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Gestão pública resumo

Gestão pública resumo

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Resumo de gestão pública.
Resumo de gestão pública.

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CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM EXERCÍCIOS – APO-MPOG

PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS
www.pontodosconcursos.com.br 1

Aula Demonstrativa

Olá, Pessoal!
Esta é a aula demonstrativa do curso de “Administração Pública em Exercícios” para
o concurso de Analista de Planejamento e Orçamento do MPOG. Já saiu o edital e a
prova está marcada para os dias 27 e 28 de fevereiro, ou seja, temos pouco mais de
dois meses pela frente.
Administração Pública é uma das disciplinas da prova de conhecimentos gerais e
terá, junto com administração geral, 15 questões com peso 2. Será visto todo o edital,
no seguinte cronograma:

Aula Demonstrativa: 2. Análise crítica aos modelos de gestão pública:
patrimonialista, burocrático.
Aula 01 – 04/01: 2. Análise crítica aos modelos de gestão pública: gerencial.
Aula 02 – 11/01: 1. Evolução da administração pública no Brasil (após 1930).
Reformas Administrativas.
Aula 03 – 18/01: 3. Conceitos de Eficiência, Eficácia e Efetividade aplicados à
Administração Pública: avaliação e mensuração do desempenho
governamental.
4. Processos participativos de gestão pública: orçamento
participativo, parceria entre governo e sociedade, ouvidorias,
governança interna e externa.
Aula 04 – 25/01: 8. Desconcentração e descentralização administrativa.
5. Novas formas de gestão de serviços públicos: formas de
supervisão e contratualização de resultados; horizontalização;
pluralismo institucional; prestação de serviços públicos e novas
tecnologias.
Aula 05 – 01/02: 6. Os controles interno e externo. Responsabilização e Prestação
de Contas. Controle e Desempenho. Transparência
7. Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal, instituído pelo Decreto nº 1.171, de 22/06/94.
Aula 06 – 08/02: Simulados
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As aulas serão elaboradas principalmente a partir de questões da ESAF. Contudo, em
alguns temas veremos questões também de outras bancas, principalmente CESPE e
FCC, além de questões elaboradas por mim, já que são poucas, ou até mesmo
inexistentes, questões da ESAF acerca de determinados temas. O fato de vocês
fazerem questões de outras bancas não irá atrapalhar o estudo, pois na maior parte
dos assuntos elas convergem.
Para os alunos que estão fazendo o curso teórico, algumas questões que serão
trabalhadas aqui já foram vistas na teoria daquele curso. Mas, como alguns alunos
não estão participando do curso teórico, acho importante trabalhar estas questões no
curso de exercícios também.
A estrutura das aulas será basicamente a seguinte. Primeiro será apresentada a lista
com as questões trabalhadas na aula e logo depois o gabarito delas. É importante
que vocês tentem resolvê-las antes de olharem a resolução. As questões comentadas
virão em seguida. Além disso, em toda aula colocarei alguns textos como leitura
sugerida. Vocês verão que a ESAF gosta bastante de copiar suas questões de textos,
que na grande maioria estão disponíveis na internet.
Sempre que vocês tiverem dúvidas, utilizem o fórum no site do Ponto, pois ele é uma
das ferramentas mais importantes no aprendizado. Mesmo que não tenham uma
dúvida específica, consultem ele periodicamente para darem uma olhada nas dúvidas
dos colegas, que muitas vezes podem ajudar vocês a entenderem melhor o assunto.
Agora, vou me apresentar. Sou Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de
Contas da União, lotado na Secretaria de Fiscalização e Avaliação de Programas de
Governo. Já fui Analista Tributário da Receita Federal do Brasil e escriturário da Caixa
Econômica Federal, além de ter trabalhado em outras instituições financeiras da
iniciativa privada. Sou formado em jornalismo e tenho formação também em
economia, fazendo atualmente pós-graduação em Orçamento Público. Sou professor
de disciplinas como Administração Pública, Ciências Políticas e Políticas Públicas,
tendo dado aulas em cursinhos de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e
Cuiabá.
Nesta aula demonstrativa, vocês poderão ter uma ideia de como será nosso curso.
Espero que gostem e que possamos ter uma jornada proveitosa pela frente.
Boa Aula!


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Sumário
1  LISTA DAS QUESTÕES .............................................................................................................................. 3 
2  GABARITO ............................................................................................................................................ 12 
3  QUESTÕES COMENTADAS ..................................................................................................................... 12 
4  LEITURA SUGERIDA ............................................................................................................................... 44 
5  BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................................................... 44 



1 Lista das Questões
Nesta aula demonstrativa, abordaremos parte do item 02 do edital: “Modelos teóricos
de Administração Pública: patrimonialista e burocrático”. Veremos primeiro questões a
respeito dos tipos puros de dominação legítima enumerados por Max Weber, algo
importante cobrado nas provas e que dá a base para o estudo dos modelos de
administração. Depois veremos questões sobre o patrimonialismo e o modelo
racional-legal. Por fim, daremos uma olhada no contexto da crise da administração
burocrática.

1. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Segundo Weber, há três formas de
dominação/legitimidade do poder. Assinale a resposta que identifica corretamente
uma dessas formas.
a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do patriarca, do direito
natural e das relações pessoais entre senhor e subordinado.
b) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do estatuto estabelecido,
regulando os atos de quem ordena e de quem obedece às ordens.
c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do indivíduo seja pelo seu
conhecimento ou feitos heróicos.
d) A dominação carismática baseia-se no poder que emana das normas
estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova regulamentação.
e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do conhecimento e
reconhecimento de atos heróicos, extinguindo-se com o indivíduo.
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2. (ESAF/CGU/2008) Segundo Max Weber, um dos mais importantes conceitos
relacionados ao poder é o de legitimidade, que pode ser de três tipos, conforme as
crenças e atitudes em que se fundamenta. Examine os enunciados abaixo, sobre o
poder carismático, e assinale a opção correta.
1 - O poder carismático está fundado na dedicação pessoal e afetiva ao chefe
carismático.
2 - Quem verdadeiramente exerce o comando é o líder ou chefe carismático, cujo
valor exemplar, força heróica, poder de espírito ou de palavra o distinguem de modo
especial.
3 - O poder carismático requer um corpo administrativo dotado de competência
específica, porém selecionado com base na dedicação pessoal e no carisma.
4 - A fonte do poder carismático se conecta com o que é novo, com o que nunca
existiu, e rejeita a rotina e os vínculos pré-determinados.
a) Todos os enunciados estão corretos.
b) Todos os enunciados estão incorretos.
c) Somente o enunciado de número 3 está incorreto.
d) Somente o enunciado de número 4 está incorreto.
e) Somente os enunciados 3 e 4 estão incorretos.
3. (ESAF/MPOG/2003) Entre as assertivas abaixo, sobre o fenômeno da dominação,
indique a única incorreta.
a) Dominação é o poder autoritário de comando do(s) governante(s), que se exerce
como se o(s) governado(s) tivesse(m) feito do conteúdo da ordem a máxima da sua
conduta por si mesma.
b) Nas sociedades modernas, onde a base da legitimidade é a lei, a administração
dispensa a dominação, no sentido de um poder de comando que precisa estar nas
mãos de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.
c) A dominação tradicional refere-se ao comando exercido por senhores que gozam
de autoridade pessoal em virtude do status herdado, e cujas ordens são legítimas
tanto por se conformarem aos costumes como por expressarem a arbitrariedade
pessoal.
d) A dominação carismática ocorre quando o poder de comando é proveniente da
crença dos seguidores nos poderes extraordinários, mágicos ou heróicos de um chefe
ou líder, sendo as ordens deste estritamente fundadas na sua capacidade especial de
julgamento.
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e) A dominação legal ocorre quando os governados obedecem às normas legais e
não às pessoas que as formulam ou as implementam; e estas aplicam-se e são
reconhecidas como universais por todos os membros do grupo associado, inclusive
o(s) governante(s).
4. (ESAF/EPPGG/2008) Os tipos primários de dominação tradicional são os casos
em que falta um quadro administrativo pessoal do senhor. Quando esse quadro
administrativo puramente pessoal do senhor surge, a dominação tradicional tende ao
patrimonialismo, a partir de cujas características formulou-se o modelo de
administração patrimonialista. Examine os enunciados a seguir, sobre tal modelo de
administração, e marque a resposta correta.
1. O modelo de administração patrimonialista caracteriza-se pela ausência de salários
ou prebendas, vivendo os “servidores” em camaradagem com o senhor a partir de
meios obtidos de fontes mecânicas.
2. Entre as fontes de sustento dos “servidores” no modelo de administração
patrimonialista incluem-se tanto a apropriação individual privada de bens e
oportunidades quanto a degeneração do direito a taxas não regulamentado.
3. O modelo caracteriza-se pela ausência de uma clara demarcação entre as esferas
pública e privada e entre política e administração; e pelo amplo espaço à
arbitrariedade material e vontade puramente pessoal do senhor.
4. Os “servidores” não possuem formação profissional especializada, mas, por serem
selecionados segundo critérios de dependência doméstica e pessoal, obedecem a
formas específicas de hierarquia patrimonial.
a) Estão corretos os enunciados 2, 3 e 4.
b) Estão corretos os enunciados 1, 2 e 3.
c) Estão corretos somente os enunciados 2 e 3.
d) Estão corretos somente os enunciados 1 e 3.
e) Todos os enunciados estão corretos.
5. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração pública burocrática surgiu no
século XIX em substituição às formas patrimonialistas de administrar o Estado.
Indique qual das informações a seguir define as diferenças entre estas duas
abordagens.
a) No patrimonialismo não existe uma definição clara entre patrimônio público e bens
privados, com a proliferação do nepotismo e da corrupção enquanto a burocracia é
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uma instituição administrativa que usa os princípios da racionalidade, impessoalidade
e formalidade em um serviço público profissional.
b) No patrimonialismo os governantes consideram-se donos do Estado e o
administram como sua propriedade, sendo Weber um dos seus defensores. A
administração pública burocrática surgiu como uma resposta ao aumento da
complexidade do Estado e à necessidade de organização das forças armadas.
c) No patrimonialismo a administração pública era um instrumento para garantir os
direitos de propriedade, já a administração pública burocrática estabeleceu uma
definição clara entre res publica e bens privados.
d) No patrimonialismo a administração pública é governada pela preservação e
desenvolvimento do patrimônio do Estado, sem se preocupar com a defesa dos
direitos civis e sociais. A administração burocrática está ligada ao conceito do Estado
de Bem-Estar Social, combatendo o nepotismo e a corrupção.
e) No patrimonialismo a autoridade é exclusivamente hereditária, gerando corrupção e
ineficiência, enquanto a estratégia adotada pela administração pública burocrática – o
controle formalista dos procedimentos – garante uma melhor utilização dos recursos
públicos.
6. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) O século XIX marca o surgimento de uma
administração pública burocrática em substituição às formas patrimonialistas de
administrar o Estado. O chamado “patrimonialismo” significa a incapacidade ou
relutância do governante em distinguir entre o patrimônio público e seus bens
privados. Assinale a opção que indica corretamente as características da
administração pública burocrática.
a) Serviço público profissional, flexibilidade organizacional e nepotismo.
b) Serviço público profissional e um sistema administrativo fruto de um arranjo
político, formal e racional.
c) Serviço público profissional e um sistema administrativo impessoal, formal e
racional.
d) Serviço público fruto de um arranjo entre as forças políticas e um sistema
administrativo seletivo de acordo com os diversos grupos de sustentação da base de
governo.
e) Serviço público orientado para o consumidor, ênfase nos resultados em detrimento
dos métodos e flexibilidade organizacional.
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7. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) A administração burocrática clássica, baseada nos
princípios da administração do Exército prussiano, foi implantada nos principais
países europeus no final do século XIX. Ela foi adotada porque era uma alternativa
muito superior à administração patrimonialista do Estado. Quais das seguintes
características básicas pertencem ao conceito de burocracia de Weber?
I. Ligação entre os patrimônios público e privado.
II. Autoridade funcional baseada no estatuto.
III. Gestão voltada para resultados.
IV. Caráter hierárquico das relações de trabalho.
V. Caráter impessoal das relações profissionais, sem ódios ou paixões.
VI. Critérios de mérito para atribuição de responsabilidades e evolução na carreira.
VII. Autoridade derivada de normas racionais-legais.
Estão corretos apenas os itens:
a) III, VII
b) II, VI, VII
c) II, IV,V,VI, VII
d) II, III, VII
e) II , VI
8. (ESAF/MPOG/2005) Com base no pensamento de Max Weber, julgue as
sentenças sobre a burocracia atribuindo (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para a
afirmativa falsa, assinalando ao final a opção correta.
( ) A constituição prévia de uma economia monetária é condição sine qua non para o
surgimento da organização burocrática.
( ) O Estado moderno depende completamente da organização burocrática para
continuar a existir.
( ) A burocracia é elemento exclusivo do Estado moderno capitalista, não sendo
verificável em outros momentos da história.
( ) O modelo burocrático é a única forma de organização apta a desempenhar as
tarefas necessárias para o bom funcionamento do capitalismo.
a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) F, F, V, V
d) F, V, F, V
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e) F, F, F, V
9. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração burocrática moderna, racional
legal, foi implantada nos principais países europeus no final do século XIX e no Brasil
em 1936, com a reforma administrativa promovida por Maurício Nabuco e Luiz
Simões Lopes. Assinale a opção que não caracteriza corretamente este tipo de
administração.
a) A administração burocrática distingue entre o público e o privado, separando o
político do administrador público, sendo essencial ao bom funcionamento do
capitalismo.
b) A administração pública burocrática é uma alternativa superior à administração
patrimonialista do Estado, é baseada no princípio do mérito profissional e compatível
com o capitalismo industrial e a democracia parlamentar.
c) A administração pública burocrática tem como princípios o mérito e a formalidade, o
que torna difícil a sua aplicação nas democracias parlamentares, onde os interesses
dos vários grupos políticos impedem uma unidade de ação.
d) A administração pública burocrática concentra-se no processo, na criação de
procedimentos para gestão do Estado em todas as suas atividades e em controlar a
adequação do serviço público a estes procedimentos.
e) A administração burocrática é lenta, cara, auto-referida, pouco orientada para
atender às demandas dos cidadãos, não garantindo nem rapidez, nem qualidade,
nem custos baixos para os serviços prestados ao público.
10. (ESAF/CGU/2008) Considerando a diferenciação conceitual para fins didáticos
dos modelos patrimonialista, burocrático e gerencial da administração pública no
Brasil, selecione a opção que conceitua corretamente o modelo burocrático de gestão.
a) Estado centralizador, onipotente, intervencionista e espoliado por uma elite que
enriquece e garante privilégios por meio de exclusão da maior parte da sociedade.
b) Estado centralizador, profissional e impessoal que busca a incorporação de atores
sociais emergentes e estabelece normas e regras de funcionamento.
c) Estado desconcentrado que privilegia a delegação de competências para os
municípios e foca o controle social de suas ações.
d) Estado coordenador de políticas públicas nas três esferas da federação, visando à
desburocratização dos processos governamentais.
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e) Estado descentralizado que tem como foco de suas ações o contribuinte, que é
visto como cliente dos serviços públicos.
11. (ESAF/MPOG/2008) O modelo de gestão pública burocrático, com base nos
postulados weberianos, é constituído de funcionários individuais, cujas características
não incluem:
a) liberdade pessoal e obediência estrita às obrigações objetivas do seu cargo,
estando submetidos a um sistema homogêneo de disciplina e controle do serviço.
b) exercício do cargo como profissão única ou principal, com perspectiva de carreira:
progressão por tempo de serviço ou mérito, ou ambas.
c) competências funcionais fixas em contrato e segundo qualificações profissionais
verificadas em provas e certificadas por diplomas.
d) apropriação dos poderes de mando inerentes ao cargo (exercício da autoridade),
mas não dos meios materiais de administração, nem do próprio cargo.
e) nomeação, numa hierarquia rigorosa dos cargos, sendo remunerados com
salários fixos em dinheiro.
12. (ESAF/PSS/2008) De acordo com o modelo sistematizado por Max Weber, a
burocracia moderna funciona de forma específica. Todas as opções abaixo
descrevem corretamente características centrais da sua atuação, exceto:
a) rege o princípio de áreas de jurisdição fixas e oficiais, ordenadas de acordo com
regulamentos.
b) os princípios da hierarquia dos postos e dos níveis de autoridades significam um
sistema firmemente ordenado de mando e subordinação, no qual há uma supervisão
dos postos inferiores pelos superiores.
c) a administração de um cargo moderno se baseia em documentos escritos,
preservados em sua forma original ou em esboço.
d) em geral, a atividade oficial é segregada como algo distinto da esfera da vida
privada: os dinheiros e o equipamento público estão divorciados da propriedade
privada da autoridade.
e) o desempenho do cargo segue regras específicas e exaustivas, cujo conhecimento
é parte de um aprendizado técnico especial a que se submetem os funcionários.
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13. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) Weber, na década de 20, na Alemanha, publicou
estudos sobre as organizações formais identificando-lhes características comuns que
passaram a constituir o “tipo ideal de burocracia”. Com o passar do tempo,
evidenciou-se que as características desejáveis ao funcionamento racional das
organizações e ao alcance de sua eficiência se transformavam em disfunções.
Assinale a opção que descreve corretamente uma das disfunções da burocracia.
a) A burocracia tem normas e regulamentos escritos que regem seu funcionamento,
definindo direitos e deveres dos ocupantes de cargos.
b) Numa burocracia os cargos são estabelecidos segundo o princípio da hierarquia,
onde a distribuição de autoridade serve para reduzir ao mínimo o atrito.
c) Na burocracia a divisão de trabalho leva cada participante a ter funções específicas
e uma esfera de competência e responsabilidade.
d) A burocracia tem normas e regulamentos que se transformam de meios em
objetivos, tornando o funcionário um conhecedor de procedimentos.
e) A burocracia se caracteriza pela impessoalidade, pois o poder de cada pessoa,
como a obediência do subordinado ao seu superior, deriva do cargo que ocupa.
14. (ESAF/APO-MPOG/2003) Uma importante tradição de estudos mostra que as
relações de burocratas com outros atores podem assumir variados padrões. Um
deles, bastante presente na institucionalidade política brasileira, é o insulamento
burocrático. Entre as opções abaixo, marque aquela que descreve corretamente o
insulamento burocrático.
a) Uma relação entre a burocracia e a sociedade, baseada na troca de dados e
informações, visando constituir mecanismos formais para a representação de
interesses no interior do aparato burocrático e tornar transparentes as influências
particulares sobre as decisões públicas.
b) Uma relação entre agências governamentais que compartilham objetivos de
redução de custos ou otimização de resultados, visando proporcionar qualificação e
treinamento especializado aos seus funcionários, a fim de capacitá-los para o
exercício de tarefas complexas.
c) O estabelecimento de padrões de hierarquia, divisão de funções, busca de
excelência e eficiência máxima, com a finalidade de eliminar o contato entre decisores
públicos e a sociedade, para que as ações de governo espelhem estritamente os
interesses gerais da nação.
d) O estabelecimento de barreiras institucionais destinadas tanto a bloquear pressões
partidárias e o encaminhamento de demandas personalísticas quanto a assegurar a
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eficiência na alocação dos recursos necessários à gestão das políticas
governamentais.
e) Um esforço de racionalização burocrática destinada a imprimir aos funcionários do
Estado a ética da convicção, traduzida pelo predomínio de uma visão tecnicista do
processo legislativo, e a reservar aos políticos a ética das responsabilidades, mais
apropriada à representação de interesses e à negociação de demandas conflitantes.
15. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Assinale como verdadeira (V) ou falsa (F) as frases
que indicam os elementos da crise do modelo burocrático de administração pública.
( ) Como provedor de educação pública, de saúde pública, de cultura, de infra-
estrutura, de seguridade social e de proteção ao meio ambiente o modelo burocrático
não atendeu à expansão das funções do Estado.
( ) O modelo burocrático não dá ênfase a resultados e sim a processos e controles.
( ) Com o modelo burocrático aumentou a corrupção e o nepotismo.
( ) Com o fim da guerra fria e da corrida armamentista, diminuiu a necessidade de
estruturas organizacionais rígidas.
( ) A administração burocrática foi ineficiente em administrar o Estado de Bem-Estar
Social.
Escolha a opção correta.
a) V, F, V, V, F
b) F, V, F, V, V
c) V, V, F, F, V
d) V, F, V, F, V
e) F, F, V, V, F
16. (ESAF/MPOG/2005) Segundo Abrúcio (1998), entre os fatores que ajudaram a
desencadear a crise do Estado, indique a opção incorreta.
a) As duas crises do petróleo, em 1973 e 1979, contribuíram para a diminuição do
ritmo do crescimento econômico, colocando em xeque o modelo de intervenção
estatal até então vigente.
b) A crise fiscal dos tax payers, que não enxergavam uma relação direta entre o
acréscimo de recursos governamentais e a melhoria dos serviços públicos, fez
diminuir ainda mais a arrecadação.
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c) Denúncias de corrupção envolvendo funcionários públicos de países centrais
geraram um movimento, por parte dos movimentos sociais organizados, contrário à
continuidade do modelo de Bem-estar.
d) A globalização enfraqueceu os Estados nacionais no que tange ao controle dos
fluxos financeiros e comerciais, mitigando em grande parte sua capacidade de ditar
suas políticas macroeconômicas.
e) A incapacidade do governo de responder às demandas sociais crescentes durante
esse período gerou, segundo alguns cientistas políticos, uma “ingovernabilidade de
sobrecarga”.

2 Gabarito
1. C
2. C
3. B
4. C
5. A
6. C
7. C
8. D
9. C
10. B
11. D
12. E
13. D
14. D
15. C
16. C


3 Questões Comentadas
Agora que vocês fizeram as questões, vamos dar uma olhada em cada uma delas.

1. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Segundo Weber, há três formas de
dominação/legitimidade do poder. Assinale a resposta que identifica corretamente
uma dessas formas.
a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do patriarca, do direito
natural e das relações pessoais entre senhor e subordinado.
b) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do estatuto
estabelecido, regulando os atos de quem ordena e de quem obedece às ordens.
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c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do indivíduo seja pelo
seu conhecimento ou feitos heróicos.
d) A dominação carismática baseia-se no poder que emana das normas
estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova regulamentação.
e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do conhecimento e
reconhecimento de atos heróicos, extinguindo-se com o indivíduo.
Max Weber conceitua dominação da seguinte forma:
Dominação é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem
de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis.
Para Weber, na dominação é necessária a obediência, um grau de legitimidade. A
sociedade aceita que determinada pessoa ou grupo esteja no poder, ou seja, esta
pessoa ou grupo possui legitimidade para governar. Assim, os tipos de dominação
variam com base na origem da legitimidade.
Na dominação tradicional, a legitimidade surge com a tradição, a sociedade aceita os
governantes porque são os costumes de longa data que dizem quem deve estar no
poder. Determinada pessoa é rei porque seu pai era rei, assim como seu avô, bisavô,
etc. A letra “A” está errada porque é a dominação tradicional que se baseia no poder
que emana do patriarca, do direito natural e das relações pessoais entre senhor e
subordinado
A dominação burocrática ou racional-legal tem como base da legitimidade a lei. As
pessoas aceitam os governantes porque é uma lei racionalmente criada que
determina que eles estejam no poder. Assim, a letra “B” está errada porque ali seria a
dominação burocrática, e não tradicional.
Já a dominação carismática coloca a base da legitimidade no carisma do governante.
As pessoas aceitam a suas ordens por causa de uma veneração extraordinária da
santidade, do poder heróico ou do caráter exemplar de uma pessoa e das ordens por
esta reveladas ou criadas. A letra “C” é correta.
As letras “D” e “E” estão erradas porque falam, respectivamente, da dominação
burocrática e da carismática.
Gabarito: C.

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2. (ESAF/CGU/2008) Segundo Max Weber, um dos mais importantes conceitos
relacionados ao poder é o de legitimidade, que pode ser de três tipos, conforme as
crenças e atitudes em que se fundamenta. Examine os enunciados abaixo, sobre o
poder carismático, e assinale a opção correta.
1 - O poder carismático está fundado na dedicação pessoal e afetiva ao chefe
carismático.
2 - Quem verdadeiramente exerce o comando é o líder ou chefe carismático, cujo
valor exemplar, força heróica, poder de espírito ou de palavra o distinguem de
modo especial.
3 - O poder carismático requer um corpo administrativo dotado de competência
específica, porém selecionado com base na dedicação pessoal e no carisma.
4 - A fonte do poder carismático se conecta com o que é novo, com o que nunca
existiu, e rejeita a rotina e os vínculos pré-determinados.
a) Todos os enunciados estão corretos.
b) Todos os enunciados estão incorretos.
c) Somente o enunciado de número 3 está incorreto.
d) Somente o enunciado de número 4 está incorreto.
e) Somente os enunciados 3 e 4 estão incorretos.
Segundo Weber, dominação carismática é:
Baseada na veneração extracotidiana da santidade, do poder
heróico ou do caráter exemplar de uma pessoa e das ordens por
esta revelada ou criadas.
A primeira afirmação é correta. A dedicação é para com o chefe. A legitimidade reside
no carisma, uma qualidade pessoal. Essa característica pessoal não pode ser
transmitida para outros nem ensinada. A pessoa já nasce com ela.
A segunda afirmação também é correta. Segundo Weber:
Na dominação carismática, obedece-se ao líder carismaticamente
qualificado como tal, em virtude de confiança pessoal em revelação,
heroísmo ou exemplaridade dentro do âmbito da crença nesse seu
carisma
Segundo Weber:
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O quadro administrativo do senhor carismático não é um grupo de
“funcionários profissionais”, e muito menos tem formação
profissional. Não é selecionado segundo critérios de dependência
doméstica ou pessoal, mas segundo qualidades carismáticas.
A terceira afirmação é errada porque o quadro administrativo na dominação
carismática não possui competência específica e não são selecionados segundo
dedicação pessoal, mas sim conforme seu carisma. Assim como o soberano, o
quadro administrativo também atuará conforme o carisma.
Weber define carisma como:
Uma qualidade pessoal considerada extracotidiana e em virtude da
qual se atribuem a uma pessoa poderes ou qualidades
sobrenaturais, sobre-humanos ou, pelo menos, extracotidianos
específicos ou então se a toma como enviada por Deus, como
exemplar e, portanto, como líder.
A dominação carismática é extracotidiana. Isso quer dizer que ela não se mantém
com o cotidiano, com a rotina, ela se deve a feitos extraordinários. A dominação
carismática opõe-se tanto à racional quanto à tradicional, que são ambas formas de
dominação especificamente cotidianas. A carismática (genuína) é especificamente o
contrário, por isso, quando essa dominação perde sua característica efêmera,
assumindo o caráter de uma relação permanente, a dominação carismática tem de
modificar substancialmente, tradicionalizando-se ou racionalizando-se. Portanto, a
quarta afirmação é correta, a dominação carismática rejeita a rotina. Isso também já
foi cobrado pelo CESPE:
1. (CESPE/MPE-TO/2006) A liderança carismática, quando se
rotiniza, pode transformar-se em tradicional ou em racional-legal.
A questão é certa
Gabarito: C.

3. (ESAF/MPOG/2003) Entre as assertivas abaixo, sobre o fenômeno da
dominação, indique a única incorreta.
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a) Dominação é o poder autoritário de comando do(s) governante(s), que se exerce
como se o(s) governado(s) tivesse(m) feito do conteúdo da ordem a máxima da sua
conduta por si mesma.
b) Nas sociedades modernas, onde a base da legitimidade é a lei, a administração
dispensa a dominação, no sentido de um poder de comando que precisa estar nas
mãos de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.
c) A dominação tradicional refere-se ao comando exercido por senhores que
gozam de autoridade pessoal em virtude do status herdado, e cujas ordens são
legítimas tanto por se conformarem aos costumes como por expressarem a
arbitrariedade pessoal.
d) A dominação carismática ocorre quando o poder de comando é proveniente da
crença dos seguidores nos poderes extraordinários, mágicos ou heróicos de um
chefe ou líder, sendo as ordens deste estritamente fundadas na sua capacidade
especial de julgamento.
e) A dominação legal ocorre quando os governados obedecem às normas legais e
não às pessoas que as formulam ou as implementam; e estas aplicam-se e são
reconhecidas como universais por todos os membros do grupo associado, inclusive
o(s) governante(s).
A primeira alternativa fala em “poder autoritário”. Ela foi tirada do seguinte texto de
Weber:
“Obediência” significa, para nós, que a ação de quem obedece
ocorre substancialmente como se este tivesse feito do conteúdo da
ordem e em nome dela a máxima de sua conduta, e isso unicamente
em virtude da relação formal de obediência, sem tomar em
consideração a opinião própria sobre o valor ou desvalor da ordem
como tal.
Weber trata a dominação como sinônimo de autoridade e como um conceito diferente
de poder. Ambos se diferenciam do poder justamente por causa da legitimidade. O
“poder” é conceituado como a imposição da vontade, mesmo contra resistências, ou
seja, não há obediência, como ocorre na dominação. Contudo, temos que tomar
cuidado aqui, porque muitas vezes alguns autores falam dos tipos puros de
dominação como tipos de poder. E a ESAF também já fez, inclusive nessa alternativa
“A”, que foi dada como correta.
Quando a ESAF fala em “poder autoritário”, um dos possíveis usos do termo
“autoritário” é que se refere à autoridade. Contudo ele também pode se referir à
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imposição, o que estaria errado ao associar com dominação, já que a imposição da
vontade está no conceito de poder. Segundo o Dicionário Houaiss, autoritário
significa:
1 relativo a autoridade
2 que se firma numa autoridade forte, ditatorial
3 revestido de autoritarismo; dominador, impositivo
4 que infunde respeito, obediência
5 a favor do princípio de submissão cega à autoridade
A ESAF foi infeliz no uso da expressão. Só que tenham muito cuidado porque isto
acontece regularmente. Veremos neste curso outras palavras que possuem duplo
sentido e que, quando a banca a usa na questão, pode levar à dupla interpretação.
A segunda alternativa fala que, atualmente, a dominação não é necessária porque a
base da legitimação é a lei. Isto não é verdade, já que o Estado sempre vai depender
da obediência e, mesmo o critério sendo a lei, ainda assim vai ser necessária a
dominação. Esta vai estar presente inclusive em sociedades democráticas, já que
estas também envolvem legitimidade. A letra “B” é incorreta.
A letra “C” é correta. Ela primeiro fala que a dominação tradicional refere-se ao
comando exercido por senhores que gozam de autoridade pessoal em virtude do
status herdado. Isso é correto, já que a autoridade é decorrente da tradição. Fala
também que as ordens são legítimas tanto por se conformarem aos costumes como
por expressarem a arbitrariedade pessoal. Isso também está certo, pois, na
dominação tradicional, as ordens são legítimas de dois modos:
1 em parte em virtude da tradição que determina inequivocamente o
conteúdo das ordens, e da crença no sentido e alcance destas, cujo abalo
por transgressão dos limites tradicionais poderia pôr em perigo a posição
tradicional do próprio senhor.
2 em parte em virtude do arbítrio do senhor, ao qual a tradição deixa espaço
correspondente.
Na dominação carismática não há regulamento, nem normas jurídicas abstratas. A
letra “D” é correta porque as ordens são sim baseadas na capacidade de julgamento
do líder.
A dominação legal é marcada pela impessoalidade, por isso que os governados
obedecem às normas legais e não às pessoas que as formulam ou as implementam.
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Já a segunda parte da letra “E” se refere ao princípio do “universalismo de
procedimentos”, que defende o tratamento igualitário perante a lei. A administração
pública não deve fazer discriminações positivas ou negativas no atendimento aos
administrados. É preciso que a administração siga critérios legais, racionais, e não
pessoais. A letra “E” é correta.
Gabarito: B.

4. (ESAF/EPPGG/2008) Os tipos primários de dominação tradicional são os
casos em que falta um quadro administrativo pessoal do senhor. Quando esse
quadro administrativo puramente pessoal do senhor surge, a dominação tradicional
tende ao patrimonialismo, a partir de cujas características formulou-se o modelo de
administração patrimonialista. Examine os enunciados a seguir, sobre tal modelo
de administração, e marque a resposta correta.
1. O modelo de administração patrimonialista caracteriza-se pela ausência de
salários ou prebendas, vivendo os “servidores” em camaradagem com o senhor a
partir de meios obtidos de fontes mecânicas.
2. Entre as fontes de sustento dos “servidores” no modelo de administração
patrimonialista incluem-se tanto a apropriação individual privada de bens e
oportunidades quanto a degeneração do direito a taxas não regulamentado.
3. O modelo caracteriza-se pela ausência de uma clara demarcação entre as
esferas pública e privada e entre política e administração; e pelo amplo espaço à
arbitrariedade material e vontade puramente pessoal do senhor.
4. Os “servidores” não possuem formação profissional especializada, mas, por
serem selecionados segundo critérios de dependência doméstica e pessoal,
obedecem a formas específicas de hierarquia patrimonial.
a) Estão corretos os enunciados 2, 3 e 4.
b) Estão corretos os enunciados 1, 2 e 3.
c) Estão corretos somente os enunciados 2 e 3.
d) Estão corretos somente os enunciados 1 e 3.
e) Todos os enunciados estão corretos.
O Patrimonialismo é uma forma de exercício da dominação por uma autoridade. A
Base de sua legitimidade é a tradição, cujas características principais repousam no
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poder individual do governante que, amparado por seu aparato administrativo
recrutado com base em critérios pessoais, exerce o poder político sob um
determinado território
Segundo Weber, ao quadro administrativo da dominação tradicional, em seu tipo
puro, faltam:
ƒ A competência fixa segundo regras objetivas;
ƒ A hierarquia racional fixa;
ƒ A nomeação regulada por contrato livre e ascenso regulado;
ƒ A formação profissional (como norma);
ƒ (muitas vezes) o salário fixo e (ainda mais frequentemente) o salário pago em
dinheiro.
Esse quadro administrativo não possui um salário fixo, mas recebe “sinecuras” e
“prebendas”. “Sinecura” significa “sem cuidado”, ou seja, “sem esforço”. “Prebenda”
significa “ocupação rendosa de pouco trabalho”. Portanto, a primeira afirmação é
errada, já que existem sim prebendas. O restante da alternativa está certo. Segundo
Weber, o salário fixo é o “normal” na dominação racional-legal, ao contrário do
servidor patrimonial, que obtém seu sustento por:
a) alimentação na mesa do senhor;
b) emolumentos, na maioria das vezes em espécie, provenientes de bens e
dinheiros do senhor;
c) terras funcionais;
d) oportunidades apropriadas de rendas, taxas ou impostos;
e) Feudos.
Em suas relações com a população, o quadro administrativo pode agir de maneira tão
arbitrária quanto aquela adotada pelo governante em relação a eles, contanto que não
violem a tradição e o interesse do mesmo na manutenção da obediência e da
capacidade produtiva de seus súditos.
A segunda afirmação fala em “degeneração do direito a taxas não regulamentado”.
Isso significa que os servidores se apropriam dos próprios tributos que são coletados
junto à sociedade. Por exemplo, em Portugal, eram nomeados representantes da
Coroa nas cidades, que ainda não contavam com prefeituras. Esses representantes
desempenhavam as funções estatais e podiam ficar com determinada percentagem
da arrecadação de taxas. A segunda afirmação é certa.
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A principal característica do patrimonialismo é a confusão entre o patrimônio público e
o privado. A administração política é tratada pelo senhor como assunto puramente
pessoal. Os bens adquiridos por meio dos tributos não se diferenciam dos bens
privados do senhor, tudo faz parte do mesmo patrimônio. Por tal razão, o príncipe lida
com os assuntos da corte – que seriam considerados públicos na acepção atual – de
forma eminentemente privada, posto que o patrimônio pessoal do governante e a
coisa pública são misturados como se fossem apenas uma esfera. A terceira
afirmação é correta.
A quarta afirmação fala em “dependência doméstica e pessoal”. Isso é correto.
Segundo Weber:
A este caso especial de estrutura de dominação patriarcal: o poder
doméstico descentralizado mediante a cessão de terras e
eventualmente de utensílios a filhos ou outros dependentes da
comunidade doméstica queremos chamar de dominação patrimonial.
Contudo, vimos acima que, para Weber, na dominação tradicional falta “a hierarquia
racional fixa”. Já a questão fala que “obedecem a formas específicas de hierarquia
patrimonial”. A quarta afirmação foi dada como errada, uma haveria no
patrimonialismo. O conceito de hierarquia supõe vários níveis hierárquicos, um
controlando o outro. Uma das definições de “hierarquia” do dicionário Houaiss é a
seguinte:
organização social em que se estabelecem relações de
subordinação e graus sucessivos de poderes, de situação e de
responsabilidades
É o modelo burocrático que trará o princípio da hierarquia.
Gabarito: C.

5. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração pública burocrática surgiu no
século XIX em substituição às formas patrimonialistas de administrar o Estado.
Indique qual das informações a seguir define as diferenças entre estas duas
abordagens.
a) No patrimonialismo não existe uma definição clara entre patrimônio público e
bens privados, com a proliferação do nepotismo e da corrupção enquanto a
burocracia é uma instituição administrativa que usa os princípios da racionalidade,
impessoalidade e formalidade em um serviço público profissional.
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b) No patrimonialismo os governantes consideram-se donos do Estado e o
administram como sua propriedade, sendo Weber um dos seus defensores. A
administração pública burocrática surgiu como uma resposta ao aumento da
complexidade do Estado e à necessidade de organização das forças armadas.
c) No patrimonialismo a administração pública era um instrumento para garantir os
direitos de propriedade, já a administração pública burocrática estabeleceu uma
definição clara entre res publica e bens privados.
d) No patrimonialismo a administração pública é governada pela preservação e
desenvolvimento do patrimônio do Estado, sem se preocupar com a defesa dos
direitos civis e sociais. A administração burocrática está ligada ao conceito do
Estado de Bem-Estar Social, combatendo o nepotismo e a corrupção.
e) No patrimonialismo a autoridade é exclusivamente hereditária, gerando
corrupção e ineficiência, enquanto a estratégia adotada pela administração pública
burocrática – o controle formalista dos procedimentos – garante uma melhor
utilização dos recursos públicos.
A letra “A” é correta, é a resposta da questão. O patrimonialismo se caracteriza pela
confusão entre o público e o privado. A segunda parte da alternativa traz alguns
princípios da burocracia que estão na definição de Bresser Pereira:
São três as características básicas que traduzem o seu caráter
racional: são sistemas sociais (1) formais, (2) impessoais, (3)
dirigidos por administradores profissionais, que tendem a controlá-
los cada vez mais completamente.
A letra “B” é errada porque Weber não era um dos defensores do patrimonialismo. Na
realidade, ele destacou com muita ênfase a superioridade da autoridade racional-legal
sobre o poder patrimonialista.
Há pelo menos três grandes causas que levaram à formação da administração
pública burocrática:
a) Processo de racionalização capitalista (Weber), por meio do qual as
organizações complexas, privadas e públicas, deveriam profissionalizar sua
gestão, padronizar os métodos administrativos e buscar maior eficácia em suas
ações, em termos de estrutura hierárquica e qualificação prévia dos
funcionários.
b) Expansão e complexificação do papel do Estado:
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ƒ Primeiramente, exército regular e tributação eficiente.
ƒ Depois, direitos de propriedade, proteção legal.
ƒ Ao longo do tempo, houve expansão para outras atividades regulatórias
e investimento em infra-estrutura.
ƒ Nos países em desenvolvimento e mesmo nos casos de modernização
conservadora, o Estado como vetor do desenvolvimento dependeu da
constituição de uma burocracia profissional.
c) Ampliação da democracia-liberal e a criação de políticas públicas para garantir
direitos sociais
ƒ De forma tensa e conflituosa, o liberalismo transformou-se em
democracia-liberal com a ampliação do sufrágio. A luta por direitos se
ampliou e levou à criação, paulatina, de políticas sociais, que
demandavam de uma burocracia profissional para realizar esta nova
tarefa
ƒ Esta luta por democratização e ampliação dos direitos também resultou
em medidas para tornar mais igualitário o acesso aos cargos públicos.
ƒ Em suma, a criação da burocracia esteve no centro dos conflitos da
montagem da democracia-liberal até a sua transformação mais adiante
em democracia.
A letra “C” fala que, no patrimonialismo, a administração pública era um instrumento
de garantia do direito de propriedade. Segundo Bresser Pereira:
Se, no século XIX, a administração pública do Estado Liberal era um
instrumento para garantir os direitos de propriedade — garantindo a
apropriação dos excedentes da economia pela classe capitalista
emergente —, no Estado Desenvolvimentista, a administração
burocrática era uma forma de apropriação dos excedentes por uma
nova classe média de burocratas e tecnoburocratas.
A administração burocrática é característica das democracias liberais. Portanto, é no
modelo burocrático, dentro do Estado Liberal, que a administração pública era usada
para garantir o direito de propriedade. Assim a letra “C” é errada. A segunda parte da
alternativa é correta. O modelo burocrático se diferencia do patrimonialismo por fazer
a distinção entre o patrimônio público e o privado.
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A letra “D” é errada porque fala que o patrimonialismo preserva o patrimônio público,
quando na realidade ataca. A segunda parte fala que a administração burocrática está
ligada ao conceito do Estado de Bem-Estar Social, combatendo o nepotismo e a
corrupção. Vamos ver uma questão da ESAF:
2. (ESAF/MPOG/2002) O Estado do Bem-Estar Social foi
prejudicado e marcado pelo modelo de administração pública
burocrática.
A questão é correta. Veremos que, com a crise fiscal do Estado na década de 1970,
era necessária uma administração pública eficiente, que entregasse os diversos
serviços exigidos pelo Estado com os poucos recursos de que os países dispunham.
Mas a administração burocrática era ineficiente, cara, auto-referida.
A letra “E” está errada porque a autoridade, no patrimonialismo, não é exclusivamente
hereditária. Ela pode se dar de outras formas, inclusive revolucionária, no caso da
dominação carismática. Na segunda parte, quando se fala que a administração
burocrática garante uma melhor utilização dos recursos públicos, temos que saber
com o que se está comparando. A alternativa compara com a administração
patrimonial. Nesse caso, a administração burocrática apresenta uma melhor utilização
dos recursos. No início, o modelo burocrático estava ligado à idéia de eficiência, já
que se dizia racional, orientado a fins. Foi após a sua aplicação que percebemos que
ele na realidade era ineficiente, em função das suas chamadas disfunções.
Gabarito: A.

6. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) O século XIX marca o surgimento de uma
administração pública burocrática em substituição às formas patrimonialistas de
administrar o Estado. O chamado “patrimonialismo” significa a incapacidade ou
relutância do governante em distinguir entre o patrimônio público e seus bens
privados. Assinale a opção que indica corretamente as características da
administração pública burocrática.
a) Serviço público profissional, flexibilidade organizacional e nepotismo.
b) Serviço público profissional e um sistema administrativo fruto de um arranjo
político, formal e racional.
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c) Serviço público profissional e um sistema administrativo impessoal, formal e
racional.
d) Serviço público fruto de um arranjo entre as forças políticas e um sistema
administrativo seletivo de acordo com os diversos grupos de sustentação da base
de governo.
e) Serviço público orientado para o consumidor, ênfase nos resultados em
detrimento dos métodos e flexibilidade organizacional.
Novamente aqui temos as características principais da burocracia elencadas por
Bresser Pereira:
São três as características básicas que traduzem o seu caráter
racional: são sistemas sociais (1) formais, (2) impessoais, (3)
dirigidos por administradores profissionais, que tendem a controlá-
los cada vez mais completamente.
A alternativa que traz essas características é a letra “C”, a resposta da questão.
Na letra “A” os erros são a flexibilidade e o nepotismo. Nas letras “B” e “D”, o erro é o
arranjo político, quando na realidade é racional. Além disso, o serviço público não é
seletivo, mas baseado no universalismo de procedimentos. A letra “E” traz
características do modelo gerencial.
Gabarito: C.

7. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) A administração burocrática clássica, baseada
nos princípios da administração do Exército prussiano, foi implantada nos principais
países europeus no final do século XIX. Ela foi adotada porque era uma alternativa
muito superior à administração patrimonialista do Estado. Quais das seguintes
características básicas pertencem ao conceito de burocracia de Weber?
I. Ligação entre os patrimônios público e privado.
II. Autoridade funcional baseada no estatuto.
III. Gestão voltada para resultados.
IV. Caráter hierárquico das relações de trabalho.
V. Caráter impessoal das relações profissionais, sem ódios ou paixões.
VI. Critérios de mérito para atribuição de responsabilidades e evolução na carreira.
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VII. Autoridade derivada de normas racionais-legais.
Estão corretos apenas os itens:
a) III, VII
b) II, VI, VII
c) II, IV,V,VI, VII
d) II, III, VII
e) II , VI
A ligação entre os patrimônios público e privado é uma característica do
patrimonialismo, e não da burocracia, que defende justamente o contrário, a
separação da res publica dos interesses privados. A afirmação I é errada.
A autoridade nas burocracias segue o princípio das competências oficiais fixas,
ordenadas mediante regras. O formalismo da burocracia se expressa no fato de que a
autoridade deriva de um sistema de normas racionais, escritas e exaustivas, que
definem com precisão as relações de mando e subordinação, distribuindo as
atividades a serem executadas. Portanto, a afirmação II é correta.
A afirmação III fala que a burocracia apresenta uma gestão voltada para resultado. Na
minha opinião, a afirmação III estaria correta. Segundo Bresser Pereira:
Se adotarmos uma definição curta e perfeitamente enquadrada
dentro dos moldes da filosofia aristotélica, diremos que uma
organização ou burocracia é um sistema social racional, ou um
sistema social em que a divisão do trabalho é racionalmente
realizada tendo em vista os fins visados.
Detalhando melhor esta definição, os autores dizem que o critério que diferencia o ato
racional do irracional é sua coerência em relação aos fins visados. Um ato será
racional na medida em que representar o meio mais adaptado para se atingir
determinado objetivo, na medida em que sua coerência em relação a seus objetivos
se traduzir na exigência de um mínimo de esforços para se chegar a esses objetivos.
Contudo, a afirmação III foi dada como incorreta. O que ocorreu foi que a ESAF
pensou nas disfunções da burocracia, e uma delas é que o modelo burocrático
enfatiza demais o processo, esquecendo-se do resultado. A administração gerencial é
que vem focar no resultado. Contudo, como a questão cobra o conceito de Weber,
não poderíamos pensar em suas disfunções. Weber afirma que:
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A administração puramente burocrática, portanto, a administração
burocrática-monocrática mediante documentação, considerada do
ponto de vista formal, é, segundo toda a experiência, a forma mais
racional de exercício de dominação, porque nela se alcança
tecnicamente o máximo de rendimento em virtude de precisão,
continuidade, disciplina, rigor e confiabilidade, intensidade e
extensibilidade dos serviços e aplicabilidade formalmente universal a
todas as espécies de tarefas.
A afirmação IV é correta. Um dos maiores princípios da burocracia é a hierarquia de
cargos e da seqüência de instâncias. Este configura um sistema fixamente
regulamentado de mando e subordinação das autoridades, com fiscalização das
inferiores pelas superiores. Quando o tipo está plenamente desenvolvido, essa
hierarquia de cargos está monocraticamente organizada, cada empregado só se
submete a um chefe, em uma seqüência de instâncias hierárquica.
A afirmação V é correta. Weber afirma que o caráter impessoal da burocracia
obedece ao princípio da administração sine ira ac studio, sem ódio ou paixão.
Segundo Weber:
A burocracia é mais plenamente desenvolvida quando mais se
desumaniza, quanto mais completamente alcança as características
específicas que são consideradas como virtudes: a eliminação do
amor, do ódio e de todos os elementos pessoais, emocionais e
irracionais, que escapam ao cálculo.
O funcionário, no modelo burocrático, de acordo com a ordem hierárquica das
autoridades, percorre uma carreira, dos cargos inferiores, menos importantes e
menos bem pagos, até os superiores. Os critérios de mérito são decorrência do
caráter impessoal. A afirmação VI é correta.
Por fim, a afirmação VI é correta, pois traz novamente a autoridade baseada no
estatuto, no caráter racional-legal.
Gabarito: C.

8. (ESAF/MPOG/2005) Com base no pensamento de Max Weber, julgue as
sentenças sobre a burocracia atribuindo (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para
a afirmativa falsa, assinalando ao final a opção correta.
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( ) A constituição prévia de uma economia monetária é condição sine qua non para
o surgimento da organização burocrática.
( ) O Estado moderno depende completamente da organização burocrática para
continuar a existir.
( ) A burocracia é elemento exclusivo do Estado moderno capitalista, não sendo
verificável em outros momentos da história.
( ) O modelo burocrático é a única forma de organização apta a desempenhar as
tarefas necessárias para o bom funcionamento do capitalismo.
a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) F, F, V, V
d) F, V, F, V
e) F, F, F, V
“Sine qua non” significa “sem o qual não pode ser”, ou seja, trata-se de uma condição
indispensável e essencial. Segundo Weber, o desenvolvimento da economia
monetária é um dos pressupostos da forma moderna de cargo, exercido com
profissionalismo e que tem direito a uma remuneração, mas Weber afirma que:
Esta é de grande importância para os hábitos gerais da burocracia,
mas de modo algum é o único fator decisivo para sua existência. Os
exemplos históricos quantitativamente mais importantes de um
burocratismo claramente desenvolvido até certo grau são os
seguintes: o Egito da época do Novo Império, porém com tendências
fortemente patrimoniais, o principado romano tardio, a Igreja Católica
Romana, a China, desde os tempos de Shi Hoang Ti até o presente,
o Estado europeu moderno, a grande empresa capitalista moderna.
Portanto, a economia monetária não é indispensável para o aparecimento das
organizações burocráticas, ou seja, a primeira afirmação é falsa. Contudo, apesar de
ser dispensável, Weber afirma que certo grau de desenvolvimento de uma economia
monetária é o pressuposto normal, senão para sua criação, pelo menos para a
subsistência inalterada das administrações puramente burocráticas, pois sem ela
dificilmente pode ser evitado que a estrutura burocrática mude fortemente em sua
natureza interna ou até seja substituída por outra.
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Por esta citação, já podemos ver que a terceira afirmação também é falsa, já que em
épocas anteriores ao Estado moderno capitalista existiram organizações burocráticas.
Weber afirma que:
É óbvio que o Estado Moderno depende tecnicamente, com o
decorrer do tempo, cada vez mais, de uma base burocrática, e isto
tanto mais quanto maior é sua extensão, particularmente quando é
uma grande potência ou está a caminho de sê-lo.
A ESAF vai um pouco além, dizendo que depende completamente, mas ainda assim
a segunda afirmação é verdadeira. O Estado moderno, devido a sua complexidade,
precisa da racionalidade e da impessoalidade. Na visão de Weber, não há como o
Estado crescer sem manter uma base burocrática, isso por que o modelo burocrático
é a única forma de organização apta a desempenhar as tarefas necessárias para o
bom funcionamento do capitalismo. A quarta afirmação é correta.
Gabarito: D.

9. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração burocrática moderna, racional
legal, foi implantada nos principais países europeus no final do século XIX e no
Brasil em 1936, com a reforma administrativa promovida por Maurício Nabuco e
Luiz Simões Lopes. Assinale a opção que não caracteriza corretamente este tipo
de administração.
a) A administração burocrática distingue entre o público e o privado, separando o
político do administrador público, sendo essencial ao bom funcionamento do
capitalismo.
b) A administração pública burocrática é uma alternativa superior à administração
patrimonialista do Estado, é baseada no princípio do mérito profissional e
compatível com o capitalismo industrial e a democracia parlamentar.
c) A administração pública burocrática tem como princípios o mérito e a
formalidade, o que torna difícil a sua aplicação nas democracias parlamentares,
onde os interesses dos vários grupos políticos impedem uma unidade de ação.
d) A administração pública burocrática concentra-se no processo, na criação de
procedimentos para gestão do Estado em todas as suas atividades e em controlar
a adequação do serviço público a estes procedimentos.
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e) A administração burocrática é lenta, cara, auto-referida, pouco orientada para
atender às demandas dos cidadãos, não garantindo nem rapidez, nem qualidade,
nem custos baixos para os serviços prestados ao público.
A letra “A” é correta, pois a administração burocrática surge como oposição ao
patrimonialismo, separando o público do privado. É estranho pensar que o capitalismo
depende da burocracia, mas ela surgiu justamente porque a maior complexidade
trazida pelo capitalismo exigia um modelo burocrático de administração, impessoal,
racional, com divisão do trabalho, etc. Tanto que esses princípios permanecem até
hoje.
A letra “B” é correta, pois a administração burocrática é superior ao patrimonialismo,
combatendo a corrupção e o nepotismo. Além disso, a administração burocrática
surgiu em decorrência da maior complexidade da sociedade e do desenvolvimento do
capitalismo e da democracia, que exigiam uma administração racional e impessoal.
A letra “C” é errada justamente porque o modelo burocrático é sim aplicável nas
democracias parlamentares. Com o surgimento das democracias e do capitalismo, a
sociedade começa a exigir cada vez mais que o governo seja impessoal, que não
trata determinados grupos com privilégios, e administre de forma racional. É com um
Estado que governa para poucos que os vários grupos da sociedade iriam impedir
sua ação. Bresser afirma que:
É essencial para o capitalismo a clara separação entre o Estado e o
mercado e a democracia só pode existir quando a sociedade civil,
formada por cidadãos, distingue-se do Estado ao mesmo tempo em
que o controla. Tornou-se assim necessário desenvolver um tipo de
administração que partisse não apenas da clara distinção entre o
público e o privado, mas também da separação entre o político e o
administrador público. Surge assim a administração burocrática
moderna, racional-legal.
A letra “D” é correta. Ela trata do excessivo controle empregado pelo modelo
burocrático. As regras não burocracia são exaustivas, ou seja, há criação de
procedimentos para gestão do Estado em todas as suas atividades. O foco do
controle acabou concentrando-se no processo, e não no resultado, buscando
controlar os procedimentos dos administradores.
A letra “E” é correta. Segundo Bresser Pereira:
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A administração pública burocrática clássica foi adotada porque era
uma alternativa muito superior à administração patrimonialista do
Estado. Entretanto o pressuposto de eficiência em que se baseava
não se revelou real. No momento em que o pequeno Estado liberal
do século XIX deu definitivamente lugar ao grande Estado social e
econômico do século XX, verificou-se que não garantia nem rapidez,
nem boa qualidade nem custo baixo para os serviços prestados ao
público. Na verdade, a administração burocrática é lenta, cara, auto-
referida, pouco ou nada orientada para o atendimento das
demandas dos cidadãos.
Gabarito: C.

10. (ESAF/CGU/2008) Considerando a diferenciação conceitual para fins didáticos
dos modelos patrimonialista, burocrático e gerencial da administração pública no
Brasil, selecione a opção que conceitua corretamente o modelo burocrático de
gestão.
a) Estado centralizador, onipotente, intervencionista e espoliado por uma elite que
enriquece e garante privilégios por meio de exclusão da maior parte da sociedade.
b) Estado centralizador, profissional e impessoal que busca a incorporação de
atores sociais emergentes e estabelece normas e regras de funcionamento.
c) Estado desconcentrado que privilegia a delegação de competências para os
municípios e foca o controle social de suas ações.
d) Estado coordenador de políticas públicas nas três esferas da federação, visando
à desburocratização dos processos governamentais.
e) Estado descentralizado que tem como foco de suas ações o contribuinte, que é
visto como cliente dos serviços públicos.
Na primeira alternativa temos o Estado Absolutista patrimonialista, e não o modelo
burocrático, já que ela fala em uma elite que enriquece às custas do Estado. Assim, a
letra “A é incorreta.
No entanto, isto não quer dizer que, no modelo burocrático, o Estado não seja
centralizador. A administração pública burocrática é auto-referida porque ela se
interessa, primariamente, em afirmar o poder do Estado — o “poder extroverso” —
sobre os cidadãos. Portanto, a letra “B” é correta, é a resposta da questão, já que no
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modelo burocrático o Estado é centralizador, profissional e impessoal. As decisões
são tomadas apenas nos níveis mais altos das organizações, restringindo a
autonomia dos níveis mais baixos. Como o estado é centralizado, ele não será
desconcentrado, o que torna a letra “C” errada.
Se o modelo é burocrático, ele não vai buscar a desburocratização, mas sim a
burocratização, ou seja, o estabelecimento de regras e controles. Por isso que a letra
“D” é incorreta.
Por fim, a letra “E” é incorreta porque descentralização e foco no contribuinte, que é
visto como cliente, são características da administração gerencial e não da
burocrática.
Gabarito: B.

11. (ESAF/MPOG/2008) O modelo de gestão pública burocrático, com base nos
postulados weberianos, é constituído de funcionários individuais, cujas
características não incluem:
a) liberdade pessoal e obediência estrita às obrigações objetivas do seu cargo,
estando submetidos a um sistema homogêneo de disciplina e controle do serviço.
b) exercício do cargo como profissão única ou principal, com perspectiva de
carreira: progressão por tempo de serviço ou mérito, ou ambas.
c) competências funcionais fixas em contrato e segundo qualificações profissionais
verificadas em provas e certificadas por diplomas.
d) apropriação dos poderes de mando inerentes ao cargo (exercício da autoridade),
mas não dos meios materiais de administração, nem do próprio cargo.
e) nomeação, numa hierarquia rigorosa dos cargos, sendo remunerados com
salários fixos em dinheiro.
A letra “A” desta questão gerou muita polêmica nesse concurso do MPOG. Isso
porque ela fala em liberdade pessoal. Muitos pensaram que no modelo burocrático o
funcionário não tem liberdade pessoal, já que deve seguir procedimentos rígidos.
Contudo, esta liberdade pessoal não é liberdade de procedimentos, mas uma
liberdade em relação aos superiores, uma liberdade de não interferência em sua vida
privada. Estas características dos funcionários individuais foram tiradas de Weber,
que afirma que:
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O tipo mais puro de dominação legal é aquele que se exerce por
meio de um quadro administrativo burocrático. Somente o dirigente
da associação possui sua posição de senhor, em virtude ou de
apropriação ou de eleição ou de designação da sucessão. Mas suas
competências senhoriais são também competências legais. O
conjunto do quadro administrativo se compõe, no tipo mais puro, de
funcionários individuais (monocracia, em oposição à “colegialidade”),
os quais:
1. são pessoalmente livres; obedecem somente às obrigações objetivas de seu
cargo;
2. são nomeados (e não eleitos) numa hierarquia rigorosa dos cargos;
3. têm competências funcionais fixas;
4. em virtude de um contrato, portanto, (em princípio) sobre a base de livre
seleção segundo
5. a qualificação profissional – no caso mais racional: qualificação verificada
mediante prova e certificada por diploma;
6. são remunerados com salários fixos em dinheiro, na maioria dos casos com
direito a aposentadoria; em certas circunstâncias (especialmente em empresas
privadas), podem ser demitidos pelo patrão, porém sempre podem demitir-se
por sua vez; seu salário está escalonado, em primeiro lugar, segundo a
posição na hierarquia e, além disso, segundo a responsabilidade do cargo e o
princípio da correspondência à posição social;
7. exercem seu cargo como profissão única ou principal;
8. têm a perspectiva de uma carreira: “progressão” por tempo de serviço ou
eficiência, ou ambas as coisas, dependendo dos critérios dos superiores;
9. trabalham em separação absoluta dos meios administrativos e sem
apropriação do cargo;
10. estão submetidos a um sistema rigoroso e homogêneo de disciplina e controle
do serviço.
A letra “A” é correta, pois traz as características 1 e 10. A letra “B” é correta, pois traz
a característica 7. A letra “C” é correta, pois traz as características 3, 4 e 5. A letra “D”
é errada, já que contraria a característica 9. A letra “E” é correta, traz as
características 2 e 6.
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A resposta da questão é a letra “D”. No modelo burocrático, não há apropriação do
cargo, nem dos poderes de mando inerentes a ele. Portanto, o erro está na primeira
parte da alternativa, o restante está correto.
Gabarito: D.

12. (ESAF/PSS/2008) De acordo com o modelo sistematizado por Max Weber, a
burocracia moderna funciona de forma específica. Todas as opções abaixo
descrevem corretamente características centrais da sua atuação, exceto:
a) rege o princípio de áreas de jurisdição fixas e oficiais, ordenadas de acordo com
regulamentos.
b) os princípios da hierarquia dos postos e dos níveis de autoridades significam um
sistema firmemente ordenado de mando e subordinação, no qual há uma
supervisão dos postos inferiores pelos superiores.
c) a administração de um cargo moderno se baseia em documentos escritos,
preservados em sua forma original ou em esboço.
d) em geral, a atividade oficial é segregada como algo distinto da esfera da vida
privada: os dinheiros e o equipamento público estão divorciados da propriedade
privada da autoridade.
e) o desempenho do cargo segue regras específicas e exaustivas, cujo
conhecimento é parte de um aprendizado técnico especial a que se submetem os
funcionários.
Essa questão também foi tirada do livro “Economia e Sociedade” de Max Weber, que
afirma que “o funcionamento do funcionalismo moderno manifesta-se da seguinte
forma”:
1) “Rege o princípio das competências oficiais fixas, ordenadas, de forma geral,
mediante regras: leis ou regulamentos administrativos”. A letra “A” é certa. Weber
está dizendo aqui que o que cada órgão e servidor pode fazer está estabelecido
em normas. Trata-se do princípio da legalidade, segundo o qual a administração
pública só pode fazer o que lhe é autorizado em lei. Para Weber, isso que dizer
que:
a. “Existe uma distribuição fixa das atividades regularmente necessárias para
realizar os fins do complexo burocraticamente dominado, com deveres
oficiais;

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b. Os poderes de mando, necessários para cumprir estes deveres, estão
também fixamente distribuídos, e os meios coativos (físicos, sacros ou
outros) que eventualmente podem empregar estão também fixamente
delimitados por regras;
c. Para o cumprimento regular e contínuo dos deveres assim distribuídos e o
exercício dos direitos correspondentes criam-se providências planejadas,
contratando pessoas com qualificação regulamentada de forma geral”.
2) “Rege o princípio da hierarquia de cargos e da seqüência de instâncias, isto é, um
sistema fixamente regulamentado de mando e subordinação das autoridades,
com fiscalização das inferiores pelas superiores. Esse sistema oferece, ao mesmo
tempo, ao dominado a possibilidade fixamente regulamentada de apelar de uma
autoridade inferior à instância superior desta. Quando o tipo está plenamente
desenvolvido, essa hierarquia de cargos está monocraticamente organizada, em
uma seqüência de instâncias hierárquica”.
A letra “B” é certa. Aqui Weber fala do princípio da hierarquia, segundo a qual a
organização burocrática é constituída de vários níveis hierárquicos, um
controlando o outro, numa estrutura bastante verticalizada. Quando Weber coloca
que a hierarquia está monocraticamente organizada, ele quer dizer que a
organização burocrática segue a estrutura linear, em que cada funcionário só se
submete a um chefe. Não há a dupla subordinação, ou seja, o funcionário não
estaria subordinado a dois chefes diferentes.
3) A letra “C” é certa, ela pegou muita gente nessa questão. Ela fala que os
documentos podem ser guardados em seu esboço. Por incrível que pareça, isso
está correto. Segundo Weber, “a administração moderna baseia-se em
documentos (atas), cujo original ou rascunho se guarda, e em um quadro de
funcionários subalternos e escrivães de todas as espécies.
O conjunto dos funcionários que trabalham numa instituição administrativa e
também o aparato correspondente de objetos e documentos constituem um
“escritório”. A moderna organização administrativa separa, por princípio, o
escritório da moradia privada, distinguindo em geral a atividade oficial, da esfera
da vida privada, e os recursos monetários e outros meios oficiais da propriedade
privada do funcionário”.
Podemos ver que a letra “D” é certa. No modelo burocrático, separa-se muito
claramente o público do privado, o funcionário não mistura seus bens com os do
Estado, como acontecia no patrimonialismo.
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4) “A atividade oficial, pelo menos toda atividade oficial especializada – e esta é o
especificamente moderno – pressupõe, em regra, uma intensa instrução na
matéria. Também isso se aplica, cada vez mais, aos dirigentes e empregados
modernos das empresas da economia privada, do mesmo modo que aos
funcionários estatais”. Aqui temos o conhecimento especializado dos burocratas,
que devem ser treinados, devem passar por uma formação longa.
5) “Quando o cargo está plenamente desenvolvido, a atividade oficial requer o
emprego da plena força de trabalho do funcionário, independentemente da
circunstância de que o tempo obrigatório no escritório pode estar fixamente
delimitado. Essa situação, como caso normal, é produto também de um longo
desenvolvimento, tanto nos cargos públicos quanto naqueles da economia
privada. O caso normal era antigamente, ao contrário, a realização “acessória”
dessas atividades”.
Neste ponto, Weber coloca que o funcionário, durante o horário de expediente,
deve se dedicar exclusivamente às atividades oficiais, não fazendo atividades de
cunho pessoal.
6) Só sobrou a letra a última alternativa. A letra “E” é errada porque fala que o
desempenho do cargo segue regras específicas e exaustivas. Elas não são
específicas. Para Weber, “a administração dos funcionários realiza-se de acordo
com regras gerais, mais ou menos fixas e mais ou menos abrangentes, que
podem ser aprendidas. O conhecimento destas regras constitui, por isso, uma
arte especial, que é posse dos funcionários”.
Contudo, a alternativa está certa quando fala em regras exaustivas. No modelo
burocrático, o administrador público só pode fazer o que lhe é autorizado. É um
controle a priori. Assim, as normas vão tentar prever todas as situações possíveis
com as quais o administrador pode se deparar para dizer como ele deve agir em
cada uma delas. Segundo Bresser Pereira:
O formalismo da burocracia se expressa no fato de que a autoridade
deriva de um sistema de normas racionais, escritas e exaustivas,
que definem com precisão as relações de mando e subordinação,
distribuindo as atividades a serem executadas de forma sistemática,
tendo em vista os fins visados.
Gabarito: E.

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13. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) Weber, na década de 20, na Alemanha, publicou
estudos sobre as organizações formais identificando-lhes características comuns
que passaram a constituir o “tipo ideal de burocracia”. Com o passar do tempo,
evidenciou-se que as características desejáveis ao funcionamento racional das
organizações e ao alcance de sua eficiência se transformavam em disfunções.
Assinale a opção que descreve corretamente uma das disfunções da burocracia.
a) A burocracia tem normas e regulamentos escritos que regem seu
funcionamento, definindo direitos e deveres dos ocupantes de cargos.
b) Numa burocracia os cargos são estabelecidos segundo o princípio da hierarquia,
onde a distribuição de autoridade serve para reduzir ao mínimo o atrito.
c) Na burocracia a divisão de trabalho leva cada participante a ter funções
específicas e uma esfera de competência e responsabilidade.
d) A burocracia tem normas e regulamentos que se transformam de meios em
objetivos, tornando o funcionário um conhecedor de procedimentos.
e) A burocracia se caracteriza pela impessoalidade, pois o poder de cada pessoa,
como a obediência do subordinado ao seu superior, deriva do cargo que ocupa.
A administração burocrática trouxe uma série de avanços em relação à administração
patrimonialista, dentre eles a impessoalidade, a racionalidade, o mérito, a
profissionalização, o controle. No entanto, surgiram uma série de problemas, que a
doutrina convencionou chamar de disfunções da burocracia, entre elas a rigidez e a
lentidão.
O excesso de burocratização, de formalismo e despersonalização, é a principal
origem das disfunções da burocracia. Esse excesso resulta na concepção popular de
burocracia como um sistema ineficiente, dominado pela “papelada” e por funcionários
de mentalidade estreita, incapazes de tomar decisões e pensar por conta própria.
Das alternativas, a única que traz uma disfunção da burocracia é a letra “D”, que traz
a disfunção da internalização das regras e apego aos regulamentos. Portanto a letra
“D” é correta.
A letra “A” é incorreta porque traz o formalismo, uma das características da
burocracia, mas que não necessariamente é algo ruim. O excesso de formalismo, de
papelório é que é uma disfunção. O formalismo, o caráter legal, são características
indispensáveis ao bom andamento da administração pública.
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A letra “B” é incorreta porque a especialização vertical, a hierarquia, trouxe
racionalidade para as organizações. Novamente, o problema é o excesso, as
estruturas muito verticalizadas.
A letra “C” é incorreta, pois traz o princípio da divisão do trabalho, a especialização
horizontal, ou departamentalização. Esta característica também não é uma disfunção.
A letra “E” é incorreta porque a impessoalidade não é uma disfunção, pelo contrário,
trouxe grandes ganhos para a administração, tanto que permanece na administração
gerencial.
As disfunções mais citadas pela doutrina são:
a) Internalização das regras e exagero apego aos regulamentos: as normas e
regulamentos passam a se transformar de meios em objetivos.
b) Desenvolvimento, entre os funcionários, de um nível mínimo de desempenho:
O respeito às normas passa a ser tão importante que o desempenho torna-se
secundário.
c) Excesso de formalismo e de papelório: há a necessidade de documentar e de
formalizar todas as comunicações dentro da burocracia a fim de que tudo
possa ser devidamente testemunhado por escrito.
d) Resistência a mudanças: o funcionário da burocracia está acostumado em
seguir regras, ou seja, conforme rotinas, com isso, sente-se seguro e
tranqüilo, resistindo a possíveis mudanças.
e) Despersonalização do relacionamento: a administração burocrática é
realizada sem consideração a pessoas. Burocracia significa,
etimologicamente, “governo de escritório”;
f) Categorização como base do processo decisorial: a burocracia se assenta em
uma rígida hierarquização da autoridade, ou seja, na burocracia, quem toma
as decisões são as pessoas que estão no mais alto nível da hierarquia. Isso
faz com que as decisões sejam tomadas por pessoas distantes da realidade;
g) Superconformidade às rotinas e procedimentos: na burocracia as rotinas e
procedimentos se tornam absolutas e sagradas para os funcionários;
h) Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público: Os
funcionários trabalham voltados ao interior da organização, de forma auto-
referida, sem atentar para as reais necessidades dos “clientes”, os cidadãos;
Gabarito: D.
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14. (ESAF/APO-MPOG/2003) Uma importante tradição de estudos mostra que as
relações de burocratas com outros atores podem assumir variados padrões. Um
deles, bastante presente na institucionalidade política brasileira, é o insulamento
burocrático. Entre as opções abaixo, marque aquela que descreve corretamente o
insulamento burocrático.
a) Uma relação entre a burocracia e a sociedade, baseada na troca de dados e
informações, visando constituir mecanismos formais para a representação de
interesses no interior do aparato burocrático e tornar transparentes as influências
particulares sobre as decisões públicas.
b) Uma relação entre agências governamentais que compartilham objetivos de
redução de custos ou otimização de resultados, visando proporcionar qualificação e
treinamento especializado aos seus funcionários, a fim de capacitá-los para o
exercício de tarefas complexas.
c) O estabelecimento de padrões de hierarquia, divisão de funções, busca de
excelência e eficiência máxima, com a finalidade de eliminar o contato entre
decisores públicos e a sociedade, para que as ações de governo espelhem
estritamente os interesses gerais da nação.
d) O estabelecimento de barreiras institucionais destinadas tanto a bloquear
pressões partidárias e o encaminhamento de demandas personalísticas quanto a
assegurar a eficiência na alocação dos recursos necessários à gestão das políticas
governamentais.
e) Um esforço de racionalização burocrática destinada a imprimir aos funcionários
do Estado a ética da convicção, traduzida pelo predomínio de uma visão tecnicista
do processo legislativo, e a reservar aos políticos a ética das responsabilidades,
mais apropriada à representação de interesses e à negociação de demandas
conflitantes.
Para que a burocracia não sofra interferências externas, tanto dos políticos quanto da
sociedade, muitas vezes ela se fecha e passa a atuar de forma isolada. O
insulamento burocrático pode ser compreendido como um processo de proteção do
núcleo técnico do Estado, que se responsabiliza pela consecução de determinados
objetivos específicos, contra a interferência oriunda do público ou de outras
organizações intermediárias. Segundo Edson Nunes,
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O insulamento burocrático significa a redução do escopo da arena
em que os interesses e demandas populares podem desempenhar
um papel. Esta redução da arena é efetivada pela retirada de
organizações cruciais do conjunto da burocracia tradicional e do
espaço político governado pelo Congresso e pelos partidos políticos,
resguardando estas organizações contra tradicionais demandas
burocráticas ou redistributivas.
O insulamento burocrático pode ser visto de forma positiva, como para evitar a
pressão de grupos de interesses poderosos, ou de forma negativa, quando os
burocratas deixam de ouvir a sociedade, reduzindo a participação desta no processo
decisório.
A letra “A” é errada porque o insulamento é o distanciamento entre burocracia e
sociedade, e não uma relação baseada na troca de dados e informação. Também não
envolve o relacionamento entre agências governamentais em cooperação. A letra “B”
é errada.
A letra “C” é errada. O insulamento não significa necessariamente que as ações do
governo espelham os interesses gerais da nação. O conceito é até defendido com a
suposição de que isolados, os burocratas tomariam as decisões apenas segundo
critérios técnicos, mas na prática é uma forma de impedir interferências externas, até
mesmo da sociedade, barrando as formas de participação.
A letra “D” é a correta, aborda o isolamento dos burocratas tanto em relação aos
políticos quanto à sociedade.
A letra “E” é errada, trata das diferenças entre os burocratas e políticos, sem relação
com o insulamento burocrático. Estudaremos na Aula 04 estes dois tipos de ética.
Gabarito: D.

15. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Assinale como verdadeira (V) ou falsa (F) as
frases que indicam os elementos da crise do modelo burocrático de administração
pública.
( ) Como provedor de educação pública, de saúde pública, de cultura, de infra-
estrutura, de seguridade social e de proteção ao meio ambiente o modelo
burocrático não atendeu à expansão das funções do Estado.
( ) O modelo burocrático não dá ênfase a resultados e sim a processos e controles.
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( ) Com o modelo burocrático aumentou a corrupção e o nepotismo.
( ) Com o fim da guerra fria e da corrida armamentista, diminuiu a necessidade de
estruturas organizacionais rígidas.
( ) A administração burocrática foi ineficiente em administrar o Estado de Bem-
Estar Social.
Escolha a opção correta.
a) V, F, V, V, F
b) F, V, F, V, V
c) V, V, F, F, V
d) V, F, V, F, V
e) F, F, V, V, F
Já vimos que o Estado de Bem-Estar Social foi marcado e prejudicado pelo modelo
burocrático. O Estado cresceu, passou a desempenhar um enorme gama de funções,
mas a burocracia não conseguiu dar conta de todas essas responsabilidades como
eficiência e qualidade. A primeira afirmação é verdadeira.
Apesar de o modelo burocrático ser racional porque orientado a fins, ele acabou se
concentrando em demasia no processo, aumentando o controle de procedimentos em
detrimento do controle de resultados. A segunda afirmação é verdadeira.
A corrupção e o nepotismo não aumentaram no modelo burocrático, já que ele veio
combater estas práticas no patrimonialismo. Por isso a terceira afirmação é falsa.
Contudo, temos que ter cuidado porque a administração burocrática não conseguiu
proteger o patrimônio público, surgindo novas formas de patrimonialismo, como o rent
seeking, sendo esta uma das insatisfações da sociedade que fortaleceram o
desenvolvimento da administração gerencial. Vamos ver uma questão do CESPE:
3. (CESPE/MDS/2006) Verifica-se o fenômeno do rent seeking
quando determinados grupos da sociedade, por meio do controle
do aparelho do Estado, viabilizam a apropriação de rendas e
vantagens excepcionais para si ou para seus protegidos.
A questão é CERTA. O termo rent seeking foi usado pela primeira vez na década de
1970 para descrever a atuação de determinados grupos com o objetivo de tirar
vantagem do Estado. O rent seeking é chamado também de parasitismo político. A
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questão fala em vantagens excepcionais porque o “rent seeker” não contribuiu para
que obtivesse essa vantagem. Ela será conquistada como o sacrifício de toda a
coletividade.
Bresser Pereira conceitua rent seeking da seguinte forma:
Rent-seeking, literalmente, busca de rendas, é a atividade de
indivíduos e grupos de buscar “rendas” extramercado para si
próprios por meio do controle do Estado. Tem origem na teoria
econômica neoclássica, em que um dos sentidos da palavra rent é
exatamente o ganho que não tem origem nem no trabalho, nem no
capital. Corresponde ao conceito de “privatização do Estado” que os
brasileiros vêm usando.
Vamos tentar entender com um exemplo. Porque será que a indústria automobilística
recebeu a redução do IPI enquanto uma série de outros setores não tiveram esse
privilégio. Uma explicação pode ser o rent seeking. Essa indústria é poderosa em
termos econômicos e o governo possui em seus quadros uma série de pessoas
oriundas dos sindicatos de trabalhadores de montadoras. Assim, pode ter havido um
tratamento privilegiado para estes grupos em função das pressões que eles exercem
sobre o governo, e quem vai pagar a conta é toda a sociedade.
Outro exemplo: vez ou outra a bancada ruralista no Congresso – aqueles deputados
que defendem os interesses do setor agropecuário – pressionam o governo para que
seja concedido um parcelamento da dívida, em parcelas a perder de vista. Quem vai
pagar por isso é toda a sociedade, por meio dos impostos, para que um grupo
específico seja beneficiado.
A quarta afirmação é falsa. Não foi o fim da Guerra Fria que diminuiu a necessidade
de estruturas rígidas. Foi com a crise do petróleo em 1973 que entrou em xeque o
antigo modelo de intervenção estatal, quando se abateu sobre o mundo uma grave
crise econômica, resultando na crise fiscal dos Estados.
A última afirmação repete o fato de o Estado de Bem-Estar ter sido marcado e
prejudicado pelo modelo burocrático, ou seja, a quinta afirmação é verdadeira.
Gabarito: C.

16. (ESAF/MPOG/2005) Segundo Abrúcio (1998), entre os fatores que ajudaram a
desencadear a crise do Estado, indique a opção incorreta.
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a) As duas crises do petróleo, em 1973 e 1979, contribuíram para a diminuição do
ritmo do crescimento econômico, colocando em xeque o modelo de intervenção
estatal até então vigente.
b) A crise fiscal dos tax payers, que não enxergavam uma relação direta entre o
acréscimo de recursos governamentais e a melhoria dos serviços públicos, fez
diminuir ainda mais a arrecadação.
c) Denúncias de corrupção envolvendo funcionários públicos de países centrais
geraram um movimento, por parte dos movimentos sociais organizados, contrário à
continuidade do modelo de Bem-estar.
d) A globalização enfraqueceu os Estados nacionais no que tange ao controle dos
fluxos financeiros e comerciais, mitigando em grande parte sua capacidade de ditar
suas políticas macroeconômicas.
e) A incapacidade do governo de responder às demandas sociais crescentes
durante esse período gerou, segundo alguns cientistas políticos, uma
“ingovernabilidade de sobrecarga”.
Essa questão foi tirada do texto "O impacto do modelo gerencial na Administração
Pública: Um breve estudo sobre a experiência internacional recente", de Fernando
Luiz Abrucio, que está na leitura sugerida:
Em meados da década de 70, sobretudo a partir da crise do petróleo em 1973, uma
grande crise econômica mundial pôs fim à era de prosperidade que se iniciara após a
Segunda Guerra Mundial. A principal receita para o contínuo sucesso durante trinta
anos foi a existência de um amplo consenso social a respeito do papel do Estado, o
qual procurava garantir prosperidade econômica e bem-estar social.
Segundo Abrucio, o tipo de Estado que começava a se esfacelar em meio à crise dos
anos 70 tinha três dimensões (econômica, social e administrativa), todas interligadas.
A primeira dimensão era a keynesiana, caracterizada pela ativa intervenção estatal na
economia, procurando garantir o pleno emprego e atuar em setores considerados
estratégicos para o desenvolvimento nacional — telecomunicações e petróleo, por
exemplo.
O Welfare State correspondia à dimensão social do modelo. Adotado em maior ou
menor grau nos países desenvolvidos, o Estado de bem-estar tinha como objetivo
primordial a produção de políticas públicas na área social (educação, saúde,
previdência social, habitação etc.) para garantir o suprimento das necessidades
básicas da população. Por fim, havia a dimensão relativa ao funcionamento interno do
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Estado, o chamado modelo burocrático weberiano, ao qual cabia o papel de manter a
impessoalidade, a neutralidade e a racionalidade do aparato governamental.
Em linhas gerais, quatro fatores sócio-econômicos contribuíram fortemente para
detonar a crise do Estado contemporâneo. O primeiro foi a crise econômica mundial,
iniciada em 1973, na primeira crise do petróleo, e retomada ainda com mais força em
1979, na segunda crise do petróleo. O fato é que a economia mundial enfrentou um
grande período recessivo nos anos 80 e nunca mais retomou os níveis de
crescimento atingidos nas décadas de 50 e 60. Neste momento de escassez, o
Estado foi o principal afetado, entrando numa grave crise fiscal. A letra “A” é correta.
A crise fiscal foi o segundo fator a enfraquecer os alicerces do antigo modelo de
Estado. Após ter crescido por décadas, a maioria dos governos não tinha mais como
financiar seus déficits. E os problemas fiscais tendiam a se agravar na medida em que
se iniciava, sobretudo nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, uma revolta dos
taxpayers (contribuintes) contra a cobrança de mais tributos, principalmente porque
não enxergavam uma relação direta entre o acréscimo de recursos governamentais e
a melhoria dos serviços públicos. Estava em xeque o consenso social que sustentara
o Welfare State. A letra “B” é correta.
Os governos estavam, ainda, sobrecarregados de atividades – acumuladas ao longo
do pós-guerra –, com muito a fazer e com poucos recursos para cumprir todos os
seus compromissos. Além disso, os grupos de pressão, os clientes dos serviços
públicos e todos os beneficiários das relações neocorporativas então vigentes não
queriam perder o que, para eles, eram conquistas — e que para os neoliberais eram
grandes privilégios. O terceiro fator detonador da crise do Estado contemporâneo,
portanto, se constituía naquilo que a linguagem da época chamava de situação de
―ingovernabilidadeԡ: os governos estavam inaptos para resolver seus problemas. A
letra “E” é correta.
Por fim, a globalização e todas as transformações tecnológicas que transformaram a
lógica do setor produtivo também afetaram – e profundamente – o Estado. Na
verdade, o enfraquecimento dos governos para controlar os fluxos financeiros e
comerciais, somado ao aumento do poder das grandes multinacionais resultou na
perda de parcela significativa do poder dos Estados nacionais de ditar políticas
macroeconômicas. A letra “D” é correta.
A letra “C” não é citada por Abrucio como um desses fatores. Pelo contrário, ele
afirma que o setor privado havia passado por um período de escândalos, como
bancarrotas e corrupção, mas mesmo assim havia a crença na sociedade de que o
setor privado possuía o modelo ideal de gestão. A letra “C” é errada.
CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM EXERCÍCIOS – APO-MPOG
PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS
www.pontodosconcursos.com.br 44

Gabarito: C.


4 Leitura Sugerida
“Burocracia, eficiência e modelos de gestão pública: um ensaio”, de Cecília Vescovi
de Aragão:
http://www.bresserpereira.org.br/Documents/MARE/Terceiros-Papers/97-
Arag%C3%A3o,CVescovide48(3).pdf

5 Bibliografia
CAMPANTE, Rubens Goyatá. O Patrimonialismo em Faoro e Weber e a Sociologia
Brasileira. 2003. Disponível em: www.scielo.br
PEREIRA, Luis Carlos Bresser. Reforma do Estado e Administração Pública
Gerencial. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
PEREIRA, Luis Carlos Bresser. PRESTES MOTTA, F. C. Introdução à Organização
Burocrática. São Paulo: Brasiliense, 2001.
TRICHES, Divanildo. Uma análise de economia política e das atitudes dos grupos de
interesse no Mercosul. 2003.
WEBER, M. Economia e Sociedade. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília,
1991.

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