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O SÁBADO CRISTÃO: NÃO MAIS O SÉTIMO DIA?


INTRODUÇÃO
Este trabalho acadêmico tem como objetivo essencial, por mais humilde
que seja, desenvolver da forma mais detalhada possível um tema que aos poucos
vem ganhando muita relevância nos púlpitos religiosos, mas que ainda assim
constitui um instituto normativo divino de grande importância e aplicação prática na
seara cristã – num sentido mais amplo – o que nos impele, diante disto, a prosseguir
firmemente nesse mister.
Primeiramente, será abordado o gênero no qual o tema principal desta
pesquisa se encontra subsumido, visto que o desconhecimento de suas origens, ao
menos mais próximas, constituiria óbice a uma visão o mais didática e ampla
possível do que se pretende aqui perscrutar.
Passando pelo gênero, chegaríamos finalmente às espécies, as quais se
enquadrariam na trilha principal que devemos nos embrenhar, e após um
relativamente breve percurso e encontrando muitas pequenas ramificações no
caminho – também pertinentes e constituintes da grande trilha – poderemos, enfim,
chegar ao nosso destino final, que nada mais poderia ser do que o objeto de desejo
menos cobiçado e ainda assim, o mais difícil de se conseguir: o conhecimento
pretendido.
Pretendendo não desvelar, ainda nesta página, o mistério de qual seja o
nome real desta trilha confabulada, deixamos assim que o leitor por si mesmo
descubra, ao folhear página por página, do que realmente se trata essa longa
estrada e seus postos ramificados, tal como os veios de um vivo corpo o são para
suas principais moradas.
Prossigamos corajosamente então, sempre avante e adiante, não
temendo o porvir.


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1 – O SÁBADO COMO SÍMBOLO DO DESCANSO ETERNO EM
CRISTO
Objetivando uma melhor compreensão do Sábado como uma sinalização
a apontar para o futuro descanso da redenção que Deus realizaria em favor de Seu
povo e, outrossim, que o sétimo dia não consubstanciaria apenas um lembrete do
descanso que ocorreu após os seis dias da Criação, é que se torna imperativo uma
análise mais aprofundada sobre o tema.
1.1 – O RICO SIGNIFICADO DO DESCANSO SABÁTICO
Primeiramente, é preciso que visualizemos sob que aspecto a ênfase do
mandamento do sábado de Deuteronômio 5:12-15 diferiria da ênfase dada ao
mesmo mandamento em outra passagem bíblica, a saber, Êxodo 20:8-11. Segue o
paralelo das passagens:
C “Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o
SENHOR, teu Deus. (...) porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e
que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo
que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado.”
(Deuteronômio 5:12-15).
C Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. (...) porque, em seis
dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia,
descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou. (Êxodo
20:8-11).
Na ocasião de Deuteronômio 5:12-15, Moisés lembrou aos israelitas que
eles deveriam guardar o sábado porque Deus os tinha livrado do Egito. O texto não
diz nada sobre os seis dias da criação nem sobre o sábado sendo o descanso de
Deus. Em vez disso, a ênfase está na salvação, libertação e na redenção; nesse
caso, redenção do cativeiro egípcio, que é símbolo da verdadeira redenção que
temos em J esus (1Co 10:1-3).
Em outras palavras, não há conflito entre os textos, nenhuma justificativa
para tentar usar uma passagem para negar a verdade de outra. Moisés estava
mostrando que as pessoas pertencem ao Senhor, em primeiro lugar pela criação, e,
em seguida, pela redenção.

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Lendo também Ezequiel 20:12 e Êxodo 31:13, encontramos ainda outra
razão para a observância do sábado, o sétimo dia. Abaixo segue o paralelo desses
versículos:
 “Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre
mim e eles, para que soubessem que eu sou o SENHOR que os santifica.”
(Ezequiel 20:12).
O “Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente,
guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações;
para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica.” (Êxodo 31:13).
As passagens acima, ao mencionarem a santificação, nos lembram de
que só Deus pode nos tornar santos. Somente o Criador pode criar um novo coração
dentro de nós.
Considere as três razões retro para a observância do sábado e como elas
estão relacionadas. Primeira: guardamos o sábado em reconhecimento do fato de
que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Segunda:
observamos o sábado porque Deus é Aquele que nos redimiu e nos salvou em
Cristo. Terceira: guardamos o sábado porque Ele é o único que nos santifica, o que
ocorre apenas pelo poder criador de Deus (Sl 51:10; 2Co 5:17).
1

1.1.1 – O DOMINGO COMO PROCLAMADOR DO DIREITO DIVINO À CRIAÇÃO?
Alguns irmãos afirmam que só por ocasião da Sua ressurreição é que
J esus teria feito o universo entender que Ele seria, por direito, o Senhor de tudo que
existe. Mas essa é uma afirmação que terei – data maxima venia – de discordar.
Isso porque, independentemente da queda da humanidade, J esus, como sendo
Criador de todo o Universo, continuaria tendo o “Direito” a todas as coisas por Ele
criadas. E o dia que fora “sinalizado” por J EOVÁ como sendo o memorial do Seu ato
criativo e, consequentemente, patenteando perante todo o Universo Seus direitos
“Autorais” quanto a este mundo, fora justamente o sétimo dia e não o primeiro.
Além disso, para que possamos melhor compreender as implicações
espirituais da Sua ressurreição, é preciso antes também entender o que ocorreu na
__________
1
Cf. GIBSON, L. J ames. Origens. 1. ed. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2013. p 135.

5
Cruz do Calvário. Ali J esus pagou o preço da dívida que nos condenava à morte.
Pelos Seus méritos venceu por nós uma batalha que jamais poderíamos pelejar por
nossas próprias forças. Sob este aspecto, ao consumar a Sua obra redentiva na
Cruz, Ele não só continuou a ter o mesmo Direito (inerente à Criação) de ser o nosso
Deus, como também, pelos Seus méritos (repito), passou a ser o nosso Deus por
MERECIMENTO. Somos duplamente Dele, primeiro pela Criação, e, depois, pela
Redenção. Ilustro este pensamento com a seguinte história, in verbis:
“Um garoto havia feito um pequeno barco, todo pintado e preparado com
muita beleza. Certa vez, alguém roubou seu barco, e ele estava angustiado. Um dia,
ao passar por uma casa de penhores, ele viu seu barco. Com alegria, correu ao
dono da casa, e disse: ‘Esse é o meu pequeno barco!’ ‘Não’, disse o homem, ‘ele é
meu, porque eu o comprei’. ‘Sim’, disse o garoto, ‘mas ele é meu, porque eu o fiz.’
‘Bem’, disse o penhorista, ‘se você me pagar dois dólares, pode levá-lo’. Era muito
dinheiro para um menino que não tinha um centavo. Em todo caso, ele resolveu
comprá-lo. Assim, ele cortou grama, fez todo tipo de trabalhos pequenos, e logo
obteve o dinheiro.
“Ele correu até a loja e disse: ‘Eu quero o meu barco.’ Ele entregou o
dinheiro e recebeu seu barco. Ele pegou o barco em seus braços, o apertou, o
beijou e disse: ‘Amo você, querido barquinho. Você é meu! Você é meu duas vezes.
Eu fiz você, e agora eu comprei você.’
“Assim acontece conosco. Em certo sentido, somos duas vezes do
Senhor. Ele nos criou, e entramos na casa de penhores do diabo. Então, J esus veio
ao mundo e nos comprou a um terrível custo. Não foi prata nem ouro, mas Seu
precioso sangue. Somos do Senhor pela criação e pela redenção” (William Moses
Tidwell, Pointed Illustrations [Ilustrações Selecionadas], Kansas City, Missouri:
Beacon Hill Press, 1951, p. 97)
1.2 HEBREUS 4:1-13
Demais, pesquisando este assunto com mais profundidade, concluí que o
texto de Hebreus 4:1-13 também não deve ser usado, como prova por si só
suficiente, de que o repouso sabático fora transmudado para o primeiro dia da
semana. Pelo que pude inferir, permaneceria inalterável, após a morte de Cristo, o
sábado do sétimo dia ao tomarmos como base tão só os versículos retro. Embora o

6
tema ventilado nessa passagem não seja o dia santificado, ele nos traz uma
profunda mensagem referente ao sábado do sétimo dia.
Para uma boa compreensão deste problema, é preciso estudar os
capítulos 3 e 4 da carta aos Hebreus, ou o contexto deste verso. Pela leitura se
conclui que o autor da carta mostra como o povo judeu, do tempo de Moisés e
J osué, não conseguiu entrar no repouso de Deus por causa da sua incredulidade.
Quando Deus tirou a Israel do Egito Ele disse a Moisés: “A minha
presença irá contigo, e eu te darei descanso”. Êxo. 33:14.
Para Moisés e Israel estas novas eram muito agradáveis após um período
de lutas e agitações no Egito.
As promessas de descanso eram condicionais:
“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a
minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos. . .”.
Israel, muito interessado em entrar na Terra prometida, sempre se lembrava das
promessas, mas se esquecia de cumprir as condições. Sabemos que por sua
incredulidade quase todos morreram no deserto, sem desfrutarem da Terra
prometida.
Foi a este mesmo descanso que J eremias se referiu quando disse:
“Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o
bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas.. . .” J er.
6:16.
O livro de Hebreus tem como centro a obra de Cristo para salvar a
humanidade. Os capítulos 3 e 4 constituem um apelo para que o povo não falhasse
em entrar no repouso divino, como havia acontecido aos filhos de Israel durante as
vagueações pelo deserto.
O descanso aqui mencionado é a libertação das tribulações, tragédias,
angústias e dores após a segunda vinda de Cristo. Este descanso seria uma
maneira diferente de falar da salvação que Deus nos oferece.
Norman Russell Champlin em O Novo Testamento Interpretado Versículo
por Versículo, Vol. 59, pág. 513, assim se expressou sobre o descanso de Hebreus
3 e 4:
“A fim de que se aplique bem a passagem do A.T., em consideração, o
termo chave descanso deve assumir um sentido diferente daquele que foi
obviamente empregado no caso da geração do deserto. Ali a palavra indicava uma

7
vida pacífica e estabelecida em Canaã, a Terra prometida. Portanto, esse termo
tinha um sentido essencialmente físico. Para os judeus cristãos, porém, era
necessário dar-lhe um significado espiritual, equivalente ao entrar nas bênçãos do
mundo espiritual. Todavia, essa modificação não foi feita pelo próprio autor sagrado.
Primeiramente, isso faz parte inerente do próprio A.T., pois, apesar de que Israel
buscava um descanso terreno, por outro lado sempre houve o ensino de seu
paralelo celeste, o bem-estar espiritual, embora os pensamentos sobre o outro
mundo não tenham sido definidos do mesmo modo como o é no cristianismo,
séculos mais tarde”.
Uma pergunta natural que vem à nossa mente é esta: Em que tempo o
cristão entra para este repouso? Quando aceita a Cristo ou apenas após a sua
segunda vinda?
O estudo do contexto, especialmente das palavras resta (katakeipo), hoje
(semeron) e entrar (eiserkomai) nos dão a idéia de que o repouso está à nossa
disposição no presente. Este descanso pode ser parcialmente desfrutado agora,
mediante a lealdade a Cristo, mas a apropriação plena deste descanso só será
possível no futuro, na Nova Terra.
O livro Consultoria Doutrinária da Casa Publicadora, pág. 161, declara:
“Quando o homem angustiado e perdido abandona seus próprios esforços e lutas,
suas próprias obras, sua justiça própria e seus pecados, e se rende inteiramente a
Deus através de Cristo e de sua justiça imaculada, ele entra no princípio desse
repouso, e esse repouso se completará, quando o homem entrar na Terra renovada
por ocasião da segunda vinda de Cristo”.
Uma outra pergunta que nos ajuda a reflexionar é a seguinte: Como se
entra para este repouso? A resposta se encontra no capítulo 4 verso 3. Este é o
repouso no qual entrarão os crentes e do qual fala J esus em Mat. 11:28 e 29. Vinde
a mim. Porque nós, os que cremos, entramos neste descanso. Crer é ter fé, é
obedecer, é ter confiança em Deus.
Esta oportunidade não estará para sempre à nossa disposição, por isso
Heb. 3:13, 15, nos mostra que ela deve ser aproveitada hoje. Este privilégio está à
disposição de todo aquele que aceita a Cristo como seu Salvador pessoal.
Através de Hebreus 3 e 4 Paulo usa 9 vezes o termo repouso katapausis,
como o alvo a ser atingido, mas em Heb. 4:9 surge uma palavra diferente para
repouso – sabbatismós, que apropriadamente pode ser traduzida por “descanso

8
sabático”.
“A palavra usada como ‘repouso’ aqui é diferente da que tem sido
empregada em toda a primeira parte do comentário (katapausis) . . . A palavra
significa ‘o repouso de um sábado’, e fornece um importante elo de ligação no
argumento, indicando o fato de que ‘o repouso’ que o autor tem em vista é o repouso
de Deus, uma concepção muito mais alta de repouso, do que qualquer espécie de
descanso que Canaã pudesse tipificar de modo adequado. O sábado, que em II
Macabeus 15:1 é chamado o ‘dia de repouso’, é tipo mais aproximado do céu do que
Canaã.” – Farrar, Cambudge, Greek Testament, Epistle to the Hebrews, pág. 88.
Os estudiosos são unânimes em declarar que o termo “sabbatismós” foi
criado pelo autor de hebreus, já que em nenhum documento ou inscrição esta
palavra foi encontrada.
Qual a razão do emprego desta nova palavra?
Tudo indica que o apóstolo está unindo a mais profunda experiência de
repouso, à qual Deus convida seu povo, com o símbolo da fé que o próprio Deus
instituiu, o sábado. Em outras palavras, sendo katapausis o símbolo do repouso de
Deus em Cristo, ele nos relembra o repouso do sábado como cessação das nossas
obras, assim como Deus cessou das Suas no sétimo dia da Criação.
Como bem asseverou Russel Norman Champlin em O Novo Testamento
Interpretado, ao explicar Hebreus 4:9: O autor sagrado criou um vocábulo, que fala
ao mesmo tempo, de “descanso” e de “sábado”. E foi assim que ele obteve dois
resultados:
1º) Ele distinguiu esse descanso restante de qualquer outro descanso.
2º) Ele o identifica com o próprio descanso de Deus, o qual no quarto
versículo, é visto como algo que ocorreu no sétimo dia, quando toda a obra da
criação se completara”.
Após citar Heb. 4:9, uma conhecida autora cristã diz:
“O repouso aqui mencionado é o repouso da graça, que se obtém
seguindo o preceito: Trabalhai diligentemente. . . . Aqueles que não estão dispostos
a prestar ao Senhor um fiel, zeloso e amorável serviço não acharão repouso
espiritual nesta vida nem na vida porvir. Apenas de um diligente trabalho provém a
paz e o gozo no Espírito Santo – felicidade sobre a Terra e glória no além”. – The
SDA Bible Commentary.
O pastor J erry N. Page em artigo no Ministry, junho 1978, pág. 13, com

9
muita propriedade assim se expressou sobre o repouso de Heb. 4:9:
“Embora o sábado seja mencionado apenas incidentemente em um
contexto que enfatiza a disponibilidade do repouso da salvação para o homem, o
repouso de Deus, no sétimo dia da semana da Criação, revela que o sábado é um
símbolo, é uma amostra do repouso da graça. Da mesma forma que o homem
comunga com Deus pela fé e desse modo obtém o repouso, assim aconteceu no
domínio do tempo, de modo que esta comunhão encontra sua suprema expressão
na simbólica dádiva divina do sábado. Quando nosso autor introduz o conceito do
repouso divino, não é por coincidência que ele faz um trocadilho pela introdução da
palavra sabbatismós. A relação entre o repouso divino como experiência e o sábado
como seu símbolo é de maneira conveniente explicada por E. J . Waggoner: ‘O
repouso no Éden era repouso sabático. O sábado é um pedaço do Éden que nos
resta, até que o Éden seja novamente restaurado; aquele que guarda o sábado
como Deus o fez, como Deus o concedeu para ser guardado, goza do repouso que
o Senhor J esus Cristo tem no céu. Mas como pode alguém guardá-lo? pela fé!”
O sábado como um símbolo da realidade do repouso espiritual tem
implicações com a futura, bem como com a passada e a presente salvação. O
sábado é um elo especial com a consumação do prometido repouso de Deus. . . O
sábado, como símbolo daquele repouso eterno é, num sentido especial, o sinal entre
Deus e seu verdadeiro povo do concerto (Ezeq. 20: 12). Ele é o antegozo do eterno
repouso e comunhão vindoura com Aquele que é o fundamento de nossa confiança
e nosso Criador, J esus Cristo. O sábado é um símbolo do profundo repouso de Deus
no qual entramos agora, enquanto aguardamos a experiência ainda mais completa
da qual partilharemos se conservarmos firmes nossa confiança e esperança até o
fim.
Concluo com as palavras de Vincent em Word Studies in the New
Testament, Vol. IV, pág. 420:
“A salvação cristã, após ter sido exposta como a autoridade (de Cristo)
sobre o mundo vindouro, como o livramento do temor da morte, agora é apresentada
como a participação no descanso de Deus. O propósito dos versículos primeiro a
décimo primeiro do quarto capítulo (de Hebreus) consiste em confirmar a esperança
desse descanso, advertindo contra a possibilidade de perdê-lo. O descanso de Deus
foi proclamado aos nossos antepassados; mas não entraram no mesmo devido à
sua incredulidade. Tal descanso também nos foi proclamado. E podemos falhar

10
como aqueles falharam, e devido á mesma razão”.
Do livro Reposo Divino para la Inquietud Humana, de Samuel
Bacchiocchi, no capítulo “O Sábado – Mensagem de Redenção”, págs. 127-132,
retirei os seguintes pensamentos esparsos por serem os mais expressivos:
Neste capítulo vamos ver de que maneira o sábado tem sido utilizado na
Bíblia por Deus, para dar a seu povo um vislumbre de sua salvação presente e
futura.
“Anteriormente vimos, como a bênção e santificação do sábado são a
expressão do desejo divino de transmitir aos homens vida abundante por meio de
sua presença.
“Quando o pecado arruinou as perspectivas de uma vida feliz na presença
de Deus, o sábado se converteu no símbolo do empenho divino para restabelecer
essas relações rompidas após a queda.
“Havendo identificado em Heb. 4:4 a promessa que Deus fez de um
repouso para seu povo com o descanso do sábado, o autor se sente livre para
substituir no versículo 9 a expressão comum para ‘descanso’ katapausis, pelo termo
mais específico de ‘repouso sabático’ – sabbatismós. Que este vocábulo se refere
explicitamente à observância do sétimo dia, está provado pelo significado que este
termo tem nos escritos de Plutarco, J ustino Mártir e Epifânio, entre outros. Ademais,
o verbo afim sabbatizo ‘repousar’ é empregado várias vezes na Septuaginta
referindo-se claramente à observância do sábado (conf. Êxo. 16:30; Lev. 23:32; II
Crôn. 36:21). Estes fatores advogam decisivamente em favor da interpretação de
‘sabbatismós – repouso sabático’, como uma referência ao descanso do povo de
Deus (4:7) no sétimo dia. De outro lado, aquele ‘repouso de Deus’ que os israelitas
encontraram ao chegar à terra prometida atualiza-se no sábado, ‘de maneira que
resta um repouso sagrado para o povo de Deus’ (4:9). Porém, por outro lado, esse
descanso tem adquirido uma nova dimensão com a vinda de Cristo (4:3, 7).
“Para o autor de Hebreus, como disse Gerhard von Rad, a finalidade
última da criação e a finalidade última da redenção se identificam na realização dos
objetivos, que Deus havia simbolizado no descanso do sábado.
“O conceito de ‘repouso sabático – menuhah, como explica Abraham
J oshua Heschel, ‘significa na mentalidade bíblica felicidade e tranquilidade, paz e
harmonia.’ A paz e o repouso do sábado, como aspirações políticas, permaneceram
geralmente sem ser cumpridas, e se converteram em símbolos da era messiânica,

11
chamara ‘o fim dos tempos ou ‘o mundo por vir.’ – Teodoro Friedman observa que
‘duas das três passagens nas quais Isaías menciona o sábado estão relacionadas
com o tempo do fim (Isa. 56:4, 6; 58;13, 14; 66:22, 24) . . . Não é uma mera
coincidência que Isaías empregue as palavras ‘alegria’ (oneg) e ‘honra’ (havod) tanto
em suas descrições do sábado como nas do dia da restauração final (58:13
‘considera este dia como dia de alegria. . . e digno de honra’ conf. 66:10). A razão é
clara: a alegria e o gozo que caracterizaram aquele dia estão ao nosso alcance, aqui
e agora, no sábado.’
“A literatura rabínica e apocalíptica tardia proporciona exemplos mais
específicos do sábado concebido como uma antecipação do mundo por vir.
“O tema do sábado, como sinal de liberação, aparece em diferentes
formas no Antigo Testamento e na literatura judaica posterior. Sua condição de dia
de descanso, faz que o sábado seja a primeira vez um símbolo e um agente de
liberação física e espiritual particularmente eficaz. O fato de que o sábado
proporcione liberdade da opressão do trabalho o converte na mais afetiva expressão
da redenção divina. Daí a razão do sábado aparecer frequentemente associado com
o tema da salvação.”


12
2 – O DOMINGO É O SÍMBOLO DIVINAMENTE DETERMINADO
PARA CELEBRAÇÃO DA RESSURREIÇÃO?
Perscrutando as escrituras em busca de evidências que indicassem ter
sido o primeiro dia da semana
2
estabelecido como o dia de adoração após a
redenção, me deparei com algumas intrigantes ilações.
2.1 – JESUS APARECEU AOS SEUS DISCÍPULOS REUNIDOS NO PRIMEIRO
DIA DA SEMANA
"Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas
da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se
no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!" (J oão 20:19)
Os discípulos estavam reunidos no primeiro dia da semana, mas
observamos que o objetivo não era religioso, visto que eles estavam assim reunidos
“por medo dos judeus”. Veja que eles também não sabiam que J esus havia
ressuscitado, e existem duas passagens bíblicas paralelas que provam isso. A
primeira delas está em Marcos 16:11-14, e lemos o seguinte:
“Estes, ouvindo que ele (J esus) vivia e que fora visto por ela, não
acreditaram. Depois disto, manifestou-se em outra forma a dois deles que estavam
de caminho para o campo. E, indo, eles o anunciaram aos demais, mas também a
estes dois eles não deram crédito. Finalmente, apareceu J esus aos onze, quando
estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não
deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado."
E a segunda passagem a provar que os discípulos não tinham
conhecimento da ressurreição, tanto que ficaram “surpresos e atemorizados, pois
acreditavam estarem vendo um espírito”, podemos encontrar em Lucas 24:36-46.
Não foi a toa que J esus lhes indagou: “Por que estais perturbados? E por que
sobem dúvidas ao vosso coração?”
Deste modo, foi preciso que J esus "lhes abrisse o entendimento para
__________
2
“O Domingo. À primeira vista, Sunday [Sun = dia Day = sol], o nome inglês do domingo, não parece
ter significado cristão. De fato, a palavra inglesa é de origem pagã, uma lembrança do culto ao sol no
mundo antigo. Entre os romanos, esse era o dies solis, o dia consagrado ao deus-sol”.

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compreenderem as Escrituras", as quais revelavam que Ele ressuscitaria no terceiro
dia, para só então seus seguidores poderem passar a crer; em outras palavras, os
discípulos não criam na ressurreição de nosso Senhor quando decidiram se reunir à
tarde no domingo. Se reuniram por estarem com medo de que, assim como mataram
o seu Senhor, os judeus viessem a persegui-los e mata-los também.
Digo isso porque algumas pessoas dizem que eles estavam reunidos
porque sabiam que J esus já tinha ressuscitado e estariam, pela suposta ciência
deste fato, comemorando assim a ressurreição. Mas vimos acima que, no dia de
domingo, eles nem haviam entendido ainda que J esus havia ressuscitado. E, pelo
que pude compreender das Escrituras, para comemorar a Sua ressurreição, J esus
previamente já houvera estabelecido o batismo por imersão; podemos ler isso em
Romanos 6, nos versículos 3 em diante. Deste modo, é possível compreender qual
fora a forma divinamente instituída para a comemoração da ressurreição do Filho de
Deus, verbis:
“porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo J esus
fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte
pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela
glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se
fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos
também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6:3-5).
As escrituras são claras ao afirmarem que o rito estabelecido por Deus
para a memória e celebração da ressurreição reside na instituição do batismo por
imersão; uma vez que entramos nas águas batismais nós estamos sendo sepultados
juntos com J esus. O velho eu egoísta ali morre. E quando nós nos levantamos das
águas batismais, estamos então, simbolicamente, ressuscitando para uma nova vida
em Cristo J esus.
2.2 – O DIA QUE O APÓSTOLO PAULO ELEGERA PARA O DESCANSO
Na cidade de Corinto, Paulo trabalhou um ano e meio fazendo tendas. O
fato de que se dedicasse a uma atividade não religiosa durante um tempo tão
prolongado nos ajuda a descobrir o dia em que ele repousava e que, desta maneira,
ele reservava para as atividades religiosas. Atos 18:3, 4 nos dão essa resposta:
“E, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali
trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas. E todos os sábados discorria
na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos.” (Atos 18:3-4). E caso

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voltemos a nossa página um pouquinho só, para atos 16:13, você irá encontrar nas
viagens de Paulo algo muito interessante, que faz bem prestarmos atenção:
"No sábado, saímos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver
um lugar de oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que para ali tinham
concorrido." (Atos 16:13). E isso é muito curioso, vez que os cristãos, mesmo muito
tempo depois de J esus Cristo ter ressuscitado, estavam guardando o sábado, e o
mais interessante é que essas pessoas cristãs não faziam parte do povo judeu, o
que é facilmente identificado em razão de ali nos ser dito o nome deles: "Certa
mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a
Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo
dizia." (Atos 16:14). Minha irmã, que Deus seja louvado, porque a bíblia é clara a
este respeito.
E se o apóstolo Paulo realmente entendesse que o sábado, o sétimo dia,
não devesse mais ser observado, então porque ele não aproveitaria esta
oportunidade e daria o exemplo aos irmãos gentios recém-convertidos acima
citados, de modo a não deixar mais dúvidas quanto a sua suposta mudança para o
domingo? No entanto, o que vemos é justamente o oposto.
2.3 – O PRIMEIRO DIA DA SEMANA NO NOVO TESTAMENTO
Passo agora a uma breve análise de todas as passagens do NT que se
referem diretamente ao primeiro dia da semana. O objetivo é a localização dos
trechos autorizadores da mudança do sábado para o domingo
3
. São ao todo oito
passagens que encontrei.

1) “No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria
Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro” (Mt 28:1). O verso apenas diz que
elas foram ao sepulcro no primeiro dia da semana, após o sábado, pois elas haviam
descansado no sábado em obediência ao mandamento (cf. Lc 23:54-56). Este texto
foi escrito no ano 62 d.C., 31 anos depois da ressurreição de J esus. Deste modo, a
__________
3
Na Bíblia o primeiro dia da semana nunca é chamado de domingo. Nem é chamado de dia santo,
nem nela expressamente existem indicações no sentido dele ter sido separado como um dia de
adoração.

15
partir deste verso ainda nada é possível inferir sobre a santificação do primeiro dia
da semana, para fins de guarda, posteriormente à ressurreição de Cristo.

2) “E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram
ao túmulo” (Mc 16:2). Outro verso que apenas faz o relato de que as mulheres foram
ao sepulcro no primeiro dia da semana, e apresenta que só foram neste horário
porque o sábado já havia passado (cf. Mc 16:1). Nada fala sobre a santidade do
domingo, e ainda confirma que elas guardavam o sábado do Senhor.

3) “Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana,
apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios” (Mc 16:9).
Apenas mais um relato sobre o momento histórico no qual J esus ressuscitou. Mais
uma vez, nada é apresentado sobre uma suposta santidade do domingo como dia
da ressurreição de Cristo.
Registre-se também o fato deste texto também ter sido escrito 31 anos
após a ressurreição de J esus. Além de não nos permitir deduzir nada sobre a guarda
do domingo, é possível também notar que J esus teve todo o cuidado de não violar o
sábado nem na sua morte. Da mesma forma como repousara após a conclusão do
ato de criação em Gênesis, igualmente repousara após a conclusão da obra da
Redenção em Cristo J esus. Seus trabalhos de criação e redenção foram realizados
honrando o Sábado.

4) “Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao
túmulo, levando os aromas que haviam preparado” (Lc 24:1). Como o último verso
do cap. 23 deixa claro que aquelas mulheres guardavam o sábado, foi só passar o
pôr-do-sol e elas foram ao sepulcro realizar o trabalho que havia sido deixado por
fazer, para não se transgredir as horas santas do sábado do Senhor (cf. Lc 23:54-
56). Assim, até aqui ainda não consegui visualizar algo que ateste para a santidade
do domingo.

5) “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de
madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida” (J oão 20:1).
Apenas a repetição das passagens anteriores. Não é possível questionar
biblicamente que J esus ressuscitou no domingo (louvado seja o SENHOR por isso!),

16
mas dizer que, tão somente por este motivo, este dia estaria agora no lugar do
sábado, seria acrescentar palavras não passíveis de serem depreendidas tão só
com o emprego dessas passagens. Até aqui ainda estou esperando para ver onde
estaria a tal “autorização” para mudar o sábado para o domingo.
[Abro aqui um parêntesis]. Veja nas Escrituras quão solenemente o
sétimo dia vinha sendo anunciado por Deus como o único dia de guarda ao longo de
toda a trajetória do povo de Deus especialmente até a vinda do Messias. E não
foram somente os Israelitas a guarda-lo, visto que o sábado e sua santidade foram
instituídas lá no éden, muito antes não só da queda do homem, como, com mais
forte razão ainda, antes de Abraão e Moisés. E se algo tão solene e enfatizado
assim pelo Rei de todo o Universo devesse ser mudado, seria esperado ao menos
uma clara e expressa declaração do mesmo Eterno Deus no sentido de alterar o Seu
repouso semanal do sétimo para o primeiro dia do ciclo semanal. [fecho o
parêntesis]

6) “Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as
portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio J esus, pôs-
se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco” (J oão 20:19). O texto é muito claro em
afirmar o motivo pelo qual eles estavam reunidos: o medo dos judeus. Não tinha
nada que ver com um culto ou missa dominical. O v. 26 diz que oito dias depois
J esus Se apresentou novamente para os discípulos. J esus encontra-os ainda
escondidos dos judeus, com as portas trancadas, e aproveita para apresentar-Se a
Tomé, que estava ainda duvidando de Sua ressurreição. Nada ainda encontramos
sobre a autoridade de mudar o sábado para o domingo. E olha que este seria um
bom momento para J esus aproveitar e ensinar para os discípulos que o domingo
agora deveria ser o dia de guarda. Mas o estranho é por que Ele não procedera
desta forma. Se, no velho testamento, o Senhor escrevera Ele mesmo os dez
mandamentos em tábuas de pedra, com o Seu próprio dedo, e em meio a claras
manifestações de Seu poder e Sua Glória, porque agora não faria nem sequer uma
simples declaração como, p. ex., “lembra-te do primeiro dia da semana para o
santificar, porque no primeiro dia da semana o SENHOR ressuscitou”? Mas nada.
Nada pudemos encontrar até agora que indique a expressa mudança do quarto
mandamento.


17
7) “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o
pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o
discurso até à meia-noite” (At 20:7). O motivo pelo qual os discípulos estavam
reunidos neste primeiro dia da semana é revelado no próprio texto bíblico: Paulo
estava para viajar no dia seguinte.
Registre-se que, como é cediço, nos tempos de Cristo, tanto romanos
quanto judeus observavam o começo e término dos dias mediante o pôr do sol do
período de 24 horas imediatamente antecedente (início do dia) até o pôr do sol
seguinte (final do dia). Em outras palavras, os dias eram contados de um pôr do sol
até o outro. Assim, p.ex., o pôr do sol de quinta-feira, já seria (consoante essa forma
bíblica de contagem do tempo) o começo da sexta-feira! Dia este que só terminaria
no pôr do sol da própria sexta-feira (que para nós atualmente, e de forma diversa
daqueles tempos, só iniciaria e terminaria após a meia-noite).
Tendo isso em mente, ao ser descrito em atos 20:7 que o apóstolo Paulo
estaria “reunido no primeiro dia da semana” a fim de partir o pão, podemos
facilmente inferir que não se tratava de uma reunião que se iniciara no primeiro dia,
mas sim no sétimo dia, indo até depois do pôr do sol, e, consequentemente, tendo
seu prosseguimento num domingo, o qual começara justamente no pôr do sol deste
mesmo sábado. O fato de que estaria tão escuro que fora preciso o ambiente ser
iluminado por “muitas lâmpadas no cenáculo onde estavam reunidos” somente
atesta para esta realidade, pois se a reunião ali descrita tivesse se estendido após o
pôr do sol de um domingo (e indo até a meia-noite) como dizem alguns, não mais
poderia ter sido no primeiro dia da semana a reunião no cenáculo tal como descrita
em atos 20:7, mas sim, e em completa contradição lógica, no segundo dia da
semana, a segunda-feira.
Mas como sabemos que tal reunião se deu “estando” já no primeiro dia da
semana, o qual se iniciou a partir do pôr do sol de sábado, e findou a meia-noite,
temos a certeza de que o dia em que Paulo decidiu seguir viagem não poderia
logicamente ter sido na segunda, pois para que assim fosse, o apóstolo teria de
esperar até o pôr do sol de domingo, quando então se iniciaria o segundo dia da
semana, para só então poder prosseguir viagem. E sabemos quão perigoso era
viajar após o crepúsculo naqueles tempos. Daí porque é fácil então deduzir que a
viagem se deu quando ainda havia claridade solar no domingo, o dia seguinte ali
mencionado.

18
Ante o exposto, a interpretação desse “primeiro dia” dependeria da
maneira como pensamos que Lucas contava o dia: como os judeus (a partir do pôr
do sol) ou como a nossa sociedade atual (a partir da meia-noite).
Reforça este entendimento a tradução do texto grego conferida pela Bíblia
na NTLH, na qual se optou pela expressão “sábado à noite” ao invés de “primeiro dia
da semana”: “No sábado à noite nós nos reunimos com os irmãos para partir o pão”.
Pois conforme vimos, Paulo falou nessa reunião e continuou falando até a meia-
noite, pois ia viajar no dia seguinte. No texto grego, porém, não existe nenhuma
expressão que possa ser traduzida por “primeiro dia da semana”. No Novo
Testamento Interlinear, que traduz, rigorosamente, palavra por palavra, do grego
para o nosso idioma, o versículo encontra-se traduzido da seguinte maneira:
“Em, porém, o um dos sábados, tendo conduzido juntos nós quebrar pão, o Paulo
discursava-lhe, estando para ir-se de no sobre a manhã, estendeu ao lado e a
palavra até meia noite”.
Seguindo essa tradução, é mais uma ver corroborada a conclusão de que
o culto em Trôade começou durante o sábado, isto é, antes do pôr-do-sol, e não no
domingo à noite, e prolongou-se até a meia-noite. Ademais, outro fato grave que a
tradução do Novo Testamento Interlinear deixa claro é que as versões RA e RC
traduziram erroneamente o versículo. Obviamente, esses problemas de tradução
não são puramente produtos da ignorância ou descuido, pois os que fazem parte
das equipes de tradução – que são na maior parte contra a observância do sábado,
como dia de adoração e descanso – são algumas das maiores autoridades quando o
assunto a ser tratado se refira ao domínio da língua grega.
Tendo isso em mente, uma tradução correta do texto grego poderia ser:
No sábado, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir
viagem no dia imediato, exortava-os.
E esse dia escolhido por Paulo para prosseguir a sua viagem, ainda num
domingo, só reforça mais o respeito que o apóstolo tinha para com a instituição
divina do sétimo dia, vez que esperara não só o sábado passar, como também a
primeira parte escura (a “tarde” ou “noite”) do dia de domingo também passar, para
só na parte clara (a “manhã”) do primeiro dia da semana iniciar então a sua viagem.
É mesmo estranho para nós hoje esta contagem dos dias, com o dia começando à
noite (tarde) e terminando após cessar a parte clara do dia (a manhã) com o
crepúsculo. Para entender melhor cito uma breve passagem, verbis:

19
Quando Deus criou o mundo, o fez em seis dias, descansando no sétimo.
Gênesis capítulo 1 e 2:1-3. É interessante observar que após cada dia, o
escritor bíblico registra: "houve tarde e manhã, o primeiro dia" (verso 5);
"houve tarde e manhã, o segundo dia" (verso 8); "houve tarde e manhã, o
terceiro dia" (verso 13); "houve tarde e manhã, o quarto dia" (verso 19);
"houve tarde e manhã, o quinto dia" (verso 23); "houve tarde e manhã, o
sexto dia" (verso 31). Você percebeu? ... TARDE e MANHÃ. Primeiro
TARDE (a parte escura do dia), depois MANHÃ (a parte clara). Assim
começou o mundo e assim eram contados os dias.
O Dicionário da Bíblia, de J ohn D. Davis, esclarece que "Dia era o intervalo
de tempo, compreendendo o período entre dois nascimentos sucessivos do
sol. O dia na Bíblia era de uma tarde até a outra. De um pôr do sol a outro
(Lev. 23:32; Êxodo 12:18). Este modo de medir o tempo baseava-se no
costume de calcular os meses pelo aparecimento da lua nova. A designação
exata do dia civil compreendia a tarde e a manhã, ou noite e dia (Daniel
8:14; II Cor. 11:25). Posto que a tarde servia de entrada para um novo dia,
também fazia parte do dia natural, que restritamente falando, o completava.
A tarde que dava início ao dia quinze de Nisã é designada pela expressão
"desde o dia quatorze do primeiro mês à tarde, comereis pães asmos, até a
tarde do dia vinte" Êxodo 12:18; compare com II Crônicas 35:1 e Levítico
23:32. Os dias da semana não tinham nome; eram designados por
números, com exceção do sétimo dia que tinha o nome de sábado."

8) “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa,
conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando
eu for” (1Co 16:2). Este é o ÚLTIMO dos oito únicos versos do Novo Testamento
que fala sobre o primeiro dia da semana. J á vimos que as sete passagens anteriores
nada falam sobre a autorização para os cristãos mudarem o sábado para o domingo.
Resta agora analisar esta última passagem. Paulo está falando sobre uma ajuda que
seria enviada para os irmãos da J udéia (v. 1; cf. At 11:28-30). Os irmãos não são
orientados a se reunirem no primeiro dia da semana para adorarem ao Senhor. O
apóstolo dá uma orientação para separarem sua contribuição “em casa”, muito
provavelmente junto com as provisões semanais da própria família. Quando Paulo
visitasse a cidade, as ofertas já deveriam estar todas prontas. O fato de os
discípulos se reunirem em um dia específico, além do sétimo semanal, não faz de tal
dia um substituto do sábado do 4o mandamento, pois eles se reuniam diariamente
(cf. At 5:42). O que torna um dia “santo” é a determinação de Deus, e isto acontece
na Bíblia SOMENTE para o sábado (cf. Gên. 2:1-3; Êx 16:1-10: 20:8-11).
Analisamos TODAS as passagens do Novo Testamento que tratam do sábado, e
vimos que TODOS os discípulos e seguidores de J esus guardaram este dia
normalmente, pois fazia parte do seu dia-a-dia. Não há nenhuma cogitação entre os
discípulos sobre a mudança do sábado para outro dia qualquer.

20
3 – A BÍBLIA E AS SUAS LEIS
Tendo em vista as diferentes visões e interpretações das Escrituras no
que tange à vigência, validade e eficácia das normas nela contidas, acho oportuno
abrir este capítulo com o escopo de melhor delimitar o tema e permitir uma mais
ampla compreensão dos objetos desta pesquisa. E como o sábado, tema central da
nossa discussão, é um dos mandamentos constantes do decálogo, uma das
“espécies” de leis presentes nas sagradas escrituras, é de grande relevância uma
maior elucidação da sua real natureza, origem e finalidades.
Contudo, dado o caráter sucinto desta presente pesquisa, não será
possível um apropriado aprofundamento dos temas a serem aqui apresentados.
3.1 – O QUE É A LEI DE DEUS? O QUE SÃO OS DEZ MANDAMENTOS?
“DECÁLOGO. Do grego ‘deka’ dez ‘logos’ razão, sentença. É o conjunto
dos Dez Mandamentos da Lei de Deus que, segundo a tradição bíblica, foram
comunicados por J eová a Moisés, no Monte Sinai, insculpidos em pedra, que os
israelitas conservaram na Arca da Aliança. Ele é a explicitação mais essencial à lei
natural. (…) o Decálogo é a síntese mais perfeita de toda a experiência moral e
religiosa da humanidade. É o código mais simples e mais fundamental sobre o qual,
em última análise, repousam todas as legislações que regulam o comportamento
humano.” — Em “ Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo” , p. 170.
Muitas pessoas pensam que o Decálogo foi dado apenas ao povo de
Israel, lá no Monte Sinai, e que não serve mais para o povo de Deus, na atualidade.
O que podemos pensar disso? Certamente que aqui não cabe espaço para uma
detida análise sobre o tema, assim por hora colaciono os dizeres contidos no
“Dicionário Enciclopédico da Bíblia”, organizado pelo Dr. A. Van Den Born, e
publicado pela “Editora Vozes Ltda”. (católica). Ele diz:
“O dom da lei de Deus, porém, e particularmente o do decálogo não era
destinado apenas para o Israel segundo a carne, mas também para o ‘novo Israel’,
que é a Igreja de Cristo. Por isso o decálogo é várias vezes citado no Novo
Testamento por J esus e pelos apóstolos.” — Coluna 363.
Outra vez, a contribuição do Padre J úlio Maria, no mesmo livro:
“Deus escreveu os mandamentos em duas pedras como no-lo indica a Bíblia. (…)

21
Na primeira pedra estavam escritos os mandamentos que indicam os nossos
deveres para com Deus… e na segunda, estavam escritos os nossos deveres para
com os homens. (…) Os mandamentos da lei de Deus encontram-se no Êxodo e no
Deuteronômio (5:6-21).” — Op. cit., p. 86 e 95.
Podemos então concluir que:
a) Deus escreveu em tábuas de pedra, os Dez Mandamentos;
b) a primeira tábua tem os deveres do homem para com Deus; isto é, o
“amar a Deus sobre todas as coisas”;
c) A segunda tábua tem os deveres do homem para com o homem; isto
é, “amar o próximo como a si mesmo”; e
d) Os Dez Mandamentos se encontram, nas Sagradas Escrituras, nos
livros de Êxodo (capítulo 20) e de Deuteronômio (capítulo 5).
3.2 – HAVIA UMA LEI DIVINA ANTES DO DECÁLOGO?
4

Muitos acreditam que os Dez Mandamentos surgiram quando Moisés os
recebeu no monte Sinai, sendo até então desconhecidos. Outros creem que J esus
os substituiu por "dois novos" mandamentos, e um terceiro engano afirma que eles
foram destinados aos judeus e não precisam ser obedecidos pelos gentios. Estas
noções absurdas contrariam fortemente os ensinos da Bíblia, e Deus aniquila
pessoalmente a primeira ilusão ao declarar:
"Porque Eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois
dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo. (...)
Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra; porque Abraão
obedeceu à Minha palavra e guardou os Meus mandados, os Meus preceitos, os
Meus estatutos e as Minhas leis." (Gênesis 18:19; Gênesis 26:4-5 RA).
Estes versos declaram que Abraão seguiu e foi escolhido para ensinar a
conduta de vida estabelecida por Deus. Mas antes desse testemunho, Deus tinha
feito à ele a seguinte recomendação: "(...) guarde a Minha aliança, tanto você como
os seus futuros descendentes." (Gênesis 17:9 NVI). E será que os descendentes de
__________
4
Cf. O DECÁLOGO no Éden. IASD on-line TMA, S.l., s. d. Disponível em:
<https://sites.google.com/site/iasdonline/home/reparador/decalogo>Acesso em 14 J ul. 2013.

22
Abraão foram igualmente zelosos com a aliança proposta por Deus, obedecendo os
ensinos que receberam? Vejamos:
"Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão, e o
povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que Eu ponha à prova
se anda na Minha lei ou não.
Dar-se-á que, ao sexto dia, prepararão o que colherem; e será o dobro do
que colhem cada dia. (...) Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele,
não haverá.
Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o
acharam. Então, disse o Senhor a Moisés: 'Até quando recusareis guardar os Meus
mandamentos e as Minhas leis?'" (Êxodo capítulo 16 RA).
Isso ocorreu no deserto de Sim, antes que os descendentes de Abraão
chegassem ao deserto do Sinai, onde receberam os Dez Mandamentos na sua
forma escrita (em duas tábuas de pedra) após firmarem com o Senhor o pacto de
aliança (Êxodo 16:1; Êxodo 19:1-8). Agora surge as seguintes perguntas: Como
poderia Deus pôr os israelitas à prova em relação ao sábado do quarto mandamento
se eles ainda iriam recebê-lo no monte Sinai? E por que os reprovou questionando:
"Até quando recusareis guardar os Meus mandamentos e as Minhas leis?" (Êxodo
16:28).
O uso da locução adverbial "até quando", que provém do hebraico
"'anah", e o uso dos substantivos "mandamentos" e "leis", que são respectivamente
traduções do hebraico "mitsvah" e "towrah", demonstram que os israelitas
conheciam tanto a observância sabática quanto outras instruções divinas, e vinham
a muito tempo negligenciando-as. Deus jamais teria testado-os naquela ocasião se
eles não conhecessem os Seus preceitos, isso seria injusto. Através de Abraão eles
receberam as orientações que foram transmitidas desde a época de Adão.
Outros exemplos bíblicos também demonstram a existência do Decálogo
antes dele ser entregue no monte Sinai, tais como: o assassinato de Abel (Gênesis
4:8); promiscuidade e idolatria de vários povos da antiguidade como de Sodoma e
Gomorra (Gênesis 18:20; Gênesis 19:4-5 cf. Romanos 1:18-32); Abrão antes de se
tornar Abraão mentiu a respeito de seu parentesco com Sara (Gênesis 12:10-20);
J osé resistiu ao pecado de adultério (Gênesis 39:7-23); enfim, esses atos não
poderiam ser classificados e condenados como pecaminosos se a lei de Deus não
existisse anteriormente para denunciá-los (I J oão 3:4; Romanos 4:15; Romanos 7:7).

23
Pois "o pecado não é levado em conta quando não existe lei." (Romanos 5:13 NVI).
3.2.1 – FUNDAMENTOS DO DECÁLOGO
"Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e
de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo,
semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois
mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22:37-40 RA; Marcos
12:30:31).
Através de falsas interpretações destes versos, existe o esforço em
substituir o Decálogo pelos dois mandamentos citados por J esus. Porém, sem
dificuldade alguma, percebe-se a leviandade nesta tentativa uma vez que os versos
de Mateus 22:37-40 são na realidade a resposta para a pergunta: "Mestre, qual é o
grande mandamento na lei?"
5
(Mateus 22:36 RA). Neste questionamento não se faz
qualquer alusão sobre alguma substituição da lei e seus respectivos preceitos; tanto
a pergunta quanto a resposta estão envolvidas em destacar o mandamento de maior
importância.
Na expectativa de constranger J esus, os fariseus interrogaram-No a
respeito dos mandamentos contidos na lei mosaica e esperavam que Ele indicasse
algum que não satisfizesse a pergunta. Mas, se decepcionaram ao receberem como
resposta os dois mandamentos que retêm os princípios bases de toda a lei: amor a
Deus e amor ao próximo. A lei mosaica em sua totalidade esta alicerçada sobre
estes fundamentos e J esus simplesmente assinala o que já era ensinado pela
própria lei: "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua
alma e de toda a tua força. (...) amarás o teu próximo como a ti mesmo."
(Deuteronômio 6:5; Levítico 19:18 RA).
Ao contrário do que muitos imaginam, a resposta de J esus não era algo
novo ou exclusivo do Novo Testamento, como se observa nestes versos
6
. E J oão
__________
5
A palavra "lei" em Mateus 22:36 origina-se do grego "nomos" e no contexto da questão refere-se a
lei de Moisés, ao conjunto de mandamentos da Torah.
6
A crença de que o preceito, "amarás o teu próximo como a ti mesmo", originou-se com o Novo
Testamento, ocorre pela interpretação errônea das seguintes palavras de J esus: "Novo mandamento
vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei (...)" (J oão 13:34 RA). J esus não
afirmou que este preceito era "novo" no sentido de "inédito" ou "recém estabelecido", mas, que era


24
chama atenção para isso ao dizer: "(...) peço-te, não como se escrevesse
mandamento novo, senão o que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns
aos outros." (II J oão 1:5).
O apóstolo Paulo também refere-se a esse alicerce ou fundamento da lei:
"(...) não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer
outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: amarás o teu próximo como a ti
mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da
lei é o amor." (Romanos 13:9-10 RA). Nota-se ainda que Paulo exemplifica este
assunto citando exclusivamente os mandamentos do Decálogo, os quais além de
estarem fundamentados no princípio do amor, são a base da lei mosaica
(h)
. O amor
a Deus sempre estará sintetizado na obediência aos quatro primeiros mandamentos
do Decálogo, assim como o amor ao próximo desenvolverá o respeito pelos seis
últimos.
3.3 – NA BÍBLIA HÁ MENÇÃO A ESPÉCIES NORMATIVAS DIVERSIFICADAS?
Às vezes, encontramos, nas Escrituras Sagradas, algumas afirmações
aparentemente contraditórias. Uma hora nos é dito que a lei seria eterna e, por isso,
jamais poderia ser abolida; outra hora, que a lei não precisa mais ser guardada.
Mas tal confusão é apenas aparente, na medida que percebemos que a
Bíblia trata de vários tipos de leis. E é certo que “muitos grupos cristãos fazem uma
distinção entre as leis “cerimoniais” (regulamentos que ensinam o plano da salvação
por meio de símbolos e práticas rituais), “leis civis” (instruções relativas à vida
comunitária do antigo Israel), e leis “morais” (instruções acerca do padrão divino de
conduta para a humanidade)”.
Como não há pretendo me demorar muito neste tópico, cito as palavras

novo para aqueles que o ouviram na ocasião, pois eles desconheciam o mandamento anunciado. No
idioma grego, a palavra "novo", pode ser escrita de duas formas: "neos" (quando algo é novo no
sentido de: tempo recente; jovem; recém originado; surgiu a pouco tempo), e "kainos" (quando algo é
novo no sentido de: antes desconhecido; incomum; anteriormente ignorado; recém revelado). E o
verso de J oão 13:34 utiliza a palavra "kainos", identificando que o mandamento já existia, porém, era
desconhecido para os ouvintes de J esus. Outros exemplos que utilizam o adjetivo "kainos": "Todos se
admiraram, a ponto de perguntarem entre si: 'Que vem a ser isto? Uma nova [kainos] doutrina!' (...)"
(Marcos 1:27 RA); "Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em Meu nome, expelirão
demônios; falarão novas [kainos] línguas." (Marcos 16:17 RA).

25
do Padre J úlio Maria, um teólogo católico, o qual, por ser guardador do domingo,
com imparcialidade pode discorrer sobre o assunto, verbis:
“Os preceitos do Antigo Testamento dividem-se em três gêneros:
“1
o
. Os preceitos morais, que prescrevem aos homens os seus deveres
para com Deus e para com o próximo.
“2
o
. Os preceitos cerimoniais, que indicam os ritos exteriores e as
cerimônias que os judeus deviam seguir no culto divino.
“3
o
. Os preceitos judiciais, que determinam o modo de administrar a justiça
ao povo.
“Destes três gêneros de preceitos, só o primeiro fica em pé, integralmente;
os outros preceitos só têm o valor que lhes comunica a palavra de J esus
Cristo.
“A lei antiga, na sua parte cerimonial, era apenas uma figura da nova lei, e é
por isto que cessou, desde que foi promulgada a lei nova.” — Em “ Ataques
Protestantes” , p. 96–97.
Demais, BILLY GRAHAM, considerado o maior evangelista da atualidade,
batista e fundamentalista, assim se expressou sobre a lei de Deus. Reproduzo a
pergunta específica de um repórter e conseqüente resposta textual , como estão na
coluna de um jornal londrino, e reproduzido em Signs of the Times de 23-8-1955,
pág. 4:
“Pergunta: Mr. Graham, alguns homens religiosos que conheço dizem que
os Dez Mandamentos são parte da ‘lei’ e não se aplicam a nós hoje. Dizem
que nós, como cristãos, estamos ‘livre da lei’. Está certo?
“Resposta: Não, não está certo, e espero que V. não seja desencaminhado
por essas falsas opiniões. É de suma importância compreender o que quer
dizer o Novo Testamento quando afirma que estamos ‘livres da lei’. Como é
evidente, a palavra ‘lei’ é usada pelos escritores do Novo Testamento em
dois sentidos. Algumas vezes ela se refere à lei cerimonial do Velho
Testamento,que se relaciona com matéria ritualística e regulamentos
concernentes a manjares, bebidas e coisas deste gênero. Desta lei, os
cristãos estão livres na verdade. Mas o Novo Testamento também fala da lei
moral, a qual é de caráter permanente e imutável e ESTÁ SUMARIADA NO
DEZ MANDAMENTOS’. (grifos nossos).
“Para esse evangelista, que fala aos maiores auditórios do mundo, a lei
de Deus está em vigor, e o Decálogo é um código distinto de outras leis que
caducaram.
De tudo que está registrado, fica mais do que claro que esses
documentos confessionais cristãos históricos, além de mestres de outras confissões,
admitem que existam pelo menos duas leis, dentre outras, das quais fala a Escritura
Sagrada: a) Lei Moral: sumariada nos Dez Mandamentos, b) lei Cerimonial:
representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel e, outros ainda, de
uma terceira espécie, as leis civis ou judiciais.
Os preceitos morais permanecem; os cerimoniais, eram uma figura,

26
“sombra dos bens futuros”, e foram substituídos pela Realidade: Cristo; e os
judiciais, só existiram enquanto havia a nação de Israel como uma teocracia
(governada por Deus)! E os dez mandamentos morais tratam do amor a deus e do
amor ao próximo.
3.4 – HÁ RAZÕES PARA AINDA SANTIFICARMOS O SÁBADO?
Por se tratar de questão sobremodo polêmica, convido o testemunho do
Frei Leopoldo Pires Martins, OFM, para responder, Ipsis Litteris:
“Este Preceito do Decálogo regula o culto externo, que devemos a Deus.
(…) Ora, como esse dever não pode ser facilmente cumprido, enquanto nos
deixamos absorver por negócios e interesses humanos, foi marcado um
tempo fixo, para que se possam comodamente satisfazer as obrigações do
culto externo. (…)
“O quanto aproveita aos fiéis respeitar este Preceito, transparece do fato de
que sua exata observância induz, mais facilmente, os fiéis a guardarem os
outros Preceitos do Decálogo.” — Em “Catecismo Romano” , p. 434–435.
Existem católicos leigos, mesmo sinceros, que acreditam que J esus não
guardou os Dez Mandamentos e que ele combateu o sábado. O que diz a Bíblia?
Até onde vai o conhecimento deles? Caso J esus tivesse profanado o sábado, ou
qualquer outra lei, Ele não poderia ser “um cordeiro sem defeito nem mancha”
(1Pe.1:19), nem poderia ser o Messias que tem a função de “engrandecer a lei e
torná-la gloriosa” (Is.42.21). Então, quem afirma que Cristo violou o sábado, está
negando que Ele era o Messias, tornando-O um mero pecador e mentiroso, pois Ele
mesmo disse ter observado os mandamentos (J o.15:10).
O Frei Leopoldo responde, com muita propriedade, que o mandamento do
sábado rege o culto, e que os fiéis tornam-se mais fiéis a Deus, quando praticam
esse mandamento específico.
“O sábado era um dia sagrado, que seria profanado pelo trabalho (Eze.
22:18). Conforme Êxodo 20:8-11 e 31:17 (mais um passo adiante) a santidade do
sábado era uma santidade objetiva, devido à bênção de Deus, que no 7
o
dia
‘descansou’ da Sua obra, a criação, pensamento esse que foi largamente elaborado
em Gên. 1:1-2:4a”. — Em “ Dicionário Enciclopédico da Bíblia” , coluna 1340.
Outra contribuição bastante proveitosa de J ohn Mckenzie:
“O sábado é profanado pelo exercício do comércio, e Neemias fechava os
portões de J erusalém no sábado para impedir o comércio (Nee. 13:15-22).
Carregar cargas viola o sábado (J er. 17:21–27…) .” — Em “ Dicionário
Bíblico” , p. 810.

27
Indiscutivelmente, todas essas autoridades e documentos religiosos
católicos não concordam com a visão herética semi-antinomista/dispensacionalista
que nega a validade e vigência do Decálogo (lei moral) como norma cristã, e prega o
fim total do quarto mandamento, considerando-o erroneamente como uma lei
“cerimonial”.
3.4.1 – O SÁBADO NÃO FOI ABOLIDO COMO ALGUNS APREGOAM?
Nesta seção serei o mais breve e conciso possível, pois caso contrário, ao
invés de duas páginas teríamos o equivalente a dez vezes mais.
 “Alguns dizem (erroneamente, frise-se) que o Sábado foi abolido. E
para isso fazem uma distorcida aplicação de Efésios 2:15: “Na sua carne desfez a
inimizade, isto é a lei dos mandamentos que consistia em ordenanças…”.

“Quando Cristo morreu só a lei de ordenanças (expressão sinônima de lei
cerimonial) fora abolida (ela consistia em ordenanças, a exemplo da páscoa,
circuncisão, sacrifícios de animais, etc), contudo, a Lei de Deus, contida no decálogo
(os Dez Mandamentos) não poderia ter sido abolida. Nesse sentido também se
manifesta A. HOPKINS STRONG (eminente teólogo Batista), em seu conhecido
tratado Systematic Theology, vol. 2, pág. 408, diz: ‘Nem tudo na lei mosaica está
abolido na cruz. Cristo não encravou em Sua cruz nenhum mandamento do
Decálogo”.
Os judeus tinham assim duas espécies de leis: a) Ordenanças =
cerimonial (regras, normas, estatutos sombras da verdadeira realidade em cristo) e
os 10 Mandamentos (a Santa Lei de Deus =Lei Moral).

O Dizem que o Sábado foi cravado na cruz (Colossenses 2:14 e 16)
“Havendo riscado a cédula que era contra as ordenanças …cravando-as na cruz
…Portanto ninguém vos julgue pelo comer, beber, ou por causa dos sábados”.
A palavra sábado quer dizer descanso, todo feriado religioso era chamado de
sábado: o dia da páscoa, o dia da expiação ou o dia do perdão, eram 7 os feriados,
eram datas fixas, ou seja caiam em dias diferentes da semana (segunda, terça, …)
mas mesmo assim eram chamados de sábado (descanso) mesmo caindo num

28
domingo por exemplo. Com a morte de Cristo, esses feriados acabaram. Mas o
Sábado semanal este permanece!
Comentando sobre o assunto, J. Skinner, abalizada autoridade
evangélica, reitor do Colégio de Westminster (Cambridge), anota: "O nome sábado
podia ser aplicado a qualquer época sagrada como tempo de cessação de trabalho
e assim é usado com relação ao Dia de Expiação, o qual era observado
anualmente, no décimo dia do sétimo mês. Levítico 16:31; 23:32. Nos livros
proféticos e históricos, 'sábados' e 'Luas Novas' estão associados de tal modo a
sugerir serem ambos festividades lunares. Amós 8:5; Oséias 2:11 e Isaías 1:13.
7"
E também com propriedade, Alfred Edersheim, escritor de nacionalidade
judaica, convertido ao protestantismo, profundo conhecedor da lei Cerimonial,
referindo-se à festa dos Tabernáculos, diz: "O primeiro dia da festa e também o
oitavo (ou Hzereth) eram dias de santa convocação e eram também um sábado,
mas não no sentido do sábado semanal, senão de um festivo descanso diante do
Senhor em que nenhuma obra servil de qualquer espécie podia ser feita.
8
"
Deste modo, há uma diferença bem definida entre os Dez Mandamentos,
os quais são mandamentos eternos e morais por serem uma transcrição do caráter
divino, e, por outro lado, aqueles mandamentos consistentes em ordenanças
mencionados em Efésios 2:15. Porquanto, como vimos acima, estes últimos tinham
haver tão-só com “os rituais cerimoniais que Deus estabeleceu, os quais
simbolizavam o evangelho para eles (judeus), e compunham-se de ordenanças
como: ofertas diversas, holocaustos, abluções, sacrifícios, dias anuais de festas
específicas e deveres sacerdotais. E tais ordenanças foram registradas na Lei de
Moisés [Lei Cerimonial], não na Lei de Deus [Lei Moral]. (II Crônicas 23:18; II
Crônicas 30:15 a 17; Esdras 3:1 a 5)”.

O Para encerrar esta seção, seguem algumas declarações de famosos
pregadores de renome internacional:
“O Sábado é de obrigação perpétua como memorial instituído por Deus, de
sua atividade criadora. A exigência do Sábado é anterior á época do
Decálogo, e forma uma parte da lei moral. Feito na criação aplica-se ao
__________
7
Cf. J . Skinner, art. "Sabbath." Hasting's Biblie Dictionary, pág. 807.
8
Cf. A. Edersheim, Festas de Israel, pág. 86.

29
homem como homem, em toda a parte e em qualquer tempo, em seu
presente estado de existência”.
Referindo-se a 1 J oão 2:2-6 e 5:2 e 3, o Pr. Pearlman escreveu,
apropriadamente, estas palavras:
"O nosso amor a Deus encontra a sua manifestação na observância de
Seus mandamentos. ... Obediência aos mandamentos de Deus em imitação
de Cristo. ... Assim sendo, ele [o apóstolo J oão] ordena aos homens que
dêem prova do seu conhecimento de Deus. Para saberem de certo se têm
ou não o conhecimento de Deus, a prova é simples — guardam os
mandamentos de Deus?" — Através da Bíblia, págs. 344 e 341.
Isso está perfeitamente de acordo com as palavras do Senhor J esus, em
J oão 14:15 e 21, que diz:
"Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos. ... Aquele que tem os
Meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; e aquele que Me
ama será amado de Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele."
3.4.2 – COMO MANIFESTAMOS NOSSA LEALDADE A J ESUS?
Assim disse o Senhor J esus: "Se me amais, guardareis os meus
mandamentos. [J oão 14:15].
J esus e o Pai são um. E sabemos também que esses mandamentos
desse único Deus, na nova aliança, estão sendo inscritos diretamente em nossos
corações:
"E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus
estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis... Porei as minhas leis no seu
entendimento, e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles
me serão por povo." [Ezequiel 36.27; Hebreus 8.10].
Igualmente somos sabedores de que tais mandamentos divinos (do
decálogo) estão em pleno vigor, e isso justamente por Deus não nos ter liberado do
dever de não matar, não roubar, não adulterar et cetera. E que o salário da
transgressão dos mesmos significa a separação eterna de Deus para os que não
vierem a aceitar o perdão ofertado por J esus. Ninguém contesta isso. Tendo em
mente esta realidade, então você pode se perguntar: e o quarto mandamento
também entra nessa lista?
O Pr. Harold J . Brokke é bastante enfático, e categórico, ao dar uma
resposta a esta questão. Ele proclama "em alto e bom som":
"É possível que alguém imagina que a transgressão desse quarto

30
mandamento é menos grave do que a transgressão dos outros nove. A verdade,
porém, é que quem se dispõe a transgredir o quarto mandamento já tem no coração
a inclinação de transgredir um ou mais dos outros mandamentos. ...
"Por que deve o homem guardar o sábado do Senhor? Porque é justo!
Segue-se aqui o mesmo princípio de não furtar porque não é justo." — Ob. Cit.,
págs. 58 e 59.
Vemos assim em Tiago 2:10 que, quem deixa de guardar qualquer
mandamento que seja, já estará transgredindo toda a Lei (transcrição do caráter
divino) que o Espírito deseja imprimir em nosso coração:
“Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto,
torna-se culpado de quebrá-la inteiramente. Pois aquele que disse: `Não
adulterarás´ também disse: `Não matarás´. Se você não comete adultério mas
comete assassinato, torna-se transgressor da Lei”.
Conclui-se que essa matemática do céu é diferente da qual estamos
familiarizados. Para Deus, 10 menos 1 não é nove, mas sim ZERO. Logo, ao
voluntariamente recusarmo-nos a obedecer ao quarto mandamento, estaremos
somente dificultando o trabalho do Espírito de inscrevê-lo em nossos corações, tal
como prometido na nova aliança. Deus não força a vontade de ninguém; assim
sendo, temos que permitir que Ele opere em nós tanto o querer quanto o efetuar
segundo a Sua boa vontade (Filipenses 2:13).
3.5 – A FORMA COMO JESUS CONSIDERAVA O SÁBADO
Alguns irmãos enxergam no sábado algo triste, como um mandamento
para um dia específico da semana consistente tão-só na adoção de comportamentos
restritivos, que nos acarretassem desprazer. E finalizam dizendo que seria “uma
tortura e uma prisão e não um presente que devêssemos apreciar”. Mas haveria
alguma verdade nessas asserções? O que nos diz o Filho do Homem a este
respeito?
Eu creio que contrastaria diretamente com a vontade de J esus se o
considerássemos como um dia de meras restrições, no sentido de devermos nos
comportar de uma determinada maneira, seguindo regras específicas que não
tenham nada a ver com o verdadeiramente ordenado pelo Senhor e exemplificado
em Sua vida.

31
Sob este aspecto, quando percebemos que a sua guarda implicaria numa
tortura ou numa prisão, isso estaria fora do espírito de alegria e regozijo que o
SENHOR, mesmo no Éden, estabelecera para o mesmo (afinal, Ele deseja que
proclamemos tal dia como “deleitoso” e “digno de honra” – Isaías 58:13). Podemos
extrair semelhante entendimento até mesmo de documentos oficiais constantes de
modernas denominações religiosas, as quais firmemente propugnam pela guarda do
domingo, a exemplo do “Dicionário de Teologia”, editado por Heinrich Fries,
publicado pelas “Edições Loyola” (católica), textualmente:
“Os escritos apócrifos e sobretudo os rabínicos apresentam
uma interpretação exageradamente severa do descanso do sábado,
perdendo-se um uma casuística sutilíssima e transformando o ‘sábado
maravilhoso’ (Isa. 58:13) num peso insuportável. (…) J esus opôs
energicamente às interpretações extremamente escrupulosas dos escribas
e fariseus, e mais de uma vez provocou propositalmente discussões sobre
este ponto (Mat. 12:10-14; Luc. 13:10-17; 14:1-6; J oão 5:8-18). (…) J esus
considerava o mandamento do sábado com grande liberdade interior, e
recusava resolutamente aquela rigorosa observância que escribas e
fariseus exigiam.” — Vol. 3, p. 134 e 115.
Para melhor compreendermos a real natureza do Sábado, é preciso que
voltemos os nossos olhos para o dia imediatamente seguinte ao da criação da
humanidade. Deus, o Verbo Eterno J esus, passou um dia completo com o casal
recém-criado. Foi um dia de indescritível alegria e honra sem precedentes para o
par. Aquele que os criara se dispôs a encetar uma relação de companheirismo direta
com os seres humanos, caminhando junto com eles e Se deleitando em estar na sua
companhia e lhes descortinando as maravilhosas obras das Suas mãos, as quais
por amor a eles foram então tão extraordinariamente concluídas. A terra toda ecoava
o Sua divina bondade e uma preocupação “perfeccionista”, nos mínimos detalhes,
para conosco.
Vemos também que na medida em que Deus fora criando o planeta, a
cada etapa principal da Criação concluída, Ele então clamava que “estava tudo
muito bom”. E dentre essa diversidade de coisas criadas em benefício do homem se
pode incluir o próprio ar que respiramos. Mas atente que J esus não abençoou
solenemente o “ar” e o separou como algo distintamente sagrado, isso a despeito de
saber que sem o oxigênio nele presente nenhuma das Suas criaturas poderia
continuar vivendo. A primeira e única vez que o SENHOR tão solene e distintamente
se manifestara a respeito de algo por Si mesmo instituído fora com relação à
instituição do Seu sábado. Observe que o Sábado é DEle, mas não obstante fora
assim santificado e separado para o benefício da coroa da Sua criação, a

32
humanidade.
E por ter sido de forma tão marcantemente enfatizada por Ele – ao
longo de todas as Escrituras sagradas – a importância de continuarmos atentando
para a solenidade desse santo dia, mesmo após a queda da humanidade, é mui
temerário que não atentemos para os Seus reclamos e compreendamos o que
verdadeiramente signifique o ato de descansar, junto com Ele, no dia que representa
o aniversário da criação do nosso planeta.
E nesse “aniversário”, nessa data comemorativa tão especial, J esus nos
convida para adentrarmos no “asilo” por Ele erigido no tempo e espaço a fim de
restaurarmos as nossas energias físicas e espirituais despendidas com as inúmeras
labutas seculares do dia a dia.
O Sábado, sob este prisma, é um grande presente de Deus para nós,
na medida em que nos permite passar um dia especialmente separado, abençoado
e em perfeito e pleno companheirismo com o nosso Senhor e Salvador ao longo da
sucessão das eras sem fim. E sabemos que mesmo na eternidade, após o retorno
glorioso de J esus, ainda o guardaremos, Ipsis Litteris:
“Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão
diante de mim, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso
nome. E será que, de uma Festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro,
virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR”. (Isaías 66:22-23 RA)
Mateus 12 contém uma vívida exemplificação do companheirismo que
deve existir entre J esus e seus seguidores no Seu santo dia. Estavam os discípulos
a caminhar entretidos numa alegre e santa comunhão com o seu Senhor quando,
repentinamente, apareceram alguns judeus legalistas a censurar o procedimento
DAquele que houvera sido o próprio instituidor do mandamento a respeito do qual
estaria supostamente violando. Quanta presunção humana! Intentavam aferir o
comportamento divino mediante critérios puramente humanos. Pautavam-se por
normas que tornavam a guarda do sábado excessivamente enfadonha e triste,
quando o Senhor nada houvera dito a esse respeito.
Não foi por outra razão que o Criador, quando velada Sua Glória Divina
por ocasião da Sua primeira vinda, declarou que aqueles que procediam desta
maneira legalista, tal como os fariseus, “estariam tão só honrando-o com os
lábios, mas tendo, a despeito disso, os seus corações longe dEle. E em vão
assim o adoravam, prosseguia dizendo o Salvador, ao persistentemente ensinarem

33
doutrinas que não seriam outra coisa a não ser meros preceitos ou regras
inventadas por homens” (Mateus 15:8, 9).
Confirmando este entendimento acima, temos o “Catecismo da Igreja
Católica”, em citação indireta no “Dicionário Bíblico”, de J ohn L. Mckenzie, publicado
pelas “Edições Paulinas” (católica), in verbis:
“O Evangelho relata numerosos incidentes em que J esus é
acusado de violar a lei do sábado. Mas J esus nunca profana a santidade
desse dia. (Cf. Mar. 1:21; J oão 9:16). Dá-nos com autoridade a sua
autêntica interpretação”. — P. 495.
Ainda mais uma contribuição de J ohn L. Mckenzie, no seu “Dicionário
Bíblico”, nos reforça a compreensão desse assunto, quando registra:
“Sem rejeitar a observância do sábado no seu conjunto, J esus
salienta que as práticas rabínicas eram meras interpretações humanas do
preceito, que é basicamente para o bem humano.” — P. 811.
Deste modo, mesmo sendo acusado, pelos escribas e fariseus da Sua
época, e por alguns religiosos modernos, o Catecismo assegura que “J ESUS
NUNCA PROFANA A SANTIDADE DESSE DIA”
9
.
Mantenhamo-nos, portanto, firmemente alicerçados na Sua Palavra, e é
o próprio Verbo eterno quem nos declara: "Por que me chamais Senhor, Senhor, e
não fazeis o que vos mando?" (Lc 6.47) "De tudo o que se tem ouvido, a suma é:
Tema a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isso é o dever de todo
homem" (Ec 12.13).
Ora, e os Seus mandamentos não são penosos! Não podemos nos
esquecer de que Ele é o nosso Pai, e lhe devemos obediência da mesma forma que
requeremos que os nossos filhos e filhas também nos obedeçam. A única diferença
é que os Seus mandamentos são sempre justos e verdadeiros, vez que,
contrariamente a esta realidade, podemos, como falíveis seres humanos, ainda
cometer injustiças.
E o próprio apóstolo Paulo declara que o 5º mandamento do decálogo é
válido mesmo após a ressurreição de J esus, conforme nos diz: "Honra a teu pai e a
tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa” (Efésios 6:2). E se devemos
honrar a nossos pais terrenos, quanto mais ao nosso Pai Celestial!
__________
9
Cf. WILL, Marllington K. O QUE A IGREJ A CATÓLICA DIZ SOBRE A LEI E O SÁBADO?. Sétimo
dia, S.l., s. d. Disponível em: <http://setimodia.wordpress.com/2010/01/07/o-que-diz-a-igreja-catolica-
sobre-a-lei-e-o-sabado/>Acesso em 07 J ul. 2013.

34
Contudo, desonramos a esse mesmo Pai quando, ao pôr do sol de
sexta-feira, recusamos entrada especial ao divino hóspede em nosso lar, para que
Ele possa comungar conosco num companheirismo assim especialmente
estabelecido e especificamente delimitado no tempo mediante a Sua própria
autoridade.
E se nem mesmo a um amigo comum dizemos que a sua visita nos
seria uma tortura e uma prisão, contudo, em ações manifestamos justamente o
contrário quando a questão envolva o especial companheirismo que o Filho de Deus
requer de nós no dia em que este mundo tem o seu aniversário.
É verdade que quando um “colega” nos dá o presente de uma visita,
não podemos mais andar com “trajes íntimos” na sua presença, nem proferir
palavras que só teríamos coragem estando a sós ou mesmo entre os do lar. Mas
são “restrições” mais que recompensadoras na medida em que possamos desfrutar
e nos deleitar da companhia de uma alma muito amada e que nos concedeu a
bondade de vir assim nos visitar.
Nada obstante, devemos reconhecer que a visita de um Deus, que é
tremendamente Santo, certamente causaria uma angustiante sensação para alguém
que não esteja em perfeita sintonia com a Sua Soberana vontade. Até mesmo os
santos anjos, ao proferirem o Seu Santo nome, velam os seus rostos em respeitoso
temor e solene admiração.
Não é humanamente possível se regozijar em coisas que conflitem com
a natureza interior do velho homem não santificado. A dificuldade reside justamente
aí, no velho eu egoísta e independente de Deus, que já nasce naturalmente
inclinado para as coisas más deste mundo, e que desesperadamente tenta fugir e se
esconder do Criador quando ouve a Sua voz, mansa e delicada, a lhe chamar –
Minha filha, meu filho, “Onde estás?”
E quando esse homem ou mulher a quem o compassivo Salvador hoje
está agora a chamar, humildemente vai ao Seu encontro e, em contrição e
arrependimento, pleiteia que os méritos do Senhor J esus os cubram tal como um
manto, então um milagre acontece, pois "Ele é fiel e justo para nos perdoar os
pecados, e nos purificar de toda a injustiça." (1 J oão 1:9).
A antiga inimizade para com Deus é deste modo derribada, "Porque
Deus, que disse: `Que da escuridão brilhe a luz´ é o mesmo que fez a luz brilhar no
nosso coração. E isso para nos trazer a luz do conhecimento da glória de Deus, que

35
brilha no rosto de Jesus Cristo." (2 coríntios 4:6).
Mas com isso não quero dizer que você esteja na condição de alguém
que não fora ainda a J esus e nem que não o conheça. As linhas acimas tratam de
um apelo que Deus faz a toda a humanidade pecadora (para os que até agora não o
tenham aceitado).
O que quero lhe dizer é que o processo da santificação é algo
progressivo. Não se opera num segundo, mas sim que leva certo tempo para o
Espírito Santo concluir a obra que iniciara no sentido de nos transformar à
semelhança do glorioso caráter de Cristo J esus, nosso Senhor. Mas como Deus não
opera contra a nossa vontade, é preciso que a cada dia renovemos nosso ato de
entrega a Ele de todo o nosso corpo e mente, "até que todos cheguemos à unidade
da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida
da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos,
agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela
artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro." (Efésios 4:13, 14)
Fechando esta linha de raciocínio, me parece pertinente uma ligeira
alusão às palavras de um bem conceituado irmão nosso, o pastor Dave Hunt, verbis:
A cruz é o lugar onde nós morremos em Cristo
Eis o "x" da questão. O evangelho foi concebido para fazer com o eu aquilo que a cruz
fazia com aqueles que nela eram postos: matar completamente. Essa é a boa notícia na qual Paulo
exultava: "Estou crucificado com Cristo". A cruz não é uma saída de incêndio pela qual escapamos do
inferno para o céu, mas é um lugar onde nós morremos em Cristo. É só então que podemos
experimentar "o poder da sua ressurreição" (Fp 3.10), pois apenas mortos podem ser ressuscitados.
Que alegria isso traz para aqueles que há tempo anelam escapar do mal de seus próprios corações e
vidas; e que fanatismo isso aparenta ser para aqueles que desejam se apegar ao eu e que, portanto,
pregam o evangelho que Tozer chamou de "nova cruz".
Paulo declarou que, em Cristo, o crente está crucificado para o mundo e o mundo para
ele (Gl 6.14). É linguagem bem forte! Este mundo odiou e crucificou o Senhor a quem nós amamos –
e, através desse ato, crucificou a nós também. Nós assumimos uma posição com Cristo. Que o
mundo faça conosco o que fez com Ele, se assim quiser, mas fato é que jamais nos associaremos ao
mundo em suas concupiscências e ambições egoístas, em seus padrões perversos, em sua
determinação orgulhosa de construir uma utopia sem Deus e em seu desprezo pela eternidade.
Crer em Cristo pressupõe admitir que a morte que Ele suportou em nosso lugar era
exatamente o que merecíamos. Quando Cristo morreu, portanto, nós morremos nEle: "...julgando nós
isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não
vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Co 5.14-15).
"Mas eu não estou morto", é a reação veemente. "O eu ainda está bem vivo." Paulo
também reconheceu isso: "...não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" (Rm
7.19). Então, o que é que "estou crucificado com Cristo" realmente significa na vida diária? Não
significa que estamos automaticamente "mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo
Jesus" (Rm 6.11). Ainda possuímos uma vontade e ainda temos escolhas a fazer.
O poder sobre o pecado

36
Então, qual é o poder que o cristão tem sobre o pecado que o budista ou o bom
moralista não possui? Primeiramente, temos paz com Deus "pelo sangue da sua cruz" (Cl 1.20). A
penalidade foi paga por completo; assim sendo, nós não tentamos mais viver uma vida reta por causa
do medo de, de outra sorte, sermos condenados, mas sim por amor Àquele que nos salvou. "Nós
amamos porque ele nos amou primeiro" (1 Jo 4.19); e o amor leva quem ama a agradar o Amado,
não importa o preço. "Se alguém me ama, guardará a minha palavra" (Jo 14.23), disse o nosso
Senhor. Quanto mais contemplamos a cruz e meditamos acerca do preço que nosso Senhor pagou
por nossa redenção, mais haveremos de amá-lO; e quanto mais O amarmos, mais desejaremos
agradá-lO.
Em segundo lugar, ao invés de "dar duro" para vencer o pecado, aceitamos pela fé
que morremos em Cristo. Homens mortos não podem ser tentados. Nossa fé não está colocada em
nossa capacidade de agirmos como pessoas crucificadas mas sim no fato de que Cristo foi
crucificado de uma vez por todas, em pagamento completo por nossos pecados.
Em terceiro lugar, depois de declarar que estava "crucificado com Cristo", Paulo
acrescentou: "logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho
na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2.20).
O justo "viverá por fé" (Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38) em Cristo; mas o não-crente só pode colocar sua
fé em si mesmo ou em algum programa de auto-ajuda, ou ainda num guru desses bem esquisitos
10
.

3.6 – ANTIGA E NOVA ALIANÇA
Há uma grande confusão na cristandade acerca do Novo Concerto.
Acham que pelo fato do Velho Concerto ter sido abolido, a lei dos Dez mandamentos
também o foi; sendo assim, se estamos no Novo Concerto, não precisamos mais
observar a lei de Deus. Mas isto está longe de ser verdade, conforme veremos a
seguir em um estudo feito pelo escritor Arnaldo B. Christianini:
“Afirmamos que os Dez Mandamentos eram a base do velho concerto,
como igualmente o são do novo. Os oponentes, tomando o conteúdo pelo
continente, concluem que se o velho concerto caducou, também caducou a lei de
Deus. Mas não é assim.
“De fato, em Deuteronômio 4:13 se afirma que os Dez Mandamentos
(dez palavras, no original) eram o concerto, porém essa maneira de expressar é um
modismo hebraico. Do mesmo modo Moisés dissera aos israelitas: “... eu tomei o
vosso pecado, o bezerro que tínheis feito, e o queimei”. Deut. 9:21. Em linguagem
exata, o pecado era o volver deles para um falso deus – um ato da vontade rebelde
– mas o bezerro era a base daquele pecado, era apenas aquilo em relação ao qual
fora o pecado cometido. Assim também, o concerto fora feito pela vontade dos
__________
10
Cf. HUNT, Dave. A FINALIDADE DA CRUZ. Chamada.com.br, S.l., s. d. Disponível em: <
http://www.chamada.com.br/mensagens/cruz.html>Acesso em 12 J ul. 2013.

37
israelitas em resposta a Deus (Êxo. 19:5-8); os dez mandamentos eram a base – o
ponto de referência sobre o qual fora o concerto feito. Esta é a legítima relação do
decálogo com o concerto. Nada mais claro.
“Por aquele concerto, Israel prometera guardar o decálogo. O concerto
dependia do decálogo, mas o decálogo não dependia do concerto. Sem dúvida, o
concerto – o trato que Israel fizera – podia ser quebrado um milhão de vezes, porém
isto não afetaria a lei de Deus...vamos ilustrar esta verdade. Um estrangeiro pode
prometer guardar a lei do nosso país, sob a condição de que seja aceito como um
cidadão brasileiro. Há então como que um concerto, uma promessa formal da parte
dele, e aceita pelas nossas autoridades máximas. A lei do país (Constituição,
códigos etc.,) seria no caso a lei que serviria de base a esse convênio ou promessa.
Pois bem, esse indivíduo poderia quebrar sua promessa, ou violar seu convênio;
isso, porém, não aboliria e de modo algum afetaria a lei do país. Ela permaneceria
em vigor quer ele a observasse ou não. O seu convênio dependia da lei, mas a lei
não dependia do convênio.
“A promessa do novo concerto não prediz uma época em que a graça
suplantaria a lei de Deus, mas ao contrário, refere-se claramente a um tempo em
que a lei de Deus seria escrita no coração dos homens, e isto, sem dúvida, pela
graça de Deus atuando nos seus corações. J er. 31:33; Heb. 8:10; 10:16. Assim é
evidente que, longe de ser a lei de Deus abolida, ela é guardada no interior daquele
que recebeu um novo coração. Ela é, portanto, reafirmada, e não ab-rogada.
“É oportuno lembrar que o insucesso do velho concerto não estava na lei
de Deus, mas no povo. Em Hebreus 8:9 se diz que Deus os repreendeu, porque
eram repreensíveis. A tradução inglesa diz: “Porque sendo eles (o povo) achado em
falta...”.

“O velho concerto era um pacto de obras, feito sobre promessas
humanas, e seu fracasso demonstrou a falibilidade do homem em pretender, por
esforço próprio, guardar os mandamentos de Deus, ou pôr-se em harmonia com a lei
do Céu. Quão significativas as palavras de Paulo, ao dizer que “a inclinação da
carne” – a mente carnal que caracterizou o Israel rebelde – “não está sujeita à lei de
Deus, nem em verdade o pode ser”. Rom. 8:7. Isto significa que, quando, pelo
evangelho, somos transformados do carnal para o espiritual, então a lei de Deus
pode ser escrita em nossos corações, e o novo concerto – ratificado com o precioso

38
sangue de Cristo – é efetivado em nossa vida. Quem não tem um novo coração e
não se põe em harmonia com a lei do Céu, nunca nasceu de novo, pois quem vive
transgredindo a lei de Deus continua no pecado, porque “pecado é a transgressão
da lei”, segundo a melhor da tradução de I J oão 3:4 e o mais autorizado conceito
teológico.
“As leis civis e cerimoniais eram derivação de lei de Deus, para os
judeus. Primeiro, porque eram, na época, depositários dos oráculos divinos, e assim
entendemos que, enquanto não surgisse o Messias – o cordeiro de Deus que Se
imolou pelos pecadores – as leis cerimoniais com suas prefigurações consistentes
em símbolos, holocaustos, ofertas, sacerdócio, ritos e festividades que apontavam
para Ele, tinham que vigorar. Em segundo lugar, porque Israel, como nacionalidade
teocrática, tinha o seu código civil de certo modo relacionado ao decálogo.
“Se o velho concerto ligava o Israel literal a Deus, é obvio que, embora a
base daquele concerto fosse o decálogo, logicamente abrangia as leis acessórias. É
elementar que os estatutos civis e cerimoniais eram, para Israel, acessórios ao
decálogo; eles deviam sua existência e significado ao decálogo, mas este não era
dependente deles.
“Sabido é que o novo concerto a rigor, remonta à queda do homem –
com a promessa de redenção que seria efetuada pela Semente da mulher; e que o
concerto fora reafirmado a Abraão, Isaque, etc., e teve sua vigência suspensa
quando os israelitas apresentaram o concerto do Sinai, denominado velho concerto.
Porém o novo concerto foi restabelecido depois da falácia do velho, sendo
eficazmente ratificado com o sangue de Cristo, e extensivo aos gentios, aos filhos de
Deus, ao Israel. Gál.3:29. A base desse pacto da graça continua sendo a lei de Deus
escrita nos corações. Como é evidente, permaneceu a base, o decálogo. As leis
acessórias são peremptas (extintas), pois o código civil judaico deixou de vigorar
desde o ano 70 A.D., e o cerimonialismo com suas festividades caducou, quando o
“véu do santuário rasgou-se de alto a baixo”.
“É fatal a conclusão de que não há o mais leve indício, na doutrina dos
concertos, de que a lei de Deus tenha sido abolida.
“Que o novo concerto abrange a todos os homens, e que todos os
crentes se unem sob o mesmo está claramente demonstrado em Efésios 2:11-13.
Diz o apóstolo aos crentes de Éfeso (não eram só judeus) que eles em outros
tempos estavam sem Cristo, “estranhos aos concertos da promessa”, mas “agora

39
em Cristo J esus...pelo sangue de Cristo chegastes perto”. É disparatada a conclusão
de que o novo concerto se aplica somente ao Israel literal, principalmente pelo fato
de que este povo, como povo de Deus, fora formalmente rejeitado nos tempos
apostólicos, e jamais tornará a ser povo de Deus.
“Não se deve passar por alto o fato de o chamado novo concerto ter sido
feito antes do velho. Era, como foi dito, a promessa da graça redentora, que provia o
perdão dos pecados. Fora feito a Adão, renovado a Noé, Abraão e a Israel. Ora, se
era um concerto que, no entender do autor do livro desobriga a guarda da lei de
Deus, então os patriarcas também não precisavam guardar os dez mandamentos,
por aí se vê como é palpável o absurdo da tese antinomista construída sobre os
concertos.
“A lei ‘dada 430 anos depois’, significa que ela foi dada em forma escrita
ou solenemente promulgada nessa época, como lembrete a um povo que, pelo
convívio com o paganismo, estava perdendo a noção da vontade divina, porém a lei
moral existia desde o princípio. Ela revela o pecado, portanto, desde que existe o
pecado, ela existe também.
“A lei de Deus consubstancia-se nos dez mandamentos; resume-se no
decálogo, e sua observância subordina-se à aceitação dos homens. Por isso é
chamada a “lei de liberdade” em S. Tia. 2:12. Também Cristo dissera ao mancebo:
“se quereres... guarda dos mandamentos”. Certamente as ordenanças ritualísticas
da lei cerimonial e os preceitos civis não seriam escritos nos corações, porque tais
leis não dependiam do arbítrio dos homens, mas eram-lhes impostas. Não eram de
caráter moral. E note-se que a lei escrita no coração é a mesma lei que Jeremias
conhecia seiscentos anos antes de Cristo. E isto vem em abono da
permanecibilidade da santa lei de Deus. Como admitir-se a sua ob-rogação?
“Note-se cuidadosamente o que Deus disse através de J er. 31:33: ‘Porei
a Minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração’. Donde se conclui que o
novo concerto é uma providência para pôr o homem novamente em harmonia com a
vontade divina, ou seja, pô-lo em situação em que possa guardar a lei de Deus. Não
há dúvida que ‘as melhores promessas’ conferem perdão aos pecados, dão graça e
poder para obedecer à lei de Deus, coisas que o velho concerto não tinha.
“Está é a verdadeira doutrina bíblica dos concertos, na qual a lei de Deus
é exaltada. Porém a tese de que o novo concerto nos desobriga de viver em
harmonia com a vontade divina revelada no decálogo, não passa de mais um

40
subterfúgio dos inimigos da lei de Deus”.
3.7 – O SÁBADO É O DIA SÉTIMO EXATO DESDE A CRIAÇÃO? SERÁ QUE
TERIA ELE SIDO CONSERVADO DURANTE TODOS OS SÉCULOS?
Na era pré-cristã não se perdeu o dia original de repouso. Na nossa era
não seria possível perder-se. Consideremos estes fatores:
 Impossibilidade do mundo perder a contagem de um dia.
Uma simples pessoa dificilmente perde a contagem de um dia. Mais difícil
é que uma família o faça. Seria possível que um povoado, ou cidade, ou país
perdesse a contagem de um dia? Seria, pois, absurdo admitir que o mundo com
seus bilhões de habitantes, grande parte observando o primeiro dia da semana,
perdesse a contagem do dia!
O O cuidado de Deus.
É absurdo supor que Deus exija a observância de uma instituição - como
no caso do sábado por mandamento - e permita que este dia se extravie através dos
tempos.
O Os judeus.
Nos tempos de J esus, os judeus eram extremados na guarda do sábado.
Ao serem espalhados, dispersos por todas as nações da Terra, após a destruição de
J erusalém, levaram consigo a observância sabática. Em tempo algum se perdeu o
sétimo dia nas nações em que se estabeleceram.
O O costume e a História.
O Pastor William Jones, de Londres, com a cooperação de competentes
lingüistas de todo o mundo, elaborou um mapa da semana em 162 idiomas ou
dialetos. Todos reconheceram a mesma ordem dos dias da semana, e 102 deles
denominaram o sétimo dia, de sábado. Abram-se as enciclopédias, cronologias
seculares ou eclesiásticas, e o domingo é reconhecido como o primeiro dia da
semana, logo depois do sábado. Quer dizer que não houve extravio algum.
O As igrejas.

41
A igreja primitiva observava o sábado. O Prof. Edward Brerewood, em
sua obra Learned Treatise of the Sabbath, Oxford, 1631 (notem bem a data),
afirma: "O sábado ou sétimo dia... era observado religiosamente na igreja oriental
por 300 anos ou mais depois da paixão do Salvador." Quer observadores do
domingo (católicos e protestantes), quer da sexta-feira (mulçumanos) ou do sábado
(judeus e adventistas), na era cristã, jamais houve eles a menor dúvida quanto ao
dia que guardam.
O Astronomia.
Os registros astronômicos e datas, que remontam a 600 a.C. concordam
com a contagem dos astrônomos de hoje, de que jamais se alterou em tempo
algum o ciclo semanal.

REFORMAS DO CALENDÁRIO
Houve, de fato, mudanças no calendário. Nenhuma delas, porém, mexeu
com a ordem dos dias da semana. Não vamos referir-nos às reformas precárias que
não foram adotadas, ou apenas simbólicas como o calendário positivista, o da
Revolução Francesa, e outros. Analisemos resumidamente as mudanças que
alteraram a contagem dos meses, dias e anos. O calendário judaico vinha dos
primeiros tempos bíblicos, e consignava o sábado. Os calendários das demais
nações do Antigo Oriente, embora dessemelhantes quanto aos meses ou anos,
eram contudo idênticos na divisão semanal.
O calendário romano mais antigo, que se crê fora dado por Rômulo, na
qual propôs um ano de 305 dias em 10 meses, a partir de março. Numa, sucessor
de Rômulo, acrescentou dois meses, elevando o ano civil para 365 dias. Quando
J úlio César subiu ao poder supremo de Roma, notando que o calendário vigente era
deficiente, chamou o famoso astrólogo Alexandrino Sosígenes para estudar a
questão.
Este determinou que se abandonasse o calendário dos meses lunares, e
se adotasse o egípcio. Essa reforma foi feita em 45 a.C. e a semana que vinha no
calendário egípcio era paralela à do calendário judaico, e foi mantida.
Assim a ordem setenária dos dias da semana não se alterou. Isso foi
antes do nascimento de Cristo. Nos tempos de J esus e dos apóstolos, a semana na

42
Palestina coincidia com a semana dos romanos quanto a ordem dos dias. Também a
denominação dos dias era a designação ordinal, pois os nomes aos dias da
semana se devem a Constantino, o mesmo que, por decreto, legalizou a
observância do primeiro dia. Voltando a J úlio César, o calendário ficou alterado, sem
afetar a ordem dos dias semanais. É a reforma chamada juliana.
A outra reforma que alterou a contagem, mas não a semana, é a
denominada gregoriana, feita por ordem do Papa Gregório XIII. Os países latinos:
Espanha, Portugal e Itália aceitaram-na em 1582. A reforma se fez no dia 4 de
outubro daquele ano. O dia 4 de outubro pulou para 15 (havendo portanto uma
subtração de 10 dias). Mas o dia 4 foi quinta-feira, e o dia 15 logo a seguir foi a
sexta-feira, permanecendo inalterado o ciclo semanal. Nos países de fala inglesa a
mudança gregoriana só foi aceita em 1752, em setembro daquele ano. Assim o dia 2
foi seguido pelo dia 14. Mas o dia 2 de setembro caiu, numa quinta-feira. De novo
não se alterou a semana.
TESTEMUNHO DOS ASTRÔNOMOS
Não creio haver pessoas mais bem informadas a respeito do assunto do
que os astrônomos. Recorramos, pois, a eles. Eis o que depõem:
C"Tivemos a oportunidade de investigar os resultados dos trabalhos de especialistas em
cronologia, e jamais se soube de um sequer que tivesse a menor dúvida acerca da
continuidade do ciclo semanal desde muito tempo antes da era cristã. Nenhuma das
reformas havidas em nosso calendário, em séculos passados, afetou de algum modo o ciclo
da semana." - Dr. A. James Robertson, Diretor do Observatório Naval de Washington,
respondendo a carta de consulta, em 1932. (Fotocópia publicada à pág. 560 de Answers to
Objections, de F. D. Nichol.)
COutra carta assinada por Sir Frank W. Dyson, do Real Observatório de Greenwich,
Londres, diz, em 1932: "Tanto quanto se sabe, nas várias mudanças do Calendário, não tem
havido nenhuma alteração na ordem dos sete dias da semana, a qual transcorre inalterada
desde os mais remotos tempos." (Fac-símile no mesmo livro, pág. 562).
CDepoimento do Prof. D. Eginitis, Diretor do Observatório de Atenas, num relatório
apresentado à antiga Liga das Nações: "A quebra da continuidade da semana, que tem
atravessado, ainda intacta, os séculos e todos os calendários conhecidos, e o uso universal
desta unidade de medição de tempo, são as razões que se opõem a esta mudança de
calendário."
CEm Nature, publicação científica inglesa, de 06/06/1931, na "Coluna da Astronomia", há o
seguinte tópico: "A regularidade ininterrupta da seqüência das semanas, que têm decorrido
sem uma quebra por mais de três mil anos, está agora levantando debates... Alguns...

43
defendem a utilidade de manter-se a unidade do tempo que se mantém invariável desde o
alvorecer da História."
CO Dr. Fotheringham, uma das mais eruditas autoridades em cronologia, num artigo,
publicado no Nautical Almanac para 1931, pág. 740, afirma: "Evidência clara é que o período
de sete dias era contado independentemente do mês e de todos os períodos astronômicos.
Da Igreja Judaica passou-se ele para a Igreja Cristã."
©O congressista Sol Bloom, de Nova Iorque, falando no senado americano, em
11/06/1929, sobre a reforma do calendário, disse: "As mudanças do calendário de modo
algum interferiram na continuidade dos dias da semana... Não produziram quebra no ciclo
semanal. As datas do mês foram alteradas, mas nunca os dias da semana... Não foi alterada
quando a França cancelou dez dias de seu calendário no mês de dezembro. A mudança teve
lugar numa sexta-feira, mas continuou sendo sexta-feira dia 20 em vez de sexta-feira dia
10... Os dias do ciclo semanal jamais foram alterados em tempo algum, em qualquer reforma
processada no calendário." - Congressional Record, junho, 1829, pág. 5.
C"A divisão da semana vem inalterável em milhares de anos" - M. Anders Donner,
professor de Astronomia da Universidade de Helsinqui (Report on the Reform of the
Calendar, 17 de agosto, 1926, pág. 51.

Ainda seria possível citar perto de quinze depoimentos de autoridades em
matéria de calendário, entre elas o Prof. M. Edouard Bailland, Diretor do
Observatório de Paris, o Prof. Frederico Oom, Diretor do Observatório Astronômico
de Lisboa, o Prof. M. Emile Picard, Presidente do Office of Longitudes.
Para encerrar esta presente seção, segue uma transcrição de debates
havidos em torno da reforma do calendário, no Congresso de Washington, sessão
de 21/01/1929, entre os congrecistas Sol Bloom, Cyrenus Cole e W. S. Eichelberger,
então Diretor do Observatório Naval dos E.U.A:
"Mr. Bloom: Não é um fato que, nas mudanças produzidas no calendário,
as datas foram mudadas, porém nunca os dias? V. Exa. sabe de algum
tempo na História em que algum calendário, a partir do princípio do remoto
calendário egípcio, em que o dia da semana se tenha trocado?
Mr. Eichelberger: Não, não sei absolutamente.
Mr. Bloom: Mas as datas foram mudadas?
Mr. Eichelberger: Sim, não há dúvida.
Mr. Bloom: V. Exa. pode mudar qualquer data do calendário a seu critério,
como o fez o Papa Gregório, desprezando 10 dias em 1582, e o britânicos
11 dias em seu calendário, instituindo-se assim o calendário sob o qual
vivemos. As datas foram trocadas, mas não foi alterado sequer um dia da
semana...
Mr. Eichelberger: Tanto quando eu saiba, isto é exato.

44
Mr. Cole: Há fundamento na crença de que o sábado, ou outros dias da
semana se têm sucedido em ininterrupta continuidade desde tempos
remotos?
Mr. Eichelberger: Tanto quanto eu sabia, isto é verídico." - Congressional
Report, pág. 68.
Ante o exposto, podemos ter absoluta certeza de que o dia de sábado
jamais se perdeu na meada dos milênios. E, a despeito da multiplicidade das provas,
contentamo-nos com uma: sendo o dia que tem o brilho inviolável da bênção divina,
jamais se perderia na noite dos tempos. O próprio Deus Onisciente cuidou que
assim fosse. E de fato o foi.


45
4 – DO SÁBADO PARA O DOMINGO
O mundo cristão tem observado dois dias diferentes. De um lado, a
maioria dos cristãos observa com sinceridade o domingo, o primeiro dia da semana,
acreditando que é um memorial da ressurreição de Cristo. De outro lado, um grupo
de cristãos, igualmente sinceros, crêem que a Bíblia honra apenas o sétimo dia
como o sábado do Senhor.
Não desprezando a linha argumentativa estritamente teológica dos que
apontam para uma suposta mudança do sétimo dia da semana para o primeiro,
apenas me restringirei aqui a apontar algumas das implicações que repercutiram
concreta e historicamente nas civilizações humanas após a ressurreição.
Como é cediço, pouco depois que J esus subiu ao céu, o cristianismo
começou a ser perseguido terrivelmente. Os grandes e terríveis shows de crueldade
no Coliseu eram o mais vívido espetáculo da morte.
Durante muitos anos os cristãos foram assim perseguidos e
assassinados. Morriam homens, mulheres e crianças.
O problema para Roma, era que apesar de perseguir e matar muitos
cristãos, eles não conseguiam destruir o cristianismo então nascente. O sangue dos
cristãos na terra era como semente que fazia com que aparecessem mais e mais
novos conversos.
Desta maneira, nenhum dos imperadores Romanos, por mais poderosos
que tenham sido, conseguiram assim suprimir o cristianismo através destas táticas
funestas de tortura e morte. A perseguição aos seguidores de Cristo fora em vão,
pois eles tinham mente que não deveriam ter “medo dos que matam o corpo e
depois nada mais podem fazer" (Lucas 12:4).
Mas você conhece aquele velho ditado: Se você não pode com eles,
então junte-se a eles!
Assim, um brilhante imperador, estadista e estrategista, decidiu que não
iria mais lutar contra o cristianismo; ao contrário, decidira por unir-se aos cristãos.
Declarou-se tal imperador ter se unido às fileiras do cristianismo, e, com a sua
autoridade real, houvera por bem também fazer com que o cristianismo passasse a

46
ser a religião oficial do Estado. O nome deste imperador era Constantino
11
. Só que
Constantino foi um pagão, amava ainda a outros deuses e também guardava outro
dia diverso dos judeus e demais cristãos do primeiro século.
No entanto, por não ter sido precedida de uma mudança interior do
coração do imperador, tratou-se, em verdade, de apenas uma aparente conversão,
uma vez que fatores políticos teriam constituído o motivo preponderante a ensejar a
secularização do cristianismo como a religião oficial do Estado.
Assim, Constantino parou com a perseguição, e o que muitos pensaram
que seria uma grande bênção, na verdade acabou virando uma maldição. Isto
porque Constantino começou a introduzir dentro deste cristianismo oficializado
algumas das coisas nas quais ele antes acreditava. E, aos poucos, ele fora então
fabricando um cristianismo que era a própria imagem dos deuses pagãos outrora por
si adorados.
Para melhor compreender o contexto no qual se operara essa pretensa
conversão do Imperador Constantino, cito uma passagem que explica melhor o que
quero dizer, textualmente:
“Sob a influência cultural paganizadora do Império Romano, o cristianismo
dos primeiros séculos acabou absorvendo vários elementos de origem
pagã, dentre os quais se destaca o culto ao Sol de origem persa
(mitraísmo). Os mitraístas romanos veneravam o Sol Invictus cada domingo
e celebravam anualmente o seu nascimento no dia de 25 de dezembro.
Tentando harmonizar alegoricamente o Sol Invictus com o “sol da justiça” do
cristianismo (Malaquias 4:2; J oão 8:12), muitos cristãos começaram a
adorar a Cristo no domingo como “dia do Sol” (Sunday em inglês e Sonntag
em alemão), com o duplo propósito de se distanciarem do judaísmo
perseguido pelos romanos e de se tornarem mais aceitos dentro do próprio
Império Romano”.
Com respeito a sua religião, diz Edward Gibbon, em sua obra “Decline
and Fall of the Roman Empire” , que:
"A devoção de Constantino foi mais particularmente dirigida ao deus Sol, o
Apolo da mitologia grega e romana; e lhe era agradável ser representado
com os símbolos do deus da luz e da poesia. Os infalíveis dardos daquela
divindade, o brilho de seus olhos, sua coroa de louro, a imortal beleza e os
dotes graciosos pareciam apresentá-lo como o patrono de um jovem
semideus. Os altares de Apolo eram adornados com as ofertas votivas de
Constantino; e a crédula multidão era levada a crer que foi permitido ao
imperador contemplar com olhos imortais a majestade visível de sua
divindade tutelar; e que seja acordado ou em visão, foi ele abençoado com
__________
11
Constantino foi imperador de Roma de 306 a 337 d.C. Foi ele adorador do Sol durante os primeiros
anos do império. Mais tarde afirmou haver-se convertido ao cristianismo; mas, de coração, continuou
venerador do Sol.

47
esperançosas predições do futuro de um longo e vitorioso reinado. O Sol foi
universalmente festejado como o invencível guia e protetor de Constantino."
Constantino, que era pagão portando, idólatra (adorava a ídolos),
introduziu dentro do cristianismo, dentre outras coisas, a adoração de imagens. E
isso, ressalve-se, ocorreu só depois que o Novo Testamento já tinha sido
completado e, logicamente, após todos os primeiros apóstolos já estarem
“descansando”, aguardando a volta de Seu Senhor.
E no dia 7 de março de 321 AD, Constantino o Grande promulgou a
primeira lei civil acerca do domingo, ordenando que todas as pessoas do império
romano, exceto os fazendeiros, deveriam descansar no domingo.
Foi o primeiro Decreto Dominical. De 07/03/321, e dizia o seguinte:
“Devem os magistrado e as pessoas residentes nas cidades repousar, e todas as
oficinas serem fechadas no venerável dia do Sol… ”. Neste sentido, verbis:
“Mas o que parecia inicialmente apenas um sincretismo religioso começou a
assumir um caráter institucional. A 7 de março de 321 d.C., o imperador
Constantino, um devoto adorador de Mitra, decretou “que todos os juízes, e
todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artifíces descansem
no venerável dia do Sol”. Esse decreto foi seguido por várias medidas
eclesiásticas para legalizar a observância do domingo como dia de guarda
para os cristãos. O próprio Catecismo Romano, 2.ed. (Petrópolis, RJ :
Vozes, 1962), p. 376, reconhece a atuação da Igreja Católica nesse
processo, ao declarar: `A Igreja de Deus, porém, achou conveniente
transferir para o domingo a solene celebração do sábado.´”
Observe, contudo, que não estou aqui procurando dar um sentido
tendencioso ao histórico decreto. Não estou querendo dizer que a instituição
dominical teria sido criada pelo imperador. Nada mais falso. Deste modo, é
equivocado o entendimento de ter o domingo surgido tão só em razão do edito de
Constantino e subsequente ratificação pelo bispo de Roma ou mesmo por algum
determinado papa. O que ocorreu foi que, na esfera civil, se deu um passo para que
o primeiro dia da semana se tornasse o dia de guarda religioso por excelência,
através da primeira promulgação legislativa nesse sentido e, por conseguinte,
abrindo caminho assim para uma gradual implantação do domingo na igreja e no
mundo.
Essa legislação iniciada por Constantino para o estabelecimento da
guarda do dia do Sol é assim comentada por duas enciclopédias:
"O mais antigo reconhecimento da observância do domingo como uma
obrigação legal é uma constituição de Constantino, de 321 d.C., decretando
que todas as cortes de justiça, habitantes de cidades e oficinas
repousassem no dia do Sol (venerabili die Solis), exceção feita apenas
àqueles que estivesses ocupados em trabalho de agricultura." -

48
Enciclopédia Britânica (11.ª ed.) art. "Domingo".
"Inquestionavelmente, a primeira lei, seja eclesiástica ou civil, pela qual a
observância sabática daquele dia é conhecida como havendo sido
ordenada, é o edito de Constantino, de 321 d.C." - Chamber's
Encyclopaedia (ed. de 1882), vol. VIII, pág. 401, art. "O Sábado".
Que essa legislação dominical não tinha ligação com o cristianismo; nota-
se claramente ao serem considerados os fatos contidos na seguinte citação: "Esta
legislação de Constantino não tem certamente nenhuma relação com o cristianismo;
parece ao contrário, que o imperador, na qualidade de Pontífice Máximo, estava
apenas acrescentando o dia do Sol, a adoração daquilo que estava então
firmemente estabelecido no Império Romano, aos outros dias festivos do calendário
sagrado." - H. Webster, Rest Days, págs. 122 e 123.
Em sequência a esse decreto inicial de Constantino, imperadores e
papas em sucessivos séculos acrescentaram outras leis ao fortalecimento da
observância do domingo, verbis:
"Aquilo que começou, entretanto, como ordenança pagã, terminou como
regulamentação cristã; e uma longa série de decretos imperiais, durante o
quarto, quinto e sexto séculos, impôs com crescente rigor a abstinência do
trabalho no domingo." - Idem, pág. 270.
Que estes passos foram dados tanto pela igreja como pelo Estado para
tornar decisivo que o domingo substituísse o sábado, foi escrito por um notável
advogado de Baltimore, Maryland - James T. Ringgold, textualmente:
"Em 386, durante o tempo de Graciano, Valentiniano e Teodósio, foi
decretado que todos os litígios e negócios cessassem [no domingo]... Entre
as doutrinas estabelecidas em uma carta do papa Inocêncio I, escrita no
último ano de seu pontificado (416), encontra-se aquela segundo a qual o
domingo deveria ser observado como dia de jejum... Em 425, no tempo de
Teodósio, o mais moço, foi imposta a abstinência de espetáculos teatrais e
de circo [no domingo]... Em 538, no concílio de Orleans... foi ordenado que
todas as coisas anteriormente permitidas no domingo continuassem em
vigor; mas que se abstivessem do trabalho com arado, ou em vinhas, sega,
ceifa, debulha, cultivo, cercagem a fim de que as pessoas pudessem
freqüentar a igreja convenientemente... Por volta de 590 o papa Gregório,
em carta dirigida ao povo romano, qualificou como profetas do anticristo
aqueles que ensinassem que o trabalho não devesse ser feito no sétimo
dia." - The Law of Sunday, págs. 265-267.
A citação acima indica que ainda havia na igreja, mesmo em 590 d.C.,
aqueles que, não só observavam o sábado bíblico, como ensinavam sua
observância. De fato, tal observância por parte de poucos fiéis, foi sempre posta em
prática através de todos os séculos cristãos. Entre os chamados valdenses havia
observadores do sétimo dia.
As próprias leis civis e eclesiásticas que fazem referência ao

49
desenvolvimento da legislação dominical tornam claro que Eusébio, notável bispo da
Igreja Católica, considerado o pai da história eclesiástica e biógrafo de Constantino,
foi justificado ao afirmar que
Todas as coisas, sejam quais forem, que houvessem sido obrigatórias fazer
no sábado, estas nós a transferimos para o domingo. - Citado em Robert
Cox, Literature of the Sabbath Question, vol. I, pág. 361.
4.1 – POR QUANTO TEMPO O SÁBADO CONTINUOU SENDO GUARDADO
APÓS A RESSURREIÇÃO?
A primeira evidência histórica concreta sobre a existência de cristãos
observadores do domingo é encontrada somente na metade do segundo século de
nossa era.
A tese doutoral de Samuele Bacchiocchi, intitulada From Sabbath to
Sunday: A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early
Christianity (Roma: Pontifical Gregorian University Press, 1977), demonstra “que a
adoção do domingo em lugar do sábado não ocorreu na primitiva Igreja de
J erusalém, por virtude de autoridade apostólica, mas aproximadamente um século
depois na Igreja de Roma”.
No seu livro o Dr. Bacchiocchi demonstra como, dada a influência do anti-
semitismo, sobretudo sob o imperador romano Adriano pelo ano 135 AD, os cristãos
foram adotando o “venerabili dies solis” do paganismo romano para substituir o
sábado. Não queriam ser confundidos com os judeus e por isso foram trocando o dia
gradualmente, sendo esta a verdadeira origem da observância do domingo. O
mesmo se passou com a data da Páscoa judaica, em 14 de Nisã, trocado pelo
“domingo de Páscoa”, na famosa controvérsia Quatrodecimana registrada pela
História e que provocou a excomunhão de milhões de cristãos orientais pelo Papa
Vitor (ca. de 191 AD).
Ninguém fez pesquisa melhor, mais completa, mais realista, dentro do
próprio ambiente de documentação indesmentível e inédita da biblioteca vaticana.
Vale a pena conhecer os resultados de sua pesquisa, que fez com que até
merecesse uma medalha de ouro da parte do Papa Paulo VI pela qualidade de seu
trabalho acadêmico.
Portanto, foi só a partir do segundo século desta era que alguns cristãos,
por medo de serem confundidos com os judeus (em virtude de estes últimos estarem

50
sofrendo forte perseguição movida pelas autoridades romanas), se tornaram assim
também guardadores do primeiro dia da semana (mas sem deixar de guardar o
sábado, o sétimo dia).
Esquematizo logo abaixo alguns depoimentos escritos em épocas
variadas, os quais corroboram a tese de que sempre houve cristãos guardadores do
sétimo dia da semana ao longo de todos os séculos após a ressurreição de Cristo.
4.1.1 SÉCULO II
Justino Mártir (100-165): "Devemos unir-nos a eles [observadores do
sábado], associando-nos com eles em tudo, como parentes e irmãos." - Dialogue
With Trypho, em The Ante-Nicene Fathers, vol. I, pág. 218.
4.1.2 SÉCULO III
Orígenes (185-254): "Depois da celebração do sacrifício contínuo (a
crucifixão), vem a segunda festividade, do sábado, e é apropriado para quem for
direito entre os santos, celebrar também a festa do sábado. E qual é, de fato, a festa
do sábado, senão a de que o apóstolo disse: 'Portanto resta ainda um sabatismo
para o povo de Deus?' Hebreus 4:9. Deixando, pois, de lado a observância judaica
do sábado, que espécie de observância se espera do cristão?
No sábado nenhum ato mundano deve ser realizado. Se, portanto,
repousardes de todas as obras seculares, não deveis fazer coisa alguma mundana,
mas estareis livres para as obras espirituais, indo à igreja, dedicando atenção à
leitura sagrada e aos estudos de assuntos divinos, pensando nas coisas celestiais e
na vida futura, bem como no julgamento vindouro, sem atentar para as coisas atuais
e visíveis, mas para as invisíveis e futuras." - Homily on Numbers 23, par. 4, em
Migne, Patrologia Graeca, vol. XII. cols. 749 e 750.
4.1.3 SÉCULO IV
Hermas Sozomeno (399-443): "O povo de Constantinopla, e de quase
todas as partes, reúne-se no sábado, bem como no primeiro dia da semana,
costume que nunca se observa em Roma, nem em Alexandria." - Ecclesiastical

51
History, livro 7, cap. 19, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.ª série, vol. II, pág.
390.

Johannes Cassianus, monge egípcio, (360-435), descrevendo a vida
monástica: "Portanto, exceto os cultos vespertinos e noturnos, só há culto de dia no
sábado e no primeiro dia da semana, quando os monges se reúnem à terceira hora
[nove horas] para a santa comunhão." - De Institutione Coenobiorum, livro III, cap.
2, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.ª série, vol. XI, pág. 213.

Constituições dos Santos Apóstolos (produto de escritores da Igreja
Oriental). Embora também ordene a guarda do domingo, assim indica a guarda do
sábado: "Observarás o sábado por causa dAquele que repousou da obra da criação,
mas não cessou Sua obra de providência. É repouso para meditação sobre a lei, e
não para ficar com as mãos ociosas." - Constitutions of the Holy Apostles, livro II,
sec. 5, cap. 36. The Ante-Nicene Fathers, vol. VII, pág. 413.

Atanásio (298-373): "Reunimo-nos no dia de sábado não porque
estejamos infectados de judaísmo... Achegamo-nos ao sábado para adorar a Cristo,
o Senhor do sábado." - Pseudoathan, de semente, tomo I, pág. 885.

Agostinho (354-430): "Neste dia, que é sábado, costumam reunir-se, na
maior parte, os desejosos da Palavra de Deus... Em alguns lugares, a comunhão
ocorre diariamente; em outros, somente no sábado; e em outros, somente no
domingo." - Sermão 128, tomo VII, pág. 629, Epistola ad Janerius, cap. 2.

Edward Brerewood, historiador (1565-1615), depois de exaustiva
pesquisa do assunto: "O sábado foi religiosamente observado na Igreja do Oriente,
durante mais de trezentos anos depois da paixão do Salvador." - A Learned
Treatise of the Sabbath, pág. 77.

Joseph Bingham (pesquisador de história da igreja cristã, que viveu na
Inglaterra no século XVIII): "Depois do dia do Senhor, os antigos cristãos eram
cuidadosos na observância do sábado, ou sétimo dia, que era o primitivo sábado
judaico. Alguns o observavam como dia de jejum, outros como dia festivo. Todos,

52
porém, unanimente o guardavam como o mais solene dos dias religiosos de culto e
adoração. Na Igreja Oriental era sempre observado como dia de festa." - Origines
Eclesiasticae, ou Antiquities of the Christian Church, livro XX, cap. 3, par. 1.
4.1.4 SÉCULO V
Sócrates, o Eclesiástico (historiador - 379-440): "Conquanto quase
todas as igrejas do mundo celebrassem os sacramentos aos sábados, cada semana,
os cristãos de Alexandria e de Roma, por causa de alguma tradição, deixaram de
fazer isto." - Ecclesiastical History, livro V, cap. 22 (escrito em 439 d.C.), em
Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.ª série, vol. II, pág. 132.

Lyman Coleman (1796-1882), após minuciosa pesquisa: "Retrocedendo
mesmo até ao quinto século, foi contínua a observância do sábado judaico na igreja
cristã, mas com rigor e solenidade gradualmente decrescentes, até ser de todo
abolida." - Ancient Christianity Exemplified (1852), cap. 26, seção 2.

Andrew Lang (1844-1912), erudito grego-escocês, historiador, referindo-
se à igreja do norte da Escócia no décimo primeiro século, igreja fundada por
Columba: "Eles trabalhavam no domingo, observavam o sábado." - History of
Scotland, vol. I, pág. 96.
4.1.5 SÉCULO VI
Alexander Clarence Flick (doutor em Filosofia e Letras, catedrático de
História Européia na Universidade Siracusa, 1869-1942): "Os celtas permitiam o
casamento de seus sacerdotes, e a igreja romana proibia... Os celtas tinham seus
próprios concílios e editavam suas próprias leis, independentes de Roma. Os celtas
usavam uma Bíblia latina diferente da Vulgata, e guardavam o sábado como dia de
repouso. Também realizavam cultos especiais no domingo." - The Rise of Medieval
Church, pág. 237 (ed. 1909, New York).

William Forbes Skene (1809-1892), historiógrafo real da Escócia em
1881. Referindo-se à Igreja Celta do século XI: "Parecia seguirem um costume,

53
conforme, vestígios na primeira igreja monástica da Irlanda, segundo o qual
consideravam o sábado como dia de repouso, no qual descansavam de seu
trabalho... Não deixavam de venerar o domingo, embora sustentassem que o
sábado do sétimo dia era o legítimo sábado, no qual se abstinham do trabalho." -
Celtic Scotland (Edinburgo, 1877), livro II, cap. 8, págs. 349 e 350.

E na época da reforma, Andreas Rudolf Karlstadt (1480-1541),
reformador protestante alemão, que se juntou a Lutero em Witenberg, em 1517.
Escreveu um tratado sobre o dia de guarda. "Quando os servos tenham trabalhado
seis dias, devem ter o sétimo livre. Deus disse com toda a clareza: 'Lembrai-vos de
observares o sétimo dia'... Com relação ao domingo, sabe-se que os homens o
inventaram." - Von dem Sabbath und Gebotten Feyertagen (1524), cap. IV, pág.
23.
4.1.6 SÉCULO XI
Andrew Lang (1844-1912), erudito grego-escocês, historiador, referindo-
se à igreja do norte da Escócia no décimo primeiro século, igreja fundada por
Columba: "Eles trabalhavam no domingo, observavam o sábado." - History of
Scotland, vol. I, pág. 96.

William Forbes Skene (1809-1892), historiógrafo real da Escócia em
1881. Referindo-se à Igreja Celta do século XI: "Parecia seguirem um costume,
conforme, vestígios na primeira igreja monástica da Irlanda, segundo o qual
consideravam o sábado como dia de repouso, no qual descansavam de seu
trabalho... Não deixavam de venerar o domingo, embora sustentassem que o
sábado do sétimo dia era o legítimo sábado, no qual se abstinham do trabalho." -
Celtic Scotland (Edinburgo, 1877), livro II, cap. 8, págs. 349 e 350.

Thomas Ratcliffe Barnett (1868-1941) erudito anglicano: "Neste assunto,
os escoceses talvez mantivessem o costume tradicional da antiga Igreja da Irlanda
que observava o sábado, em vez do domingo, como dia de repouso." - Margaret of
Scotland, Queen and Saint (Londres, 1926), pág. 97

54
4.1.7 UM RAMO DOS VALDENSES (1.174 - 1.848 AD)
J. J. Ign. Dollinger (1799-1890), professor de História Eclesiástica e
Direito Canônico na Universidade de Munich: "Os Picardos, ou Irmãos Valdenses,
não celebravam festividades à Virgem e aos Apóstolos. Alguns guardavam o
domingo. Outros, entretanto, só observavam o sábado, como os judeus." - Beiträge
zur Sektengeschichte des Mittelalters (Munich, Beck 1890), vol. II, pág. 662.
4.1.8 ÉPOCA DA REFORMA
Andreas Rudolf Karlstadt (1480-1541), reformador protestante alemão,
que se juntou a Lutero em Witenberg, em 1517. Escreveu um tratado sobre o dia de
guarda. "Quando os servos tenham trabalhado seis dias, devem ter o sétimo livre.
Deus disse com toda a clareza: 'Lembrai-vos de observares o sétimo dia'... Com
relação ao domingo, sabe-se que os homens o inventaram." - Von dem Sabbath
und Gebotten Feyertagen (1524), cap. IV, pág. 23.

Martinho Lutero (1483-1546) o pai da reforma protestante: "Em verdade,
se Karlstadt escrevesse mais acerca do sábado, o domingo teria que lhe ceder lugar,
e o sábado ser santificado." - Wider die himmlischen Propheten, em Sämmtliche
Schriften (ed. por J ohn Georg Walch - St. Louis: Concordia, 1890), vol. XX, col. 148.
4.1.9 POSTERIORMENTE
No século XVII, fundou-se em Newport, (Rhode Island, USA),
precisamente em 1671, a Igreja Batista do Sétimo Dia. No século XVIII fundou-se a
Comunidade Efrata, por J ohn Conrad Beissel, em Lancaster, precisamente em 1732.
Convenceu-se depois do dever de observar o sétimo dia como dia de repouso e
publicou Das Büchlein vom Sabbath (Philadelphia, 1728). E no século XIX se daria
o surgimento da denominação dos Adventistas do Sétimo Dia, de âmbito mundial.

Mas a questão seguinte consiste em saber até quando o sábado
continuará sendo assim guardado. O livro de Isaías nos dá uma preciosa informação
no capítulo 66:22, 23, verbis:

55
"O SENHOR Deus diz: `Assim como o novo céu e a nova terra que eu
vou criar durarão para sempre pelo meu poder, assim também durarão os nomes
de vocês, e vocês sempre terão descendentes. Em todas as Festas da Lua Nova e
em todos os sábados, pessoas de todas as nações virão me adorar no
Templo.´” (NTLH)
Deste modo, assim como nunca houve, desde o éden, um único sábado
que deixou de ser guardado, também não haverá jamais nenhum sábado na nova
terra que não será também guardado. Não pude encontrar nenhuma palavra,
nenhum texto na bíblia que condene o dia de sábado como não devendo ser
guardado. E nem pude também encontrar texto algum que mande o domingo ser
observado. E isso é realmente interessante, visto que no próprio céu estaremos
também guardando o Sábado, conforme a ordem do SENHOR.
E qual é a razão para o Sábado ser guardado? Por que o SENHOR pede
algo assim tão sério de nós? Em J oão 14:15 o SENHOR nos responde: “Se me
amais, guardareis os meus mandamentos.” A razão pela qual devemos guarda-lo,
mesmo sem plenamente entender todos os motivos agora, foi porque o Senhor
J esus pediu. E se nós o amamos, devemos então guardar os Seus mandamentos. E
o próprio Senhor J esus também afirma que os Seus mandamentos não são penosos
para aqueles que Dele desejem receber o poder e a graça que os habilite a guarda-
los. Não por nossas próprias forças frise-se, mas sim pelo Seu poder redentor e
criador, que nos transforma e recria à Sua gloriosa Imagem e semelhança.
4.2 – O PAPEL DA IGREJA DE ROMA NA PROMOÇÃO DO DOMINGO
A transgressão da lei moral de Deus foi, no início, a porta de entrada para
o pecado neste mundo e, ainda hoje, milhões continuam pisando os preceitos
divinos. Como sabemos, a substituição do sétimo dia pelo domingo não é um
assunto que a igreja de Roma (igreja Católica Apostólica Romana) negue ou procure
esconder; pelo contrário, ela admite francamente e aponta na verdade com orgulho,
como evidência de seu "poder" para alterar o quarto mandamento. Essa autoridade
religiosa, portanto, infirma a tese de que J esus mesmo abolira o sábado em prol do
primeiro dia da semana, mas, de maneira diversa, afirma que teria sido o próprio
papa, que ela alega ser o substituto de J esus na terra, o responsável direto pela
mudança. Existem vários registros literários pertencentes à ela que confirmam esta

56
modificação.
Na obra do Rev. Peter Geiermann, "The Convert's Catechism of Catholic
Doctrine", que recebeu em 25 de janeiro de 1919 a bênção do Papa Pio X, extrai-se:
Pergunta: Qual é o dia de repouso?
Resposta: O dia de repouso é o sábado.
Pergunta: Por que observamos o domingo em lugar do sábado?
Resposta: Observamos o domingo em lugar do sábado porque a igreja
Católica transferiu a solenidade do sábado para domingo.
Pergunta: Por que a igreja Católica substituiu o sábado pelo domingo?
Resposta: A igreja substituiu o sábado pelo domingo, porque Cristo
ressuscitou dos mortos num domingo, e o Espírito Santo desceu sobre os
apóstolos em um domingo.
Pergunta: Com que autoridade a igreja substituiu o sábado pelo domingo?
Resposta: A igreja substituiu o sábado pelo domingo pela plenitude do
poder divino, que J esus Cristo conferiu a ela.
O arcebispo de Nova Iorque, J ohn McCloskey, aprovou a obra "A
Doctrinal Catechism"
12
de autoria do Rev. Stephen Keenan na qual se obtém o
seguinte:
Pergunta: A igreja tem o direito de determinar dias de festa?
Resposta: A igreja cristã tem certamente o direito, o mesmo que a igreja
judaica possuía.
(...)
Pergunta: Você tem outra maneira de provar que a igreja tem o poder de
instituir festas mediante preceito?
Resposta: Se ela não tivesse esse poder, não teria feito aquilo que todas as
modernas religiões concordam com ela: - ela não teria substituído a
observância do sábado, o sétimo dia, pela observância do domingo, o
primeiro dia da semana; mudança para a qual não há autoridade
escriturística.
E, o Rev. Henry Turberville
13
endossa as declarações do Rev. Stephen
Keenan respondendo:
__________
12
Cf. KEENAN, S. (1876). A Doctrinal Catechism, 3.ª ed., New York: Catholic Publishing House, p.
173-174; (Imprimatur: J ohn McCloskey, arcebispo de Nova Iorque. Edição americana revisada e
corrigida com base no concílio do Vaticano I).
13
Cf. DOYLE, W. J . (1851). An Abridgment of the Christian Doctrine, Dublin: Published by J ames
Duffy, chap. VIII, p. 56; (esta obra foi originalmente escrita pelo Rev. Henry Turberville em 1645,


57
Pergunta: Como podeis provar que a igreja tem poder para ordenar festas e
dias santos?
Resposta: Pelo próprio fato de mudar o sábado para o domingo, com que os
protestantes concordam; e dessa forma eles ingenuamente se contradizem,
ao guardarem estritamente o domingo e transgredirem outros dias de festa
maiores e determinados pela mesma igreja.
O arcebispo J ames Gibbons confirma, também, que a igreja de Roma é a
autora da observância dominical adotada pelo cristianismo:
"Todavia podeis ler a Bíblia de Gênesis ao Apocalipse, e não encontrareis
uma única linha autorizando a santificação do domingo. As Escrituras
ordenam a observância religiosa do sábado, dia que nós nunca
santificamos." "A igreja Católica, a mais de mil anos antes da existência de
um único protestante, em virtude de sua divina missão, mudou o dia de
sábado para o domingo. (...) O descanso cristão neste dia é, por
consequência, o reconhecimento da igreja Católica como esposa do Espírito
Santo, sem uma palavra divergente do mundo protestante."
14

O apologista francês, monsenhor Ségur, interpõe o protestantismo quanto
a guarda do domingo dizendo:
"Foi a igreja Católica que, por autorização de J esus Cristo, transferiu este
repouso para o domingo em memória da ressurreição de nosso Senhor.
Dessa forma, a observância do domingo pelos protestantes é uma
homenagem que eles prestam, contradizendo-se a si próprios, a autoridade
da igreja."
15

O periódico "The Catholic Press of Sydney",
8
(Australian, 25 of august of
1900), declara:
"O domingo é uma instituição católica e a reivindicação à sua observância
só pode ser defendida nos princípios católicos. (...) Do princípio ao fim das
Escrituras não há uma única passagem que autorize a transferência do culto
público semanal do último dia da semana para o primeiro."
16

Tomás de Aquino (Thomas Aquinas) foi um padre dominicano, teólogo e
cognominado Doctor Communis ou Doctor Angelicus. Comentando sobre a mudança
do sábado para o domingo, ele afirma:
"Na nova lei, a observância do dia do domingo tomou o lugar da
observância do sábado não em virtude de preceito, mas pela instituição da
igreja e pelo costume do povo cristão."
17


Douay - France, e revisada pelo Rev. J ames Doyle).
14
Cf. J ames Gibbons, Catholic Mirror, (Sept, 23, 1893), Press: Baltimore, Maryland, p. 29-31.
15
Cf. SÉGUR, L. G. (1868). Plain Talk About the Protestantism of To-Day, Boston: Patrick Donahoe,
p. 225; (Imprimatur: J oannes J osephus, episcopus of Boston).
16
Quoted in: HAYNES, B. C. (2005). From Sabbath to Sunday, Review and Herald Pub Association,
chap. 4, p. 47.
17
Cf. Thomas Aquinas. (1702). Summa Theologica, part. II, q. 122, art. 4; (New York: Benzinger


58
Eusébio, que foi bispo de Cesarea, ratifica a declaração de Tomás de
Aquino, revelando:
"Todas as coisas que era dever fazer no sábado, estas nós as transferimos
para o dia do Senhor, como o mais apropriado para isso, este [domingo] é o
principal na semana, é mais honroso que o sábado judaico."
18

Gaspare de Fosso, arcebispo de Reggio, por ocasião do concílio de
Trento fez a seguinte afirmativa:
"(...) O sábado, o mais glorioso dia da lei, foi modificado para o domingo'.
(...) Estes e outros assuntos similares não cessaram em virtude dos
ensinamentos de Cristo (pois Ele declarou que não veio para destruir a lei e
sim para cumpri-la), mas foram modificados pela autoridade da igreja."
19

Karl Keating, apologético católico, defende o catolicismo e ataca o
protestantismo declarando:
"Não obstante, os fundamentalistas se reúnem para adoração no domingo.
Contudo, não existe evidência na Bíblia de que a adoração coletiva deveria
ser feita aos domingos. (...) Foi a igreja Católica que decidiu que o domingo
seria o dia de adoração para os cristãos, em homenagem à ressurreição [de
J esus]."
20

O teólogo e historiador católico, J ohn Laux, acrescenta ainda:
"Alguns teólogos têm sustentado que Deus determinou precisamente o
domingo como dia de adoração na 'nova lei', e que Ele mesmo,
explicitamente, substituiu o sábado pelo domingo. Entretanto, esta é uma
teoria totalmente desacreditada. Agora, é comumente aceito que Deus
simplesmente concedeu à sua igreja [Católica] o poder para dispor qualquer
dia ou dias que achar apropriado como dias santos. A igreja escolheu o
domingo, o primeiro dia da semana, e no decorrer do tempo acrescentou
outros dias como santos. (...) Se consultarmos a Bíblia unicamente, ainda
deveremos guardar o santo dia de Descanso, que é o sábado."
21

A "Enciclopédia Católica" também esclarece a autoria da guarda do
domingo entre os cristãos:
"Escrito pelo dedo de Deus em duas tábuas de pedra, este código divino foi
recebido do Todo-Poderoso por Moisés entre os trovões sobre o monte

Brothers, Inc., 1947).
18
Cf. Eusebius's Commentary on the Psalms (Psalm 92: A Psalm or Song for the Sabbath-day). Too
in: Migne's Patrologia Graeca, vol. XXIII, col. 1171-1172.
19
Cf. Gaspare [Ricciulli] de Fosso, pronunciamento na 17.ª sessão do concílio de Trento (18 de
janeiro de 1562). In: MANSI, Sacrorum Conciliorum, vol. 33, cols. 529-530. Quoted in: Nisto Cremos.
(2003). 7.ª ed., São Paulo: CPB, cap. 19, p. 347-348; McCLINTOCK, J . (1855). History of the Council
of Trent, New York: Harper & Brothers, book, IV, chap. III, p. 298
20
Cf. KEATING, K. (1988). Catholicism and Fundamentalism: The Attack on "Romanism" by "Bible
Christians", San Francisco: Ignatius Press, p. 38; (Nihil Obstat: Rev. Msgr. J oseph Pollard, S.T.D.,
censor librorum. Imprimatur: Most Rev. Roger Mahony, archebishp of Los Angeles).
21
Cf. LAUX, J . J . (1936). Course in Religion for Catholic High Schools and Academies, vol. I, New
York: Benzinger Brothers Inc., p. 51.

59
Sinai, e através dele se fez o fundamento da lei mosaica. Cristo resumiu
estes mandamentos no duplo preceito da bondade - amor a Deus e ao
próximo. (...) A igreja [Católica], por outro lado, depois de mudar o dia de
descanso do sábado judaico, ou sétimo dia da semana, para o primeiro,
criou o terceiro mandamento referente ao domingo, como o dia para ser
santificado como o dia do Senhor."
22

O reverendo católico J ohn Anthony O'Brien, e professor de teologia
(especialista em teologia moral e ética cristã), assim expõe a relação do protestante
com a observância dominical:
"Todavia, visto que o sábado, não o domingo, é especificado na Bíblia, não
é curioso que os não-católicos que professam obter sua religião diretamente
da Bíblia e não da igreja, observem o domingo em lugar do sábado? Sim,
certamente, isto é inconsistente. (...) Eles mantêm o costume [de observar o
domingo], apesar dele repousar sobre a autoridade da igreja Católica e não
sobre um texto explícito da Bíblia. Esta observância permanece como uma
lembrança da igreja Mãe da qual as seitas não-católicas se separaram - tal
como um garoto que foge de casa mas ainda carrega em seu bolso uma
fotografia da mãe ou uma mecha de seu cabelo."
23

Lutero dizia que as Sagradas Escrituras e não a tradição da igreja
Católica, representavam o guia de sua vida. Seu lema foi Sola Escriptura (Somente
a Bíblia). J ohn Eck, um dos mais destacados defensores da fé católica romana,
atacou Lutero neste ponto reivindicando que a autoridade da igreja de Roma
encontrava-se acima das Escrituras. Ele desafiou Lutero no tocante à observância
do domingo em lugar do sábado dizendo:
"As Escrituras ensinam: 'Lembra-te do dia de sábado para o santificar;
seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor
teu Deus.' Entretanto, a igreja mudou o sábado para o domingo com base em sua
própria autoridade, e para isto você [Lutero] não tem Escritura."
24

Lutero posteriormente reconheceu este erro quando escreveu na
Confissão de Augsburg, Artigo 28, parágrafo 9:
“Eles [os Católicos Romanos] alegam que o sábado foi mudado para o
__________
22
Cf. "Commandments of God". (1913). The Catholic Encyclopedia, vol. IV, New York: The
Encyclopedia Press, Inc., p. 153a; (Nihil Obstat: Remy Lafort, S.T.D., censor. Imprimatur: J ohn
Cardinal Farley, archbishop of New York).
23
Cf. O'Brien, J . A. (1974). The Faith of Millions: The Credentials of the Catholic Religion, revised
edition, Huntington: Our Sunday Visitor Inc., p. 400-401; (Imprimatur: Leo A. Pursley, bishop of Fort
Wayne-outh Bend)
24
Cf. ECK, J . (1979). Enchiridion of Commonplaces Against Luther and Other Enemies of the Church,
2.ª ed., vol. 8, Grand Rapids: Baker, p. 13. Too in: WEBER, M. (2002). Desecration, Danger,
Deliverance: What the Bible Really Says About the Rapture, Review and Herald Publishing
Association, p. 109; Nisto Cremos. (2003). 7.ª ed., São Paulo: CPB, cap. 19, p. 347

60
domingo, o dia do Senhor, que é contrário ao decálogo [os Dez Mandamentos],…
nem há qualquer exemplo maior de prepotência do que essa mudança do dia de
descanso. Com isso, eles dizem que grande é o poder e a autoridade da igreja, pois
ela dispensou um dos dez mandamentos”. [tradução livre]
Demais, a literatura católica "The Clifton Tracts"
25
, volume IV, questiona
os protestantes quanto a prática de observar o domingo:
"Vou propor uma pergunta simples e extremamente séria, e rogo a todos os
que professam seguir 'a Bíblia e a Bíblia somente' a darem cuidadosa
atenção. Ei-la: Por que você não santifica o dia de Descanso?
(...) Você irá me responder, talvez, que santifica o dia de Descanso; visto
que você se abstém de todos os negócios do mundo e, diligentemente vai à
igreja fazer suas orações, e, lê a sua Bíblia em casa, a cada domingo de
sua vida.
“Entretanto o domingo não é o dia de Descanso. Domingo é o primeiro dia
da semana; o dia de Descanso é o sétimo dia da semana. O onipotente
Deus não deu um mandamento na qual os homens deveriam santificar um
dia em sete, mas Ele designou Seu próprio dia, e disse claramente: 'Tu
santificarás o sétimo dia'; e Ele atribuiu uma razão para a escolha deste dia
ao invés dos outros - uma razão que pertence apenas ao sétimo dia da
semana, e não pode ser aplicada aos demais. Ele disse: 'Porque, em seis
dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao
sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o
santificou.' O Deus Todo-Poderoso ordenou que todos os homens deveriam
descansar de suas atividades no sétimo dia, porque Ele também descansou
nesse dia: Ele não descansou no domingo, mas no sábado. (...) O
onipotente Deus designou o sábado para ser santificado, não o domingo.
Por que você então santifica o domingo, e não o sábado?
“(...) Você irá me dizer que o sábado era um descanso judaico, e que o
descanso cristão foi mudado para o domingo. Mudado! Mas por quem?
Quem tem autoridade para mudar um mandamento expresso do Deus
Onipotente? Quando Deus disse: 'Lembra-te do dia de sábado para o
santificar', quem ousaria dizer: 'Não, tu podes trabalhar e fazer qualquer tipo
de atividade secular no sétimo dia.' Porém, tu santificarás o primeiro dia em
seu lugar? Esta é a pergunta mais importante, à qual não sei como poderás
responder.
“Você é um protestante, afirma seguir a Bíblia e a Bíblia apenas; e neste
assunto tão importante, como a observância de um dia em sete, como dia
santo, você vai contra a clara letra da Bíblia e considera outro dia no lugar
daquele em que ela ordena. O mandamento para santificar o sétimo dia é
um dos Dez Mandamentos; você acredita que os outros nove ainda são
obrigatórios; quem vos deu autoridade para modificar o quarto? Se você é
coerente com os seus próprios princípios, se você realmente segue a Bíblia
e a ela unicamente, você deve ser capaz de apresentar alguma parte do
Novo Testamento na qual o quarto mandamento foi expressamente
__________
25
Cf. The Clifton Tracts, 1856, vol. IV, New York: Edward Dunigan & Brother, p. 3-15; (sancionado
pelo bispo de Clifton, cardeal Wiseman e, aprovado pelo Rev. J ohn Hughes, arcebispo de Nova
Iorque).

61
alterado. (...)
“A atual geração de protestantes guarda o domingo em lugar do sábado,
porque o recebeu como parte da religião cristã da geração passada, e esta
recebeu da geração anterior, e assim por diante; geração após geração (...)
deixou esta parte específica da fé e prática católica intocável. (...) Tanto
você [protestante] como nós [católicos], na verdade, seguimos a tradição
nesta questão; mas nós a seguimos crendo que faz parte da Palavra de
Deus e que a igreja [Católica] tem sido divinamente designada a sua
guardiã e intérprete; você a segue, denunciando-a constantemente como
uma guia falível e traidora, que frequentemente 'tem invalidado o
mandamento de Deus'.”
“Não o Criador do Universo, em Gênesis 2:1 a 3; mas a Igreja Católica
pode reivindicar para si a honra de haver outorgado ao homem um repouso a cada
sete dias.” — S.D. Mosna, “ Storia della Domenica” , 1969, p. 366 e 367.
4.2.1 – QUE PODER ARROGA AUTORIDADE PARA MUDAR A LEI DE DEUS?
Vimos até agora que durante a vida humana de J esus aqui na terra, Ele
também guardou o sábado (Lucas 4:16) e reafirmou-o como um dia que beneficia os
cristãos (Marcos 2:27, 28). Vários textos no livro de Atos mostram que os discípulos
de Cristo adoravam no sábado depois de Sua ressurreição (Atos 13:14; 16:13; 17:2;
18:1-4, 11).
Isso nos leva a um tema que muitos acham intrigante. O mundo cristão
tem estado a observar dois dias diferentes. De um lado, a maioria dos cristãos
observa com sinceridade o domingo, o primeiro dia da semana, que crêem ser um
memorial da ressurreição de Cristo. De outro lado, um grande grupo de cristãos,
igualmente sinceros, crêem que a Bíblia honra apenas o sétimo dia como o sábado
do Senhor, e que não há em nenhum outro lugar na Bíblia qualquer indicação da
santidade do domingo.
Será que realmente faz alguma diferença qual o dia que separamos para
o descanso sabático? Como pessoas sinceras e honestas que desejam conhecer a
verdade, precisamos sempre nos perguntar: “O que importa para J esus? O que
J esus deseja que eu faça?”.
Para chegar a uma decisão sobre isso, muitos fatos importantes precisam
ser esclarecidos: Quem mudou o descanso sabático do sábado, o sétimo dia da
semana, para o domingo, o primeiro dia da semana? Será que a Bíblia autoriza essa
mudança? Pudemos ver que não, como bem corrobora o Rev. Isaac Williams, ao

62
escrever o seguinte em seus “Plain Sermons on the Catechism”:
“Onde se nos diz nas Escrituras que devemos observar o primeiro dia? É-
nos mandado guardar o sétimo; mas em nenhum lugar nos é ordenado
guardar o primeiro dia. (…) A razão pela qual santificamos o primeiro dia da
semana em lugar do sétimo é a mesma que nos leva a observar muitas
outras coisas: não porque a Bíblia, mas porque a Igreja o ordena.” — Vol. 1,
p. 334 e 336.
“A Bíblia manda santificar o Sábado, não o domingo; J esus e os apóstolos
guardaram o Sábado. Foi a tradição católica que, honrando a ressurreição
do Redentor, ocorrida no domingo, aboliu a observância do Sábado.” — Pe.
Dubois, “O Biblismo”, p. 106.
O Cardeal J ames Gibbons, em “The Faith of Our Fathers”, diz o seguinte:
“Podereis ler a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse, e não encontrareis uma só
linha a autorizar a santificação do Domingo. As Escrituras exaltam a
observância religiosa do sábado, dia que nós nunca santificamos.” — Ed. de
1892, p. 111.
É preclaro, ante todo o exposto neste trabalho, que quem oficialmente
mudou o dia de descanso do sétimo dia para o primeiro dia da semana fora a Igreja
Católica na pessoa dos seus representantes, verbis:
“O Papa tem poder para mudar os tempos, ab-rogar leis e dispensar todas
as coisas, mesmo os preceitos de Cristo.” — Extraído de “Decretal de
Translat, Episcop.”, cap. 6.
Declara ainda a “Civilitá Cattolica”, de 18 de março de 1871 que,
“O Papa é o supremo juiz da lei na Terra. É o representante de Cristo.” —
Mencionado em “Vatican Council”, por Leonard Wooslay Bacon, ed. da
“American Tract Society”, p. 220.
“O Papa é de tão grande autoridade e poder que pode modificar, explicar ou
interpretar mesmo as leis divinas… O Papa pode modificar as leis divinas
visto seu poder não provir dos homens mas de Deus, e age como vigário do
Filho de Deus na Terra, com o mais amplo poder de ligar e desligar o
rebanho.” — Extraído de “Prompta Bilbiotheca”, publicado em Roma, em
1900.
O Papa Nicolau em seu discurso de nº 96 declara:
“A vontade do Papa representa a razão. Ele pode dispensar a lei, e fazer do
errado, direito, por meio de correções e mudanças das leis.”
O mesmo papa declara o seguinte em seu discurso de nº 40:
“O Papa está livre de todas as leis, de maneira que não pode incorrer em
nenhuma sentença de irregularidade, suspensão, excomunhão ou
penalidade por qualquer crime.”
Desta forma, a Igreja Católica orgulhosamente proclama que foram os
líderes humanos da igreja os responsáveis pela mudança e que J esus Cristo, em
Sua palavra, nunca a autorizou.

63
4.3 – OS BASTIDORES ESPIRITUAIS DESSA MUDANÇA
26

Primeiro, devemos entender que todos os dias da semana foram criados
por Deus. Mas o sétimo dia, o Sábado, Deus descansou, separou, abençoou e o
santificou, conforme Gênesis 2:1 a 3; esta é a verdade de Deus bíblica. Devemos
entender também que o primeiro dia da semana, o Domingo, é um dia comum como
outro qualquer. O problema foi que, desde a antiguidade, criou-se em cima desse
dia um falso sistema de adoração que não estava em conformidade com a
verdadeira palavra de Deus.
O princípio desse sistema de adoração criado no primeiro dia da semana
(o domingo), começou com um conflito entre duas forças poderosas e opostas.
Na bíblia existe um anjo caído de nome Lúcifer que significa brilhante ou
estrela da manhã, também chamado de satanás, que significa o adversário de
Deus.
Lúcifer (satanás) sempre quis imitar a Deus em quase tudo, criando para
si mesmo sistemas de adoração parecidos com os de Deus, tentando ser
semelhante a Deus, e por isso, foi lançado nas trevas como esta escrito em Isaías
14, 12 a 15: "Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como
foste cortado por terra, tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu
subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da
congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das
nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. Mas disse Deus: “E contudo levado serás
ao inferno, ao mais profundo do abismo”.
Não posso afirmar, mas muitos dizem que o culto ao deus sol, que existe
desde a antiguidade até os dias de hoje, poderia ser o próprio Lúcifer (satanás)
instigando as nações a adorá-lo através do sol. (Ezequiel 6:4; II Crônicas 34:7;
Deuteronômio 17:3).
E por incrível que pareça, a maioria dos povos, adoravam o dia do deus
sol no primeiro dia da semana (o domingo).
Agora veja o paralelo entre Deus e satanás: O Sábado de Deus, é no
sétimo dia, o último dia da semana, e o dia de adoração ao deus sol, é no primeiro
__________
26
Cf. SÁBADO OU domingo. Os dez mandamentos, S.l., s. d. Disponível em:


64
dia (o domingo), e Lúcifer era chamado de estrela da manhã "sol da manhã", e
sempre quis ser um deus, como ele mesmo disse na passagem bíblica
retromencionada.

VEJAMOS AGORA O INÍCIO DESSE SISTEMA DE ADORAÇÃO:
Lúcifer sol da manhã ou brilhante +Lúcifer querendo ser um deus =deus
sol.
Agora ele havia criado a sua marca "deus sol", o próximo passo era
associar esta marca em algum objeto visível para servir de mediador do seu sistema
de adoração, para que as nações pudessem ver, crer e adorar. O sol que fora criado
por Deus, era o objeto ideal para essa finalidade, porque além da luz emitida por ele,
também era um gerador de várias fontes de riquezas sobre a face da terra.
Veja um exemplo típico dessa farsa de satanás - Gênesis capítulo 3:
Lembra da passagem bíblica em que Eva foi enganada pela serpente? Satanás
queria induzir a mulher a comer do fruto da árvore proibida sabendo que ela iria
pecar contra Deus. O problema não estava na árvore e sim no comer ou não comer
o fruto dela. O que ele fez: Usou um dos animais mais astutos da criação de Deus, a
cobra, para intermediar a conversa e induzir a mulher a comer o fruto, fazendo assim
a vontade dele (Lúcifer) e não a de Deus.
E não é de admirar que ele usou o sol para servir de mediador do seu
sistema de adoração. Agora só faltava o dia para adicionar a esse falso sistema.
Lúcifer sabia que Deus havia separado o sétimo dia (o Sábado) para que o homem o
adorasse, implantou então o seu sistema de adoração no primeiro dia da semana o
Domingo, que está ao lado do Sábado do Senhor.
Sabemos que o interesse de Lúcifer é justamente o de desviar a atenção
dos homens para um outro dia de adoração que não seja o de Deus, induzindo-os
ao erro, porque ele sabe que o Sábado é tido como um memorial de toda a criação
de Deus, e se descansarmos neste dia (o Sábado), estaremos fazendo a vontade de
Deus e não a dele.

VEJAMOS AGORA COMO FICOU O SEU SISTEMA DE ADORAÇÃO:

<http://www.osdezmandamentos.com.br/estudos/estudos_4.html>Acesso em 16 J ul. 2013.

65
LÚCIFER - DEUS SOL
OBJETO MEDIADOR - SOL
DIA USADO PARA A ADORAÇÃO - DOMINGO "QUE FICA AO LADO
DO SÁBADO DO SENHOR"

Agora só faltava a divulgação desse seu sistema de adoração, mas isso
vou deixar para o próprio J esus Cristo responder. Veja a passagem bíblica abaixo.
JESUS CRISTO NOS DISSE QUE SATANÁS É O PAI DA MENTIRA O
ENGANADOR (J oão 8:44): “Vós tendes por pai ao diabo (satanás), e quereis
satisfazer os desejos dele. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na
verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é
próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.”

NÃO PRECISA DIZER MAIS NADA.
VEJA MAIS ALGUNS DOS SEUS ATRIBUTOS:

O APÓSTOLO PAULO NOS ALERTOU DO PERIGO QUE É SATANÁS
EM II Coríntios 11:14-15: “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se
transfigura em anjo de luz e engana a muitos. Não é muito, pois, que os seus
ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as
suas obras.”

JUDAS UM DOS APÓSTOLOS, FOI USADO POR SATANÁS PARA
TRAIR JESUS (Lucas 22:3-4): “Entrou, porém, Satanás em J udas, que tinha por
sobrenome Iscariotes, o qual era um dos doze apóstolos. E foi, e falou com os
principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como entregaria J esus.”

O APÓSTOLO PEDRO, ACHANDO QUE ESTAVA AJUDANDO À
JESUS, ACABOU SENDO USADO POR SATANÁS PARA TENTAR IMPEDIR
QUE JESUS ENTRASSE EM JERUSALÉM (Mateus 16:21-23): “Desde então
começou J esus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a J erusalém, e
padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas,
e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a
repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá

66
isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me
serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só
as que são dos homens.”
Nessa passagem, podemos ver claramente um paralelo entre Deus e
satanás. J esus tinha que entrar em J erusalém para fazer cumprir as escrituras e
satanás queria impedi-lo, e acabou usando um dos apóstolos de J esus para
intermediar a conversa, Pedro, mas J esus logo o repreendeu.
A verdade é que este conflito entre Deus e satanás vem muito antes da
criação deste mundo e se prolonga até os dias de hoje. Deus cria uma regra,
satanás vai e cria algo parecido para tentar destruir o que Deus criou, e muitos caem
na sua armadilha. Uma dessas armadilhas é a mudança da guarda do Sábado para
o Domingo.
Mas você vai me dizer: Nós guardamos o Domingo em homenagem a
ressurreição de J esus Cristo e não como um dia de adoração ao deus sol.
Respondo a você: Temos que fazer a vontade de Deus, e não a vontade
dos homens, mesmo J esus ressuscitando no Domingo, não temos nenhuma
autoridade em alterar a lei de Deus, para homenagear a Cristo, sendo que Ele
mesmo guardava o Sábado (Lucas 4: 16). Disse também que veio fazer cumprir a lei
e não mudar (Mateus 5:17).
Veja o que aconteceu em Gênesis 4, quando Deus ordenou a Abel e
Caim que fizessem um sacrifício de um cordeiro como oferta (ao sacrificarem assim
o cordeiro, estavam na verdade tipificando a morte de J esus, o Cordeiro de Deus
que tira o pecado do mundo - João 1:29). Abel o fez em conformidade com o que
Deus houvera pedido; mas Caim, por sua vez, resolveu satisfazer a sua própria
vontade, e homenageando a Deus com o fruto da terra, colheu o que havia de
melhor; preparou assim um banquete para Deus, sem, porém, sacrificar o cordeiro
como Deus havia pedido. Resultado, Deus não agradou-se da oferta de Caim,
porque ele havia desobedecido a sua vontade, e também, contrariava o plano da
Salvação que Deus havia preparado para a redenção dos homens. Mesmo Caim
tendo boas intenções em homenagear a Deus, sua oferta foi rejeitada. A bíblia relata
que Caim encheu-se de ira contra seu irmão Abel, que havia feito o que Deus
ordenara, e o matou.
Pergunto: Se o próprio J esus com toda a autoridade e poder sobre o
céus e a terra disse: É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei

67
(Lucas 16. 17), então com que autoridade o homem fez esta mudança na lei de
Deus?
Muitos dos povos da antiguidade adoravam o deus sol no primeiro dia da
semana, o Domingo. Mas havia um povo que guardava os mandamentos de Deus,
os J udeus. Satanás sabia que este povo não seguiria o seu sistema de adoração,
então instigou o homem a criar uma lei para obrigar a todos a adorarem o dia do
deus sol no Domingo, desviando assim a atenção dos homens do verdadeiro dia de
guarda, criado, abençoado e santificado por Deus, o sétimo dia da semana, o
Sábado do Senhor (Êxodo 20. 8 a 11).
4.3.1 – VEREMOS AGORA, À LUZ DA PALAVRA DE DEUS, O PRINCÍPIO DESSA
LEI CRIADA PELO HOMEM:
 Por volta do ano 605 a.c, havia um homem de Deus chamado Daniel.
Seus escritos são chamados por muitos de apocalípticos. Na bíblia Católica contém
14 capítulos dos seus escritos, e na bíblia Protestante 12 capítulos. No capítulo 7 de
Daniel, existe uma passagem bíblica em que Deus alerta Daniel sobre o que
aconteceria no final dos tempos. Deus revelou a Daniel que chegaria um tempo que
apareceria um poder político e religioso que cuidaria em mudar os tempos e a sua
lei, além de proferir palavras contra o Altíssimo (Deus).
O Em Daniel 7. 25 encontramos está passagem: "E proferirá palavras
contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os
tempos e a lei." Podemos ver nesta passagem bíblica, Deus mostrando a Daniel
que a sua lei, os Dez Mandamentos seriam mudados por esse poder político e
religioso. O versículo acima não menciona "poder político e religioso", mas se você
estudar todos os capítulos 6, 7, 8 de Daniel, você verá que este poder político e
religioso existiu, na figura de Roma pagã misturada com a igreja cristã corrompida
pela tradição.
O Como visto seções atrás, a história nos conta, que no dia 7 de março
do ano 321 d.c, um imperador romano pagão chamado Constantino uniu-se à igreja
cristã corrompida pelas tradições dos homens, e juntos criaram através de uma lei,
que todos deveriam descansar no venerável dia do sol, o domingo.
Esta lei causou um grande conflito entre J udeus e cristãos verdadeiros

68
contra o clero.
O No ano 364 d.c, realizou-se o concílio de Laodicéia. Essa assembleia
eclesiástica motivada em parte pela vigência do edito Constantino, estabeleceu no
cânon 29, a proibição dos cristãos de guardarem o Sábado bíblico, sob pena de
serem excomungados. Mais uma vez a igreja com sua autoridade própria, alterou a
lei de Deus.
Veja o Cânon 29: "Os cristãos não devem judaizar e descansar no
sábado, mas sim trabalhar neste dia; devem honrar o dia do Senhor e descansar, se
for possível, como cristãos. Se, entretanto, forem encontrados judaizando, sejam
excomungados por Cristo". Hefele, History of the Councils of the Church, vol. II,
livro 6, sec. 93, pág. 318.
Lembre-se do poder político e religioso de Daniel 7:25 "e cuidará em
mudar os tempos e a lei"
O O Imperador Constantino, no ano 321, foi o primeiro a ordenar a
rigorosa observância do domingo, proibindo toda classe de negócios jurídicos,
ocupações e trabalhos; unicamente se permitia ao lavradores que trabalhassem aos
domingos nas fainas agrícolas, se o tempo fosse favorável. A própria igreja no
concílio de Laodicéia em 364 d.c, instigou os cristãos, a não observarem o Sábado
bíblico, sob pena de serem excomungados. Uma lei posterior, do ano 425, proibiu a
celebração de toda classe de representações teatrais. E, afinal, no século VII,
aplicaram-se com todo o rigor a lei de adoração ao domingo, o dia do Deus sol.
(em inglês Sunday em Alemão Sonntag =dia do sol).
Desta data em diante, começara novamente a perseguição aos
verdadeiros cristãos e J udeus que guardavam a verdadeira lei de Deus, como Daniel
havia previsto no capítulo 7:25 a 605 anos antes de cristo.
4.3.2 – DESDOBRAMENTOS DESSE “NOVO SÁBADO” CRISTÃO
Muitos dos J udeus da seita dos fariseus instigados por satanás,
perderam a salvação por terem criado varias tradições de homens em cima da lei de
Deus, principalmente na questão do Sábado. Com o surgimento do cristianismo,
muitos J udeus fiéis aos mandamentos de Deus se converteram a Cristo, e satanás
sabia que eles iriam continuar seguindo a verdadeira lei de Deus, porque Cristo

69
disse que não veio mudar a lei e sim cumpri-la. Satanás tinha que atingir a essas
pessoas para obter o sucesso do seu falso sistema de adoração. Infiltrou-se então
na própria igreja já corrompida pela tradição, e junto com Roma pagã, instigou o
homem a criar uma lei ordenando a todos que adorassem o deus sol no Domingo,
forçando assim os cristãos a desviarem a atenção do verdadeiro dia de guarda
criado por Deus, o Sábado. Constantino e os Bispos de Roma, corrompidos pelo
poder e a tradição, tiveram problemas com muitos cristãos verdadeiros e J udeus que
não aceitaram esta lei pagã. Mas com o passar do tempo, o pseudo-sistema
inspirado pelo maligno fora se infiltrando através da força e da mentira, fazendo com
que a maioria dos cristãos acreditassem que esta lei era em homenagem à
ressurreição de Cristo, mas na realidade estavam fazendo a vontade de
Constantino, adorando o deus sol, o "Sol Invictus" (Lúcifer).
Para a igreja esta mudança ficou marcada até os dias de hoje, como uma
homenagem à ressurreição de Cristo, ou o dia do Senhor, mas para Deus uma
afronta a Sua lei.
Muitas ordenanças foram dadas a Moisés, e ele escrevia num livro e
colocava este livro ao lado da arca da aliança. Mas os Dez Mandamentos, o próprio
Deus desceu dos céus e com o seu dedo cortou a rocha e fez duas tábuas de pedra
e nelas escreveu a Sua lei moral, e ordenou a Moisés que fizesse uma arca e
colocasse as tábuas da lei dentro dela.
Pergunto: Se esta lei não fosse tão importante, Deus não precisaria
descer do céu para escrevê-la, ele pediria a Moisés para fazer isso.
Agora veja o que Deus fez para anunciar a Sua lei: A bíblia relata em
Êxodo 20, que quando Deus veio até Moisés para escrever com o seu dedo a sua
lei, houve grandes trovões e raios, o monte Horebe fumegava, os anjos subiam e
desciam do céu, grandes sonidos de trombetas eram ouvidos à distancia, e o povo
afastou-se do monte com medo de morrer, somente Moisés permaneceu nele, até
que fosse entregue as tábuas da lei. Se naquele dia em Êxodo 20, Deus fez tremer
a terra para anunciar a Sua Lei, depois mandou construir uma arca para colocá-la,
mais adiante disse que selaria essa mesma Lei nos corações dos homens (Isaías
8:16), e no novo testamento, em Apocalipse 12:17, o próprio J esus anunciou a J oão
a verdadeira igreja dos últimos dias, aquela que guardava os mandamentos de Deus
e tinha o testemunho de Cristo, com certeza Deus não iria mudar essa Sua lei nem
mesmo para homenagear a Seu filho J esus, sendo que o próprio J esus disse: “Seja

70
feita a tua vontade assim na terra como no céu” (Mateus 6:10).
Lembre-se que Caim perdeu a salvação por querer homenagear a Deus
da sua própria distorcida maneira e não de acordo com a vontade de Deus.
Disse-lhes J esus: “Não vim mudar a lei, e sim cumprir” – (Mateus 5:17).
Disse também: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” – (Lucas
16:17).
Faça um breve estudo sobre a inquisição e você verá que muitos dos
J udeus e cristãos verdadeiros morreram por terem guardado a verdadeira palavra de
Deus, e não os dogmas da igreja corrompida pela tradição. Verá também que muitos
morreram por guardarem o Sábado. Hora, se J esus pregou o amor e não a violência,
porque então a própria igreja assassinou esses cristãos que procuravam seguir a
verdadeira palavra de Deus?

Respondo a você: Satanás não conseguiu enganá-los, então resolveu matá-los
para que a doutrina pura de Deus não se espalhasse. Mas Deus, na sua infinita
sabedoria, começou a levantar homens verdadeiros para resgatar a sua verdade
corrompida pela tradição dos homens.

PASSAGENS BÍBLICAS SOBRE A OBEDIÊNCIA A DEUS

1) Pedro e os outros apóstolos foram levados perante ao sinédrio, por
pregarem a verdadeira palavra de Deus. Vejam o que eles disseram aos fariseus:
“Importa servir a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).
2) O profeta Jeremias disse: “Maldito é o homem que confia no homem.
E bendito é o homem que confia no Senhor” (Jeremias 17:5-7).
3) O profeta Isaías alertou sobre a lei de Deus: “Guarda o testemunho,
sela a lei nos corações dos meus discípulos” (Isaías 8:16).

4) O profeta Ezequiel alertou sobre a obediência ao Sábado de Deus:
“E santificai os meus Sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais
que eu sou o Senhor vosso Deus” (Ezequiel 20:20).

5) O apóstolo Tiago disse: “Porque qualquer que guardar toda a lei, e
tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse:

71
Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres
adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei de Deus” (Tiago 2: 10-11).

6) João apóstolo de Jesus e escritor do livro do apocalipse disse:
“Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e
nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus
está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele....
Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que
desde os primórdios tivestes. Este mandamento antigo é a palavra de Deus que
desde o princípio ouvistes” (I João 2: 4-7).

7) O próprio Jesus anunciou a João a respeito dos mandamentos de
Deus: “Aqui está a perseverança dos santos; aqui estão os que guardam os
mandamentos de Deus e tem o testemunho de J esus” (Apocalipse 14:12).

8) Veja o que o próprio Deus alertou: “Eis que hoje eu ponho diante de
vós a bênção e a maldição; a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do
Senhor vosso Deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não cumprirdes os
mandamentos do Senhor vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos
ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes” (Deuteronômio 11:26-
28).
9) Depois do juízo final, Deus recriara novos céus e nova terra, e veja
o que acontecerá com aqueles que obedecem a Deus: “Porque, como os novos
céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor,
assim também há de estar todos os salvos, com o seu novo nome. E será que desde
uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a
adorar perante mim, diz o Senhor” (Isaías 66:22-23).

10) Abominação da oração: O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei
do Senhor, até a sua oração será abominável (Provérbios 28:9).

11) Jesus e os Mandamentos de Deus: Se guardardes os meus
mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho
guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor (João 15:10).

72

12) Jesus guardava o Sábado da lei de Deus: E, chegando a Nazaré,
onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e
levantou-se para ler (Lucas 4:16).

PALAVRAS DE JESUS

“Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas
ovelhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço
o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas” (João 10: 14-15).

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me
ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me
manifestarei a ele” (João 14:21).

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Marcos
13. 31).
“Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar” (Êxodo 20:8).




73
5 – A CRUZ E A JUSTIFICAÇÃO
27

Como o tema central deste trabalho gira em torno da vontade divina para
nossas vidas, e necessariamente aborda a questão dos parâmetros divinos para a
nossa conduta, i.e., Suas Leis, faz-se mister também uma abordagem da
J ustificação unicamente pelos Méritos de Cristo, sob pena de passarmos a falsa
impressão de que a obediência às suas leis seria o caminho para a Salvação; e essa
é uma das conclusões mais absurdas e extremas que alguém poderia chegar.
“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras
da lei” (Romanos 3:28).
Paulo escreveu que J esus “foi entregue por causa das nossas
transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Romanos 4:25).
Entre os cristãos, poucos assuntos são mais controversos do que a
“justificação” mencionada no verso acima (e em outros). Desde o tempo de Paulo,
que lutou com este assunto no início da Igreja, até Martinho Lutero, cuja batalha com
o papado surgiu com a questão da justificação, até os dias de hoje, a questão da
justificação ainda fomenta discussão e debate.
Este é um assunto crucial, um tema poderoso que, sendo cristãos,
precisamos estudar com humildade, não apenas diante de Deus mas também uns
diante dos outros. É matéria que precisamos estudar de joelhos dobrados, com o
coração e a mente abertos ao Espírito, o Único que pode nos ensinar a Palavra.

C - O DOM
"Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo
castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele
sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu." (Isaías 53:5).
Na cruz, o próprio Deus tomou sobre Si o castigo pelo pecado. Isto é, a
fim de ser fiel a Si mesmo e aos grandes princípios que Ele próprio estabeleceu, o
pecado tinha que ser castigado. Esta é a justiça de Deus. Mas, a fim de ser
misericordioso, Ele tomou aquele castigo sobre Si mesmo, na pessoa do Seu Filho,
__________
27
Cf. J ONES, Brian. Sua maravilhosa cruz. 1. ed. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2005. p.
136-142.

74
satisfazendo assim as reivindicações da justiça enquanto, ao mesmo tempo, oferecia
misericórdia e perdão aos que nada mereciam (Romanos 3:26). Esta surpreendente
provisão forma a base da cruz, o fundamento sobre o qual recebemos o perdão e a
purificação dos nossos pecados e, finalmente, recebemos um novo corpo em um
novo mundo.
Com esse contexto em mente, você compreende por que a salvação tem
que ser gratuita? Pense nisto: se a salvação dependesse de qualquer coisa que
pudéssemos fazer, o Filho de Deus, ao assumir a humanidade, vivendo como
homem uma vida de perfeita obediência ao Pai, e então indo para a cruz, onde
enfrentaria a ira divina contra o pecado, onde todos os pecados do mundo cairiam
sobre Ele, onde Ele se tornaria pecado por nós, onde seria julgado e condenado em
nosso lugar, onde morreria como Substituto de todo o mundo – tudo isso ainda não
seria suficiente? A simples ideia de comprar a nossa salvação debilita
automaticamente em nossa mente tudo o que Deus realizou por nós. O que mais
qualquer um de nós – isto é, qualquer pecador – pode fazer para completar o que foi
feito por nós na cruz?
"Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens
para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos
os homens para a justificação que dá vida." (Romanos 5:18). Em decorrência disso,
nós fomos agora libertados do pecado e somos escravos de Deus. Com isso nós
ganhamos uma vida completamente dedicada a ele, e o resultado é que nós
teremos a vida eterna (Romanos 6:22). "Graças a Deus pelo seu dom inefável!" (2Co
9:15).
“Cada pessoa poderá assim dizer: `Por Sua obediência perfeita satisfez
Ele os reclamos da lei, e minha única esperança está em olhar para Ele como meu
Substituto e penhor, que obedeceu perfeitamente à lei por mim. Pela fé em Seus
méritos, estou livre da condenação da lei. Ele me veste de Sua justiça, que responde
a todas as exigências da lei. Sou completo nAquele que introduz a justiça eterna. Ele
me apresenta a Deus nas vestes imaculadas das quais nenhum fio foi tecido por
qualquer instrumento humano. Tudo é de Cristo, e toda a glória, honra e majestade
devem ser dadas ao Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo´.” –
Mensagens Escolhidas, vol.1, pág. 396.

C - JUSTIFICADO

75
“O Meu Servo, o J usto, com o Seu conhecimento, justificará a muitos,
porque as iniquidades deles levará sobre Si” (Isaías 53:11).
Duas palavras traduzidas como “justificar” são sadaq (hebraico) e dikaioo
(grego), e têm basicamente o mesmo significado. São termos legais. As duas
devem ser entendidas no contexto do pronunciamento que um juiz faz no tribunal
sobre os casos que lhe são levados. Se o juiz decide a favor do acusado, este é
“justificado”; se o juiz decide contra o acusado, este é condenado. “J ustificação”,
portanto, é uma declaração legal. Uma pessoa é justificada quando é declarada
absolvida pelo juiz.
Em Deut. 25:1 e Mat. 12:37 (dentre inúmeros outros versos) nos é
demonstrado a existência de um nítido contraste entre ser justificado e ser
condenado:
“Em havendo contenda entre alguns, e vierem a juízo, os juízes os
julgarão, justificando ao justo e condenando ao culpado.” (Deuteronômio 25:1)
“Porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras,
serás condenado.” (Mateus 12:37)
Nestes dois exemplos, só existem duas opções. Não existe espaço
intermediário, terreno neutro ou acordo. Ou as pessoas são declaradas justificadas,
isto é, absolvidas, ou são condenadas. Por sua natureza, o conceito de justificação
(como também a condenação) não permite graduação. Você não pode ser
parcialmente justificado nem parcialmente condenado. Uma decisão pode ser
mudada, a condição da pessoa pode ser invertida, mas, no fim, ou a pessoa é
justificada ou é condenada.
Tendo isso em mente, o que estas palavras significam para você: “Agora,
pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rom. 8:1)?
Não é isso algo maravilhoso? Mas como você explicaria esta afirmativa a um não-
cristão?

C - O RESULTADO DA JUSTIFICAÇÃO
Até agora, olhando para a cruz, vimos que o próprio Deus, na pessoa de
J esus, tomou a penalidade pelos nossos pecados. J esus pagou a penalidade;
assim, não temos que pagá-la. Somos poupados do que nos é devido porque J esus
tomou sobre Si o que nos era devido.
Entretanto, existe algo mais sobre a nossa salvação. As boas-novas são

76
que podemos ser justificados diante de Deus – não por força das nossas boas obras
(pois, por melhores que sejam, não são suficientemente boas) mas por causa da
justiça de J esus. Somente J esus viveu uma vida sem pecado, e Sua vida perfeita é
creditada como se fosse nossa. Em outras palavras, J esus não só toma sobre Si
mesmo os nossos pecados, nossos trapos de imundície, mas nos oferece a
oportunidade de sermos revestidos de Suas vestes perfeitas de justiça (Mat. 22:1-
14).
Em Romanos 4:1-8 lemos que “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi
imputado para justiça.” Paulo diz que o patriarca não fora achado justo mediante
obras, mas sim pela graça, pelos méritos do Cristo que viria e lhe imputaria
(atribuiria) a Sua própria J ustiça.
A grande notícia contida nos versos acima referidos é que, se as obras de
alguém tão justo e fiel como Abraão não são boas a ponto de salvar, que dizer do
restante de nós? E este é o argumento de S. Paulo: até mesmo Abraão, considerado
entre os judeus como um grande homem de Deus, precisava que a justiça lhe fosse
“imputada”, creditada, para que ele fosse justificado diante de Deus.

C - CRISTO, JUSTIÇA NOSSA (I Cor 1:30; II Cor 5:21)
Abraão, por mais piedoso que fosse, não era piedoso e fiel a ponto de ser
justificado diante de Deus. Se ele devesse ser salvo, teria de ser por algo mais do
que suas obras ou sua justiça. E é aqui novamente que entra J esus. Ele não apenas
morreu como nosso Substituto, pagando a penalidade pelo nossos pecados, mas o
Senhor oferece a todos os que a buscarem, a perfeita justiça de J esus em lugar de
cada registro pecaminoso da pessoa. Essa é a maravilhosa provisão do plano de
salvação: nossos pecados não são apenas perdoados, mas a justiça de J esus é
creditada a nós como se fosse nossa!
Em Romanos 3:21-26, Paulo deixa claro que a justiça de Cristo é a justiça
do próprio Deus, e esta é a justiça que permite que os pecadores sejam justificados
diante dEle. Nenhuma tentativa dos seres humanos para guardar a lei pode salvá-
los, pois a justiça que a obediência produz nunca é a justiça do próprio Deus;
“Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua
própria, não se sujeitaram à que vem de Deus” (Romanos 10:3).

C JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

77
Até agora, o que vimos é que somos todos pecadores, totalmente
incapazes de alcançar a justiça necessária para sermos justificados. No entanto,
J esus tem essa justiça, e pela maravilhosa provisão do evangelho, ela está
disponível a todos os que se apropriam dela – pela fé.
“(...) visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em
razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20).
“(...) sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e
sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que
fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei,
ninguém será justificado.” (Gálatas 2:16)
Textos como os vistos acima são muito frequentemente mal interpretados,
como se ensinassem que os cristãos não são mais obrigados a guardar a lei; mas
este não é o objetivo de Paulo. O assunto aqui não é a obediência (pelo menos a
nossa obediência); é a salvação, algo que a lei nunca pode produzir aos seres
humanos pecaminosos. De fato, é justamente porque os seres humanos violaram a
lei que têm de enfrentar a morte, e foi pra nos poupar dessa morte que J esus veio,
obedeceu perfeitamente à lei e nos oferece Seu registro em lugar do nosso. No
contexto da humanidade caída, a lei não é a solução – J esus é a solução.
“Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube
a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé.” (Romanos
4:13).
Nos versos acima (e também Romanos 9:31, 32; Gálatas 3:8-11), temos
evidência de que a salvação pela fé era ensinada tanto no Antigo Testamento
quanto no Novo.
Desde Adão até nós, todos os seres humanos (com exceção de J esus)
estiveram sob a condenação da lei, porque todos a violaram. Consequentemente, a
salvação sempre teve que ser pela fé, porque ninguém, nem mesmo nos tempos do
Antigo Testamento, poderia encontrar salvação na lei; pelo contrário, é a própria lei
que condena os pecadores. Buscar salvação na lei é como tentar apagar fogo com
gasolina.
No entanto, centrando a salvação em J esus e no que Ele fez por nós, o
Senhor mudou o centro da atenção para fora de nós mesmos, que somos o
problema, para começar, e o coloca em J esus, a única solução. Percebendo nossa
total incapacidade de fazer qualquer coisa para nos salvar, somos forçados a confiar

78
em algo que está fora de nós, algo maior, mais santo e mais poderoso do que nós,
que é, evidentemente, o “Senhor, Justiça Nossa” (J er. 23:6).
Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé,
independentemente das obras da lei. (Romanos 3:28)
5.1 – “ Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes,
confirmamos a lei”
28
. (Romanos 3:31 RA).
“Confirmamos a lei” - “Paulo enfatiza o lugar da lei como um princípio e
particularmente, no contexto deste capítulo, como está incorporada na lei revelada
do Velho Testamento. Ele já se referira ao testemunho do Velho Testamento dos
ensinamentos que em breve deveriam tornar-se conhecidos no Novo Testamento
(vers. 21). Agora assinala que a lei, vista como uma revelação da Santa vontade de
Deus e dos eternos princípios de moralidade, está inteiramente vindicada e
estabelecida pelo Evangelho de justificação pela fé em J esus Cristo. J esus veio a
esta terra para magnificar a lei (Isa. 42: 21; cf. Mat. 5: 17) e para provar pela Sua
vida de obediência, que o cristão pode, mediante a fortalecedora graça de Deus,
obedecer à Sua lei. O plano de justificação pela fé revela a consideração de Deus
por Sua lei demandando e providenciando o sacrifício expiatório. Se a justificação
pela fé ab-roga a lei, então não haveria necessidade da morte expiatória de Cristo,
para libertar os pecadores de seus pecados e restaura-los assim à paz com Deus.
“Além disso, a fé genuína traz em si uma prontidão sem reservas para
cumprir a vontade de Deus em uma vida de obediência à Sua lei... A fé real,
baseada em amor de todo o coração pelo Salvador, somente pode levar à
obediência. O fato de ter Cristo suportado tais sofrimentos por causa de nossa
transgressão da lei de Deus é um dos motivos mais poderosos para a obediência.
Nós não seguimos um rumo de conduta que deixe nossos amigos terrenos em
calamidade facilmente e de bom grado. Igualmente só podemos odiar os pecados
que infligiram tais dores sobre o incomparável Amigo. Uma das maiores glórias do
__________
28
Cf. QUADROS, Leandro. A QUE TIPO DE LEI PAULO REFERE-SE EM ROMANOS
3:31?. Escola Bíblica, S.l., s. d. Disponível em:
<http://www.advir.com.br/sermoes/Sermao_C_vp_%20Lei%20em%20Romanos3.31.htm>
Acesso em 14 J ul. 2013

79
plano da salvação é que, enquanto o plano torna possível a justificação do pecador
mediante a fé, provê também poderosas influências para leva-lo a um desejo de
obedecer.
“O plano da justificação pela fé coloca a lei no seu devido lugar. A função
da lei é a de convencer do pecado (v. 20) e revelar o grandioso padrão de justiça. O
pecador que se confronta com a lei, não vê apenas seu pecado; ele vê também sua
falta de qualidades positivas. A lei o leva então a Cristo e ao Evangelho (Gál. 3:24).
Portanto a fé e o amor produzem uma nova obediência à lei de Deus, a obediência
que brota da fé (Rom. 1:5; 16:26), a obediência do amor (cap. 13;8,10).
“O Conflito final na grande controvérsia entre Cristo e Satanás será sobre
a questão da autoridade e função da lei divina. O último grande engano que satanás
trará sobre o mundo é o de que não se faz mais necessário dar completa obediência
à todo preceito da lei do Senhor (Apoc. 12:17; 14:12; cf. DTN, pág. 569).
“S. Paulo diz de modo claro e insofismável: ‘Anulamos a lei pela fé? De
modo nenhum, antes ESTABELECEMOS a lei’. Mas o oponente desafia a S. Paulo...
Preferimos ficar com o apóstolo S. Paulo. A lei mencionada nos primeiros capítulos
de Romanos, inclusive o 3
o
, é a lei moral¸ decálogo, queiram ou não os irmãos que
pensam o contrário. Rom. 2:21 e 22 falam do decálogo (não furtar, não adulterar,
não praticar idolatria). Rom. 3:20 explica que “pela lei vem o conhecimento do
pecado” (A alusão circunstancial à circuncisão, ou incircuncisão, é a judeu e gentio,
pois o verso 30 diz que tanto um – o circunciso – como o outro – o incircunciso – só
se justificam pela fé).
“SALOMÃO L. GINSBURG (afamado ministro batista), em seu livro O
Decálogo ou os Dez Mandamentos, págs. 4 e 7, diz claramente: “As ideias que
alguns fazem da lei de Deus, são errôneas e muitas vezes perniciosas. O arrojo ou a
ousadia dos tais, chega a ponto de ensinar ou fazer sentir que a Lei já foi abolida...
Os que ensinam a mentira de que a lei não possui mais valor... ainda não leram com
certeza os versículos que nos servem de texto (S. Mat. 5:17-19). Deus não muda,
nem o seu poder, nem a sua glória; os seus preceitos são eternos.
“Vamos mais longe: essa Lei é a base da moralidade social, e será crível
que tal base seja abolida, isto é, que se mate, adultere, furte calunie? Não! Essa Lei
é toda digna de nossa admiração, respeito e acatamento.
“Jesus veio pôr em prática a Lei e não abolir.
“Tão grave se lhe afigura a tese da abolição da lei, que ele a estigmatiza

80
com o verbete terrível: mentira. Chama, sem rebuços, de mentirosos os que
sustentam a tese da abolição da lei”.
“WILLIAM C. TAYLOR (ministro, escritor e mentor batista de grande
projeção) referindo-se também especificamente ao decálogo, no opúsculo de sua
autoria Os Dez Mandamentos, entre outras coisas relativas à imutável e inab-rogável
lei moral, diz: “Seria uma bênção se cada púlpito no mundo trovejasse ao povo a voz
divina do Decálogo, pois a Lei é o aio para guiar a Cristo.
“A lei aqui não é a lei civil, nem a de Israel. Não se trata de cerimônias
levíticas. Trata-se de religião, no seu âmago moral, e especialmente trata-se do
pecado, de criar uma consciência acerca do pecado...
“O decálogo fica. A lei de ordenanças morre na cruz do Calvário e é
destruída por Tito, na queda de J erusalém.
“Os Dez Mandamentos são quase todos repetidos no Novo Testamento
...são aumentados e reforçados no cristianismo” – págs. 5,6 e 42.
“Para Taylor, os mandamentos do decálogo não foram abolidos. E diz
que, além da lei moral, há lei civil e cerimonial. Não há, portanto, uma só lei, pois
distingue inequivocamente os vários códigos...
“A. HOPKINS STRONG (eminente teólogo Batista), em seu conhecido
tratado Systematic Theology, vol. 2, pág. 408, diz: ‘Nem tudo na lei mosaica está
abolido na cruz. Cristo não encravou em Sua cruz nenhum mandamento do
Decálogo”.
Na página 548 do mesmo livro, comenta Strong acerca de Romanos
3:31:
“A graça deve ser entendida, contudo, não como abolindo a lei, mas como
estabelecendo- a (Rom. 3:31 ‘estabelecemos a lei’)”
Pr. Myer Pearlman, pentecostal, professor de muitos pastores, inclusive
do Pr. N. Lawrence Olson, que foi por muitos anos o orador do Programa de Rádio A
Voz das Assembléias de Deus, assim se expressou:
“Os mandamentos representam a expressão décupla da vontade de J eová
e a norma pela qual governa seus súditos”. “Através da Bíblia”, pág. 27.
“O homem não pode entender verdadeiramente a Cruz de Cristo sem
primeiro entender a Lei de Deus. O pecado é a transgressão da lei pela qual
Deus governa, e esta declara que estamos sob a sentença de condenação.
O homem é um criminoso diante do tribunal de Deus;... Quando olhamos
para a Cruz e vemos Cristo morrendo ali, somos admoestados pelas
Escrituras a nos ver, não só perdoados por causa do sangue derramado,
mas também condenados á morte em Cristo. Aqui a Lei e a Cruz combinam
em divina harmonia. Tanto a Lei de Deus quanto a Cruz de Cristo condena

81
á morte o velho eu egoísta” – (Mesmo autor) “A Lei é Santa”, págs. 136 e
137.
“Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim
eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de
acordo com a lei e nos escritos dos profetas” (Atos 24:14 RA).
Paulo, mesmo sendo um crente na salvação pela graça, acreditava em
“todas as coisas que estavam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas”.
Sendo assim, ele nunca foi contra a lei (o Pentateuco), inclusive a guarda do sábado
bíblico, que remonta da criação do mundo sem pecado.
“Paulo desmente desta forma o argumento de que o antigo testamento
tem perdido seu valor para os cristãos. Todos os que como Paulo fixam seus olhos
em Cristo para a salvação, fariam bem em imitar seu exemplo de crer em “todas as
coisas que na lei e nos profetas estão escritas” (ver Lc 24:27)”
5.2 – “ E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da
graça? De modo nenhum!” (Romanos 6:15 RA).
Pelo fato de não estarmos “debaixo da lei” isto não significa que
possamos continuar pecando, ou seja, transgredindo abertamente a Lei de Deus.
“Pecado é a transgressão da lei” (I J o 3:4) e a consequência do mesmo é a morte do
pecador (Rm 6:23), pois desobedecer conscientemente à lei de Deus é tornar-se
escravo do pecado (I J o 3:4) e torna-se seu servo (J o 8:34). Se formos servos de
obediência ao pecado, iremos morrer; sendo servos de obediência à lei seremos
servos para a justiça (Rm 6:16).
Paulo diz que, “uma vez libertos do pecado” (Rm 6:18), fomos feitos
“servos da justiça”. Isto claramente ensina que a graça de Cristo, ao libertar-nos do
pecado, não nos dá a liberdade de sermos transgressores conscientes.
Ser servos da justiça significa termos um caráter reto. “Os atos de
obediência produzem hábitos de obediência, e tais hábitos constituem um caráter
reto”.
“Muitos evangélicos citam a expressão de Paulo – “não estamos debaixo
da lei” (Rm 6:14-15; Gál 5:18) querendo significar que a lei moral foi abolida.
“Os Adventistas ensinam que “debaixo da lei” significa “debaixo da
condenação da lei”. Não estar debaixo da lei não quer dizer estar desobrigado de

82
cumpri-la, mas sim não ser culpado de sua transgressão. A única maneira de não
estarmos debaixo da lei é cumpri-la. Se transgredirmos uma lei, incorremos em
multa, prisão, ou qualquer punição enfim.
“A graça divina não erradica a lei dando ao homem licença para pecar.
Isto é amplamente expresso em Romanos 6-8”.
“O texto diz que não estamos debaixo da “maldição da lei”. Isto quer dizer
que não estamos debaixo da “condenação” da mesma, que é a morte eterna. Note
que Paulo fala que fomos libertados da maldição (morte) e não da guarda.
Devemos obedecer aos mandamentos não para sermos salvos, pois a graça de
J esus nos salvou; mas sim, obedecer por amor, demonstrando que aceitamos tal
salvação. A obediência por amor demonstra o tipo de fé que temos, se é uma fé forte
e verdadeira (pela obediência) ou se é fraca e falsa (pela desobediência)”.
O próprio Apóstolo Paulo disse que “tinha prazer na lei de Deus”
(Romanos 7:22).
Vejamos este outro estudo sobre a passagem:
“Leiamos tal como está escrito, o texto que é chave deste estudo:
‘Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim
da graça. E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da
graça? De modo nenhum!’ (Romanos 6:14-15 RA). Descobrimos imediatamente que,
fosse o que fosse que Paulo desejasse compreendêssemos por meio desta
passagem, não queria ele que concluíssemos que o reino da graça nos liberta da lei.
“E daí?” diz ele; “havemos de pecar”, isto é, quebrantaremos a lei, “porque não
estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum”.
“O versículo imediato torna claro que estar “debaixo da lei significa estar
debaixo da sua condenação, e que estar “debaixo da graça” significa estar vivendo
debaixo do plano que Deus ofereceu para salvação do domínio do pecado. Essa é a
razão pela qual Paulo assevera: “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis
como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do
pecado para a morte ou da obediência para a justiça? E, uma vez libertados do
pecado, fostes feitos servos da justiça”. (Romanos 6: 16 e 18 RA).

“O contraste está entre ser servos “do pecado” e servos “da obediência
pra justiça”...”


83
Podemos comparar a lei ao um espelho. Quando estamos com nosso
rosto sujo, vamos ao espelho a fim dele nos mostrar onde está a sujeira. Se não
tivéssemos o espelho, não saberíamos que estamos sujos. O espelho não limpa;
apenas mostra onde estamos sujos; quem limpa é a água.

O mesmo se dá com a lei. Ela serve para nos mostrar o pecado, mas não
limpa. Quem limpa é Jesus Cristo através de sua graça.
Assim como ao nos limparmos não devemos jogar fora o espelho após
ele nos mostrar a sujeira, não devemos jogar fora a lei após ela nos mostrar a sujeira
do pecado. Se o fizermos, não teremos mais o espelho que nos mostra onde está o
pecado para podermos ir a Cristo, que nos limpa do pecado.

A lei é um padrão moral estabelecido por Deus para nos proteger.

Faço minha as palavras do Pr. Batista Strong:
“A graça, contudo, não deve ser entendida como se ab-rogasse a lei, mas
sim como reafirmando-a e estabelecendo-a (Romanos 3:31 ‘estabelecemos
a lei’). A graça assegura o perfeito cumprimento da lei, removendo da mente
de Deus os obstáculos do perdão, e habilitando o homem a obedecer
(Romanos 8:4 ‘para que a justiça da lei se cumprisse em nós’).”
5.3 – Como harmonizar o pensamento bíblico da salvação pela graça com a
importância da obediência?
As obras não salvam, mas devem ser uma consequência de nossa
conversão.
Façamos a seguinte análise:
Todos sabemos que a Bíblia é inspirada pelo Espírito Santo (II Pedro
1:21). Portanto, como é um livro sagrado, não pode se contradizer. Para
entendermos este assunto, vamos analisar estes dois versos seguintes:

“ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de
vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).
“ Eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada
um segundo as suas obras” (Apocalipse 22:12).


84
Pelo que pudemos ver no texto acima o apóstolo Paulo fala que somos
salvos pela fé.
Noutra passagem J esus Cristo afirma que seremos julgados pelas obras.
Como harmonizar isto?
As duas declarações estão certas. Não há nenhuma contradição nestes
versos. Apenas temos de entender porque precisamos obedecer a lei.
Quando guardamos a lei, não devemos faze-lo com o intuito de obter a
salvação, pois esta só vem pela graça de J esus; temos de obedecer como uma
consequência de estarmos convertidos.
A experiência da salvação pela graça resulta em obediência à lei de Deus
(Romanos 8:1-4). As obras da fé demonstram que a graça de cristo está operando
na vida para nos colocar em harmonia com os retos princípios da lei.
Portanto, podemos concluir que as obras devem acompanhar a fé porque
somente assim demonstramos que realmente cremos. “ Porque, assim como o
copo sem o espírito (fôlego de vida da boca de Deus) é morto, assim também a
fé sem obras é morta” . (Tiago 2:26).
A obediência é também uma “demonstração de amor a J esus”.
Veja o que Ele mesmo disse: “ Se me amais, guardareis os meus
mandamentos” (J oão 14:15).
Todo o cristão que verdadeiramente ama a J esus deve obedece-lo, não
para ser salvo, mas como resultado da salvação já recebida e como prova de seu
amor e obediência.
Nós seremos julgados pelas obras porque Deus nos dá a sua graça para
obedecemos. E quando não guardamos seus mandamentos, estamos mostrando
que não aceitamos sua graça.
Não somos salvos pelas obras, mas para praticarmos as boas obras.
Isto é bem claro nas Escrituras: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto
não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois
somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de
antemão preparou para que andássemos nelas”. (Efésios 2:8-10 RA – grifos
nossos). Outro texto esclarecedor acerca da harmonia que há entre a justificação
pela graça e a prática das boas obras é o seguinte:
“a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros,
segundo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a

85
estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus
sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas
aos homens”. (Tito 3:7-8 RA – grifos meus).
Não há contradição entre a graça e as obras.

J esus complementa isto:
“ Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele
dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado
em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não
fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci.
Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” . (Mateus 7:21-23 RA).
O diabo crê em Deus; mas ele será salvo? Claro que não, pois ele não
prova que ama a Deus e que aceitou a sua graça através da obediência.

Vem então a seguinte pergunta:

A salvação pela graça anula a lei?

“ Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes,
confirmamos a lei” . (Romanos 3:31 RA).

“ E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim
da graça? De modo nenhum! Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis
como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos,
seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?” (Romanos 6:15-
16 RA).

Paulo diz nestes versos que a fé e a salvação pela graça não anulam a
lei. Por que? Porque ao sermos salvos, como fruto de nossa conversão e
santificação, iremos obedecer, pela graça de J esus, aos seus mandamentos. Não
para ser salvos; mas porque já estamos salvos.

Vejamos este exemplo:

86

Digamos que um dia eu saia com meu carro e ande em alta velocidade,
superior à permitida. Um guarda me para e me dá uma multa porque transgredi as
leis de trânsito.

Em seguida, vou pagar a multa.
Será que ao pagar a multa eu estou livre para continuar transgredindo
as leis de trânsito? De modo nenhum, pois isto seria negligência de minha parte e
certamente seria multado novamente.

O mesmo se dá com a lei de Deus. Jesus pagou o preço por nós
transgredirmos os mandamentos de Deus (pecado); mas será que por ele ter pago o
preço estamos livres para continuar transgredindo sua leis? Também não, pois
seria o mesmo que eu não precisar mais obedecer às leis de trânsito após pagar a
multa.

Outro exemplo é no que diz respeito á saúde. Vamos supor que eu tenha
fumado toda a minha vida. Como consequência, adquiri um câncer, por sorte,
benigno.

Depois de meses de tratamento, fui curado. Será que pelo fato de eu
estar agora curado do câncer me dá o direito de continuar a transgredir as leis de
saúde? Dá-me o direito de continuar fumando e ficar com a consciência tranquila?
NÃO, pois se continuar fumando certamente irei contrair um câncer ainda pior.

J esus, o médico divino, nos curou do pecado e suas consequências
(morte eterna) através de seu sacrifício na cruz. Não devemos por causa disso
continuar “fumando” (pecando) só por que ele nos salvou pela sua graça; temos de
obedecer para não continuar em pecado e não ficarmos doentes novamente:
“ porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” . (Romanos 6:23 RA).

“ Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos
recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos

87
pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador
prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento
de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto
mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos
pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi
santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que
disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará
o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” . (Hebreus 10:26-31
RA).


88
6 - O DIA DO SENHOR
“Achei-me em visão no dia do Senhor,” foi a declaração feita por J oão em
Apocalipse 1:10.
Não querendo desmerecer os irmãos que dizem ser esse dia não um dia
literal, mais tão-só um dia simbólico, que representaria o dia do juízo de Deus,
sinceramente creio não ser possível compreender que o apóstolo estava aqui se
referindo ao glorioso dia futuro de libertação do seu povo quando escreveu o verso
retro.
O próprio contexto confirma a literalidade da expressão: (v.9) J oão está
numa ilha (uma pessoa num local preciso) chamada Patmos (ilha literal, ou há
alguém que quer conseguir uma interpretação simbólica para ela, como a “solidão
espiritual”); (v.10) num tempo preciso, dia do Senhor, e ouviu algo preciso, que está
nos versos seguintes.
Alguns (especialmente os Católicos Romanos) também propugnam que
este verso indica que o “dia do Senhor” é o domingo. Porém, um estudo apurado do
texto no seu original grego demonstra que traduzir “dia do Senhor” por “domingo”,
como acontece com algumas versões tendenciosas da Bíblia, é um equívoco. A
expressão que aparece no texto grego de Ap 1:10 é KURIAKÊ EMÊRA, que significa
apenas “dia do Senhor”, nada tendo a ver com o “domingo” (dia consagrado ao deus
Sol – SUNDAY, em inglês).
Demais, Marcos 2:28 e Mateus 12:8 apontam bem para esse dia que o
Senhor J esus anunciou como sendo Seu. Certamente que todos os dias são Dele,
pois foram por meio dele que todas as coisas foram criadas. No entanto, na única
vez no Novo Testamento que J esus pessoalmente fez uma pública e preclara
declaração acerca de qual era o Seu dia, Ele o fez nessas palavras: "Porque o Filho
do Homem é senhor do sábado".
Diante de tal asserção, alguns questionamentos se fazem pertinentes.
Primeiramente, quem seria esse Filho do Homem? Porque J esus disse que Ele é o
Senhor do sétimo dia? Porque J oão haveria de dizer que estava no Dia do Senhor
na ilha de patmos? Qual é o dia de repouso no novo testamento? Mateus 28:1 e
Lucas 23 nos dão esta resposta, como se segue:
"No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria
Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro." (Mt. 28:1). Acabamos de ver nesse

89
versículo que o primeiro dia da semana é o domingo e que, portanto, o dia que
acabara de findar (e que estava sendo guardado pelas duas Marias) era o sétimo
dia, o Sábado. E que dia seria então o dia de repouso no NT? Em Lucas 23:56
podemos encontrar a resposta: "Então, se retiraram para preparar aromas e
bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento." Minha querida
irmã, não é fácil compreender que, se por acaso, esse dia tivesse sido mudado por
J esus, a mãe humana Dele, a pessoa mais próxima da Sua pessoa, não teria então
sabido? Por que ela, e outras mulheres que acompanhavam J esus, não deixaram de
guardar o Sábado mesmo depois da morte do Imaculado Filho de Deus? Isso todos
nós precisamos melhor compreender. É preciso levar em conta a razão pela qual
hoje a maior parte de nós guarda o domingo. E, ao que tudo indica, esta guarda está
sendo feita em função de uma tradição exclusivamente. Neste sentido, o Arcebispo
D. Duarte Leopoldo, em “ Concordância dos Santos Evangelhos” , afirma:
“Se devemos repelir a tradição, e aceitar somente o que está na Bíblia,
como dizem os protestantes, por que aceitam eles a santificação do
domingo, o batismo de crianças e outras práticas que não constam na
Escritura Sagrada?” — P. 146.
6.1 – OUTRAS INCONGRUÊNCIAS
Um opositor aos mandamentos de Deus afirma: "O primeiro dia da
semana ou domingo tomou tanta importância, pelas coisas que se deram nele,
especialmente pela ressurreição de J esus, que se tornou comum entre os apóstolos
e os cristãos primitivos chamá-lo 'dia do Senhor'. A linguagem de J oão 'Eu fui
arrebatado em espírito no dia do Senhor' (Apocalipse 1:10) revela o fato que
qualquer pessoa no seu tempo, que lesse esse seu escrito saberia a que dia se
referia, isto é, qual o dia que pertencia ao Senhor J esus."29
Há nesse trecho nada menos que três afirmações destituídas de qualquer
fundamento:
a) "... o domingo tomou tanta importância..."
Não tomou importância nenhuma. Tanto assim que os evangelistas
sinóticos, escrevendo seus evangelhos sempre depois do ano 60, mais de 30 anos
__________
29
Cf. APOCALIPSE 1:10 e o "Dia do Senhor". J esus voltará, S.l., s. d. Disponível em:


90
após a ressurreição, referem-se ao dia meramente como "o primeiro dia da semana",
sem nenhum título da santidade, sem nenhum caráter especial. Nos escritos
apostólicos não se vê esta "tanta importância" que o opositor pretende. E o mesmo
J oão, escrevendo seu evangelho, perto do ano 100 de nossa era, também refere ao
dia como sendo "o primeiro dia da semana". Quer dizer que no fim do primeiro
século, o dia não tinha a "tanta importância" que lhe atribuem.
E isto nos vai ser confirmado pelo pastor Albert C. Pittman:
"Primitivamente reuniam-se [os cristãos] no domingo de manhã, porque o domingo
não era um dia feriado, mas sim um dia de trabalho normal como os demais...
Partilhavam de uma merenda religiosa e em seguida retornavam ao seu trabalho,
para os labores da semana." – The Watchman Examiner, 25 de outubro de 1956.

b) "... se tornou comum entre os apóstolos... chamá-lo 'dia do Senhor'."
Aí está outra ficção. Quais apóstolos? Onde? Quando? Como se prova
que tornou comum entre os apóstolos designar o domingo como o "dia do Senhor"?
Apontem-se seus escritos, por favor! Queremos provas!

c) "A linguagem de J oão: Eu fui arrebatado no 'dia do Senhor' revela o
fato..."
Primeiramente o arrebatamento nada prova em favor da guarda do dia,
aliás a nova versão bíblica diz "achei-me em espírito", indicando apenas que o
apóstolo teve as visões. J oão teve outras visões e, com relação a estas, não se
menciona o dia em que ocorreram. A segunda visão se deu em dia não especificado
(Apocalipse 4:2), e o fato de um profeta ter visão em determinado dia, não significa
que tal dia deva ser guardado. A santidade de um dia repousa em base mais sólida,
fundamenta-se num claro e insofismável "assim diz o Senhor".
A afirmação que o "dia do Senhor" nessa passagem se refira
indiscutivelmente ao primeiro dia da semana é baseada em presunção sem nenhum
valor probante. O fato de em fins do segundo século da era cristã surgirem escritos
aludindo ao primeiro dia da semana como sendo "dia do Senhor', não autoriza ao
dogmatizar que J oão também se referia ao domingo. Antes do ano 180 d.C., quando

<http://www.jesusvoltara.com.br/selo/index1.htm>Acesso em 16 J ul. 2013.

91
surgiu um falso Evangelho Segundo S. Pedro que afirmava ser o primeiro dia da
semana o "dia do Senhor", nada, absolutamente nada se pode invocar para dizer
que J oão se referia ao domingo. O próprio J ustino Mártir que alude a um costume
que se implantava entre os cristãos, de se reunirem no primeiro dia da semana, ao
dia, refere como "o dia do Sol" e não como o "dia do Senhor".
A partir daqueles tempos, o título "dia do Senhor" aparece
exuberantemente na literatura patrística. Mas é preciso provar que J oão tinha em
mente o primeiro dia da semana quando escreveu "dia do Senhor". Autoridades
evangélicas afirmam que J oão escreveu seu evangelho depois do Apocalipse,
situando-se entre 96 a 99 d.C., tais como: Albert Barnes, em suas Notas Sobre os
Evangelhos, J ohn Beatty Howell em sua tabela de datas, W. W. Rand, em seu
Dicionário Bíblico, e comentaristas Bloomfield, Dr. Hales, Horne, Nevinse Olshausen,
Williston Walker e muitos outros.
Isso é importante, pois se J oão, no Apocalipse, escrito antes, se refere ao
domingo como o "dia do Senhor", como então no seu evangelho, escrito
posteriormente, volta a referir-se simplesmente ao "primeiro dia da semana"? (J oão
20:1 e 19).

Temos fundadas razões para crer que S. J oão se referia ao sábado.
Porque, consoante a Bíblia, o único "dia do Senhor" que nela se menciona é o
sábado. Leia-se cuidadosamente Isaías 58:13: "santo dia do Senhor". O quarto
mandamento em Êxodo 20:10 diz: "o sétimo dia é o sábado do Senhor." Em Marcos
2:28 lemos: "O Filho do homem é Senhor até do sábado."

E a Revista de J ovens e Adultos para Escola Dominical, editada pela
Convenção Batista Brasileira, relativa ao 4.º trimestre de 1938, pág. 15, assim
comenta este versículo: "... o 'Filho do homem é Senhor do sábado (Marcos 2:28)';
isto é... o sábado é o 'dia do Senhor', o dia em que Ele é Senhor e pelo Seu senhorio
Ele restaura o Seu dia ao seu verdadeiro desígnio."
O discípulo amado conhecia muito bem as palavras do Decálogo (Êxodo
20:10) bem como as de Isaías (Isaías 58:13). À vista disso, não precisamos ter
dúvidas quanto ao dia a que ele quis referir-se quando no Apocalipse escreveu: "fui
arrebatado em espírito no dia do Senhor". Só posteriormente, com a fermentação da
apostasia na igreja primitiva, é que o domingo foi tomando corpo, e a designação

92
"dia do Senhor" lhe foi dada deliberadamente.

Heylin, erudito de projeção intelectual, da Igreja da Inglaterra, escritor bem
informado, dá o seguinte testemunho:
"Tomai o que quiserdes, ou os pais [da igreja] ou os modernos: e não
encontraremos nenhum dia do Senhor instituído por mandamento
apostólico: nenhum 'sabbath' [dia de repouso] por eles firmados sobre o
primeiro dia da semana.
“Vemos assim sobre que bases se assenta o dia do Senhor: primeiro sobre
o costume e a consagração voluntária desse dia para reuniões religiosas; tal
costume continuou favorecido pela autoridade da igreja de Deus, que
tacitamente o aprovava; e finalmente foi confirmado e ratificado pelos
príncipes cristãos em todos os seus impérios. E como dia de descanso dos
trabalhos e abstenção dos negócios, recebeu sua maior força dos
magistrados civis enquanto detinham o poder, e a seguir dos cânones,
decretos de concílios, decretais dos papas, ordens de prelados de categoria
quando a direção dos negócios eclesiásticos lhes era exclusivamente
confiada.
“Estou certo de que assim não foi com o antigo sábado, o qual nem teve
origem no costume – e o povo não se adiantara a ponto de dar um dia a
Deus – nem exigiu qualquer favorecimento ou autoridade dos reis de Israel
para ser confirmado ou ratificado. O Senhor falou que Ele queria ter um dia
em sete, exatamente o sétimo dia da criação do mundo, para ser dia de
repouso para todo Seu povo, e este nada mais tinha a fazer senão de boa
vontade submeter-se à Sua vontade e obedecer-lhe...
“Assim, porém, não ocorreu no caso em tela. O dia do Senhor [domingo]
não tem nenhuma ordem para que deva ser santificado; mas foi
evidentemente deixado ao povo de Deus determinar este ou outro dia
qualquer, para uso notório. E assim foi adotado por eles, e tornado um dia
de reunião da congregação para práticas religiosas; contudo, por trezentos
anos não houve lei alguma que o impusesse aos crentes e tampouco se
exigia a cessação do trabalho ou de negócios seculares nesse dia." – Dr.
Peter Heylin, em History of the Sabbath, 2.ª parte, capítulos I e III, seção 12.

"Quando os antigos pais da Igreja falam do dia do Senhor, eles, às vezes,
talvez por comparação, o liguem ao dia de repouso; porém jamais encontramos,
anterior à conversação de Constantino, uma citação proibitória de qualquer trabalho
ou ocupação no mencionado dia; e se houve alguma, em grande medida se trata de
coisas sem importância, pelas razões que apresentavam." - Smith's Dictionary of the
Bible, pág. 593.

Depois de tudo isto, ainda que se pudesse provar (o que é
absolutamente impossível) que J oão tivera a visão num primeiro dia da semana,
isto em nada altera a observância do sétimo dia da semana, pois não tem relação

93
alguma com o dia do repouso do cristão, e muito menos se destina a abolir o sábado
do Decálogo.

Não é por outra razão que nós protestantes continuamos como alvo de
deboche por católicos, espiritistas, budistas e demais religiões. Somos
incongruentes demais.
O Cardeal Maida, Arcebispo de Detroit, EUA, observa:
“O dia santo foi mudado do sábado para o domingo… não em virtude de
qualquer instrução dada pelas Escrituras, mas por causa do sentimento de
poder da própria igreja (Católica). (…) As pessoas que pensam que as
escrituras deveriam ser a única autoridade, deveriam logicamente se tornar
Adventistas do Sétimo Dia, e santificar o sábado.” — Em “ St. Catherine
Catholic Church Sentinel” , Algonac, Michigan, EUA, 21 de maio de
1995. Grifos acrescentados.
Declara o “Boletim Católico Universal”:
“A Igreja (Católica) mudou a observância do sábado para o domingo pelo
direito divino e a autoridade infalível concedida a ela pelo seu fundador,
J esus Cristo. O protestante, propondo a Bíblia como seu único guia de fé,
não tem razão para observar o domingo. Nessa questão, os Adventistas do
Sétimo Dia são os únicos protestantes coerentes.” — P. 4, de 14 de agosto
de 1942. Grifos acrescentados.
Chega de citações. O que deve ser dito da situação contraditória em que
o protestantismo se encontra quanto à guarda do Dia do Senhor? Eis a igreja de
Cristo, chamada do catolicismo no século XVI para estabelecer-se sobre “a Bíblia, e
a Bíblia somente”, professando lealdade à Lei de Deus, lealdade ao “sábado” de
Deus, lealdade para com a verdade divina e ainda assim observando um dia que as
Escrituras não ordenam nem uma única vez, rejeitando completamente o dia que a
Bíblia declara santo! Sabendo disto, a Igreja Católica Romana não tem deixado de
observar a situação embaraçosa em que seus irmãos separados se encontram.
Talvez nenhum comentário possa ser mais bem feito do que o do órgão oficial do
Cardeal James Gibbons:
“A Igreja (Católica), mais de cem anos antes da existência de um único
protestante, em virtude de sua divina missão, mudou a solenidade do dia de
sábado para o domingo. (…) “O mundo protestante em sua origem (no
começo da Reforma no século dezesseis) encontrou o domingo muito
fortalecido para contrariar a sua existência; foi, por essa razão, colocado
sob a necessidade de aquiescer no arranjo, submetendo-se assim ao direito
da igreja de mudar o dia, por mais de trezentos anos. O domingo é, por
conseguinte, o reconhecido produto conseqüente da Igreja Católica como
esposa do Espírito Santo, sem uma palavra de protesto do mundo
protestante.
“Vejamos, agora, rapidamente, nossa segunda posição com relação à Bíblia
apenas, como ensinador e guia nos assuntos de fé e moral. Este ensinador

94
proíbe de maneira saliente qualquer mudança do dia por razões superiores.
O mandamento requer um ‘concerto perpétuo’. O dia ordenado pelo
ensinador para ser guardado jamais o foi, desenvolvendo-se assim uma
apostasia de um princípio supostamente fixado, tão contraditório, absurdo e,
conseqüentemente, tão suicida que se não pode expressar com poder da
linguagem.
“Os limites da desmoralização tampouco são ainda atingidos. Longe disto.
Seu pretexto de deixar o seio da Igreja Católica foi a apostasia da verdade
como ensinada na Palavra escrita. Adotaram a Palavra escrita como seu
único mestre, mas a abandonaram assim que fizeram esse adoção. (…) Por
uma perversidade tão voluntária quão errônea, aceitam o ensino da Igreja
Católica em oposição direta ao claro, invariável e contínuo ensinamento de
seu único mestre no que tange à doutrina mais essencial de sua religião,
realçando desse modo a circunstância na qual podem ser apropriadamente
tachados como ‘um escárnio, um embuste e um laço.’…
“A razão e o senso comum exigem a aceitação de uma outra destas
alternativas: o protestantismo e a observância e santificação do sábado, ou
o catolicismo e a observância e santificação do domingo. Um compromisso
ou acordo é impossível.” — Em “ Catholic Mirror” (Espelho Católico), de
23 de setembro de 1893. Reimpresso pelo como um folheto, “The Christian
Sabbath” (O Sábado Cristão), p. 29–32.

7 – O SELO DE DEUS
“Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na
fronte os servos do nosso Deus” (Apocalipse 7:3). Aqueles que receberem o selo de
Deus em suas frontes serão protegidos durante as pragas, como está escrito:
“Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido. Somente com
os teus olhos contemplarás e verás o castigo dos ímpios. Pois disseste: O SENHOR
é o meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua morada. Nenhum mal te sucederá, praga
nenhuma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito,
para que te guardem em todos os teus caminhos” (Salmos 91:7-11).
Mas então você pode perguntar, “o que a divina e imutável Lei moral tem
haver com o selo de Deus”? Resposta: "Resguarda o testemunho, sela a lei no
coração dos meus discípulos." (Isaías 8:16)
O selo de Deus é encontrado da Sua Lei moral. Um selo é o que torna um
documento oficial, e ele normalmente contém três características: Nome, Função e
Jurisdição (Domínio). Um exemplo bíblico seria o de Ciro, rei da Pérsia, em Esdras
1:1.
E em qual dos Dez Mandamentos se encontram todos os elementos de
um selo? “porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o

95
que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de
sábado e o santificou” (Êxodo 20:11).
O quarto mandamento é o único que contém todos os três elementos de
um selo: (1) “o SENHOR” – Seu nome, (2) “fez” – Sua função como Criador e (3) “os
céus e a terra, o mar e tudo o que neles há” – Sua J urisdição ou Domínio.
A presidente da república Dilma Vana Rousseff tem um ‘carimbo’. Com
este carimbo, ela autentica seus documentos. Este carimbo de Dilma pode ser
considerado como sendo um selo, pois distingue determinado documento como
sendo dela. É considerado um selo porque tem três principais características: Nome,
Função e Domínio (J urisdição).

*NOME: Dilma Vana Rousseff.
*FUNÇÃO: Presidente.
*DOMÍNIO: Brasil.

Percebeu? O sábado tem estas 3 (três) características de um selo, pois
contém o nome do dono do selo, sua função e seu domínio:

*NOME: “Senhor Deus”
*FUNÇÃO: Criador. “Porque em seis dias fez o Senhor...”.
*DOMÍNIO: O Universo. “... o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há...”.

Além disso, Deus nos deu o presente do sábado como um especial sinal
do Seu poder: “Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim
e eles, para que soubessem que eu sou o SENHOR que os santifica.” (Ezequiel
20:12). E também para que sejamos “marcados” como propriedade distinta Sua, pois
ao guarda-lo estaremos demonstrando ao mundo e ao universo que reconhecemos
J esus Cristo como sendo verdadeiramente o nosso Deus: “santificai os meus
sábados, pois servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o
SENHOR, vosso Deus.” (Ezequiel 20:20).
Deste modo, nós podemos claramente ver que Deus declara que Ele nos
deu o Sábado, o sétimo dia, como um sinal da Sua autoridade como Criador e poder
santificador daqueles a quem Ele “predestinou” a serem justificados e separados do
mundo para Si. É o Seu selo, ou marca de autoridade. As palavras “selo”, “sinal” e

96
“marca” são usadas de forma intercambiada ao longo de toda a bíblia (nós podemos
ver esse intercâmbio, p. ex., ao traçarmos um paralelo entre Genesis 17:11 e
Romanos 4:11 e, igualmente, ao compararmos Apocalipse 7:3 com Ezequiel 9:4).

9.1 – MAS PORQUE DEUS PRECISARIA DE UM SINAL PARA QUE
SOUBÉSSEMOS QUE SOMOS DELE?
Se, como sabemos, só há um único e verdadeiro Deus, é de indagar-se
por que J eová se preocuparia em instituir para nós um “sinal” para que
soubéssemos que só Ele “seria o SENHOR, nosso Deus”. É óbvio que, diante de
passagens assim, o SENHOR nos declara que existiriam outros “seres” que
tentariam usurpar o Seu lugar de Direito como sendo nosso único Deus e Pai.
Para melhor compreender essa necessidade que Deus viu em nos deixar
um sinal distintivo como sendo Seus (para não sermos confundidos com outros
“deuses”), faz-se mister, primeiramente, uma análise de como surgiu o mal no
universo e de como ele chegara neste planeta.
9.1.1 - A ORIGEM DO MAL
30

Enquanto todos os seres criados reconheceram a lealdade pelo amor,
houve perfeita harmonia por todo o universo de Deus. Deleitavam-se em refletir a
Sua glória, e patentear o Seu louvor. E enquanto foi supremo o amor para com
Deus, o amor de uns para com outros foi cheio de confiança e abnegado. (...)
Sobreveio, porém, uma mudança neste estado de felicidade. Houve um
ser que perverteu a liberdade que Deus concedera a Suas criaturas. O pecado
originou-se com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus, e o
mais elevado em poder e glória entre os habitantes do Céu. Lúcifer, "filho da alva",
era o primeiro dos querubins cobridores, santo, incontaminado. Permanecia na
presença do grande Criador, e os incessantes raios de glória que cercavam o eterno
Deus, repousavam sobre ele. Assim diz o Senhor J eová:
__________
30
Cf. A ORIGEM do mal. IASD on-line TMA, S.l., s. d. Disponível em:
<https://sites.google.com/site/iasdonline/home/terceira/originevil>Acesso em 16 J ul. 2013.

97
"(...) Você era o modelo da perfeição, cheio de sabedoria e de perfeita
beleza. Você estava no Éden, no jardim de Deus; todas as pedras preciosas o
enfeitavam. (...) Você foi ungido como um querubim guardião, pois para isso Eu o
designei. Você estava no monte santo de Deus e caminhava entre as pedras
fulgurantes. Você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado
até que se achou maldade em você." (Ezequiel 28:12-15 NVI).
Pouco a pouco Lúcifer veio a condescender com o desejo de exaltação
própria. Dizem as Escrituras: "Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura,
corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor (...)" (Ezequiel 28:17 RA).
"Tu dizias no teu coração: 'Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o
meu trono (...); subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao
Altíssimo'." (Isaías 14:13-14 RA).
Se bem que toda a sua glória proviesse de Deus, este poderoso anjo veio
a considerá-la como pertencente a si próprio. Não contente com sua posição,
embora fosse mais honrado do que a hoste celestial, arriscou-se a cobiçar a
homenagem devida unicamente ao Criador. Em vez de procurar fazer com que Deus
fosse o alvo supremo das afeições e fidelidade de todos os seres criados, consistiu o
seu esforço em obter para si o serviço e lealdade deles. E, cobiçando a glória que o
infinito Pai conferira a Seu Filho, este príncipe dos anjos aspirou ao poder que era a
prerrogativa de Cristo apenas.
Quebrantou-se então a perfeita harmonia do Céu. A disposição de Lúcifer
para servir a si em vez do Criador, suscitou um sentimento de apreensão ao ser
observada por aqueles que consideravam a glória de Deus suprema. No conselho
celestial os anjos insistiam com Lúcifer. O Filho de Deus apresentou perante ele a
grandeza, a bondade e a justiça do Criador; e, a natureza imutável e sagrada de Sua
lei. Mas a advertência, feita com amor e misericórdia infinitos, apenas despertou
espírito de resistência. Lúcifer consentiu que prevalecessem seus sentimentos de
inveja para com Cristo, e se tornou mais decidido. (...)
O Rei do universo convocou os exércitos celestiais perante Ele, para, em
sua presença, apresentar a verdadeira posição de Seu Filho, e mostrar a relação
que Este mantinha para com todos os seres criados. (...) Os anjos alegremente
reconheceram a supremacia de Cristo, e, prostrando-se diante dEle, extravasaram
seu amor e adoração. Lúcifer curvou-se com eles; mas em seu coração havia um
conflito estranho, violento. A verdade, a justiça e a lealdade estavam a lutar contra a

98
inveja e o ciúme. A influência dos santos anjos pareceu por algum tempo levá-lo com
eles. Ao ascenderem os cânticos de louvores, em melodiosos acordes, avolumados
por milhares de alegres vozes, o espírito do mal pareceu subjugado; indizível amor
fazia fremir todo o seu ser; em concerto com os adoradores destituídos de pecado,
expandia-se-lhe a alma em amor para com o Pai e o Filho.
De novo, porém, achou-se repleto de orgulho por sua própria glória.
Voltou-lhe o desejo de supremacia, e uma vez mais condescendeu com a inveja de
Cristo. As altas honras conferidas a Lúcifer não eram apreciadas como um dom
especial de Deus, e, portanto, não provocavam lhe gratidão para com o seu Criador.
Ele se gloriava em seu brilho e exaltação, e almejava ser igual a Deus. Era amado e
reverenciado pelo exército celestial, anjos se deleitavam em executar suas ordens, e
estava ele revestido de sabedoria e glória mais do que todos eles. Contudo, o Filho
de Deus era mais exaltado do que ele, sendo um em poder e autoridade com o Pai.
Partilhava dos conselhos do Pai, enquanto Lúcifer não penetrava assim nos
propósitos de Deus. "Por que", perguntava este poderoso anjo, "deveria Cristo ter a
primazia? Por que é Ele mais honrado do que Lúcifer?"
Deixando seu lugar na presença imediata do Pai, Lúcifer saiu a difundir o
espírito de descontentamento entre os anjos. Ele agia em misterioso segredo, e
durante algum tempo escondeu seu propósito real sob uma aparência de reverência
para com Deus. Começou a insinuar dúvidas com respeito às leis que governavam
os seres celestiais, dando a entender que, conquanto pudessem as leis ser
necessárias para os habitantes dos mundos, não necessitavam de tais restrições os
anjos, mais elevados por natureza, pois que sua sabedoria era um guia suficiente.
Não eram eles seres que pudessem acarretar desonra a Deus; todos os seus
pensamentos eram santos; não havia para eles maior possibilidade de errar para
com o próprio Deus.
A exaltação do Filho de Deus à igualdade com o Pai, foi representada
como sendo uma injustiça a Lúcifer, o qual, pretendia-se, ter também direito à
reverência e à honra. Este príncipe dos anjos alegava que, se pudesse tão somente
alcançar a sua verdadeira e elevada posição, grande bem resultaria para todo o
exército do Céu; pois era seu objetivo conseguir liberdade para todos. (...) Muitos
dos anjos ficaram cegos pelos enganos de Lúcifer.
Tirando vantagem da amável e leal confiança nele depositada pelos seres
santos que estavam sob suas ordens, com tal arte infiltrara em suas mentes a sua

99
própria desconfiança e descontentamento que sua participação não foi percebida.
Lúcifer havia apresentado os propósitos de Deus sob uma luz falsa, interpretando-os
mal e torcendo-os, de modo a incitar a dissensão e descontentamento.
Astuciosamente levou os ouvintes a dar expressão aos seus sentimentos; então
eram tais expressões repetidas por ele quando isto servisse aos seus intuitos, como
prova de que os anjos não estavam completamente de acordo com o governo de
Deus. Ao mesmo tempo em que, de sua parte, pretendia uma perfeita fidelidade
para com Deus, insistia que modificações na ordem e leis do Céu eram necessárias
para a estabilidade do governo divino.
Assim, enquanto trabalhava para provocar oposição à lei de Deus, e
infiltrar seu próprio descontentamento na mente dos anjos sob seu mando,
ostensivamente estava ele procurando remover o descontentamento e reconciliar
anjos desafetos com a ordem do Céu. Ao mesmo tempo em que secretamente
fomentava a discórdia e a rebelião, com uma astúcia consumada fazia parecer como
se fosse seu único intuito promover a lealdade, e preservar a harmonia e a paz. (...)
Com grande misericórdia, de acordo com o Seu caráter divino, Deus
suportou longamente a Lúcifer. O espírito de descontentamento e desafeição nunca
antes havia sido conhecido no Céu. Era um elemento novo, estranho, misterioso,
inexplicável. O próprio Lúcifer não estivera a princípio ciente da natureza verdadeira
de seus sentimentos; durante algum tempo receou exprimir a ação e imaginações de
sua mente; todavia não as repeliu. Não via para onde se deixava levar. Entretanto,
esforços que somente o amor e a sabedoria infinitos poderiam imaginar, foram feitos
para convencê-lo de seu erro. Provou-se que sua desafeição era sem causa, e fez-
se-lhe ver qual seria o resultado de persistir em revolta. Lúcifer estava convencido
de que não tinha razão. Viu que "justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, e
santo em todas as Suas obras" (Salmos 145:17 KJ V); que os estatutos divinos são
justos, e que, como tais, ele os deveria reconhecer perante todo o Céu. Houvesse
ele feito isto, poderia ter salvo a si mesmo e a muitos anjos.
Ele não tinha naquele tempo repelido totalmente sua lealdade a Deus.
Embora tivesse deixado sua posição como querubim cobridor, se contudo estivesse
disposto a voltar para Deus, reconhecendo a sabedoria do Criador, e satisfeito por
preencher o lugar a ele designado no grande plano de Deus, teria sido reintegrado
em suas funções. Chegado era o tempo para um decisão final; deveria render-se
completamente à soberania divina, ou colocar-se em franca rebelião. Quase chegou

100
à decisão de voltar; mas o orgulho o impediu disto. Era sacrifício demasiado grande,
para quem fora tão altamente honrado, confessar que estivera em erro, que suas
imaginações eram errôneas, e render-se à autoridade que ele procurara demonstrar
ser injusta.
Um compassivo Criador, sentindo terna piedade por Lúcifer e seus
seguidores, procurava fazê-los retroceder do abismo de ruína em que estavam
prestes a imergir. Sua misericórdia, porém, foi mal interpretada. Lúcifer apontou a
longanimidade de Deus como uma prova de sua superioridade, como indicação de
que o Rei do universo ainda concordaria com suas imposições. Se os anjos
permanecessem firmes com ele, declarou, poderiam ainda ganhar tudo que
desejassem. Persistentemente defendeu sua conduta, e entregou-se amplamente ao
grande conflito contra seu Criador. Assim foi que Lúcifer, "o portador de luz", aquele
que participava da glória de Deus, que servia junto ao Seu trono, tornou-se, pela
transgressão, Satanás, o "adversário" de Deus e dos seres santos, e destruidor
daqueles a quem o Céu confiou a guia e guarda.
Rejeitando com desdém os argumentos e rogos dos anjos fiéis, acusou-os
de serem escravos iludidos. A preferência mostrada para com Cristo declarou ele ser
um ato de injustiça tanto para si como para todo o exército celestial, e anunciou que
não mais se sujeitaria a esta usurpação dos direitos, seus e deles. Nunca mais
reconheceria a supremacia de Cristo. Resolvera reclamar a honra que deveria ter
sido conferida a ele, e tomar o comando de todos os que se tornassem seus
seguidores; e prometeu àqueles que entrassem para as suas fileiras um governo
novo e melhor, sob o qual todos desfrutariam liberdade. Grande número de anjos
deram a entender seu propósito de o aceitar como seu chefe. Lisonjeado pelo apoio
com que suas insinuações eram recebidas, esperou conquistar todos os anjos para
o seu lado, tornar-se igual ao próprio Deus, e ser obedecido por todo o exército
celestial.
Os anjos fiéis ainda instavam com ele e com os que com ele
simpatizavam, para que se submetessem a Deus; apresentavam-lhes o resultado
inevitável caso se recusassem a isso: Aquele que os criara poderia subverter seu
poder, e castigar de maneira notável sua revoltosa ousadia. Nenhum anjo poderia
com êxito opor-se à lei de Deus, que é tão sagrada como Ele próprio. Advertiram
todos a que fechassem os ouvidos ao raciocínio enganador de Lúcifer, e insistiram
com este e seus seguidores para buscarem a presença de Deus sem demora, e

101
confessarem o erro de pôr em dúvida Sua sabedoria e autoridade.
Muitos estiveram dispostos a dar atenção a este conselho, arrepender-se
de sua desafeição, e procurar de novo ser recebidos no favor do Pai e de Seu Filho.
Lúcifer, porém, tinha pronto outro engano. O grande rebelde declarou então que os
anjos que com ele se uniram tinham ido muito longe para voltarem; que ele conhecia
a lei divina, e sabia que Deus não perdoaria. Declarou que todos os que se
sujeitassem à autoridade do Céu seriam despojados de sua honra, rebaixados de
sua posição. Quanto a si, estava decidido a nunca mais reconhecer a autoridade de
Cristo. A única maneira de agir que restava a ele e seus seguidores, dizia, consistia
em vindicar sua liberdade, e adquirir pela força os direitos que não lhes haviam sido
de boa vontade concedidos.
Tanto quanto dizia respeito ao próprio Satanás, era verdade que ele havia
ido agora demasiado longe para que pudesse voltar. Mas não era assim com os que
tinham sido iludidos pelos seus enganos. Para estes, os conselhos e rogos dos
anjos fiéis abriram uma porta de esperança; e, se houvessem eles atendido a
advertência, poderiam ter sido arrancados da cilada de Satanás. Mas ao orgulho, ao
amor para com seu chefe, e ao desejo de uma liberdade sem restrições permitiu-se
terem o domínio, e as instâncias do amor e misericórdia divinos foram finalmente
rejeitadas.
Deus permitiu que Satanás levasse avante sua obra até que o espírito de
desafeto amadurecesse em ativa revolta. Era necessário que seus planos se
desenvolvessem completamente a fim de que todos pudessem ver sua verdadeira
natureza e tendência. Lúcifer, sendo o querubim ungido, fora altamente exaltado; era
grandemente amado pelos seres celestiais, e forte era sua influência sobre eles. O
governo de Deus incluía não somente os habitantes do Céu, mas de todos os
mundos que Ele havia criado; e Lúcifer concluiu que, se ele pôde levar consigo os
anjos do Céu à rebelião, poderia também levar todos os mundos. (...) Seu poder
para enganar era muito grande. Disfarçando-se sob a capa da falsidade, alcançara
uma vantagem. Todos os seus atos eram de tal maneira revestidos de mistério, que
era difícil aos anjos descobrir a verdadeira natureza de sua obra. (...) Mesmo os
anjos fiéis não podiam discernir-lhe completamente o caráter, ou ver para onde sua
obra estava a levar.
Lúcifer havia a princípio dirigido suas tentações de tal maneira que ele
próprio não pareceu achar-se comprometido. Os anjos que ele não pôde trazer

102
completamente para o seu lado, acusou-os de indiferentes aos interesses dos seres
celestiais. Da mesma obra que ele próprio estava a fazer, acusou os anjos fiéis.
Consistia sua astúcia em perturbar com argumentos sutis, referentes aos propósitos
de Deus. Tudo que era simples ele envolvia em mistério, e por meio de artificiosa
perversão lançava a dúvida sobre as mais claras declarações de J eová. E sua
elevada posição, tão intimamente ligada com o governo divino, dava maior força a
suas representações. (...)
Procurara falsificar a Palavra de Deus, e de maneira errônea figurara Seu
plano de governo, pretendendo que Deus não era justo ao impor leis aos anjos; que,
exigindo submissão e obediência de Suas criaturas, estava simplesmente a procurar
a exaltação de Si mesmo. (...) Satanás fizera com que parecesse estar ele
procurando promover o bem do universo. O verdadeiro caráter do usurpador e seu
objetivo real devem ser compreendidos por todos. Ele deve ter tempo para
manifestar-se pelas suas obras iníquas.
A discórdia que sua conduta determinara no Céu, Satanás lançara sobre
o governo de Deus. Todo o mal declarou ele ser o resultado da administração divina.
Alegava que era seu objetivo aperfeiçoar os estatutos de J eová. Por isso permitiu
Deus que ele demonstrasse a natureza de suas pretensões, a fim de mostrar o efeito
de suas propostas mudanças na lei divina. A sua própria obra o deve condenar.
Satanás pretendera desde o princípio que não estava em rebelião. O universo todo
deve ver o enganador desmascarado.
Mesmo quando foi expulso do Céu, a Sabedoria infinita não destruiu
Satanás. (...) Os habitantes do Céu, e dos mundos, não estando preparados para
compreender a natureza ou consequência do pecado, não poderiam ter visto então a
justiça de Deus na destruição de Satanás.
Houvesse ele sido imediatamente destruído, alguns teriam servido a Deus
pelo temor em vez de o fazer pelo amor. A influência do enganador não teria sido
completamente destruída, tampouco o espírito de rebelião teria sido totalmente
desarraigado. Para o bem de todo o universo, através dos intérminos séculos, ele
deveria desenvolver mais completamente seus princípios, a fim de que suas
acusações contra o governo divino pudessem ser vistas sob sua verdadeira luz, por
todos os seres criados; a justiça e a misericórdia de Deus, bem como a imutabilidade
de Sua lei, pudessem para sempre ser postas fora de toda a questão.
A rebelião de Satanás deveria ser uma lição para o universo, durante

103
todas as eras vindouras - perpétuo testemunho da natureza do pecado e de seus
terríveis resultados. A atuação do governo de Satanás, seus efeitos tanto sobre os
homens como sobre os anjos, mostrariam qual seria o fruto de se pôr de parte a
autoridade divina. Testificariam que, ligado à existência do governo de Deus, está o
bem-estar de todas as criaturas que Ele fez. Assim, a história desta terrível
experiência com a rebelião seria uma salvaguarda perpétua para todos os seres
santos, para impedir que fossem enganados quanto à natureza da transgressão,
para salvá-los de cometer pecado, e de sofrerem sua punição.
Aquele que governa no Céu é O que vê o fim desde o princípio - o Ser
perante o qual os mistérios do passado e do futuro estão igualmente expostos, e
que, para além da miséria, trevas e ruína que o pecado acarretou, contempla o
cumprimento de Seus propósitos de amor e bênçãos. Se bem que "nuvens escuras
e espessas O cercam; retidão e justiça são a base do Seu trono." (Salmos 97:2 NVI).
E isto os habitantes do universo, tanto fiéis como infiéis, compreenderão um dia. "Ele
é a Rocha, as Suas obras são perfeitas, e todos os Seus caminhos são justos. É
Deus fiel, que não comete erros; justo e reto Ele é." (Deuteronômio 32:4 NVI).
9.1.2 – A IMAGEM DO MAL
31

Após o seu banimento do Céu, Satanás iniciou sua jornada em busca de
novos adeptos para o seu governo e, infelizmente, encontrou na Terra receptividade
para os seus enganos. Seu intuito a partir de então foi, além de usurpar o domínio
deste mundo, anular a influência de Deus no homem e estabelecer a sua
personalidade orgulhosa e ambiciosa.
Através da própria humanidade, Satanás tem disseminado o desprezo à
Deus (II Tessalonicenses 2:3-4), deturpado continuamente os ensinos das Sagradas
Escrituras (II Pedro 3:14-16) e, perseguido os que não se envolvem em suas
artimanhas (cf. Apocalipse 12:17). Estas coisas conduzem a terceira mensagem
angélica a advertir severamente todo aquele que se submete as orientações desse
anjo maligno:
__________
31
Para a visualização completa do original, Cf. A IMAGEM do mal. IASD on-line TMA, S.l., s. d.
Disponível em: <https://sites.google.com/site/iasdonline/home/terceira/imagemdomal>Acesso em 16
J ul. 2013.

104
"Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na
fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado,
sem mistura, do cálice da Sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante
dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos
séculos dos séculos (...)" (Apocalipse 14:9-12 RA).
A mensagem do primeiro anjo proclama o evangelho eterno e convida à
restauração da verdadeira adoração a Deus como Criador; o segundo anjo adverte
contra todas as formas de adoração originadas em mecanismos humanos e,
finalmente, o terceiro anjo proclama o mais solene aviso contra a adoração da "besta
e de sua imagem"; que em última análise, envolve todo aquele que rejeita o
evangelho da justificação pela fé.
9.1.3 – A LEI SOB ATAQUE NO CÉU
Lúcifer quando cobiçou o trono de Deus transgrediu o princípio do décimo
mandamento e tal atitude levou-o posteriormente a violar os demais preceitos da lei.
E aquilo que ele não conseguiu no Céu, tenta a todo custo obter na Terra: adoração
e domínio absoluto. Para isso ele utiliza o mesmo artifício, tornar a lei desprezível; e
entende perfeitamente que para atingir este objetivo não há necessidade de
proporcionar a transgressão de cada um dos Dez Mandamentos:
"Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se
torna culpado de todos. Porquanto, Aquele que disse: Não adulterarás também
ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor
da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser
julgados pela lei da liberdade." (Tiago 2:10-12 RA cf. I J oão 2:1-4).
As Escrituras não favorecem ideologias contrárias a lei de Deus, agir
contra ela é auxiliar Satanás em seus propósitos. E eis os "motivos" que o conduz a
combatê-la:
Deus é amor (I J oão 4:8), a base da lei é o amor (Romanos 13:8-10; Mateus
22:37-40).
Deus é santo, justo e bom (Salmos 99:5; Marcos 10:18; Salmos 7:11), Sua
lei é santa, justa e boa (Romanos 7:12).
Deus é eterno (I Timóteo 1:17), Sua lei é eterna (Lucas 16:17 cf. Isaías
24:5-6).
Deus é imutável (Tiago 1:17 cf. Malaquias 3:6), Sua lei é imutável (Mateus

105
5:17-19).
Deus é a verdade (J oão 14:6; Salmos 31:5), Sua lei é a verdade (Salmos
119:142).
Alinhadas acima características inerentes a Deus e atribuídas também a
Sua lei, visto que: os seus mandamentos descrevem o próprio caráter de Deus e
revelam o zelo dEle pelo homem. A lei é a base do governo de Deus e, por seu
intermédio, haverá o devido julgamento da humanidade. Não é de admirar o colossal
esforço de Satanás para ocultá-la da mente do homem.
9.1.4 – IGREJ A CRISTÃ: O ISRAEL ESPIRITUAL
O erro do cristianismo está em pensar que Israel foi rejeitado por Deus e
substituído pela Igreja cristã. Se você estudar conscienciosamente a Bíblia, verá que
não é assim. Deus formou a Igreja cristã a partir de Israel e não em substituição a
ele. J esus escolheu o remanescente fiel. Aqueles que O aceitaram e O seguiram. A
maioria O rejeitou como Messias, mas 12 decidiram segui-Lo e ser fiéis e obedientes
a Deus. Esses 12 discípulos foram a base do que viria a ser a Igreja cristã.
A característica distintiva do cristianismo é aceitar a J esus como Salvador
e obedecer aos mandamentos de Deus. (Apocalipse 12:17; Apocalipse 14:12). E
uma das chaves dessa obediência é o sábado como dia de repouso. Ezequiel diz
que o sábado é o sinal, o selo, a identificação e a marca de Deus. Teria o sábado
sido deixado só para Israel? Não, porque na criação, quando ainda não existia o
povo de Israel, já fora estabelecido o sábado. O sábado era o sinal do povo de
Deus.
Mas alguém pode dizer: "Israel já foi rejeitado e, junto com ele, o sábado."
Isso não pode ser assim porque, em Apocalipse 7, J oão diz: "Então vi o número dos
que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos
filhos de Israel." (Apocalipse 7:4). Você vê? O remanescente espiritual de Israel é o
cristianismo. São os que aceitaram a J esus como Salvador e, por isso, "lavaram
suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro". E são também os que
decidiram guardar os mandamentos de Deus, o que inclui a observância do sábado.
É por isso que recebem o sinal de Deus na fronte.

106
9.1.5 – OBEDIÊNCIA EQUIVOCADA
Mas agora vem o inimigo de Deus e tenta impor sua própria maneira de
adorar e obedecer. O diabo é astuto. Se ele não conseguir levar você a negar a
existência de Deus e rejeitá-Lo, levá-lo-á a obedecer-Lhe de maneira errada. No
jardim do Éden, disse Deus: "Se tocares no fruto desta árvore, morrereis". Aí veio o
diabo e disse: "Não morrereis."
No coração de Sua santa lei, Deus escreveu: "Lembra-te do dia do
sábado para santificá-lo." E aí vem o inimigo e diz: "Não precisa ser sábado. Pode
ser também o domingo." A Caim ele disse: "Não precisa ser um cordeiro, pode ser
também o fruto da terra." Enfim, não é como Deus diz, pode ser como você achar
melhor.
Mas aí está o perigo: em pensar que se está servindo a Deus quando não
se está. Pensar que se está obedecendo, quando se está agindo contra a vontade
de Deus.
Pegue a sua Bíblia. Seja sincero(a), e tome todo o tempo que você
precisar para achar um único verso bíblico que diga que o sábado não é mais o dia
de repouso e que foi substituído pelo domingo. Você não achará. Por que então as
pessoas guardam o domingo? Existem argumentos. Alguns crêem que o fato de
J esus ter ressuscitado no domingo é autorização para começar a guardar esse dia.
Entretanto, vimos que a Bíblia não diz isso.
9.1.6 – DOMINGO: SINAL DE AUTORIDADE HUMANA
O mais dramático de tudo é fazer a seguinte pergunta: "Se o sábado é o
sinal ou selo de Deus, qual é a marca da besta?" Lembre-se de que Apocalipse 13
fala de um poder religioso/político e também fala de um país poderoso que "seduz
os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante
da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta".
(Apocalipse 13:14). Uma imagem é algo que representa. Quando você fala de verde-
amarelo, vem à sua mente imediatamente o Brasil. Quando pensa em branco e azul,
Argentina. Vermelho e branco, Peru. Isso porque são esses países que estão por
trás dessas cores. Bom, qual é o poder que está por trás do domingo como dia de
repouso?

107
Mais ainda: Apocalipse 13 continua dizendo que aquele poder faz que a
todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes seja dada certa
marca sobre a mão direita e sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou
vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número de seu nome.
Isso é assustador. Aqui a profecia indica que chegará um momento na
história deste mundo em que quem guardar o sábado não poderá comprar nem
vender. Parece imaginação doentia? Pois então pergunte-se: Hoje, ainda em tempos
de paz, todos os jovens que guardam o sábado têm o direito de fazer suas provas
na universidade em outro dia? Todas as pessoas que guardam o sábado podem
fazer concursos para cargos públicos? Todas as pessoas têm o direito de trabalhar
no domingo em lugar do sábado? Não é um assunto de mania de perseguição. É
algo profético. Está escrito com toda clareza na Bíblia.
9.1.7 – O ÚLTIMO CHAMADO À ADORAÇÃO
Não é apenas uma questão de dias: sábado ou domingo. O pano de
fundo é obediência e adoração. Os seres humanos parecem não perceber que o
inimigo está conseguindo o que sempre se propôs.
Mas em Apocalipse 14 levanta-se um grupo de pessoas, simbolizadas
pelo anjo, para proclamar em alta voz o evangelho eterno. É algo que não muda.
Sempre foi assim: salvação em Cristo e obediência aos Seus mandamentos. Esse
clamor é:
"Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora de Seu juízo; e
adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas."
(Apocalipse 14:7)
Compare esta passagem com o quarto mandamento, que ordena guardar
o sábado; ali diz:
"Porque em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o
que neles há, e ao sétimo dia descansou, por isso, o Senhor abençoou o dia de
sábado e o santificou." (Êxodo 20:11)
Coincidência? Parece-lhe coincidência que o último chamado que Deus
faz à humanidade tenha quase as mesmas palavras que Ele pronunciou quando
disse que o sábado era santo? Mas o último chamado diz mais:
"Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na

108
fronte, ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus."
(Apocalipse 14:9 e 10). E acrescenta: "retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes
cúmplices em seus pecados, e para não participardes dos seus flagelos."
(Apocalipse 18:4) .
Portanto, este é um momento de decisão. O destino eterno do ser
humano está em jogo. Não há mais tempo a perder, pois os últimos eventos da
História estão próximos.
CONCLUSÃO
De tudo que foi dito, nós podemos resumir que a Lei e a graça não
trabalham em competição uma com a outra, mas sim em perfeita cooperação. A lei
aponta para os nossos pecados e nos condena, já a graça nos salva do pecado. A
lei é o desejo (vontade) de Deus, expressão do Seu Santo caráter, e a graça, por
sua vez, é o poder para que possamos cumprir essa vontade de Deus em nossas
vidas. Deste modo, Deus não deseja que obedeçamos a Sua lei com o objetivo de
sermos salvos, pois Ele sabe ser impossível por nossos próprios méritos assim fazê-
lo; Ele deseja que o obedeçamos porque nós já nos encontramos salvos, isto é, para
aqueles que já estejam unidos a Cristo.
Sob este aspecto, da mesma maneira que um ramo bravio, cortado da
sua matriz, é sem vida e estéril, nós também nada podemos fazer longe de J esus.
Mas quando este mesmo ramo, antes sem vida, é então enxertado numa videira e,
em decorrência disso, começa a receber a seiva dessa planta, passa então a
produzir os frutos que são normalmente esperados de todos os demais ramos
naturais dessa mesma videira.
J esus é a videira verdadeira (J oão 15: 1-8). E enquanto permanecermos a
Ele unidos, poderemos produzir os frutos do Espírito, os mesmos frutos da
obediência ao Seu Pai manifestados que foram na vida do Filho do Homem.
Um belo texto, o qual ilustra bem a combinação desses dois elementos
coexistindo em harmônica sintonia é Apocalipse 14:12: “Aqui está a perseverança
dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” Que
interessante descrição do que deve existir entre fé e obras! E essa combinação é
encontrada justamente naqueles que são descritos como “santos”, os herdeiros da
salvação. Não foi por outra razão que o apóstolo Pedro exclamou com admiração:

109
“vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para
que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz". (1 Pedro 2:9).
E bem sabemos que o Senhor J esus requer essa santidade de nós: "Eu
sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque
eu sou santo” (Levítico 11:44). Da mesma maneira que Deus, na Sua própria
ilimitada esfera (a exceder toda imaginação) é o único que é verdadeiramente Santo,
Ele requer de Seus filhos que estes também o sejam dentro da sua própria esfera.
E novamente nos é reiterado nas Escrituras: “Como filhos da obediência,
não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo
contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós
mesmos em todo o vosso procedimento, e `porque escrito está: Sede santos, porque
eu sou santo´” (1 pedro 1:14-16).


110
CONCLUSÃO
E aqui finalmente chegamos! Depois de um relativamente longo percurso,
já ao cimo de um monte, podemos como que visualizar em panorama toda a grande
trilha e suas múltiplas ramificações ou capítulos nela contidos e pelos quais não
tivemos a timidez de deixá-los por si só inexplorados sem firmemente adentrá-los e
desbravá-los.
Vimos que o grande gênero se tratava, na verdade, da instituição do
Sábado como integrante da Lei moral divina, e de como esse tema principal, a
saber, a verdade quanto a que dia seria o genuíno dia do Senhor, se desvelaria – tal
como narrada misteriosamente na introdução – como sendo a “grande trilha” ou
“estrada” (digo isso figuradamente, pois o único caminho é J esus, e importa fazer
toda a Sua vontade, mesmo que nela se inclua também a observância de
determinado dia), na qual teríamos que percorrer, portando dentro de si, por sua vez,
muitas especificidades que, de maneira humilde mas não acanhada, não protelamos
também em explorar.
Com isso, alcançamos todo o objetivo principal deste trabalho, que era
destrinchar o máximo possível a vontade de J esus Cristo para nós no que tange,
especialmente, ao dia de repouso por Si firmemente estabelecido para esta era
cristã.



111
ANEXO I
POR QUE NÃO DEVEMOS SER JULGADOS POR CAUSA DE SÁBADOS
Parece estranha a afirmação? Mas é justamente o que dizem os
seguintes versos:
" Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de
festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas
que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo." (Colossenses 2:16-17).
“ (...) aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de
ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem,
fazendo a paz, (...)” (Efésios 2:15).

Antes de iniciarmos uma análise desses versículos é importante ter em
mente que “muitos grupos cristãos fazem uma distinção entre as leis “cerimoniais”
(regulamentos que ensinam o plano da salvação por meio de símbolos e práticas
rituais), “leis civis” (instruções relativas à vida comunitária do antigo Israel), e leis
“morais” (instruções acerca do padrão divino de conduta para a humanidade)”.
“O livro de Levítico, por exemplo, apresenta grande quantidade de leis
cerimoniais, especialmente no que diz respeito ao serviço do santuário e seus
rituais. A natureza das leis civis e o princípio da justiça subjacente a elas podem ser
vistos, por exemplo, em Êxodo 23:1-9. Depois, há a lei moral, os Dez Mandamentos,
ainda considerada pela maioria dos cristãos (pelo menos em teoria) como a lei de
Deus para toda a humanidade”32.
O rol previsto em Colossenses 2 enquadra-se na tipificação tanto das “leis
civis” quanto “cerimoniais”. J á Efésios 2:15 confere um peso maior às leis
cerimoniais. Mas ambos excluem de seu contexto as leis morais divinas.
Não obstante essa prévia delimitação conceptual e terminológica, ambas
as passagens em epígrafe nos falam sobre ordenanças ou decretos que eram uma
__________
32
Cf. CRESCENDO em Cristo. Casa Publicadora Brasileira, S.l., s. d. Disponível em:<
http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/licoes/adultos/2012/li1042012.html> Acesso em 06 J ul.
2013.

112
sombra das coisas por vir, em virtude de simbolizarem realidades espirituais que
somente poderiam ser cumpridas em Cristo. E deste modo existiram mandamentos
que tinham haver tão só com os tipos e sombras que apontavam para o concreto
cumprimento das profecias relacionas ao Messias.
Aquelas coisas que ilustravam Seu sacrifício vicário por nós eram as
ordenanças do velho sistema judaico. Tais mandamentos na forma de ordenanças
exigiam que fosse trazido um cordeiro sacrifical, e após o pecador confessar os seus
pecados transferindo a culpa para o animal, era então o mesmo imolado e o seu
sangue aspergido no altar. Comentando sobre tais leis cerimoniais ou ordenanças,
uma autora cristã escreveu as seguintes palavras:
“Para muitos, tem sido um mistério por que tantas ofertas sacrificiais eram
requeridas na velha dispensação, por que tantas vítimas sangrentas eram
levadas ao altar. Mas a grande verdade que era mantida perante os
homens, e impressa na mente e no coração era esta: `Sem derramamento
de sangue, não há remissão.´ Heb. 9:22. Em cada sacrifício cruel estava
tipificado `o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo´. J oão 1:29.”
“Foi Cristo mesmo o Originador do sistema judaico de culto, pelo qual,
mediante tipos e símbolos, as coisas espirituais e celestiais eram vistas na
forma de sombras.”
“Havia uma lição incorporada em cada sacrifício, impressa em cada
cerimônia, solenemente pregada pelo sacerdote em seu santo ofício, e
inculcada pelo próprio Deus – que somente pelo sangue de Cristo há
perdão de pecados”.
Outros mandamentos desta espécie – leis cerimoniais – tinham haver
também com o ofício e rituais próprios dos tempos do velho testamento. Mas o ponto
nodal consiste em que todas essas ordenanças foram dadas ao povo de Deus só
até que Cristo viesse. Ele era a Realidade para a qual todas essas ordenanças e
símbolos apontavam. Deste modo, quando Cristo morreu na cruz do calvário como o
verdadeiro sacrifício, então todos os símbolos que o representavam até então (a
exemplo dos cordeirinhos sacrificados para propiciação dos pecados da nação
judaica e o serviço no santuário) alcançaram o seu pleno cumprimento e cessaram
de existir.
Isso porque eles alcançaram o propósito para qual foram designados:
serem uma espécie de modelo didático para que a nação judaica pudesse
compreender as verdadeiras realidades para as quais os mesmos apontavam. E
essa realidade é J esus Cristo, o verdadeiro “Cordeiro de Deus que tira os pecados
do mundo”. Todo o plano da Salvação foi exemplificado para os J udeus mediante
esses mandamentos na forma de ordenanças. Deste modo, ao observarmos o

113
serviço dos sumo sacerdotes judaicos a interceder pela nação de Israel, por
exemplo, vemos uma figura ou sombra de uma das funções que Cristo iria
desempenhar ao ressuscitar e entrar no Santuário que existe lá nos céus, o qual não
houvera sido feito por mãos humanas como o terrestre (Hebreus 8:1-5).
"Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do
verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus;
nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada
ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria
necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora,
porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para
aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado." (Hebreus 9:24-26).
Com efeito, Moisés foi ordenado a construir um santuário terrestre (para
refletir em pequena escala o santuário do Céu, que o Senhor fundou e não o
homem) que era uma mera “figura” ou sombra de um modelo visto nos céus. E
J esus obteve, enquanto o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, um
sacrifício mais que suficiente para “aniquilar de uma vez por todas” o pecado de toda
a humanidade. O tipo (os cordeirinhos imolados do sistema judaico) encontrara o
seu antítipo (o Cristo). Daí porque Paulo mencionar que Ele “aboliu, na sua carne, a
lei dos mandamentos na forma de ordenanças”, vez que o objetivo das ordenanças
relativas aos rituais do tabernáculo terrestre se cumpriu na pessoa de J esus e,
consequentemente, não mais seriam as mesmas exigíveis. Comentando a respeito
desta abolição de leis cerimoniais, uma escritora cristã nos relata que
“Ao irromper dos lábios de Cristo o grande brado: `Está consumado´ (João
19:30), oficiavam os sacerdotes no templo. Era a hora do sacrifício da tarde. O cordeiro, que
representava Cristo, fora levado para ser morto. Trajando o significativo e belo vestuário,
estava o sacerdote com o cutelo erguido, qual Abraão quando prestes a matar o filho.
Vivamente interessado, o povo acompanhava a cena. Mas eis que a Terra treme e vacila;
pois o próprio Senhor Se aproxima. Com ruído rompe-se de alto a baixo o véu interior do
templo, rasgado por mão invisível, expondo aos olhares da multidão um lugar antes pleno da
presença divina. Ali habitara o shekinah. Ali manifestara Deus Sua glória sobre o
propiciatório. Ninguém, senão o sumo sacerdote, jamais erguera o véu que separava esse
compartimento do resto do templo. Nele penetrava uma vez por ano, para fazer expiação
pelos pecados do povo. Mas eis que esse véu é rasgado em dois. O santíssimo do santuário

114
terrestre não mais é um lugar sagrado.”
“Tudo é terror e confusão. O sacerdote está para matar a vítima; mas o cutelo
cai-lhe da mão paralisada, e o cordeiro escapa. O tipo encontrara o antítipo por ocasião da
morte do Filho de Deus. Foi feito o grande sacrifício. Acha-se aberto o caminho para o
santíssimo. Um novo, vivo caminho está para todos preparado. Não mais necessita a
pecadora, aflita humanidade esperar a chegada do sumo sacerdote. Daí em diante, devia o
Salvador oficiar como Sacerdote e Advogado no Céu dos Céus. Era como se uma voz viva
houvesse dito aos adoradores: Agora têm fim todos os sacrifícios e ofertas pelo pecado. O
Filho de Deus veio, segundo a Sua palavra: `Eis aqui venho (no princípio do Livro está escrito
de Mim), para fazer, ó Deus, a Tua vontade´. Hebreus 10:7. `Por Seu próprio sangue, entrou
uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção´ Hebreus 9:12”.
J ESUS É O VERDADEIRO SUMO SACERDOTE A INTERCEDER POR NÓS
J UNTO AO PAI
Surpreendentes declarações bíblicas, porém estranhamente ignoradas no
mundo cristão. A própria bíblia expressamente nos declara que o nosso Senhor não
só desempenhou o papel de “Cordeiro de Deus” como também agora oficia num
santuário celestial do qual o terrestre erigido por Moisés houvera sido apenas uma
espécie de maquete ilustrativa das realidades – que excedem todo o entendimento
humano, frise-se – concernentes ao Plano da nossa eterna Redenção em Cristo
J esus.
O livro de Hebreus enfaticamente assim nos declara que J esus é o
verdadeiro Sumo Sacerdote (Hebreus 2:17; 3:1; 4:14) e não uma mera sombra como
o foram os que oficiavam no santuário terrestre. O profeta Zacarias predisse que
J esus seria um sacerdote em seu trono, isto é, J esus seria tanto sacerdote quanto
rei ao mesmo tempo (Zacarias 6:12-13). J esus nasceu judeu, descendente de Davi
e, assim, da linhagem da tribo de J udá. Contudo, Deus escolheu os descendentes
de Levi para serem sacerdotes. Assim J esus, vivendo sob a Lei de Moisés, poderia
ser rei porque era da tribo real (J udá) e ainda mais da de Davi (veja 2 Samuel 7:12-
16; Atos 2:29-31). Mas J esus não poderia ser um sacerdote segundo a Lei de
Moisés porque não era da tribo certa. O escritor de Hebreus afirma que J esus era
sumo sacerdote segundo uma ordem diferente, não segundo a ordem de Arão (ou

115
da tribo de Levi), mas segundo a ordem de Melquisedeque (5:6,10; 6:20).
“A obra sacerdotal de J esus é explicada pelo escritor de Hebreus em
termos de atos do sumo sacerdote levita no Dia da Expiação. Exatamente como o
sumo sacerdote levita entrava no Santo dos Santos do tabernáculo, isto é, na
presença de Deus, com sangue para fazer a expiação pelos pecados, assim J esus
entrou no Santo dos Santos com sangue (9:11-12). Mais ainda, J esus não ofereceu
seu sangue num tabernáculo físico, feito por mãos humanas. Ele ofereceu seu
sangue na presença de Deus, no céu.”
“No Dia da Expiação, o derramamento de sangue realmente acontecia
fora do Santo dos Santos. Os animais eram mortos e o sangue deles recolhido no
pátio do tabernáculo. O sumo sacerdote então oferecia o sangue a Deus quando o
aspergia em frente do propiciatório. De modo semelhante, o sangue de J esus foi
derramado na cruz, fora do Santo dos Santos celestial (o pátio do verdadeiro
tabernáculo que existe no céu foi o planeta Terra, onde J esus, o Cordeiro de Deus,
fora imolado). Ele foi sepultado e no terceiro dia ressurgiu. Depois de 40 dias ele
ascendeu ao céu, em sentido figurado, e apresentou seu sangue diante de Deus. É
fácil observar a importância da ressurreição a este respeito. Ainda que o sangue seja
derramado em sua morte, J esus realmente ofereceu seu sangue ao Pai quando
ascendeu ao céu depois de sua ressurreição (J oão 20:17; Atos 1:9-10).
33

J oão Calvino denominou essa obra de intercessão de Cristo como sendo
a “aplicação contínua de Sua morte para nossa salvação”, e é dito que “a existência
de um santuário celestial era um padrão teológico entre os clérigos puritanos”. Não é
difícil perceber por que a obra de intercessão de Cristo deve ser vista como um
ensinamento tão importante.
Considere quanto do Antigo Testamento está centralizado em torno do
santuário e do templo. Pense em quanto do Novo Testamento também está
relacionado ao santuário! O que isso deve nos dizer sobre a importância dessa
doutrina?
Dessarte, “a intercessão de Cristo no santuário celestial, em favor do
homem, é tão essencial ao plano da redenção como foi Sua morte sobre a cruz. Pela
__________
33
Cf. J ESUS: Perfeito Sumo Sacerdote. estudosdabiblia.net, S.l., s. d. Disponível em:
<http://www.estudosdabiblia.net/d48.htm>Acesso em 06 J ul. 2013.

116
Sua morte, Ele iniciou a obra para cuja terminação ascendeu ao Céu, depois de
ressurgir. Pela fé devemos penetrar até o interior do véu, ‘onde J esus, como
Precursor, entrou por nós’ (Hb 6:20). Ali se reflete a luz da cruz do Calvário. Ali
podemos obter percepção mais clara dos mistérios da redenção. A salvação do
homem se efetua a preço infinito para o Céu” (Cf. O Grande Conflito, p. 489).
O QUE S. PAULO QUIS DIZER QUANTO A NÃO DEVERMOS SER J ULGADOS
POR CAUSA DE SÁBADOS
Colossenses 2 também se refere a aspectos cerimoniais. Ali são
mencionados alguns dias festivos especiais e dias de solene celebração conectados
com os serviços e cerimoniais do velho santuário terrestre; os quais, conforme vimos
acima, não eram senão sombras das verdadeiras realidades espirituais que
alcançaram pleno cumprimento em Cristo J esus e por isso cessaram de existir.
E porque o povo do antigo Israel era comandado a descansar nestes dias
festivos especiais, esses dias eram considerados então como “sábados” (a palavra
“sábado” tanto no novo quanto no velho testamento significava “descanso”). É
possível facilmente se lembrar da menção desses dias na bíblia: a páscoa judaica, o
pentecostes, o dia da expiação, a festa dos tabernáculos et cetera. Esses dias eram
apenas sombras de J esus.
Por exemplo, J esus foi a verdadeira expiação, assim, quando o Seu
sacrifício na Cruz do Calvário foi feito, e o seu grito “Está pago!” ribombou pelo
universo, não mais foi necessário que o dia festivo chamado “dia da expiação” fosse
mantido. Igualmente, J esus é o verdadeiro Cordeiro Pascal, e deste modo, após o
Seu sacrifício, os serviços do dia festivo da Páscoa judaica também tiveram de
cessar.
A páscoa judaica do sábado (que deveria ser perpetuamente observada
como um feriado nacional pelo povo de Israel) era uma celebração do livramento do
povo de Deus do cativeiro egípcio. Também apontava claramente para o fato de ter
sido somente pelo sangue de Cristo, o qual houvera sido simbolicamente aspergido
nas portas das casas da comunidade de Israel, que fora a nação assim
completamente poupada e livrada não só da ação do anjo destruidor, como
igualmente, dos egípcios que os escravizavam. Deste modo, a solenidade festiva
anual denominada de “sábado” (que não se confunde, frise-se, com o sétimo dia de

117
descanso semanal) era um símbolo ou uma sombra do poder redentivo do SENHOR
quando Ele iria mediante Seu Ungido, J esus Cristo, nos poupar não só da destruição
eterna destinada ao diabo e seus anjos (pois o salário do pecado é a morte) como
também nos libertar do poder escravizante do pecado.
Percebemos assim que os sábados mencionados em colossenses 2 em
conjunto com os mandamentos na forma de ordenanças referidos em Efésios 2:15
foram cravados na Cruz e então abolidos. Isso foi o que Paulo quis dizer quanto a
nenhum dos novos cristãos convertidos de sua época deverem ser julgados por
causa de não observarem essas festividades sabáticas ou ordenanças tais como a
circuncisão, uma vez que eram tão só sombras “das coisas que haviam de vir
(J esus)”.
Esses cerimoniais sabáticos ou dias festivos ocorriam apenas uma vez ao
ano, guardando similaridade com os nossos próprios dias festivos ou feriados
nacionais, a exemplo do dia 07 de setembro (Independência do Brasil) ou 15 de
novembro (Proclamação da República)
34
. Mas o Sábado, o sétimo dia do ciclo
semanal, por não ser uma das sombras ou símbolos que apontavam para as
verdadeiras realidades em Cristo J esus, não foi incluído pelo apóstolo Paulo na
relação descrita em Colossenses 2:16-17.
Podemos facilmente concluir então que o sétimo dia do ciclo semanal, o
Sábado, o memorial da Criação, nunca foi classificado como um dentre aqueles
temporários sábados cerimoniais anuais. Isso porque ele nunca foi um tipo ou uma
das sombras que apontavam para J esus, não sendo assim elencado, portanto,
dentro dos “mandamentos na forma de ordenanças” que foram cravados na Cruz.
Comentando sobre o assunto, J. Skinner, abalizada autoridade
evangélica, reitor do Colégio de Westminster (Cambridge), anota: "O nome sábado
podia ser aplicado a qualquer época sagrada como tempo de cessação de trabalho
e assim é usado com relação ao Dia de Expiação, o qual era observado
anualmente, no décimo dia do sétimo mês. Levítico 16:31; 23:32. Nos livros
__________
34
“Por exemplo, em Levítico 16:29 a 31, que fala do Dia da Expiação - festa nacional judaica,
extraímos: "... no sétimo mês, aos dez dias do mês, afligireis as vossas almas, nenhuma obra fareis...
Porque, naquele dia, se fará expiação por vós... É um sábado de descanso para vós..." Aqui está
claramente aplicado o termo sábado a uma festa anual, que se iniciava invariavelmente no décimo dia
do sétimo mês. Portanto distinto do dia de repouso semanal, porque necessariamente recaía em dia
diferente da semana.”

118
proféticos e históricos, 'sábados' e 'Luas Novas' estão associados de tal modo a
sugerir serem ambos festividades lunares. Amós 8:5; Oséias 2:11 e Isaías 1:13.
35"
E também com propriedade, Alfred Edersheim, escritor de nacionalidade
judaica, convertido ao protestantismo, profundo conhecedor da lei Cerimonial,
referindo-se à festa dos Tabernáculos, diz: "O primeiro dia da festa e também o
oitavo (ou Hzereth) eram dias de santa convocação e eram também um sábado,
mas não no sentido do sábado semanal, senão de um festivo descanso diante do
Senhor em que nenhuma obra servil de qualquer espécie podia ser feita.
36
"
Deste modo, há uma diferença bem definida entre os Dez Mandamentos,
os quais são mandamentos eternos e morais por serem uma transcrição do caráter
divino, e, por outro lado, aqueles mandamentos consistentes em ordenanças
mencionados em Efésios 2:15. Porquanto, como vimos acima, estes últimos tinham
haver tão-só com “os rituais cerimoniais que Deus estabeleceu, os quais
simbolizavam o evangelho para eles (judeus), e compunham-se de ordenanças
como: ofertas diversas, holocaustos, abluções, sacrifícios, dias anuais de festas
específicas e deveres sacerdotais. E tais ordenanças foram registradas na Lei de
Moisés [Lei Cerimonial], não na Lei de Deus [Lei Moral]. (II Crônicas 23:18; II
Crônicas 30:15 a 17; Esdras 3:1 a 5)”.

“Todo o cerimonialismo, representava Cristo. Todos os estatutos e leis
cerimoniais que eram realizados pelos judeus apontavam para Ele. Todas as coisas realizadas
representavam o sacrifício, o perdão e a salvação realizados por Cristo na cruz”
37
.

Ante o exposto, podemos com o apostolo Pedro concluir que,
aparentemente, nas epístolas de S. Paulo existem “certas coisas difíceis de
entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as
demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2 Pedro 3:16). Isso porque em
“hermenêutica (a ciência de interpretação bíblica) é evidente que um texto sem um
contexto é um pretexto. Da mesma forma como a gravação de uma fita pode ser
__________
35
Cf. J . Skinner, art. "Sabbath." Hasting's Biblie Dictionary, pág. 807.
36
Cf. A. Edersheim, Festas de Israel, pág. 86.
37
Cf. DISTINÇÃO de Leis. jesusvoltara.com.br, S.l., s. d. Disponível em: <
http://www.jesusvoltara.com.br/selo/distintas.htm>Acesso em 06 J ul. 2013.

119
editada para fazer o alto falante dizer tudo o que o editor desejar, assim as
Escrituras podem ser manipuladas para satisfazer a fantasia ou predisposição de
uma pessoa.”

120
ANEXO II
“ O Sábado não é tão importante assim. Você não acha?” Romanos 14:2, 4 e 5
38

Essa foi a conclusão de um irmão que tentou me levar ao mesmo posicionamento dele,
“baseando-se” em Romanos 14. Pretendo fazer um estudo com você sobre o texto,
especialmente dos versos 2 e 5, usados para “ensinar” que “a Bíblia considera débil na fé
quem não come carnes imundas e quem ainda se preocupa em guardar o Sábado”.
Acrescentarei alguns grifos:
VERSOS 1 e 2: “Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê
que de tudo pode comer, mas o débil come legumes”
O problema na igreja de Roma não é a questão das carnes imundas e muito menos a dieta
vegetariana. Pelos seguintes motivos:
1) Na mesa de um judeu não havia carne de porco (Deuteronômio 14:8). Portanto, Paulo não
poderia estar nessa carta tratando do assunto;
2) A dieta vegetariana (que cada pessoa escolhe segundo as instruções que Deus dá) foi dada
pelo próprio Deus, em um mundo sem pecado (Gênesis 1:29). Se uma pessoa é “débil na fé”
por ser vegetariana, então teremos de dizer o mesmo sobre Deus – o que seria uma blasfêmia.
Contradiria a ciência, que prova serem os vegetarianos as pessoas que têm uma média de vida
maior.
Além disso, seria um contraposto com a vida do profeta Daniel. Ele não comeu as comidas
imundas que havia na mesa do rei de babilônia (Daniel 1:8) e teve excelentes resultados!
Veja:
“No fim dos dez dias, a sua aparência era melhor; estavam eles mais robustos do que todos
os jovens que comiam das finas iguarias do rei.” Daniel 1:15.
“Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e
sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos. Vencido o tempo
determinado pelo rei para que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe à presença de
Nabucodonosor. Então, o rei falou com eles; e, entre todos, não foram achados outros
como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; por isso, passaram a assistir diante do rei. Em
toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez
vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino.”
Daniel 1:17-20.
Alguém terá coragem de negar a eficácia da alimentação saudável na vida de Daniel, sem o
uso de carnes imundas?
__________
38
Cf. QUADROS, Leandro. O SÁBADO NÃO É TÃO IMPORTANTE ASSIM. VOCÊ NÃO ACHA?. Na
Mira da verdade, S.l., s. d. Disponível em: <http://novotempo.com/namiradaverdade/%E2%80%9Co-
sabado-nao-e-tao-importante-assim-voce-nao-acha%E2%80%9D-romanos-142-4-e-5/> Acesso em
14 J ul. 2013.

121
Voltando a Romanos 14, o “débil na fé” mencionado no segundo verso é o mesmo cristão de
1 Coríntios 8, mencionado especialmente no verso quatro. A maioria dos estudiosos acredita
que Paulo escreveu aos Romanos quando estava em Corinto. E, sabe-se que tanto as cartas
de Romanos quanto a de 1 Coríntios foram escritas na mesma década. Isso indica que para
entendermos o problema enfrentado em Roma precisamos saber que a mesma dificuldade
estava havendo em Corinto (um pouco antes).
Por isso, quando lemos 1 Coríntios 8:4 chegamos facilmente à conclusão de que o “débil na
fé” era aquela pessoa que tinha tanto medo de comer uma carne que tivesse sido
sacrificada a um ídolo que só comia legumes. No açougue (ou mercado) a pessoa ficava
num impasse tão grande em não comprar uma carne que pudesse ter sido dedicada a um deus
pagão que acaba decidindo viver só à base de vegetais.
Portanto, o apóstolo não está “abolindo” uma lei dietética (de não comer carnes imundas)
sendo que ele mesmo a seguia (Atos 25:8).
VERSO 5: “Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um
tenha opinião bem definida em sua própria mente.”
Precisamos considerar algumas coisas e o contexto histórico judaico para sabermos o que
Paulo quis dizer nesse verso.
1) O termo “iguais” não se encontra no original grego. O tradutor, na boa intenção de tornar o
texto mais claro, colocou a palavrinha. Mas, não era a ideal. No original, a segunda parte do
verso 5 é assim: “outro julga… todos os dias”. Veja que no grego não é possível definir com
base apenas nesse verso a que dias o escritor se refere.
2) Levando-se em consideração textos como Atos 16:13; 17:2, 18:3-4 e 11, de forma alguma
podemos supor que Paulo estivesse tratando do dia de repouso em Romanos 14:4 e 5. Se o
fizesse, estaria indicando ter algum tipo de problema mental, pois, em certos lugares (mesmo
em territórios não judeus, como lemos em Atos 16:13) ele guardava o Sábado e depois
ensinava que não deveria fazer isso… Uma contradição sem tamanho…
Se Romanos 14:4, 5 estivesse abolindo o quarto mandamento (Êxodo 20:8-11) da eterna Lei
de Deus (Salmo 119:152), os próprios irmão que observam o primeiro dia da semana teriam
que deixar de guardar o domingo (pois, o texto “diz” que um dia em si não é importante…).
O dominguista Russel N. Champlin em seu comentário reconhece que não é possível provar
que a guarda do Sábado esteja sendo questionada em Romanos 14:5: “Não dispomos de meios
para julgar, com base neste texto, nem com toda a certeza, se Paulo queria incluir ou não o
sábado na lista dos vários dias especiais que os irmãos ‘débeis na fé’ insistiam em observar”.
(CHAMPLIN, Russel Norman. “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo”,
vol. 3, p. 839. Citado por Alberto Ronald Timm em O Sábado Nas Escrituras, p. 69.)
3) Se lermos o verso 6 de Romanos 14, veremos que “os dias” mencionados no verso 5 estão
relacionados a comer ou não:
“Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come,
porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.”
Lendo o Didaquê (obra judaica) não fica difícil sabermos que os “dias” citados por Paulo, em
conexão com as expressões “quem come” e “quem não come”, se referem a dias de jejum!
“O Didaquê 8:1 era incisivo em admoestar os cristãos a “não jejuarem com os hipócritas no

122
segundo e quinto dia da semana, mas no quarto e sexto dias”. (“Consultoria Doutrinária”.
SP: Casa Publicadora Brasileira, 1979, p. 142.)
A questão era jejuar ou não em certos dias da semana e não se o Sábado deveria ou não ser
guardado. Paulo argumentou: “cada um escolha os dias que quiser para fazer o próprio
jejum”.
Como a Bíblia se torna simples quando permitimos que ela mesma se explique!
CONCLUSÃO
Romanos 14:4, 5 não pode ser usado em apoio à doutrina antinomista (contra a lei – nomos,
no grego). E, com base nessas conclusões apoiadas pela Bíblia respondo à “pergunta” que faz
parte do título desse artigo: “Irmão: o Sábado é bem importante, pois, é um memorial do
Criador (Êxodo 20:8-11), do Deus Salvador (Deuteronômio 5:15), do descanso na graça
que podemos desfrutar todos os dias (Hebreus 4) e um sinal de fidelidade a Ele nos
últimos dias (Apocalipse 14:6, 7; compare com Êxodo 20:11 e Ezequiel 20:12, 20, 21).”
Finalizo com um testemunho de fidelidade a Deus que derruba qualquer “argumento”
contra os mandamentos do Criador. Foi registrado no blog por Giselle B. Oliveira, do RS:
Sou Adventista desde 2008 e tenho um testemunho que mudou definitivamente minha postura
em relação ao Sábado.
Estava na faculdade e havia uma cadeira muito difícil de entender. Por isso, havia aulas com
monitores em horários diferentes para os alunos que quisessem aprender mais, e
consequentemente, ire bem na prova.
As melhores aulas de monitoria ocorriam no Sábado, das 8h às 12h. Apenas uma delas caía
na segunda-feira, com duração de uma hora. Eu precisava muito participar e todos os meus
colegas participavam. Já estava ficando nervosa e ainda não era batizada, mas frequentava a
igreja algumas vezes. Então me surgiu a dúvida: “Será que vou? Acho que devo ir porque
todos estão indo e dizendo que é ótimo”. Pensei que se eu não fosse, não conseguiria ser
aprovada.
Meu noivo, que também ainda não era batizado na época, mas, estava congregando na igreja
comigo, me mostrou João 15:7 (“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras
permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito”). Quando li isso eu disse na
hora: “não vou ir às aulas [no Sábado]”.
Não nenhuma aula de Sábado, mesmo tendo sido ministradas várias. Fiz apenas uma matéria
na segunda-feira.
Quando chegou o dia da prova – por mais incrível que pareça – eu estava tranquila. Não sei
como e de onde vinha a tranqüilidade, enquanto meus colegas, que haviam estudado bem
mais, estavam muito nervosos.
Resultado: somente eu e mais um colega acertamos todas as questões da prova. Todos os que
haviam aceitado aulas aos Sábados acertaram pouquíssimas questões. Foram mal nesta
prova e alguns até choraram.
Voltei sorrindo para casa como se tivesse certeza que Deus me ajudou. Só eu sei a certeza
que tive naquele momento. Também não me restaram mais dúvidas de que devo guardar o
Sábado.

123
Espero que o presente estudo e essa linda história de fé motivem você, amigo internauta, a
ser fiel a Deus inclusive na guarda do Sétimo Dia, que Ele escolheu para Si (Gênesis 2:1-3;
Êxodo 20:8-11).


2
ANEXO III
A LEI E OS PROFETAS DURARAM ATÉ...(?)
1


Os bons e sinceros cristãos que militam
hoje sob as mais diversas bandeiras
denominacionais, ainda que não
descobriram a verdade sobre a Lei de
Deus em seu esplendor magno,
admitem e crêem que ela findou na
cruz, estribando-se para isso em
Colossenses 2:14 - "Havendo riscado a
cédula que era contra nós nas suas
ordenanças, a qual de alguma maneira
nos era contrária, e atirou do meio de
nós, cravando-a na cruz."


Por outro lado, há também os que
ensinam que a Lei durou até a
posteridade que é Cristo (Gálatas 3:16).
E outros, mais afoitos, afirmam que o
fim da Lei se deu com o advento de João
Batista, e para tanto citam: "A lei e os
profetas duraram até João" - Lucas
16:16. Deduzimos daí,
lamentavelmente, que os adeptos da
abolição da Lei de Deus sequer chegam
a um acordo mútuo, uma unidade. Se
houve três abolições intercaladas no
tempo, qual deve basear-se o crente
para firmar sua fé?

A coluna basilar para uns é que foi até João, para outros
findou com Jesus. Como é isso? Afinal, quando foi exatamente que a Lei
de Deus foi "abolida", ou "cessou de vigorar"? Porque a premissa lógica é
que, "se durou até João, já estava abolida e nada mais teria Jesus que
abolir".
__________
1
Cf. A LEI E OS PROFETAS duraram até...? J esus voltará, S.l., s. d. Disponível em:
<http://www.jesusvoltara.com.br/selo/index1.htm>Acesso em 16 J ul. 2013.

3
Novamente lembramos, quando quiser descobrir a verdade
que o versículo bíblico quer ensinar, não o isole do contexto, nem se sirva
dele separadamente, para não comprometer-se a um grande engano.
Porque se ensinam que depois de João não houve mais profetas, é uma
heresia tal ensinamento e este verso jamais financiou tal afirmativa. Por
exemplo:
Atos 2:17 e 18 - "E nos últimos dias acontecerá diz o Senhor, que do
Meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e vossas
filhas profetizarão... e também sobre os Meus servos... e profetizarão."
Atos 19:6 - "E impondo-lhes as mãos... profetizaram."
Atos 21:9 e 10 - "E tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam.
E demorando-nos ali... chegou da Judéia um profeta por nome Agabo."
I Coríntios 14:29 e 32 - "E falem dois ou três profetas... E os espíritos
dos profetas estão sujeitos aos profetas."
Pela leitura destes textos do Novo
Testamento, fica comprovado que depois de João
Batista houve profetas, efetivamente. Quanto à
existência e permanência da Lei de Deus após João é
uma evidente afirmação. Veja: depois de Lucas
registrar - "A lei e os profetas duraram até
João...", um moço rico procurou a Jesus com as
palavras, conhecidas: "... Mestre, que farei eu de bom,
para alcançar a vida eterna?" (Mateus 19:16).
Resposta de Jesus: "Se queres entrar na vida, guarda
os mandamentos" (Mateus 19:17).
Estas palavras são do Mestre e ninguém pode negar que estes
mandamentos são do Decálogo, porque Jesus definiu dizendo para o
jovem: "Não matarás; não cometerás adultério; não furtarás; não dirás
falso testemunho; honra teu pai e tua mãe" (Mateus 19:18 e 19).
Aqui entram cristãos com o dedo apontado, afirmando que Jesus
cancelou o Sábado porque não o repetiu para o moço rico guardar.
Então nós respondemos: Se por Jesus ter omitido - "Lembra-te do
Sábado para o santificar", Jesus o cancelou, então o Mestre fez pior, ao
omitir a proibição daquilo que é repulsivo para Ele próprio e para Seu Pai,
que é a idolatria, admitindo a negação do próprio Deus. Porque Jesus
também não recitou para o moço - "Não terás outros deuses diante de
Mim; não farás para ti imagens de esculturas."
Agora perguntamos: Por essas omissões tais cristãos deixaram de
adorar a Deus? Terão ídolos? Lógico que não! Então porque aceitar uma
declaração e negar a outra? É coisa seria entrar na vida eterna, e a
condição foi estipulada e estabelecida por Cristo: obediência aos Dez
Mandamentos. Se a Lei foi abolida, ou vigorou até João Batista apenas,
porque ordenaria Cristo a obediência a esta Lei "abolida"? E têm mais:
como poderia estabelecer a guarda dela como norma para entrar na vida

4
eterna, já que Ele "veio para mudar ou abolir"? Considere isso.
Antes de prosseguir, deixe-nos dizer-lhe por que Cristo citou
apenas parte dos Dez Mandamentos para o jovem. Jesus estava diante de
um israelita guardador do Sábado, como os demais judeus. Para eles este
mandamento era o de maior valor, porque eram desamorosos e
avarentos. Eram de fato extremosos na guarda do Sábado, porém
falhavam abertamente noutros pontos; por isso Jesus focalizou apenas o
que negligenciavam. Quanto ao Sábado, estavam certos, é o dia de
guarda, não precisaria relembrar-lhes.
Jesus referindo-se aos doutores da Lei, disse: "Observai pois,
e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade
com as suas obras , porque dizem e não praticam" (Mateus 23:3). Ora, o
Mestre sabia que os ensinamentos dos sacerdotes concernentes com à
Sua Lei eram certos, apenas praticavam errado, ou seja, guardavam a
letra.
Então, como entender o versículo de Lucas 16:16 que
menciona: "A Lei e os profetas duraram até João"? Volte ao texto; leia-o.
Verifique com cuidado e bastante atenção como está grifada a palavra
"duraram". Observou? Está grifada no texto, isto é, escrita com as letras
de forma diferente das demais, um pouco inclinadas. O que isso quer
disser? É para chamar a atenção que o tradutor não encontrou no original
grego esta palavra, apenas a empregou por considerar a melhor para
complementar o sentido do verso. Todas as palavras grifadas,
encontradas na Bíblia, não constam do original.
OBS.: Quando uma palavra não consta originalmente na bíblia, os tradutores a
grifam para indicar que a mesma foi adicionada por eles (por ocasião da tradução)
porque eles pensaram que assim seria facilitada a compreensão do texto. Observe
que a palavra “duraram” em Lucas 16:16 estará grifada ou em itálico na sua bíblia. E
isso justamente porque esta palavra não constava no original grego. Tanto é assim
que a Nova Versão Internacional traduziu este mesmo verso da seguinte maneira:
“A Lei e os Profetas profetizaram até J oão. Desse tempo em diante estão sendo
pregadas as boas novas do Reino de Deus, e todos tentam forçar sua entrada nele”.
(Lucas 16:16).
Agora, leia Mateus 11:13: "Porque todos os profetas e a lei
profetizaram até João." - Agora sim, está clara e explícita a verdade
que Jesus queria ensinar.

5
A "lei e os profetas" formam uma
expressão que designa os ensinos do
Antigo Testamento (João 1:45), incluindo
o Pentateuco e os escritos de todos os
profetas, porque "os escritos do Antigo
Testamento constituíam o primeiro guia do
homem para a salvação. Estes escritos
eram tudo que os homens tinham em
matéria de revelação. O evangelho veio,
não para abolir os escritos antigos, mas
para suplementá-los, reforçá-los e
confirmá-los.
O evangelho veio, não para ser colocado no lugar do Antigo
Testamento, mas em acréscimo a ele." (Subtilezas do Erro, pág. 97, A. B.
Christianini - CPB)
Logo, quis o Mestre dizer que até João Batista todas as
Escrituras dos profetas, referentes à Sua primeira vinda contidas nos
livros do Antigo Testamento, com o Seu advento, batismo e ministério,
enfim as profecias referentes a Sua vinda encontraram cumprimento in-
loco.

Até João Batista, a lei e os profetas (escritos do Antigo
Testamento) indicavam, através da palavra escrita, dos símbolos e do
sistema sacrifical (sombras de Jesus), o tempo em que o reino de Deus
seria anunciado, e, de fato, com a pregação do reino, novo tempo raiava.
O próprio João Batista afirmava: "... arrependei-vos porque é chegado
o Reino dos Céus..." (Mateus 3:2).

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