UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II

Prof. Cláudio Roberto Losekann, Dr. Eng.

2007

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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ÍNDICE ANALÍTICO
ÍNDICE ANALÍTICO ............................................................................................... II ÍNDICE DE FIGURAS ........................................................................................... VI 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS ........................................................................ 1 1.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 1.2 - CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................... 1 1.2.1 - METAIS ESCUROS ............................................................................. 1 1.2.2 - METAIS CLAROS ................................................................................ 2 2 - AÇOS E FERROS FUNDIDOS ......................................................................... 3 2.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 2.2 - MINÉRIO DE FERRO................................................................................. 3 2.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA................................................................ 5 2.4 - AÇO............................................................................................................ 7 2.4.1 - DEFINIÇÃO ....................................................................................... 10 2.4.2 - CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO............................... 13 2.4.3 - CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS - ABNT - SAE - AISI.......................... 18 2.4.4 - INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO ................................. 22 2.4.4.1 – Elementos de adição .................................................................. 23 2.4.5 - RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA ................................................................................................... 27 2.5 – FERRO FUNDIDO ................................................................................... 30 2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS - ABNT ..................... 31 2.6 - TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES................................. 32 2.6.1 - TRATAMENTOS TÉRMICOS ............................................................ 32 2.6.1.1 - Recozimento................................................................................ 36 2.6.1.2 - Normalização............................................................................... 37 2.6.1.3 - Revenimento ............................................................................... 37 2.6.1.4 - Têmpera ...................................................................................... 38 2.6.1.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação .................... 40 2.6.1.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos ............................................... 45 2.6.2 - TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES ................................................. 49 2.6.2.1 - Tratamentos termo-químicos....................................................... 50 2.6.2.2 - Tratamentos de revestimentos .................................................... 65 3 - ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ............................................................................. 68 3.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................... 68 3.2 - PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO..................................................................... 69 3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ................................... 71 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO ........................................................................ 73 3.3.1.1 - Liga de Al-Cu............................................................................... 74 3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) ............................................................... 74 3.3.1.3 - Liga de Al-Mn .............................................................................. 75 3.3.1.4 - Liga de Al-Si ................................................................................ 75 3.3.1.5- Liga de Al-Si ................................................................................. 76 3.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO .................................. 78 4 - COBRE E SUAS LIGAS.................................................................................. 80 4.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................... 80 4.2 - PRODUÇÃO DE COBRE ......................................................................... 81 II 2007

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4.3 - PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS ....................................... 83 4.3.1 - LIGAS DE COBRE............................................................................. 85 4.3.1.1 - Latão ........................................................................................... 85 4.3.1.2 - Bronze ......................................................................................... 90 4.3.1.3 - Ligas de cobre-alumínio .............................................................. 95 4.3.1.4 - Cuproníquel ................................................................................. 97 4.3.1.5 - Ligas de cobre e berílio ............................................................... 98 4.3.1.6 - Ligas de cobre e silício ...............................................................100 4.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE......................................100 5 - NÍQUEL E SUAS LIGAS ................................................................................101 5.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................101 5.2 - PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS......................................102 5.2.1 - NÍQUEL.............................................................................................102 5.2.2 - LIGAS DE NÍQUEL ...........................................................................103 5.2.2.1 - Ligas de níquel e berílio .............................................................104 4.2.2.2 - Ligas de níquel e cromo .............................................................104 5.2.2.3 - Ligas de níquel e molibdênio ......................................................104 6 - COBALTO E SUAS LIGAS ............................................................................105 6.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................105 6.2 - PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS ..................................105 6.2.1 - COBALTO .........................................................................................105 6.2.2 - LIGAS DE COBALTO .......................................................................106 7 - TITÂNIO E SUAS LIGAS ...............................................................................107 7.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................107 7.2 - PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS .....................................107 7.2.1 - TITÂNIO............................................................................................107 7.2.2 - LIGAS DE TITÂNIO ..........................................................................109 8 - MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ..........................................................................109 8.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................109 8.2 - PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ................................110 8.2.1 - MAGNÉSIO.......................................................................................110 8.2.2 - LIGAS DE MAGNÉSIO .....................................................................111 9 - ZINCO E SUAS LIGAS ..................................................................................111 9.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................111 9.2 - PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS ........................................111 9.2.1 - LIGAS DE ZINCO .............................................................................113 9.2.2 - LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO........................................................113 10 - CHUMBO E SUAS LIGAS............................................................................113 10.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................113 10.2 - PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS .................................114 11 - OUTROS METAIS .......................................................................................116 11.1 - ESTANHO .............................................................................................116 11.2 - CROMO.................................................................................................117 11.3 - TUNGSTÊNIO .......................................................................................118 11.4 - PRATA...................................................................................................119 11.5 - OURO....................................................................................................119 12 - POLÍMEROS................................................................................................121 12.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................121 12.2 – PROPRIEDADES .................................................................................123 12.2.1 - MORFOLOGIA................................................................................123 III 2007

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12.2.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM ............................................125 12.2.3 - ADITIVOS .......................................................................................126 12.2.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS .......................................................128 12.2.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS.....................................................129 12.3 - PLÁSTICOS ..........................................................................................130 12.3.1 - POLIOLEFINAS ..............................................................................131 12.3.2 - POLICARBONATOS.......................................................................138 12.3.3 - ALÍLICOS........................................................................................140 12.3.4 - ACRILICOS.....................................................................................140 12.3.5 - POLIIMIDAS ...................................................................................143 12.3.6 - AMINOPLÁSTICOS ........................................................................144 12.3.7 - CELULÓSICOS...............................................................................145 12.3.8 - POLIOXIMETILÊNICOS .................................................................145 12.3.9 - EPOXÍDICOS..................................................................................145 12.3.10 - FLUOROPLÁSTICOS ...................................................................146 12.3.11 - POLISULFONAS...........................................................................147 12.3.12 - FENÓLICOS .................................................................................147 12.3.13 – POLIALÔMEROS.........................................................................148 12.3.14 - POLIFENILÊNICOS ......................................................................148 12.3.15 - SILICONES ...................................................................................149 12.3.16 - POLIAMIDAS ................................................................................149 12.3.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS ............................................152 12.4 - ELASTÔMEROS ...................................................................................153 12.5 – POLÍMERO NATURAL - MADEIRA......................................................158 12.5.1 - MADEIRAS TRANSFORMADAS ....................................................162 12.5.2 - TRATAMENTO SUPERFICIAL .......................................................163 12.5.3 - TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. .....................................................................................................................163 13 – CERÂMICOS...............................................................................................168 13.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................168 13.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL .............................................................170 13.2.1 – CERÂMICA VERMELHA................................................................170 13.2.1.1 – Massa cerâmica.......................................................................170 13.2.1.2 – Esmaltes ..................................................................................172 13.2.1.3 – Engobe ....................................................................................173 13.2.2 – CERÂMICA BRANCA ....................................................................174 13.2.2.1 - Processamento.........................................................................176 13.3 – CERÂMICA AVANÇADA ......................................................................177 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS ..........................................................................187 14.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................187 14.2 - ENSAIO DE TRAÇÃO ...........................................................................189 14.2.1 - DIAGRAMA TENSÃO - DEFORMAÇÃO ........................................191 14.2.2 - PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS ................................193 14.2.3 - CORPOS DE PROVA .....................................................................196 14.2.3.1 - Limite de escoamento: valores convencionais .........................198 14.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO ................................................................199 14.3.1 - LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO .............................200 14.3.2 - ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS...............200 14.3.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL ....................................201 14.4 - ENSAIO DE FLEXÃO ............................................................................205 IV 2007

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14.4.1 - SIGNIFICADO DE FLEXÃO............................................................205 14.4.2 - MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO ..............................................207 14.5 - ENSAIO DE DUREZA ...........................................................................208 14.5.1 - DUREZA BRINELL .........................................................................209 14.5.2 - DUREZA ROCKWELL ....................................................................210 14.5.3 - DUREZA VICKERS.........................................................................212 14.5.4 - DUREZA SHORE............................................................................212 14.6 - ENSAIO DE IMPACTO..........................................................................213 14.6.1 - TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO .................................................214 14.6.1.1 - Fatores que influenciam a temperatura de transição................215 14.6.1.2 - Resfriamento do corpo de prova ..............................................216 14.7 - ENSAIOS METALOGRÁFICOS ............................................................220 14.7.1 - ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO ............................221 14.7.2 - ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO .............................221 14.7.2.1 - Etapas metalográficas ..............................................................221 14.8 - PROPRIEDADES TÉRMICAS...............................................................228 14.9 - PROPRIEDADES ELÉTRICAS .............................................................228 14.10 - PROPRIEDADES MAGNÉTICAS........................................................231 14.10.1 - MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS ...........................237 14.11 - PROPRIEDADES ÓTICAS..................................................................238 14.11.1 - REFLETIVIDADE, TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. .................238 14.12 - PROPRIEDADES QUÍMICAS .............................................................244 14.12.1 - RESISTÊNCIA A CORROSÃO .....................................................244 14.12.2 - RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO ................................................245 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS ............................................246 15.1 - INTRODUÇÃO .....................................................................................246 16 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS .......................................................................249 17 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................251 ANEXOS .............................................................................................................254

V 2007

............................18 – Austenita............ 36 Figura 2......................................... ..........................38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide..................... 37 Figura 2......................... ......... 15 Figura 2.......... ........................................................ 45 Figura 2.........................................................15 – Ferritas..............39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide..........6 – Alto-forno..........................10 – Operação de um conversor............................2 – Campo de mineração. 35 Figura 2............. 13 Figura 2.......................... 16 Figura 2.......................... 7 Figura 2........................ 44 Figura 2................................................. .... 41 Figura 2.................... .....................29 – Microestrutura do ferro fundido nodular........................................................................ ............................22 – Sorbita...............8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa)..........1 – Minério de ferro..........23 – Ledebuirta.......... perlitas (escuras).................... A) Perlita normal.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos............................ Losekann Direitos autorais reservados ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2.......... 17 Figura 2...... ........ .......... ....aço........................32 – Ciclo do recozimento................17 – Perlitas......... ................ 10 Figura 2......... .......................27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide............... ......... ............................................................................................................41 – Diagrama TTT para o aço 4340... 7 Figura 2....... 12 Figura 2....40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono......................................44 ............................................. .....11 – Estrutura cristalina da cementita........12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono................................ ................ .. 8 Figura 2.....5 – Vista parcial de um alto-forno....................30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos . 14 Figura 2....37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça.............................. 12 Figura 2............................................................... Dr........................................................ 3 Figura 2...... 34 Figura 2.......... 30 Figura 2........................................................ 5 Figura 2................... ........9 – Aspecto construtivo de um conversor.................. 11 Figura 2...................... Perlitas e cementitas.... 31 Figura 2................. 4 Figura 2.................. ........ .................... 17 Figura 2................................................................... B) Perlita sorbítica.....................3 – Sínter.................. ................... 49 Figura 2..20 – Bainita inferior..................................................... 44 Figura 2........................................................... 4 Figura 2............................. .........................................................................14 – Diagrama de equilíbrio . 18 Figura 2..............Diagrama de equilíbrio Fe-N..............13 – Curva de resfriamento do ferro............ 13 Figura 2....................25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide........................................................ 42 Figura 2......19 – Martensita.. 37 Figura 2...................................................................................................... .....26 – Microestrutura de aço eutetóide.............................................. 16 Figura 2..........21 – Trostita........ Ferritas (claras).......................... ............................................................... Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof...................7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa................... 15 Figura 2....... 5 Figura 2..............16 – cementitas.......................28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento.......................................... 6 Figura 2....... ............................................ 41 Figura 2.......................... 4 Figura 2.... 53 VI 2007 ...................................... ..4 – Pelotas........................................ ................................43 – Martêmpera.........34 – Ciclos de tratamentos..... 43 Figura 2........ Somente perlitas..31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização.............24 – Esteadita..........35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide......................... 16 Figura 2........ 17 Figura 2........................ 43 Figura 2............. 14 Figura 2................................ ...42 – Austêmpera........................... .33 – Ciclo da esferoidização...................

.............. ............ ...............Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn...............................Aplicações do cromo..... ......121 Figura 12.....Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre....9% [fase α + Cu3Sn]...............12 .....................120 Figura 12............112 Figura 10..............1 ........... Pb 5%........ c) isobutano..........123 VII 2007 ...........Aplicações do bronze....122 Figura 12........ 56 Figura 2.......Aplicações do zinco...... ....... 98 Figura 4.................... b) etano......12% Pb 1.................Aplicações do cuproníquel..........13 ................. Cu-Zn 24................................................................ 57 Figura 2...... ...................... 82 Figura 4.....1 ....4 – Representação de polímero.......4% Pb 2..........46 – Célula unitária da fase ε. 97 Figura 4......... a) propano....1 .............. ....Diagrama de fases da liga binária Cu-Al....... ..14 .......................... b) n-butano......................................................................................... c) Neopentano.................................6 – Micrografias de latões............. submetidos ao processo líquido....................................................................................45 – Célula unitária da fase γ’.....Diagrama de fases da liga Pb-Sn............117 Figura 11................................... Losekann Direitos autorais reservados Figura 2...................................................1 .........121 Figura 12................Micrografias de bronzes............. b) Isopentano..........Diagrama de fases da liga binária Cu-Be......121 Figura 12.3 ....1 ............... b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] .... 74 Figura 3...................49 – Esquema do reator iônico....2 .........1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu...............................................................9 .....1 .... ...................2 ......... Dr.........................118 Figura 11.. Cu-Zn 34% Mn 1...... a) metano. 90 Figura 4..... .1 ...Diagrama de fases da liga binária Al-Si.............Monômeros..Aplicações do cobalto. .. 77 Figura 4...Monômeros........ 66 Figura 3...................... 53 Figura 2............... B) Flotação ...........Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni..... ............2 ................2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg......4 ...................................................................Aplicações do titânio.............4 ..............4 ...................................... a) n-pentano...... ........... 99 Figura 5... ........................................ .........111 Figura 8........................ 54 Figura 2.................Diagrama de fases da liga Pb-Sb.........1 . .......................................... 94 Figura 4..........3 ......1 – Beneficiamento do cobre. 81 Figura 4...................11 ......... ............................................ 92 Figura 4.................. ...... .6 – Reação de copolimerização do náilon 66.....106 Figura 7............ b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] ... .......3 ...... 87 Figura 4...Diagrama do comportamento mecânico dos latões........... 95 Figura 4....7% Ni 3............ .........................................7 .....8 ........Aplicações dos latões.................Aplicações do níquel.... a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]................................................... .122 Figura 12. 60 Figura 2.....119 Figura 11.Monômeros.............. 82 Figura 4................115 Figura 11...............7% Sn 2.....Aplicações do ouro...................................... 58 Figura 2....................................Diagrama de fases da liga binária Al-Si........48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços..Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica.Aplicações da tungstênio..Aplicações do magnésio........10 .............47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada.. 75 Figura 3..2 .5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn....108 Figura 8.. c) Cu-Sn 10%...........103 Figura 6............. 74 Figura 3........50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono...... ................ 89 Figura 4...3 ....... 88 Figura 4........... .. Cláudio R......... ...........5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila. .................. c) eteno..................................15 ..Esquema do forno revérbero e obtenção do mate..........92% [fase α + nódulos de Pb]......115 Figura 10...........UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof..... ......... a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]..................51 – Esquema da eletrodeposição. 83 Figura 4.. 92 Figura 4................................Aplicações da prata........... A) Trituração do minério......

..........16 – Fórmula policarbonato..........................Polisulfona .........................15 – Fórmula geral da poliolefina..................................................28 – SBR.......................................... ..................Peça tracionada..188 Figura 14...................................... ..........183 Figura 14..........22 – Fórmula do teflon.. b) aspecto da fratura....3 ... ................... b) após o ensaio........................141 Figura 12..............................195 Figura 14............. Dr..........................................................5 ..... b) Durômetro...............153 Figura 12...........................141 Figura 12....158 Figura 12.........167 Figura 13...................139 Figura 12.......... ............................................. ......27 – Polisopreno...123 Figura 12............Louça sanitária...................................131 Figura 12..................................................................... ............................. ........................24 .... ......................................... .. ..............Equipamentos de ensaios mecânicos........................... c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas..............................23 – PCTFE......1 ............147 Figura 12......146 Figura 2.........................................Corpo de prova de ensaio de tração....Curvas de tensões reais e de engenharia..................6 ...........................140 Figura 12...........128 Figura 12.174 Figura 13...........................................................................174 Figura 13...................diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono..............129 Figura 12..........................6 ....169 Figura 13....11 – Reação do agente de esponjamento......................180 Figura 13.........................10 – Reação do baquelite......................................................190 Figura 14.......... ...Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε.............14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear....................125 Figura 12...195 VIII 2007 ........... Losekann Direitos autorais reservados Figura 12..................1 – Peças de cerâmica......UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof............................................................................................................... ................................................................ .......................29 – Uso da floresta...........................................Material frágil...Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro......... b) aspecto da fratura.............. ..................34 – Efeito estêncil............128 Figura 12.. ................. a) Máquina de ensaio universal.......... .........21 – Poliimida.....................165 Figura 12............................................ F) região viscosa com cristalitos..144 Figura 12....................... ..............26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros...........147 Figura 12....Alongamentos na tração e na compressão..33 – Efeito satinê...................................................18 – Poliacrilonitrilo..13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino... Cláudio R........ .........192 Figura 14.124 Figura 12..7 ...............................................................2 – Produção de cerâmica.12 – Curvas de volume específico em função da temperatura........................ .........190 Figura 14......8 ............ E) região com cristalitos na região vítrea.................20 – SAN...................................165 Figura 12.....9 .......... ........................ a) diagrama σ x ε..................129 Figura 12.31 – Efeito pátina................. a) antes do ensaio............................155 Figura 12.......................... a) diagrama σ x ε............................Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro.........................................3 ..............8 – Formas isoméricas...............................................4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos............ ...147 Figura 12.............127 Figura 12................................ ..192 Figura 14.................143 Figura 12.. ......................... b) cadeia com ramificações incompletas....... .192 Figura 14.................7 – Representação das cadeias poliméricas............Material dúctil.............................154 Figura 12............19 – ABS......... C e D) região líquida com baixa viscosidade......................2 ......................................................... .... a) Cadeia linear.................4 ....5 ..........193 Figura 14.........162 Figura 12.....................164 Figura 12....................... A) região vítrea...........................25 – Fenólicos....................................176 Figura 13...............................32 – Efeito decapê.....9 – Cristalinidade em polímeros..... B) região viscosa.......30 – Cortes da madeira.....17 – Polimetacrilato de metila....................................

...................................210 Figura 14......41 .....................219 Figura 14...........235 Figura 14........223 Figura 14.............................................................201 Figura 14........Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação.......198 Figura 14..218 Figura 14..................................... a) Na ausência de um campo magnético.....210 Figura 14..........233 Figura 14........ .......232 Figura 14.221 Figura 14...... ............................39 .............................................Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L.............45 ....213 Figura 14..14 ..221 Figura 14........................................... ...................200 Figura 14........... ........................................................... b) Na presença de um campo magnético......Penetradores de Dureza Rockwell......................Esquema de momentos magnéticos do MnO..33 .....38 ...28 .35 ....216 Figura 14.Preparação de corpo de prova. .....Corpos de prova Charpy e Izod.....................................................13 ...................Tipos de fixação.............. ................................................Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético.......196 Figura 14.... ..............18 ........25 ..............12 ...............9 .....................................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof............Método de flexão a quatro pontos................................Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade....................Aspectos da fratura .36 .....................Máquina de ensaio e registrador...............40 ............................ .......................200 Figura 14....................... .......235 Figura 14.........Ensaio Charpy e Izod..199 Figura 14................................Flexão em uma barra de secção retangular....Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético...196 Figura 14.231 Figura 14.......207 Figura 14..................................207 Figura 14.......................202 Figura 14......224 Figura 14................................Micrografia da perlita...........17 ..................Curvas de energia absorvida de um mesmo material....................................................198 Figura 14...................197 Figura 14......................................Ruptura do corpo de prova no centro....Determinação do limite de escoamento............................. a) normal.............24 ........................20 .............................15 ....... a) Na ausência de um campo magnético......Método de flexão a três pontos.201 Figura 14.. .Esquema dos momentos magnéticos da ferrita...................... .................197 Figura 14.............Temperatura de transição......................11 ..................Ensaio de compressão........ Dr...................... ................16 ...... ..205 Figura 14...................................21 ........................................... ...... b) Na presença de um campo magnético........ Cláudio R...........37 .... ..............Ângulo φ nas impressões Brinell......Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético.........Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração................32 ...........44 .......Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl...............43 ...234 Figura 14........Corpos de prova..............................................Elemento da barra submetido à flexão......................27 ....31 .......206 Figura 14...Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária... b) flambagem.................26 ........22 ..Esquema da compressão.. ........... Losekann Direitos autorais reservados Figura 14........217 Figura 14..............................................42 .....Máquina de ensaio de impacto................... ......................Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz......34 ...........198 Figura 14..Ensaios em molas. ........... ..19 .......... ........236 IX 2007 ........214 Figura 14........ ..........23 ....................................................................Ensaio de compressão em materiais dúcteis.........29 .Curva de resistividade elétrica em função da temperatura.....30 ...........................206 Figura 14................ ......................................................Ruptura do corpo de prova fora de centro.....................10 ................

.........245 Figura 15..48 ....Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo)... Cláudio R... ..............................239 Figura 14....237 Figura 14......... Espectro com irradiação do ultravioleta...... ................. Dr.52 .............................................................50 ...................Espectros de radiação eletromagnética..................... Losekann Direitos autorais reservados Figura 14...................53 .....................51 ........................ ........................... .............240 Figura 14........a) Esquema de um experimento de transmissão........239 Figura 14..46 ....................... ................ ...... ................238 Figura 14........ .............54 ....49 .................Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado........................Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro......240 Figura 14............................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof............... A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor......... b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs.......246 X 2007 ...Esquema dos tipos de corrosão....................................................242 Figura 14.............243 Figura 14....Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios.......Curvas de transmitância da amostra BLC1.....47 ...1 – Símbolo da reciclagem..Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro....................

cai em um nível mais baixo de energia. possuem polimorfismo. em muitos casos. Os metais escuros.METAIS ESCUROS Apresentam cor cinza escuro. tornando-o opaco. mas existem certos indícios pelas quais podem ser agrupados. Estas propriedades dos metais de opacidade ótica e refletividade atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem re-emitir. Na prática. Esta característica também pode ser afetada por impurezas ou inclusões por outros elementos químicos. onde os elétrons da última camada não pertencem ao átomo. 1.INTRODUÇÃO Conforme a química. densidade elevada (menos os alcalinos). dando lugar ao brilho metálico. 1. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. quando o elétron. entende-se como metais os elementos químicos que se situam na parte esquerda da Tabela Periódica dos Elementos Químicos construída por Mendeleyev. elevada temperatura de fusão. camada de valência. toda substância que possui brilho. uma das características principais dos metais. A característica deles é de possuir poucos elétrons na última camada.2 . cujas propriedades se aproximam daqueles. e a platina. A condutibilidade elétrica e térmica são duas características dos metais que estão relacionadas com a configuração eletrônica dos mesmos.2. A maioria dos metais se oxida com facilidade diminuindo o seu brilho. Deste modo.CLASSIFICAÇÃO Cada metal se diferencia de outro pela sua estrutura e propriedades. o níquel e o manganês se empregam com freqüência como elementos de adição às ligas de ferro para alterar as propriedades mecânicas da liga. como nos aços.539 ºC). cobalto. a prata. o elemento químico selênio (Se) possui brilho e não é metal. 1 . O cobalto. por sua vez. Metais férricos: ferro. 2. Em primeiro lugar. entretanto. Dr. por exemplo. O metal mais característico deste grupo é o ferro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. excitado pelo impacto de uma radiação. níquel (chamados ferromagnéticos) e o manganês. mas ao grupo todo. Metais refratários: apresentam temperatura de fusão superior a do ferro (1. caracterizando a boa condutibilidade elétrica. Outra característica que os metais possuem é a ductibilidade. dividem-se em: 1. todos os metais podem dividir-se em dois grandes grupos: metais escuros e metais claros.1 . Também empregados como elemento de adição às ligas de ferro. é quase inteiramente refletido. entende-se por metais. com mobilidade livre do elétron. O tipo de ligação característica entre os elementos metálicos é a ligação metálica. dureza elevada e. com grau menor para o ouro.1 . Losekann Direitos autorais reservados 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS 1.

o protactínio. São utilizados como fonte de energia nuclear. bismuto. o einstéinio. Possuem grande ductibilidade. paládio. itérbio. európio. o amerício. Cláudio R. e que compreende: cério. o urânio. 1. porém suas propriedades físicas são muito distintas. o plutônio. irídio. o netúnio. Losekann Direitos autorais reservados 3. hólmio. Metais nobres: Ouro. rutênio. prata e metais do grupo da platina (platina. Metais urânicos: (actinídeos) Os elementos que constituem um grupo com propriedades semelhantes. gadolínio. disprósio. antimônio e os elementos com propriedades metálicas debilitadas como o gálio e germânio. Metais lantanídeos: (terras-raras) Grupo de elementos.2 . o berquélio. promécio. Possuem grande a resistência a oxidação. o cobre e a prata. pouca dureza. que inclui o actínio. térbio e túlio. chumbo. Os metais mais característicos deste grupo são o ouro. 2 . O cobre é considerado como seminobre. de número atômico entre 57 e 71. Estes metais possuem propriedades químicas muito parecidas. cuja densidade é baixa. Dr. magnésio e alumínio. o tório. tálio. samário. Metais ligeiros: Berílio. ósmio. mercúrio. por sua vez. vermelha ou branca. Metais alcalinos-térreos: No estado livre são pouco utilizados. o férmio e o mendelévio. temperatura de fusão relativamente baixa e neles é característico a ausência de polimorfismo. 4. o califórnio. de propriedades metálicas muito parecidas. com exceção de alguns casos especiais. 5. cádmio. lantânio. estanho. prasiodímio. dividem-se em: 1. érbio. lutécio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o cúrio.METAIS CLAROS Apresentam coloração amarela. 3. 2. Os metais claros.2. Metais facilmente fusíveis: Zinco. neodímio.

Dr.C.óxido . partindo do minério de ferro. encontra-se em torno de 50 minerais que contém ferro.FeCO3 (carbonato férrico) .2 . • Magnetita . Na Ìndia encontrou-se uma coluna de ferro que media 7 m de altura e 40 cm de diâmetro com peso de 6 toneladas.C.1 – Minério de ferro.2Fe2O33H2O de 40 a 62% de ferro – cor amarela para marrom escuro. Cláudio R.INTRODUÇÃO O ferro se conhece há tempos remotos.C.sulfeto .abundante no Brasil. mas sim combinado (ganga) com outros elementos químicos formando os denominados minérios. é muito antiga.óxido . • Limonita . silicatos e os sulfetos. o mesmo passa a ser denominado de minério.Fe2O3 .de 45 a 72% de ferro – cor cinza escuro. 500 anos a. carbonatos.. se fazia experiência com esse metal em um lugar chamado Anatolia na Rússia.Cu2SFe2S3 (sulfeto férrico) – baixo teor de ferro. • Figura 2. Os minerais que contêm ferro em quantidade apreciável são óxidos. • Pirita .MINÉRIO DE FERRO O ferro não se encontra puro na natureza. No Egito.óxido – Fe3O4 . Os minérios de ferro mais importantes sob o ponto de vista da siderurgia são: • Hematita .. provavelmente construída em 912 anos a.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Também há 7 mil anos a. Na natureza. 2. 3 . há 7 mil anos a. A fabricação do ferro fundido. Os gregos.carbonato . Quando se pode extrair economicamente um elemento químico de um mineral.de 30 a 48% de ferro – cor cinza esverdeado.de 45 a 70% de ferro – cor cinza a vermelho fosco . • Siderita . já tinham ferro temperado e crê-se que a obtenção foi por uma maneira casual. Losekann Direitos autorais reservados 2 .C.AÇOS E FERROS FUNDIDOS 2.1 . encontrou-se amuletos de ferro que provavelmente provinham de minérios beneficiados.

moagem. Após esta etapa as pelotas são aquecidas para secagem e endurecimento. Aproveitamento dos finos de mineração de 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 2. calcário e água são misturados e aglomerados e depois são colocados sobre uma grelha em um equipamento especial.4 – Pelotas. Quando quebrados em pedaços menores são chamados de sinter de ferro. como britagem. Os principais processo de aglomeração do minério de ferro são: • Sinterização – Neste processo o minério de ferro. Sinter . 4 . mistura. classificação. Pelotas . Cláudio R.15 mm até 8 mm. Dr.2 – Campo de mineração. peneiramento.64 a 67% de ferro. Aproveitamento dos finos de mineração abaixo de 0. Redutibilidade alta.51 a 61% de ferro. reduzindo-se o consumo de carvão.5 mm.3 – Sínter.000 a 1. Gera 7 a 10% de finos de retorno no transporte da sinterização ao alto-forno. Tamanho de 10 a 12 mm de formato esférico. Elevada resistência mecânica e baixa degradação no transporte. A aglomeração visa o aproveitamento dos finos de minério. aglomeração. Figura 2. melhorar a permeabilidade da carga do alto-forno. Gera 5 a 10% de finos de retorno do altoforno. Losekann Direitos autorais reservados O minério de ferro é submetido a beneficiamento. Tamanho de 5 a 50 mm de formato irregular. unem-se e acabam formando um bloco poroso.300 oC. Figura 2. após a extração da jazida. • Pelotização – Um tambor giratório que contém um disco inclinado e em rotação é alimentado com finos de minério e aglomerantes. Redutibilidade alta. carvão moído. concentração. Resistência mecânica média e possível degradação no transporte. recebendo jatos de água que unem as partículas molhadas para formar um aglomerado na forma de bolas (pelotas). que está a uma temperatura em torno de 1.

com eliminação dos produtos voláteis do carvão mineral) com possibilidade do carvão vegetal. Figura 2. A escória que se forma durante o processo. O processo consiste em aquecer o minério de ferro em temperaturas acima de 1. utilizados nos revestimentos dos fornos e panelas de vazamento. atinge seu ponto de fusão. Os refratários são materiais resistentes a altas temperaturas. A escória pode ser utilizada como base para estradas de ferro. o coque (carvão mineral tratado em temperaturas de mais ou menos 1. b) como fornecedor de carbono para a redução do óxido de ferro e c) como fornecedor de carbono.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA É o processo de obtenção do ferro. obtendo-se no final um produto da fusão denominado de ferro gusa. Todas as suas partes internas. O ferro gusa é uma liga metálica de Fe. Dr. que posteriormente é utilizado na fabricação do aço ou ferro fundido.5% de P.5% de Si. A ação do carvão se faz sentir de três maneiras: a) como fornecedor de calor para a fusão do minério. C. e até 0. 0.2% de S. Losekann Direitos autorais reservados Nos processos de redução do minério de ferro em ferro gusa. a rampa.5% a 4. 0. P. onde o minério a ser reduzido. Escória é um produto resultante da ação do fundente sobre a ganga (do minério) e do combustível. na fabricação de tijolos refratários e em isolamento térmico e acústico. O cadinho é o lugar onde o ferro gusa líquido é depositado.5 – Vista parcial de um alto-forno. Figura 2. 2. Cláudio R. como principal elemento de liga. como corretivo de solo. são revestidas com tijolos refratários. O alto-forno é construído de tijolos e envolvido por uma carcaça protetora de aço. como combustível. onde apresenta a seguinte composição média 3% a 8% de C. na fabricação de cimento. flutua sobre o ferro que é mais pesado. Mn. S. 5 .000 ºC em câmaras ausentes de oxigênio. Três zonas fundamentais caracterizam o alto-forno: o cadinho.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.6 – Alto-forno. sujeitas a altas temperaturas.5% a 2. e a cuba (seção superior).600 ºC na presença de uma substância redutora (coque) em um equipamento denominado de alto-forno. Si. usa-se.

As reações de redução. Para o caso de não se querer alterar a natureza da carga. o fundente deve ser ácido. o oxigênio é eliminado do minério de ferro. geram dois produtos líquidos: a escória e o 6 .000 ºC) soprado pelas ventaneiras.7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa. que são furos distribuídos uniformemente por onde o ar pré-aquecido é soprado sob pressão. e queimam os pedaços de coque que estão na abóbada (ou parte superior) da zona de combustão. em relação aos gases. Em resumo. Estas são as reações químicas provocadas pelas altas temperaturas obtidas dentro do forno que trabalham com o princípio da contra-corrente. • O ferro sofre carbonetação (o carbono proveniente do combustível é incorporado ao ferro líquido). no alto-forno ocorre o seguinte: • Os óxidos de ferro sofrem redução. Conforme o coque vai se queimando. e que escapam da zona de combustão. principalmente para cima.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. se utiliza fundentes neutro. que foi descrito anteriormente. A redução dos óxidos de ferro acontece à medida que o minério. Losekann Direitos autorais reservados Na rampa acontece a combustão e a fusão. carbono) com o oxigênio do ar quente (em torno de 1. • O gusa se funde (o ferro de primeira fusão se derrete). Para facilitar esses processos. o agente redutor (coque ou carvão vegetal) e os fundentes (calcário ou fluorita) descem em contra-corrente. ou seja. até atingir toda a largura da cuba. Dr. e se a carga for ácida. • A ganga se funde (as impurezas reagem com o fundente formando escória e metal fundido). Isso quer dizer que enquanto o gás redutor sobe. Esse movimento de descida vai se espalhando lateralmente pela carga. • Certos elementos da ganga são parcialmente reduzidos. o fundente deve ser básico. a carga sólida desce. algumas impurezas são incorporadas ao ferro gusa. ou seja. Figura 2. Se a carga for básica. a carga vai descendo para ocupar os espaços vazios. carbonetação e fusão. Cláudio R. Esses são os resultados da queima do coque (basicamente. entre o cadinho e a rampa ficam as ventaneiras.

2. tipo pêra. Dúplex etc. O conversor Bessemer consta de um recipiente. • Instrumentos de controle e medição. para transformá-lo em aço. Figura 2.4 . 7 . Losekann Direitos autorais reservados ferro gusa. é necessário um processo de oxigenação desta liga para reduzir a percentagem destes elementos até os valores desejados. utiliza-se agentes oxidantes. de onde saem pelo furo de corrida (gusa) e pelo furo da escória.O alto forno possui ainda alguns equipamentos auxiliares como: • Coletor de poeiras.onde o agente oxidante é o ar ou oxigênio • Processo agentes oxigênio. Figura 2. S e Mn. oxidantes são Elétrico.8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa). como o ar ou oxigênio. ou de natureza sólida como minério na forma de óxidos. • Regeneradores de calor ou estufas. de natureza gasosa. Siemens–Martin.AÇO Sendo o ferro gusa uma liga de Fe. P. que são empurrados para os lados. Assim. pelos gases que estão subindo e escorrem para o cadinho. e por isso não é denominado forno e sim conversor. C. – onde os substâncias sólidas contendo Processo Pneumático Bessemer O equipamento usado no processo de Bessemer não possui fonte de calor próprio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. formado de chapas de aço e revestimento interno de material refratário ácido (silício – alumínio). • Lavadores de gás.9 – Aspecto construtivo de um conversor. • Processos pneumáticos . Dr. Si. Cláudio R. os processos para produção do aço podem ser classificados de acordo com agente redutor utilizado. Na redução do ferro gusa em aço. que é uma liga de mais baixo teor destes últimos elementos químicos.

usa-se certa quantidade de cal.10 – Operação de um conversor. isto é. 8 . cabem as reações exotérmicas do oxigênio com o silício e carbono. O aço produzido em conversor Thomas é mais mole do que do Bessemer. A escória obtida com o processo Thomas é um fosfato de cálcio (combinação do fósforo do metal com o cálcio da cal adicionado) e pode ser emprega como fertilizante na agricultura. fósforo e enxofre o mínimo possível. formando uma chama larga). O borbulhamento do ar. através dos orifícios existentes na parte inferior do conversor. elimina o carbono (em CO e CO2.O processo Thomas difere um pouco do processo Bessemer. Quando o ferro gusa é rico em fósforo. manganês (1%). Até mesmo carvão para recarburar o aço.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. É realizado o vazamento inclinando o conversor e tendo cuidado de que não deslizem as escórias com o aço líquido. Cláudio R. O conversor Thomas é revestido internamente com material refratário básico derivado da dolomita (óxido de cálcio e manganês). manganês e a maior parte do carbono durante o tempo de 15 minutos aproximadamente. gira em torno de um eixo. através do metal líquido. a fim de colocálo na posição horizontal para receber ou retirar a carga. o aço contém aproximadamente 0.05 a 0. ao tempo que se situa o conversor na posição vertical.1. Neste processo. o fósforo também reage exotermicamente com o oxigênio. Figura 2.1% de carbono e porcentagens mais baixas de Mg e Si. o silício e o manganês (em silicatos. Processo Pneumático Thomas . Sendo o ponto de fusão do aço maior que do ferro gusa. pouco a pouco e com pressão moderada. que passam a escória). Estes elementos. silício . Para evitar a oxidação excessiva do aço. adiciona-se quantidade de ferro-silício ou ferromanganês ou pequenas quantidades de alumínio. usado na fabricação de chapas. manganês . fósforo e enxofre o mínimo possível. combinam-se facilmente com o oxigênio. de ferro gusa líquido procedente do alto-forno cuja composição média é a seguinte: carbono . aumentar a temperatura do banho líquido. Quando a chama da boca do conversor está a ponto de se apagar. Dr. Durante o processo forma-se óxido de ferro que deixa o aço frágil e quebradiço. silício (1. aumentando a temperatura do banho. A fim de eliminar o óxido de ferro e controlar o teor do carbono. O ar atravessa o ferro gusa líquido e o oxigênio presente vai reagindo com o silício. impedindo que as reações exotérmicas permitem a passagem do fósforo para as escórias.5%.1%. Losekann Direitos autorais reservados O conversor é basculante. arames e perfilados. A transformação do ferro gusa em aço é conseguida pelo insuflamento de ar. A capacidade de carga do conversor Bessemer varia de 25 a 40 toneladas.5%). principalmente o alumínio. este não pode ser tratado no conversor Bessemer porque o revestimento dele é ácido (carbono (4%). transformando-se em escória.4%.

o silício e o carbono são os que liberam maior quantidade de calor.4.D.5%Si) + (0. O oxigênio é previamente aquecido e injetado na massa líquida pela parte superior do conversor. os fornos Siemens-Martin são construídos com revestimento ácido. Adiciona-se ferro-silício.400 ºC e o tempo total da operação é de 35 a 40 minutos. • Os ferros fundidos aptos para o conversor podem ser: Ferro fundido saído do cubilô: Ctot = (3% . lança de oxigênio que fica a uma distância de 0. A capacidade do forno varia de 50 a 300 toneladas.5% . . e de dois pares de câmaras recuperadoras. O forno funciona pelo sistema de regeneração de calor dos gases quentes que saem do forno que vão aquecendo o gás e o ar.757 kcal/kg de manganês. Dos três elementos citados.5% . • Ferro fundido saído do alto forno: Ctot = (3.950. é de qualidade superior ao Bessemer.6% . e o manganês contidos no ferro fundido reagem ao entrar em contato com o oxigênio do ar: o calor gerado por esta reação não somente mantém líquida a massa. O consumo de oxigênio é em torno de 50 m3 por tonelada de ferro gusa líquido. e revestimento básico. As reações exotérmicas produzidas alcançam temperatura de 2. Losekann Direitos autorais reservados Processo Pneumático L. para o tratamento da carga silicosa. o silício. respectivamente.000 ºC.407 kcal/kg de carbono Mn + O = MnO + 1.4%C) + (1. como também eleva a temperatura de 300 a 400 ºC.1. dando entrada no forno em altas temperaturas. Dr. como elementos desoxidantes. dependendo da natureza da carga e do refratário. os do carbono formam os gases (CO) 9 . Ao invés de usar o oxigênio do ar (que em cada 100 m3 aproveita apenas 21 m3 de oxigênio) usa oxigênio puro com 99 à 99.1%Mn) + P e S o mínimo possível. com efeito: Si + O2 = SiO2 + 6. torna-o dispendioso e de baixa aplicação na siderurgia. é uma variante do processo Bessemer. A operação dura somente de 10 a 20 minutos. Os produtos da reação do silício e do manganês formam a escória e.Este processo introduzido pelos austríacos Linz e Donavitz em 1. também de tijolos refratários. O forno é constituído de uma mufla de tijolos refratários para receber a carga que pode ser sólida ou líquida.750 kcal/kg de silício C + O = CO + 2. ferro-manganês ou cal. quando a carga é fosforosa. Thomas e SiemensMartins. O aço L.No processo Siemens-Martin pode-se alcançar temperaturas de até 2. Processo Siemens-Martin .5% . Cláudio R. usando gás combustível e ar. O processo de obtenção do aço pode levar de 4 a 5 horas.3 m a 1 m do fundo. O carbono. Segundo a composição da carga (como acontece no processo Bessemer e Thomas).2%C) + (1% . porém o alto custo de operação e instalação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5% de pureza.D.2%Mn) + P e S o mínimo possível. previamente aquecidos.2%Si) + (0. A capacidade dos conversores modernos é de mais ou menos100 toneladas.

é que pode se dizer da ocorrência da fabricação dos aços. Osmond e outros deram. Sorby. Abel determinou que o composto isolado por KARSTEN. Ac1. A capacidade dos conversores varia de 1 a 50 toneladas. traça o diagrama da liga de Fe-C contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da indústria siderurgica. A. F. Devido ao grande interesse comercial.4.863 nasceu a metalografia. Estuda também os tratamentos térmicos. J. com suas descobertas.876. Cementita e Perlita. K Chernov. Osmond publica “Théorie céllulaires des propriétes de l' acier”. pesquisadores como A. F. e marca as posições dos pontos críticos Ar1. β e γ. por A. Cláudio R. Sugere as transformações alotrópicas do ferro e a existência do ferro γ. este material dúctil e maleável fez com que vários pesquisadores da época se interessassem em investigar a estrutura e comportamento mecânico.DEFINIÇÃO Após a redução do carbono do ferro gusa líquido nos conversores. Em 1. sugeridas por Howe e acrescentou os de Austenita e Martensita. Abel. Rozeboon. Ac2. F. Ar3. D. Figura 2. estirados e dos que sofreram tratamentos térmicos e passa a ser registrado fotograficamente as observações microscópicas. entre os anos de 1. Ac3 e as suas relações com o ferro α. F. C. Em 1.880. o que hoje é definido como aço.890.903. Desta forma. F. Brinell verificou que propriedades mecânicas diferentes em aços que foram forjados.883. Ar2. Brinell. Neste mesmo período. Em 1. Sorby. Losekann Direitos autorais reservados monóxido de carbono (venenoso) que escapa da boca do conversor. Osmond consagrou os nomes dos constituintes Ferrita.11 – Estrutura cristalina da cementita. 2. C. Osmond estudou o comportamento do ferro em temperaturas elevadas utilizando par termoelétrico Pt/Pt-Rh.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. corresponde a fórmula Fe3C e conclui que nem todo o carbono existente no aço pode ser isolado. aproximadamente. K Chernov apresentou o resultado dos seus estudos sobre cristalização e macroestruturas dos lingotes de aço vazado. • • • • • • • • Em 1.900. carboneto de ferro. na observação da superfície metálica polida. Em 1. utilizando os resultados de análises térmicas feitas por Robert Austen. Em 1. com o emprego do microscópio. A. 10 . Gibbs anunciou a lei das fases que teve grande interesse no estabelecimento dos diagramas de equilíbrio dos sistemas de ligas.900. F. D. Em 1. Em 1.1 .850 a 1. e baseando-se nas leis de Gibbs. Gibbs. laminados.885. J.

pode-se definir também o denominado ferro fundido que é uma liga binária de ferro-carbono.1%. V. Si.11 0. Do diagrama de equilíbrio do Fe-C. 11 . tendo como teor mínimo de carbono o valor de 0. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício. Losekann Direitos autorais reservados Em função do diagrama de equilíbrio traçado por Rozeboon. S) e. O aço pode ser definido como uma liga binária de ferro-carbono. Dr.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos 1538 1500 químicos residuais Au ste Líquido oriundos de sua 1394 nita Liq ( F u fabricação (Mn.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.C ternária composta basicamente de três FERROS FUNDIDOS AÇOS elementos: ferro. o valor de 6. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 2. Cláudio R.77% 727 C (Feα ) carbono e principalmente com 500 teores próximo de 4.008%. a temperatura ambiente. a temperatura de máxima solubilidade (1.12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono.5% de 0. além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn.7%. S) idu So eγ ) s Líquido + Fe3C +l lid íqu ou quando ligados us ido com elementos Austenita (Feγ ) 4. W). a temperatura ambiente e. o ferro Austenita (Feγ ) + Fe3C fundido contém de o 2% a 4.1%. como teor máximo de carbono. a temperatura ambiente e.3% 1148 oC adicionados para melhoria de suas 1000 propriedades. Entretanto.3% de carbono (Feα ) + Fe3C visto que o eutético (Feα ) + Fe3C + (Grafite) produzido por esta concentração de carbono reduz a 0 temperatura de 0 1 2 3 4 5 6 6. carbono (2 a 4.008 ºC). o valor de 2. às vezes. denominando-se assim como uma liga DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe . como teor máximo de carbono. outros elementos adicionados para melhoria de suas propriedades (Cr. P.148 2. P.7 solidificação (1.148 ºC). %C TEMPERATURA ( oC ) Figura 2. Na 912 prática.

com carbono superior a 0.11% 1400 eutetóide . Losekann Direitos autorais reservados O ferro.13 – Curva de resfriamento do ferro. (Ar1. Assim sendo.1 % de carbono. Entretanto.com carbono 1600 Líquido Liquidu s até 0. Não é considerada a variável pressão. denotando mudança de fase. Pelo gráfico esquemático abaixo. A região circulada mostra a área de interesse de conformação mecânica a quente dos aços comuns no comércio. nas paradas. Dr. A importância deste fato é que. a forma CFC pode dissolver até 2. A figura.0 2. é interessante salientar que este diagrama é teórico. não deve ser usado para tratamentos térmicos comerciais.008%.14 – Diagrama de equilíbrio . Figura 2. Ar2 e Ar3 – transformações no resfriamento) observa-se contrações que são devidas também às mudanças de fase. que segue.com carbono igual a 0. Vê-se.0 %C Como observação. Além disso. Cláudio R.AÇOS • hipo-eutetóide .5 2. e no caso. hiper-eutetóide . no resfriamento.0 1. como todos os metais no estado sólido. tem estrutura cristalina. • 2.0218% 400 200 0 0.77% o TEMPERATURA Feγ + Fe3C A1 A1 727 C 600 0.5 1.5 3.0 0. pois parte do princípio que a velocidade de resfriamento é infinitamente lenta e que não há outros elementos de liga que possam influenciar nas curvas de resfriamento. pelo diagrama de equilíbrio do FeC. 12 . pode apresentar-se em duas formas cristalinas diferentes: cúbica de corpo centrado e cúbica face centrada. Figura 2. observa-se que há pontos de parada (temperatura constante).77%. Líquido + austenita 1200 Austenita 1000 912 800 A3 Feα +Feγ ( oC ) • Feγ Acm 0.aço. que os aços podem ser divididos em três grupos: DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe-C . a pressão é uma atmosfera. há expansão de volume. visto que a maioria das reações metalúrgicas ocorre sempre à pressão constante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.77%. enquanto a forma CCC pode dissolver carbono até um máximo de 0. Pode-se observar que. mostra de forma ampliada o diagrama de equilíbrio do aço.77%.

15 – Ferritas.A ferrita é uma solução sólida de carbono em ferro alfa (Fe α).4. é magnética até 770°C. praticamente se considera a ferrita. e contém.0218% de carbono a 727 ºC. esteadita e grafita. Cristaliza-se sob a forma cúbica de corpo centrado (CCC).67%C e 93. resistência a ruptura de 28 kgf/mm² (Lr ≈ 280 MPa). São denominados: ferrita. Sua solubilidade na temperatura ambiente é tão pequena que dissolve apenas 0. cementita. perlita. cujas características serão visto a seguir: Ferrita .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 . alcançando dureza de 700HB ou 68HRC. ledeburita.16 – cementitas. Cristaliza-se sob forma ortorrômbica. A máxima solubilidade de carbono no ferro alfa é 0. Dr. É magnética até a temperatura de 2.008% de carbono. troostita.33% de ferro. e dependendo da forma de resfriamento da liga. martensita. como sendo ferro puro. É um dos constituintes mais duros e frágeis dos aços. Cada grão de perlita está formado por lâminas ou placas alternadas de cementita e ferrita. 13 . Figura 2. austenita. portanto 6. bainita. Por isso. A ferrita é um dos constituintes mais moles e dúcteis dos aços.5% de cementita.110 °C. Figura 2. sorbita. Losekann Direitos autorais reservados 2. resistência a ruptura de 80 kgf/mm2 (Lr ≈ 800 MPa) e alongamento de 15%. Cementita – É o carboneto de ferro de fórmula Fe3C. Perlita – É um constituinte composto por 88% de ferrita e 11. alongamento de 35 a 40%. Tem dureza de 90HB aproximadamente.CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO As ligas Fe-C são formadas por grupos de cristais que recebem o nome de constituintes. podem ser denominados em constituintes primários (por resfriamento lento) ou secundários (por tratamento térmico) e também de acordo com as proporções dos componentes das ligas. a partir da qual perde o magnetismo. Cláudio R. Tem semelhança com madre-pérola A perlita tem uma dureza de aproximadamente de 200HB. A estrutura lamelar se observa na perlita quando ocorre resfriamento lento.

A quantidade de carbono dissolvido na estrutura cristalina. Cláudio R. Se a perlita lamelar permanecer durante algum tempo a uma temperatura um pouco inferior a critica (727 °C) a cementita toma a forma de glóbulos incrustrados à massa da ferrita.18 – Austenita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Há outros autores que consideram essa estrutura como sorbita. mantendo-se na estrutura cúbica de corpo centrado do ferro alfa. começa a se formar em temperaturas de 727 °C (linha A1 ponto crítico inferior).148 °C. e a partir da temperatura crítica superior (linha A3 ou Acm). encontra-se toda a massa transformada em cristais de austenita. resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1. se os mesmos não contem elementos de liga. sendo a concentração de carbono de 2. A martensita se apresenta sob a forma agulhas devido a grande deformação da rede cristalina. B) Perlita sorbítica. por exemplo. Se o resfriamento é mais brusco. A austenita é formada por cristais cúbicos de face centrada (CFC). Austenita . Pode-se obter estruturas austeníticas nos aços na temperatura ambiente. É obtida por resfriamento muito rápido dos aços. uma vez elevando-se à temperatura suficiente para conseguir uma constituição austenítica. É um dos constituintes mais elásticos dos aços.11% a máxima solubilidade a temperatura de 1. onde os átomos de carbono estão inseridos principalmente nas faces das células unitárias. A) Perlita normal. Elas se apresentam em aços ligas especiais como.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). A austenita nos aços carbono.11%. a denominação de perlita globular ou esferoidizada. 14 . Losekann Direitos autorais reservados a) b) Figura 2. a baixa temperatura.17 – Perlitas.000 MPa) e alongamento de 30% e não é magnética. varia entre 0 e 2. sendo esta austenita não estável e com o tempo poderá transformar-se em ferrita e perlita ou perlita e cementita.É uma solução sólida de carbono em ferro gama (Fe γ). a estrutura é mais borrosa e é denominada então de perlita sorbítica. Dr. em aços com elevado teor de níquel. visto que o resfriamento rápido mantém os átomos de carbono que estavam dissolvidos na estrutura cúbica de face centrada da austenita. Figura 2. A austenita tem dureza de aproximadamente 300HB. o cromo-níquel. Martensita . recebendo assim. sendo denominadas de austenita retida ou residual.

15 .3%.750 a 2. Apresenta durezas intermediárias da perlita fina com a martensita. A dureza da martensita pode atribuir-se à tensão produzida entre os cristais deformados.5% e é magnética. da mesma maneira que os metais deformados a frio. similar a martensita. A percentagem de carbono da martensita não é constante. sendo que varia até o máximo de 0. Losekann Direitos autorais reservados Antigamente acreditava-se que a martensita originava uma estrutura tetragonal em virtude da grande dureza. Tal operação recebe de peças de pequenas dimensões. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O processo de obtenção de bainita é similar ao da martensita. aumentando sua dureza. ou seja. resistência mecânica e fragilidade. Figura 2. Figura 2. em conseqüência. a bainita. com o aumento de carbono. tanto quanto a martensita. A bainita superior. Bainita . é obtida entre temperaturas de 250 e 400 °C. a dureza aumenta. Cláudio R. Sua dureza varia de 50 a 68 HRC. assemelhando-se a estrutura do diamante.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α).20 – Bainita inferior. um processo de transformação interrompida da perlita.5 a 2. alongamento de 0. As duas bainitas são constituídas por placas de carbono sobre uma matriz ferrítica.8%C.19 – Martensita. entretanto esta e evidenciada pelo início da transformação das lamelas de cementita.500 MPa). onde a tensão entre os grãos aumenta. de aspecto arborescente. Em outras palavras. resistência mecânica de 175 a 250 kgf/mm2 (1. durante um tempo suficiente para que toda massa se transforme. dependendo da temperatura em que o material foi tratado. é obtida entre a temperaturas de 300 e 500 °C e a bainita inferior de aspecto acicular. é um constituinte secundário da liga Fe-C que sofreu tratamento térmico com resfriamento rápido. entre as temperaturas de 250 e 500 °C. Pode-se obter dois tipos de bainita. É obtida também por resfriamento rápido dos aços com concentração de carbono acima de 0. Possui excelentes propriedades mecânicas e não necessita de operações de revenido após ter sido obtida. A bainita é obtida por transformação isotérmica da austenita.

23 – Ledebuirta.3% C desde temperatura de 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 2. Figura 2. É encontrada nas ligas Fe-C com teores de carbono superior a 2.A trostita se obtém por transformação isotérmica da austenita entre as temperaturas de 500 e 600 °C. Sorbita .5%. Dr.A sorbita é obtida por transformação isotérmica da austenita.11%.21 – Trostita. decompondo-se em ferrita e cementita. entre as temperaturas de 600 e 650 °C e mantendo esta temperatura constante durante um tempo suficiente para toda massa se transforme. A trostita se apresenta em forma de módulos de lâminas radiais de cementita sobre a ferrita. Por essa razão aparece nos aços forjados e laminados.3%. quando resfriamos a austenita a uma velocidade bem inferior a velocidade crítica de resfriamento. Ledeburita . A dureza da sorbita é de aproximadamente 350 HB e resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1. A quantidade total de carbono da ledeburita é de 4. resistência mecânica de 250 kgf/mm2 (2. ainda mais finas que as da trostita.22 – Sorbita. É um constituinte eutético e empregada para designar uma mistura de componentes que passam sem decomposição nem segregação do estado sólido para o líquido. É formada por 52% de cementita e 48% de austenita. parecidas com as da perlita.500 MPa) e alongamento de 7. Cláudio R. porem mais finas. A ledeburita é obtida resfriando-se a liga líquida de 4. sendo estável até 727 °C. A dureza da troostita é de aproximadamente 450HB.148 °C. A sorbita se apresenta sob a forma de lâminas.A ledeburita não é um constituinte dos aços. 16 . nos quais a velocidade de resfriamento suficientemente rápida não dá tempo para a formação da trostita.000 MPa) e alongamento de 15%. Também é obtida. A trostita também é obtida através do resfriamento com a velocidade inferior a crítica (velocidade crítica de resfriamento é a mínima velocidade para que toda a austenita se transforme em martensita). Figura 2. mas sim dos ferros fundidos. Losekann Direitos autorais reservados Trostita . e também parecidas com as da perlita.

As quantidades de perlitas aumentam com o aumento do teor de carbono.25 g/cm3. Apresenta-se em forma de lâminas nos ferros fundidos cinzentos e em forma de esferoidal em alguns ferros fundidos especiais. Losekann Direitos autorais reservados Esteadita . Figura 2. Ferritas (claras). elasticidade e plasticidade. terá aproximadamente 15% de esteadita. Figura 2.24 – Esteadita. Como a esteadita se compõem de uns 10% de fósforo aproximadamente. Somente perlitas. Figura 2. b) No aço eutetóide. e quase todo fósforo da liga se encontra neste constituinte. Possui cor marrom escuro e peso específico 2. Cláudio R. • Perlita. pode-se calcular a percentagem de esteadita que contém o ferro fundido por sua quantidade de fósforo. resistência mecânica. Confere a liga ferrosa baixo valor de dureza.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Por exemplo. diminuindo a quantidade de ferrita. as seguintes estruturas são formadas no aço: a) No aço hipo-eutetóide abaixo de 727 ºC.26 – Microestrutura de aço eutetóide. Grafita .15% de fósforo.77% de carbono encontram-se na matriz do aço somente grãos de perlitas. Em condições de resfriamento lento.É um constituinte de natureza eutética. No entanto melhora a resistência ao desgaste (serve como lubrificante seco) e a corrosão. Com concentração de 0. e aparece nos ferros fundidos com mais de 0. um ferro fundido que contém 0. Dr.25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide.A grafita é um dos três estados alotrópicos em que encontramos carbono livre na natureza. 17 . perlitas (escuras). funde a 960 °C. É muito dura e frágil. • Ferrita + Perlita.15% de fósforo.

941 estas normas foram encampadas pela “AISI”.AISI A classificação. a classificação básica inicial SAE e partindo desta foram feitas modificações necessárias e ampliações.77% de carbono se encontram grãos perlíticos e. 2. Assim.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. permanecendo o princípio adotado anteriormente. A base deste sistema é. bainita superior e inferior.912 nos Estados Unidos da América do Norte. foi organizada. em princípio.2315 18 . adotada a classificação SAE. denominada “classificação SAE”. da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Nos aços com teores acima de 0.3 . apresentada e normalizada em 1. o que faz a AISI não foi nada mais do que adotar em princípio. podemos falar em classificação SAE ou AISI ou também SAE-AISI. a classificação tem como critério básico a composição química de aço.4. Figura 2. Assim sendo.CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS . sigla da “American Iron and Steel Institute” (Instituto Americano de Ferro e Aço). Em 1. entidade norteamericana que congrega e normaliza toda a indústria de ferro e aço naquele país. é evidente que nunca há velocidade infinitamente lenta. caracterizando fragilidade intergranular. No caso de resfriamento convencional. Cláudio R. como perlita fina. Dr. Desta forma. ou seja.conhecida pela sigla “SAE ”. Losekann Direitos autorais reservados c) No aço hiper-eutetóide até 2% de C. Perlitas e cementitas. de acordo com a norma NB-82.27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide. forno. cuja sigla é ABNT. no contorno de grão. ar. tornou-se conhecida mundialmente. Nas condições normais. adotadas hoje por muitos países. pela famosa “Society of Automotive Engineers” (Sociedade dos Engenheiros Automobilistas) . há a formação de outros constituintes. praticamente.2315 AISI . No Brasil também foi. o da classificação em relação a sua composição química. martensita.2315 ABNT . tem-se como exemplo: Aço-Níquel: SAE . • Perlita + Cementita. a cementita. os elementos de liga influem na morfologia do diagrama de equilíbrio. que estaremos praticamente nos referindo a um mesmo critério de tipos e valores. sendo suas normas de classificação dos aços ou das bases de seu sistema. por exemplo.SAE .ABNT . óleo e água. Por outro lado. São perfeitamente equivalentes.

2o algarismo: indica o “grupo” dentro do tipo. XX . O código básico de representação dos tipos de aços. Cláudio R. ou entre o 2º e o 3º ocorre a inclusão de letras como: • Prefixo X indica a variação de enxofre ou cromo.XXXX Associação Brasileira de Norma Técnica ABNT . precedidos da sigla indicadora da constituição normalizadora.AISI tornando possível especificar. • A letra D precedendo os algarismos indica aços com composição química exatamente igual a estabelecida pelas norma DIN (Deutsche Industrie Norm). Dr. X . o tipo de aço usado. permitindo descrever.1o algarismo: indica o “tipo” de aço. 19 . Entende-se como “aços laminados” (wrought or rolled steel) os “aços carbono” (carbon steel) e “aços-liga” (alloy steel) usados em construção mecânica e obtidos por laminação em laminadores. parcialmente. ABNT 4524 AF – aço fundido com tensão de ruptura de 45 kgf/mm2 e alongamento de 24%. Exemplo: D5116 corresponde a 16 Mn Cr 5 Os aços fundidos são designados por 4 algarismos seguidos de AF. nos sistemas normalizados SAE e ou AISI é constituído sistematicamente por quatro algarismos (ocasionalmente por cinco algarismos no SAE e três no sistema AISI). • Prefixo T é empregado para indicar a maior proporção de Mn. Sigla • • • Cada instituição normalizadora usa a sua sigla: Society of Automotive Engineers SAE . Tem-se então: UMA sigla e QUATRO algarismos ⇒ SAE XXXX SAE : “Sigla” da Instituição Normalizadora X . Em alguns casos. • A letra L intercalada entre o 2º e o 3º algarismo indica a presença de chumbo (lead).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nos desenhos de oficina e especificações técnicas. antes dos 4 algarismos.3o e 4o algarismos: indicam o “percentual médio” de carbono. onde os dois primeiros números indicam a tensão de ruptura em kgf/mm2 e os dois últimos algarismos representa o alongamento.XXXX. a composição química dos mesmos.XXXX American Iron and Steel Institute AISI . Losekann Direitos autorais reservados • Sistema básico de classificação Um sistema codificado é usado para designação dos aços laminados na classificação SAE . O propósito desta publicação é exatamente de estudar o sistema de classificação destes tipos de aços. Ex.

que nestes casos denominamos de combinação da liga. algumas vezes. O quadro abaixo indica esta identificação: TIPO DE AÇO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 DESIGNAÇÃO Aço Carbono (sem metal de liga) Aço Níquel Aço Níquel-Cromo Aço Molibdênio Aço Cromo Aço Cromo-Vanádio Aço Tungstênio-Cromo Aço Níquel-Cromo-Molibdênio Aço Silício-Manganês 2o Algarismo .23% C. Por 20 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. entre os aços indicados por SAE 1020 (0.21% C) as tabelas não apresentam diferença na porcentagem média de carbono. XX % C Ex. quando for considerado isoladamente. Nas ligas com “dois elementos de liga”. que. muitas vezes. indica a percentagem aproximada do elemento predominante na liga. e que geralmente lhe dá o nome. com “dois elementos de liga” indica uma determinada combinação de porcentagem média dos (ou de alguns dos) componentes da liga. geralmente. que. o 4o ou último algarismo. Será visto. um elemento de liga que. Dentro do mesmo “tipo” e “grupo” estão compreendidas uma série de ligas com as mesmas porcentagens de elementos componentes.: 0. significando a indicação de metal (ou metais) básico adicionado a liga de ferro carbono. Losekann Direitos autorais reservados 1o algarismo . para identificar bem os aços comerciais disponíveis. Ambos apresentam uma porcentagem de C entre 0. em alguns casos.18 a 0. 3o e 4o Algarismo . permanecem constantes para todos os aços com o mesmo 2o algarismo. Cláudio R.2% C) e SAE 1021 (0.Percentagem média de Carbono Os dois últimos algarismos XX indicam sempre a percentagem média de carbono no aço.“Tipo” de Aço Um sistema numérico de 1 a 9. em centésimo percentual. ou seja: 0. posteriormente nas tabelas. por exemplo. procura identificar de uma maneira geral e global o tipo de aço a que pertence. indica a percentagem aproximada deste elemento.25% C Significado especial do 4o Algarismo Muitas vezes.grupo dentro do tipo Nas “ligas simples”. Dr. pode indicar a existência de variações de outros elementos da liga. Nas ligas com “três elementos de liga” e também.

35% de carbono na liga. Aço SAE .Caracteriza “Aço Carbono”.98 e 1. como os aços SAE 50100.Percentagem média de 0.5% de Ni Inox e resistente à altas temperaturas Aço com 1.Percentagem média de 1% de carbono . 35 .Percentagem aproximada de Cromo na liga .Percentagem aproximada de cromo na liga .30% de C. no entanto. Dr.).00 a 1.75% de Mn Aço com elevado teor de Mn Aço com 0. 0 .0% Cr Aço com 3. 40 . exceto elementos residuais.40% de C. Tipo Aço carbono Classe 10xx 11xx 12xx 13xx T-13xx 14xx 15xx 20xx 21xx 23xx 25xx 30xx 31xx 32xx 33xx 34xx 40xx Teor aproximado dos elementos Aço sem elemento de adição Aço resulfurado – de usinagem fácil Aço resulfurado e refosfatado Aço com 1.Sem elemento de liga além da combinação ferro e carbono.98 a 1.51100 5 . Losekann Direitos autorais reservados outro lado. 1 . Aço SAE . Aço SAE .5% de Ni Aço com 5.65% Aço com 0. cujos valores médios estão especificados nas respectivas tabelas de composição química.5% de Ni Aço com 3.25% Mo Aço Ni Aço Ni-Cr Aço Mo 21 .Percentagem média de 0.Corresponde a uma percentagem média de 0.10% de C. Cláudio R.Caracteriza “Aço Cromo” 1 .5% Cr Aço com 3.1035 1 .5% Ni e 1. 100 .10%C).10% de Nb Aço com Mn entre 1. apresentam na porcentagem de Mn. com percentagem média de carbono de 1%. os três últimos (XXX) indicam a percentagem média de carbono (entre 0.1% Cr. Aços classificados com cinco algarismos Algarismos (XXXXX).0% Ni e 0.5% de Ni Aço com 1. o último contém maior porcentagem.5140 5 .75% Ni e 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Caracteriza a combinação em determinadas percentagens dos três elementos de liga.(0.25% Ni e 0.8% Cr Aço com 0. 30 . Exemplos: Aço SAE .Caracteriza Aço Níquel-Cromo-Molibdênio 6 .65% Cr Aço com 1. SAE 51100 e 52100.8630 8 .Caracteriza “Aço Cromo”.1% Cr.

12% Mo Aço com 0.4.Elementos de liga. Losekann Direitos autorais reservados Aço Cr Aço V Aço W Aço Ni-Cr-Mo Aço Si-Mn 41xx 43xx 46xx 48xx 50xx 50xxx 501xx 51xxx 511xx 514xx 515xx 52xx 52xxx 521xx 61xx 70xx 86xx 87xx 92xx 93xx 94xx 97xx 98xx Aço com 0. embora em pequenas percentagens.75% Ni e 0.55% Ni e 0.5% Cr e 0.45% de Cr e 1% de C Aço com 1.4% Cr e 0. sempre existem nos aços.Elementos resultantes da elaboração Pertencem a este grupo os elementos como o manganês (Mn).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2% Cr e 0. manifestamente prejudiciais a qualidade do aço.9% Cr Aço com 1. devem ser reduzidas as menores porcentagens possíveis.75% Ni e 0.8% Cr e 0. Dr.5% Cr e 0.45% de Cr Aço com 0.25% Mo Aço com 2. 1o Grupo .15% de V Aço com tungstênio Aço com 0.5% de Cr e 1% de C (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1.55% Ni e 0.3% a 0.10% Mo Aço com 0.25% Mo 2.25% Mo Aço com 1.25% Mo Aço com 3. ou introduzidas durante os processos de fabricação.55% Ni e 0. • • 2o Grupo – Impurezas.2% Mo e 0. outros elementos que podem ser classificados e divididos em três grupos. 3o Grupo . tal como é usado industrialmente.15% Mo Aço com 0.INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO Como foi estudado anteriormente.Impurezas São constituídas pelos elementos que sendo componentes das matérias primas usadas. como decorrência dos processos de fabricação e que.25% Ni e 1.Elementos resultantes da elaboração. 2o Grupo .12% Mo e 1% Mo Aço com 0. • 1o Grupo . São constituídas principalmente 22 .55% Mn Aço com 3. cuja presença no aço. por serem no caso.4 . o aço.5% Ni e 0.17% Cr e 0. Cláudio R.20% Mo Aço com 1% Ni e 0.5% de Cr Aço com 0.0% Si e 0.8% Cr e 0. possui além do ferro e do carbono. o alumínio (Al) ou o titânio (Ti).45% Ni e 0.2% de Cr Aço com 1.6% de Cr Aço com 0.9% de Cr a 0. o silício (Si).

As deformações produzidas pela têmpera são diminuídas pela adição de Mn. uma quantidade de peças de aço (de diversas ligas) é adicionada junto com o ferro e carbono para formar o aço. conferem propriedades particulares.5% aproximadamente. nitrogênio.70% C. que definem a qualidade do aço. Para cada um dos elementos de adição existentes ou adicionados aos aços de construção.Elementos de Liga Também denominados de “elementos especiais”.4. Dr. boro.4. silício. vanádio.50% C constituem os Aços Ferramentas. Faz aumentar moderadamente a temperabilidade e contrabalança a fragilidade dos aços devido ao enxofre. ou conseqüentes dos processos de fabricação são constituídos principalmente pelo enxofre. Se nenhum destes elementos atinge a porcentagem de 5% o aço diz-se “baixo teor elementos de liga” se a percentagem ultrapasse os 5% são classificados como de “médio” ou “alto” teor em elementos de liga. compreendido entre dois limites. ou ainda. Losekann Direitos autorais reservados por elementos não metálicos como o enxofre. assim como a resistência ao desgaste. Cláudio R. O teor de carbono varia entre 0. etc. Percentagens entre 0. será abordado um resumo da sua ação específica e em especial. devido aos processos de fabricação.35% pois é empregado como desoxidante durante o processo de fabricação do aço.É o elemento que desafia o aço e estabelece suas propriedades básicas. tântalo. níquel.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. zircônio. tungstênio. chumbo. relacionando a sua influência sobre os tratamentos térmicos e a influência destes elementos e destes tratamentos sobre as características de comportamento mecânico dos aços. 2. 3o Grupo . A percentagem de carbono influi apenas na dureza de aço. níquel. selênio. oxigênio. O seu valor porcentual está. titânio. cromo.1 – Elementos de adição Carbono (C) . alumínio. As impurezas provenientes da matériaprima. estanho. como o cobre. Silício (Si) . Aumenta a dureza e resistência e diminui a ductilidade e plasticidade. Percentagens que oscilam entre 0.6% de Mn. Poderão dar ao aço propriedades indesejáveis para o fim a que se destinam. até 0. Manganês.O silício como o Mn. Associado ao silício. fósforo. etc. enquanto que as outras propriedades dependem do grau de pureza.. Sabe-se que entre as matérias primas usadas para a fabricação do aço. uma boa percentagem é de “sucata” ou seja. acha-se presente em todos os aços em pequenas proporções. Somente é considerado como elemento de liga nos aços. Aumenta a velocidade de penetração do carbono na cementação. quando a percentagem média excede a 0.10 a 1. Aumenta a resistência mecânica dos aços de baixa liga e melhora a resistência à oxidação em altas 23 . mas também por diversos metais.10% a 0. chumbo. cobalto. “aços especiais”. são aqueles que se adiciona intencionalmente ao aço. em geral. molibdênio. em pequenas percentagens. serve para fabricar aços especiais para molas.É um elemento que se apresenta em todos os aços. cobre. silício e manganês. classificam-no como aços de construção. Aumenta a dureza e a resistência.50 a 1. fósforo. Manganês (Mn) .

Como o nitrogênio. por sua ação de aumentar a temperabilidade e penetração da têmpera. É empregado também como elemento de liga.É uma impureza normal existente nos aços.0% por possuírem boa permeabilidade magnética. Por esta razão nos aços de alta qualidade. Em um caso especial. da forma que a combinação daqueles elementos com o oxigênio torna-se inofensivo. de até 0. A percentagem máxima admissível e em torno de 0. para este efeito. com carbono até 0. A presença do enxofre faz com que os aços tenham características mecânicas inferiores. atingindo os aços especiais. dando origem aos aços de “corte livre”. Enxofre (S) . devido a fragilidade destes aços. Atualmente.0% de Ti tornam os aços com 0. Titânio (Ti) . Melhora ligeiramente a resistência à corrosão. porem considerada de natureza nociva. Faz aumentar o coeficiente de elasticidade o que torna sua presença inconveniente nos aços destinados a receberem deformação por estampagem. tornando-o frágil. Nitrogênio (N) . Cláudio R.Em princípio o nitrogênio tem muitas vezes uma influência nociva sobre os aços. melhora certas propriedades dos aços.É um elemento prejudicial aos aços tornando-os frágeis e quebradiços ao rubro. por serem usados para a fabricação de pequenas peças. sendo então considerado como “aço-silício”. diminuindo conseqüentemente sua tenacidade. prevenindo a corrosão intergranular e a tendência à fragilidade. prestando-se muito bem para imantação por corrente alternada. a percentagem de silício deve ser superior a 0. maior afinidade pelo oxigênio do que o ferro. magnetizando e perdendo rapidamente o magnetismo. Dr. adicionam-se elementos de liga. o Nitrogênio deixou de ser considerado elemento nocivo. Os aços-silício são muito usados para chapas de núcleo de transformadores e motores elétricos.30 a 0. durante os processos de fabricação. empregando-se em ferramentas para trabalhos em pedreiras. é considerado elemento benéfico.5% C não temperáveis. Aumenta a dureza e a resistência dos aços de baixo teor de carbono. pois aumenta a facilidade de usinagem e os cavacos se destacam em pequenos pedaços. em muitos casos. Fósforo (P) . para permitir altas velocidades de corte. o oxigênio é prejudicial ao aço. Felizmente.35% é usado na produção dos aços de “corte livre”. São também chamados “aços para tornos automáticos”. que possui. Os aços-silício resistem muito bem ao desgaste.05%. É usado também na fabricação de molas. O oxigênio endurece o aço.5%. causando principalmente dureza e fragilidade. Oxigênio (O) . pois sua edição em percentagem. pois foi verificado que.É usado para desoxidação e como estabilizador dos aços inoxidáveis austeníticos. deseja-se limites máximos entre 0. Losekann Direitos autorais reservados temperaturas. Percentagens de 2. altos valores de carga de ruptura. de modo que o seu teor deve ser mantido o mais baixo possível.4% Si.10% e percentagens de silício até 4. Aumenta a existência e dureza dos aços de baixa percentagem de carbono melhora nestes aços a sua usinabilidade. Para ser considerado como elemento de liga.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Aumenta a 24 .

Níquel (Ni) .Junto com o Ni. como o Invar (35. O aço-níquel com baixa percentagem de Carbono (0. do que resulta uma grande resistência ao desgaste e alta capacidade de corte. Dr.20% aumenta a profundidade de têmpera. 25 . As ligas com fortes percentagens de Ni apresentam reduzido coeficiente de dilatação pelo calor.5% e confere boas propriedades mecânicas para utilização a temperaturas elevadas. isoladamente. especialmente a baixas temperaturas.Consiste um dos elementos de liga mais importantes. Losekann Direitos autorais reservados resistência ao calor e à fadiga dos aços austeníticos. Aumenta a resistência a ruptura à tração e o limite de elasticidade. De um modo geral. Cromo (Cr) . Molibdênio (Mo) . O cromo aumenta consideravelmente a resistência a temperatura ambiente e a altas temperaturas: aumenta a dureza e o limite de escoamento do aço. Oferecem também boa resistência ao desgaste. melhora ainda a corrosão. constitui um dos elementos mais importantes na fabricação dos aços de alta qualidade. Em conjunto com o níquel e cromo. Cláudio R. alta tenacidade e boa ductibilidade. O nitrogênio é também usado num processo de endurecimento superficial chamado de “nitretação”. Cobre (Cu) . quando a percentagem é menor ou maior de 25% de Ni. porém seu efeito é muito mais intenso. pela contribuição efetiva e econômica para as características pretendidas. Tem pouca influência sobre a ductibilidade.Em percentagens de 0. onde entrará como elemento de liga.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. peças para relógios. Em percentagem de 0.A ação do molibdênio é muito intensa. Aumenta a resistência à ação corrosiva dos ácidos. Eleva a resistência à corrosão a temperatura ambiente e altas temperaturas. Os aços-cromo melhoram consideravelmente as suas propriedades pelo tratamento de revenido após o tratamento de têmpera. assim como a resistência a corrosão e a oxidação. pois mesmo com pequenas porcentagens obtém-se efeitos consideráveis. etc. sobretudo nas percentagens de 0. os efeitos produzidos pelo Mo nos aços assemelham-se as produzidas pelo tungstênio. a tenacidade e a resistência ao choque. melhora a resistência ao choque e a resistência à fluência a quente. ou associado ao Ni. O molibdênio atua sobre propriedades muito diversas do aço e o seu emprego generaliza-se cada vez mais. sendo usados para réguas padrão. sendo invariavelmente usado em complemento de outros elementos de liga (pois o molibdênio. Aumenta a resistência a tração.5% de Ni) e a Platinite (46% de Ni). Aumenta a penetração da têmpera.15% C) e 2% de Ni prestam-se notavelmente bem para cementação. tende a diminuir a tenacidade dos aços). Dá ao aço resistência à tração.5% melhora a resistência à corrosão atmosférica. nos aços inoxidáveis.10 a 0. As ligas com altas percentagens de Ni (e Cr) são os elementos básicos dos aços inoxidáveis. Os aços são classificados e representam propriedades sensivelmente diferentes. sendo as vezes usados nos aços cromo-níquel resistentes à corrosão. especialmente nas de corte rápido. É largamente utilizado na fabricação dos aços inoxidáveis. e um dos primeiros a serem utilizados nos aços.

mesmo com teores bastante baixos. Melhora a resistência ao choque dos aços de construção. Como elemento de liga. melhorando as suas características de forjamento e usinagem. por esta razão. Losekann Direitos autorais reservados Vanádio (V) . o alumínio aumenta a resistência do aço à oxidação e ao calor. A sua ação mais importante é o extraordinário aumento da temperabilidade do aço. sendo o elemento básico dos aços rápidos. o que torna pouco econômico o seu uso quando são desejáveis as suas excelentes propriedades mecânicas. Dr. Tungstênio (W) . etc. O seu emprego em teores elevados. pelo que é extraordinariamente importante seu efeito nos aços para ferramentas. Emprega-se nos aços para imãs e ligado ao Cr e ao Ni nos aços “superinvar” de baixo coeficiente de dilatação. forjamento e usinagem. Oferecem também boa resistência ao desgaste. Sempre é empregado em conjunto com outros elementos. Também são empregados em peças que estão sujeitos à fadiga. Mantém uma dureza elevada em temperatura elevada (500 ºC) e. Mo. e resistem bem ao revenido. Boro (B) . W. deve ser acompanhado por um aumento do teor de carbono. Geralmente são adicionados com outros elementos. principalmente como desoxidante durante o processo de fabricação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O vanádio aliado ao molibdênio melhora a resistência à fluência.004%. Devido a grande afinidade pelo oxigênio. que se obtém. 26 . onde é muito empregado. sem diminuir.Uma das principais características da adição do vanádio nos aços. V. especialmente com o cromo. Emprega-se especialmente nos aços ferramentas com o W e o Cr em teores de 3 a 10%. Aumenta a dureza e contribui para a melhoria acentuada da capacidade de corte a altas temperaturas. é torná-lo insensível ao super aquecimento. Os aços ao tungstênio podem ser temperados em água sem rachar. afim de que os aços não percam a sua capacidade de têmpera. em torno de 0. sendo o mais comum o cromo.É um elemento muito interessante. São aços com preço elevado.Aumenta a resistência do aço. Forma carbonetos muito estáveis e resistentes ao desgaste. como seria de esperar. É elemento importante em todos os aços rápidos. o alongamento. Cláudio R. Aumenta o limite de escoamento e resistência. Chumbo (Pb) .Aumenta consideravelmente a dureza a resistência do aço a temperatura ambiente e em especial a altas temperaturas. além de melhorar o acabamento. Alumínio (Al) . são geralmente usados na fabricação de estampas e matrizes. incorporado recentemente na tecnologia de fabricação do aço. é um elemento importante nos aços que vão ser submetidos a nitretação.O alumínio é empregado nos aços. O cavaco formado e frágil é descontínuo.O objetivo da adição de chumbo no aço é o de melhorar a usinabilidade dos aços-carbono. Cobalto (Co) . entretanto. Melhora a resistência à fadiga e as suas características de laminação. pois facilita a penetração do nitrogênio. como o Cr. como as molas.

cruzetas. peças dobradas.Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. 4340 . pinças para máquinas operatrizes. virabrequins.Aço cromo-niquel-molibdênio usado para cementação na fabricação de engrenagens.Fácil de ser usinado. usado em eixos. eixos. semi-eixos. peças para tratores e caminhões.. ferramentas. etc. Cláudio R. partes soldadas.4. porém não devem ser utilizados em partes vitais de máquinas ou equipamentos que estejam sujeitos a esforços severos ou impactos.RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA • • • • 1010 . de uso geral em aplicações que exigem resistência mecânica superior ao 1020 ou têmpera superficial (em óleo ou água). contudo. é de difícil soldabilidade exceto mediante a uso de eletrodos de baixo teor de hidrogênio.. bielas.Aço cromo-vanádio para beneficiamento que apresenta excelente tenacidade e média temperabilidade sendo usado em molas helicoidais. pinos. de uso geral. usado em peças de seções grandes como eixos. onde apresenta capacidade superior a 60% em relação ao 1212. 1212 . como por exemplo. chavetas e peças de espessura média. componentes aeronáuticos. arames em geral.Aço de alto teor de silício com alta resistência.Aço cromo-níquel-molibdênio de média temperabilidade. roscas laminadas ou partes recartilhadas em relação ao 1212 e 12L14.Aço cromo-manganês de boa tenacidade com média temperabilidade. 1020 . 4320 .Aço com teor médio de carbono. para uso geral.Aço ao carbono. barras de torção. 6150. capas de rolamentos. cremalheiras. etc. eixos. Dr.Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. tubos e outras aplicações. de média temperabilidade. E6015 (AWS). 9260 . Losekann Direitos autorais reservados 2. 8620 . 1045 . etc.Aço cromo-níquel-molibdênio de alta temperabilidade. 12T14 . usado em peças mecânicas. terminais. 12L14 . parafusos. (limite de resistência do núcleo: entre 70 e 110 kgf/mm2). etc. pinhões. usado em molas para serviço pesado como tratores e caminhões. Apresenta algumas melhorias em trabalhos que necessitem de compressão. 5140 . partes soldadas. engrenagens. conformada ou cementadas. Como exemplo. usado em parafusos. Usa-se comumente na fabricação de porcas. conexões e outros produtos que necessitam de alta usinabilidade. etc. 8640 . sem elementos de liga. usado em peças mecânicas. oferecendo um bom acabamento superficial. usado em coroa e pinhões. etc. (limite de resistência do núcleo: entre 80 120 kgf/mm2).5 . onde apresenta capacidade superior a 100% em relação ao 1212. 5160 . • • • • • • • • • • 27 . usado tipicamente na fabricação de molas semi-elípticas e helicoidais para veículos. usados em peças de construção mecânica em geral.Aço ao carbono sem elementos de liga. terminais de direção.Aço cromo-manganês para beneficiamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Aço cromo-níquel-molibdênio para cementação que alia alta temperabilidade com boa tenacidade.

2345. alargadores. do custo. uma seleção criteriosa do material depende. 1095 1060. etc. 1144 4615 4620 1070. 3140 1080.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 1040 2330 52100 1085 1060 5150 1060 1020 1040 1085 1035 1040. 4815. tiras e tubos Chapas. Portanto. 4140 1045. 1137. APLICAÇÃO Aço de corte livre Aço de deformação mínima Aço p/ ferramentas agrícolas Aço p/ferramentas agrícolas Aço para laminação a frio Alavanca de freio Alavanca temperada Anel de rolamento Arame de aço Arruela de encosto Arruela de encosto temperada Arruela de pressão Barra de distribuição Barra de distribuição Barra do amortecedor Barra para estiragem a frio Biela Chapas. Losekann Direitos autorais reservados • 52100 . 1080 1070 1030. 2340. 4820. 3115. 5115. 3140. 2340 2340. 4023. 4340 1040. 3135. das características precisas do trabalho a que se destina.Aço que atinge elevada dureza em têmpera profunda. As aplicações dos aços mencionados na tabela que se segue não passam de orientações gerais. tiras e tubos Chaveta Corrente de transmissão Disco de arado Disco de fricção Eixo Eixo de automóvel Eixo do ventilador Eixo ranhurado Eixo para serviço severo Eixo temperado em óleo Eixo de transmissão Engrenagem cementada Engrenagem de corrente Engrenagem do diferencial Engrenagem em serviço severo Engrenagem temperada TIPO DE AÇO SAE 12L14. 3140. 2317. 4119 4023 4640. 6150 4615. 8640. 6150 2345 28 . Cláudio R. 1015 1030. 3120. 3141 1008 1010. brocas. usado tipicamente em esferas. 4119. 1132. 1213. além de outros fatores. 4615. 4125 4320. da usinabilidade do material. 2330. Dr. 12T14. 4063. 3141. 2345. 4620 5150 4140 1320. 1045. 2340. 1320. sobretudo. roletes e capas de rolamentos e em ferramentas como estampos. 1212. 3510. 1070 1085 1040. 8620 3115. 4340. 3115 3135. 3120. 2340.

2515. 1010. 6150 6150 3115. 2317. 1015 52100 1010 1010 1020 1045 1145. 4620 1144 1085. 1118. 2340 1020. 1117. 1024. 4023. 4820 3115. 4063. 4063. 1010. 1040 1045. 1320. 4340. Dr. 4063 1095. 1212. 5150 52100 1008. 8620. 3120. 3115. 4032. 4140 29 . Losekann Direitos autorais reservados 3145. 1015 4615. 3140. 3120 3130 2330 1008. 5140. 6150 5150 1035 3130 1211. 8640. 4068.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Engrenagem temperada em óleo Esfera de rolamento Estampagem profunda Excêntrico para volante Junta universal Lâmina para molas Mola de compressão Mola helicoidal Mola temperada em óleo Parafuso Parafuso de barra de direção Parafuso de corte livre Parafuso estampado a frio Parafuso esticador Parafuso para biela Parafuso para cilindro Parafuso para serviço severo Parafuso temperado Peça cementada Peça forjada Peça forjada média e pequena Peça forjada p/ar comprimido Peça forjada temperada Peça forjada p/trabalho severo Pinhão cementado Pino (corrente de transmissão) Pino (pistão) Porca Porca temperada Rebite Roletes para rolamento Tubos para peças mecânicas Tubos sem costura Tubos soldados Virabrequim Prof. 4815. 3150. 6150 1060. 1022. 3310. 3135. 1036 1035 4140 3240. 3120. 9260. 1213 4042 3130 3130 3130 4815. Cláudio R. 4820 2330. 1095. 4320 3135.

cinzento.28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento. Losekann Direitos autorais reservados 2. pode-se definir também o ferro fundido como uma liga binária de ferro-carbono. Cláudio R. O ferro fundido branco é formado através de um resfriamento mais rápido do metal líquido. onde a dureza é a principal característica.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn. moagem. não ocorre a formação de grafite e todo carbono fica na forma da cementita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Devido a estas características são muito empregados na indústria automobilística e indústria de equipamentos agrícolas. aumentando a dureza. Dr. este ferro fundido apresenta cor clara. A figura ao lado mostra este tipo de estrutura. denominando-se assim como uma liga ternária composta basicamente de três elementos: ferro.148 ºC). embora tenham uma grande resistência à compressão e ao desgaste. Na prática. os ferros fundidos brancos são frágeis. No ferro fundido cinzento. carbono (2 a 4. Em função disto. entretanto. o carbono pode se apresentar de duas formas: na forma de cementita (Fe3C) e na forma de grafite. maleável ou nodular.7%. teor máximo de carbono.1%. S) ou quando ligados com elementos adicionados para melhoria de suas propriedades. são também necessárias concentrações menores de carbono e de silício. 30 .8%. De acordo com o diagrama de Fe-C. molibdênio e vanádio estabilizam os carbonetos.5 – FERRO FUNDIDO Pelo diagrama de equilíbrio do Fe-C acima. o ferro fundido contém de 2% a 4. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício. P. a temperatura ambiente. Assim. Este tipo de ferro fundido apresenta boa usinabilidade é ótima capacidade de amortecer vibrações.5% de carbono e principalmente com teores próximo de 4. Dependendo da concentração de cada elemento e da maneira como o material é resfriado ou tratado termicamente. Os elementos químicos adicionados ao ferro fundido branco como cromo. a temperatura ambiente e. dando cor acinzentada ao material. Estas denominações que se dá ao ferro fundido é devido ao aspecto da fratura do material e também pela forma como o carbono se apresenta na massa metálica. de 6. Figura 2. o ferro fundido será branco. revestimentos de moinhos e outras. lâminas ou flocos. As principais aplicações deste ferro fundido são em equipamentos de mineração. tendo teor mínimo de carbono o valor de 2. além de um resfriamento muito lento. Esta formação do carbono deve-se ao silício quando tem teores de até 2. entretanto.3% de carbono visto que o eutético produzido por esta concentração de carbono reduz a temperatura de solidificação (1. Desta forma. o carbono se apresenta na forma de grafita.

ABNT Os ferros fundidos são classificados pela ABNT conforme o tipo de ferro fundido. Exemplos: FMP 45007 (σr = 450 MPa e ε = 7%). das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois 31 . diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. Losekann Direitos autorais reservados O ferro fundido maleável é produzido a partir do ferro fundido branco que é submetido a tratamento térmico. Para o ferro fundido cinzento utiliza-se a norma NBR 6589. caixas de direção. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido cinzento e os dígitos indicam a resistência à tração em MPa. este ferro fundido adquire características similares ao dos aços de baixo teor de carbono.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. cubos de rodas.29 – Microestrutura do ferro fundido nodular. Exemplo: FC-350 é um ferro fundido cinzento com tensão de ruptura à tração de 350 MPa (Lr = ≈ 35 kgf/mm2). barras de torção. cubos de rodas. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos algarismos representam a deformação em percentual. As principais aplicações são de fabricação de flanges. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. caixas de direção. São muito usados para fabricação de suporte de molas. Figura 2. cuja codificação é composta por quatro letras e cinco dígitos. conexões hidráulicas. não havendo a formação de grafita.1 . cuja classificação é codificada por duas letras e um número de três dígitos: FC-XXX. São muito usados para fabricação de suporte de molas. O ferro fundido maleável de núcleo preto é classificado segundo a norma NBR 6590. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. O ferro fundido maleável de núcleo branco é submetido a um tratamento térmico em atmosfera oxidadante. FMP 32015 (σr = 320 MPa e ε = 15%). O ferro fundido maleável de núcleo branco é classificado segundo a norma NBR 6914. cuja codificação é composta por três letras e cinco dígitos. Dependendo das condições do tratamento térmico o ferro pode apresentar o núcleo preto ou branco. bielas. e partes de mancais. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta.CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS . conexões hidráulicas. bielas. 2.5. na qual o carbono é removido por descarbonetação. Em virtude disto. Cláudio R. Dr. tornando as peças fabricadas mais resistentes ao impacto e às deformações. podendo ser soldado.

em geral os aços. 2. o tratamento térmico deve ser planejado cuidadosamente. • Melhoria da usinabilidade. Por outro lado. Assim. muitas vezes. Dr. Desta forma. Losekann Direitos autorais reservados últimos algarismos representam a deformação em percentual.TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES Os processos de produção industrial nem sempre fornecem materiais de construção nas condições desejadas. • Melhoria da resistência ao desgaste. Cláudio R. aumentandose a resistência mecânica e a dureza de aços. há a necessidade de submeter as peças metálicas. Devido a isso. 2. 32 . que serão vistos posteriormente.1 . usinagem. Exemplos: FMBS 39012 (σr = 390 MPa e ε = 12%). cuja classificação é codificada por duas letras e um número de cinco dígitos: FE-XXXXX. simultaneamente uma diminuição da ductilidade. necessário tratar as superfícies das peças por meio de pintura ou também por meio de tratamento termo-químico. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido esferoidal e os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos a deformação em porcentual. trabalho mecânico ou outras causas). Exemplo: FE-35010 (σr = 350 MPa e ε = 10%). FMBS 32008 (σr = 320 MPa e ε = 8%). O ferro fundido nodular utiliza-se a norma NBR 6916.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. embora muitas outras ligas e metais não ferrosos também sejam tratados termicamente. entre outros. • Modificação das propriedades elétricas e magnéticas. antes de serem aproveitadas efetivamente. • Aumento ou diminuição da dureza. • Melhoria das propriedades de corte. verificando-se sempre o resultando final que se deseja obter. ou seja. • Melhoria da ductilidade. que objetivam minimizar ou eliminar aqueles problemas. as tensões internas que se originam nos processos de fundição. • Melhoria da resistência à corrosão. os objetivos gerais dos tratamentos térmicos ou de superfície são: • Remoção de tensões internas (oriundas de resfriamento desigual. conformação mecânica. independente do processo de fabricação utilizado para obtenção de peças e aumentar a longevidade destas em relação à corrosão é. Por exemplo. Deve-se verificar que a melhoria de uma ou mais propriedades do material geralmente é obtida com prejuízo de outras. a determinados tratamentos térmicos ou termo-químicos. podem criar problemas de distorções e empenamentos.TRATAMENTOS TÉRMICOS Os materiais metálicos formados por ligas de Fe-C. • Melhoria da resistência ao calor. são os mais submetidos a tratamentos térmicos.6 . • Aumento da resistência mecânica.6. obtém-se.

têmpera. água pura. possuem formas alotrópicas diferentes. que não pode ser muito lenta (promove o crescimento do grão). Resfriamento: em algumas ligas. devese considerar a velocidade de aquecimento. principalmente as de aço. Aquecimento: a temperatura indicada para se obter um resultado satisfatório corresponde. 4. geralmente denominados secundários. por exemplo. ar ou vácuo. Os meios mais comuns de resfriamento são: solução aquosa a 10% de NaCl. Evita-se que esse tempo ultrapasse o estritamente necessário. O resfriamento subseqüente completa as alterações estruturais e confere ao material as propriedades mecânicas desejadas. revenimento. 33 . cujo objetivo é transformar os constituintes primários em outros constituintes. Também. geralmente. nem muito rápida (pode causar empenamento ou fissuras). pode levar ao aparecimento de elevadas tensões internas. óleos de várias viscosidades. 2. pode-se obter mudanças estruturais que promovem o aumento da ductilidade ou elevação da dureza ou da resistência mecânica. 3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. como solução aquosa. Tempo de permanência na temperatura: deve ser suficiente para que a peça se aqueça uniformemente. lento ou intermediário. Ambiente de aquecimento: em certas ligas metálicas a atmosfera comum pode provocar alguns fenômenos prejudiciais como a oxidação e a descarbonetação. ferro e carbono. estrutura CCC e CFC para o ferro e tetragonal e hexagonal compacta para o carbono. manutenção a uma determinada temperatura e. modificandose a velocidade de resfriamento. normalização. Cada material tem a sua própria velocidade ideal de aquecimento. Losekann Direitos autorais reservados • Fatores que influenciam os tratamentos térmicos: 1. • Tipos de tratamentos térmicos: Os tratamentos térmicos mais comuns das ligas metálicas são: recozimento. De uma forma geral. os tratamentos térmicos obedecem a um aquecimento. posteriormente um resfriamento que pode ser rápido. Cláudio R. a temperatura de recristalização do material. tratamentos isotérmicos. Dr. que significa constituintes que sofreram tratamento térmico. Deve-se observar que meios muito drásticos de resfriamento. Se a liga contém elementos químicos que possuem alotropia como as ligas de ferro-carbono (aços e ferros fundidos) cujos dois elementos principais. Esses fenômenos são evitados pela utilização de uma atmosfera protetora ou controlada no interior do forno. Estas transformações dos constituintes dependem também da liga metálica. pois pode haver crescimento indesejável dos grãos ou possibilidade de oxidação (em algumas ligas). coalescimento. endurecimento por precipitação.

Losekann Direitos autorais reservados 800 2 Manutenção 5 4 Resfriamento lento Temperatura ( oC) 600 Aqu ecim ento Resfriamento intermediário 400 1 3 Resfriamento rápido 200 0 0 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. Os fornos mais comuns. 5. entretanto. O ferro contido no aço. tem a estrutura cristalina cúbica de corpo centrado e. A figura acima esquematiza um ciclo de aquecimento de um aço carbono ABNT 1030 com uma taxa constante de aquecimento. representado pela linha 1. Cláudio R. o resfriamento rápido impede esta transformação fazendo a distorção da rede cristalina. permitindo a ocupação do carbono no centro do cubo. Com resfriamento rápido. representada pela linha 3. 34 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. que depende por sua vez. Em um resfriamento lento. de indução e fornos que produzem aquecimento por chama que pode ser direta ou indireta. a temperatura de 800 ºC esta estrutura é transformado em cúbica de face centrada onde nas faces da estrutura cristalina o átomo de carbono é dissolvido.30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos O aquecimento em uma liga metálica depende muito da inércia do forno ou do meio de aquecimento. a estrutura cúbica de face centrada deveria se transformar na estrutura cúbica de corpo centrado. são: fornos de resistência elétrica. da massa metálica que se deseja aquecer. para aquecimento de ligas como o aço. pode-se conseguir a estrutura inicial cúbica de corpo centrado. a manutenção da temperatura representada pela linha 2. 4. e diferentes taxas de resfriamento representado pelas linhas 3. a baixa temperatura.

produzindo uma fratura total após o tratamento térmico. a composição química até 1% de carbono e. Um resfriamento muito rápido em uma peça como uma agulha para um aço carbono comum pode produzir tensões internas que produz micro-fissuras na peça. não apresentando zona crítica ou o intervalo de temperatura é muito pequeno. por exemplo. acima de 727 ºC os grãos perlíticos se transformam em grãos austeníticos. conforme a linha 3.77%1. Isto produziria a formação do constituinte martensita na superfície com dureza muito elevada e no interior. um resfriamento lento. Ao mesmo tempo ocorre com os grãos ferríticos. além da aplicação que se deseja da peça. Tendo-se o aço carbono ABNT 1050 como exemplo e verificando no diagrama de equilíbrio do Fe-C.5 0. constituintes como perlita e ferrita. Em peças com espessuras maiores poderá ocorrer na superfície o resfriamento rápido. O correto é verificar no diagrama de equilíbrio qual a temperatura limite superior da zona crítica adicionando-se mais ou menos 50 ºC em virtude de imprecisões de registros de temperaturas em alguns fornos. em geral.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. TEMPERATURA ( 35 . Dr. corresponde ao intervalo de temperatura de 727 ºC a 790 ºC. faz-se aquecimento em temperaturas em torno de 800 ºC. por isto.0 600 0. Losekann Direitos autorais reservados 1600 Liquidu s o Líquido C) 1400 Líquido + austenita 1200 2. o intervalo de temperatura que começa ocorrer a transformação de grãos perlíticos e grãos ferríticos em grãos austeníticos. o resfriamento rápido como o mostrado na figura acima poderá ocorrer em toda a massa metálica. ou seja. isto é. com exceção para o aço eutetóide ABNT 1080 que. conforme as linhas 4 ou 5.31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização.5% de carbono apresenta os constituintes perlita e ferrita. Figura 2.5 2.austenita. Esta transformação se completa a 790 ºC. a zona crítica para este aço.0 0. A escolha do tipo de tratamento térmico depende da natureza do material e de sua composição química. muitos tratamentos térmicos que precisam da transformação da austenita. mas no seu interior. A mesma analogia pode ser feita para os demais aços.11% 1000 912 Austenita Acm A3 Feα +Feγ A1 727 C o Feγ o 800 790 C Feα +Feγ A1 1. ou na parte central da peça. Em temperaturas acima de 727 ºC a perlita começa a se transformar em austenita. pode-se tirar o intervalo de temperatura considerado como zona crítica. Cláudio R. Portanto. Até 727 ºC. o aço com 0. a matriz da perlita (Fe α) tem estrutura CCC e vai se transformando em CFC (Fe γ) . como o e de uma agulha. e as lamelas de cementita (Fe3C) começa a se diluir na estrutura cúbica de face centrada.0 %C Dependendo da espessura da peça. Os aços comerciais têm.

podendo dar margem a empenamentos. diminuir a dureza. para aquele tipo de aço. Cláudio R.30. desligando o forno e mantendo-se Tempo as peças no seu interior. definem o intervalo da zona crítica. forjamento e estampagem. linha 5. os grãos são comprimidos uns contra os outros e apresentam aparência de grãos amassados (encruados). esse processo leva um tempo relativamente longo. podem-se fazer tratamentos de alívio de tensões que são: recozimento. A partir da temperatura de 727 ºC estes constituintes vão se transformando em austenita. ferrita e cementita. 2. As tensões internas começam a ser aliviadas quando o aço atinge a temperatura ambiente. O tempo necessário para ocorrer transformação completa depende também da composição de carbono presente no aço.1. Dr. Esse tratamento aplica-se a todas as ligas Fe-C e a um grande número de ligas não-ferrosas.32 – Ciclo do recozimento. Tanto na laminação quanto no forjamento. Durante o processo de solidificação do aço na sua fabricação. que pode provocar tensões internas na estrutura do aço. os aços-carbonos apresentam os constituintes perlita.6. porém. normalização e revenimento.1 . Losekann Direitos autorais reservados Resumindo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. como exemplos têm-se os processos de laminação. O recozimento mais comum é o chamado de total ou pleno. conforme a figura 2. Para isto. O fim destas transformações vai depender da composição de carbono que o aço apresenta que. rupturas ou corrosão. na temperatura ambiente ou a 500 ºC. conforme as curvas A2 ou Acm. a região da superfície do aço pode se resfriar com velocidade diferente da região central. Temperatura O tempo de permanência na temperatura de austenização depende da quantidade de material e da sua massa. os grãos deformados não têm a mesma resistência e as mesmas propriedades mecânicas dos grãos normais. onde o material é geralmente aquecido a uma temperatura acima da zona crítica (zona de austenização). 36 . Na laminação. seguido de resfriamento lento. Como foi visto em capítulo anterior. essa diferença dá origem a grãos com formas também diferentes entre si.Recozimento Seus objetivos principais são remover tensões devidas aos processos de fundição e conformação mecânicas a quente ou a frio. Figura 2. Estas tensões podem decorrer também de outros fatores como os que ocorrem nos processos de conformação mecânica. ajustar o tamanho dos grãos e eliminar defeitos de quaisquer naturezas provocados por processos mecânicos ou térmicos que o material tenha sido Zona crítica anteriormente submetido. melhorar a ductilidade.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e conseqüentemente propriedades mecânicas ligeiramente superiores. e diminui ou 2 Manutenção mesmo elimina as 800 765 C tensões internas. 2.6. a temperaturas inferiores a da temperatura crítica. com o objetivo de melhorar sua usinabilidade.Revenimento Aplicado nos aços temperados. Temperatura Zona crítica Tempo Figura 2.6. A diferença do processo é que o resfriamento na normalização é ao ar. figura 2.1. principalmente nos aços.3 .33 – Ciclo da esferoidização. 500 ºC e 600 ºC. 37 .AÇO 1090 a tração. Nesse processo existe uma atmosfera protetora que elimina o efeito do encruamento e protege a superfície contra a oxidação. o o Temperatura ( C) o 0 Aqu ecim ento 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. imediatamente após a têmpera. reduz os valores de dureza e resistência AÇO 1060 . Cláudio R. esse processo. Aplica-se.Normalização Tem os mesmos objetivos do recozimento e se faz também com aquecimento até a zona de austenização.1. Zonacrítica 727 C Dependendo da 5 Recozimento 600 temperatura em que 4 Normalização o revenido é processado pode-se 1 3 Têmpera 400 obter nos aços melhores condições 200 de usinabilidade. Losekann Direitos autorais reservados Há também o recozimento em caixa que é aplicado principalmente no aço. Dr. As temperaturas mais usuais do revenimento são 400 ºC. O revenimento melhora a ductilidade. Nesse processo. 2. fora do forno. o aquecimento é levado a efeito a uma temperatura em torno da linha inferior da zona crítica.34 – Ciclos de tratamentos.2 . A têmpera e o revenido 0 estão sempre associados. portanto mais rápido que o recozimento o resultando uma estrutura mais fina do que a produzida no recozimento.34. A esferoidização é um tipo de recozimento aplicável em aços de médio a alto teor de carbono.

porém. visto que. a peça é retirada do forno e mergulhada apenas em água. a temperatura varia de 750 °C a 900 °C. A peça permanece nessa temperatura o tempo necessário para se transformar em austenita. sofrem uma apreciável diminuição na ductilidade. os átomos de carbonos. é. Vários são os motivos que determinam a preferência do endurecimento superficial em relação ao endurecimento total como: • Dificuldade. geralmente. pois varia com a composição de carbono presente. ou óleos especiais (óleo para têmpera) emulsionáveis em água produzidos por fabricantes de óleo. não tem cinética química para se alojar nas estruturas CCC da ferrita e da estrutura complexa da cementita. Têmpera superficial .1. de tratar-se de peças de grandes dimensões nos fornos de tratamento térmico convencional. figura 2. da resistência do desgaste e da resistência a tração. guias de máquinas operatrizes. Esse problema pode ser corrigido posteriormente pelo revenimento. A temperatura cai de 850 °C para 20 °C se for a temperatura ambiente. Uma têmpera feita corretamente possibilita vida longa à ferramenta. Dentes de engrenagem.6. grandes cilindros. Losekann Direitos autorais reservados 2.34. objetivase apenas a criação de uma superfície dura e de grande resistência ao desgaste e à abrasão. dando tensão ao material e aumentando sua dureza. Para o aço-carbono. • Possibilidade de endurecer apenas as áreas críticas de determinadas peças. 38 . em grande número de aplicações de peças de máquinas. dentes de grandes engrenagens. que não se desgasta nem se deforma rapidamente.4 . utilizam-se aços com teores de carbono acima de 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Têmpera Em muitos aços é necessário conferir dureza na superfície ou parte dela ou mesmo em toda a peça. mas a quantidade de carbono deve ser suficiente para produzir a martensita. Cláudio R. Trata-se de um resfriamento brusco que produz a martensita. Desse modo. Dr. No resfriamento rápido em água. A forma do resfriamento é o que distingue esse tipo de tratamento.O endurecimento superficial dos aços. que assim adquirirá as propriedades e os característicos típicos da estatura martensítica. etc. Os resfriamentos menos bruscos são os realizados em óleo queimado. O tratamento consiste em aquecer o aço em um forno com temperatura acima da zona crítica e resfriar rapidamente. os átomos produzem considerável deformação no retículo da ferrita. como exemplo. partes do amortecedor do carro e as brocas devem ser fabricadas com aço endurecido para suportarem esforços a que são submetidos. mais conveniente que seu endurecimento total pela têmpera normal. As condições de aquecimento são idênticas as que ocorrem no recozimento e na normalização. A têmpera é um dos tratamentos térmicos destinados à obtenção de dureza nos aços. Neste tipo.estrutura CFC. Em geral.3%. As peças temperadas possuem consideráveis aumento de sua dureza. em poucos segundos. sob os pontos de vista prático e econômico. engate de veículos. dissolvidos na austenita . nessas aplicações. A têmpera superficial consiste em produzir uma têmpera localizada apenas na superfície das peças de aço.

40% água 870 .30% água 900 .975 °C 0. podem resultar tensões residuais de compressão de pequeno valor nessa camada endurecida. Boa capacidade para resistir cargas de contato. Exemplos: hastes de êmbolos de cilindros hidráulicos. Cláudio R. tendo em vista as resistências ao desgaste e á fadiga desejadas. variações em profundidades de endurecimento ou de dureza. • Levar em conta que a espessura da camada endurecida depende de cada caso específico. Boa resistência à fadiga por dobramento.60% água 850 . Diminuição dos riscos de aparecimento de fissuras originadas no resfriamento.45% água 870 . Possibilidade de controlar o processo. Dr. após o aquecimento. Resistência satisfatória ao empenamento. de modo a produzir. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • Possibilidade de melhorar a precisão dimensional de peças planas. • • • • Algumas recomendações são necessárias para a obtenção de melhores resultados como: • Procurar obter camadas endurecidas pouco profundas. no caso de endurecimento por chama. evitando-se o endurecimento total. no caso de se adotar endurecimento superficial por indução e bem menor. em lugar de aços-liga. deve-se lembrar que se a camada endurecida corresponder a uma fração significativa da espessura da peça. em seções diferentes das peças.975 °C 0. as propriedades resultantes da têmpera superficial são: Superfícies de alta dureza e resistência ao desgaste. Por outro lado. sob a camada endurecida. como exemplo. As temperaturas.900 °C 0.900 °C 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.50% água 870 . de modo a ter-se melhora significativa na resistência à fadiga. as dimensões destas e.35% água 900 . profundidades maiores desnecessárias podem provocar o empenamento ou fissura de têmpera ou desenvolver tensões residuais excessivamente altas. a carga de serviço das peças. os meios de resfriamento recomendados e as durezas resultantes para aços-carbonos são os seguintes.900 °C 0. Investimento de capital médio. de fato. inclusive o equipamento disponível. grandes ou delgadas. conforme mostro quadro abaixo: Teor de carbono Temperaturas Meio de recomendáveis resfriamento 0.875 °C Dureza 50 HRC 52 HRC 55 HRC 58 HRC 60 HRC 64 HRC 39 . se desejável. como aços-carbono. Possibilidade de se utilizar aços mais econômicos.

A linha acima das curvas é a linha limite inferior da zona crítica de temperatura 727 ºC. Os processos mais comuns de têmpera superficial são: têmpera por chama (com maçaricos de oxiacetileno ou GLP) e têmpera por indução. Pode-se ver que o diagrama apresenta constituintes diferentes como: perlita grossa. a temperatura em graus centígrados. 40 .5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação A partir deste ponto é necessário introduzir as curvas denominadas de TTT (temperatura. vanádio ou tungstênio). pois. Bf e Mf é a curva de fim de transformação respectivamente para perlita (Pf). bainita (Bf) e martensita (Mf). Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. na qual se faz em zonas muito pequenas e precisamente localizadas. lembrando que estes podem ser os constituintes do aço eutetóide. bainita superior. estes diagramas tornam-se imprescindíveis. para a compreensão dos tratamentos térmicos denominados isotérmicos. no caso de se adotar o processo de têmpera superficial. ou o meio refrigerante é jorrado sobre a secção aquecida. molibdênio. tempo extremamente curto para obter a martensita exclusivamente. bainita (Bi) e martensita (Mi) e a curva representa pelas letras Pf. O cuidado que se deve ter aqui. com o teor de carbono acima. que na abcissa o fator 100 significa 1 segundo.1. Bi e Mi é a curva de início de transformação respectivamente para perlita (Pi). Losekann Direitos autorais reservados Os aços-liga e os aços de usinagem fácil. são endurecidos por indução. bainita inferior e martensita. fácil de instalar e manter e menos perigosa que os outros meios. perlita fina. 2. Há também métodos mais modernos de aquecimento como a de utilização de feixes de laser e de elétrons. A abcissa do gráfico mostra o tempo em segundos em escala logarítmica e a ordenada. óleo. para produzir uma nítida fronteira entre a secção endurecida e o resto da secção. A figura que segue mostra esquematicamente um diagrama TTT de um aço eutetóide. Estes outros são salmoura. geralmente poucos segundos. O meio de resfriamento usual na têmpera superficial é a água. os aços correspondentes devem ser aquecidos a temperaturas 50 a 100°C acima das indicadas. tempo e transformação). O diagrama mostra que é possível obter diferentes tipos de constituintes em função do tipo de resfriamento que se queira dar.6. que não apresenta zona crítica e o produto da transformação da austenita em velocidade relativamente lenta é a perlita que ocorre a 727 ºC. a peça é imersa no meio refrigerante. ar comprimido e polímeros líquidos. entretanto o custo operacional destes métodos é muito elevado. A duração do aquecimento é muito curta. Normalmente. A curva representa pelas letras Pi. Quando os elementos de liga provocam a formação de carbonetos (cromo. Dr.

Losekann Direitos autorais reservados 800 727 oC 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi 600 Temperatura ( oC) Pf 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Bi Bf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. D e E respectivamente. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 B 600 D C A ustenita A Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 E 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Mi Bi Bf Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. B. A seta na extremidade das curvas indica a “direção” do resfriamento. Cláudio R. A figura que segue mostra os tratamentos térmicos de recozimento. No recozimento. curva com letra A e têmpera à água. normalização e têmpera ao óleo e à água. Dr. Em ambos os casos partese da temperatura de 800 ºC. Tomando-se como exemplos os tratamentos térmicos de recozimento. representados pelas curvas com letras A.35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide. C.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos. o início da transformação da austenita em perlita ocorre a temperatura de 624 ºC em 300 segundos (5 minutos) e o fim da transformação 41 .

Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 A ie erfíc Sup A ustenita Pi Ce ntr o 600 Temperatura ( oC) Pf Perlita grossa HRC 5 a 25 500 400 300 200 100 0 10-1 E A ustenita Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Na têmpera à água. considerando apenas resfriamento lento. O aço hipo-eutetóide apresenta ferrita e perlita e o aço hiper-eutetóide apresenta perlita e cementita. o aço eutetóide apresenta como constituinte primário a perlita unicamente quando resfriado lentamente.36 como martensita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. um resfriamento mais lento. poderá se encontrar todos os constituintes descritos na figura 2. poderão ocorrer os dois resfriamentos ao mesmo tempo. perlita fina e perlita grossa da superfície ao centro e conseqüentemente diferentes durezas. A figura abaixo representa esta situação. com diâmetro relativamente grande. Losekann Direitos autorais reservados ocorre a temperatura de 563 ºC em 1500 segundos (25 minutos). 42 . dependendo da espessura da peça. De qualquer forma. Considerando estas duas análises de resfriamento do aço pode-se concluir que.2 segundos.3 segundos e o fim da transformação ocorre a temperatura de 100 ºC em 3. Na superfície um resfriamento muito rápido produzindo a martensita e. bainita inferior. poderá se encontrar vários tratamentos térmicos na sua massa partindo de um único tratamento térmico – a têmpera à água. Os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hiper-eutetóides variam ligeiramente em relação ao aço eutetóide em função dos constituientes ferrita e cementita. isto é. bainita superior. no centro da peça. Dr. Mais duro na superfície e menos duro no centro. mergulhando esta suposta peça na água resfriada e observando a secção transversal no microscópio. se for considerado um eixo. As figuras abaixo mostram estes casos. produzindo perlitas.37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça. Conforme foi visto anteriormente. o início da transformação da austenita em martensita ocorre a temperatura de 200 ºC em 2. Cláudio R.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 43 . Cláudio R. Dr. 1000 900 800 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 727 oC A ustenita Cementita Perlita grossa Temperatura ( oC) Pi 600 500 400 300 200 100 0 10-1 Mi Mf 10 0 Pf Perlita fina A ustenita + Ferrita + Cementita + Martensita 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide.39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide. Losekann Direitos autorais reservados 800 700 600 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi Perlita grossa A ustenita + Ferrita + Cementita Mi Mf Martensita Pf Perlita fina Fi A ustenita + Ferrita + 727 oC Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.

os elementos de liga deslocam a curva para a direita. -100 0.6 0. em virtude da linha Mf ficar localizada abaixo dessa temperatura. Outros fatores podem modificar a posição das linhas de início e de fim de transformação dos diagramas TTT. Diagrama TTT (aço ABNT 4340) 800 727 oC 700 A+ F 600 F +C A ustenita Temperatura ( oC) 500 400 A ustenita 300 200 100 0 10-1 Mi Mf Martensita Bi Bf 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Em certos casos como em aços cementados com alto teor de carbono níquel ou cromo em teores variáveis. tanto para o início 200 quanto para o fim da Mf 100 transformação da martensita é diminuída.9 1. Cláudio R. os elementos de liga no aço também podem influenciar a posição das curvas. Além do carbono.1 Temperatura ( oC) Concentração de carbono (%) Figura 2.41 – Diagrama TTT para o aço 4340.4 0. como por exemplo. equipamentos que para trabalhos em regiões do círculo polar.3 0.40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono.5 0. O aço ABNT 4340 é altamente temperável. Isto pode produzir algumas conseqüências como a transformação destas em lugares muito frio.2 0.0 1. Losekann Direitos autorais reservados Observando-se os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hipereutetóides verifica-se ainda que o aumento da concentração de 500 carbono desloca a curva em C para a direita. não se ter formação completa da martensita à temperatura ambiente pelo resfriamento comum em água. tem-se à temperatura ambiente uma certa quantidade de austenita residual ou “austenita retida”. Dr. visto que as curvas em C encontram-se 44 . A figura abaixo mostra 0 estas condições. retardando as transformações. Com exceção do cobalto.7 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 0. retardando o início 400 e o fim da transformação da Mi 300 perlita e também que a temperatura.1 0. Nessas condições.

por exemplo. ou seja.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos São os tratamentos de austêmpera e martêmpera. Losekann Direitos autorais reservados posterior a 10 segundos. segue o diagrama TTT. Esse tratamento pode proporcionar melhores resultados do que a combinação de têmpera. Dr. seguido de revenimento. 45 . Diagrama TTT (transformação da bainita inferior) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 3 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. conforme a figura 2. 2. bainita superior e bainita isenta de carbono ou ferrita acicular. temperaturas entre 250 ºC a 400 ºC (posição 2). molas de qualquer natureza. • Resfriar bruscamente em banho de sal fundido ou em óleo quente até a temperatura de formação da bainita. cujo objetivo é a obtenção de peças com alta tenacidade e resistência à fadiga. A austêmpera pode produzir 3 tipos de bainita que são: bainita inferior. Cláudio R. aliando uma boa dureza como o exigem. • Manter a temperatura pelo tempo necessário até a completa transformação da austenita em bainita (transformação isotérmica). A figura acima mostra esta situação. O processo caracteriza-se pela formação de uma microestrutura metalográfica constituída por bainita e apresenta. • Resfriar até a temperatura ambiente (posição 3).1. Para ficar mais claro o tratamento por austêmpera.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.42: • Aquecer até a temperatura de austenitização (posição 1). O tamanho do grão da austenita e sua homogeneidade são outros dois fatores que afetam a posição das curvas de transformação.42 – Austêmpera. Austêmpera A austêmpera é um processo de tratamento isotérmico dos aços. basicamente as seguintes etapas.6.

. cuja forma e distribuição depende muito do teor de carbono do aço.2 estricção (%) 9. As propriedades das peças austemperadas poderão ser melhores compreendidas quando comparadas àquelas obtidas por peças do mesmo aço. apresentar imagens bastante variadas em função da maior ou menor presença de carbono e elementos de liga no aço. ainda. submetido aos seguintes tratamentos térmicos : TR ____ têmpera + 830 ºC óleo 460 ºC revenido. dando origem à formação de Fe3C à medida que a transformação bainítica progride. 830 ºC . 320ºC ar AT ____ austêmpera. Cláudio R. dos contornos dos grãos originais de austenita... Por microscopia eletrônica.. de aço ABNT 5160. Provavelmente estes carbonetos são inicialmente segregados como carbonetos.. é praticamente impossível. toma-se um corpo de prova ∅ 10 x 100mm. Propriedades mecânicas de um aço para molas submetidos aos tratamentos térmicos TR e AT. através de todo o comprimento dos grãos e partem. Dr. normalmente. percebe-se que a ferrita da bainita superior apresenta maior densidade de discordâncias do que aquela apresentada pela ferrita contida na perlita.530 1.0 resistência ao impacto (J/cm2) 38 a 43 72 a 76 resistência à fadiga (ciclos) 8. paralelas a carbonetos alongados que somente são visíveis através de microscopia eletrônica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.210 alongamento (%) 4. Os resultados dos ensaios mecânicos realizados encontram-se descritos no quadro abaixo..150 17.. Losekann Direitos autorais reservados A bainita inferior possui grande semelhança com a martensita. As agulhas são longas... A principal diferença entre ambas está na presença de carbonetos. Observada num microscópio eletrônico. às vezes.. PROPRIEDADES TR AT limite de resistência (MPa) 1.5 36.8 8.060 46 . porém apresenta menor regularidade geométrica do que esta e pode.. Diferenciar a microestrutura metalográfica da bainita superior daquela da perlita fina. por meio de microscopia óptica.400 1.. Típica da bainita inferior é a distribuição ordenada de “bastonetes” de carbonetos que. a ferrita acicular ou bainita isenta de carbono é sempre acompanhada por uma “esponja” de austenita retida e uma leve segregação de carbonetos.590 limite de escoamento (MPa) 1.. enquanto que a característica principal da bainita superior é a presença de placas longas de ferrita. A título de exemplo. estendem-se... Na bainita superior a microestrutura metalográfica é similar à da perlita. se alinham com ângulos de 50º a 60º em relação ao eixo das agulhas de bainita. temperadas e revenidas.

47 . variações geométricas abruptas. A austêmpera aplica-se com sucesso a todos os tipos de molas. por exemplo. caso seja realizado um simples revenimento. os aços-carbono utilizados para a austêmpera devem conter um teor de carbono mínimo de 0. no campo. aços ligados com Cr e/ou Mo que. o que não pode ser desprezado ao dimensionar-se qualquer elemento de máquina.5% e. determinarão uma queda significativa da tenacidade e da resistência à fadiga das peças. pás de pedreiros. A formação da bainita. pois requerem alta resistência à fadiga e. ou muito antes. a têmpera e o revenimento proporcionarão melhores resultados. As excelentes propriedades de resistência à fadiga por flexões alternadas e tenacidade. furações. Pequenas variações no teor de cromo. Se a dureza final desejada estiver abaixo daquela obtida após a austêmpera. normalmente. etc. evitando-se o intervalo crítico de fragilização. as peças austemperadas alcançam valores significativamente maiores de alongamento. Quando a dureza necessária for inferior a 40 HRC. entalhes. a austêmpera apresenta vantagens significativas. o limite de escoamento das peças austemperadas é consideravelmente menor que o alcançado pelas peças temperadas e revenidas. Já. Uma aplicação vantajosa da austêmpera é aplicá-la a aços que apresentem tendência à fragilidade de revenido. Losekann Direitos autorais reservados Analisando-se estes dados percebe-se que. obtidas pela austêmpera. estricção e resistência ao impacto. por exemplo. mesmo apresentando um limite de resistência superior ao das peças temperadas e revenidas. Para peças maiores é aconselhável escolherem-se aços com teores de manganês e cromo mais elevados. deve-se retratar o lote pois. suas durezas encontram-se na faixa de 40 a 50HRC. Tanto a profundidade endurecida. Evidentemente. do tempo correto para a transformação isotérmica. Evidentemente. ocorrerão alterações indesejadas na microestrutura metalográfica que. A temperatura de transformação isotérmica precisa ser cuidadosamente mantida. permite que se alcance a dureza desejada. Peças que necessitem de elevada resistência à tração e tenacidade como. o mesmo raciocínio é válido para peças que sejam resfriadas muito depois. ou seja. Dr. podem aumentar ou diminuir significativamente o tempo necessário à transformação isotérmica. a austêmpera tem suas limitações. Por esta razão. por exemplo. A austêmpera requer rígido controle da qualidade do aço e dos parâmetros (tempos e temperatura) do tratamento térmico. Quanto à resistência à fadiga por flexões alternadas. após a têmpera devam ser revenidos entre 350 ºC e 500 ºC. as peças tratadas não devem ser mais espessas do que 3mm. limitam-se ao intervalo de durezas entre 40 e 50 HRC. Cláudio R. entre 280 ºC e 350 ºC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mesmo que as peças apresentem regiões com grandes concentrações de tensões como. fechos de cintos de segurança. quanto a dureza alcançada pela austêmpera são inferiores àquelas possíveis de serem obtidas pelo tratamento de têmpera e revenido.

alavancas para máquinas de escrever. tendo-se o cuidado de não cortar a primeira curva (posição 3). pois a microestrutura bainítica. Tipo Sal de Temperatura de Fusão (ºC) Temperatura de Trabalho (ºC) Min.18 350ºC 310 400 1. elos para determinadas correntes de transporte de ração animal. Mantém-se a peça nessa temperatura por certo tempo. trocadores de calor. O 48 . a peça é mergulhada num banho de sal fundido ou óleo quente. apresenta menor limite de escoamento. ao ar. Após a martêmpera é necessário submeter a peça a revenimento.ºC) entre 20ºC e 300 1. conforme mostra a figura 2. deve-se realizar alguns ensaios mecânicos.8 1. porém. pode-se afirmar que elementos de máquinas sujeitos a esforços de fadiga. onde a vida útil é um fator decisivo e a geometria favorece a concentração de tensões localizadas podem ser submetidas ao tratamento de austêmpera. Losekann Direitos autorais reservados componentes de fechaduras. recirculadores e a automação necessária à manutenção de uma temperatura constante para a transformação isotérmica.43.8 Específico Calor Latente de Fusão ( J/g) a ºC (J/g. com temperatura um pouco acima da linha Mi (posição 2). A segunda etapa é a do resfriamento final. diminuindo riscos de trincas.8 1. de dureza) que a microestrutura martensítica. podem ser austemperadas com sucesso. porém as tensões resultantes do processo são mais facilmente eliminadas. Martêmpera A martêmpera é um tipo de tratamento indicado para aços-liga porque reduz o risco de empenamento das peças. Antes. A martensita obtida apresenta-se uniforme e homogênea.47 400ºC 293 Calor Médio AS 140 AS 220 AS 235 140 220 235 Os fornos que contém estes banhos de sais podem ser estacionários ou contínuos. Na primeira. A martêmpera proporciona as mesmas propriedades que a têmpera e o revenido. em função do volume de produção. Genericamente. e depois é resfriada em duas etapas. em temperatura ambiente (posição 4). constituídos por uma mistura de nitretos e nitritos alcalinos. A transformação isotérmica necessária à obtenção de uma microestrutura metalográfica bainítica é normalmente realizada em leitos fluidizados ou em banhos de sais fundidos. A peça é aquecida acima da zona crítica para se obter a austenita (posição 1). sendo equipados com sistemas de aquecimento elétrico. Características físicas dos sais Durferrit. Cláudio R. etc. Dr. portanto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Máx. apesar de oferecer praticamente os mesmos valores de resistência à tração (e. 160 250 280 550 550 550 Densidade (g/cm2) 1.43 200ºC 256 400 1. de tomar-se a decisão de substituir um tratamento térmico de têmpera e revenido por austêmpera. Quase sempre é possível compensar-se esta diferença através da seleção de uma dureza mais alta para as peças austemperadas.

mas. Cláudio R. os tratamentos térmicos que produzem modificações nos constituintes primários das ligas ferrosas (aços e ferros fundidos) sem alterar a composição química.43 – Martêmpera. estanhagem. Quando se trata de pintura. não podendo ser regra. Alguns destes revestimentos podem ser feitos à frio ou à quente.TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES Na secção anterior foram abordados. se devem se situar na secção de tratamentos de superfície. Diagrama TTT (transformação da martensita) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf 3 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Martensita HRC 65 a 70 100 4 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. não há dúvida qualquer que é um tratamento de superfície de revestimento. nitretação. além da pintura. cianitretação. existem os processos de revestimentos metálicos.2 . por sua vez. exclusivamente. ferroxidação e outros que. Entretanto há o tratamento térmico-químico que pode ser produzido nas superfícies destas ligas como cementação. mas sim. denominados também de metalização como a galvanização (zincagem). Isto leva dúvida se os tratamentos térmicoquímicos devem situar-se na secção de tratamentos térmicos ou. cromagem. O meio corrosivo pode ser o próprio ambiente em que se encontra o metal como o solo. Losekann Direitos autorais reservados processo é ilustrado no diagrama seguinte. característica dos tratamentos térmicos. Dr.6. optou-se em classificar os tratamentos térmico-químicos ou termoquímicos como tratamento de superfície. deposição de ouro e etc. 2. Pode-se definir por corrosão como a destruição dos metais devido as suas reações químicas eletroquímicas em um meio corrosivo. o qual pode apresentar características ácidas ou básicas. Em virtude disto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca como a corrosão e também aumentar a resistência ao desgaste elevando a dureza da superfície. Em virtude da explanação feita acima. a água que pode conter sais 49 . pode-se generalizar tratamento superficial os tratamentos que objetivam melhorar o aspecto do material utilizado. aconselhamento. produzem modificações parciais em sua composição química para melhorar as propriedades de suas superfícies.

2. sulfetos. etc. • Solubilização: uso de solventes. pode-se utilizar as seguintes técnicas: • Detergência: uso de reativos químicos. a proteção geralmente tem durabilidade baixa. etc. Losekann Direitos autorais reservados minerais. cítricos. lembrando que as aplicações destes podem ser mútuos. carbonatos. tartáricos. hidróxidos. sendo estes dois fatores . Os mais comuns são sais sódicos. Em relação ao aumento da dureza na superfície os tratamentos térmicoquímicos que promovem uma modificação parcial na composição química do metal como aumento do teor de carbono. que será responsável pela profundidade até a qual esta alteração se efetuará. No caso de substâncias orgânicas. fluoretos. por exemplo. etc. ao mesmo tempo em que se mantém dúctil e tenaz o núcleo do material.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que remove a casca de óxidos. enquanto que a proteção oferecida por substâncias inorgânica durabilidade maior. ou limpeza a jato (mais eficiente). raspadeiras. associado a um jato de solvente. • Ação química: decapagem ácida. associado à imersão a quente ou vapor ou.1 . de nitrogênio e cromo são mais eficientes para o aumento da resistência ao desgaste. como alcalinos pesados ou médios (depende de seu PH). recobrir o metal com substâncias orgânicas como óleo de peroba. pelas técnicas de execução e outras características.6. sobre 50 . nitratos. pelos processos químicos. pelo tipo e composição do meio externo. • Ação mecânica: atividade abrasiva por meio de lixas. eventualmente ácidos ou básicos e o ar que contém umidade e sais em suspensão. oxálicos. de mamona. hidróxidos e os silicatos. Essa possibilidade de se aliar uma superfície dura com um núcleo mais mole e tenaz é de grande importância em inúmeras aplicações. lixadeiras. líquido/vapor. Para isso.2. O objetivo principal destes tratamentos é aumentar a dureza e a resistência ao desgaste superficial. cera de abelha. entre eles. Cláudio R. os responsáveis pela alteração da composição química superficial. Antes de se efetuar os tratamentos classificados acima. deve-se limpar e preparar adequadamente a superfície. óleo mineral ou através de substâncias inorgânicas como fosfatos. além do fator tempo de processo. aplicados pelos processos de desengraxamento por vapor. dependendo do caso. Uma das formas de combater a corrosão consiste em evitar o contato do metal com o meio corrosivo.. cera de carnaúba. Em virtude da complexidade deste tema. ou a decapagem alcalina. De maneira geral os processos termo-químicos consistem em submeter as peças ao calor em um meio apropriado.Tratamentos termo-químicos Na indústria é utilizada uma multiplicidade de tratamentos termo-químicos que se diferenciam pelos elementos que se difundem. os fosfatos. serão classificados os tratamentos superficiais em dois tipos de tratamentos: tratamentos para aumentar a resistência ao desgaste ou tratamentos termo-químicos e tratamentos de proteção contra à corrosão ou tratamentos de revestimentos. Dr. politrizes. que utilizam ácidos orgânicos como acéticos.

nem sempre coincide com a essência físico-química do processo de tratamento. da qual os átomos ingressam na peça. 51 . Dependendo do estado de agregação do meio externo no qual se introduz a peça que esta sendo tratada. Geralmente o meio sólido é utilizado para produzir um gás ativo ou fase gasosa. na cementação os átomos de carbono do carburante sólido (carvão vegetal) que difundem no aço formam-se do óxido de carbono. principalmente da fase gasosa. Outro exemplo é a crometação por difusão no meio “sólido”. nos processos industriais. os átomos do elemento difusor na peça. é necessário apenas para a formação da fase gasosa. 2CO → C + CO2 . dispersão 2CO → C + CO2 . Losekann Direitos autorais reservados tudo porque. Dr. com superfície extremamente dura. e crometação por difusão no cromo pulverizado com o método de saturação da fase vaporizada. O meio gasoso e a fase gasosa ativa. saturação da fase vaporizada. servem. Por exemplo. Para o tratamento termo-químico é mais conveniente o meio gasoso puro: sua composição é fácil de controlar. o elemento difusor forma-se como resultado das reações de dissociação CH 4 → C + 2 H 2 . formam-se como resultado de reações químicas no sal fundido (por exemplo. que se formam com o aquecimento da peça no meio sólido. e não nos locais de contato direto do pó com a superfície da peça.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os exemplos citados mostram que a classificação dos métodos de tratamento termo-químicos pelo estado de agregação do meio no qual a peça é introduzida. Dubinin propôs os seguintes métodos de classificação dos tratamentos termo-químicos: saturação da fase sólida. Os átomos do elemento difusor ingressam da substância sólida. permite mecanizar e automatizar completamente o processo e realizar imediatamente a têmpera (sem repetição de aquecimento). resultando num material capaz de suportar em alto grau certos tipos de tensões. No tratamento termo-químico em meio gasoso. troca CrCl 2 + Fe → Cr + FeCl 2 ou reconstituição VCl 2 + H 2 → V + 2 HCl . Cláudio R. o cromo vaporiza e seus átomos ingressam na peça. como os fornecedores dos elementos dos átomos que enriquecem as camadas superficiais das peças. no NaCN durante a cianetação). Baseando-se nas características físico-químicas da fase ativa que fornece o elemento difusor. No tratamento termo-químico em meio líquido. pode-se conseguir núcleo de elevada resistência e tenacidade. quando a peça é empacotada no pó de cromo ou liga ferro-cromo. diferenciam-se os tratamentos termo-químicos em meio sólido. pelo emprego de aços com elementos de liga. saturação da fase gasosa e saturação da fase líquida. a cementação do aço no carburante sólido deve se relacionar com o método de saturação da fase gasosa. Este processo é pouco efetivo e pouco utilizado. De acordo com essa classificação. líquido e gasoso. é aquecido rapidamente até a temperatura desejada. diretamente pelos locais de seus contatos com a superfície da peça. N. G. Com o aquecimento.

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Pela característica da variação da composição química da peça tratada todas as variedades de tratamentos termo-químicos podem ser divididas em três grupos: saturação com não-metais por difusão, saturação com metais por difusão e remoção dos elementos por difusão. Estes grupos incluem os diversos processos industriais de tratamento termo-químico como pode ser visto no quadro abaixo. Variedades de tratamento termo-químico. Saturação com não-metais por Saturação com metais por Remoção de difusão difusão elementos por difusão Carbonetação(cementação) Aluminetação Desidrogenação Nitretação Crometação por difusão Desoxidação Cianetação Cromocalorização Descarbonetaçã o Nitrocementação Galvanização por difusão Remoção de conjunto de impurezas Boretação Cupretação por difusão Silicietação Titanetação Sulfetação Beliretação Sulfocianetação Vanadetação Saturação de oxigênio* Oxigenação interna * * Saturação de oxigênio é superficial, e oxigenação interna é a saturação de todo o volume da peça com oxigênio com o objetivo de formação de óxidos dispersos. A superfície do aço, saturada em carbono e nitrogênio, ou simultaneamente com estes dois elementos, é o processo de tratamento termo-químico mais amplamente usado. O carbono e o nitrogênio se solubilizam intersticialmente no ferro, e por isso podem difundir rapidamente a uma profundidade significativa. Os meios ativos contendo estes elementos são baratos, e as fases que se formam com a participação do carbono e do nitrogênio no processo de saturação, ou com posterior tratamento térmico, modificam bruscamente as propriedades mecânicas e físico-químicas do aço.

Nitretação
A nitretação é um processo de endurecimento superficial em que se introduz superficialmente no aço, até uma certa profundidade, nitrogênio, sob a ação de um meio nitrogenoso, a uma determinada temperatura. A nitretação é realizada com os seguintes objetivos: - Obtenção de elevada dureza superficial. - Aumento da resistência ao desgaste e escoriação. - Baixo coeficiente de atrito. - Aumento da resistência à fadiga. - Melhora da resistência à corrosão e à oxidação.

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Algumas características do processo são: - A temperatura de tratamento é inferior à crítica (500 ºC a 570 ºC), o que leva a menores distorções dimensionais e empenamentos nas peças. - Não há necessidade de qualquer tratamento térmico posterior a nitretação. - Não modifica as características mecânicas do núcleo obtidas por têmpera e revenido, desde que este último tenha sido executado a uma temperatura em torno de 30 ºC acima da temperatura de nitretação. - Como as temperaturas são relativamente baixas não há aumento significativo do tamanho de grão. O entendimento do processo requer um adequado conhecimento do sistema ferro-nitrogênio e por isto há necessidade de analisar o diagrama de equilíbrio Fe-N, em termos de identificação das diferentes fases.

900 800 700 Fe4N

γ α
0,1% 650 oC 2,8% 4,5% 2,35% 490 oC 590 oC

650 oC

Fe2N

Temperatura ( oC)

600 500 400 300 200 100

ε

α + γ' γ' γ' + ε ζ

5,7%

6,2%

8,25%

11,1%

11,35%

0

0

2

4

6

8

10

12

14

16

Concentração de nitrogênio (%)
Figura 2.44 - Diagrama de equilíbrio Fe-N.

A fase α é constituída de uma solução sólida de nitrogênio no ferro com um limite máximo de solubilidade próxima de 0,1%. A fase γ é constituída de uma solução de nitrogênio no ferro γ e tem estrutura CFC da austenita, figura 2.45. É estável acima de 590 ºC e pode conter até um máximo de cerca de 3 % de nitrogênio. A fase γ’ é constituída de (composto não estequiométrico, Fe4N composição teórica 5,7% a 6,2% de nitrogênio) de reticulado CFC; estável até 680 ºC. O eutetóide α - γ’ ocorre à temperatura de 590 ºC.
Figura 2.45 – Célula unitária da fase γ’.

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A fase ε (Fe2-3N) tem estrutura hexagonal compacta, 2.46, e pode conter uma quantidade de nitrogênio bastante variável. Quando o nitrogênio alcança a concentração de 11,1% a 11,35% se transforma na fase ξ (Fe2-3N). A nitretação acima de 590 ºC forma camadas duras, mas extremamente frágeis, sendo que o processo acima desta temperatura tem aplicação industrial restrita. Isto se deve a formação do constituinte eutetóide denominado braunita com 2,35% de nitrogênio, sendo Fe α + Fe4N. A nitretação abaixo de 590 ºC forma microconstituintes muito finos, dispersos e difíceis de se observar ao microscópio ótico. Resumindo, a formação da camada de nitretos de ferro durante a nitretação, nas temperaturas usadas industrialmente, em função do aumento do teor de nitrogênio na peça será:
Figura 2.46 – Célula unitária da fase ε.

- Até o valor de 0,1% de N, a temperatura de 590 ºC, limite de solubilidade do N no ferro, tem-se a fase α; - Acima de 0,1% começa a se formar a fase γ’ em contornos de grãos e ao longo de certos planos cristalográficos, até o valor de 6,2% de nitrogênio; - Para teores acima de 6,2 % a fase γ’ começa a se transformar na fase ε; - Entre 11,1 e 11,35% forma-se a fase ξ, mas que só é estável abaixo de 450 ºC, portanto raramente é observada. Os aços utilizados para nitretação podem conter elementos de liga como Al, Ti, Cr, Mo e V. O alumínio e o titânio promovem a maior dureza da camada nitretada, seguidos pelo Cr, Mo e V. O aumento de dureza conferido por estes elementos é devido à formação de seus respectivos nitretos (AlN, TiN, CrN, MoN e VN) em planos preferenciais da ferrita {0,0,1}. A profundidade da camada nitretada decresce com o aumento dos teores dos elementos de liga. O Al e o Ti, que possuem a maior influência na dureza, também tem o maior efeito na redução da na espessura da camada nitretada, quando seus teores são elevados. Esses elementos de liga, principalmente Al, Ti e o Cr, possuem alta afinidade química com o nitrogênio, e quando estão presentes em teores elevados, reduzem o teor de nitrogênio livre para a zona de difusão, através da formação da camada branca. O carbono é um elemento comum nos aços, e sendo intersticial como o nitrogênio, possui uma forte influência na formação da fase ε e γ’. Na presença de carbono, a fase ε é na realidade um carbonitreto de composição variável entre o Fe3(CN) e o Fe2(CN). Um outro fenômeno importante durante a nitretação, é a transformação de carbonetos em nitretos. Isto pode ser entendido considerandose as energias de Gibbs para carbonetos e nitretos. Para o cromo, por exemplo, o ∆Gº do Cr2N é menor do que o ∆Gº do Cr7C3. É de se esperar, portanto, que 54

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durante o processo de nitretação os carbonetos de cromo se desestabilizem para formar nitretos de cromo, e o carbono livre se difunde para o lado de menor potencial químico, formando CrFe3C nos contornos de grão da ferrita e não Fe3C isento de cromo, indicando que o potencial químico do CrFe3C é mais baixo do que o da cementita, Fe3C. Assim, pode-se se esperar que o carbono dificulte a difusão do nitrogênio para a zona de difusão. Como os aços empregados para a nitretação são temperados e revenidos entre 550 ºC e 650 ºC, ocorre a precipitação e crescimento de carbonetos, preferencialmente em contornos de grão durante o revenimento. Como a difusão do nitrogênio é muito mais rápida pelos contornos de grão, estes precipitados dificultam a difusão deste. Por outro lado a temperatura de revenimento deve ser acima da temperatura de nitretação para minimizar erros dimensionais que possam vir a ocorrer devido à precipitação de carbonetos durante a nitretação. Os aços especiais para a nitretação, além de teores relativamente elevados de carbono, contêm, como já vimos, alumínio, cromo, molibdênio e ainda o níquel. Os teores usuais destes elementos nos aços para nitretação são os seguintes: - Carbono: 0,30 a 0,45% - confere ao aço não só temperabilidade como também suporte adequado à camada nitretada extremamente dura e muito fina; - Alumínio: 0,85 a 1,20% e Cromo: 0,90 a 1,80% - são elementos que formam nitretos de elevada dureza; - Molibdênio: 0,15 a 0,45% - diminui a fragilidade de revenido que pode ocorrer durante a nitretação, em função das temperaturas usadas; - Níquel: normalmente ausente, é adicionado em teores de 3,25 a 3,75%, quando de deseja um núcleo de dureza mais elevada. Os aços para nitretação, contendo como elementos de ligas fundamentais como cromo e o alumínio são conhecidos como Nitralloy, sendo que apresentam, após a nitretação, a camada superficial mais dura e o núcleo de resistência mecânica mais adequada. Além destes aços especialmente desenvolvidos para a nitretação, outros tipos de aços podem ser submetidos à nitretação, desde aços comuns ao carbono, aços com altos teores de elementos de liga, como os aços para matrizes e inoxidáveis. O resultado obtido em um determinado tipo de aço, em termos das características específicas da camada de nitretos formada, vai depender ainda do processo de nitretação utilizado, sendo normalmente, um deles o mais apropriado para uma determinada classe de aços. A nitretação pode ser realizada por três processos: nitretação a gás, nitretação líquida ou em banho de sal e nitretação por plasma ou iônica, sendo este último, objeto de estudo nos últimos 10 anos em virtude de ser menos poluente, por formar camada nitretada com espessura e composição bem definida e por obter ótimos resultados com menor custo. Nitretação a gás - Este é o processo clássico, consistindo em submeter as peças a serem nitretadas à ação de um meio gasoso contendo nitrogênio, geralmente amônia (NH3), a uma temperatura determinada, entre 500 e 570 ºC. Neste processo a difusão do nitrogênio é muito lenta, de modo que a operação é muito demorada, durando às vezes até 90 horas. Geralmente o tempo varia de 48 a 72 horas. Mesmo com tempos mais longos a espessura da camada nitretada é inferior à da camada cementada, dificilmente ultrapassando 0,8 mm. 55

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Industrialmente, requer-se aços ligados para a nitretação gasosa, com elementos de liga formadores de nitreto. De modo geral, não se nitreta aços comuns por este processo, pois em princípio, não há vantagem em se nitretar aços comuns (baixo carbono), pois o nitreto de ferro que se forma, apesar de ser duro, é muito frágil.

0,9 0,8

Profundidade nitretada (mm)

0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 -0,1 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Tempo (horas)
Figura 2.47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada.

Nitretação líquida - Trata-se de um processo de nitretação que permite, em tempos muito mais curtos que a nitretação gasosas, obter superfícies muito resistentes ao desgaste, sem tendência ao engripamento, de alto limite de fadiga e elevada resistência à corrosão atmosférica. Além disso, ao contrário da nitretação a gás que exige aços especiais para a obtenção de melhores resultados, a nitretação líquida pode ser realizada em aços comuns, de baixo carbono, como o ABNT 1045. A faixa de temperatura é aproximadamente a mesma que é utilizada na nitretação a gás, 500 a 575 ºC. O meio líquido utilizado é cianeto fundido, como na cementação líquida, no entanto a nitretação adiciona muito mais nitrogênio que carbono à superfície das peças. Um banho comercial típico para nitretação líquida é constituído de uma mistura de sais de sódio e potássio, os primeiros de 60 a 70% em peso da mistura total e os segundos de 30 a 40%. Os sais de sódio consistem de: - 96,5% NaCN (cianeto de sódio); - 2,5% Na2CO3 (carbonato de sódio); - 0,5% NaCNO (cianato de sódio). 56

5% KCl (cloreto de potássio) A relação entre cianeto e cianato é crítica. liberando carbono e nitrogênio. entretanto nestas temperaturas o nitrogênio se difunde mais que o carbono. Cláudio R.2 0. ocorre um considerável aumento de dureza. Losekann Direitos autorais reservados Os sais de potássio consistem de: .48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços.0. seu limite de fadiga. elevando seu limite de escoamento e. forma segregações aciculares de Fe4N. que não interferem na dureza.0. Dr.6% K2CO3 (carbonato de potássio). conforme o tempo de operação. submetidos ao processo líquido.4 A ços ligas 0.0% KCN (cianeto de potássio). V ou outros elementos formadores de nitretos especiais.9 0. forma segregações aciculares de Fe4N. . O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns.0. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução. Al.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3 0. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. Nas temperaturas de nitretação o cianato decompõese.96. 0. resultando nitretos em maior quantidade que carbonetos na camada branca (ou faixa de compostos) que pode atingir deste 5 a 15 mm. Al.5 0. atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro.1 0. . nos aços ligados com Cr.7 1045 0. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns. que pode variar de 1 a 3 horas. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. V ou outros elementos formadores de 57 .6 0.0 0 2 4 6 8 10 Tempo (horas) Figura 2. sendo o cianato o principal responsável pela nitretação. A figura que segue mostra a profundidade de nitretação para alguns aços submetidos à nitretação líquida a 570 ºC. W.75% KCNO (cianato de potássio). nos aços ligados com Cr. W. . para garantir alto limite de fadiga. que não interferem na dureza.8 1015 Profundidade nitretada (mm) 0. portanto.

O plasma é composto de elétrons. no estado fundamental ou excitado. que tem um pronunciado efeito sobre a cinética de nucleação e crescimento do filme depositado. para garantir alto limite de fadiga. com o substrato. a temperatura da peça é igual a temperatura do gás. Neste ambiente são monitoradas as variáveis do processo como pressão do gás. promovendo um tratamento uniforme em toda a peça. permite a obtenção de um gás ionizado. Cláudio R. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução. O bombardeamento de uma superfície por íons. colisões entre os íons acelerados e moléculas. independente do gás utilizado. podem ocorrer os seguintes eventos: . O número de colisões é diretamente proporcional a pressão de N2 no reator. conforme mostra o esquema abaixo. Na região da bainha ocorre então. Quando estas espécies colidem com a superfície do substrato (cátodo). estabelecendo-se um equilíbrio térmico na bainha catódica. Nestas condições de equilíbrio o aquecimento da peça é provocado igualmente pelas colisões de moléculas e íons e. além de um efeito químico. os regimes de descarga. com transferência de carga e energia cinética. o importante é a queda de tensão catódica. que depende da reatividade do gás utilizado.A aplicação de uma tensão contínua entre dois eletrodos. o que não acontece em outros regimes de descarga. Esta queda de tensão provoca uma aceleração dos íons N+ a partir da região luminescente em direção ao cátodo. Nitretação iônica . atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. a uma tensão elétrica entre dois pólos. O cátodo é totalmente envolvido pelo plasma. portanto. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. íons e partículas neutras. Figura 2. mantidos em uma atmosfera gasosa. também chamado de plasma. produz um efeito físico. moléculas ou átomos. O tratamento consiste basicamente em submeter uma mistura de gases (N2 ou N2 + CH4) em uma câmara hermeticamente fechada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As peças ficam presas ao cátodo.O íon incidente pode ser implantado na rede cristalina do substrato: Implantação iônica. 58 . elevando seu limite de escoamento e. Losekann Direitos autorais reservados nitretos especiais. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. ocorre um considerável aumento de dureza.49 – Esquema do reator iônico. as energias dos íons e moléculas se tornam iguais. Quando o número de colisões atinge um valor suficientemente alto. negativo (cátodo) e positivo (ânodo). Na nitretação por plasma. seu limite de fadiga. tendo em vista que o livre caminho médio diminui com a pressão. já que a peça a ser nitretada é o cátodo. Dr. e temperatura. dependendo da relação entre tensão e corrente. portanto.

contribuindo para a manutenção da descarga.Rearranjos de ordem microestrutural no interior do material. formadas no plasma. Em termos práticos a nitretação por plasma consiste em aplicar-se uma diferença de potencial de 500 a 1000 VDC entre dois eletrodos. A vantagem de usar hidrogênio na mistura é função de seu potencial redutor. em uma atmosfera de N 2 + H 2 em baixa pressão (4 Torr).Possui uma maior taxa de crescimento de camadas. N+ e N2+ . portanto. A espessura da camada branca varia de 5 a 25 µm e a de difusão pode se aproximar de 1. o que o torna mais econômico. combinam-se com o ferro e elementos de liga presentes na peça promovendo a formação da camada nitretada. O modelo de mecanismo de nitretação sugerido por Kobel e Edenhoffer propõe que os átomos de ferro são arrancados da superfície por bombardeamento iônico e combinam com o nitrogênio atômico no plasma. liberando nitrogênio atômico que se difunde no reticulado cristalino do ferro. o que permite reduzir-se o tempo e a temperatura do processo. formando o composto FeN que se deposita por retro-difusão na superfície da peça. que o fato mais importante na nitretação por plasma. além das espécies correspondentes ao hidrogênio. e se dissocia. Losekann Direitos autorais reservados . ainda. As diferentes fases de nitretos que se formarão dependerão das condições adotadas. na forma atômica ou molecular.0 mm para tempos longos. sendo de grande importância para os aços sinterizados. Dr.Ejeção de átomos do substrato (sputtering). no estado excitado e também NHj ou NHj+ em misturas N 2 + H 2 com energia potencial suficiente para a formação de nitretos de ferro. espécies do tipo Ni + Hj.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As peças a serem nitretadas são colocadas no cátodo.Reflexão do íon a partir da superfície e posterior neutralização. . Devido a diferença de potencial e à baixa pressão no reator. por exemplo. é admitido atualmente. Em função dos vários modelos. frente aos outros processos de nitretação. formando nitretos estáveis como Fe2-3N ou Fe4N. As colisões de elétrons com moléculas do gás podem provocar dissociação. Os mecanismos de nitretação por plasma propostos são vários. a mistura gasosa se ioniza e os íons formados são acelerados contra as peças e as colisões promovendo seu aquecimento. além de propiciar uma ionização maior e. é a formação de espécies reativas de nitrogênio. . N*. ocupando posições intersticiais ou pelos contornos de grãos. aumentando sua densidade de defeitos. excitação e ionização.Emissão de elétrons secundários. formando espécies que reagem como substrato. uma melhoria na eficiência do processo. Este processo pode ser aplicado em todos os tipos de aços. . podem surgir. . como. e no caso de um plasma N2 + H2. . Este composto é instável entre 350 e 600 ºC. podem ser resumidas citando-se os seguintes aspectos: . As principais espécies reativas em um plasma de N2 são: N. N2*.Reações químicas entre o gás da descarga e o material do substrato.Permite nitretar apenas as áreas desejadas em uma mesma peça. 59 . Cláudio R. os quais são acelerados na bainha catódica pelo campo elétrico. vazios. As vantagens da nitretação por plasma. As diversas espécies reativas de nitrogênio (com potencial nitretante).

Dr. durante o tempo necessário para obtenção da camada desejada. o gasogênio. por não produzir resíduos tóxicos. Espessura da camada (mm) Dependendo das condições e solicitações de trabalho da peça. quando o ferro apresenta-se com estrutura CFC.5 São cementadas as peças de aço com 2. como querosene.5% de carbonato de sódio e o restante de carvão vegetal. que é produto da decomposição do petróleo. 60 . A cementação está baseada nas propriedades do ferro que.50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono.Permite escolher o tipo de fase da camada nitretada pela adequada escolha dos parâmetros operacionais.0 baixo teor de carbono o 850 C (algumas vezes 1.1% a 1. É um dos tratamentos térmico-químicos realizados com freqüência.5 até 5. Posteriormente. O meio em que é efetuado a cementação chama-se carburizador. A finalidade da cementação é elevar a dureza e a tenacidade da peça para depois sofrer a têmpera.5 mm até 2. Losekann Direitos autorais reservados .0 mm ou mais. e em meio gasoso. 1. a peça é levada ao forno a uma temperatura em torno de 930 ºC.Apresenta ótima repetibilidade de resultados. depois. Cementação Em parágrafos anteriores foram citadas várias vezes a cementação. a profundidade da camada cementada pode variar de 0.5 simultaneamente durante ao trabalho ao 0. Tempo (horas) Figura 2.A composição do carburizador contém geralmente a seguinte composição: 20 a 25% em peso de carbonato de bário. absorve o carbono em processo de saturação a camada superficial dos aços de baixo carbono. chama-se camada cementada. líquido ou gasoso. em altas temperaturas de 800 ºC a 950 ºC. O tempo de permanência no forno pode variar de um a trinta horas. . mantendo ao mesmo tempo o núcleo dúctil. submete-se a peça à têmpera para obter a dureza desejada.000 oC 2. Cementação sólida .0 desgaste e as cargas 0 2 4 6 8 dinâmicas.5 o também de aços ligas) 800 C que contém de 0.0 0. saturada de carbono. de 3. . A camada superficial.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em meio líquido faz-se por meio de sais fundidos.2% de carbono e que são submetidas 0.É um processo não poluente. O processo de cementação pode ser efetuado em um meio sólido. No meio sólido normalmente utiliza-se carvão vegetal ou coque com adições especiais de carbono de bário. Cláudio R. os óleos etc.

2 mm em 40 a 50 minutos. efetua-se a cementação mergulhando a peça em sais fundidos de cianeto ou carbonatos que contém carbono em suspensão em 5 a 10%. um aço ABNT 1045. Atualmente é muito empregado a cementação rápida com gases. . 150 µm a 200 µm em 12 horas. produção contínua. Na cementação gasosa. Este processo transcorre à temperatura de 870 a 900 ºC durante 0. por difusão. Podem ser boretados os aços carbono.000 kgf/cm2. menor tempo e possibilidade de têmpera imediatamente após o banho.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o elemento boro. Dr. que pode ser visto como uma operação secundária na indústria de peças sinterizadas: o tratamento a vapor (steam treatment. Cláudio R. ferro fundido comum e nodular. steam blackning). as peças são introduzidas em câmaras especiais. fluoreto duplo de boro e potássio. em que a camada cementada de 1mm de profundidade se obtém em 45 minutos aproximadamente. O meio difusor é sólido formado de um granulado de carboneto de boro B4C e de um ativador. ou ainda aços especiais de níquel ou de níquel cromo. e seu controle necessita ser rigoroso. . A espessura da camada cementada é da ordem de 0. em 4 horas de tratamento apresenta uma camada de boreto de ferro. steam oxidation. A temperatura de tratamento varia entre 800 e 1. A vantagem da cementação em sais é o aquecimento uniforme da peça. A cementação líquida é empregada em aços com baixos teores de carbono. 61 .Aumento da resistência à compressão. Boretação Por este processo introduz-se na superfície de aço.Neste processo. enquanto o ativador facilita e acelera a formação da camada superficial dura e de grande uniformidade. O tempo depende da espessura de camada desejada. Fe2B com 100 µm em 8 horas.Aumento da resistência à corrosão.050 ºC (sendo 900 ºC a mais usada). formando boreto de ferro com uma dureza Vickers de 1. Losekann Direitos autorais reservados Cementação líquida . através dos quais passam os gases.A cementação gasosa é efetuada em uma atmosfera de gases que contém carbono. por exemplo. Após a boretação os aços são normalmente temperados e revenidos.700 a 2. e a temperatura nas câmaras é mantida entre os limites de 900 ºC a 950 ºC. Os principais benefícios trazidos por este processo são: . Ferroxidação As propriedades físicas de peças ferrosas sinterizadas podem ser melhoradas por um processo econômico e versátil que vem sendo usado desde 1950 e. aços com baixa e alta liga.5 a 2 horas. também chamado de ferroxidação. Cementação gasosa .Aumento da dureza e densidade das peças. O carboneto fornece o metal para a boretação. as peças devem ser préaquecidas até 500 ºC antes de entrar para o banho de cementação. Para evitar deformações.

427 ºC.Selamento da porosidade interligada.5 a 163 kg/h.5 a 4 horas. quando se faz passar um fluxo de vapor de água superaquecido pelas mesmas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. uma camada de óxido de ferro se forma nas paredes da rede de poros comunicantes. . O processo é aplicado principalmente em peças sinterizadas de baixa e média densidade (5. Fe3O4.Obtenção de um excelente acabamento superficial com a redução da rugosidade inicial. mas sempre abaixo do ponto critico de oxidação ao ar e descoloração. A camada óxida obtida desta forma é muito aderente e menos propensa a defeitos. Dr. Então. assegurando a exposição uniforme de todas as peças à temperatura e atmosfera de tratamento. Uma ventoinha interna é usada para forçar o vapor a circular.Do limite de resistência à tração. um fluxo de gás pode passar através de toda sua seção. ou pelo menos até que o centro da carga do forno atinja a temperatura mínima de 100 ºC. Quando a purga do forno for completada. para depois removê-la e introduzir nova carga. De maneira geral. na superfície e na rede de poros comunicantes de peças ferrosas sinterizadas. ou seja. o óxido é cinzento).Da ductilidade.0 g/cm3 ). bem como sobre a superfície externa da peça. . dependendo da quantidade de óxido que se deseja. o custo por peça ferroxidada é baixo. dando estanqueidade à peça. dependendo do tamanho do forno) para purgar o ar. por um tempo de 15 a 30 minutos até que todas as peças atinjam esta temperatura. Fe3O4. A melhoria das propriedades das peças sinterizadas com a aplicação do processo de ferroxidação é conseguida com baixo investimento de capital. como trincas e bolhas. Losekann Direitos autorais reservados . Um óxido intermediário. além disso. para evitar a condensação do vapor sobre as peças. como desvantagens da ferroxidação podem-se citar o decréscimo: . vai crescendo em 62 . FeO. dependendo das condições de tratamento. O processo de ferroxidação é utilizado para criar uma camada de magnetita. o fluxo de vapor é reduzido à metade e a temperatura é aumentada para valores entre 430 e 600 ºC (no limite inferior o óxido produzido tem a cor preta azulada e no superior. os quais são projetados para serem relativamente estanques. Após o tempo necessário. Como nestas peças existe uma rede de poros comunicantes. A ferroxidação é geralmente realizada em fornos verticais com convecção forçada.4 – 7. é estável somente acima de 570 ºC. O fluxo de vapor é então introduzido na câmara do forno com alta taxa (4. . a wustita. a carga é removida do forno ou é resfriada sob vapor até temperaturas abaixo de 427 ºC. Durante a ferroxidação uma camada de óxido.Da resistência ao impacto. Acima do ponto de ebulição da água (100 ºC) e abaixo de 570 ºC a reação do vapor d’água com o ferro para formar o Fe3O4 é: 3Fe + 4 H 2 O (gás) ⇔ Fe3 O2 + 4 H 2 (gás) Inicialmente a carga do forno deve ser aquecida acima de 100 ºC. Normalmente é usada a temperatura de 315 ºC para o primeiro estágio. A carga é então mantida a esta temperatura de 0. Cláudio R. pois os equipamentos não são caros. do que óxidos formados ao ar.

Na sua dissociação forma nitrogênio nascente na superfície do aço.Este processo consiste em submeter o aço a uma temperatura geralmente acima da crítica em uma atmosfera gasosa capaz de fornecer tanto carbono como nitrogênio que difundem simultaneamente para superfície da peça. . Tem a função de criar pressão positiva para impedir a entrada de oxigênio e diluir gases ativos (hidrocarbonetos e amônia) de modo a facilitar o controle do processo.Gás endotérmico (N2. a partir deste momento. Losekann Direitos autorais reservados todas as superfícies expostas. com relação ao tempo de ferroxidação. decresceria com a distância abaixo da superfície externa.7 mm. . sendo menor que as obtidas na cementação. Torna a atmosfera carbonetante. Cláudio R. Na prática consiste em introduzir um gás carbonetante na atmosfera de nitretação. na faixa de 2 a 8%. Portanto os poros próximos à superfície. a taxa de formação de óxidos diminui por causa do fechamento dos poros. e após o fechamento da superfície. até um dado tamanho. seriam fechados mais rapidamente. dentro dos poros.Gás natural. mais impurezas: O2.Amônia (NH3). Dr. no entanto possui melhor temperabilidade e é mais resistente ao amolecimento durante o revenimento. propana ou butana. só a oxidação superficial progride. H2 e CO. na proporção de 9 a 15%. apresenta um custo menor que a cementação. em função da diminuição da proporção H2O/H2 e que a taxa de crescimento da camada óxida seria um tanto maior próximo à superfície. A camada produzida tem espessura entre 0.07 a 0. H2O e CO2). A taxa de crescimento da camada superficial decresce porque a camada de óxido dificulta a difusão do Fe e O atômicos. Industrialmente o processo é uma cementação a gás modificada pela injeção de amônia na atmosfera carbonetante. confirma tal pressuposto. Com o prosseguimento do tempo. São eles: a) Carbonitretação ou cianetação a gás .Esta variação do processo de nitretação a gás consiste em submeter as peças a uma temperatura em torno de 580 ºC (abaixo da crítica) em uma atmosfera com nitrogênio e carbono. b) Nitrocarbonetação a gás de ciclo curto – DEGANIT . para esta faixa de espessura de camada. Quando todos os poros estão fechados o vapor não tem mais acesso ao interior do corpo sinterizado e. na proporção de 77 a 89% em volume. E razoável assumir que a reatividade do vapor. promovendo sua nitretação. O objetivo principal da carbonitretação é conferir ao aço uma camada dura e resistente ao desgaste. 63 . além disso. Os constituintes da atmosfera utilizada na carbonitretação são: . A dependência do ganho em peso e da densidade final da peça. ou seja. nas paredes da rede interligada de poros e na superfície externa da peça. a continuidade do processo de ferroxidação produziria muito pouca mudança na porosidade final da peça. Processos variantes São tratamentos térmico-químicos similares aos de nitreção e cementação quanto ao meio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Este processo produz camadas brancas de 10 a 30 µm de espessura altamente resistente ao desgaste por atrito. contendo mais nitrogênio e menos carbono que as camadas cementadas e) Nitrocarbonetação em banho de sal . como. de 760 a 870 ºC. A denominação TENOX é uma variante deste processo. A camada de difusão apresenta valores da ordem de 0. ferros fundidos ou materiais sinterizados e em muitos casos é uma alternativa a outros tratamentos. além de uma camada de difusão de até 0.3 mm que aumenta e resistência à fadiga. quando o resfriamento é rápido. O tempo de tratamento é normalmente de 1 a 3 horas e o resfriamento das peças é feito sob atmosfera de nitrogênio até a temperatura ambiente. para resfriamentos lentos.TENIFER/TENOX .3 mm. além dos cianetos e cianatos. com resultados equivalentes ou superiores. Dr. Os sais são compostos de cianetos e cianatos alcalinos que fornecem o nitrogênio e o carbono ao meio. onde as peças são submetidas a temperaturas entre 550 e 570 ºC seguido de resfriamento ao ar. diferenciando-se pelo fator do banho conter sais de lítio e compostos de enxofre. Possui a vantagem de conferir aos aços tratados (comuns e de baixo teor de elementos de liga) melhores características de resistência ao engripamento. além do carbono e nitrogênio no meio difusor.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados A atmosfera é constituída de amônia dissociada. Cláudio R. cementação e cromo duro. A camada branca contém enxofre. ou água. Os objetivos e resultados são praticamente idênticos aos da sulcarbonitretação gasosa. A camada de difusão apresenta nitrogênio em solução sólida no ferro alfa.O TENIFER realizado em banhos de sais fundidos. 64 . f) Sulfocarbononitretação líquida – SURSULF .O processo consiste em introduzir enxofre.Consiste em submeter as peças a uma temperatura acima da crítica. e o caráter oxidante para o TENOX é obtido por insuflamento de ar ao banho.1 a 0. sulfeto de ferro e carbonitretos. à corrosão e ao engripamento. e agulhas de nitretos. produzindo camadas de 0.5 a 1 hora. num banho adequado de sal cianeto fundido. c) Sulfocarbonitretação gasosa . gás endotérmico ou outro qualquer que forneça CO e nitrogênio. onde o resfriamento é realizado em um banho de sal oxidante seguido de polimento e nova oxidação em banho de sal. porém com maior economia. O tempo de tratamento varia de 0. A têmpera posterior produz uma camada superficial dura e de elevada resistência ao desgaste. A camada branca resultante é da ordem de 10 a 20 µm e constitui-se carbonitretos de ferro e carbonetos e nitretos dos elementos de liga presentes no material. ocorrendo difusão simultânea de carbono e nitrogênio. por um tempo em torno de 2 horas.3 mm e é constituída por nitretos de ferro e dos elementos de liga.É um processo similar ao processo TENIFER. mantendo as outras propriedades equivalentes. d) Cianetação ou carbonitretação líquida . submetendo as peças a uma temperatura entre 550 e 575 ºC. O processo é aplicado em aços.

com a resistência à corrosão (através do alumínio). ainda quente. pois promove espessuras finas. A eficiência depende de uma série de fatores.050 ºC com um tempo de tratamento em torno de 2 horas. onde o eletrólito contém sal do metal protetor. É um processo utilizado basicamente para peças sujeitas à corrosão atmosférica. Losekann Direitos autorais reservados g) Cementação por plasma (“Ioncarburizing”) . e a operação é efetuada por laminação a quente ou a frio. um revestimento galvanizado apresenta uma estrutura de componentes químicos complexa. entre camadas de um outro metal de maior resistência à corrosão.2 . 2. recebe.Este processo é uma variação da nitretação por plasma. A peça a ser revestida funciona como cátodo numa célula eletrolítica. que promove a drenagem do excesso de material e auxilia na formação de um revestimento uniforme de espessura satisfatória e isenta de defeitos.2. Nesse processo podem ser empregados como metais de deposição zinco. pode-se citar os seguintes processos de tratamentos superficiais com revestimento metálico em metais: a) Cladização: consiste em colocar o metal. difusão e subseqüente resfriamento. ou liga. O metal mais comum utilizado nessa técnica é o alumínio. a espessura da camada galvanizada. estanho. cádmio. sendo esse tempo normalmente próximo a 2 minutos. pode-se obter materiais em que são combinados à resistência mecânica. No caso da galvanização. c) Eletrodeposição: é o processo de revestimento metálico mais empregado. cromo. Dr.Tratamentos de revestimentos Revestimentos metálicos Dentre outros. etc. a principal vantagem do revestimento é seu aspecto não-tóxico. Desse modo. b) Imersão à quente: nessa técnica as peças a serem protegidas são imersas num banho de metal protetor fundido. A figura seguinte mostra o processo. na qual a diferença consiste em utilizar-se um gás carbonetante. níquel. Através dessa técnica. Cláudio R. aquosa ou em solo. após a dupla estanhagem. camadas aderentes de zinco. podendo o ânodo ser do mesmo metal a ser depositado. sendo que a última. pode-se fazer a estanhagem simples. uniformes e isentas de poros. através do elemento de liga. dependendo da atividade química. entre eles a composição química do eletrólito. dupla ou tripla. O tempo de imersão das peças determina. a estanhagem e o banho em chumbo. prata e ouro. cobre. formam-se. Conforme for o grau de acabamento. numa faixa de temperatura entre 840 e 1. a temperatura. metano (CH4). No caso da estanhagem. que varia gradualmente sua composição e suas propriedades físicas e mecânicas. permitindo seu uso na aparelhagem de armazenamento e manuseio de alimentos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. em peças de ferro e aço.6. em parte. um banho de óleo de coco (ou sebo quente). Uma conhecida 65 . no lugar do hidrogênio e nitrogênio. Existem três processos: a galvanização. As vantagens deste processo de cementação sobre os convencionais são as mesmas obtidas com a nitretação por plasma. densidade da corrente do cátodo.

d) Metalização (sputtering): o processo se dá através do aquecimento de um metal até seu ponto de fusão. Os processos que utilizam níquel e cromo são mais utilizados para fins decorativos. de titânio e de zircônio. fosfatos. permite um revestimento por eletrodeposição (devido a sua porosidade). f) Anodização: utiliza o alumínio. melhora a aparência superficial. como papel. embora utiliza-se o cromo duro para revestir ferramentas. Figura 2. zinco e cádmio. g) Cromatização: são obtidos a partir de soluções contendo cromatos com adição de ativadores como sulfatos. nitratos. madeira. fazendo-o passar. Praticamente todos os metais e ligas podem servir como agente protetor e o método também pode ser usado para proteger superfícies não metálicas. etc. cobre. vidro. e) Difusão: nesse processo. Losekann Direitos autorais reservados aplicação dessa técnica é a eletrodeposição de estanho. colocam-se as peças a serem protegidas no interior de tambores rotativos. além de restaurar componentes de máquinas desgastados ou usinados erradamente.51 – Esquema da eletrodeposição. mas pode ser usado em ferro. o zinco (sherardização) e o silício (siliconização). Também são usados em componentes elétricos e eletrônicos. etc. magnésio. concreto. corrosão. Nesses tambores. que origina as folhas de flandres ou latas. através de uma fonte de calor a alta temperatura. Cláudio R. fluoretos. Dr. na forma de pó. confere isolamento elétrico e aumenta a resistência a abrasão. que é colocado em uma célula eletrolítica. na forma de um filete. Os revestimentos comuns usados nessa técnica são: o alumínio (calorização). é colocado uma mistura do metal protetor. O conjunto é aquecido a altas temperaturas e então ocorre a difusão do metal protetor nas peças a serem revestidas. ao atrito e à corrosão. No choque. abrasão. Os principais tipos de anodização são: crômico (ácido crômico como agente ativo). Esse método é utilizado para proteger peças contra oxidação. com um fundente. aço. aumento da adesão de tintas. As peças a serem protegidas constituem o ânodo e ocorre a conversão do alumínio em óxido de alumínio. cloretos. Esse processo é preferencialmente aplicado em alumínio. matrizes e peças que necessitem boa resistência ao desgaste. sulfúrico (ácido sulfúrico como agente ativo) e duro (ácidos sulfúrico e oxálico como agentes ativos). 66 . erosão e impactos. de modo a desintegrá-lo em partículas que são lançadas contra a superfície da peça. conectores elétricos e aplicações que exijam alta soldabilidade. as partículas aderem-se tenazmente à superfície metálica que se deseja proteger. ligas de níquel. Com esse processo ocorre nas peças um aumento da resistência à corrosão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

resinas alquídicas. e materiais auxiliares. Geralmente é aplicado numa suspensão em água. que são pequenas partículas cristalinas insolúveis nos solventes utilizados (orgânicos ou inorgânicos). pigmentos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a fosfatização serve de base para aplicação de óleo e outros materiais que previnem contra corrosão. ferro fundido e alumínio. poliuretadas e silicones). Os principais constituintes do esmalte são sistemas complexos vítreos ou cerâmicos. Cláudio R. facilitar o manuseio e reduzir a quantidade de vapor de água que seria introduzida nos fornos de queima. aumenta a resistência ao desgaste e à escoriação de peças que se movimentam em contato. cuja função é formar a película (além de agregar os pigmentos e as cargas. Consiste basicamente no tratamento de peças de ferro e aço. que dissolve o veículo para que este possa ser aplicado em camadas mais finas. para melhorar a aparência superficial e conferir melhor resistência a corrosão. como parafusos e porcas e peças estampadas de pequenas dimensões são revestidas em tambores rotativos contendo solução fosfatizante. as tintas constituem o principal revestimento anticorrosivo. epóxi. Além de servirem de base para a pintura. tolueno) ou sintéticos (etanol. que eventualmente substitui o pigmento. Losekann Direitos autorais reservados h) Fosfatização: processo que objetiva um tratamento prévio da superfície para posterior pintura. de modo a torná-las parte integrante da película). Pequenos objetos. as peças maiores são colocadas em tanques. Após a aplicação do esmalte.). onde os mais comuns são os secantes. Revestimentos poliméricos Dos revestimentos poliméricos. Os esmaltes são revestimentos vítreos aplicados principalmente em aço. acetatos. as peças são deixadas secar antes da queima ou sinterização final. por serem de mais fácil aplicação e de menor custo que os demais. Dr. mediante uma solução diluída de ácido fosfórico e outras substâncias químicas. carga. produzem uma superfície que facilita a conformação a frio e servem de base para adesivos em laminados metal-plástico. Revestimentos cerâmicos A esmaltação à porcelana constitui o principal processo. 67 . A secagem é realizada ao ar ou em estufas. completamente misturados e fundidos. Os solventes podem ser hidrocarbonatos (aguarrás. naftas leves e pesadas. Os pigmentos também são de natureza inorgânica (naturais ou sintéticos) ou orgânica. porém necessitam várias demãos) ou conversíveis (são os vernizes óleoresinosos. Os veículos podem ser não-conversíveis (mais fácil de aplicar. solvente. que objetivam reduzir o custo das composições. de secagem rápida. As tintas constituem-se basicamente dos seguintes componentes: veículo. etc. As cargas são compostos inorgânicos. Essa secagem se faz necessário para novas aplicações de esmalte.

separando-o do oxigênio. o cientista francês Henri Saint Claire Deville. Isto só foi possível devido a invenção do dínamo elétrico. substituiu o potássio pelo sódio. dando o nome de aluminium.00 para $17.854.812.886. Outros melhoraram seu processo até 1. que tentou isolar o metal. O primeiro foi o inglês Humphrey Davy. Losekann Direitos autorais reservados 3 .7 gf/cm3 ). Séculos depois. continuou seus experimentos. Apesar de ser o metal mais abundante na crosta terrestre. tão raro quanto a prata. o físico alemão Hans Christian Oersted se encarregou de produzir pequenas quantidades do metal. mas na forma de óxido (Al2O3) no minério da bauxita. Isso baixou seu custo de $545. entre 1. Depois de formado. O resultado foi uma massa que ele trabalhou com martelo. os ceramistas da Pérsia (atualmente alguns países como Irã. em 1. Iraque.808 e 1. Há mais de 7 mil anos. resistente à corrosão. Um de seus estudantes. o professor Frank Jewett mostrou a seus estudantes de Química um pequeno pedaço de alumínio e disse a eles que quem conseguisse descobrir um modo econômico de se obter este metal ficaria rico.ALUMÍNIO E SUAS LIGAS 3. Afeganistão) faziam seus vasos com um tipo de argila contendo óxido de alumínio .880. Cláudio R. Um preço razoável. bom condutor de calor e eletricidade. através da destilação com aquecimento da mistura de potássio e óxido de alumínio. quando 2 toneladas de alumínio foram produzidas. E então. dando origem a um dos metais mais usados pela indústria na história. Charles Martin Hall.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Logo depois.825. sugeriu que poderia ser um óxido de um metal. Em 1. os egípcios e babilônicos usavam o óxido de alumínio em cosméticos e produtos medicinais. ele não se encontra naturalmente na forma de metal. 68 .1 – INTRODUÇÃO O alumínio é um metal leve ( γ = 2. já vinha fazendo experimentos com minérios desde os 12 anos de idade. tanto é que serviu para ornar a mesa da Corte Francesa.a alumina. ele colocou num recipiente um banho de criolita contendo alumina e passou uma corrente elétrica. em laboratório improvisado. Em 1. Aprendeu como fazer óxido de alumínio – alumina.00 o grama. quase o mesmo valor da prata.869. reduzindo o óxido existente na alumina e obteve um alumínio com 97% de pureza. Vários pesquisadores participaram da descoberta do alumínio. possui brilho e tem um baixo ponto de fusão 658 oC. a coroa do rei da Dinamarca e a capa do Monumento de Washington. Na Oberlin College de Ohio. o alumínio era um metal semiprecioso. Em meados de 1. várias partículas de puro alumínio se formaram. obtendo uma liga de ferro-alumínio e sem saber direito o que havia obtido. Dr.

alumina . Desta forma. causada pela infiltração de água em rochas alcalinas que entram em decomposição e adquirem uma nova constituição química. dobrado. A terra fértil acumulada sobre as jazidas é removida juntamente com a vegetação e reservada para um futuro trabalho de recomposição do terreno. Se for seca e calcinada (1. que contém em torno de 40 a 60% de alumina e o restante de óxido de ferro. Porém. forjado. No momento que ocorre a passagem da corrente elétrica. Esta solução. Em equipamentos chamados de precipitadores. Aquecida sobre pressão e recebendo nova adição de soda cáustica. A bauxita. chamada de aluminato de sódio. Depois de minerada. a matéria-prima . torneado. colagem e brasagem. ocorre a reação de dissociação e o alumínio se separa do oxigênio. envernizado e esmaltado. permitindo a adição de novas cargas de alumina. O alumínio é facilmente moldável e permite todo tipo de processo de fabricação: pode ser laminado. prensado. e nesse processo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. alguns cuidados devem ser tomados para proteger o meio ambiente. onde chega em seu estado natural. rebitagem. isoladores térmicos. sílica. esta pasta se dissolve formando uma solução que passa por processos de sedimentação e filtragem que eliminam todas as impurezas. o que torna o processo contínuo para fabricação de lingotes ou laminados. além disso. O alumínio líquido se deposita no fundo do forno que é bombeado para fornalhas onde será purificado ou receberá a adição de outros metais para formação de ligas. a bauxita é transportada para a fábrica.minério do qual se extrai a alumina e o alumínio . As peças de alumínio podem também ser produzidas por processos de fundição. predominantemente iônica. o que possibilita a sua extração a céu aberto com a utilização de retroescavadeiras. A bauxita encontra-se próxima à superfície.poderá ser utilizada como abrasivos. Sua condutividade térmica é quatro vezes maior que a do aço. O calor gerado pela corrente elétrica mantém a solução em estado líquido. Isso é feito através de reação química. antes de se iniciar a exploração. Até mesmo a bauxita . em uma espessura média de 4 a 5 metros.é formado por uma reação química natural. Dr.2 . E aí se inicia a primeira reação química da série que vai viabilizar a obtenção da alumina e do alumínio. corantes e cremes dentais. a alumina contida na solução precipita-se através do processo chamado de "cristalização por semente". Os fornos são ligados a um circuito elétrico de corrente contínua. Cláudio R. 69 . serrado. repuxado. com impurezas que precisam ser eliminadas. após a extração do minério. refratários. é moída e misturada a uma solução de soda cáustica que a transforma em pasta. furado. entre os seus átomos e que para separá-los é necessário a utilização de fornos eletrolíticos. esta pronta para que dela se extraia apenas a alumina. A alumina é dissolvida dentro destes fornos em um banho a base de fluoretos. Ele pode ser anodizado. titânio e outras impurezas. A alumina (Al2O3) tem uma ligação muito forte. obtém-se a alumina hidratada. lixado e polido. Losekann Direitos autorais reservados 3.000 a 1. cerâmicas avançadas.300 oC). pode ser usada no tratamento de água e na indústria de celulose e papel. o alumínio é um material que pode ser unido por todos os processos usuais: soldagem.PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO O processo de produção de alumínio é composto por uma série de reações químicas.

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Uma das grandes utilizações do alumínio é no seu formato de pó. É produzido a partir da atomização do alumínio em estado líquido, na qual, o alumínio no estado líquido é aspirado para uma câmara onde se introduz um jato de ar pressurizado, desintegrando-o em pequenas partículas de formato semiesférico que depois é peneirado e classificado de acordo com a sua granulação que pode ser: fino, médio e grosso. As principais aplicações do pó de alumínio são:

Aluminotermia: É empregada na produção de ligas de ferro, ligas não-ferrosas e metais puros: ferro-nióbio, ferro-vanádio, ferro-molibdênio, ferro-titânio, cromo, etc... Funciona como agente de redução de óxidos e fonte de calor.

Refratários: É aplicado em tijolos e concretos para canal de corrida. O pó de alumínio reage com o oxigênio da água, gerando hidrogênio que facilita a secagem dos concretos e evita a formação de trincas. Em tijolos de magnésiacarbono, o alumínio reage com o oxigênio do aço fundido, preservando o carbono do aço, aumentando a vida útil do refratário.

Metalurgia: É utilizado na produção de briquetes, que são misturas de alumínio e outros pós metálicos, moldados em pequenos lingotes sob pressão. Endurecem, reforçam e refinam a estrutura granular das ligas de alumínio. Utilizado em solda exotérmica, a reação de pós de alumínio e óxidos metálicos fornece o calor e metal de enchimento, utilizado na soldagem de cabos, bastões, trilhos, ligas de cobre, alumínio e outros metais.

Indústria química: É utilizado na produção de derivados aluminosos quando se necessita de uma reação de alta pureza e eficiência. É aplicado em cloridróxido de alumínio, cloreto de alumínio anidro, agentes de redução, fosfeto de alumínio, hidróxido de alumínio, produção de pigmentos para de tintas automotivas e industriais, gráfica, etc.

Explosivos: O pó de alumínio é misturado a compostos explosivos, aumentando o desempenho e a potência de explosão. Alguns tipos de explosivos são NA/FO, aminometilaminas, etc.

• •

Forno auto limpante: O pó de alumínio age como elemento de suporte na formulação de esmaltes, dando o efeito de limpeza. Propelentes para mísseis e foguetes: o pó é utilizado na produção de combustíveis sólidos para mísseis e foguetes. Os compostos sólidos são formados por um oxidante forte, pó de alumínio, ligantes e aditivos especiais.

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3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
O alumínio comercialmente puro ( 99,99% ) e recozido tem uma resistência de ruptura à tração de 5 kgf/mm² (49 MPa) e peso específico de 2,7 gf/cm3 e a tensão de escoamento está em torno de 1,3 kgf/mm² (12,7 MPa). Quando laminados, extrudados ou forjados, a tensão de ruptura à tração pode alcançar a 57 kgf/mm2 (559 MPa) e a tensão de escoamento fica em torno de 50 kgf/mm² (490 MPa). As impurezas metálicas podem aumentar a sua resistência à tração em cerca de 50% sem aumentar muito o peso específico (dependente da concentração). O módulo de elasticidade longitudinal depende também da concentração de elementos de liga, mas para o alumínio comercial vale E = 7.000 kgf/mm². A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 35.000 11.900 7.000 4.550 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 19.600 14.000 7.700 - 11.900 10.500

Ferro, níquel, cobalto Molibdênio, tungstênio Cobre Alumínio Magnésio

Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro, prata Platina

9.800 10.150 4.200 25.700 56.000 10.000 1.750 29.750 10.500 7.850 18.800

Aços-carbono e aços-liga Aços inoxidáveis austeníticos Ferro Fundido Nodular Bronzes e latões Bronzes de manganês e ao silício Bronzes de alumínio Ligas de alumínio Monel Hastelloy Invar (níquel-ferro) Inconel Ilium (liga de níquel) Ligas de titânio Ligas de magnésio Ligas de estanho Ligas de chumbo

8.400 - 13.300 7.000 - 7.450 13.000 - 18.200 18.900 - 21.500 14.000 16.000 18.700 11.200 - 12.100 4.550 5.100 - 5.400 1.400 - 2.950

O alumínio comercialmente puro é pouco tenaz, mas possui excelente maleabilidade sendo possível laminar folhas de 0,005 mm de espessura. Também tem boa ductilidade com alongamento de 30 a 40%, sendo possível obter fios de 0,03 mm de diâmetro. De pequena dureza podendo ser riscado pela maior parte dos metais. Sob ação do trabalho mecânico a quente (laminação, forjamento) o alumínio se encrua. Para melhorar ou modificar as propriedades do alumínio, pode-se fazer tratamentos térmicos ou adicionar elementos químicos quando o metal está no estado líquido, fazendo-se as ligas. 71

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Propriedades físicas Massa atômica: 26,97 g Peso específico: 2,70 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 °C): CFC, a = 0,404 nm Ponto de fusão: 658 °C [931,15K] Ponto de ebulição: 2.000 °C Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 °C): 23 x 10-6/ °C [24 - 24,2.10-6/K] Resistividade: (20 °C): 2,699 µΩ.cm [2,63 - 2,692.10-8 Ω.m] Condutividade térmica: (20 °C): 0,52 cal.cm-1.s-1. °C -1 [222 - 224,2 W/m.K] Refletividade (chapa polida): 0,06 Calor específico: 900,4 - 909,4 J/kg.K Calor latente de fusão: 388 - 391,9 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 370 - 420K Em relação ao cobre, a condutividade elétrica é cerca de 62 % da do cobre e tal como diminui ligeiramente por deformação a frio e fortemente com a presença de impurezas. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,3 % Coeficiente de Poisson: 0,34 Dureza: 15 a 25 HB [147 a 245 MPa] Módulo de cisalhamento: 26,2 - 26,4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 68,9 - 69,6 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 12,7 a 30 MPa Tenacidade a ruptura: 30 - 35 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 a 50 MPa Alongamento: 30 a 40 % Estricção: > 60 % Estas características correspondem a alumínio no estado recozido. É, portanto, um metal muito maleável. Pode ser trabalhado a frio e a quente e após recristalização não apresenta maclas como o cobre. O trabalho a quente é efetuado entre 250 - 500 °C. Propriedades químicas Reage facilmente com o oxigênio. Esta propriedade se dá na superfície do alumínio e forma uma película espessa e aderente de alumina que o protege da continuação da reação para o alumínio subjacente. A adição de qualquer elemento químico prejudica esta resistência a corrosão, de tal modo que nas ligas de alumínio de alta resistência estas têm de ser revestidas por folha de alumínio puro. Forma pares galvânicos com os metais mais nobres, como o cobre e o ferro, os quais destroem a camada de alumina protetora e provocam forte corrosão. Devem por isso ser evitadas ligações metálicas entre aqueles metais e o alumínio. Resiste bem a corrosão atmosférica, soluções salinas, mas e atacado pela água pura a temperatura elevada. Também resistente a atmosferas sulfurosas ou muito úmidas. É atacado pela maior parte dos ácidos minerais, 72

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sobretudo o ácido clorídrico. O ácido nítrico e os ácidos orgânicos, com exceção do ácido fórmico, não atacam o alumínio. Os produtos mais resistentes são: os vários graus de alumínio puro, seguidos das ligas Al-Mg, Al-Mn, Al-Mg-Si, e Al-Si. As ligas que contém cobre são as menos resistentes a corrosão e, por isso, devem ser revestidas de alumínio puro e não sofrer nenhum tratamento térmico para evitar a difusão dos elementos entre as folhas da superfície e da alma. Composição química Pode obter-se por refinação eletrolítica o alumínio comercialmente puro, 99,99%. O alumínio comercial contém geralmente impurezas que atingem cerca de 0,5%, sendo o ferro e o silício as principais. Estas impurezas são vantajosas do ponto de vista de propriedades mecânicas, elevando a resistência mecânica, mas são prejudiciais a maleabilidade, a resistência corrosão, a condutividade elétrica. Se a proporção de silício ultrapassar o teor de ferro poderá ocorrer trincas a quente. Os principais graus de alumínio são: 99,99%; 99,5%e 99%. Tratamentos térmicos O único tratamento com interesse é o recozimento de homogeneização que, ao assegurar a redistribuição do ferro sob a forma de precipitado fino intragranular de FeAl3, retarda a recristalização após laminação e modifica a estrutura (evita o aparecimento da estrutura cúbica) o que tem como conseqüência uma diminuição apreciável da resistividade do metal vazado. Aplicações O seu baixo peso específico, cerca de 1/3 do peso específico do cobre, justifica o seu emprego na construção veículos motorizados e da aviação; na indústria mecânica, pistões, eletrodos, folha de alumínio, portas e esquadrias, latas, placas, embalagens, painéis, sinalizadores, placas de sinalização. A condutividade térmica e apenas ultrapassada pela prata, cobre e o ouro, e por isso, é utilizado em material de cozinha, trocadores de calor, instalações de refrigeração, pistões, etc. Mas, devido ao baixo ponto de fusão a temperatura de serviço, não deve ser superior a 200 oC. 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO O principal objetivo da adição de elementos ao alumínio é a melhorar o limite elástico, resistência à tração e dureza. Em contrapartida, propriedades como a ductilidade, condutividade térmica e resistência à corrosão diminuem. As ligas são formadas principalmente com a adição de cobre (Cu), magnésio (Mg), manganês (Mn), silício (Si) ou zinco (Zn) ao alumínio (Al). A escolha dos elementos e sua proporção, nessa adição, dependem das propriedades finais que se quer obter. A maior parte das ligas de alumínio é ainda susceptível de endurecimento por precipitação que aumenta consideravelmente o limite de elasticidade e resistência à tração e a dureza. O alumínio entra em grande número de ligas de dois ou mais componentes. As principais ligas de alumínio são: ligas de solução sólida Al-Cu; Al-Si, Al-Mg2Si, Al-Mg e Al-Mn.

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3.3.1.1 - Liga de Al-Cu O diagrama de fases da liga binária Al-Cu mostrado abaixo mostra a complexidade do conhecimento completo de ligas formadas pelo alumínio e cobre. Entretanto, ao se fabricar uma liga de alumínio AlCu e submeter essa liga a processos especiais de tratamento, esse material terá uma resistência à tração equivalente ou até maior que a de aços de baixo teor de carbono com boa usinabilidade. É indicada para peças que devem suportar temperaturas em torno de 150 oC.
Figura 3.1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu.

3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) As ligas de Al-Mg conhecidas como alumag são susceptíveis de endurecimento por precipitação ou por deformação a frio. O magnésio tem um máximo de solubilidade no alumínio a 450 oC e para o teor de 15%, valor que desce para 1,5% à temperatura ambiente. As ligas comerciais tem mais de 4% de Mg, sendo portanto bifásicas, ou seja, constituída pela fase α pela fase β, Al3Mg2, que precipita durante o resfriamento. A resistência à corrosão pode ser restaurada por reaquecimento seguido de resfriamento controlado. As ligas de Al-Mg são excelentes para a soldagem, e por serem também resistentes à corrosão, principalmente em atmosferas marinhas.
Figura 3.2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg.

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essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso.1. possui elevada condutividade elétrica. níquel (Ni) etc. Depois de passar por tratamento térmico. 3. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição. a resistência mecânica dessa liga aumenta em até 20% quando comparada ao alumínio puro. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. placas de carro. com maior tenacidade. principalmente na construção de aviões.Liga de Al-Mn Quando se adiciona manganês (Mn) ao alumínio. com a capacidade de ser trabalhado por todos os processos de conformação e fabricação mecânicas.3 .1. Cláudio R. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento.3. telhas. tais 75 . . Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg).1% de sódio no momento de vazamento. têm elevada resistência à corrosão. usinadas. Quando o teor de silício é elevado. como por exemplo a prensagem. chumbo (Pb).3 . cobre (Cu) ou cromo (Cr). porém.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. é resistente à corrosão. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem.4 .composição eutética . São facilmente moldadas.3. 13% de Si.e se dá com adição de 0. Esta liga é usada na fabricação de latas de bebidas. equipamentos químicos. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). estanho (Sn). É possível também combinar elementos de liga.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas. trocadores de calor e como elemento decorativo na construção civil. refletores.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. Dr. Losekann Direitos autorais reservados 3. titânio (Ti). a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas. a soldagem e a rebitagem. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. Figura 3. Essa liga aceita acabamento de superfície.

Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta.e se dá com adição de 0. níquel (Ni) etc. São usadas na construção civil.8% de Si.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. além de pequenas porcentagens de Fe. 13% de Si. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. Quando o teor de silício é elevado. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. Neste caso deve-se usar água a100 oC. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções. 3.5.1% de sódio no momento de vazamento. Estas ligas de alumínio podem. Depois de passar por tratamento térmico. É possível também combinar elementos de liga. No caso de peças de formas complicadas. endurecer por revenido à temperatura ambiente. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente. titânio (Ti). de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. óleo ou sais fundidos. cobre (Cu) ou cromo (Cr). Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas. em geral.1. chumbo (Pb). a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa.5 a 1% de Mn e 0. após a têmpera.5 a 5% de Cu e 0. São facilmente moldadas. têm elevada resistência à corrosão. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 a 1% de Mg e 0. fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão. com maior tenacidade. Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg).3. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. Por exemplo. Dr. estanho (Sn). Em outros casos. Após este tratamento. tais 76 . Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada. O duralumínio contém em média 2. usinadas. Cláudio R.5 a 0. porém. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. . Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. o envernizamento e a esmaltação. principalmente na construção de aviões. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição.composição eutética . Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi).

O duralumínio contém em média 2. Estas ligas de alumínio podem. a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada. titânio (Ti). Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. Depois de passar por tratamento térmico. chumbo (Pb). Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Figura 3.8% de Si. óleo ou sais fundidos. cobre (Cu) ou cromo (Cr). Em outros casos. endurecer por revenido à temperatura ambiente. estanho (Sn). Cláudio R. em geral. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. além de pequenas porcentagens de Fe. Por 77 .5 a 1% de Mn e 0. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa. após a têmpera. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente. No caso de peças de formas complicadas. Neste caso deve-se usar água a100 oC.4 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o envernizamento e a esmaltação. São usadas na construção civil. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações.5 a 5% de Cu e 0.5 a 0. Após este tratamento. de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. Dr. principalmente na construção de aviões. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. níquel (Ni) etc. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado.5 a 1% de Mg e 0. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções.

Designação Indicação na composição da série 1XXX 99% mínimo de alumínio 2XXX Cobre 3XXX Manganês 4XXX Silício 5XXX Magnésio 6XXX Magnésio e silício 7XXX Zinco 8XXX Outros elementos 9XXX Série não utilizada Pela norma citada (NBR . Após passarem por esses processos. as ligas são comercializadas sob a forma de laminados planos (chapas e folhas). • O segundo dígito. Desta forma. quanto as ligas para fundição seguem um sistema de designação de acordo com a norma da ABNT NBR .2 . identificam as diferentes ligas do grupo (é um número arbitrário).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. perfis e tubos extrudados e peças forjadas. 3. barras. indica qualquer modificação na liga original.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO Para organizar e facilitar a seleção das ligas de alumínio. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. fluidez e estabilidade dimensional e térmica para suportar os diferentes processos de fundição. Para as ligas. para o alumínio puro. indicam o teor de alumínio acima de 99%. As ligas para fundição devem ter resistência mecânica. Cláudio R. Quando se referem às ligas.6834 conforme o principal elemento de liga presente em sua composição. Dr. as ligas para conformação devem ser bastante dúcteis para serem trabalhadas a frio ou a quente pelos processos de conformação mecânica. 78 . para o alumínio puro. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. a ABNT e outras associações de normas técnicas classificaram essas ligas de acordo com o processo de fabricação e a composição química. arames. se for diferente de zero. os materiais para conformação mecânica são indicados por um número de quatro dígitos: • O primeiro classifica a liga pela série de acordo com o principal elemento adicionado. • O terceiro e o quarto dígitos. Foram divididas em ligas para conformação (ou dúcteis) e 1igas para fundição. Ligas de alumínio para conformação.3. Tanto as ligas para conformação.6834). indica modificações nos limites de impureza: 0 (nenhum controle) ou l a 9 (para controle especial de uma ou mais impurezas). Losekann Direitos autorais reservados exemplo. Essa divisão foi criada porque as diferentes ligas têm que ter características diferentes para os diferentes processos de fabricação.

Dr.X 3XX. Ligas de alumínio para fundição.X 7XX.X 8XX.X 6XX. 1 . 80 . O segundo e o terceiro dígitos indicam centésimos da porcentagem mínima de alumínio (para o alumínio puro) ou diferentes ligas do grupo.Alumínio com silício/cobre ou magnésio.silício.Lingote.X 99% mínimo de alumínio Cobre Cobre e silício e ou magnésio Silício Magnésio Série não utilizada Zinco Estanho Outros elementos • • • O primeiro dígito classifica a liga segundo o elemento principal da liga. 4 . G .É a liga de número 19 desta série. Exemplos: 1) Liga de alumínio 319. 35 . 1 para lingotes e 2 .Peça fundida.para alumínio reciclado. 2) Liga de alumínio 580.zinco. M .Sem controle especial de impurezas.X 9XX. Losekann Direitos autorais reservados Exemplos: 1 .manganês).cobre.Com controle especial de impurezas (modificado). N níquel. As letras indicam os principais elementos (C.0 3 .Alumínio com magnésio.X 4XX.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.Alumínio com magnésio. Designação Indicação na composição da série 1XX.1 5 .35% de alumínio.É a liga de número 80 desta série. 0 .Alumínio comercialmente puro. 0 .X 5XX. 2) Liga de alumínio 5470 5 .É a liga de número 70 desta série. 19 . A ASTM designa as ligas de alumínio com letras e números.magnésio. 70 .para peças fundidas. Z . Para conformação M1A CS41A CG30A CG42A GS10A GS11A ZG62A Para fundição C4A CG100A CN42A CS72A G8A G10A SN122A 79 .99. S . O dígito após o ponto indica a forma do produto: 0 .X 2XX.

e é um excelente condutor de eletricidade e calor. nos Estados Unidos da América do Norte e no Chile..1 .083 ºC.000 anos. Em relação a outros metais. sendo encontrado aproximadamente 0.INTRODUÇÃO O cobre foi o primeiro metal usado pela civilização.5 e 0. Goiás e Bahia. 393 milhões de toneladas de metal.000 anos a.C.. o cobre é um material relativamente escasso na crosta terrestre. A primeira utilização do cobre conhecida é datada de 8. Losekann Direitos autorais reservados 4 . pois pode ser encontrada junto na natureza. Aproximadamente 3.000 anos atrás. o cobre foi o único metal conhecido pelo homem. Porém em contato com ar úmido ele se recobre de uma camada esverdeada. utilizadas na arte. É um metal dúctil e maleável que pode ser laminado a frio ou a quente. vieram a ser descobertos a prata e o chumbo. tendo assim muitas aplicações inclusive.700 anos a. de aeronaves. os teores mínimos situam-se entre 0. As reservas mundiais de cobre são estimadas em. Para lavra a céu aberto. cujo teor não deve exceder de 0. Por isso. O azinhavre impede a oxidação do cobre. Ao ser laminado a frio. em depósitos de grande porte e lavra subterrânea.COBRE E SUAS LIGAS 4.C. o cobre não se oxida. O bronze teve absoluta supremacia durante séculos. a 3%.007% em toda a crosta. estirado ou estampado. a cerca de 10. seguida da construção naval. o que é corrigido com o tratamento térmico. decoração. até o advento do ferro. Elementos indesejáveis em jazidas de cobre compreendem o Bi. Cláudio R. Estima-se que somente 4. porém diminui sua maleabilidade. Durante aproximadamente 5. o bronze (Cu-Sn). aproximadamente. 2% de As. tendo sido encontrado vestígios de seu uso no norte do Iraque. São Paulo. utensílios e na guerra.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.7% de Cu. conhecida por azinhavre ou zinabre (hidrocarbanato de cobre). o cobre vem sendo substituído pelo alumínio. Cerca de 50% da produção mundial do metal é consumida pela indústria eletrônica.5%. a civilização veio a conhecer o ouro e a liga mais antiga que existe. O Brasil tem jazidas de cobre no Rio Grande do Sul.C. instrumentação e indústria química. 80 . Em contato com o ar seco e em temperatura ambiente. Isso o torna mais frágil. O cobre é um metal não-ferroso e não magnético que se funde aproximadamente 1. automotiva. ele adquire um endurecimento superficial que aumenta sua resistência.000 anos a. para muitas aplicações. não deve ser inferior a 1% de Cu e em depósitos de pequeno porte. distribuídas com a maior percentagem na Rodésia. 1% de Sb e 10% Zn. O teor de cobre. Dr.

... 34% de Cu Calcosita (Cu2S) .... a qual é recolhida e desidratada.. resta em torno de 1% do 81 ...... formando uma espuma concentrada na superfície do tanque..... As partículas que não contêm cobre são encharcadas pela solução de água e produtos químicos.............2 .... chamado ganga.. Trituração e moagem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.... os de cobre pórfiro. 80% de Cu Covelina (CuS). 89% de Cu Os minérios devem passar por um processo que é composto por várias etapas como: 1. os vulcanogênicos..1 – Beneficiamento do cobre. Flotação ou concentração.. Realizado essas etapas... Após ser extraído o minério da natureza.. Em seguida.. Obtenção do mate. o minério moído é colocado em uma máquina cheia de água misturada a produtos químicos.. Na base desse equipamento existe uma entrada por onde o ar é soprado.. Losekann Direitos autorais reservados 4. os filoneanos e os das séries sedimentares e os principais minerais de minério de cobre são: Calcopirita (CuFeS2) ... 48% de Cu Cuprita (Cu2O) ... Dr............ A) Trituração do minério... Cláudio R. ele passa por um triturador giratório que irá reduzir o tamanho do mineral ao equivalente ao de uma bola de futebol.PRODUÇÃO DE COBRE Os principais tipos de depósitos de cobre compreendem os de segregação magmática.. os de escarnitos. 66% de Cu Bornita Cu5 FeS4 ... a) b) Figura 4. 52-65% de Cu Enargita (Cu3AsS4) ... B) Flotação O minério de cobre e moído em moinho de bolas para reduzir o seu tamanho entre 0.... Obtenção do cobre blíster....... formam um lodo.. 3. o sulfeto de cobre e o sulfeto de ferro fixam-se nas bolhas de ar sopradas.. Como o minério sulfuroso flutua..5 mm.......... 2..... 6. Refino. Essa etapa chama-se flotação ou concentração. e vão para o fundo do tanque. 5..... porque não se mistura na água. 4....05 e 0...... Extração do minério.

Na refinação térmica. quando se obtém um concentrado com 15 a 30% de cobre.Esquema do forno revérbero e obtenção do mate. o concentrado é levado a um forno de chama direta chamado revérbero.Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica. Depois. 82 . o ferro se oxida e se une a sílica para ser transformado em escória que é eliminada. Dr. bismuto. O cobre passa a ter 99.9% de impureza sendo o mais utilizado comercialmente. Figura 4. A etapa seguinte é a decantação e filtragem. A maior parte do enxofre e de impurezas como arsênico e antimônio são eliminados. O cobre bruto obtido nesta etapa recebe o nome de blíster. e apresenta uma pureza entre 98% e 99. Figura 4. o blíster é fundido e parte das impurezas restantes é eliminada..3 . O mate é levado aos conversores para oxidação para retirar o enxofre e o ferro. No conversor. O material resultante passa a ter entre 35 e 55% de concentração de cobre e é chamado de mate. podendo ser térmica ou eletrolítica. o enxofre que sobrou também é eliminado sob a forma de gás. Cláudio R. e também metais nobres como ouro e prata.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados material inicial. níquel etc. com impurezas como antimônio.5% de cobre. A última etapa é o refino do blíster.2 . chumbo. A seguir.

por isso. 0. selênio. laminação) e a conformação a frio (trefilação. a não ser que o trabalho de deformação é realizado a quente. particularmente. O cobre mais puro ( > 99. Também dissolve o oxigênio.PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS As propriedades mecânicas do cobre favorecem a conformação a quente (forjamento. Tem tendência a dissolver certos gases como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de carbono (CO2) que. depositando-se nos contornos de grão. etc. Estas impurezas. Dr. arsênio. diminuindo o limite de elasticidade muito rapidamente acima de 200 oC. oxigênio. Por deformação a frio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mesmo em quantidades pequenas atuam prejudicialmente sobre a condutividade elétrica. de cuja natureza e teor. estanho.04% de fósforo reduz a condutividade a 75% em relação ao cobre puro.900 kgf/mm2 (119 GPa).065 oC e que. durante a solidificação produz poros. Por exemplo. O oxigênio forma dióxido cuproso (Cu2O) solúvel no metal líquido e pode dar o eutético Cu-CuO2 que funde em torno de 1.99%) é obtido por eletrólise. chumbo. Figura 4. O cobre comercial contém sempre impurezas que vão influir nas suas propriedades físicas.3 . laminação). de acordo com a sua estrutura cristalina. ferro. O cobre é dúctil e maleável a frio. dependem do processo de fabricação. enxofre. Losekann Direitos autorais reservados 4. O módulo de elasticidade longitudinal médio é de 11. é conveniente efetuar um recozimento para ir eliminando o endurecimento obtido. 83 . endurece facilmente e tanto mais quanto maior for a deformação e.4 . zinco. em particular na condutividade elétrica. As principais impurezas que podem existir no cobre são a prata. Os valores da dureza e da resistência à tração são bastante diferenciados entre as temperaturas baixas e as temperaturas elevadas. e nas propriedades mecânicas. cobalto. bismuto. Cláudio R. a qual dificulta o transporte dos elétrons. torna o metal frágil. níquel.Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre. o fósforo. antimônio. o ferro e o arsênio. A redução de condutividade é devida a deformação da rede cristalina provocada pelos átomos das impureza.

94 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC. Tratamentos térmicos Esta fragilidade pode ser eliminado por meio de recozimentos e forjamento feito convenientemente. mas não se passiva e as películas formadas pelos produtos de corrosão são pouco resistentes.25 % Coeficiente de Poisson: 0. mas reveste-se de uma camada esverdeada no ar úmido.0.083 oC [1.106.s-1.m1/2 Tensão de compressão: 28 .208 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 350 .8. oC-1 [390 . Tem um potencial de dissolução cujo valor se situa entre os metais nobres. sofrendo ataque uniforme em torno de 1 µm/ano. A aplicação principal é para 84 . Resiste muito bem a água do mar.cm [1.47.360 nm Ponto de fusão: 1. não dando qualquer proteção.34 .8 x 10-6/ oC [16.0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Massa atômica: 63.7 MPa.10% e o total de impurezas inferior a 0.360 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 16. Assim. o cobre não se altera ao ar seco.95 µΩ. Cláudio R.95.360K Constante dielétrica: Não se aplica Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.35 Dureza: 43 a 46 HB [430 a 460 MPa] Módulo de cisalhamento: 45. Dr.4%.K Calor latente de fusão: 200 .15K] Ponto de ebulição: 2.23 .356.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. pode reduzir o óxido de cobre com formação de vapor de água e tornar o metal poroso e frágil. em uma atmosfera redutora.K] Calor específico: 383 . A presença de hidrogênio. a = 0.57 g Peso específico: 8. Por estes motivos o teor de oxigênio deve ser inferior a 0.4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 122 .m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.94 cal.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 145 a 160 MPa Propriedades químicas O cobre puro apresenta boa resistência a corrosão.10-8 Ω.cm-1.1 .398 W/m.387 J/kg. Aplicações As aplicações mais importantes do cobre são conseqüências da elevada condutividade elétrica e boa resistência a corrosão. sobretudo em presença de dióxido de enxofre (SO2) e de ácido sulfídrico (SH2).128 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 28 a 40 MPa Tenacidade a ruptura: 100 .10-6/K] Resistividade: (20 oC): 1.

quer no estado líquido quer no estado sólido. O latão que tem entre 40 à 45% de zinco.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Latão É uma liga formada por cobre e zinco sendo que a quantidade de zinco pode variar de 5% a 45%.1 . monofásicas (sol. o alumínio e o estanho. por ordem decrescente de solubilidade. Está liga é utilizada em moedas. radiadores de automóveis. São. boa resistência mecânica. podem ser monofásicas (α) ou bifásicas (α + β) as ligas de cobrealumínio. e usinagem. a fase β. o níquel. melhora a resistência mas piora a ductilidade e logo que a liga contenha outras fases. quanto maior. Dr. então. etc. bijuterias. condensadores e tubulações para água do mar. alças de móveis. É uma liga dúctil. ou seja. O aparecimento de uma segunda fase. mais baixa para a temperatura de fusão. forjada e estirada ao frio. α) todas as ligas de cobre e níquel. resistência a corrosão. trocadores de calor. cobre-zinco e cobre-estanho considerando apenas as ligas em que os teores do segundo componente têm interesse industrial. boa condutora de eletricidade e calor. a microestruturas idênticas as que correspondem a ligas tenazes e dúcteis. doce e vapor saturado.3. medalhas. Cláudio R. Quando contém até 30% de zinco. Sua temperatura de fusão varia de 800 ºC a 1. Os elementos que. geralmente. mais entram na composição das ligas de cobre são. fechaduras. ligas. usinabilidade ou até para obter uma cor especial para combinar com certas aplicações.070 ºC.3. corte. Igualmente a adição de um terceiro componente dá lugar a constituintes duros e frágeis que comprometem a tenacidade da liga. o latão é conformado por estiramento. Com os outros três componentes há formação de diversas fases intermediárias à medida que os teores vão aumentando. ferragens. a liga deixa de ter interesse industrial dada a sua elevada fragilidade. a quente e frio. dobramento. pois depende do teor de zinco que apresenta. excelente resistência à corrosão. além de α e β. resistência mecânica.LIGAS DE COBRE Cada elemento adicionado o cobre permite obter ligas com diferentes características tais como: maior dureza.1 . usadas na solda forte de aços-carbonos e outros mais. 4. o zinco. sol. Apenas no caso do níquel a solubilidade é total. 4. Pode ser fundida. aceita quase todos métodos de conformação. conforme mostra o quadro abaixo: Porcentagem 2 10 de zinco ( % ) Cor Cobre Ouro velho 15 a 20 30 a 35 40 Amarelo claro Avermelhado Amarelo brilhante 85 . A cor do latão varia de acordo com a porcentagem de cobre que a liga apresenta. pode se unir por solda de estanho e solda de prata. Losekann Direitos autorais reservados fabricação de condutores elétricos. etc. Em maior ou menor proporção diversos elementos são miscíveis com o cobre no estado sólido e dão lugar a uma solução sólida α.1. cartuchos. é usado na fabricação de barras para enchimento.

É empregado na fabricação de peças para construção de barcos. Propriedades físicas Peso específico: 7.7 x 10-6/K Condutividade térmica: 110 .20.02% e 0. diminui a resistência mecânica. só e perceptível com teores acima de 2% e pode apresentar o composto metálico FeZn10.m1/2 86 . Losekann Direitos autorais reservados Diversos elementos químicos podem ser adicionados em sua composição. que no interior da liga.89 x 10-8 ohm.3% refina o grão. Dr.25% facilita a introdução do chumbo.0. É o elemento mais utilizado para obter latões de alta resistência. o ferro. é utilizado na fundição por injeção.86 MPa.8 a 8.500 MPa Tenacidade a ruptura: 30 . casquilhos de mancais. outros elementos de liga são adicionados em sua composição como: o alumínio.05 . há formação de manchas escuras.220 W/m.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1.8 a 1. aumentando a fragilidade.7% e.20. que diminui a resistência a corrosão por águas salinas e aumenta a tendência a fratura intergranular.000 MPa Módulo de cisalhamento: 33 .55 % Coeficiente de Poisson: 0.34 -0. Quanto as propriedades mecânica. Níquel: Dá a cor prateada no latão. o chumbo e o bismuto.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16. mas diminui a ductilidade quando é usado teores acima de 1%. por isso. Estanho: Aumenta a resistência à tração. Melhora a resistência à corrosão por cavitação. em presença de silício. É utilizado nos latões de alta resistência mecânica. o estanho.002% respectivamente para trabalhos a quente. aparece um filme de óxido de alumínio.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. A influência deles são: Chumbo: Acima de 0.35 Dureza: 460 . Aumenta a resistência a corrosão.1% pode criar descontinuidades na estrutura da liga favorescendo a usinabilidade e em proporções superiores a 3%.340K Temperatura máxima de serviço: 370 . além de melhorar a refletividade. É usado no lugar do bronze para fabricar molas. Manganês: Forma solução sólida e aumenta a solubilidade do ferro no latão.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 90 . Entre 0.K Ponto de fusão: 1. Por exemplo.09 .480K Resistividade: 3. quando em estado líquido e. de baixo ponto de fusão. destrói a coesão da liga.120 GPa Limite elástico: 70 . o níquel.3. Ferro: Terores acima de 0. Quando latão ao alumínio é utilizado na solda e na fundição.K Calor latente de fusão: 220 .8 kgf/dm3 Calor específico: 372 . Para terores acima de 0. o manganês e o silício. Sua adição é limitada pelo aparecimento da fase γ. mas os teores admissíveis dependem do fim a que se destina a liga.383 J/kg.5 . Cláudio R. Para melhorar a resistência mecânica e a corrosão do latão. Alumínio: Influencia na resistência a tração.150 . devem ser limitados a 0. É resistente à corrosão em atmosferas marinhas. Silício: Melhora a fluidez.

46. exceto o níquel que tem efeito contrário. Deve-se ainda notar que a solubilidade do zinco na solução sólida α aumenta até à temperatura de 453 oC (29%).6 γ 36.8 36. A fase β atribui-se a composição CuZn e a fase γ.850 MPa Constituição Figura 4.50.5 46.8 . fazendo aparecer mais cedo o constituinte β. decrescendo depois até a temperatura ambiente.32.5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn.4 .36. Dr. ambiente α 0 . Dado que a fase γ é demasiado frágil e as ligas com interesse industrial ficam limitadas as de teor de zinco inferior a 50%. aparecendo a forma ordenada β’. Após solidificação Temperatura.6 A estrutura cristalina da fase α é cúbica de face centrada (CFC) e a das fases β e γ é cúbica de corpo centrado (CCC).56.500 MPa Tensão de ruptura por tração:150 . Entre 470 oC e 453 oC a fase β sofre uma transformação ordem ⇔ desordem.36. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 70 . as ligas utilizadas são as ligas monofásicas α ou β e as bifásicas α + β’.5 0 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. aparece as seguintes fases do latão comercial. Industrialmente.0 . Cu5Zn8. acima. Muitos dos elementos que se adicionam aos latões modificam a sua microestrutura. com percentagens de zinco que variam de 10 a 45%. Cláudio R. 87 .6 . Do diagrama de fases da liga Cu-Zn.0 % Zn α+β 32.

6 – Micrografias de latões.9% [fase α + Cu3Sn]. a 800 oC.7% Ni 3. de recozimentos freqüentes. laminadas a quente entre 650 e 800 oC. sendo. o alongamento diminui. Apenas se usa a liga com 50% de Zn devido ao seu baixo ponto de fusão para união de metais por brasagem.92% [fase α + nódulos de Pb]. À temperatura ambiente. CuZn 34% Mn 1. b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] . a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]. após a transformação ordem-desordem torna-se repentinamente macia e. Este fato torna estas ligas facilmente conformados a quente. No entanto a 470 oC. por isso. este último com um máximo de 30% de Zn. alcançando o máximo para 100% desta fase e passando a diminuir logo que aparece a fase frágil γ. mas tem boa resistência a corrosão por águas salinas. Acima de 500 oC a maleabilidade é fraca. A resistência ao impacto no intervalo de 350 oC a 650 oC é extremamente baixa. mas a resistência a fluência a temperaturas elevadas. Figura 4. Endurecem fortemente por deformação a frio e necessitam. a resistência e o alongamento aumentam com o teor de zinco. Dr. Cláudio R. é muito mais fácil de deformar do que o constituinte α. Cu-Zn 24.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os latões α são ainda particularmente sensíveis ao tamanho de grão. mas a resistência e a dureza aumentam com a proporção da fase β.12% Pb 1. Estas ligas têm uma boa aptidão a conformação a frio.4% Pb 2.7% Sn 2. Losekann Direitos autorais reservados Latões α: Nas ligas monofásicas. a fase β’ é mais dura que a fase α e pouco deformável a frio. Latões α + β: Nestas ligas bifásicas. Latões β + γ : As ligas bifásicas β + γ são duras e extremamente frágeis. tal como o cobre. 88 . é superior é das ligas bifásicas.

aptidão a conformação a frio (latão α). Desta forma. as propriedades de um latão dependem da relação dos volumes das fases presentes. usinabilidade (sobretudo com adição de chumbo). Losekann Direitos autorais reservados As principais propriedades com interesse técnico são: resistência a corrosão.que se manifesta por fratura intergranular em ambientes corrosivos fracos como a atmosfera ambiente e pode ser acelerada pela presença de certos elementos como o ferro. e talvez o chumbo. Após o vazamento. As tensões residuais sensibilizam os latões a um tipo particular de corrosão trincas espontâneas . Estes latões podem recuperar-se por recozimento a 800 oC após deformação a frio. e certos reagentes coma o amoníaco. Pode-se aplicar têmpera nas ligas Cu-Zn 40 a partir de 600 oC em que a liga se encontra na fase β. Quando o recozimento é efetuado acima de 700 oC aparece grão grosso e após a deformação reconhece-se pelo aspecto da superfície “casca de laranja”.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. de modo a obter um grão uniforme e adequado aos tratamentos mecânicos. Tratamentos térmicos Os tratamentos mais usados são os de recozimentos para recristalização e os de alívio de tensões que se efetuam nos produtos endurecidos por deformação a frio. sobretudo para eliminar as tensões residuais provocadas nas ligas bifásicas α + β’ após deformação a frio. aptidão a conformação a quente (latão β). o que aumenta a resistência.Diagrama do comportamento mecânico dos latões. A figura abaixo mostra a correlação existente entre a composição de zinco e as propriedades mecânicas. zonada e torna-se necessário um recozimento para homogeneização a 600 .7 . Suprime-se assim a fase α que pode precipitar no resfriamento segundo certos planos cristalográficos da fase β inicial ou nos contornos de grão.650 oC. O primeiro permite prosseguir a operação de conformação. aptidão a niquelagem e a cromagem. 89 . portanto. O aquecimento de latões dá lugar a alteração da superfície devido a oxidação e volatilização do zinco. Cláudio R. a estrutura dos latões é dendrítica e. Dr. Figura 4. mas diminui a ductilidade. O alívio de tensões é efetuado em torno de 300 oC durante 1 hora. aptidão a brasagem.

O bronze com até 10% de estanho pode ser laminado e estirado e tem alta resistência a tração. mancais e componentes que suportam pesadas cargas de compressão. tubos. devido à semelhança da sua cor com o ouro. chama-se bronze fosforoso. na construção mecânica. na indústria elétrica. as aplicações de latões são bastante diversificadas. estiragem. evaporadores e aquecedores. utilizada em trocadores de calor. Figura 4. a corrosão e à fadiga. 90 . O seu teor é. sendo que a quantidade de estanho pode chegar até 20%.04%.005% pode apresentar de zonas de porosidade devidas a retração ou à retenção de gases pela película de alumina. de solda prata. usada em imitações de joalharia. na fabricação de cartuchos.Cu-Zn 15. sendo facilmente unido por meio de solda. 4. componentes para industria têxtil. . pregos e parafusos.Cu-Zn 30. sendo que estas quantidades variam de acordo com as propriedades que se quer aproveitar. recalcamento.3%.Aplicações dos latões.3. Bismuto: Causa fragilidade devido a formação de uma película intergranular para teores superiores a 0.3% de estanho.8 . rebites. Só se usa em casos especiais. e também é um bom condutor elétrico. usada para medalhas. e para artigos obtidos por conformação.2 . moeda e objetos decorativos e ainda pequenos cartuchos de amas. Atualmente a proporção de estanho que é adicionada ao cobre é de até 12%.Bronze É uma liga formada por cobre e estanho. Cláudio R. fabricação de tubos e prensagem. Este bronze possui 98.1. O bronze apresenta elevada dureza e boa resistência mecânica a corrosão. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações Dada a variação da resistência a corrosão e das propriedades mecânicas com o teor de zinco. forte. prensagem e forjamento em matrizes. Os latões α se destinam especialmente a laminação a frio. Antimônio: Dá com o cobre diversas fases intermediárias que aumentam a dureza mas igualmente a fragilidade. limitado a 0. nas cápsulas e rosca das lâmpadas. Pertencem a este grupo entre outros as seguintes ligas: . química e de papel. prejudicando a laminação.7% de cobre e 1. As ligas com esta faixa de estanho (10%) são usadas para fabricação de parafusos e engrenagens para trabalho pesado. A liga de cobre e estanho que é desoxidada com fósforo. Dr.Cu-Zn 5. Podem ser conformados por dobramento. O bronze também pode receber pequenas quantidades de outros elementos cuja influência é descrito abaixo: Alumínio: Com 0. geralmente. .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

e η. Mesmo em teores baixos prejudica a laminação. a estanqueidade das peças fundidas. e para teores de estanho de 0% a 13.08 . duro que vem. não é praticamente solúvel no bronze α.0.500 MPa Tenacidade a ruptura: 24 .5%.34 -0.02 . entretanto.140 . em porcentagem superior a 2% prejudica a resistência mecânica. Propriedades físicas Peso específico: 8. a presença de 1% de níquel tende a uniformizar a distribuição dos glóbulos de chumbo na matriz.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. δ.19 x 10-6/K Condutividade térmica: 50 . associado a fase α.120 GPa Limite elástico: 65 .400 MPa Módulo de cisalhamento: 25 . aumenta a quantidade de eutectóide.90 W/m. mas facilita a usinagem: Ferro: Endurece e torna os bronzes frágeis com teores superiores a 0. Dr.8% de Sn à temperatura de 520 oC para se reduzir progressivamente a 1% à temperatura ambiente. ε.450K Resistividade: 7. Aumenta a dureza visto que. a 799 oC.K Calor latente de fusão: 220 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.K Ponto de fusão: 1.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.5%.6 % Coeficiente de Poisson: 0.340K Temperatura máxima de serviço: 420 .5 . devido à diferença de densidade. um ponto eutéctico e quatro pontos eutectóides.35 Dureza: 460 . facilita o vazamento e melhora o aspecto superficial da peça (ausência de porosidade) e.m1/2 Tensão de compressão: 65 .5%. Por este motivo o teor de chumbo nos bronzes está limitado a 30%.9 representa o diagrama de equilíbrio do sistema de ligas cobre e estanho. Esta solubilidade aumenta até 15.3% de P e 10% de Sn forma-se o constituinte Cu3P.2%.1. Losekann Direitos autorais reservados Chumbo: O cobre e o chumbo não são miscíveis no estado líquido para teores de chumbo de 36 a 92. reduzindo a solubilidade do estanho na solução sólida α. γ. β. Embora. dando. Após solidificação.800 J/kg. cinco pontos peritécticos. Melhora a fluidez no estado líquido visto que abaixa o ponto de fusão. dá-se a 799 oC uma reação 91 .800 MPa Constituição A figura 4. Zinco: Diminui a dureza da solução sólida α o que se aproveita na cunhagem de moedas e medalhas.700 MPa Tensão de ruptura por tração:140 . em proporção limitada (< 4%).95 x 10-8 ohm. em geral. Comporta sete fases α.5 a 9 kgf/dm3 Calor específico: 140 . forma-se a solução sólida α de estrutura cristalina cúbica de face centrada. portanto. ξ. Para teores de 0.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 70 . lugar a heterogeneidades difíceis de evitar.19.90 MPa.5% < Sn < 25. Fósforo: Entra na composição de bronzes bifásicos cujos constituintes são a solução sólida α e o eutectóide. Para ligas com 13. Cláudio R.2.

a 520 oC sofre a transformação eutectóide (27% de Sn). Cláudio R. Por outro lado. ou monofásicas. na prática. são então constituídos à temperatura ambiente ou só pela fase α. Losekann Direitos autorais reservados peritéctica de que resulta o aparecimento da fase β. 92 . o limite entre os dois domínios é marcado aproximadamente pela linha pontilhada no diagrama. a austenita. fase γ. em que Sn é menor que 20% (com exceção dos destinados a sinos).Micrografias de bronzes. Assim. a) b) c) Figura 4. Por resfriamento. mas o equilíbrio não é atingido a baixa temperatura senão em condições especiais (endurecimento a frio e recozimento prolongado) e. neste intervalo as ligas podem ser bifásicas. A solução sólida intermediária γ é de estrutura cúbica de faces centradas e o constituinte parece ser o composto intermediário Cu31Sn8. γ → α + β . α + β. Entretanto. para fase ε atribui-se a composição Cu3Sn. O limite entre estas duas estruturas parece tender para a do cobre quando a temperatura abaixa. Figura 4. ou pelas fases α + δ.9 .10 . a estrutura α + ε só se obtém depois de tratamento térmico prolongado a baixa temperatura nas ligas de até 15% de Sn. a não ser que por têmpera se mantenha a fase β à temperatura ambiente. As ligas fundidas estão fora de equilíbrio e tem uma estrutura α + eutectóide (α + δ). tal como nos aços. como o equilíbrio é difícil de se obter. Dr. b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] . por sua vez. c) Cu-Sn 10%. Os bronzes industriais. a fase β transforma-se em γ a 586 oC e esta. monofásicas. muito duro e frágil.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Pb 5%.Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn. se transforma a 723 oC em ferrita e cementita. β. solução sólida de estrutura cúbica de corpo centrado. a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]. o grande intervalo de solidificação dá lugar a zonamento pronunciado e a difusão é tão lenta que o constituinte δ chega a aparecer em fundições com 7% de Sn.

No que se refere às propriedades mecânicas. em geral. do que resulta melhor resistência e facilidade de deformação devido ao fato de. Por isso é limitado a 4% na fabricação de tubos. no que se refere a homogeneização da matriz do que os latões. ao contrário do que acontece nos aços. Por outro lado. por deformação a frio podem adquirir características mecânicas interessantes. Dado o intervalo de solidificação. Bronzes α: São maleáveis a frio e a quente. Aplicações As qualidades autolubrificantes e boa resistência à corrosão são as principais aplicações dos bronzes. Da mesma forma pode-se evitar. devido a menores retrações. É uma têmpera martensítica em que as fases são α ou α + β de acordo com o teor de estanho. Em contrapartida. A cor dos bronzes varia apreciavelmente com o teor de estanho. Se efetua têmpera nos bronzes com mais de 13% de Sn para evitar a precipitação da fase δ. visto que apresentam grãos duros em uma matriz muito plástica (α). a não ser após recozimentos prolongados para homogeneizar a solução sólida. a estrutura α + δ. De um modo geral. este tratamento não é. a 7% nas ligas destinadas a fabricação de fios. sólida α). enquanto que os outros bronzes só podem ser trabalhos a quente acima de 600 oC para se obter as soluções sólidas α e β. Bronzes α + ε: Estas ligas têm boas propriedades autolubrificantes. são mais caras. resulta de. mas a partir deste valor as ligas tornam-se cada vez mais frágeis e duras devido à presença da fase δ. Dr. as peças fundidas de bronze são melhores. por têmpera. que e aproveitada na fabricação de molas. Cláudio R. Assim. No entanto. aconselhado visto que há outras ligas mais baratas que os bronzes com propriedades equivalentes obtidas por este tratamento. estas ligas têm boa resistência ao desgaste e muito boa soldabilidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o material fica mais macio dada a ausência da fase δ. Losekann Direitos autorais reservados Deste fato resulta que. mantendo-se a fase β à temperatura ambiente. após endurecimento a frio. as ligas de alto teor de estanho são deformáveis a quente (fases α + β) ou deformáveis a frio após recozimento e têmpera. sendo avermelhada até 5% e amarelo claro acima de 15%. mas para folhas laminadas pode alcançar 10%. a dificuldade de usinagem e boas qualidades de fundição levam a utilizá-los principalmente sob a forma de peças fundidas: 93 . apresentar um elevado limite de elasticidade. o teor de estanho deve ser tanto mais baixo quanto o trabalho for mais difícil. ligas com maior porcentagem de estanho são de difícil laminação. verifica-se que melhoram com o teor de estanho até 13% (sol. No entanto. Uma dessas propriedades mais interessantes. Tratamentos térmicos O recozimento é amplamente utilizado para homogeneizar os produtos fundidos e para redução de dureza devido ao encruamento por deformação a frio. Por este motivo ligas com teores de Sn maiores que 7% são usadas apenas em fundição.

Aplicações do bronze. Bronze ao zinco: Corresponde a composições de até 2% de zinco e esse teor é sempre inferior ao de estanho. As ligas de 3. Dr.As ligas de 14% ou 18% de Sn são usadas para fabricação de peças que exijam boa resistência ao desgaste por abrasão e resistência a água do mar. É usado para fabricação de peças para a indústria naval. discos de fricção. buchas e peças resistentes à corrosão. essa liga é indicada para equipamentos de soldagem e ferramentas elétricas não faiscante. pregos. Usam-se para peças de máquinas resistentes ao desgaste ou sujeitos a esforços elevados como rodas dentadas. instalações criogênicas. acessórios de tubulações. casquilhos. . na fabricação de tubos de condensadores. Os bronzes com teor acima de 20% de Sn são usados para fabricação de sinos onde a sonoridade parece estar relacionada a fase δ (Cu31Sn8). conservando a tenacidade. hastes e hélices mavais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.11 . Bronze ao silício: Com até 4% de silício.As ligas de 4% a 10% de Sn são usadas para fabricação de medalhas e moedas. Losekann Direitos autorais reservados . Nas ligas destinadas a fundição o estanho varia de 5 a 13% e o fósforo de 0. Com o desenvolvimento da tecnologia foram criados os bronzes especiais que contém pouco estanho ou que não contém estanho. Bronze ao chumbo: Os teores de chumbo podem variar de 8 a 20% e até 30% e o estanho até 10%. . autoclaves. Estas características são adquiridas após o tratamento térmico. engrenagens e ferramentas para conformação de plásticos. Podem funcionar sem lubrificante e suportam cargas maiores que as ligas antifricção.5% de Sn e 1. apresenta alta resistência à ruptura e alta renacidade. possui alta resistência a corrosão e à fadiga. tubos para trocadores de calor e caldeiras. recipientes para industria química. tanques para água quente. Figura 4. evaporadores e trocadores de calor. Bronze ao berílio: Contém até 2% de berílio. componentes de torres de resfriamento.5% de Zn são empregados na fabricação de moedas e medalhas. Bronze ao fósforo: São também chamados bronze fosforoso.As ligas de 10% ou 12% de Sn são usadas para fabricação de torneiras. Bronze de alumínio: Possui normalmente 13% de alumínio. sendo que é empregado na laminação a frio de chapas resistentes a corrosão. alta condutividade elétrica e alta dureza. Cláudio R. parafusos.3% a 1%. 94 . Por sua alta resistência mecânica e propriedades anti-faiscantes. podendo o teor de estanho atingir 30% com baixos teores de zinco e de chumbo.

à temperatura ambiente.Diagrama de fases da liga binária Cu-Al. mantendo-se este valor até temperatura ambiente. Assemelhando-se a perlita dos aços. não se encontra a microestrutura eutéctica. embora as ligas industriais raramente tenham mais de 12% de Al.Al > 15% e Fe + Mn + Ni < 15%. estão representados na figura abaixo.Cu > 90% e Al < 10%.5% e Fe < 2. A fase β é mais dura e mais frágil que a fase α.4% aparece uma mistura de α + β ou só a fase β. Cláudio R. o 95 . O diagrama abrange os teores de 0 a 100%. pode ser trabalhada a quente. A fase γ2 é muito dura e frágil e a sua existência em pequenas quantidades aumenta a resistência da liga e. Cu-Al . o domínio β reduz-se e desaparece a 565 oC dando lugar ao eutectóide α + γ2. As adições de manganês. Entretanto.036 oC. As fases α + β correspondem a um eutéctico de 8.4% por resfriamento a 565 oC. Al < 7.3 % de Al formado a 1. Losekann Direitos autorais reservados 4. Quando a temperatura baixa. temperatura bastante elevada que provoca a sua coalescência de modo que. Para teores de Al > 7. fragiliza o material e. porcentagem que aumenta até 9. O manganês melhora a fluidez no estado líquido.3 .Fe .12 .Ligas de cobre-alumínio As composições mais usuais satisfazem os seguintes tipos: Cu-Al . mas. Cu-Al-FeNi .3. Após a solidificação forma-se solução sólida α com até 7.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a fase β aparece já para 7% de Al. em grandes quantidades. com cerca de 12% de alumínio. ferro e níquel melhoram o limite de elasticidade longitudinal das ligas bifásicas. industrialmente têm mais interesse. como a dos latões.1. Constituição Os do de equilíbrio relacionados com as ligas que. e que é do tipo lamelar.036 C.4% de Al a 1.Cu > 90%. por isso. Dr. como há dificuldade em estabelecer o equilíbrio.5%. o teor de alumínio raramente vai além de 12%. domínios diagrama Figura 4.

Endurecem por deformação a frio e são facilmente conformáveis a frio ou a quente. Cláudio R. (α + γ2): Têm características mecânicas mais elevadas que as anteriores com exceção da resiliência. etc. lamiminação ou fundição sob pressão. após trabalho a frio.5% (na prática 7%) e bifásicas (α + eutectóide ou α + β) as de 8. Dão estrutura maclada por recozimento. Estes dois fatos dão lugar a forte retração na fundição e tendência notável para rechupe ou vazio. Ligas α: A resistência cresce regularmente com o teor de alumínio e.Instrumentos elétricos. α + β → α + (α + γ2). Da mesma forma a presença de alumínio dá lugar a formação de uma película de alumina na superfície do banho que pode ser arrastada para o interior e comprometer a coesão da liga. Ligas bifásicas. tal como os aços. estas ligas resistem bem a atmosferas urbanas ou marítimas e a água doce e salina.5% e 12% de Al. Se a liga for revenida entre 350 oC a 560 oC formam-se pequenas partículas do constituinte e a estrutura é semelhante a perlita fina.650 oC durante 2 h. sendo monofásicas (α) de teor de alumínio até 8. devendo por isso a liga. por isso. têm possibilidade de ser submetidos a tratamentos térmicos. como o solidus corresponde a temperaturas mais elevadas que nas outras ligas de cobre. Devido à sua cor. a liga mais usual é a que tem em torno de 7% de Al. 12% de Mn . A têmpera impede a precipitação do eutectóide e o revenido dá lugar a um precipitado muito fino. moedas. 3% de Fe. Devido a película protetora de alumina que se forma na superfície. recipientes para substâncias ácidas e alcalinas. de alta resistência ao impacto (40 J Izod) e tensão de ruptura a tração 70 kgf/mm2. ser cuidadosamente desgasificada.É a liga superstone. tubos de condensadores.000 oC) e um intervalo de solidificação muito estreito. semelhante ao ouro são usadas em bijuteria. Losekann Direitos autorais reservados As ligas de cobre alumínio que se utilizam são todas hipoeutectóides. A têmpera martensítica realiza-se a partir da temperatura de 850 oC a 900 oC e é seguida de revenido a 550 . hélices. aplicamse em construção mecânica. A liga de 20% de Al. forjamento.6 kgf/dm3. Ligas de 8% de Al. Aplicações Dadas as boas propriedades mecânicas e resistência à corrosão.Tubos de trocadores de calor. Ligas de 9 a 10% de Al . temperada e revenida. Tratamentos térmicos Estas ligas. pode ser comprometida pelos gases que tendem a desenvolver-se no decurso da solidificação. isto é. permitindo grande economia de material em relação a outras ligas de igual resistência. As ligas de cobre-alumínio têm um módulo de elasticidade de 11 GPa e peso específico de 7. A compacidade das peças de fundição espessa. como hélices de turbinas. Não apresentam zona de fragilidade a quente e. peças de bombas. Destinam-se ao trabalho a quente. Estas têm um ponto de fusão relativamente elevado ( > 1. Dr. Ligas de 5 a 7% de Al .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. no estado líquido. 96 . tem características idênticas a de um aço meio doce.

1510 440 .17 30 .384.30.8% de Mn/ 0.89 384. São sensíveis a corrosão sob tensão apenas em meio amoniacal. As ligas de cobre e níquel são solúveis no estado líquido e totalmente miscíveis no estado sólido.4 . para 40% de Ni (0. Losekann Direitos autorais reservados 4. portanto.42 .1% de Fe) ou para 30% de Ni ( 0.1. Até 30% de níquel a liga é usada em medalhas e na fabricação de resistores.m): 97 .91 Peso específico (kgf/dm3): Calor específico (J/kg.384. fios.9 220 .1420 420 .23 1460 . tiras. boa condutividade térmica.6 220 . o parâmetro apresenta um mínimo e o peso específico de 8. Figura 4.85 . Dr.384.5% de Mn / Cu 8. etc. a liga apresenta cor branca.8 . etc.89 384.Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni. conforme o teor de ferro presente. Propriedades físicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.9 80/20 20% de Ni / 0. O ponto de Curie desce o linearmente de 368 C (para o níquel puro) para 0 oC na liga com 31.75 384.470 32.8 .5% de Cr.8.37.5% < Fe < 1%).2% de Ni.480 26.9 . resistência mecânica e a oxidação.5% de Si / Cu 8. São maleáveis e resistem particularmente bem corrosão.7 .450 20.8. Essas ligas têm boa ductilidade.25% de Fe / 0.15 70/30 30% de Ni / 1.44 1390 .5 .5% de Fe / 1% de Mn / Cu 8.1450 470 .K): Ponto de fusão: Temperatura máxima de serviço: Resistividade (ohm.94 kgf/dm3 para 32. A estrutura da solução sólida é cúbica de face centrada. sempre a soluções sólidas do tipo α.17 19 .33 1440 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. facilmente conformáveis. As ligas com teores de níquel na faixa de 35 a 57% recebem o nome de constantan e são usadas para fabricação de resistores e termopares.K): Calor latente de fusão (kJ/kg): Coeficiente de dilatação térmica linear (10-6 K-1): Condutividade térmica (W/m.3. Cláudio R.4 . pode ser transformadas em chapas.240 16 .Cuproníquel As últimas ligas do cobre são aquelas que o níquel participa com 5 a 50%. Podem ser unidas pela maioria dos métodos por solda forte e por solda de estanho.240 16 . A partir de 20% de níquel.8.85 .17 40 .240 16 .22.9 220 .13 . Esta sensibilidade é máxima para 12% de Ni e desaparece. Correspondem.

σe = 550 MPa.3 0.0.140 290 .0. álcalis. e 70 HB de dureza.Moedas e tubos de condensação para água do mar.cm e praticamente independente da temperatura no intervalo de 20 a 250 oC. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1. 9% a 26% de Ni e 17 a 45% de Zn (alpacas ) .3 128 .35 800 .35 0. diafragmas e cabos 98 .7 .4 0.34 .São resistentes a água salina.7 . tubos de Bourbon.150 310 .0. σe = 600 MPa.490 400 .150 110 .0.0. 4. ácidos sulfúrico.73. Figura 4. A sua resistividade elétrica é de 41 µΩ.5 .140 65.120 330 .1100 53. Ligas de 54% a 66% de Cu.34 .0.41.35 1000 .55.120 70.55. σe = 770 MPa.4 . As características mecânicas do monel recozido são σe = 250 MPa.38 .68.34 . sulfuretos de sódio.850 53. resistência elétricas.5 145 . Aplicações Ligas de Ni < 25% . e do monel extrudado.5 145 . Dr.25% de Fe / 0.5 .7 .7 . o valor da tensão de ruptura a tração é igual a 77 kgf/mm2.55. Ligas de 35% a 50% de Ni (constantan) .1 110 . O recozimento de amolecimento é feito a 550 oC .3.8% de Mn/ 0.m1/2): Tensão de compressão (MPa): Tensão de ruptura por tração (MPa): Tratamentos térmicos Após recozimento.690 oC e não deve ir além de 800 oC para evitar a precipitação de carbono presente.490 29. São utilizadas em molas de instrumentos.1650 53.150 128 .5% de Fe / 1% de Mn / Cu 0.Aplicações do cuproníquel. Ligas de 30% de Cu e 67% de Ni (monel ) .2 .São utilizados com artigos de decoração de ourivesarias. as microestruturas são idênticas. e 100 HB de dureza.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 145 .5% de Si / Cu 0.Ligas de cobre e berílio Estas ligas apresentam elevada resistência à tração e à fadiga e elevado limite de elasticidade.1. Severamente deformada.35 1200 .550 80/20 20% de Ni / 0. Tem pouca resistência ao ácido nítrico e cianetos. elevada resistência ao desgaste e a corrosão.340 70/30 30% de Ni / 1.310 Ductilidade (%): Coeficiente de Poisson: Dureza (MPa): Módulo de cisalhamento (GPa): Módulo de elasticidade longitudinal (GPa): Limite elástico (MPa): Tenacidade a ruptura (MPa.É usada em resistências elétricas e termopares. Cláudio R.14 .5% de Mn / Cu 0.3 .3 310 .

a partir de 800 o C.1.K Ponto de fusão: 1.5% de cobalto ou níquel. Propriedades físicas Peso específico: 8.1450 MPa 99 .34 -0. moldes. componentes de alta condutividade e componentes elétricos que necessitam alta resistência mecânica.1200 MPa Tenacidade a ruptura: 15 . portanto.m1/2 Tensão de compressão: 110 . clipes.138 GPa Limite elástico: 110 .15 .135K no eutéctico de 5.0.8% de berílio e 0.210 W/m. Cláudio R.K Calor latente de fusão: 220 .35 Dureza: 600 MPa Módulo de cisalhamento: 45 . Com a composição de 1.85 .20 x 10-8 ohm.470K Resistividade: 15. obtêm-se ligas com características interessantes após endurecimento por revenido devido a precipitação.Diagrama de fases da liga binária Cu-Be. em martelos e outras ferramentas quando é necessário propriedades não magnética.52 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 120 . facilmente deformadas na condição de peça fundida ou temperada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.5 x 10-6/K Condutividade térmica: 85 .413 J/kg.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.1200 MPa Tensão de ruptura por tração:300 . São. componentes eletrônicos.01 . São também usadas em matrizes para fundição.19.3% de Be Temperatura máxima de serviço: 330 . produz-se uma solução macia sobressaturada que pode ser endurecida por trabalho a frio. Dr.70 MPa.5 . Por têmpera.75 kgf/dm3 Calor específico: 390 . A solubilidade do berílio no cobre varia com a temperatura. Figura 4. Losekann Direitos autorais reservados flexíveis.25 a 8.45 % Coeficiente de Poisson: 0.

conseguindo-se obter um valor que é 40% em relação ao cobre.1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Classe C 1XXXX C 2XXXX C 3XXXX C 4XXXX C 5XXXX C 6XXXX Liga dúcteis Designação comum Cobre puro e ligas com alto teor de Cobre cobre Cobre-zinco Latões Cobre-zinco-chumbo Latões com chumbo Cobre-zinco-estanho Latões especiais com estanho Cobre-estanho Bronzes Cobre-alumínio. Dr. Si < 3% e Al + Fe + Mn + Sn + Zn < 7%. cobre. Latões especiais Cobre-níquel ou cobre-níquel-zinco Alpacas C 7XXXX As ligas são identificadas pela letra C. esse código indica que é uma liga de cobre e zinco. embora menos que o cobre. Dentro de duas classificações elas ainda são designadas com sua composição química. Classe C 80XXX a C 81100 C 81XXX a C 82XXX C 83XXX a C 84XXX Liga para fundição Cobre puro Ligas com elevado teor de cobre ( exceto 81100 ) Cobre-estanho-zinco com ou sem chumbo e com teor de zinco igual ou maior que do estanho Cobre-zinco (com ou sem chumbo ) Cobre-zinco 100 Designação comum Cobre com pequenas adições Bronzes especiais C 85XXX C 86XXX Latões Latões especiais de .NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE As ligas de cobre são classificadas em dois grupos: ligas dúcteis e ligas para fundição. As ligas dúcteis são designadas a seguinte maneira.2 . São deformáveis a quente e a frio. cobre-silício.3. zinco ( especiais ) bronze de silício. devido a trabalho a frio. São maleáveis e dúcteis.Ligas de cobre e silício Têm composições dos tipos: Cu > 95%. é baseada na ASTM. obtém-se resistências muito elevadas (750 MPa para 1% de Si). seguida de cinco algarismos. Só tem interesse as ligas monofásicas até 4% de Si. conhecida popularmente como latão.4% de níquel. Onde está estabelecido é a NBR 7554.Bronzes de alumínio. Por endurecimento. Si < 5% e Cu > 90%. A condutividade elétrica é melhorada com a adição de 1. Considere a liga C 22000. O primeiro ou os dois primeiros algarismos indicam a classe do material e os dois últimos referem-se a identificação desse material. Losekann Direitos autorais reservados 4. 4. São aplicadas nas linhas telefônicas.6 . Cláudio R.3.

de chumbo. Bronzes. ao de estanho Cobre-estanho com chumbo. O níquel é um metal que ligado a outros transmite propriedades distintas e características na liga resultante.98%. cobre-estanho. a outras assegura módulo de elasticidade constante numa extensa faixa de temperatura. É um metal branco de brilho intenso quando polido. 5 .NÍQUEL E SUAS LIGAS 5. É mais resistente a corrosão e oxidação do que o ferro. portanto C 94400 é uma liga cobre-estanho com elevado teor de chumbo ou liga de cobre-estanho-zinco com elevado teor de chumbo. Para certas ligas assegura resistência a corrosão. a uma refinação eletrolítica. é obtido por eletrólise. tendo todas as qualidades mecânicas e tecnológicas que podemos exigir de um metal: maleabilidade. O processo de extração se faz de modo semelhante ao do cobre. fusibilidade. Cobre-estanho-níquel com Bronzes com níquel outros elementos Cobre-alumínio Bronzes com alumínio Cobre-níquel-ferro Cobre-níquel-zinco com outros Alpacas elementos Cobre-chumbo Ligas diversas Nesta segunda tabela. Veja um exemplo: C 94400. com elevado teor de chumbo. Cláudio R. chumbo e teor de zinco inferior ao de estanho Cobre-estanho com elevado teor Bronzes. o sistema de designação é o mesmo.1 . Losekann Direitos autorais reservados C 87XXX C 90XXX a C 91XXX C 92XXX C 93XXX a C 945XX C 947XX a C 949XX C 95XXX C 96XXX C 97XXX C 98XXX C 99XXX elevada resistência mecânica Cobre-silício Bronze de silício Cobre-estanho. Muito importante tanto na metalurgia de ligas ferrosas quanto na de não ferrosas. na tabela existem várias ligas da classe 9.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr.INTRODUÇÃO O níquel comercialmente puro. Ni > 99. designando um bronze comum ou especial. bronzes zinco com teor de zinco inferior especiais. na última fase. A que foi escolhida está entre 93XXX e 945XX. soldabilidade aliada a uma boa resistência mecânica e tenacidade. sendo o níquel bruto submetido.Bronzes. Cobre-estanho-zinco com Bronzes especiais. cobre-estanho-zinco Bronzes especiais. Seu minério é a garnierita com aproximadamente 5% de Ni. 101 .

04 .005%. oC-1 [11 -90 W/m.s-1.76 µΩ.352 nm Ponto de fusão: 1. cobalto < 0. O enxofre pela sua ação fragilizante deve ser limitado a 0.25%.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC. Oferece também boa resistência ao desgaste.730 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13. o níquel é muito maleável e é o mais tenaz de todos os metais puros. tubos de fornos da engenharia química e em tratamentos de superfície como niquelagem de peças. ligas magnéticas.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6. Propriedades físicas Massa atômica: 58.6% Coeficiente de Poisson: 0.K Calor latente de fusão: 284 . usinagem. Losekann Direitos autorais reservados 5.5% de pureza.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.cm-1.3 x 10-6/ oC [13.NÍQUEL As aplicações mais comuns do níquel e suas ligas são para equipamentos que devem suportar temperatura elevada como pás e discos de turbinas. conformação mecânica e metalurgia do pó.m1/2 Tensão de compressão: 180 MPa Tensão de ruptura por tração: 400 MPa Alongamento: 40% Estricção: 45% Estas características.21 cal.PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS 5.25% e Si < 0.5%.2 .451 oC [1.15K] Ponto de ebulição: 2.3 . Fe < 0. elementos térmicos. O níquel industrial contém sempre um pouco de carbono.cm [6. cobre < 0. queimadores.K] Ponto de Curie: 358 oC Calor específico: 381 . Os principais processos de fabricação de peças a base de níquel são fundição. Cláudio R.0.1 .520 J/kg. com exceção do módulo de elasticidade longitudinal correspondem ao metal recozido.724.2.90 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 180 . O níquel destinado a elaboração das ligas deve ser de no mínimo de 98. a = 0. Como conseqüência da sua estrutura cristalina e como evidenciam as suas propriedades mecânicas.71 g Peso específico: 8.15K] Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.234 GPa Limite elástico: 150 a 1600 MPa Tenacidade a ruptura: 60 .76. Dr. 102 .1%.3.130 MPa.0.300 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 600 oC [873.32 Dureza: 110 HB Módulo de cisalhamento: 69 .10-8 Ω.

Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades químicas O níquel tem elevada resistência á corrosão. Assim. moedas. os de maior interesse são o cobre. 9 % em ligas à base de níquel tais como Ni maleável. em revestimentos eletrolíticos ou químicos. 9 % em galvanoplastia e 3% para ligas de resistência elétrica e peças resistentes ao calor. sob a forma de precipitado e dá lugar a endurecimento estrutural. emprega-se nas indústrias químicas e de alimentos. o níquel é susceptível de um ataque geral bastante ativo e de um ataque intergranular por gases que contenham enxofre ou compostos sulfurados. chapas de aço recobertas de níquel por laminação. além disso. Cerca de 64% do Ni produzido é empregado para adições no aço e no ferro fundido. Tem boa resistência aos álcalis. sulfúrico e clorídrico. etc. E inalterável ao ar úmido e resiste é maior parte dos agentes químicos.2. Entra. 5. A dessulfuração é feita com manganês e magnésio que dão lugar a sulfuretos que não formam eutécticos com o níquel. amônia. 645 oC. É componente principal. A absorção de oxigênio fragiliza o metal e na sua desoxidação utilizam-se adições de boro e de titânio. Na construção mecânica a sua maior utilização é como revestimento. em geral. devido a formação de filmes intracristalinos de Ni3S2 que funde a 787 oC e que pode dar com o níquel um eutéctico de ponto de fusão ainda mais baixo. como componente secundário em várias ligas como latão. Dr. É atacado unicamente pelo ácidos nítrico.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 . soluções salinas e ácidos orgânicos. Estas ligas são monofásicas e quando intervém uma segunda fase é. bronze. folhas de níquel . Figura 5. 14% às ligas de Cu e Zn.Aplicações do níquel. aços inoxidáveis. 103 . Aplicações As principais aplicações do níquel residem na excelente resistência a corrosão e como componente de diversas ligas. níquel-molibdênio e níquel-cobalto. etc. Em temperaturas superiores a 375 oC. o ferro e o cromo. níquel-cromo. principal dos seguintes sistemas de ligas: níquel-berílio. instrumentos cirúrgicos.1 .LIGAS DE NÍQUEL O níquel forma soluções sólidas de substituição com numerosos metais dos quais.

2. 24% de Fe) e Inconel (60% de Ni. com a vantagem de se usar um teor de berílio mais baixo e a dureza obtida ser mais elevada. tal como nos casos das ligas cobre-berílio. 4.Ligas de níquel e cromo Neste sistema.Ligas de níquel e berílio A importância destas ligas deve-se a possibilidade de endurecimento estrutural. A adição de ferro é.Ligas de níquel e molibdênio São como as ligas de níquel .2. de miscibilidade parcial no estado sólido.1 . 24% de Fe). soluções a base de cloro e ácido nítrico 104 . A liga mais clássica é a liga NiCr 20 (Nimonic) que. Esta liga é usada em resistências elétricas visto que a sua resistividade é bastante elevada e varia pouco com a temperatura. etc. Após têmpera em água.3 . a liga com 2% de Be. as ligas de maior interesse são as ligas monofásicas de estrutura CFC. isto é. 16% de Cr. Assim.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. entre 800 oC e 1. 16% de Cr. As ligas NiCr 50 servem para fundição e são usadas em caldeiras e refinarias. A dureza pode ser ainda aumentada com 1% de Ti em ligas utilizadas para esferas inoxidáveis para mancais de rolamentos. Com adição de ferro formam-se ligas complexas.200 oC. Se for deformada a frio e depois revenido. a altas temperaturas.800 oC.2. apresenta boa resistência à oxidação. conhecidas por hastelloys de excepcional resistência a ácidos em altas temperaturas e de elevada resistência mecânica. Cláudio R. Pertencem a este tipo as ligas Nicrome (60% de Ni.080 MPa e com dureza de 310 HB. 5.850 MPa e um alongamento de 8% que assegura a sua aplicação em agulhas para injeção. tratada após endurecimento por deformação a frio.2 . Mantendo durante tempo prolongado a 1. Adições de nióbio e zircônio melhoram a ductilidade e a fluência. não apresenta fragilidade de sobreaquecimento.100 oC. com Ni > 70%. Losekann Direitos autorais reservados 5. obtendo se tensões de ruptura a tração de 860 MPa e uma dureza de 270 HB.2. obtêm-se uma liga macia que pode endurecer por revenido a 600 . A tabela abaixo mostra a composição e aplicação destas ligas. a resistência sobe para 1.berílio. Dr. molas. obtém-se resistência a tração de 1. equivalente ao níquel.2. ligas susceptíveis de endurecimento estrutural.2. estruturalmente. Tipo Ni Hastelloy A 56 Hastelloy B 62 Hastelloy C 53 Composição (%) Mo Fe Cr W 22 22 32 6 19 6 17 5 Resistência a corrosão Ácido clorídrico Ácido clorídrico Agentes oxidantes.

3 % Coeficiente de Poisson: 0.910. Losekann Direitos autorais reservados 6 .31 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.520 J/kg.1 . Cláudio R. Taxa de reciclagem: 0.93 g Peso específico: 8.PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS 6.COBALTO E SUAS LIGAS 6.COBALTO Consegue-se obter um elevado grau de pureza.03 .32 Dureza: 125 HB [1.cm [6.9%.1.766.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.2 . conformação mecânica e metalurgia do pó. mas apenas a partir de 1.121 oC Calor específico: 456 . oC-1 Ponto de Curie: 1.2.500 MPa 105 .165 cal.0. Também é utilizado para melhorar propriedades dos aços em relação as resistência a alta temperatura. As aplicações mais comuns são em implantes cirúrgicos. usinagem.4 µΩ.1 . 6.K Calor latente de fusão: 260 .10-8 Ω. a = 0.950 seu uso teve maior importância para fabricação de ligas complexas como turbinas e pastilhas cerâmicas. Pelo processo de fusão por zona flutuante consegue-se um grau de pureza de Co = 99.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.95 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 21 GPa Limite elástico: 240 MPa Tenacidade a ruptura: 25 .623 nm β CFC. Os principais processos de fabricação de peças a base de cobalto são fundição.266 kJ/kg Permeabilidade magnética: 68 até 245 gauss/oersted Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. mesmo por fusão e vazamento.361 nm Temperatura de transformação: β → α: 427 oC [700.100 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.0.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6.40 MPa.15K] Ponto de fusão: 1. c/a = 1.cm-1.8. Dr.15K] Ponto de ebulição: 3.05 .250 MPa] Módulo de cisalhamento: 76 .493 oC [1.8 x 10-6/ oC [13.4.m1/2 Tensão de compressão: 345 .98%.INTRODUÇÃO O cobalto foi empregado pela primeira vez como metal de adição nas ferramentas de aços rápido em meados de 1.1 Propriedades físicas Massa atômica: 58.s-1. 99.0.

Dr.5 30 36. magnéticas e de resistência a abrasão. segundo a composição. >1 Al 5 . aproveitando-se especialmente as suas propriedades refratárias.3 0.Aplicações do cobalto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.35 12 .5 5 106 .LIGAS DE COBALTO Estas ligas são caracterizadas por propriedades muito especiais: refratariedade.2 .4 Mn 0. Tipo Superliga s HS 23 Co 66 Ni 2 Composição (%) Cr Fe 24 1 Aplicações C 0. fundição de precisão Imãs permanentes Peças resistentes a corrosão e a abrasão (ferramentas. boa resistência à corrosão.2.25 25 . etc. Cláudio R. ligas muito complexas que. propriedades magnéticas especificas.65 Dif.35 40 . tesouras. Figura 6. em geral.2. propriedades mecânicas excelentes. Aplicações É essencialmente utilizado como elemento de liga.11 Invar Vitalium 54 64 9.1 . válvulas) Instrumentos de precisão Próteses Alnicos Estelites 5 .6 Peças resistentes em temperaturas elevadas. podem se classificar nos tipos que constam a tabela abaixo. sobretudo a quente (forma β) e pode ser extrudado em arame fino. São.100 MPa Alongamento: 8 % O cobalto pode ser utilizado em trabalho a frio e a quente. 6. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de ruptura por tração: 760 .

tal como o zircônio.10-8 Ω.15K] Ponto de fusão: 1.TITÂNIO E SUAS LIGAS 7.INTRODUÇÃO O Titânio é um metal não-ferroso que ganhou importância estratégica há somente 40 anos por sua alta resistência mecânica . Tem características mecânicas superiores aos do ferro que podem ser ainda melhoradas em certas ligas.660 oC [1.2. um oxido impermeável e protetor muito importante em um meio muito corrosivo.43 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC. Disso decorre sua propriedade mais importante: a resistência a corrosão a água salina e outras soluções cloretos. em sua superfície.cm-1. O calor específico e a condutividade elétrica e térmica do titânio são idênticas dos aços inoxidáveis.1 .933.9 W/m.037 cal. Dr.2 . oC-1 [4 .90 g Peso específico: 4.5 x 10-6/ oC [8. com Ph ácido. Essa qualidade torna-o ideal para a fabricação de prótese humanais tais como componentes de válvulas cardíacas. forma-se.260 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 8.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 50 µΩ. a = 0.015% de H.21.153. 7. pois os fluidos que existem dentro de nosso corpo são soluções salinas.15K] Ponto de ebulição: 3. Em contado com o ar. mas é pouco resistente a fluência.08% de C. o berílio e o nióbio. 55% da densidade do aço. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.s-1.alta resistência a corrosão e por ter.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0. hipocloritos e ao cloro úmido e a resistência ao acido nítrico.370 kJ/kg 107 . O fato mais interessante a respeito do titânio é que.K Calor latente de fusão: 360 . Losekann Direitos autorais reservados 7 .332 nm Temperatura de transformação: β → α: 880 oC [1.05% de N e 0.5.K] Calor específico: 510 . Os processos de fabricação usuais de peças a base de titânio são: fundição. usinagem. 0. placas e pinos para unir ossos.PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS 7.587 nm β CCC. o custo de sua obtenção é muito alto. Elas contêm outros ácidos orgânicos aos quais o titânio é inerte. aproximadamente. conformação e metalurgia do pó. c/a = 1.650 J/kg. limitados a 0. passou a ter um interesse grande com o desenvolvimento das indústrias de aviação e nucleares. geralmente.cm [50.TITÂNIO Este metal. Propriedades físicas Massa atômica: 47.1 . No titânio comercial os teores de não-metais estão. embora ele exista em grande quantidade na crosta terrestre .

alumínio. Figura 7. Dr. e a numerosos produtos químicos. Acima de 350 oC. carbono e hidrogênio. níquel.125 GPa Limite elástico: 172 -1.123 MPa. ou seja. Resiste bem a todos os meios naturais (atmosfera. Por isso. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. nitrogênio. relação resistência mecânica/peso muito elevadas em temperaturas abaixo de zero (entre -196 e -269 ºC ).1.0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Essas ligas são usadas na fabricação de próteses. pois apresentam resistência específica. Aplicações Os elementos que são adicionados as ligas resistentes corrosão são: paládio (Pd). manganês e estanho. São empregados também em rotores de bombas usadas para bombear hidrogênio líquido.Aplicações do titânio. 108 .02 . não-metais que o tornam frágil.0.1 .50 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 95 . Ligas de titânio com alumínio e estanho e alumínio e vanádio são usadas em aplicações muito especiais.050 MPa Tenacidade a ruptura: 55 .m1/2 Tensão de compressão: 130 . até mesmo os orgânicos. o titânio é susceptível de corrosão sob tensão em presença de cloretos. molibdênio. Cláudio R. em particular os que contém cloro. água salina.358 .400 MPa Tensão de ruptura por tração: 241 . tem grande afinidade com o oxigênio.364 Dureza: 200 HB [2.000 MPa] Módulo de cisalhamento: 35 . É atacado por soluções concentradas de ácidos.3 % Coeficiente de Poisson: 0. elas são empregadas em vasos de pressão que fazem parte do sistema de controle de propulsão e reação dos foguetes que transportaram as naves Apollo e Saturno e dos módulos lunares.1.280 MPa Alongamento: 28 % Propriedades químicas Em temperatura elevada.

níquel Resistência a temperaturas elevadas. Na indústria aeronáutica. Molibdênio. em geral. Suas principais aplicação eram em certos processos químicos e pirotécnico. Inalterável ao ar seco. Devem ser adequadamente protegidas a sua superfície. silício. O coeficiente de dilatação térmica linear é maior do que o coeficiente de dilatação térmica linear do Al e a maioria de suas ligas ferrosas.1 . A baixa resistência a corrosão é uma das desvantagens do magnésio. molibdênio INFLUÊNCIAS APLICAÇÕES Estruturas aeroespaciais. A propriedade mais importante do magnésio é seu baixo peso específico 1. 8 . ligas muito complexas que. Dr. Resistência mecânica e à corrosão sob tensão. menor ductilidade. zircônio e estanho. ELEMENTO ADICIONADO Alumínio.LIGAS DE TITÂNIO São. paládio. Tanques e tubulações em indústrias químicas. magnésio desempenha um papel importante. bem como na indústria automobilística. o magnésio e suas ligas formam uma película natural de hidróxido de magnésio ou de carbonato de magnésio que facilita a continuação do ataque. molibdênio. Outra propriedade importante aliada ao magnésio e suas ligas é facilidade de ser usinado. segundo a composição. Alumínio. leve com ponto de fusão 650 ºC.2 . resistente à corrosão. e Resistência à corrosão em salmoura a altas temperaturas e em meios oxidantes e redutores. Geradores de turbinas a vapor e a gás.2. Cláudio R.74 gf/cm³. 109 . Losekann Direitos autorais reservados 7. podem se apresentar conforme a influência dos elementos adicionados e suas aplicações de acordo com a tabela abaixo. Peças estruturais naves supersônicas. de Molibdênio. e Elevada resistência específica e a altas temperaturas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.INTRODUÇÃO O magnésio é um metal branco.MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8. vanádio. Ao contrário do Al.

De acordo com a sua estrutura cristalina. ao ar úmido forma uma película superficial de Mg(OH)2 que. c/a = 1.220 MPa Tenacidade a ruptura: 11 .K Calor latente de fusão: 358 . zinco e níquel.305 Dureza: 36 HB [36 MPa] Módulo de Bulk: 32 .17 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 40 . oC-1 [51 .1.310 MPa Propriedades químicas Tem extraordinária afinidade com oxigênio e.32 g Peso específico: 1.cm [4.1 .624 nm Ponto de fusão: 650 oC [923.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.MAGNÉSIO Nas características acima descritos.27. automotivos.10-8 Ω.PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8.29 .45 GPa Limite elástico: 80 .m1/2 Tensão de compressão: 80 .120 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 26. aeroespaciais.99 %). se utiliza com desoxidante de certas ligas de cobre.2.46. Fe.739 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): HC. mas muito atacado em atmosferas marinhas.37 cal. pode proteger as camadas subjacentes.366 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.80 W/m.14 % Coeficiente de Poisson: 0. Losekann Direitos autorais reservados 8. Al e Ca. nucleares e produtos 110 . Propriedades físicas Massa atômica: 29.03 . É inalterável ao ar seco à temperatura ambiente. Aplicações Equipamentos esportivos.6 . a maleabilidade é baixa e por isso a obtenção de peças só pode ser feita por fundição e trabalho a quente à temperatura de 300 a 900 oC.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 4.350 MPa Tensão de ruptura por tração: 138 . Dr. somente após um tratamento oxidante.15K] Ponto de ebulição: 1.s-1.cm-1.2.0. O magnésio industrial contém cerca de 0. Cláudio R.050 J/kg.8% de impurezas como K. Si.36 GPa Módulo de cisalhamento: 15.0. por isso.3 .K] Calor específico: 960 .46 µΩ.18 MPa. ácidas e soluções de cloretos.2 . E inalterável em meio alcalino. tem influência o tamanho de grão do metal. O magnésio pode ser obtido bastante puro (Mg > 99.1 x 10-6/ oC [24.

856 nm o Ponto de fusão: 419 C [692. Outras ligas com a adição de zircônio e composições aproximadas tem dado bons resultados de resistência mecânica. O principal objetivo destas ligas e a diminuição de peso que pode atingir 20 a 35 % de peso em relação ao alumínio.m] 111 . Cláudio R.INTRODUÇÃO É um metal pouco resistente á tração e a fluência o que reduz as suas possibilidades como material de construção.ZINCO E SUAS LIGAS 9.31.cm [5.5% de Al.1 .5% de Zn e 0.LIGAS DE MAGNÉSIO O magnésio entra na composição das chamadas ligas leves.99% destina-se a fundição injetada. Zn.6.14 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.957 . Além. 0. As impurezas normais do zinco são Pb. Mn. 9 .38 g Peso específico: 7.PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 65.2 . O zinco 99. Para outras utilizações. Cd.34 x 10-6/ oC [28 . Cu e Zn. o teor máximo de chumbo é de 0.957 µΩ.2% de Mn e suas características mecânicas após a têmpera e revenido a 250 oC por 5 horas são: limite elástico de 15 kgf/mm2 e tensão de ruptura a tração de 26 kgf/mm2. Sn e Cu. considerando que os teores de alumínio devem ficar em torno de 8% em virtude da formação do composto metálico Mg3Al3 que dificultam a deformação a quente. Fe. 8. Não é susceptível de endurecimento a frio devido baixa temperatura de recristalização e a estrutura cristalina explica a anisotropia importante verificada nos produtos de zinco laminados.Aplicações do magnésio.1 . Losekann Direitos autorais reservados Figura 8.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.15K] Ponto de ebulição: 907 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 .006%.34.2.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 5. Dr. cujos teores não ultrapassam l0% em massa. do magnésio entram na sua composição o Al. A principal liga tem a seguinte composição: 8.2 .10-8 Ω. c/a = 1. 9.

104.zincagem eletrolítica (tratamento termoquímico).248 .40 MPa.113 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.1 .Pintura com tintas com elevada percentagem de zinco em pó.115 W/m. Os principais processos de proteção de revestimento de zinco são: .K Calor latente de fusão: 108 .25 Dureza: 50 HB [500 .3 % Coeficiente de Poisson: 0. previamente decapada.0.m1/2 Tensão de compressão: 160 . onde ocorre deposição do zinco sobre o aço por meio de solução eletrolítica de sais de zinco.42 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 80 . em presença de ar úmido. C [108 . isto é. em atmosfera seca.K] Calor específico: 385 . onde a peça.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II o -1 -1 o -1 Prof. Em relação ao seu potencial eletroquímico confere uma aplicação importante na proteção superficial.5 .cm . como o aço. enquanto que. Dr. É facilmente atacado por ácidos e álcalis. Aplicações As suas aplicações baseiam-se essencialmente como películas protetivas em metais. Figura 8. Esta propriedade é aproveitada quando se utiliza o zinco ou materiais zincados em coberturas expostas à atmosfera. . . Losekann Direitos autorais reservados Condutividade térmica: (20 C): 0. canalização de esgotamento de chuva em telhados.Aplicações do zinco. Revestese de uma camada de hidrocarbonato que protege o metal subjacente. a qual leva.265 cal. Cláudio R. a sua formação é muito mais lenta levando cerca de 3 meses. o zinco é utilizado como ânodo.zincagem a quente por imersão (galvanização).421 MPa Tensão de ruptura por tração: 200 .500 MPa Alongamento: 50 % Propriedades químicas Resiste bem a corrosão pelos agentes atmosféricos e pela água.397 J/kg.0.1260 MPa] Módulo de cisalhamento: 32 .s .1 . 112 . é imersa em zinco fundido. Assim é usado em coberturas.5 GPa Limite elástico: 160 -421 MPa Tenacidade a ruptura: 18. cerca de 3 dias a se formar. corroendo-se e protegendo assim o aço ou qualquer outro metal.

alto coeficiente de expansão térmica.2. É bom condutor de eletricidade embora não seja magnético e mau condutor de calor. maçanetas. componentes de aparelhos eletrodomésticos. mas é fortemente atacado por substâncias básicas. boa condutividade elétrica. O principal minério do 113 . A liga zamac é a que tem maior importância. flexibilidade. antifricção. 9.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. facilidade em fundir e formar ligas com outros elementos. componentes de relógios. precipitam-se nos contornos de grão. Pode ser endurecido em liga com enxofre ou antimônio. pois é o mais mole dos metais pesados. engrenagens. Estas impurezas. com teores de até 0. Na sua maior parte esta liga tem composições hipoeutécticas. Os zamacs são extremamente sensíveis às impurezas. Sn e Pb. componentes de equipamentos elétricos. Dr.INTRODUÇÃO O chumbo é um metal de cor acinzentada pouco tenaz. formando um par galvânico que dá lugar a forte corrosão em atmosfera úmida. manômetros. É facilmente laminado.2 .CHUMBO E SUAS LIGAS 10. etc. — mas este elemento tem também interesse como componente principal em ligas para fundição e ligas para forjamento e estampagem. fechaduras. É resistente a água do mar e aos ácidos. como inibidor da corrosão intergranular. Funde-se a 327ºC. carburadores. brinquedos.LIGAS DE ZINCO O zinco entra na composição de numerosas ligas como componente secundário ou componente menor . Cláudio R. alpacas. estas ligas são as de maior utilização devido as suas particularidades físicas. Oxida-se com facilidade em contato com o ar. quase puras.1 .05%. aspiradores. sobretudo chumbo e cádmio. A fabricação destas ligas exige matériasprimas.LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO De todas as ligas não-ferrosas para fundição por injeção. mecânicas e de fundição associadas à capacidade de serem facilmente revestidas por eletrodeposição (cobre. dobradiças. geralmente até 4% de Al e até 3% de Cu para melhorar as propriedades mecânicas e a corrosão.2. de acordo com o teor de alumínio e outros elementos. 10 . principalmente o zinco. Cu.1 . As principais aplicações destas ligas encontram-se em: componentes de automóveis como radiadores. A boa fluidez permite a fundição de peças de formas complexas com paredes finas. O magnésio contraria este efeito e refina o grão.latão. Losekann Direitos autorais reservados 9. porém dúctil e maleável. níquel e cromo) ou por pinturas com tintas e vernizes. roldanas. A fluidez no estado líquido e as propriedades mecânicas são melhoradas pela adição de Al. O magnésio pode ser adicionado. Outras propriedades que permitem grande variedade de aplicações são: elevado peso específico.

2 g Peso específico: 11.6 HB [16 .61 . Resistente ao ácido sulfúrico pouco concentrado.2 .2 . formação do aglomerado.18 GPa Limite elástico: 5. desargentação.21.10-8 Ω.8 % Coeficiente de Poisson: 0. É também material utilizado como dispositivos de balanceamento de massa em rodas automotivas.45 Dureza: 1. Losekann Direitos autorais reservados qual o chumbo é extraído é a galena (PbS).44 . Ao chumbo pode-se acrescentar os seguintes elementos de liga: cobre.50 MPa. como a água da chuva.749 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 .Em geral.0. prata e antimônio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o chumbo recobre-se de uma camada protetora de Pb20 e de hidrocarbonato.2 .34 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α CFC. pelo contrário. é na fabricação de baterias.5 .3.6 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 16.O processo de obtenção do chumbo tem várias etapas.K Calor latente de fusão: 23.492 nm o Ponto de fusão: 327 C [600. retirada da prata. Cláudio R. é atacado por água muito pura.3 x 10-6/ oC [28 .35. entretanto.29. devido é existência de sulfatos e/ou de carbonatos forma-se também uma camada insolúvel de sulfato e/ou carbonato de chumbo que permite o emprego deste metal em condutas de água potável sem perigo de toxicidade.29.60 MPa Alongamento: 60 % Propriedades químicas Ao ar.50 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 .25 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. mas as principais são: concentração por flotação. 10.61 µΩ. Sua maior utilização (80%).0.PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 207. Ele pode ser laminado a espessuras de até 0.88. Na água. cujo teor de chumbo varia entre 1 e 12%. o chumbo e moldado com 114 .50 MPa Tenacidade a ruptura: 30 . a = 0. E.m] Condutividade térmica: (20 oC): 28 . redução dos óxidos.106 /K] Resistividade: (20 oC): 20. destilação a vácuo e refino.cm [20. Devido o seu baixo ponto de fusão e elevada maleabilidade.m1/2 Tensão de compressão: 5.150 MPa] Módulo de cisalhamento: 4. Dr.3 W/m.5 .15K] Ponto de ebulição: 1.01mm. Aplicações Devido ao seu elevado peso específico é usado como contrapeso em determinados equipamentos e nos lastros de navios. ou seja.K Calor específico: 159 .1 .5 .170 J/kg. esse minério possui também prata .

- Ligas de chumbo e antimônio .É o tipo de liga que apresenta um eutéctico com 11.183 oC. o baixo valor da tensão limite de fluência produz.006% de cobre apresenta boa resistência a corrosão e tem como principal aplicação construção de equipamentos para ácido sulfúrico.Com adição de até 2% de prata apresenta boa resistência a corrosão por água salina e tem como principal aplicação a proteção catódica de equipamentos marinhos.1 . usadas como ligas antifricção. Losekann Direitos autorais reservados facilidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As ligas de chumbo e antimônio podem ter composições de 1 a 3% de Sb. Cláudio R. passa a ter uma passagem pastosa. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. Ligas de chumbo e estanho . Ligas de chumbo e cobre . antimônio e estanho. para placa de acumuladores e acessórios isolantes de radiações. Outras ligas .Diagrama de fases da liga Pb-Sn. Figura 10. e ligas de chumbo com adição de bismuto. gaxetas e arruelas. podendo ser utilizada em alguns tipos de fusíveis. o que provoca falhas em certas aplicações como tubulações de esgoto de grande extensão. 6 a 12% de Sb. Com esta composição a liga muda de estado sólido para líquido de forma rápida ao atingir aquela temperatura.Ligas de chumbo. O Chumbo é usado como isolante acústico e amortecedor de vibrações e isolante de radiações X e γ devido a sua massa atômica.É o tipo de liga usada para soldas elétricas que.Diagrama de fases da liga Pb-Sb. 115 . usado para revestimento de cabo e laminados como folhas de chumbo. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. Figura 10. Dr. utilizados como fusíveis e sistemas anti-incêndio. Com composições maiores ou menores. a estricção local. com teores de estanho próximo do eutéctico ( 62 % de Sn). produz a menor temperatura de fusão . - - Ligas de chumbo e prata .2 . em alguma casos. É empregado também em juntas para vedação. em ligas para fabricação de mancais. Todavia. antimônio e estanho.Com adição de até 0. cádmio.2 % de Sb a uma temperatura de 251 oC.

entretanto como o tempo de transformação completa é relativamente longo.504.19 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 44 .45 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 .0.m1/2 Tensão de ruptura por compressão: 7 .5 10-6/K Condutividade térmica: 30 .23. formam-se manchas localizadas de estanho cinzento.85. Dado a transformação e fazendo-se o reaquecimento acima daquela temperatura. os embriões (pequenos cristais) de estanho cinzento são recristalizados.05 . Dr. mas acelera o processo de crescimento de embriões que pode ser impedido pelo bismuto.135 MPa Módulo de cisalhamento: 15 .35 MPa.0. É inalterável ao ar e é água.59 .K Calor latente de fusão:59. só é significativo a temperaturas abaixo de 0 oC. antimônio e chumbo.8 W/m.ESTANHO A característica de maior interesse é o seu baixo ponto de fusão que baixa consideravelmente o ponto de fusão em ligas. e o cobre baixa esta temperatura para -30 oC.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.4 . quebradiço e pulverulento devido é grande variação de volume que acompanha a transformação. mas o metal conserva-se em pó.66. o sentido da reação muda. Propriedades físicas Calor específico: 213 . cádmio. A adição de 2% de prata baixa o ponto de transformação alotrópica para 10 oC.1 . sempre que a temperatura se eleva acima de 16 oC. Resiste bem aos ácidos orgânicos. Losekann Direitos autorais reservados 11 . São prejudiciais o zinco e o magnésio.28 .225 J/kg.4 % Coeficiente de Poisson: 0.35 .60 MPa Propriedades químicas Oferece boa resistência a corrosão.K Ponto de fusão: 400 .45 Tenacidade a ruptura: 20 .9 K Peso específico: 7. Como a velocidade de transformação é muito baixa. Em virtude de sua baixa temperatura de recristalização não endurece por deformação a frio.15.10-8 ohm.OUTROS METAIS 11. O estanho forma soluções sólidas com a maior parte dos metais.53 GPa Limite elástico: 7 .363 Dureza: 21 . Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. É um metal macio mas muito maleável.8 kgf/dm3 Resistividade: 12. mas se o estanho for conservado abaixo de 16 oC em um período muito longo. A baixa temperatura de transformação alotrópica (16 oC) é chamado de doença do estanho.60 kJ/Kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 23 . alumínio. 116 .

13. o estanho pode conter até 2% de impurezas.estanhagem de chapa de aço (folha de flandres).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.folhas de estanho.para a fabricação de soldas. . superlotas. usinagem.7. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações As principais aplicações do estanho devem-se ao seu baixo ponto de fusão e da sua resistência corrosão.2 .K Ponto de fusão: 2. tubos extrudados e objetos decorativos.0. .130 -2.0.03 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.5 10-6/K Condutividade térmica: 78 . Dr.5% de impurezas no estanho. as folhas de flandres devem ser fabricadas com um máximo de 0. Para a estanhagem. .518 J/kg.para ligas antifricção e bronzes. Propriedades físicas Calor específico: 495 .K Calor latente de fusão: 258 . Cláudio R.88 .CROMO Aplicações: Revestimentos protetores. eletrodeposição. Figura 11.3 . outros. uniões.15 . 11.2 % Coeficiente de Poisson: 0.208 .94 W/m.49 10-8 ohm. permitindo o revestimento de outros metais como: .212 117 . Para a indústria de alimentos.18 kgf/dm3 Resistividade:12. Processos: eletrodeposição.262 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 6.140K Peso específico: 7.1 . elemento de liga em aços.6.Aplicações do cromo.

m1/2 Tensão de compressão: 350 . uniões.5.3 % Coeficiente de Poisson: 0.920 MPa 118 . Cláudio R.10-8 ohm.0.26 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. combustível nuclear.430 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .m1/2 Tensão de compressão: 500 .120 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 279 . usinagem.1. contatos elétricos.19.0.200 MPa Módulo de cisalhamento: 100 .02 .30 MPa.40 MPa. conformação.3 10-6/K Condutividade térmica: 130 -173 W/m. Propriedades físicas Calor específico: 133 .37 .580 MPa Tensão de ruptura por tração: 550 .690 MPa 11.5.680K Peso específico: 16 .500 .3 kgf/dm3 Resistividade: 5.000 .300 -2.3. Losekann Direitos autorais reservados Dureza: 1. Figura 11.580 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .TUNGSTÊNIO Aplicações: Filamentos de lâmpadas incandescentes.3 .6.175 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 380 .K Ponto de fusão: 3. outros.411 GPa Limite elástico: 500 .430 MPa) Tensão de ruptura por tração: 400 . Processos: fundição. alvos de raio-x.5 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.194 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 4.140 J/kg.Aplicações da tungstênio.K Calor latente de fusão: 190 .026. ligas de aço.2 .286 GPa Limite elástico: 350 .000 MPa Módulo de cisalhamento: 160 . ferramentas de corte. Dr.28 Dureza: 3.

uniões.2. medalhas. Losekann Direitos autorais reservados 11.10-6/K Condutividade térmica: 350 .31 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 78 . fotografia. Dr.6.84 GPa Limite elástico: 30 .818. outros. revestimentos protetores.106 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 18.950 MPa Módulo de cisalhamento: 29 .180 MPa Tensão de ruptura por tração: 172 . Propriedades físicas Calor específico: 234 .PRATA Aplicações: contatos elétricos.6 % Coeficiente de Poisson: 0. uniões.3 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.K Calor latente de fusão: 100 .Processos: fundição.7.240 J/kg. circuito impresso. conformação. condutores. usinagem. espelhos.180 MPa Tenacidade a ruptura:60 .429 W/m.622 .8 kgf/dm3 Resistividade: 1.K Peso específico: 6.3 .365 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. joalharia.5 . Processos: conformação.Aplicações da prata. próteses dentárias.9 .OURO Aplicações: Joalharia.0. Figura 11. contatos elétricos. Cláudio R. usinagem.90 Tensão de ruptura por compressão: 30 .19. 119 .369 Dureza: 250 .330 MPa 11.6 . implantes.0. fundição. outros. revestimento de equipamentos químicos. moedas.4 .10-8 ohm.

220 MPa 120 .200 MPa Tenacidade a ruptura: 50 . Dr.4 .131 J/kg.8 . Cláudio R.5 % Coeficiente de Poisson: 0.10-8 ohm.70 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 14 .200 MPa Tensão de ruptura por tração:130 .80 MPa. Propriedades físicas Calor específico: 129 .79 GPa Limite elástico: 40 .340K Peso específico: 19.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.14.1.203.29 GPa Módulo de elasticidade: 78 .32 kgf/dm3 Resistividade: 2.Aplicações do ouro.m1/2 Tensão de compressão: 40 .188 .340 .2.41 .42 Dureza: 200 .10-6/K Condutividade térmica: 310 .318 W/m.600 MPa Módulo de cisalhamento: 26 .K Ponto de fusão: 1.19.3 . Losekann Direitos autorais reservados Figura 11.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2.K Calor latente de fusão: 64.0.

b) n-butano. b) Isopentano. Os monômeros são moléculas de cadeia pequena. a) CH3CH2CH3 b) CH3(CH2)2CH3 c) (CH3)3CH Figura 12.1 .Monômeros. 121 .Monômeros.Monômeros.3 . Dr. Exemplos típicos de monômeros são os hidrocarbonetos básicos como metano. a) n-pentano. butano e etc. a) CH3CH2CH(CH3 b) CH3(CH2)3CH3 c) (CH3)4C Figura 12. etano.1 . c) isobutano.POLÍMEROS 12. b) etano. Losekann Direitos autorais reservados 12 . a) propano. propano.INTRODUÇÃO Para conceituar polímeros é melhor definir antes os monômeros. Cláudio R. a) CH4 b) CH3C c) CH2CH2 Figura 12.2 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a) metano. c) eteno. c) Neopentano.

Grau elevado de polimerização assegura melhores propriedades físicas do produto. e em presença de um catalisador adequado. polimeriza pela ruptura de uma ligação covalente dupla. Figura 12. ou de policondensação. a partir De benzoíla do cloreto de vinila: n n cloreto de vinila policloreto de vinila Figura 12. liberando algum produto secundário. Quando há dois ou mais meros distintos na molécula é dito copolímero. todo material que intervém na reação é convertido em polímero. Losekann Direitos autorais reservados Observando os monômeros. por exemplo. gerando meros que se interencadeiam. na produção do policloreto de vinila ou Peróxido PVC. Cláudio R. especialmente os vinílicos. também sob condições de temperatura e pressão controladas e na presença de um catalisador adequado. As reações de polimerização podem ser de dois tipos: aditiva e condensada. sob condições bem definidas de temperatura e pressão. Polímeros. conceitua-se polímeros. sem liberar qualquer produto secundário. Exemplo: o polietileno que tem sua estrutura molecular representada pela fórmula geral abaixo.5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila. Nesta reação. O número de vezes que se repete a unidade básica na molécula do polímero representa o grau de polimerização.4 – Representação de polímero. Certas famílias de poliamidas (náilons) são obtidas pela condensação de um ácido adípico com uma diamina. Muitos polímeros. formando outras maiores que contêm os mesmos elementos na mesma proporção que as pequenas. são formados por reações de adição. na qual um monômero não saturado. em cujas moléculas comparecem apenas um tipo de unidade básica. são conhecidos como homopolímero. Outros polímeros são produzidos em uma reação condensada. Dr. em que dois reagentes geram o polímero. o peróxido de benzoíla atua como catalisador. caracterizadas pela repetição de uma unidade básica mero). ou seja. É o que ocorre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os compostos cuja molécula é constituída pela associação de diversas moléculas de outro composto mais simples através da reação de polimerização (reação em que duas ou mais moléculas menores (monômeros) reagem entre si. liberando água como um subproduto da reação: 122 .

Ao dificultarem a aproximação das moléculas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. formando reticulados tridimensionais ou ligações cruzadas. um macrocristal de SiO2. as ramificações tendem a diminuir as interações entre as mesmas.2. em virtude destas diferentes configurações moleculares.MORFOLOGIA Os polímeros podem apresentar moléculas sem ramificações (lineares) ou com ramificações. são afetadas.6 – Reação de copolimerização do náilon 66. Desta forma.7 – Representação das cadeias poliméricas. que se forma através de polimerização. 12. Losekann Direitos autorais reservados Ácido acético n Ácido adípico Hexameilenodiamina + n (H2O) n Polihexametileno adipamida (náilon 66) Figura 12. Assim. a) Cadeia linear. Cláudio R. b) cadeia com ramificações incompletas.1 . Certas propriedades dos polímeros. com isso impedindo a formação de cristalitos e afetando as propriedades mecânicas. especialmente a fusibilidade e a solubilidade. os polímeros podem ser divididos em plásticos e elastômeros. a) b) c) Figura 12. A formação de 123 . c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas. os polímeros são cadeias longas de um determinado conjunto de moléculas. A figura abaixo representa estas condições. As ramificações podem ser constituídas de cadeia linear básica ou que promovam a interligação de diferentes cadeias lineares. átomos ou compostos. Usa-se muito o termo polímero para representar os produtos derivados do petróleo ou hidrocarbonetos naturais (derivado de plantas). entretanto é considerado também um material cerâmico. Dr.2 – PROPRIEDADES 12. Em outras palavras. pode ser considerado um polímero.

Por exemplo. Com o resfriamento. certas resinas tendem a se dispor em regiões cristalinas (cristalitos) aleatoriamente orientadas. 124 . com as moléculas em forma de novelo e caótico. Os polímeros termorígidos são totalmente amorfos. embora existam termoplásticos totalmente amorfos. é possível obter-se pequenos cristais de polietileno por meio de precipitação em toluol. Os radicais méricos podem estar arranjados de três maneiras. Os cristalitos satisfazem aos requisitos geral de cristalinidade – um arranjo ordenado das moléculas que exibem franjas de interferência definidas ao raio-X. A estrutura molecular dos altos polímeros pode ser amorfa. aumentando a resistência mecânica. a)Polímero isostático b) Polímero sindiostático c) Polímero atático Figura 12. separadas por regiões amorfas. Em temperaturas acima do ponto de amolecimento. Os materiais poliméricos totalmente cristalinos são muito raros e tem pouco significado econômico. os termoplásticos apresentam-se freqüentemente cristalinos. O termo técnico microestrutura é pouco utilizado pelos especialistas em materiais e é preferido o termo morfologia. conforme é ilustrado abaixo. Losekann Direitos autorais reservados ramificações tridimensionais impede o deslizamento relativo das moléculas.8 – Formas isoméricas. Dr. O grau de cristalinidade de um polímero depende muito da distribuição geométrica dos radicais méricos no espaço. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. dando um produto infusível e insolúvel. causada pela diminuição de temperatura. por outro lado. cristalina ou cristalina e orientada. todas as estruturas apresentam estruturas amorfas.

Se um termoplástico é aquecido. e apresentam maior rigidez e resistência mecânica e térmica. enquanto que as regiões amorfas conferem elasticidade. tornando possível a movimentação relativa das moléculas e. que se evidencia por uma sensível transparência progressiva de certos polímeros.9 – Cristalinidade em polímeros. A figura abaixo representa estas condições de cristalinidade. 12. A distribuição das regiões cristalinas em um polímero parcialmente cristalino é objeto de pesquisa. transparência. eventualmente apresentam ramificações. diz-se que o arranjo é sindiotático. desde que não seja superada sua temperatura de degradação. Dr. estas interações são mais enfraquecidas. As regiões cristalinas são mais densas. Em alguns materiais poliméricos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Um controle do teor de esferulitos. mas sim uma mistura deles. que crescem radialmente em direção à região amorfa adjacente. maciez. termoduros). Losekann Direitos autorais reservados Quando o radical localiza-se sempre do mesmo lado da cadeia diz-se que o arranjo é isostático. 125 . portanto. permite um controle das propriedades mecânicas e óticas da peça. Os termoplásticos caracterizam-se por. podem desenvolver-se regiões esféricas contendo material cristalino (esferulitos). A propensão a cristalização é maior nos arranjos isostáticos. Os termoplásticos podem ser endurecidos ou amolecidos reversivelmente. Quando não existe regularidade na distribuição dos radicais. Um novo aquecimento novamente torna-o amolecido para moldagem. a deformação do polímero amolecendo-o. Quando a cristalização é nucleada em uma resina rapidamente resfriada. flexibilidade e. Se o radical localiza-se dos dois lados da cadeia de forma organizada e repetitiva. às vezes. como a borracha. Figura 12. O resfriamento restabelece as forças de ligação intermoleculares. a cristalização pode ser facilitada através de aplicação de tensões externas e desaparece gradualmente com aquecimento. tornando-o rígido novamente. Os polímeros raramente apresentam apenas um único tipo de arranjo. o arranjo é denominado atático. Cláudio R. ao completar-se a polimerização. alcançando dimensões que podem ser alguns micrômetros de diâmetro.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM Os materiais poliméricos podem ser classificados em duas categorias: termoplásticos ou termoestáveis (termofixos. possuírem moléculas com cadeia predominantemente linear. que depende das condições de moldagem. razoável nos sindiotáticos e pequena nos atáticos.2.

cargas. e de baixo peso molecular. Outros tipos de carga são tecidos. que são altamente estáveis à temperatura e à deformação. retardantes de chama. A degradação torna os polímeros quebradiços e porosos. A adição de um ou mais plastificantes. são inconvenientes. Catalisadores são substâncias químicas que. corantes e pigmentos. agentes de esponjamento.2. geralmente. produz um composto intermediário. que são adicionados às resinas. A cura pode ser induzida à temperatura ambiente. as moléculas reagem entre si ou com o agente de cura. produtos líquidos de alto ponto de fusão e baixa taxa de evaporação. os seguintes: plastificantes. A polimerização completa ocorre num segundo estágio. A serragem e pós-metálicos são utilizados para reforçar e economizar resina. 12. Entre esses ingredientes adicionais incluem-se. principalmente. principalmente nos plásticos. em que devem ser solúveis. estabilizadores. em proporções adequadas. estabelecendo ligações transversais que produzem complexas moléculas tridimensionais. Mica e asbesto são usados para melhorar características dielétricas. lubrificantes e agentes antiestáticos Plastificantes são. com finalidades variadas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ou seja. estabilidade dimensional. cujas moléculas apresentam cadeias lineares ou ramificadas.3 . fibras de vidro e de carbono que tem por objetivo também de melhorar as propriedades mecânicas. misturados à resina previamente à moldagem. O primeiro estágio. fornece ao produto composto que pode apresentar propriedades distintas da resina original. A polimerização desses materiais ocorre em dois estágios. os plásticos tendem a se degradar com o tempo quando estão expostos a ação de raios ultravioletas e da ação do oxigênio. em determinados casos. Quando.ADITIVOS Para a produção de peças em material plástico são utilizados ingredientes adicionais. reduzindo a aderência do polímero às superfícies metálicas do molde. desde que sejam fornecidas as condições adequadas ao seu desencadeamento. agentes de cura. Dr. Losekann Direitos autorais reservados Os termoestáveis apresentam um comportamento inverso do termoplástico. resistência química e propriedades elétricas superiores às dos termoplásticos. Os polímeros termoestáveis geralmente apresentam melhor resistência à temperatura. catalisadores. ao nível do fabricante do produto. a fim de melhorar seu comportamento plástico. aumentam consideravelmente a velocidade das reações químicas ou retardam uma reação que. Aditivos antioxidantes tem por objetivo retardar o envelhecimento do plástico. Os lubrificantes têm a finalidade de auxiliar no processo de moldagem. Exemplos de catalisadores são o peróxido de benzoíla e ácido acético na 126 . Corantes e pigmentos tem a finalidade de conferir cores aos polímeros. Cláudio R. Carga ou enchimento é um aditivo utilizado com finalidades específicas. adicionadas em pequena quantidade. por causa do calor ou de um agente de cura ou mesmo de um catalisador. por ocasião da moldagem.

a resina fenol-formaldeído é obtida no primeiro estágio da polimerização pela reação condensada do fenol com o formaldeído. Ao contrário dos catalisadores. que sob temperatura adequada (160 oC) e pressão (7 MPa) se decompõe em formaldeído e amônia. visto que os polímeros têm por natureza a flamabilidade. Os agentes antiestáticos são aditivos que. ajudam a reduzir as cargas eletrostáticas na superfície. que reduz o risco de inflamação nos polímeros. A cura é desencadeada. Os retardantes de chama são adicionados por razões óbvias de segurança. estabelecendo as ligações transversais numa reação condensada. com exceção do PVC e de alguns elastômeros. pela adição de hexametileno-tetramina. Elas provocam a expansão 127 . A amônia atua como catalisador. Um destes agentes é o trióxido de antimônio usado em materiais de construção e em fibras têxteis. + n H2 O n Fenol Formaldeído Fenol-formaldeído n 1 → Amônia 2 Figura 12. quando a mesma é pretendida. Losekann Direitos autorais reservados produção de PVC e náilon 66 respectivamente. no segundo estágio. Os agentes de esponjamento são aditivos empregados na produção de compostos poliméricos como as espumas expandidas. estabelecendo assim as ligações transversais que geram complexos tridimensionais. e o formaldeído como agente de cura. Por exemplo.10 – Reação do baquelite. Agentes de cura são aditivos que servem para desencadear a reação de cura dos termoestáveis. quando empregados nos polímeros. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Eles possuem moléculas cujos terminais reagem com posições intermediárias ou terminais da cadeia principal das moléculas da resina. Cláudio R. os agentes de cura participam ativamente da reação de cura. que estimulam as reações sem participar das mesmas.

em torno de uma temperatura “tg” que é característico para cada polímero.12 – Curvas de volume específico em função da temperatura. Volume específico A maior mobilidade das cadeias moleculares pode. Dr. amorfo. mas de magnitudes diferentes nas regiões amorfas e cristalinas. o material se dilata progressivamente. C e D) região líquida com baixa viscosidade. E) região com cristalitos na região vítrea. As regiões amorfas. em virtude de apresentar pouca mobilidade de suas moléculas. B 6 Alguns polímeros F A 5 comportam-se com uma E região brusca de variação 4 do volume específico. F) região viscosa com cristalitos. figura 12. rígida. Cláudio R. promover um momentâneo aumento do índice de cristalinidade que prosseguindo o aquecimento torna a cair este índice.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS Uma massa de polímero mantida a temperatura suficientemente baixa. Temperatura característica de sólido semicristalino. é relativamente dura. 3 tornado-se fluido. tenaz e quebradiça. A liberação deste gás – nitrogênio ou dióxido de carbono . se o aquecimento for lento e se o polímero for susceptível de cristalizar. aos poucos.12. nestas condições. Enquanto isto. Losekann Direitos autorais reservados do polímero plastificado pela geração de um gás. conhecida como transição vítrea. devido o aumento da mobilidade das cadeias. 8 sua mobilidade.2. com uma temperatura denominada 2 de moldagem ou fusão. 12.11 – Reação do agente de esponjamento. A figura que segue mostra uma curva típica do índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero linear. a partir da qual as cadeias moleculares das regiões amorfas se afastam e adquirem. Os agentes de esponjamento utilizados geralmente são substâncias orgânicas nitrogenadas. que se decompõe na forma: Figura 12. quando a temperatura é elevada. Figura 12. como conseqüência a decomposição do aditivo. 0 20 40 t 60 100 120 tm 80 g (curva E-F-C-D). passa por uma região de transição. como o AZDN (azobisdiisobutironitrila ). O material D dessas regiões passa a 7 C comportar-se como fluido cada vez menos viscoso. B) região viscosa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Aumentandose progressivamente a temperatura. A) região vítrea.deve coincidir com o momento de maior plasticidade do polímero. 128 . se comportam similar aos vidros (curva A-B-C-D).

12.25 C de uma determinada peça 80 quando submetidos a esforços 0 oC mecânicos a temperaturas 60 ambiente. É acima desta temperatura que se pode moldar o material. também característica para cada 5 tipo de polímero. Tensão de ruptura à tração (MPa) Índice de cristalinidade 129 . A figura ao 20 lado mostra o comportamento de um mesmo material polimérico 0 submetido a ensaio de tração em 0 6 12 18 24 30 diferentes temperaturas. Por isso. fluência. Tensão de ruptura.13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino. Losekann Direitos autorais reservados Prosseguindo o aquecimento. Certos materiais (polietileno. Dr. como materiais flexíveis. conhecida como temperatura de fusão cristalina. Figura 12. Deformação (%) próximas da ambiente. Estes materiais não são adequados à produção de fibras. Materiais como policarbonatos e o polistireno são frágeis e quebradiços por que suas temperaturas de transição vítrea se situam bem acima das temperaturas ambiente usuais. em Temperatura uma reação irreversível. o polímero se 0 20 40 60 80 100 tm 120 tg degrada ou queima. Um material polimérico pode sofrer deformações progressivas 100 o que podem afetar o desempenho .2. resistência ao impacto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. polipropileno) apresentam temperaturas de transição vítrea bem abaixo das temperaturas ambientes usuais. na qual desaparecem as regiões cristalinas e a partir da 4 qual o material passa a comportar-se mais ou menos como um líquido 3 viscoso. atinge-se uma temperatura “tm”.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS Várias propriedades mecânicas devem ser levadas em conta ao escolher um material polimérico em um determinado projeto. por isso. Mas se 2 a temperatura continuar a aumentar.14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear. e se apresentam. Cláudio R. Figura 12. resistência à abrasão e fadiga são fundamentais. é perigoso 25 oC 40 projetar com dados de ensaios 50 oC de curta duração.

Materiais de origem orgânica sintética resultam de processos químicos e de sínteses. esta propriedade. O produto obtido tinha cor de âmbar. John Weley Hyatt. Dr. a palavra plástico é um termo geral que significa “capaz de ser moldado”. Durante várias décadas este material teve grande utilização na fabricação de pentes. com o emprego de molde.800 procuravam um material para substituir o marfim para fabricação de bola de bilhar. bolas de tênis de mesa e filmes fotográficos. conseguiu viabilizar um método de reações controladas de polimerização. nos Estados Unidos da América. com a vantagem de ser mais estável e não inflamável como os primeiros. os polímeros tiveram avanços significativos. Este produto posteriormente denominou-se de Baquelite. Em 1. abaixo da qual não ocorre falha por fadiga.PLÁSTICOS Da mesma forma. sintetizando resina de fenol-formaldeído.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em vez de retardar a polimerização. que. necessariamente. mas apresentam esta propriedade em algum momento da fabricação. Cláudio R. Alexandre Parkes patenteou sua invenção com nome de Parkesina que tratava-se de um material celulósico (resíduo de algodão) com ácidos nítrico e sulfúrico na presença de óleo de rícino. os plásticos são radicalmente distintos dos aços. através da ação de calor e pressão. visto que os aços apresentam uma amplitude máxima de tensão de trabalho. qualquer que seja o número de ciclos de carga aplicada. Leo Hendrik Baekeland. após a Segunda Grande Guerra mundial. Outros materiais como o aço e o vidro também apresentam essa característica e não são classificados como plásticos. a partir de matérias primas orgânicas simples. Os materiais plásticos são materiais artificiais. Materiais artificiais são aqueles provenientes de misturas e reações. quando foram moldados. Os materiais geralmente designados como plásticos não tem. em 1.907. patenteou um processo alternativo de fabricação na qual substituía o óleo de rícino por cânfora. A partir deste período e. Vários pesquisadores em meados de 1. Há. em 1. certa arbitrariedade na conceituação deste tipo de material. 130 . a tenacidade deve ser levado em conta nos projetos nas quais os mesmos podem ser submetidos a impactos. Losekann Direitos autorais reservados O comportamento dos plásticos ao impacto é também bastante variável e fortemente dependente da temperatura e. bonecas. e que denominou de Celulóide. cuja superfície detinha a impressão exata do fundo da autoclave. principalmente. estudando a polimerização e condensação. geralmente de origem orgânica. com isso. em algum estágio de sua fabricação adquiriram condição plástica. 12. Quanto à resistência à fadiga.870. portanto. sendo distintos dos materiais de ocorrência natural (como madeira.862. areia ou minérios). ele acelerou o processo em autoclave a uma temperatura de 200 o C. dentaduras artificiais. criando um produto que se tornou economicamente viável.3 . durante o momento de sua moldagem.

misturas e versões quimicamente modificadas. Poliolefinas comuns Polímero Polietileno Polipropileno Policloreto de vinila Polistireno Abreviatura PE PP PVC PS Radical X 131 .1 . ampliam o número de materiais plásticos disponíveis ao usuário. Alílicos vinílicas) 4. Poliuretanos 12. Polialômeros 14. Poliésteres 18. Cláudio R. Polioximetilênicos 9. Os copolímeros. gerando novos produtos. Dr. Polifenilênicos 15. Celulósicos 8. Losekann Direitos autorais reservados As borrachas naturais ou sintéticas possuem características que se assemelham aos plásticos.15 – Fórmula geral da poliolefina. e “n” indica o grau de polimerização. Policarbonatos 3. Há mais de quarenta famílias de termoplásticos e dez diferentes famílias básicas de termoestáveis entre os plásticos mais comuns de uso em engenharia. Fenólicos 13. Figura 12. onde “X” representa um radical monovalente que caracteriza a resina. Técnicas de irradiação com ultravioleta. Poliimidas 6. derivados de um mesmo plástico básico. Polissulfonas 12.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Epoxídicos 10.3. Aminoplásticos 7. O quadro abaixo mostra alguma das poliolefinas mais comuns e seus radicais.POLIOLEFINAS A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos é representada pela figura ao lado. e outras técnicas. Os plásticos mais comuns em engenharia podem ser dividas em 19 famílias que são: 1. Fluoroplásticos 11. Silicones 16. mas também possuem características próprias que as distinguem dos mesmos e por isto são denominados de elastômeros. Poliolefinas (resinas 2. Éteres poliarílicos 19. permitem alterar consideravelmente o comportamento de certos polímeros. Poliamidas 17. O uso de diferentes tipos de aditivos gera uma variedade de produtos distintos. Acrílicos 5.

obtêm-se o polietileno de baixa densidade (0.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 .6 GPa Resistência ao impacto: 150 .5 % Coeficiente de Poisson: 0. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Poliacetato de vinila PVAC Polibuteno-1 PBT Poli-4-metilpenteno. etc. Fornecedor: Ipiranga Química IPQ.080 (J/m. termoformagem.91 a 0. Limite elástico: 20 .40 MPa 132 .46 GPa Módulo de elasticidade: 0.200 (J/m. obtêm-se o polietileno de alta densidade (0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. filmes para embalagens. extrusão ou sopro. O polietileno de peso molecular ultra elevado (PELUAPM) é caracterizado pela sua elevada viscosidade à fusão. tanques de combustível para veículos automotores. Polialden. para PEAD de baixa massa molar. não sendo adequado para os processos de injeção e extrusão.2 .28 (MPa) Tenacidade a ruptura: 2. Polytech. Sob pressões elevadas (1. usinagem. notação Izod). para PEAD de alta massa molar. notação Izod).93) [moléculas bastante ramificadas].PMP 1 Álcool polivinílico PVAL O polietileno (PE) é um termoplástico tenaz usado na fabricação de diversos brinquedos.(CH2)n .8 – 1. O polietileno de média densidade (0.4 MPa.000 a 2. cabos e cordas para empacotamento. Processos: injeção. sopro. Dr.m1/2 Tensão de escoamento: 23 – 33.4 – 0.D 70 Shore Módulo de cisalhamento: 0.42 Dureza: D60 . outros.3 – 0.945) é obtido sob condições intermediárias. isolantes flexíveis para cabos elétricos e recipientes produzidos por injeção. Aplicações: embalagens finas.000 atm) e temperaturas na faixa de 100 a 300 oC.3 – 1.96) [moléculas longas lineares]. 025 . OPP.1 MPa Tensão de compressão: 30 . extrusão. moldes para injeção canos e tubos. Com pressões menores ( < 30 atm) e temperaturas de 40 a 150 oC. Polietileno de Alta Densidade – PEAD .945 a 0.93 a 0.

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Propriedades térmicas Calor específico: 2.200 J/kg Dilatação térmica: 100 - 120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,45 – 0,52 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 160 - 165 K Temperatura máxima de serviço: 340 - 370 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,01(%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,941 – 0,965 gf/cm3 Índice de refração: 1,54 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,3 – 2,4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1015 ohm.m) Polietileno de Baixa Densidade – PEBD - (CH2)n. Aplicações: embalagens de alimentos e de produtos de limpeza, sacos de lixo, sacolas plásticas, plasticultura. Processos: injeção, sopro, laminação, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Ipiranga Química, OPP, PPH. Propriedades mecânicas Ductilidade: 3,5 - 4 % Coeficiente de Poisson: 0,43 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,28 – 0,3 Dureza: D41 - D46 Shore Módulo de cisalhamento: 0,05 – 0,09 GPa Módulo de elasticidade: 0,1 – 0,25 GPa Resistência ao impacto: Não quebra. Limite elástico: 6 - 10 MPa Tenacidade a ruptura: 2 – 2,3 MPa.m1/2 Tensão de escoamento: 6,9 – 15,9 MPa Tensão de compressão: 15 - 25 MPa Tensão de ruptura por tração: 10 - 25 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.950 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 180 - 200 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,29 – 0,35 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 180 - 185 K Temperatura máxima de serviço: 323 - 363 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,015 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,91 – 0,93 gf/cm3 Índice de refração: 1,51 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,25 – 2,35 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1013 ohm.m) 133

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Polietileno tereftalato – PET - (OOC-C6H4-COO-(CH2)2)n. Aplicações: garrafas de refrigerante, escovas. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, spray, outros. Fornecedor: Rhodia, Du Pont, Bayer, Hoechst, GE, RhônePoulenc Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,65 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,38 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,2 – 0,4 Dureza: 140 - 210 MPa Módulo de cisalhamento: 0,83 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,2 – 3,5 GPa Resistência ao impacto: 15 - 35 (J/m; notação Izod) Limite Elástico: 50 - 72 MPa Tenacidade a Ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 65 - 90 MPa Tensão de ruptura por tração: 50 - 80 MPa Propriedades Térmicas Calor específico: 1,40 – 1,60 (103 J/kg.K) Dilatação térmica: 50 - 80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,15 – 0,34 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 340 - 345 K Temperatura máxima de serviço: 388 - 430 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,1 – 0,15 % Densidade: 1,32 – 1,38 gf/cm3 Índice de refração: Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3,6 (106 F/m, 23 oC) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1013 ohm.m) O polipropileno (PP) - (CH2-CH-CH3)n - é um plástico de características similar ao do polietileno, sendo a densidade menor (0,905) com maior resistência ao calor. A temperatura de amolecimento é de 160 oC, conferindo elevada cristalinidade (como os polietilenos de alta densidade) e conseqüentemente boa resistência mecânica. Aplicações: fibras para tapetes, tecidos, embalagens, sacolas, garrafas, pás de ventiladores, cabos de ferramentas e talheres, cadeiras de piscinas, pedais de aceleradores, componentes automotivos. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, usinagem, outros. Fornecedor: Amoco, Chemicals, Exxon, Fina, Phillips, Rexene, Soltex, Thermofil, OPP, Elf Atochen, Ipiranga Química, IPQ, Polibrasil. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,1 – 0,3 Dureza: 80 - 100 MPa 134

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Módulo de cisalhamento: 0,5 – 0,6 GPa Módulo de elasticidade: 1 – 1,6 GPa Resistência ao impacto: 50 - 80 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 28 - 33 MPa Tenacidade a ruptura: 1,9 – 2,1 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 25 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.920 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 80 - 150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,16 – 0,24 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 260 - 270 K Temperatura máxima de serviço: 370 - 380 K Temperatura mínima de serviço: 150 - 200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,02 – 0,03 % Densidade: 0,9 – 0,91 gf/cm3 Índice de refração: 1,49 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,26 – 2,.4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1014 ohm.m) Óxido de Polipropileno - PPO (Polipropileno-eter blenda poliestireno) (CH2-OHOCH3)n-(CH2-CH-C6H4)m . Aplicações: bases de medidores elétricos, paralamas e outros painéis exteriores de automóveis. Processos: injeção, termoformagem, usinagem, outros. Taxa de reciclagem: 0.3 - 0.35 Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,5 – 0,7 % Coeficiente de Poisson: 0,35 – 0,4 Coeficiente de atrito: 0,33 – 0,36 Dureza: 120 - 180 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 – 0,9 GPa Módulo de elasticidade: 2,4 – 2,5 GPa Resistência ao impacto: 120 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 40 - 60 MPa Tenacidade a ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 90 - 105 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 - 75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.600 – 2.000 J/kg.K Dilatação Térmica: 60 - 70 (10-6/K) Condutividade Térmica: 0,16 – 0,22 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 208 - 238 K Temperatura máxima de serviço: 360 - 390 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K

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Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,25 % Densidade: 1,06 – 1,08 gf/cm3 Flamabilidade: péssima Constante dielétrica: 2,6 – 2,7 (106 F/m) Resistividade: 1,0 - 10 (1015 ohm.m) O policloreto de vinila (PVC) - (CH2-CH-Cl)n - e seus copolímeros é um dos mais importantes termoplásticos sintéticos em uso. A resina deste plástico é dura e rígida, mas com introdução de modificadores permite amolecimento em qualquer grau desejado. Tem como principal característica a resistência à combustão e dureza, mas tem baixa resistência ao ataque de solventes orgânicos clorados. Aplicações: Telhas translúcidas, divisórias, portas sanfonadas, persianas, perfis, tubos e conexões para esgotos e ventilação, esquadrias, molduras para tetos e paredes. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, usinagem, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Goldplast, Polymerpar, Trikem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,1 – 3 % Coeficiente de Poisson: 0,37 – 0,43 Dureza: R110 Módulo de cisalhamento: 0,7 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,5 – 3,8 GPa Resistência ao impacto: 50 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 23 - 52 MPa Tenacidade a ruptura: 1 - 4 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 32 - 80 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 - 70 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.000 – 1.100 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 95 10-6/K Condutividade térmica: 0,13 – 0,25 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 350 - 355 K Temperatura máxima de serviço: 348 - 365 K Temperatura mínima de serviço: 240 - 245 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 1,34 – 1,52 gf/cm3 Índice de refração: 1,52 - 1,55 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,7 – 3,3 (106 F/m) Resistividade: 3.,16 – 10,0 (1013 ohm.m)

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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O polistireno (PS) - (CH2-CH-C6H5)n - é um plástico que tem como característica principal a elevada resistência à água, dimensionalmente estável e boa moldabilidade. É usado na fabricação de componentes de geladeiras, conexões e assentos para vasos sanitários, brinquedos e determinadas carcaças de aparelhos. Pode ser moldado por injeção, termoformagem, moldagem química e extrusão. PS expandido: forros, isolamento acústico, térmico e caixas. O isopor é uma forma de espuma que bolhas pequenas de gás reduzem a densidade de 2 a 3% do valor original. Fornecedor: Pepasa, Ipubrás Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,015 – 0,02 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,25 – 0,3 Dureza: 90 - 120 MPa Módulo de cisalhamento: 1 – 1,2 GPa Módulo de elasticidade: 2,9 – 3,3 GPa Resistência ao impacto: 20 - 25 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 30 - 32 MPa Tenacidade a ruptura: 0,8 – 0,9 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.200 – 1.440 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 100 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,12 – 0,17 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 360 - 380 K Temperatura máxima de serviço: 355 - 368 K Temperatura mínima de serviço: 200 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,07 % Densidade: 1,04 – 1,06 gf/cm3 Índice de refração: 1,59 - 1,60 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,55 – 2,65 (106 F/m) Resistividade: 6,31 – 15,8 (1013 ohm.m) O polibuteno-1 ou polibutileno tereftalato (PBT) - (OOC-C6H4-COO-(CH2)4)n - pode apresentar com diferentes arranjos estruturais, que afetam substancialmente a resistência mecânica (tração e dureza). A temperatura de moldagem está na faixa de 165 a 180 oC. Aplicações: Embalagens, circuitos. Processos: injeção, extrusão, usinagem, outros. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1,5 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,35 - 0,4 Coeficiente de atrito: 0,25 - 0,3 Dureza: 105 - 165 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 - 0,85 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2,3 GPa 137

2 .125 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 .32 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 3.POLICARBONATOS São derivados do bisfenol A e do ácido carbônico.08 – 0.320 K Temperatura máxima de serviço: 390 .4 (103 F/m) Resistividade: 1.(O-C6H4-C-(CH3)2C6H4-O-CO)n.3 – 1. Losekann Direitos autorais reservados Resistência ao impacto: 40 . Poli-4-metilpentano-1 (PMP) tem grande aplicação na fabricação de embalagens plásticas para aquecimento em microondas.2 MPa. PC . Caracteriza-se por apresentar alta transparência.00 – 2.60 – 2. mas insolúvel em muitos solventes orgânicos.59 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. boas propriedades elásticas e temperatura de amolecimento acima de 200 oC.3 .2 . adesivos e tintas de secagem rápida. Izod) Limite elástico: 35 .55 (J/m. 12.K) Temperatura de transição vítrea: 310 . 138 . Álcool polivinílico (PVAL) é solúvel em água. é usado na preparação de colas e agentes separador em moldagem de peças de plásticos para evitar a adesão da resina ao molde.395 K Temperatura mínima de serviço: 140 .m1/2 Tensão de escoamento: 97 MPa Tensão de compressão: 100 .09 % Densidade: 1.00 (1012 ohm.3. Dr.00 ( 103 J/kg.150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.55 MPa Tenacidade a ruptura: 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. por isto.m) Poliacetato de vinila (PVAC) é bastante usado em películas de papéis e tecidos.

100 (1012 ohm.2 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.9 (GPa) Resistência ao impacto: 400 .20 – 1.75 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.7 % Densidade: 1. Tem boas propriedades elétricas e mecânicas e estabilidade dimensional. Dr. Cláudio R.m) 139 . Mauá.30 (103 J/kg. Apresentam temperaturas de amolecimento acima de 200 oC.95 – 1.K) Dilatação térmica: 40 .120 MPa Tensão de ruptura por tração: 56 . extrusão. Figura 12. vitrines. termoformagem. Bayer Polímeros.44 Coeficiente de atrito: 0.584 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2. Compact Disc. Uniflon.65 MPa Tenacidade a ruptura: 3 – 3. divisórias .22 W/m.05 GPa Módulo de elasticidade:2 . recipientes para filtros.425 K Temperatura máxima de serviço: 385 .3 MPa.3 Dureza: 150 .2 – 1. notação Izod) Limite elástico: 55 . Fornecedor: Allcolor.180 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Re Plas.700 (J/m.1 (106 F/m) Resistividade: 1 . outros. Petropol. Processos: injeção.9 – 3. componentes de interiores de aviões. Quimpetrol.2. coberturas translúcidas.3 % Coeficiente de Poisson: 0. usinagem.150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.K Temperatura de transição vítrea: 420 .68 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.22 gf/cm3 Índice de refração: 1.390 K Temperatura mínima de serviço: 140 .m1/2 Tensão de escoamento: Tensão de compressão: 100 . Usado em instrumentos cirúrgicos. Losekann Direitos autorais reservados A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos de origem dos poliésteres é representada pela figura ao lado. etc. garrafas de água. GE Plastic.14 – 0. aparelhos elétricos.65 – 0.16 – Fórmula policarbonato Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 1.39 – 0.

ACRILICOS São plásticos que constituem uma subclasse de poliolefínicas que tem grande aplicação de uso doméstico e industrial. Figura 12.m1/2 Tensão de compressão: 45 .3 .8 – 1. poliacrilonitrilo (PAN) e copolímeros do acrilonitilo como acrilonitrilo-budadieno-estireno (ABS) e o estireno-acrilonitrilo (SAN).06 % Coeficiente de Poisson: 0. Com excelente estabilidade dimensional e alta resistência elétrica.280 – 1.2 GPa Resistência ao impacto: 20 .43 Coeficiente de atrito: 0.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 38 .3. Dr. lentes.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0.75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. embalagens e painéis de propaganda.6 – 1. usinagem. dependendo do metal adicionado.220 MPa Módulo de cisalhamento: 0.8 – 3.325 K Temperatura mínima de serviço: 150 .21 W/m.450 J/kg.K Temperatura de transição vítrea: 370 . quando adicionado pós de metais nobres torna-se material condutor elétrico ou magnético.3. Geralmente são moldadas a partir de pós misturados com catalisador.K Dilatação térmica: 62 .4 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.03 – 0.22 (J/m.4 . notação Izod) Limite elástico: 35 .13 – 0. É usado para produção de dentaduras (resina de dentista). é um produto não cristalino com boas propriedades óticas.ALÍLICOS São plásticos termoestáveis. Cláudio R. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.200 K 140 . O polimetacrilato de metila . cuja resina mais importante é o dialil-ftalato (DAP). Processos: injeção.4 – 0. As resinas mais importantes desta família são: polimetacrilato de metila (PMMA).105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Losekann Direitos autorais reservados 12. réguas. cuja fórmula está abaixo. outros.375 K Temperatura máxima de serviço: 320 .3 MPa.5 Dureza: 100 .(CH3-CH2-C-COOCH3)n -.17 – Polimetacrilato de metila. 12. entretanto.2 GPa Módulo de elasticidade: 1.

O ABS é um polímero que apresenta três meros com seus respectivos graus de polimerização.47 – 0.Aplicações: Gabinetes e caixas domésticas. Processos: injeção.09 % Coeficiente de Poisson: 0. usinagem.4 % Densidade: 1.15 – 1.2 – 0.m) O poliacrilonitrilo.48 MPa 141 . batedeiras e liqüidificadores.38 – 0.6 – 3.7 GPa Resistência ao impacto: 200 .18 – Poliacrilonitrilo.2 (106 F/m) Resistividade: 2 – 15.4 MPa.06 – 0. aspiradores de pó.m1/2 Tensão de compressão: 60 . ABS . cuja fórmula segue abaixo. Apresenta estabilidade dimensional.7 – 0.100 MPa Tensão de ruptura por tração: 36 .19 – ABS. notação Izod) Limite elástico: 27 .8 – 2. Uns dos principais usos deste plástico são na confecção de cordas e tecidos náuticas que podem ser combinados com o algodão.400 (J/m.2 gf/cm3 Índice de refração: 1.52 Dureza: 70 . Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.140 MPa Módulo de cisalhamento: 0. com faixa de temperatura de – 40 oC e 115 oC.5 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.alto impacto . pode ser cristalizado fornecendo uma fibra sintética muito resistente mecanicamente e quimicamente.55 MPa Tenacidade a ruptura: 3 .8 (1013 ohm. Figura 12. Figura 12. caixas de televisão. box para chuveiros. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0.42 Coeficiente de atrito: 0.95 GPa Módulo de elasticidade: 1. telefones. Cláudio R. Dr. resistência química e elétrica. outros. Usado também com aditivo para o PVC e borrachas sintéticas.

48 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.3 – 0.42 Coeficiente de atrito: 0. aspiradores de pó.95 GPa Módulo de elasticidade: 2.9 (106 F/m) Resistividade: 6.38 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 55 .45 MPa Tenacidade a ruptura: 2.m) ABS . Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.48 – 0.360 K Temperatura máxima de serviço: 358 . Processos: injeção. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.m) 142 .Aplicações: gabinetes e caixas para objetos domésticos.K Temperatura de transição vítrea: 370 . caixas de TV.85 – 0.8 – 2. Cláudio R.52 Dureza: 100 .K Dilatação térmica: 70 .22 W/m.14 – 0.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.3 % Densidade: 1.9 – 3.2 – 0.00 (1014 ohm.médio impacto .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.04 – 1. telefones. banheiros.8 (1013 ohm.9 GPa Resistência ao impacto: 70 .07 – 0.375 K Temperatura máxima de serviço: 340 .60 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 .4 – 2.370 K Temperatura mínima de serviço: 150 .530 J/kg.1 gf/m3 Constante dielétrica: 2.510 J/kg.31 – 15.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.80 J/m Limite elástico: 40 .K Temperatura de transição vítrea: 350 .14 – 0.06 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.4 MPa.02 – 1.9 (106 F/m) Resistividade: 1. usinagem.85 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. outros.32 % Densidade: 1. Dr.350 K Temperatura mínima de serviço: 150 .2 W/m.5 – 2.K Dilatação térmica: 80 .500 – 1.500 – 1.12 % Coeficiente de Poisson: 0.

8 (1013 ohm. copos de liquidificadores e bobinas para computadores.3 Dureza: 160 . placas de circuitos impressos.4 Coeficiente de atrito: 0.85 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. rolamentos.17 W/m.25 – 0. Fornecedor: Nitriflex .365 K Temperatura mínima de serviço: 200 . mancais.4 GPa Módulo de elasticidade: 3. copos.37 – 0.POLIIMIDAS Apresentam temperatura de fusão cristalina elevada que só podem ser moldados por processos especiais. Processos: injeção.350 K Temperatura máxima de serviço: 360 . notação Izod) Limite elástico: 65 .24 – 0.80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. assentos de válvula. dureza e estabilidade dimensional ao aquecimento.K Dilatação térmica: 50 . usinagem. seringas médicas.m) 12. Boas propriedades mecânicas em temperaturas elevadas (450 oC) em curtos intervalo de tempo. peças de motores.2 – 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. anéis de pistão.8 .200 MPa Módulo de cisalhamento: 1. Cláudio R. 143 .022 – 0.6 GPa Resistência ao impacto: 20 .08 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3. Por isto são usados na forma de blocos para usinagem e forjamento. adesivos.22 (J/m.1 MPa.05 % Coeficiente de Poisson: 0.5 . corpos para isqueiros.2 – 3.K Temperatura de transição vítrea: 340 . Dr.220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.06 – 1.m1/2 Tensão de compressão: 80 .3.13 – 0. divisões para geladeiras. isolantes elétricos.31 – 15. Figura 12. Losekann Direitos autorais reservados O SAN apresenta alta resistência mecânica. outros.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0.500 J/kg.20 – SAN. peças para aspiradores e umidificadores. Fabricação de engrenagens.300 – 1.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 65 .26 % Densidade: 1.1 (106 F/m) Resistividade: 6. Aplicações: lentes para instrumentos.

85 (J/m.21 – Poliimida.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.19 – 0. Fornecedor: Du Pont.m1/2 Tensão de compressão: 80 .210 MPa Módulo de cisalhamento: 0. quando moléculas se interencadeiam formando estrutura tridimensional. notação Izod) Limite elástico: 52 .45 Coeficiente de atrito: 0.100 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. onde inicialmente se formam moléculas lineares e posteriormente é desenvolvida a reação de cura.20 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.65 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.140 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .(N-(CO)2-C6H2-(CO)2-N-C6H4)n São termoplásticos obtidos pela reação de um dianidrido aromático com uma diamina.32 – 1. 23oC) Resistividade: 1 – 10 (1013 ohm.95 – 1. aditivos na indústria de papel]. Losekann Direitos autorais reservados (PI) .AMINOPLÁSTICOS Tem reação similar a das resinas fenólicas.85 GPa Módulo de elasticidade: 2.590 K Temperatura mínima de serviço: 3 . Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. usinagem.05 – 0.08 % Coeficiente de Poisson: 0.42 W/m.480 K Temperatura máxima de serviço: 520 . melamina-formaldeído (MF) [produção de louças] e anilinaformaldeído (AF) [blocos e faixas terminais de circuitos elétricos]. cuja formula geral é dado ao lado. Cláudio R.03 – 0.3.120 – 1. Os principais plásticos desta família são: uréia-formaldeído (UF) [artigos de iluminação.4 – 0.6 (106 F/m.1. outros. Ensinger. Figura 12. Dr.5 – 4. 144 .m) 12.38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.130 J/kg.6 .8 GPa Resistência ao impacto: 75 .1 – 0.4 – 0.45 Dureza: 195 . Processos: injeção.5 – 2.15 % Densidade: 1. extrusão.5 MPa.K Temperatura de transição vítrea: 470 .K Dilatação térmica: 32 . Taxa de reciclagem: 0.72 MPa Tenacidade a ruptura: 1.

12. acetato de celulose. É empregado na forma de pós para injeção.. Etil-celulose (EC) – É um termoplástico utilizado para situações que deve ocorrer impactos. Apresenta um elevado índice de cristalinidade. 12. acetobutirato de celulose e etil-celulose. Utilizado para fabricação de bolas de tênis de mesa. elevada resistência à tração (70 MPa) e rigidez à flexão.000).000. Há vários tipos de radicais.3.3. excelente desempenho à fadiga e estabilidade dimensional. Os adesivos epoxídicos dão ligações extremamente fortes de metal com metal. etc.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.CELULÓSICOS São polímeros naturais encontrado na madeira. Losekann Direitos autorais reservados 12. palha. obtendo-se plásticos explosivos que deve-se ter cuidado na moldagem. cita-se o nitrato de celulose. além de serem empregadas em vernizes de acabamento. películas para embalagens e filmes fotográficos de segurança. Dr. Cláudio R.8 . Devido as suas ligações transversais. Um dos plásticos encontrados no comércio é o acetato. que possui moléculas grandes (n = 5. e após sua purificação. Acetato de celulose (CA) – É obtido do tratamento da celulose com ácido e anidro acéticos. devido a excelente tenacidade.EPOXÍDICOS São polímeros que se completam com agentes de cura (catalisadores).3. é usado na fabricação de brinquedos.9 . Da extração da madeira. que podem ser moldados por injeção ou extrusão. ( -CH2-O-)n. 145 . Nitrato de celulose (CN) – Obtido do tratamento da celulose com ácido nítrico. resultando da reação da celulose química com misturas de anidridos acético e butírico. com n = 1. O grau de nitratação pode ser variado. É a mistura da resina de epoxeto com agente de cura aminado. Aceto-butirato de celulose (CAB) – É um éster misto da celulose. algodão. Menos denso e mais resistente que o acetato de celulose à intempéries do tempo. que é matéria prima para muitas resinas.7 . é obtida a celulose química. Sem os problemas do anterior como sensibilidade à temperatura e facilidade a combustão. Apresenta boa resistência a abrasão. sua moldabilidade é dificultada. entre as quais.POLIOXIMETILÊNICOS (POM) – Polímeros lineares do formaldeído.

11 – 0.3 – 0.22 – Fórmula do teflon.180 (J/m. Propriedades mecânicas Ductilidade: 2. gaxetas. tenaz e flexível.90 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Petropol. revestimento de pára-quedas.m1/2 Tensão de compressão: 30 . isolante elétrico. Uniflon. extrusão.5 . notação Izod) Limite elástico: 15 .m) 146 .60 MPa Tensão de ruptura por tração: 15 . transformadores isolados. ICI.015 % Densidade: 2.K Temperatura de transição vítrea: 293 . válvulas.40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.(CF2)n . torna-se amorfo.000 – 1. resistência a temperatura elevada. Dois tipos são de maior uso: Politetrafluoretileno (PTFE) .3 MPa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.K Dilatação térmica: 100 . Du Pont. Incopol. É altamente cristalino com elevada resistência ao calor. spray. apoio para pontes e tubulações.295 K Temperatura máxima de serviço: 510 . Hoechst.530 K Temperatura mínima de serviço: 10 .150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.15 Dureza: 75 . Losekann Direitos autorais reservados 12.44 – 0.7 GPa Resistência ao impacto: 160 .47 Coeficiente de atrito: 0. Fornecedor: Enro.5 .1(106 F/m) Resistividade: 1. Dr. Cláudio R.0 (1016 ohm. embalagens. Processos: injeção. Figura 12.35 Flamabilidade: excelente Constante dielétrica: 2 – 2. revestimento para panelas e ferros de passar. Aplicações: Vedações hidráulicas (herméticas para condensadores).00 – 10. Apresentam boa estabilidade química. Mauá. Temperado a 3300 oC.010 J/kg. mas apresentam baixa resistência mecânica. baixo coeficiente de atrito e excelentes propriedades dielétricas.3.O PTFE foi descoberto em 1938 por um químico da Du Pont e patenteado em 1941 sob a marca registrada de TEFLON. outros.05 – 0.FLUOROPLÁSTICOS São polímeros termoplásticos com o elemento mais ativo flúor. transparente.10 .25 W/m.18 gf/cm3 Índice de refração: 1.24 GPa Módulo de elasticidade: 0.3 % Coeficiente de Poisson: 0.20 (K) Propriedades físicas Absorção de água: 0.19 – 0.01 – 0. anti-aderente.1 – 2.30 MPa Tenacidade a ruptura: 2.

equipamentos elétricos e mecânicos. Exigem temperaturas da ordem de 350 a 400 oC para o processamento. soldas eletrônicas. Processos: moldagem química. A moldagem se dá a 260 oC. suas propriedades podem ser melhoradas ainda com carga de fibra de vidro. estabelecendo as reações transversais entre as moléculas. papel ou tecido picado. com temperatura de trabalho até 130 oC.25 – Fenólicos. intempéries. outros. Dr. 12. podendo ser então removida do molde.3. na qual se adicionam cargas. fazendo com que o formaldeído gerado reaja com a resina.12 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Usa-se.POLISULFONAS São produzidos através de uma série de reações entre o bisfenol A e a 4-4diclorodifenilsulfona. que nas condições de 160 oC de temperatura e 72 kgf/cm2 se decompõem em formaldeído e amônia. A resina inicialmente se geleifica e posteriormente se torna dura e infusível. A cura é desencadeada pela adição de hexametileno tetramina (C6H12N4). Figura 2. Cláudio R.11 . resistentes e dimensionalmente estáveis. usinagem. pigmentos e lubrificantes específicos de acordo com cada aplicação. como carga de reforço. Aplicações: Condensadores eletrolíticos. geralmente serragem. Podem ser soldados por pulsos de calor ou por ultra-som.Polisulfona Como termoplásticos rígidos. sua resina pura resulta da reação do formaldeído com o fenol e tem a fórmula estrutural como segue: Figura 12.FENÓLICOS Também conhecido como baquelite.3. Losekann Direitos autorais reservados policlorotrifluoretileno (PCTFE) – É resistente à umidade.24 . 147 . 12. com a seguinte fórmula geral: Figura 12. especialmente em cinzeiros e caixas de instrumentos. Este último funciona como catalisador. terminais para lâmpadas fluorescentes.23 – PCTFE. ataques de solventes e à inflamação. Essa resina pura é moída a um pó fino.

45 Coeficiente de atrito: 0.01 – 0.250 – 1.16 – 0. Tem tido aplicações em recobrimento termicamente estáveis em conexões e tubulações industriais. filmes e placas.110 MPa Módulo de cisalhamento: 2. O polisulfeto de fenileno (PPS) que apresenta elevada resistência química e resistência mecânica à tração.460 J/kg.9 % Densidade: 1.8 – 1. 12. mas com melhor desempenho a temperaturas baixas.3. Usados em conexões hidráulicas. Cláudio R. O polióxido de fenileno (PPO) que apresenta boa estabilidade dimensional e propriedades mecânicas e elétricas e notável estabilidade hidrolítica. Há duas resinas que tem grande importância comercial. Dr.5 GPa Módulo de elasticidade: 6 – 9.m) 12.3 MPa.50 MPa Tenacidade a ruptura: 0.4 – 0. Seu uso tem destaque nos utensílios domésticos e instrumentos cirúrgicos. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. 148 .3.425 K Temperatura mínima de serviço: 180 .420 K Temperatura máxima de serviço: 415 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.70 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 .K Temperatura de transição vítrea: 400 .50 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.00 .8 – 0.POLIFENILÊNICOS São termoplásticos de base fenólica.5 GPa Resistência ao impacto: 24 .3 – 0.14 . notação Izod) Limite elástico: 40 .13 – POLIALÔMEROS São variedades de poliolefinas que apresentam um comportamento intermediário ao polietileno de alta densidade e ao polipropileno.K Dilatação térmica: 30 .5 Dureza: 60 .44 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.m1/2 Tensão de compressão: 50 .38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 7 – 9 F/m Resistividade: 1.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. caixas para ferramentas com dobradiças integrais.36 W/m.02 % Coeficiente de Poisson: 0.100 (1010 ohm.24 – 1. onde se utiliza vapor de água para esterilização.2 – 3.25 (J/m.

NYLON 6 . o náilon 610.(NH-(CH2)5CO)n . Dentre os vários náilons encontrados no comércio. neste tipo de polímero o Si tem substituído o C. Cláudio R. resistência ao impacto e elevada resistência a abrasão. quatro recebem grande importância: o náilon 66.15 – 0.9 gf/cm3 Flamabilidade: boa Constante dielétrica: 44 .200 K Temperatura máxima de serviço: 510 . em buchas para fixação.00+22 (10-8 ohm.K Dilatação térmica: 55 .15 . fazendo com que os compostos assim obtidos sejam similares aos carbonados.3 MPa. Este efeito é obtido através da ligação ( ≡ Si – O – ). etc.150 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 .100 K Propriedades físicas Densidade: 1. Propriedades mecânicas Ductilidade:0. cobertas de proteção contra a abrasão e resistentes ao tempo. hidrocarbonetos e ésteres. mas com melhor resistência ao calor e ao ar. Pode ser usados como vernizes.Aplicações: Como reforço nas telhas plásticas de fibra.70 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.SILICONES Há vários tipos de plásticos e elastômeros onde o mero não é o principal elemento de construção. borrachas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.4 Módulo de cisalhamento: 1 – 1. outros.8 GPa Limite elástico: 27 . mas são amolecidos por álcoois.540 K Temperatura mínima de serviço: 90 . dobradiças. Resistem a ação do óleo. Processos: injeção. contração das palavras New York – London. películas.37 – 0.45 – 1. engrenagens.K Temperatura de transição vítrea: 150 .280 J/kg.16 .3 GPa Módulo de elasticidade: 3 . Dr.m1/2 Tensão de compressão: 40 .3. SILICONE RÍGIDO (SIL) .46 MPa Tenacidade a ruptura: 0.46 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.3 W/m.POLIAMIDAS (PA) – São termoplásticos desenvolvidos pela Du Pont e são mais conhecidos como náilons (Nylon).46 106 F/m Resistividade: 1.025 % Coeficiente de Poisson: 0.1.015 – 0. óleos lubrificantes. náilon 6 e náilon 11. válvula de 149 .6 – 1.((CH3)2 SiO)n . glicóis e água. compostos deste tipo tem fórmula geral RSiO e são conhecidos como silicones.m) 12.00+21 . Apresentam elevada resistência à tração.1.3. usinagem. ou seja.Aplicações: é utilizado em cápsulas de componentes eletrônicos.050 . Losekann Direitos autorais reservados 12.

Aplicações: tecidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.m1/2 Tensão de compressão: 58 .53 (J/m.8 GPa Resistência ao impacto: 32 .39 – 0. notação Izod) Limite elástico: 38 . Rhodia. Quimpetrol. termoformagem.65 % Coeficiente de Poisson: 0.15 gf/cm3 Índice de refração: 1.5 MPa. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.26 W/m.38 – 0.8 GPa) Resistência ao impacto: 43 .230 K Propriedades físicas Absorção de água: 1. outros. Du Pont.120 MPa Módulo de cisalhamento: 0.38 – 0. extrusão.53 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.160 MPa Módulo de cisalhamento: 0. extrusão.46 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.40 MPa Tenacidade a ruptura: 2.16 .m) NYLON 66 . usinagem.86 MPa 150 . Losekann Direitos autorais reservados regulagem de assento.2 – 0. mancais.42 Coeficiente de atrito: 0. outros.4 – 1.58 MPa Tenacidade a ruptura: 1.3 Dureza: 100 .K Dilatação térmica: 95 .3 – 2.62 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .5 . notação Izod) Limite elástico: 56 . carenagens.13 – 1. Pepasa.400 . Dr.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 – 42 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.3 Dureza: 140 . Cláudio R.600 J/kg.6 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 320 .m1/2 Tensão de Compressão: 40 .58 – 0.330 K Temperatura Máxima de Serviço: 370 .6 – 3.2 MPa.8 (106 F/m) Resistividade: 3.6 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0. Processos: injeção.22 – 0. usinagem. Fornecedor: Bayer Polímeros. engrenagens.2 – 2. Processos: injeção.53 (J/m.2 – 0.10 (1010 ohm.79 GPa Módulo de elasticidade: 2.(NH-(CH2)6-NH-CO(CH2)4CO)n .6 % Densidade: 1.1.420 K Temperatura Mínima de Serviço: 225 .42 Coeficiente de atrito: 0.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.

K Temperatura de transição vítrea: 360 .3 Dureza: 120 .13 – 1.95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.95 GPa Resistência ao impacto: 50 .32 – 0.31 – 12..K Dilatação térmica: 95 .9 – 0.51 MPa Tenacidade a ruptura: 1 – 1.25 W/m.m) NYLON 11 .03 – 1.31 .2 – 0.700 J/kg.38 – 0.3 – 0.(NH-(CH2)10CO)n Propriedades mecânicas Ductilidade: 3.6 (106 F/m) Resistividade: 6.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.450 K Temperatura mínima de serviço: 235 .365 K Temperatura máxima de serviço: 380 .3 – 3.8 – 1.58 MPa Tensão de ruptura por tração: 51.4 % Densidade: 1.240 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.29 W/m.m1/2 Tensão de compressão: 51.42 Coeficiente de atrito: 0.90 (J/m.20 (1010 ohm.6 (10-6 F/m) Resistividade: 6. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.K Temperatura de transição vítrea: 330 .05 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3. notação Izod) Limite elástico: 49 .650 – 1.400 K Temperatura mínima de serviço: 220 . Dr.6 % Densidade: 1.400 – 1.K Dilatação térmica: 80 .1 – 3.6 (1011 ohm.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Cláudio R.350 K Temperatura máxima de serviço: 350 .120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.53 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.600 J/kg.2 % Coeficiente de Poisson: 0.m) 151 .34 GPa Módulo de elasticidade: 0.2 – 0.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.25 – 0.5 MPa.15 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.

dispositivos para quimioterapia. Poliester sulfona (PES) .100 40 .85 3.60 (PU) Ductilidade (%) 0. isolamento térmico de roupas impermeáveis. Fornecedor: Bayer.5 60 .42 0.04 – 0.4 (GPa) Módulo de elasticidade 3.9 (GPa) Resistência ao impacto 85 .7 – 3.70 40 . outros. Fornecedor: Ensinger.8 – 1.3 200 . Brasppoly.4 50 .120 Módulo de cisalhamento 1.0 90 . chapas. filmes.15.03 25 .51 0.4 – 2.(C6H4-SO2-C6H4-O-C6H4-C(CH3)2-C6H4-O)n Aplicações: componentes elétricos.(OOC. em móveis. impelidores.5 (MPa. outros.100 70 .9 82 .86 60 . bolltrade.3 – 0. Poliuretano flexível – PU .2 – 1. outros. instrumentos para medições. Processos: injeção.6 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Taxa de reciclagem: 0.49 – 0.38 – 0.498 0. isolamento em refrigeradores industriais e domésticos.8 – 7. estofamento de automóveis.(O-C6H4-O-C6H4-CO-C6H4)n Aplicações: conectores elétricos. Taxa de reciclagem: 0. isoladores. Losekann Direitos autorais reservados 12.18 – 0. corpos de válvula.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS Polieter-eter-cetona (PEEK) .43 Coeficiente de atrito 0. moldagem química.048 Coeficiente de Poisson 0.9 – 1.2 Dureza (MPa) 100 .2 – 0. tanques de esterilização. Processos: injeção. Cláudio R. polias. assentos. extrusão.3 – 0.3. equipamentos de laboratório. componentes médicos e agrícolas.5 – 4.(CO-NH-R-NH-CO-O-R-O)n Aplicações: esquadrias. revestimento de fios.0 2.C6H4-COO-C6H10)n Aplicações: cubas.8 0. ventiladores.3. correias.100 25 .38 – 0.08 0.3 – 2.100 tração (MPa) 0. revestimentos. BASF.06 0. Processos: injeção.45 0. Poly-urethane.25 – 0.140 0.60 Tenacidade a ruptura 2. (PEEK) Propriedades mecânicas (PES) Poliester rígido 0.002 – 0. ferramentas de cirurgia. células de combustível. usinagem.240 0.60 0.4 45 . Dr.5 – 0.045 – 0. suportes para lâmpadas fotográficas. Processos: injeção. componentes de reatores nucleares. Fornecedor: Autotravi.1 – 0.90 (J/m) Limite elástico (MPa) 55 . extrusão.4 – 0.70 1. Resana.2 0.120 (MPa) Tensão de ruptura por 70 .m1/2) Tensão de compressão 80 .9 45 . Poliester rígido .2 – 0.51 152 . placas de circuitos impressos. molduras.007 – 0. Petropol. outros. usinagem.3 – 2.

31 (1014 ohm.3 1.6 3.38 regular 3.5 – 3.13 – 0.3 200 .23 – 0.m) 0.32 Índice de refração Flamabilidade regular 6 Constante dielétrica (10 3.200 – 1.77 1.100 0.1.0 .5 1.3.25 – 0.58 0.K) Temperatura de 530 .455 160 .1.260 1.170 serviço (K) Propriedades físicas 1.3 1.46 regular 4.165 80 .250 340 .3 F/m) Resistividade 1.650 .6 (1014 ohm.m) 0.1.410 190 . Dr.3 – 1.1 .0.500 1600 50 .360 200 .25 1.200 150 .2 – 0. ao 100 ser submetido a uma Comportamento frágil determinada tensão ou 80 força.02 .5 .1000 10 (10 ohm.5 – 5.2 .15 .5 – 9.700 53 . como característica principal.0 .m) 12. que.55 .165 0. ou seja.16 – 12.250 Absorção de água (%) 0.ELASTÔMEROS Elastômeros são polímeros que tem. o mesmo apresenta um campo de deformação 60 elástico bastante Comportamento dúctil diferenciado dos outros materiais.6 0.530 serviço (K) Temperatura mínima de 150 .280 1.15 – 0.m) (1011 ohm.480 450 .29 – 1.0. o 20 Comportamento elástico material volta as suas dimensões nominais 0 0 6 12 18 24 30 verificadas antes dos Deformação (%) esforços.6 muito ruim 3.30 3 Densidade (gf/cm ) 1. a propriedade de exibir elasticidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.K) Dilatação térmica (10-6/K) Condutividade térmica 0.26 (W/m. após 40 cessado a força ou tensão que a deformou. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico (J/kg.240 – 1.4 .14 – 1.6 350 .540 transição vítrea (GPa) Temperatura máxima de 520 .18 460 .28 – 0.26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros. Cláudio R.6. Figura 12.150 0. Tensão de ruptura à tração (MPa) 153 .410 390 .60 1.

eletricidade e à água. A vulcanização. Losekann Direitos autorais reservados A figura acima mostra situações de comportamento de três polímeros à temperatura ambiente.880. planta da Amazônia que Charles Goodyear descobriu. geralmente. realizado em autoclaves. Dois tipos levaram importância: o buna-S (copolímero de estireno-butadieno) ou SBR e o buna-N 154 . A borracha é elástica. Figura 12. os elastômeros são freqüentemente usados em máquinas e equipamento com objetivo de reduzir vibrações tanto acústica como mecânicas. um material termoestável como o polimetacrilato de metila apresenta um comportamento tão frágil que se assemelha com materiais cerâmicos. Os elastômeros têm sua origem do látex da seiva da seringueira (Hevea brasiliensis). serem ótimos isolantes elétricos. na sua quase totalidade (elastômeros). calor e a muitos óleos e solventes (gasolina. por exemplo. 90% de polisopreno além de polímeros do tipo elastômeros sintéticos. que é um processo termoquímico por enxofre (2 a 4%) a temperatura em torno de 110 oC.931) na Alemanha. Desta forma. as borrachas industriais podem conter 30. resistente à abrasão. Em virtude deste comportamento atípico à tração. A borracha é produto da polimerização do isopreno.27 – Polisopreno. Os índios amazonenses já usavam o látex como elemento de vedação em canoas e em determinados jogos esportivos. que é objeto de estudo nesta seção. mas de comportamento frágil. entretanto. mas as pesquisas em busca de borrachas sintéticas levaram a descoberta do neopreno (1.839.936) nos Estados Unidos da América e da Buna (1. Além de aditivos e cargas. Cláudio R. um segundo apresenta regime elástico e plástico de deformação com comportamento dito dúctil e um terceiro. por acaso em 1. O uso de aceleradores de vulcanização e de antioxidantes ajudou a melhorar as propriedades da borracha natural. 60. Era a descoberta da vulcanização. cujo mero apresenta a fórmula abaixo. mas se altera na presença de luz.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. torna-a mais elástica e insolúvel. materiais termoplásticos parcialmente cristalinos apresentam comportamento dúcteis similares aos aços de baixo carbono e os elastômeros apresentam comportamento atípico. ao deixar cair uma mistura de látex com enxofre sobre uma chapa quente de fogão. São muito poucos os produtos industrializados de borracha pura. etc. querosene. onde um apresenta somente regime elástico de deformação. além de. Todos relativos a ensaios de tração. propriedades elásticas deste material. e por volta de 1. Dr. ingleses passaram a explorar a seringueira cultivando mudas da planta na Indonésia e em Filipinas. apresentando regime elástico de deformação. os materiais poliméricos apresentam comportamento mecânico bastante variável. Com a invenção do automóvel.).

0033 GPa Módulo de elasticidade: 0.200 J/kg.94 (1013 ohm.K Dilatação térmica: 660 .21 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.5 – 3 V/m Resistividade: 5.01 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 12 . bandas de recapagem.000 – 2.675 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.143 – 1.496 Coeficiente de Atrito: 0.6 Dureza: 12 .393 K Temperatura mínima de serviço: 210 . artigos médicoshospitalares e peças para a indústria automotiva.m) Copolímero de etileno propileno – EPDM .28 – SBR.5 – 5 % Coeficiente de Poisson: 0.95 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2. outros. resistência à água.21 MPa Tenacidade a ruptura: 0.94 – 0. mas apresentam melhor resistência a óleos. injeção. Estireno-butadieno – SBR (CH2-C(CH3)-C(CH3)-CH2)n Aplicações: Pneus. à eletricidade.48 W/m. Propriedades mecânicas Ductilidade: 4.21 MPa Módulo de cisalhamento: 0.215 K Temperatura máxima de serviço: 383 . calor e luz.1 – 0.4 – 25.48 – 0.3 MPa. mangueiras. Losekann Direitos autorais reservados (copolímero de butadieno-acrilonitrila). Processos: vulcanização. Cláudio R.09 % Densidade: 0. Propriedades mecânicas 155 . solubilidade em solventes. Dr.K Temperatura de transição vítrea: 210 . Figura 12. solados. Processos: vulcanização. isolantes vibratórios.3 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 14.07 – 0. Os SBRs contêm cerca de 75% de butadieno e 25% de estireno e são as borrachas sintéticas mais comuns no mercado.01 – 7.2 MPa Tensão de ruptura por tração: 12 . As borrachas sintéticas têm as mesmas propriedades das borrachas naturais quanto a vulcanização. peças técnicas calandradas ou extrudadas. correias.(CH2-CH2-CH(CH3))n Aplicações: mancais.002 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. outros.0007 – 0. injeção.215 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.

590 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.K Dilatação térmica: 550 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.7 % Coeficiente de Poisson: 0.m1/2 Tensão de compressão: 4.008 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 198 .02 – 0.3 – 0. Cláudio R.14 – 0.4 .7 % Coeficiente de Poisson: 0.7 MPa. extrusão. chapéus.2 .24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.87 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante Dielétrica: 2.1 – 0.3 V/m Resistividade: 1. outros.4 .49 Coeficiente de atrito: 0.83 Dureza: 40 .226 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.000 – 2.02 – 0.4 .000 – 2.325 K Temperatura mínima de serviço: 150 . Taxa de reciclagem: 0.012 % Densidade: 0.08 – 28.10 (1016 ohm.3 – 7.86 – 0.K Temperatura de transição vítrea: Temperatura máxima de serviço: 320 . mouse pads.200 J/kg.48 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Ductilidade: 1 .17 MPa Tenacidade a ruptura: 0..17 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.495 Coeficiente de atrito: 0.30 MPa Tensão de ruptura por tração: 16 .00 .01 GPa Módulo de elasticidade: 0.455 K Temperatura mínima de serviço: 206 .m1/2 Tensão de compressão: 20 . viseiras.(CH2)n-(CH2-CHR)n Aplicações: Brinquedos flexíveis. Processos: injeção.0007 – 0.03 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 16 .200 K 156 .007 GPa Módulo de elasticidade: 0.200 J/kg.223 K Temperatura máxima de serviço: 445 .021 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3.0002 – 0.5 – 0.04 Propriedades mecânicas Ductilidade:7. chinelos.6 Dureza: 3.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.01 – 0.3 – 0.3 MPa.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.55 MPa Módulo de cisalhamento: 0.EVA .m) Copolímero de etileno acetato de vinil .24 MPa Módulo de cisalhamento: 0. filmes para revestimento.34 – 0.190 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.K Dilatação térmica: 160 .47 – 0.4 W/m. Dr.17 W/m.

14 W/m.3 – 0.800 – 2.945 – 0.390 K Temperatura mínima de serviço: 220 .2 % Densidade: 0.07 – 0.9 – 2. Propriedades mecânicas Ductilidade: 5 – 5.0006 GPa Módulo de elasticidade: 0.495 Coeficiente de atrito: 0. tubos internos.m1/2 Tensão de compressão: 23 .m) Isopreno . outros.95 Resistividade: 31. Cláudio R. injeção.5 % Coeficiente de Poisson: 0.m1/2 157 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 % Coeficiente de Poisson: 0.1 – 0.25 MPa Tensão de ruptura por tração: 23 . Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 .3 – 0.94 gf/m3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2. outros.195 K Temperatura máxima de serviço: 370 . instalações anti-vibração.K Dilatação térmica: 150 . Dr.Aplicações: Roupas impermeáveis de mergulho.450 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.48 – 0.1 MPa.3 MPa.499 – 0.4995 Coeficiente de atrito: 0.25 MPa Módulo de cisalhamento: 0.955 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.500 J/kg.1 – 0.4 .4 .K Temperatura de transição vítrea: 190 .0004 – 0.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.10 (107 ohm. sapatos.5 – 3 V/m Resistividade: 1 .0007 – 0.24 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Processos: vulcanização. instalações elétricas.05 – 0. fechos.08 – 0.Aplicações: pneus de carros.6 .m) Policloroprene – NEOPRENE .93 – 0. Processos: injeção.002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3.0002 – 0.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.(CH2-CCl-CH2-CH2)n .6 Dureza: 23 .002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 23 .007 GPa Módulo de elasticidade: 0.100 (1012 ohm.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.6 Dureza: 3.0017 – 0.15 % Densidade: 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0. cintos.(CH2-C(CH3)-CH-CH2)n .230 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.

Dr. Cláudio R.230 K Temperatura Máxima de Serviço: 375 . Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 3.29 – Uso da floresta.1 – 0. dentre outras.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.5 – POLÍMERO NATURAL .1 – 0.12 W/m. Figura 12.10000 (1011 ohm.000 – 2.m) 12. ser de fácil desdobro. 158 .00 .MADEIRA A madeira é um dos mais antigos materiais utilizados pelo homem que possui como vantagens.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.23 – 1. As principais desvantagens da madeira como material de fabricação é a instabilidade dimensional (a madeira incha.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. apresentar uma estética agradável e possuir boas características isolantes.385 K Temperatura Mínima de Serviço: 220 . o fato de ser relativamente leve e resistente. empena e racha conforme variações de umidade e temperatura ambiente).72 – 28.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.200 J/kg.4 .2 % Densidade: 1.K Temperatura de transição vítrea: 225 .625 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. fragilidade no sentido contrário às fibras e é susceptível ao ataque de predadores.K Dilatação térmica: 605 .7 – 8 V/m Resistividade: 1.25 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 6.

bege amarelado ou bege rosado. laminado decorativo. construção civil. instrumentos musicais. instrumentos musicais. dureza média. decoração teatral. fácil desdobro. forração de refrigeradores. lasca facilmente.lianum) - branco-amarelado ou tom rosado. massa específica e dureza elevadas. cachimbos. postes e dormentes. fácil de trabalhar. pasta celulósica. aglomerado. baixa resistêcia. cabos de vassoura. aroma suave. Cerejeira (Amburana cearensis) - - - móveis de luxo. pesada e dura. folhas decorativas. assoalhos. tenra e fácil de trabalhar. bóias e salva-vidas. Pinus (Pinus elliot) - amarelo claro. marcenaria de luxo. madeira leve. construção de balsa e jangada. rosado ou acinzentado. fácil de trabalhar. artigos esportivos. bengalas. creme. baixa resistência a organismos xilófagos. maquetes. grão direita. isolante térmico e sonoro. O quadro abaixo mostra alguns tipos de árvores utilizado na indústria moveleira. móveis. Imbuia (Ocotea porosa) - - esquadrias e portas. ferramentas (cabo). textura fina e uniforme. fácil de trabalhar. palha amarelado. grã direita e fibra esponjosa. lustrosa e lisa ao tato. móveis. rica em desenhos. Madeira Balsa (Ochromae pyramidale) Características branco. cheiro acentuado. porosa e macia. frágil e macia. Aplicações aeromodelismo. resistente ao ataque de organismos xilófagos. metro para medição. peças torneadas. veios paralelos. compensado. baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins. textura e brilho acetinados. 159 . cheiro imperceptível e gosto amargo. cor do pardo-claro amarelado ao pardo escuro. cheiro pouco intenso. grã direita e irregular. Cláudio R. pasta de celulose. resistência mecânica média. - - - - forros. gosto adocicado. a madeira proveniente das florestas nativas está sendo cada vez mais substituída por produtos de reflorestamento ou pelas chamadas madeiras transformadas. média durabilidade. textura lisa e fina. retratilidade baixa. entalhes e venezianas. construção civil. Com o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável (a partir de 1987). veios avermelhados. Propriedades leve e porosa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. veios de manchas escuras. peças torneadas. e chegada das normas da série ISO 14. palitos de fósforo e de sorvete. textura fina e uniforme. boa durabilidade.000. superfície lisa. compacta e de poros fechados. massa específica elevada. rápido crescimento. grã irregular. cabos de machado. - Pinheiro (Araucarie angustifclia) - Pau-marfim (Baltourodendro riede. Dr. grã direita. Losekann Direitos autorais reservados Atualmente o uso das madeiras naturais está bastante limitado em função da crescente conscientização ambiental.

como vigas. construções externas. - coronhas de armas de fogo. estacas. branco-amarelado. E em ensaios de laboratório. - boa durabilidade. em ondas ou em lágrimas. mourões. rodapés. guarnições e forros. postes. alto brilho e grã direita. - Além destas. como dormentes. média resistência mecânica. Losekann Direitos autorais reservados - pouco brilho. de baixa permeabilidade às soluções preservantes. Alta resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins de madeira seca. em construção civil. grã ondulada. alto polimento. Aroeira do Sertão ou Urundeúva (Astronium urundeuva): construções externas. cheiro e gosto imperceptíveis. escurecendo para castanho-escuro-amarelado com exposição ao ar. Em tratamentos severos sob pressão. esquadrias. dura e compacta. demonstrou ser de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. em construções externas. janelas e marcos. lambris. folhas decorativas e contraplacados. tacos e tábuas para assoalhos. Cerne de cor castanho-amarelado quando recémpolido. fácil de trabalhar. folhas faqueadas decorativas para painéis. fácil de trabalhar. porém é bem permeável ao tratamento preservativo. degraus de escada.. no acabamento interno. folhas faqueadas. mourões. Cerne de cor bege-rosado ou castanho-claro. embarcações.Sassafrás (Ocotea pretiosa): fabricação de móveis. ripas. É moderadamente permeável às soluções preservantes. Dr. carrocerias. dormentes. tacos para assoalhos. pisos e utensílios de cozinha. cabos de ferramentas e outros. caibros. peças torneadas e instrumentos musicais. na construção civil. quando recém-cortado. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. caibros. embalagens. Cláudio R. escurecendo para castanho ou castanho-avermelhado-escuro. veios em espiral. alburno nitidamente diferenciado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. portas. peças torneadas. branco levemente rosado. como vigamentos de pontes. pesada. tábuas e tacos para assoalhos. • • Angico (Peptadenia paniculata Betham): fabricaçãp de tabuados. diversas outras espécies de madeiras naturais podem ser utilizadas para produtos diversos: • Angelim: acabamentos internos. etc. postes. em construção civil. divisórias. vigas. vagões. Cabriúva-parda (Myrocarpus frondosus): móveis. diferenciado do albumo de cor branco-rosado. demonstrou ter permeabilidade extremamente baixa às soluções preservantes. consistência finíssima. Tem baixa durabilidade. cruzetas. textura fina. Canela . e outros. esteios. dormentes.0 cm de largura. ripas. textura média e uniforme. - Mogno (Swietenia macro-phyfla) - castanho avermelhado. persianas. Cerne de cor variável. peças torneadas. móveis. lambris. painéis. mourões. tendo seus vasos excessivamente obstruídos por tilos e óleo-resina e fibras de lume extremamente reduzido. do pardo-claro-rosado ao pardo-escuro-rosado ou acastanhado. molduras. etc. resistência adequada ao apodrecimento e ao ataque de cupins. com aproximadamente 4. como vigas. alburno diferenciado. 160 • • .

como tacos e tábuas para assoalhos e labris. obras de entalhe. artigos de escritório. alburno destacado. dormentes. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. cruzetas. Cláudio R. artigos de esportes. lambris. tacos e tábuas para assoalhos. embalagens decorativas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tendendo para castanho-claro levemente rosado. Cerne variando do bege-rosado-escuro ou castanho-claro-rosado. construcão de vagões. construções externas (estruturas. forros. pisos e outros. portões. baixa permeabilidade às soluções preservantes. degraus de escadas.. vagões. Alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. esquadrias. ripas. alburno nitidamente demarcado. construções externas. Alburno espesso branco ligeiramente amarelado. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • • Candeia ou Cambará (Moquinia polymorpha): construções externas. mais ou menos intenso. etc. branco levemente amarelado. carteiras escolares. Resistência moderada ao ataque de organismos xilófagos. branco-cinza. cabos de vassouras. Peroba Rosa (Aspidosperma polyneuron): utilizada em construcão civil. carpintaria em geral. cordões. dormentes). portas. Dr. casco de embarcacões leves. pontes. móveis de luxo. bolas de bocha e boliche. às vezes com reflexos esverdeados. rodapés. vagões. Jatobá (Hymenea stilbocarpa Hayne): utilizado na construção civil. folhas faqueadas decorativas. peças torneadas. mpermeável ou pouco permeável às soluções preservantes. acabamentos internos. uniforme. entalhes. Cerne pardo acastanhado ou pardo-hava-claro. guarnicões. caibros. cerne variável. degraus de escada. pouco permeável a soluções preservantes. desde o castanhoclaro rosado ao castanho avermelhado. fôrmas para calcados. como vigas. cruzetas. esquadrias e peças torneadas. lambris. Cerne variando de pardoacastanhado ou castanho escuro. carrocerias. carrocerias. marcos de portas e janelas. até o castanho avermelhado. venezianas. Ipê-Roxo ou Ipê-Una (Tabeuia impetiginosa): acabamentos internos. artigos de esporte. ripas. 161 . escurecendo para bege-claro com manchas amareladas. em construções esxternas. venezianas. móveis pesados. Cedro: indicada para partes internas de móveis finos. esquadrias. e outros. rodapés. tábuas e tacos para assoalhos. móveis. modelos de fundicão. folhas faqueadas. correspondendo às linhas vasculares envolvidas pelo parênquima axial. etc. com tonalidade mais ou menos intensa. molduras para quadros. cabos de ferramentas e implementos agrícolas. Demostrou ser impermeável às soluções preservantes. em construcão naval como acabamentos internos decorativos. carrocerias e instrumentos musicais. caibros. implementos agrícolas. molduras. Resistente ao ataque de organismo xilófagos. como vigas. Cerne recém-polido apresenta-se amarelo-claro. geralmente uniforme. instrumentos musicais. dormentes. com numerosos e largos riscos mais claros. Sucupira-parda ou Sucupira-preta (Bowdichia virgilioides): pode ser usada para folhas faqueadas decorativas.

1 . 162 . É bastante indicado para a fabricação de móveis em geral. As fibras são misturadas com resina de uréia-formaldeído. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. copas. e são levadas por meio pneumático para uma máquina formadora. (aglomerados). são prensados. embutidos.5. O MDF (Médium Density Fiberboard) é fabricado através de troncos selecionados que. Cláudio R. armários. peso específico.30 – Cortes da madeira. da aglomeração por colagem de finas lâminas desdobradas (laminados compensados) e da aglomeração de fibras de madeiras de média densidade (MDF). Entre as vantagens da utilização das madeiras transformadas destacamse: a homogeneidade de composição no caráter físico e mecânico.MADEIRAS TRANSFORMADAS As madeiras transformadas são fabricadas através da alteração da estrutura fibrosa orientada do material. da reaglomeração de madeira reduzida a fragmentos. O produto final apresenta peso específico na ordem de 700 a 750 kg/m3. aparas. Figura 12. resistências ao cisalhamento e ao fendilhamento. etc. etc. visando a correção das características negativas. A madeira aglomerada são placas de madeira desfibradas e secas. mas as medidas são consideradas padrões. são fragmentados e desfibrados. cozinhas. etc. onde. Losekann Direitos autorais reservados 12. lascas. melhoria de propriedades como a retratilidade. principalmente em situações de corte para exportação.. possibilidade de obtenção de chapas de grandes dimensões e maior estabilidade dimensional. com espessura que varia de 9 a 30 mm. após descascados. cujas partículas são coladas entre si por meio de aglutinantes (à base de uréia e formol). Os nomes de cortes podem variar de região para região. aproveitamento integral do material lenhoso contido nas árvores. na sequência. Os tipos mais comuns são através da reaglomeração de madeira reduzida a fibras (chapadura).

As lixas devem ser usadas gradualmente.3 .5. nitrocelulose. O verniz de poliuretano é usado em pisos. tetos. boa flexibilidade e resistência satisfatória para emprego em ambientes internos (é utilizado sobre uma demão de selador nitro). Alguns tratamentos são mais específicos para determinadas espécies de madeiras naturais. 163 . boa aderência. envernizamento: os vernizes formam uma película protetora transparente. que estufará as células da madeira. poliuretano e poliéster. • • polimento com cera: confere brilho e maciez. a água. 12. tingido.TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 . Em contrapartida à baixa resistência à luz e a um longo tempo de secagem. Inicia-se o preparo da madeira pelo lixamento. é aconselhável um estudo completo das características da madeira e do tipo de tratamento superficial que se pretende aplicar. Durante o preparo da superfície deve-se observar a presença de defeitos. • fendas e/ou furos: podem ser eliminados através de massa corrida acrílica (ou a óleo para madeiras). resistência ao calor. para evitar arranhões. tais como: • manchas de óleo ou graxa: podem ser removidas com nafta ou benzina. pode danificar-se em contato com líquidos ou com o calor. executado preferencialmente sempre no mesmo sentido. boa flexibilidade. aos álcoois e a abrasão. Losekann Direitos autorais reservados 12. Cláudio R. mas. boa resistência física e química. É indicado para cozinhas e banheiros e tanto pode ser usado como verniz de cobertura quanto como selador. da mais grossa à mais fina. seguido pela remoção do pó (com escova fina) e aplicação de uma demão de selador. outros são mais aconselhados para usos em madeiras transformadas. O verniz goma-laca é indicado para reparar móveis antigos ou harmonizar uma peça com outras já existentes em um ambiente. antes da execução do trabalho propriamente dito. cimento de madeira. é susceptível a manchas por contato com a pele e é pouco resistente ao calor. O verniz de nitrocelulose é o mais utilizado na indústria moveleira e seu acabamento pode ser incolor. e • depressões: utiliza-se uma estopa de algodão molhada em água quente. Dr. Seu principal uso são superfícies decorativas ou que não serão manuseadas. madeiras e móveis. brilhante ou fosco. Como qualidades apresenta um tempo curto de secagem.TRATAMENTO SUPERFICIAL Os tratamentos superficiais objetivam melhorar o aspecto do material utilizado e também protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca. Os mais comuns são goma-laca.5. apresenta grande durabilidade. Logo. betume ou resina. maior brilho. Promove um acabamento liso e brilhante que. Completa-se a etapa de preparo da superfície com um novo lixamento.

• esmalte poliuretano: essas tintas formam películas estruturalmente duras e resistentes química. onde os veios da madeira ficam totalmente escondidos. Para retirar os excessos e nivelar a madeira. • óleos: a aplicação de óleos (linhaça. PVA ou emborrachado automativo e com uma estopa embebida em solvente dá-se o efeito de “manchado”. peroba e cerejeira). sendo mais apropriados para madeiras escuras. 2. promovem um aumento na resistência ao choque. teca. sobre o substrato. sobre as imperfeições. Consiste basicamente em cobrir os veios naturais da madeira com tinta esmalte. Os elementos pigmentados possuem as mesmas características dos vernizes. São resistentes à água e. do tipo poliéster e nitrocelulose). Distribuir a massa corrida. Por isso. Cláudio R. Passar a lixa n0 60 sobre a peça até tirar todo o verniz e após. Com a ajuda do rolo. com o uso contínuo. Losekann Direitos autorais reservados O verniz de poliéster forma uma película dura e transparente e apresenta uma elevada resistência química e física (atrito).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o corante deposita-se na camada superior da madeira. à base de água ou solvente. Antes da pintura. Com a evaporação da parte líquida. limpa-se a peça novamente. Esperar secar por quatro horas. com a espátula. O tingimento pode ser translúcido (permite a apreciação dos veios da madeira) ou opaco (os pigmentos bloqueiam a visualização dos veios). sendo o alvejante mais usado o peróxido de hidrogênio misturado com amônia. são indicados para o mobiliário de quartos de crianças e de cozinha. física e mecanicamente. • clareamento ou alvejamento: técnica para descolorir a madeira. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. • laqueação: pintura aplicada com pistola. Permitem acabamento de alto brilho ou fosco e possuem boa aderência em madeiras resinosas (que não são boas para vernizes. Figura 12. confere uma aparência lisa e espelhada na superfície. 3. passase uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. de cima para baixo. • tingimento: aplicação do tingidor. proporciona bom acabamento. Os óleos formam um filme resistente e fosco (não encobrem a textura. A operação consta dos seguintes passos: 1. mas escurecem a madeira). Dr. usa-se a lixa n0 180. Após o lixamento. limpá-la com o pano. Seu principal uso é a correção de riscos superficiais. 164 . • pátina: é a denominação das texturas que apresentam efeitos de envelhecimento.31 – Efeito pátina.

e espera-se mais duas horas. suavemente. Com a tinta ainda fresca. até que se retire completamente o verniz. Porém. até que se retire completamente o verniz. 3. melhores serão os resultados obtidos. limpa-se bem a peça. tirando os excessos da tinta. Com o pano.32 – Efeito decapê. 5. • decapê: consiste na aplicação de dióxido de titânio (pó branco). Cláudio R. aplica-o sobre o móvel. Finalmente. Espera-se secar por mais duas horas e trabalha-se cada uma das outras partes. Com a ajuda do rolo. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. A figura mostra um móvel submetido a esse tipo de tratamento superficial. As madeiras cerejeira e marfim são as ideais para esse processo. Com o pano. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. bastante diluída. satinê: ou pátina lavada. Quanto mais lisa estiver a madeira. o satinê é feito com apenas uma. desde que estejam em bom estado. de cima para baixo. 6. mergulha-se bem o rolo (lavado) na tinta da cor escolhida e. 8. passa-se uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. limpa-se bem a peça. passa-se uma segunda demão de tinta branca. 165 . riscando sempre no mesmo sentido. deve-se repetir o procedimento com a massa corrida. Desliza-se a escova de aço. Dr. Deve-se manter a mão firme. A figura mostra o efeito de decapê em uma peça de madeira. sendo preferível as tonalidades mais claras. enquanto a pátina usa duas cores de tinta. Se ainda houver imperfeições. porque é a palha de aço que vai criar o efeito de “riscado” da pátina. formam-se relevos. deixando o branco aparecer. ressaltando seus veios. A operação consta dos seguintes passos: 1. é usada para clarear a madeira. • 2. com o móvel completamente seco. no mesmo sentido. Logo após. 7. Quando essa superfície recebe uma pátina.33 – Efeito satinê. Quanto mais lisa estiver a madeira.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. passa-se a palha de aço de uma só vez. Figura 12. Figura 12. aplicando-se duas demãos de verniz. Quando a superfície estiver bem lisa. sem retirar o excesso. Antes da pintura. procede-se o acabamento. melhores serão os resultados obtidos. no sentido dos veios da madeira. Losekann Direitos autorais reservados 4. Repete-se esse procedimento até três vezes.

3. conforme ilustra a figura. ou aparecerão manchas. e passa-se a cera incolor com outra bolinha de estopa. partes perto de puxadores. A operação consta dos seguintes passos: Usa-se a lixa n0 180 para nivelar a superfície e tirar restos de verniz. 7. O tempo de secagem é de uma hora para cada demão. Dr. Para passar a tinta. nos pontos desgastados. para evitar manchas. após. passada na peça a ser trabalhada. A espátula não permite um desgaste muito detalhado. pequenas depressões na madeira. para que a madeira fique bem escura. num mesmo sentido e com firmeza. Esse movimento deve ser feito de uma só vez e num único sentido. Para escurecer a madeira. serve para madeiras escuras. • estonado: também conhecido por pátina provençal. procede-se limpeza com pano. que serve para disfarçar irregularidades da tinta ou da madeira. 5. deve-se diluir toda a anilina em 1 litro de álcool. 8. Se a cor não estiver do agrado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II 0 Prof. passe toda a solução preparada na peça. Cláudio R. pois a madeira escurecida com anilina precisa estar bem seca antes de receber tinta branca. passando nova demão de tinta e seguindo os mesmos passos descritos anteriormente. Usa-se a lixa n 180 para alisar a superfície. 2. 1. • estêncil: basicamente é a pintura com moldes. aplica-se três demãos. A principal característica é o contraste da tinta branca sobre um fundo escuro. Essa aplicação deve ser feita de uma só vez. 6. pode-se clarear ainda mais. aplica-se a cera com uma nova bolinha de estopa (boneca). Após fazer uma bolina com a estopa. Finalizando. deve-se primeiro escurecê-las. Dilui-se a tinta látex e com o rolo. Utilizando-se da espátula. deve-se usar uma boneca sobre uma mesa. 5. Se estiver trabalhando com madeira escura. deve-se ir direto para a etapa de diluição de tinta látex. Espera-se secar por duas horas. mas o manejo é mais seguro do que a lâmina. A tinta é preparada na seguinte proporção: seis partes de látex para quatro partes de água. O móvel deve ser nivelado com a lixa n0 220. Deve-se deixar secar durante três horas. mas fácil será o desgaste. 4. para efetuar a manutenção do móvel. Deve-se passar quantas demãos se achar necessário. Quanto mais tinta for aplicada. A boneca é molhada na tinta e à seguir. 6. concentrando-se esse trabalho. A operação consta dos seguintes passos: 166 . Losekann Direitos autorais reservados 4.). Com suavidade. Para estonar madeiras claras. passa-se a lixa n0 320. etc. fazendose movimentos circulares com um pouco de estopa até obter uma esfera do tamanho de uma bola de tênis. Esse procedimento deve ser repetido a cada seis meses. raspa-se a tinta em locais onde o desgaste ocorreria naturalmente (cantos.

Sobre uma base de vidro. Deixa-se secar por seis horas. Losekann Direitos autorais reservados 1. entre cada demão. Molha-se a esponja na tinta e pressiona-a levemente sobre o desenho. 3. 10. 167 . Limpa-se com o pano. deve-se lavar a máscara e cobrir. Isso disfarça eventuais imperfeições e relevos. 2. limpa-se o acetato até que toda a tinta da caneta seja retirada. 5.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Apresenta boa resistência química e mecânica. 13. Sua superfície pode ser manchada por produtos químicos. Cláudio R. É importante que não se permita que a esponja fique com excesso de tinta. Com o pano embebido de álcool. 12. Com a espátula. recorta-se o desenho do acetato com um estilete. Fixa-se o molde sobre o móvel com tinta crepe. Com a esponja. deixando o desenho nivelado. 8. os espaços que não serão pintados. deve-se cobrir com fita crepe as áreas vizinhas já prontas. pinta-se o móvel com a primeira cor escolhida. Pequenas falhas podem surgir. Figura 12. fica-se “batendo” a tinta no desenho. Pinta-se a superfície que servirá de fundo para o estêncil e aplica-se uma demão de tinta branca fosca. aplica-se a massa a óleo em toda a peça. Usando o pincel chato. água oxigenada e produtos de limpeza que contenham cloro. deve-se esperar a primeira cor secar completamente antes de prosseguir. Quando for realizado um desenho de várias cores. pois esta pode escorrer ou se acumular nas bordas do molde.34 – Efeito estêncil. Dr. desenha-se o que se deseja reproduzir no estêncil e coloca-se o acetato sobre o papel fazendo-se assim o contorno da figura com a caneta de reprojetor. Para empregar outras tintas. Enegrecimento: aplicado na madeira de carvalho. O tempo de secagem é de seis horas. permite o escurecimento através da exposição à vapores de amoníaco. 7. Espera-se secar. 4. para remover o verniz e nivelar a superfície. Numa folha de papel. Deve-se esperar em torno de seis horas. Essas devem ser corrigidas com um pincel fino. prensadas a alta temperatura. Usa-se uma régua para fazer as medidas necessárias. com o rolo. quando a tinta não completa todo o desenho. como soda cáustica. 6. até que se obtenha as nuances desejadas. 11. 9. A cada nova cor utilizada. Lixa-se toda a peça. • fórmica: são placas rígidas compostas por camadas de papel e resina. com fita crepe.

indo de utensílios domésticos como potes a utensílios industriais como a fibra ótica. os materiais cerâmicos também estão entre os mais antigos. 2) Cerâmica avançada • Isoladores elétricos. em embalagens de componentes eletrônicos e como ferramentas de corte. Dr. muito utilizados na siderurgia. nitretos e carbonetos. em chapas de blindagem. • Cerâmica branca . tais como azulejos. • Semicondutores e imãs. é apenas uma das diversas atividades que têm como finalidade a produção de materiais cerâmicos. na forma de potes para o armazenamento de grãos.Compreendem a produção de materiais usados na construção civil para revestimento de paredes. Eles são freqüentemente óxidos. A fabricação de revestimentos para a construção civil. pastilhas e placas. janelas. ladrilhos. • Revestimentos cerâmicos . para fins diversos.000 e 6. Losekann Direitos autorais reservados 13 – CERÂMICOS 13. para transmissão e distribuição.000 a. • Vidros. telas de tv e fibra de vidro. • Materiais refratários e isolantes térmicos. cimento e vidro. Atualmente. Atualmente os materiais cerâmicos estão cada vez mais presentes no cotidiano e suas aplicações são as mais diversas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.). dando a entender que as propriedades finais desejáveis desses materiais são normalmente atingidas através de um processo de tratamento térmico a alta temperatura. Os primeiros vestígios da utilização da cerâmica datam do início do Neolítico (entre 10.C.Louças sanitárias e domésticas. 168 . tais como azulejos. que são utilizados em recipientes. fabricação de vidros e dos próprios revestimentos cerâmicos. tanto na forma de blocos e telhas. as possibilidades de emprego de materiais cerâmicos ampliaram-se muito. A grande variedade de materiais que se enquadra nesta classificação inclui cerâmicos que são compostos por minerais argilosos. e cerâmicas técnicas como piezo elétrico. lentes. pisos e bancadas. placas ou ladrilhos para piso e pastilhas. Os cerâmicos são compostos entre os elementos metálicos e nãometálicos para os quais as ligações interatômicas ou são totalmente iônicas ou são predominantemente iônica com alguma natureza covalente. quanto na de placas de revestimento. Cláudio R. Os cerâmicos podem ser classificados nas seguintes categorias: 1) Cerâmica convencional • Cerâmica vermelha – Abrange as telhas e manilhas até objetos artesanais.1 – INTRODUÇÃO O termo “cerâmica” vem da palavra grega keramikos. • Cerâmicas duras que podem ser matérias primas de motores a combustão interna e de turbina. Para uso na construção. que significa “matéria-prima queimada”.

a resistência ao choque térmico.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com notáveis resistências mecânica e à oxidação em altas temperaturas. 169 . pisos e revestimentos ou material de laboratório para a indústria química. cuja estrutura. Entretanto.1 – Peças de cerâmica. por exemplo. caulim. quartzito. misturados em diferentes proporções. as matérias primas utilizadas podem ser a argila refratária. muitos materiais cerâmicos ainda têm suas aplicações limitadas devido a sua fragilidade. Isso permite que os produtos de cerâmica sejam usados tanto para louça doméstica quanto para construção (material refratário de altosfornos. etc nas proporções adequadas. a resistência ao ataque de produtos químicos. as fibras óticas contêm basicamente SiO2 e B2O3. usa-se muito argila. A Ciência dos Materiais tem desenvolvido materiais alternativos dos materiais tradicionais. A cristalização confere aos materiais cerâmicos propriedades físicas como a refratariedade. materiais biocompatíveis. Dr. caulim. cianita. lentes. corindon. Para cerâmicas de uso especial e com processamento de alta tecnologia. Figura 13. a exemplo das superligas a base de níquel. ferramentas de corte em máquinas-ferramentas). Para a fabricação de cerâmica convencional como louça doméstica. material sanitário. bauxita. Atualmente existe alguns de tipos de fibras óticas com composição mais intrínseca como o ZBLAN a base de zircônio. resistência à tração e à compressão e a dureza. Cláudio R. silimanita. pastilhas de corte. cada vez mais a cerâmica vem substituindo peças de metais nos mais variados equipamentos. Tanto nos materiais cerâmicos quanto outros materiais é preciso estabelecer o fim que o produto vai ter para que se possa escolher de forma precisa a matéria prima. cerâmicas supercondutoras. a matéria prima é cuidadosamente selecionada e a composição destes no produto dependerá da sua aplicação e das propriedades desejadas. apresenta-se totalmente ou parcialmente cristalizados. a condutividade térmica. diásporo. Desta forma. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais cerâmicos são materiais inorgânicos. materiais magnéticos. usada em turbinas de aviões. quartzo e feldspato. cerâmicas piezo elétricas. após queima em altas temperaturas. fibra ótica. Se for necessária a fabricação de um material refratário. bário. como telas de televisão. chamadas de cerâmicas avançadas.

13. onde pode ser de baixa porosidade (piso) ou de elevada porosidade (revestimento. em geral. A massa cerâmica é a que se apresenta geralmente em maior quantidade. Argilas . Losekann Direitos autorais reservados lantânio. tijolos isolantes térmicos). esmalte e engobe. índio.1 – Massa cerâmica As massas cerâmicas são misturas equilibradas de matérias primas plásticas e não plásticas. após a queima. As propriedades óticas têm maior importância neste campo. Cláudio R. não tratado previamente. zinco. a alumina. a zircônia ou carbeto de silício. O engobe é uma composição intermediária da massa cerâmica e do esmalte que tem como finalidade facilitar a aderência entre os dois. As matérias primas utilizadas na preparação de massas cerâmicas geralmente não são substâncias puras. Quando se trata de pastilha de corte. alumínio e sódio.1. entendese como argila um produto natural. Matérias primas plásticas As matérias primas plásticas são: argila. formado por uma mistura de minerais argilosos (caolinita.2. O esmalte é a composição vítrea que geralmente recobre a massa cerâmica conferindo um ótimo aspecto visual e impermeabilizante da massa. que o caso de alguns tipos de vasos de flores e tijolos vermelhos. o HZBLAN com háfnio e o BIZYT a base de bário. Os produtos cerâmicos são obtidos pela composição destes ou não e sinterizados (queimados). O esmalte é composto de vários óxidos na forma de pós que. todos com propriedades mecânicas de elevada dureza e resistência a abrasão para produzir.1 – CERÂMICA VERMELHA Podem-se apresentar três composições básicas que são: massa cerâmica. por exemplo. Dr. filitas. etc) com outros que não 170 . caolim. ou seja. A qualidade e defeito de um produto cerâmico depende muito do conhecimento das matérias primas de cada componente bem como das condições físico-químicas do processamento. cloritas. materiais para ferramentas de corte. que cumprem uma série de exigências que as fazem útil e rentáveis para fabricação de produtos cerâmicos convencionais. itérbio e tório. Tanto a cerâmica convencional quanto a cerâmica avançada tem atingido grau de desenvolvimento na produção que poderia ser descrito cursos especiais para cada caso. vitrifica-se.O termo argila se usa em linguagem comum num sentido muito amplo com o fim de simplificar definições muito complexas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL 13.2. a matéria prima poderá ter composição bem distinta do último como o nitreto cúbico de boro. 13. A massa cerâmica pode ser esmaltada ou não. mas o objeto deste estudo é apenas para dar uma visão geral de ambos os casos. bentonita.

Matérias primas não plásticas As matérias primas não plásticas são: quartzo.). restante.4SiO2. Bentonita – O principal mineral argiloso da bentonita é a montmorilonita. 171 . dilatando sua estrutura até 4 ou 5 vezes seu volume a seco. talco. 6SiO2 H2O clorita Caolim – O caolim é uma argila contendo elevado índice de caolinita.2H2O montmorilonita (bentonita) 3MgO. CaO. de baixa plasticidade e elevada refratariedade. carbonato. em uma argila onde há predominância de cal. Fe2O3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.H2O K2O. Dr. MgO. é a forma cristalina. quando se tem o objetivo de diminuir a plasticidade da mesma. Utiliza-se como carga na massa cerâmica. feldspatos óxidos e etc. Pode apresentar elevado conteúdo de sílica com granulometria grosseira além de apresentar outros minerais como illita e montmorillonita. filitas C Grupo de clorita clorita haloisita caolinita diquita nacritra montmorilonita talco pirofilita filitas clorita Al2O3. que absorve água com facilidade. Os minerais argilosos se dividem em 3 grupos conforme a tabela abaixo: A Grupo caolinita Hidratados haloisita caolinita Não hidratados diquita nacritra B Grupo da mica Hidratados montmorilonita Não hidratados talco pirofilita Parcialmente hidrat. Na2O. para a argila caolinítica. da mesma forma. Cláudio R. K2O. As argilas utilizadas para fabricação de pisos e revestimentos geralmente tem em torno de 20% de sílica.4SiO2.2SiO2. Quartzo – O quartzo é a forma predominante da sílica (SiO2) – Sílica contém 98% de SiO2 – ou seja. Os principais óxidos do caolim são: SiO2 (54%).3Al2O3.2SiO2. Losekann Direitos autorais reservados são argilosos como (quartzo. TiO2. melhorando de forma significativa a plasticidade com a adição deste na massa cerâmica. É extremamente plástica. Desta forma. Al2O3 (33%). As propriedades de cada argila estão de acordo com suas composições. feldspato.2H2O + 2H2O Al2O3. carbonatos.H2O Al2O3. denominará argila calcárea e.

A dolomita pode ser considerada como um carbonato duplo de cálcio e magnésio.5 >6 6.Al2O3. O quadro abaixo mostra fórmulas moleculares teóricas de alguns tipos de feldspato mais comuns (minerais puros).4Al2O3 9SiO2 Densidade aparente (g/cm3) 2. Os cristais são estruturas com orientação. na qual os elementos químicos constituintes estão arranjados de forma ordenada e 172 . Os principais óxidos que podem estar contidos no talco são: SiO2 (60%). MgO (32%) e restante de Al2O3. realizando também funções de estética e decorativas. Mineral Ortosa Albita Anortita Celsiana Petalita Nefelina Fórmula molecular K2O. podendo apresentar-se associado com impurezas como o ferro e cálcio e outros metais alcalinos.3Na2O.2 – Esmaltes Em muitos produtos cerâmicos a massa é recoberta por uma película vítrea que também é denominado como vidrado que tem como função recobrir recobrir o material com uma camada uniforme e impermeável. por exemplo.Al2O3. Se trata de vidros que tem diferentes composições de óxidos inclusive metais como ouro e prata (revestimentos de encomenda especial).Al2O3. aluminosilicato de cálcio.6SiO2 CaO. Estas temperaturas relativamente baixas são devido a presença dos metais alcalinos e alcalinos térreos. e etc.56 2. Os vidros são substâncias amorfas formadas por fusão e posteriormente esfriamento de silicatos desorientados.2CO2 Talco – O talco é um silicato de magnésio. Adicionando-se talco na massa cerâmica aumenta-se a resistência a ácidos e reduz a expansão por umidade.2.530 oC.37 2. Na2O.2SiO2 Li2O. Losekann Direitos autorais reservados Feldspato – São minerais ígneos encontrados em rochas primárias em que aparecem junto com o quartzo e a mica. Cláudio R.76 3. Dr.61/2.Al2O3. aluminosilicato de sódio. Carbonato cálcico e dolomita – Se utilizam em massas cerâmicas de produtos porosos em que é difícil introduzir argilas calcares como.8SiO2 K2O. massa branca para revestimentos.41 Dureza (Mohs0 6 6/6. Trata-se de aluminosilicatos de metais alcalinos e alcalinos térreos.70/2. Fe2O3.110 a 1.2SiO2 BaO. Mineral Fórmula molecular Carbonato CaCO3 cálcico Dolomita CaO MgO.5 6/6. por exemplo. 13. quando há dificuldade de se encontrar argilas de queima branca e alto conteúdo de carbonatos. que se apresentam em quantidades iguais. Pode ter formas cristalinas ou não em sua composição. CaO.5 O ponto de fusão dos feldspato oscila entre 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.64 2.6SiO2 Na2O.1.Al2O3.

formando um conjunto de células unitárias. na qual grande parte da água livre é evaporada Queima: a temperatura é definida em função da composição química da mistura e na qual o aumento de temperatura causa as seguintes reações: desidratação. esmalte = vidro + cristais.A composição do esmalte deve estar de acordo com as propriedades desejadas. . Há uma série de fatores determinantes da composição do esmalte que tem de se levar em conta na hora da escolha da matéria prima que são: . a composição de um esmalte estará composta por fundentes (fritas) modificadores de propriedades (propriedades óticas. Regular a adaptação entre o esmalte e a massa cerâmica. elementos de carga (argila. Dr. feldspato. misturadas de forma homogênea Moagem: o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos Umidificação: o acréscimo de água para formar a massa cerâmica Conformação: onde as peças são produzidas por vários métodos: colagem. 13. Cláudio R. Em geral. Ter opacidade adequada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. extrusão.Interação adequada com a massa cerâmica. calcinação. oxidação e formação de silicatos. atuando sobre seus coeficientes de dilatação térmica ou sobre sua refratariedade. Losekann Direitos autorais reservados repetitiva nas três dimensões.1.Capacidade de formar uma mistura que pode se dar por fusão um vidro homogêneo a uma dada temperatura. etc. textura. De acordo com o descrito.Os coeficientes de dilatação térmica da massa cerâmica e esmalte devem ser compatíveis a fim de evitar defeitos devido a forças de tração e de compressão entre ambos. Isolar da superfície da massa cerâmica a ação de partículas contaminantes e proporcionar uma superfície branca sobre a qual se aplicara o esmalte. quartzo e silicato de zircônio). .) e aditivos (modificadores de propriedades reológicas). a camada vítrea que cobre a massa cerâmica tem na realidade a estrutura de um líquido subresfriado que pode conter partículas cristalinas em suspensão. caolim. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. os engobes têm composições sensíveis formadas por um fundente (PbO. Portanto. Em geral. Secagem: pode ser natural ou artificial.3 – Engobe A função do engobe é diferente do esmalte e também as suas propriedades. .2. um engobe deverá: Cobrir e homogeneizar a superfície da massa. 173 . Zr2O3). prensagem ou injeção. ou seja.

• cerâmica artística (decorativa e utilitária). • utensílios domésticos e adornos. Figura 13. necessária por razões estéticas e técnicas. com matériasprimas com certo grau de impurezas. A preparação de um 174 . muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados. compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa. Cláudio R. em temperaturas superiores a 1.3 . Com o advento dos vidrados opacificados. É mais adequado subdividir este grupo em: • louça sanitária. • louça de mesa. 13. caracterizada pela cor branca ou clara de queima de sua massa básica.000 °C. A cerâmica branca é um segmento da cerâmica tradicional (ou de silicatos) bastante abrangente. responsáveis pela coloração.2 – CERÂMICA BRANCA Este grupo é bastante diversificado. O calor é muito importante para que o produto cerâmico tenha garantidas as propriedades que o caracterizam.2 – Produção de cerâmica.2. Dr.Louça sanitária. sem prejuízo das características para uma dada aplicação. Losekann Direitos autorais reservados Figura 13.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Esse processo é seguido por um peneiramento ou uma classificação por granulometria que produz um produto pulverizado que possui uma faixa desejada de tamanho de partículas. A consistência (razão água-argila) da massa hidroplástica deve dar um limite de resistência suficiente para permitir que uma peça conformada mantenha a sua forma durante o manuseio e a secagem. queima.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Secagem: uma peça cerâmica que tenha sido moldada retém uma porosidade significativa e também possui uma resistência que é insuficiente para a maioria das aplicações práticas. 175 . Os processos podem ser: colagem. e podem ser moldados sem que ocorram trincas. outros ingredientes para dar as características de escoamento que são compatíveis com a técnica particular de moldagem. secagem. caolim. entretanto. Os caolins. com cor escura a temperatura usual de queima é a 1450 ºC. as seguintes etapas: seleção das matérias primas. extrusão. quando misturados com água. na proporção de 25% para cada componente. se tornam altamente plásticos e flexíveis. que foi adicionado para auxiliar na operação de conformação. Umidificação: os materiais pulverizados devem ser completamente misturados com água e. Esse líquido é removido em um processo de secagem. ela pode conter ainda algum líquido (por exemplo. Conformação: os minerais à base de argila. para cerâmica branca. ou idealmente. para satisfazer a uma dada composição química prefixada para massa e finalmente para o corpo cerâmico. Dr. de maneira geral. Losekann Direitos autorais reservados produto cerâmico desta classe abrange. Esses componentes podem ser agrupados em materiais plásticos e não-plásticos. materiais com a função física durante o processo de conformação das peças (agentes de ligação. quartzo e feldspato. podendo. isolada ou conjuntamente. geralmente. composição e homogeneização da massa cerâmica. queimam com cores claras a 1250 ºC. manganês ou titânio. Essa massa é geralmente total ou parcialmente vitrificada e apresenta uma certa coloração escura indesejável. a faixa usual de queima para material sanitário compreende 1230 ºC a 1280 ºC. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. porém variar dentro de faixas de acordo com a composição química desses materiais. As matérias primas devem apresentar. formação dos corpos cerâmicos. preparação. eles possuem limites de escoamento extremamente baixos. Quando ricos em ferro. Além do mais. Cláudio R.o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos. traduzidos por três matérias primas: argila. requerendo que seja coberta por um vidrado contendo um pigmento e com opacificantes (ZrSiO4). considerando os coeficientes de dilatação térmica da massa e do vidrado. prensagem ou injeção. misturadas de forma homogênea Moagem: para que se reduza o tamanho das partículas da matéria-prima da argila é necessário que se faça um procedimento de moagem ou trituração. suspensão e plasticidade). talvez. e acabamento. quartzo e feldspato. Não há uma única massa-padrão com características que satisfaçam aos requisitos de todos os diferentes produtos da cerâmica branca. a densidade e a resistência são melhoradas com a secagem e a queima. e função química no processo de queima (elementos estabilizadores. Em geral. fundentes e inertes). por uma mistura de argila plástica. A massa da cerâmica branca é composta. água).

2. ocorrem algumas reações consideravelmente complexas. Uma dessas reações é a vitrificação. 13. Um outro processo de modelação usado para composições à base de argila é a moldagem por suspensão. bem como da composição química da peça.2. As técnicas de secagem e queima são críticas no sentido de que defeitos como contração de volume de forma irregular torna a peça inútil. geralmente. a densidade e a resistência mecânica devido à diminuição da porosidade. onde uma massa cerâmica plástica rígida é forçada através de um orifício de uma matriz que possui a geometria de seção reta desejada. A temperatura de queima depende da composição e das propriedades desejadas para a peça acabada. A temperatura é definida em função da composição química da mistura. As colunas ocas no interior da peça extrudada (por exemplo. mas que não tenha sido queimada é conhecido por cru. essa fase fundida forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. e o ar é freqüentemente removido em uma câmara a vácuo. como resultado de forças de tensão superficial. e são relativamente porosos. blocos cerâmicos e azulejos são todos geralmente fabricados utilizando uma técnica de conformação hidroplástica. ocorre em temperaturas muito mais altas. a cerâmica plástica é forçada através de uma matriz por meio de uma rosca sem fim acionada por um motor. Essa fase fluída escoa ao redor das partículas não fundidas que permanecem no meio e preenche os poros. Losekann Direitos autorais reservados Queima: uma peça que tenha sido conformado e que esteja seco. para melhorar a densidade da peça. As seguintes reações ocorrem através da queima: desidratação. A temperatura na qual a fase líquida se forma é reduzida pela adição de agentes fundentes.Processamento A técnica de conformação hidroplástica mais comum é a extrusão. Dessa forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. Quando materiais à base de argila são aquecidos a temperaturas mais elevadas. uma contração de volume também acompanha esse processo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ela é semelhante à extrusão de metais.1 . Neste processo. entre 900 °C e 1400 °C. Cláudio R. Esse processo 176 .4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos. variando. Com o resfriamento. oxidação e formação de silicatos. a água da suspensão é absorvida no interior do molde. O grau de vitrificação depende da temperatura e do tempo de queima. como o feldspato. a barbotina (mistura líquida de argilas) é derramada dentro de um molde poroso (em geral de gesso). o tijolo de construção) são formadas pela introdução de inserções colocadas dentro do molde. calcinação. Dr. a queima de uma porcelana altamente vitrificada. Por outro lado. deixando para trás uma camada sobre a parede do molde. tubos. Normalmente. Durante a operação de queima. que está no limiar de ser oticamente translúcida. Tijolos. cuja espessura irá depender do tempo. a formação gradual de um vidro líquido que flui para dentro e preenche parte do volume dos poros. Figura 13. Os tijolos de construção são queimados normalmente a uma temperatura de aproximadamente 900 °C.

Abaixo está alguns exemplos de cerâmicas avançadas para perceber a abrangência desses materiais: 1) Óxido de ferro. 4) Alumina. que devem ser montadas antes da queima. Produtos: radiadores de infravermelho. varistores. As formas cerâmicas consideravelmente complexas que podem ser produzidas por este método incluem louças sanitárias. sensores de gases. Essas características dependem da razão sólido-água. 2) Alumina. isolação térmica. Propriedades: condensação ótica. eletrólitos sólidos. carbonato de bário e de estrôncio. 177 . piezoeletricidade. Produtos: lâmpada de descarga elétrica de vapor de sódio. refratariedade. A natureza da suspensão é extremamente importante. absorção de calor. ela precisa possuir uma gravidade específica alta. Produtos: capacitores. cabos óticos. relativamente fácil de ser fabricado em formas intrincadas e reutilizáveis. translucidez. semi-condutividade. As propriedades do molde também influenciam a qualidade da modelação. zircônia. Aplicação: cerâmicas elétricas e magnéticas. isolantes térmicos. sinterizadas em condições rigidamente controladas a fim de apresentarem propriedades superiores. 3) Alumina. Cláudio R. 5) Alumina. Propriedades: condutividade térmica. ímãs. Aplicação: cerâmicas térmicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Propriedades: capacidade de adsorsão. juntas.3 – CERÂMICA AVANÇADA Pode-se dizer que esta expressão define produtos cerâmicos manufaturados a partir de matérias primas puras. condução de luz. objetos de arte e peças de laboratórios científicos. Propriedades: magnetismo. Propriedades: biocompatibilidade Produtos: implantes para substituir dentes. Aplicação: cerâmicas óticas. Produtos: suportes de catalisadores. é usado como material de molde. e ainda assim precisa ser muito fluida. catálise. tais como tubos cerâmicos. resistência a corrosão. bem como de outros agentes que são adicionados. que posteriormente e transportado para matrizes de prensagem. Os pós são produzidos através da atomização ou pulverização de barbotina em contra corrente a um fluxo de ar aquecido e que circula em uma torre. Aplicação: cerâmicas biológicas. A maioria dos moldes é composta por peças múltiplas. memórias óticas. que é econômico. Após a conformação a peça entra num sistema contínuo de secagem e queima. normalmente sintéticas e conformadas por processos especiais. dieletricidade. geradores de faísca. Dr. fluorescência. 13. Normalmente o gesso-de-paris. ossos. Losekann Direitos autorais reservados pode ser continuado até que a totalidade da cavidade do molde se torne resistente mecanicamente. vidro de sílica. No final do percurso encontra-se o pó de cerâmica (matéria prima plástica). A prensagem “a seco” é um outro importante método de conformação de produtos cerâmicos e é realizado através da prensagem de pós da matéria prima. zircônia. semicondutores. polarizadores. refratários. titanato de bário. Aplicação: cerâmicas químicas e eletroquímicas. termistores.

grãos soltos. os grãos abrasivos podem ser unidos por meio de um material aglomerante na forma de uma liga cerâmica. Produtos: Materiais para blindagem. carbeto de silício. Outras ferramentas de corte possuem pontas feitas com óxido de alumínio que podem ser unidas por meio de um processo de prensagem a frio seguido de sinterização ou por uma única operação de prensagem a quente. matrizes e gabaritos.200 oC e 2. A presença de impurezas piora suas propriedades. O rebolo é usada na retificação cilíndrica em superfície plana e paralela. Cláudio R. seja ele natural ou sintético Para formar ferramentas do tipo rebolo abrasivo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. essas ferramentas podem cortar durante mais tempo. O diamante. Por isso. Os abrasivos da qual são fabricadas podem ser usados sob a forma de pós. baixa expansão térmica. sendo usado para afiar ferramentas desgastadas. O corindon. o atrito do abrasivo com a peça retira quantidades variadas de material. por sua vez. na eliminação de rebarbas e na afiação de ferramentas. O carbeto de boro com até 95% de carbeto de boro cristalino. Produto: ferramentas de corte. O uso dos diamantes artificiais também é cada vez mais comum para o mesmo tipo de aplicação. que são depois moídos em grãos com arestas ou cantos agudos. revestimento de reatores. alta resistência ao choque térmico. Esses abrasivos são usados principalmente para afiar ferramentas de corte ou polir e dar acabamento final a estampos. Aplicação: cerâmicas nucleares. 178 . é o abrasivo natural mais utilizado. esferas e cilindros para moagem. Propriedades: alta resistência mecânica e à abrasão. desde os mais macios até os mais duros. São esses cantos que dão ao material abrasivo sua capacidade de cortar outros materiais. Dr. dependendo do resultado que se quer obter. elevado ponto de fusão. bicos de maçaricos. é um óxido de alumínio (Al2O3) com 90% de pureza. Losekann Direitos autorais reservados 6) Zircônia. Todos os abrasivos sintéticos são processados a quente e saem do forno em forma de pedaços maciços. por outro lado. rotores. Propriedades: resistência a corrosão. nitreto de silício. anéis de vedação de bombas d’água. o carboneto de silício (SiC). é o mais duro dos abrasivos naturais. com velocidades de corte maiores. capacidade de lubrificação. Grãos mais grossos retiram mais material. com até 95% de óxido de alumínio. Essas ferramentas tem alta resistência ao desgaste e a deformação em temperaturas altas. barras e placas de diferentes formas e dimensões. elevada condutividade térmica. Nas operações executadas com o auxílio desses materiais. O tamanho de cada grão determina a classificação da capacidade de corte do abrasivo. mais fino e polido será o acabamento obtido. carbeto de boro. 7) Carbeto de boro. Cerâmicas abrasivas . São eles: o eletrocorindon (normal e branco). rebolos. pás de turbinas para altas velocidades. uma resina ou um metal. Os abrasivos sintéticos também são de origem cerâmica.As ferramentas de corte feitas de materiais abrasivos são usadas para trabalhar todos os materiais e metais. zircônia Aplicação: cerâmicas abrasivas e termomecânicas. acendedores para caldeiras. alumina. às altas temperaturas e à radiação. obtido por fusão elétrica a partir da alumina pura. alumina.300 oC. quanto mais fino for o grão do abrasivo. geralmente chamado de carborundum e formado por uma combinação química de silício com carbono obtida a temperaturas entre 2. refratariedade.

São usadas na indústria metal-mecânica. 6% de carbono e 13% de cobalto.400 oC.3 kgf/dm3. Dr. Em sua composição original participa somente o carboneto de tungstênio. Os cermetos são exemplos de compósitos cerâmica-metal.4. peso específico de 19. pela redução do trióxido de tungstênio pelo hidrogênio. para a fabricação de filamentos de tungstênio para lâmpadas incandescentes. Através de uma série de operações químicas é o mesmo reduzido a trióxido de tungstênio (WO3). 179 . Em 1. de modo bastante sintético. desde cedo os fabricantes de lâmpadas pesquisaram a possibilidade de aplicação do tungstênio na fabricação dos filamentos. na Alemanha. será descrito abaixo a evolução destes materiais: Metais duros . assim chamada em homenagem ao químico sueco K. Muitas das propriedades mecânicas são fortemente dependentes da microestrutura. principalmente para a usinagem em alta velocidade de aços carbono. de mais alta resistência a tração: 4. Os estudos desenvolvidos inicialmente pela Osram. " como diamante". O minério do qual se parte para obtenção do carboneto de tungstênio é geralmente a Scheelita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. isto é. como segue: 1. à deformação plástica e elevada estabilidade química. W. ferro fundido cinzento. resultando os denominados compósitos. superligas de ferro fundido especial e aços de alta resistência. Cláudio R. Esses materiais apresentam elevada dureza.927 a Krupp fez sucesso com o seu produto "Widia". nome comercial tomado em linguagem popular como sinônimo de metal duro e que provém da contração das palavras alemãs " wie diamant". compactação e sinterização. levou a técnica da sinterização e ao desenvolvimento da chamada “metalurgia do pó”. Como o aumento do rendimento luminoso das lâmpadas incandescentes depende da elevação de temperatura do filamento. a outra. A técnica de fabricação dos metais duros pode ser descrita. Um compósito é um material multifásico produzido artificialmente. Uma composição típica é a seguinte: 81% de tungstênio. pela inexistência de cadinhos que possam suportar a temperatura de 3. além de pastilhas de metal duro e cerâmicos para ferramentas de corte. do qual existem quantidades apreciáveis no nordeste brasileiro.387 oC. foram cedidos a Krupp para o estudo da aplicação do carboneto de tungstênio na usinagem de metais. Assim. Scheele.200 MPa. A resistência à propagação de trincas em materiais frágeis pode ser fortemente influenciada pela microestrutura e pelo uso de vários reforços de inclusões na matriz. Nestas últimas décadas houve um grande avanço no desenvolvimento de materiais cerâmicos ou compósitos para produção de tambores e disco de freio. tendo como ligante o cobalto.10-6 oC-1. como fase dispersante. As fases constituintes podem ser quimicamente dissimilares e são separados por uma interface distinta. resistência ao desgaste. de mais baixo coeficiente de dilatação térmica linear: 4. Losekann Direitos autorais reservados Compósitos . A dificuldade de fusão do tungstênio.Um dos meios mais eficaz pelos quais materiais frágeis podem ser tenacificados é através da dispersão de metais na matriz cerâmica.O tungstênio é o metal de mais alto ponto de fusão: 3. Trata-se quimicamente do tungstato de cálcio (CaWO4). A fase dominante em % de volume atua como matriz. O tungstênio é obtido em estado extremamente puro e dividido em partículas. 2. Eles são manufaturados principalmente pela mistura de componentes. especialmente quando eles são diferenciados da fase única.

uma liga eutética de cobalto se funde e introduz-se. entre as partículas de carboneto. Dr. em seguida. há uma contração linear de 15 a 22%. onde. dependendo teor de cobalto e da pressão com que o material foi prensado nas matrizes. 8. Na sinterização. As peças pré-sinterizadas e usinadas. comprimida a frio. em seguida. Este processo é utilizado na fabricação de peças de forma especial ou pastilhas de pequeno consumo. Esta operação deve levar as pecas à formas precisas. No decorrer da sinterização. A uma temperatura em torno de 900oC se dá uma sinterização parcial do cobalto. adquirindo o produto uma consistência e dureza suficientes para a sua manipulação nas operações subsequentes.600 oC. com a retração na operação final de sinterização. Cláudio R. em condições apropriadas de temperatura. 4. sem quebra.Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro. Losekann Direitos autorais reservados 3. envolvendo e dissolvendo algumas destas partículas. O conjunto é perfeitamente misturado num moinho de bolas. em matrizes. As pastilhas são levadas a um forno de pré-sinterização com atmosfera de hidrogênio. Resfriado o produto. pela ação de capilaridade. pois qualquer operação posterior à sinterização resulta difícil e onerosa. As pressões usadas são da ordem de 400 MPa.5 . A mistura é. O tungstênio é misturado com carbono puro (grafite) e a mistura é levada a um forno. sem maior dificuldade. se obtém o carboneto de tungstênio. Figura 13. A temperatura varia de 1. são levadas para o forno de sinterização que trabalha sobre vácuo ou em atmosfera de hidrogênio. ainda. 180 . O carboneto é. pois as peças não possuem ainda nenhuma dureza. 6. Deve-se contar. obtendo-se peças já com a forma desejada (pastilhas). este é cortado e levado à forma final por meio de rebolos apropriados. moído e misturado com pó muito puro e fino de cobalto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 5. dependendo da composição do material e do tipo de forno.350 a 1. 7. com resistência suficiente para serem manipulados. assim como as pastilhas prensadas.

melhorando assim a tenacidade e a resistência dos cantos. coeficiente de dilatação térmica cerca de metade da do aço. M e K. os metais duros foram aperfeiçoados para cada aplicação específica. verificou-se que o atrito entre o carboneto e o cavaco era fortemente reduzido pela adição de carboneto de titânio e de tântalo na composição original. As ferramentas de carboneto de tungstênio foram empregadas a princípio com extraordinário sucesso na usinagem de ferro fundido e materiais não ferrosos. com forte formação de calor. Isto faz com que o cavaco escorregue com grande pressão e sob elevada resistência. dando origem a uma série de tipos de ferramentas. 181 . o carboneto de tântalo atua no sentido de diminuir o tamanho dos grãos. elevada condutibilidade térmica (8 a 20 vezes a do aço). 3. 2. 1. Metais duros com alto teor de TiC são frágeis.000 N/mm2. Na ferramenta forma-se rapidamente uma cratera.O carboneto de tungstênio é solúvel no cobalto. o que resulta a alta resistência das ligações internas e dos cantos dos metais duros de puro WCCo. levando o gume de corte ao esfacelamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Disto resulta a alta resistência dos metais duros que tem TiC na sua composição. mantendo elevada dureza até cerca de 1. Os metais duros são divididos em três grupos de aplicação P. porém em paralelo. módulo de elasticidade E = 620. Reduz-se. Dr. NbC . TaC . Devido à adição dos carbonetos combinados. Verificou-se que a causa principal do insucesso residia no forte atrito que se estabelece entre a ferramenta de metal duro e o cavaco de aço.000 °C. TiC . Atualmente são usados como componentes dos metais duros: WC . que solucionar este problema foram feitos vários desenvolvimentos no metal duro. mas com resultados medíocres na maioria das operações com aço. Estes carbonetos apresentam maior dureza do que o de tungstênio. Cláudio R. dureza 76 a 78 Rockwell C. densidade da ordem de 14 kgf/dm3.Os carbonetos de titânio têm pouca tendência à difusão. Losekann Direitos autorais reservados O metal duro apresenta uma altíssima resistência à compressão.500 N/mm2. TiC forma um carboneto misto com WC. a resistência das ligações internas e dos cantos. Ambos os carbonetos ocorrem no metal duro como cristais mistos Ta-Nb-C. 4.Em pequenas percentagens. mas a utilização na usinagem de aço é limitada pela tendência de difusão do carbono e de dissolução no cobalto e no ferro. Cada classe possui uma composição química diferente e tipos específicos de material a usinar.Muitos anos após a introdução dos metais duros. Metais duros com carbonetos combinados . notável resistência à compressão de cerca de 3. O WC tem alta resistência à abrasão. e foi necessário classificá-los conforme o tipo de trabalho a ser feito.O carboneto de nióbio tem efeito semelhante ao TaC. cada uma indicada para uma dada aplicação. São utilizados na usinagem de aços com altas velocidades de corte. Também ocorrem problemas de difusão e de dissolução. A seleção de pastilhas será visto em capítulo posterior.

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Grupo principal de usinagem P (Classe azul)
Indicado para a usinagem de aço, aço fundido e ferro fundido maleável, nodular ou ligado, de cavaco comprido. Além de WC, tem percentagens mais ou menos elevadas de TiC ( até 35%) e TaC ( até 7%), apresentando um atrito baixo com cavacos de materiais dúcteis.

Grupo principal de usinagem M (Classe amarela)
Para usinagem de aço, aço fundido, aço ao Mn, ferros fundidos ligados, aços inoxidáveis austeníticos, ferros fundido maleável e nodular e aços de corte livre, ou seja, par uso universal em condições satisfatórias. Constituem tipos intermediários entre o grupo P e K.

Grupo principal de usinagem K (Classe vermelha)
Para usinagem de ferros fundido comum e coquilhado, ferro fundidos maleáveis de cavaco curto, aços temperados, não ferrosos, não metálicos e madeira. Os metais duros deste grupo se compõem quase que exclusivamente de WC e de Co, como elemento ligante. Pequenas percentagens de VC, TiC, TaC e NbC são acrescentadas as vezes para melhorar certas características. Em cada grupo, os metais duros são fabricados em diversos graus, correspondendo a uma dureza decrescente e uma tenacidade crescente e vice-versa. Os tipos mais duros são usados em usinagens de acabamento (altas velocidades e cortes leves), enquanto que os tipos mais tenazes e menos duros, em virtude de teores mais altos de cobalto, são usados em cortes pesados de desbaste, em velocidades mais baixas ou em condições desfavoráveis de usinagem (vibrações, cortes interrompidos, máquinas velhas etc.). Os tipos mais duros, em geral exigem ângulos de saída negativos. Metais duros de múltiplas faixas de aplicação - Partindo de matérias primas com mais alto grau de pureza e com controle mais rigoroso do processo de sinterização, foi possível obter pastilhas de metal duro de elevada resistência à flexão com mínima perda de dureza. Os cuidados se referem especialmente à granulometria mais fina e uniforme, à distribuição mais perfeita dos carbonetos e a melhoria da solubilidade dos carbonetos no metal de ligação. Pode-se assim produzir pastilhas que cobrem mais faixas de aplicação, reduzindo assim o número de tipos necessários nas diversas operações de usinagem. Existem inclusive propostas para eliminar da norma o grupo de aplicação K. Metais duros com uma camada de revestimento - Com objetivo de melhor explorar as vantagens de cada um dos carbonetos componentes, desenvolveu-se os metais duros revestidos. Eles se compõem de uma base de metal duro relativamente tenaz, sobre a qual se aplica uma ou mais camadas finas, duras, resistentes à abrasão e de fina granulometria, de um material composto de carbonetos (por exemplo: TiC, HfC, ZrC), de nitretos (TiN, HfN, Zr2O3), de carbonitretos (TiCN) ou de óxidos (Al2O3). Estes 182

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revestimentos permitem um aumento substancial da vida das ferramentas. Em condições adequadas este aumento corresponde a um múltiplo de tempo de vida das ferramentas de metal duro convencional. O revestimento é hoje mais freqüentemente aplicado pelo processo de deposição química de vapor (CVD). A figura abaixo mostra como são estas camadas em uma pastilha de metal duro (GC4025 - Sandvic). Neste tipo de pastilha a camada total de revestimento não ultrapassa a 10 µm de espessura.

Figura 13.6 - Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro.

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Cerâmica - As ferramentas de cerâmica de óxido de alumínio extremamente puro como de misturas de óxido de alumínio com carbonetos metálicos têm adquirido importância crescente em máquinas automáticas de alta velocidade, para usinagem de peças de aço e ferro fundido. Em condições adequadas, é possível usar velocidades de corte 4 a 5 vezes maiores do que aquelas empregadas com metal duro, o que representa uma vantagem na redução do tempo efetivo de corte. Cerâmicas brancas - Durante muitos anos as pastilhas cerâmicas não tiveram o sucesso industrial esperado. Isto se deve, em parte, ao fato de que as cerâmicas exigem máquinas-ferramentas de elevada velocidade, grande potência e extrema rigidez. Além disto, a alta velocidade de corte implica em um fluxo intenso de cavacos muito quentes, tornando imprescindível uma proteção adequada ao operador. O componente principal da cerâmica de corte é o Al2O3. O material de partida apresenta sob a forma de um pó finíssimo, cujas partículas estão compreendidas entre 1 e 10 µm. As peças se obtém prensando fortemente a matéria prima que pode ser Al2O3 com 99,98% de pureza, ou então, em composição de 89 a 99% de Al2O3 e o restante de óxido de silício, de magnésio, de cromo ou de níquel ou, ainda, outros componentes. A qualidade de uma ferramenta de cerâmica depende de sua baixa porosidade associada a tamanhos de grãos pequenos A cerâmica, como ferramenta de corte, tem as seguintes características: Alta dureza a quente, que se mantém até cerca de 1.600 °C, permitindo altas velocidades de corte (5 a 10 vezes superiores a do metal duro convencional); Elevada estabilidade química do óxido de alumínio, que se mantém até uma temperatura próxima do seu ponto de fusão (2.050 °C); Altíssima resistência a compressão; Baixo coeficiente de atrito; Nenhuma afinidade química com o aço, não formando gume postiço.

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1. 2. 3. 4. 5.

Estas duas últimas qualidades asseguram um excelente acabamento superficial. O menor desgaste da ferramenta, assegura também melhor precisão dimensional das peças. Como problemas da usinagem com cerâmica, pode-se citar: 183

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1. Grande fragilidade; 2. Condutibilidade térmica muito baixa. A fixação das pastilhas cerâmicas tem sido feita por colagem (Araldite, Epoxy) ou por grampos. Este último modo é o mais freqüente. As pastilhas podem ser reafiadas por rebolos de diamante, porém, a tendência é a utilização das assim chamadas pastilhas "descartáveis". Estas, de forma quadrada ou triangular, apresentam 8 ou 6 gumes afiados de fábrica, que são usados sucessivamente por giro da pastilha em seu suporte. Depois de usados todos os gumes, a pastilha é jogada fora. As ferramentas de cerâmica têm sido utilizadas com sucesso no acabamento e desbaste de ferro fundido com dureza Brinell superior a 180 kgf/mm2 e o ferro fundido coquilhado com dureza Brinell até 500 kgf/mm2, inclusive para aço temperado com uma dureza até 60 HRC. Também são próprias para a usinagem de materiais que apresentam forte efeito abrasivo, como plástico, grafite, ebonite. Na realidade quase todos os materiais podem ser usinados com cerâmica. As poucas exceções são: 1. Alumínio, que reage quimicamente com Al2O3. 2. Ligas de titânio, com alta percentagem de níquel e materiais resistentes ao calor, devido a tendência a reações químicas. 3. Magnésio, berílio e zircônio, que são inflamáveis na temperatura de trabalho da cerâmica. A pastilha de cerâmica de corte tem as seguintes propriedades: Cor (cerâmica pura) branca 3 Peso específico (gf/cm ) 3,7 a 4,1 Dureza (HRA) 90 a 95 3.500 Resistência à compressão (N/mm2) Resistência à flexão (N/mm2) 150 a 400 Temperatura de amolecimento (°C) 1.800 Coeficiente de dilatação térmica linear (°C-1) 0,8.10-6 Cerâmicas mistas - Ao lado das pastilhas cerâmicas acima descritas, estão sendo utilizadas ferramentas de corte com menos de 90% de Al2O3, porém com adições de óxidos e carbonetos metálicos, especialmente de carboneto de titânio e também carboneto de tungstênio. Estes materiais são denominados CERMETOS (cerâmica + metal) na literatura anglo-americana, que são compósitos. São obtidos por prensagem a quente, o que produz uma estrutura de partida mais compacta do que no caso da cerâmica pura. São em geral de cor preta. Na sinterização, a presença de carbonetos de titânio e outros óxidos, inibe o crescimento dos grãos. Isto confere aos cermetos elevada dureza, maior tenacidade, resistência ao desgaste do gume e à formação de crateras. Ao contrário dos materiais cerâmicos, os cermets são condutores elétricos, têm razoável condutividade térmica e são menos frágeis. Têm um peso específico de 5 a 6 gf/cm3. São menos sujeitos à trincas térmicas do que as cerâmicas puras. São usados na usinagem de ferro fundido com dureza Brinell maior que 235 HB e aços com dureza de 34 a 66 HRC. Cerâmicas à base de nitreto de silício - Em 1.981, foi introduzido um novo tipo de cerâmica de corte, denominada SIALON que contém nitreto de silício (Si3N4), além do Al2O3 e de uma fase TiC. Sua dureza a quente é ainda melhor 184

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que a das cerâmicas mistas. A resistência a choques térmicos aproxima-se da dos carbonetos. O SIALON, sob a forma de pastilhas pretas, está superando as outras cerâmicas na usinagem em alta velocidade de ferro fundido e ligas de níquel. Diamantes naturais (monocristalinos) - Os diamantes naturais são obtidos com a extração mineral e classificam-se em Carbonos, Ballos e Borts. Os Carbonos ou diamantes negros são diamantes aparentemente "amorfos", que por aquecimento, perdem a sua dureza e, por isto são empregados apenas para aplicações especiais, como ferramentas para retificar rebolos, pontas de brocas para minas, assim como para trabalhar fibras, borracha e plásticos. Os Ballos são diamantes claros, de crescimento irregular, especialmente duros em virtude de sua estrutura. Pelo fato de serem redondos, não encontram aplicação na fabricação de ferramentas de corte e de rebolos. Os Borts, especialmente o africano, é claro. Seu valor depende da qualidade e do número de bordos naturais de trabalho que oferece, se bem que hoje dá-se mais importância à dureza. Isto porque, em lugar de bordos naturais, preferese gumes lapidados no diamante com ângulos apropriados. Os Borts são diamantes mono-cristalinos. Sua característica principal é a sua anisotropia, isto é, suas propriedades mecânicas (dureza, resistência, módulo de elasticidade) variam com a direção. Eles têm também quatro direções preferenciais de clivagem. Conclui-se daí, que para tanto a preparação do diamante por lapidação como para a sua montagem num porta-ferramenta, deve-se conhecer a disposição da estrutura cristalina. Enquanto que a lapidação deve ocorrer sempre na direção de mínima dureza, a montagem do monocristal no porta ferramenta deve ser feita de modo que a força de usinagem seja orientada na direção de máxima dureza. Ferramentas de diamante monocristalino são especialmente indicadas na usinagem de metais leves como bronze, latão, cobre, ligas de estanho, borracha dura e mole, bem como vidro, plástico e pedras. O campo de aplicação são principalmente as operações de usinagem fina, onde são feitas grandes exigências de precisão dimensional e qualidade superficial.

A usinagem de aço e ferro fundido não é possível, em virtude da afinidade do ferro com o carbono. O diamante, na zona de contato com a peça de aço, em virtude da alta temperatura, transforma-se em grafite e reage com o ferro. Isto leva a um rápido desgaste do gume. O diamante permite obter uma elevada precisão dimensional e acabamento brilhante que iguala-se a um apurado polimento. A velocidade de corte praticamente não tem limite superior. Velocidades de 2.000 m/min já foram experimentadas com sucesso. Não se recomendam velocidades inferiores a 100 rpm. Os avanços usualmente de 0,02 mm/rot a 0,06 mm/rot e as profundidades de corte de 0,01 ate 0,2 mm. Diamante policristalino - Em 1.973 foi apresentado pela primeira vez uma ferramenta com uma camada de diamante sintético policristalino. A matéria prima são partículas muito finas de diamantes sintéticos, de granulação muito definida para obter-se o máximo de homogeneidade e densidade. A camada de diamante policristalino é produzida pela sinterização das partículas de diamante com cobalto num processo de alta pressão (6.000 a 7.000 MPa) e alta temperatura (1.400 a 2.000 oC). A camada de aproximadamente 0,5 mm de espessura, ou é aplicada diretamente sobre uma pastilha de metal duro 185

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pré-sinterizado ou então é ligada ao metal duro através de uma fina camada intermediária de um metal de baixo módulo de elasticidade. A camada de diamante tem caráter isotrópico em virtude da distribuição irregular dos grãos de diamante. Não atinge nunca a dureza do diamante monocristalino na direção de máxima dureza. As pastilhas com uma camada de diamante policristalino podem ser soldadas em cabos ou fixadas mecanicamente em porta-ferramentas padronizados, pois tem a forma e as dimensões iguais as das pastilhas comerciais de metal duro. As ferramentas de diamante policristalino podem ser usadas na usinagem de metais leves, cobre, latão, bronze, estanho, diversos plásticos, asbesto, fibras reforçadas de vidro, carbono ou outros materiais, exceto materiais ferrosos e duralumínio. Nitreto de boro cúbico cristalino (CBN) Depois do diamante, os cristais cúbicos de nitreto de boro são o material mais duro que se conhece. Trata-se de um material sintético, obtido pela reação de halogênietos de boro com amoníaco. Como no carbono, existe uma forma macia, de estrutura cristalina hexagonal, igual ao do grafite e uma forma dura, tetragonal, de estrutura idêntica ao do diamante. Nitreto de boro foi obtido pela primeira vez em 1.957, pela transformação de nitreto de boro de estrutura hexagonal em estrutura tetragonal, sob pressões de 5.000 a 9.000 MPa e temperaturas de 1.500 a 1.900 °C, na presença de um catalisador (lítio). O CBN é quimicamente bem mais estável do que o diamante, especialmente contra oxidação. Sob pressão atmosférica, o CBN é estável até 2.000 °C, enquanto no diamante já ocorre grafitização a 900 °C.

As pastilhas de CBN são executadas de forma análoga as de diamante policristalino. Umas camada de 0,5 mm de espessura de partículas de nitreto de boro são sinterizadas num processo de alta pressão e alta temperatura, com a presença de uma fase ligante, efetivando-se simultaneamente a fixação sobre uma base de metal duro. Distinguem-se pastilhas que devem ser soldadas num cabo e retificadas com rebolo de diamante e pastilhas de fixação mecânica, que podem ser usadas com porta-ferramentas convencionais. As ferramentas de CBN são empregadas preferencialmente na usinagem dos aços duros (45 a 65 HRC), mesmo em condições difíceis, aço rápido, ligas resistentes a altas temperaturas na base de níquel e cobalto. Além disso, servem para a usinagem de revestimentos duros, com altas percentagens de carbonetos de tungstênio ou CrNi, aplicados por soldagem de deposição ou jato de material liquefeito por chama. São usadas velocidades de corte de 50 a 200 m/min, avanços de 0,1 a 0,3 mm, profundidade menor ou igual a 2,5 mm. Devido sua elevada resistência ao impacto, podem ser usadas em cortes severos, interrompidos e na remoção de cascas tenazes, abrasivas e irregulares de peças fundidas e forjadas e peças de ferro fundido coquilhado. As ferramentas de CBN servem para cortes interrompidos bem como par usinagem de desbaste, de acabamento e usinagem fina. Rugosidades inferiores a 1 µm são obtidos, dispensando a retificação.

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térmicas.) Borracha Compósito Alguns dos materiais do quadro acima são duros e frágeis. Dr. incluindo a inspeção e os ensaios finais nos produtos acabados. metais.... resistência à corrosão. as propriedades de atividade. onde cada elemento químico tem um número e massa atômica própria. os materiais apresentam propriedades físicas e químicas distintas. Às vezes é comum encontrar a propriedade mecânica de um material distinta da propriedade física. cerâmicos. Losekann Direitos autorais reservados 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS 14. Ge. outros tem baixo e alguns nem apresentam ponto de fusão definido. Os materiais acima descritos podem ser agrupados em dois grupos e quatro subgrupos: materiais metálicos. materiais não-metálicos. ou seja. Todos esses materiais podem ser encontrados tanto em uma cama quanto em uma aeronave.1 – INTRODUÇÃO A nova tendência de matérias-primas e o desenvolvimento dos processos de fabricação determinaram à criação de métodos padronizados de produção.) Borracha Chumbo Tungstênio Sintéticos Vidro Cerâmica Plástico Semicondutor (GaAs. MATERIAIS METÁLICOS Ferrosos Aços Ferros fundidos Não-ferrosos Alumínio Cobre Zinco Magnésio NÃO-METÁLICOS Naturais Madeira Asbesto Couro Semicondutor (C. elétricas. Uns tem elevado ponto de fusão. 187 . desenvolveram-se processos e métodos de controle de qualidade dos produtos.. Propriedades físicas: podem ser agrupadas. outros são moles e dúcteis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. resistência a oxidação. Entende-se que o controle de qualidade precisa começar pela matéria prima e deve ocorrer durante todo o processo de produção. plásticos. Propriedades químicas: podem ser agrupadas. CdS.. O uso correto do material depende do profundo conhecimento dele e das implicações tecnológicas de sua obtenção.. as propriedades mecânicas. A começar pela Tabela Periódica. magnéticas e óticas. GaAsP. compósitos. e ao mesmo tempo. difusividade. Si. Todos os materiais têm propriedades distintas. a esta propriedade. semicondutores. Cláudio R. por exemplo. a esta propriedade.

Esta resistência é medida através de ensaios de tração ou de compressão na máquina universal de ensaio. tenacidade. maleabilidade. quando submetido a um esforço. Em termos de indústria mecânica. quando for submetido a pressão estática. como também durante a sua utilização. As propriedades mecânicas que se tem maior interesse são: resistência à tração e compressão. quando for cessado o esforço que o deformou. Em geral. dureza. 188 . à deformação plástica permanente e. Esta propriedade tem definições metalúrgicas.1 . Esta resistência é medida através de ensaios de dureza. a) Máquina de ensaio universal. Cláudio R. a propriedade mecânica é considerada uma das mais importantes para a escolha da matériaprima. a) b) Figura 14. fragilidade.Equipamentos de ensaios mecânicos. Dureza: é a resistência que o material oferece à penetração. Dr. mineralógicas e mecânicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Ductilidade: é a capacidade que um material tem de se deformar sem rompimento. Losekann Direitos autorais reservados As propriedades mecânicas aparecem quando o material está sujeito a esforços de natureza mecânica. Essa capacidade é necessária durante o processo de fabricação. isto é. os materiais duros são também frágeis. elasticidade. propriedades que determinam a maior ou menor capacidade de resistir ou transmitir esforços que lhe são aplicados. b) Durômetro. ductilidade. ou ao desgaste. Fragilidade: é a capacidade que um material apresenta de romper-se quando for submetido a impacto. Elasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. plasticidade. e recuperar sua forma original. Resistência à tração e compressão: é a resistência que o material oferece à esforços de tração ou de compressão até a sua ruptura.

2 . DIN (Deuches Institut für Normung). Os materiais dúcteis apresentam maior tenacidade que os materiais frágeis. mesmo que estes não fiquem inutilizados. Cisalhamento. Dureza. Tenacidade: é a capacidade que um material tem de absorver energia até a sua ruptura. Ultra-som e Radiografia Industrial. Fluência. AFNOR (Association Française de Normalisation). Fadiga. ensaio de tombamento (verificação da resistência ao impacto). O ferro fundido e o vidro são dois materiais frágeis. quando o mesmo for submetido à esforços estáticos ou dinâmicos. Estes ensaios são: Tração. nunca inutilizam a peça ou corpo de prova.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dobramento. Impacto. 14. Embutimento. Estes ensaios são: Líquido Penetrante. ASTM (American Society for Testing and Materials). por conseqüência. JIS (Japanese Industrial Standards).ENSAIO DE TRAÇÃO O ensaio de tração consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende alongá-lo até a ruptura. Torção. desta forma. que são lidos na própria máquina de ensaio ou através de um computador acoplado que registra 189 . e manter-se deformado após cessado o esforço que o deformou. As normas técnicas mais utilizadas pelos laboratórios de ensaios vem das seguintes instituições: ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Partículas Magnéticas. Ensaios não destrutivos: são aqueles que após sua realização não deixam nenhuma marca ou sinal e. Por esta razão. os ferros fundidos apresentam maior tenacidade que os vidros. Existem vários critérios para classificar os ensaios mecânicos. cálculos. quando submetido a um esforço. Losekann Direitos autorais reservados Plasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. Os ensaios mecânicos dos materiais são procedimentos padronizados mediante normas técnicas que compreendem testes. ensaio em esmeril (verificação do teor de carbono em um aço através da análise da centelha). gráficos para a determinação de propriedades mecânicas. SAE (Society of Automotive Engineers). ISO (International Organization for Standardization). BSI (British Standards Institution). é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de tração. entretanto. A classificação mais utilizada é a que separa em dois grupos: Ensaios destrutivos: são aqueles que ocorrem mediante a destruição do corpo de prova ou peça ou que deixam algum sinal. Cláudio R. Flexão. alguns ensaios não padronizados para uma análise prévia. Os ensaios mecânicos padronizados são realizados em laboratórios equipados adequadamente para levantamento de dados. pode ser feita em oficina como o ensaio por lima (verificação de dureza por meio do corte de cavaco). Dr. Maleabilidade: é a capacidade que um material tem de se transformar em lâminas quando submetidos a esforços estáticos. podem ser usados para detectar falhas em produtos acabados ou semi-acabados. Realizar um ensaio consiste em submeter um objeto já fabricado ou um material que vai ser processado industrialmente a situações que simulam esforços nas condições reais de uso. chegando a limites extremos de solicitação. entretanto. Compressão. ASME (American Society of Mechanical Engineer).

.] No Sistema Internacional. conforme ilustra a figura ao lado. atuar sobre a área de secção transversal da peça. quando uma carga normal “F” (tem a A direção do eixo da peça). Pode-se afirmar que uma peça está submetida a esforços de tração. embora muitas vezes não perceptível a olho. a) antes do ensaio.2 .. A carga normal “F”... . 190 . Esta deformação é seguida de um aumento no seu comprimento com diminuição da área da secção transversal. Figura 14. e a área de seção transversal da peça “A”.área da secção transversal da peça [m2. .tensão normal [ N/mm2. origina nesta. Esta tensão é também denominada de tensão normal de tração. megapascal (MPa) e o gigapascal (GPa). Losekann Direitos autorais reservados as cargas e as deformações ocorridas. pode-se determinar a tenacidade de um material. b) após o ensaio.] F . que são o quilopascal (kPa). então. e quais os limites de tração que suportam.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Peça tracionada. Na prática. kN. em N/m2.102 kgf/mm2 A aplicação de uma força axial de tração em um corpo de prova produz uma deformação neste corpo. Cláudio R. a força é expressa em newtons (N). . 1 Pa 1 MPa 1 GPa 1 MPa 1 N/m2 1 N/mm2 103 MPa 0. Quando a carga atuar no F sentido dirigido para o exterior da peça. A tensão (σ) será expressa. MPa. onde: σ . F Figura 14. unidade que é denominada pascal (Pa). mm2. uma tensão normal “σ” (sigma). que atua na peça. então usa-se múltiplos desta unidade..Corpo de prova de ensaio de tração.] A . que é determinada através da relação entre a intensidade da carga aplicada “F”.força normal ou axial [N. Dr.3 . a área em metros quadrados (m2).. o pascal torna-se uma medida muito pequena para tensão. a peça está tracionada. Através deste ensaio.

cuja expressão matemática é ∆ = L f − L0 . mm/m. níquel e outros.comprimento final do CP [mm. é geralmente confundido com a deformação. % ] Lo . até a ruptura do material. o material volta a sua forma original. pode-se fazer a razão da força pela área F da secção transversal inicial ( ) e do alongamento pelo comprimento inicial A0 L − L0 ( f ). as máquinas de ensaio realizam a relação F x ∆ (força x alongamento) na qual ocorre variação da carga aplicada e conseqüentemente o alongamento (Lf . Há dois tipos de deformação que ocorrem quando um material é submetido a um esforço: a elástica e a plástica. é muito comum entre técnicos a unidade mm/m pois dá uma idéia rápida do alongamento de um corpo com 1 metro de comprimento. Cláudio R. Entre os diagramas σ x ε de vários grupos de materiais é possível. pode-se medir o aumento na distância entre os pontos marcados.DIAGRAMA TENSÃO . que são os materiais dúteis e os materiais frágeis. A deformação elástica não é permanente. o CP é submetido a uma carga normal “F”. Uma vez cessados os esforços. elas nos levam a dividir os materiais em duas importantes categorias.DEFORMAÇÃO Durante o ensaio de tração. o alongamento.1 . como o aço.] O diagrama tensão . Os materiais dúcteis. para um mesmo material podem ocorrer resultados diferentes devido a variação de temperatura do corpo de prova e da velocidade da carga aplicada..comprimento inicial do CP [mm. e principalmente pela anisotropia. .deformação [mm/mm. e ainda. a estricção. Cessado os esforços. 14. À medida que este carregamento aumenta. latão. longitudinal de um material é definida como: ε = f L0 onde: ε ... Esta afirmação tem caráter macroscópico. bronze. e a redução da área na secção transversal. distinguir algumas características comuns. são caracterizados por apresentarem escoamento à temperaturas 191 . cobre. cm. visto que ocorrem discordâncias irreversíveis após a aplicação de uma carga.. cm..deformação varia muito de material para material.deformação (σ x ε). o material não volta a sua forma original. . A0 é área de L0 secção transversal inicial [mm2.] Lf . No ensaio de tração. .L0) do corpo de prova e se considerar que a área da seção transversal é invariável. sendo portanto adimensional. cm2. no entanto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. alumínio. Dr.. resultando o diagrama tensão .2. A deformação L − L0 . A deformação plástica é permanente. Losekann Direitos autorais reservados Antes do ensaio são medidas a área de seção transversal “A0” do CP e a distância “L0” entre dois pontos marcados neste. O alongamento.] Embora a deformação é uma razão do alongamento com o comprimento inicial.

. a parte inicial do diagrama é uma linha reta com grande coeficiente angular.] Ψ = Após ter começado a estricção. Então para os materiais frágeis não existe diferença entre tensão de resistência e tensão de ruptura. Af − A0 ⋅ 100 A0 onde: ψ .6 .. Dr. e a tensão σr correspondente ao ponto de ruptura é chamada tensão de ruptura.4 .estricção [%] A0 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.σE). como ferro fundido. . um carregamento mais baixo é o suficiente para a deformação do corpo de prova. o diâmetro do CP começa a diminuir. Cláudio R. Figura 14. são caracterizados por uma ruptura que ocorre sem nenhuma mudança sensível no modo de deformação do material. até a sua ruptura.área de secção transversal inicial [mm2.área da secção transversal final [mm2.Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε. . Quando o carregamento atinge um certo valor máximo. Losekann Direitos autorais reservados normais. de início lenta e proporcionalmente ao carregamento. cm2.Material dúctil. a) diagrama σ x ε..Material frágil. o corpo de prova sofre uma grande deformação com pouco aumento da carga aplicada. A tensão σE correspondente ao início do escoamento é chamada de tensão de escoamento do material. Desse modo. a tensão σR correspondente a carga máxima aplicada ao material é conhecida como tensão de resistência.5 . A esse fenômeno é dado o nome de estricção: Figura 14. Materiais frágeis. devido a perda de resistência local. quando é atingido um valor crítico de tensão (tensão de escoamento . e com isso seu comprimento aumenta. O corpo de prova é submetido a carregamento crescente. Figura 14. b) aspecto da fratura.. b) aspecto da fratura.] Af . 192 . vidro e pedra. a) diagrama σ x ε. cm2. Entretanto.

14. pois corresponde a máxima tensão atingida no ensaio de tração. Quando se atinge o limite de escoamento. geralmente representada pela letra “E”. recebe o nome de região elástica..Tensão Limite de Resistência: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de resistência ou resistência a tração.) em aços e algumas ligas de alumínio. ou seja.deformação com a abcissa (deformação).2. praticamente. no regime elástico.Tensão de Ruptura: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de ruptura. .2 . Região Plástica: Chama-se região plástica o trecho compreendido entre o limite de proporcionalidade e o ponto correspondente a ruptura do material. o valor da tensão. é a que corresponde a ruptura do corpo de prova. compreendido entre a origem e o limite de proporcionalidade.. mostra algumas propriedades significantes que são: Figura 14.deformação. abaixo do qual o material obedece a lei de Hooke. σr .diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono. O módulo de elasticidade longitudinal só é válido para a região que obedece a Lei de Hooke. Cláudio R. σp . A tenacidade e o módulo de elasticidade longitudinal. são duas outras propriedades mecânicas que podem ser tiradas deste diagrama através de cálculos. Não há estricção nos materiais frágeis e a ruptura se dá em uma superfície perpendicular ao carregamento. AlSi.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. σE – Tensão Limite de Escoamento: A partir deste ponto aumentam as deformações sem que se altere.PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS A figura ao lado que representa um diagrama tensão . diz-se que o material passa a escoar-se. a deformação até a ruptura é muito menor nos materiais frágeis do que nos materiais dúcteis.7 . Losekann Direitos autorais reservados Além disso. enquanto que o módulo de elasticidade longitudinal é determinado através de: E = tgα .Tensão Limite de Proporcionalidade: Representa o valor máximo da tensão.deformação de um material com inclusões não-metálicas (Fe3C. 193 . σR . A tenacidade pode ser determinada através da área da curva de tensão . Região Elástica: O trecho da curva tensão . Dr.

5. Losekann Direitos autorais reservados Lei de Hooke No trecho inicial do diagrama da figura acima.450 Monel 13.000 4.750 29. Ealumínio = 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a orientação e tamanho dos cristais (grãos).400 .500 silício Bronzes de alumínio 8. 1.13.000 .000 Inconel 16. A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia. Dr. isto é.100 Ligas de magnésio 4. e no caso de policristalino.200 Hastelloy 18. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.800 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) Ferro. maior o seu módulo de elasticidade. quando maior a atração entre átomos. direção de crescimento do cristal.773-1. Esta propriedade também é anisotrópica.750 10.950 σ F L − L0 e σ = E ⋅ ε e também que σ = e ε= f . e se deve ao matemático inglês Robert Hooke (1. e será negativo quando a carga aplicada comprimir a peça.000 18. que é determinado pela força de atração entre átomos dos materiais.300 Ligas de alumínio 7.400 Ligas de chumbo 1.7.635-1.000 Illium 18.700 .11. ou módulo de Young (cientista inglês. Essa relação é ε conhecida como Lei de Hooke. material.900 Bronzes de manganês e ao 10.200 12. pode-se tirar ε A L0 a seguinte expressão para cálculos de alongamento no regime elástico: F ⋅ L0 ∆ = .703).700 Ligas de titânio 11. Cláudio R.000 11. O coeficiente “E” é chamado módulo de elasticidade longitudinal.000 1.900 7. níquel.000 Bronzes e latões 7.100 .900 21.7 x 104 kgf/mm2. Exemplos: Eaço = 2. a tensão “σ” é diretamente σ proporcional à deformação “ε” e pode-se escrever: E = .850 18.500 7.550 Ligas de estanho 5. O alongamento será positivo. pois depende do material ser monocristalino.550 9. cobalto Molibdênio.500 Invar (níquel-ferro) 14. etc.2. prata Platina Aços-carbono e aços-liga 21. quando a carga aplicada tracionar a A0 ⋅ E peça.150 4. tungstênio Cobre Alumínio Magnésio Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro.000 35. Sendo E = 194 .000 10.000 Aços inoxidáveis austeníticos 19.400 .700 56.600 Ferro Fundido Nodular 14.829).200 25.800 10.1 x 104 kgf/mm2.

A tensão real. onde “D” é a D0 medida nominal do diâmetro do corpo de prova submetida a ação de carga ε normal. em caso de CP cilíndrico.8 . Como a tensão é a razão entre força e área da secção transversal. 195 . Cláudio R. a área da secção transversal começa a reduzir-se de forma brusca. Da mesma forma. e que a partir do momento que se atinge a carga máxima. σ real = σ (1 + ε ) . A curva de tensão . onde “F” e “A” são as forças e A áreas da secção transversal em cada instante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.deformação descrita acima é chamada de curva de engenharia. σreal . em toda a sua amplitude. abrange também a deformação D − D0 transversal que. pode-se definir a deformação longitudinal real a cada L dL ⎛ L⎞ = ln⎜ ⎟ . εt Observe que o coeficiente de poisson terá um valor negativo tanto para a tração quanto para a compressão em virtude dos sinais contrários da deformação longitudinal e deformação transversal. é dado por: ε t = f .Curvas de tensões reais e de engenharia. A figura abaixo representa esta consideração da determinação da curva real de tensão. O coeficiente de Poisson (ν) é determinado pela relação ν = . instante dado por: ε real = ∫ L0 L ⎝ L0 ⎠ 0 Supondo que a deformação ao longo do corpo de prova seja uniforme e admitindose volume constante pode-se demonstrar que: ε real = ln(1+ ε ) . Dr. σ Curva real Curva de engenharia ε Figura 14. onde pode-se tirar valores apropriados até o momento em que se atinge a carga máxima. ocorre na realidade um aumento de tensão que obedece uma função logarítima. Tendo em vista que a área da secção transversal diminui à medida que amplia-se a carga no corpo de prova. começa ocorrer fratura no sentido de dentro para fora.9 .Alongamentos na tração e na compressão. é definida por: F σ real = . Losekann Direitos autorais reservados Figura 14. A lei de Hooke.

Figura 14. identificada no desenho anterior por L0. A parte útil do corpo de prova. que servem para fixar o corpo de prova à máquina de modo que a força de tração atuante seja axial. O comprimento da parte útil dos corpos de prova utilizados nos ensaios de tração deve corresponder a 5 vezes o diâmetro da seção da parte útil. Sempre que possível um corpo de prova deve ter 10 mm de diâmetro e 50 mm de comprimento inicial. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os tipos de fixação mais comuns são: cunha. como mostram as figuras a seguir.9 . Entre as cabeças e a parte útil há um raio de concordância para evitar que a ruptura ocorra fora da parte útil do corpo de prova. Corpos de prova com seção retangular são geralmente retirados de placas. Estas condições dependem dos acessórios da máquina de ensaio de tração e também dependem da forma e tamanho do produto acabado do qual foram retirados. deve-se adotar um corpo com dimensões proporcionais a essas medidas. Não sendo possível a retirada de um corpo de prova deste tipo.10 . Geralmente utilizam-se corpos de prova de seção circular ou de seção retangular. chapas ou lâminas.3 .Máquina de ensaio e registrador. Suas 196 . Figura 14.CORPOS DE PROVA O ensaio de tração é feito em corpos de prova com características especificadas de acordo com normas técnicas.Corpos de prova. As cabeças são as regiões extremas. rosca. flange. Devem ter seção maior do que a parte útil para que a ruptura do corpo de prova não ocorra nelas.2. Suas dimensões e formas dependem do tipo de fixação à máquina. Losekann Direitos autorais reservados 14. Dr. é a região onde são feitas as medidas das propriedades mecânicas do material.

Por fim. Este é o método para determinar o comprimento final quando a ruptura ocorre no centro da parte útil do corpo de prova. Em materiais soldados. e calcular a média. O limite de resistência à tração também é afetado por esta interação. Para preparar o corpo de prova para o ensaio de tração deve-se medir o diâmetro do corpo de prova em vários pontos na parte útil. Figura 14. Os ensaios dos corpos de prova soldados normalmente determinam apenas o limite de resistência à tração. Os valores obtidos no ensaio não representam as propriedades nem de um nem de outro material.Tipos de fixação. que corresponde à distância entre os dois externos dessa contagem. utilizando um micrômetro. junta-se da melhor forma possível. Losekann Direitos autorais reservados dimensões e tolerâncias de usinagem são normalizadas pela ISO/ R377 enquanto não existir norma brasileira correspondente. Procura-se o risco mais próximo da ruptura e conta-se a metade das divisões (n/2) para cada lado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 14. as marcações devem ser feitas de 5 em 5 mm.11 . as duas partes do corpo de prova. 197 . podem ser retirados corpos de prova com a solda no meio ou no sentido longitudinal da solda. Dr./1980) somente indica que os corpos de prova devem apresentar bom acabamento de superfície e ausência de trincas. pois umas são afetadas pelas outras. Em um corpo de prova de 50 mm de comprimento. tensionase simultaneamente dois materiais de propriedades diferentes (metal de base e metal de solda). Cláudio R. dez. Ao efetuar o ensaio de tração de um corpo de prova com solda. Após o ensaio. Mede-se então o comprimento final. mas é determinado mesmo assim para finalidades práticas. A norma brasileira (NBR .12 .6152.Preparação de corpo de prova. deve-se traçar as divisões no comprimento útil. figura abaixo.

alternativo ao limite elástico. Ele é obtido verificando-se a parada do ponteiro na escala da força durante o ensaio e o patamar formado no gráfico exibido pela máquina.Determinação do limite de escoamento. deve-se adotar o seguinte procedimento normalizado: • Toma-se o risco mais ruptura.Limite de escoamento: valores convencionais O limite de escoamento é.Ruptura do corpo de prova no centro.Ruptura do corpo de prova fora de centro. Dr. em algumas situações.3. • Conta-se n/2 divisões de um dos lados. próximo da Figura 14. porque acontece muito rápido e não é possível detectá-lo. as para n/2 Figura 14. e mesmo nas ligas em que ocorre ele não pode ser observado. A medida de Lf será a somatória de L’+ L”. na maioria dos casos. vários metais não apresentam escoamento. Cláudio R.2. Entretanto.13 .1 . Com esse dado é possível calcular o limite de escoamento do material.15 . Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 14. Losekann Direitos autorais reservados Quando a ruptura ocorre fora do centro. conforme mostra a figura a seguir. 198 .14 . • Acrescentam-se ao comprimento do lado oposto quantas divisões forem necessárias completar divisões. de modo a não permitir a contagem de n/2 divisões de cada lado. pois também delimita o início da deformação permanente (um pouco acima).

É também recomendado para produtos acabados. para metais e ligas metálicas em geral. principalmente quando se trata de materiais frágeis. a lei de F F Hooke também vale para a fase σ= elástica da deformação. foram convencionados alguns valores para determinar este limite. • n = 0. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Por essas razões. Graficamente. com a adaptação de duas placas lisas — uma fixa e outra móvel. As relações matemáticas para a tração valem F F também para a compressão. isso significa que um corpo submetido a compressão também sofre uma deformação elástica seguido de uma deformação plástica.01%. e é A possível determinar o módulo de elasticidade para diferentes materiais. pedra e concreto. Do mesmo modo que o ensaio de tração. • n = 0. para aços-mola e ferros fundidos.3 . desta forma. madeira. Nos ensaios de compressão. é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de compressão. E entre elas que o corpo de prova é apoiado e mantido firme durante a A compressão. como mostra a figura abaixo. Nos ensaios de compressão. 199 . Os valores de uso mais freqüente são: • n = 0.16 . Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. os corpos de prova são submetidos a uma força axial para dentro. o limite de escoamento dos materiais citados pode ser determinado pelo traçado de uma linha paralela ao trecho reto do diagrama tensão-deformação.1%. como ferro fundido.2%. Quando essa linha interceptar a curva. O valor convencionado (n) corresponde a um alongamento percentual. a partir do ponto “n”. em virtude que a resistência compressão é aproximadamente igual a da tração. O ensaio de compressão é o mais indicado para avaliar essas características. Dr. como molas e tubos. o limite de escoamento estará determinado.Esquema da compressão. distribuída de modo uniforme em toda a seção transversal do corpo de prova.ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende a encurtá-lo até a ruptura. para aços ou ligas não ferrosas mais duras. Não se costuma utilizar ensaios de compressão para os metais. 14. o ensaio de compressão pode ser executado na máquina universal de ensaios.

é necessário revestir as faces superior e inferior do corpo de prova com materiais de baixo atrito (parafina. encurvamento do corpo de prova. Figura 14.2 .ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS Nos materiais dúcteis a compressão vai provocando uma deformação lateral apreciável. isto é. Losekann Direitos autorais reservados 14. Deve-se centrar o corpo de prova no equipamento de teste. b) flambagem. conforme mostra a figura ao lado. Outro cuidado a ser tomado para evitar a flambagem é o de garantir o perfeito paralelismo entre as placas do equipamento utilizado no ensaio de compressão. A deformação lateral do corpo de prova é barrada pelo atrito entre as superfícies do corpo de prova e da máquina. Os valores numéricos são de difícil verificação.3. podendo levar a erros. que devem ter de 3 a 8 vezes o valor de seu diâmetro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. teflon etc). 14. a) normal. Dr.LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão não é muito utilizado para os metais em razão das dificuldades para medir as propriedades avaliadas neste tipo de ensaio.18 . Dependendo das formas de fixação do corpo de prova. Por esse motivo. sem que ocorra a ruptura.Ensaio de compressão em materiais dúcteis. é necessário limitar o comprimento dos corpos de prova. 200 . Outro problema é a possível ocorrência de flambagem.Ensaio de compressão. Cláudio R. Um problema que sempre ocorre no ensaio de compressão é o atrito entre o corpo de prova e as placas da máquina de ensaio. Essa deformação lateral prossegue com o ensaio até o corpo de prova se transformar num disco. dependendo do grau de ductilidade do material.17 . Para diminuir esse problema. Em alguns materiais muito dúcteis esta relação pode chegar a 1:1 (um por um). A flambagem ocorre principalmente em corpos de prova com comprimento maior em relação ao diâmetro. há diversas possibilidades de encurvamento. para garantir que o esforço de compressão se distribua uniformemente.3. Isso decorre da instabilidade na compressão do metal dúctil. Figura 14.1 .

201 . Este ensaio permite avaliar qualitativamente a ductilidade do material. ou seja. A P P figura abaixo mostra o esquema do método do Ensaio de D Compressão Diametral que é L baseado nas normas brasileiras ABNT MB-212/58 e NBR-7222/83. a tensão de tração de ruptura. desenvolvendo-se nestas regiões tensões tridimensionais. O resultado é avaliado pelo aparecimento ou não de fissuras. do tubo e do cordão de solda do mesmo. rachaduras. P é a carga de ruptura [N].ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL Para materiais com elevado módulo de elasticidade. sem levar em conta a carga aplicada.20 . o ponto ou linha de contato passa a ser efetivamente a área de contato. resultando um estado triaxial de tensões. P P Figura 14. que varia conforme a dimensão do tubo. As propriedades mecânicas mais avaliadas por meio do ensaio são: limite de proporcionalidade. Quando isto ocorre. como. Ensaios de achatamento de tubos — Consiste em colocar uma amostra de um segmento de tubo deitada entre as placas da máquina de compressão e aplicar carga até achatar a amostra.Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração. que é o caso de muitos materiais metálicos e cerâmicos. Losekann Direitos autorais reservados Em virtude disto é que o ensaio de compressão de materiais dúcteis fornece apenas as propriedades mecânicas referentes à zona elástica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 14. Dr. onde: σ é a tensão limite de resistência à tração com a equação: σ = π ⋅ D⋅ L simples [MPa]. Figura 14.3 . a teoria mais conhecida é a teoria das tensões de Hertz ou tensões de contato. P O ensaio aplicado é o de compressão diametral.Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L. por exemplo. A medida da força de ruptura nos permite determinar a tensão limite de resistência à tração simples.19 .3. pressionadas umas contra outras. ou entre duas rodas dentadas. tensões de contato entre uma roda e um trilho. onde temos situações estabelecendo superfícies planas e curvas em contato. pois quanto mais o tubo se deformar sem P trincas. mais dúctil será o material. A distância final entre as placas. limite de escoamento e módulo de elasticidade. deve ser registrada. D é o diâmetro [mm] do corpo de prova e L [mm] é a espessura do corpo de prova. ou seja. amplamente utilizada no dimensionamento de elementos de máquinas. As distribuições de tensões estão representadas na figura abaixo. Cláudio R. de acordo 2⋅ P .

faz-se o ensaio de compressão. ou seja. aplicam-se cargas predeterminadas e mede-se a altura da mola após cada carga. obtendo-se um coeficiente angular que é a constante da mola.140 Kgf 2 202 .21 . ou para verificar sua resistência. para verificar a resistência da mola. Figura 14. Por outro lado. o módulo de elasticidade.Ensaios em molas. qual será a força de ruptura? a) Dados: σr = 40 Kgf/mm2 D = 10 mm Fr = ? b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: πD 2 π ⋅ [10 mm] A= = = 78. Considerando que o corpo de prova tem diâmetro nominal de 10 mm. Cláudio R. constrói-se um gráfico tensão-deformação.5 mm 2 4 4 F σ= ⇔ F =σ⋅ A A Kgf F = σ ⋅ A = 40 ⋅ 78.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Para determinar a constante da mola. Losekann Direitos autorais reservados Ensaios em molas — Para determinar a constante elástica de uma mola.5 mm 2 mm 2 F = 3. Exercícios resolvidos 1) Um aço de baixo carbono (SAE 1010) tem como tensão de ruptura 40 Kgf/mm2. Dr.

Qual é a tensão de tração de ruptura (em MPa) que este aço apresenta? a) Dados: σr = ? D = 15 mm Fr = 16.67 ⋅ 10−2 15 4) Uma liga de alumínio possui um Módulo de Elasticidade Longitudinal de 7.570 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: 2 πD 2 π ⋅ [15 mm] A= = = 176.625 mm 2 4 4 F 16570 Kgf Kgf σ= = 2 = 93.74 mm 203 .570 Kgf.74 mm de diâmetro sem que ocorra deformação permanente? a) Dados: σe = 28 Kgf/mm2 D = 1.3 MPa mm2 3) Calcule a deformação sofrida por um corpo de prova de 15 cm de comprimento e que após o ensaio de tração apresentou 16 cm de comprimento. Pede-se: • Qual a carga que pode ser suportado por um fio de 1.040 Kgf/mm2 e um limite de escoamento de 28 Kgf/mm2.8 A 176. Losekann Direitos autorais reservados 2) Considerando que um corpo de prova de aço SAE 1070 tem um diâmetro nominal de 15 mm e a força com que o material se rompeu foi de 16.8 = 920.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. Dr.625 mm mm2 Kgf σ = 93. a) Dados: lo = 15 cm lf = 16 cm ε=? b) Fórmulas: l f − lo ε= lo c) Solução: ε= ε= l f − lo lo l f − lo lo = 16 − 15 = 6.

02 A 7. Dr.02 σ mm2 = 8.55 ⋅ 10−4 ε= = Kgf E 7.040 mm2 2 • 204 .74 mm) A= = = 2. Losekann Direitos autorais reservados Fe = 7.05 mm) A= = = 7.05 mm de diâmetro.54 Kgf 2 Se uma carga de 44 kgf é suportada por um fio de 3.05 mm b) Fórmulas: σ E= ε π D2 A= 4 F σ= A σ = ε⋅E c) Solução: π D 2 π ⋅ (3.040 Kgf/mm2 ε=? σ=? F = 44 Kgf D = 3.30 mm2 4 4 F 44 Kgf Kgf σ= = 2 = 6.30 mm mm2 σ σ E= ⇒ ε= ε E Kgf 6.377 mm A mm F = σ ⋅ A = 66.800 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: π ⋅ D 2 π ⋅ (1. Cláudio R. qual será a deformação? a) Dados: E = 7.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.377 mm2 4 4 F Kgf 2 σ = ⇒ F = σ ⋅ A = 28 2 ⋅ 2.

altura “a”. Este plano geralmente é denominado de linha neutra. • flexão plana normal.Flexão em uma barra de secção retangular. Além disso. assim. Losekann Direitos autorais reservados 14. conforme indica a figura. pode-se verificar até que esforço de flexão a peça pode sofrer sem se romper. 205 . A flexão de uma barra pode ser obtida nas seguintes condições: • • • • a barra pode ter suas duas extremidades engastadas. são feitos ensaios de flexão em produtos contendo partes soldadas ou unidas por qualquer tipo de junção. em balanço.4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tensão resultante é zero. Quando se tem uma barra de secção retangular de comprimento “L”.1 . Figura 14. no laboratório. e largura “b” da secção normal. mas há um plano em que não há tensão. as condições da prática.4 . Os elementos internos da barra estarão sujeitos a um sistema de tensões de compressão e tração. uma engastada e outra apoiada.ENSAIO DE FLEXÃO O ensaio de flexão é geralmente feito de modo a reproduzir. Os casos mais simples são: • flexão plana circular. ficando a outra extremidade presa por meio de dispositivos. a barra pode ser vertical ou horizontal. Cláudio R.22 . estar aplicada numa das extremidades. no meio ou em um ponto qualquer. Desse modo. Por outro lado. as duas apoiadas. desde que a peça possa ser adaptada diretamente em uma máquina comum. e a carga é aplicada próximo à extremidade de uma das partes até que haja inicio de ruptura na junção. e no centro está aplicado uma força cortante “F”. Dr. é possível criar várias maneiras de se efetuar esse ensaio.SIGNIFICADO DE FLEXÃO Flexão é a solicitação que tende a modificar a direção do eixo geométrico de uma peça. 14. ou seja. Muitas vezes. a carga defletora pode ser: • • • concentrada ou distribuída.

vista sob um plano. o esforço e a deformação atingem valores assintóticos. Com o tempo. c é a distância da linha neutra a fibra mais afastada. Figura 101 . ou a variação da sua tensão elástica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. permanece uma deformação residual. O sinal positivo e negativo corresponde as tensões de tração e de compressão respectivamente.Elemento da barra submetido à flexão. As deformações perfeitamente elásticas em geral só ocorrem no início do processo.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade. Para uma secção circular. a calcita e a mica. A fórmula da tensão é aplicada nas secções onde pode haver ruptura do material. I onde: σ é a tensão fletora (tensão normal de compressão ou de tração). No dimensionamento das peças à flexão admitem-se apenas deformações elásticas. 64 206 . em que. ou seja .24 . O momento de inércia de uma secção retangular segundo a ⋅ b3 um sistema de eixo carteziano “YZ” é: I y = (em relação ao eixo Y) e 12 b ⋅ a3 Iz = (em relação ao eixo Z). a tensão resultante é zero. após a aplicação sucessiva de esforços de tração ou compressão. o efeito de esfoliação ou clivagem em placas em determinadas direções e em certos materiais cristalinos. Figura 14. Em primeira deformação e dentro de um campo limitado de deformações. Na “linha neutra”.23 . onde “D” é o diâmetro da secção circular. Cláudio R.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade. os corpos sólidos reais obedecem à lei de Hooke. com uma extremidade engastada. Figura 14. podendo haver a ruptura do material. A figura abaixo mostra o caso da flexão plana normal produzida por uma força “F” aplicada na extremidade livre de uma barra de balanço. a qual poderá ser superior a tensão de resistência do material. Dr. nas regiões que se tem momento fletor máximo que produzirá tensões de compressão e de tração máximas. A tensão de trabalho é fixada pelo fator de segurança ou pela tensão admissível. I é o momento de inércia da secção transversal. a fadiga do mesmo. Mf é o momento fletor. por exemplo. o momento de inércia 12 π ⋅ D4 em relação ao eixoY ou Z é: I = . Losekann Direitos autorais reservados A tensão fletora é dada pela Mf ⋅c expressão matemática σ = ± . como.

Método de flexão a três pontos. Figura 14. 207 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.26 .Método de flexão a quatro pontos.MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO A resistência à flexão é definida como a tensão máxima de tração na ruptura e é denominado freqüentemente como módulo de ruptura. O ensaio consiste em apoiar o corpo de prova sob dois apoios distanciados entre si de uma distancia “L”. A resistência a flexão é determinada através de fórmulas acima descritas e envolve cálculos de resistência dos materiais para a determinação do momento fletor máximo. sendo a carga de dobramento ou de flexão aplicada no centro do corpo de prova a uma distância L/2 de cada apoio (método de ensaio a três pontos).4.25 . geralmente. com corpo de prova constituído por uma barra de secção circular ou retangular para facilitar os cálculos. “MOR” . O ensaio flexão é feito. Figura 14.de quatro pontos. Dr. do inglês “modulus of rupture”.2 . Cláudio R. com um comprimento especificado. Losekann Direitos autorais reservados 14.

pode ser riscado por todos os outros seguintes). fluorita (4). pois. ortoclásio (6). mas bastante utilizado em cerâmicos. para um projetista.tem dureza Mohs (isto é. porque a expressão é determinada para uma distribuição linear (elástica) de tensão entre o eixo da barra e as fibras externas. O cobre recozido tem dureza Mohs 3. quartzo (7). Se a ruptura ocorrer dentro da zona elástica do material. 208 . apatita (5). seguindo-se a gipsita (2). Para um metalurgista. que é o valor máximo da tensão de tração ou compressão nas fibras extremas do corpo de prova durante o ensaio de flexão (ou torção).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Desse modo. Losekann Direitos autorais reservados A carga deve ser elevada lentamente até romper o corpo de prova. existem um ou mais tipos de medidas adequados. um engenheiro define a dureza como a resistência à penetração de um material duro no outro. MOR representará. A escala de dureza mais antiga para esse tipo é a escala de Mohs (1. topázio (8). nos estudos e pesquisas mecânicas e metalúrgicas e na comparação de diversos materiais. Desse ensaio. caso ocorra na zona plástica. vários minerais e outros materiais são relacionados quanto à possibilidade de um riscar o outro. e assim por diante. 14. que dependem da maneira com que o ensaio é conduzido que são: por penetração. o valor obtido para MOR é maior que a tensão máxima realmente atingida. Sob esse ponto de vista. O conceito divergente da dureza depende da experiência de cada um ao estudar o assunto. mesmo porque para cada um desses significados de dureza.ENSAIO DE DUREZA A propriedade mecânica denominada dureza é amplamente utilizada na especificação de materiais. por choque e por riscamento. que consiste em uma tabela de 10 minerais padrões arranjados na ordem crescente da possibilidade de ser riscado pelo mineral seguinte. não é possível encontrar uma definição única de dureza que englobe todos os conceitos acima mencionados. por exemplo. pois ele risca a gipsita e é riscado pela fluorita. Assim. o quartzo risca o ortoclásio e é riscado pelo topázio. o conceito de dureza não tem um mesmo significado para todas as pessoas que tratam com essa propriedade. Entretanto. a dureza é considerada uma base de medida para o conhecimento da resistência e do tratamento térmico ou mecânico de um metal e da sua resistência ao corte do metal.822). Com esse tipo de medida de dureza.5 . verifica-se que o talco (1) . e para um mineralogista. Dr. O valor do módulo de ruptura também pode ser relacionado com o limite de resistência do material. O riscamento é raramente usado para os metais. a tensão máxima na fibra externa. safira (9) e diamante (10). calcita (3). dureza significa a resistência à deformação plástica permanente. a martensita tem dureza Mohs aproximadamente igual a 7. como o módulo de ruptura “MOR” ou resistência ao dobramento. a dureza é a resistência ao riscamento que um material pode fazer no outro. pode-se também retirar outras propriedades do material. Assim. pode-se dividir o ensaio de dureza em três tipos principais. Cláudio R.

Esses métodos seriam úteis para a medição da dureza relativa de microconstituintes de uma liga metálica. conforme a expressão: HB = 2Q Q Q = = S C πD. 2H2O 3 calcita CaCO3 4 fluorita CaF2 5 apatita CaF (PO4)3 6 ortoclásio KAISio4 7 quartzo Sio2 8 topázio A12F2SiO2 9 corinto A12 O3 10 C diamante Para os metais. o qual é medido por intermédio de um micrômetro óptico (microscópio ou lupa graduados). mas não são métodos de medida precisa ou de boa reprodução. sendo que pequenas diferenças de dureza não são precisamente acusadas por esse método.DUREZA BRINELL A dureza por penetração. O valor de d deve ser tomado como média de duas leituras feitas a 90º uma da outra. Cláudio R. S. em N/mm² (ou kgf/mm²). a qual é relacionada com os valores D e d.5. de diâmetro D. A. com um diâmetro d. é o tipo de dureza mais usado até os dias de hoje na Engenharia. Dr. Vickers. Brinell em 1. O ensaio de dureza Brinell consiste em comprimir lentamente uma esfera de aço. Serão vistos com mais detalhes as durezas por penetração Brinell. A dureza por penetração é a mais utilizada e citada nas especificações técnicas. A dureza Brinell é definida. sobre a superfície plana. Losekann Direitos autorais reservados Escala de dureza Mohs. 1 talco Mg3H2Si4O12 2 gipsita CaSO4 . como o quociente entre a carga aplicada pela área de contato (área superficial). proposta por J. sendo mais usados no ramo da Mineralogia. denominada dureza Brinell e simbolizada por HB. polida e limpa de um metal através de uma carga Q durante um tempo t.1 . Knoop e Meyer e a dureza por choque Shore (escleroscópica). porque os seus intervalos não são propriamente espaçados para ele. essa escala não é conveniente. Rockwell. principalmente na região de altas durezas e a maioria dos metais fica entre as durezas Mohs 4 e 8. 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Essa compressão provocará uma impressão permanente no metal com o formato de uma calota esférica.900. depois de removida a carga. p πD( D − D 2 − d 2 ) 209 .

Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 14. sendo. Superfícies não planas não são propícias para o ensaio Brinell. Em geral. elimina o tempo necessário para a medição de qualquer dimensão da impressão causada. Losekann Direitos autorais reservados Sendo p a profundidade da impressão.). O ensaio é baseado na profundidade de penetração de uma ponta. um ensaio mais rápido e livre de erros pessoais. simbolizada por HR. pode ser omitida. portanto. nitretação. A dureza Rockwell. d.DUREZA ROCKWELL Outro tipo de dureza por penetração foi introduzido em 1. Os penetradores utilizados na dureza Rockwell são do tipo esférico (esfera de aço temperado) ou 210 .27 .2 . uma vez que a dureza Brinell não é um conceito físico satisfatório.28 . porque a equação que fornece a dureza Brinell não leva em consideração o valor médio da pressão sobre toda a superfície da impressão.922 por Rockwell. 14. pois acarreta erro na leitura do diâmetro.Ângulo φ nas impressões Brinell. para verificação de tratamentos térmicos ou superficiais e para laboratório.5. subtraída da recuperação elástica devida à retirada de uma carga maior e da profundidade causada pela aplicação de uma carga menor. utilizando penetradores pequenos. a impressão pede muitas vezes não prejudicar a peça ensaiada e pode ser usada também para indicar diferenças pequenas de dureza numa mesma região de uma peça. A rapidez do ensaio torna-o próprio para usos em linhas de produção. que é o que realmente deveria ser observado. que deveria ser sempre colocada após o valor de HB. Figura 14. A unidade N/mm² ou kgf/mm². admite-se o ensaio em uma superfície com o diâmetro 10 vezes o diâmetro da esfera utilizada. que leva o seu nome e oferece algumas vantagens significantes que faz esse tipo de dureza ser de grade uso internacional. etc. pois o resultado é lido direta e automaticamente na máquina de ensaio. Cláudio R. A dureza Brinell não serve para peças que sofreram tratamento superficial (cementação.Penetradores de Dureza Rockwell. Além disso.

Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. latão. as quais devem sempre aparecer após a sigla HR para diferenciar e definir a dureza. ferro e outros metais até 240 Brinell. ferro. As máquinas vêm com as várias 211 . como lâminas. nitretação. também chamado de penetrador-Brale. como cemetação. Algumas máquinas analógicas já vêm providas das escalas justapostas que servem para todos os tipos de dureza Rockwell existentes e outras podem ser lidas em visor digital. Na tabela abaixo são dadas as escalas usadas com o tipo de penetrador.). B. e para metais que sofreram algum tratamento superficial. Losekann Direitos autorais reservados cônico (cone de diamante. etc. etc. 15 N 15 Cone de 30 N 30 diamante 45 N 45 15 T 15 Esfera 1/16” 30 T 30 45 T 45 LEITURA Preta Preta Preta Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha CAMPO DE AMPLIÇÃO Aço cementado ou temperado Aço. até 240 Brinell Metal plástico Aço cementado ou temperado Aço. O número de dureza obtido correspondente a um valor adimensional. Essas escalas de dureza Rockwell são arbitrárias. porém baseadas na profundidade da penetração e são designadas por letras (A. tendo as arestas do cone 120º). Escala de dureza Rockwell comum. C. etc. bronze. as cargas maiores e algumas aplicações de cada escala. chapas. etc. ao contrário da dureza Brinell. CARGA PENETRADOR ESCALA (kgf) ROCKWELL A 60 Cone diamante ROCKWELL C 150 120° ROCKWELL D 100 ROCKWELL B 100 Esfera 1/16” ROCKWELL F 60 ROCKWELL G 150 ROCKWELL E 100 Esfera 1/8” ROCKWELL H 60 ROCKWELL K 150 ROCKWELL L 60 Esfera 1/4” ROCKWELL M 100 ROCKWELL N 150 ROCKWELL R 60 Esfera 1/2” ROCKWELL S 100 ROCKWELL V 150 Escala de dureza Rockwell superficial. Cláudio R. A dureza Rockwell superficial emprega igualmente várias escalas independentes e é utilizada para ensaios de dureza em corpos de prova de pequena espessura.

o número de dureza obtido é o mesmo qualquer que seja a carga usada para materiais homogêneos. deve-se primeiro tentar uma escala mais alta para evitar danificação do penetrador. tem-se.5 e a escala A é a de maior amplitude de variações. quadrada. area da superficie piramidal 2Qsen 136 2 . como no caso da dureza Brinell. Cláudio R. Para esse tipo de dureza. C. 212 . No caso da dureza Rockwell superficial. sem deformação no visor da máquina. A escala C tem seu uso prático entre os números 20 e 70. e pela média L das suas diagonais. isso depende.DUREZA SHORE Em 1. A forma da impressão é um losango regular. Dr. ou seja. Shore propôs uma medida de dureza por choque que mede a altura do ressalto (rebote) de um peso que cai livremente até bater na superfície lisa e plana de um corpo de prova. As demais só são empregadas em casos especiais.5.5. a carga varia de 1 até 100 ou 120 kgf. caso o resultado caia fora do intervalo de dureza HRC. a pré-carga é sempre de 3 kgf. N e T. Essa altura de ressalto mede a perda da energia cinética do peso. a dureza carga Vickers: HV = . a dureza Rockwell B varia de aproximadamente 50 a 100. O penetrador é uma pirâmide de diamante de base quadrada. uma escala contínua de dureza (de HV = 5 até HV = 1 000 kgf/mm²) para cada carga usada. deve-se empregar a escala B para evitar erros. da dureza do material que se está ensaiando. com um ângulo de 136º entre as faces opostas. isto é.8544Q 2 L L2 HV = Como Q é dado em kgf ou N e L em mm.907. conforme a expressão seguinte. levando o nome Vickers. para depois tentar as outras. a escala F entre 73 e 116. a dimensão da dureza Vickers é N/mm² ou kgf/mm². Losekann Direitos autorais reservados escalas acompanhadas. As escalas mais utilizadas são B. HRC. assim. ele é praticamente indeformável e como todas as impressões são semelhantes entre si.DUREZA VICKERS Essa dureza foi introduzida em 1. Como o penetrador é um diamante. a dureza Vickers (HV) é independente da carga. Esse método é conhecido por dureza escleroscópica ou dureza de Shore. que simplificado fica: HV = 1. Esse tipo de dureza fornece.4 .3 . Abaixo de 20. Assim. F.925 por Smith e Standland. A mudança da carga é necessária para se obter uma impressão regular. 14. por exemplo. A. naturalmente. absorvida pelo corpo de prova. não importando o seu tamanho. porque a Companhia Vickers-Armstrong Ltda fabricou as máquinas mais conhecidas para operar com esse tipo de dureza.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Ao se fazer uma dureza num material desconhecido. 14. usa-se antes a escala Rockwell C. ou seja.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Através dos ensaios obtemos os valores de energia absorvida para cada material ensaiado. quando os equipamentos bélicos foram levados a solicitações críticas de uso. Porém.6 . em situações reais de uso. com resistência suficiente para suportar uma determinada aplicação. As fraturas frágeis caracterizam-se pelo aspecto cristalino e as fraturas dúcteis apresentam aparência fibrosa. evitando assim sua ruptura. Cláudio R. É bem melhor saber quanto o material resiste a uma carga dinâmica numa situação de ensaio do que numa situação real de uso. verificou-se na prática que um material dúctil pode romper-se de forma frágil. Estes testes são usados para caracterizar a propensão e o grau de fragilidade de um polímero quando submetido à ação de esforços bruscos. mesmo utilizando ligas dúcteis. No caso da fadiga. que deve rompê-lo. esses materiais não podem ser utilizados em aplicações nas quais sejam comuns esforços bruscos. não ocorram fraturas nesse material.29 . materiais que apresentem tenacidade. devem ser utilizados materiais capazes de absorver energia e dissipá-la. bielas etc. para que a ruptura não aconteça. quando em funcionamento. Dr. despertando o interesse de pesquisa por este assunto. Os materiais frágeis rompem-se sem nenhuma deformação plástica. como em eixos de máquinas. de forma brusca. As fraturas produzidas por impacto podem ser frágeis ou dúcteis. Essa condição de trabalho empregada no corpo para que atinge o seu limite máximo de elasticidade é denominada resiliência. O ensaio de impacto caracteriza-se por submeter o corpo ensaiado a uma força brusca e repentina. Os materiais dúcteis podem romper-se sem deformação plástica 213 . Para estas aplicações são desejáveis materiais que tenham capacidade de absorver energia e dissipá-la. está submetida a esforços dinâmicos. embora os esforços sejam dinâmicos. Porém a maioria das máquinas e equipamentos. A maioria dos ensaios mecânicos não avalia o comportamento dos materiais submetidos a esforços dinâmicos. inviabilizando assim a utilização de determinados equipamentos.Aspectos da fratura . Losekann Direitos autorais reservados 14. Por isso. ou seja. Esta propriedade está relacionada com a fase plástica dos materiais e por isso se utilizam as ligas metálicas dúcteis neste tipo de aplicação. e assim determinamos a utilização ou não dos mesmos. Esta característica dos materiais ficou mais evidente durante a Segunda Guerra Mundial.ENSAIO DE IMPACTO Os ensaios de impacto são utilizados a fim de descobrirmos o quanto um material resiste às cargas dinâmicas para que. o ensaio correspondente leva mais em conta o fato de serem cíclicos. Figura 14. Para equipamentos que são submetidos a esforços de impacto.

Por exemplo. a baixa temperatura e a alta velocidade de carregamento constituem os fatores básicos para que ocorra uma fratura do tipo frágil nos materiais metálicos dúcteis.6. é freqüentemente chamada de sensibilidade ao entalhe. atingindo 16 joules. passando de dúctil a frágil ou vice-versa. verificou-se que há uma faixa de temperatura relativamente pequena na qual a energia absorvida pelo corpo de prova cai apreciavelmente. por menor que seja.30 . o valor de energia absorvida é pouco alterado. Cláudio R. ou pode absorver a mesma energia a uma temperatura T3. Uma trinca promove concentração de tensões muito elevadas. de maneira frágil. Um corpo de prova a uma temperatura T1 pode absorver muito mais energia do que se estivesse a uma temperatura T2. bem menor que T1. Esta faixa é denominada temperatura de transição. A existência de uma trinca. Com relação à temperatura. 14. ou seja. um dado aço absorve 17 joules de energia de impacto à temperatura ambiente (± 25 0C). Dr. não é repentina é usual define-se uma faixa de temperatura de transição.TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO Ao ensaiar os metais ao impacto.1 . A temperatura de transição é aquela em que ocorre uma mudança no carácter da ruptura do material. muda substancialmente o comportamento do material dúctil. ou seja. apresentando uma sensibilidade que é chamada sensibilidade à velocidade. 214 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Este valor cai para 3 joules à temperatura de -26 0C. Losekann Direitos autorais reservados apreciável.Temperatura de transição. pouco menor que T2. a mesma exerce um efeito muito acentuado na resistência dos metais ao choque. A energia absorvida por um corpo de prova varia sensivelmente com a temperatura do ensaio. Figura 14. ao contrário do que ocorre na resistência estática. Como esta passagem. Alguns materiais são mais afetados pela velocidade alta do impacto. quando as condições abaixo estiverem presentes: • velocidade de aplicação da carga suficientemente alta. • trinca ou entalhe no material. com a conseqüente formação da fratura frágil. Esta característica do material dúctil. Quando a temperatura desce a -23 0 C. o que faz com que a maior parte da energia produzida pela ação do golpe seja concentrada numa região localizada da peça. a existência de trincas no material. • temperatura de uso do material suficientemente baixa. na maioria dos casos. de comportar-se como frágil devido à trinca.

14. O intervalo de temperatura de transição corresponde ao intervalo entre T1 e T3. A temperatura T3 corresponde à fratura 30% dúctil e 70% frágil. O tamanho dessa faixa varia conforme o metal. Por isso esses materiais são indicados para trabalhos em baixíssimas temperaturas. que sofreram quebra dos grãos que compõem sua estrutura.1. Pode-se representar a temperatura de transição graficamente. tende a melhorar a resistência ao impacto.. como o cobre. têm fundamental importância sobre os valores obtidos no ensaio. As normas internacionais geralmente especificam a posição da retirada dos corpos de prova. como o níquel. nos produtos siderúrgicos. Retirada do corpo de prova — A forma de retirada dos corpos de prova interfere na posição das fibras do material. Tamanhos de grãos finos abaixam a temperatura de transição. possuirá temperaturas de transição diferentes. Dr. bem como a posição do entalhe.6. tende a elevar a temperatura de transição. Elementos de liga — A adição de certos elementos de liga. 215 . níquel. ou seja. alumínio. Os metais que têm estrutura cristalina CFC. aço inoxidável austenítico etc. A definição dessa faixa é importante porque só podemos utilizar um material numa faixa de temperatura em que não se manifeste a mudança brusca do carácter da ruptura. mesmo a temperaturas mais baixas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. E a temperatura T2 é o ponto no qual a fratura se apresenta 50% dúctil e 50% frágil. produzido por processos diferentes. Indicandose os valores de temperatura no eixo das abscissas e os valores de energia absorvida no eixo das ordenadas. Impurezas — A presença de impurezas. Cláudio R. A temperatura T1 corresponde à fratura 70% dúctil e 30% frágil. por exemplo.Fatores que influenciam a temperatura de transição O intervalo de transição é influenciado por certas características como: Tratamento térmico — Aços-carbono e de baixa liga são menos sujeitos à influência da temperatura quando submetidos a tratamento térmico que aumenta sua resistência.1 . Encruamento — Materiais encruados. de modo a produzir fratura frágil em temperaturas mais próximas à temperatura ambiente. é possível traçar a curva que mostra o comportamento do material quanto ao tipo de fratura (frágil ou dúctil). Processos de fabricação — Um mesmo aço. tendem a apresentar maior temperatura de transição. Losekann Direitos autorais reservados A faixa de temperatura de transição compreende o intervalo de temperatura em que a fratura se apresenta com 70% de aspecto frágil (cristalina) e 30% de aspecto dúctil (fibrosa) e 70% de aspecto dúctil e 30% de aspecto frágil. que fragilizam a estrutura do material. os valores de impacto não são influenciados pela temperatura. Tamanho de grãos — Tamanhos de grãos grosseiros tendem a elevar a temperatura de transição. pois a região de onde eles são retirados. como tanques criogênicos. não apresentam temperatura de transição.

O tempo máximo para romper o corpo de prova após o resfriamento é de 5 segundos. Cláudio R. Os valores da energia servem como guia útil para comparações qualitativas entre diferentes lotes do mesmo tipo de material. o entalhe está no sentido da fibra. um dos maiores causadores de problemas e distorções nos resultados. Para responder a essas necessidades práticas. Neste caso.31 . Dr. No corpo de prova A. O corpo de prova B também tem entalhe transversal.1.2 . foram desenvolvidos outros tipos de ensaio de impacto e outros equipamentos.Resfriamento do corpo de prova Os corpos de prova retirados para ensaio de impacto devem ser resfriados. até que se atinja a temperatura desejada para o ensaio. As técnicas de resfriamento são determinadas em normas técnicas específicas. A absorção de energia é a pior possível. esses corpos apresentaram três curvas diferentes.6. principalmente próximo à temperatura de transição. o entalhe atravessa o núcleo da chapa. Apesar de simples e rápidos de serem executados. na confecção do corpo de prova. Tempo necessário para homogeneizar a temperatura em todo o corpo de prova. Figura 14. principalmente no entalhe. Outra forma de obter o resfriamento é por meio de uma mistura de álcool e gelo seco. Devido à grande dispersão dos resultados dos ensaios. por aproximadamente 15 minutos. os testes exigem precisão tanto na aferição do equipamento (medidor de resistência ao impacto). o que favorece o cisalhamento. que permite atingir temperaturas de até 70 °C negativos. No corpo de prova C.. 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. quanto na capacitação da mão de obra técnica. O ensaio de impacto é um teste dinâmico em que um corpo de prova padronizado é golpeado e rompido por um pêndulo ou martelo em uma máquina de ensaios especialmente projetada e é medida a energia absorvida para romper o corpo de prova. o ensaio de impacto comum não oferece resultados aplicáveis a projetos de engenharia estrutural. o entalhe está transversal às fibras do material. gerada pela dificuldade de obter corpos de prova rigorosamente iguais e pela falta de homogeneidade dos materiais. Um modo de obter o resfriamento consiste em mergulhar o corpo de prova num tanque contendo nitrogênio líquido. O choque ou 216 . cortando todas as fibras transversalmente. Como mostra a ilustração seguinte.Curvas de energia absorvida de um mesmo material. Losekann Direitos autorais reservados Submetidos ao ensaio de impacto.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.determina a resistência das películas plásticas e avalia essa característica quando o material é atingido por um peso em queda livre. que se rompe. Cláudio R. a unidade de energia adotada é o joule. O mostrador da máquina simplesmente registra a diferença entre a altura inicial e a altura final. a máquina Izod e a máquina Hatt-Tuner. Para os ensaios em materiais poliméricos é comum o uso de equipamentos que funcionam por queda de dardo ou pêndulo de impacto. quando submetido à ação de um esforço de choque de valor conhecido. que corresponde à posição final. Três máquinas são geralmente usadas para ensaiar materiais de engenharia: a máquina Charpy. a unidade de energia pode ser dada em kgfm. que evitará a perda de energia durante o ensaio. desferido por um peso em oscilação. também sólida. A sua trajetória continua até certa altura. Outro fator é a velocidade de aplicação da força. onde o pêndulo apresenta uma energia final. De acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI). ele encontra no seu percurso o corpo de prova. Pêndulo de Impacto . No impacto. A diferença entre as energias inicial e final corresponde à energia absorvida pelo material. A última é usada principalmente para ensaiar madeira. A única variável desconhecida é a altura final. Força associada com velocidade traduz-se em energia. O método mais comum para ensaiar metais é o do golpe. kgfcm ou kgfmm. A máquina é dotada de uma escala. onde adquire uma energia inicial. Durante o teste. O pêndulo é levado a uma certa posição. e é calibrada de modo a indicar a energia potencial. Dr.é representada por uma sólida estrutura metálica fundida em corpo único. Losekann Direitos autorais reservados impacto representa um esforço de natureza dinâmica. numa escala relacionada com a unidade de medida de energia adotada. No ensaio de impacto. Ao cair. porque a carga é aplicada repentina e bruscamente. Figura 14. o dardo é liberado por meio de um dispositivo eletromecânico quando a pressão negativa de fixação da amostra se apresenta a um determinado valor. A altura inicial também é conhecida. O ensaio de impacto consiste em medir a quantidade de energia absorvida por uma amostra do material.Máquina de ensaio de impacto. que indica a posição do pêndulo.32 . a massa do martelo e a aceleração da gravidade são conhecidas. os quais são descritos abaixo: Queda de Dardo . não é só a força aplicada que conta. que é obtida pelo ensaio. após o rompimento do corpo de prova. Em máquinas mais antigas. característica que possibilita sua ancoragem em uma base. A máquina correspondente é o martelo pendular. Nesta estrutura 217 .

no qual uma amostra é normalizada com um entalhe central em U ou V. Figura 14. A energia que um corpo absorve para se deformar e quebrar é quantificada pela diferença entre a altura atingida pelo martelo antes e após o impacto. O tipo com uma capacidade de energia de 30 a 33 kgfm é usado para metais. O movimento de levantamento do pêndulo até sua posição de queda é feito manualmente por um conjunto de cremalheiras. é fixado o martelo. Cláudio R. A máquina Charpy é disponível em pelo menos dois tamanhos.33 . numa das extremidades. quanto menor for a energia absorvida pelo corpo de prova. o pêndulo consiste de um perfil I com um disco pesado na extremidade. detalhe dinamicamente calculado de modo a permitir que o centro de percussão coincida com o ponto de impacto no corpo de prova. e uma máquina de 50 kgfcm é geralmente usada para plásticos. o pêndulo empurra um indicador sobre uma escala que é usualmente graduada diretamente em kgfm. O pêndulo de impacto segue dois tipos de configurações diferentes: Pêndulo de Impacto na Configuração Charpy . onde.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A energia absorvida pela amostra durante o ensaio é indicada num mostrador em escala calibrada em joules e graus. Ele é então solto para permitir a queda e a ruptura do corpo de prova. ligados simultaneamente ao movimento do pêndulo. Dr. composto de uma haste tubular. tanto mais frágil será o comportamento do material ao impacto. articulando-se com um sistema de engate e desengate para sua liberação. feito para alocar sua ruptura produzida por uma condição triaxial de tensão. 218 . Losekann Direitos autorais reservados apoia-se o pêndulo propriamente dito. Desta forma. No seu movimento de ascendência após a ruptura. Na configuração de Charpy o corpo de prova fica na posição horizontal.é usado em ensaios de impacto. fica apoiado em rolamentos especiais para eliminar atritos. por sua vez. O pêndulo é elevado até sua posição mais alta e seguro por um prendedor ajustado para dar altura de queda constante para todos os ensaios.Ensaio Charpy e Izod. Na máquina Charpy. Isso impede esforços no eixo de suspensão. Esta amostra que é carregada como uma barra simples. é colocada horizontalmente entre duas bigornas de modo que a lâmina golpeie do lado oposto ao entalhe. É submetido a uma flexão desencadeada pelo impacto de um martelo fixado na extremidade de um pêndulo. que. que quantifica o deslocamento de um ponteiro indicador e outro de arraste. nos quais se fixa o suporte do corpo de prova. O pêndulo é suspenso em um eixo que gira sobre rolamentos e oscila entre dois suportes laterais rígidos.

Aqui.0 cm até que se consiga a ruptura completa.34 . Freqüentemente. A amostra é normalizada com um entalhe central em V. a altura de queda é aumentada por estágios até que ocorra o rompimento. o qual é acionado por um contato elétrico entre o magneto e uma polia móvel que pode ser ajustada para qualquer posição desejada ao longo da escala vertical sobre uma coluna-guia. O peso cai entre colunas-guias verticais quando o circuito do magneto é aberto por um relé. 219 . é utilizada a máquina Hatt-Turner. Ná máquina Izod. o corpo de prova é fixado para agir como uma viga vertical em balanço.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. até que se alcance a altura de 25 cm. O mesmo é simplesmente apoiado sobre um vão de 70 cm tal que o peso caia exatamente no meio do vão. no entalhe ou no seu lado oposto.Corpos de prova Charpy e Izod.5 kgfm. com possibilidade de trocar os suportes fixadores dos corpos de prova.5 cm. A primeira queda é da altura de 2. após o que são usados incrementos de 5. que neste caso é vertical.5 cm e as quedas subseqüentes são acrescidas de 2. no tipo de pêndulo empregado. Losekann Direitos autorais reservados Pêndulo de Impacto na Configuração Izod . A diferença básica entre as duas configurações está na posição do corpo de prova. alcançada uma deflexão de 15 cm. A resistência ao impacto é avaliada pelos métodos ASTM D256. O corpo de prova deve ter 5 x 5 x 75 cm. ou seja. e no local onde se dá o impacto.A técnica deste teste não diferencia do teste de resistência ao impacto na configuração Charpy. A máquina para ensaio de impacto Izod usualmente tem a capacidade de 16. Um peso de queda com 22. e geralmente é medida em joule. Cláudio R. Para ensaios em madeira. Ele tem as dimensões de 10 mm por 10 mm na secção reta e 75 mm de comprimento e tem um entalhe padronizado de 45º e 2 mm de profundidade no meio do corpo de prova. O entalhe faz face ao pêndulo e o corpo de prova é então posicionado para que o entalhe seja visível acima do suporte fixador. Dr. D746 e D2463. a mesma máquina de impacto é projetada para permitir os testes Charpy e Izod. Figura 14.7 kg é seguro por um eletromagneto que é alimentado por um motor.

• Formas de grafita. Desta forma. pode-se determinar: • tipo.908).ENSAIOS METALOGRÁFICOS A metalografia surgiu praticamente com o trabalho de Henri Clifton Sorby (1. tamanho do grão.863 observou pela primeira vez uma estrutura metálica ao microscópio. microconstituição. lixada. • Valor da camada carbonetada ou descarbonetada. propriedades físicas e mecânicas. tido como o precursor da moderna metalografia. A maioria dos ensaios metalográficos realizados são destrutivos.7 . Cláudio R. como também a relação entre as suas composições químicas. e por via de regra atacada por um reativo adequado. ensaio metalográfico não destrutivo. entretanto. Para determinação de um microestrutura foram desenvolvidos ao longo dos anos muitos métodos de preparação de amostras. 220 . Desde então pode-se defini-la como o ramo da tecnologia que estuda e interpreta a estrutura interna dos metais e suas ligas. ou que proíbam sua destruição. A metalografia pode ser dividida em: ensaio metalográfico destrutivo e ensaio metalográfico não destrutivo. A metalografia envolve basicamente três estágios de preparação de um corpo de prova: a obtenção de uma seção plana e polida. Através do ensaio metalográfico. o tamanho. • Outros. micrográfico. especialmente em peças de grande porte.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. quando nos mesmos obtivermos um superfície plana. nem sempre isso é possível. o realce da microestrutura através de um ataque adequado e a posterior observação ao microscópio. Dr. quando em 1. a observação através de um microscópio continua sendo o mais importante. Mas. Por este motivo. polida. foram desenvolvidas técnicas para a realização do ensaio “in loco”.826 – 1. • Identificar o tipo de tratamento térmico ou termoquímico. • Tipos de inclusões. a metalografia está classificada em: macrográfico. Quanto ao grau de aplicação com que a imagem metalográfica é visualizada. devido as condições que não permitem retirar amostras da peça. Losekann Direitos autorais reservados 14. a metalografia é a ciência que estuda os metais e ligas metálicas. • Zonas de alterações térmicas sofridas por soldagem. pois se retira amostras para análise do material ou peça solicitada. o local e a intensidade das descontinuidades. • Penetração do cordão de solda. conservando-se as características de precisão do ensaio. • Identificar o possível processo de fabricação da peça. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada.

Dr.Etapas metalográficas Escolha da seção a ser cortada: Existem duas seções de corte: seção transversal e seção longitudinal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 14. Alguns dos objetivos da macrografia são determinar do material ensaiado.2. lixada. plana. o tipo. a forma.1 . conhecendo-se apenas sua seção a-a b-b longitudinal.7. o local e a intensidade das continuidades. etc. bem como da granulação. Assim sendo.7. zonas de alteração térmica provocadas por soldagem ou tratamento térmico.Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação. identificar o processo de fabricação da peça. o tipo de micro inclusão. Losekann Direitos autorais reservados 14.35 . usa-se microscópio ótico ou microscópio eletrônico de varredura ou microscópio de tunelamento A micrografia têm por objetivos determinar do material ensaiado.1 .ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO A macrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas quando obtivermos uma superfície. o que para tal. 14. não é prudente a b concluir que uma barra apresenta uma segregação maior do que outra. lixada e atacada por um reativo adequado. será visualizada com um grau de ampliação superior a dez vezes. Esta visualização se fará a olho nu ou com uma ampliação de no máximo dez vezes através de lupa. 221 . por exemplo: o aspecto da seção longitudinal de barras com segregação depende da maneira pela qual o corte seciona esse defeito.ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO A micrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas. e atacada por um reativo adequando. a microconstituição do material. a b Figura 14. o tamanho.2 . 14. Cláudio R. a forma da grafita. onde a imagem obtida nessa superfície. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. o tipo de tratamento térmico ou termoquímico sofrido.36 . quando obtivermos nos mesmos uma superfície plana.7. polida. A escolha da seção a ser cortada depende dos objetivos do ensaio.Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl. etc.

é geralmente exotérmica atingindo temperaturas entre 50 a 120 0C. carbeto de silício. (polimetacrilato de metila). sob condições nas quais a amostra não sofrerá deterioração de sua estrutura. ou resinas plásticas auto-polimerizáveis. Os abrasivos mais utilizados nas lixas são: óxido de alumínio. carbeto de boro e diamante. Losekann Direitos autorais reservados Nota-se a diferença de aspecto em porcas cortadas transversal ou longitudinalmente provenientes de barras com segregação central. O corte por abrasão a úmido é feito com uma cortadeira de disco abrasivo. Dr. carbeto de silício ou diamante com diferentes granulometrias. Montagem da amostra: A montagem do corpo de prova tem por objetivos: facilitar o manuseio de peças pequenas. dura e resistente ao desgaste. evitar a formação de vários planos durante que influenciam na observação ao microscópio. Marcação para identificação: A marcação de amostra serve para identificação e pode ser feita com canetas especiais. Esta mistura é vertida dentro de um molde plástico onde se encontra a amostra. A reação de polimerização. A fixação é feita através de placas metálicas fixadas com parafusos e porcas. isento de qualquer tipo de defeito da superfície da amostra. locais de excessivos aquecimento (a mais de 100 0C) em peças temperadas. ou que secione transversalmente as suas arestas ou cantos vivos para se apreciar a forma da estrutura dendrítica nesses pontos ou eventual existência de pequenas fissuras. com um tempo de endurecimento que varia de 0. dependendo do tipo de resina e do catalisador. preferindo-se. as quais consistem geralmente de duas substâncias formando um líquido viscoso quando misturadas. polimezando-se após um certo tempo. com interesse de alguma parte em especial. possuindo um sistema de refrigeração e lubrificação garantindo que a temperatura da superfície não ultrapasse a 100 0C e a rugosidade superficial de corte seja reduzida. O grão abrasivo e o meio de dispersão devem estar perfeitamente adaptados para que permitam um corte preciso. contudo.2 a 24h. Lixamento da amostra na seção cortada: O lixamento da amostra é necessário para diminuir o grau de rugosidade da superfície. melhorando com isso a qualidade da imagem obtida. onde o abrasivo é uma substância de origem mineral. Nas peças fundidas diretamente na sua forma definitiva. “cut-off” garante boa precisão do corte. pois estes fenômenos seriam mais tarde postos em evidência pelo ataque. adulterando-se as conclusões do ensaio. dispersos em meio de material sintético. deve-se tomar o máximo de cuidado para não danificar a estrutura da amostra por: encruamento. Os discos de corte consistem de um abrasivo. geralmente óxido de alumínio. A máquina de corte por disco abrasivo. o corte é guiado apenas pela forma da peça. A lixa é uma ferramenta de corte por abrasão. Corte da amostra na seção escolhida: Vários meios de corte podem ser utilizados para a realização do corte da amostra na seção escolhida. evitar que as amostras danifiquem as lixas e o pano metalográfico. o que mais se adapta para o ensaio metalográfico é o corte por abrasão a úmido. e embutimento consiste em circundar a amostra com baquelite. Cláudio R. A montagem do corpo de prova se divide em: fixação e embutimento. As lixas são classificadas de acordo com o tamanho 222 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. deformação. Durante a operação de corte. permitir que seja feito um estudo da periferia da amostra.

Polimento da amostra na seção lixada: O polimento se faz necessário para aumentar a nitidez da imagem. A seqüência de lixas para o lixamento é 120 . encontra-se em bastão ou suspensão. Lixadeira Metalográfica Manual Rotativa por Via Úmido. encontra-se em pasta ou suspensão e diamante sintético ou natural.400 . Dr. neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador e pelo movimento da lixa. Os abrasivos mais utilizados são: óxido de cromo (Cr2O3). dureza. Ataque com reativo adequado: A superfície da amostra. suspensão. forma dos grãos e poder de desbaste.Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz. O abrasivo varia de 5 à 0. o movimento de corte durante o lixamento. O processo de polimento eletrolítico. para aumentarmos o rendimento de corte. deve ser do centro para periferia e deve-se fazer um giro de 180° na amostra periodicamente. Este tipo de lixadeira divide-se em dois tipos: Se a amostra foi cortada com a serra de disco. reagindo com o meio de ataque de maneira mais intensa que os mais nobres. e bastão.25 µm e encontra-se na forma de pasta. 223 . A politriz mecânica possui um prato giratório sobre o qual. geralmente são utilizadas dois tipos de lixadeiras: Lixadeira Metalográfica Manual Estacionária por Via Úmido. Destes agentes polidores a alumina e o diamante são os mais utilizados para o polimento mecânico. geralmente em bastão.500 .280 320 .240 . inicia-se o lixamento com lixa de grana 220. O diamante se destaca como mais eficiente devido suas características de granulometria. pasta. Cláudio R. óxido de alumínio (Al2O3 – alumina). deve-se virar a amostra 90° em relação aos riscos deixados pela lixa anterior. A verificação da rugosidade da superfície na prática é feita através do tato. suspensão em água destilada. cujo aumento do contraste se deve às diferenças do potencial eletroquímico. sofre uma série de transformações eletroquímicas baseadas no processo de óxido – redução. causados pela não uniformidade da velocidade de corte. segundo a norma ABNT MB-481. encontra-se em bastão. Na metalografia utilizamos o lixamento via úmido pois evita o entupimento da lixa e a água serve como refrigerante e lubrificante para o corte.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. onde neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador. Para a realização do lixamento metalográfico. para evitar a formação de planos inclinados. quando atacada por reagentes específicos. O polimento pode ser feito através de politriz mecânica ou eletrolítica. permite obter por dissolução anódica de um metal em um eletrólito e uma superfície plana.000.37 . Losekann Direitos autorais reservados dos grãos.1. Na lixadeira rotativa de prato. aerossol. Na lixadeira manual. ao mudar de lixa.180 . Figura 14.600 . pois os riscos e a deformação superficial deixados pelo lixamento impedem a visualização correta da amostra no microscópio metalúrgico. óxido de magnésio (MgO). São formados células locais onde os constituintes quimicamente menos nobres atuam como ânodo. coloca-se o pano metalográfico (feltro) que serve de apoio para o abrasivo.

Após o ataque químico a amostra deve ser rigorosamente limpa. Método usado com soluções reativas dispendiosas. devendo ser observada através de microscópio. é o método mais usado. Figura 14. e posteriormente seca através de jato de ar quente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. embebida em um chumaço de algodão ou pano.Micrografia da perlita.38 . Cláudio R. Geralmente a preparação da amostra para o macroataque limita-se ao lixamento. temperatura e tempo. Usado em casos de amostras muito grandes ou quando existe grande desprendimento de gás durante o ataque. A figura ao lado mostra uma micrografia de um aço onde aparece grãos perlíticos (ferrita + cementita). O polimento é efetuado. A solução de ataque é gotejada sobre a superfície da amostra. deve-se efetuar um pré-polimento. porém. é esfregado sobre a superfície da amostra o que serve para remover as camadas oriundas da reação. A solução de ataque. A figura abaixo mostra o esquema de um metal policristalino com os contornos de grão postos em evidência através de ataque químico. O microataque evidencia a estrutura íntima do material em estudo. álcool ou acetona. Losekann Direitos autorais reservados Para o ataque químico são usadas soluções alcoólicas de ácidos. para remover os resíduos do processo. As técnicas mais comuns de ataque são descritas na tabela abaixo: Técnica Ataque por imersão Ataque por gotejamento Descrição A superfície da amostra é imersa na solução de ataque. O ataque químico ocorre principalmente em contornos de grãos por serem zonas de maior energia.. Em alguns casos. As condições de ataque tais como composição química. bases e sais. A superfície da amostra é enxaguada com a solução de ataque. através de lavagem em água destilada. As linhas com seta mostram a incidência de feixe de luz com a respectiva reflexão. estando a amostra imersa na solução de ataque. a fim de evitar a formação de camadas oriundas da reação química. Este processo é usado com o polimento mecano-eletrolítico Ataque por lavagem Ataque por esfregação Ataque – polimento 224 . bem como sais fundidos ou vapores. podem ser variadas para atingir as mais diversas finalidades de contraste. têm uma reatividade química maior que o interior do grão o que permite por em evidência.

b) No ferro de pacote são 225 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Restos de vazio.5% Álcool etílico – 99 . Cláudio R. em aço moldado.95% Ácido pícrico – 4% Álcool etílico . moles. O reativo de picrato de sódio colore a cementita. A perlita escurece porque o reativo ataca a linha de contato entre a ferrita e as lamelas de cementita. os carbonetos complexos dos aços-ligas e a esteadita dos ferros fundidos.100 ml Ácido clorídrico – 120 ml Cloreto cúprico . Losekann Direitos autorais reservados Soluções mais usadas na macrografia de metais ferrosos Reativo Reativo de iodo Composição Iodo sublimado – 10g Iodeto de potássio – 20g Água – 100 ml Cloreto cuproamoniacal – 10g Água – 120 ml Ácido clorídrico – 50 ml Água .5% Álcool etílico – 99 . Trincas ou inclusões grandes alinhadas. Interpretação depois do ataque: o quadro abaixo mostra algumas interpretações costumeiras. laminadas ou forjadas. Significação provável Porosidade. Pontos ou bastonetes pretos dispostos a) No ferro pudlado são as irregularmente na secção transversal de peças escórias maiores. (quando sua forma tem certa simetria podem provir da ruptura durante o forjamento ou laminação).50 ml Ácido sulfúrico – 20 ml Água . Dr.90 ml Água . Aspectos Pontinhos pretos mais ou menos agrupados numa secção.25 g Água – 100 ml Reativo picrato de sódio O reativo de nital e de ácido pícrico não ataca a ferrita e nem a cementita.100 ml Ácido nítrico – 1 .96% Ácido pícrico – 2 ml Soda a 36o . Linhas com ramificações e pequenas áreas escuras próximas ao centro de peças laminadas vistas em seção transversal. Linhas pretas aparentemente contínuas internas oriundas da periferia.95% Reativo de heyn Reativo de ácido clorídrico Reativo de ácido sulfúrico Reativos de frey Reativo nital Soluções mais usadas na micrografia de metais ferrosos Reativo Reativo nital Reativo de ácido pícrico Composição Ácido nítrico – 1 . mas delineia os contornos de grãos e colore escuro a perlita.

escórias No ferro de pacote. Ferro fundido mesclado. cementação e descarbonetação). Linhas escuras orientadas longitudinalmente Ferro fundido maleabilizado. as alterações de b) Solda: emendas restaurações. Pequeninas áreas cinzentas arredondadas distribuídas uniformemente pela secção. Losekann Direitos autorais reservados defeitos de caldeamento ou partículas de escória dos pedações de ferro pudlado que contiver. material mole. tonalidades diferentes com a separação nítida a) Materiais vários caldeados. restos de vazio. a) b) grandes. material duro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. c) caldeamento No aço. No ferro pudlado. Pontinhos escuros distribuídos com certa regularidade por toda a secção exceto junto à periferia. Dificuldade superfície. defeitos de Com reativo de iodo a) Aço de teor de carbono muito baixo e bastante puro (pouco enxofre e a fósforo). Dr. geralmente menos numerosas junto a periferia. origem técnica. c) Aço liga (inoxidável). b) Aço rico em carbono e temperado em água. 226 . Material temperado e revenido ou Aparecimento de regiões de temperado grandemente. grande em atacar Escurecimento rápido da superfície com o depósito preto pulverilento. (excluída a segregação. Cláudio R.

• No manuseio de substâncias cáusticas (ácidos. limpar perfeitamente a amostra pelo menos 15 minutos antes de levá-la para observação microscópica. basicamente para a preparação dos reagentes usados no ataque metalográfico. • Ácido fluorídrico. éter. Algumas medidas de segurança de maior importância: • Todos os recipientes devem ser rotulados correta e visivelmente. • As soluções de substâncias ativas devem ser preparadas da seguinte maneira: sempre colocar em primeiro lugar a água e em seguida. • Ácido perclórico. são perigosos para o organismo humano. devendo-se por isso trabalhar em ambiente muito arejado. acetona. Dr. • Óxido de cromo. mas também um corrosivo energético para o vidro. causado por inalação ou ingestão. luvas e uniformes adequados. diretamente no esgoto. Após o ataque com reativos à base de ácido fluorídico. é imprescindível o uso de máscaras adequadas. Losekann Direitos autorais reservados Recomendações práticas para o manuseio de produtos químicos O manuseio de produtos químicos sempre requer cuidados especiais. 227 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Quando absorvido pela pele ou inalado. ou externos. sais fundidos e soluções salinas). mesmo quando impuros. Em caso de emanação de gases venenosos. • No trabalho com materiais tóxicos como berílio suas respectivas ligas. • Substâncias combustíveis e explosivas (benzol. cuidadosamente. como distúrbios nos olhos ou na pele. As misturas desta substância com álcool podem provocar a formação de dimetilsulfato. os olhos. etc) não podem ser aquecidas nem ser manipuladas na proximidade do fogo aberto. pode causar conseqüências letais. peróxidos. a pele e roupa devem ser protegidos por óculos. o produto químico. Também vapores dessas substâncias sempre venenosos. inodoro e insípido porem extremamente tóxico. devem ser observadas as medidas de segurança que se aplicam a qualquer laboratório químico. Isto ocorre nas presença de materiais orgânicos ou metais facilmente oxidáveis como por exemplo o Bi. As misturas de óxido de cromo VI com materiais orgânicos são explosivas. quando concentrado. devemse usar luvas especiais. à prova de fogo e não exposto à luz. • Nunca despejar um produto químico. nitratos. Em conseqüência devem ser evitadas concentrações elevadas e o aquecimento. Os efeitos podem ser internos. Não é somente um veneno para a pele e o aparelho respiratório. mesmo com a máscara. A amostra atacada por este reativo pode danificar as lentes focais da objetiva do microscópio. Praticamente todos os produtos químicos. Cláudio R. Misturar com cuidado e não armazenar. e também alguns metais. bases. Em concentração acima de 60% é facilmente combustível e explosivo. Por este motivo. • Todas as substâncias críticas devem ser guardadas em ambientes refrigerados. • Ácido fosfórico.

calcita e grafite. Dr. em geral. onde αV é a dilatação térmica volumétrica.PROPRIEDADES ELÉTRICAS As propriedades elétricas estão. e a resistividade elétrica. Por volta de 1. apresentam anisotropia quanto a dilatação térmica. • Ponto de fusão: é a temperatura na qual um material muda de estado sólido para o estado líquido. que a capacidade de conduzir eletricidade. Ex. há cerâmicas supercondutoras. Eles podiam também medir as diferenças de potenciais que causavam e 228 . associadas com a condutibilidade elétrica. As velocidades de corte elevadas da ferramenta de corte geram aumento da temperatura. cujo coeficiente de dilatação térmica é 27 vezes mais baixo no plano basal do que na direção perpendicular a ele. • Condutividade térmica: é a propriedade que os materiais tem de conduzirem calor. Muitos materiais cristalinos. • Dilatação térmica: é a propriedade que os materiais tem de aumentarem ou diminuírem de dimensões com a temperatura. a maioria dos sólidos aumentam de dimensões com o aumento da temperatura durante o aquecimento e contraem com a diminuição de temperatura. Esta propriedade é análoga ao da difusividade nos sólidos 14. os físicos já podiam produzir e detectar correntes elétrica. Isto acontece tanto no processo de obtenção do material quanto na utilização. lf é o comprimento final.9 . elas precisam ser resistentes a temperaturas elevadas. O processo inverso é a temperatura de solidificação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 . • Ponto de ebulição ou de vaporização: é a temperatura na qual um material muda de estado líquido para o estado gasoso. O processo inverso é a temperatura de liquidificação ou condensação. O grafite apresenta um caso de anisotropia extremo. que é a capacidade de oferecer resistência à condução de eletricidade. Tf é a temperatura final e Ti é a temperatura inicial. e por isso. titânia. Losekann Direitos autorais reservados 14. pode-se demonstrar que: α S ≅ 2 ⋅ α L . quartzo. entretanto. e α V ≅ 3 ⋅ α L . tais como a alumina. são maus condutores de eletricidade. Para materiais em que a dilatação térmica é isotrópica. A cerâmica. Na ausência de transformações de fase. O coeficiente de dilatação térmica linear (αL) é definido pela seguinte expressão: αL = li Tf − Ti ( l f − li ) Onde li é o comprimento inicial. Cláudio R.820. onde αS é a dilatação térmica superficial.PROPRIEDADES TÉRMICAS As propriedades térmicas determinam o comportamento dos materiais quando são submetidos a variações de temperatura. geralmente.

Em 1. A condutividade elétrica (σ) indica a facilidade com que um material conduz corrente elétrica e é o inverso da resistividade.7 x10-6 1.8 x 10-6 13 x 10-6 Semicondutores Silício 2 x 10-5 Fe3O4 10-2 B4C 0. O valor de R depende do material. policristal. Cláudio R. Dr. dentre as propriedades dos materiais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A condutividade elétrica é.5 SiC 10 Germânio 40 Isolantes Borracha vulcanizada (Buna-S) Butadieno + 1014 estireno Nylon 1014 PTFE (teflon) 1016 PS (polistireno) 1018 229 . A resistividade elétrica (ρ) é uma propriedade do material e está relacionada com a resistência elétrica da seguinte maneira: ρ = R⋅ A l Onde A é a área da secção reta perpendicular à direção da corrente elétrica.854) formulou a lei que relaciona a diferença de potencial (V). como o polietileno. a condutividade elétrica de um condutor como a prata ou ouro.8 x 10-6 2 x 10-6 3 x 10-6 3 x 10-6 5. a corrente é medida em ampères (A) ou em C/s e a resistência elétrica é medida em ohms (Ω) ou em V/A.6 x 10-6 6. V = R⋅i A diferença de potencial é medida em volts (V) ou em J/C. da geometria e do polimorfismo (monocristal. o físico alemão Georg Simon Ohm (1.787-1. por exemplo. é mais de 20 ordens de grandeza maior que a condutividade de um isolante. a resistência elétrica (R) e a corrente elétrica (i). amorfo) e é para muitos materiais independente da corrente elétrica.827. a que apresenta valores mais característicos e distantes. A unidade de resistividade elétrica é Ωm. A tabela abaixo mostra a resistividade elétrica de alguns materiais. l é a distância entre dois pontos em que a diferença de potencial é medida e R a resistência elétrica. Losekann Direitos autorais reservados quantificar a resistência elétrica dos materiais condutores. σ= 1 ρ A unidade de condutividade elétrica é (Ωm)-1. Material Ouro Prata Cobre ReO3 CrO2 Alumínio Tungstênio Níquel Ferro Resistividade elétrica (Ωcm) a 20 oC Condutores 1.6 x 10-6 1.

A condutividade elétrica será tanto maior quanto maior for a mobilidade dos elétrons.104 (Ωcm)-1 a 0 oC. a condutividade elétrica é explicada. Tanto o número de condutores (n) como a sua mobilidade (m) dependem da temperatura. discordâncias.ρD . A condução iônica é de importância secundária nos sólidos em temperaturas moderadas. produzindo uma corrente de certa intensidade. átomos intersticiais.visto que a amplitude das vibrações térmicas é influenciada pela temperatura e.diminui quando a temperatura se eleva. elétrons ou vazios “eletron holes” por unidade de volume (n). em geral. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Al2O3 SiO2 Si3N4 MgO > 10 > 1014 > 1014 > 1014 14 Prof. σ = n⋅ q⋅ m Nos metais. a resistividade de um metal é dada pela equação abaixo: ρ = ρT + ρD Esta lei não é aplicável aos materiais semicondutores em que a resistividade devido a defeitos . mas é freqüentemente utilizada para o estudo de defeitos pontuais e para determinação de pequenas quantidades de impurezas nos semicondutores que são matérias primas para fabricação de dispositivos opto-eletrônicos. maior o seu livre percurso médio o qual aumenta rapidamente quando a temperatura diminui (maior que 106 vezes a distância interatômica a baixas temperaturas). esses elétrons. 230 . entretanto tem importância a temperaturas elevadas. Para o cobre e a prata pura o livre percurso médio dos elétrons à temperatura ambiente é de cerca de 100 distâncias interatômicas. quase exclusivamente. da carga (q) de cada condutor e sua mobilidade (m). maclas e contornos de grãos) que provocam a difusão da corrente elétrica. mais elevada nos metais com menor número de elétrons de valência como o sódio. por exemplo. ou seja. a sua condutividade é muito fraca. pela nuvem de elétrons livres. para um dado elemento. prata e cobre e depende. ouro. os elétrons de valência que fazem a ligação entre os átomos de silício e os de oxigênio não têm mobilidade dos elétrons de uma ligação metálica e.5. A condução iônica tem um papel importante nos líquidos. Cláudio R.ρT . Assim. dos defeitos existentes na estrutura que são independentes da temperatura. potássio. visto que. por outro lado. por isso. das vibrações térmicas dos íons e dos defeitos nos cristais ou grãos (lacunas. ou pelo menos os de energia máxima. esta propriedade variável com os elementos é. Segundo Matthiessen. o metal oferece uma certa resistência a passagem da corrente elétrica denominado de resistividade elétrica ( ρ). enquanto que no cobre é de 64. Ou seja. da temperatura. Desta forma. mas sim no modo em que foi produzido o metal . átomos substitucionais.ρD . Como conseqüência disto. Na sílica. diminuindo o livre percurso médio. em torno de 10-24 (Ωcm)-1. quando se aplica um campo elétrico em um metal. Losekann Direitos autorais reservados A condutividade elétrica de um material depende do número de condutores ou de portadores de cargas como cátions. a resistividade elétrica depende da temperatura . ânions. dirigem-se ao polo positivo.

É conveniente raciocinar em termos de campo magnético e linhas de força (imaginárias) podem ser tracejadas indicando a distribuição do campo magnético. é sabido que estes metais e ligas são más condutoras de eletricidade a temperatura ambiente. como por exemplo. YBa2Cu3O7. restando unicamente a resistividade devido a defeitos nos metais. que na teoria é possível extingüí-los. para um metal puro e uma distribuição atômica perfeita ( ρD = 0) a resistência tende a zero com a diminuição da temperatura. 14. várias ligas sendo estudados a supercondutividade como: UPd2Al3.39 . atualmente. Cláudio R. a temperaturas inferiores a 20K (-253. Os dipolos magnéticos são análogos aos dipolos elétricos e podem ser imaginados como pequenas barras compostas de polo norte e polo sul.15 oC) a resistividade anula-se bruscamente. o estanho. o nióbio e suas ligas.15 oC).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O fenômeno da supercondutividade que se observa em certos metais como o chumbo. Outro conceito importante é o conceito de dipolo magnético. conforme mostra a figura abaixo. a resistividade é proporcional a temperatura absoluta T. NbTi.10 . O momento magnético do corpo é a soma dos momentos magnéticos das unidades elementares que o constituem.PROPRIEDADES MAGNÉTICAS Forças magnéticas aparecem quando partículas eletricamente carregadas se movimentam. Nb3Sn que se dá em temperaturas baixas deve-se a diminuição de defeitos. 231 . Há. mas.Curva de resistividade elétrica em função da temperatura. NdBa2Cu3O7. tornando-se ótimos condutores. Assim. o mercúrio. Para temperaturas superiores a 100K (-173. A figura abaixo mostra um esquema dos momentos magnéticos de um corpo sólido. Resistividade ( Ω mm ) Temperatura (K) Figura 14. Dr. Entretanto. etc. mas para baixas temperaturas a variação torna-se proporcional a T5 e tende-se anular para 0K. Losekann Direitos autorais reservados ρ αT ρ αT 5 ρT ρD 0 100 Tf O aumento da resistividade com a temperatura é considerado uma das propriedades mais características dos metais.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. como em um cristal. quantidade mensurável. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14. torna-se conveniente pensar em termos de momento magnético por unidade de volume. cujo símbolo é “M”.B . Quando consideramos os efeitos magnéticos provenientes de átomos e elétrons reunidos.no S. é o Tesla. O campo magnético H é medido em termos do fluxo magnético no vácuo Bo (Wb/m2): Bo = µ o ⋅ H Onde µo é a permeabilidade magnética no vácuo (4π10-7H/m). entretanto. designado pelo símbolo “µ”. Pode-se usar a mesma unidade para M e H. Cláudio R. então vale a expressão: M = χ⋅H Onde χ é a susceptibilidade magnética por unidade de volume e H é a intensidade do campo magnético.Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária. H significa henry e a unidade de fluxo magnético . Vários parâmetros podem ser utilizados para descrever as propriedades magnéticas de um material.I.40 . Wb significa weber. M é zero na ausência de campo magnético. Dr. o outro parâmetro importante é permeabilidade magnética relativa: µr = µ µo As permeabilidades µ e µr medem a facilidade com que um campo magnético B pode ser introduzido em um material sob ação de um campo 232 . se esses materiais são colocadas em um campo magnético. Na maioria dos materiais. A propriedade mais característica de qualquer material magnético é o seu momento magnético. Um deles é a susceptibilidade magnética acima descrito.

é negativa e está na ordem de -10-6 a -10-5.1% de impurezas) Aço ao silício (4. antiferromagnéticos e ferrimagnéticos. Material Permeabilidade magnética relativa Ferro (0. quanto ao seu comportamento magnético. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material diamagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. eles também diferem substancialmente quando expostos a um campo magnético. Dr. a) b) Figura 14.0 x 103 1. Losekann Direitos autorais reservados magnético externo H. Os materiais. Na ausência de campo magnético. 233 . Zn) Fe2O4) 0. a) Na ausência de um campo magnético.25% Si) Aço ao silício (3. que só persiste enquanto houver um campo magnético externo aplicado. Zn) Fe2O4) Ferrita cerâmica (Mn. b) Na presença de um campo magnético. Cláudio R. ferromagnéticos.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético.5 x 103 0. paramagnéticos. A tabela abaixo mostra valores de permeabilidade magnética relativa (µr) para alguns materiais. A susceptibilidade magnética χ.25% Si) com grãos orientados Ferrita cerâmica (Mn. podem ser classificados em: diamagnéticos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os efeitos magnéticos nos materiais originam-se nas pequenas correntes elétricas associadas ou a elétrons em órbitas atômicas ou a spins de elétrons.5 x 103 2. A magnitude do momento magnético induzido pelo campo externo é extremamente pequena e sua direção é oposta à direção do campo aplicado.3 x 103 A permeabilidade magnética e a susceptibilidade magnética podem ser correlacionadas através da expressão: χ = µr −1 Do mesmo modo que os materiais diferem na sua resposta a um campo elétrico. a qual não varia com a temperatura.41 . os átomos de um material diamagnético têm momento nulo. • Diamagnéticos: é uma forma muito fraca de magnetismo.5 x 103 1.

Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético. a qual diminui com o aumento da temperatura. também apresentam ferromagnetismo.61 x 10-6 0.8 x 10-6 3. Algumas ligas e compostos de manganês. Losekann Direitos autorais reservados Material Al2O3 Cobre Ouro Mercúrio Chumbo Índio Susceptibilidade magnética -1.0 x 10-6 • Ferromagnéticos: quando a susceptibilidade magnética χ for positiva e elevada.32 x 10-6 0.13 x 10-6 -0.2 x 10-6 Material Tungstênio Magnésio Tório Platina Molibdênio Titânio Susceptibilidade magnética 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. M não cai a zero.14 x 10-6 -0. a) Na ausência de um campo magnético.11 x 10-6 -0. níquel e gadolíneo. Eles apresentam temperatura crítica. e Cu2MnAl.31 x 10-6 -1. Os dipolos podem ser alinhados na direção do campo magnético aplicado.18 x 10-6 -0. Dr.1 x 10-6 • Paramagnéticos: é também uma forma muito fraca de magnetismo. tais como MnBi. o material é classificado como ferromagnético. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material paramagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. resulta em magnetização nula. É o caso do ferro α.56 x 10-6 Material Silício Prata NaCl Zinco Cádmio Antimônio Susceptibilidade magnética -0.54 x 10-6 0. denominada 234 . melhor será os efeitos magnéticos.04 x 10-6 1.22 x 10-6 0.70 x 10-6 1. é pequena e positiva e está na ordem de +10-5 a +10-3.53 x 10-6 0.3 x 10-6 2.81 x 10-5 -0. Além disto.42 . os materiais ferromagnéticos se magnetizam espontaneamente e podem reter um momento magnético permanente. Cláudio R.17 x 10-6 -0. a) b) Figura 14. cobalto. mas neste caso os átomos de um material paramagnético têm momento magnético. Quando o campo magnético H é removido desses materiais.18 x 10-6 -1.41 x 10-5 -0. cuja orientação ao acaso. Quanto melhor for a orientação dos momentos magnéticos.096 x 10-6 -0. A susceptibilidade magnética χ.66 x 10-6 1. b) Na presença de um campo magnético. Material Césio Potássio Alumínio Sódio Zircônio Nióbio Susceptibilidade magnética 0.

Material Ferro α Níquel Cobalto Temperatura de Curie 770 oC 358 oC 1130 oC Material Gadolíneo SmCo5 Nd2Fe14B Temperatura de Curie 20 oC 720 oC 312 oC A susceptibilidade magnética dos materiais ferromagnéticos diminui com o aumento da temperatura segundo a lei de Curie-Weiss: χ= C T−θ Onde C é uma constante. Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.43 . A figura abaixo mostra um esquema da configuração de dipolos de um material ferroamagnético e a tabela que segue mostra a temperatura de Curie para alguns materiais ferromagnéticos Figura 14. O material como um todo não apresenta momento magnético.Esquema de momentos magnéticos do MnO. acima da qual perdem o ferromagnetismo e tornam-se paramagnéticos. T a temperatura em graus Kelvin e θc é aproximadamente θc. NiO. Os íons Mn2+ apresentam momento magnético permanente.é zero. Cr2O3. mas estão arranjados na estrutura de modo que os íons adjacentes têm momentos opostos ou antiparalelos. Dr. CoO. Vários compostos de metais de transição apresentam comportamento antiferromagnético: MnO. • Antiferromagnéticos: alguns materiais apresentam o comportamento antiferromagnético. 235 . Cláudio R.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético. MnSe e CuCl2. Losekann Direitos autorais reservados temperatura de Curie (θc). O momento magnético associado aos íons O2. MnS. O MnO é um material cerâmico com ligação iônica e a sua estrutura cristalina é CFC.44 . A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos do MnO.

As características macroscópicas do ferromagnetismo e do ferrimagnetismos são parecidas. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos de ferrita. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente • ferrimagnéticos: alguns outros materiais cerâmicos também apresentam forte magnetização permanente. de estrutura CCC). Cláudio R. O ânion O2. χ= C T±θ de θn. Onde C é uma constante. além do ferro. que foi a primeira ferrita conhecida.45 . Losekann Direitos autorais reservados Estes materiais apresentam temperatura crítica. A susceptibilidade dos materiais ferrimagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais ferromagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. e o Mg. O Fe3O4. pode ser escrita como Fe2+O2(Fe3+)2(O2-)3 . o Ni. Estes materiais são denominados de ferritas (não confundir com a fase ferro α do ferro. denominada de temperatura de Néel (θn). O íon M2+ pode ser. Onde C é uma constante. Estes materiais também apresentam temperatura crítica de Curie (θc). Dr. onde M deve ser um elemento metálico. o Mn. Na estrutura cúbica da magnetita o cátion ocupa interstícios Fe2+ octaédricos e o cátion Fe3+ ocupa interstícios tetraédricos. As ferritas podem ser representadas por Mfe2O4. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente 236 . A resultante dos momentos magnéticos dos dois tipos de íons de ferro não se anula e o material apresenta magnetismo permanente.é magneticamente neutro. A susceptibilidade dos materiais antiferromagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais paramagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. χ= C T±θ de θc. denominada de ferrimagnetismo. o Cu.Esquema dos momentos magnéticos da ferrita.

materiais magnéticos moles significa ser facilmente magnetizado e desmagnetizado.907) para explicar o comportamento dos materiais ferromagnéticos. fones de ouvido e alto-falantes necessitam de materiais magnéticos duros como SmCo5. Figura 14. Fe-Si (aço ao silício). Atinge-se o valor de saturação quando os domínios são alinhados pela aplicação de um campo magnético externo.a. Os materiais magnéticos duros apresentam um ciclo de histerese elevado. for removido. Fe-Ni. Este comportamento é útil em aplicações que envolvem mudanças contínuas na direção de magnetização. Em termos de aplicações.a. Ele postulou que um material ferromagnético é dividido em domínios.. O desenvolvimento de materiais magnéticos mais eficientes tem sido contínuo.c. exibindo elevada coercividade e elevada remanescência e o produto H x B deve ser máximo. A figura abaixo mostra as curvas de magnetização e ciclos de histerese típicos de materiais magnéticos moles e duros. alternadores.1 . 237 . Fe-P-Si). Dr. dentro das quais a magnetização é igual ao valor da saturação.MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS As propriedades magnéticas de um material são determinadas pela sua estrutura eletrônica. e Fe-Co-V (supermalloy). de modo que a magnetização de um material ferromagnético pode ser pequena ou até mesmo nula.46 . e transformadores de c. por exemplo. tendo baixa coercividade (Hc). Em outras palavras.10. Losekann Direitos autorais reservados 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Para estas aplicações são necessários materiais magnéticos moles como Fe. denominados de materiais moles. Cláudio R. pela sua estrutura cristalina e por seus domínios magnéticos. Fe-Co. O conceito de domínio magnético foi introduzido por Weiss (1. materiais duros ou permanentes deve ser resistente a desmagnetização. geradores de c. Um material magnético mole opera na presença de um campo magnético. usado para magnetizá-la. os materiais magnéticos podem ser divididos em dois grupos. motores elétricos de c.Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo).a. Fe-P. Sm2Co17 e NdFeB. sendo estes últimos produzidos a partir de 1970 pela metalurgia do pó. A magnetização de diferentes domínios varia com a direção. Um material magnético duro tem sua magnetização durante a fabricação e deve retê-la depois que o campo magnético externo. Geradores de c. baixa remanescência (Br). combinado com elevada permeabilidade magnética (µ) e saturação magnética.

é a intensidade do feixe incidente. It é a Io intensidade do feixe transmitido e Ir é a intensidade do feixe refletido.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. onde Io é a intensidade do feixe incidente. e Ir. It.Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios. Losekann Direitos autorais reservados 14. l a espessura da amostra e α o coeficiente de absorção por unidade de comprimento. Além disto. com intensidade Io. ao se iluminar uma amostra. respectivamente. Assim. do ar para dentro de uma substância sólida. Cláudio R. A absorção I pode ser expressa por A = a onde. por exemplo. Ia é a intensidade do feixe absorvido. Ia. O coeficiente de absorção α não pode ser obtido diretamente de um único experimento de transmitância. dada pela equação abaixo: Io = It + Ia + Ir (W/m2) Equação 24 14. a reflexão na frente e na saída da superfície devem ser levadas em conta. Pela conservação de energia. Dr.11 . ele sofre reflexão e refração. parte é absorvida pela amostra e outra parte emerge do outro lado (transmitido). a intensidade de I um feixe refletido pela frente da superfície é dado pela refletividade R = r e a Io It transmitância é dado por T = . Figura 14.PROPRIEDADES ÓTICAS Quando um feixe de luz encontra uma interface entre dois meios.1 .47 . absorvidas e refletidas. pode-se notar que parte desta intensidade é refletida nas interfaces. Para um feixe incidente normal. a intensidade do feixe incidente Io para a superfície do meio sólido deve ser igual a soma das intensidades transmitidas. parte da radiação da luz pode ser absorvida pelo meio em que se propaga. Em outras palavras. conforme mostra a figura abaixo. Io 238 . TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO.REFLETIVIDADE. A perda linear por absorção de um meio pode ser expressa pela lei de Beer-Lambert [: I = I o ⋅ e − α l Onde Io.11.

quando as espessuras do meio são muito finas ou transparentes (em vidros). IoA I t A = I o A ⋅ e −αl TA = ItA I oA = e −αl Figura 14. Transmitância de uma amostra A figura abaixo mostra o esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente em uma amostra de vidro. Cláudio R.Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro. a transmitância será nula (It = 0). pode-se expressar a intensidade do feixe transmitido pela equação: I t = I o ⋅ e −αl Onde α é o coeficiente de absorção (mm-1) que varia com o comprimento de onda da radiação incidente. ou zero (Ir ≅ 0).48 . A figura ao lado mostra um típico espectrômetro com compartimento aberto onde se posicionam amostras para a incidência de feixes de luz para a obtenção de dados de absorção e transmitância. e l é a espessura do material na qual atravessa o feixe. Figura 14. é mais conveniente evitar medições de refletância. Losekann Direitos autorais reservados A intensidade do feixe transmitido pode ser expressa pela equação: It = Io − Ir − Ia 2 I t = I o ⋅ ( 1 − R ) ⋅ e − αl Logo.49 .Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. se a intensidade do feixe refletido for igual a intensidade do feixe incidente (Ir = Io ). 239 . Às vezes. Se intensidade do feixe refletido for aproximadamente igual a zero. Dr.

Deste modo. denominado de STW4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. quando o elétron. mas são transparentes para ondas eletromagnéticas de pequeno comprimento de onda como raio-X e raio-γ. dando lugar ao brilho metálico. para o intervalo de 96 comprimento de onda de 94 280 nm a 850 nm.Curvas de transmitância da amostra BLC1. cai em um nível mais baixo de energia. isto é. Espectro com irradiação do ultravioleta.50 . Losekann Direitos autorais reservados A figura que segue mostra o resultado de transmitância em função do comprimento de onda de uma lâmina de vidro denominado BLC1. Cláudio R.Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado. Figura 14. 1 00 STW4 80 60 40 20 0 200 300 400 500 600 700 800 900 1 000 Comprimento de onda (nm) A figura que segue mostra a curva de transmitância em função do comprimento de onda de uma amostra de vidro dopado com cristais de PbS de tamanho nanométrico. O ruído que aparece entre 180 nm e 280 nm é devido a absorção do ultravioleta BLC1 1 08 pela lâmina de vidro que 1 06 suporta a amostra. 98 com algumas flutuações. é quase inteiramente refletido. Estas propriedades dos metais atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem reemitir. Transmitância (%) 240 . toda radiação de luz é absorvida ou refletida ou ambas. excitado pelo impacto de uma radiação. Dr. Pode-se observar que a transmitância reduz com a diminuição do comprimento de onda que é devido a absorção dos cristais de PbS. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. Transmitância (%) 1 00 200 300 400 500 600 700 800 900 Comprimento de onda (nm) Figura 14. Podese observar que a 1 04 transmitância para a 1 02 amostra BLC1 é de 1 00 aproximadamente 100%.51 . Os materiais metálicos são inteiramente opacos no espectro da luz visível.

76 1.47 1. a abordagem clássica é mais conveniente e em outras situações é preferível a abordagem quântica.55 1. proposta por Planck em 1900.49 1. que indica que a velocidade de propagação da luz naquele meio (c) é menor que a velocidade de propagação da luz no vácuo (co = 3 x 10 8 m/s). Losekann Direitos autorais reservados Materiais isolantes podem ser transparentes e alguns materiais semicondutores são transparentes e outros são opacos. utilizou os conceitos da teoria quântica.60 1.51 1. Assim.38 1. onde o índice de refração independe da direção de propagação e da polarização da luz.36 Do exposto acima.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o índice de refração (n ≥ 1). e propôs que um feixe de luz consiste de pequenos pacotes de energia.74 1.65 1. A energia de um fóton pode assumir determinados valores definidos pela relação: h ⋅ co E = h⋅ ν = λ 241 . Cláudio R. Dr. como o vidro.35 1. Cristais com outras estrutura são anisotrópicos e seus índices de refração são função da orientação e da polarização.72 1. Um material homogêneo e transparente.51 1. O quadro abaixo mostra os índices de refração de vários materiais. Einstein. Material Sílica Soda-lime Pyrex Dense optical flint glass Corundum (Al2O3) Periclase (MgO) Quartzo (SiO2) Spinel (MgAl2O4) Politetrafluoretileno Polietileno Polistireno Polimetilmetacrilato Polipropileno Heptano Etanol Índice médio de refração 1. é caracterizado por uma constante. pode-se concluir que a radiação eletromagnética pode ser tratada de dois modos: clássico (ondulatório) e quântico (fótons). co n c = Cristais com estrutura cúbica são isotrópicos. em 1905. conhecidos como quanta de luz ou fótons. Para analisar determinados fenômenos.49 1.46 1.

Os semicondutores lasers são um bom exemplo para mostrar como as propriedades óticas e elétricas são.63. a). fosforescente. podem ser descritos similarmente como os átomos de hidrogênio. de onde podem retornar à banda de valência com emissão de um fóton. obtém-se o espectro de absorção mostrado na fig. A absorção. Variando o comprimento de onda de Io. e para tempos maiores. A energia absorvida pode ser suprida como energia mais elevada de radiação eletromagnética tal como luz ultravioleta.s). onde o próton é substituído por uma partícula com carga +e e com massa efetiva do buraco.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 eV. A linha característica do espectro de absorção na figura acima (b) é uma manifestação direta da interação coulombiana originadas da atração entre elétron e buraco. b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs. Processos não radioativos fazem com que o elétron vá para o nível mais baixo da banda de condução se 1. Estes éxcitons. Um exemplo simplificado de um experimento de absorção. Um detector mede a intensidade transmitida It . Se a reemissão ocorre para tempos menores que um segundo. Quando se olha para um semicondutor. Dr. fig. Ao absorver energia. A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor. b). o éxciton. O coeficiente de absorção e o índice de refração têm um comportamento não linear com a intensidade da luz excitante. Losekann Direitos autorais reservados Onde h é a constante de Planck (h = 6. um elétron pode ir para um estado excitado. Luz monocromática de intensidade Io é incidida sobre a amostra.a) Esquema de um experimento de transmissão. ν é a freqüência da onda. amarelo claro para CdS. Figura 14. b) é típica de um semicondutor do tipo GaAs.52 . intimamente relacionadas. co é a velocidade da luz e λ é o comprimento de onda.8 eV < hv < 3. Alguns materiais são capazes de absorver energia e reemitir luz visível em um fenômeno chamado luminescência. vermelho para Cu2O ou preto metálico para GaAs de acordo com o valor de energia da banda proibida.. ou outras fontes como calor. é representado esquematicamente na abaixo. Esta energia pode ser fornecida por meio de fótons com energia maior do que a energia de banda proibida do material. o fenômeno é chamado de fluorescência. A luminescência é classificada de acordo com a grandeza do tempo entre o evento de absorção e reemissão. de fato. 242 . Cláudio R. laranja para ZnSe. energia mecânica ou energia química. para determinar as propriedades óticas e indiretamente a energia de banda proibida. fig. nota-se que eles usualmente apresentam uma coloração. o qual conduz à formação de um estado de fronteira do par elétronburaco.10 -34 J.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. uma onda eletromagnética pode ser representada em um sistema cartesiano com três eixos ortogonais entre si: um eixo representa o campo elétrico (E). Cláudio R. Nas últimas décadas tem sido feito progressos significantes na produção de pulsos óticos da ordem de femtosegundo (1 fs = 10-15 s) através de laser (light amplification by stimulated emission of radiation). com comprimento de onda que vão de 0. Este tipo de radiação é denominada radiação térmica e é uma mistura de comprimentos de onda. Portanto.7 µm. ondas de radar. A luz ocupa uma região muito estreita do espectro de radiações eletromagnéticas. calor. O branco é uma mistura de todas as cores. Todos os corpos emitem radiações eletromagnéticas devido ao movimento de seus átomos e moléculas.4 µm a 0. ondas de rádio e raio-X são formas de radiações eletromagnéticas. Em adição às propriedades óticas. é interessante investigar a resposta de semicondutores sob excitações de pulsos curtos. outro representa o campo magnético (P) e o terceiro eixo representa a direção de propagação.53 . 243 . Dr.Espectros de radiação eletromagnética. Losekann Direitos autorais reservados Do ponto de vista clássico. A figura abaixo representa o espectro de radiações eletromagnéticas. Figura 14. a radiação eletromagnética pode ser considerada como sendo ondas com dois componentes perpendiculares entre si e ambos perpendiculares à direção de propagação. Luz.

Como o processo de ionização de um metal cria um potencial elétrico.000 +0. o alumínio é encontrado na bauxita que contém alumina (Al2O3). O local onde ocorre a reação de oxidação é denominado de ânodo.12 . Cláudio R. O potencial de eletrodo depende da natureza e da concentração de solução em que o metal está imerso.420 -0. O quadro abaixo mostra potenciais de eletrodo de vários metais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por exemplo. a propensão à corrosão pode ser avaliada por este potencial.236 -0. um metal M de valência n pode-se oxidar segundo a reação: M → M n + + ne − Onde “e.PROPRIEDADES QUÍMICAS 14.RESISTÊNCIA A CORROSÃO Muitos metais encontram-se na natureza de forma combinada e principalmente com o oxigênio. A corrosão metálica é um processo eletroquímico. As reações que ocorrem no ânodo e no cátodo são denominadas de meia reação ou semi-reação.1 .777 +0.337 +0. Dr. Os potenciais de eletrodo são medidos em relação ao hidrogênio.190 -0. denominado de potencial de eletrodo. Os metais e suas ligas tendem a reagir com o meio durante a sua utilização.“representa um elétron. O local onde a reação de redução ocorre é denominado de cátodo.498 Mn 2 + + 2e − → Mn Cr 3+ + e − → Cr 2 + Eu 3+ + e − → Eu 2 + Ni 2 + + 2e − → Ni Pb 2 + + 2e − → Pb 2H1+ + 2e − → H 2 ( g ) Cu 2 + + 2e − → Cu Fe 3+ + e − → Fe 2 + Ag1+ + e − → Ag Au 3+ + 3e − → Au 244 . Losekann Direitos autorais reservados 14. como o zinco.350 -0. A corrosão de um metal. participam de reações de redução.799 +1.12. por exemplo.126 0. Os elétrons produzidos pela reação anódica. pode ser representada pela soma de duas meias reações: Zn → Zn 2 + + 2e − 2H1+ + 2e − → H 2 (g) Zn + 2H1+ → Zn 2 + + H 2 (g) Os metais apresentam diferentes propensões a corrosão. Solução ácida Potencial de eletrodo (em V para 1 mol/l) a 25 oC -1. geralmente. Semi-reação.

Dr. 245 . diminuindo inclusive sua resistência mecânica. como aminas aromáticas e derivados de fenóis. plásticos do tipo polietileno absorvem água. São praticamente inertes na maioria dos meios orgânicos e inorgânicos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os vidros são muitos resistentes aos ácidos. 14.54 . bases ou atmosferas agressivas em relação aos metais. de acordo com a maneira com que ela ocorre. A corrosão pode ser classificadas em vários tipos. promovendo ligações cruzadas. Cláudio R. conforme o meio e as condições em que ele está exposto. Os refratários utilizados em fornos também sofrem o ataque químico causado por gases oriundos da fusão de metal. assim como em ácidos e bases fracos. Outra forma de degradação é causada pela difusão de oxigênio entre as cadeias das macromoléculas.2 . ácidos. Figura 14. A oxidação dos pneus pode ser suprimida pela adição de pequenas quantidades de carvão ou de substâncias antioxidantes. polistireno são solúveis em benzeno. Apesar disto eles são susceptíveis aos ácidos fluorídricos e por algumas bases. tolueno. os termofixos são mais resistentes ao ataque de solventes orgânicos que os termoplásticos. é acelerada pela radiação ultravioleta ou pela luz solar intensa (muito comum no polietileno e borrachas). Os materiais cerâmicos são muito estáveis quimicamente. Losekann Direitos autorais reservados Um fenômeno muito importante no estudo da corrosão é a passivação. A figura abaixo mostra os esquemas dos tipos de corrosão. Nem sempre a degradação se da por completo. no entanto ser parcial com difusão de líquido ou soluto entre suas moléculas. podendo. Um mesmo tipo de material pode sofrer diferentes tipos de corrosão. a qual dificulta o processo de oxidação.12. em água. causada por uma película muito fina de óxido na superfície do metal ou liga.Esquema dos tipos de corrosão. Os casos mais conhecidos de passivação são provavelmente do alumínio e do aço inoxidável. Esta reação. Em geral. por exemplo. denominada envelhecimento.RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO Alguns materiais são bastante estáveis em meios líquidos como água.

GESTÃO AMBIENTAL – que estabelece ações de correção ou minimização de efeitos ambientais dos processos produtivos.ISO 9000 .GARANTIA E GESTÃO DA QUALIDADE – que estabelece requisitos para sistemas de qualidade que favorece interação com o mercado internacional. é importante diferenciar duas normas mundiais que tratam do assunto de reciclagem de uma forma direta ou indiretamente. 15.INTRODUÇÃO Quando é abordado o assunto de reciclagem. Dois termos que geralmente vem sendo confundido. produção e preço de um produto com o consumo de energia. reciclagem de resíduos] onde se preocupa com a demanda. Cláudio R. entretanto. A reciclagem é um reaproveitamento de uma matéria prima ou produto industrializado ou final. Estas duas normas são: .1 . Dr. o reaproveitamento não significa 246 . Outro aspecto que é importante ressaltar é o entendimento entre reciclagem e reaproveitamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ISO 14000 .1 – Símbolo da reciclagem. na qual tem preocupação com o meio ambiente e procura redigir vínculos de legislação ambiental para satisfação da comunidade e melhoria da imagem da empresa. energia. Losekann Direitos autorais reservados 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS Figura 15. redução de custos via melhoria contínua [consumo de água.

400 750 750 1. a matéria prima ou produto final é novamente reprocessado. o tecido deveria ser transformado novamente em fios para posteriormente fazer a fabricação da colcha. ao ser usado na fabricação de uma colcha por meio de costura. Material Diamante industrial de alta qualidade Platina Ouro Tungstênio Titânio Latão (60%Cu .000 16. como as latas de alumínio. 1997. basta fundir a lata usada que envolve menos energia do que a transformação do minério (alumina) em alumínio.500. isto é. Cláudio R.300 3. Losekann Direitos autorais reservados reciclagem. porque para fabricar a lata de alumínio novamente.).000 9.500 8. Caso fosse feito a reciclagem. a reciclagem traz economia de energia.40%Zn) Alumínio Aço inoxidável Aço doce Carboneto de silício (cerâmica avançada) Carboneto de silicio (abrasivos) Carboneto de silício (refratários) Vidro Borracha sintética Borracha natural Preço (US$/tonelada) 500.500. Material Aço bruto Ferro fundido Alumínio Bronze Cobre Chumbo Cimento Concreto reforçado Cerâmica tradicional (tijolos) Vidro plano Fibra de vidro Polipropileno Poliestireno Polietileno PVC Papel Energia (GJ/tonelada) 10-47 58-360 83-330 97 72-118 28-54 4-8 8-14 3-6 14-20 43-64 108-113 96-140 80-120 67-92 59 Preço de alguns materiais de engenharia. Em determinados casos. Energia necessária para a produção de alguns materiais (PADILHA.700 350 27. (PADILHA.).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. enquanto que o reaproveitamento não significa o reprocessamento. Isto significa que a reciclagem pode consumir muita energia. Um retalho de tecido de algodão.500 1.000. 1997.000 14. Dr.750 2. na reciclagem. Exemplo. O quadro abaixo mostra a energia necessária para produção de alguns materiais.400 870 247 .400 2. é reaproveitado.

garrafas de refrigerante. pastas para material escolar. é a mais utilizada. 2. Para facilitar a separação dos materiais plásticos para a reciclagem e reaproveitamento. PP .. alguns frascos de detergente.(poliproprileno) . baldes.000 1. Reaproveitamento mecânico .no Brasil.(polietileno tereftalado) . Os termoplásticos podem ser repetidamente conformados mecanicamente desde que reaquecidos. portanto. etc.000. peças de automóveis. sucos e óleo de cozinha. É o caso do baquelite.. Alguns exemplos dos tipos mais utilizados: PEAD . os materiais plásticos e elastômeros pode ser reaproveitado de três maneiras: 1. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais poliméricos têm tido muita preocupação quanto a reciclagem e reaproveitamento em virtude da grande utilização após 1.plásticos "filme" de proteção de alimentos. a reciclagem cria novos empregos em centros de reciclagem. resinas epoxídicas.100 1. É o caso do polietileno (PE). PVC . o material é picado e utilizado novamente como material aditivo em determinados produtos.950 e devido ao custo e poluição que os mesmos envolvem.plástico "filme" .300 Prof.copos plásticos. poliésteres. É mais rígido. Os termoestáveis.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Polietileno PVC Fibra de vidro Fibra de carbono Resina epoxídica Madeira compensada dura Madeira dura estrutural Madeira mole estrutural Vigas de concreto reforçado Cimento Sillício monocristalino (Wafers) Silício metalúrgico 1.650 530 350 330 70 10. São finos e bastante flexíveis. Desta forma. 3.500 45.000 6.queimado liberando muita energia térmica.tubos e conexões de encanamento. Além de diminuir os impactos de poluição e diminuição de custos em muitos casos. poliuretanos. 248 . brinquedos. são recicláveis. aparelhos telefônicos. revestimentos diversos.000 1. PS – (poliestireno) . sacos de batata. pisos. policloreto de vinila (PVC).(polietileno de alta densidade) . porém resistente. Reciclagem –"reprocessados" por aquecimento e a matéria prima pode então ser utilizada novamente na indústria petroquímica. Cláudio R.(policloreto de vinila) . calçados.(polietileno de baixa densidade) . São conformáveis plasticamente apenas em um estágio intermediário de sua fabricação. Essas embalagens são transparentes e fabricadas em diversas cores. poliestireno (PS). os mesmos são identificados pelas siglas para diferenciar cada tipo.sacos plásticos de lixo.frascos de shampoo e maquiagem. OUTROS – Utilizados em eletrodomésticos. PEBD . mas podem ser reaproveitados. Reaproveitamento energético . Dr. PET . utensílios domésticos. Não são recicláveis. polipropileno (PP).000 1.

5 Kgf.38Mpa e E = 20. Um aço de médio carbono que apresenta o Módulo de Elasticidade Longitudinal de 21. Um corpo de prova de 30 mm de diâmetro e 600 mm de comprimento foi submetido a um ensaio de flexão a três pontos. Uma barra de alumínio de possui uma secção transversal quadrada com 60 mm de lado.095mm 15. Eal = 0. Por que se deve garantir o paralelismo entre as placas da máquina de ensaio e limitar o comprimento dos corpos de prova nos ensaios de compressão? 4.7x105 Mpa. apresentando uma flexa de 2 mm sob uma carga de 360 N. A carga axial aplicada na barra é de 30 kN. Dr. Determine o seu alongamento.382.000 Kgf/mm2 e Tensão de escoamento de 31. Explique o comportamento de materiais dúteis e frágeis utilizando diagrama σ x ε. O que é flambagem? 12. 3. utilizou-se o ensaio Brinell.16MPa 18.8m.7HB 249 . Resposta: σF = 20. o seu comprimento é de 0. Mostre esquematicamente os estágios na formação taça-cone e explique resumidamente. Losekann Direitos autorais reservados 16 . O que é tenacidade? 5.5 mm de diâmetro e a carga de 62. Por quê se faz ensaios de materiais? 6. A esfera utilizada foi de 2. 2. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.15% 13. b) O módulo de elasticidade longitudinal.7 kgf/mm2 ou 43. Cite 4 tipos de ensaios destrutivos! 7. Qual é a dureza da amostra? Resposta: HB = 43. O que é Módulo de Elasticidade Longitudinal? 8. O Que é limite de escoamento? 9. Para que se faz ensaio de flexão? 16.3 mm. Como se mede a tenacidade em um diagrama σ x ε? 11. Resposta: ∆ = 0. qual é a máxima deformação que o material pode apresentar obedecendo o regime elástico? Resposta: ε = 0.5 Kgf/mm2. Cláudio R. Que propriedades pode ser avaliadas no ensaio de flexão? 17.900 MPa 14. Qual é a tensão limite de resistência à compressão de um material que tem 400 mm2 de área da seção transversal e se rompeu com uma carga de 760 KN? Resposta: σ = 1. O que é deformação plástica? 10.EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1. Determine: a) A tensão de flexão. Na realização de um ensaio de dureza.

Qual é a carga necessária para o ensaio se utilizar um penetrador de 10 mm de diâmetro? É possível fazer ensaio de dureza Brinell com diâmetro do penetrador de 10 mm? Dados: a) Espessura mínima deve ser igual a 17 vezes a profundidade da calota. Quais as vantagens do ensaio de dureza Rockwell sobre o ensaio de dureza Brinell? 21. portanto. portanto. Cláudio R.51 mm. portanto. utilizou-se o ensaio Brinell. Na realização de um ensaio de dureza. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 0. qual é a espessura mínima das chapas de aço para um penetrador de 5 mm. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com as seguintes especificações: a) Espessura: 4.0 mm. Resposta: F = 750kgf. b) Dureza Brinell: 180 HB c) Verificar se estas chapas podem ser submetidas ao ensaio de dureza Brinell utilizando diâmetro do penetrador de 5 mm.5kgf. Resposta: F = 1. é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 2. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 10 mm de diâmetro.000kgf. Dr. Losekann Direitos autorais reservados 19. 23. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 5 mm de diâmetro. Qual é a dureza da amostra? Resposta: 230HB 22. Interprete a seguinte representação de dureza Brinell: 120HB 5/250/15 24. Cite uma das definições de dureza (preferência do ponto de vista da metalurgia). Qual é a espessura mínima da chapa para a utilização de um penetrador com 2.5 mm b) Dureza Brinell: 100 HB c) Essas chapas devem ser submetidas a ensaio de dureza brinell e a empresa dispõe de um penetrador de 2. A esfera utilizada foi de 2. 250 .5 mm de diâmetro? Resposta: F = 187.5 mm de diâmetro.5 mm de diâmetro e a carga de 187. Uma empresa comprou um lote de chapas de alumínio de 6 mm.37 mm. 20. 25. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com a seguinte especificação: a) Espessura da chapa: 4 mm. cuja especificação de dureza foi de 85 HB.997 mm.5 Kgf. Espessura mínima é de 4. ou seja. Espessura mínima é de 4. Espessura mínima é de 6.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 mm de diâmetro.

Metalurgia mecânica. 9. 2a. 576p. MB-212.A. J. 1980. V. S. 313p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 2a edição. CALLISTER Jr. Eng. 1993. F. NBR . São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda. E. Metalografia. 8. ed.. Rio de Janeiro: Ed. 16.. v1. Florianópolis: Editora da UFSC. v. Dissertação (Mestrado em Engenharia). da Fonseca. 1974. Cláudio R. 1981. Metalurgia geral. 1998. BATISTA. M. A prática metalográfica. DIETER. 1994. Nitretação por plasma de ferro sinterizado. W. 4. Materials science and engeneering: an introduction. Interciência Ltda. 5. 1960. FTD S. FAZANO. Porto Alegre. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. V. Introdução às máquinas-ferramentas. A. 1983. 3a. Edgard Blücher Ltda. Grãos abrasivos aplicados em lixas. 17. Mecânica/UFSC. 2. NBR-7222. 10. R. 15. R. 6a ed. Lisboa: Gráfica Laboratório Nacional de Engenharia Civil. 1988. Aços e ferros fundidos. 14. 1989. Metalografia dos produtos siderúrgicos comuns. 2a. 3. 251 . A. FREIRE. CHIAVERINI. v2. São Paulo: ABM. Dissertação de mestrado. 1993.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. São Paulo: Ed. 503p. Resistência à tração simples de argamassas e concreto por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. 1994. 1958. DE SEABRA. tratamentos térmicos e termoquímicos das ligas ferrocarbono terminologia. ed.Y: John Wiley & Sons. Inc. MB-481. M. BLASS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 3. Guanabara dois.. 6. COLPAERT. Losekann Direitos autorais reservados 17 . BRUNATO. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 1.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Processamento de polímeros. Determinação da resistência à tração por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. T. Determinação das propriedades mecânicas à tração de materiais metálicos. São Paulo: Ed. UFRGS: PPGEMM. Z. Química integral. 1988. 1981.8653. 2. 1993. 13. 7. 1a edição. J: Ed. H. D. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. V. N. J. São Paulo: Editora Hemus Ltda. Tecnologia mecânica: estrutura e propriedades das ligas metálicas. Caracterização da tenacidade de materiais cerâmicos de pequenas dimensões. CHIAVERINI. V. C. G.. 12. ed. NBR-6152. 1971. A. 11.

GULIAÉV. da UFSC. 19. Preparação de nanopartículas semicondutoras PbS e estudo das propriedades óticas não-lineares. UFRGS: PPGEMM.A. Lawrence H.. LOSEKANN. R. A. São Paulo: Livraria Ciência e Tecnologia Ltda. 5a edição. 2a ed. E. Eng. Mecânica: materiais. C. 28.. 1988. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda. Porto Alegre. Dissertação (Mestrado em Engenharia). G. High toughness ceramics and ceramic composites. SOUZA. 1960. São Paulo. 1995. 2001.1. 1992. 27. UFSC: CPGEM. 1982. Cláudio R. 34.L. M. 1994. Florianópolis: Ed. Escola de engenharia. R. Dr. Tratamentos térmicos dos metais. S. H. E. 1994. G. A. RENAU. 1993. Oxford. 1999. 1992. R. NY: McGrawHill Book Company. Propriedades dos materiais cerâmicos. Florianópolis. MCLELLAN. E. Estrutura das ligas de ferro. I.. The Institute of Materials. Pastas y vidriados: en la fabricación de pavimentos y revestimientos cerámicos. 22. Metalografia. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica). 23. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Dois S. SANTOS. R. Ed. 30. R. São Paulo: Ed. G. e 26. São Paulo.. Princípios de metalurgia-física. Moscou: Editora Mir. São Carlos. PADILHA. Ferramentas de corte I. São Paulo: Hemus Editora Limitada. 1982. SHAND. 25. Edgard Blücher Ltda. 20. 252 . GOMES. 35. 185p. 36. Globo S. 1978. PEREIRA. Van. 24. London. 1993. OHNO. TELECURSO 2000 profissionalizante.. Ed. P. RÜHLE. C. 776p. Ed. Rio de Janeiro. REED-HILl. Castellón: Faenza Editrice Ibérica S. Losekann Direitos autorais reservados 18.. VLACK.M. THÜMMLER. v. 177p. A. STEMMER. 29. ROTHERY. NOVIKOV. Introduction to powder metallurgy. Ensaios mecânicos de materiais metálicos. Ciência e tecnologia de argilas. A. Teoria dos tratamentos térmicos dos metais. C.368p. Solidificação dos metais. Glass engineering handbook. 1968. Edgard Blücher Ltda. Mecânica/UFSC. Comportamento ao desgaste dos aços ABNT 4340 e ABNT 52100 nitretados por plasma. 32. A. Progress in Materials Science.A. Materiais de engenharia: microestrutura propriedades. Crescimento de monocristais de cobre pela técnica Czochralski e projeto de câmara Czochralski para crescimento de compostos semicondutor III-V. 1997. Ed. 33. UFRJ. 31. 1984. 21. W. Rubens Lima. 1973. 139p. LOSEKANN. R. Dissertação de mestrado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Edgard Blücher Ltda. 3a ed. F. São Paulo. OBERACKER. Evans. F. Pérsio de Souza.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados 37.com.br/polimeros/ensaios.rc. http://bibvirt. http://www.unesp. www.abceram.deq.ht ml 38.usp.br/Central/web/informa/dicas/considerac oes_gerais. Dr.br 253 .ufba.org.centraldaceramica. Cláudio R.eng.htm 40.ufrgs.br/museudpm/banco/silicatos/filossilicatos/muscovita.br/asp/abc_53c. http://www.html 41.futuro.htm 39. http://www. http://www.ndsm.h tml 42.br/acervo/matdidat/tc2000/tecnico/ensaios/ensaios.

Dr. Losekann Direitos autorais reservados ANEXOS 254 . Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Remover o ataque por lavagem com água morna corrente Atacar a frio por imersão 15 segundos De 5 até 10 segundos 40 segundos De 10 a 20 segundos 10 segundos Magnésio e Contorno dos Ácido cítrico Atacar por De 5 a 10 255 . Cláudio R.5 ml de H2O destilada Marble Ataque por imersão a frio 10 segundos Ácido fluorídrico Indicado revelação FeAl3 Alumínio suas ligas e na de Ácido sulfúrico Fase α do FeAl3 Ácido nítrico Estrutura duralumínio alclad do e Keller Estrutura do alumínio e suas ligas Vilella 10 ml de H2SO4 concentrado 90 ml de H2O destilada 25 ml de HNO3 concentrado 75 ml de água destilada 10 ml de HF concentrado 15 ml de HCI concentrado 25 ml de HNO3 concentrado 50 ml de água destilada 1 parte de HNO3 concentrado 2 partes de HF concentrado 3 partes de glicerina 5 g de ácido Atacar por umedecimento com auxílio de algodão embebido no reagente Atacar por imersão em solução aquecida entre 60 e 70°C Atacar por imersão em solução aquecida a 70°C Atacar por imersão a frio. Pode-se utilizar também concentrações mais diluídas. -temperado e revenido. -temperado. -recozidos. -esferodizado. Ataque por imersão a frio O taque não revela o contorno dos grãos de ferrita. Ataque por imersão a frio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 ml de HF concentrado 99. Losekann Direitos autorais reservados Reagentes químicos para metalografia MATERIAL Aços carbono ao REVELAÇÃO Aços ao carbono REAGENTES Nital COMPOSIÇÃO 1-5 ml HNO3 concentrado 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico ou amílico 4 g de ácido pícrico 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico OBSERVAÇÃO A porcentagem de ácido nítrico varia em função da seletividade do ataque. -austemperado Estruturas austeníticas sem a presença das linhas de deformação Camadas nitretadas de ácidos inoxidáveis Estrutura do alumínio e suas ligas Picral Ácido nítrico e fluorídrico 5 ml de HNO3 1 ml de HF 48% 44 ml de água destilada 4 g de CuSO4 20 ml de HCI 20 ml de água destilada 0. Dr. Ataque por imersão com a solução fria TEMPO DE ATAQUE De alguns segundos até 1 minuto dependendo do teor de carbono do aço De alguns segundos até 1 minuto dependendo do tratamento térmico recebido pelo aço. De 5 a 10 segundos Aços ligados Aços grafitizados Ferros fundidos Para todos os tipos de aços: -normalizados.

Escurece a fase beta do latão Indicado na revelação da estrutura do cobre e suas ligas Estrutura do cobre. níquel e bronze Estrutura de bronze.2% de H2SO4 Estrutura do cobre. cobre e latão. particularmente as ligas com manganês. latões e bronzes Estrutura das ligas de estanho com cádmio Estanho suas ligas e Estrutura de ligas de estanho Ácido crômico Ataque a frio por umedecimento ou a quente por imersão em solução fervente Atacar por imersão a frio ou umedecimento Atacar por imersão a frio A frio: de 10 a 20 segundos A quente: 40 segundos 1 minuto Nital Cromato potássio de Atacar por imersão a frio De 15 segundos a alguns minutos De 20 a 30 segundos Indicado para deposições de estanho no aço Persulfato amônio de Atacar por imersão a frio 30 segundos Prata e suas ligas Indicado para as ligas de prata Ácidos crômico e sulfúrico Atacar por imersão a frio 1 minuto 256 . Losekann Direitos autorais reservados umedecimento e enxaguar em água morna Atacar por umedecimento Atacar por umedecimento seguido de lavagem em água corrente segundos Chumbo suas ligas e Estrutura das ligas anti-fricção Remove a camada deformada da estrutura do chumbo polido De 2 a 5 segundos Ataques sucessivos de 3 segundos Cobre Estrutura do cobre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II suas ligas grãos magnésio do cítrico 95 ml de água destilada Ácido oxálico Molibdato amônio de 2% de solução aquosa 100 g de ácido molibdênico 140 g de NH4OH (d=0. ligas de cobre.2% de H2CrO4 e 0. bronzes e latões Cromato potássio de O NaCl pode ser substituído por uma gota de HCl para cada 25 ml de solução Ataques de 5 segundos com polimentos alternados Cloreto férrico Atacar por imersão ou umedecimento De 10 a 40 segundos Hidróxido amônio de Solução em água diluída Ataque por imersão a frio De alguns até 20 segundos Persulfato amônio de 10 g de (NH4) S2O8 90 ml de água destilada CrO3 saturado em solução aquosa 2 a 5 ml de HNO3 concentrado 95 a 98 ml de álcool etílico Solução diluída em dicromato de potássio levemente acidificada 5 ml de (NH4) S2O8 95 ml de H2O destilada 0. Dr. bronzealumínio. Cláudio R.9) 240 ml de água destilada Filtrar e adicionar: 60 ml de HNO3 2 g de K2CR2O7 8 ml de H2SO4 4 ml de NaCl saturado 100 ml de água destilada 5 partes de FeCl3 50 partes de HCl 100 partes de água destilada Prof.

aquosa 5 partes de NH4OH 1 a 3 partes de H2O2 5 g de KCN 95 ml de H2O destilada 3 gotas de H2O2 5 ml de H2SO4 25 ml de HCI 30 ml de água destilada 85 ml de NH4OH 15 ml de H2O2 Prof. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Indicado estruturas prata para de Hidróxido amônio de Atacar por imersão a frio De 2 a 3 minutos Estrutura de ligas de níquel e zinco Níquel e suas ligas Indicado estruturas inconel para de Cianeto potássio de Atacar por imersão a frio De 20 até 30 segundos Ácidos sulfúrico clorídrico Hidróxido amônio e Atacar por imersão a frio De 2 a 5 minutos Para as estruturas de níquel com elevado teor de zinco Ouro Estrutura de ouro e platina de Atacar por imersão a frio De 30 segundos até 2 minutos Água régia 5 ml de HNO3 15 ml de HCI Atacar por imersão a quente De 1 até 3 minutos 257 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II em sol. Dr.

5 67 Ho Hólmio 164.1 s 1 1H Hidrogênio 1.59 5 49 In Índio 114.03) f 4 57 La Lantônio 138.008 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 2 He Hélio 4.11) 105 Jl 106 Rf 107 Bh Bóhrio (262.24 61 Pm Promécio (144.07 45 Rh Ródio 102.9 54 Xe Xenônio 131.086 15 P Fósforo 30.62 5 71 Lu Lutécio 174.10) Mendelévio (258.08 79 Au Ouro 196.08) 99 Es Einstênio (252.06) 96 Cm Cúrio (247.974 16 S Enxofre 32.39 3 13 Al Alumínio 26.72 72.07) 97 Bk Berquélio (247.869 48 Cd Cádmio 112.998 10 Ne Neônio 201.941 6C 7N 8O Oxigênio 15.956 10.811 3 11 Na Sódio 22.468 38 Sr Estrôncio 87.49 73 Ta 74 W 75 Re Rênio 186.036 92 U Urânio 238.933 28 Ni Niquel 58.906 58 Ce 140.982 14 Si Silício 28.13) (266.61 5 37 Rb Rubídio 85.967 80 Hg Mercúrio 200.91) 62 Sm Samário 150.996 54.943 Cromo Manganês 51.88 23 V Vanádio 50.10) Tabela Periódica dos Elementos .693 29 Cu Cobre 63.007 d 3 21 Sc Escândio 44.25 65 Tb Térbio 158.96 35 Br Bromo 79.925 66 Dy Disprósio 162.76 6 55 Cs Césio 132.996 24 Cr 25 Mn 26 Fe Ferro 55.9 36 Kr Criptônio 83.99) 86 Rn Radônio (222.115 59 Pr 140.08) 100 Fm 101 Md Férmio (257.84 Estanho Antimônio 118.92 34 Se Selênio 78.967 72 Hf Háfnio 178.906 95.029 93 Np Neptúnio (237.42 47 Ag Prata 107.847 27 Co Cobalto 58.411 4 31 Ga 32 Ge 33 As Arsênio 74.33 6 103 Lr Laurêncio (262.224 41 Nb 42 Mo 43 Tc Tecnésio (97.98) 85 At Astato (209.36 63 Eu Európio 151.958 183.012 Carbono Nitrogênio 12.934 70 Yb Itérbio 173.003 p 4 Be 2 5B Boro 2 3 Li Lítio 6.305 22 Ti Titânio 47.8 Nióbio Molibdênio 92.14) 7 87 Fr Frâncio (223.905 56 Ba Bário 137.05) 94 Pu Plutônio (244.10) 102 No Nobélio (259.038 91 Pa Practínio 231.04 Cério Praseodímio 5 89 Ac Actínio 227.999 9F Flúor 18.066 17 Cl Cloro 35.098 20 Ca Cálcio 40.12) 108 Hn 109 Mt 6 81Tl Tálio 204.99 12 Mg Magnésio 24.12) Hânio Meitnérnio (265.011 14.02) 88 Ra Rádio (226.82 50 Sn 51 Sb 52 Te Telúrio 127.453 18 Ar Argônio 39.98 84 Po Polônio (208.11) 104 Db Dúbnio (262.06) 95 Am Amerício (243.2 83 Bi Bismuto 208.965 64 Gd Gadolínio 157.906 46 Pd Paládio 106.76 53 I Iodo 125.93 68 Er Érbio 167.38 82 Pb Chumbo 237.028 90 Th Tório 232.91) 44 Ru Rutênio 101.11) (263.22 78 Pt Platina 195.906 40 Zr Zircônio 91.207 76 Os Ósmio 190.908 60 Nd Neodímio 144.8 Berílio 9.26 69 Tm Túlio 168.94 Gálio Germânio 69.71 121.23 77 Ir Irídio 192.078 4 39 Y Ítrio 88.07) 98 Cf Califórnio (251.938 4 19 K Potássio 39.02) Joliótio Ruterfórdio (262.29 Tântalo Tungstênio 180.546 30 Zn Zinco 65.

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