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OS MAIAS - uma adaptação para o 11º ano-EE

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Os Maias - uma adaptação para o ensino especial


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05/11/2014

OS MAIAS

uma adaptação para o Ensino Especial

Eli

EÇA DE QUEIRÓS

Eça de Queirós - Biobibliografia

José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845, na Póvoa de Varzim e morreu em 1900, em Paris. Estudou Direito em Coimbra, onde conheceu outro escritor, Antero de Quental, de quem se tornou muito amigo. Em 1867 funda o jornal O Distrito de Évora. Com outro escritor, Ramalho

Ortigão, publica no Diário de Notícias, em folhetins, O Mistério da Estrada de Sintra (1870). No ano seguinte começa a publicar As Farpas. Concorre à diplomacia, começando por ser cônsul em Havana, depois em Newcastle e a partir de 1888 em Paris. Em Inglaterra, Eça de Queirós escreveu grande parte da

sua obra, através da qual se revela um dos mais importantes escritores da língua portuguesa. Eis as suas obras mais importantes: O Crime do Padre Amaro (1878), A Relíquia (1887), Os Maias (1888 – considerada a sua obra-prima), A Ilustre Casa de Ramires (1897) e A Cidade e as Serras (1899). Parte da restante obra foi publicada já depois da sua morte.

FOTOBIOGRAFIA

PESQUISA: Procurar elementos que permitam: complementar esta fotobiografia de Eça de Queirós.

CARICATURAS

SUGESTÃO: descobrir mais imagens.

PROPOSTA: esboçar uma caricatura de Eça.

OS MAIAS

Obra-prima importantes de

de

Eça

de a

Queirós, literatura

publicada em 1888, e uma das mais toda narrativa portuguesa. É um romance realista e naturalista onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprias do enredo passional. A obra ocupa-se da história de uma família – Maia – ao longo de três gerações, centrando-se depois na última geração e dando relevo aos amores de Carlos da Maia e Maria Eduarda. Mas a história é também um pretexto para o autor fazer uma crítica à situação decadente do país (na política e na cultura) e à alta burguesia lisboeta oitocentista, por onde perpassa um

humor

(ora

fino,

ora

satírico)

que

configura a derrota e o desengano de todas as personagens.

fotografia dos desenhos incluídos no trabalho: OS Maias – aparências da vida romântica - de Vânia Assis

QUEM ERAM OS MAIAS?

Os Maias eram uma antiga família da Beira, sempre pouco numerosa, sem parentela – e agora reduzida a dois varões, o senhor da casa, Afonso da Maia, um velho já e o seu neto Carlos que estudava medicina em Coimbra. Quando Afonso se retirara definitivamente para Santa Olávia, o rendimento da casa excedia já cinquenta mil cruzados: mas desde então tinhamse acumulado as economias de vinte anos de aldeia. Tinha também havido a herança de um parente, Sebastião da Maia, que desde 1830 vivia, sem mais família, em Nápoles, ocupando-se de numismática. Vilaça, o procurador da família Maia podia sorrir com satisfação quando dizia que a família ainda tinha

algum dinheirinho para a manteiga de uma fatia de pão. Vilaça tinha aconselhado a venda da Tojeira, mas nunca tinha concordado com Afonso quanto à venda da casa de Benfica. Agora, os Maias, com o Ramalhete inabitável, não possuíam uma casa em Lisboa; e se Afonso naquela idade amava o sossego de Santa Olávia, o seu neto, rapaz de gosto e de luxo que gostava de passar as férias em Paris e em Londres, não queria, depois de formado, ir viver nos penhascos do Douro. E com efeito, meses antes de Carlos deixar Coimbra, Afonso espantou Vilaça quando lhe anunciou que decidira vir habitar o Ramalhete. O procurador fez

um extenso relatório a enumerar os inconvenientes muitas obras. do casarão: o maior problema era o da casa necessitar de

Estrutura de Os Maias

1. Quem são os Maias? 2. Indique o nome dos dois varões da família. 3. Que relação de parentesco existe entre os dois homens? 4. Como classifica a situação financeira da família Maia? 5. Quem lhes deixou uma herança? 6. Qual a profissão de Vilaça? 7. Afonso da Maia seguia sempre os conselhos que o procurador lhe dava? Justifique a resposta. 8. O avô e o neto têm os mesmos gostos? Ilustre a resposta com o texto. 9. Para onde vão os Maias viver quando Carlos acabar o curso de medicina? 10. Afonso da Maia informou que vinha viver para o Ramalhete. Qual foi a reacção de Vilaça?

11. A casa já estava pronta para ser habitada? 12. Como classifica o narrador deste texto?

II 1. Em cada uma das séries dadas, indique o intruso: 1.1. 1.2. 1.3. Reduzida, abreviada, atenuada, resumida, relatada Misturara, afastara, retirara, apartara, desligara Excedia, comia, sobrava, passava, sobejava

1.4. 1.5.

Acumulado, passado, reunido, juntado, armazenado Satisfação, contentamento, inconveniente, gosto, agrado

2. Escreva o antónimo de: 2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 2.5. 2.6. 2.7. 2.8. 2.9. numerosa sem reduzida neto definitivamente mais algum venda inabitável

2.10. extenso 3. Coloque a preposição adequada: 3.1. Os Maias eram naturais ______ Beira, possuíam um bom rendimento e receberam a herança ______ um parente que vivia ______ Itália.

3.2.

Afonso, já velho, ______ o sossego ______ Santa Olávia, mas Carlos luxo gostava ______ mais vida ______

______ Lisboa.

4. Releia o texto “Quem eram os Maias” 5. Elabore e duas transcreva frases os aumentativos encontrados. usando aumentativos diferentes.

III Afonso da Maia gosta mais da calma, do sossego e da tranquilidade de Santa Olávia. Carlos da Maia prefere a vida agitada das grandes capitais, por isso, nas férias vai para Paris, Londres,… e, quando acabar o curso, quer ir viver para Lisboa.

Em não mais de vinte linhas, indique se gosta mais da vida no campo ou na cidade, explicando as razões da sua preferência.

AFONSO DA MAIA VEM VIVER NO RAMALHETE NO OUTONO DE 1875 A casa, depois de arranjada, ficou vazia, enquanto Carlos, já formado, fazia uma longa viagem pela Europa; - e foi só nas vésperas da sua chegada nesse lindo Outono de 1875, que Afonso se resolveu a deixar Santa Olávia e vir instalar-se no Ramalhete. Havia vinte e cinco anos que não dias, via Lisboa; e, ao passados poucos confessou

Vilaça que estava com saudades da calma, tranquilidade e sossego de Santa Olávia. Mas, que remédio! Não queria viver separado do neto; e Carlos agora tinha ideias sérias Lisboa. de começar a não trabalhar em De resto,

desgostava do Ramalhete, agradava-lhe também muito a vizinhança e gostava até do seu quintalito. Não era como o

jardim de Santa Olávia, mas tinha o seu ar simpático, com os girassóis perfilados ao pé dos degraus do terraço, com o cipreste e o cedro juntos como dois amigos tristes e com a estátua do parque, a clara e bela estátua de Vénus.

1. Acabaram as obras no Ramalhete, mas a casa continua sem moradores. Qual a razão? 2. Quando é que o avô de Carlos da Maia decidiu vir instalar-se no Ramalhete? 3. Quantos anos viveu Afonso da Maia em Santa Olávia? 4. Que confissão fez Afonso da Maia ao procurador? 5. Explique a razão pela qual Afonso da Maia ficou a viver no Ramalhete. 6. Faça a descrição do jardim da casa do Ramalhete. 7. Como classifica o narrador presente neste texto?

1. Em cada uma das séries dadas, indique o intruso: 1.1. arranjada, laranjada, restaurada 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. chegada, aparecimento, vinda, jantarada, regresso confessou, revelou, declarou, passeou, anunciou triste, chorosos, presunçoso, desgostoso, magoado bela, curiosa, formosa, graciosa, harmoniosa 2. Escreva o antónimo de: 2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 2.5. vazia chegada começar simpático clara reparada, consertada,

3. Preencha 3.1.

os

espaços

com

a

preposição correcta: Afonso da Maia queria viver _________ o neto _________ Lisboa 3.2. Carlos da _________casa Maia Paris Londres saiu e e _________ Ramalhete. _________ Coimbra, passou _________ _________

demorou-se bastante tempo _________ Oslo. 4. Preste atenção às frases O jardim do Ramalhete não era como o de Santa Olávia. O jardim tinha um ar simpático. 4.1. Transforme as duas frases

simples numa frase complexa,

estabelecendo entre elas uma relação de oposição. 5. Encontre a personificação que se encontra no texto «Afonso da Maia vem viver no Ramalhete no Outono de 1875». 6. Escreva uma frase em que esteja presente uma personificação.

AFONSO DA MAIA

Afonso era um pouco baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes: e com a sua face larga de nariz aquilino, a pele corada, quase vermelha, o cabelo branco todo cortado à escovinha, e a barba de neve aguda e longa – lembrava, como dizia Carlos, um herói dos tempos antigos. Afonso amava os livros, a

comodidade da sua poltrona, o seu jogo de cartas ao canto do fogão. Vilaça vinha encontrá-lo muitas

vezes ao canto da chaminé, com um livro na mão e o seu gato aos pés. Este pesado e enorme angorá, branco com malhas louras, era agora (desde a morte de «Tobias», o soberbo cão são-

bernardo) o fiel companheiro de Afonso. Tinha nascido em Santa Olávia, e recebera o nome de «Bonifácio», depois, ao chegar à idade do amor e da caça, fora-lhe dado o apelido de «D. Bonifácio de Calatrava». Agora, dorminhoco obeso, entrara e definitivamente era chamado e no por

descanso próprio das grandes figuras eclesiásticas, «Reverendo Bonifácio»…

Observe a pintura de Van Gogh. Faça a descrição. Compare este «velho homem sentado» com a „imagem‟ de Afonso da Maia.

1. Classifique, quanto à presença, o narrador Maia». 2. Faça o retrato físico de Afonso da Maia. 3. Indique os passatempos preferidos desta personagem. 4. Elabore a descrição do fiel companheiro do velho senhor. 5. Apontar os nomes que, ao longo da vida, o gato angorá teve. do texto «Afonso da

Num texto bem estruturado, com um máximo de vinte linhas, escreva sobre o seu passatempo preferido (estar com os amigos, ler, passear, praticar desporto, dançar, ver exposições, ...)

A vida de Afonso da Maia, em Inglaterra, na companhia de sua mulher, Maria Eduarda Runa

Afonso da Maia estudou literatura inglesa; interessou-se pela cultura, por cavalos, pela prática da caridade; - e pensava com prazer em ficar ali para sempre naquela paz e naquela ordem. Mas mulher Afonso não era percebia feliz. que sua quase

Estava

sempre pensativa e triste, tossia sempre pelas salas. À noite sentava-se junto do fogão, suspirava e ficava calada… Pobre senhora! A nostalgia do país, da parentela, das igrejas, fazia com que ela ficasse cada dia mais doente. Ela era

uma verdadeira lisboeta, pequenina e trigueira, sem se queixar e sorrindo timidamente, chegada a odiava, Inglaterra, desde aquela a sua língua

estranha, aquelas pessoas com outra religião. Ela, só à noite, indo refugiar-se no sótão com as criadas portuguesas, podia rezar o terço. Odiando tudo o que era inglês, não consentira que seu filho, o Pedrinho, fosse estudar para o colégio de Richmond. Afonso, para a tranquilizar, dizia-lhe que o colégio era católico, mas a pobre senhora não acreditou e mandou vir de Lisboa o padre Vasques. Às vezes, Afonso interrompia as lições do padre e agarrava na mão do Pedrinho para o levar, para correr com ele junto ao rio Tamisa. Mas a mamã vinha logo a correr, cheia de terror, para

embrulhar

o

menino

numa

grande

manta. Pedro, quando estava na rua, como estava acostumado ao colo das criadas e aos mimos da mamã, tinha medo do vento e das árvores. O pai ficava pensativo fraqueza do filho… e triste por ver a

1. Afonso da Maia e a sua mulher, Maria Eduarda runa, estão agora a viver em Inglaterra. 1.1. 1.2. 1.3. Que fazia Afonso da Maia? Como passava os seus dias? A personagem de boa feminina saúde? gozava 1.4. 1.5.

Justifique. A mulher de Afonso da Maia gostava da língua inglesa? Além da língua, há mais alguma coisa de que a pobre senhora não goste naquele país estranho? 2. O casal tinha um filho pequeno, o Pedrinho. 2.1. 2.2. Onde estudava o Pedrinho? Às vezes, Afonso da Maia tomava uma atitude em relação ao filho. Que fazia nessas ocasiões?

2.3. 2.4.

Pedrinho

gostava

de

ir

passear com o pai? Como ficava Afonso da Maia ao ver as reacções do filho? II 1. Em cada uma das séries dadas, indique o intruso: 1.1. Interessar-se, ocupar-se, importar-se 1.2. Pensativa, meditativa, distraída 1.3. 1.4. Nostalgia, Estranha, os igual, espaços caridade, esquisita, com as saudade, tristeza, melancolia desconhecida, exótica 2. Preencha formas convenientes dos verbos: concentrada, absorta, refugiar-se, preocupar-se,

2.1. 2.2.

Afonso da Maia __________ (estudar) literatura inglesa. A pobre senhora, à noite __________ junto do (sentar-se) fogão e

__________ (passar) a noite a suspirar. 2.3. Afonso da Maia __________ (pegar) na mão do filho e __________-o Tamisa. 2.4. O menino __________ (ir) todo embrulhado na grande manta da mãe. 3. Coloque a preposição adequada: 3.1. O pai interrompia as lições __________ padre e segurava a mão __________ menino __________ o levar __________ a rua. (levar) a passear pelas margens do

3.2.

O

menino

era tinha vento,

muito medo e barulhos

medroso, __________ __________

__________ rua. 4. Preste atenção às frases: Pedro estava na rua. Pedro tinha medo do vento e das árvores. 4.1. Transforme as duas frases simples complexa, tempo. numa frase estabelecendo

entre elas uma relação de

Pedro da Maia, rapaz mole e instável

Afonso da Maia e a mulher, Maria Eduarda Runa, regressam a Portugal e vão viver para a casa de Benfica. O Pedrinho estava quase um

homem. Era pequenino e nervoso como a mãe; a sua face oval de um trigueiro suave, dois olhos prontos maravilhosos sempre e a irresistíveis,

choramingar, faziam-no assemelhar a um árabe. Crescera sem curiosidades, indiferente a brinquedos, a flores, a livros. Era em tudo um fraco; tinha crises de melancolia, que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarelo, com as olheiras fundas como se fosse já um velho. O seu único sentimento vivo, intenso, era o da sua paixão pela mãe.

Afonso tinha querido mandar o filho estudar para Coimbra, mas a pobre da mãe pusera-se de joelhos diante de Afonso, balbuciando e tremendo: e ele, mais uma vez, lá cedeu perante as súplicas daquelas mãos de mãe, cedeu perante as lágrimas que caiam quatro a quatro pela face da pobre senhora. Pedro continuou em Benfica, dando lentos passeios a cavalo, com o criado fardado sempre a acompanhá-lo. Quando a mãe morreu, Pedro teve uma saía dor para tremenda. ir visitar Durante a muitos da meses, vestido todo de negro, apenas sepultura mamã… Esta dor exagerada cessou por fim; e sucedeu-lhe, quase sem transição, um período de vida turbulenta, cheia de estroinice, em que Pedro procurava

afogar em botequins as saudades da mamã. Mas essa exuberância ansiosa que tinha aparecido tão subitamente, tão tumultuosamente, na sua natureza desequilibrada, acabou-se também muito depressa. Também esta forma de vida não durou muito tempo.

1. Afonso e a mulher regressaram a Portugal. Indique as razões. 2. Para onde foi viver o casal? 3. Trace o retrato físico da personagem principal. 4. Elabore o retrato psicológico de Pedro da Maia. 5. Pedro foi estudar para Coimbra? Justifique a sua resposta. 6. Em Benfica, como ocupava Pedro o tempo? 7. Qual a causa da tremenda dor de Pedro? 8. Como foi a vida desta personagem depois de ter passado o período do luto? 9. Pedro teve uma vida agitada durante muito tempo? Justifique a resposta.

1. Qual

a

palavra

que,

pelo

seu

significado, não pertence à série em que se encontra: 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. regressaram, nervoso, fraco, choroso, gordo, voltaram, agitado, frágil, retornaram, vieram, saíram impaciente, excitado débil, delicado melancolia, abatimento, tristeza, intenso, mágoa suplicar, durar, pedir, rogar, solicitar

PROPOSTA: Uma dupla caricatura de Pedro da Maia: escrita desenhada/pintada.

PEDRO DA MAIA APAIXONADO

Mas um dia… Pedro da Maia amava! Era um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares dessas fatal e deslumbrante, que assaltam uma uma paixões

existência, a assolam como um furacão, arrancando a vontade, a razão. Numa tarde, estando no Marrare, viu parar, defronte à porta de Madame Levaillant, uma caleche azul onde vinha um velho de chapéu branco, e uma senhora loura, embrulhada num xale de Caxemira.

O velho, baixote e gorducho, de barba muito grisalha talhada por baixo do queixo, uma face tisnada de antigo embarcadiço, desceu todo encostado ao trintanário como se um reumatismo o incomodasse, modista; cabeça Marrare. Sob as rosinhas que ornavam o seu chapéu preto, os cabelos loiros ondeavam de leve sobre a testa curta; os olhos eram maravilhosos. Não a conhecia. Mas um rapaz alto, macilento, de bigodes negros, vestido de negro, que fumava encostado à outra ombreira, vendo o interesse de Pedro murmurou-lhe: e olhou entrou ela um o portal devagar para da a o voltando

momento

- Queres que te diga o nome, Pedro? E pagas ao teu amigo Alencar uma garrafa de champanhe? Veio o champanhe. E o Alencar, depois de passar os dedos magros pelos anéis da cabeleira e pelas pontas do bigode, começou, todo recostado e dando um puxão aos punhos: Chama-se… A deusa que tu

acabaste de ver chama-se… - André – gritou Pedro ao criado, martelando o mármore da mesa -, retira o champanhe! O Alencar bradou: - O quê? Sem eu saciar a minha tremenda e descomunal sede? Pedro disse-lhe que o champanhe poderia ficar se ele dissesse

rapidamente

o

nome

daquela

encantadora mulher. - Pois… Eis o nome da deusa loura: Maria Monforte.

Os Cafés de Lisboa, Marina Tavares Dias (visionamento explicativo - época, contexto histórico e político).

1. Um dia… Que aconteceu um dia à personagem principal? 2. Numa caleche tarde, azul. Pedro Quem viu parar, os

defronte do café Marrare, uma eram ocupantes da caleche? 3. Descreva o ocupante masculino. 4. Faça, agora, a descrição da figura feminina. 5. Pedro não conhecia a senhora

loura. Quem se ofereceu para dizer o nome da desconhecida? 6. O amigo era desinteressado?

Justifique a resposta. 7. Elabore o retrato do amigo de Pedro. 8. Como se chamava desconhecida? a mulher

9. Divida o texto em justificando a sua divisão. 10. Indique um presente no texto. II 1. Qual a palavra que,

partes,

diminutivo

pelo

seu

significado, não pertence à série em que se encontra: 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. desordenado, caótico, confuso, desregrado, existência suspeitar, colocar, desconfiar, conjecturar, supor dirigir-se, ir, contar, caminhar, andar contrariado, desagradado, descontente irado, aborrecido,

2.

Coloque a forma correcta do verbo indicado entre parêntesis: 2.1. Todos os dias Pedro………………… (escrever) Monforte, (ficar) amigos. 2.2. Afonso da Maia não ………………… (conhecer) a família de Maria, mas não ………………… (gostar) das coisas que lhe ………………… (contar) os amigos. a cartas depois conversar a Maria os ………………… com

Releia os textos «Pedro da Maia apaixonado» e «Afonso da Maia vem viver no Ramalhete no Outono de 1875» Transcreva as comparações existentes nos dois textos. Escreva, agora, três frases, usando a figura de estilo chamada comparação.

Num texto bem estruturado, com cerca de vinte e cinco linhas, narre as circunstâncias em que conheceu uma amiga, indicando: o local e o momento; as pessoas envolvidas; as primeiras impressões vividas; os sentimentos experimentados; …

O namoro de Pedro da Maia

Passado pouco tempo, toda a Lisboa falava da paixão de Pedro da Maia por Maria Monforte. Pedro escrevia-lhe todos os dias duas cartas em seis folhas de papel – fazia-lhe poemas desordenados que ia compor para o Marrare. Se algum amigo vinha à porta do café perguntar por Pedro da Maia, os criados logo respondiam: - O Sr. Pedro? Está a escrever à menina. Os velhos amigos de Afonso da Maia que vinham fazer o seu joguinho de cartas a Benfica, sobretudo o Vilaça, o administrador dos Maias, não tardaram em lhe contar daqueles amores do

Pedrinho pela Maria Monforte. Afonso já suspeitava da existência desses amores pois via todos os dias um criado da quinta partir com um grande ramo das melhores camélias do jardim; todas as manhãs cedo encontrava no corredor o criado, menino, dirigindo-se a cheirar ao quarto do o regaladamente

perfume de um envelope com sinete de lacre dourado. Mas Afonso ignorava o nome e a maneira de viver dos Monfortes, porém, devido às coisas que os amigos iam contando sobre essa família, Afonso da Maia estava contrariado com aquela paixão do filho.

1. Pedro tinha agora uma ocupação diária que lhe agradava muito. Que fazia esta personagem todos os dias? 2. Pedro mantinha o seu namoro em segredo? Justifique a resposta.

3. O pai, Afonso da Maia, desconfiava que Pedro estava apaixonado? Fundamente a sua resposta. 4. Afonso da Maia estava de acordo com o namoro do filho? 5. Divida o texto em partes,

justificando a sua divisão. 6. No texto, o narrador exagera uma determinada realidade, usa, para isso, uma hipérbole. Transcreva a frase.

1. Qual

a

palavra

que,

pelo

seu

significado, não pertence à série em que se encontra: 1.1. desordenado, caótico, confuso, desregrado, existência 1.2. suspeitar, colocar, desconfiar,

conjecturar, supor 1.3. dirigir-se, ir, contar, caminhar, andar 1.4. contrariado, irado, desagradado, aborrecido, descontente 2. Coloque a forma correcta do verbo

indicado entre parêntesis: 2.1. Todos depois os dias Pedro………………… a

(escrever) cartas a Maria Monforte, …………………(ficar) conversar com os amigos.

2.2. Afonso da Maia não ………………… (conhecer) a família de Maria, mas não …………………(gostar) das coisas que lhe …………………(contar) os amigos

As mulheres gostam muito de receber flores. Descreva uma situação em que tenha oferecido flores a alguém (mãe, irmã, amiga, …).

Afonso da Maia vê Maria Monforte com Pedro

No

verão, Pedro

partiu para Sintra; Afonso soube que os Monfortes tinham lá alugado uma casa. Dias depois o Vilaça apareceu em Benfica, muito preocupado: na véspera Pedro visitara-o no cartório, pedira-lhe informações sobre as suas propriedades, sobre o meio de levantar dinheiro. Ele dissera que em Setembro, chegando à sua maioridade, tinha direito à herança da mamã…

-

Mas

porquê,

Vilaça?

O

rapaz

quererá dinheiro, quererá dar presentes à rapariga… O amor é um luxo caro, Vilaça. - Deus queira que seja isso, senhor Afonso, Deus o ouça! Dias depois, Afonso da Maia viu Maria Monforte. Tinha jantado na quinta do Sequeira ao pé de Queluz, e tomavam ambos o seu café no mirante, quando entrou pelo caminho estreito a caleche azul. Maria, abrigada sob uma sombrinha escarlate, trazia um vestido cor-de-rosa cuja roda, toda em folhos, quase chapéu, cobria os joelhos num de Pedro, laço sentado a seu lado. As fitas do seu apertadas grande eram também cor-de-rosa, e a sua face era adorável, os olhos, de um azul sombrio eram luminosos.

O Sequeira ficara com a chávena de café junto aos lábios, de olhos espantados, murmurou: - Caramba! É bonita! Afonso não respondeu.

1. Pedro partiu para Sintra. Explique o motivo da ida de Pedro para Sintra. 2. Vilaça apareceu em Benfica muito preocupado. Explique a razão da preocupação desta personagem. 3. Onde estava Afonso da Maia

quando viu Maria Monforte pela primeira vez? 4. Faça a descrição de Maria Monforte – ter presente a simbologia das cores. 5. Qual foi a reacção de Sequeira quando viu Maria? 6. E o pai de Pedro como reagiu? Justifique a sua resposta com o texto.

7. Divida

o

texto

em

partes,

justificando a sua divisão. II 1. Qual a palavra que, pelo seu

significado, não pertence à série em que se encontra: 1.1. 1.2. 1.3. apareceu, informações, luminosos, resplandecentes, cadentes 1.4. 1.5. adorável, sombrio, querida, húmido, admirável, escurecido, encantadora, chorona opaco, enegrecido veio, telefonou, surgiu, chegou comunicações, brilhantes, cintilantes, notícias, esclarecimentos, trocas

2.

Preencha adequada: 2.1. Afonso …………

com ………… casa que

a

preposição Maia comeu amigo perto

………… ficava

Sequeira

………… Queluz e tomou café ………… o amigo ………… belo mirante. 2.2. Maria estava protegida ………… uma sombrinha escarlate; a roda ………… saia tapava os joelhos ………… Pedro. 3. Escreva o antónimo de: 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. 3.8. preocupado pedir abrigada sombrio depois levantar estreito trazer

4. Coloque 4.1.

o

verbo

indicado

entre

parêntesis no tempo conveniente: No dia anterior Afonso da Maia ………… (saber) que a família 4.2. Monforte ………… (alugar) casa em Sintra. Na próxima semana Afonso da Maia ………… (regressar) à casa de Benfica e ………… (conversar) seriamente com o filho. muito

Composição Um encontro inesperado.

Um dia estava num café com os amigos e viu alguém muito interessante. Descreva essa visão.

Pedro da Maia casa com Maria Monforte

O

Outono

passou,

chegou

o

Inverno, frigidíssimo. Uma manhã, Pedro entrou na biblioteca onde o pai estava a ler junto ao fogão, passou um momento os lhe: - Meu pai, venho pedir-lhe licença para casar com uma senhora que se chama Maria Monforte. Afonso pousou o livro aberto sobre os joelhos, e numa voz grave e lenta disse para o filho. - Não me tinhas falado disso… Creio que ela não é de boa família, é filha de um assassino, de um negreiro… olhos por um jornal aberto, e voltando-se bruscamente para ele disse-

- Meu pai!... Afonso ergueu-se diante dele, rígido e inflexível. - Que tens a dizer-me mais? Fazesme corar de vergonha. Pedro, mais branco que o lenço que tinha na mão, exclamou todo a tremer, quase em soluços: - Pois pode estar certo, meu pai, que hei-de casar! Saiu, atirando furiosamente a porta. No corredor gritou pelo criado, muito alto para que o pai ouvisse e deu-lhe ordem para levar as suas malas para o Hotel Europa. Dois dias depois Vilaça entrou em Benfica, com as lágrimas nos olhos, contando que o menino casara nessa

manhã – e segundo lhe dissera o Sérgio, procurador do Monforte, ia partir com a noiva para a Itália.

1. Em que época do ano se situa o excerto de Os Maias que acabou de ler? 2. Pedro foi ter com o pai para lhe fazer um pedido. 2.1. Que pedido fez Pedro? 2.2. Qual foi a reacção de Afonso da Maia? 2.3. E Pedro, como reagiu Pedro à resposta do pai? 3. Pedro, depois de conversar com o progenitor, uma decisão. 3.1. Explique, por palavras suas, qual foi a decisão de Pedro. 4. Dois dias depois, Vilaça, o tomou, de imediato,

procurador dos Maias, entrou em

Benfica e deu uma novidade a Afonso da Maia. 4.1. Que disse Vilaça ao pai de Pedro? 5. O texto não conta a reacção de Afonso da Maia. Em sua opinião, que terá sentido Afonso da Maia ao ouvir aquela notícia? 6. Divida o texto em partes,

justificando a sua divisão. II 1. Identifique o intruso: 1.1. junto, perto, próximo, brusco, vizinho 1.2. licença, autorização, permissão, consentimento, negação 1.3. pousar, içar, colocar, pôr, depor

1.4. inflexível,

inabalável,

nervoso,

imperturbável, impassível 1.5. furioso, irritado, enfurecido,

danado, meigo 2. Observe as seguintes frases: Afonso da Maia não gostava da

família Monforte. Afonso da Maia não autorizou o casamento. 2.1. Transforme numa as frase duas frases

simples

complexa,

estabelecendo entre elas uma relação de conclusão. 3. Mude para o plural: 3.1. fogão; 3.2. inflexível; 3.3. voz; 3.4. assassino

4. Preencha os espaços com a preposição correcta: 4.1. Afonso _____ Maia passava os olhos _____ um jornal quando entrou _____ sala o seu filho. 4.2. Pedro saiu furioso, atirou _____ a porta _____ caleche. 5. Escreva os verbos indicados entre parêntesis no tempo adequado: 5.1. Afonso da Maia _____ (ler) o jornal quando o filho _____ (entrar) na sala. 5.2. Na noiva e semana só seguinte, Pedro a e deu levar ordem as _____ criado a malas _____

_____ (partir) para Itália com a sua _____ (regressar) Portugal muito tempo depois.

Composição

Os pais e os filhos nem sempre estão de acordo. Dê a sua opinião fundamentada sobre a atitude das personagens do texto.

O regresso de Pedro da Maia e de Maria Monforte

Depois do casamento, Pedro e Maria vão em viagem de núpcias para Itália e para França. Em breve ficam cansados da vida agitada a de Paris e decidem de regressar Portugal. Antes

regressarem, Pedro escreve uma carta ao pai a tentar a reconciliação, dizendolhe que, logo que chegasse a Lisboa, se iria lançar a seus pés. Na verdade, logo que desembarcou,

correu num trem a Benfica. Mas o pai tinha partido dois dias antes para Santa Olávia. Pedro ficou desfeito e muito magoado com a partida do pai.

Entre o pai e o filho fez-se uma grande separação. Quando lhe nasceu uma filha, Pedro não disse nada ao pai. Era uma linda bebé, muito gorda, loura e cor-de-rosa, com os belos olhos negros dos Maias. Maria adorava a filha, passava dias de joelhos ao pé do berço. Afonso da Maia não os queria perdoar, não queria conhecer a neta, tanto pior para ele! E o próprio Vilaça, um dia que Pedro lhe mostrara entre olhos, as e a pequerrucha rendas declarou, do com adormecida seu a berço, mão no

sensibilizou-se, veio-lhe lagrimazita aos coração, que aquilo era teimosia do Sr. Afonso da Maia! - Pois pior para ele! Não querer ver um anjo destes! – disse Maria, dando diante

do espelho um jeito às flores do cabelo. – Também não faz cá falta…

1. Pedro e Maria partiram em viagem de núpcias. 1.1. 1.2. Que países visitaram durante essa viagem? A viagem de núpcias demorou muito tempo? Justifique a resposta. 2. Antes de regressar a Portugal, Pedro tentou a reconciliação com o pai. 2.1. Que fez Pedro? 3. Qual foi a primeira coisa que Pedro fez quando chegou a Portugal? 4. Pai e filho reconciliaram-se? Justifique a sua resposta. 5. Que aconteceu de novo nas vidas de Pedro e de Maria? 6. Faça o retrato da filha de Pedro e de Maria. 7. Afonso da Maia quis conhecer a neta?

8. Vilaça

gostou

de

ver

a

pequerrucha? 9. Maria Monforte diz que se o sogro não quer ver a neta «tanto pior para ele». 9.1. 10. 11. 12. 13. Dê a No sua texto opinião há sobre o desabafo desta personagem. diminutivos. quanto à Indique-os. Classifique, presença, o narrador deste texto. Divida o texto em partes, «Maria adorava a filha, justificando a sua divisão. passava dias de joelhos ao pé do berço.» 13.1. Indique a figura de estilo que existe nesta frase.

O nascimento do segundo filho

Quando

Maria

teve

outro

filho,

um

pequeno,

Pedro

sentiu no coração a imagem do pai abandonado naquela tristeza do Douro. Falou, a medo, a Maria na reconciliação. E a sua alegria foi grande quando Maria, depois de ficar um momento pensativa, respondeu: - Creio que me tornaria feliz se o teu pai estivesse connosco. Pedro, entusiasmado com o

consentimento da mulher, pensou em ir a Santa Olávia. Mas Maria tinha um

plano melhor. Quando Afonso da Maia regressasse a Benfica, o que, segundo Vilaça, estava para dentro de pouco tempo, ela iria lá com o pequeno e pediria perdão. Não podia falhar! Pedro para abrandar o papá quis dar ao pequeno o nome de Afonso, mas Maria não consentiu, preferiu chamar-lhe Carlos Eduardo da Maia. O baptizado teve de ser retardado, Maria adoecera. Felizmente daí a duas semanas estava curada e Pedro podia já sair para a caçada na quinta da Tojeira. Devia demorar-se dois dias. A caçada era para prestar homenagem a um italiano, sobrinho dos príncipes de Sória e com quem Pedro simpatizara vivamente.

O Alencar e D. João Coutinho também iam à caçada – e a partida foi de madrugada. Nessa tarde, Maria jantava só no seu quarto, pelas Pedro apareci a trémulo e pálido… Uma quando escadas. sentiu Quase carruagens parando à porta, um grande barulho imediatamente

grande desgraça, Maria! - Jesus! - Feri o rapaz, feri o italiano!... O Tancredo.

1. Quando nasceu o segundo filho, a personagem contente, mas masculina também ficou sentiu

tristeza. Explique a razão destes dois sentimentos. 2. Depois de Maria ter falado, Pedro ficou muito contente. Por que razão ficou Pedro feliz? 3. Pedro tomou uma decisão. Que decidiu? 4. Quem escolheu o nome do bebé? 5. Pedro foi a uma caçada na quinta da Tojeira. Para caçada? 6. Quem caça? 7. A que horas foi a partida para a caçada? estaria presente nessa que serviu a

8. A caçada decorreu bem ou houve algum acidente? Justifique a resposta. 9. Indique os diminutivos que se

encontram no texto. 10. Classifique o narrador deste

excerto de Os Maias. 11. Divida o texto em partes,

justificando a sua divisão. II 1. Observe as seguintes frases: Pedro da Maia estava triste. O pai de Pedro estava longe. 1.1. Transforme as duas frases simples numa frase entre complexa, elas uma estabelecendo relação de casa.

2. Observe agora as frases que se seguem: Pedro da Maia queria dar ao pequeno o nome de Afonso. Maria preferiu chamar-lhe Carlos

Eduardo. 2.1. transforme estabelecendo as duas elas frases uma

simples numa frase complexa, entre relação de oposição. 3. Indique o intruso: 3.1. entusiasmado, estimulado, encorajado, excitado, enjoado 3.2. consentimento, autorização, razão, permissão, assentimento,

3.3. falhar,

desacertar,

encaminhar, perder, errar 4. Escreva o antónimo de: 4.1. abandonado; tristeza; pequeno; felizmente; 4.4. 4.9. 4.11. 4.2. feliz; 4.3. 4.5. 4.10. 4.12.

regressasse; retardar; sobrinho;

dentro; 4.6. dentro; 4.7. pouco; 4.8.

simpatizar; 4.13. grande.

Composição - Uma grande desgraça, Maria! - Jesus! - Feri o rapaz, feri o italiano!... O Tancredo. Imagine a continuação deste diálogo.

Maria Monforte foge com o italiano

Uma sombria tarde de Dezembro, de grande chuva, Afonso da Maia estava no seu escritório a ler, quando a porta se abriu violentamente, e, levantando os olhos do livro, viu Pedro à sua frente. Vinha todo enlameado, desalinhado, e na sua face pálida, sob os cabelos revoltos, luzia um olhar de loucura. O velho ergueu-se aterrado. E Pedro sem uma palavra atirou-se aos braços do pai, rompeu a chorar perdidamente. - Pedro! Que sucedeu, filho? - Sossega, filho, que foi? Pedro então caiu para o canapé, como cai um corpo morto; e levantando para o

pai um rosto envelhecido, disse, muito lentamente, numa voz muito baixa. - Estive fora de Lisboa dois dias… Voltei esta manhã…. A Maria tinha fugido com a pequena… Partiu com um homem, o italiano… E eu estou aqui! Afonso da Maia ouvia, ali ao seu lado, aquele soluçar de funda dor; via tremer aquele corpo desgraçado que outrora embalara nos braços… Parou junto de Pedro, colocou-lhe as mãos na cabeça, e beijou-o na testa várias vezes, como se ele fosse ainda criança, dando-lhe a sua inteira ternura. Então Afonso perguntou: - Mas para onde fugiram, Pedro? Que sabes tu, filho? Não é só chorar…

- Não sei nada – respondeu Pedro num longo esforço. – Sei que fugiu. Eu saí de Lisboa na segunda-feira. Nessa mesma noite, ela partiu de casa numa carruagem, com uma maleta, o cofre de jóias, uma criada italiana que tinha agora, e a pequena. Quando voltei tinha esta carta. «É fatalidade, parto Tancredo, esquece-me, porque sou digna não de para sempre com o uma

ti, e levo a Maria, não posso separar-me dela.»

1.

«Uma sombria tarde de Dezembro.» aconteceu nessa tarde.

1.1. Explique por palavras suas o que 2. Faça o retrato de Pedro da Maia no momento em que foi ter com o pai ao escritório. 3. Descreva o estado psicológico da personagem. 4. Aconteceu alguma coisa de muito grave a Pedro da Maia? Explique o que lhe sucedeu. 5. Qual foi a reacção do pai, Afonso da Maia. Recorde que pai e filho estavam há muito tempo zangados um com o outro. 6. Maria Monforte fugiu sozinha? Justifique a sua resposta. 7. Maria Monforte, ao fugir, deixou uma carta para Pedro. Que diz a carta? 8. Divida o texto em partes, justificando a sua divisão.

II 1. Elabore frases com o antónimo de: 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. 1.6. 1.7. 1.8. 1.9. violentamente levantando pálida envelhecido nada esquecer desalinhado cair junto de

2. Observe as seguintes frases: Pedro da Maia estava triste. Maria Monforte tinha fugido. 2.1. Transforme as duas frases simples numa frase entre complexa, elas uma estabelecendo

relação de causa.

3. Veja as frases que se seguem: Pedro da Maia queria estar calmo. Pedro da Maia não conseguia parar de tremer. 3.1. Transforme as duas frases simples numa frase entre complexa, elas uma estabelecendo

relação de oposição. 4. Observe as seguintes frases: Maria Monforte fugiu. Pedro da Maia ficou

profundamente abalado. 4.1. Transforme as duas frases

simples numa frase complexa, estabelecendo entre elas uma relação de tempo.

Composição

Escreva a sua opinião sobre a fuga de Maria Monforte.

Pedro da Maia pensa no que aconteceu

O bebé de Pedro, Carlos Eduardo, estava junto do avô. Pedro, meio enlouquecido, disse para o pai que o melhor é ir para muito longe, talvez para a América. O estado do filho sobressalta o velho pai que tentou acalmá-lo. - Sim, mais tarde, depois pensarás nisso, filho – disse o velho assustado.

Estava na hora do jantar, o pai quis que fossem para a mesa. Não havia motivo para não jantarem. Carlos, já impaciente com a insistência do pai, repetiu: - Vá jantar, meu pai, vá jantar, pelo amor de Deus… Saiu. O pai ouviu-lhe os passos no andar de cima, e o barulho das janelas violentamente abertas. Afonso sentou-se à mesa só, tomou uma colher de sopa, depois foi sentar-se na poltrona junto do fogão. O pai, já inquieto, subiu ao quarto do filho; estava tudo negro e silencioso. Pedro, Pedro completamente não consentiu, enregelado, afastou-se, chorava. O pai quis consolá-lo, mas impaciente com aquela ternura do pai.

1. As duas personagens estão muito emocionadas perturbadas. 1.1. Faça a caracterização psicológica de: 1.1.1. 1.1.2. 2. 3. Pedro da Maia Afonso da Maia e psicologicamente

Dê a sua opinião sobre a atitude de Pedro da Maia. Divida o texto em partes, justificando a sua divisão.

II 1. Identifique o intruso: 1.1. 1.2. 1.3. pensar, dialogar, reflectir, meditar, matutar motivo, razão, causa, origem, margem impaciente, nervoso, chuvoso, exaltado, inquieto

1.4. 1.5.

insistência,

recusa,

teimosia,

perseverança, obstinação consolar, acalmar, sobressaltar, aquietar, tranquilizar 2. Coloque a preposição correcta: 2.1. 2.2. O filho …………….. Pedro estava …………….. berço. Afonso …………….. Maia ouvia o filho …………….. andar …………….. cima. 3. Escreva 3.1. o verbo indicado entre parêntesis no tempo conveniente: Ontem Pedro …………….. (chegar) a Benfica e …………….. (contar) ao pai a sua desgraça. 3.2. O pai disse-lhe: «Amanhã tu …………….. (decidir). (pensar) mais calmamente e depois ……………..

4. Preste atenção às frases: O bebé estava junto do avô. O bebé começou a chorar. 4.1. Transforme estabelecendo as duas elas frases uma

simples numa frase complexa, entre relação de tempo. 5. Observe as frases: O pai disse-lhe para se acalmar. Pedro continuou muito agitado. 5.1. Transforme as duas frases

simples numa frase complexa, estabelecendo entre elas uma relação de oposição. 6. Escreva frases com sinónimos de: 6.1. 6.2. junto longe

6.3. acalmar 6.4. impaciente 6.5. cima 6.6. só 6.7. subir 6.8. negro

Composição Imagine a viagem, que Pedro não chega a efectuar, à América. (ter presente a personalidade desta personagem)

O fim de Pedro da Maia

-

Desce

um

momento.

Deixa

arranjar o quarto. Vai apanhar ar. Pedro obedeceu e seguiu o pai até à biblioteca. Sentou-se longe da luz, ao canto do sofá e ali ficou como se estivesse adormecido. Lá fora a noite estava tempestuosa, a água batia contra as vidraças, o vento abanava as árvores. Passado pouco tempo, Pedro disse para o pai: - Estou realmente cansado, meu pai, vou-me deitar. Boa noite… Amanhã conversaremos mais. Beijou respeitosamente a mão do pai e saiu devagar.

Afonso demorou-se ainda ali, com o livro na mão, sem ler, atento só a algum rumor que viesse do andar de cima; mas tudo estava em silêncio. Deram dez horas. Antes de se

recolher, foi ao quarto onde fizeram a cama da ama. No vasto leito o pequeno dormia como um Menino Jesus, com o seu pequeno guizo apertado na mão. Afonso não ousou beijá-lo, para não acordar quarto Pedro. Entreabriu a porta. filho escrevia, velas. à luz de duas O a de criança com as barbas ásperas. Depois, sem ruído, subiu ao

Pareceu espantado de ver o pai. - Estou a escrever – disse ele. Esfregou arrepiado da acrescentou: - Amanhã cedo é necessário que o Vilaça vá a Arroios… Boas noites, papá, boas noites. No seu quarto, ao lado da as mãos, do como que e

friagem

quarto,

biblioteca, Afonso não pôde sossegar, ouvia, no silêncio da casa, os passos lentos e contínuos de Pedro. A madrugada clareava, Afonso ia adormecendo – quando de repente um tiro atroou a casa. Precipitou-se do leito, despido e gritando: um criado aparecia com a lanterna na mão. Do quarto de Pedro vinha um cheiro de pólvora e aos

pés da cama, caído de bruços, numa poça de sangue que se ensopava no tapete, Afonso encontrou o seu filho morto, apertando uma pistola na mão. Entre as duas velas, Afonso viu uma carta lacrada com estas palavras sobre o envelope: Para o papá. Daí a dias fechou-se a casa de Benfica. Afonso da Maia partia com o neto e com todos os criados para a quinta de Santa Olávia.

1. Divida

o

texto

em

partes,

justificando a sua divisão. 2. Faça o resumo do texto. 3. Afonso da Maia convenceu o filho a sair do quarto? o estado Justifique do a resposta. 4. Descreva tempo naquela noite. 5. Pedro demorou-se muito tempo na biblioteca? 6. Quando eram 10 horas, Afonso da Maia decidiu ir para o seu quarto. 6.1. Antes de se deitar, que fez esta personagem? 7. Quando a madrugada clareava, um tiro atroou a casa. 7.1. 7.2. Quem deu o tiro? Que filho? viu Afonso da Maia quando chegou ao quarto do

8. Depois da morte de Pedro, Afonso da Maia partiu para santa Olávia. 8.1. Afonso sozinho? 9. Identifique o pequeno a figura dormia de como estilo um existente na frase: «No vasto leito, Menino Jesus…» II 1. Identifique o intruso: 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. Arranjar, Obedecer, Respeito, Abanar, ordenar, regular, harmonizar, matutar empalidecer, consideração, tramar, tremer, cumprir, satisfazer, acatar teimosia, estima, apreço oscilar, vacilar Tempestade, intempérie, vendaval, soalheira, temporal da Maia partiu

2. Coloque a preposição adequada: 2.1. Pedro estava sentado longe ………….. 2.2. O bebé candeeiro, dormia ………….. o canto ………….. sofá. ………….. guizo apertado ………….. mão. 3. Observe as frases: Afonso da Maia não adormecia. Afonso da Maia estava preocupado. 3.1. Transforme as duas frases

simples numa frase complexa, estabelecendo entre elas uma relação de causa. 4. Veja as frases: Afonso estava quase a dormir. Afonso ouviu um tiro. 4.1. Transforme as duas frases

simples numa frase complexa,

estabelecendo entre elas uma relação de tempo. 5. Escreva frases em que use: 5.1. 5.2. 5.3. 5.4. 5.5. 5.6. 5.7. 5.8. 5.9. arranjar pouco respeito silêncio clarear fazer sem frio lento

Composição Pedro antes de morrer escreveu uma carta. O envelope lacrado tinha escrito: «Para o papá». Imagine o conteúdo dessa carta.

Em construção, 13 de Maio de 2009 Elisabete Miguel

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