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Dignidade Da Pessoa Humana

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RESUMO

Este estudo visa aprofundarmos um pouco mais sobre o princípio da Dignidade da Pessoa Humana com um breve relato em sua historia, os seus conceitos mais relevantes por vários doutrinadores, aprofundaremos pouco também sobre os direitos sociais e a dignidade da pessoa humana, que se encontra na Carta Magna de 1988, no artigo 1º, inciso III. E que o maior valor supremo do estado é a pessoa e a dignidade. Por ser Fundamento base da República este princípio é imprescindível, estando no ensinamento da maioria dos doutrinadores acima de qualquer outro princípio ou norma. E quando falamos em dignidade da pessoa humana, englobamos o conceito de direitos fundamentais e direitos humanos, constituindo um critério de unificação de todos os direitos aos quais os homens se reportam. Poderíamos pensar que há um princípio ou direito absoluto: o da dignidade da pessoa humana. A razão dessa impressão é que a norma da dignidade da pessoa humana é tratada, em parte, como regra e, em parte, como princípio; e também pelo fato de que, para o princípio da dignidade humana, existe um amplo grupo de condições de precedência, nas quais há um alto grau de segurança acerca de que, de acordo com elas, o princípio da dignidade da pessoa precede aos princípios opostos. Assim, absoluto não é o princípio da dignidade humana, mas a regra, que, devido a sua abertura semântica, não necessita de uma limitação com respeito a nenhuma relação de preferência relevante. O princípio da dignidade da pessoa, por sua vez, pode ser realizado em diferentes graus. Após essa analise, verificamos que a Dignidade da Pessoa Humana não é um direito absoluto, trata-se, portanto, de um princípio que: “identifica um espaço de integridade moral a ser assegurado a todas as pessoas por sua só existência no mundo. É um respeito à criação, independentemente da crença que se professe quanto à sua origem. A dignidade relaciona-se tanto com a liberdade e valores do espírito como com as condições materiais de subsistência. Não tem sido singelo, todavia, o esforço para permitir que o princípio transite de uma dimensão ética e abstrata para as motivações racionais e fundamentadas das decisões judiciais. Partindo da premissa anteriormente estabelecida de que os princípios, a despeito de sua indeterminação a partir de certo ponto, possuem um núcleo no qual operam como regra, tem-se sustentado que no tocante ao princípio da dignidade da pessoa humana esse núcleo é representado pelo mínimo existencial. Embora existam visões mais ambiciosas do alcance elementar do princípio, há razoável consenso de que ele inclui pelo menos os direitos à renda mínima, saúde básica, educação fundamental e acesso à justiça”. Então o foco principal deste artigo é dizer que não há no mundo valor que supere ao da pessoa humana, a primazia pelo valor coletivo não pode, nunca, sacrificar, ferir o valor da pessoa. E neste sentido, defende-se que a pessoa humana, enquanto valor, e o principio correspondente, de que aqui trata, é absoluto, e há de prevalecer, sempre, sobre qualquer outro valor ou principio. Dai a razão de ser considerado um super principio. Palavras-chave: dignidade, fundamento, direito e pessoa.

Introdução

O principio da dignidade da pessoa humana é um dos grandes princípios constitucionais observados na legislação, doutrina e bem como na jurisprudência, que este esta positivado na Constituição Federal de 1988, característica essencial do Estado Democrático de Direito, sendo elevado por muitos doutrinadores à posição de super princípio, gerando intensos reflexos em nosso Sistema Jurídico. Em razão disto, há a necessidade de um breve e completo estudo sobre este princípio, o que determinou a escolha deste tema. Destarte, se constitui objetivo desse estudo, tornar público a relevância do princípio da Dignidade da Pessoa Humana, de modo que, produza efeitos positivos na sociedade como um todo.

Para isso, vamos analisar e expor as lições de alguns doutrinadores, bem como a legislação e alguns entendimentos

[. pode-se logo. realizada pela Igreja Católica. e significa dignitas. existe como um fim em si mesmo. 1 A histórico da dignidade da pessoa humana Sobre a palavra dignidade é a palavra que define uma linha de honestidade e ações corretas baseadas na justiça e nos direitos humanos. é tudo aquilo que merece respeito. dignidade intelectual. raça. apesar da absoluta falta de sincronia entre o discurso e a prática dos religiosos cristãos desse período. porque a sua natureza os distingue já como fins em si mesmos. ele tem sempre de ser considerado simultaneamente como um fim.jurisprudenciais acerca do assunto. que perdurou por mais de quatro séculos. pois. já há algum tempo. uma concepção jus naturalista da dignidade.. . haja vista que somente uma pequena parcela da sociedade. dignidade social e dignidade moral. A palavra dignidade vem do latim.. donde remontam os primórdios do movimento constitucionalista moderno. de modo que nem mesmo um comportamento indigno priva a pessoa dos direitos fundamentais que lhe são inerentes. filósofo voltado à percepção da sociedade. que os seres racionais se chamam pessoas. nobreza. quer dizer. em todas as suas ações. duma maneira geral. diferenciando-se dos demais em virtude de sua capacidade de compreender o mundo e elaborar um pensamento lógico. consideração a toda a pessoa. mas da natureza. apenas um valor relativo como meios e por isso se chama coisas. externando seus conceitos. independente do sexo. É com esta segunda significação que a constituição tutela a dignidade da pessoa humana como fundamento do estado democrático de direito. construída através dos anos criando uma reputação moral favorável ao indivíduo. [. Fala-se em dignidade espiritual. ferindo a moral e os direitos de outras pessoas. seja como um atributo intrínseco da pessoa humana. o valor de todos os objetos que possamos adquirir pelas nossas ações é sempre condicional. acreditava-se que o homem seria um animal privilegiado devido à razão. Conforme Kant citado por Sarlet [. tem contudo. concebida pela constituição como fundamento do estado democrático de direito e. a dignidade desvencilhou-se dessa carga naturalista. ao passo. é de outra natureza. onde figurava como manifestação puramente conceitual de um direito natural metapositivo. pois. No entanto. como algo que não poder ser empregado como simples meio e que. de fato. como forma de agregar sentido à própria concretização constitucional dos direitos fundamentais. tendo seu apogeu no século XVIII. não como meio para o uso arbitrário desta ou daquela vontade. Surgia. de pronto. Já na antiguidade grega. sua historia. e. tanto nas que se dirigem a ele mesmo como nas que se dirigem a outros seres racionais. limita nessa medida todo o arbítrio (e é um objeto de respeito). mérito ou estima. percebeu ou deixou de defender essa repartição de papéis e de escalões relacionados à dignidade das pessoas. sendo. todo o ser racional. Pelo contrário.] Mas a dignidade da pessoa humana. De fato. se são seres irracionais. Nem Aristóteles.] a palavra dignidade é empregada em diversos contextos com sentidos qualificados. como valor supremo da democracia. neste ultimo caso como um valor de todo o ser racional independentemente da forma como se comporte. fazia uso da razão. Portanto. verificar que essa dignidade não era considerada uma característica humana plena. há esse tempo. Para Silva. origem e crença religiosa. Uma vez que a sociedade grega era absolutamente estratificada. por conseguinte. o único animal a fazer uso da razão e linguagem.] Homem. para inserir-se nos textos constitucionais contemporâneos... e finalizando sobre os direitos sociais e a dignidade da pessoa humana. pois. ressalvada a incidência das penalidades constitucionalmente autorizadas. teve considerável importância no tratamento medieval da dignidade. a palavra dignidade é empregada seja como uma forma de comportar-se. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca transgredindo-os. Daí a intimidade inegável entre os dois institutos: dignidade da pessoa e constitucionalismo... Os seres cuja existência depende não em verdade da nossa vontade. Também a doutrina cristã.

No uso corrente. de tal sorte que a dignidade – como já restou evidenciado – passou a ser habitualmente definida como constituindo o valor próprio que identifica o ser humano como tal. é pessoa. a pessoa prevalece sob o próprio Estado. ele a própria finalidade do Estado. hoje em dia. Uma das principais dificuldades. é impossível deixar de lado o conceito de pessoa. reconhece um conceito claro e preciso a respeito a dignidade . assim como por sua natureza necessariamente polissêmica. todavia – e aqui recolhemos a lição de Michel Sachs – reside no fato de que no caso da dignidade da pessoa. vida. Uma tese afirma que a palavra latina persona foi originalmente estabelecida em língua latina. esta palavra latina não comporta. pessoa significa atualmente indivíduo. Todo ser humano. que provoca uma variedade de questionamentos de ordem ontológica.” Então o conceito de dignidade é um dos mais relevantes para as reflexões ética. que é. razão porque desconsiderar uma pessoa significa. Nos dizeres do ilustre constitucionalista Jose Afonso da Silva. definição esta. sendo. ainda. fonte e imputação de todos os valores. todo o ser racional. Conforme Paulo Faitanin.] Homem. na sua condição jurídico-normativa. de sua forma verbal gerúndio personando. e. substantivo feminino singular. Tanto em um caso quanto em outro. Por isso é que a pessoa é um centro de imputação jurídica. . o homem é sujeito e destinatário das leis. homem ou mulher. Outra tese estabeleceu que ela derivasse do verbo personare.1 Conceitos da Dignidade da Pessoa Humana Primeiramente não podemos falar em dignidade da pessoa humana sem sabermos o que é pessoa e o que é dignidade. etc. intimidade. existe como um fim em si mesmo. em última análise. acaba por não contribuir muito para a compreensão satisfatória do que evidentemente é o âmbito de proteção da dignidade. Preceitua Immanuel Kant que. “no reino dos fins tudo tem um preço ou uma dignidade. consoante exaustiva e corretamente destacado na doutrina. mas sim de uma qualidade tida como inerente a todo e qualquer ser humano. então ela tem dignidade”. Todo ser humano se reproduz no outro como seu correspondente e reflexo de sua espiritualidade.. O substantivo feminino singular da língua portuguesa «pessoa» deriva etimologicamente da palavra latina persona. considerado em si mesmo. Quando uma coisa tem um preço. duma maneira geral. o ser racional. E como Sarlet. consciência e vivencia de si próprio. propriedade. caracterizado por sua „ambigüidade e porosidade‟.. Então explicadas as palavras acimas mencionadas agora não se fala apenas em “dignidade humana”. e portanto não permite equivalente. é pessoa. pode-se pôr em vez dela qualquer outra como equivalente. por isso a dignidade não é algo que se aplica exclusivamente ao ser humano. diversamente do que ocorre com as demais normas jusfundamentais. se fala em “dignidade da pessoa humana”. porque o Direito existe em função dela e para propiciar seu desenvolvimento. todavia. em seu uso primeiro. ou seja. assim. muito embora tais atributos não possam ser exclusivamente atribuídos à dignidade da pessoa humana. em todas as suas ações. não como meio para o uso arbitrário desta ou daquela vontade. a fez derivar da expressão per se una. tanto nas que se dirigem a ele mesmo como nas que se dirigem a outros seres racionais. Pelo contrário. ao mesmo tempo. também. ele tem sempre de ser considerado simultaneamente como um fim. “Tal dificuldade. não se cuida aspectos mais ou menos específicos da existência humana (integridade física. personagem (…) Apesar de pessoa derivar de persona. um ser espiritual. a palavra persona serviu para significar o mesmo que se significa com a palavra grega prósopon: máscara e personagem. [. Portanto. política e jurídica. Destarte.Conforme salienta Paulo Bonavides: “nenhum princípio é mais valioso para compendiar a unidade material da Constituição que o princípio da dignidade da pessoa humana”. o conceito de pessoa é. Nisso já se manifesta a idéia de dignidade de um ser racional que não obedece a outra lei senão àquela que ele mesmo institui. antropológica e ética. tal sentido que atribuímos. Conforme Kant citado por Sarlet. Os seres . decorre certamente (ao menos também) da circunstância de que se cuida de conceito de contornos vagos e imprecisos. quando se fala em dignidade humana. Isso em suma quer dizer que só o ser humano. outra. por uma justaposição gramatical da preposição per e do substantivo sona resultando per + sona = persona. mas quando uma coisa está acima de todo o preço. Isto implica dizer que. à noção de pessoa.). 1. ser humano. enquanto designa una por si. o valor de todos os objetos que possamos adquirir pelas nossas ações é sempre condicional. desconsiderar a si próprio. sem distinção. mas.

Num Estado onde predomina o sentimento democrático. art. limita nessa medida todo o arbítrio (e é um objeto de respeito). apenas um valor relativo como meios e por isso se chama coisas. de acordo com Alexandre de Morais. a toda à pessoa sem distinção. Concretiza em seu entendimento. Contudo. E esses direitos são essenciais para se ter uma vida digna. Consiste num mínimo invulnerável de direitos que o ordenamento jurídico deve assegurar a todos de maneira indistinta”.. quase sempre devido à omissão do Estado.3 Considerações Finais Nesta analise do principio da dignidade da pessoa humana. dos objetos. possa realizar total ou parcialmente as suas necessidades básicas que tanto precisa.2 Direitos sociais e dignidade da pessoa humana Os direitos sociais destaca-se dentro da Constituição Federal em seu artigo 6o. Assim a dignidade existe basicamente para que o individuo. podemos observar que foram alcançados os resultados esperados com a exposição da relevância do princípio da Dignidade Humana. porque a sua natureza os distingue já como fins em si mesmos. mas da natureza. “é um direito com o qual não há parâmetros de comparação. dentre eles os positivados como Direitos Sociais são decorrentes dele. proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados) como "piso mínimo normativo". como também. III) necessita que lhe sejam assegurados os direitos sociais previstos no art. É essencial também que cada pessoa . o lazer. Entretanto. podemos extrair que a dignidade é um valor intrínseco ao ser humano. segurança. mas principalmente a igualdade material. quer dizer. como algo que não poder ser empregado como simples meio e que. majoritariamente ele está acima de todos os princípios constitucionais.. a saúde. saúde. por conseguinte. 1.. que os seres racionais se chamam pessoas. previdência social. “e esta não passara de mero objeto de arbítrio e injustiça”. A dignidade é um valor moral inerente ao indivíduo. ou quantitativo. onde não só a intimidade. a proteção a maternidade e à infância. tendo em si diversas decorrências importantes e indispensáveis para a promoção do bem-estar social. dos conceitos citados. onde as condições mínimas para uma existência digna não forem asseguradas”. Então o que se percebe em ultima analise sobre os direitos sociais e a dignidade da pessoa humana é conforme Sarlet que: “[. e por assim o ser deve ser tido como supremo em relação aos demais. Então para encerrarmos. desde já. trabalho. percebe-se que o ser humano precisa pelo menos das condições mínimas para uma vida digna. Não é um direito valorativo.) para que a pessoa humana possa ter dignidade (CF. criar e garantir direitos e deveres sob o prisma deste princípio para a sua efetivação. a moradia. a Dignidade Humana é um valor fundamental e intrínseco a todas as pessoas. a assistência aos desamparados. ao passo. tem contudo. a segurança. ou seja. os direitos e garantias fundamentais acima mencionados. Ainda no âmbito constitucional. uma vez que. a previdência social. 1º. agregado ao seu elemento mutável (comunidade e Estado). que são: São direitos sociais a educação. o ilustre professor Celso Antônio Pacheco Fiorillo: (..cuja existência depende não em verdade da nossa vontade. na forma desta constituição. devendo este. 1. como direitos básicos. que o diferencia das coisas. bem como onde não houver limitação do poder não haverá espaço” ao principio da dignidade humana. que enseja o respeito de todos os outros semelhantes. a alimentação. Dignidade. se são seres irracionais. o trabalho. de outros seres vivos e o torna merecedor de todo respeito por parte da sociedade e do Poder Estatal. É correto afirmar que não poucas vezes muitas pessoas ficam desprovidas de uma vida digna. e a constituição de um conjunto mínimo de condições básicas para o desenvolvimento de sua existência. a própria identidade “forem objeto de ingerências indevidas. onde sua igualdade relativamente aos demais não for garantida. 6º da Carta Magna (educação. lazer. sendo vedada a existência de qualquer meio que venha a afrontar este estado próprio do homem. o reconhecimento constitucional do direito à Dignidade já é um primeiro passo para a atenuação das desigualdades e promoção da justiça social.] onde não houver respeito pela vida e pela integridade física do ser humano. onde se almeja não apenas a igualdade formal.

CF/88): saúde. como os Direitos Sociais (art. Comentário contextual à Constituição. C. Paulo Quintela. P. 5.pdf. São Paulo: 2003. 2007. 2. A. de. 2012. 14.reconheça a existência do mesmo. REFERÊNCIAS FIORILLO. lazer. entre outros.trabalhosfeitos. (2012. para que de maneira coerente. as 13:43. Retirado 10. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição Federal de 1988. http://filosofia. ed.html. José Afonso da.galrinho. KANT. Trad. Paulo Bonavides. Paulo Faitanin. 6º. 2006. Fundamentação da metafísica dos costumes. p.com/ai_pessoa_etimologia. Immanuel. de http://www. São Paulo: Editora Malheiros. educação. SILVA. A. Porto Alegre: Livraria do Advogado. ed.com/ensaios/Principio-Da-Dignidade-Da-Pessoa- Humana/395214. TrabalhosFeitos. 1986. W. . O direito de antena em face do direito ambiental no Brasil. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional. Principio Da DigniDade Da Pessoa Humana. dia 02/05/2011. moradia. MORAES. 10). SARLET.com. busque ações concretas dos Poderes Públicos para efetivação de direitos fundamentais à Dignidade. I.

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