UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II

Prof. Cláudio Roberto Losekann, Dr. Eng.

2007

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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ÍNDICE ANALÍTICO
ÍNDICE ANALÍTICO ............................................................................................... II ÍNDICE DE FIGURAS ........................................................................................... VI 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS ........................................................................ 1 1.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 1.2 - CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................... 1 1.2.1 - METAIS ESCUROS ............................................................................. 1 1.2.2 - METAIS CLAROS ................................................................................ 2 2 - AÇOS E FERROS FUNDIDOS ......................................................................... 3 2.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 2.2 - MINÉRIO DE FERRO................................................................................. 3 2.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA................................................................ 5 2.4 - AÇO............................................................................................................ 7 2.4.1 - DEFINIÇÃO ....................................................................................... 10 2.4.2 - CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO............................... 13 2.4.3 - CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS - ABNT - SAE - AISI.......................... 18 2.4.4 - INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO ................................. 22 2.4.4.1 – Elementos de adição .................................................................. 23 2.4.5 - RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA ................................................................................................... 27 2.5 – FERRO FUNDIDO ................................................................................... 30 2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS - ABNT ..................... 31 2.6 - TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES................................. 32 2.6.1 - TRATAMENTOS TÉRMICOS ............................................................ 32 2.6.1.1 - Recozimento................................................................................ 36 2.6.1.2 - Normalização............................................................................... 37 2.6.1.3 - Revenimento ............................................................................... 37 2.6.1.4 - Têmpera ...................................................................................... 38 2.6.1.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação .................... 40 2.6.1.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos ............................................... 45 2.6.2 - TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES ................................................. 49 2.6.2.1 - Tratamentos termo-químicos....................................................... 50 2.6.2.2 - Tratamentos de revestimentos .................................................... 65 3 - ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ............................................................................. 68 3.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................... 68 3.2 - PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO..................................................................... 69 3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ................................... 71 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO ........................................................................ 73 3.3.1.1 - Liga de Al-Cu............................................................................... 74 3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) ............................................................... 74 3.3.1.3 - Liga de Al-Mn .............................................................................. 75 3.3.1.4 - Liga de Al-Si ................................................................................ 75 3.3.1.5- Liga de Al-Si ................................................................................. 76 3.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO .................................. 78 4 - COBRE E SUAS LIGAS.................................................................................. 80 4.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................... 80 4.2 - PRODUÇÃO DE COBRE ......................................................................... 81 II 2007

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4.3 - PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS ....................................... 83 4.3.1 - LIGAS DE COBRE............................................................................. 85 4.3.1.1 - Latão ........................................................................................... 85 4.3.1.2 - Bronze ......................................................................................... 90 4.3.1.3 - Ligas de cobre-alumínio .............................................................. 95 4.3.1.4 - Cuproníquel ................................................................................. 97 4.3.1.5 - Ligas de cobre e berílio ............................................................... 98 4.3.1.6 - Ligas de cobre e silício ...............................................................100 4.3.2 - NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE......................................100 5 - NÍQUEL E SUAS LIGAS ................................................................................101 5.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................101 5.2 - PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS......................................102 5.2.1 - NÍQUEL.............................................................................................102 5.2.2 - LIGAS DE NÍQUEL ...........................................................................103 5.2.2.1 - Ligas de níquel e berílio .............................................................104 4.2.2.2 - Ligas de níquel e cromo .............................................................104 5.2.2.3 - Ligas de níquel e molibdênio ......................................................104 6 - COBALTO E SUAS LIGAS ............................................................................105 6.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................105 6.2 - PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS ..................................105 6.2.1 - COBALTO .........................................................................................105 6.2.2 - LIGAS DE COBALTO .......................................................................106 7 - TITÂNIO E SUAS LIGAS ...............................................................................107 7.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................107 7.2 - PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS .....................................107 7.2.1 - TITÂNIO............................................................................................107 7.2.2 - LIGAS DE TITÂNIO ..........................................................................109 8 - MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ..........................................................................109 8.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................109 8.2 - PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS ................................110 8.2.1 - MAGNÉSIO.......................................................................................110 8.2.2 - LIGAS DE MAGNÉSIO .....................................................................111 9 - ZINCO E SUAS LIGAS ..................................................................................111 9.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................111 9.2 - PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS ........................................111 9.2.1 - LIGAS DE ZINCO .............................................................................113 9.2.2 - LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO........................................................113 10 - CHUMBO E SUAS LIGAS............................................................................113 10.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................113 10.2 - PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS .................................114 11 - OUTROS METAIS .......................................................................................116 11.1 - ESTANHO .............................................................................................116 11.2 - CROMO.................................................................................................117 11.3 - TUNGSTÊNIO .......................................................................................118 11.4 - PRATA...................................................................................................119 11.5 - OURO....................................................................................................119 12 - POLÍMEROS................................................................................................121 12.1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................121 12.2 – PROPRIEDADES .................................................................................123 12.2.1 - MORFOLOGIA................................................................................123 III 2007

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12.2.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM ............................................125 12.2.3 - ADITIVOS .......................................................................................126 12.2.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS .......................................................128 12.2.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS.....................................................129 12.3 - PLÁSTICOS ..........................................................................................130 12.3.1 - POLIOLEFINAS ..............................................................................131 12.3.2 - POLICARBONATOS.......................................................................138 12.3.3 - ALÍLICOS........................................................................................140 12.3.4 - ACRILICOS.....................................................................................140 12.3.5 - POLIIMIDAS ...................................................................................143 12.3.6 - AMINOPLÁSTICOS ........................................................................144 12.3.7 - CELULÓSICOS...............................................................................145 12.3.8 - POLIOXIMETILÊNICOS .................................................................145 12.3.9 - EPOXÍDICOS..................................................................................145 12.3.10 - FLUOROPLÁSTICOS ...................................................................146 12.3.11 - POLISULFONAS...........................................................................147 12.3.12 - FENÓLICOS .................................................................................147 12.3.13 – POLIALÔMEROS.........................................................................148 12.3.14 - POLIFENILÊNICOS ......................................................................148 12.3.15 - SILICONES ...................................................................................149 12.3.16 - POLIAMIDAS ................................................................................149 12.3.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS ............................................152 12.4 - ELASTÔMEROS ...................................................................................153 12.5 – POLÍMERO NATURAL - MADEIRA......................................................158 12.5.1 - MADEIRAS TRANSFORMADAS ....................................................162 12.5.2 - TRATAMENTO SUPERFICIAL .......................................................163 12.5.3 - TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. .....................................................................................................................163 13 – CERÂMICOS...............................................................................................168 13.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................168 13.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL .............................................................170 13.2.1 – CERÂMICA VERMELHA................................................................170 13.2.1.1 – Massa cerâmica.......................................................................170 13.2.1.2 – Esmaltes ..................................................................................172 13.2.1.3 – Engobe ....................................................................................173 13.2.2 – CERÂMICA BRANCA ....................................................................174 13.2.2.1 - Processamento.........................................................................176 13.3 – CERÂMICA AVANÇADA ......................................................................177 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS ..........................................................................187 14.1 – INTRODUÇÃO......................................................................................187 14.2 - ENSAIO DE TRAÇÃO ...........................................................................189 14.2.1 - DIAGRAMA TENSÃO - DEFORMAÇÃO ........................................191 14.2.2 - PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS ................................193 14.2.3 - CORPOS DE PROVA .....................................................................196 14.2.3.1 - Limite de escoamento: valores convencionais .........................198 14.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO ................................................................199 14.3.1 - LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO .............................200 14.3.2 - ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS...............200 14.3.3 - ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL ....................................201 14.4 - ENSAIO DE FLEXÃO ............................................................................205 IV 2007

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14.4.1 - SIGNIFICADO DE FLEXÃO............................................................205 14.4.2 - MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO ..............................................207 14.5 - ENSAIO DE DUREZA ...........................................................................208 14.5.1 - DUREZA BRINELL .........................................................................209 14.5.2 - DUREZA ROCKWELL ....................................................................210 14.5.3 - DUREZA VICKERS.........................................................................212 14.5.4 - DUREZA SHORE............................................................................212 14.6 - ENSAIO DE IMPACTO..........................................................................213 14.6.1 - TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO .................................................214 14.6.1.1 - Fatores que influenciam a temperatura de transição................215 14.6.1.2 - Resfriamento do corpo de prova ..............................................216 14.7 - ENSAIOS METALOGRÁFICOS ............................................................220 14.7.1 - ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO ............................221 14.7.2 - ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO .............................221 14.7.2.1 - Etapas metalográficas ..............................................................221 14.8 - PROPRIEDADES TÉRMICAS...............................................................228 14.9 - PROPRIEDADES ELÉTRICAS .............................................................228 14.10 - PROPRIEDADES MAGNÉTICAS........................................................231 14.10.1 - MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS ...........................237 14.11 - PROPRIEDADES ÓTICAS..................................................................238 14.11.1 - REFLETIVIDADE, TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO. .................238 14.12 - PROPRIEDADES QUÍMICAS .............................................................244 14.12.1 - RESISTÊNCIA A CORROSÃO .....................................................244 14.12.2 - RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO ................................................245 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS ............................................246 15.1 - INTRODUÇÃO .....................................................................................246 16 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS .......................................................................249 17 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................251 ANEXOS .............................................................................................................254

V 2007

....32 – Ciclo do recozimento........................................................................................20 – Bainita inferior............... 7 Figura 2..................................................... 53 VI 2007 ....................... ......... .................. 41 Figura 2......... 13 Figura 2..16 – cementitas...................................... A) Perlita normal............... Losekann Direitos autorais reservados ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2.................................................................. 14 Figura 2................... 16 Figura 2....................7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa... .......................................1 – Minério de ferro............................35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide.......................... ... 35 Figura 2................................................... 14 Figura 2........................ 44 Figura 2........................ 15 Figura 2................ 43 Figura 2..........................6 – Alto-forno.............................4 – Pelotas............................. ..................................................................................3 – Sínter......................................................................... 49 Figura 2..................................... 34 Figura 2............................ B) Perlita sorbítica....................... 15 Figura 2...... .... ..... 30 Figura 2......................................... ...............................................................................................39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide..........2 – Campo de mineração............. 16 Figura 2...........................................................................29 – Microestrutura do ferro fundido nodular.................................... ................................. 13 Figura 2......... 45 Figura 2..........................23 – Ledebuirta................................................44 .. 12 Figura 2........................... perlitas (escuras)....UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.................................................. .......... .......... 11 Figura 2.............................. .............................21 – Trostita........30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos ............27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide........19 – Martensita.......37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça......................... 42 Figura 2........... 17 Figura 2............ .... 6 Figura 2.....................................9 – Aspecto construtivo de um conversor........... 17 Figura 2................................................. Ferritas (claras)...... ............ 44 Figura 2..................................... 8 Figura 2........................................... .....................40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono....28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento. ................................. ................................... 43 Figura 2............ .............11 – Estrutura cristalina da cementita.........41 – Diagrama TTT para o aço 4340........................22 – Sorbita.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos...............................................15 – Ferritas.....................24 – Esteadita........... ...........31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização..... .. 18 Figura 2........38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide......43 – Martêmpera...33 – Ciclo da esferoidização.................... ........................................... 37 Figura 2............. .............................. 4 Figura 2............13 – Curva de resfriamento do ferro.................8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa).........18 – Austenita.... 37 Figura 2...................14 – Diagrama de equilíbrio ........... Cláudio R......................5 – Vista parcial de um alto-forno................ 41 Figura 2.............................................. 16 Figura 2....25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide.......17 – Perlitas....... 12 Figura 2............................. 10 Figura 2....... Somente perlitas....26 – Microestrutura de aço eutetóide.......... .......12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono. 4 Figura 2.... Dr.....................Diagrama de equilíbrio Fe-N......................................................................42 – Austêmpera.....................................10 – Operação de um conversor........ ....... 17 Figura 2...........aço.................................... 36 Figura 2...........34 – Ciclos de tratamentos................................................................................ ............................................ 31 Figura 2..... 5 Figura 2..................... 4 Figura 2............... 5 Figura 2....... 7 Figura 2... 3 Figura 2.................... . .............. ... Perlitas e cementitas........

.................................... 54 Figura 2.............. 88 Figura 4..........2 ... 56 Figura 2......... a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]...4 .1 ....4 .........7% Sn 2.......................Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn....13 ...................... ... a) metano........2 .........................6 – Micrografias de latões................................118 Figura 11. ..2 ..................Diagrama do comportamento mecânico dos latões......... ........122 Figura 12.............................117 Figura 11............................. B) Flotação ........12 ...........................................103 Figura 6. b) n-butano..................... 58 Figura 2............Monômeros.108 Figura 8............. 89 Figura 4......... Losekann Direitos autorais reservados Figura 2....50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono.. Dr......1 ......... Cláudio R........... Pb 5%................ 57 Figura 2......1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu........3 .6 – Reação de copolimerização do náilon 66........................ ............. ............................... Cu-Zn 24...........................112 Figura 10..........2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg.................................. ......... 92 Figura 4...........................51 – Esquema da eletrodeposição....7% Ni 3.......... b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] ........... 97 Figura 4.. 90 Figura 4........ c) isobutano..........Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni........Diagrama de fases da liga binária Al-Si.....UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof............. 53 Figura 2..Esquema do forno revérbero e obtenção do mate.......10 .......1 .........................Aplicações do bronze....7 .120 Figura 12..............121 Figura 12........106 Figura 7.............................. ....1 .......................... 74 Figura 3......Diagrama de fases da liga Pb-Sb...........1 – Beneficiamento do cobre.....Diagrama de fases da liga binária Cu-Al... ..........................8 .1 ...........4 ............................. ................9 ..3 ...... ....................Aplicações do cuproníquel........... 60 Figura 2..........Aplicações dos latões.....Diagrama de fases da liga binária Cu-Be......... ........Aplicações da tungstênio........... b) etano....................115 Figura 10...Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica...14 ...........Aplicações do zinco............49 – Esquema do reator iônico.... ............. 81 Figura 4.... 75 Figura 3................Aplicações do magnésio...................... Cu-Zn 34% Mn 1............................................. 92 Figura 4......... 82 Figura 4.....................2 ...................................1 ..................... ...... 95 Figura 4................................47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada..... 77 Figura 4..............Monômeros........... c) Neopentano.. c) Cu-Sn 10%........ .......... ..................... .46 – Célula unitária da fase ε........................................................9% [fase α + Cu3Sn].........................................3 ...... ................ b) Isopentano.........119 Figura 11... . a) propano.. .....5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn.................. a) n-pentano......111 Figura 8................. c) eteno..........Aplicações do cobalto............Aplicações do titânio......4 – Representação de polímero...........123 VII 2007 ... 87 Figura 4...................1 ......Aplicações da prata............. 98 Figura 4..... . 66 Figura 3....... ...1 ............................................................... ...45 – Célula unitária da fase γ’................... ...........................11 ..............Aplicações do níquel...121 Figura 12...........Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre....Monômeros..48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços........................... 94 Figura 4............................. 74 Figura 3. .......................Aplicações do cromo.....4% Pb 2.....Diagrama de fases da liga binária Al-Si..........12% Pb 1............................... 82 Figura 4............ 99 Figura 5.................122 Figura 12...............Aplicações do ouro................................ a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α].15 ... submetidos ao processo líquido..5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila......92% [fase α + nódulos de Pb].... 83 Figura 4.....Diagrama de fases da liga Pb-Sn..........................3 ......................... A) Trituração do minério................................................115 Figura 11...Micrografias de bronzes............................ .....................121 Figura 12.. b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] .................. ..

........165 Figura 12...147 Figura 12......15 – Fórmula geral da poliolefina...........28 – SBR....176 Figura 13....131 Figura 12. ....143 Figura 12............195 Figura 14.......31 – Efeito pátina........................................ B) região viscosa............................................ ................................................................. ............................................... ..................16 – Fórmula policarbonato............................ ...........17 – Polimetacrilato de metila.......174 Figura 13....................24 .....164 Figura 12.........190 Figura 14............................ b) aspecto da fratura. ..........................174 Figura 13..............................................167 Figura 13.........................169 Figura 13................................... a) diagrama σ x ε......................................... ......................Alongamentos na tração e na compressão.......... ..192 Figura 14...........4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos.........30 – Cortes da madeira.14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear.....................125 Figura 12......34 – Efeito estêncil............Polisulfona ..........29 – Uso da floresta.................................................. ..192 Figura 14......124 Figura 12...................21 – Poliimida.........127 Figura 12............................................................. ............................................................ b) aspecto da fratura............................190 Figura 14.......27 – Polisopreno....Louça sanitária... a) antes do ensaio............................................. ....................................... c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas....129 Figura 12....................................9 .........128 Figura 12......................11 – Reação do agente de esponjamento......183 Figura 14..................8 ......128 Figura 12.............. .............5 .................................. b) após o ensaio.................. ..Corpo de prova de ensaio de tração......5 ...............................diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono...................................................................................... ....Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro....... Dr...........147 Figura 12.7 ....155 Figura 12...............2 ............................ ...1 ....................188 Figura 14...........2 – Produção de cerâmica.............................139 Figura 12.......25 – Fenólicos...... E) região com cristalitos na região vítrea....................144 Figura 12.141 Figura 12........................................8 – Formas isoméricas.....13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino....141 Figura 12............. ............. b) cadeia com ramificações incompletas.140 Figura 12......................................................... ....19 – ABS..........Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro....................20 – SAN..................................23 – PCTFE................. .............................................12 – Curvas de volume específico em função da temperatura.. Cláudio R................................................32 – Efeito decapê........193 Figura 14......10 – Reação do baquelite......192 Figura 14..............195 VIII 2007 .........................Curvas de tensões reais e de engenharia....... C e D) região líquida com baixa viscosidade................. ............... ...................... A) região vítrea..154 Figura 12....22 – Fórmula do teflon..........................................165 Figura 12.....................6 ........Equipamentos de ensaios mecânicos.......3 .. .................................................................................................................................1 – Peças de cerâmica..............UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof...............................................180 Figura 13.............................33 – Efeito satinê............................158 Figura 12................................................. a) diagrama σ x ε................4 ...... a) Cadeia linear........18 – Poliacrilonitrilo... .... F) região viscosa com cristalitos........................Peça tracionada.........Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε..................... a) Máquina de ensaio universal............................7 – Representação das cadeias poliméricas..............................................146 Figura 2...........................129 Figura 12..................123 Figura 12............ ...........6 ....162 Figura 12..........Material dúctil..................................................3 .. b) Durômetro...................... ....147 Figura 12......................26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros....Material frágil......9 – Cristalinidade em polímeros............153 Figura 12.................................................................. Losekann Direitos autorais reservados Figura 12.................... ..

......Máquina de ensaio e registrador.....................Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético........................233 Figura 14........ Cláudio R................ ..............38 .17 . ..........216 Figura 14............34 ...Ensaio de compressão em materiais dúcteis..........197 Figura 14........ .Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L.........................................Método de flexão a quatro pontos..........................26 ...............Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade.....Esquema dos momentos magnéticos da ferrita...........200 Figura 14...........31 .Ruptura do corpo de prova no centro......201 Figura 14...............Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação.205 Figura 14...... a) Na ausência de um campo magnético....................... .......9 .37 .....198 Figura 14.....Aspectos da fratura ....................196 Figura 14........32 ..........................24 .....235 Figura 14...............42 ......................................19 ... ......................Micrografia da perlita.....207 Figura 14. .......................................223 Figura 14...........................................Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração....206 Figura 14................. Dr.......................................10 ................ .........Método de flexão a três pontos.............Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz.....Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético...........Tipos de fixação............Corpos de prova..................................... .......29 ..11 ...36 ...................................................................................210 Figura 14............213 Figura 14...... ......Preparação de corpo de prova.........18 ................................. ...........16 .......224 Figura 14....27 ..........Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl................. ..207 Figura 14.............................Elemento da barra submetido à flexão.............Ensaios em molas...............14 ................Flexão em uma barra de secção retangular.234 Figura 14.....................33 ............. ...Corpos de prova Charpy e Izod............................................. a) normal.......................................................Curva de resistividade elétrica em função da temperatura.....................................200 Figura 14...Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético......... ..... .......Esquema de momentos magnéticos do MnO..........25 .. ...231 Figura 14........15 ....35 ...............45 .39 ...........206 Figura 14..............................UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof..217 Figura 14...30 ..................Penetradores de Dureza Rockwell. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14.. ........................................221 Figura 14............Ensaio de compressão....41 ..........214 Figura 14............218 Figura 14..................... .............235 Figura 14........................................219 Figura 14.............20 ......................................43 ..21 ..................................................... ................. ...................................Temperatura de transição....236 IX 2007 .......Curvas de energia absorvida de um mesmo material... .....28 ...210 Figura 14.................. ..........................................12 .....221 Figura 14..................Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária..............................Determinação do limite de escoamento.....23 ........................................... a) Na ausência de um campo magnético...... b) Na presença de um campo magnético......13 .....44 ......................198 Figura 14........201 Figura 14........................................196 Figura 14... .........Ensaio Charpy e Izod......................................202 Figura 14.........197 Figura 14........Máquina de ensaio de impacto..................... b) Na presença de um campo magnético.......40 ...............................................................................Ângulo φ nas impressões Brinell......................................22 ................................................. b) flambagem...Esquema da compressão..199 Figura 14..........198 Figura 14................................Ruptura do corpo de prova fora de centro.232 Figura 14.......

....................................243 Figura 14............. ...1 – Símbolo da reciclagem....... ............. Dr.....48 ................................................239 Figura 14.......UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.......... .................Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado................................239 Figura 14......51 ........a) Esquema de um experimento de transmissão............................Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo).......50 .....240 Figura 14.........245 Figura 15................................................ .................. A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor. b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs......Espectros de radiação eletromagnética......... Cláudio R............Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro..238 Figura 14....Esquema dos tipos de corrosão.52 ...240 Figura 14.............. Espectro com irradiação do ultravioleta..... ............54 .............. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14..242 Figura 14.................... ..............246 X 2007 ...237 Figura 14....Curvas de transmitância da amostra BLC1............. .............46 ........Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios.49 ..........47 .........................................Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro............................................53 ......................... ...........

cai em um nível mais baixo de energia. quando o elétron. A maioria dos metais se oxida com facilidade diminuindo o seu brilho. Esta característica também pode ser afetada por impurezas ou inclusões por outros elementos químicos. cujas propriedades se aproximam daqueles.1 . Losekann Direitos autorais reservados 1 – CLASSIFICAÇÃO DE METAIS 1. mas ao grupo todo. Também empregados como elemento de adição às ligas de ferro.1 . por exemplo. e a platina. entende-se por metais. como nos aços. Em primeiro lugar. dando lugar ao brilho metálico.METAIS ESCUROS Apresentam cor cinza escuro. toda substância que possui brilho. Os metais escuros. dureza elevada e. elevada temperatura de fusão. o elemento químico selênio (Se) possui brilho e não é metal. caracterizando a boa condutibilidade elétrica. uma das características principais dos metais. todos os metais podem dividir-se em dois grandes grupos: metais escuros e metais claros.2. O cobalto. onde os elétrons da última camada não pertencem ao átomo. Estas propriedades dos metais de opacidade ótica e refletividade atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem re-emitir. Cláudio R. em muitos casos. Outra característica que os metais possuem é a ductibilidade. mas existem certos indícios pelas quais podem ser agrupados. O tipo de ligação característica entre os elementos metálicos é a ligação metálica.CLASSIFICAÇÃO Cada metal se diferencia de outro pela sua estrutura e propriedades. é quase inteiramente refletido. densidade elevada (menos os alcalinos). A característica deles é de possuir poucos elétrons na última camada. cobalto. 2. entretanto. tornando-o opaco. o níquel e o manganês se empregam com freqüência como elementos de adição às ligas de ferro para alterar as propriedades mecânicas da liga. excitado pelo impacto de uma radiação.INTRODUÇÃO Conforme a química. com mobilidade livre do elétron. Metais férricos: ferro. O metal mais característico deste grupo é o ferro. 1. Metais refratários: apresentam temperatura de fusão superior a do ferro (1. com grau menor para o ouro.2 . Dr. camada de valência. A condutibilidade elétrica e térmica são duas características dos metais que estão relacionadas com a configuração eletrônica dos mesmos. possuem polimorfismo. a prata. 1 . um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal. por sua vez. Na prática. níquel (chamados ferromagnéticos) e o manganês. dividem-se em: 1. Deste modo. entende-se como metais os elementos químicos que se situam na parte esquerda da Tabela Periódica dos Elementos Químicos construída por Mendeleyev.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.539 ºC). 1.

itérbio. mercúrio. Losekann Direitos autorais reservados 3. com exceção de alguns casos especiais. Metais facilmente fusíveis: Zinco.2. cuja densidade é baixa. Metais urânicos: (actinídeos) Os elementos que constituem um grupo com propriedades semelhantes. Possuem grande ductibilidade. o cobre e a prata. paládio. 2. de número atômico entre 57 e 71. bismuto. irídio. porém suas propriedades físicas são muito distintas. o tório. São utilizados como fonte de energia nuclear. európio. Dr. Metais ligeiros: Berílio. ósmio. o férmio e o mendelévio. vermelha ou branca. lutécio. érbio. de propriedades metálicas muito parecidas. 1.2 . o urânio. o berquélio. 3. Estes metais possuem propriedades químicas muito parecidas. tálio. 2 . promécio. o plutônio. chumbo. dividem-se em: 1. cádmio. prata e metais do grupo da platina (platina. lantânio. e que compreende: cério. o netúnio. 4. Possuem grande a resistência a oxidação. hólmio. por sua vez.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o amerício. magnésio e alumínio. Metais nobres: Ouro. O cobre é considerado como seminobre. temperatura de fusão relativamente baixa e neles é característico a ausência de polimorfismo. gadolínio. disprósio. o califórnio. prasiodímio. o protactínio. que inclui o actínio. Os metais claros. rutênio. estanho. Metais alcalinos-térreos: No estado livre são pouco utilizados.METAIS CLAROS Apresentam coloração amarela. Metais lantanídeos: (terras-raras) Grupo de elementos. o einstéinio. pouca dureza. Cláudio R. 5. antimônio e os elementos com propriedades metálicas debilitadas como o gálio e germânio. samário. térbio e túlio. o cúrio. Os metais mais característicos deste grupo são o ouro. neodímio.

carbonato . A fabricação do ferro fundido. provavelmente construída em 912 anos a. • Siderita .óxido – Fe3O4 . encontra-se em torno de 50 minerais que contém ferro.1 . • Limonita . já tinham ferro temperado e crê-se que a obtenção foi por uma maneira casual.1 – Minério de ferro.C.. se fazia experiência com esse metal em um lugar chamado Anatolia na Rússia.Cu2SFe2S3 (sulfeto férrico) – baixo teor de ferro.C.óxido .INTRODUÇÃO O ferro se conhece há tempos remotos.de 30 a 48% de ferro – cor cinza esverdeado. Também há 7 mil anos a. • Pirita .2 .AÇOS E FERROS FUNDIDOS 2. 3 .2Fe2O33H2O de 40 a 62% de ferro – cor amarela para marrom escuro.de 45 a 70% de ferro – cor cinza a vermelho fosco . Dr. Quando se pode extrair economicamente um elemento químico de um mineral. mas sim combinado (ganga) com outros elementos químicos formando os denominados minérios. Losekann Direitos autorais reservados 2 . há 7 mil anos a.sulfeto . • Figura 2. • Magnetita . 2. o mesmo passa a ser denominado de minério. Na Ìndia encontrou-se uma coluna de ferro que media 7 m de altura e 40 cm de diâmetro com peso de 6 toneladas. Na natureza. Os minerais que contêm ferro em quantidade apreciável são óxidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.abundante no Brasil. partindo do minério de ferro. 500 anos a.MINÉRIO DE FERRO O ferro não se encontra puro na natureza. carbonatos. é muito antiga. Os gregos.óxido . No Egito. Cláudio R. Os minérios de ferro mais importantes sob o ponto de vista da siderurgia são: • Hematita .C. encontrou-se amuletos de ferro que provavelmente provinham de minérios beneficiados.Fe2O3 .de 45 a 72% de ferro – cor cinza escuro..FeCO3 (carbonato férrico) .C. silicatos e os sulfetos.

aglomeração. classificação. Elevada resistência mecânica e baixa degradação no transporte. 4 . Losekann Direitos autorais reservados O minério de ferro é submetido a beneficiamento.64 a 67% de ferro. concentração. Redutibilidade alta. Aproveitamento dos finos de mineração abaixo de 0. Cláudio R.51 a 61% de ferro. Gera 7 a 10% de finos de retorno no transporte da sinterização ao alto-forno. reduzindo-se o consumo de carvão. Tamanho de 10 a 12 mm de formato esférico. Figura 2.5 mm. peneiramento. unem-se e acabam formando um bloco poroso.3 – Sínter. Aproveitamento dos finos de mineração de 0. melhorar a permeabilidade da carga do alto-forno.2 – Campo de mineração. carvão moído.000 a 1. Tamanho de 5 a 50 mm de formato irregular. Dr. moagem.300 oC. Gera 5 a 10% de finos de retorno do altoforno. após a extração da jazida.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. recebendo jatos de água que unem as partículas molhadas para formar um aglomerado na forma de bolas (pelotas). A aglomeração visa o aproveitamento dos finos de minério. Após esta etapa as pelotas são aquecidas para secagem e endurecimento.15 mm até 8 mm. Os principais processo de aglomeração do minério de ferro são: • Sinterização – Neste processo o minério de ferro. que está a uma temperatura em torno de 1.4 – Pelotas. Figura 2. mistura. como britagem. calcário e água são misturados e aglomerados e depois são colocados sobre uma grelha em um equipamento especial. Quando quebrados em pedaços menores são chamados de sinter de ferro. Figura 2. Redutibilidade alta. Resistência mecânica média e possível degradação no transporte. Sinter . • Pelotização – Um tambor giratório que contém um disco inclinado e em rotação é alimentado com finos de minério e aglomerantes. Pelotas .

600 ºC na presença de uma substância redutora (coque) em um equipamento denominado de alto-forno.5% a 2. onde o minério a ser reduzido. que posteriormente é utilizado na fabricação do aço ou ferro fundido. sujeitas a altas temperaturas. A ação do carvão se faz sentir de três maneiras: a) como fornecedor de calor para a fusão do minério. b) como fornecedor de carbono para a redução do óxido de ferro e c) como fornecedor de carbono. 2. P. S. atinge seu ponto de fusão. onde apresenta a seguinte composição média 3% a 8% de C. Figura 2. Os refratários são materiais resistentes a altas temperaturas.5% de P. na fabricação de tijolos refratários e em isolamento térmico e acústico. O alto-forno é construído de tijolos e envolvido por uma carcaça protetora de aço. como corretivo de solo. 0. 0. e a cuba (seção superior). a rampa. Três zonas fundamentais caracterizam o alto-forno: o cadinho. A escória pode ser utilizada como base para estradas de ferro. com eliminação dos produtos voláteis do carvão mineral) com possibilidade do carvão vegetal.2% de S. o coque (carvão mineral tratado em temperaturas de mais ou menos 1. O cadinho é o lugar onde o ferro gusa líquido é depositado. como combustível. 5 . Si. O processo consiste em aquecer o minério de ferro em temperaturas acima de 1.5 – Vista parcial de um alto-forno. Figura 2. e até 0. flutua sobre o ferro que é mais pesado.5% de Si.000 ºC em câmaras ausentes de oxigênio. usa-se. na fabricação de cimento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. são revestidas com tijolos refratários. Escória é um produto resultante da ação do fundente sobre a ganga (do minério) e do combustível. A escória que se forma durante o processo. C. Cláudio R. obtendo-se no final um produto da fusão denominado de ferro gusa. como principal elemento de liga.3 – OBTENÇÃO DO FERRO GUSA É o processo de obtenção do ferro. Losekann Direitos autorais reservados Nos processos de redução do minério de ferro em ferro gusa. Dr.5% a 4. utilizados nos revestimentos dos fornos e panelas de vazamento. Todas as suas partes internas. Mn. O ferro gusa é uma liga metálica de Fe.6 – Alto-forno.

ou seja. o oxigênio é eliminado do minério de ferro. o fundente deve ser básico. • O ferro sofre carbonetação (o carbono proveniente do combustível é incorporado ao ferro líquido). geram dois produtos líquidos: a escória e o 6 . • O gusa se funde (o ferro de primeira fusão se derrete). As reações de redução. Cláudio R. Dr.000 ºC) soprado pelas ventaneiras. e se a carga for ácida. Para o caso de não se querer alterar a natureza da carga. Losekann Direitos autorais reservados Na rampa acontece a combustão e a fusão. Isso quer dizer que enquanto o gás redutor sobe. se utiliza fundentes neutro. e que escapam da zona de combustão. Em resumo. • Certos elementos da ganga são parcialmente reduzidos. Estas são as reações químicas provocadas pelas altas temperaturas obtidas dentro do forno que trabalham com o princípio da contra-corrente. no alto-forno ocorre o seguinte: • Os óxidos de ferro sofrem redução. carbonetação e fusão. principalmente para cima. ou seja. Esses são os resultados da queima do coque (basicamente. Esse movimento de descida vai se espalhando lateralmente pela carga. A redução dos óxidos de ferro acontece à medida que o minério. até atingir toda a largura da cuba. Para facilitar esses processos.7 – Sistema de transformação do minério em ferro gusa.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Se a carga for básica. Conforme o coque vai se queimando. algumas impurezas são incorporadas ao ferro gusa. carbono) com o oxigênio do ar quente (em torno de 1. o fundente deve ser ácido. que foi descrito anteriormente. o agente redutor (coque ou carvão vegetal) e os fundentes (calcário ou fluorita) descem em contra-corrente. e queimam os pedaços de coque que estão na abóbada (ou parte superior) da zona de combustão. entre o cadinho e a rampa ficam as ventaneiras. em relação aos gases. a carga sólida desce. Figura 2. • A ganga se funde (as impurezas reagem com o fundente formando escória e metal fundido). que são furos distribuídos uniformemente por onde o ar pré-aquecido é soprado sob pressão. a carga vai descendo para ocupar os espaços vazios.

pelos gases que estão subindo e escorrem para o cadinho. Figura 2. Assim. Si. Dr. O conversor Bessemer consta de um recipiente. • Lavadores de gás. os processos para produção do aço podem ser classificados de acordo com agente redutor utilizado.AÇO Sendo o ferro gusa uma liga de Fe. 2.9 – Aspecto construtivo de um conversor.4 . ou de natureza sólida como minério na forma de óxidos. Losekann Direitos autorais reservados ferro gusa. Siemens–Martin. Na redução do ferro gusa em aço. – onde os substâncias sólidas contendo Processo Pneumático Bessemer O equipamento usado no processo de Bessemer não possui fonte de calor próprio. e por isso não é denominado forno e sim conversor.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. P. • Instrumentos de controle e medição. como o ar ou oxigênio. Cláudio R. Dúplex etc. formado de chapas de aço e revestimento interno de material refratário ácido (silício – alumínio). utiliza-se agentes oxidantes. para transformá-lo em aço. • Processos pneumáticos .O alto forno possui ainda alguns equipamentos auxiliares como: • Coletor de poeiras. de onde saem pelo furo de corrida (gusa) e pelo furo da escória. que é uma liga de mais baixo teor destes últimos elementos químicos. de natureza gasosa.onde o agente oxidante é o ar ou oxigênio • Processo agentes oxigênio. tipo pêra. é necessário um processo de oxigenação desta liga para reduzir a percentagem destes elementos até os valores desejados.8 – Conversor recebendo carga (ferro gusa). Figura 2. C. • Regeneradores de calor ou estufas. 7 . que são empurrados para os lados. S e Mn. oxidantes são Elétrico.

Neste processo. aumentando a temperatura do banho. impedindo que as reações exotérmicas permitem a passagem do fósforo para as escórias. Losekann Direitos autorais reservados O conversor é basculante. A fim de eliminar o óxido de ferro e controlar o teor do carbono. O conversor Thomas é revestido internamente com material refratário básico derivado da dolomita (óxido de cálcio e manganês). manganês (1%). Até mesmo carvão para recarburar o aço. silício . usado na fabricação de chapas. A transformação do ferro gusa em aço é conseguida pelo insuflamento de ar. aumentar a temperatura do banho líquido. Processo Pneumático Thomas . Cláudio R. o silício e o manganês (em silicatos. fósforo e enxofre o mínimo possível. o aço contém aproximadamente 0. elimina o carbono (em CO e CO2. manganês .5%). Quando a chama da boca do conversor está a ponto de se apagar.5%. cabem as reações exotérmicas do oxigênio com o silício e carbono. Para evitar a oxidação excessiva do aço. O ar atravessa o ferro gusa líquido e o oxigênio presente vai reagindo com o silício. Durante o processo forma-se óxido de ferro que deixa o aço frágil e quebradiço. fósforo e enxofre o mínimo possível. A escória obtida com o processo Thomas é um fosfato de cálcio (combinação do fósforo do metal com o cálcio da cal adicionado) e pode ser emprega como fertilizante na agricultura. combinam-se facilmente com o oxigênio. Estes elementos.1%. O borbulhamento do ar. Figura 2. transformando-se em escória. usa-se certa quantidade de cal. Sendo o ponto de fusão do aço maior que do ferro gusa. pouco a pouco e com pressão moderada. silício (1. 8 . ao tempo que se situa o conversor na posição vertical.1. adiciona-se quantidade de ferro-silício ou ferromanganês ou pequenas quantidades de alumínio.4%.1% de carbono e porcentagens mais baixas de Mg e Si. manganês e a maior parte do carbono durante o tempo de 15 minutos aproximadamente. o fósforo também reage exotermicamente com o oxigênio. a fim de colocálo na posição horizontal para receber ou retirar a carga. através dos orifícios existentes na parte inferior do conversor.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.O processo Thomas difere um pouco do processo Bessemer.05 a 0. formando uma chama larga). Dr. através do metal líquido. arames e perfilados. É realizado o vazamento inclinando o conversor e tendo cuidado de que não deslizem as escórias com o aço líquido. que passam a escória). gira em torno de um eixo. isto é. este não pode ser tratado no conversor Bessemer porque o revestimento dele é ácido (carbono (4%).10 – Operação de um conversor. Quando o ferro gusa é rico em fósforo. principalmente o alumínio. de ferro gusa líquido procedente do alto-forno cuja composição média é a seguinte: carbono . O aço produzido em conversor Thomas é mais mole do que do Bessemer. A capacidade de carga do conversor Bessemer varia de 25 a 40 toneladas.

No processo Siemens-Martin pode-se alcançar temperaturas de até 2.950.000 ºC.5% . Thomas e SiemensMartins. e o manganês contidos no ferro fundido reagem ao entrar em contato com o oxigênio do ar: o calor gerado por esta reação não somente mantém líquida a massa. o silício e o carbono são os que liberam maior quantidade de calor. Ao invés de usar o oxigênio do ar (que em cada 100 m3 aproveita apenas 21 m3 de oxigênio) usa oxigênio puro com 99 à 99. é de qualidade superior ao Bessemer. Processo Siemens-Martin . e revestimento básico.1. é uma variante do processo Bessemer.2%Si) + (0. Os produtos da reação do silício e do manganês formam a escória e. os fornos Siemens-Martin são construídos com revestimento ácido. Cláudio R. como elementos desoxidantes. O oxigênio é previamente aquecido e injetado na massa líquida pela parte superior do conversor. Adiciona-se ferro-silício. Losekann Direitos autorais reservados Processo Pneumático L.4. O aço L. o silício. previamente aquecidos. O consumo de oxigênio é em torno de 50 m3 por tonelada de ferro gusa líquido. O forno funciona pelo sistema de regeneração de calor dos gases quentes que saem do forno que vão aquecendo o gás e o ar.2%C) + (1% . Dr.1%Mn) + P e S o mínimo possível.3 m a 1 m do fundo.750 kcal/kg de silício C + O = CO + 2. para o tratamento da carga silicosa.6% .4%C) + (1. . quando a carga é fosforosa. dando entrada no forno em altas temperaturas. A capacidade dos conversores modernos é de mais ou menos100 toneladas. respectivamente. • Ferro fundido saído do alto forno: Ctot = (3.757 kcal/kg de manganês. ferro-manganês ou cal. porém o alto custo de operação e instalação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As reações exotérmicas produzidas alcançam temperatura de 2. e de dois pares de câmaras recuperadoras.D. Segundo a composição da carga (como acontece no processo Bessemer e Thomas). • Os ferros fundidos aptos para o conversor podem ser: Ferro fundido saído do cubilô: Ctot = (3% .400 ºC e o tempo total da operação é de 35 a 40 minutos. os do carbono formam os gases (CO) 9 .5% . dependendo da natureza da carga e do refratário.Este processo introduzido pelos austríacos Linz e Donavitz em 1.5%Si) + (0. usando gás combustível e ar. O processo de obtenção do aço pode levar de 4 a 5 horas. Dos três elementos citados. lança de oxigênio que fica a uma distância de 0. torna-o dispendioso e de baixa aplicação na siderurgia. também de tijolos refratários.407 kcal/kg de carbono Mn + O = MnO + 1.2%Mn) + P e S o mínimo possível.D. O forno é constituído de uma mufla de tijolos refratários para receber a carga que pode ser sólida ou líquida.5% de pureza.5% . O carbono. como também eleva a temperatura de 300 a 400 ºC. A operação dura somente de 10 a 20 minutos. com efeito: Si + O2 = SiO2 + 6. A capacidade do forno varia de 50 a 300 toneladas.

876.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Gibbs. Figura 2. laminados. Neste mesmo período.863 nasceu a metalografia.900. Sorby. β e γ.DEFINIÇÃO Após a redução do carbono do ferro gusa líquido nos conversores. 10 . C. utilizando os resultados de análises térmicas feitas por Robert Austen. aproximadamente. D. com suas descobertas.900.890. Em 1.1 . Estuda também os tratamentos térmicos. J. Dr. Losekann Direitos autorais reservados monóxido de carbono (venenoso) que escapa da boca do conversor. Osmond e outros deram. Brinell verificou que propriedades mecânicas diferentes em aços que foram forjados. A. pesquisadores como A. F. F. F. Ac1. Abel. por A. e baseando-se nas leis de Gibbs. entre os anos de 1. estirados e dos que sofreram tratamentos térmicos e passa a ser registrado fotograficamente as observações microscópicas. carboneto de ferro. Em 1. A. é que pode se dizer da ocorrência da fabricação dos aços. o que hoje é definido como aço. Brinell. Em 1. Osmond consagrou os nomes dos constituintes Ferrita. Rozeboon. F. Sugere as transformações alotrópicas do ferro e a existência do ferro γ.883. Em 1. F. Cementita e Perlita. K Chernov. Em 1. A capacidade dos conversores varia de 1 a 50 toneladas. Em 1. e marca as posições dos pontos críticos Ar1. D. Cláudio R. Gibbs anunciou a lei das fases que teve grande interesse no estabelecimento dos diagramas de equilíbrio dos sistemas de ligas.850 a 1. Ar2.11 – Estrutura cristalina da cementita. Devido ao grande interesse comercial.885. Osmond estudou o comportamento do ferro em temperaturas elevadas utilizando par termoelétrico Pt/Pt-Rh. Em 1.880. Abel determinou que o composto isolado por KARSTEN. J.903. • • • • • • • • Em 1. Desta forma. F. na observação da superfície metálica polida. C. K Chernov apresentou o resultado dos seus estudos sobre cristalização e macroestruturas dos lingotes de aço vazado. sugeridas por Howe e acrescentou os de Austenita e Martensita. com o emprego do microscópio. traça o diagrama da liga de Fe-C contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da indústria siderurgica. Sorby. Osmond publica “Théorie céllulaires des propriétes de l' acier”.4. Ar3. este material dúctil e maleável fez com que vários pesquisadores da época se interessassem em investigar a estrutura e comportamento mecânico. 2. corresponde a fórmula Fe3C e conclui que nem todo o carbono existente no aço pode ser isolado. Ac2. Ac3 e as suas relações com o ferro α.

a temperatura ambiente e. O aço pode ser definido como uma liga binária de ferro-carbono. Na 912 prática. como teor máximo de carbono. a temperatura ambiente. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 2. como teor máximo de carbono. a temperatura de máxima solubilidade (1.7 solidificação (1. S) idu So eγ ) s Líquido + Fe3C +l lid íqu ou quando ligados us ido com elementos Austenita (Feγ ) 4. Entretanto. pode-se definir também o denominado ferro fundido que é uma liga binária de ferro-carbono.5% de 0. Dr.77% 727 C (Feα ) carbono e principalmente com 500 teores próximo de 4.C ternária composta basicamente de três FERROS FUNDIDOS AÇOS elementos: ferro.008 ºC). P.3% de carbono (Feα ) + Fe3C visto que o eutético (Feα ) + Fe3C + (Grafite) produzido por esta concentração de carbono reduz a 0 temperatura de 0 1 2 3 4 5 6 6. Cláudio R. %C TEMPERATURA ( oC ) Figura 2.1%. a temperatura ambiente e. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício.11 0. o valor de 2.12 – Diagrama de equilíbrio do ferro-carbono. às vezes. tendo como teor mínimo de carbono o valor de 0. o ferro Austenita (Feγ ) + Fe3C fundido contém de o 2% a 4.148 2. V. Losekann Direitos autorais reservados Em função do diagrama de equilíbrio traçado por Rozeboon.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. W). Do diagrama de equilíbrio do Fe-C.1%. denominando-se assim como uma liga DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe .3% 1148 oC adicionados para melhoria de suas 1000 propriedades.008%. S) e. 11 . além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn. Si.7%. carbono (2 a 4. o valor de 6.148 ºC).5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos 1538 1500 químicos residuais Au ste Líquido oriundos de sua 1394 nita Liq ( F u fabricação (Mn. P. outros elementos adicionados para melhoria de suas propriedades (Cr.

há expansão de volume. (Ar1.14 – Diagrama de equilíbrio .5 2. visto que a maioria das reações metalúrgicas ocorre sempre à pressão constante. Figura 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A importância deste fato é que. pois parte do princípio que a velocidade de resfriamento é infinitamente lenta e que não há outros elementos de liga que possam influenciar nas curvas de resfriamento.008%.0 %C Como observação. A figura.AÇOS • hipo-eutetóide . pelo diagrama de equilíbrio do FeC.77%. a pressão é uma atmosfera.0 2. Ar2 e Ar3 – transformações no resfriamento) observa-se contrações que são devidas também às mudanças de fase. no resfriamento. denotando mudança de fase. Entretanto. • 2. Assim sendo.com carbono igual a 0. nas paradas.com carbono superior a 0.0218% 400 200 0 0.77%.77%. que os aços podem ser divididos em três grupos: DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO Fe-C . que segue. Cláudio R. não deve ser usado para tratamentos térmicos comerciais. observa-se que há pontos de parada (temperatura constante).aço. hiper-eutetóide . tem estrutura cristalina. é interessante salientar que este diagrama é teórico.0 0.1 % de carbono. Não é considerada a variável pressão. Pelo gráfico esquemático abaixo.com carbono 1600 Líquido Liquidu s até 0. e no caso. A região circulada mostra a área de interesse de conformação mecânica a quente dos aços comuns no comércio. Dr. Além disso. a forma CFC pode dissolver até 2.11% 1400 eutetóide . Vê-se. Pode-se observar que.0 1. Losekann Direitos autorais reservados O ferro. Líquido + austenita 1200 Austenita 1000 912 800 A3 Feα +Feγ ( oC ) • Feγ Acm 0. enquanto a forma CCC pode dissolver carbono até um máximo de 0.5 3. pode apresentar-se em duas formas cristalinas diferentes: cúbica de corpo centrado e cúbica face centrada. 12 . mostra de forma ampliada o diagrama de equilíbrio do aço. como todos os metais no estado sólido.77% o TEMPERATURA Feγ + Fe3C A1 A1 727 C 600 0.13 – Curva de resfriamento do ferro. Figura 2.5 1.

Tem dureza de 90HB aproximadamente. Cementita – É o carboneto de ferro de fórmula Fe3C. É magnética até a temperatura de 2. portanto 6. a partir da qual perde o magnetismo.5% de cementita. esteadita e grafita. praticamente se considera a ferrita. alcançando dureza de 700HB ou 68HRC.67%C e 93. A estrutura lamelar se observa na perlita quando ocorre resfriamento lento. é magnética até 770°C.16 – cementitas. É um dos constituintes mais duros e frágeis dos aços. bainita.4.0218% de carbono a 727 ºC. Figura 2.A ferrita é uma solução sólida de carbono em ferro alfa (Fe α). 13 . São denominados: ferrita. Cristaliza-se sob forma ortorrômbica. Cláudio R. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.CONSTITUINTES DA LIGA FERRO CARBONO As ligas Fe-C são formadas por grupos de cristais que recebem o nome de constituintes. cujas características serão visto a seguir: Ferrita . sorbita. Figura 2. e dependendo da forma de resfriamento da liga. ledeburita. Por isso. martensita. Tem semelhança com madre-pérola A perlita tem uma dureza de aproximadamente de 200HB. Cristaliza-se sob a forma cúbica de corpo centrado (CCC).33% de ferro.008% de carbono. podem ser denominados em constituintes primários (por resfriamento lento) ou secundários (por tratamento térmico) e também de acordo com as proporções dos componentes das ligas. e contém. resistência a ruptura de 28 kgf/mm² (Lr ≈ 280 MPa). Losekann Direitos autorais reservados 2. Cada grão de perlita está formado por lâminas ou placas alternadas de cementita e ferrita. A ferrita é um dos constituintes mais moles e dúcteis dos aços. austenita. perlita. cementita. Perlita – É um constituinte composto por 88% de ferrita e 11. A máxima solubilidade de carbono no ferro alfa é 0. como sendo ferro puro.15 – Ferritas. Sua solubilidade na temperatura ambiente é tão pequena que dissolve apenas 0.110 °C. troostita.2 . resistência a ruptura de 80 kgf/mm2 (Lr ≈ 800 MPa) e alongamento de 15%. alongamento de 35 a 40%.

sendo denominadas de austenita retida ou residual. onde os átomos de carbono estão inseridos principalmente nas faces das células unitárias. A) Perlita normal. A austenita tem dureza de aproximadamente 300HB. Figura 2. se os mesmos não contem elementos de liga. Martensita . B) Perlita sorbítica. a estrutura é mais borrosa e é denominada então de perlita sorbítica.000 MPa) e alongamento de 30% e não é magnética. A martensita se apresenta sob a forma agulhas devido a grande deformação da rede cristalina. visto que o resfriamento rápido mantém os átomos de carbono que estavam dissolvidos na estrutura cúbica de face centrada da austenita.É uma solução sólida de carbono em ferro gama (Fe γ). É obtida por resfriamento muito rápido dos aços. 14 . e a partir da temperatura crítica superior (linha A3 ou Acm). Se o resfriamento é mais brusco. a baixa temperatura. sendo a concentração de carbono de 2. Cláudio R.18 – Austenita. uma vez elevando-se à temperatura suficiente para conseguir uma constituição austenítica. sendo esta austenita não estável e com o tempo poderá transformar-se em ferrita e perlita ou perlita e cementita. resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1.148 °C. a denominação de perlita globular ou esferoidizada. Há outros autores que consideram essa estrutura como sorbita. por exemplo. Losekann Direitos autorais reservados a) b) Figura 2. Pode-se obter estruturas austeníticas nos aços na temperatura ambiente. Se a perlita lamelar permanecer durante algum tempo a uma temperatura um pouco inferior a critica (727 °C) a cementita toma a forma de glóbulos incrustrados à massa da ferrita. A austenita nos aços carbono. o cromo-níquel.11%. encontra-se toda a massa transformada em cristais de austenita. É um dos constituintes mais elásticos dos aços.É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α). mantendo-se na estrutura cúbica de corpo centrado do ferro alfa.17 – Perlitas. Elas se apresentam em aços ligas especiais como. varia entre 0 e 2. recebendo assim.11% a máxima solubilidade a temperatura de 1. Dr. em aços com elevado teor de níquel. Austenita . A austenita é formada por cristais cúbicos de face centrada (CFC).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. começa a se formar em temperaturas de 727 °C (linha A1 ponto crítico inferior). A quantidade de carbono dissolvido na estrutura cristalina.

assemelhando-se a estrutura do diamante. A bainita é obtida por transformação isotérmica da austenita. é obtida entre temperaturas de 250 e 400 °C. a bainita. resistência mecânica e fragilidade.20 – Bainita inferior.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. durante um tempo suficiente para que toda massa se transforme. de aspecto arborescente. aumentando sua dureza. em conseqüência. resistência mecânica de 175 a 250 kgf/mm2 (1. entre as temperaturas de 250 e 500 °C.5% e é magnética. O processo de obtenção de bainita é similar ao da martensita.5 a 2.19 – Martensita. Figura 2. Apresenta durezas intermediárias da perlita fina com a martensita. um processo de transformação interrompida da perlita. Tal operação recebe de peças de pequenas dimensões. 15 .É uma solução sólida saturada de carbono em ferro alfa (Fe α).500 MPa). sendo que varia até o máximo de 0. alongamento de 0. é obtida entre a temperaturas de 300 e 500 °C e a bainita inferior de aspecto acicular. A dureza da martensita pode atribuir-se à tensão produzida entre os cristais deformados. Bainita . dependendo da temperatura em que o material foi tratado. Losekann Direitos autorais reservados Antigamente acreditava-se que a martensita originava uma estrutura tetragonal em virtude da grande dureza. Cláudio R. da mesma maneira que os metais deformados a frio. A percentagem de carbono da martensita não é constante. onde a tensão entre os grãos aumenta. Sua dureza varia de 50 a 68 HRC. entretanto esta e evidenciada pelo início da transformação das lamelas de cementita.8%C. com o aumento de carbono. Pode-se obter dois tipos de bainita. As duas bainitas são constituídas por placas de carbono sobre uma matriz ferrítica. É obtida também por resfriamento rápido dos aços com concentração de carbono acima de 0. A bainita superior. Em outras palavras. é um constituinte secundário da liga Fe-C que sofreu tratamento térmico com resfriamento rápido. ou seja. Possui excelentes propriedades mecânicas e não necessita de operações de revenido após ter sido obtida. similar a martensita. a dureza aumenta.3%. Figura 2. tanto quanto a martensita. Dr.750 a 2.

Ledeburita . A quantidade total de carbono da ledeburita é de 4. ainda mais finas que as da trostita. Cláudio R. É um constituinte eutético e empregada para designar uma mistura de componentes que passam sem decomposição nem segregação do estado sólido para o líquido. Figura 2.148 °C. Por essa razão aparece nos aços forjados e laminados. e também parecidas com as da perlita. A dureza da sorbita é de aproximadamente 350 HB e resistência a ruptura de 100 kgf/mm2 (Lr ≈ 1. A sorbita se apresenta sob a forma de lâminas. Dr. A dureza da troostita é de aproximadamente 450HB. entre as temperaturas de 600 e 650 °C e mantendo esta temperatura constante durante um tempo suficiente para toda massa se transforme.500 MPa) e alongamento de 7.3%. quando resfriamos a austenita a uma velocidade bem inferior a velocidade crítica de resfriamento. A trostita também é obtida através do resfriamento com a velocidade inferior a crítica (velocidade crítica de resfriamento é a mínima velocidade para que toda a austenita se transforme em martensita). É formada por 52% de cementita e 48% de austenita. parecidas com as da perlita. Losekann Direitos autorais reservados Trostita .23 – Ledebuirta.11%.A trostita se obtém por transformação isotérmica da austenita entre as temperaturas de 500 e 600 °C. A trostita se apresenta em forma de módulos de lâminas radiais de cementita sobre a ferrita. É encontrada nas ligas Fe-C com teores de carbono superior a 2. Sorbita . Também é obtida. A ledeburita é obtida resfriando-se a liga líquida de 4. decompondo-se em ferrita e cementita.A ledeburita não é um constituinte dos aços. mas sim dos ferros fundidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nos quais a velocidade de resfriamento suficientemente rápida não dá tempo para a formação da trostita. Figura 2.A sorbita é obtida por transformação isotérmica da austenita. resistência mecânica de 250 kgf/mm2 (2.22 – Sorbita. porem mais finas.3% C desde temperatura de 1. Figura 2.5%. sendo estável até 727 °C.000 MPa) e alongamento de 15%. 16 .21 – Trostita.

É muito dura e frágil. Losekann Direitos autorais reservados Esteadita .25 – Microestrutura do aço hipo-eutetóide. as seguintes estruturas são formadas no aço: a) No aço hipo-eutetóide abaixo de 727 ºC. e aparece nos ferros fundidos com mais de 0. Dr. Figura 2. • Ferrita + Perlita.A grafita é um dos três estados alotrópicos em que encontramos carbono livre na natureza.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.15% de fósforo. terá aproximadamente 15% de esteadita.25 g/cm3. No entanto melhora a resistência ao desgaste (serve como lubrificante seco) e a corrosão. Possui cor marrom escuro e peso específico 2. e quase todo fósforo da liga se encontra neste constituinte. 17 .É um constituinte de natureza eutética. • Perlita. Com concentração de 0. Confere a liga ferrosa baixo valor de dureza. Como a esteadita se compõem de uns 10% de fósforo aproximadamente. Em condições de resfriamento lento. pode-se calcular a percentagem de esteadita que contém o ferro fundido por sua quantidade de fósforo. As quantidades de perlitas aumentam com o aumento do teor de carbono. Figura 2.26 – Microestrutura de aço eutetóide. Cláudio R. Somente perlitas.77% de carbono encontram-se na matriz do aço somente grãos de perlitas. Apresenta-se em forma de lâminas nos ferros fundidos cinzentos e em forma de esferoidal em alguns ferros fundidos especiais.15% de fósforo. Grafita . funde a 960 °C. Ferritas (claras). Por exemplo. elasticidade e plasticidade. b) No aço eutetóide. um ferro fundido que contém 0. perlitas (escuras).24 – Esteadita. Figura 2. resistência mecânica. diminuindo a quantidade de ferrita.

os elementos de liga influem na morfologia do diagrama de equilíbrio. Assim sendo. o da classificação em relação a sua composição química. forno.912 nos Estados Unidos da América do Norte. ou seja. A base deste sistema é. Perlitas e cementitas. Assim. é evidente que nunca há velocidade infinitamente lenta.2315 18 .conhecida pela sigla “SAE ”.CLASSIFICAÇÃO DOS AÇOS . no contorno de grão. tem-se como exemplo: Aço-Níquel: SAE . entidade norteamericana que congrega e normaliza toda a indústria de ferro e aço naquele país. a classificação tem como critério básico a composição química de aço. Nos aços com teores acima de 0. caracterizando fragilidade intergranular. o que faz a AISI não foi nada mais do que adotar em princípio. a classificação básica inicial SAE e partindo desta foram feitas modificações necessárias e ampliações. • Perlita + Cementita. há a formação de outros constituintes. que estaremos praticamente nos referindo a um mesmo critério de tipos e valores. sendo suas normas de classificação dos aços ou das bases de seu sistema.4. ar. podemos falar em classificação SAE ou AISI ou também SAE-AISI.2315 ABNT . No caso de resfriamento convencional. adotada a classificação SAE. pela famosa “Society of Automotive Engineers” (Sociedade dos Engenheiros Automobilistas) .ABNT . São perfeitamente equivalentes. praticamente. Cláudio R. tornou-se conhecida mundialmente.941 estas normas foram encampadas pela “AISI”. Por outro lado. apresentada e normalizada em 1. óleo e água. Dr. Nas condições normais. Losekann Direitos autorais reservados c) No aço hiper-eutetóide até 2% de C.3 . martensita. No Brasil também foi. como perlita fina.77% de carbono se encontram grãos perlíticos e.2315 AISI . cuja sigla é ABNT. da Associação Brasileira de Normas Técnicas. denominada “classificação SAE”. 2. adotadas hoje por muitos países.AISI A classificação. sigla da “American Iron and Steel Institute” (Instituto Americano de Ferro e Aço). foi organizada. Em 1. Figura 2.27 – Microestrutura de aço hiper-eutetóide. Desta forma.SAE . permanecendo o princípio adotado anteriormente. bainita superior e inferior. a cementita. de acordo com a norma NB-82. por exemplo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. em princípio.

AISI tornando possível especificar. • Prefixo T é empregado para indicar a maior proporção de Mn. nos desenhos de oficina e especificações técnicas. XX . ou entre o 2º e o 3º ocorre a inclusão de letras como: • Prefixo X indica a variação de enxofre ou cromo. Em alguns casos. Sigla • • • Cada instituição normalizadora usa a sua sigla: Society of Automotive Engineers SAE . O propósito desta publicação é exatamente de estudar o sistema de classificação destes tipos de aços. • A letra D precedendo os algarismos indica aços com composição química exatamente igual a estabelecida pelas norma DIN (Deutsche Industrie Norm).XXXX American Iron and Steel Institute AISI . • A letra L intercalada entre o 2º e o 3º algarismo indica a presença de chumbo (lead). nos sistemas normalizados SAE e ou AISI é constituído sistematicamente por quatro algarismos (ocasionalmente por cinco algarismos no SAE e três no sistema AISI). Ex. Tem-se então: UMA sigla e QUATRO algarismos ⇒ SAE XXXX SAE : “Sigla” da Instituição Normalizadora X . Losekann Direitos autorais reservados • Sistema básico de classificação Um sistema codificado é usado para designação dos aços laminados na classificação SAE . antes dos 4 algarismos. O código básico de representação dos tipos de aços. X . permitindo descrever.XXXX Associação Brasileira de Norma Técnica ABNT . precedidos da sigla indicadora da constituição normalizadora.XXXX. Cláudio R.3o e 4o algarismos: indicam o “percentual médio” de carbono.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a composição química dos mesmos.1o algarismo: indica o “tipo” de aço. 19 . ABNT 4524 AF – aço fundido com tensão de ruptura de 45 kgf/mm2 e alongamento de 24%. Entende-se como “aços laminados” (wrought or rolled steel) os “aços carbono” (carbon steel) e “aços-liga” (alloy steel) usados em construção mecânica e obtidos por laminação em laminadores. Dr. onde os dois primeiros números indicam a tensão de ruptura em kgf/mm2 e os dois últimos algarismos representa o alongamento. Exemplo: D5116 corresponde a 16 Mn Cr 5 Os aços fundidos são designados por 4 algarismos seguidos de AF. parcialmente. o tipo de aço usado.2o algarismo: indica o “grupo” dentro do tipo.

geralmente. Por 20 . Nas ligas com “dois elementos de liga”.: 0.25% C Significado especial do 4o Algarismo Muitas vezes. significando a indicação de metal (ou metais) básico adicionado a liga de ferro carbono. ou seja: 0. pode indicar a existência de variações de outros elementos da liga. Será visto.21% C) as tabelas não apresentam diferença na porcentagem média de carbono. que. posteriormente nas tabelas. com “dois elementos de liga” indica uma determinada combinação de porcentagem média dos (ou de alguns dos) componentes da liga. Ambos apresentam uma porcentagem de C entre 0. 3o e 4o Algarismo . que. por exemplo. quando for considerado isoladamente. algumas vezes. em alguns casos. procura identificar de uma maneira geral e global o tipo de aço a que pertence. para identificar bem os aços comerciais disponíveis. que nestes casos denominamos de combinação da liga. muitas vezes. Dr. XX % C Ex. Losekann Direitos autorais reservados 1o algarismo . indica a percentagem aproximada do elemento predominante na liga. em centésimo percentual.18 a 0.23% C. Cláudio R.2% C) e SAE 1021 (0.grupo dentro do tipo Nas “ligas simples”. O quadro abaixo indica esta identificação: TIPO DE AÇO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 DESIGNAÇÃO Aço Carbono (sem metal de liga) Aço Níquel Aço Níquel-Cromo Aço Molibdênio Aço Cromo Aço Cromo-Vanádio Aço Tungstênio-Cromo Aço Níquel-Cromo-Molibdênio Aço Silício-Manganês 2o Algarismo . um elemento de liga que. Nas ligas com “três elementos de liga” e também. indica a percentagem aproximada deste elemento.Percentagem média de Carbono Os dois últimos algarismos XX indicam sempre a percentagem média de carbono no aço. entre os aços indicados por SAE 1020 (0.“Tipo” de Aço Um sistema numérico de 1 a 9. o 4o ou último algarismo. e que geralmente lhe dá o nome. permanecem constantes para todos os aços com o mesmo 2o algarismo. Dentro do mesmo “tipo” e “grupo” estão compreendidas uma série de ligas com as mesmas porcentagens de elementos componentes.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

8630 8 .25% Mo Aço Ni Aço Ni-Cr Aço Mo 21 .5% de Ni Aço com 3.10% de C. com percentagem média de carbono de 1%.Caracteriza Aço Níquel-Cromo-Molibdênio 6 .).Percentagem aproximada de cromo na liga .5% Cr Aço com 3.Caracteriza “Aço Carbono”.51100 5 .5% de Ni Inox e resistente à altas temperaturas Aço com 1. exceto elementos residuais.Sem elemento de liga além da combinação ferro e carbono. Dr. 40 .8% Cr Aço com 0.35% de carbono na liga. 35 .5140 5 .10% de Nb Aço com Mn entre 1. 30 . Aço SAE .98 a 1. cujos valores médios estão especificados nas respectivas tabelas de composição química.Percentagem média de 1% de carbono . Exemplos: Aço SAE . 100 . Aço SAE .65% Cr Aço com 1.25% Ni e 0.Percentagem aproximada de Cromo na liga .Caracteriza a combinação em determinadas percentagens dos três elementos de liga. Cláudio R.00 a 1.75% de Mn Aço com elevado teor de Mn Aço com 0.98 e 1. o último contém maior porcentagem. 1 .5% Ni e 1. os três últimos (XXX) indicam a percentagem média de carbono (entre 0. Tipo Aço carbono Classe 10xx 11xx 12xx 13xx T-13xx 14xx 15xx 20xx 21xx 23xx 25xx 30xx 31xx 32xx 33xx 34xx 40xx Teor aproximado dos elementos Aço sem elemento de adição Aço resulfurado – de usinagem fácil Aço resulfurado e refosfatado Aço com 1.0% Cr Aço com 3.1035 1 . como os aços SAE 50100.30% de C.Caracteriza “Aço Cromo”.5% de Ni Aço com 5. SAE 51100 e 52100.0% Ni e 0.Corresponde a uma percentagem média de 0. no entanto.Percentagem média de 0.75% Ni e 1.5% de Ni Aço com 1. Aços classificados com cinco algarismos Algarismos (XXXXX). 0 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Aço SAE .10%C).40% de C.65% Aço com 0.(0.1% Cr.Caracteriza “Aço Cromo” 1 . apresentam na porcentagem de Mn. Losekann Direitos autorais reservados outro lado.1% Cr.Percentagem média de 0.

55% Ni e 0. embora em pequenas percentagens.15% Mo Aço com 0.8% Cr e 0. Losekann Direitos autorais reservados Aço Cr Aço V Aço W Aço Ni-Cr-Mo Aço Si-Mn 41xx 43xx 46xx 48xx 50xx 50xxx 501xx 51xxx 511xx 514xx 515xx 52xx 52xxx 521xx 61xx 70xx 86xx 87xx 92xx 93xx 94xx 97xx 98xx Aço com 0.Elementos resultantes da elaboração. outros elementos que podem ser classificados e divididos em três grupos. • • 2o Grupo – Impurezas. por serem no caso. cuja presença no aço.9% Cr Aço com 1. Cláudio R.45% de Cr Aço com 0. devem ser reduzidas as menores porcentagens possíveis.9% de Cr a 0. 3o Grupo .2% Mo e 0.INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE ADIÇÃO Como foi estudado anteriormente. manifestamente prejudiciais a qualidade do aço.55% Ni e 0.25% Mo Aço com 3.2% de Cr Aço com 1.5% Cr e 0.Elementos resultantes da elaboração Pertencem a este grupo os elementos como o manganês (Mn). tal como é usado industrialmente.2% Cr e 0.55% Ni e 0. São constituídas principalmente 22 .Elementos de liga.25% Ni e 1.45% de Cr e 1% de C Aço com 1.25% Mo Aço com 1.4.15% de V Aço com tungstênio Aço com 0.6% de Cr Aço com 0. o alumínio (Al) ou o titânio (Ti). como decorrência dos processos de fabricação e que.25% Mo 2. o aço.3% a 0.0% Si e 0.20% Mo Aço com 1% Ni e 0. ou introduzidas durante os processos de fabricação.Impurezas São constituídas pelos elementos que sendo componentes das matérias primas usadas.25% Mo Aço com 2. • 1o Grupo .55% Mn Aço com 3.45% Ni e 0.4% Cr e 0.5% de Cr Aço com 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. possui além do ferro e do carbono. 2o Grupo . o silício (Si).75% Ni e 0. sempre existem nos aços. Dr.5% de Cr e 1% de C (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1% de Cr (para rolamentos) Aço com 1.8% Cr e 0.12% Mo e 1% Mo Aço com 0. 1o Grupo .75% Ni e 0.17% Cr e 0.5% Cr e 0.12% Mo Aço com 0.10% Mo Aço com 0.4 .5% Ni e 0.

É o elemento que desafia o aço e estabelece suas propriedades básicas.35% pois é empregado como desoxidante durante o processo de fabricação do aço. Silício (Si) . 2. Associado ao silício. Somente é considerado como elemento de liga nos aços. compreendido entre dois limites. níquel. enquanto que as outras propriedades dependem do grau de pureza. etc. A percentagem de carbono influi apenas na dureza de aço. Sabe-se que entre as matérias primas usadas para a fabricação do aço. Manganês. oxigênio.10 a 1. serve para fabricar aços especiais para molas.É um elemento que se apresenta em todos os aços. titânio. acha-se presente em todos os aços em pequenas proporções.50 a 1. cobalto. As impurezas provenientes da matériaprima. em pequenas percentagens.O silício como o Mn. silício. fósforo. nitrogênio. será abordado um resumo da sua ação específica e em especial. Cláudio R. silício e manganês. alumínio. boro. vanádio. até 0.5% aproximadamente.1 – Elementos de adição Carbono (C) . tântalo. chumbo. quando a percentagem média excede a 0. classificam-no como aços de construção.10% a 0. Aumenta a dureza e a resistência. devido aos processos de fabricação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tungstênio. Aumenta a dureza e resistência e diminui a ductilidade e plasticidade. chumbo.Elementos de Liga Também denominados de “elementos especiais”. Para cada um dos elementos de adição existentes ou adicionados aos aços de construção. Se nenhum destes elementos atinge a porcentagem de 5% o aço diz-se “baixo teor elementos de liga” se a percentagem ultrapasse os 5% são classificados como de “médio” ou “alto” teor em elementos de liga.70% C. são aqueles que se adiciona intencionalmente ao aço.. como o cobre. ou conseqüentes dos processos de fabricação são constituídos principalmente pelo enxofre. níquel.4. 3o Grupo . Manganês (Mn) . molibdênio.50% C constituem os Aços Ferramentas. selênio. relacionando a sua influência sobre os tratamentos térmicos e a influência destes elementos e destes tratamentos sobre as características de comportamento mecânico dos aços. mas também por diversos metais. Losekann Direitos autorais reservados por elementos não metálicos como o enxofre. uma quantidade de peças de aço (de diversas ligas) é adicionada junto com o ferro e carbono para formar o aço. em geral. zircônio. Dr. conferem propriedades particulares. Aumenta a velocidade de penetração do carbono na cementação. Aumenta a resistência mecânica dos aços de baixa liga e melhora a resistência à oxidação em altas 23 . que definem a qualidade do aço. estanho. “aços especiais”. cobre. assim como a resistência ao desgaste. cromo.4. O seu valor porcentual está. fósforo. As deformações produzidas pela têmpera são diminuídas pela adição de Mn. etc. Faz aumentar moderadamente a temperabilidade e contrabalança a fragilidade dos aços devido ao enxofre. ou ainda. Percentagens entre 0. Poderão dar ao aço propriedades indesejáveis para o fim a que se destinam.6% de Mn. O teor de carbono varia entre 0. Percentagens que oscilam entre 0. uma boa percentagem é de “sucata” ou seja.

Por esta razão nos aços de alta qualidade. de modo que o seu teor deve ser mantido o mais baixo possível. é considerado elemento benéfico.30 a 0. Melhora ligeiramente a resistência à corrosão. prestando-se muito bem para imantação por corrente alternada. atingindo os aços especiais. É usado também na fabricação de molas. sendo então considerado como “aço-silício”. para este efeito. Percentagens de 2. altos valores de carga de ruptura.Em princípio o nitrogênio tem muitas vezes uma influência nociva sobre os aços.05%. por serem usados para a fabricação de pequenas peças. Aumenta a dureza e a resistência dos aços de baixo teor de carbono.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. durante os processos de fabricação. Os aços-silício são muito usados para chapas de núcleo de transformadores e motores elétricos. empregando-se em ferramentas para trabalhos em pedreiras. Felizmente. Atualmente. pois aumenta a facilidade de usinagem e os cavacos se destacam em pequenos pedaços. O oxigênio endurece o aço. Fósforo (P) . a percentagem de silício deve ser superior a 0. prevenindo a corrosão intergranular e a tendência à fragilidade. Enxofre (S) .É um elemento prejudicial aos aços tornando-os frágeis e quebradiços ao rubro. que possui. o Nitrogênio deixou de ser considerado elemento nocivo. Para ser considerado como elemento de liga.É uma impureza normal existente nos aços. Oxigênio (O) . para permitir altas velocidades de corte. Faz aumentar o coeficiente de elasticidade o que torna sua presença inconveniente nos aços destinados a receberem deformação por estampagem. o oxigênio é prejudicial ao aço.É usado para desoxidação e como estabilizador dos aços inoxidáveis austeníticos. com carbono até 0. da forma que a combinação daqueles elementos com o oxigênio torna-se inofensivo. Nitrogênio (N) . porem considerada de natureza nociva.4% Si. adicionam-se elementos de liga. devido a fragilidade destes aços. diminuindo conseqüentemente sua tenacidade. causando principalmente dureza e fragilidade.5%. maior afinidade pelo oxigênio do que o ferro. Os aços-silício resistem muito bem ao desgaste.0% por possuírem boa permeabilidade magnética. Cláudio R. Titânio (Ti) . Dr. A percentagem máxima admissível e em torno de 0. deseja-se limites máximos entre 0. Aumenta a existência e dureza dos aços de baixa percentagem de carbono melhora nestes aços a sua usinabilidade. A presença do enxofre faz com que os aços tenham características mecânicas inferiores.0% de Ti tornam os aços com 0. São também chamados “aços para tornos automáticos”. melhora certas propriedades dos aços. É empregado também como elemento de liga. Em um caso especial.5% C não temperáveis. pois foi verificado que.35% é usado na produção dos aços de “corte livre”. tornando-o frágil. por sua ação de aumentar a temperabilidade e penetração da têmpera.Como o nitrogênio. Aumenta a 24 . pois sua edição em percentagem. de até 0. magnetizando e perdendo rapidamente o magnetismo. Losekann Direitos autorais reservados temperaturas.10% e percentagens de silício até 4. em muitos casos. dando origem aos aços de “corte livre”.

Aumenta a resistência à ação corrosiva dos ácidos. Os aços-cromo melhoram consideravelmente as suas propriedades pelo tratamento de revenido após o tratamento de têmpera.Em percentagens de 0.Junto com o Ni. do que resulta uma grande resistência ao desgaste e alta capacidade de corte. sendo invariavelmente usado em complemento de outros elementos de liga (pois o molibdênio. nos aços inoxidáveis. isoladamente. assim como a resistência a corrosão e a oxidação. especialmente nas de corte rápido. As ligas com fortes percentagens de Ni apresentam reduzido coeficiente de dilatação pelo calor. melhora ainda a corrosão. pois mesmo com pequenas porcentagens obtém-se efeitos consideráveis. constitui um dos elementos mais importantes na fabricação dos aços de alta qualidade. O aço-níquel com baixa percentagem de Carbono (0.A ação do molibdênio é muito intensa. Os aços são classificados e representam propriedades sensivelmente diferentes. sendo usados para réguas padrão. 25 . e um dos primeiros a serem utilizados nos aços.Consiste um dos elementos de liga mais importantes.5% melhora a resistência à corrosão atmosférica. os efeitos produzidos pelo Mo nos aços assemelham-se as produzidas pelo tungstênio. como o Invar (35. onde entrará como elemento de liga. Aumenta a penetração da têmpera. Dá ao aço resistência à tração. Níquel (Ni) . tende a diminuir a tenacidade dos aços). peças para relógios. Tem pouca influência sobre a ductibilidade. etc. especialmente a baixas temperaturas. sendo as vezes usados nos aços cromo-níquel resistentes à corrosão. sobretudo nas percentagens de 0. Losekann Direitos autorais reservados resistência ao calor e à fadiga dos aços austeníticos. Oferecem também boa resistência ao desgaste. As ligas com altas percentagens de Ni (e Cr) são os elementos básicos dos aços inoxidáveis. É largamente utilizado na fabricação dos aços inoxidáveis. O molibdênio atua sobre propriedades muito diversas do aço e o seu emprego generaliza-se cada vez mais. Em percentagem de 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cromo (Cr) . Molibdênio (Mo) .10 a 0. alta tenacidade e boa ductibilidade.5% de Ni) e a Platinite (46% de Ni). O cromo aumenta consideravelmente a resistência a temperatura ambiente e a altas temperaturas: aumenta a dureza e o limite de escoamento do aço. a tenacidade e a resistência ao choque.5% e confere boas propriedades mecânicas para utilização a temperaturas elevadas. Cláudio R. O nitrogênio é também usado num processo de endurecimento superficial chamado de “nitretação”. pela contribuição efetiva e econômica para as características pretendidas. quando a percentagem é menor ou maior de 25% de Ni. Cobre (Cu) .15% C) e 2% de Ni prestam-se notavelmente bem para cementação. Aumenta a resistência a ruptura à tração e o limite de elasticidade. melhora a resistência ao choque e a resistência à fluência a quente. Dr. Aumenta a resistência a tração.20% aumenta a profundidade de têmpera. ou associado ao Ni. Em conjunto com o níquel e cromo. porém seu efeito é muito mais intenso. De um modo geral. Eleva a resistência à corrosão a temperatura ambiente e altas temperaturas.

Aumenta consideravelmente a dureza a resistência do aço a temperatura ambiente e em especial a altas temperaturas. Forma carbonetos muito estáveis e resistentes ao desgaste. O seu emprego em teores elevados. onde é muito empregado. São aços com preço elevado. Dr. e resistem bem ao revenido. Tungstênio (W) . Os aços ao tungstênio podem ser temperados em água sem rachar. especialmente com o cromo. sendo o elemento básico dos aços rápidos. entretanto. sendo o mais comum o cromo. W. Oferecem também boa resistência ao desgaste. V. Como elemento de liga. são geralmente usados na fabricação de estampas e matrizes. É elemento importante em todos os aços rápidos.004%. incorporado recentemente na tecnologia de fabricação do aço. Mo. o que torna pouco econômico o seu uso quando são desejáveis as suas excelentes propriedades mecânicas. pois facilita a penetração do nitrogênio. melhorando as suas características de forjamento e usinagem. Emprega-se nos aços para imãs e ligado ao Cr e ao Ni nos aços “superinvar” de baixo coeficiente de dilatação. forjamento e usinagem. Devido a grande afinidade pelo oxigênio.Aumenta a resistência do aço. Também são empregados em peças que estão sujeitos à fadiga. como o Cr. Aumenta a dureza e contribui para a melhoria acentuada da capacidade de corte a altas temperaturas.O alumínio é empregado nos aços. Chumbo (Pb) . por esta razão. A sua ação mais importante é o extraordinário aumento da temperabilidade do aço. como as molas. o alongamento. afim de que os aços não percam a sua capacidade de têmpera. principalmente como desoxidante durante o processo de fabricação. Sempre é empregado em conjunto com outros elementos. sem diminuir. Emprega-se especialmente nos aços ferramentas com o W e o Cr em teores de 3 a 10%. além de melhorar o acabamento. Alumínio (Al) . Boro (B) . que se obtém.É um elemento muito interessante.Uma das principais características da adição do vanádio nos aços. Mantém uma dureza elevada em temperatura elevada (500 ºC) e. O vanádio aliado ao molibdênio melhora a resistência à fluência. 26 . Melhora a resistência ao choque dos aços de construção. Geralmente são adicionados com outros elementos. Melhora a resistência à fadiga e as suas características de laminação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mesmo com teores bastante baixos. o alumínio aumenta a resistência do aço à oxidação e ao calor. pelo que é extraordinariamente importante seu efeito nos aços para ferramentas. como seria de esperar. é um elemento importante nos aços que vão ser submetidos a nitretação. Aumenta o limite de escoamento e resistência. em torno de 0. O cavaco formado e frágil é descontínuo. é torná-lo insensível ao super aquecimento.O objetivo da adição de chumbo no aço é o de melhorar a usinabilidade dos aços-carbono. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Vanádio (V) . deve ser acompanhado por um aumento do teor de carbono. Cobalto (Co) . etc.

1212 . usado em parafusos. • • • • • • • • • • 27 . pinças para máquinas operatrizes. etc. (limite de resistência do núcleo: entre 80 120 kgf/mm2). etc. contudo.Aço cromo-níquel-molibdênio de alta temperabilidade.Aço de alto teor de silício com alta resistência.Aço cromo-manganês para beneficiamento. conexões e outros produtos que necessitam de alta usinabilidade. (limite de resistência do núcleo: entre 70 e 110 kgf/mm2). 5160 .5 . terminais de direção. componentes aeronáuticos. usados em peças de construção mecânica em geral. 1020 . de média temperabilidade.Aço cromo-níquel-molibdênio para cementação que alia alta temperabilidade com boa tenacidade. 12L14 .Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. usado em peças de seções grandes como eixos. 9260 . 5140 . conformada ou cementadas. como por exemplo. 6150. terminais. capas de rolamentos. Losekann Direitos autorais reservados 2. Cláudio R. etc. partes soldadas. onde apresenta capacidade superior a 100% em relação ao 1212. porém não devem ser utilizados em partes vitais de máquinas ou equipamentos que estejam sujeitos a esforços severos ou impactos. pinos. roscas laminadas ou partes recartilhadas em relação ao 1212 e 12L14. semi-eixos..UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. de uso geral em aplicações que exigem resistência mecânica superior ao 1020 ou têmpera superficial (em óleo ou água).. usado em coroa e pinhões. usado tipicamente na fabricação de molas semi-elípticas e helicoidais para veículos. para uso geral. 8640 . eixos.Aço cromo-manganês de boa tenacidade com média temperabilidade. eixos. é de difícil soldabilidade exceto mediante a uso de eletrodos de baixo teor de hidrogênio. 1045 .Aço cromo-níquel-molibdênio de média temperabilidade. partes soldadas. pinhões. de uso geral. parafusos. peças para tratores e caminhões. peças dobradas. cruzetas.Fácil de ser usinado. E6015 (AWS). arames em geral. barras de torção. virabrequins. onde apresenta capacidade superior a 60% em relação ao 1212. 4320 . etc. usado em eixos. cremalheiras. Como exemplo. oferecendo um bom acabamento superficial.RESUMO DOS PRINCIPAIS AÇOS PARA CONSTRUÇÃO MECÂNICA • • • • 1010 . ferramentas. bielas. 8620 .Aço ao carbono sem elementos de liga. 12T14 . sem elementos de liga. chavetas e peças de espessura média. usado em peças mecânicas.Aço cromo-vanádio para beneficiamento que apresenta excelente tenacidade e média temperabilidade sendo usado em molas helicoidais. etc. 4340 . engrenagens. tubos e outras aplicações.Aço com teor médio de carbono.4. Apresenta algumas melhorias em trabalhos que necessitem de compressão.Idêntico às características do 1212 com exceção da usinabilidade. etc. Usa-se comumente na fabricação de porcas. Dr.Aço ao carbono. usado em peças mecânicas. usado em molas para serviço pesado como tratores e caminhões.Aço cromo-niquel-molibdênio usado para cementação na fabricação de engrenagens.

1070 1085 1040. 1144 4615 4620 1070. 1015 1030. sobretudo. 1137. roletes e capas de rolamentos e em ferramentas como estampos. 4340. além de outros fatores. 1132. usado tipicamente em esferas. 8640. 4615. 2330. 4820. 1045. 2340. 1040 2330 52100 1085 1060 5150 1060 1020 1040 1085 1035 1040. 1095 1060. do custo. 1212. 2340. 4119 4023 4640. 8620 3115. 4815. 1320. As aplicações dos aços mencionados na tabela que se segue não passam de orientações gerais. 3115 3135. 3140. 3140 1080. 4620 5150 4140 1320. 4140 1045. 6150 4615. Dr. 12T14. 4125 4320. APLICAÇÃO Aço de corte livre Aço de deformação mínima Aço p/ ferramentas agrícolas Aço p/ferramentas agrícolas Aço para laminação a frio Alavanca de freio Alavanca temperada Anel de rolamento Arame de aço Arruela de encosto Arruela de encosto temperada Arruela de pressão Barra de distribuição Barra de distribuição Barra do amortecedor Barra para estiragem a frio Biela Chapas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 2317. 3120.Aço que atinge elevada dureza em têmpera profunda. 5115. da usinabilidade do material. 4119. 3120. das características precisas do trabalho a que se destina. 2340. etc. Cláudio R. 4023. 2345. brocas. 4063. uma seleção criteriosa do material depende. tiras e tubos Chapas. 4340 1040. 1213. 3141 1008 1010. 3510. 3141. 3140. tiras e tubos Chaveta Corrente de transmissão Disco de arado Disco de fricção Eixo Eixo de automóvel Eixo do ventilador Eixo ranhurado Eixo para serviço severo Eixo temperado em óleo Eixo de transmissão Engrenagem cementada Engrenagem de corrente Engrenagem do diferencial Engrenagem em serviço severo Engrenagem temperada TIPO DE AÇO SAE 12L14. 2340 2340. 2345. alargadores. 1080 1070 1030. Losekann Direitos autorais reservados • 52100 . 3115. 6150 2345 28 . 3135. Portanto.

3140. 2340 1020.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Engrenagem temperada em óleo Esfera de rolamento Estampagem profunda Excêntrico para volante Junta universal Lâmina para molas Mola de compressão Mola helicoidal Mola temperada em óleo Parafuso Parafuso de barra de direção Parafuso de corte livre Parafuso estampado a frio Parafuso esticador Parafuso para biela Parafuso para cilindro Parafuso para serviço severo Parafuso temperado Peça cementada Peça forjada Peça forjada média e pequena Peça forjada p/ar comprimido Peça forjada temperada Peça forjada p/trabalho severo Pinhão cementado Pino (corrente de transmissão) Pino (pistão) Porca Porca temperada Rebite Roletes para rolamento Tubos para peças mecânicas Tubos sem costura Tubos soldados Virabrequim Prof. 4815. 1036 1035 4140 3240. 1022. 3310. Losekann Direitos autorais reservados 3145. 1213 4042 3130 3130 3130 4815. 4068. 4140 29 . 4023. 8640. 4063 1095. 4820 3115. 4340. 1015 52100 1010 1010 1020 1045 1145. 4063. 4320 3135. 6150 5150 1035 3130 1211. 3115. 1040 1045. 4820 2330. 1010. 1118. 1015 4615. Dr. 6150 1060. 5140. 4032. 8620. 2515. 1320. 5150 52100 1008. 1095. 4063. 1024. 4620 1144 1085. 9260. 3150. 3135. 3120 3130 2330 1008. 1212. 3120. 6150 6150 3115. 1117. 2317. Cláudio R. 3120. 1010.

Em função disto. embora tenham uma grande resistência à compressão e ao desgaste.148 ºC). este ferro fundido apresenta cor clara. entretanto. o ferro fundido contém de 2% a 4. Desta forma.7%. Cláudio R. moagem. No ferro fundido cinzento. Este tipo de ferro fundido apresenta boa usinabilidade é ótima capacidade de amortecer vibrações.5 – FERRO FUNDIDO Pelo diagrama de equilíbrio do Fe-C acima. aumentando a dureza. A figura ao lado mostra este tipo de estrutura. denominando-se assim como uma liga ternária composta basicamente de três elementos: ferro. Assim. Na prática. teor máximo de carbono. carbono (2 a 4. de 6. a temperatura ambiente e. onde a dureza é a principal característica. Esta formação do carbono deve-se ao silício quando tem teores de até 2. Estas denominações que se dá ao ferro fundido é devido ao aspecto da fratura do material e também pela forma como o carbono se apresenta na massa metálica. dando cor acinzentada ao material. o ferro fundido será branco.5% de carbono e principalmente com teores próximo de 4. revestimentos de moinhos e outras. a temperatura ambiente. pode-se definir também o ferro fundido como uma liga binária de ferro-carbono. O ferro fundido branco é formado através de um resfriamento mais rápido do metal líquido.28 – Microestrutura do ferro fundido cinzento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. o carbono pode se apresentar de duas formas: na forma de cementita (Fe3C) e na forma de grafite. maleável ou nodular.8%. cinzento. De acordo com o diagrama de Fe-C. Figura 2. S) ou quando ligados com elementos adicionados para melhoria de suas propriedades. o carbono se apresenta na forma de grafita. o ferro fundido é obtido diretamente do ferro gusa que tem teores elevados de silício. Devido a estas características são muito empregados na indústria automobilística e indústria de equipamentos agrícolas.5%) e silício (1 a 3%) além de alguns elementos químicos residuais oriundos de sua fabricação (Mn. não ocorre a formação de grafite e todo carbono fica na forma da cementita. Os elementos químicos adicionados ao ferro fundido branco como cromo. são também necessárias concentrações menores de carbono e de silício. molibdênio e vanádio estabilizam os carbonetos. P. tendo teor mínimo de carbono o valor de 2.1%. entretanto. As principais aplicações deste ferro fundido são em equipamentos de mineração. Losekann Direitos autorais reservados 2. lâminas ou flocos.3% de carbono visto que o eutético produzido por esta concentração de carbono reduz a temperatura de solidificação (1. Dependendo da concentração de cada elemento e da maneira como o material é resfriado ou tratado termicamente. os ferros fundidos brancos são frágeis. 30 . além de um resfriamento muito lento.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tornando as peças fabricadas mais resistentes ao impacto e às deformações. FMP 32015 (σr = 320 MPa e ε = 15%). 2. cuja codificação é composta por quatro letras e cinco dígitos. cubos de rodas. cuja classificação é codificada por duas letras e um número de três dígitos: FC-XXX. cuja codificação é composta por três letras e cinco dígitos.ABNT Os ferros fundidos são classificados pela ABNT conforme o tipo de ferro fundido. das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos algarismos representam a deformação em percentual. não havendo a formação de grafita. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido cinzento e os dígitos indicam a resistência à tração em MPa. O ferro fundido maleável de núcleo preto é classificado segundo a norma NBR 6590.1 . diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. Exemplos: FMP 45007 (σr = 450 MPa e ε = 7%). das quais os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois 31 . O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. conexões hidráulicas. Dependendo das condições do tratamento térmico o ferro pode apresentar o núcleo preto ou branco. diferente da forma da grafite do ferro fundido cinzento. O ferro fundido maleável de núcleo branco é classificado segundo a norma NBR 6914. Em virtude disto. bielas. na qual o carbono é removido por descarbonetação. Cláudio R. caixas de direção. Exemplo: FC-350 é um ferro fundido cinzento com tensão de ruptura à tração de 350 MPa (Lr = ≈ 35 kgf/mm2). caixas de direção. O ferro fundido maleável de núcleo branco é submetido a um tratamento térmico em atmosfera oxidadante. este ferro fundido adquire características similares ao dos aços de baixo teor de carbono. O ferro fundido maleável de núcleo preto é submetido a tratamento térmico em atmosfera neutra. As principais aplicações são de fabricação de flanges. cubos de rodas. Losekann Direitos autorais reservados O ferro fundido maleável é produzido a partir do ferro fundido branco que é submetido a tratamento térmico. barras de torção. São muito usados para fabricação de suporte de molas. Para o ferro fundido cinzento utiliza-se a norma NBR 6589. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. fazendo com que a cementita se decompõe em ferro e grafite de forma compacta. e partes de mancais. São muito usados para fabricação de suporte de molas. conexões hidráulicas. bielas.CLASSIFICAÇÃO DOS FERROS FUNDIDOS . podendo ser soldado.5.29 – Microestrutura do ferro fundido nodular. Figura 2. Dr.

antes de serem aproveitadas efetivamente. • Aumento ou diminuição da dureza. • Melhoria da resistência ao calor. • Melhoria da resistência à corrosão. simultaneamente uma diminuição da ductilidade.TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES Os processos de produção industrial nem sempre fornecem materiais de construção nas condições desejadas. em geral os aços. independente do processo de fabricação utilizado para obtenção de peças e aumentar a longevidade destas em relação à corrosão é. FMBS 32008 (σr = 320 MPa e ε = 8%). cuja classificação é codificada por duas letras e um número de cinco dígitos: FE-XXXXX. embora muitas outras ligas e metais não ferrosos também sejam tratados termicamente.6 . Dr. Deve-se verificar que a melhoria de uma ou mais propriedades do material geralmente é obtida com prejuízo de outras. Losekann Direitos autorais reservados últimos algarismos representam a deformação em percentual. usinagem. • Melhoria das propriedades de corte. Devido a isso. • Melhoria da usinabilidade. necessário tratar as superfícies das peças por meio de pintura ou também por meio de tratamento termo-químico. O ferro fundido nodular utiliza-se a norma NBR 6916. obtém-se. as tensões internas que se originam nos processos de fundição. podem criar problemas de distorções e empenamentos. • Modificação das propriedades elétricas e magnéticas. que objetivam minimizar ou eliminar aqueles problemas. • Melhoria da ductilidade. que serão vistos posteriormente. onde as letras são as abreviaturas de ferro fundido esferoidal e os três primeiros dígitos indicam a resistência à tração em MPa e os dois últimos a deformação em porcentual. muitas vezes. Exemplo: FE-35010 (σr = 350 MPa e ε = 10%). Exemplos: FMBS 39012 (σr = 390 MPa e ε = 12%).6. são os mais submetidos a tratamentos térmicos. o tratamento térmico deve ser planejado cuidadosamente. 2.TRATAMENTOS TÉRMICOS Os materiais metálicos formados por ligas de Fe-C. Cláudio R.1 . aumentandose a resistência mecânica e a dureza de aços. 2. Desta forma. a determinados tratamentos térmicos ou termo-químicos. trabalho mecânico ou outras causas). 32 . os objetivos gerais dos tratamentos térmicos ou de superfície são: • Remoção de tensões internas (oriundas de resfriamento desigual. • Aumento da resistência mecânica. verificando-se sempre o resultando final que se deseja obter.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. conformação mecânica. entre outros. Assim. Por exemplo. • Melhoria da resistência ao desgaste. Por outro lado. ou seja. há a necessidade de submeter as peças metálicas.

Também. endurecimento por precipitação. tratamentos isotérmicos. os tratamentos térmicos obedecem a um aquecimento. principalmente as de aço. modificandose a velocidade de resfriamento. água pura. Dr. que significa constituintes que sofreram tratamento térmico. por exemplo. Evita-se que esse tempo ultrapasse o estritamente necessário. De uma forma geral. posteriormente um resfriamento que pode ser rápido. estrutura CCC e CFC para o ferro e tetragonal e hexagonal compacta para o carbono. O resfriamento subseqüente completa as alterações estruturais e confere ao material as propriedades mecânicas desejadas. geralmente denominados secundários. 4. pode-se obter mudanças estruturais que promovem o aumento da ductilidade ou elevação da dureza ou da resistência mecânica. geralmente. nem muito rápida (pode causar empenamento ou fissuras). Resfriamento: em algumas ligas. Deve-se observar que meios muito drásticos de resfriamento. manutenção a uma determinada temperatura e. a temperatura de recristalização do material. óleos de várias viscosidades. possuem formas alotrópicas diferentes. normalização. coalescimento. 2. Ambiente de aquecimento: em certas ligas metálicas a atmosfera comum pode provocar alguns fenômenos prejudiciais como a oxidação e a descarbonetação. Tempo de permanência na temperatura: deve ser suficiente para que a peça se aqueça uniformemente. Aquecimento: a temperatura indicada para se obter um resultado satisfatório corresponde. que não pode ser muito lenta (promove o crescimento do grão). ar ou vácuo. Esses fenômenos são evitados pela utilização de uma atmosfera protetora ou controlada no interior do forno. pois pode haver crescimento indesejável dos grãos ou possibilidade de oxidação (em algumas ligas). pode levar ao aparecimento de elevadas tensões internas. Cláudio R. Estas transformações dos constituintes dependem também da liga metálica. devese considerar a velocidade de aquecimento. Losekann Direitos autorais reservados • Fatores que influenciam os tratamentos térmicos: 1. 33 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. têmpera. ferro e carbono. como solução aquosa. Se a liga contém elementos químicos que possuem alotropia como as ligas de ferro-carbono (aços e ferros fundidos) cujos dois elementos principais. Os meios mais comuns de resfriamento são: solução aquosa a 10% de NaCl. 3. lento ou intermediário. Cada material tem a sua própria velocidade ideal de aquecimento. revenimento. cujo objetivo é transformar os constituintes primários em outros constituintes. • Tipos de tratamentos térmicos: Os tratamentos térmicos mais comuns das ligas metálicas são: recozimento.

são: fornos de resistência elétrica. Com resfriamento rápido. Dr. representado pela linha 1.30 – Ciclos de aquecimentos e tratamentos térmicos O aquecimento em uma liga metálica depende muito da inércia do forno ou do meio de aquecimento. tem a estrutura cristalina cúbica de corpo centrado e.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O ferro contido no aço. entretanto. a temperatura de 800 ºC esta estrutura é transformado em cúbica de face centrada onde nas faces da estrutura cristalina o átomo de carbono é dissolvido. A figura acima esquematiza um ciclo de aquecimento de um aço carbono ABNT 1030 com uma taxa constante de aquecimento. Em um resfriamento lento. 34 . para aquecimento de ligas como o aço. Os fornos mais comuns. que depende por sua vez. o resfriamento rápido impede esta transformação fazendo a distorção da rede cristalina. representada pela linha 3. de indução e fornos que produzem aquecimento por chama que pode ser direta ou indireta. da massa metálica que se deseja aquecer. permitindo a ocupação do carbono no centro do cubo. a manutenção da temperatura representada pela linha 2. 5. a estrutura cúbica de face centrada deveria se transformar na estrutura cúbica de corpo centrado. Losekann Direitos autorais reservados 800 2 Manutenção 5 4 Resfriamento lento Temperatura ( oC) 600 Aqu ecim ento Resfriamento intermediário 400 1 3 Resfriamento rápido 200 0 0 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. a baixa temperatura. pode-se conseguir a estrutura inicial cúbica de corpo centrado. 4. e diferentes taxas de resfriamento representado pelas linhas 3. Cláudio R.

produzindo uma fratura total após o tratamento térmico. Ao mesmo tempo ocorre com os grãos ferríticos. conforme as linhas 4 ou 5. A mesma analogia pode ser feita para os demais aços. O correto é verificar no diagrama de equilíbrio qual a temperatura limite superior da zona crítica adicionando-se mais ou menos 50 ºC em virtude de imprecisões de registros de temperaturas em alguns fornos. Os aços comerciais têm. o intervalo de temperatura que começa ocorrer a transformação de grãos perlíticos e grãos ferríticos em grãos austeníticos. A escolha do tipo de tratamento térmico depende da natureza do material e de sua composição química. ou na parte central da peça. Cláudio R. um resfriamento lento.77%1. em geral. constituintes como perlita e ferrita. o aço com 0. e as lamelas de cementita (Fe3C) começa a se diluir na estrutura cúbica de face centrada. Esta transformação se completa a 790 ºC. Figura 2. pode-se tirar o intervalo de temperatura considerado como zona crítica. corresponde ao intervalo de temperatura de 727 ºC a 790 ºC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Portanto. a zona crítica para este aço. o resfriamento rápido como o mostrado na figura acima poderá ocorrer em toda a massa metálica. acima de 727 ºC os grãos perlíticos se transformam em grãos austeníticos. Em temperaturas acima de 727 ºC a perlita começa a se transformar em austenita. Em peças com espessuras maiores poderá ocorrer na superfície o resfriamento rápido. além da aplicação que se deseja da peça. muitos tratamentos térmicos que precisam da transformação da austenita. TEMPERATURA ( 35 . a matriz da perlita (Fe α) tem estrutura CCC e vai se transformando em CFC (Fe γ) .5% de carbono apresenta os constituintes perlita e ferrita. ou seja. Losekann Direitos autorais reservados 1600 Liquidu s o Líquido C) 1400 Líquido + austenita 1200 2. por exemplo. Tendo-se o aço carbono ABNT 1050 como exemplo e verificando no diagrama de equilíbrio do Fe-C.31 – Diagrama Fe-C – Campo de austenização. Isto produziria a formação do constituinte martensita na superfície com dureza muito elevada e no interior. por isto. mas no seu interior.5 2. a composição química até 1% de carbono e.0 600 0.11% 1000 912 Austenita Acm A3 Feα +Feγ A1 727 C o Feγ o 800 790 C Feα +Feγ A1 1.0 %C Dependendo da espessura da peça. não apresentando zona crítica ou o intervalo de temperatura é muito pequeno. faz-se aquecimento em temperaturas em torno de 800 ºC.austenita. Até 727 ºC. como o e de uma agulha. conforme a linha 3. com exceção para o aço eutetóide ABNT 1080 que. isto é. Dr. Um resfriamento muito rápido em uma peça como uma agulha para um aço carbono comum pode produzir tensões internas que produz micro-fissuras na peça.0 0.5 0.

os grãos são comprimidos uns contra os outros e apresentam aparência de grãos amassados (encruados). os aços-carbonos apresentam os constituintes perlita.30. A partir da temperatura de 727 ºC estes constituintes vão se transformando em austenita. na temperatura ambiente ou a 500 ºC. Na laminação. que pode provocar tensões internas na estrutura do aço. forjamento e estampagem. As tensões internas começam a ser aliviadas quando o aço atinge a temperatura ambiente. rupturas ou corrosão. diminuir a dureza. Figura 2. Tanto na laminação quanto no forjamento. ferrita e cementita.1. O tempo necessário para ocorrer transformação completa depende também da composição de carbono presente no aço. definem o intervalo da zona crítica. desligando o forno e mantendo-se Tempo as peças no seu interior.32 – Ciclo do recozimento. linha 5. porém. Como foi visto em capítulo anterior. O recozimento mais comum é o chamado de total ou pleno. Temperatura O tempo de permanência na temperatura de austenização depende da quantidade de material e da sua massa.1 . os grãos deformados não têm a mesma resistência e as mesmas propriedades mecânicas dos grãos normais. Losekann Direitos autorais reservados Resumindo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. onde o material é geralmente aquecido a uma temperatura acima da zona crítica (zona de austenização). Estas tensões podem decorrer também de outros fatores como os que ocorrem nos processos de conformação mecânica. seguido de resfriamento lento. normalização e revenimento. podem-se fazer tratamentos de alívio de tensões que são: recozimento. para aquele tipo de aço. 36 . O fim destas transformações vai depender da composição de carbono que o aço apresenta que. essa diferença dá origem a grãos com formas também diferentes entre si. podendo dar margem a empenamentos. Para isto. Esse tratamento aplica-se a todas as ligas Fe-C e a um grande número de ligas não-ferrosas. a região da superfície do aço pode se resfriar com velocidade diferente da região central.Recozimento Seus objetivos principais são remover tensões devidas aos processos de fundição e conformação mecânicas a quente ou a frio. Cláudio R. 2. conforme as curvas A2 ou Acm. conforme a figura 2.6. esse processo leva um tempo relativamente longo. Durante o processo de solidificação do aço na sua fabricação. melhorar a ductilidade. como exemplos têm-se os processos de laminação. Dr. ajustar o tamanho dos grãos e eliminar defeitos de quaisquer naturezas provocados por processos mecânicos ou térmicos que o material tenha sido Zona crítica anteriormente submetido.

o o Temperatura ( C) o 0 Aqu ecim ento 20 40 60 80 Tempo (min) Figura 2. Nesse processo existe uma atmosfera protetora que elimina o efeito do encruamento e protege a superfície contra a oxidação.34.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A diferença do processo é que o resfriamento na normalização é ao ar.2 . Nesse processo. Aplica-se.1. 2. 2. 37 . As temperaturas mais usuais do revenimento são 400 ºC.Normalização Tem os mesmos objetivos do recozimento e se faz também com aquecimento até a zona de austenização. principalmente nos aços. Losekann Direitos autorais reservados Há também o recozimento em caixa que é aplicado principalmente no aço. 500 ºC e 600 ºC.Revenimento Aplicado nos aços temperados. Zonacrítica 727 C Dependendo da 5 Recozimento 600 temperatura em que 4 Normalização o revenido é processado pode-se 1 3 Têmpera 400 obter nos aços melhores condições 200 de usinabilidade. Dr. portanto mais rápido que o recozimento o resultando uma estrutura mais fina do que a produzida no recozimento. A têmpera e o revenido 0 estão sempre associados. fora do forno. esse processo. imediatamente após a têmpera. a temperaturas inferiores a da temperatura crítica. A esferoidização é um tipo de recozimento aplicável em aços de médio a alto teor de carbono.34 – Ciclos de tratamentos. reduz os valores de dureza e resistência AÇO 1060 . Cláudio R. com o objetivo de melhorar sua usinabilidade. e conseqüentemente propriedades mecânicas ligeiramente superiores. e diminui ou 2 Manutenção mesmo elimina as 800 765 C tensões internas. figura 2. O revenimento melhora a ductilidade. Temperatura Zona crítica Tempo Figura 2. o aquecimento é levado a efeito a uma temperatura em torno da linha inferior da zona crítica.6.33 – Ciclo da esferoidização.1.3 .AÇO 1090 a tração.6.

que assim adquirirá as propriedades e os característicos típicos da estatura martensítica. A temperatura cai de 850 °C para 20 °C se for a temperatura ambiente. Em geral.estrutura CFC. Esse problema pode ser corrigido posteriormente pelo revenimento. utilizam-se aços com teores de carbono acima de 0. Os resfriamentos menos bruscos são os realizados em óleo queimado. ou óleos especiais (óleo para têmpera) emulsionáveis em água produzidos por fabricantes de óleo. dentes de grandes engrenagens. os átomos de carbonos. figura 2. nessas aplicações. A têmpera superficial consiste em produzir uma têmpera localizada apenas na superfície das peças de aço.34. visto que. mas a quantidade de carbono deve ser suficiente para produzir a martensita. Dentes de engrenagem. geralmente. A peça permanece nessa temperatura o tempo necessário para se transformar em austenita. A forma do resfriamento é o que distingue esse tipo de tratamento.6.4 . a peça é retirada do forno e mergulhada apenas em água. é. O tratamento consiste em aquecer o aço em um forno com temperatura acima da zona crítica e resfriar rapidamente. como exemplo. Trata-se de um resfriamento brusco que produz a martensita. grandes cilindros. a temperatura varia de 750 °C a 900 °C. em grande número de aplicações de peças de máquinas. etc. Losekann Direitos autorais reservados 2. objetivase apenas a criação de uma superfície dura e de grande resistência ao desgaste e à abrasão. Neste tipo. Cláudio R. Dr. dando tensão ao material e aumentando sua dureza. os átomos produzem considerável deformação no retículo da ferrita. não tem cinética química para se alojar nas estruturas CCC da ferrita e da estrutura complexa da cementita. pois varia com a composição de carbono presente.1. As peças temperadas possuem consideráveis aumento de sua dureza. sob os pontos de vista prático e econômico. • Possibilidade de endurecer apenas as áreas críticas de determinadas peças. Vários são os motivos que determinam a preferência do endurecimento superficial em relação ao endurecimento total como: • Dificuldade. de tratar-se de peças de grandes dimensões nos fornos de tratamento térmico convencional.Têmpera Em muitos aços é necessário conferir dureza na superfície ou parte dela ou mesmo em toda a peça. No resfriamento rápido em água. A têmpera é um dos tratamentos térmicos destinados à obtenção de dureza nos aços. sofrem uma apreciável diminuição na ductilidade. engate de veículos.3%. dissolvidos na austenita .O endurecimento superficial dos aços. 38 . da resistência do desgaste e da resistência a tração. Desse modo. Uma têmpera feita corretamente possibilita vida longa à ferramenta. Têmpera superficial . partes do amortecedor do carro e as brocas devem ser fabricadas com aço endurecido para suportarem esforços a que são submetidos. Para o aço-carbono. em poucos segundos. guias de máquinas operatrizes. porém. que não se desgasta nem se deforma rapidamente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. mais conveniente que seu endurecimento total pela têmpera normal. As condições de aquecimento são idênticas as que ocorrem no recozimento e na normalização.

deve-se lembrar que se a camada endurecida corresponder a uma fração significativa da espessura da peça. Cláudio R. Possibilidade de se utilizar aços mais econômicos.900 °C 0. após o aquecimento. de modo a produzir.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. em seções diferentes das peças. Por outro lado. variações em profundidades de endurecimento ou de dureza. as propriedades resultantes da têmpera superficial são: Superfícies de alta dureza e resistência ao desgaste. Boa capacidade para resistir cargas de contato. Boa resistência à fadiga por dobramento. podem resultar tensões residuais de compressão de pequeno valor nessa camada endurecida. Investimento de capital médio. de fato. profundidades maiores desnecessárias podem provocar o empenamento ou fissura de têmpera ou desenvolver tensões residuais excessivamente altas.975 °C 0. Dr. os meios de resfriamento recomendados e as durezas resultantes para aços-carbonos são os seguintes. Resistência satisfatória ao empenamento. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • Possibilidade de melhorar a precisão dimensional de peças planas.975 °C 0. • Levar em conta que a espessura da camada endurecida depende de cada caso específico.30% água 900 .60% água 850 . conforme mostro quadro abaixo: Teor de carbono Temperaturas Meio de recomendáveis resfriamento 0. As temperaturas.900 °C 0. de modo a ter-se melhora significativa na resistência à fadiga.900 °C 0. em lugar de aços-liga. a carga de serviço das peças. Possibilidade de controlar o processo.875 °C Dureza 50 HRC 52 HRC 55 HRC 58 HRC 60 HRC 64 HRC 39 . evitando-se o endurecimento total. • • • • Algumas recomendações são necessárias para a obtenção de melhores resultados como: • Procurar obter camadas endurecidas pouco profundas.35% água 900 . Exemplos: hastes de êmbolos de cilindros hidráulicos. as dimensões destas e. inclusive o equipamento disponível. sob a camada endurecida.50% água 870 .45% água 870 . como aços-carbono. no caso de se adotar endurecimento superficial por indução e bem menor. Diminuição dos riscos de aparecimento de fissuras originadas no resfriamento. se desejável.40% água 870 . no caso de endurecimento por chama. tendo em vista as resistências ao desgaste e á fadiga desejadas. grandes ou delgadas. como exemplo.

bainita inferior e martensita. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que não apresenta zona crítica e o produto da transformação da austenita em velocidade relativamente lenta é a perlita que ocorre a 727 ºC. Cláudio R. 2. vanádio ou tungstênio). tempo extremamente curto para obter a martensita exclusivamente. Estes outros são salmoura.1. tempo e transformação). para a compreensão dos tratamentos térmicos denominados isotérmicos. Losekann Direitos autorais reservados Os aços-liga e os aços de usinagem fácil. Bi e Mi é a curva de início de transformação respectivamente para perlita (Pi). Quando os elementos de liga provocam a formação de carbonetos (cromo. que na abcissa o fator 100 significa 1 segundo.5 – Diagramas ttt – temperatura-tempo-transformação A partir deste ponto é necessário introduzir as curvas denominadas de TTT (temperatura. na qual se faz em zonas muito pequenas e precisamente localizadas. a peça é imersa no meio refrigerante.6. no caso de se adotar o processo de têmpera superficial. O meio de resfriamento usual na têmpera superficial é a água. bainita (Bf) e martensita (Mf). Bf e Mf é a curva de fim de transformação respectivamente para perlita (Pf). A linha acima das curvas é a linha limite inferior da zona crítica de temperatura 727 ºC. para produzir uma nítida fronteira entre a secção endurecida e o resto da secção. ar comprimido e polímeros líquidos. Normalmente. A curva representa pelas letras Pi. 40 . a temperatura em graus centígrados. geralmente poucos segundos. A figura que segue mostra esquematicamente um diagrama TTT de um aço eutetóide. são endurecidos por indução. entretanto o custo operacional destes métodos é muito elevado. os aços correspondentes devem ser aquecidos a temperaturas 50 a 100°C acima das indicadas. óleo. Há também métodos mais modernos de aquecimento como a de utilização de feixes de laser e de elétrons. Os processos mais comuns de têmpera superficial são: têmpera por chama (com maçaricos de oxiacetileno ou GLP) e têmpera por indução. O cuidado que se deve ter aqui. com o teor de carbono acima. molibdênio. A duração do aquecimento é muito curta. A abcissa do gráfico mostra o tempo em segundos em escala logarítmica e a ordenada. estes diagramas tornam-se imprescindíveis. lembrando que estes podem ser os constituintes do aço eutetóide. ou o meio refrigerante é jorrado sobre a secção aquecida. perlita fina. pois. O diagrama mostra que é possível obter diferentes tipos de constituintes em função do tipo de resfriamento que se queira dar. bainita (Bi) e martensita (Mi) e a curva representa pelas letras Pf. bainita superior. fácil de instalar e manter e menos perigosa que os outros meios. Pode-se ver que o diagrama apresenta constituintes diferentes como: perlita grossa.

Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 B 600 D C A ustenita A Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 E 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Mi Bi Bf Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Cláudio R. Em ambos os casos partese da temperatura de 800 ºC. B. A seta na extremidade das curvas indica a “direção” do resfriamento.35 – Diagrama TTT para o aço eutetóide. o início da transformação da austenita em perlita ocorre a temperatura de 624 ºC em 300 segundos (5 minutos) e o fim da transformação 41 . curva com letra A e têmpera à água. D e E respectivamente. A figura que segue mostra os tratamentos térmicos de recozimento. Losekann Direitos autorais reservados 800 727 oC 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi 600 Temperatura ( oC) Pf 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita Bi Bf Perlita fina HRC 30 a 40 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Perlita grossa HRC 5 a 25 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. Tomando-se como exemplos os tratamentos térmicos de recozimento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. normalização e têmpera ao óleo e à água.36 – Diagrama TTT para o aço eutetóide com tratamentos térmicos. representados pelas curvas com letras A. C. No recozimento. Dr.

O aço hipo-eutetóide apresenta ferrita e perlita e o aço hiper-eutetóide apresenta perlita e cementita. Cláudio R. Considerando estas duas análises de resfriamento do aço pode-se concluir que. no centro da peça. bainita inferior.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Conforme foi visto anteriormente. o aço eutetóide apresenta como constituinte primário a perlita unicamente quando resfriado lentamente. Na têmpera à água. Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 800 727 oC 700 A ie erfíc Sup A ustenita Pi Ce ntr o 600 Temperatura ( oC) Pf Perlita grossa HRC 5 a 25 500 400 300 200 100 0 10-1 E A ustenita Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.36 como martensita. Mais duro na superfície e menos duro no centro. o início da transformação da austenita em martensita ocorre a temperatura de 200 ºC em 2. Na superfície um resfriamento muito rápido produzindo a martensita e. considerando apenas resfriamento lento. poderão ocorrer os dois resfriamentos ao mesmo tempo.2 segundos. dependendo da espessura da peça.37 – Diagrama TTT considerando a espessura da peça.3 segundos e o fim da transformação ocorre a temperatura de 100 ºC em 3. As figuras abaixo mostram estes casos. produzindo perlitas. isto é. Os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hiper-eutetóides variam ligeiramente em relação ao aço eutetóide em função dos constituientes ferrita e cementita. Losekann Direitos autorais reservados ocorre a temperatura de 563 ºC em 1500 segundos (25 minutos). se for considerado um eixo. poderá se encontrar todos os constituintes descritos na figura 2. perlita fina e perlita grossa da superfície ao centro e conseqüentemente diferentes durezas. 42 . bainita superior. Dr. com diâmetro relativamente grande. mergulhando esta suposta peça na água resfriada e observando a secção transversal no microscópio. poderá se encontrar vários tratamentos térmicos na sua massa partindo de um único tratamento térmico – a têmpera à água. um resfriamento mais lento. De qualquer forma. A figura abaixo representa esta situação.

1000 900 800 700 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) 727 oC A ustenita Cementita Perlita grossa Temperatura ( oC) Pi 600 500 400 300 200 100 0 10-1 Mi Mf 10 0 Pf Perlita fina A ustenita + Ferrita + Cementita + Martensita 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.38 – Diagrama TTT para o aço hipo-eutetóide.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. Dr. 43 .39 – Diagrama TTT para o aço hiper-eutetóide. Losekann Direitos autorais reservados 800 700 600 Diagrama TTT (temperatura-tempo-transformação) A ustenita Pi Perlita grossa A ustenita + Ferrita + Cementita Mi Mf Martensita Pf Perlita fina Fi A ustenita + Ferrita + 727 oC Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2.

Outros fatores podem modificar a posição das linhas de início e de fim de transformação dos diagramas TTT. como por exemplo. -100 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Nessas condições. A figura abaixo mostra 0 estas condições. Em certos casos como em aços cementados com alto teor de carbono níquel ou cromo em teores variáveis.1 0. tanto para o início 200 quanto para o fim da Mf 100 transformação da martensita é diminuída.8 0.40 – Transformação da martensita em função da concentração de carbono. não se ter formação completa da martensita à temperatura ambiente pelo resfriamento comum em água. em virtude da linha Mf ficar localizada abaixo dessa temperatura. Losekann Direitos autorais reservados Observando-se os diagramas TTT para os aços hipo-eutetóides e hipereutetóides verifica-se ainda que o aumento da concentração de 500 carbono desloca a curva em C para a direita. os elementos de liga deslocam a curva para a direita.2 0.1 Temperatura ( oC) Concentração de carbono (%) Figura 2. equipamentos que para trabalhos em regiões do círculo polar. Diagrama TTT (aço ABNT 4340) 800 727 oC 700 A+ F 600 F +C A ustenita Temperatura ( oC) 500 400 A ustenita 300 200 100 0 10-1 Mi Mf Martensita Bi Bf 100 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. retardando as transformações. Isto pode produzir algumas conseqüências como a transformação destas em lugares muito frio.3 0. tem-se à temperatura ambiente uma certa quantidade de austenita residual ou “austenita retida”. Dr.5 0.7 0. visto que as curvas em C encontram-se 44 .4 0. O aço ABNT 4340 é altamente temperável.41 – Diagrama TTT para o aço 4340. os elementos de liga no aço também podem influenciar a posição das curvas. Além do carbono. retardando o início 400 e o fim da transformação da Mi 300 perlita e também que a temperatura. Cláudio R.6 0. Com exceção do cobalto.9 1.0 1.

O processo caracteriza-se pela formação de uma microestrutura metalográfica constituída por bainita e apresenta. Esse tratamento pode proporcionar melhores resultados do que a combinação de têmpera. por exemplo.6. seguido de revenimento. • Manter a temperatura pelo tempo necessário até a completa transformação da austenita em bainita (transformação isotérmica). Dr. A figura acima mostra esta situação. Losekann Direitos autorais reservados posterior a 10 segundos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. segue o diagrama TTT. bainita superior e bainita isenta de carbono ou ferrita acicular. 45 . aliando uma boa dureza como o exigem. temperaturas entre 250 ºC a 400 ºC (posição 2). ou seja. Para ficar mais claro o tratamento por austêmpera. Diagrama TTT (transformação da bainita inferior) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf Martensita HRC 65 a 70 100 101 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 3 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. O tamanho do grão da austenita e sua homogeneidade são outros dois fatores que afetam a posição das curvas de transformação.42: • Aquecer até a temperatura de austenitização (posição 1). • Resfriar até a temperatura ambiente (posição 3).42 – Austêmpera. conforme a figura 2. A austêmpera pode produzir 3 tipos de bainita que são: bainita inferior. Cláudio R. 2.1. cujo objetivo é a obtenção de peças com alta tenacidade e resistência à fadiga. Austêmpera A austêmpera é um processo de tratamento isotérmico dos aços. molas de qualquer natureza. basicamente as seguintes etapas.6 – Tipos de tratamentos isotérmicos São os tratamentos de austêmpera e martêmpera. • Resfriar bruscamente em banho de sal fundido ou em óleo quente até a temperatura de formação da bainita.

Por microscopia eletrônica. Observada num microscópio eletrônico. dos contornos dos grãos originais de austenita. a ferrita acicular ou bainita isenta de carbono é sempre acompanhada por uma “esponja” de austenita retida e uma leve segregação de carbonetos. Diferenciar a microestrutura metalográfica da bainita superior daquela da perlita fina.... porém apresenta menor regularidade geométrica do que esta e pode. A principal diferença entre ambas está na presença de carbonetos. temperadas e revenidas.150 17.5 36. às vezes. Losekann Direitos autorais reservados A bainita inferior possui grande semelhança com a martensita. Os resultados dos ensaios mecânicos realizados encontram-se descritos no quadro abaixo.210 alongamento (%) 4. PROPRIEDADES TR AT limite de resistência (MPa) 1. toma-se um corpo de prova ∅ 10 x 100mm.0 resistência ao impacto (J/cm2) 38 a 43 72 a 76 resistência à fadiga (ciclos) 8. normalmente.060 46 ... enquanto que a característica principal da bainita superior é a presença de placas longas de ferrita.530 1. percebe-se que a ferrita da bainita superior apresenta maior densidade de discordâncias do que aquela apresentada pela ferrita contida na perlita. estendem-se...8 8. dando origem à formação de Fe3C à medida que a transformação bainítica progride.400 1.... 830 ºC ..590 limite de escoamento (MPa) 1.. As propriedades das peças austemperadas poderão ser melhores compreendidas quando comparadas àquelas obtidas por peças do mesmo aço.2 estricção (%) 9. Propriedades mecânicas de um aço para molas submetidos aos tratamentos térmicos TR e AT. As agulhas são longas. 320ºC ar AT ____ austêmpera. Na bainita superior a microestrutura metalográfica é similar à da perlita.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.. apresentar imagens bastante variadas em função da maior ou menor presença de carbono e elementos de liga no aço. Típica da bainita inferior é a distribuição ordenada de “bastonetes” de carbonetos que. ainda. Cláudio R. Dr. Provavelmente estes carbonetos são inicialmente segregados como carbonetos. A título de exemplo... cuja forma e distribuição depende muito do teor de carbono do aço. é praticamente impossível. paralelas a carbonetos alongados que somente são visíveis através de microscopia eletrônica. através de todo o comprimento dos grãos e partem. por meio de microscopia óptica. se alinham com ângulos de 50º a 60º em relação ao eixo das agulhas de bainita. submetido aos seguintes tratamentos térmicos : TR ____ têmpera + 830 ºC óleo 460 ºC revenido. de aço ABNT 5160.

no campo. Cláudio R. entre 280 ºC e 350 ºC. etc. pás de pedreiros. por exemplo. pois requerem alta resistência à fadiga e. Pequenas variações no teor de cromo. A formação da bainita. estricção e resistência ao impacto. após a têmpera devam ser revenidos entre 350 ºC e 500 ºC. ou muito antes. podem aumentar ou diminuir significativamente o tempo necessário à transformação isotérmica. Para peças maiores é aconselhável escolherem-se aços com teores de manganês e cromo mais elevados. a austêmpera apresenta vantagens significativas. ocorrerão alterações indesejadas na microestrutura metalográfica que. Uma aplicação vantajosa da austêmpera é aplicá-la a aços que apresentem tendência à fragilidade de revenido. os aços-carbono utilizados para a austêmpera devem conter um teor de carbono mínimo de 0. mesmo que as peças apresentem regiões com grandes concentrações de tensões como. por exemplo. As excelentes propriedades de resistência à fadiga por flexões alternadas e tenacidade. limitam-se ao intervalo de durezas entre 40 e 50 HRC. 47 . determinarão uma queda significativa da tenacidade e da resistência à fadiga das peças. a têmpera e o revenimento proporcionarão melhores resultados. ou seja. Quando a dureza necessária for inferior a 40 HRC. suas durezas encontram-se na faixa de 40 a 50HRC. permite que se alcance a dureza desejada. Tanto a profundidade endurecida. aços ligados com Cr e/ou Mo que. o limite de escoamento das peças austemperadas é consideravelmente menor que o alcançado pelas peças temperadas e revenidas. Dr. quanto a dureza alcançada pela austêmpera são inferiores àquelas possíveis de serem obtidas pelo tratamento de têmpera e revenido. Se a dureza final desejada estiver abaixo daquela obtida após a austêmpera. Evidentemente. deve-se retratar o lote pois. A austêmpera aplica-se com sucesso a todos os tipos de molas. do tempo correto para a transformação isotérmica. A austêmpera requer rígido controle da qualidade do aço e dos parâmetros (tempos e temperatura) do tratamento térmico. a austêmpera tem suas limitações. A temperatura de transformação isotérmica precisa ser cuidadosamente mantida. Já.5% e. caso seja realizado um simples revenimento. Quanto à resistência à fadiga por flexões alternadas. mesmo apresentando um limite de resistência superior ao das peças temperadas e revenidas. Evidentemente. variações geométricas abruptas. Por esta razão. Peças que necessitem de elevada resistência à tração e tenacidade como. obtidas pela austêmpera. evitando-se o intervalo crítico de fragilização. furações. por exemplo. normalmente. fechos de cintos de segurança.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. as peças tratadas não devem ser mais espessas do que 3mm. as peças austemperadas alcançam valores significativamente maiores de alongamento. o que não pode ser desprezado ao dimensionar-se qualquer elemento de máquina. entalhes. o mesmo raciocínio é válido para peças que sejam resfriadas muito depois. Losekann Direitos autorais reservados Analisando-se estes dados percebe-se que.

pode-se afirmar que elementos de máquinas sujeitos a esforços de fadiga. porém as tensões resultantes do processo são mais facilmente eliminadas. tendo-se o cuidado de não cortar a primeira curva (posição 3).8 1.47 400ºC 293 Calor Médio AS 140 AS 220 AS 235 140 220 235 Os fornos que contém estes banhos de sais podem ser estacionários ou contínuos. apesar de oferecer praticamente os mesmos valores de resistência à tração (e. em função do volume de produção. Dr. elos para determinadas correntes de transporte de ração animal. A martêmpera proporciona as mesmas propriedades que a têmpera e o revenido. porém. Máx. pois a microestrutura bainítica. diminuindo riscos de trincas. A transformação isotérmica necessária à obtenção de uma microestrutura metalográfica bainítica é normalmente realizada em leitos fluidizados ou em banhos de sais fundidos. em temperatura ambiente (posição 4).8 Específico Calor Latente de Fusão ( J/g) a ºC (J/g. Antes. deve-se realizar alguns ensaios mecânicos. a peça é mergulhada num banho de sal fundido ou óleo quente. constituídos por uma mistura de nitretos e nitritos alcalinos. apresenta menor limite de escoamento. de dureza) que a microestrutura martensítica.43. Após a martêmpera é necessário submeter a peça a revenimento. O 48 .8 1. Características físicas dos sais Durferrit. onde a vida útil é um fator decisivo e a geometria favorece a concentração de tensões localizadas podem ser submetidas ao tratamento de austêmpera. com temperatura um pouco acima da linha Mi (posição 2). ao ar. recirculadores e a automação necessária à manutenção de uma temperatura constante para a transformação isotérmica. e depois é resfriada em duas etapas. de tomar-se a decisão de substituir um tratamento térmico de têmpera e revenido por austêmpera. etc. sendo equipados com sistemas de aquecimento elétrico. A martensita obtida apresenta-se uniforme e homogênea. A segunda etapa é a do resfriamento final. trocadores de calor. podem ser austemperadas com sucesso.43 200ºC 256 400 1. Cláudio R. Mantém-se a peça nessa temperatura por certo tempo.18 350ºC 310 400 1. Quase sempre é possível compensar-se esta diferença através da seleção de uma dureza mais alta para as peças austemperadas. Martêmpera A martêmpera é um tipo de tratamento indicado para aços-liga porque reduz o risco de empenamento das peças. alavancas para máquinas de escrever. conforme mostra a figura 2.ºC) entre 20ºC e 300 1. A peça é aquecida acima da zona crítica para se obter a austenita (posição 1). Na primeira. Tipo Sal de Temperatura de Fusão (ºC) Temperatura de Trabalho (ºC) Min.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. portanto. Genericamente. Losekann Direitos autorais reservados componentes de fechaduras. 160 250 280 550 550 550 Densidade (g/cm2) 1.

Losekann Direitos autorais reservados processo é ilustrado no diagrama seguinte. ferroxidação e outros que. não podendo ser regra.43 – Martêmpera. os tratamentos térmicos que produzem modificações nos constituintes primários das ligas ferrosas (aços e ferros fundidos) sem alterar a composição química. optou-se em classificar os tratamentos térmico-químicos ou termoquímicos como tratamento de superfície. 2. Dr. denominados também de metalização como a galvanização (zincagem). produzem modificações parciais em sua composição química para melhorar as propriedades de suas superfícies. Em virtude da explanação feita acima. O meio corrosivo pode ser o próprio ambiente em que se encontra o metal como o solo. Quando se trata de pintura. exclusivamente. não há dúvida qualquer que é um tratamento de superfície de revestimento. o qual pode apresentar características ácidas ou básicas. Alguns destes revestimentos podem ser feitos à frio ou à quente. mas sim. mas. Diagrama TTT (transformação da martensita) 800 700 600 1 727 oC A ustenita Pi Pf Perlita fina HRC 30 a 40 Bi Bf Perlita grossa HRC 5 a 25 Temperatura ( oC) 500 400 300 200 100 0 10-1 A ustenita 2 Mi Mf 3 Bainita superior HRC 40 a 50 Bainita inferior HRC 50 a 60 Martensita HRC 65 a 70 100 4 101 102 103 104 105 106 Tempo (segundos) Figura 2. cianitretação. Cláudio R. nitretação.TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIES Na secção anterior foram abordados. Pode-se definir por corrosão como a destruição dos metais devido as suas reações químicas eletroquímicas em um meio corrosivo. pode-se generalizar tratamento superficial os tratamentos que objetivam melhorar o aspecto do material utilizado. deposição de ouro e etc. a água que pode conter sais 49 . existem os processos de revestimentos metálicos. cromagem. além da pintura. aconselhamento. por sua vez. Em virtude disto. protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca como a corrosão e também aumentar a resistência ao desgaste elevando a dureza da superfície.6. se devem se situar na secção de tratamentos de superfície.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. estanhagem.2 . Isto leva dúvida se os tratamentos térmicoquímicos devem situar-se na secção de tratamentos térmicos ou. Entretanto há o tratamento térmico-químico que pode ser produzido nas superfícies destas ligas como cementação. característica dos tratamentos térmicos.

enquanto que a proteção oferecida por substâncias inorgânica durabilidade maior. cítricos. lixadeiras. ou limpeza a jato (mais eficiente). como alcalinos pesados ou médios (depende de seu PH). Em relação ao aumento da dureza na superfície os tratamentos térmicoquímicos que promovem uma modificação parcial na composição química do metal como aumento do teor de carbono. cera de abelha. recobrir o metal com substâncias orgânicas como óleo de peroba. oxálicos.Tratamentos termo-químicos Na indústria é utilizada uma multiplicidade de tratamentos termo-químicos que se diferenciam pelos elementos que se difundem. pode-se utilizar as seguintes técnicas: • Detergência: uso de reativos químicos. cera de carnaúba. aplicados pelos processos de desengraxamento por vapor. associado à imersão a quente ou vapor ou. pelos processos químicos. De maneira geral os processos termo-químicos consistem em submeter as peças ao calor em um meio apropriado. que remove a casca de óxidos. de mamona. etc. Cláudio R. • Ação química: decapagem ácida. líquido/vapor. tartáricos. que será responsável pela profundidade até a qual esta alteração se efetuará. sendo estes dois fatores . Os mais comuns são sais sódicos. de nitrogênio e cromo são mais eficientes para o aumento da resistência ao desgaste. etc. sobre 50 . Para isso. dependendo do caso. nitratos. • Solubilização: uso de solventes. por exemplo. pelo tipo e composição do meio externo. etc. entre eles. 2.2. eventualmente ácidos ou básicos e o ar que contém umidade e sais em suspensão.1 . Dr. a proteção geralmente tem durabilidade baixa. pelas técnicas de execução e outras características. politrizes. Essa possibilidade de se aliar uma superfície dura com um núcleo mais mole e tenaz é de grande importância em inúmeras aplicações. No caso de substâncias orgânicas. associado a um jato de solvente. Losekann Direitos autorais reservados minerais.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ao mesmo tempo em que se mantém dúctil e tenaz o núcleo do material.. carbonatos. sulfetos. além do fator tempo de processo. os responsáveis pela alteração da composição química superficial. que utilizam ácidos orgânicos como acéticos. hidróxidos. serão classificados os tratamentos superficiais em dois tipos de tratamentos: tratamentos para aumentar a resistência ao desgaste ou tratamentos termo-químicos e tratamentos de proteção contra à corrosão ou tratamentos de revestimentos. hidróxidos e os silicatos. • Ação mecânica: atividade abrasiva por meio de lixas. Uma das formas de combater a corrosão consiste em evitar o contato do metal com o meio corrosivo. O objetivo principal destes tratamentos é aumentar a dureza e a resistência ao desgaste superficial. deve-se limpar e preparar adequadamente a superfície. Antes de se efetuar os tratamentos classificados acima. raspadeiras. ou a decapagem alcalina. Em virtude da complexidade deste tema. os fosfatos. fluoretos.6. óleo mineral ou através de substâncias inorgânicas como fosfatos. lembrando que as aplicações destes podem ser mútuos.

o elemento difusor forma-se como resultado das reações de dissociação CH 4 → C + 2 H 2 . líquido e gasoso. Losekann Direitos autorais reservados tudo porque. formam-se como resultado de reações químicas no sal fundido (por exemplo. como os fornecedores dos elementos dos átomos que enriquecem as camadas superficiais das peças. quando a peça é empacotada no pó de cromo ou liga ferro-cromo. saturação da fase gasosa e saturação da fase líquida. com superfície extremamente dura. pode-se conseguir núcleo de elevada resistência e tenacidade. é necessário apenas para a formação da fase gasosa. e crometação por difusão no cromo pulverizado com o método de saturação da fase vaporizada. na cementação os átomos de carbono do carburante sólido (carvão vegetal) que difundem no aço formam-se do óxido de carbono. De acordo com essa classificação. pelo emprego de aços com elementos de liga. Baseando-se nas características físico-químicas da fase ativa que fornece o elemento difusor. da qual os átomos ingressam na peça. Para o tratamento termo-químico é mais conveniente o meio gasoso puro: sua composição é fácil de controlar. Os exemplos citados mostram que a classificação dos métodos de tratamento termo-químicos pelo estado de agregação do meio no qual a peça é introduzida. 2CO → C + CO2 . os átomos do elemento difusor na peça. no NaCN durante a cianetação). diretamente pelos locais de seus contatos com a superfície da peça. Por exemplo. é aquecido rapidamente até a temperatura desejada. o cromo vaporiza e seus átomos ingressam na peça. 51 . e não nos locais de contato direto do pó com a superfície da peça. principalmente da fase gasosa. dispersão 2CO → C + CO2 . Dubinin propôs os seguintes métodos de classificação dos tratamentos termo-químicos: saturação da fase sólida. Os átomos do elemento difusor ingressam da substância sólida. Este processo é pouco efetivo e pouco utilizado. No tratamento termo-químico em meio líquido. Outro exemplo é a crometação por difusão no meio “sólido”. Dr. a cementação do aço no carburante sólido deve se relacionar com o método de saturação da fase gasosa. resultando num material capaz de suportar em alto grau certos tipos de tensões.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. G. servem. nem sempre coincide com a essência físico-química do processo de tratamento. Com o aquecimento. permite mecanizar e automatizar completamente o processo e realizar imediatamente a têmpera (sem repetição de aquecimento). que se formam com o aquecimento da peça no meio sólido. Dependendo do estado de agregação do meio externo no qual se introduz a peça que esta sendo tratada. Cláudio R. troca CrCl 2 + Fe → Cr + FeCl 2 ou reconstituição VCl 2 + H 2 → V + 2 HCl . saturação da fase vaporizada. O meio gasoso e a fase gasosa ativa. Geralmente o meio sólido é utilizado para produzir um gás ativo ou fase gasosa. nos processos industriais. No tratamento termo-químico em meio gasoso. N. diferenciam-se os tratamentos termo-químicos em meio sólido.

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Pela característica da variação da composição química da peça tratada todas as variedades de tratamentos termo-químicos podem ser divididas em três grupos: saturação com não-metais por difusão, saturação com metais por difusão e remoção dos elementos por difusão. Estes grupos incluem os diversos processos industriais de tratamento termo-químico como pode ser visto no quadro abaixo. Variedades de tratamento termo-químico. Saturação com não-metais por Saturação com metais por Remoção de difusão difusão elementos por difusão Carbonetação(cementação) Aluminetação Desidrogenação Nitretação Crometação por difusão Desoxidação Cianetação Cromocalorização Descarbonetaçã o Nitrocementação Galvanização por difusão Remoção de conjunto de impurezas Boretação Cupretação por difusão Silicietação Titanetação Sulfetação Beliretação Sulfocianetação Vanadetação Saturação de oxigênio* Oxigenação interna * * Saturação de oxigênio é superficial, e oxigenação interna é a saturação de todo o volume da peça com oxigênio com o objetivo de formação de óxidos dispersos. A superfície do aço, saturada em carbono e nitrogênio, ou simultaneamente com estes dois elementos, é o processo de tratamento termo-químico mais amplamente usado. O carbono e o nitrogênio se solubilizam intersticialmente no ferro, e por isso podem difundir rapidamente a uma profundidade significativa. Os meios ativos contendo estes elementos são baratos, e as fases que se formam com a participação do carbono e do nitrogênio no processo de saturação, ou com posterior tratamento térmico, modificam bruscamente as propriedades mecânicas e físico-químicas do aço.

Nitretação
A nitretação é um processo de endurecimento superficial em que se introduz superficialmente no aço, até uma certa profundidade, nitrogênio, sob a ação de um meio nitrogenoso, a uma determinada temperatura. A nitretação é realizada com os seguintes objetivos: - Obtenção de elevada dureza superficial. - Aumento da resistência ao desgaste e escoriação. - Baixo coeficiente de atrito. - Aumento da resistência à fadiga. - Melhora da resistência à corrosão e à oxidação.

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Algumas características do processo são: - A temperatura de tratamento é inferior à crítica (500 ºC a 570 ºC), o que leva a menores distorções dimensionais e empenamentos nas peças. - Não há necessidade de qualquer tratamento térmico posterior a nitretação. - Não modifica as características mecânicas do núcleo obtidas por têmpera e revenido, desde que este último tenha sido executado a uma temperatura em torno de 30 ºC acima da temperatura de nitretação. - Como as temperaturas são relativamente baixas não há aumento significativo do tamanho de grão. O entendimento do processo requer um adequado conhecimento do sistema ferro-nitrogênio e por isto há necessidade de analisar o diagrama de equilíbrio Fe-N, em termos de identificação das diferentes fases.

900 800 700 Fe4N

γ α
0,1% 650 oC 2,8% 4,5% 2,35% 490 oC 590 oC

650 oC

Fe2N

Temperatura ( oC)

600 500 400 300 200 100

ε

α + γ' γ' γ' + ε ζ

5,7%

6,2%

8,25%

11,1%

11,35%

0

0

2

4

6

8

10

12

14

16

Concentração de nitrogênio (%)
Figura 2.44 - Diagrama de equilíbrio Fe-N.

A fase α é constituída de uma solução sólida de nitrogênio no ferro com um limite máximo de solubilidade próxima de 0,1%. A fase γ é constituída de uma solução de nitrogênio no ferro γ e tem estrutura CFC da austenita, figura 2.45. É estável acima de 590 ºC e pode conter até um máximo de cerca de 3 % de nitrogênio. A fase γ’ é constituída de (composto não estequiométrico, Fe4N composição teórica 5,7% a 6,2% de nitrogênio) de reticulado CFC; estável até 680 ºC. O eutetóide α - γ’ ocorre à temperatura de 590 ºC.
Figura 2.45 – Célula unitária da fase γ’.

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A fase ε (Fe2-3N) tem estrutura hexagonal compacta, 2.46, e pode conter uma quantidade de nitrogênio bastante variável. Quando o nitrogênio alcança a concentração de 11,1% a 11,35% se transforma na fase ξ (Fe2-3N). A nitretação acima de 590 ºC forma camadas duras, mas extremamente frágeis, sendo que o processo acima desta temperatura tem aplicação industrial restrita. Isto se deve a formação do constituinte eutetóide denominado braunita com 2,35% de nitrogênio, sendo Fe α + Fe4N. A nitretação abaixo de 590 ºC forma microconstituintes muito finos, dispersos e difíceis de se observar ao microscópio ótico. Resumindo, a formação da camada de nitretos de ferro durante a nitretação, nas temperaturas usadas industrialmente, em função do aumento do teor de nitrogênio na peça será:
Figura 2.46 – Célula unitária da fase ε.

- Até o valor de 0,1% de N, a temperatura de 590 ºC, limite de solubilidade do N no ferro, tem-se a fase α; - Acima de 0,1% começa a se formar a fase γ’ em contornos de grãos e ao longo de certos planos cristalográficos, até o valor de 6,2% de nitrogênio; - Para teores acima de 6,2 % a fase γ’ começa a se transformar na fase ε; - Entre 11,1 e 11,35% forma-se a fase ξ, mas que só é estável abaixo de 450 ºC, portanto raramente é observada. Os aços utilizados para nitretação podem conter elementos de liga como Al, Ti, Cr, Mo e V. O alumínio e o titânio promovem a maior dureza da camada nitretada, seguidos pelo Cr, Mo e V. O aumento de dureza conferido por estes elementos é devido à formação de seus respectivos nitretos (AlN, TiN, CrN, MoN e VN) em planos preferenciais da ferrita {0,0,1}. A profundidade da camada nitretada decresce com o aumento dos teores dos elementos de liga. O Al e o Ti, que possuem a maior influência na dureza, também tem o maior efeito na redução da na espessura da camada nitretada, quando seus teores são elevados. Esses elementos de liga, principalmente Al, Ti e o Cr, possuem alta afinidade química com o nitrogênio, e quando estão presentes em teores elevados, reduzem o teor de nitrogênio livre para a zona de difusão, através da formação da camada branca. O carbono é um elemento comum nos aços, e sendo intersticial como o nitrogênio, possui uma forte influência na formação da fase ε e γ’. Na presença de carbono, a fase ε é na realidade um carbonitreto de composição variável entre o Fe3(CN) e o Fe2(CN). Um outro fenômeno importante durante a nitretação, é a transformação de carbonetos em nitretos. Isto pode ser entendido considerandose as energias de Gibbs para carbonetos e nitretos. Para o cromo, por exemplo, o ∆Gº do Cr2N é menor do que o ∆Gº do Cr7C3. É de se esperar, portanto, que 54

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durante o processo de nitretação os carbonetos de cromo se desestabilizem para formar nitretos de cromo, e o carbono livre se difunde para o lado de menor potencial químico, formando CrFe3C nos contornos de grão da ferrita e não Fe3C isento de cromo, indicando que o potencial químico do CrFe3C é mais baixo do que o da cementita, Fe3C. Assim, pode-se se esperar que o carbono dificulte a difusão do nitrogênio para a zona de difusão. Como os aços empregados para a nitretação são temperados e revenidos entre 550 ºC e 650 ºC, ocorre a precipitação e crescimento de carbonetos, preferencialmente em contornos de grão durante o revenimento. Como a difusão do nitrogênio é muito mais rápida pelos contornos de grão, estes precipitados dificultam a difusão deste. Por outro lado a temperatura de revenimento deve ser acima da temperatura de nitretação para minimizar erros dimensionais que possam vir a ocorrer devido à precipitação de carbonetos durante a nitretação. Os aços especiais para a nitretação, além de teores relativamente elevados de carbono, contêm, como já vimos, alumínio, cromo, molibdênio e ainda o níquel. Os teores usuais destes elementos nos aços para nitretação são os seguintes: - Carbono: 0,30 a 0,45% - confere ao aço não só temperabilidade como também suporte adequado à camada nitretada extremamente dura e muito fina; - Alumínio: 0,85 a 1,20% e Cromo: 0,90 a 1,80% - são elementos que formam nitretos de elevada dureza; - Molibdênio: 0,15 a 0,45% - diminui a fragilidade de revenido que pode ocorrer durante a nitretação, em função das temperaturas usadas; - Níquel: normalmente ausente, é adicionado em teores de 3,25 a 3,75%, quando de deseja um núcleo de dureza mais elevada. Os aços para nitretação, contendo como elementos de ligas fundamentais como cromo e o alumínio são conhecidos como Nitralloy, sendo que apresentam, após a nitretação, a camada superficial mais dura e o núcleo de resistência mecânica mais adequada. Além destes aços especialmente desenvolvidos para a nitretação, outros tipos de aços podem ser submetidos à nitretação, desde aços comuns ao carbono, aços com altos teores de elementos de liga, como os aços para matrizes e inoxidáveis. O resultado obtido em um determinado tipo de aço, em termos das características específicas da camada de nitretos formada, vai depender ainda do processo de nitretação utilizado, sendo normalmente, um deles o mais apropriado para uma determinada classe de aços. A nitretação pode ser realizada por três processos: nitretação a gás, nitretação líquida ou em banho de sal e nitretação por plasma ou iônica, sendo este último, objeto de estudo nos últimos 10 anos em virtude de ser menos poluente, por formar camada nitretada com espessura e composição bem definida e por obter ótimos resultados com menor custo. Nitretação a gás - Este é o processo clássico, consistindo em submeter as peças a serem nitretadas à ação de um meio gasoso contendo nitrogênio, geralmente amônia (NH3), a uma temperatura determinada, entre 500 e 570 ºC. Neste processo a difusão do nitrogênio é muito lenta, de modo que a operação é muito demorada, durando às vezes até 90 horas. Geralmente o tempo varia de 48 a 72 horas. Mesmo com tempos mais longos a espessura da camada nitretada é inferior à da camada cementada, dificilmente ultrapassando 0,8 mm. 55

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Industrialmente, requer-se aços ligados para a nitretação gasosa, com elementos de liga formadores de nitreto. De modo geral, não se nitreta aços comuns por este processo, pois em princípio, não há vantagem em se nitretar aços comuns (baixo carbono), pois o nitreto de ferro que se forma, apesar de ser duro, é muito frágil.

0,9 0,8

Profundidade nitretada (mm)

0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 -0,1 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Tempo (horas)
Figura 2.47 – Influência do tempo de nitretação a gás sobre a espessura da camada nitretada.

Nitretação líquida - Trata-se de um processo de nitretação que permite, em tempos muito mais curtos que a nitretação gasosas, obter superfícies muito resistentes ao desgaste, sem tendência ao engripamento, de alto limite de fadiga e elevada resistência à corrosão atmosférica. Além disso, ao contrário da nitretação a gás que exige aços especiais para a obtenção de melhores resultados, a nitretação líquida pode ser realizada em aços comuns, de baixo carbono, como o ABNT 1045. A faixa de temperatura é aproximadamente a mesma que é utilizada na nitretação a gás, 500 a 575 ºC. O meio líquido utilizado é cianeto fundido, como na cementação líquida, no entanto a nitretação adiciona muito mais nitrogênio que carbono à superfície das peças. Um banho comercial típico para nitretação líquida é constituído de uma mistura de sais de sódio e potássio, os primeiros de 60 a 70% em peso da mistura total e os segundos de 30 a 40%. Os sais de sódio consistem de: - 96,5% NaCN (cianeto de sódio); - 2,5% Na2CO3 (carbonato de sódio); - 0,5% NaCNO (cianato de sódio). 56

0. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. portanto. . Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução.0.0 0 2 4 6 8 10 Tempo (horas) Figura 2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. seu limite de fadiga. W.9 0.3 0. . sendo o cianato o principal responsável pela nitretação. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. W. Nas temperaturas de nitretação o cianato decompõese. submetidos ao processo líquido. Cláudio R.8 1015 Profundidade nitretada (mm) 0.6 0. Al.1 0. forma segregações aciculares de Fe4N.4 A ços ligas 0. forma segregações aciculares de Fe4N. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns. ocorre um considerável aumento de dureza. Losekann Direitos autorais reservados Os sais de potássio consistem de: .0. O efeito do nitrogênio na camada de difusão depende do tipo do aço: nos aços comuns. 0.6% K2CO3 (carbonato de potássio). para garantir alto limite de fadiga. Dr. V ou outros elementos formadores de nitretos especiais. V ou outros elementos formadores de 57 . que pode variar de 1 a 3 horas.2 0. conforme o tempo de operação. entretanto nestas temperaturas o nitrogênio se difunde mais que o carbono.7 1045 0.75% KCNO (cianato de potássio).5 0. nos aços ligados com Cr. liberando carbono e nitrogênio. nos aços ligados com Cr. Al. que não interferem na dureza.0% KCN (cianeto de potássio).48 – Profundidade de penetração da camada nitretada em alguns aços. A figura que segue mostra a profundidade de nitretação para alguns aços submetidos à nitretação líquida a 570 ºC. .96.5% KCl (cloreto de potássio) A relação entre cianeto e cianato é crítica. que não interferem na dureza. elevando seu limite de escoamento e. resultando nitretos em maior quantidade que carbonetos na camada branca (ou faixa de compostos) que pode atingir deste 5 a 15 mm.

portanto. as energias dos íons e moléculas se tornam iguais. elevando seu limite de escoamento e.A aplicação de uma tensão contínua entre dois eletrodos. o importante é a queda de tensão catódica. Na nitretação por plasma. Quando o número de colisões atinge um valor suficientemente alto. O cátodo é totalmente envolvido pelo plasma. Nitretação iônica . já que a peça a ser nitretada é o cátodo. colisões entre os íons acelerados e moléculas. mantidos em uma atmosfera gasosa. Figura 2. ocorre um considerável aumento de dureza. a temperatura da peça é igual a temperatura do gás. para garantir alto limite de fadiga. moléculas ou átomos. o que não acontece em outros regimes de descarga. O efeito mais importante da zona de difusão é o de aumentar consideravelmente a resistência à fadiga. Depois do tratamento resfria-se ao ar ou em salmoura com o objetivo de manter o nitrogênio em solução. dependendo da relação entre tensão e corrente. Dr. os regimes de descarga. Quando estas espécies colidem com a superfície do substrato (cátodo). produz um efeito físico.O íon incidente pode ser implantado na rede cristalina do substrato: Implantação iônica. seu limite de fadiga. atribuída ao fato dos nitretos formados nesta zona bloquearem as deformações dos cristais de ferro. Losekann Direitos autorais reservados nitretos especiais. podem ocorrer os seguintes eventos: . As peças ficam presas ao cátodo. O número de colisões é diretamente proporcional a pressão de N2 no reator. Na região da bainha ocorre então. estabelecendo-se um equilíbrio térmico na bainha catódica. que depende da reatividade do gás utilizado. e temperatura. no estado fundamental ou excitado.49 – Esquema do reator iônico. conforme mostra o esquema abaixo. promovendo um tratamento uniforme em toda a peça. tendo em vista que o livre caminho médio diminui com a pressão. que tem um pronunciado efeito sobre a cinética de nucleação e crescimento do filme depositado. independente do gás utilizado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. com transferência de carga e energia cinética. a uma tensão elétrica entre dois pólos. portanto. Esta queda de tensão provoca uma aceleração dos íons N+ a partir da região luminescente em direção ao cátodo. permite a obtenção de um gás ionizado. 58 . O tratamento consiste basicamente em submeter uma mistura de gases (N2 ou N2 + CH4) em uma câmara hermeticamente fechada. Neste ambiente são monitoradas as variáveis do processo como pressão do gás. íons e partículas neutras. Nestas condições de equilíbrio o aquecimento da peça é provocado igualmente pelas colisões de moléculas e íons e. além de um efeito químico. O plasma é composto de elétrons. devido à precipitação de partículas muito finas destes nitretos. O bombardeamento de uma superfície por íons. Cláudio R. também chamado de plasma. negativo (cátodo) e positivo (ânodo). com o substrato.

e se dissocia. espécies do tipo Ni + Hj.Possui uma maior taxa de crescimento de camadas.Rearranjos de ordem microestrutural no interior do material. uma melhoria na eficiência do processo. os quais são acelerados na bainha catódica pelo campo elétrico. As peças a serem nitretadas são colocadas no cátodo. formando nitretos estáveis como Fe2-3N ou Fe4N.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.0 mm para tempos longos.Permite nitretar apenas as áreas desejadas em uma mesma peça. liberando nitrogênio atômico que se difunde no reticulado cristalino do ferro. podem surgir.Emissão de elétrons secundários. no estado excitado e também NHj ou NHj+ em misturas N 2 + H 2 com energia potencial suficiente para a formação de nitretos de ferro. ocupando posições intersticiais ou pelos contornos de grãos. por exemplo. A espessura da camada branca varia de 5 a 25 µm e a de difusão pode se aproximar de 1. 59 .Reflexão do íon a partir da superfície e posterior neutralização. As vantagens da nitretação por plasma. a mistura gasosa se ioniza e os íons formados são acelerados contra as peças e as colisões promovendo seu aquecimento. é admitido atualmente. contribuindo para a manutenção da descarga. o que o torna mais econômico. As diversas espécies reativas de nitrogênio (com potencial nitretante). em uma atmosfera de N 2 + H 2 em baixa pressão (4 Torr). Devido a diferença de potencial e à baixa pressão no reator. formando o composto FeN que se deposita por retro-difusão na superfície da peça. Este composto é instável entre 350 e 600 ºC. o que permite reduzir-se o tempo e a temperatura do processo. A vantagem de usar hidrogênio na mistura é função de seu potencial redutor. além de propiciar uma ionização maior e. vazios. frente aos outros processos de nitretação.Reações químicas entre o gás da descarga e o material do substrato. formando espécies que reagem como substrato. portanto. e no caso de um plasma N2 + H2. N*. formadas no plasma. As colisões de elétrons com moléculas do gás podem provocar dissociação. como.Ejeção de átomos do substrato (sputtering). na forma atômica ou molecular. aumentando sua densidade de defeitos. sendo de grande importância para os aços sinterizados. . é a formação de espécies reativas de nitrogênio. O modelo de mecanismo de nitretação sugerido por Kobel e Edenhoffer propõe que os átomos de ferro são arrancados da superfície por bombardeamento iônico e combinam com o nitrogênio atômico no plasma. As diferentes fases de nitretos que se formarão dependerão das condições adotadas. N+ e N2+ . Dr. . Cláudio R. As principais espécies reativas em um plasma de N2 são: N. combinam-se com o ferro e elementos de liga presentes na peça promovendo a formação da camada nitretada. . podem ser resumidas citando-se os seguintes aspectos: . que o fato mais importante na nitretação por plasma. excitação e ionização. N2*. além das espécies correspondentes ao hidrogênio. Este processo pode ser aplicado em todos os tipos de aços. . Losekann Direitos autorais reservados . Em termos práticos a nitretação por plasma consiste em aplicar-se uma diferença de potencial de 500 a 1000 VDC entre dois eletrodos. ainda. Em função dos vários modelos. Os mecanismos de nitretação por plasma propostos são vários. .

durante o tempo necessário para obtenção da camada desejada. A finalidade da cementação é elevar a dureza e a tenacidade da peça para depois sofrer a têmpera.5% de carbonato de sódio e o restante de carvão vegetal. depois.5 mm até 2. A camada superficial.0 desgaste e as cargas 0 2 4 6 8 dinâmicas. 60 . Em meio líquido faz-se por meio de sais fundidos.1% a 1. o gasogênio.5 simultaneamente durante ao trabalho ao 0.0 baixo teor de carbono o 850 C (algumas vezes 1. No meio sólido normalmente utiliza-se carvão vegetal ou coque com adições especiais de carbono de bário. Dr. absorve o carbono em processo de saturação a camada superficial dos aços de baixo carbono. 1.000 oC 2. Espessura da camada (mm) Dependendo das condições e solicitações de trabalho da peça. que é produto da decomposição do petróleo.5 São cementadas as peças de aço com 2. Cementação Em parágrafos anteriores foram citadas várias vezes a cementação.0 mm ou mais. submete-se a peça à têmpera para obter a dureza desejada. É um dos tratamentos térmico-químicos realizados com freqüência.Apresenta ótima repetibilidade de resultados. O processo de cementação pode ser efetuado em um meio sólido. os óleos etc. Cláudio R. quando o ferro apresenta-se com estrutura CFC. A cementação está baseada nas propriedades do ferro que.2% de carbono e que são submetidas 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cementação sólida .5 até 5. por não produzir resíduos tóxicos.0 0. a profundidade da camada cementada pode variar de 0.50 – Profundidade da camada cementada em aço de baixo carbono. chama-se camada cementada.5 o também de aços ligas) 800 C que contém de 0. O tempo de permanência no forno pode variar de um a trinta horas.Permite escolher o tipo de fase da camada nitretada pela adequada escolha dos parâmetros operacionais. líquido ou gasoso. saturada de carbono. Posteriormente. .É um processo não poluente. em altas temperaturas de 800 ºC a 950 ºC.A composição do carburizador contém geralmente a seguinte composição: 20 a 25% em peso de carbonato de bário. e em meio gasoso. de 3. O meio em que é efetuado a cementação chama-se carburizador. mantendo ao mesmo tempo o núcleo dúctil. . a peça é levada ao forno a uma temperatura em torno de 930 ºC. Losekann Direitos autorais reservados . como querosene. Tempo (horas) Figura 2.

. também chamado de ferroxidação.A cementação gasosa é efetuada em uma atmosfera de gases que contém carbono. O meio difusor é sólido formado de um granulado de carboneto de boro B4C e de um ativador. 150 µm a 200 µm em 12 horas. steam blackning). Para evitar deformações. aços com baixa e alta liga. em 4 horas de tratamento apresenta uma camada de boreto de ferro. Os principais benefícios trazidos por este processo são: .Aumento da resistência à compressão. ferro fundido comum e nodular. Após a boretação os aços são normalmente temperados e revenidos. A temperatura de tratamento varia entre 800 e 1.050 ºC (sendo 900 ºC a mais usada). Este processo transcorre à temperatura de 870 a 900 ºC durante 0. que pode ser visto como uma operação secundária na indústria de peças sinterizadas: o tratamento a vapor (steam treatment. por difusão. menor tempo e possibilidade de têmpera imediatamente após o banho.Aumento da dureza e densidade das peças. enquanto o ativador facilita e acelera a formação da camada superficial dura e de grande uniformidade. as peças devem ser préaquecidas até 500 ºC antes de entrar para o banho de cementação. A cementação líquida é empregada em aços com baixos teores de carbono. Podem ser boretados os aços carbono.2 mm em 40 a 50 minutos. Dr. Fe2B com 100 µm em 8 horas. por exemplo. ou ainda aços especiais de níquel ou de níquel cromo.700 a 2. Na cementação gasosa. e seu controle necessita ser rigoroso. A vantagem da cementação em sais é o aquecimento uniforme da peça. formando boreto de ferro com uma dureza Vickers de 1. um aço ABNT 1045. em que a camada cementada de 1mm de profundidade se obtém em 45 minutos aproximadamente.Neste processo. fluoreto duplo de boro e potássio. steam oxidation. . as peças são introduzidas em câmaras especiais.Aumento da resistência à corrosão. 61 . A espessura da camada cementada é da ordem de 0. Boretação Por este processo introduz-se na superfície de aço. Cláudio R. Atualmente é muito empregado a cementação rápida com gases. através dos quais passam os gases.000 kgf/cm2.5 a 2 horas. Cementação gasosa . e a temperatura nas câmaras é mantida entre os limites de 900 ºC a 950 ºC.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O carboneto fornece o metal para a boretação. efetua-se a cementação mergulhando a peça em sais fundidos de cianeto ou carbonatos que contém carbono em suspensão em 5 a 10%. produção contínua. Ferroxidação As propriedades físicas de peças ferrosas sinterizadas podem ser melhoradas por um processo econômico e versátil que vem sendo usado desde 1950 e. o elemento boro. Losekann Direitos autorais reservados Cementação líquida . O tempo depende da espessura de camada desejada.

assegurando a exposição uniforme de todas as peças à temperatura e atmosfera de tratamento.5 a 163 kg/h. além disso. um fluxo de gás pode passar através de toda sua seção. quando se faz passar um fluxo de vapor de água superaquecido pelas mesmas. Dr. 427 ºC. a carga é removida do forno ou é resfriada sob vapor até temperaturas abaixo de 427 ºC. .Selamento da porosidade interligada. Como nestas peças existe uma rede de poros comunicantes.5 a 4 horas. do que óxidos formados ao ar. Losekann Direitos autorais reservados . o óxido é cinzento). A ferroxidação é geralmente realizada em fornos verticais com convecção forçada. dando estanqueidade à peça. . é estável somente acima de 570 ºC. Após o tempo necessário. o fluxo de vapor é reduzido à metade e a temperatura é aumentada para valores entre 430 e 600 ºC (no limite inferior o óxido produzido tem a cor preta azulada e no superior. pois os equipamentos não são caros. Uma ventoinha interna é usada para forçar o vapor a circular. bem como sobre a superfície externa da peça. Acima do ponto de ebulição da água (100 ºC) e abaixo de 570 ºC a reação do vapor d’água com o ferro para formar o Fe3O4 é: 3Fe + 4 H 2 O (gás) ⇔ Fe3 O2 + 4 H 2 (gás) Inicialmente a carga do forno deve ser aquecida acima de 100 ºC. ou pelo menos até que o centro da carga do forno atinja a temperatura mínima de 100 ºC. o custo por peça ferroxidada é baixo.Da ductilidade.Da resistência ao impacto. Normalmente é usada a temperatura de 315 ºC para o primeiro estágio.Obtenção de um excelente acabamento superficial com a redução da rugosidade inicial. O fluxo de vapor é então introduzido na câmara do forno com alta taxa (4. Fe3O4. dependendo do tamanho do forno) para purgar o ar. Durante a ferroxidação uma camada de óxido. por um tempo de 15 a 30 minutos até que todas as peças atinjam esta temperatura. Um óxido intermediário. A melhoria das propriedades das peças sinterizadas com a aplicação do processo de ferroxidação é conseguida com baixo investimento de capital. para evitar a condensação do vapor sobre as peças. para depois removê-la e introduzir nova carga.0 g/cm3 ). FeO.4 – 7. a wustita. uma camada de óxido de ferro se forma nas paredes da rede de poros comunicantes. ou seja. O processo é aplicado principalmente em peças sinterizadas de baixa e média densidade (5. vai crescendo em 62 . na superfície e na rede de poros comunicantes de peças ferrosas sinterizadas. A carga é então mantida a esta temperatura de 0. A camada óxida obtida desta forma é muito aderente e menos propensa a defeitos. Quando a purga do forno for completada.Do limite de resistência à tração. como trincas e bolhas. De maneira geral. Então. como desvantagens da ferroxidação podem-se citar o decréscimo: . dependendo das condições de tratamento. dependendo da quantidade de óxido que se deseja. mas sempre abaixo do ponto critico de oxidação ao ar e descoloração.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R. os quais são projetados para serem relativamente estanques. . O processo de ferroxidação é utilizado para criar uma camada de magnetita. Fe3O4.

Tem a função de criar pressão positiva para impedir a entrada de oxigênio e diluir gases ativos (hidrocarbonetos e amônia) de modo a facilitar o controle do processo. apresenta um custo menor que a cementação. Losekann Direitos autorais reservados todas as superfícies expostas. na proporção de 9 a 15%. seriam fechados mais rapidamente.Gás natural. ou seja. na proporção de 77 a 89% em volume. São eles: a) Carbonitretação ou cianetação a gás . além disso. Na prática consiste em introduzir um gás carbonetante na atmosfera de nitretação. H2O e CO2). 63 . a partir deste momento. Cláudio R. A dependência do ganho em peso e da densidade final da peça. decresceria com a distância abaixo da superfície externa. na faixa de 2 a 8%.7 mm. no entanto possui melhor temperabilidade e é mais resistente ao amolecimento durante o revenimento. Processos variantes São tratamentos térmico-químicos similares aos de nitreção e cementação quanto ao meio. Os constituintes da atmosfera utilizada na carbonitretação são: . E razoável assumir que a reatividade do vapor. b) Nitrocarbonetação a gás de ciclo curto – DEGANIT . propana ou butana. Quando todos os poros estão fechados o vapor não tem mais acesso ao interior do corpo sinterizado e. a taxa de formação de óxidos diminui por causa do fechamento dos poros.Amônia (NH3). promovendo sua nitretação. confirma tal pressuposto. A camada produzida tem espessura entre 0. Com o prosseguimento do tempo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nas paredes da rede interligada de poros e na superfície externa da peça. a continuidade do processo de ferroxidação produziria muito pouca mudança na porosidade final da peça. em função da diminuição da proporção H2O/H2 e que a taxa de crescimento da camada óxida seria um tanto maior próximo à superfície. A taxa de crescimento da camada superficial decresce porque a camada de óxido dificulta a difusão do Fe e O atômicos.Este processo consiste em submeter o aço a uma temperatura geralmente acima da crítica em uma atmosfera gasosa capaz de fornecer tanto carbono como nitrogênio que difundem simultaneamente para superfície da peça. para esta faixa de espessura de camada. . Portanto os poros próximos à superfície. mais impurezas: O2. e após o fechamento da superfície. só a oxidação superficial progride. O objetivo principal da carbonitretação é conferir ao aço uma camada dura e resistente ao desgaste. sendo menor que as obtidas na cementação. H2 e CO. Na sua dissociação forma nitrogênio nascente na superfície do aço. com relação ao tempo de ferroxidação.Esta variação do processo de nitretação a gás consiste em submeter as peças a uma temperatura em torno de 580 ºC (abaixo da crítica) em uma atmosfera com nitrogênio e carbono. dentro dos poros.07 a 0. Torna a atmosfera carbonetante. Dr.Gás endotérmico (N2. até um dado tamanho. . Industrialmente o processo é uma cementação a gás modificada pela injeção de amônia na atmosfera carbonetante.

quando o resfriamento é rápido. gás endotérmico ou outro qualquer que forneça CO e nitrogênio. num banho adequado de sal cianeto fundido. c) Sulfocarbonitretação gasosa . A camada branca resultante é da ordem de 10 a 20 µm e constitui-se carbonitretos de ferro e carbonetos e nitretos dos elementos de liga presentes no material. O tempo de tratamento varia de 0.Consiste em submeter as peças a uma temperatura acima da crítica. como. Losekann Direitos autorais reservados A atmosfera é constituída de amônia dissociada.3 mm. Cláudio R. contendo mais nitrogênio e menos carbono que as camadas cementadas e) Nitrocarbonetação em banho de sal . onde as peças são submetidas a temperaturas entre 550 e 570 ºC seguido de resfriamento ao ar.5 a 1 hora. 64 . A camada de difusão apresenta valores da ordem de 0. à corrosão e ao engripamento.TENIFER/TENOX . Os objetivos e resultados são praticamente idênticos aos da sulcarbonitretação gasosa.1 a 0. Este processo produz camadas brancas de 10 a 30 µm de espessura altamente resistente ao desgaste por atrito. O processo é aplicado em aços. porém com maior economia. além dos cianetos e cianatos. f) Sulfocarbononitretação líquida – SURSULF . produzindo camadas de 0.3 mm e é constituída por nitretos de ferro e dos elementos de liga. de 760 a 870 ºC. além de uma camada de difusão de até 0.O processo consiste em introduzir enxofre. A camada de difusão apresenta nitrogênio em solução sólida no ferro alfa. Dr. por um tempo em torno de 2 horas. mantendo as outras propriedades equivalentes.3 mm que aumenta e resistência à fadiga. sulfeto de ferro e carbonitretos.É um processo similar ao processo TENIFER. cementação e cromo duro. ou água. e agulhas de nitretos. diferenciando-se pelo fator do banho conter sais de lítio e compostos de enxofre. O tempo de tratamento é normalmente de 1 a 3 horas e o resfriamento das peças é feito sob atmosfera de nitrogênio até a temperatura ambiente.O TENIFER realizado em banhos de sais fundidos. com resultados equivalentes ou superiores. d) Cianetação ou carbonitretação líquida . A têmpera posterior produz uma camada superficial dura e de elevada resistência ao desgaste. ocorrendo difusão simultânea de carbono e nitrogênio. onde o resfriamento é realizado em um banho de sal oxidante seguido de polimento e nova oxidação em banho de sal. e o caráter oxidante para o TENOX é obtido por insuflamento de ar ao banho. A camada branca contém enxofre. A denominação TENOX é uma variante deste processo. submetendo as peças a uma temperatura entre 550 e 575 ºC. para resfriamentos lentos. além do carbono e nitrogênio no meio difusor. ferros fundidos ou materiais sinterizados e em muitos casos é uma alternativa a outros tratamentos. Os sais são compostos de cianetos e cianatos alcalinos que fornecem o nitrogênio e o carbono ao meio. Possui a vantagem de conferir aos aços tratados (comuns e de baixo teor de elementos de liga) melhores características de resistência ao engripamento.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

a principal vantagem do revestimento é seu aspecto não-tóxico. níquel. No caso da galvanização. um banho de óleo de coco (ou sebo quente). Conforme for o grau de acabamento. A figura seguinte mostra o processo.6.2. No caso da estanhagem. ainda quente. dupla ou tripla. onde o eletrólito contém sal do metal protetor. no lugar do hidrogênio e nitrogênio. Nesse processo podem ser empregados como metais de deposição zinco. permitindo seu uso na aparelhagem de armazenamento e manuseio de alimentos.050 ºC com um tempo de tratamento em torno de 2 horas.Este processo é uma variação da nitretação por plasma. Dr. aquosa ou em solo. O metal mais comum utilizado nessa técnica é o alumínio. que promove a drenagem do excesso de material e auxilia na formação de um revestimento uniforme de espessura satisfatória e isenta de defeitos. em parte. estanho. prata e ouro. Cláudio R.2 . Através dessa técnica. 2. cromo. entre camadas de um outro metal de maior resistência à corrosão. formam-se. Uma conhecida 65 . a espessura da camada galvanizada. um revestimento galvanizado apresenta uma estrutura de componentes químicos complexa. a temperatura. Existem três processos: a galvanização. podendo o ânodo ser do mesmo metal a ser depositado.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. cobre. pode-se obter materiais em que são combinados à resistência mecânica. ou liga. que varia gradualmente sua composição e suas propriedades físicas e mecânicas. Desse modo. recebe. A peça a ser revestida funciona como cátodo numa célula eletrolítica. A eficiência depende de uma série de fatores. a estanhagem e o banho em chumbo. cádmio. entre eles a composição química do eletrólito. em peças de ferro e aço. pode-se citar os seguintes processos de tratamentos superficiais com revestimento metálico em metais: a) Cladização: consiste em colocar o metal. na qual a diferença consiste em utilizar-se um gás carbonetante. sendo esse tempo normalmente próximo a 2 minutos. sendo que a última. metano (CH4). As vantagens deste processo de cementação sobre os convencionais são as mesmas obtidas com a nitretação por plasma. uniformes e isentas de poros. dependendo da atividade química. pode-se fazer a estanhagem simples.Tratamentos de revestimentos Revestimentos metálicos Dentre outros. com a resistência à corrosão (através do alumínio). É um processo utilizado basicamente para peças sujeitas à corrosão atmosférica. após a dupla estanhagem. e a operação é efetuada por laminação a quente ou a frio. numa faixa de temperatura entre 840 e 1. O tempo de imersão das peças determina. difusão e subseqüente resfriamento. b) Imersão à quente: nessa técnica as peças a serem protegidas são imersas num banho de metal protetor fundido. densidade da corrente do cátodo. etc. Losekann Direitos autorais reservados g) Cementação por plasma (“Ioncarburizing”) . camadas aderentes de zinco. através do elemento de liga. pois promove espessuras finas. c) Eletrodeposição: é o processo de revestimento metálico mais empregado.

Dr. melhora a aparência superficial.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. f) Anodização: utiliza o alumínio. conectores elétricos e aplicações que exijam alta soldabilidade. fosfatos. Também são usados em componentes elétricos e eletrônicos. matrizes e peças que necessitem boa resistência ao desgaste. Os processos que utilizam níquel e cromo são mais utilizados para fins decorativos. de modo a desintegrá-lo em partículas que são lançadas contra a superfície da peça. fluoretos. Os principais tipos de anodização são: crômico (ácido crômico como agente ativo). Losekann Direitos autorais reservados aplicação dessa técnica é a eletrodeposição de estanho. Esse processo é preferencialmente aplicado em alumínio. madeira. sulfúrico (ácido sulfúrico como agente ativo) e duro (ácidos sulfúrico e oxálico como agentes ativos). confere isolamento elétrico e aumenta a resistência a abrasão. Praticamente todos os metais e ligas podem servir como agente protetor e o método também pode ser usado para proteger superfícies não metálicas. 66 . que é colocado em uma célula eletrolítica. O conjunto é aquecido a altas temperaturas e então ocorre a difusão do metal protetor nas peças a serem revestidas. aço. zinco e cádmio. e) Difusão: nesse processo. Com esse processo ocorre nas peças um aumento da resistência à corrosão. aumento da adesão de tintas. No choque. de titânio e de zircônio. na forma de pó. d) Metalização (sputtering): o processo se dá através do aquecimento de um metal até seu ponto de fusão. etc. fazendo-o passar. é colocado uma mistura do metal protetor. cloretos. cobre. colocam-se as peças a serem protegidas no interior de tambores rotativos. Figura 2. concreto. com um fundente. que origina as folhas de flandres ou latas. erosão e impactos. g) Cromatização: são obtidos a partir de soluções contendo cromatos com adição de ativadores como sulfatos. ligas de níquel. mas pode ser usado em ferro. nitratos. magnésio. abrasão.51 – Esquema da eletrodeposição. as partículas aderem-se tenazmente à superfície metálica que se deseja proteger. ao atrito e à corrosão. Esse método é utilizado para proteger peças contra oxidação. Os revestimentos comuns usados nessa técnica são: o alumínio (calorização). permite um revestimento por eletrodeposição (devido a sua porosidade). como papel. além de restaurar componentes de máquinas desgastados ou usinados erradamente. vidro. etc. As peças a serem protegidas constituem o ânodo e ocorre a conversão do alumínio em óxido de alumínio. Cláudio R. através de uma fonte de calor a alta temperatura. corrosão. na forma de um filete. embora utiliza-se o cromo duro para revestir ferramentas. o zinco (sherardização) e o silício (siliconização). Nesses tambores.

Os solventes podem ser hidrocarbonatos (aguarrás. Além de servirem de base para a pintura. que objetivam reduzir o custo das composições.). poliuretadas e silicones). Cláudio R. Os veículos podem ser não-conversíveis (mais fácil de aplicar. tolueno) ou sintéticos (etanol. As tintas constituem-se basicamente dos seguintes componentes: veículo. Losekann Direitos autorais reservados h) Fosfatização: processo que objetiva um tratamento prévio da superfície para posterior pintura. ferro fundido e alumínio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a fosfatização serve de base para aplicação de óleo e outros materiais que previnem contra corrosão. e materiais auxiliares. cuja função é formar a película (além de agregar os pigmentos e as cargas. 67 . Os pigmentos também são de natureza inorgânica (naturais ou sintéticos) ou orgânica. Revestimentos cerâmicos A esmaltação à porcelana constitui o principal processo. onde os mais comuns são os secantes. Os principais constituintes do esmalte são sistemas complexos vítreos ou cerâmicos. que dissolve o veículo para que este possa ser aplicado em camadas mais finas. Geralmente é aplicado numa suspensão em água. etc. Essa secagem se faz necessário para novas aplicações de esmalte. resinas alquídicas. facilitar o manuseio e reduzir a quantidade de vapor de água que seria introduzida nos fornos de queima. aumenta a resistência ao desgaste e à escoriação de peças que se movimentam em contato. de secagem rápida. mediante uma solução diluída de ácido fosfórico e outras substâncias químicas. Dr. Após a aplicação do esmalte. A secagem é realizada ao ar ou em estufas. as tintas constituem o principal revestimento anticorrosivo. Os esmaltes são revestimentos vítreos aplicados principalmente em aço. acetatos. de modo a torná-las parte integrante da película). por serem de mais fácil aplicação e de menor custo que os demais. Consiste basicamente no tratamento de peças de ferro e aço. que são pequenas partículas cristalinas insolúveis nos solventes utilizados (orgânicos ou inorgânicos). pigmentos. Pequenos objetos. carga. Revestimentos poliméricos Dos revestimentos poliméricos. As cargas são compostos inorgânicos. como parafusos e porcas e peças estampadas de pequenas dimensões são revestidas em tambores rotativos contendo solução fosfatizante. para melhorar a aparência superficial e conferir melhor resistência a corrosão. as peças são deixadas secar antes da queima ou sinterização final. solvente. naftas leves e pesadas. porém necessitam várias demãos) ou conversíveis (são os vernizes óleoresinosos. que eventualmente substitui o pigmento. as peças maiores são colocadas em tanques. produzem uma superfície que facilita a conformação a frio e servem de base para adesivos em laminados metal-plástico. epóxi. completamente misturados e fundidos.

E então. obtendo uma liga de ferro-alumínio e sem saber direito o que havia obtido.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o físico alemão Hans Christian Oersted se encarregou de produzir pequenas quantidades do metal. Iraque. 68 . entre 1. a coroa do rei da Dinamarca e a capa do Monumento de Washington. os ceramistas da Pérsia (atualmente alguns países como Irã. em 1. O resultado foi uma massa que ele trabalhou com martelo. O primeiro foi o inglês Humphrey Davy. continuou seus experimentos.854. já vinha fazendo experimentos com minérios desde os 12 anos de idade. ele colocou num recipiente um banho de criolita contendo alumina e passou uma corrente elétrica. Afeganistão) faziam seus vasos com um tipo de argila contendo óxido de alumínio . que tentou isolar o metal. Há mais de 7 mil anos. sugeriu que poderia ser um óxido de um metal.808 e 1. Em 1. os egípcios e babilônicos usavam o óxido de alumínio em cosméticos e produtos medicinais. Dr. Isso baixou seu custo de $545.886.ALUMÍNIO E SUAS LIGAS 3.00 para $17. Outros melhoraram seu processo até 1.a alumina. várias partículas de puro alumínio se formaram.869.00 o grama.7 gf/cm3 ). Séculos depois. o alumínio era um metal semiprecioso. separando-o do oxigênio. o professor Frank Jewett mostrou a seus estudantes de Química um pequeno pedaço de alumínio e disse a eles que quem conseguisse descobrir um modo econômico de se obter este metal ficaria rico.812. tanto é que serviu para ornar a mesa da Corte Francesa. dando o nome de aluminium. Charles Martin Hall. Isto só foi possível devido a invenção do dínamo elétrico. Aprendeu como fazer óxido de alumínio – alumina. o cientista francês Henri Saint Claire Deville. Cláudio R.825. mas na forma de óxido (Al2O3) no minério da bauxita. quando 2 toneladas de alumínio foram produzidas. reduzindo o óxido existente na alumina e obteve um alumínio com 97% de pureza. Apesar de ser o metal mais abundante na crosta terrestre. em laboratório improvisado. possui brilho e tem um baixo ponto de fusão 658 oC.880. Em meados de 1. Na Oberlin College de Ohio. Um preço razoável. Losekann Direitos autorais reservados 3 . resistente à corrosão. ele não se encontra naturalmente na forma de metal. Em 1. bom condutor de calor e eletricidade. através da destilação com aquecimento da mistura de potássio e óxido de alumínio. Vários pesquisadores participaram da descoberta do alumínio. Logo depois. Um de seus estudantes. dando origem a um dos metais mais usados pela indústria na história. tão raro quanto a prata. Depois de formado. quase o mesmo valor da prata. substituiu o potássio pelo sódio.1 – INTRODUÇÃO O alumínio é um metal leve ( γ = 2.

A alumina (Al2O3) tem uma ligação muito forte. a alumina contida na solução precipita-se através do processo chamado de "cristalização por semente". ocorre a reação de dissociação e o alumínio se separa do oxigênio. sílica. isoladores térmicos. O alumínio líquido se deposita no fundo do forno que é bombeado para fornalhas onde será purificado ou receberá a adição de outros metais para formação de ligas. predominantemente iônica. além disso. As peças de alumínio podem também ser produzidas por processos de fundição. chamada de aluminato de sódio. e nesse processo. é moída e misturada a uma solução de soda cáustica que a transforma em pasta. A bauxita encontra-se próxima à superfície. furado. Dr. alguns cuidados devem ser tomados para proteger o meio ambiente. o que torna o processo contínuo para fabricação de lingotes ou laminados. esta pasta se dissolve formando uma solução que passa por processos de sedimentação e filtragem que eliminam todas as impurezas. após a extração do minério. lixado e polido. obtém-se a alumina hidratada. Até mesmo a bauxita . com impurezas que precisam ser eliminadas. envernizado e esmaltado. repuxado. prensado. entre os seus átomos e que para separá-los é necessário a utilização de fornos eletrolíticos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.é formado por uma reação química natural. A bauxita. Sua condutividade térmica é quatro vezes maior que a do aço. o alumínio é um material que pode ser unido por todos os processos usuais: soldagem. esta pronta para que dela se extraia apenas a alumina. O calor gerado pela corrente elétrica mantém a solução em estado líquido. Esta solução.300 oC). serrado.000 a 1. A alumina é dissolvida dentro destes fornos em um banho a base de fluoretos. titânio e outras impurezas. Depois de minerada. E aí se inicia a primeira reação química da série que vai viabilizar a obtenção da alumina e do alumínio.PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO O processo de produção de alumínio é composto por uma série de reações químicas. onde chega em seu estado natural. antes de se iniciar a exploração. a bauxita é transportada para a fábrica.2 . corantes e cremes dentais. em uma espessura média de 4 a 5 metros. Cláudio R. O alumínio é facilmente moldável e permite todo tipo de processo de fabricação: pode ser laminado. torneado.alumina . A terra fértil acumulada sobre as jazidas é removida juntamente com a vegetação e reservada para um futuro trabalho de recomposição do terreno. Se for seca e calcinada (1. Porém. forjado. pode ser usada no tratamento de água e na indústria de celulose e papel. Losekann Direitos autorais reservados 3. Isso é feito através de reação química. causada pela infiltração de água em rochas alcalinas que entram em decomposição e adquirem uma nova constituição química. Os fornos são ligados a um circuito elétrico de corrente contínua. permitindo a adição de novas cargas de alumina. rebitagem. dobrado. Ele pode ser anodizado. No momento que ocorre a passagem da corrente elétrica.poderá ser utilizada como abrasivos. a matéria-prima . refratários. 69 . cerâmicas avançadas.minério do qual se extrai a alumina e o alumínio . Em equipamentos chamados de precipitadores. que contém em torno de 40 a 60% de alumina e o restante de óxido de ferro. Desta forma. Aquecida sobre pressão e recebendo nova adição de soda cáustica. colagem e brasagem. o que possibilita a sua extração a céu aberto com a utilização de retroescavadeiras.

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Uma das grandes utilizações do alumínio é no seu formato de pó. É produzido a partir da atomização do alumínio em estado líquido, na qual, o alumínio no estado líquido é aspirado para uma câmara onde se introduz um jato de ar pressurizado, desintegrando-o em pequenas partículas de formato semiesférico que depois é peneirado e classificado de acordo com a sua granulação que pode ser: fino, médio e grosso. As principais aplicações do pó de alumínio são:

Aluminotermia: É empregada na produção de ligas de ferro, ligas não-ferrosas e metais puros: ferro-nióbio, ferro-vanádio, ferro-molibdênio, ferro-titânio, cromo, etc... Funciona como agente de redução de óxidos e fonte de calor.

Refratários: É aplicado em tijolos e concretos para canal de corrida. O pó de alumínio reage com o oxigênio da água, gerando hidrogênio que facilita a secagem dos concretos e evita a formação de trincas. Em tijolos de magnésiacarbono, o alumínio reage com o oxigênio do aço fundido, preservando o carbono do aço, aumentando a vida útil do refratário.

Metalurgia: É utilizado na produção de briquetes, que são misturas de alumínio e outros pós metálicos, moldados em pequenos lingotes sob pressão. Endurecem, reforçam e refinam a estrutura granular das ligas de alumínio. Utilizado em solda exotérmica, a reação de pós de alumínio e óxidos metálicos fornece o calor e metal de enchimento, utilizado na soldagem de cabos, bastões, trilhos, ligas de cobre, alumínio e outros metais.

Indústria química: É utilizado na produção de derivados aluminosos quando se necessita de uma reação de alta pureza e eficiência. É aplicado em cloridróxido de alumínio, cloreto de alumínio anidro, agentes de redução, fosfeto de alumínio, hidróxido de alumínio, produção de pigmentos para de tintas automotivas e industriais, gráfica, etc.

Explosivos: O pó de alumínio é misturado a compostos explosivos, aumentando o desempenho e a potência de explosão. Alguns tipos de explosivos são NA/FO, aminometilaminas, etc.

• •

Forno auto limpante: O pó de alumínio age como elemento de suporte na formulação de esmaltes, dando o efeito de limpeza. Propelentes para mísseis e foguetes: o pó é utilizado na produção de combustíveis sólidos para mísseis e foguetes. Os compostos sólidos são formados por um oxidante forte, pó de alumínio, ligantes e aditivos especiais.

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3.3 - PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
O alumínio comercialmente puro ( 99,99% ) e recozido tem uma resistência de ruptura à tração de 5 kgf/mm² (49 MPa) e peso específico de 2,7 gf/cm3 e a tensão de escoamento está em torno de 1,3 kgf/mm² (12,7 MPa). Quando laminados, extrudados ou forjados, a tensão de ruptura à tração pode alcançar a 57 kgf/mm2 (559 MPa) e a tensão de escoamento fica em torno de 50 kgf/mm² (490 MPa). As impurezas metálicas podem aumentar a sua resistência à tração em cerca de 50% sem aumentar muito o peso específico (dependente da concentração). O módulo de elasticidade longitudinal depende também da concentração de elementos de liga, mas para o alumínio comercial vale E = 7.000 kgf/mm². A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 35.000 11.900 7.000 4.550 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.000 19.600 14.000 7.700 - 11.900 10.500

Ferro, níquel, cobalto Molibdênio, tungstênio Cobre Alumínio Magnésio

Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro, prata Platina

9.800 10.150 4.200 25.700 56.000 10.000 1.750 29.750 10.500 7.850 18.800

Aços-carbono e aços-liga Aços inoxidáveis austeníticos Ferro Fundido Nodular Bronzes e latões Bronzes de manganês e ao silício Bronzes de alumínio Ligas de alumínio Monel Hastelloy Invar (níquel-ferro) Inconel Ilium (liga de níquel) Ligas de titânio Ligas de magnésio Ligas de estanho Ligas de chumbo

8.400 - 13.300 7.000 - 7.450 13.000 - 18.200 18.900 - 21.500 14.000 16.000 18.700 11.200 - 12.100 4.550 5.100 - 5.400 1.400 - 2.950

O alumínio comercialmente puro é pouco tenaz, mas possui excelente maleabilidade sendo possível laminar folhas de 0,005 mm de espessura. Também tem boa ductilidade com alongamento de 30 a 40%, sendo possível obter fios de 0,03 mm de diâmetro. De pequena dureza podendo ser riscado pela maior parte dos metais. Sob ação do trabalho mecânico a quente (laminação, forjamento) o alumínio se encrua. Para melhorar ou modificar as propriedades do alumínio, pode-se fazer tratamentos térmicos ou adicionar elementos químicos quando o metal está no estado líquido, fazendo-se as ligas. 71

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Propriedades físicas Massa atômica: 26,97 g Peso específico: 2,70 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 °C): CFC, a = 0,404 nm Ponto de fusão: 658 °C [931,15K] Ponto de ebulição: 2.000 °C Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 °C): 23 x 10-6/ °C [24 - 24,2.10-6/K] Resistividade: (20 °C): 2,699 µΩ.cm [2,63 - 2,692.10-8 Ω.m] Condutividade térmica: (20 °C): 0,52 cal.cm-1.s-1. °C -1 [222 - 224,2 W/m.K] Refletividade (chapa polida): 0,06 Calor específico: 900,4 - 909,4 J/kg.K Calor latente de fusão: 388 - 391,9 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 370 - 420K Em relação ao cobre, a condutividade elétrica é cerca de 62 % da do cobre e tal como diminui ligeiramente por deformação a frio e fortemente com a presença de impurezas. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,3 % Coeficiente de Poisson: 0,34 Dureza: 15 a 25 HB [147 a 245 MPa] Módulo de cisalhamento: 26,2 - 26,4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 68,9 - 69,6 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 12,7 a 30 MPa Tenacidade a ruptura: 30 - 35 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 a 50 MPa Alongamento: 30 a 40 % Estricção: > 60 % Estas características correspondem a alumínio no estado recozido. É, portanto, um metal muito maleável. Pode ser trabalhado a frio e a quente e após recristalização não apresenta maclas como o cobre. O trabalho a quente é efetuado entre 250 - 500 °C. Propriedades químicas Reage facilmente com o oxigênio. Esta propriedade se dá na superfície do alumínio e forma uma película espessa e aderente de alumina que o protege da continuação da reação para o alumínio subjacente. A adição de qualquer elemento químico prejudica esta resistência a corrosão, de tal modo que nas ligas de alumínio de alta resistência estas têm de ser revestidas por folha de alumínio puro. Forma pares galvânicos com os metais mais nobres, como o cobre e o ferro, os quais destroem a camada de alumina protetora e provocam forte corrosão. Devem por isso ser evitadas ligações metálicas entre aqueles metais e o alumínio. Resiste bem a corrosão atmosférica, soluções salinas, mas e atacado pela água pura a temperatura elevada. Também resistente a atmosferas sulfurosas ou muito úmidas. É atacado pela maior parte dos ácidos minerais, 72

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sobretudo o ácido clorídrico. O ácido nítrico e os ácidos orgânicos, com exceção do ácido fórmico, não atacam o alumínio. Os produtos mais resistentes são: os vários graus de alumínio puro, seguidos das ligas Al-Mg, Al-Mn, Al-Mg-Si, e Al-Si. As ligas que contém cobre são as menos resistentes a corrosão e, por isso, devem ser revestidas de alumínio puro e não sofrer nenhum tratamento térmico para evitar a difusão dos elementos entre as folhas da superfície e da alma. Composição química Pode obter-se por refinação eletrolítica o alumínio comercialmente puro, 99,99%. O alumínio comercial contém geralmente impurezas que atingem cerca de 0,5%, sendo o ferro e o silício as principais. Estas impurezas são vantajosas do ponto de vista de propriedades mecânicas, elevando a resistência mecânica, mas são prejudiciais a maleabilidade, a resistência corrosão, a condutividade elétrica. Se a proporção de silício ultrapassar o teor de ferro poderá ocorrer trincas a quente. Os principais graus de alumínio são: 99,99%; 99,5%e 99%. Tratamentos térmicos O único tratamento com interesse é o recozimento de homogeneização que, ao assegurar a redistribuição do ferro sob a forma de precipitado fino intragranular de FeAl3, retarda a recristalização após laminação e modifica a estrutura (evita o aparecimento da estrutura cúbica) o que tem como conseqüência uma diminuição apreciável da resistividade do metal vazado. Aplicações O seu baixo peso específico, cerca de 1/3 do peso específico do cobre, justifica o seu emprego na construção veículos motorizados e da aviação; na indústria mecânica, pistões, eletrodos, folha de alumínio, portas e esquadrias, latas, placas, embalagens, painéis, sinalizadores, placas de sinalização. A condutividade térmica e apenas ultrapassada pela prata, cobre e o ouro, e por isso, é utilizado em material de cozinha, trocadores de calor, instalações de refrigeração, pistões, etc. Mas, devido ao baixo ponto de fusão a temperatura de serviço, não deve ser superior a 200 oC. 3.3.1 - LIGAS DE ALUMÍNIO O principal objetivo da adição de elementos ao alumínio é a melhorar o limite elástico, resistência à tração e dureza. Em contrapartida, propriedades como a ductilidade, condutividade térmica e resistência à corrosão diminuem. As ligas são formadas principalmente com a adição de cobre (Cu), magnésio (Mg), manganês (Mn), silício (Si) ou zinco (Zn) ao alumínio (Al). A escolha dos elementos e sua proporção, nessa adição, dependem das propriedades finais que se quer obter. A maior parte das ligas de alumínio é ainda susceptível de endurecimento por precipitação que aumenta consideravelmente o limite de elasticidade e resistência à tração e a dureza. O alumínio entra em grande número de ligas de dois ou mais componentes. As principais ligas de alumínio são: ligas de solução sólida Al-Cu; Al-Si, Al-Mg2Si, Al-Mg e Al-Mn.

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3.3.1.1 - Liga de Al-Cu O diagrama de fases da liga binária Al-Cu mostrado abaixo mostra a complexidade do conhecimento completo de ligas formadas pelo alumínio e cobre. Entretanto, ao se fabricar uma liga de alumínio AlCu e submeter essa liga a processos especiais de tratamento, esse material terá uma resistência à tração equivalente ou até maior que a de aços de baixo teor de carbono com boa usinabilidade. É indicada para peças que devem suportar temperaturas em torno de 150 oC.
Figura 3.1 – Diagrama de fases da liga Al-Cu.

3.3.1.2 - Liga de Al-Mg (alumag) As ligas de Al-Mg conhecidas como alumag são susceptíveis de endurecimento por precipitação ou por deformação a frio. O magnésio tem um máximo de solubilidade no alumínio a 450 oC e para o teor de 15%, valor que desce para 1,5% à temperatura ambiente. As ligas comerciais tem mais de 4% de Mg, sendo portanto bifásicas, ou seja, constituída pela fase α pela fase β, Al3Mg2, que precipita durante o resfriamento. A resistência à corrosão pode ser restaurada por reaquecimento seguido de resfriamento controlado. As ligas de Al-Mg são excelentes para a soldagem, e por serem também resistentes à corrosão, principalmente em atmosferas marinhas.
Figura 3.2 – Diagrama de fases da liga Al-Mg.

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1% de sódio no momento de vazamento.composição eutética . essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. porém. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. 13% de Si. Dr. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). possui elevada condutividade elétrica. a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas.3. a soldagem e a rebitagem. com maior tenacidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. chumbo (Pb).Liga de Al-Mn Quando se adiciona manganês (Mn) ao alumínio. Esta liga é usada na fabricação de latas de bebidas. Depois de passar por tratamento térmico. Essa liga aceita acabamento de superfície.3 . estanho (Sn). usinadas. placas de carro. a resistência mecânica dessa liga aumenta em até 20% quando comparada ao alumínio puro. Cláudio R. como por exemplo a prensagem. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas.1. É possível também combinar elementos de liga. Quando o teor de silício é elevado. níquel (Ni) etc. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. São facilmente moldadas.3.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. equipamentos químicos. principalmente na construção de aviões. com a capacidade de ser trabalhado por todos os processos de conformação e fabricação mecânicas. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre. refletores. . é resistente à corrosão. Figura 3. titânio (Ti).3 . 3.1.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. tais 75 . têm elevada resistência à corrosão.e se dá com adição de 0. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição.4 . É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem. cobre (Cu) ou cromo (Cr). Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). Losekann Direitos autorais reservados 3. trocadores de calor e como elemento decorativo na construção civil. telhas.

Em outros casos. o envernizamento e a esmaltação. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. titânio (Ti). em geral. 13% de Si. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente. usinadas. principalmente na construção de aviões.5 a 0. Depois de passar por tratamento térmico. No caso de peças de formas complicadas.5. de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio. É possível também combinar elementos de liga. Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão.5 a 5% de Cu e 0. chumbo (Pb). cobre (Cu) ou cromo (Cr). Dr. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa. soldadas e aceitam diversos tipos de processos de acabamento. a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada. É também é indicada como material de enchimento em processos de soldagem e brasagem.8% de Si. 3. Neste caso deve-se usar água a100 oC. O duralumínio contém em média 2. São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações.e se dá com adição de 0. endurecer por revenido à temperatura ambiente. níquel (Ni) etc. Essas ligas apresentam uma resistência mecânica um pouco menor que as ligas de alumínio e cobre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 a 1% de Mn e 0. Após este tratamento.Liga de Al-Si A liga de Al-Si apresenta baixo ponto de fusão e resistência à corrosão. São facilmente moldadas. tais 76 .composição eutética . pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções.1% de sódio no momento de vazamento. a liga é conhecida como alpax e tem boas propriedades mecânicas. . Por exemplo. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si.1. têm elevada resistência à corrosão. essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. São usadas na construção civil. É o caso das ligas de alumínio que contém magnésio e silício em sua composição. porém.5 a 1% de Mg e 0. óleo ou sais fundidos. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). Cláudio R. Esta liga se toma adequada para produzir peças fundidas. além de pequenas porcentagens de Fe. estanho (Sn). o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado.3. Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). com maior tenacidade. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. Estas ligas de alumínio podem. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. Quando o teor de silício é elevado. após a têmpera.

a liga pode ser sujeita a têmpera em água ou normalizada.5 a 1% de Mg e 0. titânio (Ti). essas ligas são usadas em aplicações que exijam uma alta relação resistência/peso. em geral.8% de Si. Por 77 . de têmpera e revenido com tratamento de solubilização devidamente controlada. No caso de peças de formas complicadas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Após têmpera pode-se realizar um tratamento de alívio de tensões para reduzir as tensões residuais em produtos extrudados e laminados ou em peças forjadas de forma regular. principalmente na construção de aviões. níquel (Ni) etc. Neste caso deve-se usar água a100 oC. Estas ligas de alumínio podem. após a têmpera. São usadas na construção civil. Cláudio R. Pode atingir σr = 50 kgf/mm2 ε = 3% Figura 3. As ligas Al-Cu e Al-Mg2Si são ligas do tipo duralumínio e podem endurecer estruturalmente. Para este tratamento a liga é aquecida à temperatura de 450 oC a 550 oC e mantida a essa temperatura durante o tempo necessário para solução completa.Diagrama de fases da liga binária Al-Si. O duralumínio contém em média 2. chumbo (Pb).4 . além de pequenas porcentagens de Fe. Existem também ligas de alumínio fabricadas com a adição de zinco e uma pequena porcentagem de magnésio (Mg). São as variações nas quantidades e combinações dos elementos que originam uma infinidade de ligas com propriedades adequadas a cada urna das aplicações. Tratamentos térmicos O tratamento térmico das ligas de alumínio consta. Outros elementos de liga que podem ser adicionados ao alumínio são: bismuto (Bi). endurecer por revenido à temperatura ambiente. fabricação de veículos e máquinas e fios para cabos de alta tensão. Este endurecimento é devido a precipitação de Al2Cu ou Mg2Si. cobre (Cu) ou cromo (Cr). Após este tratamento. Dr. óleo ou sais fundidos. Losekann Direitos autorais reservados como o polimento. obtendo-se características mecânicas equivalentes as de um aço-carbono macio.5 a 0. o envernizamento e a esmaltação.5 a 5% de Cu e 0. Em outros casos.5 a 1% de Mn e 0. estanho (Sn). Depois de passar por tratamento térmico. o endurecimento é acelerado por revenido à temperaturas de 110 a 215 oC e durante tempo determinado. pode aparecer tensões internas que darão lugar a distorções.

Tanto as ligas para conformação. Essa divisão foi criada porque as diferentes ligas têm que ter características diferentes para os diferentes processos de fabricação. barras. os materiais para conformação mecânica são indicados por um número de quatro dígitos: • O primeiro classifica a liga pela série de acordo com o principal elemento adicionado. arames.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Para as ligas. Cláudio R. Ligas de alumínio para conformação. identificam as diferentes ligas do grupo (é um número arbitrário). Após passarem por esses processos. para o alumínio puro. 3. o endurecimento resultante devido ao cobre e ao magnésio que precipitam sob a forma de Al2Cu e Al2MgCu. Designação Indicação na composição da série 1XXX 99% mínimo de alumínio 2XXX Cobre 3XXX Manganês 4XXX Silício 5XXX Magnésio 6XXX Magnésio e silício 7XXX Zinco 8XXX Outros elementos 9XXX Série não utilizada Pela norma citada (NBR .2 . As ligas para fundição devem ter resistência mecânica. Desta forma. fluidez e estabilidade dimensional e térmica para suportar os diferentes processos de fundição. a ABNT e outras associações de normas técnicas classificaram essas ligas de acordo com o processo de fabricação e a composição química. • O terceiro e o quarto dígitos. nas ligas de Al-Cu-Mg e Al-Mg-Si. 78 . perfis e tubos extrudados e peças forjadas. as ligas são comercializadas sob a forma de laminados planos (chapas e folhas). as ligas para conformação devem ser bastante dúcteis para serem trabalhadas a frio ou a quente pelos processos de conformação mecânica. Dr.3. para o alumínio puro. Quando se referem às ligas. Losekann Direitos autorais reservados exemplo. indicam o teor de alumínio acima de 99%. quanto as ligas para fundição seguem um sistema de designação de acordo com a norma da ABNT NBR . Foram divididas em ligas para conformação (ou dúcteis) e 1igas para fundição. indica modificações nos limites de impureza: 0 (nenhum controle) ou l a 9 (para controle especial de uma ou mais impurezas). indica qualquer modificação na liga original.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO Para organizar e facilitar a seleção das ligas de alumínio.6834 conforme o principal elemento de liga presente em sua composição. se for diferente de zero.6834). • O segundo dígito.

Lingote. N níquel. 1 . O segundo e o terceiro dígitos indicam centésimos da porcentagem mínima de alumínio (para o alumínio puro) ou diferentes ligas do grupo.35% de alumínio. 0 .Alumínio com silício/cobre ou magnésio. As letras indicam os principais elementos (C. 0 .X 5XX.É a liga de número 19 desta série.É a liga de número 70 desta série.X 99% mínimo de alumínio Cobre Cobre e silício e ou magnésio Silício Magnésio Série não utilizada Zinco Estanho Outros elementos • • • O primeiro dígito classifica a liga segundo o elemento principal da liga.X 4XX. Ligas de alumínio para fundição.para peças fundidas.0 3 .X 8XX. Designação Indicação na composição da série 1XX.X 7XX. O dígito após o ponto indica a forma do produto: 0 .para alumínio reciclado. Dr. A ASTM designa as ligas de alumínio com letras e números.X 3XX. 35 . 2) Liga de alumínio 580. 70 .magnésio. 19 . Para conformação M1A CS41A CG30A CG42A GS10A GS11A ZG62A Para fundição C4A CG100A CN42A CS72A G8A G10A SN122A 79 . Exemplos: 1) Liga de alumínio 319.Alumínio com magnésio.Alumínio comercialmente puro.silício.manganês). 1 para lingotes e 2 .99.Alumínio com magnésio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 4 .É a liga de número 80 desta série. M .Peça fundida.zinco.1 5 . G . 2) Liga de alumínio 5470 5 . 80 .X 2XX.X 9XX.Com controle especial de impurezas (modificado).cobre. Cláudio R. Z .Sem controle especial de impurezas.X 6XX. Losekann Direitos autorais reservados Exemplos: 1 . S .

O Brasil tem jazidas de cobre no Rio Grande do Sul. conhecida por azinhavre ou zinabre (hidrocarbanato de cobre).000 anos. As reservas mundiais de cobre são estimadas em.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tendo sido encontrado vestígios de seu uso no norte do Iraque. tendo assim muitas aplicações inclusive. 393 milhões de toneladas de metal. utensílios e na guerra. Elementos indesejáveis em jazidas de cobre compreendem o Bi.. Losekann Direitos autorais reservados 4 . o bronze (Cu-Sn). Durante aproximadamente 5. a 3%. Para lavra a céu aberto.COBRE E SUAS LIGAS 4. Porém em contato com ar úmido ele se recobre de uma camada esverdeada. a cerca de 10. Cláudio R. vieram a ser descobertos a prata e o chumbo. aproximadamente. 2% de As. 1% de Sb e 10% Zn. não deve ser inferior a 1% de Cu e em depósitos de pequeno porte. Por isso. instrumentação e indústria química.C. sendo encontrado aproximadamente 0.7% de Cu. Em relação a outros metais. Estima-se que somente 4.700 anos a. o cobre não se oxida. Isso o torna mais frágil. para muitas aplicações.083 ºC. ele adquire um endurecimento superficial que aumenta sua resistência. Ao ser laminado a frio. em depósitos de grande porte e lavra subterrânea. O bronze teve absoluta supremacia durante séculos. distribuídas com a maior percentagem na Rodésia. O azinhavre impede a oxidação do cobre. porém diminui sua maleabilidade. Goiás e Bahia. o cobre vem sendo substituído pelo alumínio. O teor de cobre. Aproximadamente 3. Cerca de 50% da produção mundial do metal é consumida pela indústria eletrônica. É um metal dúctil e maleável que pode ser laminado a frio ou a quente.C. e é um excelente condutor de eletricidade e calor. a civilização veio a conhecer o ouro e a liga mais antiga que existe. A primeira utilização do cobre conhecida é datada de 8. decoração.INTRODUÇÃO O cobre foi o primeiro metal usado pela civilização. Dr. cujo teor não deve exceder de 0. o cobre foi o único metal conhecido pelo homem.000 anos atrás.C.000 anos a. 80 .1 . pois pode ser encontrada junto na natureza. O cobre é um metal não-ferroso e não magnético que se funde aproximadamente 1. automotiva. São Paulo.5 e 0. o que é corrigido com o tratamento térmico. Em contato com o ar seco e em temperatura ambiente. estirado ou estampado.000 anos a..007% em toda a crosta. seguida da construção naval.5%. o cobre é um material relativamente escasso na crosta terrestre. utilizadas na arte. nos Estados Unidos da América do Norte e no Chile. de aeronaves. os teores mínimos situam-se entre 0. até o advento do ferro.

Dr. 34% de Cu Calcosita (Cu2S) . B) Flotação O minério de cobre e moído em moinho de bolas para reduzir o seu tamanho entre 0.. Flotação ou concentração.............. os de cobre pórfiro.......... a) b) Figura 4... formam um lodo.1 – Beneficiamento do cobre... Cláudio R...... porque não se mistura na água.2 ... 66% de Cu Bornita Cu5 FeS4 . formando uma espuma concentrada na superfície do tanque...... 80% de Cu Covelina (CuS). resta em torno de 1% do 81 .. 48% de Cu Cuprita (Cu2O) . o minério moído é colocado em uma máquina cheia de água misturada a produtos químicos.... Losekann Direitos autorais reservados 4... o sulfeto de cobre e o sulfeto de ferro fixam-se nas bolhas de ar sopradas.... Obtenção do mate.... a qual é recolhida e desidratada... 52-65% de Cu Enargita (Cu3AsS4) .05 e 0. chamado ganga.. Obtenção do cobre blíster.. 5.. 4..5 mm...... Em seguida.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 3... e vão para o fundo do tanque. Refino. 6... Após ser extraído o minério da natureza.... 2.... os de escarnitos... ele passa por um triturador giratório que irá reduzir o tamanho do mineral ao equivalente ao de uma bola de futebol... A) Trituração do minério..PRODUÇÃO DE COBRE Os principais tipos de depósitos de cobre compreendem os de segregação magmática.. Realizado essas etapas........ Essa etapa chama-se flotação ou concentração. os filoneanos e os das séries sedimentares e os principais minerais de minério de cobre são: Calcopirita (CuFeS2) ... Como o minério sulfuroso flutua.. 89% de Cu Os minérios devem passar por um processo que é composto por várias etapas como: 1......... Trituração e moagem... Extração do minério. Na base desse equipamento existe uma entrada por onde o ar é soprado.. os vulcanogênicos... As partículas que não contêm cobre são encharcadas pela solução de água e produtos químicos..

A maior parte do enxofre e de impurezas como arsênico e antimônio são eliminados. Losekann Direitos autorais reservados material inicial. Cláudio R.5% de cobre. A etapa seguinte é a decantação e filtragem. chumbo. Dr. O mate é levado aos conversores para oxidação para retirar o enxofre e o ferro. o enxofre que sobrou também é eliminado sob a forma de gás. o concentrado é levado a um forno de chama direta chamado revérbero. O material resultante passa a ter entre 35 e 55% de concentração de cobre e é chamado de mate. Na refinação térmica..UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o blíster é fundido e parte das impurezas restantes é eliminada. e também metais nobres como ouro e prata. Depois. Figura 4. podendo ser térmica ou eletrolítica. No conversor. quando se obtém um concentrado com 15 a 30% de cobre. o ferro se oxida e se une a sílica para ser transformado em escória que é eliminada.Obtenção do cobre blíster e placa eletrolítica. com impurezas como antimônio. O cobre bruto obtido nesta etapa recebe o nome de blíster. 82 . Figura 4.3 . A última etapa é o refino do blíster. níquel etc. bismuto.9% de impureza sendo o mais utilizado comercialmente.2 . e apresenta uma pureza entre 98% e 99.Esquema do forno revérbero e obtenção do mate. O cobre passa a ter 99. A seguir.

PROPRIEDADES DO COBRE E SUAS LIGAS As propriedades mecânicas do cobre favorecem a conformação a quente (forjamento. Por deformação a frio. enxofre.99%) é obtido por eletrólise. 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Tem tendência a dissolver certos gases como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de carbono (CO2) que. por isso. arsênio. oxigênio. Os valores da dureza e da resistência à tração são bastante diferenciados entre as temperaturas baixas e as temperaturas elevadas. o fósforo. zinco. Estas impurezas.065 oC e que. de cuja natureza e teor. Figura 4. endurece facilmente e tanto mais quanto maior for a deformação e. Cláudio R.04% de fósforo reduz a condutividade a 75% em relação ao cobre puro. diminuindo o limite de elasticidade muito rapidamente acima de 200 oC. bismuto. ferro. 83 . particularmente. selênio. Dr. O cobre comercial contém sempre impurezas que vão influir nas suas propriedades físicas. chumbo. mesmo em quantidades pequenas atuam prejudicialmente sobre a condutividade elétrica. durante a solidificação produz poros. Também dissolve o oxigênio. de acordo com a sua estrutura cristalina. a não ser que o trabalho de deformação é realizado a quente. o ferro e o arsênio. torna o metal frágil. laminação) e a conformação a frio (trefilação. estanho. depositando-se nos contornos de grão. níquel. As principais impurezas que podem existir no cobre são a prata. em particular na condutividade elétrica. é conveniente efetuar um recozimento para ir eliminando o endurecimento obtido.4 . O cobre mais puro ( > 99. dependem do processo de fabricação. a qual dificulta o transporte dos elétrons.Efeito das impurezas na condutividade elétrica do cobre. cobalto. O cobre é dúctil e maleável a frio. O oxigênio forma dióxido cuproso (Cu2O) solúvel no metal líquido e pode dar o eutético Cu-CuO2 que funde em torno de 1. laminação). Por exemplo. Losekann Direitos autorais reservados 4. etc.3 . antimônio.900 kgf/mm2 (119 GPa). e nas propriedades mecânicas. A redução de condutividade é devida a deformação da rede cristalina provocada pelos átomos das impureza. O módulo de elasticidade longitudinal médio é de 11.

não dando qualquer proteção.95 µΩ.8 x 10-6/ oC [16. a = 0.128 GPa Resistência ao impacto: Limite elástico: 28 a 40 MPa Tenacidade a ruptura: 100 .35 Dureza: 43 a 46 HB [430 a 460 MPa] Módulo de cisalhamento: 45.356. Dr.57 g Peso específico: 8.360 nm Ponto de fusão: 1.0. Assim.15K] Ponto de ebulição: 2. o cobre não se altera ao ar seco. mas não se passiva e as películas formadas pelos produtos de corrosão são pouco resistentes.4%.4 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 122 . Aplicações As aplicações mais importantes do cobre são conseqüências da elevada condutividade elétrica e boa resistência a corrosão.cm [1.47.cm-1.8.s-1.25 % Coeficiente de Poisson: 0.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.23 .1 . em uma atmosfera redutora. Por estes motivos o teor de oxigênio deve ser inferior a 0.K Calor latente de fusão: 200 .40 MPa Tensão de ruptura por tração: 145 a 160 MPa Propriedades químicas O cobre puro apresenta boa resistência a corrosão.208 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 350 . oC-1 [390 .34 . Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Massa atômica: 63.398 W/m.360K Constante dielétrica: Não se aplica Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.10% e o total de impurezas inferior a 0.7 MPa. A presença de hidrogênio.94 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC. mas reveste-se de uma camada esverdeada no ar úmido.94 cal. Resiste muito bem a água do mar.387 J/kg.10-8 Ω.083 oC [1. Tem um potencial de dissolução cujo valor se situa entre os metais nobres. A aplicação principal é para 84 . Cláudio R. sobretudo em presença de dióxido de enxofre (SO2) e de ácido sulfídrico (SH2). Tratamentos térmicos Esta fragilidade pode ser eliminado por meio de recozimentos e forjamento feito convenientemente.106.95.m1/2 Tensão de compressão: 28 .0.K] Calor específico: 383 .360 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 16.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0. sofrendo ataque uniforme em torno de 1 µm/ano. pode reduzir o óxido de cobre com formação de vapor de água e tornar o metal poroso e frágil.

Está liga é utilizada em moedas.3. o zinco. É uma liga dúctil. geralmente. a liga deixa de ter interesse industrial dada a sua elevada fragilidade. o latão é conformado por estiramento. São. O aparecimento de uma segunda fase. e usinagem. resistência a corrosão. quer no estado líquido quer no estado sólido. cartuchos. então. mais baixa para a temperatura de fusão. Sua temperatura de fusão varia de 800 ºC a 1. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Igualmente a adição de um terceiro componente dá lugar a constituintes duros e frágeis que comprometem a tenacidade da liga. medalhas. alças de móveis. trocadores de calor. Os elementos que. por ordem decrescente de solubilidade. ou seja. Pode ser fundida. o alumínio e o estanho. Quando contém até 30% de zinco. além de α e β. doce e vapor saturado. resistência mecânica. Cláudio R. melhora a resistência mas piora a ductilidade e logo que a liga contenha outras fases. Em maior ou menor proporção diversos elementos são miscíveis com o cobre no estado sólido e dão lugar a uma solução sólida α. a quente e frio. o níquel. Losekann Direitos autorais reservados fabricação de condutores elétricos. usinabilidade ou até para obter uma cor especial para combinar com certas aplicações.LIGAS DE COBRE Cada elemento adicionado o cobre permite obter ligas com diferentes características tais como: maior dureza. boa resistência mecânica. pode se unir por solda de estanho e solda de prata. A cor do latão varia de acordo com a porcentagem de cobre que a liga apresenta. é usado na fabricação de barras para enchimento. etc. cobre-zinco e cobre-estanho considerando apenas as ligas em que os teores do segundo componente têm interesse industrial. ferragens. dobramento. bijuterias. α) todas as ligas de cobre e níquel. 4.1 .1 .1. a fase β.070 ºC. corte. conforme mostra o quadro abaixo: Porcentagem 2 10 de zinco ( % ) Cor Cobre Ouro velho 15 a 20 30 a 35 40 Amarelo claro Avermelhado Amarelo brilhante 85 . aceita quase todos métodos de conformação. ligas. etc. forjada e estirada ao frio. usadas na solda forte de aços-carbonos e outros mais. 4. Apenas no caso do níquel a solubilidade é total. mais entram na composição das ligas de cobre são.3. pois depende do teor de zinco que apresenta. a microestruturas idênticas as que correspondem a ligas tenazes e dúcteis. Com os outros três componentes há formação de diversas fases intermediárias à medida que os teores vão aumentando. monofásicas (sol. excelente resistência à corrosão. sol. quanto maior. boa condutora de eletricidade e calor. O latão que tem entre 40 à 45% de zinco. radiadores de automóveis. fechaduras.Latão É uma liga formada por cobre e zinco sendo que a quantidade de zinco pode variar de 5% a 45%. condensadores e tubulações para água do mar. podem ser monofásicas (α) ou bifásicas (α + β) as ligas de cobrealumínio.

A influência deles são: Chumbo: Acima de 0. mas diminui a ductilidade quando é usado teores acima de 1%.86 MPa. quando em estado líquido e. Sua adição é limitada pelo aparecimento da fase γ. Para terores acima de 0.35 Dureza: 460 . em presença de silício. Cláudio R.1% pode criar descontinuidades na estrutura da liga favorescendo a usinabilidade e em proporções superiores a 3%.1. devem ser limitados a 0. o manganês e o silício.383 J/kg. mas os teores admissíveis dependem do fim a que se destina a liga. é utilizado na fundição por injeção.34 -0.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.09 . que no interior da liga.000 MPa Módulo de cisalhamento: 33 . É o elemento mais utilizado para obter latões de alta resistência. Níquel: Dá a cor prateada no latão. Dr.20.m1/2 86 . Por exemplo. que diminui a resistência a corrosão por águas salinas e aumenta a tendência a fratura intergranular.7 x 10-6/K Condutividade térmica: 110 . Melhora a resistência à corrosão por cavitação. outros elementos de liga são adicionados em sua composição como: o alumínio. aumentando a fragilidade. Para melhorar a resistência mecânica e a corrosão do latão.150 .0. de baixo ponto de fusão. o ferro. há formação de manchas escuras. o níquel.89 x 10-8 ohm. diminui a resistência mecânica. aparece um filme de óxido de alumínio. além de melhorar a refletividade.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 90 . casquilhos de mancais.480K Resistividade: 3.20. Alumínio: Influencia na resistência a tração.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 .8 kgf/dm3 Calor específico: 372 . Losekann Direitos autorais reservados Diversos elementos químicos podem ser adicionados em sua composição.340K Temperatura máxima de serviço: 370 .05 .8 a 8. Aumenta a resistência a corrosão. por isso. Entre 0.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.3% refina o grão.3. Silício: Melhora a fluidez. É empregado na fabricação de peças para construção de barcos.7% e.K Calor latente de fusão: 220 . É utilizado nos latões de alta resistência mecânica. Propriedades físicas Peso específico: 7. É usado no lugar do bronze para fabricar molas. destrói a coesão da liga.55 % Coeficiente de Poisson: 0. Ferro: Terores acima de 0.220 W/m.120 GPa Limite elástico: 70 .002% respectivamente para trabalhos a quente. Quanto as propriedades mecânica.K Ponto de fusão: 1. só e perceptível com teores acima de 2% e pode apresentar o composto metálico FeZn10.500 MPa Tenacidade a ruptura: 30 . Manganês: Forma solução sólida e aumenta a solubilidade do ferro no latão. É resistente à corrosão em atmosferas marinhas. o estanho. o chumbo e o bismuto. Estanho: Aumenta a resistência à tração.25% facilita a introdução do chumbo. Quando latão ao alumínio é utilizado na solda e na fundição.02% e 0.8 a 1.

Dado que a fase γ é demasiado frágil e as ligas com interesse industrial ficam limitadas as de teor de zinco inferior a 50%. aparecendo a forma ordenada β’. A fase β atribui-se a composição CuZn e a fase γ.46. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 70 .5 0 .6 γ 36.8 . Entre 470 oC e 453 oC a fase β sofre uma transformação ordem ⇔ desordem.0 .8 36.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 – Diagrama de fases da liga Cu-Zn.4 . Dr. decrescendo depois até a temperatura ambiente.56. fazendo aparecer mais cedo o constituinte β. Após solidificação Temperatura.0 % Zn α+β 32.500 MPa Tensão de ruptura por tração:150 . Do diagrama de fases da liga Cu-Zn.36. exceto o níquel que tem efeito contrário.36.6 . 87 .850 MPa Constituição Figura 4. Deve-se ainda notar que a solubilidade do zinco na solução sólida α aumenta até à temperatura de 453 oC (29%). com percentagens de zinco que variam de 10 a 45%. Cu5Zn8. Cláudio R. as ligas utilizadas são as ligas monofásicas α ou β e as bifásicas α + β’. Industrialmente.32. ambiente α 0 .5 46. acima. Muitos dos elementos que se adicionam aos latões modificam a sua microestrutura. aparece as seguintes fases do latão comercial.6 A estrutura cristalina da fase α é cúbica de face centrada (CFC) e a das fases β e γ é cúbica de corpo centrado (CCC).50.

a fase β’ é mais dura que a fase α e pouco deformável a frio. de recozimentos freqüentes.92% [fase α + nódulos de Pb]. b) Cu-Zn 40% (fundido) [fase α + β’] .12% Pb 1.9% [fase α + Cu3Sn]. este último com um máximo de 30% de Zn. À temperatura ambiente. CuZn 34% Mn 1. laminadas a quente entre 650 e 800 oC. Endurecem fortemente por deformação a frio e necessitam. Latões β + γ : As ligas bifásicas β + γ são duras e extremamente frágeis. alcançando o máximo para 100% desta fase e passando a diminuir logo que aparece a fase frágil γ. Cláudio R. a 800 oC. é superior é das ligas bifásicas. Acima de 500 oC a maleabilidade é fraca. mas tem boa resistência a corrosão por águas salinas. Latões α + β: Nestas ligas bifásicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 4. A resistência ao impacto no intervalo de 350 oC a 650 oC é extremamente baixa. 88 .6 – Micrografias de latões. o alongamento diminui. tal como o cobre. Losekann Direitos autorais reservados Latões α: Nas ligas monofásicas.4% Pb 2. Estas ligas têm uma boa aptidão a conformação a frio. sendo. mas a resistência e a dureza aumentam com a proporção da fase β. Dr. mas a resistência a fluência a temperaturas elevadas. Apenas se usa a liga com 50% de Zn devido ao seu baixo ponto de fusão para união de metais por brasagem. após a transformação ordem-desordem torna-se repentinamente macia e. é muito mais fácil de deformar do que o constituinte α. Este fato torna estas ligas facilmente conformados a quente.7% Sn 2. Cu-Zn 24.7% Ni 3. os latões α são ainda particularmente sensíveis ao tamanho de grão. por isso. a resistência e o alongamento aumentam com o teor de zinco. a) Cu-Zn 33% (laminado e recozido) [fase α]. No entanto a 470 oC.

Suprime-se assim a fase α que pode precipitar no resfriamento segundo certos planos cristalográficos da fase β inicial ou nos contornos de grão. mas diminui a ductilidade. portanto. Losekann Direitos autorais reservados As principais propriedades com interesse técnico são: resistência a corrosão. Quando o recozimento é efetuado acima de 700 oC aparece grão grosso e após a deformação reconhece-se pelo aspecto da superfície “casca de laranja”. Tratamentos térmicos Os tratamentos mais usados são os de recozimentos para recristalização e os de alívio de tensões que se efetuam nos produtos endurecidos por deformação a frio. Pode-se aplicar têmpera nas ligas Cu-Zn 40 a partir de 600 oC em que a liga se encontra na fase β. sobretudo para eliminar as tensões residuais provocadas nas ligas bifásicas α + β’ após deformação a frio. O aquecimento de latões dá lugar a alteração da superfície devido a oxidação e volatilização do zinco. O alívio de tensões é efetuado em torno de 300 oC durante 1 hora.que se manifesta por fratura intergranular em ambientes corrosivos fracos como a atmosfera ambiente e pode ser acelerada pela presença de certos elementos como o ferro. Figura 4. aptidão a brasagem. aptidão a conformação a frio (latão α). e certos reagentes coma o amoníaco. Cláudio R. usinabilidade (sobretudo com adição de chumbo). as propriedades de um latão dependem da relação dos volumes das fases presentes. A figura abaixo mostra a correlação existente entre a composição de zinco e as propriedades mecânicas. a estrutura dos latões é dendrítica e. As tensões residuais sensibilizam os latões a um tipo particular de corrosão trincas espontâneas . Após o vazamento.7 . zonada e torna-se necessário um recozimento para homogeneização a 600 . aptidão a conformação a quente (latão β). Dr. O primeiro permite prosseguir a operação de conformação. 89 . de modo a obter um grão uniforme e adequado aos tratamentos mecânicos. e talvez o chumbo. aptidão a niquelagem e a cromagem.650 oC. Desta forma. Estes latões podem recuperar-se por recozimento a 800 oC após deformação a frio. o que aumenta a resistência.Diagrama do comportamento mecânico dos latões.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Losekann Direitos autorais reservados Aplicações Dada a variação da resistência a corrosão e das propriedades mecânicas com o teor de zinco. O bronze com até 10% de estanho pode ser laminado e estirado e tem alta resistência a tração. .04%. na construção mecânica. sendo que a quantidade de estanho pode chegar até 20%. Cláudio R. devido à semelhança da sua cor com o ouro. recalcamento. moeda e objetos decorativos e ainda pequenos cartuchos de amas. limitado a 0.1. Dr. na fabricação de cartuchos.Aplicações dos latões. fabricação de tubos e prensagem. estiragem.3% de estanho. e também é um bom condutor elétrico. química e de papel. As ligas com esta faixa de estanho (10%) são usadas para fabricação de parafusos e engrenagens para trabalho pesado. geralmente. Atualmente a proporção de estanho que é adicionada ao cobre é de até 12%.005% pode apresentar de zonas de porosidade devidas a retração ou à retenção de gases pela película de alumina. evaporadores e aquecedores. e para artigos obtidos por conformação.Cu-Zn 15. rebites. Os latões α se destinam especialmente a laminação a frio. 90 .2 . pregos e parafusos. de solda prata. . tubos. usada para medalhas. O bronze apresenta elevada dureza e boa resistência mecânica a corrosão.Cu-Zn 30. a corrosão e à fadiga.3%. chama-se bronze fosforoso. O seu teor é. sendo facilmente unido por meio de solda.Cu-Zn 5.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nas cápsulas e rosca das lâmpadas. utilizada em trocadores de calor. Antimônio: Dá com o cobre diversas fases intermediárias que aumentam a dureza mas igualmente a fragilidade. A liga de cobre e estanho que é desoxidada com fósforo. na indústria elétrica. Bismuto: Causa fragilidade devido a formação de uma película intergranular para teores superiores a 0. usada em imitações de joalharia. Figura 4. sendo que estas quantidades variam de acordo com as propriedades que se quer aproveitar.7% de cobre e 1. mancais e componentes que suportam pesadas cargas de compressão. Só se usa em casos especiais.8 . prejudicando a laminação. forte. O bronze também pode receber pequenas quantidades de outros elementos cuja influência é descrito abaixo: Alumínio: Com 0. 4. Pertencem a este grupo entre outros as seguintes ligas: . prensagem e forjamento em matrizes. componentes para industria têxtil.3. Podem ser conformados por dobramento. Este bronze possui 98.Bronze É uma liga formada por cobre e estanho. as aplicações de latões são bastante diversificadas.

500 MPa Tenacidade a ruptura: 24 . duro que vem. ε. lugar a heterogeneidades difíceis de evitar.6 % Coeficiente de Poisson: 0.5 .140 . Fósforo: Entra na composição de bronzes bifásicos cujos constituintes são a solução sólida α e o eutectóide. um ponto eutéctico e quatro pontos eutectóides.5 a 9 kgf/dm3 Calor específico: 140 . β. em proporção limitada (< 4%).800 J/kg. e η. Por este motivo o teor de chumbo nos bronzes está limitado a 30%. em geral. Propriedades físicas Peso específico: 8.2%.02 . Melhora a fluidez no estado líquido visto que abaixa o ponto de fusão.700 MPa Tensão de ruptura por tração:140 .19 x 10-6/K Condutividade térmica: 50 .5%. aumenta a quantidade de eutectóide. facilita o vazamento e melhora o aspecto superficial da peça (ausência de porosidade) e. Embora.5%. δ.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.08 .120 GPa Limite elástico: 65 .5% < Sn < 25.90 W/m.K Calor latente de fusão: 220 . Após solidificação. dá-se a 799 oC uma reação 91 . associado a fase α. não é praticamente solúvel no bronze α. cinco pontos peritécticos. devido à diferença de densidade.90 MPa. Aumenta a dureza visto que.46 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 70 . Losekann Direitos autorais reservados Chumbo: O cobre e o chumbo não são miscíveis no estado líquido para teores de chumbo de 36 a 92. em porcentagem superior a 2% prejudica a resistência mecânica. a 799 oC. Esta solubilidade aumenta até 15.5%. a presença de 1% de níquel tende a uniformizar a distribuição dos glóbulos de chumbo na matriz. entretanto.400 MPa Módulo de cisalhamento: 25 .1. Comporta sete fases α.340K Temperatura máxima de serviço: 420 . Zinco: Diminui a dureza da solução sólida α o que se aproveita na cunhagem de moedas e medalhas. Para teores de 0. e para teores de estanho de 0% a 13.3% de P e 10% de Sn forma-se o constituinte Cu3P.34 -0.9 representa o diagrama de equilíbrio do sistema de ligas cobre e estanho. γ.8% de Sn à temperatura de 520 oC para se reduzir progressivamente a 1% à temperatura ambiente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ξ.K Ponto de fusão: 1.19. dando. Dr.450K Resistividade: 7.800 MPa Constituição A figura 4. Para ligas com 13. reduzindo a solubilidade do estanho na solução sólida α. mas facilita a usinagem: Ferro: Endurece e torna os bronzes frágeis com teores superiores a 0.35 Dureza: 460 .95 x 10-8 ohm. portanto.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16. forma-se a solução sólida α de estrutura cristalina cúbica de face centrada. a estanqueidade das peças fundidas.m1/2 Tensão de compressão: 65 . Mesmo em teores baixos prejudica a laminação.2. Cláudio R.0.

Os bronzes industriais. Losekann Direitos autorais reservados peritéctica de que resulta o aparecimento da fase β. a estrutura α + ε só se obtém depois de tratamento térmico prolongado a baixa temperatura nas ligas de até 15% de Sn. a não ser que por têmpera se mantenha a fase β à temperatura ambiente. por sua vez. em que Sn é menor que 20% (com exceção dos destinados a sinos). são então constituídos à temperatura ambiente ou só pela fase α. 92 . o grande intervalo de solidificação dá lugar a zonamento pronunciado e a difusão é tão lenta que o constituinte δ chega a aparecer em fundições com 7% de Sn. Dr.Micrografias de bronzes. tal como nos aços. Cláudio R. α + β. O limite entre estas duas estruturas parece tender para a do cobre quando a temperatura abaixa. muito duro e frágil. ou monofásicas. a fase β transforma-se em γ a 586 oC e esta. Figura 4. Por outro lado. o limite entre os dois domínios é marcado aproximadamente pela linha pontilhada no diagrama. como o equilíbrio é difícil de se obter. a) b) c) Figura 4.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. monofásicas. Por resfriamento. b) Cu-Sn 16% (recozido) [fase α + δ] . a austenita. β. solução sólida de estrutura cúbica de corpo centrado. a) Cu-Sn 5% (laminado e recozido) [fase α]. para fase ε atribui-se a composição Cu3Sn. na prática. Pb 5%. γ → α + β . se transforma a 723 oC em ferrita e cementita. A solução sólida intermediária γ é de estrutura cúbica de faces centradas e o constituinte parece ser o composto intermediário Cu31Sn8. c) Cu-Sn 10%.9 . Assim. ou pelas fases α + δ. As ligas fundidas estão fora de equilíbrio e tem uma estrutura α + eutectóide (α + δ).Diagrama de fases da liga binária Cu-Sn.10 . neste intervalo as ligas podem ser bifásicas. mas o equilíbrio não é atingido a baixa temperatura senão em condições especiais (endurecimento a frio e recozimento prolongado) e. fase γ. a 520 oC sofre a transformação eutectóide (27% de Sn). Entretanto.

Uma dessas propriedades mais interessantes. No entanto. Bronzes α + ε: Estas ligas têm boas propriedades autolubrificantes.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Aplicações As qualidades autolubrificantes e boa resistência à corrosão são as principais aplicações dos bronzes. mas para folhas laminadas pode alcançar 10%. A cor dos bronzes varia apreciavelmente com o teor de estanho. o teor de estanho deve ser tanto mais baixo quanto o trabalho for mais difícil. Dado o intervalo de solidificação. Se efetua têmpera nos bronzes com mais de 13% de Sn para evitar a precipitação da fase δ. devido a menores retrações. Cláudio R. Assim. verifica-se que melhoram com o teor de estanho até 13% (sol. mas a partir deste valor as ligas tornam-se cada vez mais frágeis e duras devido à presença da fase δ. Por isso é limitado a 4% na fabricação de tubos. De um modo geral. após endurecimento a frio. as ligas de alto teor de estanho são deformáveis a quente (fases α + β) ou deformáveis a frio após recozimento e têmpera. apresentar um elevado limite de elasticidade. por têmpera. em geral. ao contrário do que acontece nos aços. por deformação a frio podem adquirir características mecânicas interessantes. sendo avermelhada até 5% e amarelo claro acima de 15%. a dificuldade de usinagem e boas qualidades de fundição levam a utilizá-los principalmente sob a forma de peças fundidas: 93 . mantendo-se a fase β à temperatura ambiente. este tratamento não é. que e aproveitada na fabricação de molas. ligas com maior porcentagem de estanho são de difícil laminação. no que se refere a homogeneização da matriz do que os latões. aconselhado visto que há outras ligas mais baratas que os bronzes com propriedades equivalentes obtidas por este tratamento. do que resulta melhor resistência e facilidade de deformação devido ao fato de. Bronzes α: São maleáveis a frio e a quente. Losekann Direitos autorais reservados Deste fato resulta que. Por este motivo ligas com teores de Sn maiores que 7% são usadas apenas em fundição. Em contrapartida. enquanto que os outros bronzes só podem ser trabalhos a quente acima de 600 oC para se obter as soluções sólidas α e β. o material fica mais macio dada a ausência da fase δ. É uma têmpera martensítica em que as fases são α ou α + β de acordo com o teor de estanho. a estrutura α + δ. estas ligas têm boa resistência ao desgaste e muito boa soldabilidade. visto que apresentam grãos duros em uma matriz muito plástica (α). Da mesma forma pode-se evitar. a não ser após recozimentos prolongados para homogeneizar a solução sólida. a 7% nas ligas destinadas a fabricação de fios. resulta de. No entanto. Dr. No que se refere às propriedades mecânicas. Tratamentos térmicos O recozimento é amplamente utilizado para homogeneizar os produtos fundidos e para redução de dureza devido ao encruamento por deformação a frio. as peças fundidas de bronze são melhores. Por outro lado. sólida α). são mais caras.

Usam-se para peças de máquinas resistentes ao desgaste ou sujeitos a esforços elevados como rodas dentadas. na fabricação de tubos de condensadores. Nas ligas destinadas a fundição o estanho varia de 5 a 13% e o fósforo de 0. parafusos. Podem funcionar sem lubrificante e suportam cargas maiores que as ligas antifricção. Bronze ao berílio: Contém até 2% de berílio. Dr. Bronze de alumínio: Possui normalmente 13% de alumínio. componentes de torres de resfriamento. . As ligas de 3. recipientes para industria química.Aplicações do bronze.As ligas de 10% ou 12% de Sn são usadas para fabricação de torneiras. hastes e hélices mavais. É usado para fabricação de peças para a indústria naval. Bronze ao zinco: Corresponde a composições de até 2% de zinco e esse teor é sempre inferior ao de estanho. Bronze ao fósforo: São também chamados bronze fosforoso.5% de Sn e 1. alta condutividade elétrica e alta dureza. casquilhos. tubos para trocadores de calor e caldeiras. Losekann Direitos autorais reservados . instalações criogênicas. apresenta alta resistência à ruptura e alta renacidade. Com o desenvolvimento da tecnologia foram criados os bronzes especiais que contém pouco estanho ou que não contém estanho. evaporadores e trocadores de calor. tanques para água quente. discos de fricção. sendo que é empregado na laminação a frio de chapas resistentes a corrosão. acessórios de tubulações. Bronze ao silício: Com até 4% de silício. buchas e peças resistentes à corrosão. Estas características são adquiridas após o tratamento térmico. engrenagens e ferramentas para conformação de plásticos. conservando a tenacidade.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Bronze ao chumbo: Os teores de chumbo podem variar de 8 a 20% e até 30% e o estanho até 10%. Os bronzes com teor acima de 20% de Sn são usados para fabricação de sinos onde a sonoridade parece estar relacionada a fase δ (Cu31Sn8). Figura 4. possui alta resistência a corrosão e à fadiga. Por sua alta resistência mecânica e propriedades anti-faiscantes.3% a 1%.11 .As ligas de 4% a 10% de Sn são usadas para fabricação de medalhas e moedas. essa liga é indicada para equipamentos de soldagem e ferramentas elétricas não faiscante. Cláudio R. autoclaves.5% de Zn são empregados na fabricação de moedas e medalhas. . 94 .As ligas de 14% ou 18% de Sn são usadas para fabricação de peças que exijam boa resistência ao desgaste por abrasão e resistência a água do mar. podendo o teor de estanho atingir 30% com baixos teores de zinco e de chumbo. pregos.

com cerca de 12% de alumínio. Losekann Direitos autorais reservados 4.Ligas de cobre-alumínio As composições mais usuais satisfazem os seguintes tipos: Cu-Al . embora as ligas industriais raramente tenham mais de 12% de Al.4% aparece uma mistura de α + β ou só a fase β. o teor de alumínio raramente vai além de 12%. Para teores de Al > 7. Entretanto. a fase β aparece já para 7% de Al.3 . Quando a temperatura baixa. Assemelhando-se a perlita dos aços. A fase γ2 é muito dura e frágil e a sua existência em pequenas quantidades aumenta a resistência da liga e. pode ser trabalhada a quente.036 C.3 % de Al formado a 1. estão representados na figura abaixo.Cu > 90%. O manganês melhora a fluidez no estado líquido. o 95 . industrialmente têm mais interesse. ferro e níquel melhoram o limite de elasticidade longitudinal das ligas bifásicas. mantendo-se este valor até temperatura ambiente. fragiliza o material e.5% e Fe < 2. Al < 7.Cu > 90% e Al < 10%. Após a solidificação forma-se solução sólida α com até 7.4% de Al a 1. Cu-Al-FeNi . Cláudio R.Fe .1.12 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. como a dos latões.Diagrama de fases da liga binária Cu-Al. como há dificuldade em estabelecer o equilíbrio. Cu-Al . porcentagem que aumenta até 9. Constituição Os do de equilíbrio relacionados com as ligas que. não se encontra a microestrutura eutéctica. por isso. mas. em grandes quantidades. O diagrama abrange os teores de 0 a 100%.5%. temperatura bastante elevada que provoca a sua coalescência de modo que. domínios diagrama Figura 4. Dr.4% por resfriamento a 565 oC.Al > 15% e Fe + Mn + Ni < 15%. A fase β é mais dura e mais frágil que a fase α. As fases α + β correspondem a um eutéctico de 8. à temperatura ambiente.036 oC. e que é do tipo lamelar. As adições de manganês. o domínio β reduz-se e desaparece a 565 oC dando lugar ao eutectóide α + γ2.3.

Estes dois fatos dão lugar a forte retração na fundição e tendência notável para rechupe ou vazio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. lamiminação ou fundição sob pressão. A liga de 20% de Al.5% e 12% de Al. tubos de condensadores. Losekann Direitos autorais reservados As ligas de cobre alumínio que se utilizam são todas hipoeutectóides. Cláudio R.Instrumentos elétricos. As ligas de cobre-alumínio têm um módulo de elasticidade de 11 GPa e peso específico de 7. A têmpera martensítica realiza-se a partir da temperatura de 850 oC a 900 oC e é seguida de revenido a 550 . Ligas de 9 a 10% de Al . 3% de Fe. recipientes para substâncias ácidas e alcalinas. Dão estrutura maclada por recozimento. tem características idênticas a de um aço meio doce. Ligas de 5 a 7% de Al . Estas têm um ponto de fusão relativamente elevado ( > 1. estas ligas resistem bem a atmosferas urbanas ou marítimas e a água doce e salina.6 kgf/dm3. α + β → α + (α + γ2). 12% de Mn .Tubos de trocadores de calor. A compacidade das peças de fundição espessa. A têmpera impede a precipitação do eutectóide e o revenido dá lugar a um precipitado muito fino. Da mesma forma a presença de alumínio dá lugar a formação de uma película de alumina na superfície do banho que pode ser arrastada para o interior e comprometer a coesão da liga. Dr. Devido à sua cor. Se a liga for revenida entre 350 oC a 560 oC formam-se pequenas partículas do constituinte e a estrutura é semelhante a perlita fina.000 oC) e um intervalo de solidificação muito estreito. tal como os aços. isto é.650 oC durante 2 h. Ligas bifásicas. a liga mais usual é a que tem em torno de 7% de Al. Não apresentam zona de fragilidade a quente e. etc. Endurecem por deformação a frio e são facilmente conformáveis a frio ou a quente. semelhante ao ouro são usadas em bijuteria. forjamento.É a liga superstone. moedas. hélices. como o solidus corresponde a temperaturas mais elevadas que nas outras ligas de cobre. (α + γ2): Têm características mecânicas mais elevadas que as anteriores com exceção da resiliência. devendo por isso a liga. ser cuidadosamente desgasificada. permitindo grande economia de material em relação a outras ligas de igual resistência. Tratamentos térmicos Estas ligas. Ligas de 8% de Al. de alta resistência ao impacto (40 J Izod) e tensão de ruptura a tração 70 kgf/mm2. pode ser comprometida pelos gases que tendem a desenvolver-se no decurso da solidificação. Destinam-se ao trabalho a quente. Aplicações Dadas as boas propriedades mecânicas e resistência à corrosão. sendo monofásicas (α) de teor de alumínio até 8. têm possibilidade de ser submetidos a tratamentos térmicos. no estado líquido. temperada e revenida. Ligas α: A resistência cresce regularmente com o teor de alumínio e. 96 . aplicamse em construção mecânica. por isso. Devido a película protetora de alumina que se forma na superfície.5% (na prática 7%) e bifásicas (α + eutectóide ou α + β) as de 8. como hélices de turbinas. após trabalho a frio. peças de bombas.

3.8.5% < Fe < 1%).44 1390 .42 .17 40 .5 .85 .K): Calor latente de fusão (kJ/kg): Coeficiente de dilatação térmica linear (10-6 K-1): Condutividade térmica (W/m. Esta sensibilidade é máxima para 12% de Ni e desaparece. Dr. pode ser transformadas em chapas.5% de Cr.4 .1% de Fe) ou para 30% de Ni ( 0.240 16 .8.30.17 19 .1420 420 . conforme o teor de ferro presente.5% de Mn / Cu 8.75 384. boa condutividade térmica.25% de Fe / 0.9 80/20 20% de Ni / 0. São sensíveis a corrosão sob tensão apenas em meio amoniacal. Figura 4.5% de Si / Cu 8.8 .91 Peso específico (kgf/dm3): Calor específico (J/kg.240 16 . o parâmetro apresenta um mínimo e o peso específico de 8.Cuproníquel As últimas ligas do cobre são aquelas que o níquel participa com 5 a 50%.470 32. Podem ser unidas pela maioria dos métodos por solda forte e por solda de estanho.8 . Essas ligas têm boa ductilidade.8% de Mn/ 0. etc.m): 97 .480 26. São maleáveis e resistem particularmente bem corrosão.9 . As ligas com teores de níquel na faixa de 35 a 57% recebem o nome de constantan e são usadas para fabricação de resistores e termopares.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.240 16 .K): Ponto de fusão: Temperatura máxima de serviço: Resistividade (ohm.37. A partir de 20% de níquel.9 220 .1450 470 . a liga apresenta cor branca.4 .1. etc.13 .2% de Ni. Correspondem. Losekann Direitos autorais reservados 4. fios.94 kgf/dm3 para 32. O ponto de Curie desce o linearmente de 368 C (para o níquel puro) para 0 oC na liga com 31. para 40% de Ni (0.6 220 .17 30 .384.5% de Fe / 1% de Mn / Cu 8.89 384.85 .15 70/30 30% de Ni / 1. As ligas de cobre e níquel são solúveis no estado líquido e totalmente miscíveis no estado sólido. Propriedades físicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.450 20.384. Cláudio R.33 1440 . resistência mecânica e a oxidação.Diagrama de fases da liga binária Cu-Ni.9 220 . A estrutura da solução sólida é cúbica de face centrada. sempre a soluções sólidas do tipo α.89 384. tiras.8.7 . portanto.23 1460 .22. Até 30% de níquel a liga é usada em medalhas e na fabricação de resistores.384.1510 440 . facilmente conformáveis.

310 Ductilidade (%): Coeficiente de Poisson: Dureza (MPa): Módulo de cisalhamento (GPa): Módulo de elasticidade longitudinal (GPa): Limite elástico (MPa): Tenacidade a ruptura (MPa. São utilizadas em molas de instrumentos.34 . o valor da tensão de ruptura a tração é igual a 77 kgf/mm2. as microestruturas são idênticas.35 800 .120 330 . Dr.7 .150 128 . tubos de Bourbon.55.2 . Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Material Composição 90/10 10% de Ni / 1.25% de Fe / 0.38 .550 80/20 20% de Ni / 0.150 310 .490 400 .1100 53. Ligas de 35% a 50% de Ni (constantan) .7 .5 145 .5 145 .850 53.55.490 29.35 0. álcalis. ácidos sulfúrico. e 70 HB de dureza.5% de Mn / Cu 0. σe = 770 MPa.1 110 .140 65. As características mecânicas do monel recozido são σe = 250 MPa.3 0.5% de Fe / 1% de Mn / Cu 0. 4.55. Severamente deformada.34 . Ligas de 30% de Cu e 67% de Ni (monel ) .1650 53.7 . Ligas de 54% a 66% de Cu.3 .5 .7 .35 1200 .0.0. e 100 HB de dureza.5 145 .4 0.68.Ligas de cobre e berílio Estas ligas apresentam elevada resistência à tração e à fadiga e elevado limite de elasticidade.14 . σe = 550 MPa. Cláudio R.690 oC e não deve ir além de 800 oC para evitar a precipitação de carbono presente.35 1000 .Aplicações do cuproníquel. 9% a 26% de Ni e 17 a 45% de Zn (alpacas ) .73. Figura 4.0.0.0.Moedas e tubos de condensação para água do mar.São utilizados com artigos de decoração de ourivesarias.São resistentes a água salina. e do monel extrudado. Aplicações Ligas de Ni < 25% .340 70/30 30% de Ni / 1. A sua resistividade elétrica é de 41 µΩ. Tem pouca resistência ao ácido nítrico e cianetos.1.4 .3 128 .41. O recozimento de amolecimento é feito a 550 oC . σe = 600 MPa.cm e praticamente independente da temperatura no intervalo de 20 a 250 oC.5 . resistência elétricas.0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. diafragmas e cabos 98 .140 290 .34 .3 310 .150 110 .m1/2): Tensão de compressão (MPa): Tensão de ruptura por tração (MPa): Tratamentos térmicos Após recozimento.3. sulfuretos de sódio.É usada em resistências elétricas e termopares.5% de Si / Cu 0.120 70. elevada resistência ao desgaste e a corrosão.8% de Mn/ 0.

15 . Cláudio R. componentes de alta condutividade e componentes elétricos que necessitam alta resistência mecânica.8% de berílio e 0.19.240 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 16.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.5 x 10-6/K Condutividade térmica: 85 . clipes.35 Dureza: 600 MPa Módulo de cisalhamento: 45 . portanto.34 -0. a partir de 800 o C. moldes. Figura 4.45 % Coeficiente de Poisson: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5% de cobalto ou níquel.1200 MPa Tensão de ruptura por tração:300 .K Calor latente de fusão: 220 .52 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 120 .20 x 10-8 ohm.210 W/m. São também usadas em matrizes para fundição.70 MPa.138 GPa Limite elástico: 110 .5 . Losekann Direitos autorais reservados flexíveis. em martelos e outras ferramentas quando é necessário propriedades não magnética.85 . Com a composição de 1. componentes eletrônicos.25 a 8.1200 MPa Tenacidade a ruptura: 15 . Por têmpera.01 . Propriedades físicas Peso específico: 8.3% de Be Temperatura máxima de serviço: 330 . produz-se uma solução macia sobressaturada que pode ser endurecida por trabalho a frio.1.413 J/kg. A solubilidade do berílio no cobre varia com a temperatura. São.1450 MPa 99 . obtêm-se ligas com características interessantes após endurecimento por revenido devido a precipitação.K Ponto de fusão: 1. facilmente deformadas na condição de peça fundida ou temperada.470K Resistividade: 15. Dr.135K no eutéctico de 5.m1/2 Tensão de compressão: 110 .0.Diagrama de fases da liga binária Cu-Be.75 kgf/dm3 Calor específico: 390 .

Considere a liga C 22000.3. Cláudio R. Onde está estabelecido é a NBR 7554. conseguindo-se obter um valor que é 40% em relação ao cobre.3. seguida de cinco algarismos.2 . cobre. esse código indica que é uma liga de cobre e zinco. Classe C 80XXX a C 81100 C 81XXX a C 82XXX C 83XXX a C 84XXX Liga para fundição Cobre puro Ligas com elevado teor de cobre ( exceto 81100 ) Cobre-estanho-zinco com ou sem chumbo e com teor de zinco igual ou maior que do estanho Cobre-zinco (com ou sem chumbo ) Cobre-zinco 100 Designação comum Cobre com pequenas adições Bronzes especiais C 85XXX C 86XXX Latões Latões especiais de . obtém-se resistências muito elevadas (750 MPa para 1% de Si).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.NORMALIZAÇÃO DAS LIGAS DE COBRE As ligas de cobre são classificadas em dois grupos: ligas dúcteis e ligas para fundição.Ligas de cobre e silício Têm composições dos tipos: Cu > 95%. zinco ( especiais ) bronze de silício. Dentro de duas classificações elas ainda são designadas com sua composição química. devido a trabalho a frio.6 . é baseada na ASTM. Por endurecimento. São deformáveis a quente e a frio. Latões especiais Cobre-níquel ou cobre-níquel-zinco Alpacas C 7XXXX As ligas são identificadas pela letra C. São maleáveis e dúcteis. O primeiro ou os dois primeiros algarismos indicam a classe do material e os dois últimos referem-se a identificação desse material.Bronzes de alumínio. Losekann Direitos autorais reservados 4. São aplicadas nas linhas telefônicas. conhecida popularmente como latão. Si < 5% e Cu > 90%.4% de níquel. Dr. Classe C 1XXXX C 2XXXX C 3XXXX C 4XXXX C 5XXXX C 6XXXX Liga dúcteis Designação comum Cobre puro e ligas com alto teor de Cobre cobre Cobre-zinco Latões Cobre-zinco-chumbo Latões com chumbo Cobre-zinco-estanho Latões especiais com estanho Cobre-estanho Bronzes Cobre-alumínio. Si < 3% e Al + Fe + Mn + Sn + Zn < 7%. cobre-silício. As ligas dúcteis são designadas a seguinte maneira.1. A condutividade elétrica é melhorada com a adição de 1. 4. Só tem interesse as ligas monofásicas até 4% de Si. embora menos que o cobre.

soldabilidade aliada a uma boa resistência mecânica e tenacidade. tendo todas as qualidades mecânicas e tecnológicas que podemos exigir de um metal: maleabilidade. é obtido por eletrólise. Dr. Ni > 99. com elevado teor de chumbo. fusibilidade. portanto C 94400 é uma liga cobre-estanho com elevado teor de chumbo ou liga de cobre-estanho-zinco com elevado teor de chumbo. É mais resistente a corrosão e oxidação do que o ferro. de chumbo.INTRODUÇÃO O níquel comercialmente puro. Cobre-estanho-níquel com Bronzes com níquel outros elementos Cobre-alumínio Bronzes com alumínio Cobre-níquel-ferro Cobre-níquel-zinco com outros Alpacas elementos Cobre-chumbo Ligas diversas Nesta segunda tabela. cobre-estanho. A que foi escolhida está entre 93XXX e 945XX. chumbo e teor de zinco inferior ao de estanho Cobre-estanho com elevado teor Bronzes.Bronzes. ao de estanho Cobre-estanho com chumbo. Cláudio R. Cobre-estanho-zinco com Bronzes especiais. 5 . designando um bronze comum ou especial.98%. Bronzes. bronzes zinco com teor de zinco inferior especiais. O níquel é um metal que ligado a outros transmite propriedades distintas e características na liga resultante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a uma refinação eletrolítica. na última fase. Losekann Direitos autorais reservados C 87XXX C 90XXX a C 91XXX C 92XXX C 93XXX a C 945XX C 947XX a C 949XX C 95XXX C 96XXX C 97XXX C 98XXX C 99XXX elevada resistência mecânica Cobre-silício Bronze de silício Cobre-estanho. sendo o níquel bruto submetido. Para certas ligas assegura resistência a corrosão.NÍQUEL E SUAS LIGAS 5. Seu minério é a garnierita com aproximadamente 5% de Ni. Muito importante tanto na metalurgia de ligas ferrosas quanto na de não ferrosas. a outras assegura módulo de elasticidade constante numa extensa faixa de temperatura. Veja um exemplo: C 94400. 101 .1 . É um metal branco de brilho intenso quando polido. O processo de extração se faz de modo semelhante ao do cobre. cobre-estanho-zinco Bronzes especiais. o sistema de designação é o mesmo. na tabela existem várias ligas da classe 9.

ligas magnéticas.1 .s-1.m1/2 Tensão de compressão: 180 MPa Tensão de ruptura por tração: 400 MPa Alongamento: 40% Estricção: 45% Estas características.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6.0.K Calor latente de fusão: 284 .2 .cm-1.cm [6.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0. Dr.0. Propriedades físicas Massa atômica: 58.5% de pureza.300 kJ/kg Temperatura máxima de serviço: 600 oC [873. O níquel destinado a elaboração das ligas deve ser de no mínimo de 98.451 oC [1.130 MPa.71 g Peso específico: 8.3 x 10-6/ oC [13. Losekann Direitos autorais reservados 5.15K] Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.10-8 Ω. O níquel industrial contém sempre um pouco de carbono.21 cal. Fe < 0. O enxofre pela sua ação fragilizante deve ser limitado a 0. a = 0. queimadores. usinagem. Os principais processos de fabricação de peças a base de níquel são fundição.1%. Como conseqüência da sua estrutura cristalina e como evidenciam as suas propriedades mecânicas.NÍQUEL As aplicações mais comuns do níquel e suas ligas são para equipamentos que devem suportar temperatura elevada como pás e discos de turbinas.005%.PROPRIEDADES DO NÍQUEL E SUAS LIGAS 5. cobalto < 0.90 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 180 . tubos de fornos da engenharia química e em tratamentos de superfície como niquelagem de peças.25%.3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.04 . o níquel é muito maleável e é o mais tenaz de todos os metais puros.76.520 J/kg. 102 . elementos térmicos.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): CFC.352 nm Ponto de fusão: 1.76 µΩ.K] Ponto de Curie: 358 oC Calor específico: 381 .32 Dureza: 110 HB Módulo de cisalhamento: 69 .730 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.25% e Si < 0.2. oC-1 [11 -90 W/m.6% Coeficiente de Poisson: 0. Cláudio R. com exceção do módulo de elasticidade longitudinal correspondem ao metal recozido.15K] Ponto de ebulição: 2.3 .234 GPa Limite elástico: 150 a 1600 MPa Tenacidade a ruptura: 60 . conformação mecânica e metalurgia do pó.724.5%. Oferece também boa resistência ao desgaste. cobre < 0.

A absorção de oxigênio fragiliza o metal e na sua desoxidação utilizam-se adições de boro e de titânio. Cerca de 64% do Ni produzido é empregado para adições no aço e no ferro fundido. principal dos seguintes sistemas de ligas: níquel-berílio. sulfúrico e clorídrico. etc. aços inoxidáveis. instrumentos cirúrgicos. É atacado unicamente pelo ácidos nítrico. devido a formação de filmes intracristalinos de Ni3S2 que funde a 787 oC e que pode dar com o níquel um eutéctico de ponto de fusão ainda mais baixo. os de maior interesse são o cobre. Dr. 9 % em galvanoplastia e 3% para ligas de resistência elétrica e peças resistentes ao calor. A dessulfuração é feita com manganês e magnésio que dão lugar a sulfuretos que não formam eutécticos com o níquel. como componente secundário em várias ligas como latão. etc. 645 oC. 9 % em ligas à base de níquel tais como Ni maleável. níquel-cromo.1 .LIGAS DE NÍQUEL O níquel forma soluções sólidas de substituição com numerosos metais dos quais.Aplicações do níquel. emprega-se nas indústrias químicas e de alimentos. moedas.2. Na construção mecânica a sua maior utilização é como revestimento. chapas de aço recobertas de níquel por laminação. níquel-molibdênio e níquel-cobalto. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. além disso.2 . folhas de níquel . Em temperaturas superiores a 375 oC. É componente principal. amônia. bronze. 14% às ligas de Cu e Zn. o ferro e o cromo. 5. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades químicas O níquel tem elevada resistência á corrosão. Entra. sob a forma de precipitado e dá lugar a endurecimento estrutural. 103 . Aplicações As principais aplicações do níquel residem na excelente resistência a corrosão e como componente de diversas ligas. E inalterável ao ar úmido e resiste é maior parte dos agentes químicos. Figura 5. Assim. em revestimentos eletrolíticos ou químicos. soluções salinas e ácidos orgânicos. em geral. Tem boa resistência aos álcalis. o níquel é susceptível de um ataque geral bastante ativo e de um ataque intergranular por gases que contenham enxofre ou compostos sulfurados. Estas ligas são monofásicas e quando intervém uma segunda fase é.

molas. A liga mais clássica é a liga NiCr 20 (Nimonic) que. as ligas de maior interesse são as ligas monofásicas de estrutura CFC. com a vantagem de se usar um teor de berílio mais baixo e a dureza obtida ser mais elevada.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 24% de Fe) e Inconel (60% de Ni. 24% de Fe). soluções a base de cloro e ácido nítrico 104 . equivalente ao níquel. Se for deformada a frio e depois revenido. 16% de Cr. obtém-se resistência a tração de 1. etc. Dr.2. estruturalmente. entre 800 oC e 1. 16% de Cr. não apresenta fragilidade de sobreaquecimento.2.080 MPa e com dureza de 310 HB.800 oC. de miscibilidade parcial no estado sólido. a altas temperaturas. A dureza pode ser ainda aumentada com 1% de Ti em ligas utilizadas para esferas inoxidáveis para mancais de rolamentos. A tabela abaixo mostra a composição e aplicação destas ligas. a liga com 2% de Be.Ligas de níquel e cromo Neste sistema. Pertencem a este tipo as ligas Nicrome (60% de Ni.3 .1 .2. 4.Ligas de níquel e berílio A importância destas ligas deve-se a possibilidade de endurecimento estrutural. apresenta boa resistência à oxidação. conhecidas por hastelloys de excepcional resistência a ácidos em altas temperaturas e de elevada resistência mecânica. Assim.2. isto é.2.berílio. obtendo se tensões de ruptura a tração de 860 MPa e uma dureza de 270 HB. Adições de nióbio e zircônio melhoram a ductilidade e a fluência. As ligas NiCr 50 servem para fundição e são usadas em caldeiras e refinarias.100 oC. tal como nos casos das ligas cobre-berílio. Tipo Ni Hastelloy A 56 Hastelloy B 62 Hastelloy C 53 Composição (%) Mo Fe Cr W 22 22 32 6 19 6 17 5 Resistência a corrosão Ácido clorídrico Ácido clorídrico Agentes oxidantes. Com adição de ferro formam-se ligas complexas. Após têmpera em água. a resistência sobe para 1.2. obtêm-se uma liga macia que pode endurecer por revenido a 600 . Cláudio R. Esta liga é usada em resistências elétricas visto que a sua resistividade é bastante elevada e varia pouco com a temperatura.850 MPa e um alongamento de 8% que assegura a sua aplicação em agulhas para injeção. ligas susceptíveis de endurecimento estrutural. Losekann Direitos autorais reservados 5. A adição de ferro é.200 oC.2 . com Ni > 70%. Mantendo durante tempo prolongado a 1.Ligas de níquel e molibdênio São como as ligas de níquel . 5. tratada após endurecimento por deformação a frio.

15K] Ponto de fusão: 1.121 oC Calor específico: 456 .cm [6.493 oC [1.1 .766.0.3 % Coeficiente de Poisson: 0.623 nm β CFC.9%.03 .8.500 MPa 105 .1. oC-1 Ponto de Curie: 1. mas apenas a partir de 1.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 6.95 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 21 GPa Limite elástico: 240 MPa Tenacidade a ruptura: 25 . Os principais processos de fabricação de peças a base de cobalto são fundição.93 g Peso específico: 8.2.05 .100 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 13.250 MPa] Módulo de cisalhamento: 76 .cm-1. 99. conformação mecânica e metalurgia do pó. 6. Taxa de reciclagem: 0.1 Propriedades físicas Massa atômica: 58.98%.165 cal.40 MPa.2 .s-1. As aplicações mais comuns são em implantes cirúrgicos. Dr.INTRODUÇÃO O cobalto foi empregado pela primeira vez como metal de adição nas ferramentas de aços rápido em meados de 1.520 J/kg.10-8 Ω. Pelo processo de fusão por zona flutuante consegue-se um grau de pureza de Co = 99.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.COBALTO E SUAS LIGAS 6.32 Dureza: 125 HB [1. Cláudio R.9 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.4 µΩ. a = 0.31 .910. Losekann Direitos autorais reservados 6 .15K] Ponto de ebulição: 3.4.COBALTO Consegue-se obter um elevado grau de pureza. c/a = 1.950 seu uso teve maior importância para fabricação de ligas complexas como turbinas e pastilhas cerâmicas.0.361 nm Temperatura de transformação: β → α: 427 oC [700. mesmo por fusão e vazamento.K Calor latente de fusão: 260 .266 kJ/kg Permeabilidade magnética: 68 até 245 gauss/oersted Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.8 x 10-6/ oC [13. Também é utilizado para melhorar propriedades dos aços em relação as resistência a alta temperatura.0.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.PROPRIEDADES DO COBALTO E SUAS LIGAS 6.m1/2 Tensão de compressão: 345 .1 . usinagem.

fundição de precisão Imãs permanentes Peças resistentes a corrosão e a abrasão (ferramentas. propriedades mecânicas excelentes. Aplicações É essencialmente utilizado como elemento de liga.65 Dif. segundo a composição. São.5 30 36.100 MPa Alongamento: 8 % O cobalto pode ser utilizado em trabalho a frio e a quente.35 40 . 6. sobretudo a quente (forma β) e pode ser extrudado em arame fino. válvulas) Instrumentos de precisão Próteses Alnicos Estelites 5 .LIGAS DE COBALTO Estas ligas são caracterizadas por propriedades muito especiais: refratariedade.2. podem se classificar nos tipos que constam a tabela abaixo. Figura 6. etc.4 Mn 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Aplicações do cobalto.2. boa resistência à corrosão. Losekann Direitos autorais reservados Tensão de ruptura por tração: 760 .1 . Tipo Superliga s HS 23 Co 66 Ni 2 Composição (%) Cr Fe 24 1 Aplicações C 0. Dr.25 25 . tesouras.11 Invar Vitalium 54 64 9.2 . propriedades magnéticas especificas.5 5 106 . aproveitando-se especialmente as suas propriedades refratárias.3 0. magnéticas e de resistência a abrasão. Cláudio R. ligas muito complexas que. >1 Al 5 . em geral.6 Peças resistentes em temperaturas elevadas.35 12 .

a = 0.08% de C. mas é pouco resistente a fluência. em sua superfície. tal como o zircônio.K Calor latente de fusão: 360 .9 W/m.TITÂNIO Este metal.1 .2 .1 . pois os fluidos que existem dentro de nosso corpo são soluções salinas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.332 nm Temperatura de transformação: β → α: 880 oC [1.s-1.K] Calor específico: 510 . com Ph ácido. embora ele exista em grande quantidade na crosta terrestre . limitados a 0.PROPRIEDADES DO TITÂNIO E SUAS LIGAS 7. aproximadamente. 55% da densidade do aço. Disso decorre sua propriedade mais importante: a resistência a corrosão a água salina e outras soluções cloretos.05% de N e 0.15K] Ponto de ebulição: 3. 0.2.5 x 10-6/ oC [8.260 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 8. Dr.43 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC. O calor específico e a condutividade elétrica e térmica do titânio são idênticas dos aços inoxidáveis.cm [50.cm-1. Elas contêm outros ácidos orgânicos aos quais o titânio é inerte.037 cal. Cláudio R.933.660 oC [1.15K] Ponto de fusão: 1.370 kJ/kg 107 . c/a = 1. 7.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 50 µΩ.153.TITÂNIO E SUAS LIGAS 7. passou a ter um interesse grande com o desenvolvimento das indústrias de aviação e nucleares. forma-se. Propriedades físicas Massa atômica: 47.650 J/kg.21. No titânio comercial os teores de não-metais estão. usinagem. conformação e metalurgia do pó. um oxido impermeável e protetor muito importante em um meio muito corrosivo. geralmente.INTRODUÇÃO O Titânio é um metal não-ferroso que ganhou importância estratégica há somente 40 anos por sua alta resistência mecânica . Em contado com o ar. hipocloritos e ao cloro úmido e a resistência ao acido nítrico. Tem características mecânicas superiores aos do ferro que podem ser ainda melhoradas em certas ligas.5. o berílio e o nióbio. Losekann Direitos autorais reservados 7 . oC-1 [4 . O fato mais interessante a respeito do titânio é que.10-8 Ω. Os processos de fabricação usuais de peças a base de titânio são: fundição. Essa qualidade torna-o ideal para a fabricação de prótese humanais tais como componentes de válvulas cardíacas. placas e pinos para unir ossos. o custo de sua obtenção é muito alto.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0.587 nm β CCC.90 g Peso específico: 4.alta resistência a corrosão e por ter.015% de H.

alumínio. pois apresentam resistência específica. o titânio é susceptível de corrosão sob tensão em presença de cloretos.280 MPa Alongamento: 28 % Propriedades químicas Em temperatura elevada.1.m1/2 Tensão de compressão: 130 .1 . São empregados também em rotores de bombas usadas para bombear hidrogênio líquido. ou seja. 108 . tem grande afinidade com o oxigênio. Cláudio R. elas são empregadas em vasos de pressão que fazem parte do sistema de controle de propulsão e reação dos foguetes que transportaram as naves Apollo e Saturno e dos módulos lunares. até mesmo os orgânicos.400 MPa Tensão de ruptura por tração: 241 . É atacado por soluções concentradas de ácidos.1. água salina.364 Dureza: 200 HB [2. Figura 7. em particular os que contém cloro.3 % Coeficiente de Poisson: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. manganês e estanho. molibdênio.050 MPa Tenacidade a ruptura: 55 . relação resistência mecânica/peso muito elevadas em temperaturas abaixo de zero (entre -196 e -269 ºC ). Dr.Aplicações do titânio. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Por isso. e a numerosos produtos químicos.125 GPa Limite elástico: 172 -1. Acima de 350 oC. níquel.02 . Resiste bem a todos os meios naturais (atmosfera. Ligas de titânio com alumínio e estanho e alumínio e vanádio são usadas em aplicações muito especiais.0. Essas ligas são usadas na fabricação de próteses. carbono e hidrogênio.50 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 95 . Aplicações Os elementos que são adicionados as ligas resistentes corrosão são: paládio (Pd). não-metais que o tornam frágil.000 MPa] Módulo de cisalhamento: 35 .123 MPa.0.358 . nitrogênio.

ELEMENTO ADICIONADO Alumínio.1 . em geral. o magnésio e suas ligas formam uma película natural de hidróxido de magnésio ou de carbonato de magnésio que facilita a continuação do ataque. segundo a composição.2. bem como na indústria automobilística. níquel Resistência a temperaturas elevadas. e Resistência à corrosão em salmoura a altas temperaturas e em meios oxidantes e redutores. A baixa resistência a corrosão é uma das desvantagens do magnésio.2 . de Molibdênio. Geradores de turbinas a vapor e a gás.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Resistência mecânica e à corrosão sob tensão. Dr. Inalterável ao ar seco. molibdênio INFLUÊNCIAS APLICAÇÕES Estruturas aeroespaciais. 109 . O coeficiente de dilatação térmica linear é maior do que o coeficiente de dilatação térmica linear do Al e a maioria de suas ligas ferrosas. molibdênio. vanádio. zircônio e estanho. paládio. magnésio desempenha um papel importante.LIGAS DE TITÂNIO São. e Elevada resistência específica e a altas temperaturas. ligas muito complexas que. Molibdênio.74 gf/cm³. A propriedade mais importante do magnésio é seu baixo peso específico 1. Cláudio R. menor ductilidade. Na indústria aeronáutica. Outra propriedade importante aliada ao magnésio e suas ligas é facilidade de ser usinado. Losekann Direitos autorais reservados 7. Ao contrário do Al. Peças estruturais naves supersônicas. Devem ser adequadamente protegidas a sua superfície. 8 . Tanques e tubulações em indústrias químicas. Suas principais aplicação eram em certos processos químicos e pirotécnico. podem se apresentar conforme a influência dos elementos adicionados e suas aplicações de acordo com a tabela abaixo. silício. Alumínio. leve com ponto de fusão 650 ºC.MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8.INTRODUÇÃO O magnésio é um metal branco. resistente à corrosão.

Propriedades físicas Massa atômica: 29. O magnésio industrial contém cerca de 0. aeroespaciais.cm-1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.17 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 40 .32 g Peso específico: 1.18 MPa. zinco e níquel. nucleares e produtos 110 .3 . Fe. Dr.m] Condutividade térmica: (20 oC): 0. De acordo com a sua estrutura cristalina.1. automotivos. Aplicações Equipamentos esportivos. Al e Ca.03 .14 % Coeficiente de Poisson: 0. ácidas e soluções de cloretos.1 . se utiliza com desoxidante de certas ligas de cobre.36 GPa Módulo de cisalhamento: 15.37 cal.6 .2.0.366 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. É inalterável ao ar seco à temperatura ambiente.310 MPa Propriedades químicas Tem extraordinária afinidade com oxigênio e. E inalterável em meio alcalino. tem influência o tamanho de grão do metal. ao ar úmido forma uma película superficial de Mg(OH)2 que.46.624 nm Ponto de fusão: 650 oC [923.220 MPa Tenacidade a ruptura: 11 .305 Dureza: 36 HB [36 MPa] Módulo de Bulk: 32 .99 %).15K] Ponto de ebulição: 1. por isso.cm [4. oC-1 [51 .MAGNÉSIO Nas características acima descritos.10-8 Ω.350 MPa Tensão de ruptura por tração: 138 .s-1.739 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): HC. O magnésio pode ser obtido bastante puro (Mg > 99. a maleabilidade é baixa e por isso a obtenção de peças só pode ser feita por fundição e trabalho a quente à temperatura de 300 a 900 oC.K] Calor específico: 960 .29 .80 W/m. somente após um tratamento oxidante. Si.45 GPa Limite elástico: 80 . pode proteger as camadas subjacentes. c/a = 1.8% de impurezas como K. Cláudio R.1 x 10-6/ oC [24.27.120 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 26.m1/2 Tensão de compressão: 80 . mas muito atacado em atmosferas marinhas.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 4.2 .46 µΩ.PROPRIEDADES DO MAGNÉSIO E SUAS LIGAS 8.2. Losekann Direitos autorais reservados 8.K Calor latente de fusão: 358 .050 J/kg.0.

Losekann Direitos autorais reservados Figura 8. 9 .ZINCO E SUAS LIGAS 9. considerando que os teores de alumínio devem ficar em torno de 8% em virtude da formação do composto metálico Mg3Al3 que dificultam a deformação a quente.957 .2 .14 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α HC.LIGAS DE MAGNÉSIO O magnésio entra na composição das chamadas ligas leves.2 .INTRODUÇÃO É um metal pouco resistente á tração e a fluência o que reduz as suas possibilidades como material de construção. cujos teores não ultrapassam l0% em massa. Sn e Cu.PROPRIEDADES DO ZINCO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 65.2% de Mn e suas características mecânicas após a têmpera e revenido a 250 oC por 5 horas são: limite elástico de 15 kgf/mm2 e tensão de ruptura a tração de 26 kgf/mm2.31. 8. Cd. Mn. Cláudio R. As impurezas normais do zinco são Pb.m] 111 .15K] Ponto de ebulição: 907 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 . Dr.34 x 10-6/ oC [28 .5% de Zn e 0. Cu e Zn.2. O principal objetivo destas ligas e a diminuição de peso que pode atingir 20 a 35 % de peso em relação ao alumínio. Para outras utilizações.38 g Peso específico: 7.6. O zinco 99.10-8 Ω. 0. Outras ligas com a adição de zircônio e composições aproximadas tem dado bons resultados de resistência mecânica. o teor máximo de chumbo é de 0. c/a = 1. do magnésio entram na sua composição o Al.34. Fe.1 .957 µΩ.cm [5.10-6/K] Resistividade: (20 oC): 5.856 nm o Ponto de fusão: 419 C [692.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 .99% destina-se a fundição injetada.Aplicações do magnésio. A principal liga tem a seguinte composição: 8. 9.006%. Além. Zn.5% de Al. Não é susceptível de endurecimento a frio devido baixa temperatura de recristalização e a estrutura cristalina explica a anisotropia importante verificada nos produtos de zinco laminados.

248 . C [108 .500 MPa Alongamento: 50 % Propriedades químicas Resiste bem a corrosão pelos agentes atmosféricos e pela água.3 % Coeficiente de Poisson: 0. .115 W/m.1260 MPa] Módulo de cisalhamento: 32 .104. canalização de esgotamento de chuva em telhados.cm . É facilmente atacado por ácidos e álcalis. enquanto que.m1/2 Tensão de compressão: 160 . Esta propriedade é aproveitada quando se utiliza o zinco ou materiais zincados em coberturas expostas à atmosfera. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II o -1 -1 o -1 Prof. o zinco é utilizado como ânodo. onde ocorre deposição do zinco sobre o aço por meio de solução eletrolítica de sais de zinco. previamente decapada.0.zincagem eletrolítica (tratamento termoquímico). a sua formação é muito mais lenta levando cerca de 3 meses.421 MPa Tensão de ruptura por tração: 200 .113 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.Pintura com tintas com elevada percentagem de zinco em pó.25 Dureza: 50 HB [500 .K] Calor específico: 385 .Aplicações do zinco.K Calor latente de fusão: 108 . Aplicações As suas aplicações baseiam-se essencialmente como películas protetivas em metais. é imersa em zinco fundido.zincagem a quente por imersão (galvanização). a qual leva. Os principais processos de proteção de revestimento de zinco são: .42 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 80 .0.1 . . em presença de ar úmido.265 cal. cerca de 3 dias a se formar. onde a peça.40 MPa.1 . isto é. como o aço. Figura 8. corroendo-se e protegendo assim o aço ou qualquer outro metal.5 GPa Limite elástico: 160 -421 MPa Tenacidade a ruptura: 18.s . Assim é usado em coberturas.5 . Losekann Direitos autorais reservados Condutividade térmica: (20 C): 0. 112 . em atmosfera seca. Cláudio R. Revestese de uma camada de hidrocarbonato que protege o metal subjacente. Em relação ao seu potencial eletroquímico confere uma aplicação importante na proteção superficial.397 J/kg.

Funde-se a 327ºC. É facilmente laminado. de acordo com o teor de alumínio e outros elementos. A boa fluidez permite a fundição de peças de formas complexas com paredes finas. Cu. quase puras. sobretudo chumbo e cádmio. etc. formando um par galvânico que dá lugar a forte corrosão em atmosfera úmida. Estas impurezas.LIGAS DE ZINCO O zinco entra na composição de numerosas ligas como componente secundário ou componente menor . geralmente até 4% de Al e até 3% de Cu para melhorar as propriedades mecânicas e a corrosão. componentes de relógios. alto coeficiente de expansão térmica. A liga zamac é a que tem maior importância. Losekann Direitos autorais reservados 9. É bom condutor de eletricidade embora não seja magnético e mau condutor de calor. pois é o mais mole dos metais pesados. Dr. aspiradores. carburadores. O magnésio pode ser adicionado. A fabricação destas ligas exige matériasprimas. mecânicas e de fundição associadas à capacidade de serem facilmente revestidas por eletrodeposição (cobre. — mas este elemento tem também interesse como componente principal em ligas para fundição e ligas para forjamento e estampagem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Sn e Pb. O principal minério do 113 . A fluidez no estado líquido e as propriedades mecânicas são melhoradas pela adição de Al. componentes de aparelhos eletrodomésticos. O magnésio contraria este efeito e refina o grão. manômetros. É resistente a água do mar e aos ácidos. facilidade em fundir e formar ligas com outros elementos. Outras propriedades que permitem grande variedade de aplicações são: elevado peso específico. dobradiças. com teores de até 0. porém dúctil e maleável. componentes de equipamentos elétricos.2 . boa condutividade elétrica. flexibilidade.1 . estas ligas são as de maior utilização devido as suas particularidades físicas. níquel e cromo) ou por pinturas com tintas e vernizes. engrenagens. Os zamacs são extremamente sensíveis às impurezas.05%. antifricção. precipitam-se nos contornos de grão.1 . fechaduras. Pode ser endurecido em liga com enxofre ou antimônio.2.LIGAS DE ZINCO E ALUMÍNIO De todas as ligas não-ferrosas para fundição por injeção. 10 .INTRODUÇÃO O chumbo é um metal de cor acinzentada pouco tenaz. 9. brinquedos. maçanetas.CHUMBO E SUAS LIGAS 10. Oxida-se com facilidade em contato com o ar. principalmente o zinco.latão. Cláudio R. As principais aplicações destas ligas encontram-se em: componentes de automóveis como radiadores. Na sua maior parte esta liga tem composições hipoeutécticas. mas é fortemente atacado por substâncias básicas. como inibidor da corrosão intergranular. alpacas. roldanas.2.

45 Dureza: 1. 10. como a água da chuva.21.01mm. retirada da prata.35.5 .0.50 MPa Tenacidade a ruptura: 30 . E.m] Condutividade térmica: (20 oC): 28 .2 . esse minério possui também prata .15K] Ponto de ebulição: 1. é na fabricação de baterias. o chumbo recobre-se de uma camada protetora de Pb20 e de hidrocarbonato. ou seja. entretanto.K Calor específico: 159 .0. É também material utilizado como dispositivos de balanceamento de massa em rodas automotivas. redução dos óxidos.PROPRIEDADES DO CHUMBO E SUAS LIGAS Propriedades físicas Massa atômica: 207.88.3. Ele pode ser laminado a espessuras de até 0.50 MPa.3 x 10-6/ oC [28 .5 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 g Peso específico: 11.492 nm o Ponto de fusão: 327 C [600. Losekann Direitos autorais reservados qual o chumbo é extraído é a galena (PbS). devido é existência de sulfatos e/ou de carbonatos forma-se também uma camada insolúvel de sulfato e/ou carbonato de chumbo que permite o emprego deste metal em condutas de água potável sem perigo de toxicidade. pelo contrário.150 MPa] Módulo de cisalhamento: 4. prata e antimônio.3 W/m.44 .1 . cujo teor de chumbo varia entre 1 e 12%. desargentação. Devido o seu baixo ponto de fusão e elevada maleabilidade. o chumbo e moldado com 114 .170 J/kg.6 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 16. Ao chumbo pode-se acrescentar os seguintes elementos de liga: cobre. Dr.50 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 .O processo de obtenção do chumbo tem várias etapas. Sua maior utilização (80%).K Calor latente de fusão: 23.106 /K] Resistividade: (20 oC): 20.10-8 Ω.61 .6 HB [16 . a = 0. formação do aglomerado.5 .749 oC Coeficiente de dilatação térmica linear: (20 oC): 28 . é atacado por água muito pura. Cláudio R.34 kgf/dm3 Estrutura cristalina (20 oC): α CFC. Resistente ao ácido sulfúrico pouco concentrado.29. destilação a vácuo e refino. Na água.2 .29.cm [20.Em geral. Aplicações Devido ao seu elevado peso específico é usado como contrapeso em determinados equipamentos e nos lastros de navios.2 .25 kJ/kg Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.60 MPa Alongamento: 60 % Propriedades químicas Ao ar. mas as principais são: concentração por flotação.8 % Coeficiente de Poisson: 0.18 GPa Limite elástico: 5.61 µΩ.m1/2 Tensão de compressão: 5.

Dr. em ligas para fabricação de mancais. Todavia. antimônio e estanho.Com adição de até 2% de prata apresenta boa resistência a corrosão por água salina e tem como principal aplicação a proteção catódica de equipamentos marinhos. Com composições maiores ou menores. É empregado também em juntas para vedação.É o tipo de liga que apresenta um eutéctico com 11. e ligas de chumbo com adição de bismuto. - - Ligas de chumbo e prata . A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. podendo ser utilizada em alguns tipos de fusíveis. utilizados como fusíveis e sistemas anti-incêndio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 6 a 12% de Sb.2 % de Sb a uma temperatura de 251 oC. Com esta composição a liga muda de estado sólido para líquido de forma rápida ao atingir aquela temperatura.É o tipo de liga usada para soldas elétricas que.Diagrama de fases da liga Pb-Sb. O Chumbo é usado como isolante acústico e amortecedor de vibrações e isolante de radiações X e γ devido a sua massa atômica. gaxetas e arruelas. para placa de acumuladores e acessórios isolantes de radiações. As ligas de chumbo e antimônio podem ter composições de 1 a 3% de Sb. usadas como ligas antifricção. Outras ligas . com teores de estanho próximo do eutéctico ( 62 % de Sn). Cláudio R. o que provoca falhas em certas aplicações como tubulações de esgoto de grande extensão.183 oC. usado para revestimento de cabo e laminados como folhas de chumbo. em alguma casos. A figura abaixo mostra o diagrama de fase da liga binária Pb-Sn. Losekann Direitos autorais reservados facilidade.006% de cobre apresenta boa resistência a corrosão e tem como principal aplicação construção de equipamentos para ácido sulfúrico. 115 . produz a menor temperatura de fusão . passa a ter uma passagem pastosa.Diagrama de fases da liga Pb-Sn. antimônio e estanho. Figura 10. - Ligas de chumbo e antimônio .Ligas de chumbo.1 . cádmio. Ligas de chumbo e cobre .Com adição de até 0.2 . Ligas de chumbo e estanho . Figura 10. a estricção local. o baixo valor da tensão limite de fluência produz.

363 Dureza: 21 . Dado a transformação e fazendo-se o reaquecimento acima daquela temperatura.10-8 ohm.15.35 . O estanho forma soluções sólidas com a maior parte dos metais.05 .8 kgf/dm3 Resistividade: 12.4 % Coeficiente de Poisson: 0. Dr. Resiste bem aos ácidos orgânicos. É um metal macio mas muito maleável.4 .K Calor latente de fusão:59.19 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 44 .53 GPa Limite elástico: 7 . Como a velocidade de transformação é muito baixa. São prejudiciais o zinco e o magnésio.23. A baixa temperatura de transformação alotrópica (16 oC) é chamado de doença do estanho.59 .225 J/kg.0.5 10-6/K Condutividade térmica: 30 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 W/m. o sentido da reação muda.K Ponto de fusão: 400 . mas se o estanho for conservado abaixo de 16 oC em um período muito longo.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 14 .504.60 MPa Propriedades químicas Oferece boa resistência a corrosão. Em virtude de sua baixa temperatura de recristalização não endurece por deformação a frio. mas acelera o processo de crescimento de embriões que pode ser impedido pelo bismuto. só é significativo a temperaturas abaixo de 0 oC. os embriões (pequenos cristais) de estanho cinzento são recristalizados. A adição de 2% de prata baixa o ponto de transformação alotrópica para 10 oC. Cláudio R. cádmio.28 .ESTANHO A característica de maior interesse é o seu baixo ponto de fusão que baixa consideravelmente o ponto de fusão em ligas. antimônio e chumbo. 116 . sempre que a temperatura se eleva acima de 16 oC. entretanto como o tempo de transformação completa é relativamente longo. quebradiço e pulverulento devido é grande variação de volume que acompanha a transformação.m1/2 Tensão de ruptura por compressão: 7 . formam-se manchas localizadas de estanho cinzento.0. e o cobre baixa esta temperatura para -30 oC.135 MPa Módulo de cisalhamento: 15 .66. Losekann Direitos autorais reservados 11 .9 K Peso específico: 7. Propriedades físicas Calor específico: 213 . É inalterável ao ar e é água.1 .85.OUTROS METAIS 11. mas o metal conserva-se em pó.45 Tenacidade a ruptura: 20 . alumínio.60 kJ/Kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 23 .35 MPa.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.

Dr.folhas de estanho.49 10-8 ohm. tubos extrudados e objetos decorativos. permitindo o revestimento de outros metais como: . elemento de liga em aços. Para a indústria de alimentos. 11.7.13.K Ponto de fusão: 2. .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.para ligas antifricção e bronzes.para a fabricação de soldas.Aplicações do cromo.5 10-6/K Condutividade térmica: 78 .1 .2 . Para a estanhagem. usinagem.5% de impurezas no estanho.6.518 J/kg.208 .0.2 % Coeficiente de Poisson: 0.15 .CROMO Aplicações: Revestimentos protetores. uniões.262 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 6. Processos: eletrodeposição.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. outros.0. .212 117 . Figura 11.140K Peso específico: 7. Propriedades físicas Calor específico: 495 .88 . o estanho pode conter até 2% de impurezas. as folhas de flandres devem ser fabricadas com um máximo de 0.94 W/m. .K Calor latente de fusão: 258 .130 -2. Cláudio R. superlotas. eletrodeposição.18 kgf/dm3 Resistividade:12. Losekann Direitos autorais reservados Aplicações As principais aplicações do estanho devem-se ao seu baixo ponto de fusão e da sua resistência corrosão.03 .estanhagem de chapa de aço (folha de flandres).3 .

ferramentas de corte.5. combustível nuclear.19. Cláudio R.411 GPa Limite elástico: 500 . usinagem.0.580 MPa Tensão de ruptura por tração: 550 .920 MPa 118 . uniões.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.6.K Ponto de fusão: 3. Losekann Direitos autorais reservados Dureza: 1.200 MPa Módulo de cisalhamento: 100 .10-8 ohm.286 GPa Limite elástico: 350 . Processos: fundição.120 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 279 . outros.3 kgf/dm3 Resistividade: 5.2 .m1/2 Tensão de compressão: 350 .580 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .40 MPa.300 -2.000 .3 % Coeficiente de Poisson: 0.26 . Dr.Aplicações da tungstênio.5 .140 J/kg. contatos elétricos. Propriedades físicas Calor específico: 133 . alvos de raio-x.000 MPa Módulo de cisalhamento: 160 .500 .5.37 .TUNGSTÊNIO Aplicações: Filamentos de lâmpadas incandescentes.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.430 MPa Tenacidade a ruptura: 20 .28 Dureza: 3.175 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 380 .3 .K Calor latente de fusão: 190 .690 MPa 11.680K Peso específico: 16 . Figura 11.026.30 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 500 .3 10-6/K Condutividade térmica: 130 -173 W/m. ligas de aço.02 . conformação.430 MPa) Tensão de ruptura por tração: 400 .1.3.0.194 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 4.

contatos elétricos. moedas. revestimentos protetores.K Calor latente de fusão: 100 . outros.818.330 MPa 11. Processos: conformação.4 .3 .950 MPa Módulo de cisalhamento: 29 .PRATA Aplicações: contatos elétricos. implantes.8 kgf/dm3 Resistividade: 1. 119 .7.K Peso específico: 6.3 .6 . Dr. medalhas.180 MPa Tensão de ruptura por tração: 172 .5 .240 J/kg.9 . uniões. Cláudio R.m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.180 MPa Tenacidade a ruptura:60 .622 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.19. joalharia.90 Tensão de ruptura por compressão: 30 . próteses dentárias.369 Dureza: 250 . Losekann Direitos autorais reservados 11.0. uniões. fotografia. Figura 11. outros.429 W/m.10-6/K Condutividade térmica: 350 .31 GPa Módulo de elasticidade longitudinal: 78 .Processos: fundição. usinagem. Propriedades físicas Calor específico: 234 . condutores.10-8 ohm.106 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 18.6.2.Aplicações da prata.84 GPa Limite elástico: 30 .6 % Coeficiente de Poisson: 0.0.365 . usinagem. circuito impresso. fundição.OURO Aplicações: Joalharia. revestimento de equipamentos químicos. conformação. espelhos.

8 .0.K Calor latente de fusão: 64.200 MPa Tensão de ruptura por tração:130 .m1/2 Tensão de compressão: 40 .29 GPa Módulo de elasticidade: 78 .188 .10-6/K Condutividade térmica: 310 .19.340K Peso específico: 19.32 kgf/dm3 Resistividade: 2.10-8 ohm.42 Dureza: 200 .m Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Propriedades físicas Calor específico: 129 .K Ponto de fusão: 1.70 kJ/kg Coeficiente de dilatação térmica linear: 14 .340 .5 % Coeficiente de Poisson: 0. Losekann Direitos autorais reservados Figura 11.600 MPa Módulo de cisalhamento: 26 . Dr. Cláudio R.203.3 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.318 W/m.79 GPa Limite elástico: 40 .131 J/kg.2.220 MPa 120 .41 .80 MPa.Aplicações do ouro.200 MPa Tenacidade a ruptura: 50 .2.1.4 .14.

Cláudio R.1 .Monômeros. c) Neopentano. c) eteno. c) isobutano.Monômeros. Losekann Direitos autorais reservados 12 . butano e etc.INTRODUÇÃO Para conceituar polímeros é melhor definir antes os monômeros. a) metano.1 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 121 . etano. a) CH3CH2CH3 b) CH3(CH2)2CH3 c) (CH3)3CH Figura 12. Dr. a) CH3CH2CH(CH3 b) CH3(CH2)3CH3 c) (CH3)4C Figura 12. Exemplos típicos de monômeros são os hidrocarbonetos básicos como metano. b) etano. a) propano.2 .Monômeros. propano. b) Isopentano. a) CH4 b) CH3C c) CH2CH2 Figura 12. b) n-butano.POLÍMEROS 12. Os monômeros são moléculas de cadeia pequena. a) n-pentano.3 .

Polímeros. O número de vezes que se repete a unidade básica na molécula do polímero representa o grau de polimerização. É o que ocorre. caracterizadas pela repetição de uma unidade básica mero). formando outras maiores que contêm os mesmos elementos na mesma proporção que as pequenas.4 – Representação de polímero. liberando água como um subproduto da reação: 122 . todo material que intervém na reação é convertido em polímero. por exemplo. os compostos cuja molécula é constituída pela associação de diversas moléculas de outro composto mais simples através da reação de polimerização (reação em que duas ou mais moléculas menores (monômeros) reagem entre si. Dr. liberando algum produto secundário. na qual um monômero não saturado. são formados por reações de adição. Exemplo: o polietileno que tem sua estrutura molecular representada pela fórmula geral abaixo. Nesta reação. Grau elevado de polimerização assegura melhores propriedades físicas do produto. e em presença de um catalisador adequado. são conhecidos como homopolímero. Cláudio R. em que dois reagentes geram o polímero. Losekann Direitos autorais reservados Observando os monômeros. As reações de polimerização podem ser de dois tipos: aditiva e condensada. sob condições bem definidas de temperatura e pressão. ou de policondensação. o peróxido de benzoíla atua como catalisador. especialmente os vinílicos. a partir De benzoíla do cloreto de vinila: n n cloreto de vinila policloreto de vinila Figura 12. Outros polímeros são produzidos em uma reação condensada. Certas famílias de poliamidas (náilons) são obtidas pela condensação de um ácido adípico com uma diamina. conceitua-se polímeros. em cujas moléculas comparecem apenas um tipo de unidade básica. Muitos polímeros. polimeriza pela ruptura de uma ligação covalente dupla. na produção do policloreto de vinila ou Peróxido PVC. Figura 12. também sob condições de temperatura e pressão controladas e na presença de um catalisador adequado.5 – Reação de polimerização do policloreto de vinila. Quando há dois ou mais meros distintos na molécula é dito copolímero.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. gerando meros que se interencadeiam. ou seja. sem liberar qualquer produto secundário.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. as ramificações tendem a diminuir as interações entre as mesmas. Certas propriedades dos polímeros. c) cadeias com ramificações transversais ou cruzadas. um macrocristal de SiO2. formando reticulados tridimensionais ou ligações cruzadas.2 – PROPRIEDADES 12. a) Cadeia linear. Dr. em virtude destas diferentes configurações moleculares. são afetadas. Em outras palavras.2. A figura abaixo representa estas condições. b) cadeia com ramificações incompletas.1 . os polímeros podem ser divididos em plásticos e elastômeros. Cláudio R. a) b) c) Figura 12. Losekann Direitos autorais reservados Ácido acético n Ácido adípico Hexameilenodiamina + n (H2O) n Polihexametileno adipamida (náilon 66) Figura 12.6 – Reação de copolimerização do náilon 66. Usa-se muito o termo polímero para representar os produtos derivados do petróleo ou hidrocarbonetos naturais (derivado de plantas). Assim. com isso impedindo a formação de cristalitos e afetando as propriedades mecânicas.MORFOLOGIA Os polímeros podem apresentar moléculas sem ramificações (lineares) ou com ramificações. que se forma através de polimerização. entretanto é considerado também um material cerâmico. pode ser considerado um polímero. As ramificações podem ser constituídas de cadeia linear básica ou que promovam a interligação de diferentes cadeias lineares. Ao dificultarem a aproximação das moléculas.7 – Representação das cadeias poliméricas. Desta forma. átomos ou compostos. os polímeros são cadeias longas de um determinado conjunto de moléculas. A formação de 123 . 12. especialmente a fusibilidade e a solubilidade.

causada pela diminuição de temperatura. por outro lado. cristalina ou cristalina e orientada. O termo técnico microestrutura é pouco utilizado pelos especialistas em materiais e é preferido o termo morfologia. aumentando a resistência mecânica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os radicais méricos podem estar arranjados de três maneiras. Em temperaturas acima do ponto de amolecimento. Cláudio R. A estrutura molecular dos altos polímeros pode ser amorfa. O grau de cristalinidade de um polímero depende muito da distribuição geométrica dos radicais méricos no espaço. conforme é ilustrado abaixo. os termoplásticos apresentam-se freqüentemente cristalinos. embora existam termoplásticos totalmente amorfos. Os polímeros termorígidos são totalmente amorfos. separadas por regiões amorfas. Por exemplo. Os materiais poliméricos totalmente cristalinos são muito raros e tem pouco significado econômico. dando um produto infusível e insolúvel. Dr. Losekann Direitos autorais reservados ramificações tridimensionais impede o deslizamento relativo das moléculas. com as moléculas em forma de novelo e caótico. é possível obter-se pequenos cristais de polietileno por meio de precipitação em toluol. certas resinas tendem a se dispor em regiões cristalinas (cristalitos) aleatoriamente orientadas.8 – Formas isoméricas. Com o resfriamento. Os cristalitos satisfazem aos requisitos geral de cristalinidade – um arranjo ordenado das moléculas que exibem franjas de interferência definidas ao raio-X. 124 . todas as estruturas apresentam estruturas amorfas. a)Polímero isostático b) Polímero sindiostático c) Polímero atático Figura 12.

enquanto que as regiões amorfas conferem elasticidade. Os termoplásticos podem ser endurecidos ou amolecidos reversivelmente. Quando não existe regularidade na distribuição dos radicais. As regiões cristalinas são mais densas. portanto. o arranjo é denominado atático. que crescem radialmente em direção à região amorfa adjacente. Se um termoplástico é aquecido. mas sim uma mistura deles. estas interações são mais enfraquecidas. Losekann Direitos autorais reservados Quando o radical localiza-se sempre do mesmo lado da cadeia diz-se que o arranjo é isostático. Um novo aquecimento novamente torna-o amolecido para moldagem. permite um controle das propriedades mecânicas e óticas da peça. Dr. Quando a cristalização é nucleada em uma resina rapidamente resfriada. que se evidencia por uma sensível transparência progressiva de certos polímeros. Figura 12.2 – COMPORTAMENTO À MOLDAGEM Os materiais poliméricos podem ser classificados em duas categorias: termoplásticos ou termoestáveis (termofixos. razoável nos sindiotáticos e pequena nos atáticos.2. O resfriamento restabelece as forças de ligação intermoleculares. possuírem moléculas com cadeia predominantemente linear. a cristalização pode ser facilitada através de aplicação de tensões externas e desaparece gradualmente com aquecimento. eventualmente apresentam ramificações. que depende das condições de moldagem. a deformação do polímero amolecendo-o. flexibilidade e. alcançando dimensões que podem ser alguns micrômetros de diâmetro. tornando-o rígido novamente. A propensão a cristalização é maior nos arranjos isostáticos. A figura abaixo representa estas condições de cristalinidade. 125 . maciez. Os termoplásticos caracterizam-se por. e apresentam maior rigidez e resistência mecânica e térmica. termoduros). Em alguns materiais poliméricos. Cláudio R. como a borracha.9 – Cristalinidade em polímeros. ao completar-se a polimerização.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 12. A distribuição das regiões cristalinas em um polímero parcialmente cristalino é objeto de pesquisa. transparência. Se o radical localiza-se dos dois lados da cadeia de forma organizada e repetitiva. tornando possível a movimentação relativa das moléculas e. podem desenvolver-se regiões esféricas contendo material cristalino (esferulitos). diz-se que o arranjo é sindiotático. às vezes. desde que não seja superada sua temperatura de degradação. Um controle do teor de esferulitos. Os polímeros raramente apresentam apenas um único tipo de arranjo.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O primeiro estágio. misturados à resina previamente à moldagem. principalmente nos plásticos. reduzindo a aderência do polímero às superfícies metálicas do molde. em que devem ser solúveis. lubrificantes e agentes antiestáticos Plastificantes são. e de baixo peso molecular. Quando. 12. que são adicionados às resinas. principalmente. Exemplos de catalisadores são o peróxido de benzoíla e ácido acético na 126 . A serragem e pós-metálicos são utilizados para reforçar e economizar resina. Os lubrificantes têm a finalidade de auxiliar no processo de moldagem. Catalisadores são substâncias químicas que. fornece ao produto composto que pode apresentar propriedades distintas da resina original. as moléculas reagem entre si ou com o agente de cura. aumentam consideravelmente a velocidade das reações químicas ou retardam uma reação que. A cura pode ser induzida à temperatura ambiente. Dr. geralmente. desde que sejam fornecidas as condições adequadas ao seu desencadeamento. cujas moléculas apresentam cadeias lineares ou ramificadas. A adição de um ou mais plastificantes. por causa do calor ou de um agente de cura ou mesmo de um catalisador. fibras de vidro e de carbono que tem por objetivo também de melhorar as propriedades mecânicas. corantes e pigmentos. ou seja. ao nível do fabricante do produto. Os polímeros termoestáveis geralmente apresentam melhor resistência à temperatura. adicionadas em pequena quantidade. estabilidade dimensional. resistência química e propriedades elétricas superiores às dos termoplásticos. estabelecendo ligações transversais que produzem complexas moléculas tridimensionais. os seguintes: plastificantes. são inconvenientes. cargas. em proporções adequadas. por ocasião da moldagem. Mica e asbesto são usados para melhorar características dielétricas. Entre esses ingredientes adicionais incluem-se. a fim de melhorar seu comportamento plástico.2. agentes de cura. produz um composto intermediário. os plásticos tendem a se degradar com o tempo quando estão expostos a ação de raios ultravioletas e da ação do oxigênio. Losekann Direitos autorais reservados Os termoestáveis apresentam um comportamento inverso do termoplástico. Carga ou enchimento é um aditivo utilizado com finalidades específicas. produtos líquidos de alto ponto de fusão e baixa taxa de evaporação. retardantes de chama. estabilizadores. que são altamente estáveis à temperatura e à deformação. Aditivos antioxidantes tem por objetivo retardar o envelhecimento do plástico. catalisadores.3 . Outros tipos de carga são tecidos. A degradação torna os polímeros quebradiços e porosos. A polimerização desses materiais ocorre em dois estágios.ADITIVOS Para a produção de peças em material plástico são utilizados ingredientes adicionais. Cláudio R. A polimerização completa ocorre num segundo estágio. com finalidades variadas. agentes de esponjamento. em determinados casos. Corantes e pigmentos tem a finalidade de conferir cores aos polímeros.

a resina fenol-formaldeído é obtida no primeiro estágio da polimerização pela reação condensada do fenol com o formaldeído. ajudam a reduzir as cargas eletrostáticas na superfície. Por exemplo. que sob temperatura adequada (160 oC) e pressão (7 MPa) se decompõe em formaldeído e amônia. Cláudio R. Ao contrário dos catalisadores. no segundo estágio. Um destes agentes é o trióxido de antimônio usado em materiais de construção e em fibras têxteis. que estimulam as reações sem participar das mesmas. que reduz o risco de inflamação nos polímeros. A amônia atua como catalisador. Os agentes de esponjamento são aditivos empregados na produção de compostos poliméricos como as espumas expandidas. quando a mesma é pretendida. quando empregados nos polímeros. Agentes de cura são aditivos que servem para desencadear a reação de cura dos termoestáveis. e o formaldeído como agente de cura. pela adição de hexametileno-tetramina. Os agentes antiestáticos são aditivos que. com exceção do PVC e de alguns elastômeros. Eles possuem moléculas cujos terminais reagem com posições intermediárias ou terminais da cadeia principal das moléculas da resina. estabelecendo assim as ligações transversais que geram complexos tridimensionais. A cura é desencadeada. estabelecendo as ligações transversais numa reação condensada. Dr. Os retardantes de chama são adicionados por razões óbvias de segurança. + n H2 O n Fenol Formaldeído Fenol-formaldeído n 1 → Amônia 2 Figura 12.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.10 – Reação do baquelite. visto que os polímeros têm por natureza a flamabilidade. Elas provocam a expansão 127 . os agentes de cura participam ativamente da reação de cura. Losekann Direitos autorais reservados produção de PVC e náilon 66 respectivamente.

a partir da qual as cadeias moleculares das regiões amorfas se afastam e adquirem. Losekann Direitos autorais reservados do polímero plastificado pela geração de um gás. tenaz e quebradiça. 12. 128 . em torno de uma temperatura “tg” que é característico para cada polímero. 0 20 40 t 60 100 120 tm 80 g (curva E-F-C-D). amorfo. O material D dessas regiões passa a 7 C comportar-se como fluido cada vez menos viscoso. figura 12. o material se dilata progressivamente. B) região viscosa. As regiões amorfas. se comportam similar aos vidros (curva A-B-C-D). mas de magnitudes diferentes nas regiões amorfas e cristalinas. como conseqüência a decomposição do aditivo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2. Temperatura característica de sólido semicristalino. Enquanto isto. Cláudio R. Os agentes de esponjamento utilizados geralmente são substâncias orgânicas nitrogenadas. passa por uma região de transição. B 6 Alguns polímeros F A 5 comportam-se com uma E região brusca de variação 4 do volume específico. rígida.deve coincidir com o momento de maior plasticidade do polímero. A figura que segue mostra uma curva típica do índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero linear. com uma temperatura denominada 2 de moldagem ou fusão. como o AZDN (azobisdiisobutironitrila ). se o aquecimento for lento e se o polímero for susceptível de cristalizar. F) região viscosa com cristalitos. é relativamente dura. Volume específico A maior mobilidade das cadeias moleculares pode.12 – Curvas de volume específico em função da temperatura. quando a temperatura é elevada.11 – Reação do agente de esponjamento. A) região vítrea. conhecida como transição vítrea.12. A liberação deste gás – nitrogênio ou dióxido de carbono . devido o aumento da mobilidade das cadeias. em virtude de apresentar pouca mobilidade de suas moléculas. Figura 12. que se decompõe na forma: Figura 12. Dr. promover um momentâneo aumento do índice de cristalinidade que prosseguindo o aquecimento torna a cair este índice.4 – PROPRIEDADES TÉRMICAS Uma massa de polímero mantida a temperatura suficientemente baixa. Aumentandose progressivamente a temperatura. aos poucos. E) região com cristalitos na região vítrea. 8 sua mobilidade. 3 tornado-se fluido. nestas condições. C e D) região líquida com baixa viscosidade.

Figura 12. Losekann Direitos autorais reservados Prosseguindo o aquecimento. É acima desta temperatura que se pode moldar o material. Certos materiais (polietileno. conhecida como temperatura de fusão cristalina. o polímero se 0 20 40 60 80 100 tm 120 tg degrada ou queima. polipropileno) apresentam temperaturas de transição vítrea bem abaixo das temperaturas ambientes usuais. resistência à abrasão e fadiga são fundamentais. Materiais como policarbonatos e o polistireno são frágeis e quebradiços por que suas temperaturas de transição vítrea se situam bem acima das temperaturas ambiente usuais.2. como materiais flexíveis. é perigoso 25 oC 40 projetar com dados de ensaios 50 oC de curta duração. A figura ao 20 lado mostra o comportamento de um mesmo material polimérico 0 submetido a ensaio de tração em 0 6 12 18 24 30 diferentes temperaturas. Mas se 2 a temperatura continuar a aumentar. Deformação (%) próximas da ambiente. Cláudio R. Estes materiais não são adequados à produção de fibras.13 – Curva índice de cristalinidade em função da temperatura para um polímero cristalino. também característica para cada 5 tipo de polímero. Figura 12.14 – Comportamento ao ensaio de tração de um polímero linear. fluência. atinge-se uma temperatura “tm”. Por isso.25 C de uma determinada peça 80 quando submetidos a esforços 0 oC mecânicos a temperaturas 60 ambiente. e se apresentam.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 12.5 – PROPRIEDADES MECÂNICAS Várias propriedades mecânicas devem ser levadas em conta ao escolher um material polimérico em um determinado projeto. Dr. na qual desaparecem as regiões cristalinas e a partir da 4 qual o material passa a comportar-se mais ou menos como um líquido 3 viscoso. Tensão de ruptura. por isso. em Temperatura uma reação irreversível. resistência ao impacto. Tensão de ruptura à tração (MPa) Índice de cristalinidade 129 . Um material polimérico pode sofrer deformações progressivas 100 o que podem afetar o desempenho .

Materiais de origem orgânica sintética resultam de processos químicos e de sínteses. a palavra plástico é um termo geral que significa “capaz de ser moldado”. geralmente de origem orgânica.870. portanto. 12. Leo Hendrik Baekeland. Durante várias décadas este material teve grande utilização na fabricação de pentes. a partir de matérias primas orgânicas simples. conseguiu viabilizar um método de reações controladas de polimerização. Losekann Direitos autorais reservados O comportamento dos plásticos ao impacto é também bastante variável e fortemente dependente da temperatura e. Vários pesquisadores em meados de 1. Este produto posteriormente denominou-se de Baquelite. através da ação de calor e pressão.800 procuravam um material para substituir o marfim para fabricação de bola de bilhar. após a Segunda Grande Guerra mundial. principalmente. Os materiais geralmente designados como plásticos não tem. A partir deste período e. cuja superfície detinha a impressão exata do fundo da autoclave. nos Estados Unidos da América. sintetizando resina de fenol-formaldeído. bonecas. necessariamente. durante o momento de sua moldagem. em 1. e que denominou de Celulóide. Materiais artificiais são aqueles provenientes de misturas e reações. Há. O produto obtido tinha cor de âmbar. a tenacidade deve ser levado em conta nos projetos nas quais os mesmos podem ser submetidos a impactos. John Weley Hyatt. ele acelerou o processo em autoclave a uma temperatura de 200 o C. qualquer que seja o número de ciclos de carga aplicada. com a vantagem de ser mais estável e não inflamável como os primeiros. Cláudio R. em 1. sendo distintos dos materiais de ocorrência natural (como madeira. com isso. em algum estágio de sua fabricação adquiriram condição plástica. bolas de tênis de mesa e filmes fotográficos. mas apresentam esta propriedade em algum momento da fabricação. quando foram moldados. areia ou minérios). que.862. os polímeros tiveram avanços significativos. certa arbitrariedade na conceituação deste tipo de material. abaixo da qual não ocorre falha por fadiga.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. os plásticos são radicalmente distintos dos aços. visto que os aços apresentam uma amplitude máxima de tensão de trabalho. Em vez de retardar a polimerização. Os materiais plásticos são materiais artificiais. com o emprego de molde. Quanto à resistência à fadiga.907. esta propriedade. Alexandre Parkes patenteou sua invenção com nome de Parkesina que tratava-se de um material celulósico (resíduo de algodão) com ácidos nítrico e sulfúrico na presença de óleo de rícino. estudando a polimerização e condensação.PLÁSTICOS Da mesma forma. criando um produto que se tornou economicamente viável. dentaduras artificiais. patenteou um processo alternativo de fabricação na qual substituía o óleo de rícino por cânfora. Em 1. Outros materiais como o aço e o vidro também apresentam essa característica e não são classificados como plásticos.3 . 130 .

e outras técnicas. Os copolímeros. Figura 12.3. Cláudio R. Polifenilênicos 15. Losekann Direitos autorais reservados As borrachas naturais ou sintéticas possuem características que se assemelham aos plásticos. Poliamidas 17. Há mais de quarenta famílias de termoplásticos e dez diferentes famílias básicas de termoestáveis entre os plásticos mais comuns de uso em engenharia. derivados de um mesmo plástico básico. onde “X” representa um radical monovalente que caracteriza a resina. Poliésteres 18. ampliam o número de materiais plásticos disponíveis ao usuário. Polialômeros 14. Fluoroplásticos 11. Silicones 16. Fenólicos 13. Os plásticos mais comuns em engenharia podem ser dividas em 19 famílias que são: 1.POLIOLEFINAS A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos é representada pela figura ao lado. permitem alterar consideravelmente o comportamento de certos polímeros. Técnicas de irradiação com ultravioleta. Poliolefinas comuns Polímero Polietileno Polipropileno Policloreto de vinila Polistireno Abreviatura PE PP PVC PS Radical X 131 . Poliolefinas (resinas 2. Alílicos vinílicas) 4.1 . Dr. misturas e versões quimicamente modificadas. mas também possuem características próprias que as distinguem dos mesmos e por isto são denominados de elastômeros. Celulósicos 8. O quadro abaixo mostra alguma das poliolefinas mais comuns e seus radicais. gerando novos produtos.15 – Fórmula geral da poliolefina. Aminoplásticos 7. Poliimidas 6. Epoxídicos 10. Policarbonatos 3. Poliuretanos 12. Polioximetilênicos 9. O uso de diferentes tipos de aditivos gera uma variedade de produtos distintos. e “n” indica o grau de polimerização. Acrílicos 5.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Polissulfonas 12. Éteres poliarílicos 19.

obtêm-se o polietileno de baixa densidade (0. termoformagem. para PEAD de alta massa molar. Polytech. notação Izod).D 70 Shore Módulo de cisalhamento: 0. cabos e cordas para empacotamento.(CH2)n . 025 .3 – 0.42 Dureza: D60 .3 – 1. Com pressões menores ( < 30 atm) e temperaturas de 40 a 150 oC. para PEAD de baixa massa molar. etc.6 GPa Resistência ao impacto: 150 . extrusão. Polialden.2 .8 – 1.000 atm) e temperaturas na faixa de 100 a 300 oC.46 GPa Módulo de elasticidade: 0.000 a 2. não sendo adequado para os processos de injeção e extrusão.1 MPa Tensão de compressão: 30 . tanques de combustível para veículos automotores. usinagem.91 a 0.200 (J/m. Losekann Direitos autorais reservados Poliacetato de vinila PVAC Polibuteno-1 PBT Poli-4-metilpenteno. Sob pressões elevadas (1.945 a 0. Cláudio R.40 MPa 132 .5 % Coeficiente de Poisson: 0.40 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 . O polietileno de peso molecular ultra elevado (PELUAPM) é caracterizado pela sua elevada viscosidade à fusão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.93) [moléculas bastante ramificadas]. obtêm-se o polietileno de alta densidade (0.m1/2 Tensão de escoamento: 23 – 33. filmes para embalagens.945) é obtido sob condições intermediárias. isolantes flexíveis para cabos elétricos e recipientes produzidos por injeção.93 a 0. Limite elástico: 20 . extrusão ou sopro. moldes para injeção canos e tubos.080 (J/m. Dr. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1. outros. OPP. O polietileno de média densidade (0.4 MPa. Fornecedor: Ipiranga Química IPQ.96) [moléculas longas lineares]. Polietileno de Alta Densidade – PEAD .PMP 1 Álcool polivinílico PVAL O polietileno (PE) é um termoplástico tenaz usado na fabricação de diversos brinquedos.4 – 0. Aplicações: embalagens finas.28 (MPa) Tenacidade a ruptura: 2. Processos: injeção. notação Izod). sopro.

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Propriedades térmicas Calor específico: 2.200 J/kg Dilatação térmica: 100 - 120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,45 – 0,52 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 160 - 165 K Temperatura máxima de serviço: 340 - 370 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,01(%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,941 – 0,965 gf/cm3 Índice de refração: 1,54 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,3 – 2,4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1015 ohm.m) Polietileno de Baixa Densidade – PEBD - (CH2)n. Aplicações: embalagens de alimentos e de produtos de limpeza, sacos de lixo, sacolas plásticas, plasticultura. Processos: injeção, sopro, laminação, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Ipiranga Química, OPP, PPH. Propriedades mecânicas Ductilidade: 3,5 - 4 % Coeficiente de Poisson: 0,43 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,28 – 0,3 Dureza: D41 - D46 Shore Módulo de cisalhamento: 0,05 – 0,09 GPa Módulo de elasticidade: 0,1 – 0,25 GPa Resistência ao impacto: Não quebra. Limite elástico: 6 - 10 MPa Tenacidade a ruptura: 2 – 2,3 MPa.m1/2 Tensão de escoamento: 6,9 – 15,9 MPa Tensão de compressão: 15 - 25 MPa Tensão de ruptura por tração: 10 - 25 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.950 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 180 - 200 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,29 – 0,35 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 180 - 185 K Temperatura máxima de serviço: 323 - 363 K Temperatura mínima de serviço: 210 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: <0,015 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 0,91 – 0,93 gf/cm3 Índice de refração: 1,51 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2,25 – 2,35 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1013 ohm.m) 133

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Polietileno tereftalato – PET - (OOC-C6H4-COO-(CH2)2)n. Aplicações: garrafas de refrigerante, escovas. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, spray, outros. Fornecedor: Rhodia, Du Pont, Bayer, Hoechst, GE, RhônePoulenc Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,65 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,38 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,2 – 0,4 Dureza: 140 - 210 MPa Módulo de cisalhamento: 0,83 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,2 – 3,5 GPa Resistência ao impacto: 15 - 35 (J/m; notação Izod) Limite Elástico: 50 - 72 MPa Tenacidade a Ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 65 - 90 MPa Tensão de ruptura por tração: 50 - 80 MPa Propriedades Térmicas Calor específico: 1,40 – 1,60 (103 J/kg.K) Dilatação térmica: 50 - 80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,15 – 0,34 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 340 - 345 K Temperatura máxima de serviço: 388 - 430 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,1 – 0,15 % Densidade: 1,32 – 1,38 gf/cm3 Índice de refração: Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3,6 (106 F/m, 23 oC) Resistividade: 1,00 – 10,0 (1013 ohm.m) O polipropileno (PP) - (CH2-CH-CH3)n - é um plástico de características similar ao do polietileno, sendo a densidade menor (0,905) com maior resistência ao calor. A temperatura de amolecimento é de 160 oC, conferindo elevada cristalinidade (como os polietilenos de alta densidade) e conseqüentemente boa resistência mecânica. Aplicações: fibras para tapetes, tecidos, embalagens, sacolas, garrafas, pás de ventiladores, cabos de ferramentas e talheres, cadeiras de piscinas, pedais de aceleradores, componentes automotivos. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, sopro, usinagem, outros. Fornecedor: Amoco, Chemicals, Exxon, Fina, Phillips, Rexene, Soltex, Thermofil, OPP, Elf Atochen, Ipiranga Química, IPQ, Polibrasil. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,45 Coeficiente de atrito: 0,1 – 0,3 Dureza: 80 - 100 MPa 134

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Módulo de cisalhamento: 0,5 – 0,6 GPa Módulo de elasticidade: 1 – 1,6 GPa Resistência ao impacto: 50 - 80 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 28 - 33 MPa Tenacidade a ruptura: 1,9 – 2,1 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 25 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.920 – 2.100 J/kg.K Dilatação térmica: 80 - 150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,16 – 0,24 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 260 - 270 K Temperatura máxima de serviço: 370 - 380 K Temperatura mínima de serviço: 150 - 200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,02 – 0,03 % Densidade: 0,9 – 0,91 gf/cm3 Índice de refração: 1,49 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,26 – 2,.4 (106 F/m) Resistividade: 1,00 - 100 (1014 ohm.m) Óxido de Polipropileno - PPO (Polipropileno-eter blenda poliestireno) (CH2-OHOCH3)n-(CH2-CH-C6H4)m . Aplicações: bases de medidores elétricos, paralamas e outros painéis exteriores de automóveis. Processos: injeção, termoformagem, usinagem, outros. Taxa de reciclagem: 0.3 - 0.35 Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,5 – 0,7 % Coeficiente de Poisson: 0,35 – 0,4 Coeficiente de atrito: 0,33 – 0,36 Dureza: 120 - 180 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 – 0,9 GPa Módulo de elasticidade: 2,4 – 2,5 GPa Resistência ao impacto: 120 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 40 - 60 MPa Tenacidade a ruptura: 1,2 - 2 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 90 - 105 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 - 75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.600 – 2.000 J/kg.K Dilatação Térmica: 60 - 70 (10-6/K) Condutividade Térmica: 0,16 – 0,22 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 208 - 238 K Temperatura máxima de serviço: 360 - 390 K Temperatura mínima de serviço: 230 - 235 K

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Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,25 % Densidade: 1,06 – 1,08 gf/cm3 Flamabilidade: péssima Constante dielétrica: 2,6 – 2,7 (106 F/m) Resistividade: 1,0 - 10 (1015 ohm.m) O policloreto de vinila (PVC) - (CH2-CH-Cl)n - e seus copolímeros é um dos mais importantes termoplásticos sintéticos em uso. A resina deste plástico é dura e rígida, mas com introdução de modificadores permite amolecimento em qualquer grau desejado. Tem como principal característica a resistência à combustão e dureza, mas tem baixa resistência ao ataque de solventes orgânicos clorados. Aplicações: Telhas translúcidas, divisórias, portas sanfonadas, persianas, perfis, tubos e conexões para esgotos e ventilação, esquadrias, molduras para tetos e paredes. Processos: injeção, extrusão, termoformagem, usinagem, outros. Fornecedor: Elf Atochen, Goldplast, Polymerpar, Trikem. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,1 – 3 % Coeficiente de Poisson: 0,37 – 0,43 Dureza: R110 Módulo de cisalhamento: 0,7 – 1,1 GPa Módulo de elasticidade: 2,5 – 3,8 GPa Resistência ao impacto: 50 - 200 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 23 - 52 MPa Tenacidade a ruptura: 1 - 4 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 32 - 80 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 - 70 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.000 – 1.100 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 95 10-6/K Condutividade térmica: 0,13 – 0,25 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 350 - 355 K Temperatura máxima de serviço: 348 - 365 K Temperatura mínima de serviço: 240 - 245 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 (%, espessura 1/8 polegada/24h) Densidade: 1,34 – 1,52 gf/cm3 Índice de refração: 1,52 - 1,55 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,7 – 3,3 (106 F/m) Resistividade: 3.,16 – 10,0 (1013 ohm.m)

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. Cláudio R. Losekann
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O polistireno (PS) - (CH2-CH-C6H5)n - é um plástico que tem como característica principal a elevada resistência à água, dimensionalmente estável e boa moldabilidade. É usado na fabricação de componentes de geladeiras, conexões e assentos para vasos sanitários, brinquedos e determinadas carcaças de aparelhos. Pode ser moldado por injeção, termoformagem, moldagem química e extrusão. PS expandido: forros, isolamento acústico, térmico e caixas. O isopor é uma forma de espuma que bolhas pequenas de gás reduzem a densidade de 2 a 3% do valor original. Fornecedor: Pepasa, Ipubrás Propriedades mecânicas Ductilidade: 0,015 – 0,02 % Coeficiente de Poisson: 0,4 – 0,43 Coeficiente de atrito: 0,25 – 0,3 Dureza: 90 - 120 MPa Módulo de cisalhamento: 1 – 1,2 GPa Módulo de elasticidade: 2,9 – 3,3 GPa Resistência ao impacto: 20 - 25 (J/m; notação Izod) Limite elástico: 30 - 32 MPa Tenacidade a ruptura: 0,8 – 0,9 MPa.m1/2 Tensão de compressão: 40 - 45 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 - 40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.200 – 1.440 J/kg.K Dilatação térmica: 60 - 100 (10-6/K) Condutividade térmica: 0,12 – 0,17 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 360 - 380 K Temperatura máxima de serviço: 355 - 368 K Temperatura mínima de serviço: 200 - 220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0,05 – 0,07 % Densidade: 1,04 – 1,06 gf/cm3 Índice de refração: 1,59 - 1,60 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2,55 – 2,65 (106 F/m) Resistividade: 6,31 – 15,8 (1013 ohm.m) O polibuteno-1 ou polibutileno tereftalato (PBT) - (OOC-C6H4-COO-(CH2)4)n - pode apresentar com diferentes arranjos estruturais, que afetam substancialmente a resistência mecânica (tração e dureza). A temperatura de moldagem está na faixa de 165 a 180 oC. Aplicações: Embalagens, circuitos. Processos: injeção, extrusão, usinagem, outros. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1,5 - 3 % Coeficiente de Poisson: 0,35 - 0,4 Coeficiente de atrito: 0,25 - 0,3 Dureza: 105 - 165 MPa Módulo de cisalhamento: 0,7 - 0,85 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2,3 GPa 137

12.(O-C6H4-C-(CH3)2C6H4-O-CO)n.59 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.00 (1012 ohm.55 (J/m. boas propriedades elásticas e temperatura de amolecimento acima de 200 oC. Cláudio R.00 ( 103 J/kg.4 (103 F/m) Resistividade: 1. mas insolúvel em muitos solventes orgânicos.m) Poliacetato de vinila (PVAC) é bastante usado em películas de papéis e tecidos. Dr.32 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 3. adesivos e tintas de secagem rápida. Poli-4-metilpentano-1 (PMP) tem grande aplicação na fabricação de embalagens plásticas para aquecimento em microondas.125 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 .2 . 138 .150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.2 MPa.3. PC .K) Temperatura de transição vítrea: 310 .3 .3 – 1. Caracteriza-se por apresentar alta transparência.55 MPa Tenacidade a ruptura: 1. por isto.2 . Álcool polivinílico (PVAL) é solúvel em água.08 – 0.00 – 2.m1/2 Tensão de escoamento: 97 MPa Tensão de compressão: 100 . Izod) Limite elástico: 35 .09 % Densidade: 1.320 K Temperatura máxima de serviço: 390 . Losekann Direitos autorais reservados Resistência ao impacto: 40 . é usado na preparação de colas e agentes separador em moldagem de peças de plásticos para evitar a adesão da resina ao molde.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.60 – 2.POLICARBONATOS São derivados do bisfenol A e do ácido carbônico.395 K Temperatura mínima de serviço: 140 .

componentes de interiores de aviões. Compact Disc.425 K Temperatura máxima de serviço: 385 . Processos: injeção.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.3 MPa.700 (J/m. extrusão.22 W/m.65 – 0. Mauá. garrafas de água.20 – 1.9 (GPa) Resistência ao impacto: 400 . Figura 12.22 gf/cm3 Índice de refração: 1.30 (103 J/kg. divisórias .39 – 0. GE Plastic. Losekann Direitos autorais reservados A fórmula geral que representa a estrutura molecular desta família de plásticos de origem dos poliésteres é representada pela figura ao lado. coberturas translúcidas. termoformagem.2 – 1. Tem boas propriedades elétricas e mecânicas e estabilidade dimensional.100 (1012 ohm.14 – 0.1 (106 F/m) Resistividade: 1 .7 % Densidade: 1.150 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.3 % Coeficiente de Poisson: 0.390 K Temperatura mínima de serviço: 140 .68 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.44 Coeficiente de atrito: 0.95 – 1.180 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Petropol. Re Plas.75 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Uniflon.05 GPa Módulo de elasticidade:2 . Bayer Polímeros.16 – Fórmula policarbonato Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 – 1.2 – 0. recipientes para filtros. Apresentam temperaturas de amolecimento acima de 200 oC.m1/2 Tensão de escoamento: Tensão de compressão: 100 . etc. Cláudio R. outros.2. Dr.m) 139 . Fornecedor: Allcolor.3 Dureza: 150 . aparelhos elétricos. usinagem. Usado em instrumentos cirúrgicos. Quimpetrol.120 MPa Tensão de ruptura por tração: 56 .K Temperatura de transição vítrea: 420 . notação Izod) Limite elástico: 55 .9 – 3.K) Dilatação térmica: 40 . vitrines.65 MPa Tenacidade a ruptura: 3 – 3.584 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.

220 MPa Módulo de cisalhamento: 0.75 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.4 – 0. entretanto. Dr.3.4 – 0. dependendo do metal adicionado. é um produto não cristalino com boas propriedades óticas. outros.ALÍLICOS São plásticos termoestáveis.22 (J/m. cuja resina mais importante é o dialil-ftalato (DAP). Losekann Direitos autorais reservados 12.3 .8 – 3.03 – 0.8 – 1.375 K Temperatura máxima de serviço: 320 . réguas. Geralmente são moldadas a partir de pós misturados com catalisador.K Temperatura de transição vítrea: 370 . notação Izod) Limite elástico: 35 .17 – Polimetacrilato de metila.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 38 .2 GPa Módulo de elasticidade: 1. usinagem.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0. O polimetacrilato de metila .21 W/m.06 % Coeficiente de Poisson: 0. Processos: injeção. poliacrilonitrilo (PAN) e copolímeros do acrilonitilo como acrilonitrilo-budadieno-estireno (ABS) e o estireno-acrilonitrilo (SAN).325 K Temperatura mínima de serviço: 150 . quando adicionado pós de metais nobres torna-se material condutor elétrico ou magnético.(CH3-CH2-C-COOCH3)n -.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As resinas mais importantes desta família são: polimetacrilato de metila (PMMA).4 .200 K 140 .3 MPa.6 – 1.3. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.13 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 45 . embalagens e painéis de propaganda. 12.5 Dureza: 100 . Com excelente estabilidade dimensional e alta resistência elétrica. Cláudio R.K Dilatação térmica: 62 .105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.2 GPa Resistência ao impacto: 20 . É usado para produção de dentaduras (resina de dentista).280 – 1. cuja fórmula está abaixo. lentes. Figura 12.ACRILICOS São plásticos que constituem uma subclasse de poliolefínicas que tem grande aplicação de uso doméstico e industrial.450 J/kg.43 Coeficiente de atrito: 0.

caixas de televisão. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.18 – Poliacrilonitrilo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.42 Coeficiente de atrito: 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0. Figura 12.06 – 0.2 gf/cm3 Índice de refração: 1.7 GPa Resistência ao impacto: 200 . cuja fórmula segue abaixo.2 (106 F/m) Resistividade: 2 – 15. notação Izod) Limite elástico: 27 .47 – 0.6 – 3. Processos: injeção. aspiradores de pó.52 Dureza: 70 .m) O poliacrilonitrilo.15 – 1.Aplicações: Gabinetes e caixas domésticas. outros. Uns dos principais usos deste plástico são na confecção de cordas e tecidos náuticas que podem ser combinados com o algodão. com faixa de temperatura de – 40 oC e 115 oC. usinagem. Cláudio R. telefones.48 MPa 141 .2 – 0. Dr. resistência química e elétrica.38 – 0. pode ser cristalizado fornecendo uma fibra sintética muito resistente mecanicamente e quimicamente. Apresenta estabilidade dimensional.140 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Usado também com aditivo para o PVC e borrachas sintéticas.m1/2 Tensão de compressão: 60 .5 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.09 % Coeficiente de Poisson: 0.8 (1013 ohm. O ABS é um polímero que apresenta três meros com seus respectivos graus de polimerização.7 – 0.55 MPa Tenacidade a ruptura: 3 .8 – 2.400 (J/m. Figura 12.100 MPa Tensão de ruptura por tração: 36 . box para chuveiros.4 % Densidade: 1.alto impacto .4 MPa. ABS . batedeiras e liqüidificadores.19 – ABS.95 GPa Módulo de elasticidade: 1.

31 – 15.K Dilatação térmica: 80 .370 K Temperatura mínima de serviço: 150 . Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.38 – 0.4 MPa.1 gf/m3 Constante dielétrica: 2.K Temperatura de transição vítrea: 350 . Processos: injeção.04 – 1.2 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1. Dr.500 – 1. usinagem.32 % Densidade: 1. banheiros.500 – 1.12 % Coeficiente de Poisson: 0.510 J/kg.22 W/m. telefones.95 GPa Módulo de elasticidade: 2.9 GPa Resistência ao impacto: 70 .07 – 0.médio impacto .350 K Temperatura mínima de serviço: 150 . outros.85 – 0.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.K Temperatura de transição vítrea: 370 .m1/2 Tensão de compressão: 55 .52 Dureza: 100 .3 % Densidade: 1. caixas de TV.00 (1014 ohm.45 MPa Tenacidade a ruptura: 2.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.48 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.2 W/m.48 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.9 (106 F/m) Resistividade: 6.9 (106 F/m) Resistividade: 1.8 – 2.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.Aplicações: gabinetes e caixas para objetos domésticos.m) 142 .60 MPa Tensão de ruptura por tração: 45 .K Dilatação térmica: 70 .95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.5 – 2.42 Coeficiente de atrito: 0.80 J/m Limite elástico: 40 .02 – 1.530 J/kg.375 K Temperatura máxima de serviço: 340 .14 – 0.06 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 2.360 K Temperatura máxima de serviço: 358 .85 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.14 – 0. aspiradores de pó. Cláudio R.4 – 2.3 – 0.8 (1013 ohm.m) ABS .9 – 3.

2 – 3. usinagem.13 – 0. copos de liquidificadores e bobinas para computadores.85 MPa Tensão de ruptura por tração: 65 . assentos de válvula.3. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.350 K Temperatura máxima de serviço: 360 .K Temperatura de transição vítrea: 340 . 143 . notação Izod) Limite elástico: 65 . Por isto são usados na forma de blocos para usinagem e forjamento. Losekann Direitos autorais reservados O SAN apresenta alta resistência mecânica. dureza e estabilidade dimensional ao aquecimento.K Dilatação térmica: 50 . Processos: injeção.25 – 0. Fabricação de engrenagens. divisões para geladeiras.05 % Coeficiente de Poisson: 0.8 (1013 ohm.m1/2 Tensão de compressão: 80 .365 K Temperatura mínima de serviço: 200 . Aplicações: lentes para instrumentos. placas de circuitos impressos. peças para aspiradores e umidificadores. seringas médicas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.24 – 0.220 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. outros.m) 12.200 MPa Módulo de cisalhamento: 1. rolamentos.22 (J/m.6 GPa Resistência ao impacto: 20 .20 – SAN.31 – 15.4 GPa Módulo de elasticidade: 3.5 . Boas propriedades mecânicas em temperaturas elevadas (450 oC) em curtos intervalo de tempo.37 – 0.26 % Densidade: 1.1 (106 F/m) Resistividade: 6.80 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.8 . corpos para isqueiros.3 Dureza: 160 . mancais. Fornecedor: Nitriflex .85 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. Cláudio R.2 – 1.1 MPa. isolantes elétricos. Dr.300 – 1. copos.500 J/kg.06 – 1. anéis de pistão. adesivos.022 – 0.POLIIMIDAS Apresentam temperatura de fusão cristalina elevada que só podem ser moldados por processos especiais. Figura 12.08 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3. peças de motores.4 Coeficiente de atrito: 0.17 W/m.70 MPa Tenacidade a ruptura: 0.

notação Izod) Limite elástico: 52 .32 – 1.1 – 0. Taxa de reciclagem: 0.6 .85 (J/m.m) 12. Losekann Direitos autorais reservados (PI) .85 GPa Módulo de elasticidade: 2.K Dilatação térmica: 32 .19 – 0.45 Dureza: 195 .480 K Temperatura máxima de serviço: 520 .130 J/kg.K Temperatura de transição vítrea: 470 . quando moléculas se interencadeiam formando estrutura tridimensional. Os principais plásticos desta família são: uréia-formaldeído (UF) [artigos de iluminação.8 GPa Resistência ao impacto: 75 . cuja formula geral é dado ao lado.65 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. Ensinger.21 – Poliimida. Processos: injeção.3. 23oC) Resistividade: 1 – 10 (1013 ohm.08 % Coeficiente de Poisson: 0.45 Coeficiente de atrito: 0.05 – 0.m1/2 Tensão de compressão: 80 .(N-(CO)2-C6H2-(CO)2-N-C6H4)n São termoplásticos obtidos pela reação de um dianidrido aromático com uma diamina. aditivos na indústria de papel].4 – 0.100 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 12. onde inicialmente se formam moléculas lineares e posteriormente é desenvolvida a reação de cura.95 – 1.1.38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.120 – 1. Dr.590 K Temperatura mínima de serviço: 3 .5 – 2.5 MPa.5 – 4.42 W/m.15 % Densidade: 1.20 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.140 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .210 MPa Módulo de cisalhamento: 0. extrusão. outros. Cláudio R. usinagem.72 MPa Tenacidade a ruptura: 1.03 – 0.AMINOPLÁSTICOS Tem reação similar a das resinas fenólicas. melamina-formaldeído (MF) [produção de louças] e anilinaformaldeído (AF) [blocos e faixas terminais de circuitos elétricos].4 – 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.6 (106 F/m. Fornecedor: Du Pont. 144 .

Há vários tipos de radicais. com n = 1. Devido as suas ligações transversais.3. Cláudio R. O grau de nitratação pode ser variado. devido a excelente tenacidade.. e após sua purificação.7 . obtendo-se plásticos explosivos que deve-se ter cuidado na moldagem. que podem ser moldados por injeção ou extrusão. sua moldabilidade é dificultada. elevada resistência à tração (70 MPa) e rigidez à flexão.3.000.000). Apresenta um elevado índice de cristalinidade. Nitrato de celulose (CN) – Obtido do tratamento da celulose com ácido nítrico. É a mistura da resina de epoxeto com agente de cura aminado. 12. 145 . palha. excelente desempenho à fadiga e estabilidade dimensional.9 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados 12. ( -CH2-O-)n. é usado na fabricação de brinquedos. etc. Os adesivos epoxídicos dão ligações extremamente fortes de metal com metal.EPOXÍDICOS São polímeros que se completam com agentes de cura (catalisadores). 12. resultando da reação da celulose química com misturas de anidridos acético e butírico. Apresenta boa resistência a abrasão. Sem os problemas do anterior como sensibilidade à temperatura e facilidade a combustão.3.POLIOXIMETILÊNICOS (POM) – Polímeros lineares do formaldeído. Acetato de celulose (CA) – É obtido do tratamento da celulose com ácido e anidro acéticos.8 . que possui moléculas grandes (n = 5. Aceto-butirato de celulose (CAB) – É um éster misto da celulose.CELULÓSICOS São polímeros naturais encontrado na madeira. cita-se o nitrato de celulose. Dr. além de serem empregadas em vernizes de acabamento. é obtida a celulose química. Utilizado para fabricação de bolas de tênis de mesa. acetobutirato de celulose e etil-celulose. Menos denso e mais resistente que o acetato de celulose à intempéries do tempo. É empregado na forma de pós para injeção. entre as quais. Um dos plásticos encontrados no comércio é o acetato. Etil-celulose (EC) – É um termoplástico utilizado para situações que deve ocorrer impactos. que é matéria prima para muitas resinas. películas para embalagens e filmes fotográficos de segurança. acetato de celulose. algodão. Da extração da madeira.

Du Pont. anti-aderente.10 . mas apresentam baixa resistência mecânica. Mauá. transparente. torna-se amorfo. Hoechst. Uniflon.7 GPa Resistência ao impacto: 160 . gaxetas.m1/2 Tensão de compressão: 30 . É altamente cristalino com elevada resistência ao calor.3.22 – Fórmula do teflon.000 – 1.1(106 F/m) Resistividade: 1.25 W/m. Figura 12.015 % Densidade: 2. ICI.3 % Coeficiente de Poisson: 0.O PTFE foi descoberto em 1938 por um químico da Du Pont e patenteado em 1941 sob a marca registrada de TEFLON. isolante elétrico.3 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.(CF2)n .530 K Temperatura mínima de serviço: 10 .19 – 0. Petropol. revestimento para panelas e ferros de passar.20 (K) Propriedades físicas Absorção de água: 0.m) 146 . Incopol.5 .010 J/kg. baixo coeficiente de atrito e excelentes propriedades dielétricas. apoio para pontes e tubulações.05 – 0. Apresentam boa estabilidade química.FLUOROPLÁSTICOS São polímeros termoplásticos com o elemento mais ativo flúor.K Dilatação térmica: 100 . Losekann Direitos autorais reservados 12. tenaz e flexível. embalagens.60 MPa Tensão de ruptura por tração: 15 . Cláudio R. Processos: injeção. outros.90 MPa Módulo de cisalhamento: 0. notação Izod) Limite elástico: 15 .150 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. resistência a temperatura elevada.0 (1016 ohm. Fornecedor: Enro.35 Flamabilidade: excelente Constante dielétrica: 2 – 2. extrusão. Dois tipos são de maior uso: Politetrafluoretileno (PTFE) .30 MPa Tenacidade a ruptura: 2.00 – 10. Temperado a 3300 oC.3 MPa.44 – 0. válvulas.47 Coeficiente de atrito: 0.1 – 2. Dr.18 gf/cm3 Índice de refração: 1.295 K Temperatura máxima de serviço: 510 . revestimento de pára-quedas. transformadores isolados. spray.24 GPa Módulo de elasticidade: 0.180 (J/m.11 – 0. Aplicações: Vedações hidráulicas (herméticas para condensadores).01 – 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 2.K Temperatura de transição vítrea: 293 .40 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.5 .15 Dureza: 75 .

A moldagem se dá a 260 oC.3.Polisulfona Como termoplásticos rígidos. como carga de reforço. especialmente em cinzeiros e caixas de instrumentos.FENÓLICOS Também conhecido como baquelite. terminais para lâmpadas fluorescentes. que nas condições de 160 oC de temperatura e 72 kgf/cm2 se decompõem em formaldeído e amônia. estabelecendo as reações transversais entre as moléculas. sua resina pura resulta da reação do formaldeído com o fenol e tem a fórmula estrutural como segue: Figura 12. A cura é desencadeada pela adição de hexametileno tetramina (C6H12N4). com a seguinte fórmula geral: Figura 12. intempéries.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Aplicações: Condensadores eletrolíticos. Processos: moldagem química. 12. suas propriedades podem ser melhoradas ainda com carga de fibra de vidro. ataques de solventes e à inflamação. geralmente serragem. Exigem temperaturas da ordem de 350 a 400 oC para o processamento. Cláudio R. equipamentos elétricos e mecânicos. resistentes e dimensionalmente estáveis. Essa resina pura é moída a um pó fino. 147 . Losekann Direitos autorais reservados policlorotrifluoretileno (PCTFE) – É resistente à umidade.24 .23 – PCTFE. podendo ser então removida do molde. usinagem. Dr. com temperatura de trabalho até 130 oC. Usa-se. na qual se adicionam cargas.11 .3. Figura 2. outros.POLISULFONAS São produzidos através de uma série de reações entre o bisfenol A e a 4-4diclorodifenilsulfona. Podem ser soldados por pulsos de calor ou por ultra-som. 12.12 . Este último funciona como catalisador. soldas eletrônicas. pigmentos e lubrificantes específicos de acordo com cada aplicação.25 – Fenólicos. papel ou tecido picado. fazendo com que o formaldeído gerado reaja com a resina. A resina inicialmente se geleifica e posteriormente se torna dura e infusível.

5 GPa Resistência ao impacto: 24 .K Temperatura de transição vítrea: 400 . Dr.3. Tem tido aplicações em recobrimento termicamente estáveis em conexões e tubulações industriais.9 % Densidade: 1. caixas para ferramentas com dobradiças integrais.8 – 1.200 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. O polióxido de fenileno (PPO) que apresenta boa estabilidade dimensional e propriedades mecânicas e elétricas e notável estabilidade hidrolítica. Cláudio R.02 % Coeficiente de Poisson: 0.25 (J/m.m) 12. Há duas resinas que tem grande importância comercial.K Dilatação térmica: 30 . O polisulfeto de fenileno (PPS) que apresenta elevada resistência química e resistência mecânica à tração.3 MPa.13 – POLIALÔMEROS São variedades de poliolefinas que apresentam um comportamento intermediário ao polietileno de alta densidade e ao polipropileno.16 – 0.460 J/kg. 148 . onde se utiliza vapor de água para esterilização.420 K Temperatura máxima de serviço: 415 .45 Coeficiente de atrito: 0.5 Dureza: 60 .2 – 3.01 – 0. Seu uso tem destaque nos utensílios domésticos e instrumentos cirúrgicos.425 K Temperatura mínima de serviço: 180 .50 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.4 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.38 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 7 – 9 F/m Resistividade: 1.100 (1010 ohm.50 MPa Tenacidade a ruptura: 0.8 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. Usados em conexões hidráulicas.110 MPa Módulo de cisalhamento: 2.14 . notação Izod) Limite elástico: 40 .5 GPa Módulo de elasticidade: 6 – 9.3.250 – 1. mas com melhor desempenho a temperaturas baixas.POLIFENILÊNICOS São termoplásticos de base fenólica.24 – 1.70 MPa Tensão de ruptura por tração: 30 . filmes e placas.36 W/m. 12.44 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.3 – 0.00 .m1/2 Tensão de compressão: 50 .

46 MPa Tenacidade a ruptura: 0.025 % Coeficiente de Poisson: 0.8 GPa Limite elástico: 27 .POLIAMIDAS (PA) – São termoplásticos desenvolvidos pela Du Pont e são mais conhecidos como náilons (Nylon).3.SILICONES Há vários tipos de plásticos e elastômeros onde o mero não é o principal elemento de construção.4 Módulo de cisalhamento: 1 – 1. Apresentam elevada resistência à tração.3 W/m. o náilon 610.((CH3)2 SiO)n . Propriedades mecânicas Ductilidade:0. ou seja. Dr.540 K Temperatura mínima de serviço: 90 .015 – 0. mas com melhor resistência ao calor e ao ar. borrachas. hidrocarbonetos e ésteres.15 – 0. outros. Losekann Direitos autorais reservados 12. Dentre os vários náilons encontrados no comércio.3 MPa.200 K Temperatura máxima de serviço: 510 .00+22 (10-8 ohm.Aplicações: Como reforço nas telhas plásticas de fibra. náilon 6 e náilon 11.45 – 1.9 gf/cm3 Flamabilidade: boa Constante dielétrica: 44 . Este efeito é obtido através da ligação ( ≡ Si – O – ).00+21 . etc. usinagem. em buchas para fixação.37 – 0. neste tipo de polímero o Si tem substituído o C. glicóis e água. Pode ser usados como vernizes.K Temperatura de transição vítrea: 150 .(NH-(CH2)5CO)n .280 J/kg.m) 12.46 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1. válvula de 149 .6 – 1. dobradiças.46 106 F/m Resistividade: 1.Aplicações: é utilizado em cápsulas de componentes eletrônicos.3.1. mas são amolecidos por álcoois.150 MPa Tensão de ruptura por tração: 27 . óleos lubrificantes. resistência ao impacto e elevada resistência a abrasão. fazendo com que os compostos assim obtidos sejam similares aos carbonados. SILICONE RÍGIDO (SIL) . engrenagens. Resistem a ação do óleo. Cláudio R. Processos: injeção. NYLON 6 .1.K Dilatação térmica: 55 . películas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. quatro recebem grande importância: o náilon 66.3 GPa Módulo de elasticidade: 3 . contração das palavras New York – London.050 .15 . compostos deste tipo tem fórmula geral RSiO e são conhecidos como silicones.70 (10-6/K) Condutividade térmica: 0. cobertas de proteção contra a abrasão e resistentes ao tempo.16 .100 K Propriedades físicas Densidade: 1.m1/2 Tensão de compressão: 40 .

extrusão.230 K Propriedades físicas Absorção de água: 1. notação Izod) Limite elástico: 56 . mancais.53 (J/m. Dr. outros.(NH-(CH2)6-NH-CO(CH2)4CO)n .K Dilatação térmica: 95 .330 K Temperatura Máxima de Serviço: 370 .26 W/m.K Temperatura de transição vítrea: 320 .6 – 2 % Coeficiente de Poisson: 0. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0. usinagem.45 MPa Tensão de ruptura por tração: 40 – 42 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.m1/2 Tensão de compressão: 58 .3 – 2.39 – 0. Quimpetrol. usinagem.m) NYLON 66 .58 MPa Tenacidade a ruptura: 1. Processos: injeção. engrenagens.65 % Coeficiente de Poisson: 0.1.2 – 2. Pepasa. Fornecedor: Bayer Polímeros.13 – 1.16 .8 GPa) Resistência ao impacto: 43 .6 – 0. Losekann Direitos autorais reservados regulagem de assento.10 (1010 ohm. carenagens.62 MPa Tensão de ruptura por tração: 70 .6 – 3.5 .15 gf/cm3 Índice de refração: 1.6 % Densidade: 1.22 – 0.120 MPa Módulo de cisalhamento: 0. Cláudio R.42 Coeficiente de atrito: 0.2 – 0.m1/2 Tensão de Compressão: 40 . notação Izod) Limite elástico: 38 .86 MPa 150 .53 (J/m.58 – 0. Processos: injeção. termoformagem.5 MPa.3 Dureza: 100 .38 – 0.8 GPa Resistência ao impacto: 32 .420 K Temperatura Mínima de Serviço: 225 .79 GPa Módulo de elasticidade: 2.46 GPa Módulo de elasticidade: 2 – 2.3 Dureza: 140 .40 MPa Tenacidade a ruptura: 2.2 MPa.105 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.Aplicações: tecidos.600 J/kg. Du Pont.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Rhodia.160 MPa Módulo de cisalhamento: 0. extrusão. Propriedades mecânicas Ductilidade: 0.38 – 0.4 – 1. outros.8 (106 F/m) Resistividade: 3.400 .53 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.42 Coeficiente de atrito: 0.2 – 0.

42 Coeficiente de atrito: 0.400 – 1.8 – 1.6 (106 F/m) Resistividade: 6.51 MPa Tenacidade a ruptura: 1 – 1.m) NYLON 11 . Dr.32 – 0.3 – 0.2 % Coeficiente de Poisson: 0. Cláudio R..2 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico: 1.25 W/m.(NH-(CH2)10CO)n Propriedades mecânicas Ductilidade: 3.05 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3 – 3.700 J/kg.650 – 1.K Temperatura de transição vítrea: 330 .20 (1010 ohm.53 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.31 – 12.K Temperatura de transição vítrea: 360 .9 – 0.240 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.29 W/m.03 – 1.6 (10-6 F/m) Resistividade: 6.95 GPa Resistência ao impacto: 50 .34 GPa Módulo de elasticidade: 0.450 K Temperatura mínima de serviço: 235 .38 – 0.31 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.1 – 3.15 gf/cm3 Flamabilidade: regular Constante dielétrica: 3.150 MPa Módulo de cisalhamento: 0.600 J/kg.3 – 3.6 % Densidade: 1.m1/2 Tensão de compressão: 51.5 MPa.58 MPa Tensão de ruptura por tração: 51.13 – 1.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.6 (1011 ohm.K Dilatação térmica: 80 .400 K Temperatura mínima de serviço: 220 .90 (J/m.350 K Temperatura máxima de serviço: 350 .4 % Densidade: 1.K Dilatação térmica: 95 . notação Izod) Limite elástico: 49 .365 K Temperatura máxima de serviço: 380 .120 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.2 – 0.3 Dureza: 120 .25 – 0.m) 151 .95 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.

0 90 . Processos: injeção. Resana. outros. Processos: injeção.C6H4-COO-C6H10)n Aplicações: cubas. Losekann Direitos autorais reservados 12. revestimentos. em móveis. outros. moldagem química. Poliester rígido .08 0. componentes médicos e agrícolas.04 – 0. Processos: injeção. chapas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.045 – 0.140 0. isolamento em refrigeradores industriais e domésticos. (PEEK) Propriedades mecânicas (PES) Poliester rígido 0.3.4 – 2.8 – 1.2 Dureza (MPa) 100 . equipamentos de laboratório.8 0. Fornecedor: Ensinger.51 0.4 – 0.6 2. bolltrade.06 0.9 – 1. tanques de esterilização.100 tração (MPa) 0. ventiladores.1 – 0.86 60 . Taxa de reciclagem: 0. isolamento térmico de roupas impermeáveis. placas de circuitos impressos. instrumentos para medições.3 200 .8 – 7.2 – 0. ferramentas de cirurgia. Poly-urethane.15.(CO-NH-R-NH-CO-O-R-O)n Aplicações: esquadrias.60 0. extrusão.18 – 0.(C6H4-SO2-C6H4-O-C6H4-C(CH3)2-C6H4-O)n Aplicações: componentes elétricos.498 0.240 0.38 – 0.120 Módulo de cisalhamento 1. Poliester sulfona (PES) .2 – 0.4 (GPa) Módulo de elasticidade 3.38 – 0. Poliuretano flexível – PU .60 Tenacidade a ruptura 2. componentes de reatores nucleares. células de combustível.120 (MPa) Tensão de ruptura por 70 . impelidores. revestimento de fios.m1/2) Tensão de compressão 80 .60 (PU) Ductilidade (%) 0.3 – 0. extrusão.4 50 .3 – 2.002 – 0. Fornecedor: Autotravi. outros.90 (J/m) Limite elástico (MPa) 55 . assentos.(OOC.85 3.9 82 .(O-C6H4-O-C6H4-CO-C6H4)n Aplicações: conectores elétricos. Cláudio R.17 – POLIÉSTERES E POLIURETANOS Polieter-eter-cetona (PEEK) . correias. Petropol.007 – 0.70 1. molduras.5 – 4.70 40 . BASF.49 – 0. Dr.3 – 2. suportes para lâmpadas fotográficas. dispositivos para quimioterapia.42 0.5 60 .45 0. polias.5 – 0.9 45 .100 25 . usinagem.2 0.3 – 0.25 – 0. estofamento de automóveis. Fornecedor: Bayer.4 45 .100 70 .03 25 .0 2.7 – 3. isoladores. usinagem. Processos: injeção.5 (MPa.51 152 . Brasppoly. corpos de válvula. filmes. outros.43 Coeficiente de atrito 0.100 40 .3. Taxa de reciclagem: 0.9 (GPa) Resistência ao impacto 85 .048 Coeficiente de Poisson 0.2 – 1.

58 0.18 460 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a propriedade de exibir elasticidade.1.410 390 .31 (1014 ohm.3 F/m) Resistividade 1. Dr.1000 10 (10 ohm.14 – 1. o mesmo apresenta um campo de deformação 60 elástico bastante Comportamento dúctil diferenciado dos outros materiais. Figura 12.60 1.25 – 0.3 1.13 – 0.200 150 .150 0.46 regular 4.ELASTÔMEROS Elastômeros são polímeros que tem.23 – 0.32 Índice de refração Flamabilidade regular 6 Constante dielétrica (10 3.0 .360 200 .26 – Comportamento ao ensaio de tração de polímeros. Cláudio R.1. como característica principal.6.K) Temperatura de 530 . Tensão de ruptura à tração (MPa) 153 .260 1.3 – 1.455 160 .165 0.6 muito ruim 3. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades térmicas Calor específico (J/kg.410 190 .530 serviço (K) Temperatura mínima de 150 .0.250 Absorção de água (%) 0. ou seja.0 .5 – 9.m) 0.650 .6 0.K) Dilatação térmica (10-6/K) Condutividade térmica 0. que.29 – 1.2 – 0.m) 0.m) 12.1.25 1.30 3 Densidade (gf/cm ) 1.500 1600 50 .1 .6 350 .240 – 1.540 transição vítrea (GPa) Temperatura máxima de 520 .5 1.55 .165 80 .3.480 450 .250 340 .200 – 1.77 1.02 . o 20 Comportamento elástico material volta as suas dimensões nominais 0 0 6 12 18 24 30 verificadas antes dos Deformação (%) esforços.3 200 .6 (1014 ohm.28 – 0.100 0.5 .170 serviço (K) Propriedades físicas 1.5 – 5.5 – 3.26 (W/m.15 . após 40 cessado a força ou tensão que a deformou.15 – 0.m) (1011 ohm.280 1.3 1.4 .6 3. ao 100 ser submetido a uma Comportamento frágil determinada tensão ou 80 força.0.2 .700 53 .38 regular 3.16 – 12.

resistente à abrasão. serem ótimos isolantes elétricos. geralmente. propriedades elásticas deste material. calor e a muitos óleos e solventes (gasolina.936) nos Estados Unidos da América e da Buna (1. Todos relativos a ensaios de tração. etc. Era a descoberta da vulcanização. realizado em autoclaves. os materiais poliméricos apresentam comportamento mecânico bastante variável. Além de aditivos e cargas. A borracha é elástica. Figura 12. ingleses passaram a explorar a seringueira cultivando mudas da planta na Indonésia e em Filipinas. onde um apresenta somente regime elástico de deformação. Desta forma. Cláudio R. as borrachas industriais podem conter 30.839. Dois tipos levaram importância: o buna-S (copolímero de estireno-butadieno) ou SBR e o buna-N 154 . 90% de polisopreno além de polímeros do tipo elastômeros sintéticos. A borracha é produto da polimerização do isopreno. Em virtude deste comportamento atípico à tração. cujo mero apresenta a fórmula abaixo. planta da Amazônia que Charles Goodyear descobriu.27 – Polisopreno. os elastômeros são freqüentemente usados em máquinas e equipamento com objetivo de reduzir vibrações tanto acústica como mecânicas. e por volta de 1. O uso de aceleradores de vulcanização e de antioxidantes ajudou a melhorar as propriedades da borracha natural. entretanto. Os índios amazonenses já usavam o látex como elemento de vedação em canoas e em determinados jogos esportivos. um segundo apresenta regime elástico e plástico de deformação com comportamento dito dúctil e um terceiro.931) na Alemanha. por acaso em 1. Dr. na sua quase totalidade (elastômeros). que é objeto de estudo nesta seção. materiais termoplásticos parcialmente cristalinos apresentam comportamento dúcteis similares aos aços de baixo carbono e os elastômeros apresentam comportamento atípico. torna-a mais elástica e insolúvel. um material termoestável como o polimetacrilato de metila apresenta um comportamento tão frágil que se assemelha com materiais cerâmicos. mas de comportamento frágil. além de.). apresentando regime elástico de deformação. A vulcanização. mas se altera na presença de luz. Com a invenção do automóvel. Os elastômeros têm sua origem do látex da seiva da seringueira (Hevea brasiliensis). por exemplo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. querosene. ao deixar cair uma mistura de látex com enxofre sobre uma chapa quente de fogão. eletricidade e à água. São muito poucos os produtos industrializados de borracha pura. Losekann Direitos autorais reservados A figura acima mostra situações de comportamento de três polímeros à temperatura ambiente. mas as pesquisas em busca de borrachas sintéticas levaram a descoberta do neopreno (1.880. 60. que é um processo termoquímico por enxofre (2 a 4%) a temperatura em torno de 110 oC.

injeção.(CH2-CH2-CH(CH3))n Aplicações: mancais.3 – 0.01 – 7. outros.21 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.07 – 0. Dr. Estireno-butadieno – SBR (CH2-C(CH3)-C(CH3)-CH2)n Aplicações: Pneus. peças técnicas calandradas ou extrudadas. Os SBRs contêm cerca de 75% de butadieno e 25% de estireno e são as borrachas sintéticas mais comuns no mercado.K Temperatura de transição vítrea: 210 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. solubilidade em solventes.215 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. mas apresentam melhor resistência a óleos. Figura 12.m) Copolímero de etileno propileno – EPDM .94 – 0. bandas de recapagem.0007 – 0.4 – 25. solados. correias.21 MPa Tenacidade a ruptura: 0.01 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 12 .215 K Temperatura máxima de serviço: 383 .2 MPa Tensão de ruptura por tração: 12 . outros.002 – 0.1 – 0.6 Dureza: 12 . calor e luz.95 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2. mangueiras.675 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.0033 GPa Módulo de elasticidade: 0.000 – 2.28 – SBR. Propriedades mecânicas 155 . Processos: vulcanização. isolantes vibratórios. Propriedades mecânicas Ductilidade: 4.94 (1013 ohm. resistência à água.143 – 1.496 Coeficiente de Atrito: 0.48 W/m. à eletricidade.m1/2 Tensão de compressão: 14.200 J/kg.K Dilatação térmica: 660 .09 % Densidade: 0.5 – 5 % Coeficiente de Poisson: 0. injeção.48 – 0. Processos: vulcanização.3 MPa. Cláudio R.393 K Temperatura mínima de serviço: 210 . Losekann Direitos autorais reservados (copolímero de butadieno-acrilonitrila). As borrachas sintéticas têm as mesmas propriedades das borrachas naturais quanto a vulcanização.5 – 3 V/m Resistividade: 5.21 MPa Módulo de cisalhamento: 0. artigos médicoshospitalares e peças para a indústria automotiva.

Processos: injeção.190 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.49 Coeficiente de atrito: 0.m1/2 Tensão de compressão: 4.3 MPa.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3. mouse pads.200 K 156 .008 – 0.223 K Temperatura máxima de serviço: 445 .00 .14 – 0.87 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante Dielétrica: 2.K Dilatação térmica: 550 .000 – 2.226 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.2 .200 J/kg.34 – 0.3 – 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. filmes para revestimento.01 GPa Módulo de elasticidade: 0.17 MPa Tenacidade a ruptura: 0.021 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3. extrusão.0007 – 0.495 Coeficiente de atrito: 0. Cláudio R.48 – 0.04 Propriedades mecânicas Ductilidade:7.007 GPa Módulo de elasticidade: 0. chapéus.7 MPa.5 – 0. Losekann Direitos autorais reservados Ductilidade: 1 .325 K Temperatura mínima de serviço: 150 . Taxa de reciclagem: 0..m) Copolímero de etileno acetato de vinil .3 V/m Resistividade: 1.7 % Coeficiente de Poisson: 0.03 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 16 .24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.17 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.02 – 0.000 – 2.10 (1016 ohm.4 .EVA .24 MPa Módulo de cisalhamento: 0. viseiras.01 – 0.6 Dureza: 3.K Dilatação térmica: 160 .55 MPa Módulo de cisalhamento: 0.K Temperatura de transição vítrea: Temperatura máxima de serviço: 320 .0002 – 0.1 – 0.30 MPa Tensão de ruptura por tração: 16 .3 – 0.455 K Temperatura mínima de serviço: 206 .4 .08 – 28.47 – 0. chinelos. Dr.7 % Coeficiente de Poisson: 0.012 % Densidade: 0.590 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.4 W/m.17 W/m.(CH2)n-(CH2-CHR)n Aplicações: Brinquedos flexíveis. outros.83 Dureza: 40 .200 J/kg.3 – 7.m1/2 Tensão de compressão: 20 .K Temperatura de transição vítrea: 198 .24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.4 .86 – 0.02 – 0.

955 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.Aplicações: Roupas impermeáveis de mergulho.230 K Propriedades físicas Absorção de água: 0.94 gf/m3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 2.499 – 0.5 % Coeficiente de Poisson: 0.05 – 0.(CH2-C(CH3)-CH-CH2)n .1 – 0. Dr.0002 – 0.3 – 0.195 K Temperatura máxima de serviço: 370 .(CH2-CCl-CH2-CH2)n .450 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.m) Isopreno .100 (1012 ohm. Processos: vulcanização. sapatos.48 – 0.1 MPa.500 J/kg.14 W/m.6 Dureza: 3. instalações elétricas.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.8 % Coeficiente de Poisson: 0.07 – 0. tubos internos.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 1.25 MPa Tensão de ruptura por tração: 23 .08 – 0.9 – 2.2 % Densidade: 0.4 .10 (107 ohm. cintos.K Dilatação térmica: 150 .6 Dureza: 23 . Processos: injeção.002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 3. instalações anti-vibração. fechos.4995 Coeficiente de atrito: 0.5 – 3 V/m Resistividade: 1 .Aplicações: pneus de carros. outros.4 .800 – 2.3 – 0.K Temperatura de transição vítrea: 190 .1 – 0.25 MPa Módulo de cisalhamento: 0.24 MPa Tenacidade a ruptura: 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Propriedades mecânicas Ductilidade: 1 . Propriedades mecânicas Ductilidade: 5 – 5. Losekann Direitos autorais reservados Propriedades físicas Absorção de água: 0.m) Policloroprene – NEOPRENE .3 MPa.007 GPa Módulo de elasticidade: 0. Cláudio R.0007 – 0. outros.15 % Densidade: 0.m1/2 Tensão de compressão: 23 . injeção.390 K Temperatura mínima de serviço: 220 .0006 GPa Módulo de elasticidade: 0.0017 – 0.495 Coeficiente de atrito: 0.0004 – 0.93 – 0.24 MPa Módulo de cisalhamento: 0.6 .945 – 0.m1/2 157 .002 GPa Resistência ao impacto: Não se aplica Limite elástico: 23 .95 Resistividade: 31.

385 K Temperatura Mínima de Serviço: 220 . fragilidade no sentido contrário às fibras e é susceptível ao ataque de predadores. ser de fácil desdobro. 158 .25 gf/cm3 Flamabilidade: muito ruim Constante dielétrica: 6. apresentar uma estética agradável e possuir boas características isolantes. Dr. Cláudio R.m) 12.29 – Uso da floresta.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.12 W/m.7 – 8 V/m Resistividade: 1.72 – 28.10000 (1011 ohm.MADEIRA A madeira é um dos mais antigos materiais utilizados pelo homem que possui como vantagens. Figura 12.225 K Propriedades físicas Absorção de água: 0. As principais desvantagens da madeira como material de fabricação é a instabilidade dimensional (a madeira incha. dentre outras. empena e racha conforme variações de umidade e temperatura ambiente).2 % Densidade: 1.200 J/kg.4 . Losekann Direitos autorais reservados Tensão de compressão: 3.K Temperatura de transição vítrea: 225 .K Dilatação térmica: 605 .625 (10-6/K) Condutividade térmica: 0.230 K Temperatura Máxima de Serviço: 375 .1 – 0.8 MPa Tensão de ruptura por tração: 3.1 – 0.23 – 1.000 – 2. o fato de ser relativamente leve e resistente.24 MPa Propriedades térmicas Calor específico: 2.5 – POLÍMERO NATURAL .00 .

grão direita. grã direita e irregular. retratilidade baixa. textura e brilho acetinados. cachimbos. Dr. resistente ao ataque de organismos xilófagos. cor do pardo-claro amarelado ao pardo escuro. massa específica elevada. cheiro pouco intenso. ferramentas (cabo). textura fina e uniforme.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. peças torneadas. Propriedades leve e porosa. móveis. construção civil.lianum) - branco-amarelado ou tom rosado. postes e dormentes. aglomerado. lasca facilmente. textura lisa e fina. veios avermelhados. folhas decorativas. Imbuia (Ocotea porosa) - - esquadrias e portas. forração de refrigeradores. pesada e dura. O quadro abaixo mostra alguns tipos de árvores utilizado na indústria moveleira. maquetes. lustrosa e lisa ao tato. bege amarelado ou bege rosado. - Pinheiro (Araucarie angustifclia) - Pau-marfim (Baltourodendro riede. fácil de trabalhar. cheiro acentuado. cheiro imperceptível e gosto amargo. instrumentos musicais. frágil e macia. compensado. porosa e macia. fácil desdobro. rápido crescimento. creme. decoração teatral. Madeira Balsa (Ochromae pyramidale) Características branco. entalhes e venezianas. pasta celulósica. bengalas. madeira leve. 159 . dureza média. compacta e de poros fechados. média durabilidade. rosado ou acinzentado. Losekann Direitos autorais reservados Atualmente o uso das madeiras naturais está bastante limitado em função da crescente conscientização ambiental. construção civil. laminado decorativo. cabos de machado. e chegada das normas da série ISO 14. bóias e salva-vidas. pasta de celulose. - - - - forros. marcenaria de luxo. construção de balsa e jangada. textura fina e uniforme. aroma suave. palha amarelado. superfície lisa. grã direita e fibra esponjosa. Aplicações aeromodelismo. fácil de trabalhar. Cerejeira (Amburana cearensis) - - - móveis de luxo. Cláudio R. instrumentos musicais. palitos de fósforo e de sorvete. baixa resistêcia. fácil de trabalhar.000. resistência mecânica média. cabos de vassoura. rica em desenhos. peças torneadas. gosto adocicado. tenra e fácil de trabalhar. grã direita. artigos esportivos. veios de manchas escuras. baixa resistência a organismos xilófagos. massa específica e dureza elevadas. isolante térmico e sonoro. boa durabilidade. baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins. metro para medição. Pinus (Pinus elliot) - amarelo claro. grã irregular. a madeira proveniente das florestas nativas está sendo cada vez mais substituída por produtos de reflorestamento ou pelas chamadas madeiras transformadas. assoalhos. Com o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável (a partir de 1987). veios paralelos. móveis.

textura média e uniforme. peças torneadas e instrumentos musicais. embarcações. como dormentes. com aproximadamente 4. tacos para assoalhos. 160 • • .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. - Mogno (Swietenia macro-phyfla) - castanho avermelhado. caibros. dormentes. - Além destas. na construção civil.0 cm de largura. como vigas. persianas. E em ensaios de laboratório. peças torneadas. degraus de escada. • • Angico (Peptadenia paniculata Betham): fabricaçãp de tabuados. folhas faqueadas decorativas para painéis. como vigamentos de pontes. demonstrou ter permeabilidade extremamente baixa às soluções preservantes. folhas decorativas e contraplacados. Cerne de cor castanho-amarelado quando recémpolido. Cerne de cor variável. divisórias. esteios. branco levemente rosado. alto polimento. pesada. do pardo-claro-rosado ao pardo-escuro-rosado ou acastanhado. no acabamento interno. alto brilho e grã direita. tendo seus vasos excessivamente obstruídos por tilos e óleo-resina e fibras de lume extremamente reduzido. carrocerias. vigas. média resistência mecânica. ripas. dura e compacta. cheiro e gosto imperceptíveis.. cruzetas. - boa durabilidade. esquadrias. como vigas. etc. em construção civil. Losekann Direitos autorais reservados - pouco brilho. alburno nitidamente diferenciado. Cerne de cor bege-rosado ou castanho-claro. Dr. porém é bem permeável ao tratamento preservativo. - coronhas de armas de fogo. fácil de trabalhar. molduras. em construções externas. grã ondulada. postes. tábuas e tacos para assoalhos. peças torneadas. portas. consistência finíssima. construções externas. tacos e tábuas para assoalhos. rodapés. Aroeira do Sertão ou Urundeúva (Astronium urundeuva): construções externas. Cláudio R. fácil de trabalhar. quando recém-cortado. Em tratamentos severos sob pressão. pisos e utensílios de cozinha. embalagens. Resistente ao ataque de organismos xilófagos. escurecendo para castanho-escuro-amarelado com exposição ao ar.Sassafrás (Ocotea pretiosa): fabricação de móveis. diversas outras espécies de madeiras naturais podem ser utilizadas para produtos diversos: • Angelim: acabamentos internos. janelas e marcos. lambris. lambris. painéis. mourões. alburno diferenciado. demonstrou ser de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. branco-amarelado. Canela . resistência adequada ao apodrecimento e ao ataque de cupins. mourões. mourões. etc. diferenciado do albumo de cor branco-rosado. Alta resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins de madeira seca. vagões. dormentes. ripas. móveis. estacas. escurecendo para castanho ou castanho-avermelhado-escuro. postes. veios em espiral. em construção civil. É moderadamente permeável às soluções preservantes. de baixa permeabilidade às soluções preservantes. cabos de ferramentas e outros. em ondas ou em lágrimas. folhas faqueadas. e outros. guarnições e forros. Tem baixa durabilidade. caibros. Cabriúva-parda (Myrocarpus frondosus): móveis. textura fina.

tendendo para castanho-claro levemente rosado. molduras. cruzetas. alburno destacado. com numerosos e largos riscos mais claros. com tonalidade mais ou menos intensa. Losekann Direitos autorais reservados • • • • • • Candeia ou Cambará (Moquinia polymorpha): construções externas. esquadrias. rodapés. móveis de luxo. construções externas (estruturas. peças torneadas. como tacos e tábuas para assoalhos e labris. cabos de vassouras. guarnicões. como vigas. modelos de fundicão. portões. móveis pesados. etc. ripas. correspondendo às linhas vasculares envolvidas pelo parênquima axial. cabos de ferramentas e implementos agrícolas. pouco permeável a soluções preservantes. Ipê-Roxo ou Ipê-Una (Tabeuia impetiginosa): acabamentos internos. tábuas e tacos para assoalhos. carteiras escolares. Resistente ao ataque de organismos xilófagos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.. caibros. uniforme. branco levemente amarelado. construcão de vagões. carpintaria em geral. lambris. como vigas. cordões. construções externas. Resistente ao ataque de organismo xilófagos. dormentes. venezianas. Alburno espesso branco ligeiramente amarelado. artigos de escritório. implementos agrícolas. geralmente uniforme. Cerne recém-polido apresenta-se amarelo-claro. tacos e tábuas para assoalhos. obras de entalhe. marcos de portas e janelas. carrocerias e instrumentos musicais. lambris. escurecendo para bege-claro com manchas amareladas. Jatobá (Hymenea stilbocarpa Hayne): utilizado na construção civil. alburno nitidamente demarcado. Sucupira-parda ou Sucupira-preta (Bowdichia virgilioides): pode ser usada para folhas faqueadas decorativas. Cerne variando do bege-rosado-escuro ou castanho-claro-rosado. Demostrou ser impermeável às soluções preservantes. artigos de esporte. às vezes com reflexos esverdeados. forros. carrocerias. rodapés. folhas faqueadas decorativas. Cláudio R. acabamentos internos. carrocerias. vagões. pontes. portas. instrumentos musicais. degraus de escada. Resistência moderada ao ataque de organismos xilófagos. degraus de escadas. em construcão naval como acabamentos internos decorativos. 161 . dormentes. molduras para quadros. Cedro: indicada para partes internas de móveis finos. e outros. fôrmas para calcados. ripas. bolas de bocha e boliche. Cerne pardo acastanhado ou pardo-hava-claro. folhas faqueadas. mpermeável ou pouco permeável às soluções preservantes. venezianas. vagões. cerne variável. até o castanho avermelhado. baixa permeabilidade às soluções preservantes. cruzetas. em construções esxternas. esquadrias. caibros. Peroba Rosa (Aspidosperma polyneuron): utilizada em construcão civil. Dr. pisos e outros. Cerne variando de pardoacastanhado ou castanho escuro. entalhes. embalagens decorativas. artigos de esportes. Alta resistência ao ataque de organismos xilófagos. esquadrias e peças torneadas. móveis. casco de embarcacões leves. desde o castanhoclaro rosado ao castanho avermelhado. etc. dormentes). mais ou menos intenso. branco-cinza.

5. etc. possibilidade de obtenção de chapas de grandes dimensões e maior estabilidade dimensional. são prensados. após descascados. As fibras são misturadas com resina de uréia-formaldeído. mas as medidas são consideradas padrões. A madeira aglomerada são placas de madeira desfibradas e secas. da reaglomeração de madeira reduzida a fragmentos. cujas partículas são coladas entre si por meio de aglutinantes (à base de uréia e formol). da aglomeração por colagem de finas lâminas desdobradas (laminados compensados) e da aglomeração de fibras de madeiras de média densidade (MDF). são fragmentados e desfibrados..30 – Cortes da madeira. Entre as vantagens da utilização das madeiras transformadas destacamse: a homogeneidade de composição no caráter físico e mecânico. copas. resistências ao cisalhamento e ao fendilhamento. peso específico. Dr. lascas. Figura 12. Os tipos mais comuns são através da reaglomeração de madeira reduzida a fibras (chapadura). Cláudio R. melhoria de propriedades como a retratilidade. e são levadas por meio pneumático para uma máquina formadora. O produto final apresenta peso específico na ordem de 700 a 750 kg/m3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os nomes de cortes podem variar de região para região. Losekann Direitos autorais reservados 12. 162 . É bastante indicado para a fabricação de móveis em geral. cozinhas. principalmente em situações de corte para exportação. embutidos. com espessura que varia de 9 a 30 mm. onde. O MDF (Médium Density Fiberboard) é fabricado através de troncos selecionados que. visando a correção das características negativas. aproveitamento integral do material lenhoso contido nas árvores. armários.1 . aparas. etc.MADEIRAS TRANSFORMADAS As madeiras transformadas são fabricadas através da alteração da estrutura fibrosa orientada do material. (aglomerados). etc. na sequência.

madeiras e móveis. • • polimento com cera: confere brilho e maciez.5. O verniz de nitrocelulose é o mais utilizado na indústria moveleira e seu acabamento pode ser incolor. Como qualidades apresenta um tempo curto de secagem. tetos. que estufará as células da madeira. As lixas devem ser usadas gradualmente. Losekann Direitos autorais reservados 12. Durante o preparo da superfície deve-se observar a presença de defeitos. Em contrapartida à baixa resistência à luz e a um longo tempo de secagem. Promove um acabamento liso e brilhante que. resistência ao calor. e • depressões: utiliza-se uma estopa de algodão molhada em água quente. brilhante ou fosco. aos álcoois e a abrasão. envernizamento: os vernizes formam uma película protetora transparente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. boa resistência física e química. Alguns tratamentos são mais específicos para determinadas espécies de madeiras naturais. seguido pela remoção do pó (com escova fina) e aplicação de uma demão de selador. boa flexibilidade. para evitar arranhões. poliuretano e poliéster. da mais grossa à mais fina. É indicado para cozinhas e banheiros e tanto pode ser usado como verniz de cobertura quanto como selador. nitrocelulose. cimento de madeira. 12. tingido. a água. Logo. boa aderência. Cláudio R. O verniz de poliuretano é usado em pisos. antes da execução do trabalho propriamente dito. Dr. betume ou resina. apresenta grande durabilidade. é susceptível a manchas por contato com a pele e é pouco resistente ao calor. pode danificar-se em contato com líquidos ou com o calor. Inicia-se o preparo da madeira pelo lixamento. Os mais comuns são goma-laca.3 . boa flexibilidade e resistência satisfatória para emprego em ambientes internos (é utilizado sobre uma demão de selador nitro). executado preferencialmente sempre no mesmo sentido. tais como: • manchas de óleo ou graxa: podem ser removidas com nafta ou benzina. é aconselhável um estudo completo das características da madeira e do tipo de tratamento superficial que se pretende aplicar.2 . 163 . O verniz goma-laca é indicado para reparar móveis antigos ou harmonizar uma peça com outras já existentes em um ambiente. Seu principal uso são superfícies decorativas ou que não serão manuseadas.5.TIPOS DE ACABAMENTOS E REVESTIMENTOS PARA MADEIRA. • fendas e/ou furos: podem ser eliminados através de massa corrida acrílica (ou a óleo para madeiras). maior brilho. outros são mais aconselhados para usos em madeiras transformadas. Completa-se a etapa de preparo da superfície com um novo lixamento.TRATAMENTO SUPERFICIAL Os tratamentos superficiais objetivam melhorar o aspecto do material utilizado e também protegê-lo contra possíveis agressões do meio que o cerca. mas.

do tipo poliéster e nitrocelulose). peroba e cerejeira). Os elementos pigmentados possuem as mesmas características dos vernizes. mas escurecem a madeira). • óleos: a aplicação de óleos (linhaça. São resistentes à água e. proporciona bom acabamento. de cima para baixo. Antes da pintura.31 – Efeito pátina. A operação consta dos seguintes passos: 1. Os óleos formam um filme resistente e fosco (não encobrem a textura. são indicados para o mobiliário de quartos de crianças e de cozinha. confere uma aparência lisa e espelhada na superfície.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 3. usa-se a lixa n0 180. Passar a lixa n0 60 sobre a peça até tirar todo o verniz e após. onde os veios da madeira ficam totalmente escondidos. • esmalte poliuretano: essas tintas formam películas estruturalmente duras e resistentes química. Com a evaporação da parte líquida. 2. O tingimento pode ser translúcido (permite a apreciação dos veios da madeira) ou opaco (os pigmentos bloqueiam a visualização dos veios). com a espátula. Esperar secar por quatro horas. • laqueação: pintura aplicada com pistola. Após o lixamento. Por isso. 164 . sendo mais apropriados para madeiras escuras. sendo o alvejante mais usado o peróxido de hidrogênio misturado com amônia. Figura 12. limpá-la com o pano. • pátina: é a denominação das texturas que apresentam efeitos de envelhecimento. Para retirar os excessos e nivelar a madeira. • clareamento ou alvejamento: técnica para descolorir a madeira. Permitem acabamento de alto brilho ou fosco e possuem boa aderência em madeiras resinosas (que não são boas para vernizes. teca. com o uso contínuo. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. promovem um aumento na resistência ao choque. Distribuir a massa corrida. Cláudio R. • tingimento: aplicação do tingidor. Consiste basicamente em cobrir os veios naturais da madeira com tinta esmalte. Losekann Direitos autorais reservados O verniz de poliéster forma uma película dura e transparente e apresenta uma elevada resistência química e física (atrito). física e mecanicamente. o corante deposita-se na camada superior da madeira. Com a ajuda do rolo. PVA ou emborrachado automativo e com uma estopa embebida em solvente dá-se o efeito de “manchado”. Dr. sobre as imperfeições. Seu principal uso é a correção de riscos superficiais. passase uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. à base de água ou solvente. limpa-se a peça novamente. sobre o substrato.

165 . suavemente. bastante diluída. satinê: ou pátina lavada. sem retirar o excesso. mergulha-se bem o rolo (lavado) na tinta da cor escolhida e. sendo preferível as tonalidades mais claras. porque é a palha de aço que vai criar o efeito de “riscado” da pátina. passa-se uma segunda demão de tinta branca.33 – Efeito satinê. Porém. Com o pano. As madeiras cerejeira e marfim são as ideais para esse processo. Com a ajuda do rolo. 5. até que se retire completamente o verniz. A figura mostra o efeito de decapê em uma peça de madeira. Repete-se esse procedimento até três vezes. Quanto mais lisa estiver a madeira. Figura 12. Quando a superfície estiver bem lisa. Losekann Direitos autorais reservados 4. melhores serão os resultados obtidos. tirando os excessos da tinta. limpa-se bem a peça. Com o pano. aplica-o sobre o móvel. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. Quanto mais lisa estiver a madeira. • 2. Deve-se manter a mão firme.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. no sentido dos veios da madeira. desde que estejam em bom estado. A figura mostra um móvel submetido a esse tipo de tratamento superficial. riscando sempre no mesmo sentido. aplicando-se duas demãos de verniz. Quando essa superfície recebe uma pátina. A operação consta dos seguintes passos: 1. Trabalha-se toda a superfície com a lixa n0 60. Cláudio R.32 – Efeito decapê. Dr. Antes da pintura. deixando o branco aparecer. melhores serão os resultados obtidos. deve-se repetir o procedimento com a massa corrida. de cima para baixo. Se ainda houver imperfeições. Com a tinta ainda fresca. é usada para clarear a madeira. 6. procede-se o acabamento. Espera-se secar por mais duas horas e trabalha-se cada uma das outras partes. Finalmente. no mesmo sentido. 3. passa-se uma demão de tinta látex branca e espera-se secar por duas horas. Desliza-se a escova de aço. Figura 12. 7. o satinê é feito com apenas uma. Logo após. visualiza-se as várias superfícies da peça e trabalha uma por vez. até que se retire completamente o verniz. 8. enquanto a pátina usa duas cores de tinta. • decapê: consiste na aplicação de dióxido de titânio (pó branco). com o móvel completamente seco. passa-se a palha de aço de uma só vez. e espera-se mais duas horas. ressaltando seus veios. formam-se relevos. limpa-se bem a peça.

Se a cor não estiver do agrado. Para estonar madeiras claras. Dilui-se a tinta látex e com o rolo. para efetuar a manutenção do móvel. fazendose movimentos circulares com um pouco de estopa até obter uma esfera do tamanho de uma bola de tênis. Cláudio R. 2. 6. Se estiver trabalhando com madeira escura. O móvel deve ser nivelado com a lixa n0 220. serve para madeiras escuras. deve-se usar uma boneca sobre uma mesa. mas o manejo é mais seguro do que a lâmina. Esse movimento deve ser feito de uma só vez e num único sentido. raspa-se a tinta em locais onde o desgaste ocorreria naturalmente (cantos. 6. Usa-se a lixa n 180 para alisar a superfície. Quanto mais tinta for aplicada. e passa-se a cera incolor com outra bolinha de estopa. Deve-se passar quantas demãos se achar necessário. Finalizando. Com suavidade. aplica-se três demãos. após. • estonado: também conhecido por pátina provençal. A espátula não permite um desgaste muito detalhado. Utilizando-se da espátula. deve-se ir direto para a etapa de diluição de tinta látex. Dr. ou aparecerão manchas. pois a madeira escurecida com anilina precisa estar bem seca antes de receber tinta branca. Deve-se deixar secar durante três horas. 3. Para passar a tinta. pequenas depressões na madeira. mas fácil será o desgaste. etc. Esse procedimento deve ser repetido a cada seis meses. que serve para disfarçar irregularidades da tinta ou da madeira. passada na peça a ser trabalhada. A tinta é preparada na seguinte proporção: seis partes de látex para quatro partes de água. 5. passa-se a lixa n0 320. partes perto de puxadores. nos pontos desgastados. Para escurecer a madeira. deve-se primeiro escurecê-las. 5. 4. aplica-se a cera com uma nova bolinha de estopa (boneca). conforme ilustra a figura. A principal característica é o contraste da tinta branca sobre um fundo escuro.). Após fazer uma bolina com a estopa. 8. para evitar manchas. 7. • estêncil: basicamente é a pintura com moldes. deve-se diluir toda a anilina em 1 litro de álcool. procede-se limpeza com pano. concentrando-se esse trabalho. pode-se clarear ainda mais. 1. Essa aplicação deve ser feita de uma só vez. passando nova demão de tinta e seguindo os mesmos passos descritos anteriormente. Losekann Direitos autorais reservados 4. A operação consta dos seguintes passos: Usa-se a lixa n0 180 para nivelar a superfície e tirar restos de verniz.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II 0 Prof. A operação consta dos seguintes passos: 166 . A boneca é molhada na tinta e à seguir. para que a madeira fique bem escura. Espera-se secar por duas horas. O tempo de secagem é de uma hora para cada demão. num mesmo sentido e com firmeza. passe toda a solução preparada na peça.

É importante que não se permita que a esponja fique com excesso de tinta. 12. Losekann Direitos autorais reservados 1. Com a espátula. 6. Espera-se secar. Deve-se esperar em torno de seis horas. Figura 12. Dr. 13. pinta-se o móvel com a primeira cor escolhida. 11. Usando o pincel chato. com o rolo. Molha-se a esponja na tinta e pressiona-a levemente sobre o desenho. 2. 4. deve-se lavar a máscara e cobrir. Limpa-se com o pano. para remover o verniz e nivelar a superfície. como soda cáustica. • fórmica: são placas rígidas compostas por camadas de papel e resina. Numa folha de papel. Com o pano embebido de álcool. pois esta pode escorrer ou se acumular nas bordas do molde. os espaços que não serão pintados. Pinta-se a superfície que servirá de fundo para o estêncil e aplica-se uma demão de tinta branca fosca. deve-se esperar a primeira cor secar completamente antes de prosseguir. Deixa-se secar por seis horas. Apresenta boa resistência química e mecânica.34 – Efeito estêncil. 3. A cada nova cor utilizada. Pequenas falhas podem surgir. 10. 7. Sobre uma base de vidro. permite o escurecimento através da exposição à vapores de amoníaco. Para empregar outras tintas. O tempo de secagem é de seis horas. quando a tinta não completa todo o desenho. Enegrecimento: aplicado na madeira de carvalho. Essas devem ser corrigidas com um pincel fino. até que se obtenha as nuances desejadas. com fita crepe. entre cada demão. aplica-se a massa a óleo em toda a peça. 167 . deixando o desenho nivelado. água oxigenada e produtos de limpeza que contenham cloro. prensadas a alta temperatura. deve-se cobrir com fita crepe as áreas vizinhas já prontas. 8. fica-se “batendo” a tinta no desenho. Sua superfície pode ser manchada por produtos químicos. Cláudio R. Fixa-se o molde sobre o móvel com tinta crepe. limpa-se o acetato até que toda a tinta da caneta seja retirada. Isso disfarça eventuais imperfeições e relevos. 5.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. recorta-se o desenho do acetato com um estilete. Com a esponja. desenha-se o que se deseja reproduzir no estêncil e coloca-se o acetato sobre o papel fazendo-se assim o contorno da figura com a caneta de reprojetor. Usa-se uma régua para fazer as medidas necessárias. 9. Lixa-se toda a peça. Quando for realizado um desenho de várias cores.

tanto na forma de blocos e telhas.C. tais como azulejos. A fabricação de revestimentos para a construção civil. tais como azulejos. • Semicondutores e imãs. na forma de potes para o armazenamento de grãos. janelas. lentes. cimento e vidro. • Vidros.Compreendem a produção de materiais usados na construção civil para revestimento de paredes. 2) Cerâmica avançada • Isoladores elétricos. quanto na de placas de revestimento. para transmissão e distribuição. Para uso na construção. nitretos e carbonetos.Louças sanitárias e domésticas. pastilhas e placas. A grande variedade de materiais que se enquadra nesta classificação inclui cerâmicos que são compostos por minerais argilosos. muito utilizados na siderurgia. Os cerâmicos são compostos entre os elementos metálicos e nãometálicos para os quais as ligações interatômicas ou são totalmente iônicas ou são predominantemente iônica com alguma natureza covalente. fabricação de vidros e dos próprios revestimentos cerâmicos. pisos e bancadas. Cláudio R. ladrilhos.1 – INTRODUÇÃO O termo “cerâmica” vem da palavra grega keramikos. Atualmente os materiais cerâmicos estão cada vez mais presentes no cotidiano e suas aplicações são as mais diversas. em embalagens de componentes eletrônicos e como ferramentas de corte. placas ou ladrilhos para piso e pastilhas.). telas de tv e fibra de vidro. os materiais cerâmicos também estão entre os mais antigos. que significa “matéria-prima queimada”. Eles são freqüentemente óxidos. Dr. • Revestimentos cerâmicos . Losekann Direitos autorais reservados 13 – CERÂMICOS 13. Atualmente. as possibilidades de emprego de materiais cerâmicos ampliaram-se muito.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e cerâmicas técnicas como piezo elétrico. • Cerâmicas duras que podem ser matérias primas de motores a combustão interna e de turbina. é apenas uma das diversas atividades que têm como finalidade a produção de materiais cerâmicos.000 a. Os cerâmicos podem ser classificados nas seguintes categorias: 1) Cerâmica convencional • Cerâmica vermelha – Abrange as telhas e manilhas até objetos artesanais. em chapas de blindagem. que são utilizados em recipientes.000 e 6. indo de utensílios domésticos como potes a utensílios industriais como a fibra ótica. para fins diversos. Os primeiros vestígios da utilização da cerâmica datam do início do Neolítico (entre 10. • Cerâmica branca . • Materiais refratários e isolantes térmicos. 168 . dando a entender que as propriedades finais desejáveis desses materiais são normalmente atingidas através de um processo de tratamento térmico a alta temperatura.

com notáveis resistências mecânica e à oxidação em altas temperaturas. caulim. por exemplo. pisos e revestimentos ou material de laboratório para a indústria química. usada em turbinas de aviões. cianita. apresenta-se totalmente ou parcialmente cristalizados. a exemplo das superligas a base de níquel. Dr. Losekann Direitos autorais reservados Os materiais cerâmicos são materiais inorgânicos. cerâmicas piezo elétricas. A cristalização confere aos materiais cerâmicos propriedades físicas como a refratariedade. Desta forma. as matérias primas utilizadas podem ser a argila refratária. lentes. a resistência ao ataque de produtos químicos. material sanitário. bário. a matéria prima é cuidadosamente selecionada e a composição destes no produto dependerá da sua aplicação e das propriedades desejadas. bauxita. a resistência ao choque térmico. etc nas proporções adequadas. chamadas de cerâmicas avançadas. cada vez mais a cerâmica vem substituindo peças de metais nos mais variados equipamentos. quartzito. muitos materiais cerâmicos ainda têm suas aplicações limitadas devido a sua fragilidade. Para a fabricação de cerâmica convencional como louça doméstica. misturados em diferentes proporções. materiais magnéticos. 169 . quartzo e feldspato. Atualmente existe alguns de tipos de fibras óticas com composição mais intrínseca como o ZBLAN a base de zircônio. Para cerâmicas de uso especial e com processamento de alta tecnologia. corindon. Cláudio R. Entretanto. a condutividade térmica. cuja estrutura. Se for necessária a fabricação de um material refratário. usa-se muito argila. pastilhas de corte. as fibras óticas contêm basicamente SiO2 e B2O3. Figura 13. após queima em altas temperaturas. silimanita.1 – Peças de cerâmica. ferramentas de corte em máquinas-ferramentas). materiais biocompatíveis. Isso permite que os produtos de cerâmica sejam usados tanto para louça doméstica quanto para construção (material refratário de altosfornos. cerâmicas supercondutoras. resistência à tração e à compressão e a dureza. caulim. fibra ótica. A Ciência dos Materiais tem desenvolvido materiais alternativos dos materiais tradicionais. diásporo. como telas de televisão. Tanto nos materiais cerâmicos quanto outros materiais é preciso estabelecer o fim que o produto vai ter para que se possa escolher de forma precisa a matéria prima.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

índio.2 – CERÂMICA CONVENCIONAL 13. Losekann Direitos autorais reservados lantânio. que o caso de alguns tipos de vasos de flores e tijolos vermelhos. 13. As propriedades óticas têm maior importância neste campo. O esmalte é composto de vários óxidos na forma de pós que. alumínio e sódio. O engobe é uma composição intermediária da massa cerâmica e do esmalte que tem como finalidade facilitar a aderência entre os dois.2. A qualidade e defeito de um produto cerâmico depende muito do conhecimento das matérias primas de cada componente bem como das condições físico-químicas do processamento. a alumina. não tratado previamente. todos com propriedades mecânicas de elevada dureza e resistência a abrasão para produzir. mas o objeto deste estudo é apenas para dar uma visão geral de ambos os casos. bentonita. vitrifica-se. caolim.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. entendese como argila um produto natural. Matérias primas plásticas As matérias primas plásticas são: argila.2. a matéria prima poderá ter composição bem distinta do último como o nitreto cúbico de boro. por exemplo. zinco. Tanto a cerâmica convencional quanto a cerâmica avançada tem atingido grau de desenvolvimento na produção que poderia ser descrito cursos especiais para cada caso. etc) com outros que não 170 . Quando se trata de pastilha de corte. em geral.1 – Massa cerâmica As massas cerâmicas são misturas equilibradas de matérias primas plásticas e não plásticas. o HZBLAN com háfnio e o BIZYT a base de bário. Argilas . 13. que cumprem uma série de exigências que as fazem útil e rentáveis para fabricação de produtos cerâmicos convencionais. As matérias primas utilizadas na preparação de massas cerâmicas geralmente não são substâncias puras.O termo argila se usa em linguagem comum num sentido muito amplo com o fim de simplificar definições muito complexas.1 – CERÂMICA VERMELHA Podem-se apresentar três composições básicas que são: massa cerâmica. filitas. ou seja. a zircônia ou carbeto de silício. após a queima. Os produtos cerâmicos são obtidos pela composição destes ou não e sinterizados (queimados). formado por uma mistura de minerais argilosos (caolinita.1. tijolos isolantes térmicos). cloritas. onde pode ser de baixa porosidade (piso) ou de elevada porosidade (revestimento. esmalte e engobe. Cláudio R. itérbio e tório. A massa cerâmica é a que se apresenta geralmente em maior quantidade. materiais para ferramentas de corte. Dr. A massa cerâmica pode ser esmaltada ou não. O esmalte é a composição vítrea que geralmente recobre a massa cerâmica conferindo um ótimo aspecto visual e impermeabilizante da massa.

dilatando sua estrutura até 4 ou 5 vezes seu volume a seco.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que absorve água com facilidade.4SiO2. 6SiO2 H2O clorita Caolim – O caolim é uma argila contendo elevado índice de caolinita.). Dr.2SiO2. É extremamente plástica. da mesma forma. Losekann Direitos autorais reservados são argilosos como (quartzo. CaO. Fe2O3. melhorando de forma significativa a plasticidade com a adição deste na massa cerâmica. feldspato.H2O K2O. MgO. Os minerais argilosos se dividem em 3 grupos conforme a tabela abaixo: A Grupo caolinita Hidratados haloisita caolinita Não hidratados diquita nacritra B Grupo da mica Hidratados montmorilonita Não hidratados talco pirofilita Parcialmente hidrat. talco. Bentonita – O principal mineral argiloso da bentonita é a montmorilonita.3Al2O3. carbonato.2H2O + 2H2O Al2O3. Na2O. Pode apresentar elevado conteúdo de sílica com granulometria grosseira além de apresentar outros minerais como illita e montmorillonita. para a argila caolinítica. As argilas utilizadas para fabricação de pisos e revestimentos geralmente tem em torno de 20% de sílica. é a forma cristalina. carbonatos. quando se tem o objetivo de diminuir a plasticidade da mesma. em uma argila onde há predominância de cal. Al2O3 (33%).H2O Al2O3. Os principais óxidos do caolim são: SiO2 (54%). Desta forma.2SiO2. Matérias primas não plásticas As matérias primas não plásticas são: quartzo. restante. 171 . As propriedades de cada argila estão de acordo com suas composições. Quartzo – O quartzo é a forma predominante da sílica (SiO2) – Sílica contém 98% de SiO2 – ou seja. Cláudio R.4SiO2. denominará argila calcárea e. filitas C Grupo de clorita clorita haloisita caolinita diquita nacritra montmorilonita talco pirofilita filitas clorita Al2O3. TiO2.2H2O montmorilonita (bentonita) 3MgO. Utiliza-se como carga na massa cerâmica. feldspatos óxidos e etc. K2O. de baixa plasticidade e elevada refratariedade.

por exemplo.530 oC.2. CaO. Fe2O3.5 O ponto de fusão dos feldspato oscila entre 1. aluminosilicato de cálcio. Carbonato cálcico e dolomita – Se utilizam em massas cerâmicas de produtos porosos em que é difícil introduzir argilas calcares como.110 a 1.61/2.6SiO2 CaO. A dolomita pode ser considerada como um carbonato duplo de cálcio e magnésio. Na2O. por exemplo.Al2O3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Os principais óxidos que podem estar contidos no talco são: SiO2 (60%). Estas temperaturas relativamente baixas são devido a presença dos metais alcalinos e alcalinos térreos. massa branca para revestimentos.56 2.41 Dureza (Mohs0 6 6/6.Al2O3.6SiO2 Na2O. Cláudio R. Pode ter formas cristalinas ou não em sua composição. na qual os elementos químicos constituintes estão arranjados de forma ordenada e 172 .2 – Esmaltes Em muitos produtos cerâmicos a massa é recoberta por uma película vítrea que também é denominado como vidrado que tem como função recobrir recobrir o material com uma camada uniforme e impermeável.76 3.3Na2O. Dr. MgO (32%) e restante de Al2O3.64 2. Trata-se de aluminosilicatos de metais alcalinos e alcalinos térreos. Os cristais são estruturas com orientação.Al2O3.5 >6 6.5 6/6. Mineral Fórmula molecular Carbonato CaCO3 cálcico Dolomita CaO MgO. 13. quando há dificuldade de se encontrar argilas de queima branca e alto conteúdo de carbonatos.Al2O3. Adicionando-se talco na massa cerâmica aumenta-se a resistência a ácidos e reduz a expansão por umidade. O quadro abaixo mostra fórmulas moleculares teóricas de alguns tipos de feldspato mais comuns (minerais puros).Al2O3. que se apresentam em quantidades iguais.4Al2O3 9SiO2 Densidade aparente (g/cm3) 2.70/2.1. Os vidros são substâncias amorfas formadas por fusão e posteriormente esfriamento de silicatos desorientados. e etc.2CO2 Talco – O talco é um silicato de magnésio.8SiO2 K2O.2SiO2 BaO.37 2. realizando também funções de estética e decorativas. aluminosilicato de sódio. Se trata de vidros que tem diferentes composições de óxidos inclusive metais como ouro e prata (revestimentos de encomenda especial). Mineral Ortosa Albita Anortita Celsiana Petalita Nefelina Fórmula molecular K2O.2SiO2 Li2O. podendo apresentar-se associado com impurezas como o ferro e cálcio e outros metais alcalinos. Losekann Direitos autorais reservados Feldspato – São minerais ígneos encontrados em rochas primárias em que aparecem junto com o quartzo e a mica.

feldspato. prensagem ou injeção.Interação adequada com a massa cerâmica. Há uma série de fatores determinantes da composição do esmalte que tem de se levar em conta na hora da escolha da matéria prima que são: . . Cláudio R. elementos de carga (argila. ou seja. Isolar da superfície da massa cerâmica a ação de partículas contaminantes e proporcionar uma superfície branca sobre a qual se aplicara o esmalte. . Portanto. Losekann Direitos autorais reservados repetitiva nas três dimensões. Regular a adaptação entre o esmalte e a massa cerâmica. oxidação e formação de silicatos. um engobe deverá: Cobrir e homogeneizar a superfície da massa. atuando sobre seus coeficientes de dilatação térmica ou sobre sua refratariedade. caolim. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas.Capacidade de formar uma mistura que pode se dar por fusão um vidro homogêneo a uma dada temperatura. os engobes têm composições sensíveis formadas por um fundente (PbO. quartzo e silicato de zircônio).Os coeficientes de dilatação térmica da massa cerâmica e esmalte devem ser compatíveis a fim de evitar defeitos devido a forças de tração e de compressão entre ambos. Em geral. 173 .) e aditivos (modificadores de propriedades reológicas). a camada vítrea que cobre a massa cerâmica tem na realidade a estrutura de um líquido subresfriado que pode conter partículas cristalinas em suspensão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Zr2O3). 13. na qual grande parte da água livre é evaporada Queima: a temperatura é definida em função da composição química da mistura e na qual o aumento de temperatura causa as seguintes reações: desidratação. a composição de um esmalte estará composta por fundentes (fritas) modificadores de propriedades (propriedades óticas.1. . calcinação. etc. Dr. misturadas de forma homogênea Moagem: o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos Umidificação: o acréscimo de água para formar a massa cerâmica Conformação: onde as peças são produzidas por vários métodos: colagem. Ter opacidade adequada. formando um conjunto de células unitárias. textura.A composição do esmalte deve estar de acordo com as propriedades desejadas. De acordo com o descrito. extrusão. esmalte = vidro + cristais.3 – Engobe A função do engobe é diferente do esmalte e também as suas propriedades.2. Em geral. Secagem: pode ser natural ou artificial.

Louça sanitária. compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa. responsáveis pela coloração.2 – Produção de cerâmica. Cláudio R. A cerâmica branca é um segmento da cerâmica tradicional (ou de silicatos) bastante abrangente.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A preparação de um 174 . Figura 13.2. Com o advento dos vidrados opacificados. É mais adequado subdividir este grupo em: • louça sanitária. 13. com matériasprimas com certo grau de impurezas. • louça de mesa. • utensílios domésticos e adornos. • cerâmica artística (decorativa e utilitária).3 .000 °C.2 – CERÂMICA BRANCA Este grupo é bastante diversificado. necessária por razões estéticas e técnicas. muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados. O calor é muito importante para que o produto cerâmico tenha garantidas as propriedades que o caracterizam. Losekann Direitos autorais reservados Figura 13. caracterizada pela cor branca ou clara de queima de sua massa básica. sem prejuízo das características para uma dada aplicação. em temperaturas superiores a 1. Dr.

Quando ricos em ferro. secagem. 175 . Em geral. entretanto. manganês ou titânio. a densidade e a resistência são melhoradas com a secagem e a queima. Os processos podem ser: colagem. e função química no processo de queima (elementos estabilizadores. que foi adicionado para auxiliar na operação de conformação. Dr. Secagem: uma peça cerâmica que tenha sido moldada retém uma porosidade significativa e também possui uma resistência que é insuficiente para a maioria das aplicações práticas. Os materiais argilosos são processados nas seguintes etapas: Mistura: matérias primas previamente tratadas e dosadas. prensagem ou injeção. As matérias primas devem apresentar. para satisfazer a uma dada composição química prefixada para massa e finalmente para o corpo cerâmico. Conformação: os minerais à base de argila. Esse processo é seguido por um peneiramento ou uma classificação por granulometria que produz um produto pulverizado que possui uma faixa desejada de tamanho de partículas. por uma mistura de argila plástica. com cor escura a temperatura usual de queima é a 1450 ºC. quartzo e feldspato. as seguintes etapas: seleção das matérias primas.o material é moído para reduzir o tamanho dos grãos. Não há uma única massa-padrão com características que satisfaçam aos requisitos de todos os diferentes produtos da cerâmica branca. Essa massa é geralmente total ou parcialmente vitrificada e apresenta uma certa coloração escura indesejável. e podem ser moldados sem que ocorram trincas. na proporção de 25% para cada componente. A massa da cerâmica branca é composta. traduzidos por três matérias primas: argila. e acabamento. podendo. Losekann Direitos autorais reservados produto cerâmico desta classe abrange. porém variar dentro de faixas de acordo com a composição química desses materiais. misturadas de forma homogênea Moagem: para que se reduza o tamanho das partículas da matéria-prima da argila é necessário que se faça um procedimento de moagem ou trituração. isolada ou conjuntamente. Esses componentes podem ser agrupados em materiais plásticos e não-plásticos. suspensão e plasticidade). considerando os coeficientes de dilatação térmica da massa e do vidrado. quando misturados com água. geralmente. formação dos corpos cerâmicos. de maneira geral. queima. água). materiais com a função física durante o processo de conformação das peças (agentes de ligação. eles possuem limites de escoamento extremamente baixos. Cláudio R. ou idealmente. fundentes e inertes). talvez. se tornam altamente plásticos e flexíveis. composição e homogeneização da massa cerâmica. outros ingredientes para dar as características de escoamento que são compatíveis com a técnica particular de moldagem. Esse líquido é removido em um processo de secagem.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. requerendo que seja coberta por um vidrado contendo um pigmento e com opacificantes (ZrSiO4). a faixa usual de queima para material sanitário compreende 1230 ºC a 1280 ºC. para cerâmica branca. extrusão. A consistência (razão água-argila) da massa hidroplástica deve dar um limite de resistência suficiente para permitir que uma peça conformada mantenha a sua forma durante o manuseio e a secagem. ela pode conter ainda algum líquido (por exemplo. quartzo e feldspato. queimam com cores claras a 1250 ºC. Umidificação: os materiais pulverizados devem ser completamente misturados com água e. Além do mais. preparação. caolim. Os caolins.

o tijolo de construção) são formadas pela introdução de inserções colocadas dentro do molde. bem como da composição química da peça. a densidade e a resistência mecânica devido à diminuição da porosidade. As técnicas de secagem e queima são críticas no sentido de que defeitos como contração de volume de forma irregular torna a peça inútil. Neste processo. a formação gradual de um vidro líquido que flui para dentro e preenche parte do volume dos poros. Losekann Direitos autorais reservados Queima: uma peça que tenha sido conformado e que esteja seco. A temperatura de queima depende da composição e das propriedades desejadas para a peça acabada. Por outro lado. uma contração de volume também acompanha esse processo. ocorrem algumas reações consideravelmente complexas. tubos.4 – Forno túnel para queima de peças cerâmicos. Esse processo 176 . Durante a operação de queima. 13. calcinação. Quando materiais à base de argila são aquecidos a temperaturas mais elevadas. mas que não tenha sido queimada é conhecido por cru. Uma dessas reações é a vitrificação. e são relativamente porosos. a barbotina (mistura líquida de argilas) é derramada dentro de um molde poroso (em geral de gesso). A temperatura é definida em função da composição química da mistura. cuja espessura irá depender do tempo. entre 900 °C e 1400 °C. que está no limiar de ser oticamente translúcida. a queima de uma porcelana altamente vitrificada. a água da suspensão é absorvida no interior do molde.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Figura 13. Cláudio R. deixando para trás uma camada sobre a parede do molde. essa fase fundida forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. como resultado de forças de tensão superficial.2. Um outro processo de modelação usado para composições à base de argila é a moldagem por suspensão.Processamento A técnica de conformação hidroplástica mais comum é a extrusão. e o ar é freqüentemente removido em uma câmara a vácuo. Dr. Os tijolos de construção são queimados normalmente a uma temperatura de aproximadamente 900 °C.2. oxidação e formação de silicatos. Tijolos. As colunas ocas no interior da peça extrudada (por exemplo. como o feldspato. Com o resfriamento. Essa fase fluída escoa ao redor das partículas não fundidas que permanecem no meio e preenche os poros.1 . Normalmente. a cerâmica plástica é forçada através de uma matriz por meio de uma rosca sem fim acionada por um motor. onde uma massa cerâmica plástica rígida é forçada através de um orifício de uma matriz que possui a geometria de seção reta desejada. geralmente. para melhorar a densidade da peça. Dessa forma uma matriz vítrea que resulta em um corpo denso e resistente. A temperatura na qual a fase líquida se forma é reduzida pela adição de agentes fundentes. blocos cerâmicos e azulejos são todos geralmente fabricados utilizando uma técnica de conformação hidroplástica. variando. O grau de vitrificação depende da temperatura e do tempo de queima. As seguintes reações ocorrem através da queima: desidratação. ela é semelhante à extrusão de metais. ocorre em temperaturas muito mais altas.

3) Alumina. Aplicação: cerâmicas térmicas. A prensagem “a seco” é um outro importante método de conformação de produtos cerâmicos e é realizado através da prensagem de pós da matéria prima. Propriedades: capacidade de adsorsão. Essas características dependem da razão sólido-água. As formas cerâmicas consideravelmente complexas que podem ser produzidas por este método incluem louças sanitárias. refratários. dieletricidade. condução de luz. que posteriormente e transportado para matrizes de prensagem. Aplicação: cerâmicas óticas. Normalmente o gesso-de-paris. objetos de arte e peças de laboratórios científicos. Propriedades: magnetismo. sensores de gases. zircônia. juntas. A maioria dos moldes é composta por peças múltiplas. Produtos: radiadores de infravermelho. As propriedades do molde também influenciam a qualidade da modelação. Produtos: lâmpada de descarga elétrica de vapor de sódio. tais como tubos cerâmicos. No final do percurso encontra-se o pó de cerâmica (matéria prima plástica). 5) Alumina. Abaixo está alguns exemplos de cerâmicas avançadas para perceber a abrangência desses materiais: 1) Óxido de ferro. 177 . refratariedade. bem como de outros agentes que são adicionados. isolantes térmicos. 2) Alumina. zircônia. A natureza da suspensão é extremamente importante. ossos. Losekann Direitos autorais reservados pode ser continuado até que a totalidade da cavidade do molde se torne resistente mecanicamente. polarizadores. semi-condutividade. geradores de faísca. é usado como material de molde. catálise. relativamente fácil de ser fabricado em formas intrincadas e reutilizáveis. isolação térmica. eletrólitos sólidos. Aplicação: cerâmicas biológicas. fluorescência. Aplicação: cerâmicas químicas e eletroquímicas. sinterizadas em condições rigidamente controladas a fim de apresentarem propriedades superiores. translucidez. Produtos: suportes de catalisadores. resistência a corrosão. piezoeletricidade. Cláudio R. Propriedades: condutividade térmica. cabos óticos. absorção de calor. 4) Alumina. termistores. Produtos: capacitores. Após a conformação a peça entra num sistema contínuo de secagem e queima. 13. titanato de bário.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Propriedades: condensação ótica. ímãs. memórias óticas. Aplicação: cerâmicas elétricas e magnéticas. semicondutores. Dr. ela precisa possuir uma gravidade específica alta. vidro de sílica. Os pós são produzidos através da atomização ou pulverização de barbotina em contra corrente a um fluxo de ar aquecido e que circula em uma torre. que é econômico. carbonato de bário e de estrôncio. Propriedades: biocompatibilidade Produtos: implantes para substituir dentes. que devem ser montadas antes da queima. e ainda assim precisa ser muito fluida. normalmente sintéticas e conformadas por processos especiais.3 – CERÂMICA AVANÇADA Pode-se dizer que esta expressão define produtos cerâmicos manufaturados a partir de matérias primas puras. varistores.

às altas temperaturas e à radiação. carbeto de boro. baixa expansão térmica. A presença de impurezas piora suas propriedades. alumina. 7) Carbeto de boro. Nas operações executadas com o auxílio desses materiais. nitreto de silício. Cerâmicas abrasivas . alumina. Todos os abrasivos sintéticos são processados a quente e saem do forno em forma de pedaços maciços.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Propriedades: alta resistência mecânica e à abrasão. alta resistência ao choque térmico. refratariedade. uma resina ou um metal. Cláudio R. pás de turbinas para altas velocidades. grãos soltos. sendo usado para afiar ferramentas desgastadas. O tamanho de cada grão determina a classificação da capacidade de corte do abrasivo. seja ele natural ou sintético Para formar ferramentas do tipo rebolo abrasivo. revestimento de reatores. O corindon. é um óxido de alumínio (Al2O3) com 90% de pureza. que são depois moídos em grãos com arestas ou cantos agudos. com velocidades de corte maiores. Esses abrasivos são usados principalmente para afiar ferramentas de corte ou polir e dar acabamento final a estampos. por outro lado. 178 .300 oC. matrizes e gabaritos. quanto mais fino for o grão do abrasivo. O rebolo é usada na retificação cilíndrica em superfície plana e paralela. Grãos mais grossos retiram mais material. na eliminação de rebarbas e na afiação de ferramentas. esferas e cilindros para moagem.As ferramentas de corte feitas de materiais abrasivos são usadas para trabalhar todos os materiais e metais. São esses cantos que dão ao material abrasivo sua capacidade de cortar outros materiais. os grãos abrasivos podem ser unidos por meio de um material aglomerante na forma de uma liga cerâmica. O carbeto de boro com até 95% de carbeto de boro cristalino. por sua vez. Outras ferramentas de corte possuem pontas feitas com óxido de alumínio que podem ser unidas por meio de um processo de prensagem a frio seguido de sinterização ou por uma única operação de prensagem a quente. obtido por fusão elétrica a partir da alumina pura. Os abrasivos sintéticos também são de origem cerâmica. bicos de maçaricos. Por isso. O diamante. elevado ponto de fusão. anéis de vedação de bombas d’água. é o abrasivo natural mais utilizado. é o mais duro dos abrasivos naturais. capacidade de lubrificação. Dr. desde os mais macios até os mais duros. geralmente chamado de carborundum e formado por uma combinação química de silício com carbono obtida a temperaturas entre 2. carbeto de silício. mais fino e polido será o acabamento obtido. Produto: ferramentas de corte. Essas ferramentas tem alta resistência ao desgaste e a deformação em temperaturas altas. acendedores para caldeiras. barras e placas de diferentes formas e dimensões. zircônia Aplicação: cerâmicas abrasivas e termomecânicas.200 oC e 2. o atrito do abrasivo com a peça retira quantidades variadas de material. elevada condutividade térmica. São eles: o eletrocorindon (normal e branco). Propriedades: resistência a corrosão. rebolos. o carboneto de silício (SiC). com até 95% de óxido de alumínio. rotores. essas ferramentas podem cortar durante mais tempo. dependendo do resultado que se quer obter. Os abrasivos da qual são fabricadas podem ser usados sob a forma de pós. Losekann Direitos autorais reservados 6) Zircônia. Produtos: Materiais para blindagem. Aplicação: cerâmicas nucleares. O uso dos diamantes artificiais também é cada vez mais comum para o mesmo tipo de aplicação.

Losekann Direitos autorais reservados Compósitos . Os estudos desenvolvidos inicialmente pela Osram. ferro fundido cinzento. será descrito abaixo a evolução destes materiais: Metais duros . Nestas últimas décadas houve um grande avanço no desenvolvimento de materiais cerâmicos ou compósitos para produção de tambores e disco de freio. para a fabricação de filamentos de tungstênio para lâmpadas incandescentes. A dificuldade de fusão do tungstênio. W. São usadas na indústria metal-mecânica. pela inexistência de cadinhos que possam suportar a temperatura de 3. especialmente quando eles são diferenciados da fase única. foram cedidos a Krupp para o estudo da aplicação do carboneto de tungstênio na usinagem de metais. Um compósito é um material multifásico produzido artificialmente. nome comercial tomado em linguagem popular como sinônimo de metal duro e que provém da contração das palavras alemãs " wie diamant". à deformação plástica e elevada estabilidade química. de mais alta resistência a tração: 4. A técnica de fabricação dos metais duros pode ser descrita. como segue: 1.3 kgf/dm3. além de pastilhas de metal duro e cerâmicos para ferramentas de corte. Como o aumento do rendimento luminoso das lâmpadas incandescentes depende da elevação de temperatura do filamento. pela redução do trióxido de tungstênio pelo hidrogênio. do qual existem quantidades apreciáveis no nordeste brasileiro. principalmente para a usinagem em alta velocidade de aços carbono. Scheele. tendo como ligante o cobalto. assim chamada em homenagem ao químico sueco K. A resistência à propagação de trincas em materiais frágeis pode ser fortemente influenciada pela microestrutura e pelo uso de vários reforços de inclusões na matriz.10-6 oC-1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Muitas das propriedades mecânicas são fortemente dependentes da microestrutura. levou a técnica da sinterização e ao desenvolvimento da chamada “metalurgia do pó”.387 oC.400 oC. Em 1. O tungstênio é obtido em estado extremamente puro e dividido em partículas. Através de uma série de operações químicas é o mesmo reduzido a trióxido de tungstênio (WO3). de modo bastante sintético.4. " como diamante". na Alemanha. A fase dominante em % de volume atua como matriz.927 a Krupp fez sucesso com o seu produto "Widia". de mais baixo coeficiente de dilatação térmica linear: 4. isto é. 179 . resultando os denominados compósitos. a outra. Uma composição típica é a seguinte: 81% de tungstênio. compactação e sinterização. Em sua composição original participa somente o carboneto de tungstênio. resistência ao desgaste. Trata-se quimicamente do tungstato de cálcio (CaWO4). Eles são manufaturados principalmente pela mistura de componentes. Esses materiais apresentam elevada dureza.O tungstênio é o metal de mais alto ponto de fusão: 3. superligas de ferro fundido especial e aços de alta resistência.Um dos meios mais eficaz pelos quais materiais frágeis podem ser tenacificados é através da dispersão de metais na matriz cerâmica. 2. Assim. como fase dispersante. 6% de carbono e 13% de cobalto. desde cedo os fabricantes de lâmpadas pesquisaram a possibilidade de aplicação do tungstênio na fabricação dos filamentos. As fases constituintes podem ser quimicamente dissimilares e são separados por uma interface distinta. O minério do qual se parte para obtenção do carboneto de tungstênio é geralmente a Scheelita. peso específico de 19. Cláudio R.200 MPa. Os cermetos são exemplos de compósitos cerâmica-metal. Dr.

As peças pré-sinterizadas e usinadas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.5 . ainda. 5. 7. moído e misturado com pó muito puro e fino de cobalto. em condições apropriadas de temperatura. com a retração na operação final de sinterização. Cláudio R. se obtém o carboneto de tungstênio. pela ação de capilaridade. onde. Deve-se contar. pois qualquer operação posterior à sinterização resulta difícil e onerosa.350 a 1. sem quebra. são levadas para o forno de sinterização que trabalha sobre vácuo ou em atmosfera de hidrogênio. As pressões usadas são da ordem de 400 MPa. em matrizes. A uma temperatura em torno de 900oC se dá uma sinterização parcial do cobalto. A temperatura varia de 1. dependendo da composição do material e do tipo de forno. Figura 13. As pastilhas são levadas a um forno de pré-sinterização com atmosfera de hidrogênio.Microscopia eletrônica de varredura de cermetos e metal duro. obtendo-se peças já com a forma desejada (pastilhas). Esta operação deve levar as pecas à formas precisas. sem maior dificuldade. adquirindo o produto uma consistência e dureza suficientes para a sua manipulação nas operações subsequentes. Dr. Este processo é utilizado na fabricação de peças de forma especial ou pastilhas de pequeno consumo. uma liga eutética de cobalto se funde e introduz-se. A mistura é. 4. envolvendo e dissolvendo algumas destas partículas. 180 . O tungstênio é misturado com carbono puro (grafite) e a mistura é levada a um forno. em seguida. Na sinterização. Losekann Direitos autorais reservados 3. pois as peças não possuem ainda nenhuma dureza.600 oC. 8. O carboneto é. comprimida a frio. com resistência suficiente para serem manipulados. há uma contração linear de 15 a 22%. O conjunto é perfeitamente misturado num moinho de bolas. dependendo teor de cobalto e da pressão com que o material foi prensado nas matrizes. entre as partículas de carboneto. Resfriado o produto. No decorrer da sinterização. assim como as pastilhas prensadas. em seguida. este é cortado e levado à forma final por meio de rebolos apropriados. 6.

densidade da ordem de 14 kgf/dm3. mas com resultados medíocres na maioria das operações com aço.500 N/mm2. coeficiente de dilatação térmica cerca de metade da do aço. Ambos os carbonetos ocorrem no metal duro como cristais mistos Ta-Nb-C. melhorando assim a tenacidade e a resistência dos cantos. Reduz-se. 1. 4. o carboneto de tântalo atua no sentido de diminuir o tamanho dos grãos. módulo de elasticidade E = 620. Atualmente são usados como componentes dos metais duros: WC . 2. O WC tem alta resistência à abrasão. M e K.O carboneto de tungstênio é solúvel no cobalto. Cada classe possui uma composição química diferente e tipos específicos de material a usinar.000 °C. a resistência das ligações internas e dos cantos.O carboneto de nióbio tem efeito semelhante ao TaC. Isto faz com que o cavaco escorregue com grande pressão e sob elevada resistência. TaC . 3. Na ferramenta forma-se rapidamente uma cratera. Metais duros com alto teor de TiC são frágeis. Dr. Losekann Direitos autorais reservados O metal duro apresenta uma altíssima resistência à compressão. elevada condutibilidade térmica (8 a 20 vezes a do aço). e foi necessário classificá-los conforme o tipo de trabalho a ser feito. As ferramentas de carboneto de tungstênio foram empregadas a princípio com extraordinário sucesso na usinagem de ferro fundido e materiais não ferrosos. TiC . mantendo elevada dureza até cerca de 1. Estes carbonetos apresentam maior dureza do que o de tungstênio. Os metais duros são divididos em três grupos de aplicação P. Também ocorrem problemas de difusão e de dissolução. os metais duros foram aperfeiçoados para cada aplicação específica.Os carbonetos de titânio têm pouca tendência à difusão. Cláudio R. 181 . Disto resulta a alta resistência dos metais duros que tem TiC na sua composição. NbC . Metais duros com carbonetos combinados .Muitos anos após a introdução dos metais duros. mas a utilização na usinagem de aço é limitada pela tendência de difusão do carbono e de dissolução no cobalto e no ferro. com forte formação de calor. São utilizados na usinagem de aços com altas velocidades de corte. Verificou-se que a causa principal do insucesso residia no forte atrito que se estabelece entre a ferramenta de metal duro e o cavaco de aço. dando origem a uma série de tipos de ferramentas.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.Em pequenas percentagens. Devido à adição dos carbonetos combinados. cada uma indicada para uma dada aplicação. verificou-se que o atrito entre o carboneto e o cavaco era fortemente reduzido pela adição de carboneto de titânio e de tântalo na composição original. levando o gume de corte ao esfacelamento. porém em paralelo.000 N/mm2. A seleção de pastilhas será visto em capítulo posterior. TiC forma um carboneto misto com WC. dureza 76 a 78 Rockwell C. que solucionar este problema foram feitos vários desenvolvimentos no metal duro. notável resistência à compressão de cerca de 3. o que resulta a alta resistência das ligações internas e dos cantos dos metais duros de puro WCCo.

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Grupo principal de usinagem P (Classe azul)
Indicado para a usinagem de aço, aço fundido e ferro fundido maleável, nodular ou ligado, de cavaco comprido. Além de WC, tem percentagens mais ou menos elevadas de TiC ( até 35%) e TaC ( até 7%), apresentando um atrito baixo com cavacos de materiais dúcteis.

Grupo principal de usinagem M (Classe amarela)
Para usinagem de aço, aço fundido, aço ao Mn, ferros fundidos ligados, aços inoxidáveis austeníticos, ferros fundido maleável e nodular e aços de corte livre, ou seja, par uso universal em condições satisfatórias. Constituem tipos intermediários entre o grupo P e K.

Grupo principal de usinagem K (Classe vermelha)
Para usinagem de ferros fundido comum e coquilhado, ferro fundidos maleáveis de cavaco curto, aços temperados, não ferrosos, não metálicos e madeira. Os metais duros deste grupo se compõem quase que exclusivamente de WC e de Co, como elemento ligante. Pequenas percentagens de VC, TiC, TaC e NbC são acrescentadas as vezes para melhorar certas características. Em cada grupo, os metais duros são fabricados em diversos graus, correspondendo a uma dureza decrescente e uma tenacidade crescente e vice-versa. Os tipos mais duros são usados em usinagens de acabamento (altas velocidades e cortes leves), enquanto que os tipos mais tenazes e menos duros, em virtude de teores mais altos de cobalto, são usados em cortes pesados de desbaste, em velocidades mais baixas ou em condições desfavoráveis de usinagem (vibrações, cortes interrompidos, máquinas velhas etc.). Os tipos mais duros, em geral exigem ângulos de saída negativos. Metais duros de múltiplas faixas de aplicação - Partindo de matérias primas com mais alto grau de pureza e com controle mais rigoroso do processo de sinterização, foi possível obter pastilhas de metal duro de elevada resistência à flexão com mínima perda de dureza. Os cuidados se referem especialmente à granulometria mais fina e uniforme, à distribuição mais perfeita dos carbonetos e a melhoria da solubilidade dos carbonetos no metal de ligação. Pode-se assim produzir pastilhas que cobrem mais faixas de aplicação, reduzindo assim o número de tipos necessários nas diversas operações de usinagem. Existem inclusive propostas para eliminar da norma o grupo de aplicação K. Metais duros com uma camada de revestimento - Com objetivo de melhor explorar as vantagens de cada um dos carbonetos componentes, desenvolveu-se os metais duros revestidos. Eles se compõem de uma base de metal duro relativamente tenaz, sobre a qual se aplica uma ou mais camadas finas, duras, resistentes à abrasão e de fina granulometria, de um material composto de carbonetos (por exemplo: TiC, HfC, ZrC), de nitretos (TiN, HfN, Zr2O3), de carbonitretos (TiCN) ou de óxidos (Al2O3). Estes 182

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revestimentos permitem um aumento substancial da vida das ferramentas. Em condições adequadas este aumento corresponde a um múltiplo de tempo de vida das ferramentas de metal duro convencional. O revestimento é hoje mais freqüentemente aplicado pelo processo de deposição química de vapor (CVD). A figura abaixo mostra como são estas camadas em uma pastilha de metal duro (GC4025 - Sandvic). Neste tipo de pastilha a camada total de revestimento não ultrapassa a 10 µm de espessura.

Figura 13.6 - Revestimento de TiN em uma pastilha de metal duro.

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Cerâmica - As ferramentas de cerâmica de óxido de alumínio extremamente puro como de misturas de óxido de alumínio com carbonetos metálicos têm adquirido importância crescente em máquinas automáticas de alta velocidade, para usinagem de peças de aço e ferro fundido. Em condições adequadas, é possível usar velocidades de corte 4 a 5 vezes maiores do que aquelas empregadas com metal duro, o que representa uma vantagem na redução do tempo efetivo de corte. Cerâmicas brancas - Durante muitos anos as pastilhas cerâmicas não tiveram o sucesso industrial esperado. Isto se deve, em parte, ao fato de que as cerâmicas exigem máquinas-ferramentas de elevada velocidade, grande potência e extrema rigidez. Além disto, a alta velocidade de corte implica em um fluxo intenso de cavacos muito quentes, tornando imprescindível uma proteção adequada ao operador. O componente principal da cerâmica de corte é o Al2O3. O material de partida apresenta sob a forma de um pó finíssimo, cujas partículas estão compreendidas entre 1 e 10 µm. As peças se obtém prensando fortemente a matéria prima que pode ser Al2O3 com 99,98% de pureza, ou então, em composição de 89 a 99% de Al2O3 e o restante de óxido de silício, de magnésio, de cromo ou de níquel ou, ainda, outros componentes. A qualidade de uma ferramenta de cerâmica depende de sua baixa porosidade associada a tamanhos de grãos pequenos A cerâmica, como ferramenta de corte, tem as seguintes características: Alta dureza a quente, que se mantém até cerca de 1.600 °C, permitindo altas velocidades de corte (5 a 10 vezes superiores a do metal duro convencional); Elevada estabilidade química do óxido de alumínio, que se mantém até uma temperatura próxima do seu ponto de fusão (2.050 °C); Altíssima resistência a compressão; Baixo coeficiente de atrito; Nenhuma afinidade química com o aço, não formando gume postiço.

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1. 2. 3. 4. 5.

Estas duas últimas qualidades asseguram um excelente acabamento superficial. O menor desgaste da ferramenta, assegura também melhor precisão dimensional das peças. Como problemas da usinagem com cerâmica, pode-se citar: 183

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1. Grande fragilidade; 2. Condutibilidade térmica muito baixa. A fixação das pastilhas cerâmicas tem sido feita por colagem (Araldite, Epoxy) ou por grampos. Este último modo é o mais freqüente. As pastilhas podem ser reafiadas por rebolos de diamante, porém, a tendência é a utilização das assim chamadas pastilhas "descartáveis". Estas, de forma quadrada ou triangular, apresentam 8 ou 6 gumes afiados de fábrica, que são usados sucessivamente por giro da pastilha em seu suporte. Depois de usados todos os gumes, a pastilha é jogada fora. As ferramentas de cerâmica têm sido utilizadas com sucesso no acabamento e desbaste de ferro fundido com dureza Brinell superior a 180 kgf/mm2 e o ferro fundido coquilhado com dureza Brinell até 500 kgf/mm2, inclusive para aço temperado com uma dureza até 60 HRC. Também são próprias para a usinagem de materiais que apresentam forte efeito abrasivo, como plástico, grafite, ebonite. Na realidade quase todos os materiais podem ser usinados com cerâmica. As poucas exceções são: 1. Alumínio, que reage quimicamente com Al2O3. 2. Ligas de titânio, com alta percentagem de níquel e materiais resistentes ao calor, devido a tendência a reações químicas. 3. Magnésio, berílio e zircônio, que são inflamáveis na temperatura de trabalho da cerâmica. A pastilha de cerâmica de corte tem as seguintes propriedades: Cor (cerâmica pura) branca 3 Peso específico (gf/cm ) 3,7 a 4,1 Dureza (HRA) 90 a 95 3.500 Resistência à compressão (N/mm2) Resistência à flexão (N/mm2) 150 a 400 Temperatura de amolecimento (°C) 1.800 Coeficiente de dilatação térmica linear (°C-1) 0,8.10-6 Cerâmicas mistas - Ao lado das pastilhas cerâmicas acima descritas, estão sendo utilizadas ferramentas de corte com menos de 90% de Al2O3, porém com adições de óxidos e carbonetos metálicos, especialmente de carboneto de titânio e também carboneto de tungstênio. Estes materiais são denominados CERMETOS (cerâmica + metal) na literatura anglo-americana, que são compósitos. São obtidos por prensagem a quente, o que produz uma estrutura de partida mais compacta do que no caso da cerâmica pura. São em geral de cor preta. Na sinterização, a presença de carbonetos de titânio e outros óxidos, inibe o crescimento dos grãos. Isto confere aos cermetos elevada dureza, maior tenacidade, resistência ao desgaste do gume e à formação de crateras. Ao contrário dos materiais cerâmicos, os cermets são condutores elétricos, têm razoável condutividade térmica e são menos frágeis. Têm um peso específico de 5 a 6 gf/cm3. São menos sujeitos à trincas térmicas do que as cerâmicas puras. São usados na usinagem de ferro fundido com dureza Brinell maior que 235 HB e aços com dureza de 34 a 66 HRC. Cerâmicas à base de nitreto de silício - Em 1.981, foi introduzido um novo tipo de cerâmica de corte, denominada SIALON que contém nitreto de silício (Si3N4), além do Al2O3 e de uma fase TiC. Sua dureza a quente é ainda melhor 184

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que a das cerâmicas mistas. A resistência a choques térmicos aproxima-se da dos carbonetos. O SIALON, sob a forma de pastilhas pretas, está superando as outras cerâmicas na usinagem em alta velocidade de ferro fundido e ligas de níquel. Diamantes naturais (monocristalinos) - Os diamantes naturais são obtidos com a extração mineral e classificam-se em Carbonos, Ballos e Borts. Os Carbonos ou diamantes negros são diamantes aparentemente "amorfos", que por aquecimento, perdem a sua dureza e, por isto são empregados apenas para aplicações especiais, como ferramentas para retificar rebolos, pontas de brocas para minas, assim como para trabalhar fibras, borracha e plásticos. Os Ballos são diamantes claros, de crescimento irregular, especialmente duros em virtude de sua estrutura. Pelo fato de serem redondos, não encontram aplicação na fabricação de ferramentas de corte e de rebolos. Os Borts, especialmente o africano, é claro. Seu valor depende da qualidade e do número de bordos naturais de trabalho que oferece, se bem que hoje dá-se mais importância à dureza. Isto porque, em lugar de bordos naturais, preferese gumes lapidados no diamante com ângulos apropriados. Os Borts são diamantes mono-cristalinos. Sua característica principal é a sua anisotropia, isto é, suas propriedades mecânicas (dureza, resistência, módulo de elasticidade) variam com a direção. Eles têm também quatro direções preferenciais de clivagem. Conclui-se daí, que para tanto a preparação do diamante por lapidação como para a sua montagem num porta-ferramenta, deve-se conhecer a disposição da estrutura cristalina. Enquanto que a lapidação deve ocorrer sempre na direção de mínima dureza, a montagem do monocristal no porta ferramenta deve ser feita de modo que a força de usinagem seja orientada na direção de máxima dureza. Ferramentas de diamante monocristalino são especialmente indicadas na usinagem de metais leves como bronze, latão, cobre, ligas de estanho, borracha dura e mole, bem como vidro, plástico e pedras. O campo de aplicação são principalmente as operações de usinagem fina, onde são feitas grandes exigências de precisão dimensional e qualidade superficial.

A usinagem de aço e ferro fundido não é possível, em virtude da afinidade do ferro com o carbono. O diamante, na zona de contato com a peça de aço, em virtude da alta temperatura, transforma-se em grafite e reage com o ferro. Isto leva a um rápido desgaste do gume. O diamante permite obter uma elevada precisão dimensional e acabamento brilhante que iguala-se a um apurado polimento. A velocidade de corte praticamente não tem limite superior. Velocidades de 2.000 m/min já foram experimentadas com sucesso. Não se recomendam velocidades inferiores a 100 rpm. Os avanços usualmente de 0,02 mm/rot a 0,06 mm/rot e as profundidades de corte de 0,01 ate 0,2 mm. Diamante policristalino - Em 1.973 foi apresentado pela primeira vez uma ferramenta com uma camada de diamante sintético policristalino. A matéria prima são partículas muito finas de diamantes sintéticos, de granulação muito definida para obter-se o máximo de homogeneidade e densidade. A camada de diamante policristalino é produzida pela sinterização das partículas de diamante com cobalto num processo de alta pressão (6.000 a 7.000 MPa) e alta temperatura (1.400 a 2.000 oC). A camada de aproximadamente 0,5 mm de espessura, ou é aplicada diretamente sobre uma pastilha de metal duro 185

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pré-sinterizado ou então é ligada ao metal duro através de uma fina camada intermediária de um metal de baixo módulo de elasticidade. A camada de diamante tem caráter isotrópico em virtude da distribuição irregular dos grãos de diamante. Não atinge nunca a dureza do diamante monocristalino na direção de máxima dureza. As pastilhas com uma camada de diamante policristalino podem ser soldadas em cabos ou fixadas mecanicamente em porta-ferramentas padronizados, pois tem a forma e as dimensões iguais as das pastilhas comerciais de metal duro. As ferramentas de diamante policristalino podem ser usadas na usinagem de metais leves, cobre, latão, bronze, estanho, diversos plásticos, asbesto, fibras reforçadas de vidro, carbono ou outros materiais, exceto materiais ferrosos e duralumínio. Nitreto de boro cúbico cristalino (CBN) Depois do diamante, os cristais cúbicos de nitreto de boro são o material mais duro que se conhece. Trata-se de um material sintético, obtido pela reação de halogênietos de boro com amoníaco. Como no carbono, existe uma forma macia, de estrutura cristalina hexagonal, igual ao do grafite e uma forma dura, tetragonal, de estrutura idêntica ao do diamante. Nitreto de boro foi obtido pela primeira vez em 1.957, pela transformação de nitreto de boro de estrutura hexagonal em estrutura tetragonal, sob pressões de 5.000 a 9.000 MPa e temperaturas de 1.500 a 1.900 °C, na presença de um catalisador (lítio). O CBN é quimicamente bem mais estável do que o diamante, especialmente contra oxidação. Sob pressão atmosférica, o CBN é estável até 2.000 °C, enquanto no diamante já ocorre grafitização a 900 °C.

As pastilhas de CBN são executadas de forma análoga as de diamante policristalino. Umas camada de 0,5 mm de espessura de partículas de nitreto de boro são sinterizadas num processo de alta pressão e alta temperatura, com a presença de uma fase ligante, efetivando-se simultaneamente a fixação sobre uma base de metal duro. Distinguem-se pastilhas que devem ser soldadas num cabo e retificadas com rebolo de diamante e pastilhas de fixação mecânica, que podem ser usadas com porta-ferramentas convencionais. As ferramentas de CBN são empregadas preferencialmente na usinagem dos aços duros (45 a 65 HRC), mesmo em condições difíceis, aço rápido, ligas resistentes a altas temperaturas na base de níquel e cobalto. Além disso, servem para a usinagem de revestimentos duros, com altas percentagens de carbonetos de tungstênio ou CrNi, aplicados por soldagem de deposição ou jato de material liquefeito por chama. São usadas velocidades de corte de 50 a 200 m/min, avanços de 0,1 a 0,3 mm, profundidade menor ou igual a 2,5 mm. Devido sua elevada resistência ao impacto, podem ser usadas em cortes severos, interrompidos e na remoção de cascas tenazes, abrasivas e irregulares de peças fundidas e forjadas e peças de ferro fundido coquilhado. As ferramentas de CBN servem para cortes interrompidos bem como par usinagem de desbaste, de acabamento e usinagem fina. Rugosidades inferiores a 1 µm são obtidos, dispensando a retificação.

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Todos os materiais têm propriedades distintas. 187 . a esta propriedade. desenvolveram-se processos e métodos de controle de qualidade dos produtos. as propriedades mecânicas.) Borracha Compósito Alguns dos materiais do quadro acima são duros e frágeis. Ge. Dr. as propriedades de atividade. Si. por exemplo. e ao mesmo tempo. Todos esses materiais podem ser encontrados tanto em uma cama quanto em uma aeronave.. CdS. plásticos.1 – INTRODUÇÃO A nova tendência de matérias-primas e o desenvolvimento dos processos de fabricação determinaram à criação de métodos padronizados de produção.. resistência a oxidação. magnéticas e óticas. metais. compósitos. resistência à corrosão. os materiais apresentam propriedades físicas e químicas distintas. elétricas. ou seja. outros tem baixo e alguns nem apresentam ponto de fusão definido. outros são moles e dúcteis. GaAsP. Uns tem elevado ponto de fusão.) Borracha Chumbo Tungstênio Sintéticos Vidro Cerâmica Plástico Semicondutor (GaAs. materiais não-metálicos. Cláudio R. MATERIAIS METÁLICOS Ferrosos Aços Ferros fundidos Não-ferrosos Alumínio Cobre Zinco Magnésio NÃO-METÁLICOS Naturais Madeira Asbesto Couro Semicondutor (C. A começar pela Tabela Periódica. incluindo a inspeção e os ensaios finais nos produtos acabados.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. semicondutores. Às vezes é comum encontrar a propriedade mecânica de um material distinta da propriedade física.. Entende-se que o controle de qualidade precisa começar pela matéria prima e deve ocorrer durante todo o processo de produção. Os materiais acima descritos podem ser agrupados em dois grupos e quatro subgrupos: materiais metálicos. Losekann Direitos autorais reservados 14 – ENSAIOS DE MATERIAIS 14. a esta propriedade. Propriedades físicas: podem ser agrupadas. O uso correto do material depende do profundo conhecimento dele e das implicações tecnológicas de sua obtenção.. onde cada elemento químico tem um número e massa atômica própria.. térmicas. cerâmicos. Propriedades químicas: podem ser agrupadas. difusividade..

dureza. à deformação plástica permanente e.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. ductilidade. e recuperar sua forma original. Esta resistência é medida através de ensaios de tração ou de compressão na máquina universal de ensaio. Ductilidade: é a capacidade que um material tem de se deformar sem rompimento. tenacidade. Em termos de indústria mecânica. a) Máquina de ensaio universal. quando for cessado o esforço que o deformou. Elasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. quando submetido a um esforço. os materiais duros são também frágeis. Esta propriedade tem definições metalúrgicas. Em geral. As propriedades mecânicas que se tem maior interesse são: resistência à tração e compressão. Resistência à tração e compressão: é a resistência que o material oferece à esforços de tração ou de compressão até a sua ruptura. b) Durômetro. fragilidade. 188 . maleabilidade. isto é. a) b) Figura 14.1 . ou ao desgaste. elasticidade. a propriedade mecânica é considerada uma das mais importantes para a escolha da matériaprima. quando for submetido a pressão estática. plasticidade. Cláudio R. Dureza: é a resistência que o material oferece à penetração. Essa capacidade é necessária durante o processo de fabricação. Losekann Direitos autorais reservados As propriedades mecânicas aparecem quando o material está sujeito a esforços de natureza mecânica. como também durante a sua utilização. mineralógicas e mecânicas.Equipamentos de ensaios mecânicos. Fragilidade: é a capacidade que um material apresenta de romper-se quando for submetido a impacto. Esta resistência é medida através de ensaios de dureza. propriedades que determinam a maior ou menor capacidade de resistir ou transmitir esforços que lhe são aplicados. Dr.

desta forma. entretanto.ENSAIO DE TRAÇÃO O ensaio de tração consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende alongá-lo até a ruptura. que são lidos na própria máquina de ensaio ou através de um computador acoplado que registra 189 . Losekann Direitos autorais reservados Plasticidade: é a capacidade que um material tem de se deformar. ASME (American Society of Mechanical Engineer). Estes ensaios são: Tração. Os materiais dúcteis apresentam maior tenacidade que os materiais frágeis. SAE (Society of Automotive Engineers). ISO (International Organization for Standardization). Os ensaios mecânicos dos materiais são procedimentos padronizados mediante normas técnicas que compreendem testes. Estes ensaios são: Líquido Penetrante. ensaio em esmeril (verificação do teor de carbono em um aço através da análise da centelha). Tenacidade: é a capacidade que um material tem de absorver energia até a sua ruptura. Realizar um ensaio consiste em submeter um objeto já fabricado ou um material que vai ser processado industrialmente a situações que simulam esforços nas condições reais de uso. Torção. ASTM (American Society for Testing and Materials). quando o mesmo for submetido à esforços estáticos ou dinâmicos. nunca inutilizam a peça ou corpo de prova. Dr. Embutimento. ensaio de tombamento (verificação da resistência ao impacto). gráficos para a determinação de propriedades mecânicas. Maleabilidade: é a capacidade que um material tem de se transformar em lâminas quando submetidos a esforços estáticos. mesmo que estes não fiquem inutilizados. entretanto. DIN (Deuches Institut für Normung). O ferro fundido e o vidro são dois materiais frágeis. Os ensaios mecânicos padronizados são realizados em laboratórios equipados adequadamente para levantamento de dados. Existem vários critérios para classificar os ensaios mecânicos. alguns ensaios não padronizados para uma análise prévia. pode ser feita em oficina como o ensaio por lima (verificação de dureza por meio do corte de cavaco).UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Fadiga. chegando a limites extremos de solicitação. Dobramento. cálculos. Flexão. é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de tração.2 . Compressão. podem ser usados para detectar falhas em produtos acabados ou semi-acabados. Ultra-som e Radiografia Industrial. Ensaios não destrutivos: são aqueles que após sua realização não deixam nenhuma marca ou sinal e. Dureza. As normas técnicas mais utilizadas pelos laboratórios de ensaios vem das seguintes instituições: ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Cisalhamento. AFNOR (Association Française de Normalisation). Cláudio R. por conseqüência. 14. A classificação mais utilizada é a que separa em dois grupos: Ensaios destrutivos: são aqueles que ocorrem mediante a destruição do corpo de prova ou peça ou que deixam algum sinal. quando submetido a um esforço. e manter-se deformado após cessado o esforço que o deformou. os ferros fundidos apresentam maior tenacidade que os vidros. Partículas Magnéticas. Impacto. Fluência. Por esta razão. JIS (Japanese Industrial Standards). BSI (British Standards Institution).

Pode-se afirmar que uma peça está submetida a esforços de tração.Peça tracionada. então. conforme ilustra a figura ao lado. MPa. Figura 14. Cláudio R. b) após o ensaio.102 kgf/mm2 A aplicação de uma força axial de tração em um corpo de prova produz uma deformação neste corpo. A carga normal “F”. e quais os limites de tração que suportam.tensão normal [ N/mm2.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Na prática. mm2. a força é expressa em newtons (N). onde: σ . kN.força normal ou axial [N. atuar sobre a área de secção transversal da peça. origina nesta.. ... 1 Pa 1 MPa 1 GPa 1 MPa 1 N/m2 1 N/mm2 103 MPa 0. Esta deformação é seguida de um aumento no seu comprimento com diminuição da área da secção transversal.. . Losekann Direitos autorais reservados as cargas e as deformações ocorridas. uma tensão normal “σ” (sigma). a área em metros quadrados (m2). que atua na peça. o pascal torna-se uma medida muito pequena para tensão. que são o quilopascal (kPa). que é determinada através da relação entre a intensidade da carga aplicada “F”. A tensão (σ) será expressa. e a área de seção transversal da peça “A”. a) antes do ensaio.] A . unidade que é denominada pascal (Pa). quando uma carga normal “F” (tem a A direção do eixo da peça). Esta tensão é também denominada de tensão normal de tração.3 . então usa-se múltiplos desta unidade. megapascal (MPa) e o gigapascal (GPa). pode-se determinar a tenacidade de um material. F Figura 14. Através deste ensaio.] F . em N/m2. embora muitas vezes não perceptível a olho.2 . 190 . Dr.área da secção transversal da peça [m2. .. Quando a carga atuar no F sentido dirigido para o exterior da peça.] No Sistema Internacional.Corpo de prova de ensaio de tração.. a peça está tracionada.

] O diagrama tensão . 14. as máquinas de ensaio realizam a relação F x ∆ (força x alongamento) na qual ocorre variação da carga aplicada e conseqüentemente o alongamento (Lf . no entanto. a estricção. distinguir algumas características comuns.1 .comprimento inicial do CP [mm. elas nos levam a dividir os materiais em duas importantes categorias. cuja expressão matemática é ∆ = L f − L0 . A deformação plástica é permanente. bronze.. são caracterizados por apresentarem escoamento à temperaturas 191 . visto que ocorrem discordâncias irreversíveis após a aplicação de uma carga. e a redução da área na secção transversal. No ensaio de tração. pode-se fazer a razão da força pela área F da secção transversal inicial ( ) e do alongamento pelo comprimento inicial A0 L − L0 ( f ). A0 é área de L0 secção transversal inicial [mm2.. .] Embora a deformação é uma razão do alongamento com o comprimento inicial. resultando o diagrama tensão . e principalmente pela anisotropia. . como o aço. é geralmente confundido com a deformação. até a ruptura do material. Cessado os esforços. o material não volta a sua forma original. cm. longitudinal de um material é definida como: ε = f L0 onde: ε . alumínio. níquel e outros. o CP é submetido a uma carga normal “F”. é muito comum entre técnicos a unidade mm/m pois dá uma idéia rápida do alongamento de um corpo com 1 metro de comprimento. O alongamento. A deformação L − L0 .deformação (σ x ε).L0) do corpo de prova e se considerar que a área da seção transversal é invariável. pode-se medir o aumento na distância entre os pontos marcados.. Dr. cm. cm2. o material volta a sua forma original.] Lf .deformação varia muito de material para material. A deformação elástica não é permanente. Uma vez cessados os esforços.DEFORMAÇÃO Durante o ensaio de tração.2.. o alongamento.DIAGRAMA TENSÃO .deformação [mm/mm. cobre.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Há dois tipos de deformação que ocorrem quando um material é submetido a um esforço: a elástica e a plástica. % ] Lo .. e ainda. Os materiais dúcteis.. para um mesmo material podem ocorrer resultados diferentes devido a variação de temperatura do corpo de prova e da velocidade da carga aplicada. Entre os diagramas σ x ε de vários grupos de materiais é possível. . que são os materiais dúteis e os materiais frágeis. latão.comprimento final do CP [mm. Cláudio R. mm/m. Esta afirmação tem caráter macroscópico. sendo portanto adimensional. Losekann Direitos autorais reservados Antes do ensaio são medidas a área de seção transversal “A0” do CP e a distância “L0” entre dois pontos marcados neste. À medida que este carregamento aumenta.

A esse fenômeno é dado o nome de estricção: Figura 14. cm2. O corpo de prova é submetido a carregamento crescente. Dr. um carregamento mais baixo é o suficiente para a deformação do corpo de prova. de início lenta e proporcionalmente ao carregamento. cm2. Então para os materiais frágeis não existe diferença entre tensão de resistência e tensão de ruptura. e com isso seu comprimento aumenta. Losekann Direitos autorais reservados normais. como ferro fundido.Material frágil. são caracterizados por uma ruptura que ocorre sem nenhuma mudança sensível no modo de deformação do material.Comportamento dos materiais através do diagrama σx ε. a parte inicial do diagrama é uma linha reta com grande coeficiente angular. vidro e pedra. a) diagrama σ x ε. A tensão σE correspondente ao início do escoamento é chamada de tensão de escoamento do material. Af − A0 ⋅ 100 A0 onde: ψ ..] Ψ = Após ter começado a estricção. Figura 14.5 . a) diagrama σ x ε.área de secção transversal inicial [mm2.σE). Entretanto. Figura 14.. b) aspecto da fratura. Quando o carregamento atinge um certo valor máximo. a tensão σR correspondente a carga máxima aplicada ao material é conhecida como tensão de resistência.área da secção transversal final [mm2. Cláudio R. e a tensão σr correspondente ao ponto de ruptura é chamada tensão de ruptura. o diâmetro do CP começa a diminuir.6 . até a sua ruptura. quando é atingido um valor crítico de tensão (tensão de escoamento . .estricção [%] A0 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 192 . b) aspecto da fratura.Material dúctil. o corpo de prova sofre uma grande deformação com pouco aumento da carga aplicada. . Materiais frágeis.. devido a perda de resistência local.] Af . Desse modo.4 ..

é a que corresponde a ruptura do corpo de prova. Região Elástica: O trecho da curva tensão . 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr.deformação de um material com inclusões não-metálicas (Fe3C. 193 . enquanto que o módulo de elasticidade longitudinal é determinado através de: E = tgα . Região Plástica: Chama-se região plástica o trecho compreendido entre o limite de proporcionalidade e o ponto correspondente a ruptura do material. O módulo de elasticidade longitudinal só é válido para a região que obedece a Lei de Hooke.Tensão Limite de Resistência: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de resistência ou resistência a tração. pois corresponde a máxima tensão atingida no ensaio de tração. σE – Tensão Limite de Escoamento: A partir deste ponto aumentam as deformações sem que se altere. geralmente representada pela letra “E”. Não há estricção nos materiais frágeis e a ruptura se dá em uma superfície perpendicular ao carregamento. no regime elástico.) em aços e algumas ligas de alumínio. ou seja.Tensão de Ruptura: A tensão correspondente a este ponto recebe o nome de limite de ruptura. σp . A tenacidade e o módulo de elasticidade longitudinal. a deformação até a ruptura é muito menor nos materiais frágeis do que nos materiais dúcteis... σr .Tensão Limite de Proporcionalidade: Representa o valor máximo da tensão. AlSi. A tenacidade pode ser determinada através da área da curva de tensão .deformação.PROPRIEDADES MECÂNICAS AVALIADAS A figura ao lado que representa um diagrama tensão . σR . o valor da tensão. Losekann Direitos autorais reservados Além disso. mostra algumas propriedades significantes que são: Figura 14. praticamente. diz-se que o material passa a escoar-se. abaixo do qual o material obedece a lei de Hooke. recebe o nome de região elástica.deformação com a abcissa (deformação).diagrama σ x ε para ligas do tipo aço baixo carbono.7 . compreendido entre a origem e o limite de proporcionalidade. Quando se atinge o limite de escoamento.2.2 . . Cláudio R. são duas outras propriedades mecânicas que podem ser tiradas deste diagrama através de cálculos.

000 35.000 Inconel 16.500 7.5.200 25.500 Invar (níquel-ferro) 14. Ealumínio = 0.635-1. tungstênio Cobre Alumínio Magnésio Zinco Zircônio Estanho Berílio Ósmio Titânio Chumbo Ródio Nióbio Ouro. quando maior a atração entre átomos. prata Platina Aços-carbono e aços-liga 21.800 10.000 .13. a orientação e tamanho dos cristais (grãos).700 Ligas de titânio 11.829).000 11. maior o seu módulo de elasticidade.11. e será negativo quando a carga aplicada comprimir a peça. Dr. níquel.800 Liga Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) Ferro.000 Bronzes e latões 7.150 4.000 1.550 Ligas de estanho 5. pode-se tirar ε A L0 a seguinte expressão para cálculos de alongamento no regime elástico: F ⋅ L0 ∆ = . Esta propriedade também é anisotrópica. Metal Módulo de Elasticidade Longitudinal (kgf/mm2) 21.900 7.000 Aços inoxidáveis austeníticos 19. que é determinado pela força de atração entre átomos dos materiais. material. a tensão “σ” é diretamente σ proporcional à deformação “ε” e pode-se escrever: E = .100 Ligas de magnésio 4. O coeficiente “E” é chamado módulo de elasticidade longitudinal.600 Ferro Fundido Nodular 14.000 18. 1.200 Hastelloy 18. pois depende do material ser monocristalino.550 9. Essa relação é ε conhecida como Lei de Hooke.100 .950 σ F L − L0 e σ = E ⋅ ε e também que σ = e ε= f .000 4. isto é.750 10.703). Exemplos: Eaço = 2.1 x 104 kgf/mm2.400 Ligas de chumbo 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.900 21. e no caso de policristalino.300 Ligas de alumínio 7. A tabela abaixo mostra o módulo de elasticidade longitudinal de alguns materiais de engenharia.400 .773-1. direção de crescimento do cristal.000 Illium 18.750 29.700 56.7. quando a carga aplicada tracionar a A0 ⋅ E peça.450 Monel 13.200 12.900 Bronzes de manganês e ao 10. Losekann Direitos autorais reservados Lei de Hooke No trecho inicial do diagrama da figura acima. etc.700 .000 10.2. O alongamento será positivo.500 silício Bronzes de alumínio 8. cobalto Molibdênio. e se deve ao matemático inglês Robert Hooke (1.400 . Cláudio R. Sendo E = 194 .7 x 104 kgf/mm2. ou módulo de Young (cientista inglês.850 18.

abrange também a deformação D − D0 transversal que. A lei de Hooke. começa ocorrer fratura no sentido de dentro para fora.Curvas de tensões reais e de engenharia. pode-se definir a deformação longitudinal real a cada L dL ⎛ L⎞ = ln⎜ ⎟ .9 . σreal . εt Observe que o coeficiente de poisson terá um valor negativo tanto para a tração quanto para a compressão em virtude dos sinais contrários da deformação longitudinal e deformação transversal. instante dado por: ε real = ∫ L0 L ⎝ L0 ⎠ 0 Supondo que a deformação ao longo do corpo de prova seja uniforme e admitindose volume constante pode-se demonstrar que: ε real = ln(1+ ε ) . O coeficiente de Poisson (ν) é determinado pela relação ν = . A figura abaixo representa esta consideração da determinação da curva real de tensão. σ real = σ (1 + ε ) . e que a partir do momento que se atinge a carga máxima. onde pode-se tirar valores apropriados até o momento em que se atinge a carga máxima. em caso de CP cilíndrico. Da mesma forma. ocorre na realidade um aumento de tensão que obedece uma função logarítima.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.8 . onde “D” é a D0 medida nominal do diâmetro do corpo de prova submetida a ação de carga ε normal. A curva de tensão . Como a tensão é a razão entre força e área da secção transversal. em toda a sua amplitude. σ Curva real Curva de engenharia ε Figura 14. a área da secção transversal começa a reduzir-se de forma brusca. A tensão real.Alongamentos na tração e na compressão. 195 . é dado por: ε t = f . Dr. é definida por: F σ real = . Losekann Direitos autorais reservados Figura 14. Tendo em vista que a área da secção transversal diminui à medida que amplia-se a carga no corpo de prova. onde “F” e “A” são as forças e A áreas da secção transversal em cada instante.deformação descrita acima é chamada de curva de engenharia. Cláudio R.

chapas ou lâminas.CORPOS DE PROVA O ensaio de tração é feito em corpos de prova com características especificadas de acordo com normas técnicas.3 . flange. Dr. Cláudio R. identificada no desenho anterior por L0. Losekann Direitos autorais reservados 14.Máquina de ensaio e registrador. As cabeças são as regiões extremas. Devem ter seção maior do que a parte útil para que a ruptura do corpo de prova não ocorra nelas. Os tipos de fixação mais comuns são: cunha. Não sendo possível a retirada de um corpo de prova deste tipo.2.10 . Corpos de prova com seção retangular são geralmente retirados de placas. Suas 196 .Corpos de prova. Entre as cabeças e a parte útil há um raio de concordância para evitar que a ruptura ocorra fora da parte útil do corpo de prova. O comprimento da parte útil dos corpos de prova utilizados nos ensaios de tração deve corresponder a 5 vezes o diâmetro da seção da parte útil. Estas condições dependem dos acessórios da máquina de ensaio de tração e também dependem da forma e tamanho do produto acabado do qual foram retirados. como mostram as figuras a seguir.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. A parte útil do corpo de prova. Figura 14. rosca. Suas dimensões e formas dependem do tipo de fixação à máquina. Sempre que possível um corpo de prova deve ter 10 mm de diâmetro e 50 mm de comprimento inicial.9 . Geralmente utilizam-se corpos de prova de seção circular ou de seção retangular. deve-se adotar um corpo com dimensões proporcionais a essas medidas. que servem para fixar o corpo de prova à máquina de modo que a força de tração atuante seja axial. Figura 14. é a região onde são feitas as medidas das propriedades mecânicas do material.

Em materiais soldados. Os valores obtidos no ensaio não representam as propriedades nem de um nem de outro material. Cláudio R.12 .Preparação de corpo de prova. podem ser retirados corpos de prova com a solda no meio ou no sentido longitudinal da solda. Ao efetuar o ensaio de tração de um corpo de prova com solda. Figura 14. junta-se da melhor forma possível. deve-se traçar as divisões no comprimento útil. Dr. Losekann Direitos autorais reservados dimensões e tolerâncias de usinagem são normalizadas pela ISO/ R377 enquanto não existir norma brasileira correspondente.6152. Os ensaios dos corpos de prova soldados normalmente determinam apenas o limite de resistência à tração. Figura 14. dez. e calcular a média. Após o ensaio./1980) somente indica que os corpos de prova devem apresentar bom acabamento de superfície e ausência de trincas. tensionase simultaneamente dois materiais de propriedades diferentes (metal de base e metal de solda). utilizando um micrômetro.11 . Mede-se então o comprimento final. Procura-se o risco mais próximo da ruptura e conta-se a metade das divisões (n/2) para cada lado.Tipos de fixação. as duas partes do corpo de prova.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. 197 . pois umas são afetadas pelas outras. mas é determinado mesmo assim para finalidades práticas. que corresponde à distância entre os dois externos dessa contagem. A norma brasileira (NBR . O limite de resistência à tração também é afetado por esta interação. as marcações devem ser feitas de 5 em 5 mm. Por fim. figura abaixo. Este é o método para determinar o comprimento final quando a ruptura ocorre no centro da parte útil do corpo de prova. Em um corpo de prova de 50 mm de comprimento. Para preparar o corpo de prova para o ensaio de tração deve-se medir o diâmetro do corpo de prova em vários pontos na parte útil.

Figura 14. A medida de Lf será a somatória de L’+ L”. na maioria dos casos. próximo da Figura 14.14 .3. em algumas situações. 198 . as para n/2 Figura 14.13 . conforme mostra a figura a seguir. vários metais não apresentam escoamento. Ele é obtido verificando-se a parada do ponteiro na escala da força durante o ensaio e o patamar formado no gráfico exibido pela máquina. • Acrescentam-se ao comprimento do lado oposto quantas divisões forem necessárias completar divisões.2. pois também delimita o início da deformação permanente (um pouco acima).Ruptura do corpo de prova no centro.15 . deve-se adotar o seguinte procedimento normalizado: • Toma-se o risco mais ruptura. Dr. e mesmo nas ligas em que ocorre ele não pode ser observado. Com esse dado é possível calcular o limite de escoamento do material. Entretanto. porque acontece muito rápido e não é possível detectá-lo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Losekann Direitos autorais reservados Quando a ruptura ocorre fora do centro. • Conta-se n/2 divisões de um dos lados. de modo a não permitir a contagem de n/2 divisões de cada lado.1 .Ruptura do corpo de prova fora de centro.Determinação do limite de escoamento. Cláudio R. 14.Limite de escoamento: valores convencionais O limite de escoamento é. alternativo ao limite elástico.

e é A possível determinar o módulo de elasticidade para diferentes materiais. o limite de escoamento dos materiais citados pode ser determinado pelo traçado de uma linha paralela ao trecho reto do diagrama tensão-deformação.ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão consiste em submeter uma peça ou corpo de prova a um esforço que tende a encurtá-lo até a ruptura. Dr. Cláudio R. principalmente quando se trata de materiais frágeis. o ensaio de compressão pode ser executado na máquina universal de ensaios. com a adaptação de duas placas lisas — uma fixa e outra móvel. Figura 14. Os valores de uso mais freqüente são: • n = 0. As relações matemáticas para a tração valem F F também para a compressão. Nos ensaios de compressão. O ensaio de compressão é o mais indicado para avaliar essas características. o limite de escoamento estará determinado. para aços ou ligas não ferrosas mais duras. É também recomendado para produtos acabados. para aços-mola e ferros fundidos. distribuída de modo uniforme em toda a seção transversal do corpo de prova. • n = 0. • n = 0.16 . em virtude que a resistência compressão é aproximadamente igual a da tração. 14. para metais e ligas metálicas em geral. a lei de F F Hooke também vale para a fase σ= elástica da deformação. Do mesmo modo que o ensaio de tração. O valor convencionado (n) corresponde a um alongamento percentual.2%. a partir do ponto “n”. desta forma.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. isso significa que um corpo submetido a compressão também sofre uma deformação elástica seguido de uma deformação plástica.3 . como molas e tubos. Quando essa linha interceptar a curva. E entre elas que o corpo de prova é apoiado e mantido firme durante a A compressão. madeira. Não se costuma utilizar ensaios de compressão para os metais. Nos ensaios de compressão. Graficamente. como ferro fundido. pedra e concreto.Esquema da compressão. como mostra a figura abaixo. 199 . os corpos de prova são submetidos a uma força axial para dentro.01%. foram convencionados alguns valores para determinar este limite. Losekann Direitos autorais reservados Por essas razões. é possível conhecer como os materiais reagem aos esforços ou cargas de compressão.1%.

A flambagem ocorre principalmente em corpos de prova com comprimento maior em relação ao diâmetro. 200 . que devem ter de 3 a 8 vezes o valor de seu diâmetro. Outro cuidado a ser tomado para evitar a flambagem é o de garantir o perfeito paralelismo entre as placas do equipamento utilizado no ensaio de compressão. há diversas possibilidades de encurvamento.LIMITAÇÕES DO ENSAIO DE COMPRESSÃO O ensaio de compressão não é muito utilizado para os metais em razão das dificuldades para medir as propriedades avaliadas neste tipo de ensaio. Dr.2 . Isso decorre da instabilidade na compressão do metal dúctil.3. Losekann Direitos autorais reservados 14. Essa deformação lateral prossegue com o ensaio até o corpo de prova se transformar num disco.17 . Figura 14.Ensaio de compressão. podendo levar a erros. Dependendo das formas de fixação do corpo de prova. teflon etc). Para diminuir esse problema. é necessário limitar o comprimento dos corpos de prova.Ensaio de compressão em materiais dúcteis. Outro problema é a possível ocorrência de flambagem. conforme mostra a figura ao lado. Cláudio R. Os valores numéricos são de difícil verificação. sem que ocorra a ruptura. 14. dependendo do grau de ductilidade do material. Figura 14. encurvamento do corpo de prova. Por esse motivo. Um problema que sempre ocorre no ensaio de compressão é o atrito entre o corpo de prova e as placas da máquina de ensaio. a) normal.1 .3. é necessário revestir as faces superior e inferior do corpo de prova com materiais de baixo atrito (parafina. Deve-se centrar o corpo de prova no equipamento de teste. Em alguns materiais muito dúcteis esta relação pode chegar a 1:1 (um por um). b) flambagem. A deformação lateral do corpo de prova é barrada pelo atrito entre as superfícies do corpo de prova e da máquina.ENSAIO DE COMPRESSÃO EM MATERIAIS DÚCTEIS Nos materiais dúcteis a compressão vai provocando uma deformação lateral apreciável.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.18 . isto é. para garantir que o esforço de compressão se distribua uniformemente.

limite de escoamento e módulo de elasticidade. As distribuições de tensões estão representadas na figura abaixo. ou seja. O resultado é avaliado pelo aparecimento ou não de fissuras. Dr. pois quanto mais o tubo se deformar sem P trincas. desenvolvendo-se nestas regiões tensões tridimensionais. Este ensaio permite avaliar qualitativamente a ductilidade do material.ENSAIO DE COMPRESSÃO DIAMETRAL Para materiais com elevado módulo de elasticidade.19 . a tensão de tração de ruptura.3 . Ensaios de achatamento de tubos — Consiste em colocar uma amostra de um segmento de tubo deitada entre as placas da máquina de compressão e aplicar carga até achatar a amostra. tensões de contato entre uma roda e um trilho.Esquema de esforços aplicados em um corpo de prova cilíndrico de dimensões D e L. P é a carga de ruptura [N]. deve ser registrada. ou entre duas rodas dentadas. A P P figura abaixo mostra o esquema do método do Ensaio de D Compressão Diametral que é L baseado nas normas brasileiras ABNT MB-212/58 e NBR-7222/83.20 . pressionadas umas contra outras. sem levar em conta a carga aplicada.Representação esquemática da distribuição das tensões de compressão e de tração. o ponto ou linha de contato passa a ser efetivamente a área de contato. P P Figura 14. a teoria mais conhecida é a teoria das tensões de Hertz ou tensões de contato. As propriedades mecânicas mais avaliadas por meio do ensaio são: limite de proporcionalidade. resultando um estado triaxial de tensões. por exemplo. Quando isto ocorre. de acordo 2⋅ P . onde temos situações estabelecendo superfícies planas e curvas em contato. que varia conforme a dimensão do tubo. Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. P O ensaio aplicado é o de compressão diametral.3. onde: σ é a tensão limite de resistência à tração com a equação: σ = π ⋅ D⋅ L simples [MPa]. mais dúctil será o material. Cláudio R. do tubo e do cordão de solda do mesmo. ou seja. como. D é o diâmetro [mm] do corpo de prova e L [mm] é a espessura do corpo de prova. 201 . Losekann Direitos autorais reservados Em virtude disto é que o ensaio de compressão de materiais dúcteis fornece apenas as propriedades mecânicas referentes à zona elástica. 14. rachaduras. amplamente utilizada no dimensionamento de elementos de máquinas. A distância final entre as placas. A medida da força de ruptura nos permite determinar a tensão limite de resistência à tração simples. que é o caso de muitos materiais metálicos e cerâmicos.

aplicam-se cargas predeterminadas e mede-se a altura da mola após cada carga. ou seja.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. para verificar a resistência da mola. Dr. obtendo-se um coeficiente angular que é a constante da mola. Por outro lado.Ensaios em molas.21 . Figura 14. qual será a força de ruptura? a) Dados: σr = 40 Kgf/mm2 D = 10 mm Fr = ? b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: πD 2 π ⋅ [10 mm] A= = = 78. faz-se o ensaio de compressão. Para determinar a constante da mola.5 mm 2 mm 2 F = 3. Exercícios resolvidos 1) Um aço de baixo carbono (SAE 1010) tem como tensão de ruptura 40 Kgf/mm2. o módulo de elasticidade.140 Kgf 2 202 .5 mm 2 4 4 F σ= ⇔ F =σ⋅ A A Kgf F = σ ⋅ A = 40 ⋅ 78. Considerando que o corpo de prova tem diâmetro nominal de 10 mm. Cláudio R. Losekann Direitos autorais reservados Ensaios em molas — Para determinar a constante elástica de uma mola. constrói-se um gráfico tensão-deformação. ou para verificar sua resistência.

Cláudio R. Dr.040 Kgf/mm2 e um limite de escoamento de 28 Kgf/mm2.625 mm mm2 Kgf σ = 93.74 mm 203 .8 A 176.3 MPa mm2 3) Calcule a deformação sofrida por um corpo de prova de 15 cm de comprimento e que após o ensaio de tração apresentou 16 cm de comprimento.570 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: 2 πD 2 π ⋅ [15 mm] A= = = 176.8 = 920.67 ⋅ 10−2 15 4) Uma liga de alumínio possui um Módulo de Elasticidade Longitudinal de 7. Losekann Direitos autorais reservados 2) Considerando que um corpo de prova de aço SAE 1070 tem um diâmetro nominal de 15 mm e a força com que o material se rompeu foi de 16. a) Dados: lo = 15 cm lf = 16 cm ε=? b) Fórmulas: l f − lo ε= lo c) Solução: ε= ε= l f − lo lo l f − lo lo = 16 − 15 = 6.74 mm de diâmetro sem que ocorra deformação permanente? a) Dados: σe = 28 Kgf/mm2 D = 1.625 mm 2 4 4 F 16570 Kgf Kgf σ= = 2 = 93. Pede-se: • Qual a carga que pode ser suportado por um fio de 1. Qual é a tensão de tração de ruptura (em MPa) que este aço apresenta? a) Dados: σr = ? D = 15 mm Fr = 16.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.570 Kgf.

30 mm mm2 σ σ E= ⇒ ε= ε E Kgf 6.54 Kgf 2 Se uma carga de 44 kgf é suportada por um fio de 3. qual será a deformação? a) Dados: E = 7.040 Kgf/mm2 ε=? σ=? F = 44 Kgf D = 3. Cláudio R.74 mm) A= = = 2.30 mm2 4 4 F 44 Kgf Kgf σ= = 2 = 6. Dr.05 mm de diâmetro. Losekann Direitos autorais reservados Fe = 7.05 mm) A= = = 7.02 A 7.55 ⋅ 10−4 ε= = Kgf E 7.800 Kgf b) Fórmulas: F σ= A πD 2 A= 4 c) Solução: π ⋅ D 2 π ⋅ (1.02 σ mm2 = 8.040 mm2 2 • 204 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.377 mm A mm F = σ ⋅ A = 66.05 mm b) Fórmulas: σ E= ε π D2 A= 4 F σ= A σ = ε⋅E c) Solução: π D 2 π ⋅ (3.377 mm2 4 4 F Kgf 2 σ = ⇒ F = σ ⋅ A = 28 2 ⋅ 2.

Desse modo. A flexão de uma barra pode ser obtida nas seguintes condições: • • • • a barra pode ter suas duas extremidades engastadas.Flexão em uma barra de secção retangular. uma engastada e outra apoiada. • flexão plana normal. Losekann Direitos autorais reservados 14. as condições da prática. desde que a peça possa ser adaptada diretamente em uma máquina comum.4 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. assim. em balanço. ficando a outra extremidade presa por meio de dispositivos. e largura “b” da secção normal.4. no laboratório. e no centro está aplicado uma força cortante “F”. 14. Além disso. estar aplicada numa das extremidades. conforme indica a figura. são feitos ensaios de flexão em produtos contendo partes soldadas ou unidas por qualquer tipo de junção. Por outro lado. Figura 14. Os casos mais simples são: • flexão plana circular. 205 . as duas apoiadas. Cláudio R. Este plano geralmente é denominado de linha neutra.SIGNIFICADO DE FLEXÃO Flexão é a solicitação que tende a modificar a direção do eixo geométrico de uma peça. ou seja. Os elementos internos da barra estarão sujeitos a um sistema de tensões de compressão e tração. pode-se verificar até que esforço de flexão a peça pode sofrer sem se romper.1 . Muitas vezes. e a carga é aplicada próximo à extremidade de uma das partes até que haja inicio de ruptura na junção. altura “a”.ENSAIO DE FLEXÃO O ensaio de flexão é geralmente feito de modo a reproduzir.22 . tensão resultante é zero. Quando se tem uma barra de secção retangular de comprimento “L”. a carga defletora pode ser: • • • concentrada ou distribuída. mas há um plano em que não há tensão. é possível criar várias maneiras de se efetuar esse ensaio. a barra pode ser vertical ou horizontal. no meio ou em um ponto qualquer. Dr.

Dr. c é a distância da linha neutra a fibra mais afastada. após a aplicação sucessiva de esforços de tração ou compressão. o momento de inércia 12 π ⋅ D4 em relação ao eixoY ou Z é: I = . Para uma secção circular. Em primeira deformação e dentro de um campo limitado de deformações. o efeito de esfoliação ou clivagem em placas em determinadas direções e em certos materiais cristalinos. Figura 14. ou a variação da sua tensão elástica. No dimensionamento das peças à flexão admitem-se apenas deformações elásticas. ou seja . permanece uma deformação residual. A fórmula da tensão é aplicada nas secções onde pode haver ruptura do material. o esforço e a deformação atingem valores assintóticos. I onde: σ é a tensão fletora (tensão normal de compressão ou de tração). com uma extremidade engastada. I é o momento de inércia da secção transversal. por exemplo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a fadiga do mesmo. 64 206 . os corpos sólidos reais obedecem à lei de Hooke.23 . Cláudio R. a tensão resultante é zero. As deformações perfeitamente elásticas em geral só ocorrem no início do processo.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade.24 . A figura abaixo mostra o caso da flexão plana normal produzida por uma força “F” aplicada na extremidade livre de uma barra de balanço. como. Figura 14. nas regiões que se tem momento fletor máximo que produzirá tensões de compressão e de tração máximas.Viga em balanço com engaste rígido sendo fletida por uma força F aplicada em sua extremidade. a calcita e a mica. O momento de inércia de uma secção retangular segundo a ⋅ b3 um sistema de eixo carteziano “YZ” é: I y = (em relação ao eixo Y) e 12 b ⋅ a3 Iz = (em relação ao eixo Z). vista sob um plano. A tensão de trabalho é fixada pelo fator de segurança ou pela tensão admissível. em que. Com o tempo. Mf é o momento fletor. O sinal positivo e negativo corresponde as tensões de tração e de compressão respectivamente. podendo haver a ruptura do material. Figura 101 . Losekann Direitos autorais reservados A tensão fletora é dada pela Mf ⋅c expressão matemática σ = ± . onde “D” é o diâmetro da secção circular. Na “linha neutra”.Elemento da barra submetido à flexão. a qual poderá ser superior a tensão de resistência do material.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Cláudio R.de quatro pontos. “MOR” .MÉTODO DO ENSAIO DE FLEXÃO A resistência à flexão é definida como a tensão máxima de tração na ruptura e é denominado freqüentemente como módulo de ruptura. Losekann Direitos autorais reservados 14. A resistência a flexão é determinada através de fórmulas acima descritas e envolve cálculos de resistência dos materiais para a determinação do momento fletor máximo.25 . Figura 14. com um comprimento especificado.26 . Figura 14.4. O ensaio consiste em apoiar o corpo de prova sob dois apoios distanciados entre si de uma distancia “L”. com corpo de prova constituído por uma barra de secção circular ou retangular para facilitar os cálculos.Método de flexão a três pontos. geralmente.2 . O ensaio flexão é feito. do inglês “modulus of rupture”. Dr.Método de flexão a quatro pontos. 207 . sendo a carga de dobramento ou de flexão aplicada no centro do corpo de prova a uma distância L/2 de cada apoio (método de ensaio a três pontos).

5 . MOR representará. caso ocorra na zona plástica. vários minerais e outros materiais são relacionados quanto à possibilidade de um riscar o outro. que é o valor máximo da tensão de tração ou compressão nas fibras extremas do corpo de prova durante o ensaio de flexão (ou torção). Assim.tem dureza Mohs (isto é. Se a ruptura ocorrer dentro da zona elástica do material. pois. Dr. Desse ensaio. não é possível encontrar uma definição única de dureza que englobe todos os conceitos acima mencionados. porque a expressão é determinada para uma distribuição linear (elástica) de tensão entre o eixo da barra e as fibras externas. Sob esse ponto de vista. que consiste em uma tabela de 10 minerais padrões arranjados na ordem crescente da possibilidade de ser riscado pelo mineral seguinte. ortoclásio (6). como o módulo de ruptura “MOR” ou resistência ao dobramento. fluorita (4). verifica-se que o talco (1) . O conceito divergente da dureza depende da experiência de cada um ao estudar o assunto. que dependem da maneira com que o ensaio é conduzido que são: por penetração. por choque e por riscamento. apatita (5). para um projetista. O cobre recozido tem dureza Mohs 3. pois ele risca a gipsita e é riscado pela fluorita. mesmo porque para cada um desses significados de dureza.ENSAIO DE DUREZA A propriedade mecânica denominada dureza é amplamente utilizada na especificação de materiais. quartzo (7). O riscamento é raramente usado para os metais. pode-se também retirar outras propriedades do material. 208 . safira (9) e diamante (10). dureza significa a resistência à deformação plástica permanente. o valor obtido para MOR é maior que a tensão máxima realmente atingida. Entretanto. calcita (3). mas bastante utilizado em cerâmicos. A escala de dureza mais antiga para esse tipo é a escala de Mohs (1. a tensão máxima na fibra externa.822). pode-se dividir o ensaio de dureza em três tipos principais. o conceito de dureza não tem um mesmo significado para todas as pessoas que tratam com essa propriedade. o quartzo risca o ortoclásio e é riscado pelo topázio. Com esse tipo de medida de dureza. Cláudio R. a martensita tem dureza Mohs aproximadamente igual a 7. Assim. existem um ou mais tipos de medidas adequados. nos estudos e pesquisas mecânicas e metalúrgicas e na comparação de diversos materiais. e para um mineralogista. seguindo-se a gipsita (2). Para um metalurgista.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por exemplo. topázio (8). a dureza é a resistência ao riscamento que um material pode fazer no outro. Losekann Direitos autorais reservados A carga deve ser elevada lentamente até romper o corpo de prova. pode ser riscado por todos os outros seguintes). Desse modo. um engenheiro define a dureza como a resistência à penetração de um material duro no outro. O valor do módulo de ruptura também pode ser relacionado com o limite de resistência do material. 14. a dureza é considerada uma base de medida para o conhecimento da resistência e do tratamento térmico ou mecânico de um metal e da sua resistência ao corte do metal. e assim por diante.

polida e limpa de um metal através de uma carga Q durante um tempo t. sendo que pequenas diferenças de dureza não são precisamente acusadas por esse método. 2H2O 3 calcita CaCO3 4 fluorita CaF2 5 apatita CaF (PO4)3 6 ortoclásio KAISio4 7 quartzo Sio2 8 topázio A12F2SiO2 9 corinto A12 O3 10 C diamante Para os metais. Essa compressão provocará uma impressão permanente no metal com o formato de uma calota esférica. Esses métodos seriam úteis para a medição da dureza relativa de microconstituintes de uma liga metálica. em N/mm² (ou kgf/mm²). A. a qual é relacionada com os valores D e d. Brinell em 1. proposta por J. Serão vistos com mais detalhes as durezas por penetração Brinell. Rockwell. A dureza Brinell é definida. 14. O valor de d deve ser tomado como média de duas leituras feitas a 90º uma da outra. conforme a expressão: HB = 2Q Q Q = = S C πD. O ensaio de dureza Brinell consiste em comprimir lentamente uma esfera de aço. denominada dureza Brinell e simbolizada por HB.1 . é o tipo de dureza mais usado até os dias de hoje na Engenharia. de diâmetro D. p πD( D − D 2 − d 2 ) 209 . principalmente na região de altas durezas e a maioria dos metais fica entre as durezas Mohs 4 e 8.900. essa escala não é conveniente. sendo mais usados no ramo da Mineralogia. Dr. Knoop e Meyer e a dureza por choque Shore (escleroscópica). mas não são métodos de medida precisa ou de boa reprodução. Vickers. 1 talco Mg3H2Si4O12 2 gipsita CaSO4 . S.DUREZA BRINELL A dureza por penetração.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. como o quociente entre a carga aplicada pela área de contato (área superficial). porque os seus intervalos não são propriamente espaçados para ele. Cláudio R. o qual é medido por intermédio de um micrômetro óptico (microscópio ou lupa graduados). A dureza por penetração é a mais utilizada e citada nas especificações técnicas.5. Losekann Direitos autorais reservados Escala de dureza Mohs. com um diâmetro d. depois de removida a carga. sobre a superfície plana.

pois acarreta erro na leitura do diâmetro. Cláudio R. utilizando penetradores pequenos. elimina o tempo necessário para a medição de qualquer dimensão da impressão causada.27 . O ensaio é baseado na profundidade de penetração de uma ponta.922 por Rockwell. pode ser omitida. portanto.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. um ensaio mais rápido e livre de erros pessoais. sendo. Figura 14.). admite-se o ensaio em uma superfície com o diâmetro 10 vezes o diâmetro da esfera utilizada. Em geral. que deveria ser sempre colocada após o valor de HB. simbolizada por HR. d. que é o que realmente deveria ser observado. 14. A rapidez do ensaio torna-o próprio para usos em linhas de produção. pois o resultado é lido direta e automaticamente na máquina de ensaio.28 . Superfícies não planas não são propícias para o ensaio Brinell.Ângulo φ nas impressões Brinell. para verificação de tratamentos térmicos ou superficiais e para laboratório. Dr. A unidade N/mm² ou kgf/mm². que leva o seu nome e oferece algumas vantagens significantes que faz esse tipo de dureza ser de grade uso internacional. Além disso. Os penetradores utilizados na dureza Rockwell são do tipo esférico (esfera de aço temperado) ou 210 . A dureza Rockwell. A dureza Brinell não serve para peças que sofreram tratamento superficial (cementação.DUREZA ROCKWELL Outro tipo de dureza por penetração foi introduzido em 1.5.2 . nitretação. Figura 14. Losekann Direitos autorais reservados Sendo p a profundidade da impressão. a impressão pede muitas vezes não prejudicar a peça ensaiada e pode ser usada também para indicar diferenças pequenas de dureza numa mesma região de uma peça. subtraída da recuperação elástica devida à retirada de uma carga maior e da profundidade causada pela aplicação de uma carga menor.Penetradores de Dureza Rockwell. porque a equação que fornece a dureza Brinell não leva em consideração o valor médio da pressão sobre toda a superfície da impressão. uma vez que a dureza Brinell não é um conceito físico satisfatório. etc.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. As máquinas vêm com as várias 211 .). C. ferro. etc. tendo as arestas do cone 120º). etc. como cemetação. também chamado de penetrador-Brale. Losekann Direitos autorais reservados cônico (cone de diamante. B. chapas. as cargas maiores e algumas aplicações de cada escala. etc. bronze. Escala de dureza Rockwell comum. e para metais que sofreram algum tratamento superficial. até 240 Brinell Metal plástico Aço cementado ou temperado Aço. Dr. Cláudio R. como lâminas. nitretação. O número de dureza obtido correspondente a um valor adimensional. 15 N 15 Cone de 30 N 30 diamante 45 N 45 15 T 15 Esfera 1/16” 30 T 30 45 T 45 LEITURA Preta Preta Preta Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha Vermelha CAMPO DE AMPLIÇÃO Aço cementado ou temperado Aço. ferro e outros metais até 240 Brinell. Na tabela abaixo são dadas as escalas usadas com o tipo de penetrador. Algumas máquinas analógicas já vêm providas das escalas justapostas que servem para todos os tipos de dureza Rockwell existentes e outras podem ser lidas em visor digital. A dureza Rockwell superficial emprega igualmente várias escalas independentes e é utilizada para ensaios de dureza em corpos de prova de pequena espessura. CARGA PENETRADOR ESCALA (kgf) ROCKWELL A 60 Cone diamante ROCKWELL C 150 120° ROCKWELL D 100 ROCKWELL B 100 Esfera 1/16” ROCKWELL F 60 ROCKWELL G 150 ROCKWELL E 100 Esfera 1/8” ROCKWELL H 60 ROCKWELL K 150 ROCKWELL L 60 Esfera 1/4” ROCKWELL M 100 ROCKWELL N 150 ROCKWELL R 60 Esfera 1/2” ROCKWELL S 100 ROCKWELL V 150 Escala de dureza Rockwell superficial. Essas escalas de dureza Rockwell são arbitrárias. porém baseadas na profundidade da penetração e são designadas por letras (A. etc. latão. ao contrário da dureza Brinell. as quais devem sempre aparecer após a sigla HR para diferenciar e definir a dureza.

Assim.5. com um ângulo de 136º entre as faces opostas. Essa altura de ressalto mede a perda da energia cinética do peso. a dureza carga Vickers: HV = . deve-se empregar a escala B para evitar erros. Ao se fazer uma dureza num material desconhecido. Dr. C. tem-se.4 .DUREZA VICKERS Essa dureza foi introduzida em 1. assim. para depois tentar as outras. porque a Companhia Vickers-Armstrong Ltda fabricou as máquinas mais conhecidas para operar com esse tipo de dureza. a carga varia de 1 até 100 ou 120 kgf. 212 . ele é praticamente indeformável e como todas as impressões são semelhantes entre si. Abaixo de 20. não importando o seu tamanho. quadrada. As escalas mais utilizadas são B.925 por Smith e Standland. isso depende.8544Q 2 L L2 HV = Como Q é dado em kgf ou N e L em mm.907. F. como no caso da dureza Brinell. da dureza do material que se está ensaiando. A forma da impressão é um losango regular. N e T. A. que simplificado fica: HV = 1.5. sem deformação no visor da máquina. o número de dureza obtido é o mesmo qualquer que seja a carga usada para materiais homogêneos. Cláudio R. Como o penetrador é um diamante. a dureza Rockwell B varia de aproximadamente 50 a 100.3 . a escala F entre 73 e 116. area da superficie piramidal 2Qsen 136 2 . caso o resultado caia fora do intervalo de dureza HRC. conforme a expressão seguinte. As demais só são empregadas em casos especiais. deve-se primeiro tentar uma escala mais alta para evitar danificação do penetrador. usa-se antes a escala Rockwell C. e pela média L das suas diagonais. No caso da dureza Rockwell superficial. a pré-carga é sempre de 3 kgf.DUREZA SHORE Em 1. HRC. absorvida pelo corpo de prova.5 e a escala A é a de maior amplitude de variações. Esse tipo de dureza fornece. A escala C tem seu uso prático entre os números 20 e 70. naturalmente. ou seja. Shore propôs uma medida de dureza por choque que mede a altura do ressalto (rebote) de um peso que cai livremente até bater na superfície lisa e plana de um corpo de prova.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. isto é. Para esse tipo de dureza. por exemplo. a dimensão da dureza Vickers é N/mm² ou kgf/mm². A mudança da carga é necessária para se obter uma impressão regular. ou seja. 14. a dureza Vickers (HV) é independente da carga. Losekann Direitos autorais reservados escalas acompanhadas. levando o nome Vickers. 14. O penetrador é uma pirâmide de diamante de base quadrada. uma escala contínua de dureza (de HV = 5 até HV = 1 000 kgf/mm²) para cada carga usada. Esse método é conhecido por dureza escleroscópica ou dureza de Shore.

que deve rompê-lo. devem ser utilizados materiais capazes de absorver energia e dissipá-la. bielas etc. e assim determinamos a utilização ou não dos mesmos. Por isso. materiais que apresentem tenacidade. Porém. Figura 14. de forma brusca. No caso da fadiga.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O ensaio de impacto caracteriza-se por submeter o corpo ensaiado a uma força brusca e repentina. como em eixos de máquinas. Estes testes são usados para caracterizar a propensão e o grau de fragilidade de um polímero quando submetido à ação de esforços bruscos. Os materiais frágeis rompem-se sem nenhuma deformação plástica. Esta propriedade está relacionada com a fase plástica dos materiais e por isso se utilizam as ligas metálicas dúcteis neste tipo de aplicação. As fraturas produzidas por impacto podem ser frágeis ou dúcteis. Através dos ensaios obtemos os valores de energia absorvida para cada material ensaiado. evitando assim sua ruptura. As fraturas frágeis caracterizam-se pelo aspecto cristalino e as fraturas dúcteis apresentam aparência fibrosa. não ocorram fraturas nesse material. despertando o interesse de pesquisa por este assunto. esses materiais não podem ser utilizados em aplicações nas quais sejam comuns esforços bruscos. Cláudio R.Aspectos da fratura . Essa condição de trabalho empregada no corpo para que atinge o seu limite máximo de elasticidade é denominada resiliência. com resistência suficiente para suportar uma determinada aplicação.6 . quando em funcionamento. verificou-se na prática que um material dúctil pode romper-se de forma frágil. Esta característica dos materiais ficou mais evidente durante a Segunda Guerra Mundial. Para equipamentos que são submetidos a esforços de impacto. inviabilizando assim a utilização de determinados equipamentos. Para estas aplicações são desejáveis materiais que tenham capacidade de absorver energia e dissipá-la. Dr. para que a ruptura não aconteça.29 . ou seja. em situações reais de uso. quando os equipamentos bélicos foram levados a solicitações críticas de uso. Losekann Direitos autorais reservados 14. É bem melhor saber quanto o material resiste a uma carga dinâmica numa situação de ensaio do que numa situação real de uso.ENSAIO DE IMPACTO Os ensaios de impacto são utilizados a fim de descobrirmos o quanto um material resiste às cargas dinâmicas para que. mesmo utilizando ligas dúcteis. o ensaio correspondente leva mais em conta o fato de serem cíclicos. Porém a maioria das máquinas e equipamentos. está submetida a esforços dinâmicos. A maioria dos ensaios mecânicos não avalia o comportamento dos materiais submetidos a esforços dinâmicos. embora os esforços sejam dinâmicos. Os materiais dúcteis podem romper-se sem deformação plástica 213 .

ao contrário do que ocorre na resistência estática. Esta característica do material dúctil. por menor que seja. com a conseqüente formação da fratura frágil. muda substancialmente o comportamento do material dúctil. de comportar-se como frágil devido à trinca.Temperatura de transição. Esta faixa é denominada temperatura de transição. Dr. Por exemplo. o que faz com que a maior parte da energia produzida pela ação do golpe seja concentrada numa região localizada da peça. Uma trinca promove concentração de tensões muito elevadas. Cláudio R.1 . Quando a temperatura desce a -23 0 C. A existência de uma trinca. ou pode absorver a mesma energia a uma temperatura T3. Com relação à temperatura. Este valor cai para 3 joules à temperatura de -26 0C. passando de dúctil a frágil ou vice-versa. é freqüentemente chamada de sensibilidade ao entalhe. ou seja. 14. A temperatura de transição é aquela em que ocorre uma mudança no carácter da ruptura do material.TEMPERATURA DE TRANSIÇÃO Ao ensaiar os metais ao impacto. ou seja. atingindo 16 joules. Como esta passagem. não é repentina é usual define-se uma faixa de temperatura de transição. a baixa temperatura e a alta velocidade de carregamento constituem os fatores básicos para que ocorra uma fratura do tipo frágil nos materiais metálicos dúcteis. A energia absorvida por um corpo de prova varia sensivelmente com a temperatura do ensaio. pouco menor que T2. • trinca ou entalhe no material.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a mesma exerce um efeito muito acentuado na resistência dos metais ao choque. a existência de trincas no material. de maneira frágil. o valor de energia absorvida é pouco alterado. um dado aço absorve 17 joules de energia de impacto à temperatura ambiente (± 25 0C). apresentando uma sensibilidade que é chamada sensibilidade à velocidade. Figura 14. Alguns materiais são mais afetados pela velocidade alta do impacto.30 . • temperatura de uso do material suficientemente baixa. 214 .6. Losekann Direitos autorais reservados apreciável. Um corpo de prova a uma temperatura T1 pode absorver muito mais energia do que se estivesse a uma temperatura T2. na maioria dos casos. verificou-se que há uma faixa de temperatura relativamente pequena na qual a energia absorvida pelo corpo de prova cai apreciavelmente. quando as condições abaixo estiverem presentes: • velocidade de aplicação da carga suficientemente alta. bem menor que T1.

Por isso esses materiais são indicados para trabalhos em baixíssimas temperaturas. ou seja. que sofreram quebra dos grãos que compõem sua estrutura. bem como a posição do entalhe. 14. Encruamento — Materiais encruados. Tamanhos de grãos finos abaixam a temperatura de transição. Os metais que têm estrutura cristalina CFC. Impurezas — A presença de impurezas. pois a região de onde eles são retirados.6. os valores de impacto não são influenciados pela temperatura. como tanques criogênicos. tende a melhorar a resistência ao impacto. possuirá temperaturas de transição diferentes. não apresentam temperatura de transição. As normas internacionais geralmente especificam a posição da retirada dos corpos de prova. tende a elevar a temperatura de transição. A temperatura T1 corresponde à fratura 70% dúctil e 30% frágil. como o níquel.1. Pode-se representar a temperatura de transição graficamente.1 .. Cláudio R. Processos de fabricação — Um mesmo aço. O tamanho dessa faixa varia conforme o metal. Dr. níquel. que fragilizam a estrutura do material. Retirada do corpo de prova — A forma de retirada dos corpos de prova interfere na posição das fibras do material. como o cobre. E a temperatura T2 é o ponto no qual a fratura se apresenta 50% dúctil e 50% frágil. por exemplo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. têm fundamental importância sobre os valores obtidos no ensaio. Indicandose os valores de temperatura no eixo das abscissas e os valores de energia absorvida no eixo das ordenadas. A definição dessa faixa é importante porque só podemos utilizar um material numa faixa de temperatura em que não se manifeste a mudança brusca do carácter da ruptura.Fatores que influenciam a temperatura de transição O intervalo de transição é influenciado por certas características como: Tratamento térmico — Aços-carbono e de baixa liga são menos sujeitos à influência da temperatura quando submetidos a tratamento térmico que aumenta sua resistência. Tamanho de grãos — Tamanhos de grãos grosseiros tendem a elevar a temperatura de transição. nos produtos siderúrgicos. tendem a apresentar maior temperatura de transição. de modo a produzir fratura frágil em temperaturas mais próximas à temperatura ambiente. Elementos de liga — A adição de certos elementos de liga. é possível traçar a curva que mostra o comportamento do material quanto ao tipo de fratura (frágil ou dúctil). mesmo a temperaturas mais baixas. alumínio. aço inoxidável austenítico etc. A temperatura T3 corresponde à fratura 30% dúctil e 70% frágil. O intervalo de temperatura de transição corresponde ao intervalo entre T1 e T3. Losekann Direitos autorais reservados A faixa de temperatura de transição compreende o intervalo de temperatura em que a fratura se apresenta com 70% de aspecto frágil (cristalina) e 30% de aspecto dúctil (fibrosa) e 70% de aspecto dúctil e 30% de aspecto frágil. 215 . produzido por processos diferentes.

Resfriamento do corpo de prova Os corpos de prova retirados para ensaio de impacto devem ser resfriados. na confecção do corpo de prova. até que se atinja a temperatura desejada para o ensaio. Outra forma de obter o resfriamento é por meio de uma mistura de álcool e gelo seco. esses corpos apresentaram três curvas diferentes. Apesar de simples e rápidos de serem executados. o entalhe está no sentido da fibra. O corpo de prova B também tem entalhe transversal. Cláudio R. gerada pela dificuldade de obter corpos de prova rigorosamente iguais e pela falta de homogeneidade dos materiais. Figura 14. o ensaio de impacto comum não oferece resultados aplicáveis a projetos de engenharia estrutural. O choque ou 216 . um dos maiores causadores de problemas e distorções nos resultados. Um modo de obter o resfriamento consiste em mergulhar o corpo de prova num tanque contendo nitrogênio líquido. foram desenvolvidos outros tipos de ensaio de impacto e outros equipamentos. 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o entalhe atravessa o núcleo da chapa. o que favorece o cisalhamento.31 .Curvas de energia absorvida de um mesmo material. principalmente no entalhe. Para responder a essas necessidades práticas.. No corpo de prova A. por aproximadamente 15 minutos. Dr. os testes exigem precisão tanto na aferição do equipamento (medidor de resistência ao impacto). Os valores da energia servem como guia útil para comparações qualitativas entre diferentes lotes do mesmo tipo de material. O tempo máximo para romper o corpo de prova após o resfriamento é de 5 segundos. Tempo necessário para homogeneizar a temperatura em todo o corpo de prova. quanto na capacitação da mão de obra técnica. Losekann Direitos autorais reservados Submetidos ao ensaio de impacto. Neste caso. No corpo de prova C. o entalhe está transversal às fibras do material. As técnicas de resfriamento são determinadas em normas técnicas específicas. que permite atingir temperaturas de até 70 °C negativos. A absorção de energia é a pior possível.2 . Como mostra a ilustração seguinte. Devido à grande dispersão dos resultados dos ensaios. O ensaio de impacto é um teste dinâmico em que um corpo de prova padronizado é golpeado e rompido por um pêndulo ou martelo em uma máquina de ensaios especialmente projetada e é medida a energia absorvida para romper o corpo de prova. cortando todas as fibras transversalmente.6.1. principalmente próximo à temperatura de transição.

A sua trajetória continua até certa altura. a máquina Izod e a máquina Hatt-Tuner. Força associada com velocidade traduz-se em energia. Outro fator é a velocidade de aplicação da força. A única variável desconhecida é a altura final. Cláudio R. numa escala relacionada com a unidade de medida de energia adotada. a unidade de energia pode ser dada em kgfm. os quais são descritos abaixo: Queda de Dardo . onde adquire uma energia inicial. após o rompimento do corpo de prova. O pêndulo é levado a uma certa posição. Para os ensaios em materiais poliméricos é comum o uso de equipamentos que funcionam por queda de dardo ou pêndulo de impacto. o dardo é liberado por meio de um dispositivo eletromecânico quando a pressão negativa de fixação da amostra se apresenta a um determinado valor. No ensaio de impacto. característica que possibilita sua ancoragem em uma base. que é obtida pelo ensaio. que se rompe. Durante o teste. A máquina é dotada de uma escala. Nesta estrutura 217 . kgfcm ou kgfmm. A altura inicial também é conhecida. ele encontra no seu percurso o corpo de prova. que evitará a perda de energia durante o ensaio. O método mais comum para ensaiar metais é o do golpe. a massa do martelo e a aceleração da gravidade são conhecidas. Em máquinas mais antigas. e é calibrada de modo a indicar a energia potencial. De acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI). O ensaio de impacto consiste em medir a quantidade de energia absorvida por uma amostra do material.32 . porque a carga é aplicada repentina e bruscamente. Pêndulo de Impacto . Três máquinas são geralmente usadas para ensaiar materiais de engenharia: a máquina Charpy.Máquina de ensaio de impacto. onde o pêndulo apresenta uma energia final. Ao cair.determina a resistência das películas plásticas e avalia essa característica quando o material é atingido por um peso em queda livre. quando submetido à ação de um esforço de choque de valor conhecido.é representada por uma sólida estrutura metálica fundida em corpo único. A máquina correspondente é o martelo pendular. A diferença entre as energias inicial e final corresponde à energia absorvida pelo material. No impacto. O mostrador da máquina simplesmente registra a diferença entre a altura inicial e a altura final. Losekann Direitos autorais reservados impacto representa um esforço de natureza dinâmica. a unidade de energia adotada é o joule. Figura 14.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. que corresponde à posição final. desferido por um peso em oscilação. também sólida. não é só a força aplicada que conta. Dr. A última é usada principalmente para ensaiar madeira. que indica a posição do pêndulo.

Figura 14. e uma máquina de 50 kgfcm é geralmente usada para plásticos. fica apoiado em rolamentos especiais para eliminar atritos. articulando-se com um sistema de engate e desengate para sua liberação. A energia que um corpo absorve para se deformar e quebrar é quantificada pela diferença entre a altura atingida pelo martelo antes e após o impacto. nos quais se fixa o suporte do corpo de prova. por sua vez. ligados simultaneamente ao movimento do pêndulo. Desta forma. O movimento de levantamento do pêndulo até sua posição de queda é feito manualmente por um conjunto de cremalheiras. A máquina Charpy é disponível em pelo menos dois tamanhos. quanto menor for a energia absorvida pelo corpo de prova. O tipo com uma capacidade de energia de 30 a 33 kgfm é usado para metais. tanto mais frágil será o comportamento do material ao impacto. no qual uma amostra é normalizada com um entalhe central em U ou V. A energia absorvida pela amostra durante o ensaio é indicada num mostrador em escala calibrada em joules e graus. Esta amostra que é carregada como uma barra simples. Isso impede esforços no eixo de suspensão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. o pêndulo empurra um indicador sobre uma escala que é usualmente graduada diretamente em kgfm. feito para alocar sua ruptura produzida por uma condição triaxial de tensão. o pêndulo consiste de um perfil I com um disco pesado na extremidade. detalhe dinamicamente calculado de modo a permitir que o centro de percussão coincida com o ponto de impacto no corpo de prova. Ele é então solto para permitir a queda e a ruptura do corpo de prova.Ensaio Charpy e Izod. Na configuração de Charpy o corpo de prova fica na posição horizontal. é fixado o martelo. composto de uma haste tubular. Na máquina Charpy. Dr. 218 . No seu movimento de ascendência após a ruptura. Cláudio R.33 . é colocada horizontalmente entre duas bigornas de modo que a lâmina golpeie do lado oposto ao entalhe. É submetido a uma flexão desencadeada pelo impacto de um martelo fixado na extremidade de um pêndulo. que quantifica o deslocamento de um ponteiro indicador e outro de arraste. onde. Losekann Direitos autorais reservados apoia-se o pêndulo propriamente dito. numa das extremidades. que. O pêndulo de impacto segue dois tipos de configurações diferentes: Pêndulo de Impacto na Configuração Charpy . O pêndulo é suspenso em um eixo que gira sobre rolamentos e oscila entre dois suportes laterais rígidos. O pêndulo é elevado até sua posição mais alta e seguro por um prendedor ajustado para dar altura de queda constante para todos os ensaios.é usado em ensaios de impacto.

D746 e D2463. Figura 14. até que se alcance a altura de 25 cm. o corpo de prova é fixado para agir como uma viga vertical em balanço. Freqüentemente. que neste caso é vertical.7 kg é seguro por um eletromagneto que é alimentado por um motor. 219 . A primeira queda é da altura de 2. Dr. A amostra é normalizada com um entalhe central em V. no entalhe ou no seu lado oposto. Aqui. O mesmo é simplesmente apoiado sobre um vão de 70 cm tal que o peso caia exatamente no meio do vão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. e geralmente é medida em joule. Ele tem as dimensões de 10 mm por 10 mm na secção reta e 75 mm de comprimento e tem um entalhe padronizado de 45º e 2 mm de profundidade no meio do corpo de prova. alcançada uma deflexão de 15 cm. A máquina para ensaio de impacto Izod usualmente tem a capacidade de 16. é utilizada a máquina Hatt-Turner. A resistência ao impacto é avaliada pelos métodos ASTM D256. O peso cai entre colunas-guias verticais quando o circuito do magneto é aberto por um relé. Ná máquina Izod. O corpo de prova deve ter 5 x 5 x 75 cm. Um peso de queda com 22. Cláudio R.5 kgfm. Losekann Direitos autorais reservados Pêndulo de Impacto na Configuração Izod . com possibilidade de trocar os suportes fixadores dos corpos de prova. o qual é acionado por um contato elétrico entre o magneto e uma polia móvel que pode ser ajustada para qualquer posição desejada ao longo da escala vertical sobre uma coluna-guia. a altura de queda é aumentada por estágios até que ocorra o rompimento. A diferença básica entre as duas configurações está na posição do corpo de prova.0 cm até que se consiga a ruptura completa.A técnica deste teste não diferencia do teste de resistência ao impacto na configuração Charpy. Para ensaios em madeira.5 cm e as quedas subseqüentes são acrescidas de 2. ou seja. O entalhe faz face ao pêndulo e o corpo de prova é então posicionado para que o entalhe seja visível acima do suporte fixador.Corpos de prova Charpy e Izod.5 cm. e no local onde se dá o impacto. a mesma máquina de impacto é projetada para permitir os testes Charpy e Izod. após o que são usados incrementos de 5.34 . no tipo de pêndulo empregado.

826 – 1. Losekann Direitos autorais reservados 14. Quanto ao grau de aplicação com que a imagem metalográfica é visualizada. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. polida. A metalografia envolve basicamente três estágios de preparação de um corpo de prova: a obtenção de uma seção plana e polida. o realce da microestrutura através de um ataque adequado e a posterior observação ao microscópio. Por este motivo.908).ENSAIOS METALOGRÁFICOS A metalografia surgiu praticamente com o trabalho de Henri Clifton Sorby (1. tido como o precursor da moderna metalografia. a metalografia está classificada em: macrográfico. • Penetração do cordão de solda. como também a relação entre as suas composições químicas. microconstituição. • Identificar o tipo de tratamento térmico ou termoquímico. A metalografia pode ser dividida em: ensaio metalográfico destrutivo e ensaio metalográfico não destrutivo. micrográfico. pode-se determinar: • tipo. conservando-se as características de precisão do ensaio. • Zonas de alterações térmicas sofridas por soldagem. pois se retira amostras para análise do material ou peça solicitada. 220 . quando em 1.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. a metalografia é a ciência que estuda os metais e ligas metálicas. Desta forma. propriedades físicas e mecânicas. ou que proíbam sua destruição. Mas. Cláudio R. • Formas de grafita.7 . Dr. o tamanho. e por via de regra atacada por um reativo adequado. ensaio metalográfico não destrutivo. Através do ensaio metalográfico. nem sempre isso é possível.863 observou pela primeira vez uma estrutura metálica ao microscópio. • Tipos de inclusões. Desde então pode-se defini-la como o ramo da tecnologia que estuda e interpreta a estrutura interna dos metais e suas ligas. lixada. Para determinação de um microestrutura foram desenvolvidos ao longo dos anos muitos métodos de preparação de amostras. • Valor da camada carbonetada ou descarbonetada. A maioria dos ensaios metalográficos realizados são destrutivos. devido as condições que não permitem retirar amostras da peça. • Identificar o possível processo de fabricação da peça. especialmente em peças de grande porte. quando nos mesmos obtivermos um superfície plana. tamanho do grão. entretanto. foram desenvolvidas técnicas para a realização do ensaio “in loco”. a observação através de um microscópio continua sendo o mais importante. o local e a intensidade das descontinuidades. • Outros.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.36 .2 . por exemplo: o aspecto da seção longitudinal de barras com segregação depende da maneira pela qual o corte seciona esse defeito. não é prudente a b concluir que uma barra apresenta uma segregação maior do que outra. a b Figura 14. Cláudio R. o local e a intensidade das continuidades. o que para tal.7. 14. lixada. lixada e atacada por um reativo adequado. conhecendo-se apenas sua seção a-a b-b longitudinal.ENSAIO METALOGRÁFICO MACROGRÁFICO A macrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas quando obtivermos uma superfície.Macrografia de uma peça de alumínio fundido com contornos de grãos revelado por ataque com HCl. cuja imagem obtida será visualizada e interpretada. será visualizada com um grau de ampliação superior a dez vezes. etc. usa-se microscópio ótico ou microscópio eletrônico de varredura ou microscópio de tunelamento A micrografia têm por objetivos determinar do material ensaiado. Assim sendo. o tamanho. a forma da grafita. plana. a forma.Etapas metalográficas Escolha da seção a ser cortada: Existem duas seções de corte: seção transversal e seção longitudinal. quando obtivermos nos mesmos uma superfície plana. zonas de alteração térmica provocadas por soldagem ou tratamento térmico. a microconstituição do material. etc. Losekann Direitos autorais reservados 14. Alguns dos objetivos da macrografia são determinar do material ensaiado. e atacada por um reativo adequando.7.35 . o tipo.2. o tipo de micro inclusão. identificar o processo de fabricação da peça. polida.7. o tipo de tratamento térmico ou termoquímico sofrido. 14. Figura 14.1 . A escolha da seção a ser cortada depende dos objetivos do ensaio.Influencia da localização de um corte longitudinal axial sobre o aspecto de segregação. Dr. 221 . onde a imagem obtida nessa superfície. bem como da granulação.ENSAIO METALOGRÁFICO MICROGRÁFICO A micrografia consiste no estudo dos metais e suas ligas.1 . Esta visualização se fará a olho nu ou com uma ampliação de no máximo dez vezes através de lupa.

Cláudio R. “cut-off” garante boa precisão do corte. evitar que as amostras danifiquem as lixas e o pano metalográfico. com interesse de alguma parte em especial. onde o abrasivo é uma substância de origem mineral. deformação. Lixamento da amostra na seção cortada: O lixamento da amostra é necessário para diminuir o grau de rugosidade da superfície. Marcação para identificação: A marcação de amostra serve para identificação e pode ser feita com canetas especiais. polimezando-se após um certo tempo. dura e resistente ao desgaste. (polimetacrilato de metila). Dr. dispersos em meio de material sintético. melhorando com isso a qualidade da imagem obtida. O grão abrasivo e o meio de dispersão devem estar perfeitamente adaptados para que permitam um corte preciso. preferindo-se. deve-se tomar o máximo de cuidado para não danificar a estrutura da amostra por: encruamento. Os discos de corte consistem de um abrasivo. as quais consistem geralmente de duas substâncias formando um líquido viscoso quando misturadas.2 a 24h. A lixa é uma ferramenta de corte por abrasão. Corte da amostra na seção escolhida: Vários meios de corte podem ser utilizados para a realização do corte da amostra na seção escolhida. adulterando-se as conclusões do ensaio. o que mais se adapta para o ensaio metalográfico é o corte por abrasão a úmido. carbeto de boro e diamante. geralmente óxido de alumínio. A montagem do corpo de prova se divide em: fixação e embutimento. A máquina de corte por disco abrasivo. A reação de polimerização. evitar a formação de vários planos durante que influenciam na observação ao microscópio. dependendo do tipo de resina e do catalisador. isento de qualquer tipo de defeito da superfície da amostra. possuindo um sistema de refrigeração e lubrificação garantindo que a temperatura da superfície não ultrapasse a 100 0C e a rugosidade superficial de corte seja reduzida. e embutimento consiste em circundar a amostra com baquelite. ou resinas plásticas auto-polimerizáveis. O corte por abrasão a úmido é feito com uma cortadeira de disco abrasivo. o corte é guiado apenas pela forma da peça.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. carbeto de silício. Esta mistura é vertida dentro de um molde plástico onde se encontra a amostra. A fixação é feita através de placas metálicas fixadas com parafusos e porcas. carbeto de silício ou diamante com diferentes granulometrias. ou que secione transversalmente as suas arestas ou cantos vivos para se apreciar a forma da estrutura dendrítica nesses pontos ou eventual existência de pequenas fissuras. Losekann Direitos autorais reservados Nota-se a diferença de aspecto em porcas cortadas transversal ou longitudinalmente provenientes de barras com segregação central. As lixas são classificadas de acordo com o tamanho 222 . Montagem da amostra: A montagem do corpo de prova tem por objetivos: facilitar o manuseio de peças pequenas. locais de excessivos aquecimento (a mais de 100 0C) em peças temperadas. é geralmente exotérmica atingindo temperaturas entre 50 a 120 0C. com um tempo de endurecimento que varia de 0. Durante a operação de corte. contudo. Os abrasivos mais utilizados nas lixas são: óxido de alumínio. permitir que seja feito um estudo da periferia da amostra. pois estes fenômenos seriam mais tarde postos em evidência pelo ataque. Nas peças fundidas diretamente na sua forma definitiva. sob condições nas quais a amostra não sofrerá deterioração de sua estrutura.

geralmente são utilizadas dois tipos de lixadeiras: Lixadeira Metalográfica Manual Estacionária por Via Úmido. pois os riscos e a deformação superficial deixados pelo lixamento impedem a visualização correta da amostra no microscópio metalúrgico. encontra-se em pasta ou suspensão e diamante sintético ou natural.280 320 . ao mudar de lixa. Ataque com reativo adequado: A superfície da amostra.1. sofre uma série de transformações eletroquímicas baseadas no processo de óxido – redução. Na metalografia utilizamos o lixamento via úmido pois evita o entupimento da lixa e a água serve como refrigerante e lubrificante para o corte.Esquema de um metal policristalino atacado quimicamente e com feixes incidentes e de reflexão de luz. pasta. o movimento de corte durante o lixamento. neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador e pelo movimento da lixa. Figura 14. Para a realização do lixamento metalográfico. forma dos grãos e poder de desbaste.240 . quando atacada por reagentes específicos. inicia-se o lixamento com lixa de grana 220. Na lixadeira manual. segundo a norma ABNT MB-481.400 . Dr. aerossol.37 . Cláudio R. Polimento da amostra na seção lixada: O polimento se faz necessário para aumentar a nitidez da imagem. Os abrasivos mais utilizados são: óxido de cromo (Cr2O3).600 . deve ser do centro para periferia e deve-se fazer um giro de 180° na amostra periodicamente. 223 . Na lixadeira rotativa de prato.25 µm e encontra-se na forma de pasta. A seqüência de lixas para o lixamento é 120 . encontra-se em bastão.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. dureza. para evitar a formação de planos inclinados. óxido de alumínio (Al2O3 – alumina). causados pela não uniformidade da velocidade de corte. geralmente em bastão. suspensão em água destilada. permite obter por dissolução anódica de um metal em um eletrólito e uma superfície plana.000. São formados células locais onde os constituintes quimicamente menos nobres atuam como ânodo. óxido de magnésio (MgO). deve-se virar a amostra 90° em relação aos riscos deixados pela lixa anterior. para aumentarmos o rendimento de corte. O diamante se destaca como mais eficiente devido suas características de granulometria. O processo de polimento eletrolítico. Lixadeira Metalográfica Manual Rotativa por Via Úmido. reagindo com o meio de ataque de maneira mais intensa que os mais nobres. e bastão. cujo aumento do contraste se deve às diferenças do potencial eletroquímico. encontra-se em bastão ou suspensão. A politriz mecânica possui um prato giratório sobre o qual.180 . O abrasivo varia de 5 à 0. Losekann Direitos autorais reservados dos grãos. O polimento pode ser feito através de politriz mecânica ou eletrolítica. suspensão. A verificação da rugosidade da superfície na prática é feita através do tato. coloca-se o pano metalográfico (feltro) que serve de apoio para o abrasivo.500 . onde neste tipo de lixadeira o movimento de corte é realizado pelo operador. Este tipo de lixadeira divide-se em dois tipos: Se a amostra foi cortada com a serra de disco. Destes agentes polidores a alumina e o diamante são os mais utilizados para o polimento mecânico.

a fim de evitar a formação de camadas oriundas da reação química. Figura 14. para remover os resíduos do processo. A solução de ataque é gotejada sobre a superfície da amostra. álcool ou acetona. Usado em casos de amostras muito grandes ou quando existe grande desprendimento de gás durante o ataque.. A superfície da amostra é enxaguada com a solução de ataque. O ataque químico ocorre principalmente em contornos de grãos por serem zonas de maior energia. bases e sais.Micrografia da perlita. porém. é o método mais usado. podem ser variadas para atingir as mais diversas finalidades de contraste. A figura abaixo mostra o esquema de um metal policristalino com os contornos de grão postos em evidência através de ataque químico.38 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. As linhas com seta mostram a incidência de feixe de luz com a respectiva reflexão. e posteriormente seca através de jato de ar quente. é esfregado sobre a superfície da amostra o que serve para remover as camadas oriundas da reação. estando a amostra imersa na solução de ataque. embebida em um chumaço de algodão ou pano. Este processo é usado com o polimento mecano-eletrolítico Ataque por lavagem Ataque por esfregação Ataque – polimento 224 . Cláudio R. bem como sais fundidos ou vapores. A figura ao lado mostra uma micrografia de um aço onde aparece grãos perlíticos (ferrita + cementita). têm uma reatividade química maior que o interior do grão o que permite por em evidência. Método usado com soluções reativas dispendiosas. devendo ser observada através de microscópio. Losekann Direitos autorais reservados Para o ataque químico são usadas soluções alcoólicas de ácidos. deve-se efetuar um pré-polimento. temperatura e tempo. As condições de ataque tais como composição química. Após o ataque químico a amostra deve ser rigorosamente limpa. O microataque evidencia a estrutura íntima do material em estudo. A solução de ataque. As técnicas mais comuns de ataque são descritas na tabela abaixo: Técnica Ataque por imersão Ataque por gotejamento Descrição A superfície da amostra é imersa na solução de ataque. através de lavagem em água destilada. O polimento é efetuado. Em alguns casos. Geralmente a preparação da amostra para o macroataque limita-se ao lixamento.

Linhas com ramificações e pequenas áreas escuras próximas ao centro de peças laminadas vistas em seção transversal. A perlita escurece porque o reativo ataca a linha de contato entre a ferrita e as lamelas de cementita.25 g Água – 100 ml Reativo picrato de sódio O reativo de nital e de ácido pícrico não ataca a ferrita e nem a cementita. Significação provável Porosidade. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.95% Ácido pícrico – 4% Álcool etílico .95% Reativo de heyn Reativo de ácido clorídrico Reativo de ácido sulfúrico Reativos de frey Reativo nital Soluções mais usadas na micrografia de metais ferrosos Reativo Reativo nital Reativo de ácido pícrico Composição Ácido nítrico – 1 . (quando sua forma tem certa simetria podem provir da ruptura durante o forjamento ou laminação). Linhas pretas aparentemente contínuas internas oriundas da periferia. Trincas ou inclusões grandes alinhadas.90 ml Água .50 ml Ácido sulfúrico – 20 ml Água . os carbonetos complexos dos aços-ligas e a esteadita dos ferros fundidos. Dr.100 ml Ácido nítrico – 1 . em aço moldado.5% Álcool etílico – 99 . mas delineia os contornos de grãos e colore escuro a perlita. Interpretação depois do ataque: o quadro abaixo mostra algumas interpretações costumeiras. laminadas ou forjadas. Losekann Direitos autorais reservados Soluções mais usadas na macrografia de metais ferrosos Reativo Reativo de iodo Composição Iodo sublimado – 10g Iodeto de potássio – 20g Água – 100 ml Cloreto cuproamoniacal – 10g Água – 120 ml Ácido clorídrico – 50 ml Água . O reativo de picrato de sódio colore a cementita. moles. b) No ferro de pacote são 225 .96% Ácido pícrico – 2 ml Soda a 36o .5% Álcool etílico – 99 . Pontos ou bastonetes pretos dispostos a) No ferro pudlado são as irregularmente na secção transversal de peças escórias maiores. Aspectos Pontinhos pretos mais ou menos agrupados numa secção.100 ml Ácido clorídrico – 120 ml Cloreto cúprico . Restos de vazio.

material duro. material mole. Cláudio R. escórias No ferro de pacote. as alterações de b) Solda: emendas restaurações. cementação e descarbonetação). No ferro pudlado. b) Aço rico em carbono e temperado em água. Material temperado e revenido ou Aparecimento de regiões de temperado grandemente. Dificuldade superfície. Pontinhos escuros distribuídos com certa regularidade por toda a secção exceto junto à periferia. defeitos de Com reativo de iodo a) Aço de teor de carbono muito baixo e bastante puro (pouco enxofre e a fósforo). 226 . Linhas escuras orientadas longitudinalmente Ferro fundido maleabilizado. (excluída a segregação.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. geralmente menos numerosas junto a periferia. c) Aço liga (inoxidável). Ferro fundido mesclado. a) b) grandes. restos de vazio. c) caldeamento No aço. origem técnica. Losekann Direitos autorais reservados defeitos de caldeamento ou partículas de escória dos pedações de ferro pudlado que contiver. Pequeninas áreas cinzentas arredondadas distribuídas uniformemente pela secção. tonalidades diferentes com a separação nítida a) Materiais vários caldeados. grande em atacar Escurecimento rápido da superfície com o depósito preto pulverilento.

limpar perfeitamente a amostra pelo menos 15 minutos antes de levá-la para observação microscópica. • Ácido fluorídrico. Em concentração acima de 60% é facilmente combustível e explosivo. Não é somente um veneno para a pele e o aparelho respiratório. acetona. devem ser observadas as medidas de segurança que se aplicam a qualquer laboratório químico. diretamente no esgoto. à prova de fogo e não exposto à luz. quando concentrado. éter. ou externos. o produto químico. A amostra atacada por este reativo pode danificar as lentes focais da objetiva do microscópio. Misturar com cuidado e não armazenar. Os efeitos podem ser internos. • No trabalho com materiais tóxicos como berílio suas respectivas ligas. Losekann Direitos autorais reservados Recomendações práticas para o manuseio de produtos químicos O manuseio de produtos químicos sempre requer cuidados especiais. • Substâncias combustíveis e explosivas (benzol. Também vapores dessas substâncias sempre venenosos. Por este motivo.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Em caso de emanação de gases venenosos. mesmo com a máscara. sais fundidos e soluções salinas). Dr. é imprescindível o uso de máscaras adequadas. Isto ocorre nas presença de materiais orgânicos ou metais facilmente oxidáveis como por exemplo o Bi. a pele e roupa devem ser protegidos por óculos. são perigosos para o organismo humano. pode causar conseqüências letais. nitratos. devemse usar luvas especiais. 227 . • Nunca despejar um produto químico. • Óxido de cromo. Quando absorvido pela pele ou inalado. etc) não podem ser aquecidas nem ser manipuladas na proximidade do fogo aberto. Após o ataque com reativos à base de ácido fluorídico. inodoro e insípido porem extremamente tóxico. e também alguns metais. Cláudio R. peróxidos. • Ácido fosfórico. Praticamente todos os produtos químicos. mas também um corrosivo energético para o vidro. As misturas desta substância com álcool podem provocar a formação de dimetilsulfato. • No manuseio de substâncias cáusticas (ácidos. Em conseqüência devem ser evitadas concentrações elevadas e o aquecimento. • As soluções de substâncias ativas devem ser preparadas da seguinte maneira: sempre colocar em primeiro lugar a água e em seguida. • Ácido perclórico. As misturas de óxido de cromo VI com materiais orgânicos são explosivas. mesmo quando impuros. • Todas as substâncias críticas devem ser guardadas em ambientes refrigerados. os olhos. Algumas medidas de segurança de maior importância: • Todos os recipientes devem ser rotulados correta e visivelmente. como distúrbios nos olhos ou na pele. bases. luvas e uniformes adequados. causado por inalação ou ingestão. cuidadosamente. devendo-se por isso trabalhar em ambiente muito arejado. basicamente para a preparação dos reagentes usados no ataque metalográfico.

a maioria dos sólidos aumentam de dimensões com o aumento da temperatura durante o aquecimento e contraem com a diminuição de temperatura. Esta propriedade é análoga ao da difusividade nos sólidos 14. Losekann Direitos autorais reservados 14. Isto acontece tanto no processo de obtenção do material quanto na utilização. A cerâmica. • Dilatação térmica: é a propriedade que os materiais tem de aumentarem ou diminuírem de dimensões com a temperatura. associadas com a condutibilidade elétrica. e a resistividade elétrica. que a capacidade de conduzir eletricidade. que é a capacidade de oferecer resistência à condução de eletricidade.PROPRIEDADES TÉRMICAS As propriedades térmicas determinam o comportamento dos materiais quando são submetidos a variações de temperatura. Ex. Muitos materiais cristalinos.820. O coeficiente de dilatação térmica linear (αL) é definido pela seguinte expressão: αL = li Tf − Ti ( l f − li ) Onde li é o comprimento inicial. O processo inverso é a temperatura de solidificação. calcita e grafite. elas precisam ser resistentes a temperaturas elevadas. • Condutividade térmica: é a propriedade que os materiais tem de conduzirem calor. Cláudio R. onde αV é a dilatação térmica volumétrica.8 .PROPRIEDADES ELÉTRICAS As propriedades elétricas estão. e α V ≅ 3 ⋅ α L . • Ponto de fusão: é a temperatura na qual um material muda de estado sólido para o estado líquido. são maus condutores de eletricidade. Dr. tais como a alumina. quartzo. As velocidades de corte elevadas da ferramenta de corte geram aumento da temperatura. Na ausência de transformações de fase. Por volta de 1. O grafite apresenta um caso de anisotropia extremo.9 . onde αS é a dilatação térmica superficial. Eles podiam também medir as diferenças de potenciais que causavam e 228 . e por isso.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. apresentam anisotropia quanto a dilatação térmica. Para materiais em que a dilatação térmica é isotrópica. entretanto. O processo inverso é a temperatura de liquidificação ou condensação. em geral. Tf é a temperatura final e Ti é a temperatura inicial. cujo coeficiente de dilatação térmica é 27 vezes mais baixo no plano basal do que na direção perpendicular a ele. há cerâmicas supercondutoras. titânia. • Ponto de ebulição ou de vaporização: é a temperatura na qual um material muda de estado líquido para o estado gasoso. os físicos já podiam produzir e detectar correntes elétrica. pode-se demonstrar que: α S ≅ 2 ⋅ α L . geralmente. lf é o comprimento final.

6 x 10-6 1. σ= 1 ρ A unidade de condutividade elétrica é (Ωm)-1. como o polietileno.5 SiC 10 Germânio 40 Isolantes Borracha vulcanizada (Buna-S) Butadieno + 1014 estireno Nylon 1014 PTFE (teflon) 1016 PS (polistireno) 1018 229 . da geometria e do polimorfismo (monocristal.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. dentre as propriedades dos materiais. é mais de 20 ordens de grandeza maior que a condutividade de um isolante.8 x 10-6 2 x 10-6 3 x 10-6 3 x 10-6 5. amorfo) e é para muitos materiais independente da corrente elétrica.827. A unidade de resistividade elétrica é Ωm. por exemplo. a que apresenta valores mais característicos e distantes. A tabela abaixo mostra a resistividade elétrica de alguns materiais. Losekann Direitos autorais reservados quantificar a resistência elétrica dos materiais condutores. O valor de R depende do material.6 x 10-6 6. A resistividade elétrica (ρ) é uma propriedade do material e está relacionada com a resistência elétrica da seguinte maneira: ρ = R⋅ A l Onde A é a área da secção reta perpendicular à direção da corrente elétrica. a corrente é medida em ampères (A) ou em C/s e a resistência elétrica é medida em ohms (Ω) ou em V/A. Material Ouro Prata Cobre ReO3 CrO2 Alumínio Tungstênio Níquel Ferro Resistividade elétrica (Ωcm) a 20 oC Condutores 1. a resistência elétrica (R) e a corrente elétrica (i). Em 1.8 x 10-6 13 x 10-6 Semicondutores Silício 2 x 10-5 Fe3O4 10-2 B4C 0. policristal.7 x10-6 1.787-1. A condutividade elétrica é. o físico alemão Georg Simon Ohm (1. A condutividade elétrica (σ) indica a facilidade com que um material conduz corrente elétrica e é o inverso da resistividade. Dr. l é a distância entre dois pontos em que a diferença de potencial é medida e R a resistência elétrica. a condutividade elétrica de um condutor como a prata ou ouro.854) formulou a lei que relaciona a diferença de potencial (V). V = R⋅i A diferença de potencial é medida em volts (V) ou em J/C. Cláudio R.

em geral. por isso. Desta forma. σ = n⋅ q⋅ m Nos metais. diminuindo o livre percurso médio. átomos intersticiais. discordâncias. dirigem-se ao polo positivo. quase exclusivamente. mais elevada nos metais com menor número de elétrons de valência como o sódio. maior o seu livre percurso médio o qual aumenta rapidamente quando a temperatura diminui (maior que 106 vezes a distância interatômica a baixas temperaturas). Para o cobre e a prata pura o livre percurso médio dos elétrons à temperatura ambiente é de cerca de 100 distâncias interatômicas. em torno de 10-24 (Ωcm)-1.ρD . visto que. Dr. esta propriedade variável com os elementos é. maclas e contornos de grãos) que provocam a difusão da corrente elétrica.5. potássio. dos defeitos existentes na estrutura que são independentes da temperatura. ouro.104 (Ωcm)-1 a 0 oC. por outro lado.diminui quando a temperatura se eleva. entretanto tem importância a temperaturas elevadas. mas sim no modo em que foi produzido o metal . ou pelo menos os de energia máxima. produzindo uma corrente de certa intensidade. esses elétrons. das vibrações térmicas dos íons e dos defeitos nos cristais ou grãos (lacunas.ρD . a resistividade elétrica depende da temperatura . enquanto que no cobre é de 64. A condutividade elétrica será tanto maior quanto maior for a mobilidade dos elétrons. A condução iônica é de importância secundária nos sólidos em temperaturas moderadas. para um dado elemento. A condução iônica tem um papel importante nos líquidos. da temperatura. a resistividade de um metal é dada pela equação abaixo: ρ = ρT + ρD Esta lei não é aplicável aos materiais semicondutores em que a resistividade devido a defeitos . Assim. a condutividade elétrica é explicada.ρT . Tanto o número de condutores (n) como a sua mobilidade (m) dependem da temperatura. Cláudio R. ou seja. elétrons ou vazios “eletron holes” por unidade de volume (n). Na sílica. a sua condutividade é muito fraca. por exemplo. Losekann Direitos autorais reservados A condutividade elétrica de um material depende do número de condutores ou de portadores de cargas como cátions. Ou seja. da carga (q) de cada condutor e sua mobilidade (m). pela nuvem de elétrons livres. ânions. os elétrons de valência que fazem a ligação entre os átomos de silício e os de oxigênio não têm mobilidade dos elétrons de uma ligação metálica e. o metal oferece uma certa resistência a passagem da corrente elétrica denominado de resistividade elétrica ( ρ). Como conseqüência disto. 230 . prata e cobre e depende. Segundo Matthiessen. mas é freqüentemente utilizada para o estudo de defeitos pontuais e para determinação de pequenas quantidades de impurezas nos semicondutores que são matérias primas para fabricação de dispositivos opto-eletrônicos. quando se aplica um campo elétrico em um metal. átomos substitucionais.visto que a amplitude das vibrações térmicas é influenciada pela temperatura e.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Al2O3 SiO2 Si3N4 MgO > 10 > 1014 > 1014 > 1014 14 Prof.

tornando-se ótimos condutores. YBa2Cu3O7. mas. Cláudio R.15 oC) a resistividade anula-se bruscamente. é sabido que estes metais e ligas são más condutoras de eletricidade a temperatura ambiente.10 . O momento magnético do corpo é a soma dos momentos magnéticos das unidades elementares que o constituem. atualmente. 14.39 . Losekann Direitos autorais reservados ρ αT ρ αT 5 ρT ρD 0 100 Tf O aumento da resistividade com a temperatura é considerado uma das propriedades mais características dos metais. que na teoria é possível extingüí-los. mas para baixas temperaturas a variação torna-se proporcional a T5 e tende-se anular para 0K. Nb3Sn que se dá em temperaturas baixas deve-se a diminuição de defeitos. conforme mostra a figura abaixo. É conveniente raciocinar em termos de campo magnético e linhas de força (imaginárias) podem ser tracejadas indicando a distribuição do campo magnético. o nióbio e suas ligas. Há. a resistividade é proporcional a temperatura absoluta T. NdBa2Cu3O7. Assim. como por exemplo. o estanho. várias ligas sendo estudados a supercondutividade como: UPd2Al3. Para temperaturas superiores a 100K (-173. para um metal puro e uma distribuição atômica perfeita ( ρD = 0) a resistência tende a zero com a diminuição da temperatura. Entretanto.Curva de resistividade elétrica em função da temperatura.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. O fenômeno da supercondutividade que se observa em certos metais como o chumbo.15 oC). NbTi. etc. Resistividade ( Ω mm ) Temperatura (K) Figura 14. 231 . restando unicamente a resistividade devido a defeitos nos metais. Dr. Outro conceito importante é o conceito de dipolo magnético. o mercúrio.PROPRIEDADES MAGNÉTICAS Forças magnéticas aparecem quando partículas eletricamente carregadas se movimentam. Os dipolos magnéticos são análogos aos dipolos elétricos e podem ser imaginados como pequenas barras compostas de polo norte e polo sul. a temperaturas inferiores a 20K (-253. A figura abaixo mostra um esquema dos momentos magnéticos de um corpo sólido.

o outro parâmetro importante é permeabilidade magnética relativa: µr = µ µo As permeabilidades µ e µr medem a facilidade com que um campo magnético B pode ser introduzido em um material sob ação de um campo 232 . é o Tesla. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. M é zero na ausência de campo magnético. como em um cristal. entretanto. quantidade mensurável. Losekann Direitos autorais reservados Figura 14.no S. Um deles é a susceptibilidade magnética acima descrito. torna-se conveniente pensar em termos de momento magnético por unidade de volume. Na maioria dos materiais. Pode-se usar a mesma unidade para M e H. Vários parâmetros podem ser utilizados para descrever as propriedades magnéticas de um material. designado pelo símbolo “µ”.40 . cujo símbolo é “M”. A propriedade mais característica de qualquer material magnético é o seu momento magnético.B . Quando consideramos os efeitos magnéticos provenientes de átomos e elétrons reunidos. O campo magnético H é medido em termos do fluxo magnético no vácuo Bo (Wb/m2): Bo = µ o ⋅ H Onde µo é a permeabilidade magnética no vácuo (4π10-7H/m).I. então vale a expressão: M = χ⋅H Onde χ é a susceptibilidade magnética por unidade de volume e H é a intensidade do campo magnético. Wb significa weber. se esses materiais são colocadas em um campo magnético. H significa henry e a unidade de fluxo magnético .Esquema de momentos magnéticos em um cristal e em uma célula unitária. Dr.

3 x 103 A permeabilidade magnética e a susceptibilidade magnética podem ser correlacionadas através da expressão: χ = µr −1 Do mesmo modo que os materiais diferem na sua resposta a um campo elétrico. ferromagnéticos.1% de impurezas) Aço ao silício (4. Dr.5 x 103 1. A tabela abaixo mostra valores de permeabilidade magnética relativa (µr) para alguns materiais. Losekann Direitos autorais reservados magnético externo H. os átomos de um material diamagnético têm momento nulo. A magnitude do momento magnético induzido pelo campo externo é extremamente pequena e sua direção é oposta à direção do campo aplicado.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material diamagnético.25% Si) Aço ao silício (3.5 x 103 0. paramagnéticos. que só persiste enquanto houver um campo magnético externo aplicado.41 . Cláudio R. a qual não varia com a temperatura. b) Na presença de um campo magnético.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Zn) Fe2O4) Ferrita cerâmica (Mn. podem ser classificados em: diamagnéticos. Material Permeabilidade magnética relativa Ferro (0.25% Si) com grãos orientados Ferrita cerâmica (Mn. A susceptibilidade magnética χ. a) Na ausência de um campo magnético. Zn) Fe2O4) 0. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material diamagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais. antiferromagnéticos e ferrimagnéticos. Os materiais. a) b) Figura 14. • Diamagnéticos: é uma forma muito fraca de magnetismo. 233 .0 x 103 1. Na ausência de campo magnético. eles também diferem substancialmente quando expostos a um campo magnético. quanto ao seu comportamento magnético. é negativa e está na ordem de -10-6 a -10-5. Os efeitos magnéticos nos materiais originam-se nas pequenas correntes elétricas associadas ou a elétrons em órbitas atômicas ou a spins de elétrons.5 x 103 2.

18 x 10-6 -1. A figura ao lado mostra um esquema da configuração de dipolos de um material paramagnético e a tabela que segue mostra a susceptibilidade magnética de alguns materiais.53 x 10-6 0.13 x 10-6 -0.2 x 10-6 Material Tungstênio Magnésio Tório Platina Molibdênio Titânio Susceptibilidade magnética 0.56 x 10-6 Material Silício Prata NaCl Zinco Cádmio Antimônio Susceptibilidade magnética -0.42 .3 x 10-6 2. melhor será os efeitos magnéticos. Os dipolos podem ser alinhados na direção do campo magnético aplicado. o material é classificado como ferromagnético.1 x 10-6 • Paramagnéticos: é também uma forma muito fraca de magnetismo. também apresentam ferromagnetismo.11 x 10-6 -0. denominada 234 . Losekann Direitos autorais reservados Material Al2O3 Cobre Ouro Mercúrio Chumbo Índio Susceptibilidade magnética -1.41 x 10-5 -0. resulta em magnetização nula.0 x 10-6 • Ferromagnéticos: quando a susceptibilidade magnética χ for positiva e elevada. é pequena e positiva e está na ordem de +10-5 a +10-3.66 x 10-6 1. e Cu2MnAl.17 x 10-6 -0.096 x 10-6 -0.31 x 10-6 -1. Quando o campo magnético H é removido desses materiais.54 x 10-6 0. os materiais ferromagnéticos se magnetizam espontaneamente e podem reter um momento magnético permanente.18 x 10-6 -0.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material paramagnético.22 x 10-6 0.61 x 10-6 0. É o caso do ferro α. mas neste caso os átomos de um material paramagnético têm momento magnético. a) b) Figura 14. A susceptibilidade magnética χ. a qual diminui com o aumento da temperatura. Quanto melhor for a orientação dos momentos magnéticos. Eles apresentam temperatura crítica. cobalto. b) Na presença de um campo magnético.04 x 10-6 1.70 x 10-6 1. Algumas ligas e compostos de manganês. Além disto. Cláudio R. a) Na ausência de um campo magnético.81 x 10-5 -0.14 x 10-6 -0. cuja orientação ao acaso.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. tais como MnBi. Material Césio Potássio Alumínio Sódio Zircônio Nióbio Susceptibilidade magnética 0. níquel e gadolíneo. Dr.8 x 10-6 3. M não cai a zero.32 x 10-6 0.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. MnS. • Antiferromagnéticos: alguns materiais apresentam o comportamento antiferromagnético.44 . 235 . T a temperatura em graus Kelvin e θc é aproximadamente θc. acima da qual perdem o ferromagnetismo e tornam-se paramagnéticos. A figura abaixo mostra um esquema da configuração de dipolos de um material ferroamagnético e a tabela que segue mostra a temperatura de Curie para alguns materiais ferromagnéticos Figura 14. O material como um todo não apresenta momento magnético. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos do MnO. Os íons Mn2+ apresentam momento magnético permanente. O MnO é um material cerâmico com ligação iônica e a sua estrutura cristalina é CFC. Losekann Direitos autorais reservados temperatura de Curie (θc). O momento magnético associado aos íons O2. MnSe e CuCl2. NiO. Cláudio R.43 .é zero.Esquema de momentos magnéticos do MnO.Esquema da configuração de dipolo magnético de um material ferromagnético na ausência de um campo magnético. Vários compostos de metais de transição apresentam comportamento antiferromagnético: MnO. Cr2O3. mas estão arranjados na estrutura de modo que os íons adjacentes têm momentos opostos ou antiparalelos. Figura 14. Material Ferro α Níquel Cobalto Temperatura de Curie 770 oC 358 oC 1130 oC Material Gadolíneo SmCo5 Nd2Fe14B Temperatura de Curie 20 oC 720 oC 312 oC A susceptibilidade magnética dos materiais ferromagnéticos diminui com o aumento da temperatura segundo a lei de Curie-Weiss: χ= C T−θ Onde C é uma constante. CoO. Dr.

T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente • ferrimagnéticos: alguns outros materiais cerâmicos também apresentam forte magnetização permanente. denominada de temperatura de Néel (θn). O ânion O2. O íon M2+ pode ser. Na estrutura cúbica da magnetita o cátion ocupa interstícios Fe2+ octaédricos e o cátion Fe3+ ocupa interstícios tetraédricos. Estes materiais também apresentam temperatura crítica de Curie (θc). χ= C T±θ de θc. pode ser escrita como Fe2+O2(Fe3+)2(O2-)3 . e o Mg. A figura abaixo ilustra os momentos magnéticos de ferrita.Esquema dos momentos magnéticos da ferrita. A resultante dos momentos magnéticos dos dois tipos de íons de ferro não se anula e o material apresenta magnetismo permanente. Onde C é uma constante. Figura 14.é magneticamente neutro. Onde C é uma constante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Dr. que foi a primeira ferrita conhecida. denominada de ferrimagnetismo. A susceptibilidade dos materiais ferrimagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais ferromagnéticos e diminui com o aumento da temperatura. As ferritas podem ser representadas por Mfe2O4. T a temperatura em graus Kelvin e θ é diferente 236 . o Ni. além do ferro. O Fe3O4. χ= C T±θ de θn. onde M deve ser um elemento metálico. Cláudio R. o Cu. de estrutura CCC). As características macroscópicas do ferromagnetismo e do ferrimagnetismos são parecidas. Estes materiais são denominados de ferritas (não confundir com a fase ferro α do ferro. Losekann Direitos autorais reservados Estes materiais apresentam temperatura crítica. o Mn.45 . A susceptibilidade dos materiais antiferromagnéticos é da mesma ordem de grandeza da dos materiais paramagnéticos e diminui com o aumento da temperatura.

Fe-P. motores elétricos de c. Um material magnético duro tem sua magnetização durante a fabricação e deve retê-la depois que o campo magnético externo. usado para magnetizá-la.907) para explicar o comportamento dos materiais ferromagnéticos. baixa remanescência (Br). de modo que a magnetização de um material ferromagnético pode ser pequena ou até mesmo nula.c.Curva de histerese de materiais magnéticos moles (interno) e duros (externo).10. exibindo elevada coercividade e elevada remanescência e o produto H x B deve ser máximo. Os materiais magnéticos duros apresentam um ciclo de histerese elevado. Fe-Si (aço ao silício). Em outras palavras.MATERIAIS MAGNÉTICOS MOLES E DUROS As propriedades magnéticas de um material são determinadas pela sua estrutura eletrônica. Sm2Co17 e NdFeB. geradores de c. e Fe-Co-V (supermalloy). Fe-Ni.1 . combinado com elevada permeabilidade magnética (µ) e saturação magnética.a. Geradores de c. Em termos de aplicações. Losekann Direitos autorais reservados 14. Um material magnético mole opera na presença de um campo magnético. tendo baixa coercividade (Hc). Atinge-se o valor de saturação quando os domínios são alinhados pela aplicação de um campo magnético externo. pela sua estrutura cristalina e por seus domínios magnéticos. Para estas aplicações são necessários materiais magnéticos moles como Fe.. materiais duros ou permanentes deve ser resistente a desmagnetização. Figura 14. O desenvolvimento de materiais magnéticos mais eficientes tem sido contínuo. Fe-P-Si). A magnetização de diferentes domínios varia com a direção. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. por exemplo. Este comportamento é útil em aplicações que envolvem mudanças contínuas na direção de magnetização. 237 . denominados de materiais moles.46 . O conceito de domínio magnético foi introduzido por Weiss (1. sendo estes últimos produzidos a partir de 1970 pela metalurgia do pó. os materiais magnéticos podem ser divididos em dois grupos. Ele postulou que um material ferromagnético é dividido em domínios.a. dentro das quais a magnetização é igual ao valor da saturação. fones de ouvido e alto-falantes necessitam de materiais magnéticos duros como SmCo5. alternadores. Dr. for removido. e transformadores de c. Fe-Co. materiais magnéticos moles significa ser facilmente magnetizado e desmagnetizado.a. A figura abaixo mostra as curvas de magnetização e ciclos de histerese típicos de materiais magnéticos moles e duros.

Em outras palavras. Ia. com intensidade Io. por exemplo. A perda linear por absorção de um meio pode ser expressa pela lei de Beer-Lambert [: I = I o ⋅ e − α l Onde Io. O coeficiente de absorção α não pode ser obtido diretamente de um único experimento de transmitância. dada pela equação abaixo: Io = It + Ia + Ir (W/m2) Equação 24 14. ele sofre reflexão e refração. Losekann Direitos autorais reservados 14. respectivamente. TRANSMITÂNCIA E ABSORÇÃO.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. l a espessura da amostra e α o coeficiente de absorção por unidade de comprimento. Figura 14.Esquema da incidência de um feixe luz que encontra interfaces entre dois meios. a reflexão na frente e na saída da superfície devem ser levadas em conta. onde Io é a intensidade do feixe incidente. do ar para dentro de uma substância sólida.PROPRIEDADES ÓTICAS Quando um feixe de luz encontra uma interface entre dois meios. parte é absorvida pela amostra e outra parte emerge do outro lado (transmitido). Pela conservação de energia. a intensidade do feixe incidente Io para a superfície do meio sólido deve ser igual a soma das intensidades transmitidas. It é a Io intensidade do feixe transmitido e Ir é a intensidade do feixe refletido. é a intensidade do feixe incidente.47 . parte da radiação da luz pode ser absorvida pelo meio em que se propaga. Ia é a intensidade do feixe absorvido. Dr.1 . Cláudio R. pode-se notar que parte desta intensidade é refletida nas interfaces.REFLETIVIDADE. Assim. ao se iluminar uma amostra.11.11 . Para um feixe incidente normal. absorvidas e refletidas. a intensidade de I um feixe refletido pela frente da superfície é dado pela refletividade R = r e a Io It transmitância é dado por T = . conforme mostra a figura abaixo. Io 238 . A absorção I pode ser expressa por A = a onde. e Ir. Além disto. It.

pode-se expressar a intensidade do feixe transmitido pela equação: I t = I o ⋅ e −αl Onde α é o coeficiente de absorção (mm-1) que varia com o comprimento de onda da radiação incidente. e l é a espessura do material na qual atravessa o feixe. 239 . a transmitância será nula (It = 0).Esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente normal a superfície de uma amostra de vidro. ou zero (Ir ≅ 0). é mais conveniente evitar medições de refletância.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Se intensidade do feixe refletido for aproximadamente igual a zero. se a intensidade do feixe refletido for igual a intensidade do feixe incidente (Ir = Io ). Figura 14. Transmitância de uma amostra A figura abaixo mostra o esquema de uma análise de transmitância por um feixe incidente em uma amostra de vidro.Detalhe do compartimento aberto [ 1 ] de um espectrômetro. IoA I t A = I o A ⋅ e −αl TA = ItA I oA = e −αl Figura 14. Cláudio R. quando as espessuras do meio são muito finas ou transparentes (em vidros). Dr.49 .48 . Às vezes. Losekann Direitos autorais reservados A intensidade do feixe transmitido pode ser expressa pela equação: It = Io − Ir − Ia 2 I t = I o ⋅ ( 1 − R ) ⋅ e − αl Logo. A figura ao lado mostra um típico espectrômetro com compartimento aberto onde se posicionam amostras para a incidência de feixes de luz para a obtenção de dados de absorção e transmitância.

Estas propriedades dos metais atribuem-se a capacidade dos elétrons livres de absorverem energia dos fótons e de poderem reemitir. Cláudio R. Figura 14. é quase inteiramente refletido. Podese observar que a 1 04 transmitância para a 1 02 amostra BLC1 é de 1 00 aproximadamente 100%. um feixe luminoso que incide sobre a superfície de um metal.Curvas de transmitância da amostra BLC1. quando o elétron. Pode-se observar que a transmitância reduz com a diminuição do comprimento de onda que é devido a absorção dos cristais de PbS.Espectro de transmitância de uma amostra de vidro dopado.51 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. denominado de STW4. O ruído que aparece entre 180 nm e 280 nm é devido a absorção do ultravioleta BLC1 1 08 pela lâmina de vidro que 1 06 suporta a amostra. mas são transparentes para ondas eletromagnéticas de pequeno comprimento de onda como raio-X e raio-γ. excitado pelo impacto de uma radiação. 98 com algumas flutuações. Deste modo. 1 00 STW4 80 60 40 20 0 200 300 400 500 600 700 800 900 1 000 Comprimento de onda (nm) A figura que segue mostra a curva de transmitância em função do comprimento de onda de uma amostra de vidro dopado com cristais de PbS de tamanho nanométrico. Os materiais metálicos são inteiramente opacos no espectro da luz visível. Losekann Direitos autorais reservados A figura que segue mostra o resultado de transmitância em função do comprimento de onda de uma lâmina de vidro denominado BLC1. para o intervalo de 96 comprimento de onda de 94 280 nm a 850 nm. Espectro com irradiação do ultravioleta. dando lugar ao brilho metálico.50 . toda radiação de luz é absorvida ou refletida ou ambas. Dr. Transmitância (%) 1 00 200 300 400 500 600 700 800 900 Comprimento de onda (nm) Figura 14. isto é. Transmitância (%) 240 . cai em um nível mais baixo de energia.

e propôs que um feixe de luz consiste de pequenos pacotes de energia. co n c = Cristais com estrutura cúbica são isotrópicos.49 1.76 1.74 1. A energia de um fóton pode assumir determinados valores definidos pela relação: h ⋅ co E = h⋅ ν = λ 241 . O quadro abaixo mostra os índices de refração de vários materiais. como o vidro. Einstein. conhecidos como quanta de luz ou fótons. utilizou os conceitos da teoria quântica. pode-se concluir que a radiação eletromagnética pode ser tratada de dois modos: clássico (ondulatório) e quântico (fótons).36 Do exposto acima.65 1. onde o índice de refração independe da direção de propagação e da polarização da luz. Dr. Cristais com outras estrutura são anisotrópicos e seus índices de refração são função da orientação e da polarização. Material Sílica Soda-lime Pyrex Dense optical flint glass Corundum (Al2O3) Periclase (MgO) Quartzo (SiO2) Spinel (MgAl2O4) Politetrafluoretileno Polietileno Polistireno Polimetilmetacrilato Polipropileno Heptano Etanol Índice médio de refração 1.46 1. em 1905.51 1. a abordagem clássica é mais conveniente e em outras situações é preferível a abordagem quântica.60 1. proposta por Planck em 1900.49 1.72 1.38 1.55 1.35 1. o índice de refração (n ≥ 1). Assim. Losekann Direitos autorais reservados Materiais isolantes podem ser transparentes e alguns materiais semicondutores são transparentes e outros são opacos. Para analisar determinados fenômenos.51 1.47 1. Cláudio R. Um material homogêneo e transparente. que indica que a velocidade de propagação da luz naquele meio (c) é menor que a velocidade de propagação da luz no vácuo (co = 3 x 10 8 m/s). é caracterizado por uma constante.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

e para tempos maiores. Dr.52 . de onde podem retornar à banda de valência com emissão de um fóton. co é a velocidade da luz e λ é o comprimento de onda. A luminescência é classificada de acordo com a grandeza do tempo entre o evento de absorção e reemissão. Figura 14.10 -34 J. Esta energia pode ser fornecida por meio de fótons com energia maior do que a energia de banda proibida do material. b) é típica de um semicondutor do tipo GaAs. fig. A absorção. Um exemplo simplificado de um experimento de absorção. é representado esquematicamente na abaixo.. podem ser descritos similarmente como os átomos de hidrogênio. 242 . um elétron pode ir para um estado excitado. para determinar as propriedades óticas e indiretamente a energia de banda proibida.s). amarelo claro para CdS. o qual conduz à formação de um estado de fronteira do par elétronburaco. Os semicondutores lasers são um bom exemplo para mostrar como as propriedades óticas e elétricas são. O coeficiente de absorção e o índice de refração têm um comportamento não linear com a intensidade da luz excitante. a). Variando o comprimento de onda de Io. Alguns materiais são capazes de absorver energia e reemitir luz visível em um fenômeno chamado luminescência. intimamente relacionadas. Losekann Direitos autorais reservados Onde h é a constante de Planck (h = 6. Cláudio R. Luz monocromática de intensidade Io é incidida sobre a amostra.a) Esquema de um experimento de transmissão.1 eV. fig. Processos não radioativos fazem com que o elétron vá para o nível mais baixo da banda de condução se 1.8 eV < hv < 3. ν é a freqüência da onda. A energia absorvida pode ser suprida como energia mais elevada de radiação eletromagnética tal como luz ultravioleta. o éxciton. ou outras fontes como calor. vermelho para Cu2O ou preto metálico para GaAs de acordo com o valor de energia da banda proibida. A) transmissão de um feixe de laser através de um semicondutor.63.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. nota-se que eles usualmente apresentam uma coloração. laranja para ZnSe. fosforescente. energia mecânica ou energia química. onde o próton é substituído por uma partícula com carga +e e com massa efetiva do buraco. de fato. Um detector mede a intensidade transmitida It . obtém-se o espectro de absorção mostrado na fig. o fenômeno é chamado de fluorescência. Estes éxcitons. Ao absorver energia. A linha característica do espectro de absorção na figura acima (b) é uma manifestação direta da interação coulombiana originadas da atração entre elétron e buraco. Quando se olha para um semicondutor. b). b) Um espectro típico de absorção do semicondutor GaAs. Se a reemissão ocorre para tempos menores que um segundo.

A figura abaixo representa o espectro de radiações eletromagnéticas.4 µm a 0. Em adição às propriedades óticas. com comprimento de onda que vão de 0. outro representa o campo magnético (P) e o terceiro eixo representa a direção de propagação.7 µm. ondas de radar.Espectros de radiação eletromagnética. Figura 14. calor. Luz.53 . a radiação eletromagnética pode ser considerada como sendo ondas com dois componentes perpendiculares entre si e ambos perpendiculares à direção de propagação. uma onda eletromagnética pode ser representada em um sistema cartesiano com três eixos ortogonais entre si: um eixo representa o campo elétrico (E). ondas de rádio e raio-X são formas de radiações eletromagnéticas. 243 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Este tipo de radiação é denominada radiação térmica e é uma mistura de comprimentos de onda. Cláudio R. A luz ocupa uma região muito estreita do espectro de radiações eletromagnéticas. Portanto. é interessante investigar a resposta de semicondutores sob excitações de pulsos curtos. Todos os corpos emitem radiações eletromagnéticas devido ao movimento de seus átomos e moléculas. O branco é uma mistura de todas as cores. Losekann Direitos autorais reservados Do ponto de vista clássico. Dr. Nas últimas décadas tem sido feito progressos significantes na produção de pulsos óticos da ordem de femtosegundo (1 fs = 10-15 s) através de laser (light amplification by stimulated emission of radiation).

420 -0. por exemplo.498 Mn 2 + + 2e − → Mn Cr 3+ + e − → Cr 2 + Eu 3+ + e − → Eu 2 + Ni 2 + + 2e − → Ni Pb 2 + + 2e − → Pb 2H1+ + 2e − → H 2 ( g ) Cu 2 + + 2e − → Cu Fe 3+ + e − → Fe 2 + Ag1+ + e − → Ag Au 3+ + 3e − → Au 244 .“representa um elétron.777 +0. Os potenciais de eletrodo são medidos em relação ao hidrogênio.337 +0. o alumínio é encontrado na bauxita que contém alumina (Al2O3). O local onde ocorre a reação de oxidação é denominado de ânodo. Solução ácida Potencial de eletrodo (em V para 1 mol/l) a 25 oC -1. As reações que ocorrem no ânodo e no cátodo são denominadas de meia reação ou semi-reação. Losekann Direitos autorais reservados 14. a propensão à corrosão pode ser avaliada por este potencial. A corrosão metálica é um processo eletroquímico.350 -0. Os elétrons produzidos pela reação anódica. Como o processo de ionização de um metal cria um potencial elétrico. O local onde a reação de redução ocorre é denominado de cátodo. Semi-reação.126 0. Cláudio R. geralmente.190 -0. O potencial de eletrodo depende da natureza e da concentração de solução em que o metal está imerso. A corrosão de um metal. participam de reações de redução.799 +1. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.RESISTÊNCIA A CORROSÃO Muitos metais encontram-se na natureza de forma combinada e principalmente com o oxigênio.PROPRIEDADES QUÍMICAS 14. Os metais e suas ligas tendem a reagir com o meio durante a sua utilização.12.000 +0. denominado de potencial de eletrodo.1 . um metal M de valência n pode-se oxidar segundo a reação: M → M n + + ne − Onde “e.12 . por exemplo. pode ser representada pela soma de duas meias reações: Zn → Zn 2 + + 2e − 2H1+ + 2e − → H 2 (g) Zn + 2H1+ → Zn 2 + + H 2 (g) Os metais apresentam diferentes propensões a corrosão. O quadro abaixo mostra potenciais de eletrodo de vários metais.236 -0. como o zinco.

denominada envelhecimento.54 . plásticos do tipo polietileno absorvem água.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.12. por exemplo. Outra forma de degradação é causada pela difusão de oxigênio entre as cadeias das macromoléculas. conforme o meio e as condições em que ele está exposto. Um mesmo tipo de material pode sofrer diferentes tipos de corrosão. A oxidação dos pneus pode ser suprimida pela adição de pequenas quantidades de carvão ou de substâncias antioxidantes. Os casos mais conhecidos de passivação são provavelmente do alumínio e do aço inoxidável. tolueno. A corrosão pode ser classificadas em vários tipos. em água. 14. causada por uma película muito fina de óxido na superfície do metal ou liga. São praticamente inertes na maioria dos meios orgânicos e inorgânicos.RESISTÊNCIA À DEGRADAÇÃO Alguns materiais são bastante estáveis em meios líquidos como água. A figura abaixo mostra os esquemas dos tipos de corrosão. Os materiais cerâmicos são muito estáveis quimicamente. Em geral. como aminas aromáticas e derivados de fenóis. ácidos.2 . promovendo ligações cruzadas. Cláudio R. diminuindo inclusive sua resistência mecânica. Dr. Os vidros são muitos resistentes aos ácidos. Esta reação. Os refratários utilizados em fornos também sofrem o ataque químico causado por gases oriundos da fusão de metal. Apesar disto eles são susceptíveis aos ácidos fluorídricos e por algumas bases. podendo. no entanto ser parcial com difusão de líquido ou soluto entre suas moléculas. os termofixos são mais resistentes ao ataque de solventes orgânicos que os termoplásticos. bases ou atmosferas agressivas em relação aos metais. polistireno são solúveis em benzeno. Nem sempre a degradação se da por completo.Esquema dos tipos de corrosão. é acelerada pela radiação ultravioleta ou pela luz solar intensa (muito comum no polietileno e borrachas). 245 . assim como em ácidos e bases fracos. Losekann Direitos autorais reservados Um fenômeno muito importante no estudo da corrosão é a passivação. Figura 14. de acordo com a maneira com que ela ocorre. a qual dificulta o processo de oxidação.

GESTÃO AMBIENTAL – que estabelece ações de correção ou minimização de efeitos ambientais dos processos produtivos. Cláudio R. Outro aspecto que é importante ressaltar é o entendimento entre reciclagem e reaproveitamento. Dois termos que geralmente vem sendo confundido. na qual tem preocupação com o meio ambiente e procura redigir vínculos de legislação ambiental para satisfação da comunidade e melhoria da imagem da empresa. produção e preço de um produto com o consumo de energia. ISO 14000 .INTRODUÇÃO Quando é abordado o assunto de reciclagem. Losekann Direitos autorais reservados 15 – NOÇÕES DE RECICLAGEM DE MATERIAIS Figura 15.1 – Símbolo da reciclagem.GARANTIA E GESTÃO DA QUALIDADE – que estabelece requisitos para sistemas de qualidade que favorece interação com o mercado internacional. A reciclagem é um reaproveitamento de uma matéria prima ou produto industrializado ou final. energia. o reaproveitamento não significa 246 . redução de custos via melhoria contínua [consumo de água. Dr. 15. é importante diferenciar duas normas mundiais que tratam do assunto de reciclagem de uma forma direta ou indiretamente. Estas duas normas são: .1 .ISO 9000 .UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. reciclagem de resíduos] onde se preocupa com a demanda. entretanto.

ao ser usado na fabricação de uma colcha por meio de costura. Exemplo. a matéria prima ou produto final é novamente reprocessado. na reciclagem.400 750 750 1. porque para fabricar a lata de alumínio novamente.000.000 16. o tecido deveria ser transformado novamente em fios para posteriormente fazer a fabricação da colcha. Energia necessária para a produção de alguns materiais (PADILHA.400 2. Isto significa que a reciclagem pode consumir muita energia. 1997.500 8.700 350 27.000 9. enquanto que o reaproveitamento não significa o reprocessamento.).). é reaproveitado. (PADILHA.300 3. Um retalho de tecido de algodão.500. Losekann Direitos autorais reservados reciclagem. Caso fosse feito a reciclagem. 1997.500. Material Diamante industrial de alta qualidade Platina Ouro Tungstênio Titânio Latão (60%Cu . a reciclagem traz economia de energia.500 1. Cláudio R. Material Aço bruto Ferro fundido Alumínio Bronze Cobre Chumbo Cimento Concreto reforçado Cerâmica tradicional (tijolos) Vidro plano Fibra de vidro Polipropileno Poliestireno Polietileno PVC Papel Energia (GJ/tonelada) 10-47 58-360 83-330 97 72-118 28-54 4-8 8-14 3-6 14-20 43-64 108-113 96-140 80-120 67-92 59 Preço de alguns materiais de engenharia. Em determinados casos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.000 14.750 2. isto é. como as latas de alumínio.40%Zn) Alumínio Aço inoxidável Aço doce Carboneto de silício (cerâmica avançada) Carboneto de silicio (abrasivos) Carboneto de silício (refratários) Vidro Borracha sintética Borracha natural Preço (US$/tonelada) 500.400 870 247 . Dr. basta fundir a lata usada que envolve menos energia do que a transformação do minério (alumina) em alumínio. O quadro abaixo mostra a energia necessária para produção de alguns materiais.

Cláudio R. alguns frascos de detergente. policloreto de vinila (PVC).000 1. 3. OUTROS – Utilizados em eletrodomésticos.copos plásticos. Essas embalagens são transparentes e fabricadas em diversas cores.sacos plásticos de lixo. 2.000 1. resinas epoxídicas. É mais rígido.tubos e conexões de encanamento. portanto. etc. PP . poliestireno (PS). os materiais plásticos e elastômeros pode ser reaproveitado de três maneiras: 1. a reciclagem cria novos empregos em centros de reciclagem.(poliproprileno) .000 6.plásticos "filme" de proteção de alimentos. sucos e óleo de cozinha.no Brasil. Além de diminuir os impactos de poluição e diminuição de custos em muitos casos.000 1. É o caso do polietileno (PE). porém resistente. baldes. PEBD . pisos. o material é picado e utilizado novamente como material aditivo em determinados produtos.frascos de shampoo e maquiagem.(polietileno tereftalado) .000. Reciclagem –"reprocessados" por aquecimento e a matéria prima pode então ser utilizada novamente na indústria petroquímica. Reaproveitamento mecânico .950 e devido ao custo e poluição que os mesmos envolvem. 248 . é a mais utilizada. Os termoplásticos podem ser repetidamente conformados mecanicamente desde que reaquecidos. PVC . Losekann Direitos autorais reservados Os materiais poliméricos têm tido muita preocupação quanto a reciclagem e reaproveitamento em virtude da grande utilização após 1.(policloreto de vinila) .garrafas de refrigerante. peças de automóveis. utensílios domésticos. Alguns exemplos dos tipos mais utilizados: PEAD . revestimentos diversos.100 1.. aparelhos telefônicos. PET . São conformáveis plasticamente apenas em um estágio intermediário de sua fabricação. sacos de batata. os mesmos são identificados pelas siglas para diferenciar cada tipo. PS – (poliestireno) . polipropileno (PP).500 45. poliuretanos.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Polietileno PVC Fibra de vidro Fibra de carbono Resina epoxídica Madeira compensada dura Madeira dura estrutural Madeira mole estrutural Vigas de concreto reforçado Cimento Sillício monocristalino (Wafers) Silício metalúrgico 1. É o caso do baquelite. Dr. São finos e bastante flexíveis. mas podem ser reaproveitados. poliésteres. Os termoestáveis. Não são recicláveis. brinquedos.650 530 350 330 70 10.300 Prof. são recicláveis. Para facilitar a separação dos materiais plásticos para a reciclagem e reaproveitamento. calçados..(polietileno de alta densidade) . pastas para material escolar. Reaproveitamento energético .queimado liberando muita energia térmica. Desta forma.plástico "filme" .(polietileno de baixa densidade) .

095mm 15. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 1. Mostre esquematicamente os estágios na formação taça-cone e explique resumidamente. O que é deformação plástica? 10.5 Kgf. Um corpo de prova de 30 mm de diâmetro e 600 mm de comprimento foi submetido a um ensaio de flexão a três pontos. Para que se faz ensaio de flexão? 16.000 Kgf/mm2 e Tensão de escoamento de 31.15% 13. Explique o comportamento de materiais dúteis e frágeis utilizando diagrama σ x ε. Dr. A esfera utilizada foi de 2. O que é Módulo de Elasticidade Longitudinal? 8.16MPa 18.900 MPa 14. Uma barra de alumínio de possui uma secção transversal quadrada com 60 mm de lado. qual é a máxima deformação que o material pode apresentar obedecendo o regime elástico? Resposta: ε = 0. Resposta: σF = 20. Resposta: ∆ = 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Qual é a dureza da amostra? Resposta: HB = 43. Na realização de um ensaio de dureza. Que propriedades pode ser avaliadas no ensaio de flexão? 17. Determine o seu alongamento.7 kgf/mm2 ou 43. Como se mede a tenacidade em um diagrama σ x ε? 11. 3. utilizou-se o ensaio Brinell. Por quê se faz ensaios de materiais? 6. A carga axial aplicada na barra é de 30 kN. Losekann Direitos autorais reservados 16 .7HB 249 . Qual é a tensão limite de resistência à compressão de um material que tem 400 mm2 de área da seção transversal e se rompeu com uma carga de 760 KN? Resposta: σ = 1. 2. Cláudio R. o seu comprimento é de 0.3 mm. Eal = 0. O que é tenacidade? 5. apresentando uma flexa de 2 mm sob uma carga de 360 N. O que é flambagem? 12. b) O módulo de elasticidade longitudinal. Cite 4 tipos de ensaios destrutivos! 7.EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1.5 Kgf/mm2.38Mpa e E = 20.7x105 Mpa. Um aço de médio carbono que apresenta o Módulo de Elasticidade Longitudinal de 21.8m. Por que se deve garantir o paralelismo entre as placas da máquina de ensaio e limitar o comprimento dos corpos de prova nos ensaios de compressão? 4.382. Determine: a) A tensão de flexão. O Que é limite de escoamento? 9.5 mm de diâmetro e a carga de 62.

997 mm. Resposta: F = 750kgf. Dr.5 mm de diâmetro. portanto.5kgf. Na realização de um ensaio de dureza. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 5 mm de diâmetro. Losekann Direitos autorais reservados 19. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com as seguintes especificações: a) Espessura: 4.0 mm. 25. é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 2. Uma empresa comprou um lote de chapas de alumínio de 6 mm. Interprete a seguinte representação de dureza Brinell: 120HB 5/250/15 24.5 mm b) Dureza Brinell: 100 HB c) Essas chapas devem ser submetidas a ensaio de dureza brinell e a empresa dispõe de um penetrador de 2. portanto. cuja especificação de dureza foi de 85 HB. Qual é a dureza da amostra? Resposta: 230HB 22.000kgf. A esfera utilizada foi de 2.5 mm de diâmetro? Resposta: F = 187. Quais as vantagens do ensaio de dureza Rockwell sobre o ensaio de dureza Brinell? 21. Cite uma das definições de dureza (preferência do ponto de vista da metalurgia). Qual é a carga necessária para o ensaio se utilizar um penetrador de 10 mm de diâmetro? É possível fazer ensaio de dureza Brinell com diâmetro do penetrador de 10 mm? Dados: a) Espessura mínima deve ser igual a 17 vezes a profundidade da calota.37 mm. não é possível fazer o ensaio de dureza Brinell com penetrador de 10 mm de diâmetro. b) Dureza Brinell: 180 HB c) Verificar se estas chapas podem ser submetidas ao ensaio de dureza Brinell utilizando diâmetro do penetrador de 5 mm. 20. portanto. Espessura mínima é de 4.5 Kgf. 23. 250 .51 mm. qual é a espessura mínima das chapas de aço para um penetrador de 5 mm.5 mm de diâmetro. Espessura mínima é de 6. Uma empresa comprou um lote de chapas de aço carbono com a seguinte especificação: a) Espessura da chapa: 4 mm. Espessura mínima é de 4. Resposta: F = 1.5 mm de diâmetro e a carga de 187. O diâmetro da impressão medida no microscópio foi de 0. utilizou-se o ensaio Brinell. ou seja. Qual é a espessura mínima da chapa para a utilização de um penetrador com 2. Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Edgard Blücher Ltda. NBR-7222. Processamento de polímeros. 2. Porto Alegre. V. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 2a edição. Z. 1988. Nitretação por plasma de ferro sinterizado. J: Ed. CHIAVERINI. 1a edição. da Fonseca. 9. 4. v2. NBR . São Paulo: ABM. São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda.A. 14. DIETER. Florianópolis: Editora da UFSC. v1. FTD S. 16. 1993. 503p. F. MB-212. 251 . 1988. D. C. 17. NBR-6152.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. J. 576p. São Paulo: Ed. Eng. São Paulo: Editora Hemus Ltda. 1974. Caracterização da tenacidade de materiais cerâmicos de pequenas dimensões. Dissertação de mestrado. W. CHIAVERINI. M. MB-481. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ed. S. 11. A prática metalográfica. BLASS. 6. 13. 2a. M.. BATISTA. ed. DE SEABRA. 7. FREIRE. 3a. J. Dr. Mecânica/UFSC. Introdução às máquinas-ferramentas. 313p. R. 8. Cláudio R. Lisboa: Gráfica Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Metalografia. Metalurgia mecânica. Guanabara dois. 1960. Losekann Direitos autorais reservados 17 .Y: John Wiley & Sons. 1993. Interciência Ltda. Tecnologia mecânica: estrutura e propriedades das ligas metálicas. 1989. tratamentos térmicos e termoquímicos das ligas ferrocarbono terminologia. 10.. 1994. Metalografia dos produtos siderúrgicos comuns. V. 2. Determinação das propriedades mecânicas à tração de materiais metálicos. 15. FAZANO. Dissertação (Mestrado em Engenharia). Resistência à tração simples de argamassas e concreto por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. 1981. 1993. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. BRUNATO. N. Grãos abrasivos aplicados em lixas. São Paulo: Ed. G. Química integral. A.. Inc. 1998.. UFRGS: PPGEMM. V. 1981. A. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Metalurgia geral.8653. 2a. 5. v. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 12. R. CALLISTER Jr. 3. ed. E. 1. 1971.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Materials science and engeneering: an introduction. V. 1980. 6a ed. 1994. 3. H. COLPAERT. A. Aços e ferros fundidos. 1983. 1958. Determinação da resistência à tração por compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. Rio de Janeiro: Ed. T.

35. 1993. Ferramentas de corte I. 1984. 1995. Escola de engenharia. Progress in Materials Science.. SHAND. 29.A. Edgard Blücher Ltda. Cláudio R. 1999. Porto Alegre. SANTOS. v. PADILHA. 3a ed.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Edgard Blücher Ltda. Tratamentos térmicos dos metais. 19. 1978. Lawrence H.. da UFSC. São Carlos. A. R. THÜMMLER. 33. UFRGS: PPGEMM. 27. 1997. 30. 1993. 776p. R. 31. Solidificação dos metais. 5a edição. PEREIRA. São Paulo: Ed. A.. Oxford. Dr. Ed. 2a ed. Metalografia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Dois S. São Paulo. R. 1992. Pastas y vidriados: en la fabricación de pavimentos y revestimientos cerámicos. Moscou: Editora Mir. F. Evans.. M. VLACK. NOVIKOV. Mecânica: materiais. A. Propriedades dos materiais cerâmicos. 1973.. 28. Globo S. I. Castellón: Faenza Editrice Ibérica S. LOSEKANN.L. Rubens Lima. Van. 36. G.M.368p. Teoria dos tratamentos térmicos dos metais. Eng. Ed. 24. GULIAÉV. OBERACKER. London. P. 20. High toughness ceramics and ceramic composites. Glass engineering handbook. 1994. S. OHNO. R. São Paulo: Hemus Editora Limitada. REED-HILl. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda. C. G. A. 252 . Dissertação (Mestrado em Engenharia). Edgard Blücher Ltda. W. Estrutura das ligas de ferro. 21. Princípios de metalurgia-física.A. Preparação de nanopartículas semicondutoras PbS e estudo das propriedades óticas não-lineares. MCLELLAN. 185p. 34. C. Ciência e tecnologia de argilas. 22. E. SOUZA. 139p. A. 1992. Ed. 1988. Florianópolis. 177p. Crescimento de monocristais de cobre pela técnica Czochralski e projeto de câmara Czochralski para crescimento de compostos semicondutor III-V. G. RÜHLE. E. GOMES. R. Losekann Direitos autorais reservados 18. H. Materiais de engenharia: microestrutura propriedades. 1968. NY: McGrawHill Book Company. São Paulo. Rio de Janeiro. 1994. R. 2001. TELECURSO 2000 profissionalizante. UFRJ. LOSEKANN. São Paulo. Pérsio de Souza. C. Dissertação de mestrado. 1982. Comportamento ao desgaste dos aços ABNT 4340 e ABNT 52100 nitretados por plasma. The Institute of Materials.. 23. Ensaios mecânicos de materiais metálicos. 1982. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica). 32. UFSC: CPGEM. E. 25. F. São Paulo: Livraria Ciência e Tecnologia Ltda. Florianópolis: Ed. RENAU. Ed.1. Introduction to powder metallurgy. 1960. ROTHERY. Mecânica/UFSC. STEMMER. e 26.

org. Cláudio R.htm 39. http://www.eng.ufba.ht ml 38.br/acervo/matdidat/tc2000/tecnico/ensaios/ensaios.deq.htm 40.br/Central/web/informa/dicas/considerac oes_gerais.br 253 . http://www. Dr. http://bibvirt. www.br/asp/abc_53c.unesp.usp.abceram.ndsm. http://www.com.html 41.ufrgs.rc. http://www.br/museudpm/banco/silicatos/filossilicatos/muscovita.h tml 42. Losekann Direitos autorais reservados 37.futuro.br/polimeros/ensaios.centraldaceramica.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

Losekann Direitos autorais reservados ANEXOS 254 . Cláudio R. Dr.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof.

-esferodizado.5 ml de HF concentrado 99. Ataque por imersão a frio. De 5 a 10 segundos Aços ligados Aços grafitizados Ferros fundidos Para todos os tipos de aços: -normalizados. -recozidos. -temperado e revenido. Ataque por imersão com a solução fria TEMPO DE ATAQUE De alguns segundos até 1 minuto dependendo do teor de carbono do aço De alguns segundos até 1 minuto dependendo do tratamento térmico recebido pelo aço. Cláudio R. Remover o ataque por lavagem com água morna corrente Atacar a frio por imersão 15 segundos De 5 até 10 segundos 40 segundos De 10 a 20 segundos 10 segundos Magnésio e Contorno dos Ácido cítrico Atacar por De 5 a 10 255 .5 ml de H2O destilada Marble Ataque por imersão a frio 10 segundos Ácido fluorídrico Indicado revelação FeAl3 Alumínio suas ligas e na de Ácido sulfúrico Fase α do FeAl3 Ácido nítrico Estrutura duralumínio alclad do e Keller Estrutura do alumínio e suas ligas Vilella 10 ml de H2SO4 concentrado 90 ml de H2O destilada 25 ml de HNO3 concentrado 75 ml de água destilada 10 ml de HF concentrado 15 ml de HCI concentrado 25 ml de HNO3 concentrado 50 ml de água destilada 1 parte de HNO3 concentrado 2 partes de HF concentrado 3 partes de glicerina 5 g de ácido Atacar por umedecimento com auxílio de algodão embebido no reagente Atacar por imersão em solução aquecida entre 60 e 70°C Atacar por imersão em solução aquecida a 70°C Atacar por imersão a frio.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II Prof. Ataque por imersão a frio O taque não revela o contorno dos grãos de ferrita. -temperado. Pode-se utilizar também concentrações mais diluídas. Dr. Losekann Direitos autorais reservados Reagentes químicos para metalografia MATERIAL Aços carbono ao REVELAÇÃO Aços ao carbono REAGENTES Nital COMPOSIÇÃO 1-5 ml HNO3 concentrado 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico ou amílico 4 g de ácido pícrico 100 ml de álcool etílico ou álcool metílico OBSERVAÇÃO A porcentagem de ácido nítrico varia em função da seletividade do ataque. -austemperado Estruturas austeníticas sem a presença das linhas de deformação Camadas nitretadas de ácidos inoxidáveis Estrutura do alumínio e suas ligas Picral Ácido nítrico e fluorídrico 5 ml de HNO3 1 ml de HF 48% 44 ml de água destilada 4 g de CuSO4 20 ml de HCI 20 ml de água destilada 0.

bronzes e latões Cromato potássio de O NaCl pode ser substituído por uma gota de HCl para cada 25 ml de solução Ataques de 5 segundos com polimentos alternados Cloreto férrico Atacar por imersão ou umedecimento De 10 a 40 segundos Hidróxido amônio de Solução em água diluída Ataque por imersão a frio De alguns até 20 segundos Persulfato amônio de 10 g de (NH4) S2O8 90 ml de água destilada CrO3 saturado em solução aquosa 2 a 5 ml de HNO3 concentrado 95 a 98 ml de álcool etílico Solução diluída em dicromato de potássio levemente acidificada 5 ml de (NH4) S2O8 95 ml de H2O destilada 0. Dr. ligas de cobre. particularmente as ligas com manganês. latões e bronzes Estrutura das ligas de estanho com cádmio Estanho suas ligas e Estrutura de ligas de estanho Ácido crômico Ataque a frio por umedecimento ou a quente por imersão em solução fervente Atacar por imersão a frio ou umedecimento Atacar por imersão a frio A frio: de 10 a 20 segundos A quente: 40 segundos 1 minuto Nital Cromato potássio de Atacar por imersão a frio De 15 segundos a alguns minutos De 20 a 30 segundos Indicado para deposições de estanho no aço Persulfato amônio de Atacar por imersão a frio 30 segundos Prata e suas ligas Indicado para as ligas de prata Ácidos crômico e sulfúrico Atacar por imersão a frio 1 minuto 256 . níquel e bronze Estrutura de bronze. Escurece a fase beta do latão Indicado na revelação da estrutura do cobre e suas ligas Estrutura do cobre.2% de H2CrO4 e 0.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II suas ligas grãos magnésio do cítrico 95 ml de água destilada Ácido oxálico Molibdato amônio de 2% de solução aquosa 100 g de ácido molibdênico 140 g de NH4OH (d=0. Losekann Direitos autorais reservados umedecimento e enxaguar em água morna Atacar por umedecimento Atacar por umedecimento seguido de lavagem em água corrente segundos Chumbo suas ligas e Estrutura das ligas anti-fricção Remove a camada deformada da estrutura do chumbo polido De 2 a 5 segundos Ataques sucessivos de 3 segundos Cobre Estrutura do cobre.9) 240 ml de água destilada Filtrar e adicionar: 60 ml de HNO3 2 g de K2CR2O7 8 ml de H2SO4 4 ml de NaCl saturado 100 ml de água destilada 5 partes de FeCl3 50 partes de HCl 100 partes de água destilada Prof.2% de H2SO4 Estrutura do cobre. cobre e latão. Cláudio R. bronzealumínio.

Cláudio R.UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA II em sol. Dr.aquosa 5 partes de NH4OH 1 a 3 partes de H2O2 5 g de KCN 95 ml de H2O destilada 3 gotas de H2O2 5 ml de H2SO4 25 ml de HCI 30 ml de água destilada 85 ml de NH4OH 15 ml de H2O2 Prof. Losekann Direitos autorais reservados Indicado estruturas prata para de Hidróxido amônio de Atacar por imersão a frio De 2 a 3 minutos Estrutura de ligas de níquel e zinco Níquel e suas ligas Indicado estruturas inconel para de Cianeto potássio de Atacar por imersão a frio De 20 até 30 segundos Ácidos sulfúrico clorídrico Hidróxido amônio e Atacar por imersão a frio De 2 a 5 minutos Para as estruturas de níquel com elevado teor de zinco Ouro Estrutura de ouro e platina de Atacar por imersão a frio De 30 segundos até 2 minutos Água régia 5 ml de HNO3 15 ml de HCI Atacar por imersão a quente De 1 até 3 minutos 257 .

996 54.869 48 Cd Cádmio 112.938 4 19 K Potássio 39.11) 104 Db Dúbnio (262.24 61 Pm Promécio (144.906 46 Pd Paládio 106.06) 95 Am Amerício (243.29 Tântalo Tungstênio 180.906 40 Zr Zircônio 91.39 3 13 Al Alumínio 26.76 6 55 Cs Césio 132.8 Nióbio Molibdênio 92.007 d 3 21 Sc Escândio 44.958 183.02) Joliótio Ruterfórdio (262.91) 44 Ru Rutênio 101.33 6 103 Lr Laurêncio (262.003 p 4 Be 2 5B Boro 2 3 Li Lítio 6.06) 96 Cm Cúrio (247.5 67 Ho Hólmio 164.36 63 Eu Európio 151.07 45 Rh Ródio 102.933 28 Ni Niquel 58.906 58 Ce 140.036 92 U Urânio 238.38 82 Pb Chumbo 237.11) (263.908 60 Nd Neodímio 144.8 Berílio 9.04 Cério Praseodímio 5 89 Ac Actínio 227.967 80 Hg Mercúrio 200.038 91 Pa Practínio 231.23 77 Ir Irídio 192.22 78 Pt Platina 195.982 14 Si Silício 28.468 38 Sr Estrôncio 87.078 4 39 Y Ítrio 88.62 5 71 Lu Lutécio 174.25 65 Tb Térbio 158.906 95.42 47 Ag Prata 107.03) f 4 57 La Lantônio 138.08) 100 Fm 101 Md Férmio (257.92 34 Se Selênio 78.61 5 37 Rb Rubídio 85.934 70 Yb Itérbio 173.115 59 Pr 140.94 Gálio Germânio 69.305 22 Ti Titânio 47.999 9F Flúor 18.72 72.207 76 Os Ósmio 190.98 84 Po Polônio (208.82 50 Sn 51 Sb 52 Te Telúrio 127.965 64 Gd Gadolínio 157.098 20 Ca Cálcio 40.011 14.086 15 P Fósforo 30.93 68 Er Érbio 167.10) 102 No Nobélio (259.066 17 Cl Cloro 35.546 30 Zn Zinco 65.008 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 2 He Hélio 4.693 29 Cu Cobre 63.08 79 Au Ouro 196.974 16 S Enxofre 32.9 54 Xe Xenônio 131.411 4 31 Ga 32 Ge 33 As Arsênio 74.02) 88 Ra Rádio (226.05) 94 Pu Plutônio (244.996 24 Cr 25 Mn 26 Fe Ferro 55.811 3 11 Na Sódio 22.10) Mendelévio (258.847 27 Co Cobalto 58.1 s 1 1H Hidrogênio 1.71 121.08) 99 Es Einstênio (252.14) 7 87 Fr Frâncio (223.10) Tabela Periódica dos Elementos .99 12 Mg Magnésio 24.453 18 Ar Argônio 39.88 23 V Vanádio 50.98) 85 At Astato (209.91) 62 Sm Samário 150.12) Hânio Meitnérnio (265.224 41 Nb 42 Mo 43 Tc Tecnésio (97.029 93 Np Neptúnio (237.905 56 Ba Bário 137.99) 86 Rn Radônio (222.11) 105 Jl 106 Rf 107 Bh Bóhrio (262.49 73 Ta 74 W 75 Re Rênio 186.76 53 I Iodo 125.925 66 Dy Disprósio 162.13) (266.941 6C 7N 8O Oxigênio 15.2 83 Bi Bismuto 208.12) 108 Hn 109 Mt 6 81Tl Tálio 204.012 Carbono Nitrogênio 12.96 35 Br Bromo 79.26 69 Tm Túlio 168.9 36 Kr Criptônio 83.07) 97 Bk Berquélio (247.07) 98 Cf Califórnio (251.028 90 Th Tório 232.84 Estanho Antimônio 118.998 10 Ne Neônio 201.943 Cromo Manganês 51.967 72 Hf Háfnio 178.956 10.59 5 49 In Índio 114.

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