: clássico (ondulatório) e quântico (fótons). Um material homogêneo e transparente. proposta por Planck em 1900. em 1905.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a abordagem clássica é mais conveniente e em outras situações é preferível a abordagem quântica. é caracterizado por uma constante. O quadro abaixo mostra os índices de refração de vários materiais.65 1.51 1.

63. Variando o comprimento de onda de Io. Luz monocromática de intensidade Io é incidida sobre a amostra. e para tempos maiores. A energia absorvida pode ser suprida como energia mais elevada de radiação eletromagnética tal como luz ultravioleta. b). A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor.52 . vermelho para Cu2O ou preto metálico para GaAs de acordo com o valor de energia da banda proibida. fig.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o qual conduz à formação de um estado de fronteira do par elétronburaco. onde o próton é substituído por uma partícula com carga +e e com massa efetiva do buraco. Ao absorver energia.. amarelo claro para CdS. ou outras fontes como calor. obtém-se o espectro de absorção mostrado na fig. Processos não radioativos fazem com que o elétron vá para o nível mais baixo da banda de condução se 1. o fenômeno é chamado de fluorescência. podem ser descritos similarmente como os átomos de hidrogênio. A linha característica do espectro de absorção na figura acima (b) é uma manifestação direta da interação coulombiana originadas da atração entre elétron e buraco. a).10 -34 J. Um exemplo simplificado de um experimento de absorção. um elétron pode ir para um estado excitado. fig. Figura 14.1 eV. laranja para ZnSe. fosforescente. Cláudio R.s). Dr. 242 . A absorção.8 eV < hv < 3. é representado esquematicamente na abaixo. Losekann Direitos autorais reservados Onde h é a constante de Planck (h = 6. para determinar as propriedades óticas e indiretamente a energia de banda proibida. nota-se que eles usualmente apresentam uma coloração.a) Esquema de um experimento de transmissão. O coeficiente de absorção e o índice de refração têm um comportamento não linear com a intensidade da luz excitante. energia mecânica ou energia química. ν é a freqüência da onda. b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs. Estes éxcitons. Esta energia pode ser fornecida por meio de fótons com energia maior do que a energia de banda proibida do material. de fato. Alguns materiais são capazes de absorver energia e reemitir luz visível em um fenômeno chamado luminescência. de onde podem retornar à banda de valência com emissão de um fóton. co é a velocidade da luz e λ é o comprimento de onda. Se a reemissão ocorre para tempos menores que um segundo. Quando se olha para um semicondutor. A luminescência é classificada de acordo com a grandeza do tempo entre o evento de absorção e reemissão. Um detector mede a intensidade transmitida It . Os semicondutores lasers são um bom exemplo para mostrar como as propriedades óticas e elétricas são. intimamente relacionadas. o éxciton. b) é típica de um semicondutor do tipo GaAs.

Este tipo de radiação é denominada radiação térmica e é uma mistura de comprimentos de onda. uma onda eletromagnética pode ser representada em um sistema cartesiano com três eixos ortogonais entre si: um eixo representa o campo elétrico (E). Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.4 µm a 0. Em adição às propriedades óticas. ondas de radar. A luz ocupa uma região muito estreita do espectro de radiações eletromagnéticas. Luz. a radiação eletromagnética pode ser considerada como sendo ondas com dois componentes perpendiculares entre si e ambos perpendiculares à direção de propagação. O branco é uma mistura de todas as cores. Dr.Espectros de radiação eletromagnética. Portanto.7 µm. calor. Todos os corpos emitem radiações eletromagnéticas devido ao movimento de seus átomos e moléculas. outro representa o campo magnético (P) e o terceiro eixo representa a direção de propagação. com comprimento de onda que vão de 0. A figura abaixo representa o espectro de radiações eletromagnéticas. é interessante investigar a resposta de semicondutores sob excitações de pulsos curtos. Nas últimas décadas tem sido feito progressos significantes na produção de pulsos óticos da ordem de femtosegundo (1 fs = 10-15 s) através de laser (light amplification by stimulated emission of radiation). ondas de rádio e raio-X são formas de radiações eletromagnéticas.53 . Figura 14. Losekann Direitos autorais reservados Do ponto de vista clássico. 243 .

Os elétrons produzidos pela reação anódica. O quadro abaixo mostra potenciais de eletrodo de vários metais. por exemplo.000 +0.799 +1.RESISTÊNCIA A CORROSÃO Muitos metais encontram-se na natureza de forma combinada e principalmente com o oxigênio.350 -0. geralmente.190 -0. Losekann Direitos autorais reservados 14. participam de reações de redução.12.498 Mn 2 + + 2e − → Mn Cr 3+ + e − → Cr 2 + Eu 3+ + e − → Eu 2 + Ni 2 + + 2e − → Ni Pb 2 + + 2e − → Pb 2H1+ + 2e − → H 2 ( g ) Cu 2 + + 2e − → Cu Fe 3+ + e − → Fe 2 + Ag1+ + e − → Ag Au 3+ + 3e − → Au 244 . As reações que ocorrem no ânodo e no cátodo são denominadas de meia reação ou semi-reação. O local onde ocorre a reação de oxidação é denominado de ânodo. A corrosão de um metal. Solução ácida Potencial de eletrodo (em V para 1 mol/l) a 25 oC -1.337 +0. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.PROPRIEDADES QUÍMICAS 14.1 . denominado de potencial de eletrodo. como o zinco. O local onde a reação de redução ocorre é denominado de cátodo. por exemplo. Os metais e suas ligas tendem a reagir com o meio durante a sua utilização.236 -0. a propensão à corrosão pode ser avaliada por este potencial. A corrosão metálica é um processo eletroquímico.420 -0. Os potenciais de eletrodo são medidos em relação ao hidrogênio. O potencial de eletrodo depende da natureza e da concentração de solução em que o metal está imerso.“representa um elétron. um metal M de valência n pode-se oxidar segundo a reação: M → M n + + ne − Onde “e. Cláudio R. Como o processo de ionização de um metal cria um potencial elétrico. Semi-reação.777 +0.12 .126 0. pode ser representada pela soma de duas meias reações: Zn → Zn 2 + + 2e − 2H1+ + 2e − → H 2 (g) Zn + 2H1+ → Zn 2 + + H 2 (g) Os metais apresentam diferentes propensões a corrosão. o alumínio é encontrado na bauxita que contém alumina (Al2O3).

causada por uma película muito fina de óxido na superfície do metal ou liga. tolueno.Esquema dos tipos de corrosão. a qual dificulta o processo de oxidação. plásticos do tipo polietileno absorvem água. Os materiais cerâmicos são muito estáveis quimicamente. Os vidros são muitos resistentes aos ácidos. Dr. de acordo com a maneira com que ela ocorre. promovendo ligações cruzadas. os termofixos são mais resistentes ao ataque de solventes orgânicos que os termoplásticos. A corrosão pode ser classificadas em vários tipos.2 . Apesar disto eles são susceptíveis aos ácidos fluorídricos e por algumas bases. ácidos. 14. é acelerada pela radiação ultravioleta ou pela luz solar intensa (muito comum no polietileno e borrachas). 245 . Outra forma de degradação é causada pela difusão de oxigênio entre as cadeias das macromoléculas. assim como em ácidos e bases fracos. A figura abaixo mostra os esquemas dos tipos de corrosão.54 . Losekann Direitos autorais reservados Um fenômeno muito importante no estudo da corrosão é a passivação. São praticamente inertes na maioria dos meios orgânicos e inorgânicos. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. em água. Os refratários utilizados em fornos também sofrem o ataque químico causado por gases oriundos da fusão de metal.12. podendo. bases ou atmosferas agressivas em relação aos metais. denominada envelhecimento.RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO Alguns materiais são bastante estáveis em meios líquidos como água. Os casos mais conhecidos de passivação são provavelmente do alumínio e do aço inoxidável. Figura 14. como aminas aromáticas e derivados de fenóis. conforme o meio e as condições em que ele está exposto. Um mesmo tipo de material pode sofrer diferentes tipos de corrosão. Esta reação. Nem sempre a degradação se da por completo. no entanto ser parcial com difusão de líquido ou soluto entre suas moléculas. Em geral. A oxidação dos pneus pode ser suprimida pela adição de pequenas quantidades de carvão ou de substâncias antioxidantes. por exemplo. polistireno são solúveis em benzeno. diminuindo inclusive sua resistência mecânica.

15.1 . Dois termos que geralmente vem sendo confundido. o reaproveitamento não significa 246 .1 – Símbolo da reciclagem.GESTÃO AMBIENTAL – que estabelece ações de correção ou minimização de efeitos ambientais dos processos produtivos. ISO 14000 .INTRODUÇÃO Quando é abordado o assunto de reciclagem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. energia. na qual tem preocupação com o meio ambiente e procura redigir vínculos de legislação ambiental para satisfação da comunidade e melhoria da imagem da empresa. é importante diferenciar duas normas mundiais que tratam do assunto de reciclagem de uma forma direta ou indiretamente. produção e preço de um produto com o consumo de energia. Dr. entretanto. A reciclagem é um reaproveitamento de uma matéria prima ou produto industrializado ou final. Outro aspecto que é importante ressaltar é o entendimento entre reciclagem e reaproveitamento. Cláudio R.ISO 9000 .GARANTIA E GESTÃO DA QUALIDADE – que estabelece requisitos para sistemas de qualidade que favorece interação com o mercado internacional. Losekann Direitos autorais reservados 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS Figura 15. reciclagem de resíduos] onde se preocupa com a demanda. Estas duas normas são: . redução de custos via melhoria contínua [consumo de água.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. ao ser usado na fabricação de uma colcha por meio de costura.400 750 750 1.500. Material Aço bruto Ferro fundido Alumínio Bronze Cobre Chumbo Cimento Concreto reforçado Cerâmica tradicional (tijolos) Vidro plano Fibra de vidro Polipropileno Poliestireno Polietileno PVC Papel Energia (GJ/tonelada) 10-47 58-360 83-330 97 72-118 28-54 4-8 8-14 3-6 14-20 43-64 108-113 96-140 80-120 67-92 59 Preço de alguns materiais de engenharia. o tecido deveria ser transformado novamente em fios para posteriormente fazer a fabricação da colcha.400 2.300 3.). a reciclagem traz economia de energia. Material Diamante industrial de alta qualidade Platina Ouro Tungstênio Titânio Latão (60%Cu .000 14. Exemplo. porque para fabricar a lata de alumínio novamente. a matéria prima ou produto final é novamente reprocessado.400 870 247 . Dr. na reciclagem. Caso fosse feito a reciclagem. Energia necessária para a produção de alguns materiais (PADILHA. enquanto que o reaproveitamento não significa o reprocessamento. Em determinados casos. como as latas de alumínio. basta fundir a lata usada que envolve menos energia do que a transformação do minério (alumina) em alumínio.000 9.000 16. 1997. 1997.). (PADILHA.40%Zn) Alumínio Aço inoxidável Aço doce Carboneto de silício (cerâmica avançada) Carboneto de silicio (abrasivos) Carboneto de silício (refratários) Vidro Borracha sintética Borracha natural Preço (US$/tonelada) 500.000. Isto significa que a reciclagem pode consumir muita energia.750 2.500 8. O quadro abaixo mostra a energia necessária para produção de alguns materiais. Um retalho de tecido de algodão.500 1. Losekann Direitos autorais reservados reciclagem. isto é. é reaproveitado.700 350 27.500.

Alguns exemplos dos tipos mais utilizados: PEAD . São finos e bastante flexíveis. são recicláveis. sacos de batata. PVC .(polietileno de alta densidade) . poliésteres.(polietileno de baixa densidade) .(polietileno tereftalado) . calçados. etc.plástico "filme" . poliuretanos.000 1. utensílios domésticos.frascos de shampoo e maquiagem. sucos e óleo de cozinha.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Polietileno PVC Fibra de vidro Fibra de carbono Resina epoxídica Madeira compensada dura Madeira dura estrutural Madeira mole estrutural Vigas de concreto reforçado Cimento Sillício monocristalino (Wafers) Silício metalúrgico 1. Os termoestáveis.(policloreto de vinila) . Além de diminuir os impactos de poluição e diminuição de custos em muitos casos. Não são recicláveis. Essas embalagens são transparentes e fabricadas em diversas cores. PS – (poliestireno) . pastas para material escolar.(poliproprileno) . 248 .no Brasil. portanto. Para facilitar a separação dos materiais plásticos para a reciclagem e reaproveitamento.. resinas epoxídicas. policloreto de vinila (PVC). Cláudio R.queimado liberando muita energia térmica.. É mais rígido.000.garrafas de refrigerante. Dr. Desta forma. baldes. mas podem ser reaproveitados.650 530 350 330 70 10. a reciclagem cria novos empregos em centros de reciclagem. É o caso do polietileno (PE). o material é picado e utilizado novamente como material aditivo em determinados produtos.plásticos "filme" de proteção de alimentos. brinquedos.sacos plásticos de lixo.100 1. peças de automóveis. aparelhos telefônicos.000 1.500 45. OUTROS – Utilizados em eletrodomésticos. poliestireno (PS).tubos e conexões de encanamento. 3. é a mais utilizada. pisos.950 e devido ao custo e poluição que os mesmos envolvem. É o caso do baquelite. alguns frascos de detergente. Reciclagem –"reprocessados" por aquecimento e a matéria prima pode então ser utilizada novamente na indústria petroquímica.000 1. polipropileno (PP). os materiais plásticos e elastômeros pode ser reaproveitado de três maneiras: 1. os mesmos são identificados pelas siglas para diferenciar cada tipo. 2. Os termoplásticos podem ser repetidamente conformados mecanicamente desde que reaquecidos. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais poliméricos têm tido muita preocupação quanto a reciclagem e reaproveitamento em virtude da grande utilização após 1. PP . porém resistente.300 Prof.000 6. Reaproveitamento mecânico . PEBD . revestimentos diversos.copos plásticos. PET . São conformáveis plasticamente apenas em um estágio intermediário de sua fabricação. Reaproveitamento energético .

3 mm. Resposta: σF = 20. O que é deformação plástica? 10.5 Kgf/mm2. Cite 4 tipos de ensaios destrutivos! 7. Para que se faz ensaio de flexão? 16. Que propriedades pode ser avaliadas no ensaio de flexão? 17.7x105 Mpa. Determine: a) A tensão de flexão.16MPa 18. Explique o comportamento de materiais dúteis e frágeis utilizando diagrama σ x ε.EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1.7HB 249 .382. Qual é a tensão limite de resistência à compressão de um material que tem 400 mm2 de área da seção transversal e se rompeu com uma carga de 760 KN? Resposta: σ = 1.5 mm de diâmetro e a carga de 62. utilizou-se o ensaio Brinell. 3. Na realização de um ensaio de dureza.7 kgf/mm2 ou 43. Eal = 0. Resposta: ∆ = 0.15% 13. o seu comprimento é de 0. Uma barra de alumínio de possui uma secção transversal quadrada com 60 mm de lado. O que é tenacidade? 5. O Que é limite de escoamento? 9. Um corpo de prova de 30 mm de diâmetro e 600 mm de comprimento foi submetido a um ensaio de flexão a três pontos. apresentando uma flexa de 2 mm sob uma carga de 360 N. Um aço de médio carbono que apresenta o Módulo de Elasticidade Longitudinal de 21.5 Kgf. Por quê se faz ensaios de materiais? 6. Dr. Por que se deve garantir o paralelismo entre as placas da máquina de ensaio e limitar o comprimento dos corpos de prova nos ensaios de compressão? 4.900 MPa 14. 2.095mm 15. O que é Módulo de Elasticidade Longitudinal? 8.000 Kgf/mm2 e Tensão de escoamento de 31.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. b) O módulo de elasticidade longitudinal. Determine o seu alongamento. qual é a máxima deformação que o material pode apresentar obedecendo o regime elástico? Resposta: ε = 0. Mostre esquematicamente os estágios na formação taça-cone e explique resumidamente. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 1. O que é flambagem? 12. Como se mede a tenacidade em um diagrama σ x ε? 11. Cláudio R.8m. A esfera utilizada foi de 2. A carga axial aplicada na barra é de 30 kN. Qual é a dureza da amostra? Resposta: HB = 43. Losekann Direitos autorais reservados 16 .38Mpa e E = 20.

Losekann Direitos autorais reservados 19.997 mm. Espessura mínima é de 6. Qual é a carga necessária para o ensaio se utilizar um penetrador de 10 mm de diâmetro? É possível fazer ensaio de dureza Brinell com diâmetro do penetrador de 10 mm? Dados: a) Espessura mínima deve ser igual a 17 vezes a profundidade da calota.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 10 mm de diâmetro. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com as seguintes especificações: a) Espessura: 4. cuja especificação de dureza foi de 85 HB. portanto.5 mm b) Dureza Brinell: 100 HB c) Essas chapas devem ser submetidas a ensaio de dureza brinell e a empresa dispõe de um penetrador de 2. portanto. Quais as vantagens do ensaio de dureza Rockwell sobre o ensaio de dureza Brinell? 21. Espessura mínima é de 4. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 5 mm de diâmetro. utilizou-se o ensaio Brinell.5 mm de diâmetro e a carga de 187.5 mm de diâmetro. b) Dureza Brinell: 180 HB c) Verificar se estas chapas podem ser submetidas ao ensaio de dureza Brinell utilizando diâmetro do penetrador de 5 mm. A esfera utilizada foi de 2. Interprete a seguinte representação de dureza Brinell: 120HB 5/250/15 24.5 mm de diâmetro. é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 2. Qual é a dureza da amostra? Resposta: 230HB 22. Resposta: F = 1.51 mm. ou seja. portanto. 250 .5 Kgf. Qual é a espessura mínima da chapa para a utilização de um penetrador com 2. Cite uma das definições de dureza (preferência do ponto de vista da metalurgia). Dr. 25. qual é a espessura mínima das chapas de aço para um penetrador de 5 mm. 23.000kgf. Espessura mínima é de 4. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 0. Cláudio R. Resposta: F = 750kgf. Uma empresa comprou um lote de chapas de alumínio de 6 mm.37 mm. Na realização de um ensaio de dureza. 20. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com a seguinte especificação: a) Espessura da chapa: 4 mm.0 mm.5 mm de diâmetro? Resposta: F = 187.5kgf.

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ht ml 38.usp.rc.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.centraldaceramica.org.ndsm. Losekann Direitos autorais reservados 37. http://www. http://www. Dr. Cláudio R.br/acervo/matdidat/tc2000/tecnico/ensaios/ensaios.eng.br 253 .unesp.ufba.com.ufrgs.h tml 42.br/asp/abc_53c. http://bibvirt.futuro.html 41.deq. http://www.abceram.br/museudpm/banco/silicatos/filossilicatos/muscovita.br/polimeros/ensaios. www.br/Central/web/informa/dicas/considerac oes_gerais.htm 39. http://www.htm 40.

Dr. Losekann Direitos autorais reservados ANEXOS 254 . Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

-recozidos. De 5 a 10 segundos Aços ligados Aços grafitizados Ferros fundidos Para todos os tipos de aços: -normalizados. -austemperado Estruturas austeníticas sem a presença das linhas de deformação Camadas nitretadas de ácidos inoxidáveis Estrutura do alumínio e suas ligas Picral Ácido nítrico e fluorídrico 5 ml de HNO3 1 ml de HF 48% 44 ml de água destilada 4 g de CuSO4 20 ml de HCI 20 ml de água destilada 0.5 ml de HF concentrado 99. Losekann Direitos autorais reservados Reagentes químicos para metalografia MATERIAL Aços carbono ao REVELAÇÃO Aços ao carbono REAGENTES Nital COMPOSIÇÃO 1-5 ml HNO3 concentrado 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico ou amílico 4 g de ácido pícrico 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico OBSERVAÇÃO A porcentagem de ácido nítrico varia em função da seletividade do ataque. Ataque por imersão a frio O taque não revela o contorno dos grãos de ferrita. -esferodizado. -temperado. Cláudio R. Remover o ataque por lavagem com água morna corrente Atacar a frio por imersão 15 segundos De 5 até 10 segundos 40 segundos De 10 a 20 segundos 10 segundos Magnésio e Contorno dos Ácido cítrico Atacar por De 5 a 10 255 . Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 ml de H2O destilada Marble Ataque por imersão a frio 10 segundos Ácido fluorídrico Indicado revelação FeAl3 Alumínio suas ligas e na de Ácido sulfúrico Fase α do FeAl3 Ácido nítrico Estrutura duralumínio alclad do e Keller Estrutura do alumínio e suas ligas Vilella 10 ml de H2SO4 concentrado 90 ml de H2O destilada 25 ml de HNO3 concentrado 75 ml de água destilada 10 ml de HF concentrado 15 ml de HCI concentrado 25 ml de HNO3 concentrado 50 ml de água destilada 1 parte de HNO3 concentrado 2 partes de HF concentrado 3 partes de glicerina 5 g de ácido Atacar por umedecimento com auxílio de algodão embebido no reagente Atacar por imersão em solução aquecida entre 60 e 70°C Atacar por imersão em solução aquecida a 70°C Atacar por imersão a frio. Ataque por imersão a frio. -temperado e revenido. Pode-se utilizar também concentrações mais diluídas. Ataque por imersão com a solução fria TEMPO DE ATAQUE De alguns segundos até 1 minuto dependendo do teor de carbono do aço De alguns segundos até 1 minuto dependendo do tratamento térmico recebido pelo aço.

Escurece a fase beta do latão Indicado na revelação da estrutura do cobre e suas ligas Estrutura do cobre. Dr. níquel e bronze Estrutura de bronze. particularmente as ligas com manganês. bronzes e latões Cromato potássio de O NaCl pode ser substituído por uma gota de HCl para cada 25 ml de solução Ataques de 5 segundos com polimentos alternados Cloreto férrico Atacar por imersão ou umedecimento De 10 a 40 segundos Hidróxido amônio de Solução em água diluída Ataque por imersão a frio De alguns até 20 segundos Persulfato amônio de 10 g de (NH4) S2O8 90 ml de água destilada CrO3 saturado em solução aquosa 2 a 5 ml de HNO3 concentrado 95 a 98 ml de álcool etílico Solução diluída em dicromato de potássio levemente acidificada 5 ml de (NH4) S2O8 95 ml de H2O destilada 0. Losekann Direitos autorais reservados umedecimento e enxaguar em água morna Atacar por umedecimento Atacar por umedecimento seguido de lavagem em água corrente segundos Chumbo suas ligas e Estrutura das ligas anti-fricção Remove a camada deformada da estrutura do chumbo polido De 2 a 5 segundos Ataques sucessivos de 3 segundos Cobre Estrutura do cobre. ligas de cobre.9) 240 ml de água destilada Filtrar e adicionar: 60 ml de HNO3 2 g de K2CR2O7 8 ml de H2SO4 4 ml de NaCl saturado 100 ml de água destilada 5 partes de FeCl3 50 partes de HCl 100 partes de água destilada Prof.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II suas ligas grãos magnésio do cítrico 95 ml de água destilada Ácido oxálico Molibdato amônio de 2% de solução aquosa 100 g de ácido molibdênico 140 g de NH4OH (d=0. Cláudio R.2% de H2SO4 Estrutura do cobre.2% de H2CrO4 e 0. latões e bronzes Estrutura das ligas de estanho com cádmio Estanho suas ligas e Estrutura de ligas de estanho Ácido crômico Ataque a frio por umedecimento ou a quente por imersão em solução fervente Atacar por imersão a frio ou umedecimento Atacar por imersão a frio A frio: de 10 a 20 segundos A quente: 40 segundos 1 minuto Nital Cromato potássio de Atacar por imersão a frio De 15 segundos a alguns minutos De 20 a 30 segundos Indicado para deposições de estanho no aço Persulfato amônio de Atacar por imersão a frio 30 segundos Prata e suas ligas Indicado para as ligas de prata Ácidos crômico e sulfúrico Atacar por imersão a frio 1 minuto 256 . cobre e latão. bronzealumínio.

aquosa 5 partes de NH4OH 1 a 3 partes de H2O2 5 g de KCN 95 ml de H2O destilada 3 gotas de H2O2 5 ml de H2SO4 25 ml de HCI 30 ml de água destilada 85 ml de NH4OH 15 ml de H2O2 Prof. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Indicado estruturas prata para de Hidróxido amônio de Atacar por imersão a frio De 2 a 3 minutos Estrutura de ligas de níquel e zinco Níquel e suas ligas Indicado estruturas inconel para de Cianeto potássio de Atacar por imersão a frio De 20 até 30 segundos Ácidos sulfúrico clorídrico Hidróxido amônio e Atacar por imersão a frio De 2 a 5 minutos Para as estruturas de níquel com elevado teor de zinco Ouro Estrutura de ouro e platina de Atacar por imersão a frio De 30 segundos até 2 minutos Água régia 5 ml de HNO3 15 ml de HCI Atacar por imersão a quente De 1 até 3 minutos 257 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II em sol. Dr.

007 d 3 21 Sc Escândio 44.906 95.93 68 Er Érbio 167.8 Berílio 9.811 3 11 Na Sódio 22.72 72.224 41 Nb 42 Mo 43 Tc Tecnésio (97.88 23 V Vanádio 50.92 34 Se Selênio 78.546 30 Zn Zinco 65.62 5 71 Lu Lutécio 174.003 p 4 Be 2 5B Boro 2 3 Li Lítio 6.23 77 Ir Irídio 192.9 54 Xe Xenônio 131.61 5 37 Rb Rubídio 85.958 183.036 92 U Urânio 238.982 14 Si Silício 28.086 15 P Fósforo 30.82 50 Sn 51 Sb 52 Te Telúrio 127.10) Tabela Periódica dos Elementos .038 91 Pa Practínio 231.29 Tântalo Tungstênio 180.998 10 Ne Neônio 201.99) 86 Rn Radônio (222.938 4 19 K Potássio 39.11) (263.07 45 Rh Ródio 102.24 61 Pm Promécio (144.028 90 Th Tório 232.847 27 Co Cobalto 58.49 73 Ta 74 W 75 Re Rênio 186.06) 95 Am Amerício (243.906 40 Zr Zircônio 91.10) Mendelévio (258.934 70 Yb Itérbio 173.967 80 Hg Mercúrio 200.03) f 4 57 La Lantônio 138.008 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 2 He Hélio 4.76 53 I Iodo 125.59 5 49 In Índio 114.13) (266.941 6C 7N 8O Oxigênio 15.36 63 Eu Európio 151.25 65 Tb Térbio 158.71 121.42 47 Ag Prata 107.06) 96 Cm Cúrio (247.02) 88 Ra Rádio (226.029 93 Np Neptúnio (237.84 Estanho Antimônio 118.011 14.9 36 Kr Criptônio 83.078 4 39 Y Ítrio 88.07) 98 Cf Califórnio (251.5 67 Ho Hólmio 164.012 Carbono Nitrogênio 12.453 18 Ar Argônio 39.10) 102 No Nobélio (259.906 46 Pd Paládio 106.08) 100 Fm 101 Md Férmio (257.999 9F Flúor 18.94 Gálio Germânio 69.91) 44 Ru Rutênio 101.943 Cromo Manganês 51.305 22 Ti Titânio 47.974 16 S Enxofre 32.04 Cério Praseodímio 5 89 Ac Actínio 227.996 54.98 84 Po Polônio (208.1 s 1 1H Hidrogênio 1.02) Joliótio Ruterfórdio (262.905 56 Ba Bário 137.693 29 Cu Cobre 63.207 76 Os Ósmio 190.967 72 Hf Háfnio 178.98) 85 At Astato (209.411 4 31 Ga 32 Ge 33 As Arsênio 74.908 60 Nd Neodímio 144.12) Hânio Meitnérnio (265.22 78 Pt Platina 195.26 69 Tm Túlio 168.2 83 Bi Bismuto 208.96 35 Br Bromo 79.925 66 Dy Disprósio 162.906 58 Ce 140.12) 108 Hn 109 Mt 6 81Tl Tálio 204.098 20 Ca Cálcio 40.115 59 Pr 140.76 6 55 Cs Césio 132.11) 104 Db Dúbnio (262.965 64 Gd Gadolínio 157.33 6 103 Lr Laurêncio (262.05) 94 Pu Plutônio (244.14) 7 87 Fr Frâncio (223.996 24 Cr 25 Mn 26 Fe Ferro 55.99 12 Mg Magnésio 24.39 3 13 Al Alumínio 26.07) 97 Bk Berquélio (247.933 28 Ni Niquel 58.11) 105 Jl 106 Rf 107 Bh Bóhrio (262.066 17 Cl Cloro 35.869 48 Cd Cádmio 112.956 10.38 82 Pb Chumbo 237.08 79 Au Ouro 196.91) 62 Sm Samário 150.08) 99 Es Einstênio (252.468 38 Sr Estrôncio 87.8 Nióbio Molibdênio 92.

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