UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II

Prof. Cláudio Roberto Losekann, Dr. Eng.

2007

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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ÍNDICE ANALÍTICO
ÍNDICE ANALÍTICO ............................................................................................... II ÍNDICE DE FIGURAS ........................................................................................... VI 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS ........................................................................ 1 1.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 1.2 - CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................... 1 1.2.1 - METAIS ESCUROS ............................................................................. 1 1.2.2 - METAIS CLAROS ................................................................................ 2 2 - AÇOS E FERROS FUNDIDOS ......................................................................... 3 2.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 2.2 - MINÉRIO DE FERRO................................................................................. 3 2.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA................................................................ 5 2.4 - AÇO............................................................................................................ 7 2.4.1 - DEFINIÇÃO ....................................................................................... 10 2.4.2 - CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO............................... 13 2.4.3 - CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS - ABNT - SAE - AISI.......................... 18 2.4.4 - INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO ................................. 22 2.4.4.1 – Elementos de adição .................................................................. 23 2.4.5 - RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA ................................................................................................... 27 2.5 – FERRO FUNDIDO ................................................................................... 30 2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS - ABNT ..................... 31 2.6 - TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES................................. 32 2.6.1 - TRATAMENTOS TÉRMICOS ............................................................ 32 2.6.1.1 - Recozimento................................................................................ 36 2.6.1.2 - Normalização............................................................................... 37 2.6.1.3 - Revenimento ............................................................................... 37 2.6.1.4 - Têmpera ...................................................................................... 38 2.6.1.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação .................... 40 2.6.1.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos ............................................... 45 2.6.2 - TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES ................................................. 49 2.6.2.1 - Tratamentos termo-químicos....................................................... 50 2.6.2.2 - Tratamentos de revestimentos .................................................... 65 3 - ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ............................................................................. 68 3.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................... 68 3.2 - PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO..................................................................... 69 3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ................................... 71 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO ........................................................................ 73 3.3.1.1 - Liga de Al-Cu............................................................................... 74 3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) ............................................................... 74 3.3.1.3 - Liga de Al-Mn .............................................................................. 75 3.3.1.4 - Liga de Al-Si ................................................................................ 75 3.3.1.5- Liga de Al-Si ................................................................................. 76 3.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO .................................. 78 4 - COBRE E SUAS LIGAS.................................................................................. 80 4.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................... 80 4.2 - PRODUÇÃO DE COBRE ......................................................................... 81 II 2007

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4.3 - PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS ....................................... 83 4.3.1 - LIGAS DE COBRE............................................................................. 85 4.3.1.1 - Latão ........................................................................................... 85 4.3.1.2 - Bronze ......................................................................................... 90 4.3.1.3 - Ligas de cobre-alumínio .............................................................. 95 4.3.1.4 - Cuproníquel ................................................................................. 97 4.3.1.5 - Ligas de cobre e berílio ............................................................... 98 4.3.1.6 - Ligas de cobre e silício ...............................................................100 4.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE......................................100 5 - NÍQUEL E SUAS LIGAS ................................................................................101 5.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................101 5.2 - PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS......................................102 5.2.1 - NÍQUEL.............................................................................................102 5.2.2 - LIGAS DE NÍQUEL ...........................................................................103 5.2.2.1 - Ligas de níquel e berílio .............................................................104 4.2.2.2 - Ligas de níquel e cromo .............................................................104 5.2.2.3 - Ligas de níquel e molibdênio ......................................................104 6 - COBALTO E SUAS LIGAS ............................................................................105 6.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................105 6.2 - PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS ..................................105 6.2.1 - COBALTO .........................................................................................105 6.2.2 - LIGAS DE COBALTO .......................................................................106 7 - TITÂNIO E SUAS LIGAS ...............................................................................107 7.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................107 7.2 - PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS .....................................107 7.2.1 - TITÂNIO............................................................................................107 7.2.2 - LIGAS DE TITÂNIO ..........................................................................109 8 - MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ..........................................................................109 8.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................109 8.2 - PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ................................110 8.2.1 - MAGNÉSIO.......................................................................................110 8.2.2 - LIGAS DE MAGNÉSIO .....................................................................111 9 - ZINCO E SUAS LIGAS ..................................................................................111 9.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................111 9.2 - PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS ........................................111 9.2.1 - LIGAS DE ZINCO .............................................................................113 9.2.2 - LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO........................................................113 10 - CHUMBO E SUAS LIGAS............................................................................113 10.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................113 10.2 - PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS .................................114 11 - OUTROS METAIS .......................................................................................116 11.1 - ESTANHO .............................................................................................116 11.2 - CROMO.................................................................................................117 11.3 - TUNGSTÊNIO .......................................................................................118 11.4 - PRATA...................................................................................................119 11.5 - OURO....................................................................................................119 12 - POLÍMEROS................................................................................................121 12.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................121 12.2 – PROPRIEDADES .................................................................................123 12.2.1 - MORFOLOGIA................................................................................123 III 2007

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12.2.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM ............................................125 12.2.3 - ADITIVOS .......................................................................................126 12.2.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS .......................................................128 12.2.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS.....................................................129 12.3 - PLÁSTICOS ..........................................................................................130 12.3.1 - POLIOLEFINAS ..............................................................................131 12.3.2 - POLICARBONATOS.......................................................................138 12.3.3 - ALÍLICOS........................................................................................140 12.3.4 - ACRILICOS.....................................................................................140 12.3.5 - POLIIMIDAS ...................................................................................143 12.3.6 - AMINOPLÁSTICOS ........................................................................144 12.3.7 - CELULÓSICOS...............................................................................145 12.3.8 - POLIOXIMETILÊNICOS .................................................................145 12.3.9 - EPOXÍDICOS..................................................................................145 12.3.10 - FLUOROPLÁSTICOS ...................................................................146 12.3.11 - POLISULFONAS...........................................................................147 12.3.12 - FENÓLICOS .................................................................................147 12.3.13 – POLIALÔMEROS.........................................................................148 12.3.14 - POLIFENILÊNICOS ......................................................................148 12.3.15 - SILICONES ...................................................................................149 12.3.16 - POLIAMIDAS ................................................................................149 12.3.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS ............................................152 12.4 - ELASTÔMEROS ...................................................................................153 12.5 – POLÍMERO NATURAL - MADEIRA......................................................158 12.5.1 - MADEIRAS TRANSFORMADAS ....................................................162 12.5.2 - TRATAMENTO SUPERFICIAL .......................................................163 12.5.3 - TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. .....................................................................................................................163 13 – CERÂMICOS...............................................................................................168 13.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................168 13.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL .............................................................170 13.2.1 – CERÂMICA VERMELHA................................................................170 13.2.1.1 – Massa cerâmica.......................................................................170 13.2.1.2 – Esmaltes ..................................................................................172 13.2.1.3 – Engobe ....................................................................................173 13.2.2 – CERÂMICA BRANCA ....................................................................174 13.2.2.1 - Processamento.........................................................................176 13.3 – CERÂMICA AVANÇADA ......................................................................177 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS ..........................................................................187 14.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................187 14.2 - ENSAIO DE TRAÇÃO ...........................................................................189 14.2.1 - DIAGRAMA TENSÃO - DEFORMAÇÃO ........................................191 14.2.2 - PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS ................................193 14.2.3 - CORPOS DE PROVA .....................................................................196 14.2.3.1 - Limite de escoamento: valores convencionais .........................198 14.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO ................................................................199 14.3.1 - LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO .............................200 14.3.2 - ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS...............200 14.3.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL ....................................201 14.4 - ENSAIO DE FLEXÃO ............................................................................205 IV 2007

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14.4.1 - SIGNIFICADO DE FLEXÃO............................................................205 14.4.2 - MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO ..............................................207 14.5 - ENSAIO DE DUREZA ...........................................................................208 14.5.1 - DUREZA BRINELL .........................................................................209 14.5.2 - DUREZA ROCKWELL ....................................................................210 14.5.3 - DUREZA VICKERS.........................................................................212 14.5.4 - DUREZA SHORE............................................................................212 14.6 - ENSAIO DE IMPACTO..........................................................................213 14.6.1 - TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO .................................................214 14.6.1.1 - Fatores que influenciam a temperatura de transição................215 14.6.1.2 - Resfriamento do corpo de prova ..............................................216 14.7 - ENSAIOS METALOGRÁFICOS ............................................................220 14.7.1 - ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO ............................221 14.7.2 - ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO .............................221 14.7.2.1 - Etapas metalográficas ..............................................................221 14.8 - PROPRIEDADES TÉRMICAS...............................................................228 14.9 - PROPRIEDADES ELÉTRICAS .............................................................228 14.10 - PROPRIEDADES MAGNÉTICAS........................................................231 14.10.1 - MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS ...........................237 14.11 - PROPRIEDADES ÓTICAS..................................................................238 14.11.1 - REFLETIVIDADE, TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. .................238 14.12 - PROPRIEDADES QUÍMICAS .............................................................244 14.12.1 - RESISTÊNCIA A CORROSÃO .....................................................244 14.12.2 - RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO ................................................245 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS ............................................246 15.1 - INTRODUÇÃO .....................................................................................246 16 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS .......................................................................249 17 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................251 ANEXOS .............................................................................................................254

V 2007

.......................38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide.........................aço...40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono.................. 15 Figura 2......23 – Ledebuirta........ ........... 10 Figura 2..12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono.......................................................44 ... 37 Figura 2..................24 – Esteadita...... 5 Figura 2.................. ...............................................................29 – Microestrutura do ferro fundido nodular................................ 30 Figura 2....................................................15 – Ferritas.................... Ferritas (claras)........... A) Perlita normal.... Cláudio R................. ......... 5 Figura 2....................................................11 – Estrutura cristalina da cementita.................... ....... ..............6 – Alto-forno.....30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos ..... 4 Figura 2.................34 – Ciclos de tratamentos...................................................... ................. 43 Figura 2...................10 – Operação de um conversor.............................................. 44 Figura 2...... ......................................................................25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide.21 – Trostita..................................................................... 35 Figura 2. 17 Figura 2.................... ............43 – Martêmpera..................2 – Campo de mineração...........................3 – Sínter...................... ......................... Perlitas e cementitas...................................................20 – Bainita inferior...............................33 – Ciclo da esferoidização........ 49 Figura 2............................... ........................................................41 – Diagrama TTT para o aço 4340...........7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa............42 – Austêmpera........................Diagrama de equilíbrio Fe-N......................... Losekann Direitos autorais reservados ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2. 4 Figura 2..... 17 Figura 2.. 18 Figura 2..............................................................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof............14 – Diagrama de equilíbrio .................................9 – Aspecto construtivo de um conversor...................................................... 36 Figura 2.....................................5 – Vista parcial de um alto-forno..36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos....................................... Somente perlitas.................................. 43 Figura 2... 3 Figura 2...... ......................... ................... ... 37 Figura 2..................4 – Pelotas............................................................1 – Minério de ferro...................................28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento........... ......................37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça.... ........................... ............... 11 Figura 2.............................................. 14 Figura 2................................ .......... ............. 42 Figura 2...........................................27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide... B) Perlita sorbítica.......................................... 13 Figura 2.......................... 17 Figura 2........... Dr........... 41 Figura 2............. ...... ....................... 4 Figura 2......13 – Curva de resfriamento do ferro..... 7 Figura 2. 16 Figura 2..........26 – Microestrutura de aço eutetóide..................16 – cementitas................ 8 Figura 2............... 14 Figura 2..................................................... perlitas (escuras).................... ..................................................................................... 16 Figura 2.................................18 – Austenita.......................................... 12 Figura 2........... 7 Figura 2................. 16 Figura 2....... 45 Figura 2............... ................. 15 Figura 2............................ 6 Figura 2................ .. ........... 13 Figura 2......................19 – Martensita.. 44 Figura 2....17 – Perlitas..................39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide................32 – Ciclo do recozimento........31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização................ 31 Figura 2................... ... .................... 12 Figura 2........................................................................................................35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide.........................................22 – Sorbita. 41 Figura 2. ........8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa)................................. .......... 53 VI 2007 ............. 34 Figura 2.........................................

...103 Figura 6...6 – Reação de copolimerização do náilon 66....................... submetidos ao processo líquido..........46 – Célula unitária da fase ε...........................Aplicações do cuproníquel............... Losekann Direitos autorais reservados Figura 2....... b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] .Aplicações da prata.......... .....Diagrama de fases da liga Pb-Sb..... 88 Figura 4.4 .......9% [fase α + Cu3Sn].... b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] .......Aplicações do bronze........ ...................Monômeros.. 77 Figura 4.. b) etano..............................8 .............................. ................3 ........................Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni......................... 57 Figura 2. ... ..........Aplicações do magnésio.........2 ............................. c) Cu-Sn 10%... 53 Figura 2......122 Figura 12.. 82 Figura 4...................2 ........... c) Neopentano...5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila....118 Figura 11.......................................2 .......... 97 Figura 4..112 Figura 10.. a) propano...........................117 Figura 11.............. ............ 74 Figura 3.................123 VII 2007 .......15 ............2 ............Aplicações do cromo...Aplicações dos latões..................10 ....... Cláudio R...................................45 – Célula unitária da fase γ’.. 81 Figura 4................... .. Cu-Zn 34% Mn 1............Diagrama de fases da liga binária Cu-Be....Diagrama do comportamento mecânico dos latões.121 Figura 12...............................................1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu... b) n-butano..2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg...........48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços.................................................................1 ... ................. .......................Aplicações da tungstênio...51 – Esquema da eletrodeposição......115 Figura 11....................... 92 Figura 4......................122 Figura 12.............1 .............................Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica...... B) Flotação ............ .............1 ............ .........................Aplicações do níquel..Monômeros............................ ..Aplicações do cobalto. ................1 .. .........47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada.4 ........11 ......................Aplicações do zinco....................... ......115 Figura 10.........................7% Ni 3......12% Pb 1..... 89 Figura 4.......7% Sn 2............................................ 56 Figura 2...........................5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn.......................121 Figura 12...............121 Figura 12...................... 92 Figura 4..4 – Representação de polímero................. a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α].................. 99 Figura 5....119 Figura 11..Micrografias de bronzes..........Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre............................................. c) isobutano.. . Cu-Zn 24...................... .............................. 54 Figura 2.106 Figura 7........................ Dr.. 74 Figura 3........................................4 ...... a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α].....Diagrama de fases da liga binária Al-Si.........4% Pb 2.........................................3 .. ..........120 Figura 12........ ..7 ...49 – Esquema do reator iônico..............3 ........ ..............1 ........................... Pb 5%..Aplicações do ouro.9 .......... .............................................................................. b) Isopentano.................1 . .......................14 ....... 83 Figura 4................. 90 Figura 4....Diagrama de fases da liga binária Al-Si.....Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn.Monômeros................... 87 Figura 4.........92% [fase α + nódulos de Pb]...........UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.............. A) Trituração do minério.. 98 Figura 4........6 – Micrografias de latões........... ............50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono............ 95 Figura 4...... 82 Figura 4........................... 60 Figura 2................................Diagrama de fases da liga Pb-Sn.................................................... 94 Figura 4....... 66 Figura 3... ......... c) eteno....1 – Beneficiamento do cobre..........1 .........Aplicações do titânio...........1 .......12 ... ....................111 Figura 8.................. a) n-pentano. 58 Figura 2.. a) metano.... 75 Figura 3..108 Figura 8......3 ......................13 ........Diagrama de fases da liga binária Cu-Al........Esquema do forno revérbero e obtenção do mate............... ....................

..Material dúctil.......139 Figura 12.140 Figura 12....................17 – Polimetacrilato de metila................................176 Figura 13......................................... ....131 Figura 12................21 – Poliimida.................19 – ABS.................................162 Figura 12............................................ .. .................183 Figura 14.......................................192 Figura 14.......................................... .................123 Figura 12.........174 Figura 13....................5 . B) região viscosa...143 Figura 12........... a) diagrama σ x ε..........165 Figura 12.................................................................... Cláudio R.................155 Figura 12........... b) cadeia com ramificações incompletas.....................................13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino........ a) Cadeia linear. a) diagrama σ x ε............ ..............................1 .....129 Figura 12................................... C e D) região líquida com baixa viscosidade...... a) Máquina de ensaio universal.......... Dr...............124 Figura 12........................12 – Curvas de volume específico em função da temperatura......30 – Cortes da madeira. ..4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos......................................195 VIII 2007 .......UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof....... b) aspecto da fratura..1 – Peças de cerâmica...164 Figura 12.................Material frágil...................................5 ........195 Figura 14....3 ....................192 Figura 14.................................diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono........147 Figura 12.......................26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros................4 .........154 Figura 12.. ......Alongamentos na tração e na compressão..........................33 – Efeito satinê.............................147 Figura 12.......................Polisulfona .... b) aspecto da fratura................................................ ............................................ ....141 Figura 12.....174 Figura 13................ ............147 Figura 12........................127 Figura 12..........20 – SAN...............................9 ..............Curvas de tensões reais e de engenharia....... Losekann Direitos autorais reservados Figura 12.............................11 – Reação do agente de esponjamento... .158 Figura 12............ ............. ........... .......188 Figura 14................... ........128 Figura 12..........................................180 Figura 13................................................24 ............167 Figura 13......6 ................................................ ............................18 – Poliacrilonitrilo................... ..................... b) Durômetro........... ............141 Figura 12.Equipamentos de ensaios mecânicos......25 – Fenólicos............................................... ........................................32 – Efeito decapê........8 ............169 Figura 13.............23 – PCTFE..........Louça sanitária.......................144 Figura 12.....Corpo de prova de ensaio de tração.................... ......7 ........3 ...............190 Figura 14..Peça tracionada............ E) região com cristalitos na região vítrea........................................................ ......................................14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear..22 – Fórmula do teflon................................................................................Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro.............153 Figura 12....................165 Figura 12..... b) após o ensaio.. .......................................................Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε.....................29 – Uso da floresta..........Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro..34 – Efeito estêncil.. a) antes do ensaio..... A) região vítrea..................190 Figura 14......128 Figura 12............................192 Figura 14...............................................................15 – Fórmula geral da poliolefina..................................... ..............................................2 ........................................27 – Polisopreno.........2 – Produção de cerâmica...16 – Fórmula policarbonato........ ............................................................................................7 – Representação das cadeias poliméricas. .........9 – Cristalinidade em polímeros.....6 ...8 – Formas isoméricas.........................................................................................................28 – SBR..........10 – Reação do baquelite.................146 Figura 2........... c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas..............125 Figura 12...129 Figura 12......193 Figura 14................................31 – Efeito pátina............................... F) região viscosa com cristalitos........................................

..................................200 Figura 14.........205 Figura 14....35 ....41 ............................. .......Método de flexão a três pontos................................................Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade..28 ........Máquina de ensaio de impacto........................33 .................34 ....197 Figura 14..........221 Figura 14...Ângulo φ nas impressões Brinell..................................Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético...........................217 Figura 14...........................Esquema dos momentos magnéticos da ferrita...........210 Figura 14..22 .......Ensaio de compressão em materiais dúcteis.............224 Figura 14....Ruptura do corpo de prova fora de centro..................223 Figura 14...214 Figura 14.......Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético...........Corpos de prova Charpy e Izod....201 Figura 14.....................213 Figura 14............. ...16 ................ Losekann Direitos autorais reservados Figura 14..............................................Flexão em uma barra de secção retangular...............21 ......37 .......Ruptura do corpo de prova no centro. Cláudio R........................................30 .....................................................................................18 .........Método de flexão a quatro pontos.............. ..196 Figura 14...15 ...............................Curva de resistividade elétrica em função da temperatura................................ ... .......... a) Na ausência de um campo magnético............................ a) Na ausência de um campo magnético........................Ensaios em molas............................Ensaio de compressão...Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético..20 .198 Figura 14................Tipos de fixação.............................234 Figura 14.......................................... .............. . ...........40 ...................................Temperatura de transição........29 .......219 Figura 14........UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.................... .......................32 .....43 ............. .........................221 Figura 14.............36 ...................... ......233 Figura 14.....235 Figura 14....Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz...........Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L............................202 Figura 14....207 Figura 14........42 .............. .......... .........................Determinação do limite de escoamento........231 Figura 14.............236 IX 2007 ............................................198 Figura 14..... ....... Dr...........Aspectos da fratura ....Penetradores de Dureza Rockwell.... b) Na presença de um campo magnético..........................Esquema da compressão.......................201 Figura 14.................................19 .........216 Figura 14............197 Figura 14............. ...................45 ..207 Figura 14...........12 .Máquina de ensaio e registrador.................. ..............206 Figura 14............... .......9 .......................17 .....................Corpos de prova...Esquema de momentos magnéticos do MnO.................................199 Figura 14....... ........................10 ......................13 .Curvas de energia absorvida de um mesmo material.....218 Figura 14............... ...... b) Na presença de um campo magnético................. .................... ......................14 .......Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração....44 ......200 Figura 14.25 .....................Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária................................Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl.................38 .....................................................198 Figura 14.....................................Elemento da barra submetido à flexão.....................................Micrografia da perlita..........210 Figura 14............Ensaio Charpy e Izod.....................................23 ........232 Figura 14.11 ...24 .............235 Figura 14.....39 ...................206 Figura 14...............................Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação.196 Figura 14.......27 .................................. b) flambagem............. a) normal....... .......31 .....................Preparação de corpo de prova......26 ...

...239 Figura 14..Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios............... ............. ....245 Figura 15................. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14.................238 Figura 14......................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof........52 .............................. ......237 Figura 14...46 ..49 .48 ................a) Esquema de um experimento de transmissão..............................................Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro......1 – Símbolo da reciclagem..51 ....240 Figura 14......243 Figura 14.......................................Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo)..........240 Figura 14.Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado..246 X 2007 ...........47 ... b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs......................... ........................................Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro............50 ....Curvas de transmitância da amostra BLC1........................53 ..... ........ Espectro com irradiação do ultravioleta.......................Espectros de radiação eletromagnética.... A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor...................Esquema dos tipos de corrosão.... ...242 Figura 14.. ............................ Cláudio R...54 ...... Dr....................................................................................... ........239 Figura 14..................

por sua vez. A característica deles é de possuir poucos elétrons na última camada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. em muitos casos. camada de valência.CLASSIFICAÇÃO Cada metal se diferencia de outro pela sua estrutura e propriedades. por exemplo. Deste modo. densidade elevada (menos os alcalinos). dividem-se em: 1.INTRODUÇÃO Conforme a química. 1. 1 . O metal mais característico deste grupo é o ferro. cobalto. uma das características principais dos metais. Na prática. o níquel e o manganês se empregam com freqüência como elementos de adição às ligas de ferro para alterar as propriedades mecânicas da liga. dureza elevada e.2 . A condutibilidade elétrica e térmica são duas características dos metais que estão relacionadas com a configuração eletrônica dos mesmos. elevada temperatura de fusão. Cláudio R. mas ao grupo todo. dando lugar ao brilho metálico. entretanto. entende-se por metais. com mobilidade livre do elétron. a prata. onde os elétrons da última camada não pertencem ao átomo. O tipo de ligação característica entre os elementos metálicos é a ligação metálica.1 . Outra característica que os metais possuem é a ductibilidade. Também empregados como elemento de adição às ligas de ferro. Estas propriedades dos metais de opacidade ótica e refletividade atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem re-emitir. como nos aços. é quase inteiramente refletido. Dr.METAIS ESCUROS Apresentam cor cinza escuro. Os metais escuros. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. cai em um nível mais baixo de energia. todos os metais podem dividir-se em dois grandes grupos: metais escuros e metais claros. tornando-o opaco. o elemento químico selênio (Se) possui brilho e não é metal. entende-se como metais os elementos químicos que se situam na parte esquerda da Tabela Periódica dos Elementos Químicos construída por Mendeleyev. cujas propriedades se aproximam daqueles. Em primeiro lugar. e a platina.2. 1. níquel (chamados ferromagnéticos) e o manganês. quando o elétron. Losekann Direitos autorais reservados 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS 1. caracterizando a boa condutibilidade elétrica. Metais refratários: apresentam temperatura de fusão superior a do ferro (1. com grau menor para o ouro. excitado pelo impacto de uma radiação. Metais férricos: ferro. toda substância que possui brilho. possuem polimorfismo. 2. mas existem certos indícios pelas quais podem ser agrupados. Esta característica também pode ser afetada por impurezas ou inclusões por outros elementos químicos. O cobalto. A maioria dos metais se oxida com facilidade diminuindo o seu brilho.1 .539 ºC).

o califórnio. 2 . Possuem grande a resistência a oxidação. tálio. O cobre é considerado como seminobre. antimônio e os elementos com propriedades metálicas debilitadas como o gálio e germânio. mercúrio. 3. magnésio e alumínio. chumbo.METAIS CLAROS Apresentam coloração amarela. temperatura de fusão relativamente baixa e neles é característico a ausência de polimorfismo. promécio. Os metais mais característicos deste grupo são o ouro. prasiodímio. Possuem grande ductibilidade. 2. gadolínio. que inclui o actínio. o einstéinio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 5. paládio. o plutônio. Metais alcalinos-térreos: No estado livre são pouco utilizados. 4. irídio. o netúnio. vermelha ou branca. porém suas propriedades físicas são muito distintas. rutênio. samário. dividem-se em: 1. por sua vez. e que compreende: cério. neodímio. Metais ligeiros: Berílio. com exceção de alguns casos especiais. cádmio. cuja densidade é baixa. európio. hólmio. Os metais claros. bismuto. ósmio. o amerício. itérbio. Estes metais possuem propriedades químicas muito parecidas. térbio e túlio. 1. São utilizados como fonte de energia nuclear. estanho. disprósio. lutécio. Dr.2 . Metais nobres: Ouro. pouca dureza. o tório. érbio. o protactínio. Metais urânicos: (actinídeos) Os elementos que constituem um grupo com propriedades semelhantes. Metais lantanídeos: (terras-raras) Grupo de elementos. o cúrio.2. de propriedades metálicas muito parecidas. o berquélio. Cláudio R. o férmio e o mendelévio. de número atômico entre 57 e 71. o cobre e a prata. o urânio. Losekann Direitos autorais reservados 3. lantânio. Metais facilmente fusíveis: Zinco. prata e metais do grupo da platina (platina.

sulfeto .óxido – Fe3O4 .C. há 7 mil anos a. Também há 7 mil anos a. é muito antiga.carbonato . A fabricação do ferro fundido. Quando se pode extrair economicamente um elemento químico de um mineral. partindo do minério de ferro.Cu2SFe2S3 (sulfeto férrico) – baixo teor de ferro. carbonatos. 2.abundante no Brasil.MINÉRIO DE FERRO O ferro não se encontra puro na natureza.C.de 45 a 72% de ferro – cor cinza escuro.. se fazia experiência com esse metal em um lugar chamado Anatolia na Rússia. silicatos e os sulfetos. encontrou-se amuletos de ferro que provavelmente provinham de minérios beneficiados. 3 . • Siderita . Cláudio R. Os minerais que contêm ferro em quantidade apreciável são óxidos.FeCO3 (carbonato férrico) .1 – Minério de ferro. Dr.C. Os minérios de ferro mais importantes sob o ponto de vista da siderurgia são: • Hematita .C. já tinham ferro temperado e crê-se que a obtenção foi por uma maneira casual.2Fe2O33H2O de 40 a 62% de ferro – cor amarela para marrom escuro.. encontra-se em torno de 50 minerais que contém ferro. o mesmo passa a ser denominado de minério. • Magnetita . Losekann Direitos autorais reservados 2 .de 45 a 70% de ferro – cor cinza a vermelho fosco . Na Ìndia encontrou-se uma coluna de ferro que media 7 m de altura e 40 cm de diâmetro com peso de 6 toneladas.AÇOS E FERROS FUNDIDOS 2.de 30 a 48% de ferro – cor cinza esverdeado. No Egito. 500 anos a. • Pirita . • Limonita . provavelmente construída em 912 anos a. • Figura 2.2 .1 .óxido . Os gregos. Na natureza.Fe2O3 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.INTRODUÇÃO O ferro se conhece há tempos remotos.óxido . mas sim combinado (ganga) com outros elementos químicos formando os denominados minérios.

5 mm. carvão moído.51 a 61% de ferro. Figura 2. Losekann Direitos autorais reservados O minério de ferro é submetido a beneficiamento. aglomeração. que está a uma temperatura em torno de 1. após a extração da jazida.64 a 67% de ferro. Redutibilidade alta. classificação. mistura. calcário e água são misturados e aglomerados e depois são colocados sobre uma grelha em um equipamento especial.300 oC. como britagem. Figura 2. Resistência mecânica média e possível degradação no transporte. Sinter . 4 .2 – Campo de mineração. • Pelotização – Um tambor giratório que contém um disco inclinado e em rotação é alimentado com finos de minério e aglomerantes. Figura 2. Quando quebrados em pedaços menores são chamados de sinter de ferro. Gera 7 a 10% de finos de retorno no transporte da sinterização ao alto-forno.3 – Sínter. Pelotas . peneiramento. concentração. Tamanho de 10 a 12 mm de formato esférico. Aproveitamento dos finos de mineração abaixo de 0. Redutibilidade alta. A aglomeração visa o aproveitamento dos finos de minério. Os principais processo de aglomeração do minério de ferro são: • Sinterização – Neste processo o minério de ferro. Tamanho de 5 a 50 mm de formato irregular.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. melhorar a permeabilidade da carga do alto-forno. reduzindo-se o consumo de carvão. Elevada resistência mecânica e baixa degradação no transporte. unem-se e acabam formando um bloco poroso. Dr. Após esta etapa as pelotas são aquecidas para secagem e endurecimento. recebendo jatos de água que unem as partículas molhadas para formar um aglomerado na forma de bolas (pelotas). moagem.4 – Pelotas. Gera 5 a 10% de finos de retorno do altoforno.15 mm até 8 mm.000 a 1. Aproveitamento dos finos de mineração de 0.

e a cuba (seção superior).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que posteriormente é utilizado na fabricação do aço ou ferro fundido. 5 . com eliminação dos produtos voláteis do carvão mineral) com possibilidade do carvão vegetal.2% de S.5% a 2. atinge seu ponto de fusão.000 ºC em câmaras ausentes de oxigênio. 0. S. b) como fornecedor de carbono para a redução do óxido de ferro e c) como fornecedor de carbono. 2. a rampa. Os refratários são materiais resistentes a altas temperaturas. usa-se.5 – Vista parcial de um alto-forno. P. Dr. na fabricação de cimento. o coque (carvão mineral tratado em temperaturas de mais ou menos 1. 0. utilizados nos revestimentos dos fornos e panelas de vazamento. onde apresenta a seguinte composição média 3% a 8% de C. e até 0. Três zonas fundamentais caracterizam o alto-forno: o cadinho. A escória que se forma durante o processo. Figura 2. como principal elemento de liga. Losekann Direitos autorais reservados Nos processos de redução do minério de ferro em ferro gusa. Escória é um produto resultante da ação do fundente sobre a ganga (do minério) e do combustível. O cadinho é o lugar onde o ferro gusa líquido é depositado. O alto-forno é construído de tijolos e envolvido por uma carcaça protetora de aço. sujeitas a altas temperaturas.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA É o processo de obtenção do ferro. Cláudio R. Todas as suas partes internas. A ação do carvão se faz sentir de três maneiras: a) como fornecedor de calor para a fusão do minério.6 – Alto-forno.600 ºC na presença de uma substância redutora (coque) em um equipamento denominado de alto-forno. C. O ferro gusa é uma liga metálica de Fe. A escória pode ser utilizada como base para estradas de ferro. onde o minério a ser reduzido.5% de P. Figura 2. na fabricação de tijolos refratários e em isolamento térmico e acústico. Mn. Si. são revestidas com tijolos refratários. flutua sobre o ferro que é mais pesado. obtendo-se no final um produto da fusão denominado de ferro gusa. como combustível.5% a 4. O processo consiste em aquecer o minério de ferro em temperaturas acima de 1.5% de Si. como corretivo de solo.

Esses são os resultados da queima do coque (basicamente. que são furos distribuídos uniformemente por onde o ar pré-aquecido é soprado sob pressão. geram dois produtos líquidos: a escória e o 6 . até atingir toda a largura da cuba.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. em relação aos gases. e que escapam da zona de combustão. • O gusa se funde (o ferro de primeira fusão se derrete). o oxigênio é eliminado do minério de ferro. no alto-forno ocorre o seguinte: • Os óxidos de ferro sofrem redução. carbono) com o oxigênio do ar quente (em torno de 1. ou seja. Isso quer dizer que enquanto o gás redutor sobe. e se a carga for ácida. carbonetação e fusão. Esse movimento de descida vai se espalhando lateralmente pela carga. algumas impurezas são incorporadas ao ferro gusa. • A ganga se funde (as impurezas reagem com o fundente formando escória e metal fundido). ou seja. Figura 2. o fundente deve ser ácido. o agente redutor (coque ou carvão vegetal) e os fundentes (calcário ou fluorita) descem em contra-corrente. A redução dos óxidos de ferro acontece à medida que o minério. Dr. o fundente deve ser básico. • O ferro sofre carbonetação (o carbono proveniente do combustível é incorporado ao ferro líquido). se utiliza fundentes neutro. a carga vai descendo para ocupar os espaços vazios. Estas são as reações químicas provocadas pelas altas temperaturas obtidas dentro do forno que trabalham com o princípio da contra-corrente. • Certos elementos da ganga são parcialmente reduzidos. Para facilitar esses processos. Em resumo. principalmente para cima. a carga sólida desce. Se a carga for básica. Para o caso de não se querer alterar a natureza da carga. As reações de redução. Losekann Direitos autorais reservados Na rampa acontece a combustão e a fusão. entre o cadinho e a rampa ficam as ventaneiras. Conforme o coque vai se queimando.7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa. que foi descrito anteriormente.000 ºC) soprado pelas ventaneiras. e queimam os pedaços de coque que estão na abóbada (ou parte superior) da zona de combustão. Cláudio R.

oxidantes são Elétrico. Dúplex etc.8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa). os processos para produção do aço podem ser classificados de acordo com agente redutor utilizado. P. como o ar ou oxigênio. é necessário um processo de oxigenação desta liga para reduzir a percentagem destes elementos até os valores desejados. • Processos pneumáticos .O alto forno possui ainda alguns equipamentos auxiliares como: • Coletor de poeiras. Figura 2. • Lavadores de gás. Si. Dr. Figura 2. – onde os substâncias sólidas contendo Processo Pneumático Bessemer O equipamento usado no processo de Bessemer não possui fonte de calor próprio. • Instrumentos de controle e medição. O conversor Bessemer consta de um recipiente. C. tipo pêra. formado de chapas de aço e revestimento interno de material refratário ácido (silício – alumínio). Losekann Direitos autorais reservados ferro gusa. Na redução do ferro gusa em aço. Cláudio R. S e Mn. de natureza gasosa. que são empurrados para os lados. que é uma liga de mais baixo teor destes últimos elementos químicos.onde o agente oxidante é o ar ou oxigênio • Processo agentes oxigênio.9 – Aspecto construtivo de um conversor.AÇO Sendo o ferro gusa uma liga de Fe.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Siemens–Martin. 2.4 . ou de natureza sólida como minério na forma de óxidos. 7 . utiliza-se agentes oxidantes. de onde saem pelo furo de corrida (gusa) e pelo furo da escória. • Regeneradores de calor ou estufas. pelos gases que estão subindo e escorrem para o cadinho. para transformá-lo em aço. e por isso não é denominado forno e sim conversor. Assim.

Durante o processo forma-se óxido de ferro que deixa o aço frágil e quebradiço. aumentar a temperatura do banho líquido. Quando a chama da boca do conversor está a ponto de se apagar. formando uma chama larga). Sendo o ponto de fusão do aço maior que do ferro gusa. principalmente o alumínio. Estes elementos. manganês . cabem as reações exotérmicas do oxigênio com o silício e carbono. gira em torno de um eixo. que passam a escória).1.05 a 0.10 – Operação de um conversor. Cláudio R. O aço produzido em conversor Thomas é mais mole do que do Bessemer. O ar atravessa o ferro gusa líquido e o oxigênio presente vai reagindo com o silício. a fim de colocálo na posição horizontal para receber ou retirar a carga. através do metal líquido. o fósforo também reage exotermicamente com o oxigênio. Figura 2. adiciona-se quantidade de ferro-silício ou ferromanganês ou pequenas quantidades de alumínio. É realizado o vazamento inclinando o conversor e tendo cuidado de que não deslizem as escórias com o aço líquido. Dr.4%. O borbulhamento do ar. O conversor Thomas é revestido internamente com material refratário básico derivado da dolomita (óxido de cálcio e manganês). aumentando a temperatura do banho. combinam-se facilmente com o oxigênio.5%). Processo Pneumático Thomas . este não pode ser tratado no conversor Bessemer porque o revestimento dele é ácido (carbono (4%). fósforo e enxofre o mínimo possível. silício (1. 8 . usado na fabricação de chapas. Losekann Direitos autorais reservados O conversor é basculante. usa-se certa quantidade de cal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. manganês (1%). transformando-se em escória. o aço contém aproximadamente 0. manganês e a maior parte do carbono durante o tempo de 15 minutos aproximadamente.5%. Quando o ferro gusa é rico em fósforo. A fim de eliminar o óxido de ferro e controlar o teor do carbono. através dos orifícios existentes na parte inferior do conversor.1% de carbono e porcentagens mais baixas de Mg e Si. silício . fósforo e enxofre o mínimo possível. Neste processo. elimina o carbono (em CO e CO2.1%. ao tempo que se situa o conversor na posição vertical. A escória obtida com o processo Thomas é um fosfato de cálcio (combinação do fósforo do metal com o cálcio da cal adicionado) e pode ser emprega como fertilizante na agricultura. A capacidade de carga do conversor Bessemer varia de 25 a 40 toneladas. isto é. arames e perfilados. o silício e o manganês (em silicatos. A transformação do ferro gusa em aço é conseguida pelo insuflamento de ar. de ferro gusa líquido procedente do alto-forno cuja composição média é a seguinte: carbono . pouco a pouco e com pressão moderada. Para evitar a oxidação excessiva do aço. impedindo que as reações exotérmicas permitem a passagem do fósforo para as escórias.O processo Thomas difere um pouco do processo Bessemer. Até mesmo carvão para recarburar o aço.

• Os ferros fundidos aptos para o conversor podem ser: Ferro fundido saído do cubilô: Ctot = (3% .000 ºC.400 ºC e o tempo total da operação é de 35 a 40 minutos.D. o silício e o carbono são os que liberam maior quantidade de calor.6% .2%Si) + (0. e o manganês contidos no ferro fundido reagem ao entrar em contato com o oxigênio do ar: o calor gerado por esta reação não somente mantém líquida a massa. e revestimento básico. usando gás combustível e ar.3 m a 1 m do fundo. A operação dura somente de 10 a 20 minutos. Cláudio R. Dr. previamente aquecidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.No processo Siemens-Martin pode-se alcançar temperaturas de até 2. Ao invés de usar o oxigênio do ar (que em cada 100 m3 aproveita apenas 21 m3 de oxigênio) usa oxigênio puro com 99 à 99. também de tijolos refratários.5% de pureza. A capacidade dos conversores modernos é de mais ou menos100 toneladas. Thomas e SiemensMartins. Dos três elementos citados.5% . Os produtos da reação do silício e do manganês formam a escória e.D. O processo de obtenção do aço pode levar de 4 a 5 horas. torna-o dispendioso e de baixa aplicação na siderurgia. quando a carga é fosforosa. lança de oxigênio que fica a uma distância de 0. dependendo da natureza da carga e do refratário. para o tratamento da carga silicosa. dando entrada no forno em altas temperaturas. Losekann Direitos autorais reservados Processo Pneumático L.5%Si) + (0. o silício. com efeito: Si + O2 = SiO2 + 6. As reações exotérmicas produzidas alcançam temperatura de 2.5% . os fornos Siemens-Martin são construídos com revestimento ácido. é de qualidade superior ao Bessemer.757 kcal/kg de manganês. O aço L. Segundo a composição da carga (como acontece no processo Bessemer e Thomas). como também eleva a temperatura de 300 a 400 ºC.750 kcal/kg de silício C + O = CO + 2. . ferro-manganês ou cal.Este processo introduzido pelos austríacos Linz e Donavitz em 1. A capacidade do forno varia de 50 a 300 toneladas. Processo Siemens-Martin .5% . O oxigênio é previamente aquecido e injetado na massa líquida pela parte superior do conversor.1%Mn) + P e S o mínimo possível. como elementos desoxidantes. Adiciona-se ferro-silício. O consumo de oxigênio é em torno de 50 m3 por tonelada de ferro gusa líquido. porém o alto custo de operação e instalação. é uma variante do processo Bessemer. O carbono. e de dois pares de câmaras recuperadoras.1.407 kcal/kg de carbono Mn + O = MnO + 1. O forno é constituído de uma mufla de tijolos refratários para receber a carga que pode ser sólida ou líquida.2%C) + (1% .4. • Ferro fundido saído do alto forno: Ctot = (3. os do carbono formam os gases (CO) 9 . O forno funciona pelo sistema de regeneração de calor dos gases quentes que saem do forno que vão aquecendo o gás e o ar.4%C) + (1.950. respectivamente.2%Mn) + P e S o mínimo possível.

β e γ. F. A capacidade dos conversores varia de 1 a 50 toneladas. Ar3. traça o diagrama da liga de Fe-C contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da indústria siderurgica.903. Gibbs. Osmond estudou o comportamento do ferro em temperaturas elevadas utilizando par termoelétrico Pt/Pt-Rh. Em 1. J. F. estirados e dos que sofreram tratamentos térmicos e passa a ser registrado fotograficamente as observações microscópicas. Em 1. carboneto de ferro. Em 1. K Chernov. o que hoje é definido como aço. Ac2.890. Sorby.850 a 1. Em 1.900.11 – Estrutura cristalina da cementita. Osmond consagrou os nomes dos constituintes Ferrita. Osmond e outros deram. 2. com o emprego do microscópio. • • • • • • • • Em 1. Em 1. aproximadamente. A. Em 1. 10 . Osmond publica “Théorie céllulaires des propriétes de l' acier”. C. e marca as posições dos pontos críticos Ar1.885. entre os anos de 1. pesquisadores como A.4. Cláudio R. este material dúctil e maleável fez com que vários pesquisadores da época se interessassem em investigar a estrutura e comportamento mecânico.1 . Brinell verificou que propriedades mecânicas diferentes em aços que foram forjados. C. K Chernov apresentou o resultado dos seus estudos sobre cristalização e macroestruturas dos lingotes de aço vazado.880. Em 1. J. F. Brinell. Dr. Sugere as transformações alotrópicas do ferro e a existência do ferro γ. F. F. Abel. Abel determinou que o composto isolado por KARSTEN. Losekann Direitos autorais reservados monóxido de carbono (venenoso) que escapa da boca do conversor. Estuda também os tratamentos térmicos. Neste mesmo período.863 nasceu a metalografia. Ac3 e as suas relações com o ferro α. Rozeboon.876. D. Ac1. utilizando os resultados de análises térmicas feitas por Robert Austen. A. Desta forma.DEFINIÇÃO Após a redução do carbono do ferro gusa líquido nos conversores. F.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e baseando-se nas leis de Gibbs. é que pode se dizer da ocorrência da fabricação dos aços. laminados. Cementita e Perlita. por A. corresponde a fórmula Fe3C e conclui que nem todo o carbono existente no aço pode ser isolado. Figura 2. Ar2. Gibbs anunciou a lei das fases que teve grande interesse no estabelecimento dos diagramas de equilíbrio dos sistemas de ligas. Devido ao grande interesse comercial. sugeridas por Howe e acrescentou os de Austenita e Martensita.883.900. na observação da superfície metálica polida. Sorby. D. com suas descobertas.

como teor máximo de carbono. S) idu So eγ ) s Líquido + Fe3C +l lid íqu ou quando ligados us ido com elementos Austenita (Feγ ) 4. a temperatura ambiente.11 0.7 solidificação (1.008 ºC). Entretanto.7%.3% de carbono (Feα ) + Fe3C visto que o eutético (Feα ) + Fe3C + (Grafite) produzido por esta concentração de carbono reduz a 0 temperatura de 0 1 2 3 4 5 6 6. a temperatura ambiente e. outros elementos adicionados para melhoria de suas propriedades (Cr. S) e.008%.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3% 1148 oC adicionados para melhoria de suas 1000 propriedades. o valor de 2. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 2. carbono (2 a 4.148 ºC).1%. O aço pode ser definido como uma liga binária de ferro-carbono. denominando-se assim como uma liga DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe . além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn.1%. Do diagrama de equilíbrio do Fe-C.77% 727 C (Feα ) carbono e principalmente com 500 teores próximo de 4. Si. o valor de 6. 11 . a temperatura de máxima solubilidade (1. W). o ferro Austenita (Feγ ) + Fe3C fundido contém de o 2% a 4. %C TEMPERATURA ( oC ) Figura 2.5% de 0. Dr.148 2. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Em função do diagrama de equilíbrio traçado por Rozeboon. como teor máximo de carbono. P. Na 912 prática. a temperatura ambiente e. P.12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 0. às vezes. pode-se definir também o denominado ferro fundido que é uma liga binária de ferro-carbono. V.C ternária composta basicamente de três FERROS FUNDIDOS AÇOS elementos: ferro.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos 1538 1500 químicos residuais Au ste Líquido oriundos de sua 1394 nita Liq ( F u fabricação (Mn. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados O ferro. 12 . não deve ser usado para tratamentos térmicos comerciais. enquanto a forma CCC pode dissolver carbono até um máximo de 0. Entretanto.77%. pelo diagrama de equilíbrio do FeC.13 – Curva de resfriamento do ferro. e no caso.0218% 400 200 0 0. A figura. Não é considerada a variável pressão. no resfriamento. Pelo gráfico esquemático abaixo.5 1. pois parte do princípio que a velocidade de resfriamento é infinitamente lenta e que não há outros elementos de liga que possam influenciar nas curvas de resfriamento. hiper-eutetóide . Pode-se observar que.aço. Cláudio R. é interessante salientar que este diagrama é teórico.0 2. como todos os metais no estado sólido.AÇOS • hipo-eutetóide . mostra de forma ampliada o diagrama de equilíbrio do aço. visto que a maioria das reações metalúrgicas ocorre sempre à pressão constante.5 3.0 1.0 %C Como observação. a forma CFC pode dissolver até 2.5 2. Assim sendo.com carbono superior a 0. Ar2 e Ar3 – transformações no resfriamento) observa-se contrações que são devidas também às mudanças de fase. que segue.008%.0 0. tem estrutura cristalina. há expansão de volume. Figura 2. pode apresentar-se em duas formas cristalinas diferentes: cúbica de corpo centrado e cúbica face centrada. A região circulada mostra a área de interesse de conformação mecânica a quente dos aços comuns no comércio.77%. Além disso. a pressão é uma atmosfera. • 2. (Ar1.com carbono 1600 Líquido Liquidu s até 0.1 % de carbono. nas paradas. A importância deste fato é que. que os aços podem ser divididos em três grupos: DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe-C .14 – Diagrama de equilíbrio . Figura 2. Líquido + austenita 1200 Austenita 1000 912 800 A3 Feα +Feγ ( oC ) • Feγ Acm 0.com carbono igual a 0. denotando mudança de fase. Vê-se.77%. Dr.77% o TEMPERATURA Feγ + Fe3C A1 A1 727 C 600 0. observa-se que há pontos de parada (temperatura constante).11% 1400 eutetóide .

A ferrita é uma solução sólida de carbono em ferro alfa (Fe α). Perlita – É um constituinte composto por 88% de ferrita e 11.CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO As ligas Fe-C são formadas por grupos de cristais que recebem o nome de constituintes. troostita. Figura 2. Por isso. É um dos constituintes mais duros e frágeis dos aços. bainita. é magnética até 770°C. perlita. resistência a ruptura de 28 kgf/mm² (Lr ≈ 280 MPa). Figura 2.67%C e 93. e dependendo da forma de resfriamento da liga.2 . austenita. alongamento de 35 a 40%. esteadita e grafita. Losekann Direitos autorais reservados 2. É magnética até a temperatura de 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0218% de carbono a 727 ºC. São denominados: ferrita. martensita.110 °C.15 – Ferritas. como sendo ferro puro. ledeburita. Cementita – É o carboneto de ferro de fórmula Fe3C. a partir da qual perde o magnetismo.4. 13 . A estrutura lamelar se observa na perlita quando ocorre resfriamento lento. cujas características serão visto a seguir: Ferrita .5% de cementita. praticamente se considera a ferrita. Tem dureza de 90HB aproximadamente. Tem semelhança com madre-pérola A perlita tem uma dureza de aproximadamente de 200HB. A ferrita é um dos constituintes mais moles e dúcteis dos aços. sorbita. A máxima solubilidade de carbono no ferro alfa é 0.16 – cementitas. cementita. alcançando dureza de 700HB ou 68HRC. podem ser denominados em constituintes primários (por resfriamento lento) ou secundários (por tratamento térmico) e também de acordo com as proporções dos componentes das ligas.33% de ferro. Cristaliza-se sob a forma cúbica de corpo centrado (CCC). e contém. Cada grão de perlita está formado por lâminas ou placas alternadas de cementita e ferrita. Sua solubilidade na temperatura ambiente é tão pequena que dissolve apenas 0. portanto 6. Cristaliza-se sob forma ortorrômbica. resistência a ruptura de 80 kgf/mm2 (Lr ≈ 800 MPa) e alongamento de 15%. Cláudio R.008% de carbono. Dr.

148 °C.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A quantidade de carbono dissolvido na estrutura cristalina. É obtida por resfriamento muito rápido dos aços. mantendo-se na estrutura cúbica de corpo centrado do ferro alfa. Martensita . Cláudio R. a baixa temperatura.É uma solução sólida de carbono em ferro gama (Fe γ). A austenita nos aços carbono. visto que o resfriamento rápido mantém os átomos de carbono que estavam dissolvidos na estrutura cúbica de face centrada da austenita. varia entre 0 e 2. resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1. e a partir da temperatura crítica superior (linha A3 ou Acm).É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). A) Perlita normal. sendo esta austenita não estável e com o tempo poderá transformar-se em ferrita e perlita ou perlita e cementita. Pode-se obter estruturas austeníticas nos aços na temperatura ambiente. por exemplo. Austenita . A martensita se apresenta sob a forma agulhas devido a grande deformação da rede cristalina. 14 . recebendo assim. encontra-se toda a massa transformada em cristais de austenita. sendo a concentração de carbono de 2. se os mesmos não contem elementos de liga. Se a perlita lamelar permanecer durante algum tempo a uma temperatura um pouco inferior a critica (727 °C) a cementita toma a forma de glóbulos incrustrados à massa da ferrita. É um dos constituintes mais elásticos dos aços. em aços com elevado teor de níquel. a denominação de perlita globular ou esferoidizada. Há outros autores que consideram essa estrutura como sorbita.11%. uma vez elevando-se à temperatura suficiente para conseguir uma constituição austenítica. começa a se formar em temperaturas de 727 °C (linha A1 ponto crítico inferior). o cromo-níquel. Dr. Elas se apresentam em aços ligas especiais como. A austenita é formada por cristais cúbicos de face centrada (CFC).18 – Austenita.11% a máxima solubilidade a temperatura de 1. Se o resfriamento é mais brusco. onde os átomos de carbono estão inseridos principalmente nas faces das células unitárias. a estrutura é mais borrosa e é denominada então de perlita sorbítica. Losekann Direitos autorais reservados a) b) Figura 2.000 MPa) e alongamento de 30% e não é magnética. Figura 2. sendo denominadas de austenita retida ou residual. A austenita tem dureza de aproximadamente 300HB. B) Perlita sorbítica.17 – Perlitas.

tanto quanto a martensita.20 – Bainita inferior. onde a tensão entre os grãos aumenta. resistência mecânica e fragilidade. durante um tempo suficiente para que toda massa se transforme.500 MPa).19 – Martensita. assemelhando-se a estrutura do diamante. a dureza aumenta.3%. Cláudio R. resistência mecânica de 175 a 250 kgf/mm2 (1. Possui excelentes propriedades mecânicas e não necessita de operações de revenido após ter sido obtida. Bainita . Pode-se obter dois tipos de bainita.5% e é magnética. alongamento de 0.8%C. com o aumento de carbono. em conseqüência. É obtida também por resfriamento rápido dos aços com concentração de carbono acima de 0. Tal operação recebe de peças de pequenas dimensões. entre as temperaturas de 250 e 500 °C. A bainita é obtida por transformação isotérmica da austenita. é um constituinte secundário da liga Fe-C que sofreu tratamento térmico com resfriamento rápido. Apresenta durezas intermediárias da perlita fina com a martensita.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). da mesma maneira que os metais deformados a frio. a bainita. Figura 2. Losekann Direitos autorais reservados Antigamente acreditava-se que a martensita originava uma estrutura tetragonal em virtude da grande dureza. sendo que varia até o máximo de 0. é obtida entre temperaturas de 250 e 400 °C. entretanto esta e evidenciada pelo início da transformação das lamelas de cementita. similar a martensita.5 a 2. ou seja. é obtida entre a temperaturas de 300 e 500 °C e a bainita inferior de aspecto acicular. A percentagem de carbono da martensita não é constante. Em outras palavras.750 a 2. As duas bainitas são constituídas por placas de carbono sobre uma matriz ferrítica. A dureza da martensita pode atribuir-se à tensão produzida entre os cristais deformados. um processo de transformação interrompida da perlita. de aspecto arborescente. 15 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A bainita superior. Sua dureza varia de 50 a 68 HRC. O processo de obtenção de bainita é similar ao da martensita. Figura 2. dependendo da temperatura em que o material foi tratado. aumentando sua dureza. Dr.

16 . Ledeburita . porem mais finas. A dureza da sorbita é de aproximadamente 350 HB e resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1.A sorbita é obtida por transformação isotérmica da austenita. Losekann Direitos autorais reservados Trostita . Cláudio R.500 MPa) e alongamento de 7. mas sim dos ferros fundidos. e também parecidas com as da perlita. resistência mecânica de 250 kgf/mm2 (2. É um constituinte eutético e empregada para designar uma mistura de componentes que passam sem decomposição nem segregação do estado sólido para o líquido.148 °C. É encontrada nas ligas Fe-C com teores de carbono superior a 2. decompondo-se em ferrita e cementita.3% C desde temperatura de 1. A trostita se apresenta em forma de módulos de lâminas radiais de cementita sobre a ferrita. nos quais a velocidade de resfriamento suficientemente rápida não dá tempo para a formação da trostita.5%.23 – Ledebuirta.A ledeburita não é um constituinte dos aços. ainda mais finas que as da trostita.000 MPa) e alongamento de 15%. É formada por 52% de cementita e 48% de austenita. Figura 2.3%. Dr.11%. Figura 2. quando resfriamos a austenita a uma velocidade bem inferior a velocidade crítica de resfriamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.A trostita se obtém por transformação isotérmica da austenita entre as temperaturas de 500 e 600 °C. sendo estável até 727 °C.22 – Sorbita. parecidas com as da perlita. Também é obtida.21 – Trostita. Figura 2. A sorbita se apresenta sob a forma de lâminas. Por essa razão aparece nos aços forjados e laminados. A quantidade total de carbono da ledeburita é de 4. A ledeburita é obtida resfriando-se a liga líquida de 4. entre as temperaturas de 600 e 650 °C e mantendo esta temperatura constante durante um tempo suficiente para toda massa se transforme. Sorbita . A trostita também é obtida através do resfriamento com a velocidade inferior a crítica (velocidade crítica de resfriamento é a mínima velocidade para que toda a austenita se transforme em martensita). A dureza da troostita é de aproximadamente 450HB.

Confere a liga ferrosa baixo valor de dureza.24 – Esteadita. Grafita . Figura 2. Em condições de resfriamento lento. pode-se calcular a percentagem de esteadita que contém o ferro fundido por sua quantidade de fósforo. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Como a esteadita se compõem de uns 10% de fósforo aproximadamente. Somente perlitas. e aparece nos ferros fundidos com mais de 0. Apresenta-se em forma de lâminas nos ferros fundidos cinzentos e em forma de esferoidal em alguns ferros fundidos especiais.77% de carbono encontram-se na matriz do aço somente grãos de perlitas. diminuindo a quantidade de ferrita. Dr. as seguintes estruturas são formadas no aço: a) No aço hipo-eutetóide abaixo de 727 ºC. Figura 2. É muito dura e frágil. 17 . b) No aço eutetóide. perlitas (escuras). Ferritas (claras).25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide. No entanto melhora a resistência ao desgaste (serve como lubrificante seco) e a corrosão. Com concentração de 0. funde a 960 °C. Possui cor marrom escuro e peso específico 2. Losekann Direitos autorais reservados Esteadita . resistência mecânica. As quantidades de perlitas aumentam com o aumento do teor de carbono.É um constituinte de natureza eutética.26 – Microestrutura de aço eutetóide.15% de fósforo.15% de fósforo. Figura 2.25 g/cm3. um ferro fundido que contém 0.A grafita é um dos três estados alotrópicos em que encontramos carbono livre na natureza. elasticidade e plasticidade. • Perlita. • Ferrita + Perlita. e quase todo fósforo da liga se encontra neste constituinte. terá aproximadamente 15% de esteadita. Por exemplo.

Nos aços com teores acima de 0. sendo suas normas de classificação dos aços ou das bases de seu sistema.2315 AISI . permanecendo o princípio adotado anteriormente. Figura 2. Nas condições normais. é evidente que nunca há velocidade infinitamente lenta. pela famosa “Society of Automotive Engineers” (Sociedade dos Engenheiros Automobilistas) . • Perlita + Cementita. denominada “classificação SAE”. a cementita. podemos falar em classificação SAE ou AISI ou também SAE-AISI.ABNT .4.77% de carbono se encontram grãos perlíticos e. da Associação Brasileira de Normas Técnicas. adotada a classificação SAE.3 . Assim. Perlitas e cementitas. Losekann Direitos autorais reservados c) No aço hiper-eutetóide até 2% de C. de acordo com a norma NB-82. praticamente.CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS .27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide. A base deste sistema é. no contorno de grão. Dr. tornou-se conhecida mundialmente. o da classificação em relação a sua composição química. Desta forma. apresentada e normalizada em 1. por exemplo. No caso de resfriamento convencional. em princípio. São perfeitamente equivalentes. tem-se como exemplo: Aço-Níquel: SAE . ou seja. forno. foi organizada.2315 18 . cuja sigla é ABNT. Assim sendo. No Brasil também foi. há a formação de outros constituintes.912 nos Estados Unidos da América do Norte. a classificação tem como critério básico a composição química de aço. ar.conhecida pela sigla “SAE ”. sigla da “American Iron and Steel Institute” (Instituto Americano de Ferro e Aço). adotadas hoje por muitos países.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.AISI A classificação. o que faz a AISI não foi nada mais do que adotar em princípio. que estaremos praticamente nos referindo a um mesmo critério de tipos e valores. Por outro lado. Em 1. 2.941 estas normas foram encampadas pela “AISI”. os elementos de liga influem na morfologia do diagrama de equilíbrio. Cláudio R.SAE . entidade norteamericana que congrega e normaliza toda a indústria de ferro e aço naquele país.2315 ABNT . como perlita fina. martensita. a classificação básica inicial SAE e partindo desta foram feitas modificações necessárias e ampliações. caracterizando fragilidade intergranular. óleo e água. bainita superior e inferior.

nos desenhos de oficina e especificações técnicas. Cláudio R. nos sistemas normalizados SAE e ou AISI é constituído sistematicamente por quatro algarismos (ocasionalmente por cinco algarismos no SAE e três no sistema AISI). antes dos 4 algarismos.1o algarismo: indica o “tipo” de aço.XXXX. • Prefixo T é empregado para indicar a maior proporção de Mn.AISI tornando possível especificar. O propósito desta publicação é exatamente de estudar o sistema de classificação destes tipos de aços. o tipo de aço usado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. onde os dois primeiros números indicam a tensão de ruptura em kgf/mm2 e os dois últimos algarismos representa o alongamento. Entende-se como “aços laminados” (wrought or rolled steel) os “aços carbono” (carbon steel) e “aços-liga” (alloy steel) usados em construção mecânica e obtidos por laminação em laminadores. parcialmente. Dr. X . precedidos da sigla indicadora da constituição normalizadora. O código básico de representação dos tipos de aços. Losekann Direitos autorais reservados • Sistema básico de classificação Um sistema codificado é usado para designação dos aços laminados na classificação SAE .2o algarismo: indica o “grupo” dentro do tipo. Em alguns casos. 19 . Tem-se então: UMA sigla e QUATRO algarismos ⇒ SAE XXXX SAE : “Sigla” da Instituição Normalizadora X . permitindo descrever. • A letra L intercalada entre o 2º e o 3º algarismo indica a presença de chumbo (lead). Exemplo: D5116 corresponde a 16 Mn Cr 5 Os aços fundidos são designados por 4 algarismos seguidos de AF. Sigla • • • Cada instituição normalizadora usa a sua sigla: Society of Automotive Engineers SAE .XXXX Associação Brasileira de Norma Técnica ABNT .3o e 4o algarismos: indicam o “percentual médio” de carbono. a composição química dos mesmos. XX . ABNT 4524 AF – aço fundido com tensão de ruptura de 45 kgf/mm2 e alongamento de 24%. Ex.XXXX American Iron and Steel Institute AISI . ou entre o 2º e o 3º ocorre a inclusão de letras como: • Prefixo X indica a variação de enxofre ou cromo. • A letra D precedendo os algarismos indica aços com composição química exatamente igual a estabelecida pelas norma DIN (Deutsche Industrie Norm).

18 a 0. um elemento de liga que. o 4o ou último algarismo. permanecem constantes para todos os aços com o mesmo 2o algarismo. Ambos apresentam uma porcentagem de C entre 0. indica a percentagem aproximada deste elemento.2% C) e SAE 1021 (0. Por 20 . entre os aços indicados por SAE 1020 (0. Nas ligas com “três elementos de liga” e também. significando a indicação de metal (ou metais) básico adicionado a liga de ferro carbono. indica a percentagem aproximada do elemento predominante na liga. Será visto.: 0. em alguns casos.grupo dentro do tipo Nas “ligas simples”. Dentro do mesmo “tipo” e “grupo” estão compreendidas uma série de ligas com as mesmas porcentagens de elementos componentes.“Tipo” de Aço Um sistema numérico de 1 a 9. pode indicar a existência de variações de outros elementos da liga. Nas ligas com “dois elementos de liga”. algumas vezes. por exemplo. geralmente. muitas vezes. e que geralmente lhe dá o nome. ou seja: 0.Percentagem média de Carbono Os dois últimos algarismos XX indicam sempre a percentagem média de carbono no aço.21% C) as tabelas não apresentam diferença na porcentagem média de carbono. posteriormente nas tabelas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que. procura identificar de uma maneira geral e global o tipo de aço a que pertence. em centésimo percentual.25% C Significado especial do 4o Algarismo Muitas vezes. O quadro abaixo indica esta identificação: TIPO DE AÇO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 DESIGNAÇÃO Aço Carbono (sem metal de liga) Aço Níquel Aço Níquel-Cromo Aço Molibdênio Aço Cromo Aço Cromo-Vanádio Aço Tungstênio-Cromo Aço Níquel-Cromo-Molibdênio Aço Silício-Manganês 2o Algarismo . XX % C Ex. Dr. quando for considerado isoladamente. Losekann Direitos autorais reservados 1o algarismo . com “dois elementos de liga” indica uma determinada combinação de porcentagem média dos (ou de alguns dos) componentes da liga. 3o e 4o Algarismo . que nestes casos denominamos de combinação da liga.23% C. para identificar bem os aços comerciais disponíveis. que. Cláudio R.

SAE 51100 e 52100.Sem elemento de liga além da combinação ferro e carbono. Aço SAE .5% de Ni Aço com 1.5% Ni e 1. Losekann Direitos autorais reservados outro lado.5% de Ni Aço com 3.Caracteriza “Aço Cromo”.1% Cr. exceto elementos residuais.5% de Ni Aço com 5. Exemplos: Aço SAE .5% de Ni Inox e resistente à altas temperaturas Aço com 1.65% Aço com 0.75% de Mn Aço com elevado teor de Mn Aço com 0. apresentam na porcentagem de Mn.Percentagem média de 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Caracteriza “Aço Carbono”.Caracteriza Aço Níquel-Cromo-Molibdênio 6 . como os aços SAE 50100.10% de C.(0.25% Mo Aço Ni Aço Ni-Cr Aço Mo 21 . 40 .0% Ni e 0.Corresponde a uma percentagem média de 0.1% Cr. Aço SAE . no entanto.98 a 1.51100 5 .10%C).75% Ni e 1. 1 .5140 5 .Percentagem média de 0.25% Ni e 0. 100 .10% de Nb Aço com Mn entre 1. com percentagem média de carbono de 1%.Percentagem aproximada de Cromo na liga . Aços classificados com cinco algarismos Algarismos (XXXXX).8% Cr Aço com 0. Tipo Aço carbono Classe 10xx 11xx 12xx 13xx T-13xx 14xx 15xx 20xx 21xx 23xx 25xx 30xx 31xx 32xx 33xx 34xx 40xx Teor aproximado dos elementos Aço sem elemento de adição Aço resulfurado – de usinagem fácil Aço resulfurado e refosfatado Aço com 1.8630 8 .98 e 1.65% Cr Aço com 1.1035 1 .40% de C.5% Cr Aço com 3.). 30 .Caracteriza a combinação em determinadas percentagens dos três elementos de liga. Cláudio R. os três últimos (XXX) indicam a percentagem média de carbono (entre 0.0% Cr Aço com 3.Percentagem aproximada de cromo na liga . Aço SAE .30% de C.00 a 1.35% de carbono na liga. 0 . Dr.Caracteriza “Aço Cromo” 1 . cujos valores médios estão especificados nas respectivas tabelas de composição química. o último contém maior porcentagem. 35 .Percentagem média de 1% de carbono .

Dr.8% Cr e 0. outros elementos que podem ser classificados e divididos em três grupos.3% a 0.6% de Cr Aço com 0.25% Mo Aço com 2.INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO Como foi estudado anteriormente.5% de Cr Aço com 0. São constituídas principalmente 22 . cuja presença no aço.15% de V Aço com tungstênio Aço com 0. embora em pequenas percentagens. por serem no caso.25% Mo 2.9% Cr Aço com 1. • • 2o Grupo – Impurezas.17% Cr e 0.Elementos de liga.45% de Cr Aço com 0.12% Mo e 1% Mo Aço com 0. como decorrência dos processos de fabricação e que.55% Ni e 0.20% Mo Aço com 1% Ni e 0.75% Ni e 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.12% Mo Aço com 0.55% Ni e 0.Elementos resultantes da elaboração Pertencem a este grupo os elementos como o manganês (Mn).4. o aço. 3o Grupo .4 .55% Ni e 0.9% de Cr a 0.2% Mo e 0.45% Ni e 0.8% Cr e 0. sempre existem nos aços. o silício (Si).55% Mn Aço com 3.15% Mo Aço com 0. • 1o Grupo . Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Aço Cr Aço V Aço W Aço Ni-Cr-Mo Aço Si-Mn 41xx 43xx 46xx 48xx 50xx 50xxx 501xx 51xxx 511xx 514xx 515xx 52xx 52xxx 521xx 61xx 70xx 86xx 87xx 92xx 93xx 94xx 97xx 98xx Aço com 0.2% de Cr Aço com 1.25% Mo Aço com 1.4% Cr e 0. 1o Grupo . tal como é usado industrialmente. devem ser reduzidas as menores porcentagens possíveis.5% Cr e 0.75% Ni e 0.5% Cr e 0.5% Ni e 0.25% Ni e 1. o alumínio (Al) ou o titânio (Ti). ou introduzidas durante os processos de fabricação. 2o Grupo .10% Mo Aço com 0.25% Mo Aço com 3.45% de Cr e 1% de C Aço com 1.2% Cr e 0.0% Si e 0.5% de Cr e 1% de C (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1. possui além do ferro e do carbono. manifestamente prejudiciais a qualidade do aço.Impurezas São constituídas pelos elementos que sendo componentes das matérias primas usadas.Elementos resultantes da elaboração.

silício.4. ou conseqüentes dos processos de fabricação são constituídos principalmente pelo enxofre. Cláudio R. níquel. conferem propriedades particulares. até 0. etc.50% C constituem os Aços Ferramentas.6% de Mn. cromo. nitrogênio.Elementos de Liga Também denominados de “elementos especiais”. enquanto que as outras propriedades dependem do grau de pureza. fósforo. Percentagens entre 0. Percentagens que oscilam entre 0. que definem a qualidade do aço. são aqueles que se adiciona intencionalmente ao aço. oxigênio. tungstênio. relacionando a sua influência sobre os tratamentos térmicos e a influência destes elementos e destes tratamentos sobre as características de comportamento mecânico dos aços. vanádio. Manganês.50 a 1. Dr. ou ainda. Somente é considerado como elemento de liga nos aços. uma quantidade de peças de aço (de diversas ligas) é adicionada junto com o ferro e carbono para formar o aço.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. cobalto. mas também por diversos metais. Sabe-se que entre as matérias primas usadas para a fabricação do aço. selênio.70% C. tântalo. assim como a resistência ao desgaste. silício e manganês. boro.5% aproximadamente.10% a 0. níquel. As impurezas provenientes da matériaprima. Silício (Si) . chumbo. Aumenta a dureza e a resistência. Aumenta a resistência mecânica dos aços de baixa liga e melhora a resistência à oxidação em altas 23 . compreendido entre dois limites.É um elemento que se apresenta em todos os aços. Faz aumentar moderadamente a temperabilidade e contrabalança a fragilidade dos aços devido ao enxofre. Associado ao silício. como o cobre. será abordado um resumo da sua ação específica e em especial. Aumenta a velocidade de penetração do carbono na cementação. cobre. em pequenas percentagens. etc..10 a 1. As deformações produzidas pela têmpera são diminuídas pela adição de Mn. 2. Para cada um dos elementos de adição existentes ou adicionados aos aços de construção. estanho. molibdênio. O seu valor porcentual está. chumbo.1 – Elementos de adição Carbono (C) . Poderão dar ao aço propriedades indesejáveis para o fim a que se destinam. devido aos processos de fabricação. Losekann Direitos autorais reservados por elementos não metálicos como o enxofre.4. zircônio. Aumenta a dureza e resistência e diminui a ductilidade e plasticidade. titânio. serve para fabricar aços especiais para molas. 3o Grupo . classificam-no como aços de construção.35% pois é empregado como desoxidante durante o processo de fabricação do aço.O silício como o Mn. fósforo. acha-se presente em todos os aços em pequenas proporções.É o elemento que desafia o aço e estabelece suas propriedades básicas. em geral. Manganês (Mn) . A percentagem de carbono influi apenas na dureza de aço. alumínio. O teor de carbono varia entre 0. Se nenhum destes elementos atinge a porcentagem de 5% o aço diz-se “baixo teor elementos de liga” se a percentagem ultrapasse os 5% são classificados como de “médio” ou “alto” teor em elementos de liga. uma boa percentagem é de “sucata” ou seja. quando a percentagem média excede a 0. “aços especiais”.

5% C não temperáveis. durante os processos de fabricação. Em um caso especial. de modo que o seu teor deve ser mantido o mais baixo possível.0% por possuírem boa permeabilidade magnética. Os aços-silício resistem muito bem ao desgaste. Aumenta a dureza e a resistência dos aços de baixo teor de carbono. por serem usados para a fabricação de pequenas peças. Atualmente. Aumenta a 24 . devido a fragilidade destes aços.É um elemento prejudicial aos aços tornando-os frágeis e quebradiços ao rubro. é considerado elemento benéfico. É empregado também como elemento de liga. com carbono até 0. magnetizando e perdendo rapidamente o magnetismo. maior afinidade pelo oxigênio do que o ferro. Dr. prevenindo a corrosão intergranular e a tendência à fragilidade. em muitos casos. Losekann Direitos autorais reservados temperaturas. Nitrogênio (N) . para permitir altas velocidades de corte. causando principalmente dureza e fragilidade. Por esta razão nos aços de alta qualidade. que possui.Em princípio o nitrogênio tem muitas vezes uma influência nociva sobre os aços. Melhora ligeiramente a resistência à corrosão. Faz aumentar o coeficiente de elasticidade o que torna sua presença inconveniente nos aços destinados a receberem deformação por estampagem. Aumenta a existência e dureza dos aços de baixa percentagem de carbono melhora nestes aços a sua usinabilidade. empregando-se em ferramentas para trabalhos em pedreiras. da forma que a combinação daqueles elementos com o oxigênio torna-se inofensivo. de até 0.Como o nitrogênio. A percentagem máxima admissível e em torno de 0.É usado para desoxidação e como estabilizador dos aços inoxidáveis austeníticos. pois aumenta a facilidade de usinagem e os cavacos se destacam em pequenos pedaços.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.É uma impureza normal existente nos aços. São também chamados “aços para tornos automáticos”. dando origem aos aços de “corte livre”. para este efeito. Os aços-silício são muito usados para chapas de núcleo de transformadores e motores elétricos. atingindo os aços especiais.5%. melhora certas propriedades dos aços.4% Si. Fósforo (P) . O oxigênio endurece o aço. adicionam-se elementos de liga. Percentagens de 2. Oxigênio (O) . Enxofre (S) . Cláudio R. Titânio (Ti) . o Nitrogênio deixou de ser considerado elemento nocivo.10% e percentagens de silício até 4.35% é usado na produção dos aços de “corte livre”. Felizmente. deseja-se limites máximos entre 0. por sua ação de aumentar a temperabilidade e penetração da têmpera. pois foi verificado que. diminuindo conseqüentemente sua tenacidade.05%. pois sua edição em percentagem. Para ser considerado como elemento de liga. prestando-se muito bem para imantação por corrente alternada. a percentagem de silício deve ser superior a 0. A presença do enxofre faz com que os aços tenham características mecânicas inferiores.30 a 0. É usado também na fabricação de molas. sendo então considerado como “aço-silício”. porem considerada de natureza nociva. altos valores de carga de ruptura. tornando-o frágil.0% de Ti tornam os aços com 0. o oxigênio é prejudicial ao aço.

etc. do que resulta uma grande resistência ao desgaste e alta capacidade de corte. Aumenta a resistência a ruptura à tração e o limite de elasticidade. Cromo (Cr) . Aumenta a resistência à ação corrosiva dos ácidos. sendo usados para réguas padrão. As ligas com fortes percentagens de Ni apresentam reduzido coeficiente de dilatação pelo calor. O nitrogênio é também usado num processo de endurecimento superficial chamado de “nitretação”. O aço-níquel com baixa percentagem de Carbono (0. pela contribuição efetiva e econômica para as características pretendidas. sendo invariavelmente usado em complemento de outros elementos de liga (pois o molibdênio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. melhora ainda a corrosão. Níquel (Ni) . isoladamente.A ação do molibdênio é muito intensa. Eleva a resistência à corrosão a temperatura ambiente e altas temperaturas. onde entrará como elemento de liga.10 a 0. quando a percentagem é menor ou maior de 25% de Ni.15% C) e 2% de Ni prestam-se notavelmente bem para cementação. nos aços inoxidáveis. Aumenta a resistência a tração. Em percentagem de 0. os efeitos produzidos pelo Mo nos aços assemelham-se as produzidas pelo tungstênio. Em conjunto com o níquel e cromo. sobretudo nas percentagens de 0.Junto com o Ni. Oferecem também boa resistência ao desgaste. O molibdênio atua sobre propriedades muito diversas do aço e o seu emprego generaliza-se cada vez mais. As ligas com altas percentagens de Ni (e Cr) são os elementos básicos dos aços inoxidáveis. É largamente utilizado na fabricação dos aços inoxidáveis.5% de Ni) e a Platinite (46% de Ni). especialmente a baixas temperaturas. ou associado ao Ni. Molibdênio (Mo) . constitui um dos elementos mais importantes na fabricação dos aços de alta qualidade. Aumenta a penetração da têmpera. Os aços são classificados e representam propriedades sensivelmente diferentes. melhora a resistência ao choque e a resistência à fluência a quente. assim como a resistência a corrosão e a oxidação. porém seu efeito é muito mais intenso. tende a diminuir a tenacidade dos aços).Consiste um dos elementos de liga mais importantes.20% aumenta a profundidade de têmpera. Cobre (Cu) . De um modo geral.Em percentagens de 0. Cláudio R. Dr. Losekann Direitos autorais reservados resistência ao calor e à fadiga dos aços austeníticos. alta tenacidade e boa ductibilidade. peças para relógios. como o Invar (35. Tem pouca influência sobre a ductibilidade.5% e confere boas propriedades mecânicas para utilização a temperaturas elevadas. Dá ao aço resistência à tração. O cromo aumenta consideravelmente a resistência a temperatura ambiente e a altas temperaturas: aumenta a dureza e o limite de escoamento do aço. especialmente nas de corte rápido. pois mesmo com pequenas porcentagens obtém-se efeitos consideráveis. 25 . Os aços-cromo melhoram consideravelmente as suas propriedades pelo tratamento de revenido após o tratamento de têmpera. e um dos primeiros a serem utilizados nos aços.5% melhora a resistência à corrosão atmosférica. a tenacidade e a resistência ao choque. sendo as vezes usados nos aços cromo-níquel resistentes à corrosão.

Mantém uma dureza elevada em temperatura elevada (500 ºC) e. como as molas. etc. O cavaco formado e frágil é descontínuo. em torno de 0. Aumenta o limite de escoamento e resistência. Aumenta a dureza e contribui para a melhoria acentuada da capacidade de corte a altas temperaturas.Aumenta consideravelmente a dureza a resistência do aço a temperatura ambiente e em especial a altas temperaturas. Chumbo (Pb) . Melhora a resistência à fadiga e as suas características de laminação. que se obtém. Os aços ao tungstênio podem ser temperados em água sem rachar. V. Cobalto (Co) . Alumínio (Al) . O vanádio aliado ao molibdênio melhora a resistência à fluência. deve ser acompanhado por um aumento do teor de carbono. o alumínio aumenta a resistência do aço à oxidação e ao calor. afim de que os aços não percam a sua capacidade de têmpera. mesmo com teores bastante baixos. É elemento importante em todos os aços rápidos.Uma das principais características da adição do vanádio nos aços. onde é muito empregado. Devido a grande afinidade pelo oxigênio. melhorando as suas características de forjamento e usinagem. pelo que é extraordinariamente importante seu efeito nos aços para ferramentas. Mo. e resistem bem ao revenido. pois facilita a penetração do nitrogênio. Boro (B) . Losekann Direitos autorais reservados Vanádio (V) . Tungstênio (W) . como o Cr. A sua ação mais importante é o extraordinário aumento da temperabilidade do aço. é torná-lo insensível ao super aquecimento. Emprega-se especialmente nos aços ferramentas com o W e o Cr em teores de 3 a 10%.O objetivo da adição de chumbo no aço é o de melhorar a usinabilidade dos aços-carbono. W.Aumenta a resistência do aço. sendo o elemento básico dos aços rápidos. especialmente com o cromo. Dr. Oferecem também boa resistência ao desgaste. Geralmente são adicionados com outros elementos. incorporado recentemente na tecnologia de fabricação do aço. O seu emprego em teores elevados. 26 . além de melhorar o acabamento. Forma carbonetos muito estáveis e resistentes ao desgaste. entretanto. sem diminuir. por esta razão. Melhora a resistência ao choque dos aços de construção. Como elemento de liga. é um elemento importante nos aços que vão ser submetidos a nitretação.O alumínio é empregado nos aços. são geralmente usados na fabricação de estampas e matrizes. Emprega-se nos aços para imãs e ligado ao Cr e ao Ni nos aços “superinvar” de baixo coeficiente de dilatação. sendo o mais comum o cromo. como seria de esperar. São aços com preço elevado. Cláudio R. Sempre é empregado em conjunto com outros elementos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Também são empregados em peças que estão sujeitos à fadiga.004%. principalmente como desoxidante durante o processo de fabricação.É um elemento muito interessante. o que torna pouco econômico o seu uso quando são desejáveis as suas excelentes propriedades mecânicas. o alongamento. forjamento e usinagem.

oferecendo um bom acabamento superficial. é de difícil soldabilidade exceto mediante a uso de eletrodos de baixo teor de hidrogênio.Aço cromo-níquel-molibdênio para cementação que alia alta temperabilidade com boa tenacidade. etc. barras de torção. contudo. tubos e outras aplicações. componentes aeronáuticos. 8640 . • • • • • • • • • • 27 .RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA • • • • 1010 . usado em peças de seções grandes como eixos. terminais. usado em peças mecânicas. conexões e outros produtos que necessitam de alta usinabilidade. usado em peças mecânicas. 5160 .Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. partes soldadas. Losekann Direitos autorais reservados 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. terminais de direção. 4320 . eixos. Cláudio R. conformada ou cementadas.Aço cromo-niquel-molibdênio usado para cementação na fabricação de engrenagens. 4340 . 1212 . etc. roscas laminadas ou partes recartilhadas em relação ao 1212 e 12L14. capas de rolamentos. usado tipicamente na fabricação de molas semi-elípticas e helicoidais para veículos. 1045 . etc.Aço cromo-manganês para beneficiamento. bielas. etc. de uso geral em aplicações que exigem resistência mecânica superior ao 1020 ou têmpera superficial (em óleo ou água).4.Aço ao carbono. Como exemplo. semi-eixos.Aço cromo-níquel-molibdênio de alta temperabilidade. 5140 . peças dobradas. onde apresenta capacidade superior a 100% em relação ao 1212.Aço ao carbono sem elementos de liga. 9260 . pinças para máquinas operatrizes. parafusos.Aço cromo-vanádio para beneficiamento que apresenta excelente tenacidade e média temperabilidade sendo usado em molas helicoidais. peças para tratores e caminhões. para uso geral. partes soldadas. E6015 (AWS). 12T14 .. 6150.Aço de alto teor de silício com alta resistência. Dr. eixos. cremalheiras. de média temperabilidade.Aço cromo-manganês de boa tenacidade com média temperabilidade.Aço com teor médio de carbono. etc. como por exemplo.Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. 1020 . Usa-se comumente na fabricação de porcas. virabrequins.Fácil de ser usinado. arames em geral.5 . sem elementos de liga. usado em coroa e pinhões. porém não devem ser utilizados em partes vitais de máquinas ou equipamentos que estejam sujeitos a esforços severos ou impactos. usado em molas para serviço pesado como tratores e caminhões. 8620 . onde apresenta capacidade superior a 60% em relação ao 1212. 12L14 . (limite de resistência do núcleo: entre 70 e 110 kgf/mm2). pinhões. Apresenta algumas melhorias em trabalhos que necessitem de compressão. etc. ferramentas. engrenagens.Aço cromo-níquel-molibdênio de média temperabilidade. cruzetas. de uso geral. usados em peças de construção mecânica em geral. pinos. usado em eixos. (limite de resistência do núcleo: entre 80 120 kgf/mm2). chavetas e peças de espessura média.. usado em parafusos.

2330. roletes e capas de rolamentos e em ferramentas como estampos. 1080 1070 1030. da usinabilidade do material. 1015 1030. além de outros fatores.Aço que atinge elevada dureza em têmpera profunda. etc. 3140. Losekann Direitos autorais reservados • 52100 . 4620 5150 4140 1320. 4820. 8620 3115. 6150 4615. 12T14. 1212. tiras e tubos Chaveta Corrente de transmissão Disco de arado Disco de fricção Eixo Eixo de automóvel Eixo do ventilador Eixo ranhurado Eixo para serviço severo Eixo temperado em óleo Eixo de transmissão Engrenagem cementada Engrenagem de corrente Engrenagem do diferencial Engrenagem em serviço severo Engrenagem temperada TIPO DE AÇO SAE 12L14. 4140 1045. 3115 3135. usado tipicamente em esferas. 4119 4023 4640. 1132. 4119. 3510. 2345. 3115. 2317. 6150 2345 28 . 1040 2330 52100 1085 1060 5150 1060 1020 1040 1085 1035 1040. 3120. uma seleção criteriosa do material depende. 3141 1008 1010. 4340 1040. 4815. 4063. 4023. 2340. 4340. 1070 1085 1040. alargadores. 1045. brocas. 4615. 3140. Portanto. tiras e tubos Chapas. 5115. 3135. Dr. 8640. sobretudo. Cláudio R. 3120. 2340. das características precisas do trabalho a que se destina. 1144 4615 4620 1070. 2345. 1095 1060. 3140 1080.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 2340. APLICAÇÃO Aço de corte livre Aço de deformação mínima Aço p/ ferramentas agrícolas Aço p/ferramentas agrícolas Aço para laminação a frio Alavanca de freio Alavanca temperada Anel de rolamento Arame de aço Arruela de encosto Arruela de encosto temperada Arruela de pressão Barra de distribuição Barra de distribuição Barra do amortecedor Barra para estiragem a frio Biela Chapas. 1137. 1213. 4125 4320. do custo. As aplicações dos aços mencionados na tabela que se segue não passam de orientações gerais. 3141. 2340 2340. 1320.

2340 1020. Dr. 5150 52100 1008. 1015 4615. 1010. 4820 2330. 6150 1060. 1320. 3150. 4068. 2515. 1118. 6150 5150 1035 3130 1211. 1015 52100 1010 1010 1020 1045 1145. 4815. 1117. 5140. 1022. 1010. 1213 4042 3130 3130 3130 4815. 9260. 4820 3115. 3120. 2317. 3120 3130 2330 1008. 3140. Cláudio R. 4340. 8640. 4063 1095. 3310. 8620. 1036 1035 4140 3240. 4023. 3120. 4620 1144 1085. 4032. 1095. 3115. 4320 3135. 4063.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Engrenagem temperada em óleo Esfera de rolamento Estampagem profunda Excêntrico para volante Junta universal Lâmina para molas Mola de compressão Mola helicoidal Mola temperada em óleo Parafuso Parafuso de barra de direção Parafuso de corte livre Parafuso estampado a frio Parafuso esticador Parafuso para biela Parafuso para cilindro Parafuso para serviço severo Parafuso temperado Peça cementada Peça forjada Peça forjada média e pequena Peça forjada p/ar comprimido Peça forjada temperada Peça forjada p/trabalho severo Pinhão cementado Pino (corrente de transmissão) Pino (pistão) Porca Porca temperada Rebite Roletes para rolamento Tubos para peças mecânicas Tubos sem costura Tubos soldados Virabrequim Prof. 4140 29 . Losekann Direitos autorais reservados 3145. 1040 1045. 3135. 6150 6150 3115. 4063. 1024. 1212.

Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Assim. 30 . são também necessárias concentrações menores de carbono e de silício. Em função disto. revestimentos de moinhos e outras. lâminas ou flocos.1%. onde a dureza é a principal característica. Os elementos químicos adicionados ao ferro fundido branco como cromo. os ferros fundidos brancos são frágeis. aumentando a dureza. carbono (2 a 4.3% de carbono visto que o eutético produzido por esta concentração de carbono reduz a temperatura de solidificação (1. o ferro fundido contém de 2% a 4. a temperatura ambiente e. o carbono se apresenta na forma de grafita. além de um resfriamento muito lento. de 6. Esta formação do carbono deve-se ao silício quando tem teores de até 2.8%.28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento. Figura 2. Desta forma. teor máximo de carbono. P. S) ou quando ligados com elementos adicionados para melhoria de suas propriedades. Dependendo da concentração de cada elemento e da maneira como o material é resfriado ou tratado termicamente. O ferro fundido branco é formado através de um resfriamento mais rápido do metal líquido.148 ºC). denominando-se assim como uma liga ternária composta basicamente de três elementos: ferro. pode-se definir também o ferro fundido como uma liga binária de ferro-carbono.5% de carbono e principalmente com teores próximo de 4.7%.5 – FERRO FUNDIDO Pelo diagrama de equilíbrio do Fe-C acima. Estas denominações que se dá ao ferro fundido é devido ao aspecto da fratura do material e também pela forma como o carbono se apresenta na massa metálica. cinzento. moagem. Na prática. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício. De acordo com o diagrama de Fe-C. o carbono pode se apresentar de duas formas: na forma de cementita (Fe3C) e na forma de grafite. Devido a estas características são muito empregados na indústria automobilística e indústria de equipamentos agrícolas. No ferro fundido cinzento. não ocorre a formação de grafite e todo carbono fica na forma da cementita. entretanto. Este tipo de ferro fundido apresenta boa usinabilidade é ótima capacidade de amortecer vibrações. a temperatura ambiente. Dr. este ferro fundido apresenta cor clara. Losekann Direitos autorais reservados 2. entretanto. embora tenham uma grande resistência à compressão e ao desgaste. As principais aplicações deste ferro fundido são em equipamentos de mineração. o ferro fundido será branco. tendo teor mínimo de carbono o valor de 2. dando cor acinzentada ao material. A figura ao lado mostra este tipo de estrutura. molibdênio e vanádio estabilizam os carbonetos.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn. maleável ou nodular.

Exemplos: FMP 45007 (σr = 450 MPa e ε = 7%). Dependendo das condições do tratamento térmico o ferro pode apresentar o núcleo preto ou branco. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido cinzento e os dígitos indicam a resistência à tração em MPa. e partes de mancais. Exemplo: FC-350 é um ferro fundido cinzento com tensão de ruptura à tração de 350 MPa (Lr = ≈ 35 kgf/mm2). São muito usados para fabricação de suporte de molas. São muito usados para fabricação de suporte de molas. conexões hidráulicas. Dr. conexões hidráulicas. cuja codificação é composta por quatro letras e cinco dígitos. cuja classificação é codificada por duas letras e um número de três dígitos: FC-XXX. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. cubos de rodas. bielas. Figura 2. Em virtude disto. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. FMP 32015 (σr = 320 MPa e ε = 15%).CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS . bielas. caixas de direção. O ferro fundido maleável de núcleo preto é classificado segundo a norma NBR 6590. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois 31 . caixas de direção.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. cubos de rodas. Cláudio R. na qual o carbono é removido por descarbonetação. Para o ferro fundido cinzento utiliza-se a norma NBR 6589. O ferro fundido maleável de núcleo branco é classificado segundo a norma NBR 6914. cuja codificação é composta por três letras e cinco dígitos. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento.5. barras de torção.ABNT Os ferros fundidos são classificados pela ABNT conforme o tipo de ferro fundido. não havendo a formação de grafita. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. O ferro fundido maleável de núcleo branco é submetido a um tratamento térmico em atmosfera oxidadante. podendo ser soldado. este ferro fundido adquire características similares ao dos aços de baixo teor de carbono. As principais aplicações são de fabricação de flanges. tornando as peças fabricadas mais resistentes ao impacto e às deformações.1 . 2. Losekann Direitos autorais reservados O ferro fundido maleável é produzido a partir do ferro fundido branco que é submetido a tratamento térmico. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos algarismos representam a deformação em percentual.29 – Microestrutura do ferro fundido nodular.

• Aumento da resistência mecânica. obtém-se. simultaneamente uma diminuição da ductilidade. os objetivos gerais dos tratamentos térmicos ou de superfície são: • Remoção de tensões internas (oriundas de resfriamento desigual. cuja classificação é codificada por duas letras e um número de cinco dígitos: FE-XXXXX. Deve-se verificar que a melhoria de uma ou mais propriedades do material geralmente é obtida com prejuízo de outras. ou seja. em geral os aços. usinagem. podem criar problemas de distorções e empenamentos. • Melhoria da ductilidade. • Melhoria da resistência à corrosão. Por outro lado. são os mais submetidos a tratamentos térmicos. há a necessidade de submeter as peças metálicas. O ferro fundido nodular utiliza-se a norma NBR 6916. Por exemplo. conformação mecânica. a determinados tratamentos térmicos ou termo-químicos. Devido a isso. 32 . • Melhoria da resistência ao desgaste. aumentandose a resistência mecânica e a dureza de aços. • Melhoria da usinabilidade. trabalho mecânico ou outras causas). necessário tratar as superfícies das peças por meio de pintura ou também por meio de tratamento termo-químico. antes de serem aproveitadas efetivamente. 2. Exemplo: FE-35010 (σr = 350 MPa e ε = 10%). • Melhoria da resistência ao calor. o tratamento térmico deve ser planejado cuidadosamente. embora muitas outras ligas e metais não ferrosos também sejam tratados termicamente. as tensões internas que se originam nos processos de fundição. Exemplos: FMBS 39012 (σr = 390 MPa e ε = 12%). • Modificação das propriedades elétricas e magnéticas. Dr. independente do processo de fabricação utilizado para obtenção de peças e aumentar a longevidade destas em relação à corrosão é.TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES Os processos de produção industrial nem sempre fornecem materiais de construção nas condições desejadas.6 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. entre outros.1 . verificando-se sempre o resultando final que se deseja obter. • Aumento ou diminuição da dureza.6. FMBS 32008 (σr = 320 MPa e ε = 8%). 2. Desta forma. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido esferoidal e os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos a deformação em porcentual. • Melhoria das propriedades de corte. Assim. Losekann Direitos autorais reservados últimos algarismos representam a deformação em percentual. que serão vistos posteriormente.TRATAMENTOS TÉRMICOS Os materiais metálicos formados por ligas de Fe-C. que objetivam minimizar ou eliminar aqueles problemas. Cláudio R. muitas vezes.

normalização. • Tipos de tratamentos térmicos: Os tratamentos térmicos mais comuns das ligas metálicas são: recozimento. revenimento. a temperatura de recristalização do material. água pura. Se a liga contém elementos químicos que possuem alotropia como as ligas de ferro-carbono (aços e ferros fundidos) cujos dois elementos principais. os tratamentos térmicos obedecem a um aquecimento. Esses fenômenos são evitados pela utilização de uma atmosfera protetora ou controlada no interior do forno. possuem formas alotrópicas diferentes. Resfriamento: em algumas ligas. que significa constituintes que sofreram tratamento térmico. 33 . que não pode ser muito lenta (promove o crescimento do grão). óleos de várias viscosidades. Deve-se observar que meios muito drásticos de resfriamento. Os meios mais comuns de resfriamento são: solução aquosa a 10% de NaCl. Tempo de permanência na temperatura: deve ser suficiente para que a peça se aqueça uniformemente. geralmente. ferro e carbono. Dr. nem muito rápida (pode causar empenamento ou fissuras). manutenção a uma determinada temperatura e. tratamentos isotérmicos. cujo objetivo é transformar os constituintes primários em outros constituintes. geralmente denominados secundários. Aquecimento: a temperatura indicada para se obter um resultado satisfatório corresponde. Cláudio R. Também. estrutura CCC e CFC para o ferro e tetragonal e hexagonal compacta para o carbono. pode levar ao aparecimento de elevadas tensões internas. têmpera. Evita-se que esse tempo ultrapasse o estritamente necessário. lento ou intermediário. Losekann Direitos autorais reservados • Fatores que influenciam os tratamentos térmicos: 1. ar ou vácuo. De uma forma geral. 2. principalmente as de aço. Ambiente de aquecimento: em certas ligas metálicas a atmosfera comum pode provocar alguns fenômenos prejudiciais como a oxidação e a descarbonetação. como solução aquosa. devese considerar a velocidade de aquecimento. pode-se obter mudanças estruturais que promovem o aumento da ductilidade ou elevação da dureza ou da resistência mecânica. posteriormente um resfriamento que pode ser rápido. pois pode haver crescimento indesejável dos grãos ou possibilidade de oxidação (em algumas ligas). coalescimento. Estas transformações dos constituintes dependem também da liga metálica. modificandose a velocidade de resfriamento. 3. endurecimento por precipitação. Cada material tem a sua própria velocidade ideal de aquecimento. 4. por exemplo. O resfriamento subseqüente completa as alterações estruturais e confere ao material as propriedades mecânicas desejadas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Cláudio R. Dr. a temperatura de 800 ºC esta estrutura é transformado em cúbica de face centrada onde nas faces da estrutura cristalina o átomo de carbono é dissolvido. o resfriamento rápido impede esta transformação fazendo a distorção da rede cristalina. O ferro contido no aço.30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos O aquecimento em uma liga metálica depende muito da inércia do forno ou do meio de aquecimento. a baixa temperatura. que depende por sua vez. são: fornos de resistência elétrica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os fornos mais comuns. 34 . 4. e diferentes taxas de resfriamento representado pelas linhas 3. tem a estrutura cristalina cúbica de corpo centrado e. permitindo a ocupação do carbono no centro do cubo. A figura acima esquematiza um ciclo de aquecimento de um aço carbono ABNT 1030 com uma taxa constante de aquecimento. representada pela linha 3. entretanto. representado pela linha 1. a manutenção da temperatura representada pela linha 2. de indução e fornos que produzem aquecimento por chama que pode ser direta ou indireta. Com resfriamento rápido. a estrutura cúbica de face centrada deveria se transformar na estrutura cúbica de corpo centrado. Em um resfriamento lento. Losekann Direitos autorais reservados 800 2 Manutenção 5 4 Resfriamento lento Temperatura ( oC) 600 Aqu ecim ento Resfriamento intermediário 400 1 3 Resfriamento rápido 200 0 0 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. 5. da massa metálica que se deseja aquecer. para aquecimento de ligas como o aço. pode-se conseguir a estrutura inicial cúbica de corpo centrado.

o intervalo de temperatura que começa ocorrer a transformação de grãos perlíticos e grãos ferríticos em grãos austeníticos.31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização. conforme a linha 3.77%1. A mesma analogia pode ser feita para os demais aços. a matriz da perlita (Fe α) tem estrutura CCC e vai se transformando em CFC (Fe γ) . Tendo-se o aço carbono ABNT 1050 como exemplo e verificando no diagrama de equilíbrio do Fe-C. O correto é verificar no diagrama de equilíbrio qual a temperatura limite superior da zona crítica adicionando-se mais ou menos 50 ºC em virtude de imprecisões de registros de temperaturas em alguns fornos. com exceção para o aço eutetóide ABNT 1080 que.5 2. produzindo uma fratura total após o tratamento térmico.5 0.austenita. não apresentando zona crítica ou o intervalo de temperatura é muito pequeno. conforme as linhas 4 ou 5. Em temperaturas acima de 727 ºC a perlita começa a se transformar em austenita. Figura 2. Esta transformação se completa a 790 ºC. Dr.0 %C Dependendo da espessura da peça. um resfriamento lento. Isto produziria a formação do constituinte martensita na superfície com dureza muito elevada e no interior. Até 727 ºC. Portanto.11% 1000 912 Austenita Acm A3 Feα +Feγ A1 727 C o Feγ o 800 790 C Feα +Feγ A1 1. Um resfriamento muito rápido em uma peça como uma agulha para um aço carbono comum pode produzir tensões internas que produz micro-fissuras na peça. e as lamelas de cementita (Fe3C) começa a se diluir na estrutura cúbica de face centrada. por exemplo. pode-se tirar o intervalo de temperatura considerado como zona crítica. ou seja. Losekann Direitos autorais reservados 1600 Liquidu s o Líquido C) 1400 Líquido + austenita 1200 2.0 600 0. ou na parte central da peça. Cláudio R. o resfriamento rápido como o mostrado na figura acima poderá ocorrer em toda a massa metálica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em peças com espessuras maiores poderá ocorrer na superfície o resfriamento rápido. muitos tratamentos térmicos que precisam da transformação da austenita. TEMPERATURA ( 35 . como o e de uma agulha. o aço com 0. A escolha do tipo de tratamento térmico depende da natureza do material e de sua composição química. Os aços comerciais têm.5% de carbono apresenta os constituintes perlita e ferrita. corresponde ao intervalo de temperatura de 727 ºC a 790 ºC. por isto. além da aplicação que se deseja da peça. mas no seu interior. acima de 727 ºC os grãos perlíticos se transformam em grãos austeníticos. constituintes como perlita e ferrita. a composição química até 1% de carbono e. em geral. Ao mesmo tempo ocorre com os grãos ferríticos.0 0. a zona crítica para este aço. isto é. faz-se aquecimento em temperaturas em torno de 800 ºC.

1 . Esse tratamento aplica-se a todas as ligas Fe-C e a um grande número de ligas não-ferrosas.1. desligando o forno e mantendo-se Tempo as peças no seu interior. esse processo leva um tempo relativamente longo. Como foi visto em capítulo anterior. a região da superfície do aço pode se resfriar com velocidade diferente da região central. diminuir a dureza. 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que pode provocar tensões internas na estrutura do aço. rupturas ou corrosão. Temperatura O tempo de permanência na temperatura de austenização depende da quantidade de material e da sua massa.32 – Ciclo do recozimento. conforme a figura 2. porém. O tempo necessário para ocorrer transformação completa depende também da composição de carbono presente no aço. Cláudio R. onde o material é geralmente aquecido a uma temperatura acima da zona crítica (zona de austenização). A partir da temperatura de 727 ºC estes constituintes vão se transformando em austenita. para aquele tipo de aço. Losekann Direitos autorais reservados Resumindo. ajustar o tamanho dos grãos e eliminar defeitos de quaisquer naturezas provocados por processos mecânicos ou térmicos que o material tenha sido Zona crítica anteriormente submetido. os aços-carbonos apresentam os constituintes perlita. essa diferença dá origem a grãos com formas também diferentes entre si.Recozimento Seus objetivos principais são remover tensões devidas aos processos de fundição e conformação mecânicas a quente ou a frio. Durante o processo de solidificação do aço na sua fabricação. como exemplos têm-se os processos de laminação. normalização e revenimento. Dr. forjamento e estampagem. definem o intervalo da zona crítica. os grãos são comprimidos uns contra os outros e apresentam aparência de grãos amassados (encruados). As tensões internas começam a ser aliviadas quando o aço atinge a temperatura ambiente. linha 5. conforme as curvas A2 ou Acm. 36 . ferrita e cementita. podendo dar margem a empenamentos. Na laminação. Figura 2. Tanto na laminação quanto no forjamento. os grãos deformados não têm a mesma resistência e as mesmas propriedades mecânicas dos grãos normais. Para isto.30. O recozimento mais comum é o chamado de total ou pleno. melhorar a ductilidade. O fim destas transformações vai depender da composição de carbono que o aço apresenta que. na temperatura ambiente ou a 500 ºC. Estas tensões podem decorrer também de outros fatores como os que ocorrem nos processos de conformação mecânica. podem-se fazer tratamentos de alívio de tensões que são: recozimento.6. seguido de resfriamento lento.

principalmente nos aços. e conseqüentemente propriedades mecânicas ligeiramente superiores. As temperaturas mais usuais do revenimento são 400 ºC. o aquecimento é levado a efeito a uma temperatura em torno da linha inferior da zona crítica. e diminui ou 2 Manutenção mesmo elimina as 800 765 C tensões internas.3 . Aplica-se. reduz os valores de dureza e resistência AÇO 1060 . figura 2.AÇO 1090 a tração. Dr. A diferença do processo é que o resfriamento na normalização é ao ar.1.1. A têmpera e o revenido 0 estão sempre associados. fora do forno.Normalização Tem os mesmos objetivos do recozimento e se faz também com aquecimento até a zona de austenização. com o objetivo de melhorar sua usinabilidade. Cláudio R. Zonacrítica 727 C Dependendo da 5 Recozimento 600 temperatura em que 4 Normalização o revenido é processado pode-se 1 3 Têmpera 400 obter nos aços melhores condições 200 de usinabilidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 2. Temperatura Zona crítica Tempo Figura 2.33 – Ciclo da esferoidização. 2. portanto mais rápido que o recozimento o resultando uma estrutura mais fina do que a produzida no recozimento.2 . esse processo.Revenimento Aplicado nos aços temperados.6. A esferoidização é um tipo de recozimento aplicável em aços de médio a alto teor de carbono. a temperaturas inferiores a da temperatura crítica. O revenimento melhora a ductilidade. 500 ºC e 600 ºC.34. Losekann Direitos autorais reservados Há também o recozimento em caixa que é aplicado principalmente no aço.6. 37 . o o Temperatura ( C) o 0 Aqu ecim ento 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. Nesse processo.34 – Ciclos de tratamentos. imediatamente após a têmpera. Nesse processo existe uma atmosfera protetora que elimina o efeito do encruamento e protege a superfície contra a oxidação.

de tratar-se de peças de grandes dimensões nos fornos de tratamento térmico convencional. sob os pontos de vista prático e econômico. A peça permanece nessa temperatura o tempo necessário para se transformar em austenita. dentes de grandes engrenagens. mais conveniente que seu endurecimento total pela têmpera normal. mas a quantidade de carbono deve ser suficiente para produzir a martensita. Uma têmpera feita corretamente possibilita vida longa à ferramenta. Têmpera superficial . que assim adquirirá as propriedades e os característicos típicos da estatura martensítica. Os resfriamentos menos bruscos são os realizados em óleo queimado. a peça é retirada do forno e mergulhada apenas em água.estrutura CFC. Dr. etc. Esse problema pode ser corrigido posteriormente pelo revenimento. da resistência do desgaste e da resistência a tração. 38 .1. partes do amortecedor do carro e as brocas devem ser fabricadas com aço endurecido para suportarem esforços a que são submetidos. A forma do resfriamento é o que distingue esse tipo de tratamento. engate de veículos. Trata-se de um resfriamento brusco que produz a martensita. como exemplo. dando tensão ao material e aumentando sua dureza.4 .O endurecimento superficial dos aços. guias de máquinas operatrizes. Vários são os motivos que determinam a preferência do endurecimento superficial em relação ao endurecimento total como: • Dificuldade. Para o aço-carbono. objetivase apenas a criação de uma superfície dura e de grande resistência ao desgaste e à abrasão. visto que. As peças temperadas possuem consideráveis aumento de sua dureza. Em geral. não tem cinética química para se alojar nas estruturas CCC da ferrita e da estrutura complexa da cementita. Losekann Direitos autorais reservados 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. grandes cilindros.3%. ou óleos especiais (óleo para têmpera) emulsionáveis em água produzidos por fabricantes de óleo. é.Têmpera Em muitos aços é necessário conferir dureza na superfície ou parte dela ou mesmo em toda a peça. dissolvidos na austenita . Neste tipo. A temperatura cai de 850 °C para 20 °C se for a temperatura ambiente. geralmente. Desse modo. utilizam-se aços com teores de carbono acima de 0. em poucos segundos. sofrem uma apreciável diminuição na ductilidade. os átomos produzem considerável deformação no retículo da ferrita. que não se desgasta nem se deforma rapidamente. Dentes de engrenagem. Cláudio R. A têmpera superficial consiste em produzir uma têmpera localizada apenas na superfície das peças de aço. A têmpera é um dos tratamentos térmicos destinados à obtenção de dureza nos aços. As condições de aquecimento são idênticas as que ocorrem no recozimento e na normalização. porém. os átomos de carbonos. a temperatura varia de 750 °C a 900 °C.6. • Possibilidade de endurecer apenas as áreas críticas de determinadas peças. figura 2. pois varia com a composição de carbono presente. em grande número de aplicações de peças de máquinas. No resfriamento rápido em água. nessas aplicações.34. O tratamento consiste em aquecer o aço em um forno com temperatura acima da zona crítica e resfriar rapidamente.

Cláudio R. As temperaturas. as dimensões destas e.45% água 870 . Dr. profundidades maiores desnecessárias podem provocar o empenamento ou fissura de têmpera ou desenvolver tensões residuais excessivamente altas.875 °C Dureza 50 HRC 52 HRC 55 HRC 58 HRC 60 HRC 64 HRC 39 . a carga de serviço das peças. de fato. Resistência satisfatória ao empenamento.900 °C 0.900 °C 0. Possibilidade de se utilizar aços mais econômicos. Por outro lado. Boa resistência à fadiga por dobramento. evitando-se o endurecimento total.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. no caso de se adotar endurecimento superficial por indução e bem menor. os meios de resfriamento recomendados e as durezas resultantes para aços-carbonos são os seguintes.35% água 900 .40% água 870 .60% água 850 . as propriedades resultantes da têmpera superficial são: Superfícies de alta dureza e resistência ao desgaste. tendo em vista as resistências ao desgaste e á fadiga desejadas. • • • • Algumas recomendações são necessárias para a obtenção de melhores resultados como: • Procurar obter camadas endurecidas pouco profundas. como aços-carbono. grandes ou delgadas. em lugar de aços-liga. Investimento de capital médio. inclusive o equipamento disponível. como exemplo. Possibilidade de controlar o processo. em seções diferentes das peças. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • Possibilidade de melhorar a precisão dimensional de peças planas. • Levar em conta que a espessura da camada endurecida depende de cada caso específico. sob a camada endurecida.50% água 870 . no caso de endurecimento por chama. de modo a ter-se melhora significativa na resistência à fadiga. variações em profundidades de endurecimento ou de dureza.30% água 900 . conforme mostro quadro abaixo: Teor de carbono Temperaturas Meio de recomendáveis resfriamento 0. de modo a produzir. se desejável.975 °C 0. deve-se lembrar que se a camada endurecida corresponder a uma fração significativa da espessura da peça. Diminuição dos riscos de aparecimento de fissuras originadas no resfriamento.975 °C 0.900 °C 0. Exemplos: hastes de êmbolos de cilindros hidráulicos. podem resultar tensões residuais de compressão de pequeno valor nessa camada endurecida. após o aquecimento. Boa capacidade para resistir cargas de contato.

Pode-se ver que o diagrama apresenta constituintes diferentes como: perlita grossa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O meio de resfriamento usual na têmpera superficial é a água. tempo e transformação). A linha acima das curvas é a linha limite inferior da zona crítica de temperatura 727 ºC. A duração do aquecimento é muito curta. ar comprimido e polímeros líquidos. 40 . lembrando que estes podem ser os constituintes do aço eutetóide. entretanto o custo operacional destes métodos é muito elevado. são endurecidos por indução. geralmente poucos segundos. bainita inferior e martensita. na qual se faz em zonas muito pequenas e precisamente localizadas. vanádio ou tungstênio). Há também métodos mais modernos de aquecimento como a de utilização de feixes de laser e de elétrons. Losekann Direitos autorais reservados Os aços-liga e os aços de usinagem fácil. os aços correspondentes devem ser aquecidos a temperaturas 50 a 100°C acima das indicadas. tempo extremamente curto para obter a martensita exclusivamente. bainita (Bi) e martensita (Mi) e a curva representa pelas letras Pf. Bf e Mf é a curva de fim de transformação respectivamente para perlita (Pf). com o teor de carbono acima. fácil de instalar e manter e menos perigosa que os outros meios. 2.6. pois. A curva representa pelas letras Pi. A abcissa do gráfico mostra o tempo em segundos em escala logarítmica e a ordenada. no caso de se adotar o processo de têmpera superficial. Estes outros são salmoura. Quando os elementos de liga provocam a formação de carbonetos (cromo.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação A partir deste ponto é necessário introduzir as curvas denominadas de TTT (temperatura. perlita fina. que na abcissa o fator 100 significa 1 segundo. Bi e Mi é a curva de início de transformação respectivamente para perlita (Pi). para produzir uma nítida fronteira entre a secção endurecida e o resto da secção. Os processos mais comuns de têmpera superficial são: têmpera por chama (com maçaricos de oxiacetileno ou GLP) e têmpera por indução. O diagrama mostra que é possível obter diferentes tipos de constituintes em função do tipo de resfriamento que se queira dar. A figura que segue mostra esquematicamente um diagrama TTT de um aço eutetóide. Normalmente. ou o meio refrigerante é jorrado sobre a secção aquecida. Dr. O cuidado que se deve ter aqui. bainita superior.1. estes diagramas tornam-se imprescindíveis. a temperatura em graus centígrados. para a compreensão dos tratamentos térmicos denominados isotérmicos. que não apresenta zona crítica e o produto da transformação da austenita em velocidade relativamente lenta é a perlita que ocorre a 727 ºC. a peça é imersa no meio refrigerante. óleo. bainita (Bf) e martensita (Mf). Cláudio R. molibdênio.

A seta na extremidade das curvas indica a “direção” do resfriamento. B. C. Tomando-se como exemplos os tratamentos térmicos de recozimento. representados pelas curvas com letras A.35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide. Losekann Direitos autorais reservados 800 727 oC 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi 600 Temperatura ( oC) Pf 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Bi Bf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Cláudio R. normalização e têmpera ao óleo e à água. A figura que segue mostra os tratamentos térmicos de recozimento.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 B 600 D C A ustenita A Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 E 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Mi Bi Bf Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. o início da transformação da austenita em perlita ocorre a temperatura de 624 ºC em 300 segundos (5 minutos) e o fim da transformação 41 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. curva com letra A e têmpera à água. D e E respectivamente. Em ambos os casos partese da temperatura de 800 ºC. Dr. No recozimento.

produzindo perlitas. o aço eutetóide apresenta como constituinte primário a perlita unicamente quando resfriado lentamente.3 segundos e o fim da transformação ocorre a temperatura de 100 ºC em 3. se for considerado um eixo. isto é. Cláudio R. Mais duro na superfície e menos duro no centro. 42 . bainita inferior.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. poderão ocorrer os dois resfriamentos ao mesmo tempo. O aço hipo-eutetóide apresenta ferrita e perlita e o aço hiper-eutetóide apresenta perlita e cementita. um resfriamento mais lento. perlita fina e perlita grossa da superfície ao centro e conseqüentemente diferentes durezas.2 segundos. o início da transformação da austenita em martensita ocorre a temperatura de 200 ºC em 2. A figura abaixo representa esta situação. com diâmetro relativamente grande. dependendo da espessura da peça. poderá se encontrar vários tratamentos térmicos na sua massa partindo de um único tratamento térmico – a têmpera à água. Os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hiper-eutetóides variam ligeiramente em relação ao aço eutetóide em função dos constituientes ferrita e cementita. Losekann Direitos autorais reservados ocorre a temperatura de 563 ºC em 1500 segundos (25 minutos). Na superfície um resfriamento muito rápido produzindo a martensita e.36 como martensita. Na têmpera à água.37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 A ie erfíc Sup A ustenita Pi Ce ntr o 600 Temperatura ( oC) Pf Perlita grossa HRC 5 a 25 500 400 300 200 100 0 10-1 E A ustenita Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Dr. poderá se encontrar todos os constituintes descritos na figura 2. Considerando estas duas análises de resfriamento do aço pode-se concluir que. De qualquer forma. no centro da peça. bainita superior. considerando apenas resfriamento lento. As figuras abaixo mostram estes casos. Conforme foi visto anteriormente. mergulhando esta suposta peça na água resfriada e observando a secção transversal no microscópio.

Cláudio R.39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide. Losekann Direitos autorais reservados 800 700 600 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi Perlita grossa A ustenita + Ferrita + Cementita Mi Mf Martensita Pf Perlita fina Fi A ustenita + Ferrita + 727 oC Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide. 43 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. 1000 900 800 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 727 oC A ustenita Cementita Perlita grossa Temperatura ( oC) Pi 600 500 400 300 200 100 0 10-1 Mi Mf 10 0 Pf Perlita fina A ustenita + Ferrita + Cementita + Martensita 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.

os elementos de liga no aço também podem influenciar a posição das curvas.40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono. A figura abaixo mostra 0 estas condições. Cláudio R.1 0.4 0.41 – Diagrama TTT para o aço 4340. os elementos de liga deslocam a curva para a direita. como por exemplo. -100 0. Dr. O aço ABNT 4340 é altamente temperável. retardando as transformações.2 0.1 Temperatura ( oC) Concentração de carbono (%) Figura 2. tanto para o início 200 quanto para o fim da Mf 100 transformação da martensita é diminuída. não se ter formação completa da martensita à temperatura ambiente pelo resfriamento comum em água. Com exceção do cobalto. Em certos casos como em aços cementados com alto teor de carbono níquel ou cromo em teores variáveis.8 0.3 0.9 1. em virtude da linha Mf ficar localizada abaixo dessa temperatura.0 1. Isto pode produzir algumas conseqüências como a transformação destas em lugares muito frio.6 0.5 0. Além do carbono. equipamentos que para trabalhos em regiões do círculo polar. retardando o início 400 e o fim da transformação da Mi 300 perlita e também que a temperatura. Losekann Direitos autorais reservados Observando-se os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hipereutetóides verifica-se ainda que o aumento da concentração de 500 carbono desloca a curva em C para a direita. tem-se à temperatura ambiente uma certa quantidade de austenita residual ou “austenita retida”.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Diagrama TTT (aço ABNT 4340) 800 727 oC 700 A+ F 600 F +C A ustenita Temperatura ( oC) 500 400 A ustenita 300 200 100 0 10-1 Mi Mf Martensita Bi Bf 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Nessas condições.7 0. Outros fatores podem modificar a posição das linhas de início e de fim de transformação dos diagramas TTT. visto que as curvas em C encontram-se 44 .

A figura acima mostra esta situação. Austêmpera A austêmpera é um processo de tratamento isotérmico dos aços. basicamente as seguintes etapas. 45 . segue o diagrama TTT. O processo caracteriza-se pela formação de uma microestrutura metalográfica constituída por bainita e apresenta. 2. temperaturas entre 250 ºC a 400 ºC (posição 2). • Manter a temperatura pelo tempo necessário até a completa transformação da austenita em bainita (transformação isotérmica). A austêmpera pode produzir 3 tipos de bainita que são: bainita inferior. Diagrama TTT (transformação da bainita inferior) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 3 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.42 – Austêmpera. • Resfriar até a temperatura ambiente (posição 3). molas de qualquer natureza. Losekann Direitos autorais reservados posterior a 10 segundos.6. bainita superior e bainita isenta de carbono ou ferrita acicular. Para ficar mais claro o tratamento por austêmpera. Dr.1. Esse tratamento pode proporcionar melhores resultados do que a combinação de têmpera. seguido de revenimento. Cláudio R.42: • Aquecer até a temperatura de austenitização (posição 1). conforme a figura 2. • Resfriar bruscamente em banho de sal fundido ou em óleo quente até a temperatura de formação da bainita. por exemplo. cujo objetivo é a obtenção de peças com alta tenacidade e resistência à fadiga. aliando uma boa dureza como o exigem. O tamanho do grão da austenita e sua homogeneidade são outros dois fatores que afetam a posição das curvas de transformação.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos São os tratamentos de austêmpera e martêmpera. ou seja.

150 17. estendem-se. temperadas e revenidas. PROPRIEDADES TR AT limite de resistência (MPa) 1. Cláudio R.. através de todo o comprimento dos grãos e partem.. por meio de microscopia óptica. 320ºC ar AT ____ austêmpera. enquanto que a característica principal da bainita superior é a presença de placas longas de ferrita. 830 ºC ... dos contornos dos grãos originais de austenita... ainda. As propriedades das peças austemperadas poderão ser melhores compreendidas quando comparadas àquelas obtidas por peças do mesmo aço. apresentar imagens bastante variadas em função da maior ou menor presença de carbono e elementos de liga no aço. paralelas a carbonetos alongados que somente são visíveis através de microscopia eletrônica. se alinham com ângulos de 50º a 60º em relação ao eixo das agulhas de bainita. Na bainita superior a microestrutura metalográfica é similar à da perlita.. de aço ABNT 5160. às vezes. é praticamente impossível. porém apresenta menor regularidade geométrica do que esta e pode. Por microscopia eletrônica. Dr.5 36. Propriedades mecânicas de um aço para molas submetidos aos tratamentos térmicos TR e AT. Losekann Direitos autorais reservados A bainita inferior possui grande semelhança com a martensita.2 estricção (%) 9. percebe-se que a ferrita da bainita superior apresenta maior densidade de discordâncias do que aquela apresentada pela ferrita contida na perlita.400 1... submetido aos seguintes tratamentos térmicos : TR ____ têmpera + 830 ºC óleo 460 ºC revenido... Os resultados dos ensaios mecânicos realizados encontram-se descritos no quadro abaixo.0 resistência ao impacto (J/cm2) 38 a 43 72 a 76 resistência à fadiga (ciclos) 8. Observada num microscópio eletrônico. cuja forma e distribuição depende muito do teor de carbono do aço. Provavelmente estes carbonetos são inicialmente segregados como carbonetos..060 46 . A principal diferença entre ambas está na presença de carbonetos. Típica da bainita inferior é a distribuição ordenada de “bastonetes” de carbonetos que. Diferenciar a microestrutura metalográfica da bainita superior daquela da perlita fina. toma-se um corpo de prova ∅ 10 x 100mm.8 8. As agulhas são longas.210 alongamento (%) 4.590 limite de escoamento (MPa) 1.530 1.. normalmente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.. A título de exemplo. dando origem à formação de Fe3C à medida que a transformação bainítica progride.. a ferrita acicular ou bainita isenta de carbono é sempre acompanhada por uma “esponja” de austenita retida e uma leve segregação de carbonetos.

A austêmpera aplica-se com sucesso a todos os tipos de molas. as peças tratadas não devem ser mais espessas do que 3mm. o limite de escoamento das peças austemperadas é consideravelmente menor que o alcançado pelas peças temperadas e revenidas. Quanto à resistência à fadiga por flexões alternadas. Evidentemente. caso seja realizado um simples revenimento. a austêmpera apresenta vantagens significativas. após a têmpera devam ser revenidos entre 350 ºC e 500 ºC. Evidentemente. furações. A austêmpera requer rígido controle da qualidade do aço e dos parâmetros (tempos e temperatura) do tratamento térmico. determinarão uma queda significativa da tenacidade e da resistência à fadiga das peças.5% e. a austêmpera tem suas limitações. a têmpera e o revenimento proporcionarão melhores resultados. Cláudio R. Peças que necessitem de elevada resistência à tração e tenacidade como. estricção e resistência ao impacto. suas durezas encontram-se na faixa de 40 a 50HRC. por exemplo. o mesmo raciocínio é válido para peças que sejam resfriadas muito depois. mesmo apresentando um limite de resistência superior ao das peças temperadas e revenidas. no campo. ocorrerão alterações indesejadas na microestrutura metalográfica que. A formação da bainita. etc. permite que se alcance a dureza desejada. entalhes. Dr. quanto a dureza alcançada pela austêmpera são inferiores àquelas possíveis de serem obtidas pelo tratamento de têmpera e revenido. Pequenas variações no teor de cromo. Losekann Direitos autorais reservados Analisando-se estes dados percebe-se que. Para peças maiores é aconselhável escolherem-se aços com teores de manganês e cromo mais elevados. mesmo que as peças apresentem regiões com grandes concentrações de tensões como. deve-se retratar o lote pois. podem aumentar ou diminuir significativamente o tempo necessário à transformação isotérmica. os aços-carbono utilizados para a austêmpera devem conter um teor de carbono mínimo de 0. por exemplo. Uma aplicação vantajosa da austêmpera é aplicá-la a aços que apresentem tendência à fragilidade de revenido. Por esta razão. Quando a dureza necessária for inferior a 40 HRC. limitam-se ao intervalo de durezas entre 40 e 50 HRC. 47 . aços ligados com Cr e/ou Mo que. obtidas pela austêmpera. evitando-se o intervalo crítico de fragilização. As excelentes propriedades de resistência à fadiga por flexões alternadas e tenacidade. do tempo correto para a transformação isotérmica. Já. fechos de cintos de segurança. Se a dureza final desejada estiver abaixo daquela obtida após a austêmpera. variações geométricas abruptas. entre 280 ºC e 350 ºC. pás de pedreiros. ou seja. A temperatura de transformação isotérmica precisa ser cuidadosamente mantida. pois requerem alta resistência à fadiga e. as peças austemperadas alcançam valores significativamente maiores de alongamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ou muito antes. por exemplo. Tanto a profundidade endurecida. o que não pode ser desprezado ao dimensionar-se qualquer elemento de máquina. normalmente.

Dr. pois a microestrutura bainítica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A transformação isotérmica necessária à obtenção de uma microestrutura metalográfica bainítica é normalmente realizada em leitos fluidizados ou em banhos de sais fundidos. constituídos por uma mistura de nitretos e nitritos alcalinos. porém as tensões resultantes do processo são mais facilmente eliminadas. porém. A martensita obtida apresenta-se uniforme e homogênea. alavancas para máquinas de escrever. podem ser austemperadas com sucesso. etc. Quase sempre é possível compensar-se esta diferença através da seleção de uma dureza mais alta para as peças austemperadas.8 1. Losekann Direitos autorais reservados componentes de fechaduras. A martêmpera proporciona as mesmas propriedades que a têmpera e o revenido. Máx. A peça é aquecida acima da zona crítica para se obter a austenita (posição 1). ao ar. Tipo Sal de Temperatura de Fusão (ºC) Temperatura de Trabalho (ºC) Min. O 48 . Características físicas dos sais Durferrit. Mantém-se a peça nessa temperatura por certo tempo. de dureza) que a microestrutura martensítica. com temperatura um pouco acima da linha Mi (posição 2). diminuindo riscos de trincas. elos para determinadas correntes de transporte de ração animal. apresenta menor limite de escoamento. apesar de oferecer praticamente os mesmos valores de resistência à tração (e. e depois é resfriada em duas etapas. Martêmpera A martêmpera é um tipo de tratamento indicado para aços-liga porque reduz o risco de empenamento das peças. de tomar-se a decisão de substituir um tratamento térmico de têmpera e revenido por austêmpera.8 1.18 350ºC 310 400 1. Genericamente. a peça é mergulhada num banho de sal fundido ou óleo quente. pode-se afirmar que elementos de máquinas sujeitos a esforços de fadiga.8 Específico Calor Latente de Fusão ( J/g) a ºC (J/g. onde a vida útil é um fator decisivo e a geometria favorece a concentração de tensões localizadas podem ser submetidas ao tratamento de austêmpera. 160 250 280 550 550 550 Densidade (g/cm2) 1.43. portanto. conforme mostra a figura 2. A segunda etapa é a do resfriamento final. em função do volume de produção.43 200ºC 256 400 1. sendo equipados com sistemas de aquecimento elétrico. Na primeira. recirculadores e a automação necessária à manutenção de uma temperatura constante para a transformação isotérmica.47 400ºC 293 Calor Médio AS 140 AS 220 AS 235 140 220 235 Os fornos que contém estes banhos de sais podem ser estacionários ou contínuos.ºC) entre 20ºC e 300 1. Após a martêmpera é necessário submeter a peça a revenimento. Antes. tendo-se o cuidado de não cortar a primeira curva (posição 3). deve-se realizar alguns ensaios mecânicos. trocadores de calor. em temperatura ambiente (posição 4). Cláudio R.

mas sim. 2. não podendo ser regra. deposição de ouro e etc. pode-se generalizar tratamento superficial os tratamentos que objetivam melhorar o aspecto do material utilizado.TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES Na secção anterior foram abordados. Diagrama TTT (transformação da martensita) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf 3 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Martensita HRC 65 a 70 100 4 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. mas. não há dúvida qualquer que é um tratamento de superfície de revestimento. Em virtude da explanação feita acima. Em virtude disto. o qual pode apresentar características ácidas ou básicas. por sua vez. Isto leva dúvida se os tratamentos térmicoquímicos devem situar-se na secção de tratamentos térmicos ou. os tratamentos térmicos que produzem modificações nos constituintes primários das ligas ferrosas (aços e ferros fundidos) sem alterar a composição química. optou-se em classificar os tratamentos térmico-químicos ou termoquímicos como tratamento de superfície.2 . existem os processos de revestimentos metálicos.6. O meio corrosivo pode ser o próprio ambiente em que se encontra o metal como o solo. cromagem. além da pintura.43 – Martêmpera. ferroxidação e outros que. característica dos tratamentos térmicos. nitretação. exclusivamente. protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca como a corrosão e também aumentar a resistência ao desgaste elevando a dureza da superfície. se devem se situar na secção de tratamentos de superfície. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Alguns destes revestimentos podem ser feitos à frio ou à quente. Entretanto há o tratamento térmico-químico que pode ser produzido nas superfícies destas ligas como cementação. Quando se trata de pintura. cianitretação. Losekann Direitos autorais reservados processo é ilustrado no diagrama seguinte. produzem modificações parciais em sua composição química para melhorar as propriedades de suas superfícies. a água que pode conter sais 49 . denominados também de metalização como a galvanização (zincagem). Pode-se definir por corrosão como a destruição dos metais devido as suas reações químicas eletroquímicas em um meio corrosivo. Cláudio R. aconselhamento. estanhagem.

fluoretos. associado à imersão a quente ou vapor ou.6. • Solubilização: uso de solventes. Losekann Direitos autorais reservados minerais. sendo estes dois fatores . Dr. No caso de substâncias orgânicas. etc. carbonatos. oxálicos. Os mais comuns são sais sódicos. enquanto que a proteção oferecida por substâncias inorgânica durabilidade maior. De maneira geral os processos termo-químicos consistem em submeter as peças ao calor em um meio apropriado. cera de carnaúba.. entre eles. recobrir o metal com substâncias orgânicas como óleo de peroba. etc. Essa possibilidade de se aliar uma superfície dura com um núcleo mais mole e tenaz é de grande importância em inúmeras aplicações. lixadeiras. cítricos. os fosfatos. eventualmente ácidos ou básicos e o ar que contém umidade e sais em suspensão. Em virtude da complexidade deste tema. deve-se limpar e preparar adequadamente a superfície. sobre 50 . sulfetos. como alcalinos pesados ou médios (depende de seu PH). a proteção geralmente tem durabilidade baixa. etc. Cláudio R. Para isso. ao mesmo tempo em que se mantém dúctil e tenaz o núcleo do material. raspadeiras. Antes de se efetuar os tratamentos classificados acima. de nitrogênio e cromo são mais eficientes para o aumento da resistência ao desgaste. de mamona.Tratamentos termo-químicos Na indústria é utilizada uma multiplicidade de tratamentos termo-químicos que se diferenciam pelos elementos que se difundem. os responsáveis pela alteração da composição química superficial. por exemplo. que será responsável pela profundidade até a qual esta alteração se efetuará. pelas técnicas de execução e outras características. pode-se utilizar as seguintes técnicas: • Detergência: uso de reativos químicos. Uma das formas de combater a corrosão consiste em evitar o contato do metal com o meio corrosivo. que remove a casca de óxidos. pelos processos químicos. aplicados pelos processos de desengraxamento por vapor. ou a decapagem alcalina. 2. dependendo do caso. além do fator tempo de processo. ou limpeza a jato (mais eficiente).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. hidróxidos e os silicatos. • Ação química: decapagem ácida.2. serão classificados os tratamentos superficiais em dois tipos de tratamentos: tratamentos para aumentar a resistência ao desgaste ou tratamentos termo-químicos e tratamentos de proteção contra à corrosão ou tratamentos de revestimentos. O objetivo principal destes tratamentos é aumentar a dureza e a resistência ao desgaste superficial. líquido/vapor. associado a um jato de solvente. nitratos. hidróxidos. cera de abelha.1 . que utilizam ácidos orgânicos como acéticos. politrizes. pelo tipo e composição do meio externo. lembrando que as aplicações destes podem ser mútuos. • Ação mecânica: atividade abrasiva por meio de lixas. óleo mineral ou através de substâncias inorgânicas como fosfatos. Em relação ao aumento da dureza na superfície os tratamentos térmicoquímicos que promovem uma modificação parcial na composição química do metal como aumento do teor de carbono. tartáricos.

que se formam com o aquecimento da peça no meio sólido. o elemento difusor forma-se como resultado das reações de dissociação CH 4 → C + 2 H 2 . pode-se conseguir núcleo de elevada resistência e tenacidade. saturação da fase vaporizada. principalmente da fase gasosa. no NaCN durante a cianetação). No tratamento termo-químico em meio gasoso. Dependendo do estado de agregação do meio externo no qual se introduz a peça que esta sendo tratada. diretamente pelos locais de seus contatos com a superfície da peça. diferenciam-se os tratamentos termo-químicos em meio sólido. Geralmente o meio sólido é utilizado para produzir um gás ativo ou fase gasosa. G. No tratamento termo-químico em meio líquido. líquido e gasoso. e não nos locais de contato direto do pó com a superfície da peça. o cromo vaporiza e seus átomos ingressam na peça. O meio gasoso e a fase gasosa ativa. Para o tratamento termo-químico é mais conveniente o meio gasoso puro: sua composição é fácil de controlar. os átomos do elemento difusor na peça. formam-se como resultado de reações químicas no sal fundido (por exemplo. com superfície extremamente dura. é aquecido rapidamente até a temperatura desejada. é necessário apenas para a formação da fase gasosa. troca CrCl 2 + Fe → Cr + FeCl 2 ou reconstituição VCl 2 + H 2 → V + 2 HCl . dispersão 2CO → C + CO2 . como os fornecedores dos elementos dos átomos que enriquecem as camadas superficiais das peças. nem sempre coincide com a essência físico-química do processo de tratamento. servem. nos processos industriais. Os exemplos citados mostram que a classificação dos métodos de tratamento termo-químicos pelo estado de agregação do meio no qual a peça é introduzida. pelo emprego de aços com elementos de liga. Outro exemplo é a crometação por difusão no meio “sólido”. Dr. 2CO → C + CO2 . Os átomos do elemento difusor ingressam da substância sólida. De acordo com essa classificação. Com o aquecimento. Este processo é pouco efetivo e pouco utilizado. Baseando-se nas características físico-químicas da fase ativa que fornece o elemento difusor. N. quando a peça é empacotada no pó de cromo ou liga ferro-cromo. Dubinin propôs os seguintes métodos de classificação dos tratamentos termo-químicos: saturação da fase sólida. permite mecanizar e automatizar completamente o processo e realizar imediatamente a têmpera (sem repetição de aquecimento). 51 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. resultando num material capaz de suportar em alto grau certos tipos de tensões. a cementação do aço no carburante sólido deve se relacionar com o método de saturação da fase gasosa. na cementação os átomos de carbono do carburante sólido (carvão vegetal) que difundem no aço formam-se do óxido de carbono. Losekann Direitos autorais reservados tudo porque. e crometação por difusão no cromo pulverizado com o método de saturação da fase vaporizada. da qual os átomos ingressam na peça. Por exemplo. saturação da fase gasosa e saturação da fase líquida. Cláudio R.

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Pela característica da variação da composição química da peça tratada todas as variedades de tratamentos termo-químicos podem ser divididas em três grupos: saturação com não-metais por difusão, saturação com metais por difusão e remoção dos elementos por difusão. Estes grupos incluem os diversos processos industriais de tratamento termo-químico como pode ser visto no quadro abaixo. Variedades de tratamento termo-químico. Saturação com não-metais por Saturação com metais por Remoção de difusão difusão elementos por difusão Carbonetação(cementação) Aluminetação Desidrogenação Nitretação Crometação por difusão Desoxidação Cianetação Cromocalorização Descarbonetaçã o Nitrocementação Galvanização por difusão Remoção de conjunto de impurezas Boretação Cupretação por difusão Silicietação Titanetação Sulfetação Beliretação Sulfocianetação Vanadetação Saturação de oxigênio* Oxigenação interna * * Saturação de oxigênio é superficial, e oxigenação interna é a saturação de todo o volume da peça com oxigênio com o objetivo de formação de óxidos dispersos. A superfície do aço, saturada em carbono e nitrogênio, ou simultaneamente com estes dois elementos, é o processo de tratamento termo-químico mais amplamente usado. O carbono e o nitrogênio se solubilizam intersticialmente no ferro, e por isso podem difundir rapidamente a uma profundidade significativa. Os meios ativos contendo estes elementos são baratos, e as fases que se formam com a participação do carbono e do nitrogênio no processo de saturação, ou com posterior tratamento térmico, modificam bruscamente as propriedades mecânicas e físico-químicas do aço.

Nitretação
A nitretação é um processo de endurecimento superficial em que se introduz superficialmente no aço, até uma certa profundidade, nitrogênio, sob a ação de um meio nitrogenoso, a uma determinada temperatura. A nitretação é realizada com os seguintes objetivos: - Obtenção de elevada dureza superficial. - Aumento da resistência ao desgaste e escoriação. - Baixo coeficiente de atrito. - Aumento da resistência à fadiga. - Melhora da resistência à corrosão e à oxidação.

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Algumas características do processo são: - A temperatura de tratamento é inferior à crítica (500 ºC a 570 ºC), o que leva a menores distorções dimensionais e empenamentos nas peças. - Não há necessidade de qualquer tratamento térmico posterior a nitretação. - Não modifica as características mecânicas do núcleo obtidas por têmpera e revenido, desde que este último tenha sido executado a uma temperatura em torno de 30 ºC acima da temperatura de nitretação. - Como as temperaturas são relativamente baixas não há aumento significativo do tamanho de grão. O entendimento do processo requer um adequado conhecimento do sistema ferro-nitrogênio e por isto há necessidade de analisar o diagrama de equilíbrio Fe-N, em termos de identificação das diferentes fases.

900 800 700 Fe4N

γ α
0,1% 650 oC 2,8% 4,5% 2,35% 490 oC 590 oC

650 oC

Fe2N

Temperatura ( oC)

600 500 400 300 200 100

ε

α + γ' γ' γ' + ε ζ

5,7%

6,2%

8,25%

11,1%

11,35%

0

0

2

4

6

8

10

12

14

16

Concentração de nitrogênio (%)
Figura 2.44 - Diagrama de equilíbrio Fe-N.

A fase α é constituída de uma solução sólida de nitrogênio no ferro com um limite máximo de solubilidade próxima de 0,1%. A fase γ é constituída de uma solução de nitrogênio no ferro γ e tem estrutura CFC da austenita, figura 2.45. É estável acima de 590 ºC e pode conter até um máximo de cerca de 3 % de nitrogênio. A fase γ’ é constituída de (composto não estequiométrico, Fe4N composição teórica 5,7% a 6,2% de nitrogênio) de reticulado CFC; estável até 680 ºC. O eutetóide α - γ’ ocorre à temperatura de 590 ºC.
Figura 2.45 – Célula unitária da fase γ’.

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A fase ε (Fe2-3N) tem estrutura hexagonal compacta, 2.46, e pode conter uma quantidade de nitrogênio bastante variável. Quando o nitrogênio alcança a concentração de 11,1% a 11,35% se transforma na fase ξ (Fe2-3N). A nitretação acima de 590 ºC forma camadas duras, mas extremamente frágeis, sendo que o processo acima desta temperatura tem aplicação industrial restrita. Isto se deve a formação do constituinte eutetóide denominado braunita com 2,35% de nitrogênio, sendo Fe α + Fe4N. A nitretação abaixo de 590 ºC forma microconstituintes muito finos, dispersos e difíceis de se observar ao microscópio ótico. Resumindo, a formação da camada de nitretos de ferro durante a nitretação, nas temperaturas usadas industrialmente, em função do aumento do teor de nitrogênio na peça será:
Figura 2.46 – Célula unitária da fase ε.

- Até o valor de 0,1% de N, a temperatura de 590 ºC, limite de solubilidade do N no ferro, tem-se a fase α; - Acima de 0,1% começa a se formar a fase γ’ em contornos de grãos e ao longo de certos planos cristalográficos, até o valor de 6,2% de nitrogênio; - Para teores acima de 6,2 % a fase γ’ começa a se transformar na fase ε; - Entre 11,1 e 11,35% forma-se a fase ξ, mas que só é estável abaixo de 450 ºC, portanto raramente é observada. Os aços utilizados para nitretação podem conter elementos de liga como Al, Ti, Cr, Mo e V. O alumínio e o titânio promovem a maior dureza da camada nitretada, seguidos pelo Cr, Mo e V. O aumento de dureza conferido por estes elementos é devido à formação de seus respectivos nitretos (AlN, TiN, CrN, MoN e VN) em planos preferenciais da ferrita {0,0,1}. A profundidade da camada nitretada decresce com o aumento dos teores dos elementos de liga. O Al e o Ti, que possuem a maior influência na dureza, também tem o maior efeito na redução da na espessura da camada nitretada, quando seus teores são elevados. Esses elementos de liga, principalmente Al, Ti e o Cr, possuem alta afinidade química com o nitrogênio, e quando estão presentes em teores elevados, reduzem o teor de nitrogênio livre para a zona de difusão, através da formação da camada branca. O carbono é um elemento comum nos aços, e sendo intersticial como o nitrogênio, possui uma forte influência na formação da fase ε e γ’. Na presença de carbono, a fase ε é na realidade um carbonitreto de composição variável entre o Fe3(CN) e o Fe2(CN). Um outro fenômeno importante durante a nitretação, é a transformação de carbonetos em nitretos. Isto pode ser entendido considerandose as energias de Gibbs para carbonetos e nitretos. Para o cromo, por exemplo, o ∆Gº do Cr2N é menor do que o ∆Gº do Cr7C3. É de se esperar, portanto, que 54

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durante o processo de nitretação os carbonetos de cromo se desestabilizem para formar nitretos de cromo, e o carbono livre se difunde para o lado de menor potencial químico, formando CrFe3C nos contornos de grão da ferrita e não Fe3C isento de cromo, indicando que o potencial químico do CrFe3C é mais baixo do que o da cementita, Fe3C. Assim, pode-se se esperar que o carbono dificulte a difusão do nitrogênio para a zona de difusão. Como os aços empregados para a nitretação são temperados e revenidos entre 550 ºC e 650 ºC, ocorre a precipitação e crescimento de carbonetos, preferencialmente em contornos de grão durante o revenimento. Como a difusão do nitrogênio é muito mais rápida pelos contornos de grão, estes precipitados dificultam a difusão deste. Por outro lado a temperatura de revenimento deve ser acima da temperatura de nitretação para minimizar erros dimensionais que possam vir a ocorrer devido à precipitação de carbonetos durante a nitretação. Os aços especiais para a nitretação, além de teores relativamente elevados de carbono, contêm, como já vimos, alumínio, cromo, molibdênio e ainda o níquel. Os teores usuais destes elementos nos aços para nitretação são os seguintes: - Carbono: 0,30 a 0,45% - confere ao aço não só temperabilidade como também suporte adequado à camada nitretada extremamente dura e muito fina; - Alumínio: 0,85 a 1,20% e Cromo: 0,90 a 1,80% - são elementos que formam nitretos de elevada dureza; - Molibdênio: 0,15 a 0,45% - diminui a fragilidade de revenido que pode ocorrer durante a nitretação, em função das temperaturas usadas; - Níquel: normalmente ausente, é adicionado em teores de 3,25 a 3,75%, quando de deseja um núcleo de dureza mais elevada. Os aços para nitretação, contendo como elementos de ligas fundamentais como cromo e o alumínio são conhecidos como Nitralloy, sendo que apresentam, após a nitretação, a camada superficial mais dura e o núcleo de resistência mecânica mais adequada. Além destes aços especialmente desenvolvidos para a nitretação, outros tipos de aços podem ser submetidos à nitretação, desde aços comuns ao carbono, aços com altos teores de elementos de liga, como os aços para matrizes e inoxidáveis. O resultado obtido em um determinado tipo de aço, em termos das características específicas da camada de nitretos formada, vai depender ainda do processo de nitretação utilizado, sendo normalmente, um deles o mais apropriado para uma determinada classe de aços. A nitretação pode ser realizada por três processos: nitretação a gás, nitretação líquida ou em banho de sal e nitretação por plasma ou iônica, sendo este último, objeto de estudo nos últimos 10 anos em virtude de ser menos poluente, por formar camada nitretada com espessura e composição bem definida e por obter ótimos resultados com menor custo. Nitretação a gás - Este é o processo clássico, consistindo em submeter as peças a serem nitretadas à ação de um meio gasoso contendo nitrogênio, geralmente amônia (NH3), a uma temperatura determinada, entre 500 e 570 ºC. Neste processo a difusão do nitrogênio é muito lenta, de modo que a operação é muito demorada, durando às vezes até 90 horas. Geralmente o tempo varia de 48 a 72 horas. Mesmo com tempos mais longos a espessura da camada nitretada é inferior à da camada cementada, dificilmente ultrapassando 0,8 mm. 55

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Industrialmente, requer-se aços ligados para a nitretação gasosa, com elementos de liga formadores de nitreto. De modo geral, não se nitreta aços comuns por este processo, pois em princípio, não há vantagem em se nitretar aços comuns (baixo carbono), pois o nitreto de ferro que se forma, apesar de ser duro, é muito frágil.

0,9 0,8

Profundidade nitretada (mm)

0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 -0,1 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Tempo (horas)
Figura 2.47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada.

Nitretação líquida - Trata-se de um processo de nitretação que permite, em tempos muito mais curtos que a nitretação gasosas, obter superfícies muito resistentes ao desgaste, sem tendência ao engripamento, de alto limite de fadiga e elevada resistência à corrosão atmosférica. Além disso, ao contrário da nitretação a gás que exige aços especiais para a obtenção de melhores resultados, a nitretação líquida pode ser realizada em aços comuns, de baixo carbono, como o ABNT 1045. A faixa de temperatura é aproximadamente a mesma que é utilizada na nitretação a gás, 500 a 575 ºC. O meio líquido utilizado é cianeto fundido, como na cementação líquida, no entanto a nitretação adiciona muito mais nitrogênio que carbono à superfície das peças. Um banho comercial típico para nitretação líquida é constituído de uma mistura de sais de sódio e potássio, os primeiros de 60 a 70% em peso da mistura total e os segundos de 30 a 40%. Os sais de sódio consistem de: - 96,5% NaCN (cianeto de sódio); - 2,5% Na2CO3 (carbonato de sódio); - 0,5% NaCNO (cianato de sódio). 56

Dr.9 0. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns. que pode variar de 1 a 3 horas. resultando nitretos em maior quantidade que carbonetos na camada branca (ou faixa de compostos) que pode atingir deste 5 a 15 mm. que não interferem na dureza. .3 0.96.0. A figura que segue mostra a profundidade de nitretação para alguns aços submetidos à nitretação líquida a 570 ºC. entretanto nestas temperaturas o nitrogênio se difunde mais que o carbono. sendo o cianato o principal responsável pela nitretação.5% KCl (cloreto de potássio) A relação entre cianeto e cianato é crítica. 0. V ou outros elementos formadores de 57 .0.2 0.6% K2CO3 (carbonato de potássio). seu limite de fadiga. W. que não interferem na dureza. Nas temperaturas de nitretação o cianato decompõese. Al.48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços. V ou outros elementos formadores de nitretos especiais. elevando seu limite de escoamento e. forma segregações aciculares de Fe4N.8 1015 Profundidade nitretada (mm) 0. conforme o tempo de operação. portanto. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. nos aços ligados com Cr. W. .1 0. ocorre um considerável aumento de dureza. Cláudio R. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução.0% KCN (cianeto de potássio).75% KCNO (cianato de potássio). O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns. Al.6 0. atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro.7 1045 0. forma segregações aciculares de Fe4N.0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. para garantir alto limite de fadiga.0 0 2 4 6 8 10 Tempo (horas) Figura 2. submetidos ao processo líquido. Losekann Direitos autorais reservados Os sais de potássio consistem de: .4 A ços ligas 0. nos aços ligados com Cr. .5 0. liberando carbono e nitrogênio.

O bombardeamento de uma superfície por íons.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com o substrato. podem ocorrer os seguintes eventos: . devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. os regimes de descarga. mantidos em uma atmosfera gasosa. produz um efeito físico.O íon incidente pode ser implantado na rede cristalina do substrato: Implantação iônica. Losekann Direitos autorais reservados nitretos especiais. As peças ficam presas ao cátodo. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. Cláudio R. O plasma é composto de elétrons. Na nitretação por plasma.A aplicação de uma tensão contínua entre dois eletrodos. Nitretação iônica . com transferência de carga e energia cinética. dependendo da relação entre tensão e corrente. permite a obtenção de um gás ionizado. Quando o número de colisões atinge um valor suficientemente alto. também chamado de plasma. o que não acontece em outros regimes de descarga. O tratamento consiste basicamente em submeter uma mistura de gases (N2 ou N2 + CH4) em uma câmara hermeticamente fechada. elevando seu limite de escoamento e. portanto. moléculas ou átomos. as energias dos íons e moléculas se tornam iguais. ocorre um considerável aumento de dureza. O número de colisões é diretamente proporcional a pressão de N2 no reator. O cátodo é totalmente envolvido pelo plasma. a temperatura da peça é igual a temperatura do gás. e temperatura. o importante é a queda de tensão catódica. Nestas condições de equilíbrio o aquecimento da peça é provocado igualmente pelas colisões de moléculas e íons e. promovendo um tratamento uniforme em toda a peça. íons e partículas neutras. Quando estas espécies colidem com a superfície do substrato (cátodo). a uma tensão elétrica entre dois pólos. colisões entre os íons acelerados e moléculas. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução. estabelecendo-se um equilíbrio térmico na bainha catódica. negativo (cátodo) e positivo (ânodo). que tem um pronunciado efeito sobre a cinética de nucleação e crescimento do filme depositado. conforme mostra o esquema abaixo. Dr. para garantir alto limite de fadiga.49 – Esquema do reator iônico. Na região da bainha ocorre então. portanto. tendo em vista que o livre caminho médio diminui com a pressão. seu limite de fadiga. além de um efeito químico. 58 . no estado fundamental ou excitado. Neste ambiente são monitoradas as variáveis do processo como pressão do gás. Figura 2. atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. que depende da reatividade do gás utilizado. já que a peça a ser nitretada é o cátodo. Esta queda de tensão provoca uma aceleração dos íons N+ a partir da região luminescente em direção ao cátodo. independente do gás utilizado.

o que permite reduzir-se o tempo e a temperatura do processo.0 mm para tempos longos. além das espécies correspondentes ao hidrogênio. os quais são acelerados na bainha catódica pelo campo elétrico. ainda. liberando nitrogênio atômico que se difunde no reticulado cristalino do ferro. o que o torna mais econômico. N+ e N2+ . vazios.Emissão de elétrons secundários. contribuindo para a manutenção da descarga. Este processo pode ser aplicado em todos os tipos de aços. As peças a serem nitretadas são colocadas no cátodo. Dr. na forma atômica ou molecular. . . N2*. formando espécies que reagem como substrato. Cláudio R.Reflexão do íon a partir da superfície e posterior neutralização. sendo de grande importância para os aços sinterizados. frente aos outros processos de nitretação. podem surgir.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. é admitido atualmente. As diferentes fases de nitretos que se formarão dependerão das condições adotadas. As diversas espécies reativas de nitrogênio (com potencial nitretante). no estado excitado e também NHj ou NHj+ em misturas N 2 + H 2 com energia potencial suficiente para a formação de nitretos de ferro. Devido a diferença de potencial e à baixa pressão no reator. e no caso de um plasma N2 + H2. N*. Losekann Direitos autorais reservados . Os mecanismos de nitretação por plasma propostos são vários. As principais espécies reativas em um plasma de N2 são: N.Rearranjos de ordem microestrutural no interior do material. excitação e ionização. além de propiciar uma ionização maior e. . ocupando posições intersticiais ou pelos contornos de grãos. . e se dissocia.Possui uma maior taxa de crescimento de camadas. espécies do tipo Ni + Hj.Ejeção de átomos do substrato (sputtering). O modelo de mecanismo de nitretação sugerido por Kobel e Edenhoffer propõe que os átomos de ferro são arrancados da superfície por bombardeamento iônico e combinam com o nitrogênio atômico no plasma. Este composto é instável entre 350 e 600 ºC. As vantagens da nitretação por plasma. combinam-se com o ferro e elementos de liga presentes na peça promovendo a formação da camada nitretada. é a formação de espécies reativas de nitrogênio. Em termos práticos a nitretação por plasma consiste em aplicar-se uma diferença de potencial de 500 a 1000 VDC entre dois eletrodos. podem ser resumidas citando-se os seguintes aspectos: .Reações químicas entre o gás da descarga e o material do substrato. como. que o fato mais importante na nitretação por plasma. formando o composto FeN que se deposita por retro-difusão na superfície da peça. A espessura da camada branca varia de 5 a 25 µm e a de difusão pode se aproximar de 1. formando nitretos estáveis como Fe2-3N ou Fe4N. a mistura gasosa se ioniza e os íons formados são acelerados contra as peças e as colisões promovendo seu aquecimento. 59 . por exemplo. As colisões de elétrons com moléculas do gás podem provocar dissociação. A vantagem de usar hidrogênio na mistura é função de seu potencial redutor. portanto. uma melhoria na eficiência do processo.Permite nitretar apenas as áreas desejadas em uma mesma peça. aumentando sua densidade de defeitos. . em uma atmosfera de N 2 + H 2 em baixa pressão (4 Torr). Em função dos vários modelos. formadas no plasma.

Posteriormente.1% a 1. a profundidade da camada cementada pode variar de 0.2% de carbono e que são submetidas 0.A composição do carburizador contém geralmente a seguinte composição: 20 a 25% em peso de carbonato de bário. chama-se camada cementada. O meio em que é efetuado a cementação chama-se carburizador. A finalidade da cementação é elevar a dureza e a tenacidade da peça para depois sofrer a têmpera. Dr. absorve o carbono em processo de saturação a camada superficial dos aços de baixo carbono. o gasogênio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cementação Em parágrafos anteriores foram citadas várias vezes a cementação. Cementação sólida . durante o tempo necessário para obtenção da camada desejada.000 oC 2.5 mm até 2. É um dos tratamentos térmico-químicos realizados com freqüência. Espessura da camada (mm) Dependendo das condições e solicitações de trabalho da peça. O processo de cementação pode ser efetuado em um meio sólido. Tempo (horas) Figura 2.0 0. .5 simultaneamente durante ao trabalho ao 0.0 baixo teor de carbono o 850 C (algumas vezes 1. saturada de carbono. submete-se a peça à têmpera para obter a dureza desejada. mantendo ao mesmo tempo o núcleo dúctil.5% de carbonato de sódio e o restante de carvão vegetal. de 3. e em meio gasoso. . No meio sólido normalmente utiliza-se carvão vegetal ou coque com adições especiais de carbono de bário. 1.5 São cementadas as peças de aço com 2. por não produzir resíduos tóxicos. a peça é levada ao forno a uma temperatura em torno de 930 ºC. os óleos etc.50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono. depois. Losekann Direitos autorais reservados . quando o ferro apresenta-se com estrutura CFC. Cláudio R. em altas temperaturas de 800 ºC a 950 ºC. A camada superficial. líquido ou gasoso.0 mm ou mais.Permite escolher o tipo de fase da camada nitretada pela adequada escolha dos parâmetros operacionais. Em meio líquido faz-se por meio de sais fundidos. O tempo de permanência no forno pode variar de um a trinta horas.5 o também de aços ligas) 800 C que contém de 0.5 até 5.0 desgaste e as cargas 0 2 4 6 8 dinâmicas.É um processo não poluente. que é produto da decomposição do petróleo. A cementação está baseada nas propriedades do ferro que. como querosene.Apresenta ótima repetibilidade de resultados. 60 .

Podem ser boretados os aços carbono. através dos quais passam os gases. A vantagem da cementação em sais é o aquecimento uniforme da peça. Ferroxidação As propriedades físicas de peças ferrosas sinterizadas podem ser melhoradas por um processo econômico e versátil que vem sendo usado desde 1950 e. e a temperatura nas câmaras é mantida entre os limites de 900 ºC a 950 ºC. Este processo transcorre à temperatura de 870 a 900 ºC durante 0. um aço ABNT 1045. steam oxidation.2 mm em 40 a 50 minutos. em que a camada cementada de 1mm de profundidade se obtém em 45 minutos aproximadamente. O carboneto fornece o metal para a boretação. efetua-se a cementação mergulhando a peça em sais fundidos de cianeto ou carbonatos que contém carbono em suspensão em 5 a 10%. 150 µm a 200 µm em 12 horas.000 kgf/cm2. O meio difusor é sólido formado de um granulado de carboneto de boro B4C e de um ativador. por exemplo. Na cementação gasosa.Aumento da resistência à compressão. as peças devem ser préaquecidas até 500 ºC antes de entrar para o banho de cementação. e seu controle necessita ser rigoroso. Para evitar deformações. . . produção contínua. A cementação líquida é empregada em aços com baixos teores de carbono. por difusão.Neste processo. menor tempo e possibilidade de têmpera imediatamente após o banho.Aumento da dureza e densidade das peças. fluoreto duplo de boro e potássio.700 a 2.Aumento da resistência à corrosão. Cláudio R. O tempo depende da espessura de camada desejada. Losekann Direitos autorais reservados Cementação líquida . A espessura da camada cementada é da ordem de 0.5 a 2 horas. steam blackning). Fe2B com 100 µm em 8 horas. o elemento boro.050 ºC (sendo 900 ºC a mais usada). Atualmente é muito empregado a cementação rápida com gases. enquanto o ativador facilita e acelera a formação da camada superficial dura e de grande uniformidade. em 4 horas de tratamento apresenta uma camada de boreto de ferro. Após a boretação os aços são normalmente temperados e revenidos. formando boreto de ferro com uma dureza Vickers de 1. Boretação Por este processo introduz-se na superfície de aço.A cementação gasosa é efetuada em uma atmosfera de gases que contém carbono. A temperatura de tratamento varia entre 800 e 1. também chamado de ferroxidação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que pode ser visto como uma operação secundária na indústria de peças sinterizadas: o tratamento a vapor (steam treatment. as peças são introduzidas em câmaras especiais. Os principais benefícios trazidos por este processo são: . aços com baixa e alta liga. ferro fundido comum e nodular. Dr. ou ainda aços especiais de níquel ou de níquel cromo. 61 . Cementação gasosa .

. vai crescendo em 62 . A melhoria das propriedades das peças sinterizadas com a aplicação do processo de ferroxidação é conseguida com baixo investimento de capital. além disso.5 a 163 kg/h.Do limite de resistência à tração.Da ductilidade. mas sempre abaixo do ponto critico de oxidação ao ar e descoloração.4 – 7. dando estanqueidade à peça. por um tempo de 15 a 30 minutos até que todas as peças atinjam esta temperatura.5 a 4 horas. Cláudio R. pois os equipamentos não são caros. quando se faz passar um fluxo de vapor de água superaquecido pelas mesmas. . Fe3O4.0 g/cm3 ). O processo de ferroxidação é utilizado para criar uma camada de magnetita. A carga é então mantida a esta temperatura de 0. O processo é aplicado principalmente em peças sinterizadas de baixa e média densidade (5. Um óxido intermediário. do que óxidos formados ao ar. dependendo da quantidade de óxido que se deseja. assegurando a exposição uniforme de todas as peças à temperatura e atmosfera de tratamento. uma camada de óxido de ferro se forma nas paredes da rede de poros comunicantes.Da resistência ao impacto. como desvantagens da ferroxidação podem-se citar o decréscimo: . De maneira geral. o custo por peça ferroxidada é baixo. para depois removê-la e introduzir nova carga. Uma ventoinha interna é usada para forçar o vapor a circular. bem como sobre a superfície externa da peça. A ferroxidação é geralmente realizada em fornos verticais com convecção forçada. O fluxo de vapor é então introduzido na câmara do forno com alta taxa (4. o óxido é cinzento). para evitar a condensação do vapor sobre as peças. ou seja. Após o tempo necessário. a carga é removida do forno ou é resfriada sob vapor até temperaturas abaixo de 427 ºC. Normalmente é usada a temperatura de 315 ºC para o primeiro estágio.Selamento da porosidade interligada. ou pelo menos até que o centro da carga do forno atinja a temperatura mínima de 100 ºC. o fluxo de vapor é reduzido à metade e a temperatura é aumentada para valores entre 430 e 600 ºC (no limite inferior o óxido produzido tem a cor preta azulada e no superior. dependendo do tamanho do forno) para purgar o ar. dependendo das condições de tratamento. a wustita. 427 ºC. na superfície e na rede de poros comunicantes de peças ferrosas sinterizadas. FeO. como trincas e bolhas. Fe3O4. Acima do ponto de ebulição da água (100 ºC) e abaixo de 570 ºC a reação do vapor d’água com o ferro para formar o Fe3O4 é: 3Fe + 4 H 2 O (gás) ⇔ Fe3 O2 + 4 H 2 (gás) Inicialmente a carga do forno deve ser aquecida acima de 100 ºC. Durante a ferroxidação uma camada de óxido.Obtenção de um excelente acabamento superficial com a redução da rugosidade inicial. Quando a purga do forno for completada. Então. um fluxo de gás pode passar através de toda sua seção. é estável somente acima de 570 ºC. Dr. A camada óxida obtida desta forma é muito aderente e menos propensa a defeitos. .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os quais são projetados para serem relativamente estanques. Losekann Direitos autorais reservados . Como nestas peças existe uma rede de poros comunicantes.

H2O e CO2). Os constituintes da atmosfera utilizada na carbonitretação são: . em função da diminuição da proporção H2O/H2 e que a taxa de crescimento da camada óxida seria um tanto maior próximo à superfície. dentro dos poros.07 a 0. Quando todos os poros estão fechados o vapor não tem mais acesso ao interior do corpo sinterizado e.7 mm. ou seja. para esta faixa de espessura de camada. Com o prosseguimento do tempo. A dependência do ganho em peso e da densidade final da peça. E razoável assumir que a reatividade do vapor. a continuidade do processo de ferroxidação produziria muito pouca mudança na porosidade final da peça. apresenta um custo menor que a cementação. Dr. Torna a atmosfera carbonetante. Losekann Direitos autorais reservados todas as superfícies expostas. A camada produzida tem espessura entre 0. Portanto os poros próximos à superfície. a partir deste momento. e após o fechamento da superfície. H2 e CO.Amônia (NH3). São eles: a) Carbonitretação ou cianetação a gás . . confirma tal pressuposto. Na sua dissociação forma nitrogênio nascente na superfície do aço. Processos variantes São tratamentos térmico-químicos similares aos de nitreção e cementação quanto ao meio. na proporção de 9 a 15%. promovendo sua nitretação. seriam fechados mais rapidamente.Esta variação do processo de nitretação a gás consiste em submeter as peças a uma temperatura em torno de 580 ºC (abaixo da crítica) em uma atmosfera com nitrogênio e carbono. . Cláudio R. mais impurezas: O2. no entanto possui melhor temperabilidade e é mais resistente ao amolecimento durante o revenimento. O objetivo principal da carbonitretação é conferir ao aço uma camada dura e resistente ao desgaste.Gás endotérmico (N2. Na prática consiste em introduzir um gás carbonetante na atmosfera de nitretação. b) Nitrocarbonetação a gás de ciclo curto – DEGANIT . na proporção de 77 a 89% em volume. decresceria com a distância abaixo da superfície externa. a taxa de formação de óxidos diminui por causa do fechamento dos poros.Gás natural. até um dado tamanho. só a oxidação superficial progride. Tem a função de criar pressão positiva para impedir a entrada de oxigênio e diluir gases ativos (hidrocarbonetos e amônia) de modo a facilitar o controle do processo.Este processo consiste em submeter o aço a uma temperatura geralmente acima da crítica em uma atmosfera gasosa capaz de fornecer tanto carbono como nitrogênio que difundem simultaneamente para superfície da peça. A taxa de crescimento da camada superficial decresce porque a camada de óxido dificulta a difusão do Fe e O atômicos. 63 . além disso.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. na faixa de 2 a 8%. nas paredes da rede interligada de poros e na superfície externa da peça. com relação ao tempo de ferroxidação. sendo menor que as obtidas na cementação. Industrialmente o processo é uma cementação a gás modificada pela injeção de amônia na atmosfera carbonetante. propana ou butana.

A têmpera posterior produz uma camada superficial dura e de elevada resistência ao desgaste. à corrosão e ao engripamento. O tempo de tratamento varia de 0. O tempo de tratamento é normalmente de 1 a 3 horas e o resfriamento das peças é feito sob atmosfera de nitrogênio até a temperatura ambiente. Possui a vantagem de conferir aos aços tratados (comuns e de baixo teor de elementos de liga) melhores características de resistência ao engripamento. A camada de difusão apresenta nitrogênio em solução sólida no ferro alfa. Este processo produz camadas brancas de 10 a 30 µm de espessura altamente resistente ao desgaste por atrito. Os objetivos e resultados são praticamente idênticos aos da sulcarbonitretação gasosa.3 mm.TENIFER/TENOX . onde as peças são submetidas a temperaturas entre 550 e 570 ºC seguido de resfriamento ao ar.O TENIFER realizado em banhos de sais fundidos. O processo é aplicado em aços. porém com maior economia. contendo mais nitrogênio e menos carbono que as camadas cementadas e) Nitrocarbonetação em banho de sal . Os sais são compostos de cianetos e cianatos alcalinos que fornecem o nitrogênio e o carbono ao meio.3 mm e é constituída por nitretos de ferro e dos elementos de liga. para resfriamentos lentos. mantendo as outras propriedades equivalentes. de 760 a 870 ºC. onde o resfriamento é realizado em um banho de sal oxidante seguido de polimento e nova oxidação em banho de sal. Losekann Direitos autorais reservados A atmosfera é constituída de amônia dissociada. A camada branca resultante é da ordem de 10 a 20 µm e constitui-se carbonitretos de ferro e carbonetos e nitretos dos elementos de liga presentes no material. além do carbono e nitrogênio no meio difusor. como. Cláudio R. além dos cianetos e cianatos. d) Cianetação ou carbonitretação líquida . sulfeto de ferro e carbonitretos. c) Sulfocarbonitretação gasosa . ou água. num banho adequado de sal cianeto fundido. ferros fundidos ou materiais sinterizados e em muitos casos é uma alternativa a outros tratamentos. f) Sulfocarbononitretação líquida – SURSULF .O processo consiste em introduzir enxofre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr.1 a 0. A camada de difusão apresenta valores da ordem de 0. submetendo as peças a uma temperatura entre 550 e 575 ºC. A denominação TENOX é uma variante deste processo. gás endotérmico ou outro qualquer que forneça CO e nitrogênio. com resultados equivalentes ou superiores.Consiste em submeter as peças a uma temperatura acima da crítica. e agulhas de nitretos. quando o resfriamento é rápido. diferenciando-se pelo fator do banho conter sais de lítio e compostos de enxofre. ocorrendo difusão simultânea de carbono e nitrogênio.É um processo similar ao processo TENIFER. A camada branca contém enxofre. por um tempo em torno de 2 horas. produzindo camadas de 0. 64 . e o caráter oxidante para o TENOX é obtido por insuflamento de ar ao banho. cementação e cromo duro.5 a 1 hora.3 mm que aumenta e resistência à fadiga. além de uma camada de difusão de até 0.

estanho. A eficiência depende de uma série de fatores. após a dupla estanhagem. Dr. metano (CH4). Conforme for o grau de acabamento. pois promove espessuras finas. As vantagens deste processo de cementação sobre os convencionais são as mesmas obtidas com a nitretação por plasma. A peça a ser revestida funciona como cátodo numa célula eletrolítica. No caso da estanhagem. prata e ouro. permitindo seu uso na aparelhagem de armazenamento e manuseio de alimentos. aquosa ou em solo. Desse modo.Tratamentos de revestimentos Revestimentos metálicos Dentre outros. dependendo da atividade química.2 .2. em peças de ferro e aço. entre camadas de um outro metal de maior resistência à corrosão. Através dessa técnica. A figura seguinte mostra o processo. etc. onde o eletrólito contém sal do metal protetor. Uma conhecida 65 . um revestimento galvanizado apresenta uma estrutura de componentes químicos complexa. através do elemento de liga. Losekann Direitos autorais reservados g) Cementação por plasma (“Ioncarburizing”) . camadas aderentes de zinco. densidade da corrente do cátodo. pode-se fazer a estanhagem simples. O tempo de imersão das peças determina. Nesse processo podem ser empregados como metais de deposição zinco.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. sendo que a última.050 ºC com um tempo de tratamento em torno de 2 horas. a principal vantagem do revestimento é seu aspecto não-tóxico. com a resistência à corrosão (através do alumínio). É um processo utilizado basicamente para peças sujeitas à corrosão atmosférica.6. numa faixa de temperatura entre 840 e 1. que varia gradualmente sua composição e suas propriedades físicas e mecânicas. que promove a drenagem do excesso de material e auxilia na formação de um revestimento uniforme de espessura satisfatória e isenta de defeitos. podendo o ânodo ser do mesmo metal a ser depositado. O metal mais comum utilizado nessa técnica é o alumínio. a espessura da camada galvanizada. cádmio. pode-se obter materiais em que são combinados à resistência mecânica. 2. dupla ou tripla. na qual a diferença consiste em utilizar-se um gás carbonetante. entre eles a composição química do eletrólito. formam-se. ou liga. a temperatura. cromo. No caso da galvanização. cobre. no lugar do hidrogênio e nitrogênio. c) Eletrodeposição: é o processo de revestimento metálico mais empregado. pode-se citar os seguintes processos de tratamentos superficiais com revestimento metálico em metais: a) Cladização: consiste em colocar o metal. ainda quente. sendo esse tempo normalmente próximo a 2 minutos. a estanhagem e o banho em chumbo. e a operação é efetuada por laminação a quente ou a frio. uniformes e isentas de poros. Existem três processos: a galvanização. Cláudio R. b) Imersão à quente: nessa técnica as peças a serem protegidas são imersas num banho de metal protetor fundido. recebe. níquel. difusão e subseqüente resfriamento. em parte.Este processo é uma variação da nitretação por plasma. um banho de óleo de coco (ou sebo quente).

cobre. fluoretos. zinco e cádmio. que é colocado em uma célula eletrolítica. aço. vidro. f) Anodização: utiliza o alumínio. o zinco (sherardização) e o silício (siliconização). Losekann Direitos autorais reservados aplicação dessa técnica é a eletrodeposição de estanho. confere isolamento elétrico e aumenta a resistência a abrasão. na forma de um filete. de modo a desintegrá-lo em partículas que são lançadas contra a superfície da peça. as partículas aderem-se tenazmente à superfície metálica que se deseja proteger. conectores elétricos e aplicações que exijam alta soldabilidade. que origina as folhas de flandres ou latas. através de uma fonte de calor a alta temperatura. é colocado uma mistura do metal protetor. Os principais tipos de anodização são: crômico (ácido crômico como agente ativo). No choque. Figura 2. ligas de níquel. concreto. Cláudio R. etc. além de restaurar componentes de máquinas desgastados ou usinados erradamente. Os processos que utilizam níquel e cromo são mais utilizados para fins decorativos. g) Cromatização: são obtidos a partir de soluções contendo cromatos com adição de ativadores como sulfatos. e) Difusão: nesse processo. Praticamente todos os metais e ligas podem servir como agente protetor e o método também pode ser usado para proteger superfícies não metálicas. colocam-se as peças a serem protegidas no interior de tambores rotativos. sulfúrico (ácido sulfúrico como agente ativo) e duro (ácidos sulfúrico e oxálico como agentes ativos). magnésio. aumento da adesão de tintas. Com esse processo ocorre nas peças um aumento da resistência à corrosão. com um fundente. abrasão. Esse método é utilizado para proteger peças contra oxidação. mas pode ser usado em ferro. nitratos. Nesses tambores. corrosão. na forma de pó. melhora a aparência superficial. Também são usados em componentes elétricos e eletrônicos. matrizes e peças que necessitem boa resistência ao desgaste. d) Metalização (sputtering): o processo se dá através do aquecimento de um metal até seu ponto de fusão. fosfatos. como papel.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. erosão e impactos. cloretos. embora utiliza-se o cromo duro para revestir ferramentas. 66 . Os revestimentos comuns usados nessa técnica são: o alumínio (calorização). permite um revestimento por eletrodeposição (devido a sua porosidade). Dr. Esse processo é preferencialmente aplicado em alumínio. O conjunto é aquecido a altas temperaturas e então ocorre a difusão do metal protetor nas peças a serem revestidas. As peças a serem protegidas constituem o ânodo e ocorre a conversão do alumínio em óxido de alumínio. ao atrito e à corrosão. etc. de titânio e de zircônio. madeira. fazendo-o passar.51 – Esquema da eletrodeposição.

que objetivam reduzir o custo das composições. Os esmaltes são revestimentos vítreos aplicados principalmente em aço. produzem uma superfície que facilita a conformação a frio e servem de base para adesivos em laminados metal-plástico. como parafusos e porcas e peças estampadas de pequenas dimensões são revestidas em tambores rotativos contendo solução fosfatizante. onde os mais comuns são os secantes. a fosfatização serve de base para aplicação de óleo e outros materiais que previnem contra corrosão. Os veículos podem ser não-conversíveis (mais fácil de aplicar. solvente. 67 . Revestimentos cerâmicos A esmaltação à porcelana constitui o principal processo. Após a aplicação do esmalte. As cargas são compostos inorgânicos. de secagem rápida. porém necessitam várias demãos) ou conversíveis (são os vernizes óleoresinosos. de modo a torná-las parte integrante da película). que eventualmente substitui o pigmento.). etc. acetatos. aumenta a resistência ao desgaste e à escoriação de peças que se movimentam em contato. tolueno) ou sintéticos (etanol. resinas alquídicas. e materiais auxiliares. Os principais constituintes do esmalte são sistemas complexos vítreos ou cerâmicos. Consiste basicamente no tratamento de peças de ferro e aço. A secagem é realizada ao ar ou em estufas. Além de servirem de base para a pintura. por serem de mais fácil aplicação e de menor custo que os demais. as tintas constituem o principal revestimento anticorrosivo. as peças maiores são colocadas em tanques. ferro fundido e alumínio. mediante uma solução diluída de ácido fosfórico e outras substâncias químicas. para melhorar a aparência superficial e conferir melhor resistência a corrosão. Dr. Pequenos objetos. cuja função é formar a película (além de agregar os pigmentos e as cargas. Losekann Direitos autorais reservados h) Fosfatização: processo que objetiva um tratamento prévio da superfície para posterior pintura. epóxi. carga.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que dissolve o veículo para que este possa ser aplicado em camadas mais finas. Revestimentos poliméricos Dos revestimentos poliméricos. naftas leves e pesadas. que são pequenas partículas cristalinas insolúveis nos solventes utilizados (orgânicos ou inorgânicos). poliuretadas e silicones). facilitar o manuseio e reduzir a quantidade de vapor de água que seria introduzida nos fornos de queima. Geralmente é aplicado numa suspensão em água. Cláudio R. completamente misturados e fundidos. as peças são deixadas secar antes da queima ou sinterização final. Os solventes podem ser hidrocarbonatos (aguarrás. As tintas constituem-se basicamente dos seguintes componentes: veículo. pigmentos. Os pigmentos também são de natureza inorgânica (naturais ou sintéticos) ou orgânica. Essa secagem se faz necessário para novas aplicações de esmalte.

que tentou isolar o metal. os egípcios e babilônicos usavam o óxido de alumínio em cosméticos e produtos medicinais. Losekann Direitos autorais reservados 3 . tão raro quanto a prata. o físico alemão Hans Christian Oersted se encarregou de produzir pequenas quantidades do metal. O resultado foi uma massa que ele trabalhou com martelo.825. Dr. Apesar de ser o metal mais abundante na crosta terrestre. já vinha fazendo experimentos com minérios desde os 12 anos de idade. o professor Frank Jewett mostrou a seus estudantes de Química um pequeno pedaço de alumínio e disse a eles que quem conseguisse descobrir um modo econômico de se obter este metal ficaria rico.869. E então.886.1 – INTRODUÇÃO O alumínio é um metal leve ( γ = 2. dando origem a um dos metais mais usados pela indústria na história. entre 1. Aprendeu como fazer óxido de alumínio – alumina. o alumínio era um metal semiprecioso.00 para $17. a coroa do rei da Dinamarca e a capa do Monumento de Washington. reduzindo o óxido existente na alumina e obteve um alumínio com 97% de pureza. substituiu o potássio pelo sódio. Séculos depois.880.a alumina. ele colocou num recipiente um banho de criolita contendo alumina e passou uma corrente elétrica. Há mais de 7 mil anos. Vários pesquisadores participaram da descoberta do alumínio. tanto é que serviu para ornar a mesa da Corte Francesa. possui brilho e tem um baixo ponto de fusão 658 oC. bom condutor de calor e eletricidade. Cláudio R. em 1. ele não se encontra naturalmente na forma de metal.854.00 o grama. obtendo uma liga de ferro-alumínio e sem saber direito o que havia obtido.812. várias partículas de puro alumínio se formaram.ALUMÍNIO E SUAS LIGAS 3. Afeganistão) faziam seus vasos com um tipo de argila contendo óxido de alumínio . O primeiro foi o inglês Humphrey Davy. continuou seus experimentos. Charles Martin Hall. Um de seus estudantes. mas na forma de óxido (Al2O3) no minério da bauxita. Iraque. através da destilação com aquecimento da mistura de potássio e óxido de alumínio. em laboratório improvisado. Logo depois. o cientista francês Henri Saint Claire Deville. Em 1. Depois de formado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. separando-o do oxigênio. Na Oberlin College de Ohio. Em 1. Um preço razoável.7 gf/cm3 ). quando 2 toneladas de alumínio foram produzidas. resistente à corrosão.808 e 1. quase o mesmo valor da prata. Isso baixou seu custo de $545. Isto só foi possível devido a invenção do dínamo elétrico. Outros melhoraram seu processo até 1. os ceramistas da Pérsia (atualmente alguns países como Irã. sugeriu que poderia ser um óxido de um metal. dando o nome de aluminium. 68 . Em meados de 1.

o que torna o processo contínuo para fabricação de lingotes ou laminados. Sua condutividade térmica é quatro vezes maior que a do aço. Em equipamentos chamados de precipitadores. serrado. No momento que ocorre a passagem da corrente elétrica. chamada de aluminato de sódio. isoladores térmicos. corantes e cremes dentais. predominantemente iônica. Dr. refratários. e nesse processo. Se for seca e calcinada (1. Isso é feito através de reação química. além disso. esta pasta se dissolve formando uma solução que passa por processos de sedimentação e filtragem que eliminam todas as impurezas. 69 .300 oC). A bauxita. a alumina contida na solução precipita-se através do processo chamado de "cristalização por semente". dobrado. Depois de minerada. Porém. colagem e brasagem. o alumínio é um material que pode ser unido por todos os processos usuais: soldagem. A alumina é dissolvida dentro destes fornos em um banho a base de fluoretos. permitindo a adição de novas cargas de alumina. Os fornos são ligados a um circuito elétrico de corrente contínua.é formado por uma reação química natural. em uma espessura média de 4 a 5 metros. pode ser usada no tratamento de água e na indústria de celulose e papel. ocorre a reação de dissociação e o alumínio se separa do oxigênio.PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO O processo de produção de alumínio é composto por uma série de reações químicas. repuxado. E aí se inicia a primeira reação química da série que vai viabilizar a obtenção da alumina e do alumínio. é moída e misturada a uma solução de soda cáustica que a transforma em pasta. obtém-se a alumina hidratada. Aquecida sobre pressão e recebendo nova adição de soda cáustica.2 . A terra fértil acumulada sobre as jazidas é removida juntamente com a vegetação e reservada para um futuro trabalho de recomposição do terreno.000 a 1. envernizado e esmaltado. esta pronta para que dela se extraia apenas a alumina. Desta forma. entre os seus átomos e que para separá-los é necessário a utilização de fornos eletrolíticos. Esta solução. após a extração do minério. A alumina (Al2O3) tem uma ligação muito forte. alguns cuidados devem ser tomados para proteger o meio ambiente. Cláudio R. forjado. O alumínio é facilmente moldável e permite todo tipo de processo de fabricação: pode ser laminado. As peças de alumínio podem também ser produzidas por processos de fundição. onde chega em seu estado natural. torneado. lixado e polido. A bauxita encontra-se próxima à superfície. Até mesmo a bauxita . a matéria-prima . sílica. a bauxita é transportada para a fábrica. causada pela infiltração de água em rochas alcalinas que entram em decomposição e adquirem uma nova constituição química. O calor gerado pela corrente elétrica mantém a solução em estado líquido. O alumínio líquido se deposita no fundo do forno que é bombeado para fornalhas onde será purificado ou receberá a adição de outros metais para formação de ligas.poderá ser utilizada como abrasivos. com impurezas que precisam ser eliminadas. prensado. rebitagem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.minério do qual se extrai a alumina e o alumínio . furado. Ele pode ser anodizado.alumina . cerâmicas avançadas. que contém em torno de 40 a 60% de alumina e o restante de óxido de ferro. titânio e outras impurezas. Losekann Direitos autorais reservados 3. antes de se iniciar a exploração. o que possibilita a sua extração a céu aberto com a utilização de retroescavadeiras.

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Uma das grandes utilizações do alumínio é no seu formato de pó. É produzido a partir da atomização do alumínio em estado líquido, na qual, o alumínio no estado líquido é aspirado para uma câmara onde se introduz um jato de ar pressurizado, desintegrando-o em pequenas partículas de formato semiesférico que depois é peneirado e classificado de acordo com a sua granulação que pode ser: fino, médio e grosso. As principais aplicações do pó de alumínio são:

Aluminotermia: É empregada na produção de ligas de ferro, ligas não-ferrosas e metais puros: ferro-nióbio, ferro-vanádio, ferro-molibdênio, ferro-titânio, cromo, etc... Funciona como agente de redução de óxidos e fonte de calor.

Refratários: É aplicado em tijolos e concretos para canal de corrida. O pó de alumínio reage com o oxigênio da água, gerando hidrogênio que facilita a secagem dos concretos e evita a formação de trincas. Em tijolos de magnésiacarbono, o alumínio reage com o oxigênio do aço fundido, preservando o carbono do aço, aumentando a vida útil do refratário.

Metalurgia: É utilizado na produção de briquetes, que são misturas de alumínio e outros pós metálicos, moldados em pequenos lingotes sob pressão. Endurecem, reforçam e refinam a estrutura granular das ligas de alumínio. Utilizado em solda exotérmica, a reação de pós de alumínio e óxidos metálicos fornece o calor e metal de enchimento, utilizado na soldagem de cabos, bastões, trilhos, ligas de cobre, alumínio e outros metais.

Indústria química: É utilizado na produção de derivados aluminosos quando se necessita de uma reação de alta pureza e eficiência. É aplicado em cloridróxido de alumínio, cloreto de alumínio anidro, agentes de redução, fosfeto de alumínio, hidróxido de alumínio, produção de pigmentos para de tintas automotivas e industriais, gráfica, etc.

Explosivos: O pó de alumínio é misturado a compostos explosivos, aumentando o desempenho e a potência de explosão. Alguns tipos de explosivos são NA/FO, aminometilaminas, etc.

• •

Forno auto limpante: O pó de alumínio age como elemento de suporte na formulação de esmaltes, dando o efeito de limpeza. Propelentes para mísseis e foguetes: o pó é utilizado na produção de combustíveis sólidos para mísseis e foguetes. Os compostos sólidos são formados por um oxidante forte, pó de alumínio, ligantes e aditivos especiais.

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3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
O alumínio comercialmente puro ( 99,99% ) e recozido tem uma resistência de ruptura à tração de 5 kgf/mm² (49 MPa) e peso específico de 2,7 gf/cm3 e a tensão de escoamento está em torno de 1,3 kgf/mm² (12,7 MPa). Quando laminados, extrudados ou forjados, a tensão de ruptura à tração pode alcançar a 57 kgf/mm2 (559 MPa) e a tensão de escoamento fica em torno de 50 kgf/mm² (490 MPa). As impurezas metálicas podem aumentar a sua resistência à tração em cerca de 50% sem aumentar muito o peso específico (dependente da concentração). O módulo de elasticidade longitudinal depende também da concentração de elementos de liga, mas para o alumínio comercial vale E = 7.000 kgf/mm². A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 35.000 11.900 7.000 4.550 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 19.600 14.000 7.700 - 11.900 10.500

Ferro, níquel, cobalto Molibdênio, tungstênio Cobre Alumínio Magnésio

Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro, prata Platina

9.800 10.150 4.200 25.700 56.000 10.000 1.750 29.750 10.500 7.850 18.800

Aços-carbono e aços-liga Aços inoxidáveis austeníticos Ferro Fundido Nodular Bronzes e latões Bronzes de manganês e ao silício Bronzes de alumínio Ligas de alumínio Monel Hastelloy Invar (níquel-ferro) Inconel Ilium (liga de níquel) Ligas de titânio Ligas de magnésio Ligas de estanho Ligas de chumbo

8.400 - 13.300 7.000 - 7.450 13.000 - 18.200 18.900 - 21.500 14.000 16.000 18.700 11.200 - 12.100 4.550 5.100 - 5.400 1.400 - 2.950

O alumínio comercialmente puro é pouco tenaz, mas possui excelente maleabilidade sendo possível laminar folhas de 0,005 mm de espessura. Também tem boa ductilidade com alongamento de 30 a 40%, sendo possível obter fios de 0,03 mm de diâmetro. De pequena dureza podendo ser riscado pela maior parte dos metais. Sob ação do trabalho mecânico a quente (laminação, forjamento) o alumínio se encrua. Para melhorar ou modificar as propriedades do alumínio, pode-se fazer tratamentos térmicos ou adicionar elementos químicos quando o metal está no estado líquido, fazendo-se as ligas. 71

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Propriedades físicas Massa atômica: 26,97 g Peso específico: 2,70 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 °C): CFC, a = 0,404 nm Ponto de fusão: 658 °C [931,15K] Ponto de ebulição: 2.000 °C Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 °C): 23 x 10-6/ °C [24 - 24,2.10-6/K] Resistividade: (20 °C): 2,699 µΩ.cm [2,63 - 2,692.10-8 Ω.m] Condutividade térmica: (20 °C): 0,52 cal.cm-1.s-1. °C -1 [222 - 224,2 W/m.K] Refletividade (chapa polida): 0,06 Calor específico: 900,4 - 909,4 J/kg.K Calor latente de fusão: 388 - 391,9 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 370 - 420K Em relação ao cobre, a condutividade elétrica é cerca de 62 % da do cobre e tal como diminui ligeiramente por deformação a frio e fortemente com a presença de impurezas. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,3 % Coeficiente de Poisson: 0,34 Dureza: 15 a 25 HB [147 a 245 MPa] Módulo de cisalhamento: 26,2 - 26,4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 68,9 - 69,6 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 12,7 a 30 MPa Tenacidade a ruptura: 30 - 35 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 a 50 MPa Alongamento: 30 a 40 % Estricção: > 60 % Estas características correspondem a alumínio no estado recozido. É, portanto, um metal muito maleável. Pode ser trabalhado a frio e a quente e após recristalização não apresenta maclas como o cobre. O trabalho a quente é efetuado entre 250 - 500 °C. Propriedades químicas Reage facilmente com o oxigênio. Esta propriedade se dá na superfície do alumínio e forma uma película espessa e aderente de alumina que o protege da continuação da reação para o alumínio subjacente. A adição de qualquer elemento químico prejudica esta resistência a corrosão, de tal modo que nas ligas de alumínio de alta resistência estas têm de ser revestidas por folha de alumínio puro. Forma pares galvânicos com os metais mais nobres, como o cobre e o ferro, os quais destroem a camada de alumina protetora e provocam forte corrosão. Devem por isso ser evitadas ligações metálicas entre aqueles metais e o alumínio. Resiste bem a corrosão atmosférica, soluções salinas, mas e atacado pela água pura a temperatura elevada. Também resistente a atmosferas sulfurosas ou muito úmidas. É atacado pela maior parte dos ácidos minerais, 72

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sobretudo o ácido clorídrico. O ácido nítrico e os ácidos orgânicos, com exceção do ácido fórmico, não atacam o alumínio. Os produtos mais resistentes são: os vários graus de alumínio puro, seguidos das ligas Al-Mg, Al-Mn, Al-Mg-Si, e Al-Si. As ligas que contém cobre são as menos resistentes a corrosão e, por isso, devem ser revestidas de alumínio puro e não sofrer nenhum tratamento térmico para evitar a difusão dos elementos entre as folhas da superfície e da alma. Composição química Pode obter-se por refinação eletrolítica o alumínio comercialmente puro, 99,99%. O alumínio comercial contém geralmente impurezas que atingem cerca de 0,5%, sendo o ferro e o silício as principais. Estas impurezas são vantajosas do ponto de vista de propriedades mecânicas, elevando a resistência mecânica, mas são prejudiciais a maleabilidade, a resistência corrosão, a condutividade elétrica. Se a proporção de silício ultrapassar o teor de ferro poderá ocorrer trincas a quente. Os principais graus de alumínio são: 99,99%; 99,5%e 99%. Tratamentos térmicos O único tratamento com interesse é o recozimento de homogeneização que, ao assegurar a redistribuição do ferro sob a forma de precipitado fino intragranular de FeAl3, retarda a recristalização após laminação e modifica a estrutura (evita o aparecimento da estrutura cúbica) o que tem como conseqüência uma diminuição apreciável da resistividade do metal vazado. Aplicações O seu baixo peso específico, cerca de 1/3 do peso específico do cobre, justifica o seu emprego na construção veículos motorizados e da aviação; na indústria mecânica, pistões, eletrodos, folha de alumínio, portas e esquadrias, latas, placas, embalagens, painéis, sinalizadores, placas de sinalização. A condutividade térmica e apenas ultrapassada pela prata, cobre e o ouro, e por isso, é utilizado em material de cozinha, trocadores de calor, instalações de refrigeração, pistões, etc. Mas, devido ao baixo ponto de fusão a temperatura de serviço, não deve ser superior a 200 oC. 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO O principal objetivo da adição de elementos ao alumínio é a melhorar o limite elástico, resistência à tração e dureza. Em contrapartida, propriedades como a ductilidade, condutividade térmica e resistência à corrosão diminuem. As ligas são formadas principalmente com a adição de cobre (Cu), magnésio (Mg), manganês (Mn), silício (Si) ou zinco (Zn) ao alumínio (Al). A escolha dos elementos e sua proporção, nessa adição, dependem das propriedades finais que se quer obter. A maior parte das ligas de alumínio é ainda susceptível de endurecimento por precipitação que aumenta consideravelmente o limite de elasticidade e resistência à tração e a dureza. O alumínio entra em grande número de ligas de dois ou mais componentes. As principais ligas de alumínio são: ligas de solução sólida Al-Cu; Al-Si, Al-Mg2Si, Al-Mg e Al-Mn.

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3.3.1.1 - Liga de Al-Cu O diagrama de fases da liga binária Al-Cu mostrado abaixo mostra a complexidade do conhecimento completo de ligas formadas pelo alumínio e cobre. Entretanto, ao se fabricar uma liga de alumínio AlCu e submeter essa liga a processos especiais de tratamento, esse material terá uma resistência à tração equivalente ou até maior que a de aços de baixo teor de carbono com boa usinabilidade. É indicada para peças que devem suportar temperaturas em torno de 150 oC.
Figura 3.1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu.

3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) As ligas de Al-Mg conhecidas como alumag são susceptíveis de endurecimento por precipitação ou por deformação a frio. O magnésio tem um máximo de solubilidade no alumínio a 450 oC e para o teor de 15%, valor que desce para 1,5% à temperatura ambiente. As ligas comerciais tem mais de 4% de Mg, sendo portanto bifásicas, ou seja, constituída pela fase α pela fase β, Al3Mg2, que precipita durante o resfriamento. A resistência à corrosão pode ser restaurada por reaquecimento seguido de resfriamento controlado. As ligas de Al-Mg são excelentes para a soldagem, e por serem também resistentes à corrosão, principalmente em atmosferas marinhas.
Figura 3.2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg.

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e se dá com adição de 0.3 . refletores.4 .Liga de Al-Mn Quando se adiciona manganês (Mn) ao alumínio. tais 75 . como por exemplo a prensagem. Losekann Direitos autorais reservados 3. . 3.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão.3. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso.1% de sódio no momento de vazamento. usinadas. Depois de passar por tratamento térmico.composição eutética . equipamentos químicos. Esta liga é usada na fabricação de latas de bebidas. placas de carro. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). 13% de Si. a soldagem e a rebitagem. trocadores de calor e como elemento decorativo na construção civil. com maior tenacidade. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem. Essa liga aceita acabamento de superfície. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. chumbo (Pb). cobre (Cu) ou cromo (Cr). Cláudio R. níquel (Ni) etc. estanho (Sn). Figura 3. possui elevada condutividade elétrica. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição. principalmente na construção de aviões. telhas. a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas.1.1. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. com a capacidade de ser trabalhado por todos os processos de conformação e fabricação mecânicas.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. Quando o teor de silício é elevado.3 . têm elevada resistência à corrosão. a resistência mecânica dessa liga aumenta em até 20% quando comparada ao alumínio puro. titânio (Ti).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg).3. São facilmente moldadas. Dr. porém. é resistente à corrosão. É possível também combinar elementos de liga.

5 a 0. Por exemplo. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si.5 a 1% de Mg e 0. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento.3. Em outros casos.5. O duralumínio contém em média 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. chumbo (Pb). fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão. Dr.1% de sódio no momento de vazamento. usinadas. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição.e se dá com adição de 0. São usadas na construção civil. Quando o teor de silício é elevado. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas. titânio (Ti).5 a 5% de Cu e 0. 3.8% de Si. cobre (Cu) ou cromo (Cr). Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. É possível também combinar elementos de liga. principalmente na construção de aviões. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado.5 a 1% de Mn e 0. No caso de peças de formas complicadas. São facilmente moldadas. em geral. . Cláudio R. Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). Após este tratamento. Estas ligas de alumínio podem.1. após a têmpera. óleo ou sais fundidos. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. endurecer por revenido à temperatura ambiente. o envernizamento e a esmaltação. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem. a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa. Depois de passar por tratamento térmico. têm elevada resistência à corrosão. Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. estanho (Sn). porém. com maior tenacidade. Neste caso deve-se usar água a100 oC. além de pequenas porcentagens de Fe. níquel (Ni) etc. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções. 13% de Si. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si.composição eutética . a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada. tais 76 .

estanho (Sn). essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. após a têmpera. níquel (Ni) etc. em geral. Dr. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente.5 a 1% de Mg e 0. óleo ou sais fundidos. O duralumínio contém em média 2. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular.5 a 1% de Mn e 0. Cláudio R. além de pequenas porcentagens de Fe. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada.8% de Si. São usadas na construção civil. Em outros casos.4 . Depois de passar por tratamento térmico. titânio (Ti).5 a 0. Após este tratamento. endurecer por revenido à temperatura ambiente. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa. o envernizamento e a esmaltação.5 a 5% de Cu e 0. chumbo (Pb). No caso de peças de formas complicadas. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). principalmente na construção de aviões. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções. Por 77 . cobre (Cu) ou cromo (Cr). Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Figura 3. fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. Estas ligas de alumínio podem.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado. Neste caso deve-se usar água a100 oC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

para o alumínio puro.6834 conforme o principal elemento de liga presente em sua composição. • O segundo dígito. a ABNT e outras associações de normas técnicas classificaram essas ligas de acordo com o processo de fabricação e a composição química. Tanto as ligas para conformação.6834). Foram divididas em ligas para conformação (ou dúcteis) e 1igas para fundição. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. indicam o teor de alumínio acima de 99%. Cláudio R. Designação Indicação na composição da série 1XXX 99% mínimo de alumínio 2XXX Cobre 3XXX Manganês 4XXX Silício 5XXX Magnésio 6XXX Magnésio e silício 7XXX Zinco 8XXX Outros elementos 9XXX Série não utilizada Pela norma citada (NBR . Dr. Ligas de alumínio para conformação. as ligas para conformação devem ser bastante dúcteis para serem trabalhadas a frio ou a quente pelos processos de conformação mecânica. as ligas são comercializadas sob a forma de laminados planos (chapas e folhas).NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO Para organizar e facilitar a seleção das ligas de alumínio. Desta forma. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. para o alumínio puro. quanto as ligas para fundição seguem um sistema de designação de acordo com a norma da ABNT NBR . Essa divisão foi criada porque as diferentes ligas têm que ter características diferentes para os diferentes processos de fabricação. • O terceiro e o quarto dígitos. se for diferente de zero. As ligas para fundição devem ter resistência mecânica.3. 78 . barras. os materiais para conformação mecânica são indicados por um número de quatro dígitos: • O primeiro classifica a liga pela série de acordo com o principal elemento adicionado. identificam as diferentes ligas do grupo (é um número arbitrário). Para as ligas. 3. fluidez e estabilidade dimensional e térmica para suportar os diferentes processos de fundição. arames. indica modificações nos limites de impureza: 0 (nenhum controle) ou l a 9 (para controle especial de uma ou mais impurezas). Após passarem por esses processos. Losekann Direitos autorais reservados exemplo. Quando se referem às ligas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. perfis e tubos extrudados e peças forjadas. indica qualquer modificação na liga original.2 .

O segundo e o terceiro dígitos indicam centésimos da porcentagem mínima de alumínio (para o alumínio puro) ou diferentes ligas do grupo.X 99% mínimo de alumínio Cobre Cobre e silício e ou magnésio Silício Magnésio Série não utilizada Zinco Estanho Outros elementos • • • O primeiro dígito classifica a liga segundo o elemento principal da liga.Sem controle especial de impurezas.99. O dígito após o ponto indica a forma do produto: 0 . Ligas de alumínio para fundição.X 6XX.X 2XX.Lingote.para alumínio reciclado.X 4XX.manganês).Com controle especial de impurezas (modificado). Losekann Direitos autorais reservados Exemplos: 1 . 4 .cobre.35% de alumínio.Alumínio comercialmente puro. Designação Indicação na composição da série 1XX. Dr.0 3 . Para conformação M1A CS41A CG30A CG42A GS10A GS11A ZG62A Para fundição C4A CG100A CN42A CS72A G8A G10A SN122A 79 . M . 70 . As letras indicam os principais elementos (C.X 9XX. 80 .para peças fundidas. 2) Liga de alumínio 5470 5 . Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.X 3XX. 0 .Alumínio com magnésio.X 5XX. G . 1 . 35 . 19 . A ASTM designa as ligas de alumínio com letras e números. 2) Liga de alumínio 580. Z .zinco.Peça fundida.silício. S .Alumínio com magnésio.X 8XX.X 7XX. 0 . 1 para lingotes e 2 .É a liga de número 19 desta série.magnésio. Exemplos: 1) Liga de alumínio 319.É a liga de número 70 desta série. N níquel.É a liga de número 80 desta série.Alumínio com silício/cobre ou magnésio.1 5 .

1% de Sb e 10% Zn. Aproximadamente 3. vieram a ser descobertos a prata e o chumbo. Por isso. de aeronaves. Em contato com o ar seco e em temperatura ambiente. Em relação a outros metais.. 393 milhões de toneladas de metal. Elementos indesejáveis em jazidas de cobre compreendem o Bi. estirado ou estampado. É um metal dúctil e maleável que pode ser laminado a frio ou a quente. em depósitos de grande porte e lavra subterrânea.. nos Estados Unidos da América do Norte e no Chile. Estima-se que somente 4. a civilização veio a conhecer o ouro e a liga mais antiga que existe. distribuídas com a maior percentagem na Rodésia. o cobre foi o único metal conhecido pelo homem. para muitas aplicações. tendo sido encontrado vestígios de seu uso no norte do Iraque. Isso o torna mais frágil. ele adquire um endurecimento superficial que aumenta sua resistência. e é um excelente condutor de eletricidade e calor. tendo assim muitas aplicações inclusive. Porém em contato com ar úmido ele se recobre de uma camada esverdeada.083 ºC. os teores mínimos situam-se entre 0. O cobre é um metal não-ferroso e não magnético que se funde aproximadamente 1. o cobre é um material relativamente escasso na crosta terrestre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o que é corrigido com o tratamento térmico. utilizadas na arte. o cobre não se oxida. São Paulo. Durante aproximadamente 5. Losekann Direitos autorais reservados 4 .C. conhecida por azinhavre ou zinabre (hidrocarbanato de cobre).000 anos a.C. aproximadamente.000 anos.COBRE E SUAS LIGAS 4.5%. A primeira utilização do cobre conhecida é datada de 8. 80 . O Brasil tem jazidas de cobre no Rio Grande do Sul. 2% de As.1 .7% de Cu. utensílios e na guerra.700 anos a. o cobre vem sendo substituído pelo alumínio.000 anos atrás. a cerca de 10. a 3%. instrumentação e indústria química. Para lavra a céu aberto. Cerca de 50% da produção mundial do metal é consumida pela indústria eletrônica. até o advento do ferro.5 e 0. o bronze (Cu-Sn). O teor de cobre. porém diminui sua maleabilidade. decoração. O azinhavre impede a oxidação do cobre.INTRODUÇÃO O cobre foi o primeiro metal usado pela civilização.007% em toda a crosta.000 anos a. Dr. seguida da construção naval. cujo teor não deve exceder de 0. Goiás e Bahia. não deve ser inferior a 1% de Cu e em depósitos de pequeno porte. automotiva. sendo encontrado aproximadamente 0. Cláudio R. O bronze teve absoluta supremacia durante séculos. As reservas mundiais de cobre são estimadas em. pois pode ser encontrada junto na natureza.C. Ao ser laminado a frio.

e vão para o fundo do tanque......... Realizado essas etapas. formam um lodo. Refino. Losekann Direitos autorais reservados 4.. 3....1 – Beneficiamento do cobre.. Trituração e moagem.. Na base desse equipamento existe uma entrada por onde o ar é soprado.2 ..5 mm. resta em torno de 1% do 81 .... As partículas que não contêm cobre são encharcadas pela solução de água e produtos químicos...... a) b) Figura 4.... 48% de Cu Cuprita (Cu2O) ....... os filoneanos e os das séries sedimentares e os principais minerais de minério de cobre são: Calcopirita (CuFeS2) ... 80% de Cu Covelina (CuS). Flotação ou concentração........ A) Trituração do minério.. Extração do minério... Obtenção do mate.. os de cobre pórfiro.... 66% de Cu Bornita Cu5 FeS4 ..UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.. B) Flotação O minério de cobre e moído em moinho de bolas para reduzir o seu tamanho entre 0.. 6... Essa etapa chama-se flotação ou concentração........... 89% de Cu Os minérios devem passar por um processo que é composto por várias etapas como: 1..PRODUÇÃO DE COBRE Os principais tipos de depósitos de cobre compreendem os de segregação magmática.... 5.... os de escarnitos. 34% de Cu Calcosita (Cu2S) . ele passa por um triturador giratório que irá reduzir o tamanho do mineral ao equivalente ao de uma bola de futebol. Cláudio R.. o sulfeto de cobre e o sulfeto de ferro fixam-se nas bolhas de ar sopradas.... 2..05 e 0. Como o minério sulfuroso flutua............. formando uma espuma concentrada na superfície do tanque.... chamado ganga.. Obtenção do cobre blíster. a qual é recolhida e desidratada.. 52-65% de Cu Enargita (Cu3AsS4) . porque não se mistura na água.. Dr.. o minério moído é colocado em uma máquina cheia de água misturada a produtos químicos... os vulcanogênicos... Em seguida... Após ser extraído o minério da natureza. 4...

e também metais nobres como ouro e prata. quando se obtém um concentrado com 15 a 30% de cobre. Losekann Direitos autorais reservados material inicial. O cobre passa a ter 99. Figura 4. A seguir. o concentrado é levado a um forno de chama direta chamado revérbero. Na refinação térmica. Depois. chumbo.Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica. O material resultante passa a ter entre 35 e 55% de concentração de cobre e é chamado de mate. 82 . No conversor. podendo ser térmica ou eletrolítica. e apresenta uma pureza entre 98% e 99. A última etapa é o refino do blíster. o enxofre que sobrou também é eliminado sob a forma de gás. bismuto.3 . o blíster é fundido e parte das impurezas restantes é eliminada.Esquema do forno revérbero e obtenção do mate.9% de impureza sendo o mais utilizado comercialmente.. níquel etc. Figura 4. o ferro se oxida e se une a sílica para ser transformado em escória que é eliminada.5% de cobre. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 . O cobre bruto obtido nesta etapa recebe o nome de blíster. com impurezas como antimônio. O mate é levado aos conversores para oxidação para retirar o enxofre e o ferro. A maior parte do enxofre e de impurezas como arsênico e antimônio são eliminados. Dr. A etapa seguinte é a decantação e filtragem.

ferro. é conveniente efetuar um recozimento para ir eliminando o endurecimento obtido. o fósforo. torna o metal frágil. O cobre comercial contém sempre impurezas que vão influir nas suas propriedades físicas. estanho. níquel. bismuto. O oxigênio forma dióxido cuproso (Cu2O) solúvel no metal líquido e pode dar o eutético Cu-CuO2 que funde em torno de 1. Cláudio R. zinco. As principais impurezas que podem existir no cobre são a prata. selênio. dependem do processo de fabricação. A redução de condutividade é devida a deformação da rede cristalina provocada pelos átomos das impureza. Tem tendência a dissolver certos gases como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de carbono (CO2) que. por isso. 83 . antimônio. O cobre mais puro ( > 99.4 . a não ser que o trabalho de deformação é realizado a quente.PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS As propriedades mecânicas do cobre favorecem a conformação a quente (forjamento.065 oC e que. o ferro e o arsênio. em particular na condutividade elétrica. endurece facilmente e tanto mais quanto maior for a deformação e. oxigênio. Por exemplo. laminação).04% de fósforo reduz a condutividade a 75% em relação ao cobre puro. chumbo. Estas impurezas.900 kgf/mm2 (119 GPa). etc. O cobre é dúctil e maleável a frio. de acordo com a sua estrutura cristalina. depositando-se nos contornos de grão. Os valores da dureza e da resistência à tração são bastante diferenciados entre as temperaturas baixas e as temperaturas elevadas. cobalto. laminação) e a conformação a frio (trefilação. 0. a qual dificulta o transporte dos elétrons. arsênio. Losekann Direitos autorais reservados 4. Também dissolve o oxigênio. enxofre.99%) é obtido por eletrólise. e nas propriedades mecânicas. Por deformação a frio. particularmente. O módulo de elasticidade longitudinal médio é de 11. durante a solidificação produz poros. diminuindo o limite de elasticidade muito rapidamente acima de 200 oC. de cuja natureza e teor.3 . mesmo em quantidades pequenas atuam prejudicialmente sobre a condutividade elétrica. Figura 4.Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr.

não dando qualquer proteção.106. Resiste muito bem a água do mar. o cobre não se altera ao ar seco. em uma atmosfera redutora.K Calor latente de fusão: 200 . a = 0. A presença de hidrogênio.cm-1. mas reveste-se de uma camada esverdeada no ar úmido. mas não se passiva e as películas formadas pelos produtos de corrosão são pouco resistentes.10% e o total de impurezas inferior a 0. Aplicações As aplicações mais importantes do cobre são conseqüências da elevada condutividade elétrica e boa resistência a corrosão.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.10-8 Ω. pode reduzir o óxido de cobre com formação de vapor de água e tornar o metal poroso e frágil.57 g Peso específico: 8. Dr.208 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 350 . oC-1 [390 .4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 122 .128 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 28 a 40 MPa Tenacidade a ruptura: 100 .95 µΩ.35 Dureza: 43 a 46 HB [430 a 460 MPa] Módulo de cisalhamento: 45.95.94 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC.0.34 .360 nm Ponto de fusão: 1. Cláudio R.25 % Coeficiente de Poisson: 0. sobretudo em presença de dióxido de enxofre (SO2) e de ácido sulfídrico (SH2).23 .cm [1. Tem um potencial de dissolução cujo valor se situa entre os metais nobres.47.8 x 10-6/ oC [16.0.4%.083 oC [1. Assim.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 145 a 160 MPa Propriedades químicas O cobre puro apresenta boa resistência a corrosão.398 W/m. Tratamentos térmicos Esta fragilidade pode ser eliminado por meio de recozimentos e forjamento feito convenientemente.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 1. sofrendo ataque uniforme em torno de 1 µm/ano.356.94 cal.360 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 16.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8. A aplicação principal é para 84 .387 J/kg.15K] Ponto de ebulição: 2.1 . Por estes motivos o teor de oxigênio deve ser inferior a 0.K] Calor específico: 383 .360K Constante dielétrica: Não se aplica Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.7 MPa.s-1. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Massa atômica: 63.m1/2 Tensão de compressão: 28 .

Dr. podem ser monofásicas (α) ou bifásicas (α + β) as ligas de cobrealumínio. ligas. α) todas as ligas de cobre e níquel. cobre-zinco e cobre-estanho considerando apenas as ligas em que os teores do segundo componente têm interesse industrial. ou seja. Cláudio R. Sua temperatura de fusão varia de 800 ºC a 1. corte. o latão é conformado por estiramento. boa resistência mecânica. O latão que tem entre 40 à 45% de zinco. Losekann Direitos autorais reservados fabricação de condutores elétricos. resistência mecânica. Quando contém até 30% de zinco. quer no estado líquido quer no estado sólido. condensadores e tubulações para água do mar.070 ºC. é usado na fabricação de barras para enchimento.3. Com os outros três componentes há formação de diversas fases intermediárias à medida que os teores vão aumentando. excelente resistência à corrosão. o alumínio e o estanho. aceita quase todos métodos de conformação. Está liga é utilizada em moedas.1 . o zinco. Pode ser fundida. Igualmente a adição de um terceiro componente dá lugar a constituintes duros e frágeis que comprometem a tenacidade da liga. e usinagem. forjada e estirada ao frio. trocadores de calor. pois depende do teor de zinco que apresenta. melhora a resistência mas piora a ductilidade e logo que a liga contenha outras fases. etc. ferragens. conforme mostra o quadro abaixo: Porcentagem 2 10 de zinco ( % ) Cor Cobre Ouro velho 15 a 20 30 a 35 40 Amarelo claro Avermelhado Amarelo brilhante 85 . Os elementos que.1 . resistência a corrosão. dobramento. geralmente. boa condutora de eletricidade e calor. bijuterias. pode se unir por solda de estanho e solda de prata. mais entram na composição das ligas de cobre são. por ordem decrescente de solubilidade. Apenas no caso do níquel a solubilidade é total. então. radiadores de automóveis. mais baixa para a temperatura de fusão. alças de móveis. sol. medalhas. É uma liga dúctil. monofásicas (sol. A cor do latão varia de acordo com a porcentagem de cobre que a liga apresenta. usinabilidade ou até para obter uma cor especial para combinar com certas aplicações. O aparecimento de uma segunda fase. Em maior ou menor proporção diversos elementos são miscíveis com o cobre no estado sólido e dão lugar a uma solução sólida α. a quente e frio.3. fechaduras. a liga deixa de ter interesse industrial dada a sua elevada fragilidade.Latão É uma liga formada por cobre e zinco sendo que a quantidade de zinco pode variar de 5% a 45%. 4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.LIGAS DE COBRE Cada elemento adicionado o cobre permite obter ligas com diferentes características tais como: maior dureza. a fase β. cartuchos. etc. quanto maior.1. usadas na solda forte de aços-carbonos e outros mais. além de α e β. 4. a microestruturas idênticas as que correspondem a ligas tenazes e dúcteis. São. o níquel. doce e vapor saturado.

7% e. É usado no lugar do bronze para fabricar molas. mas os teores admissíveis dependem do fim a que se destina a liga. Quando latão ao alumínio é utilizado na solda e na fundição.89 x 10-8 ohm.34 -0.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16. quando em estado líquido e. o níquel.500 MPa Tenacidade a ruptura: 30 . A influência deles são: Chumbo: Acima de 0.002% respectivamente para trabalhos a quente. É o elemento mais utilizado para obter latões de alta resistência.5 . Manganês: Forma solução sólida e aumenta a solubilidade do ferro no latão. o estanho. devem ser limitados a 0. aparece um filme de óxido de alumínio. Para melhorar a resistência mecânica e a corrosão do latão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. além de melhorar a refletividade. o manganês e o silício.8 kgf/dm3 Calor específico: 372 . em presença de silício. diminui a resistência mecânica.0.383 J/kg.220 W/m. Ferro: Terores acima de 0. Dr. É empregado na fabricação de peças para construção de barcos. destrói a coesão da liga.150 . Quanto as propriedades mecânica.8 a 8. Silício: Melhora a fluidez.3. É resistente à corrosão em atmosferas marinhas.m1/2 86 . Alumínio: Influencia na resistência a tração. Sua adição é limitada pelo aparecimento da fase γ.55 % Coeficiente de Poisson: 0.86 MPa.8 a 1.02% e 0. Cláudio R. Melhora a resistência à corrosão por cavitação.480K Resistividade: 3. outros elementos de liga são adicionados em sua composição como: o alumínio. Para terores acima de 0.20. só e perceptível com teores acima de 2% e pode apresentar o composto metálico FeZn10.K Ponto de fusão: 1. aumentando a fragilidade.09 . mas diminui a ductilidade quando é usado teores acima de 1%. Entre 0. Por exemplo. Níquel: Dá a cor prateada no latão. é utilizado na fundição por injeção. Estanho: Aumenta a resistência à tração.1% pode criar descontinuidades na estrutura da liga favorescendo a usinabilidade e em proporções superiores a 3%.000 MPa Módulo de cisalhamento: 33 . Losekann Direitos autorais reservados Diversos elementos químicos podem ser adicionados em sua composição. Aumenta a resistência a corrosão.25% facilita a introdução do chumbo. que no interior da liga. o ferro. de baixo ponto de fusão. Propriedades físicas Peso específico: 7.340K Temperatura máxima de serviço: 370 .K Calor latente de fusão: 220 . casquilhos de mancais.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 90 .35 Dureza: 460 .3% refina o grão.05 .7 x 10-6/K Condutividade térmica: 110 .1. por isso. o chumbo e o bismuto. que diminui a resistência a corrosão por águas salinas e aumenta a tendência a fratura intergranular.20. É utilizado nos latões de alta resistência mecânica. há formação de manchas escuras.120 GPa Limite elástico: 70 .

36.46. acima. com percentagens de zinco que variam de 10 a 45%. as ligas utilizadas são as ligas monofásicas α ou β e as bifásicas α + β’.5 46.32. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 70 .6 γ 36. Entre 470 oC e 453 oC a fase β sofre uma transformação ordem ⇔ desordem. Cu5Zn8. Muitos dos elementos que se adicionam aos latões modificam a sua microestrutura. decrescendo depois até a temperatura ambiente. A fase β atribui-se a composição CuZn e a fase γ.6 . Industrialmente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Do diagrama de fases da liga Cu-Zn.56. fazendo aparecer mais cedo o constituinte β.6 A estrutura cristalina da fase α é cúbica de face centrada (CFC) e a das fases β e γ é cúbica de corpo centrado (CCC). Dr. Deve-se ainda notar que a solubilidade do zinco na solução sólida α aumenta até à temperatura de 453 oC (29%).0 % Zn α+β 32. 87 .50.850 MPa Constituição Figura 4. Cláudio R.4 .5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn.8 36. ambiente α 0 .5 0 .500 MPa Tensão de ruptura por tração:150 . Dado que a fase γ é demasiado frágil e as ligas com interesse industrial ficam limitadas as de teor de zinco inferior a 50%.0 . aparecendo a forma ordenada β’.36.8 . Após solidificação Temperatura. aparece as seguintes fases do latão comercial. exceto o níquel que tem efeito contrário.

Endurecem fortemente por deformação a frio e necessitam. após a transformação ordem-desordem torna-se repentinamente macia e. alcançando o máximo para 100% desta fase e passando a diminuir logo que aparece a fase frágil γ. 88 .9% [fase α + Cu3Sn]. A resistência ao impacto no intervalo de 350 oC a 650 oC é extremamente baixa. Cláudio R. Este fato torna estas ligas facilmente conformados a quente. a fase β’ é mais dura que a fase α e pouco deformável a frio. Figura 4. a 800 oC. a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]. b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] . a resistência e o alongamento aumentam com o teor de zinco. mas a resistência a fluência a temperaturas elevadas. mas tem boa resistência a corrosão por águas salinas.12% Pb 1. No entanto a 470 oC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. é muito mais fácil de deformar do que o constituinte α. Cu-Zn 24. Apenas se usa a liga com 50% de Zn devido ao seu baixo ponto de fusão para união de metais por brasagem. Acima de 500 oC a maleabilidade é fraca.4% Pb 2. o alongamento diminui. Losekann Direitos autorais reservados Latões α: Nas ligas monofásicas. laminadas a quente entre 650 e 800 oC. CuZn 34% Mn 1. por isso. este último com um máximo de 30% de Zn.7% Ni 3. é superior é das ligas bifásicas. À temperatura ambiente. sendo. Latões β + γ : As ligas bifásicas β + γ são duras e extremamente frágeis. de recozimentos freqüentes. tal como o cobre. mas a resistência e a dureza aumentam com a proporção da fase β. os latões α são ainda particularmente sensíveis ao tamanho de grão. Latões α + β: Nestas ligas bifásicas.7% Sn 2.6 – Micrografias de latões. Estas ligas têm uma boa aptidão a conformação a frio.92% [fase α + nódulos de Pb]. Dr.

as propriedades de um latão dependem da relação dos volumes das fases presentes. 89 . Suprime-se assim a fase α que pode precipitar no resfriamento segundo certos planos cristalográficos da fase β inicial ou nos contornos de grão. e talvez o chumbo. de modo a obter um grão uniforme e adequado aos tratamentos mecânicos. Tratamentos térmicos Os tratamentos mais usados são os de recozimentos para recristalização e os de alívio de tensões que se efetuam nos produtos endurecidos por deformação a frio. sobretudo para eliminar as tensões residuais provocadas nas ligas bifásicas α + β’ após deformação a frio. As tensões residuais sensibilizam os latões a um tipo particular de corrosão trincas espontâneas .7 . A figura abaixo mostra a correlação existente entre a composição de zinco e as propriedades mecânicas. o que aumenta a resistência. aptidão a niquelagem e a cromagem.que se manifesta por fratura intergranular em ambientes corrosivos fracos como a atmosfera ambiente e pode ser acelerada pela presença de certos elementos como o ferro. mas diminui a ductilidade. portanto. Estes latões podem recuperar-se por recozimento a 800 oC após deformação a frio.Diagrama do comportamento mecânico dos latões. Figura 4.650 oC. usinabilidade (sobretudo com adição de chumbo). Losekann Direitos autorais reservados As principais propriedades com interesse técnico são: resistência a corrosão. e certos reagentes coma o amoníaco. a estrutura dos latões é dendrítica e. Dr. aptidão a brasagem. zonada e torna-se necessário um recozimento para homogeneização a 600 . Desta forma. O aquecimento de latões dá lugar a alteração da superfície devido a oxidação e volatilização do zinco. aptidão a conformação a frio (latão α). O primeiro permite prosseguir a operação de conformação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Quando o recozimento é efetuado acima de 700 oC aparece grão grosso e após a deformação reconhece-se pelo aspecto da superfície “casca de laranja”. O alívio de tensões é efetuado em torno de 300 oC durante 1 hora. Pode-se aplicar têmpera nas ligas Cu-Zn 40 a partir de 600 oC em que a liga se encontra na fase β. aptidão a conformação a quente (latão β). Cláudio R. Após o vazamento.

na construção mecânica. sendo que a quantidade de estanho pode chegar até 20%. pregos e parafusos. Só se usa em casos especiais. evaporadores e aquecedores. rebites. Este bronze possui 98. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações Dada a variação da resistência a corrosão e das propriedades mecânicas com o teor de zinco.005% pode apresentar de zonas de porosidade devidas a retração ou à retenção de gases pela película de alumina. na fabricação de cartuchos. prejudicando a laminação.Bronze É uma liga formada por cobre e estanho. Pertencem a este grupo entre outros as seguintes ligas: .Cu-Zn 15. O bronze apresenta elevada dureza e boa resistência mecânica a corrosão. devido à semelhança da sua cor com o ouro. Atualmente a proporção de estanho que é adicionada ao cobre é de até 12%. . usada para medalhas. na indústria elétrica. sendo que estas quantidades variam de acordo com as propriedades que se quer aproveitar. usada em imitações de joalharia. . chama-se bronze fosforoso. nas cápsulas e rosca das lâmpadas.Cu-Zn 30. Os latões α se destinam especialmente a laminação a frio.Cu-Zn 5. A liga de cobre e estanho que é desoxidada com fósforo. Dr. tubos.1. As ligas com esta faixa de estanho (10%) são usadas para fabricação de parafusos e engrenagens para trabalho pesado.8 . Antimônio: Dá com o cobre diversas fases intermediárias que aumentam a dureza mas igualmente a fragilidade. 4. Cláudio R. recalcamento. O bronze com até 10% de estanho pode ser laminado e estirado e tem alta resistência a tração. e também é um bom condutor elétrico. sendo facilmente unido por meio de solda. e para artigos obtidos por conformação. geralmente. utilizada em trocadores de calor.3.04%. Figura 4. limitado a 0.2 . 90 . prensagem e forjamento em matrizes.3% de estanho.7% de cobre e 1. as aplicações de latões são bastante diversificadas. química e de papel. fabricação de tubos e prensagem. Bismuto: Causa fragilidade devido a formação de uma película intergranular para teores superiores a 0. moeda e objetos decorativos e ainda pequenos cartuchos de amas. O seu teor é. mancais e componentes que suportam pesadas cargas de compressão. forte. O bronze também pode receber pequenas quantidades de outros elementos cuja influência é descrito abaixo: Alumínio: Com 0. estiragem. Podem ser conformados por dobramento. de solda prata.Aplicações dos latões.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3%. a corrosão e à fadiga. componentes para industria têxtil.

6 % Coeficiente de Poisson: 0.19.340K Temperatura máxima de serviço: 420 .90 MPa. Melhora a fluidez no estado líquido visto que abaixa o ponto de fusão. portanto. duro que vem.0. Zinco: Diminui a dureza da solução sólida α o que se aproveita na cunhagem de moedas e medalhas.m1/2 Tensão de compressão: 65 . cinco pontos peritécticos. e η. β. e para teores de estanho de 0% a 13.700 MPa Tensão de ruptura por tração:140 . Cláudio R. Por este motivo o teor de chumbo nos bronzes está limitado a 30%.K Ponto de fusão: 1. devido à diferença de densidade.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.K Calor latente de fusão: 220 . γ. aumenta a quantidade de eutectóide.800 J/kg.5%.3% de P e 10% de Sn forma-se o constituinte Cu3P.35 Dureza: 460 . Losekann Direitos autorais reservados Chumbo: O cobre e o chumbo não são miscíveis no estado líquido para teores de chumbo de 36 a 92.5%.19 x 10-6/K Condutividade térmica: 50 . não é praticamente solúvel no bronze α.1. em geral. a 799 oC.500 MPa Tenacidade a ruptura: 24 .46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 70 . Esta solubilidade aumenta até 15.2. mas facilita a usinagem: Ferro: Endurece e torna os bronzes frágeis com teores superiores a 0. em porcentagem superior a 2% prejudica a resistência mecânica.5 a 9 kgf/dm3 Calor específico: 140 . reduzindo a solubilidade do estanho na solução sólida α. a estanqueidade das peças fundidas.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. um ponto eutéctico e quatro pontos eutectóides.34 -0. Comporta sete fases α. Para teores de 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 . δ. Para ligas com 13.08 .800 MPa Constituição A figura 4. dá-se a 799 oC uma reação 91 . lugar a heterogeneidades difíceis de evitar.90 W/m.400 MPa Módulo de cisalhamento: 25 . Embora. Dr. forma-se a solução sólida α de estrutura cristalina cúbica de face centrada. Propriedades físicas Peso específico: 8.02 .450K Resistividade: 7.140 .5% < Sn < 25.2%.5%. em proporção limitada (< 4%). facilita o vazamento e melhora o aspecto superficial da peça (ausência de porosidade) e. dando. Aumenta a dureza visto que. Fósforo: Entra na composição de bronzes bifásicos cujos constituintes são a solução sólida α e o eutectóide. entretanto.120 GPa Limite elástico: 65 .95 x 10-8 ohm. a presença de 1% de níquel tende a uniformizar a distribuição dos glóbulos de chumbo na matriz. ε. Mesmo em teores baixos prejudica a laminação. ξ.8% de Sn à temperatura de 520 oC para se reduzir progressivamente a 1% à temperatura ambiente.9 representa o diagrama de equilíbrio do sistema de ligas cobre e estanho. Após solidificação. associado a fase α.

o limite entre os dois domínios é marcado aproximadamente pela linha pontilhada no diagrama. na prática. a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]. b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] . neste intervalo as ligas podem ser bifásicas. Pb 5%. c) Cu-Sn 10%. a) b) c) Figura 4. As ligas fundidas estão fora de equilíbrio e tem uma estrutura α + eutectóide (α + δ).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Entretanto. Cláudio R. Os bronzes industriais. por sua vez. ou pelas fases α + δ. O limite entre estas duas estruturas parece tender para a do cobre quando a temperatura abaixa. a fase β transforma-se em γ a 586 oC e esta. γ → α + β . ou monofásicas.10 . a 520 oC sofre a transformação eutectóide (27% de Sn). Por outro lado. a estrutura α + ε só se obtém depois de tratamento térmico prolongado a baixa temperatura nas ligas de até 15% de Sn.Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn. Assim. muito duro e frágil. Dr. α + β. Figura 4. são então constituídos à temperatura ambiente ou só pela fase α.Micrografias de bronzes. em que Sn é menor que 20% (com exceção dos destinados a sinos). Por resfriamento. A solução sólida intermediária γ é de estrutura cúbica de faces centradas e o constituinte parece ser o composto intermediário Cu31Sn8. 92 . a não ser que por têmpera se mantenha a fase β à temperatura ambiente. fase γ. como o equilíbrio é difícil de se obter. o grande intervalo de solidificação dá lugar a zonamento pronunciado e a difusão é tão lenta que o constituinte δ chega a aparecer em fundições com 7% de Sn.9 . β. para fase ε atribui-se a composição Cu3Sn. se transforma a 723 oC em ferrita e cementita. monofásicas. tal como nos aços. Losekann Direitos autorais reservados peritéctica de que resulta o aparecimento da fase β. solução sólida de estrutura cúbica de corpo centrado. a austenita. mas o equilíbrio não é atingido a baixa temperatura senão em condições especiais (endurecimento a frio e recozimento prolongado) e.

mantendo-se a fase β à temperatura ambiente. Bronzes α + ε: Estas ligas têm boas propriedades autolubrificantes. devido a menores retrações. a não ser após recozimentos prolongados para homogeneizar a solução sólida. no que se refere a homogeneização da matriz do que os latões. aconselhado visto que há outras ligas mais baratas que os bronzes com propriedades equivalentes obtidas por este tratamento. ao contrário do que acontece nos aços. Losekann Direitos autorais reservados Deste fato resulta que. apresentar um elevado limite de elasticidade. mas a partir deste valor as ligas tornam-se cada vez mais frágeis e duras devido à presença da fase δ. Aplicações As qualidades autolubrificantes e boa resistência à corrosão são as principais aplicações dos bronzes. em geral. a 7% nas ligas destinadas a fabricação de fios. a dificuldade de usinagem e boas qualidades de fundição levam a utilizá-los principalmente sob a forma de peças fundidas: 93 . É uma têmpera martensítica em que as fases são α ou α + β de acordo com o teor de estanho. por deformação a frio podem adquirir características mecânicas interessantes. Dado o intervalo de solidificação. resulta de. por têmpera. são mais caras. No entanto. sólida α). enquanto que os outros bronzes só podem ser trabalhos a quente acima de 600 oC para se obter as soluções sólidas α e β. do que resulta melhor resistência e facilidade de deformação devido ao fato de. Se efetua têmpera nos bronzes com mais de 13% de Sn para evitar a precipitação da fase δ. Por isso é limitado a 4% na fabricação de tubos. De um modo geral. No entanto. as ligas de alto teor de estanho são deformáveis a quente (fases α + β) ou deformáveis a frio após recozimento e têmpera. No que se refere às propriedades mecânicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em contrapartida. estas ligas têm boa resistência ao desgaste e muito boa soldabilidade. mas para folhas laminadas pode alcançar 10%. Por este motivo ligas com teores de Sn maiores que 7% são usadas apenas em fundição. Tratamentos térmicos O recozimento é amplamente utilizado para homogeneizar os produtos fundidos e para redução de dureza devido ao encruamento por deformação a frio. o teor de estanho deve ser tanto mais baixo quanto o trabalho for mais difícil. que e aproveitada na fabricação de molas. Dr. verifica-se que melhoram com o teor de estanho até 13% (sol. Uma dessas propriedades mais interessantes. a estrutura α + δ. visto que apresentam grãos duros em uma matriz muito plástica (α). este tratamento não é. A cor dos bronzes varia apreciavelmente com o teor de estanho. Cláudio R. ligas com maior porcentagem de estanho são de difícil laminação. sendo avermelhada até 5% e amarelo claro acima de 15%. após endurecimento a frio. Assim. o material fica mais macio dada a ausência da fase δ. as peças fundidas de bronze são melhores. Por outro lado. Bronzes α: São maleáveis a frio e a quente. Da mesma forma pode-se evitar.

engrenagens e ferramentas para conformação de plásticos. Por sua alta resistência mecânica e propriedades anti-faiscantes. Cláudio R. instalações criogênicas. evaporadores e trocadores de calor. Podem funcionar sem lubrificante e suportam cargas maiores que as ligas antifricção. Bronze ao silício: Com até 4% de silício. alta condutividade elétrica e alta dureza. Figura 4. Bronze ao zinco: Corresponde a composições de até 2% de zinco e esse teor é sempre inferior ao de estanho. .3% a 1%.As ligas de 4% a 10% de Sn são usadas para fabricação de medalhas e moedas. Losekann Direitos autorais reservados . tanques para água quente. possui alta resistência a corrosão e à fadiga.11 . componentes de torres de resfriamento. pregos. parafusos.5% de Zn são empregados na fabricação de moedas e medalhas.5% de Sn e 1. podendo o teor de estanho atingir 30% com baixos teores de zinco e de chumbo. casquilhos. conservando a tenacidade. hastes e hélices mavais. tubos para trocadores de calor e caldeiras. . discos de fricção. apresenta alta resistência à ruptura e alta renacidade. Bronze ao fósforo: São também chamados bronze fosforoso. Com o desenvolvimento da tecnologia foram criados os bronzes especiais que contém pouco estanho ou que não contém estanho. essa liga é indicada para equipamentos de soldagem e ferramentas elétricas não faiscante. Os bronzes com teor acima de 20% de Sn são usados para fabricação de sinos onde a sonoridade parece estar relacionada a fase δ (Cu31Sn8). Nas ligas destinadas a fundição o estanho varia de 5 a 13% e o fósforo de 0. Estas características são adquiridas após o tratamento térmico. Usam-se para peças de máquinas resistentes ao desgaste ou sujeitos a esforços elevados como rodas dentadas. 94 .Aplicações do bronze.As ligas de 10% ou 12% de Sn são usadas para fabricação de torneiras. acessórios de tubulações. recipientes para industria química. na fabricação de tubos de condensadores. As ligas de 3. Bronze ao chumbo: Os teores de chumbo podem variar de 8 a 20% e até 30% e o estanho até 10%. É usado para fabricação de peças para a indústria naval. Dr. autoclaves.As ligas de 14% ou 18% de Sn são usadas para fabricação de peças que exijam boa resistência ao desgaste por abrasão e resistência a água do mar. buchas e peças resistentes à corrosão. Bronze de alumínio: Possui normalmente 13% de alumínio. sendo que é empregado na laminação a frio de chapas resistentes a corrosão. Bronze ao berílio: Contém até 2% de berílio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Para teores de Al > 7. com cerca de 12% de alumínio.Fe . Entretanto.4% de Al a 1. temperatura bastante elevada que provoca a sua coalescência de modo que. ferro e níquel melhoram o limite de elasticidade longitudinal das ligas bifásicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O manganês melhora a fluidez no estado líquido. Cu-Al-FeNi . Cu-Al . Constituição Os do de equilíbrio relacionados com as ligas que. o domínio β reduz-se e desaparece a 565 oC dando lugar ao eutectóide α + γ2. mas.Diagrama de fases da liga binária Cu-Al.3. Losekann Direitos autorais reservados 4. domínios diagrama Figura 4. fragiliza o material e. por isso. como há dificuldade em estabelecer o equilíbrio. pode ser trabalhada a quente.Ligas de cobre-alumínio As composições mais usuais satisfazem os seguintes tipos: Cu-Al . em grandes quantidades.5%.4% por resfriamento a 565 oC. A fase γ2 é muito dura e frágil e a sua existência em pequenas quantidades aumenta a resistência da liga e. Assemelhando-se a perlita dos aços. o teor de alumínio raramente vai além de 12%.3 .4% aparece uma mistura de α + β ou só a fase β.1. mantendo-se este valor até temperatura ambiente. não se encontra a microestrutura eutéctica.5% e Fe < 2. à temperatura ambiente. O diagrama abrange os teores de 0 a 100%. Quando a temperatura baixa.Cu > 90% e Al < 10%.036 C. Cláudio R.Al > 15% e Fe + Mn + Ni < 15%. e que é do tipo lamelar. Após a solidificação forma-se solução sólida α com até 7. industrialmente têm mais interesse. como a dos latões. Al < 7.12 .Cu > 90%. a fase β aparece já para 7% de Al. As fases α + β correspondem a um eutéctico de 8. As adições de manganês. Dr. o 95 . embora as ligas industriais raramente tenham mais de 12% de Al. A fase β é mais dura e mais frágil que a fase α. porcentagem que aumenta até 9. estão representados na figura abaixo.3 % de Al formado a 1.036 oC.

semelhante ao ouro são usadas em bijuteria. Se a liga for revenida entre 350 oC a 560 oC formam-se pequenas partículas do constituinte e a estrutura é semelhante a perlita fina.6 kgf/dm3. Devido à sua cor. Destinam-se ao trabalho a quente. hélices.Instrumentos elétricos. A liga de 20% de Al. 3% de Fe. de alta resistência ao impacto (40 J Izod) e tensão de ruptura a tração 70 kgf/mm2. 96 . ser cuidadosamente desgasificada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Estes dois fatos dão lugar a forte retração na fundição e tendência notável para rechupe ou vazio. α + β → α + (α + γ2). peças de bombas. Da mesma forma a presença de alumínio dá lugar a formação de uma película de alumina na superfície do banho que pode ser arrastada para o interior e comprometer a coesão da liga. têm possibilidade de ser submetidos a tratamentos térmicos. devendo por isso a liga. sendo monofásicas (α) de teor de alumínio até 8. Ligas bifásicas. Dão estrutura maclada por recozimento. A têmpera impede a precipitação do eutectóide e o revenido dá lugar a um precipitado muito fino. As ligas de cobre-alumínio têm um módulo de elasticidade de 11 GPa e peso específico de 7. Losekann Direitos autorais reservados As ligas de cobre alumínio que se utilizam são todas hipoeutectóides. como o solidus corresponde a temperaturas mais elevadas que nas outras ligas de cobre. estas ligas resistem bem a atmosferas urbanas ou marítimas e a água doce e salina. no estado líquido. Endurecem por deformação a frio e são facilmente conformáveis a frio ou a quente. A compacidade das peças de fundição espessa. isto é.650 oC durante 2 h. Tratamentos térmicos Estas ligas. Aplicações Dadas as boas propriedades mecânicas e resistência à corrosão. Ligas de 8% de Al. recipientes para substâncias ácidas e alcalinas. aplicamse em construção mecânica. Ligas de 5 a 7% de Al . por isso. moedas.Tubos de trocadores de calor. Devido a película protetora de alumina que se forma na superfície. Estas têm um ponto de fusão relativamente elevado ( > 1. Ligas de 9 a 10% de Al . 12% de Mn . forjamento. tubos de condensadores.000 oC) e um intervalo de solidificação muito estreito. a liga mais usual é a que tem em torno de 7% de Al. Cláudio R. permitindo grande economia de material em relação a outras ligas de igual resistência. como hélices de turbinas. tal como os aços. tem características idênticas a de um aço meio doce. A têmpera martensítica realiza-se a partir da temperatura de 850 oC a 900 oC e é seguida de revenido a 550 . Ligas α: A resistência cresce regularmente com o teor de alumínio e. lamiminação ou fundição sob pressão.É a liga superstone.5% e 12% de Al. após trabalho a frio.5% (na prática 7%) e bifásicas (α + eutectóide ou α + β) as de 8. temperada e revenida. etc. (α + γ2): Têm características mecânicas mais elevadas que as anteriores com exceção da resiliência. pode ser comprometida pelos gases que tendem a desenvolver-se no decurso da solidificação. Não apresentam zona de fragilidade a quente e.

2% de Ni. pode ser transformadas em chapas.37. o parâmetro apresenta um mínimo e o peso específico de 8.94 kgf/dm3 para 32.42 . fios. As ligas de cobre e níquel são solúveis no estado líquido e totalmente miscíveis no estado sólido. Esta sensibilidade é máxima para 12% de Ni e desaparece.5 .Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni. Losekann Direitos autorais reservados 4.m): 97 .8 .5% < Fe < 1%). para 40% de Ni (0.44 1390 .240 16 .91 Peso específico (kgf/dm3): Calor específico (J/kg.1450 470 . Propriedades físicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.9 .89 384. Correspondem. etc. boa condutividade térmica. Cláudio R.8% de Mn/ 0.480 26. A partir de 20% de níquel.33 1440 .4 .384.9 80/20 20% de Ni / 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.6 220 .1% de Fe) ou para 30% de Ni ( 0.9 220 .23 1460 . O ponto de Curie desce o linearmente de 368 C (para o níquel puro) para 0 oC na liga com 31.17 19 . São sensíveis a corrosão sob tensão apenas em meio amoniacal.384.8.5% de Cr.13 . Até 30% de níquel a liga é usada em medalhas e na fabricação de resistores.7 .K): Ponto de fusão: Temperatura máxima de serviço: Resistividade (ohm.9 220 .8 . Figura 4. Podem ser unidas pela maioria dos métodos por solda forte e por solda de estanho. A estrutura da solução sólida é cúbica de face centrada. etc.K): Calor latente de fusão (kJ/kg): Coeficiente de dilatação térmica linear (10-6 K-1): Condutividade térmica (W/m.4 .5% de Mn / Cu 8.75 384. Dr.3.470 32. a liga apresenta cor branca.8.8.22.25% de Fe / 0. tiras.89 384.240 16 .5% de Si / Cu 8.17 40 . Essas ligas têm boa ductilidade. facilmente conformáveis.240 16 .17 30 .450 20.Cuproníquel As últimas ligas do cobre são aquelas que o níquel participa com 5 a 50%. resistência mecânica e a oxidação.30. São maleáveis e resistem particularmente bem corrosão.1420 420 .85 .5% de Fe / 1% de Mn / Cu 8.1510 440 .384.15 70/30 30% de Ni / 1. portanto.85 .1. As ligas com teores de níquel na faixa de 35 a 57% recebem o nome de constantan e são usadas para fabricação de resistores e termopares. sempre a soluções sólidas do tipo α. conforme o teor de ferro presente.

150 128 .0. σe = 550 MPa.0. A sua resistividade elétrica é de 41 µΩ.0. São utilizadas em molas de instrumentos.34 .1100 53.150 110 .cm e praticamente independente da temperatura no intervalo de 20 a 250 oC.5% de Mn / Cu 0.34 .38 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 .São utilizados com artigos de decoração de ourivesarias.35 0.5% de Si / Cu 0.4 . O recozimento de amolecimento é feito a 550 oC .73.5 .1650 53.3 310 .5 145 . 9% a 26% de Ni e 17 a 45% de Zn (alpacas ) .1 110 . tubos de Bourbon. Dr.0.35 1200 .310 Ductilidade (%): Coeficiente de Poisson: Dureza (MPa): Módulo de cisalhamento (GPa): Módulo de elasticidade longitudinal (GPa): Limite elástico (MPa): Tenacidade a ruptura (MPa.8% de Mn/ 0. Ligas de 35% a 50% de Ni (constantan) .7 .4 0.7 .35 1000 .120 330 .690 oC e não deve ir além de 800 oC para evitar a precipitação de carbono presente. o valor da tensão de ruptura a tração é igual a 77 kgf/mm2.São resistentes a água salina.340 70/30 30% de Ni / 1.2 . Ligas de 30% de Cu e 67% de Ni (monel ) .120 70.3. Ligas de 54% a 66% de Cu.7 . Aplicações Ligas de Ni < 25% .5 145 . e do monel extrudado.25% de Fe / 0. diafragmas e cabos 98 .3 0. Severamente deformada.140 290 .68.5 145 . Tem pouca resistência ao ácido nítrico e cianetos. e 70 HB de dureza.Moedas e tubos de condensação para água do mar.0.1. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.55.34 .14 .41.5% de Fe / 1% de Mn / Cu 0. ácidos sulfúrico.Ligas de cobre e berílio Estas ligas apresentam elevada resistência à tração e à fadiga e elevado limite de elasticidade.140 65. elevada resistência ao desgaste e a corrosão.850 53.3 128 . Figura 4. as microestruturas são idênticas. σe = 770 MPa.490 29.m1/2): Tensão de compressão (MPa): Tensão de ruptura por tração (MPa): Tratamentos térmicos Após recozimento. σe = 600 MPa.35 800 . resistência elétricas.0.7 . As características mecânicas do monel recozido são σe = 250 MPa. álcalis.55.550 80/20 20% de Ni / 0. Cláudio R.É usada em resistências elétricas e termopares.55.3 . sulfuretos de sódio. e 100 HB de dureza.490 400 .150 310 . 4.Aplicações do cuproníquel.

20 x 10-8 ohm. Cláudio R.70 MPa. Losekann Direitos autorais reservados flexíveis.K Ponto de fusão: 1.0.138 GPa Limite elástico: 110 .19.75 kgf/dm3 Calor específico: 390 . Com a composição de 1.K Calor latente de fusão: 220 .m1/2 Tensão de compressão: 110 .85 .210 W/m.52 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 120 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1200 MPa Tenacidade a ruptura: 15 .413 J/kg. moldes.25 a 8. São. produz-se uma solução macia sobressaturada que pode ser endurecida por trabalho a frio. em martelos e outras ferramentas quando é necessário propriedades não magnética.1.470K Resistividade: 15. componentes eletrônicos. componentes de alta condutividade e componentes elétricos que necessitam alta resistência mecânica. facilmente deformadas na condição de peça fundida ou temperada.34 -0.1200 MPa Tensão de ruptura por tração:300 .Diagrama de fases da liga binária Cu-Be.8% de berílio e 0. obtêm-se ligas com características interessantes após endurecimento por revenido devido a precipitação. portanto. a partir de 800 o C.5 .5 x 10-6/K Condutividade térmica: 85 .01 . Propriedades físicas Peso específico: 8.3% de Be Temperatura máxima de serviço: 330 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. A solubilidade do berílio no cobre varia com a temperatura.15 . Dr.1450 MPa 99 .45 % Coeficiente de Poisson: 0.35 Dureza: 600 MPa Módulo de cisalhamento: 45 .5% de cobalto ou níquel. São também usadas em matrizes para fundição.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16. Por têmpera. Figura 4. clipes.135K no eutéctico de 5.

6 . Só tem interesse as ligas monofásicas até 4% de Si. Considere a liga C 22000. embora menos que o cobre.Bronzes de alumínio. obtém-se resistências muito elevadas (750 MPa para 1% de Si).4% de níquel. Dr. Por endurecimento. As ligas dúcteis são designadas a seguinte maneira.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE As ligas de cobre são classificadas em dois grupos: ligas dúcteis e ligas para fundição.3. devido a trabalho a frio. São maleáveis e dúcteis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. conseguindo-se obter um valor que é 40% em relação ao cobre. Latões especiais Cobre-níquel ou cobre-níquel-zinco Alpacas C 7XXXX As ligas são identificadas pela letra C. Classe C 1XXXX C 2XXXX C 3XXXX C 4XXXX C 5XXXX C 6XXXX Liga dúcteis Designação comum Cobre puro e ligas com alto teor de Cobre cobre Cobre-zinco Latões Cobre-zinco-chumbo Latões com chumbo Cobre-zinco-estanho Latões especiais com estanho Cobre-estanho Bronzes Cobre-alumínio. 4. cobre. zinco ( especiais ) bronze de silício. Dentro de duas classificações elas ainda são designadas com sua composição química. São deformáveis a quente e a frio. São aplicadas nas linhas telefônicas. Onde está estabelecido é a NBR 7554.1. cobre-silício. Cláudio R. seguida de cinco algarismos. esse código indica que é uma liga de cobre e zinco. Losekann Direitos autorais reservados 4.2 . A condutividade elétrica é melhorada com a adição de 1.Ligas de cobre e silício Têm composições dos tipos: Cu > 95%. O primeiro ou os dois primeiros algarismos indicam a classe do material e os dois últimos referem-se a identificação desse material. é baseada na ASTM. Si < 5% e Cu > 90%.3. Classe C 80XXX a C 81100 C 81XXX a C 82XXX C 83XXX a C 84XXX Liga para fundição Cobre puro Ligas com elevado teor de cobre ( exceto 81100 ) Cobre-estanho-zinco com ou sem chumbo e com teor de zinco igual ou maior que do estanho Cobre-zinco (com ou sem chumbo ) Cobre-zinco 100 Designação comum Cobre com pequenas adições Bronzes especiais C 85XXX C 86XXX Latões Latões especiais de . Si < 3% e Al + Fe + Mn + Sn + Zn < 7%. conhecida popularmente como latão.

1 . na tabela existem várias ligas da classe 9. Cláudio R. soldabilidade aliada a uma boa resistência mecânica e tenacidade. a uma refinação eletrolítica. sendo o níquel bruto submetido. Losekann Direitos autorais reservados C 87XXX C 90XXX a C 91XXX C 92XXX C 93XXX a C 945XX C 947XX a C 949XX C 95XXX C 96XXX C 97XXX C 98XXX C 99XXX elevada resistência mecânica Cobre-silício Bronze de silício Cobre-estanho.INTRODUÇÃO O níquel comercialmente puro. de chumbo. 5 . ao de estanho Cobre-estanho com chumbo. a outras assegura módulo de elasticidade constante numa extensa faixa de temperatura. portanto C 94400 é uma liga cobre-estanho com elevado teor de chumbo ou liga de cobre-estanho-zinco com elevado teor de chumbo. O níquel é um metal que ligado a outros transmite propriedades distintas e características na liga resultante.98%. designando um bronze comum ou especial. Ni > 99.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A que foi escolhida está entre 93XXX e 945XX. cobre-estanho. chumbo e teor de zinco inferior ao de estanho Cobre-estanho com elevado teor Bronzes. é obtido por eletrólise. Seu minério é a garnierita com aproximadamente 5% de Ni. Muito importante tanto na metalurgia de ligas ferrosas quanto na de não ferrosas.Bronzes. Bronzes. É mais resistente a corrosão e oxidação do que o ferro. tendo todas as qualidades mecânicas e tecnológicas que podemos exigir de um metal: maleabilidade. na última fase. com elevado teor de chumbo. bronzes zinco com teor de zinco inferior especiais. Para certas ligas assegura resistência a corrosão. fusibilidade. Veja um exemplo: C 94400. Cobre-estanho-zinco com Bronzes especiais. cobre-estanho-zinco Bronzes especiais. 101 . O processo de extração se faz de modo semelhante ao do cobre. o sistema de designação é o mesmo. É um metal branco de brilho intenso quando polido.NÍQUEL E SUAS LIGAS 5. Cobre-estanho-níquel com Bronzes com níquel outros elementos Cobre-alumínio Bronzes com alumínio Cobre-níquel-ferro Cobre-níquel-zinco com outros Alpacas elementos Cobre-chumbo Ligas diversas Nesta segunda tabela. Dr.

005%.25%.s-1.21 cal.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC.15K] Ponto de ebulição: 2.0.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6. O níquel destinado a elaboração das ligas deve ser de no mínimo de 98. tubos de fornos da engenharia química e em tratamentos de superfície como niquelagem de peças. o níquel é muito maleável e é o mais tenaz de todos os metais puros. Como conseqüência da sua estrutura cristalina e como evidenciam as suas propriedades mecânicas.NÍQUEL As aplicações mais comuns do níquel e suas ligas são para equipamentos que devem suportar temperatura elevada como pás e discos de turbinas.cm-1. ligas magnéticas.3 x 10-6/ oC [13.2. usinagem.32 Dureza: 110 HB Módulo de cisalhamento: 69 .76. cobalto < 0.130 MPa.cm [6.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Propriedades físicas Massa atômica: 58. elementos térmicos.90 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 180 .451 oC [1.352 nm Ponto de fusão: 1. a = 0.520 J/kg. Os principais processos de fabricação de peças a base de níquel são fundição.724. 102 . Fe < 0. queimadores.76 µΩ.234 GPa Limite elástico: 150 a 1600 MPa Tenacidade a ruptura: 60 .m1/2 Tensão de compressão: 180 MPa Tensão de ruptura por tração: 400 MPa Alongamento: 40% Estricção: 45% Estas características.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.25% e Si < 0. oC-1 [11 -90 W/m.15K] Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.6% Coeficiente de Poisson: 0. cobre < 0.3.PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS 5.0. com exceção do módulo de elasticidade longitudinal correspondem ao metal recozido.10-8 Ω. O níquel industrial contém sempre um pouco de carbono.5% de pureza.3 .K] Ponto de Curie: 358 oC Calor específico: 381 . O enxofre pela sua ação fragilizante deve ser limitado a 0.2 . conformação mecânica e metalurgia do pó.300 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 600 oC [873.04 .71 g Peso específico: 8. Losekann Direitos autorais reservados 5.5%.1%.K Calor latente de fusão: 284 . Dr.1 . Oferece também boa resistência ao desgaste. Cláudio R.730 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.

sulfúrico e clorídrico. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades químicas O níquel tem elevada resistência á corrosão. Cerca de 64% do Ni produzido é empregado para adições no aço e no ferro fundido. níquel-molibdênio e níquel-cobalto. Entra. Tem boa resistência aos álcalis. Estas ligas são monofásicas e quando intervém uma segunda fase é. amônia. Assim. soluções salinas e ácidos orgânicos. bronze. etc. A absorção de oxigênio fragiliza o metal e na sua desoxidação utilizam-se adições de boro e de titânio. E inalterável ao ar úmido e resiste é maior parte dos agentes químicos. Cláudio R. Aplicações As principais aplicações do níquel residem na excelente resistência a corrosão e como componente de diversas ligas. 9 % em ligas à base de níquel tais como Ni maleável. 645 oC. 9 % em galvanoplastia e 3% para ligas de resistência elétrica e peças resistentes ao calor. Dr. o níquel é susceptível de um ataque geral bastante ativo e de um ataque intergranular por gases que contenham enxofre ou compostos sulfurados. moedas. É atacado unicamente pelo ácidos nítrico.LIGAS DE NÍQUEL O níquel forma soluções sólidas de substituição com numerosos metais dos quais. Em temperaturas superiores a 375 oC. níquel-cromo. sob a forma de precipitado e dá lugar a endurecimento estrutural. etc. em revestimentos eletrolíticos ou químicos. É componente principal. como componente secundário em várias ligas como latão.2. chapas de aço recobertas de níquel por laminação. o ferro e o cromo.2 . emprega-se nas indústrias químicas e de alimentos.1 . principal dos seguintes sistemas de ligas: níquel-berílio. 103 . 14% às ligas de Cu e Zn. Figura 5. Na construção mecânica a sua maior utilização é como revestimento. aços inoxidáveis. 5. folhas de níquel . instrumentos cirúrgicos.Aplicações do níquel. além disso. devido a formação de filmes intracristalinos de Ni3S2 que funde a 787 oC e que pode dar com o níquel um eutéctico de ponto de fusão ainda mais baixo. os de maior interesse são o cobre. A dessulfuração é feita com manganês e magnésio que dão lugar a sulfuretos que não formam eutécticos com o níquel. em geral.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

entre 800 oC e 1. Se for deformada a frio e depois revenido. não apresenta fragilidade de sobreaquecimento.Ligas de níquel e molibdênio São como as ligas de níquel . de miscibilidade parcial no estado sólido. com Ni > 70%. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. molas. A dureza pode ser ainda aumentada com 1% de Ti em ligas utilizadas para esferas inoxidáveis para mancais de rolamentos.2. Cláudio R.berílio. tal como nos casos das ligas cobre-berílio. Após têmpera em água.2.800 oC.100 oC. 24% de Fe) e Inconel (60% de Ni.2 . soluções a base de cloro e ácido nítrico 104 . tratada após endurecimento por deformação a frio. apresenta boa resistência à oxidação. com a vantagem de se usar um teor de berílio mais baixo e a dureza obtida ser mais elevada.2.2. Assim.Ligas de níquel e cromo Neste sistema. etc. Adições de nióbio e zircônio melhoram a ductilidade e a fluência. 16% de Cr. Esta liga é usada em resistências elétricas visto que a sua resistividade é bastante elevada e varia pouco com a temperatura. a resistência sobe para 1. ligas susceptíveis de endurecimento estrutural.200 oC. a liga com 2% de Be. a altas temperaturas. 16% de Cr.3 . obtêm-se uma liga macia que pode endurecer por revenido a 600 . As ligas NiCr 50 servem para fundição e são usadas em caldeiras e refinarias.080 MPa e com dureza de 310 HB. estruturalmente. conhecidas por hastelloys de excepcional resistência a ácidos em altas temperaturas e de elevada resistência mecânica. equivalente ao níquel. A adição de ferro é. 24% de Fe).850 MPa e um alongamento de 8% que assegura a sua aplicação em agulhas para injeção. isto é. Mantendo durante tempo prolongado a 1. obtém-se resistência a tração de 1.2. obtendo se tensões de ruptura a tração de 860 MPa e uma dureza de 270 HB. Losekann Direitos autorais reservados 5.2. Pertencem a este tipo as ligas Nicrome (60% de Ni. 5. Com adição de ferro formam-se ligas complexas.1 . A tabela abaixo mostra a composição e aplicação destas ligas. as ligas de maior interesse são as ligas monofásicas de estrutura CFC. 4. A liga mais clássica é a liga NiCr 20 (Nimonic) que.Ligas de níquel e berílio A importância destas ligas deve-se a possibilidade de endurecimento estrutural. Tipo Ni Hastelloy A 56 Hastelloy B 62 Hastelloy C 53 Composição (%) Mo Fe Cr W 22 22 32 6 19 6 17 5 Resistência a corrosão Ácido clorídrico Ácido clorídrico Agentes oxidantes.

98%.493 oC [1. usinagem.cm [6.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.2 .520 J/kg.1.266 kJ/kg Permeabilidade magnética: 68 até 245 gauss/oersted Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.8. 99.15K] Ponto de fusão: 1. conformação mecânica e metalurgia do pó.93 g Peso específico: 8.PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS 6.32 Dureza: 125 HB [1.8 x 10-6/ oC [13.361 nm Temperatura de transformação: β → α: 427 oC [700.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.100 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.10-8 Ω.766. oC-1 Ponto de Curie: 1.623 nm β CFC.4 µΩ.4. Também é utilizado para melhorar propriedades dos aços em relação as resistência a alta temperatura.950 seu uso teve maior importância para fabricação de ligas complexas como turbinas e pastilhas cerâmicas.COBALTO Consegue-se obter um elevado grau de pureza.m1/2 Tensão de compressão: 345 .500 MPa 105 . Cláudio R. mesmo por fusão e vazamento.121 oC Calor específico: 456 .250 MPa] Módulo de cisalhamento: 76 . Dr.165 cal.1 . Taxa de reciclagem: 0. c/a = 1.9%.1 Propriedades físicas Massa atômica: 58.COBALTO E SUAS LIGAS 6.31 .15K] Ponto de ebulição: 3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Pelo processo de fusão por zona flutuante consegue-se um grau de pureza de Co = 99.05 .cm-1. Losekann Direitos autorais reservados 6 .10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6.40 MPa.s-1.910.INTRODUÇÃO O cobalto foi empregado pela primeira vez como metal de adição nas ferramentas de aços rápido em meados de 1.03 .0. mas apenas a partir de 1.0. As aplicações mais comuns são em implantes cirúrgicos.K Calor latente de fusão: 260 .2.95 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 21 GPa Limite elástico: 240 MPa Tenacidade a ruptura: 25 .0.1 . a = 0.3 % Coeficiente de Poisson: 0. Os principais processos de fabricação de peças a base de cobalto são fundição. 6.

Aplicações do cobalto. boa resistência à corrosão. Dr. Cláudio R. Figura 6.35 12 . 6.5 5 106 . propriedades magnéticas especificas. etc. segundo a composição. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de ruptura por tração: 760 . tesouras. >1 Al 5 .2. válvulas) Instrumentos de precisão Próteses Alnicos Estelites 5 . podem se classificar nos tipos que constam a tabela abaixo. magnéticas e de resistência a abrasão.LIGAS DE COBALTO Estas ligas são caracterizadas por propriedades muito especiais: refratariedade. Aplicações É essencialmente utilizado como elemento de liga.2 . ligas muito complexas que. em geral.2.65 Dif. aproveitando-se especialmente as suas propriedades refratárias.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. fundição de precisão Imãs permanentes Peças resistentes a corrosão e a abrasão (ferramentas. sobretudo a quente (forma β) e pode ser extrudado em arame fino.11 Invar Vitalium 54 64 9.5 30 36. Tipo Superliga s HS 23 Co 66 Ni 2 Composição (%) Cr Fe 24 1 Aplicações C 0.6 Peças resistentes em temperaturas elevadas.4 Mn 0.25 25 . São. propriedades mecânicas excelentes.35 40 .3 0.100 MPa Alongamento: 8 % O cobalto pode ser utilizado em trabalho a frio e a quente.1 .

08% de C. um oxido impermeável e protetor muito importante em um meio muito corrosivo. O fato mais interessante a respeito do titânio é que. Dr. Disso decorre sua propriedade mais importante: a resistência a corrosão a água salina e outras soluções cloretos.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 50 µΩ.21.5 x 10-6/ oC [8.1 .K Calor latente de fusão: 360 .alta resistência a corrosão e por ter.43 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC. 7.660 oC [1.TITÂNIO E SUAS LIGAS 7. c/a = 1.15K] Ponto de fusão: 1. tal como o zircônio. forma-se. Elas contêm outros ácidos orgânicos aos quais o titânio é inerte. Tem características mecânicas superiores aos do ferro que podem ser ainda melhoradas em certas ligas. geralmente. No titânio comercial os teores de não-metais estão. 0. aproximadamente. o berílio e o nióbio. embora ele exista em grande quantidade na crosta terrestre . limitados a 0.153. Losekann Direitos autorais reservados 7 . hipocloritos e ao cloro úmido e a resistência ao acido nítrico. Os processos de fabricação usuais de peças a base de titânio são: fundição. Cláudio R.K] Calor específico: 510 . oC-1 [4 . Essa qualidade torna-o ideal para a fabricação de prótese humanais tais como componentes de válvulas cardíacas.5. mas é pouco resistente a fluência.2 .9 W/m.INTRODUÇÃO O Titânio é um metal não-ferroso que ganhou importância estratégica há somente 40 anos por sua alta resistência mecânica .10-8 Ω.cm [50.15K] Ponto de ebulição: 3.PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS 7. pois os fluidos que existem dentro de nosso corpo são soluções salinas. conformação e metalurgia do pó.TITÂNIO Este metal. com Ph ácido. 55% da densidade do aço.1 . Em contado com o ar. usinagem.933. passou a ter um interesse grande com o desenvolvimento das indústrias de aviação e nucleares. o custo de sua obtenção é muito alto. em sua superfície.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.650 J/kg. Propriedades físicas Massa atômica: 47.037 cal. placas e pinos para unir ossos.05% de N e 0.s-1. a = 0.370 kJ/kg 107 .015% de H.90 g Peso específico: 4.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.2.260 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 8.cm-1.587 nm β CCC.332 nm Temperatura de transformação: β → α: 880 oC [1. O calor específico e a condutividade elétrica e térmica do titânio são idênticas dos aços inoxidáveis.

alumínio. Ligas de titânio com alumínio e estanho e alumínio e vanádio são usadas em aplicações muito especiais.1. níquel. Figura 7. Acima de 350 oC. tem grande afinidade com o oxigênio. Cláudio R.123 MPa. Aplicações Os elementos que são adicionados as ligas resistentes corrosão são: paládio (Pd). Resiste bem a todos os meios naturais (atmosfera. É atacado por soluções concentradas de ácidos. pois apresentam resistência específica.Aplicações do titânio.280 MPa Alongamento: 28 % Propriedades químicas Em temperatura elevada. 108 .50 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 95 . e a numerosos produtos químicos.0. carbono e hidrogênio.1 . o titânio é susceptível de corrosão sob tensão em presença de cloretos.358 .125 GPa Limite elástico: 172 -1. água salina. em particular os que contém cloro. elas são empregadas em vasos de pressão que fazem parte do sistema de controle de propulsão e reação dos foguetes que transportaram as naves Apollo e Saturno e dos módulos lunares.050 MPa Tenacidade a ruptura: 55 . manganês e estanho.000 MPa] Módulo de cisalhamento: 35 . Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. até mesmo os orgânicos. relação resistência mecânica/peso muito elevadas em temperaturas abaixo de zero (entre -196 e -269 ºC ). ou seja.364 Dureza: 200 HB [2.3 % Coeficiente de Poisson: 0.0. Dr. nitrogênio. Essas ligas são usadas na fabricação de próteses. molibdênio. Por isso.m1/2 Tensão de compressão: 130 . não-metais que o tornam frágil.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1. São empregados também em rotores de bombas usadas para bombear hidrogênio líquido.02 .400 MPa Tensão de ruptura por tração: 241 .

zircônio e estanho. em geral.2 . ligas muito complexas que. molibdênio. Cláudio R. Peças estruturais naves supersônicas. Outra propriedade importante aliada ao magnésio e suas ligas é facilidade de ser usinado. níquel Resistência a temperaturas elevadas. e Elevada resistência específica e a altas temperaturas. Suas principais aplicação eram em certos processos químicos e pirotécnico. Na indústria aeronáutica.INTRODUÇÃO O magnésio é um metal branco. molibdênio INFLUÊNCIAS APLICAÇÕES Estruturas aeroespaciais. paládio. magnésio desempenha um papel importante. A baixa resistência a corrosão é uma das desvantagens do magnésio. 8 . de Molibdênio. silício. A propriedade mais importante do magnésio é seu baixo peso específico 1. Alumínio. segundo a composição. Resistência mecânica e à corrosão sob tensão. Dr.MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8. O coeficiente de dilatação térmica linear é maior do que o coeficiente de dilatação térmica linear do Al e a maioria de suas ligas ferrosas. vanádio. Geradores de turbinas a vapor e a gás.1 .74 gf/cm³. 109 . e Resistência à corrosão em salmoura a altas temperaturas e em meios oxidantes e redutores. Ao contrário do Al. resistente à corrosão. bem como na indústria automobilística. podem se apresentar conforme a influência dos elementos adicionados e suas aplicações de acordo com a tabela abaixo. o magnésio e suas ligas formam uma película natural de hidróxido de magnésio ou de carbonato de magnésio que facilita a continuação do ataque. leve com ponto de fusão 650 ºC. Losekann Direitos autorais reservados 7. menor ductilidade.2. Inalterável ao ar seco.LIGAS DE TITÂNIO São. Molibdênio. ELEMENTO ADICIONADO Alumínio. Tanques e tubulações em indústrias químicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Devem ser adequadamente protegidas a sua superfície.

624 nm Ponto de fusão: 650 oC [923.2 .050 J/kg. zinco e níquel.29 . Al e Ca. automotivos.46.2.1 x 10-6/ oC [24.32 g Peso específico: 1.350 MPa Tensão de ruptura por tração: 138 . ao ar úmido forma uma película superficial de Mg(OH)2 que. É inalterável ao ar seco à temperatura ambiente. Dr.K Calor latente de fusão: 358 .45 GPa Limite elástico: 80 .m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.3 .14 % Coeficiente de Poisson: 0.03 .MAGNÉSIO Nas características acima descritos. tem influência o tamanho de grão do metal.8% de impurezas como K. c/a = 1. se utiliza com desoxidante de certas ligas de cobre.366 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. aeroespaciais.220 MPa Tenacidade a ruptura: 11 .0. Si.cm-1.27.s-1. mas muito atacado em atmosferas marinhas.80 W/m. a maleabilidade é baixa e por isso a obtenção de peças só pode ser feita por fundição e trabalho a quente à temperatura de 300 a 900 oC. O magnésio industrial contém cerca de 0.m1/2 Tensão de compressão: 80 .6 .37 cal. Fe.K] Calor específico: 960 . Aplicações Equipamentos esportivos.305 Dureza: 36 HB [36 MPa] Módulo de Bulk: 32 .0. somente após um tratamento oxidante.120 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 26.36 GPa Módulo de cisalhamento: 15. Propriedades físicas Massa atômica: 29. por isso.1. pode proteger as camadas subjacentes.cm [4.18 MPa. ácidas e soluções de cloretos. nucleares e produtos 110 . E inalterável em meio alcalino.15K] Ponto de ebulição: 1. oC-1 [51 .PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8.10-8 Ω.99 %). Cláudio R.17 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 40 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados 8.310 MPa Propriedades químicas Tem extraordinária afinidade com oxigênio e.739 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): HC.46 µΩ.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 4. De acordo com a sua estrutura cristalina.2. O magnésio pode ser obtido bastante puro (Mg > 99.1 .

INTRODUÇÃO É um metal pouco resistente á tração e a fluência o que reduz as suas possibilidades como material de construção.LIGAS DE MAGNÉSIO O magnésio entra na composição das chamadas ligas leves.2 .10-8 Ω. 9 .2% de Mn e suas características mecânicas após a têmpera e revenido a 250 oC por 5 horas são: limite elástico de 15 kgf/mm2 e tensão de ruptura a tração de 26 kgf/mm2.1 . do magnésio entram na sua composição o Al. Para outras utilizações. c/a = 1. Dr.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 5.ZINCO E SUAS LIGAS 9. o teor máximo de chumbo é de 0. Não é susceptível de endurecimento a frio devido baixa temperatura de recristalização e a estrutura cristalina explica a anisotropia importante verificada nos produtos de zinco laminados.6.34. Sn e Cu. 9.Aplicações do magnésio.99% destina-se a fundição injetada. O zinco 99. considerando que os teores de alumínio devem ficar em torno de 8% em virtude da formação do composto metálico Mg3Al3 que dificultam a deformação a quente.5% de Al.38 g Peso específico: 7. Além. 8.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.15K] Ponto de ebulição: 907 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 .cm [5. Mn.31.2. Cu e Zn. Outras ligas com a adição de zircônio e composições aproximadas tem dado bons resultados de resistência mecânica. Zn.957 .856 nm o Ponto de fusão: 419 C [692.2 .14 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC. cujos teores não ultrapassam l0% em massa. O principal objetivo destas ligas e a diminuição de peso que pode atingir 20 a 35 % de peso em relação ao alumínio. A principal liga tem a seguinte composição: 8. Losekann Direitos autorais reservados Figura 8.1 .957 µΩ.34 x 10-6/ oC [28 . Fe.006%. Cd.PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 65.m] 111 . As impurezas normais do zinco são Pb.5% de Zn e 0. Cláudio R. 0.

265 cal. em presença de ar úmido. onde ocorre deposição do zinco sobre o aço por meio de solução eletrolítica de sais de zinco.3 % Coeficiente de Poisson: 0. o zinco é utilizado como ânodo.K Calor latente de fusão: 108 .104. Losekann Direitos autorais reservados Condutividade térmica: (20 C): 0. .Aplicações do zinco.cm . a qual leva. Figura 8.5 . canalização de esgotamento de chuva em telhados. enquanto que.0.397 J/kg.421 MPa Tensão de ruptura por tração: 200 . isto é.1260 MPa] Módulo de cisalhamento: 32 . .113 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.248 . Esta propriedade é aproveitada quando se utiliza o zinco ou materiais zincados em coberturas expostas à atmosfera.zincagem eletrolítica (tratamento termoquímico). É facilmente atacado por ácidos e álcalis. Aplicações As suas aplicações baseiam-se essencialmente como películas protetivas em metais.0. previamente decapada.1 .1 . Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II o -1 -1 o -1 Prof. 112 . Dr.Pintura com tintas com elevada percentagem de zinco em pó. a sua formação é muito mais lenta levando cerca de 3 meses. C [108 .m1/2 Tensão de compressão: 160 . Em relação ao seu potencial eletroquímico confere uma aplicação importante na proteção superficial.115 W/m. é imersa em zinco fundido.K] Calor específico: 385 .42 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 80 .500 MPa Alongamento: 50 % Propriedades químicas Resiste bem a corrosão pelos agentes atmosféricos e pela água. como o aço. onde a peça.40 MPa. corroendo-se e protegendo assim o aço ou qualquer outro metal. Assim é usado em coberturas.s .5 GPa Limite elástico: 160 -421 MPa Tenacidade a ruptura: 18.zincagem a quente por imersão (galvanização).25 Dureza: 50 HB [500 . cerca de 3 dias a se formar. Os principais processos de proteção de revestimento de zinco são: . Revestese de uma camada de hidrocarbonato que protege o metal subjacente. em atmosfera seca.

alto coeficiente de expansão térmica.2. principalmente o zinco. Losekann Direitos autorais reservados 9. estas ligas são as de maior utilização devido as suas particularidades físicas. componentes de equipamentos elétricos. componentes de aparelhos eletrodomésticos. aspiradores.latão. de acordo com o teor de alumínio e outros elementos. alpacas. brinquedos.05%. manômetros. Cláudio R. — mas este elemento tem também interesse como componente principal em ligas para fundição e ligas para forjamento e estampagem. facilidade em fundir e formar ligas com outros elementos. O magnésio pode ser adicionado.1 .LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO De todas as ligas não-ferrosas para fundição por injeção.2 . A boa fluidez permite a fundição de peças de formas complexas com paredes finas. Na sua maior parte esta liga tem composições hipoeutécticas. etc. Outras propriedades que permitem grande variedade de aplicações são: elevado peso específico. O magnésio contraria este efeito e refina o grão. porém dúctil e maleável. formando um par galvânico que dá lugar a forte corrosão em atmosfera úmida. geralmente até 4% de Al e até 3% de Cu para melhorar as propriedades mecânicas e a corrosão. Oxida-se com facilidade em contato com o ar. flexibilidade. dobradiças. É facilmente laminado.INTRODUÇÃO O chumbo é um metal de cor acinzentada pouco tenaz. É bom condutor de eletricidade embora não seja magnético e mau condutor de calor. fechaduras. pois é o mais mole dos metais pesados. O principal minério do 113 .1 .CHUMBO E SUAS LIGAS 10. engrenagens. boa condutividade elétrica. antifricção. Dr. Funde-se a 327ºC. com teores de até 0. como inibidor da corrosão intergranular. maçanetas.2. carburadores. níquel e cromo) ou por pinturas com tintas e vernizes. Pode ser endurecido em liga com enxofre ou antimônio.LIGAS DE ZINCO O zinco entra na composição de numerosas ligas como componente secundário ou componente menor . precipitam-se nos contornos de grão. mas é fortemente atacado por substâncias básicas. A fluidez no estado líquido e as propriedades mecânicas são melhoradas pela adição de Al. quase puras. A fabricação destas ligas exige matériasprimas. 9. É resistente a água do mar e aos ácidos. 10 . Sn e Pb. componentes de relógios. mecânicas e de fundição associadas à capacidade de serem facilmente revestidas por eletrodeposição (cobre. Estas impurezas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cu. sobretudo chumbo e cádmio. As principais aplicações destas ligas encontram-se em: componentes de automóveis como radiadores. roldanas. A liga zamac é a que tem maior importância. Os zamacs são extremamente sensíveis às impurezas.

o chumbo recobre-se de uma camada protetora de Pb20 e de hidrocarbonato.34 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α CFC. 10.492 nm o Ponto de fusão: 327 C [600.K Calor específico: 159 . É também material utilizado como dispositivos de balanceamento de massa em rodas automotivas. mas as principais são: concentração por flotação.m] Condutividade térmica: (20 oC): 28 . Dr.88.61 µΩ.45 Dureza: 1.0. redução dos óxidos.2 .6 HB [16 . Resistente ao ácido sulfúrico pouco concentrado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. devido é existência de sulfatos e/ou de carbonatos forma-se também uma camada insolúvel de sulfato e/ou carbonato de chumbo que permite o emprego deste metal em condutas de água potável sem perigo de toxicidade. Na água.8 % Coeficiente de Poisson: 0.35.5 . destilação a vácuo e refino.1 . Devido o seu baixo ponto de fusão e elevada maleabilidade.0.5 .25 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.O processo de obtenção do chumbo tem várias etapas. formação do aglomerado. o chumbo e moldado com 114 . a = 0.50 MPa Tenacidade a ruptura: 30 .29.PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 207. E. é atacado por água muito pura.50 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 . como a água da chuva.50 MPa. é na fabricação de baterias. desargentação. cujo teor de chumbo varia entre 1 e 12%. Sua maior utilização (80%).44 .3 x 10-6/ oC [28 .cm [20.01mm.18 GPa Limite elástico: 5.15K] Ponto de ebulição: 1. prata e antimônio.6 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 16. Ao chumbo pode-se acrescentar os seguintes elementos de liga: cobre.3 W/m.m1/2 Tensão de compressão: 5.10-8 Ω.Em geral.2 g Peso específico: 11.749 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 . ou seja. Losekann Direitos autorais reservados qual o chumbo é extraído é a galena (PbS).5 .2 . Cláudio R.106 /K] Resistividade: (20 oC): 20. pelo contrário. Ele pode ser laminado a espessuras de até 0. retirada da prata.3.170 J/kg.150 MPa] Módulo de cisalhamento: 4.K Calor latente de fusão: 23.60 MPa Alongamento: 60 % Propriedades químicas Ao ar. entretanto. Aplicações Devido ao seu elevado peso específico é usado como contrapeso em determinados equipamentos e nos lastros de navios.2 . esse minério possui também prata .21.29.61 .

183 oC.É o tipo de liga que apresenta um eutéctico com 11. passa a ter uma passagem pastosa. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. - - Ligas de chumbo e prata . Figura 10. produz a menor temperatura de fusão . utilizados como fusíveis e sistemas anti-incêndio. podendo ser utilizada em alguns tipos de fusíveis. Ligas de chumbo e estanho . com teores de estanho próximo do eutéctico ( 62 % de Sn). 115 .006% de cobre apresenta boa resistência a corrosão e tem como principal aplicação construção de equipamentos para ácido sulfúrico.Diagrama de fases da liga Pb-Sn. É empregado também em juntas para vedação. usado para revestimento de cabo e laminados como folhas de chumbo. As ligas de chumbo e antimônio podem ter composições de 1 a 3% de Sb. usadas como ligas antifricção.Com adição de até 0. antimônio e estanho. antimônio e estanho. Figura 10. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn.Com adição de até 2% de prata apresenta boa resistência a corrosão por água salina e tem como principal aplicação a proteção catódica de equipamentos marinhos.1 . Todavia. Com esta composição a liga muda de estado sólido para líquido de forma rápida ao atingir aquela temperatura. Ligas de chumbo e cobre .Ligas de chumbo. para placa de acumuladores e acessórios isolantes de radiações. gaxetas e arruelas. e ligas de chumbo com adição de bismuto. Outras ligas .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.É o tipo de liga usada para soldas elétricas que. Com composições maiores ou menores. o baixo valor da tensão limite de fluência produz. Cláudio R.2 . o que provoca falhas em certas aplicações como tubulações de esgoto de grande extensão.2 % de Sb a uma temperatura de 251 oC. Losekann Direitos autorais reservados facilidade. a estricção local. 6 a 12% de Sb. em ligas para fabricação de mancais.Diagrama de fases da liga Pb-Sb. cádmio. - Ligas de chumbo e antimônio . Dr. em alguma casos. O Chumbo é usado como isolante acústico e amortecedor de vibrações e isolante de radiações X e γ devido a sua massa atômica.

É um metal macio mas muito maleável. alumínio.85.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 . 116 .0. Dado a transformação e fazendo-se o reaquecimento acima daquela temperatura. sempre que a temperatura se eleva acima de 16 oC.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Como a velocidade de transformação é muito baixa. antimônio e chumbo. mas o metal conserva-se em pó.35 MPa. cádmio.4 .9 K Peso específico: 7. mas acelera o processo de crescimento de embriões que pode ser impedido pelo bismuto.0.K Ponto de fusão: 400 .504. Dr.8 W/m. É inalterável ao ar e é água.60 kJ/Kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 23 .OUTROS METAIS 11.15.135 MPa Módulo de cisalhamento: 15 . São prejudiciais o zinco e o magnésio. mas se o estanho for conservado abaixo de 16 oC em um período muito longo. os embriões (pequenos cristais) de estanho cinzento são recristalizados.363 Dureza: 21 . só é significativo a temperaturas abaixo de 0 oC.m1/2 Tensão de ruptura por compressão: 7 .05 . Losekann Direitos autorais reservados 11 .10-8 ohm.4 % Coeficiente de Poisson: 0.ESTANHO A característica de maior interesse é o seu baixo ponto de fusão que baixa consideravelmente o ponto de fusão em ligas. o sentido da reação muda.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 kgf/dm3 Resistividade: 12.60 MPa Propriedades químicas Oferece boa resistência a corrosão. A adição de 2% de prata baixa o ponto de transformação alotrópica para 10 oC. e o cobre baixa esta temperatura para -30 oC.45 Tenacidade a ruptura: 20 .23. formam-se manchas localizadas de estanho cinzento. entretanto como o tempo de transformação completa é relativamente longo.5 10-6/K Condutividade térmica: 30 .28 .225 J/kg. quebradiço e pulverulento devido é grande variação de volume que acompanha a transformação. Resiste bem aos ácidos orgânicos.66.53 GPa Limite elástico: 7 .19 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 44 .35 . A baixa temperatura de transformação alotrópica (16 oC) é chamado de doença do estanho. Em virtude de sua baixa temperatura de recristalização não endurece por deformação a frio. Propriedades físicas Calor específico: 213 .1 .59 . O estanho forma soluções sólidas com a maior parte dos metais.K Calor latente de fusão:59. Cláudio R.

Aplicações do cromo.0. .94 W/m.15 . Cláudio R. Para a indústria de alimentos.18 kgf/dm3 Resistividade:12.88 . outros. Figura 11. elemento de liga em aços.13.03 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tubos extrudados e objetos decorativos. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações As principais aplicações do estanho devem-se ao seu baixo ponto de fusão e da sua resistência corrosão.2 .140K Peso específico: 7. Processos: eletrodeposição. usinagem.para a fabricação de soldas. o estanho pode conter até 2% de impurezas. . .518 J/kg.130 -2.7.para ligas antifricção e bronzes.folhas de estanho.262 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 6. superlotas.2 % Coeficiente de Poisson: 0.5 10-6/K Condutividade térmica: 78 . Para a estanhagem. 11.208 .6.0.K Ponto de fusão: 2.K Calor latente de fusão: 258 .212 117 . eletrodeposição. Dr.CROMO Aplicações: Revestimentos protetores.3 . Propriedades físicas Calor específico: 495 . permitindo o revestimento de outros metais como: .1 . as folhas de flandres devem ser fabricadas com um máximo de 0. uniões.estanhagem de chapa de aço (folha de flandres).m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.5% de impurezas no estanho.49 10-8 ohm.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3. uniões.920 MPa 118 . usinagem.K Ponto de fusão: 3. ligas de aço. Losekann Direitos autorais reservados Dureza: 1.5 .3 10-6/K Condutividade térmica: 130 -173 W/m. outros.026.02 . Dr.140 J/kg.5.K Calor latente de fusão: 190 .1.5.580 MPa Tensão de ruptura por tração: 550 .000 . Cláudio R. combustível nuclear.411 GPa Limite elástico: 500 .0.m1/2 Tensão de compressão: 350 .286 GPa Limite elástico: 350 .26 .0.580 MPa Tenacidade a ruptura: 20 . Propriedades físicas Calor específico: 133 .37 . contatos elétricos. Figura 11.30 MPa.194 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 4.6.TUNGSTÊNIO Aplicações: Filamentos de lâmpadas incandescentes.300 -2. ferramentas de corte.Aplicações da tungstênio.430 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .19.28 Dureza: 3. alvos de raio-x.40 MPa.000 MPa Módulo de cisalhamento: 160 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.m1/2 Tensão de compressão: 500 .2 .175 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 380 . conformação.690 MPa 11.3 kgf/dm3 Resistividade: 5.500 .430 MPa) Tensão de ruptura por tração: 400 .3 % Coeficiente de Poisson: 0.3 .200 MPa Módulo de cisalhamento: 100 .120 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 279 .10-8 ohm. Processos: fundição.680K Peso específico: 16 .

10-6/K Condutividade térmica: 350 .330 MPa 11.818. Figura 11. condutores. revestimentos protetores. contatos elétricos. espelhos.Aplicações da prata. Processos: conformação.180 MPa Tensão de ruptura por tração: 172 . próteses dentárias.5 .950 MPa Módulo de cisalhamento: 29 .106 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 18. circuito impresso. moedas.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. usinagem.OURO Aplicações: Joalharia.9 .7.31 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 78 .3 .84 GPa Limite elástico: 30 .6. conformação.369 Dureza: 250 . joalharia.2.429 W/m. Propriedades físicas Calor específico: 234 . fundição.180 MPa Tenacidade a ruptura:60 . Dr. Cláudio R.240 J/kg.6 .0.Processos: fundição. uniões.PRATA Aplicações: contatos elétricos. uniões.K Calor latente de fusão: 100 .4 .6 % Coeficiente de Poisson: 0.8 kgf/dm3 Resistividade: 1. medalhas. revestimento de equipamentos químicos. Losekann Direitos autorais reservados 11.622 . outros.90 Tensão de ruptura por compressão: 30 .10-8 ohm.19. outros.K Peso específico: 6.0.3 . fotografia.365 . usinagem. implantes. 119 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

340 .200 MPa Tenacidade a ruptura: 50 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2.K Ponto de fusão: 1.42 Dureza: 200 .1.200 MPa Tensão de ruptura por tração:130 .10-8 ohm.32 kgf/dm3 Resistividade: 2.340K Peso específico: 19.5 % Coeficiente de Poisson: 0.131 J/kg.600 MPa Módulo de cisalhamento: 26 .4 .10-6/K Condutividade térmica: 310 .41 .70 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 14 .Aplicações do ouro.K Calor latente de fusão: 64. Losekann Direitos autorais reservados Figura 11.3 .79 GPa Limite elástico: 40 .318 W/m.19. Propriedades físicas Calor específico: 129 .220 MPa 120 .2. Cláudio R.0.188 . Dr.14.8 .80 MPa.29 GPa Módulo de elasticidade: 78 .m1/2 Tensão de compressão: 40 .203.

butano e etc. a) metano. Exemplos típicos de monômeros são os hidrocarbonetos básicos como metano. etano. Losekann Direitos autorais reservados 12 .1 .3 .Monômeros. a) CH4 b) CH3C c) CH2CH2 Figura 12.Monômeros. propano. a) propano. b) etano. b) Isopentano.1 . c) eteno. a) CH3CH2CH3 b) CH3(CH2)2CH3 c) (CH3)3CH Figura 12.2 .Monômeros. a) n-pentano. c) isobutano.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.INTRODUÇÃO Para conceituar polímeros é melhor definir antes os monômeros. a) CH3CH2CH(CH3 b) CH3(CH2)3CH3 c) (CH3)4C Figura 12. Dr. Cláudio R. 121 . c) Neopentano. b) n-butano.POLÍMEROS 12. Os monômeros são moléculas de cadeia pequena.

5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila. são conhecidos como homopolímero. Losekann Direitos autorais reservados Observando os monômeros. As reações de polimerização podem ser de dois tipos: aditiva e condensada. Certas famílias de poliamidas (náilons) são obtidas pela condensação de um ácido adípico com uma diamina. Polímeros. Grau elevado de polimerização assegura melhores propriedades físicas do produto. em cujas moléculas comparecem apenas um tipo de unidade básica. gerando meros que se interencadeiam.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.4 – Representação de polímero. caracterizadas pela repetição de uma unidade básica mero). por exemplo. em que dois reagentes geram o polímero. Dr. os compostos cuja molécula é constituída pela associação de diversas moléculas de outro composto mais simples através da reação de polimerização (reação em que duas ou mais moléculas menores (monômeros) reagem entre si. Nesta reação. na produção do policloreto de vinila ou Peróxido PVC. sem liberar qualquer produto secundário. Muitos polímeros. Quando há dois ou mais meros distintos na molécula é dito copolímero. conceitua-se polímeros. É o que ocorre. Cláudio R. sob condições bem definidas de temperatura e pressão. o peróxido de benzoíla atua como catalisador. são formados por reações de adição. ou seja. formando outras maiores que contêm os mesmos elementos na mesma proporção que as pequenas. O número de vezes que se repete a unidade básica na molécula do polímero representa o grau de polimerização. na qual um monômero não saturado. Exemplo: o polietileno que tem sua estrutura molecular representada pela fórmula geral abaixo. Figura 12. Outros polímeros são produzidos em uma reação condensada. especialmente os vinílicos. polimeriza pela ruptura de uma ligação covalente dupla. todo material que intervém na reação é convertido em polímero. liberando algum produto secundário. e em presença de um catalisador adequado. a partir De benzoíla do cloreto de vinila: n n cloreto de vinila policloreto de vinila Figura 12. também sob condições de temperatura e pressão controladas e na presença de um catalisador adequado. ou de policondensação. liberando água como um subproduto da reação: 122 .

As ramificações podem ser constituídas de cadeia linear básica ou que promovam a interligação de diferentes cadeias lineares. Losekann Direitos autorais reservados Ácido acético n Ácido adípico Hexameilenodiamina + n (H2O) n Polihexametileno adipamida (náilon 66) Figura 12.2 – PROPRIEDADES 12. pode ser considerado um polímero. b) cadeia com ramificações incompletas. a) b) c) Figura 12. especialmente a fusibilidade e a solubilidade. são afetadas.1 . Assim. c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas. com isso impedindo a formação de cristalitos e afetando as propriedades mecânicas. em virtude destas diferentes configurações moleculares. Desta forma.MORFOLOGIA Os polímeros podem apresentar moléculas sem ramificações (lineares) ou com ramificações. a) Cadeia linear.7 – Representação das cadeias poliméricas. A figura abaixo representa estas condições. um macrocristal de SiO2. Certas propriedades dos polímeros. Ao dificultarem a aproximação das moléculas. átomos ou compostos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2.6 – Reação de copolimerização do náilon 66. Dr. A formação de 123 . Em outras palavras. que se forma através de polimerização. entretanto é considerado também um material cerâmico. as ramificações tendem a diminuir as interações entre as mesmas. formando reticulados tridimensionais ou ligações cruzadas. os polímeros podem ser divididos em plásticos e elastômeros. 12. Cláudio R. os polímeros são cadeias longas de um determinado conjunto de moléculas. Usa-se muito o termo polímero para representar os produtos derivados do petróleo ou hidrocarbonetos naturais (derivado de plantas).

Por exemplo. conforme é ilustrado abaixo. Dr. por outro lado. Em temperaturas acima do ponto de amolecimento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados ramificações tridimensionais impede o deslizamento relativo das moléculas. Os materiais poliméricos totalmente cristalinos são muito raros e tem pouco significado econômico. O termo técnico microestrutura é pouco utilizado pelos especialistas em materiais e é preferido o termo morfologia. Os radicais méricos podem estar arranjados de três maneiras. A estrutura molecular dos altos polímeros pode ser amorfa. Os cristalitos satisfazem aos requisitos geral de cristalinidade – um arranjo ordenado das moléculas que exibem franjas de interferência definidas ao raio-X. Cláudio R. certas resinas tendem a se dispor em regiões cristalinas (cristalitos) aleatoriamente orientadas. O grau de cristalinidade de um polímero depende muito da distribuição geométrica dos radicais méricos no espaço. separadas por regiões amorfas. embora existam termoplásticos totalmente amorfos. aumentando a resistência mecânica. dando um produto infusível e insolúvel. Com o resfriamento. Os polímeros termorígidos são totalmente amorfos. todas as estruturas apresentam estruturas amorfas. a)Polímero isostático b) Polímero sindiostático c) Polímero atático Figura 12. os termoplásticos apresentam-se freqüentemente cristalinos. com as moléculas em forma de novelo e caótico. é possível obter-se pequenos cristais de polietileno por meio de precipitação em toluol.8 – Formas isoméricas. causada pela diminuição de temperatura. cristalina ou cristalina e orientada. 124 .

portanto. que depende das condições de moldagem. alcançando dimensões que podem ser alguns micrômetros de diâmetro. desde que não seja superada sua temperatura de degradação. Um controle do teor de esferulitos. o arranjo é denominado atático. a deformação do polímero amolecendo-o. Losekann Direitos autorais reservados Quando o radical localiza-se sempre do mesmo lado da cadeia diz-se que o arranjo é isostático. As regiões cristalinas são mais densas. estas interações são mais enfraquecidas. que se evidencia por uma sensível transparência progressiva de certos polímeros. termoduros). maciez. O resfriamento restabelece as forças de ligação intermoleculares. Quando a cristalização é nucleada em uma resina rapidamente resfriada. podem desenvolver-se regiões esféricas contendo material cristalino (esferulitos). A figura abaixo representa estas condições de cristalinidade. eventualmente apresentam ramificações. 12. transparência. como a borracha. Os polímeros raramente apresentam apenas um único tipo de arranjo. permite um controle das propriedades mecânicas e óticas da peça. e apresentam maior rigidez e resistência mecânica e térmica. A propensão a cristalização é maior nos arranjos isostáticos. Os termoplásticos podem ser endurecidos ou amolecidos reversivelmente. razoável nos sindiotáticos e pequena nos atáticos.9 – Cristalinidade em polímeros. diz-se que o arranjo é sindiotático. que crescem radialmente em direção à região amorfa adjacente. mas sim uma mistura deles. Cláudio R. flexibilidade e. a cristalização pode ser facilitada através de aplicação de tensões externas e desaparece gradualmente com aquecimento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Quando não existe regularidade na distribuição dos radicais. Figura 12. A distribuição das regiões cristalinas em um polímero parcialmente cristalino é objeto de pesquisa. Um novo aquecimento novamente torna-o amolecido para moldagem.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM Os materiais poliméricos podem ser classificados em duas categorias: termoplásticos ou termoestáveis (termofixos. tornando-o rígido novamente. Em alguns materiais poliméricos. Dr. 125 . Se o radical localiza-se dos dois lados da cadeia de forma organizada e repetitiva. Se um termoplástico é aquecido. enquanto que as regiões amorfas conferem elasticidade. possuírem moléculas com cadeia predominantemente linear. tornando possível a movimentação relativa das moléculas e. ao completar-se a polimerização. às vezes.2. Os termoplásticos caracterizam-se por.

Aditivos antioxidantes tem por objetivo retardar o envelhecimento do plástico. geralmente. as moléculas reagem entre si ou com o agente de cura. estabilidade dimensional. os plásticos tendem a se degradar com o tempo quando estão expostos a ação de raios ultravioletas e da ação do oxigênio. A polimerização completa ocorre num segundo estágio. Dr. agentes de esponjamento. Carga ou enchimento é um aditivo utilizado com finalidades específicas. principalmente nos plásticos. Os lubrificantes têm a finalidade de auxiliar no processo de moldagem. adicionadas em pequena quantidade. 12. Catalisadores são substâncias químicas que. cargas. a fim de melhorar seu comportamento plástico. por causa do calor ou de um agente de cura ou mesmo de um catalisador. desde que sejam fornecidas as condições adequadas ao seu desencadeamento. em determinados casos.3 . os seguintes: plastificantes. fibras de vidro e de carbono que tem por objetivo também de melhorar as propriedades mecânicas. O primeiro estágio. Losekann Direitos autorais reservados Os termoestáveis apresentam um comportamento inverso do termoplástico. cujas moléculas apresentam cadeias lineares ou ramificadas. ao nível do fabricante do produto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Mica e asbesto são usados para melhorar características dielétricas. Quando. aumentam consideravelmente a velocidade das reações químicas ou retardam uma reação que. retardantes de chama. A polimerização desses materiais ocorre em dois estágios. e de baixo peso molecular. que são adicionados às resinas. que são altamente estáveis à temperatura e à deformação. corantes e pigmentos. reduzindo a aderência do polímero às superfícies metálicas do molde. A cura pode ser induzida à temperatura ambiente. com finalidades variadas. estabelecendo ligações transversais que produzem complexas moléculas tridimensionais. principalmente. Entre esses ingredientes adicionais incluem-se. Corantes e pigmentos tem a finalidade de conferir cores aos polímeros. misturados à resina previamente à moldagem.2. catalisadores. em proporções adequadas. ou seja. Os polímeros termoestáveis geralmente apresentam melhor resistência à temperatura. A adição de um ou mais plastificantes. Outros tipos de carga são tecidos. agentes de cura. em que devem ser solúveis. fornece ao produto composto que pode apresentar propriedades distintas da resina original. são inconvenientes. lubrificantes e agentes antiestáticos Plastificantes são. produtos líquidos de alto ponto de fusão e baixa taxa de evaporação. estabilizadores. Cláudio R. A serragem e pós-metálicos são utilizados para reforçar e economizar resina.ADITIVOS Para a produção de peças em material plástico são utilizados ingredientes adicionais. produz um composto intermediário. Exemplos de catalisadores são o peróxido de benzoíla e ácido acético na 126 . A degradação torna os polímeros quebradiços e porosos. resistência química e propriedades elétricas superiores às dos termoplásticos. por ocasião da moldagem.

visto que os polímeros têm por natureza a flamabilidade. Ao contrário dos catalisadores. Agentes de cura são aditivos que servem para desencadear a reação de cura dos termoestáveis. no segundo estágio. que sob temperatura adequada (160 oC) e pressão (7 MPa) se decompõe em formaldeído e amônia.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Por exemplo. estabelecendo as ligações transversais numa reação condensada. Cláudio R. Os agentes antiestáticos são aditivos que. Os agentes de esponjamento são aditivos empregados na produção de compostos poliméricos como as espumas expandidas.10 – Reação do baquelite. que reduz o risco de inflamação nos polímeros. Eles possuem moléculas cujos terminais reagem com posições intermediárias ou terminais da cadeia principal das moléculas da resina. Um destes agentes é o trióxido de antimônio usado em materiais de construção e em fibras têxteis. que estimulam as reações sem participar das mesmas. A amônia atua como catalisador. Losekann Direitos autorais reservados produção de PVC e náilon 66 respectivamente. Dr. quando a mesma é pretendida. + n H2 O n Fenol Formaldeído Fenol-formaldeído n 1 → Amônia 2 Figura 12. ajudam a reduzir as cargas eletrostáticas na superfície. com exceção do PVC e de alguns elastômeros. quando empregados nos polímeros. e o formaldeído como agente de cura. A cura é desencadeada. pela adição de hexametileno-tetramina. os agentes de cura participam ativamente da reação de cura. Elas provocam a expansão 127 . a resina fenol-formaldeído é obtida no primeiro estágio da polimerização pela reação condensada do fenol com o formaldeído. Os retardantes de chama são adicionados por razões óbvias de segurança. estabelecendo assim as ligações transversais que geram complexos tridimensionais.

quando a temperatura é elevada. que se decompõe na forma: Figura 12. A liberação deste gás – nitrogênio ou dióxido de carbono . em torno de uma temperatura “tg” que é característico para cada polímero. figura 12. passa por uma região de transição. Enquanto isto. Losekann Direitos autorais reservados do polímero plastificado pela geração de um gás. A figura que segue mostra uma curva típica do índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero linear. 8 sua mobilidade. 128 . Cláudio R. tenaz e quebradiça. Os agentes de esponjamento utilizados geralmente são substâncias orgânicas nitrogenadas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o material se dilata progressivamente.11 – Reação do agente de esponjamento. 3 tornado-se fluido. Aumentandose progressivamente a temperatura. aos poucos.deve coincidir com o momento de maior plasticidade do polímero. em virtude de apresentar pouca mobilidade de suas moléculas. C e D) região líquida com baixa viscosidade.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS Uma massa de polímero mantida a temperatura suficientemente baixa. devido o aumento da mobilidade das cadeias. A) região vítrea. se o aquecimento for lento e se o polímero for susceptível de cristalizar. conhecida como transição vítrea. F) região viscosa com cristalitos. é relativamente dura. com uma temperatura denominada 2 de moldagem ou fusão. amorfo. como o AZDN (azobisdiisobutironitrila ). O material D dessas regiões passa a 7 C comportar-se como fluido cada vez menos viscoso.12 – Curvas de volume específico em função da temperatura. B) região viscosa. se comportam similar aos vidros (curva A-B-C-D). rígida. Temperatura característica de sólido semicristalino. 12. nestas condições. 0 20 40 t 60 100 120 tm 80 g (curva E-F-C-D). a partir da qual as cadeias moleculares das regiões amorfas se afastam e adquirem.2.12. como conseqüência a decomposição do aditivo. B 6 Alguns polímeros F A 5 comportam-se com uma E região brusca de variação 4 do volume específico. Volume específico A maior mobilidade das cadeias moleculares pode. Figura 12. Dr. As regiões amorfas. promover um momentâneo aumento do índice de cristalinidade que prosseguindo o aquecimento torna a cair este índice. E) região com cristalitos na região vítrea. mas de magnitudes diferentes nas regiões amorfas e cristalinas.

por isso. Estes materiais não são adequados à produção de fibras. o polímero se 0 20 40 60 80 100 tm 120 tg degrada ou queima.25 C de uma determinada peça 80 quando submetidos a esforços 0 oC mecânicos a temperaturas 60 ambiente. É acima desta temperatura que se pode moldar o material. Tensão de ruptura. Figura 12. Um material polimérico pode sofrer deformações progressivas 100 o que podem afetar o desempenho . A figura ao 20 lado mostra o comportamento de um mesmo material polimérico 0 submetido a ensaio de tração em 0 6 12 18 24 30 diferentes temperaturas. resistência à abrasão e fadiga são fundamentais. Figura 12.14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear. Por isso. é perigoso 25 oC 40 projetar com dados de ensaios 50 oC de curta duração. também característica para cada 5 tipo de polímero. Materiais como policarbonatos e o polistireno são frágeis e quebradiços por que suas temperaturas de transição vítrea se situam bem acima das temperaturas ambiente usuais. Certos materiais (polietileno.13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. Dr. na qual desaparecem as regiões cristalinas e a partir da 4 qual o material passa a comportar-se mais ou menos como um líquido 3 viscoso. 12. em Temperatura uma reação irreversível.2. e se apresentam. fluência. como materiais flexíveis. Mas se 2 a temperatura continuar a aumentar.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS Várias propriedades mecânicas devem ser levadas em conta ao escolher um material polimérico em um determinado projeto. resistência ao impacto. conhecida como temperatura de fusão cristalina. atinge-se uma temperatura “tm”. Deformação (%) próximas da ambiente. Losekann Direitos autorais reservados Prosseguindo o aquecimento. polipropileno) apresentam temperaturas de transição vítrea bem abaixo das temperaturas ambientes usuais. Tensão de ruptura à tração (MPa) Índice de cristalinidade 129 .

cuja superfície detinha a impressão exata do fundo da autoclave. Em 1. Alexandre Parkes patenteou sua invenção com nome de Parkesina que tratava-se de um material celulósico (resíduo de algodão) com ácidos nítrico e sulfúrico na presença de óleo de rícino. a tenacidade deve ser levado em conta nos projetos nas quais os mesmos podem ser submetidos a impactos. conseguiu viabilizar um método de reações controladas de polimerização. Os materiais geralmente designados como plásticos não tem. abaixo da qual não ocorre falha por fadiga. bonecas.870. mas apresentam esta propriedade em algum momento da fabricação. os polímeros tiveram avanços significativos.907. Leo Hendrik Baekeland.PLÁSTICOS Da mesma forma. nos Estados Unidos da América. O produto obtido tinha cor de âmbar. principalmente. Materiais de origem orgânica sintética resultam de processos químicos e de sínteses. bolas de tênis de mesa e filmes fotográficos. areia ou minérios). portanto. Em vez de retardar a polimerização. Este produto posteriormente denominou-se de Baquelite. e que denominou de Celulóide. 12. Losekann Direitos autorais reservados O comportamento dos plásticos ao impacto é também bastante variável e fortemente dependente da temperatura e. a partir de matérias primas orgânicas simples. Durante várias décadas este material teve grande utilização na fabricação de pentes. Dr.862. dentaduras artificiais. estudando a polimerização e condensação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. visto que os aços apresentam uma amplitude máxima de tensão de trabalho. necessariamente. 130 . os plásticos são radicalmente distintos dos aços. com isso. criando um produto que se tornou economicamente viável. sendo distintos dos materiais de ocorrência natural (como madeira. em 1. através da ação de calor e pressão. qualquer que seja o número de ciclos de carga aplicada. Vários pesquisadores em meados de 1. John Weley Hyatt. sintetizando resina de fenol-formaldeído. com o emprego de molde. esta propriedade. Outros materiais como o aço e o vidro também apresentam essa característica e não são classificados como plásticos. Há. Quanto à resistência à fadiga. quando foram moldados. durante o momento de sua moldagem. certa arbitrariedade na conceituação deste tipo de material. Materiais artificiais são aqueles provenientes de misturas e reações. patenteou um processo alternativo de fabricação na qual substituía o óleo de rícino por cânfora. ele acelerou o processo em autoclave a uma temperatura de 200 o C. geralmente de origem orgânica. com a vantagem de ser mais estável e não inflamável como os primeiros.3 . Os materiais plásticos são materiais artificiais. que. em 1.800 procuravam um material para substituir o marfim para fabricação de bola de bilhar. em algum estágio de sua fabricação adquiriram condição plástica. a palavra plástico é um termo geral que significa “capaz de ser moldado”. após a Segunda Grande Guerra mundial. A partir deste período e.

Figura 12. Cláudio R.POLIOLEFINAS A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos é representada pela figura ao lado. Losekann Direitos autorais reservados As borrachas naturais ou sintéticas possuem características que se assemelham aos plásticos. Dr. Polissulfonas 12. Aminoplásticos 7. Fluoroplásticos 11. Poliuretanos 12.3. derivados de um mesmo plástico básico. Silicones 16. permitem alterar consideravelmente o comportamento de certos polímeros. Celulósicos 8. Éteres poliarílicos 19. Alílicos vinílicas) 4. Acrílicos 5. mas também possuem características próprias que as distinguem dos mesmos e por isto são denominados de elastômeros. Polifenilênicos 15. onde “X” representa um radical monovalente que caracteriza a resina. Os plásticos mais comuns em engenharia podem ser dividas em 19 famílias que são: 1. Poliésteres 18.15 – Fórmula geral da poliolefina. gerando novos produtos. misturas e versões quimicamente modificadas. O uso de diferentes tipos de aditivos gera uma variedade de produtos distintos. Policarbonatos 3. Os copolímeros. O quadro abaixo mostra alguma das poliolefinas mais comuns e seus radicais. Poliimidas 6. Há mais de quarenta famílias de termoplásticos e dez diferentes famílias básicas de termoestáveis entre os plásticos mais comuns de uso em engenharia. Fenólicos 13. Polioximetilênicos 9. Poliamidas 17. Técnicas de irradiação com ultravioleta.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e outras técnicas. ampliam o número de materiais plásticos disponíveis ao usuário. Polialômeros 14. Epoxídicos 10. e “n” indica o grau de polimerização.1 . Poliolefinas comuns Polímero Polietileno Polipropileno Policloreto de vinila Polistireno Abreviatura PE PP PVC PS Radical X 131 . Poliolefinas (resinas 2.

cabos e cordas para empacotamento. isolantes flexíveis para cabos elétricos e recipientes produzidos por injeção.8 – 1.D 70 Shore Módulo de cisalhamento: 0. notação Izod).1 MPa Tensão de compressão: 30 . notação Izod).5 % Coeficiente de Poisson: 0.46 GPa Módulo de elasticidade: 0. Processos: injeção. O polietileno de peso molecular ultra elevado (PELUAPM) é caracterizado pela sua elevada viscosidade à fusão. obtêm-se o polietileno de baixa densidade (0. 025 .000 a 2. usinagem.93 a 0. Aplicações: embalagens finas. obtêm-se o polietileno de alta densidade (0. O polietileno de média densidade (0. extrusão ou sopro. Polialden.91 a 0. Com pressões menores ( < 30 atm) e temperaturas de 40 a 150 oC.m1/2 Tensão de escoamento: 23 – 33. outros.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr.4 – 0. Fornecedor: Ipiranga Química IPQ. sopro. não sendo adequado para os processos de injeção e extrusão. tanques de combustível para veículos automotores.93) [moléculas bastante ramificadas].40 MPa 132 . Sob pressões elevadas (1. termoformagem.000 atm) e temperaturas na faixa de 100 a 300 oC. OPP. para PEAD de baixa massa molar. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 . para PEAD de alta massa molar.3 – 0.200 (J/m. filmes para embalagens.(CH2)n .945 a 0.42 Dureza: D60 .2 .96) [moléculas longas lineares]. Polytech.945) é obtido sob condições intermediárias.3 – 1.28 (MPa) Tenacidade a ruptura: 2. Polietileno de Alta Densidade – PEAD .6 GPa Resistência ao impacto: 150 .PMP 1 Álcool polivinílico PVAL O polietileno (PE) é um termoplástico tenaz usado na fabricação de diversos brinquedos. etc. Limite elástico: 20 . moldes para injeção canos e tubos.4 MPa. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Poliacetato de vinila PVAC Polibuteno-1 PBT Poli-4-metilpenteno. extrusão.080 (J/m.

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Propriedades térmicas Calor específico: 2.200 J/kg Dilatação térmica: 100 - 120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,45 – 0,52 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 160 - 165 K Temperatura máxima de serviço: 340 - 370 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,01(%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,941 – 0,965 gf/cm3 Índice de refração: 1,54 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,3 – 2,4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1015 ohm.m) Polietileno de Baixa Densidade – PEBD - (CH2)n. Aplicações: embalagens de alimentos e de produtos de limpeza, sacos de lixo, sacolas plásticas, plasticultura. Processos: injeção, sopro, laminação, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Ipiranga Química, OPP, PPH. Propriedades mecânicas Ductilidade: 3,5 - 4 % Coeficiente de Poisson: 0,43 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,28 – 0,3 Dureza: D41 - D46 Shore Módulo de cisalhamento: 0,05 – 0,09 GPa Módulo de elasticidade: 0,1 – 0,25 GPa Resistência ao impacto: Não quebra. Limite elástico: 6 - 10 MPa Tenacidade a ruptura: 2 – 2,3 MPa.m1/2 Tensão de escoamento: 6,9 – 15,9 MPa Tensão de compressão: 15 - 25 MPa Tensão de ruptura por tração: 10 - 25 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.950 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 180 - 200 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,29 – 0,35 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 180 - 185 K Temperatura máxima de serviço: 323 - 363 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,015 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,91 – 0,93 gf/cm3 Índice de refração: 1,51 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,25 – 2,35 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1013 ohm.m) 133

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Polietileno tereftalato – PET - (OOC-C6H4-COO-(CH2)2)n. Aplicações: garrafas de refrigerante, escovas. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, spray, outros. Fornecedor: Rhodia, Du Pont, Bayer, Hoechst, GE, RhônePoulenc Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,65 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,38 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,2 – 0,4 Dureza: 140 - 210 MPa Módulo de cisalhamento: 0,83 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,2 – 3,5 GPa Resistência ao impacto: 15 - 35 (J/m; notação Izod) Limite Elástico: 50 - 72 MPa Tenacidade a Ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 65 - 90 MPa Tensão de ruptura por tração: 50 - 80 MPa Propriedades Térmicas Calor específico: 1,40 – 1,60 (103 J/kg.K) Dilatação térmica: 50 - 80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,15 – 0,34 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 340 - 345 K Temperatura máxima de serviço: 388 - 430 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,1 – 0,15 % Densidade: 1,32 – 1,38 gf/cm3 Índice de refração: Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3,6 (106 F/m, 23 oC) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1013 ohm.m) O polipropileno (PP) - (CH2-CH-CH3)n - é um plástico de características similar ao do polietileno, sendo a densidade menor (0,905) com maior resistência ao calor. A temperatura de amolecimento é de 160 oC, conferindo elevada cristalinidade (como os polietilenos de alta densidade) e conseqüentemente boa resistência mecânica. Aplicações: fibras para tapetes, tecidos, embalagens, sacolas, garrafas, pás de ventiladores, cabos de ferramentas e talheres, cadeiras de piscinas, pedais de aceleradores, componentes automotivos. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, usinagem, outros. Fornecedor: Amoco, Chemicals, Exxon, Fina, Phillips, Rexene, Soltex, Thermofil, OPP, Elf Atochen, Ipiranga Química, IPQ, Polibrasil. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,1 – 0,3 Dureza: 80 - 100 MPa 134

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Módulo de cisalhamento: 0,5 – 0,6 GPa Módulo de elasticidade: 1 – 1,6 GPa Resistência ao impacto: 50 - 80 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 28 - 33 MPa Tenacidade a ruptura: 1,9 – 2,1 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 25 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.920 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 80 - 150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,16 – 0,24 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 260 - 270 K Temperatura máxima de serviço: 370 - 380 K Temperatura mínima de serviço: 150 - 200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,02 – 0,03 % Densidade: 0,9 – 0,91 gf/cm3 Índice de refração: 1,49 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,26 – 2,.4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1014 ohm.m) Óxido de Polipropileno - PPO (Polipropileno-eter blenda poliestireno) (CH2-OHOCH3)n-(CH2-CH-C6H4)m . Aplicações: bases de medidores elétricos, paralamas e outros painéis exteriores de automóveis. Processos: injeção, termoformagem, usinagem, outros. Taxa de reciclagem: 0.3 - 0.35 Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,5 – 0,7 % Coeficiente de Poisson: 0,35 – 0,4 Coeficiente de atrito: 0,33 – 0,36 Dureza: 120 - 180 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 – 0,9 GPa Módulo de elasticidade: 2,4 – 2,5 GPa Resistência ao impacto: 120 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 40 - 60 MPa Tenacidade a ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 90 - 105 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 - 75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.600 – 2.000 J/kg.K Dilatação Térmica: 60 - 70 (10-6/K) Condutividade Térmica: 0,16 – 0,22 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 208 - 238 K Temperatura máxima de serviço: 360 - 390 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K

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Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,25 % Densidade: 1,06 – 1,08 gf/cm3 Flamabilidade: péssima Constante dielétrica: 2,6 – 2,7 (106 F/m) Resistividade: 1,0 - 10 (1015 ohm.m) O policloreto de vinila (PVC) - (CH2-CH-Cl)n - e seus copolímeros é um dos mais importantes termoplásticos sintéticos em uso. A resina deste plástico é dura e rígida, mas com introdução de modificadores permite amolecimento em qualquer grau desejado. Tem como principal característica a resistência à combustão e dureza, mas tem baixa resistência ao ataque de solventes orgânicos clorados. Aplicações: Telhas translúcidas, divisórias, portas sanfonadas, persianas, perfis, tubos e conexões para esgotos e ventilação, esquadrias, molduras para tetos e paredes. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, usinagem, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Goldplast, Polymerpar, Trikem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,1 – 3 % Coeficiente de Poisson: 0,37 – 0,43 Dureza: R110 Módulo de cisalhamento: 0,7 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,5 – 3,8 GPa Resistência ao impacto: 50 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 23 - 52 MPa Tenacidade a ruptura: 1 - 4 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 32 - 80 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 - 70 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.000 – 1.100 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 95 10-6/K Condutividade térmica: 0,13 – 0,25 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 350 - 355 K Temperatura máxima de serviço: 348 - 365 K Temperatura mínima de serviço: 240 - 245 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 1,34 – 1,52 gf/cm3 Índice de refração: 1,52 - 1,55 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,7 – 3,3 (106 F/m) Resistividade: 3.,16 – 10,0 (1013 ohm.m)

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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O polistireno (PS) - (CH2-CH-C6H5)n - é um plástico que tem como característica principal a elevada resistência à água, dimensionalmente estável e boa moldabilidade. É usado na fabricação de componentes de geladeiras, conexões e assentos para vasos sanitários, brinquedos e determinadas carcaças de aparelhos. Pode ser moldado por injeção, termoformagem, moldagem química e extrusão. PS expandido: forros, isolamento acústico, térmico e caixas. O isopor é uma forma de espuma que bolhas pequenas de gás reduzem a densidade de 2 a 3% do valor original. Fornecedor: Pepasa, Ipubrás Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,015 – 0,02 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,25 – 0,3 Dureza: 90 - 120 MPa Módulo de cisalhamento: 1 – 1,2 GPa Módulo de elasticidade: 2,9 – 3,3 GPa Resistência ao impacto: 20 - 25 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 30 - 32 MPa Tenacidade a ruptura: 0,8 – 0,9 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.200 – 1.440 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 100 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,12 – 0,17 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 360 - 380 K Temperatura máxima de serviço: 355 - 368 K Temperatura mínima de serviço: 200 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,07 % Densidade: 1,04 – 1,06 gf/cm3 Índice de refração: 1,59 - 1,60 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,55 – 2,65 (106 F/m) Resistividade: 6,31 – 15,8 (1013 ohm.m) O polibuteno-1 ou polibutileno tereftalato (PBT) - (OOC-C6H4-COO-(CH2)4)n - pode apresentar com diferentes arranjos estruturais, que afetam substancialmente a resistência mecânica (tração e dureza). A temperatura de moldagem está na faixa de 165 a 180 oC. Aplicações: Embalagens, circuitos. Processos: injeção, extrusão, usinagem, outros. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1,5 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,35 - 0,4 Coeficiente de atrito: 0,25 - 0,3 Dureza: 105 - 165 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 - 0,85 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2,3 GPa 137

08 – 0.00 – 2. Caracteriza-se por apresentar alta transparência.32 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 3. Cláudio R. 12.00 (1012 ohm.K) Temperatura de transição vítrea: 310 .60 – 2.4 (103 F/m) Resistividade: 1.(O-C6H4-C-(CH3)2C6H4-O-CO)n. Izod) Limite elástico: 35 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Álcool polivinílico (PVAL) é solúvel em água.320 K Temperatura máxima de serviço: 390 . PC . adesivos e tintas de secagem rápida. boas propriedades elásticas e temperatura de amolecimento acima de 200 oC.m1/2 Tensão de escoamento: 97 MPa Tensão de compressão: 100 .150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.m) Poliacetato de vinila (PVAC) é bastante usado em películas de papéis e tecidos.2 MPa.3. 138 . mas insolúvel em muitos solventes orgânicos.2 .00 ( 103 J/kg.2 .125 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 . Dr.55 (J/m. por isto. Losekann Direitos autorais reservados Resistência ao impacto: 40 .395 K Temperatura mínima de serviço: 140 . Poli-4-metilpentano-1 (PMP) tem grande aplicação na fabricação de embalagens plásticas para aquecimento em microondas.09 % Densidade: 1.55 MPa Tenacidade a ruptura: 1.3 . é usado na preparação de colas e agentes separador em moldagem de peças de plásticos para evitar a adesão da resina ao molde.3 – 1.59 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.POLICARBONATOS São derivados do bisfenol A e do ácido carbônico.

584 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.100 (1012 ohm. Mauá.7 % Densidade: 1. etc.3 MPa. notação Izod) Limite elástico: 55 . Figura 12.150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. Re Plas.68 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.75 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.3 Dureza: 150 .2. garrafas de água.44 Coeficiente de atrito: 0.120 MPa Tensão de ruptura por tração: 56 . Processos: injeção.700 (J/m.95 – 1.425 K Temperatura máxima de serviço: 385 .39 – 0.K) Dilatação térmica: 40 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr.2 – 1.65 MPa Tenacidade a ruptura: 3 – 3.K Temperatura de transição vítrea: 420 . usinagem. aparelhos elétricos. recipientes para filtros.2 – 0. componentes de interiores de aviões.180 MPa Módulo de cisalhamento: 0.390 K Temperatura mínima de serviço: 140 . termoformagem. Quimpetrol. coberturas translúcidas. Petropol.3 % Coeficiente de Poisson: 0.22 gf/cm3 Índice de refração: 1. Losekann Direitos autorais reservados A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos de origem dos poliésteres é representada pela figura ao lado. Apresentam temperaturas de amolecimento acima de 200 oC.20 – 1. Cláudio R.65 – 0. Usado em instrumentos cirúrgicos.05 GPa Módulo de elasticidade:2 . Compact Disc. vitrines. Tem boas propriedades elétricas e mecânicas e estabilidade dimensional. divisórias . Uniflon.9 – 3. Fornecedor: Allcolor.1 (106 F/m) Resistividade: 1 . outros.m1/2 Tensão de escoamento: Tensão de compressão: 100 . extrusão.22 W/m. Bayer Polímeros. GE Plastic.m) 139 .14 – 0.16 – Fórmula policarbonato Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 1.9 (GPa) Resistência ao impacto: 400 .30 (103 J/kg.

280 – 1.4 – 0.200 K 140 .13 – 0. O polimetacrilato de metila . Cláudio R. Com excelente estabilidade dimensional e alta resistência elétrica.8 – 3.ALÍLICOS São plásticos termoestáveis.03 – 0. notação Izod) Limite elástico: 35 .22 (J/m.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.43 Coeficiente de atrito: 0. embalagens e painéis de propaganda.K Dilatação térmica: 62 . Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.450 J/kg.K Temperatura de transição vítrea: 370 .70 MPa Tenacidade a ruptura: 0. Losekann Direitos autorais reservados 12.3.3 MPa.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.ACRILICOS São plásticos que constituem uma subclasse de poliolefínicas que tem grande aplicação de uso doméstico e industrial.(CH3-CH2-C-COOCH3)n -.5 Dureza: 100 . entretanto.21 W/m.m1/2 Tensão de compressão: 45 . poliacrilonitrilo (PAN) e copolímeros do acrilonitilo como acrilonitrilo-budadieno-estireno (ABS) e o estireno-acrilonitrilo (SAN). cuja fórmula está abaixo. lentes. 12.06 % Coeficiente de Poisson: 0. Figura 12. outros. É usado para produção de dentaduras (resina de dentista).220 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Processos: injeção.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 38 .8 – 1. quando adicionado pós de metais nobres torna-se material condutor elétrico ou magnético.6 – 1.75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.3. Dr.4 – 0. dependendo do metal adicionado.375 K Temperatura máxima de serviço: 320 . é um produto não cristalino com boas propriedades óticas. cuja resina mais importante é o dialil-ftalato (DAP). réguas.4 .2 GPa Resistência ao impacto: 20 .325 K Temperatura mínima de serviço: 150 . usinagem.2 GPa Módulo de elasticidade: 1.17 – Polimetacrilato de metila. Geralmente são moldadas a partir de pós misturados com catalisador.3 . As resinas mais importantes desta família são: polimetacrilato de metila (PMMA).

7 – 0. outros.42 Coeficiente de atrito: 0. Apresenta estabilidade dimensional.38 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0. Uns dos principais usos deste plástico são na confecção de cordas e tecidos náuticas que podem ser combinados com o algodão.06 – 0. pode ser cristalizado fornecendo uma fibra sintética muito resistente mecanicamente e quimicamente.15 – 1.8 – 2. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. telefones. ABS .alto impacto . batedeiras e liqüidificadores.4 MPa.09 % Coeficiente de Poisson: 0. Cláudio R.5 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.18 – Poliacrilonitrilo. Usado também com aditivo para o PVC e borrachas sintéticas. Figura 12. notação Izod) Limite elástico: 27 . caixas de televisão. aspiradores de pó.2 (106 F/m) Resistividade: 2 – 15.m) O poliacrilonitrilo.95 GPa Módulo de elasticidade: 1. usinagem. cuja fórmula segue abaixo.6 – 3.2 gf/cm3 Índice de refração: 1.55 MPa Tenacidade a ruptura: 3 . Dr.48 MPa 141 .47 – 0. box para chuveiros. Figura 12.2 – 0. Processos: injeção.Aplicações: Gabinetes e caixas domésticas.7 GPa Resistência ao impacto: 200 .400 (J/m.52 Dureza: 70 .8 (1013 ohm.m1/2 Tensão de compressão: 60 .100 MPa Tensão de ruptura por tração: 36 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com faixa de temperatura de – 40 oC e 115 oC. O ABS é um polímero que apresenta três meros com seus respectivos graus de polimerização.19 – ABS.140 MPa Módulo de cisalhamento: 0.4 % Densidade: 1. resistência química e elétrica.

95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.Aplicações: gabinetes e caixas para objetos domésticos.22 W/m.14 – 0.38 – 0. banheiros.9 (106 F/m) Resistividade: 1.375 K Temperatura máxima de serviço: 340 .4 MPa.48 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.07 – 0.2 – 0.00 (1014 ohm.02 – 1.1 gf/m3 Constante dielétrica: 2.9 – 3.médio impacto .3 – 0.K Dilatação térmica: 80 .2 W/m.31 – 15.350 K Temperatura mínima de serviço: 150 .48 – 0.360 K Temperatura máxima de serviço: 358 . telefones.K Temperatura de transição vítrea: 350 .530 J/kg.06 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.80 J/m Limite elástico: 40 . Processos: injeção.42 Coeficiente de atrito: 0.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.04 – 1. outros.K Dilatação térmica: 70 .52 Dureza: 100 .500 – 1.8 – 2.510 J/kg. Cláudio R.8 (1013 ohm.60 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 .K Temperatura de transição vítrea: 370 .32 % Densidade: 1.m) ABS .45 MPa Tenacidade a ruptura: 2.3 % Densidade: 1. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.85 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Dr.m) 142 .500 – 1.5 – 2.4 – 2. aspiradores de pó. caixas de TV. usinagem.370 K Temperatura mínima de serviço: 150 .200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.12 % Coeficiente de Poisson: 0.85 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 55 .14 – 0.9 GPa Resistência ao impacto: 70 .95 GPa Módulo de elasticidade: 2.9 (106 F/m) Resistividade: 6.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.

Dr. usinagem.85 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.m) 12. anéis de pistão. isolantes elétricos.8 (1013 ohm.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.08 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.350 K Temperatura máxima de serviço: 360 .8 . copos de liquidificadores e bobinas para computadores. rolamentos. Aplicações: lentes para instrumentos.37 – 0. Por isto são usados na forma de blocos para usinagem e forjamento.05 % Coeficiente de Poisson: 0.200 MPa Módulo de cisalhamento: 1.300 – 1.80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.3 Dureza: 160 . divisões para geladeiras.3. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. outros.31 – 15.17 W/m. placas de circuitos impressos.25 – 0.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0. dureza e estabilidade dimensional ao aquecimento.500 J/kg.22 (J/m.20 – SAN. 143 .POLIIMIDAS Apresentam temperatura de fusão cristalina elevada que só podem ser moldados por processos especiais. adesivos.6 GPa Resistência ao impacto: 20 . Cláudio R.4 GPa Módulo de elasticidade: 3.1 MPa.4 Coeficiente de atrito: 0.13 – 0. seringas médicas. Losekann Direitos autorais reservados O SAN apresenta alta resistência mecânica.5 . copos. corpos para isqueiros.06 – 1. Boas propriedades mecânicas em temperaturas elevadas (450 oC) em curtos intervalo de tempo.24 – 0. notação Izod) Limite elástico: 65 .2 – 1.220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. peças para aspiradores e umidificadores.365 K Temperatura mínima de serviço: 200 .m1/2 Tensão de compressão: 80 . Fornecedor: Nitriflex .85 MPa Tensão de ruptura por tração: 65 .022 – 0. Figura 12. Fabricação de engrenagens. assentos de válvula. Processos: injeção. peças de motores.K Dilatação térmica: 50 .2 – 3.K Temperatura de transição vítrea: 340 .26 % Densidade: 1.1 (106 F/m) Resistividade: 6. mancais.

6 (106 F/m.4 – 0.38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3. aditivos na indústria de papel].140 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .5 MPa. melamina-formaldeído (MF) [produção de louças] e anilinaformaldeído (AF) [blocos e faixas terminais de circuitos elétricos].210 MPa Módulo de cisalhamento: 0.45 Dureza: 195 . 144 . Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.85 GPa Módulo de elasticidade: 2. Processos: injeção.120 – 1. Losekann Direitos autorais reservados (PI) . Ensinger.42 W/m.1. Figura 12.K Dilatação térmica: 32 .21 – Poliimida.100 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. 23oC) Resistividade: 1 – 10 (1013 ohm.95 – 1.20 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.85 (J/m.4 – 0.1 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.65 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. usinagem.(N-(CO)2-C6H2-(CO)2-N-C6H4)n São termoplásticos obtidos pela reação de um dianidrido aromático com uma diamina.45 Coeficiente de atrito: 0. Fornecedor: Du Pont. extrusão.08 % Coeficiente de Poisson: 0. notação Izod) Limite elástico: 52 .32 – 1.m) 12.8 GPa Resistência ao impacto: 75 .19 – 0. Cláudio R.K Temperatura de transição vítrea: 470 . onde inicialmente se formam moléculas lineares e posteriormente é desenvolvida a reação de cura. Os principais plásticos desta família são: uréia-formaldeído (UF) [artigos de iluminação.5 – 2.AMINOPLÁSTICOS Tem reação similar a das resinas fenólicas.m1/2 Tensão de compressão: 80 . Dr. quando moléculas se interencadeiam formando estrutura tridimensional.72 MPa Tenacidade a ruptura: 1.05 – 0. outros.3.590 K Temperatura mínima de serviço: 3 . Taxa de reciclagem: 0.5 – 4.15 % Densidade: 1.6 .130 J/kg. cuja formula geral é dado ao lado.03 – 0.480 K Temperatura máxima de serviço: 520 .

7 . 12. entre as quais. Nitrato de celulose (CN) – Obtido do tratamento da celulose com ácido nítrico. além de serem empregadas em vernizes de acabamento. cita-se o nitrato de celulose. que podem ser moldados por injeção ou extrusão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3.8 . algodão.3. devido a excelente tenacidade. Há vários tipos de radicais.CELULÓSICOS São polímeros naturais encontrado na madeira. sua moldabilidade é dificultada. com n = 1. Sem os problemas do anterior como sensibilidade à temperatura e facilidade a combustão.000). Devido as suas ligações transversais. Etil-celulose (EC) – É um termoplástico utilizado para situações que deve ocorrer impactos. acetobutirato de celulose e etil-celulose. palha. Dr. e após sua purificação. é obtida a celulose química. películas para embalagens e filmes fotográficos de segurança. Menos denso e mais resistente que o acetato de celulose à intempéries do tempo. Cláudio R. É a mistura da resina de epoxeto com agente de cura aminado. que possui moléculas grandes (n = 5. obtendo-se plásticos explosivos que deve-se ter cuidado na moldagem. Aceto-butirato de celulose (CAB) – É um éster misto da celulose. É empregado na forma de pós para injeção. Apresenta um elevado índice de cristalinidade. resultando da reação da celulose química com misturas de anidridos acético e butírico. Losekann Direitos autorais reservados 12. 145 .9 . elevada resistência à tração (70 MPa) e rigidez à flexão.3. 12. excelente desempenho à fadiga e estabilidade dimensional. Apresenta boa resistência a abrasão. acetato de celulose. Utilizado para fabricação de bolas de tênis de mesa. Acetato de celulose (CA) – É obtido do tratamento da celulose com ácido e anidro acéticos. Os adesivos epoxídicos dão ligações extremamente fortes de metal com metal. O grau de nitratação pode ser variado.EPOXÍDICOS São polímeros que se completam com agentes de cura (catalisadores).. que é matéria prima para muitas resinas.000.POLIOXIMETILÊNICOS (POM) – Polímeros lineares do formaldeído. Um dos plásticos encontrados no comércio é o acetato. etc. ( -CH2-O-)n. Da extração da madeira. é usado na fabricação de brinquedos.

tenaz e flexível. Dr. Processos: injeção.60 MPa Tensão de ruptura por tração: 15 .530 K Temperatura mínima de serviço: 10 . Aplicações: Vedações hidráulicas (herméticas para condensadores). transformadores isolados.1 – 2. revestimento de pára-quedas.(CF2)n . outros.015 % Densidade: 2. Fornecedor: Enro.O PTFE foi descoberto em 1938 por um químico da Du Pont e patenteado em 1941 sob a marca registrada de TEFLON. isolante elétrico. revestimento para panelas e ferros de passar.30 MPa Tenacidade a ruptura: 2.m1/2 Tensão de compressão: 30 . Dois tipos são de maior uso: Politetrafluoretileno (PTFE) . mas apresentam baixa resistência mecânica. transparente. Propriedades mecânicas Ductilidade: 2.010 J/kg.K Temperatura de transição vítrea: 293 .150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.44 – 0.295 K Temperatura máxima de serviço: 510 . Apresentam boa estabilidade química.05 – 0. baixo coeficiente de atrito e excelentes propriedades dielétricas.40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.20 (K) Propriedades físicas Absorção de água: 0.3 MPa.10 . Hoechst.m) 146 .11 – 0.19 – 0.00 – 10.K Dilatação térmica: 100 . Figura 12. notação Izod) Limite elástico: 15 .5 . gaxetas.01 – 0. resistência a temperatura elevada. Incopol. Losekann Direitos autorais reservados 12. apoio para pontes e tubulações. Du Pont. spray. torna-se amorfo.180 (J/m.18 gf/cm3 Índice de refração: 1. Cláudio R.90 MPa Módulo de cisalhamento: 0.7 GPa Resistência ao impacto: 160 .5 .3 % Coeficiente de Poisson: 0. Mauá. ICI.1(106 F/m) Resistividade: 1. É altamente cristalino com elevada resistência ao calor.22 – Fórmula do teflon.35 Flamabilidade: excelente Constante dielétrica: 2 – 2.24 GPa Módulo de elasticidade: 0.3 – 0. embalagens.FLUOROPLÁSTICOS São polímeros termoplásticos com o elemento mais ativo flúor.000 – 1. Temperado a 3300 oC. Petropol. válvulas.47 Coeficiente de atrito: 0. anti-aderente.25 W/m.15 Dureza: 75 .0 (1016 ohm. Uniflon.3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. extrusão.

3. com temperatura de trabalho até 130 oC. pigmentos e lubrificantes específicos de acordo com cada aplicação. intempéries.FENÓLICOS Também conhecido como baquelite. usinagem. soldas eletrônicas.25 – Fenólicos. Losekann Direitos autorais reservados policlorotrifluoretileno (PCTFE) – É resistente à umidade.11 .12 . sua resina pura resulta da reação do formaldeído com o fenol e tem a fórmula estrutural como segue: Figura 12. com a seguinte fórmula geral: Figura 12. Este último funciona como catalisador.3. geralmente serragem. equipamentos elétricos e mecânicos. na qual se adicionam cargas. que nas condições de 160 oC de temperatura e 72 kgf/cm2 se decompõem em formaldeído e amônia. A cura é desencadeada pela adição de hexametileno tetramina (C6H12N4). ataques de solventes e à inflamação. resistentes e dimensionalmente estáveis. papel ou tecido picado.POLISULFONAS São produzidos através de uma série de reações entre o bisfenol A e a 4-4diclorodifenilsulfona. 147 . estabelecendo as reações transversais entre as moléculas.23 – PCTFE. Exigem temperaturas da ordem de 350 a 400 oC para o processamento. Figura 2. suas propriedades podem ser melhoradas ainda com carga de fibra de vidro. 12. especialmente em cinzeiros e caixas de instrumentos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Podem ser soldados por pulsos de calor ou por ultra-som. como carga de reforço. 12. Usa-se. Aplicações: Condensadores eletrolíticos. terminais para lâmpadas fluorescentes. fazendo com que o formaldeído gerado reaja com a resina. Dr. outros.24 . podendo ser então removida do molde. A moldagem se dá a 260 oC. Essa resina pura é moída a um pó fino. Cláudio R. Processos: moldagem química.Polisulfona Como termoplásticos rígidos. A resina inicialmente se geleifica e posteriormente se torna dura e infusível.

50 MPa Tenacidade a ruptura: 0.250 – 1.5 GPa Módulo de elasticidade: 6 – 9. onde se utiliza vapor de água para esterilização.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O polióxido de fenileno (PPO) que apresenta boa estabilidade dimensional e propriedades mecânicas e elétricas e notável estabilidade hidrolítica.44 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. notação Izod) Limite elástico: 40 .02 % Coeficiente de Poisson: 0.POLIFENILÊNICOS São termoplásticos de base fenólica.70 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 .425 K Temperatura mínima de serviço: 180 . O polisulfeto de fenileno (PPS) que apresenta elevada resistência química e resistência mecânica à tração.4 – 0. filmes e placas.8 – 1. Usados em conexões hidráulicas.K Temperatura de transição vítrea: 400 . Tem tido aplicações em recobrimento termicamente estáveis em conexões e tubulações industriais.14 .2 – 3.110 MPa Módulo de cisalhamento: 2.100 (1010 ohm.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. 12. Cláudio R. Seu uso tem destaque nos utensílios domésticos e instrumentos cirúrgicos.16 – 0.m) 12. Há duas resinas que tem grande importância comercial.5 Dureza: 60 . Dr.460 J/kg. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.9 % Densidade: 1.24 – 1.3. caixas para ferramentas com dobradiças integrais.3 – 0.38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 7 – 9 F/m Resistividade: 1.m1/2 Tensão de compressão: 50 .8 – 0.13 – POLIALÔMEROS São variedades de poliolefinas que apresentam um comportamento intermediário ao polietileno de alta densidade e ao polipropileno.5 GPa Resistência ao impacto: 24 .45 Coeficiente de atrito: 0.K Dilatação térmica: 30 .00 .420 K Temperatura máxima de serviço: 415 . 148 .01 – 0.3.36 W/m.50 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. mas com melhor desempenho a temperaturas baixas.25 (J/m.3 MPa.

46 MPa Tenacidade a ruptura: 0.3.46 106 F/m Resistividade: 1.100 K Propriedades físicas Densidade: 1.8 GPa Limite elástico: 27 . Losekann Direitos autorais reservados 12.15 .46 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. válvula de 149 .K Temperatura de transição vítrea: 150 .00+22 (10-8 ohm. neste tipo de polímero o Si tem substituído o C.37 – 0.m) 12.4 Módulo de cisalhamento: 1 – 1. outros. Dr. contração das palavras New York – London. compostos deste tipo tem fórmula geral RSiO e são conhecidos como silicones. resistência ao impacto e elevada resistência a abrasão.015 – 0.9 gf/cm3 Flamabilidade: boa Constante dielétrica: 44 . em buchas para fixação. Propriedades mecânicas Ductilidade:0. Dentre os vários náilons encontrados no comércio.m1/2 Tensão de compressão: 40 . glicóis e água. náilon 6 e náilon 11. usinagem.Aplicações: é utilizado em cápsulas de componentes eletrônicos. etc.Aplicações: Como reforço nas telhas plásticas de fibra.6 – 1. Processos: injeção. Este efeito é obtido através da ligação ( ≡ Si – O – ).3 GPa Módulo de elasticidade: 3 . hidrocarbonetos e ésteres.((CH3)2 SiO)n .16 . quatro recebem grande importância: o náilon 66. engrenagens. óleos lubrificantes. dobradiças.540 K Temperatura mínima de serviço: 90 . SILICONE RÍGIDO (SIL) .K Dilatação térmica: 55 . Resistem a ação do óleo.3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. películas.1.280 J/kg. borrachas.00+21 .050 .POLIAMIDAS (PA) – São termoplásticos desenvolvidos pela Du Pont e são mais conhecidos como náilons (Nylon).1. fazendo com que os compostos assim obtidos sejam similares aos carbonados. NYLON 6 . Cláudio R.025 % Coeficiente de Poisson: 0. cobertas de proteção contra a abrasão e resistentes ao tempo.200 K Temperatura máxima de serviço: 510 .70 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.3 W/m.15 – 0.150 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 . o náilon 610. ou seja.3 MPa.SILICONES Há vários tipos de plásticos e elastômeros onde o mero não é o principal elemento de construção.45 – 1.(NH-(CH2)5CO)n . mas são amolecidos por álcoois. Apresentam elevada resistência à tração. Pode ser usados como vernizes. mas com melhor resistência ao calor e ao ar.

420 K Temperatura Mínima de Serviço: 225 .42 Coeficiente de atrito: 0. outros.3 – 2.40 MPa Tenacidade a ruptura: 2. Fornecedor: Bayer Polímeros. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Quimpetrol. engrenagens.K Dilatação térmica: 95 .Aplicações: tecidos.6 – 3.2 – 2.46 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. notação Izod) Limite elástico: 38 .3 Dureza: 100 . notação Izod) Limite elástico: 56 .8 GPa Resistência ao impacto: 32 .2 – 0. usinagem. extrusão.2 MPa.65 % Coeficiente de Poisson: 0. Cláudio R.400 .K Temperatura de transição vítrea: 320 .53 (J/m.230 K Propriedades físicas Absorção de água: 1.53 (J/m.3 Dureza: 140 .(NH-(CH2)6-NH-CO(CH2)4CO)n .m1/2 Tensão de compressão: 58 .38 – 0.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.38 – 0. Pepasa.6 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0.m1/2 Tensão de Compressão: 40 .58 – 0.6 % Densidade: 1.79 GPa Módulo de elasticidade: 2.26 W/m.600 J/kg.m) NYLON 66 . Du Pont.39 – 0. usinagem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.5 MPa.1. Processos: injeção.53 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3. carenagens. Rhodia.58 MPa Tenacidade a ruptura: 1.8 (106 F/m) Resistividade: 3.13 – 1. outros.16 .45 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 – 42 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. extrusão.22 – 0. mancais.120 MPa Módulo de cisalhamento: 0.2 – 0.330 K Temperatura Máxima de Serviço: 370 .8 GPa) Resistência ao impacto: 43 .4 – 1.86 MPa 150 . Processos: injeção.160 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Losekann Direitos autorais reservados regulagem de assento.15 gf/cm3 Índice de refração: 1. termoformagem.62 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .10 (1010 ohm.6 – 0. Dr.5 .42 Coeficiente de atrito: 0.

350 K Temperatura máxima de serviço: 350 .240 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.29 W/m. Dr.700 J/kg.4 % Densidade: 1.2 % Coeficiente de Poisson: 0.m1/2 Tensão de compressão: 51.34 GPa Módulo de elasticidade: 0.K Dilatação térmica: 80 . notação Izod) Limite elástico: 49 .32 – 0.2 – 0.6 (106 F/m) Resistividade: 6.05 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.9 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 330 .51 MPa Tenacidade a ruptura: 1 – 1.8 – 1.400 – 1.42 Coeficiente de atrito: 0.2 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 360 .58 MPa Tensão de ruptura por tração: 51.15 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.m) 151 .450 K Temperatura mínima de serviço: 235 ..5 MPa.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.365 K Temperatura máxima de serviço: 380 .1 – 3.400 K Temperatura mínima de serviço: 220 .95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.650 – 1.600 J/kg.3 – 0.95 GPa Resistência ao impacto: 50 .6 (1011 ohm.K Dilatação térmica: 95 .20 (1010 ohm.03 – 1.3 Dureza: 120 .31 – 12.90 (J/m.53 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1. Cláudio R.(NH-(CH2)10CO)n Propriedades mecânicas Ductilidade: 3.m) NYLON 11 .25 – 0.120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.13 – 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3 – 3.6 % Densidade: 1.6 (10-6 F/m) Resistividade: 6.25 W/m.38 – 0.31 .

85 3.2 – 0. tanques de esterilização. extrusão. (PEEK) Propriedades mecânicas (PES) Poliester rígido 0. correias.100 40 .7 – 3. estofamento de automóveis. isoladores.38 – 0.8 0. polias. Losekann Direitos autorais reservados 12. Poliester sulfona (PES) .5 – 0. Fornecedor: Ensinger. células de combustível. Taxa de reciclagem: 0. Processos: injeção. outros.86 60 .1 – 0.2 – 1. Processos: injeção. componentes médicos e agrícolas.002 – 0.(OOC. suportes para lâmpadas fotográficas.0 2.49 – 0.4 (GPa) Módulo de elasticidade 3. Cláudio R. filmes.3 – 0. Processos: injeção.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS Polieter-eter-cetona (PEEK) . revestimentos.(CO-NH-R-NH-CO-O-R-O)n Aplicações: esquadrias. instrumentos para medições.3 200 . bolltrade.60 0. placas de circuitos impressos.2 0. chapas.4 – 2.5 – 4.2 – 0.045 – 0.51 152 . componentes de reatores nucleares. dispositivos para quimioterapia. Poliester rígido .15.140 0.51 0.100 25 .08 0.3 – 2.60 (PU) Ductilidade (%) 0. molduras.120 Módulo de cisalhamento 1.240 0.3 – 2.03 25 . Brasppoly.9 – 1.6 2.9 (GPa) Resistência ao impacto 85 .18 – 0. Resana.100 tração (MPa) 0. assentos. corpos de válvula. ventiladores. impelidores.4 50 . isolamento térmico de roupas impermeáveis.007 – 0.m1/2) Tensão de compressão 80 . Petropol.3 – 0. isolamento em refrigeradores industriais e domésticos.9 45 . usinagem.38 – 0. equipamentos de laboratório. outros. em móveis. Processos: injeção.8 – 7.3. ferramentas de cirurgia.42 0. revestimento de fios.5 (MPa.9 82 . Poly-urethane.048 Coeficiente de Poisson 0.8 – 1.120 (MPa) Tensão de ruptura por 70 .90 (J/m) Limite elástico (MPa) 55 .45 0. extrusão. outros.C6H4-COO-C6H10)n Aplicações: cubas.06 0. Poliuretano flexível – PU . BASF.70 1.4 – 0. outros.4 45 .100 70 . Fornecedor: Autotravi. Taxa de reciclagem: 0. moldagem química.25 – 0.(O-C6H4-O-C6H4-CO-C6H4)n Aplicações: conectores elétricos. usinagem.5 60 .2 Dureza (MPa) 100 .43 Coeficiente de atrito 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr.0 90 .04 – 0. Fornecedor: Bayer.70 40 .60 Tenacidade a ruptura 2.3.(C6H4-SO2-C6H4-O-C6H4-C(CH3)2-C6H4-O)n Aplicações: componentes elétricos.498 0.

6 3.1.200 – 1.26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros.6.5 – 5.m) 0.1 .4 .280 1.3 – 1.5 .480 450 .6 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.25 1.28 – 0.13 – 0.6 (1014 ohm.55 .260 1.3 1.170 serviço (K) Propriedades físicas 1.K) Temperatura de 530 .16 – 12. Dr.31 (1014 ohm.500 1600 50 .240 – 1.455 160 . o mesmo apresenta um campo de deformação 60 elástico bastante Comportamento dúctil diferenciado dos outros materiais.m) 12.2 . Figura 12.0 .3 F/m) Resistividade 1. o 20 Comportamento elástico material volta as suas dimensões nominais 0 0 6 12 18 24 30 verificadas antes dos Deformação (%) esforços.30 3 Densidade (gf/cm ) 1.32 Índice de refração Flamabilidade regular 6 Constante dielétrica (10 3.60 1.18 460 .77 1.100 0.410 390 .700 53 .540 transição vítrea (GPa) Temperatura máxima de 520 .15 .23 – 0.14 – 1.1.6 muito ruim 3.0. como característica principal.410 190 .ELASTÔMEROS Elastômeros são polímeros que tem.1000 10 (10 ohm.530 serviço (K) Temperatura mínima de 150 . que.5 – 3.165 0.29 – 1.58 0.1.3.5 1.m) 0. ou seja.15 – 0.165 80 .250 Absorção de água (%) 0.46 regular 4.m) (1011 ohm.3 1.3 200 .K) Dilatação térmica (10-6/K) Condutividade térmica 0.2 – 0.250 340 .25 – 0.200 150 .0 . a propriedade de exibir elasticidade.6 350 .650 .38 regular 3.360 200 . após 40 cessado a força ou tensão que a deformou. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico (J/kg. Cláudio R.5 – 9.0.150 0. ao 100 ser submetido a uma Comportamento frágil determinada tensão ou 80 força. Tensão de ruptura à tração (MPa) 153 .26 (W/m.02 .

querosene.). Todos relativos a ensaios de tração. propriedades elásticas deste material. por acaso em 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em virtude deste comportamento atípico à tração. um segundo apresenta regime elástico e plástico de deformação com comportamento dito dúctil e um terceiro. eletricidade e à água.27 – Polisopreno. resistente à abrasão. mas se altera na presença de luz. 90% de polisopreno além de polímeros do tipo elastômeros sintéticos.839. Era a descoberta da vulcanização. geralmente. Losekann Direitos autorais reservados A figura acima mostra situações de comportamento de três polímeros à temperatura ambiente. os elastômeros são freqüentemente usados em máquinas e equipamento com objetivo de reduzir vibrações tanto acústica como mecânicas. que é objeto de estudo nesta seção. Os índios amazonenses já usavam o látex como elemento de vedação em canoas e em determinados jogos esportivos. 60. por exemplo. torna-a mais elástica e insolúvel. cujo mero apresenta a fórmula abaixo. Desta forma. A borracha é elástica. calor e a muitos óleos e solventes (gasolina. apresentando regime elástico de deformação. Com a invenção do automóvel. materiais termoplásticos parcialmente cristalinos apresentam comportamento dúcteis similares aos aços de baixo carbono e os elastômeros apresentam comportamento atípico. entretanto. na sua quase totalidade (elastômeros). e por volta de 1. São muito poucos os produtos industrializados de borracha pura. realizado em autoclaves. planta da Amazônia que Charles Goodyear descobriu.931) na Alemanha. A vulcanização. que é um processo termoquímico por enxofre (2 a 4%) a temperatura em torno de 110 oC. Cláudio R. Além de aditivos e cargas. mas as pesquisas em busca de borrachas sintéticas levaram a descoberta do neopreno (1. as borrachas industriais podem conter 30. onde um apresenta somente regime elástico de deformação. ingleses passaram a explorar a seringueira cultivando mudas da planta na Indonésia e em Filipinas. A borracha é produto da polimerização do isopreno. O uso de aceleradores de vulcanização e de antioxidantes ajudou a melhorar as propriedades da borracha natural. um material termoestável como o polimetacrilato de metila apresenta um comportamento tão frágil que se assemelha com materiais cerâmicos. ao deixar cair uma mistura de látex com enxofre sobre uma chapa quente de fogão.936) nos Estados Unidos da América e da Buna (1. os materiais poliméricos apresentam comportamento mecânico bastante variável. serem ótimos isolantes elétricos. etc. Dr. Dois tipos levaram importância: o buna-S (copolímero de estireno-butadieno) ou SBR e o buna-N 154 . mas de comportamento frágil. Os elastômeros têm sua origem do látex da seiva da seringueira (Hevea brasiliensis).880. além de. Figura 12.

bandas de recapagem. solubilidade em solventes.01 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 12 .5 – 5 % Coeficiente de Poisson: 0. Figura 12. correias. Propriedades mecânicas Ductilidade: 4. calor e luz. artigos médicoshospitalares e peças para a indústria automotiva. à eletricidade.07 – 0.675 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.21 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2. As borrachas sintéticas têm as mesmas propriedades das borrachas naturais quanto a vulcanização. Dr.215 K Temperatura máxima de serviço: 383 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.000 – 2.496 Coeficiente de Atrito: 0.143 – 1.48 W/m.1 – 0.(CH2-CH2-CH(CH3))n Aplicações: mancais. solados.94 – 0.2 MPa Tensão de ruptura por tração: 12 . Os SBRs contêm cerca de 75% de butadieno e 25% de estireno e são as borrachas sintéticas mais comuns no mercado.m) Copolímero de etileno propileno – EPDM . peças técnicas calandradas ou extrudadas.21 MPa Módulo de cisalhamento: 0.3 – 0. Propriedades mecânicas 155 .48 – 0.200 J/kg. mangueiras.m1/2 Tensão de compressão: 14. injeção. resistência à água.94 (1013 ohm.3 MPa.215 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.0033 GPa Módulo de elasticidade: 0. Cláudio R. isolantes vibratórios.01 – 7. Estireno-butadieno – SBR (CH2-C(CH3)-C(CH3)-CH2)n Aplicações: Pneus.95 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.K Temperatura de transição vítrea: 210 . Losekann Direitos autorais reservados (copolímero de butadieno-acrilonitrila).4 – 25. injeção.28 – SBR.5 – 3 V/m Resistividade: 5.09 % Densidade: 0. Processos: vulcanização.6 Dureza: 12 .393 K Temperatura mínima de serviço: 210 .21 MPa Tenacidade a ruptura: 0.002 – 0.0007 – 0.K Dilatação térmica: 660 . mas apresentam melhor resistência a óleos. outros. outros. Processos: vulcanização.

extrusão.17 W/m.02 – 0.007 GPa Módulo de elasticidade: 0.3 – 7. Taxa de reciclagem: 0. Losekann Direitos autorais reservados Ductilidade: 1 .5 – 0.4 .200 J/kg.012 % Densidade: 0.226 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. chapéus.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0. chinelos.1 – 0.EVA . Cláudio R. filmes para revestimento.48 – 0.4 .190 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.(CH2)n-(CH2-CHR)n Aplicações: Brinquedos flexíveis.008 – 0. viseiras.000 – 2.02 – 0.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.47 – 0.200 J/kg.4 .17 MPa Tenacidade a ruptura: 0.325 K Temperatura mínima de serviço: 150 ..590 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.200 K 156 .3 – 0. outros.08 – 28.01 GPa Módulo de elasticidade: 0.K Temperatura de transição vítrea: 198 .14 – 0.3 V/m Resistividade: 1.10 (1016 ohm.00 .17 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.K Temperatura de transição vítrea: Temperatura máxima de serviço: 320 .83 Dureza: 40 . mouse pads.0007 – 0.30 MPa Tensão de ruptura por tração: 16 .495 Coeficiente de atrito: 0.2 .34 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 20 .K Dilatação térmica: 550 .m1/2 Tensão de compressão: 4.86 – 0.24 MPa Módulo de cisalhamento: 0.021 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3.m) Copolímero de etileno acetato de vinil .49 Coeficiente de atrito: 0. Processos: injeção.3 – 0.7 % Coeficiente de Poisson: 0.6 Dureza: 3.04 Propriedades mecânicas Ductilidade:7.01 – 0.0002 – 0.223 K Temperatura máxima de serviço: 445 .455 K Temperatura mínima de serviço: 206 .3 MPa.000 – 2.7 % Coeficiente de Poisson: 0.03 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 16 .8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.K Dilatação térmica: 160 .4 W/m.87 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante Dielétrica: 2.55 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Dr.7 MPa.

002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3.0002 – 0.5 % Coeficiente de Poisson: 0.0017 – 0.955 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2. sapatos.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.08 – 0.95 Resistividade: 31.450 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.93 – 0.1 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 23 .25 MPa Tensão de ruptura por tração: 23 .500 J/kg. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0.24 MPa Módulo de cisalhamento: 0.2 % Densidade: 0.230 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. instalações elétricas.5 – 3 V/m Resistividade: 1 .0007 – 0.6 Dureza: 3.390 K Temperatura mínima de serviço: 220 .(CH2-CCl-CH2-CH2)n . instalações anti-vibração.495 Coeficiente de atrito: 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 5 – 5.800 – 2.14 W/m.8 % Coeficiente de Poisson: 0.K Temperatura de transição vítrea: 190 .m1/2 157 .3 – 0. Cláudio R. Dr.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.05 – 0.1 – 0.3 – 0.(CH2-C(CH3)-CH-CH2)n .4 . cintos.10 (107 ohm.07 – 0.007 GPa Módulo de elasticidade: 0.15 % Densidade: 0. outros.1 MPa.0006 GPa Módulo de elasticidade: 0.m) Isopreno .6 Dureza: 23 . tubos internos.3 MPa.4 . Processos: vulcanização. fechos.Aplicações: Roupas impermeáveis de mergulho. outros.945 – 0.Aplicações: pneus de carros.94 gf/m3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.100 (1012 ohm.002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 23 .48 – 0.9 – 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.K Dilatação térmica: 150 . Processos: injeção.499 – 0.6 .4995 Coeficiente de atrito: 0.25 MPa Módulo de cisalhamento: 0.m) Policloroprene – NEOPRENE .24 MPa Tenacidade a ruptura: 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 . injeção.0004 – 0.195 K Temperatura máxima de serviço: 370 .

Figura 12.7 – 8 V/m Resistividade: 1.m) 12. ser de fácil desdobro.000 – 2. Dr.12 W/m. Cláudio R.200 J/kg.1 – 0.10000 (1011 ohm.625 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.4 .K Temperatura de transição vítrea: 225 .29 – Uso da floresta.K Dilatação térmica: 605 .385 K Temperatura Mínima de Serviço: 220 .72 – 28. o fato de ser relativamente leve e resistente.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.25 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 6. apresentar uma estética agradável e possuir boas características isolantes.1 – 0. empena e racha conforme variações de umidade e temperatura ambiente). dentre outras.23 – 1.5 – POLÍMERO NATURAL .00 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.230 K Temperatura Máxima de Serviço: 375 .MADEIRA A madeira é um dos mais antigos materiais utilizados pelo homem que possui como vantagens.2 % Densidade: 1. As principais desvantagens da madeira como material de fabricação é a instabilidade dimensional (a madeira incha.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 3.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2. 158 . fragilidade no sentido contrário às fibras e é susceptível ao ataque de predadores.

159 . instrumentos musicais. fácil de trabalhar. cabos de vassoura. cabos de machado. grã direita e irregular. Pinus (Pinus elliot) - amarelo claro. móveis. textura lisa e fina. - Pinheiro (Araucarie angustifclia) - Pau-marfim (Baltourodendro riede. metro para medição. rosado ou acinzentado. instrumentos musicais. entalhes e venezianas. construção civil. decoração teatral. ferramentas (cabo).000. peças torneadas. marcenaria de luxo. laminado decorativo. lasca facilmente. postes e dormentes. média durabilidade. folhas decorativas. grã direita e fibra esponjosa. palha amarelado. forração de refrigeradores. palitos de fósforo e de sorvete. gosto adocicado. Aplicações aeromodelismo. móveis. veios de manchas escuras. madeira leve. resistente ao ataque de organismos xilófagos. fácil de trabalhar. tenra e fácil de trabalhar. bege amarelado ou bege rosado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. pesada e dura. grão direita. creme. porosa e macia. cheiro acentuado. O quadro abaixo mostra alguns tipos de árvores utilizado na indústria moveleira. textura fina e uniforme. artigos esportivos. bengalas. a madeira proveniente das florestas nativas está sendo cada vez mais substituída por produtos de reflorestamento ou pelas chamadas madeiras transformadas. compensado. pasta de celulose. frágil e macia. bóias e salva-vidas. textura fina e uniforme. Imbuia (Ocotea porosa) - - esquadrias e portas. - - - - forros. fácil de trabalhar. cachimbos. massa específica e dureza elevadas. construção civil. veios paralelos. massa específica elevada. compacta e de poros fechados. fácil desdobro. rica em desenhos. aroma suave. rápido crescimento. Madeira Balsa (Ochromae pyramidale) Características branco. e chegada das normas da série ISO 14.lianum) - branco-amarelado ou tom rosado. Cláudio R. cheiro pouco intenso. cheiro imperceptível e gosto amargo. peças torneadas. Dr. grã direita. resistência mecânica média. baixa resistência a organismos xilófagos. textura e brilho acetinados. Com o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável (a partir de 1987). construção de balsa e jangada. grã irregular. maquetes. retratilidade baixa. baixa resistêcia. dureza média. aglomerado. pasta celulósica. Propriedades leve e porosa. superfície lisa. baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins. cor do pardo-claro amarelado ao pardo escuro. lustrosa e lisa ao tato. assoalhos. Cerejeira (Amburana cearensis) - - - móveis de luxo. boa durabilidade. veios avermelhados. Losekann Direitos autorais reservados Atualmente o uso das madeiras naturais está bastante limitado em função da crescente conscientização ambiental. isolante térmico e sonoro.

construções externas. mourões. veios em espiral. tendo seus vasos excessivamente obstruídos por tilos e óleo-resina e fibras de lume extremamente reduzido. peças torneadas. escurecendo para castanho ou castanho-avermelhado-escuro. Em tratamentos severos sob pressão. em ondas ou em lágrimas. tacos para assoalhos. esquadrias. demonstrou ser de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. vagões. peças torneadas e instrumentos musicais. estacas. resistência adequada ao apodrecimento e ao ataque de cupins. 160 • • . média resistência mecânica. como dormentes. na construção civil. vigas. cabos de ferramentas e outros. do pardo-claro-rosado ao pardo-escuro-rosado ou acastanhado. textura fina. como vigas. em construção civil. fácil de trabalhar. pesada. alburno nitidamente diferenciado. E em ensaios de laboratório. postes. lambris. alburno diferenciado. grã ondulada. branco-amarelado. - coronhas de armas de fogo. escurecendo para castanho-escuro-amarelado com exposição ao ar.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. consistência finíssima. Tem baixa durabilidade. alto polimento. folhas faqueadas decorativas para painéis. pisos e utensílios de cozinha. molduras. embalagens. É moderadamente permeável às soluções preservantes. dura e compacta. portas. lambris. Losekann Direitos autorais reservados - pouco brilho. Cerne de cor bege-rosado ou castanho-claro. cheiro e gosto imperceptíveis. embarcações. porém é bem permeável ao tratamento preservativo. com aproximadamente 4. textura média e uniforme. dormentes. como vigamentos de pontes. - Mogno (Swietenia macro-phyfla) - castanho avermelhado. carrocerias. móveis. diferenciado do albumo de cor branco-rosado. degraus de escada. ripas. esteios. ripas. postes. Cerne de cor castanho-amarelado quando recémpolido. Alta resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins de madeira seca. no acabamento interno. em construções externas. quando recém-cortado. peças torneadas. em construção civil. Cabriúva-parda (Myrocarpus frondosus): móveis. dormentes. etc. folhas faqueadas.Sassafrás (Ocotea pretiosa): fabricação de móveis. etc. guarnições e forros. • • Angico (Peptadenia paniculata Betham): fabricaçãp de tabuados. persianas. mourões. painéis. rodapés. Cerne de cor variável. Canela . caibros. - boa durabilidade. tacos e tábuas para assoalhos. Dr. branco levemente rosado. janelas e marcos. divisórias. folhas decorativas e contraplacados. fácil de trabalhar. - Além destas.. como vigas. caibros. demonstrou ter permeabilidade extremamente baixa às soluções preservantes.0 cm de largura. mourões. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. Aroeira do Sertão ou Urundeúva (Astronium urundeuva): construções externas. alto brilho e grã direita. tábuas e tacos para assoalhos. diversas outras espécies de madeiras naturais podem ser utilizadas para produtos diversos: • Angelim: acabamentos internos. Cláudio R. cruzetas. e outros. de baixa permeabilidade às soluções preservantes.

carrocerias e instrumentos musicais. cordões. geralmente uniforme. esquadrias. bolas de bocha e boliche. mpermeável ou pouco permeável às soluções preservantes. Dr. Peroba Rosa (Aspidosperma polyneuron): utilizada em construcão civil. Cláudio R. vagões. caibros. ripas. com tonalidade mais ou menos intensa. móveis pesados. Resistência moderada ao ataque de organismos xilófagos. rodapés.. entalhes. esquadrias e peças torneadas. pisos e outros. tábuas e tacos para assoalhos. degraus de escada. rodapés. cabos de ferramentas e implementos agrícolas. dormentes. molduras. carteiras escolares. Jatobá (Hymenea stilbocarpa Hayne): utilizado na construção civil. dormentes). Cerne pardo acastanhado ou pardo-hava-claro. mais ou menos intenso. branco levemente amarelado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. guarnicões. vagões. casco de embarcacões leves. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. artigos de esporte. embalagens decorativas. Alburno espesso branco ligeiramente amarelado. portões. fôrmas para calcados. móveis de luxo. Demostrou ser impermeável às soluções preservantes. obras de entalhe. construções externas (estruturas. cruzetas. modelos de fundicão. cerne variável. como vigas. correspondendo às linhas vasculares envolvidas pelo parênquima axial. forros. tendendo para castanho-claro levemente rosado. degraus de escadas. cabos de vassouras. como vigas. venezianas. Cedro: indicada para partes internas de móveis finos. etc. tacos e tábuas para assoalhos. Ipê-Roxo ou Ipê-Una (Tabeuia impetiginosa): acabamentos internos. e outros. marcos de portas e janelas. portas. ripas. implementos agrícolas. lambris. em construções esxternas. esquadrias. venezianas. carpintaria em geral. Sucupira-parda ou Sucupira-preta (Bowdichia virgilioides): pode ser usada para folhas faqueadas decorativas. cruzetas. em construcão naval como acabamentos internos decorativos. Resistente ao ataque de organismo xilófagos. lambris. Cerne variando de pardoacastanhado ou castanho escuro. móveis. artigos de esportes. escurecendo para bege-claro com manchas amareladas. alburno nitidamente demarcado. pontes. às vezes com reflexos esverdeados. alburno destacado. peças torneadas. Cerne recém-polido apresenta-se amarelo-claro. até o castanho avermelhado. carrocerias. carrocerias. com numerosos e largos riscos mais claros. como tacos e tábuas para assoalhos e labris. pouco permeável a soluções preservantes. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • • Candeia ou Cambará (Moquinia polymorpha): construções externas. uniforme. branco-cinza. acabamentos internos. construcão de vagões. caibros. 161 . folhas faqueadas. folhas faqueadas decorativas. instrumentos musicais. dormentes. desde o castanhoclaro rosado ao castanho avermelhado. construções externas. molduras para quadros. Cerne variando do bege-rosado-escuro ou castanho-claro-rosado. Alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. artigos de escritório. etc. baixa permeabilidade às soluções preservantes.

MADEIRAS TRANSFORMADAS As madeiras transformadas são fabricadas através da alteração da estrutura fibrosa orientada do material. 162 . copas. O produto final apresenta peso específico na ordem de 700 a 750 kg/m3. possibilidade de obtenção de chapas de grandes dimensões e maior estabilidade dimensional. com espessura que varia de 9 a 30 mm. após descascados. peso específico.5. embutidos. aproveitamento integral do material lenhoso contido nas árvores. Figura 12.1 . Losekann Direitos autorais reservados 12. O MDF (Médium Density Fiberboard) é fabricado através de troncos selecionados que. da aglomeração por colagem de finas lâminas desdobradas (laminados compensados) e da aglomeração de fibras de madeiras de média densidade (MDF). É bastante indicado para a fabricação de móveis em geral. mas as medidas são consideradas padrões. na sequência. A madeira aglomerada são placas de madeira desfibradas e secas. Entre as vantagens da utilização das madeiras transformadas destacamse: a homogeneidade de composição no caráter físico e mecânico. principalmente em situações de corte para exportação. e são levadas por meio pneumático para uma máquina formadora. Os tipos mais comuns são através da reaglomeração de madeira reduzida a fibras (chapadura). etc. armários. resistências ao cisalhamento e ao fendilhamento. cozinhas. As fibras são misturadas com resina de uréia-formaldeído. Dr. visando a correção das características negativas. cujas partículas são coladas entre si por meio de aglutinantes (à base de uréia e formol).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.. melhoria de propriedades como a retratilidade. da reaglomeração de madeira reduzida a fragmentos. etc. são fragmentados e desfibrados. lascas. aparas. Os nomes de cortes podem variar de região para região. etc. onde. (aglomerados).30 – Cortes da madeira. são prensados.

163 . boa aderência. Logo. pode danificar-se em contato com líquidos ou com o calor. a água. O verniz de nitrocelulose é o mais utilizado na indústria moveleira e seu acabamento pode ser incolor. Seu principal uso são superfícies decorativas ou que não serão manuseadas. Como qualidades apresenta um tempo curto de secagem. executado preferencialmente sempre no mesmo sentido. nitrocelulose. tais como: • manchas de óleo ou graxa: podem ser removidas com nafta ou benzina. boa resistência física e química. O verniz de poliuretano é usado em pisos. resistência ao calor. Durante o preparo da superfície deve-se observar a presença de defeitos. mas. • fendas e/ou furos: podem ser eliminados através de massa corrida acrílica (ou a óleo para madeiras). Completa-se a etapa de preparo da superfície com um novo lixamento. Cláudio R. brilhante ou fosco.TRATAMENTO SUPERFICIAL Os tratamentos superficiais objetivam melhorar o aspecto do material utilizado e também protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca. Alguns tratamentos são mais específicos para determinadas espécies de madeiras naturais. seguido pela remoção do pó (com escova fina) e aplicação de uma demão de selador. madeiras e móveis. da mais grossa à mais fina. para evitar arranhões.5. Promove um acabamento liso e brilhante que. O verniz goma-laca é indicado para reparar móveis antigos ou harmonizar uma peça com outras já existentes em um ambiente. é aconselhável um estudo completo das características da madeira e do tipo de tratamento superficial que se pretende aplicar. boa flexibilidade e resistência satisfatória para emprego em ambientes internos (é utilizado sobre uma demão de selador nitro). boa flexibilidade. cimento de madeira.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3 . é susceptível a manchas por contato com a pele e é pouco resistente ao calor.2 .5. envernizamento: os vernizes formam uma película protetora transparente. 12. Losekann Direitos autorais reservados 12. É indicado para cozinhas e banheiros e tanto pode ser usado como verniz de cobertura quanto como selador. e • depressões: utiliza-se uma estopa de algodão molhada em água quente. antes da execução do trabalho propriamente dito. • • polimento com cera: confere brilho e maciez. aos álcoois e a abrasão. Em contrapartida à baixa resistência à luz e a um longo tempo de secagem.TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. que estufará as células da madeira. tingido. Dr. apresenta grande durabilidade. Os mais comuns são goma-laca. Inicia-se o preparo da madeira pelo lixamento. betume ou resina. tetos. maior brilho. outros são mais aconselhados para usos em madeiras transformadas. As lixas devem ser usadas gradualmente. poliuretano e poliéster.

• pátina: é a denominação das texturas que apresentam efeitos de envelhecimento. 3. Distribuir a massa corrida. limpa-se a peça novamente. sendo o alvejante mais usado o peróxido de hidrogênio misturado com amônia. Esperar secar por quatro horas. peroba e cerejeira). sobre as imperfeições. A operação consta dos seguintes passos: 1. limpá-la com o pano. onde os veios da madeira ficam totalmente escondidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. teca. promovem um aumento na resistência ao choque. Losekann Direitos autorais reservados O verniz de poliéster forma uma película dura e transparente e apresenta uma elevada resistência química e física (atrito). PVA ou emborrachado automativo e com uma estopa embebida em solvente dá-se o efeito de “manchado”. de cima para baixo. Os elementos pigmentados possuem as mesmas características dos vernizes. São resistentes à água e. Seu principal uso é a correção de riscos superficiais. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. confere uma aparência lisa e espelhada na superfície. Cláudio R. mas escurecem a madeira). Com a ajuda do rolo. proporciona bom acabamento. Por isso. 2.31 – Efeito pátina. Antes da pintura. são indicados para o mobiliário de quartos de crianças e de cozinha. • óleos: a aplicação de óleos (linhaça. passase uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. com a espátula. O tingimento pode ser translúcido (permite a apreciação dos veios da madeira) ou opaco (os pigmentos bloqueiam a visualização dos veios). Com a evaporação da parte líquida. do tipo poliéster e nitrocelulose). usa-se a lixa n0 180. Para retirar os excessos e nivelar a madeira. à base de água ou solvente. • laqueação: pintura aplicada com pistola. Figura 12. com o uso contínuo. • tingimento: aplicação do tingidor. Dr. sobre o substrato. o corante deposita-se na camada superior da madeira. Após o lixamento. sendo mais apropriados para madeiras escuras. Permitem acabamento de alto brilho ou fosco e possuem boa aderência em madeiras resinosas (que não são boas para vernizes. Os óleos formam um filme resistente e fosco (não encobrem a textura. física e mecanicamente. Consiste basicamente em cobrir os veios naturais da madeira com tinta esmalte. Passar a lixa n0 60 sobre a peça até tirar todo o verniz e após. 164 . • clareamento ou alvejamento: técnica para descolorir a madeira. • esmalte poliuretano: essas tintas formam películas estruturalmente duras e resistentes química.

Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. enquanto a pátina usa duas cores de tinta. passa-se a palha de aço de uma só vez. Repete-se esse procedimento até três vezes. deve-se repetir o procedimento com a massa corrida. desde que estejam em bom estado. Figura 12. suavemente. 7. Cláudio R. Quanto mais lisa estiver a madeira. A operação consta dos seguintes passos: 1. deixando o branco aparecer. A figura mostra um móvel submetido a esse tipo de tratamento superficial. 8. aplicando-se duas demãos de verniz. passa-se uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. melhores serão os resultados obtidos. passa-se uma segunda demão de tinta branca. Quando essa superfície recebe uma pátina. até que se retire completamente o verniz.32 – Efeito decapê. satinê: ou pátina lavada. melhores serão os resultados obtidos. sem retirar o excesso. procede-se o acabamento. limpa-se bem a peça. Se ainda houver imperfeições. sendo preferível as tonalidades mais claras. formam-se relevos. Losekann Direitos autorais reservados 4.33 – Efeito satinê. 3. Quanto mais lisa estiver a madeira. Dr. no mesmo sentido. Com a ajuda do rolo. mergulha-se bem o rolo (lavado) na tinta da cor escolhida e. ressaltando seus veios. As madeiras cerejeira e marfim são as ideais para esse processo. o satinê é feito com apenas uma. Deve-se manter a mão firme. tirando os excessos da tinta. bastante diluída. 6. Quando a superfície estiver bem lisa. Finalmente. • decapê: consiste na aplicação de dióxido de titânio (pó branco). porque é a palha de aço que vai criar o efeito de “riscado” da pátina. com o móvel completamente seco. 165 . Com o pano. limpa-se bem a peça. Espera-se secar por mais duas horas e trabalha-se cada uma das outras partes. riscando sempre no mesmo sentido. é usada para clarear a madeira. A figura mostra o efeito de decapê em uma peça de madeira. Porém. Com o pano. 5. até que se retire completamente o verniz. Figura 12.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Com a tinta ainda fresca. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. Antes da pintura. no sentido dos veios da madeira. de cima para baixo. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. e espera-se mais duas horas. Logo após. • 2. Desliza-se a escova de aço. aplica-o sobre o móvel.

após. passe toda a solução preparada na peça. Deve-se deixar secar durante três horas.). Deve-se passar quantas demãos se achar necessário.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II 0 Prof. raspa-se a tinta em locais onde o desgaste ocorreria naturalmente (cantos. etc. Esse procedimento deve ser repetido a cada seis meses. Finalizando. deve-se usar uma boneca sobre uma mesa. Cláudio R. serve para madeiras escuras. mas o manejo é mais seguro do que a lâmina. ou aparecerão manchas. passa-se a lixa n0 320. Se a cor não estiver do agrado. fazendose movimentos circulares com um pouco de estopa até obter uma esfera do tamanho de uma bola de tênis. A operação consta dos seguintes passos: 166 . aplica-se a cera com uma nova bolinha de estopa (boneca). 8. e passa-se a cera incolor com outra bolinha de estopa. deve-se diluir toda a anilina em 1 litro de álcool. aplica-se três demãos. 5. A tinta é preparada na seguinte proporção: seis partes de látex para quatro partes de água. passando nova demão de tinta e seguindo os mesmos passos descritos anteriormente. Se estiver trabalhando com madeira escura. Dilui-se a tinta látex e com o rolo. Quanto mais tinta for aplicada. 1. procede-se limpeza com pano. 7. 4. deve-se primeiro escurecê-las. que serve para disfarçar irregularidades da tinta ou da madeira. 6. partes perto de puxadores. mas fácil será o desgaste. pequenas depressões na madeira. concentrando-se esse trabalho. 5. Após fazer uma bolina com a estopa. conforme ilustra a figura. Losekann Direitos autorais reservados 4. Utilizando-se da espátula. pode-se clarear ainda mais. A boneca é molhada na tinta e à seguir. para que a madeira fique bem escura. para evitar manchas. Usa-se a lixa n 180 para alisar a superfície. • estonado: também conhecido por pátina provençal. Essa aplicação deve ser feita de uma só vez. pois a madeira escurecida com anilina precisa estar bem seca antes de receber tinta branca. Para escurecer a madeira. passada na peça a ser trabalhada. 6. 3. A principal característica é o contraste da tinta branca sobre um fundo escuro. nos pontos desgastados. num mesmo sentido e com firmeza. A espátula não permite um desgaste muito detalhado. para efetuar a manutenção do móvel. • estêncil: basicamente é a pintura com moldes. Dr. Esse movimento deve ser feito de uma só vez e num único sentido. O móvel deve ser nivelado com a lixa n0 220. O tempo de secagem é de uma hora para cada demão. A operação consta dos seguintes passos: Usa-se a lixa n0 180 para nivelar a superfície e tirar restos de verniz. Para estonar madeiras claras. Com suavidade. Espera-se secar por duas horas. 2. deve-se ir direto para a etapa de diluição de tinta látex. Para passar a tinta.

aplica-se a massa a óleo em toda a peça. Pequenas falhas podem surgir. pois esta pode escorrer ou se acumular nas bordas do molde. deve-se esperar a primeira cor secar completamente antes de prosseguir. 10. Pinta-se a superfície que servirá de fundo para o estêncil e aplica-se uma demão de tinta branca fosca. Figura 12. 13. entre cada demão. até que se obtenha as nuances desejadas. deixando o desenho nivelado. recorta-se o desenho do acetato com um estilete. Sobre uma base de vidro. prensadas a alta temperatura. Com o pano embebido de álcool. Usando o pincel chato. • fórmica: são placas rígidas compostas por camadas de papel e resina. quando a tinta não completa todo o desenho. Quando for realizado um desenho de várias cores. deve-se lavar a máscara e cobrir. É importante que não se permita que a esponja fique com excesso de tinta. Deve-se esperar em torno de seis horas. Usa-se uma régua para fazer as medidas necessárias. Com a esponja. Numa folha de papel. 12. Apresenta boa resistência química e mecânica. Espera-se secar. água oxigenada e produtos de limpeza que contenham cloro. Sua superfície pode ser manchada por produtos químicos. 5. fica-se “batendo” a tinta no desenho. com o rolo. O tempo de secagem é de seis horas. 9. Com a espátula. com fita crepe. Dr. 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 6. Essas devem ser corrigidas com um pincel fino. 8. 167 . 4. Lixa-se toda a peça. 11. Enegrecimento: aplicado na madeira de carvalho. limpa-se o acetato até que toda a tinta da caneta seja retirada. Para empregar outras tintas. Cláudio R. 3. deve-se cobrir com fita crepe as áreas vizinhas já prontas. os espaços que não serão pintados. Fixa-se o molde sobre o móvel com tinta crepe. A cada nova cor utilizada. 7. pinta-se o móvel com a primeira cor escolhida. Deixa-se secar por seis horas.34 – Efeito estêncil. desenha-se o que se deseja reproduzir no estêncil e coloca-se o acetato sobre o papel fazendo-se assim o contorno da figura com a caneta de reprojetor. como soda cáustica. Isso disfarça eventuais imperfeições e relevos. para remover o verniz e nivelar a superfície. Losekann Direitos autorais reservados 1. permite o escurecimento através da exposição à vapores de amoníaco. Limpa-se com o pano. Molha-se a esponja na tinta e pressiona-a levemente sobre o desenho.

e cerâmicas técnicas como piezo elétrico. muito utilizados na siderurgia. placas ou ladrilhos para piso e pastilhas.). em chapas de blindagem. tais como azulejos. Eles são freqüentemente óxidos. indo de utensílios domésticos como potes a utensílios industriais como a fibra ótica. nitretos e carbonetos. janelas. lentes. Os primeiros vestígios da utilização da cerâmica datam do início do Neolítico (entre 10.000 a. é apenas uma das diversas atividades que têm como finalidade a produção de materiais cerâmicos. 2) Cerâmica avançada • Isoladores elétricos. 168 . tanto na forma de blocos e telhas. cimento e vidro. em embalagens de componentes eletrônicos e como ferramentas de corte. ladrilhos.1 – INTRODUÇÃO O termo “cerâmica” vem da palavra grega keramikos. A fabricação de revestimentos para a construção civil. para fins diversos. Atualmente os materiais cerâmicos estão cada vez mais presentes no cotidiano e suas aplicações são as mais diversas.Louças sanitárias e domésticas. • Semicondutores e imãs. Os cerâmicos são compostos entre os elementos metálicos e nãometálicos para os quais as ligações interatômicas ou são totalmente iônicas ou são predominantemente iônica com alguma natureza covalente. Os cerâmicos podem ser classificados nas seguintes categorias: 1) Cerâmica convencional • Cerâmica vermelha – Abrange as telhas e manilhas até objetos artesanais. A grande variedade de materiais que se enquadra nesta classificação inclui cerâmicos que são compostos por minerais argilosos. • Cerâmicas duras que podem ser matérias primas de motores a combustão interna e de turbina. quanto na de placas de revestimento. Para uso na construção. que são utilizados em recipientes. para transmissão e distribuição.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os materiais cerâmicos também estão entre os mais antigos. • Revestimentos cerâmicos . • Vidros. Atualmente. na forma de potes para o armazenamento de grãos. Cláudio R. telas de tv e fibra de vidro.C. • Cerâmica branca . dando a entender que as propriedades finais desejáveis desses materiais são normalmente atingidas através de um processo de tratamento térmico a alta temperatura. que significa “matéria-prima queimada”.000 e 6. pisos e bancadas. Losekann Direitos autorais reservados 13 – CERÂMICOS 13. pastilhas e placas. • Materiais refratários e isolantes térmicos. Dr. fabricação de vidros e dos próprios revestimentos cerâmicos. tais como azulejos.Compreendem a produção de materiais usados na construção civil para revestimento de paredes. as possibilidades de emprego de materiais cerâmicos ampliaram-se muito.

corindon. apresenta-se totalmente ou parcialmente cristalizados. a condutividade térmica. as matérias primas utilizadas podem ser a argila refratária. quartzo e feldspato. fibra ótica. cuja estrutura. cada vez mais a cerâmica vem substituindo peças de metais nos mais variados equipamentos. bauxita. Atualmente existe alguns de tipos de fibras óticas com composição mais intrínseca como o ZBLAN a base de zircônio. chamadas de cerâmicas avançadas. Entretanto. Figura 13. Isso permite que os produtos de cerâmica sejam usados tanto para louça doméstica quanto para construção (material refratário de altosfornos. A cristalização confere aos materiais cerâmicos propriedades físicas como a refratariedade. caulim. Se for necessária a fabricação de um material refratário. caulim. usada em turbinas de aviões. material sanitário. cerâmicas piezo elétricas. por exemplo. muitos materiais cerâmicos ainda têm suas aplicações limitadas devido a sua fragilidade. Cláudio R. como telas de televisão. misturados em diferentes proporções. a matéria prima é cuidadosamente selecionada e a composição destes no produto dependerá da sua aplicação e das propriedades desejadas. Dr. quartzito. ferramentas de corte em máquinas-ferramentas). lentes. resistência à tração e à compressão e a dureza. cerâmicas supercondutoras. Para a fabricação de cerâmica convencional como louça doméstica. cianita. a exemplo das superligas a base de níquel. 169 . materiais biocompatíveis. bário. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais cerâmicos são materiais inorgânicos. diásporo. Desta forma. com notáveis resistências mecânica e à oxidação em altas temperaturas. pastilhas de corte. silimanita. Para cerâmicas de uso especial e com processamento de alta tecnologia. após queima em altas temperaturas. usa-se muito argila. A Ciência dos Materiais tem desenvolvido materiais alternativos dos materiais tradicionais. pisos e revestimentos ou material de laboratório para a indústria química. Tanto nos materiais cerâmicos quanto outros materiais é preciso estabelecer o fim que o produto vai ter para que se possa escolher de forma precisa a matéria prima. a resistência ao ataque de produtos químicos. materiais magnéticos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 – Peças de cerâmica. as fibras óticas contêm basicamente SiO2 e B2O3. etc nas proporções adequadas. a resistência ao choque térmico.

O esmalte é composto de vários óxidos na forma de pós que. Argilas . formado por uma mistura de minerais argilosos (caolinita. A massa cerâmica é a que se apresenta geralmente em maior quantidade. As propriedades óticas têm maior importância neste campo. por exemplo. tijolos isolantes térmicos). mas o objeto deste estudo é apenas para dar uma visão geral de ambos os casos. Quando se trata de pastilha de corte. a alumina. onde pode ser de baixa porosidade (piso) ou de elevada porosidade (revestimento. Dr. em geral. o HZBLAN com háfnio e o BIZYT a base de bário. que o caso de alguns tipos de vasos de flores e tijolos vermelhos. entendese como argila um produto natural.1. filitas. Matérias primas plásticas As matérias primas plásticas são: argila. ou seja. a matéria prima poderá ter composição bem distinta do último como o nitreto cúbico de boro.1 – CERÂMICA VERMELHA Podem-se apresentar três composições básicas que são: massa cerâmica. não tratado previamente. As matérias primas utilizadas na preparação de massas cerâmicas geralmente não são substâncias puras.O termo argila se usa em linguagem comum num sentido muito amplo com o fim de simplificar definições muito complexas. Os produtos cerâmicos são obtidos pela composição destes ou não e sinterizados (queimados). a zircônia ou carbeto de silício. O esmalte é a composição vítrea que geralmente recobre a massa cerâmica conferindo um ótimo aspecto visual e impermeabilizante da massa.2. esmalte e engobe. caolim. Cláudio R. Tanto a cerâmica convencional quanto a cerâmica avançada tem atingido grau de desenvolvimento na produção que poderia ser descrito cursos especiais para cada caso. itérbio e tório. todos com propriedades mecânicas de elevada dureza e resistência a abrasão para produzir. 13. alumínio e sódio. A qualidade e defeito de um produto cerâmico depende muito do conhecimento das matérias primas de cada componente bem como das condições físico-químicas do processamento. materiais para ferramentas de corte. que cumprem uma série de exigências que as fazem útil e rentáveis para fabricação de produtos cerâmicos convencionais. cloritas.2.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL 13. A massa cerâmica pode ser esmaltada ou não. zinco. índio.1 – Massa cerâmica As massas cerâmicas são misturas equilibradas de matérias primas plásticas e não plásticas. após a queima. Losekann Direitos autorais reservados lantânio. vitrifica-se. O engobe é uma composição intermediária da massa cerâmica e do esmalte que tem como finalidade facilitar a aderência entre os dois. bentonita. 13.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. etc) com outros que não 170 .

carbonatos. da mesma forma. MgO. Na2O.4SiO2. Al2O3 (33%). carbonato. feldspato. dilatando sua estrutura até 4 ou 5 vezes seu volume a seco. Pode apresentar elevado conteúdo de sílica com granulometria grosseira além de apresentar outros minerais como illita e montmorillonita. K2O. Cláudio R. em uma argila onde há predominância de cal. 171 . Dr.2H2O montmorilonita (bentonita) 3MgO. melhorando de forma significativa a plasticidade com a adição deste na massa cerâmica.H2O K2O. Matérias primas não plásticas As matérias primas não plásticas são: quartzo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. É extremamente plástica. feldspatos óxidos e etc. denominará argila calcárea e. Desta forma. restante.2SiO2. TiO2. para a argila caolinítica.).H2O Al2O3. 6SiO2 H2O clorita Caolim – O caolim é uma argila contendo elevado índice de caolinita.2H2O + 2H2O Al2O3. Os principais óxidos do caolim são: SiO2 (54%). que absorve água com facilidade.4SiO2. CaO. Quartzo – O quartzo é a forma predominante da sílica (SiO2) – Sílica contém 98% de SiO2 – ou seja. talco. As argilas utilizadas para fabricação de pisos e revestimentos geralmente tem em torno de 20% de sílica. quando se tem o objetivo de diminuir a plasticidade da mesma. é a forma cristalina. Losekann Direitos autorais reservados são argilosos como (quartzo. filitas C Grupo de clorita clorita haloisita caolinita diquita nacritra montmorilonita talco pirofilita filitas clorita Al2O3. As propriedades de cada argila estão de acordo com suas composições. Os minerais argilosos se dividem em 3 grupos conforme a tabela abaixo: A Grupo caolinita Hidratados haloisita caolinita Não hidratados diquita nacritra B Grupo da mica Hidratados montmorilonita Não hidratados talco pirofilita Parcialmente hidrat. Fe2O3. Utiliza-se como carga na massa cerâmica.3Al2O3. Bentonita – O principal mineral argiloso da bentonita é a montmorilonita.2SiO2. de baixa plasticidade e elevada refratariedade.

Os cristais são estruturas com orientação. Dr.2 – Esmaltes Em muitos produtos cerâmicos a massa é recoberta por uma película vítrea que também é denominado como vidrado que tem como função recobrir recobrir o material com uma camada uniforme e impermeável.56 2. O quadro abaixo mostra fórmulas moleculares teóricas de alguns tipos de feldspato mais comuns (minerais puros).Al2O3.110 a 1. realizando também funções de estética e decorativas. por exemplo.5 6/6.2.2SiO2 Li2O. MgO (32%) e restante de Al2O3.Al2O3. que se apresentam em quantidades iguais. Estas temperaturas relativamente baixas são devido a presença dos metais alcalinos e alcalinos térreos. Carbonato cálcico e dolomita – Se utilizam em massas cerâmicas de produtos porosos em que é difícil introduzir argilas calcares como.2CO2 Talco – O talco é um silicato de magnésio.64 2.6SiO2 CaO.6SiO2 Na2O.70/2. aluminosilicato de sódio.5 >6 6.41 Dureza (Mohs0 6 6/6.530 oC. 13. Os principais óxidos que podem estar contidos no talco são: SiO2 (60%). Se trata de vidros que tem diferentes composições de óxidos inclusive metais como ouro e prata (revestimentos de encomenda especial).1. Mineral Fórmula molecular Carbonato CaCO3 cálcico Dolomita CaO MgO.61/2. Na2O.Al2O3. Mineral Ortosa Albita Anortita Celsiana Petalita Nefelina Fórmula molecular K2O. quando há dificuldade de se encontrar argilas de queima branca e alto conteúdo de carbonatos.Al2O3.76 3. massa branca para revestimentos.3Na2O.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Trata-se de aluminosilicatos de metais alcalinos e alcalinos térreos. aluminosilicato de cálcio.Al2O3. podendo apresentar-se associado com impurezas como o ferro e cálcio e outros metais alcalinos. por exemplo. Cláudio R. A dolomita pode ser considerada como um carbonato duplo de cálcio e magnésio.37 2. e etc. Fe2O3.8SiO2 K2O.5 O ponto de fusão dos feldspato oscila entre 1.4Al2O3 9SiO2 Densidade aparente (g/cm3) 2. na qual os elementos químicos constituintes estão arranjados de forma ordenada e 172 . Adicionando-se talco na massa cerâmica aumenta-se a resistência a ácidos e reduz a expansão por umidade. Losekann Direitos autorais reservados Feldspato – São minerais ígneos encontrados em rochas primárias em que aparecem junto com o quartzo e a mica. Pode ter formas cristalinas ou não em sua composição.2SiO2 BaO. Os vidros são substâncias amorfas formadas por fusão e posteriormente esfriamento de silicatos desorientados. CaO.

173 . Secagem: pode ser natural ou artificial. Em geral. na qual grande parte da água livre é evaporada Queima: a temperatura é definida em função da composição química da mistura e na qual o aumento de temperatura causa as seguintes reações: desidratação. Dr. Em geral. extrusão. Portanto.3 – Engobe A função do engobe é diferente do esmalte e também as suas propriedades. misturadas de forma homogênea Moagem: o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos Umidificação: o acréscimo de água para formar a massa cerâmica Conformação: onde as peças são produzidas por vários métodos: colagem. Isolar da superfície da massa cerâmica a ação de partículas contaminantes e proporcionar uma superfície branca sobre a qual se aplicara o esmalte. formando um conjunto de células unitárias. . esmalte = vidro + cristais. elementos de carga (argila. Ter opacidade adequada. 13. prensagem ou injeção.Interação adequada com a massa cerâmica.1. De acordo com o descrito. a camada vítrea que cobre a massa cerâmica tem na realidade a estrutura de um líquido subresfriado que pode conter partículas cristalinas em suspensão. um engobe deverá: Cobrir e homogeneizar a superfície da massa. calcinação. os engobes têm composições sensíveis formadas por um fundente (PbO. Regular a adaptação entre o esmalte e a massa cerâmica. ou seja. oxidação e formação de silicatos.2. textura.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. quartzo e silicato de zircônio). Há uma série de fatores determinantes da composição do esmalte que tem de se levar em conta na hora da escolha da matéria prima que são: .A composição do esmalte deve estar de acordo com as propriedades desejadas.Os coeficientes de dilatação térmica da massa cerâmica e esmalte devem ser compatíveis a fim de evitar defeitos devido a forças de tração e de compressão entre ambos. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. a composição de um esmalte estará composta por fundentes (fritas) modificadores de propriedades (propriedades óticas. Losekann Direitos autorais reservados repetitiva nas três dimensões. caolim. Cláudio R. atuando sobre seus coeficientes de dilatação térmica ou sobre sua refratariedade. . Zr2O3). etc.Capacidade de formar uma mistura que pode se dar por fusão um vidro homogêneo a uma dada temperatura.) e aditivos (modificadores de propriedades reológicas). feldspato. .

É mais adequado subdividir este grupo em: • louça sanitária.3 . com matériasprimas com certo grau de impurezas.Louça sanitária. Dr.2 – Produção de cerâmica. 13. O calor é muito importante para que o produto cerâmico tenha garantidas as propriedades que o caracterizam.000 °C. • utensílios domésticos e adornos. • cerâmica artística (decorativa e utilitária). Cláudio R. responsáveis pela coloração. necessária por razões estéticas e técnicas. A cerâmica branca é um segmento da cerâmica tradicional (ou de silicatos) bastante abrangente. Com o advento dos vidrados opacificados. Losekann Direitos autorais reservados Figura 13. sem prejuízo das características para uma dada aplicação.2 – CERÂMICA BRANCA Este grupo é bastante diversificado. compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa. Figura 13. em temperaturas superiores a 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. caracterizada pela cor branca ou clara de queima de sua massa básica. muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados. • louça de mesa. A preparação de um 174 .2.

Losekann Direitos autorais reservados produto cerâmico desta classe abrange. por uma mistura de argila plástica. Em geral. caolim. suspensão e plasticidade). geralmente. As matérias primas devem apresentar. queimam com cores claras a 1250 ºC. Esse processo é seguido por um peneiramento ou uma classificação por granulometria que produz um produto pulverizado que possui uma faixa desejada de tamanho de partículas. secagem. A consistência (razão água-argila) da massa hidroplástica deve dar um limite de resistência suficiente para permitir que uma peça conformada mantenha a sua forma durante o manuseio e a secagem. manganês ou titânio. preparação. Não há uma única massa-padrão com características que satisfaçam aos requisitos de todos os diferentes produtos da cerâmica branca. e função química no processo de queima (elementos estabilizadores. Conformação: os minerais à base de argila. Secagem: uma peça cerâmica que tenha sido moldada retém uma porosidade significativa e também possui uma resistência que é insuficiente para a maioria das aplicações práticas. com cor escura a temperatura usual de queima é a 1450 ºC. Umidificação: os materiais pulverizados devem ser completamente misturados com água e. fundentes e inertes). formação dos corpos cerâmicos. eles possuem limites de escoamento extremamente baixos. Esse líquido é removido em um processo de secagem. traduzidos por três matérias primas: argila. e acabamento. A massa da cerâmica branca é composta. Cláudio R. a densidade e a resistência são melhoradas com a secagem e a queima. de maneira geral. se tornam altamente plásticos e flexíveis. composição e homogeneização da massa cerâmica. água). misturadas de forma homogênea Moagem: para que se reduza o tamanho das partículas da matéria-prima da argila é necessário que se faça um procedimento de moagem ou trituração. materiais com a função física durante o processo de conformação das peças (agentes de ligação. quartzo e feldspato. podendo. extrusão. Esses componentes podem ser agrupados em materiais plásticos e não-plásticos. Os processos podem ser: colagem. na proporção de 25% para cada componente. ela pode conter ainda algum líquido (por exemplo. as seguintes etapas: seleção das matérias primas. Além do mais. quartzo e feldspato. isolada ou conjuntamente. ou idealmente. 175 . para satisfazer a uma dada composição química prefixada para massa e finalmente para o corpo cerâmico. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. para cerâmica branca.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que foi adicionado para auxiliar na operação de conformação. a faixa usual de queima para material sanitário compreende 1230 ºC a 1280 ºC. Dr. outros ingredientes para dar as características de escoamento que são compatíveis com a técnica particular de moldagem. Os caolins. prensagem ou injeção. Essa massa é geralmente total ou parcialmente vitrificada e apresenta uma certa coloração escura indesejável.o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos. Quando ricos em ferro. entretanto. e podem ser moldados sem que ocorram trincas. quando misturados com água. porém variar dentro de faixas de acordo com a composição química desses materiais. queima. talvez. considerando os coeficientes de dilatação térmica da massa e do vidrado. requerendo que seja coberta por um vidrado contendo um pigmento e com opacificantes (ZrSiO4).

como resultado de forças de tensão superficial. tubos. onde uma massa cerâmica plástica rígida é forçada através de um orifício de uma matriz que possui a geometria de seção reta desejada. O grau de vitrificação depende da temperatura e do tempo de queima. Essa fase fluída escoa ao redor das partículas não fundidas que permanecem no meio e preenche os poros. o tijolo de construção) são formadas pela introdução de inserções colocadas dentro do molde. Durante a operação de queima. Cláudio R. para melhorar a densidade da peça. Quando materiais à base de argila são aquecidos a temperaturas mais elevadas. e são relativamente porosos. Com o resfriamento. a densidade e a resistência mecânica devido à diminuição da porosidade. oxidação e formação de silicatos. calcinação.1 . Figura 13.2. Por outro lado. a formação gradual de um vidro líquido que flui para dentro e preenche parte do volume dos poros. A temperatura é definida em função da composição química da mistura. deixando para trás uma camada sobre a parede do molde. A temperatura na qual a fase líquida se forma é reduzida pela adição de agentes fundentes. geralmente. variando. A temperatura de queima depende da composição e das propriedades desejadas para a peça acabada. que está no limiar de ser oticamente translúcida. a barbotina (mistura líquida de argilas) é derramada dentro de um molde poroso (em geral de gesso).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Esse processo 176 . entre 900 °C e 1400 °C. As técnicas de secagem e queima são críticas no sentido de que defeitos como contração de volume de forma irregular torna a peça inútil. As seguintes reações ocorrem através da queima: desidratação. ela é semelhante à extrusão de metais. Dessa forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. uma contração de volume também acompanha esse processo. ocorre em temperaturas muito mais altas. Os tijolos de construção são queimados normalmente a uma temperatura de aproximadamente 900 °C.Processamento A técnica de conformação hidroplástica mais comum é a extrusão. e o ar é freqüentemente removido em uma câmara a vácuo. cuja espessura irá depender do tempo. bem como da composição química da peça. como o feldspato. a água da suspensão é absorvida no interior do molde. As colunas ocas no interior da peça extrudada (por exemplo. Neste processo. Um outro processo de modelação usado para composições à base de argila é a moldagem por suspensão. Uma dessas reações é a vitrificação. 13. ocorrem algumas reações consideravelmente complexas. Losekann Direitos autorais reservados Queima: uma peça que tenha sido conformado e que esteja seco. Tijolos. blocos cerâmicos e azulejos são todos geralmente fabricados utilizando uma técnica de conformação hidroplástica. Dr.2. essa fase fundida forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. a queima de uma porcelana altamente vitrificada. mas que não tenha sido queimada é conhecido por cru. a cerâmica plástica é forçada através de uma matriz por meio de uma rosca sem fim acionada por um motor. Normalmente.4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos.

semi-condutividade. Propriedades: condensação ótica. Aplicação: cerâmicas óticas. carbonato de bário e de estrôncio. Produtos: suportes de catalisadores. zircônia. objetos de arte e peças de laboratórios científicos. e ainda assim precisa ser muito fluida. Após a conformação a peça entra num sistema contínuo de secagem e queima. ela precisa possuir uma gravidade específica alta. relativamente fácil de ser fabricado em formas intrincadas e reutilizáveis. condução de luz. 4) Alumina. resistência a corrosão. Losekann Direitos autorais reservados pode ser continuado até que a totalidade da cavidade do molde se torne resistente mecanicamente. normalmente sintéticas e conformadas por processos especiais. 3) Alumina. Propriedades: capacidade de adsorsão. As propriedades do molde também influenciam a qualidade da modelação. Propriedades: condutividade térmica. Produtos: radiadores de infravermelho. tais como tubos cerâmicos. sensores de gases. que devem ser montadas antes da queima. sinterizadas em condições rigidamente controladas a fim de apresentarem propriedades superiores. 2) Alumina. termistores. Dr. isolação térmica. memórias óticas. 5) Alumina. Aplicação: cerâmicas térmicas. é usado como material de molde. juntas. A prensagem “a seco” é um outro importante método de conformação de produtos cerâmicos e é realizado através da prensagem de pós da matéria prima. eletrólitos sólidos. ossos.3 – CERÂMICA AVANÇADA Pode-se dizer que esta expressão define produtos cerâmicos manufaturados a partir de matérias primas puras. Abaixo está alguns exemplos de cerâmicas avançadas para perceber a abrangência desses materiais: 1) Óxido de ferro. geradores de faísca. Os pós são produzidos através da atomização ou pulverização de barbotina em contra corrente a um fluxo de ar aquecido e que circula em uma torre. A natureza da suspensão é extremamente importante. Aplicação: cerâmicas elétricas e magnéticas. que é econômico. dieletricidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. piezoeletricidade. Essas características dependem da razão sólido-água. que posteriormente e transportado para matrizes de prensagem. absorção de calor. 177 . polarizadores. Propriedades: biocompatibilidade Produtos: implantes para substituir dentes. vidro de sílica. bem como de outros agentes que são adicionados. refratariedade. Propriedades: magnetismo. refratários. Aplicação: cerâmicas químicas e eletroquímicas. ímãs. translucidez. isolantes térmicos. As formas cerâmicas consideravelmente complexas que podem ser produzidas por este método incluem louças sanitárias. No final do percurso encontra-se o pó de cerâmica (matéria prima plástica). cabos óticos. varistores. titanato de bário. fluorescência. Produtos: lâmpada de descarga elétrica de vapor de sódio. Aplicação: cerâmicas biológicas. semicondutores. catálise. Cláudio R. Produtos: capacitores. zircônia. Normalmente o gesso-de-paris. 13. A maioria dos moldes é composta por peças múltiplas.

geralmente chamado de carborundum e formado por uma combinação química de silício com carbono obtida a temperaturas entre 2. uma resina ou um metal. revestimento de reatores. é o abrasivo natural mais utilizado. desde os mais macios até os mais duros. seja ele natural ou sintético Para formar ferramentas do tipo rebolo abrasivo. sendo usado para afiar ferramentas desgastadas. na eliminação de rebarbas e na afiação de ferramentas. nitreto de silício. Os abrasivos da qual são fabricadas podem ser usados sob a forma de pós. barras e placas de diferentes formas e dimensões. Os abrasivos sintéticos também são de origem cerâmica. por outro lado. grãos soltos. Produtos: Materiais para blindagem. matrizes e gabaritos. baixa expansão térmica. Outras ferramentas de corte possuem pontas feitas com óxido de alumínio que podem ser unidas por meio de um processo de prensagem a frio seguido de sinterização ou por uma única operação de prensagem a quente. Por isso. esferas e cilindros para moagem. alumina. quanto mais fino for o grão do abrasivo. O rebolo é usada na retificação cilíndrica em superfície plana e paralela. bicos de maçaricos. que são depois moídos em grãos com arestas ou cantos agudos. carbeto de silício. às altas temperaturas e à radiação. essas ferramentas podem cortar durante mais tempo. com até 95% de óxido de alumínio. Esses abrasivos são usados principalmente para afiar ferramentas de corte ou polir e dar acabamento final a estampos. O diamante. O corindon. O tamanho de cada grão determina a classificação da capacidade de corte do abrasivo.300 oC. Propriedades: alta resistência mecânica e à abrasão.As ferramentas de corte feitas de materiais abrasivos são usadas para trabalhar todos os materiais e metais. acendedores para caldeiras. mais fino e polido será o acabamento obtido.200 oC e 2. Grãos mais grossos retiram mais material. zircônia Aplicação: cerâmicas abrasivas e termomecânicas. os grãos abrasivos podem ser unidos por meio de um material aglomerante na forma de uma liga cerâmica. Aplicação: cerâmicas nucleares. São eles: o eletrocorindon (normal e branco). pás de turbinas para altas velocidades. anéis de vedação de bombas d’água. por sua vez. o atrito do abrasivo com a peça retira quantidades variadas de material. com velocidades de corte maiores. Todos os abrasivos sintéticos são processados a quente e saem do forno em forma de pedaços maciços. refratariedade. é o mais duro dos abrasivos naturais. rebolos. O carbeto de boro com até 95% de carbeto de boro cristalino. elevado ponto de fusão. Dr. Cláudio R. Cerâmicas abrasivas . carbeto de boro. 178 . Nas operações executadas com o auxílio desses materiais. 7) Carbeto de boro. obtido por fusão elétrica a partir da alumina pura. dependendo do resultado que se quer obter. O uso dos diamantes artificiais também é cada vez mais comum para o mesmo tipo de aplicação. Losekann Direitos autorais reservados 6) Zircônia. alumina. Essas ferramentas tem alta resistência ao desgaste e a deformação em temperaturas altas. rotores. Produto: ferramentas de corte. o carboneto de silício (SiC). elevada condutividade térmica. é um óxido de alumínio (Al2O3) com 90% de pureza. A presença de impurezas piora suas propriedades. capacidade de lubrificação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. alta resistência ao choque térmico. São esses cantos que dão ao material abrasivo sua capacidade de cortar outros materiais. Propriedades: resistência a corrosão.

Nestas últimas décadas houve um grande avanço no desenvolvimento de materiais cerâmicos ou compósitos para produção de tambores e disco de freio. Como o aumento do rendimento luminoso das lâmpadas incandescentes depende da elevação de temperatura do filamento. será descrito abaixo a evolução destes materiais: Metais duros . A resistência à propagação de trincas em materiais frágeis pode ser fortemente influenciada pela microestrutura e pelo uso de vários reforços de inclusões na matriz.3 kgf/dm3. Uma composição típica é a seguinte: 81% de tungstênio. Os estudos desenvolvidos inicialmente pela Osram. A fase dominante em % de volume atua como matriz.387 oC. de modo bastante sintético. Assim. " como diamante". A dificuldade de fusão do tungstênio. A técnica de fabricação dos metais duros pode ser descrita. W. compactação e sinterização. pela inexistência de cadinhos que possam suportar a temperatura de 3. nome comercial tomado em linguagem popular como sinônimo de metal duro e que provém da contração das palavras alemãs " wie diamant". à deformação plástica e elevada estabilidade química.200 MPa. foram cedidos a Krupp para o estudo da aplicação do carboneto de tungstênio na usinagem de metais. para a fabricação de filamentos de tungstênio para lâmpadas incandescentes. Cláudio R. especialmente quando eles são diferenciados da fase única.400 oC. São usadas na indústria metal-mecânica. de mais alta resistência a tração: 4. como fase dispersante. As fases constituintes podem ser quimicamente dissimilares e são separados por uma interface distinta. levou a técnica da sinterização e ao desenvolvimento da chamada “metalurgia do pó”. ferro fundido cinzento. Muitas das propriedades mecânicas são fortemente dependentes da microestrutura. Através de uma série de operações químicas é o mesmo reduzido a trióxido de tungstênio (WO3). a outra. isto é. como segue: 1. Em 1. 6% de carbono e 13% de cobalto. Esses materiais apresentam elevada dureza. Losekann Direitos autorais reservados Compósitos . 2. desde cedo os fabricantes de lâmpadas pesquisaram a possibilidade de aplicação do tungstênio na fabricação dos filamentos. O minério do qual se parte para obtenção do carboneto de tungstênio é geralmente a Scheelita.10-6 oC-1.4. O tungstênio é obtido em estado extremamente puro e dividido em partículas. Um compósito é um material multifásico produzido artificialmente. pela redução do trióxido de tungstênio pelo hidrogênio. além de pastilhas de metal duro e cerâmicos para ferramentas de corte.927 a Krupp fez sucesso com o seu produto "Widia". principalmente para a usinagem em alta velocidade de aços carbono. resistência ao desgaste.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tendo como ligante o cobalto. Dr. resultando os denominados compósitos.O tungstênio é o metal de mais alto ponto de fusão: 3. Os cermetos são exemplos de compósitos cerâmica-metal. Eles são manufaturados principalmente pela mistura de componentes. Em sua composição original participa somente o carboneto de tungstênio.Um dos meios mais eficaz pelos quais materiais frágeis podem ser tenacificados é através da dispersão de metais na matriz cerâmica. superligas de ferro fundido especial e aços de alta resistência. Trata-se quimicamente do tungstato de cálcio (CaWO4). Scheele. 179 . peso específico de 19. na Alemanha. do qual existem quantidades apreciáveis no nordeste brasileiro. de mais baixo coeficiente de dilatação térmica linear: 4. assim chamada em homenagem ao químico sueco K.

A mistura é. Esta operação deve levar as pecas à formas precisas. Figura 13. se obtém o carboneto de tungstênio. dependendo da composição do material e do tipo de forno. comprimida a frio. 7. No decorrer da sinterização. em condições apropriadas de temperatura. A uma temperatura em torno de 900oC se dá uma sinterização parcial do cobalto. Losekann Direitos autorais reservados 3. obtendo-se peças já com a forma desejada (pastilhas). pois as peças não possuem ainda nenhuma dureza.5 . As peças pré-sinterizadas e usinadas. dependendo teor de cobalto e da pressão com que o material foi prensado nas matrizes. O carboneto é. As pressões usadas são da ordem de 400 MPa. em seguida. Deve-se contar.600 oC. adquirindo o produto uma consistência e dureza suficientes para a sua manipulação nas operações subsequentes. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. sem maior dificuldade. As pastilhas são levadas a um forno de pré-sinterização com atmosfera de hidrogênio. 5. Na sinterização. com resistência suficiente para serem manipulados. uma liga eutética de cobalto se funde e introduz-se. este é cortado e levado à forma final por meio de rebolos apropriados. envolvendo e dissolvendo algumas destas partículas. assim como as pastilhas prensadas. há uma contração linear de 15 a 22%. 4. com a retração na operação final de sinterização. pois qualquer operação posterior à sinterização resulta difícil e onerosa. entre as partículas de carboneto. Cláudio R. Resfriado o produto.350 a 1. onde. A temperatura varia de 1. em matrizes. pela ação de capilaridade. sem quebra. 180 . ainda.Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro. Este processo é utilizado na fabricação de peças de forma especial ou pastilhas de pequeno consumo. O conjunto é perfeitamente misturado num moinho de bolas. 8. 6. O tungstênio é misturado com carbono puro (grafite) e a mistura é levada a um forno. em seguida. são levadas para o forno de sinterização que trabalha sobre vácuo ou em atmosfera de hidrogênio. moído e misturado com pó muito puro e fino de cobalto.

000 °C. Também ocorrem problemas de difusão e de dissolução.Muitos anos após a introdução dos metais duros. o que resulta a alta resistência das ligações internas e dos cantos dos metais duros de puro WCCo. dureza 76 a 78 Rockwell C. densidade da ordem de 14 kgf/dm3. os metais duros foram aperfeiçoados para cada aplicação específica. Losekann Direitos autorais reservados O metal duro apresenta uma altíssima resistência à compressão. Dr. Disto resulta a alta resistência dos metais duros que tem TiC na sua composição. Metais duros com carbonetos combinados . M e K. coeficiente de dilatação térmica cerca de metade da do aço. porém em paralelo. a resistência das ligações internas e dos cantos. módulo de elasticidade E = 620. elevada condutibilidade térmica (8 a 20 vezes a do aço). e foi necessário classificá-los conforme o tipo de trabalho a ser feito.500 N/mm2. que solucionar este problema foram feitos vários desenvolvimentos no metal duro. Na ferramenta forma-se rapidamente uma cratera. Os metais duros são divididos em três grupos de aplicação P. A seleção de pastilhas será visto em capítulo posterior. Reduz-se. mas a utilização na usinagem de aço é limitada pela tendência de difusão do carbono e de dissolução no cobalto e no ferro. As ferramentas de carboneto de tungstênio foram empregadas a princípio com extraordinário sucesso na usinagem de ferro fundido e materiais não ferrosos.Em pequenas percentagens. dando origem a uma série de tipos de ferramentas. Isto faz com que o cavaco escorregue com grande pressão e sob elevada resistência. Cada classe possui uma composição química diferente e tipos específicos de material a usinar. o carboneto de tântalo atua no sentido de diminuir o tamanho dos grãos.O carboneto de tungstênio é solúvel no cobalto. Devido à adição dos carbonetos combinados. Estes carbonetos apresentam maior dureza do que o de tungstênio. verificou-se que o atrito entre o carboneto e o cavaco era fortemente reduzido pela adição de carboneto de titânio e de tântalo na composição original. 181 . Metais duros com alto teor de TiC são frágeis. melhorando assim a tenacidade e a resistência dos cantos. São utilizados na usinagem de aços com altas velocidades de corte. 3. cada uma indicada para uma dada aplicação. 4. mantendo elevada dureza até cerca de 1. NbC .O carboneto de nióbio tem efeito semelhante ao TaC. com forte formação de calor. Cláudio R.000 N/mm2. Atualmente são usados como componentes dos metais duros: WC . mas com resultados medíocres na maioria das operações com aço. 2. TiC forma um carboneto misto com WC. notável resistência à compressão de cerca de 3. Ambos os carbonetos ocorrem no metal duro como cristais mistos Ta-Nb-C.Os carbonetos de titânio têm pouca tendência à difusão. 1. O WC tem alta resistência à abrasão. Verificou-se que a causa principal do insucesso residia no forte atrito que se estabelece entre a ferramenta de metal duro e o cavaco de aço. TiC . levando o gume de corte ao esfacelamento. TaC .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

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Grupo principal de usinagem P (Classe azul)
Indicado para a usinagem de aço, aço fundido e ferro fundido maleável, nodular ou ligado, de cavaco comprido. Além de WC, tem percentagens mais ou menos elevadas de TiC ( até 35%) e TaC ( até 7%), apresentando um atrito baixo com cavacos de materiais dúcteis.

Grupo principal de usinagem M (Classe amarela)
Para usinagem de aço, aço fundido, aço ao Mn, ferros fundidos ligados, aços inoxidáveis austeníticos, ferros fundido maleável e nodular e aços de corte livre, ou seja, par uso universal em condições satisfatórias. Constituem tipos intermediários entre o grupo P e K.

Grupo principal de usinagem K (Classe vermelha)
Para usinagem de ferros fundido comum e coquilhado, ferro fundidos maleáveis de cavaco curto, aços temperados, não ferrosos, não metálicos e madeira. Os metais duros deste grupo se compõem quase que exclusivamente de WC e de Co, como elemento ligante. Pequenas percentagens de VC, TiC, TaC e NbC são acrescentadas as vezes para melhorar certas características. Em cada grupo, os metais duros são fabricados em diversos graus, correspondendo a uma dureza decrescente e uma tenacidade crescente e vice-versa. Os tipos mais duros são usados em usinagens de acabamento (altas velocidades e cortes leves), enquanto que os tipos mais tenazes e menos duros, em virtude de teores mais altos de cobalto, são usados em cortes pesados de desbaste, em velocidades mais baixas ou em condições desfavoráveis de usinagem (vibrações, cortes interrompidos, máquinas velhas etc.). Os tipos mais duros, em geral exigem ângulos de saída negativos. Metais duros de múltiplas faixas de aplicação - Partindo de matérias primas com mais alto grau de pureza e com controle mais rigoroso do processo de sinterização, foi possível obter pastilhas de metal duro de elevada resistência à flexão com mínima perda de dureza. Os cuidados se referem especialmente à granulometria mais fina e uniforme, à distribuição mais perfeita dos carbonetos e a melhoria da solubilidade dos carbonetos no metal de ligação. Pode-se assim produzir pastilhas que cobrem mais faixas de aplicação, reduzindo assim o número de tipos necessários nas diversas operações de usinagem. Existem inclusive propostas para eliminar da norma o grupo de aplicação K. Metais duros com uma camada de revestimento - Com objetivo de melhor explorar as vantagens de cada um dos carbonetos componentes, desenvolveu-se os metais duros revestidos. Eles se compõem de uma base de metal duro relativamente tenaz, sobre a qual se aplica uma ou mais camadas finas, duras, resistentes à abrasão e de fina granulometria, de um material composto de carbonetos (por exemplo: TiC, HfC, ZrC), de nitretos (TiN, HfN, Zr2O3), de carbonitretos (TiCN) ou de óxidos (Al2O3). Estes 182

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revestimentos permitem um aumento substancial da vida das ferramentas. Em condições adequadas este aumento corresponde a um múltiplo de tempo de vida das ferramentas de metal duro convencional. O revestimento é hoje mais freqüentemente aplicado pelo processo de deposição química de vapor (CVD). A figura abaixo mostra como são estas camadas em uma pastilha de metal duro (GC4025 - Sandvic). Neste tipo de pastilha a camada total de revestimento não ultrapassa a 10 µm de espessura.

Figura 13.6 - Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro.

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Cerâmica - As ferramentas de cerâmica de óxido de alumínio extremamente puro como de misturas de óxido de alumínio com carbonetos metálicos têm adquirido importância crescente em máquinas automáticas de alta velocidade, para usinagem de peças de aço e ferro fundido. Em condições adequadas, é possível usar velocidades de corte 4 a 5 vezes maiores do que aquelas empregadas com metal duro, o que representa uma vantagem na redução do tempo efetivo de corte. Cerâmicas brancas - Durante muitos anos as pastilhas cerâmicas não tiveram o sucesso industrial esperado. Isto se deve, em parte, ao fato de que as cerâmicas exigem máquinas-ferramentas de elevada velocidade, grande potência e extrema rigidez. Além disto, a alta velocidade de corte implica em um fluxo intenso de cavacos muito quentes, tornando imprescindível uma proteção adequada ao operador. O componente principal da cerâmica de corte é o Al2O3. O material de partida apresenta sob a forma de um pó finíssimo, cujas partículas estão compreendidas entre 1 e 10 µm. As peças se obtém prensando fortemente a matéria prima que pode ser Al2O3 com 99,98% de pureza, ou então, em composição de 89 a 99% de Al2O3 e o restante de óxido de silício, de magnésio, de cromo ou de níquel ou, ainda, outros componentes. A qualidade de uma ferramenta de cerâmica depende de sua baixa porosidade associada a tamanhos de grãos pequenos A cerâmica, como ferramenta de corte, tem as seguintes características: Alta dureza a quente, que se mantém até cerca de 1.600 °C, permitindo altas velocidades de corte (5 a 10 vezes superiores a do metal duro convencional); Elevada estabilidade química do óxido de alumínio, que se mantém até uma temperatura próxima do seu ponto de fusão (2.050 °C); Altíssima resistência a compressão; Baixo coeficiente de atrito; Nenhuma afinidade química com o aço, não formando gume postiço.

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1. 2. 3. 4. 5.

Estas duas últimas qualidades asseguram um excelente acabamento superficial. O menor desgaste da ferramenta, assegura também melhor precisão dimensional das peças. Como problemas da usinagem com cerâmica, pode-se citar: 183

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1. Grande fragilidade; 2. Condutibilidade térmica muito baixa. A fixação das pastilhas cerâmicas tem sido feita por colagem (Araldite, Epoxy) ou por grampos. Este último modo é o mais freqüente. As pastilhas podem ser reafiadas por rebolos de diamante, porém, a tendência é a utilização das assim chamadas pastilhas "descartáveis". Estas, de forma quadrada ou triangular, apresentam 8 ou 6 gumes afiados de fábrica, que são usados sucessivamente por giro da pastilha em seu suporte. Depois de usados todos os gumes, a pastilha é jogada fora. As ferramentas de cerâmica têm sido utilizadas com sucesso no acabamento e desbaste de ferro fundido com dureza Brinell superior a 180 kgf/mm2 e o ferro fundido coquilhado com dureza Brinell até 500 kgf/mm2, inclusive para aço temperado com uma dureza até 60 HRC. Também são próprias para a usinagem de materiais que apresentam forte efeito abrasivo, como plástico, grafite, ebonite. Na realidade quase todos os materiais podem ser usinados com cerâmica. As poucas exceções são: 1. Alumínio, que reage quimicamente com Al2O3. 2. Ligas de titânio, com alta percentagem de níquel e materiais resistentes ao calor, devido a tendência a reações químicas. 3. Magnésio, berílio e zircônio, que são inflamáveis na temperatura de trabalho da cerâmica. A pastilha de cerâmica de corte tem as seguintes propriedades: Cor (cerâmica pura) branca 3 Peso específico (gf/cm ) 3,7 a 4,1 Dureza (HRA) 90 a 95 3.500 Resistência à compressão (N/mm2) Resistência à flexão (N/mm2) 150 a 400 Temperatura de amolecimento (°C) 1.800 Coeficiente de dilatação térmica linear (°C-1) 0,8.10-6 Cerâmicas mistas - Ao lado das pastilhas cerâmicas acima descritas, estão sendo utilizadas ferramentas de corte com menos de 90% de Al2O3, porém com adições de óxidos e carbonetos metálicos, especialmente de carboneto de titânio e também carboneto de tungstênio. Estes materiais são denominados CERMETOS (cerâmica + metal) na literatura anglo-americana, que são compósitos. São obtidos por prensagem a quente, o que produz uma estrutura de partida mais compacta do que no caso da cerâmica pura. São em geral de cor preta. Na sinterização, a presença de carbonetos de titânio e outros óxidos, inibe o crescimento dos grãos. Isto confere aos cermetos elevada dureza, maior tenacidade, resistência ao desgaste do gume e à formação de crateras. Ao contrário dos materiais cerâmicos, os cermets são condutores elétricos, têm razoável condutividade térmica e são menos frágeis. Têm um peso específico de 5 a 6 gf/cm3. São menos sujeitos à trincas térmicas do que as cerâmicas puras. São usados na usinagem de ferro fundido com dureza Brinell maior que 235 HB e aços com dureza de 34 a 66 HRC. Cerâmicas à base de nitreto de silício - Em 1.981, foi introduzido um novo tipo de cerâmica de corte, denominada SIALON que contém nitreto de silício (Si3N4), além do Al2O3 e de uma fase TiC. Sua dureza a quente é ainda melhor 184

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que a das cerâmicas mistas. A resistência a choques térmicos aproxima-se da dos carbonetos. O SIALON, sob a forma de pastilhas pretas, está superando as outras cerâmicas na usinagem em alta velocidade de ferro fundido e ligas de níquel. Diamantes naturais (monocristalinos) - Os diamantes naturais são obtidos com a extração mineral e classificam-se em Carbonos, Ballos e Borts. Os Carbonos ou diamantes negros são diamantes aparentemente "amorfos", que por aquecimento, perdem a sua dureza e, por isto são empregados apenas para aplicações especiais, como ferramentas para retificar rebolos, pontas de brocas para minas, assim como para trabalhar fibras, borracha e plásticos. Os Ballos são diamantes claros, de crescimento irregular, especialmente duros em virtude de sua estrutura. Pelo fato de serem redondos, não encontram aplicação na fabricação de ferramentas de corte e de rebolos. Os Borts, especialmente o africano, é claro. Seu valor depende da qualidade e do número de bordos naturais de trabalho que oferece, se bem que hoje dá-se mais importância à dureza. Isto porque, em lugar de bordos naturais, preferese gumes lapidados no diamante com ângulos apropriados. Os Borts são diamantes mono-cristalinos. Sua característica principal é a sua anisotropia, isto é, suas propriedades mecânicas (dureza, resistência, módulo de elasticidade) variam com a direção. Eles têm também quatro direções preferenciais de clivagem. Conclui-se daí, que para tanto a preparação do diamante por lapidação como para a sua montagem num porta-ferramenta, deve-se conhecer a disposição da estrutura cristalina. Enquanto que a lapidação deve ocorrer sempre na direção de mínima dureza, a montagem do monocristal no porta ferramenta deve ser feita de modo que a força de usinagem seja orientada na direção de máxima dureza. Ferramentas de diamante monocristalino são especialmente indicadas na usinagem de metais leves como bronze, latão, cobre, ligas de estanho, borracha dura e mole, bem como vidro, plástico e pedras. O campo de aplicação são principalmente as operações de usinagem fina, onde são feitas grandes exigências de precisão dimensional e qualidade superficial.

A usinagem de aço e ferro fundido não é possível, em virtude da afinidade do ferro com o carbono. O diamante, na zona de contato com a peça de aço, em virtude da alta temperatura, transforma-se em grafite e reage com o ferro. Isto leva a um rápido desgaste do gume. O diamante permite obter uma elevada precisão dimensional e acabamento brilhante que iguala-se a um apurado polimento. A velocidade de corte praticamente não tem limite superior. Velocidades de 2.000 m/min já foram experimentadas com sucesso. Não se recomendam velocidades inferiores a 100 rpm. Os avanços usualmente de 0,02 mm/rot a 0,06 mm/rot e as profundidades de corte de 0,01 ate 0,2 mm. Diamante policristalino - Em 1.973 foi apresentado pela primeira vez uma ferramenta com uma camada de diamante sintético policristalino. A matéria prima são partículas muito finas de diamantes sintéticos, de granulação muito definida para obter-se o máximo de homogeneidade e densidade. A camada de diamante policristalino é produzida pela sinterização das partículas de diamante com cobalto num processo de alta pressão (6.000 a 7.000 MPa) e alta temperatura (1.400 a 2.000 oC). A camada de aproximadamente 0,5 mm de espessura, ou é aplicada diretamente sobre uma pastilha de metal duro 185

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pré-sinterizado ou então é ligada ao metal duro através de uma fina camada intermediária de um metal de baixo módulo de elasticidade. A camada de diamante tem caráter isotrópico em virtude da distribuição irregular dos grãos de diamante. Não atinge nunca a dureza do diamante monocristalino na direção de máxima dureza. As pastilhas com uma camada de diamante policristalino podem ser soldadas em cabos ou fixadas mecanicamente em porta-ferramentas padronizados, pois tem a forma e as dimensões iguais as das pastilhas comerciais de metal duro. As ferramentas de diamante policristalino podem ser usadas na usinagem de metais leves, cobre, latão, bronze, estanho, diversos plásticos, asbesto, fibras reforçadas de vidro, carbono ou outros materiais, exceto materiais ferrosos e duralumínio. Nitreto de boro cúbico cristalino (CBN) Depois do diamante, os cristais cúbicos de nitreto de boro são o material mais duro que se conhece. Trata-se de um material sintético, obtido pela reação de halogênietos de boro com amoníaco. Como no carbono, existe uma forma macia, de estrutura cristalina hexagonal, igual ao do grafite e uma forma dura, tetragonal, de estrutura idêntica ao do diamante. Nitreto de boro foi obtido pela primeira vez em 1.957, pela transformação de nitreto de boro de estrutura hexagonal em estrutura tetragonal, sob pressões de 5.000 a 9.000 MPa e temperaturas de 1.500 a 1.900 °C, na presença de um catalisador (lítio). O CBN é quimicamente bem mais estável do que o diamante, especialmente contra oxidação. Sob pressão atmosférica, o CBN é estável até 2.000 °C, enquanto no diamante já ocorre grafitização a 900 °C.

As pastilhas de CBN são executadas de forma análoga as de diamante policristalino. Umas camada de 0,5 mm de espessura de partículas de nitreto de boro são sinterizadas num processo de alta pressão e alta temperatura, com a presença de uma fase ligante, efetivando-se simultaneamente a fixação sobre uma base de metal duro. Distinguem-se pastilhas que devem ser soldadas num cabo e retificadas com rebolo de diamante e pastilhas de fixação mecânica, que podem ser usadas com porta-ferramentas convencionais. As ferramentas de CBN são empregadas preferencialmente na usinagem dos aços duros (45 a 65 HRC), mesmo em condições difíceis, aço rápido, ligas resistentes a altas temperaturas na base de níquel e cobalto. Além disso, servem para a usinagem de revestimentos duros, com altas percentagens de carbonetos de tungstênio ou CrNi, aplicados por soldagem de deposição ou jato de material liquefeito por chama. São usadas velocidades de corte de 50 a 200 m/min, avanços de 0,1 a 0,3 mm, profundidade menor ou igual a 2,5 mm. Devido sua elevada resistência ao impacto, podem ser usadas em cortes severos, interrompidos e na remoção de cascas tenazes, abrasivas e irregulares de peças fundidas e forjadas e peças de ferro fundido coquilhado. As ferramentas de CBN servem para cortes interrompidos bem como par usinagem de desbaste, de acabamento e usinagem fina. Rugosidades inferiores a 1 µm são obtidos, dispensando a retificação.

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1 – INTRODUÇÃO A nova tendência de matérias-primas e o desenvolvimento dos processos de fabricação determinaram à criação de métodos padronizados de produção. O uso correto do material depende do profundo conhecimento dele e das implicações tecnológicas de sua obtenção. Si. Os materiais acima descritos podem ser agrupados em dois grupos e quatro subgrupos: materiais metálicos. e ao mesmo tempo... semicondutores. desenvolveram-se processos e métodos de controle de qualidade dos produtos. Todos os materiais têm propriedades distintas. incluindo a inspeção e os ensaios finais nos produtos acabados. metais. térmicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. plásticos. ou seja. outros são moles e dúcteis. Dr. elétricas. Propriedades químicas: podem ser agrupadas. Propriedades físicas: podem ser agrupadas... Ge. cerâmicos.. MATERIAIS METÁLICOS Ferrosos Aços Ferros fundidos Não-ferrosos Alumínio Cobre Zinco Magnésio NÃO-METÁLICOS Naturais Madeira Asbesto Couro Semicondutor (C.) Borracha Chumbo Tungstênio Sintéticos Vidro Cerâmica Plástico Semicondutor (GaAs. GaAsP. difusividade. por exemplo. Todos esses materiais podem ser encontrados tanto em uma cama quanto em uma aeronave. as propriedades de atividade. 187 . Cláudio R. magnéticas e óticas. materiais não-metálicos. resistência à corrosão. CdS. a esta propriedade. os materiais apresentam propriedades físicas e químicas distintas.) Borracha Compósito Alguns dos materiais do quadro acima são duros e frágeis. Entende-se que o controle de qualidade precisa começar pela matéria prima e deve ocorrer durante todo o processo de produção. Às vezes é comum encontrar a propriedade mecânica de um material distinta da propriedade física. outros tem baixo e alguns nem apresentam ponto de fusão definido. as propriedades mecânicas. compósitos. a esta propriedade. Losekann Direitos autorais reservados 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS 14.. Uns tem elevado ponto de fusão. A começar pela Tabela Periódica. onde cada elemento químico tem um número e massa atômica própria. resistência a oxidação.

Esta resistência é medida através de ensaios de dureza. isto é. Esta resistência é medida através de ensaios de tração ou de compressão na máquina universal de ensaio. maleabilidade. Ductilidade: é a capacidade que um material tem de se deformar sem rompimento. Resistência à tração e compressão: é a resistência que o material oferece à esforços de tração ou de compressão até a sua ruptura. ductilidade. os materiais duros são também frágeis. e recuperar sua forma original. a) Máquina de ensaio universal. Em geral. dureza. a) b) Figura 14. propriedades que determinam a maior ou menor capacidade de resistir ou transmitir esforços que lhe são aplicados. fragilidade. Elasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. Fragilidade: é a capacidade que um material apresenta de romper-se quando for submetido a impacto. As propriedades mecânicas que se tem maior interesse são: resistência à tração e compressão.1 . ou ao desgaste.Equipamentos de ensaios mecânicos. como também durante a sua utilização. quando for cessado o esforço que o deformou. Dureza: é a resistência que o material oferece à penetração. plasticidade. a propriedade mecânica é considerada uma das mais importantes para a escolha da matériaprima. quando for submetido a pressão estática. Losekann Direitos autorais reservados As propriedades mecânicas aparecem quando o material está sujeito a esforços de natureza mecânica. à deformação plástica permanente e. Esta propriedade tem definições metalúrgicas. quando submetido a um esforço. Essa capacidade é necessária durante o processo de fabricação. elasticidade. tenacidade. Em termos de indústria mecânica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. b) Durômetro. 188 . mineralógicas e mecânicas. Dr.

Partículas Magnéticas. 14. ASME (American Society of Mechanical Engineer). Dobramento. os ferros fundidos apresentam maior tenacidade que os vidros. Estes ensaios são: Líquido Penetrante. pode ser feita em oficina como o ensaio por lima (verificação de dureza por meio do corte de cavaco). quando o mesmo for submetido à esforços estáticos ou dinâmicos. alguns ensaios não padronizados para uma análise prévia. DIN (Deuches Institut für Normung). Os ensaios mecânicos dos materiais são procedimentos padronizados mediante normas técnicas que compreendem testes. Embutimento. Maleabilidade: é a capacidade que um material tem de se transformar em lâminas quando submetidos a esforços estáticos. SAE (Society of Automotive Engineers). Cisalhamento. Impacto.2 . por conseqüência. e manter-se deformado após cessado o esforço que o deformou. Existem vários critérios para classificar os ensaios mecânicos. BSI (British Standards Institution). ensaio em esmeril (verificação do teor de carbono em um aço através da análise da centelha). Torção. gráficos para a determinação de propriedades mecânicas. As normas técnicas mais utilizadas pelos laboratórios de ensaios vem das seguintes instituições: ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). ISO (International Organization for Standardization). Estes ensaios são: Tração. Realizar um ensaio consiste em submeter um objeto já fabricado ou um material que vai ser processado industrialmente a situações que simulam esforços nas condições reais de uso. ensaio de tombamento (verificação da resistência ao impacto). Os materiais dúcteis apresentam maior tenacidade que os materiais frágeis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dureza. nunca inutilizam a peça ou corpo de prova. que são lidos na própria máquina de ensaio ou através de um computador acoplado que registra 189 . Ultra-som e Radiografia Industrial. chegando a limites extremos de solicitação. entretanto. Dr.ENSAIO DE TRAÇÃO O ensaio de tração consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende alongá-lo até a ruptura. A classificação mais utilizada é a que separa em dois grupos: Ensaios destrutivos: são aqueles que ocorrem mediante a destruição do corpo de prova ou peça ou que deixam algum sinal. ASTM (American Society for Testing and Materials). podem ser usados para detectar falhas em produtos acabados ou semi-acabados. mesmo que estes não fiquem inutilizados. cálculos. Ensaios não destrutivos: são aqueles que após sua realização não deixam nenhuma marca ou sinal e. Cláudio R. Compressão. Por esta razão. Tenacidade: é a capacidade que um material tem de absorver energia até a sua ruptura. Losekann Direitos autorais reservados Plasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. quando submetido a um esforço. Fluência. JIS (Japanese Industrial Standards). é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de tração. Os ensaios mecânicos padronizados são realizados em laboratórios equipados adequadamente para levantamento de dados. Flexão. Fadiga. O ferro fundido e o vidro são dois materiais frágeis. AFNOR (Association Française de Normalisation). entretanto. desta forma.

então usa-se múltiplos desta unidade.. unidade que é denominada pascal (Pa).102 kgf/mm2 A aplicação de uma força axial de tração em um corpo de prova produz uma deformação neste corpo...3 . Através deste ensaio. . e quais os limites de tração que suportam. atuar sobre a área de secção transversal da peça. que são o quilopascal (kPa).tensão normal [ N/mm2. A carga normal “F”. Esta deformação é seguida de um aumento no seu comprimento com diminuição da área da secção transversal. em N/m2. a força é expressa em newtons (N).] No Sistema Internacional. a peça está tracionada. A tensão (σ) será expressa. embora muitas vezes não perceptível a olho. Na prática.] A . quando uma carga normal “F” (tem a A direção do eixo da peça). b) após o ensaio. origina nesta. Dr. kN..2 . a) antes do ensaio. . Pode-se afirmar que uma peça está submetida a esforços de tração.força normal ou axial [N. Losekann Direitos autorais reservados as cargas e as deformações ocorridas.área da secção transversal da peça [m2.] F . megapascal (MPa) e o gigapascal (GPa). uma tensão normal “σ” (sigma). F Figura 14. então. e a área de seção transversal da peça “A”. conforme ilustra a figura ao lado. . a área em metros quadrados (m2). Figura 14. onde: σ . 1 Pa 1 MPa 1 GPa 1 MPa 1 N/m2 1 N/mm2 103 MPa 0. MPa. o pascal torna-se uma medida muito pequena para tensão.Corpo de prova de ensaio de tração. que atua na peça. pode-se determinar a tenacidade de um material. Cláudio R.Peça tracionada. que é determinada através da relação entre a intensidade da carga aplicada “F”.. Quando a carga atuar no F sentido dirigido para o exterior da peça. mm2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Esta tensão é também denominada de tensão normal de tração. 190 ..

Uma vez cessados os esforços. No ensaio de tração. cm. pode-se fazer a razão da força pela área F da secção transversal inicial ( ) e do alongamento pelo comprimento inicial A0 L − L0 ( f ). o material não volta a sua forma original. Cessado os esforços. elas nos levam a dividir os materiais em duas importantes categorias. pode-se medir o aumento na distância entre os pontos marcados. no entanto. Há dois tipos de deformação que ocorrem quando um material é submetido a um esforço: a elástica e a plástica. a estricção.. níquel e outros.deformação varia muito de material para material. cuja expressão matemática é ∆ = L f − L0 .comprimento inicial do CP [mm.. % ] Lo . para um mesmo material podem ocorrer resultados diferentes devido a variação de temperatura do corpo de prova e da velocidade da carga aplicada. as máquinas de ensaio realizam a relação F x ∆ (força x alongamento) na qual ocorre variação da carga aplicada e conseqüentemente o alongamento (Lf . Dr. A deformação plástica é permanente. o CP é submetido a uma carga normal “F”.. distinguir algumas características comuns. é muito comum entre técnicos a unidade mm/m pois dá uma idéia rápida do alongamento de um corpo com 1 metro de comprimento.DIAGRAMA TENSÃO . O alongamento. como o aço.comprimento final do CP [mm. bronze. Losekann Direitos autorais reservados Antes do ensaio são medidas a área de seção transversal “A0” do CP e a distância “L0” entre dois pontos marcados neste.deformação (σ x ε). até a ruptura do material. o material volta a sua forma original. que são os materiais dúteis e os materiais frágeis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. sendo portanto adimensional. são caracterizados por apresentarem escoamento à temperaturas 191 .DEFORMAÇÃO Durante o ensaio de tração. Entre os diagramas σ x ε de vários grupos de materiais é possível. é geralmente confundido com a deformação. A deformação L − L0 .1 .] O diagrama tensão . À medida que este carregamento aumenta..] Lf .. 14.2. latão. alumínio. . Cláudio R. cobre.deformação [mm/mm. . Esta afirmação tem caráter macroscópico. longitudinal de um material é definida como: ε = f L0 onde: ε . Os materiais dúcteis.. visto que ocorrem discordâncias irreversíveis após a aplicação de uma carga. A deformação elástica não é permanente. e ainda. . o alongamento. A0 é área de L0 secção transversal inicial [mm2.L0) do corpo de prova e se considerar que a área da seção transversal é invariável. resultando o diagrama tensão .] Embora a deformação é uma razão do alongamento com o comprimento inicial. cm2. cm. mm/m. e a redução da área na secção transversal. e principalmente pela anisotropia.

b) aspecto da fratura. A esse fenômeno é dado o nome de estricção: Figura 14. Quando o carregamento atinge um certo valor máximo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Materiais frágeis... um carregamento mais baixo é o suficiente para a deformação do corpo de prova. Dr. a tensão σR correspondente a carga máxima aplicada ao material é conhecida como tensão de resistência.Material dúctil. cm2.Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε. a parte inicial do diagrama é uma linha reta com grande coeficiente angular. Cláudio R. . O corpo de prova é submetido a carregamento crescente. como ferro fundido.Material frágil.área de secção transversal inicial [mm2.área da secção transversal final [mm2. cm2. a) diagrama σ x ε. Entretanto. são caracterizados por uma ruptura que ocorre sem nenhuma mudança sensível no modo de deformação do material. Desse modo. Então para os materiais frágeis não existe diferença entre tensão de resistência e tensão de ruptura. 192 . vidro e pedra. de início lenta e proporcionalmente ao carregamento. A tensão σE correspondente ao início do escoamento é chamada de tensão de escoamento do material. Losekann Direitos autorais reservados normais.] Ψ = Após ter começado a estricção. a) diagrama σ x ε. e a tensão σr correspondente ao ponto de ruptura é chamada tensão de ruptura.4 .estricção [%] A0 . o corpo de prova sofre uma grande deformação com pouco aumento da carga aplicada. quando é atingido um valor crítico de tensão (tensão de escoamento . o diâmetro do CP começa a diminuir.5 . b) aspecto da fratura. até a sua ruptura. Figura 14. Figura 14. Af − A0 ⋅ 100 A0 onde: ψ .] Af .. .σE). e com isso seu comprimento aumenta.6 .. devido a perda de resistência local.

são duas outras propriedades mecânicas que podem ser tiradas deste diagrama através de cálculos. A tenacidade pode ser determinada através da área da curva de tensão . A tenacidade e o módulo de elasticidade longitudinal. 14. Cláudio R. σp . praticamente. geralmente representada pela letra “E”. . recebe o nome de região elástica.. o valor da tensão.2 . AlSi.Tensão Limite de Resistência: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de resistência ou resistência a tração. mostra algumas propriedades significantes que são: Figura 14. enquanto que o módulo de elasticidade longitudinal é determinado através de: E = tgα . Quando se atinge o limite de escoamento.7 . abaixo do qual o material obedece a lei de Hooke. é a que corresponde a ruptura do corpo de prova. 193 .. Dr. diz-se que o material passa a escoar-se. σR . O módulo de elasticidade longitudinal só é válido para a região que obedece a Lei de Hooke. a deformação até a ruptura é muito menor nos materiais frágeis do que nos materiais dúcteis. σr . Região Elástica: O trecho da curva tensão . σE – Tensão Limite de Escoamento: A partir deste ponto aumentam as deformações sem que se altere.PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS A figura ao lado que representa um diagrama tensão . Losekann Direitos autorais reservados Além disso. pois corresponde a máxima tensão atingida no ensaio de tração.deformação de um material com inclusões não-metálicas (Fe3C.Tensão Limite de Proporcionalidade: Representa o valor máximo da tensão.Tensão de Ruptura: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de ruptura. Não há estricção nos materiais frágeis e a ruptura se dá em uma superfície perpendicular ao carregamento. ou seja. compreendido entre a origem e o limite de proporcionalidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. no regime elástico. Região Plástica: Chama-se região plástica o trecho compreendido entre o limite de proporcionalidade e o ponto correspondente a ruptura do material.deformação.diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono.) em aços e algumas ligas de alumínio.2.deformação com a abcissa (deformação).

O coeficiente “E” é chamado módulo de elasticidade longitudinal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. níquel. etc.550 Ligas de estanho 5.000 Illium 18. e no caso de policristalino. Dr.700 Ligas de titânio 11. 1.950 σ F L − L0 e σ = E ⋅ ε e também que σ = e ε= f .000 Inconel 16. tungstênio Cobre Alumínio Magnésio Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro. a orientação e tamanho dos cristais (grãos).750 29.750 10.2.500 Invar (níquel-ferro) 14. a tensão “σ” é diretamente σ proporcional à deformação “ε” e pode-se escrever: E = . pode-se tirar ε A L0 a seguinte expressão para cálculos de alongamento no regime elástico: F ⋅ L0 ∆ = .635-1.500 7. Esta propriedade também é anisotrópica. Sendo E = 194 .200 12.500 silício Bronzes de alumínio 8.600 Ferro Fundido Nodular 14.400 . maior o seu módulo de elasticidade. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.100 .900 Bronzes de manganês e ao 10. que é determinado pela força de atração entre átomos dos materiais.000 Bronzes e latões 7. cobalto Molibdênio.773-1.829). Essa relação é ε conhecida como Lei de Hooke.1 x 104 kgf/mm2.000 4.11. Exemplos: Eaço = 2.150 4.550 9.000 10. material.703).900 21.450 Monel 13.700 56. A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia.000 1.900 7. quando maior a atração entre átomos.200 Hastelloy 18.000 11.13. Ealumínio = 0.000 Aços inoxidáveis austeníticos 19.000 18. e se deve ao matemático inglês Robert Hooke (1. pois depende do material ser monocristalino.7. isto é.800 10. quando a carga aplicada tracionar a A0 ⋅ E peça.850 18.700 . Cláudio R.400 .000 35. Losekann Direitos autorais reservados Lei de Hooke No trecho inicial do diagrama da figura acima.400 Ligas de chumbo 1. direção de crescimento do cristal.7 x 104 kgf/mm2. ou módulo de Young (cientista inglês.100 Ligas de magnésio 4.200 25.800 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) Ferro.300 Ligas de alumínio 7. e será negativo quando a carga aplicada comprimir a peça.5. O alongamento será positivo. prata Platina Aços-carbono e aços-liga 21.000 .

εt Observe que o coeficiente de poisson terá um valor negativo tanto para a tração quanto para a compressão em virtude dos sinais contrários da deformação longitudinal e deformação transversal.9 . 195 . Como a tensão é a razão entre força e área da secção transversal. em caso de CP cilíndrico.8 . O coeficiente de Poisson (ν) é determinado pela relação ν = . pode-se definir a deformação longitudinal real a cada L dL ⎛ L⎞ = ln⎜ ⎟ . ocorre na realidade um aumento de tensão que obedece uma função logarítima. σ Curva real Curva de engenharia ε Figura 14.Curvas de tensões reais e de engenharia. onde pode-se tirar valores apropriados até o momento em que se atinge a carga máxima. onde “F” e “A” são as forças e A áreas da secção transversal em cada instante. a área da secção transversal começa a reduzir-se de forma brusca. A lei de Hooke.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. abrange também a deformação D − D0 transversal que. começa ocorrer fratura no sentido de dentro para fora. σreal . σ real = σ (1 + ε ) . Cláudio R. Tendo em vista que a área da secção transversal diminui à medida que amplia-se a carga no corpo de prova. Dr. onde “D” é a D0 medida nominal do diâmetro do corpo de prova submetida a ação de carga ε normal. A figura abaixo representa esta consideração da determinação da curva real de tensão. é definida por: F σ real = . Da mesma forma. em toda a sua amplitude. é dado por: ε t = f . instante dado por: ε real = ∫ L0 L ⎝ L0 ⎠ 0 Supondo que a deformação ao longo do corpo de prova seja uniforme e admitindose volume constante pode-se demonstrar que: ε real = ln(1+ ε ) . e que a partir do momento que se atinge a carga máxima. A tensão real. A curva de tensão .Alongamentos na tração e na compressão.deformação descrita acima é chamada de curva de engenharia. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14.

deve-se adotar um corpo com dimensões proporcionais a essas medidas. Figura 14.Máquina de ensaio e registrador. flange. Sempre que possível um corpo de prova deve ter 10 mm de diâmetro e 50 mm de comprimento inicial. como mostram as figuras a seguir. é a região onde são feitas as medidas das propriedades mecânicas do material.3 . identificada no desenho anterior por L0. Suas dimensões e formas dependem do tipo de fixação à máquina. As cabeças são as regiões extremas. Dr.9 . Suas 196 . Figura 14. Corpos de prova com seção retangular são geralmente retirados de placas.10 .CORPOS DE PROVA O ensaio de tração é feito em corpos de prova com características especificadas de acordo com normas técnicas. Estas condições dependem dos acessórios da máquina de ensaio de tração e também dependem da forma e tamanho do produto acabado do qual foram retirados. Os tipos de fixação mais comuns são: cunha. O comprimento da parte útil dos corpos de prova utilizados nos ensaios de tração deve corresponder a 5 vezes o diâmetro da seção da parte útil. Entre as cabeças e a parte útil há um raio de concordância para evitar que a ruptura ocorra fora da parte útil do corpo de prova. rosca. Não sendo possível a retirada de um corpo de prova deste tipo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. chapas ou lâminas. A parte útil do corpo de prova.Corpos de prova. Devem ter seção maior do que a parte útil para que a ruptura do corpo de prova não ocorra nelas.2. Geralmente utilizam-se corpos de prova de seção circular ou de seção retangular. que servem para fixar o corpo de prova à máquina de modo que a força de tração atuante seja axial. Losekann Direitos autorais reservados 14.

Por fim. utilizando um micrômetro. Losekann Direitos autorais reservados dimensões e tolerâncias de usinagem são normalizadas pela ISO/ R377 enquanto não existir norma brasileira correspondente. Mede-se então o comprimento final. junta-se da melhor forma possível.6152.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. as marcações devem ser feitas de 5 em 5 mm. Para preparar o corpo de prova para o ensaio de tração deve-se medir o diâmetro do corpo de prova em vários pontos na parte útil. O limite de resistência à tração também é afetado por esta interação. Os ensaios dos corpos de prova soldados normalmente determinam apenas o limite de resistência à tração. as duas partes do corpo de prova. Procura-se o risco mais próximo da ruptura e conta-se a metade das divisões (n/2) para cada lado.11 . dez. Dr. Após o ensaio. Cláudio R. Figura 14. 197 . A norma brasileira (NBR .Tipos de fixação.Preparação de corpo de prova. figura abaixo. Este é o método para determinar o comprimento final quando a ruptura ocorre no centro da parte útil do corpo de prova. mas é determinado mesmo assim para finalidades práticas. e calcular a média./1980) somente indica que os corpos de prova devem apresentar bom acabamento de superfície e ausência de trincas. tensionase simultaneamente dois materiais de propriedades diferentes (metal de base e metal de solda). Os valores obtidos no ensaio não representam as propriedades nem de um nem de outro material. Ao efetuar o ensaio de tração de um corpo de prova com solda. Em um corpo de prova de 50 mm de comprimento. podem ser retirados corpos de prova com a solda no meio ou no sentido longitudinal da solda. pois umas são afetadas pelas outras. deve-se traçar as divisões no comprimento útil. Figura 14. que corresponde à distância entre os dois externos dessa contagem.12 . Em materiais soldados.

Ele é obtido verificando-se a parada do ponteiro na escala da força durante o ensaio e o patamar formado no gráfico exibido pela máquina.14 . Entretanto.Ruptura do corpo de prova no centro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Limite de escoamento: valores convencionais O limite de escoamento é. • Acrescentam-se ao comprimento do lado oposto quantas divisões forem necessárias completar divisões. conforme mostra a figura a seguir. pois também delimita o início da deformação permanente (um pouco acima). porque acontece muito rápido e não é possível detectá-lo. Cláudio R. Com esse dado é possível calcular o limite de escoamento do material. 14. vários metais não apresentam escoamento. na maioria dos casos. próximo da Figura 14.2.1 . e mesmo nas ligas em que ocorre ele não pode ser observado.15 . A medida de Lf será a somatória de L’+ L”.Determinação do limite de escoamento. de modo a não permitir a contagem de n/2 divisões de cada lado. alternativo ao limite elástico.3.13 . • Conta-se n/2 divisões de um dos lados. deve-se adotar o seguinte procedimento normalizado: • Toma-se o risco mais ruptura.Ruptura do corpo de prova fora de centro. Losekann Direitos autorais reservados Quando a ruptura ocorre fora do centro. em algumas situações. as para n/2 Figura 14. Figura 14. 198 . Dr.

Nos ensaios de compressão. para metais e ligas metálicas em geral. É também recomendado para produtos acabados. com a adaptação de duas placas lisas — uma fixa e outra móvel. o ensaio de compressão pode ser executado na máquina universal de ensaios. O ensaio de compressão é o mais indicado para avaliar essas características. o limite de escoamento estará determinado. e é A possível determinar o módulo de elasticidade para diferentes materiais. • n = 0.16 . como molas e tubos. o limite de escoamento dos materiais citados pode ser determinado pelo traçado de uma linha paralela ao trecho reto do diagrama tensão-deformação. a lei de F F Hooke também vale para a fase σ= elástica da deformação. E entre elas que o corpo de prova é apoiado e mantido firme durante a A compressão.3 . Do mesmo modo que o ensaio de tração. Cláudio R. As relações matemáticas para a tração valem F F também para a compressão.2%. Quando essa linha interceptar a curva. Os valores de uso mais freqüente são: • n = 0.01%.1%. foram convencionados alguns valores para determinar este limite. Nos ensaios de compressão. Não se costuma utilizar ensaios de compressão para os metais.Esquema da compressão. desta forma. como ferro fundido. a partir do ponto “n”. O valor convencionado (n) corresponde a um alongamento percentual. distribuída de modo uniforme em toda a seção transversal do corpo de prova. Figura 14. pedra e concreto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende a encurtá-lo até a ruptura. Dr. como mostra a figura abaixo. madeira. 14. é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de compressão. para aços ou ligas não ferrosas mais duras. Losekann Direitos autorais reservados Por essas razões. principalmente quando se trata de materiais frágeis. isso significa que um corpo submetido a compressão também sofre uma deformação elástica seguido de uma deformação plástica. Graficamente. em virtude que a resistência compressão é aproximadamente igual a da tração. para aços-mola e ferros fundidos. • n = 0. os corpos de prova são submetidos a uma força axial para dentro. 199 .

Figura 14.17 . é necessário limitar o comprimento dos corpos de prova. dependendo do grau de ductilidade do material. Deve-se centrar o corpo de prova no equipamento de teste. Outro problema é a possível ocorrência de flambagem.1 . a) normal. A flambagem ocorre principalmente em corpos de prova com comprimento maior em relação ao diâmetro. há diversas possibilidades de encurvamento. Em alguns materiais muito dúcteis esta relação pode chegar a 1:1 (um por um). podendo levar a erros. Outro cuidado a ser tomado para evitar a flambagem é o de garantir o perfeito paralelismo entre as placas do equipamento utilizado no ensaio de compressão.LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão não é muito utilizado para os metais em razão das dificuldades para medir as propriedades avaliadas neste tipo de ensaio. conforme mostra a figura ao lado. isto é. teflon etc). Um problema que sempre ocorre no ensaio de compressão é o atrito entre o corpo de prova e as placas da máquina de ensaio. que devem ter de 3 a 8 vezes o valor de seu diâmetro. sem que ocorra a ruptura.Ensaio de compressão em materiais dúcteis. é necessário revestir as faces superior e inferior do corpo de prova com materiais de baixo atrito (parafina. 14.18 .2 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3. Isso decorre da instabilidade na compressão do metal dúctil. Losekann Direitos autorais reservados 14. Os valores numéricos são de difícil verificação. Por esse motivo. b) flambagem. para garantir que o esforço de compressão se distribua uniformemente. A deformação lateral do corpo de prova é barrada pelo atrito entre as superfícies do corpo de prova e da máquina. encurvamento do corpo de prova. Essa deformação lateral prossegue com o ensaio até o corpo de prova se transformar num disco. Figura 14.Ensaio de compressão. Cláudio R. Dr. 200 . Dependendo das formas de fixação do corpo de prova.3.ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS Nos materiais dúcteis a compressão vai provocando uma deformação lateral apreciável. Para diminuir esse problema.

As propriedades mecânicas mais avaliadas por meio do ensaio são: limite de proporcionalidade. ou seja. 14. amplamente utilizada no dimensionamento de elementos de máquinas. ou entre duas rodas dentadas. P P Figura 14. que é o caso de muitos materiais metálicos e cerâmicos.20 . tensões de contato entre uma roda e um trilho. desenvolvendo-se nestas regiões tensões tridimensionais. deve ser registrada. por exemplo. Ensaios de achatamento de tubos — Consiste em colocar uma amostra de um segmento de tubo deitada entre as placas da máquina de compressão e aplicar carga até achatar a amostra. a teoria mais conhecida é a teoria das tensões de Hertz ou tensões de contato. do tubo e do cordão de solda do mesmo. ou seja. P é a carga de ruptura [N]. resultando um estado triaxial de tensões. rachaduras. mais dúctil será o material. P O ensaio aplicado é o de compressão diametral. O resultado é avaliado pelo aparecimento ou não de fissuras. onde: σ é a tensão limite de resistência à tração com a equação: σ = π ⋅ D⋅ L simples [MPa]. Cláudio R. Figura 14. pois quanto mais o tubo se deformar sem P trincas. D é o diâmetro [mm] do corpo de prova e L [mm] é a espessura do corpo de prova. o ponto ou linha de contato passa a ser efetivamente a área de contato. pressionadas umas contra outras. que varia conforme a dimensão do tubo. Losekann Direitos autorais reservados Em virtude disto é que o ensaio de compressão de materiais dúcteis fornece apenas as propriedades mecânicas referentes à zona elástica. A distância final entre as placas. As distribuições de tensões estão representadas na figura abaixo. 201 .Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L. A P P figura abaixo mostra o esquema do método do Ensaio de D Compressão Diametral que é L baseado nas normas brasileiras ABNT MB-212/58 e NBR-7222/83. sem levar em conta a carga aplicada.19 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A medida da força de ruptura nos permite determinar a tensão limite de resistência à tração simples. como. Dr. a tensão de tração de ruptura. onde temos situações estabelecendo superfícies planas e curvas em contato.ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL Para materiais com elevado módulo de elasticidade. de acordo 2⋅ P . limite de escoamento e módulo de elasticidade. Quando isto ocorre.3 .Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração.3. Este ensaio permite avaliar qualitativamente a ductilidade do material.

Para determinar a constante da mola. constrói-se um gráfico tensão-deformação. o módulo de elasticidade. Exercícios resolvidos 1) Um aço de baixo carbono (SAE 1010) tem como tensão de ruptura 40 Kgf/mm2. obtendo-se um coeficiente angular que é a constante da mola.140 Kgf 2 202 . Losekann Direitos autorais reservados Ensaios em molas — Para determinar a constante elástica de uma mola. Cláudio R. aplicam-se cargas predeterminadas e mede-se a altura da mola após cada carga.Ensaios em molas. faz-se o ensaio de compressão.5 mm 2 4 4 F σ= ⇔ F =σ⋅ A A Kgf F = σ ⋅ A = 40 ⋅ 78.5 mm 2 mm 2 F = 3. Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.21 . ou seja. Dr. Considerando que o corpo de prova tem diâmetro nominal de 10 mm. qual será a força de ruptura? a) Dados: σr = 40 Kgf/mm2 D = 10 mm Fr = ? b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: πD 2 π ⋅ [10 mm] A= = = 78. para verificar a resistência da mola. ou para verificar sua resistência. Por outro lado.

8 A 176.3 MPa mm2 3) Calcule a deformação sofrida por um corpo de prova de 15 cm de comprimento e que após o ensaio de tração apresentou 16 cm de comprimento.570 Kgf.040 Kgf/mm2 e um limite de escoamento de 28 Kgf/mm2.625 mm mm2 Kgf σ = 93.74 mm 203 .8 = 920. Cláudio R. Pede-se: • Qual a carga que pode ser suportado por um fio de 1.625 mm 2 4 4 F 16570 Kgf Kgf σ= = 2 = 93.74 mm de diâmetro sem que ocorra deformação permanente? a) Dados: σe = 28 Kgf/mm2 D = 1.67 ⋅ 10−2 15 4) Uma liga de alumínio possui um Módulo de Elasticidade Longitudinal de 7. Qual é a tensão de tração de ruptura (em MPa) que este aço apresenta? a) Dados: σr = ? D = 15 mm Fr = 16. a) Dados: lo = 15 cm lf = 16 cm ε=? b) Fórmulas: l f − lo ε= lo c) Solução: ε= ε= l f − lo lo l f − lo lo = 16 − 15 = 6.570 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: 2 πD 2 π ⋅ [15 mm] A= = = 176. Losekann Direitos autorais reservados 2) Considerando que um corpo de prova de aço SAE 1070 tem um diâmetro nominal de 15 mm e a força com que o material se rompeu foi de 16. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Losekann Direitos autorais reservados Fe = 7.040 Kgf/mm2 ε=? σ=? F = 44 Kgf D = 3.05 mm) A= = = 7.02 σ mm2 = 8.05 mm b) Fórmulas: σ E= ε π D2 A= 4 F σ= A σ = ε⋅E c) Solução: π D 2 π ⋅ (3.800 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: π ⋅ D 2 π ⋅ (1.74 mm) A= = = 2.30 mm mm2 σ σ E= ⇒ ε= ε E Kgf 6.377 mm A mm F = σ ⋅ A = 66.30 mm2 4 4 F 44 Kgf Kgf σ= = 2 = 6.377 mm2 4 4 F Kgf 2 σ = ⇒ F = σ ⋅ A = 28 2 ⋅ 2. Dr.55 ⋅ 10−4 ε= = Kgf E 7.54 Kgf 2 Se uma carga de 44 kgf é suportada por um fio de 3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.040 mm2 2 • 204 . Cláudio R. qual será a deformação? a) Dados: E = 7.05 mm de diâmetro.02 A 7.

Losekann Direitos autorais reservados 14.Flexão em uma barra de secção retangular. altura “a”. Desse modo. e largura “b” da secção normal. no laboratório. mas há um plano em que não há tensão. Os casos mais simples são: • flexão plana circular. a barra pode ser vertical ou horizontal. conforme indica a figura. assim.4 . as condições da prática. Além disso.4. pode-se verificar até que esforço de flexão a peça pode sofrer sem se romper. desde que a peça possa ser adaptada diretamente em uma máquina comum. estar aplicada numa das extremidades. uma engastada e outra apoiada. e no centro está aplicado uma força cortante “F”. em balanço. são feitos ensaios de flexão em produtos contendo partes soldadas ou unidas por qualquer tipo de junção.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Muitas vezes. tensão resultante é zero. e a carga é aplicada próximo à extremidade de uma das partes até que haja inicio de ruptura na junção. A flexão de uma barra pode ser obtida nas seguintes condições: • • • • a barra pode ter suas duas extremidades engastadas. Por outro lado. 14. é possível criar várias maneiras de se efetuar esse ensaio. ou seja. Cláudio R. as duas apoiadas. Este plano geralmente é denominado de linha neutra. no meio ou em um ponto qualquer.1 . Dr. • flexão plana normal.SIGNIFICADO DE FLEXÃO Flexão é a solicitação que tende a modificar a direção do eixo geométrico de uma peça. Os elementos internos da barra estarão sujeitos a um sistema de tensões de compressão e tração. a carga defletora pode ser: • • • concentrada ou distribuída. Figura 14. 205 .ENSAIO DE FLEXÃO O ensaio de flexão é geralmente feito de modo a reproduzir.22 . ficando a outra extremidade presa por meio de dispositivos. Quando se tem uma barra de secção retangular de comprimento “L”.

64 206 . o momento de inércia 12 π ⋅ D4 em relação ao eixoY ou Z é: I = . em que. Figura 101 . c é a distância da linha neutra a fibra mais afastada. Mf é o momento fletor. ou seja . podendo haver a ruptura do material. A fórmula da tensão é aplicada nas secções onde pode haver ruptura do material. após a aplicação sucessiva de esforços de tração ou compressão. Na “linha neutra”.23 . onde “D” é o diâmetro da secção circular. a tensão resultante é zero. Cláudio R.24 . os corpos sólidos reais obedecem à lei de Hooke. I onde: σ é a tensão fletora (tensão normal de compressão ou de tração).Elemento da barra submetido à flexão. a calcita e a mica. a fadiga do mesmo. vista sob um plano.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade. nas regiões que se tem momento fletor máximo que produzirá tensões de compressão e de tração máximas. Dr. Losekann Direitos autorais reservados A tensão fletora é dada pela Mf ⋅c expressão matemática σ = ± . o esforço e a deformação atingem valores assintóticos. A tensão de trabalho é fixada pelo fator de segurança ou pela tensão admissível. I é o momento de inércia da secção transversal. Para uma secção circular. O sinal positivo e negativo corresponde as tensões de tração e de compressão respectivamente. Figura 14. Figura 14. A figura abaixo mostra o caso da flexão plana normal produzida por uma força “F” aplicada na extremidade livre de uma barra de balanço. a qual poderá ser superior a tensão de resistência do material. o efeito de esfoliação ou clivagem em placas em determinadas direções e em certos materiais cristalinos. Em primeira deformação e dentro de um campo limitado de deformações. por exemplo. como. permanece uma deformação residual.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ou a variação da sua tensão elástica. No dimensionamento das peças à flexão admitem-se apenas deformações elásticas. com uma extremidade engastada. As deformações perfeitamente elásticas em geral só ocorrem no início do processo. Com o tempo. O momento de inércia de uma secção retangular segundo a ⋅ b3 um sistema de eixo carteziano “YZ” é: I y = (em relação ao eixo Y) e 12 b ⋅ a3 Iz = (em relação ao eixo Z).Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade.

do inglês “modulus of rupture”.25 . O ensaio consiste em apoiar o corpo de prova sob dois apoios distanciados entre si de uma distancia “L”. O ensaio flexão é feito. com corpo de prova constituído por uma barra de secção circular ou retangular para facilitar os cálculos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 14. A resistência a flexão é determinada através de fórmulas acima descritas e envolve cálculos de resistência dos materiais para a determinação do momento fletor máximo. Figura 14. 207 .4. Losekann Direitos autorais reservados 14.de quatro pontos.26 . “MOR” .2 .MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO A resistência à flexão é definida como a tensão máxima de tração na ruptura e é denominado freqüentemente como módulo de ruptura. sendo a carga de dobramento ou de flexão aplicada no centro do corpo de prova a uma distância L/2 de cada apoio (método de ensaio a três pontos).Método de flexão a quatro pontos. com um comprimento especificado.Método de flexão a três pontos. geralmente. Dr. Cláudio R.

não é possível encontrar uma definição única de dureza que englobe todos os conceitos acima mencionados. Assim. que é o valor máximo da tensão de tração ou compressão nas fibras extremas do corpo de prova durante o ensaio de flexão (ou torção). por choque e por riscamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Se a ruptura ocorrer dentro da zona elástica do material. Losekann Direitos autorais reservados A carga deve ser elevada lentamente até romper o corpo de prova. caso ocorra na zona plástica. mas bastante utilizado em cerâmicos. pois ele risca a gipsita e é riscado pela fluorita.tem dureza Mohs (isto é. pois. a dureza é a resistência ao riscamento que um material pode fazer no outro.5 . 14. MOR representará. calcita (3). Cláudio R. a dureza é considerada uma base de medida para o conhecimento da resistência e do tratamento térmico ou mecânico de um metal e da sua resistência ao corte do metal. safira (9) e diamante (10). e assim por diante. nos estudos e pesquisas mecânicas e metalúrgicas e na comparação de diversos materiais. o conceito de dureza não tem um mesmo significado para todas as pessoas que tratam com essa propriedade. O riscamento é raramente usado para os metais. Assim. Entretanto. A escala de dureza mais antiga para esse tipo é a escala de Mohs (1. Desse ensaio. um engenheiro define a dureza como a resistência à penetração de um material duro no outro. verifica-se que o talco (1) . pode-se dividir o ensaio de dureza em três tipos principais. para um projetista. ortoclásio (6). o quartzo risca o ortoclásio e é riscado pelo topázio. seguindo-se a gipsita (2). quartzo (7). 208 . pode-se também retirar outras propriedades do material. vários minerais e outros materiais são relacionados quanto à possibilidade de um riscar o outro. como o módulo de ruptura “MOR” ou resistência ao dobramento. o valor obtido para MOR é maior que a tensão máxima realmente atingida. Sob esse ponto de vista. a tensão máxima na fibra externa. fluorita (4). topázio (8). O cobre recozido tem dureza Mohs 3.ENSAIO DE DUREZA A propriedade mecânica denominada dureza é amplamente utilizada na especificação de materiais. porque a expressão é determinada para uma distribuição linear (elástica) de tensão entre o eixo da barra e as fibras externas. Dr. que dependem da maneira com que o ensaio é conduzido que são: por penetração.822). apatita (5). por exemplo. Para um metalurgista. Desse modo. mesmo porque para cada um desses significados de dureza. pode ser riscado por todos os outros seguintes). existem um ou mais tipos de medidas adequados. dureza significa a resistência à deformação plástica permanente. O conceito divergente da dureza depende da experiência de cada um ao estudar o assunto. a martensita tem dureza Mohs aproximadamente igual a 7. e para um mineralogista. Com esse tipo de medida de dureza. que consiste em uma tabela de 10 minerais padrões arranjados na ordem crescente da possibilidade de ser riscado pelo mineral seguinte. O valor do módulo de ruptura também pode ser relacionado com o limite de resistência do material.

S. O ensaio de dureza Brinell consiste em comprimir lentamente uma esfera de aço. essa escala não é conveniente. p πD( D − D 2 − d 2 ) 209 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.900.DUREZA BRINELL A dureza por penetração. conforme a expressão: HB = 2Q Q Q = = S C πD.1 . porque os seus intervalos não são propriamente espaçados para ele. denominada dureza Brinell e simbolizada por HB.5. a qual é relacionada com os valores D e d. o qual é medido por intermédio de um micrômetro óptico (microscópio ou lupa graduados). sobre a superfície plana. é o tipo de dureza mais usado até os dias de hoje na Engenharia. Knoop e Meyer e a dureza por choque Shore (escleroscópica). depois de removida a carga. sendo mais usados no ramo da Mineralogia. A dureza por penetração é a mais utilizada e citada nas especificações técnicas. Rockwell. Losekann Direitos autorais reservados Escala de dureza Mohs. 2H2O 3 calcita CaCO3 4 fluorita CaF2 5 apatita CaF (PO4)3 6 ortoclásio KAISio4 7 quartzo Sio2 8 topázio A12F2SiO2 9 corinto A12 O3 10 C diamante Para os metais. proposta por J. como o quociente entre a carga aplicada pela área de contato (área superficial). A dureza Brinell é definida. em N/mm² (ou kgf/mm²). Essa compressão provocará uma impressão permanente no metal com o formato de uma calota esférica. A. Vickers. 14. sendo que pequenas diferenças de dureza não são precisamente acusadas por esse método. Serão vistos com mais detalhes as durezas por penetração Brinell. de diâmetro D. com um diâmetro d. 1 talco Mg3H2Si4O12 2 gipsita CaSO4 . Dr. Brinell em 1. Cláudio R. O valor de d deve ser tomado como média de duas leituras feitas a 90º uma da outra. principalmente na região de altas durezas e a maioria dos metais fica entre as durezas Mohs 4 e 8. polida e limpa de um metal através de uma carga Q durante um tempo t. Esses métodos seriam úteis para a medição da dureza relativa de microconstituintes de uma liga metálica. mas não são métodos de medida precisa ou de boa reprodução.

A dureza Rockwell. Cláudio R. A unidade N/mm² ou kgf/mm². Figura 14. um ensaio mais rápido e livre de erros pessoais. O ensaio é baseado na profundidade de penetração de uma ponta. Superfícies não planas não são propícias para o ensaio Brinell. 14.922 por Rockwell. elimina o tempo necessário para a medição de qualquer dimensão da impressão causada. portanto. admite-se o ensaio em uma superfície com o diâmetro 10 vezes o diâmetro da esfera utilizada. Além disso.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. simbolizada por HR.28 .5. A dureza Brinell não serve para peças que sofreram tratamento superficial (cementação. subtraída da recuperação elástica devida à retirada de uma carga maior e da profundidade causada pela aplicação de uma carga menor. Os penetradores utilizados na dureza Rockwell são do tipo esférico (esfera de aço temperado) ou 210 . pois acarreta erro na leitura do diâmetro. Dr. pode ser omitida.27 .Penetradores de Dureza Rockwell. a impressão pede muitas vezes não prejudicar a peça ensaiada e pode ser usada também para indicar diferenças pequenas de dureza numa mesma região de uma peça. sendo.DUREZA ROCKWELL Outro tipo de dureza por penetração foi introduzido em 1. Em geral. A rapidez do ensaio torna-o próprio para usos em linhas de produção.2 . para verificação de tratamentos térmicos ou superficiais e para laboratório.Ângulo φ nas impressões Brinell. utilizando penetradores pequenos. que leva o seu nome e oferece algumas vantagens significantes que faz esse tipo de dureza ser de grade uso internacional. uma vez que a dureza Brinell não é um conceito físico satisfatório. que é o que realmente deveria ser observado. nitretação. etc. Losekann Direitos autorais reservados Sendo p a profundidade da impressão. pois o resultado é lido direta e automaticamente na máquina de ensaio. que deveria ser sempre colocada após o valor de HB. Figura 14. porque a equação que fornece a dureza Brinell não leva em consideração o valor médio da pressão sobre toda a superfície da impressão.). d.

porém baseadas na profundidade da penetração e são designadas por letras (A. bronze. O número de dureza obtido correspondente a um valor adimensional. as cargas maiores e algumas aplicações de cada escala. como cemetação. C. Losekann Direitos autorais reservados cônico (cone de diamante. Essas escalas de dureza Rockwell são arbitrárias. e para metais que sofreram algum tratamento superficial. 15 N 15 Cone de 30 N 30 diamante 45 N 45 15 T 15 Esfera 1/16” 30 T 30 45 T 45 LEITURA Preta Preta Preta Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha CAMPO DE AMPLIÇÃO Aço cementado ou temperado Aço. até 240 Brinell Metal plástico Aço cementado ou temperado Aço. também chamado de penetrador-Brale. ao contrário da dureza Brinell. chapas. Na tabela abaixo são dadas as escalas usadas com o tipo de penetrador.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. etc. Escala de dureza Rockwell comum. como lâminas. ferro e outros metais até 240 Brinell. ferro. nitretação. as quais devem sempre aparecer após a sigla HR para diferenciar e definir a dureza. etc. tendo as arestas do cone 120º). As máquinas vêm com as várias 211 . latão. etc. CARGA PENETRADOR ESCALA (kgf) ROCKWELL A 60 Cone diamante ROCKWELL C 150 120° ROCKWELL D 100 ROCKWELL B 100 Esfera 1/16” ROCKWELL F 60 ROCKWELL G 150 ROCKWELL E 100 Esfera 1/8” ROCKWELL H 60 ROCKWELL K 150 ROCKWELL L 60 Esfera 1/4” ROCKWELL M 100 ROCKWELL N 150 ROCKWELL R 60 Esfera 1/2” ROCKWELL S 100 ROCKWELL V 150 Escala de dureza Rockwell superficial. Dr.). B. etc. Algumas máquinas analógicas já vêm providas das escalas justapostas que servem para todos os tipos de dureza Rockwell existentes e outras podem ser lidas em visor digital. Cláudio R. A dureza Rockwell superficial emprega igualmente várias escalas independentes e é utilizada para ensaios de dureza em corpos de prova de pequena espessura.

907. quadrada. A escala C tem seu uso prático entre os números 20 e 70. a carga varia de 1 até 100 ou 120 kgf. não importando o seu tamanho. levando o nome Vickers. N e T. Cláudio R. como no caso da dureza Brinell. ou seja. Abaixo de 20. Assim. No caso da dureza Rockwell superficial. porque a Companhia Vickers-Armstrong Ltda fabricou as máquinas mais conhecidas para operar com esse tipo de dureza. por exemplo. naturalmente.DUREZA SHORE Em 1. deve-se empregar a escala B para evitar erros. usa-se antes a escala Rockwell C. Para esse tipo de dureza. assim. As escalas mais utilizadas são B.4 . que simplificado fica: HV = 1. e pela média L das suas diagonais. tem-se.DUREZA VICKERS Essa dureza foi introduzida em 1. conforme a expressão seguinte. area da superficie piramidal 2Qsen 136 2 . 14. caso o resultado caia fora do intervalo de dureza HRC. Como o penetrador é um diamante. Losekann Direitos autorais reservados escalas acompanhadas. Ao se fazer uma dureza num material desconhecido. 14. As demais só são empregadas em casos especiais. a dureza Rockwell B varia de aproximadamente 50 a 100. da dureza do material que se está ensaiando. a pré-carga é sempre de 3 kgf. com um ângulo de 136º entre as faces opostas. Esse tipo de dureza fornece. Esse método é conhecido por dureza escleroscópica ou dureza de Shore.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O penetrador é uma pirâmide de diamante de base quadrada. a escala F entre 73 e 116.5 e a escala A é a de maior amplitude de variações. a dureza carga Vickers: HV = . a dureza Vickers (HV) é independente da carga. isto é. A forma da impressão é um losango regular. Essa altura de ressalto mede a perda da energia cinética do peso.3 . F. deve-se primeiro tentar uma escala mais alta para evitar danificação do penetrador. isso depende.8544Q 2 L L2 HV = Como Q é dado em kgf ou N e L em mm. sem deformação no visor da máquina. C. ele é praticamente indeformável e como todas as impressões são semelhantes entre si. Dr. 212 .925 por Smith e Standland. a dimensão da dureza Vickers é N/mm² ou kgf/mm². ou seja. o número de dureza obtido é o mesmo qualquer que seja a carga usada para materiais homogêneos. HRC.5. uma escala contínua de dureza (de HV = 5 até HV = 1 000 kgf/mm²) para cada carga usada.5. A. para depois tentar as outras. Shore propôs uma medida de dureza por choque que mede a altura do ressalto (rebote) de um peso que cai livremente até bater na superfície lisa e plana de um corpo de prova. A mudança da carga é necessária para se obter uma impressão regular. absorvida pelo corpo de prova.

materiais que apresentem tenacidade. quando em funcionamento. de forma brusca.6 . A maioria dos ensaios mecânicos não avalia o comportamento dos materiais submetidos a esforços dinâmicos. Através dos ensaios obtemos os valores de energia absorvida para cada material ensaiado. Porém. como em eixos de máquinas. Estes testes são usados para caracterizar a propensão e o grau de fragilidade de um polímero quando submetido à ação de esforços bruscos. mesmo utilizando ligas dúcteis. com resistência suficiente para suportar uma determinada aplicação. verificou-se na prática que um material dúctil pode romper-se de forma frágil. As fraturas frágeis caracterizam-se pelo aspecto cristalino e as fraturas dúcteis apresentam aparência fibrosa. Cláudio R. bielas etc. Essa condição de trabalho empregada no corpo para que atinge o seu limite máximo de elasticidade é denominada resiliência. devem ser utilizados materiais capazes de absorver energia e dissipá-la. No caso da fadiga. o ensaio correspondente leva mais em conta o fato de serem cíclicos. Porém a maioria das máquinas e equipamentos. esses materiais não podem ser utilizados em aplicações nas quais sejam comuns esforços bruscos. É bem melhor saber quanto o material resiste a uma carga dinâmica numa situação de ensaio do que numa situação real de uso.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados 14. Esta característica dos materiais ficou mais evidente durante a Segunda Guerra Mundial. e assim determinamos a utilização ou não dos mesmos. para que a ruptura não aconteça. As fraturas produzidas por impacto podem ser frágeis ou dúcteis. O ensaio de impacto caracteriza-se por submeter o corpo ensaiado a uma força brusca e repentina. não ocorram fraturas nesse material. Os materiais frágeis rompem-se sem nenhuma deformação plástica. quando os equipamentos bélicos foram levados a solicitações críticas de uso.29 . embora os esforços sejam dinâmicos.Aspectos da fratura . está submetida a esforços dinâmicos. Figura 14. Para estas aplicações são desejáveis materiais que tenham capacidade de absorver energia e dissipá-la. Para equipamentos que são submetidos a esforços de impacto. despertando o interesse de pesquisa por este assunto. evitando assim sua ruptura. ou seja. Por isso. Os materiais dúcteis podem romper-se sem deformação plástica 213 . Esta propriedade está relacionada com a fase plástica dos materiais e por isso se utilizam as ligas metálicas dúcteis neste tipo de aplicação.ENSAIO DE IMPACTO Os ensaios de impacto são utilizados a fim de descobrirmos o quanto um material resiste às cargas dinâmicas para que. Dr. em situações reais de uso. inviabilizando assim a utilização de determinados equipamentos. que deve rompê-lo.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. na maioria dos casos. Por exemplo. Esta faixa é denominada temperatura de transição. A energia absorvida por um corpo de prova varia sensivelmente com a temperatura do ensaio. Como esta passagem. • temperatura de uso do material suficientemente baixa. Um corpo de prova a uma temperatura T1 pode absorver muito mais energia do que se estivesse a uma temperatura T2. Dr. de comportar-se como frágil devido à trinca. o valor de energia absorvida é pouco alterado.1 . verificou-se que há uma faixa de temperatura relativamente pequena na qual a energia absorvida pelo corpo de prova cai apreciavelmente. 14.30 . apresentando uma sensibilidade que é chamada sensibilidade à velocidade. um dado aço absorve 17 joules de energia de impacto à temperatura ambiente (± 25 0C). de maneira frágil. a baixa temperatura e a alta velocidade de carregamento constituem os fatores básicos para que ocorra uma fratura do tipo frágil nos materiais metálicos dúcteis.Temperatura de transição. 214 . Losekann Direitos autorais reservados apreciável. por menor que seja. ao contrário do que ocorre na resistência estática.TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO Ao ensaiar os metais ao impacto. não é repentina é usual define-se uma faixa de temperatura de transição. é freqüentemente chamada de sensibilidade ao entalhe. ou pode absorver a mesma energia a uma temperatura T3. muda substancialmente o comportamento do material dúctil.6. a mesma exerce um efeito muito acentuado na resistência dos metais ao choque. Cláudio R. passando de dúctil a frágil ou vice-versa. pouco menor que T2. Alguns materiais são mais afetados pela velocidade alta do impacto. Figura 14. ou seja. quando as condições abaixo estiverem presentes: • velocidade de aplicação da carga suficientemente alta. bem menor que T1. Quando a temperatura desce a -23 0 C. Uma trinca promove concentração de tensões muito elevadas. A temperatura de transição é aquela em que ocorre uma mudança no carácter da ruptura do material. o que faz com que a maior parte da energia produzida pela ação do golpe seja concentrada numa região localizada da peça. Esta característica do material dúctil. Este valor cai para 3 joules à temperatura de -26 0C. a existência de trincas no material. com a conseqüente formação da fratura frágil. Com relação à temperatura. ou seja. A existência de uma trinca. atingindo 16 joules. • trinca ou entalhe no material.

Encruamento — Materiais encruados. Indicandose os valores de temperatura no eixo das abscissas e os valores de energia absorvida no eixo das ordenadas. pois a região de onde eles são retirados. os valores de impacto não são influenciados pela temperatura. A temperatura T3 corresponde à fratura 30% dúctil e 70% frágil. Elementos de liga — A adição de certos elementos de liga. nos produtos siderúrgicos. Por isso esses materiais são indicados para trabalhos em baixíssimas temperaturas. que fragilizam a estrutura do material. como tanques criogênicos. como o níquel. aço inoxidável austenítico etc. A definição dessa faixa é importante porque só podemos utilizar um material numa faixa de temperatura em que não se manifeste a mudança brusca do carácter da ruptura. Cláudio R. é possível traçar a curva que mostra o comportamento do material quanto ao tipo de fratura (frágil ou dúctil). As normas internacionais geralmente especificam a posição da retirada dos corpos de prova. como o cobre. E a temperatura T2 é o ponto no qual a fratura se apresenta 50% dúctil e 50% frágil. Losekann Direitos autorais reservados A faixa de temperatura de transição compreende o intervalo de temperatura em que a fratura se apresenta com 70% de aspecto frágil (cristalina) e 30% de aspecto dúctil (fibrosa) e 70% de aspecto dúctil e 30% de aspecto frágil. 215 .1. Processos de fabricação — Um mesmo aço. tende a melhorar a resistência ao impacto. Pode-se representar a temperatura de transição graficamente.1 . A temperatura T1 corresponde à fratura 70% dúctil e 30% frágil.6. ou seja. que sofreram quebra dos grãos que compõem sua estrutura. produzido por processos diferentes. tende a elevar a temperatura de transição.Fatores que influenciam a temperatura de transição O intervalo de transição é influenciado por certas características como: Tratamento térmico — Aços-carbono e de baixa liga são menos sujeitos à influência da temperatura quando submetidos a tratamento térmico que aumenta sua resistência. Dr. não apresentam temperatura de transição.. Impurezas — A presença de impurezas. níquel. bem como a posição do entalhe. O intervalo de temperatura de transição corresponde ao intervalo entre T1 e T3. Tamanhos de grãos finos abaixam a temperatura de transição. possuirá temperaturas de transição diferentes. alumínio. Retirada do corpo de prova — A forma de retirada dos corpos de prova interfere na posição das fibras do material. tendem a apresentar maior temperatura de transição. Tamanho de grãos — Tamanhos de grãos grosseiros tendem a elevar a temperatura de transição. têm fundamental importância sobre os valores obtidos no ensaio. mesmo a temperaturas mais baixas. O tamanho dessa faixa varia conforme o metal. Os metais que têm estrutura cristalina CFC. de modo a produzir fratura frágil em temperaturas mais próximas à temperatura ambiente. 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por exemplo.

Devido à grande dispersão dos resultados dos ensaios. Os valores da energia servem como guia útil para comparações qualitativas entre diferentes lotes do mesmo tipo de material.. o que favorece o cisalhamento. O corpo de prova B também tem entalhe transversal. No corpo de prova C. um dos maiores causadores de problemas e distorções nos resultados. Apesar de simples e rápidos de serem executados. quanto na capacitação da mão de obra técnica. Neste caso. o ensaio de impacto comum não oferece resultados aplicáveis a projetos de engenharia estrutural. Figura 14. Dr. O tempo máximo para romper o corpo de prova após o resfriamento é de 5 segundos. principalmente próximo à temperatura de transição. A absorção de energia é a pior possível. Losekann Direitos autorais reservados Submetidos ao ensaio de impacto. o entalhe está no sentido da fibra.Curvas de energia absorvida de um mesmo material. gerada pela dificuldade de obter corpos de prova rigorosamente iguais e pela falta de homogeneidade dos materiais. Tempo necessário para homogeneizar a temperatura em todo o corpo de prova. foram desenvolvidos outros tipos de ensaio de impacto e outros equipamentos. por aproximadamente 15 minutos. os testes exigem precisão tanto na aferição do equipamento (medidor de resistência ao impacto). Para responder a essas necessidades práticas.Resfriamento do corpo de prova Os corpos de prova retirados para ensaio de impacto devem ser resfriados. esses corpos apresentaram três curvas diferentes.6. principalmente no entalhe. o entalhe está transversal às fibras do material. até que se atinja a temperatura desejada para o ensaio. Outra forma de obter o resfriamento é por meio de uma mistura de álcool e gelo seco.2 . O choque ou 216 .1. Um modo de obter o resfriamento consiste em mergulhar o corpo de prova num tanque contendo nitrogênio líquido. O ensaio de impacto é um teste dinâmico em que um corpo de prova padronizado é golpeado e rompido por um pêndulo ou martelo em uma máquina de ensaios especialmente projetada e é medida a energia absorvida para romper o corpo de prova. cortando todas as fibras transversalmente. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As técnicas de resfriamento são determinadas em normas técnicas específicas.31 . o entalhe atravessa o núcleo da chapa. que permite atingir temperaturas de até 70 °C negativos. No corpo de prova A. 14. Como mostra a ilustração seguinte. na confecção do corpo de prova.

os quais são descritos abaixo: Queda de Dardo .32 . que evitará a perda de energia durante o ensaio. onde o pêndulo apresenta uma energia final. Outro fator é a velocidade de aplicação da força. Em máquinas mais antigas. A única variável desconhecida é a altura final. Pêndulo de Impacto . A máquina é dotada de uma escala. A sua trajetória continua até certa altura. a máquina Izod e a máquina Hatt-Tuner. Durante o teste.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. kgfcm ou kgfmm. A máquina correspondente é o martelo pendular. porque a carga é aplicada repentina e bruscamente. a unidade de energia adotada é o joule. No ensaio de impacto. O mostrador da máquina simplesmente registra a diferença entre a altura inicial e a altura final. Ao cair. desferido por um peso em oscilação. Para os ensaios em materiais poliméricos é comum o uso de equipamentos que funcionam por queda de dardo ou pêndulo de impacto. Dr. que corresponde à posição final. Cláudio R. após o rompimento do corpo de prova. não é só a força aplicada que conta.é representada por uma sólida estrutura metálica fundida em corpo único. que indica a posição do pêndulo. A última é usada principalmente para ensaiar madeira. No impacto. De acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI). característica que possibilita sua ancoragem em uma base. Nesta estrutura 217 . Três máquinas são geralmente usadas para ensaiar materiais de engenharia: a máquina Charpy. Força associada com velocidade traduz-se em energia. quando submetido à ação de um esforço de choque de valor conhecido. A diferença entre as energias inicial e final corresponde à energia absorvida pelo material. onde adquire uma energia inicial. O ensaio de impacto consiste em medir a quantidade de energia absorvida por uma amostra do material. O pêndulo é levado a uma certa posição. também sólida. ele encontra no seu percurso o corpo de prova. Losekann Direitos autorais reservados impacto representa um esforço de natureza dinâmica.Máquina de ensaio de impacto. O método mais comum para ensaiar metais é o do golpe. que se rompe.determina a resistência das películas plásticas e avalia essa característica quando o material é atingido por um peso em queda livre. A altura inicial também é conhecida. numa escala relacionada com a unidade de medida de energia adotada. a massa do martelo e a aceleração da gravidade são conhecidas. e é calibrada de modo a indicar a energia potencial. Figura 14. a unidade de energia pode ser dada em kgfm. que é obtida pelo ensaio. o dardo é liberado por meio de um dispositivo eletromecânico quando a pressão negativa de fixação da amostra se apresenta a um determinado valor.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. quanto menor for a energia absorvida pelo corpo de prova.33 . o pêndulo empurra um indicador sobre uma escala que é usualmente graduada diretamente em kgfm. no qual uma amostra é normalizada com um entalhe central em U ou V. Dr. O pêndulo é elevado até sua posição mais alta e seguro por um prendedor ajustado para dar altura de queda constante para todos os ensaios. A energia que um corpo absorve para se deformar e quebrar é quantificada pela diferença entre a altura atingida pelo martelo antes e após o impacto. articulando-se com um sistema de engate e desengate para sua liberação. é colocada horizontalmente entre duas bigornas de modo que a lâmina golpeie do lado oposto ao entalhe. e uma máquina de 50 kgfcm é geralmente usada para plásticos. tanto mais frágil será o comportamento do material ao impacto. feito para alocar sua ruptura produzida por uma condição triaxial de tensão. onde.é usado em ensaios de impacto. O pêndulo é suspenso em um eixo que gira sobre rolamentos e oscila entre dois suportes laterais rígidos. Na configuração de Charpy o corpo de prova fica na posição horizontal. A energia absorvida pela amostra durante o ensaio é indicada num mostrador em escala calibrada em joules e graus. fica apoiado em rolamentos especiais para eliminar atritos. numa das extremidades. Desta forma. é fixado o martelo. É submetido a uma flexão desencadeada pelo impacto de um martelo fixado na extremidade de um pêndulo. Figura 14. O tipo com uma capacidade de energia de 30 a 33 kgfm é usado para metais. A máquina Charpy é disponível em pelo menos dois tamanhos. O movimento de levantamento do pêndulo até sua posição de queda é feito manualmente por um conjunto de cremalheiras. por sua vez. detalhe dinamicamente calculado de modo a permitir que o centro de percussão coincida com o ponto de impacto no corpo de prova. Esta amostra que é carregada como uma barra simples. nos quais se fixa o suporte do corpo de prova. No seu movimento de ascendência após a ruptura. 218 . que. composto de uma haste tubular.Ensaio Charpy e Izod. Na máquina Charpy. o pêndulo consiste de um perfil I com um disco pesado na extremidade. Ele é então solto para permitir a queda e a ruptura do corpo de prova. Isso impede esforços no eixo de suspensão. que quantifica o deslocamento de um ponteiro indicador e outro de arraste. Losekann Direitos autorais reservados apoia-se o pêndulo propriamente dito. ligados simultaneamente ao movimento do pêndulo. O pêndulo de impacto segue dois tipos de configurações diferentes: Pêndulo de Impacto na Configuração Charpy .

até que se alcance a altura de 25 cm. A amostra é normalizada com um entalhe central em V.0 cm até que se consiga a ruptura completa. a mesma máquina de impacto é projetada para permitir os testes Charpy e Izod. Dr. com possibilidade de trocar os suportes fixadores dos corpos de prova. O corpo de prova deve ter 5 x 5 x 75 cm. D746 e D2463. Ele tem as dimensões de 10 mm por 10 mm na secção reta e 75 mm de comprimento e tem um entalhe padronizado de 45º e 2 mm de profundidade no meio do corpo de prova. é utilizada a máquina Hatt-Turner. e geralmente é medida em joule.A técnica deste teste não diferencia do teste de resistência ao impacto na configuração Charpy. Figura 14. O mesmo é simplesmente apoiado sobre um vão de 70 cm tal que o peso caia exatamente no meio do vão. A máquina para ensaio de impacto Izod usualmente tem a capacidade de 16. A resistência ao impacto é avaliada pelos métodos ASTM D256.5 cm. que neste caso é vertical. Aqui.5 kgfm. a altura de queda é aumentada por estágios até que ocorra o rompimento. após o que são usados incrementos de 5. O peso cai entre colunas-guias verticais quando o circuito do magneto é aberto por um relé. Freqüentemente. O entalhe faz face ao pêndulo e o corpo de prova é então posicionado para que o entalhe seja visível acima do suporte fixador. o qual é acionado por um contato elétrico entre o magneto e uma polia móvel que pode ser ajustada para qualquer posição desejada ao longo da escala vertical sobre uma coluna-guia. no tipo de pêndulo empregado. ou seja. A diferença básica entre as duas configurações está na posição do corpo de prova. o corpo de prova é fixado para agir como uma viga vertical em balanço. Ná máquina Izod. Um peso de queda com 22. Cláudio R.7 kg é seguro por um eletromagneto que é alimentado por um motor. alcançada uma deflexão de 15 cm. A primeira queda é da altura de 2. 219 .34 .Corpos de prova Charpy e Izod. Para ensaios em madeira. Losekann Direitos autorais reservados Pêndulo de Impacto na Configuração Izod . e no local onde se dá o impacto.5 cm e as quedas subseqüentes são acrescidas de 2. no entalhe ou no seu lado oposto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

polida. a metalografia está classificada em: macrográfico. pois se retira amostras para análise do material ou peça solicitada. Para determinação de um microestrutura foram desenvolvidos ao longo dos anos muitos métodos de preparação de amostras. o local e a intensidade das descontinuidades. a metalografia é a ciência que estuda os metais e ligas metálicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. conservando-se as características de precisão do ensaio. propriedades físicas e mecânicas. ou que proíbam sua destruição. quando nos mesmos obtivermos um superfície plana. tido como o precursor da moderna metalografia. especialmente em peças de grande porte. e por via de regra atacada por um reativo adequado. tamanho do grão. entretanto. o realce da microestrutura através de um ataque adequado e a posterior observação ao microscópio.ENSAIOS METALOGRÁFICOS A metalografia surgiu praticamente com o trabalho de Henri Clifton Sorby (1. Cláudio R. • Outros.908). Através do ensaio metalográfico. • Formas de grafita. nem sempre isso é possível. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. Desta forma.863 observou pela primeira vez uma estrutura metálica ao microscópio.826 – 1. • Identificar o possível processo de fabricação da peça. Desde então pode-se defini-la como o ramo da tecnologia que estuda e interpreta a estrutura interna dos metais e suas ligas. A maioria dos ensaios metalográficos realizados são destrutivos. quando em 1. lixada. a observação através de um microscópio continua sendo o mais importante. • Identificar o tipo de tratamento térmico ou termoquímico. • Penetração do cordão de solda. Losekann Direitos autorais reservados 14. pode-se determinar: • tipo. Por este motivo. foram desenvolvidas técnicas para a realização do ensaio “in loco”. devido as condições que não permitem retirar amostras da peça.7 . • Valor da camada carbonetada ou descarbonetada. ensaio metalográfico não destrutivo. Mas. Dr. micrográfico. A metalografia pode ser dividida em: ensaio metalográfico destrutivo e ensaio metalográfico não destrutivo. o tamanho. • Zonas de alterações térmicas sofridas por soldagem. Quanto ao grau de aplicação com que a imagem metalográfica é visualizada. 220 . • Tipos de inclusões. como também a relação entre as suas composições químicas. A metalografia envolve basicamente três estágios de preparação de um corpo de prova: a obtenção de uma seção plana e polida. microconstituição.

a microconstituição do material. usa-se microscópio ótico ou microscópio eletrônico de varredura ou microscópio de tunelamento A micrografia têm por objetivos determinar do material ensaiado. o tamanho. conhecendo-se apenas sua seção a-a b-b longitudinal. 221 . lixada.2. a forma. bem como da granulação. onde a imagem obtida nessa superfície. será visualizada com um grau de ampliação superior a dez vezes. o que para tal.Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl.7.35 . o local e a intensidade das continuidades. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. identificar o processo de fabricação da peça. Esta visualização se fará a olho nu ou com uma ampliação de no máximo dez vezes através de lupa. não é prudente a b concluir que uma barra apresenta uma segregação maior do que outra. o tipo. Dr. zonas de alteração térmica provocadas por soldagem ou tratamento térmico. e atacada por um reativo adequando.ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO A micrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas.2 .1 . por exemplo: o aspecto da seção longitudinal de barras com segregação depende da maneira pela qual o corte seciona esse defeito.Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação. a b Figura 14. Alguns dos objetivos da macrografia são determinar do material ensaiado. plana.1 .7. Figura 14.ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO A macrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas quando obtivermos uma superfície. 14. 14. a forma da grafita. Assim sendo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. etc. A escolha da seção a ser cortada depende dos objetivos do ensaio.36 . Losekann Direitos autorais reservados 14.7. o tipo de tratamento térmico ou termoquímico sofrido. Cláudio R. lixada e atacada por um reativo adequado. o tipo de micro inclusão. quando obtivermos nos mesmos uma superfície plana.Etapas metalográficas Escolha da seção a ser cortada: Existem duas seções de corte: seção transversal e seção longitudinal. etc. polida.

Os abrasivos mais utilizados nas lixas são: óxido de alumínio. deformação. Dr. preferindo-se. Esta mistura é vertida dentro de um molde plástico onde se encontra a amostra. (polimetacrilato de metila). evitar que as amostras danifiquem as lixas e o pano metalográfico.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A reação de polimerização. A máquina de corte por disco abrasivo. e embutimento consiste em circundar a amostra com baquelite. dura e resistente ao desgaste. possuindo um sistema de refrigeração e lubrificação garantindo que a temperatura da superfície não ultrapasse a 100 0C e a rugosidade superficial de corte seja reduzida. Cláudio R. permitir que seja feito um estudo da periferia da amostra. adulterando-se as conclusões do ensaio. Nas peças fundidas diretamente na sua forma definitiva. Os discos de corte consistem de um abrasivo. carbeto de silício. carbeto de silício ou diamante com diferentes granulometrias. isento de qualquer tipo de defeito da superfície da amostra. com interesse de alguma parte em especial. sob condições nas quais a amostra não sofrerá deterioração de sua estrutura. o que mais se adapta para o ensaio metalográfico é o corte por abrasão a úmido.2 a 24h. Marcação para identificação: A marcação de amostra serve para identificação e pode ser feita com canetas especiais. as quais consistem geralmente de duas substâncias formando um líquido viscoso quando misturadas. O corte por abrasão a úmido é feito com uma cortadeira de disco abrasivo. onde o abrasivo é uma substância de origem mineral. o corte é guiado apenas pela forma da peça. O grão abrasivo e o meio de dispersão devem estar perfeitamente adaptados para que permitam um corte preciso. dependendo do tipo de resina e do catalisador. As lixas são classificadas de acordo com o tamanho 222 . locais de excessivos aquecimento (a mais de 100 0C) em peças temperadas. geralmente óxido de alumínio. evitar a formação de vários planos durante que influenciam na observação ao microscópio. ou resinas plásticas auto-polimerizáveis. Losekann Direitos autorais reservados Nota-se a diferença de aspecto em porcas cortadas transversal ou longitudinalmente provenientes de barras com segregação central. A montagem do corpo de prova se divide em: fixação e embutimento. deve-se tomar o máximo de cuidado para não danificar a estrutura da amostra por: encruamento. pois estes fenômenos seriam mais tarde postos em evidência pelo ataque. contudo. carbeto de boro e diamante. Montagem da amostra: A montagem do corpo de prova tem por objetivos: facilitar o manuseio de peças pequenas. Durante a operação de corte. polimezando-se após um certo tempo. é geralmente exotérmica atingindo temperaturas entre 50 a 120 0C. A fixação é feita através de placas metálicas fixadas com parafusos e porcas. melhorando com isso a qualidade da imagem obtida. com um tempo de endurecimento que varia de 0. “cut-off” garante boa precisão do corte. dispersos em meio de material sintético. A lixa é uma ferramenta de corte por abrasão. Lixamento da amostra na seção cortada: O lixamento da amostra é necessário para diminuir o grau de rugosidade da superfície. ou que secione transversalmente as suas arestas ou cantos vivos para se apreciar a forma da estrutura dendrítica nesses pontos ou eventual existência de pequenas fissuras. Corte da amostra na seção escolhida: Vários meios de corte podem ser utilizados para a realização do corte da amostra na seção escolhida.

sofre uma série de transformações eletroquímicas baseadas no processo de óxido – redução. pasta. forma dos grãos e poder de desbaste. Na lixadeira rotativa de prato. Figura 14. 223 . deve-se virar a amostra 90° em relação aos riscos deixados pela lixa anterior. A seqüência de lixas para o lixamento é 120 . para evitar a formação de planos inclinados. Lixadeira Metalográfica Manual Rotativa por Via Úmido. e bastão. segundo a norma ABNT MB-481. A verificação da rugosidade da superfície na prática é feita através do tato. Polimento da amostra na seção lixada: O polimento se faz necessário para aumentar a nitidez da imagem.1. quando atacada por reagentes específicos. coloca-se o pano metalográfico (feltro) que serve de apoio para o abrasivo. inicia-se o lixamento com lixa de grana 220. geralmente em bastão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados dos grãos. Este tipo de lixadeira divide-se em dois tipos: Se a amostra foi cortada com a serra de disco. onde neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador. encontra-se em bastão. Destes agentes polidores a alumina e o diamante são os mais utilizados para o polimento mecânico.25 µm e encontra-se na forma de pasta. óxido de alumínio (Al2O3 – alumina). o movimento de corte durante o lixamento. ao mudar de lixa. para aumentarmos o rendimento de corte. São formados células locais onde os constituintes quimicamente menos nobres atuam como ânodo. encontra-se em pasta ou suspensão e diamante sintético ou natural. suspensão em água destilada. Os abrasivos mais utilizados são: óxido de cromo (Cr2O3). cujo aumento do contraste se deve às diferenças do potencial eletroquímico. Na metalografia utilizamos o lixamento via úmido pois evita o entupimento da lixa e a água serve como refrigerante e lubrificante para o corte. O processo de polimento eletrolítico.400 . Ataque com reativo adequado: A superfície da amostra. Dr. suspensão. reagindo com o meio de ataque de maneira mais intensa que os mais nobres. O diamante se destaca como mais eficiente devido suas características de granulometria. encontra-se em bastão ou suspensão. Para a realização do lixamento metalográfico. dureza. Cláudio R.37 . permite obter por dissolução anódica de um metal em um eletrólito e uma superfície plana. geralmente são utilizadas dois tipos de lixadeiras: Lixadeira Metalográfica Manual Estacionária por Via Úmido.180 .280 320 .600 . O polimento pode ser feito através de politriz mecânica ou eletrolítica. neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador e pelo movimento da lixa. deve ser do centro para periferia e deve-se fazer um giro de 180° na amostra periodicamente.500 . A politriz mecânica possui um prato giratório sobre o qual.000. óxido de magnésio (MgO). O abrasivo varia de 5 à 0.240 . pois os riscos e a deformação superficial deixados pelo lixamento impedem a visualização correta da amostra no microscópio metalúrgico. Na lixadeira manual. aerossol. causados pela não uniformidade da velocidade de corte.Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz.

para remover os resíduos do processo. A superfície da amostra é enxaguada com a solução de ataque. álcool ou acetona. O ataque químico ocorre principalmente em contornos de grãos por serem zonas de maior energia. porém. a fim de evitar a formação de camadas oriundas da reação química. e posteriormente seca através de jato de ar quente. As técnicas mais comuns de ataque são descritas na tabela abaixo: Técnica Ataque por imersão Ataque por gotejamento Descrição A superfície da amostra é imersa na solução de ataque. O polimento é efetuado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O microataque evidencia a estrutura íntima do material em estudo. Método usado com soluções reativas dispendiosas. deve-se efetuar um pré-polimento. Em alguns casos. A figura abaixo mostra o esquema de um metal policristalino com os contornos de grão postos em evidência através de ataque químico. As condições de ataque tais como composição química. Losekann Direitos autorais reservados Para o ataque químico são usadas soluções alcoólicas de ácidos. estando a amostra imersa na solução de ataque. é o método mais usado. Figura 14. é esfregado sobre a superfície da amostra o que serve para remover as camadas oriundas da reação. Após o ataque químico a amostra deve ser rigorosamente limpa. Dr. A solução de ataque é gotejada sobre a superfície da amostra. bem como sais fundidos ou vapores. bases e sais. podem ser variadas para atingir as mais diversas finalidades de contraste. A figura ao lado mostra uma micrografia de um aço onde aparece grãos perlíticos (ferrita + cementita). Usado em casos de amostras muito grandes ou quando existe grande desprendimento de gás durante o ataque. têm uma reatividade química maior que o interior do grão o que permite por em evidência.. A solução de ataque. Este processo é usado com o polimento mecano-eletrolítico Ataque por lavagem Ataque por esfregação Ataque – polimento 224 .Micrografia da perlita. embebida em um chumaço de algodão ou pano.38 . Geralmente a preparação da amostra para o macroataque limita-se ao lixamento. devendo ser observada através de microscópio. As linhas com seta mostram a incidência de feixe de luz com a respectiva reflexão. Cláudio R. temperatura e tempo. através de lavagem em água destilada.

Cláudio R. em aço moldado. Dr. b) No ferro de pacote são 225 . O reativo de picrato de sódio colore a cementita.90 ml Água . Interpretação depois do ataque: o quadro abaixo mostra algumas interpretações costumeiras. os carbonetos complexos dos aços-ligas e a esteadita dos ferros fundidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.50 ml Ácido sulfúrico – 20 ml Água .100 ml Ácido clorídrico – 120 ml Cloreto cúprico .95% Ácido pícrico – 4% Álcool etílico .25 g Água – 100 ml Reativo picrato de sódio O reativo de nital e de ácido pícrico não ataca a ferrita e nem a cementita. Restos de vazio.5% Álcool etílico – 99 . Linhas com ramificações e pequenas áreas escuras próximas ao centro de peças laminadas vistas em seção transversal.5% Álcool etílico – 99 . mas delineia os contornos de grãos e colore escuro a perlita. laminadas ou forjadas. A perlita escurece porque o reativo ataca a linha de contato entre a ferrita e as lamelas de cementita. Aspectos Pontinhos pretos mais ou menos agrupados numa secção.96% Ácido pícrico – 2 ml Soda a 36o .95% Reativo de heyn Reativo de ácido clorídrico Reativo de ácido sulfúrico Reativos de frey Reativo nital Soluções mais usadas na micrografia de metais ferrosos Reativo Reativo nital Reativo de ácido pícrico Composição Ácido nítrico – 1 .100 ml Ácido nítrico – 1 . Significação provável Porosidade. moles. Linhas pretas aparentemente contínuas internas oriundas da periferia. Losekann Direitos autorais reservados Soluções mais usadas na macrografia de metais ferrosos Reativo Reativo de iodo Composição Iodo sublimado – 10g Iodeto de potássio – 20g Água – 100 ml Cloreto cuproamoniacal – 10g Água – 120 ml Ácido clorídrico – 50 ml Água . (quando sua forma tem certa simetria podem provir da ruptura durante o forjamento ou laminação). Pontos ou bastonetes pretos dispostos a) No ferro pudlado são as irregularmente na secção transversal de peças escórias maiores. Trincas ou inclusões grandes alinhadas.

origem técnica. c) caldeamento No aço. Linhas escuras orientadas longitudinalmente Ferro fundido maleabilizado. material mole. restos de vazio. defeitos de Com reativo de iodo a) Aço de teor de carbono muito baixo e bastante puro (pouco enxofre e a fósforo). Dr. c) Aço liga (inoxidável). grande em atacar Escurecimento rápido da superfície com o depósito preto pulverilento. Dificuldade superfície. b) Aço rico em carbono e temperado em água. Pontinhos escuros distribuídos com certa regularidade por toda a secção exceto junto à periferia. Losekann Direitos autorais reservados defeitos de caldeamento ou partículas de escória dos pedações de ferro pudlado que contiver. as alterações de b) Solda: emendas restaurações. No ferro pudlado. material duro. (excluída a segregação. cementação e descarbonetação). Material temperado e revenido ou Aparecimento de regiões de temperado grandemente. geralmente menos numerosas junto a periferia. tonalidades diferentes com a separação nítida a) Materiais vários caldeados. 226 . a) b) grandes. Ferro fundido mesclado. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. escórias No ferro de pacote. Pequeninas áreas cinzentas arredondadas distribuídas uniformemente pela secção.

• Ácido perclórico. inodoro e insípido porem extremamente tóxico. Algumas medidas de segurança de maior importância: • Todos os recipientes devem ser rotulados correta e visivelmente. Dr. nitratos. Não é somente um veneno para a pele e o aparelho respiratório. devem ser observadas as medidas de segurança que se aplicam a qualquer laboratório químico. e também alguns metais. luvas e uniformes adequados. mas também um corrosivo energético para o vidro. pode causar conseqüências letais. • Ácido fosfórico. éter. sais fundidos e soluções salinas). o produto químico. Os efeitos podem ser internos. diretamente no esgoto. Cláudio R. Também vapores dessas substâncias sempre venenosos. Losekann Direitos autorais reservados Recomendações práticas para o manuseio de produtos químicos O manuseio de produtos químicos sempre requer cuidados especiais. • Substâncias combustíveis e explosivas (benzol. Em concentração acima de 60% é facilmente combustível e explosivo. Por este motivo. mesmo quando impuros. Praticamente todos os produtos químicos. Quando absorvido pela pele ou inalado. Após o ataque com reativos à base de ácido fluorídico. devendo-se por isso trabalhar em ambiente muito arejado. devemse usar luvas especiais. a pele e roupa devem ser protegidos por óculos. Em caso de emanação de gases venenosos. Misturar com cuidado e não armazenar. • Óxido de cromo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. etc) não podem ser aquecidas nem ser manipuladas na proximidade do fogo aberto. os olhos. limpar perfeitamente a amostra pelo menos 15 minutos antes de levá-la para observação microscópica. • No trabalho com materiais tóxicos como berílio suas respectivas ligas. 227 . acetona. ou externos. quando concentrado. • Ácido fluorídrico. mesmo com a máscara. cuidadosamente. • No manuseio de substâncias cáusticas (ácidos. basicamente para a preparação dos reagentes usados no ataque metalográfico. Isto ocorre nas presença de materiais orgânicos ou metais facilmente oxidáveis como por exemplo o Bi. à prova de fogo e não exposto à luz. • As soluções de substâncias ativas devem ser preparadas da seguinte maneira: sempre colocar em primeiro lugar a água e em seguida. As misturas desta substância com álcool podem provocar a formação de dimetilsulfato. A amostra atacada por este reativo pode danificar as lentes focais da objetiva do microscópio. são perigosos para o organismo humano. causado por inalação ou ingestão. As misturas de óxido de cromo VI com materiais orgânicos são explosivas. Em conseqüência devem ser evitadas concentrações elevadas e o aquecimento. bases. peróxidos. como distúrbios nos olhos ou na pele. • Nunca despejar um produto químico. • Todas as substâncias críticas devem ser guardadas em ambientes refrigerados. é imprescindível o uso de máscaras adequadas.

há cerâmicas supercondutoras. lf é o comprimento final. que é a capacidade de oferecer resistência à condução de eletricidade. e a resistividade elétrica. em geral. Cláudio R. associadas com a condutibilidade elétrica.9 . entretanto. • Ponto de ebulição ou de vaporização: é a temperatura na qual um material muda de estado líquido para o estado gasoso. Tf é a temperatura final e Ti é a temperatura inicial. e α V ≅ 3 ⋅ α L . titânia. cujo coeficiente de dilatação térmica é 27 vezes mais baixo no plano basal do que na direção perpendicular a ele. a maioria dos sólidos aumentam de dimensões com o aumento da temperatura durante o aquecimento e contraem com a diminuição de temperatura. Isto acontece tanto no processo de obtenção do material quanto na utilização. Para materiais em que a dilatação térmica é isotrópica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. quartzo.8 . elas precisam ser resistentes a temperaturas elevadas. Por volta de 1. onde αV é a dilatação térmica volumétrica. pode-se demonstrar que: α S ≅ 2 ⋅ α L . Eles podiam também medir as diferenças de potenciais que causavam e 228 . são maus condutores de eletricidade. O grafite apresenta um caso de anisotropia extremo.PROPRIEDADES TÉRMICAS As propriedades térmicas determinam o comportamento dos materiais quando são submetidos a variações de temperatura. O processo inverso é a temperatura de liquidificação ou condensação. e por isso. Muitos materiais cristalinos. O processo inverso é a temperatura de solidificação. Ex. calcita e grafite. que a capacidade de conduzir eletricidade. Dr. • Dilatação térmica: é a propriedade que os materiais tem de aumentarem ou diminuírem de dimensões com a temperatura. As velocidades de corte elevadas da ferramenta de corte geram aumento da temperatura. apresentam anisotropia quanto a dilatação térmica.820. os físicos já podiam produzir e detectar correntes elétrica. Losekann Direitos autorais reservados 14. Esta propriedade é análoga ao da difusividade nos sólidos 14. A cerâmica. O coeficiente de dilatação térmica linear (αL) é definido pela seguinte expressão: αL = li Tf − Ti ( l f − li ) Onde li é o comprimento inicial. geralmente.PROPRIEDADES ELÉTRICAS As propriedades elétricas estão. onde αS é a dilatação térmica superficial. • Condutividade térmica: é a propriedade que os materiais tem de conduzirem calor. • Ponto de fusão: é a temperatura na qual um material muda de estado sólido para o estado líquido. Na ausência de transformações de fase. tais como a alumina.

da geometria e do polimorfismo (monocristal.6 x 10-6 6.6 x 10-6 1. é mais de 20 ordens de grandeza maior que a condutividade de um isolante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Material Ouro Prata Cobre ReO3 CrO2 Alumínio Tungstênio Níquel Ferro Resistividade elétrica (Ωcm) a 20 oC Condutores 1. a que apresenta valores mais característicos e distantes.787-1. O valor de R depende do material. l é a distância entre dois pontos em que a diferença de potencial é medida e R a resistência elétrica. Dr. Losekann Direitos autorais reservados quantificar a resistência elétrica dos materiais condutores. amorfo) e é para muitos materiais independente da corrente elétrica. por exemplo. Cláudio R. A tabela abaixo mostra a resistividade elétrica de alguns materiais.854) formulou a lei que relaciona a diferença de potencial (V). σ= 1 ρ A unidade de condutividade elétrica é (Ωm)-1. Em 1. policristal. A condutividade elétrica é. A resistividade elétrica (ρ) é uma propriedade do material e está relacionada com a resistência elétrica da seguinte maneira: ρ = R⋅ A l Onde A é a área da secção reta perpendicular à direção da corrente elétrica. dentre as propriedades dos materiais. a resistência elétrica (R) e a corrente elétrica (i).7 x10-6 1. a corrente é medida em ampères (A) ou em C/s e a resistência elétrica é medida em ohms (Ω) ou em V/A. A condutividade elétrica (σ) indica a facilidade com que um material conduz corrente elétrica e é o inverso da resistividade.8 x 10-6 13 x 10-6 Semicondutores Silício 2 x 10-5 Fe3O4 10-2 B4C 0. a condutividade elétrica de um condutor como a prata ou ouro.8 x 10-6 2 x 10-6 3 x 10-6 3 x 10-6 5. como o polietileno. V = R⋅i A diferença de potencial é medida em volts (V) ou em J/C.827. o físico alemão Georg Simon Ohm (1.5 SiC 10 Germânio 40 Isolantes Borracha vulcanizada (Buna-S) Butadieno + 1014 estireno Nylon 1014 PTFE (teflon) 1016 PS (polistireno) 1018 229 . A unidade de resistividade elétrica é Ωm.

Cláudio R. Como conseqüência disto. a resistividade elétrica depende da temperatura . prata e cobre e depende. o metal oferece uma certa resistência a passagem da corrente elétrica denominado de resistividade elétrica ( ρ). σ = n⋅ q⋅ m Nos metais. por exemplo. A condução iônica é de importância secundária nos sólidos em temperaturas moderadas. Losekann Direitos autorais reservados A condutividade elétrica de um material depende do número de condutores ou de portadores de cargas como cátions. a resistividade de um metal é dada pela equação abaixo: ρ = ρT + ρD Esta lei não é aplicável aos materiais semicondutores em que a resistividade devido a defeitos . a sua condutividade é muito fraca. entretanto tem importância a temperaturas elevadas. das vibrações térmicas dos íons e dos defeitos nos cristais ou grãos (lacunas. os elétrons de valência que fazem a ligação entre os átomos de silício e os de oxigênio não têm mobilidade dos elétrons de uma ligação metálica e.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Al2O3 SiO2 Si3N4 MgO > 10 > 1014 > 1014 > 1014 14 Prof. por isso. elétrons ou vazios “eletron holes” por unidade de volume (n). mas é freqüentemente utilizada para o estudo de defeitos pontuais e para determinação de pequenas quantidades de impurezas nos semicondutores que são matérias primas para fabricação de dispositivos opto-eletrônicos. ou seja. para um dado elemento.diminui quando a temperatura se eleva. em torno de 10-24 (Ωcm)-1. dos defeitos existentes na estrutura que são independentes da temperatura.5. maior o seu livre percurso médio o qual aumenta rapidamente quando a temperatura diminui (maior que 106 vezes a distância interatômica a baixas temperaturas). discordâncias. pela nuvem de elétrons livres. ou pelo menos os de energia máxima. da carga (q) de cada condutor e sua mobilidade (m). Tanto o número de condutores (n) como a sua mobilidade (m) dependem da temperatura. da temperatura. visto que. esta propriedade variável com os elementos é.ρT . em geral. maclas e contornos de grãos) que provocam a difusão da corrente elétrica. por outro lado. ânions. enquanto que no cobre é de 64. quando se aplica um campo elétrico em um metal. 230 . quase exclusivamente. a condutividade elétrica é explicada. Ou seja.ρD . produzindo uma corrente de certa intensidade. átomos substitucionais. mas sim no modo em que foi produzido o metal . átomos intersticiais. mais elevada nos metais com menor número de elétrons de valência como o sódio. Assim.ρD . A condução iônica tem um papel importante nos líquidos.visto que a amplitude das vibrações térmicas é influenciada pela temperatura e. Segundo Matthiessen. ouro. Dr. potássio. Na sílica. A condutividade elétrica será tanto maior quanto maior for a mobilidade dos elétrons. dirigem-se ao polo positivo. Desta forma.104 (Ωcm)-1 a 0 oC. Para o cobre e a prata pura o livre percurso médio dos elétrons à temperatura ambiente é de cerca de 100 distâncias interatômicas. diminuindo o livre percurso médio. esses elétrons.

15 oC).PROPRIEDADES MAGNÉTICAS Forças magnéticas aparecem quando partículas eletricamente carregadas se movimentam. o estanho.10 . O fenômeno da supercondutividade que se observa em certos metais como o chumbo. Dr. tornando-se ótimos condutores. mas. é sabido que estes metais e ligas são más condutoras de eletricidade a temperatura ambiente. que na teoria é possível extingüí-los. Assim. NdBa2Cu3O7. Entretanto. etc. A figura abaixo mostra um esquema dos momentos magnéticos de um corpo sólido. NbTi. o mercúrio.15 oC) a resistividade anula-se bruscamente. várias ligas sendo estudados a supercondutividade como: UPd2Al3. Cláudio R. mas para baixas temperaturas a variação torna-se proporcional a T5 e tende-se anular para 0K. Nb3Sn que se dá em temperaturas baixas deve-se a diminuição de defeitos.39 . o nióbio e suas ligas. atualmente. para um metal puro e uma distribuição atômica perfeita ( ρD = 0) a resistência tende a zero com a diminuição da temperatura. 231 . O momento magnético do corpo é a soma dos momentos magnéticos das unidades elementares que o constituem. 14. Para temperaturas superiores a 100K (-173.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Curva de resistividade elétrica em função da temperatura. a resistividade é proporcional a temperatura absoluta T. Há. Outro conceito importante é o conceito de dipolo magnético. Os dipolos magnéticos são análogos aos dipolos elétricos e podem ser imaginados como pequenas barras compostas de polo norte e polo sul. como por exemplo. Losekann Direitos autorais reservados ρ αT ρ αT 5 ρT ρD 0 100 Tf O aumento da resistividade com a temperatura é considerado uma das propriedades mais características dos metais. restando unicamente a resistividade devido a defeitos nos metais. a temperaturas inferiores a 20K (-253. É conveniente raciocinar em termos de campo magnético e linhas de força (imaginárias) podem ser tracejadas indicando a distribuição do campo magnético. Resistividade ( Ω mm ) Temperatura (K) Figura 14. conforme mostra a figura abaixo. YBa2Cu3O7.

se esses materiais são colocadas em um campo magnético. Um deles é a susceptibilidade magnética acima descrito. Vários parâmetros podem ser utilizados para descrever as propriedades magnéticas de um material. Cláudio R.I. então vale a expressão: M = χ⋅H Onde χ é a susceptibilidade magnética por unidade de volume e H é a intensidade do campo magnético. entretanto. Pode-se usar a mesma unidade para M e H. designado pelo símbolo “µ”.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14.40 . H significa henry e a unidade de fluxo magnético .no S. O campo magnético H é medido em termos do fluxo magnético no vácuo Bo (Wb/m2): Bo = µ o ⋅ H Onde µo é a permeabilidade magnética no vácuo (4π10-7H/m). M é zero na ausência de campo magnético. cujo símbolo é “M”. é o Tesla.B . como em um cristal. Na maioria dos materiais.Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária. Dr. torna-se conveniente pensar em termos de momento magnético por unidade de volume. Wb significa weber. Quando consideramos os efeitos magnéticos provenientes de átomos e elétrons reunidos. A propriedade mais característica de qualquer material magnético é o seu momento magnético. o outro parâmetro importante é permeabilidade magnética relativa: µr = µ µo As permeabilidades µ e µr medem a facilidade com que um campo magnético B pode ser introduzido em um material sob ação de um campo 232 . quantidade mensurável.

41 . Losekann Direitos autorais reservados magnético externo H. Zn) Fe2O4) 0. a qual não varia com a temperatura. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material diamagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. eles também diferem substancialmente quando expostos a um campo magnético. os átomos de um material diamagnético têm momento nulo. é negativa e está na ordem de -10-6 a -10-5. Na ausência de campo magnético. 233 . b) Na presença de um campo magnético. a) Na ausência de um campo magnético.25% Si) com grãos orientados Ferrita cerâmica (Mn. A magnitude do momento magnético induzido pelo campo externo é extremamente pequena e sua direção é oposta à direção do campo aplicado. Material Permeabilidade magnética relativa Ferro (0. Zn) Fe2O4) Ferrita cerâmica (Mn. • Diamagnéticos: é uma forma muito fraca de magnetismo. Os materiais. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A tabela abaixo mostra valores de permeabilidade magnética relativa (µr) para alguns materiais. que só persiste enquanto houver um campo magnético externo aplicado. podem ser classificados em: diamagnéticos. A susceptibilidade magnética χ. a) b) Figura 14.5 x 103 2.5 x 103 1. paramagnéticos. Os efeitos magnéticos nos materiais originam-se nas pequenas correntes elétricas associadas ou a elétrons em órbitas atômicas ou a spins de elétrons.5 x 103 0. ferromagnéticos.1% de impurezas) Aço ao silício (4. antiferromagnéticos e ferrimagnéticos. Cláudio R.0 x 103 1.3 x 103 A permeabilidade magnética e a susceptibilidade magnética podem ser correlacionadas através da expressão: χ = µr −1 Do mesmo modo que os materiais diferem na sua resposta a um campo elétrico.25% Si) Aço ao silício (3.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético. quanto ao seu comportamento magnético.

61 x 10-6 0.3 x 10-6 2. e Cu2MnAl. M não cai a zero.22 x 10-6 0. denominada 234 .096 x 10-6 -0. cobalto. Eles apresentam temperatura crítica.13 x 10-6 -0.17 x 10-6 -0. melhor será os efeitos magnéticos. também apresentam ferromagnetismo. Losekann Direitos autorais reservados Material Al2O3 Cobre Ouro Mercúrio Chumbo Índio Susceptibilidade magnética -1. Quando o campo magnético H é removido desses materiais.53 x 10-6 0.41 x 10-5 -0.42 .70 x 10-6 1.81 x 10-5 -0. Além disto. Material Césio Potássio Alumínio Sódio Zircônio Nióbio Susceptibilidade magnética 0.11 x 10-6 -0.54 x 10-6 0. níquel e gadolíneo.0 x 10-6 • Ferromagnéticos: quando a susceptibilidade magnética χ for positiva e elevada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a) b) Figura 14.2 x 10-6 Material Tungstênio Magnésio Tório Platina Molibdênio Titânio Susceptibilidade magnética 0. b) Na presença de um campo magnético. Algumas ligas e compostos de manganês. o material é classificado como ferromagnético.18 x 10-6 -1. tais como MnBi.18 x 10-6 -0.04 x 10-6 1. Quanto melhor for a orientação dos momentos magnéticos.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético. é pequena e positiva e está na ordem de +10-5 a +10-3. Cláudio R. A susceptibilidade magnética χ.32 x 10-6 0.66 x 10-6 1. cuja orientação ao acaso.14 x 10-6 -0.56 x 10-6 Material Silício Prata NaCl Zinco Cádmio Antimônio Susceptibilidade magnética -0. a qual diminui com o aumento da temperatura. É o caso do ferro α. Os dipolos podem ser alinhados na direção do campo magnético aplicado.1 x 10-6 • Paramagnéticos: é também uma forma muito fraca de magnetismo. a) Na ausência de um campo magnético. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material paramagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais.31 x 10-6 -1. os materiais ferromagnéticos se magnetizam espontaneamente e podem reter um momento magnético permanente. resulta em magnetização nula. mas neste caso os átomos de um material paramagnético têm momento magnético. Dr.8 x 10-6 3.

acima da qual perdem o ferromagnetismo e tornam-se paramagnéticos.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético. Vários compostos de metais de transição apresentam comportamento antiferromagnético: MnO. Figura 14. MnSe e CuCl2. A figura abaixo mostra um esquema da configuração de dipolos de um material ferroamagnético e a tabela que segue mostra a temperatura de Curie para alguns materiais ferromagnéticos Figura 14. CoO. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos do MnO.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Esquema de momentos magnéticos do MnO.44 . NiO.é zero. O material como um todo não apresenta momento magnético. Os íons Mn2+ apresentam momento magnético permanente. Material Ferro α Níquel Cobalto Temperatura de Curie 770 oC 358 oC 1130 oC Material Gadolíneo SmCo5 Nd2Fe14B Temperatura de Curie 20 oC 720 oC 312 oC A susceptibilidade magnética dos materiais ferromagnéticos diminui com o aumento da temperatura segundo a lei de Curie-Weiss: χ= C T−θ Onde C é uma constante. T a temperatura em graus Kelvin e θc é aproximadamente θc.43 . MnS. Losekann Direitos autorais reservados temperatura de Curie (θc). Cr2O3. O momento magnético associado aos íons O2. mas estão arranjados na estrutura de modo que os íons adjacentes têm momentos opostos ou antiparalelos. Dr. • Antiferromagnéticos: alguns materiais apresentam o comportamento antiferromagnético. 235 . Cláudio R. O MnO é um material cerâmico com ligação iônica e a sua estrutura cristalina é CFC.

As características macroscópicas do ferromagnetismo e do ferrimagnetismos são parecidas. Onde C é uma constante. Dr. pode ser escrita como Fe2+O2(Fe3+)2(O2-)3 .45 . O Fe3O4. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos de ferrita. χ= C T±θ de θc. A susceptibilidade dos materiais ferrimagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais ferromagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. e o Mg.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente 236 . que foi a primeira ferrita conhecida. Estes materiais também apresentam temperatura crítica de Curie (θc). de estrutura CCC). Estes materiais são denominados de ferritas (não confundir com a fase ferro α do ferro. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente • ferrimagnéticos: alguns outros materiais cerâmicos também apresentam forte magnetização permanente. χ= C T±θ de θn.Esquema dos momentos magnéticos da ferrita. o Cu. As ferritas podem ser representadas por Mfe2O4. A susceptibilidade dos materiais antiferromagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais paramagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. Onde C é uma constante. O íon M2+ pode ser. Figura 14. além do ferro.é magneticamente neutro. Losekann Direitos autorais reservados Estes materiais apresentam temperatura crítica. onde M deve ser um elemento metálico. denominada de ferrimagnetismo. o Mn. A resultante dos momentos magnéticos dos dois tipos de íons de ferro não se anula e o material apresenta magnetismo permanente. o Ni. O ânion O2. denominada de temperatura de Néel (θn). Na estrutura cúbica da magnetita o cátion ocupa interstícios Fe2+ octaédricos e o cátion Fe3+ ocupa interstícios tetraédricos. Cláudio R.

46 .907) para explicar o comportamento dos materiais ferromagnéticos. Um material magnético duro tem sua magnetização durante a fabricação e deve retê-la depois que o campo magnético externo. Dr. denominados de materiais moles. geradores de c. A magnetização de diferentes domínios varia com a direção.c. Em outras palavras. pela sua estrutura cristalina e por seus domínios magnéticos. motores elétricos de c. O conceito de domínio magnético foi introduzido por Weiss (1. Atinge-se o valor de saturação quando os domínios são alinhados pela aplicação de um campo magnético externo. A figura abaixo mostra as curvas de magnetização e ciclos de histerese típicos de materiais magnéticos moles e duros. Ele postulou que um material ferromagnético é dividido em domínios. for removido. Figura 14.1 . Fe-Si (aço ao silício). Este comportamento é útil em aplicações que envolvem mudanças contínuas na direção de magnetização.a. Fe-Co. sendo estes últimos produzidos a partir de 1970 pela metalurgia do pó. materiais magnéticos moles significa ser facilmente magnetizado e desmagnetizado. Cláudio R. O desenvolvimento de materiais magnéticos mais eficientes tem sido contínuo. Fe-Ni. os materiais magnéticos podem ser divididos em dois grupos. materiais duros ou permanentes deve ser resistente a desmagnetização. 237 . alternadores.. de modo que a magnetização de um material ferromagnético pode ser pequena ou até mesmo nula. dentro das quais a magnetização é igual ao valor da saturação. Losekann Direitos autorais reservados 14. Fe-P. fones de ouvido e alto-falantes necessitam de materiais magnéticos duros como SmCo5. e Fe-Co-V (supermalloy).a. e transformadores de c. combinado com elevada permeabilidade magnética (µ) e saturação magnética. exibindo elevada coercividade e elevada remanescência e o produto H x B deve ser máximo. Sm2Co17 e NdFeB. usado para magnetizá-la.Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo).10. Para estas aplicações são necessários materiais magnéticos moles como Fe.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em termos de aplicações. Geradores de c.MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS As propriedades magnéticas de um material são determinadas pela sua estrutura eletrônica. Os materiais magnéticos duros apresentam um ciclo de histerese elevado. por exemplo. Fe-P-Si). baixa remanescência (Br).a. Um material magnético mole opera na presença de um campo magnético. tendo baixa coercividade (Hc).

onde Io é a intensidade do feixe incidente. Io 238 .REFLETIVIDADE. é a intensidade do feixe incidente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.47 . por exemplo.11 . Para um feixe incidente normal.Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios. a intensidade do feixe incidente Io para a superfície do meio sólido deve ser igual a soma das intensidades transmitidas. do ar para dentro de uma substância sólida. parte é absorvida pela amostra e outra parte emerge do outro lado (transmitido). com intensidade Io. respectivamente. Dr. It é a Io intensidade do feixe transmitido e Ir é a intensidade do feixe refletido. Além disto. e Ir.PROPRIEDADES ÓTICAS Quando um feixe de luz encontra uma interface entre dois meios. ele sofre reflexão e refração. Figura 14. Ia é a intensidade do feixe absorvido. Pela conservação de energia. It. Losekann Direitos autorais reservados 14. dada pela equação abaixo: Io = It + Ia + Ir (W/m2) Equação 24 14. O coeficiente de absorção α não pode ser obtido diretamente de um único experimento de transmitância. conforme mostra a figura abaixo. A absorção I pode ser expressa por A = a onde. a reflexão na frente e na saída da superfície devem ser levadas em conta. absorvidas e refletidas. Cláudio R. pode-se notar que parte desta intensidade é refletida nas interfaces. l a espessura da amostra e α o coeficiente de absorção por unidade de comprimento. TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. a intensidade de I um feixe refletido pela frente da superfície é dado pela refletividade R = r e a Io It transmitância é dado por T = .11. A perda linear por absorção de um meio pode ser expressa pela lei de Beer-Lambert [: I = I o ⋅ e − α l Onde Io. Ia. Assim. parte da radiação da luz pode ser absorvida pelo meio em que se propaga. ao se iluminar uma amostra. Em outras palavras.1 .

48 . IoA I t A = I o A ⋅ e −αl TA = ItA I oA = e −αl Figura 14. A figura ao lado mostra um típico espectrômetro com compartimento aberto onde se posicionam amostras para a incidência de feixes de luz para a obtenção de dados de absorção e transmitância. Figura 14.Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro. Se intensidade do feixe refletido for aproximadamente igual a zero. Dr.Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro. Cláudio R. pode-se expressar a intensidade do feixe transmitido pela equação: I t = I o ⋅ e −αl Onde α é o coeficiente de absorção (mm-1) que varia com o comprimento de onda da radiação incidente.49 . se a intensidade do feixe refletido for igual a intensidade do feixe incidente (Ir = Io ). ou zero (Ir ≅ 0). Losekann Direitos autorais reservados A intensidade do feixe transmitido pode ser expressa pela equação: It = Io − Ir − Ia 2 I t = I o ⋅ ( 1 − R ) ⋅ e − αl Logo. 239 . e l é a espessura do material na qual atravessa o feixe. é mais conveniente evitar medições de refletância. Às vezes. Transmitância de uma amostra A figura abaixo mostra o esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente em uma amostra de vidro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a transmitância será nula (It = 0). quando as espessuras do meio são muito finas ou transparentes (em vidros).

excitado pelo impacto de uma radiação. toda radiação de luz é absorvida ou refletida ou ambas. Figura 14.Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado. mas são transparentes para ondas eletromagnéticas de pequeno comprimento de onda como raio-X e raio-γ. Podese observar que a 1 04 transmitância para a 1 02 amostra BLC1 é de 1 00 aproximadamente 100%. dando lugar ao brilho metálico. Transmitância (%) 1 00 200 300 400 500 600 700 800 900 Comprimento de onda (nm) Figura 14. cai em um nível mais baixo de energia. 98 com algumas flutuações. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. Cláudio R. Espectro com irradiação do ultravioleta. O ruído que aparece entre 180 nm e 280 nm é devido a absorção do ultravioleta BLC1 1 08 pela lâmina de vidro que 1 06 suporta a amostra. para o intervalo de 96 comprimento de onda de 94 280 nm a 850 nm. Deste modo. Transmitância (%) 240 . Estas propriedades dos metais atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem reemitir. Pode-se observar que a transmitância reduz com a diminuição do comprimento de onda que é devido a absorção dos cristais de PbS. é quase inteiramente refletido. Dr. quando o elétron. 1 00 STW4 80 60 40 20 0 200 300 400 500 600 700 800 900 1 000 Comprimento de onda (nm) A figura que segue mostra a curva de transmitância em função do comprimento de onda de uma amostra de vidro dopado com cristais de PbS de tamanho nanométrico.Curvas de transmitância da amostra BLC1.51 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. isto é. Os materiais metálicos são inteiramente opacos no espectro da luz visível. denominado de STW4. Losekann Direitos autorais reservados A figura que segue mostra o resultado de transmitância em função do comprimento de onda de uma lâmina de vidro denominado BLC1.50 .

51 1. Einstein.60 1. onde o índice de refração independe da direção de propagação e da polarização da luz.74 1. a abordagem clássica é mais conveniente e em outras situações é preferível a abordagem quântica. e propôs que um feixe de luz consiste de pequenos pacotes de energia. utilizou os conceitos da teoria quântica. conhecidos como quanta de luz ou fótons. em 1905. Um material homogêneo e transparente. Material Sílica Soda-lime Pyrex Dense optical flint glass Corundum (Al2O3) Periclase (MgO) Quartzo (SiO2) Spinel (MgAl2O4) Politetrafluoretileno Polietileno Polistireno Polimetilmetacrilato Polipropileno Heptano Etanol Índice médio de refração 1. Dr.65 1. Cristais com outras estrutura são anisotrópicos e seus índices de refração são função da orientação e da polarização. co n c = Cristais com estrutura cúbica são isotrópicos. que indica que a velocidade de propagação da luz naquele meio (c) é menor que a velocidade de propagação da luz no vácuo (co = 3 x 10 8 m/s). A energia de um fóton pode assumir determinados valores definidos pela relação: h ⋅ co E = h⋅ ν = λ 241 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.76 1. é caracterizado por uma constante.72 1. como o vidro.38 1. proposta por Planck em 1900.47 1. o índice de refração (n ≥ 1). pode-se concluir que a radiação eletromagnética pode ser tratada de dois modos: clássico (ondulatório) e quântico (fótons).49 1.36 Do exposto acima.49 1.46 1. Losekann Direitos autorais reservados Materiais isolantes podem ser transparentes e alguns materiais semicondutores são transparentes e outros são opacos.51 1.55 1. Cláudio R. Assim. O quadro abaixo mostra os índices de refração de vários materiais.35 1. Para analisar determinados fenômenos.

ou outras fontes como calor. Estes éxcitons.8 eV < hv < 3. o qual conduz à formação de um estado de fronteira do par elétronburaco. é representado esquematicamente na abaixo. Se a reemissão ocorre para tempos menores que um segundo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 eV. Os semicondutores lasers são um bom exemplo para mostrar como as propriedades óticas e elétricas são.52 . obtém-se o espectro de absorção mostrado na fig. amarelo claro para CdS. b). Losekann Direitos autorais reservados Onde h é a constante de Planck (h = 6. um elétron pode ir para um estado excitado. A luminescência é classificada de acordo com a grandeza do tempo entre o evento de absorção e reemissão. Luz monocromática de intensidade Io é incidida sobre a amostra. onde o próton é substituído por uma partícula com carga +e e com massa efetiva do buraco. A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor.a) Esquema de um experimento de transmissão. Esta energia pode ser fornecida por meio de fótons com energia maior do que a energia de banda proibida do material. e para tempos maiores. Um detector mede a intensidade transmitida It . Cláudio R. O coeficiente de absorção e o índice de refração têm um comportamento não linear com a intensidade da luz excitante..63. Quando se olha para um semicondutor. intimamente relacionadas. energia mecânica ou energia química. co é a velocidade da luz e λ é o comprimento de onda. Figura 14. nota-se que eles usualmente apresentam uma coloração. podem ser descritos similarmente como os átomos de hidrogênio. de onde podem retornar à banda de valência com emissão de um fóton. o éxciton. Processos não radioativos fazem com que o elétron vá para o nível mais baixo da banda de condução se 1. Variando o comprimento de onda de Io. 242 . Alguns materiais são capazes de absorver energia e reemitir luz visível em um fenômeno chamado luminescência.10 -34 J.s). fig. vermelho para Cu2O ou preto metálico para GaAs de acordo com o valor de energia da banda proibida. para determinar as propriedades óticas e indiretamente a energia de banda proibida. b) é típica de um semicondutor do tipo GaAs. Dr. fosforescente. fig. a). Ao absorver energia. o fenômeno é chamado de fluorescência. ν é a freqüência da onda. A energia absorvida pode ser suprida como energia mais elevada de radiação eletromagnética tal como luz ultravioleta. A absorção. A linha característica do espectro de absorção na figura acima (b) é uma manifestação direta da interação coulombiana originadas da atração entre elétron e buraco. de fato. laranja para ZnSe. b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs. Um exemplo simplificado de um experimento de absorção.

A figura abaixo representa o espectro de radiações eletromagnéticas. Em adição às propriedades óticas. Cláudio R.53 . Este tipo de radiação é denominada radiação térmica e é uma mistura de comprimentos de onda. Portanto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. calor. A luz ocupa uma região muito estreita do espectro de radiações eletromagnéticas. Luz. a radiação eletromagnética pode ser considerada como sendo ondas com dois componentes perpendiculares entre si e ambos perpendiculares à direção de propagação.Espectros de radiação eletromagnética. Figura 14. ondas de radar. Dr. Nas últimas décadas tem sido feito progressos significantes na produção de pulsos óticos da ordem de femtosegundo (1 fs = 10-15 s) através de laser (light amplification by stimulated emission of radiation). com comprimento de onda que vão de 0. é interessante investigar a resposta de semicondutores sob excitações de pulsos curtos. outro representa o campo magnético (P) e o terceiro eixo representa a direção de propagação.7 µm. ondas de rádio e raio-X são formas de radiações eletromagnéticas. 243 .4 µm a 0. Todos os corpos emitem radiações eletromagnéticas devido ao movimento de seus átomos e moléculas. O branco é uma mistura de todas as cores. Losekann Direitos autorais reservados Do ponto de vista clássico. uma onda eletromagnética pode ser representada em um sistema cartesiano com três eixos ortogonais entre si: um eixo representa o campo elétrico (E).

126 0.799 +1. Os potenciais de eletrodo são medidos em relação ao hidrogênio. pode ser representada pela soma de duas meias reações: Zn → Zn 2 + + 2e − 2H1+ + 2e − → H 2 (g) Zn + 2H1+ → Zn 2 + + H 2 (g) Os metais apresentam diferentes propensões a corrosão. Os metais e suas ligas tendem a reagir com o meio durante a sua utilização.498 Mn 2 + + 2e − → Mn Cr 3+ + e − → Cr 2 + Eu 3+ + e − → Eu 2 + Ni 2 + + 2e − → Ni Pb 2 + + 2e − → Pb 2H1+ + 2e − → H 2 ( g ) Cu 2 + + 2e − → Cu Fe 3+ + e − → Fe 2 + Ag1+ + e − → Ag Au 3+ + 3e − → Au 244 . O potencial de eletrodo depende da natureza e da concentração de solução em que o metal está imerso. Dr.337 +0. Losekann Direitos autorais reservados 14. como o zinco. Semi-reação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por exemplo. a propensão à corrosão pode ser avaliada por este potencial. denominado de potencial de eletrodo. O quadro abaixo mostra potenciais de eletrodo de vários metais.190 -0. O local onde a reação de redução ocorre é denominado de cátodo.420 -0. As reações que ocorrem no ânodo e no cátodo são denominadas de meia reação ou semi-reação. Os elétrons produzidos pela reação anódica. um metal M de valência n pode-se oxidar segundo a reação: M → M n + + ne − Onde “e.1 . A corrosão metálica é um processo eletroquímico.000 +0.12.PROPRIEDADES QUÍMICAS 14. O local onde ocorre a reação de oxidação é denominado de ânodo.“representa um elétron. geralmente. Como o processo de ionização de um metal cria um potencial elétrico. o alumínio é encontrado na bauxita que contém alumina (Al2O3). Solução ácida Potencial de eletrodo (em V para 1 mol/l) a 25 oC -1.12 . por exemplo. A corrosão de um metal.350 -0. Cláudio R. participam de reações de redução.236 -0.777 +0.RESISTÊNCIA A CORROSÃO Muitos metais encontram-se na natureza de forma combinada e principalmente com o oxigênio.

podendo. Os casos mais conhecidos de passivação são provavelmente do alumínio e do aço inoxidável. como aminas aromáticas e derivados de fenóis. plásticos do tipo polietileno absorvem água. São praticamente inertes na maioria dos meios orgânicos e inorgânicos. Um mesmo tipo de material pode sofrer diferentes tipos de corrosão. Em geral. A oxidação dos pneus pode ser suprimida pela adição de pequenas quantidades de carvão ou de substâncias antioxidantes. no entanto ser parcial com difusão de líquido ou soluto entre suas moléculas. A figura abaixo mostra os esquemas dos tipos de corrosão. Cláudio R. Esta reação. em água. Os materiais cerâmicos são muito estáveis quimicamente. Losekann Direitos autorais reservados Um fenômeno muito importante no estudo da corrosão é a passivação. causada por uma película muito fina de óxido na superfície do metal ou liga. ácidos. 14. polistireno são solúveis em benzeno.RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO Alguns materiais são bastante estáveis em meios líquidos como água. Dr.12.2 .54 . A corrosão pode ser classificadas em vários tipos. assim como em ácidos e bases fracos. Figura 14. diminuindo inclusive sua resistência mecânica. bases ou atmosferas agressivas em relação aos metais. é acelerada pela radiação ultravioleta ou pela luz solar intensa (muito comum no polietileno e borrachas). Os vidros são muitos resistentes aos ácidos. Os refratários utilizados em fornos também sofrem o ataque químico causado por gases oriundos da fusão de metal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Esquema dos tipos de corrosão. a qual dificulta o processo de oxidação. de acordo com a maneira com que ela ocorre. Nem sempre a degradação se da por completo. promovendo ligações cruzadas. conforme o meio e as condições em que ele está exposto. Apesar disto eles são susceptíveis aos ácidos fluorídricos e por algumas bases. tolueno. os termofixos são mais resistentes ao ataque de solventes orgânicos que os termoplásticos. por exemplo. Outra forma de degradação é causada pela difusão de oxigênio entre as cadeias das macromoléculas. denominada envelhecimento. 245 .

é importante diferenciar duas normas mundiais que tratam do assunto de reciclagem de uma forma direta ou indiretamente. Dr. Losekann Direitos autorais reservados 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS Figura 15. produção e preço de um produto com o consumo de energia. A reciclagem é um reaproveitamento de uma matéria prima ou produto industrializado ou final. Estas duas normas são: . Dois termos que geralmente vem sendo confundido. na qual tem preocupação com o meio ambiente e procura redigir vínculos de legislação ambiental para satisfação da comunidade e melhoria da imagem da empresa. 15. reciclagem de resíduos] onde se preocupa com a demanda.ISO 9000 .GESTÃO AMBIENTAL – que estabelece ações de correção ou minimização de efeitos ambientais dos processos produtivos. Outro aspecto que é importante ressaltar é o entendimento entre reciclagem e reaproveitamento. Cláudio R. ISO 14000 .1 .1 – Símbolo da reciclagem.GARANTIA E GESTÃO DA QUALIDADE – que estabelece requisitos para sistemas de qualidade que favorece interação com o mercado internacional. redução de custos via melhoria contínua [consumo de água. o reaproveitamento não significa 246 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. energia. entretanto.INTRODUÇÃO Quando é abordado o assunto de reciclagem.

o tecido deveria ser transformado novamente em fios para posteriormente fazer a fabricação da colcha. é reaproveitado. Losekann Direitos autorais reservados reciclagem. Material Diamante industrial de alta qualidade Platina Ouro Tungstênio Titânio Latão (60%Cu . ao ser usado na fabricação de uma colcha por meio de costura. como as latas de alumínio. Cláudio R. enquanto que o reaproveitamento não significa o reprocessamento. 1997.000 9. Exemplo.500.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.300 3. a matéria prima ou produto final é novamente reprocessado.). porque para fabricar a lata de alumínio novamente.500. O quadro abaixo mostra a energia necessária para produção de alguns materiais. 1997.000 16. Dr. Energia necessária para a produção de alguns materiais (PADILHA. Isto significa que a reciclagem pode consumir muita energia.400 870 247 .750 2.). Caso fosse feito a reciclagem. a reciclagem traz economia de energia.000 14.500 8.400 750 750 1. na reciclagem.700 350 27. Material Aço bruto Ferro fundido Alumínio Bronze Cobre Chumbo Cimento Concreto reforçado Cerâmica tradicional (tijolos) Vidro plano Fibra de vidro Polipropileno Poliestireno Polietileno PVC Papel Energia (GJ/tonelada) 10-47 58-360 83-330 97 72-118 28-54 4-8 8-14 3-6 14-20 43-64 108-113 96-140 80-120 67-92 59 Preço de alguns materiais de engenharia. basta fundir a lata usada que envolve menos energia do que a transformação do minério (alumina) em alumínio.40%Zn) Alumínio Aço inoxidável Aço doce Carboneto de silício (cerâmica avançada) Carboneto de silicio (abrasivos) Carboneto de silício (refratários) Vidro Borracha sintética Borracha natural Preço (US$/tonelada) 500. (PADILHA.400 2.000. Em determinados casos. Um retalho de tecido de algodão.500 1. isto é.

os materiais plásticos e elastômeros pode ser reaproveitado de três maneiras: 1.000 1. alguns frascos de detergente. É o caso do polietileno (PE). Desta forma. utensílios domésticos. Reaproveitamento energético . polipropileno (PP). 3. sucos e óleo de cozinha. pastas para material escolar.. é a mais utilizada.000 6. peças de automóveis. Reaproveitamento mecânico . Para facilitar a separação dos materiais plásticos para a reciclagem e reaproveitamento. Reciclagem –"reprocessados" por aquecimento e a matéria prima pode então ser utilizada novamente na indústria petroquímica. PEBD .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Polietileno PVC Fibra de vidro Fibra de carbono Resina epoxídica Madeira compensada dura Madeira dura estrutural Madeira mole estrutural Vigas de concreto reforçado Cimento Sillício monocristalino (Wafers) Silício metalúrgico 1. sacos de batata.(polietileno de alta densidade) . PET . OUTROS – Utilizados em eletrodomésticos. Além de diminuir os impactos de poluição e diminuição de custos em muitos casos.copos plásticos. resinas epoxídicas. Cláudio R. Os termoplásticos podem ser repetidamente conformados mecanicamente desde que reaquecidos. 2.300 Prof. Não são recicláveis. Essas embalagens são transparentes e fabricadas em diversas cores. Os termoestáveis.(polietileno de baixa densidade) .queimado liberando muita energia térmica. poliuretanos. PP .650 530 350 330 70 10. portanto. É mais rígido.no Brasil.frascos de shampoo e maquiagem.(polietileno tereftalado) .000 1.. Dr. os mesmos são identificados pelas siglas para diferenciar cada tipo. porém resistente. policloreto de vinila (PVC). baldes. Alguns exemplos dos tipos mais utilizados: PEAD . são recicláveis. 248 .000 1.plástico "filme" .garrafas de refrigerante.500 45.100 1. São finos e bastante flexíveis. a reciclagem cria novos empregos em centros de reciclagem.(policloreto de vinila) .tubos e conexões de encanamento. etc. PVC .(poliproprileno) .950 e devido ao custo e poluição que os mesmos envolvem.000. mas podem ser reaproveitados. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais poliméricos têm tido muita preocupação quanto a reciclagem e reaproveitamento em virtude da grande utilização após 1. pisos. revestimentos diversos. brinquedos. o material é picado e utilizado novamente como material aditivo em determinados produtos. calçados. São conformáveis plasticamente apenas em um estágio intermediário de sua fabricação. poliestireno (PS). PS – (poliestireno) . poliésteres.sacos plásticos de lixo. É o caso do baquelite.plásticos "filme" de proteção de alimentos. aparelhos telefônicos.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1.38Mpa e E = 20. Um corpo de prova de 30 mm de diâmetro e 600 mm de comprimento foi submetido a um ensaio de flexão a três pontos.7 kgf/mm2 ou 43. Na realização de um ensaio de dureza.382. Determine o seu alongamento. Como se mede a tenacidade em um diagrama σ x ε? 11. Um aço de médio carbono que apresenta o Módulo de Elasticidade Longitudinal de 21.8m. Resposta: ∆ = 0. Losekann Direitos autorais reservados 16 .16MPa 18. apresentando uma flexa de 2 mm sob uma carga de 360 N. Para que se faz ensaio de flexão? 16.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O que é Módulo de Elasticidade Longitudinal? 8. Determine: a) A tensão de flexão.095mm 15. o seu comprimento é de 0. A carga axial aplicada na barra é de 30 kN. utilizou-se o ensaio Brinell. O que é tenacidade? 5.000 Kgf/mm2 e Tensão de escoamento de 31. Uma barra de alumínio de possui uma secção transversal quadrada com 60 mm de lado. O Que é limite de escoamento? 9. Cite 4 tipos de ensaios destrutivos! 7. A esfera utilizada foi de 2. Por quê se faz ensaios de materiais? 6.7x105 Mpa.900 MPa 14. Dr.15% 13. Resposta: σF = 20. Qual é a tensão limite de resistência à compressão de um material que tem 400 mm2 de área da seção transversal e se rompeu com uma carga de 760 KN? Resposta: σ = 1. Eal = 0. Cláudio R. 2. Por que se deve garantir o paralelismo entre as placas da máquina de ensaio e limitar o comprimento dos corpos de prova nos ensaios de compressão? 4. qual é a máxima deformação que o material pode apresentar obedecendo o regime elástico? Resposta: ε = 0. O que é flambagem? 12.5 mm de diâmetro e a carga de 62.3 mm. Mostre esquematicamente os estágios na formação taça-cone e explique resumidamente.5 Kgf/mm2.7HB 249 . O que é deformação plástica? 10.5 Kgf. 3. Qual é a dureza da amostra? Resposta: HB = 43. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 1. Que propriedades pode ser avaliadas no ensaio de flexão? 17. Explique o comportamento de materiais dúteis e frágeis utilizando diagrama σ x ε. b) O módulo de elasticidade longitudinal.

5 Kgf. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Quais as vantagens do ensaio de dureza Rockwell sobre o ensaio de dureza Brinell? 21.51 mm.5 mm de diâmetro. Na realização de um ensaio de dureza.5 mm b) Dureza Brinell: 100 HB c) Essas chapas devem ser submetidas a ensaio de dureza brinell e a empresa dispõe de um penetrador de 2. A esfera utilizada foi de 2. cuja especificação de dureza foi de 85 HB. Losekann Direitos autorais reservados 19. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com a seguinte especificação: a) Espessura da chapa: 4 mm. portanto.5 mm de diâmetro e a carga de 187. portanto.000kgf.997 mm. Interprete a seguinte representação de dureza Brinell: 120HB 5/250/15 24. Qual é a dureza da amostra? Resposta: 230HB 22. 250 . Cláudio R. Espessura mínima é de 4. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com as seguintes especificações: a) Espessura: 4. qual é a espessura mínima das chapas de aço para um penetrador de 5 mm. Qual é a carga necessária para o ensaio se utilizar um penetrador de 10 mm de diâmetro? É possível fazer ensaio de dureza Brinell com diâmetro do penetrador de 10 mm? Dados: a) Espessura mínima deve ser igual a 17 vezes a profundidade da calota. Qual é a espessura mínima da chapa para a utilização de um penetrador com 2.5 mm de diâmetro? Resposta: F = 187. 20. Resposta: F = 750kgf. Dr. é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 2. Resposta: F = 1. b) Dureza Brinell: 180 HB c) Verificar se estas chapas podem ser submetidas ao ensaio de dureza Brinell utilizando diâmetro do penetrador de 5 mm.0 mm. Espessura mínima é de 6.5 mm de diâmetro. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 5 mm de diâmetro. ou seja. 23.37 mm.5kgf. 25. Uma empresa comprou um lote de chapas de alumínio de 6 mm. utilizou-se o ensaio Brinell. portanto. Espessura mínima é de 4. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 10 mm de diâmetro. Cite uma das definições de dureza (preferência do ponto de vista da metalurgia).

. 14. Caracterização da tenacidade de materiais cerâmicos de pequenas dimensões. v. 2a edição. A. 1981. Tecnologia mecânica: estrutura e propriedades das ligas metálicas. MB-212. 5. 9. NBR . da Fonseca. 1988. BATISTA. 13. F. Cláudio R. G. V. S. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Resistência à tração simples de argamassas e concreto por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. BLASS. Eng.. CHIAVERINI. R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. M. Metalografia dos produtos siderúrgicos comuns. BRUNATO. 1a edição. Metalurgia mecânica. 251 . T. 11. 313p. São Paulo: Editora Hemus Ltda. 503p. 1981. E. 4. 6a ed. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Metalurgia geral.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. COLPAERT. FREIRE. 1980. Guanabara dois. Nitretação por plasma de ferro sinterizado. 3a. 576p. V.. 2a. 3. N. V. 15. R. 10. V. 1994. CHIAVERINI. MB-481. 3. J. A. NBR-7222. Dissertação de mestrado. ed. FAZANO. 1983. Florianópolis: Editora da UFSC. São Paulo: ABM. 1. M. Processamento de polímeros. v1. 1994. Metalografia.. 17. A. DE SEABRA. NBR-6152. 12. Aços e ferros fundidos. Grãos abrasivos aplicados em lixas. Lisboa: Gráfica Laboratório Nacional de Engenharia Civil. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 1993. 1993. UFRGS: PPGEMM. 16. Materials science and engeneering: an introduction. 7. Determinação das propriedades mecânicas à tração de materiais metálicos. 2. Química integral. 1998. 6. 1960. ed. Porto Alegre. J: Ed. Interciência Ltda. 1988.Y: John Wiley & Sons.8653. W.A. D. A prática metalográfica. 2. 1958. Inc. 1974. Mecânica/UFSC. Dissertação (Mestrado em Engenharia). FTD S. CALLISTER Jr. Determinação da resistência à tração por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. tratamentos térmicos e termoquímicos das ligas ferrocarbono terminologia. São Paulo: Ed. Introdução às máquinas-ferramentas. J. São Paulo: Ed. Dr. Z. H. Rio de Janeiro: Ed. São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda. Edgard Blücher Ltda. 1993. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 1971. v2. 1989. Losekann Direitos autorais reservados 17 . 2a. 8. C. DIETER. ed.

Van. 1960. São Paulo: Ed. Metalografia.. 34. 2001. 25. 5a edição. G. Pastas y vidriados: en la fabricación de pavimentos y revestimientos cerámicos. RENAU. SHAND. 29. Evans. NOVIKOV. São Paulo: Hemus Editora Limitada. H. 185p. 1993. 1973. 1993. Glass engineering handbook. RÜHLE. Lawrence H. 30. A. GULIAÉV. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Dois S. Ensaios mecânicos de materiais metálicos. OBERACKER. Ed. E. Ed. High toughness ceramics and ceramic composites. MCLELLAN. 776p. THÜMMLER. 24. São Paulo. 21. 1997. OHNO. Castellón: Faenza Editrice Ibérica S. P. Dissertação de mestrado. 31. 20. R. R. Ed. Porto Alegre. M.1.. Progress in Materials Science.. Dissertação (Mestrado em Engenharia). São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda. F. Edgard Blücher Ltda. Materiais de engenharia: microestrutura propriedades. REED-HILl. Oxford. Cláudio R. da UFSC. 1982.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. LOSEKANN. Losekann Direitos autorais reservados 18.M. Crescimento de monocristais de cobre pela técnica Czochralski e projeto de câmara Czochralski para crescimento de compostos semicondutor III-V. Mecânica/UFSC. TELECURSO 2000 profissionalizante. SOUZA. 28. v. Edgard Blücher Ltda. I. Moscou: Editora Mir. 2a ed. São Paulo. 1995. Tratamentos térmicos dos metais. 1988. G. Florianópolis. LOSEKANN. Pérsio de Souza. 27.. Princípios de metalurgia-física. 35. Teoria dos tratamentos térmicos dos metais. 33. Rubens Lima. R. E. 1968. 19. A. 22. Ed. PEREIRA. Solidificação dos metais. 1984. 23.. The Institute of Materials. 1994. Dr. 1999. Preparação de nanopartículas semicondutoras PbS e estudo das propriedades óticas não-lineares. Ciência e tecnologia de argilas. Rio de Janeiro. Globo S. Estrutura das ligas de ferro. UFSC: CPGEM. A. W. 1978. S. 177p. e 26. Edgard Blücher Ltda. C.A. 252 . R. 32. VLACK. São Carlos. 1992. 1994. E. A. GOMES. UFRGS: PPGEMM. UFRJ. São Paulo: Livraria Ciência e Tecnologia Ltda. 139p.A. G. London. Ferramentas de corte I. STEMMER. 1992. ROTHERY. 36.L. 3a ed. R. Propriedades dos materiais cerâmicos. C. Eng. C. Escola de engenharia. NY: McGrawHill Book Company. São Paulo. Introduction to powder metallurgy. Mecânica: materiais. A. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica). PADILHA. 1982..368p. SANTOS. R. Florianópolis: Ed. F. Comportamento ao desgaste dos aços ABNT 4340 e ABNT 52100 nitretados por plasma.

br 253 .h tml 42.br/asp/abc_53c.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.futuro.br/acervo/matdidat/tc2000/tecnico/ensaios/ensaios.htm 40.usp. http://bibvirt.html 41. www. http://www. http://www.org. Losekann Direitos autorais reservados 37.unesp.centraldaceramica.br/polimeros/ensaios.br/museudpm/banco/silicatos/filossilicatos/muscovita.ufrgs.com.ndsm.htm 39. http://www. Dr.eng.abceram.ht ml 38. Cláudio R.ufba.br/Central/web/informa/dicas/considerac oes_gerais. http://www.deq.rc.

Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados ANEXOS 254 .

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. -austemperado Estruturas austeníticas sem a presença das linhas de deformação Camadas nitretadas de ácidos inoxidáveis Estrutura do alumínio e suas ligas Picral Ácido nítrico e fluorídrico 5 ml de HNO3 1 ml de HF 48% 44 ml de água destilada 4 g de CuSO4 20 ml de HCI 20 ml de água destilada 0. -temperado. -recozidos.5 ml de HF concentrado 99. Ataque por imersão a frio O taque não revela o contorno dos grãos de ferrita. Losekann Direitos autorais reservados Reagentes químicos para metalografia MATERIAL Aços carbono ao REVELAÇÃO Aços ao carbono REAGENTES Nital COMPOSIÇÃO 1-5 ml HNO3 concentrado 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico ou amílico 4 g de ácido pícrico 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico OBSERVAÇÃO A porcentagem de ácido nítrico varia em função da seletividade do ataque. Ataque por imersão a frio.5 ml de H2O destilada Marble Ataque por imersão a frio 10 segundos Ácido fluorídrico Indicado revelação FeAl3 Alumínio suas ligas e na de Ácido sulfúrico Fase α do FeAl3 Ácido nítrico Estrutura duralumínio alclad do e Keller Estrutura do alumínio e suas ligas Vilella 10 ml de H2SO4 concentrado 90 ml de H2O destilada 25 ml de HNO3 concentrado 75 ml de água destilada 10 ml de HF concentrado 15 ml de HCI concentrado 25 ml de HNO3 concentrado 50 ml de água destilada 1 parte de HNO3 concentrado 2 partes de HF concentrado 3 partes de glicerina 5 g de ácido Atacar por umedecimento com auxílio de algodão embebido no reagente Atacar por imersão em solução aquecida entre 60 e 70°C Atacar por imersão em solução aquecida a 70°C Atacar por imersão a frio. Pode-se utilizar também concentrações mais diluídas. De 5 a 10 segundos Aços ligados Aços grafitizados Ferros fundidos Para todos os tipos de aços: -normalizados. Ataque por imersão com a solução fria TEMPO DE ATAQUE De alguns segundos até 1 minuto dependendo do teor de carbono do aço De alguns segundos até 1 minuto dependendo do tratamento térmico recebido pelo aço. Cláudio R. -esferodizado. Remover o ataque por lavagem com água morna corrente Atacar a frio por imersão 15 segundos De 5 até 10 segundos 40 segundos De 10 a 20 segundos 10 segundos Magnésio e Contorno dos Ácido cítrico Atacar por De 5 a 10 255 . -temperado e revenido. Dr.

cobre e latão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II suas ligas grãos magnésio do cítrico 95 ml de água destilada Ácido oxálico Molibdato amônio de 2% de solução aquosa 100 g de ácido molibdênico 140 g de NH4OH (d=0. bronzealumínio.2% de H2CrO4 e 0. ligas de cobre. Dr. Losekann Direitos autorais reservados umedecimento e enxaguar em água morna Atacar por umedecimento Atacar por umedecimento seguido de lavagem em água corrente segundos Chumbo suas ligas e Estrutura das ligas anti-fricção Remove a camada deformada da estrutura do chumbo polido De 2 a 5 segundos Ataques sucessivos de 3 segundos Cobre Estrutura do cobre. Escurece a fase beta do latão Indicado na revelação da estrutura do cobre e suas ligas Estrutura do cobre. Cláudio R. particularmente as ligas com manganês.9) 240 ml de água destilada Filtrar e adicionar: 60 ml de HNO3 2 g de K2CR2O7 8 ml de H2SO4 4 ml de NaCl saturado 100 ml de água destilada 5 partes de FeCl3 50 partes de HCl 100 partes de água destilada Prof. bronzes e latões Cromato potássio de O NaCl pode ser substituído por uma gota de HCl para cada 25 ml de solução Ataques de 5 segundos com polimentos alternados Cloreto férrico Atacar por imersão ou umedecimento De 10 a 40 segundos Hidróxido amônio de Solução em água diluída Ataque por imersão a frio De alguns até 20 segundos Persulfato amônio de 10 g de (NH4) S2O8 90 ml de água destilada CrO3 saturado em solução aquosa 2 a 5 ml de HNO3 concentrado 95 a 98 ml de álcool etílico Solução diluída em dicromato de potássio levemente acidificada 5 ml de (NH4) S2O8 95 ml de H2O destilada 0. níquel e bronze Estrutura de bronze. latões e bronzes Estrutura das ligas de estanho com cádmio Estanho suas ligas e Estrutura de ligas de estanho Ácido crômico Ataque a frio por umedecimento ou a quente por imersão em solução fervente Atacar por imersão a frio ou umedecimento Atacar por imersão a frio A frio: de 10 a 20 segundos A quente: 40 segundos 1 minuto Nital Cromato potássio de Atacar por imersão a frio De 15 segundos a alguns minutos De 20 a 30 segundos Indicado para deposições de estanho no aço Persulfato amônio de Atacar por imersão a frio 30 segundos Prata e suas ligas Indicado para as ligas de prata Ácidos crômico e sulfúrico Atacar por imersão a frio 1 minuto 256 .2% de H2SO4 Estrutura do cobre.

aquosa 5 partes de NH4OH 1 a 3 partes de H2O2 5 g de KCN 95 ml de H2O destilada 3 gotas de H2O2 5 ml de H2SO4 25 ml de HCI 30 ml de água destilada 85 ml de NH4OH 15 ml de H2O2 Prof. Cláudio R. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II em sol. Losekann Direitos autorais reservados Indicado estruturas prata para de Hidróxido amônio de Atacar por imersão a frio De 2 a 3 minutos Estrutura de ligas de níquel e zinco Níquel e suas ligas Indicado estruturas inconel para de Cianeto potássio de Atacar por imersão a frio De 20 até 30 segundos Ácidos sulfúrico clorídrico Hidróxido amônio e Atacar por imersão a frio De 2 a 5 minutos Para as estruturas de níquel com elevado teor de zinco Ouro Estrutura de ouro e platina de Atacar por imersão a frio De 30 segundos até 2 minutos Água régia 5 ml de HNO3 15 ml de HCI Atacar por imersão a quente De 1 até 3 minutos 257 .

933 28 Ni Niquel 58.9 54 Xe Xenônio 131.99 12 Mg Magnésio 24.06) 95 Am Amerício (243.967 72 Hf Háfnio 178.99) 86 Rn Radônio (222.91) 44 Ru Rutênio 101.33 6 103 Lr Laurêncio (262.07) 97 Bk Berquélio (247.39 3 13 Al Alumínio 26.59 5 49 In Índio 114.03) f 4 57 La Lantônio 138.22 78 Pt Platina 195.10) 102 No Nobélio (259.84 Estanho Antimônio 118.10) Tabela Periódica dos Elementos .08 79 Au Ouro 196.62 5 71 Lu Lutécio 174.25 65 Tb Térbio 158.9 36 Kr Criptônio 83.24 61 Pm Promécio (144.906 58 Ce 140.305 22 Ti Titânio 47.847 27 Co Cobalto 58.11) 104 Db Dúbnio (262.04 Cério Praseodímio 5 89 Ac Actínio 227.05) 94 Pu Plutônio (244.61 5 37 Rb Rubídio 85.115 59 Pr 140.974 16 S Enxofre 32.956 10.693 29 Cu Cobre 63.546 30 Zn Zinco 65.996 24 Cr 25 Mn 26 Fe Ferro 55.036 92 U Urânio 238.14) 7 87 Fr Frâncio (223.098 20 Ca Cálcio 40.965 64 Gd Gadolínio 157.905 56 Ba Bário 137.2 83 Bi Bismuto 208.998 10 Ne Neônio 201.038 91 Pa Practínio 231.028 90 Th Tório 232.1 s 1 1H Hidrogênio 1.93 68 Er Érbio 167.36 63 Eu Európio 151.086 15 P Fósforo 30.07) 98 Cf Califórnio (251.411 4 31 Ga 32 Ge 33 As Arsênio 74.869 48 Cd Cádmio 112.76 53 I Iodo 125.906 95.938 4 19 K Potássio 39.453 18 Ar Argônio 39.11) (263.906 40 Zr Zircônio 91.468 38 Sr Estrôncio 87.5 67 Ho Hólmio 164.06) 96 Cm Cúrio (247.8 Nióbio Molibdênio 92.8 Berílio 9.02) 88 Ra Rádio (226.12) 108 Hn 109 Mt 6 81Tl Tálio 204.012 Carbono Nitrogênio 12.88 23 V Vanádio 50.029 93 Np Neptúnio (237.49 73 Ta 74 W 75 Re Rênio 186.224 41 Nb 42 Mo 43 Tc Tecnésio (97.982 14 Si Silício 28.71 121.29 Tântalo Tungstênio 180.934 70 Yb Itérbio 173.98 84 Po Polônio (208.007 d 3 21 Sc Escândio 44.003 p 4 Be 2 5B Boro 2 3 Li Lítio 6.92 34 Se Selênio 78.996 54.91) 62 Sm Samário 150.011 14.82 50 Sn 51 Sb 52 Te Telúrio 127.958 183.066 17 Cl Cloro 35.08) 100 Fm 101 Md Férmio (257.999 9F Flúor 18.96 35 Br Bromo 79.98) 85 At Astato (209.72 72.008 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 2 He Hélio 4.02) Joliótio Ruterfórdio (262.76 6 55 Cs Césio 132.078 4 39 Y Ítrio 88.906 46 Pd Paládio 106.10) Mendelévio (258.08) 99 Es Einstênio (252.941 6C 7N 8O Oxigênio 15.23 77 Ir Irídio 192.42 47 Ag Prata 107.207 76 Os Ósmio 190.908 60 Nd Neodímio 144.12) Hânio Meitnérnio (265.26 69 Tm Túlio 168.13) (266.967 80 Hg Mercúrio 200.11) 105 Jl 106 Rf 107 Bh Bóhrio (262.38 82 Pb Chumbo 237.07 45 Rh Ródio 102.811 3 11 Na Sódio 22.943 Cromo Manganês 51.925 66 Dy Disprósio 162.94 Gálio Germânio 69.

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