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INTRODUÇÃO

O termo “expressionismo”, embora aplicado inicialmente à pintura, abrangia


fenômeno bem mais amplo e complexo: batizava abertamente a inquietação (agitação)
espiritual e a renovação cultural que se encontrava em marcha não só na Alemanha, mas
também em toda a Europa. E passou, então, a ser aplicado também à literatura e às
demais artes.
Seus ideais não ficaram completamente claros e definidos, mas sua conduta seguiu uma
linha lúcida e decidida, impulsionada por um núcleo central de aspirações e metas, que
permitiu reunir, nesse movimento autores e personalidades diferentes e até divergentes.

Os antecedentes do Expressionismo, nas artes plásticas, podem se encontrados


em Van Gogh: “Vejo expressão e até alma em toda a natureza”; na nostalgia da arte
primitiva de Gauguin; na escultura negra; e na obra violenta e trágica do norueguês
Edvard Munch. Mas foi com o grupo da “Ponte” (“Brücke”), formado na Alemanha em
1905, que a pintura expressionista começou a se impor.

Denominam-se genericamente expressionistas os vários movimentos


de vanguarda do fim do século XIX e início do século XX que estavam mais
interessados na interiorização da criação artística do que em sua exteriorização,
projetando na obra de arte uma reflexão individual e subjetiva. O Expressionismo não
se confunde com o Realismo por não estar interessado na idealização da realidade, mas
em sua apreensão pelo sujeito. Guarda, porém, com o movimento realista, semelhanças,
como certa visão anti-"Romantismo" do mundo.

ORIGEM

O Expressionismo surge de um desdobramento do pós-impressionismo,


recebendo influências de uma série de artistas pertencentes a este período, como o
holandês Van Gogh e o norueguês Edvard Munch. Encontra ligações também com
certas manifestações do art noveau e do simbolismo.
Considerando os desdobramentos do Impressionismo, os principais precursores
do movimento foram Vincent van Gogh, Edvard Munch e Paul Klee, tal a dramaticidade
de suas obras, a importância (e, em certo sentido, a independência) da cor. Ambas as
obras propõem uma ruptura formal e ideológica com a Academia e com o
Impressionismo. O simbolismo como um todo também influenciou os movimentos
expressionistas, em outra esfera, devido à importância dada à mensagem oculta na obra.

A introdução da pintura expressionista no Brasil foi obra de Lasar Segall, pintor


da dor e sofrimento humanos, que apresentou seus quadros em duas exposições
realizadas em São Paulo e Campinas no ano de 1913. Os críticos não entenderam aquele
novo estilo. O povo menos ainda. Mas não surgiram críticas porque essas duas mostras
contavam com o aval do poderoso político e incentivador das artes, o senador Freitas
Valea quem ninguém ousava contrariar. Na realidade coube a Anita Malfatti, que
conhecera o expressionismo nas suas viagens de estudo à Alemanha e Estados Unidos,
despertar para o público essa novidade na expressão artística quando, em 1917,
organizou em São Paulo sua segunda exposição individual. Recebidos inicialmente pela
crítica com discreta desconfiança, aqueles quadros de forte colorido e totalmente
diferentes da pintura acadêmica, transformaram-se num estopim de acirradas discussões
e controvérsias quando surgiu na imprensa uma crônica de Monteiro Lobato intitulada A
propósito da exposição Malfatti. Nela o escritor de Taubaté comparava a pintura de
Anita à dos loucos ou mistificadores. Foi bastante cruel em relação à jovem pintora,
mas sem querer provocou a reação de jovens intelectuais em defesa de Anita e o
nascimento do movimento modernista no Brasil. Outros pintores apresentaram telas
expressionistas como, por exemplo, Paulo Rossi Osir que também havia feito parte de
sua formação artística na Alemanha. Pós-expressionista de grandes méritos é Juarez
Machado, pintor catarinense que hoje vive e trabalha em Paris.

CARACTERÍSTICAS DAS PINTURAS

Como o interesse do movimento é projetar uma reflexão subjetiva, é comum o


retrato de seres humanos solitários e sofredores, onde a intenção é de captar estados
mentais, que podem ser vistos em vários quadros de personagens deformadas.
Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento.
É a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, “expressando”
sentimentos humanos. Utilizando cores irreais, dá forma plástica ao amor, ao ciúme, ao
medo, à solidão e à miséria humana.

Características
 Grandes manchas de cor intensas e contrastantes, aplicadas livremente sem respeito
pelo real;
 Temas pesados com fortes preocupações psicológicas (angústia, sofrimento, etc.);
 Desenho simplificado;
 Distorção intencional das imagens com o objetivo de obter expressividade;
 Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais.

A destruição expressionista da imagem tradicional foi favorecida pela crise da sociedade


e pela desarticulação moral que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Assim, o
movimento baseou-se em sua imagem de condição humana e procurou transmitir às
telas a situação do homem no mundo, seus vícios e seus horrores. As cores tornaram-se
violentas e explosivas, as figuras distorcidas quase caricaturais, e a perspectiva foi
negligenciada. Os artistas infundiram aos objetos sua própria personalidade e as
emoções derivadas da tradição romântica (na qual sonho e imaginação eram valores
essências). E isso sob uma nova forma do trágico, unido à angústia do século XX.

Os temas expressionistas eram obsessivos e dramáticos, não somente pela marcação das
cores, mas também pela monumentalidade da forma, a violência e a agudeza do
grafismo; daí uma volta à linha expressiva, aos modelos simplificadores da gravura e às
técnicas de ilustração, onde se contrastam juventude e velhice e onde os horrores da
guerra e da decadência são apresentados de maneira nostálgica e angustiada, chegando
por vezes à alucinação e às raízes da inconsciência.

“Tentei com o vermelho e com o verde exprimir as terríveis paixões dos homens”.
Falando a propósito de seu quadro Café à noite, Van Gogh expôs um dos princípios
básicos do expressionismo: desenhar diretamente com a cor para que se exprimam de
maneira sugestiva as coisas sofridas e vividas, por meio da deformação plástica. Assim
o desenho perdeu sua importância em favor da magia do que não é totalmente expresso.
Com o alemão Nolde, a cor passou a ser elemento natural, fluente, ardoroso e agitado.
Suas paisagens de um mundo primitivo e visionário exprimem estados psíquicos por
meio do desenho simplificado e caricatural, em estranhos tons violeta, laranja e
amarelo.

O norueguês Edvard Munch, por outro lado, exprime o ser humano com melancolia e
solidão, constantemente atormentado pela doença e pela morte; são figuras do desvario,
de olhar medroso, boca apagada pelo medo.

EXPRESSIONISMO/ ARTES PLÁSTICAS


Uma das primeiras manifestações, neste contexto das vanguardas, a ser chamada
de expressionista foi a dos fauves (que mais tarde teria em Henri Matisse seu principal
desdobramento, ainda que sua obra se afaste do arquétipo expressionista). No fovismo,
a principal e mais clara herança dos pós-impressionistas (entre os quais Paul
Gauguin tem posição de destaque, seguido do supracitado Van Gogh) é a pesquisa
formal e psicológica dos efeitos dramáticos da cor na composição pictórica. A cor aqui é
vista de uma maneira absolutamente não-naturalista, independente e é essencialmente
uma forma de expressão de sensações e sentimentos. O expressionismo era baseado na
explosão da emoção, na explosão do sentido. Utiliza a imagem visual que nos cerca para
expressar uma realidade interior. Ocorre a deformação das imagens, devido ao
sentimento interior intervir na realidade.
Existiram dois grupos, porém, que entre todos os movimentos são os mais
facilmente identificados com o expressionismo. São eles: A Ponte (Die Brücke'),
em Dresden(1905-1913); e O Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter), em Munique (1911-
1914). Os primeiros eram mais agressivos e politizados e seus principais representantes
são Ernst Ludwig Kirchner e Emil Nolde. O Cavaleiro Azul (que mais tarde se
desdobrará e parte de seus membros virá a fazer parte da Bauhaus e do advento
da abstração) eram mais voltados, em um primeiro momento, à espiritualidade da obra
artística e seus principais membros são Vassíli Kandínski, Paul Klee e August Macke.

Na América Latina o expressionismo muitas vezes manifestou-se como uma via


de protesto político. No México, seus representantes mais importantes são os muralistas,
como Diego Rivera.

Durante a década de 1950, o expressionismo volta a se manifestar, mas agora de


outra maneira, na obra de artistas americanos como Jackson Pollock, dentro do que
ficou conhecido por expressionismo abstrato. Notabilizou-se principalmente na
Alemanha.

EXPRESSIONISMO/LITERATURA
A literatura expressionista distanciava-se mais da imitação do natural e da
imagem do mundo. O artista deveria prefigurar para si mesmo outro universo que não se
conformasse com o mundo dos pais; por isso, desejou desenvolver, também, uma nova
linguagem que não mais se restringisse à transmissão de convenções (acordos,
convênios, pactos). De início, o movimento expressionista dirigiu-se contra a ordem
social da grande burguesia imperial. Também, o movimento expressionista endereçou-se
para uma posição pacifista, radicalmente, contra o material bélico da primeira guerra
mundial. Com entusiástico grito por uma renovação moral da humanidade, muitos
expressionistas se documentaram para a posteridade, numa desesperada tentativa de
quebrar o anonimato da moderna sociedade das massas. Para o drama expressionista, a
proclamação do drama é alegórica. Seu objetivo é o “novo homem”, a mudança da
sociedade. Também, quando os acontecimentos não mudavam em seu favor, os
expressionistas valiam-se de um sinal comum com que apelavam para ações solidárias.
O movimento é marcado pela subjetividade do escritor, análise minuciosa do
subconsciente dos personagens e metáforas exageradas ou grotescas. Em geral, a
linguagem é direta, com frases curtas. O estilo é simbólico, associativo e abstrato.
Dentro da literatura expressionista há três correntes que, em parte, se sobrepõem
e que se denominam:
1. A “messiânica”, que pregava uma renovação espiritual por uma humanidade cristã;

2. A “revolucionária” ou “acionista”, que ansiava por um regime socialista;

3. A “diagnosticista”, que se distinguia por um diagnóstico social com exata descrição


desiludidora — conscientes de que identificavam as verdadeiras causas, mas não
podiam dar soluções.
Formas literárias
Os poemas suscitaram mais atenção quando os críticos perceberam uma repercussão da
poesia de WALT WHITMANS e EMILE VERHARENS, considerados como únicos
precursores da poesia expressionista. Um dos mais importantes expressionistas foi
FRANZ WERFEL. Ele tinha opinião espontânea, até mesmo ingênua entrega à poesia
sobre lembranças da infância, encontrando importantes valores íntimos no viver
quotidiano aparentemente insignificante. Também, ERNST STADLER (1883-1914)
trouxe, sem o porte de valores íntimos, expressões fascinantes sobre a dinâmica da vida
moderna. A crítica à poesia expressionista não pode omitir o fato de que o
irracionalismo (primazia do sentimento medíocre ante a razão) e a mitomania (doentia
tendência à mentira) não consideraram a convicção subjetiva dos poetas, graves
sintomas de desintegração de tradições na imagem do mundo burguês, no começo do
século 20. O inverso exato daquela ideologia reinante, levantada francamente contra os
expressionistas. Os expressionistas preferiram pequenas formas de contos, como, por
exemplo, ensaios.

Expoentes

Gottfried Benn (1886-1956)


Em 1912, o médico berlinense Gottfried Benn publicou nove poesias que provocaram
entusiástica adesão da vanguarda e indignada recusa na literatura burguesa. A prosa de
Benn tendeu sempre para o lirismo. Duas das suas obras foram, entre outras, romances:
o Fenótipo e o Ptolomaico (ambas em 1949).

Georg Heym (1887-1912)


Os dois melhores poemas de Georg Heym foram: Os demônios das cidades e O deus da
cidade. Entretanto, em outros textos inclinou-se para temas visionários e apocalípticos.
Heym morreu afogado, aos vinte e quatro anos, numa corrida no gelo de Haval.

Franz Kafka (1883-1924) Tcheco


O conto “A sentença” (1913) de Franz começa com um idílio de domingo, mas termina
com a sentença do pai sobre o filho: “Eu te condeno, agora, à morte por afogamento!”
Ao tempo de Kafka brilharam apenas dois dos seus contos: (1919) “Na colônia penal” e
“Um médico de aldeia”.

Alfred Döblin (1878-1957)


Como outros contemporâneos, Alfred Döblin viu as contradições da época não só como
sintoma da decadência, mas também como potencial de criatividade. Döblin serviu-se
livremente até mesmo de formas arcaicas, cofigurando-as com as modernas; o que
evidenciou, imediatamente, também, seu mais famoso, revolucionário e delicado
romance do seu tempo: Berlin Alexanderplatz(1929).
James Joyce, irlandês
T.S. Eliot(1888-1965), inglês
Georg Trakl(1887-1914)

CONTEXTO HISTÓRICO
• Na época do Expressionismo deu-se a primeira guerra mundial (1914-1918).
• O Expressionismo tinha, também, como cenário histórico o Imperialismo, que
sempre tentava expandir-se com seu poder militar, político e áreas de influência
sobre as escrituras.
• Na República de Weimar estabeleceu-se a maioria dos socialistas, o SPD, como
base da democracia parlamentar, que impôs eleições coletivas nacionais para um
estado constitucional em Weimar. Através do Tratado de Paz de Versalhes, St.
Germain e Trianon mantiveram os letões, estônios, lituanos, polacos, iugoslavos
(tchetchênicos lavínios do sul) não só a formalização definitiva, mas, também, a
legitimação popular.
TEATRO EXPRESSIONISTA

Com tendência para o extremo e o exagero, as peças são combativas na defesa das
transformações sociais. O enredo é, muitas vezes metafórico, com tramas bem
construídas e lógicas. Em cena há atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se
movimentam como robôs. Foi na peça expressionista R.U.R., do tcheco Karel
Capek(1890-1938) que se criou a palavra robô. Muitas vezes gravações de monólogos
são ouvidas paralelamente à encenação para mostrar a realidade interna de um
personagem.
A primeira peça expressionista é A estrada de Damasco(1898-1904), do sueco August
Strindberg(1849-1912). Entre os principais dramaturgos estão ainda os alemães Georg
Kaiser(1878-1945) e Carl Sternheim (1878-1942) e o norte-americano Eugene
O’Neill(1888-1953)
MÚSICA EXPRESSIONISTA

A música expressionista caracteriza-se pela emotividade intensa, dissonâncias


extremas, melodias ásperas e angulosas, podendo ser atonal,dodecafônica e/ou serial.
Assim como nas outras manifestações artísticas expressionistas, o compositor deposita
em sua música seus sentimentos mais profundos, extremos e desesperados, dando à obra
um caráter exagerado e soturno.

Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético marcam o movimento da


música. A partir de 1908, o termo é usado para caracterizar a criação do compositor
Arnold Schoenberg(1874-1951), autor do método de composição dodecafônica. Em
1912 compões Pierrot Lunaire, que rompe definitivamente com o romantismo.
Schoenberg inova com uma música em que todos os doze sons da escala de dó a dó tem
igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem a critério do compositor.

Arnold Schoenberg, Alban Berg, e Anton Webern, formadores da "Segunda Escola de


Viena", são os três principais compositores expressionistas, sendo o primeiro o criador
do estilo, e os outros dois seus discípulos de maior renome.
EXPRESSIONISMO NO BRASIL

Antes da explosão do movimento modernista de 1922, o Brasil teve com Lasar


Segall (1891 – 1957) seu primeiro contato com a arte mais inovadora que era feita na
Europa.Nas artes plásticas, os artistas mais importantes são Cândido Portinari, que
retrata o êxodo no Nordeste, Anita Malfatti, Lasar Segall e o gravurista Oswaldo
Goeldi. Em 1924, retornando ao Brasil, Lasar Segall passou a residir definitivamente
em São Paulo, a partir daí, sua pintura assumiu uma temática brasileira.
Seus personagens agora são mulatas, prostitutas e marinheiros: sua paisagem
favelas e bananeiras são exemplos as telas mãe preta e bananal. Em 1929, o artista
dedica-se á escultura em madeira, pedra e gesso. Mas entre os anos de 1936 e 1950, sua
pintura volta-se para os grandes temas humanos e universais, sobretudo para sofrimento
e a solidão. São dessa época entre outras as telas: Pragon, Navio de Emigrantes, Guerra
e Campo de Concentração.
Em 1951 Lasar Segall dá inicio ao ultimo ciclo de sua obra com as séries de pinturas
Erradias, Favelas e Florestas. Esse ciclo é interrompido com sua morte, em 1957.
A exposição que Lasar Segall realizou entre nós em 1913 não provocou nenhuma
polêmica , pois seus trabalhos foram vistos como a produção de um estrangeiro. Como
tal, ele tinha direito de apresentar uma arte estranha ao censo estético dos brasileiros.
Mas com arte de Anita Malfatti (1896–1964), pintora brasileira, areação foi totalmente
diferente.
Essa artista, que teve uma importância muito grande nos acontecimentos que
antecederam o movimento Modernista no Brasil de 1922. Nasceu em São Paulo e aí
realizou seus primeiros estudos da pintura em 1912 foi para a Alemanha, onde
freqüentou a academia de Belas Artes de Berlim de volta para o Brasil em 1914,
realizou sua primeira exposição individual.
Entretanto, sua exposição mais famosa é a de 1917 foi esta exposição que
provocou o artigo de Monteiro lobato citado no inicio deste capitulo contendo severas
criticas á arte de Anita, Nessa mostra figuraram, por exemplo: A estudante Russa, O
Homem Amarelo, Mulher de cabelos verdes e Caboclinha, Trabalhos que se tornaram
marcos na pintura moderna brasileira por seu comprometimento comas novas
tendências.

Depois das exposições de Lasar Segall e Anita Mafaltti, precursores da arte


moderna no Brasil, os artistas mais inovadores começaram a se reunir em torno de idéia
da realização de uma mostra coletiva que apresentasse ao público o que se fazia de mais
atualizado no país. Entre esses artistas estava Emiliano Augusto Cavalcanti de
Albuquerque Mello (1897–1976), pintor conhecido como Di Cavalcanti um dos grandes
incentivadores da semana de arte moderna de 1922, durante a semana, esse artista
participou da seção da pintura com 12 trabalhos, entre os quais Ao Pé de Cruz,
Boêmios e Intimidade:
Depois de 1935 e 1940, Di Cavalcanti viveu na Europa, onde esteve em contato
com os artistas mais notáveis da época. Na década de 40 sua arte estava amadurecida e
conquistou definitivamente seu espaço na pintura brasileira.
Di Cavalcanti foi influenciado por diversos pintores, com Picasso, Gauguim,
Matisse e Braque, mas ele foi capaz de transformar essas influências numa produção
muito pessoal e associada aos temas nacionais. É assim, por exemplo, em Pescadores
obra de 1951.
No teatro, a obra do dramaturgo Nelson Rodrigues tem características expressionistas.
PERSONALIDADES EXPRESSIONISTAS

Ernst Ludwig Kirchner (Alemanha, 1880- Davos, Suíça, 1938)

Foi um pintor expressionista alemão. Foi um dos fundadores do grupo


de pintura expressionista Die Brücke. Influenciado pelo cubismo e fauvismo, o
pintor alemão deu formas geométricas às cores e despojou-as de sua função decorativa
por meio de contrastes agressivos, com o fim de manifestar sua verdadeira visão da
realidade.Ernst Ludwig Kirchner nasceu na Alemanha em 1880, iniciou seus estudos em
arquitetura no ano de 1901 na Technische Hochschule em Dresda. Dentre várias obras,
Kirchner realizou trabalhos de decoração de interiores de casas e capelas, mas foi na
pintura que mais se destacou, pintou mais de mil quadros.O artista foi o integrante de
maior expressão do Die Brücke(a ponte), grupo formado em 1905 por quatro estudantes
de arquitetura, cujo principal ideal era libertar a arte dos valores formais e tradicionais.
A xilogravura foi uma técnica muito utilizada pelo grupo, Kirchner era o executor das
xilogravuras para os cartazes e catálogos do Brücke, técnica que aprendeu aos 15 anos
com seu pai. Em 1913, o grupo se dissolveu e cada artista seguiu seu caminho dentro da
arte.As características da xilogravura foram levadas para as outras obras de Kirchner,
como a pintura a óleo Amazona Nua (1912), caracterizada por contornos recortados e
contraste agressivo entre claro e escuro.A bidimensionalidade e a simplicidade são
marcas do artista, evidentes nas combinações simples de cor, poucas nuances, falta de
perspectiva e motivos sobrepostos.A emoção e o tormento individual de Kirchner são
expostos em seus trabalhos pelo tipo de pincelada curta e agressiva. Além da influência
do fauvismo, revelada na exploração e emoção das cores, e do cubismo, evidente na
geometrização das formas, o pintor também foi influenciado pelo pós-impressionismo,
sobretudo Van Gogh.O mundo em torno do artista era o tema de seus trabalhos: vista de
cidade, paisagens, retratos de seus companheiros, o corpo humano nu e cenas
de circo e music-hall. Em 1911 Kirchner e seus amigos mudaram-se para Berlim, época
na qual o pintor explorou em seus trabalhos a experiência numa metrópole moderna. As
cenas urbanas se fizeram muito presentes na obras do artista, revelando um aspecto de
movimento.Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, Kirchner transmitiu para o seu
trabalho as suas perturbações. A destruição da figura humana foi uma das características
dessa época. Um exemplo é a obra Auto-retrato como soldado, na qual ele se mostra em
primeiro plano com a mão decepada, e no fundo uma modelo nua. O quadro pode ser
interpretado como uma metáfora da masculinidade e ao horror da guerra.Em 1917,
devido ao seu estado emocional, Kirchner é levado para a Suíça pelos seus amigos.
Conseqüentemente o tema de suas pinturas transformou-se com a nova paisagem. As
formas recortadas das cenas urbanas dão espaço às linhas horizontais e verticais,
transmitindo a sensação de paz e ordem.Em 1938, sozinho e doente, o pintor se suicida
na cidade de Davos, Suíça.

Edvard Munch (Løten, 12 de Dezembro de 1863 — Ekely, 23 de Janeiro de 1944)

Foi um pintor norueguês, um dos precursores do expressionismo alemão. Edvard


Munch frequentou a Escola de Artes e Ofícios de Oslo, vindo a ser influenciado
por Courbet e Manet. No campo das idéias, o pensamento de Henrik Ibsen e Bjornson
marcaram o seu percurso inicial. A arte era considerada como uma arma destinada a
lutar contra a sociedade. Os temas sociais estão assim presentes em O Dia
Seguinte e Puberdade de 1886.

Com A Menina doente (Das Kränke Mädchen - 1885) inicia uma temática que
surgiria como uma linha de força em todo o seu caminho artístico. Fez inúmeras
variações sobre este último trabalho, assim como sobre outras obras, e os seus
sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância (a mãe morreu
quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha faleceu aos 15 anos, a irmã mais nova sofria
de doença mental e outra irmã morreu meses depois de casar; o próprio Edvard estava
constantemente doente), assumem um significado mais vasto, transformados em
imagens que deixavam transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida.Edwar
Munch Em Paris, descobre a obra de Van Gogh e Gauguin, e indubitavelmente o seu
estilo sofre grandes mudanças.

Em 1892 o convite para expor em Berlim torna-se num momento crucial da sua
carreira e da história da arte alemã. Inicia um projeto que intitula O Friso da Vida.
Edvard Munch representou a dança em 1950.

Aos trinta anos ele pinta O Grito, considerada a sua obra máxima. O quadro
retrata a angústia e o desespero e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor
quanto com seus amigos. O Grito é uma das peças da série intitulada The Frieze of Life
(O Friso da Vida). Os temas da série recorrem durante toda a obra de Munch, em
pinturas como A Menina Doente (1885), Amor e Dor (1893-94), Cinzas (1894) e A
Ponte. Rostos sem feições e figuras distorcidas fazem parte de seus quadros.
Em 1896, em Paris, interessa-se pela gravura, fazendo inovações nesta técnica.
Os trabalhos deste período revelam uma segurança notável. Em 1914 inicia a execução
do projeto para a decoração da Universidade de Oslo, usando uma linguagem simples,
com motivos da tradição popular.

Munch retratava as mulheres ora como sofredoras frágeis e inocentes ora como
causa de grande anseio, ciúme e desespero. As últimas obras pretendem ser um resumo
das preocupações da sua existência: Entre o Relógio e a Cama, Auto-Retrato de 1940.
Toda a obra está impregnada pelas suas obsessões: a morte, a solidão, a melancolia, o
terror das forças da natureza.

Vincent Willem van Gogh (Zundert, 30 de Março de 1853 — Auvers-sur-Oise, 29 de


Julho de 1890)

Foi um pintor pós-impressionista neerlandês, freqüentemente considerado um


dos maiores de todos os tempos.Sua vida foi marcada por fracassos. Ele falhou em
todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de
constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais.
Aos 37 anos, sucumbiu a uma doença mental, suicidando-se.

A sua fama póstuma cresceu especialmente após a exibição de 71 das suas telas
em Paris, a 17 de Março de 1901. Somente após a sua morte sua obra foi amplamente
reconhecida.Van Gogh é considerado pioneiro na ligação das tendências
impressionistas com as aspirações modernistas, sendo a sua influência reconhecida em
variadas frentes da arte do século XX, como por exemplo o expressionismo,
o fauvismo e o abstraccionismo.

Vincent nasceu em Zundert, uma cidade próxima a Breda, na província


de Brabante do Norte, nos Países Baixos (mais conhecidos no Brasil e em Portugal
como Holanda). Era filho de Theodorus, um pastor da Igreja Reformada Neerlandesa, e
de Anna Cornelia Carbentus. Recebeu o mesmo nome de seu avô paterno e também
daquele que seria o primogênito da família, morto antes mesmo de nascer exatamente
um ano antes de seu nascimento. Especula-se que este fato tenha influenciado
profundamente certos aspectos de sua personalidade, e que determinadas características
de sua pintura (como a utilização de pares de figuras masculinas) tenham sido
motivadas por isso. Ao todo, Vincent teve dois irmãos: Theodorus, apelidado de Theo, e
Cornelius (Cor); e três irmãs: Elisabeth, Anna e Willemina (Will).

Vincent era uma criança séria, quieta e introspectiva. Desenvolveu através dos anos uma
grande amizade e forte ligação com seu irmão mais novo, Theo. A vasta
correspondência entre Theo e Vincent foi preservada e publicada em 1914, trazendo a
público inúmeros detalhes da vida privada do pintor, bem como de sua personalidade. É
através destas cartas que se sabe que foi Theo quem suportou financeiramente o irmão
durante a maior parte da sua vida.

Aos 16 anos, por recomendação de seu tio Vincent, começou a trabalhar para um
comerciante de arte estabelecido na Haia, na empresa Goupil & Cie. Quatro anos depois
foi transferido para Londres, e depois para Paris. No entanto, Vincent estava cada vez
mais interessado em assuntos religiosos, e acabou sendo demitido da galeria. Ele então
decidiu retornar à Inglaterra para fazer um trabalho sem remuneração. Durante o Natal,
Van Gogh retornou para casa e começou a trabalhar numa livraria. Ele ficou seis meses
no novo emprego, onde gastava a maior parte de seu tempo traduzindo a Bíblia.

Em 1877 sua família mandou-o para Amsterdam, onde morou com seu tio Jan.
Vincent preparou-se para os exames de admissão da Universidade de Teologia com seu
tio Johannes Stricker (teólogo), mas fracassou. Mudou-se então para a Bélgica, e
novamente fracassou nos estudos da escola Missionária Protestante. Em 1879, ainda na
Bélgica, começou um trabalho temporário como missionário em uma comunidade pobre
de mineiros.

Em 1880, Vincent decidiu seguir a sugestão do seu irmão Theo e levar a pintura mais a
sério. Ele partiu para Bruxelas para tomar aulas com Willem Roelofs, que o convenceu a
tentar a Academia Royal de Artes. Lá ele estudou um pouco de anatomia e de
perspectiva.Em 1881, Van Gogh mudou-se com a família para Etten, onde ficou amigo
de Kee Vos-Stricker, sua prima e filha de Johannes Stricker. Ao pedi-la em casamento,
ela o recusou com um enérgico "nunca". Porém, Van Gogh insistiu em sua idéia, o que
gerou conflitos com seu pai. No final do mesmo ano, Vincent partiria para a Haia.Na
Haia, ele juntou-se a seu primo, Anton Mauve, nos estudos de arte. Envolveu-se com
uma prostituta grávida e já mãe de um filho, conhecida como Sien. Quando o pai de Van
Gogh soube do relacionamento do filho, exigiu que ele a abandonasse.
Em 1883, mudou-se para Nuenen (Holanda) onde se dedicou à pintura. Lá se
apaixonou pela filha de uma vizinha, Margot Begemann. Decidiram se casar, mas suas
famílias não aceitaram o casamento, o que fez com que Margot tentasse o
suicídio.Em 1885, o pai de Van Gogh morreu de infarto. Neste mesmo ano ele pintou
aquela que é considerada a sua primeira grande obra: Os Comedores de Batata. Em
novembro do mesmo ano, muda-se para Antuérpia.

Com pouco dinheiro, ele preferia mandar dinheiro para Theo em Paris, para que este lhe
enviasse material de pintura, a comer uma boa refeição. Enquanto estava em Antuérpia,
dedicou-se ao estudo das cores e visitou museus, apreciando trabalhos principalmente
de Peter Paul Rubens, e tornou-se um bebedor freqüente de absinto. Foi nesta altura que
entrou em contacto com a arte japonesa, da qual se tornou fervoroso admirador e que
posteriormente o influenciaria pelas cores fortes e uso das linhas.

Em 1886, matriculou-se na Ecole des Beaux-Arts de Antuérpia.

Em março de 1886, Van Gogh mudou-se para Paris, onde dividiu um


apartamento em Montmartre com Theo. Depois, os dois mudaram-se para um
apartamento maior na Rue Lepic, 54. Por alguns meses, Vincent trabalhou no Estúdio
Cormon, onde conheceu os artistas John Peter Russell,Émile Bernard e Henri de
Toulouse-Lautrec, entre outros.[1]Este último, alcoólatra, apresenta van Gogh ao absinto,
bebida popular da ocasião, que viria a ser muito consumida pelo pintor, que a retratou
em Natureza Morta com Absinto. O absinto possuía como principal ingrediente uma
planta alucinógena de nome Artemisia absinthium e cuja graduação alcoólica era de
68%. O absinto, também conhecida como "fada verde" devido aos efeitos alucinógenos,
foi responsabilizado por alucinações, surtos psicóticos e mesmo mortes.
Através de Theconhece Monet, Renoir, Sisley, Pissarro, Degas, Signac e Seurat.
Naquela época, o impressionismo tomava conta das galerias de arte de Paris, mas Van
Gogh tinha problemas em assimilar esse novo conceito de pintura. Vincent e Émile
Bernard começaram o uso da técnica do pontilhismo, inspirados em Georges Seurat.

A partir de sua estada em Paris, Van Gogh abandona sua temática sombria e
obscura de camponeses e suas obras recebens tons mais claros. São desta época os
quadros Mulher sentada no Café du Tambourin, A ponte Grande Jatte sobre o
Sena, Quatro Girassóis, os Retratos de Père Tanguy, entre outros.

Em 1887, conhece Paul Gauguin, e mais para o final do ano expõe


em Montmartre. No próximo ano, decide mudar-se de Paris.

Vincent van Gogh chegou em Arles, no Sul de França, no dia 21 de fevereiro de


1888. A cidade era um local que o impressionava pelas paisagens e onde esperava
fundar uma colônia de artistas.

Com objetivo de decorar a sua casa em Arles (conhecida como A Casa Amarela,
retratada em uma de suas obras), Van Gogh pintou a série de quadros com girassóis, dos
quais um se tornaria numa de suas obras mais conhecidas. Dos artistas que deixara em
Paris, apenas Gauguin respondeu ao convite feito para se instalar em Arles. O Vinhedo
Vermelho, único quadro vendido durante a sua vida, foi pintado nesta altura. Ele o
vendeu por 400 francos.

Gauguin e Van Gogh partilhavam uma admiração mútua, mas a relação entre
ambos estava longe de ser pacífica e as discussões, freqüentes. Para representar as
relações abaladas entre os dois, Van Gogh pinta a A Cadeira de Van Gogh e a A Cadeira
de Gauguin, ambas de dezembro de 1888. As duas cadeiras estão vazias, com objetos
que representam as diferenças entre os dois pintores. A cadeira de van Gogh é sem
braços, simples, com assento de palha; a de Gauguin possui assento estofado e possui
braços.

Mediante os diversos conflitos, Gauguin pensa em deixar Arles: "Vincent e eu


não podemos simplesmente viver juntos em paz, devido à incompatibilidade de
temperamentos", queixou-se ele a Theo. Gauguin sentia-se incomodado com as
variações de humor de Vincent pela pressão exercida pelas mesmas.

Em 23 de dezembro de 1888, após a saída de Gauguin para uma caminhada, van


Gogh o segue e o surpreende com uma navalha aberta. Gauguin se assusta e decide
pernoitar em uma pensão. Transtornado e com remorso pelo feito, Vincent corta um
pedaço de sua orelha direita, que embrulha em um lenço e leva, como presente, a uma
prostituta sua amiga, Rachel. Vincent retorna à sua casa e deita-se para dormir como se
nada acontecera. A polícia é avisada e encontra-o sem sentidos e ensanguentado. O
artista é encaminhado ao hospital da cidade. Gauguin então manda um telegrama para
Theo e volta para Paris, julgando melhor não visitar Vincent no hospital.

Vincent passa 14 dias no hospital, ao final dos quais retorna à casa amarela. Em
seu retorno pinta o Auto-Retrato com a Orelha Cortada. O episódio trágico convenceu
van Gogh da impossibilidade de montar uma comunidade de artistas em Arles.

O estilo de pintura acompanhou a mudança psicológica e Van Gogh trocou o


pontilhado por pequenas pinceladas.

Quatro semanas após seu retorno do hospital, van Gogh apresenta sintomas de
paranóia e imagina que lhe querem envenenar. Os cidadãos de Arles, apreensivos,
solicitam seu internamento definitivo. Sendo assim, van Gogh passa a viver no hospital
de Arles como paciente e preso.

Rejeitado pelo amigo Gauguin e pela cidade, descartados seus planos da


comunidade de artistas, se agrava a depressão de van Gogh, que tinha como único
amigo seu irmão Theo, que por sua vez estava por casar-se. O casamente de Theo
constribui para a inquietação de Vincent, que teme pelo afastamento do irmão.

Em 1889, aos 36 anos, pediu para ser internado no hospital


psiquiátrico em Saint-Paul-de-Mausole, perto de Saint-Rémy-de-Provence, naProvença.
A região do asilo possuía muitas searas de trigo, vinhas e olivais, que transformaram-se
na principal fonte de inspiração para os quadros seguintes, que marcaram nova mudança
de estilo: as pequenas pinceladas evoluíram para curvas espiraladas.

Em maio de 1890, Vincent deixou a clínica e mudou-se de novo para perto de Paris
(em Auvers-sur-Oise), onde podia estar mais perto do seu irmão e frequentar as
consultas do doutor Paul Gachet, um especialista habituado a lidar com artistas,
recomendado por Camille Pissarro. Gachet não conseguiu melhorias no estado de
espírito de Vincent, mas foi a inspiração para o conhecido Retrato do Doutor Gachet.
Em Auvers Van Gogh produz cerca de oitenta pinturas.

Entretanto, a depressão agravou-se, e a 27 de Julho de 1890, depois de semanas de


intensa atividade criativa (nesta época Van Gogh pinta, em média, um quadro por dia)[5],
Van Gogh dirige-se ao campo onde disparou um tiro contra o peito. Arrastou-se de volta
à pensão onde se instalara e onde morreu dois dias depois, nos braços de Theo. As suas
últimas palavras, dirigidas a Theo, teriam sido: "La tristesse durera toujours" (em
francês, "A tristeza durará para sempre").

Na ocasião, o diagnóstico de van Gogh mencionava perturbações epiléticas, ainda que o


diretor do asilo, Dr. Peyron, sequer fosse especialista em psiquiatria. As crises ocorriam
de tempos em tempos, precedidas por sonolência e em seguida apatia. Tinham a média
de duração de duas a quatro semanas, período no qual van Gogh não conseguia pintar.
Nestas crises predominavam a violência e as alucinações. No entanto, van Gogh tinha
consciência de sua doença e lhe era repulsivo viver com os demais doentes mentais da
instituição.

A doença de van Gogh foi analisada durante os anos posteriores e existem várias teses
sobre o diagnóstico. Alguns como o doutor Dietrich Blumer, em artigo publicado
no American Journal of Psychiatry, mantém o diagnóstico de epilepsia do lobo
temporal, agravada pelo uso do absinto.

Vincent teria sofrido de xantopsia (visão dos objetos em amarelo), por isso
exagerava no amarelo em suas telas. Esta xantopsia pode ou não ter surgido pelo
excesso de ingestão de absinto, que contém tujona, uma toxina. Outra teoria seria que
doutor Gachet teria indicado o uso de digitalis para o tratamento de epilepsia, o que
poderia ter ocasionado visão amarelada a Van Gogh. Outros documentos relatam ainda
que na verdade Van Gogh seria daltônico.

Há ainda diagnósticos de esquizofrenia e de transtorno bipolar do humor, sendo este


último o diagnóstico mais aceito.

Consta que na família de van Gogh existiram outros casos de transtorno mental: Théo
sofreu depressão e ansiedade e faleceu de "demência paralítica" (neurossífilis), no
Instituto Médico para Doentes Mentais em Utrecht. Wilhelmina era esquizofrênica e
viveu durante 40 anos neste mesmo instituto e Cornelius cometeu suicídio aos 33 anos
de idade.
Otto Dix (Gera, 2 de Dezembro 1891 — Singen, 25 de Julho 1969)

Foi um pintor expressionista alemão. Veterano da Primeira Guerra Mundial, a sua obra é
dominada pela temática antibélica. Pintou um famoso tríptico onde retrata a miséria do
pós-guerra nos anos 30 e o aparecimento do jazz: Os Noctívagos (1927-1928).

Filho de Franz Dix (1862-1942) e Louise Amann (1864-1953) nasceu em Gera,


Alemanha, em 1891. Depois do ensino fundamental ele trabalhou localmente até 1910
quando ele se tornou um estudante na Escola Dresden de Artes e Ofícios. Para ajudar
em sua educação, ele aceitou comissões e pintou retratos de pessoas locais.

No desencadeamento da Primeira Guerra Mundial em 1914 Dix se voluntariou para o


Exército Alemão e foi designado para um regimento de artilharia de campo em Dresden.
No Outono de 1915 Dix foi enviado para a Frente Ocidental quando ele serviu como um
oficial não-comissionado com uma unidade metralhadora. Ele estava no Somme durante
a ofensiva aliada maior durante o Inverno de 1916. Dix foi ferido várias vezes durante a
guerra. Em uma ocasião ele quase morreu quando um estilhaço de granada o atingiu no
pescoço.

Em 1917 ele lutou na Frente Oriental e depois de a Rússia negociar a paz com
Alemanha, Dix retornou para a França onde ele participou da Ofensiva de Primavera
Alemã. Até o fim da guerra em 1918 Dix tinha ganho a Cruz de Ferro (segunda classe) e
alcançou o posto de vice-sargento-major.

Depois da guerra Dix desenvolveu visões de esquerda e suas pinturas e desenhos se


tornaram gradativamente políticos. Como outros artistas alemães como John Heartfield
e George Grosz, Dix se revoltou com a maneira com que os ex-soldados feridos e
aleijados eram tratados na Alemanha. Isto se refletiu nas suas pinturas como Aleijados
na Guerra (1920), Açougue (1920) e Ferido na Guerra (1922).

Em 1923 a pintura de Dix, A Trincheira foi adquirida pelo Museu Wallraf-Richartz.


Quando a pintura foi exibida em 1924 a sua retratação de corpos decompostos em uma
trincheira alemã criou tanto alarde público que o diretor do museu, Hans Secker, foi
obrigado a pedir demissão. Em 1924 Dix se juntou com outros artistas que tinham
lutado na Primeira Guerra Mundial para uma exibição móvel de pinturas chamada
Chega de Guerra! Dix também produziu um livro de gravuras, A Guerra (1924) que foi
mais tarde descrita por um crítico como “talvez a maior e mais poderosa declaração
anti-guerra da arte moderna”.

Durante este período, Dix fez grande uso de fotografias tiradas de soldados alemães que
foram severamente desfigurados pela guerra. Muitas dessas fotografias foram mais tarde
usadas por outro artista alemão anti-guerra, Ernst Friedrich, em seu livro Guerra Contra
a Guerra! (1924).

Dix trabalhou por seis anos no que é considerado suas duas grandes obras-primas,
Metrópole (1928) e Guerra de Trincheiras (1932). No painel do lado esquerdo de
Metrópole, Dix se mostra como um aleijado na guerra entrando em Berlim e sendo
recepcionado por uma fileira de prostitutas que o chamavam. Guerra de Trincheiras
também é tripla (uma pintura com três painéis lado a lado) e trata mais diretamente da
Primeira Guerra Mundial. O painel da esquerda mostra soldados alemães marchando
para longe da guerra, o painel central é uma cena de casas destruídas e corpos
entrelaçados, e o painel do lado direito mostra soldados vindos da guerra se esforçando
para voltar para casa.

Em 1933 Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha. Hitler e seu governo nazista não
gostavam das pinturas anti-militares de Dix e providenciaram que ele fosse demitido de
seu posto como tutor de arte na Academia Dresden. A carta de demissão de Dix dizia
que seu trabalho “ameaçava minar a vontade do povo alemão de se defender”.

Dix saiu de Dresden e foi viver perto do Lago Constance no sudeste da Alemanha. Logo
depois, duas das pinturas de Dix, A Trincheira e Aleijados na Guerra, apareceram em
uma exibição nazista para descreditar a arte moderna. A apresentação chamada Reflexos
da Decadência foi realizada na Câmara Municipal de Dresden. Mais tarde, várias das
pinturas anti-guerra de Dix foram destruídas por autoridades nazistas na Alemanhas.

Dix respondeu à exibição Reflexos da Decadência pintando outra poderosa pintura anti-
guerra, Flanders (1934). Inspirada por uma passagem de Le Fe, um romance da
Primeira Guerra Mundial escrito pelo soldado francês, Henri Barbusse, a pintura mostra
uma cena da Frente Ocidental. Na pintura cadáveres flutuam em um rio cheio de
cartuchos de balas enquanto aqueles soldados ainda vivos se assemelham com tocos de
árvores apodrecidos.

Depois que os nazistas subiram ao poder artistas na Alemanha só podiam trabalhar


como um artista, comprar materiais ou mostrar seu trabalho, se eles fossem membros da
Câmara Imperial de Belas Artes. A associação era controlada pelo governo nazista e em
1934 Dix obteve a permissão de se tornar um membro entre troca de concordar em
pintar paisagens ao invés de assuntos políticos.

Apesar de Dix principalmente pintar paisagens durante este período, ele ainda produzia
pinturas ocasionais que continham ataques codificados ao governo nazista. Em 1938
várias dessas pinturas, incluindo Flanders, apareceram em uma exibição de um homem
em Zurique.

Em 1939 Dix foi preso e indiciado com envolvimento em um complô contra a vida de
Hitler. Entretanto, ele foi consequentemente solto e as acusações foram retiradas. Na
Segunda Guerra Mundial Dix foi recrutado no Volkssturm (Guarda Nacional Alemã).
Em 1945 Dix foi forçado a se juntar ao Exército Alemão e no fim da guerra foi
capturado e posto em um campo para prisioneiros de guerra.

Solto em Fevereiro de 1946, Dix retornou para Dresden, uma cidade que foi
virtualmente destruída por bombardeio pesado. A maioria das pinturas pós-guerra de
Dix eram religiosas. Entretanto, pinturas como Emprego (1946), Máscaras em Ruínas
(1946) e Ecce Homo II (1948) lidavam com o sofrimento causado pela Segunda Guerra
Mundial. Otto Dix morreu em 1969.

Cândido Portinari

Importante pintor brasileiro, que expressava em suas obras o papel que os artistas da
época propunham: denunciar as desigualdades sociais e as conseqüências desse
desequilíbrio. Seu trabalho ficou conhecido internacionalmente através dos corpos
humanos sugerindo volume e pés enormes que fazem com que as figuras pareçam
relacionar-se intimamente com a terra, esta sempre pintada em tons muito vermelhos.
Sua pintura retratou os retirantes nordestinos, os cangaceiros e abordou temas como
Tiradentes e o painel A GUERRA E A PAZ(pintado em 1957, pela sede da ONU)
BIBLIOGRAFIA

➢ www.históriadaarte.com.br
➢ pt.wikipedia.org
➢ Barsa
➢ www.infoescola.com

➢www.usinadeletras.com.br

➢www.expressionismo.pro.br

➢Almanaque Abril 2005

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