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Chronica dos reis de Bisnaga

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History of India
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CHRONICA REIS DE BISNAGA .

** i:ooo em papel de algodão de qualidade .JUSTIFICAÇÃO DA TIRAGEM 3 exemplares em papel de linho branco nacional i.

S.QUARTO CENTENÁRIO DO DESCOBRIMENTO DÃ ÍNDIA CONTRIBUIÇÕES DA SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA CHRONICA REIS DE BISNAGA PUBLICADO POR MANUSCRIPTO INÉDITO DO SÉCULO XVI DAVID LOPES S. LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1897 . G. L.

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David Lopes. dedica este trabalho Seu sobrinho. .A SIMÃO JOSÉ DA SILVA LOPES Em testemunho de gratidão.

.

1896. The 1894. Eggeling. Presidency. 1-154. Lon- dres. The History of índia. [Congresso dos Orientalistas. Campbell. 1882. [Journal ofthe Royal Asiatic iv. xxiii Bombay Ga^etteer]. Londres. iv : Geschichte des DeHistory]. vni. do The Imperial Ga^etteer. Rees. 1878. Bombaim. International [vol. Londres. Dowson. Londres. Fergusson. t. p.BIBLIOGRAPHIA Bhandarkar. On the Chera and Châlukya dynasties. of the Chera Dowson.» pire. vols. t. augmentada. A comparative grammar o/the Dravidian languages. índia. 1884. 247-286. [Journal of the Royal Asiatic Society. Londres. khans. Elliot (W. i865]. 1886. Lipsia. 1884. Londres. com o titulo The Indian Em- conquest of A. On the Geographical Limits. till 81-137. p. Londres. 1861. Society. 1886. Londres. [Publicado t. History. Hunter. p. Lassen. vol. Notices of the Châlukya and Gurjjara Dynasties. Elphinstone. Ferista. 1869. 1846]. 1829. D. vi em 3. and Chronology Kingdom of Ancient índia. de John Briggs. 11. Coins of Southern índia. p. Fergusson.). Bombaim. [Archaeological Survey of Southern índia. 16 12. v. 1857. do a Introducção. [Journal of the Royal Asiatic Socieíy. Londres. Muhammadans. Fleet. 1875. Indian and Eastern Architecture. and Sketch of the dynasties of Southern índia. 1-26.]. iii. vol. Lists of Inscriptions. Bombaim. Madrasta. 1870]. . History of the rise of the Mahomedan Power in índia the year A. parte 11 da The Numismata Orientalia]. Indische Alterthumskunde. On Indian Chronology. ed. vol. Bijápur 1884. Gribble. 1893]. Caldwell. Londres. i3i8. South Iiidian Palceography. A History of the Deccan. Trad. [Epochs of Indian Sewell. The dynasties of the Kanarese districts of the Bombay from the earliest historical times to the Muhammadan i. Burnell. 1874]. [t. D. vol. Londres. Early History of the Dekkan down to the Maho- medan conquest. 11 e ui.

VIII Wilson. Kingdom ofPándya. vários números. 73. Para o periodo que nos propomos esboçar ha em lingua ingleza uma abundantissima litteratura. Haia. A. iii. 109-242. Paris. vol. Storia dei viaggiatori italiani nelle Indie orientali. 1857. 871. Viagens de Portugee^en [De Gids. 1853-59. Indian Antiquary. de scripçõcs Taes foram os nossos principaes trabalhos de consulta para a Introducção que se segue. Historical Sketch of the Península of índia. Livorno. despindo-os das lettras inúteis stitue o O para a nossa pronuncia. de Defrémery e Sanguinetti. Calcutá. Londres. nosso processo de transcripções é o que expomos nos nossos Textos em aljamia portuguesa. e por fim os nossos chronistas do Oriente. i836. Elliot. 1874] . t. Londres. como 11. 18G7-77. [Algumas inBisnaga e chronologia Rc-alJ. Londres. i. Southern Royal Asiatic Society. Asiatic Researches. P. Het Oosten vóór de Konist der como Yule e Burnell. XIII. Devemos comtudo citar outros que. ed. Lisboa. as told by its own 111. cremos no emtanto que ella con- que ha de essencial para o assumpto. 1875. Bem Batuta. The History of índia historians. 206. iS36j. Tiele. Gubernatis. X. 1886. v. 1840 e i85o. uma pequena parte. e ed. é. 2i3. de que apenas pudemos haver. 266. sem serem capitães para o nosso propósito. Major. de Santo António Moura. 224. damos aos nomes uma forma tanto quanto possível portuguesa. Wilson Glossary of Anglo. nos foram úteis. [Journal of the p. e Ravenshaw. iv.Indian colloquial terms. como se vê. i53. 3oi (só até 1891. não pudemos ver o que se publicou de então para cá). . vii. xx. índia in the ffteenth century [Hakluyt Society]. xx.

Este triangulo abrange três regiões perfeitamente caracterisadas. gens apenas. que a separa do resto do continente. a terceira. ServeIhe de barreira ao norte a altís- sima cadeia do Himalaia. pelo planalto demarcado . pelas terras baixas onde placidamente correm os dois principaes rios da índia. o Indo e o Ganges. deixando para ella duas passa- conduzindo do Tibete. do e foi por do planalto do Iram. a outra ahi que em tempos antiquíssimos raças diversas vindas d'aquem penetraram nella.INTRODUCÇÃO Índia é é um triangulo cuja base formada pelo massiço da Ásia central. a segunda. uma A primeira é constituída pelas terras altas da cadeia himalaica. e o vértice vae mergulhar no mar das índias.

resulta que a muralha Occidental é um obstáculo á formação de grandes rios naquella direcção. é. prácrita Dacxina]. Da disposição. mas ficam em huma planura de terra mui chã. dei- xando entre esta e a sua base uma banda de terra maior que a primeira. o sul. i. e do sul pelo Tapetí para o golfo de Cambaia. principaes rios d'elle atravessam-no todo até virem desaguar na bahia de Bengala. são atravessados pelas correntes que regam todo o planalto. hum eirado sobre o alagadiço. 1. para os indicava a parte muçulmanos este nome só que demora entre os Vindias e o rio Quistna. que indicámos. leste e oeste pelas duas Esta é a península dravídica. sendo nelle os Nilgrís [i. e assim o Godavarí. Colóquios. Narmadá I «Porque como sobem á serra Gate. Os occidentaes são Íngremes e cortados sobre a beiram. de maneira que parece este Gate hum muro : a terra do cume do qual he ii. todos elles são de pequeno curso e descem dessa serrania. chamando por esse nome ao reino do Idalcão. Forma um triangulo mais regular dentro do primeiro. . Ao norte do as e triangulo. Garcia da Orta. do terreno. 120. nam tornam descer. a cordilheiras dos Gates. e neste sentido se usa ainda hoje muito.ar. montanhas azues] o massiço mais proeminente. os Gates' desprendem-se das extremidades dos Vindias e correm na direcção do sul até se juntarem os orientaes com os occidentaes no cabo Comorim. como geralmente vemos em todalas serranias. O planalto não é uniforme pois tem relevo bastante accidentado. e chama-se-lhe o também na forma Decám em sentido lato [i. Cf.ao norte pelos montes Vindias. v. os orientaes vão suavemente para a bahia de Bengala.» Barros. i. é. p. o Quistna e o Caverí. c. dos Vindias descem do lado do septentrião aguas que vão ao Ganges. formando esta uma muito estreita faixa de território. Os Gates orientaes pelas aberturas fáceis que dão ao vasamento das aguas. e a usámos nós portugueses. que tem ao pé. do sul.

que nos interessa para o nosso propósito. e a oeste até ao limite do pais marata e Maissor. o Rajaratnacarí e o Rajávali. onde começa a o Oria. na parte norte e noroeste de Ceylão. e logo em iSSy magistralmente por Tournour: mas nem uma nem outra traducção . onde dominaram os reis de Bisnaga. e aqui foi também nossas glorias indianas. População: 3. População 9. O Malaialam é fallado na costa do Malabar.500:000. outros livros históricos de importância são o Dipávansa. e quasí que exclusi- O vamente epigraphico. População 14. de Trivandrum ao rio de Chandegrí.uma chronica seguida desde 5^3 annos 1 É dentro d'estes limites que se faliam as línguas que do nome da população se chamam dravídicas. Ceilão tem no Mahávansa. onde nos apparecem desde tempos anteriores a Chrísto. É aqui o império cuja a pátria das ante- chronica damos adiante. Esta família linguística abrange quasí toda a península. O Mahávansa foi traduzido em i833 por Upham (na coUecção intitulada The Sacred and Historical Books of Ceylon). Po- O Teiugo fallar-se pulação: i5. A índia não tem em regra historiadores. Se exceptuarmos os fracos esboços que ella nos apresenta nos seus limites norte e sul. conhecimento que nós possuímos da península é muito superficial até ao século xiv.-50:000. em Caxemira e Ceilão. (Cf.). é fallado de Paleacate até Chícacole. p.: XI É esta parte da índia a península dravídica. e parte do Nizam como nos dístríctos do Canará entre o Malabar e Goa. mas não a única. e porventura a mais antiga. assim : O 2 Esta chronica de Ceilão é a mais importante. i e sgg. Canará é fallado no planalto do Maissor. comprehendendo uma grande parte do território do Nizam. na introducção á sua grammatica. a sua distribuição geographica é para as príncipaes a seguinte : O Tamil é fallado de Paleacate ao cabo Comorim e dos Gates orientaes á bahia de Bengala. até Bidar. Caldwell. no reino de Travancor desde este cabo até Trívandrum. e historicos de populações povoada aricas a em tempos não que os Árias do norte chamaram Drávidas'.5oo:ooo. ao sul de Mangalor. nada mais ahi acharemos a que em boa verdade possamos dar o nome de historia.250:000.

e d'esses reis só os porém sem referencia a eras-. para a parte da índia que nos occupa. E comtudo estes próprios elementos que á força de engenho dos indianistas se conseguem converter em dados bastante prováveis. Os Puranas mas dão-nos listas de dynastias e de reis e a duração dos seus reinados. o periodo que precede o nascimento de Christo é de todos o mais obscuro. p. C. t. indo a de menos. Upham em até iSiq. a expensas Ceilão. mas sobre serem escassos são tão cheios de maravilhoso que diffiseja cilmente se apura nelles a verdade.XII antes de Christo até ao século xviir. Caxemira tem no Raja Tarangini. se conseguiu fazer essa traducção por L. Por outro lado as referencias dos livros clássicos ou dos geographos gregos são muitos escassas. ha. 3i4-3i6. Não quer isto dizer que completamente desprovida de escriptos que possam servir ao investigador do passado deste país. Rajaratnacari e oRajávali foram também traduzidos por Upham sob o titulo acima indicado. p. e só modernamente. o Dipávansa foi editado por Oldenberg em 1879. (Cf. de maneira que do Decám médio e do norte até á era de Christo ou um pouco antes é puramente conjectural. Wijesinha. Tanto no Mahávansa como no Rajávali falla-se dos portugueses e do seu dominio na ilha. Tennent. dos Andras dominaram no Decám. ainda que estes elementos escasseiem. i. . 100. t. além das dynastias e dos reis dos Puranas. mas a índia da litteratura védica e assim como a península dravídica não nos legaram nenhuma narração seguida e concatenada de factos clássica. Ceylou. posteriormente á era christã. a historia são completas. e a de Tournour ainda do governo de 1889. que se lhes possa comparar. xiii. estas listas são ainda relativas ao norte da índia. Para a d3'nastia dos Andras. Indian Aniiquary. e por isso.) xvii. idêntica vantagem posto que por menor periodo de tempo. esses mesmos só tarde ahi nos apparecem. e traduzido para inglês por Fergusson no Indian O Antiqiiary.

os Cholas estavam a nordeste e leste occupando a orla marítima oriental. entre o primeiro século antes de Christo e o terceiro depois. Coromandel (Cholamandalam. de Ptolomeo e do Périplo do mar Erithreo. porque os seus naturaes escreveram em Tamil narrações mais abundantes do que ha para o norte acerca de differentes períodos da sua existência politica. mantiveram-se estas d}'nastias até tarde. dos Cholas e dos Cheras. No meio de todas as variações da politica guerreira das populações do sul. No extremo sul a tradição histórica e dados externos (geographos gregos. Os Puranas dão-nos listas de dy- . i. e os nomes que ahi se lêem parecem dever ser identificados com os dos Puranas. o país dos Cholas). Essa dynastia é chamada dos Sataváhanas nas inscripções roqueiras de Násique e de Nanagate. e as mais antigas referencias que possamos datar encontramo-las em Megasthenes (fim do século IV antes de Christo) e nas inscripções de Axoca (meado do século iii antes de Christo). Axoca. Os Pandias estavam estabelecidos no extremo. vindo mesmo a ter uma preponderância bastante grande os Cholas. i. é. é. sul da península tendo por capital Madure. e quanto aos Cheras occupavam a parte a occidente dos Pandias. dos Pandias. o Constantino do Budismo. O período que decorre do terceiro século ao principio do sexto é obscuro. quando ainda o resto da península parecia ser uma grande e contínua floresta. as quaes Wilson e Taylor cuidadosamente estudaram. etc.Xlll documentos epigraphicos e algumas moedas [encontradas Colapor] que parecem dar-nos a feição geral desse período. poemas épicos da índia. e do estudo d estes dados os especialistas determinaram approximadamente os limites d' esse domí- em nio. e dando o seu costeira nome á parte que dominaram. Aqui pois os nossos conhecimentos vão mais alem no tempo e são menos fragmentários.) referem desde antigos tempos a existência de três reinos contemporâneos.

um bastante obscuro. por casamento. Varias famílias media da península. importância no as necessidades religiosas deturparam a realidade e chronologia dos factos. e foi no seu tempo (meado do século vii) que o celebre peregrino chinês Huam-Sangue visitou a índia e delia nos fez uma longa descripção. Entre citaremos os ellas Cadambas e os dominam na parte como mais importantes Rastracutas. e em virtude d'ella a carta politica do sul da índia simplifica-se. porque no século o reviviscimento do e no século vii que permanece. e completamente Cerca do fim vinda do norte. occupando a costa occidental. Chalúquias occidentaes. São das dynastias mais bem conhecidas porque nos deixaram abundantes documentos epigraphicos. mas estes a esta data acabam com o seu império. no seu curso inferior.XIV nastias e de reis numa desordenação iii tal que pouco nos aproveitam. no resto da costa e uma parte do interior os Cholas. Os Cadambas estavam estabelecidos ao norte do actual Maissor comprehendendo o território goano. d'estes dois séculos o seu até Conjiverão os Paliavas. são chamados em opposição aos anteriores. os Chalúquias. Ao norte. entre estes e os Cheras. . Chalúquias orientaes. os Pandias. e o outro que se foi estabelecer no território entre o Godavari e o Quistna. Os Rastracutas em guerra com os Chalúquias occidentaes. no Maissor Ora a este tempo os Cholas. Mais para o sul pelo meio do século xí prepara-se a hegemonia dos Cholas. e nestas conactual. fraccionam-se em dois ramos. na parte marítima entre o Godavari e o Quistna os Chalúquias orientaes. Decám. e ao norte destes começa a surgir o reino dos Ballalas. e em lutas constantes com os seus vizinhos. O periodo que decorre até ao século xi é também Bramanismo. conseguem annexar o reino dos Chalúquias. A distribuição politica é então a seguinte. conseguiram eclipsar por poder (meado do século viii a meado do x). do século v da nossa era occidente do uma população toma d^entre os Árias.

3 ser . Eis um povo organisação muito simples. No rápido esboço que precede não ha a pretensão de querer completo. e depois submetteram os Chalúquias occidentaes. que são as fontes onde fomos beber. Não se considere pois como lacuna o que é apenas um propósito. Do outro lado os Ballalas. para estabelecer uma ordem de sequencia na nossa narração. com a capital em Devagrí: são os ládavas de xiii Devagrí-. os muçulmanos. em 1 Hoje Halebide. ou ládavas de Duarasamudra'. os Gadambas. no seu movimento de penetração na direcção do sul. foram procedendo á mesma reducção. sua capital. esse século. e os Caláchuris. 2 Hoje Daulatabade. de maneira que no principio do século são essas as potencias do sul da índia. vieram destruir o dominio indígena. Venceram e conquistaram o país dos Cheras ou da d3'nastia que com o nome de Congu lhes succedeu. o nosso intento é só dar as linhas muito geraes da historia da índia meridional.XV dições os Paliavas entre os dois não tardaram a ser esmagados. As cousas mantiveram-se nesse estado durante todo mas ao alvorecer do xiv. sceptico. II Foi um destino singular o do islamismo. Para aquelles que queiram ir mais alem neste estudo ha na nossa bibliographia as devidas indicações. no Maissor. perto de Aurangabade. e por fim os Pandias foram também encorporados no reino dos Cholas por algum tempo. É também a época em que nós começamos a ter noticias mais certas das populações do sul. Na parte norte do território d'estes estabeleceu-se um outro reino da mesma familia. cuja vida politica se resumia numa luta de cada dia de tribu a tribu. paremos pois aqui um momento para vermos como elles avançaram até aquellas partes^.

a que ellas mais ou menos participarão. Esta conversão é um facto importante. e o islamismo. Mas mal elles se formam já o governador de tal provinda se revolta. Mas todas essas po- pulações se diziam muçulmanas. significa para ellas o advento a uma vida superior. e era esse só o laço que as prendia. Além d'isso trouxe ao convívio e existência politica as innumeras tribus turcas que tão grande papel têem na historia da como conductor d'uma cultura de certa importância. mas dade é que eíle designava uma heterogeneidade de elementos ethnicos para a qual teria sem duvida concorrido todo o território asiático e africano. escarnecido. mas por fim impondo-se pela força. Ásia. em poucos annos senhoreando dos P3Tenéus até ás margens do Indo: tal foi o povo árabe. apparece um epiléptico. Aquelles a que os nossos chronistas indianos chamam e mongólicas. Os nossos designavam a ver- esse nome os sectários de Mafoma. Recrutaram-se os crentes da nova religião em todas porque era vantajosa essa conversão. central trouxe-lhe A Ásia um contingente considerável. foi por muito tempo uma fonte inexgotavel. por um habito inveterado de velhos tempos adquirido no extremo occidente. sobre o império persa. insofrido. correspondiam-lhes só num com característico accidental. religiosa um porque ella representa na ordem grande progresso sobre os pohiheismos grosseiros daquellas populações. e a isso se resumiriam as suas adhesões á nova crença. mouros. Era só a rapina que as fazia avançar. imposta pela espada. livra- va-os da contribuição mais forte e da violência. tal . as regiões. é um batalhar incessante.XVI vivendo do latrocínio mutuo ou apascentando os seus rebanhos. carnificinas quotidianas. A maioria apenas saberia «que só Deus é grande e Mafoma o seu Propheta». e assim nasceu o islamismo. Bandos depois se lançam de si sobre o império do Oriente. pre- gando uma doutrina que os fazia sorrir de desprezo. Os impérios formam-se em mezes. um visionário.

Sem renunciação de uma certa somma de liberdade de cada um em favor da communidade não ha governo possível. e o semita. que com audácia tudo e Não vê elle o seu com- panheiro de miséria. á miséria succede o abarrotainento. e como agora á força de extorsões e de violências. devida á sua instabilidade. porque ahi ella é em parte a explicação da portuguesa Por outro lado o dominio mu- . como as populações da Ásia central que tal islamismo. em regra só o prestigio dum homem os mantém. á sua morte tudo se des- morona. A historia dos differentes impérios muçulmanos que dominaram a Índia até ao momento do nosso apparecimento naquelles mares. em elementos apenas entrados á vida politica. são lutas de interesses particulares e paixões materiaes e não de que os não havia num tal amalgama ethnico. escravo ou camponio. princípios. também por se consegue. por um acaso da sorte di- um capricho do imperante. e dahi uma baralhada inextricável que faz o desespero do historiador. elevado ás mais altas gnidades. toria esses episódios Mas pouco interessam á his- em geral sanguinários. o escravo atraiçoa seu senhor e succede-lhe no throno. EUe punha mãos do mesmo homem todos os poderes. general ou ministro? Esses elementos sem tudo podem. Já não succede assim naquellas partes em que se prende com a nossa. e elle adoptaram o cerceamento senão emquanto permittam sua vez comprimir. e esse homem na sociedade muçulmana sahia muitas vezes das camadas accrescia a natureza nas mais profundas. senhor das creaturas e tenente de Deus na terra. de repente. completam -se preparação levam a desordem ao poder. não é em si bem interessante. E esta a historia dos impérios asiáticos e islâmicos. não cedem a a força os contiver. do código que os regia.XVII outro favorito assassina o bemfeitor. nem o seu esmdo tentador ou fácil pelas razões adduzidas. que a experiência de todos os dias lh'o diz. Por- mal as circumstancias o respira e quer elle vê. A essa anarchia social.

e a historioé graphia desse periodo escripta bastante importante. pouMafoma. Por ultimo todo o commeríndias estava em poder de muçulmanos. e serão elles os nossos maiores inimigos. renunciou-se por algum tempo a esse propósito de conquista. conquistam a Arménia até ao Cáucaso e margens do Caspio. É mandado um homem a reconhecer o valle do Indo. e do Egypto. A sua morte começa o califado de Damasco. e de vencida a insurreição geral contra a sua obra. E tudo isso apezar d'uma instabilidade de cousas no governo e da luta social dos seus elementos. dos Ommiadas. mas como os territórios a atravessar até lá eram estéreis. mas no dos Rajas. das cio no mar não só nos paises do seu domínio directo. Logo no governo do seu successor. conquista-se o território de Tripoli e Tunis-. acaba-se a conquista da Syria. quarto califa. proseguem as conquistas na Pérsia. nas inscripções e moedas. da Pérsia até ao a parte Oxus. em regra idioma pérsico. Com o seconquista a gundo successor. da Mesopotâmia. No califado de Otmam. se faz do Iraque e de parte da Syria. Com os muçulmanos esses paises vêem á historia mais positiva. foram demasiado perturbados por dissenções religiosas para que se pensasse em batalhar com extranhos. porque lhes em fomos sobretudo ferir os interesses. D'estas consi- derações só a segunda nos importa agora.XVI II çulmano na índia c para esta o começo do período verdadeiramente histórico. Anteriormente o conhecimento histórico quasi se resume nos monumentos architectonicos. que. e ella leva-nos a esboçar os progressos das suas armas e do seu estabelecimento na península dravídica até á época em que termina esta chronica. Os tempos de AU. No cali- . Omar. terceiro successor. Abu Becre. cos annos depois da morte de Foi tão rápida a expansão dos muçulmanos. E no seu tempo que se faz a primeira tentativa para penetrar na índia. faz-se a da Palestina. elles senhoream media do velho mundo de extremo a extremo.

no século xvi. por uma parte avassallando os reis indianos na direcção da índia meridional. Ocba conquista a Argélia e Marrocos actual. Mahmude apenas ficou com Gor e uma parte do Coraçám. Cutbadím para os muçulmanos da central. Príncipe turco reinando sobre um pequeno país. e a esta data obteve a realeza . e senhoreou toda a bacia neira a abranger uma do Indo. turcos. Com lezide. o gasnevida. e três dos seus escravos. É ahi que Mohamede. Atravessou treze vezes os montes Soleimão. e o governa- dor do Coraçám penetra até Samarcande. e toma Á sua morte as débeis mãos de seu tio Mahmude não podem suster tal poder. e pela outra oppondo uma barreira a novas populações que querem descer da Asia central. Desde 1206 a 1288 reinam em Deli uma serie de que reis chamados escravos. penetrando desde cedo no valle do Indo. elle conseguiu alargá-lo de ma- grande parte da Ásia central. porque para aquém outro poder se levantou. o gorida. e por fim uma grande porção da índia. vêem por fim substituir-se ao império de Deli. São estes os Mogóes. que. e o governador do Iraque manda um exercito ao valle do Indo commandado por Mohamede bem Cáceme. Cutbadím em Deli. Os seus successores mal poderam manter tão grande império e para o fim da dynastia elles têem a sua capital em Lahor. estabelecendo no Sinde o dominio muçulmano desde 712 até 828. que essa obra de penetração se accentua mais. É comtudo com Mahmude. e Naciradím no Sinde. Com Ualide fez-se a da peninsula hispânica. fez-se a primeira tentativa contra Constantinopla. índia Começa com uma vida poli- independente da dos do planalto do Iram e Asia irá Deli torna-se a capital dum grande império. mas debalde. Mohamede estende o seu dominio até Bengala. a perder esses tica mesmos dominios em 121 5. Moáuia.XIX fado do seu fundador. Aldoz em Gasni. o soberano mais importante da nova dynastia o foi buscar e captivar. repartem a maior parte do império. vindo Deli.

e foi pôr sitio a Devagrí. atravessou com um exer- cito de muçulmanos. será durante dois séculos e meio o obstáculo a tal invasão. sobrinho do Jalaladím. e não lhe foi isso difficil com tal elemento de acção.XX Jalaladím o quilgida. As grandes riquezas que se dizia possuírem aquelles príncipes indígenas foi o único incen- tivo dos generaes de Deli turaram no e o que por varias vezes se avenda península. em 1294. Seu tio viera dar-lhe os parabéns do seu triumpho no próprio vice-reino. assim chamado da tribu tártara a que pertencia. seu affluente. porque seu sobrinho o mandou assassinar. a cidade foi tomada. e que estava na índia desde ha muito tempo estabelecida. mas desde então até ao domínio inglês esse movimento de penetração foi sempre actuando. e que soara para essas populações o fim da independência. sul que não tardará a succeder com Orangal. e esse senhoreamento apenas se limitou a uma parte d' estes dois reinos tendo por limite sul as margens do Quistna e do Tungabadrá. De volta da sua expedição a Devagrí Alaadím. feliz fora. e vice-rei de Bengala. Alaadím. e conseguido este objectivo as tropas retiravam-se. e as Feito imperador. . quis também ser senhor do império. Alaadím não esqueceu o caminho do sul onde tão suas vistas de novo para lá se voltaram. O reino de Bisnaga. Esta ci- dade era também sede d''um reino indiano. Foi o que succedeu com Devagrí. mas nunca mais d'elle voltou. senhor do país. Com a dynastia e soberanos quilgidas approximàmo-nos do nosso propósito. e constituía com Devagrí a guarda avançada das populações dravídicas. capital do príncipe indiano. que ao sul d'elles se constituirá. a sua historia prende-se já com a do Decám. Veremos que não succedeu assim. pois não era outro o seu fim em tal empreza. senhor d'uma fortuna immensa. e Alaadím retirou-se com uma preza de guerra enorme. Quebradas ellas parece que os muçulmanos continuariam a sua marcha ascendente de alastramento. os montes Vindias.

sendo deposto pouco depois a favor de Mubáraque Cão. e diz-se frente de Ceilão. O "i. em que elle parece ter tido alguma cousa. Foi por passeio militar e sem fortes consequênelle se cias politicas. lh'o vieram re- dominio muçulmano dependente de Deli foi sempre precário em Devagri e Orangal. No seu tempo. e o seu estado annexado ao império de Deli. por com elles a Deli. de i3i No armo de iSog Mélique Cafur toma Orangal. filho de Alaadím. Haripaladeva morto. com o nome de Cutbadím. o seu chefe via-se frequentemente a braços O com reli- grandes difficuldades da parte das populações submettidas. em onde construiu uma mesquita. tomando a sua capital Madure. Depois de atravessar os dois estados vassallos Devagri e Orangal. Dahi empenhado numa parte. e no o mesmo general é mandado submetter os povos I que demoravam ao sul dos dois primeiros. próprio é. foi tomada. assim dizer um que chegou a Ramesvaram. foi mudado em Daulatabade cidade do Pela era cabeça. mas sujeito a pouco depois revoltou.XXI Demais circumstancias de força maior cordar. Mé- morte de Alaadím. porque contentou com expoliar os chefes dos seus thesouros e voltar lique Cafur. em i3i8. e em seguida pe- netrou mais ao sul no dos Pandias. mesma causa. sendo de novo vencido e perdoado. os differentes povos insotfridos aproveitavam logo a facilidade das circumstancias para se revoltarem ou para recusarem o tributo promettido.se. Ramadeva. quando elle se achava mais giões. nome da cidade império"!. forte tributo. Orangal e o estado de que em i323 foram também annexados. Devagri. Dada a vastidão do império. Era um estado de guerra continuo! Ora. deixado senhor do seu país o soberano de Devagri. Mélique Cafur foi magnificamente succedido em tal empreza. entrou no dos Ballalas. tomou o poder supremo. e mu- . que venceu. em seguida a uma revolta do seu rei Haripaladeva. tão heterogéneas ethnicamente e de tão varias que.

Três annos depois. Mas sonhara Mohamede com idéa. e. e que depois d"isto o assassinou. ordem de partir foi acompanhada d'uma Não houve pois outro remédio senão o império do mundo. o imperador determinou de pital mudar a sua capara Daulatabade. e na volta da sua campanha. cidade do império].XXII O dado o nome em Sultampor [i. com o seu reinado. começado nome de Mohamede Toguelaquexá. se aproveitavam d essas circumstancias para se talharem no império um manto real. e a sua constiem um novo estado muçulmano na índia. Reconhecendo o perigo d'essa claro fraqueza. Pouco tempo gosou do império. não sentindo sobre si a mão pesada da acção central. a outra destruir Deli. foi dos mais accipara o nosso propósito é elle dentados e infelizes. seu filho Crisna numa pequena parte dos estados. Comtudo. Passavam-se estes factos em 1 820. O com um crime. não houve violência que não pôr-se a caminho da nova capital. acabava com o reino de Orangal. dominado por essa . subiu ao throno com o titulo de Guiassadím Toguelaquexá. approveitando-se habilmente dos acontecimentos. filho. e o indicio eram as tentativas de revolta dos seus governadores que. é. preparou o assassinato de seu pae. Cutbadím um seu Cusro Cão. Effecti- vamente ellas se isso era forçoso. seu soberano Pratapa Rudradeva II foi feito prisio- neiro e succedeu-lhe mandado para Deli. desejoso de mais cedo chegar ao poder supremo. e para não deixar saudades aos : seus súbditos. que parece ter feito uma expedição ao Malabar. e o parricida subiu emfim ao throno seu em i325. As possessões do sul do im- pério estavam afastadas de mais da capital para sobre poder exercer uma acção producente-. e não tare dará que procure difficuldades aos seus inimigos da sua raça. que depois lhe succedeu. porque um governador do Pendirecção do império succedeu a favorito Na jabe conseguiu tomar-lh o. im- portante porque é nelle que se faz a separação do tuição Decám propriamente dito do dominio de Deli.

Isto fez o pae d'este Mohamede Toguelaque. e no antigo reino de Devagri os conjurados proclamaram a revolta. abdicou nelle o poder real. porem não submettidos. e fê-lo commandante de cem cavalleiros do seu exercito. Vencidos a principio por Mohamede. Quando foi elevado a commandante o brahmane tirou-lhe o horóscopo e prophetisou-lhe que seria rei. Haçam Cango subiu ao throno em 1847 com o nome de Alaadím Haçam Cango Bahmaní. a estiagem.XXllI commettesse para haver os meios de o formar. abandonou as operações de guerra a um seu general. e elegeram seu chefe um capitão afgám. e em vez de o guardar honradamente o restituiu a seu amo. este. Folgou este muito desta prova de probidade. com o nome de Naciradím. Orangal readquire-a por alguns annos. e como era do cargo dos astrólogos do rei. que do seu nome se chamou Bahmanida. as guerras com o Coraçám. contou o facto a el-rei. se este da . seguiu-o Haçam. As exacções fiscaes. chefe doesta região por Commandava-as um nome Haçam Cango. com a Pérsia. Admirou-se honradez do camponez. juntas ao descontentamento produzido pela mudança da capital. todos estes muito mal succedido. recebendo em feudo a pequena cidade de Conichi. campo dum para brahmane chamado Cango. e foi o fundador d'esta d3'nastia. em que foi todas estas circumstancias emfim. e durou até ao principio do século xvi. e Nasradím. que trouxe uma fome que durou annos. que é destroçado pelas tropas alliadas junto de Calbergá. vendo que a republica fora salva por elle. Merecem duas linhas os antecedentes d'esie Haçam era um simples rústico que trabalhava no homem. vexames lançaram os paises submettidos na guerra pela independência. um thesouro. e. quando este passou a capital para Daulatabade. Ismael. com a China. chamado novamente ao norte do seu império. Nos seus trabalhos de lavoura achara si. e que fez de Calbergá a sua capital. e fez-lhe dois pedidos. a depreciação da moeda por via das tranquibernias imperiaes.

resistindo até que a sua inde- pendência foi reconhecida em i356. quer em em Tamil. Será também para nós mais fácil e mais variado o seu estudo. São os acontecimentos passados nos dois reinos destruídos.XXIV o viesse a ser: o faria i) que elle tomaria o seu nome. de grande importância para a transformação politica que o país ia soffrer. e é 2) que seu ministro da fazenda. escripta pelos próprios nacionaes. porque. o bom que voltemos aquém do limite sul desse dominio. e dar-lhes uma unidade que o país até ahi nunca vira. ou se alguns fragmentos temos são cter histórico. Haçam nida por assim elle ter fez. III Agora que já sabemos como os muçulmanos se estaé beleceram ao norte da peninsula dravídica. o Ímpeto dos muçulmanos. A baralhada em que andava empenhado Mohamede pôde ir favorável ao novo reino. que interrompemos no principio do século xiv. Não possuímos d'elle uma historia seguida. Diante do perigo. e sobre os quaes agora dominam os Bahmanidas. A sua dynastia chamada Bahmafoi estado ao serviço do brahmane Cango. que as commetteram grandes. forma-se um poder tão forte que consegue deter. assim distrahidas as forças do império. e de sem cara- nenhuma confiança por consequência. não se manifesta entre elles o desejo de narrar as façanhas dos seus reis. N'isso continuam o caracter anterior d'esses povos. contínua. e reatemos fio da historia das suas populações. por mais de dois séculos. ou de contar Tiveram comMalaialam. quer tudo uma bella litteratura nas princípaes línguas draví- dicas. Telugo ou . as obras immorredouras da sua acção. que ameaçava essas populações. porque o estado poderoso que então se forma tem uma forte acção externa e de communicação com outros povos que nô-lo deixará melhor comprehender.

Mas o reino de Bisnaga. as scripções d esse periodo são muito numerosas. quer os escriptores muçulmanos. que em todos os tempos tanto os distinguiu. bem e se evidentes d'um alto cul- sobretudo no Tamil. quer portugueses ou outros. É forçoso confessar. ajudados da epigraphia d'esse periodo. viam-nopor assim dizer na penumbra. os elementos de que nos soccorreremos para esboçar a historia politica d'esse reino. Por outra parte. alguma amostra excepcio- nalmente apparece. e sem duvida que nestas condições só deviam conhecer-lhe o esbatido do contorno. Foi uma lhe lucta constante contra os muçulmanos do norte que não deixavam um momento quasi de distração. e pôr em dispêndio de conciliação com esses dados a imaginação do estudioso. viveu em condições differentes das dos que o antecederam. porém. pois. que nem por isso podemos fazer uma historia completa de Bisnaga. mas tudo é pre- . das luctas intestinas ou condições de vida nacional muito pouco. só poderão apreciar aquelle grande império exteriormente. o contacto d'estes dois elementos e vizinhos é para os estudiosos de summa importância. porque sobre serem seus inimigos de raça e de crença.XXV Canará. é. e veremos que nem a lista podemos ao certo constituir. ella Mas obras de cunho histórico não as tiveram. em vez de esclarecer vem em regra trazer confusão aos dados epigraphicos. E assim é quasi Alguns nomes de reis. nomes de cidades e de batalhas tudo o que nos dão. porque farão elles a sua historia á falta de historiadores indígenas. se acham provas tivo litterario. ou pelo menos ha variantes que deixam em duvida o estudioso. in- mas não completa bastam só por dos seus reis si. Serão esses. quasi a meio da sua vida nacional descobriu-se o caminho marítimo da índia pelo sul da Africa. e succedeu o apparecimento naquellas partes dos europeus. procuravam nas gazivas que nelle faziam uma satisfação ao seu anceio de rapinagem. de que falíamos. D'elles pois só temos a esperar os mesmos escassos elementos que anteriormente nos dão. Ora.

entendimento]. não pretendendo para ella outra não seja a de se approximar da versão da nossa que vantagem chronica. nos seus arredores. Os monumentos architectonicos existentes em tão grande numero em Bisnaga. os dois irmãos e Mádava. Dissemos já que em i323 fora destruído o reino de Orangal. é. e sobretudo os de Vitoba. é. E assim também chamaram elles á nova cidade Vidianágara. a quem pelo seu saber chamavam e Vidia arania. conseguiram salvar-se. a cidade de Vidia [sabedoria. e com alguns companheiros de fuga vieram refugiar-se reita d'este rio aquém do Quistna. uma cidade junto do onde hoje passa o caminho de ferro que de Bellari vae para Daruar. de Mádava. Diz a tradição' que essa funteza para os foragidos um bom ' A tradição conta differentemente a fundação do reino e e a qualidade ci- dade de Bisnaga. Qual d'ellas seja a verdadeira é o que ainda se não pôde saber. Ora dois irmãos.XXVI cioso na penúria de dados que possuimos. e a narração que das suas variantes. Seria com porque lhes havia de insuflar na alma a esperança que as armas dos infiéis acabavam de quebrar. para o seu estabelecimento. que de seu nome era Mácerauxiliar dava. Acompanhára-os na retirada um velho monge brahmane de grande fama e cheiro de santidade. i. e sem duvida que através d"elles podemos ver um estado de civilisaçao taes materiaes e cultura dignas de consideração. são documentos irrecusáveis dum estado bastante apreciável de desenvolvimento. erudito commentador dos Vedas. diz-se. que ^ ciarmos o seu adiantamento social estamos pelas mesmas um ou outro facto apontado nos permitte fazer mas das suas manifestações artisticas temos bastantes provas. e por isso nos abstemos de as dar aqui. cremos. No que todas ellas concordam é na intervenção dos três personagens de que falíamos. Buca e Harihara. a floresta do entendimento. e em Tarpurtri. e seguindo a margem di- foram fundar. É com que vamos tentar esboçar a historia de Bisnaga. i. Para apre- causas reduzidos a inferências. damos é uma .

As circum- stancias favoreceram a infância do novo reino. foram os acontecimentos que permittiram a Bisnaga a vida desafogada dos primeiros momentos. não tendo muito a recear d'esse lado porque factos mais graves lhe prendiam a attenção. E de tal modo estendeu elle veiu a chamar Vijaianágara. não havendo d'isso informação porque a inscripção mais antiga que conhecemos nella é de i354. donde nós portugueses formámos e outras linguas europêas formas parecidas. e se optámos por este. e segundo a etymologia deve ler-se Bisnaga (Vijaianágara). se Harihara. descuidados do suzerano anterior. a cidade da victoria. é. Acerca de Mádava também ha discordância. infiel. o seu dominio que dentro de pouco a capital se i. Neste anno este viajante muçulmano passou por Onor. Apresentam-no uns como asceta vivendo na floresta e vindo depois em soccorro dos dois irmãos. outros admittem que o não foi. e por nome Hariabe. no logar próprio dizemos porquê. e que com o seu saber muito concorreu para a sua manutenção. se Buca. sem duvida Harihara I. e a sua péssima administração. I Os editores dos nossos chronistas indianos imprimiram Bisnaga. mas deve ser erro de interpretação. . Vimos que além do Quistna se estabelecera em 1347 ^ reino de Calbergá. porque estes não costumavam accentuar as palavras. a palavra Bisnaga'. concordando porem todos ter sido homem de aha cultura litteraria. e cresceu o novo reino depressa porque já em 1342 no-lo deixa ver Bem Batuta. Mohamede Toguelaque. so- Advertiremos desde já que essa mesma tradição discorda em qual foi o primeiro rei dos dois irmãos. e que para isso tinham concorrido os desmandos do imperador de Deli. Não tardará que os reis bahmanidas. e diz-nos que o seu príncipe dependia d'um outro. dação se fez ahi por i336. e que desde o principio do reinado do primeiro rei se occupou sempre como primeiro ministro dos negócios do estado. e depois a formação do novo reino.XXVII certa. A grande agitação que sacudiu todas as partes do império.

XXVIII brctudo na fronteira de leste com tal os Mongoes. Ha bastante discordância na ordenação dos dados das inscripções. logo com o primeiro sultão Alaadim. ao norte limitado pelos Vindias. pensamento lhes veiu mas não o poderam abater. e a prova disso está na publicação de certas obras de grande valor neste ramo de estudos. por nós citadas nas pp. Alguma cousa se tem feito comtudo ultimamente. porque senão possuimos dos interes- também a epigraphia dravídica não disse a ultima palavra. e nós seguiremos o quadro dado por Sevvell por ser não só o mais moderno. Importa antes tal de proseguirmos. vn-vin d'esta introducção. procurem engrandecer-se á custa dos príncipes seus vizinhos. O império bahmanida cedo. a leste por uma linha que partindo dos Vindias orientaes passava por Orangal. ao sul pelo Quistna. que vae de Goa a Bombaim.. desde logo tornado tributário e em 1424 annexado. sobretudo do meado do século xv até ao fim. Foram estes os limites da sua maior expansão. alem da grande copia de artigos em revistas especiaes. se alargou enormemente. apesar de comprehender quasi todo o sul da península. Mas Bisnaga estava já forte quando obtiveram vantagens. mas porque attende ás ul- . determinar tanto real. O próprio de Bisnaga. mas não estavam longe d'elles os do fim do reinado de Alaadim e a oeste toda a costa em iSSg. só sastres aos adversários do norte. é certo. O reino de Orangal que á queda do dominio de Deli foi readquire a sua independência. na lucta constante com elle poucas vantagens obteve nos primeiros annos da sua existência. até ao fim do sé- com a segunda dynastia é que elle verdadeiramente toma a offensiva e consegue infligir sérios deculo XV. quasi todo o elle comprehendeu Decám próprio. e haver muito que decifrar de todo ou imperfeitamente interpretado até hoje. quanto possivel a chronologia sados a historia escripta. antes parece começar agora apenas. Não é muito fácil determinação.

é ainda provisória. 2. Ha . Mas aqui. 2. recuando-se ou avançando-se a data da ascenção de tal rei ao throno. DYNASTIA 1. Mallicárjuna [1459]. 6. porque servirá de ponto de apoio ás nossas investigações. Narsinga [? 1487-1Õ09]. Vijaia Búpati "1418]. Virupacxa [1470-1473]. Buca í^i35o-i37q]. III DYNASTIA [i I. Em todo o caso esta lista porque descobrimentos posteriores neste campo poderão vir obterá-la. 3. 8. Vira Narsinga [i5o9]. Ramaraja 542-1 564]. Harihara 336-1 35o]. Crisnadeva íi5oq-i53o"'. mas por agora quernos parecer que representa o estado actual dos nossos conhecimentos acerca da genealogia dos reis de Bisnaga. 7. Sadáxiva [1542-?].XXIX timas revelações da epigraphia. E importa muito esse conhecimento. bastantes lacunas. 4. 3. dependerá preenchimento o seu de ulteriores dados. Devaraja II [1422 -1447]. Achiutaraja [1530-15421. 4. Praudadeva II [1476]. [1406-1412]. ou ainda trazendo á serie talvez novos soberanos. como se vê. 5. e dentro dos seus reinados coUocaremos os acontecimentos para ordenação de periodos tão obscuros. 9. II I Harihara Devaraja j 379-1401]. I DYNASTIA I [i 1. 5.

A esse respeito devemos prevenir-nos. ao contrario da dos adversários. O devem ephemero dominio muçulmano para a breve trecho da evacuação aquém do Quistna seguido completa. São quasi que os nossos únicos auxiliares nessa tarefa. da mesma raça e crença. E depois elles deviam apparecer como libertadores. a historiographia d'elles. a invasão a ferro e fogo dos muçulmanos e a derrocada do poder dravídico. que deve ter sido gradual. de ha annos apenas. amanhã uma pequena lapide viria talvez destruir toda a erudição gasta. Sabemos que foi rápido o seu alastramento para o sul. Taes conquistas parece-nos que ter sido fáceis. e era uma garantia de bonança após a tempestade! Isto dispensa-nos de fazer conjecturas acerca da parte que cada rei tomou nessas acquisições. lançara tal desorganisação no país. porque os seus escriptores no-las dão por vezes circumstanciadas. é o que por ora se não conseguiu ainda saber. e em especial Ferista. . que constituiriam lá ao norte uma barreira de encontro á qual se viria quebrar o Ímpeto das hostes inimigas. que um pouco de audácia da parte dos soberanos de Bisnaga terá conseguido resultados que em outras circumstancias teriam custado muito tempo e vidas. peor ainda se dá na attribuição que a cada um devamos fazer dos acontecimentos passados. A algum tanto suspeitos esses auctoimparcialidade não deve ser grande em homens de fé viva. e considerar res. e é ler taes historias. A própria capital recebera o nome d um dos membros mais venerandos da sua religião. e num batalhar de todos os dias com taes inimigos. mas as circumstancias d'essa marcha. As luctas que elles sustentaram ao norte do Quistna com os muçulmanos são relativamente bem conhecidas.XXX SC tal succede para estes como que marcos milliarios da historia de Bisnaga. e a parte de cada um d'elles nessa tomada de posse. era de recentíssima memoria. elles eram um poder forte. e é rica. esse poder era pois sem duvida consagrado.

e e o irrequieto. as armas de Bisnaga não tiveram o mesmo successo que no sul. para perceber que devem haver ahi exagerações. A assanhada lucta em que os dois impérios se empenharam até i564 tem um campo restricto. e tal pagamento de tributo parece natural.XXXI como sua principal fonte. Mohamede não pôde de prin1864. E que o iniao outro. é. mas não a houvera com Bisnaga e receamos que a asserção de Ferista seja apenas meio de engrandecer a sua gente. Restricto campo sem duvida para lucta tão porfiada e prolongada. os seus suc- seu valor militar muito O se primeiro conflicto entre os dois impérios parece ter- morte de Alaadím. foi no Doabe. conhecimento imperfeitíssimo por consequência. cipio fazer-lhes frente. superior. eram victoriosas as armas d'um contendor ou do outro. Mesopotâmia. pois. Anteriormente houvera lucta com Orangal. D'este lado. e se os de Bisnaga não alcançaram dominá-lo por completo. Assim os nomes dos reis são todos ou quasi todos difficeis de identificar com os que nos fornecem os dados dos contrários. e foi protrahindo as negociações. e ha períodos d'esta historia completamente alterados naquelles chronistas. país comprehendido entre o Quistna e o seu affluente Tungabadrá. c Na guerra que se seguiu as tropas alliadas de Orangal . Bisnaga e Orangal julgaram propicia a occasião para negar o tributo. subiu ao throno Mohamedexá. ainda menor. dado em A mas quando se sentiu preparado exigiu o pagamento. i. as suas cidades um migo era outro. aguerrido cessos eram mais rápidos. que ella quasi constantemente se travou. foram precisos mais de dois séculos aos muçulmanos para emfim o senhorearem. que devem ter desvirtuado a verdade dos factos como passados. e pontos de vista muito particulares á fé e á sua gente. Território sempre disputado mudavam muitas vezes de conforme senhor. E depois o conhecimento travado entre uns e outros era quasi que só no campo de batalha.

. Soo cantores de Deli apresentaram-se diante de Mohamede e entoaram o hymno da victoria. Estava-se um dia. do e como amostra diremos as causas que provocaram nova guerra com Bisnaga. e. e é a primeira vez que tal succede. e a suzerania de Calbergá reconhecida de novo. O sultão chegara a pôr cerco á cidade de Bisnaga. e tratar das outras clausulas. a paz fez-se com a condição de que os cantores seriam satisfeitos da sua promessa. mandou ao esses can- primeiro ministro que se gratificassem tores á custa d'elrei de Bisnaga. mas sem successo. Mas não tardou que este levasse a melhor e o vencesse por duas vezes. que foi porfiada. para ir annunciar a Mohamede a carnificina. Estava declarada a guerra.XXXI l e Bisnaga foram desbaratadas. Em 1371 surgiu novamente a guerra entre Calbergá e Orangal. e só depois se pôde talvez sata. de que só escapou um. já bastante alegre e folgasão. Fora o banquete bem regado de preciosos vinhos. na volta. e na qual seu vassallo. Não folgou elrei de Bisnaga de tal brincadeira. A populaça sem duvida acolheu-o com apupos e vaias. bem O ministro pensou que no dia seguinte a ordem d'elrei fosse mais sennão lhe deu seguimento. As primeiras vantagens foram para elrei de Bisnaga. e elrei generosamente reenviou-o a seu senhor. festejando esse bom êxito. Partiu o embaixador com a singular embaixada. e elrei. segundo os muçulmanos. Mohamede tirou brilhantes vantagens Era singular a diplomacia da época. muitos milhares de Índios perderam a vida. e mandou que se passeiasse o embaixador em burro lazarento pelas ruas da sua cidade. Porem elrei não se esquecera e disse: Cuidas que não sei o que digo? Manda immediatamente a elrei de Bisnaga que pague o que ordeno a estes cantores. Esta lucta fora renhidissima. Entrando com grande exercito no Doabe. passando ao fio da espada a sua guarnição de 600 homens. conseguiu tomar a cidade de Modogul.

e pouco tempo depois encontramo-lo já em conflicto com Bisnaga. e como o raja se internara no país fugindo-lhe. Assim se tentou fazer. mas a formosa Pertal se chamava ella fútil. Um nada servia de pretexto para ateiar o fogo mortiço dos interregnos de paz. Foi o caso que elle se lembrou de exigir a este que quizesse desoccupar os logares que ainda possuía no Doabe. Em i374 subiu Mujahide ao throno de Calbergá. não o conseguindo porem. Pelo menos elle teve que retirar-se. Estava esta apercebida. No tempo de Ferozexá por três vezes se foi trava a lucta. ao que elle retorquiu que despejasse primeiro os que seu pae lhe tomara não havia muito. A esta resposta Mujahide penetrou no território de Bisnaga indo pôr cerco a esta cidade. e resolveu mandá-la buscar por força. medida que avançámos ellas tornam-se mais A amiudadas. e com prosperidade do seu foi país foi elevada ao seu auge. Attacado porem por Ferozexá d'improviso. mas debalde. Ferozexá o mais glorioso soberano da elle a dynastia bahmanida. foi completamente desbaratado. quis ir em sua perseguição. parecendo mesmo ter soffrido um grande revés. í. situada no Doabe. Em — . na origem o pretexto é Havia em Modogul uma beldade de mulher. A hara Ihe primeira guerra II. Deva Raja] foi sitiar Modogul. e assim lh'o fez propor. quí-Ia Haribara para o seu serralho. Evidentemente os dois estados limitrophes eram maus vizinhos. 140 1 renova-se a lucta. quis também tomar Adoni. Recusou a namorada. e tarde ou cedo a contenda tinha de ser decidida com a destruição do adversário. com Bisnaga em iSgq. veiu Mujahide sitiá-lo. é. Pouco depois este veiu refugiar-se na capital. o que mais aguçou o apetite d'elrei. mas as inscricomo reinando a esse tempo. Hari- que então reinava em Bisnaga [Ferista chama- Deul Roi. constante fonte de desavença. sobretudo Modogul e Raichor.— XXXIII o raja é pções dão-nos Buca chamado Roi Quicem Roi.

completamente des- vencido. Ferozexá invadiu foi sitiada. jecto delrei. D'esse lado pois a invasão muçulmana alastra-se cada vez mais. onde sendo encontrado com outros Índios que cortavam cannas foi tomado por um da mesma estirpe. seu filho Mohamede. podendo assim salvar-se. e annexada maior parte do país de Telingana. e enconde Bisnaga sem ser esperado. que foi de- mas por fim teve dura para o vencido. e foram pôr cerco a Bisnaga. seu irmão. fazendo-se a paz com condições onerosas para elrei de Bisnaga. as tropas de Bisnaga. gal. navial. ao . trou elrei se logo este a tirar desforra dos desastres soffridos por Marchou com um grande exercito. que pertencia a elrei de Bisnaga. Bisnaga fendendo-se valentemente Devaraja. e vir-se refugiar na capital. seguinte. e ficou frustrado o pro- Era porem Modogul terra de Calbergá. e a sorte das armas favorável aos primeiros. como fora violado o seu território. Logo foi com a sua mulher visitar o capital na sua sendo recebido solemnemente. No anno a em 1424. Bisnaga para vingar a affronta. e tanto assim que estava deitado a dormir no jardim junto dum canEntrados os inimigos de surpreza no seu arraial. approximaram-se por fim foi e. apenas foi obrigado a carregar cannas. Prolongou-se o cerco por dois annos sem vantagem para em seguida Ferozexá os muçulmanos. amor que lhe tinha.XXXIV ao saber d"isso fugiu para longe. é destruida a capital. Os muçulmanos devastaram os campos. e. acaba o reino de Oran- morto o seu rei. Ferozexá voltou ao e apressou- seu reino. e havia recommendado. além d'uma forte indemnisação de guerra o sultão exigiu a mão da filha d'elrei de Bisnaga com a cidade de Bicapor. ahi a resistência não parece ter sido prolongada. genro Em 141 7 Ferozexá quebrou a paz vindo pôr cerco á cidade de Bilconda. de pedir a paz. pelo muito Morreu em 1484 Ahmedexá. Veiu a succeder-lhe no throno Ahmedexá. fugiu para o cannavial.

impellido sem duvida pelos que o cer- cavam e pelo amor de mandar. Preparava-se havia tempo para ella. Formou assim um pequeno corpo de homens mu- çulmanos que se applicaram á instrucção do exercito. perturbar o andamento dynastico. a vinda d'elles mu- çulmanos. e d'ahi. Reconhecendo ou julgando que a fraqueza do seu exercito e do dos seus antecessores provinha da falta de archeiros nelle. em dos muçulmanos. e quando tal julgou feito. procurou attrahir alguns d'elles que quisessem vir servir no seu elrei levianamente que de Bis- país. naturalmente de costume para o Doabe. con- seguindo com' o auxilio de Bisnaga senhorear um certo numero de cidades da fronteira do Doabe. Parece que os muçulmanos procuraram vingar-se dos soccorros prestados por Bisnaga. herdeiro do throno. as suas vantagens. mandando edificar pital. e uma mesquita na sua ca2:000 permittindo-lhes o livre exercício da sua religião. porque os tinha e bons o exercito inimigo. porque a paz foi bastante vantajosa para Bisnaga. sem duvida porque não terá sido grande nem abertamente feito. que o conservou sempre ao seu lado. Outro que não fora Alaadím tê-lo-hia simplesmente mettido numa fortaleza. Segundo Ferista não naga a provocou. Pelo menos a narrativa de Fe- . mas seu irmão. a paz fez-se. partiu com 60:000 archeiros.XXX\' mais velho. Como fraco recorreu aos inimigos da sua raça e crença. mas sobreveiu emfim em foi 1443. indo sitiar como poder Raichor. diz-nos Ferista. 80:000 cavalleiros e 200:000 peões. Vencido por fim. Alaadím fez tudo o que seu pae lhe pedira. porque em regra supprimiam-nos sem mais processo. e o associou aos espinhos da governação. e isso já repre- sentava um favor e benevolência. Facilitou até. mas nada achámos que o confirme. abusou de lucta aberta tal clemência. dizia-se. para não virem poste- riormente com as pretenções. se sentisse e pôs-se em com elle. congraçando-se os dois irmãos. Parece que d' esta vez os muçulmanos não foram bem succedidos. Alaadím II.

embaixador á corte de Bisnaga nesse anno de guerra. Descreve Bisnaga como a capital dum O seu rei tinha mais de 1:000 elephantes. d'aqui seguiu para Mangalor. e 1. e dos joelhos para baixo. Desembarcou em Calecute. de que nos descreve os monumentos. bem povoado. O príncipe soberano era moço ainda. onde dava entrada todo o ouro de pagamento de tributos das províncias. É a primeira noticia directa mais circumstanciada acerca de Bisnaga. e tem pelo menos a vantagem de serem de pessoa que viu o que narra. e a pennugem da cara mal co- . ricos e pobres traziam pedras preciosas como adornos. Os seus habitantes tinham grande paixão pelas jóias. inspirava-lhe bastante receio. Bisnaga era cercada de 7 fortes muralhas concêntricas. e possuindo 600 portos eguaes aos de Calecute. e por isso devemos deter-nos um moinfor- mento a considerar o que a esse respeito elle nos diz. Os habitantes eram escuros.XXXVI rista é bastante dúbia aqui.100:000 soldados. a polyandria tinha também adeptos. ser superficiaes e quiçá viciadas. Bisnaga. e n'isso nos quasi que confirma Abdarrazaque. e por consequência as suas mações devem penúria de dados em que estamos ellas são preciosas. porem o grande poder e do seu vizinho. O raja de Calecute era independente. A cidade era muito commercial e abundante de todo o necessário. embora talvez mal. Não havia rei mais poderoso na índia. Junto do palácio real havia 4 grandes mercados. e de Bengala ao Malabar. e deixa perceber o que elle não quis confessar. uma cidade muito grande e grande reino que se estendia bella. Abdarrazaque veiu como embaixador da Pérsia. Era de Ceilão a Calbergá. Homens e mulheres andavam nús da cintura para cima. A sua visita foi curta. O seu porto era muito frequentado de navios de todos os países. como altas montanhas. e a casa da moeda. mas na d'onde se dirigiu directamente a Bisnaga por Mudabidri Bedrúr.

Segundo o chronista muçulmano era governador d'essa província Narsinga. como se verá. a enxertia deu magníficos resultados. As suas luctas com Bisnaga não foram porem. . antes têem um caracter parcial. fundando uma ' cipio Celebradas pela lua cheia de setembro. mas. que marcava o prindo arino para elles. i. atravessou jante. d'ellas nos faz uma muito minuciosa des- cripção Domingos Paes a pp. não se contentando com ver a capital. Os impérios muçulmanos não são seculares. visitava também As suas informações são menos abundantes.XXXVII Gaba a magnificência das festas. que descreve. ainda mais a ramagem da vore. ar- menor bafo da desfortuna. mas segundo parece. Pela mesma época. e só em 1472 é que este se apresenta tentando rehavê-la. porque estava de volta a Veneza em 1444. e o poder também a grandeza da cidade de Bis- e riqueza do seu rei. perdendo ainda Bilgáo. mas era o ultimo bruxulear da candeia que se extingue. Nicoló di Conti. aquelle mesmo que ha-de subir ao throno de Bisnaga. em que todo o poder do país tivesse de intervir. precisa logo de enxertia. que confinam com o Quistna e o mar. um pouco antes provavelmente. Também assim succede com os muçulmanos do Decám. de «Maliauávami'». o país de costa a costa. Ger- mina depressa a semente. Assim em 1469 Gaja Gáum toma Goa a Bisnaga. Algum tempo depois Mohamedexá tentou novo corte no território do seu inimigo secular. um outro via- mas italiano este. O reinado de Mohamedexá foi ainda assignalado por victorias. 100-114 d'este volume. da mesma grandeza das anteriores. monarchia bahmanida chegava ao seu termo. invadindo a parte oriental dos seus domínios. não tarda que A a disparidade dos seus elementos se desconjuncte. Bisnaga. senão cahe ao é. e a florescência veiu promettedora. seguindo para Meliapor por Pen- naconda. mas debalde. Celebra naga.

Amir Beride acabou com esse simulacro de poder. O brilho do seu reinado é devido a alguns hovalor. nos dá o resultado da lucta. Destes . e dos Gutbuxá. O valimento de Gaja Gáum creou a intriga. Imadalmulque. fun- dando respectivamente as dynastias dos Idalxá. porque Ferista diz que lúcufe Adilcao. Para o fim do seu reinado parece ter havido novamente conflicto. formando em torno de si pequenos exércitos. isto é bastante obscuro. para capital. mas uma recompensa bem contal Bêbedo. nova dynastia. o governador do com a capital em Burhampor. Nas províncias os governadores ficaram indignados com tal acto. dos Nizamxá. Quanto ao filho de Mohamedexá. em 1627. o governador de Daulatabade. em onde transfere a sua Berar. succedendouma creança de 8 annos. e sobretudo a mens de grande traria á justiça. A campanha medexá até Conjiverão senhor de Bilgáo e Bijapor. debochado. que se havia revoltado. voltou ao seu reino. que já era Bider. nô-lo pinta Fe- Nas differentes províncias os governadores faziam de reis. rista. que funda a cidade de Ahmedenagar. em 1498. foi lúçufe Adilcão. em i5io. o governador de Golconda. os serviços prestados tiveram Gáum. dos Imadexá. Ihe Dentro de pouco Mohamedexá morreu. as circumstancias eram bem favoráveis para que os ambiciosos as não apro- veitassem. penetrando Moha[Canchipuram] a cidade santa do sul.XXXVIII foi feliz. em favor dos seus. e recusaram apparecer mais na corte. pri- O meiro que assim fez Bijapor. e com um pequeno território em torno da capital. e depois de saqueada esta. em J489. marchou contra Sivaraja. Mélique Ahmede. continuou a sua djmastia mas debaixo da tutella absoluta do seu ministro Gácime Beride. em 1490. Por fim. Mahmudexá. Gutbalmulque. e este é por fim mandado decapitar. nem elle A fraqueza do soberano ia emfim dar todos os seus Gaja fructos. e os principaes senhores do império constituiram-se independentes nos respectivos governos.

Por morte d'este succedeu-lhe em 1450 Mo- hamede. primeiro para Ardebíl e depois para Sabá. sultão da Turquia. sempre por intermédio do mercador. como chamam os nossos chronistas ao senhor de Goa. porque Golconda raras vezes se viu em conflicto com elle. É com elles que este para o futuro terá de haver-se. diz-se. e aqui ainda a importância é desigual. Embarcou para Goa. e d'aqui para a capital dos bahmanidas. Merece pois alguma attenção mais. Ahi viveu até aos 16 annos. e foi subindo em dignidade. por fim a amizade de Cajá Gáum e as boas commissões que com elle desempenhou deram-lhe o governo d'uma província cuja capital era Bijapor. de Murade. e também por ser a quem AíFonso d'Albuquerque tomou Goa. de Sabá]. Não o porem porque sua mãe o substituio por um foi escravo que se parecia com elle. Como acontece tão frequentemente nos estados muçulmanos. o necessário. entrando na guarda real como escravo turco. mandou foi degollar seu irmão mais moço lúcufe. elle será o digno successor do de Calbergá na guerra santa contra os infiéis.XXXIX cinco reinos em que se fraccionara o anterior são para o nosso propósito mais importantes o de Bijapor e o de Golconda como limitrophes do de Bisnaga. A esse tempo recebera já o titulo de Adilcão. o futuro conquistador de Constantinopla. Sirva-nos isso de desculpa para os desenvolvimentos em que vamos entrar. emquanto Bijapor o estará mais frequentemente. A sorte foi-lhe favorável. recebendo de sua mãe. e vamos ver em que condições se formou e se achou para tal successão. d'esta cidade para Dabúl. e foi um dos capitães que á morte do seu . é. e que em seu logar morto. lúçufe era turco e filho. e a este facto deveu o nome de Çabaio [i. Mohamede por razões d'estado de evitar competições no futuro. e a essa edade resolveu-se a partir para o oriente a tentar fortuna. lúcufe foi entregue a um mercador que o levou para a Pérsia. e por tanto tempo o nosso poderoso e perigoso vizinho [até 1680].

feliz nessas tentativas O bom em êxito d'este foi incentivo para os restantes governadores. se des- Voltemos outra. pondo de parte por se um momento era tal a essas ques- tiúnculas. todo o resto do império formava um corpo bastante grande para esmagar foi o novo reino. porem animosidade que antes de colherem os fructos da avirão. á morte de Mohame- dexá se proclamou independente em 1489. ao sul o Quistna desde a sua juncção com o Tungabadrá até Goa. Isto no periodo que nos occupa. porque posteriormente se engrandeceu muito á custa dos estados vizinhos. dentro de breve somma foi de energias vê-lo-hemos de que dispunham. O Doabe campo de batalha. os dias contados. victoria. A separação não se fez comtudo de mutuo continuava a ser o accordo. mas Adilcao de reabsorpção. e a antiga dynastia estava sendo substituída por mesmo porque parecerá que nos interessa mais o que se passa entre os muçulmanos do que o que em . porque a nas suas luctas fratricidas. mas no dia em que. em que ficaram delimitados Seria favorável para a causa dos muçulmanos esta di- visão e fraccionamento? De certo que não. 1498. e um dos maiores que se constituíram sobre as ruinas do anterior. O estado que elle conseguiu formar comprehendia uma boa parte do Decám.XL amigo protestou contra governo. tal acto retirando-se para o seu como já dissemos. sempre disputado e sempre mudando de senhor a qualquer revés do adversário. Também lá sopram ventos de revolta. antes foi uma causa de enfraquecimento. elle terá unirem e attacarem o inimigo commum. e a Bisnaga. as empregaram as mais das vezes Que assim com Crisnaraja de Bisnaga. ao sul de Bombaim. a leste por uma linha que ia de Calbergá a Raichor. Os seus limites ao norte eram uma linha que de Calbergá por Xolapor ia sobre Chaul. e que. vindo todos a um accordo acerca da partilha os novos reinos. e sendo o primeiro corte.

Segundo durante um . objecto do nosso pequeno estudo. e que seria um antigo governador da parte oriental do país para os lados do Quistna inferior. independentes ou vassallos. A razão é obvia e já a indicámos. e como. se viu. relativamente á obscuridade que ha na chronologia dos temo-la no período de que é vamos tratar. tuito só Nestas condições o nosso in- pôde ser satisfeito em parte. Parece que ahi por 1480 elle do reino. confusos a este respeito. e ficamos indecisos. e depois com o como o Idalcão dos nossos chronistas. e que continuar. com bastante pesar nosso teremos de Uma reis. não tiveram a mesma dita de achar quem os transmittisse ao futuro. e secundariamente os outros reinos muçulmanos. exclusivamente de jimitar-se aos acontecimentos passa- dos primeiro com os bahmanidas. Muitos dos seus dados são ainda provisórios. fizemos. que estava destinada a dar dias prós- peros a Bisnaga.XLI Bisnaga. e já que elles nos não dizem o que fizeram. a nossa narrativa tem quasi Adilxá. Os historiadores muçulmanos das dynastias do norte dizem-nos a parte que os seus tiveram nessas lutas e competições . que era esse Narsinga. nos Os historiadores muçulmanos apparentemente não podem servir de guia porque são extremamente elles. Mas quem elle quando subiu ao throno? nos será dizê-lo era já regente ao certo. temos datas intermédias. e como as do sul contra os elementos indigenas. prova bem frisante do que acabamos de dizer. e outras também não nos permitte marcar certa. e o mesmo com quem Mohamedexá teve as lutas que contámos. A chronologia real é quasi in- baseada na epigraphia. Difficil fundou e uma nova. A antiga dynastia de Harihara desthronada por Narsinga. e quasi só os limites extremos dos reinados. saibamos d'outros o que elles lhes fizeram ou contra elles praticaram. porque até ella por vezes se contradiz. com E isso que. e a epigraphia de Bisnaga está longe da sua perfeição.

a soberania real passa de facto para o primeiro ministro Himraja. em que este pretendia tomar Raichor. ainda que nominalmente o esteja num moço rei. senhoreando definitivamente o poder Himraja. elle são mais bem conhe- porém não ao certo as suas relações de paren- Em Ferista continua a mesma confusão. e succedeu-lhe seu filho Ramaraja. tesco. mas com isto não concordam os auctores. e. além de dar um quadro differente do nosso. desde 1489. A guerra que elle teve de sustentar em 1492 com o Idalcao. foi-lhe desastrosa. anno em que por consequência faz começar o de Narsinga. Quando morreu Himraja succedeu-lhe nas mesmas funcções de regente seu filho Ramaraja. em que tanto um como outro senhorearam o poder. que em i564 foi vencido e morto em Talicota. Burnell.XLII largo período de tempo. Os successores d'este Narsinga cidos. ferido na luta. e desencontradas opiniões. mas o Kanara íBombaf Ga\etteer. Parece. e sensivelmente differentes. também meses. o melhor será esperar novas informações para então se affirmar com maior segurança. e uma inscripção estudada por Sewell dá um segundo Narsinga. reinando em i5o9. que d'este anno deve datar o começo da nova dynastia. mais velho. mas morrendo dentro de pouco foi substituído por seu irmão mais novo que O successor legitimo tinha apenas três Himraja ficou regente durante 40 annos. O mesmo historiador dá duas vezes a historia das cir- cumstancias já a demos. xv) diz ter succedido a seu pae em 1487. vol. o moço rei morreu. A primeira versão A lhe succedeu seu filho segunda diz que por morte de Seoroi. e . auctor do filho do primeiro. Segundo Himraja morreu em i53o. Diante duma tal confla- gração de dados. pois. falleceo. faz vir o reinado de Virupacxá até 1490. graças ao envenenamento do seu pupillo quando chegou á sua maioridade. Caldv^^ell dá a data de 1487. Quis este tomar o supremo poder. e ao ter collocado no throno um outro membro da familia de menor edade.

Este parece ter sido violento. E este mesmo Ramaraja que morrerá no deu-lhe por curador seu menor da campo de batalha de Talicota. e Hoje Roi em situação desesperada houve por bem suicidar-se. dizem-no-lo as innumeras inscripções do seu reinado. e não ha duvida alguma acerca da sua existência. mas ha inexactidões nesta narque os dados que possuímos nos permittem desde O chronista muçulmano não cita um soberano. homem de mingoado espirito. Ramaraja recomeçou a luta. Gaspar Gorrêa. receoso da sua pessoa e do seu throno. Então tante Ramaraja levou ao throno família real tio um represen- mas da linha feminina. e do qual pouco tinha a recear. em seguida ao que Ramaraja ficou senhor incontestado do poder. e Hoje Termul Roi. porque seu tio o estrangulou. porem não por muito tempo. Então Hoje Termul Roi. etc. que não viam sem inveja nas suas mãos o poder real.XLIIl que tão arrastado andava. Grisnaraja. Foi feliz o movimento. chamou em seu soccorro elrei de Bijapor. e não tardou pois que os descontentes chamassem Ramaraja. Couto. pondo-se no seu logar. Assim se passaram 5 ou 6 annos. rativa já desfazer. mas apenas as tropas de Bijapor se retiraram. Esta intervenção estranha manteve no throno Hoje Roi. . Neste tempo Ramaraja partiu para uma expedição ao Malabar. Um escravo que se apresentou como alma d'esse movimento e pretendendo libertar o moço rei. que governava a parte que lhe permanecera fiel. assim como os viajantes europeus nestas partes durante o seu tempo. e conseguiram alliciar o espirito fraco de Hoje Termul Roi. e o régio pupillo readquiriu eífectivamente o poder. mas não lho consentiu a nobreza. e os nossos chronistas da índia. Barros. que então era Ibrahim Adilxá (i535). que é de toda a historia d'este país o nome mais importante. Até que ponto esta trapalhada de Ferista representa a verdade não o sabemos. aproveitaram-se de tal ausência os seus inimigos. apressou-se a tomar o logar de ministro.

e chatador de Bisnaga. elles porque longamente nos narram nellas as suas fa- çanhas. Já não tanto assim com Crisnaraja. não parece raja. mas é difficil seguir pelas inscripções a historia d'ellas. mas próprio dos impérios orientaes. que elles fazem reinar até i53o. elle reenviamos as O seu periodo é dos mais bem conhecidos e em desacordo completo com esses dados. Coisa notável comtudo mam o ao soberano d'então Himraja. IV capitulo da historia de Bisque o contraste é maior. mas isso dura apenas Entramos agora no ultimo naga. não ha que duvidar da sua existência nem de que fosse um grande guerreiro.XI. é menos verdadeiro. I\' Dizer pois que o país de Narsinga (Himraja?) a Ramaraja apenas teve no throno creanças ou imbecis. porque sabemos alguma cousa mais e podemos acompanhar menos mal essas vicissitudes. Bisnaga subirá n'este periodo ao seu maior auge de prosperidade. nem claramente das suas victorias sobre os seus. Abramos nos-ha a convicção d'isso décadas de João de Barros ou de Diogo do Couto e virmesmo. Alem da guerra de 1492 com Bijapor havido outras até ao reinado de CrisnaNarsinga parece ter feito bastantes conquistas no ter sul não de todo submettido ainda ou revoltando-se em occasião propicia. Foi justamente no periodo que vae de i5o9 a i53o que o poder militar de Bisnaga foi maior e mais se fez sentir sobre os estados muçulmanos vizi- nhos. Já atrás nos referimos a este facto e a leitor. e foi o maior conquis- nem Ferista nem qualquer outro chronista muçulmano nos falia d'elle. isto é talvez o Nar- singa seu antecessor. Crisnaraja foi coroado em 1609. e aquelle em a vida de um homem. e logo caminha para uma deca- dência que a breve trecho é a ruina de um dos maiores impérios da Ásia. como veremos. e nos dizem que beberam as suas informações .

ao sul do Quistna. porque tinha a nordeste os do reino de Golconda. assim Vartliema. como a de Condavido em qualquer outro soberano de Bisnaga. Em i52o Ismaelxá tenta rehavé-las mas em vão.XI. penetrando depois além do dito rio no reino de Orissa. em i5i5 acabou com o pequeno prin- cipado de Condavido. E os próprios naturaes nô-lo testemunham nalgumas e a dos Quéque se faz menção das suas conquistas nos respectivos países. e por fim ha abundantíssimos elementos epigraphicos. e desta vez vindo rei de Bijapor em auxilio do de Bisnaga. etc. D'ahi a pouco renovou-se a guerra. teira Deste lado a fron- de Bisnaga estendeu-se bastante até ás margens do e Godavarí cortando a saída do mar ao nascente reino muçulmano de Golconda. Submetteu com- pletamente uma parte do Maissor actual tomando as ci- dades de Xivasimudra e Seringapatão. tas Mas não são só os nossos chronis- contemporâneos que no-lo dizem. Também com elles Segundo Ferista as tropas de Bisnaga foram vencidas em Pangal. Estas são em breve resumo as conquistas que consta ter feito. Não foram pois felizes as emprezas dos muçulmanos de Bijapor. e cidades importantes e tão disputadas do Doabe. Em — — o seu exercito foi totalmente destruído e elle próprio es- capou com dificuldade. muito mais numerosos do que para ralas.V nas fontes originaes. são também os viajantes do seu tempo que ou visitaram a sua côrte ou tocaram nos seus vastos dominios. e tomando o exercito de Golconda as cidades de Covilconda e Gampura. mas os chronistas muçulmanos vão dar-nos um supplemento de informação. mas Golconda o teve a haver-se. magras chronicas. e que lhe devem dizer respeito já vimos que o não nomeiam pelas datas em que se passaram taes factos. e tomando a filha do rei d'este país por mulher. . primeiro logar referem a conquista de Raichor Modogúl. posteriormente em no i5i3 conquistou a cidade de Udaigri e seu termo actual Nellor. mas não são estes só os seus limitrophes de egual crença.

antes muito fre- quente entre os muçulmanos da índia. senão logo depois de conellas. recorriam ao mesmo expediente. cidade do Doabe. Como tantas vezes sucfoi uma cede esqueceram-se ódios e brios. não era isso privativo de Bisnaga. o mais poderoso e viril estado muçulmano do Decám. diz-nos Ferista. mandou seu irmão os desejos d'aquelle. Comtudo esta colligação que tão ameaçadora vinha não . E se os de Bisnaga faziam intervir os muçulmanos nas suas questões internas. é também certo que os contrários. são Os acontecimentos que depois se deram em Bisnaga em Ferista narrados muito confusamente. Isto comtudo parece estar em desacordo com os progressos feitos por Cris- naraja para os lados de Orissa e a extensão das suas fronteiras até ao Godavarí. O fraccionamento do império bahamanida em tantas soberanias differentes trouxe stituídas. em momentos de apuros ou de desabrimento. já em poder de Bijapor. como já anteriormente dissemos. se- em soccorro d'aquella fortaleza. Numa d'essas occasiões Ibrahimxá de Bijapor tentou tomar Adoni.XLVI parece ainda ter levado a melhor. em breve. e recorreu-se á intervenção d'elrei de Bijapor. A luta de competições que se trava então junto do throno entre o verdadeiro soberano e Ramaraja Bisnaga. Como de costume este começou por sitiar Raichor. porem Ramaraja já então nhor do throno. como de resto nas outras partes onde se estabeleceram. uma incessante discórdia entre enfraque- cendo-as perante os inimigos que as cercavam. man- dando cercá-la Açadacão. uma formidável colligação dos outros estados successores dos bahmanidas. e época de grande perturbação para por isso de fraqueza. em que também Ramaraja de Bisnaga entrou. conseguindo este frustrar Mas se de tempos a tempos as lutas internas se ateia- vam. A narrativa de Ferista é bastante incoherente e nenhuns outros dados vieram até hoje confirmá-la. E assim que depois de 1642 se formou contra Bijapor.

um pouco vermos a quem succedeu este Ramaraja e quem elle era. e os outros dados que possuímos não coincidem com os seus. attestam-nos a vitalidade do seu país. Rama depois da morte d'este. Com re- Ramaraja os tempos de Crisnaraja parecem pois ter re- As victorias alcançadas. Em i55o e i55i novo conflicto. quer dos inimigos muçulmanos. ou porque as livres. O successor de Achiutaraja foi Sadáxiva ao qual succedeu em 1542. contra Bijapor alliados. porque as inscripçÔes dizem umas que era filho outras que irmão. Reinou desde 1642 a i568. e que este reinou desde i53o a 1542. e ignorando-se o seu parentesco com o anterior pela mesma discordância da epigraphia. Nós temos seguido nestas guerras com os estados muçulmanos a narrativa de Ferista. mas parecendo merecer mais credito estas ultimas. Não se pôde duvidar de que a Crisnaraja succedeu Achiutaraja. mas em que os contendores estão distribuídos differentemente. ambos seus mi- . ou porque receassem o tamanho desenvolvimento de Bisnaga. o qual eífectivamente exercito que venceu o general rebelde. Nesta conjunctura difficil diz-nos Ferista que cha- mou Ramaraja em mandou um nascido. porque depois Ibrahimxá de Bijapor desbaratado e acossado por um seu capitão é forçado a refugiar-se na capital. tréguas nas suas próprias questões os deixasse alliaram-se para destruírem este seu inimigo commum. mas sempre debaixo da tutella de e. e os seus sendo nestes dois annos as vantagens da parte de Nizamxá e de Bisnaga. e comtudo não estava longe a sua ruina. Os estados vizinhos. Qual Mas antes que isto narremos voltemos atrás para fosse o seu parentesco com o seu antecessor é que se não tem podido determinar ao certo. alliado de Nizamxá.XLVÍI deu resultado. de Tirumala. Agora é Ramaraja. seu soccorro. vindo Bisnaga a fazer a paz depois de algumas concessões da parte de Bijapor. quer dos naturaes beldes. Ramaraja depois das primeiras victorias parece ter abandonado o seu alliado.

mas que se lhe substituíram completamente na soberania regia. e para provar-lhe o seu apreço veiu a Bisnaga com um pequeno séquito de cem cavalleiros. Ramaraja e Cutbxá juntaram-se a Adilxá. a qual tanto esplendor deu a Bisnaga. e á saída d'elrei de Bisnaga não o acompa- nhou. ensoberbecido pelos seus amiudados triumphos.de alto. e considerou-o como uma espécie de vassallagem. ser seu inimigo. ainda que servindo-os em determinadas circumstancias. Com Sadáxiva de termina pois a poderosa dynastia fundada por Narsinga. e que no peito do muçulmano de vingança também. Um tal poder de dar. tomou sição dos ânimos e o facto. Ramaraja exigiu dos dois alliados fortes com- . fortalecendo-se ainda com o seu casa- mento com duas filhas de Crisnaraja. Ramaraja. infiéis. Elrei de Bijapor tivera Ramaraja por amigo por muito tempo. Mas a po- tinha exigências e no meio das lutas que Adilxá re- tinha a sustentar via-se forçado. Em i558 a guerra este bentou entre Adilxá e restituir Nizamxá porque não quis Xolapor como fora estatuído na paz anterior. não podia deixar de bastante os intimi- porque o que hoje era alliado podia amanhã. a valer-se da alliança de Bisnaga.XLVIII nistros. a exprimir-lhe pessoalmente os seus sentimentos de condolência. Outros factos vieram ainda a favor d' esta predispodeterminaram a ruptura. Ficou o rancor e o desejo personagem. como prova de confiança. Vimos como elles por differentes vezes recorreram a elle para sahirem de apuros quer internos quer externos. O exercito de Rama commetteu taes excessos que aos menos orthodoxos dos muçulmanos revoltou-se a consciência contra taes infiéis. A interinidade Rama não foi menos brilhante e os dois estados muçul- manos limitrophes disputavam-se a sua alliança. Morreu a este um filho. como a etiqueta exigia para tal com litica taes intenções vinha. para não succumbir. e assim o parece ter manifestado pela sua arrogância. e ainda para mais acirrar os ânimos e mais desgostar. por qualquer reviravolta da fortuna.

pelos tigres e outras feras. seguida do país. e que se passaram ao inimigo. a sua desmoralização pelo grande revés soffrido. e vastos os domínios mas as fracas qualida- des guerreiras das suas populações. no campo de batalha de completamente destruido. Tirumala. . Também segundo o mesmo viajanje. os seus palácios e templos foram postos a saco. para Pennaconda. e só habitado. diz elle. Desde esse encheu-se. os três irmãos tinham usurpado o poder havia 3o annos. porque abertas as fronteiras ao movimento dos muçulmanos. que visitou a cidade de Ramaraja só fora vencido por causa da traição de dois capitães mouros que andavam ao seu serviço. mas os até alliados retiraram-se em elle. Tirumala (a quem chama alli Timaraja). deitaram tudo a perder. A cidade destruída. I Segundo Federici. e as casas.XLIX pensações territoriaes. onde mais livre estivesse Comtudo eram ainda grandes de Tirumala e seus successores. Era apenas o principio do movimento de recuo. sul. Storia dei viaggiatori italiani nelle Indie orientali (p. viajante italiano. ainda tentou reunir os restos dispersos do que ha pouco ainda era grande reino. P- 289-90). e Ramaraja morto. as populações foram cedendo áquella pressão disciplinada do norte. ficaram os seus monumentos e edifícios de pé. o fez abandoná-la. segundo continuou com a sua capital que novo attaque foi á cidade em 1567. Cf. Formou-se momento a medida uma se liga entre todos os estados muçulmanos para emfim acabar com aquelle incomTali- modo vizinho. e re- solveu-se então a transportar a sua capital mais para o do inimigo. em A um não cidade depois da batalha foi posta a saque em i565. A. Depois d'isto os alliados penetraram na cidade de Bisnaga. Tudo foi debalde'. 128-9. repovoar Bisnaga cota. e acima de tudo as ambições dos capitães que longe da acção central queriam fortalecer as suas posições de não dependência. o exercito de Bisnaga foi e restabelecer a antiga capital. Bisnaga i566. Gubernatis. em 1567. irmão e successor de Rama. Em i565.

pela linha feminina. São muitos os destroços numa área de 24 kilometros quadrados. sobre ellas erguem-se apenas duas miseráveis aldeias. . e o governo de Ranga. porque seu irmão e successor Vencatapati transferiu a sua capital ainda mais para o para Chandregrí. o seu chefe reis é o único representante dos antigos de Bisnaga. A cidade de Bisnaga nunca mais se levantou das suas ruínas. O país fraccíona-se em pequenas soberanias. franceses e ingleses. e as perturbações que se seguiram á sua morte desconjun- taram por completo o que ainda restava do antigo reino de Bisnaga. hollandeses. mas passa depressa porque aquillo só é um cemitério. uma pequena Anagundí. mas foram i577 os muçulmanos vieram contra a nova capirepellidos. Do outro lado do Quístna deia. os últimos lampejos. Vencatapati morreu em 1614 sem descendência. Mas eram sul. até que no fim do século passado estes dominam todo o país. espalhados aqui e acolá. A vida moderna passa o caminho de ferro que de Béllari vae a Dáruar. mais tarde Mogoes e Maratas devastam o país. filho de Tirumala teve c successor um certo desafogo e domí- nio bastante directo sobre a parte meridional da península. chama-se Narsinga e nasceu em 1870.Em tal. e que através de todas as calamidades políticas da península soube conservar aquelle seu O actual bem mesquinho património. e alguns edificios públicos que têem resistido á acção do tempo. Camalapor e Humpi. afora os restos de bastantes templos. alli. ergue-se e deixam al- uma impressão de tristeza. mas informes. as nações europêas disputam-se as suas costas.

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elles são os verdadeiros pre- cursores dos orientalistas modernos. ha uma sofreguidão de saber nelles que é tanto mais admirável quantos os elementos de que se podia lançar mão eram poucos. porque outros eíFectivamente neste século . compulsando os documentos escriptos dos povos até onde chegou a acção portuguesa desde a costa da Africa oriental até á China: Barros e Couto. ou que só elles saibam interrogar e interpretar os livros orientaes. o quadro da sua acção alarga- immensamente e os nossos chronistas indianos souberam abrangê-lo.1J[ V o século XVI é em Portugal o de maior actividade esforço cominuo e persis- politica e litteraria. Após um tente ao longo da costa occidental da Africa. e assim se faz a luz do que procura nas cousas as suas causas. investigadores e concatenadores. elles dizem-nos em que no circumstancias está o quem o domina. outras recorrem a interpretes. A vida nacional recebeu um forte abalo. Seguem um bom processo. usos. Não é que elles sejam os únicos que manejam bem a sciencia histórica. e elles luz. Muitas vezes bebem nas fontes origi- naes. ra-se A sciencia histórica apresenta-nos então magníficos exemplares. e como que ao bafejo da aurora a litteratura floresceu exu- berantemente. De dois sobretudo podemos nós afoutamente asseverar que foram orientalistas d'elles podemos dizer que se . procuram por todos os meios lançar buscam informações' entre esses povos. tinham os portugueses passado o cabo Tormentório e aportado a Calecute. antecedentes hisespirito tóricos. e se elles possuem livros que d'isso tratem. não contentaram simplesmente com o que ouviram contar. a propósito de cada acontecimento com os índios ou outros país. mas que procuraram beber directamente na fonte. costumes. O que fazem elles ao historiarem as nossas lutas com aquellas gentes? E um mundo descoahi nhecido*.

de Geographia de Lisboa. conviveo longamente com os príncipes in- muçulmanos e gentios. Garcia da Orta. viii. mas não deixa de ser para notar e louvar quando se trata d'um mundo que estava por revelar. em Portugal no século xvi (Boletim da Sociedade t. iv I O orientalismo também a este respeito o estudo do sr. mas este é talvez mais analysador e profundo. e tem sem duvida a vantagem de ter vivido no foco dos acontecimentos e do país que e mas Barros descreve. além de um naturalista distinctissimo. Couto. abramos as suas Décadas Para a e ahi encontraremos quanto baste para isso. Sousa Viterbo. Barros é mais estylista. i8g3). temente para o aclaramento da historia povos.LIII lhes levam a palma ou podem competir com elles. .» [i. mais artista e mais jactancioso do que Couto. desde a introducção do islamismo. mas com isso se apraz á ver- dade e severidade da historia. Esse é também o dever do seu processo. 12. Aquelles dão-nos preciosas informações do estado presente desses Couto procuram o que no passado pôde explicar o presente valendo-se dos dados 'oraes ou escriptos que podem haver dos naturaes. Não é difficil provar a aífirmação de que estes dois chronistas são verdadeiros orientalistas. Damião de Góes sobreleva-os sem duvida no senso critico e philosophico. c. da costa oriental da Africa. é mais chão. liv. p. porque o brilho da phrase desvirtua por vezes os factos. são elles próprios que nô-lo dizem'. e mas são menos amplos os seus horizontes. raramente ha nelles o conhecimento retrospectivo e e documental que caracterisa Barros países. Sij-SSo. politica d'esses Os nossos viajantes dos séculos xvi e xvii são notáveis pelas informações que colheram dos países que atrevessaram. conseguiu haver uma chronica árabe: «Segundo apprehendemos historia antiga das cidades por huma Veja-se chronica dos Reys de Quiloa. Comtudo Barros e Couto merecem uma menção especial porque contríbuiram fordianos.

» mais adiante diz: «As chronicas dos Persas. liv. e tomamos algumas cousas dos Reys historia. jv. . dos quaes nós temos cinco Livros.LIV e vi]. que o conquistador faz rey do reyno Deli). e nos forão intrepretadas. mas [iv. c. c. mesmo Re3'no do Guzerate» v.] Acerca do Decám diz: «A entrada dos Mouros per armas na índia. . IV. e recentemente pu- Londres por A. tirado da Geographia dos próprios Arábios. e as chronicas dos reys gentios de Bisnaga levão outro caminho porem todas convém nisto. principalmente na concordância dos tempos: porque os Mouros do reyno Guzerate a escrevem per hum modo. C. E nesta relação que aqui fizemos. e o modo do seu viver. . seguiremos o que ora tem os Mouros que senhorearão o Reyno Decam de que falamos: porque se conformão muito no tempo com a chronica geral dos Persas que he o Tarigh de que no principio fizemos menção. nesta nossa narração seguiremos a mais ptores do commum opinião dos escri1. porque todas estas chronicas ouuemos. blicado o texto árabe que possuímos dos árabes acerca foi traduzida do portufoi guês por Guillain para francês'. em os Livros da nossa Geographia se verá. i. Descrevendo as costas do golfo pérsico diz: «O que a terra tem em si. dous em a lingua Arábia. p. Perseos. Mogoes são também tiradas dos Persas. [ih. É a única cousa da fundação d'aquellas cidades. entre os gentios e elles ha grande variedade.] em Acerca da entrada dos mouros no Guzerate segundo os escriptores do reino do Guzerate: «Elles mesmos nas suas historias se confutam. de que nós delia para esta nossa As noticias geographicas e de costumes que dá dos 1. os do reyno Decam per outro. Strong-. ijS-iSS. e três na Parsea». iSgS). i]. . vi. i. 2 The history of Kilwa (Asiatic Journal. que : > Documents sur VAfrique Orientale. VI.

que pêra isso hou.» [i. é.» [ii. recitando o que temos sabido da invenção delle per doutrina de hum livro escrito em Parseo chamado Tarigh. o Idalcão. iii. e que por consequência taes affirmaçÕes são ou parecem verdadeiras.] Mais adiante diz do mesmo: «E eu dou-lhe alguma fé. iv. c.] A propósito da invenção do xadrez diz: «Faremos huma pequena digressão. I. em as Taboas de Cosmode lá tra- da nossa Geographia. c.» LV com outros volumes da historia e cosmographia Pérsia d'aquellas partes. i. c. Escrevem da esquerda para a de que se falia nos commentarios da maior parte das cousas da sua religião. porque hum escravo Chij que comprei pêra interpretação destas cousas. IV. ouuemos v. e de todo o interior desta grande Província da China. ii. tiradas de graphia dos Chijs impresso per hum livro elles. a multiplicação dos homens e chronicas dos Reys antigos.» [ii. tudo he um modo de fabulas. sabia também ler e escrever nossa linguagem. té hum certo tempo que os Arábios com sua secta de Mafamede a subjugaram. e quasi metamorfodireita. e geographia.] A respeito da China diz também: «Da qual costa não sabida dos navegantes damos demonstração. Acerca do Sabaio. mas ha nas suas Décadas duas outras passagens em que Chij. 1. . c. A seas de transmutações. servem-se d um estylo de ferro ou de páo rijo. com toda a situação foi da terra em modo de Itinerário. e interpretado per hum vemos. iv. senhor de Goa. diz: «Segundo a geral opinião d'aquelles que sabiam os prin- . que nos forão » [i. que nos zido. encontramos as provas desse saber. que trasladamos desta lingua. 1. critura E segundo o que desta sua estemos alcançado por alguns livros. 1. interpretados todos xix. e creação do Mundo. 1. a antiguidade da povoação delle. o qual he hum summario de todolos Reys que foram na Pérsia.] Acerca do modo de escritura dos índios diz: «Escrevem em folhas a que chamam oUa. Até aqui temos dado apenas affirmaçÕes de Barros.

. nome an- chamam Serandib. do cabo Comorij pêra diante. e Parseos. Podemos fazê-lo nós hoje? Em bastantes casos não. e não Soay. como cousa em que deviam ter tanto em seu navegar. Sabai) . é um simples um homem que não se contentou só com o que ouviu dizer mas que foi muito alem da tradição oral.] . c. de Fars pola Pérsia Farsij e Arménia Armenij. nome he segundo a gente popular. que querem imitar quaes são Cim. nome próprio da deram-lhe este dos seus baixos: E porque esta syllaba Chi) não corre muito na boca dos Arábios e Parseos. elle era natural da Pérsia de huma cidade per e hum modo. ii. traziam muito na boca estes Ilha. Comtudo disse o suf- . e Xim. ou Sabayo 1. c. os quaes e de Armen por modo formam todolos . [ii. e he lhe mais corrente na sua lingua estoutra Ci. nós lhe chamamos Ceilão. por baixos de Chilão e por não saberem o terem duas letras a elle na prolação.. Podem as suas informações não serem perfeitamente exactas. e comtudo temos muitos mais dados. de chamar a este por este outros. i. que depois dos Chijs per commercio entrarão na navegação d'aquellas partes. per nome Sabá. ou Savá. e segundo esta verdadeira formação.« ii. quando formam os nomes patronímicos. v. havemos homem Sabai j. as no seu alphabeto. Acerca da et3aTiologia de Ceilão diz também: «E. porque per outro a nomeam os Parseos. como nós formamos». l. porque não teve diante de si todos os elementos da questão para a discutir. que os letrados Arábios. e Parseos tigo lhe em suas Geographias per [iii. mudando a ella Ceilão ou (por fallar mais e Ch em Este Ci. dizem de Sabá. talvez porque a este se lhe proporcionassem mais por ser o fundador da obra. Couto é menos abundante doestas referencias do que Barros. confrontar e tirar uma resultante critica. é um entendido na matéria. quando os Arábios. chamaram elles) conforme a Cilan.] Quem entra nestas particularisações não é curioso. LVl cipios da fortuna deste Sabayo.

vassallo do Rey do Decám. muitos annos. 1. que este anno fes o Idalxá ao Estado sobre as terras firmes de Salsete. Assim tratando de como os mouros conquistaram o Decám que tratemos das guerras. e Bardes nos pareceo bem darmos razão de todos estes Re3'S Mouros de Visapor. e Ferista devia estar bem informado por ter vivido e feito a sua obra sob os auspícios do soberano de Bijapor. de que o não souberam informar. não o parece ter sido com igual força. Parseo.LVII ficiente para confirmar a nossa opinião acima dita. com a dos de Canará ou Bisnaga. Castaa variante que atrás na nossa narração. em cujo poder achamos as Chronicas daquelles Reynos . A lista dos soberanos do Decám dada por Couto está muito longe do que aquelles auctores nos dizem delles. a que commumente chamamos Sabavo.' Dá em seguida a Hsta dos reis mouros do Decám e fallando de Cuso Adelcan diz: «João de Barros confundio o nome do Gentio Savay com o de Cuso Adelcan.. A verdade é que Barros é que parece ter razão com porque pelo menos as suas informações se approximam mais do que diz Ferista e outros chronistas muçulmanos. dizendo que seu pai não era senão turco. e soubemos pela communicação de. A lista dada por Barros dos soberanos do Guzerate também está até certo ponto inclusa nesta mesma variante. Disto se riram seus filhos bem. quando lhe liamos isto. tanto quanto nós podemos affirmá-lo. e do tempo em que se conquistou este Decám. damos . natural da cidade Savá. c. posto que João de Barros o tenha diz: «Primeiro Mas ficaram-lhe muitas cousas.» já feito. nem se chamava senão Cuso. que tivemos nesta cidade de Goa com os Embaixadores destes Reys. Barros deste reino apenas fez algumas considerações geraes como se fez em Gaspar Corrêa. IV. Se Couto parece ter sido assaz infeliz com a do Decám. que nós alcançamos. dizendo no terceiro livro da década segunda que quando entramos na índia era Senhor de Goa um mouro chamado Savay.. X.» [iv.

Deixou dois filhos meninos. seu filho 3. senão o leite que um pobre pastor lhe vinha trazer. doestas. estados. Abdicou em seu filho 2. um 12 annos e o . Harcará Rayo. Reinou 20 annos. também segundo Couto. thesouros.» No sitio onde depois foi a cidade de Bisnaga vivia um brâmane de vida santa e religiosa. Reinou 40 annos. e os naturaes lhe lista A dos seus reis é a chamam reino seguinte. a qual por isso se chamou Visa a Nager. morrendo numa 5. Sabendo-o o rei de Deli foi contra mas des- baratou-o Boca. Um dia o brâmane para o recompensar disse-lhe: «Tu serás rey e Imperador de todo este Indostão. e Boca Ráo. Passava longas horas em adoração sem comer nem beber. alimentando-se de fructos silvestres. e intitulou-se Boca Ráo.*. e eu o pedirei a Deos.LVIII nheda. Deva Rayo. segundo suas escri- turas. porém Couto dá-nos a sua historia desde a sua fundação. que quer dizer cidade de victoria. Damião de Góes. que de corrupção em corrupção se veio a chamar Canará. de grandes os reinos do Balagate. Reinou 25 annos. e Diz deve ter tido elementos originaes á vista para nô-la fazer. assenhoreou-se de todos aquelles reinos e elle. Reinou 10 annos. Diva Ráo. Succedeu-lhe 1. 6 e 7. Reinou 20 annos. etc. O seu próprio nome é Charná Thacá. e no logar fundou uma cidade em mej moria de tal victoria. Valoroso. e que nós cor- rompemos em de Canará. Conquistou todos Visia Ráo.» E assim foi. e que nós resumiremos. a que Couto não soube os nomes. teve grandes guerras com Deli. Succedeu-lhe seu filho 4. Bisnaga. elle: «Este reino de Canará. que quer dizer Imperador. Vingou seu pae e conquistou os reinos de Deli. Reinaram ambos. Duarte Barbosa. Homem valoroso conquistador de muita parte do Decám. teve principio quasi nos e vinte annos de mil duzentos de nossa Redempção.

chamado Narsinga. porque lhes não souberam razão deste nome. Succedeu-lhe seu filho 12. homem muito valoroso. conquistando-os todos e deixando um sobrinho por governador. e o seu rei (^«que era entrou pelos reinos do Decám perto dos annos de mil trezentos e doze. e foi muito nomeado no mundo. com todos os reinos que possuíam os seus primeiros fundadores. Crisna Ráo. de era o mais rico do Oriente. de todos os cerca de 1894 de Christo. Viveo muitos annos. por mais humilde. Crisna Ráo. tornou a conquistar Deli. Teve grandes guerras com Idalxá. não quis tomar o titulo de Ráo ou Rayo mas tomou o de Naique. e as escrituras Canarás Togalaca. No seu tempo já era de mouros. O rei do Canará ficou reco- lhido na cidade de Visa3'a Nager. como já na quinta década temos dito») os reinos de Deli. Succedeu-lhe 11. Rama todo o Decám . e assim se ficou chamando Narsinga Naique. e assim o e nomeam João Damião de Góes. onde reinava Saltão Hamed. que é como dizer capitão ou duque. Narsinga Naique reinou 20 annos. e naraja. Foi o mais valoroso reis do Canará. Fallecidos estes dois irmãos sem herdeiro. Reinou 3o annos. Em tempo do primeiro dos dois rebellaram-se Xano Saradim como João de Barros lhe chama. que lhe tomou Rachol e Mundaguer. filho de Togalaca. Succedeu-lhe 9. succedeu-lhes um tio irmão de seu pae. Succedeu-lhe com elle teve batalha Cris- Ráo. Aos 28 annos do seu reinado levantou-se o grande Tamerlang. Reinou 62 annos. como este reino 8. Succedeu-lhe seu filho 10. e os estrangeiros italianos que antes dos portugueses vieram á índia por terra. e o rei Narsinga grande favo- recedor de estrangeiros. Reinou 25 annos. diziam cá na Europa que vi- nham do de Barros dizer a reino de Narsinga.LIX outro i6. fez sempre muitas guerras aos mouros. Marsanay Ráo. Este Narsinga.

metteo-se e o como era muito poderoso e grande e na corte lançou metteo em uma estatua. nem a ordem nem os nomes dos reis são os mesmos. Achita Ráo. e realmente sommando os reinados da- dos (com excepção do 11. Os de i3 16. succedendo-lhe 14. nem no anno em que este reino principiou. todas as despezas. Atrimal Rayo. Reinou i6 annos. Uche Tima Ráo. Continuou a guerra com seu Idalxá. e capitão geral de seu Reino. que era neto de grandes levantaram foi um Crisnaráo. e se a nossa chronica dá 17. aonde o teve emquanto viveo. Couto diz ter sido o anno de se vê esta lista a Como nem com da epigraphia 1220 de J. Na duração dos reinados também não estão concordes. Trimal Ráo. convém a saber. Reinou i5 annos. C. gastos. a quem deu tudo que pertencia á justiça. menino de pouco mais annos. chamado Cidoça Ráo. acudio á cidade de Bisnaga Rama Ra3'o. A epigraphia dá 14 reis até Sadáxiva. Succedeu-lhe um sobrinho de Crisnaráo i5. Tinha este Rama Ra^^o outros dois irmãos. 16 e 17) obtemos um total de . a Vingata Ra3'o tudo da Fazenda. «Tanto que este moço jurado por rei. e capitão. gias. morrendo sem her- deiro. e portas de ferro. Reinou 20 annos. como uma com o nome só de Rei. que estava governando aquella parte dos Bada- guas e Taligas.LX i3. tio Morreu seu herdeiro directo. que era casado com uma filha de Elrei Crisna Ráo. torre fortissima. mão do Rei moço com grandes vimas com ter. ficando elle só com o cargo de capitão geral e gover- nador de todo o reino». e apparato que pudera se fora e estivesse livre. Era um doudo (Uche em lingua canará quer dizer doudo) e tantos desa- tinos fez que foi morto. entre quem repartio o governo do Reino. como Couto. dada por Couto não concorda nem com a da chronica que publicamos.

LXI 334 que. Ora as três décadas publicadas em vida de Barros foram-no respectivamente em i552. e admituma duração mínima. como dissemos a que a tradição o dá da chronica de também como Isto fundador. e vem a ser que essa chronica foi mandada compilar para João de Barros e que ella foi a fonte das informações históricas que dá acerca de Bis- naga. titulo nem nome de auctor. i553 e i563. 60. que sabemos ter reinado desde i53o a 1642." 55 (aliás 65 j. Mas podemos recuar até 1220 a fundação do reino de Bisnaga? Evidentemente não. buscar homês que forão a Bis- • Morei Fatio. que damos adiante. accrescentados aos 1220. como vimos já. e que o 17 estava reinando havia pouco. sendo neste que tal informação é mais evidente. chegaremos ás proximidades de i56o. n. o que não deve estar longe da verdade. e por outro lado a chronica termina no principio do reinado de Achetaráo. 80. xxvii. advirta-se p. fallar conduz-nos naturalmente a Bisnaga. Catalogo dos manuscriptos portugueses da Bi- bliotheca Nacional de Paris. foi como a epigraphia no-lo Boca Ráo. diz Couto. . Cremos pois que a pessoa a que se refere o escrevente a p. talogo dá-o como do da obra. As considerações que temos feito eram mesmo necessárias para a affirmação que vamos fazer. não traz indicação só o explicita a tal respeito. dão i554. e p. não julgamos por isso estar longe da verdade affirmando que ella deve ter sido composta em i535. e por consequência chronologicamente a nossa affirmação é muito plausível. «E porque eu estive d assento nesta cidade conveyo me pois que era necessário fazer o que me manda vossa mercê. pouco mais ou menos. O trás ms. porém tanto a chronica dão como o segundo. mas o caséculo xvi'. comtudo. O primeiro tindo para o 11 e 16 rei. «Beijo as mãos a vossa mercê».

dos factos ou a concordância das duas fontes. e Mouros. Poderia ainda dizer-se concordância dos successos nada mais provaria. que quando de Reyno a Reyno fogisse algum homem. por não lhe mover guerra sem causa. para muitos annos das guerras que entre estes dous estados houve e desejando elle Crisnaráo cumprir o que seu pai Marsanay mandara em seu testamento. e a copia ahi é evidente. o Idal- com a de que que a — visto que Barros não dá a historia dos reis de Bisnaga. usou de hum artificio com que a podesse quebrar. Barros não faz allusão á nossa chronica. é o próprio João de Barros. e foi este. nada dizendo. cão. que entre elles eram assentadas. mas só dos acontecimentos contemporâneos dos que se pasdo que a authenticidade savam na costa comnosco. que se tinham acolhido a suas terras com sommas de dinheiro. Nas capitulações das pazes. a não ser que seja a mesma. «Havendo o Hidalcão. o principal senhor do e Reyno ElRei Crisnaráo de Bisnaga paz assentada Decan. porem tal restricção cáe. chronica de Bisnaga. A qual capitulação nunca o Hidalcão cumem muitos Gentios. As provas que adduzimos são as seguintes. e obrigado de entregar ao querendo-o defender. ou furto. e não o entregando. só diz que algumas informações que dá foram obtidas dos officiaes da fazenda d'aquelle reino.LXII naga». e se dissimulava com elles peitas que davam as partes nunca que de maneira com seu. não deixa nenhuma duvida Barros se serviu delia. que o Hidalcão nas guerras passadas tinha tomado. porque até em numerosos algarismos — a identidade apparece. houveram o e de seus capitães. que levaprio vam dElRey. acerca da origem das noticias minuciosas que dá da historia das lutas de Crisnaráo com Ora a comparação d'essas suas narrações. se continha. para confirmar esta nossa asserção. era cada hum d'elles outro. que fizesse roubo. que era tomar a Cidade de Rachol. que- brava a paz.» .

denunciando. trinta elefantes. cem elefantes. que entre elles havia: e ainda pêra mais justificação sua. Hadapanaique. e traz elle hiam dous capados privados d'El Rey com mil de cavallo. que seguia a este. vinte elefantese oito mil homens de pé Além desta gente posta em bercá tal ordenança hiam repartidos dous mil de cavallo. ao qual seguia Comarcom quatro centos de cavallo. levava mil de cavallo. depois de ter feito muitos sacrifícios. cincoenta elefantes. que o Hidalcão per este modo tinha quebrado a paz.LXIII Depois de citar o caso de Cide Mercar. O seu Porteiro mór chamado Camanaique levava a van- guarda com mil de cavallo. ao qual seguia o Capitão Comóra com quinhentos de cavallo. e quinze homens de pé. escreveo a alguns Capitães do estado do Reyno Decam. por saber que não estavam com o Hidalcão. e que lhe haviam de exercito J)era moveo seu approvar aquelle seu propósito. sessenta elefantes. levava cinco mil de cavallo. vinte elefantes. e cento e vinte mil homens de dous mil e pé. e dezeseis elefantes. depois de recados de parte a parte. Madre Maluco. e oblações aos seus deoses pelo successo daquella ida. e . e sessenta mil homens de pé. começou a caminhar nesta ordem. e homens de pé: Seguia a este outro Capi- nome Timapanaique com três mil e quinhentos de cavallo. e cem mil homens de pé: e traz elle hia Condomára outro Capitão. Partindo El Rey Cris- naráo da Cidade Bisnaga sua Metropoli. que seguia este. homens de pé. dez elefantes. assim como ao Cota Maluco. Gendrajó Governador da Cidade Bisnaga. e oitenta mil quinze elefantes. El Rey Crisnaráo tomar a Cidade Rachol. O page do betei d'El Rey levava duzentos de mil cavallo. e a Melique Verido vizinhos delle Crisnaráo. e trinta mil homens de pé: e traz elle hia hum Capitão por nome Trimbecára com dous mil de cincoenta mil tão per cavallo. que levava seis mil de cavallo. continua assim: «Sobre o qual caso. e trinta mil homens de pé . quarenta elefantes. e quarenta mil homens de pé. como vem na nossa clironica.

a sua phrase: «Antes morrer que ser vencido». officiaes mecânicos de todo officio. por não perecer esta gente á sede. IV. IV. era da parte donde El Rey esperava que podia vir o Hidalcão.J Estas citações bastam para comprovar a nossa asserção. que per atalaias de huns á vista de outros em hum instante se sabia o que havia E da provisão que cada um destes homens fio naquella distancia. querendo beber achavam arêa.» Mais adiante diz ainda: «Estava a Cidade Rachol assentada entre dous rios cabedaes. e escusado é pois continuá-las.LXIV cem mil homens em capitanias pequenas. era cousa maravilhosa ver o numero delles E em que se notou o grande numero de gente. duas. A qual Cidade per natureza estava mui bem situada. e quando veio aos derradeiros. l. que lhe ficava da parte do Norte. o maior dos quaes. a que elles chamam Mainatos. e três léguas descubriam a terra. e regatões. A compra das pedras annel d'elrei a da fortaleza de Rachol pelos de Bisnaga. e animaes. pêra que com necessidade delia não se saissem da ordenança que levavam. A recovagem deste exercito não se podia numerar. a morte de Salabatecao. e outro que estava da parte do Sul. a entrega do uma das suas mulheres. que a natureza no meio daquella campina creou.» [llí. os qiiaes á maneira de descubridores pela dianteira. mercadores. e de huma certa parte era pena viva. que foram neste exercito. era per onde elle viera. porque somente de mulheres publicas passavam de vinte mil. e d'ahi ao rio haveria espaço de seis léguas. e assi ordenados. foi ao passar de hum rio. e lados de toda parte. repartidos pelo comprimento do desta gente. cada hum com seu odre de agua ás costas. capitães levava de agua. onde faziam covas por recolher huma pouca de agua. ficando a Cidade Rachol quasi no meio desta distancia. e tudo o mais terra. o qual aos primeiros dava por meia perna. c. e homens que lavam roupa. porque era sobre hum outeiro feito como huma teta. . hiam doze mil sobresalentes.

teve conhecimento desta chronica e delia tirou o que lhe aprouve para o seu propósito. para assim dizer. Corrêa Nas maneira de conto popular. e sem duvida a narração que nos fazem das suas ultimas lutas não deve estar longe da verdade. e em G. talvez os seus dados posteriores venham a confirmar uma ou outra. seu irmão. e isso deviam repercutir-se naquella cidade. Que não são documentos forjados a sabor de curiosos prova-no-lo a sua concordância no essencial. e será inútil entrar juizo critico em ou em conclusões que depois uma inscri- pção ou moeda poderão destruir. aos indianistas. viviam em Goa.hXX por artimanhas de Açadacão. ainda que o não diga. lutas havidas entre o rei de Visapor e Meale. impessoal. a embaixada dos soberanos seus vizinhos. comprehende-se dado o valor de cada dá-no-la. o primeiro mandou pedir soccorro ao rei de Bis- . Em Couto vem a continuação da historia de Bisnaga até á completa destruição desta. Parece-nos pois que Barros. mas comtudo não tanto que não possam talvez vir a conciliar-se. Corrêa contam-se minuciosamente os factos que se seguiram á morte de Achetaráo. tudo se encontra em Barros da mesma maneira que na nossa chronica. um. e tal conciliação não é porventura possível ainda pelas razões ditas. Apresentamos pois aos estudiosos duas novas listas dos reis de Bisnaga discordantes entre si. que todas as vicissitudes politicas d'aquelle reino A á narrativa de Corrêa. G. deixámos essa tarefa aos especialistas. ha nelles nomes communs a todos três que parecem dizer que ha em todos um fundo de verdade. e a resposta altiva de Crisnaráo. A epigraphia do sul da índia ainda não deu tudo e sobretudo a do reino de Bisnaga. e ambas com a epigraphica. Couto é mais precisa do que a de G. Não procurámos conciliá-los. São contemporâneos dos acontecimentos. sobretudo que a nossa capital da índia estava por tantos interesses commerciaes dependente da situação em Bisnaga.

c. vii. [vii. e o Hebrahe. e desbaratou de todo. por terem entrado naquella terra os Padres da Companhia de Jesus. (por serem os primeiros que por ella começaram a semear a Luz do Sagrado Evangelho) e por toda ella tinham levantado muitos Templos. Couto diz-nos nos seguintes termos «E como os Padres pobres da Ordem do glorioso Padre S. como deo huma filha em ca- samento com grande dote. truiu. não consentindo Pagode algum em pé. O Izamaluco magoado daquelle geconvocado o Idalcão.LXVI naga. para esta tão segura. e derribado muitos Paas razões d'ella: godes. se retirou com um milhão em ouro para as despezas do seu exercito. e elle casou . Rey de Bisneste tempo. c. I. ral. Francisco tinham tomado á sua conta toda aquella costa desde Negapatao até S. (se entre se aparentar Mouros ha segurança) tratou de fez por esta maneira: ao Idalxá com todos.] Por fim •íE em i566 (data de Couto) vem o desenlace. mas vendo depois que não era verdade. Thomé. . e ao Cotubixa deo outra. e outros presentes do Idalcão. dos quaes levou grandes riquezas. e a cidade Selapor que lhe tinha tomado. 1. alumiando com a sua vida. pedindo-lhe que acudissem por honra de seus Ídolos. E como em que andamos hia este zelo da honra de Deos em maior crescimento. que. vencidos os adversários d'elrei. Thomé de Meliapor. todos Rama Rayo. vii e viu. poupou-os e deixou-os em paz. e liga o Verido. . ii. [vii. naga. Rama Rayo. assolou. cujos vassallos eram. 1.] Em fins de i558 expedição de Rama Ra3^o contra S. e os des- ainda os annos de i563 entrou Rama Rey de Bisnaga pelos Reynos de Izamaluco huns após outros. este enviou-lhe seu irmão Vengata Ravo. e que os seus habitantes lhe eram fieis. e o Cotubixa. (o que os Bramenes sentiam os annos se queixavam disto a em extremo). e espertando com » Succedeu também dia sua pregação e doutrina zerem ao enormes. rei que os seus moradores possuíam riquezas e isso decidio-o logo a ir contra a cidade. .

porque o maior trato .] Os dois irmãos de Rama não queriam que este fosse ao combate. Depois d"elle vieram os Bedués. Os três inimigos trariam cincoenta mil cavallos. Por fim vieram os conjurados e rabiscaram o que ficou. e se foram para o sertão e recolheram tudo no Paço de Tremil. mas que ficasse na capital. do que filha.» [viii. que se estimou cadeira real em mais de cem milhões de ouro. seis vezes a Bisnaga e levaram outras riquezas em mui grandes. e o próprio rei foi feito ca- ptivo depois de muito mal ferido. e firmes juramentos de se ajuntarem todos contra o Rey de Bisnaga. «Deste desbarato do Rey de Bisnaga ficou a índia. e o nosso Estado mui quebrado. Passados cinco mezes foram-sé os conjurados para seus reinos. por ser muito forte. por causa da sua avançada edade. e a que elrei se sentava em dias de suas festas. e mais de seis centos mil de pé. e os filhos. dos Rajas sobrinhos a cabeça. XIV. e affirma-se que tinha cem mil cavallos. que são gente dos mattos. ao que este não quis acceder. a dez dias de Bisnaga. e levado á presença de Nizamxá este lhe cortou ram no campo três dias. com huma elle logo foi avisado-. e algumas pessoas do campo: com este poder se foram buscar huns aos outros com grande determinação. pois tinha 96 annos. dinheiro amoedado e outras cousas d'esta sorte. e Timaraje Veador da fazenda. O resultado da luta foi adverso aos de Bisnaga. e trezentos mil de pé. e entre esses objectos um diamante tama- nho como um ovo. que ficou ao Idalxá. pedrarias. c. que foi tanto que se detiveram nisso cinco mezes. que ainda hoje possuem seus herdeiros. e sobrinhos do rei morto repartiram entre si os reinos. e Os vencedores fica- durante este tempo os filhos d'elrei entraram em Bisnaga e carre- garam mil quinhentos e cincoenta elephantes de jóias. se poz logo em campo com seus irmãos Venta Vengata Raje capitão do campo. e convo- cados seus vassallos.LXVII ou irmã do Idalxá: os quaes casamentos foram celebrados em grandes festas. e ajuntando seu poder.

e os pagodes de ouro. 2o5. a segunda a conquista pelos Mogoes do reino de Cambaia. sctins. em que o sentio a faziam grandes proveitos: e a Alfandega de Goa bem em seu rendimento. indo levar a sua actividade e fortuna a outras partes mais hospitaleiras. e modo lhe tirariam o procurou fazer par- I As causas da decadência de Goa foram principalmente nô-lo diz Sassetti. três.» [viii. foi como A primeira Couto. e destruidos os seus -templos. logo estancou. aonde levavam cavallos. 383-4). A narrativa de G. de que todos os annos vinham mais de quinhentos mil a empregar nas náos do Reyno valiam então a sete tangas e meia. o celebre viajante italiano. (Cf. Sloria dei viaggiatori italiani nclle Indie orientali. Corrêa diz respeito á successão do reino por morte de Achetaráo. e puras. data seis mil em que escrevia Sassetti. em 1542. p. e roupas finas. o qual rei morto o fora contra direito. irmão do rei morto. c. trato de e hoje valem a onze e meia. anteriormente rendia de cento e vinte a cento e cincoenta mil. de maneira que de então para cá começaram os moradores de Goa a vir menos. porque bulimos nas moedas liquidas. era hum grande importância pêra Ormuz. debaixo de terriveis penas. fazer sacrifícios e orações. xv]'. diz elle. por causa das lutas sustentadas contra aquelles. e deixou por herdei-ro um filho menino em poder de um seu tio. veludos. . porque as baetilhas. e de ruim sorte. que consumia tantas mercadorias ou mais do que Bisnaga.LXVllI que todos tinham era o deste Reyno. diz Corrêa. e outras sortes de mercadorias. com que tudo se alterou. ler os livros da sua religião. abandoesta indicada por naram a cidade. porque sendo aos índios prohibido. e pêra Portugal. a alfandega de Em i585. e assim a esta todas as mais moedas: ainda que nisto nós temos a primeira culpa. e a maior. Gubernatis. morreu o rei de Bisnaga. Os grandes queriam que o menino fosse posto em logar livre e se gerem o reino. Neste anno. porque d'esse poder a elle. a terceira a Inquisição de Goa. e Goa já não rendia ducados. nomeassem dois regedores e tutores para reSeu tio porem não queria. e as fizemos falsas.

As victimas procuraram o auxilio do Idalcão. retirou. O Idalcão entrou pelo reino. O próprio rei de direito que estava preso em uma fortaleza. casado com uma irmã do rei antecessor do morto. promettendo-lhe grandes thesouros em troca. 276-282. mas os seus projectos tios eram tomar o reino para Então os genfizeram rei com receio d'isso. Que verdade rista. não se sentindo reino.se para o seu um um novo rei de Bisnaga.] haverá no fundo de tudo isto? e XLiir. e os que depois o souberam voltaram indignados para suas terras. e o Idalcão. dariam o reino de Bisnaga. temendo ainda alguns grandes do reino. e a narrativa de Fe- tem alguma parecensa com a obtiveram sem duvida que ambos nessa transmissão. dois tios delle. morto e conseguiram vencer o Idalcão O novo rei. como rei. 247-249. mãe do menino. xui a de G. pelo mesmo processo depois que andou de boca em boca e se desfigurou . mas devemos notar que dada a pp. Corrêa. por ser rei um infiel. e foi obedecido. foi logo solto. rante. pediu ao Idalcão que viesse pôr seu filho. para estar seguro no futuro. [vol. mandou matar o menino. e ahi governaram como reis. Este aproveitou de novo a occasião sem hesitar e partiu apparentemente em auxilio do dito si. grande senhor. mas a caminho o regedor mandou-lhe oferecer grandes sommas de dinheiro se quizesse voltar.LXIX tidarios fcrenças com que resistisse. iv. A rainha. e mandou pedir auxilio ao Idal- cão. e um sobrinho do rei morto. e os grandes com estas dif- foram para as suas terras. pag. Depois. O Idalcão assim quis fazer. o qual conseguiu haver o No entretanto levantou-se reino. de Paleacate. mandou-os vir á corte. rei. aos primeiros que chegaram quebrou-lhes os olhos. Não o sabemos. em segurança. promettendo que lhe o irmão do junto de Bisnaga. e intole- que elles mas tão soberbo se mostrou tomaram ódio contra elle. o que elle assim fez.

IV. Deoráo. Reinou 12 annos. Busbalráo. III. Pureoyre Deoráo (ou Puroure Deoráo). Reinou 6 annos. Bucaráo. Filho de XIV. Visaráo. XIII. Crisnaráo. Filho de III. Filho de IX. Filho de VI. Reinou 48 annos. irmão de XV. Reinou 6 annos. Filho de Ajaráo. XI. XIV. ? Filho de XI. VI. Padiaráo. Filho de VIII. VIII. X. Narsenaique. . V. Filho de VII. Capitão de X. VII. Tamaráo. Regedor do reino (feito por XI).LXX REIS DE BISNAGA — SUA GENEALOGIA (conforme a Chronica) I. irmão de XII. Reinou 7 annos. Narsinga. XV. Filho de V. Pinaráo. Reinou Sy annos. Verupacaráo. Filho de XIV. Reinou 44 annos. Filho de XI. Dehoráo (ou Deorao). ? II. XII. IX. XVII. Achetaráo. XVI. e ainda parente. II. Filho de XIV. Filho de IV. irmão de XV e XVI. Reinou 25 annos.

XIII Achiutaraja Tamaráo Narsenaique Trimal Ráo. Crisna Ráo. Verupacaráo Padiaráo Narsinga } X XI XII Rama Ráo. - Achatarão Rama Rayo . Harcará Rayo.' Devaraja II . Achita Ráo.. Marsanav Ráo. XIV Sadáxiva Uche Tima Ráo. Visia Ráo. Diva Ráo. Deoráo . Devráo Bucaráo Purevire Deoráo. . XV XVI XVII Ramaraja - Busbulráo Crisnaráo Cidoca Ráo... IX Prandadeva Narsinga . VIII Virupacxa Pinaráo > ? Narsinga Naique. Crisna Ráo. VII Mallicárjuna..* Deva Rayo. . LXXI REIS DE BISNAGA Segundo a epigraphia Segundo a clironica Segundo Couto I Harihara I II Buca Harihara Devaraja II I . III IV Ajaráo Visaráo V VI Vijáia Búpati Boca Ráo. Vira Narsinga Crisnaraja .

fortalezas só as possuímos no seu território depois da sua queda. nas costas da Pescaria e Coromandel. Cedo pois pagaram páreas Baticalá. mas encontrámos lá rivaes. á excepção da costa do Malabar. e se estabeleceram ahi feitorias. que eram os intermediários do commercio que até nós se fazia com a Europa. para além do qual se seguia o reino de Cananor. Bracelor e Vengapor (reino do interior). Ora Bisnaga era um reino gentio. cujos pequenos reinos. mu- çulmanos emfim. evitando que podessem seguir o caminho de Alexandria e Veneza. desde o rio Liga até ao de Cangerecora. e o inimigo secular desses mesmos homens que tinham em suas mãos o commercio do oriente e senhoreavam a . que assim como punham nas nossas mãos o commercio de Bisnaga. rivaes com quem tínha- mos velhas contas a ajustar. Cananor. Calecute. Onor. homens d'outra crença. Mangalor em i568. desde o Malabar até Cambaia sentiu depressa que nós vínhamos dispostos a mandar. parecem minio. Bisnaga dominava pois toda a índia meridional a baixo do Quistna e do Tungabadrá. Não foi só assim que essas relações se estabeleceram. mas possuía sobre o mar das índias uma ex- tensão de costa bastante grande. como ao norte do Liga o reino do Idalcão. ter conseguido subtrahir-se a esse do- A nossa acção foi maior na costa occidental da índia porque d'ahi partiam as especiarias que nós pretendíamos trazer a Lisboa. Este era principalmente sertanejo. Onor e Bracelor em i56g. Nós fomos á índia para commerciar. após i565. confinando ahi com o reino de Orissa. costeiro era muito maior porque se estendia do extremo sul até ao Godavarí.Lxxn VI gal Não concluiremos sem esboçar as relações de Portucom o reino de Bisnaga. Cochim e Na costa de Coromandel o dominio Coulão. Toda a costa do norte a sul.

P. Talvez uma boa politica de parte a parte tivesse obstado a Bisnaga a sua destruição em i565 pelos muçulmanos da índia. e imperfeita por consequência pelo que respeita ao «Corpo Chronologico» da Torre do Tombo. «Chancellarias» de D. Se o inimigo era commum. Manuel. e isso é pouco. Inédito apenas encontrámos um mandado de Affonso d'Albuquerque ao feitor de Goa (i3 de novembro de i5i4) para que dê aos embaixadores de Narsinga i5 fardos de arroz. Houve comtudo um periodo em que ellas foram muito activas. e permittido a Portugal que o seu futuro alli tivesse sido mais brilhante e mais profícuo! Mas esse esboço não é fácil de fazer em todo o pe- ríodo que vae até i565. Os nossos viajantes e chronistas ao fallarem dos chefes das «Bibliotheca Nacional» de Lisboa. onde por vezes só se mencionam os documentos mais importantes. João III. etc. e Gavetas». A nossa investigação foi feita nos catálogos. ii. mas esses documentos deviam pertencer á casa da índia e assim se explica a escassez d'elles. . 53. D. As investigações a que proce- demos nas nossas bibliothecas não nos trouxeram elementos novos'. e é mesmo possível que taes relações fossem mais restrictas do que se pôde pensar. Teremos de trabalhar sobre o que a esse respeito nos dizem os nossos chronistas.LXXIII maior parte da índia. «Bibliotheca Municipal» do Porto e «Bibliotheca Publica» d'Evora. mas para verificar documento por documento seriam precisos meses í senão annos. «Torre do Tombo» («Corpo chronologico». que bem viu o seu génio as vantagens que d' uma tal approximaçao e amizade se podiam tirar. nos «Documentos remettidos da índia» ha o que dizemos a p. O dominio que os reis de Bisnaga exerciam nas províncias distantes era pouco mais que nominal. D. sem que comtudo essa approximação produzisse algum effeito. D. mas já no século xvii). 3o. aquelle em que governou a índia Affonso de Albuquerque. porque não seriam elles amigos ? Vamos ver que assim se tentou por varias vezes. Sebastião. M. lxxxvi.

pelo menos assim nô-lo diz Marco Polo no fim do século xiir. cter Na costa oriental o mesmo cara- de posse. e conseguimo-lo realmente até quasi ao fim do século. mas a que bastantes vezes se referem ainda os nossos chronistas. só fez isso é o inicio de mudar de rumo e e de intermediários. porque senhoreávamos os mares. á índia para commerquisemos. deixam o soberano senhor absolutamente indifferente.LXXIV mesmo povoações de maior importância das costas chamam-lhes reis. Ambos soffreram com a nossa vinda. O O gal. e nô-lo confirmam as próprias relações chinesas. do oriente fora mesmo por O momentos superior ao do occidente. os productos indianos não podes- sem seguir o antigo caminho era forçoso senhorear as . uma grande expansão pensamento constante deliberado (porque então pensava-se a serio nestas cousas) das nossas chancellarias foi fazer derivar todo esse commercio para Portu- Para que. Malaca. como sentinella avançada dos nossos domínios no Oriente. mas que a sua acção ahi era minima vê-se da sem cerimonia com que entram em relações comnosco como soberanos eftectivos. Emquanto as nações da Euciar. revelando-nos que a China exerceu nos países do oriente uma hegemonia commercial e politica que estava decahindo á nossa chegada. commercio com o occidente não affrouxou como aquelle. e as violências dos nossos. pois. merecidas ou immerecidas. sobretudo até á China. veiu fazer derivar esse commercio em nosso favor. Naquella estreita faixa marítima de 46 léguas que elle dominava no occidente os nossos citam uns poucos. e colonial europea. o outro levava-os principaes: O ao extremo oriente. commercio da índia seguira até ahi dois caminhos um trazia-nos á Europa os seus productos por intermédio do Eg3^pto e de Veneza. Não ha duvida de que dependiam de Bisnaga. e Mas como dissemos nós fomos ropa nô-lo não disputaram isso foi relativamente fácil. monopolizar o commercio.

O commercio que se fazia entre a índia e a Arábia e Pérsia ou vice-versa só podia ser feito por súbditos de reis amigos. por um resto de antigo ódio ao segundo. Mas se nós dominávamos os mares. mouros. para as suas lutas. e mesmo assim em dadas condições. e todos os projectos de Affonso de Albuquerque ficaram sem effeito. como veremos. os nossos homens não hesitavam em preferirem o primeiro. graças sobretudo ao commercio dos cavallos. mas a commercial ainda que mais intensa nos seus portos penetrou até ao coração d'elle. Por isso se construiu a fortaleza de Or- tomar Adem. e todo o commercio ao oriente e occidente da índia dependia de nós. Todos os mais que o tentavam arriscavam as suas pessoas e bens. e se tentou varias vezes êxito. Não contava com a politica de evasivas e dilações dos reis de Bisnaga. mantendo-se comtudo uma . estava em nosso arbítrio ou impedir a sua vinda. e comprehende-se como a sua falta a um dos contendores seria perigosa para a sua existência.LXXV suas passagens. Entre o gentio e o mouro. Aífonso de Albuquerque quis aproveitar-se dos dois para haver algumas concessões. como se pôde ver da muz. mas sem frota na boca do Estreito para o vigiar. ou fornecê-los de preferencia a um ou outro dos adversários. Eram estas duas regiões que os forneciam ao Idalcao e Bisnaga. a acção politica quasi só na peripheria se exerceu. sobretudo sendo muçulmanos. Ora um dos commercios mais lucrativos que se fazia com a índia era o dos cavallos da Arábia e da Pérsia. circumstancia a que devemos esta chronica e mais noticias que publicamos em seguida a ella. Mas outros eram ainda os géneros que o alimentavam. como diziam os nossos. Ambos elles perceberam o perigo e procuraram desde o principio captar a nossa benevolência. como quem sente que o pretendente ha-de render-se. A nossa acção naquelle grande império não foi pois a que as circumstancias especiaes d'elle tornavam possível.

e porque os embaixadores o eram de um tão grande rei. dominicanos. p. Paraíso mys372-376. p. 79-120. Fernam Guerreiro. i. 2 12-3 19. Thomé de Meliapor. e quão importante era vê-se da decadência de Goa. Foi em iSqq e pouco aqui que se depois outra em Velor. e posteriormente a 1640 se tornaram ali muito notáveis os Theatinos ' tempo Posto isto. António Caetano de S. 33-34. Era governador D. . Vergel de plantas e flores. p. fr. Estas missões estabeleceram-se ao longo da costa. e graças a ella exerce alli ainda que pouco a pouco a como prova de desinteresse mundano de quem só no céo põe a salvação. 18-20. Manuel lh'o permittira só depois de cumpridas as ordens do I Cf. pp. ainda que D. partindo de S. p. tico. Historia da vida do padre Francisco Xavier. Cardoso. Datam de i5o5 as primeiras. depois da destruição de Bisnaga em í565. Francisco na sua náo. Agiologio lusitano. já independente de Bisnaga. João de Lucena. Jacintho de Deos. e depois de com os jesuitas. fr. LXXVl sua enumeração por Diogo do Couto a p. t. Boaventura.. Francisco d'Almeida. enPortugal influencia moral uma santa sé nos tem vindo roubando. mas no século xvii os jesuitas. vejamos as relações diplomáticas e outras entre Portugal e Bisnaga. A com 1642 acção portuguesa nas costas foi também religiosa os padres franciscanos. e estando em Cananor procurou-o uma embaixada delrei de Bisnaga. p. onde elrei muitas vezes estava. tão com a sua capital estabeleceu uma missão em Chandegrí. 45-4S. penetraram no já reduzido reino de Bisnaga. lxvjii. Recebeu-a D. pois não havia ainda fortaleza nem feitoria na cidade. 162-188. e respeita os serviços prestados á fé pelos povos christãos. Cartas de Nicolau Pimeyita. para augmentar o seu estado e melhor representar elrei seu senhor. Oriente conquistado. e outra a esse em Madure. Francisco de Sousa. Relaçam annal das cousas que faliam os Padres da Companhia de Jesus. ordenou que o tratassem deViso-rei.

«E pêra que esta amizade fosse mais sertã lhe oíferecia húa sua irmã segura bom parecer. LXXVII regimento que lhe dera vantar uma fortaleza em Lisboa. sem du- vida porque não constavam de diploma assignado pelas partes ' Já antes que esta embaixada viesse chamar a attenção dos nossos sobre aquelle país.Kla e pediu ao Viso-rei que o deixasse partir com ella: mas elle que não achara ria I Cf. Manuel eram homens cautelosos. Na armada de D. para casar com o Príncipe seu filho.. t. Ficou Fernandes Tinoco muito contente quando viu a embii'\. p. mas nem elle nem os seus succes- sores se parecem ter aproveitado delles. e com escrivão e feitoria ordenada». i. t. Corrêa. Lendas da índia. G. de 1790). 5So. Chronica de D. e Affonso de Albuquerque travou negociações no sentido de obter estas concessões feitas cinco annos antes. Francisco d'Almeida viera Pêro Fernandes Tinoco para o commercio d por feitor «pêra tratar pedraria. com o qual lhe daria tamanho dote de terras e dinheiro de que ficasse bem moça e de contente». na chancellaria de D. pelo menos posteriormente nunca mais os nossos chronistas se refe- rem a estas vantagens. e cedo se pensou feitoria em estabelecer na própria capital uma ella. p. i. de que tinha muito conhecimento. Manuel se tinha pensado nelle. entre as quaes leem Cananor. determinaram pois que o seu estabelecimento dependede certas circumstancias. 3i8-3i9 (ed. Mas os ministros de D. Os embaixadores vinham a estabelecer paz e amizade com elrei de Portugal. Manuel. sem se fazer allusão a ellas. . Damião de Góes. O Viso-rei agradeceu-lhes muito os seus ofe- recimentos e desejos. e que elle Viso-rei se informasse do melhor meio de o fazer sem correr-se risco de fazenda ou de vidas. e elle a não fizera. concedendo-lhe que fizesse fortalezas nos seus portos menos Baticalá por estar arrene dado. Era afamada a sua pedraria.

e aquelles que o não tem são tomadas as suas náos e mercadorias. Luís da Ordem de S. Estava o governador em Cochim em i5io. Precisámos chegar a Aífonso de Albuquerque para acharmos novas referencias a negociações com Bisnaga. Essas instrucções de Fr. pela qual rezão espero de o ajudar com as armadas e gente d ElRey meu Senhor». que Ormuz é d'elrei de Portugal. como outras lhe fora ordenado. mandou Fr. Cf. nem mercadorias: e que destrua os Mouros. onde se revelam as largas vistas de Aífonso de Albuquerque. levado uma xa-se amargamente da má vontade do Viso-rei. . com os quaes tenho sempre contínua guerra. Francisco a elrei de Bisnaga com alguns apontamentos. «e assi lhe direis como em meus regimentos me manda que a todos os Reys gentios de sua terra e de todo o Malabar faça honra e gasalhado. ii. e acabar com elle. e o destruiriam.LXXVIIÍ «praçaria com mercadores da insistiu terra abonados». Luís vêm nos Commentarios. como se deprehende da sua própria carta a D. 341. t. («Documentos Elucidativos»). e o seu resumo é o seguinte. que deseja prender o Samorim e mandá-lo a Portugal e pêra isso pede a sua ajuda. p. 6i8. que Portugal senhoreava os mares e sem o seu seguro se não podia navegar nelles. e sejam bem tratados de mim e não lhe tome suas náos. e o seu programma de governo: capitão geral da índia por Que elle era mandado d'elrei de Portugal. Elle quciI Cf. t. que peça ao rei de Narsinga que Lendas da índia. dizendo-lhe que viesse elle por terra que elle iria por mar. antes de partir para Ormuz como tencionava. Corrêa. e desejoso de castigar deveras o rei de Galecute que sempre se mostrara nosso inimigo. Parece também ter missão diplomática para aquelle rei. para juntos attacarem o Samorim. i. p. como sei que elle mesmo tem. Cartas d'Affo}iso d'Albuquerque. recusou-se doesta vez como das em que Tinoco para ser despachado conforme ao regimento d'elrei'. Manuel.

e não irão ao do Decám. Fr. A sua que ainda que muito bem recebido pelo seu rei. Fr. Quis elle annunciar tão fausto acontecimento ao rei de Bisnaga e para isso expediu-lhe novo embaixador. Gaspar Chanoca. 11. de Albuquerque. mas a traição de Timoja fê-lo tentar a conquista de Goa. como signal de de Portugal. Cf. Vinha enthusiasmado Prego. ao de rei presentes. P. e fora lá a pedido do seu rei. t. elle o irá ver. Albuquerque. com t. Cartas de Affonso 341. 74. Francisco d'Almeida. 11. Levava por lingoa Lourenço 11. e que os cavallos Ormuz não irão senão a Baticalá rei ou qualquer outro é porto seu. Chroanteriormente estivera em Bisnaga. p. que se elrei de feitoria Portugal precisar de fazer assento e em qual- quer logar dos seus portos. e . com reino. como diremos'.LXXIX mande uma embaixada com amizade. Determinara Aífonso de Albuquerque ir de novo contra Ormuz. d'onde voltara. desde Baticalá até Mangalor. visto como elle está tão longe que não pode acudir a tempo. que mouro e seu inimigo. até que foi partiu de Cochim para assassinado. e encarregou-o de renovar o seu pedido. Manuel. Luís Baticalá e desta cidade foi para missão não deu nenhum resultado. Por elle lhe mandava um presente de 12 cavallos arábios e pér- sios. p. um dos capitães de uma das caravellas da armada de D. que partira do reino em 1604. Luís já p. o seu sobrinho Pêro Leitão. a caminho do em i5o5. este foi sempre retardando a resposta ao que ia. porBisnaga. Commentarios. que lhe diga que se vier para aquellas partes com o seu arraial. Foi I Cf. nica de D. i3. o que conseguiu. o acolhimento recebido. que mande que suas gentes e armadas sejam recebidas nelles. que em troca lhe mandará muitas cousas que ha em seu reino. go-gS. que lhe desse licença para fazer uma fortaleza em Baticalá. Góes. e dê logar para se fazer uma casa forte onde possam estar seguras suas mercadorias e gente de qual- quer alvoroço do povo que sobrevier.

p. Chronica de D. 39. Manuel. p. Historia dos descobrimentos dos portugueses. mas não o des- pachou conforme pedia. Casl. 11. que por fim um dia lhe lançaram em rosto a pouca fé delle Albuquerque. p. 269-270. p. Aífonso de Albuquerque dissimulou com os embaixadores e não quis tratar com elles ao que vinham emquanto elrei lhe não respondesse aos pedidos feitos. depois de perdida. Retomada Goa em fins de veiu i5io. 28. Commentarios. havendo até esperanças de que o rei de Bisnaga se convertesse. P. 11. A noticia d'estas negociações chegou á Itália. p. e este com o fim de converter 2 Cf. Ao mesmo tempo. e estava em ajuste de paz e amizade com elle. Viag1 giatori iialiani nelle Indie orientali. 41-46. Luís que se viesse o mais breve que podesse. Por elle escreveu Fr. P. mas parco na resolução a dar-lhe. Commentarios.. 383-4- . diz-se numa carta de Florença para Veneza de 1 de novembro de i5ii. mandando-lhe dizer que elle queria a sua amizade e trato dos cavallos-. parte Fr. e elle o não pôde fazer. 32-34- Segundo Castanheda ia é com Chanoca que elrei. A. carteou-se com o Idalcão. 20. porquanto elle commetera alliança contra o Idalcão. Chronica de D. t. p.iii. Cartas. Manuel. embaixador de Bisnaga. 11. porque quando os embaixadores lá chegaram já havia sido assassinado. Lendas da índia. Góes. t. iii. que vinha cumprimentar Affonso de Albuquerque. p. III. emfim um 1 Cf. Affonso d'Albuquerque. 172. Gubernatis. indo adiando a sua resposta como era seu costume'. Cf. porque elrei era abundante de cortesias. e mandou carta por elles a dizer a Fr. dizia-se que por ordem do Idalcão. tanheda. Luís narrando o pouco êxito da sua missão. t. que o governador de Bisnaga lhe dissera que o rei de Garçopa o não matara só pela amizade que lhe tinha. e de maneira que os embaixadores o soubessem. etc. Góes. 84. Corrêa.\xx elle solemnemcntc recebido e mostrou elrei grande satis- fação de os nossos terem tomado Goa. Luís.p.

Cartas. t. Manuel. 24-27. Cf. Lendas da índia. Commentarios. e que viriam comprá-los a Goa-. que tinha o maior empenho em fazer fortaleza em Baticalá. t. Historia dos descobrimento dos portugueses. 11. Manuel'. i. Mas como Albuquerque tinha muito empenho em obter as cousas que havia pedido que eram sobretudo a cidade de Baticalá ou Barcelor. Chronica de D. Commentarios. t. p. Góes. p. Chronica de D. Biker. De volta de Malaca. mas • Cf. pag. c. Cartas. Albuquerque. 3 p. e quanto á segunda que lhe daria toda a ajuda necessária^. 2 pag. i. porque foram bem recebidos. 399-401. Góes. 1. P. Barros. 111. Castanheda. 11. p. ii. 1. p. 376-378. mas não os despachou quanto á primeira parte conforme desejavam. os quaes não encontrando o governador voltaram a Bisnaga com o presente que traziam para e D. 160. Década 11. da índia. 11. e com ella Chanoca. Commentarios. x38-i43. 309. mas baldadamente. Cf. Góes. Corrêa. 202 e 327. t. 11. Chronica de D. Tratados i. iii. mandou com este embaixador em 1614 nova embaixada sua nas pessoas de António de Sousa e João Teixeira. P. Chanoca e Gaspar Fernandes em i5i3 com grande presente para elrei e dar-lhe parte do feito de Benastarim^ Em i5i4 veiu effectivamente um embaixador d'elrei de Bisnaga que pedia para os cavallos vindos da Arábia e Pérsia irem á sua cidade de Baticalá e para tratar da guerra com o Decám. Manuel. p. p. Recebeu-os Albuquerque com muita honra. p. 269-270. Manuel. P. . 160. e apezar de por fim lhe offerecerem 60:000 pardáos de direitos por anno. p. iii. 340. tornou a mandar lá G. p. t. Cartas. 269-270. i33. por não trazerem a resposta d'elrei aos pedidos que por varias embaixadas lhe fizera. p. iv. na sua ausência veiu nova embaixada d"elrei de Bisnaga receoso de que Albuquerque viesse a fazer amizade com o Idalcão e lhe vendesse os cavallos. 202.LXXXI Partiu Aftbnso de Albuquerque para Malaca em i5i i. x.

t. segundo nos diz Damião de Góes e Castanheda. 142. e tendo perdido neste as cidades de Rachol. Julgou o Idalcão a occasião propicia para vir sobre Goa. elle que viesse tomar posse d'aquellas terras porque 1 Cf. . elles asseguraram a Albu- querque que se o trato dos cavallos se fizesse só por Goa se faria d'ella uma muito poderosa cidade. e teria sem duvida conseguido o seu intento. que depois de se occupar no commercio dos cavallos com Bisnaga foi tanadar-mór das terras firmes. 11. 5 10]. talvez dos cavallos. t. Pelo menos assim parece deprehender-se da carta de Albuquerque de i de janeiro de 1514. senão fora Crisnaráo. rei de Bisnaga. que veiu contra elle e lhe fez guerra. p. Era governador da índia tempo Diogo Lopes de Sequeira. p. P. 2 Comtudo. o governador da índia Lopo Soares de Albergaria mandou em iSiy Christováo de Figueiredo a Bisnaga por feitor com todos os cavallos e vinte elephantes d'elrei que estavam nas estrebarias em Goa. Góes. e os reis de Daquem e de Bisnaga seriam nossos tributários. índia. Eram provavelmente ho- mens de negocio.lAXXII não despachados como pedia Albuquerque'. II. que eram os passos do Gate. Lendas da p. e figura na Chronica e descripção de Bisnaga adiante publicadas. e partiu com grande armada para Ormuz. p. Bilgáo e todo o território vizinho a Goa. t. Syg-SSo.. 11. mas não sabemos até que ponto esta affirmação é verdadeira. a troco do fornecimento exclusivo dos cavallos. mas aqui esta vez como outras anteriormente não foi mais feliz do que na corte de Bisnaga. capitão de Goa. Sog. Manuel. iv. Chronica de D. segundo G. Commentarios. Corrêa [Lendas da índia. Corrêa. Vencido o Idalcão. Este Christováo de Figueiredo era um casado de Goa. porque a cidade achava-se desprevenida. Estes embaixadores foram escolhidos pelo conhecimento que tinham do país. Crisnaráo avisou Ruy de Mello. Até i52i não encontramos mais noticias de ter havido negociações de parte a parte ^. Ao mesmo tempo mandou o mesmo governador por embaixador ao Idalcão João Gonçalves de Gastello Branco para obter d'aquelle certas vantagens territoriaes.

rei de Bisnaga. Góes. propósito que Aífonso de Albuquerque tanto desejou sem o conseguir. c. e era-o de facto Ramaraja. segundo parece^. p. formavam as tanadarias de Salsete. v) Ruy de Mello tomou as terras firmes aproveitando -se do desbarato do Idalcão. seu senhor. foram assentadas pazes e amizades entre o dito senhor e o grande e poderoso rei Cidacio Ráo. Segundo elle (iii. mas em compensacol- ção as vantagens concedidas são muito grandes. Neste tempo era rei de Bisnaga Sadáxiva. mas de nome apenas. I Cf. Pondá e Bardes. Castanheda. e Rui de Mello mandou mensageiros a elrei por quem lhe agradecia muito aquelle favor'. . As relações entre Bisnaga e o Idalcao estavam. nos paços delia. não diz que foram offerecidas por elrei de Bisnaga. Saibam quantos este contrato de pazes e amizades virem que no anno do nascimento de nosso senhor Jesus Christo de mil e quinhentos e quarenta e sete annos. nesta mui nobre e leal cidade de Goa. Em seguida nova lacuna até 1Õ47. Historia dos descobrimentos dos portugueses^ v. 237-239.LXXXIII havia por bem elle fazer delias doação a D. João. o terceiro d'este nome. Chronica de D. É então somente que se consegue um tratado solemne e formal entre os dois estados. locaram nas nossas mãos o monopólio do commercio «Em nome do mui altíssimo e todo poderoso Deos. Os reis de Bisnaga obtêm emfim o exclusivo fornecimento dos cavallos. João de Castro. iv. e d'esse país. onde pousa D. muito tensas. p. Não conta assim João de Barros o caso. aos dezanove dias do mês de setembro. 1. E um documento importantissimo e por isso o damos na integra. 1. 565-6. Manuel. porTrarcão seu embaixador pelos poderes bastantes que para isso trouxe. 11. Effe- ctivamente occupou-as. como já vimos. de que se fez o contrato seguinte. capitão geral e governador nestas partes da índia pelo muito alto e muito poderoso rei de Portugal D. que se perderam depois e se tornaram a ganhar. Manuel. 1.

e mandarão aos portugueses e mercadores que os vão lá buscar. e dar tal aviamento aos mercadores que brevemente sejam despachados. que os mercadores trazem a vender a Banda. e que os governadores mandarão aos portugueses e mercadores que lhas vão lá comprar. ou qualquer navio d'elles. «que Obeli. e que os que vêm a Banda vão todos a Ancolá e Onor. e lhes levarão lá muito cobre. nem do reino de Bengapor. «que os governadores da índia serão obrigados a lhe deixarem tirar d'esta cidade de Goa todos os cavallos que a ella vierem da Pérsia e da Arábia. elrei de Bisnaga não consentirá que os agasalhem em nenhum dos seus «E assim mesmo as roupas . «que elrei de Bisnaga não consentirá que nenhuns mantimentos de nenhuma sorte que sejam saiam de suas terras. e serão obrigados a lhe comprar todo o salitre e ferro que aos ditos portos por esta maneira vier. e que todas as vezes que cada um delles cumprir os ajudarão com todo seu poder e forças contra todos os reis e senhores que houver na não sendo contra a pessoa do Izamaluco. e que os governadores mandarão assim portugueses e mercadores. e o elrei de Bisnaga defenderá salitre nos e senhorios que nenhum em todos os seus reinem ferro venha pelo nem por outra parte alguma ás terras do Idalcão. as levem todas a Ancolá e Onor. e elrei de Bisnaga será obriíndia. que lhos vão lá comprar. para as terras do Idalcão. elrei de Bisnaga mandará que todas que houver nos ditos seus reinos e senhorios.LXXXIV «Primeiramente assentaram que seriam amigos d"amigos e inimigos d'inimigos. «E sendo caso que alguma armada de turcos venha da índia. gado aos fazer comprar todos. e não deixarão passar nenhuns ao Idalcão. coral. vermelhão. com todas as mais mercadorias que vem dos reinos de Portugal. onde os governadores terão postos feitores que os comprem todos. mandará vir a Ancolá e Onor. calaim. azougue e muita seda da China e Ormuz.

Os portugueses foram contra I Cf. Simão Botelho. e o tal tempo governador da índia para ambos juntamente fazerem guerra ao Idalcão.» Quasi um século depois. v. e para mais firmeza e seguridade de tudo. juraria em lá sua lei em presença do embaixador que o governador ha-de enviar. que ao fôr. «Os quaes capítulos e condições o dito embaixador aceitou. Bikerj Tratados da índia. e o dito governador. e presos os man- dará entregar ao governador da índia. e da maneira que neste contrato de paz e amizade se contem. 1. jurado e assignado pelo dito rei de Bisnaga. 1844. e o mandou assellar das armas reaes d'elrei firmeza do dito con- trato'. e disse e affirmou que elrei de Bisnaga seu se- nhor os cumpriria assim. devendo os portugueses attacar a cidade por e Bisnaga por terra. iv. seu senhor seu costume. que se contem do porto de Banda até o de Cintacora. em t633.LXXXV portos do mar. t. p. que em tal caso todas as terras que lhe tomarem ficarão elrei com de Bisnaga. e pelo juramento dos santos evangelhos prometteu de fazer cumprir e guardar o dito contrato e condições delle. Portugal seu senhor em segundo de presença do dito embaixador. 25 5 -j (nos Subsídios para a historia da índia portuguesa). na época de deca- dência de Bisnaga fez o Viso-rei da índia um contrato com mar o seu rei para juntos expulsarem os hollandeses de Paleacate. porque estas d antigamente pertencem ao senhorio e jurisdicçao desta cidade de Goa. as quaes ficarão para todo sempre a elrei de Portugal seu senhor. . assignou seu senhor para mais fé e de seu nome. c. e entrando nelles quaesquer navios ou navio de turcos os mandará prender. p 1 18-120. Annaes marítimos e coloniaes. Cosme Annes. i. secretario. 69-71. concertando-se elrei de Bisnaga. e man- daria a elle governador outro deste próprio teor. p. o fiz escrever. Tombo do Estado da índia. aceito as terras que estão do Gate rio para o mar. em nome d'elrei pôs sua mão direita sobre um livro missal. Década vi. Couto.

etc. . 33. 128 de Domingos Paes. liv. fls. 36. 61. 80. vindo até mais tarde o mesmo a reconhecer aos hollandeses a sua posse'. 80 a p. e deve ter sido Eífecti vãmente o auctor feita ahi por i525. ficando a expedição sem o êxito que se desejava. anno de 1622. 60. 253. 5i\ Documentos remettidos da índia [Archivo da Torre do TomboJ. Pouco tempo depois fez-se nova tentativa contra aquella. 1 . 38. 9. por outro lado o auctor de uma das descripções de Bisnaga diz-nos a p. I fl. e nenhum delles nos deu uma chronica. 32. que saibamos. 59. 297. 33 .LXXXVl ella com uma armada de 12 navios. fls. mas Bisnaga não cumpriu a sua promessa. como já dissemos. mas novamente faltou elrei de Bisnaga á sua palavra. i3. Danvers. a segunda é ainda mais antiga. 95. 27 que Christovão de Figueiredo com 20 portugueses espingardeiros veiu de Bisnaga ao acampamento de Crisnaráo no tempo em que este cercava Rachol. cousa que se lhe possa comparar. liv. 9. 1 98. fl. fls. Não existe em lín- gua nenhuma. quer na parte histórica propriamente dita. p. A parte que vae até p. Report on the Portuguese records. 5. estão muito aquém d'aquellas minúcias na geographia e costumes do país. levando por capitão mór D. parece ser de Fernão Nunes. costumes. liv. Os viajantes italianos que vi- sitaram e escreveram acerca d'aquelle país. e a que vae de p. quer como descripção do país productos. 400 . 3 1 . 34. fls. liv. 35. liv. 94. A chronica que agora publicamos é um documento precioso para a historia de Bisnaga. António Mascarenhas. deve ter sido composta em i536 pouco mais ou menos. fls. Nicoli di Barthema e Federici. 90. 37. (e em especial da capital). Estes textos não têem o mesmo auctor conforme se diz a p. liv. 91. 55 liv. da chronica diz-nos a p. 80. 92 que elle com os seus companheiros e Christovão de Figueiredo foram bem rece- Cf. A primeira. Conti.

e assim trarei tudo d'esta maneira a vossa alteza quando me Deos ante vós trouxer. e em outro tudo o que souber d'informação certa. 844. como suc- cede com os outros viajantes. Ainda que no dizer de Barros c. o outro do de Achetaráo'. cremos que se trata desta vez em que foi até Raciíol. e visto com vagar. prazendo a Deos. se diz a p. de por a uma parte todas as cousas que vir. de Figueiredo. estamos próximos merciar em todo o caso foi depois de ID22 porque Domingos Paes diz a p. Demais. dado o desaccordo com outros docu- I É importante a affirmação que se faz a p. e este rey [Crisnaráo" a tomou ao ydallcão». são os mesmos que se bateram com elle em frente de Rachol. 1.» Cf. Não são os seus auctores homens que por mera curiosidade alli fossem e se retirassem logo. 8o que residiu lá três annos. em que espero. ii. Manuel. 8o do nosso texto "Porque sey que não vay la [a Bisnaga] nenhúu [homem] que não traga sua mão de papel escripta das cousas de laa. Fernão Nunes. Admittindo que essa relação só foi composta algum tempo depois. e guerra. um do tempo de Crisnaráo. e que os taes companheiros de Ch. Da parte histórica não podemos dizer outro tanto. de Figueiredo costumava ir a Bisnaga a comem cavallos. . data que demos. Estes documentos nas circumstancias em que foram escriptos devem satisfazer aos requisitos de authenticidade. logo compeçarei senhor d'escrever a jornada em um livro grande que para isso levo. p.' de que se nos falia em Bisnaga. iv. são homens de negocio. 86: «Rachol que jaa foy d elrey de Narsimga.: LXXXVII bidos delrei. conhecendo sem duvida a lingua do país. as suas informações.» Isto está de accordo com o que nos diz Pêro Fernandes Tinoco: «Em partindo senhor para Narsinga. Cartas. e de um d'elles. quando de volta a Goa. devem ter permanecido bastante tempo nelle. carta dirigida a D. Ch. no que tem de commum. v" jii. e sobre ela ouve muyta de i525. Ambos eram mercadores de cavallos. da primeira passada que compecer a dar. concordam com as dos outros viajantes anteriores e posteriores. t.

Como lapsos de revisão ha: p. que o não estava ou mal. talvez sem razão nos trabalhos d' esta natureza. por desnecessárias. 7. deixa- mos nella aos especialistas o cuidado de nos dizerem o que ha de aproveitável. e isso não foi sempre fácil. e ella embaraçaria a sua leitura. por capitãaes. o que é mais com os uma prova da sua veraci- dade. as quaes de mais a mais concordam na parte essencial outros dados. p. processo que adoptámos ainda para as palavras communs. 62 ysoo por j'sso. porque nesta está aquella forma. antes de terminar. mas por ora essas informações ainda não podem ser regeitadas. a segunda desfazer as abreviaturas. 7 e %^ yrmjtão por irmftão. a orthographia da época. Também omittimos. a terceira regularizar o letras maiúsculas e emprego das minúsculas no interior do periodo. A primeira foi pontuar o texto. e d'ahi proveio a necessidade de separar palavras que estão escridória. 8. Devemos apontar. Quanto á parte material da nossa publicação diremos que só fizemos algumas pequenas modificações ao original. reservando aquellas para os nomes próprios. etc. o que fazemos deixando entre segunda um espaço em branco d Oria. Em toda a narração que demos de Bisnaga não fizemos entrar um só elemento fornecido pela chronica. as cedilhas.LXXXVIII mentos de que já se disse a p. p. pp. etc. para prevenir o leitor. conservámos todavia. e a tornam muito plausivcl. ermytóo por ermytão. ptas juntas como a primeira e a . que pôde ser erro do original ou da copia. em varias partes vem capitaães. lxv. fora das condições normaes da linguagem actual. algumas irregularidades do texto ou por defeito da copia ou do original ou mesmo de revisão. Não havia utilidade nenhuma na fiel reproducção de original nesta parte. fiiimigiios por inimyguos. assim como substituímos o u por v nas mesmas condições.

não. emredoncarem. 8. amdares por aftidojus (como se deprehende do que vem depois). ser. p. por vezes grande irregularidade na maneira de escrever certas palavras. e p. Bisnaga. 6. 1. 32. ofidegema. laydes. p. LXXXIX mas também pôde do original: p. 28. lamdfs e latideis. 80 a i23 é possível que muitas vezes se devesse ler regno em vez de defeitos da copia ou Como ser reyno. p. evi- Fizemos as seguintes correcções por serem erros dentes: p. 36. decidarão por decidirão. p. 2. gj^favaos tfapões. lamdes. pedidos por perdidos. lades (sem duvida lãdes). Durce ou Diivte. terá. (= será. p. p. ha). 37. destes não. 5 original apresenta 1 O . que aquelle tetnpo lierão mnytos e do refuo de Bisnaga. isso obrí- etc). attsa p. . andarem por (?). History of the Deccan. p. Ha p. 111. Deveríamos talvez ter introduzido certas correcções no texto para evitar confusão.. 83. como differençar e & e (= hej. etc). p. iii. 69-60 um trecho que no mas que em realidade devia no principio da chronica. 73. adarem (provavelmente ãdarem). de p. mas gava-nos a muitas outras modificações. Orj'a por Owynha (?). 121^ pranhus. 1. I. assim. são tiradas da obra de Gribble. p. l. David Lopes. p. Damos vir entre colchetes a p. que As duas gravuras de damos a p. Vfdiajuiia. e etc). Pismael. 25. que devíamos ter corrigido na revisão. e p. 74. lanCitlbergura e Calbergara dfs. 28. ou Vfdiajuna?. 27. p. Supprimimos as seguintes palavras ou phrases por serem repetições: p. g3^ piões. mercê. 88. p. 23. 36. etc. palavras cuja leitura é duvidosa: p. pé. a Q a (= á. 119. brahnj-s. terá. Duree. p. noutras partes piães (p. será. pe. (= mercê. texto se acha nesta altura. mas a copia não permitte decidir. 73. p. i23. etc. 2. 114. p. Ardegema.

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e despois da terra tomada. que he de Gambaya. Estes homées são bran- cos e grandes de corpo. duzentos e trinta annos a esta parte. com suas terras ha muitos caque este rey de Delly fez a guerra a Cambava em e a desbaratou. fez muita gente prestes de pe e de cavallo. quy por força d armas e gente fez a guerra a Cambava per muytos anos. para se poderem defemder aos e guos. e por derradeyro foy senlior d ella.CHRONICA REIS DE BISNAGA TresLido e sumario de luta chronica dos Reis de Bise naga. ouve o ma3'or senhor que nas partes da índia avia. que muytos tinha. lhe ficarão ainda oyto centos mill homées de . e elle senhor ca- d ella. tomando e destroimdo neste tempo a terra do Guzarate. que for ão da era de mil reino de Bisnaga. que com o xeque Ismael. E d esta tomada não contente com a vitoria que ate hy tinha alcançada. leixando em suas terras e fortalleinimi- zas seus capitaêes. que foi despois da destroição s:eral do Na era de mil e duzentos e trinta anos. e determinou fazer a guerra a el rey de Bisnaga. por que este rey tinha naquelle tempo guerra com Bemgalla comlinão vallos com os turquimaées. que era o rey de Dili.

a quoall tinha húu r\o. por que às augoas d algúas poucas allagoas que nos campos avyão. passou o ryo de Duree. e as d el rey de Bisnaga. não abastavão dez dias a sua gente. não avya lugar tomado. E do ryo. e metello debaixo do seu senhorio. tas cidades e lugares. o quaal ryo passou em cestos sem aver quem lho defemdesse ho passo. cujas ter- ras agora são do Idalcão. que este rey de Dell}' passou em cestos. E despois de jaa ser senhor de toda a terra do Baliagate. que se chama Nagumdy. atee chover augoa pollos campos e allagoas em abastamça pêra tão grade poder de gente como le- vava. detreminou deixar a cidade. por naquelle tempo aver gran- des secas. e tem aymda agora. mas antes jaa d este tempo em todo ho reyno de Bisnaga. da gente de pe meçou a entrar e fazer guerra ao Baliagate. avera vinte cinco leguoas.não se conta aquy por que não tem conto. deixamdo aos naturaes da terra as lhas não poderem defemder. e asy esteve ao lomgo d este ryo por este respeito algúus dias. E vemdo el rey de Bisnaga seu grande poder e muita gente que trazia. e allyfantes. e saymdo do reyno de Cambaya covallo com que passou a Bisnaga. salvo a cidade de Nagumdym. e veyo asentar seu arayal a vista d esta cidade de Nagumdy. por ser forte. em que el rey de Bisnaga aquelle tempo estava esperamdo a destruyção. e como foy tempo levamtou seu campo. que hera húa sua Llisboa. não temdo jaa mais que aquella cidade. e determinamdo a fazer guerra ao rey de Bisnaga. que era muito forte de entrar. despois de ter feyto armas por muyto dapno. tomamdo e destroymdo mui- de maneira que. lhe entregarão os corpos e fazemdas. que he estremo das terras do Baliagate. per caso do verão. a esta cidade. passou as terras que novamente tinha ganhadas entramdo per as d el rey de Bisnaga que aquelle tempo erão muytas. per homde a cidade se . todas são de campos nos quoaes lhe pareceo arayal. cavallos. sem se seca- rem. nestes bom asentar seu campos ao lomguo d este r3'^o pêra sua gente beber estas augoas.

dizemdo: Primeiro que entremos nesta batalha. que era não sem dar fim aos que demtro na fortalleza comsyguo tinha. que lhe pedia que se armassem. de Bisnaga a vontade dos partir d alty d. e logo todos forão armados. avemos de ter outra com nossos filhos e filhas e molheres. por que elle esperava naquelle dia isso que não contente com dar batalha a e senhorio el re\' de Delly. que dentro na fortalleza estava. lhe pedia que a lealldade com que elles nas V3-das teverão quisessem ter na morte. pomdo lhe diante a destroyção que feito tinha. e pois jaa em seu reyno não tinha mais que aquella fortalleza e as pessoas que dentro tinha. damdo as vidas a quem lhe tirara as terras. el E vemdo el rey rey de Delly. e a mais mandou que se fosse para outra fortaleza sua que per seu re3mo aynda tinha. pomdo regra em seus mantimentos. e acolheo se a húa fortalleza que tinha da banda do ryo. a quoall avya nome Crynamata. Todos d isto forão muyto contentes e alegres. e se acolheo a esta fortaleza. por que jaa na fortaleza não av3^a augoa nem cousa para comer. foy cercado por todas as partes d este rey dos de Dely. que não será bem que fiquem entregues a nossos enemigos pêra huso. dise . fez húa falia a todos. mas não para se poder sostentar gente quoanta elle tinha comsyguo. no quoal cerco esteve pouco que jaa a este tempo avya doze anos que lhe fazia a tempo porque a gente. e despois de ho serem lhe fez el rey outra falia. e el rey dos de Dely em seus reynos ho tinha posto em cerco naquella fortalleza. e que de cimcoenta mill homées que na cidade de Nagumdy tvnha. e com elle morressem na batalha. e em pouco tempo gastarão ho mantimento. guerra. hera muyta. onde jaa não tinha outra salivação senão a morte.chama Nagund}^. dos quoaes este rey tomou cimco mil homées com suas fazemdas. e per elle dizem que tinha a cidade seu nome. que seryão cvmcoemta mill homées. escolhera a elles por companheiros e verdadeiros amiguos. E acolhido na fortalleza. a quoall tinha muito mantimento e augoa.

lhe disserão quem erão. mãdou a seus capitaées destroir algús logares e villas que estavão alevantados. Tanto que el rey acabou ho que tanto desejava. e d ahi elles em diante ficou jaziguo dos reys. e este rey tem por santo antre S3\ Capitullo do que el rey fe'{ despois de ter naga morto. os quaes el forão captivos e trazidos diante d rey. os mortos mandou que^^mar. homde por mão d tas el rey forao mortas cincoenta e tanfilhos e filhas molheres suas e algúus fo}^ pequenas. e elles com que el rey muyto folgou. e dar seguro a rya. eu quero ser o primeiro que lia tenha com mi- nha molher e filhos. e desbaratado. Em este tempo estavão jaa todos em húu terreyro grande que diante da fortaleza estava.el rey. e aca- badas estas bodas tanto contra suas vontades. e as}'. os quoaes por elle forão entregues que dentro na fortaleza soterrados tinha. e despois da morte d este re}^ quem ho d elle que- esteve nesta fortalleza . elle el e outro tesoureyro. abrirão as portas da fortalleza. diguo. e el re}^ lhe preguntou que homees herão. &c. e rey de Bisa terra por sua. e todos morrerão sem ficar mais que seis ho- mêes velhos que se recolherão a húa casa. foy levado ha cidade de Nagumdy. e o corpo d el re}^ muyto honrradamente a requerymento d aquelles seus homées. Sabido isto por el rey os mandou entregar a húu capitão seu. e como escaparão. por que húu d foy pedido por elles era ho regedor do reyno. e ti- loguo feyto outro tanto per e filhos mão d aquelles que nhão molheres que não erão pêra pellejar.lhe derão conta do que remdia naquelle tempo o reino de Bisnaga. homde loguo forão entradas dos inimiguos. e os mais erão hoficiaes dante el aos quaes rey conta dos thesouros d rey de Bisnaga. sem el aper quem lho defendesse. e os mortos mandou entregar a húu capitão.

mouro. que era mais forte que neste reyno havia. damdo lhe muytas dadivas e terras. e cada húu era senhor do que querya. deixamdo o reyno de Bisnaga em poder de Meliqu}. gentes todas espalhadas. e zesse. mamdou nesta fortalleza.re3'nno. pêra se defemder emquoanto tivesse mantimentos abastança. que visse sua allteza o que querya. damdo conta aos grandes de seu reynno da carta e re- . que contra suas vontades com temor lhe tinhão dado as menagées das villas e lugares. e contentes. fazemdo d estes seus naturaes. sabido por toda a terra como era fora d ella. Sabido recolher sua gente. que era d onde elle estava passante de quinhentas leguoas. lhe vierão novas terra por elle primeiro temdo suas como toda a ganhada era allevantada. &c. que em tall caso se fifazia nesta terra. de maneyra que todos ficarão Enybiqu3'melly.niby. lle3aando ysto por el re}^. fez comselho. não lhe deyxamdo vir nenhúus man- tvmentos gados. e outros. lhe fez loguo ai}'' saber como toda a terra era alevantada. avemdo jaa doze que lhe fazião a guerra ao do seu naturall. por respe^lo da nova que lhe hera vvmda. Capitidlo de como partio el reydos de Dilf. se alevantarão contra o capitão Mileque neb}^ e lhe vierão por cerco na fortalleza. E sabido por el rev estas novas. e quão lomge tinha os socorros d elrey seu senhor. e era afora dous anos. nem lhe pagamdo as remdas como erão hobriE vem do Meliquy niby quão pouco seu proveyto quoão mal lhe hobedecião. e nenhúu era per elle. e. perdemdo jaa a esperança de mais tomarem novos terrenos. Partindo se el rev pêra seu reyno. os que escaparão pellas montanhas. e em deixou por capitão e regedor do reyno com elle deixou muyta gente fazemdo a cada húu per sy muita mercê. e levou pêra seu reino os seis captivos que na fortalleia tomou.

e feytas muytas mercês e honrras. sem aver justiça entre elles nem pessoa a que quyzese obedecer. to- mamdo-lhe suas menagees e reffaaês de vassallos. pois que tanto trabalho e dinheiros e vidas de seus naturaes custarão ganhallas.cado que tinha de Melincbiquy seu capitão. e nenhOu húu de ho reyno. e quoão mall lhe obedecião os senhores da terra. e que este não tynha nenhiiu parentesco com os reys mais que ser justiça mayor. mas antes cada húu era rey e senhor dos que quer3^a. e governador do re3-no de Bisnaga. a chegada Em niby fo}' muy allegre e contente. como aquelles que tanto sentia serem sogeytos a senhor fora da sua lley. e d este descendem todollos outros que atee agora forão. e entregarão lhe as terras ganhadas pellos reys passados e perdidas por elle. que aquelle tempo avya dos reis de Bisnaga. e logo forão despedidos e mandados pêra suas terras com muyta gente que hos defemdesse de quem lhe mall quvsese fazer. ou parente. que hera ho que lhes parecya. hera regedor do reyno. que. e lhe entregou a for- . Decidarão todos neste comselho que mamdasse elrey vir os seis homêes que captivos que d elles soubesse quoal hera o mais chegado. e o thesoureyro por regedor. e fo}^ obedecido por rey. e sabido ysto pollo capitão Meliquy quinhos. e fezerão lhe gramdes festas. e lugares povoados d algús mes- pouco tempo foy sabido per toda a terra Deoráo em como vinha alevantado por rey do que o povo fo}' muy contente. Logo os seis cativos forão soltos e postos em sua liber- dade. e feito este exame não se achou tinha. e o regedor foy allevantado por rey. e que aquelle podia sua allteza dar o seis a que por razão podesse vir que elle tinha captivos. não acharão mais que os alliceces das casas. e ysto pareceo muy bem a el rey e a todos. e ho que nisso devyão e podião fazer pêra que híia tamanha terra e tão rica se não perdesse. e chegados asy estes dois homées por suas jornadas a cidade de Nagumd}-. salvo a tempo da destro3'ção de Bisnaga. ao reyno. como tinha algúu poder.

homem santo antre elles. e tão bem per ser muyto velho. se pardo dei- xamdo a terra a cuja era. dise a el rey que se tornasse tall com elle a mostrar lhe aquelle lugar omde ho acontecera. não podia ganhar. como muj^tas vezes cos- húa montanha d outra bamda do ryo de Nagumdym. e que esta cidade nunca poderya . não lhe pareceo mas algúu m}steryo. e que amdavão alevantados. E chegamdo ao r3'o achou húu ermytõo que amdava ao lomgo d elle. e corremdo suas fortalezas e lugares. por não nem cousa pêra poder fa- zer a guerra. omde agora he a cidade Bisnaga. alevamtamdo se lhe húa lebre em vez de fugir aos caães enviava se a elles e mordia a todos. aho quoall contou o que lhe acontecera com a lecidade de bre. que a ella pello nenhúu ousava de chegar e dapno que nelles fazya. Capitullo como foi por este rey DeJioráo edificada a cidade de Bisnaga. a quoall el rey tinha coutada pêra sua pessoa.talleza e reyno. zemdo se prestes como mamdava el rey seu senhor. Himdo tumava el rey húu dia a caça. húa cidade. el rey Deoráo. e facom muyta brevydade. leixando as terras perdidas que elle ter gente e cavallos para vsso. E despois de partido. entregue do apacificar a terra e os rej^no. dar lhe fazer lhe muytas mercês pêra lhe ganhar as vontades. porque aquillo sinificava ser a do mundo. não curou de mais que de seguros. e semdo llaa lhe disse o yrmytão que naquelle lugar fizese as casas e edificase mais forte em que ouvese de morar. e d isto espantado o yrmytão. e tornou se loguo pêra a Nagumdim. a quoal semdo nella com seus cães e aparelhos de caça. a fazer. vemdo 3'sto el rey espantado de tão fraca cousa morder lhe os caées que lhe íilhavão húu ser lebre tigre e húu lyao. que aquelle tempo era húa brenha em que amdava muyta caça.

por que asy se chamava o yrmytão que lha mandou fazer. e Ceillão. que per sua morte erdou ho reyno. que quer dizer em e este fez a moeda de pardaos que agora aymda chamão puroure deoráo. este rey Dehoráo reynou sete anos. E asy o ffez el rey que naquelle dia começou a fazer obra em suas casas e cercar a cidade ser tomada dos ynimiguos. D este rey ficou húu filho. e nelles não fez mais que apacificar o reynno o quoall deyxou com mu3'ta paaz. e d aquy per memorya os reys de Bisnaga. e deixou a de Nagumdym por a povoar mays asynha a quoall pos nome Vvdiajuua. e per ysso ha tantos nomes de pardaos no reyno de Bisnaga. e fez Chaul. e por elle forão tomadas.8 e que aquella fosse a princido seu reyno. e d aquy em diante ficou em costume as moedas tomarem os nomes dos reys que as fazem. e tomou o reyno d Orya que he muyto gramde. não semdo menos temydo que acatado e obedecido por todo seu reynno. o quoal se chamou Ajaráo. Por sua morte herdou o reyno húu que se chamava Bucaráo. e deu lhe mu3^ta remda. ho dia que os alevantão por rej^s. que aymda estava alevantada da primeira destro3Tão e fez outras cousas mujtas que aquy se não . e tomou Goa. e reynou trynta e sete anos. não mais que deixar per sua morte tão sogigado como d el rey seu pay a tynha. parte com Bemgalla. e despois d este hermitao morto fez húu pagode muy honrrado d este hermitao a ssua honrra. e feyta esta. e por tempos se corrompeo ^este nome. e se chama agora Bisnaga. e este conquistou muytas terras. pall ao redor. primeyro hão de emtrar nesta casa que na ssua a honrra d este hermitao. e toda a terra de dell Charamam- d este reyno. e este rey em seu tempo lho que se canará poderoso senhor. e DabuU. e tornadas a seu poder e senhorio. e este re\'nou corenta e três anos no quoall tempo sempre fez muyta guerra aos mouros. que no tempo d esta destroyção d este reyno ficarão alevantadas. E per morte d este rey Bucaráo ficou hííu fi- chamou Pureoyre Deoráo. na quoal tem muyta devoção e fazem muytas festas no ano.

salvo a augoa de que va}' Nagumdym e este afastado d terra av3^a era toda salgada. por nella não aver augoa pêra poderem fazer ortas nem pumares. e Tanaçary. se fe- zerão por derredor da cidade muytas hortas e pumares. que d ali a cimco legoas estava. e neste tempo não fez cousa que de contar ficou seja. e com as gramdes guer- ras não pode ajuntar mais que oj^tenta e cymco contos d ouro. e outras de muytos l3-moe3Tos e laramgeiras e roarvores que nesta terra dão muito bom re}- nesta ribeira. não contamdo pedrarya. detreminou de trazer híjua rybeira mujio gramde. dizem que gastou todo ho thesouro que d elrey seu pay lhe ficou. o quoall viveo seis anos. que nesta terra ha muytas. e outras muytas terras.contão. e cercou ha novamente. e Peguu. E d este rev húu filho per sua morte que se chamou Visarão. e Ceyllão. E d este rey per ssua morte ficou . o quoall ho ífez tapamdo a própria ribeira com gramdes penedos. e trazida a augoa lamçou ha polias portas da cidade que elle quis. que herdou o reynno por morte de seu pav. e ysto não era muyto dinheiro. de gramdes arvoredos e latadas de uvas. por outras partes. e e sais. per virtude d esta augoa. por que a cidade a este se tempo não hera nada. ella. que era muito gramde soma de dinheiro. e detremynou fazer gramde thesouro. e Paleacate. e a fazer a milhor de seu reyno. E per sua morte ficou d elle húu filho que se chamou Deoráo. esta augoa faz tamto proveyto nesta ci- dade que lhe acrecentou mais de remda trezentos e cimcoenta mill pardaos. fruj^to. que diz a strorva que lhe liamçarão hiía pedra tamanha que ella sso o fez vir arrybeira per homde a vontade d elre}' querN^a. Este rey fez na cidade de Bisnaga muytos mu- ros e torres. e esta foy levada ally por muytos alh-fantes que em seu reyno tinha. por que ha que na que hão deixava cryar nada. o quoall rej^nou vinte e cvnco anos. desejamdo d acrecentar esta cidade. a que fazya muyto proveyto em metella por dentro da cidade. que este trouxe. porque neste tempo pagava parvas a elrey de Coullão.

e tanto que entrou homde elle estava. lhe apresentou húa bátega d ouro. ho regedor detreminou a cavallgar. o quoall se fez sem nimguem ho sentir. e tanto que chegou as portas do paço. cousa que se costuma antre elles. mamdou a el rey húu recado em como estava ally. e levou lho. que quer dizer antre elles. e asentados não vem nenhúu homem a servir. e por asy estarem sos a mesa não pode ser sabido da gente que trazião ho que passava. melhor . e pêra ho matar teve esta maneyra. fez muytos livros e hordenaçôes na ssua terra e reyno. reynou doze anos. ho quoall el rey pello amor que lhe tinha. o quoal posto por obra. gramde sabedor. e este rey foy morto por treyçao. tanto que forão em sua casa estamdo a mesa forão todos mortos as punhalladas por homêes que perá ysso tinhão prestes. e nella levava huma adaga chea de peçonha com a quoall lhe deu que ssabya muy muytas ferydas. E depois de ter ho filho d el rey morto com todollos capitaées. foy dado muito as letras. nem home de fora que não aja de comer. e por folgar de ho honrrar. o quoal se chamou Pigramde estrolico. e pêra as festas de seu casamento pidio a el rey seu tio que ho mandase acompanhar e honrrar nas suas vodas por seu filho. e com regedores e capitaées de sua corte fossem acompanhar e honrrar o casamento de seu sobrinho. foy todos os officyos. e este rey foy muyto manhoso. que he oíryc3'o que antre elles amda em húa so pessoa. e fez hiju presente a el rey. por mão de húu sobrinho que elle cryou em ssua casa como filho. e estamdo el rey a este tempo despojado folgamdo com ssuas molheres. em llymgoa canara. tinha tão bom emgenho e natural e por ysso lhe chamavao Pinaráo. porque ca costumão por tudo na mesa ho que se hade comer e beber. e emquanto reynou teve V3^nte regedores. mamdou a seu filho que se fizesse prestes com sua gente. el rey como era home bem jugar d espada e adarga. mamdou lhe que entrasse.IO que herdou ho reyno. e lhe trazia húu serviço. e gramde sabedor em húu filho narão. Detreminou de querer casar.

e outras principaees terras de seu re3Tio. e este rev fez da remda do seu reyno mercê aos pagodes o quynto. e soube quoanto remdya cadanno. e com hos primcipaes seus capitães. e acabados elles morreo de peçonha que llevava a adaga. e tanto que el rex chegou vyo a verdade da treyção. e preguntou lhe. do que el rey muy imdinado mamdou fazer gramdes justiças dos seus aos que nisso achou culpados na trevção. e Dabull. e tanto que ho fez. pare- que podya morto seu filho. e tinha e este rey. e com húu terçado seu ho matou. 1 que nenhúu dos de seu reyno. com outros que não herão. que he a dos sa- cerdotes. se desembaraçou d elle. e Chaull. nos quoaes não entra justiça nenhúua na terra d estes pagodes se não ficou justiça dos bramines. e d isto se aquevxão. este rev enquoanto reynou sempre foy dado aos viços. . que re3'nou. porque se sonhava de noute que húu capitão seu lhe entrava em sua camará. E despois de sua morte herdou ho reyno húu seu filho que lhe ficou. e hos que com elle forão. E por morte d este rev que se chamou Verupacarao. não cu- húu filho ramdo gar. cada húu se alevantava com ho que tinha. que lloguo cavalgou. furtamdo lhe o corpo as estocadas que lhe tirava.1 . mamdou sellar húu cavallo em e a cabeça na mão. Este rev matava muytos capitaées por doudice. tanto de remda sua allteza treze contos d ouro. per omde em seu tempo perdeo Goa. ao outro dva . levamdo lhe se foy caminho de sua casa. mamdou chamar seus thesoureyros e o regedor e os scrivaées de sua fazemda. e gramde mall que seu sobrinho cometera a lhe matar seu filho ter cemdo lhe a treyção quella podia ser feyta. o quoall se chamou. e vemdo os gramdes de seu re3'no a maneyra e vida de sseu rev. e elle ficou muy ferydo das ferydas apeçonhentadas. se não de molheres e de se embebedar e de follnão se amostramdo aos capitaées nem a seu povo. de maneyra que em pouco tempo perdeo ho que seus antepassados ganharão e lhe Ueixarão. e a se elle também pu- nha por obra poderá. e durou seis meses.

e governe o. estava muito d asento nesta cidade. e camanha perda era do reynno viver e rei- E não era pêra nada. e fe^^to por sua mão. que se chamava Narsymgua. pois não çujou as mãos no ssamgue de seu pa}^. eu ho não quero. asy que bem ouve este a fim que hão aquelles que tão maas obras fazem. dizemdo lhe que elle sonhara aquella em sua camará pêra ho matar. tome o meu irmão. porque eu remdo ho meu pay. as}^ far37a a elle se lhe viesse a vontade. e depois e de ter 3^sto fe3'to. que por ysso ho mamdava matar. fazemdo se nar. segumdo a maneira de seu viver. disse: Aymda que este reyno he jaa meu por dyreyto. omde el rey estava. que em parte lhe era parente. o quoal logo foy posto por hobra. não queremdo saber cousa de seu rej-nno mais que os viços em que se delleitava. e fiz nisso ho que não devya. e como perdia seus reynos. e parecemdo lhe a este rey que aqu341o bem podj^a ser. tiramdo aos costumes de seu pay. ho quoall logo pos em obra. detreminou de ho matar. que asy como elle matara a seu pay. e fiquey em pecado mortall. noute que entrava que hera ho heerdeyro. llamçamdo se as molheres. os quoaes vemdo a maldade de seu pay. perder aymda por seu mao cuidado mais do que seu pay perdeo.12 mamdava chamallo. mate}' e este rey se chamou Padiaráo. detremynou a vir sobre elle a tomar lhe suas terras. Este rey tinha dous filhos jaa homêes. e o jrmão mais moço allevamtado por rey. fazemdo a todos gramdes abastamças por lhe ganhar as vontades. e por ysso não he bem que húu tão maao filho herde o reyno. escrevemdo e fazemdo saber aos capitaêes do rejmno camanha perda era não ter rey que hos governasse. e asy que ajuntou muyta gente. pois prestes pêra vir sobre Bisnaga. e despois de ho ter morto quelevantar por rey. o modo de sua vyda. E depois de lhe entregarem o reyno foy acomselhado pello seu regedor e capitaêes que matase a seu jrmão. o quoal asy foy feyto. e que não serya muyto. detremynarao de o matar. sabemdo húu capitão seu. E . como de feyto foy morto por húu delles o mays velho.

e os que morr\'ão no mar trazião. tomava lhe os mortos e os vivos três por mill pardaos. e por ysto fez grandes mercês aos mercadores. e entrando por suas casas atee as portas de sua camará matamdo lhe allgúas molheres suas. se fasva prestes.lhe o rabo. são gram- des terras ricas. e por sua morte poder e ser este re3-no de Bisnaga deixou todo ho reyno fez vir os cavallos d em paz. e Conadolgiquo. e pagava lho como se fosse vivo. treminou a sse sahir capitão elle. e quoão perto tinha. Por morte d este rey ficarão três fortallezas alevantadas de seu reyno. omde fez muytas justiças. e fugio. e elrey dizia que não podia ser. Sabido pello como elrey hera fugido não curou de hir após tomou posse da cidade e dos thesouros que nella ffez achou. deper húas portas que da outra bamda e vemdo jaa tinha. que elle nunca pode thomar. e o saber a seu senhor Narsymgua. que era pay d elrev que despois fo}' rev de . antes a quem lho dizia tratava o mall. pa- gamdo lhe os cavallos quervão. não dava nada por ysso nem achegamdo com muyta gente.i3 semdo dito a el re}^ o alevantamento d este capitão Nare symgua. e Odegan}^. veyo a Bisnaga. e este rey re3mou corenta e quoatro anos. e semdo dito a rey sua chegada. e e como brando a não Ilie lemperda que recebia. e tomou as terras a quem as tinha contra razão tomadas a elrev. e obedecido. as quoaes erão estas Rachol. de maneyra que tão da as portas de Bisnagua chegou húu capi- mão d este Narsymgua. de maneyra que entrou a cidade. e todas as terras que hos revs passados tinhão perdidas forão ganhadas por elle. Per ssua morte lhe ficarão dous filhos. e era regedor do reyno Nasenaque. o quoall despois d isto feyto foy alevantado por rey. sem achar el quem lho de- femdesse. por ter muyto chamou bemquisto do povo. e as primeiras de sseu re3'no. e deixou lhe a cidade e casas. então ho creo. se vinha como liie vinha tomamdo suas terras. E este rey depois de allevantado por re}'. e de então pêra ca se ho reyno de Narsymga. Oromuz como elles e d Adeem aquy a seu revno. dizia que não podia ser.

não podemdo fazer mais justiça d este quoal matou levantado ho yrmão mais muyto aparentado. e tanto que Narsenaque soube que era morto. e llogo alevantou ho primcipe por rev. temdo elle de sua mão ho thesouro e remdas e o governo da terra. e lhe fez sua falia. que asy como matou a sseu yrmão . parecemdo lhe que por esta treyção fose morto Narse- naque. que he vinte e quoatro legoas d esta. e que lhe não ficava mais que três fortalezas pêra tomar. detreminou de matar ho príncipe pêra dizer que ho mamdara matar Narsenaque. poemdo lhe diante como elle ganhara re3mo de Nars3-mgua pella ponta da espada. o quoall logo teve maneyra como foy morto de noute per húu pagem seu que pêra ysto foy pertado. e o entregase a seus filhos. homde fez logo muita gente prestes e muitos cavallos e allifantes. aquelle que mostrase mais ser pêra ysso: e despois da morte d este rey ficou este por regedor. e asv que dixe que todo ho seu tesouro tinha em ssua mão. mamdou cha- mar Narsenaque. e por cuja herdara o reyno. que se chamava Tamarao. e que por elle não ter tempo as não tomara. contamdo lhe a treição que aquelle capitão por nome Tymarsaa horde- nara com elle morte elle e lhe ficara matar seu yrmão. e despois de ser nesta cidade de Nagum- que se chama Penagumdim. atee seus filhos serem de ydade pêra governar. se foy a outra a elrey Tamarao elle a causa de ssua hida. e que ho mamdara matar. senão despois de almoço por rey. o com húa espada. que hera rey. antes que morresse. E neste tempo húu capitão que lhe querya mall. deixamdo na cidade capitão por ser toda sua casa. e que por quoanto este reyno emcomemdado por morte de seu pay e asy elle seu vrmão. e então fez saber dvm. e que lhe pedia que este tomasse cuidado de seu reyno. alevantou seu vrmão por rev. seu regedor. dizendo que o deixava per sua morte per seu testamente3T0 e regedor de seu revno. que hera ho regedor a que ficara o reynno emcomemdado.14 Bisnaga. dizemdo que hya a caça. Se sayu húu dia da cidade de Bisnaga atee Nagumdvm. lhe e este rey.

e passados allgúus dias. cu3'damdo Narsenaque na tre3^ção em que lhe fallavao. lhe mamdou vinte mill homées pêra que ho goardassem. e cercou ho estamdo sobre elle quoatro ou cinco dias. folgamdo com vsso. ho quoall depois de ter vsto feito. pois não hera pêra o ser. e pêra que dese a sua pessoa de allgúa trevção. fazia lhe mercê. E depois de passados algúus dias e anos. e vemdo eire}' sua detreminaçao mandou fazer justiça de Timarsaa. pêra mais sua honrra. foy sobre elle com muyta gente. e favorecia o contra ho regedor. pois era tredor. detreminou de ho ter na cidade de Penagumdy. depois de morto mamdou lhe a cabeça a mostrar. e dar lhe vinte mill cruzados d ouro cada anno pêra comer e gastar. chamou húu dia aquelles capitães. e fo}' destro3^mdo por estarem alevantados. que lhe per muytas vezes ti- . pêra que ho não leixasse sahir fora da cidade. por ficar mais a ssua vontade. e despidio toda a gente. e por ysso hera necessaryo castigalo. omde fov muy bem recebido de toda a gente de que hera muyto amado por ser homem de muita justiça. E elrey neste tempo folgava porque por sua causa fora rey. vemdo Narsenaque a ydade d elrey quoão pouca era. e neste tempo taées que cometido d algúus capi- matassem a elrey. e mamdou per capitão dellesTimapanarque. como tinha detreminado. começou Narsenaque fazer a guerra a muyto resgoardo allgúus logares. dixe elrev que queria vir a Bisnaga a fazer algúas cousas que comprião a bem do reyno*. com gramdes goardas pêra seguramça de sua pessoa. e depois de partido e chegado Narsenaque a este capitão. lhe dixe que fosse. E despois d isto feito. porque asy lhe ficou emcomemdado d elrev seu senhor pêra fazer ysto. e em vez de o castigar. com que ho regedor folgou muyto. sem d elle ser repremdido.ID asy far3'a a elle outro tanto. ao que Narsenaque não quis rempomder nada. e entrou na cidade. homem de muyta com^fiamça. e vemdo ysto Narsenaque. elrev. e pêra mais levemente senhor ser do reyno de que elle hera regedor. muyto com Bisnaga. tomamdo os. e elle governar ho reyno.

e veryão com elle sobre Narsenayque. e posto dias foy conhecido d elrey. e saymdo ho matarya. omde em poucos metido. respomdeo em que muyto poderia bem lhe dizia e acomsselhava. e amenhaa outra d outro capitão. porem. e a cada dia lhe mostrava húa carta. e o tinhao preso. e que pêra lhe fazer melhor coração. e se alevantava. lhe farya muytas cartas falssas de capitães que lhe desem omde estava mais preso que solto. como e alli- elle resystir ao poder de Narsena^^que. Ouvimdo ysto Narsenayque. e que d esta maneyra serva rey. e com este desacatamento elle poderya dar quoallquer pena. aliem de ser regedor do reyno. e que elles todos erão mamdao mesmo comsselho. e prisão em que ho elle tinha lha darya. que elle se farya agravado d elle. e que elle ho mamdarya chamar. e com este agravo deixaria a cidade. e preguntou lhe que maneyra terya pêra matar elrey. ho quoali se fazya forte e gramde no reyno. e lhe fez muyta mercê.i6 nhão cometido. e vemdo elrey os ardis que lhe este dava a carta que lhe mostrava. e que d ally se faria prestes mamdava aquella com muyta gente. e ajudaryão. e que se sayse d aquella cidade secretamente a huúa fortalleza do capitão que lhe carta. pomdo lhe diante como elle era rey e senhor d elles. hordenarya contra elle de tal maneyra que lhe perdese a obediemsya. e que d esta maneyra serya rey. como quem hia fugimdo pêra Penagundy aqueixar a elrey d elle. que. oje de húu capitão de húa fortaleza. e coobra as ditas cousas. mostramdo hir fugimdo. e maa obra em que este capitão se punha. e que como os fidalgos e capitães soubesem sua vontade e detremynação. ho quoali desapareceo d aly algúus dias d omde estava Narsenayque. foy muy contente com a treyção. tinha todollos cavallos . Dise lhe então húu que muito boa. sem ser sabido que ho mamdava elle matar. e depois de ganhar a vontade a elrey. e o deixara naquella cidade muyto dos por Narsenayque seu vassallo. e. e foy ter a Pena- gumdy. lha faryão. e que depois de ho ter comvertido a ysto ho farya sahir. ao quoal mamdado elle não hiria.

que eu vos estarey esperamdo. Disse elrey. e porem elle he muyto mallquisto de todos os capitães. por omde elle querya que elrey fugisse. omde terey cavallos prestes seja sentido das goardas. diserão todos que aquelle serya ho mais pequeno serviço que lhe faryão. que te alevantarão por re}-. e as oras chegadas. porque elle mo merece. que eu sey mu}^ bem. sem ser sentido de vossas molheres. que avia pedaço que o estava esperamdo. e asy dam- . não o deixeis pêra amanhaa. Tudo vsto pareceo muy bem a elrey. pois ysso asy he. senhor. e a taes oras. matay o. e bem o que que asy o faria. que estão elle.17 fantes e thesouro pêra lhe fazer a guerra da sua mão ? Verdade he senhor o que dizes. e tudo pos nas suas mãos. E tanto que foy noute. que não de vinte mill homees. e d esta maneyra nos sa3Temos fora da cidade. e passado aquelle d3^a deu o tredor pressa a elrey. que era da bamda das casas. que eu tenho jaa prestes os cavallos pêra vos salivar. com hos quoaes elle se fallou. a quoal orta hera aquella parte se goar- dava de noute com obra de trezentos adargueyros. e vemdo te as goardas híi so sem gente. disse que nos ponha omde te a ty he necessavro. que manejTa sobre me das pêra sahir d aquy. elre}^ teve cm-dado de se sahir. e milhor teve elle. dise elrey que hera mu}' dezia. por ysso detreminay de vos sahir. nem d outra pessoa. porque nesta orta elrey hia folgar muytas vezes com suas molheres. e lhe disse: Semdo cousa que vos outros me vejaes passar por aqu}^. que era a fortalleza omde elle acomselhava que se fosse. todos te ajudarão pois he contra a justa causa. o que aveis de fazer ojee. e my nesta cidade? Senhor. fallou se com aquelque goardavão aquella parte da horta. eu taa darey muy boa. e comiguo virdes vir hú home. e d ella nos sayremos por húa porta fallssa. e vimde vos a orta. não hão de saber que es tu. respomdeo o tredor. e tanto que te virem em Chaodagary. e eu vollo pagarey. tall noute. e vemdo les elle acabado o que desejava. tu e eu nos sayremos por esta horta tua. vivemdo atee lly em sua liberdade. que estaa nesta cidade.

omde po- dese fazer guerra a Narsenayque. e antes que morrese. porque tanto que o pay fov morto. outo contos de pardaos douro. ao quoall loguo foy mostramdo por vsso muito sentimento. fa- zemdo se prestes todavya de cavallos e alyfantes pêra se no revno ouvesse allgúu rebollyço pella morte d elrey. e depois d isto veyo quem ho matou.eh'ey achado menos. e outro Crismarão. llogo toda a terra foy alevamtada pellos capitaées. e quoão secretamente fora morto. e as terras tomadas. seu re- gedor. Tetarao. e por elle ter tudo de sua mão. ho não sabião. mays que ser desaparecido. e buscado por toda a cidade. e d este rey ficarão por sua morte cinco filhos. e se foy pêra sua pousada a fazer prestes pêra se sahir fora da cidade. e tornadas debaixo de seu senhorio. posto que não fosse a Crisnarao seu em per- vdade pêra ysso. e outro Ramygupa. mamdou chamar trazer Salvatimya. este rev morreo de sua doemça na cidade de Bisnaga. e outro Ouamys3-uaya. o quoal tanto que foy na horta. e o matarão. o quoal se não achou nenhúa nova d elle. passamdo por emtre dous. e dise a Sallvatina que. E outro dia pella manhaa fo}. e reynou seis anos nos quoaees sempre teve a guerra. e fo}- llogo soterrado ao pee de húu arvore na mesma horta. ho tredor lho agradeceo. remeterão a elle. cuvdamdo todos ter a nova. e ysto acabado sem saberem quem matarão. e deu lhe conta da maneyra que tevera. estes seis anos gastou elre}^ em tornar a terra ao que era d antes. e também por não dar causa a fallarem nelle. húu se chamava Busbalrao. alevamtase a seu filho por rey. tanto que morresse. E este Busballrao herdou o revno per morte de seu pa}' Narsanayque. posto que yrmão . que erão as goardas. ao quoal Narsenayque fez muyta mercê. que os mesmos que ho matarão. foy alevamtado por rey de toda a terra de Nars3'mga. e por não aver nova nenhúa d elrev.i8 do aviso aos adargueyros. e mamdou húu filho seu que tinha d outo elle anos. hos quoaees re}' em pouco tempo forão por este destroydos. ser fugido pêra allgúa parte. que avmda não sabia certo como era.

mamdou llogo a seu sobrinho. esteve na cidade de Bisnagaa húu ano e meyo sem sahir fora d ella. que também o fora de sseu yrmão Busballrrao. que hera de ovto anos. mais que ho filho de Busballrrao. porque jaa esta hera mem a derradeira ora de ssua vyda. posto que de direito lhe viesse. e lhe dise como seu yrmão que fizesse a seu filho rey. ou que a elle lhe tirase os olhos.K) temcva ho revno. vemdo ysto Sallvatina. e lhos apresentou. Crisnarao nada de seu revno. se fov. filho de Busballrrao. em que dizia que mamdava a seus filhos. ou a quem herdase este re3"no de Narsymga. cujo regedor seu pay Narsenayque fora. e nella esteve atee que morreo. e tanto que elrev fov morto fov allevantado por rey seu yrmão Crisnarao. e vemdo o hode vinte e tantos anos. vemdo os testamentos dos reis passados. como adiante vereis. e o levou a húa estrebaria. mamdou trazer húa cabra. dizemdo Salvatina que asy o farva. seu yrmão. e mamdou chamar a Crisnarao seu yrmão. e lhos tro-uxese a mostrar per despois de sua morte não aver no revno allgúas diferemças. disse que não queria ser rey. sabemdo as cousas do reyno. Depois de Crisnarao ser alevantado por rey. &c. tanto pêra ser rey. que elle se querva hir por esse mumdo como Jogue. que elle ganhara por força d armas. e três vrmaos seus. antre os quoaes achou hú d elrey Narsymga. obedeem todo seu reyno. e depois de ter 3^sto fevto pêra ssua seguramça. Capitullo das cousas que fe^ elrev Crisnarao depois de sser allevantado por rey. nem Ouvido ysto. pois que não tinha feito por lhe tirar os olhos. que . e mamdava que a seu yrmão-. a húa fortalleza que se chama Chão cido degarv. a quem elle mamdara tirar os olhos. e lhe tirou os olhos. e os levou a mostrar a elrey. e que lhe não tirasse os olhos. semdo seu regedor Salvatine.

e pagase a gente bem seus hordenados. omde poderão chegar a fortalleza. derribamdo muytos penedos pêra poder dar lugar a sua gente chegar as torres da fortalleza. e trouxe coms3^guo mil e trezentos alliífantes. noquoall tempo fez muitos caminhos por serras. e homés de pee. e elre}^ húa destas fortallezas se chama Odigair. em que avia de hir avante pello reyno d Orya cem legoas. e lhe disse que bem vya como tinha feito o que el- rey Narsymga e em seu testamento deixava emcomemdado. e vinte mill homés de cavallo. E vemdo Crisnaro este testamento. e não se pode tomar senão por fome. que aquelle tempo hera tão forte que não podião hir a ella senão por húu caminho. por que a fortalleza não tinha necesydade de mais por ser muyto forte. e depois d isto acabado chamou Sala quoall foy captiva e vatinya. o quoall era tão estreyto que não podia hir mais de húu home ante outro. e quoão fazer gente. húa delias se chama Rracholl. e foy sobre Comdov}^. per tomou por força d armas. e outra Medegulla. que lhe a llevou tomada com toda a cortesya elle poderya fazer estamdo ent sua liberdade. ella. determinou logo de sobre ellas.20 tomasse três fortallezas alevantadas. e trazia qu3'nhentos mill homées de pee. as quoaees que por sua morte lhe ficavão elle não tomou por lhe fallecer o tempo pêra ysso. e que pêra 3^sto fezese prestes mantimentos. e outras muytas. E despois d esta fortalleza tomada se partio. e detreminamdo de hir sobre ajuntou trinta e coatro mill allyfantes. e coms3guo. e outocentos chegou com esta gente a cidade de Digary. e a cercou. e hir mall os reys passados fezerão o que nelle lhe ficara encomemdado. e quoatrocentos de cavallo. Sabendo Crisna- . no quoal caminho fez gramde estrada. que era húa primcipall cydade do reyno d Orya. húua d d Or3^a. e sabemdo ysto elrey d Or3'a veyo sobre elle a defemder suas terras. e elrey esteve sobre ella hum anno e meio. a quoall e nella captivou húa tia d elrey d Orya. porem que elle se não comtentava com tão pequena cousa como aquella. naquoall estaryao dez mill piois.

21 vymda d elrey d Orya deixou a cidade. E vemdo elrey Grisna- rao sua determinação. con tudo passou elrey Grisnarao ho rryo. e chegou a húu ryo gramde d augoa sallgada. que captivou. passou a ribeyra con toda sua gente e allvfantes. na quoall fortalleza achou muyta gente honrrada. pêra poder passar o rio a sua vontade. ao quoal recado elre}' d Oria não respomdeo. o quoall deixou nella de sua mão por capitão híí seu 3Tmão. por hir passamdo elrey Orya tomamdo e destroymdo toda a terra. mas antes se fez preste para lhe dar batalha. se quizese sair lhe nas costas. omde esteve sobre ella dous meses. e deu a capitanya d ella a Salvatinea. e mandou lhe húu recado. e húu filho seu. e lhe pos cerco. sem lhe dar combate. omde estavão todollos primcipaes do reyno. em que entrava húa molher d elrey. que depois lhe ficarya tempo pêra a tomar. dizemdo que antes ho querya aver com a pessoa d elrey e com sua gente que còm a cidade. e elrey Grisnarao asentou seu arayall d aquém do ryo. que se elle quysesse pellejar com elle. e lhe daria a batalha. que passarão a vao. e com o rio outra vez. a quoall tomais mou per força de gente que de armas. que era e esteve três mezes sem . e e allyfantes. que não avya cousa que o esperase. e passou avante rao a quoatro legoas d ella. e no passo do rio ouve grandes encontros d amboUas partes. por ser primcipall cidade que no reyno avya. que elle se afastarya atras do rio duas legoas. e se veyo por sobre ella. e a tomou. que tornasse atras aquella fortalleza que lhe ficava sem sentir suas forças. chegou a húa cidade que se chama Gomelrey avante por o reyno d Orya. no quoal desbarato lhe tomou muytos cavallos E despois d elrey ter ysto acabado. omde morreo muyta gente. e himdo no allcamço d elrey d depallyr. e da outra parte do r3'o estava elrey d Orj^a com sua gente. e a borda d elle bravamemte que desbaratou elrey d Oria. dise a Salvatinea seu regedor. deixamdo gente pêra poder defem- der a sa3'da a gente da cidade. e quoamdo não que elle passarya. a poder tomaar. e pelejou tão lhe fugio.

que cativarão na primeyra fortalleza. e vemdo ysto o filho d elrey d Oria. nelia esteve seis meses esperamdo muytos recados que o esperava em campo. os de Bvsnaga. escrèveo a Salvatinea. ao quoall deu muyta remda. e se ve3'o a Bisnaga. e nella fez húu pagode muito honrrado. no quoall estamdo allguus dias. e que pêra isso lhe desse d espaço atee outro dia. e que com ysto lhe darj^a sua molher e tomaria suas terras. e nella mamdou estas letras por húas letras que dezião: Quoamdo forem apagadas. mamdou chamaar ho filho d elrey d Oria. então elre}^ d Orya dará batalha a elrey de Bisnaga. e sete capitaées primcipes de seu reyno. e elle quoaes todos mamdou caminho cem legoas. pois seu filho era morto. e mamdou embayxacom sua filha. que remédio terya pêra resgatar sua molher. então será sua molher dada aos ferazes dos cavallos d elrey de Bis- E despois disto feyto se tornou. e dizemdo 3"sto matou sse. pêra que com elle.22 primcepe. e vimdo o outro dia o mamdou elrey chamar. e nesta cidade por elrey d Oria. mas antes era home baixo. dores a Bisnaga a cometer casamento de . avemdo desprazer d elrev per o mamdar jugar com hiju home que não era o filho d elrey. que folgarya de ho ver jugar. disse o moço que pois sua alteza o mamdava. e as esmollas aos pagodes. e mamdou vir hú home seu que aquelle tempo d aquelle tempo muito sabia. o quoall nunca ve3'o. que faria ho que d isso soubese. disse a elre}/ que numca Deos quisese que elle çujasse as mãos em home que não fosse de ssamgue de rey. apagamdo as. deixando a mayor parte d estas terras aos pagodes. e naga. e sabemdo seu pay como jugasse seu filho hera morto. lhe mamdamdo fez muitas obras. ao quoall lhe respom- deo que comettesse de casamento a elrey com sua filha. foy avante pello re3no sem achar quem lhe de- femdese nada atee chegar a Symamdar}'. e lhe disse que lhe dizião que hera home muv manhoso. que em poder d elrey estava. e que jugava d espada e adarga muyto bem. que hera húa cidade mu3-to gramde. o quoal conselho elle tomou.

e foram feitas em pouco CO tempo. que Crisnarao em poucos dias os não entrasse. e levava tanta augoa que elrey não lhe podia fazer nenhúu dapno. e este rio fo}. e vemdo ysto elrey Crisnarao.2^ que elrey Crisnarao fo\' muito contente. como atras conta. e temdo lhe tomada sua molher e as terras d aliem do rio. Capitullo como Crisnarao. e ficou vao que lhe deu llogar para chegar aos muros da cidade. fez muita gente prestes. e fo}^ sobre ella. mas pouco lhe aproveitou. e com a vimda d ella forao amiguos. omde e o senhor da terra estava. e despois das ribevras acabadas. pella quoal causa a ribeira que a cercava hia tão gramde. e as d aquém do ryo deixou pêra s}'. depois de feito pa:{es com el rey d Oria. e que se lhe passava o tempo sem fazer o que desejava. os quoaes se defemderão. esta terra he do em bamda de Charamãodel. em que entrava. porque tinha muita gente. cercada d augoa. e tanto que el- rey d Or3'a soube sua vontade. que hera terra de húu senhor que avia cimcoenta anos que estava allevantada. a quoal se chama rao fo}^ . que lhe tinhão embargados seus desejos. e pos cerco a húa primcipall cidade. e pellejarão mui bravamente. e três mill de cavallo. e matasse todos. lhe mandou sua filha. e tornou lhe as terras d aliem do ryo. ao quoall mu3-to prestes descobrio o debaixo. detreminou de hir sobre a terra de Catiiir. em dinheiro de contado. mamdou abrir muitos ribeiros pêra poder cercar aquella primcipall. e lançadas per omde a augoa hiria. húu conto e seis . E no tempo que Crisna- sobre esta cidade era ymverno. abrio as bocas no ryo. Dentro na cidade avia cem mill homêes de pee.feito em cincoenta ribeiras. Depois de Crisnarao ter feitas as pazes e casamento com húa filha d elrey d Orj^a. e nesta cidade achou muito gramde thesouro. e detreminou de hir sobre Catuir.

que fosse a terra. omde morrerão. e das primcipaes do ydallcão. em prisão. achou no caminho húu mouro. foy captivo. e Salvatinea levava duzentos mill homees. que era capitão d ella. e partido Comdovy. d omde mamdou a Salvatinea a cidade de Comdovy. e de sua mão estava nella seu yrmão.24 centos mill pardaos d ouro. o quoall estava esperamdo com sesenta mill homees. e cativou a elle e a ssua molher e filho. E despois d elrey ter a terra asentada. se veyo a Bisnaga. com hos quoaees veyo sobre elle. e o capitão que dentro na cidade estava. Capitullo como Crisjiarao detreminoii. antes que chegasse. e desbaratou. como primcipall pessoa do reynno. cidade dofdalcão. omde morreo na prisão d elrey. que hera o senhor da terra. e trazido a Bisnaga. Crisnarao a repartio sobre muytos capitães. afora as joyas e cavallos. e Salvatinea pêra muyto dynheiro e elrey os e joyas. por que despois que vierão d Orya num ca mais fora a ella. que sé chamava Madarmeluquo. e quebrar as pa^es de tanto tempo. e cavallos e allyfantes. e allyfantes. com a vimda de Sahatinia. e despois d essa terra acabada de tomar. e muyto bem rece- bido d elrey. hir sobre Rachol. que era húa cidade muito forte. lhe disse elrey que elle desejava de comprir em todo ho testamento d elrey Narsynga. e despois d estar nel- asy por en regimemto e justiça. e a ve\ão porque. se tornou a Bisnaga pêra elrey. e tomou. las allgus meses. e Sallvatinea foy se pêra suas terras. e avia lhe muyto pouco medo. damdo a cada húu o que lhe era necessaryo. e polia regimento. que elle tinha tomado aos reys d antepassa- . que era capitão d elrey Daquem. e as mamdou e meter mamdou a elrey Crisnarao. que muitos. Despois de chegado Salvatinia. que era tomar lhe Rachol. despois de ssua chegada allgúus dias. de quem foy bem recebido.

dise e que elle escreverya ao ydallcão. E sobre veyo neste tempo ter elrev mamdado a cide Mercar com corenta mill pardaos a Goa. Tanto que derão as novas a elrey da teza. capitaées alevantados. e então tinha razão pêra quebrar com fugida de cide.' porque no rcNno do ydallcão erão lamçados muitos remdeiros. ho quoall cide Merquar era mouro. que não quisese que húu tredor fosse causa de ser quebrada húa tão amtiga verdade. como antre elles era. ou outros malfeitores que lias suas terras se acolhessem. per quoanto era seu amiguo. e por que ahi avia a paaz. e devedores a ssua al- que não lhos damdo elle a paaz. e queremdo ho ydallcão dissimuUar o tall caso. deu a este cide Dabull. e parente de Mafumdo. e mamdou ler a carta que d elrey lhe era vymda. dizem allgúus que tanto que ahi fo}^ lhe escreveo ydalcão. antre as quoaes eráo que. a3'mda que muytos forão contra este comselho. e por ellas serem feytas com comdiçoés.2? dos. que estaa duas legoas de Goa. que elle ho mamda- rya con todo ho dinheyro. por dizer que o não . lhe disse Salvatinia que ahy av3'a muita razão pêra quebrar a paaz. Tanto que a carta foy llyda ao ydallcão. a que chamão Pomdaa. e fossem pedidos que Uogo fossem entregues. que por serem tão antiguas não sabya por que maneyra as quebrasse. que lho mamdasse loguo. levamdo todo o dinheiro comssyguo. de que elre}' de Bisnaga comfiava per alguas cousas em que ho jaa emcarregnra. antre húus e outros. e que lhos mamdasse pedir. e passava de corenta anos. o quoall chegamdo a húu lugar de mouros. mamdou chamar os seus cacizes e homées do comselho. por fim de todos acordarão de lho não mamdarem. por homde fugio d este Pomdaa para o ydallcão. asy de húa bamda como da outra. em que numca se fizera outra tal. Lloguo elrey fez escrever húa carta na quoall lhe dizia d amizidade que tantos anos avia. quoaeesquer remdeiros. a comprar cavallos. dizemdo que era húu homem letrado na sua lev. de como lhe levava todo o dinheiro. sobre a quoal carta forão ávidos mu3'tos acordos.

que se cide ouuesse de vir aquella guerra que por se tomar vimgança d elle. tiga. e mamdou Madre Ma- senhores mayores. que agora he do ydallcão. que detremi- nava de tomar do tall vimgamça. mas day sobre Rachol. e a outros Demellyno. quoanto as vontades. dos quoaees senhores lhe foy respomdido que fazia bem. damdo lhe parte do que queria fazer. que elles e Desturvirido. não na façaes por essa via. que ane o 3-dallcão tigamente foy d este reyno. então tomaras juntamente a vimgança de húu de outro. se fizesem prestes. quebrava a paaz tão anque olhasse que em mouro não avia nem verdade. e se diria que. mas que elles sabião que cide se goardarja bem elre3' de ssa armada. numca . que olhasse que se diria. a quoall estava casada com ho ydallcão. por tão pouca cousa. Tanto que dise que. que gente não na avia mister d elles. mamdou loguo vir diante d elle os grammamdou ler a carta em alto que £03. lhe diserão: Senhor. nem deilc sabia. do quoal lugar de Da- forão elrey sem mais saberem parte d elle. porfora que se elles forão da bamda do vdalcão. fazendo suas cartas a prestes sua partida luco. que cullpa lhe avião os outros no mal que cide fezera. bull o cide fugio.lida de todos fosse ouv3-da. os do comselho lho diserão a elre3' que per aquelle dinheiro lhe não parec3-a bem. damdo lhe conta do que era passado com 3'dalcão. lhe ajudarjão com esta reposta. vimdo os memssageyros Zemelluco não pode escusar de não mandar a sua 3Tmaa allgúa gente. e ha de vir a de- femdello. que então serva bem que morresem os que ho acompanhasem. Estas cartas que elrey mandou a estes senhores foy húa gramde cautella.26 tinha coms3'guo. Ouve elre3" este acordo por bom. ouve por quee brada a paz. mas vemdo os do comselho que estava jaa de todo demovido a fazer guerra. tomou por 3S0 gramde sentimento. e como lhe detreminava fazer guerra. pellos ter da ssua bamda. des de seu comsselho. o no que podesem. elle sem outro mais acordo. Como tornados hos d elrey com a reposta do 3dallcão. e fallar3'^a pello mumdo.

trás este hia Gomara. trás este hia a gente d Ogemdraho. piois. privados d elhomes de pee. com húu capitão seu. trás este hia Comdamara. e de cavallo dous mill e quynhentos. mo caés. em a lua nova. e a gente do Guvmdebenga fov por outra parte com a gente de Domar. e mill de quimze alyfantes. de cavallo seis mil. Despois de ter elrev seus vdollos. e sasenta alvíFantes. trás este hia Trimbicara com cimcoenta mil homées de pee. por ser mor senhor que elles. e três mill e quinhentos de cavallo. partio feito suas ofertas e sacreíicios a da cidade de Bisnaga con toda a sua gente. e mill de cavallo. e corenta alyífantes. e C3'mco mill de cavallo. e de espimgardoées. homes de pee. e corenta mil homes de pee. levava a dianteira con trinta mil homés de pee. elrey levava de ssua goarda seis mill de cavallo. governador da cidade de Bisnaga. e trinta mill homés de pee. aquoall hia d esta maneira. foy vemcido como ao diante vereis. e rey. e vinte aly- fantes. Comarberca levava o}to mill quatro centos de cavallo. e llamceiros. e cim- coenta alvfantes. convém a saber. e levava oytenta mil homés de pee. archeiros. levava sesenta mil trás este hia homées de trinta pee. que he muvta gente. . trás este hia Timapanayque. que se chamava Camanayque. levava cem mil homées de pee. e dez alyfantes. e asy hião outros capitães de dez e doze mill homées.mas como quer que ho ydallcão de todos elles he desamado. e e alyfantes. que levavão corenta mill cavallo. trinta mill homés de pee. e vinte alvfantes . na era de mill e quinhentos e vinte dous. Adapanayque. que levava mill de cavallo. o porteiro moor. e se desejão ver hús a outros destroydos. e dous mill. adargueiros. e por nos mouros aver pouca verdade. se roem co vemcedor como foy. e seus allvfantes. diguo. no mes de mayo. e levava cento e vinte mil homées de pee. trás este hião três capados. e duzentos de canão levava alyfantes. de que não faço men- ção por lhe não saber os nomes. e dous mil de cavallo. o pagem do betelle d elrey levava qu3'mze mill vallo.

28 os melhores de todo seu reyno. de todos os mantimentos. estes lavao roupa. asv embotidos de algodão. que amdão buscamdo augoa. e as}. e asy os espimgardeiros. ysto porque lhe não moura a gente a sede. nas costas d estes vão dous mill de caa dão a todos aqu elles que não faz vallo. obra de dez ou doze mill homées de hodores. as adargas são tamanhas que não hão mister armas pêra o corpo que ellas co- brem tudo. os archeiros lades. trás elrey. nas cabeças suas armas do theor dos laydes. estes são como corredores que vão sempre descobrindo a terra. diante de toda esta gente vem três ou coatro legoas atras. dos cavallos da terra são todos estes archeiros. partio da cidade de Bisnagaa. não fallo aquy nos maynatos. Nesta hordenamça. de vinte mill. e tem quem lha leve. também os ah^fantes vão emcubertados. adargueyros.levão to- dos os outros mesteres. os allifan- vão com seus castellos. os cavallos emcubertados. como dito tenho. domde . sempre pello caminho diante de s}'. que são aquy sem conto. muy talháveis e agudas. e nos dentes suas navalhas. e se põem no caminho. nem nas molheres solteiras que passavão. e todo capitão tem seus mercadores que lhe são obrigados a lhe dar todo ho mantimento que lhe he necessário pêra toda sua gente. Traz elrev de costume. dos quoaees pelejáo coatro homées de cada húu. tamtes de peleja bém levavão allgús tiros de fogo. as que forão com elrev nesta viagem. sempre vão nas costas d estes corredores. pode cada húu cuydar a recovagem que poderya levar tanto numero de gente. archeiros. e elles com sseus llamdes e armas nos braços. sempre amdão asv afastados. e toda a outra gente ysso mesmo muy bem armada ao seu modo. e com elle gramde numero de mercadores. com que fazem gramde dapno. e os adargueiros com ssuas com suas espadas e gomedares na cinta. afora outros mu3'tos que jaa erão diante. achaes logo tudo o que aveys mister. obra de cimcoenta mil homées. e trezentos allyfantes. porque omde quer que his ter.

hos da cidade os receberão com muvtos tiros de fogo grossos que tinhão. omde muytos d elles perderão as vidas. e asy outros mu3'tos capitães com muyta em- fimda gente. de se lhe fazer húa cerca de e espinhos. lhe achegou gente do rey de Bisnaga. e amdarem narea d elle fazemdo el- covas pêra acharem algúa augoa. e se não que morressem todos. neste comceito foy rey atee chegar a cidade de Mollabamd3^m. asy como lhe era mandado. e com muitas espimgardas. E estamdo elrey na cidade de MoUabamdym. e cada capitão asentou sua gente. o quoall asy se fez em todo este caminho. e quiserão afastar se.29 haa de pousar e dormir. e todas as cousas em seu comcerto postas. que partisse. que passamdo húu rio que dava quoamdo chegarão a elle por meya perna. que os pagodes lhe ti- nhão dado synall de vemcimento. omde asentou seu arayall alli dar algúu descanso do trabalho do caminho a gente. como quer que os do cerco estavão tão chegados as cavas recebião gramde dapno. de dentro da quoall he asentada a sua temda. não cesamdo os d elrey de combaterem a cidade. por quoanto os da cidade estavão muy fortes. dizemdo que os não mãodara por ally se não pêra que logo lhe fose entrada a cidade. que estaa húa legoa da cidade de Rachol. e com muytas frechas e espimgardois. comcertamdo as cousas que pêra o cerco de Rachol erão necessarjas. antes que pasase a metade da gente foy todo seco. Vemdo os capitaées quoão mal os seus se chegavão por causa dos . o porteiro moor Camanayque foy asentar o arayall bem che- gado as cavas da cidade de Rachol. d omde comveyo aos seus cometerem a. e bem apercebidos de tudo o que lhe era necessaryo pêra sua defemssão. diserão a elrey que era tempo. e a gente pêra de Domaar. tanto que asy forão todos juntos. mato sem ter gota d augoa. no quoal caminho se vio húa gramde cousa. e despois de terem seus bramenes acabados suas serimonias e sacreficios. cidade de muv fortes e rijos combates. mas elrey não quis. loguo mamdou os mouros reaes levamdo a dianteira.

de liberalidade e manha com que lhe começarão a comprar as pedras que dos e cubellos tirassem. que húa fonte que estaa em alto lugar não deixar de ter augoa por húa maneyra. e de corenta. tem em sy grandes allagoas d augoa. tem na por cousa santa. asy durou o combate por espaço de três meses atee que veyo o ydalcão em socorro. usarão.3o elles. e quoatro centos de . he da bamda do norte. asy que o dinheiro e o que tirava ali}. e hííu gramde campo. e cymcoenta fanoées. que he bamda do sull. matavão muyta gente nem por ysso cesavão os combates. tinha oyto mill homêes de guarnição. e alguas pedras gramdes. são os muros todos emtuchados de dentro de terra. e poços. davão. e allguus regatos pequenos homde a cidade estaa asentada. e muros e segumdo a pedra era. no alto. Tem a cidade três cercas de forte muro de gramde cantarva sem cal. avia na cidade mantimentos pêra cimco anos. e as}' davão certa a elrey. por que pedras avya de dez. mete- rem em aperto. se não muv pou- cas. a desfazer per a cidade com esta manha e co- meçarão muytas partes o muro. e outro da fica este de Narsymga. mas como quer que a cidade em sy seja tão forte como he. três legoas. e cousa ao que trazião do pee do m. tem húa fonte de augoa que corre todo ho anno. e cada dia cada vez mays fortes com cobyça de ganharem o que lhe davao. que he da bamda campo no mevo d estes dous rios. de cada rio ha cidade ha húu dos e rios do }daIlcão. e da gente que tinha. omde não ha arvores. que por augoa não avyão medo serem tomados numca. que vyão morrer.uro homem morto. Agora quero que saibaes do asento. asy lhe trinta. e a gente que nella estava era toda escolheita e husada na guerra. e por misteryo.o temor da morte que antes tanto temyão. e de vinte. omde estaa a fortalleza. e da cidade. e hííu outeyro que parece húa mama que a terra deytou de sy. tem no mais alto sua fortalleza com húa torre mu\' alta e forte. Esta cidade de Rachol estaa em meyo de dous rios gramdes. afora esta fonte tem algús tamques d augoa e poços.

e posto que d ambas partes fose cercada. o prim- duzentos a gente combate que tem he da bamda de leste. &c. da outra bamda os maynatos. cerrarão as portas com pedra e cal. os cubellos que tem pcllo muro são tão juntos que se emtemde ho que fallão. em arayal so- bre sv. e toda a cerca. e tem carreguo do seu ydoUo. tinha trinta trabucos. e capados que sempre amdíío na camará. que elle sempre traz comsyguo. fora de toda esta gente. d vante estavão todos os outros capitaées ally pêra com suas yns- tamcias hordenadas. e vinte alyfantes. por fora da cerca toda a redomda estaa a goarda sua. temda d elrey estava com hiía cerca gramde de espinhos. da bamda de leste era ho cipall asento d elrey.3i cavallo. segumdo a cada húu era emcomen- dado e mamdado. e asy pousavão outras pessoas que tem ofícios que tocão a pessoa d elrey. com as quoaes fazião muvto dapno. despois de terem recolhido húu capitão do 3-dallcão que veyo com gente a ella. porque da bamda do norte e do sul estaa asentada sobre gramdes pedras que a fazem muy forte. de húu a outro tinha asentada sua artelhar3-a. com húa porta em a quoall estavam seus porteiros. tiramdo outra meuda. estavão os corredores de que jaa tenho dito. os e vigiarem. pousavão de dentro d esta cerca o seu bramine que ho liava. e a força do cerco. nesta Ha goarda estão aposentados os oficiaes da casa. que são os que llavão. os quoaes deitavão muv grandes pedras. . pêra ver se quoaes tem carreguo de toda a noute amdarem no campo podem tomar algúas escuytas. tanto que da cidade soube da vimda d elles. a quoall ho vegião toda a noute a seus quoartos chegados. com húa so entrada. a quoall era tiros grossos. Capitulo da maneira que elrey tinha seu arayall.

era ver a muyta jnfipalha. e outros tamgeres que husão coando os tocavão que queryão dar combate. com d estas se acermedo de se não estrever sahir do arayal. de maneira que quem não que estava tevesse que fazer que ver não lhe parecia em guerra. com toda a outra pedrarj^a a vemder. mas que estava em huíía prospe- rada cidade. porcos. perdizes. e a to- . pois ver os mestres em suas ruas trabalharem. las por que nestas taes praças vemdem aquel- que nas nossas partes chamamos regatoees d arte. carneiros. asy acháveis mu3'tos emfimdos arozes. no bairro de cada capitão tem sua praça. por ser d área. todo ho arayall estava aruado em ruas aruadas. aliem d estes. e diamaées. aquy achareis todos os robis. milho zaburro. minguo. cada húu pode dous mill cuydar a herva e palha que cada dia comeryão trynta e e quatro centos cavallos. e outras aves.32 também estavão em araval sobre sy. e coenta e hiju alifantes. que são obrygatoryos. tanto que vos parecia estardes na cidade de Bisnaga. omde acháveis todas as carnes. como temdas e outras cousas. não parecia se não que o ceo vinha abaixo. os quoaes estavao chegados ao logar homde melhor podessem lavar sua roupa. ora ver os atabaques e trombetas. mays he mister^-o que outra cousa se deve ser abastamça d ella. por que ah}' veríeis fazer joyas d ouro. e se no tempo que asy dava hiãa grita tava alguúa avee de vir boamdo. gallinhas. era de ver os mercadores dos tos se gastão panos os quoaes erão sem conto por ser cousa que tanpor serem d algodão. afora outros muytos carregos. cabras. e louçainhas. e ysto em gramde abastamça. se deixava vir abaixo. tiramdo que não ponho aquy tanto symdeyro tes gramde numero de bois que nes- trazem todos os mant3-mentos. e quinhentos e cyme asnos. lebres. grãos. não se}^ quem no possa contar pêra erva e nita que seja crido por ser huúa terra tão seca esta de Rachol como he. e outras sementes que elles comem. convém a saber. av3^a outra omde acháveis em gramde abastamça ho que avieis mister. e peroUas.

não se mudou. e deixo de fallar mais d isto por que numca acabar. Capitulo como elrey combateo a cidade de Rachol. o quoal elles tinhão também goardado que não avya poder que lho tomase. Estando elrey. que muytos diziao que era a pouca conta que elrey d elle fazya. e que naquello moshiria ally trava quem elle hera. aquelle que era capitão de Pomdaa no tempo que dom Guterre hera capitão de Goa. na gente baixa. Emquoanto elrey soube que os contrayros estavão da outra bamda do ryo.33 mavão seria as mãos. que não tinha outro vao se não aquelle que perto fosse. se defemderyão d elle per bem do r}o. Rachol. vemdo ho ydallcão que elle não se mudava ouve com os seus cohselho. primcipallmente milhanos. omde estava. com esta nova ouve no arayal allguú allvoroço. e torno a batalha. e avmda em sv tinhão o medo que antigamente tinhão aos mouros. que d estes tomavão muytos. mamdou elrey os espias que sempre amdassem sobre elle. outros de- . nem fez nada de sy. miIhor que em outra parte. e que ally. e que não esperava se não vellos passados da outra bamda do ryo pêra llogo ser com elles. Allv esteve ho ydalcão allgús dias por ver o que elrey fazia. lhe veyo novas certas combatemdo a cidade de como ydalcão hera chee que ally asentava seu arayall. se ho acometer. como dito he. quem numca fallta sospeitas. e o seu gramde poder. e asym lhe desem o aviso de tudo ho que fazia . primcipalmente a gado ao ryo da bamda do norte. que vissem ho que fazia. que llogo o hiria buscar. por que asy lhe parecya a elle e aos seus que tanto que elrey soubesse que elle ally estava. no quoal ouve muytos acordos pellos desvavrados pareceres que neles ouve da estada d elrey. o primcipall que ysto dezia era Améostaem. quoanto mais aquelles que afim herão negros.

e que fizesem prestes que llogo que- rya passar o ryo. que ho erão em que elles erao com estas e outras cousas que antre elles passarão. e espimgardeyros. Mamdou ho zião 3dalcão que se fizese allardo de sua gente. mamdou mover e toda sua gente a quoall partio em sete azes. aquy lhe pidio a dyanteyra Comargrão senhor. e adargueiros. e os muytos vemcimentos que os mouros ouverão d elles. menos fazião em s}^ e fazião nos contrayros. e que devião passar o rio. e se fazião fortes. e fez fortallecer ho arayal de fortes cavas. senhor de grã terra. e mamdou asentar sua artelharya toda na frontae d ally mamdar da hordenou suas estamcias. e rya. que he seu sogro. vemdo a gramde artelharya que tinha. e foy se por três legoas do reall do rey. e d azaguncho. e que lhe porião diante. que não hera bem mostrarem tamanha fraqueza. archeiros.34 que não. feyto e que despois ho allardo achou que tinha cento e vimte mill homes de pee. feyto ho allardo. e dezoyto mill de cavallo. ho quoall arayall fora asemtado ao lomgo do rio por bem da augoa que lhe não fosse defemdida dos contrayros. e cento e cincoenta alyfantes. Com d elrey não se este acordo avydo passou ho vao. e a mane3Ta que se terya se dos contrayros fosem acometidos. Tanto que derão nova a elrey que ho ydallcão era passado o ryo. mamdou elrev asentar seu araval . sua gente que correrão ao arayall perdera elle nem perdera Rachol. de feyto verva o que se devia fezer. e como lhe derão as outras novas que asentava seu arayall. e hir se ver com elle. e visto por elle. dise que com sua artelharya queria desbaratar o rao de Narsymga. e que não ouvese nelles mudamça atee que os contrayros fazião. e posto que em numero não fossem tamtos. e que aymda trazia algús velhos que nisso forão. mamdou que todos fossem prestes. que he rey de berya. mas que elrey não deixava de ter os tempos passados. e que quoanto alymays estavão. Serigapatão. este levava comsyguo trinta filhos homees. o quoall foy olhado pello ydallcão que se contentara em estar ally.

numca deixarão as armas. que ferisem nos enemiguos de maneyra que não deixassem homem a vyda. . os mouros estavão comcertados como aquelles que esperavão que elrey os fose cometer com todas as batalhas. ficou o dia da batalha pêra o sábado. que o tem por bom dia. foy sempre ao lomgo do ryo nas costas d elrey o fim pêra que não se soubesse somente que cada húu podia sospeitar. que os mesmos que ho fazião tinhão temor de sv. o quoal hera hiju capado. e acometerão aos contrayros tão desva^Tadamente que lloguo forão mu}tos d elles postos por cima das cavas e baudes que os mouros tinhão neste tempo. mas he verdade que pêra ho contar apenas será cr3^do o gramde espanto e temor que punha aquelles que o omyão. que parecia que ho ceo vinha a se ajuntar com a terra. pois os contrairos. e al3^famtes. e outros tamgeres tamger. que húa legoa do ydallcão. e mamdou não dese batalha. e asv os homees a gritar. e trombetas. temdo sempre suas espias no campo. quoamdo elre}^ mamdou que movesem as suas azes dianteiras. Como elrey foy partido de Rachol. Vemdo que escllarecia jaa o dia de ssabado começarão no arayal d elrey os atabaques. com duzemtos isto de cavallo. jaa todos no campo como erão na diante3Ta jaa seryão duas horas de ssol.35 que fosem todos armados em amanhecemdo. e como quer que húus e outros estevessem tão juntos a seus enemigos. e vegiar toda a noute. era de maneira que se queríeis allgúa cousa hereis mudo. que lloguo querya dar nos contrayros. os de dentro abrirão húa porta. pois o rimchar e allvoroço dos cavallos. o que llogo foy fe^lo. que ao ydallcão e aos seus asentou. com certa gente de pee. começarão outro tanto. e os bramidos dos allyífantes não hay quem ho sayba dizer ysto como hera. os do comselho diserão que era mao dia. não menos. a ver ho que se passava. e fallaseis por acenos que d outra manevra não podíeis ser emtendido. e era a sesta feira. e o fim da batalha. e sayo húu dos capitaees que estavão dentro. tanto que elrey elle esteve quedo.

comveyo lhe tornar a virar contra os enemiguos. comveyo lhe deixar do que lhes compria pêra sua salvação. obra de mej^a legoa. como era muyta. e avyão de morrer pedido ausa da morte segumdo ho tem de costume. tirou híí anel do dedo a hiju seu pagem. Como elrey vio da maneyra que os seus vinhão começou de dizer que os seus traydores. e os que com elle estavão a se meter. quero ver quem se conta comiguo. homem em sella. fez mu}' gramde dapno nos contrayros. e pêra ysso tinhão prestes toda sua artelharya pêra quoamdo a s}' viese ho despayramento do corpo da gente. tanto que os derão todos juntos nelles. e de se queymarem ellas como tem de costume. que comveyo aos d elrey retraer sse atras. pêra que ho desse as suas molheres em synall da sua morte. mas todos mouros trás elles deribamdo nelles. Quoando os que asy vinhão fugimdo virão o mao acarro que tinhão nos seus. e de pee. dizemdo elre}^ que chegado era o dia do quoal se gabaria o ydalcão que matara nelle o mor senhor do mumdo. que não . e vinhão mu}^ deshordenados. por que os mouros vinhão com elles como homees que seguião alcamço. loguo remeterão todos. e foy tamanho o desacordo nelles com gramde mortimdade que vyao fazer. fo}' de tall maneyra ho cometimento d elles que não acharão nos mouros quem lhe tevesse rosto. e dise. e sahio em hííu cavallo. e que não se gabarja que ho vemcera. mamdamdo que não deixasem nenhú d aquelles que fugião a vyda. Mas quoando virão da maneyra que os acometerão. e allifantes. moveo com todas as outras azes. tarão com ella muytos de cavallo. que matos. a quoall disparamdo. que não poderia deixar de matar muy- que com a artelharya avia de ser o primcipall destroço seu. e que elle viria os que com elle hirião.36 asy lhe parecya. nem que lhe tevese rosto. esses senhores e capitaées os d elrey começarão a fugir. de mane^Ta que lhe não ficou contra3TOs virão que elles começavao de deixar o campo. mamdou ho j^dallcão que lhe desem foguo a toda artelharya.

d esta maneyra hião os d elre}'. muytos dos capitaées d elrey forão contar este repouso que elle fez. e perdia . e que não deyxassem de hos seguir todo aquelle dya. hirem adiante. nem fo}' tinhão cullpa. perdidos cometerão o rio pêra nelle se averem de salvar. que se fizesem prestes pêra o combate. pois os que amdavao nelle s nos castellos matavão muvta gente sem conto. e homées.ho arraval que tinhão tão forte. não escapavão por o ryo ser de muyta augoa. atee que elle chegou ao rio. mas como quer que os seguião tanto numero de gente. e os que se escapavão. por que avia de ser d outra maneira do que fora atee llv. dizemdo que morrião muytos que lho não merebir pella ribãoceira do rio. por que tomavão os homées com as trombas. e os cavallos que queryao sose estreviáo a soster e bem cercado. e os d elrev que estavão de cima que asy como o homem parecia era morto. mas como homees não podemdo sahião sonem os outros não que metião no ryo. e com piedade. e aposentado na sua temda. e se elle ho não queria fazer que mamdase a algús d elles que o íizesem. o quoal fo}' logo feito por todos os capitaées. por apegarem hús dos outros. e fazião d elles emfenitos pedaços. aos quoaes respomdeo que muytos herão mortos que não tinhão culpa. mamdou tornar a rrecoIher. porque ally veríeis molheres e moços que também desemparavão ho arayall. seguimdo os contrayros. e bre os homées de maneyra que hús cyão. e os alvfantes podião aver d elles erão cruelmente mortos. e vemdo a morte de tantos. Vemdo elrey o que passava. e também que lhe não parecia bem. El- rev se ao arayal do vdallcão. que se ho ydallcão lhe tinha fevto allgúu desprazer que jaa lho tinha pago. e que os segurasse. dizemdo lhe que acabase de destroir todos seus enemiguos. sempre a elrev lhe pareceo que omde o vdallcão perdia tanta gente. que cada húu recolheo toda sua gente. ficamdo atras Rachol por tomar. que. e allyfantes. que estes fazião ynnumeraveis cruezas. ally veríeis cavallos. e tanta honrra.

e tanto que soube de como ho 3'dallcão hera desbaratado. mamdou recolher ho despojo que dos mouros ficara. e como quer que Açadacão trazia quem hia a terra. o quoal não fora asy. dise ao 3'dallcão. fo3' lhe forçado buscar por homde se sallvase. diguo que este sempre esteve sobre av3'^so do que passava no campo. Capitiillo do despojo que dos mouros Jicoii. e se foy por ella. e o desbarato que nelles avia. senhor. e gente de pee. mas sempre esteve na goarda de Sefallarym.passar o ryo por outro vaao que tinha abaixo. Porque se pode preguntar. que se- ria morto na batalha. e as3' o fez. e o segu3-o desemparamdo ho arra3^all com todo o que nelle av3-a. &c. e por tanto ó não quis acolher. por estarem mal com elle. tornou atras pêra se meter na cidade. o outro capitão que na cidade ficou. e que se allçarya com ella. não curou de hir buscar o vaao. e elrey fequeimar todos os mortos.38 todo seu estado. se quereis viver. no arayal. elle vemdo em como o não quer3'ão acolher. mas os de demtro o não quiserão acolher. por homde se salvou. mas tomamdo a falldra da serra da bamda do sul. segui me. que agora se chama Açadacão. e all3^fantes. no quoal se achou cimco Estamdo elre3^ as3' . o quoal h3'dallcão se acolheo a húu allyfante. que este tememdo o que avia de ser teve mane3Ta per manha como ydallcão ho escolhese pêra sua goarda com toda sua gente na quoal av3'a quoatro centos de cavallo. que o 3'dallcão não entrou nella. que não quererya viver sem elle. que he senhor de Billgão. e tanto que vyo da mane^Ta que os seus viravão. e do que fe:{ Xpovão de Fi- gueiredo. que se fez do capitão que 5330 de Rachol com os dozentos de cavallo. que fo3. o parecer de mu3^tos foy que o que estava dentro lhe pareceo que ficava com a cidade.

e allgúas molheres. numca pode. mas como andassem todos tão camssae tão dos e feridos por muytas partes. e cem ah^fantes. e fazemdo tão estranhas cousas que pêra sempre avera memorya d elle e dos portugueses. húu grão carro a derredor de sv. e cousas que fazião. pello socorrerem. se meteo na gente d elrev. cymcoenta portuguezes dos arrenegados que Ilaa capitaées. matamdo nelles. trabalhando pellos ajuntar pêra húu corpo. que fov sem conto. tanto tem3'ão os seus golpes. numero das carretas d ellas nove- muvtas temdas. Aquy esteve elrey atee que os mortos forão quevmados. e elle com muvtas feridas fov captivo. fevtas estas cousas se . que este era capitão geral de toda a gente do vdalcão. jaa tanto que nelle foy não parecva senão raivoso lobo antre ovelhas. omde por ser socorrido dos portuguezes morrerão todos sem escapar nenhúu. sem aver quem com elles ousase d entrar. fazer e como quer que este Salebetecão vise ho desjaa barato que avia nos seus. afora meuda. os quoaes se acharão antre os mortos. mill e tantos. por sua goarda na batalha. e moços. deixo de contar tanto semdeiro. e bois. afora pavelhões.íq que erSo captivos. e outro gado. cercados dos enemiguos que por todas partes forão cometidos. que os deixavão hir. e fevtas as honrras que tem em costume de que forão dezaseis fazer. Ouve de despojo quoatro mill cavallos d Ormuz. os portu- guezes fizerão tanto. ally. os mays pnmcipaes. tanto fizerão que derão outro cavallo a Salabatacão. omde matarão ho cavallo a Salabatacão. e o cavallo com elle. e matarão tantos. forão o centas. por que olhase senão por nelles não avva quem homde se salvar3^a. os quoaees elrey mamdou soltar. pellas almas dos que aquy deu elle muytas esmollas morrerão da sua parte na batalha. amdavão. este trazia. e como quem estimava mais ser vemcido que morrer. que se tornarão derubar a Salabatacão. o ma3's primcipall d elles era Salebetecão. e quoatro centos tiros grossos d artelharia. e tanto entrarão pella gente que se acharão junto com a batalha d elrey. ouve muytos homées.

foUgou elrey muito com ella. com os espimgardeyros que levava. que com ho favor d aquelles hos d elrey chegavão tão sem medo ao muro por homde jaa por muytas partes hera danificado. Xpovão de Figueiredo lhe disse que o oficyo dos portuguezes não era outro senão ho da guerra. ou d omde virya a elrey aquella gente. e da cidade não podião saber que cousa podia ser aquella. a elrey. com cavallos. e o seu poder. e sem temer os mouros estavão pello muro. deixallo sua allteza hir ver aos mouros. ele lhe dise que não curasse d isso que não querya que lhe acontecese algúu desastre. Húu dia dise Xpovão de Figueiredo a elrey que querya hir ver a cidade. e tornou a sentar seu arayal como de primeyro tinha. começou. levava comsyguo vynte homés portugueses espimgardeiros. que todo ho arayal foy aballado. de lhe atirar de maneyra que matarão muytos. de mane3Ta que os do arayall teverão lugar de chegar a seu salvo a elle.40 tornou sobre Rachol. porque a cidade tinha a artelharya tão alta que não fazia mal aos que estavão ao pee do muro. dizemdo que Xpovão de Figueiredo entrara asv foi dito com os seus portugueses a cidade. pello mais emcuberto que pode. começarão de desempararem o muro. então se teverão por perdidos. que aquella era a mayor mercê que lhe pod3^a ser fe3la. o quoal era naquelle tempo na cidade de Bisnaga. nem com outros tiros que lhe tirarão. atee que o outro dia do outro combate virão os portugueses e os conhecerão. veindo quoão descobertos. pellos mouros estarem tão descuydados e sem temor. e mamdou que fose aposentado junto com a sua ynstamcia. elle também levava sua espimgarda. como aquelles que atee 1}^ numca lhe matarão homes com espimgardas. e lhe mamdou dar temdas das que forão tomadas ao ydallcao. e creceo tanta gente aquella bamda. por que visse aquella guerra. Nesta tornada d elrey chegou a elle Cristóvão de Figueiredo. e começarão de derubar mu^-ta cantarya. Elrey lhe mandou dar gente que fose com elle. o quoall Xpovão de Figueiredo chegou junto dos muros a cava. os .

foy na cidade gramde spanto. e que não aparecia homem quoamdo era morto. Foy lhe respomdido d algús que estavão ally aquelles framges que ajudavão. que como quer que podião chegar ao muro a seu salvo fer}'ão con tudo. e Xpovão de Figueyredo. deitamdo o corpo amte húas amevas. mamdarão dizer aos outros que acometesem polias suas. sua parte. foy morto de huma espimgardada que ho tomou pello me3'o da testa. e com algúus se veyo aquella parte omde vyo que era a mavor pressa. e deixarão o combate por aquelle . amdava aos com garde3Tos em três partes. tanto que asy foy morto o capitão. e que não ay\-a quem defemdesse o muro. vemdo ho capitão o desmayo que jaa avia na sua gente. vemdo a grita que dentro hia. também Iby de maneira o acontecimento que hos da cidade começarão a desemparar a primeyra cerca. rogamdo lhe que quisesem chegar ao muro. que se mostravão. húu dya repartio os espimcomeçarão a matar algúus dos mouros. de maneira que não ousavão d aparecer. e muro desembargado que os do aravall fazião a sua vontade d elle. os d elrey começarão por estas três partes cometer o muro com muytos pioees e llavãocas. mas como Xpovão de Figueyredo com os portugueses lhe tolhesem que não parecesem pello muro tinhão lugar de chegar a sua vontade. seria. e não ter no baixo bombardeymatavão era com pedras que com espimgardoées e frechas. afastarão se o por ver o que dia. foy dito pellos mouros que ho matara dias elles. loguo foi e derão sygnaes d elle. por contentar a esses mays honrrados. e queremdo elle ver homde estavão os portugueses. e que a gente que atee ly lhe deitavão de cima. e as moIheres com os filhos erão jaa no castello.41 pello ras. aquy vedeis os capitaées d elrev fizesse pedirem a Xpovão de Figueyredo que lhe mercê que allgúu dia dessem nos mouros por e elle. começou com boas pallavras de os tornar. e que não ouvessem medo. muro ser entulhado.

e os da cidade a cidade.do os mouros asv diante ouvesem medo. mamdou r3-cordia e mercê. se dese aquelle framgue. virão Xpovão de Figueiredo. depois de feytas suas orações acostumadas. como o mais que . que não que se tornasem a C3'dade. que elle e e diserão a elrey que ho vencimento e tomada da cidade matara a seu capitão. tro dia hiria Uaa. os olhos com a sua gente matara mu3^tos mouros. gedor. &c. Capitullo como eh^ey entrou na cidade. e d elrey olhamdo a gente. toda sua fazemda. elrey os e a e mamdou levantar dizendo que elle hos segurava. Tanto que veyo a allva do dia seguinte. e do regimento e hordenamça que pos nella. que erao vinte dias que a batalha era passada. elrey. &c. gramde festa e allegr\-a. Ao outro dia. com as mãos em a elrey mercê. que foy desbaratado ho ydalcão. Elrey se rrecolheo a sua temda. os da com húa bamdeira bramca diante de sy se vierao caminho do arayall. Avisado elrey da sua que os fosse receber Solestema. por fora a sua perdição. damdo a cabeça. e asv forão atee homde elle estava. e da festa que lhe fof feita. Estam. e alçadas. homde se estemderão no chão com gramde grita e lagrimas. que em oumamdou a hiju capitão que fose tomar pose da cidade. seu ree quoamdo elles virão que os sajão a rreceber. se virou aos seus zemdo que olhasem quoanto os do aravall fezerão valh^a húu bom homem.42 Capitullo como os da cidade inerão pedir misericórdia e elrej' lha concedeo. cidade abrirão hija porta. lhe pedião mise- pedimdo vimda. elre}- pomdo omde em Xpovão d}^- de Figue^Tedo. teverão esperamça de aver com elles elrey piedade.

as vontades. que também são escra- Daqu3'm. damdo gra- ças a Deos. que era por lhe quererem mal. Em breve tempo fov por toda a Ymdia sabido as}' a perdida do ydallcão. e Virido. que gritos o levavãó. os quoaes chegarão a elrey estamdo elle aymda dentro na cidade de Rachol. e a sua goarda foy caminho da cidade. posto que por huúa parte folgassem. alevantados todos as mãos pêra ho ceo se deitarão no chão por averem recebido tamanha mercê. e entre estas e outras cousas lhe pedião mercê.4^ pellas semelhantes vitorias acostumão fazer. vemcimento. grão senhor nestas partes como he. e os que ho fezerão forão gramdemente castigados. espantos de verem tomada húa cidade tão forte. e os que se quisesem hir que se fosem na boa ora con todo o seu. por pouco que lhe tornem o hão por muvto. tornou tudo a seus donos. como antes tinhão. com muy gramdes dizemdo que Deos fose louvado. e que livremente poderião d ella e de ssy fazer ho que quizesem. e lhe dise elre}" que elle lhes faria mercê de toda sua fazemda. as}^ foy elle atee chegar omde mamdou chamar os mais honrrados da cidade. forão feitos gramdes roubos a allgúus que depois veyo ter as orelhas d elre}-. no que lloguo proveo. e se a fortaleza. que he a primeira cousa pello tall em que adorão. asy avia querido que a cabo de tantos anos os viese remir. e que os que quizesem ficar na cidade ficasem nas suas posisões. e asy a outros senhores. . os vemcidos se mas como nestas cousas taes contentão com so a liberdade. domde ho estavao esperamdo os com mais alegres rostos do que tinhão mas esforçamdo as. e as}' per outras partes por este sertão. e Madremalluco. cavalgou em companhia com dos mays primcipaes senhores cidadãos d ella. e hordenarão todos de mamdar seus memsageiros. e que ouvesse d elles piedade. por outra parte começarão deitar as barbas em remolho. estamdo elrey nestas cousas vierão lhe dizer que os seus roubavão a cidade. e capitães seus. e Destu}'. como as novas fo- ram dadas vos do re}' a Zemelluco.

44
e

muyto mais

se

espamtarão de ver ho poder

e

gente

d elrey. Chegados que foram
nellas dizião a elrey

omde

elle

estava, lhe derao

as cartas que trazião, as quoaees forão logo llvdas, e

que se devia de contentar com ter desbaratado ho ydallcão como tinha, que lhe não devya de fazer ma3's guerra, e que elles lhe pedião que ouvese
por

bem

de lhe tornar o que lhe asv tinha tomado, que

os terya sempre ao que
se vir\'ão loguo ajuntar
far3^ão cobrar o

mamdase,

e

não no queremdo

fazer soubesse certo que avião de tornar per vsso, e que

com ho

ydallcão, e que elles lhe

que asy tinha perdido. Visto por elrey
carta so a todos:

o que nas cartas vinhão dizemdo, lhe respomdeo nesta

maneyra por húa sua
tros

Honrrados Ma-

dremalluco, e Zemelluco, Descar, e Veride, e todoUos ou-

do reyno de Daquem vy vossas cartas, e muyto vos agradeço o que nellas mamdaes dizer, e quoanto ao ydallcão, o que lhe tenho feyto e tomado elle mo tem merecido, quoanto a lho tornar não me parece rezão, nem o ey de fazer, e quoanto ao mais que dizeis, que vireis todos contra my não no queremdo fazer, em ajuda d elle, não tomeis trabalho em virdes ca, que eu vos hirey buscar, se me ousardes esperar em vossas terras, e d isto me mamday a reposta; e mamdou dar mu3-tas dadivas aos memsageiros, e dando lhe sua carta os mamdou.
:

Capitiillo

como muita gente sefoy da cidade, fe\ mui bem com elles, &c.

e

elrey ho

Muita gente se foy da cidade, e muitos que não tinhão com que se sahir, lhe mamdou elrey dar o que lhe hera necessaryo pêra seu caminho; aqui esteve elrey allguíis dias, depois de hordenadas as cousas que compryão pêra ho governo da cidade, e depois de repairados os muros, deixamdo a gente necessar\a pêra sua goarda, se foy caminho da cidade de Bisnaga, omde foy recebido com

43

gramdes triumfos, e forão feytas gramdes festas, e elle damdo e fazemdo gramdes mercês aos seus. Tanto que
forão acabadas as festas se foy pêra a cidade nova, es-

tamdo

elrev

na cidade nova, diserão

lhe

em como
elle

liera

entrado húu embaixador do ydallcão, jaa
vinha o embaixador,

sabia que
sa-

mas desymuUava

o,

que ho não

bva, por quoanto tem de costume não

mamdar

receber

nenhúu embaixador; como este embaixador foy na cidade de Bisnaga, sabemdo que elre}' estava na cidade nova, que he duas legoas da de Bisnaga, foy se pêra llaa, e
junto

com

a cidade

mamdou

asentar a sua temda, a quoall

era a milhor e mais fremosa e rica, que atee então

numca

naquellas partes fora vista; este embaixador se chamava

Matucotam, trazia comsvguo cento e cincoenta de cavallo, e muyta gente de serviço, e mu3'tas caregas, antre as quoaees vinhão certos camellos, trazia dous escrivaées da camará do ydallcão, não creaes senão que trazia todo ho poder do ydallcão pêra segumdo elle ficou desbaratado. Tanto que as}- foy aposentado o embaixador fez
saber a elrey que o quizese ouvir, e despachar
elrey o

em

breve,

que aymda então chegara, que elle o despacharya tanto que fose tempo, e esteve asy per espaço de húu mes, sem elrey querer que o fose ver, nem querer saber ao que vinha, o embaixador hia cada dia ao paço, e vemdo a maneyra que elrey tinha com elle, detreminou de não fallar mais, e heesperar que elrev o mamdase chamar, mas não que deixase cada dia de hir ao paço, e fallar com eses senhores; hiju dia mamdou elrey dizer ao emba3'xador que ao outro dia era bom dia, o queria ouvir, e saber ao que vinha, o embaixador se fez prestes, como comvinha, pêra se ver diamte de húu tão grão senhor, comforme ao que
ver, e que se não agastasse

mamdou

vinha requerer e pedir, fov acompanhado de muytos

mouros que na cidade avya,

e

com toda

a sua gente

com

suas trombetas e tamgeres acostumados, foy ao

paço omde fov recebido d eses senhores e oficiaes da casa muv honrradamente, forão todos asentados de den-

46
tro

da primeyra porta,

ally

esperamdo recado d

eirey

omde ellc estava, não tardou muyto que o não mamdarão entrar; feyta sua cortesya a elrey ao seu modo e costume, estamdo com elrey os do compêra averem d entrar

mamdou que disese sua embaixada, que aly avia bem de o ouvir, vemdo o embaixador o que elrey mamdava, com aquelle temor que soem ter os embaixadores, quoamdo se vem diante de semelhantes senhores,
selho,

por

propôs sua embaixada d esta mane3Ta.

Capitullo

como o capitão propôs sua embaixada diante
&c.

d

elrej-,

Senhor, o ydallcão,

meu
que

senhor,
te

me mamda
t}',

a

t}-,

e

por

mim

te

mamda

dizer,
elle te

pede que de

tv queyras fa-

zer justiça, que

ama

a ty diante de

como

diante

do mais verdadeyro e poderoso princepe que ha no mumdo, e que mais ama a justiça e verdade, que, não avemdo razão pêra que se tall fizese, quebrantaste a amizade e paaz que com elle tinhas feyta, e não somente a d elle, mas aquella que tantos ano-s ha que he fevta, e per todos os re3-s con tanta verdade mantida, que não sabe por que te demoveste a lhe fazer tamanha guerra, que sem sospe3la estava, quoamdo lhe derão novas em como tinhas cercado a cidade de Rachol, e a comarca roubada e destroyda, as quoaes novas forão causa de se mover e vir a socorrella, omde por ty foy toda sua corte morta, e o seu arayall todo roubado e destruydo, como tu es boa testemunha do que asy he feyto, e que te pede que do tal faças emmemda, e mamdes tornar a sua artelharva e temdas, cavallos e allyfantes, com o mays que lhe he tomado, e asy a sua cidade de Rachol, com emmemdares todas as outras cousas se avera por satisfevto d esta fazemda o que te pede, que o terás sempre por leal amyguo, e que fazemdo ho contrayro

47

que farás tua vontade, e não o que deves, e acabou sem mais dizer, elre}- lhe dise que se fose a repousar, e que o outro dia o despacharia, e deu lhe elrev sua cabava e panos, como he de costume.

Capitullo como elrey mamdoii

chamar

o

embaixador,

e

do despacho que lhe deu, &c.

O
que

outro dia

mamdou

elrey

chamar o em.baixador,

de-

pois d algúas pallavras, que ante elles passarão, dise elrev
elle

contente de tornar todo ao 3^dallcão,

como por

elle lhe

era requerido, e que lhe querya logo soltar Sa-

labe tacão, contanto que ho ydallcão lhe viesse beijar

o pee. Vista pello embaixador a reposta d elrey,
licemça d
elle se

tomamdo

foy a sua temda, e escreveo ao ydallcão
lhe

o que pasava, e
elle

vierão, e

húu dos escrivaées que com não tardou muyto tempo que o vdallcão

mandou

não mamdase a reposta, dizemdo, como se poderia fazer que elle se vise com elrey, por que elle não avva de vir a Bisnaga, e que com leda vontade far^a o que elrey
querya.
e

Com

esta reposta se foy o

embaixador a

elre}-,

como quer que

elrey estimase mais que o vdallcão

lhe viese beijar o pee,

dise ao embaixador, faze tu

que quoanto lhe tinha tomado, como o ydallcão venha a rava
llaa,

do

meu

reyno, que eu serey loguo
fo}'

com

este

com-

certo se

o embayxador fazer asv vir o vdallcão a rava,

e elrey se foy loguo pêra húa cidade, que se chamava Mudugal, que estaa perto da raya, e alh' esperou tee que lhe diserão que ho 3'dallcão vinha, e que era jaa perto; loguo elrey se foy achegamdo, e entrou no re^no de Daquem com os desejos que tinha de se ver com ho \-dallcão, mas ho ydallcão numca ousou de se ver com elrey, e tanto foy elrey com lhe dizerem, ev lio aquv esta perto, e foy atee Liza, por que he húa cidade a milhor que se acha em todo ho reyno de Daquem, de muMo fre-

que fo}^ gramde maugoa de ver. por que as mamdava desfazer. em húa mas a cidade ficou casy destroyda. e romãas. por lhe parecer que tão fremosa cidade ho esperarya o ydallcão. esteve na cidade allgús dias. e sempre lhe pomdo diante quoão seguro seu estado estava com a amvsade d elrey. as quoaes os mouros as abryrão pêra que se vazasem. e vemdo que ally não ousava de esperar. d aqu}' se tornou por bem que lhe faltava augoa que. por elrey estar nellas. pois como quer que Açadacao. e o que se podia ao diante fazer. dise . e avemdo comselho com os seus.48 mosas casas ao nosso modo. com muytas ortas. que com ho seu favor faria elle ho que quizese. que cullpa lhe avyão as casas dos seus capitaées. atee quy foy elrey. e laramjas limões. por bem que elrey não podese estar na terra. não tem outra agoa somente a que recebem da chuva em duas allagoas. não que elrey o mamdase. por fazerem foguo pêra fazerem de comer. porque não fjxarão outras em pee se não as do ydallcão. e que com elle poderia acrecentar mays em seu estado. muy gramdes. e toda a outra ortallyça. e com muytas latadas d uvas. Como elrey foy na cidade de Modogal. e que fora mall acomsselhado. e 3'sto causava não aver lenha na terra que de muy lomge lhe vem. o senhor de Bilgao. o ydallcão se veyo a Bigapor. ho ydallcão o mamdou dizer a elre}'. estava sempre com os seus fallamdo. nestas e em outras cousas semelhantes a ellas. fose hííu homem sagaz e manhoso em todas as outras cousas. ou mamdar matar pello escarneo que d elle fazva. todo a cullpa de tall ser feyto por asy. dizemdo que se elle se vira com elre}' escusara quoanto era feyto. que elle por esse se tinha. que elle não podia ter a sua gente. elrey lhe mamdou dizer que elle o não fizera. portanto comveyo a elrey de se partir. aquelle que com elle fugio da batalha. mas a gente. que tem. como quer que esta cidade estaa em campo. com detremynação que se aquy o tomasse de ho premder. omde vemdo o gramde estraguo que nella hia fe3'to. desfazião quoantas casas hi avya.

49
que elle remediarya tudo, e farya como se fizesse o que elle tanto desejava, e ho ydallcão o ouve por bem. Não se demoveo este Açadacão a fazer esta viagem por ser tão servidor
ao ydallcão que
elle

queria hir a

elre}-, e

do ydallcão, que outro ho não fose mais mas, fe lio com danada vontade, e mal que queria a Salebatacão, aquelle que elrev tinha preso em Bisnaga, e o por que lhe tinha esta maa vontade, era por que ho Salebatacão soube como Açadacão fora ho que fezera fugir a"o ydalcão, e que a judar3a d aquelle era a bastante pêra dapnar húu exercito, e d isto se aqueixava a todos aquelles que o hião ver, e mamdavão vesytar, e dizia sempre que não desejava ser solto do cativeyro que tinha senão pêra destroyr Açadacão, e fazer lhe guerra como a mortall enemiguo, todas estas cousas sabia Açadacão, e sabia que se ho soltasem que asv como o dizia avia de ser, detre minou atalha lio com lhe buscar a morte, como se dirá

em
hir

seu lugar, per esta razão se

por embaixador d

elre}-,

demoveo Açadacão como fo}'.

a

Capitullo como

Açadacão for por embaixador d

elrev, e

achou a morte a Sallabatecão, &c.

Despachado Açadacão do ydallcão, acompanhado de
certos de cavallo,

com

algúus servidores, se vevo cami-

nho da cidade de Mudogal, omde elre}- estava, ho ydallcão se vevo atee o rvo. Achegado que fo}' Açadacão, e apresentado na cidade por mamdado d elrey, esteve alguús dias sem ver elrey atee que da sua parte foy chamado,
então se foy
lia,

e fallou

com

elrey,

damdo

lhe a des-

cuUpa do erro que pello ydallcão hera passado, como aquelle que pêra os taees negócios era asaz sagaz e ousado, e tanto soube dizer a elre}- que o tirou de toda hira e sanha que contra ho ydallcão tinha, dizemdo a elrey que a primcipall causa, porque ho ydallcão se não

DO

Vira

com

elle,

era Salebatacao, que elle tinha preso, que

que tall não fizese, e se goardase de ho fazer, por quoanto elre}- ho queria matar:, com estas e com outras cousas que dise, fez com elrey ho mamdase matar, e eh^e}^ vemdo o que Açadacão deeste escrevya ao ydallcao
zia, e cuidamdo que hú homem que tanta fama tinha, que não seria ho que fallase se não muyta verdade, e com paixão mamdou cortar a cabeça a Salebatacao, que estava em Bisnaga, ho quoail foy iioguo feyto tanto que

virão seu recado.

Como Açadacão
e

teve este trato feito
di-

não

se teve

por seguro,

loguo se despidio d eh^ey,

zemdo que queria hir a fazer vir o ydallcao ao rio, que quoamdo sua allteza fosse que o achase ahy, elrey lhe
disse

que se não agastase, que folgase algiís dias, que lhe mamdar mostrar algúas cousas, e que tinha que fallar com elle, mas elle, como quer que avia medo que se descobrerya a sua trevção, não segurava, fo}' de maqueria

ne3Ta que se descobrio o que tinha feito acerca de Salabatacão, mamdamdo ho elrey premder, quoamdo o forão buscar era jaa ydo, que fugio húa noute, e se foy ao
ydallcao,

dizemdo

lhe

que

ellrey

mamdara matar

Sala-

batacão, e que outro tanto queria fazer a

elle, e .que vi-

nha fugido, que lhe parecia que não se devia fiar d elrey, que afim era negro, e como teve ysto d esta maneira foi se pêra Bilgao, omde se fez forte, e depois hp mamdou chamar o 3-dalcão, e numca la quis hir, por que soube que era descuberto o que tinha feito.

Capititllo

como elrey partio peva

o estremo de seu reye

no pêra se ver coin o ydalcão,
achar.

do que fe^ por o não

e

Não deixou elrey de se hir ao estremo de seu reyno, como não achase ah' o ydalcão nem sua may, como
Açadacão, logo conheceo que tudo
aquillo fo-

lhe disera

5i

rão

manhas de Açadacáo, que tudo
e

fizera

por que ma-

tasem a Salebatacão;
de Daquem, e se
tos lugares, d
fo}'

com

esta paixão entrou no reyno

sobre a cidade de Cufbergura, c a

estruvo, e pos por terra a fortalleza, e asy outros

muy-

aquv quisera hir adiante, e não no comsemtirão os do comselho, dizemdo que falltaria augoa para aquelle camynho, e que não llie parecese que aquelles senhores mouros que tinhão em conta d amiguos, que não temesem que também lhes tomar}a suas terras, como tomava aos outros, pois que todos herão de húu senhor, e que sobre esta razão se farião amiguos do vdalcão, e verião todos sobre elle, e que posto que nelIcs não avia que temer, que hera de temer a augoa, que não tinhão, ouve elrey por bom este comselho. Nesta cidade de Calbergara, na fortalleza d ella, tomou elrey três filhos do rey Daquem, fez ao mais velho rey do reynno de Daquem, porquoanto era o pav morto, e o vdallcão queria fazer rey húu seu cunhado, que era filho bastardo do rev de Daquem, e hera casado com húa sua yrmãa, por esta rezão tinha estes três yrmãos naquella fortalleza presos, este que asy fez elre}', foy recebido por todo o reino por rev. e obedecido de todos os gramdes senhores, e do vdallcão também, e ysto com medo d elrev, os outros dous vrmãos levou comsyguo. e lhe deu de remda a cada húu. em cada húu ano, cimcoenta mill pardaos d ouro, os quoaees traz e trata como filhos de rev, e de grão senhor que elles são, d esta tornada d elrev em Bisnaga, que foy na mesma era em que partio, não se passou mays com ho ydalcão cousa, que de contar seja, de paz nem de guerra.

Cãpitidlo
Jilho seu

como este rey em sua vida allevamtou hiiii por rej, semdo de ydade de seis annos, &c.

E

despois d este rey ter acabado ysto, e ter alcamçado

tanta vitor}'a de seus

ymmiguos, vemdo

se ja

homem

de

5-2

hidade, desejamdo de descamsar

em

sua velhice, e que

húu filho que tinha ficasse rey por sua morte, detreminou de ho fazer rey em sua vida, por que hera de seis
anos, e não sabia o que por sua morte se pasaria, ho
quoall se depôs de rey, e de todo seu poder e

nome,

e

o deu ao

filho, e elle ficou

por seu regedor,
e e

e Salvatinea,

que ho

era, ficou
elles

por comselheiro,

zerão d antre
a sallema, e
tas

gramde senhor,

húu seu filho fetamanho que elrey
seu filho lhe fazia

Crisnarao depois de por o reinno

em

com

estas

mudamças

fez elrey

muytas

fes-

que durarão oyto mezes, no quoall tempo o filho d elrey adoeceo de doemça de que morreo. E depois de sua morte, soube Crisnarao, como a morte de seu filho
fora de peçonha que lhe dera o filho de Sallvatinica:
elrey 3^mdynado d isto,

parecemdo

lhe ser asy,

mamdou

chamar
prestes
tive

a Salvatinica e a seu filho, e

Guandaja, yrmão

de Ssallvatinica, e lhe fez sua falia na salema, estamdo muytos capitaees, parentes de Salvatinica: Eu vos

sempre por gramde meu amiguo, e ha corenta anos que sois governador d este re3no, ho quoal vos me deste, e por ysso vos não são em nenhúa obrigação, porque nisso não fezeste ho que devieis, hereis obrigado, pois vos mamdava elrey vosso senhor e meu yrmão que me tiraseis os olhos, e vos não fezestes nem obedecestes as suas pallavras, mas antes os tirastes a húa cabra, e o emganastes, pello quoall por não comprirdes seu mamdado foste tredor, e asy são vossos filhos a quem eu tinha feyta muyta in; eu tenho agora sabido que meu filho morreo de peçonha, que vos e vossos filhos lhe
destes, e portanto estay todos presos; e nestas pallavras

se alevantou, e

lamçou mão d

elles, e

os premdeo, e pêra

ysto comvidou mu3'tos portugueses que na terra esta-

vão
anos

com

cavallos,

que estevessem

al}^

em

sua ajuda,

e depois

de os ter presos o pav
prisão, e fez regedor

e filhos,

esteverão três

em

húu

filho

Codemerade, que

matou o filho d
na

elrey

Narsymga na cidade de Penagumdy,

orta, a treição,

que atras conta a ystorya, por

mam-

e o ajudou en todo ho que pode. &c. o quoal o cercou por todallas partes. e não ousou esperar elrev.D. Capitulo como veo o ydallcão sobre Rachol. e que pois não compria com elle o que asentado tinha. e os mamdou aquelle lugar omde elles mamdou tirar os olhos. mamdou selcamynho de Racholl. são e os tornou a meter na prisão. que ele quebrara jaa duas vezes seu juramento e pallavra. e estava por elrey de Bisnaga. que lhe fov necessarvo mamdar sobre elle muita gente. e que . que elle faria a guerra de tal maneira que lhe fose necessaryo por força ser seu vassallo. e depois de sua vymda o mamdou elrey trazer diante sy. e Sallvatinica seu pay. que soube a vvmda d elrey fugio. e tanto omde cado ao ydallcão. filho E neste tempo fugio da prisão Da- de Salvatinica.-) dado d eirey seu pay. e fugio. de manevra que fiquem vivos. estava húa fortalleza em a quoal não abitavão senão ladrois e salteadores de camie nella em que estava húu ca- pitão seu parente. o quoal o recolheo. nhos. E de Rachol mamdou húu rejaa o ydallcão estava. fazem sua justiça. Ouvimdo vevo sobre Rachol. e outro seu yrmão que na prisão estava. neste caminho comprou elrev Crisnarao aos portuguezes setecentos cavallos. Em rao. lar este tempo cobro<. e reformou se de cavallos e allvffantes. que esta nova Crisna- sem mays dar conta d isso a húu cavallo. e o tomou dentro. e o trouve a elrev preso. homde mor- reo Timadanayque. e a todo correr foy nimguem. nayque. cvmco menos huú quoarto por mill pardaos. e ally lhe porque nesta terra não matão os bramenes se não dão lhe algúa pena. e pêra ysto mamdou por capitão d ella Ajaboissa seu regedor.i gente o vdallcão. e ficou seu pay Salvatinica na pri- com outro seu filho Gamdarja. e se foy a húa serra. e d allv fez tanta guerra a elrey Crisnarao.

com morrem semdo moço. -e porem^ não lhe esquecemdo o bem que queria a esta molher. e o capitão d ella he senhor da terra firme de Goa. neste tempo adoeceo de doemça que todollos seus antecessores morrerão. e mamdou a fazer muyta mamdou embaixador elle daria. com ella. se saya do paço desconhecido. tinha parte com húa molher sollte3Ta. e o tornou aos Sallvatinica. Este rey Crisnarao que lhe querya. o quoall fo}' achado menos húa noute pello seu regedor que ho espreitou atee ho meter em casa d esta molher. e ella. criamdo se nesta cidade de Bj-snaga. tomamdo Billgao. a pedir ajuda ao governador. de cujo senhor a terra toda he. que elle casarya elle elle r3^a. e e e por que o se veyo a Bisnaga a fazer prestes pêra yso. Goa. como conta a ysto- passos. e aquy se mete húu capitão de húa fortaleza que se chama Pomda. muytas vezes lhe prometeo. e o repremdeo muyto d isso. e pêra 3'sto lhe buscou llogo húa molher d elre3' de Narsymga mu3'to fermosa.estes e outros tem capitaees da mão do ydalcão. e despois 3^mcll3'nado nisto estava. a quoall se chamava Chinadevidy. a que querya muyto gramde bem. e isto dyzia foy verdade. e que firme. e clrey lhe dise elle tinha tamanho bem lhe quer\'a. ho far3'a de mane3'ra que sua allteza não fose prasmado d iso. e fazemdo se elre}' Crisnarao jaa prestes. de que os reys de Bisnaga. que se fosse rey algúa ora. quoam . artelharya. e zombamdo. e que prometido a esta molher de casar com o avia de fazer. a terra porque esta cidade de Billgao esta a quinze legoas de Goa. e tirado das cousas que fazia em semdo mãocebo. e que dise em toda mane3Ta que elle vemdo o regedor fazemdo lhe a vontade.54 atee lhe ymverno não tomar Billgao o não deixarya. e por ho gramde bem dar das ver3'lhas e dos campanhõees. que está a três legoas de Goa pella terra firme. e era a dormir com ella a sua casa. por ser comarca ou termo de ssua cidade de Bilgao. e depois semdo elle allevantado por rey. que também tem remda e mamdo sobre algúas alldeas. e as}. se começava não pode hir avante.

gramde ofíicial de pedrar3^a. depois casou re3's com outras molheres mu3'tas.55 de o ter casado esta e a outra torre com esta. como molheres. lhe meteo em casa. e as3' mamdou todos os primcipaees de seu re3^no que nella fezesem ho fizerao. e esta cidade fez e acabou. a quoal C3^dade pêra se povoar casas. então mamdou elre3' lamçar mu3'ta pedra. porque em sua terra. que nesta terra são mu3'to gramdes. e cercou de novo. ao quoall elre3' dise a mane3Ta como quer3-a o tamque. a quoall elle mamdou fazer húa e muyto tem se alta e muyto gramde. do que se elrey riu muito. não ha emgenho pêra se fazer cal. em que haposentou. na vollta das vodas. ho quoall pêra ho fazer não tinha nenhúu remédio. por nhiãa pellas portas que que não entra cousa nenão pague tributo. e mercadar3'as. que mamdase fazer cal. e mamdou a Goa pidir ao go- vernador que lhe mamdase allgúus pedre3T0s portugueses. de comprido quoatro mill e setecentos passos. e derribar mu3ias serras sobre aquelle valle. com as casas de toda maçanar3'a. que he hiJa das elle boas cousas que tem em seu reyno. que he certo a ma3's fremosa rua que pode de ser. e elrey espantado . que av3'a estaa antre duas serras mu3' alltas. E este re}' fez ella. e lhe fez húa rua a mu3'to comprida e mu3'to larga. e e este rey Crisnarao casou com. e lhe hua cidade a honrra d pos por amor d nome Nagallapor. e todavia dise a elre3' que elle ho farva. e lhe mamdou ho governador a João de lia Ponte. a quoall remde agora corenta e dous mill pardaos dire3^tos. de cousas que dentro nella entrão. e tudo se lhe abaixamdo de mane3Ta que tudo o que fazia de dia se perdia de noute. e de llarguo corenta. nem em sua terra quem lho podesse fazer. como ma3^s este re3- carregas. o que pareceo ao mestre ympos3'vell fazer se. sem lhe mimgoar nada. porem a esta quis ma3's bem que a nenhúa das esta molher. esta cidade tem híia primcipall rua. E fez em seu tempo húu tamque d augoa. pêra se fazer húa casa. e as3' homes.coattro. por que estes por muy honrrados em ter muytas molheres. outras.

e cada húu d estes paga três vintées. em que sempre tem mill homées de goarda. que merecião morte. e grãos. por nove anos de graça. e lavor de triguo. e gramdes espaços. e com esta augoa se fezerão mu3'tas bemfeytorias nesta cidade. e outra da outra. não ha outro caminho senão ho d aquella parte. húa de húa bamda. e pêra se fazer bemfeytorias. toda cercada. e lugares de muita criação. e os mamdou ysto foy a obra avante. por ser gramde. por que tudo vem de fora em bois de carrega. deu estas terras. ou de elrey trazer todollos molheres. atee fazerem bemfeytorias. e no meyo húas portas muyto fortes com duas torres.gramde. que aquella obra não ser}-a aca- mamdou com homées que ally estavão presos. sem lhe darem algúa cousa.56 seus sabedores e feyticeiros. então degollar. e que isto d mamdou chamar enquoamto bada. tirãodo hús bois mouchos que não tem cornos. e nestas cidades ambas não ha nenhú mantimento nem mercadar3'as. asv os vezinhos como os estrangeiros. E acima d este tamque estaa húa serra mu}. por fora d estas duas cidades tudo são campos. por que pêra vir a cidade de Bisnaga. . e esta porta se aremda em cada húu ano por dez mill pardaos. estes não pagão nada em nenhúa parte de seu reino. e quoamdo querem carrão nos. e entrão cada dia por estas portas passante de dous mill bois. e por ella não entra homée que não pague o que os remdeiros querem. que se regão com esta augoa. e muvtas levadas de que se regão arozes e hortas. de maneira que remde jaa agora vinte mill pardaos. por omde entrão todallas cousas que a estas duas cidades vem. e de comprido. que avera na largura húu tiro de beesta. e por todollos caminhos se ally vem ajumtar. então lhe diserão que os seus pagodes não erão contentes com aquella obra. e ally não lamçase samgue de homées. e por bayxo deyxou canos por homde a augoa saya. ou de bufaros. e preguntou lhe que lhe parecia aquyllo. porque nesta terra não se servem de bestas pêra carregos. e fez húa serra no me3-o d este valle tão gramde e tão larga.

por que esta he a cousa que se mays gasta na terra. homées muv malquvstos. de que ho povo de sua maa vyda e 3mclinação. vantarão por rev. fizesem rev Achetarao seu vrmão. fazemdo se sua gente prestes começou a entrar por sua terra. e despois d isto betre. por que o ydallcão não teria mais que doze mill homees de pee. por omde sabemdo o ydalcão pêra quoão pouco elle hera. fez húu testamento que dos três seus hirmãos que elle mamdara meter na fortalleza de Chamdegary. e depois de morto Salvanay por regedor do revno. omde estava elrey Chetarao. quoamdo ho aleatras conta. por achar que lhe socederia bem. mem de mu}' pouca verdade. e com esta gente entrou . e lhe e parecia ser mavs pêra vso que nenhiju dos outros. semdo hoe capitaées. foy llamçado sempre aos viços e tiran3'as. veviao muy descontentes. e trazem na boca. con tanta gente e poder. ficou ^sto por elle não ter filho de vdade pêra mais que húu de dezovto meses. detreminou de lhe fazer a guerra.e aroz. e lhe fizessem guerra ao Ho quoal Chytarao. por rey seu yrmão Depois de morto elrey Crisnarao de sua doemça. Capitiãlo como por morte de Crisnarao for allevantado Achetarao. 3'sso. e trinta mill de cavallo. se ho coração o ajudara. que estamdo doente. por que não fazia mais que ho que querião dous cu- nhados seus. que agora he. com seu sobrinho filho d elre}. descomfvado jaa de sua vida. atee chegar húa legoa da cidade de Bisnaga. e milho. e muvto gramdes judeus. ydallcão. que he cousa que pella mayor parte sempre comem. mais deixou elre}' em seu testamento que lhe tomassem Bellgao. que bem o poderá tomaar as mãos. por elle não ser pêra ella. despois que reynou. o quoall atee Achitarao da fortalleza de e vir elre}' Chamdegarym omde estava retheudo. &c.Busbalrao.

lamçamdo peytas per seus capitaées e povo. com comdição que dez leques de pardaos d ouro. e elle se matou com peçonha elre}-. e diante d um filho diante . que não tinhão pouco. tudo por comselho de seus cunhados por quem elle hera mamdado*. húa legoa de Bisnaga. porque elle tinha destroydo os primcypaes homees de seu reyno.Chitarao. que bem podião valler húu leque. em remda com sua comarca cento e cimcoenta mill pardaos. que se chamava Crisnaranarque. e tomadas suas fazemdas.58 a cidade de Nagallapor. se fizerão mais de três mill pardaos. foy acomselhado que ydallcão. viviao vida d este muy descontentes. que diziao a elre}^ que lhe dese sua allteza licemça. húa pedra de diaoutras quimze pequenas que bem vallyão húu leeque. o quoall dinheiro d ahi a pouco tempo ho tornou a cobrar e meter no thesouro. boõs cavalleiros. e mays joj^as. de que os capitaées e gente. por comselho de seus cunhados. o quoal aceptou ho partido. e quero no- mear húu. ao quoall premdeo húa noute. de maneyra que dizrão que em seis meses o tornou a meter todo no thesouro. e espadas. mamdase cometer pazes ao mu^lo folgou. e de- pois de tudo lhe mamdou este rey mão de cento e trinta mangellinis. e mais lhe dese a cidade de RachoU. sem lhe numca querer sahir nem vir a coração de batalha. e mortos seus filhos. e primeyro que se dese matou todas suas molheres. comvem a saber. mais que algúa escaramuça de algúus capitaées. lamças. que serião duzentas. que lhe vemderão. e se foi com este dinheiro muy com contente. por que não hera necessaryo sua pessoa pêra tão pouca cousa. machadinhas. mas elle cortado do medo. que he elre}^ Crisnarao tinha tomada. e a pos por terra. que cada leque tem cem mill pardaos. por que lhe queria matar d elle. e fez paaz lhe dese com as quoaees elle com elle por cem annos. por elle fazer estas pazes e pagar esta soma de dinheiro contra vontade de todos. e tinhão que se se ho reyno ouvesse de perder avia de ser em re}. e em armas suas. em adargas.

Este rey de Delly dizem que era mouro. que são rosas. e as trazia comsyguo. e lhe esfollou as pelles. .DQ outras cousas. d ele ha estorias. dizemdo que avia d ir em busca d elle. e não no poderão tirar d este propos3'to todollos seus gramdes. comvem a ssaber. e mu}' neglligente das cousas que cumprem a bem de seu reyno e estado. por que elle na sua conta tem vinte quoatro. aliem do seu nome. estamdo se vestimdo a húa janella que estava fechada. este gramde conquistador. tinha esta alcunha que quer dizer senhor de pelles de revs. por homde ho tão pouco que lhe fez mill afrontas e cada dia. os gentios por homem quoamdo fazia oração a Deos. e ser cousa celeste. fez gente prestes porque. teve gramde parte d mumdo debaixo de seu mamdo. ydalcão ho teve e petitorios em estava ho reyno desfeito dos que ho sostinhão. o quoal se chamava Togão Mamede. e porque lhe deu o sol nos olhos. e lhe não podia fazer perjuizo. e que cada vez que rezava lhe vinhão fullis do ceo. pello quoall respeito homées primcipaes. vemceo reis. com lhe dizerem que era o soll. as quoaes heráo goarnecidas d ouro e prata. d este rey não a hi mais que contar. húu dia pella manhaa. quem ousava entrar em sua camará estamdo se vestimdo. somente ser homem que o teverao em conta de pouco esforço. que querem parecer postiças. e estar no ceo. dise que não descamsarj-a atee não matar ou vemcer. tem no que foy santo. e com a mu\"ta gente que levava pella terra por homde começou a caminhar. por homde. e os matou. com tudo fez sua gente prestes. e tanto que diz a estor3'a d elle que se asomava por dezoyto letras. foy senhor de muita gente. lhe vinhão quoatro braços e foy com quoatro mãos. e que. e cousa que sem elle não podião viver. de cousas que fez.

as quoaes carregou de muito ouro e pese avia de ter em drarva. se me Deos der vida. que são doze. com cartas forjadas de rev da vlha. Beijo as mãos semtes. e não em nãos. por que as não tinha pêra tanta gente. Outras gramdezas contão d elle. começou com sua gente a carretar grão soma de pedra e terra. comvem a saber. seu capitão gerall. que lhe fugira quem hia buscar. então lhe diserao os capitaées que não avva cousa que o esperase. e cobiçoso de se. dizemdo que pois lhe fugira que isso abastava. robis e diamais. he de gramde romagem. e com ysto contente se tornou do caminho que levava em busca do soll. pedras das casas. o trabalho que cousa tão ymposyvel.^ Go se levantou grão poeyra. o quoal vallo que fez per tempo diz que o comeo o maar. em que ho fazem gramde senhor. ou quimze legoas. fez hííu pagode muyto gramde. . detreminou de hir a ella. omde vinhão os amjos do ceo tamger e bailhar. e em memorya d esta obra. e com outras melhores. que se tornase. com que avnda espero de emfadar a vossa mercê. atee que chegase a vlha. por a vossa mercê. lhe foy dito que certas legoas ao mar estava húa ylha muyto gramde. e as e as que na terra se criavão. e botar no maar e o emtulhar. não teve outro remédio senão fez duas nãos prestes em hiíu porto de Charamãodell. o quoal agora dizem que são os baixos de Chillão. o quoall he aymda agora. maneyra que escureceo o se fez de novas a pregun- e quoamdo ho não V30 tar que cousa era aquella. de sol. que estamdo nas partes de Charamãodel. e a terra d ella era ouro. e pomdo o por hobra fez tanta que atravessou a vlha de Cevllão.r senhor d esta terra. e vemdo Melliquiniby. erao na quoall ylha avia húu pagode. em que lhe embaixada em nome do mamdava obediemcya e pre- omde então não foy ao vallo mays avante. e d estas fabullas semelhantes haa d elle duas mill.

prata e ouro. he o seguinte. e de por ellas gournecido d ouro somente a cana. quoamdo faz aballo pêra alguma parte leva vinte e cinco ou trinta molheres das suas mays pryvadas. todos os paos d ouro.6i Capitiillo da maneira do serviço e estado d estes reis. e com molheres e capados. e d aly pêra baixo e pêra cima as que mais elle quer. que serão officiaes. omde quer que asenta arayall loguo lhe fazem húas casas de pedra e barro. sem termais lamçol que húu pano de seda por riba. e seu traveseyro redomdo lavrado pellas cabeças d aljôfar groso. que são como amdas. Tem quynhentas molheres. e o pallamque da molher prymcipall he todo cuberto de panno de grão borllado d alljofar gramde e grosso. traz comsyguo sem- em tem húa casa de ferro feita de peças em que cabe húa cama muyto gramde. e outras vazilhas d esta calidade. e sempre as tem armadas. seis centos servidores. e quoamdo amda no campo. em sua casa das portas pêra dentro serve se pre húa arguelha de prata. a quoal he pêra amdar no campo. trepeças guomis. comvem a saber. e o d elrey he chapado e forrado. bacias bateguas. &c. e os palãques das outras molheres são goarnecidos somente de prata. e não esta em temda. e estas bem quvnhentos ou molheres d elrev tem tocomo elre}' das pêra seu serviço a dentro. e asy pêra filho ou filha se vav com elle leva outro catre de marfim goarnecido d ouro. com as quoaees dorme. e todas se queimão por sua morte. e cada molher tem seu catere em que dorme. e cousas em que se servem. e outro palamque de sua pessoa que va}^ a destro em húa amda do mesmo teor goarnecido d ouro. e os cateres que dormem suas molheres são cubertos e chapados de prata. as quoaes vão em cada húu seu pallamque. os paços d elrev são gram- . seu colchão de tafetá. e quoatro almofadas do mesmo theor pellos pees. asy das portas mas são molheres. he Todo com serviço da ssua casa.

outro Ajanaique. e diante obra de trinta de cavallo com mãos como porteiros. aroz. e em cima d elles vão homés suas canas nas muy honrrados. que ele paga. e e des e de gramdes aposentamcntos. e detrás vay na resaga ho estribeiro moor com os duzentos de cavallo. que são capitães também não entrão mais que atee quoatro ou cimco portas. elrc}. e diante d este vay híiu . e dous besteiros mores. e em cada húa esta húa moIher. detrás dos cavallos vão cem ahffantes. e ga- linhas con todas as mays cousas necessárias. não estão as molheres primcipaes.não tem gasto nenhiJu de seu comer. porque os capitães lho mamdão cada dia estas com molheres são filhas a casa. mores d este rey se chamão. e outros tamgeres que fazem que não oUvis nimguem. com por as ylhargas. e ellas estão as portas. pêra a co- zinha terá obra de duzentos porteiros pequenos. em que elrey cavallga. o que agora he alcaide mor d este rey chama se Chinapanayque. e carne3Tos. quoamdo elre}. e com estas molheres estão outras tantas criadas. Quoamdo cavallga vão hordenadamente com ele duzentos de cavallo de sua goarda.quer dormir com ellas passa por estas mosteyros crastas. estas de capitães e dos senhores da terra. que serão bem carenta ou cimcoenta leva comsyguo dous mill adargueiros. e diante d estes alifantes vão obra de vinte e cimco de cavallo. Das portas do passo pêra dentro dizem que tem passante de duzentas vacas de leite de que fazem manteiga pêra estas molheres comerem. com bamdeyras nas mãos sellados. e quoatro sobre este. comvem a saber. porque d ahy pêra dentro são tudo capados e molheres.. como com suas cellas. e diante d estes cavallos e com atabaques e trombetas. e 3sto afora os capitães que sempre amdã na corte com sua gente. e o alcayde moor com outra cana. tem crastas chamão no pêra vsoo. e triguo. todos homees de estes porteiros bem postos todos allcaide em hordem vay ho moor. e cem alyfantes. leva diante de sy doze cavallos a destro vão cimco alvfantes. porteiros e e os que agora são de gente. 62 . húu Pedanavque.

&c. he esta. e vão damdo de quoamdo em quoamdo nelle. e com os seus a que daa de comer. tem na sua estrebaria setecentos e tantos cavallos. tinha mu}' gramde que agora he. E os re3's d esta terra quizerem. e os que tem mais pouco não deceem de cento. elre)^ de dentro d omde estão suas molheres. que servem nelles tem de ssoldo cada ano mil pardaos. e alevamta as mãos. e lhe tomão a fazemda. e muyto dinheiro . que vos fez salema. e vem cada húu per s}^. abrem aos capitães. e de gemte de cavallo que elrey paga tem seis mill. e os e este re}^. e despois que cavallga elrey conta os duzentos de cavallo. que os capitaees fazem a cada dia. e gasto. se Capitiillo da maneira que se fa^ a sallema a elrey. e sempre tinhão oytocentos. e d elles quynhentos. e d estes seis mil são obrigados os duzentos a cavalgar com elrey. e os adargueiros da goarda. novecentos cavallos. e d elles trezentos. como he manhaa vão os capitães ao paço as dez ou as omze oras. com a gente que os curavão. e gasta com elles. E os reis de Bisnaga sempre teverão por estado terem muvtos cavallos em sua estrebaria. diz a elrey: Olhe vossa alteza o vosso capitão foão. e todos comem da estrebarva. as quoaes horas sabe. e quoaelre}' A tro centos e qu3'nhentos allyffantes. e cem allyfantes. o quoal atabaque ouve muyto lomge. maneira da sua salema. ysto chamão salema. e abaixa a cabeça. por que a tem podem ajuntar quoanta gente em seu reyno.63 atabaque gramde que levao homées as costas. os quoaes tem carreguo de em emtramdo quoalquer capitão. e com elrey estão obra de dez ou doze homes. dous mill pardaos d ouro cada dia. e este atabaque chamão elles picha. e despois que se asenta. com os quoaes. e quoatro centos ah'fantes. e quoalquer que fallece lhe dão muy gramde castiguo.

e os que este rey tem e traz em sua corte passante de duzentos. dos quoaes pagão estes sesenta a elrey. pera quoamdo comprir. de Batecala. por que achamdo se que tem menos. que são seis centos mil homées. e esta deferemça os revs que lhe são sugeitos que não vem a corte não quoamdo os mamda chamar. de ssua mão. os quoaes são obrigados amda- rem sempre com elrey. e alem de terem toda esta gente paga a sua custa. e gente de pee. somente o rey de Bengapor. e alyfantes. e as terras dizem que remderão cento e vinte leques. pela quoal rezão o povo meudo padece muyta fadiga. asy do rey como dos outros senhores.64 pera lhe pagar seus sólidos. E em suas festas e esmolas de seus pagodes. e d estes sesenta leques que elrey tem de remda cada ano. lhe pagão cada ano sesenta leques de remda íforros pera elre}^. não sente soma mais que vimte cinco leques. e de cavallo vimte e quoatro mill. por que o mais gasta com seus cavallos. e vão por que as tem nellas postos outros la algúas vezes. e são obrigados a ter seus leques de gentes. e o quoamdo vem a corte de Bisnaga não são mais estimados que quoaesquer outros capitães. este de Bemgapor. que he obrigado a estar sempre em campo. e vae duas vezes a corte no ano. e estes não são numca aposentados por cidades nem villas. que os mesmos capitães são obrigados a como remdeiros que tem todas as ter. e de cavallo. e de llaa lhe mamdão suas remdas ou pariaas. por elles nas terras que tem serem tão tiranos. são por ysso muy castigados. e os mais lhe pera soldos das gentes e gastos dos alyfantes com que são obrigados a servir. comvem a ssaber. todos estes capitães. amdão semficão pre na corte. e terem a gente que são obrigados. os quoaes são terras d este rey. e os reys que são sobgeytos são estes. e este rey Chitarao tem de gente de pee. que são asy como remdeyros. a quoal pagão os seus capitães. e o rey de Bacanor. e suas fazemdas tomadas. . e estes e o re}- de Calecu. e o rey tem se de Gasopa. a que elle paga solido.

limões. romãas. e com quem fallou. e lagartos. todos tem cada húu seu escrivão que amdão no paço. e sempre uvas. e nos montes dão catorze. e elre}^ bebe augoa a quoall trazem de húa fonte. lebres. veado. tudo se vemde na praça de Bisnaga. comem carneiro. e e ysto em he coanto a caça. e o que detreminou. por que quoamdo faz mercê a alguém. e elre}^ a quem a faz daa huu escrivãees. somente vaca nem a matão em toda a terra dos gentios. mu3ta abastamça de fru3'tas. rolas. que estaa fechada da mão de húu homem de que elrey mu3'to comfia. asy os que amdáo na corte. por que dizem que o rey quoamdo fallar que ha de ser cousa que mereça ser escripta. ate pardaes. e tudo se ha de vemder vivo pêra cada húu saber o que compra. e ellas a levão dentro as outras molheres 5 com que elre3^ dorme. e por estes synetes se faz obra tem o como por Estes reys de Bisnaga comem todalas coisas. e d esta maneyra não passa cartas nem alvarás das mercês que faz. pêra lhe escreverem ou fazerem saber o que elrey faz. e gatos. e as mercês que faz. e o rey quoamdo vay fora leva a par de sy escrevem o que elrey falia. e sobre que. perdizes. e tudo mu3'to barato. por que adorão nellas. e a estes se daa credito como a evamgellistas. laramjas. e de dia e de noute sempre estão no paço. fica no tombo d estes escrivães. e também que he necessário pêra sua lembrança. nem pêra o que mamda fazer. porco.65 Os capitães e senhores d este reyno de Bisnaga. o quoal anel seu regedor. como os que estão fora d ella. em lacre. sy muito pescado do ryo estão as praças cheas. nas praças diz que dão doze carneiros em pee por húu pardao. . outro muita camtidade. quimze por húu pardao. e todalas aves de pena. e hordenão de maneira que não se pasa cousa que elles loguo não saibão. e as vas3dhas em que a trazem vem tapadas e aselladas. e ratos. que mesmo synete de hííu seu anel carta patente. jacas. codornizes. e as3'' a entregão as molheres que servem. mamgas.

e os oficiaes da cydade são obrigados a vir com suas emvemções cada d3^a a noute. e foguo. porque as mãos não daa a beijar a nenhiía pesoa. os quoaes sãomuyto altos. e d esta maneira vem todos estes nove dias que durão as festas. e augoa. e diante d elles o estribeiro moor com mu3'tos porteiros.66 Este rey de Bisnaga a ma3'or honrra que daa a húu capitão são dous abanos goarnecidos d ouro e pedraria. o primeiro dia nove bufaros machos. trazem aroz e outros comeres cozidos. e acabado de matar estas al3'marias. que he muita honrra. vem nove cavallos e nove atyfamtes d elre3'. e da lhe manylhas. e nove carneyros. O prime^TO dia põem nove castellos em húu terreino que diante dos paços estaa. e estão muito emparamentados de muytos panos ricos. os quoaes castellos são de nove capitãees primcipaes do reyno. da lhe pachari pêra suas pessoas. e ysto faz cada um aos capitães no tempo que lhe pagão sua remda. e e como acabão de fazer a salema. . que são rosas. e d ah}^ por diante matão cada dia ao galar3'm sempre dobrado. são todolos capitãees obrigados a fazer cada hííu seu castello. e nestes nove dias matão e sacreficão. os quoaes vem dar amostra a elrey cada húu com sua devisa. e nove bodes. hús dizem que se fazem a honrra dos nove meses que nossa senhora trouxe seu filho no ventre. e fazem a salema a elre3'. e alem d estes nove castellos. ou pesoas quem tem recebidos. comvem a saber. emmaneyra de emvemção. e asy de quoamdo quer contentar os capitães. ou quer receber serviço. e cada cousa que o capitão recebe se lamça no chão. que he no mes de setembro. e cubertos de cubertas ricas. omde nove dias se fazem gramdes festas. vem de dentro padres. e nelles muytas balhadeiras. de húus rabos bramcos de vaca. e muytas envemçõis. e vem diante d elrc3' com mu3'tas fullas. asy como fazem nossas festas. e outros dizem que se não fazem senão porque neste tempo vem estes capitães pagar as remdas a elre}^ as quoaes festas são d esta maneira. elrey faz muito gramde honrra ao que daa a beijar os pees.

terreiro vem trimta e seis chas. e emmentes se ysto faz amdão bem mill molheres a baylar e voltear diante d elrey. comvem elre3' a saber. e as}' todollos alifantes e juntas do paço. e toma húu arco na mão. e a de failar muyta verdade. e nas mãos cada híía sua bacia d ouro. huma pêra o ydalcão. e tira três fre- no me3^o do vista. e por estas festas tem elrey mill homées lutadores. e este rey que agora he não se asenta nella. vem todollos ca- vallos d elre}. com suas canas nas mãos chapadas d ouro e com muitas tochas acezas. era seu costume fazerem a guerra ao re3^no . e então se recolhem com elrey pêra dentro.cubertos com suas patallas com muito ouro e pedraria pella cabeça. E despois d acabados estes nove dias. leva a fogaça. e de muito aljofre.67 com muitos cheiros. no cabo se dece. mas não da manevra nossa. Asy que nestes nove dias são obrigados á buscar a elrey cousas de prazer. e põem capellas de rosas. que he híju pacharim que elrey daa a estes lutadores. que se não asenta mais neela que esta vez no ano. e outra pêra de cotamuloco. e com aquellas molheres vem todallas porteiras e as molheres d elre}-. o que este não falia. e va3' duas legoas por outra gente armada. e despois de verem todalas envemçõis. e depois de darem sua molheres d elrey mu3'to fremosas. as}- d estes cavallos tado como augoa benta. cavallga o rao. e ysto diante d elrey que estaa asem- em hila cadeira d ouro e pedrar^^a. e estas molheres vem tão ricas d ouro e pedrarya que não podem buUir comsyguo. e va3' fazer alardo da gente dos capitaées. e agora outra pêra os portu- gueses. os quoaes tem capitão sobre sv. e regão e lamção augoa por riba e alifantes. se não de se darem muytas punhadas e feridas com duas rodas de bicos que trazem nas mãos com que se ferem. de maneira que o que fica de baixo d outro mais ferido vay. por que dizem que quem se nela a d asentar a de ser rey mui verdadeiro. e he gente que não serve em seu re3"no d outra cousa. que lutão diamte d elrev. e nom° húa camde3-a d azeite acesa. cubertas d ouro e pérolas.

68
d aquclla parte
despois d

omde

a frecha mais

lomge chegase;

e

isto feito se

torna pêra casa, e aquelle dia

je-

jua elrcy, e toda a gente da terra, e ao outro dia se vay

lavar ao ryo

he

elrc}^

com toda a gente, e dentro nestes nove dias paguo de toda a remda que He remde seu reyno,
jaa disse, todolas terras são d elrey, de cuja

porque,

como

mão

tem os capitaees, que as dão aos lavradores, os quoaes pagão de dez nove, não temdo nenhúa terra própria, por homde o reyno semdo todo pêra elrey, tiramdo as despesas que os capitaees tem com a gemte que lhe
as

lamça com que são obrigados a servir. E cada sabbado são obrigadas as molheres solteiras hir ao paço a baillar e voltear diante do pagode d elrey, que tem dentro nas suas casas, e a gente d esta terra jejua todos os sabbados, e não comem todo dia, nem de noute, nem bebem augoa, se não comem hííu pouco de cravo, por amor do bafo, elrey daa sempre muitas esmollas, e sempre no paço estão dous três mil bramenes que são os seus padres, a que elrey mamda dar esmola, e são homees muito despreziveis, e d eles tem mu3io dinheiro, e são tão sobejos que a poder de pamcadas os não podem ter os
elrey
porteiros.

E
com
a

os capitaees e

homes primcipaes servem
ou cento
e

se de noute

tochas d azeite, de quoatro tochas ate doze, que he
e elrey terá cento,

tochas d azeite,

cimcoemta mas não todo o mercador mercalavrar, que trouxer sabem a dorias, com vem a saber, cavallos e outras cousas que aija

mayor honrra,

avemdo muyta cera na

terra,

de vemder a

elre}',

quoamdo

lhe quizer fallar a de lhe de

fazer serviço de húa peça ou cavallo dos milhores que
trouxer, pêra que seja ouvido e negociado, e não tão so-

mente

a elrey,

mas

aos oficiaes

com que temdes de

fa-

zer aveis per força de peitar, por que não fazem nada

sem ymterese. E quoamdo algúa parte agravao, e pode fallar a elrey, pêra se mostrar muyto agravado ha se de deitar de focinhos no chão, atee lhe preguntarem o que quer, e se

69
por vemtura quer fallar a elrey quoamdo cavalga, tomão húa astea de lamça, e põem lhe húu ramo, e va}' bra-

damdo, e loguo lhe fazem lugar, e se queixa a elrey, e aly he despachado sem mais dilação, por que logo mamda a húu capitão, dos que vão com elle, que logo facão
o que a parte requere, se se aqueixa que o roubarão em tall terra e em tal caminho mamda logo ao capitão

d aquella
e a

terra,

a3'mda que esteja na corte, que seja preso

fazemda tomada, atee que

mamde premder

a

quem

o roubou, e asy he obrigado o meyrinho

moor dar conta

do que se rouba na cidade, pello quoal se fazem muy poucos furtos, e se algús se fazem por pouco que deis, day vos os S3"gnaes do homem que vos fez o furto, e se esta dentro na cidade ou não, logo o sabem por feyticeiros, porque são muyto gramdes feyticeiros nesta terra, por omde na terra ha poucos ladrões. Este rev tem continuadamente cimcoenta mil homees de solido, em que entrão seis mill homees de cavallo, que
são de sua goarda do paço, dos quoaes seis mil são os duzentos obrigados a cavalgar com elle, e tem mais vimte
mill lamceiros e adargueiros, e três mil

homees que

ser-

vem
neis

os alyfantes na estrebar3^a, trazem mill e sete centos

farazes que curão os cavallos, e

que ensvnão os cavallos,

e

tem mais trezentos satem mais doze mill ho-

íicyaes,

comvem

a saber, ferreiros e pedreiros e carpin-

teiros, e mavnatos que são homees que lavão roupa, esta he gente que tem e paga, todollos dias lhe dão ração a porta do paço; aos seis mill de cavallo lhe daa elrey cavallos de graça, e pêra elles lhe daa cada mees mantimentos, e todos estes cavallos são marcados da marca

d

elre}', e

quoamdo morrem

são obrigados a tirar lhe a

marca Amadanarque, estribeiro moor d elre}', pêra lhe darem outro, e estes cavallos que daa os mais são da terra, que os compra elrey doze, quimze por mil pardaos, Elrey todolos anos merca treze mill cavallos d Armuz e
da
terra,

dos quoaees escolhe pêra sua estrebarya os mi-

Ihores, e os outros

daa aos capitãees,

e nelles

ganha

70

muyto dinheiro, porque despois de tirar fora os bÕos d Aromuz, lhe vemde os da terra, e lhes daa cimco por mil pardaos, e são obrigados a lhe pagarem o dinheiro
d eles dentro no mes de setembro, e com ho dinheiro d este que vemde, paga os arábios que merca aos portugueses, de maneira que tudo paga á custa dos seus
capitãees,

sem

lhe sayr

nada do thisouro.

Elrey tem mais das suas portas pêra dentro passante

de quoatro mil molheres, e todas pousão dentro no paço, húas são bailhadeiras, e outras são bois que trazem as molheres d elre}^ as costas, e elrey dentro no paço, por
e haa gramde espaço de huúas casas tem mais molheres que lutão, e tem mais molheres que são estrolicas e feyticeiras, e tem molheres

que são gramdes
as outras, e

que escrevem todollos gastos que se fazem das portas a dentro, e tem molheres que tem cuydado de escreverem todas as cousas do reyno, e comcertao seus livros com os escrivães de fora, e tem molheres muyto musycas que tamgem e camtão, e as mesmas molheres d elrey

muyto musycas. tem mais elre}^ molheres, dez cozinheiras pêra sua pessoa, e tem outras de sobrecelente pêra coamdo daa bamquete, e estas dez não fazem de comer a nymguem
são

E

somente a elrey, e com estas não falia nimguem somente elrey, e tem húu porteiro capado a porta da cozinha, que não deixa chegar nimguem por amor da peçonha, e quoamdo elre}' quer comer despeja se toda a pessoa e vem loguo destas molheres que tem carreguo, e lhe põem a meza, e põem lhe húa trepeça redomda d ouro, e sobre ella pÕem as ygoarias, as quoaes vem em hijas bátegas que são bacias d ouro, e as ygoarias pequenas vem em preçollannas d ouro e d ellas com pedrarya, e não tem toalha nenhúa na mesa, se não

vem no
amte

quoamdo acaba de comer lava as mãos e boca, e sera mesa molheres e capados; as molheres d elrey cada húa estaa sobre sy, e tem criadas que servem
ellas, diz

que ha

juizes e meirinhos e

goardas que

71

toda noute goardáo o paço, e tudo são molheres, e eirey não veste húu vestido mays de húa so vez, e como o

despe loguo o entrega aos oficiaees que tem carreguo d isso, os quoaes dão conta, e não se dão estes vestidos a nimguem, e ysto tem por gramde estado os seus vestidos são pachõiis muyto finos dourados, que vai cada
;

hííu

theor, que são

dez pardaos, e trazem as vezes bajuris do mesmo como camisas e a fralda, e na cabeça trabrocado, a que chamão culaes,

zem hús carapuçÕes de

que cada húu pode valer vinte cruzados, e como o tira da cabeça não ho torna ma3's a por. E as justisas que se fazem neste reyno são estas, comvem a saber, a húu ladrão por quoalquer furto que faça, por pequeno que seja, loguo lhe hão de cortar húu pee e húa mão, e se ho furto he gramde he emforcado com
azollo por debaixo da barba, e quoalquer homem que dorme por força com molher honrrada ou virgem aa mesma pena, ou o que faz outra semelhamte força, e por esta maneira he castigado, e os fidalgos que são tredores mamdão os espetar em húu espeto de pao pella barriga vivos, e homees baixos por quoalquer dellito que cometão, crime, mamda lhe cortar a cabeça na praça; quoalquer que mata outro a mesma pena, se não matar por desafyo, por que a estes taees fazem muita honrra, e dão a fazenda do morto ao vivo, e nimguem não de-

húu

safia

sem primeiro pedir licemça ao regedor, o quoal

loguo a daa; esta he a maneira de sua justiça comúu-

mente, afora outras voluntariosas, quoamdo élre}^ quer que mamda lamçar húu homem aos al3'fantes pêra que
o despedacem, e a gemte he tão sojeita que se lhe dizeis

da parte d elrey que esteja quedo em húa rua, e que tenha húa pedra nas costas ally todo dia atee que^ho soltaseis o fazem. Asy que os oficiaes d elrey que em o reyno amdão são estes, primeiramente o regedor do reyno, que he segumda pessoa nelle, o tisoure3TO com seus escrivães de fazemda, e thisoureiro moor, e porteiro moor, e thisoureyro da pedraria, e estribeiro moor,

não tem veador de fazemda, nem outros oíiciaes, nem de sua casa, somente os capitaees de seu reyno, os quoaes aquy nomeare}^ allgúus, e as remdas que tem, e de que terra são senhores. Item. Primeiramente Salvanayque, regedor que agora he, tem de remda húu conto e cem mil pardaos d ouro, este he senhor de Charamãodel, e de Nagapatão, eTamgor, e Bomgarim, e Dapatão, e doTruguel, e de Caullim,
e e todas estas são cidades, e as suas terras todas são
e partem com Ceilão, e d este dinheiro he obrigado a dar o terço a elrey, e os dous terços lhe íicão pêra o soldo dos seus lascarís e cavallos com que são obrigados a servir a elrey, e por este desconto lhe

muyto gramdes,

deixou elrey trinta mill piães, e três mill homées de cavallo, e trimta allyfantes,

de mane^Ta que tirados estes
a

gastos tudo o mais lhe fica, e nesta gente ganha muito
dinheiro, porque

numca

a fazemda. cada vez que os quer lhes Item. Outro capitão Ajaparcatimapa, que foy regedor

tem toma

toda, por

omde

elrey

de Crisnarao, este tem de remda outocentos mill pardaos d ouro, e he senhor da cidade de Hudogary, e da

da cidade de Penagumdim, e de Codegaral de Cidaota, todas estas cydades gramdes, partem com o reyno d Oria, e d ellas com o cabo de Gomary, estas terras lhe deu elrey Crisnarao, quoamdo o
cidade de

Comdovim,

e

fez regedor, e tirou os olhos a Salvatinica, seu regedor,

que era capitão d
e

elas, e

obrigado a servir

com

vinte e

cimco, mill e quinhentos de cavallo, e corenta alyfantes,

daa cada ano a elrey trezentos mil pardaos. Item. Outro capitão que se chama Gapanayque, d estas terras, comvem a saber, he senhor do Rosyl, e de Tipar, e de Ticalo, e de Bigolom, estas terras partem com

ho ydalcão,

e

em

todas ha muito triguo, e grãos, e vacas,

e cabras, e gergellim, e algodão, e

na, por que todo o

d estas terras seis servir com dous mil

roupa d elle muito fid elle, tem remda centos mil pardaos, e he obrigado a

pano que
e

se faz e

quynhemtos de

cavallo, e vinte

73

mill praços, e vinte alyfantes, e

daa a

elre}'

cada ano

cento e cimcoenta mill pardaos. Item. Outro capitão que se chama Lepanayque, que he senhor de Vimgapor, terra muyto grossa de sementeiras e criaçõis, e

tem de remda trezentos mil pardaos,

e he obrigado a servir

com

mil e duzentos de cavallo, e

vinte mill praços, e vinte e oyto alyfantes, e

daa a elrey

cada anno oytenta mill pardaos.
Item. Mais o thesoureyro da pedraria que se chama Narvara, este he capitão da cidade nova, que se chama

he senhor da terra do Diguoty, e de DarEntarem, e das outras terras que partem com a terra de Bysnaga, são todas de campo, e remdem lhe cada anno quoatro centos mil pardaos, dos quoaes daa a elrey duzentos mil, e os mais gasta com doze mill piãees, e seiscentos de cavallo, e vinte alye

Ondegema,

guem,

e de

fantes.

Item. Mais outro capitão que se

chama Chinapanay-

que, he marichal d elrey, e senhor da terra de Calaly da

bamda de Cochim no certão, e de outra muytas terras que lhe remdem trezentos mill pardaos, e he obrigado a dar a elrey cada ano cem mill pardaos, e serve com
03^tocentos de cavallo, e dez mill praços.

Item. Mais Crisnapanayque, que he senhor d Aosel, que he húa cidade gramde, e de outros lugares que aquy não conto por terem os nomes muy avessados, estas terras lhe remdem em cada húu ano vinte mill pardaos d ouro, e paga de pemsão a elrey sete mill pardaos, e serve

com

quinhentos de cavallo, e setecentos de pee.

Item. Mais Bajapanarque, que he capitão da terra de
Bodial, que parte com Mamgalor, ao lomgo do maar, e he senhor de Guiana, nesta terra ha muyta pimenta, e

açucare, e roupa, e

muyto

aroz, e

não a

triguo,

nem

outra roupa, e he terra de ceras, e remde lhe trezentos mill

pardaos cada ano, e serve com outo centos de com dez mill piãees, e com quimze alyfantes, e daa a elrey dez mill pardaos.
cavallo, e

74
Item. Mallpanarque, que foy estribeiro

moor d

elrey

Crisnarao, e este he senhor da terra d Avaly, que estaa

no sertão de Calecu,

muyto algodão,
bufaras, e este

e esta terra tem mu3'to ferro, e muyto aroz, cabras, carneiros, vacas, e tem de remda quimze mil pardaos, e he
e

obrigado a servir
mill piãees, e

com quoatro centos de cavallo, e seis paga a elrey cada ano cymquo mill parchama Adapanayque, que
senhor da terra do

daos.

Item, Outro capitão que se

he comselheiro
Gate,
tas

mor d

elrey, este he

homde nascem

os diamãees, e outras terras

muy-

que lhe remdem trezentos mill pardaos d ouro, tiramdo a pedrarya, que he remda sobre sy, que remde cada ano corenta mill pardaos a elrey, com comdição que os diamãees que passarem de vinte mamgales pêra riba serem dados a elre}- pêra o seu thesouro, este serve

com

oyto mill piõis, e oyto centos de cavallo, e trinta

allyfantes, e

daa a

elre}'

cada ano cem mill pardaos.

Item. Mais outro Bajapanayque, capitão do
guel,

Mumdo-

que

fo}^

fortaleza do ydalcão, a quoal lhe
lhe

Crisnarao,

quoamdo

d

elle, e

esta fortaleza

tomou tomou Rachol, que era termo de Mundoguel com outras terras

lhe

remdem

quoatro centos mil pardaos, e serve

com

mil de cavallo, e dez mill piães, e cimcoenta alyfantes, e

daa a elrey cada anno cento e cimcoenta mill pardaos. E por esta maneyra he repartido o re3^nno de Bis-

naga por passante de duzentos capitãees, os quoaees todos são gentios, e segundo as terras e remdas que tem, asym lhe lamça elrey a gente com que são hobrigados a servir, e o que lhe ão de pagar de remda cada mes, dentro nos primeiros nove dias do mes de setembro, aos quoaees não faz nenhúa quyta, mas antes não pagamdo
a este tempo são muy bem castigados e destroydos, e a fazemda tomada. Todos os capitãees d este reyno se servem d amdores e palamques, que são como amdas, as quoaees trazem homées as costas, os quoaes não podem amdar nelles, comvem a saber, nos amdores se são ho-

tem os homées desta terra que forão ja mais novéis. e bem despostos. e com o lixo d estas vacas se absolvem de seus pecados. estes crem que a três pessoas e húu so Deos. homees secos. a que fazem muita honrra. e com mamdamentos. Elrey de Bisnaga he bramine. e nestes amda o reyno e os ofícios d elles. quoamdo cavalleiros pêra cima. aymda que pareça mmto. dados a mercadar3'as. e chamão as pessoas da Santíssima Trimdade Tricebemca. que não esta em rezão d omées terem taes opiniÕis. pouco soíicientes pêra nenhííu trabalho. e de gramdes bestidões de suas ydolatrias. e allgúas dizem que no cu.75 mées de tães e pessoas primcipaes. e bufaras. e de vivo engenho. e mais grossos do que agora são. tem livros cheos d estorias suas de gramdes cavallar3^as. e na pregação lhe amoesta os mamdamentos de Deos. e esta he a milhor que ha antre elles. per homde no reyno de Bisnaga. e estes ydoUos e bogios em que adorão. bramines. comvem a saber. e ha outra gente que são canaras. e ha outra criação de homees que chamão telumgalle. que não mate os mais seus cousa viva nem tome cousa alhea. como com augoa . e as cousas do reyno de Bisnaga. todollos dias ouve pre- gação de hiãu bramine letrado. e que neste tempo fallavão elles. dizem que em outro tempo esta terra toda foy de bogios. são todos homées limpos. por homde a tantos nesta terra que cobrem as montanhas. e ha palamques capisempre na corte omde eirey está vinte mil amdores e palamques. e diabos. estes tem pagode em que tem bogios. E neste reyno de Bysnaga ha que per criaçÕis de homées naturaes da terra. e nos morrem enterrão se molheres vivas com elles. vacas. gramdes contadores. nem em toda a terra do gentio não matão nenhúus bogios. que numca foy casado nem dorm3-o com molher. esta gente tem tanta devação nas vacas que as beijão cada dia. mu}^ agudos. que lhe asy diz. o que eu não diguo por sua honrra. que os mais d elles não matão cousa viva nem a comem.

e leva húu espelho na mão. e elles tem por mamdamento de se confessarem aos bramines padres de seus pecados. e o fazem tão poucas vezes que não obedecem a este mamdamento de se comfessarem. e lamça o tição dentro. e cumprem de húa maneira e da outra. e a cada volta faz húu buraco na panela. e então lhe põem o foguo. sua may ou parente mais chegado tomão húa panella chea d augoa na cabeça. e tem deseja de hir em que a molher que muito chora não busca de seu marydo. que pêra ysso tem feita. E como he queymado vem a molher com to- . e depois d ela dizer que sy põem o morto em hííu catre enra- mado cuberto de flores. espera ella com os tamgeres que se queime ho marido. antes que lhe ponhão o foguo.76 benta. e que não deshonrre sua geração. e tem ho por graça de honrra. e d esta maneyra tanto que seus maridos morrem fazem pranto em sua casa elles com os seus parentes e de seus maridos. o quoal deitão em húa cova muy gramde. e acabado o pranto lhe dizem seus parentes e aconselhão que se queime. e na outra húu ramo de rentes d elle flores. ela lhe responde can- tando que asy o fará. e as}'^ vay huú homem tamgemdo com húu adufe cantamdo lhe cantigas e que se vaa asynha pêra seu marido. húu rocim. e tanto que chega ao lugar omde ão de ser queymados. que he húa panela. por que ho que o não faz não alcamça graça. e daa três voltas ao redor da cova. e diz que ho deixão de fazer por ser vergonha confessarem se a outro homem. e a molher e põem em cima de J03'^as. e. Ho reyno de Bisnaga. vay detrás d elles com muytas e cu- berta de rosas. e os pacom muyto prazer. quoamdo seus marydos morrem. e com muytos tamgeres. ho quoal elles não fazem senão algús muyto amiguos de Deos. e que abasta comfessarem se comS3'guo a Deos. e cobrem no de mu3^ta lenha. e acabado estas três voltas quebra o calãao. e húu tição na mão. esta terra he toda gentio. tem as molheres por costume de se queimarem.

e dentro nela estão feytos dous asentos da mesma terra. e va}. antes que faleça. manda chamar aos seus bramines letrados.// lhe faz húu bramine acabado de as fazer. que são seus . e então se sobe nos degraos. e asentam cada húu no seu. e lamção no foguo huú pano com aroz. com que se emfeitava. que se soterrão as molheres com seus marydos vivas quoamdo elles morrem. CapituUo das cerimonias que fa\em aos mortos bramines. e vão nos cobrimdo pouco a pouco atee que os cobrem. e asy morre a molher com o marido. tirando esta casta de gente a que chamão telugas. e tanto que lhe tirão tudo. húu pêra eles. atee os panos bõos. e tem diamte de sy húa esteira que lhe tolhe a vista do foguo. e ela leva húu ramo na outra. dizendo que tudo a de ter laa pêra se enfeitar com seu marido. Estando algúu bramine doente. e as reparte por suas parentas. e o espelho. e toma hiju callãao d azeite na cabeça e bota se no foguo contamto esforço que he pêra espantar. E pr}-meyro que vsto facão dão três voltas a redor do foguo. e o pentem. &c. e se tem filhos encommenda os aos parentes mais honrrados. e então a tomão os parentes pella mão. dalas festas.cantando e correndo atee a cova omde estaa o foguo. certas cerimonyas de sua ella por sua mão tira todalas joyas que leva. e por deradeiro despede se de todos. e vão com muyto prazer atee cova. outro pêra ella. e asy quoamdo elre}' se faz outro tanto. e vsto se costuma em toda esta terra do gentio. e outro em que trazem betre. E quoamdo morre huú capitão queymão se então suas molheres quantas tem. e então se sobe em húus degraos que estão feitos a par da cova altos. lhe vestem hús panos amarellos. e lava os pees. e depois de feito fazem grão pranto todos. e. e tanto que se lamça estão os parentes prestes com lenha que logo a cobrem. e ali ley.

ou irmão mais pequeno. e depois de Uavada tem por costume trazerem em suas casas húua vaca com huú bezerro. e asy metem dentro na tumba. a quoal vaca acabamdo de lavar a cabeça tomao húa touca e atão na ao pescoço da vaca. lhe fazem húa tumba coberta com ramos de figueiro. E tanto que chegão no lugar . e diante de todos vay seu filho. e tem elles que. e depois de lavado tomão bosta de vacca. e a muyto poucos bramines. são rogados. e huntão no de samdallo. que não tenha em casa. o lavão muyto bem com boa augoa. por sua alma. e se não que morre loguo. com nias. e metem a ponta da touca na mão do e aly lhe e o doente. e asy o levão ao lugar omde ho ão de queymar acompanhado de muitos bramines que vão cantamdo diante do defunto. e deitão lhe pello corpo ramos de mamgiricão. ou parente mays chegado. E despois de morto o doente mamdão lavar o chão onde estava deytado o doente. primeiro que metão o corpo dentro na tumba. como ao doente são feitas estas cerimonyas. e. fazem lembramças das cousas de sua alma.78 padres. e depois de rapada lha manda lavar. pêra que venha pregar e comsolar ao doente. aquelles padres que fazem estas cerimo- Asy neste dia da esmolas segumdo sua pessoa. e despois desta cerimonya acabada mamda aos bramines padres rapar a cabeça ao doente. e daa de comer a algúus bramines que pêra ly vem a comer. pêra que elle a dee d esmola. e embostão aquelle chão. que ha de fazer para a salvar. e Uamção o morto em cima desta bosta. ou em cousa que não seja no chão. emquanto elle estaa llamçado no chão. por que tem elles que o doente que morre em catre. por poucos que sejão. com o foguo na mão pêra o queimarem. se o tem. e chamão outros três bramines quoaesquer que lho ajudem a levar. o bezerro. E então hú parente seu toma a tumba primeyro por húa bamda. e. dizendo-lhe que deixe esmoUas. que peca mortalmente. se ouver de viver garece logo de sua enfermidade. e cobrem no com híju pano novo.

omde tem húu pagode muyto gramde. e depois de acabado nove dias de seu falecimento. e bisavoo. e obrigado a dormir no chão omde o defunto morreo nove noutes. e fazem húa dinheiro. ou filho do defunto. e fazem muitas cerimonyas sobre aquella symza e ossos que ficarão por queimaar. e asy o defunto cujos ossos rio. e d ahi por diamte. e o filho. e depois de llavados se vay cada um pêra sua casa. e aos vimte e seis bramines. ou parente que levou o foguo. comvem a saber. três a honrra da trim- dade. põem o foguo. e os vestidos do defunto. dão de comer cada mes húa vez a três bramines. vem os padres e letrados. e que o filho he rapado. e tem na ali goardada e soterrada pêra mamdarem lamçar aquelles ossos em húu rio santo. e soterão na. E depois de dez dias acabados. se he cova no chão. atee se acabar húu.79 onde hão de queimar lamção dinheiro segumdo podem. e o deradeiro dia do mes dão de comer a outros três. romaria. e lanção naquelle e porem la levão muyto poucos. e tem he salvo. e três pelas pessoas de seu pa}' e avoo. e estão ai}' atee que se acabão de queimar o corpo todo. he obrigado. E acabado este ano não dão mais esmollas que cada ano em que morreo dão de comer a do dia do falecimento dias. asy la tenha graça . ou irmão. de muito gramde elles que todo o romeyro que llaa morre vay ao paraíso. a comer a vj-mte húu dias a outros três. e nestes nove dias dão de comer a pobres. metem nos em hiía panella. e o catre com sua cama dão d esmoUa aos padres com mais algúu e então lhe homem rico deixa estas e outras cousas d esmolas aos muytos bramines. e aos vimte sete dias dão a comer aos três. E o herdeiro. ou pay. e aos doze dias também de comer a sete bramines. ou seu yrmão. e d aly se vão todos lavar a húu tamque os corpos. que asy como cá comem juntos. que esta aquy de Goa mil e tantas legoas. vay ao lugar omde queymarão seu pay. e mandão lhe rapar a cabeça. e ysto fazem a honrra da trimdade pela alma do defunto. dar de omze e sete bramines.

e também porque dará fee a algúas cousas da chronica dos re3's de Bisnaga. porque comformarão húas e outras. não pode dizer laa esteve três anos com cavallos de que foy mal paguo. Quis fazer j^sto porque ha seis mezes que d ambos tomara vossa mercê ho que lhe cumprir. mamdo ambos os sumários. buscar homes que forão a Bisnaga. algúas cerimonyas por ahi bramimes padres que vem pêra ysso. e das terras que ao lomgo do mar estão. porque se}' que não vay la nenhiJu que não traga sua mão de papel escripta das cousas de laa-. frallda Partimdo da Imdia pêra o reyno de Narsymga. Capitullo das cousas que vi. o tresllado do quoall sumaryo he este que começou zerão hú em tempo de fazer vmdo pêra o re3'no de Bisnaga. conveyo me pois que hera necessário fazer o que me manda vossa mercê. da do maar. E porque eu estive d assento atee gora nesta cidade. e tem passos por omde se passão pêra o sertão. as}^ que ouue este summarvo de hííu Domingos Paes que ca amda. os pêra isso. o d elrey Crisnarao coando E por que hú homem outro de Fernão Nuniz que ouve tudo. e pedem esmola se são quoaes lhe dam todos ajuda no gentar se fazem. &c. e pêra estes gostos pobres pelos bramines. esta serra vay por toda a costa da Imdia. . aveis de passar húa serra que tem.8o ante Deos. e primeiro que gentem lhe lavao os pees a todos seis. e porque húu falia em algúas cousas que não falia o outro. que he estremo do dito reyno. de Crisnarao. e alcãocei saber do reyuo de Narsimga. que estamdo la fequoal foy a Bisnaga la foy em tempo Cristóvão de Figueiredo. e outro mandou de llaa. como disse.

e 3'sto em mays abastamça que nas nossas partes. e por este respeito acodem tantas mercadarias a Batacala. que vem cada ano cymco ou seis mil bois de carrega. que se chama Zambuja. Mirgeo. A terra toda e muito povoada de cidades e villas e lugares. he caminho de muvtos rvbevros d agoas. He terra mu}' aproveytada. e Bacanor. se não algús montes. que nela não temos mays serras. salvo ao longo desta serra da bamda de leste. comvem a saber. comvallos vem a ssaber. he terra de muyto aroz. mamgas. são portos de maar com que temos pazes e em algús d elles temos fevtorias. carne3T0s. porque todo o outro he como o campo de Ssantarem. bém tem e arvoredos. e abastada de muytos gados. fe3'jÕis. he terra de pouco arvoredo. e de Batacala a esta cidade de Zambur ha corenta legoas. porque. E tanto que sobimos esta serra logo temos a terra chaa. Honor. aija algíías serras com arvoredos. dos grãos ha muita abastamça. O dito revno tem muitos lugares na costa da Imdia. e de muy fortes matos. Mamgalor. e muy farta. também he dos cavallos. grãos. por que não tem outra cevada.porque todo o outro da serra he muy fragosa. muito enfimdo algodão. vacas. e outras mane3Tas de sementes que nas nossas partes não se semeão. e estes pequenos. alem de ser mantimento dos homées. e derredor das cidades e villas e lugares tame jacas. e de milho zaburro. Bracalor. todavva o caminho e muito chão. Amcola. tamarinhos. bufaras. porque a lugares cominhaveis duas três legoas d arvoredo. e as3' na terra ha muito triguo e bom. comvem a saber. avees. Batecalla. e outros arvores muvto gramdes. Tornamdo a fallar no dito re3'no. posto que pello caminho de Batecala atee húa cidade. que he aposento omde se aposentão os mercadores com suas mercadarias. eu vy na cidade de Recalera hú arvore que debaixo d ela agasalhávamos trezentos e vimte caem suas estrebarias hordenadas. como das que se crião em casa. e 6 . e por toda a terra vereis muy poucos arvores. as}^ das do monte.

vacas. e nelles trazem todas suas carregas. salvo trovoadas que asertão serem mores húu ano que o outro. como nas nossas partes. e nas vacas adorão. e ha muvtos touros que hoferecem a estes pagodes. e os bois acarretão. fazem alagoas em que se recolhe a augoa quoando chove. e são suas azemoUas. e não se servem d eles se não de pouca cousa. e outro gado meudo que nellas bebem. e d alv se mantém. porque muytos achamos secas e amdarem na lama d elas. e fazem no em seus emgenhos que pêra ysso tem. ao lomgo d esta serra que dito tenho. que não tem mais augoa que a que chove. Deveis de ssaber que este reyno de Narsymga tem trezentos grãos. e ter poucas ribe3Tas. e a causa porque asy são barrentas he pello vemto muvto e poo que ha na terra. e asy touros. e d isto servem mays que d outra cousa. e em algúa que acerta nascer esta se sostem mays que nas outras. O azeyte que tem he semeado de semente. e na Imdia.82 o rev não comsemte que as cercas sejão se não de terra. primcipalmente naquellas em que não nace agoa. por se não alevantarcm. Porque sabereis que nesta terra não matão boys nem vaca. e também ho muito gado. e tem nas nos seus paguodes feytas de pedra. até ir . também ha na terra asnos. carregão nos de roupa estes que lavaão. e bois. pêra seu governo. Esta terra carece d augoa por ser muyto gramde. que não daa lugar a que a augoa seja clara. e colhe se em seu tempo. e se algúua cidade estaa no estremo de sua terra a esta comsemte que tenha os muros de pedra. e as villas não. E a augoa que nestas alagoas ha he toda a mais d ella barrenta. bufaras. e amdão pella cidade sem que lhe facão mal e pedra. mas são pequenos. pouca augoa. porque facão fortalezas das cidades e não das villas. que he de legoa cada grão de costa. e por que ho falecimento d esta augoa he por não ter imverno. E esta terra por ser chãa curssão mais os ventos nella que nas outras partes. e fazerem covas d omde achavão algúa augoa.

e tudo terra chãa. E tornamdo a nosso proposvto. de que ssao as terras que tem o jdallcao. gramdes. e cada grão tem duas legoas das nossas. e da outra parte com o re\no d Orva que he da bamda de lleste. a milhor cousa que em gramde parte não se poderá achar outro tão bom da sua maneyra. o rey d ele he senhor de gramde thisouro. Esta cidade de Darcha he muy bem cercada de muro. tem guerra com ella. dizem que he muito mayor que este de Narsvmga. quoal outra poucas partes se achara. da bamda d oeste. e as de travessa e trezentas e corenta e oito legoas atravessa desde Batacalla atee ho reyno d Or}'a. porque neste reyno os ha mais. somente direy da cidade Darcha. a cerca húu r3'o muy fremoso. que he da Imdia. e com este 3^dalcão tem Guoa guerra. que he a memoria que diguo. e de muytos alyfantes. e da outra bamda do norte com o revno de Daquem. e lha temos tomada. Sabereis que he húu templo redondo de híía . do sertão da terra. e Cambaya. por quoanto foy sua. e os homées de bõos corpos. ele e gentio. e comquista com e de Mallaca. e com o maar vem ter e comquistar com o re3-no de com o reyno Daquem. pello que jaa dito tenho. que são do dito reyno. diguo que não ponho aqu}' os asentos das cidades e villas e lugares neste re3'no de Narsymga por não fazer prolixidade. que sobem tamto que dizem que não ha outro mayor senhor que certa certeza que hia ter na Persya.ter a Ballagate e Charamãodel. Esta Darcha tem hum pagode. E este reyno d Orya. por quoamto comquista con toda Bemgalla. e ao longo do muro tem sua cava. e me disserão em A gente delia he bramca. e Ozemelluco. por ter húa memoria. asy que tem de costa seis centas legoas. E este reyno comquista con toda a terra de Bemgalla. que ariba dito tenho. e não de pedra. e da outra parte do leste. todo o reyno de Peguu. tem de travessa cemto e sesenta e quoatro grãos. e de muita gente.

tam bem feitas que mays não pode ser. asy de fora como de dentro. e que tanto que cahirem todos que ha de ser o mumdo destroydo. no pee coadrada. asy dos rostos. estaa toda no ar. e asy todo o chão ladrilhado da pedra. e d al}^ pêra cima oytavada. estes pagodes são casas em que fazem suas oraçôis. do casamento com húuas romanisco mu}^ e folhas. e tem húa pedra tamanha como o mastro de húa nao. bogios. e outros não tem mais que. e tudo de pedra. e o rosto tem d alifante com sua tromba e dentes. Neste templlo Darcha estaa húu ydollo de fegura de húu homem quoanto ao corpo. en com muytas figuras que são da tamanho de húu covado lamçadas fora da pedra que os vedes por toda a parte. dita obra. e tem seus ydolos. dos quoaes braços dizem que tem jaa menos quoatro. e cada húu em seu posto estão de húa maneira de esse toda arte de pespetiva. e húa d estas partes. e seis mãos. e alem d isto he toda cercada de muy forte muro. sem nela aver taboa nem pao. que he táo alta ou mays. comvem a saber.84 pedra. alem d isto tem húa maneira d alpemdre sobre hús pillares. tem três portas por homde entram mesma este nella. touros. de feguras de homées e moIheres. e de dentro d esta cerca que tem outros pagodes pequenos e rosynha. e os pillares com suas pranhas Itália. e bem feytas que não por cima maneira de pode ser milhor. também feytas que parecem ser feytas dentro na todas as traves e travessais são da dita pedra. a porta toda a maneira de húa macenaria. as quoaes portas são muy grandes e fremosos. que estaa pêra o leste. que he defronte da porta do pagode. mays que ho da cidade. cercada de húa grade feyta da mesma pedra. E tem todo pagode quoanto he aredomdeza do templo. não me espantey d ella porque vy agulha de Sam Pedro em Roma. por ser toda cantaria.pedra redomda em que adorão. os quoaes são de muytas maneiras. como do ai. e com três braços de cada bamda. a entrada de . tem como varandas pequenas e baixas omde pousão algúus iogues.

e nem por ysso deixão de comer todo dia este betre. A este ydollo e dão de comer cada que dizem que come. e faz muito mas he muito dura. de maneyra que ficão as serras todas fechadas. as quoaes são do dito pagode. e as suas ruas são as milhores de casarias e de Rias. que são serventia da cy- . ou a era da nossa terra. da feição de húa nespera. e comem betre diante d ellas. bom bafo. e he me3^o mantimento pêra elles que não comem como nos. Estas molheres são solteyras. e tem outras muitas virtudes. e entrão estas molheres omde estão as molheres d elre}-. ellas são muito acatadas. salvo nos lugares omde vem ter os camynhos dentro d esta serra vão outros que tão e das portas da primeira serra. e estão com ellas. e a trazem na boca com outro fru5^to que se chama betre he húa erva que areca. algíjus d estes comem carne. mer. omde estas serras tem algúu chão atravessão no com o muro muy forte. que he a primcipal de todo o reyno de Narsymga omde sempre estaa ho temdes muitas cidades e villas cercadas. por não terdes por omde entrar senão por ellas. e todas as que d ellas nacem são do pagode. Depois himdo d esta cidade Darcha pêra a cidade de Bisnaga. e lhe vivem nas milhores ruas que ha na cidade. e asvm em todas as cidades. e todo homem honrrado vay a putaria sem lhe ser estranhado. que são dezoito legoas. e o tem por suas prodia. e chamão se portas por omde entrão. fesyas. e de bem a cercão. e diante. Esta serra cerca rey. o que não come outra pessoa nenhíãa de nenhíí estado que seja. e quoamdo come ba3'lhão lhe molheres dão de cotudo o que he necessário. e duas legoas ante que chegueis a cidade Bisnaga temdes húa serra muito allta. e são das honrradas que são amigas dos capitães.85 e asy tem por fee que hade elle ser. Este tem a folha como a folha da pimenta. esta cidade em derredor vinte e quoatro legoas. tiramdo vaca e porco toda a outra comem. esta folha comem sempre. que tem passos por omde entrares a cidade.

e as portas com húas entradas muy fortes . e estas serras vão ter atee ho regno de Daquem. e entre todas estas cercas dade. e nestes passos da estremadura traz elrey de Narsymga hííu capitão com mu3'ta gente. e cidreiras. estas serras vão ter atee dentro a cidade. mas são d outra maneira deferente d estas que são como as nossas com mato. e couves. que jaa fo}^ d elre}^ de Narsymga. e são serras pequenas. por serem as mais estranhas que se numca virão. tiramdo alfaces. nem tem cousa que verde seja. que são de húa pedra bramca húuas sobre outras da mais estranha maneyra postas. e rabaos. que não estão apegadas húas com outras. Depois tomamdo as portas da primeira serra. os mais fortes que podem ser. e sobre ela ouve muyta guerra. asy que estas serras de maneyra são causa de se não ajuntarem e terem muvta guerra. e he tanta a sua fortaleza que he emparo d ambas as partes. e da bamda d Or3'a também vão serras. Antre estas serras ha muitas alagoas com que regão o que dito tenho. e este rey a tomou ao 3'dallcão. diguo que a entrada da porta omde vem os que vão de Goa. e fica toda cercada d ellas. e moutas poucas. e outras ortaliças como em Portugal. e em todas estas serras não ha arvoredo nem moutas. e tem ortas de muytas larãogeyras. e pêra a costa da Imdia não ha salvo o que dito tenho. forão que parece que estão no ar. e a cidade vay metida por entre estas serras. dentro tem feito este re3. se não algúas pequenas. omde aly gramdes alymarias.86 nos taes lugares ficao húus buqueyrÕis pequenos que pouca gente os poderá defemder. e comf^-na com as terras do 3'dallcão. e antre húas e outras vão gramdes campos. e no estremo d este dous revnos. e com hija cidade que chamão Rachol. limoeyros.híía cidade mu3' forte de mu- ros e torres. que he a ma3's principal entrada da bamda d aloeste. e vão campos e vallees homde se semea aroz. e tem suas entradas por omde entrão de húu re^no a outro. sabereis que he tudo matos.

e dentro mu}'^ mas de muy de suas cidades ho- mées mercadores muy honrrados. diguo mines sacerdotes e letrados dos pagodes. o que logo foi feito. que não se vya a terra omde elles amdavão. este tamque tem três muvto lavrados com ymagées. e que querva que lhe fizesem sacreficio. este tamque repartia elrey por seus capitãees. que parecião formigas. e tanto que elrey ysto ouvyo mamdou loguo que a porta do paguode cortassem a cabeça a sessenta homées. ou vinte mil homêes. e toda povoada de muita gente por que elrey fez vir em forte camtarya.que tapa. em cima estão postos em húus canos por homde tirão augoa quoamdo a hão mister pêra regar suas ortas e arrozes. outra e toda a augoa que de hua vem a recolher. e lhe desem samgue de homees. Vivem nella muytos mercadores. pêra fazer este tamque rompeo o dito rey hiãa serra que tapava o que ho dito tam. esta augoa vem pella falldra da vem de húa alagoa que deita de sv huú pillares grosos rio pequeno. tanta gente era. Neste tamque vy tanta gente que trabalhavão que serião quinze. estes muros não são como hos das outras cidades. e diserão os bramynes que ho ydollo estava menemcorj-o. pellos bra- porque aynda . e esta na boca de duas serras. e de cavallos. e bufaras. e tem muyta augoa. que d elle tevessem carreguo de fazer e trabalhar a gente que cada huú tinha a carreguo. e certos cavallos. Estes bramines são como frades antre nos. e alem disto lhe bamda e da vem augoa de gramdes serra da três legoas por canos que bamda de fora. e elles tem nos em conta de homens bentos. Este tamque cayo duas ou três vezes. e elrey falou com os seus bramines que soubessem de seu ydollo por que cahia tantas vezes. e tanto poucas partes se achara mais.87 com torres nas portas*. e lhe acabassem e dessem feyto. e alem disto fez elrey húu tamque que me parece que terá de largura hiju tiro de fallcáo. e de bufaras. que fermosas casarvas fevtas ao seu modo de seus tarados.

e este que tem carreguo dos pagodes são letrados. e outras cousas de maçãas que fazem. e virão a vida destes sacerdotes.88 muitos bramines d eirey. nem cousa que faça potagem vermelha. e os tem bém as}' muy favorecidos. e derredor d ella fazem os moradores suas ortas segundo a terra. e seu aroz. homde bem pode ter gente se quizer. por que dizem que he samgue. e outros vivem por seus bées. nem outra cousa que padeça morte. como as nossas. e não comem cousa que padeça morte. se não bredos e manteigas. e de pillares todos abertos. e algúus dos outros bramines que dise. e cada húu he repartido. e saem muy poucas fruitos. e fazem penitencia. posto que da outra gente tam- vezes fora da casa. porque os seus vão de sobrado em sobrado. eles todos são casados. e são molheres muyto recolheitas. de maneira que llogo parecem casas de rev. são os oficiaes das cidades e do governo d ellas. e outros são mer- que aija villas e cadores. por que são homêes a que elrey faz muyta honrra. e as suas casas não são de sobrados. e lavoyras. são bramcas. e estaa em huú chão a dita cidade. e cousa muy bem feita. Estes paços tem húa cerca que os cerca todos. Nesta cidade fez elrey huú pagode com muitas imagees. que querem servir a Deos. mas são térreas com terrados e coru- chees deferente dos nossos. e muyto poucos. mas são muy fora da vida d estes que dito tenho. e a casta homées e mebramcos mais d estes bramvnes são os lhores que ha na terra. Esta cidade nova que elrey fez tem o nome da molher d elre}' por cujo amor elle fez. dentro muytas casarias. e tem muy fermosas molheres. e ante que entreis homde estaa o rev. e que são de suas heramças-. que nesta terra ha muitos que se chamão brabnys. também tem húus poços muy bÕos ao seu modo. carne nem peixe. As molheres aija homêes bramcos ao comúu. temdes duas portas com muytos porteiros e . e com varamdas de fora e de dentro. e não querem comer carne nem peixe.

e tem por molher. que quoamdo não ha mais que húu seja de quoalquer he herdeiro. e d esta mane3Ta foy esta molher . e he o mais temido e acabado rev que pode ser. e húa d estas principaes he filha d elrey d Orya. elrey d Orya lhe deu húa filha com que o dito rev de Bisnaga casou. que he rey de Serimgapatão. atee que elrey os estaa. senhor dos se- nhores mayores da Imdia. Este rey tem por molher doze molheres recebidas. antes que fosse rey. com suas varamdas ao derredor. e he homéem que aos forasteiros cata muyta honrra. e outra he húa molher solteira que ele em mamcebo. e entrou lhe por vil- seu re3'no tomando e destrovmdo muytas cidades e las. porque os filhos de cada húa d estas três são herdeiras do reyno. e por comcerto e pazes. Crisnarao macacão. rev dos reys. e muyto prazentevro. e das outras não. mays sobre gordo que sobre magro. e tem no rosto synaes de bexigas. o quoal teve muito tempo nesta cidade de Bisnaga. e de gramdes supitos. e parece que não tem nada pêra o que avia de ter hú homem tal como ele tão cavaleiro e perfeito em tudo. se não os capitãees homées que são pêra ysso. e homem de' di- muita justiça. omde faleceo. He gramde senhor. e alifantes. e este he seu tado. e três d ellas são as mais principaes. senhor dos três mares e da por que em sua comdição he ma3'or senhor do que ele he da gente e terra.8q que não deixao entrar toda pessoa. tinha por amiga. e ledo de sua comdição. e este rey he de e de manda entrar omde elle meãa estatura. omde estão estes capitãees e gente e honrrada. e ela lhe fez prometer que se viesse a ser rey que a tomasse por molher. e lhe cativou húu filho. tem este ditado teve com elrey d Orya muyta guerra. e ysto he quoamdo de todas ha filhos. e outras filhas de húu rey seu vassallo. e em meyo d estas duas portas estaa húu terreiro muito gramde. e homem bramco boas carnes. Este re}^ terra. desbaratamdo lhe gramde soma de gente. e faz muito gasalhado a todas suas cousas e de comdiçõis.

e omde vistas ellas estão não entrão nenhúus homces. Cada húa nova. Elrey tem seu aposento sobre sy dentro nos paços. braçalates. e de atavios de suas pessoas. e quoamdo quer comsyguo a algúa das suas molheres mamda húu capado que a vaa . de maneyra que as}' estas como boois e maynatos e outros ofícios tem ellas das portas a dentro como elrey. e por amor d esta fez esta cidade . com suas donzellas. perllas. e fy- camos espantados. e outras charamellas. Estas raynhas nos disserão que tinha cada húa muyto gramde soma de dinhero e riqueza. e moças da camará. e asy outras que lutão. e porteiras. e por que se pode julgar que cerca pode ser a d estas casas omde pousa tamta gente. que serão bem trezentos ou quatro centos. de maneira que vistas não podem ser. e tudo são molheres. e outras que tamgem trombetas. e a outra gente toda vay muy longe d ellas. aljofare. e cada húa pousa sobre sv. todas são gramdes amiguos. tem dos ofíciaes de sua casa. e quoamdo quer que cam3'nhão vão hos amdores em que ellas vão cerrados e sellados. estas domzellas dizem que estão doze mill molhepor que sabereis que tem molheres que jogão de espada e adarga. diamães. estas três molheres principaes tanto tem húa como outra por não aver antre ellas discórdia e malqueremça. as quoaees nos vimos despois. manilhas. Dentro com res. e da maneyra que vierão. por que as vimos em húas festas que ao diante se dirá. senão d algúu velho ca- pados. e que ruas e casarias deve de ter. e estas molheres não são por homem gramde privado d elrev. e todos os capados com ellas. as mays atav3'adas que podem ser de muvtas jovas e robis e diama3's e perollas e aljofare. salvo nenhiju.90 solteyra sua molher. que pcra o seu nome d estas molheres trás casa sobre sy. e em muyta cantidade. comvem a saber. e outros muy- tos tamgeres deferentes dos nossos. e asy dizem que tem cada húa d ellas setenta domzellas. e todas outras servidoras que lhe são necessárias. que são goarda d elas.

e joga tanto até suar todo o azeite. Este rey tem por costume que todollos dias bebe húu quoartilho d azeyte de emgell3-m ante manhaa. e d ahi se sahia a húa casa a maneyra d alpendre. e então vay omde ele estaa. por que tudo 3'sto faz ante manhaa. então mamda que entrem os senhores e capitãees que a porta estão. e então entrão a lhe fazer calema. e com as paredes pintadas e galantes. e car- casa despacha com eses homêes que tem regues de seu re3^no. e sabe o que quer. e toma nos braços gramdes pesos de terra. e lavão húu bramine que elle tem por santo. como tem de costume. e fallão elles seus privados. e põem se ao longo das paredes longe d elle. e despois toma húua espada. e he homem de mu3'ta remda. e por esta maneira passa seu tempo que lhe bem vem. Então va3' se llavar. e unta se todo do dito azej^te e encacha se. di lio as e não que entre o capado omde elrey.9' chamar. e governão suas cidades. e corre o campo nelle a húa parte outra atee que amanhece. e a este fazem todos os gramdes senhores com como a elre3'. Ho ma3'^or privado que tem he húu velho que se chama Temersea. e são homêes que tem gramde remda. e tanto que entrão. e d estes capados tem elrey allgúus d elles que são gramdes privados. e então ella esta. sem que ho sayba nenhúa das outras. e depois que elrey falia com estes homêes no que lhe apraz. e lhe fazem a sallema. e depois de asy trabalhar cavalga em húu cavallo. de muytos pillares de panos emparamentados todo ate cima. este mamda toda sua casa. e faz suas oraçóis e suas serimon3'as. hííu lutador e luta com e a dos seus. e dormem homde ele dorme. suas porteiras que facão saber a ra3'nha mas como suas esta al}^ húu recado d vem húa das domzellas ou camare3Tas. e de cada bamda duas nesta tal 3'magées de molheres muv bem fevtas. e não fallão . ou vem elrey omde ella esta. e este he mu3to seu privado. e despois de as3' ser llavado vav se homde tem seu pagode dentro nos paços.

com e lhe mostrou gramde se fora gasalhado. primeira. e põem no chão os olhos. a mane3Ta amtiga. e asy aos que com elle hiamos mostrou mu3to gasalhado. os quoaees achareis em algús papeis ou antigualhas que vem da elrey estaa se homde . e vão se ma3'or cortez3-a que antre elles ha. c asy e esta ate que elre}' os mamda que se vão. e a ma3's da gente ou quasy toda amda descalça na terra. e cada dya vem fazer a calema a elrey. mu3'to folgou. e aly o fo}^ ver Xpovão de Figueyredo com elle todos os portugueses que com hiamos. Elrey estava vestido com hús panos bramcos sameados de mu3tas rosas d ouro. e não se fartava de deu Xpovão de Figueyredo as cartas e com que com hus horgãos que o dito Cristóvão de Figueiredo lhe levou com outras mu3'tas peças. de muytas louçay- nhas. toda de seda mu3' ralla. e estava descallço. e então aquelle a que elre}. e todos muv galantes e atavyados a nossa guisa. principalmente de diamãees ao pescoço de mu3'to gramde preço. estevemos tão juntos com elle nos ver. e metem as mãos nas mangas das caba3'as. e com húa pateca do capitão moor. Os çapatos são de pontilha. e folgou tamto ele como cousa amor lhe mostrou. tornão todos A calema he a que põem as mãos juntas em cima da cabeça o mays alto que podem. e ah^ lhe que se tocava com todos. cidade nova. e ha outros çapatos que não tem mais que as sollas. elrey o recebeo sua. porque não entra nimguem não descalço. cousas que pêra ele levava. e respomde ao que lhe pregunta.92 hús com outros. por que o de cima são húas correas que os ajudam a ter nos pees. tanto muy bem.quer ergue os olhos. fallar e toma se a poer do mesma mane^Ta emboa ora. e são fe3'tos como os antigamente so3'ão a trazer os romanos. nem comem betre diante d elle. E quoamdo viemos a esta terra estava elrey nesta a fazer a calema. e se elrey quer fallar com alguém he por segumda pessoa. e na cabeça tinha húa carapuça de brocado de fe3xão de húu casco galeguo cuberta de húa beatilha.

e lhe preguntou pello estado d elre}^ de Portugal. o quoal ele logo repartio por todos os piãees e gente que comsyguo levava. que elrey mamdou por por fazerem sombra aos caminhantes. e outras muytas cousas de comer. Pois tornamdo a cidade de Bisnagua sabereis que d ela atee cidade reyra. e galynhas. e ho daa em sygnal d amizade e amor. e muytos calõees de mante3'ga e mel. E despedido Xpovão de Figueiredo d elrey nos fomos a cidade de Bisnaga. omde vemdem todallas cousas. Deu elrey a Xpovão de Figueyredo despedimdo d elle húa acabaya de brocado com húa carapuça da mesma feyção que elrey tinha. que he húa legoa d esta cidade em se nova. e lhe fallava muytas cousas de graças e de folgar. e emformado de tudo como era lhe parecião nossos costumes mui bem.93 Itall3^a em figuras. gramdes senhores. sabereis que ante que chegueis as portas da cidade. e outras pessoas que por parte d elrey vinhao. E tem afastado outro mays de sy d esta maneyra: tem tão chado no chão húas pedras ponteagudas e grandes d altura. este muro tem a lugares cava de augoa. tem húa porta com húu muro que cerca todas as outras cercas que a cidade tem. e nos lugares da terra chãa por homde elle passa. e asy he este muro muy forte. e aly foy de muitos senhores e capitães vesytado. e lhe mamdou muytos carneiros. toda de húa nova vay hua estrada tão larga como hiju jogo de barbamda e da outra povoada de casarias e vemdas. homde ele mamdou aposentar em húas casas muito boas. e agora em ter algús lugares he danefycado. que dará pellos peitos . e ysto daa elrey por que he de costume. e asy ha outros pagodes que mamdarão fazer estes capitãees. e neste caminho mamdou fazer húu pagode muyto fermoso de cantaria. asy tem por todo este camvnho muito arvoredo. e não que deixem de em sy fortalezas. e de gramde camtarya. Asy que tornamdo a cidade de Bisnaga. e a cada húu dos portuguezes deu a cada húu seu pano delgado de figuras muy galantes.

e a porta de húu d elles matão cada dia muytos carneyros. as quoaees são de muita augoa por que nascem d ellas. e defronte d esta estaa outra. e tanto que sois de dentro elles temdes dous pagodes pequenos. que a fazem muj-to fremosa. antes que chegueis a ella pas- saes húa pequena augoa. tera de largura húa lamça e meya. e húu pal- mar pequeno. de e he gramde cada bamda sua. no quoal as em que semcão aroz tem muytas hortas e muita augoa. com muytas ymagées e E ymdo pella rua primcipal. Pois tornamdo a pri- meyra porta da a quoal he cidade. e d esta primeira cerca atee entrar na cidade temdes terras gramde pedaço. Pois ymdo a também mosas. toda de cantar3^a. e este muro d esta primeira porta cerca toda a cidade. e todo o outro casas.94 a hú homem. e elle avera outro tanto d a terra cháa leva este ao muro garmde. e estes passos d elrey estão cercados de húu muro muy forte como quoalquer dos outros. e faz húa volta antes que chegueis a porta. e na entrada d esta porta tem duas forte. e não se mata em toda a cydade . mui forte. que he d ú terreiro gramde que estaa defronte do paço d elrey. e teraa moor cerca que todo a alcaceva de Lixboa. húu d cerca tem húa com muyto arvoredo. torres. de cada bamda o seu. que vay ter pêra a outra bamda da cidade. e asy vão pumares. Pois ymdo adiante ella passamdo a outra porta temdes loguo junto com dous pagodes. e d aquy atee os paços d elrey tudo são ruas e casarias e casas muy fre- de capitães e d outras homées ricos e honrrados. e muytas casas. a quoal augoa vem de duas alagoas que forao d esta primeira cerca. e vereis casarias louça3^nhas que são bem pêra ver. e por este terreiro vão todollos carros e carregas do mamtimento e de todallas cousas. e cerca a cidade por dentro da primeira. e loguo chegareis ao muro. e em toda muro atee hir ter com algúa serra ou terra fragosa. vante temdes outra porta com outra cerca. e por que estaa em meyo da cidade não se pode escusar ser serventia.

e no cabo temdes outra porta com seu muro. e todallas sestas feiras e gramdes estão Xpovão de Figueytemdes nella fevra. em todas as ruas ha pagodes. de todollos oíficiaes e mercadores como sabereis que haa. e uvas. e esta presente ao matar d estes carneyros húu iogue que do pagode tem carreguo. por que são como as comfrar3^as que nas nossas partes haa. e tanto que cortão esta cabeça a este carnevro ou bode tange este iogue húu cornito. e outra nos paços d elrey. Pois passamdo esta porta temdes outra rua aomde ha deira. Nesta rua pousava redo*. mas os primcipaes pagodes fora da cidade. e asv dos que vendem nas praças se não a porta d este pagode. e nesta rua dos pagodes pequenos. que he uma moeda como húa cartilha. diamãees. e húu dia per húa festa sua o trazem pella cidade e lugar por omde elle pode hir. e muydo maar. e todallas outras cousas que na terá haa e comprar quiserdes. Ymdo adiante temdes húa rua larga e fremosa. e entemde se as casas dos homées que são pêra ysso. e vendem mu3-tos cousas. e aljofare. adiamte se dirá d estes iogues que homées são. Junto a estes pagodes estaa húu carro triumfal lavrado de muyta macenarya e imagées. e do samgue d eles lhe fazem sacreficio aquelle ydollo que no pagode estaa. o quoal muro vay ter com o muro da segunda porta que jaa dito tenho. e e laramjas. e nesta rua morão muytos mercadores omde achareis todoUos robis. porquoanto he gramde e não pode voltar ruas. e dão de cada cabeça um saco. em synal de como o ydollo recebe aquelle sacreficio. acompanhada de boas casaryas e ruas da manevra que dito tenho que ellas são.0:> nenhúu carnevro que para gentio seja. e ma- temdes nesta rua. tudo muitos oficiaes. e asy vemdem muvtos cvdrõis. de maneira que esta cidade tem três fortalezas. e pérolas. também temdes mõis nella cada dia a tarde feira de muitos li- roeis e semdeiros. e outras tos porcos e galh^nhas e peixe seco . e toda outra ortaliça. e panos. e lhe leixão as cabeças. e esmeraldas.

dire3'. por estar metida antre muytas serras. e asy por toda a cidade todollos dias temdes feyra. e araqueiras. e asy ha muytos limoeyros e larangeiras tão cerrado húu com outro que parece húu mato espesso. e tem mu3'tos canos d augoa que vem por dentra d ella. e d esta bamda ha muytos pumares e ortas com muytas arvores de Iruyto. e elrey tem húu palmar junto com seus paços. e milho zaburro. se não triguo que não ha tanto como das outras sementes. e esta augoa toda que ha na cidade vem das . e d isto que diguo achareis. no cabo d esta rua haa mourarya que he jaa o cabo da cidade. O tamanho d esta cidade não ponho aquy por que não se pode ver. triguo. principallmente diamãees. duas alaguoas que dito tenho. e a de fora da primeira cerca ha muyta gente que nesta cidade haa não tem conto. por causa do muyto trato que tem. e de tudo ha muyto. Por baixo da mourar3^a vay húu rio pequeno. com a muyta gente e alfabulla. e também ha uvas bramcas. os quoaees tem solido d elrey. e eu soby em húu outeiro omde se parece gramde parte d ella. Esta he a mais abastecida cidade que pode ser no mumdo. do que agora e feijõis. e as . e jaqueiras. a muytos naturaes da terra. e outras arvores de muytos fruytos.q6 cousas que na terra ha. de muyta pedrarya que ha nella. e muyto fremosa cousa de ver. macharuy e outras sementes mu3'tas que ha na terra. e o que de la vy me parece ser tamanha como Roma. e as mays são mamgue3Tas. tem muitos arvoredos dentro em sy nos quyntaes das casas. l3^fantes. e grãos. d aroz. que não comem se não os mouros. e não se pode ver toda. que são mantimento da gente. e em lugares tem algúus tamques. em esta cidade achareis homées de todallas naçõis e geraçõis. e são da sua goarda. e algúa cevada e munguo. a que não sei o nome. comvem saber. e de muyto barato. e não a quis escrever por não parecer cousa de somente diguo que a cavallo nem a pee se pode romper por rua nem travessa.

que se chamão favaos. e de lebres. todas estas avees e caças vemdem vivas. e de laramjas doces e agras. as outras são pintadas. catorze como como tordos. e pombinhos. pois os carneyros que cada dia matão não ter conto. as outras serão tamanhas das rollas dão doze. em tanta maneyra que he pêra pasmar. as rollas são de duas maneyras. vai um porco coatro ou cinquo favõees. nesta terra muytas perdizes. pois dos gramdes dão das outras que bem podereis cuydar dos pequenos que dae rão. nem se pode dizer. por que em todallas ruas temdes quem vos vemda a carne tão limpa e gorda que parece porco. e serão de compridão e largura de húu dedo. e de todollos os passarinhos e avees que amdão em alagoas. húas são as de Portugal. e das le- com topaes com elles bres dão duas. por que as cousas d esta cidade não são como as das outras cidades. dos outros pássaros dão tantos que se não tantos. são como as estarvas da Itália. e outras tem em cada pee dous muyto agudos. que muytas vezes lhes fal- tão os mantimentos e prov}^sÕis. que querem parecer patos. e em muytas tantos d elles que vos comvem esperar ruas que passem ou hir por outra parte. que não conto. e as vezes húa. e ha três castas d elas. dão três na cidade por húa moeda que vai hú vintém. e nesta sempre sobeija . e asy de codornizes. roUas. por húu favao. se não das da maneira das de Portugal. e barbaras berimasv muyta ortaliça. húas não tem esporão. e não são da calidade e feição das nossas. e são muito baratas. os pombos tem o preço das passaras. podem contar. pois ver as muytas carregas que que cada dia vem de llimõis que não vem a conto os gellas. que tem não podeis amdar.07 ruas e praças cheas de bois carregados. e por fora da cidade dão coatro. As galinhas são muvtas. como he comúu avees. por que dão seis e ovto perdizes por húu vintém. pois porcos também tendes em algúas ruas carneçarias tão alvas e limpas que em nenhúa parte podem ser milhor. de que achareis as praças cheas. e de povos.

de dentro são de canas. o outro se chama Aoperadianar.cabeça do reyno. e . verdes os campos der- redor da cidade cheos d eles e de vacas e bufaras. tem muytas romãas. porque o mays d isto passa a nado. ha cousa fermosa de ver. e agora vive nella pouca gente. o quoal húu se chama Vitella. que dizem que antigamente fo}. e omde vendem híia carneyros em pee. tudo. neste pagode tem defronte da porta primcipal d elle. e dentro neste rio he o que passa por entrão em elle outras ribejTas que ho fazem muyto gramde. porque estaa da bamda d esta cidade de Nagumdym. e ha nelle muito peixe. o quoal peixe he muy danoso. e asy manteiga e azeyte e muito dia se vemde. e jaaz antre duas serras. que estaa pêra leste. por que d outra maneyra não amdarião nada. passao a ellas por híías barcas que são redomdas como cestos. e muytos carneiros o amdão também. e de fora forradas de couro. estaa nella hiJu capitão por elrey. Temdes mais nesta cidade lugares cabem nellas quimze. he cousa que se . Da bamda do norte tem a cidade húu rio muyto gramde de muyta augoa. valem três cachos hiju favao. e das romãas dez por húu favao. e asy das muytas cabras e bodes tamanhos que amdão emfreados e sellados. e vão sempre em voUtas. e a muyta criação de vacas e bufaras que ha na cidade. que cada não pode deixar de escrever. uvas. e ho a que elles tem mais venaração e gramde romagem. e he muyto forte.y8 leite. Fora dos muros da cidade da bamda do norte tem três pagodes muy fremosos. amdão moços em cima delles. nellas cavallos e bois. em gramde parte se não achara outra que tal tenha. e tem aymda bõos muros. que não tem mays que so duas entradas. e remão nas com híJas paas. O que ha da bamda d este rio. e en todo c reyno homde as ribeiras não tem outras barcas se não estas. se também passão querem. Esta húa cidade edificada que chamão Senagumdym. vimte pessoas. húa rua muyto fremosa de casarias muyto fremocabritos.

sobre húas alpemdoradas elle em que se agasalhão os romeyros que a rua tar gente honrrada. Defronte da primeyra porta estão coatro colunas. sem nenhúa fresta. e d ah' d esta casa se faz . e as outras duas de cobre. a que estaa mays achegada a porta do pagode he d este rey Crisnarao. passamdo esta primeyra porta temdes loguo húu terreyro gramde. todo de hordenamças d homées e de molheres e montaryas e outras estor^-as muytas. todas douradas. e asy tem casas pêra aposentem elrey húus paços nesta mesma omde Tem se aposentao quoamdo vem a este pagode. as duas douradas. húa romeyra sobre esta prime3Ta porta. segumdo me diserão. tanto que se passa esta casa entraes em outra pequena. qui agora reyna. sempre tem camde3^as com que se alumya. por que todas são de cobre. e pella muyta antiguydade me parece que são desdouradas. e outra porta do theor d esta prymeyra. vem. e tem húu corucheo muy alto. omde estaa aquelle 3^dollo que adorão. a mane3Ta piares de pedra. e passamdo esta segumda porta estaa húu ter- reyro gramde todo derredor das varamdas sobre seus no meyo d este terre3T0 esta a casa do paguode. tem na prime3Ta porta porteiros que não consentem entrar dentro se não os bramynes que de cinze3To de quoalguer 3'greja. tanto que entrão dentro nesta casa temdes de pillar a p3lar sobre que ella estaa fumdada mu3tas covas pequenas em que estão camdie3T0s d azeite que ardem.99 sas. e tem duas portas nas como húa capella. e de cada bamda do telhado em cima tem húuas al3^maryas que parecem tigres. se não que em tudo mays pequena. e as outras duas de cobre. ou três mill camdie3Tos. por que as outras são dos antepassados. a casa he d abobeda e escura. e será a copia de dous mill e qu3'nhentos. antes que acheguem a elle tem três portas. e as}' como o corucheo se vay apanhamdo pêra cima. asym se vão as 3-magées diminuymdo. toda a frontarya da porta do paguode atee o telhado he tudo forrado de cobre dourado. cada no3-te. ylhargas.

omde amdao bailhadeyras e outras molheres com tamgeres ao paguode. e na outro húa espada. esta casa de fora he toda forrada de cobre dourado. e nos outros as armas de casa. não comem todo o dia cousa nenhúa. e são em . neste pagode a hy de continuadamente húu camdieyro de manteiga. que seria larguo de contar as cousas d elles. e húa al3^maria que ajuda a matar aquella bufara. tem debaixo despois húu bufaro. o ydollo pella dita rua com muytas louçainhas. por ella ser a cabeça do re3^no. pêra estas festas são emprazadas todas as molheres solte3Tas do ellas sejão presentes. e na trazeyra d este pagode de fora. e tem seus dias de jejúu. e em húu tem húu. tiramdo os que elre3^ tem mandado fazer a guerra. E os outros pagodes atras ditos são feitos pella maneyra d este. não diguo da maneyra que vão estees carros por que em todo o tempo que estive n esta cidade não amdou nenhúu. e ma3's antiguo. e daredor estão outros pa- godes pequenos como casas de devaçao. apegado as varamdas que dito tenho. Deveis de saber que antre estes gentios ha dias que celebrão suas festas. e quoamdo quer que vem a festa de quoal- quer d estes pagodes trazem hús carros triumfaes que amdão sobre suas rodas. os bramines semeão seus bredos e outras ervas que comem. e comem mays a me3'a noute. com ortas de muyto arvo- redo. e como nos. ho primcipall 3'dollo he húa pedra redomda sem nenhúa fegura. e eu pello que lhe dey me deixarão entrar dentro.100 tem careguo d elle. tem nelle gramde devaçao. e nella ser de costume se lavrarem suas festas e ajuntamento. Outros muytos paguodes ha nesta cidade que aqui não diguo. tem húu ydoUo pequeno de labastro bramco com seus braços. e as3' todollos capitaees revno que e reys e gramdes senhores com toda sua gente. mas este he o principal todos tem muytas casarias. e antre porta e porta tem imagées de ydoUos pequenos. pois chegamdo se as suas festas primci- paes veyo se elrey da cidade nova a esta cidade de Bisnaga.

e em cima cubertos de veludo cremesym e verde. como o reyno d Oria e as terras do ydalcão. e posto taes lugares. e aquelles que lhe são mamdados pello porteyro moor. Estes passos são d esta maneyra: tem húua porta pêra este tereyro que jaa dito tenho. e não leixão entrar se não os capitaees e homées honrrados. e de húa bamda e da outra húas baramdas baixas por omde estão postos os capitães e gente honrrada pêra d aly verem as festas. e emparamentados godão d outros panos gallantes. e toda aberta pella frontarya. e sobre esta porta tem húu corucheo asaz allto feyto da maneyra dos outros com suas varamdas. e sobem a ella por húas escadas de pedra. por fora d estas portas começa o muro que disse que cercava aos paços. que vos jaa he dito. esta casa estaa sobre húus piares fevtos d alyfantes e d outras figuras. domde também estaa algúa gente vemdo as festas. por que foy fe3^ta quoamdo veyo da guerra d Orya. e fazem nas nos paços d elrey. ou estão no extremo do reyno a bamda de que ele tem sospeita. e durão nove dias. passando esta porta temdes húu terreyro. e da bamda esquerda do norte d'este terreyro estaa húa casa gramde térrea. Estas festas se começão a doze dias de setembro. da bamda direyta do terreyro. de riba ate o chão e estes panos não cu3'de alguém que erão de Uaa. e asy com seus porteyros e goardas.lOI algúas partes. e tanto que entraes dentro d ella temdes húu gramde terreyro. a ella estão muytos porteyros com azorragues na mão e canas. mas são d al- muy dellgados. por que não nos ha terra. ca nas festas que os taees capitaees estom nos aparecem por elles hos que adiante direy. estão feytos de madeyra húus palamques estre3"tos muyto altos tanto que por cima dos muros eráo vistos. e loguo temdes outra porta da mesma maneyra da primeyra. e asv são todas. tem derredor de sy húu corredor mays abayxo d ella de muy boas lageas lageado. e esta casa se chama a da vitorya. e estes pallamques não estão .

e aitorj^a Tornamdo me tem elrey .102 neste lugar sempre. e por cima redomda com sua comcav3^dade e seu asento no me3'0. húu em cima do outro muy bem llavrado com suas bordas muy bem feytas e lavrados. húa tem no meyo e outra no cabo. os palamques eráo omze. sabereis que he toda chea de suas soajes. e as vezes seus capados. mas são feitiços pêra estas festas. e na outra do meyo estaa posto húu estrado defronte da escada do me3'o. estas casas tem dous tabollejTos. que jaa dito tenho. e dentro trinta e coatro me não as aquy ruas. de fronte da porta que he de lleste defronte do terreyro no me3'o d elle estão húas casas da maneyra que dito tenho da vitorva. por que o mamdava que no estevesse pêra milhor ver suas festas e gramdezas. ficar por dizer as ruas que nestes passos ponho. que são doze mill. e das outras que os servem. esta casa estava toda armada de panos ricos. e esteos.e das molheres suas. Xpovão de Figueyredo com todos elre}' os que com lugar hiamos. no tavoUeyro de cima junto estava elle omde tall elrey. e os panos das paredes erao de feguras a maneyra de broslada. e no vão d estas soajes tem húas chapas d ouro com muitos robis. estas casas se ser- vem por iiúas escadas de cantar3'a muv bem lavradas. e de liõis todos d ouro. asy as paredes como o de cima. dos quaes tabolleyros vem as festas os filhos d estes privados d elrev. as festas sabereis que nesta casa da vihúa casa fe3'ta de pano com a sua porta cerrada. e por ha. sabereis que dentro n esta casa que dise vay o aposentamento d elre}. e tem a entrada d estas casarias que pêra dentro vão. no quoal estrado estaa húa cadeyra d estado d esta mane3Ta fe3'ta: he quoadrada e chãa. e junto duas rodas em as quoaees com as portas estavão amdão molheres solteyras muy ara3-adas com muytas joyas d ouro e diamães e muytas perollas. e 3'sto he quoanto ao pao. omde tem húu pagode o ydollo. entre esta casa e da vytorN^a estaa húa porta que he sua serventia.

e lamça as ao cavallo.io3 peroUas por baixo. sabereis que como he manhaa elrey se vem a esta casa da vitorja. e no chão junto com o tabolleiro da casa estão omze cavalos com suas cubertas galantes seus. e e acabamdo elre3' 3'sto. as quoaes começão d esta maneira. e toma três mão cheas d aquellas rosas. de húa bamdeira d esta caalta em baixo esta húa carapuça. nesta cadeyra estaa posto húu 3'dollo. a quoal não he toda redomda. e la fora pella casa estão algús privados muvtas molheres solte3Tas ba3'Ihamdo. em suas baramdas^ que estão derredor do terre3T0. pêra d ah^ averem de ver. e de muytos robys. cheia de pedias grossas. e faz sua oração e cerimonyas. e outra bamda húa manilha do pee feita a sua feição. e despois d estar as3^ dentro e trás vem fora. e acabado de fazer ysto aos cavallos achega-se aos alyfantes. estão mu3'tos capitãees e homees honrrados. e detrás d elles quoatro alyfantes elre3'^ fremosos. toma o bramine o cesto dece se ao tavoleiro. e elre3- chega se a sobre o tabole3To. e fas contra elle como que os encemça. e despois de lhas ter lamçadas tomão húu cesto de perfumes. também de estado. e será de grossura de húu braço. e diamãees. e robis. e esmeraldas. e ramado de rosas deira no estrado e flores. e faz lhe outro. com mu3'tas galantar3'as. re- domda por cima. mais húu palmo. dereyta. e d ah' põem aquellas rosas e . e no primcipio d ella tem uma perolla do tamanho de húa noz. e diante de tudo ysto no cabo do estrado arimado a hú esteo estavão huas almofadas omde elre}^ estaa assentado a todas estas festas. e toda a outra pedrar3'a. Item. e em deredor d ella toda chea de ymagees d ouro postas pressonagées. vsso mes- mo d esta maneira. e junto com ele húu bramine. nas mãos húu cesto cheo de rosas bramcas. toda chea de perollas. e outras muytas pedras de vallya. e sobre ellas vay muyta obra d ouro com muyta pedrarya. e no terreiro estão e e bem comcertados. vsso mesmo d ouro em jofare. e mete se naquella casa omde esta o 3^dollo com seus bram3^nes.

e mete se dentro. e acabado de ho tem o fazer tornão se a eirey. acabado ysto torna se ao paguode. e cousas. e tanto que esta ly ven todos aquelles capitãees e homées honrrados. as molheres solteiras e baylhadeiras ficão balhamdo diante do paguode e ydollo gramde pedaço. e lhe fazem sallema. são certos da mão que não herrão golpe nenhúu. o quoal se tornao ydollo. e vay acima das casas ao lomguo d ellas. e as levao todas. e allgijs lhe dão algúa cousa se querem. e asy per outra porta entrão aquelles seus privados. por aquella porta que jaa vos dise que estava no meyo d ambas estas casas que estão no terreyro.I04 outras íiores na cabeça aos cavallos todos. as}^ como vão asy se saem. e estaa húu pouco. e tanto que acabão de matar este gado. e aloés. elrey asenta se ally omde elas estão. em híiu quyntal pequeno. outras cousas suaves de cheiros. rubys. e elle se vem por d omde deitou as flores aos cavallos. sabere3's que a estas bufaras e carneyros golpe. e toda a outra e comvem pedrarya. com húas fouces que tem ho carreguo de ho matar. com elrey se recolhem aos paços de dentro. e cento e cyncoenta carneyros. fazem lhe sallema. e cada húu se vay pêra seus aposentamentos. e tanto que he no cabo lhe cortão as cabeças de húu so gramdes que trás aquelle tira a carapuça da cabeça. e vira contra omde estaa o ydollo. que são feytas como paredes de temda. de que se faz sacreficio aquelle } dollo . vay se por dentro das casas. e mete se omde dizem que tem fe3'to hííu foguo elle lamça no foguo hus poos de muytas a saber. aquelles que mays perto d elle estão. e nos tavoleyros d ellas estaa tudo cheo de bramines. sae se elrey fora. e tanto omde que he dentro alção as paredes de casa. . d aly vee como matão no terreyro vinte e quoatro bufaras. e vay se as outras casas gramdes. que na casa estão. e er- gue se loguo. e tanto que elrey sobe omde elles estão lamção lhe a elrey dez ou doze rosas. e e pÕem no chão. e perllas. e deita se no chão estirado.

parentes seus. e cada húa põem em seu lugar. e os que em cima vão armados lavodes e cofes e zagumchos. omde as festas são. e quoando chama o dito rey lhe chama senhor Salvatinica.io5 he o que se faz pella manhãa em todos estes nove dias. e os lutadores vão se por junto com a escada. porque este criou a elrey. e todos aqueles que dentro estão lhe fazem sallema. porque este podem estar asentados. os quoaes vão com suas cubertas e louçaynhas. e tem feyto húa eyra gramde de terra solta omde lutão as molheres solteyras e baylhadores. e o fez rey. bram3'nes. estão loguo na entrada da porta defronte da casa outra gente muyta. e não deixão en- trar loguo toda a gente dentro. e a mamda toda. e cada dia avantajadas. e todos os capitãees e gramdes do reyno lhe fazem a salema. e asym o tem em logar de pay. moços do rey. despois tornamdo as festas depois de meyo Isto dia tres oras vem se todos aos paços. esta junto com húa porta. somente vão dentro os luctadores e mollieres solteyras e ailyfantes. e os filhos de seus privados. e outrem não por gramde senhor que seja. e estão repar- tidos pellas portas pêra elles que não entrem se não os que mamdarem. os oficiaes fidalguos que servem diante da casa amdão comcertamdo toda a gente. e deytão nos neste ter- reyro que estaa antre húa porta e outra. este Salvatinica estaa de dentro do terreyro. e tanto que são dentro põem se em torno do terreyro todos em hordem. e d ally mamda entrar todallas cousas que nas festas hão de sahir. os lutadores tanto que lha fazem asentão se no chão. mamdar. com as cerimonyas que diguo. e também comem betre. Despois de tudo ysto feyto e comcertado sobe elrey e assenta sse no estrado que jaa vos dise. omde estaa a cadeyra e as outras cousas. tanto que elrey he salvante se lho . salvo as molheres solteiras que que outrem o tão bem o comem diante d elle. que no meyo d aquella casa estaa. por não come. que he primcipall pessoa que amda na corte. e todos estes são comvem a ssaber. Salvatinica.

e como elrey. os outros atras. e com este em que estão são forrados todos d ouro estes rabos. e com suas jo3^as. todos cheos de rosas d ouro. os quoaes são de sua casta. e asenta se tanto avante e e seus sogros. e estoque e com outras cousas que elle por estado trás. e antre elles gramde estado. por que no lugar não entrão tal ho rey. Mas tornamdo as festas. entrão os ca- pitãees da gente de guerra d adarga e d espada. e d estes panos bramcos he elrey muyto. esta he a goarda do rey. as molheres solteyras a bailhar. e se dito. varamdas que jaa trás que acabão d entrar este. e vão se d ellas meter nas rodas que dise que estão a porta na sua entrada: quem nos poderia contar a grande riqueza que sobre sy homées com armas nem homde estaa tanto que esta gente he dentro começão loguo com tantos diamãees. esta gente estaa toda no chão. e tanto vão a seus lugares. ally estão muytos bramines em derredor da cadeyra omde estaa o ydoUo. e este rey ha nome Eumarvirya. e asy sua hordem na maneira se vão a fazer a salema ao dito rey. e asy entrão outros capitãees de arqueiros. e ha molheres antre ter oficio alellas que . como elrey he asentado. pedias asy mesmo. e asy manilhas nos braços. e estão no abanamdo com rabos de cavallos de cores. da outra bamda do estrado. aquelles colares d ouro e rubis e que a outra cousa. e em derredor de todo o terreyro diante dos alyfantes. o principall d estes he húu que hc rey de SNTÍmgapatáo e de toda a terra que confina com o Mallavar. húas molheres de tal cançarem tanta riqueza. mais a maravilha se deve trazem. aly esta ho rey vestido dos panos bramcos. com em he aquella gente honrrada que cada húu tem. deredor d elle estão os seus pagées com seu betre. nos pees certamente.lob assentado no tal lugar mamda assentar comsyguo três ou coatro homees. entrão loguo os capitãees que de fora estão cada per sy. e reys. e asy nos buchos como em baixo as suas cintas e manilhas. e também com elles abanão a elrey. e sempre o vy com elles.

e amdores. e muytas maneyras de foguos e castellos. Acabamdo estes entremeses começão a lamçar muytos fuguetes. a saber. estes cavallos como cavallinhos fustos que e outros fazem Portugal pello corpo de Deos. e creo ser asy por o que vy d ellas. e falar.107 terras que lhe derao. que todos ardião e lamçavão de sy muytos tiros e fuguetes. Em todo este pedaço do dia não se faz mais que esta luta. posto são loguo muytas tochas acesas. e loguo se saem. e entrão outros com outras maneyras são e batalhas de gente de cavallo. e húus fachos gramdes de pano. fae entrão d esta maneira. porque antre as ameyas tudo são camdeyas acezas. e a balharem as putas e tamto que o sol he . e estes carros trumfantes são de capitãees. e pelo terreyro estão metidos de mane3ra que estaa o terreyro tão claro que paresse de dia. salvo atee chegar a elre}'. e de mu\ias envemçóis de balhadey- ras e outras figuras personagees. e não vos pareça que a sua luta he como a nossa. e tantas cryadas que he espanto fallar em suas cousas. e desfa- zem sem focynhos. e tem que estão aly pêra os meter no campo 3'goal húu do outro. os d estes carros comvem vem antre vem de muytos panos ricos emparamentados. e não se detém mays. mas são muy gramdes punhadas. tem E também começão os lutadores a lutar. carros d aquelles que lhe dão. a entrar omde elrey estaa he e como tudo asy he e começão muytos joguos ymvenções de muitas graças. e asy vem também zemdo guerra fora. e asy por cima das paredes. cessamdo estes fogos começão a entrar muytos carros trumfantes. vem com suas tarrafas pes- camdo. o primeiro he de Salvatinica. e asy dar a honrra aquele que ganha. e quebrar dentes e olhos. a molher nesta cidade que dizem que tem cem mill pardaos. tomamdo d eses homées que estão no terre3TO. e fazemdo o que pes- . e húu outro. e tal a h}' que d aly o levão se em braços também seus capitãees e juizes dão fremosas quedas. e asy ysso claro mesmo tudo cheo de tochas.

e semdo cavallo morre metem outro seu lugar. e diante d estes cavallos vay húu cavallo com dous sombreiros d estado d elrey. e nele hão Ihamdo. atabaques. e junto com os capados e vem muytos homees vem muytas molheres. e outros levão húa caldeira d augoa. defronte d elrey.io8 soas duas faryão se no tal lugar fosem. E despois d isto asy feyto. e eh aramei- . e torna se dentro dos paços. põem no me3^o do terreyro em cinco ou seis carreiras húa antre a outra. de ser todollos outros que despois d eles vierem. e azorragues aos hombros. tamgemdo muytas trombetas. amdão derredor do terreiro duas voltas. e húu dos estribeiros he quem o leva pannos das cores do rev. e asy saymdo os carros. e vay se por de trás dos cavallos.em sua bordem vão por omde esta elrey. adiante d este cavallo vay outro bay- e pomdo se o que ca fazem todollos cavallos por serem ensynados a ysso. e este bramine mor leva nas mãos húa bátega com húu coco e aroz e fuUas. e tanto que estão d esta mane3Ta sesegados saya de dentro dos paços húu bramine. e outros todos de casta. e as}. outros dous comsyguo. não quer ser jurado em cavallo fazem então em húu ah^fante que tem com a mesma dinidade. entrão loguo muytos cavallos amdão húu em com suas cubertas e lemçois de e muy delgados com muytas rosas e flores nas cabeças e pescoços. Sabereis que este cavallo. os quoaes estavão todos com os rostros pêra elrey. he hú cavallo que os reys tem no qual forão jurados e allçados por reys. com e suas canas na mão. e com seus freos todos dourados. Pois 3^mdo estes cavallos da maneira que diguo. e d aly lhe faz suas cerimo- caso que ho tal e se algúu re}^ nyas. e o cavallo dos reys diante de todos. outros riba vem com os sobrados que do outro. o primc3^pal que elrey tem. vereis sahir de dentro loguo vinte cimco ou trinta porteiras. pello cabresto. e com mays louçaynhas que os outros. que vay com este estado. estamdo de maneira que ficão antre eles e os homes húa rua toda derredor. loguo junto com ellas capados.

e detrás d estas molheres virão obra de vinte molheres porteyras. no todas em sua hordenança húa ante outra. que muytas d ellas sofrer. e nestas carapuças e por debaixo dos braços muytas manilhas. do ta- manho de húu húus latos baril d augoa as mãos. e e muytos de perollas nos pees. e robis. de hidade de quynze ateee vinte anos. com suas canas nas mãos todas forradas de prata. e ho não podem do que cada húa d estas molheres por que tamanho he o peso das manijoyas que levavão. no fim d estas três voltas se recolhem dentro aos paços. e na syntura muytas svntas d ouro e as}. que quoasy lhe dava por coxa:.mesmo de pedrarya. levava sobre lhas e ouro. estas syntas vinhão em bor- dem húa meya fios abaixo da outra. nos pescoços húus collares com huas joyas d ouro muyto ricas de muytas esmeraldas. e vão molheres junto d ellas que as ajudão a soster os braços. seryão todas sessenta molheres alvas e moças. e não como as nossas. pellos braços atee os buchos tudo cheo. e de mays vallya que as outras. e aliem d isto muytos fios de perollas. da mesma maneyra trazem manilhas nos pees muyto ricas. mamda cada húa seu dia suas damas com as outras. e no meyo d elles feytos de perollas apegadas meyo de tudo ysto húa camde^-a acesa. e viollas. Pois quem será aquelle que poderá dizer ho preço e vallya s}'. e perollas. na cabeça trazem húas carapuças chamão collães. e diamãees. com panos muy delgados e ricos altas. e as manilhas ysso mesmo de toda a pedrarya. por que damas das rainhas e todas outras que com ellas em cada húu d estes nove dias de festa. e outros muytos tamgeres'. trazem nas mãos húas bátegas d ouro.109 las. elles de seda. a que trazem húas flores feytas de perollas grossas. e junto com ellas vem molheres vestidas d esta maneyra. . com vem cera. D esta maneyra e bordem vezes derredor dos cavallos. e alem d estas S3^ntas outras jovas. estas molhetrês amdão vão. res são os oficiaes a honrra da festa são lhe repartidos os dias. e outros de tiracollos.

mas a lugares dous e três. e vay se aomde estaa o ydollo. omde avia algúa alaguoa cercavão na de gente. que tudo não fosse cheo de gente. e também vem as molheres solteiras a balhar.I IO scgumdo que jaa o tem por costume. no derradeiro dia d ellas se matarão duzentas e cim. recolhe se elrey. fazem sua sallema. e loguo balhamdo ao ydollo. jaa hordenado por elrey. de veludo de Meca. as baylhadeiras ficão e faz suas oraçõis e cerimonias. de maneira que não vieis campo nem serra. Mamda elrey por híía temda sua. e quoatro mil e quinhentos carneyros. e como estas molheres se recolhem v5o se os cavailos logo. a húu lugar que he jaa deputado pêra ysso. na quoall temda metem o 3'dollo a quem todas estas festas são celebradas. e omde a estrada era estreyta punhão se pelo campo. os de pee estão e fio. e tomão húu ydollo. porque nestas cousas taees folgão de se amostrar. e pellas recostos das serras e outeiros. homde estaa a casa de pano que jaa he dito. em . Então vão os bramynes. e fazer alardo cada húa do que tem. e este alardo hordena sse d esta maneyra. e não comem senão despois de ser asv tudo feito. não vos pareça que hera húu fio so. e matão da maneyra dos outros. trazem aly outras tantas bufaras e carneyros. e despois de tudo feito muy gramde pedaço e d esta maneira celebrão esses nove dias festas. húu detrás d outro. e tanto que são ydos recolhe se elrey por húa porta pequena que esta casa tem no cabo d ella. e estas molheres vem cada dia as mays ricas. húa gramde legoa da cidade. e vem os alyfantes. Passados estes dias das festas faz elrey alardo de toda sua gente. e vay se a cear que todos estes nove dias jejua. coenta bufaras. e d esta temda atee os paços d elrey se põem os capitãees com sua gente e hordenamça. acabamdo de matar as bufaras e carneyros. e as oras que comem. cada húa he. cada húu em seu lugar asy como o tem na casa d elre}^ a gente estaa d esta maneyra.he a meya noute. e elrey sahia loguo de dentro. e vão se. e levão no a casa da vitorya.

de toda a outra seda de cor nos cavallos. e de toda outra seda. dizer da as}. os capitães que tinhão suas ynstamcias de dentro da cidade. e nas cintas seus estoques com suas machadinhas. e nas cabeças húas armas de fevção com suas abbas que cobrem o pescoço. e fazião no bocal das ruas atravessar palam- ques pêra que a gente coubesse. n esta hordenamça estava cada capitão com sua gente. vsso mesmo de brocado e de velludo. e tem no collo seus cofos todos dourados.I II diante dos de cavallo. por tão estranha maneira feytas que bem davão que ver pella perfeyção de que erão feitas. outros as trazião d outras sedas. Agora vos quero maneyra que estavão armados. os de cavallo nos seus cavallos emcubertados suas testevras d elas de prata e d elas douradas com com suas franjas de retrós de todas cores. outros ferros que os fazem ser fortes. tão limpo como húu espelho. as quoaes gíãas al- são de prata. e trazem nos . algús d estes cavallos tinhão as testeiras e d outras alimaryas de diversas maneyras. e tem muvtos rabos bramcos de cores. e suas louçay- nhas. algús d aquelles que as trazyão douradas trazião pêra o campo d ellas muyta pedraria grossa. e são do theor dos lamd3-s. e os cavaleiros armados de seus landeis.fora como de dentro. e os alifantes detrás dos cavallos. algúus traz3'ão as laminas de dentro e de fora douradas. e outros os tem d aço. e nas mãos seus zagumchos com as asteas forradas d ouro e prata. Estes land3-s são de laminas de couro cru muyto fortes. e por as bordas laçarya de pedrar}'a meuda. tem suas antefaces. e todos de cervilheiras. de maneira que tudo era cheo. por que a gente lhe não cabia sobre os terrados das casas. e com e seus sombreyros d estado guarnecidos de velludo e damasco. outros as tinhão de veludo de Meca. como setís e damasco e outros de brocado da China e de Pismael. e com dos rostos de serpes. e asy os cordõees. e outros de seda com suas chaparias d ouro e de prata. que he o veludo de muytas cores com suas framjas e louçaynhas.

que não tem comparação. e zagumchos. os quoaes rabos são de cavallos. com suas campainhas que a terra atroavão. e com panos ricos de muytas cores.112 por mu3^ta honrra. e d outras alymarias. com dous sombreyros d estado. e também empenamays não pode ser. e seus landeis em sua hordenança. outras de cores pintadas. pois os mouros não he esqueção. e com suas joyas e louçaynhas. com os rabos d ouro ou prata. Pois tomando a gente de pee. bem pêra ver. arcos troquiscos. com seus liões e sua louçaj^nha. hera cousa cofos. e em cima de cada húu d elles três. pois verdes os espimgarde3Tos com das que suas espimgardas. que jaa vos disse. e nas testas pintados rostos de giguantes. pois que também forão no allardo bem que com seus zagumchos. as quoaees elles bas. Os alyfantes ysso mesmo encubertados de cubertas de veludo. feyta. dos frecheiros vos diguo que tinhão os arcos prateados de ouro e de prata. lamças. e estão da maneira que neles hão de pilhar. outras pretas que vos vedes nellas como em húu espelho. com muytas bomdo que me espantey muito por nelles aver homees que tanto d aquillo soubesem. todos dourados e cubertos de velludo cramysym. vestido d aquelles mu}'^ ricos panos bramcos. nem descobrirão de tantas cores valles e trazião. muytas figuras flores de prata e ouro por outras com com de tigres. e outras machadinhas com as asteas. quoatro liomees armados de seus lamdys. Parte elre}'^ dos paços em cima d aquelle cavallo. outras todas cubertas de folhagem de prata muy bem. ellas. he tanta que cerca os nelles vereis tantas omde como elles sey montes. e remessõis de foguos . adargueyros com suas adargas. pois he gente comcertada da maneyra que dito he. e espimgardõis. e douradas com suas franjas. e outros tão luzentes e limpas suas frechas. nas cyntas suas adagas. e suas espadas tão goarnecidas que mays não pode ser. louçaynhas de panos ricos. e d outras maneyras d alymarias. que não se acharão. e cofos. do que jaa vos contey.

hia elrey acompanhado. ora ver a riqueza que os fidalguos e homêes de vah^a sobre sy levavão. Forão atee que elrey chegou estava a temda. que elrey tornou. amdava com a cabeça tão ameude se possa dizer.1 13 tem pera em os taes tempos sobre sy trazer. que esta gente se tirou lugares. e por ver e dar synal de tudo o que V3^a. os alyfantes ysso mesmo. e tem tão gramdes riquezas. e ver as bombas e lamças de foguo hir pellos campos. e batião com as adargas. o que traz cada húu pode entemder o que húu tão gramde senhor sobre sy pode trazer. verdadeiramente parecia que aly estava todo mumdo omde junto d esta maneyra. os cavallos rymchavão. em de húa bamda e da outra que quasv estive pera cahir do cavallo abaixo com o saso perdido. pois que o dinheiro he tanto. que e estado de seu senhor. na quoal gayolla vay aquelle ydoUo que jaa vos disse. 8 . Hião ante elrey muytos alyfantes com suas cubertas e gallantaryas. mas antes esteverão quedos na mesma atee hordenamça em que estavão. junto bem demostrava com elrey hia gramdeza gayoUa. o que vereis tantas emvemçóis de chaparras que vo lio não sey dizer. vemdo esta gente. 03^0 de cada bamda. mays gramde. hera cousa muyto pera ver. que parecia que a cidade se sovertia. por que húas me furtavão a vista das outras. levava elre}^ diante de sy obra de vinte a cavallos encubertados e ssellados com suas goarniçõis d ouro e pedrarya. ora ver os cavallos que hiao suas cubertas. e não he muito de espantar dos gramdes gastos d elles. que jaa vos he dito. parece-me ser de cobre ou prata. que estava nas festas d esta maneyra. levavão na dezasseis homêes. doue era híía como rada e a de dia de corpo de Deos de Lisboa. não vos pareça. como dito he. que de seus como elrey passou. e entrou dentro. a quoal dava tamanhos gritos e alarydos. afora outros que se revezavão. os montes e vales con toda a terra tremia com os muitos tiros de foguos e espimgardas. e fez suas cerymonias e oraçõis acostumadas. não he cousa que nem crer o que era.

que os ofycios tem. mamdar elrey sobre húu lugar dos que tem na costa do mar. e que viera. d aquy começou a gente a sahir as suas temdas e pavelhões. alem d estes a gramde numero de bramines.1 14 tanto que elrey acabou suas cerimonias. e repou- sar do trabalho passado. dizem que põem em campo dous contos de gente de peleja. que não se podem contar. mas tão cheo que parece que numca d elle tirarão húu homem. e ysto por causa dos muytos e gramdes mercadores que nelle ha. Eu . a gente nhamdo elrey atee os passos. todos os capitãees forão acompagar. tornou a caval- vcNO se caminho da cidade na mesma maneyra não camsado de dar seus allaridos. toda esta gente he a solido. e bater de adargas. ha muytos alyfantes. he gente de pequenos algúa parte. v}^. em que entrao cimco mill de cavallo encubertados. e bolir de frechas nos arcos. que nestes campos tinhão. ora ver os que estavão nos outeyros e recostos. e tem esta gente sempre junta. Agora quero que saibaes que mente tem húu conto de gente de trinta e este rey continuadapeleja. e que passava aquillo em sonho. que me parecia ser visão o que vya. não vos pareça que fica o reyno sem gente. que verdadeiramente tão fora de m}" estava. e as}^ todos os outros homêes. e posto que do seu reyno tira tanta gente. e mamdou cimcoenta capitãees com cento e cimcoenta mill homées de peleja. salvante aquelles que tem obrigações andarem no campo. e ha lavradores. os quoaes são homés que não comem cousa que padeça morte. e o decer d elles com suas gritas. tanto que passava por elles começavão de aballar. pello quoal he o mais temido re}^ que nestas partes se sabe. em que hião muytos de cavallo. e d ally se forão. e quoamdo elrey quer amostrar o poder que tem a algúu seu contrayro dos três reys comarcãos dos seus reynos. os quoaes erão em gramde numero. e prés tes pêra quoamdo lhe ffor necessária de a mamdar a estamdo nesta cidade de Bisnaga. em toda a terra do gentio os ha.

e omde lhe for quoamdo forem chamamamdado. que possa pagar tanto numero de gente. vallos e alyfantes. e asy lhe fazem em cada húu anno. e conto outros de e meyo de pardaos. la homem fo}^ vista. e outros de quynhentos mill pardaos. afora outros capitaees e senhores de muytas terras e de muyta remda. e pêra estes gastos dos alyfantes e cavallos tem dado ser. como cem mil pardaos. e quynhemtos cavallos continuadamente na sua estrebarya. A ysto respondo. e alyfantes. por que em toda esta que bramco fosse. pois que lhe paga seu dinheiro. e tre- zentos. os quoaees serão a ma3'or parte d elles de remdas. e . outros de duzentos. e d outras joyas de vallya. capitaees d estes que tem remda húu conto. e tem oyto centos allvfantes de sua pessoa. no dia em que elle naceo. asy de pee como de cavallo. asy lhe deita elrey a gente que ha de ter. e asy cada húu tem a remda. e d esta maneyra tem elle este conto de gente de peleja sempre prestes. cada capitão d estes trabalha por trazer a mylhor gente que pode achar. são os gramdes de seu reyno. e as remdas que lhe remde a cidade de Bisnaga. nem numca gente não vy esta gente. quoamdo quer que nace a elrey hiju filho ou filha todos os gramdes do reyno lhe fazem gramdes serviços de dinheiro. E alem de ter tem suas pemssõis que pagão a elrev em cada hííu arino. os quoaes gastos bem podeis cuidar camanhos podem mays os dos servidores que hão mister estes ca- por aquy também sabereis o que pode remder esta cidade. que elles tem d esta sua gente.. Podem alguém remda pode ter este re}^ e que thesouro. que diguo que estes capitaees.I ID estamagos pêra aver de husar armas.Este re}^ de Bisnaga tem cimquo re3's seus sogeitos e vassallos. também elrey tem sua gente hordenada a quem daa soldo. e neste allardo avj^a a mays fremosa gente de mamceba que se podia ver. e preguntar. pois tem tantos e gramdes senhores em seu revno. que são os senhores e tem a cidade e villas e lugares do reyno. esta gente tem sempre prestes pêra dos.

sem mais d elles tirarem húu pardao que pêra os gastos de sua casa lhe ficão outros de que se gasta. e nas casas de suas moIheres. entramdo o mes d outubro. e metem cada húu ano nelle dez contos de pardaos. a quoal moeda não . E agora quero que saibaes que os reys antepassados. e o gramde thesouro que este rey neste se tem. a omze dias amdados d ele. os quoaes thesouros depois de ssua morte são cerrados e sellados. salvo quoamdo os reys teverem gramde necesydade. e não se abrem. de maneira que por nenhúua pessoa não possão ser vistos. e neste mesmo dia dão todos gramdes dadivas de dinheiro a elrey. de muitos anos a esta parte. saiba que he húa moeda redonda d ouro. que tem comsiguo doze mil molheres. e por aquy podereis saber a gramde riqueza d este reyno. nem sobem o que esta nelle. e dão todos os capitãees panos a toda a sua gente de muytas cores e galantes. que também nos fazemos o semelhante por dia de anno bom. de que jaa tenho dito. e por aqu}^ podereis ver e saber quoantos serão de rees e dia festa. húu conto e quynhentos mill pardaos d ouro. nem os reys. que se afirmão que darão neste dia a elrey em dinheiro. e elles não contão o mes não de lua a lua.. fazem gramdes festas em que todos vestem panos novos e ricbs e galantes. os não abrem. E se allgúu não souber que cousa he pardao. e por ysto fazem tall e dão estas dadivas. e vai cada pardao trezentos e sesenta res. como dito tenho. começão o anno mes com a lua nova. quero que saibaes que neste dia começão o anno. d anno bom. teverão por costume de fazerem thesouros. e não he de espantar. nem abertos. e cada húu como o tem. que depois d elles sucederem no reyno. ii6 Sabereis que acabadas estas festas. este rey não faz seu thesouro como os outros antepassados fezerão. que também eles tem divisadas e suas cores. e asy que tem o reynno gramdes thisouros pêra as necesydades que nelle ouver.

outros setecentos. Despois de todas estas cousas serem passadas. Xpovão de FiguejTedo lhe pedio por mercê que lhe mandasse amostrar os paços da cidade de Bisnaga. e asy a ha também nas pessoas. tem elre}' em sua goarda quynhentos de cavallo. que são hús mays honrrados que outros. e com mu}^omde passava. e estes vegião de fora dos paços. elrey outro alardo. he esta deferemça. de que jaa vos he dito. e emparamentadas de muitos panos. e folgarião de os ver. que a homees d elles que tem dous cavallos. e da gente da sua goarda. por terem que contar em suas terras. e cada capitão vay a sua gente a fazer sua . de dentro tem duas vegias. e pouco mays ou menos. porquoanto vinhão com elle muytos portugueses que numca forão em Bisnaga. como dito he. como dito tenho.117 em toda a Imdia. nesta cidade fez pagão soldo a todos por ser no começo do anno. que ho das molheres não no vee nin- tãees. armados de ssuas armas. em dous anos fez elrey esta cidade. e o tem de costume. esta gente tem seus capia goarda no paço. e da outra o nome do rey que a mamda empremir. foy elrey dos cidadãos recebido as ruas tos arcos trumfaes por com gramdes festas. salvo neste reynno. e os synaes que tem no rosto ou no corpo. e três. trezentos e sesenta rees. o alardo feyto dos ofvciaes de sua casa. e outros que tem oyto centos. quoamdo quer que os Deos levasse. de que jaa vos tenho dito. vai cada pardao. como he hordenado. tem emprem3^do em sy. por que tem de costume de pagar de anno em anno o soldo. elrey se foy a cidade nova. se bate he moeda que corre por toda a Imdia. e homêes da goarda que tem mill pardaos de soldo. e gente d espadas e adargas. que nella folga muyto por ser cousa feyta por elle e povoou. os que este rey mamdou fazer não tem mais que húa ymagem. elle mamdou que loguo lhe fosem amostrar outros aposentamentos. de húa bamda duas imagées. Pois estamdo elrey na cidade nova. e outros não tem ma3's de húu. e mais. e tomão o nome de cada hiju.

a dous degraos pequenos. de diante d esta estaa outra do em entramdo mesmo theor. a porta fronteyra he elrey. fomos tornados a cidade de Bisnaga. os travossÕis forrados d ouro. o quoall se chama Gamdarajo. e he irmão de Salvatinea. mento d sendo vivos. e as paredes derredor muy allvas. híía sobre outra as quoaees são d esta maneira. estaà outra junto com ella a mão esquerda. a da mão direita do pa}' d este rey. Pois queremdo entrar dentro pella porta. que jaa tenlio dito. a esquerda. nos foy mostrar os paços. estão duas camarás. e nos con- tarão quoantos éramos. a debaixo estaa debaixo do chão. e asy asy nos metião dentro em húu como nos hião contamdo. antresachado antre húu e outro húa madeixa d aljofare grosso. outra do aposentada bamda de fora. Sa- por aquella porta. defronte d esta porta por omde entramos. nabobeda tem estes pendentes da mesma mane3Ta. O pay era preto e gentilhomem de bom corpo. e aly nos fizerão estar quedos. no cabo d este patim. tanto que o governador d bereis que ella. Nesta camará estava húu do theor do portall. e tinha todo arredor húu ramo de perollas que terião de catre que tinha os pees . pérolas e em cima do portal tem húus pendentes d ouro. e estava nelle húu colchão de cetim preto. como trazião e trazem a quoal estava fechada.n8 guem. e da esquerda he d este rey. patim com o ctiao bem argamassado. e de fora e abobeda. e dyamãees. a entrada d esta porta. e de toda a pedrarya de feyção de coração. os quoaees são forrados de cobre dourado. tem húu portal coadrado feyto de húas meyas canas. e toda a outra pedrarya. e estão con todos seus arcos e vestidos. estão duas ymagees de pintura ao natural. mayor que o do filho. por as quoaes vay húa obra de robis. as quoaees são. por omde saem as damas das molheres d elrey que vinhão aas festas. entramos em húa casa pequena mão que tinha o que agora direy: tanto que sois dentro. nos tornarão de contar. e não diguo dourado se não forrado de dentro. tiradas a sua maneyra. e d al}^ pêra cima he toda forrada d ouro.

as quoaes são de maçanar}^a.Iiq largura húu palmo. que he debaixo de húus arcos per homde he a sayda pêra dentro das casas. 3^sto he pêra se emredoncarem as molheres d elrey. nesta casa estão duas cadeiras forradas d ouro. as}' de cima como tudo outra debaixo. posto que em cima tinhão outras casas. e húu catre de prata todo com suas baramdas. por que a não vy. como as suas casas são térreas com seus terrados por cima. por as molheres suas sobem da ma- neira que cada húa vive em seu estado. se não a de baixo da bamda direyta. e são de maneira d açoteas. diserão nos que estava aly dentro húu thesouro de húu dos reys antiguos. junto omde estava este jaspe. que hia atee portugueses. por gramde cousa nesta casa. estaa húa porta pequena. com toda a outro obra he dourada . Tanto que saymos d esta casa entramos em húu pateo do tamanho de húu joguo de barreyra de beesta. aquy vy húa lagea pequena de jaspe verde. e d esta casa tem húa camará de híis piares llavrados de maçanar3^a. muyto bem argamassado. asv a camará como as paredes. e casy no mevo tem hús pillares de pao com seu travessão em cima tudo forrado de cobre dourado. e os pillares pelo travejamanto de cima tinha húas rosas e flores de gollfãos tudo de marfim. sobre elle tinha duas almofadas sem mays outra roupa. da camará de cima não vos direy se tinha algúa cousa. com húus gamchos que travão húus nas outras. e asy asy todos os pillares todo o travejamento con tudo o ai de maneira. e bem tal. feyto. e no meyo quoatro cadeas de prata de fozis. atee ceguos e pedintes. estaa húa casa sobre muytos pilares feyta. fechada com húus cadeados. esta camará he toda de marfim. he tão rica e que milhor não pode ser. o debuxo he bom. a entrada d este pateo a mão direyta sobiamos quatro ou cimco degraos e entramos em húas casas fremosas d esta maneira que jaa vos tenho dito. pello quoal fremosa que em grão parte se não acharya D esta mesma bamda omde esta tirada de pintura todas as maneiras de vidas de homées.

o catre tinha os pees de húas lynhas d ouro. e que avia de ser chapada toda d ouro. começavão entam a pintar na camará. defronte doeste catre estava húa camará omde estava outro catre no ar depemdurado por húuas cadeas d ouro. e pasamdo esta camará pello mesmo corredor em diante se fazia húa camará que este rey mamdava fazer. os travessões do catre forrados d ouro. e entramos em húu corredor que o longuo d elle vay. sobre quoatro húa charoUa armada de muytas ymagees de mopella Iheres baylhadeiras.120 tam bem que parece pillares. Descemdo nos d esta casa nos passamos da bamda esquerda do pateo. Loguo a en- trada d esta casa. tão gramdes que em cada húa cozer3^ão meya vaca. afora outras 3'magées por que nas que estão metidas dourado. e põem no debaixo d aquella charolla. salvo ser dourada e pintada. por quoanto he do seu ydollo e o pagode. por fora d ella tinha húas ymagées de molheres. asy o chão de baixo como todo o ai. ser forrado de oura. e então vem vem os bramines seus a fazer ally suas cerymonias. na nave do meyo. e sem ter nada dentro. no quoall vimos estas cousas: entramdo no corredor estava húu catre dependurado no ar por húas cadeas de prata. sabereis que d esta casa não se servem. e nos disserão que esta avia de ser daventagem das outras. e as balhadeiras a balhar. e panellas . que pêra ysso foy feyta. e marçanarya. o catre tinha os pees d ouro com muyta pedrarya. tudo ysto também algúua cor de Uacre nos emveses das folhas que da maçanarya saya. no cabo d esta estaa húa porta pequena fechada omde ho ydollo estaa. no quoal vimos a húu cabo três calldeiras d ouro. acima d esta camará estava outra mays pequena. e passamdo este corredor sobimdo em outro que estava mais alto. e os travessões forrados d ouro. com seus arcos e frechas a maneyra de allmazonas. também fe3^tas que não pode ser milhor. e com estas estavão outras de prata muyto gramdes. estaa. e quoamdo lhe querem fazer allgúa festa trazem no a húa cadeira d ouro.

que fica muytos painéis. todos dourados. e outras persona- como húu paj-nel. asy se vay apanhamdo na sua hordenamça que fyca de toda a obra feyta hua abobeda. e estão húas imagées de velhos douradas. a maneyra de lamines. de maem cada painel estaa o fim de húu bailhador neira que . a quoal he d esta maneira. palmo. feytos com outras comcavidades. a mais fremosa que numca vy. do tamanho de húu covado. e cada vez mais pequenas. vão estas ymagees por toda a casa. as ymagées que estão nos pillares tem veados e a pillar. asy como va}^ outras alymarias. alem d isto tinhão húus homees com de outras alymarias de diversas pillar maneyras. húa casa comprida e não muyto larga. Por antre estas ymagées e pillares vay sua folhagem. são de meãs canas. as estorias que vão neste payneis são tudo fíis de balhos. nos pranhus de cima tem muytas allymarias. e em seu posto e perssonagem. mas as outras que estão metidas nos alyfantes com as dos payneis são todas de molheres balhadeiras e tem seus atubaques. Esta casa he omde elrey mamda ensynar a suas molheres a bayIhar. e todos paynees estaa húu posto d esta maneyra. toda de maçanarya sobre húus pillares que tem afastados da parede bem húa braça. e sobre estes pillares vão outras ymagees mays pequenas com outras ymagées jaa mais deferentes. e dentro nestas alymarias húas j^magées cada húa viradas as costas. como alyfantes. tem mais de húu travessão. e pillar a pillar gées de maneira que vy esta obra deminuymdo por sua suas estorias de pillar hordenamça d estes pillares com do tamanho de húu perdemdo. vão asy nesta hordem por toda a casa estes pillares. estas são metidas a cores com suas emcarnaçõis nos rostos. avera de húu a outro húa braça e meya.121 pequenas d ouro. e entramos per húa pequena porta a húa casa. e aigúas gramdes. e de outras maneyras abertas que lhe parece o de dentro. toda dourada como emveses das folhas de lacre e azul. pouco mais. d ahi sobimos per húua escada pequena.

todas térreas e de terrados. he o aposentamento das molheres nimguem a que o veija. e embarcão bem a porta. todo o chão he parede omde elle estaa he forrado d ouro. acabamdo o bailho. aly se emsyna a quebrar de todo o corpo pêra mais fremoso seu balhar. o posto que tem he o fim de húu balho. e no meyo da parede tem húa imagem de molher d ouro. que se passa em cestos. estaa outra porta muyto forte. por amtre duas serras mu3^to cavallo. os pa- . e não tem mays que três portas. olhão pêra húu dos paynes omde estaa o fim d aquelle balho. convém a saber. altas. No cabo d esia casa a mão esquerda estaa húa cava pintada. e por aly tem memoria no que ão de ficar. por que se lhe esquecer de maneira em que ão de ficar.122 que ensynão as molheres. pegada com esta de Bisnaga. no outro cabo da mão direyta. da bamda do norte são rochas de pedra. e dizeni que remde cem mil pardaos d ouro. aquelles de que jaa dito tenho. que he pêra o norte. e. não nos mostrarão mais que este. do tamanho de húa moça de doze anos com seus braços. e da outra bamda. em o lugar omde elrey se põem pêra d aly as ver balhar. a quoal he cercada de húa cerca baixa. e tão mao a caminho que não pode sobir mays que húu homem E da bamda do noroeste estaa outra cidade que se chama Crisnapor. Da cidade de Bisnaga dizem que passa de cem mill moradas de casas. d aquy nos tornamos atee segumda porta. e pêra a bamda do noroeste estaa outra porta pequena. e nesta cidade estaa elrey o mays do tempo. salvo capados. corre hú rr3'o por antre ellas. húa pêra o ryo. comvem a saber. e o muro estaa por riba d ellas. na quoal tem todos os seus pagodes aquelles em que elles mais adorão. e da bamda d alem húa cidade que se chama Nagumdym. e aly nos tornarão a contar. e toda a remda d esta cidade remde pêra elles. omde as molheres se apegão com as mãos pêra milhor se desemgomçarem do corpo e das pernas.

e nova. . em húu campo. que fez por amor d ella. que he o nome da primcipal molher d este rey. todos em autos luxuriosos. e esta estaa húa legoa de Bisnaga.123 guodes são altos. Da bamda de leste estaa outra cydade que se chama Ardegema. Finis laiis Deo. e de gramdes edifícios de muytas fi- guras de homées e molheres. e jaa e a pos he outra vez reformada. E da bamda do sul estaa outra cidade que se chama Nagalapor. nesta esteve o ydalcão con todo seu poder quoamdo esteve sobre Bisnaga. por terra.

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Acabou de imprimír-se Aos 8 dias do mez de julho do anno MDCGGXGVII NOS PRELOS DA Imprensa Nacional de Lisboa PARA A COMMISSÃO EXECUTIVA DO CENTENÁRIO DA ÍNDIA .

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i k ^cA> LISBOA— Imprensa Nacional— 1897 3^ .

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