UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II

Prof. Cláudio Roberto Losekann, Dr. Eng.

2007

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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ÍNDICE ANALÍTICO
ÍNDICE ANALÍTICO ............................................................................................... II ÍNDICE DE FIGURAS ........................................................................................... VI 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS ........................................................................ 1 1.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 1.2 - CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................... 1 1.2.1 - METAIS ESCUROS ............................................................................. 1 1.2.2 - METAIS CLAROS ................................................................................ 2 2 - AÇOS E FERROS FUNDIDOS ......................................................................... 3 2.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 2.2 - MINÉRIO DE FERRO................................................................................. 3 2.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA................................................................ 5 2.4 - AÇO............................................................................................................ 7 2.4.1 - DEFINIÇÃO ....................................................................................... 10 2.4.2 - CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO............................... 13 2.4.3 - CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS - ABNT - SAE - AISI.......................... 18 2.4.4 - INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO ................................. 22 2.4.4.1 – Elementos de adição .................................................................. 23 2.4.5 - RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA ................................................................................................... 27 2.5 – FERRO FUNDIDO ................................................................................... 30 2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS - ABNT ..................... 31 2.6 - TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES................................. 32 2.6.1 - TRATAMENTOS TÉRMICOS ............................................................ 32 2.6.1.1 - Recozimento................................................................................ 36 2.6.1.2 - Normalização............................................................................... 37 2.6.1.3 - Revenimento ............................................................................... 37 2.6.1.4 - Têmpera ...................................................................................... 38 2.6.1.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação .................... 40 2.6.1.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos ............................................... 45 2.6.2 - TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES ................................................. 49 2.6.2.1 - Tratamentos termo-químicos....................................................... 50 2.6.2.2 - Tratamentos de revestimentos .................................................... 65 3 - ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ............................................................................. 68 3.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................... 68 3.2 - PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO..................................................................... 69 3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ................................... 71 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO ........................................................................ 73 3.3.1.1 - Liga de Al-Cu............................................................................... 74 3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) ............................................................... 74 3.3.1.3 - Liga de Al-Mn .............................................................................. 75 3.3.1.4 - Liga de Al-Si ................................................................................ 75 3.3.1.5- Liga de Al-Si ................................................................................. 76 3.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO .................................. 78 4 - COBRE E SUAS LIGAS.................................................................................. 80 4.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................... 80 4.2 - PRODUÇÃO DE COBRE ......................................................................... 81 II 2007

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4.3 - PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS ....................................... 83 4.3.1 - LIGAS DE COBRE............................................................................. 85 4.3.1.1 - Latão ........................................................................................... 85 4.3.1.2 - Bronze ......................................................................................... 90 4.3.1.3 - Ligas de cobre-alumínio .............................................................. 95 4.3.1.4 - Cuproníquel ................................................................................. 97 4.3.1.5 - Ligas de cobre e berílio ............................................................... 98 4.3.1.6 - Ligas de cobre e silício ...............................................................100 4.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE......................................100 5 - NÍQUEL E SUAS LIGAS ................................................................................101 5.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................101 5.2 - PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS......................................102 5.2.1 - NÍQUEL.............................................................................................102 5.2.2 - LIGAS DE NÍQUEL ...........................................................................103 5.2.2.1 - Ligas de níquel e berílio .............................................................104 4.2.2.2 - Ligas de níquel e cromo .............................................................104 5.2.2.3 - Ligas de níquel e molibdênio ......................................................104 6 - COBALTO E SUAS LIGAS ............................................................................105 6.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................105 6.2 - PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS ..................................105 6.2.1 - COBALTO .........................................................................................105 6.2.2 - LIGAS DE COBALTO .......................................................................106 7 - TITÂNIO E SUAS LIGAS ...............................................................................107 7.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................107 7.2 - PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS .....................................107 7.2.1 - TITÂNIO............................................................................................107 7.2.2 - LIGAS DE TITÂNIO ..........................................................................109 8 - MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ..........................................................................109 8.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................109 8.2 - PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ................................110 8.2.1 - MAGNÉSIO.......................................................................................110 8.2.2 - LIGAS DE MAGNÉSIO .....................................................................111 9 - ZINCO E SUAS LIGAS ..................................................................................111 9.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................111 9.2 - PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS ........................................111 9.2.1 - LIGAS DE ZINCO .............................................................................113 9.2.2 - LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO........................................................113 10 - CHUMBO E SUAS LIGAS............................................................................113 10.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................113 10.2 - PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS .................................114 11 - OUTROS METAIS .......................................................................................116 11.1 - ESTANHO .............................................................................................116 11.2 - CROMO.................................................................................................117 11.3 - TUNGSTÊNIO .......................................................................................118 11.4 - PRATA...................................................................................................119 11.5 - OURO....................................................................................................119 12 - POLÍMEROS................................................................................................121 12.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................121 12.2 – PROPRIEDADES .................................................................................123 12.2.1 - MORFOLOGIA................................................................................123 III 2007

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12.2.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM ............................................125 12.2.3 - ADITIVOS .......................................................................................126 12.2.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS .......................................................128 12.2.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS.....................................................129 12.3 - PLÁSTICOS ..........................................................................................130 12.3.1 - POLIOLEFINAS ..............................................................................131 12.3.2 - POLICARBONATOS.......................................................................138 12.3.3 - ALÍLICOS........................................................................................140 12.3.4 - ACRILICOS.....................................................................................140 12.3.5 - POLIIMIDAS ...................................................................................143 12.3.6 - AMINOPLÁSTICOS ........................................................................144 12.3.7 - CELULÓSICOS...............................................................................145 12.3.8 - POLIOXIMETILÊNICOS .................................................................145 12.3.9 - EPOXÍDICOS..................................................................................145 12.3.10 - FLUOROPLÁSTICOS ...................................................................146 12.3.11 - POLISULFONAS...........................................................................147 12.3.12 - FENÓLICOS .................................................................................147 12.3.13 – POLIALÔMEROS.........................................................................148 12.3.14 - POLIFENILÊNICOS ......................................................................148 12.3.15 - SILICONES ...................................................................................149 12.3.16 - POLIAMIDAS ................................................................................149 12.3.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS ............................................152 12.4 - ELASTÔMEROS ...................................................................................153 12.5 – POLÍMERO NATURAL - MADEIRA......................................................158 12.5.1 - MADEIRAS TRANSFORMADAS ....................................................162 12.5.2 - TRATAMENTO SUPERFICIAL .......................................................163 12.5.3 - TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. .....................................................................................................................163 13 – CERÂMICOS...............................................................................................168 13.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................168 13.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL .............................................................170 13.2.1 – CERÂMICA VERMELHA................................................................170 13.2.1.1 – Massa cerâmica.......................................................................170 13.2.1.2 – Esmaltes ..................................................................................172 13.2.1.3 – Engobe ....................................................................................173 13.2.2 – CERÂMICA BRANCA ....................................................................174 13.2.2.1 - Processamento.........................................................................176 13.3 – CERÂMICA AVANÇADA ......................................................................177 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS ..........................................................................187 14.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................187 14.2 - ENSAIO DE TRAÇÃO ...........................................................................189 14.2.1 - DIAGRAMA TENSÃO - DEFORMAÇÃO ........................................191 14.2.2 - PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS ................................193 14.2.3 - CORPOS DE PROVA .....................................................................196 14.2.3.1 - Limite de escoamento: valores convencionais .........................198 14.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO ................................................................199 14.3.1 - LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO .............................200 14.3.2 - ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS...............200 14.3.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL ....................................201 14.4 - ENSAIO DE FLEXÃO ............................................................................205 IV 2007

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14.4.1 - SIGNIFICADO DE FLEXÃO............................................................205 14.4.2 - MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO ..............................................207 14.5 - ENSAIO DE DUREZA ...........................................................................208 14.5.1 - DUREZA BRINELL .........................................................................209 14.5.2 - DUREZA ROCKWELL ....................................................................210 14.5.3 - DUREZA VICKERS.........................................................................212 14.5.4 - DUREZA SHORE............................................................................212 14.6 - ENSAIO DE IMPACTO..........................................................................213 14.6.1 - TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO .................................................214 14.6.1.1 - Fatores que influenciam a temperatura de transição................215 14.6.1.2 - Resfriamento do corpo de prova ..............................................216 14.7 - ENSAIOS METALOGRÁFICOS ............................................................220 14.7.1 - ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO ............................221 14.7.2 - ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO .............................221 14.7.2.1 - Etapas metalográficas ..............................................................221 14.8 - PROPRIEDADES TÉRMICAS...............................................................228 14.9 - PROPRIEDADES ELÉTRICAS .............................................................228 14.10 - PROPRIEDADES MAGNÉTICAS........................................................231 14.10.1 - MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS ...........................237 14.11 - PROPRIEDADES ÓTICAS..................................................................238 14.11.1 - REFLETIVIDADE, TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. .................238 14.12 - PROPRIEDADES QUÍMICAS .............................................................244 14.12.1 - RESISTÊNCIA A CORROSÃO .....................................................244 14.12.2 - RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO ................................................245 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS ............................................246 15.1 - INTRODUÇÃO .....................................................................................246 16 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS .......................................................................249 17 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................251 ANEXOS .............................................................................................................254

V 2007

.......7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa..................................... 7 Figura 2.. Perlitas e cementitas...........................35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide..........6 – Alto-forno........................26 – Microestrutura de aço eutetóide.. 14 Figura 2................. ... ..................................42 – Austêmpera....................................................................................... 17 Figura 2.............................................. 42 Figura 2.............10 – Operação de um conversor...........31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização..................... .................... ............. 35 Figura 2......... ........................................22 – Sorbita....27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide................................................................... .....................2 – Campo de mineração.................................. B) Perlita sorbítica................5 – Vista parcial de um alto-forno.......15 – Ferritas.......................................41 – Diagrama TTT para o aço 4340................................... .............9 – Aspecto construtivo de um conversor...............................................................................................30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos .......4 – Pelotas...... ...................... 4 Figura 2..19 – Martensita.................................................... 12 Figura 2. 5 Figura 2.. 8 Figura 2........ .................................18 – Austenita......... ...............16 – cementitas................. 4 Figura 2....... .......21 – Trostita........................................................17 – Perlitas................................... 12 Figura 2........ 45 Figura 2........ .. ............................................................................................................ ..........39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide.............................. .......................... ............. 53 VI 2007 ...............44 ..... ................ 10 Figura 2.....24 – Esteadita............................ 30 Figura 2........ 41 Figura 2.......13 – Curva de resfriamento do ferro................................................. ....... 34 Figura 2........... 4 Figura 2...............43 – Martêmpera. 13 Figura 2......... 6 Figura 2... .............................. 49 Figura 2...............aço................................................................. Cláudio R.........................33 – Ciclo da esferoidização.1 – Minério de ferro.................................................................................................................36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos............. ......... Losekann Direitos autorais reservados ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2...... .....34 – Ciclos de tratamentos............ 36 Figura 2....... ..... Somente perlitas... perlitas (escuras).............................32 – Ciclo do recozimento....Diagrama de equilíbrio Fe-N.................................................... 16 Figura 2................................. 43 Figura 2..................................... 13 Figura 2.............. 44 Figura 2................................................... ......20 – Bainita inferior.......................... 16 Figura 2...... ...................... 44 Figura 2................................... 7 Figura 2......................................... 18 Figura 2................ 11 Figura 2...........................38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide.................................37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça.......... 37 Figura 2................................ 14 Figura 2.............. ................................... 15 Figura 2.................11 – Estrutura cristalina da cementita... . 37 Figura 2...................25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide....28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento..............................8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa)..........................23 – Ledebuirta............... ............14 – Diagrama de equilíbrio ...................... 5 Figura 2...................29 – Microestrutura do ferro fundido nodular.....40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono.................................... A) Perlita normal.................. 41 Figura 2............................... 17 Figura 2............................... 31 Figura 2... 3 Figura 2.......................................12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono..... 17 Figura 2............................................. 16 Figura 2........................................................... ........... Ferritas (claras)........3 – Sínter.......... 43 Figura 2................................ 15 Figura 2...... Dr................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof........................

...........Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn................... .................. c) eteno............9% [fase α + Cu3Sn]..................................... 88 Figura 4................... 90 Figura 4...................Aplicações dos latões.....6 – Micrografias de latões. submetidos ao processo líquido....48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços.......................... 75 Figura 3..............................Diagrama de fases da liga binária Cu-Be.................Diagrama do comportamento mecânico dos latões.......120 Figura 12......... ....... 99 Figura 5.........................................................................................Diagrama de fases da liga binária Al-Si...... b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] ..... 83 Figura 4........3 ........122 Figura 12........11 ............................. 87 Figura 4..... 57 Figura 2............Aplicações da tungstênio............................46 – Célula unitária da fase ε........... a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]............................Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni..119 Figura 11........ Losekann Direitos autorais reservados Figura 2........ b) n-butano.115 Figura 10................................... . 81 Figura 4.. c) Cu-Sn 10%..1 . b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] ...... .... 92 Figura 4.Diagrama de fases da liga binária Cu-Al..8 ...............3 .6 – Reação de copolimerização do náilon 66. ....5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn.13 ..........Micrografias de bronzes.....Esquema do forno revérbero e obtenção do mate..................4 ..12% Pb 1........... Cláudio R....7% Ni 3......3 ...............................49 – Esquema do reator iônico......................1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu.............................. c) isobutano..............112 Figura 10......Aplicações do magnésio....Monômeros........ .. ...............111 Figura 8................................Aplicações do ouro.....10 ..... B) Flotação .............. .14 ......... 58 Figura 2................................ 98 Figura 4.......................... b) etano.....................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof............118 Figura 11........................................1 ........................ ........ 54 Figura 2............. .. 60 Figura 2.... .5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila...................................................121 Figura 12.....................Monômeros.................................. 82 Figura 4..... c) Neopentano....... A) Trituração do minério...51 – Esquema da eletrodeposição......106 Figura 7........................ 77 Figura 4................ 56 Figura 2..... a) metano...................... ...................Aplicações do bronze............................................ 82 Figura 4....................................2 ........1 – Beneficiamento do cobre...................... 66 Figura 3..........121 Figura 12................ ............... ....... 92 Figura 4....... 53 Figura 2...................Diagrama de fases da liga binária Al-Si....Aplicações do titânio........ .......4 ...1 ...15 ... ....................Diagrama de fases da liga Pb-Sb.................2 ....... 89 Figura 4....7% Sn 2...............Monômeros...............2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg..4% Pb 2............ Cu-Zn 34% Mn 1...3 ................................103 Figura 6........1 .... 95 Figura 4.................... .........121 Figura 12. b) Isopentano.....................................................Aplicações do cuproníquel...............123 VII 2007 ...........117 Figura 11..........................................Aplicações do níquel..................122 Figura 12....4 ............ .............. ........ Dr....... ..92% [fase α + nódulos de Pb]........................ a) n-pentano........................2 ................ a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]...............................Aplicações da prata............. .Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica..Diagrama de fases da liga Pb-Sn.....1 ..... a) propano.........45 – Célula unitária da fase γ’.......Aplicações do cobalto.. ..............................108 Figura 8.....Aplicações do cromo.......... 94 Figura 4................1 ... 74 Figura 3............................12 ....... Cu-Zn 24............... ......Aplicações do zinco......47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada............7 ................ ...................... ............2 ......1 ..................... 74 Figura 3... 97 Figura 4... Pb 5%.....50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono............4 – Representação de polímero.. ..Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre.....9 .......1 ......................115 Figura 11....

Material dúctil................2 ............... ...........7 – Representação das cadeias poliméricas.......... ..........................diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono....................128 Figura 12....................131 Figura 12...................................190 Figura 14.192 Figura 14...... ..........................143 Figura 12. ............................ Cláudio R.......Equipamentos de ensaios mecânicos...141 Figura 12......147 Figura 12.... C e D) região líquida com baixa viscosidade......................165 Figura 12...............169 Figura 13.... a) diagrama σ x ε..193 Figura 14...9 ..............Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε.......... A) região vítrea................129 Figura 12....3 .29 – Uso da floresta...............140 Figura 12....2 – Produção de cerâmica............ a) Cadeia linear.................5 .................... .................158 Figura 12........... .................................................................167 Figura 13.................154 Figura 12................................................................... ..128 Figura 12..27 – Polisopreno....................................22 – Fórmula do teflon...................... a) diagrama σ x ε......................................174 Figura 13.................14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear.....13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino....125 Figura 12.........34 – Efeito estêncil....................153 Figura 12.................Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro....188 Figura 14..................... Losekann Direitos autorais reservados Figura 12...183 Figura 14....16 – Fórmula policarbonato.......9 – Cristalinidade em polímeros...................................................... ........ ...................190 Figura 14.........12 – Curvas de volume específico em função da temperatura................155 Figura 12........195 VIII 2007 ........... .........................141 Figura 12..........6 .............Curvas de tensões reais e de engenharia......................................................................................... c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas....................................................... ...139 Figura 12......11 – Reação do agente de esponjamento....................................................... ...............................18 – Poliacrilonitrilo.......17 – Polimetacrilato de metila................147 Figura 12............................ F) região viscosa com cristalitos.............4 ..........................6 .................195 Figura 14.... ....3 ...........................................................................15 – Fórmula geral da poliolefina.... ..........174 Figura 13......................... ......23 – PCTFE....................... .180 Figura 13.....192 Figura 14..........................Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro........... ......5 ............Peça tracionada.... .....24 ..123 Figura 12.......................................................................144 Figura 12.................... .................................146 Figura 2................................................................................ b) após o ensaio........................................176 Figura 13......................... Dr................................................................... b) Durômetro..............7 ...25 – Fenólicos........................ a) antes do ensaio................................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.......124 Figura 12...................1 – Peças de cerâmica................................... .......127 Figura 12.................................................................................. ....................Polisulfona ..............................................Louça sanitária...................... E) região com cristalitos na região vítrea.164 Figura 12............................................................ b) aspecto da fratura...................... .......10 – Reação do baquelite.........8 .1 ... ......... a) Máquina de ensaio universal........ b) cadeia com ramificações incompletas.........192 Figura 14..........31 – Efeito pátina.............................. b) aspecto da fratura...............162 Figura 12............................................26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros........ .......32 – Efeito decapê..........................................................4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos...8 – Formas isoméricas....129 Figura 12......................................................Alongamentos na tração e na compressão.......................30 – Cortes da madeira....................................................165 Figura 12...Material frágil........ ......20 – SAN....33 – Efeito satinê....Corpo de prova de ensaio de tração........................................19 – ABS................. B) região viscosa....................21 – Poliimida.........28 – SBR.............147 Figura 12.....

......... b) Na presença de um campo magnético.206 Figura 14............213 Figura 14...... b) flambagem............ Losekann Direitos autorais reservados Figura 14.198 Figura 14...............................Método de flexão a três pontos.......................210 Figura 14.....Máquina de ensaio de impacto.......28 ..15 .......16 ....................Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl.................Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade................221 Figura 14............Elemento da barra submetido à flexão. b) Na presença de um campo magnético...................................22 ...............221 Figura 14. a) normal...... ...................217 Figura 14............205 Figura 14............................ Dr....216 Figura 14........44 ............31 ....................................................198 Figura 14......234 Figura 14..........Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária.........................Corpos de prova Charpy e Izod............................................................................198 Figura 14....................................................201 Figura 14......197 Figura 14..32 ...... ...... ....Esquema de momentos magnéticos do MnO.......................................20 ........................................Temperatura de transição............219 Figura 14................Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação........... a) Na ausência de um campo magnético..............Máquina de ensaio e registrador............................................21 ...218 Figura 14......Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético............199 Figura 14..........................9 .214 Figura 14...........Ensaio Charpy e Izod............ .Curvas de energia absorvida de um mesmo material.. ......11 .....43 ...................................36 ........210 Figura 14...........UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof........35 .................................202 Figura 14..............................................29 ........Determinação do limite de escoamento.Tipos de fixação............Esquema dos momentos magnéticos da ferrita. ..........Corpos de prova...............206 Figura 14....................207 Figura 14.......45 .. .............201 Figura 14..Preparação de corpo de prova... .........17 .....12 . ......200 Figura 14.......................Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração........................41 .........................27 ..........................Ruptura do corpo de prova no centro...........42 ..10 .............................................233 Figura 14........ a) Na ausência de um campo magnético.. ...........Ensaio de compressão em materiais dúcteis................ .............................. ........33 ...........Ângulo φ nas impressões Brinell........... ......................................................Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz................................................................ .................224 Figura 14....... .......................Ensaio de compressão.....................30 ........................................Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético.. ..231 Figura 14..............25 .236 IX 2007 .......... ......38 ...24 ......196 Figura 14..........................207 Figura 14............. Cláudio R.....26 ..................200 Figura 14.......................................Esquema da compressão....................40 .Ensaios em molas......39 ........37 .............. ..................Flexão em uma barra de secção retangular......34 ....................235 Figura 14..........................14 .............19 .................Aspectos da fratura ................... ...18 ..................Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético...........................................................Ruptura do corpo de prova fora de centro.........23 ......Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L............................................196 Figura 14... ...Penetradores de Dureza Rockwell...............................................Micrografia da perlita.................... ......197 Figura 14......13 ...... .........Curva de resistividade elétrica em função da temperatura..................235 Figura 14.............Método de flexão a quatro pontos.......232 Figura 14........................223 Figura 14...............

..............53 .....Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios.................. ...........................240 Figura 14.....237 Figura 14...51 ................. Cláudio R...............................Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado................... Espectro com irradiação do ultravioleta......... A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor.........47 ..243 Figura 14..............................238 Figura 14....................246 X 2007 ....................................242 Figura 14.......................Curvas de transmitância da amostra BLC1............ Losekann Direitos autorais reservados Figura 14......239 Figura 14..................................................................239 Figura 14.........................245 Figura 15..1 – Símbolo da reciclagem..... .......240 Figura 14.......... .. b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs.........48 .........................................54 ..... ............Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo).................. ........UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof........... Dr............. .... ..............a) Esquema de um experimento de transmissão.Esquema dos tipos de corrosão........50 ...........49 ..46 .... ....52 ...........Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro............Espectros de radiação eletromagnética.Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro....................

entende-se como metais os elementos químicos que se situam na parte esquerda da Tabela Periódica dos Elementos Químicos construída por Mendeleyev.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. densidade elevada (menos os alcalinos). Losekann Direitos autorais reservados 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS 1. Outra característica que os metais possuem é a ductibilidade.2. A característica deles é de possuir poucos elétrons na última camada. dando lugar ao brilho metálico. possuem polimorfismo.539 ºC). dividem-se em: 1. 2. como nos aços. todos os metais podem dividir-se em dois grandes grupos: metais escuros e metais claros. e a platina.2 . O cobalto. 1. Deste modo. dureza elevada e. O tipo de ligação característica entre os elementos metálicos é a ligação metálica. a prata. toda substância que possui brilho. tornando-o opaco. com grau menor para o ouro. quando o elétron. Cláudio R. cobalto.1 .INTRODUÇÃO Conforme a química. O metal mais característico deste grupo é o ferro. mas existem certos indícios pelas quais podem ser agrupados. A condutibilidade elétrica e térmica são duas características dos metais que estão relacionadas com a configuração eletrônica dos mesmos. cai em um nível mais baixo de energia. camada de valência. o elemento químico selênio (Se) possui brilho e não é metal.METAIS ESCUROS Apresentam cor cinza escuro. Na prática. elevada temperatura de fusão. em muitos casos. Esta característica também pode ser afetada por impurezas ou inclusões por outros elementos químicos. Metais refratários: apresentam temperatura de fusão superior a do ferro (1. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. A maioria dos metais se oxida com facilidade diminuindo o seu brilho. com mobilidade livre do elétron. Metais férricos: ferro. Em primeiro lugar. o níquel e o manganês se empregam com freqüência como elementos de adição às ligas de ferro para alterar as propriedades mecânicas da liga.1 . por exemplo. Os metais escuros. entende-se por metais. onde os elétrons da última camada não pertencem ao átomo. cujas propriedades se aproximam daqueles. por sua vez. é quase inteiramente refletido. 1 . Estas propriedades dos metais de opacidade ótica e refletividade atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem re-emitir. Dr.CLASSIFICAÇÃO Cada metal se diferencia de outro pela sua estrutura e propriedades. 1. caracterizando a boa condutibilidade elétrica. mas ao grupo todo. níquel (chamados ferromagnéticos) e o manganês. Também empregados como elemento de adição às ligas de ferro. uma das características principais dos metais. entretanto. excitado pelo impacto de uma radiação.

Possuem grande a resistência a oxidação. paládio. európio. o califórnio. vermelha ou branca. Os metais mais característicos deste grupo são o ouro. e que compreende: cério. Metais ligeiros: Berílio. 4. Metais alcalinos-térreos: No estado livre são pouco utilizados. o berquélio. Metais facilmente fusíveis: Zinco. Possuem grande ductibilidade. temperatura de fusão relativamente baixa e neles é característico a ausência de polimorfismo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. gadolínio. cádmio. pouca dureza. o cobre e a prata. de propriedades metálicas muito parecidas. neodímio. 2. samário.2 . ósmio.METAIS CLAROS Apresentam coloração amarela. rutênio. 5. 1. cuja densidade é baixa. Cláudio R. antimônio e os elementos com propriedades metálicas debilitadas como o gálio e germânio. o tório. chumbo. de número atômico entre 57 e 71. com exceção de alguns casos especiais. estanho.2. Dr. porém suas propriedades físicas são muito distintas. Metais nobres: Ouro. o netúnio. prasiodímio. Metais lantanídeos: (terras-raras) Grupo de elementos. 3. O cobre é considerado como seminobre. o einstéinio. tálio. dividem-se em: 1. Losekann Direitos autorais reservados 3. o urânio. érbio. o cúrio. Estes metais possuem propriedades químicas muito parecidas. o protactínio. disprósio. que inclui o actínio. magnésio e alumínio. o amerício. promécio. 2 . Os metais claros. por sua vez. São utilizados como fonte de energia nuclear. lutécio. o férmio e o mendelévio. itérbio. mercúrio. bismuto. o plutônio. irídio. lantânio. Metais urânicos: (actinídeos) Os elementos que constituem um grupo com propriedades semelhantes. prata e metais do grupo da platina (platina. hólmio. térbio e túlio.

óxido – Fe3O4 .1 .C. • Magnetita .C. partindo do minério de ferro.Cu2SFe2S3 (sulfeto férrico) – baixo teor de ferro.2 . • Siderita . silicatos e os sulfetos.de 30 a 48% de ferro – cor cinza esverdeado. Os gregos.óxido . encontrou-se amuletos de ferro que provavelmente provinham de minérios beneficiados..C. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados 2 . já tinham ferro temperado e crê-se que a obtenção foi por uma maneira casual.de 45 a 72% de ferro – cor cinza escuro.sulfeto .de 45 a 70% de ferro – cor cinza a vermelho fosco .FeCO3 (carbonato férrico) .C. Dr. encontra-se em torno de 50 minerais que contém ferro.MINÉRIO DE FERRO O ferro não se encontra puro na natureza.AÇOS E FERROS FUNDIDOS 2. o mesmo passa a ser denominado de minério. 3 . Na natureza. se fazia experiência com esse metal em um lugar chamado Anatolia na Rússia. Os minerais que contêm ferro em quantidade apreciável são óxidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.abundante no Brasil.carbonato .INTRODUÇÃO O ferro se conhece há tempos remotos.óxido . • Limonita . A fabricação do ferro fundido. provavelmente construída em 912 anos a. mas sim combinado (ganga) com outros elementos químicos formando os denominados minérios. Na Ìndia encontrou-se uma coluna de ferro que media 7 m de altura e 40 cm de diâmetro com peso de 6 toneladas.2Fe2O33H2O de 40 a 62% de ferro – cor amarela para marrom escuro. é muito antiga. • Pirita . carbonatos. 500 anos a. Os minérios de ferro mais importantes sob o ponto de vista da siderurgia são: • Hematita . há 7 mil anos a.1 – Minério de ferro. Também há 7 mil anos a. • Figura 2.. Quando se pode extrair economicamente um elemento químico de um mineral. 2. No Egito.Fe2O3 .

peneiramento.300 oC. classificação. 4 . Tamanho de 5 a 50 mm de formato irregular. Figura 2. Após esta etapa as pelotas são aquecidas para secagem e endurecimento. unem-se e acabam formando um bloco poroso. após a extração da jazida. Losekann Direitos autorais reservados O minério de ferro é submetido a beneficiamento. Quando quebrados em pedaços menores são chamados de sinter de ferro. • Pelotização – Um tambor giratório que contém um disco inclinado e em rotação é alimentado com finos de minério e aglomerantes. Sinter . reduzindo-se o consumo de carvão. Elevada resistência mecânica e baixa degradação no transporte.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. aglomeração. Figura 2. Aproveitamento dos finos de mineração de 0. Dr.64 a 67% de ferro. Tamanho de 10 a 12 mm de formato esférico. Aproveitamento dos finos de mineração abaixo de 0. carvão moído.15 mm até 8 mm.000 a 1. moagem. Resistência mecânica média e possível degradação no transporte. concentração. como britagem. que está a uma temperatura em torno de 1. recebendo jatos de água que unem as partículas molhadas para formar um aglomerado na forma de bolas (pelotas).2 – Campo de mineração. Figura 2. Cláudio R. Redutibilidade alta. A aglomeração visa o aproveitamento dos finos de minério.51 a 61% de ferro. mistura. melhorar a permeabilidade da carga do alto-forno. Gera 5 a 10% de finos de retorno do altoforno. Gera 7 a 10% de finos de retorno no transporte da sinterização ao alto-forno. Os principais processo de aglomeração do minério de ferro são: • Sinterização – Neste processo o minério de ferro.5 mm.4 – Pelotas. Redutibilidade alta. Pelotas .3 – Sínter. calcário e água são misturados e aglomerados e depois são colocados sobre uma grelha em um equipamento especial.

onde apresenta a seguinte composição média 3% a 8% de C.5% a 2. Figura 2. C. a rampa. com eliminação dos produtos voláteis do carvão mineral) com possibilidade do carvão vegetal.000 ºC em câmaras ausentes de oxigênio. e a cuba (seção superior). 2. O ferro gusa é uma liga metálica de Fe. obtendo-se no final um produto da fusão denominado de ferro gusa. que posteriormente é utilizado na fabricação do aço ou ferro fundido. Todas as suas partes internas. usa-se. O processo consiste em aquecer o minério de ferro em temperaturas acima de 1. Escória é um produto resultante da ação do fundente sobre a ganga (do minério) e do combustível. e até 0. 0. A escória pode ser utilizada como base para estradas de ferro. 5 . sujeitas a altas temperaturas. P. Si. na fabricação de tijolos refratários e em isolamento térmico e acústico. b) como fornecedor de carbono para a redução do óxido de ferro e c) como fornecedor de carbono. o coque (carvão mineral tratado em temperaturas de mais ou menos 1. onde o minério a ser reduzido. Dr. como principal elemento de liga. na fabricação de cimento. flutua sobre o ferro que é mais pesado. Losekann Direitos autorais reservados Nos processos de redução do minério de ferro em ferro gusa. 0. Mn. S. como corretivo de solo.5% de P. atinge seu ponto de fusão.2% de S. Os refratários são materiais resistentes a altas temperaturas. A escória que se forma durante o processo.600 ºC na presença de uma substância redutora (coque) em um equipamento denominado de alto-forno. são revestidas com tijolos refratários.6 – Alto-forno. Cláudio R. Figura 2.5% de Si.5% a 4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA É o processo de obtenção do ferro. O alto-forno é construído de tijolos e envolvido por uma carcaça protetora de aço.5 – Vista parcial de um alto-forno. como combustível. utilizados nos revestimentos dos fornos e panelas de vazamento. A ação do carvão se faz sentir de três maneiras: a) como fornecedor de calor para a fusão do minério. Três zonas fundamentais caracterizam o alto-forno: o cadinho. O cadinho é o lugar onde o ferro gusa líquido é depositado.

000 ºC) soprado pelas ventaneiras. Cláudio R. algumas impurezas são incorporadas ao ferro gusa. • O gusa se funde (o ferro de primeira fusão se derrete). ou seja. Conforme o coque vai se queimando. até atingir toda a largura da cuba. Losekann Direitos autorais reservados Na rampa acontece a combustão e a fusão. Para facilitar esses processos. o fundente deve ser básico. carbonetação e fusão. se utiliza fundentes neutro. entre o cadinho e a rampa ficam as ventaneiras. Em resumo. no alto-forno ocorre o seguinte: • Os óxidos de ferro sofrem redução. e se a carga for ácida. Esses são os resultados da queima do coque (basicamente. • Certos elementos da ganga são parcialmente reduzidos. principalmente para cima. que foi descrito anteriormente. • A ganga se funde (as impurezas reagem com o fundente formando escória e metal fundido). As reações de redução.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e queimam os pedaços de coque que estão na abóbada (ou parte superior) da zona de combustão. a carga sólida desce. A redução dos óxidos de ferro acontece à medida que o minério. Isso quer dizer que enquanto o gás redutor sobe.7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa. Se a carga for básica. o oxigênio é eliminado do minério de ferro. Estas são as reações químicas provocadas pelas altas temperaturas obtidas dentro do forno que trabalham com o princípio da contra-corrente. • O ferro sofre carbonetação (o carbono proveniente do combustível é incorporado ao ferro líquido). Figura 2. Para o caso de não se querer alterar a natureza da carga. Dr. o agente redutor (coque ou carvão vegetal) e os fundentes (calcário ou fluorita) descem em contra-corrente. o fundente deve ser ácido. carbono) com o oxigênio do ar quente (em torno de 1. ou seja. Esse movimento de descida vai se espalhando lateralmente pela carga. que são furos distribuídos uniformemente por onde o ar pré-aquecido é soprado sob pressão. a carga vai descendo para ocupar os espaços vazios. em relação aos gases. geram dois produtos líquidos: a escória e o 6 . e que escapam da zona de combustão.

AÇO Sendo o ferro gusa uma liga de Fe. e por isso não é denominado forno e sim conversor. • Processos pneumáticos . Losekann Direitos autorais reservados ferro gusa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. de natureza gasosa. C. • Instrumentos de controle e medição.onde o agente oxidante é o ar ou oxigênio • Processo agentes oxigênio. Figura 2. • Regeneradores de calor ou estufas. que são empurrados para os lados. como o ar ou oxigênio. Na redução do ferro gusa em aço. de onde saem pelo furo de corrida (gusa) e pelo furo da escória. – onde os substâncias sólidas contendo Processo Pneumático Bessemer O equipamento usado no processo de Bessemer não possui fonte de calor próprio. oxidantes são Elétrico. formado de chapas de aço e revestimento interno de material refratário ácido (silício – alumínio). Assim. ou de natureza sólida como minério na forma de óxidos. 7 .9 – Aspecto construtivo de um conversor. O conversor Bessemer consta de um recipiente. • Lavadores de gás.O alto forno possui ainda alguns equipamentos auxiliares como: • Coletor de poeiras. Figura 2. Si. P. Dúplex etc. S e Mn. os processos para produção do aço podem ser classificados de acordo com agente redutor utilizado.4 . Dr. pelos gases que estão subindo e escorrem para o cadinho. é necessário um processo de oxigenação desta liga para reduzir a percentagem destes elementos até os valores desejados.8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa). 2. tipo pêra. que é uma liga de mais baixo teor destes últimos elementos químicos. utiliza-se agentes oxidantes. Cláudio R. para transformá-lo em aço. Siemens–Martin.

adiciona-se quantidade de ferro-silício ou ferromanganês ou pequenas quantidades de alumínio. A capacidade de carga do conversor Bessemer varia de 25 a 40 toneladas. fósforo e enxofre o mínimo possível.1%. Durante o processo forma-se óxido de ferro que deixa o aço frágil e quebradiço. silício (1.10 – Operação de um conversor. impedindo que as reações exotérmicas permitem a passagem do fósforo para as escórias. pouco a pouco e com pressão moderada. principalmente o alumínio. A transformação do ferro gusa em aço é conseguida pelo insuflamento de ar. Quando a chama da boca do conversor está a ponto de se apagar. O borbulhamento do ar. este não pode ser tratado no conversor Bessemer porque o revestimento dele é ácido (carbono (4%). Dr. Até mesmo carvão para recarburar o aço.4%. Neste processo. A fim de eliminar o óxido de ferro e controlar o teor do carbono. o fósforo também reage exotermicamente com o oxigênio. arames e perfilados. através do metal líquido. manganês (1%). O ar atravessa o ferro gusa líquido e o oxigênio presente vai reagindo com o silício.1% de carbono e porcentagens mais baixas de Mg e Si. ao tempo que se situa o conversor na posição vertical.05 a 0. 8 . usa-se certa quantidade de cal. aumentando a temperatura do banho. Estes elementos. silício . isto é. Losekann Direitos autorais reservados O conversor é basculante. A escória obtida com o processo Thomas é um fosfato de cálcio (combinação do fósforo do metal com o cálcio da cal adicionado) e pode ser emprega como fertilizante na agricultura.5%. Processo Pneumático Thomas . gira em torno de um eixo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5%).O processo Thomas difere um pouco do processo Bessemer. a fim de colocálo na posição horizontal para receber ou retirar a carga.1. transformando-se em escória. cabem as reações exotérmicas do oxigênio com o silício e carbono. Quando o ferro gusa é rico em fósforo. O conversor Thomas é revestido internamente com material refratário básico derivado da dolomita (óxido de cálcio e manganês). Para evitar a oxidação excessiva do aço. usado na fabricação de chapas. o aço contém aproximadamente 0. Sendo o ponto de fusão do aço maior que do ferro gusa. É realizado o vazamento inclinando o conversor e tendo cuidado de que não deslizem as escórias com o aço líquido. elimina o carbono (em CO e CO2. através dos orifícios existentes na parte inferior do conversor. Figura 2. manganês . de ferro gusa líquido procedente do alto-forno cuja composição média é a seguinte: carbono . O aço produzido em conversor Thomas é mais mole do que do Bessemer. formando uma chama larga). aumentar a temperatura do banho líquido. combinam-se facilmente com o oxigênio. fósforo e enxofre o mínimo possível. que passam a escória). Cláudio R. manganês e a maior parte do carbono durante o tempo de 15 minutos aproximadamente. o silício e o manganês (em silicatos.

também de tijolos refratários.D. O forno é constituído de uma mufla de tijolos refratários para receber a carga que pode ser sólida ou líquida. A capacidade dos conversores modernos é de mais ou menos100 toneladas. Processo Siemens-Martin . O processo de obtenção do aço pode levar de 4 a 5 horas. com efeito: Si + O2 = SiO2 + 6.5% .4. os fornos Siemens-Martin são construídos com revestimento ácido.000 ºC. As reações exotérmicas produzidas alcançam temperatura de 2. como também eleva a temperatura de 300 a 400 ºC. dando entrada no forno em altas temperaturas. O consumo de oxigênio é em torno de 50 m3 por tonelada de ferro gusa líquido. é uma variante do processo Bessemer.5% . e de dois pares de câmaras recuperadoras.2%C) + (1% . .5% de pureza.400 ºC e o tempo total da operação é de 35 a 40 minutos. como elementos desoxidantes.407 kcal/kg de carbono Mn + O = MnO + 1.3 m a 1 m do fundo. os do carbono formam os gases (CO) 9 . A operação dura somente de 10 a 20 minutos.No processo Siemens-Martin pode-se alcançar temperaturas de até 2. usando gás combustível e ar. Losekann Direitos autorais reservados Processo Pneumático L. o silício e o carbono são os que liberam maior quantidade de calor. dependendo da natureza da carga e do refratário. O oxigênio é previamente aquecido e injetado na massa líquida pela parte superior do conversor. ferro-manganês ou cal. lança de oxigênio que fica a uma distância de 0. O aço L.2%Si) + (0.Este processo introduzido pelos austríacos Linz e Donavitz em 1. torna-o dispendioso e de baixa aplicação na siderurgia.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. respectivamente.4%C) + (1. porém o alto custo de operação e instalação.D. A capacidade do forno varia de 50 a 300 toneladas. Thomas e SiemensMartins. Ao invés de usar o oxigênio do ar (que em cada 100 m3 aproveita apenas 21 m3 de oxigênio) usa oxigênio puro com 99 à 99.757 kcal/kg de manganês.1%Mn) + P e S o mínimo possível. Os produtos da reação do silício e do manganês formam a escória e. é de qualidade superior ao Bessemer.950. quando a carga é fosforosa.6% . O forno funciona pelo sistema de regeneração de calor dos gases quentes que saem do forno que vão aquecendo o gás e o ar.5%Si) + (0. previamente aquecidos. Dos três elementos citados. • Ferro fundido saído do alto forno: Ctot = (3.5% . e revestimento básico. Segundo a composição da carga (como acontece no processo Bessemer e Thomas). Adiciona-se ferro-silício. e o manganês contidos no ferro fundido reagem ao entrar em contato com o oxigênio do ar: o calor gerado por esta reação não somente mantém líquida a massa. para o tratamento da carga silicosa.1.750 kcal/kg de silício C + O = CO + 2. Cláudio R. Dr. O carbono. o silício.2%Mn) + P e S o mínimo possível. • Os ferros fundidos aptos para o conversor podem ser: Ferro fundido saído do cubilô: Ctot = (3% .

10 . Dr.DEFINIÇÃO Após a redução do carbono do ferro gusa líquido nos conversores. Em 1. Ac2. Sugere as transformações alotrópicas do ferro e a existência do ferro γ. J. β e γ. Neste mesmo período. A. D. com o emprego do microscópio. na observação da superfície metálica polida.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. este material dúctil e maleável fez com que vários pesquisadores da época se interessassem em investigar a estrutura e comportamento mecânico. Rozeboon.880. Em 1. Ar3. Gibbs anunciou a lei das fases que teve grande interesse no estabelecimento dos diagramas de equilíbrio dos sistemas de ligas. Osmond consagrou os nomes dos constituintes Ferrita. C. Ac1. Sorby. e marca as posições dos pontos críticos Ar1. laminados. corresponde a fórmula Fe3C e conclui que nem todo o carbono existente no aço pode ser isolado. Gibbs. Brinell. A. D. Ar2. • • • • • • • • Em 1. Em 1.11 – Estrutura cristalina da cementita. Em 1. F. F. Losekann Direitos autorais reservados monóxido de carbono (venenoso) que escapa da boca do conversor. com suas descobertas. aproximadamente. 2.885. F.1 . C. sugeridas por Howe e acrescentou os de Austenita e Martensita. Abel. F. Sorby. Osmond estudou o comportamento do ferro em temperaturas elevadas utilizando par termoelétrico Pt/Pt-Rh. pesquisadores como A. estirados e dos que sofreram tratamentos térmicos e passa a ser registrado fotograficamente as observações microscópicas. Em 1.903.863 nasceu a metalografia. Cláudio R. Osmond e outros deram. o que hoje é definido como aço. Ac3 e as suas relações com o ferro α. Desta forma. e baseando-se nas leis de Gibbs. Brinell verificou que propriedades mecânicas diferentes em aços que foram forjados.900.900.4.883. traça o diagrama da liga de Fe-C contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da indústria siderurgica. Devido ao grande interesse comercial. Cementita e Perlita. por A. J. K Chernov apresentou o resultado dos seus estudos sobre cristalização e macroestruturas dos lingotes de aço vazado.876. Estuda também os tratamentos térmicos. A capacidade dos conversores varia de 1 a 50 toneladas. Figura 2. F. F. K Chernov. Abel determinou que o composto isolado por KARSTEN. Em 1. Em 1.850 a 1. Osmond publica “Théorie céllulaires des propriétes de l' acier”. utilizando os resultados de análises térmicas feitas por Robert Austen. entre os anos de 1. é que pode se dizer da ocorrência da fabricação dos aços. carboneto de ferro.890.

S) idu So eγ ) s Líquido + Fe3C +l lid íqu ou quando ligados us ido com elementos Austenita (Feγ ) 4.C ternária composta basicamente de três FERROS FUNDIDOS AÇOS elementos: ferro. %C TEMPERATURA ( oC ) Figura 2. a temperatura ambiente e.5% de 0.1%. pode-se definir também o denominado ferro fundido que é uma liga binária de ferro-carbono. O aço pode ser definido como uma liga binária de ferro-carbono. Na 912 prática.3% 1148 oC adicionados para melhoria de suas 1000 propriedades. a temperatura ambiente. como teor máximo de carbono. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 2.008 ºC).11 0. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 0. Cláudio R.1%.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos 1538 1500 químicos residuais Au ste Líquido oriundos de sua 1394 nita Liq ( F u fabricação (Mn.148 ºC). denominando-se assim como uma liga DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe . às vezes. P. o ferro Austenita (Feγ ) + Fe3C fundido contém de o 2% a 4. além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn. carbono (2 a 4. outros elementos adicionados para melhoria de suas propriedades (Cr. 11 . P.7%. o valor de 6. Si.148 2. como teor máximo de carbono. W). S) e.77% 727 C (Feα ) carbono e principalmente com 500 teores próximo de 4. Dr. Do diagrama de equilíbrio do Fe-C. a temperatura ambiente e.7 solidificação (1.12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício. o valor de 2.008%. a temperatura de máxima solubilidade (1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Entretanto.3% de carbono (Feα ) + Fe3C visto que o eutético (Feα ) + Fe3C + (Grafite) produzido por esta concentração de carbono reduz a 0 temperatura de 0 1 2 3 4 5 6 6. Losekann Direitos autorais reservados Em função do diagrama de equilíbrio traçado por Rozeboon. V.

Não é considerada a variável pressão.AÇOS • hipo-eutetóide . A região circulada mostra a área de interesse de conformação mecânica a quente dos aços comuns no comércio. tem estrutura cristalina.com carbono igual a 0. como todos os metais no estado sólido. a pressão é uma atmosfera. Vê-se. 12 . Além disso. Pelo gráfico esquemático abaixo. visto que a maioria das reações metalúrgicas ocorre sempre à pressão constante.008%.5 1. Pode-se observar que.0 1. que os aços podem ser divididos em três grupos: DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe-C . Líquido + austenita 1200 Austenita 1000 912 800 A3 Feα +Feγ ( oC ) • Feγ Acm 0.77% o TEMPERATURA Feγ + Fe3C A1 A1 727 C 600 0.0 2. hiper-eutetóide .77%. A importância deste fato é que.77%.11% 1400 eutetóide . pode apresentar-se em duas formas cristalinas diferentes: cúbica de corpo centrado e cúbica face centrada.com carbono superior a 0. enquanto a forma CCC pode dissolver carbono até um máximo de 0. observa-se que há pontos de parada (temperatura constante). Figura 2. pois parte do princípio que a velocidade de resfriamento é infinitamente lenta e que não há outros elementos de liga que possam influenciar nas curvas de resfriamento.aço.0 %C Como observação. que segue. Figura 2.5 2. Assim sendo. Losekann Direitos autorais reservados O ferro. Entretanto.5 3. e no caso.1 % de carbono.13 – Curva de resfriamento do ferro. pelo diagrama de equilíbrio do FeC. • 2. Ar2 e Ar3 – transformações no resfriamento) observa-se contrações que são devidas também às mudanças de fase. denotando mudança de fase. A figura. no resfriamento. Cláudio R. nas paradas.0 0. a forma CFC pode dissolver até 2. é interessante salientar que este diagrama é teórico. Dr. há expansão de volume.com carbono 1600 Líquido Liquidu s até 0. não deve ser usado para tratamentos térmicos comerciais.0218% 400 200 0 0.14 – Diagrama de equilíbrio . (Ar1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mostra de forma ampliada o diagrama de equilíbrio do aço.77%.

Cristaliza-se sob a forma cúbica de corpo centrado (CCC). sorbita. A estrutura lamelar se observa na perlita quando ocorre resfriamento lento. ledeburita. troostita.16 – cementitas. Cristaliza-se sob forma ortorrômbica. portanto 6. e contém. A máxima solubilidade de carbono no ferro alfa é 0.0218% de carbono a 727 ºC. podem ser denominados em constituintes primários (por resfriamento lento) ou secundários (por tratamento térmico) e também de acordo com as proporções dos componentes das ligas.A ferrita é uma solução sólida de carbono em ferro alfa (Fe α). Perlita – É um constituinte composto por 88% de ferrita e 11. cementita. Dr. São denominados: ferrita.CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO As ligas Fe-C são formadas por grupos de cristais que recebem o nome de constituintes. Tem semelhança com madre-pérola A perlita tem uma dureza de aproximadamente de 200HB. A ferrita é um dos constituintes mais moles e dúcteis dos aços. Losekann Direitos autorais reservados 2. e dependendo da forma de resfriamento da liga.33% de ferro. perlita. É um dos constituintes mais duros e frágeis dos aços. alongamento de 35 a 40%. cujas características serão visto a seguir: Ferrita . é magnética até 770°C.5% de cementita. praticamente se considera a ferrita. alcançando dureza de 700HB ou 68HRC.67%C e 93.4. Cada grão de perlita está formado por lâminas ou placas alternadas de cementita e ferrita. 13 . Tem dureza de 90HB aproximadamente. Sua solubilidade na temperatura ambiente é tão pequena que dissolve apenas 0. como sendo ferro puro. Por isso. a partir da qual perde o magnetismo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 2. esteadita e grafita.15 – Ferritas. austenita.110 °C.2 . resistência a ruptura de 80 kgf/mm2 (Lr ≈ 800 MPa) e alongamento de 15%. Cementita – É o carboneto de ferro de fórmula Fe3C. resistência a ruptura de 28 kgf/mm² (Lr ≈ 280 MPa). É magnética até a temperatura de 2. martensita. bainita.008% de carbono. Cláudio R. Figura 2.

É um dos constituintes mais elásticos dos aços. o cromo-níquel. A austenita nos aços carbono. recebendo assim. a denominação de perlita globular ou esferoidizada. se os mesmos não contem elementos de liga. em aços com elevado teor de níquel. Há outros autores que consideram essa estrutura como sorbita. 14 .11% a máxima solubilidade a temperatura de 1. Pode-se obter estruturas austeníticas nos aços na temperatura ambiente. e a partir da temperatura crítica superior (linha A3 ou Acm). resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1.000 MPa) e alongamento de 30% e não é magnética. A martensita se apresenta sob a forma agulhas devido a grande deformação da rede cristalina. visto que o resfriamento rápido mantém os átomos de carbono que estavam dissolvidos na estrutura cúbica de face centrada da austenita. sendo denominadas de austenita retida ou residual. a baixa temperatura. sendo esta austenita não estável e com o tempo poderá transformar-se em ferrita e perlita ou perlita e cementita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.148 °C. Se o resfriamento é mais brusco.11%. a estrutura é mais borrosa e é denominada então de perlita sorbítica. por exemplo. A austenita tem dureza de aproximadamente 300HB. A) Perlita normal. B) Perlita sorbítica. Austenita . Martensita . uma vez elevando-se à temperatura suficiente para conseguir uma constituição austenítica. Elas se apresentam em aços ligas especiais como.17 – Perlitas. Dr. Se a perlita lamelar permanecer durante algum tempo a uma temperatura um pouco inferior a critica (727 °C) a cementita toma a forma de glóbulos incrustrados à massa da ferrita. É obtida por resfriamento muito rápido dos aços. Losekann Direitos autorais reservados a) b) Figura 2. varia entre 0 e 2. encontra-se toda a massa transformada em cristais de austenita. começa a se formar em temperaturas de 727 °C (linha A1 ponto crítico inferior). A austenita é formada por cristais cúbicos de face centrada (CFC). onde os átomos de carbono estão inseridos principalmente nas faces das células unitárias.18 – Austenita. mantendo-se na estrutura cúbica de corpo centrado do ferro alfa. Figura 2. A quantidade de carbono dissolvido na estrutura cristalina. Cláudio R.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). sendo a concentração de carbono de 2.É uma solução sólida de carbono em ferro gama (Fe γ).

A percentagem de carbono da martensita não é constante.750 a 2. entretanto esta e evidenciada pelo início da transformação das lamelas de cementita. Cláudio R. Figura 2. um processo de transformação interrompida da perlita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.500 MPa). a dureza aumenta. assemelhando-se a estrutura do diamante. É obtida também por resfriamento rápido dos aços com concentração de carbono acima de 0. aumentando sua dureza. durante um tempo suficiente para que toda massa se transforme. onde a tensão entre os grãos aumenta. ou seja. A bainita superior. Bainita . similar a martensita. Figura 2. Possui excelentes propriedades mecânicas e não necessita de operações de revenido após ter sido obtida.20 – Bainita inferior. é obtida entre a temperaturas de 300 e 500 °C e a bainita inferior de aspecto acicular. com o aumento de carbono. em conseqüência. resistência mecânica de 175 a 250 kgf/mm2 (1. é um constituinte secundário da liga Fe-C que sofreu tratamento térmico com resfriamento rápido. O processo de obtenção de bainita é similar ao da martensita. alongamento de 0.3%. sendo que varia até o máximo de 0. 15 . Em outras palavras. Sua dureza varia de 50 a 68 HRC. entre as temperaturas de 250 e 500 °C.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). A dureza da martensita pode atribuir-se à tensão produzida entre os cristais deformados. é obtida entre temperaturas de 250 e 400 °C. Tal operação recebe de peças de pequenas dimensões. da mesma maneira que os metais deformados a frio. dependendo da temperatura em que o material foi tratado. resistência mecânica e fragilidade. Pode-se obter dois tipos de bainita. Apresenta durezas intermediárias da perlita fina com a martensita.19 – Martensita. Losekann Direitos autorais reservados Antigamente acreditava-se que a martensita originava uma estrutura tetragonal em virtude da grande dureza.5 a 2. tanto quanto a martensita. Dr. A bainita é obtida por transformação isotérmica da austenita. a bainita. de aspecto arborescente.5% e é magnética.8%C. As duas bainitas são constituídas por placas de carbono sobre uma matriz ferrítica.

e também parecidas com as da perlita. A trostita também é obtida através do resfriamento com a velocidade inferior a crítica (velocidade crítica de resfriamento é a mínima velocidade para que toda a austenita se transforme em martensita). mas sim dos ferros fundidos.A sorbita é obtida por transformação isotérmica da austenita. A sorbita se apresenta sob a forma de lâminas. Dr.A trostita se obtém por transformação isotérmica da austenita entre as temperaturas de 500 e 600 °C.22 – Sorbita. porem mais finas. Cláudio R. A trostita se apresenta em forma de módulos de lâminas radiais de cementita sobre a ferrita. Sorbita . entre as temperaturas de 600 e 650 °C e mantendo esta temperatura constante durante um tempo suficiente para toda massa se transforme. Figura 2. É encontrada nas ligas Fe-C com teores de carbono superior a 2.000 MPa) e alongamento de 15%. Ledeburita .3% C desde temperatura de 1. A dureza da sorbita é de aproximadamente 350 HB e resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1.5%. A ledeburita é obtida resfriando-se a liga líquida de 4. parecidas com as da perlita.148 °C. 16 . É formada por 52% de cementita e 48% de austenita. Figura 2.3%.500 MPa) e alongamento de 7.11%.23 – Ledebuirta. resistência mecânica de 250 kgf/mm2 (2. Losekann Direitos autorais reservados Trostita . Figura 2. decompondo-se em ferrita e cementita. A quantidade total de carbono da ledeburita é de 4. quando resfriamos a austenita a uma velocidade bem inferior a velocidade crítica de resfriamento. nos quais a velocidade de resfriamento suficientemente rápida não dá tempo para a formação da trostita. ainda mais finas que as da trostita.21 – Trostita. Por essa razão aparece nos aços forjados e laminados.A ledeburita não é um constituinte dos aços. Também é obtida. sendo estável até 727 °C. A dureza da troostita é de aproximadamente 450HB. É um constituinte eutético e empregada para designar uma mistura de componentes que passam sem decomposição nem segregação do estado sólido para o líquido.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Com concentração de 0. Figura 2. É muito dura e frágil. No entanto melhora a resistência ao desgaste (serve como lubrificante seco) e a corrosão. um ferro fundido que contém 0. Ferritas (claras). pode-se calcular a percentagem de esteadita que contém o ferro fundido por sua quantidade de fósforo. • Ferrita + Perlita.25 g/cm3. Somente perlitas. Dr. Confere a liga ferrosa baixo valor de dureza. Figura 2. perlitas (escuras).A grafita é um dos três estados alotrópicos em que encontramos carbono livre na natureza. e aparece nos ferros fundidos com mais de 0. Figura 2. Como a esteadita se compõem de uns 10% de fósforo aproximadamente.15% de fósforo. b) No aço eutetóide. as seguintes estruturas são formadas no aço: a) No aço hipo-eutetóide abaixo de 727 ºC. Por exemplo. 17 .25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide. elasticidade e plasticidade. Em condições de resfriamento lento. Cláudio R. e quase todo fósforo da liga se encontra neste constituinte. Losekann Direitos autorais reservados Esteadita . Apresenta-se em forma de lâminas nos ferros fundidos cinzentos e em forma de esferoidal em alguns ferros fundidos especiais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Grafita . terá aproximadamente 15% de esteadita. Possui cor marrom escuro e peso específico 2. diminuindo a quantidade de ferrita.É um constituinte de natureza eutética.24 – Esteadita.77% de carbono encontram-se na matriz do aço somente grãos de perlitas. • Perlita. funde a 960 °C. As quantidades de perlitas aumentam com o aumento do teor de carbono. resistência mecânica.15% de fósforo.26 – Microestrutura de aço eutetóide.

apresentada e normalizada em 1. entidade norteamericana que congrega e normaliza toda a indústria de ferro e aço naquele país.AISI A classificação. a classificação básica inicial SAE e partindo desta foram feitas modificações necessárias e ampliações. Dr. Losekann Direitos autorais reservados c) No aço hiper-eutetóide até 2% de C. ou seja. foi organizada. a classificação tem como critério básico a composição química de aço. Assim sendo. como perlita fina.CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS .27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide. Nos aços com teores acima de 0. • Perlita + Cementita.conhecida pela sigla “SAE ”.77% de carbono se encontram grãos perlíticos e. martensita. No Brasil também foi.941 estas normas foram encampadas pela “AISI”. Desta forma. pela famosa “Society of Automotive Engineers” (Sociedade dos Engenheiros Automobilistas) . a cementita. cuja sigla é ABNT. o da classificação em relação a sua composição química. caracterizando fragilidade intergranular. há a formação de outros constituintes. tem-se como exemplo: Aço-Níquel: SAE . ar. adotada a classificação SAE. forno. Perlitas e cementitas. bainita superior e inferior.2315 ABNT . podemos falar em classificação SAE ou AISI ou também SAE-AISI. sigla da “American Iron and Steel Institute” (Instituto Americano de Ferro e Aço).ABNT . o que faz a AISI não foi nada mais do que adotar em princípio. Figura 2. de acordo com a norma NB-82.4. permanecendo o princípio adotado anteriormente. A base deste sistema é. 2. Cláudio R. São perfeitamente equivalentes.912 nos Estados Unidos da América do Norte. é evidente que nunca há velocidade infinitamente lenta. óleo e água. no contorno de grão. por exemplo.SAE .2315 18 . No caso de resfriamento convencional. Em 1. da Associação Brasileira de Normas Técnicas. adotadas hoje por muitos países.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os elementos de liga influem na morfologia do diagrama de equilíbrio. tornou-se conhecida mundialmente.3 . denominada “classificação SAE”. praticamente. que estaremos praticamente nos referindo a um mesmo critério de tipos e valores. sendo suas normas de classificação dos aços ou das bases de seu sistema. Assim. Por outro lado. em princípio.2315 AISI . Nas condições normais.

Sigla • • • Cada instituição normalizadora usa a sua sigla: Society of Automotive Engineers SAE . 19 . ou entre o 2º e o 3º ocorre a inclusão de letras como: • Prefixo X indica a variação de enxofre ou cromo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.XXXX American Iron and Steel Institute AISI . precedidos da sigla indicadora da constituição normalizadora. O código básico de representação dos tipos de aços. Em alguns casos.2o algarismo: indica o “grupo” dentro do tipo. parcialmente. permitindo descrever. ABNT 4524 AF – aço fundido com tensão de ruptura de 45 kgf/mm2 e alongamento de 24%. Tem-se então: UMA sigla e QUATRO algarismos ⇒ SAE XXXX SAE : “Sigla” da Instituição Normalizadora X . O propósito desta publicação é exatamente de estudar o sistema de classificação destes tipos de aços. onde os dois primeiros números indicam a tensão de ruptura em kgf/mm2 e os dois últimos algarismos representa o alongamento. o tipo de aço usado. Ex.AISI tornando possível especificar. XX . Dr. • Prefixo T é empregado para indicar a maior proporção de Mn. a composição química dos mesmos.3o e 4o algarismos: indicam o “percentual médio” de carbono. Entende-se como “aços laminados” (wrought or rolled steel) os “aços carbono” (carbon steel) e “aços-liga” (alloy steel) usados em construção mecânica e obtidos por laminação em laminadores. • A letra D precedendo os algarismos indica aços com composição química exatamente igual a estabelecida pelas norma DIN (Deutsche Industrie Norm). Exemplo: D5116 corresponde a 16 Mn Cr 5 Os aços fundidos são designados por 4 algarismos seguidos de AF. X . nos sistemas normalizados SAE e ou AISI é constituído sistematicamente por quatro algarismos (ocasionalmente por cinco algarismos no SAE e três no sistema AISI).XXXX. nos desenhos de oficina e especificações técnicas.XXXX Associação Brasileira de Norma Técnica ABNT . Cláudio R. antes dos 4 algarismos.1o algarismo: indica o “tipo” de aço. • A letra L intercalada entre o 2º e o 3º algarismo indica a presença de chumbo (lead). Losekann Direitos autorais reservados • Sistema básico de classificação Um sistema codificado é usado para designação dos aços laminados na classificação SAE .

21% C) as tabelas não apresentam diferença na porcentagem média de carbono. Dr. com “dois elementos de liga” indica uma determinada combinação de porcentagem média dos (ou de alguns dos) componentes da liga. o 4o ou último algarismo. por exemplo. quando for considerado isoladamente. que. em centésimo percentual. posteriormente nas tabelas. Cláudio R. um elemento de liga que. indica a percentagem aproximada do elemento predominante na liga. que nestes casos denominamos de combinação da liga. ou seja: 0. significando a indicação de metal (ou metais) básico adicionado a liga de ferro carbono. muitas vezes.: 0.“Tipo” de Aço Um sistema numérico de 1 a 9.grupo dentro do tipo Nas “ligas simples”. Por 20 . O quadro abaixo indica esta identificação: TIPO DE AÇO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 DESIGNAÇÃO Aço Carbono (sem metal de liga) Aço Níquel Aço Níquel-Cromo Aço Molibdênio Aço Cromo Aço Cromo-Vanádio Aço Tungstênio-Cromo Aço Níquel-Cromo-Molibdênio Aço Silício-Manganês 2o Algarismo . indica a percentagem aproximada deste elemento. para identificar bem os aços comerciais disponíveis.Percentagem média de Carbono Os dois últimos algarismos XX indicam sempre a percentagem média de carbono no aço. e que geralmente lhe dá o nome.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 3o e 4o Algarismo .25% C Significado especial do 4o Algarismo Muitas vezes. Losekann Direitos autorais reservados 1o algarismo .23% C.18 a 0. Dentro do mesmo “tipo” e “grupo” estão compreendidas uma série de ligas com as mesmas porcentagens de elementos componentes. Ambos apresentam uma porcentagem de C entre 0.2% C) e SAE 1021 (0. que. procura identificar de uma maneira geral e global o tipo de aço a que pertence. Nas ligas com “três elementos de liga” e também. Será visto. em alguns casos. entre os aços indicados por SAE 1020 (0. geralmente. algumas vezes. XX % C Ex. Nas ligas com “dois elementos de liga”. pode indicar a existência de variações de outros elementos da liga. permanecem constantes para todos os aços com o mesmo 2o algarismo.

Percentagem aproximada de Cromo na liga . Aços classificados com cinco algarismos Algarismos (XXXXX). Aço SAE .Caracteriza a combinação em determinadas percentagens dos três elementos de liga.1% Cr.10%C).35% de carbono na liga. Aço SAE . o último contém maior porcentagem. Tipo Aço carbono Classe 10xx 11xx 12xx 13xx T-13xx 14xx 15xx 20xx 21xx 23xx 25xx 30xx 31xx 32xx 33xx 34xx 40xx Teor aproximado dos elementos Aço sem elemento de adição Aço resulfurado – de usinagem fácil Aço resulfurado e refosfatado Aço com 1. Losekann Direitos autorais reservados outro lado.25% Ni e 0. SAE 51100 e 52100. Cláudio R.25% Mo Aço Ni Aço Ni-Cr Aço Mo 21 .65% Aço com 0. como os aços SAE 50100. 40 .0% Ni e 0. com percentagem média de carbono de 1%.5% Ni e 1.Corresponde a uma percentagem média de 0.5% de Ni Aço com 1.5% de Ni Aço com 3. 1 .1035 1 . os três últimos (XXX) indicam a percentagem média de carbono (entre 0.10% de Nb Aço com Mn entre 1.Percentagem média de 0.).98 a 1.Caracteriza “Aço Cromo”.Caracteriza “Aço Carbono”.98 e 1.10% de C. 100 .51100 5 .8% Cr Aço com 0.5% de Ni Aço com 5.Percentagem média de 0. no entanto.(0. 0 . Exemplos: Aço SAE . Aço SAE . apresentam na porcentagem de Mn.65% Cr Aço com 1. Dr.30% de C. 30 .75% Ni e 1.8630 8 . 35 .40% de C.5140 5 .5% Cr Aço com 3.1% Cr.00 a 1.Percentagem aproximada de cromo na liga .Caracteriza “Aço Cromo” 1 .Percentagem média de 1% de carbono .5% de Ni Inox e resistente à altas temperaturas Aço com 1.Caracteriza Aço Níquel-Cromo-Molibdênio 6 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Sem elemento de liga além da combinação ferro e carbono. cujos valores médios estão especificados nas respectivas tabelas de composição química.75% de Mn Aço com elevado teor de Mn Aço com 0. exceto elementos residuais.0% Cr Aço com 3.

4.8% Cr e 0.55% Mn Aço com 3.9% de Cr a 0. Dr. o alumínio (Al) ou o titânio (Ti).25% Mo Aço com 3. • • 2o Grupo – Impurezas.55% Ni e 0. 2o Grupo . São constituídas principalmente 22 .15% Mo Aço com 0.12% Mo Aço com 0.20% Mo Aço com 1% Ni e 0.5% de Cr e 1% de C (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1. tal como é usado industrialmente. manifestamente prejudiciais a qualidade do aço.Impurezas São constituídas pelos elementos que sendo componentes das matérias primas usadas. outros elementos que podem ser classificados e divididos em três grupos. 3o Grupo . ou introduzidas durante os processos de fabricação.Elementos resultantes da elaboração. o silício (Si). o aço.75% Ni e 0.45% de Cr Aço com 0. por serem no caso.9% Cr Aço com 1.55% Ni e 0.25% Mo Aço com 2.55% Ni e 0. embora em pequenas percentagens.15% de V Aço com tungstênio Aço com 0.6% de Cr Aço com 0. Cláudio R. cuja presença no aço. • 1o Grupo .5% de Cr Aço com 0.Elementos resultantes da elaboração Pertencem a este grupo os elementos como o manganês (Mn).17% Cr e 0.3% a 0.25% Ni e 1. sempre existem nos aços.25% Mo 2.45% de Cr e 1% de C Aço com 1.Elementos de liga.8% Cr e 0.2% de Cr Aço com 1.25% Mo Aço com 1.2% Mo e 0.10% Mo Aço com 0. 1o Grupo .4% Cr e 0. Losekann Direitos autorais reservados Aço Cr Aço V Aço W Aço Ni-Cr-Mo Aço Si-Mn 41xx 43xx 46xx 48xx 50xx 50xxx 501xx 51xxx 511xx 514xx 515xx 52xx 52xxx 521xx 61xx 70xx 86xx 87xx 92xx 93xx 94xx 97xx 98xx Aço com 0.0% Si e 0. como decorrência dos processos de fabricação e que.12% Mo e 1% Mo Aço com 0. devem ser reduzidas as menores porcentagens possíveis.INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO Como foi estudado anteriormente.75% Ni e 0. possui além do ferro e do carbono.5% Cr e 0.5% Ni e 0.5% Cr e 0.4 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2% Cr e 0.45% Ni e 0.

A percentagem de carbono influi apenas na dureza de aço. compreendido entre dois limites. “aços especiais”. devido aos processos de fabricação. tungstênio. cobalto. são aqueles que se adiciona intencionalmente ao aço.1 – Elementos de adição Carbono (C) .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. etc. nitrogênio. zircônio. Manganês (Mn) . 3o Grupo . O seu valor porcentual está.50 a 1. Manganês. As deformações produzidas pela têmpera são diminuídas pela adição de Mn.50% C constituem os Aços Ferramentas. 2. vanádio. mas também por diversos metais. titânio. ou conseqüentes dos processos de fabricação são constituídos principalmente pelo enxofre. assim como a resistência ao desgaste. relacionando a sua influência sobre os tratamentos térmicos e a influência destes elementos e destes tratamentos sobre as características de comportamento mecânico dos aços. chumbo. boro. quando a percentagem média excede a 0. Aumenta a dureza e a resistência. Poderão dar ao aço propriedades indesejáveis para o fim a que se destinam. que definem a qualidade do aço. Dr. será abordado um resumo da sua ação específica e em especial.10% a 0.O silício como o Mn.10 a 1. Silício (Si) .. etc. tântalo.35% pois é empregado como desoxidante durante o processo de fabricação do aço. Sabe-se que entre as matérias primas usadas para a fabricação do aço. Se nenhum destes elementos atinge a porcentagem de 5% o aço diz-se “baixo teor elementos de liga” se a percentagem ultrapasse os 5% são classificados como de “médio” ou “alto” teor em elementos de liga.70% C. ou ainda. níquel. como o cobre. acha-se presente em todos os aços em pequenas proporções.6% de Mn. As impurezas provenientes da matériaprima. conferem propriedades particulares. selênio. Aumenta a resistência mecânica dos aços de baixa liga e melhora a resistência à oxidação em altas 23 . chumbo. Aumenta a velocidade de penetração do carbono na cementação. classificam-no como aços de construção. silício.4. níquel. fósforo. serve para fabricar aços especiais para molas. Percentagens que oscilam entre 0. cobre. fósforo. em geral. oxigênio.É um elemento que se apresenta em todos os aços. Faz aumentar moderadamente a temperabilidade e contrabalança a fragilidade dos aços devido ao enxofre.Elementos de Liga Também denominados de “elementos especiais”. alumínio. Losekann Direitos autorais reservados por elementos não metálicos como o enxofre. Associado ao silício. cromo. Aumenta a dureza e resistência e diminui a ductilidade e plasticidade. molibdênio. estanho.5% aproximadamente. Percentagens entre 0. em pequenas percentagens. enquanto que as outras propriedades dependem do grau de pureza. Somente é considerado como elemento de liga nos aços. Para cada um dos elementos de adição existentes ou adicionados aos aços de construção. uma quantidade de peças de aço (de diversas ligas) é adicionada junto com o ferro e carbono para formar o aço. silício e manganês.4.É o elemento que desafia o aço e estabelece suas propriedades básicas. uma boa percentagem é de “sucata” ou seja. O teor de carbono varia entre 0. até 0. Cláudio R.

Enxofre (S) . Atualmente. é considerado elemento benéfico.É um elemento prejudicial aos aços tornando-os frágeis e quebradiços ao rubro. altos valores de carga de ruptura. o oxigênio é prejudicial ao aço. O oxigênio endurece o aço. da forma que a combinação daqueles elementos com o oxigênio torna-se inofensivo. sendo então considerado como “aço-silício”. Aumenta a dureza e a resistência dos aços de baixo teor de carbono. durante os processos de fabricação. Titânio (Ti) . Oxigênio (O) . para este efeito. com carbono até 0. Em um caso especial. prevenindo a corrosão intergranular e a tendência à fragilidade. Losekann Direitos autorais reservados temperaturas. É empregado também como elemento de liga. Os aços-silício resistem muito bem ao desgaste. dando origem aos aços de “corte livre”. Aumenta a 24 . melhora certas propriedades dos aços.Como o nitrogênio. deseja-se limites máximos entre 0. Aumenta a existência e dureza dos aços de baixa percentagem de carbono melhora nestes aços a sua usinabilidade. prestando-se muito bem para imantação por corrente alternada. Faz aumentar o coeficiente de elasticidade o que torna sua presença inconveniente nos aços destinados a receberem deformação por estampagem.É usado para desoxidação e como estabilizador dos aços inoxidáveis austeníticos. pois sua edição em percentagem. É usado também na fabricação de molas. por sua ação de aumentar a temperabilidade e penetração da têmpera. A percentagem máxima admissível e em torno de 0. Os aços-silício são muito usados para chapas de núcleo de transformadores e motores elétricos. porem considerada de natureza nociva. que possui. devido a fragilidade destes aços. São também chamados “aços para tornos automáticos”. Cláudio R. Melhora ligeiramente a resistência à corrosão. pois foi verificado que. Por esta razão nos aços de alta qualidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0% por possuírem boa permeabilidade magnética.4% Si. para permitir altas velocidades de corte.Em princípio o nitrogênio tem muitas vezes uma influência nociva sobre os aços. Felizmente. tornando-o frágil. adicionam-se elementos de liga. magnetizando e perdendo rapidamente o magnetismo. por serem usados para a fabricação de pequenas peças.0% de Ti tornam os aços com 0.10% e percentagens de silício até 4. Percentagens de 2. em muitos casos. causando principalmente dureza e fragilidade.5%. de modo que o seu teor deve ser mantido o mais baixo possível.É uma impureza normal existente nos aços. de até 0. diminuindo conseqüentemente sua tenacidade.35% é usado na produção dos aços de “corte livre”. atingindo os aços especiais.05%. a percentagem de silício deve ser superior a 0.5% C não temperáveis. maior afinidade pelo oxigênio do que o ferro. Nitrogênio (N) . empregando-se em ferramentas para trabalhos em pedreiras. pois aumenta a facilidade de usinagem e os cavacos se destacam em pequenos pedaços. Para ser considerado como elemento de liga.30 a 0. Dr. Fósforo (P) . o Nitrogênio deixou de ser considerado elemento nocivo. A presença do enxofre faz com que os aços tenham características mecânicas inferiores.

Eleva a resistência à corrosão a temperatura ambiente e altas temperaturas. sobretudo nas percentagens de 0. melhora ainda a corrosão. sendo usados para réguas padrão. Aumenta a resistência a ruptura à tração e o limite de elasticidade. especialmente nas de corte rápido. peças para relógios. Os aços-cromo melhoram consideravelmente as suas propriedades pelo tratamento de revenido após o tratamento de têmpera. os efeitos produzidos pelo Mo nos aços assemelham-se as produzidas pelo tungstênio. Aumenta a resistência a tração. isoladamente. Em conjunto com o níquel e cromo. nos aços inoxidáveis. pois mesmo com pequenas porcentagens obtém-se efeitos consideráveis.15% C) e 2% de Ni prestam-se notavelmente bem para cementação. quando a percentagem é menor ou maior de 25% de Ni.Junto com o Ni.5% melhora a resistência à corrosão atmosférica.5% e confere boas propriedades mecânicas para utilização a temperaturas elevadas.10 a 0. Cobre (Cu) .20% aumenta a profundidade de têmpera. 25 . É largamente utilizado na fabricação dos aços inoxidáveis. tende a diminuir a tenacidade dos aços). ou associado ao Ni. alta tenacidade e boa ductibilidade. como o Invar (35. O molibdênio atua sobre propriedades muito diversas do aço e o seu emprego generaliza-se cada vez mais. melhora a resistência ao choque e a resistência à fluência a quente. Aumenta a resistência à ação corrosiva dos ácidos. assim como a resistência a corrosão e a oxidação. O cromo aumenta consideravelmente a resistência a temperatura ambiente e a altas temperaturas: aumenta a dureza e o limite de escoamento do aço. O aço-níquel com baixa percentagem de Carbono (0. a tenacidade e a resistência ao choque.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. Aumenta a penetração da têmpera. constitui um dos elementos mais importantes na fabricação dos aços de alta qualidade.Em percentagens de 0.A ação do molibdênio é muito intensa. porém seu efeito é muito mais intenso. Tem pouca influência sobre a ductibilidade. Níquel (Ni) .Consiste um dos elementos de liga mais importantes. Dá ao aço resistência à tração. pela contribuição efetiva e econômica para as características pretendidas. As ligas com fortes percentagens de Ni apresentam reduzido coeficiente de dilatação pelo calor. Cromo (Cr) . De um modo geral. Losekann Direitos autorais reservados resistência ao calor e à fadiga dos aços austeníticos. As ligas com altas percentagens de Ni (e Cr) são os elementos básicos dos aços inoxidáveis. Dr. Molibdênio (Mo) . O nitrogênio é também usado num processo de endurecimento superficial chamado de “nitretação”. sendo invariavelmente usado em complemento de outros elementos de liga (pois o molibdênio. Os aços são classificados e representam propriedades sensivelmente diferentes. Oferecem também boa resistência ao desgaste.5% de Ni) e a Platinite (46% de Ni). Em percentagem de 0. do que resulta uma grande resistência ao desgaste e alta capacidade de corte. especialmente a baixas temperaturas. onde entrará como elemento de liga. etc. sendo as vezes usados nos aços cromo-níquel resistentes à corrosão. e um dos primeiros a serem utilizados nos aços.

Cobalto (Co) . sendo o mais comum o cromo. o alumínio aumenta a resistência do aço à oxidação e ao calor. o alongamento. W.O objetivo da adição de chumbo no aço é o de melhorar a usinabilidade dos aços-carbono. Sempre é empregado em conjunto com outros elementos. como o Cr. entretanto. que se obtém. deve ser acompanhado por um aumento do teor de carbono. Mo. 26 .O alumínio é empregado nos aços.Aumenta a resistência do aço. O seu emprego em teores elevados. Chumbo (Pb) . Oferecem também boa resistência ao desgaste. V. mesmo com teores bastante baixos. o que torna pouco econômico o seu uso quando são desejáveis as suas excelentes propriedades mecânicas. etc. O vanádio aliado ao molibdênio melhora a resistência à fluência. Mantém uma dureza elevada em temperatura elevada (500 ºC) e.Aumenta consideravelmente a dureza a resistência do aço a temperatura ambiente e em especial a altas temperaturas. em torno de 0. sendo o elemento básico dos aços rápidos. afim de que os aços não percam a sua capacidade de têmpera. Boro (B) . É elemento importante em todos os aços rápidos. Também são empregados em peças que estão sujeitos à fadiga.Uma das principais características da adição do vanádio nos aços. pelo que é extraordinariamente importante seu efeito nos aços para ferramentas. Dr. sem diminuir.004%. Devido a grande afinidade pelo oxigênio. são geralmente usados na fabricação de estampas e matrizes. Alumínio (Al) .É um elemento muito interessante. melhorando as suas características de forjamento e usinagem. por esta razão. Tungstênio (W) . como seria de esperar. São aços com preço elevado. Emprega-se especialmente nos aços ferramentas com o W e o Cr em teores de 3 a 10%. Melhora a resistência à fadiga e as suas características de laminação. Geralmente são adicionados com outros elementos. Cláudio R. é torná-lo insensível ao super aquecimento. Aumenta o limite de escoamento e resistência. Losekann Direitos autorais reservados Vanádio (V) . e resistem bem ao revenido. forjamento e usinagem. Aumenta a dureza e contribui para a melhoria acentuada da capacidade de corte a altas temperaturas. Forma carbonetos muito estáveis e resistentes ao desgaste. especialmente com o cromo. incorporado recentemente na tecnologia de fabricação do aço. Emprega-se nos aços para imãs e ligado ao Cr e ao Ni nos aços “superinvar” de baixo coeficiente de dilatação. pois facilita a penetração do nitrogênio. A sua ação mais importante é o extraordinário aumento da temperabilidade do aço. como as molas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Melhora a resistência ao choque dos aços de construção. Os aços ao tungstênio podem ser temperados em água sem rachar. é um elemento importante nos aços que vão ser submetidos a nitretação. O cavaco formado e frágil é descontínuo. principalmente como desoxidante durante o processo de fabricação. Como elemento de liga. além de melhorar o acabamento. onde é muito empregado.

chavetas e peças de espessura média. é de difícil soldabilidade exceto mediante a uso de eletrodos de baixo teor de hidrogênio. 12T14 . usado em peças mecânicas. de média temperabilidade.Aço ao carbono sem elementos de liga. 1020 . 5140 . usado em peças mecânicas. E6015 (AWS). pinos.Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. conformada ou cementadas. partes soldadas. peças para tratores e caminhões. etc. 1212 . cruzetas. etc. onde apresenta capacidade superior a 60% em relação ao 1212. usado em molas para serviço pesado como tratores e caminhões. usado em coroa e pinhões. eixos. terminais de direção.Aço cromo-níquel-molibdênio para cementação que alia alta temperabilidade com boa tenacidade. 8640 . semi-eixos. sem elementos de liga. virabrequins. usado em parafusos.Aço cromo-níquel-molibdênio de alta temperabilidade. ferramentas. etc. cremalheiras. 12L14 .4. capas de rolamentos. 6150. barras de torção. porém não devem ser utilizados em partes vitais de máquinas ou equipamentos que estejam sujeitos a esforços severos ou impactos.Aço com teor médio de carbono. Como exemplo. 1045 . oferecendo um bom acabamento superficial. Usa-se comumente na fabricação de porcas.. contudo. partes soldadas. (limite de resistência do núcleo: entre 80 120 kgf/mm2). de uso geral em aplicações que exigem resistência mecânica superior ao 1020 ou têmpera superficial (em óleo ou água). componentes aeronáuticos. tubos e outras aplicações. onde apresenta capacidade superior a 100% em relação ao 1212. Apresenta algumas melhorias em trabalhos que necessitem de compressão. terminais.Fácil de ser usinado.Aço cromo-níquel-molibdênio de média temperabilidade. bielas.Aço ao carbono. Dr. (limite de resistência do núcleo: entre 70 e 110 kgf/mm2). arames em geral. usado em eixos. 4340 .Aço cromo-vanádio para beneficiamento que apresenta excelente tenacidade e média temperabilidade sendo usado em molas helicoidais. etc. usado em peças de seções grandes como eixos.RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA • • • • 1010 . usado tipicamente na fabricação de molas semi-elípticas e helicoidais para veículos. Losekann Direitos autorais reservados 2. pinças para máquinas operatrizes. etc. usados em peças de construção mecânica em geral.Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. Cláudio R. 9260 .Aço de alto teor de silício com alta resistência.Aço cromo-niquel-molibdênio usado para cementação na fabricação de engrenagens. eixos.5 .Aço cromo-manganês de boa tenacidade com média temperabilidade. conexões e outros produtos que necessitam de alta usinabilidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 5160 . • • • • • • • • • • 27 .. etc. 8620 . parafusos. como por exemplo. de uso geral.Aço cromo-manganês para beneficiamento. roscas laminadas ou partes recartilhadas em relação ao 1212 e 12L14. para uso geral. pinhões. engrenagens. peças dobradas. 4320 .

Losekann Direitos autorais reservados • 52100 . sobretudo. 3135. 1095 1060. 4063. além de outros fatores. 2340 2340. 3140. das características precisas do trabalho a que se destina. Portanto. 1045. 6150 4615. tiras e tubos Chaveta Corrente de transmissão Disco de arado Disco de fricção Eixo Eixo de automóvel Eixo do ventilador Eixo ranhurado Eixo para serviço severo Eixo temperado em óleo Eixo de transmissão Engrenagem cementada Engrenagem de corrente Engrenagem do diferencial Engrenagem em serviço severo Engrenagem temperada TIPO DE AÇO SAE 12L14. 3115. 3140. 4340. uma seleção criteriosa do material depende. roletes e capas de rolamentos e em ferramentas como estampos. APLICAÇÃO Aço de corte livre Aço de deformação mínima Aço p/ ferramentas agrícolas Aço p/ferramentas agrícolas Aço para laminação a frio Alavanca de freio Alavanca temperada Anel de rolamento Arame de aço Arruela de encosto Arruela de encosto temperada Arruela de pressão Barra de distribuição Barra de distribuição Barra do amortecedor Barra para estiragem a frio Biela Chapas. 4140 1045. 1132. 1213. 5115. As aplicações dos aços mencionados na tabela que se segue não passam de orientações gerais. do custo. 3140 1080. 3510. 1070 1085 1040.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 1040 2330 52100 1085 1060 5150 1060 1020 1040 1085 1035 1040. 3141 1008 1010. 1080 1070 1030. brocas. 3115 3135. da usinabilidade do material. 1144 4615 4620 1070. Cláudio R. 4615. 2345. 2340. 6150 2345 28 . 4340 1040. etc. 12T14. 1015 1030. 3141. 4125 4320. 2345. 4023. tiras e tubos Chapas. alargadores. 4119 4023 4640. 2340. 2330. 1212. 8620 3115. 4815. 1137. 1320. 4620 5150 4140 1320. 3120. 8640. Dr.Aço que atinge elevada dureza em têmpera profunda. 2340. 2317. 4820. 4119. 3120. usado tipicamente em esferas.

3120. 6150 5150 1035 3130 1211. 4820 2330. 1010. 4063. 5140. 4320 3135. 3120. 4340. 4815. 6150 1060. 1015 52100 1010 1010 1020 1045 1145. Cláudio R. 2340 1020. 4068. 8620. 4023. 8640. 2515. 1320. 3140. 4063. 3135. 5150 52100 1008. 3310. 4820 3115. 1015 4615. 1213 4042 3130 3130 3130 4815. 4063 1095. 1118. Dr. 3120 3130 2330 1008. 4140 29 . 3150. 1095. 9260. 2317. 1040 1045. 1024. 3115. 1117. 1010. 4032. 4620 1144 1085. 1212. 1036 1035 4140 3240.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Engrenagem temperada em óleo Esfera de rolamento Estampagem profunda Excêntrico para volante Junta universal Lâmina para molas Mola de compressão Mola helicoidal Mola temperada em óleo Parafuso Parafuso de barra de direção Parafuso de corte livre Parafuso estampado a frio Parafuso esticador Parafuso para biela Parafuso para cilindro Parafuso para serviço severo Parafuso temperado Peça cementada Peça forjada Peça forjada média e pequena Peça forjada p/ar comprimido Peça forjada temperada Peça forjada p/trabalho severo Pinhão cementado Pino (corrente de transmissão) Pino (pistão) Porca Porca temperada Rebite Roletes para rolamento Tubos para peças mecânicas Tubos sem costura Tubos soldados Virabrequim Prof. 1022. Losekann Direitos autorais reservados 3145. 6150 6150 3115.

Este tipo de ferro fundido apresenta boa usinabilidade é ótima capacidade de amortecer vibrações. Dependendo da concentração de cada elemento e da maneira como o material é resfriado ou tratado termicamente. são também necessárias concentrações menores de carbono e de silício. Estas denominações que se dá ao ferro fundido é devido ao aspecto da fratura do material e também pela forma como o carbono se apresenta na massa metálica. a temperatura ambiente. Figura 2. Losekann Direitos autorais reservados 2. o carbono pode se apresentar de duas formas: na forma de cementita (Fe3C) e na forma de grafite. Dr.8%. carbono (2 a 4. 30 . cinzento. a temperatura ambiente e.1%. aumentando a dureza. P. De acordo com o diagrama de Fe-C. Assim. Os elementos químicos adicionados ao ferro fundido branco como cromo.28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn. além de um resfriamento muito lento. o ferro fundido contém de 2% a 4. Na prática. entretanto. o carbono se apresenta na forma de grafita. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício.7%. moagem. lâminas ou flocos. de 6. maleável ou nodular. No ferro fundido cinzento. Em função disto. Devido a estas características são muito empregados na indústria automobilística e indústria de equipamentos agrícolas.5 – FERRO FUNDIDO Pelo diagrama de equilíbrio do Fe-C acima.5% de carbono e principalmente com teores próximo de 4. não ocorre a formação de grafite e todo carbono fica na forma da cementita. Cláudio R. revestimentos de moinhos e outras. S) ou quando ligados com elementos adicionados para melhoria de suas propriedades.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. pode-se definir também o ferro fundido como uma liga binária de ferro-carbono. Esta formação do carbono deve-se ao silício quando tem teores de até 2. As principais aplicações deste ferro fundido são em equipamentos de mineração. entretanto. Desta forma. O ferro fundido branco é formado através de um resfriamento mais rápido do metal líquido. tendo teor mínimo de carbono o valor de 2.3% de carbono visto que o eutético produzido por esta concentração de carbono reduz a temperatura de solidificação (1. os ferros fundidos brancos são frágeis. este ferro fundido apresenta cor clara. teor máximo de carbono. dando cor acinzentada ao material. embora tenham uma grande resistência à compressão e ao desgaste. onde a dureza é a principal característica. A figura ao lado mostra este tipo de estrutura. denominando-se assim como uma liga ternária composta basicamente de três elementos: ferro.148 ºC). o ferro fundido será branco. molibdênio e vanádio estabilizam os carbonetos.

não havendo a formação de grafita. cuja classificação é codificada por duas letras e um número de três dígitos: FC-XXX. bielas. e partes de mancais. Exemplo: FC-350 é um ferro fundido cinzento com tensão de ruptura à tração de 350 MPa (Lr = ≈ 35 kgf/mm2). este ferro fundido adquire características similares ao dos aços de baixo teor de carbono. Para o ferro fundido cinzento utiliza-se a norma NBR 6589. conexões hidráulicas.5. FMP 32015 (σr = 320 MPa e ε = 15%). caixas de direção. na qual o carbono é removido por descarbonetação. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois 31 . onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido cinzento e os dígitos indicam a resistência à tração em MPa. cubos de rodas. Exemplos: FMP 45007 (σr = 450 MPa e ε = 7%). O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra.CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS . As principais aplicações são de fabricação de flanges.29 – Microestrutura do ferro fundido nodular. Dr. bielas. Cláudio R. tornando as peças fabricadas mais resistentes ao impacto e às deformações. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. Losekann Direitos autorais reservados O ferro fundido maleável é produzido a partir do ferro fundido branco que é submetido a tratamento térmico. Em virtude disto. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. cuja codificação é composta por quatro letras e cinco dígitos. São muito usados para fabricação de suporte de molas. O ferro fundido maleável de núcleo branco é submetido a um tratamento térmico em atmosfera oxidadante. caixas de direção. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos algarismos representam a deformação em percentual. conexões hidráulicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 2. cubos de rodas. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. cuja codificação é composta por três letras e cinco dígitos. O ferro fundido maleável de núcleo branco é classificado segundo a norma NBR 6914. podendo ser soldado.ABNT Os ferros fundidos são classificados pela ABNT conforme o tipo de ferro fundido. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. barras de torção. Dependendo das condições do tratamento térmico o ferro pode apresentar o núcleo preto ou branco. O ferro fundido maleável de núcleo preto é classificado segundo a norma NBR 6590.1 . Figura 2. São muito usados para fabricação de suporte de molas.

Exemplos: FMBS 39012 (σr = 390 MPa e ε = 12%). o tratamento térmico deve ser planejado cuidadosamente. Dr. 2. Cláudio R. • Aumento ou diminuição da dureza. Por exemplo. verificando-se sempre o resultando final que se deseja obter. trabalho mecânico ou outras causas). 2. necessário tratar as superfícies das peças por meio de pintura ou também por meio de tratamento termo-químico. • Melhoria da resistência ao calor. Assim. as tensões internas que se originam nos processos de fundição. há a necessidade de submeter as peças metálicas. os objetivos gerais dos tratamentos térmicos ou de superfície são: • Remoção de tensões internas (oriundas de resfriamento desigual.1 .TRATAMENTOS TÉRMICOS Os materiais metálicos formados por ligas de Fe-C. embora muitas outras ligas e metais não ferrosos também sejam tratados termicamente. • Melhoria da usinabilidade. • Melhoria da resistência ao desgaste.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. cuja classificação é codificada por duas letras e um número de cinco dígitos: FE-XXXXX. usinagem. muitas vezes. • Aumento da resistência mecânica. Losekann Direitos autorais reservados últimos algarismos representam a deformação em percentual. ou seja. Deve-se verificar que a melhoria de uma ou mais propriedades do material geralmente é obtida com prejuízo de outras. Por outro lado.6. • Melhoria da ductilidade. • Modificação das propriedades elétricas e magnéticas. simultaneamente uma diminuição da ductilidade. Desta forma. • Melhoria das propriedades de corte. FMBS 32008 (σr = 320 MPa e ε = 8%). 32 . entre outros. Devido a isso. que serão vistos posteriormente. que objetivam minimizar ou eliminar aqueles problemas.TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES Os processos de produção industrial nem sempre fornecem materiais de construção nas condições desejadas. • Melhoria da resistência à corrosão. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido esferoidal e os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos a deformação em porcentual. conformação mecânica. a determinados tratamentos térmicos ou termo-químicos. são os mais submetidos a tratamentos térmicos. obtém-se. independente do processo de fabricação utilizado para obtenção de peças e aumentar a longevidade destas em relação à corrosão é. Exemplo: FE-35010 (σr = 350 MPa e ε = 10%).6 . podem criar problemas de distorções e empenamentos. antes de serem aproveitadas efetivamente. em geral os aços. aumentandose a resistência mecânica e a dureza de aços. O ferro fundido nodular utiliza-se a norma NBR 6916.

devese considerar a velocidade de aquecimento. modificandose a velocidade de resfriamento. Losekann Direitos autorais reservados • Fatores que influenciam os tratamentos térmicos: 1. Deve-se observar que meios muito drásticos de resfriamento. lento ou intermediário. têmpera. revenimento. coalescimento. 4. óleos de várias viscosidades. água pura. pode-se obter mudanças estruturais que promovem o aumento da ductilidade ou elevação da dureza ou da resistência mecânica. Estas transformações dos constituintes dependem também da liga metálica. Aquecimento: a temperatura indicada para se obter um resultado satisfatório corresponde. que não pode ser muito lenta (promove o crescimento do grão). normalização. Também. ferro e carbono. por exemplo. Evita-se que esse tempo ultrapasse o estritamente necessário. estrutura CCC e CFC para o ferro e tetragonal e hexagonal compacta para o carbono. 3. Resfriamento: em algumas ligas. geralmente. • Tipos de tratamentos térmicos: Os tratamentos térmicos mais comuns das ligas metálicas são: recozimento. pois pode haver crescimento indesejável dos grãos ou possibilidade de oxidação (em algumas ligas). geralmente denominados secundários. O resfriamento subseqüente completa as alterações estruturais e confere ao material as propriedades mecânicas desejadas. De uma forma geral. 2. Cláudio R. possuem formas alotrópicas diferentes. os tratamentos térmicos obedecem a um aquecimento. Cada material tem a sua própria velocidade ideal de aquecimento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. manutenção a uma determinada temperatura e. cujo objetivo é transformar os constituintes primários em outros constituintes. Se a liga contém elementos químicos que possuem alotropia como as ligas de ferro-carbono (aços e ferros fundidos) cujos dois elementos principais. Ambiente de aquecimento: em certas ligas metálicas a atmosfera comum pode provocar alguns fenômenos prejudiciais como a oxidação e a descarbonetação. nem muito rápida (pode causar empenamento ou fissuras). Tempo de permanência na temperatura: deve ser suficiente para que a peça se aqueça uniformemente. endurecimento por precipitação. posteriormente um resfriamento que pode ser rápido. ar ou vácuo. Os meios mais comuns de resfriamento são: solução aquosa a 10% de NaCl. como solução aquosa. principalmente as de aço. Esses fenômenos são evitados pela utilização de uma atmosfera protetora ou controlada no interior do forno. Dr. que significa constituintes que sofreram tratamento térmico. pode levar ao aparecimento de elevadas tensões internas. 33 . tratamentos isotérmicos. a temperatura de recristalização do material.

34 . 4. o resfriamento rápido impede esta transformação fazendo a distorção da rede cristalina. a temperatura de 800 ºC esta estrutura é transformado em cúbica de face centrada onde nas faces da estrutura cristalina o átomo de carbono é dissolvido. A figura acima esquematiza um ciclo de aquecimento de um aço carbono ABNT 1030 com uma taxa constante de aquecimento. pode-se conseguir a estrutura inicial cúbica de corpo centrado. para aquecimento de ligas como o aço. e diferentes taxas de resfriamento representado pelas linhas 3. a estrutura cúbica de face centrada deveria se transformar na estrutura cúbica de corpo centrado. Cláudio R. Em um resfriamento lento. representado pela linha 1. de indução e fornos que produzem aquecimento por chama que pode ser direta ou indireta. permitindo a ocupação do carbono no centro do cubo. Losekann Direitos autorais reservados 800 2 Manutenção 5 4 Resfriamento lento Temperatura ( oC) 600 Aqu ecim ento Resfriamento intermediário 400 1 3 Resfriamento rápido 200 0 0 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. são: fornos de resistência elétrica. O ferro contido no aço. Os fornos mais comuns.30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos O aquecimento em uma liga metálica depende muito da inércia do forno ou do meio de aquecimento. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tem a estrutura cristalina cúbica de corpo centrado e. 5. representada pela linha 3. a baixa temperatura. a manutenção da temperatura representada pela linha 2. que depende por sua vez. entretanto. Com resfriamento rápido. da massa metálica que se deseja aquecer.

o resfriamento rápido como o mostrado na figura acima poderá ocorrer em toda a massa metálica. conforme a linha 3. mas no seu interior. Esta transformação se completa a 790 ºC. corresponde ao intervalo de temperatura de 727 ºC a 790 ºC. Um resfriamento muito rápido em uma peça como uma agulha para um aço carbono comum pode produzir tensões internas que produz micro-fissuras na peça. a matriz da perlita (Fe α) tem estrutura CCC e vai se transformando em CFC (Fe γ) .5 2. Cláudio R.5% de carbono apresenta os constituintes perlita e ferrita. isto é.31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em temperaturas acima de 727 ºC a perlita começa a se transformar em austenita.austenita. ou na parte central da peça. a composição química até 1% de carbono e. A escolha do tipo de tratamento térmico depende da natureza do material e de sua composição química. faz-se aquecimento em temperaturas em torno de 800 ºC. conforme as linhas 4 ou 5.0 0.0 %C Dependendo da espessura da peça.0 600 0. pode-se tirar o intervalo de temperatura considerado como zona crítica.77%1. por isto. como o e de uma agulha. em geral. Dr.5 0. Em peças com espessuras maiores poderá ocorrer na superfície o resfriamento rápido. o aço com 0. constituintes como perlita e ferrita. a zona crítica para este aço. O correto é verificar no diagrama de equilíbrio qual a temperatura limite superior da zona crítica adicionando-se mais ou menos 50 ºC em virtude de imprecisões de registros de temperaturas em alguns fornos. TEMPERATURA ( 35 . Tendo-se o aço carbono ABNT 1050 como exemplo e verificando no diagrama de equilíbrio do Fe-C. acima de 727 ºC os grãos perlíticos se transformam em grãos austeníticos. o intervalo de temperatura que começa ocorrer a transformação de grãos perlíticos e grãos ferríticos em grãos austeníticos. muitos tratamentos térmicos que precisam da transformação da austenita. Isto produziria a formação do constituinte martensita na superfície com dureza muito elevada e no interior. Os aços comerciais têm. um resfriamento lento. Figura 2. A mesma analogia pode ser feita para os demais aços. Portanto. por exemplo. além da aplicação que se deseja da peça. não apresentando zona crítica ou o intervalo de temperatura é muito pequeno. produzindo uma fratura total após o tratamento térmico. Losekann Direitos autorais reservados 1600 Liquidu s o Líquido C) 1400 Líquido + austenita 1200 2. e as lamelas de cementita (Fe3C) começa a se diluir na estrutura cúbica de face centrada. ou seja. com exceção para o aço eutetóide ABNT 1080 que. Até 727 ºC. Ao mesmo tempo ocorre com os grãos ferríticos.11% 1000 912 Austenita Acm A3 Feα +Feγ A1 727 C o Feγ o 800 790 C Feα +Feγ A1 1.

definem o intervalo da zona crítica. onde o material é geralmente aquecido a uma temperatura acima da zona crítica (zona de austenização). diminuir a dureza. seguido de resfriamento lento. As tensões internas começam a ser aliviadas quando o aço atinge a temperatura ambiente. ferrita e cementita.32 – Ciclo do recozimento. podem-se fazer tratamentos de alívio de tensões que são: recozimento. O fim destas transformações vai depender da composição de carbono que o aço apresenta que. a região da superfície do aço pode se resfriar com velocidade diferente da região central. os grãos deformados não têm a mesma resistência e as mesmas propriedades mecânicas dos grãos normais. rupturas ou corrosão. A partir da temperatura de 727 ºC estes constituintes vão se transformando em austenita. essa diferença dá origem a grãos com formas também diferentes entre si.1. porém. esse processo leva um tempo relativamente longo. os aços-carbonos apresentam os constituintes perlita. desligando o forno e mantendo-se Tempo as peças no seu interior. Losekann Direitos autorais reservados Resumindo. Para isto. normalização e revenimento. Tanto na laminação quanto no forjamento. conforme a figura 2.30. conforme as curvas A2 ou Acm. 2. Figura 2. Estas tensões podem decorrer também de outros fatores como os que ocorrem nos processos de conformação mecânica. Temperatura O tempo de permanência na temperatura de austenização depende da quantidade de material e da sua massa. forjamento e estampagem. Esse tratamento aplica-se a todas as ligas Fe-C e a um grande número de ligas não-ferrosas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os grãos são comprimidos uns contra os outros e apresentam aparência de grãos amassados (encruados). Como foi visto em capítulo anterior. Dr. que pode provocar tensões internas na estrutura do aço. O recozimento mais comum é o chamado de total ou pleno. Cláudio R. melhorar a ductilidade.1 . Durante o processo de solidificação do aço na sua fabricação. para aquele tipo de aço.6. 36 . podendo dar margem a empenamentos. linha 5. Na laminação. ajustar o tamanho dos grãos e eliminar defeitos de quaisquer naturezas provocados por processos mecânicos ou térmicos que o material tenha sido Zona crítica anteriormente submetido.Recozimento Seus objetivos principais são remover tensões devidas aos processos de fundição e conformação mecânicas a quente ou a frio. na temperatura ambiente ou a 500 ºC. O tempo necessário para ocorrer transformação completa depende também da composição de carbono presente no aço. como exemplos têm-se os processos de laminação.

A esferoidização é um tipo de recozimento aplicável em aços de médio a alto teor de carbono.Revenimento Aplicado nos aços temperados. esse processo. 2. imediatamente após a têmpera. o aquecimento é levado a efeito a uma temperatura em torno da linha inferior da zona crítica.3 . Aplica-se. o o Temperatura ( C) o 0 Aqu ecim ento 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. O revenimento melhora a ductilidade. a temperaturas inferiores a da temperatura crítica. A têmpera e o revenido 0 estão sempre associados. com o objetivo de melhorar sua usinabilidade. Cláudio R.6. Nesse processo existe uma atmosfera protetora que elimina o efeito do encruamento e protege a superfície contra a oxidação. 500 ºC e 600 ºC. 37 . Dr.2 . 2.1. principalmente nos aços. reduz os valores de dureza e resistência AÇO 1060 . figura 2.Normalização Tem os mesmos objetivos do recozimento e se faz também com aquecimento até a zona de austenização.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.AÇO 1090 a tração. fora do forno. Nesse processo.34 – Ciclos de tratamentos. e diminui ou 2 Manutenção mesmo elimina as 800 765 C tensões internas. portanto mais rápido que o recozimento o resultando uma estrutura mais fina do que a produzida no recozimento.1.33 – Ciclo da esferoidização. Temperatura Zona crítica Tempo Figura 2. Losekann Direitos autorais reservados Há também o recozimento em caixa que é aplicado principalmente no aço.6. As temperaturas mais usuais do revenimento são 400 ºC. A diferença do processo é que o resfriamento na normalização é ao ar. e conseqüentemente propriedades mecânicas ligeiramente superiores.34. Zonacrítica 727 C Dependendo da 5 Recozimento 600 temperatura em que 4 Normalização o revenido é processado pode-se 1 3 Têmpera 400 obter nos aços melhores condições 200 de usinabilidade.

mas a quantidade de carbono deve ser suficiente para produzir a martensita. da resistência do desgaste e da resistência a tração. Para o aço-carbono. sob os pontos de vista prático e econômico. geralmente. guias de máquinas operatrizes. Losekann Direitos autorais reservados 2. Vários são os motivos que determinam a preferência do endurecimento superficial em relação ao endurecimento total como: • Dificuldade. dissolvidos na austenita . que assim adquirirá as propriedades e os característicos típicos da estatura martensítica. não tem cinética química para se alojar nas estruturas CCC da ferrita e da estrutura complexa da cementita. de tratar-se de peças de grandes dimensões nos fornos de tratamento térmico convencional. sofrem uma apreciável diminuição na ductilidade. figura 2. Em geral.34. ou óleos especiais (óleo para têmpera) emulsionáveis em água produzidos por fabricantes de óleo. dando tensão ao material e aumentando sua dureza. A temperatura cai de 850 °C para 20 °C se for a temperatura ambiente. a temperatura varia de 750 °C a 900 °C. A têmpera superficial consiste em produzir uma têmpera localizada apenas na superfície das peças de aço. Desse modo.3%.O endurecimento superficial dos aços.4 . A peça permanece nessa temperatura o tempo necessário para se transformar em austenita. objetivase apenas a criação de uma superfície dura e de grande resistência ao desgaste e à abrasão. Esse problema pode ser corrigido posteriormente pelo revenimento. mais conveniente que seu endurecimento total pela têmpera normal. 38 . As condições de aquecimento são idênticas as que ocorrem no recozimento e na normalização. No resfriamento rápido em água. As peças temperadas possuem consideráveis aumento de sua dureza. utilizam-se aços com teores de carbono acima de 0.6. Dentes de engrenagem.1. os átomos de carbonos. Trata-se de um resfriamento brusco que produz a martensita. nessas aplicações. grandes cilindros. Dr. engate de veículos. A forma do resfriamento é o que distingue esse tipo de tratamento. porém. Os resfriamentos menos bruscos são os realizados em óleo queimado. etc. em poucos segundos. os átomos produzem considerável deformação no retículo da ferrita. Neste tipo. a peça é retirada do forno e mergulhada apenas em água. que não se desgasta nem se deforma rapidamente. dentes de grandes engrenagens. O tratamento consiste em aquecer o aço em um forno com temperatura acima da zona crítica e resfriar rapidamente. Têmpera superficial . • Possibilidade de endurecer apenas as áreas críticas de determinadas peças. A têmpera é um dos tratamentos térmicos destinados à obtenção de dureza nos aços.estrutura CFC. Cláudio R. visto que.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. é. pois varia com a composição de carbono presente.Têmpera Em muitos aços é necessário conferir dureza na superfície ou parte dela ou mesmo em toda a peça. como exemplo. partes do amortecedor do carro e as brocas devem ser fabricadas com aço endurecido para suportarem esforços a que são submetidos. em grande número de aplicações de peças de máquinas. Uma têmpera feita corretamente possibilita vida longa à ferramenta.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.900 °C 0. se desejável. Boa capacidade para resistir cargas de contato. podem resultar tensões residuais de compressão de pequeno valor nessa camada endurecida. de fato.900 °C 0. as dimensões destas e. após o aquecimento. Possibilidade de controlar o processo. no caso de se adotar endurecimento superficial por indução e bem menor. evitando-se o endurecimento total.45% água 870 . de modo a produzir. no caso de endurecimento por chama. as propriedades resultantes da têmpera superficial são: Superfícies de alta dureza e resistência ao desgaste. sob a camada endurecida. Diminuição dos riscos de aparecimento de fissuras originadas no resfriamento.975 °C 0. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • Possibilidade de melhorar a precisão dimensional de peças planas. Dr. conforme mostro quadro abaixo: Teor de carbono Temperaturas Meio de recomendáveis resfriamento 0. de modo a ter-se melhora significativa na resistência à fadiga. As temperaturas. Por outro lado.40% água 870 .60% água 850 . Possibilidade de se utilizar aços mais econômicos. grandes ou delgadas. Resistência satisfatória ao empenamento. em lugar de aços-liga. Exemplos: hastes de êmbolos de cilindros hidráulicos. deve-se lembrar que se a camada endurecida corresponder a uma fração significativa da espessura da peça. inclusive o equipamento disponível.900 °C 0. tendo em vista as resistências ao desgaste e á fadiga desejadas. Investimento de capital médio. como aços-carbono. variações em profundidades de endurecimento ou de dureza. como exemplo. profundidades maiores desnecessárias podem provocar o empenamento ou fissura de têmpera ou desenvolver tensões residuais excessivamente altas. os meios de resfriamento recomendados e as durezas resultantes para aços-carbonos são os seguintes. Boa resistência à fadiga por dobramento. em seções diferentes das peças. • Levar em conta que a espessura da camada endurecida depende de cada caso específico.50% água 870 .35% água 900 . Cláudio R. a carga de serviço das peças.875 °C Dureza 50 HRC 52 HRC 55 HRC 58 HRC 60 HRC 64 HRC 39 .975 °C 0.30% água 900 . • • • • Algumas recomendações são necessárias para a obtenção de melhores resultados como: • Procurar obter camadas endurecidas pouco profundas.

que não apresenta zona crítica e o produto da transformação da austenita em velocidade relativamente lenta é a perlita que ocorre a 727 ºC. fácil de instalar e manter e menos perigosa que os outros meios. tempo extremamente curto para obter a martensita exclusivamente. ou o meio refrigerante é jorrado sobre a secção aquecida. na qual se faz em zonas muito pequenas e precisamente localizadas. Bf e Mf é a curva de fim de transformação respectivamente para perlita (Pf). A curva representa pelas letras Pi. A figura que segue mostra esquematicamente um diagrama TTT de um aço eutetóide. a temperatura em graus centígrados. Losekann Direitos autorais reservados Os aços-liga e os aços de usinagem fácil. 40 . ar comprimido e polímeros líquidos. Dr. são endurecidos por indução. lembrando que estes podem ser os constituintes do aço eutetóide. A duração do aquecimento é muito curta. entretanto o custo operacional destes métodos é muito elevado. Quando os elementos de liga provocam a formação de carbonetos (cromo. O cuidado que se deve ter aqui. bainita inferior e martensita. Normalmente. vanádio ou tungstênio). bainita (Bi) e martensita (Mi) e a curva representa pelas letras Pf. O meio de resfriamento usual na têmpera superficial é a água.1. Pode-se ver que o diagrama apresenta constituintes diferentes como: perlita grossa. Há também métodos mais modernos de aquecimento como a de utilização de feixes de laser e de elétrons. A linha acima das curvas é a linha limite inferior da zona crítica de temperatura 727 ºC. 2. bainita (Bf) e martensita (Mf). estes diagramas tornam-se imprescindíveis. perlita fina. Cláudio R. com o teor de carbono acima. Estes outros são salmoura. Bi e Mi é a curva de início de transformação respectivamente para perlita (Pi). os aços correspondentes devem ser aquecidos a temperaturas 50 a 100°C acima das indicadas. tempo e transformação). para a compreensão dos tratamentos térmicos denominados isotérmicos. bainita superior.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. para produzir uma nítida fronteira entre a secção endurecida e o resto da secção.6. a peça é imersa no meio refrigerante. pois. molibdênio. Os processos mais comuns de têmpera superficial são: têmpera por chama (com maçaricos de oxiacetileno ou GLP) e têmpera por indução. óleo. no caso de se adotar o processo de têmpera superficial. A abcissa do gráfico mostra o tempo em segundos em escala logarítmica e a ordenada. O diagrama mostra que é possível obter diferentes tipos de constituintes em função do tipo de resfriamento que se queira dar. que na abcissa o fator 100 significa 1 segundo. geralmente poucos segundos.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação A partir deste ponto é necessário introduzir as curvas denominadas de TTT (temperatura.

curva com letra A e têmpera à água. C. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 B 600 D C A ustenita A Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 E 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Mi Bi Bf Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos. Em ambos os casos partese da temperatura de 800 ºC. normalização e têmpera ao óleo e à água. Cláudio R. representados pelas curvas com letras A. o início da transformação da austenita em perlita ocorre a temperatura de 624 ºC em 300 segundos (5 minutos) e o fim da transformação 41 . B.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados 800 727 oC 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi 600 Temperatura ( oC) Pf 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Bi Bf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. No recozimento. Tomando-se como exemplos os tratamentos térmicos de recozimento. Dr. A seta na extremidade das curvas indica a “direção” do resfriamento. D e E respectivamente.35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide. A figura que segue mostra os tratamentos térmicos de recozimento.

bainita inferior.2 segundos. no centro da peça. Cláudio R. considerando apenas resfriamento lento. isto é. Mais duro na superfície e menos duro no centro. Considerando estas duas análises de resfriamento do aço pode-se concluir que. De qualquer forma. com diâmetro relativamente grande. bainita superior. produzindo perlitas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hiper-eutetóides variam ligeiramente em relação ao aço eutetóide em função dos constituientes ferrita e cementita. 42 . perlita fina e perlita grossa da superfície ao centro e conseqüentemente diferentes durezas.3 segundos e o fim da transformação ocorre a temperatura de 100 ºC em 3. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 A ie erfíc Sup A ustenita Pi Ce ntr o 600 Temperatura ( oC) Pf Perlita grossa HRC 5 a 25 500 400 300 200 100 0 10-1 E A ustenita Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. mergulhando esta suposta peça na água resfriada e observando a secção transversal no microscópio. O aço hipo-eutetóide apresenta ferrita e perlita e o aço hiper-eutetóide apresenta perlita e cementita. poderá se encontrar vários tratamentos térmicos na sua massa partindo de um único tratamento térmico – a têmpera à água. se for considerado um eixo. dependendo da espessura da peça. Na têmpera à água. o início da transformação da austenita em martensita ocorre a temperatura de 200 ºC em 2.37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça. poderá se encontrar todos os constituintes descritos na figura 2. As figuras abaixo mostram estes casos. poderão ocorrer os dois resfriamentos ao mesmo tempo. Losekann Direitos autorais reservados ocorre a temperatura de 563 ºC em 1500 segundos (25 minutos). um resfriamento mais lento. A figura abaixo representa esta situação. Na superfície um resfriamento muito rápido produzindo a martensita e. o aço eutetóide apresenta como constituinte primário a perlita unicamente quando resfriado lentamente.36 como martensita. Dr. Conforme foi visto anteriormente.

38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide. 43 . 1000 900 800 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 727 oC A ustenita Cementita Perlita grossa Temperatura ( oC) Pi 600 500 400 300 200 100 0 10-1 Mi Mf 10 0 Pf Perlita fina A ustenita + Ferrita + Cementita + Martensita 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Losekann Direitos autorais reservados 800 700 600 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi Perlita grossa A ustenita + Ferrita + Cementita Mi Mf Martensita Pf Perlita fina Fi A ustenita + Ferrita + 727 oC Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide. Dr.

retardando o início 400 e o fim da transformação da Mi 300 perlita e também que a temperatura. em virtude da linha Mf ficar localizada abaixo dessa temperatura.3 0. como por exemplo. O aço ABNT 4340 é altamente temperável. A figura abaixo mostra 0 estas condições.40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono. Losekann Direitos autorais reservados Observando-se os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hipereutetóides verifica-se ainda que o aumento da concentração de 500 carbono desloca a curva em C para a direita.4 0. os elementos de liga deslocam a curva para a direita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em certos casos como em aços cementados com alto teor de carbono níquel ou cromo em teores variáveis. Isto pode produzir algumas conseqüências como a transformação destas em lugares muito frio. Além do carbono. Dr.9 1. tem-se à temperatura ambiente uma certa quantidade de austenita residual ou “austenita retida”. tanto para o início 200 quanto para o fim da Mf 100 transformação da martensita é diminuída.1 Temperatura ( oC) Concentração de carbono (%) Figura 2. os elementos de liga no aço também podem influenciar a posição das curvas.8 0. visto que as curvas em C encontram-se 44 .7 0. Diagrama TTT (aço ABNT 4340) 800 727 oC 700 A+ F 600 F +C A ustenita Temperatura ( oC) 500 400 A ustenita 300 200 100 0 10-1 Mi Mf Martensita Bi Bf 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Nessas condições. retardando as transformações.0 1. Com exceção do cobalto. não se ter formação completa da martensita à temperatura ambiente pelo resfriamento comum em água.1 0. equipamentos que para trabalhos em regiões do círculo polar.6 0.41 – Diagrama TTT para o aço 4340. Cláudio R. Outros fatores podem modificar a posição das linhas de início e de fim de transformação dos diagramas TTT.5 0. -100 0.2 0.

O processo caracteriza-se pela formação de uma microestrutura metalográfica constituída por bainita e apresenta.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ou seja. Losekann Direitos autorais reservados posterior a 10 segundos. A figura acima mostra esta situação. A austêmpera pode produzir 3 tipos de bainita que são: bainita inferior. Dr. conforme a figura 2. por exemplo. Cláudio R. aliando uma boa dureza como o exigem. basicamente as seguintes etapas. • Resfriar bruscamente em banho de sal fundido ou em óleo quente até a temperatura de formação da bainita. O tamanho do grão da austenita e sua homogeneidade são outros dois fatores que afetam a posição das curvas de transformação.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos São os tratamentos de austêmpera e martêmpera. bainita superior e bainita isenta de carbono ou ferrita acicular. segue o diagrama TTT. molas de qualquer natureza. • Resfriar até a temperatura ambiente (posição 3).42: • Aquecer até a temperatura de austenitização (posição 1).1. 2. • Manter a temperatura pelo tempo necessário até a completa transformação da austenita em bainita (transformação isotérmica).6. temperaturas entre 250 ºC a 400 ºC (posição 2).42 – Austêmpera. Austêmpera A austêmpera é um processo de tratamento isotérmico dos aços. 45 . cujo objetivo é a obtenção de peças com alta tenacidade e resistência à fadiga. Para ficar mais claro o tratamento por austêmpera. Esse tratamento pode proporcionar melhores resultados do que a combinação de têmpera. seguido de revenimento. Diagrama TTT (transformação da bainita inferior) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 3 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.

temperadas e revenidas. a ferrita acicular ou bainita isenta de carbono é sempre acompanhada por uma “esponja” de austenita retida e uma leve segregação de carbonetos.2 estricção (%) 9. através de todo o comprimento dos grãos e partem.590 limite de escoamento (MPa) 1. Observada num microscópio eletrônico. às vezes. 830 ºC . normalmente.060 46 . dando origem à formação de Fe3C à medida que a transformação bainítica progride. As propriedades das peças austemperadas poderão ser melhores compreendidas quando comparadas àquelas obtidas por peças do mesmo aço..5 36.. percebe-se que a ferrita da bainita superior apresenta maior densidade de discordâncias do que aquela apresentada pela ferrita contida na perlita. As agulhas são longas... enquanto que a característica principal da bainita superior é a presença de placas longas de ferrita. por meio de microscopia óptica. A título de exemplo.530 1.400 1. Diferenciar a microestrutura metalográfica da bainita superior daquela da perlita fina. é praticamente impossível. de aço ABNT 5160. se alinham com ângulos de 50º a 60º em relação ao eixo das agulhas de bainita. Cláudio R. Na bainita superior a microestrutura metalográfica é similar à da perlita. toma-se um corpo de prova ∅ 10 x 100mm. apresentar imagens bastante variadas em função da maior ou menor presença de carbono e elementos de liga no aço. Dr... PROPRIEDADES TR AT limite de resistência (MPa) 1. Típica da bainita inferior é a distribuição ordenada de “bastonetes” de carbonetos que.0 resistência ao impacto (J/cm2) 38 a 43 72 a 76 resistência à fadiga (ciclos) 8. Provavelmente estes carbonetos são inicialmente segregados como carbonetos. paralelas a carbonetos alongados que somente são visíveis através de microscopia eletrônica.8 8. estendem-se. Os resultados dos ensaios mecânicos realizados encontram-se descritos no quadro abaixo. A principal diferença entre ambas está na presença de carbonetos... submetido aos seguintes tratamentos térmicos : TR ____ têmpera + 830 ºC óleo 460 ºC revenido....UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Por microscopia eletrônica.. ainda.. 320ºC ar AT ____ austêmpera.150 17.. porém apresenta menor regularidade geométrica do que esta e pode.210 alongamento (%) 4. Propriedades mecânicas de um aço para molas submetidos aos tratamentos térmicos TR e AT. Losekann Direitos autorais reservados A bainita inferior possui grande semelhança com a martensita. cuja forma e distribuição depende muito do teor de carbono do aço.. dos contornos dos grãos originais de austenita.

o que não pode ser desprezado ao dimensionar-se qualquer elemento de máquina. As excelentes propriedades de resistência à fadiga por flexões alternadas e tenacidade. por exemplo. quanto a dureza alcançada pela austêmpera são inferiores àquelas possíveis de serem obtidas pelo tratamento de têmpera e revenido. ou muito antes. a austêmpera apresenta vantagens significativas. as peças austemperadas alcançam valores significativamente maiores de alongamento. no campo. obtidas pela austêmpera.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. permite que se alcance a dureza desejada. 47 . A austêmpera aplica-se com sucesso a todos os tipos de molas. o limite de escoamento das peças austemperadas é consideravelmente menor que o alcançado pelas peças temperadas e revenidas. estricção e resistência ao impacto. Pequenas variações no teor de cromo. Losekann Direitos autorais reservados Analisando-se estes dados percebe-se que. variações geométricas abruptas. entalhes. mesmo apresentando um limite de resistência superior ao das peças temperadas e revenidas. a austêmpera tem suas limitações. Evidentemente. pois requerem alta resistência à fadiga e. Já. Se a dureza final desejada estiver abaixo daquela obtida após a austêmpera. ocorrerão alterações indesejadas na microestrutura metalográfica que. o mesmo raciocínio é válido para peças que sejam resfriadas muito depois. determinarão uma queda significativa da tenacidade e da resistência à fadiga das peças. Dr. Por esta razão. furações. entre 280 ºC e 350 ºC. mesmo que as peças apresentem regiões com grandes concentrações de tensões como. A temperatura de transformação isotérmica precisa ser cuidadosamente mantida. Tanto a profundidade endurecida. os aços-carbono utilizados para a austêmpera devem conter um teor de carbono mínimo de 0. Evidentemente. do tempo correto para a transformação isotérmica. Cláudio R.5% e. podem aumentar ou diminuir significativamente o tempo necessário à transformação isotérmica. pás de pedreiros. Peças que necessitem de elevada resistência à tração e tenacidade como. limitam-se ao intervalo de durezas entre 40 e 50 HRC. fechos de cintos de segurança. por exemplo. normalmente. aços ligados com Cr e/ou Mo que. deve-se retratar o lote pois. Quanto à resistência à fadiga por flexões alternadas. por exemplo. a têmpera e o revenimento proporcionarão melhores resultados. suas durezas encontram-se na faixa de 40 a 50HRC. após a têmpera devam ser revenidos entre 350 ºC e 500 ºC. Uma aplicação vantajosa da austêmpera é aplicá-la a aços que apresentem tendência à fragilidade de revenido. A formação da bainita. Para peças maiores é aconselhável escolherem-se aços com teores de manganês e cromo mais elevados. evitando-se o intervalo crítico de fragilização. A austêmpera requer rígido controle da qualidade do aço e dos parâmetros (tempos e temperatura) do tratamento térmico. etc. Quando a dureza necessária for inferior a 40 HRC. ou seja. as peças tratadas não devem ser mais espessas do que 3mm. caso seja realizado um simples revenimento.

Genericamente. pode-se afirmar que elementos de máquinas sujeitos a esforços de fadiga. etc. onde a vida útil é um fator decisivo e a geometria favorece a concentração de tensões localizadas podem ser submetidas ao tratamento de austêmpera. Na primeira.ºC) entre 20ºC e 300 1. apesar de oferecer praticamente os mesmos valores de resistência à tração (e. portanto. constituídos por uma mistura de nitretos e nitritos alcalinos. Mantém-se a peça nessa temperatura por certo tempo. e depois é resfriada em duas etapas.43 200ºC 256 400 1. com temperatura um pouco acima da linha Mi (posição 2). sendo equipados com sistemas de aquecimento elétrico. apresenta menor limite de escoamento.18 350ºC 310 400 1. Antes. A transformação isotérmica necessária à obtenção de uma microestrutura metalográfica bainítica é normalmente realizada em leitos fluidizados ou em banhos de sais fundidos. conforme mostra a figura 2. A segunda etapa é a do resfriamento final. Quase sempre é possível compensar-se esta diferença através da seleção de uma dureza mais alta para as peças austemperadas. A martêmpera proporciona as mesmas propriedades que a têmpera e o revenido. pois a microestrutura bainítica. em função do volume de produção. a peça é mergulhada num banho de sal fundido ou óleo quente. podem ser austemperadas com sucesso. 160 250 280 550 550 550 Densidade (g/cm2) 1. A peça é aquecida acima da zona crítica para se obter a austenita (posição 1). deve-se realizar alguns ensaios mecânicos. elos para determinadas correntes de transporte de ração animal.8 1. alavancas para máquinas de escrever.47 400ºC 293 Calor Médio AS 140 AS 220 AS 235 140 220 235 Os fornos que contém estes banhos de sais podem ser estacionários ou contínuos. trocadores de calor. de tomar-se a decisão de substituir um tratamento térmico de têmpera e revenido por austêmpera. tendo-se o cuidado de não cortar a primeira curva (posição 3). ao ar.8 1. Máx. recirculadores e a automação necessária à manutenção de uma temperatura constante para a transformação isotérmica.43. Após a martêmpera é necessário submeter a peça a revenimento. Tipo Sal de Temperatura de Fusão (ºC) Temperatura de Trabalho (ºC) Min. Cláudio R.8 Específico Calor Latente de Fusão ( J/g) a ºC (J/g. Características físicas dos sais Durferrit. Dr. porém as tensões resultantes do processo são mais facilmente eliminadas. Losekann Direitos autorais reservados componentes de fechaduras.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A martensita obtida apresenta-se uniforme e homogênea. O 48 . porém. de dureza) que a microestrutura martensítica. em temperatura ambiente (posição 4). diminuindo riscos de trincas. Martêmpera A martêmpera é um tipo de tratamento indicado para aços-liga porque reduz o risco de empenamento das peças.

os tratamentos térmicos que produzem modificações nos constituintes primários das ligas ferrosas (aços e ferros fundidos) sem alterar a composição química. cromagem. Em virtude disto.2 .6. Quando se trata de pintura. mas sim. O meio corrosivo pode ser o próprio ambiente em que se encontra o metal como o solo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. pode-se generalizar tratamento superficial os tratamentos que objetivam melhorar o aspecto do material utilizado. Alguns destes revestimentos podem ser feitos à frio ou à quente. 2.TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES Na secção anterior foram abordados. aconselhamento. característica dos tratamentos térmicos. além da pintura. Pode-se definir por corrosão como a destruição dos metais devido as suas reações químicas eletroquímicas em um meio corrosivo. denominados também de metalização como a galvanização (zincagem). optou-se em classificar os tratamentos térmico-químicos ou termoquímicos como tratamento de superfície. existem os processos de revestimentos metálicos. Isto leva dúvida se os tratamentos térmicoquímicos devem situar-se na secção de tratamentos térmicos ou. exclusivamente. nitretação. produzem modificações parciais em sua composição química para melhorar as propriedades de suas superfícies. cianitretação. não há dúvida qualquer que é um tratamento de superfície de revestimento. ferroxidação e outros que. Cláudio R. Entretanto há o tratamento térmico-químico que pode ser produzido nas superfícies destas ligas como cementação. por sua vez. Losekann Direitos autorais reservados processo é ilustrado no diagrama seguinte. Diagrama TTT (transformação da martensita) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf 3 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Martensita HRC 65 a 70 100 4 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. a água que pode conter sais 49 . estanhagem. mas.43 – Martêmpera. protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca como a corrosão e também aumentar a resistência ao desgaste elevando a dureza da superfície. Em virtude da explanação feita acima. Dr. se devem se situar na secção de tratamentos de superfície. deposição de ouro e etc. não podendo ser regra. o qual pode apresentar características ácidas ou básicas.

2. etc. No caso de substâncias orgânicas. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. associado a um jato de solvente. entre eles. ou limpeza a jato (mais eficiente). Em virtude da complexidade deste tema. politrizes. que será responsável pela profundidade até a qual esta alteração se efetuará. recobrir o metal com substâncias orgânicas como óleo de peroba. associado à imersão a quente ou vapor ou. ao mesmo tempo em que se mantém dúctil e tenaz o núcleo do material. sobre 50 . tartáricos. Antes de se efetuar os tratamentos classificados acima. por exemplo. O objetivo principal destes tratamentos é aumentar a dureza e a resistência ao desgaste superficial. óleo mineral ou através de substâncias inorgânicas como fosfatos. etc. dependendo do caso. Uma das formas de combater a corrosão consiste em evitar o contato do metal com o meio corrosivo. Essa possibilidade de se aliar uma superfície dura com um núcleo mais mole e tenaz é de grande importância em inúmeras aplicações. Cláudio R. hidróxidos. serão classificados os tratamentos superficiais em dois tipos de tratamentos: tratamentos para aumentar a resistência ao desgaste ou tratamentos termo-químicos e tratamentos de proteção contra à corrosão ou tratamentos de revestimentos. oxálicos. deve-se limpar e preparar adequadamente a superfície. Losekann Direitos autorais reservados minerais. lembrando que as aplicações destes podem ser mútuos.Tratamentos termo-químicos Na indústria é utilizada uma multiplicidade de tratamentos termo-químicos que se diferenciam pelos elementos que se difundem. De maneira geral os processos termo-químicos consistem em submeter as peças ao calor em um meio apropriado. que remove a casca de óxidos. fluoretos. • Ação mecânica: atividade abrasiva por meio de lixas. etc. de nitrogênio e cromo são mais eficientes para o aumento da resistência ao desgaste. nitratos. raspadeiras. cítricos. • Solubilização: uso de solventes. aplicados pelos processos de desengraxamento por vapor. pelo tipo e composição do meio externo. Para isso. como alcalinos pesados ou médios (depende de seu PH). os fosfatos.1 . sendo estes dois fatores . lixadeiras. pelas técnicas de execução e outras características.. que utilizam ácidos orgânicos como acéticos.6. pode-se utilizar as seguintes técnicas: • Detergência: uso de reativos químicos. sulfetos. líquido/vapor. pelos processos químicos.2. de mamona. eventualmente ácidos ou básicos e o ar que contém umidade e sais em suspensão. carbonatos. hidróxidos e os silicatos. • Ação química: decapagem ácida. Os mais comuns são sais sódicos. enquanto que a proteção oferecida por substâncias inorgânica durabilidade maior. cera de carnaúba. os responsáveis pela alteração da composição química superficial. cera de abelha. Em relação ao aumento da dureza na superfície os tratamentos térmicoquímicos que promovem uma modificação parcial na composição química do metal como aumento do teor de carbono. ou a decapagem alcalina. a proteção geralmente tem durabilidade baixa. além do fator tempo de processo.

pelo emprego de aços com elementos de liga. Cláudio R. G. 51 . como os fornecedores dos elementos dos átomos que enriquecem as camadas superficiais das peças. o cromo vaporiza e seus átomos ingressam na peça. O meio gasoso e a fase gasosa ativa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e crometação por difusão no cromo pulverizado com o método de saturação da fase vaporizada. Losekann Direitos autorais reservados tudo porque. nos processos industriais. Baseando-se nas características físico-químicas da fase ativa que fornece o elemento difusor. na cementação os átomos de carbono do carburante sólido (carvão vegetal) que difundem no aço formam-se do óxido de carbono. 2CO → C + CO2 . saturação da fase gasosa e saturação da fase líquida. que se formam com o aquecimento da peça no meio sólido. saturação da fase vaporizada. No tratamento termo-químico em meio líquido. nem sempre coincide com a essência físico-química do processo de tratamento. líquido e gasoso. é aquecido rapidamente até a temperatura desejada. formam-se como resultado de reações químicas no sal fundido (por exemplo. Por exemplo. dispersão 2CO → C + CO2 . é necessário apenas para a formação da fase gasosa. diretamente pelos locais de seus contatos com a superfície da peça. N. Este processo é pouco efetivo e pouco utilizado. a cementação do aço no carburante sólido deve se relacionar com o método de saturação da fase gasosa. Dubinin propôs os seguintes métodos de classificação dos tratamentos termo-químicos: saturação da fase sólida. Dr. Os exemplos citados mostram que a classificação dos métodos de tratamento termo-químicos pelo estado de agregação do meio no qual a peça é introduzida. principalmente da fase gasosa. Os átomos do elemento difusor ingressam da substância sólida. resultando num material capaz de suportar em alto grau certos tipos de tensões. Geralmente o meio sólido é utilizado para produzir um gás ativo ou fase gasosa. diferenciam-se os tratamentos termo-químicos em meio sólido. servem. De acordo com essa classificação. No tratamento termo-químico em meio gasoso. troca CrCl 2 + Fe → Cr + FeCl 2 ou reconstituição VCl 2 + H 2 → V + 2 HCl . o elemento difusor forma-se como resultado das reações de dissociação CH 4 → C + 2 H 2 . Para o tratamento termo-químico é mais conveniente o meio gasoso puro: sua composição é fácil de controlar. permite mecanizar e automatizar completamente o processo e realizar imediatamente a têmpera (sem repetição de aquecimento). da qual os átomos ingressam na peça. quando a peça é empacotada no pó de cromo ou liga ferro-cromo. e não nos locais de contato direto do pó com a superfície da peça. pode-se conseguir núcleo de elevada resistência e tenacidade. os átomos do elemento difusor na peça. com superfície extremamente dura. Dependendo do estado de agregação do meio externo no qual se introduz a peça que esta sendo tratada. no NaCN durante a cianetação). Outro exemplo é a crometação por difusão no meio “sólido”. Com o aquecimento.

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Pela característica da variação da composição química da peça tratada todas as variedades de tratamentos termo-químicos podem ser divididas em três grupos: saturação com não-metais por difusão, saturação com metais por difusão e remoção dos elementos por difusão. Estes grupos incluem os diversos processos industriais de tratamento termo-químico como pode ser visto no quadro abaixo. Variedades de tratamento termo-químico. Saturação com não-metais por Saturação com metais por Remoção de difusão difusão elementos por difusão Carbonetação(cementação) Aluminetação Desidrogenação Nitretação Crometação por difusão Desoxidação Cianetação Cromocalorização Descarbonetaçã o Nitrocementação Galvanização por difusão Remoção de conjunto de impurezas Boretação Cupretação por difusão Silicietação Titanetação Sulfetação Beliretação Sulfocianetação Vanadetação Saturação de oxigênio* Oxigenação interna * * Saturação de oxigênio é superficial, e oxigenação interna é a saturação de todo o volume da peça com oxigênio com o objetivo de formação de óxidos dispersos. A superfície do aço, saturada em carbono e nitrogênio, ou simultaneamente com estes dois elementos, é o processo de tratamento termo-químico mais amplamente usado. O carbono e o nitrogênio se solubilizam intersticialmente no ferro, e por isso podem difundir rapidamente a uma profundidade significativa. Os meios ativos contendo estes elementos são baratos, e as fases que se formam com a participação do carbono e do nitrogênio no processo de saturação, ou com posterior tratamento térmico, modificam bruscamente as propriedades mecânicas e físico-químicas do aço.

Nitretação
A nitretação é um processo de endurecimento superficial em que se introduz superficialmente no aço, até uma certa profundidade, nitrogênio, sob a ação de um meio nitrogenoso, a uma determinada temperatura. A nitretação é realizada com os seguintes objetivos: - Obtenção de elevada dureza superficial. - Aumento da resistência ao desgaste e escoriação. - Baixo coeficiente de atrito. - Aumento da resistência à fadiga. - Melhora da resistência à corrosão e à oxidação.

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Algumas características do processo são: - A temperatura de tratamento é inferior à crítica (500 ºC a 570 ºC), o que leva a menores distorções dimensionais e empenamentos nas peças. - Não há necessidade de qualquer tratamento térmico posterior a nitretação. - Não modifica as características mecânicas do núcleo obtidas por têmpera e revenido, desde que este último tenha sido executado a uma temperatura em torno de 30 ºC acima da temperatura de nitretação. - Como as temperaturas são relativamente baixas não há aumento significativo do tamanho de grão. O entendimento do processo requer um adequado conhecimento do sistema ferro-nitrogênio e por isto há necessidade de analisar o diagrama de equilíbrio Fe-N, em termos de identificação das diferentes fases.

900 800 700 Fe4N

γ α
0,1% 650 oC 2,8% 4,5% 2,35% 490 oC 590 oC

650 oC

Fe2N

Temperatura ( oC)

600 500 400 300 200 100

ε

α + γ' γ' γ' + ε ζ

5,7%

6,2%

8,25%

11,1%

11,35%

0

0

2

4

6

8

10

12

14

16

Concentração de nitrogênio (%)
Figura 2.44 - Diagrama de equilíbrio Fe-N.

A fase α é constituída de uma solução sólida de nitrogênio no ferro com um limite máximo de solubilidade próxima de 0,1%. A fase γ é constituída de uma solução de nitrogênio no ferro γ e tem estrutura CFC da austenita, figura 2.45. É estável acima de 590 ºC e pode conter até um máximo de cerca de 3 % de nitrogênio. A fase γ’ é constituída de (composto não estequiométrico, Fe4N composição teórica 5,7% a 6,2% de nitrogênio) de reticulado CFC; estável até 680 ºC. O eutetóide α - γ’ ocorre à temperatura de 590 ºC.
Figura 2.45 – Célula unitária da fase γ’.

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A fase ε (Fe2-3N) tem estrutura hexagonal compacta, 2.46, e pode conter uma quantidade de nitrogênio bastante variável. Quando o nitrogênio alcança a concentração de 11,1% a 11,35% se transforma na fase ξ (Fe2-3N). A nitretação acima de 590 ºC forma camadas duras, mas extremamente frágeis, sendo que o processo acima desta temperatura tem aplicação industrial restrita. Isto se deve a formação do constituinte eutetóide denominado braunita com 2,35% de nitrogênio, sendo Fe α + Fe4N. A nitretação abaixo de 590 ºC forma microconstituintes muito finos, dispersos e difíceis de se observar ao microscópio ótico. Resumindo, a formação da camada de nitretos de ferro durante a nitretação, nas temperaturas usadas industrialmente, em função do aumento do teor de nitrogênio na peça será:
Figura 2.46 – Célula unitária da fase ε.

- Até o valor de 0,1% de N, a temperatura de 590 ºC, limite de solubilidade do N no ferro, tem-se a fase α; - Acima de 0,1% começa a se formar a fase γ’ em contornos de grãos e ao longo de certos planos cristalográficos, até o valor de 6,2% de nitrogênio; - Para teores acima de 6,2 % a fase γ’ começa a se transformar na fase ε; - Entre 11,1 e 11,35% forma-se a fase ξ, mas que só é estável abaixo de 450 ºC, portanto raramente é observada. Os aços utilizados para nitretação podem conter elementos de liga como Al, Ti, Cr, Mo e V. O alumínio e o titânio promovem a maior dureza da camada nitretada, seguidos pelo Cr, Mo e V. O aumento de dureza conferido por estes elementos é devido à formação de seus respectivos nitretos (AlN, TiN, CrN, MoN e VN) em planos preferenciais da ferrita {0,0,1}. A profundidade da camada nitretada decresce com o aumento dos teores dos elementos de liga. O Al e o Ti, que possuem a maior influência na dureza, também tem o maior efeito na redução da na espessura da camada nitretada, quando seus teores são elevados. Esses elementos de liga, principalmente Al, Ti e o Cr, possuem alta afinidade química com o nitrogênio, e quando estão presentes em teores elevados, reduzem o teor de nitrogênio livre para a zona de difusão, através da formação da camada branca. O carbono é um elemento comum nos aços, e sendo intersticial como o nitrogênio, possui uma forte influência na formação da fase ε e γ’. Na presença de carbono, a fase ε é na realidade um carbonitreto de composição variável entre o Fe3(CN) e o Fe2(CN). Um outro fenômeno importante durante a nitretação, é a transformação de carbonetos em nitretos. Isto pode ser entendido considerandose as energias de Gibbs para carbonetos e nitretos. Para o cromo, por exemplo, o ∆Gº do Cr2N é menor do que o ∆Gº do Cr7C3. É de se esperar, portanto, que 54

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durante o processo de nitretação os carbonetos de cromo se desestabilizem para formar nitretos de cromo, e o carbono livre se difunde para o lado de menor potencial químico, formando CrFe3C nos contornos de grão da ferrita e não Fe3C isento de cromo, indicando que o potencial químico do CrFe3C é mais baixo do que o da cementita, Fe3C. Assim, pode-se se esperar que o carbono dificulte a difusão do nitrogênio para a zona de difusão. Como os aços empregados para a nitretação são temperados e revenidos entre 550 ºC e 650 ºC, ocorre a precipitação e crescimento de carbonetos, preferencialmente em contornos de grão durante o revenimento. Como a difusão do nitrogênio é muito mais rápida pelos contornos de grão, estes precipitados dificultam a difusão deste. Por outro lado a temperatura de revenimento deve ser acima da temperatura de nitretação para minimizar erros dimensionais que possam vir a ocorrer devido à precipitação de carbonetos durante a nitretação. Os aços especiais para a nitretação, além de teores relativamente elevados de carbono, contêm, como já vimos, alumínio, cromo, molibdênio e ainda o níquel. Os teores usuais destes elementos nos aços para nitretação são os seguintes: - Carbono: 0,30 a 0,45% - confere ao aço não só temperabilidade como também suporte adequado à camada nitretada extremamente dura e muito fina; - Alumínio: 0,85 a 1,20% e Cromo: 0,90 a 1,80% - são elementos que formam nitretos de elevada dureza; - Molibdênio: 0,15 a 0,45% - diminui a fragilidade de revenido que pode ocorrer durante a nitretação, em função das temperaturas usadas; - Níquel: normalmente ausente, é adicionado em teores de 3,25 a 3,75%, quando de deseja um núcleo de dureza mais elevada. Os aços para nitretação, contendo como elementos de ligas fundamentais como cromo e o alumínio são conhecidos como Nitralloy, sendo que apresentam, após a nitretação, a camada superficial mais dura e o núcleo de resistência mecânica mais adequada. Além destes aços especialmente desenvolvidos para a nitretação, outros tipos de aços podem ser submetidos à nitretação, desde aços comuns ao carbono, aços com altos teores de elementos de liga, como os aços para matrizes e inoxidáveis. O resultado obtido em um determinado tipo de aço, em termos das características específicas da camada de nitretos formada, vai depender ainda do processo de nitretação utilizado, sendo normalmente, um deles o mais apropriado para uma determinada classe de aços. A nitretação pode ser realizada por três processos: nitretação a gás, nitretação líquida ou em banho de sal e nitretação por plasma ou iônica, sendo este último, objeto de estudo nos últimos 10 anos em virtude de ser menos poluente, por formar camada nitretada com espessura e composição bem definida e por obter ótimos resultados com menor custo. Nitretação a gás - Este é o processo clássico, consistindo em submeter as peças a serem nitretadas à ação de um meio gasoso contendo nitrogênio, geralmente amônia (NH3), a uma temperatura determinada, entre 500 e 570 ºC. Neste processo a difusão do nitrogênio é muito lenta, de modo que a operação é muito demorada, durando às vezes até 90 horas. Geralmente o tempo varia de 48 a 72 horas. Mesmo com tempos mais longos a espessura da camada nitretada é inferior à da camada cementada, dificilmente ultrapassando 0,8 mm. 55

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Industrialmente, requer-se aços ligados para a nitretação gasosa, com elementos de liga formadores de nitreto. De modo geral, não se nitreta aços comuns por este processo, pois em princípio, não há vantagem em se nitretar aços comuns (baixo carbono), pois o nitreto de ferro que se forma, apesar de ser duro, é muito frágil.

0,9 0,8

Profundidade nitretada (mm)

0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 -0,1 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Tempo (horas)
Figura 2.47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada.

Nitretação líquida - Trata-se de um processo de nitretação que permite, em tempos muito mais curtos que a nitretação gasosas, obter superfícies muito resistentes ao desgaste, sem tendência ao engripamento, de alto limite de fadiga e elevada resistência à corrosão atmosférica. Além disso, ao contrário da nitretação a gás que exige aços especiais para a obtenção de melhores resultados, a nitretação líquida pode ser realizada em aços comuns, de baixo carbono, como o ABNT 1045. A faixa de temperatura é aproximadamente a mesma que é utilizada na nitretação a gás, 500 a 575 ºC. O meio líquido utilizado é cianeto fundido, como na cementação líquida, no entanto a nitretação adiciona muito mais nitrogênio que carbono à superfície das peças. Um banho comercial típico para nitretação líquida é constituído de uma mistura de sais de sódio e potássio, os primeiros de 60 a 70% em peso da mistura total e os segundos de 30 a 40%. Os sais de sódio consistem de: - 96,5% NaCN (cianeto de sódio); - 2,5% Na2CO3 (carbonato de sódio); - 0,5% NaCNO (cianato de sódio). 56

0% KCN (cianeto de potássio).2 0. W.96.4 A ços ligas 0.7 1045 0.0 0 2 4 6 8 10 Tempo (horas) Figura 2.6% K2CO3 (carbonato de potássio). Al. A figura que segue mostra a profundidade de nitretação para alguns aços submetidos à nitretação líquida a 570 ºC. liberando carbono e nitrogênio. forma segregações aciculares de Fe4N.6 0. sendo o cianato o principal responsável pela nitretação. . .9 0. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução. V ou outros elementos formadores de nitretos especiais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Al.5% KCl (cloreto de potássio) A relação entre cianeto e cianato é crítica. entretanto nestas temperaturas o nitrogênio se difunde mais que o carbono. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns.1 0. para garantir alto limite de fadiga.0. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. Losekann Direitos autorais reservados Os sais de potássio consistem de: . resultando nitretos em maior quantidade que carbonetos na camada branca (ou faixa de compostos) que pode atingir deste 5 a 15 mm. Dr. portanto. conforme o tempo de operação. . atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. Cláudio R. W. submetidos ao processo líquido.5 0. que não interferem na dureza.48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços.3 0. ocorre um considerável aumento de dureza.75% KCNO (cianato de potássio).0. V ou outros elementos formadores de 57 . elevando seu limite de escoamento e. que não interferem na dureza. seu limite de fadiga.8 1015 Profundidade nitretada (mm) 0. nos aços ligados com Cr. Nas temperaturas de nitretação o cianato decompõese. que pode variar de 1 a 3 horas.0. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. 0. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns. forma segregações aciculares de Fe4N. nos aços ligados com Cr.

Quando estas espécies colidem com a superfície do substrato (cátodo). para garantir alto limite de fadiga. produz um efeito físico. seu limite de fadiga.A aplicação de uma tensão contínua entre dois eletrodos. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. dependendo da relação entre tensão e corrente. no estado fundamental ou excitado. que tem um pronunciado efeito sobre a cinética de nucleação e crescimento do filme depositado. Quando o número de colisões atinge um valor suficientemente alto. a temperatura da peça é igual a temperatura do gás. Esta queda de tensão provoca uma aceleração dos íons N+ a partir da região luminescente em direção ao cátodo. que depende da reatividade do gás utilizado. Losekann Direitos autorais reservados nitretos especiais. tendo em vista que o livre caminho médio diminui com a pressão. promovendo um tratamento uniforme em toda a peça. portanto. com o substrato. O bombardeamento de uma superfície por íons.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Nestas condições de equilíbrio o aquecimento da peça é provocado igualmente pelas colisões de moléculas e íons e. Na região da bainha ocorre então. permite a obtenção de um gás ionizado. atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. Neste ambiente são monitoradas as variáveis do processo como pressão do gás. independente do gás utilizado. 58 . a uma tensão elétrica entre dois pólos. portanto. o importante é a queda de tensão catódica. estabelecendo-se um equilíbrio térmico na bainha catódica. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução. e temperatura. além de um efeito químico. O cátodo é totalmente envolvido pelo plasma. O número de colisões é diretamente proporcional a pressão de N2 no reator. moléculas ou átomos. As peças ficam presas ao cátodo. o que não acontece em outros regimes de descarga. O tratamento consiste basicamente em submeter uma mistura de gases (N2 ou N2 + CH4) em uma câmara hermeticamente fechada. com transferência de carga e energia cinética. colisões entre os íons acelerados e moléculas. Na nitretação por plasma. elevando seu limite de escoamento e. já que a peça a ser nitretada é o cátodo. Dr. Cláudio R. os regimes de descarga. negativo (cátodo) e positivo (ânodo). O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga.O íon incidente pode ser implantado na rede cristalina do substrato: Implantação iônica.49 – Esquema do reator iônico. O plasma é composto de elétrons. também chamado de plasma. Nitretação iônica . Figura 2. íons e partículas neutras. conforme mostra o esquema abaixo. as energias dos íons e moléculas se tornam iguais. podem ocorrer os seguintes eventos: . ocorre um considerável aumento de dureza. mantidos em uma atmosfera gasosa.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. portanto. podem surgir. formando nitretos estáveis como Fe2-3N ou Fe4N. formando espécies que reagem como substrato. Em função dos vários modelos. As diferentes fases de nitretos que se formarão dependerão das condições adotadas. As vantagens da nitretação por plasma. excitação e ionização.0 mm para tempos longos. na forma atômica ou molecular. Devido a diferença de potencial e à baixa pressão no reator. As colisões de elétrons com moléculas do gás podem provocar dissociação. aumentando sua densidade de defeitos. N2*. podem ser resumidas citando-se os seguintes aspectos: . e se dissocia. contribuindo para a manutenção da descarga.Reações químicas entre o gás da descarga e o material do substrato.Permite nitretar apenas as áreas desejadas em uma mesma peça. o que o torna mais econômico.Rearranjos de ordem microestrutural no interior do material. a mistura gasosa se ioniza e os íons formados são acelerados contra as peças e as colisões promovendo seu aquecimento. Dr. em uma atmosfera de N 2 + H 2 em baixa pressão (4 Torr). As peças a serem nitretadas são colocadas no cátodo. como. Em termos práticos a nitretação por plasma consiste em aplicar-se uma diferença de potencial de 500 a 1000 VDC entre dois eletrodos. N*. uma melhoria na eficiência do processo. sendo de grande importância para os aços sinterizados. . frente aos outros processos de nitretação. ainda. além das espécies correspondentes ao hidrogênio. Os mecanismos de nitretação por plasma propostos são vários. o que permite reduzir-se o tempo e a temperatura do processo. espécies do tipo Ni + Hj.Emissão de elétrons secundários. formando o composto FeN que se deposita por retro-difusão na superfície da peça. ocupando posições intersticiais ou pelos contornos de grãos. As principais espécies reativas em um plasma de N2 são: N. os quais são acelerados na bainha catódica pelo campo elétrico. além de propiciar uma ionização maior e. Cláudio R.Reflexão do íon a partir da superfície e posterior neutralização. 59 . combinam-se com o ferro e elementos de liga presentes na peça promovendo a formação da camada nitretada.Possui uma maior taxa de crescimento de camadas. formadas no plasma. e no caso de um plasma N2 + H2. . A vantagem de usar hidrogênio na mistura é função de seu potencial redutor. N+ e N2+ . O modelo de mecanismo de nitretação sugerido por Kobel e Edenhoffer propõe que os átomos de ferro são arrancados da superfície por bombardeamento iônico e combinam com o nitrogênio atômico no plasma. Este composto é instável entre 350 e 600 ºC. . é admitido atualmente. vazios. .Ejeção de átomos do substrato (sputtering). é a formação de espécies reativas de nitrogênio. no estado excitado e também NHj ou NHj+ em misturas N 2 + H 2 com energia potencial suficiente para a formação de nitretos de ferro. Losekann Direitos autorais reservados . que o fato mais importante na nitretação por plasma. As diversas espécies reativas de nitrogênio (com potencial nitretante). A espessura da camada branca varia de 5 a 25 µm e a de difusão pode se aproximar de 1. liberando nitrogênio atômico que se difunde no reticulado cristalino do ferro. por exemplo. . Este processo pode ser aplicado em todos os tipos de aços.

1% a 1. os óleos etc. Losekann Direitos autorais reservados . Espessura da camada (mm) Dependendo das condições e solicitações de trabalho da peça. depois.000 oC 2.5 o também de aços ligas) 800 C que contém de 0.0 mm ou mais. a peça é levada ao forno a uma temperatura em torno de 930 ºC. como querosene. saturada de carbono. e em meio gasoso. durante o tempo necessário para obtenção da camada desejada. Tempo (horas) Figura 2. O meio em que é efetuado a cementação chama-se carburizador. por não produzir resíduos tóxicos. que é produto da decomposição do petróleo. Em meio líquido faz-se por meio de sais fundidos. A camada superficial. líquido ou gasoso.0 0. O tempo de permanência no forno pode variar de um a trinta horas. Dr. mantendo ao mesmo tempo o núcleo dúctil. o gasogênio. Cementação Em parágrafos anteriores foram citadas várias vezes a cementação. . a profundidade da camada cementada pode variar de 0. submete-se a peça à têmpera para obter a dureza desejada. No meio sólido normalmente utiliza-se carvão vegetal ou coque com adições especiais de carbono de bário. A cementação está baseada nas propriedades do ferro que. chama-se camada cementada.0 baixo teor de carbono o 850 C (algumas vezes 1.5% de carbonato de sódio e o restante de carvão vegetal.5 São cementadas as peças de aço com 2.A composição do carburizador contém geralmente a seguinte composição: 20 a 25% em peso de carbonato de bário.5 até 5. O processo de cementação pode ser efetuado em um meio sólido. Cláudio R. 60 . de 3.Apresenta ótima repetibilidade de resultados. quando o ferro apresenta-se com estrutura CFC.2% de carbono e que são submetidas 0.50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono.5 simultaneamente durante ao trabalho ao 0. A finalidade da cementação é elevar a dureza e a tenacidade da peça para depois sofrer a têmpera.É um processo não poluente. É um dos tratamentos térmico-químicos realizados com freqüência. em altas temperaturas de 800 ºC a 950 ºC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0 desgaste e as cargas 0 2 4 6 8 dinâmicas. 1.5 mm até 2. Cementação sólida . .Permite escolher o tipo de fase da camada nitretada pela adequada escolha dos parâmetros operacionais. Posteriormente. absorve o carbono em processo de saturação a camada superficial dos aços de baixo carbono.

aços com baixa e alta liga. Ferroxidação As propriedades físicas de peças ferrosas sinterizadas podem ser melhoradas por um processo econômico e versátil que vem sendo usado desde 1950 e. por exemplo. 150 µm a 200 µm em 12 horas.2 mm em 40 a 50 minutos. Atualmente é muito empregado a cementação rápida com gases. e seu controle necessita ser rigoroso. através dos quais passam os gases. em 4 horas de tratamento apresenta uma camada de boreto de ferro. Após a boretação os aços são normalmente temperados e revenidos. A cementação líquida é empregada em aços com baixos teores de carbono. o elemento boro.Aumento da resistência à corrosão.A cementação gasosa é efetuada em uma atmosfera de gases que contém carbono. O carboneto fornece o metal para a boretação. Dr. A vantagem da cementação em sais é o aquecimento uniforme da peça. Este processo transcorre à temperatura de 870 a 900 ºC durante 0. ferro fundido comum e nodular. que pode ser visto como uma operação secundária na indústria de peças sinterizadas: o tratamento a vapor (steam treatment.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Para evitar deformações. O meio difusor é sólido formado de um granulado de carboneto de boro B4C e de um ativador.5 a 2 horas. 61 . as peças devem ser préaquecidas até 500 ºC antes de entrar para o banho de cementação. Losekann Direitos autorais reservados Cementação líquida . O tempo depende da espessura de camada desejada. Cláudio R.Neste processo. as peças são introduzidas em câmaras especiais. steam blackning). efetua-se a cementação mergulhando a peça em sais fundidos de cianeto ou carbonatos que contém carbono em suspensão em 5 a 10%. .Aumento da dureza e densidade das peças.050 ºC (sendo 900 ºC a mais usada). ou ainda aços especiais de níquel ou de níquel cromo. .Aumento da resistência à compressão. Na cementação gasosa.000 kgf/cm2. Os principais benefícios trazidos por este processo são: . Cementação gasosa . também chamado de ferroxidação. produção contínua. em que a camada cementada de 1mm de profundidade se obtém em 45 minutos aproximadamente. menor tempo e possibilidade de têmpera imediatamente após o banho.700 a 2. por difusão. Podem ser boretados os aços carbono. A temperatura de tratamento varia entre 800 e 1. Fe2B com 100 µm em 8 horas. fluoreto duplo de boro e potássio. Boretação Por este processo introduz-se na superfície de aço. A espessura da camada cementada é da ordem de 0. steam oxidation. um aço ABNT 1045. formando boreto de ferro com uma dureza Vickers de 1. e a temperatura nas câmaras é mantida entre os limites de 900 ºC a 950 ºC. enquanto o ativador facilita e acelera a formação da camada superficial dura e de grande uniformidade.

os quais são projetados para serem relativamente estanques. mas sempre abaixo do ponto critico de oxidação ao ar e descoloração. . . Cláudio R. ou seja. A ferroxidação é geralmente realizada em fornos verticais com convecção forçada. vai crescendo em 62 . Então. o óxido é cinzento).Da ductilidade. a carga é removida do forno ou é resfriada sob vapor até temperaturas abaixo de 427 ºC. O processo de ferroxidação é utilizado para criar uma camada de magnetita. A melhoria das propriedades das peças sinterizadas com a aplicação do processo de ferroxidação é conseguida com baixo investimento de capital. A carga é então mantida a esta temperatura de 0.Obtenção de um excelente acabamento superficial com a redução da rugosidade inicial.Selamento da porosidade interligada. FeO. Quando a purga do forno for completada. Losekann Direitos autorais reservados .Da resistência ao impacto. A camada óxida obtida desta forma é muito aderente e menos propensa a defeitos. Uma ventoinha interna é usada para forçar o vapor a circular. para evitar a condensação do vapor sobre as peças. Fe3O4. O fluxo de vapor é então introduzido na câmara do forno com alta taxa (4. assegurando a exposição uniforme de todas as peças à temperatura e atmosfera de tratamento. Um óxido intermediário. Dr. uma camada de óxido de ferro se forma nas paredes da rede de poros comunicantes. dando estanqueidade à peça.0 g/cm3 ).5 a 4 horas. do que óxidos formados ao ar. pois os equipamentos não são caros. como desvantagens da ferroxidação podem-se citar o decréscimo: . para depois removê-la e introduzir nova carga. como trincas e bolhas. por um tempo de 15 a 30 minutos até que todas as peças atinjam esta temperatura. o custo por peça ferroxidada é baixo. a wustita. Como nestas peças existe uma rede de poros comunicantes.Do limite de resistência à tração. Normalmente é usada a temperatura de 315 ºC para o primeiro estágio. além disso. bem como sobre a superfície externa da peça.5 a 163 kg/h. é estável somente acima de 570 ºC. Fe3O4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Após o tempo necessário. na superfície e na rede de poros comunicantes de peças ferrosas sinterizadas. um fluxo de gás pode passar através de toda sua seção. Acima do ponto de ebulição da água (100 ºC) e abaixo de 570 ºC a reação do vapor d’água com o ferro para formar o Fe3O4 é: 3Fe + 4 H 2 O (gás) ⇔ Fe3 O2 + 4 H 2 (gás) Inicialmente a carga do forno deve ser aquecida acima de 100 ºC. ou pelo menos até que o centro da carga do forno atinja a temperatura mínima de 100 ºC. dependendo das condições de tratamento. 427 ºC. dependendo do tamanho do forno) para purgar o ar. De maneira geral. dependendo da quantidade de óxido que se deseja.4 – 7. Durante a ferroxidação uma camada de óxido. . O processo é aplicado principalmente em peças sinterizadas de baixa e média densidade (5. o fluxo de vapor é reduzido à metade e a temperatura é aumentada para valores entre 430 e 600 ºC (no limite inferior o óxido produzido tem a cor preta azulada e no superior. quando se faz passar um fluxo de vapor de água superaquecido pelas mesmas.

E razoável assumir que a reatividade do vapor. decresceria com a distância abaixo da superfície externa. Na prática consiste em introduzir um gás carbonetante na atmosfera de nitretação. Tem a função de criar pressão positiva para impedir a entrada de oxigênio e diluir gases ativos (hidrocarbonetos e amônia) de modo a facilitar o controle do processo. ou seja. confirma tal pressuposto. promovendo sua nitretação. A camada produzida tem espessura entre 0. para esta faixa de espessura de camada.Amônia (NH3). Torna a atmosfera carbonetante. dentro dos poros. mais impurezas: O2. Quando todos os poros estão fechados o vapor não tem mais acesso ao interior do corpo sinterizado e.7 mm. na faixa de 2 a 8%.07 a 0. Losekann Direitos autorais reservados todas as superfícies expostas. apresenta um custo menor que a cementação. a taxa de formação de óxidos diminui por causa do fechamento dos poros. na proporção de 77 a 89% em volume. seriam fechados mais rapidamente. na proporção de 9 a 15%. sendo menor que as obtidas na cementação. nas paredes da rede interligada de poros e na superfície externa da peça. Na sua dissociação forma nitrogênio nascente na superfície do aço. Portanto os poros próximos à superfície. Com o prosseguimento do tempo. O objetivo principal da carbonitretação é conferir ao aço uma camada dura e resistente ao desgaste. São eles: a) Carbonitretação ou cianetação a gás .Esta variação do processo de nitretação a gás consiste em submeter as peças a uma temperatura em torno de 580 ºC (abaixo da crítica) em uma atmosfera com nitrogênio e carbono. Cláudio R. A dependência do ganho em peso e da densidade final da peça. a continuidade do processo de ferroxidação produziria muito pouca mudança na porosidade final da peça.Gás endotérmico (N2. e após o fechamento da superfície.Gás natural. 63 . Dr. a partir deste momento. Os constituintes da atmosfera utilizada na carbonitretação são: . no entanto possui melhor temperabilidade e é mais resistente ao amolecimento durante o revenimento. H2 e CO. até um dado tamanho. com relação ao tempo de ferroxidação. b) Nitrocarbonetação a gás de ciclo curto – DEGANIT . . propana ou butana.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. além disso. em função da diminuição da proporção H2O/H2 e que a taxa de crescimento da camada óxida seria um tanto maior próximo à superfície.Este processo consiste em submeter o aço a uma temperatura geralmente acima da crítica em uma atmosfera gasosa capaz de fornecer tanto carbono como nitrogênio que difundem simultaneamente para superfície da peça. . A taxa de crescimento da camada superficial decresce porque a camada de óxido dificulta a difusão do Fe e O atômicos. H2O e CO2). Industrialmente o processo é uma cementação a gás modificada pela injeção de amônia na atmosfera carbonetante. Processos variantes São tratamentos térmico-químicos similares aos de nitreção e cementação quanto ao meio. só a oxidação superficial progride.

além do carbono e nitrogênio no meio difusor. gás endotérmico ou outro qualquer que forneça CO e nitrogênio. c) Sulfocarbonitretação gasosa . submetendo as peças a uma temperatura entre 550 e 575 ºC. A camada branca contém enxofre. A camada branca resultante é da ordem de 10 a 20 µm e constitui-se carbonitretos de ferro e carbonetos e nitretos dos elementos de liga presentes no material.O processo consiste em introduzir enxofre. ferros fundidos ou materiais sinterizados e em muitos casos é uma alternativa a outros tratamentos. para resfriamentos lentos.3 mm que aumenta e resistência à fadiga. d) Cianetação ou carbonitretação líquida . A camada de difusão apresenta nitrogênio em solução sólida no ferro alfa. além dos cianetos e cianatos. onde as peças são submetidas a temperaturas entre 550 e 570 ºC seguido de resfriamento ao ar. por um tempo em torno de 2 horas. Os objetivos e resultados são praticamente idênticos aos da sulcarbonitretação gasosa.1 a 0. f) Sulfocarbononitretação líquida – SURSULF . A camada de difusão apresenta valores da ordem de 0. à corrosão e ao engripamento. O tempo de tratamento varia de 0. e o caráter oxidante para o TENOX é obtido por insuflamento de ar ao banho. Os sais são compostos de cianetos e cianatos alcalinos que fornecem o nitrogênio e o carbono ao meio. produzindo camadas de 0. Dr. cementação e cromo duro. diferenciando-se pelo fator do banho conter sais de lítio e compostos de enxofre. ou água. porém com maior economia.Consiste em submeter as peças a uma temperatura acima da crítica. Este processo produz camadas brancas de 10 a 30 µm de espessura altamente resistente ao desgaste por atrito.É um processo similar ao processo TENIFER. sulfeto de ferro e carbonitretos. mantendo as outras propriedades equivalentes.5 a 1 hora. A têmpera posterior produz uma camada superficial dura e de elevada resistência ao desgaste. A denominação TENOX é uma variante deste processo. quando o resfriamento é rápido.O TENIFER realizado em banhos de sais fundidos. O processo é aplicado em aços.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados A atmosfera é constituída de amônia dissociada. Cláudio R. com resultados equivalentes ou superiores. num banho adequado de sal cianeto fundido. além de uma camada de difusão de até 0. Possui a vantagem de conferir aos aços tratados (comuns e de baixo teor de elementos de liga) melhores características de resistência ao engripamento. contendo mais nitrogênio e menos carbono que as camadas cementadas e) Nitrocarbonetação em banho de sal . de 760 a 870 ºC.TENIFER/TENOX .3 mm e é constituída por nitretos de ferro e dos elementos de liga. ocorrendo difusão simultânea de carbono e nitrogênio.3 mm. O tempo de tratamento é normalmente de 1 a 3 horas e o resfriamento das peças é feito sob atmosfera de nitrogênio até a temperatura ambiente. onde o resfriamento é realizado em um banho de sal oxidante seguido de polimento e nova oxidação em banho de sal. 64 . e agulhas de nitretos. como.

cromo. pois promove espessuras finas. Uma conhecida 65 . camadas aderentes de zinco. a principal vantagem do revestimento é seu aspecto não-tóxico. um revestimento galvanizado apresenta uma estrutura de componentes químicos complexa. No caso da estanhagem. Losekann Direitos autorais reservados g) Cementação por plasma (“Ioncarburizing”) . metano (CH4). e a operação é efetuada por laminação a quente ou a frio. É um processo utilizado basicamente para peças sujeitas à corrosão atmosférica. através do elemento de liga. Desse modo. cobre. Através dessa técnica. A peça a ser revestida funciona como cátodo numa célula eletrolítica. uniformes e isentas de poros. b) Imersão à quente: nessa técnica as peças a serem protegidas são imersas num banho de metal protetor fundido. um banho de óleo de coco (ou sebo quente). a temperatura. prata e ouro. Conforme for o grau de acabamento.6. pode-se citar os seguintes processos de tratamentos superficiais com revestimento metálico em metais: a) Cladização: consiste em colocar o metal. difusão e subseqüente resfriamento. sendo que a última. No caso da galvanização.Tratamentos de revestimentos Revestimentos metálicos Dentre outros. após a dupla estanhagem. a estanhagem e o banho em chumbo. formam-se. etc. cádmio. O metal mais comum utilizado nessa técnica é o alumínio. sendo esse tempo normalmente próximo a 2 minutos. permitindo seu uso na aparelhagem de armazenamento e manuseio de alimentos.2. pode-se obter materiais em que são combinados à resistência mecânica. ainda quente.2 . A eficiência depende de uma série de fatores.Este processo é uma variação da nitretação por plasma. estanho. entre camadas de um outro metal de maior resistência à corrosão. 2. entre eles a composição química do eletrólito. numa faixa de temperatura entre 840 e 1. recebe. dependendo da atividade química. c) Eletrodeposição: é o processo de revestimento metálico mais empregado. ou liga. em parte. dupla ou tripla. em peças de ferro e aço. com a resistência à corrosão (através do alumínio). A figura seguinte mostra o processo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. densidade da corrente do cátodo. no lugar do hidrogênio e nitrogênio. onde o eletrólito contém sal do metal protetor. Dr.050 ºC com um tempo de tratamento em torno de 2 horas. O tempo de imersão das peças determina. podendo o ânodo ser do mesmo metal a ser depositado. Nesse processo podem ser empregados como metais de deposição zinco. aquosa ou em solo. na qual a diferença consiste em utilizar-se um gás carbonetante. pode-se fazer a estanhagem simples. que varia gradualmente sua composição e suas propriedades físicas e mecânicas. níquel. Existem três processos: a galvanização. a espessura da camada galvanizada. que promove a drenagem do excesso de material e auxilia na formação de um revestimento uniforme de espessura satisfatória e isenta de defeitos. As vantagens deste processo de cementação sobre os convencionais são as mesmas obtidas com a nitretação por plasma. Cláudio R.

mas pode ser usado em ferro. aumento da adesão de tintas. embora utiliza-se o cromo duro para revestir ferramentas. melhora a aparência superficial. abrasão. cloretos. na forma de pó. que é colocado em uma célula eletrolítica.51 – Esquema da eletrodeposição. etc. e) Difusão: nesse processo. O conjunto é aquecido a altas temperaturas e então ocorre a difusão do metal protetor nas peças a serem revestidas. cobre. na forma de um filete. através de uma fonte de calor a alta temperatura. colocam-se as peças a serem protegidas no interior de tambores rotativos. que origina as folhas de flandres ou latas. Nesses tambores. como papel. com um fundente. o zinco (sherardização) e o silício (siliconização). Esse método é utilizado para proteger peças contra oxidação. Dr. de modo a desintegrá-lo em partículas que são lançadas contra a superfície da peça. matrizes e peças que necessitem boa resistência ao desgaste. vidro. Praticamente todos os metais e ligas podem servir como agente protetor e o método também pode ser usado para proteger superfícies não metálicas. conectores elétricos e aplicações que exijam alta soldabilidade. magnésio. Também são usados em componentes elétricos e eletrônicos. zinco e cádmio. é colocado uma mistura do metal protetor. ligas de níquel.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. as partículas aderem-se tenazmente à superfície metálica que se deseja proteger. Losekann Direitos autorais reservados aplicação dessa técnica é a eletrodeposição de estanho. madeira. 66 . Cláudio R. além de restaurar componentes de máquinas desgastados ou usinados erradamente. d) Metalização (sputtering): o processo se dá através do aquecimento de um metal até seu ponto de fusão. sulfúrico (ácido sulfúrico como agente ativo) e duro (ácidos sulfúrico e oxálico como agentes ativos). Com esse processo ocorre nas peças um aumento da resistência à corrosão. permite um revestimento por eletrodeposição (devido a sua porosidade). Os revestimentos comuns usados nessa técnica são: o alumínio (calorização). corrosão. Esse processo é preferencialmente aplicado em alumínio. Figura 2. Os principais tipos de anodização são: crômico (ácido crômico como agente ativo). ao atrito e à corrosão. g) Cromatização: são obtidos a partir de soluções contendo cromatos com adição de ativadores como sulfatos. etc. aço. No choque. Os processos que utilizam níquel e cromo são mais utilizados para fins decorativos. nitratos. fosfatos. confere isolamento elétrico e aumenta a resistência a abrasão. fazendo-o passar. concreto. fluoretos. erosão e impactos. As peças a serem protegidas constituem o ânodo e ocorre a conversão do alumínio em óxido de alumínio. f) Anodização: utiliza o alumínio. de titânio e de zircônio.

a fosfatização serve de base para aplicação de óleo e outros materiais que previnem contra corrosão. aumenta a resistência ao desgaste e à escoriação de peças que se movimentam em contato. facilitar o manuseio e reduzir a quantidade de vapor de água que seria introduzida nos fornos de queima. etc. produzem uma superfície que facilita a conformação a frio e servem de base para adesivos em laminados metal-plástico. que objetivam reduzir o custo das composições. onde os mais comuns são os secantes. que são pequenas partículas cristalinas insolúveis nos solventes utilizados (orgânicos ou inorgânicos). Os solventes podem ser hidrocarbonatos (aguarrás. Após a aplicação do esmalte. de modo a torná-las parte integrante da película). Revestimentos cerâmicos A esmaltação à porcelana constitui o principal processo. cuja função é formar a película (além de agregar os pigmentos e as cargas. epóxi. Os veículos podem ser não-conversíveis (mais fácil de aplicar. As cargas são compostos inorgânicos. mediante uma solução diluída de ácido fosfórico e outras substâncias químicas. carga. Geralmente é aplicado numa suspensão em água. Revestimentos poliméricos Dos revestimentos poliméricos. Pequenos objetos. Além de servirem de base para a pintura. por serem de mais fácil aplicação e de menor custo que os demais. Essa secagem se faz necessário para novas aplicações de esmalte. Consiste basicamente no tratamento de peças de ferro e aço. para melhorar a aparência superficial e conferir melhor resistência a corrosão. Os principais constituintes do esmalte são sistemas complexos vítreos ou cerâmicos. Os esmaltes são revestimentos vítreos aplicados principalmente em aço. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados h) Fosfatização: processo que objetiva um tratamento prévio da superfície para posterior pintura. Os pigmentos também são de natureza inorgânica (naturais ou sintéticos) ou orgânica. 67 . porém necessitam várias demãos) ou conversíveis (são os vernizes óleoresinosos. As tintas constituem-se basicamente dos seguintes componentes: veículo. que eventualmente substitui o pigmento. ferro fundido e alumínio. de secagem rápida. e materiais auxiliares. naftas leves e pesadas. completamente misturados e fundidos. as peças são deixadas secar antes da queima ou sinterização final. A secagem é realizada ao ar ou em estufas. acetatos. poliuretadas e silicones). as tintas constituem o principal revestimento anticorrosivo. solvente. como parafusos e porcas e peças estampadas de pequenas dimensões são revestidas em tambores rotativos contendo solução fosfatizante. que dissolve o veículo para que este possa ser aplicado em camadas mais finas. tolueno) ou sintéticos (etanol.). pigmentos. as peças maiores são colocadas em tanques. resinas alquídicas.

Isso baixou seu custo de $545. ele não se encontra naturalmente na forma de metal. entre 1. quando 2 toneladas de alumínio foram produzidas. Em 1. Há mais de 7 mil anos. ele colocou num recipiente um banho de criolita contendo alumina e passou uma corrente elétrica. Depois de formado. o professor Frank Jewett mostrou a seus estudantes de Química um pequeno pedaço de alumínio e disse a eles que quem conseguisse descobrir um modo econômico de se obter este metal ficaria rico. continuou seus experimentos. quase o mesmo valor da prata.854.825. Aprendeu como fazer óxido de alumínio – alumina.880. Vários pesquisadores participaram da descoberta do alumínio. O resultado foi uma massa que ele trabalhou com martelo. Logo depois. Dr. que tentou isolar o metal.00 o grama. 68 . reduzindo o óxido existente na alumina e obteve um alumínio com 97% de pureza. já vinha fazendo experimentos com minérios desde os 12 anos de idade. Isto só foi possível devido a invenção do dínamo elétrico. E então. os egípcios e babilônicos usavam o óxido de alumínio em cosméticos e produtos medicinais. Charles Martin Hall.869. O primeiro foi o inglês Humphrey Davy. em laboratório improvisado. Outros melhoraram seu processo até 1. Um preço razoável.808 e 1.00 para $17. Cláudio R. várias partículas de puro alumínio se formaram. Iraque. resistente à corrosão. obtendo uma liga de ferro-alumínio e sem saber direito o que havia obtido. o alumínio era um metal semiprecioso.812. Losekann Direitos autorais reservados 3 . separando-o do oxigênio.7 gf/cm3 ). bom condutor de calor e eletricidade. Em 1. Na Oberlin College de Ohio. o físico alemão Hans Christian Oersted se encarregou de produzir pequenas quantidades do metal. a coroa do rei da Dinamarca e a capa do Monumento de Washington. Afeganistão) faziam seus vasos com um tipo de argila contendo óxido de alumínio . Séculos depois.ALUMÍNIO E SUAS LIGAS 3. os ceramistas da Pérsia (atualmente alguns países como Irã. Apesar de ser o metal mais abundante na crosta terrestre.1 – INTRODUÇÃO O alumínio é um metal leve ( γ = 2. dando origem a um dos metais mais usados pela indústria na história. Um de seus estudantes. dando o nome de aluminium. sugeriu que poderia ser um óxido de um metal. tão raro quanto a prata. mas na forma de óxido (Al2O3) no minério da bauxita. possui brilho e tem um baixo ponto de fusão 658 oC. substituiu o potássio pelo sódio. em 1. através da destilação com aquecimento da mistura de potássio e óxido de alumínio. o cientista francês Henri Saint Claire Deville.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em meados de 1. tanto é que serviu para ornar a mesa da Corte Francesa.a alumina.886.

esta pronta para que dela se extraia apenas a alumina. Isso é feito através de reação química. a bauxita é transportada para a fábrica. Em equipamentos chamados de precipitadores. o que torna o processo contínuo para fabricação de lingotes ou laminados. é moída e misturada a uma solução de soda cáustica que a transforma em pasta. prensado. ocorre a reação de dissociação e o alumínio se separa do oxigênio. em uma espessura média de 4 a 5 metros. titânio e outras impurezas. A bauxita. antes de se iniciar a exploração. torneado. corantes e cremes dentais. causada pela infiltração de água em rochas alcalinas que entram em decomposição e adquirem uma nova constituição química. obtém-se a alumina hidratada.PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO O processo de produção de alumínio é composto por uma série de reações químicas. O alumínio líquido se deposita no fundo do forno que é bombeado para fornalhas onde será purificado ou receberá a adição de outros metais para formação de ligas. pode ser usada no tratamento de água e na indústria de celulose e papel. a alumina contida na solução precipita-se através do processo chamado de "cristalização por semente". refratários. As peças de alumínio podem também ser produzidas por processos de fundição. o alumínio é um material que pode ser unido por todos os processos usuais: soldagem. Losekann Direitos autorais reservados 3. Até mesmo a bauxita . lixado e polido. Esta solução. colagem e brasagem.300 oC). O calor gerado pela corrente elétrica mantém a solução em estado líquido. alguns cuidados devem ser tomados para proteger o meio ambiente. entre os seus átomos e que para separá-los é necessário a utilização de fornos eletrolíticos. Sua condutividade térmica é quatro vezes maior que a do aço. Desta forma. onde chega em seu estado natural. Os fornos são ligados a um circuito elétrico de corrente contínua. envernizado e esmaltado.000 a 1. sílica.poderá ser utilizada como abrasivos. serrado. A alumina (Al2O3) tem uma ligação muito forte. O alumínio é facilmente moldável e permite todo tipo de processo de fabricação: pode ser laminado. esta pasta se dissolve formando uma solução que passa por processos de sedimentação e filtragem que eliminam todas as impurezas. cerâmicas avançadas. e nesse processo. Ele pode ser anodizado. após a extração do minério. predominantemente iônica.2 . Cláudio R. que contém em torno de 40 a 60% de alumina e o restante de óxido de ferro.é formado por uma reação química natural. A bauxita encontra-se próxima à superfície. repuxado. furado. No momento que ocorre a passagem da corrente elétrica. Aquecida sobre pressão e recebendo nova adição de soda cáustica. o que possibilita a sua extração a céu aberto com a utilização de retroescavadeiras.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A terra fértil acumulada sobre as jazidas é removida juntamente com a vegetação e reservada para um futuro trabalho de recomposição do terreno. a matéria-prima . com impurezas que precisam ser eliminadas. A alumina é dissolvida dentro destes fornos em um banho a base de fluoretos. Depois de minerada. Porém. permitindo a adição de novas cargas de alumina. Dr.alumina . 69 . Se for seca e calcinada (1. forjado. chamada de aluminato de sódio.minério do qual se extrai a alumina e o alumínio . rebitagem. isoladores térmicos. E aí se inicia a primeira reação química da série que vai viabilizar a obtenção da alumina e do alumínio. além disso. dobrado.

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Uma das grandes utilizações do alumínio é no seu formato de pó. É produzido a partir da atomização do alumínio em estado líquido, na qual, o alumínio no estado líquido é aspirado para uma câmara onde se introduz um jato de ar pressurizado, desintegrando-o em pequenas partículas de formato semiesférico que depois é peneirado e classificado de acordo com a sua granulação que pode ser: fino, médio e grosso. As principais aplicações do pó de alumínio são:

Aluminotermia: É empregada na produção de ligas de ferro, ligas não-ferrosas e metais puros: ferro-nióbio, ferro-vanádio, ferro-molibdênio, ferro-titânio, cromo, etc... Funciona como agente de redução de óxidos e fonte de calor.

Refratários: É aplicado em tijolos e concretos para canal de corrida. O pó de alumínio reage com o oxigênio da água, gerando hidrogênio que facilita a secagem dos concretos e evita a formação de trincas. Em tijolos de magnésiacarbono, o alumínio reage com o oxigênio do aço fundido, preservando o carbono do aço, aumentando a vida útil do refratário.

Metalurgia: É utilizado na produção de briquetes, que são misturas de alumínio e outros pós metálicos, moldados em pequenos lingotes sob pressão. Endurecem, reforçam e refinam a estrutura granular das ligas de alumínio. Utilizado em solda exotérmica, a reação de pós de alumínio e óxidos metálicos fornece o calor e metal de enchimento, utilizado na soldagem de cabos, bastões, trilhos, ligas de cobre, alumínio e outros metais.

Indústria química: É utilizado na produção de derivados aluminosos quando se necessita de uma reação de alta pureza e eficiência. É aplicado em cloridróxido de alumínio, cloreto de alumínio anidro, agentes de redução, fosfeto de alumínio, hidróxido de alumínio, produção de pigmentos para de tintas automotivas e industriais, gráfica, etc.

Explosivos: O pó de alumínio é misturado a compostos explosivos, aumentando o desempenho e a potência de explosão. Alguns tipos de explosivos são NA/FO, aminometilaminas, etc.

• •

Forno auto limpante: O pó de alumínio age como elemento de suporte na formulação de esmaltes, dando o efeito de limpeza. Propelentes para mísseis e foguetes: o pó é utilizado na produção de combustíveis sólidos para mísseis e foguetes. Os compostos sólidos são formados por um oxidante forte, pó de alumínio, ligantes e aditivos especiais.

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3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
O alumínio comercialmente puro ( 99,99% ) e recozido tem uma resistência de ruptura à tração de 5 kgf/mm² (49 MPa) e peso específico de 2,7 gf/cm3 e a tensão de escoamento está em torno de 1,3 kgf/mm² (12,7 MPa). Quando laminados, extrudados ou forjados, a tensão de ruptura à tração pode alcançar a 57 kgf/mm2 (559 MPa) e a tensão de escoamento fica em torno de 50 kgf/mm² (490 MPa). As impurezas metálicas podem aumentar a sua resistência à tração em cerca de 50% sem aumentar muito o peso específico (dependente da concentração). O módulo de elasticidade longitudinal depende também da concentração de elementos de liga, mas para o alumínio comercial vale E = 7.000 kgf/mm². A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 35.000 11.900 7.000 4.550 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 19.600 14.000 7.700 - 11.900 10.500

Ferro, níquel, cobalto Molibdênio, tungstênio Cobre Alumínio Magnésio

Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro, prata Platina

9.800 10.150 4.200 25.700 56.000 10.000 1.750 29.750 10.500 7.850 18.800

Aços-carbono e aços-liga Aços inoxidáveis austeníticos Ferro Fundido Nodular Bronzes e latões Bronzes de manganês e ao silício Bronzes de alumínio Ligas de alumínio Monel Hastelloy Invar (níquel-ferro) Inconel Ilium (liga de níquel) Ligas de titânio Ligas de magnésio Ligas de estanho Ligas de chumbo

8.400 - 13.300 7.000 - 7.450 13.000 - 18.200 18.900 - 21.500 14.000 16.000 18.700 11.200 - 12.100 4.550 5.100 - 5.400 1.400 - 2.950

O alumínio comercialmente puro é pouco tenaz, mas possui excelente maleabilidade sendo possível laminar folhas de 0,005 mm de espessura. Também tem boa ductilidade com alongamento de 30 a 40%, sendo possível obter fios de 0,03 mm de diâmetro. De pequena dureza podendo ser riscado pela maior parte dos metais. Sob ação do trabalho mecânico a quente (laminação, forjamento) o alumínio se encrua. Para melhorar ou modificar as propriedades do alumínio, pode-se fazer tratamentos térmicos ou adicionar elementos químicos quando o metal está no estado líquido, fazendo-se as ligas. 71

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Propriedades físicas Massa atômica: 26,97 g Peso específico: 2,70 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 °C): CFC, a = 0,404 nm Ponto de fusão: 658 °C [931,15K] Ponto de ebulição: 2.000 °C Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 °C): 23 x 10-6/ °C [24 - 24,2.10-6/K] Resistividade: (20 °C): 2,699 µΩ.cm [2,63 - 2,692.10-8 Ω.m] Condutividade térmica: (20 °C): 0,52 cal.cm-1.s-1. °C -1 [222 - 224,2 W/m.K] Refletividade (chapa polida): 0,06 Calor específico: 900,4 - 909,4 J/kg.K Calor latente de fusão: 388 - 391,9 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 370 - 420K Em relação ao cobre, a condutividade elétrica é cerca de 62 % da do cobre e tal como diminui ligeiramente por deformação a frio e fortemente com a presença de impurezas. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,3 % Coeficiente de Poisson: 0,34 Dureza: 15 a 25 HB [147 a 245 MPa] Módulo de cisalhamento: 26,2 - 26,4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 68,9 - 69,6 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 12,7 a 30 MPa Tenacidade a ruptura: 30 - 35 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 a 50 MPa Alongamento: 30 a 40 % Estricção: > 60 % Estas características correspondem a alumínio no estado recozido. É, portanto, um metal muito maleável. Pode ser trabalhado a frio e a quente e após recristalização não apresenta maclas como o cobre. O trabalho a quente é efetuado entre 250 - 500 °C. Propriedades químicas Reage facilmente com o oxigênio. Esta propriedade se dá na superfície do alumínio e forma uma película espessa e aderente de alumina que o protege da continuação da reação para o alumínio subjacente. A adição de qualquer elemento químico prejudica esta resistência a corrosão, de tal modo que nas ligas de alumínio de alta resistência estas têm de ser revestidas por folha de alumínio puro. Forma pares galvânicos com os metais mais nobres, como o cobre e o ferro, os quais destroem a camada de alumina protetora e provocam forte corrosão. Devem por isso ser evitadas ligações metálicas entre aqueles metais e o alumínio. Resiste bem a corrosão atmosférica, soluções salinas, mas e atacado pela água pura a temperatura elevada. Também resistente a atmosferas sulfurosas ou muito úmidas. É atacado pela maior parte dos ácidos minerais, 72

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sobretudo o ácido clorídrico. O ácido nítrico e os ácidos orgânicos, com exceção do ácido fórmico, não atacam o alumínio. Os produtos mais resistentes são: os vários graus de alumínio puro, seguidos das ligas Al-Mg, Al-Mn, Al-Mg-Si, e Al-Si. As ligas que contém cobre são as menos resistentes a corrosão e, por isso, devem ser revestidas de alumínio puro e não sofrer nenhum tratamento térmico para evitar a difusão dos elementos entre as folhas da superfície e da alma. Composição química Pode obter-se por refinação eletrolítica o alumínio comercialmente puro, 99,99%. O alumínio comercial contém geralmente impurezas que atingem cerca de 0,5%, sendo o ferro e o silício as principais. Estas impurezas são vantajosas do ponto de vista de propriedades mecânicas, elevando a resistência mecânica, mas são prejudiciais a maleabilidade, a resistência corrosão, a condutividade elétrica. Se a proporção de silício ultrapassar o teor de ferro poderá ocorrer trincas a quente. Os principais graus de alumínio são: 99,99%; 99,5%e 99%. Tratamentos térmicos O único tratamento com interesse é o recozimento de homogeneização que, ao assegurar a redistribuição do ferro sob a forma de precipitado fino intragranular de FeAl3, retarda a recristalização após laminação e modifica a estrutura (evita o aparecimento da estrutura cúbica) o que tem como conseqüência uma diminuição apreciável da resistividade do metal vazado. Aplicações O seu baixo peso específico, cerca de 1/3 do peso específico do cobre, justifica o seu emprego na construção veículos motorizados e da aviação; na indústria mecânica, pistões, eletrodos, folha de alumínio, portas e esquadrias, latas, placas, embalagens, painéis, sinalizadores, placas de sinalização. A condutividade térmica e apenas ultrapassada pela prata, cobre e o ouro, e por isso, é utilizado em material de cozinha, trocadores de calor, instalações de refrigeração, pistões, etc. Mas, devido ao baixo ponto de fusão a temperatura de serviço, não deve ser superior a 200 oC. 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO O principal objetivo da adição de elementos ao alumínio é a melhorar o limite elástico, resistência à tração e dureza. Em contrapartida, propriedades como a ductilidade, condutividade térmica e resistência à corrosão diminuem. As ligas são formadas principalmente com a adição de cobre (Cu), magnésio (Mg), manganês (Mn), silício (Si) ou zinco (Zn) ao alumínio (Al). A escolha dos elementos e sua proporção, nessa adição, dependem das propriedades finais que se quer obter. A maior parte das ligas de alumínio é ainda susceptível de endurecimento por precipitação que aumenta consideravelmente o limite de elasticidade e resistência à tração e a dureza. O alumínio entra em grande número de ligas de dois ou mais componentes. As principais ligas de alumínio são: ligas de solução sólida Al-Cu; Al-Si, Al-Mg2Si, Al-Mg e Al-Mn.

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3.3.1.1 - Liga de Al-Cu O diagrama de fases da liga binária Al-Cu mostrado abaixo mostra a complexidade do conhecimento completo de ligas formadas pelo alumínio e cobre. Entretanto, ao se fabricar uma liga de alumínio AlCu e submeter essa liga a processos especiais de tratamento, esse material terá uma resistência à tração equivalente ou até maior que a de aços de baixo teor de carbono com boa usinabilidade. É indicada para peças que devem suportar temperaturas em torno de 150 oC.
Figura 3.1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu.

3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) As ligas de Al-Mg conhecidas como alumag são susceptíveis de endurecimento por precipitação ou por deformação a frio. O magnésio tem um máximo de solubilidade no alumínio a 450 oC e para o teor de 15%, valor que desce para 1,5% à temperatura ambiente. As ligas comerciais tem mais de 4% de Mg, sendo portanto bifásicas, ou seja, constituída pela fase α pela fase β, Al3Mg2, que precipita durante o resfriamento. A resistência à corrosão pode ser restaurada por reaquecimento seguido de resfriamento controlado. As ligas de Al-Mg são excelentes para a soldagem, e por serem também resistentes à corrosão, principalmente em atmosferas marinhas.
Figura 3.2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg.

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É possível também combinar elementos de liga. 3. 13% de Si. porém. estanho (Sn).composição eutética . possui elevada condutividade elétrica.1. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. com a capacidade de ser trabalhado por todos os processos de conformação e fabricação mecânicas.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. cobre (Cu) ou cromo (Cr).Liga de Al-Mn Quando se adiciona manganês (Mn) ao alumínio.e se dá com adição de 0. como por exemplo a prensagem. usinadas. telhas. refletores. níquel (Ni) etc.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas. principalmente na construção de aviões.3 . têm elevada resistência à corrosão. . a soldagem e a rebitagem. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. Losekann Direitos autorais reservados 3. São facilmente moldadas.3. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). chumbo (Pb). equipamentos químicos. Cláudio R.1% de sódio no momento de vazamento. é resistente à corrosão. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas. trocadores de calor e como elemento decorativo na construção civil. Quando o teor de silício é elevado. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem. titânio (Ti).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. Depois de passar por tratamento térmico. Figura 3. Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg).3 . com maior tenacidade. placas de carro. tais 75 .3.4 . São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. Essa liga aceita acabamento de superfície. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição. a resistência mecânica dessa liga aumenta em até 20% quando comparada ao alumínio puro. Esta liga é usada na fabricação de latas de bebidas.1.

. a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada. titânio (Ti). É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição. No caso de peças de formas complicadas. óleo ou sais fundidos.composição eutética . usinadas. São facilmente moldadas. Após este tratamento. chumbo (Pb). principalmente na construção de aviões. com maior tenacidade. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções.e se dá com adição de 0. É possível também combinar elementos de liga.1% de sódio no momento de vazamento. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio.5. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado. de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. além de pequenas porcentagens de Fe. cobre (Cu) ou cromo (Cr). a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas.3. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. estanho (Sn). fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão. Em outros casos. endurecer por revenido à temperatura ambiente. Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). o envernizamento e a esmaltação.5 a 1% de Mn e 0. Depois de passar por tratamento térmico. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. Quando o teor de silício é elevado.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente. Neste caso deve-se usar água a100 oC. Por exemplo. em geral. têm elevada resistência à corrosão.5 a 5% de Cu e 0. 13% de Si. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem.5 a 1% de Mg e 0. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa. porém. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. Dr. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. 3. Estas ligas de alumínio podem.5 a 0. Cláudio R. tais 76 . O duralumínio contém em média 2. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu.8% de Si.1. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. São usadas na construção civil. níquel (Ni) etc. após a têmpera.

Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. cobre (Cu) ou cromo (Cr). pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções. Estas ligas de alumínio podem. Por 77 . Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Figura 3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. endurecer por revenido à temperatura ambiente. chumbo (Pb). Dr. após a têmpera.5 a 5% de Cu e 0. fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão. No caso de peças de formas complicadas. óleo ou sais fundidos. níquel (Ni) etc. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. Cláudio R.5 a 0.4 . Neste caso deve-se usar água a100 oC. estanho (Sn).8% de Si. o envernizamento e a esmaltação. O duralumínio contém em média 2. São usadas na construção civil. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente.5 a 1% de Mn e 0. além de pequenas porcentagens de Fe. de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. Em outros casos. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). Após este tratamento. titânio (Ti). essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. principalmente na construção de aviões. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado.5 a 1% de Mg e 0. Depois de passar por tratamento térmico. em geral.

6834 conforme o principal elemento de liga presente em sua composição. Designação Indicação na composição da série 1XXX 99% mínimo de alumínio 2XXX Cobre 3XXX Manganês 4XXX Silício 5XXX Magnésio 6XXX Magnésio e silício 7XXX Zinco 8XXX Outros elementos 9XXX Série não utilizada Pela norma citada (NBR . os materiais para conformação mecânica são indicados por um número de quatro dígitos: • O primeiro classifica a liga pela série de acordo com o principal elemento adicionado. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. fluidez e estabilidade dimensional e térmica para suportar os diferentes processos de fundição. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. Cláudio R. Dr. quanto as ligas para fundição seguem um sistema de designação de acordo com a norma da ABNT NBR . as ligas são comercializadas sob a forma de laminados planos (chapas e folhas). 3. arames. • O terceiro e o quarto dígitos. para o alumínio puro. a ABNT e outras associações de normas técnicas classificaram essas ligas de acordo com o processo de fabricação e a composição química.2 . 78 . identificam as diferentes ligas do grupo (é um número arbitrário). • O segundo dígito. Losekann Direitos autorais reservados exemplo. as ligas para conformação devem ser bastante dúcteis para serem trabalhadas a frio ou a quente pelos processos de conformação mecânica. Ligas de alumínio para conformação. indica qualquer modificação na liga original. indicam o teor de alumínio acima de 99%.3. Essa divisão foi criada porque as diferentes ligas têm que ter características diferentes para os diferentes processos de fabricação. para o alumínio puro. perfis e tubos extrudados e peças forjadas. Quando se referem às ligas. se for diferente de zero. Foram divididas em ligas para conformação (ou dúcteis) e 1igas para fundição. Tanto as ligas para conformação.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO Para organizar e facilitar a seleção das ligas de alumínio. barras. Para as ligas. As ligas para fundição devem ter resistência mecânica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.6834). Após passarem por esses processos. indica modificações nos limites de impureza: 0 (nenhum controle) ou l a 9 (para controle especial de uma ou mais impurezas). Desta forma.

para peças fundidas. 1 para lingotes e 2 .magnésio.X 99% mínimo de alumínio Cobre Cobre e silício e ou magnésio Silício Magnésio Série não utilizada Zinco Estanho Outros elementos • • • O primeiro dígito classifica a liga segundo o elemento principal da liga. 0 .manganês). Dr.X 5XX.X 7XX. Z . 0 .É a liga de número 19 desta série. O dígito após o ponto indica a forma do produto: 0 . Ligas de alumínio para fundição. Para conformação M1A CS41A CG30A CG42A GS10A GS11A ZG62A Para fundição C4A CG100A CN42A CS72A G8A G10A SN122A 79 . Losekann Direitos autorais reservados Exemplos: 1 . O segundo e o terceiro dígitos indicam centésimos da porcentagem mínima de alumínio (para o alumínio puro) ou diferentes ligas do grupo. 70 . A ASTM designa as ligas de alumínio com letras e números.Alumínio comercialmente puro. As letras indicam os principais elementos (C. 35 . N níquel.X 6XX.0 3 . G . 80 .Alumínio com silício/cobre ou magnésio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 1 .Sem controle especial de impurezas. 4 .99.Peça fundida.É a liga de número 70 desta série.Lingote. 2) Liga de alumínio 580. Cláudio R.35% de alumínio.X 3XX.para alumínio reciclado.silício.Alumínio com magnésio. 2) Liga de alumínio 5470 5 .zinco. Designação Indicação na composição da série 1XX. 19 . Exemplos: 1) Liga de alumínio 319.cobre. M .1 5 . S .É a liga de número 80 desta série.X 4XX.X 8XX.Com controle especial de impurezas (modificado).X 2XX.X 9XX.Alumínio com magnésio.

Estima-se que somente 4. Em contato com o ar seco e em temperatura ambiente. a cerca de 10. cujo teor não deve exceder de 0. Isso o torna mais frágil.1 . Por isso.000 anos a. seguida da construção naval. vieram a ser descobertos a prata e o chumbo. aproximadamente. utensílios e na guerra. Ao ser laminado a frio. Cláudio R. ele adquire um endurecimento superficial que aumenta sua resistência.. tendo assim muitas aplicações inclusive. não deve ser inferior a 1% de Cu e em depósitos de pequeno porte.000 anos atrás. de aeronaves. 393 milhões de toneladas de metal. Losekann Direitos autorais reservados 4 . a 3%. A primeira utilização do cobre conhecida é datada de 8. até o advento do ferro. instrumentação e indústria química. o que é corrigido com o tratamento térmico. para muitas aplicações. o cobre foi o único metal conhecido pelo homem.7% de Cu.COBRE E SUAS LIGAS 4. O bronze teve absoluta supremacia durante séculos. O cobre é um metal não-ferroso e não magnético que se funde aproximadamente 1.. utilizadas na arte. O Brasil tem jazidas de cobre no Rio Grande do Sul. Elementos indesejáveis em jazidas de cobre compreendem o Bi.C. Dr. o cobre vem sendo substituído pelo alumínio. Em relação a outros metais. sendo encontrado aproximadamente 0. Durante aproximadamente 5. As reservas mundiais de cobre são estimadas em.C. Para lavra a céu aberto. 1% de Sb e 10% Zn. conhecida por azinhavre ou zinabre (hidrocarbanato de cobre).000 anos. o bronze (Cu-Sn). pois pode ser encontrada junto na natureza. São Paulo. O teor de cobre.700 anos a. o cobre não se oxida. É um metal dúctil e maleável que pode ser laminado a frio ou a quente. a civilização veio a conhecer o ouro e a liga mais antiga que existe.007% em toda a crosta. Cerca de 50% da produção mundial do metal é consumida pela indústria eletrônica. 2% de As. O azinhavre impede a oxidação do cobre. 80 .083 ºC. decoração.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.000 anos a. Goiás e Bahia. estirado ou estampado. distribuídas com a maior percentagem na Rodésia. e é um excelente condutor de eletricidade e calor. os teores mínimos situam-se entre 0. nos Estados Unidos da América do Norte e no Chile. Porém em contato com ar úmido ele se recobre de uma camada esverdeada. Aproximadamente 3.C.INTRODUÇÃO O cobre foi o primeiro metal usado pela civilização.5 e 0. tendo sido encontrado vestígios de seu uso no norte do Iraque.5%. automotiva. o cobre é um material relativamente escasso na crosta terrestre. porém diminui sua maleabilidade. em depósitos de grande porte e lavra subterrânea.

. resta em torno de 1% do 81 ..... 4... Realizado essas etapas.............. Após ser extraído o minério da natureza. 80% de Cu Covelina (CuS).. ele passa por um triturador giratório que irá reduzir o tamanho do mineral ao equivalente ao de uma bola de futebol. os de escarnitos.... 48% de Cu Cuprita (Cu2O) .. os de cobre pórfiro.. As partículas que não contêm cobre são encharcadas pela solução de água e produtos químicos. A) Trituração do minério....PRODUÇÃO DE COBRE Os principais tipos de depósitos de cobre compreendem os de segregação magmática.... o sulfeto de cobre e o sulfeto de ferro fixam-se nas bolhas de ar sopradas. 3.. 66% de Cu Bornita Cu5 FeS4 .. 89% de Cu Os minérios devem passar por um processo que é composto por várias etapas como: 1.. 6. Essa etapa chama-se flotação ou concentração. Obtenção do mate. Refino...... Cláudio R. formam um lodo....... os vulcanogênicos. Dr..... Na base desse equipamento existe uma entrada por onde o ar é soprado. 52-65% de Cu Enargita (Cu3AsS4) . a qual é recolhida e desidratada.. Em seguida...... Como o minério sulfuroso flutua.... 2.. 5.. 34% de Cu Calcosita (Cu2S) ... Trituração e moagem.. chamado ganga...1 – Beneficiamento do cobre. Obtenção do cobre blíster.....2 .. formando uma espuma concentrada na superfície do tanque..05 e 0......... porque não se mistura na água.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.. a) b) Figura 4...... os filoneanos e os das séries sedimentares e os principais minerais de minério de cobre são: Calcopirita (CuFeS2) ..... Flotação ou concentração...5 mm. Losekann Direitos autorais reservados 4..... o minério moído é colocado em uma máquina cheia de água misturada a produtos químicos.. e vão para o fundo do tanque..... B) Flotação O minério de cobre e moído em moinho de bolas para reduzir o seu tamanho entre 0. Extração do minério..

o concentrado é levado a um forno de chama direta chamado revérbero. Cláudio R. O cobre bruto obtido nesta etapa recebe o nome de blíster. com impurezas como antimônio. quando se obtém um concentrado com 15 a 30% de cobre. bismuto. o blíster é fundido e parte das impurezas restantes é eliminada. o ferro se oxida e se une a sílica para ser transformado em escória que é eliminada. 82 . chumbo.2 . o enxofre que sobrou também é eliminado sob a forma de gás. Dr. e apresenta uma pureza entre 98% e 99. níquel etc. podendo ser térmica ou eletrolítica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O mate é levado aos conversores para oxidação para retirar o enxofre e o ferro. No conversor. A etapa seguinte é a decantação e filtragem. e também metais nobres como ouro e prata. A maior parte do enxofre e de impurezas como arsênico e antimônio são eliminados.Esquema do forno revérbero e obtenção do mate. Na refinação térmica.9% de impureza sendo o mais utilizado comercialmente. O material resultante passa a ter entre 35 e 55% de concentração de cobre e é chamado de mate.3 . A seguir.. O cobre passa a ter 99. Figura 4.Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica. Depois.5% de cobre. Figura 4. A última etapa é o refino do blíster. Losekann Direitos autorais reservados material inicial.

cobalto.3 . Por exemplo. particularmente. antimônio. laminação) e a conformação a frio (trefilação. arsênio. O cobre é dúctil e maleável a frio. bismuto. ferro. por isso. A redução de condutividade é devida a deformação da rede cristalina provocada pelos átomos das impureza. enxofre.065 oC e que. torna o metal frágil. Tem tendência a dissolver certos gases como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de carbono (CO2) que. de acordo com a sua estrutura cristalina. zinco. oxigênio. de cuja natureza e teor. Também dissolve o oxigênio. etc. diminuindo o limite de elasticidade muito rapidamente acima de 200 oC. mesmo em quantidades pequenas atuam prejudicialmente sobre a condutividade elétrica. a não ser que o trabalho de deformação é realizado a quente. níquel. a qual dificulta o transporte dos elétrons.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.04% de fósforo reduz a condutividade a 75% em relação ao cobre puro. Cláudio R. é conveniente efetuar um recozimento para ir eliminando o endurecimento obtido. O cobre mais puro ( > 99. depositando-se nos contornos de grão. o ferro e o arsênio. selênio. Dr. durante a solidificação produz poros. O oxigênio forma dióxido cuproso (Cu2O) solúvel no metal líquido e pode dar o eutético Cu-CuO2 que funde em torno de 1. laminação). dependem do processo de fabricação. Figura 4. estanho.4 .PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS As propriedades mecânicas do cobre favorecem a conformação a quente (forjamento. Por deformação a frio. O cobre comercial contém sempre impurezas que vão influir nas suas propriedades físicas. em particular na condutividade elétrica.900 kgf/mm2 (119 GPa). O módulo de elasticidade longitudinal médio é de 11. As principais impurezas que podem existir no cobre são a prata. 83 . 0. Estas impurezas. endurece facilmente e tanto mais quanto maior for a deformação e. Losekann Direitos autorais reservados 4.Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre. e nas propriedades mecânicas.99%) é obtido por eletrólise. Os valores da dureza e da resistência à tração são bastante diferenciados entre as temperaturas baixas e as temperaturas elevadas. chumbo. o fósforo.

15K] Ponto de ebulição: 2.0.4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 122 .10-6/K] Resistividade: (20 oC): 1.95 µΩ.57 g Peso específico: 8.94 cal. Cláudio R.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.K] Calor específico: 383 . pode reduzir o óxido de cobre com formação de vapor de água e tornar o metal poroso e frágil. Tratamentos térmicos Esta fragilidade pode ser eliminado por meio de recozimentos e forjamento feito convenientemente.1 . Resiste muito bem a água do mar.208 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 350 .106.8 x 10-6/ oC [16. a = 0.25 % Coeficiente de Poisson: 0.4%.398 W/m. Assim. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Massa atômica: 63.cm-1. mas não se passiva e as películas formadas pelos produtos de corrosão são pouco resistentes. sofrendo ataque uniforme em torno de 1 µm/ano.360 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 16.0.m1/2 Tensão de compressão: 28 .10% e o total de impurezas inferior a 0.7 MPa. Aplicações As aplicações mais importantes do cobre são conseqüências da elevada condutividade elétrica e boa resistência a corrosão.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 145 a 160 MPa Propriedades químicas O cobre puro apresenta boa resistência a corrosão.23 .95.47.128 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 28 a 40 MPa Tenacidade a ruptura: 100 .360K Constante dielétrica: Não se aplica Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.8. sobretudo em presença de dióxido de enxofre (SO2) e de ácido sulfídrico (SH2).083 oC [1. Tem um potencial de dissolução cujo valor se situa entre os metais nobres. oC-1 [390 .387 J/kg. não dando qualquer proteção. mas reveste-se de uma camada esverdeada no ar úmido. Por estes motivos o teor de oxigênio deve ser inferior a 0.94 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC.cm [1. A aplicação principal é para 84 . em uma atmosfera redutora.s-1.K Calor latente de fusão: 200 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o cobre não se altera ao ar seco.35 Dureza: 43 a 46 HB [430 a 460 MPa] Módulo de cisalhamento: 45.10-8 Ω.356.34 .360 nm Ponto de fusão: 1. Dr. A presença de hidrogênio.

Pode ser fundida. além de α e β. alças de móveis. A cor do latão varia de acordo com a porcentagem de cobre que a liga apresenta. dobramento. É uma liga dúctil. e usinagem. Com os outros três componentes há formação de diversas fases intermediárias à medida que os teores vão aumentando. medalhas. a quente e frio. pois depende do teor de zinco que apresenta. resistência a corrosão.Latão É uma liga formada por cobre e zinco sendo que a quantidade de zinco pode variar de 5% a 45%.1 . condensadores e tubulações para água do mar. a microestruturas idênticas as que correspondem a ligas tenazes e dúcteis. usadas na solda forte de aços-carbonos e outros mais. conforme mostra o quadro abaixo: Porcentagem 2 10 de zinco ( % ) Cor Cobre Ouro velho 15 a 20 30 a 35 40 Amarelo claro Avermelhado Amarelo brilhante 85 . Está liga é utilizada em moedas. doce e vapor saturado. cobre-zinco e cobre-estanho considerando apenas as ligas em que os teores do segundo componente têm interesse industrial. aceita quase todos métodos de conformação. ligas. 4. Losekann Direitos autorais reservados fabricação de condutores elétricos. corte. trocadores de calor. etc. Igualmente a adição de um terceiro componente dá lugar a constituintes duros e frágeis que comprometem a tenacidade da liga. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. fechaduras. cartuchos. α) todas as ligas de cobre e níquel. então. podem ser monofásicas (α) ou bifásicas (α + β) as ligas de cobrealumínio. Sua temperatura de fusão varia de 800 ºC a 1. ou seja. São. é usado na fabricação de barras para enchimento.1. sol.070 ºC. bijuterias.LIGAS DE COBRE Cada elemento adicionado o cobre permite obter ligas com diferentes características tais como: maior dureza. pode se unir por solda de estanho e solda de prata. geralmente.1 . o níquel. etc.3.3. usinabilidade ou até para obter uma cor especial para combinar com certas aplicações. excelente resistência à corrosão. Quando contém até 30% de zinco. 4. boa resistência mecânica. Cláudio R. o latão é conformado por estiramento. Os elementos que. forjada e estirada ao frio. por ordem decrescente de solubilidade. quer no estado líquido quer no estado sólido. mais entram na composição das ligas de cobre são. melhora a resistência mas piora a ductilidade e logo que a liga contenha outras fases. O aparecimento de uma segunda fase. Apenas no caso do níquel a solubilidade é total. resistência mecânica. O latão que tem entre 40 à 45% de zinco. a fase β. radiadores de automóveis. o alumínio e o estanho. monofásicas (sol. a liga deixa de ter interesse industrial dada a sua elevada fragilidade. quanto maior. Em maior ou menor proporção diversos elementos são miscíveis com o cobre no estado sólido e dão lugar a uma solução sólida α. ferragens. o zinco. boa condutora de eletricidade e calor. mais baixa para a temperatura de fusão.

480K Resistividade: 3. Níquel: Dá a cor prateada no latão. Quando latão ao alumínio é utilizado na solda e na fundição. aumentando a fragilidade.55 % Coeficiente de Poisson: 0.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16. devem ser limitados a 0.K Ponto de fusão: 1.002% respectivamente para trabalhos a quente.7% e. Quanto as propriedades mecânica. quando em estado líquido e. Por exemplo.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 90 . Entre 0. mas os teores admissíveis dependem do fim a que se destina a liga. Estanho: Aumenta a resistência à tração. que diminui a resistência a corrosão por águas salinas e aumenta a tendência a fratura intergranular. que no interior da liga. é utilizado na fundição por injeção. além de melhorar a refletividade. Para terores acima de 0. Dr. Manganês: Forma solução sólida e aumenta a solubilidade do ferro no latão.500 MPa Tenacidade a ruptura: 30 .25% facilita a introdução do chumbo.8 a 1. Cláudio R.05 .000 MPa Módulo de cisalhamento: 33 .0. o chumbo e o bismuto. em presença de silício.20. há formação de manchas escuras.383 J/kg. Propriedades físicas Peso específico: 7.1% pode criar descontinuidades na estrutura da liga favorescendo a usinabilidade e em proporções superiores a 3%.8 kgf/dm3 Calor específico: 372 . A influência deles são: Chumbo: Acima de 0.K Calor latente de fusão: 220 .86 MPa.5 .120 GPa Limite elástico: 70 .34 -0.340K Temperatura máxima de serviço: 370 . o manganês e o silício. diminui a resistência mecânica.1. Aumenta a resistência a corrosão. Alumínio: Influencia na resistência a tração. por isso. Melhora a resistência à corrosão por cavitação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. É usado no lugar do bronze para fabricar molas.3% refina o grão.09 .89 x 10-8 ohm.02% e 0. o níquel.20.35 Dureza: 460 . mas diminui a ductilidade quando é usado teores acima de 1%. o estanho. de baixo ponto de fusão.m1/2 86 .3. É utilizado nos latões de alta resistência mecânica. Losekann Direitos autorais reservados Diversos elementos químicos podem ser adicionados em sua composição. É resistente à corrosão em atmosferas marinhas. É o elemento mais utilizado para obter latões de alta resistência.7 x 10-6/K Condutividade térmica: 110 .150 .220 W/m. destrói a coesão da liga.8 a 8. outros elementos de liga são adicionados em sua composição como: o alumínio. Para melhorar a resistência mecânica e a corrosão do latão. Ferro: Terores acima de 0. o ferro. Sua adição é limitada pelo aparecimento da fase γ. Silício: Melhora a fluidez.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. casquilhos de mancais. É empregado na fabricação de peças para construção de barcos. só e perceptível com teores acima de 2% e pode apresentar o composto metálico FeZn10. aparece um filme de óxido de alumínio.

36. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 70 .46. A fase β atribui-se a composição CuZn e a fase γ.6 γ 36.6 A estrutura cristalina da fase α é cúbica de face centrada (CFC) e a das fases β e γ é cúbica de corpo centrado (CCC). 87 .850 MPa Constituição Figura 4. aparecendo a forma ordenada β’.32.0 .0 % Zn α+β 32. Cláudio R. acima.5 0 . decrescendo depois até a temperatura ambiente.4 . Dr.6 .8 .50.56. Entre 470 oC e 453 oC a fase β sofre uma transformação ordem ⇔ desordem. Dado que a fase γ é demasiado frágil e as ligas com interesse industrial ficam limitadas as de teor de zinco inferior a 50%. Muitos dos elementos que se adicionam aos latões modificam a sua microestrutura.5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn.500 MPa Tensão de ruptura por tração:150 . exceto o níquel que tem efeito contrário.5 46. Cu5Zn8. as ligas utilizadas são as ligas monofásicas α ou β e as bifásicas α + β’. aparece as seguintes fases do latão comercial.36. Industrialmente. Após solidificação Temperatura. ambiente α 0 .8 36. Do diagrama de fases da liga Cu-Zn.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Deve-se ainda notar que a solubilidade do zinco na solução sólida α aumenta até à temperatura de 453 oC (29%). fazendo aparecer mais cedo o constituinte β. com percentagens de zinco que variam de 10 a 45%.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. CuZn 34% Mn 1. o alongamento diminui. mas a resistência e a dureza aumentam com a proporção da fase β. Losekann Direitos autorais reservados Latões α: Nas ligas monofásicas. os latões α são ainda particularmente sensíveis ao tamanho de grão. laminadas a quente entre 650 e 800 oC. tal como o cobre. a 800 oC. mas a resistência a fluência a temperaturas elevadas. Apenas se usa a liga com 50% de Zn devido ao seu baixo ponto de fusão para união de metais por brasagem.92% [fase α + nódulos de Pb]. A resistência ao impacto no intervalo de 350 oC a 650 oC é extremamente baixa. é muito mais fácil de deformar do que o constituinte α.6 – Micrografias de latões. após a transformação ordem-desordem torna-se repentinamente macia e. a fase β’ é mais dura que a fase α e pouco deformável a frio.7% Sn 2. No entanto a 470 oC. a resistência e o alongamento aumentam com o teor de zinco. Latões α + β: Nestas ligas bifásicas.9% [fase α + Cu3Sn]. de recozimentos freqüentes. À temperatura ambiente. mas tem boa resistência a corrosão por águas salinas. Acima de 500 oC a maleabilidade é fraca. b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] . a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]. Estas ligas têm uma boa aptidão a conformação a frio. 88 . este último com um máximo de 30% de Zn.4% Pb 2. Latões β + γ : As ligas bifásicas β + γ são duras e extremamente frágeis.7% Ni 3. Dr. Endurecem fortemente por deformação a frio e necessitam. Cu-Zn 24. Este fato torna estas ligas facilmente conformados a quente. alcançando o máximo para 100% desta fase e passando a diminuir logo que aparece a fase frágil γ. é superior é das ligas bifásicas. por isso. Figura 4. Cláudio R. sendo.12% Pb 1.

as propriedades de um latão dependem da relação dos volumes das fases presentes. Figura 4. A figura abaixo mostra a correlação existente entre a composição de zinco e as propriedades mecânicas. Estes latões podem recuperar-se por recozimento a 800 oC após deformação a frio. Dr. Após o vazamento. sobretudo para eliminar as tensões residuais provocadas nas ligas bifásicas α + β’ após deformação a frio. a estrutura dos latões é dendrítica e. o que aumenta a resistência. Losekann Direitos autorais reservados As principais propriedades com interesse técnico são: resistência a corrosão. e talvez o chumbo. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O primeiro permite prosseguir a operação de conformação. As tensões residuais sensibilizam os latões a um tipo particular de corrosão trincas espontâneas . de modo a obter um grão uniforme e adequado aos tratamentos mecânicos. aptidão a niquelagem e a cromagem. Suprime-se assim a fase α que pode precipitar no resfriamento segundo certos planos cristalográficos da fase β inicial ou nos contornos de grão. usinabilidade (sobretudo com adição de chumbo). e certos reagentes coma o amoníaco. aptidão a brasagem.7 . Pode-se aplicar têmpera nas ligas Cu-Zn 40 a partir de 600 oC em que a liga se encontra na fase β. aptidão a conformação a quente (latão β).Diagrama do comportamento mecânico dos latões. zonada e torna-se necessário um recozimento para homogeneização a 600 . mas diminui a ductilidade. 89 . aptidão a conformação a frio (latão α).que se manifesta por fratura intergranular em ambientes corrosivos fracos como a atmosfera ambiente e pode ser acelerada pela presença de certos elementos como o ferro. O alívio de tensões é efetuado em torno de 300 oC durante 1 hora. portanto.650 oC. O aquecimento de latões dá lugar a alteração da superfície devido a oxidação e volatilização do zinco. Quando o recozimento é efetuado acima de 700 oC aparece grão grosso e após a deformação reconhece-se pelo aspecto da superfície “casca de laranja”. Tratamentos térmicos Os tratamentos mais usados são os de recozimentos para recristalização e os de alívio de tensões que se efetuam nos produtos endurecidos por deformação a frio. Desta forma.

O bronze também pode receber pequenas quantidades de outros elementos cuja influência é descrito abaixo: Alumínio: Com 0. geralmente. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações Dada a variação da resistência a corrosão e das propriedades mecânicas com o teor de zinco. Atualmente a proporção de estanho que é adicionada ao cobre é de até 12%. 90 . componentes para industria têxtil. evaporadores e aquecedores.Bronze É uma liga formada por cobre e estanho. utilizada em trocadores de calor. As ligas com esta faixa de estanho (10%) são usadas para fabricação de parafusos e engrenagens para trabalho pesado. Bismuto: Causa fragilidade devido a formação de uma película intergranular para teores superiores a 0.7% de cobre e 1. na indústria elétrica. devido à semelhança da sua cor com o ouro. usada em imitações de joalharia. estiragem.Cu-Zn 5. sendo que estas quantidades variam de acordo com as propriedades que se quer aproveitar.Cu-Zn 15. química e de papel. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. as aplicações de latões são bastante diversificadas. recalcamento. mancais e componentes que suportam pesadas cargas de compressão. limitado a 0. Figura 4. e para artigos obtidos por conformação.005% pode apresentar de zonas de porosidade devidas a retração ou à retenção de gases pela película de alumina.2 . Podem ser conformados por dobramento. rebites. O bronze apresenta elevada dureza e boa resistência mecânica a corrosão. sendo facilmente unido por meio de solda.Cu-Zn 30. Cláudio R. 4. A liga de cobre e estanho que é desoxidada com fósforo. O seu teor é. de solda prata. . Pertencem a este grupo entre outros as seguintes ligas: . tubos. . Este bronze possui 98. Os latões α se destinam especialmente a laminação a frio. a corrosão e à fadiga.1. Antimônio: Dá com o cobre diversas fases intermediárias que aumentam a dureza mas igualmente a fragilidade. e também é um bom condutor elétrico. moeda e objetos decorativos e ainda pequenos cartuchos de amas. chama-se bronze fosforoso. sendo que a quantidade de estanho pode chegar até 20%. nas cápsulas e rosca das lâmpadas. prensagem e forjamento em matrizes.3% de estanho. usada para medalhas. pregos e parafusos. Só se usa em casos especiais. na construção mecânica.Aplicações dos latões.3%.8 . O bronze com até 10% de estanho pode ser laminado e estirado e tem alta resistência a tração.3. na fabricação de cartuchos. fabricação de tubos e prensagem. prejudicando a laminação. forte.04%.

Cláudio R. reduzindo a solubilidade do estanho na solução sólida α. Aumenta a dureza visto que. Embora.m1/2 Tensão de compressão: 65 .K Calor latente de fusão: 220 . e para teores de estanho de 0% a 13. não é praticamente solúvel no bronze α.3% de P e 10% de Sn forma-se o constituinte Cu3P. entretanto.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.5% < Sn < 25.450K Resistividade: 7. ε. Por este motivo o teor de chumbo nos bronzes está limitado a 30%. cinco pontos peritécticos.0.6 % Coeficiente de Poisson: 0. a presença de 1% de níquel tende a uniformizar a distribuição dos glóbulos de chumbo na matriz.800 J/kg. Mesmo em teores baixos prejudica a laminação. forma-se a solução sólida α de estrutura cristalina cúbica de face centrada. devido à diferença de densidade.5%. a estanqueidade das peças fundidas. Propriedades físicas Peso específico: 8. Dr.800 MPa Constituição A figura 4.9 representa o diagrama de equilíbrio do sistema de ligas cobre e estanho. a 799 oC.500 MPa Tenacidade a ruptura: 24 . Para teores de 0.5 a 9 kgf/dm3 Calor específico: 140 . γ. mas facilita a usinagem: Ferro: Endurece e torna os bronzes frágeis com teores superiores a 0. Fósforo: Entra na composição de bronzes bifásicos cujos constituintes são a solução sólida α e o eutectóide.90 W/m. aumenta a quantidade de eutectóide. duro que vem. ξ. em geral.5%.19 x 10-6/K Condutividade térmica: 50 .400 MPa Módulo de cisalhamento: 25 .5 . e η.02 . associado a fase α. facilita o vazamento e melhora o aspecto superficial da peça (ausência de porosidade) e.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.K Ponto de fusão: 1.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16. Esta solubilidade aumenta até 15.34 -0. portanto.35 Dureza: 460 . lugar a heterogeneidades difíceis de evitar.2%.08 .90 MPa. Melhora a fluidez no estado líquido visto que abaixa o ponto de fusão. dando. Após solidificação.140 . dá-se a 799 oC uma reação 91 .340K Temperatura máxima de serviço: 420 . em porcentagem superior a 2% prejudica a resistência mecânica. Para ligas com 13. em proporção limitada (< 4%). Losekann Direitos autorais reservados Chumbo: O cobre e o chumbo não são miscíveis no estado líquido para teores de chumbo de 36 a 92.2. um ponto eutéctico e quatro pontos eutectóides.120 GPa Limite elástico: 65 .700 MPa Tensão de ruptura por tração:140 .1. β. Zinco: Diminui a dureza da solução sólida α o que se aproveita na cunhagem de moedas e medalhas.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 70 .19.8% de Sn à temperatura de 520 oC para se reduzir progressivamente a 1% à temperatura ambiente. δ.95 x 10-8 ohm.5%. Comporta sete fases α.

Cláudio R. monofásicas. Figura 4. o grande intervalo de solidificação dá lugar a zonamento pronunciado e a difusão é tão lenta que o constituinte δ chega a aparecer em fundições com 7% de Sn. são então constituídos à temperatura ambiente ou só pela fase α. b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] . γ → α + β . A solução sólida intermediária γ é de estrutura cúbica de faces centradas e o constituinte parece ser o composto intermediário Cu31Sn8. a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]. Dr. a) b) c) Figura 4. neste intervalo as ligas podem ser bifásicas. a estrutura α + ε só se obtém depois de tratamento térmico prolongado a baixa temperatura nas ligas de até 15% de Sn. As ligas fundidas estão fora de equilíbrio e tem uma estrutura α + eutectóide (α + δ). se transforma a 723 oC em ferrita e cementita. tal como nos aços. β. a 520 oC sofre a transformação eutectóide (27% de Sn). a fase β transforma-se em γ a 586 oC e esta. o limite entre os dois domínios é marcado aproximadamente pela linha pontilhada no diagrama. ou monofásicas. c) Cu-Sn 10%. a não ser que por têmpera se mantenha a fase β à temperatura ambiente. fase γ. a austenita. Pb 5%. muito duro e frágil.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 92 . solução sólida de estrutura cúbica de corpo centrado.9 . por sua vez. para fase ε atribui-se a composição Cu3Sn. mas o equilíbrio não é atingido a baixa temperatura senão em condições especiais (endurecimento a frio e recozimento prolongado) e. Por outro lado. Os bronzes industriais. Assim.Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn. Por resfriamento.Micrografias de bronzes.10 . na prática. como o equilíbrio é difícil de se obter. ou pelas fases α + δ. Losekann Direitos autorais reservados peritéctica de que resulta o aparecimento da fase β. O limite entre estas duas estruturas parece tender para a do cobre quando a temperatura abaixa. Entretanto. em que Sn é menor que 20% (com exceção dos destinados a sinos). α + β.

em geral. Bronzes α: São maleáveis a frio e a quente. a estrutura α + δ. No entanto. Dr. Tratamentos térmicos O recozimento é amplamente utilizado para homogeneizar os produtos fundidos e para redução de dureza devido ao encruamento por deformação a frio. a 7% nas ligas destinadas a fabricação de fios. que e aproveitada na fabricação de molas. Em contrapartida. Cláudio R. mas a partir deste valor as ligas tornam-se cada vez mais frágeis e duras devido à presença da fase δ. as ligas de alto teor de estanho são deformáveis a quente (fases α + β) ou deformáveis a frio após recozimento e têmpera. sólida α). ao contrário do que acontece nos aços. sendo avermelhada até 5% e amarelo claro acima de 15%. devido a menores retrações. são mais caras. as peças fundidas de bronze são melhores. este tratamento não é. apresentar um elevado limite de elasticidade. No que se refere às propriedades mecânicas. Assim. Por este motivo ligas com teores de Sn maiores que 7% são usadas apenas em fundição. Losekann Direitos autorais reservados Deste fato resulta que. do que resulta melhor resistência e facilidade de deformação devido ao fato de. resulta de. De um modo geral. o teor de estanho deve ser tanto mais baixo quanto o trabalho for mais difícil. ligas com maior porcentagem de estanho são de difícil laminação. enquanto que os outros bronzes só podem ser trabalhos a quente acima de 600 oC para se obter as soluções sólidas α e β. No entanto. mas para folhas laminadas pode alcançar 10%. Da mesma forma pode-se evitar. por têmpera. visto que apresentam grãos duros em uma matriz muito plástica (α). a dificuldade de usinagem e boas qualidades de fundição levam a utilizá-los principalmente sob a forma de peças fundidas: 93 . Se efetua têmpera nos bronzes com mais de 13% de Sn para evitar a precipitação da fase δ. por deformação a frio podem adquirir características mecânicas interessantes. mantendo-se a fase β à temperatura ambiente. após endurecimento a frio. Por isso é limitado a 4% na fabricação de tubos. a não ser após recozimentos prolongados para homogeneizar a solução sólida. no que se refere a homogeneização da matriz do que os latões. Dado o intervalo de solidificação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Por outro lado. A cor dos bronzes varia apreciavelmente com o teor de estanho. Bronzes α + ε: Estas ligas têm boas propriedades autolubrificantes. Uma dessas propriedades mais interessantes. estas ligas têm boa resistência ao desgaste e muito boa soldabilidade. aconselhado visto que há outras ligas mais baratas que os bronzes com propriedades equivalentes obtidas por este tratamento. Aplicações As qualidades autolubrificantes e boa resistência à corrosão são as principais aplicações dos bronzes. verifica-se que melhoram com o teor de estanho até 13% (sol. o material fica mais macio dada a ausência da fase δ. É uma têmpera martensítica em que as fases são α ou α + β de acordo com o teor de estanho.

hastes e hélices mavais. Bronze ao berílio: Contém até 2% de berílio. recipientes para industria química. Estas características são adquiridas após o tratamento térmico. tanques para água quente. conservando a tenacidade. autoclaves. .As ligas de 10% ou 12% de Sn são usadas para fabricação de torneiras. casquilhos. componentes de torres de resfriamento. acessórios de tubulações. na fabricação de tubos de condensadores.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. essa liga é indicada para equipamentos de soldagem e ferramentas elétricas não faiscante.As ligas de 14% ou 18% de Sn são usadas para fabricação de peças que exijam boa resistência ao desgaste por abrasão e resistência a água do mar. Bronze de alumínio: Possui normalmente 13% de alumínio.5% de Zn são empregados na fabricação de moedas e medalhas. Losekann Direitos autorais reservados . tubos para trocadores de calor e caldeiras. apresenta alta resistência à ruptura e alta renacidade. Com o desenvolvimento da tecnologia foram criados os bronzes especiais que contém pouco estanho ou que não contém estanho. buchas e peças resistentes à corrosão. alta condutividade elétrica e alta dureza.11 . Por sua alta resistência mecânica e propriedades anti-faiscantes. Os bronzes com teor acima de 20% de Sn são usados para fabricação de sinos onde a sonoridade parece estar relacionada a fase δ (Cu31Sn8). sendo que é empregado na laminação a frio de chapas resistentes a corrosão. É usado para fabricação de peças para a indústria naval. discos de fricção. 94 . podendo o teor de estanho atingir 30% com baixos teores de zinco e de chumbo. Nas ligas destinadas a fundição o estanho varia de 5 a 13% e o fósforo de 0.Aplicações do bronze. Podem funcionar sem lubrificante e suportam cargas maiores que as ligas antifricção. parafusos. Dr. Bronze ao chumbo: Os teores de chumbo podem variar de 8 a 20% e até 30% e o estanho até 10%. engrenagens e ferramentas para conformação de plásticos. Bronze ao fósforo: São também chamados bronze fosforoso. . Cláudio R. Usam-se para peças de máquinas resistentes ao desgaste ou sujeitos a esforços elevados como rodas dentadas. pregos.As ligas de 4% a 10% de Sn são usadas para fabricação de medalhas e moedas.5% de Sn e 1. Figura 4. Bronze ao silício: Com até 4% de silício. possui alta resistência a corrosão e à fadiga. instalações criogênicas.3% a 1%. As ligas de 3. Bronze ao zinco: Corresponde a composições de até 2% de zinco e esse teor é sempre inferior ao de estanho. evaporadores e trocadores de calor.

porcentagem que aumenta até 9.3 .Al > 15% e Fe + Mn + Ni < 15%. mantendo-se este valor até temperatura ambiente. Constituição Os do de equilíbrio relacionados com as ligas que. pode ser trabalhada a quente.Fe . mas. temperatura bastante elevada que provoca a sua coalescência de modo que. o domínio β reduz-se e desaparece a 565 oC dando lugar ao eutectóide α + γ2. por isso. Para teores de Al > 7. Após a solidificação forma-se solução sólida α com até 7. o 95 . Dr. ferro e níquel melhoram o limite de elasticidade longitudinal das ligas bifásicas. As fases α + β correspondem a um eutéctico de 8.Ligas de cobre-alumínio As composições mais usuais satisfazem os seguintes tipos: Cu-Al . Entretanto. a fase β aparece já para 7% de Al.4% aparece uma mistura de α + β ou só a fase β.036 C.036 oC.1.3.3 % de Al formado a 1. como há dificuldade em estabelecer o equilíbrio. Cláudio R.5%. O manganês melhora a fluidez no estado líquido. não se encontra a microestrutura eutéctica.4% de Al a 1. fragiliza o material e.Cu > 90%. o teor de alumínio raramente vai além de 12%. Cu-Al .4% por resfriamento a 565 oC. Al < 7.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Quando a temperatura baixa. domínios diagrama Figura 4. com cerca de 12% de alumínio. Losekann Direitos autorais reservados 4. industrialmente têm mais interesse. A fase β é mais dura e mais frágil que a fase α.5% e Fe < 2. embora as ligas industriais raramente tenham mais de 12% de Al.Diagrama de fases da liga binária Cu-Al.12 . como a dos latões. Cu-Al-FeNi . e que é do tipo lamelar. Assemelhando-se a perlita dos aços. à temperatura ambiente.Cu > 90% e Al < 10%. estão representados na figura abaixo. em grandes quantidades. O diagrama abrange os teores de 0 a 100%. A fase γ2 é muito dura e frágil e a sua existência em pequenas quantidades aumenta a resistência da liga e. As adições de manganês.

tubos de condensadores. Devido a película protetora de alumina que se forma na superfície. ser cuidadosamente desgasificada.5% (na prática 7%) e bifásicas (α + eutectóide ou α + β) as de 8. hélices. recipientes para substâncias ácidas e alcalinas. Estas têm um ponto de fusão relativamente elevado ( > 1. Tratamentos térmicos Estas ligas.É a liga superstone.Tubos de trocadores de calor. de alta resistência ao impacto (40 J Izod) e tensão de ruptura a tração 70 kgf/mm2. após trabalho a frio. Dão estrutura maclada por recozimento. Ligas α: A resistência cresce regularmente com o teor de alumínio e.650 oC durante 2 h. temperada e revenida. Endurecem por deformação a frio e são facilmente conformáveis a frio ou a quente. Estes dois fatos dão lugar a forte retração na fundição e tendência notável para rechupe ou vazio. Destinam-se ao trabalho a quente. Ligas de 5 a 7% de Al .5% e 12% de Al. como o solidus corresponde a temperaturas mais elevadas que nas outras ligas de cobre. a liga mais usual é a que tem em torno de 7% de Al. devendo por isso a liga. permitindo grande economia de material em relação a outras ligas de igual resistência. Aplicações Dadas as boas propriedades mecânicas e resistência à corrosão.6 kgf/dm3. A liga de 20% de Al. 3% de Fe. pode ser comprometida pelos gases que tendem a desenvolver-se no decurso da solidificação. tem características idênticas a de um aço meio doce. peças de bombas. semelhante ao ouro são usadas em bijuteria. Dr. A têmpera impede a precipitação do eutectóide e o revenido dá lugar a um precipitado muito fino. como hélices de turbinas. (α + γ2): Têm características mecânicas mais elevadas que as anteriores com exceção da resiliência. α + β → α + (α + γ2). Ligas bifásicas. têm possibilidade de ser submetidos a tratamentos térmicos. por isso. sendo monofásicas (α) de teor de alumínio até 8. lamiminação ou fundição sob pressão. forjamento. no estado líquido. Ligas de 9 a 10% de Al . aplicamse em construção mecânica. Ligas de 8% de Al. A têmpera martensítica realiza-se a partir da temperatura de 850 oC a 900 oC e é seguida de revenido a 550 . 96 . Cláudio R. 12% de Mn . tal como os aços. As ligas de cobre-alumínio têm um módulo de elasticidade de 11 GPa e peso específico de 7. A compacidade das peças de fundição espessa. Da mesma forma a presença de alumínio dá lugar a formação de uma película de alumina na superfície do banho que pode ser arrastada para o interior e comprometer a coesão da liga.000 oC) e um intervalo de solidificação muito estreito.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Devido à sua cor.Instrumentos elétricos. Se a liga for revenida entre 350 oC a 560 oC formam-se pequenas partículas do constituinte e a estrutura é semelhante a perlita fina. Losekann Direitos autorais reservados As ligas de cobre alumínio que se utilizam são todas hipoeutectóides. etc. Não apresentam zona de fragilidade a quente e. estas ligas resistem bem a atmosferas urbanas ou marítimas e a água doce e salina. moedas. isto é.

O ponto de Curie desce o linearmente de 368 C (para o níquel puro) para 0 oC na liga com 31. fios.9 .17 40 . Figura 4.23 1460 .91 Peso específico (kgf/dm3): Calor específico (J/kg. Até 30% de níquel a liga é usada em medalhas e na fabricação de resistores.5% de Si / Cu 8. a liga apresenta cor branca. A partir de 20% de níquel.384.8 . Propriedades físicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.9 80/20 20% de Ni / 0.85 . As ligas com teores de níquel na faixa de 35 a 57% recebem o nome de constantan e são usadas para fabricação de resistores e termopares.89 384.1.6 220 . São sensíveis a corrosão sob tensão apenas em meio amoniacal.1450 470 .8 . Losekann Direitos autorais reservados 4.450 20.22.13 .7 . pode ser transformadas em chapas.4 .Cuproníquel As últimas ligas do cobre são aquelas que o níquel participa com 5 a 50%.5% de Cr. Podem ser unidas pela maioria dos métodos por solda forte e por solda de estanho.44 1390 .m): 97 .42 .2% de Ni. o parâmetro apresenta um mínimo e o peso específico de 8.8.1420 420 . Correspondem.5% de Mn / Cu 8.3.1510 440 .K): Ponto de fusão: Temperatura máxima de serviço: Resistividade (ohm. facilmente conformáveis.33 1440 .37. A estrutura da solução sólida é cúbica de face centrada. para 40% de Ni (0.470 32.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.25% de Fe / 0. resistência mecânica e a oxidação. etc.75 384.89 384. sempre a soluções sólidas do tipo α.17 30 . Esta sensibilidade é máxima para 12% de Ni e desaparece. boa condutividade térmica.8% de Mn/ 0. Cláudio R.4 .30. Dr.240 16 .240 16 .5% de Fe / 1% de Mn / Cu 8. São maleáveis e resistem particularmente bem corrosão. portanto.85 .8.384.240 16 .17 19 .9 220 .5% < Fe < 1%).Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni.480 26.1% de Fe) ou para 30% de Ni ( 0.5 .15 70/30 30% de Ni / 1. As ligas de cobre e níquel são solúveis no estado líquido e totalmente miscíveis no estado sólido.8. etc.K): Calor latente de fusão (kJ/kg): Coeficiente de dilatação térmica linear (10-6 K-1): Condutividade térmica (W/m.384. Essas ligas têm boa ductilidade.9 220 . tiras.94 kgf/dm3 para 32. conforme o teor de ferro presente.

150 110 . Ligas de 35% a 50% de Ni (constantan) . O recozimento de amolecimento é feito a 550 oC . Ligas de 30% de Cu e 67% de Ni (monel ) .34 .5% de Mn / Cu 0.490 400 .0.35 1000 . São utilizadas em molas de instrumentos. álcalis. 9% a 26% de Ni e 17 a 45% de Zn (alpacas ) . 4. Ligas de 54% a 66% de Cu.38 . e 100 HB de dureza. o valor da tensão de ruptura a tração é igual a 77 kgf/mm2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.São resistentes a água salina.3 0.140 290 .m1/2): Tensão de compressão (MPa): Tensão de ruptura por tração (MPa): Tratamentos térmicos Após recozimento. Severamente deformada.140 65.0.41.120 330 .55.25% de Fe / 0.150 310 .3 310 .68.120 70.35 800 .3. σe = 550 MPa.São utilizados com artigos de decoração de ourivesarias.5 .2 .73.340 70/30 30% de Ni / 1.7 .Ligas de cobre e berílio Estas ligas apresentam elevada resistência à tração e à fadiga e elevado limite de elasticidade.55.5 145 . sulfuretos de sódio. tubos de Bourbon.4 0.1 110 .Moedas e tubos de condensação para água do mar. e do monel extrudado. e 70 HB de dureza.55.490 29.1.cm e praticamente independente da temperatura no intervalo de 20 a 250 oC.150 128 .7 . Figura 4.8% de Mn/ 0.3 128 . σe = 600 MPa. Tem pouca resistência ao ácido nítrico e cianetos.É usada em resistências elétricas e termopares.310 Ductilidade (%): Coeficiente de Poisson: Dureza (MPa): Módulo de cisalhamento (GPa): Módulo de elasticidade longitudinal (GPa): Limite elástico (MPa): Tenacidade a ruptura (MPa.5 145 .5 .34 .850 53.0.0.7 .7 . Aplicações Ligas de Ni < 25% . resistência elétricas.1650 53.550 80/20 20% de Ni / 0.35 1200 .5 145 .1100 53.0.5% de Fe / 1% de Mn / Cu 0.0. As características mecânicas do monel recozido são σe = 250 MPa.14 .4 . ácidos sulfúrico.Aplicações do cuproníquel.34 .690 oC e não deve ir além de 800 oC para evitar a precipitação de carbono presente. as microestruturas são idênticas.5% de Si / Cu 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1. Dr. σe = 770 MPa. Cláudio R.3 . elevada resistência ao desgaste e a corrosão.35 0. diafragmas e cabos 98 . A sua resistividade elétrica é de 41 µΩ.

5 . Losekann Direitos autorais reservados flexíveis.1450 MPa 99 . obtêm-se ligas com características interessantes após endurecimento por revenido devido a precipitação.470K Resistividade: 15. facilmente deformadas na condição de peça fundida ou temperada.5 x 10-6/K Condutividade térmica: 85 .Diagrama de fases da liga binária Cu-Be.8% de berílio e 0. São também usadas em matrizes para fundição.35 Dureza: 600 MPa Módulo de cisalhamento: 45 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.34 -0.01 .210 W/m.52 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 120 .0.3% de Be Temperatura máxima de serviço: 330 .K Calor latente de fusão: 220 .m1/2 Tensão de compressão: 110 . Figura 4.70 MPa. componentes de alta condutividade e componentes elétricos que necessitam alta resistência mecânica.135K no eutéctico de 5.K Ponto de fusão: 1.1. Por têmpera.20 x 10-8 ohm. produz-se uma solução macia sobressaturada que pode ser endurecida por trabalho a frio.25 a 8.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.138 GPa Limite elástico: 110 .1200 MPa Tenacidade a ruptura: 15 . portanto.75 kgf/dm3 Calor específico: 390 . São. a partir de 800 o C. moldes. componentes eletrônicos.5% de cobalto ou níquel. clipes. Cláudio R. Com a composição de 1.15 .19. A solubilidade do berílio no cobre varia com a temperatura.45 % Coeficiente de Poisson: 0. Dr.413 J/kg.1200 MPa Tensão de ruptura por tração:300 .85 . Propriedades físicas Peso específico: 8. em martelos e outras ferramentas quando é necessário propriedades não magnética.

conseguindo-se obter um valor que é 40% em relação ao cobre. Si < 5% e Cu > 90%.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE As ligas de cobre são classificadas em dois grupos: ligas dúcteis e ligas para fundição. Latões especiais Cobre-níquel ou cobre-níquel-zinco Alpacas C 7XXXX As ligas são identificadas pela letra C. esse código indica que é uma liga de cobre e zinco. Só tem interesse as ligas monofásicas até 4% de Si. zinco ( especiais ) bronze de silício.2 . Si < 3% e Al + Fe + Mn + Sn + Zn < 7%. seguida de cinco algarismos.3. conhecida popularmente como latão. é baseada na ASTM. Classe C 1XXXX C 2XXXX C 3XXXX C 4XXXX C 5XXXX C 6XXXX Liga dúcteis Designação comum Cobre puro e ligas com alto teor de Cobre cobre Cobre-zinco Latões Cobre-zinco-chumbo Latões com chumbo Cobre-zinco-estanho Latões especiais com estanho Cobre-estanho Bronzes Cobre-alumínio. devido a trabalho a frio. São aplicadas nas linhas telefônicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. obtém-se resistências muito elevadas (750 MPa para 1% de Si). O primeiro ou os dois primeiros algarismos indicam a classe do material e os dois últimos referem-se a identificação desse material. Dentro de duas classificações elas ainda são designadas com sua composição química.Ligas de cobre e silício Têm composições dos tipos: Cu > 95%.Bronzes de alumínio. As ligas dúcteis são designadas a seguinte maneira. Dr. Cláudio R. São maleáveis e dúcteis. São deformáveis a quente e a frio.4% de níquel. Por endurecimento.3. Considere a liga C 22000.6 . Onde está estabelecido é a NBR 7554.1. 4. cobre. Losekann Direitos autorais reservados 4. A condutividade elétrica é melhorada com a adição de 1. cobre-silício. embora menos que o cobre. Classe C 80XXX a C 81100 C 81XXX a C 82XXX C 83XXX a C 84XXX Liga para fundição Cobre puro Ligas com elevado teor de cobre ( exceto 81100 ) Cobre-estanho-zinco com ou sem chumbo e com teor de zinco igual ou maior que do estanho Cobre-zinco (com ou sem chumbo ) Cobre-zinco 100 Designação comum Cobre com pequenas adições Bronzes especiais C 85XXX C 86XXX Latões Latões especiais de .

o sistema de designação é o mesmo. fusibilidade. bronzes zinco com teor de zinco inferior especiais.INTRODUÇÃO O níquel comercialmente puro. O níquel é um metal que ligado a outros transmite propriedades distintas e características na liga resultante.1 . de chumbo. A que foi escolhida está entre 93XXX e 945XX. Bronzes. Muito importante tanto na metalurgia de ligas ferrosas quanto na de não ferrosas. portanto C 94400 é uma liga cobre-estanho com elevado teor de chumbo ou liga de cobre-estanho-zinco com elevado teor de chumbo. Cláudio R. Cobre-estanho-zinco com Bronzes especiais. com elevado teor de chumbo. é obtido por eletrólise. É um metal branco de brilho intenso quando polido. designando um bronze comum ou especial. Cobre-estanho-níquel com Bronzes com níquel outros elementos Cobre-alumínio Bronzes com alumínio Cobre-níquel-ferro Cobre-níquel-zinco com outros Alpacas elementos Cobre-chumbo Ligas diversas Nesta segunda tabela. Losekann Direitos autorais reservados C 87XXX C 90XXX a C 91XXX C 92XXX C 93XXX a C 945XX C 947XX a C 949XX C 95XXX C 96XXX C 97XXX C 98XXX C 99XXX elevada resistência mecânica Cobre-silício Bronze de silício Cobre-estanho. na última fase. soldabilidade aliada a uma boa resistência mecânica e tenacidade. Para certas ligas assegura resistência a corrosão.Bronzes. a uma refinação eletrolítica. sendo o níquel bruto submetido.98%. Seu minério é a garnierita com aproximadamente 5% de Ni. cobre-estanho. tendo todas as qualidades mecânicas e tecnológicas que podemos exigir de um metal: maleabilidade. O processo de extração se faz de modo semelhante ao do cobre. É mais resistente a corrosão e oxidação do que o ferro. Ni > 99. cobre-estanho-zinco Bronzes especiais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. na tabela existem várias ligas da classe 9. a outras assegura módulo de elasticidade constante numa extensa faixa de temperatura. chumbo e teor de zinco inferior ao de estanho Cobre-estanho com elevado teor Bronzes.NÍQUEL E SUAS LIGAS 5. 101 . Veja um exemplo: C 94400. Dr. 5 . ao de estanho Cobre-estanho com chumbo.

1%.0.25% e Si < 0. cobre < 0.730 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13. 102 .cm [6. tubos de fornos da engenharia química e em tratamentos de superfície como niquelagem de peças.5% de pureza. O níquel destinado a elaboração das ligas deve ser de no mínimo de 98.25%. queimadores. Fe < 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.451 oC [1. com exceção do módulo de elasticidade longitudinal correspondem ao metal recozido.1 . Propriedades físicas Massa atômica: 58. Oferece também boa resistência ao desgaste. Como conseqüência da sua estrutura cristalina e como evidenciam as suas propriedades mecânicas.15K] Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.005%.5%. a = 0.m1/2 Tensão de compressão: 180 MPa Tensão de ruptura por tração: 400 MPa Alongamento: 40% Estricção: 45% Estas características.PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS 5.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6.234 GPa Limite elástico: 150 a 1600 MPa Tenacidade a ruptura: 60 .3 x 10-6/ oC [13.K Calor latente de fusão: 284 . usinagem.130 MPa. o níquel é muito maleável e é o mais tenaz de todos os metais puros. elementos térmicos.71 g Peso específico: 8.cm-1. O níquel industrial contém sempre um pouco de carbono.3 .2.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0. Dr. O enxofre pela sua ação fragilizante deve ser limitado a 0. cobalto < 0.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC.15K] Ponto de ebulição: 2.76.520 J/kg.NÍQUEL As aplicações mais comuns do níquel e suas ligas são para equipamentos que devem suportar temperatura elevada como pás e discos de turbinas.2 .K] Ponto de Curie: 358 oC Calor específico: 381 .300 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 600 oC [873. oC-1 [11 -90 W/m. Losekann Direitos autorais reservados 5.21 cal. Cláudio R.6% Coeficiente de Poisson: 0.724.04 . ligas magnéticas.352 nm Ponto de fusão: 1.3.0.90 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 180 .32 Dureza: 110 HB Módulo de cisalhamento: 69 .s-1.10-8 Ω.76 µΩ. Os principais processos de fabricação de peças a base de níquel são fundição. conformação mecânica e metalurgia do pó.

além disso. Aplicações As principais aplicações do níquel residem na excelente resistência a corrosão e como componente de diversas ligas. sob a forma de precipitado e dá lugar a endurecimento estrutural.2 .1 . em geral. moedas. 14% às ligas de Cu e Zn. Dr. Na construção mecânica a sua maior utilização é como revestimento. 5. etc. emprega-se nas indústrias químicas e de alimentos. chapas de aço recobertas de níquel por laminação.Aplicações do níquel. o níquel é susceptível de um ataque geral bastante ativo e de um ataque intergranular por gases que contenham enxofre ou compostos sulfurados. em revestimentos eletrolíticos ou químicos. Assim. Cerca de 64% do Ni produzido é empregado para adições no aço e no ferro fundido. aços inoxidáveis. níquel-molibdênio e níquel-cobalto. etc. 9 % em galvanoplastia e 3% para ligas de resistência elétrica e peças resistentes ao calor. o ferro e o cromo. Entra. bronze. amônia. instrumentos cirúrgicos. soluções salinas e ácidos orgânicos. devido a formação de filmes intracristalinos de Ni3S2 que funde a 787 oC e que pode dar com o níquel um eutéctico de ponto de fusão ainda mais baixo. É componente principal. principal dos seguintes sistemas de ligas: níquel-berílio. 9 % em ligas à base de níquel tais como Ni maleável. os de maior interesse são o cobre. Em temperaturas superiores a 375 oC.2. folhas de níquel . Losekann Direitos autorais reservados Propriedades químicas O níquel tem elevada resistência á corrosão. Tem boa resistência aos álcalis. Figura 5. Cláudio R. 103 . A dessulfuração é feita com manganês e magnésio que dão lugar a sulfuretos que não formam eutécticos com o níquel.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. É atacado unicamente pelo ácidos nítrico.LIGAS DE NÍQUEL O níquel forma soluções sólidas de substituição com numerosos metais dos quais. níquel-cromo. sulfúrico e clorídrico. como componente secundário em várias ligas como latão. 645 oC. A absorção de oxigênio fragiliza o metal e na sua desoxidação utilizam-se adições de boro e de titânio. Estas ligas são monofásicas e quando intervém uma segunda fase é. E inalterável ao ar úmido e resiste é maior parte dos agentes químicos.

Com adição de ferro formam-se ligas complexas. a altas temperaturas. apresenta boa resistência à oxidação. obtendo se tensões de ruptura a tração de 860 MPa e uma dureza de 270 HB. tal como nos casos das ligas cobre-berílio.Ligas de níquel e berílio A importância destas ligas deve-se a possibilidade de endurecimento estrutural. isto é. Adições de nióbio e zircônio melhoram a ductilidade e a fluência. não apresenta fragilidade de sobreaquecimento. molas. Mantendo durante tempo prolongado a 1. 16% de Cr.2. conhecidas por hastelloys de excepcional resistência a ácidos em altas temperaturas e de elevada resistência mecânica. Após têmpera em água. de miscibilidade parcial no estado sólido.2 .2. a resistência sobe para 1. obtêm-se uma liga macia que pode endurecer por revenido a 600 . A dureza pode ser ainda aumentada com 1% de Ti em ligas utilizadas para esferas inoxidáveis para mancais de rolamentos. etc. Tipo Ni Hastelloy A 56 Hastelloy B 62 Hastelloy C 53 Composição (%) Mo Fe Cr W 22 22 32 6 19 6 17 5 Resistência a corrosão Ácido clorídrico Ácido clorídrico Agentes oxidantes. a liga com 2% de Be. Pertencem a este tipo as ligas Nicrome (60% de Ni. entre 800 oC e 1. obtém-se resistência a tração de 1.2. com Ni > 70%.3 . Se for deformada a frio e depois revenido.850 MPa e um alongamento de 8% que assegura a sua aplicação em agulhas para injeção. A liga mais clássica é a liga NiCr 20 (Nimonic) que.2.080 MPa e com dureza de 310 HB.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A adição de ferro é. Cláudio R. Dr. soluções a base de cloro e ácido nítrico 104 . ligas susceptíveis de endurecimento estrutural. A tabela abaixo mostra a composição e aplicação destas ligas. As ligas NiCr 50 servem para fundição e são usadas em caldeiras e refinarias. 5. 24% de Fe) e Inconel (60% de Ni. Assim. equivalente ao níquel.2. com a vantagem de se usar um teor de berílio mais baixo e a dureza obtida ser mais elevada.Ligas de níquel e cromo Neste sistema. estruturalmente.1 . 4. 24% de Fe).800 oC. 16% de Cr.2. Losekann Direitos autorais reservados 5. Esta liga é usada em resistências elétricas visto que a sua resistividade é bastante elevada e varia pouco com a temperatura. as ligas de maior interesse são as ligas monofásicas de estrutura CFC.berílio. tratada após endurecimento por deformação a frio.100 oC.Ligas de níquel e molibdênio São como as ligas de níquel .200 oC.

INTRODUÇÃO O cobalto foi empregado pela primeira vez como metal de adição nas ferramentas de aços rápido em meados de 1.9%.COBALTO Consegue-se obter um elevado grau de pureza.8.0. Também é utilizado para melhorar propriedades dos aços em relação as resistência a alta temperatura.500 MPa 105 .10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6.15K] Ponto de ebulição: 3. Losekann Direitos autorais reservados 6 .1.950 seu uso teve maior importância para fabricação de ligas complexas como turbinas e pastilhas cerâmicas. oC-1 Ponto de Curie: 1. usinagem. mesmo por fusão e vazamento. 99.0.493 oC [1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.COBALTO E SUAS LIGAS 6.766.40 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 345 .98%.1 . mas apenas a partir de 1.32 Dureza: 125 HB [1.PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS 6.05 .0.2.s-1. Taxa de reciclagem: 0. 6.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.910.100 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.1 Propriedades físicas Massa atômica: 58.95 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 21 GPa Limite elástico: 240 MPa Tenacidade a ruptura: 25 .361 nm Temperatura de transformação: β → α: 427 oC [700. Pelo processo de fusão por zona flutuante consegue-se um grau de pureza de Co = 99. c/a = 1.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.93 g Peso específico: 8.4 µΩ. Dr.31 .1 .8 x 10-6/ oC [13.cm [6.cm-1.3 % Coeficiente de Poisson: 0.4. Cláudio R.K Calor latente de fusão: 260 . As aplicações mais comuns são em implantes cirúrgicos.623 nm β CFC. Os principais processos de fabricação de peças a base de cobalto são fundição.121 oC Calor específico: 456 .03 .2 .165 cal.10-8 Ω.250 MPa] Módulo de cisalhamento: 76 .266 kJ/kg Permeabilidade magnética: 68 até 245 gauss/oersted Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.520 J/kg.15K] Ponto de fusão: 1. conformação mecânica e metalurgia do pó. a = 0.

em geral.2 .11 Invar Vitalium 54 64 9. Aplicações É essencialmente utilizado como elemento de liga. aproveitando-se especialmente as suas propriedades refratárias.6 Peças resistentes em temperaturas elevadas.25 25 .65 Dif. fundição de precisão Imãs permanentes Peças resistentes a corrosão e a abrasão (ferramentas. magnéticas e de resistência a abrasão.35 40 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. propriedades magnéticas especificas.35 12 . Dr.Aplicações do cobalto. podem se classificar nos tipos que constam a tabela abaixo. Tipo Superliga s HS 23 Co 66 Ni 2 Composição (%) Cr Fe 24 1 Aplicações C 0.3 0. sobretudo a quente (forma β) e pode ser extrudado em arame fino. segundo a composição. 6.1 . boa resistência à corrosão. >1 Al 5 . etc. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de ruptura por tração: 760 . válvulas) Instrumentos de precisão Próteses Alnicos Estelites 5 .2.2.5 30 36. propriedades mecânicas excelentes.100 MPa Alongamento: 8 % O cobalto pode ser utilizado em trabalho a frio e a quente.4 Mn 0. Cláudio R. tesouras.5 5 106 . São.LIGAS DE COBALTO Estas ligas são caracterizadas por propriedades muito especiais: refratariedade. ligas muito complexas que. Figura 6.

Elas contêm outros ácidos orgânicos aos quais o titânio é inerte. Disso decorre sua propriedade mais importante: a resistência a corrosão a água salina e outras soluções cloretos.43 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC. passou a ter um interesse grande com o desenvolvimento das indústrias de aviação e nucleares. No titânio comercial os teores de não-metais estão. geralmente.587 nm β CCC. oC-1 [4 . 7.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a = 0.08% de C. pois os fluidos que existem dentro de nosso corpo são soluções salinas.TITÂNIO E SUAS LIGAS 7. em sua superfície.5. conformação e metalurgia do pó.037 cal.15K] Ponto de ebulição: 3.332 nm Temperatura de transformação: β → α: 880 oC [1.1 . O fato mais interessante a respeito do titânio é que.TITÂNIO Este metal. Em contado com o ar. 0.21. com Ph ácido.1 . Os processos de fabricação usuais de peças a base de titânio são: fundição.2 .9 W/m. Cláudio R. Dr.5 x 10-6/ oC [8. Propriedades físicas Massa atômica: 47. embora ele exista em grande quantidade na crosta terrestre .933. um oxido impermeável e protetor muito importante em um meio muito corrosivo. limitados a 0. placas e pinos para unir ossos. Tem características mecânicas superiores aos do ferro que podem ser ainda melhoradas em certas ligas. Essa qualidade torna-o ideal para a fabricação de prótese humanais tais como componentes de válvulas cardíacas. usinagem. forma-se. mas é pouco resistente a fluência.370 kJ/kg 107 .alta resistência a corrosão e por ter.260 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 8. Losekann Direitos autorais reservados 7 .PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS 7. 55% da densidade do aço. hipocloritos e ao cloro úmido e a resistência ao acido nítrico.015% de H.K Calor latente de fusão: 360 .90 g Peso específico: 4.10-8 Ω.650 J/kg.K] Calor específico: 510 . c/a = 1. O calor específico e a condutividade elétrica e térmica do titânio são idênticas dos aços inoxidáveis.cm [50.cm-1.153.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.660 oC [1. o custo de sua obtenção é muito alto. o berílio e o nióbio.2. aproximadamente.s-1. tal como o zircônio.15K] Ponto de fusão: 1.INTRODUÇÃO O Titânio é um metal não-ferroso que ganhou importância estratégica há somente 40 anos por sua alta resistência mecânica .05% de N e 0.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 50 µΩ.

125 GPa Limite elástico: 172 -1. e a numerosos produtos químicos.0. É atacado por soluções concentradas de ácidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1. Dr.358 . molibdênio.3 % Coeficiente de Poisson: 0. tem grande afinidade com o oxigênio. ou seja. manganês e estanho.123 MPa. carbono e hidrogênio.1 .050 MPa Tenacidade a ruptura: 55 . Essas ligas são usadas na fabricação de próteses.0. níquel. não-metais que o tornam frágil. Cláudio R. Aplicações Os elementos que são adicionados as ligas resistentes corrosão são: paládio (Pd). o titânio é susceptível de corrosão sob tensão em presença de cloretos.02 . Ligas de titânio com alumínio e estanho e alumínio e vanádio são usadas em aplicações muito especiais. Acima de 350 oC. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.364 Dureza: 200 HB [2.1. relação resistência mecânica/peso muito elevadas em temperaturas abaixo de zero (entre -196 e -269 ºC ). Figura 7. alumínio. nitrogênio. água salina. elas são empregadas em vasos de pressão que fazem parte do sistema de controle de propulsão e reação dos foguetes que transportaram as naves Apollo e Saturno e dos módulos lunares. 108 . Por isso. São empregados também em rotores de bombas usadas para bombear hidrogênio líquido.Aplicações do titânio.400 MPa Tensão de ruptura por tração: 241 . até mesmo os orgânicos.m1/2 Tensão de compressão: 130 .280 MPa Alongamento: 28 % Propriedades químicas Em temperatura elevada. pois apresentam resistência específica.50 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 95 . em particular os que contém cloro. Resiste bem a todos os meios naturais (atmosfera.000 MPa] Módulo de cisalhamento: 35 .

e Resistência à corrosão em salmoura a altas temperaturas e em meios oxidantes e redutores.74 gf/cm³. em geral. o magnésio e suas ligas formam uma película natural de hidróxido de magnésio ou de carbonato de magnésio que facilita a continuação do ataque. e Elevada resistência específica e a altas temperaturas. Losekann Direitos autorais reservados 7.INTRODUÇÃO O magnésio é um metal branco. segundo a composição. Suas principais aplicação eram em certos processos químicos e pirotécnico. Molibdênio.2. Geradores de turbinas a vapor e a gás. A baixa resistência a corrosão é uma das desvantagens do magnésio. bem como na indústria automobilística. zircônio e estanho. Inalterável ao ar seco. Dr. Alumínio.MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8. leve com ponto de fusão 650 ºC. magnésio desempenha um papel importante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. podem se apresentar conforme a influência dos elementos adicionados e suas aplicações de acordo com a tabela abaixo. resistente à corrosão. molibdênio. O coeficiente de dilatação térmica linear é maior do que o coeficiente de dilatação térmica linear do Al e a maioria de suas ligas ferrosas. menor ductilidade. ligas muito complexas que. níquel Resistência a temperaturas elevadas. Cláudio R. Peças estruturais naves supersônicas.2 . silício. 8 . 109 . ELEMENTO ADICIONADO Alumínio. A propriedade mais importante do magnésio é seu baixo peso específico 1. Resistência mecânica e à corrosão sob tensão. Ao contrário do Al. Na indústria aeronáutica. molibdênio INFLUÊNCIAS APLICAÇÕES Estruturas aeroespaciais.1 . paládio. vanádio.LIGAS DE TITÂNIO São. Tanques e tubulações em indústrias químicas. Outra propriedade importante aliada ao magnésio e suas ligas é facilidade de ser usinado. Devem ser adequadamente protegidas a sua superfície. de Molibdênio.

2. O magnésio industrial contém cerca de 0.10-8 Ω.cm-1. Dr.8% de impurezas como K. aeroespaciais.29 . por isso.050 J/kg.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 4.36 GPa Módulo de cisalhamento: 15. E inalterável em meio alcalino.3 . Losekann Direitos autorais reservados 8.0. Propriedades físicas Massa atômica: 29.46 µΩ.350 MPa Tensão de ruptura por tração: 138 . pode proteger as camadas subjacentes. somente após um tratamento oxidante.120 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 26. O magnésio pode ser obtido bastante puro (Mg > 99.0.220 MPa Tenacidade a ruptura: 11 .K] Calor específico: 960 . mas muito atacado em atmosferas marinhas.03 . Si.MAGNÉSIO Nas características acima descritos.2 . zinco e níquel.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.46.15K] Ponto de ebulição: 1.305 Dureza: 36 HB [36 MPa] Módulo de Bulk: 32 .739 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): HC.s-1. c/a = 1. a maleabilidade é baixa e por isso a obtenção de peças só pode ser feita por fundição e trabalho a quente à temperatura de 300 a 900 oC.1.624 nm Ponto de fusão: 650 oC [923.cm [4.17 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 40 . automotivos.2. Al e Ca.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.80 W/m.366 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.18 MPa.27. oC-1 [51 .m1/2 Tensão de compressão: 80 . nucleares e produtos 110 . É inalterável ao ar seco à temperatura ambiente.1 . Aplicações Equipamentos esportivos.6 .14 % Coeficiente de Poisson: 0. tem influência o tamanho de grão do metal.1 x 10-6/ oC [24.32 g Peso específico: 1. De acordo com a sua estrutura cristalina.K Calor latente de fusão: 358 .310 MPa Propriedades químicas Tem extraordinária afinidade com oxigênio e. Fe. ao ar úmido forma uma película superficial de Mg(OH)2 que. se utiliza com desoxidante de certas ligas de cobre.45 GPa Limite elástico: 80 .37 cal.PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8. ácidas e soluções de cloretos.99 %).

Fe. 9 .Aplicações do magnésio. 8. Cu e Zn.15K] Ponto de ebulição: 907 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 . do magnésio entram na sua composição o Al.31. considerando que os teores de alumínio devem ficar em torno de 8% em virtude da formação do composto metálico Mg3Al3 que dificultam a deformação a quente.5% de Zn e 0. Mn. cujos teores não ultrapassam l0% em massa.2 .856 nm o Ponto de fusão: 419 C [692.2% de Mn e suas características mecânicas após a têmpera e revenido a 250 oC por 5 horas são: limite elástico de 15 kgf/mm2 e tensão de ruptura a tração de 26 kgf/mm2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.ZINCO E SUAS LIGAS 9.38 g Peso específico: 7.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 5. Losekann Direitos autorais reservados Figura 8.34. Cd. Cláudio R. o teor máximo de chumbo é de 0.5% de Al. Zn.m] 111 .10-8 Ω. Dr. Não é susceptível de endurecimento a frio devido baixa temperatura de recristalização e a estrutura cristalina explica a anisotropia importante verificada nos produtos de zinco laminados.957 µΩ. c/a = 1.957 . 0. O zinco 99. O principal objetivo destas ligas e a diminuição de peso que pode atingir 20 a 35 % de peso em relação ao alumínio.2. Sn e Cu.34 x 10-6/ oC [28 .LIGAS DE MAGNÉSIO O magnésio entra na composição das chamadas ligas leves. 9. As impurezas normais do zinco são Pb. Além. Para outras utilizações.PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 65.1 .14 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.INTRODUÇÃO É um metal pouco resistente á tração e a fluência o que reduz as suas possibilidades como material de construção.006%. A principal liga tem a seguinte composição: 8.1 .99% destina-se a fundição injetada. Outras ligas com a adição de zircônio e composições aproximadas tem dado bons resultados de resistência mecânica.cm [5.6.2 .

previamente decapada. isto é. o zinco é utilizado como ânodo. É facilmente atacado por ácidos e álcalis.cm . Esta propriedade é aproveitada quando se utiliza o zinco ou materiais zincados em coberturas expostas à atmosfera. em presença de ar úmido.5 . C [108 . Aplicações As suas aplicações baseiam-se essencialmente como películas protetivas em metais. Dr.397 J/kg. Em relação ao seu potencial eletroquímico confere uma aplicação importante na proteção superficial.3 % Coeficiente de Poisson: 0. .Pintura com tintas com elevada percentagem de zinco em pó. onde ocorre deposição do zinco sobre o aço por meio de solução eletrolítica de sais de zinco.113 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. a sua formação é muito mais lenta levando cerca de 3 meses. Assim é usado em coberturas. Revestese de uma camada de hidrocarbonato que protege o metal subjacente.500 MPa Alongamento: 50 % Propriedades químicas Resiste bem a corrosão pelos agentes atmosféricos e pela água. Figura 8. como o aço. corroendo-se e protegendo assim o aço ou qualquer outro metal. a qual leva.248 .104. em atmosfera seca.421 MPa Tensão de ruptura por tração: 200 .K] Calor específico: 385 .zincagem eletrolítica (tratamento termoquímico).25 Dureza: 50 HB [500 .0.42 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 80 .5 GPa Limite elástico: 160 -421 MPa Tenacidade a ruptura: 18. canalização de esgotamento de chuva em telhados.K Calor latente de fusão: 108 . Cláudio R.1260 MPa] Módulo de cisalhamento: 32 .zincagem a quente por imersão (galvanização). Os principais processos de proteção de revestimento de zinco são: .0.265 cal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II o -1 -1 o -1 Prof.115 W/m.1 .m1/2 Tensão de compressão: 160 . .Aplicações do zinco. cerca de 3 dias a se formar. Losekann Direitos autorais reservados Condutividade térmica: (20 C): 0.1 . 112 .40 MPa. onde a peça. é imersa em zinco fundido. enquanto que.s .

9. O magnésio pode ser adicionado. níquel e cromo) ou por pinturas com tintas e vernizes. brinquedos. É bom condutor de eletricidade embora não seja magnético e mau condutor de calor. antifricção. componentes de aparelhos eletrodomésticos. É resistente a água do mar e aos ácidos. fechaduras. dobradiças. Funde-se a 327ºC. Cu. Oxida-se com facilidade em contato com o ar. alto coeficiente de expansão térmica. mas é fortemente atacado por substâncias básicas. como inibidor da corrosão intergranular. facilidade em fundir e formar ligas com outros elementos.1 .LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO De todas as ligas não-ferrosas para fundição por injeção.LIGAS DE ZINCO O zinco entra na composição de numerosas ligas como componente secundário ou componente menor . Pode ser endurecido em liga com enxofre ou antimônio.2. precipitam-se nos contornos de grão. Outras propriedades que permitem grande variedade de aplicações são: elevado peso específico.CHUMBO E SUAS LIGAS 10. Dr. É facilmente laminado. etc. A fluidez no estado líquido e as propriedades mecânicas são melhoradas pela adição de Al. O magnésio contraria este efeito e refina o grão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. carburadores. componentes de relógios. quase puras.INTRODUÇÃO O chumbo é um metal de cor acinzentada pouco tenaz. engrenagens. maçanetas. com teores de até 0. A liga zamac é a que tem maior importância.1 .2 . boa condutividade elétrica. alpacas. estas ligas são as de maior utilização devido as suas particularidades físicas. As principais aplicações destas ligas encontram-se em: componentes de automóveis como radiadores. Losekann Direitos autorais reservados 9. aspiradores. porém dúctil e maleável. O principal minério do 113 . A fabricação destas ligas exige matériasprimas. principalmente o zinco. de acordo com o teor de alumínio e outros elementos. A boa fluidez permite a fundição de peças de formas complexas com paredes finas.2. Estas impurezas.latão. formando um par galvânico que dá lugar a forte corrosão em atmosfera úmida. componentes de equipamentos elétricos. sobretudo chumbo e cádmio. — mas este elemento tem também interesse como componente principal em ligas para fundição e ligas para forjamento e estampagem. Na sua maior parte esta liga tem composições hipoeutécticas. mecânicas e de fundição associadas à capacidade de serem facilmente revestidas por eletrodeposição (cobre. geralmente até 4% de Al e até 3% de Cu para melhorar as propriedades mecânicas e a corrosão. Cláudio R. roldanas. manômetros. Sn e Pb. 10 . Os zamacs são extremamente sensíveis às impurezas. pois é o mais mole dos metais pesados.05%. flexibilidade.

Cláudio R.44 .cm [20.2 g Peso específico: 11.3 x 10-6/ oC [28 . entretanto.61 .m] Condutividade térmica: (20 oC): 28 . redução dos óxidos. a = 0. prata e antimônio.Em geral. Aplicações Devido ao seu elevado peso específico é usado como contrapeso em determinados equipamentos e nos lastros de navios.m1/2 Tensão de compressão: 5. destilação a vácuo e refino.492 nm o Ponto de fusão: 327 C [600.29. é na fabricação de baterias.106 /K] Resistividade: (20 oC): 20. retirada da prata.21.2 . devido é existência de sulfatos e/ou de carbonatos forma-se também uma camada insolúvel de sulfato e/ou carbonato de chumbo que permite o emprego deste metal em condutas de água potável sem perigo de toxicidade.61 µΩ.PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 207.3.35. o chumbo recobre-se de uma camada protetora de Pb20 e de hidrocarbonato.25 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.170 J/kg.60 MPa Alongamento: 60 % Propriedades químicas Ao ar.34 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α CFC.0. desargentação.749 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 . Ele pode ser laminado a espessuras de até 0.5 .50 MPa.88. é atacado por água muito pura.50 MPa Tenacidade a ruptura: 30 . formação do aglomerado. o chumbo e moldado com 114 . Losekann Direitos autorais reservados qual o chumbo é extraído é a galena (PbS).0.8 % Coeficiente de Poisson: 0.3 W/m.45 Dureza: 1.18 GPa Limite elástico: 5.5 . 10. E. mas as principais são: concentração por flotação.K Calor latente de fusão: 23.2 .O processo de obtenção do chumbo tem várias etapas. como a água da chuva. Resistente ao ácido sulfúrico pouco concentrado.50 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 .6 HB [16 .10-8 Ω. pelo contrário. Sua maior utilização (80%).2 .6 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 16. Ao chumbo pode-se acrescentar os seguintes elementos de liga: cobre. Devido o seu baixo ponto de fusão e elevada maleabilidade. É também material utilizado como dispositivos de balanceamento de massa em rodas automotivas. ou seja.5 . Dr.15K] Ponto de ebulição: 1. Na água.29. esse minério possui também prata .150 MPa] Módulo de cisalhamento: 4.01mm.K Calor específico: 159 . cujo teor de chumbo varia entre 1 e 12%.

É o tipo de liga usada para soldas elétricas que. É empregado também em juntas para vedação. gaxetas e arruelas.Com adição de até 2% de prata apresenta boa resistência a corrosão por água salina e tem como principal aplicação a proteção catódica de equipamentos marinhos. passa a ter uma passagem pastosa. Losekann Direitos autorais reservados facilidade. Com composições maiores ou menores. utilizados como fusíveis e sistemas anti-incêndio. com teores de estanho próximo do eutéctico ( 62 % de Sn). usado para revestimento de cabo e laminados como folhas de chumbo. em alguma casos. O Chumbo é usado como isolante acústico e amortecedor de vibrações e isolante de radiações X e γ devido a sua massa atômica. e ligas de chumbo com adição de bismuto. antimônio e estanho. Ligas de chumbo e cobre . Figura 10.183 oC. Com esta composição a liga muda de estado sólido para líquido de forma rápida ao atingir aquela temperatura.É o tipo de liga que apresenta um eutéctico com 11. para placa de acumuladores e acessórios isolantes de radiações. 6 a 12% de Sb.2 % de Sb a uma temperatura de 251 oC. a estricção local. Figura 10. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. o baixo valor da tensão limite de fluência produz. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. Cláudio R. o que provoca falhas em certas aplicações como tubulações de esgoto de grande extensão. 115 .1 . podendo ser utilizada em alguns tipos de fusíveis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Todavia. Outras ligas . produz a menor temperatura de fusão . Ligas de chumbo e estanho .Diagrama de fases da liga Pb-Sb.006% de cobre apresenta boa resistência a corrosão e tem como principal aplicação construção de equipamentos para ácido sulfúrico.Ligas de chumbo.2 . usadas como ligas antifricção. em ligas para fabricação de mancais. - - Ligas de chumbo e prata .Com adição de até 0. - Ligas de chumbo e antimônio . Dr.Diagrama de fases da liga Pb-Sn. cádmio. As ligas de chumbo e antimônio podem ter composições de 1 a 3% de Sb. antimônio e estanho.

e o cobre baixa esta temperatura para -30 oC. só é significativo a temperaturas abaixo de 0 oC. A adição de 2% de prata baixa o ponto de transformação alotrópica para 10 oC.05 .135 MPa Módulo de cisalhamento: 15 . Em virtude de sua baixa temperatura de recristalização não endurece por deformação a frio. Propriedades físicas Calor específico: 213 . alumínio. O estanho forma soluções sólidas com a maior parte dos metais. Dado a transformação e fazendo-se o reaquecimento acima daquela temperatura.504.m1/2 Tensão de ruptura por compressão: 7 .19 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 44 .59 .225 J/kg. sempre que a temperatura se eleva acima de 16 oC.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 .15.35 MPa. o sentido da reação muda. entretanto como o tempo de transformação completa é relativamente longo. São prejudiciais o zinco e o magnésio.66.4 . mas acelera o processo de crescimento de embriões que pode ser impedido pelo bismuto.45 Tenacidade a ruptura: 20 . cádmio.8 kgf/dm3 Resistividade: 12. mas o metal conserva-se em pó.OUTROS METAIS 11.363 Dureza: 21 . antimônio e chumbo.35 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.K Ponto de fusão: 400 . mas se o estanho for conservado abaixo de 16 oC em um período muito longo.60 MPa Propriedades químicas Oferece boa resistência a corrosão. Como a velocidade de transformação é muito baixa.8 W/m.28 . Dr. A baixa temperatura de transformação alotrópica (16 oC) é chamado de doença do estanho.ESTANHO A característica de maior interesse é o seu baixo ponto de fusão que baixa consideravelmente o ponto de fusão em ligas.0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 116 . os embriões (pequenos cristais) de estanho cinzento são recristalizados.0.10-8 ohm. É inalterável ao ar e é água.53 GPa Limite elástico: 7 . quebradiço e pulverulento devido é grande variação de volume que acompanha a transformação.4 % Coeficiente de Poisson: 0.9 K Peso específico: 7. formam-se manchas localizadas de estanho cinzento.1 .23. Losekann Direitos autorais reservados 11 .K Calor latente de fusão:59. É um metal macio mas muito maleável.85.5 10-6/K Condutividade térmica: 30 .60 kJ/Kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 23 . Cláudio R. Resiste bem aos ácidos orgânicos.

K Calor latente de fusão: 258 . elemento de liga em aços. superlotas. Para a indústria de alimentos.18 kgf/dm3 Resistividade:12.208 .518 J/kg. usinagem.94 W/m. Para a estanhagem. 11.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 .88 . tubos extrudados e objetos decorativos. Propriedades físicas Calor específico: 495 .0.13.3 .03 . as folhas de flandres devem ser fabricadas com um máximo de 0.2 . Cláudio R.K Ponto de fusão: 2.7.15 .para ligas antifricção e bronzes. permitindo o revestimento de outros metais como: .2 % Coeficiente de Poisson: 0.folhas de estanho. uniões.140K Peso específico: 7.estanhagem de chapa de aço (folha de flandres). Losekann Direitos autorais reservados Aplicações As principais aplicações do estanho devem-se ao seu baixo ponto de fusão e da sua resistência corrosão. . eletrodeposição.212 117 . Processos: eletrodeposição.49 10-8 ohm.Aplicações do cromo. .CROMO Aplicações: Revestimentos protetores.130 -2. Figura 11.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.262 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 6. o estanho pode conter até 2% de impurezas. Dr.5 10-6/K Condutividade térmica: 78 .6. outros.para a fabricação de soldas. .5% de impurezas no estanho.0.

Cláudio R. Figura 11.690 MPa 11.3 .580 MPa Tensão de ruptura por tração: 550 .500 .37 .2 . contatos elétricos.411 GPa Limite elástico: 500 .30 MPa.0.28 Dureza: 3. outros.430 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .140 J/kg. ligas de aço.02 .5 .680K Peso específico: 16 .Aplicações da tungstênio. Dr.1.430 MPa) Tensão de ruptura por tração: 400 .3.5.0.3 % Coeficiente de Poisson: 0.19.m1/2 Tensão de compressão: 350 . combustível nuclear.K Calor latente de fusão: 190 .K Ponto de fusão: 3. ferramentas de corte.194 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 4.m1/2 Tensão de compressão: 500 .TUNGSTÊNIO Aplicações: Filamentos de lâmpadas incandescentes. Losekann Direitos autorais reservados Dureza: 1.5.026.000 MPa Módulo de cisalhamento: 160 .3 10-6/K Condutividade térmica: 130 -173 W/m.10-8 ohm. conformação. alvos de raio-x. usinagem.26 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.6.920 MPa 118 .286 GPa Limite elástico: 350 .40 MPa. Processos: fundição. uniões.175 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 380 .3 kgf/dm3 Resistividade: 5. Propriedades físicas Calor específico: 133 .300 -2.000 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.120 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 279 .200 MPa Módulo de cisalhamento: 100 .580 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .

K Peso específico: 6. moedas.4 .365 .330 MPa 11. contatos elétricos.K Calor latente de fusão: 100 . implantes. Processos: conformação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. uniões. circuito impresso.PRATA Aplicações: contatos elétricos. revestimentos protetores.6 % Coeficiente de Poisson: 0.31 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 78 .950 MPa Módulo de cisalhamento: 29 .90 Tensão de ruptura por compressão: 30 .3 .6. outros.180 MPa Tenacidade a ruptura:60 .10-6/K Condutividade térmica: 350 .6 . uniões.622 .0. Figura 11. revestimento de equipamentos químicos. fotografia.2.106 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 18.19.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. condutores.818. Cláudio R.9 . Propriedades físicas Calor específico: 234 .84 GPa Limite elástico: 30 . próteses dentárias. espelhos.10-8 ohm.8 kgf/dm3 Resistividade: 1. conformação.429 W/m.Aplicações da prata.180 MPa Tensão de ruptura por tração: 172 .240 J/kg. fundição. 119 .OURO Aplicações: Joalharia.3 .369 Dureza: 250 .0. usinagem. joalharia. medalhas.Processos: fundição. outros.5 . usinagem. Losekann Direitos autorais reservados 11.7. Dr.

Aplicações do ouro.80 MPa.200 MPa Tensão de ruptura por tração:130 . Cláudio R.220 MPa 120 .340K Peso específico: 19.131 J/kg.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.79 GPa Limite elástico: 40 .600 MPa Módulo de cisalhamento: 26 .42 Dureza: 200 .200 MPa Tenacidade a ruptura: 50 .14.203.32 kgf/dm3 Resistividade: 2.m1/2 Tensão de compressão: 40 .10-8 ohm.70 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 14 .318 W/m.19.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Propriedades físicas Calor específico: 129 .340 .41 .4 .K Calor latente de fusão: 64.5 % Coeficiente de Poisson: 0.2.3 .0.2.1.188 .8 .29 GPa Módulo de elasticidade: 78 . Dr.10-6/K Condutividade térmica: 310 . Losekann Direitos autorais reservados Figura 11.K Ponto de fusão: 1.

121 . etano. Exemplos típicos de monômeros são os hidrocarbonetos básicos como metano. a) metano. Os monômeros são moléculas de cadeia pequena. b) n-butano.Monômeros. a) n-pentano. b) Isopentano. a) CH3CH2CH3 b) CH3(CH2)2CH3 c) (CH3)3CH Figura 12. propano. a) CH3CH2CH(CH3 b) CH3(CH2)3CH3 c) (CH3)4C Figura 12.POLÍMEROS 12. a) CH4 b) CH3C c) CH2CH2 Figura 12.INTRODUÇÃO Para conceituar polímeros é melhor definir antes os monômeros. butano e etc. a) propano.Monômeros.3 . c) eteno.2 . Losekann Direitos autorais reservados 12 . c) Neopentano.1 .1 .Monômeros. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. c) isobutano. Cláudio R. b) etano.

na qual um monômero não saturado. Polímeros. o peróxido de benzoíla atua como catalisador. formando outras maiores que contêm os mesmos elementos na mesma proporção que as pequenas. Losekann Direitos autorais reservados Observando os monômeros. Dr. polimeriza pela ruptura de uma ligação covalente dupla. são formados por reações de adição. ou seja. em que dois reagentes geram o polímero. Cláudio R. Exemplo: o polietileno que tem sua estrutura molecular representada pela fórmula geral abaixo. conceitua-se polímeros. Nesta reação. liberando água como um subproduto da reação: 122 .5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila. Grau elevado de polimerização assegura melhores propriedades físicas do produto. sem liberar qualquer produto secundário. também sob condições de temperatura e pressão controladas e na presença de um catalisador adequado. em cujas moléculas comparecem apenas um tipo de unidade básica. Muitos polímeros.4 – Representação de polímero. O número de vezes que se repete a unidade básica na molécula do polímero representa o grau de polimerização. As reações de polimerização podem ser de dois tipos: aditiva e condensada. todo material que intervém na reação é convertido em polímero. sob condições bem definidas de temperatura e pressão. a partir De benzoíla do cloreto de vinila: n n cloreto de vinila policloreto de vinila Figura 12. e em presença de um catalisador adequado. caracterizadas pela repetição de uma unidade básica mero). ou de policondensação. na produção do policloreto de vinila ou Peróxido PVC. É o que ocorre. gerando meros que se interencadeiam. Quando há dois ou mais meros distintos na molécula é dito copolímero. liberando algum produto secundário. os compostos cuja molécula é constituída pela associação de diversas moléculas de outro composto mais simples através da reação de polimerização (reação em que duas ou mais moléculas menores (monômeros) reagem entre si. Figura 12. Outros polímeros são produzidos em uma reação condensada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. são conhecidos como homopolímero. Certas famílias de poliamidas (náilons) são obtidas pela condensação de um ácido adípico com uma diamina. especialmente os vinílicos. por exemplo.

Certas propriedades dos polímeros. átomos ou compostos. A formação de 123 . formando reticulados tridimensionais ou ligações cruzadas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. as ramificações tendem a diminuir as interações entre as mesmas. Assim. a) b) c) Figura 12. Usa-se muito o termo polímero para representar os produtos derivados do petróleo ou hidrocarbonetos naturais (derivado de plantas). Em outras palavras. são afetadas.MORFOLOGIA Os polímeros podem apresentar moléculas sem ramificações (lineares) ou com ramificações. em virtude destas diferentes configurações moleculares. os polímeros podem ser divididos em plásticos e elastômeros. b) cadeia com ramificações incompletas. As ramificações podem ser constituídas de cadeia linear básica ou que promovam a interligação de diferentes cadeias lineares. 12. pode ser considerado um polímero. um macrocristal de SiO2. especialmente a fusibilidade e a solubilidade. c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas. a) Cadeia linear. Cláudio R. os polímeros são cadeias longas de um determinado conjunto de moléculas. com isso impedindo a formação de cristalitos e afetando as propriedades mecânicas.6 – Reação de copolimerização do náilon 66. Dr. Desta forma.2. Ao dificultarem a aproximação das moléculas. A figura abaixo representa estas condições. entretanto é considerado também um material cerâmico.7 – Representação das cadeias poliméricas.2 – PROPRIEDADES 12.1 . Losekann Direitos autorais reservados Ácido acético n Ácido adípico Hexameilenodiamina + n (H2O) n Polihexametileno adipamida (náilon 66) Figura 12. que se forma através de polimerização.

causada pela diminuição de temperatura. certas resinas tendem a se dispor em regiões cristalinas (cristalitos) aleatoriamente orientadas. separadas por regiões amorfas. Os polímeros termorígidos são totalmente amorfos. Dr. Com o resfriamento. conforme é ilustrado abaixo. O termo técnico microestrutura é pouco utilizado pelos especialistas em materiais e é preferido o termo morfologia.8 – Formas isoméricas. Os cristalitos satisfazem aos requisitos geral de cristalinidade – um arranjo ordenado das moléculas que exibem franjas de interferência definidas ao raio-X. 124 . O grau de cristalinidade de um polímero depende muito da distribuição geométrica dos radicais méricos no espaço. Os materiais poliméricos totalmente cristalinos são muito raros e tem pouco significado econômico. dando um produto infusível e insolúvel. a)Polímero isostático b) Polímero sindiostático c) Polímero atático Figura 12. Cláudio R. Em temperaturas acima do ponto de amolecimento. os termoplásticos apresentam-se freqüentemente cristalinos. por outro lado. Losekann Direitos autorais reservados ramificações tridimensionais impede o deslizamento relativo das moléculas. Por exemplo. embora existam termoplásticos totalmente amorfos. aumentando a resistência mecânica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com as moléculas em forma de novelo e caótico. A estrutura molecular dos altos polímeros pode ser amorfa. é possível obter-se pequenos cristais de polietileno por meio de precipitação em toluol. cristalina ou cristalina e orientada. Os radicais méricos podem estar arranjados de três maneiras. todas as estruturas apresentam estruturas amorfas.

transparência. A propensão a cristalização é maior nos arranjos isostáticos. podem desenvolver-se regiões esféricas contendo material cristalino (esferulitos). Se um termoplástico é aquecido. alcançando dimensões que podem ser alguns micrômetros de diâmetro. tornando possível a movimentação relativa das moléculas e. Um novo aquecimento novamente torna-o amolecido para moldagem. que depende das condições de moldagem. mas sim uma mistura deles.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.9 – Cristalinidade em polímeros. a deformação do polímero amolecendo-o. Cláudio R. enquanto que as regiões amorfas conferem elasticidade. Um controle do teor de esferulitos. Losekann Direitos autorais reservados Quando o radical localiza-se sempre do mesmo lado da cadeia diz-se que o arranjo é isostático. estas interações são mais enfraquecidas. maciez. termoduros). A figura abaixo representa estas condições de cristalinidade. permite um controle das propriedades mecânicas e óticas da peça.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM Os materiais poliméricos podem ser classificados em duas categorias: termoplásticos ou termoestáveis (termofixos. que se evidencia por uma sensível transparência progressiva de certos polímeros. Quando a cristalização é nucleada em uma resina rapidamente resfriada.2. tornando-o rígido novamente. ao completar-se a polimerização. às vezes. o arranjo é denominado atático. 12. Em alguns materiais poliméricos. Dr. Os termoplásticos podem ser endurecidos ou amolecidos reversivelmente. eventualmente apresentam ramificações. Os polímeros raramente apresentam apenas um único tipo de arranjo. como a borracha. flexibilidade e. Figura 12. A distribuição das regiões cristalinas em um polímero parcialmente cristalino é objeto de pesquisa. desde que não seja superada sua temperatura de degradação. razoável nos sindiotáticos e pequena nos atáticos. possuírem moléculas com cadeia predominantemente linear. e apresentam maior rigidez e resistência mecânica e térmica. diz-se que o arranjo é sindiotático. 125 . As regiões cristalinas são mais densas. que crescem radialmente em direção à região amorfa adjacente. portanto. Se o radical localiza-se dos dois lados da cadeia de forma organizada e repetitiva. a cristalização pode ser facilitada através de aplicação de tensões externas e desaparece gradualmente com aquecimento. Os termoplásticos caracterizam-se por. O resfriamento restabelece as forças de ligação intermoleculares. Quando não existe regularidade na distribuição dos radicais.

A cura pode ser induzida à temperatura ambiente. produtos líquidos de alto ponto de fusão e baixa taxa de evaporação. por causa do calor ou de um agente de cura ou mesmo de um catalisador. fibras de vidro e de carbono que tem por objetivo também de melhorar as propriedades mecânicas. Catalisadores são substâncias químicas que. Os polímeros termoestáveis geralmente apresentam melhor resistência à temperatura. que são adicionados às resinas. principalmente nos plásticos. estabilidade dimensional. O primeiro estágio.2. em determinados casos. Outros tipos de carga são tecidos. Aditivos antioxidantes tem por objetivo retardar o envelhecimento do plástico. Corantes e pigmentos tem a finalidade de conferir cores aos polímeros. Cláudio R. agentes de esponjamento. reduzindo a aderência do polímero às superfícies metálicas do molde. cujas moléculas apresentam cadeias lineares ou ramificadas. que são altamente estáveis à temperatura e à deformação. os plásticos tendem a se degradar com o tempo quando estão expostos a ação de raios ultravioletas e da ação do oxigênio. corantes e pigmentos. Exemplos de catalisadores são o peróxido de benzoíla e ácido acético na 126 . Dr. A serragem e pós-metálicos são utilizados para reforçar e economizar resina.ADITIVOS Para a produção de peças em material plástico são utilizados ingredientes adicionais. com finalidades variadas. ou seja. Entre esses ingredientes adicionais incluem-se. as moléculas reagem entre si ou com o agente de cura. a fim de melhorar seu comportamento plástico. em proporções adequadas. em que devem ser solúveis. resistência química e propriedades elétricas superiores às dos termoplásticos. os seguintes: plastificantes. por ocasião da moldagem. fornece ao produto composto que pode apresentar propriedades distintas da resina original. cargas. produz um composto intermediário.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A polimerização completa ocorre num segundo estágio. ao nível do fabricante do produto. aumentam consideravelmente a velocidade das reações químicas ou retardam uma reação que. Losekann Direitos autorais reservados Os termoestáveis apresentam um comportamento inverso do termoplástico. Os lubrificantes têm a finalidade de auxiliar no processo de moldagem. retardantes de chama. e de baixo peso molecular. Quando. lubrificantes e agentes antiestáticos Plastificantes são. A degradação torna os polímeros quebradiços e porosos. Mica e asbesto são usados para melhorar características dielétricas. 12. estabilizadores. agentes de cura. são inconvenientes. A adição de um ou mais plastificantes. adicionadas em pequena quantidade. Carga ou enchimento é um aditivo utilizado com finalidades específicas. misturados à resina previamente à moldagem. geralmente. catalisadores. principalmente. desde que sejam fornecidas as condições adequadas ao seu desencadeamento. estabelecendo ligações transversais que produzem complexas moléculas tridimensionais.3 . A polimerização desses materiais ocorre em dois estágios.

Um destes agentes é o trióxido de antimônio usado em materiais de construção e em fibras têxteis. quando a mesma é pretendida. A amônia atua como catalisador. com exceção do PVC e de alguns elastômeros. a resina fenol-formaldeído é obtida no primeiro estágio da polimerização pela reação condensada do fenol com o formaldeído. Elas provocam a expansão 127 . Os retardantes de chama são adicionados por razões óbvias de segurança. Os agentes de esponjamento são aditivos empregados na produção de compostos poliméricos como as espumas expandidas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. estabelecendo as ligações transversais numa reação condensada. os agentes de cura participam ativamente da reação de cura. Ao contrário dos catalisadores. Cláudio R. e o formaldeído como agente de cura. ajudam a reduzir as cargas eletrostáticas na superfície. A cura é desencadeada. que sob temperatura adequada (160 oC) e pressão (7 MPa) se decompõe em formaldeído e amônia. que estimulam as reações sem participar das mesmas. que reduz o risco de inflamação nos polímeros. Por exemplo. Dr. Losekann Direitos autorais reservados produção de PVC e náilon 66 respectivamente. Agentes de cura são aditivos que servem para desencadear a reação de cura dos termoestáveis. + n H2 O n Fenol Formaldeído Fenol-formaldeído n 1 → Amônia 2 Figura 12. quando empregados nos polímeros. no segundo estágio. Os agentes antiestáticos são aditivos que. estabelecendo assim as ligações transversais que geram complexos tridimensionais.10 – Reação do baquelite. Eles possuem moléculas cujos terminais reagem com posições intermediárias ou terminais da cadeia principal das moléculas da resina. pela adição de hexametileno-tetramina. visto que os polímeros têm por natureza a flamabilidade.

Volume específico A maior mobilidade das cadeias moleculares pode. A) região vítrea. F) região viscosa com cristalitos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2. 12. promover um momentâneo aumento do índice de cristalinidade que prosseguindo o aquecimento torna a cair este índice. se o aquecimento for lento e se o polímero for susceptível de cristalizar.11 – Reação do agente de esponjamento. passa por uma região de transição. 8 sua mobilidade.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS Uma massa de polímero mantida a temperatura suficientemente baixa.12 – Curvas de volume específico em função da temperatura. como o AZDN (azobisdiisobutironitrila ). C e D) região líquida com baixa viscosidade. Figura 12. 0 20 40 t 60 100 120 tm 80 g (curva E-F-C-D). conhecida como transição vítrea. E) região com cristalitos na região vítrea. O material D dessas regiões passa a 7 C comportar-se como fluido cada vez menos viscoso. o material se dilata progressivamente. em torno de uma temperatura “tg” que é característico para cada polímero. B 6 Alguns polímeros F A 5 comportam-se com uma E região brusca de variação 4 do volume específico. Cláudio R. em virtude de apresentar pouca mobilidade de suas moléculas. quando a temperatura é elevada. A liberação deste gás – nitrogênio ou dióxido de carbono . rígida. Dr. 3 tornado-se fluido. 128 . a partir da qual as cadeias moleculares das regiões amorfas se afastam e adquirem. As regiões amorfas. devido o aumento da mobilidade das cadeias. é relativamente dura. com uma temperatura denominada 2 de moldagem ou fusão. Os agentes de esponjamento utilizados geralmente são substâncias orgânicas nitrogenadas.deve coincidir com o momento de maior plasticidade do polímero. B) região viscosa. mas de magnitudes diferentes nas regiões amorfas e cristalinas. Losekann Direitos autorais reservados do polímero plastificado pela geração de um gás. tenaz e quebradiça. figura 12. nestas condições. se comportam similar aos vidros (curva A-B-C-D).12. Enquanto isto. Aumentandose progressivamente a temperatura. como conseqüência a decomposição do aditivo. amorfo. A figura que segue mostra uma curva típica do índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero linear. Temperatura característica de sólido semicristalino. que se decompõe na forma: Figura 12. aos poucos.

Certos materiais (polietileno. na qual desaparecem as regiões cristalinas e a partir da 4 qual o material passa a comportar-se mais ou menos como um líquido 3 viscoso.2. Mas se 2 a temperatura continuar a aumentar. resistência ao impacto. Tensão de ruptura. polipropileno) apresentam temperaturas de transição vítrea bem abaixo das temperaturas ambientes usuais.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS Várias propriedades mecânicas devem ser levadas em conta ao escolher um material polimérico em um determinado projeto. Figura 12. Figura 12. e se apresentam. Um material polimérico pode sofrer deformações progressivas 100 o que podem afetar o desempenho . fluência. também característica para cada 5 tipo de polímero. como materiais flexíveis. Materiais como policarbonatos e o polistireno são frágeis e quebradiços por que suas temperaturas de transição vítrea se situam bem acima das temperaturas ambiente usuais.25 C de uma determinada peça 80 quando submetidos a esforços 0 oC mecânicos a temperaturas 60 ambiente. atinge-se uma temperatura “tm”.13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino. resistência à abrasão e fadiga são fundamentais. Tensão de ruptura à tração (MPa) Índice de cristalinidade 129 . Losekann Direitos autorais reservados Prosseguindo o aquecimento. A figura ao 20 lado mostra o comportamento de um mesmo material polimérico 0 submetido a ensaio de tração em 0 6 12 18 24 30 diferentes temperaturas. Cláudio R. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Estes materiais não são adequados à produção de fibras. Por isso. Deformação (%) próximas da ambiente. é perigoso 25 oC 40 projetar com dados de ensaios 50 oC de curta duração. É acima desta temperatura que se pode moldar o material. conhecida como temperatura de fusão cristalina.14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear. o polímero se 0 20 40 60 80 100 tm 120 tg degrada ou queima. por isso. em Temperatura uma reação irreversível. 12.

mas apresentam esta propriedade em algum momento da fabricação. visto que os aços apresentam uma amplitude máxima de tensão de trabalho. areia ou minérios). Dr. a tenacidade deve ser levado em conta nos projetos nas quais os mesmos podem ser submetidos a impactos. em 1. portanto. qualquer que seja o número de ciclos de carga aplicada. Durante várias décadas este material teve grande utilização na fabricação de pentes. Este produto posteriormente denominou-se de Baquelite. bonecas. que. em 1. após a Segunda Grande Guerra mundial. criando um produto que se tornou economicamente viável. Quanto à resistência à fadiga. Cláudio R. necessariamente. Materiais artificiais são aqueles provenientes de misturas e reações. 12. a partir de matérias primas orgânicas simples. os polímeros tiveram avanços significativos.800 procuravam um material para substituir o marfim para fabricação de bola de bilhar. Os materiais plásticos são materiais artificiais. certa arbitrariedade na conceituação deste tipo de material. em algum estágio de sua fabricação adquiriram condição plástica. a palavra plástico é um termo geral que significa “capaz de ser moldado”. dentaduras artificiais. patenteou um processo alternativo de fabricação na qual substituía o óleo de rícino por cânfora. com o emprego de molde. A partir deste período e. ele acelerou o processo em autoclave a uma temperatura de 200 o C. sintetizando resina de fenol-formaldeído. Em 1. quando foram moldados. esta propriedade.870. principalmente. Vários pesquisadores em meados de 1. nos Estados Unidos da América.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os plásticos são radicalmente distintos dos aços.862. O produto obtido tinha cor de âmbar. cuja superfície detinha a impressão exata do fundo da autoclave. com a vantagem de ser mais estável e não inflamável como os primeiros. conseguiu viabilizar um método de reações controladas de polimerização. John Weley Hyatt. Losekann Direitos autorais reservados O comportamento dos plásticos ao impacto é também bastante variável e fortemente dependente da temperatura e. Alexandre Parkes patenteou sua invenção com nome de Parkesina que tratava-se de um material celulósico (resíduo de algodão) com ácidos nítrico e sulfúrico na presença de óleo de rícino.3 . 130 . Materiais de origem orgânica sintética resultam de processos químicos e de sínteses. estudando a polimerização e condensação. geralmente de origem orgânica. sendo distintos dos materiais de ocorrência natural (como madeira. através da ação de calor e pressão.PLÁSTICOS Da mesma forma. Os materiais geralmente designados como plásticos não tem. com isso. abaixo da qual não ocorre falha por fadiga.907. Leo Hendrik Baekeland. Há. e que denominou de Celulóide. durante o momento de sua moldagem. bolas de tênis de mesa e filmes fotográficos. Em vez de retardar a polimerização. Outros materiais como o aço e o vidro também apresentam essa característica e não são classificados como plásticos.

Polialômeros 14. onde “X” representa um radical monovalente que caracteriza a resina.1 . Técnicas de irradiação com ultravioleta. O quadro abaixo mostra alguma das poliolefinas mais comuns e seus radicais. Os plásticos mais comuns em engenharia podem ser dividas em 19 famílias que são: 1. Polifenilênicos 15.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mas também possuem características próprias que as distinguem dos mesmos e por isto são denominados de elastômeros. ampliam o número de materiais plásticos disponíveis ao usuário. Poliuretanos 12. Acrílicos 5. Figura 12. Poliimidas 6. Os copolímeros. gerando novos produtos. Poliamidas 17. Cláudio R. Policarbonatos 3. Losekann Direitos autorais reservados As borrachas naturais ou sintéticas possuem características que se assemelham aos plásticos.POLIOLEFINAS A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos é representada pela figura ao lado. Aminoplásticos 7. Poliésteres 18. Poliolefinas (resinas 2. misturas e versões quimicamente modificadas. Alílicos vinílicas) 4. Celulósicos 8. Polioximetilênicos 9. derivados de um mesmo plástico básico. Polissulfonas 12. Éteres poliarílicos 19. permitem alterar consideravelmente o comportamento de certos polímeros. Poliolefinas comuns Polímero Polietileno Polipropileno Policloreto de vinila Polistireno Abreviatura PE PP PVC PS Radical X 131 .15 – Fórmula geral da poliolefina.3. Fenólicos 13. O uso de diferentes tipos de aditivos gera uma variedade de produtos distintos. e “n” indica o grau de polimerização. e outras técnicas. Dr. Fluoroplásticos 11. Há mais de quarenta famílias de termoplásticos e dez diferentes famílias básicas de termoestáveis entre os plásticos mais comuns de uso em engenharia. Silicones 16. Epoxídicos 10.

93) [moléculas bastante ramificadas].UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Com pressões menores ( < 30 atm) e temperaturas de 40 a 150 oC.46 GPa Módulo de elasticidade: 0. moldes para injeção canos e tubos. Sob pressões elevadas (1. para PEAD de alta massa molar.3 – 0. Processos: injeção. notação Izod). Polietileno de Alta Densidade – PEAD .1 MPa Tensão de compressão: 30 .6 GPa Resistência ao impacto: 150 .93 a 0. cabos e cordas para empacotamento. Cláudio R. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1. Fornecedor: Ipiranga Química IPQ. filmes para embalagens.3 – 1. O polietileno de média densidade (0.28 (MPa) Tenacidade a ruptura: 2.945 a 0. outros. isolantes flexíveis para cabos elétricos e recipientes produzidos por injeção. Polytech.m1/2 Tensão de escoamento: 23 – 33.080 (J/m.(CH2)n . não sendo adequado para os processos de injeção e extrusão.PMP 1 Álcool polivinílico PVAL O polietileno (PE) é um termoplástico tenaz usado na fabricação de diversos brinquedos.000 a 2. O polietileno de peso molecular ultra elevado (PELUAPM) é caracterizado pela sua elevada viscosidade à fusão. OPP.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 .000 atm) e temperaturas na faixa de 100 a 300 oC. Polialden.5 % Coeficiente de Poisson: 0.945) é obtido sob condições intermediárias.91 a 0.2 . para PEAD de baixa massa molar.40 MPa 132 . obtêm-se o polietileno de baixa densidade (0. obtêm-se o polietileno de alta densidade (0.200 (J/m. tanques de combustível para veículos automotores. termoformagem.4 MPa.96) [moléculas longas lineares]. sopro. extrusão ou sopro. 025 .42 Dureza: D60 . Limite elástico: 20 . extrusão. notação Izod).8 – 1. Dr. etc.D 70 Shore Módulo de cisalhamento: 0. Aplicações: embalagens finas.4 – 0. usinagem. Losekann Direitos autorais reservados Poliacetato de vinila PVAC Polibuteno-1 PBT Poli-4-metilpenteno.

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Propriedades térmicas Calor específico: 2.200 J/kg Dilatação térmica: 100 - 120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,45 – 0,52 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 160 - 165 K Temperatura máxima de serviço: 340 - 370 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,01(%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,941 – 0,965 gf/cm3 Índice de refração: 1,54 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,3 – 2,4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1015 ohm.m) Polietileno de Baixa Densidade – PEBD - (CH2)n. Aplicações: embalagens de alimentos e de produtos de limpeza, sacos de lixo, sacolas plásticas, plasticultura. Processos: injeção, sopro, laminação, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Ipiranga Química, OPP, PPH. Propriedades mecânicas Ductilidade: 3,5 - 4 % Coeficiente de Poisson: 0,43 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,28 – 0,3 Dureza: D41 - D46 Shore Módulo de cisalhamento: 0,05 – 0,09 GPa Módulo de elasticidade: 0,1 – 0,25 GPa Resistência ao impacto: Não quebra. Limite elástico: 6 - 10 MPa Tenacidade a ruptura: 2 – 2,3 MPa.m1/2 Tensão de escoamento: 6,9 – 15,9 MPa Tensão de compressão: 15 - 25 MPa Tensão de ruptura por tração: 10 - 25 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.950 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 180 - 200 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,29 – 0,35 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 180 - 185 K Temperatura máxima de serviço: 323 - 363 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,015 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,91 – 0,93 gf/cm3 Índice de refração: 1,51 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,25 – 2,35 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1013 ohm.m) 133

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Polietileno tereftalato – PET - (OOC-C6H4-COO-(CH2)2)n. Aplicações: garrafas de refrigerante, escovas. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, spray, outros. Fornecedor: Rhodia, Du Pont, Bayer, Hoechst, GE, RhônePoulenc Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,65 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,38 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,2 – 0,4 Dureza: 140 - 210 MPa Módulo de cisalhamento: 0,83 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,2 – 3,5 GPa Resistência ao impacto: 15 - 35 (J/m; notação Izod) Limite Elástico: 50 - 72 MPa Tenacidade a Ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 65 - 90 MPa Tensão de ruptura por tração: 50 - 80 MPa Propriedades Térmicas Calor específico: 1,40 – 1,60 (103 J/kg.K) Dilatação térmica: 50 - 80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,15 – 0,34 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 340 - 345 K Temperatura máxima de serviço: 388 - 430 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,1 – 0,15 % Densidade: 1,32 – 1,38 gf/cm3 Índice de refração: Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3,6 (106 F/m, 23 oC) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1013 ohm.m) O polipropileno (PP) - (CH2-CH-CH3)n - é um plástico de características similar ao do polietileno, sendo a densidade menor (0,905) com maior resistência ao calor. A temperatura de amolecimento é de 160 oC, conferindo elevada cristalinidade (como os polietilenos de alta densidade) e conseqüentemente boa resistência mecânica. Aplicações: fibras para tapetes, tecidos, embalagens, sacolas, garrafas, pás de ventiladores, cabos de ferramentas e talheres, cadeiras de piscinas, pedais de aceleradores, componentes automotivos. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, usinagem, outros. Fornecedor: Amoco, Chemicals, Exxon, Fina, Phillips, Rexene, Soltex, Thermofil, OPP, Elf Atochen, Ipiranga Química, IPQ, Polibrasil. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,1 – 0,3 Dureza: 80 - 100 MPa 134

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Módulo de cisalhamento: 0,5 – 0,6 GPa Módulo de elasticidade: 1 – 1,6 GPa Resistência ao impacto: 50 - 80 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 28 - 33 MPa Tenacidade a ruptura: 1,9 – 2,1 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 25 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.920 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 80 - 150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,16 – 0,24 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 260 - 270 K Temperatura máxima de serviço: 370 - 380 K Temperatura mínima de serviço: 150 - 200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,02 – 0,03 % Densidade: 0,9 – 0,91 gf/cm3 Índice de refração: 1,49 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,26 – 2,.4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1014 ohm.m) Óxido de Polipropileno - PPO (Polipropileno-eter blenda poliestireno) (CH2-OHOCH3)n-(CH2-CH-C6H4)m . Aplicações: bases de medidores elétricos, paralamas e outros painéis exteriores de automóveis. Processos: injeção, termoformagem, usinagem, outros. Taxa de reciclagem: 0.3 - 0.35 Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,5 – 0,7 % Coeficiente de Poisson: 0,35 – 0,4 Coeficiente de atrito: 0,33 – 0,36 Dureza: 120 - 180 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 – 0,9 GPa Módulo de elasticidade: 2,4 – 2,5 GPa Resistência ao impacto: 120 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 40 - 60 MPa Tenacidade a ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 90 - 105 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 - 75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.600 – 2.000 J/kg.K Dilatação Térmica: 60 - 70 (10-6/K) Condutividade Térmica: 0,16 – 0,22 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 208 - 238 K Temperatura máxima de serviço: 360 - 390 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K

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Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,25 % Densidade: 1,06 – 1,08 gf/cm3 Flamabilidade: péssima Constante dielétrica: 2,6 – 2,7 (106 F/m) Resistividade: 1,0 - 10 (1015 ohm.m) O policloreto de vinila (PVC) - (CH2-CH-Cl)n - e seus copolímeros é um dos mais importantes termoplásticos sintéticos em uso. A resina deste plástico é dura e rígida, mas com introdução de modificadores permite amolecimento em qualquer grau desejado. Tem como principal característica a resistência à combustão e dureza, mas tem baixa resistência ao ataque de solventes orgânicos clorados. Aplicações: Telhas translúcidas, divisórias, portas sanfonadas, persianas, perfis, tubos e conexões para esgotos e ventilação, esquadrias, molduras para tetos e paredes. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, usinagem, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Goldplast, Polymerpar, Trikem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,1 – 3 % Coeficiente de Poisson: 0,37 – 0,43 Dureza: R110 Módulo de cisalhamento: 0,7 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,5 – 3,8 GPa Resistência ao impacto: 50 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 23 - 52 MPa Tenacidade a ruptura: 1 - 4 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 32 - 80 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 - 70 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.000 – 1.100 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 95 10-6/K Condutividade térmica: 0,13 – 0,25 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 350 - 355 K Temperatura máxima de serviço: 348 - 365 K Temperatura mínima de serviço: 240 - 245 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 1,34 – 1,52 gf/cm3 Índice de refração: 1,52 - 1,55 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,7 – 3,3 (106 F/m) Resistividade: 3.,16 – 10,0 (1013 ohm.m)

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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O polistireno (PS) - (CH2-CH-C6H5)n - é um plástico que tem como característica principal a elevada resistência à água, dimensionalmente estável e boa moldabilidade. É usado na fabricação de componentes de geladeiras, conexões e assentos para vasos sanitários, brinquedos e determinadas carcaças de aparelhos. Pode ser moldado por injeção, termoformagem, moldagem química e extrusão. PS expandido: forros, isolamento acústico, térmico e caixas. O isopor é uma forma de espuma que bolhas pequenas de gás reduzem a densidade de 2 a 3% do valor original. Fornecedor: Pepasa, Ipubrás Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,015 – 0,02 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,25 – 0,3 Dureza: 90 - 120 MPa Módulo de cisalhamento: 1 – 1,2 GPa Módulo de elasticidade: 2,9 – 3,3 GPa Resistência ao impacto: 20 - 25 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 30 - 32 MPa Tenacidade a ruptura: 0,8 – 0,9 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.200 – 1.440 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 100 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,12 – 0,17 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 360 - 380 K Temperatura máxima de serviço: 355 - 368 K Temperatura mínima de serviço: 200 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,07 % Densidade: 1,04 – 1,06 gf/cm3 Índice de refração: 1,59 - 1,60 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,55 – 2,65 (106 F/m) Resistividade: 6,31 – 15,8 (1013 ohm.m) O polibuteno-1 ou polibutileno tereftalato (PBT) - (OOC-C6H4-COO-(CH2)4)n - pode apresentar com diferentes arranjos estruturais, que afetam substancialmente a resistência mecânica (tração e dureza). A temperatura de moldagem está na faixa de 165 a 180 oC. Aplicações: Embalagens, circuitos. Processos: injeção, extrusão, usinagem, outros. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1,5 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,35 - 0,4 Coeficiente de atrito: 0,25 - 0,3 Dureza: 105 - 165 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 - 0,85 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2,3 GPa 137

138 .08 – 0.395 K Temperatura mínima de serviço: 140 .55 (J/m. PC .59 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. Caracteriza-se por apresentar alta transparência.3 – 1.09 % Densidade: 1. é usado na preparação de colas e agentes separador em moldagem de peças de plásticos para evitar a adesão da resina ao molde. Álcool polivinílico (PVAL) é solúvel em água. Dr.55 MPa Tenacidade a ruptura: 1. Izod) Limite elástico: 35 .00 ( 103 J/kg. 12. Losekann Direitos autorais reservados Resistência ao impacto: 40 .POLICARBONATOS São derivados do bisfenol A e do ácido carbônico.K) Temperatura de transição vítrea: 310 .00 (1012 ohm.(O-C6H4-C-(CH3)2C6H4-O-CO)n.2 MPa.3 .150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.125 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.m1/2 Tensão de escoamento: 97 MPa Tensão de compressão: 100 . por isto. Poli-4-metilpentano-1 (PMP) tem grande aplicação na fabricação de embalagens plásticas para aquecimento em microondas. adesivos e tintas de secagem rápida.320 K Temperatura máxima de serviço: 390 .3.00 – 2.2 . boas propriedades elásticas e temperatura de amolecimento acima de 200 oC.4 (103 F/m) Resistividade: 1. Cláudio R.32 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 3.m) Poliacetato de vinila (PVAC) é bastante usado em películas de papéis e tecidos.2 . mas insolúvel em muitos solventes orgânicos.60 – 2.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.K Temperatura de transição vítrea: 420 . Mauá. Figura 12. extrusão.180 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Apresentam temperaturas de amolecimento acima de 200 oC.2.68 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. Quimpetrol. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos de origem dos poliésteres é representada pela figura ao lado. notação Izod) Limite elástico: 55 . GE Plastic. recipientes para filtros. Re Plas. termoformagem.22 gf/cm3 Índice de refração: 1.16 – Fórmula policarbonato Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 1.05 GPa Módulo de elasticidade:2 . Processos: injeção. vitrines.425 K Temperatura máxima de serviço: 385 . componentes de interiores de aviões.700 (J/m. coberturas translúcidas.100 (1012 ohm.65 MPa Tenacidade a ruptura: 3 – 3.390 K Temperatura mínima de serviço: 140 . etc. Dr.44 Coeficiente de atrito: 0. usinagem. divisórias .1 (106 F/m) Resistividade: 1 .K) Dilatação térmica: 40 .7 % Densidade: 1.120 MPa Tensão de ruptura por tração: 56 . garrafas de água.9 – 3.3 Dureza: 150 .584 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2. Petropol.14 – 0. Compact Disc. Tem boas propriedades elétricas e mecânicas e estabilidade dimensional. aparelhos elétricos.2 – 0.m) 139 .39 – 0.30 (103 J/kg.150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.3 % Coeficiente de Poisson: 0. outros.20 – 1.3 MPa.95 – 1. Uniflon.65 – 0.22 W/m. Bayer Polímeros.2 – 1. Usado em instrumentos cirúrgicos.9 (GPa) Resistência ao impacto: 400 .m1/2 Tensão de escoamento: Tensão de compressão: 100 .75 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Fornecedor: Allcolor.

K Temperatura de transição vítrea: 370 .8 – 3. é um produto não cristalino com boas propriedades óticas.21 W/m. O polimetacrilato de metila .06 % Coeficiente de Poisson: 0.(CH3-CH2-C-COOCH3)n -.43 Coeficiente de atrito: 0.3. notação Izod) Limite elástico: 35 . cuja resina mais importante é o dialil-ftalato (DAP).22 (J/m.2 GPa Módulo de elasticidade: 1.17 – Polimetacrilato de metila.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.200 K 140 . entretanto.4 . Geralmente são moldadas a partir de pós misturados com catalisador.220 MPa Módulo de cisalhamento: 0.4 – 0.375 K Temperatura máxima de serviço: 320 . Losekann Direitos autorais reservados 12.5 Dureza: 100 . Figura 12. réguas. É usado para produção de dentaduras (resina de dentista).4 – 0. Dr.450 J/kg. quando adicionado pós de metais nobres torna-se material condutor elétrico ou magnético.3 .m1/2 Tensão de compressão: 45 . cuja fórmula está abaixo.2 GPa Resistência ao impacto: 20 . lentes.03 – 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.3.3 MPa. 12.75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.8 – 1.ACRILICOS São plásticos que constituem uma subclasse de poliolefínicas que tem grande aplicação de uso doméstico e industrial.ALÍLICOS São plásticos termoestáveis. Processos: injeção. Cláudio R.280 – 1. dependendo do metal adicionado.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0. outros.325 K Temperatura mínima de serviço: 150 . As resinas mais importantes desta família são: polimetacrilato de metila (PMMA).13 – 0.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 38 . embalagens e painéis de propaganda. Com excelente estabilidade dimensional e alta resistência elétrica.6 – 1. usinagem.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.K Dilatação térmica: 62 . poliacrilonitrilo (PAN) e copolímeros do acrilonitilo como acrilonitrilo-budadieno-estireno (ABS) e o estireno-acrilonitrilo (SAN).

outros.100 MPa Tensão de ruptura por tração: 36 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Processos: injeção. caixas de televisão.alto impacto .2 – 0. Apresenta estabilidade dimensional. usinagem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.06 – 0. notação Izod) Limite elástico: 27 . Cláudio R.55 MPa Tenacidade a ruptura: 3 .8 (1013 ohm. O ABS é um polímero que apresenta três meros com seus respectivos graus de polimerização.m) O poliacrilonitrilo.140 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Figura 12. Figura 12.09 % Coeficiente de Poisson: 0.m1/2 Tensão de compressão: 60 . Dr.42 Coeficiente de atrito: 0. aspiradores de pó.95 GPa Módulo de elasticidade: 1.38 – 0.48 MPa 141 .2 (106 F/m) Resistividade: 2 – 15.400 (J/m. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0.7 – 0.47 – 0. Uns dos principais usos deste plástico são na confecção de cordas e tecidos náuticas que podem ser combinados com o algodão.4 % Densidade: 1. resistência química e elétrica. telefones.8 – 2. com faixa de temperatura de – 40 oC e 115 oC.4 MPa.52 Dureza: 70 .5 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.15 – 1.19 – ABS. box para chuveiros.6 – 3. cuja fórmula segue abaixo.7 GPa Resistência ao impacto: 200 . Usado também com aditivo para o PVC e borrachas sintéticas.2 gf/cm3 Índice de refração: 1. pode ser cristalizado fornecendo uma fibra sintética muito resistente mecanicamente e quimicamente.Aplicações: Gabinetes e caixas domésticas.18 – Poliacrilonitrilo. ABS . batedeiras e liqüidificadores.

aspiradores de pó.375 K Temperatura máxima de serviço: 340 .42 Coeficiente de atrito: 0. usinagem.1 gf/m3 Constante dielétrica: 2.38 – 0.9 (106 F/m) Resistividade: 6.530 J/kg. outros.370 K Temperatura mínima de serviço: 150 .85 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.48 – 0.9 (106 F/m) Resistividade: 1. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.12 % Coeficiente de Poisson: 0.500 – 1.360 K Temperatura máxima de serviço: 358 .32 % Densidade: 1.9 GPa Resistência ao impacto: 70 . Cláudio R.80 J/m Limite elástico: 40 .350 K Temperatura mínima de serviço: 150 .4 – 2.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.31 – 15.K Temperatura de transição vítrea: 350 .14 – 0.K Dilatação térmica: 80 .3 % Densidade: 1.K Temperatura de transição vítrea: 370 .00 (1014 ohm.95 GPa Módulo de elasticidade: 2.8 – 2.Aplicações: gabinetes e caixas para objetos domésticos.85 – 0.02 – 1.K Dilatação térmica: 70 .22 W/m.3 – 0. telefones. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.4 MPa. Dr.médio impacto .9 – 3.2 – 0.510 J/kg.14 – 0.52 Dureza: 100 .m1/2 Tensão de compressão: 55 .8 (1013 ohm. caixas de TV.m) ABS .06 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.07 – 0. banheiros.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.60 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 .48 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.2 W/m.45 MPa Tenacidade a ruptura: 2.500 – 1. Processos: injeção.04 – 1.m) 142 .5 – 2.

20 – SAN.K Dilatação térmica: 50 .06 – 1.37 – 0.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 65 . 143 .85 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. Processos: injeção.350 K Temperatura máxima de serviço: 360 . Cláudio R.08 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3. peças de motores.2 – 1.8 . Por isto são usados na forma de blocos para usinagem e forjamento.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0.24 – 0. Fornecedor: Nitriflex . assentos de válvula.25 – 0.8 (1013 ohm. isolantes elétricos.05 % Coeficiente de Poisson: 0.K Temperatura de transição vítrea: 340 .200 MPa Módulo de cisalhamento: 1. mancais.6 GPa Resistência ao impacto: 20 .300 – 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.m1/2 Tensão de compressão: 80 . Losekann Direitos autorais reservados O SAN apresenta alta resistência mecânica. anéis de pistão. usinagem.POLIIMIDAS Apresentam temperatura de fusão cristalina elevada que só podem ser moldados por processos especiais. notação Izod) Limite elástico: 65 . Figura 12.3 Dureza: 160 . placas de circuitos impressos. copos. Dr.1 (106 F/m) Resistividade: 6.m) 12. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.26 % Densidade: 1.2 – 3. dureza e estabilidade dimensional ao aquecimento. seringas médicas. Fabricação de engrenagens.1 MPa.31 – 15.17 W/m.13 – 0. corpos para isqueiros. Boas propriedades mecânicas em temperaturas elevadas (450 oC) em curtos intervalo de tempo. rolamentos. Aplicações: lentes para instrumentos. adesivos. peças para aspiradores e umidificadores.80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.5 .022 – 0.3. copos de liquidificadores e bobinas para computadores.4 GPa Módulo de elasticidade: 3.365 K Temperatura mínima de serviço: 200 . divisões para geladeiras.4 Coeficiente de atrito: 0. outros.500 J/kg.220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.22 (J/m.

19 – 0. extrusão.21 – Poliimida. Losekann Direitos autorais reservados (PI) .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 – 0.5 – 2.(N-(CO)2-C6H2-(CO)2-N-C6H4)n São termoplásticos obtidos pela reação de um dianidrido aromático com uma diamina.08 % Coeficiente de Poisson: 0. notação Izod) Limite elástico: 52 .5 – 4.45 Dureza: 195 .6 .32 – 1.m1/2 Tensão de compressão: 80 .85 (J/m. Cláudio R.42 W/m.6 (106 F/m. quando moléculas se interencadeiam formando estrutura tridimensional.1.140 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 . melamina-formaldeído (MF) [produção de louças] e anilinaformaldeído (AF) [blocos e faixas terminais de circuitos elétricos]. Processos: injeção.72 MPa Tenacidade a ruptura: 1.4 – 0.K Dilatação térmica: 32 . aditivos na indústria de papel].m) 12.100 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.4 – 0.95 – 1.20 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.85 GPa Módulo de elasticidade: 2.45 Coeficiente de atrito: 0. outros.480 K Temperatura máxima de serviço: 520 . Dr. cuja formula geral é dado ao lado. onde inicialmente se formam moléculas lineares e posteriormente é desenvolvida a reação de cura.120 – 1.5 MPa.05 – 0.03 – 0. Fornecedor: Du Pont.130 J/kg. Figura 12. 23oC) Resistividade: 1 – 10 (1013 ohm.65 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Ensinger.15 % Densidade: 1.38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3. usinagem.590 K Temperatura mínima de serviço: 3 . Taxa de reciclagem: 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.8 GPa Resistência ao impacto: 75 .K Temperatura de transição vítrea: 470 . Os principais plásticos desta família são: uréia-formaldeído (UF) [artigos de iluminação.AMINOPLÁSTICOS Tem reação similar a das resinas fenólicas.210 MPa Módulo de cisalhamento: 0. 144 .3.

cita-se o nitrato de celulose. Utilizado para fabricação de bolas de tênis de mesa. com n = 1. que é matéria prima para muitas resinas. acetobutirato de celulose e etil-celulose. entre as quais. Da extração da madeira. Cláudio R. excelente desempenho à fadiga e estabilidade dimensional. Devido as suas ligações transversais.8 . acetato de celulose. 12. e após sua purificação. Apresenta boa resistência a abrasão.CELULÓSICOS São polímeros naturais encontrado na madeira. Apresenta um elevado índice de cristalinidade. resultando da reação da celulose química com misturas de anidridos acético e butírico. é usado na fabricação de brinquedos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Sem os problemas do anterior como sensibilidade à temperatura e facilidade a combustão. Os adesivos epoxídicos dão ligações extremamente fortes de metal com metal. é obtida a celulose química.3. sua moldabilidade é dificultada. devido a excelente tenacidade.7 . É a mistura da resina de epoxeto com agente de cura aminado. palha. Etil-celulose (EC) – É um termoplástico utilizado para situações que deve ocorrer impactos. Dr. Há vários tipos de radicais. Acetato de celulose (CA) – É obtido do tratamento da celulose com ácido e anidro acéticos.000).. O grau de nitratação pode ser variado. obtendo-se plásticos explosivos que deve-se ter cuidado na moldagem. ( -CH2-O-)n. etc. além de serem empregadas em vernizes de acabamento.EPOXÍDICOS São polímeros que se completam com agentes de cura (catalisadores). Menos denso e mais resistente que o acetato de celulose à intempéries do tempo. películas para embalagens e filmes fotográficos de segurança. algodão. 12.9 . Um dos plásticos encontrados no comércio é o acetato. Losekann Direitos autorais reservados 12. que podem ser moldados por injeção ou extrusão.000. 145 .3. Nitrato de celulose (CN) – Obtido do tratamento da celulose com ácido nítrico. que possui moléculas grandes (n = 5.3. É empregado na forma de pós para injeção. elevada resistência à tração (70 MPa) e rigidez à flexão.POLIOXIMETILÊNICOS (POM) – Polímeros lineares do formaldeído. Aceto-butirato de celulose (CAB) – É um éster misto da celulose.

19 – 0. É altamente cristalino com elevada resistência ao calor.24 GPa Módulo de elasticidade: 0.7 GPa Resistência ao impacto: 160 .3.25 W/m. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. resistência a temperatura elevada.3 – 0. ICI. gaxetas. mas apresentam baixa resistência mecânica. outros.47 Coeficiente de atrito: 0. Mauá. Dr. embalagens.150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.FLUOROPLÁSTICOS São polímeros termoplásticos com o elemento mais ativo flúor. notação Izod) Limite elástico: 15 .1(106 F/m) Resistividade: 1. baixo coeficiente de atrito e excelentes propriedades dielétricas.30 MPa Tenacidade a ruptura: 2.5 .60 MPa Tensão de ruptura por tração: 15 .m) 146 .90 MPa Módulo de cisalhamento: 0.20 (K) Propriedades físicas Absorção de água: 0.18 gf/cm3 Índice de refração: 1.3 MPa.295 K Temperatura máxima de serviço: 510 .5 . apoio para pontes e tubulações. Dois tipos são de maior uso: Politetrafluoretileno (PTFE) .15 Dureza: 75 .01 – 0. Figura 12. válvulas. extrusão. Propriedades mecânicas Ductilidade: 2. Losekann Direitos autorais reservados 12. Aplicações: Vedações hidráulicas (herméticas para condensadores).35 Flamabilidade: excelente Constante dielétrica: 2 – 2.44 – 0. spray. Temperado a 3300 oC. Uniflon.10 .40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.530 K Temperatura mínima de serviço: 10 .010 J/kg.180 (J/m. transformadores isolados. revestimento para panelas e ferros de passar.m1/2 Tensão de compressão: 30 . Incopol. Apresentam boa estabilidade química.000 – 1.(CF2)n . Processos: injeção. torna-se amorfo.O PTFE foi descoberto em 1938 por um químico da Du Pont e patenteado em 1941 sob a marca registrada de TEFLON.K Temperatura de transição vítrea: 293 . transparente. anti-aderente.3 % Coeficiente de Poisson: 0.015 % Densidade: 2.K Dilatação térmica: 100 . Petropol. revestimento de pára-quedas.11 – 0. Fornecedor: Enro.0 (1016 ohm.1 – 2. Hoechst. tenaz e flexível.22 – Fórmula do teflon. isolante elétrico. Du Pont.00 – 10.05 – 0.

Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados policlorotrifluoretileno (PCTFE) – É resistente à umidade. sua resina pura resulta da reação do formaldeído com o fenol e tem a fórmula estrutural como segue: Figura 12. equipamentos elétricos e mecânicos. com temperatura de trabalho até 130 oC. resistentes e dimensionalmente estáveis. A moldagem se dá a 260 oC. Essa resina pura é moída a um pó fino. outros. 12. usinagem. A cura é desencadeada pela adição de hexametileno tetramina (C6H12N4). suas propriedades podem ser melhoradas ainda com carga de fibra de vidro. terminais para lâmpadas fluorescentes. Processos: moldagem química. papel ou tecido picado. que nas condições de 160 oC de temperatura e 72 kgf/cm2 se decompõem em formaldeído e amônia. Dr.12 . Exigem temperaturas da ordem de 350 a 400 oC para o processamento. Podem ser soldados por pulsos de calor ou por ultra-som. na qual se adicionam cargas.Polisulfona Como termoplásticos rígidos.11 . Usa-se. geralmente serragem. soldas eletrônicas. 147 .3. estabelecendo as reações transversais entre as moléculas. especialmente em cinzeiros e caixas de instrumentos. ataques de solventes e à inflamação.23 – PCTFE.POLISULFONAS São produzidos através de uma série de reações entre o bisfenol A e a 4-4diclorodifenilsulfona. fazendo com que o formaldeído gerado reaja com a resina.25 – Fenólicos.24 . Aplicações: Condensadores eletrolíticos. como carga de reforço. com a seguinte fórmula geral: Figura 12.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A resina inicialmente se geleifica e posteriormente se torna dura e infusível. Este último funciona como catalisador.3. Figura 2.FENÓLICOS Também conhecido como baquelite. pigmentos e lubrificantes específicos de acordo com cada aplicação. 12. podendo ser então removida do molde. intempéries.

50 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.36 W/m.5 Dureza: 60 .9 % Densidade: 1.8 – 1.45 Coeficiente de atrito: 0. Tem tido aplicações em recobrimento termicamente estáveis em conexões e tubulações industriais.00 . 148 . Seu uso tem destaque nos utensílios domésticos e instrumentos cirúrgicos.50 MPa Tenacidade a ruptura: 0.m) 12.420 K Temperatura máxima de serviço: 415 .01 – 0.460 J/kg. notação Izod) Limite elástico: 40 .3. Cláudio R.m1/2 Tensão de compressão: 50 . O polióxido de fenileno (PPO) que apresenta boa estabilidade dimensional e propriedades mecânicas e elétricas e notável estabilidade hidrolítica. mas com melhor desempenho a temperaturas baixas.14 .44 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. O polisulfeto de fenileno (PPS) que apresenta elevada resistência química e resistência mecânica à tração.3 MPa.24 – 1.110 MPa Módulo de cisalhamento: 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.25 (J/m. Dr.250 – 1.5 GPa Módulo de elasticidade: 6 – 9. caixas para ferramentas com dobradiças integrais.16 – 0.100 (1010 ohm.70 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 .02 % Coeficiente de Poisson: 0. 12.K Dilatação térmica: 30 .38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 7 – 9 F/m Resistividade: 1.POLIFENILÊNICOS São termoplásticos de base fenólica. Há duas resinas que tem grande importância comercial.2 – 3. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.3 – 0. onde se utiliza vapor de água para esterilização.8 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 400 . Usados em conexões hidráulicas.425 K Temperatura mínima de serviço: 180 .3.4 – 0.13 – POLIALÔMEROS São variedades de poliolefinas que apresentam um comportamento intermediário ao polietileno de alta densidade e ao polipropileno.5 GPa Resistência ao impacto: 24 . filmes e placas.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Este efeito é obtido através da ligação ( ≡ Si – O – ).015 – 0. mas são amolecidos por álcoois.100 K Propriedades físicas Densidade: 1. mas com melhor resistência ao calor e ao ar.15 – 0.00+21 .025 % Coeficiente de Poisson: 0. NYLON 6 .4 Módulo de cisalhamento: 1 – 1.SILICONES Há vários tipos de plásticos e elastômeros onde o mero não é o principal elemento de construção.3 MPa. compostos deste tipo tem fórmula geral RSiO e são conhecidos como silicones. resistência ao impacto e elevada resistência a abrasão.8 GPa Limite elástico: 27 .70 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. SILICONE RÍGIDO (SIL) . Propriedades mecânicas Ductilidade:0.3 W/m. dobradiças.9 gf/cm3 Flamabilidade: boa Constante dielétrica: 44 .45 – 1. glicóis e água. Dentre os vários náilons encontrados no comércio.150 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 .6 – 1. Cláudio R.540 K Temperatura mínima de serviço: 90 . contração das palavras New York – London.37 – 0.1.46 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. quatro recebem grande importância: o náilon 66.3. fazendo com que os compostos assim obtidos sejam similares aos carbonados. películas. em buchas para fixação. válvula de 149 .46 106 F/m Resistividade: 1.00+22 (10-8 ohm.((CH3)2 SiO)n .46 MPa Tenacidade a ruptura: 0.280 J/kg. hidrocarbonetos e ésteres. o náilon 610.3.m) 12.050 . óleos lubrificantes. Dr. ou seja. Pode ser usados como vernizes. etc.Aplicações: Como reforço nas telhas plásticas de fibra. usinagem. Processos: injeção.16 .3 GPa Módulo de elasticidade: 3 . neste tipo de polímero o Si tem substituído o C. engrenagens.Aplicações: é utilizado em cápsulas de componentes eletrônicos.K Dilatação térmica: 55 . Apresentam elevada resistência à tração. Losekann Direitos autorais reservados 12.(NH-(CH2)5CO)n .POLIAMIDAS (PA) – São termoplásticos desenvolvidos pela Du Pont e são mais conhecidos como náilons (Nylon).15 .1. náilon 6 e náilon 11.m1/2 Tensão de compressão: 40 . outros. cobertas de proteção contra a abrasão e resistentes ao tempo. borrachas. Resistem a ação do óleo.200 K Temperatura máxima de serviço: 510 .K Temperatura de transição vítrea: 150 .

58 MPa Tenacidade a ruptura: 1.2 – 2.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 – 42 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. extrusão.5 MPa.39 – 0.42 Coeficiente de atrito: 0.40 MPa Tenacidade a ruptura: 2.16 .600 J/kg.38 – 0. outros. Dr.230 K Propriedades físicas Absorção de água: 1. Rhodia.3 – 2.8 (106 F/m) Resistividade: 3.120 MPa Módulo de cisalhamento: 0. termoformagem.m1/2 Tensão de compressão: 58 . Cláudio R.79 GPa Módulo de elasticidade: 2. notação Izod) Limite elástico: 56 .6 – 0.6 % Densidade: 1.420 K Temperatura Mínima de Serviço: 225 .15 gf/cm3 Índice de refração: 1.58 – 0.38 – 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.4 – 1. Losekann Direitos autorais reservados regulagem de assento. carenagens.K Temperatura de transição vítrea: 320 .160 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Pepasa.8 GPa Resistência ao impacto: 32 .Aplicações: tecidos.m1/2 Tensão de Compressão: 40 . outros.5 . Du Pont.6 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0.2 – 0.10 (1010 ohm.(NH-(CH2)6-NH-CO(CH2)4CO)n .3 Dureza: 140 .3 Dureza: 100 . Processos: injeção.8 GPa) Resistência ao impacto: 43 . notação Izod) Limite elástico: 38 .62 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .2 MPa.13 – 1.53 (J/m.6 – 3.86 MPa 150 .330 K Temperatura Máxima de Serviço: 370 . usinagem.65 % Coeficiente de Poisson: 0.46 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2. mancais.22 – 0. Processos: injeção. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Quimpetrol. usinagem.42 Coeficiente de atrito: 0. extrusão. Fornecedor: Bayer Polímeros.2 – 0.400 .26 W/m.53 (J/m. engrenagens.K Dilatação térmica: 95 .53 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.1.m) NYLON 66 .

31 – 12.51 MPa Tenacidade a ruptura: 1 – 1.m1/2 Tensão de compressão: 51. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.31 .1 – 3.650 – 1.m) NYLON 11 .K Dilatação térmica: 80 .8 – 1.K Temperatura de transição vítrea: 360 .9 – 0.20 (1010 ohm.400 – 1.2 – 0.5 MPa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3 Dureza: 120 .38 – 0. notação Izod) Limite elástico: 49 .13 – 1.03 – 1.42 Coeficiente de atrito: 0.K Dilatação térmica: 95 .34 GPa Módulo de elasticidade: 0.3 – 3.120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.6 % Densidade: 1.15 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.6 (10-6 F/m) Resistividade: 6..K Temperatura de transição vítrea: 330 .(NH-(CH2)10CO)n Propriedades mecânicas Ductilidade: 3.90 (J/m.29 W/m.25 – 0.95 GPa Resistência ao impacto: 50 .400 K Temperatura mínima de serviço: 220 . Dr. Cláudio R.3 – 0.6 (1011 ohm.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.m) 151 .25 W/m.53 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.6 (106 F/m) Resistividade: 6.58 MPa Tensão de ruptura por tração: 51.350 K Temperatura máxima de serviço: 350 .4 % Densidade: 1.700 J/kg.32 – 0.2 % Coeficiente de Poisson: 0.95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.240 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.365 K Temperatura máxima de serviço: 380 .05 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.600 J/kg.450 K Temperatura mínima de serviço: 235 .2 – 0.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.

85 3. Processos: injeção.15. Poliuretano flexível – PU .25 – 0. outros.5 60 .(O-C6H4-O-C6H4-CO-C6H4)n Aplicações: conectores elétricos.5 – 4. (PEEK) Propriedades mecânicas (PES) Poliester rígido 0. BASF.3 – 0.7 – 3.9 – 1.90 (J/m) Limite elástico (MPa) 55 .007 – 0. suportes para lâmpadas fotográficas. Losekann Direitos autorais reservados 12.2 – 0.2 – 1.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS Polieter-eter-cetona (PEEK) .100 tração (MPa) 0.100 40 .5 – 0.9 45 .38 – 0.2 – 0.100 25 .4 – 0.m1/2) Tensão de compressão 80 . isolamento em refrigeradores industriais e domésticos.4 – 2.45 0.43 Coeficiente de atrito 0.2 0.2 Dureza (MPa) 100 .04 – 0.18 – 0. Taxa de reciclagem: 0. impelidores. equipamentos de laboratório. Poliester sulfona (PES) .51 0.06 0.70 1.3 200 .08 0.4 45 .8 0.4 50 .49 – 0. Fornecedor: Ensinger.6 2.3. extrusão.86 60 . em móveis.38 – 0. ferramentas de cirurgia. Poliester rígido . isoladores. ventiladores. componentes de reatores nucleares. Processos: injeção. células de combustível. estofamento de automóveis.0 2. usinagem.002 – 0. outros. dispositivos para quimioterapia.045 – 0. corpos de válvula.60 0.120 (MPa) Tensão de ruptura por 70 . correias.42 0. Processos: injeção. outros.240 0. Dr. outros. revestimentos. filmes.3.03 25 . tanques de esterilização. placas de circuitos impressos. instrumentos para medições. assentos. chapas. Resana.048 Coeficiente de Poisson 0. Processos: injeção.60 Tenacidade a ruptura 2. Cláudio R.3 – 2.C6H4-COO-C6H10)n Aplicações: cubas. extrusão. moldagem química.120 Módulo de cisalhamento 1. revestimento de fios. Petropol. Taxa de reciclagem: 0. componentes médicos e agrícolas.1 – 0.9 82 .60 (PU) Ductilidade (%) 0.9 (GPa) Resistência ao impacto 85 . Brasppoly.(C6H4-SO2-C6H4-O-C6H4-C(CH3)2-C6H4-O)n Aplicações: componentes elétricos.498 0. bolltrade. molduras.3 – 0.0 90 . Poly-urethane.8 – 7.5 (MPa. Fornecedor: Autotravi.100 70 . polias.8 – 1.70 40 . Fornecedor: Bayer.140 0.3 – 2.51 152 .4 (GPa) Módulo de elasticidade 3. isolamento térmico de roupas impermeáveis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.(OOC.(CO-NH-R-NH-CO-O-R-O)n Aplicações: esquadrias. usinagem.

0 .165 80 .250 340 .02 .25 1.1 .K) Temperatura de 530 .2 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros.6 (1014 ohm.280 1.K) Dilatação térmica (10-6/K) Condutividade térmica 0. que.530 serviço (K) Temperatura mínima de 150 .6 muito ruim 3.0. Tensão de ruptura à tração (MPa) 153 .1.18 460 .3.3 – 1.38 regular 3.200 150 . como característica principal.14 – 1.540 transição vítrea (GPa) Temperatura máxima de 520 .32 Índice de refração Flamabilidade regular 6 Constante dielétrica (10 3.6 0.77 1.m) 0. o mesmo apresenta um campo de deformação 60 elástico bastante Comportamento dúctil diferenciado dos outros materiais.5 .30 3 Densidade (gf/cm ) 1.6 3.100 0.46 regular 4.6 350 .26 (W/m.25 – 0.m) 0.1.16 – 12.m) (1011 ohm.15 .5 – 3.410 390 .455 160 .200 – 1. ao 100 ser submetido a uma Comportamento frágil determinada tensão ou 80 força. Figura 12.28 – 0.29 – 1.2 .700 53 . a propriedade de exibir elasticidade.1.500 1600 50 . Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico (J/kg.260 1.240 – 1.3 200 .170 serviço (K) Propriedades físicas 1.250 Absorção de água (%) 0.23 – 0.3 F/m) Resistividade 1.13 – 0.1000 10 (10 ohm. Dr.55 .480 450 . o 20 Comportamento elástico material volta as suas dimensões nominais 0 0 6 12 18 24 30 verificadas antes dos Deformação (%) esforços.3 1.360 200 .150 0. após 40 cessado a força ou tensão que a deformou.31 (1014 ohm.3 1.0 . Cláudio R.4 .m) 12.58 0.5 – 9. ou seja.165 0.6.5 – 5.0.ELASTÔMEROS Elastômeros são polímeros que tem.60 1.5 1.15 – 0.650 .410 190 .

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. materiais termoplásticos parcialmente cristalinos apresentam comportamento dúcteis similares aos aços de baixo carbono e os elastômeros apresentam comportamento atípico. etc.936) nos Estados Unidos da América e da Buna (1. A borracha é produto da polimerização do isopreno.880. por acaso em 1. que é um processo termoquímico por enxofre (2 a 4%) a temperatura em torno de 110 oC. mas se altera na presença de luz.931) na Alemanha. Era a descoberta da vulcanização. um material termoestável como o polimetacrilato de metila apresenta um comportamento tão frágil que se assemelha com materiais cerâmicos. Além de aditivos e cargas.839. Com a invenção do automóvel. além de. planta da Amazônia que Charles Goodyear descobriu. Dois tipos levaram importância: o buna-S (copolímero de estireno-butadieno) ou SBR e o buna-N 154 . realizado em autoclaves. Os elastômeros têm sua origem do látex da seiva da seringueira (Hevea brasiliensis). geralmente. ingleses passaram a explorar a seringueira cultivando mudas da planta na Indonésia e em Filipinas. cujo mero apresenta a fórmula abaixo. por exemplo. Figura 12. que é objeto de estudo nesta seção. um segundo apresenta regime elástico e plástico de deformação com comportamento dito dúctil e um terceiro. apresentando regime elástico de deformação. São muito poucos os produtos industrializados de borracha pura. Cláudio R. na sua quase totalidade (elastômeros). querosene. O uso de aceleradores de vulcanização e de antioxidantes ajudou a melhorar as propriedades da borracha natural. ao deixar cair uma mistura de látex com enxofre sobre uma chapa quente de fogão. onde um apresenta somente regime elástico de deformação. calor e a muitos óleos e solventes (gasolina. propriedades elásticas deste material. eletricidade e à água. e por volta de 1. Desta forma. serem ótimos isolantes elétricos. mas de comportamento frágil. 60. entretanto. Losekann Direitos autorais reservados A figura acima mostra situações de comportamento de três polímeros à temperatura ambiente. mas as pesquisas em busca de borrachas sintéticas levaram a descoberta do neopreno (1. Os índios amazonenses já usavam o látex como elemento de vedação em canoas e em determinados jogos esportivos. torna-a mais elástica e insolúvel. Em virtude deste comportamento atípico à tração. as borrachas industriais podem conter 30. 90% de polisopreno além de polímeros do tipo elastômeros sintéticos.). os materiais poliméricos apresentam comportamento mecânico bastante variável.27 – Polisopreno. A borracha é elástica. Dr. resistente à abrasão. A vulcanização. Todos relativos a ensaios de tração. os elastômeros são freqüentemente usados em máquinas e equipamento com objetivo de reduzir vibrações tanto acústica como mecânicas.

215 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.000 – 2. isolantes vibratórios.94 – 0.6 Dureza: 12 .1 – 0.0007 – 0. injeção.(CH2-CH2-CH(CH3))n Aplicações: mancais.002 – 0.200 J/kg.07 – 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 4.21 MPa Módulo de cisalhamento: 0. calor e luz.95 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2. bandas de recapagem. Estireno-butadieno – SBR (CH2-C(CH3)-C(CH3)-CH2)n Aplicações: Pneus.5 – 5 % Coeficiente de Poisson: 0.01 – 7.K Dilatação térmica: 660 . mas apresentam melhor resistência a óleos. Os SBRs contêm cerca de 75% de butadieno e 25% de estireno e são as borrachas sintéticas mais comuns no mercado.0033 GPa Módulo de elasticidade: 0.675 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.5 – 3 V/m Resistividade: 5. Processos: vulcanização. outros.496 Coeficiente de Atrito: 0.48 – 0.143 – 1. correias.393 K Temperatura mínima de serviço: 210 .m1/2 Tensão de compressão: 14. Dr.21 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.21 MPa Tenacidade a ruptura: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 12.28 – SBR.09 % Densidade: 0. artigos médicoshospitalares e peças para a indústria automotiva.m) Copolímero de etileno propileno – EPDM .215 K Temperatura máxima de serviço: 383 . mangueiras.48 W/m. Losekann Direitos autorais reservados (copolímero de butadieno-acrilonitrila). As borrachas sintéticas têm as mesmas propriedades das borrachas naturais quanto a vulcanização. solubilidade em solventes.4 – 25.3 MPa.01 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 12 . peças técnicas calandradas ou extrudadas.3 – 0. outros. Propriedades mecânicas 155 . solados.2 MPa Tensão de ruptura por tração: 12 .K Temperatura de transição vítrea: 210 . resistência à água. Processos: vulcanização. à eletricidade. injeção.94 (1013 ohm. Cláudio R.

14 – 0.00 . Processos: injeção.1 – 0.3 – 7.5 – 0.01 GPa Módulo de elasticidade: 0.4 .200 K 156 .m) Copolímero de etileno acetato de vinil .24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.000 – 2.007 GPa Módulo de elasticidade: 0.04 Propriedades mecânicas Ductilidade:7.01 – 0.EVA .190 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.226 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.83 Dureza: 40 .200 J/kg..4 .200 J/kg. Cláudio R.2 .223 K Temperatura máxima de serviço: 445 .49 Coeficiente de atrito: 0.K Dilatação térmica: 550 .02 – 0.34 – 0.K Temperatura de transição vítrea: Temperatura máxima de serviço: 320 .m1/2 Tensão de compressão: 4. chapéus.17 MPa Tenacidade a ruptura: 0.48 – 0.7 MPa.3 – 0. outros.86 – 0.87 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante Dielétrica: 2.008 – 0.012 % Densidade: 0.3 V/m Resistividade: 1.K Dilatação térmica: 160 .3 MPa.455 K Temperatura mínima de serviço: 206 .10 (1016 ohm.021 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3.6 Dureza: 3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. chinelos.590 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.(CH2)n-(CH2-CHR)n Aplicações: Brinquedos flexíveis.47 – 0.4 W/m.m1/2 Tensão de compressão: 20 . viseiras.000 – 2.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.3 – 0.7 % Coeficiente de Poisson: 0.4 . extrusão.0002 – 0.495 Coeficiente de atrito: 0.17 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.02 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Ductilidade: 1 .30 MPa Tensão de ruptura por tração: 16 .08 – 28.24 MPa Módulo de cisalhamento: 0.03 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 16 . mouse pads.K Temperatura de transição vítrea: 198 . Dr.17 W/m. Taxa de reciclagem: 0.7 % Coeficiente de Poisson: 0.325 K Temperatura mínima de serviço: 150 .0007 – 0. filmes para revestimento.55 MPa Módulo de cisalhamento: 0.

8 % Coeficiente de Poisson: 0.0002 – 0.K Dilatação térmica: 150 .93 – 0.5 % Coeficiente de Poisson: 0.945 – 0.4995 Coeficiente de atrito: 0. Processos: vulcanização.4 .(CH2-C(CH3)-CH-CH2)n .0007 – 0.499 – 0.1 – 0.0004 – 0.15 % Densidade: 0.007 GPa Módulo de elasticidade: 0.6 .(CH2-CCl-CH2-CH2)n .3 – 0. instalações anti-vibração.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.05 – 0.Aplicações: pneus de carros.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.m) Policloroprene – NEOPRENE .94 gf/m3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.95 Resistividade: 31. cintos.955 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.195 K Temperatura máxima de serviço: 370 . sapatos.100 (1012 ohm.002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3.5 – 3 V/m Resistividade: 1 .0017 – 0. Dr.4 . tubos internos. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 .48 – 0.002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 23 .0006 GPa Módulo de elasticidade: 0.2 % Densidade: 0.450 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.3 – 0.25 MPa Tensão de ruptura por tração: 23 . Processos: injeção. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0. outros.K Temperatura de transição vítrea: 190 . Cláudio R. fechos.500 J/kg.m) Isopreno .230 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.25 MPa Módulo de cisalhamento: 0.10 (107 ohm.495 Coeficiente de atrito: 0.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.800 – 2.3 MPa.1 MPa.9 – 2.14 W/m. Propriedades mecânicas Ductilidade: 5 – 5.Aplicações: Roupas impermeáveis de mergulho. instalações elétricas.m1/2 Tensão de compressão: 23 .08 – 0.1 – 0.6 Dureza: 23 .390 K Temperatura mínima de serviço: 220 .07 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.24 MPa Módulo de cisalhamento: 0. outros.6 Dureza: 3. injeção.m1/2 157 .

Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 3.MADEIRA A madeira é um dos mais antigos materiais utilizados pelo homem que possui como vantagens. apresentar uma estética agradável e possuir boas características isolantes.29 – Uso da floresta.625 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.00 .1 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 225 . 158 .72 – 28. ser de fácil desdobro. Cláudio R.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.1 – 0. empena e racha conforme variações de umidade e temperatura ambiente).2 % Densidade: 1.12 W/m.25 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 6.23 – 1. o fato de ser relativamente leve e resistente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.000 – 2.230 K Temperatura Máxima de Serviço: 375 .385 K Temperatura Mínima de Serviço: 220 .K Dilatação térmica: 605 .7 – 8 V/m Resistividade: 1.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2. Figura 12. As principais desvantagens da madeira como material de fabricação é a instabilidade dimensional (a madeira incha. dentre outras.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.m) 12.200 J/kg.5 – POLÍMERO NATURAL .10000 (1011 ohm. Dr. fragilidade no sentido contrário às fibras e é susceptível ao ataque de predadores.4 .

artigos esportivos. lustrosa e lisa ao tato. creme. móveis. bengalas. isolante térmico e sonoro.000. cachimbos. tenra e fácil de trabalhar. grã direita. rica em desenhos. cabos de machado. 159 . fácil de trabalhar. - - - - forros. grã irregular. aglomerado. rápido crescimento. entalhes e venezianas.lianum) - branco-amarelado ou tom rosado. grã direita e fibra esponjosa. superfície lisa. porosa e macia. cor do pardo-claro amarelado ao pardo escuro. Imbuia (Ocotea porosa) - - esquadrias e portas. resistência mecânica média. palitos de fósforo e de sorvete. decoração teatral. a madeira proveniente das florestas nativas está sendo cada vez mais substituída por produtos de reflorestamento ou pelas chamadas madeiras transformadas. cabos de vassoura. construção de balsa e jangada. bóias e salva-vidas. lasca facilmente. Losekann Direitos autorais reservados Atualmente o uso das madeiras naturais está bastante limitado em função da crescente conscientização ambiental. Cerejeira (Amburana cearensis) - - - móveis de luxo. fácil de trabalhar. grã direita e irregular. construção civil. metro para medição. pasta de celulose. textura e brilho acetinados. maquetes. resistente ao ataque de organismos xilófagos. - Pinheiro (Araucarie angustifclia) - Pau-marfim (Baltourodendro riede. massa específica elevada. veios de manchas escuras. compacta e de poros fechados. textura fina e uniforme. Dr. pesada e dura. móveis. massa específica e dureza elevadas. textura lisa e fina. instrumentos musicais. veios avermelhados. assoalhos. frágil e macia. baixa resistência a organismos xilófagos. Cláudio R. instrumentos musicais. forração de refrigeradores. baixa resistêcia.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Madeira Balsa (Ochromae pyramidale) Características branco. boa durabilidade. rosado ou acinzentado. laminado decorativo. peças torneadas. fácil desdobro. e chegada das normas da série ISO 14. O quadro abaixo mostra alguns tipos de árvores utilizado na indústria moveleira. madeira leve. postes e dormentes. folhas decorativas. pasta celulósica. marcenaria de luxo. palha amarelado. Pinus (Pinus elliot) - amarelo claro. cheiro pouco intenso. gosto adocicado. peças torneadas. construção civil. textura fina e uniforme. veios paralelos. fácil de trabalhar. Propriedades leve e porosa. média durabilidade. cheiro imperceptível e gosto amargo. cheiro acentuado. ferramentas (cabo). Aplicações aeromodelismo. baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins. grão direita. retratilidade baixa. Com o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável (a partir de 1987). dureza média. aroma suave. bege amarelado ou bege rosado. compensado.

mourões. cabos de ferramentas e outros. textura fina. 160 • • . consistência finíssima. dura e compacta. postes. peças torneadas. Aroeira do Sertão ou Urundeúva (Astronium urundeuva): construções externas. tacos e tábuas para assoalhos. pesada. Cabriúva-parda (Myrocarpus frondosus): móveis. etc. tábuas e tacos para assoalhos. molduras. porém é bem permeável ao tratamento preservativo. como vigamentos de pontes. ripas. painéis.0 cm de largura. tacos para assoalhos. mourões. carrocerias. etc. construções externas. Losekann Direitos autorais reservados - pouco brilho. alburno nitidamente diferenciado. escurecendo para castanho-escuro-amarelado com exposição ao ar. dormentes. na construção civil. escurecendo para castanho ou castanho-avermelhado-escuro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. lambris. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. caibros. grã ondulada. Dr. resistência adequada ao apodrecimento e ao ataque de cupins. vagões. alto brilho e grã direita. embalagens. móveis. lambris. - Mogno (Swietenia macro-phyfla) - castanho avermelhado. veios em espiral. Cerne de cor bege-rosado ou castanho-claro. • • Angico (Peptadenia paniculata Betham): fabricaçãp de tabuados. textura média e uniforme. ripas. Canela . E em ensaios de laboratório. guarnições e forros. folhas decorativas e contraplacados.Sassafrás (Ocotea pretiosa): fabricação de móveis. fácil de trabalhar. degraus de escada. cruzetas. caibros. com aproximadamente 4. demonstrou ser de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. vigas. Tem baixa durabilidade. alto polimento. Alta resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins de madeira seca. em construção civil. de baixa permeabilidade às soluções preservantes. Cerne de cor variável. - coronhas de armas de fogo. em construções externas. alburno diferenciado. no acabamento interno. - Além destas. dormentes. rodapés. É moderadamente permeável às soluções preservantes. Cerne de cor castanho-amarelado quando recémpolido. estacas. tendo seus vasos excessivamente obstruídos por tilos e óleo-resina e fibras de lume extremamente reduzido. cheiro e gosto imperceptíveis. persianas. - boa durabilidade. e outros.. postes. folhas faqueadas. diferenciado do albumo de cor branco-rosado. Em tratamentos severos sob pressão. Cláudio R. esteios. como dormentes. divisórias. como vigas. média resistência mecânica. como vigas. mourões. janelas e marcos. peças torneadas e instrumentos musicais. fácil de trabalhar. folhas faqueadas decorativas para painéis. portas. do pardo-claro-rosado ao pardo-escuro-rosado ou acastanhado. branco-amarelado. esquadrias. pisos e utensílios de cozinha. peças torneadas. quando recém-cortado. diversas outras espécies de madeiras naturais podem ser utilizadas para produtos diversos: • Angelim: acabamentos internos. demonstrou ter permeabilidade extremamente baixa às soluções preservantes. em ondas ou em lágrimas. em construção civil. embarcações. branco levemente rosado.

esquadrias. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. dormentes. entalhes. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • • Candeia ou Cambará (Moquinia polymorpha): construções externas. construcão de vagões. móveis. venezianas. acabamentos internos. lambris. vagões. lambris. carpintaria em geral. construções externas. Cerne recém-polido apresenta-se amarelo-claro. vagões. rodapés. molduras para quadros. pouco permeável a soluções preservantes. esquadrias. caibros. artigos de escritório. correspondendo às linhas vasculares envolvidas pelo parênquima axial. artigos de esporte. baixa permeabilidade às soluções preservantes. carrocerias. portões. bolas de bocha e boliche. como vigas. pontes. etc. rodapés. tacos e tábuas para assoalhos. 161 . forros. modelos de fundicão. degraus de escadas. cabos de ferramentas e implementos agrícolas. carrocerias e instrumentos musicais. alburno destacado. Alburno espesso branco ligeiramente amarelado.. carteiras escolares. Cerne pardo acastanhado ou pardo-hava-claro. cerne variável. em construções esxternas. como vigas. cruzetas. pisos e outros. folhas faqueadas. venezianas. cabos de vassouras. folhas faqueadas decorativas. cordões. Dr. fôrmas para calcados. Peroba Rosa (Aspidosperma polyneuron): utilizada em construcão civil. móveis pesados. peças torneadas. mpermeável ou pouco permeável às soluções preservantes. com tonalidade mais ou menos intensa. às vezes com reflexos esverdeados. etc. caibros. esquadrias e peças torneadas. dormentes. dormentes). ripas. cruzetas. Resistência moderada ao ataque de organismos xilófagos. Cerne variando de pardoacastanhado ou castanho escuro. Jatobá (Hymenea stilbocarpa Hayne): utilizado na construção civil. móveis de luxo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. portas. como tacos e tábuas para assoalhos e labris. uniforme. Demostrou ser impermeável às soluções preservantes. e outros. Cedro: indicada para partes internas de móveis finos. até o castanho avermelhado. Cláudio R. Alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. implementos agrícolas. escurecendo para bege-claro com manchas amareladas. tábuas e tacos para assoalhos. branco levemente amarelado. obras de entalhe. geralmente uniforme. desde o castanhoclaro rosado ao castanho avermelhado. branco-cinza. alburno nitidamente demarcado. tendendo para castanho-claro levemente rosado. carrocerias. Ipê-Roxo ou Ipê-Una (Tabeuia impetiginosa): acabamentos internos. com numerosos e largos riscos mais claros. artigos de esportes. marcos de portas e janelas. mais ou menos intenso. degraus de escada. embalagens decorativas. instrumentos musicais. molduras. casco de embarcacões leves. construções externas (estruturas. ripas. Sucupira-parda ou Sucupira-preta (Bowdichia virgilioides): pode ser usada para folhas faqueadas decorativas. em construcão naval como acabamentos internos decorativos. guarnicões. Cerne variando do bege-rosado-escuro ou castanho-claro-rosado. Resistente ao ataque de organismo xilófagos.

possibilidade de obtenção de chapas de grandes dimensões e maior estabilidade dimensional. Entre as vantagens da utilização das madeiras transformadas destacamse: a homogeneidade de composição no caráter físico e mecânico. da aglomeração por colagem de finas lâminas desdobradas (laminados compensados) e da aglomeração de fibras de madeiras de média densidade (MDF). etc. aproveitamento integral do material lenhoso contido nas árvores.30 – Cortes da madeira. na sequência. embutidos.. Dr. Os tipos mais comuns são através da reaglomeração de madeira reduzida a fibras (chapadura). armários. são prensados. O MDF (Médium Density Fiberboard) é fabricado através de troncos selecionados que. após descascados.5. lascas. visando a correção das características negativas. onde.MADEIRAS TRANSFORMADAS As madeiras transformadas são fabricadas através da alteração da estrutura fibrosa orientada do material. peso específico. A madeira aglomerada são placas de madeira desfibradas e secas. Figura 12. resistências ao cisalhamento e ao fendilhamento. As fibras são misturadas com resina de uréia-formaldeído. cujas partículas são coladas entre si por meio de aglutinantes (à base de uréia e formol). O produto final apresenta peso específico na ordem de 700 a 750 kg/m3. melhoria de propriedades como a retratilidade. É bastante indicado para a fabricação de móveis em geral. principalmente em situações de corte para exportação. aparas.1 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mas as medidas são consideradas padrões. (aglomerados). Cláudio R. etc. da reaglomeração de madeira reduzida a fragmentos. etc. Os nomes de cortes podem variar de região para região. com espessura que varia de 9 a 30 mm. copas. e são levadas por meio pneumático para uma máquina formadora. 162 . cozinhas. Losekann Direitos autorais reservados 12. são fragmentados e desfibrados.

é susceptível a manchas por contato com a pele e é pouco resistente ao calor. para evitar arranhões. tingido. brilhante ou fosco. maior brilho. 163 . envernizamento: os vernizes formam uma película protetora transparente. aos álcoois e a abrasão.3 .TRATAMENTO SUPERFICIAL Os tratamentos superficiais objetivam melhorar o aspecto do material utilizado e também protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca. boa aderência. Losekann Direitos autorais reservados 12.TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. poliuretano e poliéster. O verniz de poliuretano é usado em pisos. e • depressões: utiliza-se uma estopa de algodão molhada em água quente. • • polimento com cera: confere brilho e maciez. seguido pela remoção do pó (com escova fina) e aplicação de uma demão de selador. pode danificar-se em contato com líquidos ou com o calor. Promove um acabamento liso e brilhante que. betume ou resina. Alguns tratamentos são mais específicos para determinadas espécies de madeiras naturais. cimento de madeira. O verniz goma-laca é indicado para reparar móveis antigos ou harmonizar uma peça com outras já existentes em um ambiente. executado preferencialmente sempre no mesmo sentido. mas. Os mais comuns são goma-laca.5. Seu principal uso são superfícies decorativas ou que não serão manuseadas. resistência ao calor. outros são mais aconselhados para usos em madeiras transformadas. nitrocelulose. É indicado para cozinhas e banheiros e tanto pode ser usado como verniz de cobertura quanto como selador. • fendas e/ou furos: podem ser eliminados através de massa corrida acrílica (ou a óleo para madeiras).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a água. Como qualidades apresenta um tempo curto de secagem. boa resistência física e química.5. Em contrapartida à baixa resistência à luz e a um longo tempo de secagem. apresenta grande durabilidade. tais como: • manchas de óleo ou graxa: podem ser removidas com nafta ou benzina. Inicia-se o preparo da madeira pelo lixamento. que estufará as células da madeira. O verniz de nitrocelulose é o mais utilizado na indústria moveleira e seu acabamento pode ser incolor. Dr. antes da execução do trabalho propriamente dito. 12. As lixas devem ser usadas gradualmente. da mais grossa à mais fina. Cláudio R. madeiras e móveis. tetos. é aconselhável um estudo completo das características da madeira e do tipo de tratamento superficial que se pretende aplicar.2 . Durante o preparo da superfície deve-se observar a presença de defeitos. boa flexibilidade. boa flexibilidade e resistência satisfatória para emprego em ambientes internos (é utilizado sobre uma demão de selador nitro). Completa-se a etapa de preparo da superfície com um novo lixamento. Logo.

• tingimento: aplicação do tingidor. Passar a lixa n0 60 sobre a peça até tirar todo o verniz e após. mas escurecem a madeira). limpá-la com o pano. são indicados para o mobiliário de quartos de crianças e de cozinha. com a espátula. 164 . Com a evaporação da parte líquida. • pátina: é a denominação das texturas que apresentam efeitos de envelhecimento. teca. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. Figura 12. Losekann Direitos autorais reservados O verniz de poliéster forma uma película dura e transparente e apresenta uma elevada resistência química e física (atrito). de cima para baixo. São resistentes à água e. sendo mais apropriados para madeiras escuras. Cláudio R. 2. • esmalte poliuretano: essas tintas formam películas estruturalmente duras e resistentes química. A operação consta dos seguintes passos: 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. proporciona bom acabamento. PVA ou emborrachado automativo e com uma estopa embebida em solvente dá-se o efeito de “manchado”. Esperar secar por quatro horas. onde os veios da madeira ficam totalmente escondidos. sobre as imperfeições. física e mecanicamente. limpa-se a peça novamente. o corante deposita-se na camada superior da madeira. confere uma aparência lisa e espelhada na superfície. peroba e cerejeira). usa-se a lixa n0 180. Os óleos formam um filme resistente e fosco (não encobrem a textura. com o uso contínuo. • óleos: a aplicação de óleos (linhaça. Após o lixamento. Dr. • laqueação: pintura aplicada com pistola. Por isso.31 – Efeito pátina. passase uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. • clareamento ou alvejamento: técnica para descolorir a madeira. promovem um aumento na resistência ao choque. do tipo poliéster e nitrocelulose). Permitem acabamento de alto brilho ou fosco e possuem boa aderência em madeiras resinosas (que não são boas para vernizes. Distribuir a massa corrida. Consiste basicamente em cobrir os veios naturais da madeira com tinta esmalte. Os elementos pigmentados possuem as mesmas características dos vernizes. O tingimento pode ser translúcido (permite a apreciação dos veios da madeira) ou opaco (os pigmentos bloqueiam a visualização dos veios). Antes da pintura. 3. à base de água ou solvente. Com a ajuda do rolo. sobre o substrato. Para retirar os excessos e nivelar a madeira. sendo o alvejante mais usado o peróxido de hidrogênio misturado com amônia. Seu principal uso é a correção de riscos superficiais.

Figura 12. com o móvel completamente seco. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. ressaltando seus veios. passa-se a palha de aço de uma só vez. Com a ajuda do rolo. Quando essa superfície recebe uma pátina. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. A figura mostra o efeito de decapê em uma peça de madeira. mergulha-se bem o rolo (lavado) na tinta da cor escolhida e. Finalmente. sem retirar o excesso. Losekann Direitos autorais reservados 4. procede-se o acabamento. Cláudio R. 6. 8. Quanto mais lisa estiver a madeira. 165 . melhores serão os resultados obtidos. Com o pano. tirando os excessos da tinta. passa-se uma segunda demão de tinta branca. Quanto mais lisa estiver a madeira. Se ainda houver imperfeições. é usada para clarear a madeira. até que se retire completamente o verniz. Espera-se secar por mais duas horas e trabalha-se cada uma das outras partes. 3. Porém.33 – Efeito satinê. porque é a palha de aço que vai criar o efeito de “riscado” da pátina. satinê: ou pátina lavada. limpa-se bem a peça. A operação consta dos seguintes passos: 1. limpa-se bem a peça. Figura 12. o satinê é feito com apenas uma. passa-se uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. de cima para baixo. até que se retire completamente o verniz. Logo após.32 – Efeito decapê. no sentido dos veios da madeira. 7. riscando sempre no mesmo sentido. Deve-se manter a mão firme. desde que estejam em bom estado. Antes da pintura. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. Com a tinta ainda fresca. deixando o branco aparecer. formam-se relevos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. bastante diluída. deve-se repetir o procedimento com a massa corrida. 5. Quando a superfície estiver bem lisa. suavemente. aplicando-se duas demãos de verniz. Com o pano. A figura mostra um móvel submetido a esse tipo de tratamento superficial. • decapê: consiste na aplicação de dióxido de titânio (pó branco). Dr. melhores serão os resultados obtidos. As madeiras cerejeira e marfim são as ideais para esse processo. aplica-o sobre o móvel. enquanto a pátina usa duas cores de tinta. e espera-se mais duas horas. • 2. Desliza-se a escova de aço. Repete-se esse procedimento até três vezes. no mesmo sentido. sendo preferível as tonalidades mais claras.

deve-se usar uma boneca sobre uma mesa. Para estonar madeiras claras. Deve-se deixar secar durante três horas. • estonado: também conhecido por pátina provençal. passada na peça a ser trabalhada. serve para madeiras escuras. Deve-se passar quantas demãos se achar necessário. Usa-se a lixa n 180 para alisar a superfície. Utilizando-se da espátula. O móvel deve ser nivelado com a lixa n0 220. mas o manejo é mais seguro do que a lâmina. 6. A espátula não permite um desgaste muito detalhado. 2. num mesmo sentido e com firmeza. 1. • estêncil: basicamente é a pintura com moldes. aplica-se três demãos. pois a madeira escurecida com anilina precisa estar bem seca antes de receber tinta branca. partes perto de puxadores. pequenas depressões na madeira. A principal característica é o contraste da tinta branca sobre um fundo escuro. A operação consta dos seguintes passos: Usa-se a lixa n0 180 para nivelar a superfície e tirar restos de verniz. e passa-se a cera incolor com outra bolinha de estopa. Se estiver trabalhando com madeira escura. 8. Cláudio R. deve-se ir direto para a etapa de diluição de tinta látex. Com suavidade. Finalizando. 7. concentrando-se esse trabalho. Para passar a tinta. Espera-se secar por duas horas. após. passa-se a lixa n0 320. Essa aplicação deve ser feita de uma só vez. deve-se diluir toda a anilina em 1 litro de álcool. Dr. A tinta é preparada na seguinte proporção: seis partes de látex para quatro partes de água. 3. raspa-se a tinta em locais onde o desgaste ocorreria naturalmente (cantos.). procede-se limpeza com pano. Dilui-se a tinta látex e com o rolo. nos pontos desgastados. 5. Esse movimento deve ser feito de uma só vez e num único sentido. pode-se clarear ainda mais. deve-se primeiro escurecê-las. para efetuar a manutenção do móvel. A operação consta dos seguintes passos: 166 . Losekann Direitos autorais reservados 4. Após fazer uma bolina com a estopa. 4. Esse procedimento deve ser repetido a cada seis meses. conforme ilustra a figura. passando nova demão de tinta e seguindo os mesmos passos descritos anteriormente. fazendose movimentos circulares com um pouco de estopa até obter uma esfera do tamanho de uma bola de tênis. Para escurecer a madeira. Quanto mais tinta for aplicada. etc. Se a cor não estiver do agrado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II 0 Prof. para que a madeira fique bem escura. mas fácil será o desgaste. passe toda a solução preparada na peça. aplica-se a cera com uma nova bolinha de estopa (boneca). ou aparecerão manchas. O tempo de secagem é de uma hora para cada demão. 5. 6. A boneca é molhada na tinta e à seguir. para evitar manchas. que serve para disfarçar irregularidades da tinta ou da madeira.

Losekann Direitos autorais reservados 1. Espera-se secar. Enegrecimento: aplicado na madeira de carvalho. com fita crepe. Sobre uma base de vidro. fica-se “batendo” a tinta no desenho. Fixa-se o molde sobre o móvel com tinta crepe. como soda cáustica. Dr. deve-se lavar a máscara e cobrir. 7. Pinta-se a superfície que servirá de fundo para o estêncil e aplica-se uma demão de tinta branca fosca. 3. entre cada demão. desenha-se o que se deseja reproduzir no estêncil e coloca-se o acetato sobre o papel fazendo-se assim o contorno da figura com a caneta de reprojetor. Isso disfarça eventuais imperfeições e relevos. até que se obtenha as nuances desejadas. É importante que não se permita que a esponja fique com excesso de tinta. com o rolo. Com a espátula. 167 . 13. O tempo de secagem é de seis horas. deixando o desenho nivelado. Figura 12. Essas devem ser corrigidas com um pincel fino. Pequenas falhas podem surgir. recorta-se o desenho do acetato com um estilete.34 – Efeito estêncil. Com o pano embebido de álcool. Deve-se esperar em torno de seis horas. Molha-se a esponja na tinta e pressiona-a levemente sobre o desenho. permite o escurecimento através da exposição à vapores de amoníaco. 4. prensadas a alta temperatura. 12. limpa-se o acetato até que toda a tinta da caneta seja retirada. Sua superfície pode ser manchada por produtos químicos. para remover o verniz e nivelar a superfície. quando a tinta não completa todo o desenho. aplica-se a massa a óleo em toda a peça. 5. 10. • fórmica: são placas rígidas compostas por camadas de papel e resina. os espaços que não serão pintados. 6. Cláudio R. Lixa-se toda a peça. pois esta pode escorrer ou se acumular nas bordas do molde. deve-se cobrir com fita crepe as áreas vizinhas já prontas. Limpa-se com o pano. Para empregar outras tintas. Apresenta boa resistência química e mecânica. Usa-se uma régua para fazer as medidas necessárias. Quando for realizado um desenho de várias cores. água oxigenada e produtos de limpeza que contenham cloro. 9. Numa folha de papel. 8. Usando o pincel chato. 11. Com a esponja. Deixa-se secar por seis horas. deve-se esperar a primeira cor secar completamente antes de prosseguir. 2. pinta-se o móvel com a primeira cor escolhida.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A cada nova cor utilizada.

em chapas de blindagem. dando a entender que as propriedades finais desejáveis desses materiais são normalmente atingidas através de um processo de tratamento térmico a alta temperatura. tanto na forma de blocos e telhas. 168 .1 – INTRODUÇÃO O termo “cerâmica” vem da palavra grega keramikos. e cerâmicas técnicas como piezo elétrico. placas ou ladrilhos para piso e pastilhas.). nitretos e carbonetos. pisos e bancadas. as possibilidades de emprego de materiais cerâmicos ampliaram-se muito. Os cerâmicos são compostos entre os elementos metálicos e nãometálicos para os quais as ligações interatômicas ou são totalmente iônicas ou são predominantemente iônica com alguma natureza covalente. janelas. é apenas uma das diversas atividades que têm como finalidade a produção de materiais cerâmicos. Atualmente os materiais cerâmicos estão cada vez mais presentes no cotidiano e suas aplicações são as mais diversas. Dr. • Cerâmicas duras que podem ser matérias primas de motores a combustão interna e de turbina. os materiais cerâmicos também estão entre os mais antigos. tais como azulejos. • Cerâmica branca .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Atualmente.Louças sanitárias e domésticas. muito utilizados na siderurgia. na forma de potes para o armazenamento de grãos. • Semicondutores e imãs. A grande variedade de materiais que se enquadra nesta classificação inclui cerâmicos que são compostos por minerais argilosos. 2) Cerâmica avançada • Isoladores elétricos.000 e 6. Os cerâmicos podem ser classificados nas seguintes categorias: 1) Cerâmica convencional • Cerâmica vermelha – Abrange as telhas e manilhas até objetos artesanais.000 a. fabricação de vidros e dos próprios revestimentos cerâmicos. para fins diversos. • Vidros. quanto na de placas de revestimento. lentes. Para uso na construção. Losekann Direitos autorais reservados 13 – CERÂMICOS 13. que são utilizados em recipientes. Cláudio R. pastilhas e placas. • Revestimentos cerâmicos . • Materiais refratários e isolantes térmicos. tais como azulejos. para transmissão e distribuição. ladrilhos. telas de tv e fibra de vidro. em embalagens de componentes eletrônicos e como ferramentas de corte.Compreendem a produção de materiais usados na construção civil para revestimento de paredes. Os primeiros vestígios da utilização da cerâmica datam do início do Neolítico (entre 10. Eles são freqüentemente óxidos. cimento e vidro.C. que significa “matéria-prima queimada”. indo de utensílios domésticos como potes a utensílios industriais como a fibra ótica. A fabricação de revestimentos para a construção civil.

misturados em diferentes proporções. usa-se muito argila. Dr. resistência à tração e à compressão e a dureza. quartzo e feldspato. chamadas de cerâmicas avançadas. Se for necessária a fabricação de um material refratário. Figura 13. Tanto nos materiais cerâmicos quanto outros materiais é preciso estabelecer o fim que o produto vai ter para que se possa escolher de forma precisa a matéria prima. Desta forma. pisos e revestimentos ou material de laboratório para a indústria química. cada vez mais a cerâmica vem substituindo peças de metais nos mais variados equipamentos. Cláudio R. Atualmente existe alguns de tipos de fibras óticas com composição mais intrínseca como o ZBLAN a base de zircônio. as fibras óticas contêm basicamente SiO2 e B2O3. diásporo. caulim. como telas de televisão. Para a fabricação de cerâmica convencional como louça doméstica. apresenta-se totalmente ou parcialmente cristalizados. bauxita. lentes.1 – Peças de cerâmica. corindon. por exemplo. a exemplo das superligas a base de níquel. etc nas proporções adequadas. as matérias primas utilizadas podem ser a argila refratária. usada em turbinas de aviões. fibra ótica. cerâmicas piezo elétricas. quartzito. 169 . cerâmicas supercondutoras. a condutividade térmica. Para cerâmicas de uso especial e com processamento de alta tecnologia. com notáveis resistências mecânica e à oxidação em altas temperaturas. a resistência ao ataque de produtos químicos. caulim. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais cerâmicos são materiais inorgânicos. A Ciência dos Materiais tem desenvolvido materiais alternativos dos materiais tradicionais. muitos materiais cerâmicos ainda têm suas aplicações limitadas devido a sua fragilidade. cuja estrutura. pastilhas de corte. após queima em altas temperaturas. Isso permite que os produtos de cerâmica sejam usados tanto para louça doméstica quanto para construção (material refratário de altosfornos. cianita. bário. a resistência ao choque térmico. materiais magnéticos. materiais biocompatíveis. ferramentas de corte em máquinas-ferramentas). A cristalização confere aos materiais cerâmicos propriedades físicas como a refratariedade. Entretanto. material sanitário.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a matéria prima é cuidadosamente selecionada e a composição destes no produto dependerá da sua aplicação e das propriedades desejadas. silimanita.

cloritas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. índio. Argilas . bentonita. entendese como argila um produto natural. todos com propriedades mecânicas de elevada dureza e resistência a abrasão para produzir. tijolos isolantes térmicos). ou seja. formado por uma mistura de minerais argilosos (caolinita. vitrifica-se. esmalte e engobe.1 – CERÂMICA VERMELHA Podem-se apresentar três composições básicas que são: massa cerâmica. A massa cerâmica é a que se apresenta geralmente em maior quantidade. Os produtos cerâmicos são obtidos pela composição destes ou não e sinterizados (queimados). não tratado previamente. etc) com outros que não 170 . A qualidade e defeito de um produto cerâmico depende muito do conhecimento das matérias primas de cada componente bem como das condições físico-químicas do processamento.2. 13.1. 13. a matéria prima poderá ter composição bem distinta do último como o nitreto cúbico de boro. alumínio e sódio. em geral. que cumprem uma série de exigências que as fazem útil e rentáveis para fabricação de produtos cerâmicos convencionais. mas o objeto deste estudo é apenas para dar uma visão geral de ambos os casos. por exemplo. O esmalte é composto de vários óxidos na forma de pós que. a zircônia ou carbeto de silício. Quando se trata de pastilha de corte.1 – Massa cerâmica As massas cerâmicas são misturas equilibradas de matérias primas plásticas e não plásticas. O esmalte é a composição vítrea que geralmente recobre a massa cerâmica conferindo um ótimo aspecto visual e impermeabilizante da massa. Matérias primas plásticas As matérias primas plásticas são: argila. itérbio e tório. o HZBLAN com háfnio e o BIZYT a base de bário. A massa cerâmica pode ser esmaltada ou não. Losekann Direitos autorais reservados lantânio.O termo argila se usa em linguagem comum num sentido muito amplo com o fim de simplificar definições muito complexas. após a queima. onde pode ser de baixa porosidade (piso) ou de elevada porosidade (revestimento. As matérias primas utilizadas na preparação de massas cerâmicas geralmente não são substâncias puras. zinco. Dr. As propriedades óticas têm maior importância neste campo. filitas. a alumina.2. Tanto a cerâmica convencional quanto a cerâmica avançada tem atingido grau de desenvolvimento na produção que poderia ser descrito cursos especiais para cada caso. que o caso de alguns tipos de vasos de flores e tijolos vermelhos. caolim. Cláudio R. materiais para ferramentas de corte. O engobe é uma composição intermediária da massa cerâmica e do esmalte que tem como finalidade facilitar a aderência entre os dois.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL 13.

Fe2O3. Losekann Direitos autorais reservados são argilosos como (quartzo. Cláudio R. Desta forma. CaO.H2O K2O. Os minerais argilosos se dividem em 3 grupos conforme a tabela abaixo: A Grupo caolinita Hidratados haloisita caolinita Não hidratados diquita nacritra B Grupo da mica Hidratados montmorilonita Não hidratados talco pirofilita Parcialmente hidrat. MgO. Utiliza-se como carga na massa cerâmica. As propriedades de cada argila estão de acordo com suas composições.3Al2O3. 171 .2H2O montmorilonita (bentonita) 3MgO. K2O. melhorando de forma significativa a plasticidade com a adição deste na massa cerâmica. da mesma forma. Dr. de baixa plasticidade e elevada refratariedade. 6SiO2 H2O clorita Caolim – O caolim é uma argila contendo elevado índice de caolinita. Pode apresentar elevado conteúdo de sílica com granulometria grosseira além de apresentar outros minerais como illita e montmorillonita. carbonatos. Bentonita – O principal mineral argiloso da bentonita é a montmorilonita. feldspato. Al2O3 (33%). carbonato. Os principais óxidos do caolim são: SiO2 (54%). denominará argila calcárea e.).4SiO2.2H2O + 2H2O Al2O3. Na2O.2SiO2. que absorve água com facilidade. quando se tem o objetivo de diminuir a plasticidade da mesma. Quartzo – O quartzo é a forma predominante da sílica (SiO2) – Sílica contém 98% de SiO2 – ou seja. talco. Matérias primas não plásticas As matérias primas não plásticas são: quartzo.H2O Al2O3. É extremamente plástica.4SiO2.2SiO2. é a forma cristalina. feldspatos óxidos e etc. TiO2. dilatando sua estrutura até 4 ou 5 vezes seu volume a seco. para a argila caolinítica. As argilas utilizadas para fabricação de pisos e revestimentos geralmente tem em torno de 20% de sílica. filitas C Grupo de clorita clorita haloisita caolinita diquita nacritra montmorilonita talco pirofilita filitas clorita Al2O3. em uma argila onde há predominância de cal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. restante.

Al2O3.64 2.Al2O3.61/2.4Al2O3 9SiO2 Densidade aparente (g/cm3) 2.6SiO2 Na2O. que se apresentam em quantidades iguais. podendo apresentar-se associado com impurezas como o ferro e cálcio e outros metais alcalinos.41 Dureza (Mohs0 6 6/6. A dolomita pode ser considerada como um carbonato duplo de cálcio e magnésio.1. quando há dificuldade de se encontrar argilas de queima branca e alto conteúdo de carbonatos. MgO (32%) e restante de Al2O3.2. Na2O.37 2. aluminosilicato de cálcio. por exemplo.2SiO2 Li2O. Os vidros são substâncias amorfas formadas por fusão e posteriormente esfriamento de silicatos desorientados. Mineral Fórmula molecular Carbonato CaCO3 cálcico Dolomita CaO MgO.110 a 1.56 2. Pode ter formas cristalinas ou não em sua composição. 13. e etc.70/2.5 6/6. Cláudio R. O quadro abaixo mostra fórmulas moleculares teóricas de alguns tipos de feldspato mais comuns (minerais puros).76 3. Losekann Direitos autorais reservados Feldspato – São minerais ígneos encontrados em rochas primárias em que aparecem junto com o quartzo e a mica. massa branca para revestimentos. aluminosilicato de sódio.Al2O3. Dr. Adicionando-se talco na massa cerâmica aumenta-se a resistência a ácidos e reduz a expansão por umidade. Trata-se de aluminosilicatos de metais alcalinos e alcalinos térreos.6SiO2 CaO. Os principais óxidos que podem estar contidos no talco são: SiO2 (60%).5 O ponto de fusão dos feldspato oscila entre 1. por exemplo. Carbonato cálcico e dolomita – Se utilizam em massas cerâmicas de produtos porosos em que é difícil introduzir argilas calcares como. Se trata de vidros que tem diferentes composições de óxidos inclusive metais como ouro e prata (revestimentos de encomenda especial). Mineral Ortosa Albita Anortita Celsiana Petalita Nefelina Fórmula molecular K2O.2 – Esmaltes Em muitos produtos cerâmicos a massa é recoberta por uma película vítrea que também é denominado como vidrado que tem como função recobrir recobrir o material com uma camada uniforme e impermeável.Al2O3.2CO2 Talco – O talco é um silicato de magnésio. CaO. Estas temperaturas relativamente baixas são devido a presença dos metais alcalinos e alcalinos térreos.Al2O3. realizando também funções de estética e decorativas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.530 oC.8SiO2 K2O.5 >6 6. na qual os elementos químicos constituintes estão arranjados de forma ordenada e 172 .2SiO2 BaO. Os cristais são estruturas com orientação. Fe2O3.3Na2O.

a camada vítrea que cobre a massa cerâmica tem na realidade a estrutura de um líquido subresfriado que pode conter partículas cristalinas em suspensão. etc.Os coeficientes de dilatação térmica da massa cerâmica e esmalte devem ser compatíveis a fim de evitar defeitos devido a forças de tração e de compressão entre ambos. Zr2O3). caolim.3 – Engobe A função do engobe é diferente do esmalte e também as suas propriedades. misturadas de forma homogênea Moagem: o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos Umidificação: o acréscimo de água para formar a massa cerâmica Conformação: onde as peças são produzidas por vários métodos: colagem. . Ter opacidade adequada. . Dr. Losekann Direitos autorais reservados repetitiva nas três dimensões. 173 . feldspato.A composição do esmalte deve estar de acordo com as propriedades desejadas. Portanto. Regular a adaptação entre o esmalte e a massa cerâmica. calcinação. os engobes têm composições sensíveis formadas por um fundente (PbO. Isolar da superfície da massa cerâmica a ação de partículas contaminantes e proporcionar uma superfície branca sobre a qual se aplicara o esmalte. esmalte = vidro + cristais. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. um engobe deverá: Cobrir e homogeneizar a superfície da massa. atuando sobre seus coeficientes de dilatação térmica ou sobre sua refratariedade. Em geral. Cláudio R. elementos de carga (argila. De acordo com o descrito. a composição de um esmalte estará composta por fundentes (fritas) modificadores de propriedades (propriedades óticas. formando um conjunto de células unitárias.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Há uma série de fatores determinantes da composição do esmalte que tem de se levar em conta na hora da escolha da matéria prima que são: .Capacidade de formar uma mistura que pode se dar por fusão um vidro homogêneo a uma dada temperatura. na qual grande parte da água livre é evaporada Queima: a temperatura é definida em função da composição química da mistura e na qual o aumento de temperatura causa as seguintes reações: desidratação. ou seja. 13.Interação adequada com a massa cerâmica. extrusão.) e aditivos (modificadores de propriedades reológicas). textura. oxidação e formação de silicatos. Secagem: pode ser natural ou artificial. .1. prensagem ou injeção. quartzo e silicato de zircônio). Em geral.2.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados Figura 13.2 – CERÂMICA BRANCA Este grupo é bastante diversificado. Com o advento dos vidrados opacificados. A preparação de um 174 . • louça de mesa.3 . caracterizada pela cor branca ou clara de queima de sua massa básica. O calor é muito importante para que o produto cerâmico tenha garantidas as propriedades que o caracterizam. A cerâmica branca é um segmento da cerâmica tradicional (ou de silicatos) bastante abrangente. responsáveis pela coloração.2.2 – Produção de cerâmica. É mais adequado subdividir este grupo em: • louça sanitária. • utensílios domésticos e adornos. em temperaturas superiores a 1. Cláudio R. • cerâmica artística (decorativa e utilitária).000 °C. sem prejuízo das características para uma dada aplicação. compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa.Louça sanitária. com matériasprimas com certo grau de impurezas. 13. necessária por razões estéticas e técnicas. Figura 13. muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados. Dr.

ela pode conter ainda algum líquido (por exemplo. requerendo que seja coberta por um vidrado contendo um pigmento e com opacificantes (ZrSiO4). que foi adicionado para auxiliar na operação de conformação. misturadas de forma homogênea Moagem: para que se reduza o tamanho das partículas da matéria-prima da argila é necessário que se faça um procedimento de moagem ou trituração. outros ingredientes para dar as características de escoamento que são compatíveis com a técnica particular de moldagem. a faixa usual de queima para material sanitário compreende 1230 ºC a 1280 ºC. de maneira geral. suspensão e plasticidade). composição e homogeneização da massa cerâmica. materiais com a função física durante o processo de conformação das peças (agentes de ligação. Os processos podem ser: colagem. Cláudio R. 175 . Em geral. entretanto. secagem. considerando os coeficientes de dilatação térmica da massa e do vidrado. As matérias primas devem apresentar. ou idealmente. Losekann Direitos autorais reservados produto cerâmico desta classe abrange. podendo. Esse processo é seguido por um peneiramento ou uma classificação por granulometria que produz um produto pulverizado que possui uma faixa desejada de tamanho de partículas. caolim. para cerâmica branca. formação dos corpos cerâmicos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. eles possuem limites de escoamento extremamente baixos. queimam com cores claras a 1250 ºC. porém variar dentro de faixas de acordo com a composição química desses materiais. Secagem: uma peça cerâmica que tenha sido moldada retém uma porosidade significativa e também possui uma resistência que é insuficiente para a maioria das aplicações práticas. e podem ser moldados sem que ocorram trincas. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. queima. manganês ou titânio. quando misturados com água. Esse líquido é removido em um processo de secagem. a densidade e a resistência são melhoradas com a secagem e a queima. Essa massa é geralmente total ou parcialmente vitrificada e apresenta uma certa coloração escura indesejável. fundentes e inertes). e acabamento. Além do mais. com cor escura a temperatura usual de queima é a 1450 ºC. Os caolins. quartzo e feldspato. Conformação: os minerais à base de argila. extrusão. para satisfazer a uma dada composição química prefixada para massa e finalmente para o corpo cerâmico. isolada ou conjuntamente. as seguintes etapas: seleção das matérias primas. prensagem ou injeção. água). Dr. talvez.o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos. quartzo e feldspato. e função química no processo de queima (elementos estabilizadores. na proporção de 25% para cada componente. Umidificação: os materiais pulverizados devem ser completamente misturados com água e. se tornam altamente plásticos e flexíveis. A massa da cerâmica branca é composta. Esses componentes podem ser agrupados em materiais plásticos e não-plásticos. preparação. Quando ricos em ferro. por uma mistura de argila plástica. Não há uma única massa-padrão com características que satisfaçam aos requisitos de todos os diferentes produtos da cerâmica branca. geralmente. traduzidos por três matérias primas: argila. A consistência (razão água-argila) da massa hidroplástica deve dar um limite de resistência suficiente para permitir que uma peça conformada mantenha a sua forma durante o manuseio e a secagem.

a barbotina (mistura líquida de argilas) é derramada dentro de um molde poroso (em geral de gesso). e são relativamente porosos. Figura 13.2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Esse processo 176 . Dr. As seguintes reações ocorrem através da queima: desidratação. essa fase fundida forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente.2. a formação gradual de um vidro líquido que flui para dentro e preenche parte do volume dos poros. Neste processo. entre 900 °C e 1400 °C. para melhorar a densidade da peça. geralmente. Os tijolos de construção são queimados normalmente a uma temperatura de aproximadamente 900 °C. Por outro lado. blocos cerâmicos e azulejos são todos geralmente fabricados utilizando uma técnica de conformação hidroplástica. Tijolos. As técnicas de secagem e queima são críticas no sentido de que defeitos como contração de volume de forma irregular torna a peça inútil. ela é semelhante à extrusão de metais. A temperatura de queima depende da composição e das propriedades desejadas para a peça acabada. bem como da composição química da peça. mas que não tenha sido queimada é conhecido por cru. Quando materiais à base de argila são aquecidos a temperaturas mais elevadas. O grau de vitrificação depende da temperatura e do tempo de queima. como resultado de forças de tensão superficial. a água da suspensão é absorvida no interior do molde. oxidação e formação de silicatos. 13. deixando para trás uma camada sobre a parede do molde. Cláudio R. calcinação. uma contração de volume também acompanha esse processo.Processamento A técnica de conformação hidroplástica mais comum é a extrusão. tubos. variando. onde uma massa cerâmica plástica rígida é forçada através de um orifício de uma matriz que possui a geometria de seção reta desejada. como o feldspato. a cerâmica plástica é forçada através de uma matriz por meio de uma rosca sem fim acionada por um motor. Um outro processo de modelação usado para composições à base de argila é a moldagem por suspensão. A temperatura é definida em função da composição química da mistura. ocorrem algumas reações consideravelmente complexas. a densidade e a resistência mecânica devido à diminuição da porosidade.4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos. o tijolo de construção) são formadas pela introdução de inserções colocadas dentro do molde. a queima de uma porcelana altamente vitrificada. Dessa forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. cuja espessura irá depender do tempo. Essa fase fluída escoa ao redor das partículas não fundidas que permanecem no meio e preenche os poros. Uma dessas reações é a vitrificação.1 . Losekann Direitos autorais reservados Queima: uma peça que tenha sido conformado e que esteja seco. Com o resfriamento. Durante a operação de queima. ocorre em temperaturas muito mais altas. e o ar é freqüentemente removido em uma câmara a vácuo. Normalmente. que está no limiar de ser oticamente translúcida. A temperatura na qual a fase líquida se forma é reduzida pela adição de agentes fundentes. As colunas ocas no interior da peça extrudada (por exemplo.

Aplicação: cerâmicas biológicas. 5) Alumina. catálise. Aplicação: cerâmicas térmicas. 3) Alumina. carbonato de bário e de estrôncio. 177 . Produtos: radiadores de infravermelho. translucidez. resistência a corrosão. piezoeletricidade. Aplicação: cerâmicas óticas. juntas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. normalmente sintéticas e conformadas por processos especiais. Aplicação: cerâmicas químicas e eletroquímicas. e ainda assim precisa ser muito fluida. Produtos: lâmpada de descarga elétrica de vapor de sódio. termistores.3 – CERÂMICA AVANÇADA Pode-se dizer que esta expressão define produtos cerâmicos manufaturados a partir de matérias primas puras. vidro de sílica. Propriedades: biocompatibilidade Produtos: implantes para substituir dentes. semi-condutividade. zircônia. dieletricidade. sensores de gases. Após a conformação a peça entra num sistema contínuo de secagem e queima. fluorescência. A maioria dos moldes é composta por peças múltiplas. Propriedades: magnetismo. Aplicação: cerâmicas elétricas e magnéticas. varistores. A natureza da suspensão é extremamente importante. absorção de calor. objetos de arte e peças de laboratórios científicos. ela precisa possuir uma gravidade específica alta. Os pós são produzidos através da atomização ou pulverização de barbotina em contra corrente a um fluxo de ar aquecido e que circula em uma torre. que é econômico. A prensagem “a seco” é um outro importante método de conformação de produtos cerâmicos e é realizado através da prensagem de pós da matéria prima. 2) Alumina. tais como tubos cerâmicos. Propriedades: capacidade de adsorsão. eletrólitos sólidos. titanato de bário. que devem ser montadas antes da queima. refratários. que posteriormente e transportado para matrizes de prensagem. condução de luz. é usado como material de molde. sinterizadas em condições rigidamente controladas a fim de apresentarem propriedades superiores. zircônia. As propriedades do molde também influenciam a qualidade da modelação. 4) Alumina. Normalmente o gesso-de-paris. Cláudio R. No final do percurso encontra-se o pó de cerâmica (matéria prima plástica). bem como de outros agentes que são adicionados. isolantes térmicos. 13. Propriedades: condensação ótica. memórias óticas. Abaixo está alguns exemplos de cerâmicas avançadas para perceber a abrangência desses materiais: 1) Óxido de ferro. Produtos: suportes de catalisadores. relativamente fácil de ser fabricado em formas intrincadas e reutilizáveis. cabos óticos. semicondutores. Produtos: capacitores. isolação térmica. Dr. refratariedade. geradores de faísca. ossos. Essas características dependem da razão sólido-água. Propriedades: condutividade térmica. Losekann Direitos autorais reservados pode ser continuado até que a totalidade da cavidade do molde se torne resistente mecanicamente. polarizadores. ímãs. As formas cerâmicas consideravelmente complexas que podem ser produzidas por este método incluem louças sanitárias.

Todos os abrasivos sintéticos são processados a quente e saem do forno em forma de pedaços maciços. O diamante. O carbeto de boro com até 95% de carbeto de boro cristalino. Produto: ferramentas de corte. é um óxido de alumínio (Al2O3) com 90% de pureza. Cláudio R. é o mais duro dos abrasivos naturais. esferas e cilindros para moagem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. é o abrasivo natural mais utilizado. sendo usado para afiar ferramentas desgastadas. desde os mais macios até os mais duros. 178 . carbeto de silício. O corindon. os grãos abrasivos podem ser unidos por meio de um material aglomerante na forma de uma liga cerâmica. Produtos: Materiais para blindagem. rotores. zircônia Aplicação: cerâmicas abrasivas e termomecânicas. Esses abrasivos são usados principalmente para afiar ferramentas de corte ou polir e dar acabamento final a estampos. Nas operações executadas com o auxílio desses materiais. rebolos. às altas temperaturas e à radiação. baixa expansão térmica. Grãos mais grossos retiram mais material. essas ferramentas podem cortar durante mais tempo. elevada condutividade térmica. O rebolo é usada na retificação cilíndrica em superfície plana e paralela. O uso dos diamantes artificiais também é cada vez mais comum para o mesmo tipo de aplicação. obtido por fusão elétrica a partir da alumina pura. matrizes e gabaritos. o atrito do abrasivo com a peça retira quantidades variadas de material. São esses cantos que dão ao material abrasivo sua capacidade de cortar outros materiais. quanto mais fino for o grão do abrasivo. revestimento de reatores. geralmente chamado de carborundum e formado por uma combinação química de silício com carbono obtida a temperaturas entre 2. barras e placas de diferentes formas e dimensões. refratariedade. Propriedades: resistência a corrosão. dependendo do resultado que se quer obter. Por isso. Outras ferramentas de corte possuem pontas feitas com óxido de alumínio que podem ser unidas por meio de um processo de prensagem a frio seguido de sinterização ou por uma única operação de prensagem a quente. Dr. por outro lado. bicos de maçaricos. carbeto de boro.As ferramentas de corte feitas de materiais abrasivos são usadas para trabalhar todos os materiais e metais. alumina. A presença de impurezas piora suas propriedades. anéis de vedação de bombas d’água. com velocidades de corte maiores. Essas ferramentas tem alta resistência ao desgaste e a deformação em temperaturas altas. acendedores para caldeiras. 7) Carbeto de boro.200 oC e 2. na eliminação de rebarbas e na afiação de ferramentas.300 oC. com até 95% de óxido de alumínio. Aplicação: cerâmicas nucleares. capacidade de lubrificação. Propriedades: alta resistência mecânica e à abrasão. Cerâmicas abrasivas . que são depois moídos em grãos com arestas ou cantos agudos. Os abrasivos da qual são fabricadas podem ser usados sob a forma de pós. por sua vez. elevado ponto de fusão. uma resina ou um metal. o carboneto de silício (SiC). pás de turbinas para altas velocidades. O tamanho de cada grão determina a classificação da capacidade de corte do abrasivo. São eles: o eletrocorindon (normal e branco). alta resistência ao choque térmico. seja ele natural ou sintético Para formar ferramentas do tipo rebolo abrasivo. alumina. mais fino e polido será o acabamento obtido. nitreto de silício. grãos soltos. Losekann Direitos autorais reservados 6) Zircônia. Os abrasivos sintéticos também são de origem cerâmica.

O tungstênio é o metal de mais alto ponto de fusão: 3. será descrito abaixo a evolução destes materiais: Metais duros . principalmente para a usinagem em alta velocidade de aços carbono. de mais alta resistência a tração: 4. peso específico de 19. Os cermetos são exemplos de compósitos cerâmica-metal. Muitas das propriedades mecânicas são fortemente dependentes da microestrutura. As fases constituintes podem ser quimicamente dissimilares e são separados por uma interface distinta.3 kgf/dm3. especialmente quando eles são diferenciados da fase única.927 a Krupp fez sucesso com o seu produto "Widia". São usadas na indústria metal-mecânica. A técnica de fabricação dos metais duros pode ser descrita. foram cedidos a Krupp para o estudo da aplicação do carboneto de tungstênio na usinagem de metais. pela redução do trióxido de tungstênio pelo hidrogênio. Uma composição típica é a seguinte: 81% de tungstênio. Os estudos desenvolvidos inicialmente pela Osram. Em 1. A resistência à propagação de trincas em materiais frágeis pode ser fortemente influenciada pela microestrutura e pelo uso de vários reforços de inclusões na matriz. assim chamada em homenagem ao químico sueco K. resultando os denominados compósitos. Eles são manufaturados principalmente pela mistura de componentes. Um compósito é um material multifásico produzido artificialmente. superligas de ferro fundido especial e aços de alta resistência. Em sua composição original participa somente o carboneto de tungstênio. nome comercial tomado em linguagem popular como sinônimo de metal duro e que provém da contração das palavras alemãs " wie diamant". desde cedo os fabricantes de lâmpadas pesquisaram a possibilidade de aplicação do tungstênio na fabricação dos filamentos. 179 . Nestas últimas décadas houve um grande avanço no desenvolvimento de materiais cerâmicos ou compósitos para produção de tambores e disco de freio. resistência ao desgaste.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. levou a técnica da sinterização e ao desenvolvimento da chamada “metalurgia do pó”.10-6 oC-1. O tungstênio é obtido em estado extremamente puro e dividido em partículas. Esses materiais apresentam elevada dureza. Trata-se quimicamente do tungstato de cálcio (CaWO4). de mais baixo coeficiente de dilatação térmica linear: 4.400 oC. tendo como ligante o cobalto. à deformação plástica e elevada estabilidade química. W. a outra. A fase dominante em % de volume atua como matriz. como fase dispersante. pela inexistência de cadinhos que possam suportar a temperatura de 3. " como diamante". de modo bastante sintético.200 MPa.Um dos meios mais eficaz pelos quais materiais frágeis podem ser tenacificados é através da dispersão de metais na matriz cerâmica.387 oC. Scheele. na Alemanha. isto é. 6% de carbono e 13% de cobalto. Assim. para a fabricação de filamentos de tungstênio para lâmpadas incandescentes. Cláudio R. compactação e sinterização. Como o aumento do rendimento luminoso das lâmpadas incandescentes depende da elevação de temperatura do filamento. ferro fundido cinzento. como segue: 1.4. O minério do qual se parte para obtenção do carboneto de tungstênio é geralmente a Scheelita. 2. Dr. além de pastilhas de metal duro e cerâmicos para ferramentas de corte. do qual existem quantidades apreciáveis no nordeste brasileiro. Através de uma série de operações químicas é o mesmo reduzido a trióxido de tungstênio (WO3). Losekann Direitos autorais reservados Compósitos . A dificuldade de fusão do tungstênio.

As pressões usadas são da ordem de 400 MPa. A mistura é. A uma temperatura em torno de 900oC se dá uma sinterização parcial do cobalto. 8. entre as partículas de carboneto. Figura 13. Esta operação deve levar as pecas à formas precisas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. este é cortado e levado à forma final por meio de rebolos apropriados. sem maior dificuldade. onde. sem quebra. O conjunto é perfeitamente misturado num moinho de bolas. assim como as pastilhas prensadas. Este processo é utilizado na fabricação de peças de forma especial ou pastilhas de pequeno consumo. se obtém o carboneto de tungstênio.350 a 1. 7. pois qualquer operação posterior à sinterização resulta difícil e onerosa. comprimida a frio.600 oC. pois as peças não possuem ainda nenhuma dureza. O carboneto é. com resistência suficiente para serem manipulados. ainda. As pastilhas são levadas a um forno de pré-sinterização com atmosfera de hidrogênio. Cláudio R. dependendo da composição do material e do tipo de forno. são levadas para o forno de sinterização que trabalha sobre vácuo ou em atmosfera de hidrogênio. No decorrer da sinterização. Na sinterização. moído e misturado com pó muito puro e fino de cobalto. envolvendo e dissolvendo algumas destas partículas. pela ação de capilaridade.Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro. em seguida. 5. em seguida. 180 .5 . há uma contração linear de 15 a 22%. As peças pré-sinterizadas e usinadas. em matrizes. Losekann Direitos autorais reservados 3. Resfriado o produto. 6. em condições apropriadas de temperatura. obtendo-se peças já com a forma desejada (pastilhas). O tungstênio é misturado com carbono puro (grafite) e a mistura é levada a um forno. Deve-se contar. com a retração na operação final de sinterização. 4. A temperatura varia de 1. uma liga eutética de cobalto se funde e introduz-se. adquirindo o produto uma consistência e dureza suficientes para a sua manipulação nas operações subsequentes. dependendo teor de cobalto e da pressão com que o material foi prensado nas matrizes.

dando origem a uma série de tipos de ferramentas.Os carbonetos de titânio têm pouca tendência à difusão. dureza 76 a 78 Rockwell C. verificou-se que o atrito entre o carboneto e o cavaco era fortemente reduzido pela adição de carboneto de titânio e de tântalo na composição original. Também ocorrem problemas de difusão e de dissolução. módulo de elasticidade E = 620. 3. O WC tem alta resistência à abrasão. São utilizados na usinagem de aços com altas velocidades de corte. que solucionar este problema foram feitos vários desenvolvimentos no metal duro. o que resulta a alta resistência das ligações internas e dos cantos dos metais duros de puro WCCo. 181 . o carboneto de tântalo atua no sentido de diminuir o tamanho dos grãos. e foi necessário classificá-los conforme o tipo de trabalho a ser feito. Metais duros com carbonetos combinados . densidade da ordem de 14 kgf/dm3. elevada condutibilidade térmica (8 a 20 vezes a do aço). Cada classe possui uma composição química diferente e tipos específicos de material a usinar. NbC . coeficiente de dilatação térmica cerca de metade da do aço. 2. Atualmente são usados como componentes dos metais duros: WC .O carboneto de tungstênio é solúvel no cobalto. notável resistência à compressão de cerca de 3. 1. Metais duros com alto teor de TiC são frágeis. Dr. a resistência das ligações internas e dos cantos. Estes carbonetos apresentam maior dureza do que o de tungstênio. Disto resulta a alta resistência dos metais duros que tem TiC na sua composição.Em pequenas percentagens. Os metais duros são divididos em três grupos de aplicação P. mas com resultados medíocres na maioria das operações com aço. Losekann Direitos autorais reservados O metal duro apresenta uma altíssima resistência à compressão. cada uma indicada para uma dada aplicação. M e K.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As ferramentas de carboneto de tungstênio foram empregadas a princípio com extraordinário sucesso na usinagem de ferro fundido e materiais não ferrosos. TiC forma um carboneto misto com WC. A seleção de pastilhas será visto em capítulo posterior. Reduz-se. os metais duros foram aperfeiçoados para cada aplicação específica. Verificou-se que a causa principal do insucesso residia no forte atrito que se estabelece entre a ferramenta de metal duro e o cavaco de aço. porém em paralelo. Cláudio R. Isto faz com que o cavaco escorregue com grande pressão e sob elevada resistência. mantendo elevada dureza até cerca de 1.000 °C.500 N/mm2. com forte formação de calor.O carboneto de nióbio tem efeito semelhante ao TaC.000 N/mm2. mas a utilização na usinagem de aço é limitada pela tendência de difusão do carbono e de dissolução no cobalto e no ferro. melhorando assim a tenacidade e a resistência dos cantos. 4. Ambos os carbonetos ocorrem no metal duro como cristais mistos Ta-Nb-C. levando o gume de corte ao esfacelamento.Muitos anos após a introdução dos metais duros. Na ferramenta forma-se rapidamente uma cratera. TiC . Devido à adição dos carbonetos combinados. TaC .

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Grupo principal de usinagem P (Classe azul)
Indicado para a usinagem de aço, aço fundido e ferro fundido maleável, nodular ou ligado, de cavaco comprido. Além de WC, tem percentagens mais ou menos elevadas de TiC ( até 35%) e TaC ( até 7%), apresentando um atrito baixo com cavacos de materiais dúcteis.

Grupo principal de usinagem M (Classe amarela)
Para usinagem de aço, aço fundido, aço ao Mn, ferros fundidos ligados, aços inoxidáveis austeníticos, ferros fundido maleável e nodular e aços de corte livre, ou seja, par uso universal em condições satisfatórias. Constituem tipos intermediários entre o grupo P e K.

Grupo principal de usinagem K (Classe vermelha)
Para usinagem de ferros fundido comum e coquilhado, ferro fundidos maleáveis de cavaco curto, aços temperados, não ferrosos, não metálicos e madeira. Os metais duros deste grupo se compõem quase que exclusivamente de WC e de Co, como elemento ligante. Pequenas percentagens de VC, TiC, TaC e NbC são acrescentadas as vezes para melhorar certas características. Em cada grupo, os metais duros são fabricados em diversos graus, correspondendo a uma dureza decrescente e uma tenacidade crescente e vice-versa. Os tipos mais duros são usados em usinagens de acabamento (altas velocidades e cortes leves), enquanto que os tipos mais tenazes e menos duros, em virtude de teores mais altos de cobalto, são usados em cortes pesados de desbaste, em velocidades mais baixas ou em condições desfavoráveis de usinagem (vibrações, cortes interrompidos, máquinas velhas etc.). Os tipos mais duros, em geral exigem ângulos de saída negativos. Metais duros de múltiplas faixas de aplicação - Partindo de matérias primas com mais alto grau de pureza e com controle mais rigoroso do processo de sinterização, foi possível obter pastilhas de metal duro de elevada resistência à flexão com mínima perda de dureza. Os cuidados se referem especialmente à granulometria mais fina e uniforme, à distribuição mais perfeita dos carbonetos e a melhoria da solubilidade dos carbonetos no metal de ligação. Pode-se assim produzir pastilhas que cobrem mais faixas de aplicação, reduzindo assim o número de tipos necessários nas diversas operações de usinagem. Existem inclusive propostas para eliminar da norma o grupo de aplicação K. Metais duros com uma camada de revestimento - Com objetivo de melhor explorar as vantagens de cada um dos carbonetos componentes, desenvolveu-se os metais duros revestidos. Eles se compõem de uma base de metal duro relativamente tenaz, sobre a qual se aplica uma ou mais camadas finas, duras, resistentes à abrasão e de fina granulometria, de um material composto de carbonetos (por exemplo: TiC, HfC, ZrC), de nitretos (TiN, HfN, Zr2O3), de carbonitretos (TiCN) ou de óxidos (Al2O3). Estes 182

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revestimentos permitem um aumento substancial da vida das ferramentas. Em condições adequadas este aumento corresponde a um múltiplo de tempo de vida das ferramentas de metal duro convencional. O revestimento é hoje mais freqüentemente aplicado pelo processo de deposição química de vapor (CVD). A figura abaixo mostra como são estas camadas em uma pastilha de metal duro (GC4025 - Sandvic). Neste tipo de pastilha a camada total de revestimento não ultrapassa a 10 µm de espessura.

Figura 13.6 - Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro.

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Cerâmica - As ferramentas de cerâmica de óxido de alumínio extremamente puro como de misturas de óxido de alumínio com carbonetos metálicos têm adquirido importância crescente em máquinas automáticas de alta velocidade, para usinagem de peças de aço e ferro fundido. Em condições adequadas, é possível usar velocidades de corte 4 a 5 vezes maiores do que aquelas empregadas com metal duro, o que representa uma vantagem na redução do tempo efetivo de corte. Cerâmicas brancas - Durante muitos anos as pastilhas cerâmicas não tiveram o sucesso industrial esperado. Isto se deve, em parte, ao fato de que as cerâmicas exigem máquinas-ferramentas de elevada velocidade, grande potência e extrema rigidez. Além disto, a alta velocidade de corte implica em um fluxo intenso de cavacos muito quentes, tornando imprescindível uma proteção adequada ao operador. O componente principal da cerâmica de corte é o Al2O3. O material de partida apresenta sob a forma de um pó finíssimo, cujas partículas estão compreendidas entre 1 e 10 µm. As peças se obtém prensando fortemente a matéria prima que pode ser Al2O3 com 99,98% de pureza, ou então, em composição de 89 a 99% de Al2O3 e o restante de óxido de silício, de magnésio, de cromo ou de níquel ou, ainda, outros componentes. A qualidade de uma ferramenta de cerâmica depende de sua baixa porosidade associada a tamanhos de grãos pequenos A cerâmica, como ferramenta de corte, tem as seguintes características: Alta dureza a quente, que se mantém até cerca de 1.600 °C, permitindo altas velocidades de corte (5 a 10 vezes superiores a do metal duro convencional); Elevada estabilidade química do óxido de alumínio, que se mantém até uma temperatura próxima do seu ponto de fusão (2.050 °C); Altíssima resistência a compressão; Baixo coeficiente de atrito; Nenhuma afinidade química com o aço, não formando gume postiço.

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1. 2. 3. 4. 5.

Estas duas últimas qualidades asseguram um excelente acabamento superficial. O menor desgaste da ferramenta, assegura também melhor precisão dimensional das peças. Como problemas da usinagem com cerâmica, pode-se citar: 183

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1. Grande fragilidade; 2. Condutibilidade térmica muito baixa. A fixação das pastilhas cerâmicas tem sido feita por colagem (Araldite, Epoxy) ou por grampos. Este último modo é o mais freqüente. As pastilhas podem ser reafiadas por rebolos de diamante, porém, a tendência é a utilização das assim chamadas pastilhas "descartáveis". Estas, de forma quadrada ou triangular, apresentam 8 ou 6 gumes afiados de fábrica, que são usados sucessivamente por giro da pastilha em seu suporte. Depois de usados todos os gumes, a pastilha é jogada fora. As ferramentas de cerâmica têm sido utilizadas com sucesso no acabamento e desbaste de ferro fundido com dureza Brinell superior a 180 kgf/mm2 e o ferro fundido coquilhado com dureza Brinell até 500 kgf/mm2, inclusive para aço temperado com uma dureza até 60 HRC. Também são próprias para a usinagem de materiais que apresentam forte efeito abrasivo, como plástico, grafite, ebonite. Na realidade quase todos os materiais podem ser usinados com cerâmica. As poucas exceções são: 1. Alumínio, que reage quimicamente com Al2O3. 2. Ligas de titânio, com alta percentagem de níquel e materiais resistentes ao calor, devido a tendência a reações químicas. 3. Magnésio, berílio e zircônio, que são inflamáveis na temperatura de trabalho da cerâmica. A pastilha de cerâmica de corte tem as seguintes propriedades: Cor (cerâmica pura) branca 3 Peso específico (gf/cm ) 3,7 a 4,1 Dureza (HRA) 90 a 95 3.500 Resistência à compressão (N/mm2) Resistência à flexão (N/mm2) 150 a 400 Temperatura de amolecimento (°C) 1.800 Coeficiente de dilatação térmica linear (°C-1) 0,8.10-6 Cerâmicas mistas - Ao lado das pastilhas cerâmicas acima descritas, estão sendo utilizadas ferramentas de corte com menos de 90% de Al2O3, porém com adições de óxidos e carbonetos metálicos, especialmente de carboneto de titânio e também carboneto de tungstênio. Estes materiais são denominados CERMETOS (cerâmica + metal) na literatura anglo-americana, que são compósitos. São obtidos por prensagem a quente, o que produz uma estrutura de partida mais compacta do que no caso da cerâmica pura. São em geral de cor preta. Na sinterização, a presença de carbonetos de titânio e outros óxidos, inibe o crescimento dos grãos. Isto confere aos cermetos elevada dureza, maior tenacidade, resistência ao desgaste do gume e à formação de crateras. Ao contrário dos materiais cerâmicos, os cermets são condutores elétricos, têm razoável condutividade térmica e são menos frágeis. Têm um peso específico de 5 a 6 gf/cm3. São menos sujeitos à trincas térmicas do que as cerâmicas puras. São usados na usinagem de ferro fundido com dureza Brinell maior que 235 HB e aços com dureza de 34 a 66 HRC. Cerâmicas à base de nitreto de silício - Em 1.981, foi introduzido um novo tipo de cerâmica de corte, denominada SIALON que contém nitreto de silício (Si3N4), além do Al2O3 e de uma fase TiC. Sua dureza a quente é ainda melhor 184

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que a das cerâmicas mistas. A resistência a choques térmicos aproxima-se da dos carbonetos. O SIALON, sob a forma de pastilhas pretas, está superando as outras cerâmicas na usinagem em alta velocidade de ferro fundido e ligas de níquel. Diamantes naturais (monocristalinos) - Os diamantes naturais são obtidos com a extração mineral e classificam-se em Carbonos, Ballos e Borts. Os Carbonos ou diamantes negros são diamantes aparentemente "amorfos", que por aquecimento, perdem a sua dureza e, por isto são empregados apenas para aplicações especiais, como ferramentas para retificar rebolos, pontas de brocas para minas, assim como para trabalhar fibras, borracha e plásticos. Os Ballos são diamantes claros, de crescimento irregular, especialmente duros em virtude de sua estrutura. Pelo fato de serem redondos, não encontram aplicação na fabricação de ferramentas de corte e de rebolos. Os Borts, especialmente o africano, é claro. Seu valor depende da qualidade e do número de bordos naturais de trabalho que oferece, se bem que hoje dá-se mais importância à dureza. Isto porque, em lugar de bordos naturais, preferese gumes lapidados no diamante com ângulos apropriados. Os Borts são diamantes mono-cristalinos. Sua característica principal é a sua anisotropia, isto é, suas propriedades mecânicas (dureza, resistência, módulo de elasticidade) variam com a direção. Eles têm também quatro direções preferenciais de clivagem. Conclui-se daí, que para tanto a preparação do diamante por lapidação como para a sua montagem num porta-ferramenta, deve-se conhecer a disposição da estrutura cristalina. Enquanto que a lapidação deve ocorrer sempre na direção de mínima dureza, a montagem do monocristal no porta ferramenta deve ser feita de modo que a força de usinagem seja orientada na direção de máxima dureza. Ferramentas de diamante monocristalino são especialmente indicadas na usinagem de metais leves como bronze, latão, cobre, ligas de estanho, borracha dura e mole, bem como vidro, plástico e pedras. O campo de aplicação são principalmente as operações de usinagem fina, onde são feitas grandes exigências de precisão dimensional e qualidade superficial.

A usinagem de aço e ferro fundido não é possível, em virtude da afinidade do ferro com o carbono. O diamante, na zona de contato com a peça de aço, em virtude da alta temperatura, transforma-se em grafite e reage com o ferro. Isto leva a um rápido desgaste do gume. O diamante permite obter uma elevada precisão dimensional e acabamento brilhante que iguala-se a um apurado polimento. A velocidade de corte praticamente não tem limite superior. Velocidades de 2.000 m/min já foram experimentadas com sucesso. Não se recomendam velocidades inferiores a 100 rpm. Os avanços usualmente de 0,02 mm/rot a 0,06 mm/rot e as profundidades de corte de 0,01 ate 0,2 mm. Diamante policristalino - Em 1.973 foi apresentado pela primeira vez uma ferramenta com uma camada de diamante sintético policristalino. A matéria prima são partículas muito finas de diamantes sintéticos, de granulação muito definida para obter-se o máximo de homogeneidade e densidade. A camada de diamante policristalino é produzida pela sinterização das partículas de diamante com cobalto num processo de alta pressão (6.000 a 7.000 MPa) e alta temperatura (1.400 a 2.000 oC). A camada de aproximadamente 0,5 mm de espessura, ou é aplicada diretamente sobre uma pastilha de metal duro 185

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pré-sinterizado ou então é ligada ao metal duro através de uma fina camada intermediária de um metal de baixo módulo de elasticidade. A camada de diamante tem caráter isotrópico em virtude da distribuição irregular dos grãos de diamante. Não atinge nunca a dureza do diamante monocristalino na direção de máxima dureza. As pastilhas com uma camada de diamante policristalino podem ser soldadas em cabos ou fixadas mecanicamente em porta-ferramentas padronizados, pois tem a forma e as dimensões iguais as das pastilhas comerciais de metal duro. As ferramentas de diamante policristalino podem ser usadas na usinagem de metais leves, cobre, latão, bronze, estanho, diversos plásticos, asbesto, fibras reforçadas de vidro, carbono ou outros materiais, exceto materiais ferrosos e duralumínio. Nitreto de boro cúbico cristalino (CBN) Depois do diamante, os cristais cúbicos de nitreto de boro são o material mais duro que se conhece. Trata-se de um material sintético, obtido pela reação de halogênietos de boro com amoníaco. Como no carbono, existe uma forma macia, de estrutura cristalina hexagonal, igual ao do grafite e uma forma dura, tetragonal, de estrutura idêntica ao do diamante. Nitreto de boro foi obtido pela primeira vez em 1.957, pela transformação de nitreto de boro de estrutura hexagonal em estrutura tetragonal, sob pressões de 5.000 a 9.000 MPa e temperaturas de 1.500 a 1.900 °C, na presença de um catalisador (lítio). O CBN é quimicamente bem mais estável do que o diamante, especialmente contra oxidação. Sob pressão atmosférica, o CBN é estável até 2.000 °C, enquanto no diamante já ocorre grafitização a 900 °C.

As pastilhas de CBN são executadas de forma análoga as de diamante policristalino. Umas camada de 0,5 mm de espessura de partículas de nitreto de boro são sinterizadas num processo de alta pressão e alta temperatura, com a presença de uma fase ligante, efetivando-se simultaneamente a fixação sobre uma base de metal duro. Distinguem-se pastilhas que devem ser soldadas num cabo e retificadas com rebolo de diamante e pastilhas de fixação mecânica, que podem ser usadas com porta-ferramentas convencionais. As ferramentas de CBN são empregadas preferencialmente na usinagem dos aços duros (45 a 65 HRC), mesmo em condições difíceis, aço rápido, ligas resistentes a altas temperaturas na base de níquel e cobalto. Além disso, servem para a usinagem de revestimentos duros, com altas percentagens de carbonetos de tungstênio ou CrNi, aplicados por soldagem de deposição ou jato de material liquefeito por chama. São usadas velocidades de corte de 50 a 200 m/min, avanços de 0,1 a 0,3 mm, profundidade menor ou igual a 2,5 mm. Devido sua elevada resistência ao impacto, podem ser usadas em cortes severos, interrompidos e na remoção de cascas tenazes, abrasivas e irregulares de peças fundidas e forjadas e peças de ferro fundido coquilhado. As ferramentas de CBN servem para cortes interrompidos bem como par usinagem de desbaste, de acabamento e usinagem fina. Rugosidades inferiores a 1 µm são obtidos, dispensando a retificação.

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incluindo a inspeção e os ensaios finais nos produtos acabados. por exemplo. Todos os materiais têm propriedades distintas. Uns tem elevado ponto de fusão.1 – INTRODUÇÃO A nova tendência de matérias-primas e o desenvolvimento dos processos de fabricação determinaram à criação de métodos padronizados de produção. as propriedades mecânicas. Ge. semicondutores. Entende-se que o controle de qualidade precisa começar pela matéria prima e deve ocorrer durante todo o processo de produção. Todos esses materiais podem ser encontrados tanto em uma cama quanto em uma aeronave. plásticos. Dr. Si. metais. desenvolveram-se processos e métodos de controle de qualidade dos produtos. Cláudio R. elétricas. as propriedades de atividade. magnéticas e óticas.. ou seja. resistência à corrosão.. GaAsP. CdS. Propriedades físicas: podem ser agrupadas. os materiais apresentam propriedades físicas e químicas distintas.) Borracha Compósito Alguns dos materiais do quadro acima são duros e frágeis. Às vezes é comum encontrar a propriedade mecânica de um material distinta da propriedade física. outros tem baixo e alguns nem apresentam ponto de fusão definido. materiais não-metálicos. a esta propriedade. Propriedades químicas: podem ser agrupadas. Losekann Direitos autorais reservados 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS 14. MATERIAIS METÁLICOS Ferrosos Aços Ferros fundidos Não-ferrosos Alumínio Cobre Zinco Magnésio NÃO-METÁLICOS Naturais Madeira Asbesto Couro Semicondutor (C.) Borracha Chumbo Tungstênio Sintéticos Vidro Cerâmica Plástico Semicondutor (GaAs.. outros são moles e dúcteis. onde cada elemento químico tem um número e massa atômica própria. resistência a oxidação. a esta propriedade. térmicas. O uso correto do material depende do profundo conhecimento dele e das implicações tecnológicas de sua obtenção.. 187 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. cerâmicos. A começar pela Tabela Periódica. compósitos.. e ao mesmo tempo. difusividade. Os materiais acima descritos podem ser agrupados em dois grupos e quatro subgrupos: materiais metálicos..

mineralógicas e mecânicas. ductilidade. Cláudio R. Esta propriedade tem definições metalúrgicas. como também durante a sua utilização. elasticidade. Elasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. Fragilidade: é a capacidade que um material apresenta de romper-se quando for submetido a impacto. propriedades que determinam a maior ou menor capacidade de resistir ou transmitir esforços que lhe são aplicados.Equipamentos de ensaios mecânicos. isto é. os materiais duros são também frágeis. Em geral. As propriedades mecânicas que se tem maior interesse são: resistência à tração e compressão. e recuperar sua forma original. fragilidade.1 . à deformação plástica permanente e. a propriedade mecânica é considerada uma das mais importantes para a escolha da matériaprima. Dr. Essa capacidade é necessária durante o processo de fabricação. ou ao desgaste. dureza. 188 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Esta resistência é medida através de ensaios de dureza. Ductilidade: é a capacidade que um material tem de se deformar sem rompimento. Dureza: é a resistência que o material oferece à penetração. Em termos de indústria mecânica. Esta resistência é medida através de ensaios de tração ou de compressão na máquina universal de ensaio. quando for cessado o esforço que o deformou. b) Durômetro. a) b) Figura 14. a) Máquina de ensaio universal. Resistência à tração e compressão: é a resistência que o material oferece à esforços de tração ou de compressão até a sua ruptura. plasticidade. tenacidade. quando for submetido a pressão estática. maleabilidade. quando submetido a um esforço. Losekann Direitos autorais reservados As propriedades mecânicas aparecem quando o material está sujeito a esforços de natureza mecânica.

alguns ensaios não padronizados para uma análise prévia. Dobramento. podem ser usados para detectar falhas em produtos acabados ou semi-acabados. Os materiais dúcteis apresentam maior tenacidade que os materiais frágeis. gráficos para a determinação de propriedades mecânicas. Partículas Magnéticas. Cláudio R. BSI (British Standards Institution). Ensaios não destrutivos: são aqueles que após sua realização não deixam nenhuma marca ou sinal e. Losekann Direitos autorais reservados Plasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. Fadiga. nunca inutilizam a peça ou corpo de prova. quando o mesmo for submetido à esforços estáticos ou dinâmicos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. entretanto. Impacto. 14. Tenacidade: é a capacidade que um material tem de absorver energia até a sua ruptura. Flexão. SAE (Society of Automotive Engineers). ensaio de tombamento (verificação da resistência ao impacto). ASME (American Society of Mechanical Engineer).2 . pode ser feita em oficina como o ensaio por lima (verificação de dureza por meio do corte de cavaco). por conseqüência. Compressão. Dureza. quando submetido a um esforço. ISO (International Organization for Standardization). e manter-se deformado após cessado o esforço que o deformou. Torção.ENSAIO DE TRAÇÃO O ensaio de tração consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende alongá-lo até a ruptura. Embutimento. ensaio em esmeril (verificação do teor de carbono em um aço através da análise da centelha). os ferros fundidos apresentam maior tenacidade que os vidros. Existem vários critérios para classificar os ensaios mecânicos. Maleabilidade: é a capacidade que um material tem de se transformar em lâminas quando submetidos a esforços estáticos. Estes ensaios são: Tração. cálculos. DIN (Deuches Institut für Normung). mesmo que estes não fiquem inutilizados. que são lidos na própria máquina de ensaio ou através de um computador acoplado que registra 189 . O ferro fundido e o vidro são dois materiais frágeis. Cisalhamento. Estes ensaios são: Líquido Penetrante. Os ensaios mecânicos padronizados são realizados em laboratórios equipados adequadamente para levantamento de dados. chegando a limites extremos de solicitação. JIS (Japanese Industrial Standards). Dr. A classificação mais utilizada é a que separa em dois grupos: Ensaios destrutivos: são aqueles que ocorrem mediante a destruição do corpo de prova ou peça ou que deixam algum sinal. AFNOR (Association Française de Normalisation). entretanto. Por esta razão. é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de tração. Ultra-som e Radiografia Industrial. Os ensaios mecânicos dos materiais são procedimentos padronizados mediante normas técnicas que compreendem testes. Realizar um ensaio consiste em submeter um objeto já fabricado ou um material que vai ser processado industrialmente a situações que simulam esforços nas condições reais de uso. Fluência. As normas técnicas mais utilizadas pelos laboratórios de ensaios vem das seguintes instituições: ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). desta forma. ASTM (American Society for Testing and Materials).

102 kgf/mm2 A aplicação de uma força axial de tração em um corpo de prova produz uma deformação neste corpo. Esta deformação é seguida de um aumento no seu comprimento com diminuição da área da secção transversal..tensão normal [ N/mm2.Peça tracionada. Pode-se afirmar que uma peça está submetida a esforços de tração. onde: σ . origina nesta. a área em metros quadrados (m2). Na prática. quando uma carga normal “F” (tem a A direção do eixo da peça).. 1 Pa 1 MPa 1 GPa 1 MPa 1 N/m2 1 N/mm2 103 MPa 0. o pascal torna-se uma medida muito pequena para tensão. . em N/m2. Esta tensão é também denominada de tensão normal de tração. Quando a carga atuar no F sentido dirigido para o exterior da peça. Figura 14.] No Sistema Internacional. Losekann Direitos autorais reservados as cargas e as deformações ocorridas. e a área de seção transversal da peça “A”. a força é expressa em newtons (N). uma tensão normal “σ” (sigma). F Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. embora muitas vezes não perceptível a olho.2 . 190 ..] F . megapascal (MPa) e o gigapascal (GPa).. então usa-se múltiplos desta unidade. b) após o ensaio. kN. pode-se determinar a tenacidade de um material. a peça está tracionada. . Cláudio R. Dr. mm2. a) antes do ensaio. conforme ilustra a figura ao lado. então. atuar sobre a área de secção transversal da peça.] A . A carga normal “F”. .força normal ou axial [N. que são o quilopascal (kPa). que atua na peça. e quais os limites de tração que suportam.Corpo de prova de ensaio de tração.. Através deste ensaio. que é determinada através da relação entre a intensidade da carga aplicada “F”. MPa.3 .área da secção transversal da peça [m2. A tensão (σ) será expressa.. unidade que é denominada pascal (Pa).

% ] Lo . Uma vez cessados os esforços. Esta afirmação tem caráter macroscópico.. e a redução da área na secção transversal. Entre os diagramas σ x ε de vários grupos de materiais é possível.. cobre. que são os materiais dúteis e os materiais frágeis. cm. até a ruptura do material. o alongamento. como o aço. A deformação L − L0 . as máquinas de ensaio realizam a relação F x ∆ (força x alongamento) na qual ocorre variação da carga aplicada e conseqüentemente o alongamento (Lf . a estricção. alumínio.L0) do corpo de prova e se considerar que a área da seção transversal é invariável. é muito comum entre técnicos a unidade mm/m pois dá uma idéia rápida do alongamento de um corpo com 1 metro de comprimento.. e principalmente pela anisotropia.comprimento inicial do CP [mm. o CP é submetido a uma carga normal “F”. Dr. cm. elas nos levam a dividir os materiais em duas importantes categorias. é geralmente confundido com a deformação. no entanto. pode-se medir o aumento na distância entre os pontos marcados. No ensaio de tração.] O diagrama tensão . . bronze. Há dois tipos de deformação que ocorrem quando um material é submetido a um esforço: a elástica e a plástica. cm2. Os materiais dúcteis. níquel e outros.] Embora a deformação é uma razão do alongamento com o comprimento inicial. Losekann Direitos autorais reservados Antes do ensaio são medidas a área de seção transversal “A0” do CP e a distância “L0” entre dois pontos marcados neste. e ainda. o material não volta a sua forma original.1 . À medida que este carregamento aumenta. A deformação plástica é permanente. longitudinal de um material é definida como: ε = f L0 onde: ε . A deformação elástica não é permanente. pode-se fazer a razão da força pela área F da secção transversal inicial ( ) e do alongamento pelo comprimento inicial A0 L − L0 ( f ).deformação varia muito de material para material. latão.. para um mesmo material podem ocorrer resultados diferentes devido a variação de temperatura do corpo de prova e da velocidade da carga aplicada. sendo portanto adimensional. são caracterizados por apresentarem escoamento à temperaturas 191 . . mm/m.2. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O alongamento.deformação [mm/mm.] Lf . 14. cuja expressão matemática é ∆ = L f − L0 .DIAGRAMA TENSÃO . distinguir algumas características comuns. A0 é área de L0 secção transversal inicial [mm2.DEFORMAÇÃO Durante o ensaio de tração.comprimento final do CP [mm. .deformação (σ x ε)... resultando o diagrama tensão . Cessado os esforços. visto que ocorrem discordâncias irreversíveis após a aplicação de uma carga. o material volta a sua forma original.

Então para os materiais frágeis não existe diferença entre tensão de resistência e tensão de ruptura. o diâmetro do CP começa a diminuir. 192 .σE). são caracterizados por uma ruptura que ocorre sem nenhuma mudança sensível no modo de deformação do material. Entretanto. de início lenta e proporcionalmente ao carregamento.estricção [%] A0 . como ferro fundido. a) diagrama σ x ε. quando é atingido um valor crítico de tensão (tensão de escoamento . a) diagrama σ x ε. A tensão σE correspondente ao início do escoamento é chamada de tensão de escoamento do material. a tensão σR correspondente a carga máxima aplicada ao material é conhecida como tensão de resistência. Quando o carregamento atinge um certo valor máximo. Figura 14. cm2.6 . um carregamento mais baixo é o suficiente para a deformação do corpo de prova. e com isso seu comprimento aumenta. .5 .área de secção transversal inicial [mm2. a parte inicial do diagrama é uma linha reta com grande coeficiente angular. Figura 14.. vidro e pedra.. b) aspecto da fratura. o corpo de prova sofre uma grande deformação com pouco aumento da carga aplicada. Desse modo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.] Af .] Ψ = Após ter começado a estricção.Material frágil.4 . O corpo de prova é submetido a carregamento crescente. Cláudio R.Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε. .área da secção transversal final [mm2. Materiais frágeis. A esse fenômeno é dado o nome de estricção: Figura 14. Dr. cm2.Material dúctil. e a tensão σr correspondente ao ponto de ruptura é chamada tensão de ruptura... b) aspecto da fratura. devido a perda de resistência local. Af − A0 ⋅ 100 A0 onde: ψ . Losekann Direitos autorais reservados normais. até a sua ruptura.

O módulo de elasticidade longitudinal só é válido para a região que obedece a Lei de Hooke.. AlSi.Tensão Limite de Proporcionalidade: Representa o valor máximo da tensão. abaixo do qual o material obedece a lei de Hooke. σE – Tensão Limite de Escoamento: A partir deste ponto aumentam as deformações sem que se altere.7 . é a que corresponde a ruptura do corpo de prova. geralmente representada pela letra “E”.Tensão de Ruptura: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de ruptura. σR . a deformação até a ruptura é muito menor nos materiais frágeis do que nos materiais dúcteis.deformação. ou seja. Quando se atinge o limite de escoamento. σr . Não há estricção nos materiais frágeis e a ruptura se dá em uma superfície perpendicular ao carregamento. mostra algumas propriedades significantes que são: Figura 14. A tenacidade e o módulo de elasticidade longitudinal. recebe o nome de região elástica.) em aços e algumas ligas de alumínio. compreendido entre a origem e o limite de proporcionalidade. A tenacidade pode ser determinada através da área da curva de tensão .Tensão Limite de Resistência: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de resistência ou resistência a tração. no regime elástico. Região Plástica: Chama-se região plástica o trecho compreendido entre o limite de proporcionalidade e o ponto correspondente a ruptura do material. Região Elástica: O trecho da curva tensão .diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 14.. pois corresponde a máxima tensão atingida no ensaio de tração.deformação de um material com inclusões não-metálicas (Fe3C. Dr. o valor da tensão. σp . são duas outras propriedades mecânicas que podem ser tiradas deste diagrama através de cálculos.deformação com a abcissa (deformação). enquanto que o módulo de elasticidade longitudinal é determinado através de: E = tgα . .2. 193 . diz-se que o material passa a escoar-se. Losekann Direitos autorais reservados Além disso.2 . Cláudio R. praticamente.PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS A figura ao lado que representa um diagrama tensão .

11. a orientação e tamanho dos cristais (grãos). isto é. Cláudio R.850 18.773-1. quando maior a atração entre átomos.300 Ligas de alumínio 7.000 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.500 silício Bronzes de alumínio 8. e será negativo quando a carga aplicada comprimir a peça.7 x 104 kgf/mm2.000 4.550 9.150 4. 1. Dr.750 10.900 7. níquel.000 10.829).5.13.000 35.700 Ligas de titânio 11.000 .000 Aços inoxidáveis austeníticos 19. Esta propriedade também é anisotrópica. pois depende do material ser monocristalino. Losekann Direitos autorais reservados Lei de Hooke No trecho inicial do diagrama da figura acima. direção de crescimento do cristal.400 .500 7.800 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) Ferro.500 Invar (níquel-ferro) 14.100 . Essa relação é ε conhecida como Lei de Hooke.200 12.900 Bronzes de manganês e ao 10.635-1. material. e no caso de policristalino. a tensão “σ” é diretamente σ proporcional à deformação “ε” e pode-se escrever: E = . O coeficiente “E” é chamado módulo de elasticidade longitudinal.703).000 11. O alongamento será positivo. quando a carga aplicada tracionar a A0 ⋅ E peça.700 . ou módulo de Young (cientista inglês. etc.600 Ferro Fundido Nodular 14. e se deve ao matemático inglês Robert Hooke (1.1 x 104 kgf/mm2.950 σ F L − L0 e σ = E ⋅ ε e também que σ = e ε= f .100 Ligas de magnésio 4.7.800 10. Ealumínio = 0.550 Ligas de estanho 5. cobalto Molibdênio. prata Platina Aços-carbono e aços-liga 21. que é determinado pela força de atração entre átomos dos materiais.400 Ligas de chumbo 1.450 Monel 13. Exemplos: Eaço = 2.750 29. pode-se tirar ε A L0 a seguinte expressão para cálculos de alongamento no regime elástico: F ⋅ L0 ∆ = .700 56.200 Hastelloy 18.000 Inconel 16. A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia.000 Illium 18.000 Bronzes e latões 7.200 25.000 18. Sendo E = 194 .2.400 .900 21. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21. tungstênio Cobre Alumínio Magnésio Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro. maior o seu módulo de elasticidade.

Como a tensão é a razão entre força e área da secção transversal. é dado por: ε t = f . onde “D” é a D0 medida nominal do diâmetro do corpo de prova submetida a ação de carga ε normal. é definida por: F σ real = . Cláudio R. em caso de CP cilíndrico. Dr. O coeficiente de Poisson (ν) é determinado pela relação ν = .Alongamentos na tração e na compressão. e que a partir do momento que se atinge a carga máxima. A tensão real.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ocorre na realidade um aumento de tensão que obedece uma função logarítima. onde pode-se tirar valores apropriados até o momento em que se atinge a carga máxima. σreal . A figura abaixo representa esta consideração da determinação da curva real de tensão.deformação descrita acima é chamada de curva de engenharia. Tendo em vista que a área da secção transversal diminui à medida que amplia-se a carga no corpo de prova. A lei de Hooke. instante dado por: ε real = ∫ L0 L ⎝ L0 ⎠ 0 Supondo que a deformação ao longo do corpo de prova seja uniforme e admitindose volume constante pode-se demonstrar que: ε real = ln(1+ ε ) . a área da secção transversal começa a reduzir-se de forma brusca. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14. A curva de tensão . Da mesma forma. pode-se definir a deformação longitudinal real a cada L dL ⎛ L⎞ = ln⎜ ⎟ . σ Curva real Curva de engenharia ε Figura 14. começa ocorrer fratura no sentido de dentro para fora. em toda a sua amplitude.9 . onde “F” e “A” são as forças e A áreas da secção transversal em cada instante. εt Observe que o coeficiente de poisson terá um valor negativo tanto para a tração quanto para a compressão em virtude dos sinais contrários da deformação longitudinal e deformação transversal.Curvas de tensões reais e de engenharia. abrange também a deformação D − D0 transversal que. 195 .8 . σ real = σ (1 + ε ) .

Cláudio R. Não sendo possível a retirada de um corpo de prova deste tipo. Estas condições dependem dos acessórios da máquina de ensaio de tração e também dependem da forma e tamanho do produto acabado do qual foram retirados. chapas ou lâminas.3 . Figura 14.2. Entre as cabeças e a parte útil há um raio de concordância para evitar que a ruptura ocorra fora da parte útil do corpo de prova. Suas dimensões e formas dependem do tipo de fixação à máquina. flange. que servem para fixar o corpo de prova à máquina de modo que a força de tração atuante seja axial.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As cabeças são as regiões extremas.10 . como mostram as figuras a seguir. Geralmente utilizam-se corpos de prova de seção circular ou de seção retangular. Os tipos de fixação mais comuns são: cunha. Suas 196 .Corpos de prova.Máquina de ensaio e registrador.CORPOS DE PROVA O ensaio de tração é feito em corpos de prova com características especificadas de acordo com normas técnicas. é a região onde são feitas as medidas das propriedades mecânicas do material.9 . A parte útil do corpo de prova. Figura 14. Corpos de prova com seção retangular são geralmente retirados de placas. Devem ter seção maior do que a parte útil para que a ruptura do corpo de prova não ocorra nelas. Dr. Losekann Direitos autorais reservados 14. identificada no desenho anterior por L0. O comprimento da parte útil dos corpos de prova utilizados nos ensaios de tração deve corresponder a 5 vezes o diâmetro da seção da parte útil. rosca. deve-se adotar um corpo com dimensões proporcionais a essas medidas. Sempre que possível um corpo de prova deve ter 10 mm de diâmetro e 50 mm de comprimento inicial.

as marcações devem ser feitas de 5 em 5 mm.Tipos de fixação. Em materiais soldados.12 . Mede-se então o comprimento final. A norma brasileira (NBR . e calcular a média. dez. 197 .Preparação de corpo de prova. Cláudio R. utilizando um micrômetro./1980) somente indica que os corpos de prova devem apresentar bom acabamento de superfície e ausência de trincas. Por fim. Em um corpo de prova de 50 mm de comprimento. as duas partes do corpo de prova. Para preparar o corpo de prova para o ensaio de tração deve-se medir o diâmetro do corpo de prova em vários pontos na parte útil. Os valores obtidos no ensaio não representam as propriedades nem de um nem de outro material. Figura 14. Ao efetuar o ensaio de tração de um corpo de prova com solda. Este é o método para determinar o comprimento final quando a ruptura ocorre no centro da parte útil do corpo de prova. junta-se da melhor forma possível. pois umas são afetadas pelas outras. Losekann Direitos autorais reservados dimensões e tolerâncias de usinagem são normalizadas pela ISO/ R377 enquanto não existir norma brasileira correspondente.6152. Figura 14. que corresponde à distância entre os dois externos dessa contagem. deve-se traçar as divisões no comprimento útil.11 . podem ser retirados corpos de prova com a solda no meio ou no sentido longitudinal da solda. mas é determinado mesmo assim para finalidades práticas. Após o ensaio. Os ensaios dos corpos de prova soldados normalmente determinam apenas o limite de resistência à tração.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. figura abaixo. O limite de resistência à tração também é afetado por esta interação. Dr. Procura-se o risco mais próximo da ruptura e conta-se a metade das divisões (n/2) para cada lado. tensionase simultaneamente dois materiais de propriedades diferentes (metal de base e metal de solda).

15 . • Conta-se n/2 divisões de um dos lados. Dr. Cláudio R. Figura 14.14 . pois também delimita o início da deformação permanente (um pouco acima). em algumas situações. as para n/2 Figura 14.2.Ruptura do corpo de prova fora de centro. Entretanto.13 .Limite de escoamento: valores convencionais O limite de escoamento é. conforme mostra a figura a seguir. deve-se adotar o seguinte procedimento normalizado: • Toma-se o risco mais ruptura.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. alternativo ao limite elástico. e mesmo nas ligas em que ocorre ele não pode ser observado. Losekann Direitos autorais reservados Quando a ruptura ocorre fora do centro. vários metais não apresentam escoamento. porque acontece muito rápido e não é possível detectá-lo.3. na maioria dos casos. 198 .1 . A medida de Lf será a somatória de L’+ L”. próximo da Figura 14. 14. • Acrescentam-se ao comprimento do lado oposto quantas divisões forem necessárias completar divisões. Com esse dado é possível calcular o limite de escoamento do material.Ruptura do corpo de prova no centro.Determinação do limite de escoamento. de modo a não permitir a contagem de n/2 divisões de cada lado. Ele é obtido verificando-se a parada do ponteiro na escala da força durante o ensaio e o patamar formado no gráfico exibido pela máquina.

para aços ou ligas não ferrosas mais duras.01%. desta forma. o limite de escoamento estará determinado. Do mesmo modo que o ensaio de tração. Graficamente. É também recomendado para produtos acabados.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2%. Nos ensaios de compressão. As relações matemáticas para a tração valem F F também para a compressão. como mostra a figura abaixo. Cláudio R. • n = 0. distribuída de modo uniforme em toda a seção transversal do corpo de prova. • n = 0. é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de compressão. em virtude que a resistência compressão é aproximadamente igual a da tração. como ferro fundido. O ensaio de compressão é o mais indicado para avaliar essas características. para aços-mola e ferros fundidos. E entre elas que o corpo de prova é apoiado e mantido firme durante a A compressão. os corpos de prova são submetidos a uma força axial para dentro. 14. foram convencionados alguns valores para determinar este limite. principalmente quando se trata de materiais frágeis. o ensaio de compressão pode ser executado na máquina universal de ensaios. a lei de F F Hooke também vale para a fase σ= elástica da deformação. madeira.3 . O valor convencionado (n) corresponde a um alongamento percentual. 199 . a partir do ponto “n”. Nos ensaios de compressão.ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende a encurtá-lo até a ruptura. Os valores de uso mais freqüente são: • n = 0.1%. pedra e concreto. Não se costuma utilizar ensaios de compressão para os metais. como molas e tubos. para metais e ligas metálicas em geral. Dr. o limite de escoamento dos materiais citados pode ser determinado pelo traçado de uma linha paralela ao trecho reto do diagrama tensão-deformação. Figura 14.Esquema da compressão. Losekann Direitos autorais reservados Por essas razões. com a adaptação de duas placas lisas — uma fixa e outra móvel. e é A possível determinar o módulo de elasticidade para diferentes materiais. isso significa que um corpo submetido a compressão também sofre uma deformação elástica seguido de uma deformação plástica.16 . Quando essa linha interceptar a curva.

Cláudio R. Outro cuidado a ser tomado para evitar a flambagem é o de garantir o perfeito paralelismo entre as placas do equipamento utilizado no ensaio de compressão. a) normal. Um problema que sempre ocorre no ensaio de compressão é o atrito entre o corpo de prova e as placas da máquina de ensaio.1 . Deve-se centrar o corpo de prova no equipamento de teste. Outro problema é a possível ocorrência de flambagem. teflon etc).2 . Losekann Direitos autorais reservados 14. isto é. podendo levar a erros. Por esse motivo. Isso decorre da instabilidade na compressão do metal dúctil. há diversas possibilidades de encurvamento. 14.Ensaio de compressão. 200 .3. para garantir que o esforço de compressão se distribua uniformemente.Ensaio de compressão em materiais dúcteis.3. Dependendo das formas de fixação do corpo de prova. A flambagem ocorre principalmente em corpos de prova com comprimento maior em relação ao diâmetro.LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão não é muito utilizado para os metais em razão das dificuldades para medir as propriedades avaliadas neste tipo de ensaio. que devem ter de 3 a 8 vezes o valor de seu diâmetro. Dr. encurvamento do corpo de prova.18 .ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS Nos materiais dúcteis a compressão vai provocando uma deformação lateral apreciável. Para diminuir esse problema. conforme mostra a figura ao lado. b) flambagem. é necessário limitar o comprimento dos corpos de prova. Em alguns materiais muito dúcteis esta relação pode chegar a 1:1 (um por um). Figura 14. Figura 14. dependendo do grau de ductilidade do material. é necessário revestir as faces superior e inferior do corpo de prova com materiais de baixo atrito (parafina. Essa deformação lateral prossegue com o ensaio até o corpo de prova se transformar num disco. A deformação lateral do corpo de prova é barrada pelo atrito entre as superfícies do corpo de prova e da máquina.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. sem que ocorra a ruptura. Os valores numéricos são de difícil verificação.17 .

ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL Para materiais com elevado módulo de elasticidade. como. As distribuições de tensões estão representadas na figura abaixo.3 . onde: σ é a tensão limite de resistência à tração com a equação: σ = π ⋅ D⋅ L simples [MPa]. Quando isto ocorre. o ponto ou linha de contato passa a ser efetivamente a área de contato. sem levar em conta a carga aplicada. amplamente utilizada no dimensionamento de elementos de máquinas. As propriedades mecânicas mais avaliadas por meio do ensaio são: limite de proporcionalidade. ou seja. 14. tensões de contato entre uma roda e um trilho. A P P figura abaixo mostra o esquema do método do Ensaio de D Compressão Diametral que é L baseado nas normas brasileiras ABNT MB-212/58 e NBR-7222/83. Este ensaio permite avaliar qualitativamente a ductilidade do material. ou entre duas rodas dentadas.20 . do tubo e do cordão de solda do mesmo. Figura 14. P P Figura 14. ou seja. mais dúctil será o material. pressionadas umas contra outras. desenvolvendo-se nestas regiões tensões tridimensionais. O resultado é avaliado pelo aparecimento ou não de fissuras. P é a carga de ruptura [N]. Losekann Direitos autorais reservados Em virtude disto é que o ensaio de compressão de materiais dúcteis fornece apenas as propriedades mecânicas referentes à zona elástica. por exemplo. que varia conforme a dimensão do tubo.3. rachaduras. A distância final entre as placas. pois quanto mais o tubo se deformar sem P trincas. a tensão de tração de ruptura. deve ser registrada. resultando um estado triaxial de tensões. limite de escoamento e módulo de elasticidade. Ensaios de achatamento de tubos — Consiste em colocar uma amostra de um segmento de tubo deitada entre as placas da máquina de compressão e aplicar carga até achatar a amostra.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.19 . A medida da força de ruptura nos permite determinar a tensão limite de resistência à tração simples. de acordo 2⋅ P . onde temos situações estabelecendo superfícies planas e curvas em contato. 201 . Dr.Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L. D é o diâmetro [mm] do corpo de prova e L [mm] é a espessura do corpo de prova. P O ensaio aplicado é o de compressão diametral. que é o caso de muitos materiais metálicos e cerâmicos.Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração. a teoria mais conhecida é a teoria das tensões de Hertz ou tensões de contato. Cláudio R.

140 Kgf 2 202 . Figura 14. ou para verificar sua resistência. constrói-se um gráfico tensão-deformação. ou seja.5 mm 2 mm 2 F = 3. Considerando que o corpo de prova tem diâmetro nominal de 10 mm.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o módulo de elasticidade. aplicam-se cargas predeterminadas e mede-se a altura da mola após cada carga. obtendo-se um coeficiente angular que é a constante da mola. Por outro lado.21 . faz-se o ensaio de compressão. Para determinar a constante da mola. Cláudio R.Ensaios em molas. Losekann Direitos autorais reservados Ensaios em molas — Para determinar a constante elástica de uma mola. para verificar a resistência da mola. Exercícios resolvidos 1) Um aço de baixo carbono (SAE 1010) tem como tensão de ruptura 40 Kgf/mm2.5 mm 2 4 4 F σ= ⇔ F =σ⋅ A A Kgf F = σ ⋅ A = 40 ⋅ 78. qual será a força de ruptura? a) Dados: σr = 40 Kgf/mm2 D = 10 mm Fr = ? b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: πD 2 π ⋅ [10 mm] A= = = 78. Dr.

040 Kgf/mm2 e um limite de escoamento de 28 Kgf/mm2.570 Kgf. a) Dados: lo = 15 cm lf = 16 cm ε=? b) Fórmulas: l f − lo ε= lo c) Solução: ε= ε= l f − lo lo l f − lo lo = 16 − 15 = 6.8 = 920.3 MPa mm2 3) Calcule a deformação sofrida por um corpo de prova de 15 cm de comprimento e que após o ensaio de tração apresentou 16 cm de comprimento.74 mm de diâmetro sem que ocorra deformação permanente? a) Dados: σe = 28 Kgf/mm2 D = 1.625 mm mm2 Kgf σ = 93. Dr. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.570 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: 2 πD 2 π ⋅ [15 mm] A= = = 176. Pede-se: • Qual a carga que pode ser suportado por um fio de 1. Losekann Direitos autorais reservados 2) Considerando que um corpo de prova de aço SAE 1070 tem um diâmetro nominal de 15 mm e a força com que o material se rompeu foi de 16.625 mm 2 4 4 F 16570 Kgf Kgf σ= = 2 = 93.74 mm 203 .8 A 176. Qual é a tensão de tração de ruptura (em MPa) que este aço apresenta? a) Dados: σr = ? D = 15 mm Fr = 16.67 ⋅ 10−2 15 4) Uma liga de alumínio possui um Módulo de Elasticidade Longitudinal de 7.

74 mm) A= = = 2.377 mm2 4 4 F Kgf 2 σ = ⇒ F = σ ⋅ A = 28 2 ⋅ 2.05 mm) A= = = 7.54 Kgf 2 Se uma carga de 44 kgf é suportada por um fio de 3. qual será a deformação? a) Dados: E = 7.377 mm A mm F = σ ⋅ A = 66.55 ⋅ 10−4 ε= = Kgf E 7.800 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: π ⋅ D 2 π ⋅ (1.30 mm mm2 σ σ E= ⇒ ε= ε E Kgf 6.30 mm2 4 4 F 44 Kgf Kgf σ= = 2 = 6.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.040 Kgf/mm2 ε=? σ=? F = 44 Kgf D = 3.05 mm b) Fórmulas: σ E= ε π D2 A= 4 F σ= A σ = ε⋅E c) Solução: π D 2 π ⋅ (3. Cláudio R.02 A 7. Losekann Direitos autorais reservados Fe = 7.040 mm2 2 • 204 . Dr.05 mm de diâmetro.02 σ mm2 = 8.

assim. no meio ou em um ponto qualquer. conforme indica a figura. Figura 14. são feitos ensaios de flexão em produtos contendo partes soldadas ou unidas por qualquer tipo de junção. ou seja. uma engastada e outra apoiada. as duas apoiadas. Muitas vezes. • flexão plana normal. altura “a”. Quando se tem uma barra de secção retangular de comprimento “L”.22 . Este plano geralmente é denominado de linha neutra. em balanço. Desse modo. Além disso.4 . A flexão de uma barra pode ser obtida nas seguintes condições: • • • • a barra pode ter suas duas extremidades engastadas.1 . Dr. Por outro lado. Cláudio R. e largura “b” da secção normal. pode-se verificar até que esforço de flexão a peça pode sofrer sem se romper. as condições da prática. estar aplicada numa das extremidades. e a carga é aplicada próximo à extremidade de uma das partes até que haja inicio de ruptura na junção.ENSAIO DE FLEXÃO O ensaio de flexão é geralmente feito de modo a reproduzir. a carga defletora pode ser: • • • concentrada ou distribuída.4. tensão resultante é zero. Os elementos internos da barra estarão sujeitos a um sistema de tensões de compressão e tração.Flexão em uma barra de secção retangular.SIGNIFICADO DE FLEXÃO Flexão é a solicitação que tende a modificar a direção do eixo geométrico de uma peça. a barra pode ser vertical ou horizontal. Losekann Direitos autorais reservados 14. é possível criar várias maneiras de se efetuar esse ensaio. e no centro está aplicado uma força cortante “F”. 14. Os casos mais simples são: • flexão plana circular.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ficando a outra extremidade presa por meio de dispositivos. desde que a peça possa ser adaptada diretamente em uma máquina comum. mas há um plano em que não há tensão. no laboratório. 205 .

A fórmula da tensão é aplicada nas secções onde pode haver ruptura do material. 64 206 . O momento de inércia de uma secção retangular segundo a ⋅ b3 um sistema de eixo carteziano “YZ” é: I y = (em relação ao eixo Y) e 12 b ⋅ a3 Iz = (em relação ao eixo Z). Mf é o momento fletor. vista sob um plano.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade. Figura 101 . ou seja . I é o momento de inércia da secção transversal. permanece uma deformação residual. após a aplicação sucessiva de esforços de tração ou compressão. nas regiões que se tem momento fletor máximo que produzirá tensões de compressão e de tração máximas. por exemplo. o efeito de esfoliação ou clivagem em placas em determinadas direções e em certos materiais cristalinos. No dimensionamento das peças à flexão admitem-se apenas deformações elásticas. I onde: σ é a tensão fletora (tensão normal de compressão ou de tração). Cláudio R. Na “linha neutra”. a qual poderá ser superior a tensão de resistência do material. a calcita e a mica. As deformações perfeitamente elásticas em geral só ocorrem no início do processo. a fadiga do mesmo. c é a distância da linha neutra a fibra mais afastada. Dr. Figura 14.23 . o esforço e a deformação atingem valores assintóticos.24 . Para uma secção circular. Losekann Direitos autorais reservados A tensão fletora é dada pela Mf ⋅c expressão matemática σ = ± . A figura abaixo mostra o caso da flexão plana normal produzida por uma força “F” aplicada na extremidade livre de uma barra de balanço. O sinal positivo e negativo corresponde as tensões de tração e de compressão respectivamente. onde “D” é o diâmetro da secção circular. o momento de inércia 12 π ⋅ D4 em relação ao eixoY ou Z é: I = . podendo haver a ruptura do material. ou a variação da sua tensão elástica. Figura 14. os corpos sólidos reais obedecem à lei de Hooke. A tensão de trabalho é fixada pelo fator de segurança ou pela tensão admissível. como. em que. Em primeira deformação e dentro de um campo limitado de deformações.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com uma extremidade engastada.Elemento da barra submetido à flexão. Com o tempo. a tensão resultante é zero.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade.

207 . O ensaio flexão é feito.Método de flexão a três pontos. geralmente.26 . Losekann Direitos autorais reservados 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Método de flexão a quatro pontos. O ensaio consiste em apoiar o corpo de prova sob dois apoios distanciados entre si de uma distancia “L”.4.25 .MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO A resistência à flexão é definida como a tensão máxima de tração na ruptura e é denominado freqüentemente como módulo de ruptura. A resistência a flexão é determinada através de fórmulas acima descritas e envolve cálculos de resistência dos materiais para a determinação do momento fletor máximo. Cláudio R.2 . do inglês “modulus of rupture”. sendo a carga de dobramento ou de flexão aplicada no centro do corpo de prova a uma distância L/2 de cada apoio (método de ensaio a três pontos). Figura 14. com um comprimento especificado. com corpo de prova constituído por uma barra de secção circular ou retangular para facilitar os cálculos. Figura 14.de quatro pontos. Dr. “MOR” .

por choque e por riscamento. calcita (3). que é o valor máximo da tensão de tração ou compressão nas fibras extremas do corpo de prova durante o ensaio de flexão (ou torção). Sob esse ponto de vista. Assim. O conceito divergente da dureza depende da experiência de cada um ao estudar o assunto. O valor do módulo de ruptura também pode ser relacionado com o limite de resistência do material. porque a expressão é determinada para uma distribuição linear (elástica) de tensão entre o eixo da barra e as fibras externas. fluorita (4). Dr. mas bastante utilizado em cerâmicos. como o módulo de ruptura “MOR” ou resistência ao dobramento. Desse ensaio.5 . dureza significa a resistência à deformação plástica permanente. apatita (5).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Assim. o conceito de dureza não tem um mesmo significado para todas as pessoas que tratam com essa propriedade. não é possível encontrar uma definição única de dureza que englobe todos os conceitos acima mencionados. A escala de dureza mais antiga para esse tipo é a escala de Mohs (1. Se a ruptura ocorrer dentro da zona elástica do material. pois. vários minerais e outros materiais são relacionados quanto à possibilidade de um riscar o outro. 208 . MOR representará.ENSAIO DE DUREZA A propriedade mecânica denominada dureza é amplamente utilizada na especificação de materiais. por exemplo. o valor obtido para MOR é maior que a tensão máxima realmente atingida. pode-se também retirar outras propriedades do material. que consiste em uma tabela de 10 minerais padrões arranjados na ordem crescente da possibilidade de ser riscado pelo mineral seguinte. 14. caso ocorra na zona plástica. nos estudos e pesquisas mecânicas e metalúrgicas e na comparação de diversos materiais.tem dureza Mohs (isto é. mesmo porque para cada um desses significados de dureza. verifica-se que o talco (1) . para um projetista. o quartzo risca o ortoclásio e é riscado pelo topázio. um engenheiro define a dureza como a resistência à penetração de um material duro no outro. Entretanto. a martensita tem dureza Mohs aproximadamente igual a 7. a dureza é a resistência ao riscamento que um material pode fazer no outro. a tensão máxima na fibra externa. pode ser riscado por todos os outros seguintes). Com esse tipo de medida de dureza. quartzo (7). Losekann Direitos autorais reservados A carga deve ser elevada lentamente até romper o corpo de prova. ortoclásio (6). pois ele risca a gipsita e é riscado pela fluorita. topázio (8). seguindo-se a gipsita (2). Cláudio R. O cobre recozido tem dureza Mohs 3. O riscamento é raramente usado para os metais. pode-se dividir o ensaio de dureza em três tipos principais. Para um metalurgista. existem um ou mais tipos de medidas adequados. safira (9) e diamante (10). e assim por diante. Desse modo. que dependem da maneira com que o ensaio é conduzido que são: por penetração. e para um mineralogista. a dureza é considerada uma base de medida para o conhecimento da resistência e do tratamento térmico ou mecânico de um metal e da sua resistência ao corte do metal.822).

Vickers. a qual é relacionada com os valores D e d. A dureza por penetração é a mais utilizada e citada nas especificações técnicas. denominada dureza Brinell e simbolizada por HB. essa escala não é conveniente. Essa compressão provocará uma impressão permanente no metal com o formato de uma calota esférica. é o tipo de dureza mais usado até os dias de hoje na Engenharia. O valor de d deve ser tomado como média de duas leituras feitas a 90º uma da outra. polida e limpa de um metal através de uma carga Q durante um tempo t. sobre a superfície plana. Serão vistos com mais detalhes as durezas por penetração Brinell. 14. O ensaio de dureza Brinell consiste em comprimir lentamente uma esfera de aço. o qual é medido por intermédio de um micrômetro óptico (microscópio ou lupa graduados). Rockwell.1 .900. conforme a expressão: HB = 2Q Q Q = = S C πD. principalmente na região de altas durezas e a maioria dos metais fica entre as durezas Mohs 4 e 8. Brinell em 1. 2H2O 3 calcita CaCO3 4 fluorita CaF2 5 apatita CaF (PO4)3 6 ortoclásio KAISio4 7 quartzo Sio2 8 topázio A12F2SiO2 9 corinto A12 O3 10 C diamante Para os metais. 1 talco Mg3H2Si4O12 2 gipsita CaSO4 . como o quociente entre a carga aplicada pela área de contato (área superficial). mas não são métodos de medida precisa ou de boa reprodução. de diâmetro D.5. A dureza Brinell é definida. S.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A.DUREZA BRINELL A dureza por penetração. sendo mais usados no ramo da Mineralogia. Cláudio R. Esses métodos seriam úteis para a medição da dureza relativa de microconstituintes de uma liga metálica. porque os seus intervalos não são propriamente espaçados para ele. sendo que pequenas diferenças de dureza não são precisamente acusadas por esse método. com um diâmetro d. proposta por J. Losekann Direitos autorais reservados Escala de dureza Mohs. Knoop e Meyer e a dureza por choque Shore (escleroscópica). p πD( D − D 2 − d 2 ) 209 . depois de removida a carga. Dr. em N/mm² (ou kgf/mm²).

que leva o seu nome e oferece algumas vantagens significantes que faz esse tipo de dureza ser de grade uso internacional. uma vez que a dureza Brinell não é um conceito físico satisfatório.Penetradores de Dureza Rockwell.2 . que deveria ser sempre colocada após o valor de HB.922 por Rockwell.DUREZA ROCKWELL Outro tipo de dureza por penetração foi introduzido em 1. Figura 14. pode ser omitida. A dureza Brinell não serve para peças que sofreram tratamento superficial (cementação. admite-se o ensaio em uma superfície com o diâmetro 10 vezes o diâmetro da esfera utilizada. Losekann Direitos autorais reservados Sendo p a profundidade da impressão.Ângulo φ nas impressões Brinell. d. 14. pois o resultado é lido direta e automaticamente na máquina de ensaio. para verificação de tratamentos térmicos ou superficiais e para laboratório. elimina o tempo necessário para a medição de qualquer dimensão da impressão causada. Dr.28 . porque a equação que fornece a dureza Brinell não leva em consideração o valor médio da pressão sobre toda a superfície da impressão. Superfícies não planas não são propícias para o ensaio Brinell. A rapidez do ensaio torna-o próprio para usos em linhas de produção. utilizando penetradores pequenos. Em geral. O ensaio é baseado na profundidade de penetração de uma ponta. um ensaio mais rápido e livre de erros pessoais. a impressão pede muitas vezes não prejudicar a peça ensaiada e pode ser usada também para indicar diferenças pequenas de dureza numa mesma região de uma peça. Os penetradores utilizados na dureza Rockwell são do tipo esférico (esfera de aço temperado) ou 210 . portanto.5.). que é o que realmente deveria ser observado. Figura 14. A unidade N/mm² ou kgf/mm². nitretação. etc.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. subtraída da recuperação elástica devida à retirada de uma carga maior e da profundidade causada pela aplicação de uma carga menor. simbolizada por HR. Além disso. sendo.27 . A dureza Rockwell. pois acarreta erro na leitura do diâmetro. Cláudio R.

Algumas máquinas analógicas já vêm providas das escalas justapostas que servem para todos os tipos de dureza Rockwell existentes e outras podem ser lidas em visor digital. porém baseadas na profundidade da penetração e são designadas por letras (A. as cargas maiores e algumas aplicações de cada escala. Essas escalas de dureza Rockwell são arbitrárias. tendo as arestas do cone 120º). B. também chamado de penetrador-Brale. ferro e outros metais até 240 Brinell. até 240 Brinell Metal plástico Aço cementado ou temperado Aço. A dureza Rockwell superficial emprega igualmente várias escalas independentes e é utilizada para ensaios de dureza em corpos de prova de pequena espessura. etc. Escala de dureza Rockwell comum. Losekann Direitos autorais reservados cônico (cone de diamante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nitretação. etc. ao contrário da dureza Brinell. ferro. etc. 15 N 15 Cone de 30 N 30 diamante 45 N 45 15 T 15 Esfera 1/16” 30 T 30 45 T 45 LEITURA Preta Preta Preta Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha CAMPO DE AMPLIÇÃO Aço cementado ou temperado Aço. como lâminas. chapas. bronze. Dr.). latão. etc. e para metais que sofreram algum tratamento superficial. O número de dureza obtido correspondente a um valor adimensional. as quais devem sempre aparecer após a sigla HR para diferenciar e definir a dureza. Cláudio R. como cemetação. C. CARGA PENETRADOR ESCALA (kgf) ROCKWELL A 60 Cone diamante ROCKWELL C 150 120° ROCKWELL D 100 ROCKWELL B 100 Esfera 1/16” ROCKWELL F 60 ROCKWELL G 150 ROCKWELL E 100 Esfera 1/8” ROCKWELL H 60 ROCKWELL K 150 ROCKWELL L 60 Esfera 1/4” ROCKWELL M 100 ROCKWELL N 150 ROCKWELL R 60 Esfera 1/2” ROCKWELL S 100 ROCKWELL V 150 Escala de dureza Rockwell superficial. As máquinas vêm com as várias 211 . Na tabela abaixo são dadas as escalas usadas com o tipo de penetrador.

com um ângulo de 136º entre as faces opostas. absorvida pelo corpo de prova. caso o resultado caia fora do intervalo de dureza HRC. isto é. A. como no caso da dureza Brinell. a carga varia de 1 até 100 ou 120 kgf. da dureza do material que se está ensaiando. assim. por exemplo.DUREZA VICKERS Essa dureza foi introduzida em 1. a dureza Rockwell B varia de aproximadamente 50 a 100. quadrada. ou seja. O penetrador é uma pirâmide de diamante de base quadrada. o número de dureza obtido é o mesmo qualquer que seja a carga usada para materiais homogêneos. A forma da impressão é um losango regular. Esse método é conhecido por dureza escleroscópica ou dureza de Shore. Dr.907. sem deformação no visor da máquina. que simplificado fica: HV = 1. area da superficie piramidal 2Qsen 136 2 . Losekann Direitos autorais reservados escalas acompanhadas. a dimensão da dureza Vickers é N/mm² ou kgf/mm². Shore propôs uma medida de dureza por choque que mede a altura do ressalto (rebote) de um peso que cai livremente até bater na superfície lisa e plana de um corpo de prova.3 . a pré-carga é sempre de 3 kgf.4 . Para esse tipo de dureza. As escalas mais utilizadas são B. isso depende. F. 14.5. Abaixo de 20.925 por Smith e Standland. ou seja. N e T.5 e a escala A é a de maior amplitude de variações. tem-se. deve-se empregar a escala B para evitar erros. Como o penetrador é um diamante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. No caso da dureza Rockwell superficial. usa-se antes a escala Rockwell C. a dureza carga Vickers: HV = . C.8544Q 2 L L2 HV = Como Q é dado em kgf ou N e L em mm. não importando o seu tamanho. A mudança da carga é necessária para se obter uma impressão regular. uma escala contínua de dureza (de HV = 5 até HV = 1 000 kgf/mm²) para cada carga usada. 14. a dureza Vickers (HV) é independente da carga. porque a Companhia Vickers-Armstrong Ltda fabricou as máquinas mais conhecidas para operar com esse tipo de dureza. Assim. Esse tipo de dureza fornece. e pela média L das suas diagonais. A escala C tem seu uso prático entre os números 20 e 70. para depois tentar as outras. naturalmente. levando o nome Vickers. Ao se fazer uma dureza num material desconhecido. HRC. Cláudio R. Essa altura de ressalto mede a perda da energia cinética do peso.5. a escala F entre 73 e 116. deve-se primeiro tentar uma escala mais alta para evitar danificação do penetrador. 212 . As demais só são empregadas em casos especiais.DUREZA SHORE Em 1. ele é praticamente indeformável e como todas as impressões são semelhantes entre si. conforme a expressão seguinte.

Através dos ensaios obtemos os valores de energia absorvida para cada material ensaiado. o ensaio correspondente leva mais em conta o fato de serem cíclicos.Aspectos da fratura . O ensaio de impacto caracteriza-se por submeter o corpo ensaiado a uma força brusca e repentina. Porém a maioria das máquinas e equipamentos. ou seja. As fraturas produzidas por impacto podem ser frágeis ou dúcteis.6 .29 . como em eixos de máquinas. está submetida a esforços dinâmicos. com resistência suficiente para suportar uma determinada aplicação. Losekann Direitos autorais reservados 14. quando os equipamentos bélicos foram levados a solicitações críticas de uso. A maioria dos ensaios mecânicos não avalia o comportamento dos materiais submetidos a esforços dinâmicos. Esta propriedade está relacionada com a fase plástica dos materiais e por isso se utilizam as ligas metálicas dúcteis neste tipo de aplicação. Esta característica dos materiais ficou mais evidente durante a Segunda Guerra Mundial. esses materiais não podem ser utilizados em aplicações nas quais sejam comuns esforços bruscos. Estes testes são usados para caracterizar a propensão e o grau de fragilidade de um polímero quando submetido à ação de esforços bruscos. Figura 14. de forma brusca.ENSAIO DE IMPACTO Os ensaios de impacto são utilizados a fim de descobrirmos o quanto um material resiste às cargas dinâmicas para que. mesmo utilizando ligas dúcteis. despertando o interesse de pesquisa por este assunto. quando em funcionamento. Porém. materiais que apresentem tenacidade. As fraturas frágeis caracterizam-se pelo aspecto cristalino e as fraturas dúcteis apresentam aparência fibrosa. devem ser utilizados materiais capazes de absorver energia e dissipá-la. embora os esforços sejam dinâmicos. Dr. em situações reais de uso. que deve rompê-lo. verificou-se na prática que um material dúctil pode romper-se de forma frágil. Cláudio R. Para estas aplicações são desejáveis materiais que tenham capacidade de absorver energia e dissipá-la. evitando assim sua ruptura. inviabilizando assim a utilização de determinados equipamentos. Os materiais frágeis rompem-se sem nenhuma deformação plástica. É bem melhor saber quanto o material resiste a uma carga dinâmica numa situação de ensaio do que numa situação real de uso. bielas etc.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e assim determinamos a utilização ou não dos mesmos. Por isso. Para equipamentos que são submetidos a esforços de impacto. No caso da fadiga. para que a ruptura não aconteça. não ocorram fraturas nesse material. Os materiais dúcteis podem romper-se sem deformação plástica 213 . Essa condição de trabalho empregada no corpo para que atinge o seu limite máximo de elasticidade é denominada resiliência.

Este valor cai para 3 joules à temperatura de -26 0C. pouco menor que T2. ou seja. de comportar-se como frágil devido à trinca. por menor que seja. Alguns materiais são mais afetados pela velocidade alta do impacto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o que faz com que a maior parte da energia produzida pela ação do golpe seja concentrada numa região localizada da peça. não é repentina é usual define-se uma faixa de temperatura de transição. ou seja. passando de dúctil a frágil ou vice-versa. A existência de uma trinca. Losekann Direitos autorais reservados apreciável. a existência de trincas no material. um dado aço absorve 17 joules de energia de impacto à temperatura ambiente (± 25 0C). Dr. Esta característica do material dúctil. de maneira frágil.30 . A energia absorvida por um corpo de prova varia sensivelmente com a temperatura do ensaio. A temperatura de transição é aquela em que ocorre uma mudança no carácter da ruptura do material. muda substancialmente o comportamento do material dúctil.Temperatura de transição. Um corpo de prova a uma temperatura T1 pode absorver muito mais energia do que se estivesse a uma temperatura T2. Uma trinca promove concentração de tensões muito elevadas. atingindo 16 joules. a mesma exerce um efeito muito acentuado na resistência dos metais ao choque. Cláudio R. o valor de energia absorvida é pouco alterado. 14. verificou-se que há uma faixa de temperatura relativamente pequena na qual a energia absorvida pelo corpo de prova cai apreciavelmente. 214 . com a conseqüente formação da fratura frágil.1 . ou pode absorver a mesma energia a uma temperatura T3. a baixa temperatura e a alta velocidade de carregamento constituem os fatores básicos para que ocorra uma fratura do tipo frágil nos materiais metálicos dúcteis. é freqüentemente chamada de sensibilidade ao entalhe. ao contrário do que ocorre na resistência estática. • temperatura de uso do material suficientemente baixa.TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO Ao ensaiar os metais ao impacto. Com relação à temperatura. bem menor que T1. • trinca ou entalhe no material.6. quando as condições abaixo estiverem presentes: • velocidade de aplicação da carga suficientemente alta. na maioria dos casos. Figura 14. Por exemplo. Esta faixa é denominada temperatura de transição. Quando a temperatura desce a -23 0 C. apresentando uma sensibilidade que é chamada sensibilidade à velocidade. Como esta passagem.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Por isso esses materiais são indicados para trabalhos em baixíssimas temperaturas. 215 . A temperatura T1 corresponde à fratura 70% dúctil e 30% frágil. os valores de impacto não são influenciados pela temperatura. Indicandose os valores de temperatura no eixo das abscissas e os valores de energia absorvida no eixo das ordenadas. não apresentam temperatura de transição. por exemplo. A temperatura T3 corresponde à fratura 30% dúctil e 70% frágil. Pode-se representar a temperatura de transição graficamente. E a temperatura T2 é o ponto no qual a fratura se apresenta 50% dúctil e 50% frágil. aço inoxidável austenítico etc.1 . O intervalo de temperatura de transição corresponde ao intervalo entre T1 e T3. pois a região de onde eles são retirados. mesmo a temperaturas mais baixas. tende a elevar a temperatura de transição. produzido por processos diferentes. Impurezas — A presença de impurezas. Tamanhos de grãos finos abaixam a temperatura de transição. de modo a produzir fratura frágil em temperaturas mais próximas à temperatura ambiente. possuirá temperaturas de transição diferentes. níquel. nos produtos siderúrgicos. Retirada do corpo de prova — A forma de retirada dos corpos de prova interfere na posição das fibras do material. As normas internacionais geralmente especificam a posição da retirada dos corpos de prova. como o cobre. Encruamento — Materiais encruados. tendem a apresentar maior temperatura de transição. Tamanho de grãos — Tamanhos de grãos grosseiros tendem a elevar a temperatura de transição. alumínio. O tamanho dessa faixa varia conforme o metal. que sofreram quebra dos grãos que compõem sua estrutura. Dr. Losekann Direitos autorais reservados A faixa de temperatura de transição compreende o intervalo de temperatura em que a fratura se apresenta com 70% de aspecto frágil (cristalina) e 30% de aspecto dúctil (fibrosa) e 70% de aspecto dúctil e 30% de aspecto frágil. Elementos de liga — A adição de certos elementos de liga.1. é possível traçar a curva que mostra o comportamento do material quanto ao tipo de fratura (frágil ou dúctil). 14. como tanques criogênicos. bem como a posição do entalhe. como o níquel.Fatores que influenciam a temperatura de transição O intervalo de transição é influenciado por certas características como: Tratamento térmico — Aços-carbono e de baixa liga são menos sujeitos à influência da temperatura quando submetidos a tratamento térmico que aumenta sua resistência. Os metais que têm estrutura cristalina CFC. ou seja.6. têm fundamental importância sobre os valores obtidos no ensaio. Processos de fabricação — Um mesmo aço. Cláudio R. tende a melhorar a resistência ao impacto. que fragilizam a estrutura do material. A definição dessa faixa é importante porque só podemos utilizar um material numa faixa de temperatura em que não se manifeste a mudança brusca do carácter da ruptura..

Neste caso. Dr. até que se atinja a temperatura desejada para o ensaio. o ensaio de impacto comum não oferece resultados aplicáveis a projetos de engenharia estrutural. o entalhe está no sentido da fibra. principalmente no entalhe. Um modo de obter o resfriamento consiste em mergulhar o corpo de prova num tanque contendo nitrogênio líquido. Tempo necessário para homogeneizar a temperatura em todo o corpo de prova.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados Submetidos ao ensaio de impacto. um dos maiores causadores de problemas e distorções nos resultados. O choque ou 216 . o entalhe está transversal às fibras do material. por aproximadamente 15 minutos. No corpo de prova C. Figura 14. na confecção do corpo de prova.6. os testes exigem precisão tanto na aferição do equipamento (medidor de resistência ao impacto). Como mostra a ilustração seguinte. 14. O ensaio de impacto é um teste dinâmico em que um corpo de prova padronizado é golpeado e rompido por um pêndulo ou martelo em uma máquina de ensaios especialmente projetada e é medida a energia absorvida para romper o corpo de prova.31 . esses corpos apresentaram três curvas diferentes. A absorção de energia é a pior possível. principalmente próximo à temperatura de transição. O tempo máximo para romper o corpo de prova após o resfriamento é de 5 segundos.1.2 . foram desenvolvidos outros tipos de ensaio de impacto e outros equipamentos.Curvas de energia absorvida de um mesmo material. As técnicas de resfriamento são determinadas em normas técnicas específicas.Resfriamento do corpo de prova Os corpos de prova retirados para ensaio de impacto devem ser resfriados. Devido à grande dispersão dos resultados dos ensaios. que permite atingir temperaturas de até 70 °C negativos. gerada pela dificuldade de obter corpos de prova rigorosamente iguais e pela falta de homogeneidade dos materiais. o que favorece o cisalhamento.. o entalhe atravessa o núcleo da chapa. cortando todas as fibras transversalmente. Os valores da energia servem como guia útil para comparações qualitativas entre diferentes lotes do mesmo tipo de material. No corpo de prova A. Cláudio R. O corpo de prova B também tem entalhe transversal. Para responder a essas necessidades práticas. Outra forma de obter o resfriamento é por meio de uma mistura de álcool e gelo seco. quanto na capacitação da mão de obra técnica. Apesar de simples e rápidos de serem executados.

Figura 14.é representada por uma sólida estrutura metálica fundida em corpo único. também sólida. característica que possibilita sua ancoragem em uma base. Outro fator é a velocidade de aplicação da força. Força associada com velocidade traduz-se em energia. A única variável desconhecida é a altura final. Três máquinas são geralmente usadas para ensaiar materiais de engenharia: a máquina Charpy. A máquina é dotada de uma escala. que é obtida pelo ensaio. a unidade de energia pode ser dada em kgfm. A diferença entre as energias inicial e final corresponde à energia absorvida pelo material. Para os ensaios em materiais poliméricos é comum o uso de equipamentos que funcionam por queda de dardo ou pêndulo de impacto. A altura inicial também é conhecida. os quais são descritos abaixo: Queda de Dardo . Em máquinas mais antigas. desferido por um peso em oscilação. O ensaio de impacto consiste em medir a quantidade de energia absorvida por uma amostra do material. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O mostrador da máquina simplesmente registra a diferença entre a altura inicial e a altura final.determina a resistência das películas plásticas e avalia essa característica quando o material é atingido por um peso em queda livre. O método mais comum para ensaiar metais é o do golpe. numa escala relacionada com a unidade de medida de energia adotada. a unidade de energia adotada é o joule. e é calibrada de modo a indicar a energia potencial. porque a carga é aplicada repentina e bruscamente. A sua trajetória continua até certa altura. a máquina Izod e a máquina Hatt-Tuner. O pêndulo é levado a uma certa posição. a massa do martelo e a aceleração da gravidade são conhecidas. o dardo é liberado por meio de um dispositivo eletromecânico quando a pressão negativa de fixação da amostra se apresenta a um determinado valor. que se rompe. A máquina correspondente é o martelo pendular. que corresponde à posição final. No ensaio de impacto. onde o pêndulo apresenta uma energia final. Pêndulo de Impacto . não é só a força aplicada que conta. Ao cair. onde adquire uma energia inicial. No impacto. Losekann Direitos autorais reservados impacto representa um esforço de natureza dinâmica. após o rompimento do corpo de prova. De acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI). que evitará a perda de energia durante o ensaio. Nesta estrutura 217 . Durante o teste. Cláudio R. kgfcm ou kgfmm. A última é usada principalmente para ensaiar madeira.Máquina de ensaio de impacto. quando submetido à ação de um esforço de choque de valor conhecido. que indica a posição do pêndulo. ele encontra no seu percurso o corpo de prova.32 .

A energia que um corpo absorve para se deformar e quebrar é quantificada pela diferença entre a altura atingida pelo martelo antes e após o impacto. É submetido a uma flexão desencadeada pelo impacto de um martelo fixado na extremidade de um pêndulo. composto de uma haste tubular. que quantifica o deslocamento de um ponteiro indicador e outro de arraste. O pêndulo de impacto segue dois tipos de configurações diferentes: Pêndulo de Impacto na Configuração Charpy .Ensaio Charpy e Izod. O pêndulo é elevado até sua posição mais alta e seguro por um prendedor ajustado para dar altura de queda constante para todos os ensaios. ligados simultaneamente ao movimento do pêndulo. por sua vez. No seu movimento de ascendência após a ruptura. feito para alocar sua ruptura produzida por uma condição triaxial de tensão. 218 . quanto menor for a energia absorvida pelo corpo de prova. e uma máquina de 50 kgfcm é geralmente usada para plásticos. o pêndulo consiste de um perfil I com um disco pesado na extremidade. Losekann Direitos autorais reservados apoia-se o pêndulo propriamente dito. O pêndulo é suspenso em um eixo que gira sobre rolamentos e oscila entre dois suportes laterais rígidos. Ele é então solto para permitir a queda e a ruptura do corpo de prova. é fixado o martelo. Dr. Figura 14. detalhe dinamicamente calculado de modo a permitir que o centro de percussão coincida com o ponto de impacto no corpo de prova. o pêndulo empurra um indicador sobre uma escala que é usualmente graduada diretamente em kgfm. articulando-se com um sistema de engate e desengate para sua liberação. Desta forma. que. A máquina Charpy é disponível em pelo menos dois tamanhos. Na máquina Charpy.é usado em ensaios de impacto. Isso impede esforços no eixo de suspensão. onde. O tipo com uma capacidade de energia de 30 a 33 kgfm é usado para metais. A energia absorvida pela amostra durante o ensaio é indicada num mostrador em escala calibrada em joules e graus. nos quais se fixa o suporte do corpo de prova.33 . Na configuração de Charpy o corpo de prova fica na posição horizontal. no qual uma amostra é normalizada com um entalhe central em U ou V. Cláudio R. tanto mais frágil será o comportamento do material ao impacto. é colocada horizontalmente entre duas bigornas de modo que a lâmina golpeie do lado oposto ao entalhe.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. fica apoiado em rolamentos especiais para eliminar atritos. numa das extremidades. O movimento de levantamento do pêndulo até sua posição de queda é feito manualmente por um conjunto de cremalheiras. Esta amostra que é carregada como uma barra simples.

O mesmo é simplesmente apoiado sobre um vão de 70 cm tal que o peso caia exatamente no meio do vão.0 cm até que se consiga a ruptura completa. Losekann Direitos autorais reservados Pêndulo de Impacto na Configuração Izod . no tipo de pêndulo empregado. A resistência ao impacto é avaliada pelos métodos ASTM D256. O entalhe faz face ao pêndulo e o corpo de prova é então posicionado para que o entalhe seja visível acima do suporte fixador. Freqüentemente. Ele tem as dimensões de 10 mm por 10 mm na secção reta e 75 mm de comprimento e tem um entalhe padronizado de 45º e 2 mm de profundidade no meio do corpo de prova. Um peso de queda com 22. O corpo de prova deve ter 5 x 5 x 75 cm. ou seja. e geralmente é medida em joule. alcançada uma deflexão de 15 cm. o corpo de prova é fixado para agir como uma viga vertical em balanço. Figura 14.A técnica deste teste não diferencia do teste de resistência ao impacto na configuração Charpy. Dr. Ná máquina Izod. A máquina para ensaio de impacto Izod usualmente tem a capacidade de 16.34 . Para ensaios em madeira. A primeira queda é da altura de 2. Cláudio R. 219 .7 kg é seguro por um eletromagneto que é alimentado por um motor.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 kgfm. no entalhe ou no seu lado oposto. a mesma máquina de impacto é projetada para permitir os testes Charpy e Izod.Corpos de prova Charpy e Izod. até que se alcance a altura de 25 cm.5 cm e as quedas subseqüentes são acrescidas de 2. A amostra é normalizada com um entalhe central em V. O peso cai entre colunas-guias verticais quando o circuito do magneto é aberto por um relé. com possibilidade de trocar os suportes fixadores dos corpos de prova. D746 e D2463. a altura de queda é aumentada por estágios até que ocorra o rompimento.5 cm. é utilizada a máquina Hatt-Turner. e no local onde se dá o impacto. o qual é acionado por um contato elétrico entre o magneto e uma polia móvel que pode ser ajustada para qualquer posição desejada ao longo da escala vertical sobre uma coluna-guia. A diferença básica entre as duas configurações está na posição do corpo de prova. que neste caso é vertical. após o que são usados incrementos de 5. Aqui.

• Outros. nem sempre isso é possível. tamanho do grão. A metalografia envolve basicamente três estágios de preparação de um corpo de prova: a obtenção de uma seção plana e polida. lixada. • Formas de grafita. conservando-se as características de precisão do ensaio. 220 . Quanto ao grau de aplicação com que a imagem metalográfica é visualizada.ENSAIOS METALOGRÁFICOS A metalografia surgiu praticamente com o trabalho de Henri Clifton Sorby (1. a metalografia é a ciência que estuda os metais e ligas metálicas. Dr.7 . ensaio metalográfico não destrutivo. Para determinação de um microestrutura foram desenvolvidos ao longo dos anos muitos métodos de preparação de amostras. a metalografia está classificada em: macrográfico. entretanto. e por via de regra atacada por um reativo adequado. o local e a intensidade das descontinuidades. especialmente em peças de grande porte. tido como o precursor da moderna metalografia.863 observou pela primeira vez uma estrutura metálica ao microscópio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o tamanho. A metalografia pode ser dividida em: ensaio metalográfico destrutivo e ensaio metalográfico não destrutivo. • Tipos de inclusões.826 – 1. polida. pois se retira amostras para análise do material ou peça solicitada. o realce da microestrutura através de um ataque adequado e a posterior observação ao microscópio. como também a relação entre as suas composições químicas. propriedades físicas e mecânicas. foram desenvolvidas técnicas para a realização do ensaio “in loco”. A maioria dos ensaios metalográficos realizados são destrutivos. • Identificar o possível processo de fabricação da peça. Cláudio R. Mas. Losekann Direitos autorais reservados 14. quando nos mesmos obtivermos um superfície plana. • Identificar o tipo de tratamento térmico ou termoquímico. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. • Penetração do cordão de solda. pode-se determinar: • tipo. • Zonas de alterações térmicas sofridas por soldagem. microconstituição. • Valor da camada carbonetada ou descarbonetada. Desta forma. Por este motivo. micrográfico.908). quando em 1. devido as condições que não permitem retirar amostras da peça. Através do ensaio metalográfico. ou que proíbam sua destruição. a observação através de um microscópio continua sendo o mais importante. Desde então pode-se defini-la como o ramo da tecnologia que estuda e interpreta a estrutura interna dos metais e suas ligas.

36 .1 . usa-se microscópio ótico ou microscópio eletrônico de varredura ou microscópio de tunelamento A micrografia têm por objetivos determinar do material ensaiado.2 . será visualizada com um grau de ampliação superior a dez vezes. Dr. o tamanho. o tipo. não é prudente a b concluir que uma barra apresenta uma segregação maior do que outra.Etapas metalográficas Escolha da seção a ser cortada: Existem duas seções de corte: seção transversal e seção longitudinal. identificar o processo de fabricação da peça. a b Figura 14.7. 14. e atacada por um reativo adequando. etc. o local e a intensidade das continuidades. zonas de alteração térmica provocadas por soldagem ou tratamento térmico.ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO A micrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas. por exemplo: o aspecto da seção longitudinal de barras com segregação depende da maneira pela qual o corte seciona esse defeito. 221 . lixada e atacada por um reativo adequado. Assim sendo.1 .Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação. quando obtivermos nos mesmos uma superfície plana. 14. bem como da granulação. a forma. conhecendo-se apenas sua seção a-a b-b longitudinal. Cláudio R. o que para tal. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. onde a imagem obtida nessa superfície.7. a microconstituição do material.35 . a forma da grafita. Alguns dos objetivos da macrografia são determinar do material ensaiado.7. o tipo de micro inclusão. o tipo de tratamento térmico ou termoquímico sofrido.ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO A macrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas quando obtivermos uma superfície. Losekann Direitos autorais reservados 14.Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl. A escolha da seção a ser cortada depende dos objetivos do ensaio. Figura 14.2. plana. Esta visualização se fará a olho nu ou com uma ampliação de no máximo dez vezes através de lupa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. lixada. etc. polida.

“cut-off” garante boa precisão do corte. A montagem do corpo de prova se divide em: fixação e embutimento. ou resinas plásticas auto-polimerizáveis. Montagem da amostra: A montagem do corpo de prova tem por objetivos: facilitar o manuseio de peças pequenas. com interesse de alguma parte em especial. possuindo um sistema de refrigeração e lubrificação garantindo que a temperatura da superfície não ultrapasse a 100 0C e a rugosidade superficial de corte seja reduzida. preferindo-se. deformação. dura e resistente ao desgaste. contudo. ou que secione transversalmente as suas arestas ou cantos vivos para se apreciar a forma da estrutura dendrítica nesses pontos ou eventual existência de pequenas fissuras. as quais consistem geralmente de duas substâncias formando um líquido viscoso quando misturadas. o corte é guiado apenas pela forma da peça. A fixação é feita através de placas metálicas fixadas com parafusos e porcas. Losekann Direitos autorais reservados Nota-se a diferença de aspecto em porcas cortadas transversal ou longitudinalmente provenientes de barras com segregação central. carbeto de silício ou diamante com diferentes granulometrias. Os abrasivos mais utilizados nas lixas são: óxido de alumínio. Cláudio R. Os discos de corte consistem de um abrasivo. onde o abrasivo é uma substância de origem mineral. Durante a operação de corte. pois estes fenômenos seriam mais tarde postos em evidência pelo ataque. isento de qualquer tipo de defeito da superfície da amostra. Esta mistura é vertida dentro de um molde plástico onde se encontra a amostra. Nas peças fundidas diretamente na sua forma definitiva. sob condições nas quais a amostra não sofrerá deterioração de sua estrutura. A reação de polimerização. o que mais se adapta para o ensaio metalográfico é o corte por abrasão a úmido. evitar que as amostras danifiquem as lixas e o pano metalográfico. melhorando com isso a qualidade da imagem obtida. Lixamento da amostra na seção cortada: O lixamento da amostra é necessário para diminuir o grau de rugosidade da superfície. A máquina de corte por disco abrasivo. permitir que seja feito um estudo da periferia da amostra.2 a 24h. evitar a formação de vários planos durante que influenciam na observação ao microscópio. carbeto de silício. A lixa é uma ferramenta de corte por abrasão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com um tempo de endurecimento que varia de 0. O grão abrasivo e o meio de dispersão devem estar perfeitamente adaptados para que permitam um corte preciso. O corte por abrasão a úmido é feito com uma cortadeira de disco abrasivo. Marcação para identificação: A marcação de amostra serve para identificação e pode ser feita com canetas especiais. deve-se tomar o máximo de cuidado para não danificar a estrutura da amostra por: encruamento. e embutimento consiste em circundar a amostra com baquelite. dispersos em meio de material sintético. (polimetacrilato de metila). Corte da amostra na seção escolhida: Vários meios de corte podem ser utilizados para a realização do corte da amostra na seção escolhida. dependendo do tipo de resina e do catalisador. As lixas são classificadas de acordo com o tamanho 222 . geralmente óxido de alumínio. é geralmente exotérmica atingindo temperaturas entre 50 a 120 0C. carbeto de boro e diamante. locais de excessivos aquecimento (a mais de 100 0C) em peças temperadas. polimezando-se após um certo tempo. Dr. adulterando-se as conclusões do ensaio.

Cláudio R. 223 .37 . O diamante se destaca como mais eficiente devido suas características de granulometria. inicia-se o lixamento com lixa de grana 220. causados pela não uniformidade da velocidade de corte. Figura 14. A seqüência de lixas para o lixamento é 120 . A politriz mecânica possui um prato giratório sobre o qual. O polimento pode ser feito através de politriz mecânica ou eletrolítica.500 . neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador e pelo movimento da lixa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. segundo a norma ABNT MB-481.240 . dureza. suspensão em água destilada. para aumentarmos o rendimento de corte. Este tipo de lixadeira divide-se em dois tipos: Se a amostra foi cortada com a serra de disco.400 . permite obter por dissolução anódica de um metal em um eletrólito e uma superfície plana. pois os riscos e a deformação superficial deixados pelo lixamento impedem a visualização correta da amostra no microscópio metalúrgico. cujo aumento do contraste se deve às diferenças do potencial eletroquímico. São formados células locais onde os constituintes quimicamente menos nobres atuam como ânodo.280 320 . ao mudar de lixa. Na metalografia utilizamos o lixamento via úmido pois evita o entupimento da lixa e a água serve como refrigerante e lubrificante para o corte. aerossol. óxido de magnésio (MgO). geralmente em bastão.Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz. Destes agentes polidores a alumina e o diamante são os mais utilizados para o polimento mecânico.25 µm e encontra-se na forma de pasta. Na lixadeira manual. A verificação da rugosidade da superfície na prática é feita através do tato. reagindo com o meio de ataque de maneira mais intensa que os mais nobres. pasta. encontra-se em pasta ou suspensão e diamante sintético ou natural. suspensão.600 . Para a realização do lixamento metalográfico. para evitar a formação de planos inclinados. Polimento da amostra na seção lixada: O polimento se faz necessário para aumentar a nitidez da imagem. o movimento de corte durante o lixamento. Na lixadeira rotativa de prato. geralmente são utilizadas dois tipos de lixadeiras: Lixadeira Metalográfica Manual Estacionária por Via Úmido. O processo de polimento eletrolítico. Losekann Direitos autorais reservados dos grãos. Os abrasivos mais utilizados são: óxido de cromo (Cr2O3). deve ser do centro para periferia e deve-se fazer um giro de 180° na amostra periodicamente. e bastão. forma dos grãos e poder de desbaste. sofre uma série de transformações eletroquímicas baseadas no processo de óxido – redução.180 .1. Lixadeira Metalográfica Manual Rotativa por Via Úmido. deve-se virar a amostra 90° em relação aos riscos deixados pela lixa anterior. quando atacada por reagentes específicos. Dr. O abrasivo varia de 5 à 0. Ataque com reativo adequado: A superfície da amostra. onde neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador.000. encontra-se em bastão. encontra-se em bastão ou suspensão. óxido de alumínio (Al2O3 – alumina). coloca-se o pano metalográfico (feltro) que serve de apoio para o abrasivo.

As condições de ataque tais como composição química. Cláudio R.. bases e sais. A superfície da amostra é enxaguada com a solução de ataque. porém. Usado em casos de amostras muito grandes ou quando existe grande desprendimento de gás durante o ataque. através de lavagem em água destilada. A figura ao lado mostra uma micrografia de um aço onde aparece grãos perlíticos (ferrita + cementita). Este processo é usado com o polimento mecano-eletrolítico Ataque por lavagem Ataque por esfregação Ataque – polimento 224 .38 . Dr.Micrografia da perlita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. temperatura e tempo. Losekann Direitos autorais reservados Para o ataque químico são usadas soluções alcoólicas de ácidos. As linhas com seta mostram a incidência de feixe de luz com a respectiva reflexão. Método usado com soluções reativas dispendiosas. bem como sais fundidos ou vapores. A solução de ataque é gotejada sobre a superfície da amostra. A solução de ataque. Em alguns casos. e posteriormente seca através de jato de ar quente. podem ser variadas para atingir as mais diversas finalidades de contraste. A figura abaixo mostra o esquema de um metal policristalino com os contornos de grão postos em evidência através de ataque químico. O polimento é efetuado. As técnicas mais comuns de ataque são descritas na tabela abaixo: Técnica Ataque por imersão Ataque por gotejamento Descrição A superfície da amostra é imersa na solução de ataque. para remover os resíduos do processo. devendo ser observada através de microscópio. têm uma reatividade química maior que o interior do grão o que permite por em evidência. O ataque químico ocorre principalmente em contornos de grãos por serem zonas de maior energia. Após o ataque químico a amostra deve ser rigorosamente limpa. a fim de evitar a formação de camadas oriundas da reação química. Geralmente a preparação da amostra para o macroataque limita-se ao lixamento. é o método mais usado. álcool ou acetona. embebida em um chumaço de algodão ou pano. O microataque evidencia a estrutura íntima do material em estudo. é esfregado sobre a superfície da amostra o que serve para remover as camadas oriundas da reação. Figura 14. deve-se efetuar um pré-polimento. estando a amostra imersa na solução de ataque.

mas delineia os contornos de grãos e colore escuro a perlita.100 ml Ácido clorídrico – 120 ml Cloreto cúprico . Linhas pretas aparentemente contínuas internas oriundas da periferia. Significação provável Porosidade. Dr.95% Reativo de heyn Reativo de ácido clorídrico Reativo de ácido sulfúrico Reativos de frey Reativo nital Soluções mais usadas na micrografia de metais ferrosos Reativo Reativo nital Reativo de ácido pícrico Composição Ácido nítrico – 1 .90 ml Água . em aço moldado. moles. O reativo de picrato de sódio colore a cementita.25 g Água – 100 ml Reativo picrato de sódio O reativo de nital e de ácido pícrico não ataca a ferrita e nem a cementita.96% Ácido pícrico – 2 ml Soda a 36o . A perlita escurece porque o reativo ataca a linha de contato entre a ferrita e as lamelas de cementita. os carbonetos complexos dos aços-ligas e a esteadita dos ferros fundidos.100 ml Ácido nítrico – 1 . Trincas ou inclusões grandes alinhadas. b) No ferro de pacote são 225 .5% Álcool etílico – 99 . Interpretação depois do ataque: o quadro abaixo mostra algumas interpretações costumeiras.95% Ácido pícrico – 4% Álcool etílico . Restos de vazio. Pontos ou bastonetes pretos dispostos a) No ferro pudlado são as irregularmente na secção transversal de peças escórias maiores. Linhas com ramificações e pequenas áreas escuras próximas ao centro de peças laminadas vistas em seção transversal. Aspectos Pontinhos pretos mais ou menos agrupados numa secção.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados Soluções mais usadas na macrografia de metais ferrosos Reativo Reativo de iodo Composição Iodo sublimado – 10g Iodeto de potássio – 20g Água – 100 ml Cloreto cuproamoniacal – 10g Água – 120 ml Ácido clorídrico – 50 ml Água .5% Álcool etílico – 99 . laminadas ou forjadas.50 ml Ácido sulfúrico – 20 ml Água . Cláudio R. (quando sua forma tem certa simetria podem provir da ruptura durante o forjamento ou laminação).

escórias No ferro de pacote. origem técnica. Pequeninas áreas cinzentas arredondadas distribuídas uniformemente pela secção. geralmente menos numerosas junto a periferia. c) Aço liga (inoxidável). Material temperado e revenido ou Aparecimento de regiões de temperado grandemente. Ferro fundido mesclado. (excluída a segregação. Dr. c) caldeamento No aço. material duro. grande em atacar Escurecimento rápido da superfície com o depósito preto pulverilento. Cláudio R. defeitos de Com reativo de iodo a) Aço de teor de carbono muito baixo e bastante puro (pouco enxofre e a fósforo). Dificuldade superfície. as alterações de b) Solda: emendas restaurações. material mole. b) Aço rico em carbono e temperado em água. a) b) grandes. cementação e descarbonetação).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tonalidades diferentes com a separação nítida a) Materiais vários caldeados. Pontinhos escuros distribuídos com certa regularidade por toda a secção exceto junto à periferia. 226 . Linhas escuras orientadas longitudinalmente Ferro fundido maleabilizado. restos de vazio. No ferro pudlado. Losekann Direitos autorais reservados defeitos de caldeamento ou partículas de escória dos pedações de ferro pudlado que contiver.

As misturas de óxido de cromo VI com materiais orgânicos são explosivas. • Ácido perclórico. devendo-se por isso trabalhar em ambiente muito arejado. Também vapores dessas substâncias sempre venenosos. Losekann Direitos autorais reservados Recomendações práticas para o manuseio de produtos químicos O manuseio de produtos químicos sempre requer cuidados especiais. • Nunca despejar um produto químico. basicamente para a preparação dos reagentes usados no ataque metalográfico. • Óxido de cromo. • Ácido fluorídrico. Em conseqüência devem ser evitadas concentrações elevadas e o aquecimento. bases. As misturas desta substância com álcool podem provocar a formação de dimetilsulfato. mesmo com a máscara. nitratos. • No manuseio de substâncias cáusticas (ácidos. limpar perfeitamente a amostra pelo menos 15 minutos antes de levá-la para observação microscópica. Algumas medidas de segurança de maior importância: • Todos os recipientes devem ser rotulados correta e visivelmente. é imprescindível o uso de máscaras adequadas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. sais fundidos e soluções salinas). • As soluções de substâncias ativas devem ser preparadas da seguinte maneira: sempre colocar em primeiro lugar a água e em seguida. pode causar conseqüências letais. devem ser observadas as medidas de segurança que se aplicam a qualquer laboratório químico. cuidadosamente. Misturar com cuidado e não armazenar. Em concentração acima de 60% é facilmente combustível e explosivo. Por este motivo. como distúrbios nos olhos ou na pele. e também alguns metais. acetona. inodoro e insípido porem extremamente tóxico. devemse usar luvas especiais. Os efeitos podem ser internos. a pele e roupa devem ser protegidos por óculos. Não é somente um veneno para a pele e o aparelho respiratório. A amostra atacada por este reativo pode danificar as lentes focais da objetiva do microscópio. são perigosos para o organismo humano. Isto ocorre nas presença de materiais orgânicos ou metais facilmente oxidáveis como por exemplo o Bi. mas também um corrosivo energético para o vidro. luvas e uniformes adequados. Cláudio R. à prova de fogo e não exposto à luz. quando concentrado. os olhos. etc) não podem ser aquecidas nem ser manipuladas na proximidade do fogo aberto. 227 . • Todas as substâncias críticas devem ser guardadas em ambientes refrigerados. causado por inalação ou ingestão. diretamente no esgoto. • Substâncias combustíveis e explosivas (benzol. Em caso de emanação de gases venenosos. Após o ataque com reativos à base de ácido fluorídico. o produto químico. Quando absorvido pela pele ou inalado. Praticamente todos os produtos químicos. peróxidos. • Ácido fosfórico. éter. mesmo quando impuros. ou externos. • No trabalho com materiais tóxicos como berílio suas respectivas ligas.

a maioria dos sólidos aumentam de dimensões com o aumento da temperatura durante o aquecimento e contraem com a diminuição de temperatura. que a capacidade de conduzir eletricidade.PROPRIEDADES TÉRMICAS As propriedades térmicas determinam o comportamento dos materiais quando são submetidos a variações de temperatura. e a resistividade elétrica. Por volta de 1. As velocidades de corte elevadas da ferramenta de corte geram aumento da temperatura. associadas com a condutibilidade elétrica. O processo inverso é a temperatura de liquidificação ou condensação. lf é o comprimento final. onde αS é a dilatação térmica superficial.820. onde αV é a dilatação térmica volumétrica. e por isso. • Dilatação térmica: é a propriedade que os materiais tem de aumentarem ou diminuírem de dimensões com a temperatura. Para materiais em que a dilatação térmica é isotrópica. entretanto. e α V ≅ 3 ⋅ α L . que é a capacidade de oferecer resistência à condução de eletricidade. pode-se demonstrar que: α S ≅ 2 ⋅ α L .9 . titânia. tais como a alumina. Muitos materiais cristalinos. Isto acontece tanto no processo de obtenção do material quanto na utilização. Dr. • Condutividade térmica: é a propriedade que os materiais tem de conduzirem calor. cujo coeficiente de dilatação térmica é 27 vezes mais baixo no plano basal do que na direção perpendicular a ele. geralmente. O grafite apresenta um caso de anisotropia extremo. Losekann Direitos autorais reservados 14.8 . O coeficiente de dilatação térmica linear (αL) é definido pela seguinte expressão: αL = li Tf − Ti ( l f − li ) Onde li é o comprimento inicial. calcita e grafite. apresentam anisotropia quanto a dilatação térmica. os físicos já podiam produzir e detectar correntes elétrica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Tf é a temperatura final e Ti é a temperatura inicial. • Ponto de ebulição ou de vaporização: é a temperatura na qual um material muda de estado líquido para o estado gasoso. • Ponto de fusão: é a temperatura na qual um material muda de estado sólido para o estado líquido. são maus condutores de eletricidade. A cerâmica. há cerâmicas supercondutoras. Eles podiam também medir as diferenças de potenciais que causavam e 228 . Na ausência de transformações de fase. quartzo.PROPRIEDADES ELÉTRICAS As propriedades elétricas estão. em geral. Esta propriedade é análoga ao da difusividade nos sólidos 14. Cláudio R. Ex. elas precisam ser resistentes a temperaturas elevadas. O processo inverso é a temperatura de solidificação.

6 x 10-6 1. Dr. Losekann Direitos autorais reservados quantificar a resistência elétrica dos materiais condutores. dentre as propriedades dos materiais. a resistência elétrica (R) e a corrente elétrica (i). a que apresenta valores mais característicos e distantes. A unidade de resistividade elétrica é Ωm. da geometria e do polimorfismo (monocristal.6 x 10-6 6.827. σ= 1 ρ A unidade de condutividade elétrica é (Ωm)-1. A tabela abaixo mostra a resistividade elétrica de alguns materiais. O valor de R depende do material.8 x 10-6 2 x 10-6 3 x 10-6 3 x 10-6 5. a condutividade elétrica de um condutor como a prata ou ouro. a corrente é medida em ampères (A) ou em C/s e a resistência elétrica é medida em ohms (Ω) ou em V/A. V = R⋅i A diferença de potencial é medida em volts (V) ou em J/C.5 SiC 10 Germânio 40 Isolantes Borracha vulcanizada (Buna-S) Butadieno + 1014 estireno Nylon 1014 PTFE (teflon) 1016 PS (polistireno) 1018 229 . amorfo) e é para muitos materiais independente da corrente elétrica. A condutividade elétrica é. é mais de 20 ordens de grandeza maior que a condutividade de um isolante.787-1. policristal. l é a distância entre dois pontos em que a diferença de potencial é medida e R a resistência elétrica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em 1. o físico alemão Georg Simon Ohm (1. A resistividade elétrica (ρ) é uma propriedade do material e está relacionada com a resistência elétrica da seguinte maneira: ρ = R⋅ A l Onde A é a área da secção reta perpendicular à direção da corrente elétrica. Material Ouro Prata Cobre ReO3 CrO2 Alumínio Tungstênio Níquel Ferro Resistividade elétrica (Ωcm) a 20 oC Condutores 1.7 x10-6 1. como o polietileno.854) formulou a lei que relaciona a diferença de potencial (V).8 x 10-6 13 x 10-6 Semicondutores Silício 2 x 10-5 Fe3O4 10-2 B4C 0. Cláudio R. A condutividade elétrica (σ) indica a facilidade com que um material conduz corrente elétrica e é o inverso da resistividade. por exemplo.

visto que a amplitude das vibrações térmicas é influenciada pela temperatura e. ou pelo menos os de energia máxima. para um dado elemento. enquanto que no cobre é de 64.ρD . por outro lado. A condutividade elétrica será tanto maior quanto maior for a mobilidade dos elétrons. produzindo uma corrente de certa intensidade. da carga (q) de cada condutor e sua mobilidade (m). quando se aplica um campo elétrico em um metal. visto que. diminuindo o livre percurso médio. a sua condutividade é muito fraca. Ou seja. maior o seu livre percurso médio o qual aumenta rapidamente quando a temperatura diminui (maior que 106 vezes a distância interatômica a baixas temperaturas). ânions. o metal oferece uma certa resistência a passagem da corrente elétrica denominado de resistividade elétrica ( ρ). Assim. ou seja.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Al2O3 SiO2 Si3N4 MgO > 10 > 1014 > 1014 > 1014 14 Prof. Na sílica.ρT . Para o cobre e a prata pura o livre percurso médio dos elétrons à temperatura ambiente é de cerca de 100 distâncias interatômicas. maclas e contornos de grãos) que provocam a difusão da corrente elétrica. prata e cobre e depende.ρD . átomos substitucionais. 230 . ouro. por exemplo. por isso. Dr. pela nuvem de elétrons livres. Cláudio R. discordâncias. dirigem-se ao polo positivo. Tanto o número de condutores (n) como a sua mobilidade (m) dependem da temperatura.5. quase exclusivamente. Losekann Direitos autorais reservados A condutividade elétrica de um material depende do número de condutores ou de portadores de cargas como cátions. os elétrons de valência que fazem a ligação entre os átomos de silício e os de oxigênio não têm mobilidade dos elétrons de uma ligação metálica e. em geral. potássio. a resistividade de um metal é dada pela equação abaixo: ρ = ρT + ρD Esta lei não é aplicável aos materiais semicondutores em que a resistividade devido a defeitos . dos defeitos existentes na estrutura que são independentes da temperatura. em torno de 10-24 (Ωcm)-1. átomos intersticiais. A condução iônica tem um papel importante nos líquidos. das vibrações térmicas dos íons e dos defeitos nos cristais ou grãos (lacunas. a condutividade elétrica é explicada. Desta forma. esses elétrons. mas sim no modo em que foi produzido o metal .104 (Ωcm)-1 a 0 oC. esta propriedade variável com os elementos é. a resistividade elétrica depende da temperatura . mais elevada nos metais com menor número de elétrons de valência como o sódio. A condução iônica é de importância secundária nos sólidos em temperaturas moderadas. elétrons ou vazios “eletron holes” por unidade de volume (n). Segundo Matthiessen. da temperatura. Como conseqüência disto.diminui quando a temperatura se eleva. mas é freqüentemente utilizada para o estudo de defeitos pontuais e para determinação de pequenas quantidades de impurezas nos semicondutores que são matérias primas para fabricação de dispositivos opto-eletrônicos. entretanto tem importância a temperaturas elevadas. σ = n⋅ q⋅ m Nos metais.

Entretanto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O momento magnético do corpo é a soma dos momentos magnéticos das unidades elementares que o constituem. Outro conceito importante é o conceito de dipolo magnético. 231 . que na teoria é possível extingüí-los. atualmente. o nióbio e suas ligas. Losekann Direitos autorais reservados ρ αT ρ αT 5 ρT ρD 0 100 Tf O aumento da resistividade com a temperatura é considerado uma das propriedades mais características dos metais.15 oC). o mercúrio. a resistividade é proporcional a temperatura absoluta T. mas. restando unicamente a resistividade devido a defeitos nos metais. Dr. várias ligas sendo estudados a supercondutividade como: UPd2Al3. Os dipolos magnéticos são análogos aos dipolos elétricos e podem ser imaginados como pequenas barras compostas de polo norte e polo sul. tornando-se ótimos condutores.15 oC) a resistividade anula-se bruscamente. Nb3Sn que se dá em temperaturas baixas deve-se a diminuição de defeitos. a temperaturas inferiores a 20K (-253. Há. NbTi. Resistividade ( Ω mm ) Temperatura (K) Figura 14. O fenômeno da supercondutividade que se observa em certos metais como o chumbo. o estanho. Cláudio R. Assim. YBa2Cu3O7. mas para baixas temperaturas a variação torna-se proporcional a T5 e tende-se anular para 0K. É conveniente raciocinar em termos de campo magnético e linhas de força (imaginárias) podem ser tracejadas indicando a distribuição do campo magnético. 14.39 . é sabido que estes metais e ligas são más condutoras de eletricidade a temperatura ambiente. conforme mostra a figura abaixo. A figura abaixo mostra um esquema dos momentos magnéticos de um corpo sólido. Para temperaturas superiores a 100K (-173.Curva de resistividade elétrica em função da temperatura.PROPRIEDADES MAGNÉTICAS Forças magnéticas aparecem quando partículas eletricamente carregadas se movimentam. NdBa2Cu3O7. para um metal puro e uma distribuição atômica perfeita ( ρD = 0) a resistência tende a zero com a diminuição da temperatura. como por exemplo.10 . etc.

Cláudio R.I.B .40 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. se esses materiais são colocadas em um campo magnético. torna-se conveniente pensar em termos de momento magnético por unidade de volume. como em um cristal. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14. Pode-se usar a mesma unidade para M e H. é o Tesla.Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária.no S. Dr. O campo magnético H é medido em termos do fluxo magnético no vácuo Bo (Wb/m2): Bo = µ o ⋅ H Onde µo é a permeabilidade magnética no vácuo (4π10-7H/m). entretanto. Wb significa weber. Na maioria dos materiais. Um deles é a susceptibilidade magnética acima descrito. cujo símbolo é “M”. M é zero na ausência de campo magnético. quantidade mensurável. Vários parâmetros podem ser utilizados para descrever as propriedades magnéticas de um material. designado pelo símbolo “µ”. A propriedade mais característica de qualquer material magnético é o seu momento magnético. H significa henry e a unidade de fluxo magnético . o outro parâmetro importante é permeabilidade magnética relativa: µr = µ µo As permeabilidades µ e µr medem a facilidade com que um campo magnético B pode ser introduzido em um material sob ação de um campo 232 . então vale a expressão: M = χ⋅H Onde χ é a susceptibilidade magnética por unidade de volume e H é a intensidade do campo magnético. Quando consideramos os efeitos magnéticos provenientes de átomos e elétrons reunidos.

antiferromagnéticos e ferrimagnéticos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0 x 103 1. • Diamagnéticos: é uma forma muito fraca de magnetismo.1% de impurezas) Aço ao silício (4. Losekann Direitos autorais reservados magnético externo H. quanto ao seu comportamento magnético.5 x 103 0. eles também diferem substancialmente quando expostos a um campo magnético. Dr. Na ausência de campo magnético. Zn) Fe2O4) 0.41 .5 x 103 1. A magnitude do momento magnético induzido pelo campo externo é extremamente pequena e sua direção é oposta à direção do campo aplicado. Cláudio R.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético. é negativa e está na ordem de -10-6 a -10-5. a qual não varia com a temperatura. Os efeitos magnéticos nos materiais originam-se nas pequenas correntes elétricas associadas ou a elétrons em órbitas atômicas ou a spins de elétrons. Os materiais. A tabela abaixo mostra valores de permeabilidade magnética relativa (µr) para alguns materiais. a) Na ausência de um campo magnético. Zn) Fe2O4) Ferrita cerâmica (Mn. podem ser classificados em: diamagnéticos. 233 .5 x 103 2. a) b) Figura 14. os átomos de um material diamagnético têm momento nulo.25% Si) com grãos orientados Ferrita cerâmica (Mn. que só persiste enquanto houver um campo magnético externo aplicado. Material Permeabilidade magnética relativa Ferro (0.25% Si) Aço ao silício (3. b) Na presença de um campo magnético. paramagnéticos. ferromagnéticos.3 x 103 A permeabilidade magnética e a susceptibilidade magnética podem ser correlacionadas através da expressão: χ = µr −1 Do mesmo modo que os materiais diferem na sua resposta a um campo elétrico. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material diamagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. A susceptibilidade magnética χ.

e Cu2MnAl. Os dipolos podem ser alinhados na direção do campo magnético aplicado.56 x 10-6 Material Silício Prata NaCl Zinco Cádmio Antimônio Susceptibilidade magnética -0. Eles apresentam temperatura crítica.2 x 10-6 Material Tungstênio Magnésio Tório Platina Molibdênio Titânio Susceptibilidade magnética 0. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material paramagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. cuja orientação ao acaso.53 x 10-6 0. Quanto melhor for a orientação dos momentos magnéticos. mas neste caso os átomos de um material paramagnético têm momento magnético. melhor será os efeitos magnéticos.31 x 10-6 -1.17 x 10-6 -0. b) Na presença de um campo magnético.42 .18 x 10-6 -0. níquel e gadolíneo.54 x 10-6 0. também apresentam ferromagnetismo. a) Na ausência de um campo magnético. denominada 234 .81 x 10-5 -0.13 x 10-6 -0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. A susceptibilidade magnética χ.66 x 10-6 1.3 x 10-6 2.1 x 10-6 • Paramagnéticos: é também uma forma muito fraca de magnetismo. Quando o campo magnético H é removido desses materiais.32 x 10-6 0. é pequena e positiva e está na ordem de +10-5 a +10-3. cobalto. Losekann Direitos autorais reservados Material Al2O3 Cobre Ouro Mercúrio Chumbo Índio Susceptibilidade magnética -1.0 x 10-6 • Ferromagnéticos: quando a susceptibilidade magnética χ for positiva e elevada.41 x 10-5 -0. o material é classificado como ferromagnético. Algumas ligas e compostos de manganês.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético.8 x 10-6 3.11 x 10-6 -0. Material Césio Potássio Alumínio Sódio Zircônio Nióbio Susceptibilidade magnética 0. M não cai a zero. tais como MnBi. a qual diminui com o aumento da temperatura.70 x 10-6 1.096 x 10-6 -0. Cláudio R. a) b) Figura 14.14 x 10-6 -0. É o caso do ferro α. resulta em magnetização nula.04 x 10-6 1.18 x 10-6 -1.61 x 10-6 0. os materiais ferromagnéticos se magnetizam espontaneamente e podem reter um momento magnético permanente. Além disto.22 x 10-6 0.

Os íons Mn2+ apresentam momento magnético permanente. A figura abaixo mostra um esquema da configuração de dipolos de um material ferroamagnético e a tabela que segue mostra a temperatura de Curie para alguns materiais ferromagnéticos Figura 14. Material Ferro α Níquel Cobalto Temperatura de Curie 770 oC 358 oC 1130 oC Material Gadolíneo SmCo5 Nd2Fe14B Temperatura de Curie 20 oC 720 oC 312 oC A susceptibilidade magnética dos materiais ferromagnéticos diminui com o aumento da temperatura segundo a lei de Curie-Weiss: χ= C T−θ Onde C é uma constante. acima da qual perdem o ferromagnetismo e tornam-se paramagnéticos.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético.é zero. • Antiferromagnéticos: alguns materiais apresentam o comportamento antiferromagnético.43 . O momento magnético associado aos íons O2. Cr2O3. MnS.Esquema de momentos magnéticos do MnO. T a temperatura em graus Kelvin e θc é aproximadamente θc.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos do MnO.44 . Dr. O material como um todo não apresenta momento magnético. MnSe e CuCl2. O MnO é um material cerâmico com ligação iônica e a sua estrutura cristalina é CFC. CoO. Vários compostos de metais de transição apresentam comportamento antiferromagnético: MnO. Cláudio R. 235 . Losekann Direitos autorais reservados temperatura de Curie (θc). NiO. Figura 14. mas estão arranjados na estrutura de modo que os íons adjacentes têm momentos opostos ou antiparalelos.

A susceptibilidade dos materiais antiferromagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais paramagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. O Fe3O4. O íon M2+ pode ser. o Mn. o Cu. Estes materiais também apresentam temperatura crítica de Curie (θc).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. além do ferro. pode ser escrita como Fe2+O2(Fe3+)2(O2-)3 . o Ni. Losekann Direitos autorais reservados Estes materiais apresentam temperatura crítica. Dr.Esquema dos momentos magnéticos da ferrita. χ= C T±θ de θn. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente • ferrimagnéticos: alguns outros materiais cerâmicos também apresentam forte magnetização permanente. e o Mg. Cláudio R. χ= C T±θ de θc. Onde C é uma constante. A resultante dos momentos magnéticos dos dois tipos de íons de ferro não se anula e o material apresenta magnetismo permanente.é magneticamente neutro. As características macroscópicas do ferromagnetismo e do ferrimagnetismos são parecidas. As ferritas podem ser representadas por Mfe2O4. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente 236 . onde M deve ser um elemento metálico. Figura 14. A susceptibilidade dos materiais ferrimagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais ferromagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. denominada de temperatura de Néel (θn). de estrutura CCC). que foi a primeira ferrita conhecida. O ânion O2. Onde C é uma constante. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos de ferrita.45 . Na estrutura cúbica da magnetita o cátion ocupa interstícios Fe2+ octaédricos e o cátion Fe3+ ocupa interstícios tetraédricos. denominada de ferrimagnetismo. Estes materiais são denominados de ferritas (não confundir com a fase ferro α do ferro.

Dr. tendo baixa coercividade (Hc). Fe-P-Si).a. baixa remanescência (Br). Um material magnético duro tem sua magnetização durante a fabricação e deve retê-la depois que o campo magnético externo. Os materiais magnéticos duros apresentam um ciclo de histerese elevado. Atinge-se o valor de saturação quando os domínios são alinhados pela aplicação de um campo magnético externo. e Fe-Co-V (supermalloy). Para estas aplicações são necessários materiais magnéticos moles como Fe. O conceito de domínio magnético foi introduzido por Weiss (1.a. combinado com elevada permeabilidade magnética (µ) e saturação magnética. Fe-Ni. O desenvolvimento de materiais magnéticos mais eficientes tem sido contínuo. Este comportamento é útil em aplicações que envolvem mudanças contínuas na direção de magnetização. exibindo elevada coercividade e elevada remanescência e o produto H x B deve ser máximo. sendo estes últimos produzidos a partir de 1970 pela metalurgia do pó. os materiais magnéticos podem ser divididos em dois grupos. geradores de c. 237 . e transformadores de c. Cláudio R. denominados de materiais moles. Em termos de aplicações. materiais magnéticos moles significa ser facilmente magnetizado e desmagnetizado. Fe-P. Em outras palavras. usado para magnetizá-la. pela sua estrutura cristalina e por seus domínios magnéticos..10. Geradores de c. fones de ouvido e alto-falantes necessitam de materiais magnéticos duros como SmCo5. Fe-Si (aço ao silício).907) para explicar o comportamento dos materiais ferromagnéticos.a.46 .Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. dentro das quais a magnetização é igual ao valor da saturação. Sm2Co17 e NdFeB. Figura 14. Um material magnético mole opera na presença de um campo magnético. alternadores. Fe-Co. de modo que a magnetização de um material ferromagnético pode ser pequena ou até mesmo nula. for removido. A figura abaixo mostra as curvas de magnetização e ciclos de histerese típicos de materiais magnéticos moles e duros.1 .c. Losekann Direitos autorais reservados 14. motores elétricos de c. A magnetização de diferentes domínios varia com a direção. por exemplo. Ele postulou que um material ferromagnético é dividido em domínios. materiais duros ou permanentes deve ser resistente a desmagnetização.MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS As propriedades magnéticas de um material são determinadas pela sua estrutura eletrônica.

onde Io é a intensidade do feixe incidente. Para um feixe incidente normal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ao se iluminar uma amostra. a intensidade do feixe incidente Io para a superfície do meio sólido deve ser igual a soma das intensidades transmitidas. O coeficiente de absorção α não pode ser obtido diretamente de um único experimento de transmitância. It é a Io intensidade do feixe transmitido e Ir é a intensidade do feixe refletido. Dr.1 .PROPRIEDADES ÓTICAS Quando um feixe de luz encontra uma interface entre dois meios. Pela conservação de energia. pode-se notar que parte desta intensidade é refletida nas interfaces. A absorção I pode ser expressa por A = a onde. absorvidas e refletidas. dada pela equação abaixo: Io = It + Ia + Ir (W/m2) Equação 24 14. parte é absorvida pela amostra e outra parte emerge do outro lado (transmitido).Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios. com intensidade Io.11 . respectivamente. Losekann Direitos autorais reservados 14. e Ir. Cláudio R. Figura 14.REFLETIVIDADE. a intensidade de I um feixe refletido pela frente da superfície é dado pela refletividade R = r e a Io It transmitância é dado por T = . Ia. A perda linear por absorção de um meio pode ser expressa pela lei de Beer-Lambert [: I = I o ⋅ e − α l Onde Io. Assim. Além disto. é a intensidade do feixe incidente. TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. Io 238 . conforme mostra a figura abaixo. ele sofre reflexão e refração. a reflexão na frente e na saída da superfície devem ser levadas em conta. parte da radiação da luz pode ser absorvida pelo meio em que se propaga. It. Ia é a intensidade do feixe absorvido. por exemplo. Em outras palavras.47 .11. l a espessura da amostra e α o coeficiente de absorção por unidade de comprimento. do ar para dentro de uma substância sólida.

a transmitância será nula (It = 0). e l é a espessura do material na qual atravessa o feixe. Cláudio R. ou zero (Ir ≅ 0).48 .Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro. Se intensidade do feixe refletido for aproximadamente igual a zero. é mais conveniente evitar medições de refletância.Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro. Figura 14. Transmitância de uma amostra A figura abaixo mostra o esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente em uma amostra de vidro. IoA I t A = I o A ⋅ e −αl TA = ItA I oA = e −αl Figura 14. pode-se expressar a intensidade do feixe transmitido pela equação: I t = I o ⋅ e −αl Onde α é o coeficiente de absorção (mm-1) que varia com o comprimento de onda da radiação incidente. 239 . se a intensidade do feixe refletido for igual a intensidade do feixe incidente (Ir = Io ). Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A figura ao lado mostra um típico espectrômetro com compartimento aberto onde se posicionam amostras para a incidência de feixes de luz para a obtenção de dados de absorção e transmitância.49 . Às vezes. quando as espessuras do meio são muito finas ou transparentes (em vidros). Losekann Direitos autorais reservados A intensidade do feixe transmitido pode ser expressa pela equação: It = Io − Ir − Ia 2 I t = I o ⋅ ( 1 − R ) ⋅ e − αl Logo.

excitado pelo impacto de uma radiação. Transmitância (%) 1 00 200 300 400 500 600 700 800 900 Comprimento de onda (nm) Figura 14.Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado. mas são transparentes para ondas eletromagnéticas de pequeno comprimento de onda como raio-X e raio-γ.50 . para o intervalo de 96 comprimento de onda de 94 280 nm a 850 nm.Curvas de transmitância da amostra BLC1. Estas propriedades dos metais atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem reemitir. 1 00 STW4 80 60 40 20 0 200 300 400 500 600 700 800 900 1 000 Comprimento de onda (nm) A figura que segue mostra a curva de transmitância em função do comprimento de onda de uma amostra de vidro dopado com cristais de PbS de tamanho nanométrico. Dr. Losekann Direitos autorais reservados A figura que segue mostra o resultado de transmitância em função do comprimento de onda de uma lâmina de vidro denominado BLC1. quando o elétron. Pode-se observar que a transmitância reduz com a diminuição do comprimento de onda que é devido a absorção dos cristais de PbS. dando lugar ao brilho metálico. é quase inteiramente refletido. Cláudio R. Podese observar que a 1 04 transmitância para a 1 02 amostra BLC1 é de 1 00 aproximadamente 100%. Espectro com irradiação do ultravioleta. Deste modo. Os materiais metálicos são inteiramente opacos no espectro da luz visível. Figura 14. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. toda radiação de luz é absorvida ou refletida ou ambas. O ruído que aparece entre 180 nm e 280 nm é devido a absorção do ultravioleta BLC1 1 08 pela lâmina de vidro que 1 06 suporta a amostra.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 98 com algumas flutuações. denominado de STW4.51 . Transmitância (%) 240 . isto é. cai em um nível mais baixo de energia.

utilizou os conceitos da teoria quântica. conhecidos como quanta de luz ou fótons. é caracterizado por uma constante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. onde o índice de refração independe da direção de propagação e da polarização da luz.76 1.51 1.60 1. e propôs que um feixe de luz consiste de pequenos pacotes de energia.49 1. O quadro abaixo mostra os índices de refração de vários materiais.47 1.36 Do exposto acima. o índice de refração (n ≥ 1). como o vidro.49 1. a abordagem clássica é mais conveniente e em outras situações é preferível a abordagem quântica. co n c = Cristais com estrutura cúbica são isotrópicos. Losekann Direitos autorais reservados Materiais isolantes podem ser transparentes e alguns materiais semicondutores são transparentes e outros são opacos. Material Sílica Soda-lime Pyrex Dense optical flint glass Corundum (Al2O3) Periclase (MgO) Quartzo (SiO2) Spinel (MgAl2O4) Politetrafluoretileno Polietileno Polistireno Polimetilmetacrilato Polipropileno Heptano Etanol Índice médio de refração 1.35 1. Cláudio R. Para analisar determinados fenômenos. proposta por Planck em 1900. A energia de um fóton pode assumir determinados valores definidos pela relação: h ⋅ co E = h⋅ ν = λ 241 .46 1.51 1. Cristais com outras estrutura são anisotrópicos e seus índices de refração são função da orientação e da polarização.72 1.65 1. pode-se concluir que a radiação eletromagnética pode ser tratada de dois modos: clássico (ondulatório) e quântico (fótons).38 1. em 1905. Um material homogêneo e transparente. Assim. Dr.55 1. que indica que a velocidade de propagação da luz naquele meio (c) é menor que a velocidade de propagação da luz no vácuo (co = 3 x 10 8 m/s).74 1. Einstein.

o fenômeno é chamado de fluorescência. Processos não radioativos fazem com que o elétron vá para o nível mais baixo da banda de condução se 1. ν é a freqüência da onda. Alguns materiais são capazes de absorver energia e reemitir luz visível em um fenômeno chamado luminescência.1 eV. Estes éxcitons. Esta energia pode ser fornecida por meio de fótons com energia maior do que a energia de banda proibida do material. Quando se olha para um semicondutor. energia mecânica ou energia química. de onde podem retornar à banda de valência com emissão de um fóton. fig.10 -34 J.s). laranja para ZnSe.a) Esquema de um experimento de transmissão. Dr. para determinar as propriedades óticas e indiretamente a energia de banda proibida. amarelo claro para CdS.8 eV < hv < 3. nota-se que eles usualmente apresentam uma coloração. obtém-se o espectro de absorção mostrado na fig. Um exemplo simplificado de um experimento de absorção. Um detector mede a intensidade transmitida It . a). A absorção. um elétron pode ir para um estado excitado. e para tempos maiores.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. vermelho para Cu2O ou preto metálico para GaAs de acordo com o valor de energia da banda proibida. intimamente relacionadas.. A linha característica do espectro de absorção na figura acima (b) é uma manifestação direta da interação coulombiana originadas da atração entre elétron e buraco. b). podem ser descritos similarmente como os átomos de hidrogênio. é representado esquematicamente na abaixo.63. Cláudio R. o éxciton. Luz monocromática de intensidade Io é incidida sobre a amostra. Variando o comprimento de onda de Io. Figura 14. A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor. ou outras fontes como calor. A energia absorvida pode ser suprida como energia mais elevada de radiação eletromagnética tal como luz ultravioleta. A luminescência é classificada de acordo com a grandeza do tempo entre o evento de absorção e reemissão. Os semicondutores lasers são um bom exemplo para mostrar como as propriedades óticas e elétricas são. b) é típica de um semicondutor do tipo GaAs. o qual conduz à formação de um estado de fronteira do par elétronburaco. O coeficiente de absorção e o índice de refração têm um comportamento não linear com a intensidade da luz excitante. 242 . de fato. Se a reemissão ocorre para tempos menores que um segundo. fig. Ao absorver energia. co é a velocidade da luz e λ é o comprimento de onda.52 . onde o próton é substituído por uma partícula com carga +e e com massa efetiva do buraco. b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs. Losekann Direitos autorais reservados Onde h é a constante de Planck (h = 6. fosforescente.

Nas últimas décadas tem sido feito progressos significantes na produção de pulsos óticos da ordem de femtosegundo (1 fs = 10-15 s) através de laser (light amplification by stimulated emission of radiation).53 . é interessante investigar a resposta de semicondutores sob excitações de pulsos curtos. ondas de rádio e raio-X são formas de radiações eletromagnéticas. Figura 14. com comprimento de onda que vão de 0. 243 .4 µm a 0. calor. Cláudio R. A luz ocupa uma região muito estreita do espectro de radiações eletromagnéticas. A figura abaixo representa o espectro de radiações eletromagnéticas. Dr.7 µm. outro representa o campo magnético (P) e o terceiro eixo representa a direção de propagação. Losekann Direitos autorais reservados Do ponto de vista clássico. Todos os corpos emitem radiações eletromagnéticas devido ao movimento de seus átomos e moléculas. Luz.Espectros de radiação eletromagnética. ondas de radar. O branco é uma mistura de todas as cores. a radiação eletromagnética pode ser considerada como sendo ondas com dois componentes perpendiculares entre si e ambos perpendiculares à direção de propagação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em adição às propriedades óticas. uma onda eletromagnética pode ser representada em um sistema cartesiano com três eixos ortogonais entre si: um eixo representa o campo elétrico (E). Este tipo de radiação é denominada radiação térmica e é uma mistura de comprimentos de onda. Portanto.

por exemplo. O local onde a reação de redução ocorre é denominado de cátodo. O local onde ocorre a reação de oxidação é denominado de ânodo.PROPRIEDADES QUÍMICAS 14. A corrosão metálica é um processo eletroquímico. o alumínio é encontrado na bauxita que contém alumina (Al2O3). a propensão à corrosão pode ser avaliada por este potencial.000 +0.350 -0.“representa um elétron. como o zinco.190 -0. Solução ácida Potencial de eletrodo (em V para 1 mol/l) a 25 oC -1. pode ser representada pela soma de duas meias reações: Zn → Zn 2 + + 2e − 2H1+ + 2e − → H 2 (g) Zn + 2H1+ → Zn 2 + + H 2 (g) Os metais apresentam diferentes propensões a corrosão. Cláudio R.777 +0. denominado de potencial de eletrodo.420 -0. Losekann Direitos autorais reservados 14.236 -0. participam de reações de redução. Semi-reação. Dr.RESISTÊNCIA A CORROSÃO Muitos metais encontram-se na natureza de forma combinada e principalmente com o oxigênio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.12. por exemplo.126 0.1 . Os elétrons produzidos pela reação anódica.799 +1. As reações que ocorrem no ânodo e no cátodo são denominadas de meia reação ou semi-reação.12 . um metal M de valência n pode-se oxidar segundo a reação: M → M n + + ne − Onde “e. Os metais e suas ligas tendem a reagir com o meio durante a sua utilização. A corrosão de um metal.498 Mn 2 + + 2e − → Mn Cr 3+ + e − → Cr 2 + Eu 3+ + e − → Eu 2 + Ni 2 + + 2e − → Ni Pb 2 + + 2e − → Pb 2H1+ + 2e − → H 2 ( g ) Cu 2 + + 2e − → Cu Fe 3+ + e − → Fe 2 + Ag1+ + e − → Ag Au 3+ + 3e − → Au 244 .337 +0. Como o processo de ionização de um metal cria um potencial elétrico. geralmente. O quadro abaixo mostra potenciais de eletrodo de vários metais. O potencial de eletrodo depende da natureza e da concentração de solução em que o metal está imerso. Os potenciais de eletrodo são medidos em relação ao hidrogênio.

a qual dificulta o processo de oxidação. Losekann Direitos autorais reservados Um fenômeno muito importante no estudo da corrosão é a passivação. em água. como aminas aromáticas e derivados de fenóis. Os vidros são muitos resistentes aos ácidos. causada por uma película muito fina de óxido na superfície do metal ou liga. ácidos. A oxidação dos pneus pode ser suprimida pela adição de pequenas quantidades de carvão ou de substâncias antioxidantes.2 . denominada envelhecimento. plásticos do tipo polietileno absorvem água. A corrosão pode ser classificadas em vários tipos.54 .Esquema dos tipos de corrosão. Outra forma de degradação é causada pela difusão de oxigênio entre as cadeias das macromoléculas. Os casos mais conhecidos de passivação são provavelmente do alumínio e do aço inoxidável. polistireno são solúveis em benzeno. assim como em ácidos e bases fracos. conforme o meio e as condições em que ele está exposto. Figura 14. A figura abaixo mostra os esquemas dos tipos de corrosão. diminuindo inclusive sua resistência mecânica. 14. podendo. no entanto ser parcial com difusão de líquido ou soluto entre suas moléculas. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os termofixos são mais resistentes ao ataque de solventes orgânicos que os termoplásticos. é acelerada pela radiação ultravioleta ou pela luz solar intensa (muito comum no polietileno e borrachas).RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO Alguns materiais são bastante estáveis em meios líquidos como água. Os materiais cerâmicos são muito estáveis quimicamente. Dr. Nem sempre a degradação se da por completo. Os refratários utilizados em fornos também sofrem o ataque químico causado por gases oriundos da fusão de metal. bases ou atmosferas agressivas em relação aos metais. Esta reação. tolueno. de acordo com a maneira com que ela ocorre. Um mesmo tipo de material pode sofrer diferentes tipos de corrosão. Em geral. 245 . promovendo ligações cruzadas.12. Apesar disto eles são susceptíveis aos ácidos fluorídricos e por algumas bases. São praticamente inertes na maioria dos meios orgânicos e inorgânicos. por exemplo.

Losekann Direitos autorais reservados 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS Figura 15. ISO 14000 . produção e preço de um produto com o consumo de energia.ISO 9000 . reciclagem de resíduos] onde se preocupa com a demanda.1 . 15. redução de custos via melhoria contínua [consumo de água. Dois termos que geralmente vem sendo confundido.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Estas duas normas são: .GARANTIA E GESTÃO DA QUALIDADE – que estabelece requisitos para sistemas de qualidade que favorece interação com o mercado internacional. entretanto.GESTÃO AMBIENTAL – que estabelece ações de correção ou minimização de efeitos ambientais dos processos produtivos. Cláudio R. na qual tem preocupação com o meio ambiente e procura redigir vínculos de legislação ambiental para satisfação da comunidade e melhoria da imagem da empresa. o reaproveitamento não significa 246 . A reciclagem é um reaproveitamento de uma matéria prima ou produto industrializado ou final.INTRODUÇÃO Quando é abordado o assunto de reciclagem. é importante diferenciar duas normas mundiais que tratam do assunto de reciclagem de uma forma direta ou indiretamente. Dr. Outro aspecto que é importante ressaltar é o entendimento entre reciclagem e reaproveitamento.1 – Símbolo da reciclagem. energia.

Caso fosse feito a reciclagem.). na reciclagem.000 14. Dr.500 8. O quadro abaixo mostra a energia necessária para produção de alguns materiais. a reciclagem traz economia de energia. é reaproveitado.300 3.400 750 750 1. Losekann Direitos autorais reservados reciclagem.750 2.000. porque para fabricar a lata de alumínio novamente. ao ser usado na fabricação de uma colcha por meio de costura.500. como as latas de alumínio.500 1. 1997. a matéria prima ou produto final é novamente reprocessado.500. basta fundir a lata usada que envolve menos energia do que a transformação do minério (alumina) em alumínio. Energia necessária para a produção de alguns materiais (PADILHA. enquanto que o reaproveitamento não significa o reprocessamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o tecido deveria ser transformado novamente em fios para posteriormente fazer a fabricação da colcha. Em determinados casos.400 2. Um retalho de tecido de algodão. isto é. Exemplo.400 870 247 . (PADILHA. Cláudio R. Material Diamante industrial de alta qualidade Platina Ouro Tungstênio Titânio Latão (60%Cu .000 9. Isto significa que a reciclagem pode consumir muita energia.).40%Zn) Alumínio Aço inoxidável Aço doce Carboneto de silício (cerâmica avançada) Carboneto de silicio (abrasivos) Carboneto de silício (refratários) Vidro Borracha sintética Borracha natural Preço (US$/tonelada) 500. 1997. Material Aço bruto Ferro fundido Alumínio Bronze Cobre Chumbo Cimento Concreto reforçado Cerâmica tradicional (tijolos) Vidro plano Fibra de vidro Polipropileno Poliestireno Polietileno PVC Papel Energia (GJ/tonelada) 10-47 58-360 83-330 97 72-118 28-54 4-8 8-14 3-6 14-20 43-64 108-113 96-140 80-120 67-92 59 Preço de alguns materiais de engenharia.000 16.700 350 27.

são recicláveis. resinas epoxídicas. a reciclagem cria novos empregos em centros de reciclagem.tubos e conexões de encanamento. Reciclagem –"reprocessados" por aquecimento e a matéria prima pode então ser utilizada novamente na indústria petroquímica. pastas para material escolar. É mais rígido. PS – (poliestireno) . é a mais utilizada.(policloreto de vinila) .000 1.100 1. baldes. É o caso do polietileno (PE).300 Prof.000 1.. Cláudio R. alguns frascos de detergente. Alguns exemplos dos tipos mais utilizados: PEAD . brinquedos.650 530 350 330 70 10.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Polietileno PVC Fibra de vidro Fibra de carbono Resina epoxídica Madeira compensada dura Madeira dura estrutural Madeira mole estrutural Vigas de concreto reforçado Cimento Sillício monocristalino (Wafers) Silício metalúrgico 1. São finos e bastante flexíveis. o material é picado e utilizado novamente como material aditivo em determinados produtos. porém resistente. portanto. mas podem ser reaproveitados. PP .500 45. PVC . poliuretanos. É o caso do baquelite. os mesmos são identificados pelas siglas para diferenciar cada tipo. 248 . 2. Reaproveitamento mecânico .garrafas de refrigerante.000.queimado liberando muita energia térmica. sucos e óleo de cozinha. poliestireno (PS). Dr. Os termoestáveis. policloreto de vinila (PVC). etc. PEBD . revestimentos diversos. 3.(polietileno tereftalado) .copos plásticos. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais poliméricos têm tido muita preocupação quanto a reciclagem e reaproveitamento em virtude da grande utilização após 1.000 6. peças de automóveis.frascos de shampoo e maquiagem. São conformáveis plasticamente apenas em um estágio intermediário de sua fabricação.no Brasil.(poliproprileno) .(polietileno de alta densidade) . calçados. Desta forma. sacos de batata. os materiais plásticos e elastômeros pode ser reaproveitado de três maneiras: 1.plásticos "filme" de proteção de alimentos. utensílios domésticos. aparelhos telefônicos. Não são recicláveis.plástico "filme" . Essas embalagens são transparentes e fabricadas em diversas cores. Para facilitar a separação dos materiais plásticos para a reciclagem e reaproveitamento. Além de diminuir os impactos de poluição e diminuição de custos em muitos casos. polipropileno (PP).sacos plásticos de lixo.(polietileno de baixa densidade) . PET . Reaproveitamento energético .. poliésteres.000 1. OUTROS – Utilizados em eletrodomésticos. Os termoplásticos podem ser repetidamente conformados mecanicamente desde que reaquecidos.950 e devido ao custo e poluição que os mesmos envolvem. pisos.

O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 1. Que propriedades pode ser avaliadas no ensaio de flexão? 17.095mm 15. Explique o comportamento de materiais dúteis e frágeis utilizando diagrama σ x ε.8m. 3. O que é tenacidade? 5.16MPa 18.382.7 kgf/mm2 ou 43.EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1. Na realização de um ensaio de dureza.3 mm. Qual é a tensão limite de resistência à compressão de um material que tem 400 mm2 de área da seção transversal e se rompeu com uma carga de 760 KN? Resposta: σ = 1. O que é deformação plástica? 10. Para que se faz ensaio de flexão? 16. Mostre esquematicamente os estágios na formação taça-cone e explique resumidamente. O que é Módulo de Elasticidade Longitudinal? 8. utilizou-se o ensaio Brinell. O que é flambagem? 12. Um corpo de prova de 30 mm de diâmetro e 600 mm de comprimento foi submetido a um ensaio de flexão a três pontos.5 Kgf/mm2. Resposta: σF = 20. b) O módulo de elasticidade longitudinal. Dr. Cláudio R. Por que se deve garantir o paralelismo entre as placas da máquina de ensaio e limitar o comprimento dos corpos de prova nos ensaios de compressão? 4. Um aço de médio carbono que apresenta o Módulo de Elasticidade Longitudinal de 21.7x105 Mpa. 2. o seu comprimento é de 0. Determine: a) A tensão de flexão. A carga axial aplicada na barra é de 30 kN.900 MPa 14. A esfera utilizada foi de 2. Losekann Direitos autorais reservados 16 . Qual é a dureza da amostra? Resposta: HB = 43.5 Kgf.000 Kgf/mm2 e Tensão de escoamento de 31.38Mpa e E = 20. Por quê se faz ensaios de materiais? 6. O Que é limite de escoamento? 9. Resposta: ∆ = 0.15% 13. Cite 4 tipos de ensaios destrutivos! 7. Determine o seu alongamento. Como se mede a tenacidade em um diagrama σ x ε? 11.7HB 249 . apresentando uma flexa de 2 mm sob uma carga de 360 N.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. qual é a máxima deformação que o material pode apresentar obedecendo o regime elástico? Resposta: ε = 0. Uma barra de alumínio de possui uma secção transversal quadrada com 60 mm de lado.5 mm de diâmetro e a carga de 62. Eal = 0.

Espessura mínima é de 6. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com as seguintes especificações: a) Espessura: 4. Cite uma das definições de dureza (preferência do ponto de vista da metalurgia). Qual é a espessura mínima da chapa para a utilização de um penetrador com 2. Espessura mínima é de 4. Losekann Direitos autorais reservados 19.5 mm de diâmetro. Dr. 20. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 10 mm de diâmetro.0 mm.5 Kgf. 250 .51 mm.5 mm b) Dureza Brinell: 100 HB c) Essas chapas devem ser submetidas a ensaio de dureza brinell e a empresa dispõe de um penetrador de 2. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 0.5 mm de diâmetro. Quais as vantagens do ensaio de dureza Rockwell sobre o ensaio de dureza Brinell? 21.997 mm.000kgf. Espessura mínima é de 4.5kgf.5 mm de diâmetro? Resposta: F = 187. portanto. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 5 mm de diâmetro. utilizou-se o ensaio Brinell. cuja especificação de dureza foi de 85 HB. portanto. A esfera utilizada foi de 2. qual é a espessura mínima das chapas de aço para um penetrador de 5 mm. Resposta: F = 750kgf. é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 2. ou seja.5 mm de diâmetro e a carga de 187. portanto. 23.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Qual é a carga necessária para o ensaio se utilizar um penetrador de 10 mm de diâmetro? É possível fazer ensaio de dureza Brinell com diâmetro do penetrador de 10 mm? Dados: a) Espessura mínima deve ser igual a 17 vezes a profundidade da calota. Uma empresa comprou um lote de chapas de alumínio de 6 mm. 25. Cláudio R. Na realização de um ensaio de dureza. b) Dureza Brinell: 180 HB c) Verificar se estas chapas podem ser submetidas ao ensaio de dureza Brinell utilizando diâmetro do penetrador de 5 mm.37 mm. Interprete a seguinte representação de dureza Brinell: 120HB 5/250/15 24. Qual é a dureza da amostra? Resposta: 230HB 22. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com a seguinte especificação: a) Espessura da chapa: 4 mm. Resposta: F = 1.

1994.. Materials science and engeneering: an introduction. BLASS. A. 3a. C. A. Determinação das propriedades mecânicas à tração de materiais metálicos. FTD S. 3. Grãos abrasivos aplicados em lixas. NBR . V. M. Metalografia. 8. Losekann Direitos autorais reservados 17 . CALLISTER Jr. J. DIETER. M. NBR-7222. CHIAVERINI.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda. 1998. Metalurgia mecânica. Edgard Blücher Ltda. V. 1981. DE SEABRA. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 576p. R. 11. D. Dissertação de mestrado. tratamentos térmicos e termoquímicos das ligas ferrocarbono terminologia. 16. Rio de Janeiro: Ed. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 503p. São Paulo: ABM. 1988. 313p. Z. ed. 1981.Y: John Wiley & Sons. São Paulo: Ed. FAZANO. 1960. Florianópolis: Editora da UFSC. 4. MB-481. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.. 1993. Determinação da resistência à tração por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. Interciência Ltda. 1971. FREIRE. Química integral. Eng. Guanabara dois. COLPAERT.A. CHIAVERINI. Lisboa: Gráfica Laboratório Nacional de Engenharia Civil. 1958. Cláudio R. 17. Aços e ferros fundidos.. G. ed. 1994. 2. 6. 1. 2. 3. Porto Alegre. Metalografia dos produtos siderúrgicos comuns. R. Inc. H. Nitretação por plasma de ferro sinterizado. 251 . 1993.. 10. J. 1974. 2a edição. V. 13. Tecnologia mecânica: estrutura e propriedades das ligas metálicas. 7. Dr. 9. Mecânica/UFSC. NBR-6152. 1989. São Paulo: Ed. MB-212. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 1988. A. 12. Introdução às máquinas-ferramentas. F. 15. BRUNATO. Processamento de polímeros. UFRGS: PPGEMM. A prática metalográfica. da Fonseca. v.8653. 1983.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Dissertação (Mestrado em Engenharia). 2a. 5. T. 1993. 14. Caracterização da tenacidade de materiais cerâmicos de pequenas dimensões. E. S. v1. BATISTA. São Paulo: Editora Hemus Ltda. 1a edição. J: Ed. W. 1980. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Resistência à tração simples de argamassas e concreto por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. V. 2a. Metalurgia geral. v2. N. 6a ed. ed.

High toughness ceramics and ceramic composites. R. Dissertação de mestrado. Ferramentas de corte I.. Florianópolis: Ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Dois S. 1993. 1999. NY: McGrawHill Book Company. GULIAÉV.368p. W. da UFSC. 32. Mecânica/UFSC. 1978. São Carlos. R.1. Metalografia. Propriedades dos materiais cerâmicos. 177p. Progress in Materials Science. Glass engineering handbook.M.L. Cláudio R.. Tratamentos térmicos dos metais. S. Ed. G. 31. RENAU. 23. I. São Paulo. Moscou: Editora Mir. São Paulo. Dissertação (Mestrado em Engenharia). London. R. 20. F. Solidificação dos metais. 1984. 22. São Paulo. São Paulo: Livraria Ciência e Tecnologia Ltda. 3a ed. 2a ed. Pastas y vidriados: en la fabricación de pavimentos y revestimientos cerámicos. 1988. Ed. Eng. Oxford. Losekann Direitos autorais reservados 18. Preparação de nanopartículas semicondutoras PbS e estudo das propriedades óticas não-lineares. 1995. Van. 24. Evans. SANTOS. São Paulo: Hemus Editora Limitada. OHNO. G.. Ed. NOVIKOV. São Paulo: Ed. C. Lawrence H. Princípios de metalurgia-física. F. Dr. SOUZA. A. VLACK. 1994. 1994. Teoria dos tratamentos térmicos dos metais. 29. 25. R. GOMES. SHAND. Estrutura das ligas de ferro. E. Materiais de engenharia: microestrutura propriedades. 27. STEMMER. Ed.. The Institute of Materials. Porto Alegre. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica). R. A. A. UFRJ. v. OBERACKER. 1992.. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda. e 26. 139p. 36. MCLELLAN. 2001. Castellón: Faenza Editrice Ibérica S. Edgard Blücher Ltda. E. C. G. Crescimento de monocristais de cobre pela técnica Czochralski e projeto de câmara Czochralski para crescimento de compostos semicondutor III-V. C. 776p. Ciência e tecnologia de argilas. R. 1973. 35. Comportamento ao desgaste dos aços ABNT 4340 e ABNT 52100 nitretados por plasma. Mecânica: materiais.A. ROTHERY. LOSEKANN. TELECURSO 2000 profissionalizante. 252 . Rio de Janeiro. PADILHA. 1982. A.. 33. A. REED-HILl. Ensaios mecânicos de materiais metálicos. 1982. 34. Edgard Blücher Ltda. Florianópolis. Rubens Lima. Introduction to powder metallurgy. H. 28. Pérsio de Souza. 1997. 1960. 185p. Globo S.A. M. 30. 19. 1992. Edgard Blücher Ltda. E. RÜHLE. P. 21. 1993. PEREIRA. 5a edição. Escola de engenharia. 1968.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. LOSEKANN. UFSC: CPGEM. THÜMMLER. UFRGS: PPGEMM.

h tml 42.html 41.ndsm.futuro.usp. Losekann Direitos autorais reservados 37.com. http://www.br 253 .org.htm 39.rc.htm 40.centraldaceramica.deq. http://www.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. http://www.br/acervo/matdidat/tc2000/tecnico/ensaios/ensaios. Dr. www.eng.ufba.ufrgs.br/polimeros/ensaios.br/asp/abc_53c.br/museudpm/banco/silicatos/filossilicatos/muscovita. http://bibvirt.ht ml 38. Cláudio R. http://www.br/Central/web/informa/dicas/considerac oes_gerais.abceram.unesp.

Dr. Losekann Direitos autorais reservados ANEXOS 254 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.

-temperado e revenido. Remover o ataque por lavagem com água morna corrente Atacar a frio por imersão 15 segundos De 5 até 10 segundos 40 segundos De 10 a 20 segundos 10 segundos Magnésio e Contorno dos Ácido cítrico Atacar por De 5 a 10 255 . Pode-se utilizar também concentrações mais diluídas. Dr.5 ml de HF concentrado 99. De 5 a 10 segundos Aços ligados Aços grafitizados Ferros fundidos Para todos os tipos de aços: -normalizados. -recozidos. -esferodizado. -temperado. Ataque por imersão a frio.5 ml de H2O destilada Marble Ataque por imersão a frio 10 segundos Ácido fluorídrico Indicado revelação FeAl3 Alumínio suas ligas e na de Ácido sulfúrico Fase α do FeAl3 Ácido nítrico Estrutura duralumínio alclad do e Keller Estrutura do alumínio e suas ligas Vilella 10 ml de H2SO4 concentrado 90 ml de H2O destilada 25 ml de HNO3 concentrado 75 ml de água destilada 10 ml de HF concentrado 15 ml de HCI concentrado 25 ml de HNO3 concentrado 50 ml de água destilada 1 parte de HNO3 concentrado 2 partes de HF concentrado 3 partes de glicerina 5 g de ácido Atacar por umedecimento com auxílio de algodão embebido no reagente Atacar por imersão em solução aquecida entre 60 e 70°C Atacar por imersão em solução aquecida a 70°C Atacar por imersão a frio. Ataque por imersão com a solução fria TEMPO DE ATAQUE De alguns segundos até 1 minuto dependendo do teor de carbono do aço De alguns segundos até 1 minuto dependendo do tratamento térmico recebido pelo aço. Ataque por imersão a frio O taque não revela o contorno dos grãos de ferrita. Losekann Direitos autorais reservados Reagentes químicos para metalografia MATERIAL Aços carbono ao REVELAÇÃO Aços ao carbono REAGENTES Nital COMPOSIÇÃO 1-5 ml HNO3 concentrado 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico ou amílico 4 g de ácido pícrico 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico OBSERVAÇÃO A porcentagem de ácido nítrico varia em função da seletividade do ataque.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. -austemperado Estruturas austeníticas sem a presença das linhas de deformação Camadas nitretadas de ácidos inoxidáveis Estrutura do alumínio e suas ligas Picral Ácido nítrico e fluorídrico 5 ml de HNO3 1 ml de HF 48% 44 ml de água destilada 4 g de CuSO4 20 ml de HCI 20 ml de água destilada 0.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II suas ligas grãos magnésio do cítrico 95 ml de água destilada Ácido oxálico Molibdato amônio de 2% de solução aquosa 100 g de ácido molibdênico 140 g de NH4OH (d=0. particularmente as ligas com manganês. bronzes e latões Cromato potássio de O NaCl pode ser substituído por uma gota de HCl para cada 25 ml de solução Ataques de 5 segundos com polimentos alternados Cloreto férrico Atacar por imersão ou umedecimento De 10 a 40 segundos Hidróxido amônio de Solução em água diluída Ataque por imersão a frio De alguns até 20 segundos Persulfato amônio de 10 g de (NH4) S2O8 90 ml de água destilada CrO3 saturado em solução aquosa 2 a 5 ml de HNO3 concentrado 95 a 98 ml de álcool etílico Solução diluída em dicromato de potássio levemente acidificada 5 ml de (NH4) S2O8 95 ml de H2O destilada 0. níquel e bronze Estrutura de bronze. bronzealumínio. Losekann Direitos autorais reservados umedecimento e enxaguar em água morna Atacar por umedecimento Atacar por umedecimento seguido de lavagem em água corrente segundos Chumbo suas ligas e Estrutura das ligas anti-fricção Remove a camada deformada da estrutura do chumbo polido De 2 a 5 segundos Ataques sucessivos de 3 segundos Cobre Estrutura do cobre. cobre e latão. latões e bronzes Estrutura das ligas de estanho com cádmio Estanho suas ligas e Estrutura de ligas de estanho Ácido crômico Ataque a frio por umedecimento ou a quente por imersão em solução fervente Atacar por imersão a frio ou umedecimento Atacar por imersão a frio A frio: de 10 a 20 segundos A quente: 40 segundos 1 minuto Nital Cromato potássio de Atacar por imersão a frio De 15 segundos a alguns minutos De 20 a 30 segundos Indicado para deposições de estanho no aço Persulfato amônio de Atacar por imersão a frio 30 segundos Prata e suas ligas Indicado para as ligas de prata Ácidos crômico e sulfúrico Atacar por imersão a frio 1 minuto 256 . Escurece a fase beta do latão Indicado na revelação da estrutura do cobre e suas ligas Estrutura do cobre. ligas de cobre.2% de H2SO4 Estrutura do cobre.9) 240 ml de água destilada Filtrar e adicionar: 60 ml de HNO3 2 g de K2CR2O7 8 ml de H2SO4 4 ml de NaCl saturado 100 ml de água destilada 5 partes de FeCl3 50 partes de HCl 100 partes de água destilada Prof.2% de H2CrO4 e 0. Dr. Cláudio R.

Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Indicado estruturas prata para de Hidróxido amônio de Atacar por imersão a frio De 2 a 3 minutos Estrutura de ligas de níquel e zinco Níquel e suas ligas Indicado estruturas inconel para de Cianeto potássio de Atacar por imersão a frio De 20 até 30 segundos Ácidos sulfúrico clorídrico Hidróxido amônio e Atacar por imersão a frio De 2 a 5 minutos Para as estruturas de níquel com elevado teor de zinco Ouro Estrutura de ouro e platina de Atacar por imersão a frio De 30 segundos até 2 minutos Água régia 5 ml de HNO3 15 ml de HCI Atacar por imersão a quente De 1 até 3 minutos 257 . Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II em sol.aquosa 5 partes de NH4OH 1 a 3 partes de H2O2 5 g de KCN 95 ml de H2O destilada 3 gotas de H2O2 5 ml de H2SO4 25 ml de HCI 30 ml de água destilada 85 ml de NH4OH 15 ml de H2O2 Prof.

07) 98 Cf Califórnio (251.94 Gálio Germânio 69.14) 7 87 Fr Frâncio (223.811 3 11 Na Sódio 22.411 4 31 Ga 32 Ge 33 As Arsênio 74.88 23 V Vanádio 50.91) 44 Ru Rutênio 101.2 83 Bi Bismuto 208.908 60 Nd Neodímio 144.1 s 1 1H Hidrogênio 1.08 79 Au Ouro 196.93 68 Er Érbio 167.943 Cromo Manganês 51.007 d 3 21 Sc Escândio 44.098 20 Ca Cálcio 40.72 72.998 10 Ne Neônio 201.22 78 Pt Platina 195.38 82 Pb Chumbo 237.11) (263.98 84 Po Polônio (208.906 58 Ce 140.13) (266.61 5 37 Rb Rubídio 85.39 3 13 Al Alumínio 26.925 66 Dy Disprósio 162.036 92 U Urânio 238.011 14.11) 105 Jl 106 Rf 107 Bh Bóhrio (262.05) 94 Pu Plutônio (244.003 p 4 Be 2 5B Boro 2 3 Li Lítio 6.82 50 Sn 51 Sb 52 Te Telúrio 127.869 48 Cd Cádmio 112.207 76 Os Ósmio 190.941 6C 7N 8O Oxigênio 15.982 14 Si Silício 28.12) 108 Hn 109 Mt 6 81Tl Tálio 204.71 121.03) f 4 57 La Lantônio 138.24 61 Pm Promécio (144.29 Tântalo Tungstênio 180.305 22 Ti Titânio 47.546 30 Zn Zinco 65.76 6 55 Cs Césio 132.012 Carbono Nitrogênio 12.25 65 Tb Térbio 158.453 18 Ar Argônio 39.938 4 19 K Potássio 39.9 54 Xe Xenônio 131.96 35 Br Bromo 79.06) 95 Am Amerício (243.066 17 Cl Cloro 35.468 38 Sr Estrôncio 87.958 183.10) 102 No Nobélio (259.933 28 Ni Niquel 58.02) Joliótio Ruterfórdio (262.847 27 Co Cobalto 58.06) 96 Cm Cúrio (247.07) 97 Bk Berquélio (247.91) 62 Sm Samário 150.8 Berílio 9.62 5 71 Lu Lutécio 174.98) 85 At Astato (209.11) 104 Db Dúbnio (262.26 69 Tm Túlio 168.92 34 Se Selênio 78.996 54.49 73 Ta 74 W 75 Re Rênio 186.76 53 I Iodo 125.08) 99 Es Einstênio (252.999 9F Flúor 18.008 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 2 He Hélio 4.33 6 103 Lr Laurêncio (262.906 46 Pd Paládio 106.086 15 P Fósforo 30.905 56 Ba Bário 137.028 90 Th Tório 232.996 24 Cr 25 Mn 26 Fe Ferro 55.906 40 Zr Zircônio 91.10) Tabela Periódica dos Elementos .02) 88 Ra Rádio (226.9 36 Kr Criptônio 83.115 59 Pr 140.12) Hânio Meitnérnio (265.04 Cério Praseodímio 5 89 Ac Actínio 227.906 95.956 10.42 47 Ag Prata 107.967 80 Hg Mercúrio 200.5 67 Ho Hólmio 164.967 72 Hf Háfnio 178.36 63 Eu Európio 151.99) 86 Rn Radônio (222.965 64 Gd Gadolínio 157.84 Estanho Antimônio 118.078 4 39 Y Ítrio 88.07 45 Rh Ródio 102.08) 100 Fm 101 Md Férmio (257.934 70 Yb Itérbio 173.59 5 49 In Índio 114.10) Mendelévio (258.99 12 Mg Magnésio 24.693 29 Cu Cobre 63.224 41 Nb 42 Mo 43 Tc Tecnésio (97.23 77 Ir Irídio 192.8 Nióbio Molibdênio 92.038 91 Pa Practínio 231.029 93 Np Neptúnio (237.974 16 S Enxofre 32.