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não gosto de plágio 4

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posts publicados no blog http://naogostodeplagio.blogspot.com de 30 de janeiro a 24 de março de 2009
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NÃO GOSTO DE PLÁGIO UM BLOG DE UTILIDADE PÚBLICA CONTRA PLÁGIOS DE TRADUÇÃO.

ALGUMAS VÍTIMAS: MONTEIRO LOBATO, GODOFREDO RANGEL, LÍVIO XAVIER, LIGIA JUNQUEIRA, OSCAR MENDES, ODORICO MENDES, MÁRIO QUINTANA, GALEÃO COUTINHO, JAMIL ALMANSUR HADDAD, BORIS SCHNAIDERMAN, CARLOS PORTO CARREIRO, PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS, WILSON LOUSADA, CASIMIRO FERNANDES, HERNÂNI DONATO, LEONIDAS HEGENBERG, LEONEL VALLANDRO, ARAÚJO NABUCO, OCTAVIO MENDES CAJADO, MODESTO CARONE, BRENNO SILVEIRA, JACÓ GUINSBURG, BENTO PRADO JR. "daddy, tell me how a wolf looks: for such i never saw yet." (grimmelshausen, simplicissimus; goodrick) "sr. simplício, tem ali fora um sujeito..." (feliciano de castilho, o doente de cisma) 24/03/2009 listinha dos plagiados a listinha dos tombados à sanha dos bandoleiros, que é atualizada conforme vou publicando os cotejos, fica em duas partes: uma no cabeçalho do blog e outra num post chamado "outras vítimas", com link em "clique para ver", na coluna da direita. mas acho que não custa apresentá-la com sua última atualização. muito, muito infelizmente até hoje não consegui tirar nenhum nome. os candidatos mais fortes seriam: 1. joão paulo monteiro, com o leviatã de hobbes garfado pela martin claret sob o nome de "jean melville", para o qual até soltei um foguetinho. segundo o que dra. maria luiza egéa, advogada da martin claret, me disse em setembro do ano passado e me autorizou a usar como fiel informação, sua cliente estaria fechando um acordo com a editora lesada, a martins fontes, e indenizaria o tradutor. de fato a martin claret até publicou outra tradução, mas fez o favor de NÃO retirar o plágio de circulação. tampouco publicou qualquer retificação dos créditos em errata pública, com vistas a esclarecer os leitores que haviam comprado muitas dezenas e dezenas de milhares da fraude. a sociedade, portanto, continua ludibriada em sua boa-fé e atropelada pela incontrolável vigarice da martin claret. 2. luiz costa lima, com o vermelho e o negro de stendhal, garfado pela nova cultural sob o nome de "maria cristina figueiredo da silva" desde 1995, na coleção "os imortais da literatura", até recentemente, nas sucessivas reedições pela coleção "obras-primas", em parceria com o instituto ecofuturo. seu advogado, dr. marco túlio de barros castro, chegou a um acordo com a editora, a qual ressarciu o tradutor e até publicou uma pífia errata na imprensa. o nome de luiz costa lima continua na listinha porque acho que nenhum leitor deve ter visto a retificação e nenhuma biblioteca deve ter se dado conta. calculo por baixo, por baixo, uns 150 mil exemplares assim. como o principal lesado é o leitor, é a sociedade, falta ainda uma verdadeira reparação, substituindo os exemplares fraudados por obras legítimas, e uma errata decente que possa preencher - ah, conselheiro acácio - sua finalidade de errata. então segue a listinha atualizada até o cotejo de ontem. adolfo casais monteiro antônio pinto de carvalho araújo nabuco artur morão bento prado jr. blásio demétrio

boris schnaiderman brenno silveira carlos chaves carlos porto carreiro casimiro fernandes cunha medeiros de souza fernandes eça de queiroz éverton ralph fernando de aguiar galeão coutinho godofredo rangel hernâni donato isabel sequeira jacó guinsburg jaime bruna jamil almansur haddad joão baptista de mello e souza joão paulo monteiro joaquim machado josé augusto drummond josé duarte leila v. b. gouvêa leonel vallandro leonidas hegenberg líbero rangel de andrade ligia junqueira lívio xavier luísa derouet luiz costa lima manuel odorico mendes margarida garrido esteves maria beatriz nizza da silva maria francisca ferreira de lima maria helena rocha pereira maria irene szmrecsányi mário quintana moacyr werneck de castro modesto carone monteiro lobato natália nunes neide smolka octany silveira da mota octavio mendes cajado olinda gomes fernandes oscar mendes paulo m. oliveira péricles eugênio da silva ramos ricardo iglésias rodrigo richter sarmento de beires sérgio milliet silvio meira sodré viana suely bastos sylvio deutsch tamás szmrecsányi vera pedroso

wilson lousada ymaly salem chammas alguns desses casos sofreram mais de um saque. por exemplo: monteiro lobato, octavio mendes cajado, paulo m. oliveira, oscar mendes, mário quintana, j.b. mello e souza. imagem: saphan, pierre reymond, 1578 POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 23/03/2009 bicho-carpinteiro o jardim dos livros é um selo editorial do grupo geração, nascido em março de 2008, congregando a geração editorial, a editora leitura e a ex-editora jardim dos livros. sobre as diversas atribuições internas: ao sr. luiz fernando emediato (da geração) cabe a batuta editorial, o sr. yehezkel (da leitura) comanda o lado comercial e logístico, e os irmãos ado e cláudio varela (da jardim dos livros) atendem à parte comercial em são paulo e à editoria de livros de negócios. a jardim dos livros, antes de aterrissar no grupo geração, teve existência independente por uns 2 anos, e antes disso chamava-se editora sapienza, igualmente efêmera. cheguei a esta tal sapienza porque, seguindo o fio da nova cultural e seus vampiros, vi que enrico corvisieri, o nassettinho do sr. richard civita, também estava na editora sapienza com a república de platão, ao lado de mirtes ugeda, outra trêfega figura da nova cultural vezada em copidescar traduções de terceiros e tascar seu nome nelas. achei estranha a convivência novacultural/sapienza, e dediquei alguns posts ao tema. depois a sapienza fechou as portas, e foi passear em seu novo jardim dos livros, esse que depois foi incorporado pelo grupo geração. infelizmente esse novo grupo editorial tem mostrado algumas graves deficiências no quesito integridade: não só a embusteira arte da guerra de sun tzu, na edição de bolso e em brochura, teve calorosa acolhida no catálogo do grupo, como este foi enriquecido há menos de um ano com mais duas pérolas do plagiato nacional, o essencial do alcorão e o essencial de jesus. veja aqui. embora o sr. luiz fernando emediato tenha declarado que tomou a decisão de tirar o lixo de circulação, parece que a coisa ficou só na intenção e na conversa mole, pois tudo continua como dantes na terra de abrantes. ou seja, o grupo geração abriga, publica, distribui e mantém em circulação obras fraudadas, com plena consciência dos fatos - sem contar uma notificaçãozinha para mim, dizendo que eu estava mentindo. na época não gostei e continuo a não gostar. é bom deixar claro: plágio é feio, plágio é crime, plágio não se faz, e o sr. luiz fernando emediato, antes de tratar seus leitores como ralé, deveria exercer sua responsabilidade editorial e ir arrancar suas ervas daninhas. quero apresentar aqui mais uma fraude descabelada da jardim dos livros, em edição anterior à fusão com o grupo geração, mas mantida intocada no atual catálogo do referido grupo. aplicam-se a ela os termos de jorio dauster perante a trapaça bélica do jardim dos livros: "Não resta dúvida de que, ao adquirir a Jardim dos Livros e continuar a publicar as obras que passaram a seu controle no bojo dessa operação, a Editora Geração passou a ser responsável pela distribuição do plágio". trata-se de a vida secreta de laszlo, conde drácula, de roderic anscombe. foi publicado em 2007 pelo matagal do lixo e atualmente é propagandeado na geraçãobooks, o catálogo online do grupo geração. é chapa fria, com um número de

isbn sem qualquer registro: 978-85-60018-10-9. a tradução é atribuída ao mesmo espantalho "pedro h. berwick" que assina os solenes saques de o essencial do alcorão e o essencial de jesus. afora umas ralas e superficiais alterações, é um plágio literal de a vida secreta de laszlo, conde drácula, traduzido por silvio deutsch para a editora bestseller em 1994. conforme já comentei, a grande novidade introduzida pelos plágios do jardim dos livros (grupo geração) é o roubo de obras recentes. até me pergunto como e por que os irmãos varela se sentem tão à vontade com a bestseller, justamente uma das editoras que, junto com a nova cultural, compõem "a larga experiência editorial" que ostentam em seus currículos. 1. silvio deutsch deveria haver um prefácio, eu sei. uma preparação do cenário ou uma exposição de motivos. mas não posso esperar. paris é tudo o que sempre sonhei, ainda maior e mais cheia de inspiração do que em meus sonhos de criança - e um dia, ainda esta semana, vou descrever minhas impressões. como fui instruído, na carta em que comunicavam que tinha sido aceito, apresenteime ontem no hospital salpêtrière e esperei o dia todo que o médico-chefe me indicasse algum caso. mas não recebi nenhum. na verdade, o dr. ducasse parecia não perceber minha presença, e disse-me de forma ríspida que esperasse, quando cheguei perto dele. sexta-feira, claro, é o dia do mestre, e nessa manhã fui mais cedo para o anfiteatro, a fim de ver pela primeira vez o professor charcot. poucos médicos já tinham chegado para a demonstração, e consegui um lugar excelente na segunda fila. atrás e acima de mim, outras pessoas logo ocuparam seus lugares nas fileiras de assentos, e um burburinho de conversas encheu a sala. virei-me para olhar - não que esperasse ver alguém conhecido naquele meio elegante. ainda assim, examinei a platéia à procura de um rosto familiar, com quem pudesse entabular uma conversa, porque, para dizer a verdade, tenho estado um tanto solitário desde que cheguei a esta cidade, especialmente porque não recebi nenhuma resposta de tia sophie. o homem ao meu lado estava imerso numa monografia sobre histeria, e hesitei em perturbá-lo. ao redor, homens colocavam-se em poses visivelmente estudadas e falavam da forma mais afetada possível ou chamavam alguém do outro lado da sala, mas, apesar da aparente disposição gregária, achei que os gestos pareciam calculados para provocar um efeito, como se cada um desejasse ser notado pelos outros. senti falta da turbulência com que nós, estudantes, aguardávamos uma palestra em budapeste. em paris, suponho que tal falta de reserva viesse a ser considerada inapelavelmente provinciana. 2. pedro h. berwick deveria haver um prefácio, eu sei. uma preparação do cenário ou uma exposição de motivos. mas não posso esperar. paris é tudo o que sempre sonhei, ainda maior e mais cheia de inspiração do que em meus sonhos de criança - e um dia, ainda esta semana, descreverei minhas impressões. como fui instruído, na carta na qual comunicavam que tinha sido aceito, apresentei-me ontem no hospital salpêtrière e esperei durante todo o dia que o médico-chefe me indicasse algum caso. mas não recebi nenhum. na verdade, o dr. ducasse parecia não perceber minha presença e disse-me, de forma ríspida, que esperasse, quando cheguei perto dele. sexta-feira, claro, é o dia do mestre, e nessa manhã fui mais cedo para o anfiteatro, a fim de ver pela primeira vez o professor charcot. poucos médicos já tinham chegado para a demonstração, e consegui um lugar excelente na segunda fila. atrás e acima de mim, outras pessoas rapidamente ocuparam seus lugares nas fileiras de assentos, e um burburinho de conversas encheu a sala. virei-me para olhar - não que esperasse ver alguém conhecido naquele meio elegante. ainda assim, examinei a platéia à procura de um rosto familiar, com quem pudesse entabular uma

conversa, porque, para dizer a verdade, tenho estado um tanto solitário desde que cheguei a essa cidade, especialmente porque não recebi nenhuma resposta de tia sophie. o homem ao meu lado estava imerso em uma monografia sobre histeria, e hesitei em perturbá-lo. ao redor, homens colocavam-se em poses visivelmente estudadas e falavam da forma mais afetada possível ou chamavam alguém do outro lado da sala, mas, apesar da aparente disposição gregária, achei que os gestos pareciam calculados para provocar um efeito, como se cada um desejasse ser notado pelos outros. senti falta da turbulência com que nós, estudantes, aguardávamos uma palestra em budapeste. em paris, suponho que tal falta de reserva viesse a ser considerada inapelavelmente provinciana. 1. silvio deutsch se este diário terminar aqui, quer dizer que caminhei para uma armadilha, como desconfio. significa que sou o elo fraco que deve ser eliminado. essa conspiração pode nunca ter existido. aceito minha morte, mas não posso aceitar que jamais tenha vivido, por isso deixo este diário num lugar em que ficará empoeirado, junto com os tratados de teologia de meu avô: não foram perturbados durante duas gerações, e, como eles, este diário ficará fechado durante cinquenta anos. um dia, quando eu já não puder me importar, será encontrado, e voltarei à vida na imaginação do leitor. aí, nas semanas e meses seguintes, o motivo da minha morte será revelado e minha reputação como patriota e mártir pela liberdade da hungria irá juntar-se à memória de meu pai e de meu irmão. sou o último da nossa linhagem. o nome morre comigo. outros nomes mais ilustres - aponyi, kossuth, karolyi, tisza, andrassy - são conhecidos além das nossas fronteiras. esses nomes são imortais. no entanto, tenho esperança de que, nos corações e mentes do povo deste pequeno canto da hungria, a solene dignidade de drácula irá subsistir carinhosamente até que desapareça mansamente da memória das pessoas ainda vivas. 2. pedro h. berwick se este diário terminar aqui, quer dizer que caminhei para uma armadilha, como desconfio. significa que sou o elo fraco que deve ser eliminado. essa conspiração pode nunca ter existido. aceito minha morte, mas não posso aceitar que jamais tenha vivido, por isso deixo este diário em um lugar em que ficará empoeirado, junto com os tratados de teologia de meu avô: não foram perturbados durante duas gerações, e, como eles, este diário ficará fechado durante 50 anos. um dia, quando eu já não puder me importar, será encontrado, e voltarei à vida na imaginação do leitor. aí, nas semanas e meses seguintes, o motivo da minha morte será revelado e minha reputação como patriota e mártir pela liberdade da hungria irá juntar-se à memória de meu pai e de meu irmão. sou o último da nossa linhagem. o nome morre comigo. outros nomes mais ilustres - aponyi, kossuth, karolyi, tisza, andrassy - são conhecidos além das nossas fronteiras. esses nomes são imortais. no entanto, tenho esperança de que, nos corações e mentes do povo deste pequeno canto da hungria, a solene dignidade de drácula subsistirá carinhosamente até que desapareça mansamente da memória das pessoas ainda vivas. ah, em tempo, os valhacoutos oferecidos pelos solidários responsáveis: relativa, cultura, saraiva, siciliano, leonardo da vinci, livrarias curitiba etc. imagens: me vs gutenberg versus; forum.outerspace.com.br POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 22/03/2009 o avesso do avesso um caso que achei engraçado. há uma famosa tradução de lord jim, de joseph conrad, feita por mário quintana. ela tinha sido garfada pela editora nova cultural (na coleção "obras-primas", em

parceria com a suzano celulose). houve troca de meia-dúzia de palavras e criou-se uma fantasminha pluft para pôr no lugar, com o nome de "carmen lia lomonaco". lorde jim pela martin claret, claretmente, aparecia com "pietro nassetti" como tradutor. aí, em 2007, a claressetti publica uma nova edição, trazendo como tradutor - ora, quem? mário quintana. aliás, a claret é tão dada aos espíritos e fantasmas que conseguiu diretamente no além um "copyright desta tradução: Editora Martin Claret, 2007". tudo bem, trocou o plágio pela contrafação, pois, ao que eu saiba, a detentora dos direitos de mário quintana, sua sobrinha elena quintana, não vendeu os direitos de tradução para a claret. (e, em caso de autorização de uso, seria uma licença, não um copirraite.) aliás, só posso tributar esse ingente esforço de simular algum crédito correto ao fato de que, naquela época, a objetiva estava negociando a compra da claret, e talvez ela estivesse tentando mostrando serviço. que seja. o divertido é que os ishpertos claretianos esqueceram de retirar aquelas troquinhas de palavras em começo de capítulo que usam em seus plágios, e transformaram a própria tradução de mário quintana numa suposta tradução. 1. mário quintana, globo: cap. 1: tinha um metro e oitenta de altura, talvez dois ou quatro centímetros a menos, forte, espadaúdo, avançava direto para a gente, um pouco curvado, olhar fixo [...] 2. mário quintana, martin claret: cap. 1: tinha ele quase um metro e oitenta de altura: uns dois centímetros, talvez cinco, a menos; forte, espadaúdo, avançava direto para a gente, um pouco curvado, olhar fixo [...] 1. mário quintana, globo: cap. 2: após dois anos de escola, ele fez-se ao mar, e achou singularmente vazias de aventuras aquelas regiões tão familiares a sua imaginação. 2. mário quintana, martin claret: cap. 2: após dois anos de escola, ele foi para o mar, e achou singularmente vazias de aventuras aquelas regiões tão familiares à sua imaginação. 1. mário quintana, globo: cap. 5: mas sim - dizia marlow -, eu assistia ao inquérito. 2. mário quintana, martin claret: cap. 5: - mas sim, dizia ele -, eu assistia ao inquérito. 1. mário quintana, globo: cap. 7: chegara de tarde um navio postal, com destino ao extremo oriente, e a sala de jantar estava três quartos cheia de gente com centenas de libras de passagens de circunavegação no bolso. 2. mário quintana, martin claret: cap. 7: chegara de tarde um paquete postal, com destino ao extremo oriente, e três quartos da sala de jantar estavam cheios de gente com centenas de libras de passagens de circunavegação no bolso. 1. mário quintana, globo: último parágrafo: quem sabe? ele partiu, de coração impenetrável, e a pobre mulher que deixou para trás leva, na casa de stein, uma existência inerte e muda. [...] 2. mário quintana, martin claret:

último parágrafo: quem sabe? ele partiu, de coração impenetrável, e a pobre rapariga que deixou após si leva, na casa de stein, uma existência inerte e muda. [...] imagens: nextnature.net; orson welles, f for fake POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 21/03/2009 abrir o livro um estudo interessante da fgv: modelos legislativos em direitos autorais, comparando principalmente o capítulo das limitações aos direitos autorais na legislação de cinco países, a saber, canadá, austrália, chile, filipinas e noruega. certamente a reformulação dos infames dispositivos da lei 9610/98 que proíbem qualquer cópia para uso pessoal ou educacional sem fins lucrativos sanaria boa parte da pirataria editorial, com seus plágios, contrafações e falsificações, que tem assolado o mundo do livro. quem manda? os figurões foram gulosos demais em 1998, conseguiram proibir o xerox nas escolas, aí foi o boom da cópia digital. agora ficam propondo por aí soluções capengas para tentar manter o monopólio do livro como bem exclusivamente comercial, e continuam esquecendo que livro também é cultura, ou seja, precisa ter um mínimo de circulação social... imagem: www.95bellstreet.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 20/03/2009 plagiador de dudu oliva, está no portal literal

POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 19/03/2009 new age a editora martin claret, dizem, anda em nova fase. estou curiosíssima para ver o cyrano de bergerac, de edmond rostand, que ela deve estar lançando, se é que ainda não lançou, em tradução de regina célia de oliveira. é uma proeza e tanto! tomara que a tradutora tenha se saído bem. quem quiser se deliciar com o original e ter uma leve idéia dos tremendos nós para verter a obra para o português, aqui tem o link para o download em francês. imagem: oaleph2008.files.wordpress.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS liz bennet kidnapped jane austen , a encantadora dama das letras inglesas, parece encantar também em português. além do sequestro sofrido às mãos da landmark, em persuasão, ela foi alvo de outro atentado em orgulho e preconceito, às mãos do nefário claret. a rapinagem foi feita em cima da tradução de maria francisca ferreira de lima, na edição da europa-américa. sofreu leves alterações, sobretudo nos primeiros parágrafos, e saiu atribuída a "jean melville".

capítulo I a. maria francisca ferreira de lima É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa. Por muito pouco que se conheçam os sentimentos ou modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez numa vizinhança, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada nos espíritos das famílias circundantes que ele é considerado como propriedade legítima desta ou daquela de suas filhas. - Meu caro Sr. Bennet - disse-lhe sua mulher um dia -, sabe que Netherfield Park foi finalmente alugado? O Sr. Bennet respondeu-lhe que não sabia. - É como lhe digo - tornou ela -; pois a Sra. Long ainda há pouco aqui esteve e contou-me tudo. O Sr. Bennet não deu qualquer resposta. - Não lhe interessa saber quem o alugou? - exclamou a mulher, impaciente. - A senhora pretende participar-mo, e eu não me oponho a ouvi-la. Como convite era mais que suficiente. - Pois saiba, meu caro, que, pelo que a Sra. Long me disse, Netherfield foi alugado por um jovem de grande fortuna do norte de Inglaterra. Chegou na segundafeira, numa carruagem puxada por quatro cavalos, para visitar o local, e ficou tão encantado que desde logo aceitou as condições do Sr. Morris. Vem ocupar a casa ainda antes do dia de S. Miguel e alguns de seus criados deverão chegar já no fim da próxima semana. (p. 5) capítulo I b. "jean melville" É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa. Por muito pouco que sejam conhecidos os sentimentos ou o modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez em uma localidade, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada no espírito das famílias vizinhas que ele é considerado como propriedade legítima de uma de suas filhas. - Meu caro Mr. Bennet - disse-lhe sua mulher certo dia -, sabe que Netherfield Park foi finalmente alugado? Mr. Bennet respondeu-lhe que não sabia. - Pois foi - tornou ela -; Mrs. Long ainda há pouco esteve aqui e contou-me tudo. Mr. Bennet nada respondeu. - Não quer saber quem o alugou? - exclamou a mulher, impaciente. - A senhora deseja contar, e eu não me oponho a ouvi-la. Esse convite foi mais que suficiente. - Pois saiba, meu caro, que, pelo que Mrs. Long me disse, Netherfield foi alugado por um jovem de grande fortuna, proveniente do norte de Inglaterra. Chegou na segunda-feira, em uma carruagem puxada por quatro cavalos, para visitar o local, e ficou tão encantado que logo aceitou as condições de Mr. Morris. Ocupará a casa antes do dia de São Miguel e alguns de seus criados deverão chegar já no fim da próxima semana. (p. 13) Capítulo XXIV a. maria francisca ferreira de lima - E são os homens que se encarregam de as convencer. - Se é propositadamente que o fazem, não têm desculpa; mas não creio que no mundo haja tanta duplicidade, comoa maioria das pessoas pretendem fazer acreditar. - Estou longe de atribuir à duplicidade alguma faceta do comportamento do Sr. Bingley - disse Elisabeth -; mas o que é certo é que, mesmo sem se planear fazer o mal ou tornar outros infelizes, podem-se criar situações de equívoco e de miséria.

Refiro-me à inconsciência, à falta de atenção para com os sentimentos dos outros e à falta de poder de resolução. - E qual lhe atribuis? - O último. Mas não vou continuar, pois corro o risco de te desagradar ao dizer o que penso de pessoas que tu estimas. - Persistes, então, em supor que as suas irmãs o influenciam? - Sim, de combinação com o amigo dele. - Não acredito. Porque tentariam elas influenciá-lo? Apenas lhe podem desejar a sua felicidade, e, se ele sente atracção por mim, nenhuma outra mulher lha pode garantir. - A tua primeira afirmação é falsa. Elas podem desejar-lhe várias outras coisas além da felicidade; podem desejá-lo mais rico e mais influente: podem desejar casá-lo com uma rapariga investida de toda a importância que o dinheiro, a nobreza e o orgulho conferem. - Sem dúvida que elas desejam vê-lo escolher a Menina Darcy - replicou Jane -, mas os sentimentos que as norteiam podem ser melhores do que aqueles que supões. Conhecendo-a há mais tempo do que me conhecem a mim, não me admira que a apreciem mais. Porém, quaisquer que sejam os seus desejos, não é provavel que se oponham aos do irmão; Que irmã se atreveria a tanto, a não ser em uma situação deveras censurável? (pp. 102-3) Capítulo XXIV b. "jean melville" - E são os homens que se encarregam de as convencer. - Se é propositadamente que o fazem, não têm desculpa; mas não creio que no mundo haja tanta duplicidade, como a maioria das pessoas pretendem fazer acreditar. - Estou longe de atribuir à duplicidade alguma faceta do comportamento de Mr. Bingley - disse Elisabeth -; mas o que é certo é que, mesmo sem se planejar fazer o mal ou tornar outros infelizes, podem-se criar situações de equívoco e de sofrimento. Refiro-me à inconsciência, à falta de atenção para com os sentimentos dos outros e à falta de poder de resolução. - E qual atribuis? - O último. Mas não vou continuar, pois corro o risco de te desagradar ao dizer o que penso de pessoas que tu estimas. - Persistes, então, em supor que as irmãs dele o influenciam? - Sim, em combinação com o amigo dele. - Não acredito. Porque tentariam influenciá-lo? Apenas podem desejar a felicidade dele e, se ele sente atração por mim, nenhuma outra mulher pode lhe trazer essa felicidade. - A tua primeira afirmação é falsa. Elas podem desejar-lhe várias outras coisas além de felicidade; podem desejá-lo mais rico e mais influente: podem desejar casá-lo com uma moça investida de toda a importância que o dinheiro, a nobreza e o orgulho conferem. - Sem dúvida que elas desejam vê-lo escolher Miss Darcy - replicou Jane -, mas os sentimentos que as norteiam podem ser melhores do que aqueles que supões. Eles a conhecem há mais tempo do que a mim, não me admira que a apreciem mais. Porém, quaisquer que sejam os seus desejos, não é provável que se oponham aos do irmão. Que irmã se atreveria a tanto, a não ser em uma situação realmente censurável? (p. 121) Capítulo XLVIII a. maria francisca ferreira de lima Elisabeth imediatamente compreendeu de onde provinha aquela deferência pela sua autoridade no assunto, mas, infelizmente, não possuía informações que a justificassem.

Nunca ouvira dizer que ele tivesse quaisquer parentes, além do pai e da mãe, e ambos já haviam falecido há muitos anos. Era possível, no entanto, que alguns dos seus companheiros do regimento pudessem dar informações mais substanciais; e, embora não alimentasse grandes esperanças a esse respeito, tal medida não era de desdenhar. Cada dia em Longbourn era agora um dia de ansiedade; mas o momento mais angustioso era o da chegada do correio. Eram esperadas cartas todas as manhãs, com a maior impaciência; e cada dia que passava aguardavam notícias importantes. Porém, antes de tornarem a receber notícias do Sr. Gardiner, chegou uma carta para o Sr. Bennet da parte do Sr. Collins; e, como Jane recebera instruções para abrir toda a correspondência dirigida a seu pai na sua ausência, ela leu a carta. Elisabeth, que sabia como as cartas do Sr. Collins eram curiosas e singulares, debruçou-se sobre a irmã e leu também. (p. 212) Capítulo XLVIII b. "jean melville" Elisabeth imediatamente compreendeu de onde provinha aquela deferência por sua autoridade no assunto, mas, infelizmente, não possuía informações que a justificassem. Nunca ouvira dizer que ele tivesse alguns parentes, além do pai e da mãe, e ambos já haviam falecido há muitos anos. Era possível, no entanto, que alguns de seus companheiros do regimento pudessem dar informações mais substanciais; e, embora não alimentasse grandes esperanças a esse respeito, tal medida não era de desprezar. Cada dia em Longbourn era agora um dia de ansiedade; mas o momento mais angustiante era o da chegada do correio. Eram esperadas cartas todas as manhãs, com grande impaciência; e todo dia [] aguardavam notícias importantes. Porém, antes de tornarem a receber notícias de Mr. Gardiner, chegou uma carta para Mr. Bennet da parte de Mr. Collins; e, como Jane recebera instruções para abrir toda correspondência dirigida a seu pai em sua ausência, ela leu a carta. Elisabeth, que sabia como as cartas de Mr. Collins eram curiosas e singulares, debruçou-se sobre a irmã e leu também. (p. 241) [agradeço a colaboração de thiago augusto] sobre essa ishperteza, veja também "quanta enganação!". ela encontra solidário valhacouto entre a fiel turminha: livraria da travessa, livraria da vila, livraria cultura, livraria loyola, livrarias siciliano etc. imagens: http://janeausten.com.br; www.players.com.br POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS rapinare insopitabilis est Edgar Allan Poe, Histórias Extraordinárias, "A Queda da Casa de Usher". Civilização Brasileira - Tradução Brenno Silveira e outros Martin Claret - "Tradução" Pietro Nassetti I. Civilização: No mais verde de nossos vales, habitado por anjos bons, antigamente um belo e imponente palácio - um palácio radiante - se erguia. Nos domínios do rei Pensamento, lá se achava ele ! Jamais um serafim espalmou a asa sobre um edifício só metade tão belo.

I. Claret: No mais verde de nossos vales, povoado por anjos bons, antigamente um belo e majestoso palácio - um palácio luminoso - se erguia. Nos domínios do rei Pensamento, lá se encontrava ele ! Jamais um serafim estendeu a asa sobre um edifício apenas metade tão belo. II. Civilização: Estandartes amarelos, gloriosos, dourados, sobre o seu telhado ondulavam, flutuavam. (Isso, tudo isso, aconteceu há muito, muitíssimo tempo.) E em cada brisa suave que soprava, naqueles doces dias, ao longo dos muros pálidos e empenachados, se elevava um aroma alado. II. Claret: Estandartes amarelos, gloriosos, dourados, sobre o seu telhado ondulavam, flutuavam. ([] Tudo isso aconteceu há muito, muitíssimo tempo.) E em cada brisa suave que soprava, naqueles doces dias, ao longo dos muros pálidos e enfeitados de penas, se elevava uma fragrância alada. III. Civilização: Caminhantes que passavam por esse vale feliz viam, através de duas janelas iluminadas, espíritos que se moviam musicalmente ao som de um alaúde bem afinado, em torno de um trono onde, sentado, (Porfirogênito !) com majestade digna de sua glória, aparecia o senhor do reino. III. Claret: Caminhantes que passavam por esse vale feliz viam, através de duas janelas iluminadas, espíritos que se moviam musicalmente ao som de um alaúde bem afinado, ao redor de um trono onde, sentado, (Porfirogênito !) com majestade digna de sua glória, surgia o senhor do reino. IV. Civilização:

E toda refulgente de pérolas e rubis era a linda porta do palácio, através da qual passava, passava e passava, a refulgir sem cessar, um turba de ecos cuja grata missão era apenas cantar, com vozes de inexcedível beleza, o talento e o saber de seu rei. IV. Claret: E toda resplandecente de pérolas e rubis era a linda porta do palácio, através da qual passava, passava e passava, a resplandecer sem cessar, um coro de ecos cuja missão agradável era apenas cantar, com vozes de incomparável beleza, o talento e o saber de seu rei. V. Civilização: Mas seres maus, trajados de luto, assaltaram o alto trono do monarca; (Ah, lamentemo-nos, visto que nunca mais a alvorada despontará sobre ele, o desolado !) e, em torno de sua mansão, a glória que, rubra, florescia, não passa, agora, de uma história quase esquecida dos velhos tempos já sepultados. V. Claret: Mas seres maus, trajados de luto, assaltaram o alto trono do monarca; (Ah, lamentemo-nos, visto que nunca mais a alvorada despontará sobre ele, o desolado!) e, em torno de sua mansão, a glória que, rubra, florescia, não passa, agora, de uma história quase esquecida dos velhos tempos já sepultados. VI. Civilização: E agora os caminhantes, nesse vale, através das janelas de luz avermelhada, vêem grandes vultos que se movem fantasticamente ao som de desafinada melodia; enquanto isso, qual rio rápido e medonho, através da porta descorada, odiosa turba se precipita sem cessar, rindo - mas sem sorrir nunca mais. VI. Claret: E agora os caminhantes, nesse vale, através das janelas de luz avermelhada, divisam grandes vultos que se movem fantasticamente

ao som de desafinada melodia; enquanto isso, qual rio veloz e medonho, através da porta descorada, odiosa turba se precipita sem cessar, rindo - mas sem sorrir nunca mais. [agradeço a saulo von randow jr. por este cotejo] solidários responsáveis por mais essa pichelingada que se arrasta desde 1999: leitura, saraiva, livraria da vila, loyola etc. imagem: www.leyline.com.br POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 18/03/2009 mais um lobato clareteado foi monteiro lobato quem introduziu jack london no brasil. fez as traduções de caninos brancos (1933), o lobo do mar (1934), o grito da selva (1935) e a filha da neve (1947). o lobo do mar foi publicado pela companhia editora nacional em 1934, e nela se mantém até hoje, na enésima edição. em 1998 a martin claret abocanhou a obra, e desde então vem trapaceando o público em sucessivas edições com a tradução roubada a monteiro lobato e atribuída a "pietro nassetti". monteiro lobato CAPÍTULO 1 Não sei por onde começar, embora por brincadeira eu costume atribuir a causa de tudo a Charley Furuseth. Este amigo possuía uma casa de campo em Mill Valley, onde repousava durante os meses de inverno lendo Nietzsche e Schopenhauer; já os verões passava imerso no trabalho, a suar no tumulto da cidade. Não fosse meu costume de aparecer por lá aos sábados, ficando até a semana seguinte, e aquela manhã de janeiro não me teria pilhado a vogar na baía São Francisco. Meu barco, o "Martinez", oferecia toda a segurança; tratava-se dum barco recém-construído e ainda na sua quarta ou quinta viagem de carreira entre Sausalito e São Francisco. O que não oferecia segurança era o nevoeiro reinante, apesar de que, na minha ignorância das coisas do mar, não me passasse pela cabeça a menor idéia de perigo. Soprava uma brisa fresca e eu me sentia sozinho dentro da névoa úmida, embora com a consciência de que, lá em cima, na casa de vidro, estavam o piloto e o homem que devia ser o capitão. Lembro-me que me pus a refletir sobre a divisão do trabalho. Graças a ela me via dispensado do estudo e conhecimento dos nevoeiros, marés e o mais relativo à navegação sempre que ia de visita a Charley Furuseth, lá do outro lado de baía. Ótimo que os homens se especializem no trabalho, ponderava eu. Os conhecimentos marítimos do capitão e do piloto, por exemplo, permitem que milhares de pessoas não pensem nisso, e uma, como eu, se dedique a estudos como aquele sobre o lugar de Poe na literatura norte-americana, que eu publiquei na Atlantic. Ao subir para bordo tinha visto, numa cabina entreaberta, um homem alentado a ler com atenção essa revista — a ler o meu ensaio. Era outra demonstração do valor da divisão do trabalho. O "conhecimento especial" do piloto e do capitão permitiam que aquele passageiro se inteirasse do meu "conhecimento especial" sobre Poe, enquanto era "navegado" com toda a segurança de São Francisco a Sausalito. Minhas reflexões foram interrompidas pelo aparecimento no convés dum homem de cara vermelha, que ao deixar a sua cabina bateu a porta com violência e aproximou-se de mim manquitolando e martelando o chão com uma perna de pau. Isso, aliás, não impediu que eu tomasse rápida nota mental daqueles pensamentos, para pô-los num artigo que tinha em vista escrever sobre a necessidade da liberdade estética. O sujeito lançou uma olhadela para a casa do piloto e em seguida pôs-se a contemplar

o nevoeiro, de pernas abertas, com visível ar de satisfação. Percebi ser homem afeito às coisas do mar. — Tempo destes é que os põem de cabelos brancos tão cedo, murmurou, indicando com um movimento de cabeça a casa de vidro onde estavam o piloto e o capitão. — Qual o quê! respondi na minha santa ignorância. Há a bússola para orientá-los. E há o leme que dirige o navio. E há os mapas. O negócio é simples como o abc. Tudo matemático. — Qual o que, heim? rosnou o homem. Simples abc, heim? Certeza matemática, heim? E cresceu para mim ao dizer isto. — Que acha desta maré que incha todo o Golden Gate, senhor? perguntou-me quase num rugido. Com que rapidez vaza ela? Em que rumo? Vamos lá, senhor! Está ouvindo aquele som? Bóia de campainha — e mal a ouvimos já estamos sobre ela. Veja como mudam de lugar... Realmente, de dentro do nevoeiro brotava um som de campainha — o que fez o piloto dar à roda do leme com violência, até que o som, que vinha pela nossa frente, passasse a vir de lado. Enquanto isso a sereia de bordo pusera-se a apitar com a sua voz rouca, em resposta a outros apitos brotados de dentro da cerração. — É algum "ferry-boat", explicou o homem da perna de pau, referindo-se a um apito que vinha da direita. E aquele lá, está ouvindo? Buzina! Buzina de assoprar com a boca. É o que usam nas escunas. Cuidado, mestre escuneiro! O inferno está hoje com vontade de comer gente... O invisível "ferry-boat" apitava com furor e a buzina da escuna respondia com desespero. — Estão agora a trocar cumprimentos e explicações, disse o homem logo que a fúria dos avisos cessou. Seus olhos enchiam-se do brilho da excitação à medida que me ia traduzindo em língua de gente a fala daqueles instrumentos de fazer barulho no mar. — Ouça! Aquilo é sinal para evolução à esquerda... E esse acolá, com voz de sapo, é grito de escuna a vapor que forceja contra a maré. Um silvo fino e esganiçado rompeu à frente. Os gongos do "Martinez" soaram fazendo as rodas propulsoras afrouxarem o andamento, que só foi retomado quando aquele trilhar de grilo entre feras rugidoras se sumiu ao longe. Olhei para o meu homem, à espera de interpretação. — Lancha, disse ele. Dessas endemoninhadas lanchas que só mesmo a gente metendo a pique. Umas pestes que vivem a causar trapalhadas. Qualquer imbecil julga-se no direito de meter-se nelas e sulcar as águas apitando com impertinência para que o mundo inteiro saiba que tais pulgas existem. E é preciso levá-las em conta. Estão no uso dum direito — direito de caminho pela superfície das águas. Direito, ah, ah! Diverti-me com a cólera do homem, e enquanto ele andava de cá para lá, manquitolando na sua perna de pau, pus-me a refletir no romantismo da bruma. Romantismo, sim. É romântico o nevoeiro que tudo envolve com o seu manto cinzento, de passo que os homens — meros átomos — blasfemam nos corcéis de aço flutuantes através do Mistério, às cegas dentro do Invisível, com palavras de confiança na boca e a incerteza e o medo nos corações. A voz do meu companheiro fez-me voltar à realidade e sorrir. Eu também havia devaneado às tontas e às cegas dentro do mistério, julgando seguir caminho seguro. — Olá! dizia ele. Vem algo ao nosso encontro, está ouvindo? Vem rápido e em linha reta. Juro que não nos percebeu ainda. Não ouve a nossa sereia. O vento está a nosso favor. A brisa fresca soprava de frente, e pude ouvir bem nítido o silvo a que o meu homem se referia. — "Ferry-boat"? perguntei. O homem fez com a cabeça sinal que sim e acrescentou: — Do contrário não viria nessa marcha. E com uma risada nervosa: — Estão assustados, lá em cima... Olhei para a casa do piloto. O capitão, com a cabeça e ombros de fora, cravava fixamente os olhos no nevoeiro, como tentando devassá-lo à força. Suas feições

mostravam ansiedade — a mesma que vi no rosto do meu companheiro, agora de bruços na amurada e também com os olhos presos no perigo invisível que se alapava dentro da névoa. E o que tinha de dar-se, deu-se com incrível rapidez. Rompido por uma cunha, o nevoeiro mostrou a proa dum vapor a emergir franjado de espuma na linha d'água, com bigodes dum Leviatã. Pude ver a casa do piloto, com um homem de barbas brancas assomado a uma das janelas. Trajava uniforme azul, e lembro-me da impressão de calma que me deu. Era terrível tal calma em tais circunstâncias. O homem aceitava o seu destino, avançava com ele de mãos dadas, a medir friamente o choque. Seu olhar inquisitivo fixava-se no "Martinez" como para determinar o ponto exato da colisão — e em nada se alterou quando o nosso piloto, branco de raiva, berrou-lhe: — Foi você o culpado! A observação era por demais óbvia para tomar necessária qualquer resposta. — Agarre-se no que puder e agüente-se! gritou-me o homem da perna de pau. Notei que a sua arrogância se dissipara e que parecia contagiado pela calma anormal do homem de barbas brancas. — E veja como as mulheres gritam, prosseguiu ele sombriamente, quase com amargura, fazendo-me crer que já havia passado por transes iguais àquele. Os dois navios chocaram-se antes que eu pudesse seguir o seu conselho. O impacto devia ter sido no meio do "Martinez", que adernou violentamente por entre estrondos do madeirame. Vi-me lançado de borco sobre o convés alagado, e antes que pudesse erguer-me vi-me tonto pela grita das mulheres. Foi isso — esse indescritível e arrepiante uivo de pânico o que mais me apavorou. Lembrei-me do salva-vidas do meu camarote. Corri para lá. Ao alcançar a porta fui varrido por uma onda selvagem de criaturas em disparada. Não me recordo do que sucedeu logo depois, a não ser o avanço no estoque de salva-vidas, com o homem de perna de pau a atar os que podia à cintura dum bando histérico de mulheres. A memória dessa cena é mais nítida do que a de qualquer outra que me haja passado sob os olhos. Inda hoje vejo o quadro: o rombo numa cabina, através do qual a névoa revoluteava em turbilhão; divãs e poltronas esvaziados de súbito e com todos os sinais do estouro — pacotes, bolsas, guardachuvas, capas; o alentado sujeito da Atlantic, engastado num salva-vidas e ainda com a revista na mão, a perguntar-me com insistência se havia perigo; o meu companheiro da perna de pau a manquitolar por toda a parte muito seguro de si na tarefa de distribuir salva-vidas a quantos apareciam, e, finalmente, a inferneira louca do mulherio apavorado. pietro nassetti CAPÍTULO 1 Não sei por onde começar, embora por brincadeira eu costume atribuir a causa de tudo a Charley Furuseth. Este amigo possuía uma casa de campo em Mill Valley, onde descansava durante os meses de inverno lendo Nietzsche e Schopenhauer; já os verões passava imerso no trabalho, a suar no tumulto da cidade. Não fosse o meu costume de aparecer por lá aos sábados, ficando até a semana seguinte, e aquela manhã de janeiro não me teria encontrado a navegar na baía S. Francisco. Meu barco, o "Martinez", oferecia toda a segurança; tratava-se dum barco recémconstruído e ainda na sua quarta ou quinta viagem de carreira entre Sausalito e S. Francisco. O que não oferecia segurança era o nevoeiro circundante, apesar de que, na minha ignorância das coisas do mar, não me passasse pela cabeça a menor idéia de perigo. Soprava uma brisa fresca e eu me sentia sozinho dentro da névoa úmida, embora com a consciência de que, lá em cima, na casa de vidro, estavam o piloto e o homem que devia ser o capitão. Lembro-me que me pus a pensar na divisão do trabalho. Graças a ela me via dispensado do estudo e conhecimento dos nevoeiros, marés e o mais relativo à navegação sempre que ia de visita a Charley Furuseth, lá do outro lado de baía. Ótimo que os homens se especializem no trabalho, ponderava eu. Os conhecimentos

marítimos do capitão e do piloto, por exemplo, permitem que milhares de pessoas não pensem nisso, e permitem que uma, como eu, se dedique a estudos como aquele sobre o lugar de Poe na literatura norte-americana, que eu publicara na Atlantic. Ao subir a bordo eu tinha visto, numa cabina entreaberta, um homem [] a ler com atenção essa revista — a ler o meu ensaio. Era outra demonstração do valor da divisão do trabalho. O "conhecimento especial" do piloto e do capitão permitiam que aquele passageiro se inteirasse do meu "conhecimento especial" sobre Poe, enquanto era "navegado" com toda a segurança de S. Francisco a Sausalito. Minhas reflexões foram interrompidas pelo aparecimento no convés dum homem de cara vermelha, que ao deixar a sua cabina bateu com violência a porta e aproximou-se de mim mancando e martelando o chão com uma perna-de-pau. Isso, aliás, não impediu que eu tomasse rápida nota mental daqueles pensamentos, para pô-los num artigo que tinha em vista escrever sobre a [] liberdade estética. O sujeito lançou uma olhadela para a casa do piloto e em seguida pôs-se a contemplar o nevoeiro, de pernas abertas, com visível ar de satisfação. Percebi ser homem afeito às coisas do mar. — Tempo destes é que os põem de cabelos brancos tão cedo, murmurou, indicando com um movimento de cabeça a casa de vidro onde estavam o piloto e o capitão. — Qual o quê! respondi na minha santa ignorância. Há a bússola para orientá-los. E há o leme que dirige o navio. E há os mapas. O negócio é simples como o abc. Tudo matemático. — Qual o que, hein? rosnou o homem. Simples abc, hein? Certeza matemática, hein? E veio em minha direção ao dizer isto. — Que acha desta maré que incha todo o Golden Gate, senhor? perguntou-me quase num rugido. Com que rapidez vasa ela? Em que rumo? Vamos lá, senhor! Está ouvindo aquele som? Bóia de campainha — e mal a ouvimos já estamos sobre ela. Veja como mudam de lugar... Realmente, de dentro do nevoeiro brotava um som de campainha — o que fez o piloto dar a roda do leme com violência, até que o som, que vinha pela nossa frente, passasse a vir de lado. Enquanto isso a sereia de bordo apitava com a sua voz rouca, em resposta a outros apitos brotados de dentro da cerração. — É algum ferry-boat, explicou o homem da perna-de-pau, referindo-se a um apito que vinha da direita. E aquele lá, está ouvindo? Buzina! Buzina de assoprar com a boca. É o que usam nas escunas. Cuidado, mestre escuneiro! O inferno está com vontade de comer gente hoje... O invisível ferry-boat apitava com furor e a buzina da escuna respondia com desespero. — Estão agora trocando cumprimentos e explicações, disse o homem logo que a fúria dos avisos cessou. Seus olhos enchiam-se do brilho da excitação à medida que me ia traduzindo em língua de gente a fala daqueles instrumentos de fazer barulho no mar. — Ouça! Aquilo é sinal para evolução à esquerda... E este acolá, com voz de sapo, é grito de escuna a vapor que forceja contra a maré. Um assovio fino e esganiçado rompeu à frente. Os gongos do "Martinez" soaram, fazendo as rodas propulsoras afrouxarem o andamento, que só foi retomado quando aquele trilar de grilo entre feras rugidoras se sumiu ao longe. Olhei para o meu homem, à espera de interpretação. — Lancha, disse ele. Dessas endemoninhadas lanchas que só mesmo a gente metendo-as a pique. Umas pestes que vivem a causar trapalhadas. Qualquer imbecil julga-se no direito de meter-se nelas e sulcar as águas apitando com impertinência para que o mundo inteiro saiba que tais pulgas existem. E é preciso levá-las em conta. Estão no uso dum direito — direito de caminho pela superfície das águas. Direito, ah, ah! Diverti-me com a cólera do homem e, enquanto ele andava de cá para lá, manquitolando na sua perna-de-pau, pus-me a refletir no romantismo da bruma. Romantismo, sim. É romântico o nevoeiro que tudo envolve com o seu manto cinzento, de passo que os homens — meros átomos — blasfemam nos corcéis de aço flutuantes através do Mistério, às cegas dentro do Invisível, com palavras de confiança na

boca e a incerteza e o medo nos corações. A voz do meu companheiro fez-me voltar à realidade e sorrir. Eu também havia devaneado às tontas e às cegas dentro do mistério, julgando seguir caminho seguro. — Olá! dizia ele. Vem algo ao nosso encontro, está ouvindo? Vem, rápido e em linha reta. Juro que não nos percebeu ainda. Não ouve a nossa sereia. O vento está a nosso favor. A brisa fresca soprava de frente, e pude ouvir bem nítido o silvo a que o meu homem se referia. — Ferry-boat? perguntei. O homem fez sinal que sim com a cabeça; e acrescentou: "Do contrário não viria nessa marcha". E com uma risada nervosa: "Estão assustados, lá em cima..." Olhei para a casa do piloto. O capitão, com a cabeça e ombros de fora, cravava fixamente os olhos no nevoeiro, como tentando devassá-lo à força. Suas feições mostravam ansiedade — a mesma que vi no rosto do meu companheiro, agora de bruços na amurada e também com os olhos presos no perigo invisível que se ocultava dentro da névoa. E o que tinha de dar-se, deu-se com incrível rapidez. Rompido por uma cunha, o nevoeiro mostrou a proa dum vapor a emergir franjado de espuma na linha d'água, com os bigodes dum Leviatã. Pude ver a casa do piloto, com um homem de barbas brancas assomado a uma das janelas; trajava uniforme azul, e lembro-me da impressão de calma que me deu. Era terrível aquela calma em tais circunstâncias. O homem aceitava o seu destino, avançava de mãos dadas com ele, a medir friamente o choque. Seu olhar inquisitivo fixava-se no "Martinez" como para determinar o ponto exato da colisão — e em nada se alterou quando o nosso piloto, branco de raiva, berrou-lhe: "Foi você o culpado!". A observação era por demais óbvia para tomar necessária qualquer resposta. — Agarre-se no que puder e agüente-se! gritou-me o homem da perna-de-pau. Notei que a sua arrogância se dissipara e que parecia contagiado pela calma anormal do homem de barbas brancas. "E veja como as mulheres gritam", prosseguiu ele sombriamente, quase com amargura, fazendo-me crer que já havia passado por situações iguais àquela. Os dois navios chocaram-se antes que eu pudesse seguir o seu conselho. O impacto devia ter sido no meio do "Martinez", que tombou violentamente por entre estrondos do madeirame. Fui lançado de bruços sobre o convés alagado, e antes que pudesse erguer-me vi-me tonto pela gritaria das mulheres. Foi isso — esse indescritível e arrepiante uivo de pânico o que mais me apavorou. Lembrei-me do salva-vidas do meu camarote. Corri para lá. Ao alcançar a porta fui varrido por uma onda selvagem de criaturas em disparada. Não me recordo do que sucedeu logo depois, a não ser o avanço no sortimento de salva-vidas, com o homem de perna-de-pau a atar os que podia à cintura dum bando histérico de mulheres. A memória dessa cena é mais nítida do que a de qualquer outra que me haja passado sob os olhos. Ainda hoje vejo o quadro: o rombo numa cabina, através do qual a névoa revoluteava em turbilhão; divãs e poltronas esvaziados de súbito e com todos os sinais do "estouro" — pacotes, bolsas, guardachuvas, capas largados ali; o alentado sujeito da Atlantic, engastado num salva-vidas e ainda com a revista na mão, a perguntarme com insistência se havia perigo; o meu companheiro da perna-de-pau a mancar por toda parte, muito seguro de si na tarefa de distribuir salva-vidas a quantos apareciam, e, finalmente, a inferneira louca do mulherio apavorado. à venda nos usuais amiguinhos da martin claret: fnac, martins fontes, galileu, siciliano, saraiva, cultura, submarino, travessa, americanas, leitura, da vinci, cortez etc., todos eles solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude, de acordo com o art. 104, capítulo II, título VII da lei 9.610/98. imagens: london.sonoma.edu; adrianapeliano.blogspot.com; missoavancine.blogspot.com; portugues.istockphoto.com

POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 17/03/2009 uísque uruguaio fabricado em são paulo deu na folha de hoje: "Um livro de geografia distribuído pelo governo paulista aos alunos da sexta série do ensino fundamental traz duas vezes o Paraguai no mapa da América do Sul e ainda inverte a localizaç ão do Uruguai e Paraguai." e começa o jogo de peteca: a secretaria estadual da educação diz que o responsável pelo erro é a fundação vanzolini. já a fundação vanzolini diz que quem produziu o material foram professores indicados pela secretaria. eia nóis. imagens: msn emoticons, yikes e faint POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS a aufklärung digital fazendo jus à aura esclarecida e democrática que sempre cercou o intelectual bento prado jr., sua família, com extrema gentileza e desprendimento, atendeu à solicitação feita em "uma boa e digna troca". os familiares autorizaram, na parte que lhes toca, a digitalização e disponibilização em ebook para download gratuito na internet de o discurso do método de descartes na consagrada tradução de jacó guinsburg e bento prado jr. naturalmente, em se tratando de uma tradução a quatro mãos, agora cabe aguardar a decisão do cotradutor sr. jacó guinsburg. acompanhe aqui, em ordem cronológica, a triste novela dessa fraude cometida pela nova (in)cultural, na coleção "os pensadores", adulterando a famosa tradução de jacó guinsburg e bento prado jr. e atribuindo-a ao fantasmagórico "enrico corvisieri": 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8. imagem: matisse, nautikkon.blogspot.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS pero que sí, pero que no a resposta do setor de vestibular da uesc: Prezada Senhora Denise, Agradecemos o seu contato e observações. Quanto as obras que estão disponíveis e em domínio público iremos providenciar para que esta informação chegue aos estudantes através do nosso site. Com os mais sinceros e cordiais cumprimentos, Profa. Clemildes Alves GESEOR-Gerência de Seleção e Orientação e da vice-reitoria: Prezada Senhora Denise Botmann, Confirmamos recebimento da sua mensagem e informamos que foi encaminhada para análise pelo setor competente. Desde já agradecemos a colaboração. Cordialmente, Adélia Pinheiro Vice-Reitora

POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 16/03/2009 o essencial do jardim dos livros algum tempo atrás, apresentei aqui o caso de o essencial do alcorão, de thomas cleary, publicado no ano passado pela jardim dos livros (selo do grupo geração). essa edição é uma valente garfada da tradução de leila v.b. gouvêa, publicada pela editora bestseller, e dá como tradutor um tal de "pedro h. berwick". os cotejos saíram em 6 posts, a partir daqui. na ocasião, o sr. luiz fernando emediato, responsável pelo setor editorial do grupo, comprometeu-se a retirar a obra espúria de catálogo e de circulação. infelizmente, porém, ele deve andar muito ocupado, pois não teve tempo de tomar suas providências. passados quase dois meses, o essencial do alcorão continua belo e formoso no site geraçãobooks, impávido e destemido nas prateleiras da saraiva, cultura, siciliano, submarino, loyola etc. mas imagino que o sr. luiz saberá honrar a palavra empenhada, e por isso apresento mais um cotejo de outra infeliz obra sob sua responsabilidade editorial. quem sabe, tendo um tempinho, ele já não aproveita e tira essa fraude também? a outra solene garfada do jardim dos livros, selo do grupo geração, foi em cima de o essencial de jesus, de john dominic crossan, também em 2008. o glutão é o mesmo misterioso "pedro h. berwick", e a vítima foi uma vez mais a editora bestseller, que havia publicado a obra em 1994 na tradução de ymaly salem chammas. 1. ymaly salem chammas (bestseller) PRÓLOGO Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam. Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973]) A Roma Imperial É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem Os Césares triunfaram? César derrotou os gauleses. Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército? Cada página uma vitória. A custa de quem o baile da vitória? Em cada década um grande homem. Quem pagou a conta? Tantas particularidades. Tantas perguntas. Bertolt Brecht, A Worker Reads History Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam

entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63: Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos... Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu. Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas. O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44: Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão. Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar. Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação. 2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros) PRÓLOGO Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam. Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973]) A Roma Imperial É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem Os Césares triunfaram? César derrotou os gauleses. Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército?

Cada página uma vitória. À custa de quem o baile da vitória? Em cada década um grande homem. Quem pagou a conta? Tantas particularidades. Tantas perguntas. Bertolt Brecht, A Worker Reads History Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63: Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos... Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu. Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas. O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44: Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão. Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar. Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação. 1. ymaly salem chammas (bestseller) CONTEXTOS Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos deveriam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz. Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social

Movement in the 19th and 20th Centuries [New York: Norton, 1965]) Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã. Fernand Braudel No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida. Peter Brown O Que É Essencial Sobre Jesus? Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus histórico: Ele é perigoso, vamos combatê-lo. Ele é criminoso, vamos executá-lo. Ele é divino, vamos segui-lo. Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes, ou então não será fiel ao que aconteceu. Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico. * The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biograp¬hy. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994. O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões e programas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. O

movimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa. 2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros) CONTEXTOS Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos everiam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz. Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social Movement in the 19th and 20th Centuries New York: Norton, 1965) Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã. Fernand Braudel No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida. Peter Brown O Que É Essencial Sobre Jesus? Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus histórico: Ele é perigoso, vamos combatê-lo. Ele é criminoso, vamos executá-lo. Ele é divino, vamos segui-lo. Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes,

ou então não será fiel ao que aconteceu. Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico. * The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biograp¬hy. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994. O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões e programas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. Omovimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa. além disso, essa edição é chapa fria: seu suposto isbn 978-85-60018-12-3 não consta cadastrado na agência brasileira do isbn/fbn. a fraude se encontra à venda na fnac, cultura, siciliano, leitura, submarino etc. imagens: images_businessweek.com; digitaldropos.com.br ah, sr. luiz, por favor não se esqueça de retirar também a arte da guerra do tal nikko bushido! POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS zumbi trapalhares na semana passada, escrevi para o ministério público pedindo se eles teriam alguma maneira de dar um jeito lá na fbn. pois é a fbn (fundação biblioteca nacional), do minc, que abriga a agência brasileira de isbn. eu morro de vergonha de ver aquelas fichas de isbn na fbn com pietro nassetti tradutor de machado de assis, josé de alencar, eça de queiroz etc. por mais que o minc, a fbn e a agência do isbn digam que não é problema deles e que não têm nada a ver com isso, eu acho que um pouco de discernimento não faz mal a ninguém, e na verdade também acho que eles têm algo a ver com isso, sim senhor. pois a agência não é obrigada a aceitar qualquer sandice que lhe passa pela

frente. ela podia muito bem ter dito "não, não vou cadastrar essa coisa", e devolver a solicitação. mas aceitou, cadastrou, atribuiu número de isbn, deu chancela oficial, então claro que a responsabilidade é dela. até imagino por esse mundão afora as agências de cada país ou da UE aceitando, cadastrando, atribuindo isbns e mantendo fichas com dados assim: victor hugo, les misérables, traduit par pierre ulalah, ed. martinet clareté, ou miguel de cervantes, don quijote, traducción de juan pepe, ed. martí clarés, ou walt whitman, leaves of grass, translated by jackass, ed. marty clary vou ficar aqui torcendo para que o ministério público consiga enfiar um mínimo de bom senso na cabeça daquele pessoal. imagem: zombiemonalisa, www.boingboing.net POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 15/03/2009 bonitinho livros e afins deu o caminho das pedras: Article 1 Les livres, tous les livres ont le droit d’exister. Article 2 Les livres sont égaux entre eux, sans distinction d’origine, de fortune, de naissance, d’opinion, d’éditeur. Article 3 Tout livre a droit à la vie, à sa commercialisation, à la chance d’être exposé au lecteur, et de donner à son auteur celle d’être entendu et rémunéré à juste titre. Article 4 Tous sont égaux devant la loi qui les met à égalité de prix pour tous en quelques lieux qu’ils soient proposés. Article 5 Chacun a droit à la reconnaissance en tout lieu de sa personnalité, de la personnalité de son auteur, de celle de son éditeur. Article 6 Le livre, oeuvre d’imagination autant que de recherche, s’adresse à l’imagination autant qu’au besoin de l’homme. Il ne peut en aucune façon être dévoyé dans sa commercialisation comme un produit d’appel de consommation courante. Article 7 Le livre est, et demeure garant de nos libertés. Il ne peut en aucun cas être soumis à quelque aliénation que ce soit tant sur le plan de la pensée que sur celui de sa vocation fondamentale qui est de promouvoir le libre-échange des cultures, des mentalités et des savoirs. Article 8 Le livre, ouverture de l’esprit, de recherches, de plaisirs, consignation du savoir autant qu’oeuvre de création doit être traité comme un bien indispensableà la culture, à la promotion sociale et spirituelle, à l’information, et ne peut être traité comme un vulgaire objet de profit. imagem e texto: bibliofrance.org POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 14/03/2009 ... ... ISBN: 85-7232-696-0 TÍTULO: A LÍNGUA E O ESTILO DE RUI BARBOSA

AUTOR: GLADSTONE CLARES [sic] TRADUTOR: JEAN MELVILLE EDIÇÃO: 1 TIPO DE SUPORTE: PAPEL PÁGINAS: 228 EDITORA: MARTIN CLARET Gladstone Chaves é autor, entre outras coisas, de Iniciação à Filologia e à Linguística Portuguesa, A Língua do Brasil, Gramática Fundamental da Língua Portuguesa, Na Ponta da Língua. imagem: www.npr.org POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 13/03/2009 faits-divers vi outro dia que a landmark jorge cyrino e do sr. fábio dos ventos uivantes, usando o nome da pobre da revisora fez mais uma de suas landemarquices. a editora do sr. cyrino tinha publicado um plágio ridículo de o morro a tradução de vera pedroso (bruguera, 1971) e tascando como a responsável pelo plágio.

a profissional, quando soube que tinha virado plagiadora à sua revelia, naturalmente subiu pelas paredes e foi tomar satisfação com a dupla dinâmica. em atenção a ela e ao relato que me fez sobre as agruras em que fora precipitada pelas baixarias da landmark, postei uma retificação e retirei seu nome da lista de quem assinava os plágios - pois, embora de fato seu nome constasse como a autora do plágio landemarquiano de o morro dos ventos uivantes, o fato se dera por absoluta falta de escrúpulos da editora, que nem se incomodou com os danos morais e materiais que estava causando à profissional contratada. o engraçado da história, se é que tem alguma coisa de engraçado, é que o morro dos ventos uivantes no plágio da landmark também tinha chapa fria: ou seja, constava cadastrado no isbn/fbn com tradução de "ana maria oliveira rosa" e na edição impressa o plágio aparecia atribuído à referida profissional. pois muito que bem: a dupla landemarquiana, perante os legítimos protestos da revisora convertida em plagiadora, tentou se safar do imbróglio prometendo-lhe que corrigiria o "engano" na próxima reimpressão da obra. aparentemente saiu uma nova reimpressão, pois agora a espectral "ana maria oliveira rosa" da chapa fria no isbn/fbn comparece como a tradutora de o morro dos ventos uivantes da landmark. mas o importante é: a landmark lançou nova tradução? publicou alguma errata para os ludibriados compradores dos exemplares anteriores? abriu mão da cópia deslavada? ou pelo menos deu o nome da verdadeira tradutora, vera pedroso? nada disso. ficou a fantasminha pluft, e ao leitor restou o triste fado de ter que conviver com mais esse acinte nacional... imagem: exlibris.memphis.edu POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 12/03/2009 uma boa e digna troca que bom que o mec tirou o estrupício do enrico corvisieri de seu portal domínio público. mas me ocorreu que, afinal, tem que se pensar em inclusão social e circulação da

cultura, e não só em exclusão dos trapaceiros ishpertos. então pensei assim: - é importante que a sociedade possa ter acesso à famosa tradução do discurso do método de guinsburg e prado jr., com a introdução de gilles-gaston granger e as notas de gérard lebrun - as edições da difel e da abril (em "os pensadores") e as edições prestáveis da nova cultural (em "os pensadores" até 1996) estão esgotadas - a dona abdr protofascista não deixa ninguém tirar xerox e sai por aí invadindo universidades, processando reitores e fechando serviços de xerox - a edição espúria do discurso do método em nome de "enrico corvisieri" está circulando para download na internet desde 2001, faz oito anos - essa edição espúria saiu de catálogo da nova cultural em 2008 e do portal domínio público agora em 2009, sem nada legítimo para ocupar seu lugar, e vai continuar circulando em inúmeros sites de download, até por falta de opção - então um bom tributo público à memória de bento prado jr. poderia talvez ser o seguinte: quem sabe o sr. jacó guinsburg e os herdeiros de bento prado jr. não disponibilizariam gentilmente para a sociedade a consagrada tradução do discurso do método, se possível com a famosa introdução de granger e as notas de lebrun? aí tenho certeza de que todos os sites de downloads se aprestariam em cancelar a tosca edição corvisieriana e poderiam substituí-la condignamente por um bom discurso do método. imagens: tractatus.free.fr; delymyth.net POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS viva, que maravilha eu tinha escrito ao portal do domínio público do mec, expondo o problema de disponibilizarem em seu site o discurso do método na suposta tradução de enrico corvisieri, que para começar nem seria domínio público e, o mais importante, era uma fraude descabelada. recebi agora a resposta: "Prezada Denise, agradecemos a sua valiosa contribuição e informamos que a obra 'Discurso do Método', tradução feita por 'Enrico Corvisieri' está inativa em nosso Portal. Atenciosamente, Dalvanisa Luiz - Domínio Público." fui conferir. resultado: Nenhum registro encontrado que maravilha, sr. mec, isso mesmo. e me sinto realmente encantada em ver que o governo ouve os cidadãos. imagem: logo do portal domínio público POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS discurso do método 4 uma das poucas vozes da academia que se manifestaram publicamente:

"mal se podia na época, se bem me lembro, recorrer às traduções em língua portuguesa. [...] foi nesse contexto que surgiu a coleção 'os pensadores', então publicada pela abril cultural. o projeto visionário de josé américo pessanha consistia em trazer ao público brasileiro, de maneira ampla e acessível, escritos filosóficos significativos, precedidos de estudos introdutórios à obra de seus autores. zelar pela escolha dos textos e pelo rigor e qualidade das traduções eram pontos inquestionáveis. [...] "a coleção 'os pensadores' tornou-se referência. é bem verdade que alterações se produziram à medida que sucediam as edições: suprimiram textos que compunham volumes, dividiram volumes em partes. interesses comerciais. algo estupefaciente estava ainda por ocorrer. ao deparar-me recentemente com uma das últimas edições do volume descartes, percebi, atônita, que tinha nas mãos outro livro.67 inteiramente transformado, nele substituíram por outra a tradução de bento prado júnior e jacó guinsburg; suprimiram a introdução de gilles-gaston granger e as notas de gérard lebrun. custa crer que um projeto tão bem cuidado e tão bem sucedido venha sendo dessa forma desmantelado." 67. descartes, discurso do método, as paixões da alma, meditações, trad. enrico corvisieri, são paulo, nova cultural, 2000 (coleção "os pensadores"). scarlett marton, a irrecusável busca de sentido, ateliê editorial, 2004, pp. 6465. embora a profa. scarlett tenha sido caridosa em chamar o copidesque corvisieriano de "outra" tradução, o que vale é sua expressão de repúdio. se as dezenas de filósofos e correlatos uspianos, unespianos e unicampianos que torcem o nariz a essas pseudotraduções tomassem alguma iniciativa para além das quatro paredes da academia, certamente prestariam um bom serviço à sociedade. podem começar, por exemplo, solicitando ao mec que retire de seu portal de domínio público o tripudio à memória de bento prado. o coordenador do portal se chama marco antonio rodrigues, seu endereço eletrônico é dompub@mec.gov.br e o telefone é (61) 2104-8100. eu, de minha parte, já escrevi. retificação em 13/03: a atual coordenadora do portal é dalvanisa luiz. e-mail e telefone continuam os mesmos. imagem: portas-lapsos.zip.net; negrito meu na citação. POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS 11/03/2009 discurso do método 3 previsivelmente, enrico corvisieri com seu discurso do método sob a égide da nova cultural (1999 em diante), copidescado a partir da tradução de jacó guinsburg e bento prado jr., tem uma presença significativa nas escolas e universidades. exemplinhos: http://www.utfp/r.edu.br/proplad/arquivos/edital_052_2008_PS_PB_Programa_Filosofia _Sociologia.pdf www.sbem.com.br/files/ix_enem/Poster/Trabalhos/PO12201369801T.rtf http://www.meuartigo.brasilescola.com/filosofia/reflexao-sobre-educacao.htm www.ple.uem.br/programas/ple4040.doc www.fafiuv.br/tseletivo/FILOSOFIA.doc www.espacoeducacao.ufjf.br/index.php?local=bibliografia www.pucrs.br/direito/graduacao/ementas/241/eletivas/argumentacao_juridica.pdf www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT19-2283--Int.pdf www.ucs.br/ucs/tplCongressoFilosofia/extensao/agenda/eventos/cd_60/comunicacoes_ci

entificas/apresentacao/papel.../andre.p http://cacphp.unioeste.br/pos/media/File/geografia/docs/Modernidade_natureza1.pdf www.uern.br/pdf/Documentos/Programa_Filosofia_Medieval_e_Moderna_Mossoro.pdf https://sistemas.usp.br/fenixweb/fexDisciplina?sgldis=ECO5023 www.vestibular.pucpr.br/pseletivo/verao2008/programas.html www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/VCSA6W9FL4/9/09__bibliografia.pdf www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/cgibin/PRG_0599.EXE/9594_9.PDF?nrOcoSis=30314&CdLinPrg=pt www.filosofante.org/filosofante/not_arquivos/pdf/Filosofia_Ocidente_Cristao.pdf www.anppom.com.br/opus/opus14/105/105-Amato.htm www.utfpr.edu.br/proplad/arquivos/Edital_001_2009_PS_CT_Programa_de_Filosofia.pdf. pdf www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=professores&id=52 www.comvest.unicamp.br/vr/vr2009/programas/Curso27/EF116.pdf https://sistemas.usp.br/fenixweb/fexDisciplina?sgldis=IAL5770 www.abhr.org.br/wp-content/uploads/2008/12/klatau-diego.pdf www.unimontes.br/unimontescientifica/revistas/Anexos/artigos/revista_v2_n2/artigo_ morte_do_homem.htm http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9340&p=5 www.ciencialit.letras.ufrj.br/ensaios/carmello_camillo.doc http://200.201.11.31:8000/cgibin/gw_46_7/chameleon?host=localhost%2B1111%2BDEFAULT&search=KEYWORD&function=INIT REQ&SourceScreen=NEXTPAGE&sessionid=2008081600330607230&skin=bce&conf=.%2Fchameleo n.conf&lng=pt&itemu1=1003&scant1=Medina,%20S%C3%B4nia%20Gr%C3%A1cia%20Pucci&scanu1 =1003&u1=1003&t1=%01195353&pos=1&prevpos=-19& http://inf.unisul.br/~ines/pccsi/Manual_Direito2004.doc www.tede.ufop.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=310 http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/iberoamericana/article/view/1350 /1055 www.tede.udesc.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=122 www.bibliotecadigital.puccampinas.edu.br/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=209 www.bdtd.ufjf.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=34 www.teia.fe.usp.br/biblioteca_virtual/7%20EA-%20EA%20e%20Paradigmas-%20Marilia.doc www.bdtd.ufpe.br/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1285 www.fieo.br/v2/download.php?arquivo=mec/cursos/pedagogia.pdf http://alexandria.cpd.ufv.br:8000/cgibin/gw_46_4_2/chameleon?host=localhost%2B1111%2BDEFAULT&search=KEYWORD&function=IN ITREQ&SourceScreen=INITREQ&sessionid=2008040221260720647&skin=default&conf=.%2Fcha meleon.conf&lng=hy&itemu1=4&scant1=paix%C3%A3o%20de%20N.S.%20Jesus%20Cristo&scanu1 =4&u1=4&t1=%01453254&pos=1&prevpos=1& www.faced.ufu.br/antigo/colubhe06/anais/arquivos/218JoaoCavalcante_HumbertoGuido.p df www.bdtd.ufes.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=487 www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/cao.../planos%20de%20saúde%20são%2... http://www.nesef.ufpr.br/baixar-arquivo.php?arquivo=2008-09-01-16-33-12-NORMASPARA-APRESENTACAO-GERAL-E-GRAFICA-DO-TRABALHO-ACADEMICO.doc www.slab.uff.br/dissertacoes/2007/Tiago.pdf www.bdtd.ufjf.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=283 http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000393674 www.dep.ufmg.br/pos/defesas/diss141.pdf www.teia.fe.usp.br/biblioteca_virtual/9%20EA-%20EA%20no%20ensino%20superior%20Marilia.doc www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/ARBZ7KAJ4R/1/disserta__o_final___revisada.pdf http://www1.capes.gov.br/estudos/dados/2002/33003017/038/2002_038_33003017001P2_Di sc_Ofe.pdf http://www4.fct.unesp.br/pos/geo/dis_teses/05/05_FABIO_CESAR_ALVES_DA_CUNHA.pdf http://www.tede.ufsc.br/tedesimplificado//tde_arquivos/48/TDE-2007-10-18T123712Z-

92/Publico/OlivierAllain.pdf www.unifra.br/professores/CARLOTA/Apresentação(Vinicius)sepe.ppt www.inf.ufsc.br/~adiel/en/misc/books/index.html http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados/2005/32005016/038/20 05_038_32005016007P0_Disc_Ofe.pdf. imagem: www.toonpool.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS o discurso do método 2 em “o trabalhão de plagiar”, citei alguns procedimentos habituais em plágios, montagens e adulterações de tradução. um dos procedimentos mais eficientes para disfarçar a tradução de base usada em algumas fraudes editoriais é o que eu chamaria de “copidesque cerrado”. toma-se a tradução previamente existente e alteram-se exaustivamente os termos, trocando-os por sinônimos. há aí embutidos pelo menos três pressupostos: a. a tradução é correta e fiel ao original; b. as palavras são unívocas, e portanto a substituição por sinônimos igualmente unívocos não constitui problema; c. estruturas gramaticais são universais. a meu ver, é nesse tipo de procedimento que se enquadra o caso de o discurso do método na coleção “os pensadores” da editora nova cultural, nas edições a partir de 1999 com tradução atribuída a enrico corvisieri. à primeira vista, as diferenças podem dar a impressão de que se trata de uma tradução de direito próprio.* quando reafloram os eventuais erros da tradução de base, as mudanças de pontuação e periodização das frases em relação à obra original, a sintaxe própria adotada na tradução de base e, ainda, quando surgem os deslizes com o uso de “sinônimos” descabidos, evidencia-se o padrão de apropriação utilizado. para expor esse padrão, apresento também o original em francês, a título de acompanhamento. abaixo de cada trecho segue-se primeiro a tradução de jacó guinsburg e bento prado jr., e depois o texto de enrico corvisieri. Les plus grandes âmes sont capables des plus grands vices aussi bien que des plus grandes vertus; et ceux qui ne marchent que fort lentement peuvent avancer beaucoup davantage, s'ils suivent toujours le droit chemin, que ne font ceux qui courent et qui s'en éloignent. Pour moi, je n'ai jamais présumé que mon esprit fût en rien plus parfait que ceux du commun; même j'ai souvent souhaité d'avoir la pensée aussi prompte, ou l'imagination aussi nette et distincte, ou la mémoire aussi ample ou aussi présente, que quelques autres. Et je ne sache point de qualités que celles-ci qui servent à la perfection de l'esprit; car pour la raison, ou le sens, d'autant qu'elle est la seule chose qui nous rend hommes et nous distingue des bêtes, je veux croire qu'elle est tout entière en un chacun; et suivre en ceci l'opinion commune des philosophes, qui disent qu'il n'y a du plus et du moins qu'entre les accidents, et non point entre les formes ou natures des individus d'une même espèce. Mais je ne craindrai pas de dire que je pense avoir eu beaucoup d'heur de m'être rencontré dès ma jeunesse en certains chemins qui m'ont conduit à des considérations et des maximes dont j'ai formé une méthode, par laquelle il me semble que j'ai moyen d'augmenter par degrés ma connoissance, et de l'élever peu à peu au plus haut point auquel la médiocrité de mon esprit et la courte durée de ma vie lui pourront permettre d'atteindre. Car j'en ai déjà recueilli de tels fruits, qu'encore qu'au jugement que je fais de moi-même je tâche toujours de pencher vers le côté de la défiance plutôt que vers celui de la présomption, et que, regardant d'un oeil de philosophe les diverses actions et entreprises de tous les hommes, il n'y en ait quasi aucune qui ne me semble vaine et inutile, je ne laisse pas de

recevoir une extrême satisfaction du progrès que je pense avoir déjà fait en la recherche de la vérité, et de concevoir de telles espérances pour l'avenir, que si, entre les occupations des hommes, purement hommes, il y en a quelqu'une qui soit solidement bonne et importante, j'ose croire que c'est celle que j'ai choisie. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e os que só andam muito lentamente podem avançar muito mais, se seguirem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam. Quanto a mim, jamais presumi que meu espírito fosse em nada mais perfeito do que os do comum; amiúde desejei mesmo ter o pensamento tão rápido, ou a imaginação tão nítida e distinta, ou a memória tão ampla ou tão presente, quanto alguns outros. E não sei de quaisquer outras qualidades, exceto as que servem à perfeição do espírito; pois, quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa que nos torna homens e nos distingue dos animais, quero crer que existe inteiramente em cada um, e seguir nisso a opinião comum dos filósofos, que dizem não existir mais nem menos senão entre os acidentes, e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma mesma espécie. Mas não temerei dizer que penso ter tido muita felicidade de me haver encontrado, desde a juventude, em certos caminhos, que me conduziram a considerações e máximas, de que formei um método, pelo qual me parece que eu tenha meio de aumentar gradualmente meu conhecimento, e de alçá-lo, pouco a pouco, ao mais alto ponto, a que a mediocridade de meu espírito e a curta duração de minha vida lhe permitam atingir [eliminação do "poderão"]. Pois já colhi dele tais frutos que, embora no juízo que faço de mim próprio eu procure pender mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção, e que,* mirando com um olhar de filósofo as diversas ações e empreendimentos de todos os homens, não haja quase nenhum que não me pareça vão e inútil, não deixo de obter extrema satisfação do progresso que penso já ter feito na busca da verdade e de conceber tais esperanças para o futuro que, se entre as ocupações dos homens puramente homens existe alguma que seja solidamente boa e importante, ouso crer que é aquela que escolhi. *[tendo optado por "embora", este segundo "que", que no original pertence à locução "encore que", aqui perde seu sentido ou cria o sentido equivocado de ser a continuação da frase "tais frutos que..."] As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam. Quanto a mim, nunca supus que meu espírito fosse em nada mais perfeito do que os dos outros; com freqüência desejei [] ter o pensamento tão rápido, ou a imaginação tão clara e diferente, ou a memória tão abrangente ou tão pronta, quanto alguns outros. E desconheço quaisquer outras qualidades, afora as que servem para o aperfeiçoamento do espírito; pois, quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa que nos torna homens e nos diferencia dos animais, acredito que existe totalmente em cada um, acompanhando nisso a opinião geral dos filósofos, que afirmam não existir mais nem menos senão entre os acidentes, e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma mesma espécie. Mas não recearei dizer que julgo ter tido muita felicidade de me haver encontrado, a partir da juventude, em determinados caminhos, que me levaram a considerações e máximas, das quais formei um método, pelo qual me parece que eu consiga aumentar de forma gradativa meu conhecimento, e de elevá-lo, pouco a pouco, ao mais alto nível, a que a mediocridade de meu espírito e a breve duração de minha vida lhe permitam alcançar. [note-se que foi mantida a não de todo correta virgulação introduzida na tradução de base] [repete-se a eliminação do "poderão"] Pois já colhi dele tais frutos que, apesar de no juízo que faço de mim próprio eu procure inclinar-me mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção, e que, observando com um olhar de filósofo as variadas ações e empreendimentos de todos os homens, não exista quase nenhum que não me pareça fútil e inútil, não deixo de

lograr extraordinária satisfação do progresso que creio já ter feito na procura da verdade e de conceber tais esperanças para o futuro que, se entre as ocupações dos homens puramente homens existe alguma que seja solidamente boa e importante, atrevo-me a acreditar que é aquela que escolhi. [uma frase absurda: "apesar de ... eu procure"; mantém o problema do "que" solto] [...] J'ai été nourri aux lettres dès mon enfance; et, pour ce qu'on me persuadoit que par leur moyen on pouvoit acquérir une connaissance claire et assurée de tout ce qui est utile à la vie, j'avois un extrême désir de les apprendre. [...] Fui nutrido nas letras desde a infância, e por me haver persuadido de que, por meio delas, se podia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las. [...] Fui instruído nas letras desde a infância, e por me haver convencido de que, por intermédio delas, poder-se-ia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las. Je ne laissois pas toutefois d'estimer les exercices auxquels on s'occupe dans les écoles. Je savois que les langues qu'on y apprend sont nécessaires pour l'intelligence des livres anciens; que la gentillesse des fables réveille l'esprit; que les actions mémorables des histoires le relèvent, et qu'étant lues avec discrétion elles aident à former le jugement; que la lecture de tous les bons livres est comme une conversation avec les plus honnêtes gens des siècles passés, qui en ont été les auteurs, et même une conversation étudiée en laquelle ils ne nous découvrent que les meilleures de leurs pensées; que l'éloquence a des forces et des beautés incomparables; que la poésie a des délicatesses et des douceurs très ravissantes; que les mathématiques ont des inventions très subtiles, et qui peuvent beaucoup servir tant à contenter les curieux qu'à faciliter tous les arts et diminuer le travail des hommes; que les écrits qui traitent des moeurs contiennent plusieurs enseignements et plusieurs exhortations à la vertu qui sont fort utiles; que la théologie enseigne à gagner le ciel; que la philosophie donne moyen de parler vraisemblablement de toutes choses, et se faire admirer des moins savants; que la jurisprudence, la médecine et les autres sciences apportent des honneurs et des richesses à ceux qui les cultivent; et enfin qu'il est bon de les avoir toutes examinées, même les plus superstitieuses et les plus fausses, afin de connoître leur juste valeur et se garder d'en être trompé. Não deixava, todavia, de estimar os exercícios com os quais se ocupam nas escolas. Sabia que as línguas que nelas se aprendem são necessárias ao entendimento dos livros antigos; que a gentileza das fábulas desperta o espírito; que as ações memoráveis das histórias o alevantam, e que, sendo lidas com discrição, ajudam a formar o juízo; que a leitura de todos os bons livros é qual uma conversação com as pessoas mais qualificadas dos séculos passados, que foram seus autores, e até uma conversação premeditada, na qual eles nos revelam tao-somente os melhores de seus pensamentos; que a eloquência tem forças e belezas incomparáveis; que a poesia tem delicadezas e doçuras muito encantadoras; que as Matemáticas têm invenções muito sutis, e que podem servir muito, tanto para contentar os curiosos quanto para facilitar todas as artes e diminuir o trabalho dos homens; que os escritos que tratam dos costumes contêm muitos ensinamentos e muitas exortações à virtude que são muito úteis; que a Teologia ensina a ganhar o céu; que a Filosofia dá meio de falar com verossimilhança de todas as coisas e de se fazer admirar pelos menos eruditos; que a Jurisprudência, a Medicina e as outras ciências trazem honras e riquezas àqueles que as cultivam; e, enfim, que é bom tê-las examinado a todas, mesmo as mais supersticiosas e as mais falsas, a fim de conhecer-lhes o justo valor e evitar ser por elas enganado. Apesar disso, não deixava de apreciar os exercícios com os quais se ocupam nas

escolas. Sabia que as línguas que nelas se aprendem são necessárias ao entendimento dos livros antigos; que a gentileza das fábulas estimula o espírito; que as realizações notáveis das histórias o fazem crescer, e que, sendo lidas com discrição, ajudam a formar o juízo; que a leitura de todos os bons livros é igual a uma conversação com as pessoas mais qualificadas dos séculos passados, que foram seus autores, e até uma conversação premeditada, na qual eles nos revelam apenas seus melhores [] pensamentos; que a eloqüência possui forças e belezas incomparáveis; que a poesia tem delicadezas e ternuras deveras encantadoras; que as matemáticas têm invenções bastante sutis, e que podem servir muito, tanto para satisfazer os curiosos quanto para facilitar todas as artes e reduzir o trabalho dos homens; que os escritos que tratam dos costumes contêm muitos ensinamentos e muitos estímulos à virtude que são muito úteis; que a teologia ensina a ganhar o céu; que a filosofia ensina a falar com coerência de todas as coisas e de se fazer admirar pelos que possuem menos erudição; que a jurisprudência, a medicina e as outras ciências proporcionam honras e riquezas àqueles que as cultivam; e, enfim, que é bom havê-las examinado a todas, até mesmo as mais eivadas de superstição e as mais falsas, a fim de conhecer-lhes o exato valor e evitar ser por elas enganado. C'est pourquoi je ne saurois aucunement approuver ces humeurs brouillonnes et inquiètes, qui, n'étant appelées ni par leur naissance ni par leur fortune au maniement des affaires publiques, ne laissent pas d'y faire toujours en idée quelque nouvelle réformation; et si je pensois qu'il y eût la moindre chose en cet écrit par laquelle on me pût soupçonner de cette folie, je serois très marri de souffrir qu'il fût publié. [brouillon: agitado, desordenado, confuso etc.*] * sou alertada de que brouillon também comporta a acepção de "perturbador". em todo caso, duvido que o sr. enrico corvisieri fosse capaz de chegar sozinho a ela. Eis por que não poderia de forma alguma aprovar esses temperamentos perturbadores e inquietos que, não sendo chamados, nem pelo nascimento, nem pela fortuna, ao manejo dos negócios públicos, não deixam de neles praticar sempre, em idéia, alguma nova reforma. E se eu pensasse haver neste escrito a menor coisa que pudesse tornar-me suspeito de tal loucura, ficaria muito pesaroso de ter aceito publicá-lo. Aqui está o motivo pelo qual eu não poderia de maneira alguma aprovar esses temperamentos perturbadores e inquietos que, não sendo chamados, nem pelo nascimento, nem pela fortuna, à administração dos negócios públicos, não deixam de neles realizar sempre, em teoria, alguma nova reforma. E se eu pensasse haver neste escrito a menor coisa que pudesse tornar-me suspeito de tal loucura, ficaria muito pesaroso de ter concordado em publicá-lo. [aliás, a trajetória de souffrir (um "permitir" muito passivo) até concordar é curiosa.] é interessante notar que, de modo geral, a tradução de base é bastante literal. já a suposta tradução de enrico corvisieri afasta-se sistematicamente das soluções mais simples e óbvias. esse afastamento sistemático do original em francês é outra boa indicação do copidesque realizado, por ocorrer em passagens muito claras e diretas, onde menos se esperariam soluções tortuosas e indiretas. Comme en effet j'ose dire que l'exacte observation de ce peu de préceptes que j'avois choisis me donna telle facilité à démêler toutes les questions auxquelles ces deux sciences s'étendent, qu'en deux ou trois mois que j'employai à les examiner, ayant commencé par les plus simples et plus générales, et chaque vérité que je trouvois étant une règle qui me servoit après à en trouver d'autres, non seulement je vins à bout de plusieurs que j'avois jugées autrefois très difficiles, mais il me sembla aussi vers la fin que je pouvois déterminer, en celles même que j'ignorois, par quels moyens et jusqu'où il étoit possible de les

résoudre. En quoi je ne vous paroîtrai peut-être pas être fort vain, si vous considérez que, n'y ayant qu'une vérité de chaque chose, quiconque la trouve en sait autant qu'on en peut savoir; et que, par exemple, un enfant instruit en l'arithmétique, ayant fait une addition suivant ses règles, se peut assurer d'avoir trouvé, touchant la somme qu'il examinoit, tout ce que l'esprit humain sauroit trouver: car enfin la méthode, qui enseigne à suivre le vrai ordre, et à dénombrer exactement toutes les circonstances de ce qu'on cherche, contient tout ce qui donne de la certitude aux règles d'arithmétique. E como, efetivamente, ouso dizer que a exata observação desses poucos preceitos que eu escolhera me deu tal facilidade de deslindar todas as questões às quais se estendem essas duas ciências que, nos dois ou três meses que empreguei em examinálas, tendo começado pelas mais simples e mais gerais, e constituindo cada verdade que eu achava uma regra que me servia em seguida para achar outras, não só consegui resolver muitas que julgava antes muito difíceis, como me pareceu também, perto do fim, que podia determinar, mesmo naquelas que ignorava, por quais meios e até onde seria possível resolvê-las. No que não vos parecerei talvez muito vaidoso, se considerardes que, havendo apenas uma verdade de cada coisa, todo aquele que a encontrar sabe a seu respeito tanto quanto se pode saber; e que, por exemplo, uma criança instruída na aritmética, que tenha efetuado uma adição segundo as regras, pode estar certa de ter achado, quanto à soma que examinava, tudo o que o espírito humano poderia achar. Pois, enfim, o método que ensina a seguir a verdadeira ordem e a enumerar exatamente todas as circunstâncias daquilo que se procura contém tudo quanto dá certeza às regras da aritmética. E já que, com efeito, atrevo-me a dizer que a exata observação desses poucos preceitos que eu escolhera me deu tal facilidade de desenredar todas as questões às quais se estendem essas duas ciências que, nos dois ou três meses que levei para analisá-las, havendo iniciado pelas mais simples e mais gerais, e compondo cada verdade que eu encontrava uma regra que me servia depois para encontrar outras, não apenas consegui resolver muitas que antes considerava muito difíceis, como me pareceu também, próximo ao fim, que podia determinar, até mesmo naquelas que ignorava, por quais meios e até onde seria possível resolvê-las. No que, talvez, não vos afigurarei muito vaidoso, se considerardes que, existindo somente uma verdade de cada coisa, [] aquele que a encontrar conhece a seu respeito tanto quanto se pode conhecer; e que, por exemplo, uma criança instruída na aritmética, que haja realizado uma adição de acordo com as regras, pode ter certeza de haver encontrado, no que concerne à soma que analisava, tudo o que o espírito humano poderia encontrar. Pois, enfim, o método que ensina a seguir a verdadeira ordem e a enumerar exatamente todas as circunstâncias daquilo que se procura contém tudo quanto dá certeza às regras da aritmética. [os "dénombrements" da quarta regra do método estão traduzidos corretamente por "enumerações" na tradução de base e copidescados erroneamente por "relações". aqui, quando o copidesque mantém "enumerar", que é o correto, perde a remissão direta ao quarto preceito e anula a coesão conceitual interna. outro despropósito conceitual no caso de descartes é empregar o verbo "compor", que remete ao método compositivo das matemáticas, para "constituir", no francês um simples "ser"; "analisar" para "examiner" e como suposto sinônimo de "examinar"; também não creio que trocar "saber" por "conhecer" seja totalmente isento de consequências, numa obra que pretende estabelecer os fundamentos do conhecimento.] negrito: substituição por sinônimos azul: erro ou problema na tradução de base reproduzido no copidesque vermelho: erro ou problema no copidesque verde: erro ou confusão de conceito no copidesque edições usadas: discours de la méthode, project gutenberg

discurso do método, trad. jacó guinsburg e bento prado jr., difel, 2a. ed., 1973 discurso do método, "trad." enrico corvisieri, domínio público MEC * Plagiarism is an imitation of a product for the purpose of economic exploitation. It is made either with slavish accuracy or with minute changes. Especially perfidious are more significant changes made so skilfully that the casual observer interprets them into a visual perception of the appearance of the original. POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 10/03/2009 o mundo às avessas a universidade estadual de santa cruz coloca como bibliografia obrigatória para seu vestibular no triênio de 2010 a 2012 i-juca pirama (gonçalves dias) e papéis avulsos (machado de assis). sua assessoria de imprensa tem o cuidado de especificar claramente que devem ser usadas as edições da martin claret. papéis avulsos está em domínio público, disponível tanto pela biblioteca virtual do estudante universitário (usp) quanto pela unama (universidade da amazônia), disponíveis no site do mec. juca-pirama está em domínio público, disponível pelas duas acima citadas e também pela fbn, disponíveis no site do mec. tirando o detalhe de que papéis avulsos da claret está cadastrado no isbn/fbn como se tivesse sido traduzido por marcellin talbot, é difícil supor que ela tenha plagiado machado e gonçalves dias. mas que uma universidade estadual imponha por três anos aos vestibulandos uma bibliografia com obras publicadas por uma editora notoriamente inidônea, de mais a mais sendo obras de acesso 100% gratuito à sociedade, é realmente bizarro. imagem: collectivereinventions.org POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS o discurso do método 1 existem várias traduções brasileiras de o discurso do método, de descartes: jacó guinsburg com bento prado jr. (difel, abril), joão cruz costa (ediouro), maria ermantina galvão (martins fontes), elza moreira marcelina (ática/unb), paulo neves (lpm).* * pietro nassetti, que assina pelo abutre martin claret, não conta. a tradução que acabou se tornando a mais consagrada é a de jacó guinsburg e bento prado jr., com introdução de gilles-gaston granger, prefácio e notas de gérard lebrun, no volume chamado obra escolhida, pela clássicos garnier (difel, 1a. ed. 1962). esta tradução foi publicada também na coleção "os pensadores", da abril cultural, em incontáveis reedições. com a extinção da abril cultural, o catálogo foi para a nova cultural, onde a mesma tradução de jacó guinsburg e bento prado jr. continuou a ser reeditada até 1996. em 1999, o discurso do método na coleção "os pensadores" da nova cultural passa por uma misteriosa transformação, e surge em cena o suposto tradutor "enrico corvisieri". "enrico corvisieri" vinha assinando curiosas metamorfoses tradutórias na nova

cultural desde 1995: os irmãos karamázovi, suave é a noite, o retrato de dorian gray, a mulher de trinta anos, apologia de sócrates. que um e-group de jovens do yahoo tenha disponibilizado a fraude para download gratuito, espalhando por todos os sites de e-books, é mero acidente de percurso. foram apenas, digamos, "inocentes úteis". mas agora que o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, no site do DOMÍNIO PÚBLICO DO GOVERNO, disponibilize a obra sem o menor critério de discernimento, é de uma irresponsabilidade sem tamanho. imagem: primaryconcern.org POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS fraude em domínio público o nãogostodeplágio premiou o MEC por disponibilizar em seu site de obras em domínio público o discurso do método de descartes, na pretensa tradução de enrico corvisieri, assim consagrando oficialmente a fraude. esse infeliz arquivo para download teve origem na iniciativa de um e-group chamado acrópolis, que resolveu distribuir para meio mundo o dito arquivo, com a condição de receberem os créditos de digitalização e a divulgação de seu endereço no yahoo.* com isso, essa pseudotradução de enrico corvisieri de o discurso do método está presente em todos os sites que disponibilizam e-books: domínio público do mec; cultvox; universidade federal de santa catarina; ateus; virtualbooks; ebookcult; livros para todos; ebooksbrasil; centro de filosofia ; maxbook; fae centro universitário; 4shared; scribd e dezenas de outros. não critico bibliotecas virtuais, pelo contrário. o que me alarma é que a fraude intelectual agora atingiu um novo patamar, ainda por cima com chancela oficial do ministério da educação. sr. richard civita, dona janice florido, sr. eliel silveira cunha e, last but not least, o fantasmagórico enrico corvisieri devem estar se fartando de rir. * até onde entendo, o e-group acrópolis é uma meninada dinâmica. mas, vendo algumas discussões deles, fico com a impressão de que plágio, não-plágio, filosofia, não-filosofia, "idéias claras e distintas" ou "idéias claras e diferentes", devem lhes parecer abstrusas bizantinices absolutamente tediosas e irrelevantes. por exemplo: http://br.groups.yahoo.com/group/Acropolis_/message/76766 imagem: rebelart.net POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 09/03/2009 contrafação deu na folha de s.paulo: "TIJOLADA A editora jurídica Bookseller foi condenada a pagar R$ 600 mil por danos morais à família do ex-ministro do STF Eduardo Espinola, que ficou na corte de 1931 a 1945. A empresa publicou, sem autorização, três obras do jurista e deverá retirar os livros de circulação, sob pena de multa diária de R$ 500. As contas da Bookseller e de seu sócio Juan Carlos Ormachea foram bloqueadas para o pagamento. O empresário não foi localizado para comentar." ah, se essa moda pega! imagem: suserania.wordpress.com

POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 08/03/2009 memória e história essa briga contra o plágio já tem uma memoriazinha e uma historiazinha própria. escrevi muitos posts a respeito de plágios e outros temas correlatos no antigo assinado-tradutores, do qual me afastei em final de setembro de 2008. como o referido assinado-tradutores, por alguma razão que ignoro, fechou seu acesso ao público em novembro de 2008, acho importante resgatar vários materiais de pesquisa e comentários de opinião que eu havia postado lá. assim ficam em arquivo público e aberto, aqui no nãogostodeplágio. seguem-se eles, pois. imagem: memória histórica, gaelx, flickr POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS metralhadoras x livros a boa notícia é que gente mais sensata propôs alteração na 9610/98, sobre a autorização de reprodução de obras e trechos de obras para estudantes universitários: trata-se do projeto de lei 5046, da autoria do deputado mendes thames, de 2005. a comissão de educação e cultura aprovou o substitutivo do relator deputado rocha loures. falta ainda ir a plenário.vejam a notícia: http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia.aspx?cod=63189 (informe passado pela colega margarete) Publicado por denise bottmann at 10:32 (UTC-3) originalmente publicado em 24/06/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS nazismo agora no país? que notícia! http://www.publishnews.com.br/ de 20/06/2008 que coisa lamentável a ação policialesca de invasões armadas em singelas oficinas de xerox dentro ou perto das universidades! senhores professores, não indiquem mais livros ou capítulos de livros. escrevam tudo na lousa, os alunos que copiem. ou façam vestibulares exigindo declarações de renda acima de 10 salários mínimos por estudante, para terem certeza de que cada um deles vai poder comprar todos os livros, nacionais e importados, indicados (mesmo que seja apenas um capítulo) no curso. o mês passado foi ação policial brutal em recife, agora em goiânia. aliás, me pergunto: que editoras são essas que financiam essas ações? por que não usam esse dinheiro com que financiam essas associações quase sanguinárias para fazer algo que preste, tipo um fundo nacional de livros gratuitos ou para financiar a digitalização de obras esgotadas ou de domínio público na internet? por que a opção tão pouco cultural da ameaça dos tiros de metralhadora em cima dos pobres xeroqueiros? SR. MINISTRO DA CULTURA, CADÊ O SR.? VOLTOU DE SUAS CANTORIAS PELO MUNDO AFORA?

ALÔ, ALÔ, NÃO DEIXE OS POLÍCIA MATAR OS XEROQUEIROS!!! MUDE ESSA LEI RIDÍCULA, VEJA MELHOR O ATENTADO À DEMOCRACIA DESSAS ASSOCIAÇÕES PROTONAZISTAS, DEFENDA A EDUCAÇÃO E CULTURA NESTE PAÍS. E SEU COLEGA DA EDUCAÇÃO, DÊ UNS TOQUES NELE, AVISE QUE NÃO É BEM ASSIM QUE SE FOMENTA O ENSINO NESTE POBRE PAÍS. haja cinismo. p.s. mensagem absolutamente pessoal, eximindo o assinado-tradutores de qualquer responsabilidade pelo conteúdo acima divulgado. p.p.s. quem nunca foi estudante e nunca tirou xerox atire a primeira pedra. Publicado por denise bottmann at 23:14 (UTC-3) originalmente publicado em 23/06/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS nossos votos quem sabe assim a fbn melhora um pouquinho a qualidade de seus registros e a confiabilidade de seus catálogos? Biblioteca Nacional amplia o quadro Blog do Galeno - 17/06/2008 - por Galeno Amorim Acaba de sair no Diário Oficial da União a nomeação de 52 candidatos aprovados no concurso público aberto há dois anos pelo Ministério da Cultura para a Biblioteca Nacional e a Funarte, conforme Galeno Amorim. Na BN, 27 das 84 novas funções de nível superior que haviam sido autorizadas não puderam ser preenchidas na época, o que, enfim, agora acontece. Isso é importante para consolidar o papel e a vocação da Biblioteca Nacional, uma das maiores do mundo, como grande responsável pelo patrimônio do livro brasileiro. >> Leia mais http://blogdogaleno.blog.uol.com.br/ Publicado por denise bottmann at 14:01 (UTC-3) originalmente publicado em 18/06/2008 POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS nova cultural e biblioteca nacional as pesquisas no site da fundação biblioteca nacional sempre revelam dados interessantes. - no catálogo do isbn, composto por fichas cadastrais com informações prestadas pela editora, constam todos os títulos (embora sem nome de tradutor) da coleção "obras-primas" - que, conforme temos mostrado exaustivamente, apresenta irregularidades e alterações nos créditos de tradução de vários deles. - no catálogo da biblioteca nacional, composto por fichas catalográficas no sentido estrito do termo, não consta nenhum, absolutamente nenhum dos títulos pertencentes à coleção "obras-primas" da ed. nova cultural/suzano celulose. ou seja: pelo que entendo, a nova cultural solicitou os isbns para os tais títulos, recebeu-os, imprimiu e publicou os livros, mas não enviou nenhum exemplar da coleção para o acervo da biblioteca nacional (o que é obrigatório por lei). não é curioso? Publicado por denise bottmann at 18:18 (UTC-3) originalmente publicado em 05/06/2008, em "assinado-tradutores"

POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS be happy não é que a letrinha esteja muito miúda: dá para ver que o nome abaixo de huberto rohden é alvorada. será mais um caso de aparente dupla identidade, martin claret e alvorada? pois, até onde sei, o caminho da felicidade de huberto rohden ganhou direito de cidadania no mundo dos livros com o isbn 85 (brasil), 7232 (prefixo editorial da mc), 147 (cadastro da obra), 0 (dígito verificador), ou seja, 8572321470 british lady, quando vossa senhoria vai se dar conta de que não é bonito lavar as mãos? quanto aos bad boys, nem adianta perguntar nada. a gente só pergunta para quem tem alguma possibilidade de ouvir. Publicado por denise bottmann at 21:50 (UTC-3) originalmente publicado em 26/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS novidades no pedaço o departamento "não tenho nada a ver com isso" às vezes é rápido. a agência brasileira do isbn (fbn) acrescentou em sua página inicial de consulta a seguinte mensagem: "TODAS AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE CADASTRO FORAM FORNECIDAS PELOS EDITORES NO MOMENTO DA SOLICITAÇÃO DO ISBN" http://www.bn.br/site/default.htm podia ter acrescentado: "e, por absurdas que sejam, todas elas foram, são e serão imperturbavelmente aceitas por nós". ;-) very british! Publicado por denise bottmann at 19:16 (UTC-3) originalmente publicado em 25/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS novo tag: "não tenho nada a ver com isso" não gostamos muito de nos dispersar. nosso foco são as práticas editoriais pouco ortodoxas em que, aparentemente, vêm se esmerando empresas como a nova cultural e a martin claret (a germinal, também famosa por esses descaminhos, já encerrou suas atividades). infelizmente, em vista de alguns desdobramentos recentes, fomos obrigados a ampliar um pouco esse foco, para abranger algumas instâncias que parecem se eximir a suas responsabilidades quanto às práticas aparentemente adotadas pelas editoras acima citadas. essas instâncias são a fundação biblioteca nacional (fbn) e a agência brasileira do isbn, órgão da fbn vinculado diretamente à agência internacional do isbn, ambas

subordinadas ao minc (ministério da cultura). essas instâncias oficiais, em data recente, expuseram com todas as letras sua posição pilatística sobre as incontestáveis fraudes tradutórias alegremente registradas em seus cadastros, e por isso criamos um novo tag (título de assunto) chamado "não tenho nada a ver com isso". esperamos vivamente que sejam as únicas a ser enquadradas nesse tag. o minc (ministério da cultura), em sua penúltima mensagem [abaixo reproduzida], havia apresentado sua candidatura ao título, mas a seguir resolveu retirá-la, optando por uma posição de quem "tem algo a ver com isso" e afirmando que tentará corrigir os vácuos legais que dão azo àquele nefasto absenteísmo. as entidades representativas dos editores e livreiros têm sido constantemente contatadas pelo assinado-tradutores, para que manifestem uma posição firme contra os malfeitos na área editorial. suas respostas têm sido tímidas, mas alguma manifestação concreta têm dado, aqui e ali. por ora, não podem concorrer ao título "não tenho nada a ver com isso", porém continuamos a esperar que se expressem com mais corpo e sonoridade. as entidades literárias e acadêmicas vêm se manifestando em alto e bom som, e a imprensa também. assim, torcemos para que a fbn e a agência brasileira do isbn permaneçam as detentoras exclusivas do título "não tenho nada a ver com isso". por outro lado, queremos deixar claro que poderão renunciar a essa exclusividade a qualquer momento, e isso não será motivo de vergonha, muito pelo contrário! todos desejamos que possam fazer jus à credibilidade de que, de forma não totalmente merecida, desfrutam. Publicado por denise bottmann at 00:50 (UTC-3) originalmente publicado em 25/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS nem o minc aguenta a non-chalance pilatística da fbn sobre o inqualificável episódio da fbn, exposto em post anterior, cadastrando eça, josé de alencar, machado de assis, em suas gloriosas traduções para o português na martin claret. como todos sabem, escrevi perplexa e revoltada à fbn e ao minc, e do minc tive de início uma pseudo-resposta, estritamente burocrática: "A atribuição de ISBN aos livros publicados no Brasil segue os mesmos procedimentos adotados em todas as agências do mundo, que não consideram o conteúdo da obra que solicita a identificação". naturalmente reagi a essa pifiedade, da seguinte maneira: "----- Original Message ----From: Denise Bottmann To: Coordenação Geral de Direito Autoral do MinC Sent: Friday, May 16, 2008 11:22 PM Subject: Re: assunto sério e complicado prezado sr. marcos alves de souza,

agradeço sua resposta. como o sr. vê, é de fato uma situação deplorável. nenhum cidadão tem obrigação de saber como funcionam os meandros internos da agência brasileira do isbn - a única coisa que vemos é uma ficha com a chancela da fbn dizendo que machado de assis foi traduzido por pietro nassetti. imagine só o sr. um site público ficar divulgando informações absolutamente falsas!!! e imagine o sr. que ele diga, "Ah, mas não é responsabilidade minha!". tal seria.... talvez a agência internacional do isbn não tenha levado essa hipótese em conta por ser absurda demais. duvido que, caso existisse na inglaterra alguma editora tão estranha quanto as que temos no brasil, a qual remetesse à agência de isbn da inglaterra uma boneca de folha de rosto e uma planilha de dados dizendo que john smith era o tradutor de shakespeare, repito, duvido que o agente local da agência local digitasse isso.... e duvido que a diretoria local se mantivesse impávida, sem sequer pestanejar, quando fosse alertada do fato.... resta sempre o mais importante e menos atendido: o respeito ao cidadão. se a fbn informa em seu site que o tradutor de machado de assis é pietro nassetti, desculpe-me o sr., mas ela, ao publicar tal informação, está validando a mesma. tentar se eximir dizendo que apenas copiou os dados enviados pelo editor, desculpe-me novamente, não dá para aceitar, de maneira alguma. é um desrespeito e uma grande displicência em relação ao valor da palavra escrita e publicada sob o selo da fbn, em seu site oficial, e uma grande desconsideração para com, repito, os cidadãos. torço para que o ministério realmente comece a pôr fim a tantos vexames e tantas demonstrações de irresponsabilidade por parte da agência brasileira de isbn. talvez eu entre em contato com a agência internacional, exponha os fatos e peça para eles reverem as normas, pois para o brasil as atuais parecem inadequadas. atenciosamente, denise bottmann" aparentemente o minc caiu um pouco em si e enviou nova resposta: "----- Original Message ----From: Coordenação Geral de Direito Autoral do MinC To: Denise Bottmann Sent: Monday, May 19, 2008 2:53 PM Subject: Re: assunto sério e complicado Prezada senhora Denise Bottmann, De acordo com as informações a que tivemos acesso, creio que há uma divergência entre o que o editor da obra inseriu no catálogo do ISBN e as informações catalográficas retiradas da própria edição. Nesse caso, reiteramos o que foi dito pela FBN em resposta à matéria de O Globo On Line pela senhora divulgada (atualização II - http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/post.asp?cod_post=102805), que é de responsabilidade do editor os dados por ele enviados. [...] Conforme já lhe explicamos, infelizmente não possuímos previsão legal e institucional para agir nessa seara. Por esse e outros aspectos, estamos convocando a sociedade, por meio do Fórum Nacional de Direito Autoral, para debater a legislação nacional e levantar sugestões a respeito da necessidade de alteração da Lei. Agradecemos seu esforço na defesa de assunto tão importante e nos colocamos à disposição para outros questionamentos.

Atenciosamente, Marcos Alves de Souza Coordenador Geral de Direito Autoral Ministério da Cultura" Publicado por denise bottmann at 23:27 (UTC-3) originalmente publicado em 22/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS a triste história do livro no brasil é complicado. peguem-se essas editoras com livros destinados ao grande público, com o discurso barato sobre a pseudodemocratização do livro no país, a nova cultural e a martin claret. [...] [parte II: a impassibilidade] outra coisa que não engulo é a impassibilidade de nossos órgãos públicos. uma hora voltarei com calma a mais um episódio envolvendo algo que parece cheirar a falsidade ideológica de uma dessas editoras junto ao pilatístico monumento nacional do "não tenho nada a ver com isso", encarnado pela gloriosa Agência Brasileira do ISBN, a Fundação Biblioteca Nacional. a esta relembro a antiqüíssima máxima: poder e responsabilidade caminham juntos. sra. fbn, se quiser o poder de atribuir isbns, que assuma a responsabilidade inerente a isso. do contrário, não conseguirá provar ser mais do que uma emperrada, inútil e, na verdade, perniciosa máquina de fazer dinheiro (sim, amigos, pois é preciso pagar cada pedido de isbn), a qual, depois de receber seus pingados nove reais por número, lava as mãos e deixa o povo a ver navios. queremos livros de verdade! queremos cultura! queremos transparência! queremos honestidade! (cópia devidamente enviada à atenciosa funcionária substituta de algum departamento da fbn que nos mandou vaga consideração a esse respeito, e ao presidente da mesma entidade, dr. muniz sodré) Publicado por denise bottmann at 21:25 (UTC-3) originalmente publicado em 22/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS martin claret na wikipedia Editora Martin Claret é uma editora brasileira fundada na década de 1970 por um jornalista gaúcho chamado Martin Claret, e que é especializada em coleções de obras clássicas, internacionais e nacionais lançadas em versões de bolso por um baixo preço. Com cerca de 500 livros de bolso no catálogo no ano de 2007, a empresa negocia a venda de 75% de suas ações para a Objetiva, apesar de enfrentar inúmeros processos de plágios em traduções. Fundador Martin Claret é um empresário, editor e jornalista brasileiro. Nasceu na cidade de Ijuí, RS. Presta consultoria a entidades culturais e ecológicas. Na indústria do livro inovou, criando o conceito do livro-clipping. É herdeiro universal da obra literária do filósofo e educador Huberto Rohden. Ligações externas Site oficial

Editora plagiou traduções de clássicos http://pt.wikipedia.org/wiki/Editora_Martin_Claret - e o que a objetiva vai fazer com todo esse catálogo?! afora que o tal "livro-clipping" é de dar medo - não entendo como nem por que os setores mais diretamente relacionados com o mercado editorial fazem vistas grossas a tudo isso! será que vai sobrar mais uma vez para o pobre do cidadão deste país?! mais um solene "vá reclamar com o bispo"?! Publicado por denise bottmann at 12:54 (UTC-3) originalmente publicado em 22/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS mais pietro nassetti uma relação mais completa das obras de tradução de pietro nassetti, cadastradas na Agência Brasileira do ISBN (Fundação Biblioteca Nacional). lembremos que a responsabilidade pelas informações cadastradas nesta agência cabe apenas à editora (ver esclarecimento da FBN no post do dia 16/05, em sua clara exposição de razões "não tenho nada a ver com isso") Nome do Autor: MASSETTI, PIETRO (sic) 23 Publicações encontradas, distribuídas em 1 página ISBN e TÍTULO 85-7232-421-6ECCE-HOMO 85-7232-419-4OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE 85-7232433-XNA PRESENCA DO CRISTO 85-7232-432-1O REFLEXO DO CRISTO 85-7232-431-3DORES DO MUNDO 85-7232-430-5A ETICA 85-7232-429-1A ARTE DA GUERRA 85-7232-428-3A CIDADE ANTIGA - VOL. II 85-7232-427-5O ANTICRISTO 85-7232-426-7A ETICA PROTESTANTE E O ESPIRITO DO CAPITALISMO 85-7232-425-9DOS DELITOS DAS PENAS 85-7232-424-0A LUTA PELO DIREITO 85-7232-423-2A CIDADE ANTIGA - VOL. I 85-7232-422-4AS REGRAS DO METODO SOCIOLOGICO 85-7232-461-5O LEVIATA 85-7232-460-7O ESPIRITO DAS LEIS 857232-459-3AS AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES 85-7232-458-5 CRITICA DA RAZAO PURA 857232-591-3OS IRMAOS KARANAZOV 85-7232-607-3SONETOS 85-7232-600-6A MEGERA DOMADA 85-7232-654-5O IDIOTA 85-7232-653-7O PAI GORIOT Página 1 Nome do Autor: NASSETTI, PIETRO 74 Publicações encontradas, distribuídas em 2 páginas ISBN e TÍTULO 85-7232-393-7O TROVEJAR DO SILENCIO 85-7232-398-8REPUBLICA 85-7232-405-4AS FLORES DO MAL 85-7232-411-9CONTRATO SOCIAL 85-7232-408-9DISCURSO DO METODO 85-7232-4178PINOCCHIO 85-7232-416-XFRANKSTEIN 85-7232-415-1CANDIDO 85-7232-414-3O PROCESSO 85-7232-413-5RESPOSTAS PARA A VIDA 2 85-7232-412-7RESPOSTAS PARA A VIDA 1 85-7232418-6O MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA 85-7232-439-9A VIDA DAS ABELHAS 85-7232-4380AS REGRAS DO METODO SOCIOLOGICO 85-7232-436-4AS MINAS DO REI SALOMAO 85-7232-4356OS TRABALHADORES DO MAR 85-7232-447-XQUINCAS BORBA 85-7232-446-1FEDRO 85-7232445-3O CAO DOS BASKERVILLE 85-7232-444-5METAFISICA DA MORTE 85-7232-455-0PLATAO 85-7232-454-2RAMA 85-7232-453-4ORFEU 85-7232-452-6KRISHNA 85-7232-451-8PITAGORAS 85-7232-450-XJESUS 85-7232-448-8HERMES 85-7232-449-6MOISES 85-7232-456-9A POLITICA 85-7232-457-7A ENCARNACAO 85-7232-472-0O LEVIATA VOL. II 85-7232-471-2UM ESTUDO EM VERMELHO 85-7232-470-4EDIPO-REI 85-7232-469-0MEDITACOES 85-7232-467-4CINCO LICOES DE PSICANALISE 85-7232-465-8OS KAMA-SUTRA 85-7232-473-9AS MINAS DO REI SALOMAO 857232-490-9DESOBEDECEND, - A DESOBEDIENCIA CIVIL 85-7232-489-5AS PALAVRAS DE BUDA 85-7232-486-0RUBAIYAT 85-7232-501-8A FARSA DE INES PEREIRA 85-7232-500-XA CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA 85-7232-498-4DE PROFUNDIS 85-7232-496-8LORDE JEAN 85-7232-5093ALEM DE BEM E MAL 85-7232-511-5MARILIA DE DIRCEU 85-7232-522-0A CIDADE DO SOL 85-

7232-521-2JESUS: O FILHO DO HOMEM 85-7232-512-3O DOMINIO DE SI MESMO 85-7232-5298O REI EPIDO 85-7232-528-XO PRIMO BASILIO 85-7232-527-1ROMEU E JULIETA 85-7232548-4O PRINCIPE E O MENDIGO 85-7232-557-3UMA ESTADIA NO INFERNO 85-7232-562-XFEDON 85-7232-568-9A ARTE DE AMAR 85-7232-572-7ENEIDA 85-7232-573-5METAMORFOSES 85-7232575-1PRAGMANTISMO E OUTROS ENSAIOS 85-7232-578-6A VIDA DE NOSSO SENHOR 85-7232580-8O CORACAO DAS TREVAS 85-7232-581-6A LETRA ESCARLATE 85-7232-589-1O ULTIMO ADEUS DE SHERLOCK HOLMS 85-7232-598-0DO CIDADAO 85-7232-592-1O VERMELHO E O NEGRO 85-7232-608-1ZADIG 85-7232-637-5O PENSAMENTO DE EPICURO 85-7232-638-3O GITAN JALI 85-7232-645-6ALCOORAO 85-7232-644-8GUERRA E PAZ 85-7232-642-1A VIDA DOS DOZE CESARES 85-7232-639-1O CORCUNDA DE NOTRE DAME 85-7232-659-6O CONDE DE MONTE CRISTO - VOLUMES 85-7232-665-0PAIS E FILHOS Página 1 2 Publicado por denise bottmann at 17:07 (UTC-3) originalmente publicado em 21/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS machado, nassetti, claret, fbn BUSCA NO CADASTRO DO ISBN RESULTADO Palavra Pesquisada: QUINCAS BORBA ISBN: 85-7232-447-X TÍTULO: QUINCAS BORBA AUTOR: ASSIS, MACHADO DE TRADUTOR: NASSETTI, PIETRO EDITORA: MARTIN CLARET http://www.bn.br/bnPortal/site/pages/servicosProfissionais/agenciaISBN/isbnBusca/F bnBuscaISBNRetorno.asp?pBusca=QUINCAS%20BORBA&pISBN=181460 Se você encontrar essa ficha cadastral na Fundação Biblioteca Nacional, não estranhe. Ela apenas transcreve as informações enviadas pelo editor, quando ele pediu um número de ISBN, que somente a Fundação pode atribuir. A Fundação Biblioteca Nacional tem também outra ficha, que é montada pelos bibliotecários da Biblioteca Nacional, que se refere ao mesmo livro, mas pode ter dados diferentes. Aqui também não há o que estranhar. Autor: Assis, Machado de, 1839-1908. Título / Barra de autoria: Quincas Borba / Machado de Assis. -Imprenta: São Paulo : M. Claret, 2006. Descrição física: 223p. ; 19cm. -Série: (A obra-prima de cada autor ; 59) ISBN: 857232447X (broch.) Assuntos: Ficção brasileira. Classificação Edição Dewey: B869.3 22 Indicação do Catálogo: VI-411,5,60 Registro Patrimonial: 1.135.935 DL 10/03/2006 Sigla do Acervo: DRG http://catalogos.bn.br/scripts/odwp032k.dll?t=bs&pr=livros_pr&db=livros&use=isbn&d isp=list&ss=NEW&arg=857232447x Resumindo, a Agência Brasileira do ISBN monta uma ficha cadastral, e a Biblioteca Nacional monta uma ficha catalográfica. Tanto a Agência Brasileira do ISBN quanto a Agência Bibliográfica Nacional fazem parte da Fundação Biblioteca Nacional. E os dados de uma ficha podem ser diferentes dos dados da outra. Isso porque, na Agência do ISBN, a ficha cadastral é feita a partir de uma planilha preenchida pelo editor e da "boneca" da folha de rosto do livro, e na Biblioteca a ficha catalográfica é feita a partir do livro

impresso. As duas fichas são independentes, sem cruzamento de dados, e não é preciso existir nenhuma relação de correspondência direta entre aquela planilha e boneca da folha de rosto (cujos dados são registrados na ficha da Agência do ISBN) e o livro impresso propriamente dito (cujos dados são usados para montar a ficha catalográfica da Biblioteca). É por isso que Machado de Assis pode aparecer traduzido por Pietro Nassetti numa das fichas, e na outra não, gerando a base da explicação oficial "não tenho nada a ver com isso". Exponho tudo isso porque enviei uma cartinha à FBN preocupada com as fichas da Agência do ISBN, dando nomes de tradutores a livros de Machados, José de Alencar, Eça de Queiroz etc. A Sra. Angela Monteiro Bettencourt, diretora substituta do centro de processos técnicos da FBN, gentilmente enviou os esclarecimentos acima expostos, colocandose à disposição para sanar outras eventuais dúvidas. Publicado por denise bottmann at 20:32 (UTC-3) originalmente publicado em 16/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS "A primeira tradução de Machado de Assis para ... o português" vejam a matéria de miguel conde no blog prosa online, sobre a atribuição de isbn e catalogação de traduções do português para o português na fundação biblioteca nacional: http://oglobo.globo.com/ ou http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/ vejam também a matéria postada por renato pacca, no blog traduzindo o juridiquês: "uma tradução mágica do Bruxo do Cosme Velho?" - http://oglobo.globo.com/blogs/juridiques/default.asp Publicado por denise bottmann at 13:21 (UTC-3) originalmente publicado em 16/05/2008, em "assinado-tradutores" POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS martin claret e o respeito ao direito autoral Na matéria da Folha de S.Paulo, publicada em o4/11/2007 (veja o link na coluna à direita, "notícias sobre irregularidades em traduções", Editora plagiou traduções de clássicos - Folha de S. Paulo, 04.11.2007), o jornalista Luiz Fernando Vianna informava sobre as edições da Martin Claret: "Na folha de rosto, aparece a mensagem: 'Cópia não autorizada é crime - Respeite o direito autoral'." Realmente constatamos que a editora utiliza a logomarca da ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos), à qual é associada. Essa logomarca consiste na imagem estilizada de uma impressão digital, com o nome da associação no centro, e ao redor os dizeres citados pelo jornalista. Evidentemente não questionamos o direito da MC em usá-la, visto que é filiada à associação, e com certeza essa filiação lhe faculta tal direito. Apenas estranhamos que o tenha feito em edições que, afinal, talvez não fossem de todo dignas de ostentá-la.

Publicado por denise bottmann at 11:56 (UTC-3) originalmente publicado em 13/05/2008 em "assinado-tradutores". POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS vida nova e martin claret chegara-nos às mãos o scan de duas páginas da obra vida nova, de dante, publicada em duas editoras diferentes. seguem elas abaixo: Dante Alighieri, Vida Nova, trad. Paulo M. Oliveira e Blasio Demétrio, Atena Editora, pp. 13-14 Naquele ponto, digo com verdade que o espírito da vida (4), que habita a secretíssima câmara do coração, começou a tremer tão fortemente que aparecia de modo horrível nas menores pulsações; e, tremendo, disse estas palavras: Ecce Deus fortior me, qui veniens, dominabitur mihi. Naquele ponto, o espírito animal, que habita a alta câmara (5) à qual todos os espíritos sensitivos levam as suas percepções, começou a maravilhar-se muito e, falando especialmente aos espíritos visuais, disse estas palavras: Apparuit iam beatitudo vestra. Naquele ponto, o espírito natural, que habita a parte onde se ministra a nossa nutrição, começou a chorar e, chorando, disse estas palavras: Heu miser, quia frequenter impeditus ero deinceps. Doravante digo que Amor se apoderou de minha alma, a qual foi por êle tão depressa desposada, e começou a tomar sôbre mim tanta segurança e tanta senhoria pela virtude que lhe dava a minha imaginação, que me convinha satisfazer completamente todos os seus prazeres. Êle mandava-me muitas vêzes que procurasse ver êsse anjo juveníssimo, de modo que eu na minha meninice muitas vêzes a andei procurando, e a vi com tão nobres e louváveis aparências que, certo, dela se podia dizer a palavra do poeta Homero: "Não parecia filha de homem mortal, mas de Deus". E, se bem que a sua imagem, que contìnuamente estava comigo, fôsse audácia de Amor a se apoderar de mim, todavia era de tão nobre virtude que nenhuma vez tolerou que Amor me regesse sem o fiel conselho da razão nas cousas em que tal conselho [fôsse útil ouvir.] Dante Alighieri, Vida Nova, trad. atribuída a Jean Melville, Martin Claret, p. 92. Naquele ponto, digo com verdade que o espírito da vida (4), que habita a secretíssima câmara do coração, começou a tremer tão fortemente que aparecia de modo horrível nas menores pulsações e, tremendo, disse estas palavras: Ecce Deus fortior me, qui veniens, dominabitur mihi. Naquele ponto, o espírito animal, que habita a alta câmara (5) à qual todos os espíritos sensitivos levam as suas percepções, começou a maravilhar-se muito e, falando especialmente aos espíritos visuais, disse estas palavras: Apparuit iam beatitudo vestra. Naquele ponto, o espírito natural, que habita a parte onde se ministra a nossa nutrição, começou a chorar e, chorando, disse estas palavras: Heu miser, quia frequenter impeditus ero deinceps. Doravante digo que o Amor se apoderou de minha alma, a qual foi por ele tão depressa desposada, e começou a tomar sobre mim tanta segurança e tanta senhoria, pela virtude que lhe dava a minha imaginação, que me convinha satisfazer completamente todos os seus prazeres. Ele mandava-me muitas vezes que procurasse ver esse anjo juveníssimo, de modo que eu na minha meninice muitas vezes a andei procurando, e a vi com tão nobres e louváveis aparências que, certo, dela se podia dizer a palavra do poeta Homero: "Não parecia filha de homem mortal, mas de Deus". E, se bem que a sua imagem, que continuamente estava comigo, fosse audácia de Amor a se apoderar de mim, todavia era de tão nobre virtude que nenhuma vez tolerou que Amor me regesse sem o fiel conselho da razão nas coisas em que tal conselho fosse útil ouvir. devido à extraordinária semelhança entre esses dois trechos, parece ser o caso de

se proceder a um cotejo mais extenso, que possa vir a indicar concretamente uma eventual apropriação da tradução de paulo m. oliveira e blásio demétrio. Publicado por denise bottmann at 11:14 (UTC-3) originalmente publicado em 13/05/2008 em "assinado-tradutores". POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS ética e martin claret tomaz tadeu enviou um comentário que reproduzo aqui pelos vários elementos que traz: "É um comentário a uma mensagem mais antiga. Anexo abaixo o trecho pertinente daquela mensagem. Refere-se à suposta tradução da Ética, de Spinoza, pela Martin Claret. Naquela mensagem, cujo trecho reproduzo abaixo, informa-se que o texto plagiado é o da tradução portuguesa. Não exatamente. O texto plagiado é o de Lívio Xavier, publicado inicialmente por uma editora já extinta (cujo nome não lembro) e, posteriormente, reimpresso diversas vezes, com o devido crédito, pela antiga Ediouro. Na verdade, o que pertence à tradução portuguesa são apenas as notas de rodapé da Parte I da Ética. Isto é, o texto publicado pela MC é uma combinação de dois textos: o corpo da tradução brasileira de LX e as notas da tradução portuguesa mencionada na mensagem. A propósito, seria interessante mapear a origem de todas as supostas traduções da Martin Claret, convocando para isso a expertise dos tradutores que frequentam este blogue. Um abraço Tomaz Tadeu Tradutor da nova tradução da Ética, pela Autêntica Editora, de Belo Horizonte (com direito a nome na capa, um luxo!)." diversas considerações: - em primeiro lugar, agradecemos a colaboração de tomaz tadeu em esclarecer esses dados. fizemos a devida retificação no post "jean melville tradutor de quixote", sob o assunto prodígios tradutórios. a informação anterior foi extraída de: http://www.benedictusdespinoza.pro.br/38439/24739.html?*session*id*key*=*session*i d*val - no mesmo comentário, mencionamos também o tributo a dante, vida nova. postaremos a seguir o cotejo inicial que levou a tal comentário. são indicações que podem apontar para uma certa irregularidade no uso de obras anteriores, sem os devidos créditos, por parte da martin claret. - "o texto publicado pela MC é uma combinação de dois textos": é uma indicação interessante, que parece encontrar confirmação no depoimento de um ex-funcionário da ed. martin claret, descrevendo as operações editoriais adotadas pela empresa. este depoimento, chamado "pseudotraduções" está disponível na internet: http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=5018 - a sugestão final de tomaz tadeu parece bastante pertinente, em vista da quantidade de obras que apresentam indicações claras de uso irregular de outras traduções. creio que talvez o assinado-tradutores possa levantar a proposta de se montar um grupo de trabalho para essa tarefa. - finalmente, parabéns pelo nome na capa! Obs.: tal como o Portal Amigos do Livro, Assinado-Tradutores garante o direito de resposta de todas as pessoas e empresas citadas no texto. Publicado por denise bottmann at 10:02 (UTC-3) originalmente publicado em 13/05/2008 em assinado-tradutores. POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS

07/03/2009 ... ISBN: 85-7232-714-2 TÍTULO: POESIA DE RICARDO REIS AUTOR: FERNANDO PESSOA TRADUTOR: MARCELLIN TALBOT EDIÇÃO: 1 ANO DE EDIÇÃO: 2006 TIPO DE SUPORTE: PAPEL PÁGINAS: 268 EDITORA: MARTIN CLARET imagem: fernando pessoa, wikipedia POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 06/03/2009 os cavaleiros do bem eu até teria vontade de criar uma listinha das "livrarias do bem", que não compactuam com as fraudes, que não são delinquentes solidárias com os editores fraudadores, que não vendem tranqueiragem para os clientes, que têm consciência e um pouco de amor-próprio. só que seria uma listinha tão curta, tão pequena, que me deixaria tão desalentada e desacreditando do meu país que até acabo desistindo. mas, para não deixar passar batido, sei que a livraria crisálida (belo horizonte), a livraria folha seca (rio de janeiro) e a livraria do globo (porto alegre) não se prestam ao papel de receptadores nem de traficantes: respeitam o leitor, respeitam a si mesmas e respeitam a cultura. se alguém souber de mais alguma, avise, por favor! imagem: matisse, jazz suite, guache recortado POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS rocco/claret 4 quanto aos agentes de distribuição do lixo tóxico, solidariamente responsáveis, nos termos da lei, com o editor das fraudes, vou dar alguns exemplos. além dos pontos usuais - cultura, curitiba, americanas, travessa, fnac, saraiva -, a desobediência civil da claret, plagiada da rocco e protegida por seu silêncio, também é comercializada, entre outros, por: submarino; galileu; da vinci; leitura (savassi); livraria da vila imagem: www.hthclan.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS e o prêmio vai para... ... o discurso do método de descartes disponível no site do domínio público do mec. ganhou de lavada e recebe a estatueta do plagiarius. assim é que, com ruidosos aplausos, o país consagra oficialmente a fraude, sob a égide e a chancela do ministério da educação. a própria nova cultural, de livre e espontânea vontade, já havia tirado a obra de

circulação e eliminou esse volume de sua coleção "os pensadores" [veja aqui]. a tradução vem assinada por aquele fantasma de tantos outros carnavais inculturais, enrico corvisieri. é uma novela comprida, que vai dar um certo pano pra manga. está na fila, e espero apresentá-la ainda este mês. imagem: www.ikh-niederbayern.de POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 05/03/2009 mãos à obra recebi uma mensagem que foi um alento e uma louvável demonstração de dignidade institucional. Prezada Denise Bottmann, Em nome da Equipe do Portal IDEA da UFRGS, que coordeno, gostaria de parabenizá-la pela difícil e corajosa tarefa de combater o plágio. De nossa parte, iremos retirar do catálogo de publicações em língua portuguesa os denunciados em seu site. Atenciosamente, Lia Levy Dep. de Filosofia da UFRGS Coordenadora do Projeto IDEA – Portal de Filosofia tomara que seja o início da tarefa indispensável de saneamento do lixo tóxico espalhado no país. e oxalá outras universidades sigam o exemplo da ufrgs. imagem: forum0937.miniancora.com POSTADO POR DENISE 4 COMENTÁRIOS tal a fuga tal a fuga noticia as pesquisas contra o plágio. obrigada, jean. a gente tem que combater essa delinquência e esse cinismo editorial. imagem: vindicatum plagiarius, http://www.jacobvann.com/ POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 04/03/2009 rocco/claret 3, o escárnio e o silêncio quanto às vítimas de mais essa trapaça da martin claret, garfando a desobediência civil traduzida por josé augusto drummond e publicada pela editora rocco, eis alguns exemplos: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7892&p=2 www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2465/Desobediencia-civil-um-meio-de-seexercer-a-cidadania http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20B USCA_OBRAS_BY_ID_EDITORA(1869)%20ORDER%20BY%20TITULO http://www2.fic.br/sysbibli_cgi/sysbweb.exe/busca_html?alias=sysbibli&editor=%22MA RTIN%20CLARET%22 www.pucrs.br/direito/graduacao/tc/tccII/trabalhos2007_2/Roberta_Werlang.pdf http://sare.unianhanguera.edu.br/index.php/rdire/article/viewPDFInterstitial/44/42

www.leonildocorrea.adv.br/curso/ivo4.htm www.farn.br/navegacao/plano/20082/direito_not/5ano/etica_deontologia.pdf www.uniandrade.br/cep/bibliografia.asp www.univem.edu.br/mestrado_dir/detalhe.asp?reg=88&lng=1 www.historia.uff.br/culturaspoliticas/files/File/daniel2005_1.doc www.abennacional.org.br/57CBEn/artigos/A_nomia.html http://www2.fic.br/sysbibli_cgi/sysbweb.exe/busca_html?alias...%20%22MARTIN%20CLAR ET%... www.inicepg.univap.br/docs/Arquivos/arquivosINIC/INIC1516_02_A.pdf www.unicruz.edu.br/site/cursos/danca/biblioteca/FILOSOFIA.doc http://revistaescola.abril.com.br/online/redatores/marcelo/20070820_posts.shtml www.alumac.com.br/biblioteca.htm http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4257&p=2 www.sad-licitacao.mt.gov.br/Aplicativos/SadLicitacao/LCLcentral.nsf/.../$FILE/ANEXO%20I.doc www.tribunaanimal.com/docs/Monografia_de_Barbara_Ferrari.doc www.religiosidadepopular.uaivip.com.br/BibliografiaRP.htm http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/15149/1/DISSERTAÇÃO%20COMPLETA.pd f http://gestcorp.incubadora.fapesp.br/portal/monografias/pdf/24.pdf/ www.ufmt.br/fd/Download/Projeto_Curso_Direito.pdf http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/2996/1/A%20Distopia%20do%20Indiví duo%20Sob%20Contr... uma retificação: em meu exemplar da desobediência civil pela claret consta "copyright desta tradução: editora martin claret, 2005" e na fbn/isbn não consta o ano de publicação. daí eu ter afirmado que a fraude da claret era de 2005. mas constato em alguns links dos vitimados acima que ela começou a ser publicada em 2001. ou seja, o acinte claretiano ao mundo institucional do livro, na figura do expresidente do snel, sr. paulo rocco, vem desde seu primeiro mandato (1999-2001) e atravessa seus dois mandatos subsequentes (2002-2005; 2005-2008): oito anos de escárnio de um lado e silêncio do outro. complicado. POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS rocco/claret 2 continuando o bandoleirismo da claret em cima da rocco, agora: 1. thoreau, uma semana nos rios concord e merrimack (josé augusto drummond, rocco, 1986) 2. thoreau, uma semana nos rios concord e merrimack (alex marins/pietro nassetti, martin claret, 2005) 1. É sempre uma experiência singular, embora estimulante, encontrar o senso comum em livros bem antigos, como o Hitopadesa de Vishnu Sarma;39 trata-se de uma sabedoria brincalhona que tem olhos também na nuca e é capaz de se supervisionar. O senso comum afirma a saúde e a independência desses livros em relação às experiências posteriores. Essa garantia de sanidade tem que estar incluída num livro, de forma que ele seja capaz de às vezes refletir gostosamente sobre si mesmo. A história e as partes fabulosas desse livro ondulam lentamente de uma a outra sentença como se seguissem os oásis num deserto; seu caminho é indistinto como a trilha de um camelo entre Murzuch e Darfur. É uma crítica ao fluxo e à correnteza dos livros modernos. O leitor pula de uma sentença a outra, como se atravessasse um rio pisando nas pedras, enquanto a correnteza da história vai passando sem despertar atenção. O Bhagavad-Gita talvez seja menos fraseado e poético, mas é ainda mais seguro e elaborado. Sua sanidade e sublimidade impressionaram até mesmo as mentes de militares e comerciantes. É uma característica dos grandes poemas dar de si na

justa proporção que diferencia o leitor apressado de um outro leitor atento. Tais poemas serão senso comum para os práticos e sabedoria para os sábios; é como um rio onde o viajante solitário molha os lábios, enquanto um exército decide encher os cantis. 2. aqui a maquiagem consiste, mais do que na troca de termos (em negrito), em inversões das frases (em itálico) Experiência singular sempre é, conquanto estimulante, encontrar o senso comum em livros bem antigos, como o Hitopadesa de Vishnu Sarma.39 Constitui-se de uma sabedoria brincalhona que tem olhos também na nuca sendo, por isso, capaz de se supervisionar. Afirma o senso comum a saúde e a independência desses livros comparando-se às experiências posteriores. Tal garantia de sanidade tem de estar incluída num livro, de forma que ele seja capaz de às vezes refletir gostosamente sobre si mesmo. Ondulam lentamente de uma a outra sentença a história e as partes fabulosas desse livro, como se seguissem os oásis num deserto. Indistinto é seu caminho qual a trilha de um camelo entre Murzuch e Darfur. Trata-se de uma crítica ao fluxo e à correnteza dos livros modernos. O leitor pula de uma sentença a outra, como se atravessasse um rio pisando nas pedras, enquanto a correnteza da história vai passando sem despertar atenção. Talvez o Bhagavad-Gita seja menos fraseado e poético, mas é ainda mais seguro e elaborado. Sua sanidade e sublimidade impressionaram até mesmo a mente de militares e comerciantes. Essa é uma característica dos grandes poemas: dar de si na justa proporção que diferencia o leitor apressado de um outro leitor atento. Esses poemas serão senso comum para os práticos e sabedoria para os sábios. Qual um rio onde o viajante solitário molha os lábios, enquanto um exército decide encher os cantis. como diz thoreau, na tradução de josé augusto drummond: "Se seu vizinho o trapaceia e lhe subtrai um mero dólar, você não se satisfaz com a descoberta da trapaça, ou com a proclamação de que foi trapaceado e nem mesmo com suas gestões no sentido de ser devidamente reembolsado; o que você faz é tomar medidas efetivas imediatas para ser integralmente reembolsado e cuidar de nunca mais ser vitimado por outra trapaça. Ações baseadas em princípios - a percepção e a execução do que é certo - modificam coisas e relações." certamente o sr. rocco sabe disso. imagem: http://www.daehlico.no/?page=230 POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS 03/03/2009 banner hoje o nãogosto ganhou um presente maravilhoso da raquel do jane austen em português. é um lindo bannerzinho, em duas opções:

colabore na campanha contra o plágio - coloque o bannerzinho em seu blog ou site! POSTADO POR DENISE 9 COMENTÁRIOS rocco/claret 1 em 1986 a rocco lançou uma coletânea de textos de henry david thoreau, com organização, seleção, introdução, tradução e notas de josé augusto drummond, além de um prefácio de fernando gabeira. essa coletânea também saiu pelo círculo do livro, teve diversas edições, ainda está no catálogo da rocco, mas anda meio esgotada. chama-se desobedecendo, e traz como subtítulo a desobediência civil & outros escritos. a coletânea é composta por cinco ensaios, a saber: a

desobediência civil; a vida sem princípio; caminhando; a escravidão em massachusetts; uma semana nos rios concord e merrimack (este último em trechos selecionados pelo organizador/tradutor). em 2005, a martin claret lançou uma coletânea chamada a desobediência civil e outros escritos. ela contém: a desobediência civil; andar a pé; trechos escolhidos [sic; trata-se de uma seleta de walden]; um passeio num inverno rigoroso; uma semana nos rios concord e merrimack. a tradução é atribuída a "alex marins", e a coletânea usa "chapa fria". está cadastrada na fbn/isbn tendo como tradutor pietro nassetti, e com o título desobedecend [sic] - talvez porque o pessoal da claret não tenha entendido o lance da letra "o" fora de alinhamento na capa da rocco... em floresta dos plágios, apresentei a suposta tradução de alex marins para andar a pé, mostrando que é uma cópia mal disfarçada da tradução de sarmento de beires e josé duarte, pela jackson (clássicos, volume xxxiii, ensaístas americanos, 1950). quanto aos ensaios a desobediência civil e uma semana nos rios concord e merrimack publicados pela claret, são cópias atamancadas da tradução de josé augusto drummond, na edição da rocco acima citada. a. a desobediência civil, josé augusto drummond: A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Costuma-se dizer, e com toda a razão, que uma corporação não tem consciência; mas uma corporação de homens conscienciosos é uma corporação com uma consciência. A lei nunca fez os homens sequer um pouco mais justos; e o respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agirem cotidianamente como mensageiros da injustiça. Um resultado comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados - coronel, capitão, cabos, combatentes, e outros - marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra as suas vontades, e como sempre, contra seu senso comum e suas consciências; por isso essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles sabem perfeitamente que estão envolvidos numa iniciativa maldita; eles têm tendências pacíficas. O que são eles, agora? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder? É só visitar o Estaleiro Naval (4) e contemplar um fuzileiro: eis aí o tipo de homem que um governo norte-americano é capaz de fabricar - ou transformar com sua magia negra - uma sombra pálida, uma vaga recordação da condição humana, um cadáver de pé e vivo e, no entanto, se poderia considerá-lo enterrado sob armas com acompanhamento funeral, embora possa acontecer que "Não se ouviu um rufar e sequer um toque de silêncio enquanto à muralha seu corpo levamos nenhum soldado disparou uma salva de adeus sobre o túmulo onde jaz o herói que enterramos".5 4 Thoreau provavelmente se refere ao Estaleiro Naval da Marinha de Guerra dos EUA, em Boston, no Estado de Massachusetts. 5 Trecho do poema The Burial of Sir John Moore at Corunna (O Enterro de Sir John Moore em Corunna), de Charles Wolfe (1791-1823). b. a desobediência civil, alex marins/pietro nassetti: A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Com toda a razão, costuma-se dizer que uma corporação não tem consciência. Uma corporação de homens conscienciosos, todavia, é uma corporação consciente. A lei jamais tornou os homens sequer um pouco mais justos. O respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agir

quotidianamente como mensageiros da injustiça. O produto comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados - coronel, capitão, cabos, combatentes e outros - marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra sua vontade, e como sempre contra seu juízo e sua consciência comuns. Daí que essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles têm perfeita noção de que estão envolvidos numa iniciativa maldita. Porque eles têm tendências pacíficas. Que são eles, então? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder? Basta visitar o estaleiro naval (4) e contemplar um fuzileiro: aí se vê o tipo de homem que um governo norte-americano é capaz de fabricar - ou transformar com sua magia negra - uma sombra pálida, uma vaga recordação da condição humana, um cadáver de pé e vivo que, entretanto, se poderia considerar enterrado sob armas com acompanhamento fúnebre, conquanto possa acontecer que "Não se ouviu um rufar e sequer um toque de silêncio enquanto à muralha seu corpo levamos nenhum soldado disparou uma salva de adeus sobre o túmulo onde jaz o herói que enterramos"5. 4 Provavelmente Thoreau se refere ao estaleiro naval da Marinha de Guerra dos EUA, em Boston, no Estado de Massachusetts. 5 Trecho do poema "The burial of Sir John Moore at Corunna" (O Enterro de Sir John Moore em Corunna), de Charles Wolfe (1791-1823). a. a desobediência civil, josé augusto drummond: Antigamente, na nossa aldeia, havia o costume de saudar os pobres endividados que saíam da cadeia olhando-os através dos dedos dispostos em forma das barras de uma janela de prisão; e se perguntava ao recém-liberto: "Como vai você?" Não recebi essa saudação de meus conhecidos, que primeiro me encaravam e depois se entreolhavam, corno se eu acabasse de voltar de uma longa viagem. Eu tinha sido preso quando me dirigia ao sapateiro para pegar uma bota consertada. Quando fui solto na manhã seguinte, resolvi retomar o que estava fazendo e, depois de calçar a tal bota, juntei-me a um grupo que pretendia colher frutas silvestres e que ansiava me ter como guia.24 E em pouco mais de meia hora - pois logo recebi um cavalo arreado -chegamos ao alto de um dos nossos mais altos morros, onde abundavam frutas silvestres, a três quilômetros da cidade; e aí então não se podia ver o Estado em lugar nenhum. Essa é a história completa de "Minhas Prisões".25 24 Isso se justifica, pois Thoreau era ótimo conhecedor das florestas em torno do Concord. Aliás, na época dessa sua prisão. Thoreau estava residindo sozinho numa cabana nas florestas vizinhas de Concord, experiência que durou pouco mais de dois anos e que lhe forneceu o material para escrever a sua obra principal, Walden, publicada pela primeira vez em 1854. 25 Referência irônica ao livro Le mie prigioni, do escritor e político italiano Silvio Pellico (1789-1854). Thoreau não gostava da curiosidade despertada pela sua prisão e evitava o assunto. O próprio estilo desse relato sobre a prisão é diferente do resto do ensaio, indicando talvez certa relutância em abordar o fato. É possível que esse trecho tenha sido retirado, sem maiores revisões, diretamente do seu Journals (Diário), no qual ele anotou desde 1837 as passagens, experiências e idéias do seu dia-a-dia. É sabido que várias obras de Thoreau foram compostas a partir da reelaboração de trechos de seu Diário. b. a desobediência civil, alex marins/pietro nassetti: Em nossa aldeia, havia o antigo costume de saudar os pobres endividados que saíam

da cadeia olhando-os através dos dedos dispostos em forma das barras de uma janela de prisão, perguntando ao recém-liberto: "Como vai você?" Eu não recebi essa saudação de meus conhecidos, que primeiro me encaravam e depois se entreolhavam, corno se eu acabasse de voltar de uma longa viagem. Minha prisão se dera quando eu me dirigia ao sapateiro para pegar uma bota consertada. Ao ser solto na manhã seguinte, resolvi retomar o que estava fazendo e, depois de calçar a tal bota, juntei-me a um grupo que pretendia colher frutas silvestres e me queria como guia.24 Em pouco mais de meia hora - logo recebi um cavalo arreado - chegamos ao topo de uma de nossas mais altas colinas, onde abundavam frutas silvestres, a três quilômetros da cidade. Daquele ponto não se podia ver propriamente nada do Estado. A história completa de "Minhas Prisões" se resume nisso.25 24 Realmente Thoreau era profundo conhecedor das florestas que ladeavam Concord. Na época dessa sua prisão. Thoreau residia sozinho numa cabana nas florestas vizinhas de Concord, experiência que durou pouco mais de dois anos e que lhe forneceu o material para escrever a sua obra principal, Walden, publicada pela primeira vez em 1854. 25 Referência irônica ao livro La mia prigione, do escritor e político italiano Silvio Pellico (1789-1854). Thoreau não gostava da curiosidade despertada pela sua prisão e evitava o assunto. A própria forma desse relato sobre a prisão difere um pouco do resto do ensaio, indicando talvez certa relutância em abordar o caso. É possível que esse trecho tenha sido extraído, sem maiores revisões, diretamente do seu Journals (Diário), no qual ele anotou desde 1837 as passagens, experiências e idéias do seu dia-a-dia. Várias obras de Thoreau, foram compostas a partir da reelaboração de trechos de seu Diário. a. a desobediência civil, josé augusto drummond: A autoridade do governo, mesmo do governo ao qual estou disposto a me submeter -pois obedecerei com satisfação aos que saibam e façam melhor do que eu e, sob certos aspectos, obedecerei até aos que não saibam nem façam as coisas tão bem -é ainda impura; para ser inteiramente justa, ela precisa contar com a sanção e com o consentimento dos governados. Ele não pode ter sobre minha pessoa e meus bens qualquer direito puro além do que eu lhe concedo. O progresso de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional, e desta para uma democracia, é um progresso no sentido do verdadeiro respeito pelo indivíduo. [falta uma frase do original] Será que a democracia tal como a conhecemos é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem? b. a desobediência civil, alex marins/pietro nassetti: A autoridade do governo, inclusive a do governo ao qual estou disposto a me submeter - eis que obedecerei de bom grado aos que saibam e façam melhor do que eu e, sob certos aspectos, obedecerei até àqueles que não saibam nem façam as coisas tão bem - é ainda impura. Para se tornar totalmente justa, ela precisa contar com a sanção e com o consentimento dos governados. O governo não pode ter sobre minha pessoa e meus bens qualquer direito puro além do que eu lhe concedo. A evolução de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional, e desta para uma democracia, é um progresso no sentido do verdadeiro respeito pelo indivíduo. [falta a mesma frase do original] Será que a democracia, da forma como a conhecemos, é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem? vale a pena ver o original para entender até que ponto é tola e inútil a maquiagem aplicada:

1. The only obligation which I have a right to assume is to do at any time what I think right. It is truly enough said that a corporation has no conscience; but a corporation of conscientious men is a corporation with a conscience. Law never made men a whit more just; and, by means of their respect for it, even the welldisposed are daily made the agents on injustice. A common and natural result of an undue respect for the law is, that you may see a file of soldiers, colonel, captain, corporal, privates, powder-monkeys, and all, marching in admirable order over hill and dale to the wars, against their wills, ay, against their common sense and consciences, which makes it very steep marching indeed, and produces a palpitation of the heart. They have no doubt that it is a damnable business in which they are concerned; they are all peaceably inclined. Now, what are they? Men at all? or small movable forts and magazines, at the service of some unscrupulous man in power? Visit the Navy Yard, and behold a marine, such a man as an American government can make, or such as it can make a man with its black arts—a mere shadow and reminiscence of humanity, a man laid out alive and standing, and already, as one may say, buried under arms with funeral accompaniment, though it may be, "Not a drum was heard, not a funeral note, As his corpse to the rampart we hurried; Not a soldier discharged his farewell shot O'er the grave where out hero was buried." 2. It was formerly the custom in our village, when a poor debtor came out of jail, for his acquaintances to salute him, looking through their fingers, which were crossed to represent the jail window, "How do ye do?" My neighbors did not thus salute me, but first looked at me, and then at one another, as if I had returned from a long journey. I was put into jail as I was going to the shoemaker's to get a shoe which was mended. When I was let out the next morning, I proceeded to finish my errand, and, having put on my mended shoe, joined a huckleberry party, who were impatient to put themselves under my conduct; and in half an hour—for the horse was soon tackled—was in the midst of a huckleberry field, on one of our highest hills, two miles off, and then the State was nowhere to be seen. This is the whole history of "My Prisons." 3. The authority of government, even such as I am willing to submit to—for I will cheerfully obey those who know and can do better than I, and in many things even those who neither know nor can do so well—is still an impure one: to be strictly just, it must have the sanction and consent of the governed. It can have no pure right over my person and property but what I concede to it. The progress from an absolute to a limited monarchy, from a limited monarchy to a democracy, is a progress toward a true respect for the individual. Even the Chinese philosopher was wise enough to regard the individual as the basis of the empire. Is a democracy, such as we know it, the last improvement possible in government? Is it not possible to take a step further towards recognizing and organizing the rights of man? estou me estendendo mais neste cotejo porque é um caso raro no padrão das apropriações indébitas da claret. há alguns casos de saques esporádicos à companhia das letras e à martins fontes e o caso nada esporádico, e sim em grande escala, de pilhagem à ediouro. bom, como a ediouro foi parceira dos livrosclipping da claret até 1998 mais ou menos, este fato deve, de alguma maneira, ter levado a claret a achar que podia ficar saqueando à vontade sua antiga coleguinha. mas, de modo geral, a bandoleira prefere exercer suas artes de rapinagem em edições antigas ou portuguesas. agora, pegar assim de frente uma rocco, bem na época em que o titular da empresa ocupava a presidência do snel, achei de um senso de humor fora de série – tipo um

claro desafio para mostrar como claret é indômito e escarnece das entidades do livro, na figura de seus dirigentes. não é um humor que me agrade, e essa incontrolável disposição antissocial do sr. claret também não faz muito meu gênero – em todo caso, confesso que fiquei realmente surpresa! com certeza o sr. paulo rocco, voz de expressiva representatividade no mundo do livro, saberá se conduzir à altura do problema: não o desafio barato de um provecto empresário calejado nas piores práticas editoriais, e sim o incessante alastramento do descrédito do livro neste país, que não poupa editores nem leitores. logo apresentarei o plágio da claret em cima do outro texto publicado na coletânea da rocco, uma semana nos rios concord e merrimack. imagens: site da rocco; www.plagiarius.com/; www.images.portoeditora.pt/; www.publishers.asn.au POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS plagiarism: 1621, from L. plagiarius "kidnapper, seducer, plunderer," used in the sense of "literary thief" by Martial, from plagium "kidnapping," from plaga "snare, net," from PIE base *p(e)lag- "flat, spread out." Plagiary is attested from 1597. imagem e verbete: http://www.etymonline.com/index.php?term=plagiarism POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 02/03/2009 nóis é vivo émile durkheim, as regras do método sociológico a. margarida garrido esteves (abril, sob licença da editorial presença) b. pietro nassetti (martin claret) esse caso é engraçado: os sumários dos capítulos, mesmo sendo bastante discursivos, foram mantidos incólumes. iniciada a exposição propriamente dita, o ishperto pôs o lápis em uso. a. margarida garrido esteves: regras relativas à distinção entre o normal e o patológico utilidade teórica e prática desta distinção. É preciso que ela seja possível cientificamente para que a ciência possa servir para dirigir a conduta. i — exame dos critérios correntemente utilizados: a dor não é o sinal distintivo da doença, porque faz parte da saúde, nem a diminuição das probabilidades de sobrevivência, na medida em que por vezes é produzida por fatos normais (velhice, parto, etc.) e não resulta necessariamente da doença; para além disso, este critério é, na maior parte das vezes, inaplicável, sobretudo em sociologia. a doença distinguida do estado de saúde como o anormal do normal. o tipo médio ou específico. necessidade de levar em linha de conta a idade para determinar se o fato é normal ou não. como esta definição do patológico coincide em geral com o conceito corrente de doença, o anormal é o acidental; porque o anormal, em geral, constitui o ser em estado de inferioridade. ii — utilidade que há em verificar os resultados do método precedente, procurando as causas da normalidade do fato, quer dizer, da sua generalidade. necessidade que há em proceder a esta verificação quando se trata de fatos que se reportam a sociedades que não acabaram a sua história. por que não pode este segundo critério

ser usado senão a título complementar e em segundo lugar. enunciado das regras. iii — aplicação destas regras a quaisquer casos, designadamente à questão do crime. por que é que a existência de uma criminalidade é um fenômeno normal. exemplos de erros em que se cai quando não se seguem estas regras. a própria ciência torna-se impossível. I. a observação, quando guiada pelas regras precedentes, confina duas ordens de fatos bastante diferentes: aqueles que são o que devem ser e aqueles que deveriam ser diferentes daquilo que são, os fenômenos normais e os fenômenos patológicos. (p. 110) b. pietro nassetti: regras relativas à distinção entre o normal e o patológico utilidade teórica e prática desta distinção. É preciso que ela seja possível cientificamente para que a ciência possa servir para dirigir a conduta. i — exame dos critérios correntemente utilizados: a dor não é o sinal distintivo da doença, porque faz parte da saúde, nem a diminuição das probabilidades de sobrevivência, na medida em que por vezes é produzida por fatos normais (velhice, parto, etc.) e não resulta necessariamente da doença; para além disso, este critério é, na maior parte das vezes, inaplicável, sobretudo em sociologia. a doença distinguida do estado de saúde como o anormal do normal. o tipo médio ou específico. necessidade de levar em linha de conta a idade para determinar se o fato é normal ou não. como esta definição do patológico coincide em geral com o conceito corrente de doença, o anormal é o acidental; porque o anormal, em geral, constitui o ser em estado de inferioridade. ii — utilidade que há em verificar os resultados do método precedente, procurando as causas da normalidade do fato, quer dizer, da sua generalidade. necessidade que há em proceder a esta verificação quando se trata de fatos que se reportam a sociedades que não acabaram a sua história. por que não pode este segundo critério ser usado senão a título complementar e em segundo lugar. enunciado das regras. iii — aplicação destas regras a quaisquer casos, designadamente à questão do crime. por que é que a existência de uma criminalidade é um fenômeno normal. exemplos de erros em que se cai quando não se seguem estas regras. a própria ciência torna-se impossível. I. quando conduzida pelas regras precedentes, a observação, confunde duas ordens de fatos bastante distintas sob alguns aspectos: aqueles que são tudo o que devem ser e aqueles que deveriam ser diferentes do que são, os fenômenos normais e os fenômenos patológicos. (pp. 67-68) a. margarida garrido esteves: regras relativas à explicação dos fatos sociais a constituição das espécies é essencialmente um modo de agrupar os fatos a fim de facilitar a sua interpretação; a morfologia social encara os verdadeiros problemas da explicação científica. qual é o método desta? i — caráter finalista das explicações em vigor. a utilidade de um fato não explica a sua existência. dualidade das duas questões, estabelecida pelos fatos de sobrevivência, pela independência do órgão e da função, e a diversidade de serviços que pode prestar sucessivamente uma mesma instituição. necessidade da investigação das causas eficientes dos fatos sociais. importância preponderante destas causas na sociologia, demonstrada pela generalidade das práticas sociais, mesmo as mais minuciosas. a causa eficiente deve, portanto, ser determinada independentemente da função. por que deve a primeira investigação preceder à segunda. utilidade desta última. ii — caráter psicológico do método de explicação geralmente seguido. este método desconhece a natureza do fato social que é irredutível aos fatos puramente

psíquicos em virtude da sua definição. os fatos sociais só podem ser explicados por fatos sociais. como isto acontece mesmo que a sociedade não tenha por matéria mais do que consciências individuais. importância da associação que dá nascimento a um novo ser e a uma nova ordem de realidades. solução de continuidade entre a sociologia e a psicologia, análoga à que separa a biologia das ciências físicoquímicas. se esta proposição se aplica ao fato da formação da sociedade. relação positiva entre os fatos psíquicos e os fatos sociais. os primeiros são a matéria indeterminada que o fator social transforma: exemplos. se os sociólogos lhes atribuíram um papel mais direto na gênese da vida social é porque tomaram por fatos puramente psíquicos estados de consciência que são apenas fenômenos sociais transformados. outras provas em apoio da mesma proposição: 1. — independência dos fatos sociais em relação ao fator ético, o qual é de ordem orgânico-psíquica; 2. — a evolução social não é explicável por causas puramente psíquicas. enunciado das regras sobre esta questão. É por estas regras serem desconhecidas que as explicações sociológicas têm um caráter demasiado geral, que as desacredita. necessidade de uma cultura propriamente sociológica. iii — importância primária dos fatos de morfologia social nas explicações sociológicas: o meio interno é a origem de todo o processo social de alguma importância. papel particularmente preponderante do elemento humano desse meio. o problema sociológico consiste, portanto, e, sobretudo, em encontrar as propriedades desse meio que têm mais influências sobre os fenômenos sociais. duas espécies de características correspondem, em particular, a esta condição: o volume da sociedade e a densidade dinâmica medida pelo grau de coalescência dos segmentos. os meios internos secundários; as suas relações com o meio geral e o detalhe da vida coletiva. importância desta noção de meio social. se a rejeitamos, a sociologia deixa de poder estabelecer relações de causalidade mas, apenas, relações de sucessão, não comportando a previsão científica: exemplos tirados de comte e de spencer. importância desta mesma noção para explicar como pode variar o valor útil das práticas sociais sem depender de arranjos arbitrários. relações desta questão com a dos tipos sociais. a vida social assim concebida depende de causas internas. iv — caráter geral desta concepção sociológica. para hobbes, a ligação entre o psíquico e o social é sintética e artificial; para spencer e para os economistas, a ligação é natural mas analítica; para nós, é natural e sintética. como estas duas características são conciliáveis. conseqüências gerais que daqui resultam. I. a maior parte dos sociólogos julga ter explicado os fenômenos a partir do momento em que definiu a sua utilidade e o papel que desempenham. raciocina-se como se tais fenômenos só existissem para desempenhar esse papel e tivessem como única causa determinante o sentimento, claro ou confuso, dos serviços que são chamados a prestar. (p. 132) b. pietro nassetti: regras relativas à explicação dos fatos sociais a constituição das espécies é essencialmente um modo de agrupar os fatos a fim de facilitar a sua interpretação; a morfologia social encara os verdadeiros problemas da explicação científica. qual é o método desta? i — caráter finalista das explicações em vigor. a utilidade de um fato não explica a sua existência. dualidade das duas questões, estabelecida pelos fatos de sobrevivência, pela independência do órgão e da função, e a diversidade de serviços que pode prestar sucessivamente uma mesma instituição. necessidade da investigação das causas eficientes dos fatos sociais. importância preponderante destas causas em sociologia, demonstrada pela generalidade das práticas sociais, mesmo as mais minuciosas. a causa eficiente deve, portanto, ser determinada independentemente da função. por que deve a primeira investigação preceder a segunda. utilidade desta última. ii — caráter psicológico do método de explicação geralmente seguido. este método

desconhece a natureza do fato social que é irredutível aos fatos puramente psíquicos em virtude da sua definição. os fatos sociais só podem ser explicados por fatos sociais. como isto acontece mesmo que a sociedade não tenha por matéria mais do que consciências individuais. importância da associação que dá nascimento a um novo ser e a uma nova ordem de realidades. solução de continuidade entre a sociologia e a psicologia, análoga à que separa a biologia das ciências físicoquímicas. se esta proposição se aplica ao fato da formação da sociedade. relação positiva entre os fatos psíquicos e os fatos sociais. os primeiros são a matéria indeterminada que o fator social transforma em exemplos. se os sociólogos lhes atribuíram um papel mais direto na gênese da vida social é porque tomaram por fatos puramente psíquicos estados de consciência que são apenas fenômenos sociais transformados. outras provas em apoio da mesma proposição: 1. — independência dos fatos sociais em relação ao fator ético, o qual é de ordem orgânico-psíquica; 2. — a evolução social não é explicável por causas puramente psíquicas. enunciado das regras sobre esta questão. É por estas regras serem desconhecidas que as explicações sociológicas têm um caráter demasiado geral, que as desacredita. necessidade de uma cultura propriamente sociológica. iii — importância primária dos fatos de morfologia social nas explicações sociológicas: o meio interno é a origem de todo o processo social de alguma importância. papel particularmente preponderante do elemento humano desse meio. o problema sociológico consiste, portanto, e, sobretudo, em encontrar as propriedades desse meio que têm mais influências sobre os fenômenos sociais. duas espécies de características correspondem, em particular, a esta condição: o volume da sociedade e a densidade dinâmica medida pelo grau de coalescência dos segmentos. os meios internos secundários; as suas relações com o meio geral e o detalhe da vida coletiva. importância desta noção de meio social. se a rejeitamos, a sociologia deixa de poder estabelecer relações de causalidade mas, apenas, relações de sucessão, não comportando a previsão científica: exemplos tirados de comte e de spencer. importância desta mesma noção para explicar como pode variar o valor útil das práticas sociais sem depender de arranjos arbitrários. relações desta questão com a dos tipos sociais. a vida social assim concebida depende de causas internas. iv — caráter geral desta concepção sociológica. para hobbes, a ligação entre o psíquico e o social é sintética e artificial; para spencer e para os economistas, a ligação é natural mas analítica; para nós, é natural e sintética. como estas duas características são conciliáveis. conseqüências gerais que daqui resultam. I. a maioria dos sociólogos julgam ter explicado os fenômenos logo que mostraram para que servem e o papel que desempenham. raciocina-se como se eles só existissem para desempenhar esse papel e tivessem como única causa determinante o sentimento, claro ou confuso, dos serviços que são chamados a prestar. (pp. 103-104) por lei, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor da fraude. a ishperteza prospera, naturalmente, graças aos bons préstimos de solícitas prateleiras como, por exemplo, as da livraria travessa, da fnac, da livraria cultura, da saraiva, das livrarias curitiba, das americanas... imagens: tzvee.blogspot.com; carmen miranda, images google; emoticon, whistle POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS οιδιποθσ sófocles, rei édipo (j. b. de mello e souza, jackson) sófocles, édipo rei (jean melville, martin claret) além de plagiada, a edição usa "chapa fria". sobre o termo "chapa fria", veja

aqui. este parece ser mais um caso de montagem de edições diferentes. a jackson teve surripiadas todas as notas de autoria de mello e souza. a. notas de mello e souza: 1. conforme antigo costume grego, os que tinham alguma súplica a fazer aos deuses acercavam-se dos altares trazendo ramos de louros, ou de oliveira, enfeitados com fitas de lã. 2. havia em tebas dois templos dedicados a minerva (palas) e um a apolo, junto do ismênio, no qual, segundo heródoto (viii, 134), se colhiam bons oráculos. 3. ter à cabeça uma coroa de louros significava ter ganho um prêmio, ou ser portador de uma notícia auspiciosa. 4. os gregos supunham que, por intermédio da sacerdotisa de delfos, falava pelo oráculo o próprio deus apolo. 5. "causa o sangue o flagelo sobre a cidade" diz, literalmente, sófocles. 6. os interpretadores assinalam esta passagem como sendo das mais notáveis da tragédia, pois édipo vai fazer o contrário do que diz, em uma anfibologia trágica, usada com frequência por sófocles. 7. literalmente: "às plagas do deus ocidental" porque, para os gregos, o hades, região dos mortos, ficava na zona escura do mundo, isto é, no ocidente, visto que a luz vinha do oriente. 8. justifica-se essa alegoria, visto que marte, além de ser deus da guerra, era-o também da peste, a que se refere o sumo sacerdote, em sua primeira fala. 9. um dos títulos conferidos ao deus apolo, por ter nascido na lícia (cf. horácio, iii, ode iv). 10. segundo a lenda a que se refere heródoto, (l. v., 59), agenor era um rei da fenícia. seu filho cadmo fundou tebas, dando seu nome à colina principal, e ao recinto fortificado da cidade (cadméia). de cadmo foi filho polidoro, pai de lábdaco. a este rei sucedeu o infeliz laio. 11. tirésias tinha, com efeito, o tratamento de rei, prova de que o sacerdócio o igualava aos reis de fato, se não o punha acima deles. isso explica a altivez e o desassombro com que, por vezes, falava tirésias a édipo. 12. "este dia te dará o nascimento e a morte" - diz o original, literalmente, mas a idéia evidente é a de que édipo iria descobrir na mesma ocasião os dois terríveis lances de sua trágica existência. [...] 27. que édipo se houvesse ferido com um simples colchete do manto real, não admira, visto que essa peça do vestuário grego era muito maior que os atuais colchetes, e bastante forte para ser assim utilizada. heródoto conta em suas histórias, (v, 87) que as atenienses mataram um covarde, servindo-se dos próprios colchetes de suas roupas como punhais. para isso bastava forçar a fita metálica, dando-lhe a forma de um gancho ou de um estilete pontiagudo. b. notas de mello e souza pirateadas pela martin claret: 1. conforme antigo costume grego, os que tinham alguma súplica a fazer aos deuses acercavam-se dos altares, trazendo ramos de louros ou de oliveira, adornados com fitas de lã. 2. havia em tebas dois templos dedicados a minerva (palas) e um a apolo, junto do ismênio, onde, segundo heródoto (viii, 134), se colhiam bons oráculos. 3. os gregos supunham que, por intermédio da sacerdotisa de delfos, falava pelo oráculo ali existente o próprio deus apolo. [vasta trapalhada, a claret trocou a nota 3 pela 4] 4. ter à cabeça uma coroa de louros significava ter ganho um prêmio ou ser portador de uma notícia auspiciosa. 5. "causa o sangue o flagelo sobre a cidade" diz, literalmente, sófocles. 6. os comentadores assinalam esta passagem como sendo das mais notáveis da tragédia, pois édipo fará o contrário do que diz, em uma anfibologia trágica,

usada com frequência por sófocles. 7. literalmente: "às plagas do deus ocidental" porque, para os gregos, o hades, região dos mortos, ficava na zona escura do mundo, isto é, no ocidente, visto que a luz vinha do oriente. 8. justifica-se essa alegoria, visto que marte, além de ser deus da guerra, era-o também da peste, a que se refere o sacerdote em sua primeira fala. 9. um dos títulos conferidos ao deus apolo, por ter nascido na lícia (cf. horácio, iii, ode iv). 10. segundo a lenda a que se refere heródoto, (1. v., 59), agenor era um rei da fenícia. seu filho cadmo fundou tebas, dando seu nome à colina principal e ao recinto fortificado da cidade (cadméia). de cadmo foi filho polidoro, pai de lábdaco. a esse rei sucedeu o infeliz laio. 11. tirésias tinha, com efeito, o tratamento de rei, prova de que o sacerdócio o igualava aos reis de fato, se não o punha acima deles. isso explica a altivez e o desassombro com que, por vezes, fala tirésias a édipo. 12. "este dia te dará o nascimento e a morte" - diz o original, literalmente, mas a idéia evidente é a de que édipo iria descobrir na mesma ocasião os dois terríveis lances de sua trágica existência. [...] 27. que édipo se houvesse ferido com um simples colchete do manto real, não admira, visto que essa peça do vestuário grego era muito maior que os atuais colchetes, e bastante forte para ser assim utilizada. heródoto conta em suas histórias (v, 87), que as atenienses mataram um covarde, servindo-se dos próprios colchetes de suas roupas como punhais. para isso bastava forçar a fita metálica, dando-lhe a forma de um gancho ou de um estilete pontiagudo. se, conforme reza a lei 9610/98, "quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator, nos termos dos artigos precedentes", então algumas solidárias responsáveis são, por exemplo, a saraiva, a fnac, a cultura, a travessa, a curitiba. imagem: http://www.interney.net/ POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS eugênia claret em eugénie claret o sr. martin grandet não hesitou em arrancar uns pedaços à respeitabilíssima tradução de moacyr werneck de castro. a associação brasileira de imprensa (abi) deu seu apoio à campanha contra os plágios e divulgou em seu site. por outro lado, moacyr werneck de castro foi escolhido, ao lado de lygia fagundes telles, para compor a comissão de honra para a comemoração do centésimo aniversário da abi. espero que a combativa associação dê uma nota em protesto contra esse infame desrespeito e saque à pessoa e obra de moacyr werneck. o padrão do plágio é por remendo e acoplagem de duas traduções diferentes, uma portuguesa e outra brasileira, além de substituição de termos aqui e acolá, ao longo do livro. é uma salada russa, inclusive no tratamento. por exemplo, temos na mesma frase: "assuntos que te trazem aqui ... se o senhor quiser ir... desculpe-me que não te acompanhe... talvez veja por ti". ou: "sinta-se em sua casa ... se precisar, chama nanon ... o cão te comeria... durma bem". ou: "meteste na cabeça ... tome cuidado". ou "vais ver.. quer saquear... és a patroa... faça uma torta e assa no forno".

vou me concentrar na cópia adulterada a partir da tradução de moacyr werneck. balzac, eugênia grandet a. moacyr werneck de castro (abril) b. alex marins (martin claret) a. a maria* seja o teu nome aqui - pois que o teu retrato é o mais belo adorno desta obra como um ramo bento de murta, apanhado numa árvore qualquer, mas certamente santificado pela religião e renovado, sempre verde, por mãos piedosas, para proteger a casa. * trata-se de maria du fresnay, que foi, por algum tempo, a amante de balzac, e que, segundo se julga, lhe deu uma filha, marie caroline du fresnay, nascida em sartrouville em 1834 e falecida em nice em 1930, com mais de noventa anos de idade. b. a maria* seja o teu nome aqui - pois que o teu retrato é o mais belo ornamento desta obra como um ramo bento de murta, colhido numa árvore qualquer; mas certamente santificado pela religião e revigorado, sempre verde, por mãos piedosas, para proteger a casa. * trata-se de maria du fresnay, que foi, por algum tempo, a amante de balzac, e que, segundo se acredita, lhe deu uma filha, marie caroline du fresnay, nascida em sartrouville em 1834 e falecida em nice em 1930, com noventa anos. [sic] a. este desfecho necessariamente ilude a curiosidade. talvez seja assim com todos os desfechos verdadeiros. as tragédias, os dramas, para falar a linguagem de nosso tempo, são raridades na natureza. lembrai-vos do preâmbulo. esta história é a tradução imperfeita de algumas páginas esquecidas pelos copistas no grande livro do mundo. aqui, nenhuma invenção. a obra é uma humilde miniatura, que exigiria mais paciência do que arte. cada departamento tem o seu grandet. apenas, o grandet de mayenne ou de lille é menos rico que o antigo prefeito de saumur. é possível que o autor tenha forçado um traço, esboçado mal os seus anjos terrestres, posto cor de mais ou de menos em seu papel. talvez tenha sobrecarregado de ouro o contorno da cabeça de sua maria; talvez não tenha distribuído as luzes segundo as regras da arte; enfim, talvez tenha sombreado demais as tintas já escuras do seu velho, imagem toda material. mas não recuseis vossa indulgência ao monge paciente, vivendo no fundo de sua cela, humilde admirador da rosa mundi, de maria, bela imagem de todo o sexo, a mulher do monge, a segunda eva dos cristãos. se ele continua a atribuir, apesar dos críticos, tantas perfeições à mulher, é que pensa ainda ele, um jovem, que a mulher é a mais perfeita entre as criaturas. saída em último lugar das mãos que moldavam o mundo, ela deve expressar mais puramente que qualquer outro ser o pensamento divino. por isso, ao contrário do homem, não foi tirada do granito primevo, não foi argila mole sob os dedos de deus; não: extraída dos flancos do homem, matéria flexível e dútil, ela é uma criação transitória entre o homem e o anjo. por isso a vedes forte como é forte o homem, e delicadamente inteligente pelo sentimento, como o é o anjo. não seria preciso unir nela duas naturezas, para incumbi-la de trazer sempre a espécie em seu seio? uma criança, para ela, não é toda a humanidade? b. necessariamente este desfecho ilude a curiosidade. talvez deste modo seja com todos os desfechos verdadeiros. as tragédias, os dramas, para falar a linguagem de nosso tempo, são raridades na natureza. lembrai-vos do preâmbulo.* esta história é a tradução imperfeita de algumas páginas esquecidas pelos copistas no grande livro

do mundo. nisto, nenhuma invenção. a obra é uma humilde miniatura, que exigiria mais paciência do que arte. cada departamento tem o seu grandet. apenas, o grandet de mayenne ou de lille é menos rico que o antigo prefeito de saumur. é provável que o autor tenha forçado um traço, delineado mal os seus anjos terrestres, posto cor mais ou menos em seu papel. talvez tenha sobrecarregado de ouro o contorno da cabeça de sua maria; talvez não tenha distribuído as luzes segundo as regras da arte; enfim, talvez tenha sombreado demasiadamente as tintas já escuras do seu velho, imagem toda material. mas não recuseis vossa compaixão ao monge resignado, vivendo no fundo de sua cela, humilde admirador da rosa mundi de maria, bela imagem de todo o sexo, a mulher do monge, a segunda eva dos cristãos. se ele persiste em atribuir, a despeito dos críticos, tantas perfeições à mulher, é que pensa ainda, ele, um jovem, que a mulher é a mais perfeita entre as criaturas. saída em último lugar das mãos que moldavam o mundo, ela deve expressar mais puramente que qualquer outro ser o pensamento divino. por isso, ao contrário do homem, não foi extraída do granito primevo, não foi argila mole sob os dedos de deus; não: retirada dos flancos do homem, matéria flexível e dútil, ela é uma criação transitória entre o homem e o anjo. por isso a vedes forte como é forte o homem, e delicadamente inteligente pelo sentimento, como o é o anjo. não seria preciso unir nela duas naturezas, para incumbi-la de trazer sempre a espécie em seu seio? uma criança, para ela, não é toda a humanidade? * só que o preâmbulo do autor foi suprimido na edição da claret. não custa lembrar: como dispõe o art. 104, capítulo II, título VII da lei 9.610/98, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor da fraude. martin grandet coleta sofregamente seus tostões nas usuais máquinas registradoras (ou caixas eletrônicos) de seus costumeiros acoutadores: fnac, livrarias curitiba, livraria saraiva, livraria cultura, livraria da travessa, americanas. imagem: memphis-industries.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 01/03/2009 isan was it really necessary? POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS mas a sociedade reage "ABDR é processada por abuso de suas ações contra cópias de livros O Instituto de Direito do Comércio Internacional e Desenvolvimento (IDCID), ajuizou Ação Civil Pública contra a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR). A ACP ajuizada pelo IDCID visa a liberar o direito de reprodução parcial de obras protegidas para fins educacionais, docência, pesquisa em todo o Brasil, e mais importante, permitir a reprodução integral de obras protegidas pela parcela materialmente mais fragilizada da sociedade brasileira, de forma a viabilizar o acesso aos instrumentos básicos de formação intelectual do indivíduo. Desde 2004, a ABDR vem implementando, em todo o território nacional, inúmeras atividades com o único escopo de suprimir, total e absolutamente, os direitos dos estudantes e professores brasileiros de reproduzir, parcialmente, obras protegidas para fins educacionais, pesquisas acadêmicas e docência. Desde então, o ato de xerocopiar passou a ser nivelado a uma infração penal gravíssima, e os professores e estudantes passaram a ser criminosos. [...]

A ação tramita perante a 5ª Vara Cível de São Paulo, Capital." obs.: a notícia é de 2006, mas o ponto continua válido; negritos meus. fonte. POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 28/02/2009 a abdr e o trauma por existirem bibliotecas, xeroxes e internet o cinismo e o corporativismo protofascista da abdr horrorizam: http://www.abdr.org.br/fotos/pages/cg16-2_jpg.htm http://www.abdr.org.br/fotos/pages/curitiba2_jpg.htm http://www.abdr.org.br/fotos/pages/pusp3-4_jpg.htm na última foto fica evidente o tamanhozinho do capítulo xerocado e o tamanhão do original. só que a abdr usa a polícia com metralhadora para invadir as oficinas de xerox, enquanto protege a martin claret, sua associada. o pior é que a abdr inventou agora uma tal pasta-professor, que é um absurdo sem tamanho, e está tentando vender a idéia como se fosse boa coisa. pela abdr, nem existiria biblioteca no mundo. imaginem só, pessoas poderem ler livros sem pagar por isso! fiquei com raiva e mandei essa mensagem no faleconosco da abdr: "a editora martin claret é a maior pirateadora de livros no país. lesa o mercado editorial com sua concorrência desleal, lesa os tradutores vivos e falecidos, lesa as editoras legítimas titulares dos direitos patrimoniais das obras. ela sozinha pirateia muito mais do que muitas oficinas de xerox somadas. e além do mais mente: quem paga por um xerox sabe que é xerox. quem compra claret pensa que está comprando coisa que preste, e não sabe que está sendo enganado. a abdr não pode ser tão corporativista e defender a martin claret enquanto manda a polícia invadir com armas os espaços de escolas e universidades. a abdr não pode abusar da disparidade entre pessoa jurídica e pessoa física, e ficar acoitando pessoas jurídicas fraudulentas em seu quadro de associados. quer dizer, poder pode, mas é feio pra danar e só se desmoraliza ao não tomar providências em relação às piratarias da claret." em tempo: abdr quer dizer "associação brasileira de direitos reprográficos", e o ideário programático dela é criminalizar e perseguir toda e qualquer leitura que não seja no exemplar físico impresso comprado nas livrarias. em tempo ainda: pessoalmente não creio que xerox de livro, em parte ou na íntegra, com finalidades de ensino, seja a rigor "pirataria". só o é numa leitura muito patrimonialista, interesseira e unilateral de um infame capítulo da lei de direitos autorais de 1998, que converteu o brasil num dos países mais atrasados e retrógrados do mundo - verdade, não é retórica não! - nessa questão dos limites que a sociedade pode e deve impor aos interesses privados na área da cultura. uma hora retorno ao tema. POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS fórum do minc agora está disponível no site do minc todo o material apresentado nos seminários do fórum nacional de direito autoral: textos, slides e vídeos. imagem: cabeçalho, www.cultura.gov.br, arte de menote cordeiro POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS a floresta dos plágios

a desobediência civil e outros escritos, de thoreau, pela martin claret, traz o ensaio "andar a pé". visivelmente a edição de base usada para o plágio de walking na claret foi a da jackson. henry david thoreau, andar a pé a. sarmento de beires e josé duarte (jackson) b. alex marins (cof, cof, martin claret)* * a edição usa chapa fria: está cadastrada na fbn/isbn com o título desobedecend [sic], e em nome de pietro nassetti como tradutor a. sarmento de beires e josé duarte: atualmente quase todos os pretensos progressos do homem, tais como a construção de casas, e a derribada de florestas e de todas as árvores de grande porte, deformam simplesmente outro panorama e fá-lo cada vez mais inexpressivo e vulgar. ah, um povo que iniciasse a destruição dos marcos e deixasse intatas as florestas! eu vi os marcos meio queimados, seus tocos perdidos no meio do prado e certo miserável mundano cuidando dos seus limites como administrador, enquanto que o céu havia baixado até ele, que não percebia a movimentação dos anjos em torno, mas procurava um velho buraco no meio do paraíso. encarei novamente e vi-o de pé em meio dum paul infernal cercado de demônios, e havia encontrado seus limites exatos, três pequenas pedras onde haviam fixado uma estaca. olhando melhor, vi que o príncipe das trevas era o administrador. sou capaz de andar facilmente dez, quinze, vinte, qualquer número de milhas, começando da minha porta sem parar em qualquer casa, sem atravessar uma estrada exceto nos trechos em que as próprias raposas e doninhas são obrigadas a fazê-lo: primeiro pelas margens dos rios, depois pelo campo e pelas bordas da floresta. há milhas quadradas na minha vizinhança, completamente desabitadas. no alto de muitas colinas posso ver a civilização e as casas do homem distante. os fazendeiros e suas plantações são pouco evidentes do que os instrumentos agrários e os sulcos por eles produzidos. o homem e seus negócios, a igreja, o estado, a escola, o comércio, a indústria, a agricultura, e até a política, de todos a menos abúlica - folgo em verificar a insignificância do espaço que ocupam no panorama. a política não passa de um campo estreito e aquela estrada real que se descortina ao longe dá para ela. às vezes, encaminho o viajor para lá. se quiserdes ir ter ao mundo político, segui a grande estrada - segui aquele negociante, segui-o bem de perto e lá chegareis. tal mundo também possui seu lugar e não ocupa todo o espaço. dele saio como se saísse de um faval para internar-me numa floresta, nenhuma recordação trazendo. posso, em meia hora, encaminhar-me para algum setor da superfície da terra, onde um homem não resista permanecer todo um ano, sítio esse impróprio para a política medrar, essa política tão parecida com cinza de charuto. b. alex marins: nos dias de hoje quase todos os pretensos progressos do ser humano, tais como a construção de casas, e a derrubada de florestas e de todas as árvores de grande porte, deformam simplesmente outro panorama e fá-lo cada vez mais inexpressivo e vulgar. ah, quem me dera conhecer um povo que iniciasse a destruição das divisas demarcatórias e deixasse intactas as florestas! eu vi os marcos meio queimados, seus tocos perdidos pelo prado e um miserável mundano cuidando dos seus limites como administrador. neste momento o céu havia baixado até ele, que não percebia a movimentação graciosa dos anjos à volta, mas procurava um velho buraco no meio do paraíso. fixei novamente minha atenção e vi-o de pé em meio dum paul infernal cercado de demônios. eis que havia encontrado seus limites exatos: três pequenas pedras onde haviam fixado uma estaca. olhando melhor, vi que o príncipe das trevas era o administrador. andar dez, quinze, vinte, qualquer número de milhas, sou capaz facilmente, começando da minha porta sem parar em qualquer casa, sem atravessar uma estrada exceto nos trechos em que as próprias raposas e doninhas

são obrigadas a fazê-lo. a começar pelas margens dos rios, depois pelo campo e pelas bordas da floresta. ainda completamente ermas há milhas e milhas na minha vizinhança. do alto de muitas colinas posso vislumbrar a civilização e as casas do homem distante. percebem-se menos os fazendeiros e suas plantações do que os instrumentos agrários e os sulcos por eles produzidos. o homem e seus negócios, a igreja, o estado, a escola, o comércio, a indústria, a agricultura, e até a política, de todos a menos abúlica - folgo em verificar a insignificância do espaço que ocupam no panorama. resume-se num campo estreito a política, e aquela estrada real que se descortina ao longe é a que leva a ela. ensino o viajor a se dirigir para lá, algumas vezes. se quiserdes ir ter ao mundo político, segui a grande estrada - segui aquele negociante, segui-o bem de perto e lá chegareis. também esse mundo tem seu lugar e não ocupa todo o espaço. saio dele como se saísse de um faval para ingressar numa floresta, sem trazer nenhuma recordação. em apenas meia hora posso encaminhar-me para algum setor da superfície da terra, onde um homem não resista permanecer durante um ano, campo esse impróprio para a política vicejar, essa política tão parecida com cinza de charuto. podemos cruzar com esse espécime passeando pelos acolhedores bosques livrários onde se refestelam os ishpertos: americanas, fnac, cultura, saraiva, travessa, curitiba... repetindo: como dispõe o art. 104, capítulo II, título VII da lei 9.610/98, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude: então, donas livrarias, que tal começar a ser um pouco mais conscienciosas e tratar um pouco melhor seus clientes? imagem: www.images.amazon.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 27/02/2009 o trabalhão de plagiar já comentei que existem alguns procedimentos mais ou menos padronizados nas malandragens da martin claret (e das outras editoras aqui tratadas: nova cultural, jardim dos livros e landmark). pode ser cópia literal, cópia com alterações em começo de parágrafo, cópia com troca de termos em algumas passagens ou em todo o livro, cópia montando trechos de diversas edições, cópia em qualquer uma dessas formas mudando a pontuação e as aberturas de parágrafo. além dessas coincidências flagrantes, facilmente identificáveis, há vezes em que é feito um intenso trabalho de "tradução por sinonímia", mantendo-se intocada a estrutura gramatical adotada na tradução. outro elemento ainda consiste em eventuais erros - de impressão, de revisão, de tradução - na edição que serve de base à ishperteza, e que aparecem reproduzidos na cópia. tenho aqui alguns casos quase cômicos. num deles, por exemplo, a tradução de base foi copidescada praticamente de cabo a rabo, trocando uma quantidade enorme de palavras por sinônimos. o curioso é que nessa tradução de base: 1. havia alguns erros de entendimento do texto na língua original, o que resultou em alguns erros de tradução; 2. como o original trazia alguns períodos longuíssimos, o tradutor inicial teve por bem repicá-los e subdividi-los em várias frases mais curtas; 3. sendo uma obra de filosofia, alguns conceitos eram constantes e se repetiam ao longo do texto. só que o ishperto encarregado de "criar" uma nova tradução passou longe de qualquer sombra da obra original. assim: a. os erros da tradução de base foram preservados, às vezes com sinônimos

laboriosamente escolhidos; b. toda a alteração dos períodos e frases introduzida pelo tradutor inicial foi ciosamente seguida pelo adulterador; c. os conceitos fixos e constantes da obra ganharam ricos e variados sinônimos durante a copidescagem. a coisa beirou o burlesco numa passagem devidamente vertida pelo tradutor inicial como "uma imaginação nítida e distinta". com "distinta", naturalmente o autor referia-se à clareza, precisão etc., das imagens criadas mentalmente. ah, pois o mercenário não se avexou: tascou-lhe um sinônimo de "distinto" e a passagem ficou com "uma imaginação clara e diferente"! imagem: http://www.p4m.de/ POSTADO POR DENISE 3 COMENTÁRIOS carlota tropical o pobre werther de galeão coutinho já havia caído nas garras da nova cultural, em sua coleção "obras-primas" patrocinada pela suzano celulose. a pseudoeditora martin claret, cuja única ou principal atividade parece consistir em copiar o já feito, seguiu o exemplo da nova cultural e surripiou, também ela, a tradução de galeão coutinho. o plágio na nova cultural vinha em nome de um tal alberto maximiliano, e era praticamente literal, de fio a pavio. o surripio na martin claret vem em nome do inefável peter von nassetten, e mostra um vão empenho copidescatório que, aliás, apenas reforça a malandrice ishperta da edição.* * a situação desse werther na fbn/isbn é meio confusa: além de não dar nome de tradutor, ele consta como vol. 43 da coleção "a obra-prima de cada autor", sendo que no exemplar impresso consta como vol. 51. a. galeão coutinho (abril, sob licença da livr. martins) b. peter von nassetten (martinus klaretten) a. junho, 16 [...] - quando eu era mais jovem - disse-me ela -, nada me fascinava tanto como os romances. só deus sabe quanto eu me sentia feliz, aos domingos, recolhendo-me a um cantinho para participar, de todo o coração, da felicidade ou do infortúnio de qualquer srta. jenny. não nego que esse gênero de leitura ainda encerra algum encanto para mim; acontece, porém, que são tão raras as vezes em que posso agora abrir um livro, que me tornei mais exigente na escolha. o autor que eu prefiro é aquele onde eu encontro meu mundo costumeiro e os incidentes comuns no meu círculo de relações, de sorte que sua narrativa me inspire um interesse tão cordial como o que acho na minha vida doméstica, a qual, embora não seja um paraíso, me oferece uma fonte de felicidade inexprimível. esforcei-me, debalde, por abafar a emoção que essas palavras me produziram. quando ela se referiu, de passagem, ao vigário de wakefield, de ...*, com tanta verdade, não me contive e disse-lhe tudo quanto a respeito eu pensava. só ao cabo de algum tempo, ao dirigir-se carlota, novamente, às outras duas damas, percebi que ambas, arregalando muito os olhos, tinham estado até ali inteiramente alheias à nossa conversa. a prima olhou-me por mais de uma vez com um ar de troça, mas não liguei importância. a conversa recaiu sobre o prazer da dança.

- se essa paixão é um crime - disse carlota -, não posso ocultá-lo; para mim, não há nada melhor do que a dança. se alguma coisa perturba a minha cabeça, é só sentar-me ao meu cravo desafinado e martelar uma contradança, e está tudo acabado! (pp. 304-305) * aqui, também, suprimimos o nome de vários escritores do nosso país. se alguns daqueles a quem são endereçados os elogios de carlota chegarem a ler esta passagem, serão com certeza advertidos pelo próprio coração. quanto aos demais, nada têm a ver com isso. b. 16 de junho [...] - quando eu era mais jovem - disse ela -, nada me fascinava tanto como os romances. só deus sabe o quanto eu me sentia feliz, aos domingos, recolhendo-me a um cantinho para compartilhar, de todo o coração, da felicidade ou das desventuras da srta. jenny. não nego que esse gênero de leitura ainda tenha algum encanto para mim; como agora, porém, são tão raras as vezes em que posso abrir um livro, tornei-me mais exigente na escolha. o autor que eu prefiro é aquele em que reconheço o mundo e os incidentes comuns no meu círculo de relações, tornando a história tão interessante e terna quanto a minha vida doméstica, que, embora não seja um paraíso, é para mim fonte de felicidade inexprimível. esforcei-me para ocultar a emoção que essas palavras me produziram. quando ela se referiu, de passagem, ao vigário de wakefield, de ...*, com tanta verdade, não me contive e disse-lhe tudo o que pensava a respeito. só ao cabo de algum tempo, ao dirigir-se lotte novamente às outras duas damas, percebi que ambas, arregalando muito os olhos, tinham estado até ali inteiramente alheias à nossa conversa. a prima olhou-me por mais de uma vez com um ar zombeteiro, mas não dei importância. a conversa recaiu sobre o prazer da dança. - se essa paixão é um crime - disse lotte - não posso ocultá-lo; para mim, não há nada melhor do que a dança. se alguma coisa perturba a minha cabeça, é só sentarme ao meu cravo desafinado e martelar uma contradança, e tudo volta ao normal! (pp. 26-27) * novamente suprimimos o nome de vários de nossos escritores . se alguns daqueles a quem são endereçados os elogios de lotte chegarem a ler essa passagem, acharão seu nome no próprio coração. quanto aos demais, nada têm a ver com isso. quem quiser contribuir com o vandalismo intelectual, encontra a carlota abaixo do equador nos usuais valhacoutos dos ishpertos: saraiva, curitiba, cultura, fnac, americanas, travessa - todos garbosa e solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude, nos termos do artigo 104, capítulo II do título VII da lei 9.610/98. imagem: assinatura de goethe, www.dw-world.de POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 26/02/2009 "é chapa fria. vai encarar?" uma questão de terminologia imagino uma cena assim: o cliente quer comprar um carro usado. ele pega a documentação do veículo. o carro ali é um, sei lá, um palio verde-escuro, ano

2003, de placa ZZZ-0000. aí ele quer conferir a situação de ipva, de multa etc., numa consulta trivial no site do detran. só que aparece que aquela placa corresponde a um, digamos, beetle amarelinho, ano 2005. acho que outro termo de comparação possível para os números de isbn, além de carteira de identidade ou cpf de pessoas, é documento de carro, por que não? registro obrigatório por lei, sob um número único e exclusivo, em instância pública federal, com validade em todo o território nacional, que só pode ser atribuído por agências expressamente designadas para tal fim a um ser ou objeto cujas características devem corresponder à descrição que consta em seu cadastro. então agora vou adotar o termo "chapa fria" para designar números falsos ou inexistentes de isbn ou com dados divergentes dos que constam no livro impresso. título e imagem: www.pandemoniocarioca.globolog.com.br POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS desta maneira sinistra... carlos chaves se soma à legião dos tradutores que perderam sua identidade à sanha dos bandoleiros editoriais. sua tradução (1954) de aventuras de sherlock holmes agora engrossa o curriculum mortis de jean melville, na martin claret.* a tradução de carlos chaves consta no catálogo ativo da melhoramentos. consultei a editora a este respeito, não tive resposta. em vista do curioso antecedente das memórias de sherlock holmes, aqui noticiado, talvez seja um caso parecido. em todo caso, plágio é plágio, sempre indesculpável. * na verdade, a edição da claret está cadastrada na fbn/isbn em nome de pietro massetti [sic, massetti]. as aventuras originais trazem doze histórias; na edição da claret, constam apenas nove delas. o padrão do plágio é por substituição eventual de termos ao longo de todo o livro, além de alteração dos parágrafos, abrindo novos onde não existem e continuando o parágrafo anterior quando se abririam novos. 1. as cinco sementes de laranja (carlos chaves) desta maneira sinistra foi que entrei na posse de minha herança. poderá bem me perguntar por que não a vendo e eu lhe responderei que tenho quase certeza de que nossa infelicidade se relacionava e dependia de algum incidente na vida de meu tio e que o perigo continuaria tanto numa casa como em outra. foi em janeiro de 85 que meu pobre pai encontrou a morte e já se passaram dois anos e oito meses. durante todo esse tempo vivi feliz em horsham e tinha esperanças de que essa maldição na família houvesse passado e que terminava na última geração. [...] - tenho uma vaga lembrança - disse ele - de que no dia em que meu tio queimou os papéis, eu reparei que as pequenas margens que não estavam queimadas e que jaziam entre as cinzas, eram desta cor. achei esta única folha no chão do quarto dele, e estou inclinado a pensar que seja um dos papéis que talvez se desprendeu dos outros, escapando assim à destruição. além do fato de se referir às sementes não sei em que nos possa ajudar. (pp. 113-15) 2. cinco sementes de laranja ("jean melville") dessa maneira sinistra foi que entrei na posse de minha herança. poderá bem me perguntar por que não a vendo, e eu lhe responderei que tenho quase certeza de que nossa infelicidade era decorrência de algum incidente na vida de meu tio, e que o perigo continuaria tanto numa casa como na outra. foi em janeiro de 85 que meu pobre pai encontrou a morte, e já se passaram dois anos e oito meses. durante todo esse tempo vivi feliz em horsham, com esperanças de que essa maldição na família houvesse passado e que terminava na última geração. [...]

- tenho uma vaga lembrança - disse ele - de que no dia em que meu tio queimou os papéis, eu reparei que as pequenas margens que não estavam queimadas e que jaziam entre as cinzas eram desta cor. achei esta única folha no chão do quarto dele, e estou inclinado a pensar que seja um dos papéis que talvez se desprendeu dos outros, escapando assim à destruição. além do fato de se referir às sementes, não sei em que nos pode ajudar. (pp. 94-96) 1. a coroa de berilos (carlos chaves) o senhor, naturalmente, sabe que um banco em franco progresso depende muito da obtenção de investimentos remunerativos para o dinheiro, porque isto aumenta as nossas relações e o número de nossos depositantes. um dos meios mais lucrativos de despender o dinheiro são empréstimos, onde a segurança é completa. durante estes últimos anos temos feito muito nesse setor. há muitas famílias nobres a quem temos adiantado grandes somas, aceitando como garantia seus valiosos quadros, bibliotecas ou pratarias. ontem, estava sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita. estremeci quando vi o nome porque não era outro senão... bem acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro, um dos nomes mais nobres, mais exaltados na inglaterra. (p. 244) [...] o senhor supõe que seu filho levantou-se da cama, e foi, com grande risco, ao seu quarto de vestir, abriu seu bureau, tirou sua coroa, quebrando uma parte dela à força, foi-se para outro lugar e escondeu três das gemas com tanta habilidade que ninguém as encontra, depois voltou com as outras 36 gemas para o quarto, onde ele se expôs ao grande perigo de ser descoberto. pergunto-lhe, é sustentável tal teoria? - mas pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero. - se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 253) 2. o caso da coroa de berilos (jean melville) o senhor certamente sabe que um banco em franco progresso depende muito da obtenção de investimentos remunerativos para o dinheiro, pois isso aumenta as nossas relações e o número de nossos depositantes. um dos meios mais lucrativos de dispender o dinheiro são empréstimos, nos quais a segurança é completa. nos últimos anos, temos feito muito nesse setor. há muitas famílias nobres a quem temos adiantado grandes somas, tomando em garantia seus valiosos quadros, bibliotecas ou pratarias. ontem, estava eu sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita. estremeci quando vi o nome, porque outro não era senão... bem, acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro. um dos nomes mais nobres, mais exaltados da inglaterra. (p. 170) [...] o senhor supõe que seu filho levantou-se da cama, e foi, com grande risco, ao seu quarto de vestir, abriu seu bureau e tirou a coroa, quebrando uma parte dela à força. então foi para outro lugar e escondeu três das gemas com tanta habilidade que ninguém as encontrou até agora, voltando depois com as outras 35 gemas para o quarto, onde se expôs ao enorme perigo de ser descoberto. perguntolhe, é sustentável tal teoria? - e pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero. - se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 178)

naturalmente essas sinistras aventuras claretianas se encontram nos valhacoutos favoritos dos ishpertos: livraria cultura, livrarias curitiba, livraria da travessa, fnac, saraiva... como dispõe o art. 104, no capítulo referente às sanções civis que aplicam às violações dos direitos autorais, da lei 9.610/98, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude: a meu ver, seria muito importante que as livrarias começassem a exercer um maior discernimento na seleção das obras que colocam à disposição do público consumidor. imagens: five orange pips, http://www.sherlockian.net/; http://www.audible.com/ POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS 20/02/2009 valhacoutos de hoje até dia 25, vou dar uma pausa e retorno dia 26. antes disso, uma rápida avaliaçãozinha. em meu perene assombro diante da munificência da martin claret em sua incessante contribuição para a incultura, a desmemória e a degradação editorial do país, hoje vamos de a república de platão, aquela que gonçalo armijo desmascarou lá nos idos de 2007. eis uma pequenina amostra de teses, ementas de curso, artigos, concursos públicos etc., dando como referência o grande salteador da boa-fé dos leitores, amparado pelo interesse dos coniventes e pela indiferença dos acomodados: www.fafich.ufmg.br/~labfil/wp-content/uploads/2009/01/livro-didatico-filosofia.pdf www.fasete.edu.br/arquivos/file/secretaria/2008/LETRAS%202008%20PDF/IV%20PERÍODO/L iteratura_Latina.pdf www.farn.br/novo/navegacao/cursos/planos/2008.2/direito/2o_ano/filosofia_direito.p df www.ggpe.reitoria.unicamp.br/teia/material/paulo_renato/relacoes_de_poder_e_democr acia.pdf www.esag.udesc.br/arquivos/Planos%20de%20Ensino/20042/.../Teoria%20Geral%20da%20Adm%20publica%20-%20... http://w3.ufsm.br/leaf/menuesp5/eefd48f82dbce95fadc86a5751ae60ad.pdf www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/589/533 http://200.17.209.5:8000/cgi-bin/gw_42_13/chameleon.42.13a?host...ufpr&conf... www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2892 www.facs.br/revistajuridica/edicao_maio2006/discente/dis5.doc www.abralic.org.br/enc2007/anais/42/22.pdf www.revistadoutrina.trf4.jus.br/artigos/edicao022/Rommel_Carneiro.htm www.pucsp.br/pos/filosofia/Pragmatismo/cognitio_estudos/cog_estudos_v4n1/cog_est_v 4n1_freitas_lorena_de_m.pdf www.ufpe.br/historia/artigo3rev1.html http://www.amatra3.com.br/uploaded_files/artigo%20sobre%20Platão.pdf www.cchla.ufrn.br/odisseia/numero2/arquivos/5_Maria_Suely_da_Costa.pdf www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=432 www.ibdfam.org.br/?artigos&artigo=419 www.unc.br/ementas/e_direito.pdf www.al.rs.gov.br/biblioteca/servicos_aquisicoes.asp http://www6.ufrgs.br/idea/modules.php?op=modload&name=books&file=index&req=view_su bcat&sid=65&orderby=ratingA www.polemica.uerj.br/pol23/cimagem/p23_carmen.htm www.unincor.br/revista/Aspectos%20formadores5.html www.consa.com.br/consa/download/2009/lista_material/listas_materiais_para_6_ano_3_ serie.doc http://biblioteca.facitec.br/arquivos/120000/123600/147_123659.htm

www.administradores.com.br/artigos/aspectos_formadores_para_a_aplicacao_etica_aos_ direitos.../13484/ www.insaf.com.br/site/arquivos/aproveitamento_estudos2008.1.pdf www.unifra.br/eventos/jornadaeducacao2006/.../O%20ENSINO%20DE%20FILOSOFIA%20E%20SU A www.unioeste.br/prppg/download/pos_nao_iniciados/Esp_cvel_FundEducacao.pdf www.fc.unesp.br/upload/rh/concursos/edital_10407.pdf www.lo.unisal.br/sistemas/bioetica/arquivos/Marcius%20Artigo%20%20o%20ser%20humano.doc https://sie.juvencioterra.edu.br/sie/sis_disc.jsp?disc=471 www.jfrn.gov.br/docs/doutrina152.doc www.coperve.ufsc.br/ead2007/edital/programa.doc www.scielo.br/cgi-bin/fbpe/fbtext?pid=S1413-81232007000200026 www.revista.art.br/site-numero-02/trabalhos/06.htm www.ichs.ufop.br/memorial/trab/h11_2.doc www.cefipoa.com.br/artigos.php?id=7&PHPSESSID=f84aa952d1278d26bf71ca5ea18d... http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010034372005000100007&lng=pt&nrm=iso http://direito.catolicato.edu.br/index.php?conteudo=planosdeensino&disciplina=132&semestre=2008/2 www.unieuro.edu.br/downloads_2005/consilium_02_03.pdf http://www2.pucpr.br/reol/index.php/DIALOGO?dd1=565&dd99=pdf www.universia.com.br/materia/img/ilustra/2005/out/artigos/Para%20uma%20Critica%20d a%20Razao%20Androce... www.artigonal.com/educacao-artigos/5ª-serie-uma-questao-escolar-o-drama-datransicao-379626.html https://nexos.ufscar.br/nexos/PlanosConsultaL.jsp?Disciplina=170119&Turma=A&Ano=20 07 www.seed.pr.gov.br/portals/folhas/anexosFase2/folhas1825_versaoFinal_DEM.doc www.santamariadasvitorias.com.br/documentos/moral_e_direito_em_tomas_de_aquino.doc www.sieduca.com.br/2006/admin/upload/5.doc www.facs.br/revistajuridica/edicao_abril2006/convidados/con3.doc http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=229 www.fav.ufg.br/download.php?tipo=graduacao_design-de-interiores_programas-dasdisciplinas&item=1&arquivo www.ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/revistalable/numero6/geraldo.pdf www.intercom.org.br/papers/nacionais/2003/www/pdf/2003_NP13_costa.pdf www.insaf.com.br/cursos/ementas.php www.cbc.ufms.br/tedesimplificado/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=196 www.ufsm.br/gpforma/2senafe/PDF/021e4.pdf http://sistemas2.usp.br:8080/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=CMU0542&verdis=1 www.concursosed.ufsc.br/sed2005_01/gabarito_provas/provas/filosofia.doc www.sindsemg.com.br/.../27.../Raimundo%20Nonato%20%20Revolução%20Científica%20em%20Secretariado http://www2.camara.gov.br/posgraduacao/dinter-projeto-jose-de-ribamar-barreirossoares www.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20081029100044.pdf www.zoon.org.br/biblioteca/textos_artigos/educacao_ludica_do_olhar.pdf www.textolivre.com.br/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=4619 http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/bitstream/1884/11166/1/Disserta%C3%A7%C3%A3 o%20Rosanea%20E%20Ferreira.PDF. www.ccsa.ufrn.br/ccsa/docente/rodson/ftp/ProgramaFHF-I.doc www.fc.unesp.br/econcurso/concurso.visualizarArquivo.action?txt_arquivo=175 http://www2.mp.ma.gov.br/ampem/artigos/25.%20Anencefalia_e_%20aborto.pdf http://bdtd.unisinos.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=387 www.esamaz.com.br/fotos/file/GuiaAcademico/CienciasPolitica.doc http://www.inventario.ufba.br/04/04dcarrascosa.htm www.ppgletras.furg.br/disserta/danilomachado.pdf www.amatra20.org.br/amatrawi/arquivos/justica_e_seguranca.doc

www.fenassec.com.br/consec_1lugar.pdf www.abrapso.org.br/encontro_abrapso_Folder/Propostas_dos_cursos.doc www.unama.br/graduacao/cursos/Direito/download/GuiaAcademicoSemestral.pdf www.rsirius.uerj.br/boletim2005/Boletim_9.htm http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0511064_07_postextual.pdf http://e-revista.unioeste.br/index.php/educereeteducare/article/download/259/187. http://www6.univali.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=357 www.ufpi.br/picos/uploads/coordenacoes/coord1/mural/File/PROJETO_DE_PESQUISA_MSTRA DO.doc http://sites2.ufal.br/prograd/academico/cursos/campus-maceio/ppcdireito.pdf. www.dibib.ufsj.edu.br/dibib/principal/resultadofinal.pdf www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/556/500 www.cefetmg.br/info/downloads/PrEletronico005.2005LIVROS.pdf www.filosofia.cchla.ufrn.br/costaandrade/doismiletres.html http://www1.capes.gov.br/estudos/dados/2003/20001010/038/2003_038_20001010008P8_Di sc_Ofe.pdf http://engema.up.edu.br/arquivos/engema/pdf/PAP0160.pdf www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/B/Bertani-Rezende-Sakamoto-Silva-Silva_26.pdf http://www.abralic.org.br/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/006/LIGIA_WINTER.pdf o assustador é que esse monstrengo, que acho que foi o mais denunciado de todos, continua à venda em livrarias supostamente respeitáveis como a cultura, a fnac, as livrarias curitiba, a livraria da travessa... aí é complicado: o trêfego bandoleiro admite e readmite o plágio, a imprensa divulga a fraude de norte a sul do país, e as livrarias continuam a vender o livro esse tempo todo, como se nada fosse? e a responsabilidade, onde fica? desde quando é bonito vender coisa roubada? certamente essas livrarias não iriam ficar mais ricas nem mais pobres se parassem de espalhar esse lixo pelo país. e de lambugem ainda poderiam se sentir de consciência tranquila por não estar enganando seus clientes. imagem: parafrasefacil.blogspot.com POSTADO POR DENISE 5 COMENTÁRIOS εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ηιπολιτο eurípedes, hipólito. a. mello e souza (jackson)* b. pietro nassetti (claret) a. vênus: (...) há tempo indo hipólito, da casa de piteu, visitar a ática terra, e ver e assistir aos venerandos mistérios; o viu fedra, nobre esposa de seu pai, e então por arte minha um furioso amor concebeu n'alma. e antes de vir aqui, no mais sublime do rochedo de palas, donde avista esta terra trezênia, um templo a vênus levantou: porque amava amor ausente. os vindouros dirão que ali a deusa, pelo amor a hipólito, foi posta. coa morte dos palântidas, fugindo do sangue derramado à triste mancha, teseu com a consorte aqui aporta, para cumprir seu anual desterro. assim a miseranda, suspirando, e das setas de amor atravessada

morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe. mas este amor não me convém que afrouxe: mostrá-lo-ei a teseu, será sabido. ao meu duro adversário autor da morte será seu mesmo pai; pois que netuno anuiu a teseu, por dom, três vezes todo o voto outorgar que lhe fizesse. sim é ilustre fedra; porém morre: pois o seu mal a mim mais não me importa, que de sorte punir meus inimigos, que um ponto não se ofusque a minha glória. b. vênus: (...) há tempo indo hipólito, da casa de piteu, visitar a ática terra, e ver e assistir aos venerandos mistérios; o viu fedra, nobre esposa de seu pai, e então por arte minha um furioso amor concebeu n'alma. e antes de vir aqui, no mais sublime do rochedo de palas, donde avista esta terra trezênia, um templo a vênus levantou: porque amava amor ausente. os vindouros dirão que ali a deusa, pelo amor a hipólito, foi posta. co'a morte dos palântidas, fugindo do sangue derramado à triste mancha, teseu com a consorte aqui aporta, para cumprir seu anual desterro. assim a miseranda, suspirando, e das setas de amor atravessada morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe. mas este amor não me convém que afrouxe: mostrá-lo-ei a teseu, será sabido. ao meu duro adversário autor da morte será seu mesmo pai; pois que netuno anuiu a teseu, por dom, três vezes todo o voto outorgar que lhe fizesse. sim é ilustre fedra; porém morre: pois o seu mal a mim mais não me importa, que de sorte punir meus inimigos, que um ponto não se ofusque a minha glória. * na verdade, mello e souza adverte em seu prefácio que se trata de uma tradução portuguesa antiga de autoria desconhecida imagem: valérie dréville no papel da fedra de racine POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 19/02/2009 εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ελεψτρα electra, além de prantear o pai, demonstra seu pesar em cair nas garras de μαρτιν ψλαρετ e seu fâmulo πιετρο νασσεττι.

eurípedes, electra: a. trad.: j.b. de mello e souza (jackson/ediouro) b. plágio: pietro nassetti (martin claret)

a. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamêmnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de focéia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira. b. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamemnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de foceia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira. e por aí vai, um embuste do começo ao fim. imagem: richmond, electra, wikimedia.commons POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 18/02/2009 εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - αλψεστε um bom tempo atrás, a clássicos jackson publicou eurípedes nas famosas traduções, acompanhadas de introdução e notas, de j. b. de mello e souza. essas traduções continuam ativas no catálogo da ediouro. como o sr. μαρτιν ψλαρετ tem uma compulsão irrefreável em se apropriar do alheio, ele resolveu copiar alceste, electra e hipólito da jackson/ediouro e tascou o nome de seu inseparável companheiro πιετρο νασσεττι. e nós leitorinhos, em nossa irrefreável compulsão masoquista, pagamos caro por mais um lesa-memória e perdemos mais uma chance de ir formando um mínimo de bagagem cultural. eurípedes, alceste introdução

1. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo. alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega nos apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (j. b. mello e souza) 2. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo. alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega os apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (πιετρο νασσεττι) 1. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis, porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Ciclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso, — o filho de Feres — eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades. Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai, e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (j. b. mello e souza) 2. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Cíclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso — o filho de Féres —, eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades. Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (πιετρο νασσεττι) imagem: sinodal.com.br

POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS tegan e sara neles POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS sócrates na claret por favor, algum excelso filósofo saberia me informar que obra é esta? PESQ UISA NO CADASTRO DO ISBN ISBN: 85-7232-444-5 TÍTULO: METAFISICA DA MORTE AUTOR: SOCRATES TRADUTOR: NASSETTI, PIETRO PÁGINAS: NÃO INFORMADO EDITORA: MARTIN CLARET agora é plágio retroativo? sócrates, que nunca escreveu nada, resolveu copiar schopenhauer? sr. claret, preste mais atenção nas coisas, peço-lhe encarecidamente! não deseduque e desensine tanto as pessoas! que desprezo pelo leitor, que acinte para com nossas instituições, que vergonha para o país! imagem: www.hightech.com POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS 17/02/2009 tom sawyer e os piratas pois tom sawyer caiu na conversa dos bandoleiros, e a tradução de luísa derouet foi pirateada pelo incorrigível pietro nassetti. mark twain, as aventuras de tom sawyer: a. luísa derouet (portugália) b. pietro nassetti (martin claret) a. as tardes de Verão são muito compridas. ainda não estava escuro. pouco depois, ao ver na sua frente um rapaz mais alto do que ele, tom moderou o tom do assobio. qualquer recém-chegado, fosse qual fosse a sua idade ou sexo, era um acontecimento impressionante na pequena aldeia de são petersurgo. além disso, aquele rapaz estava bem vestido - bem vestido num dia de semana -, o que era simplesmente espantoso. o boné era uma coisa linda, e o casaco, de pano azul e todo abotoado, era novo e bem feito, assim como as calças. tinha sapatos calçados, apesar de ser só sexta-feira. até trazia gravata, feita de um bocado de fita de cor. tinha um ar citadino que indignava tom. quanto mais olhava para aquela esplêndida maravilha, quanto mais arrebitava o nariz a olhar para tanto luxo, mais pobre e mesquinho lhe parecia o seu próprio fato. nenhum deles falava. se um se mexia, o outro mexia-se também, mas sem deixarem de estar em frente um do outro nem de se olhar. (pp. 7-8) o desconhecido afastou-se sacudindo o pó do fato, soluçando e fungando; de quando em quando olhava para trás com um movimento de cabeça que representava uma ameaça do que faria a tom na primeira ocasião em que o apanhasse de jeito. tom respondeulhe com motejos e seguiu o seu caminho muito contente, mas, logo que se virou, o desconhecido pegou uma pedra e atirou-a, acertando-lhe com ela no meio das coistas. em seguida, deitou a correr como um antílope. tom foi atrás dele até casa, e ficou sabendo onde morava. aí ficou algum tempo junto do portão, desafiando-o para tornar a sair, mas o inimigo só lhe fez caretas através da vidraça da janela e desapareceu. (p. 10) descobrira, sem o saber, uma grande lei que rege a Humanidade e que é: para se conseguir que um homem ou um rapaz cobice uma coisa, basta tornar essa coisa difícil de obter. se fosse um grande e sábio filósofo, como o autor deste livro, teria compreendido então que trabalho consiste em tudo que se é obrigado a fazer e que prazer

consiste naquilo que não se é obrigado a fazer. este raciocínio tê-lo-ia ajudado a entender por que se chama trabalho aos trabalhos forçados e a fazer flores artificiais, enquanto que jogar o berlinde ou escalar o monte branco não passa de um divertimento. há senhores muito ricos, em inglaterra, capazes de guiar carros de passageiros puxados por quatro cavalos num caminho de vinte ou trinta milhas todos os dias no Verão, porque para isso têm de pagar uma quantia considerável, mas que se recusariam a fazê-lo se lhes oferecessem um ordenado, pois isso passaria então a ser considerado trabalho. (p. 15) b. as tardes de verão são muito compridas. ainda não estava escuro. pouco depois, tom moderou o seu assobio, vendo na sua frente um menino pouco mais alto do que ele. qualquer recém-chegado, fosse qual fosse a sua idade ou sexo, era um acontecimento impressionante na pequena vila de são petersurgo. além disso, aquele rapaz estava bem vestido - considerando-se que era um dia de semana -, o que era simplesmente espantoso. o boné era uma coisa linda, e o casaco, de pano azul e todo abotoado, era novo e bem-feito, assim como as calças. calçava sapatos, apesar de ser só sexta-feira. usava até gravata, feita de um pedaço de fita de cor. tinha um ar citadino que indignava tom. quanto mais olhava para aquela esplêndida maravilha, quanto mais arrebitava o nariz a olhar para tanto luxo, mais pobre e mesquinha lhe parecia a sua própria roupa. nenhum deles falava. se um se mexia, o outro também, mas sem deixarem de estar em frente um do outro nem de se olhar. (p. 16) o desconhecido afastou-se, sacudindo o pó da roupa, soluçando e fungando; de vez em quando olhava para trás com um movimento de cabeça que representava uma ameaça do que faria a tom na primeira ocasião em que o apanhasse de jeito. tom respondeulhe com motejos e seguiu o seu caminho muito contente, mas, logo que se virou, o desconhecido pegou uma pedra e atirou-a, acertando-lhe com ela no meio das coistas. em seguida, deitou a correr como um louco. tom foi atrás dele até vê-lo entrar em casa, e ficou sabendo onde morava. aí ficou algum tempo junto do portão, desafiando-o para tornar a sair, mas o inimigo só lhe fez caretas através da vidraça da janela e desapareceu. (p. 18) descobrira, sem o saber, uma grande lei que rege a humanidade e que é: para se conseguir que um homem ou um menino cobice uma coisa, basta tornar essa coisa difícil de obter. se fosse um grande e sábio filósofo, como o autor desse livro, teria compreendido então que trabalho consiste em tudo que se é obrigado a fazer e que prazer consiste naquilo que não se é obrigado a fazer. este raciocínio tê-lo-ia ajudado a entender por que se chama trabalho aos trabalhos forçados e ao fazer flores artificiais, enquanto jogar pino ou escalar o monte branco não passa de divertimento. há senhores muito ricos, na inglaterra, capazes de guiar carros de passageiros puxados por quatro cavalos num caminho de vinte ou trinta milhas todos os dias no verão, porque para isso têm de pagar uma quantia considerável, mas que se recusariam a fazê-lo se lhes oferecessem um ordenado, pois isso passaria então a ser considerado trabalho. (p. 23) imagens: www.picture-book.com; www.willcad.org POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 16/02/2009 balzac na claret a mulher de trinta anos nas edições da nova cultural tinha um duplo plágio: 1. enrico corvisieri na coleção imortais da literatura, 1995 2. gisele donat soares na coleção obras-primas, 2003 ambos são cópia atamancada da tradução de josé maria maria machado, pelo clube do livro.

já a mulher de trinta anos na edição claretiana, com plágio em nome de pietro nassetti, preferiu garfar a globo, com tradução de casimiro fernandes e wilson lousada, além de prefácio e notas de paulo rónai (aqui cit. na edição de 1948). a. A magnífica parada comandada pelo imperador devia ser a última daquelas que por tanto tempo exaltaram a admiração dos parisienses e dos estrangeiros. A velha guarda ia executar, pela última vez, as sábias manobras cuja pompa e precisão espantaram algumas vezes até o próprio gigante, que se preparava então para o seu duelo com a Europa. Um triste sentimento levava às Tulherias uma brilhante e curiosa população. Cada um parecia adivinhar o futuro, e pressentia talvez que mais de uma vez a imaginação teria que retraçar o quadro daquela cena, quando os tempos heróicos da França adquirissem, como hoje, tintas quase fabulosas. (fernandes/lousada, p. 515) b. A magnífica parada comandada pelo imperador devia ser a última daquelas que por tanto tempo exaltaram a admiração dos parisienses e dos estrangeiros. A velha guarda ia executar, pela última vez, as sábias manobras cuja pompa e precisão espantaram algumas vezes até o próprio gigante, que se preparava então para o seu duelo com a Europa. Um triste sentimento levava às Tulherias uma brilhante e curiosa população. Todos pareciam adivinhar o futuro, e pressentiam talvez que, mais de uma vez, a imaginação teria que retraçar o quadro daquela cena, quando os tempos heróicos da França adquirissem, como hoje, cores quase fabulosas. (nassetti, p. 19) a. Uma mulher moça, célebre em Paris por sua graça, por sua beleza e por seus dotes de espírito, e cuja posição social e fortuna estavam em harmonia com a sua celebridade, veio, com grande espanto do vilarejo situado a cerca de uma milha de Saint-Lange, estabelecer-se ali em fins do anos de 1820.39 Desde tempos imemoriais que os rendeiros e camponeses não viam os donos do castelo. Se bem que de uma produção considerável, as terras estavam abandonadas aos cuidados de um administrador e guardadas por velhos serviçais. Por isso, a viagem da senhora marquesa causou uma certa sensação na região. Muitas pessoas tinham-se agrupado na entrada da vila, no pátio de um albergue situado no entroncamento das estradas de Nemours e Moret, para verem passar uma caleça que avançava lentamente, pois a marquesa viera de Paris com os seus cavalos. No assento dianteiro, a criada de quarto fazia companhia a uma menina mais tristonha do que risonha. A mão vinha no fundo da carruagem, imóvel como um moribundo que os médicos tivessem enviado para o campo. (fernandes/lousada, p. 570) 39. 1820. Esta data parece errada; deveria ser substituída por 1823, pois a morte de Artur ocorreu nesse ano. Cf. também a nota seguinte. [obs.: a nota é de paulo rónai] b. Uma mulher moça, célebre em Paris por sua graça, por sua beleza e por seus dotes de espírito, e cuja posição social e fortuna estavam em harmonia com a sua celebridade, veio, para grande espanto do vilarejo situado a cerca de uma milha de Saint-Lange, estabelecer-se ali em fins do anos de 1820.1 Desde tempos imemoriais que os rendeiros e camponeses não viam os donos do castelo. Apesar de ter um rendimento considerável, as terras estavam abandonadas aos cuidados de um administrador e guardadas por velhos serviçais. Por isso, a viagem da senhora marquesa causou uma certa sensação na região.

Muitas pessoas tinham-se agrupado na entrada da vila, no pátio de um albergue situado no entroncamento das estradas de Nemours e Moret, para verem passar a carruagem, que avançava lentamente, pois a marquesa viera de Paris com os seus cavalos. No assento dianteiro, a criada de quarto fazia companhia a uma menina mais tristonha que risonha. A mão vinha no fundo, imóvel como um moribundo que os médicos tivessem enviado para o campo. (nassetti, pp. 73-74) 1. 1820. Esta data parece errada; deveria ser substituída por 1823, ano em que ocorreu a morte de Artur. imagem: migas-bdc.blogger.com.br POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 15/02/2009 eleições da cbl deu no blog do galeno: "Por conta da forte presença da CBL nos últimos anos nas grandes discussões sobre as políticas públicas do livro e leitura no Brasil, as eleições deste ano revestem-se de importância estratégica para a consolidação da questão do livro e da leitura no Brasil." já manifestei meu espanto com a candidatura da landmark e da leitura/geração ao comando da cbl. o sr. luiz emediato, do grupo geração, prometeu de público providências contra as fraudes no selo "jardim dos livros". já o sr. fábio cyrino, da landmark, responsável pela publicação dos plágios de persuasão e o morro dos ventos uivantes, continua a se fazer de mortinho. mas, qualquer chapa que vença, entendo que o compromisso básico da câmara brasileira do livro é com o livro (honesto, ça va sans dire) e com o leitor. imagem: matisse, www.peabirus.com.br POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 14/02/2009 pensadores, xenofonte II xenofonte, apologia de sócrates 1. trad. líbero rangel de andrade, abril cultural, sob licença 2. "trad." mirtes coscodai ou não consta, nova cultural, "direitos exclusivos" 1. líbero rangel de andrade p. 181: É de crer que tanto Sócrates como aqueles de seus amigos que falaram em sua defesa dissessem ainda muitas outras coisas. Mas não me propus desfiar todos os pormenores do processo; basta-me ter feito ver que Sócrates tomara por ponto demonstrar que jamais fora ímpio para com os deuses nem injusto para com os homens, mas que longe dele pensar rebaixar-se a súplicas para escapar à morte: ao contrário, desde logo se persuadira haver chegado a hora de morrer. p. 182: Atos contra os quais a lei pronuncia a morte, como a profanação dos templos, o roubo com efração, a venda de homens livres, a traição à pátria, meus próprios acusadores não ousam dizer que os haja cometido. Surpreso, pois, pergunto a mim mesmo qual o crime por que me condenais à morte. Nem por morrer injustamente devo ter-me em menor estima: não sobre mim, mas sobre os que me condenam cairá a ignomínia. Demais, consolo-me com Palamedes que findou quase como eu. Até hoje ainda lhe cantam hinos mais magníficos que a Ulisses, que o fez perecer injustamente.

p. 183: Acompanhava-o certo Apolodoro, alma simples e extremamente afeiçoada a Sócrates, que lhe disse: — Não posso suportar, Sócrates, ver-te morrer injustamente. Então se diz que, passando-lhe de leve a mão pela cabeça, Sócrates respondeu: — Como! Meu caro Apolodoro então preferias ver-me morrer justamente? E ao mesmo tempo sorria. É voz ainda que, vendo passar Ânito, disse: — Vejam só como vai ufano aquele homem: crê ter realizado bela façanha em me matando, por haver-lhe eu dito certo dia que, uma vez que fora levado às primeiras dignidades da República, não ficava bem elevar o filho ao mister de tanoeiro. Miserável! Parece ignorar que, de nós dois, verdadeiro vencedor é aquele que durante toda a vida não cessou de praticar ações úteis e honestas.

2. ambíguo: mirtes coscodai na página de rosto; não consta no início do texto p. 278: É de acreditar que tanto Sócrates como os seus amigos que falaram em sua defesa dissessem ainda muitas outras coisas. Mas não me propus alinhavar todos os pormenores do processo; basta-me ter feito ver que Sócrates tomara por ponto demonstrar que nunca havia sido ímpio para com os deuses nem injusto para com os homens, mas que longe dele pensar rebaixar-se a súplicas para escapar à morte: ao contrário, desde logo se convencera haver chegado o momento de morrer. pp. 278-79: Atos contra os quais a lei pronuncia a morte, como a profanação dos templos, o roubo, a venda de homens livres, a traição à pátria, meus próprios acusadores não ousam dizer que os tenha cometido. Surpreso, pois, indago a mim mesmo qual o crime por que me condenais à morte. Nem por morrer injustamente devo ter-me em menor estima: não sobre mim, mas sobre os que me condenam cairá a ignomínia. Ademais, consolo-me com Palamedes que acabou quase como eu. Até hoje ainda lhe cantam hinos mais estupendos do que a Ulisses, que o fez morrer injustamente. p. 281: Acompanhava-o certo Apolodoro, alma simples e extremamente afeiçoada a Sócrates, que lhe disse: — Não posso aguentar, Sócrates, ver-te morrer injustamente. Então dizem que, passando-lhe de leve a mão pela cabeça, Sócrates respondeu: — Meu caro Apolodoro, então preferias ver-me morrer justamente? E ao mesmo tempo sorria. Dizem ainda que, vendo passar Ânito, disse: — Vejam só como vai orgulhoso aquele homem: julga haver realizado bela façanha em me matando, por haver-lhe eu dito certo dia que, uma vez que fora levado às primeiras dignidades da República, não ficava bem elevar o filho ao ofício de tanoeiro. Miserável! Parece ignorar que, de nós dois, verdadeiro vencedor é aquele que durante toda a vida não parou de praticar ações úteis e honestas. imagem: www.digitaldrops.com.br POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 13/02/2009 pensadores, xenofonte I xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates 1. trad. líbero rangel de andrade, abril cultural sob licença (a partir da trad. francesa de eugène talbot) 2. "trad." mirtes coscodai, nova cultural, "direitos exclusivos"

1. líbero rangel de andrade pp. 59-6o: A que testemunho, afinal, recorreram para provar que ele não honrava os deuses do Estado; se fazia sacrifícios freqüentes às abertas, ora em sua casa, ora nos altares públicos; se praceiramente recorria à arte divinatória? Corria a voz, ateada pelo próprio Sócrates, de que o inspirava um demônio[1]: eis, sem dúvida, por que o criminaram de introduzir extravagâncias demoníacas. No entanto, não introduzia ele mais novidades do que todos aqueles que crêem na adivinhação e interrogam o vôo das aves, as vozes, os signos e as entranhas das vítimas: não supõem nas aves nem naqueles com que se encontram o conhecimento do que buscam, mas acreditam que por seu intermédio lho revelam os deuses; Sócrates também pensava o mesmo. Diz o vulgo que as aves e os encontros nos advertem se devemos prosseguir ou retroceder no que temos de olho: Sócrates falava o que sentia, dizendo-se inspirado por um demônio. E de acordo com as revelações desse demônio aconselhava aos amigos o fazer certas coisas, o abster-se de outras. Só tinham a ganhar os que o ouviam. Arrependiam-se os que nele não acreditavam. Claro que não havia de querer passar por imbecil nem por impostor aos olhos de seus discípulos. E imbecil e impostor ter-se-ia tornado, se predissesse coisas como reveladas por um deus e em seguida fosse desmentido. Evidente, portanto, é que se absteria de predizer caso não estivesse certo de falar verdade. Ora, o que lhe inspiraria esta certeza senão um deus? E se tinha fé nos deuses, como poderia negar-lhes a existência? [1] - Demônio: gênio bom ou divindade, e não o sentido posterior de gênio do mal. (N. do E.) p. 70: Mas Sócrates — diz seu acusador — destruía nas crianças o respeito filial, convencendo seus discípulos de que os tornava mais hábeis que seus pais, dizendolhes que a lei permite encarcerar o pai convicto de loucura, para provar o que dizia que ao homem instruído assiste o direito de encadear o ignorante. Longe disso, achava Sócrates que o indivíduo que sob capa de ignorância acorrentasse outro, merecia ser acorrentado a seu turno pelo primeiro que soubesse mais que ele. Eis por que examinava de cotio em que difere a ignorância da loucura, parecen-do-lhe não se proceder erradamente encarcerando os loucos — em seu próprio interesse e de seus amigos — ao passo que os ignorantes devem aprender o de que necessitam da boca dos que sabem. p. 80: "[...] Não é um dever, para todo aquele que saiba ser a temperança o cimento da virtude, o encastoá-la antes de tudo na própria alma? Sem ela, como discernir o bem e praticá-lo dignamente? O escravo das próprias paixões não degrada vergonhosamente o corpo e o espírito? Parece-me, por Juno!, que todo homem livre deve pedir aos deuses não venha a ter um escravo tal, e todo escravo das próprias paixões encontre bons senhores; do contrário estará perdido". Eis o que dizia, e suas ações mais que suas palavras testemunhavam sua temperança: sobranceiro não somente aos prazeres dos sentidos como também ao que busca a riqueza, achava que receber dinheiro do primeiro que aparece é comprar um senhor e sujeitar-se à mais ignominiosa servidão.

2. mirtes coscodai p. 79: A que testemunho, afinal, recorreram para provar que ele não honrava os deuses do Estado; se fazia sacrifícios freqüentes às abertas, ora em sua casa, ora nos altares públicos; se praceiramente recorria à arte divinatória? Corria a voz, ateada pelo próprio Sócrates, de que o inspirava um demônio: eis, sem dúvida, por que o culparam de introduzir extravagâncias demoníacas. Contudo, não introduzia

ele mais novidades do que todos aqueles que acreditam na adivinhação e interrogam o vôo das aves, as vozes, os signos e as entranhas das vítimas: não supõem nas aves nem naqueles com que se encontram o conhecimento do que buscam, mas crêem que por seu intermédio lho revelam os deuses; Sócrates também pensava o mesmo. Diz o vulgo que as aves e os encontros nos advertem se devemos prosseguir ou retroceder no que temos de olho: Sócrates falava o que sentia, dizendo-se inspirado por um demônio. E de acordo com as revelações desse demônio aconselhava aos amigos o fazer certas coisas, o abster-se de outras. Só tinham a ganhar os que ouviam. Arrependiam-se os que nele não acreditavam. Claro que não havia de querer passar por imbecil nem por impostor aos olhos de seus discípulos. E imbecil e impostor ter-se-ia tornado, se predissesse coisas como reveladas por um deus e em seguida fosse desmentido. Evidente, então, é que se absteria de predizer caso não estivesse certo de falar verdade. Ora, o que lhe inspiraria esta certeza senão um deus? E se tinha fé nos deuses, como poderia negar-lhes a existência? pp. 94-95: Mas Sócrates — diz seu acusador — destruía nas crianças o respeito filial, convencendo seus discípulos de que os tornava mais hábeis que seus pais, dizendolhes que a lei permite encarcerar o pai convicto de loucura, para provar o que dizia que ao homem instruído assiste o direito de encadear o ignorante. Longe disso, julgava Sócrates que o indivíduo que sob capa de ignorância acorrentasse outro, merecia ser acorrentado a seu turno pelo primeiro que soubesse mais que ele. Eis por que examinava cotidianamente em que difere a ignorância da loucura, parecen-do-lhe não se agir erradamente encarcerando os loucos, em seu próprio interesse e de seus amigos, ao passo que os ignorantes devem aprender o de que necessitam da boca dos que sabem. p. 110: "[...] Não é um dever, para todo aquele que saiba ser a temperança o cimento da virtude, o engastá-la antes de tudo na própria alma? Sem ela, como distinguir o bem e praticá-lo dignamente? O escravo das próprias paixões não degrada vergonhosamente o corpo e o espírito? Parece-me, por Juno!, que todo homem livre deve pedir aos deuses não venha a possuir um escravo tal, e todo escravo das próprias paixões encontre bons senhores; do contrário estará perdido". Eis o que dizia, e seus atos mais que suas palavras testemunhavam sua temperança: superior não apenas aos prazeres dos sentidos como também ao que busca a riqueza, achava que receber dinheiro do primeiro que aparece é comprar um senhor e sujeitar-se à mais vergonhosa servidão. imagem: www.famousplagiarists.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 12/02/2009 pela memória e pela história matisse se você também não gosta de plágio e quiser deixar seu nome, escreva seu recado aqui nos comentários deste post. data original de postagem: 28/11/08 POSTADO POR DENISE 104 COMENTÁRIOS pensadores, platão 1. platão, defesa de sócrates, trad. jaime bruna, abril cultural sob licença 2. platão, apologia de sócrates, "trad." enrico corvisieri, nova cultural publicada em duplicidade no volume "sócrates" e no volume "platão"

esta edição da nova cultural, com tradução atribuída a enrico corvisieri, começou a circular em 1999. o padrão desse plágio usa três recursos: a cópia pura e simples, a "tradução por sinonímia", isto é, troca simples de termos, e em alguns trechos um copidesque mais carregado, mas sempre mantendo visível a estrutura de base. 1. jaime bruna, "exórdio", abril cultural, pp. 33-34: Não sei, Atenienses, que influência exerceram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer quem sou, tal a força de persuasão de sua eloqüência. Verdade, porém, a bem dizer, não proferiram nenhuma. Uma, sobretudo, me assombrou das muitas aleivosias que assacaram: a recomendação de cautela para não vos deixardes embair pelo orador formidável que sou. Com efeito, não corarem de me haver eu de desmentir prontamente com os fatos, ao mostrar-me um orador nada formidável, eis o que me pareceu o maior de seus descaramentos, salvo se essa gente chama formidável a quem diz a verdade; se é o que entendem, eu cá admitiria que, em contraste com eles, sou um orador. Seja como for, repito-o, verdade eles não proferiram nenhuma ou quase nenhuma; de mim, porém, vós ides ouvir a verdade inteira. Mas não, por Zeus, Atenienses, não ouvireis discursos como os deles, aprimorados em nomes e verbos, em estilo florido; serão expressões espontâneas, nos termos que me ocorrerem, porque deposito confiança na justiça do que digo; nem espere outra coisa quem quer de vós. Deveras, senhores, não ficaria bem, a um velho como eu, vir diante de vós plasmar seus discursos como um rapazola. Façovos, no entanto, um pedido, Atenienses, uma súplica premente; se ouvirdes, na minha defesa, a mesma linguagem que habitualmente emprego na praça, junto das bancas, onde tantos dentre vós me tendes escutado, e noutros lugares, não a estranheis nem vos amotineis por isso. Acontece que venho ao tribunal pela primeira vez aos setenta anos de idade; sinto-me, assim, completamente estrangeiro à linguagem do local. Se eu fosse de fato um estrangeiro, sem dúvida me desculparíeis o sotaque e o linguajar de minha criação; peço-vos nesta ocasião a mesma tolerância, que é de justiça a meu ver, para minha linguagem — que poderia ser talvez pior, talvez melhor — e que examineis com atenção se o que digo é justo ou não. Nisso reside o mérito de um juiz; o de um orador, em dizer a verdade. 2. enrico corvisieri, "exortação", nova cultural, pp. 65-66: Desconheço, atenienses, que influência tiveram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer quem sou, tal o poder de persuasão de sua eloqüência. De verdades, porém, não disseram nenhuma. Uma, sobretudo, me espantou das muitas perfídias que proferiram: a recomendação de precaução para não vos deixardes seduzir pelo orador formidável que sou. Com efeito, não corarem de me haver eu de desmentir prontamente com os fatos, ao mostrar-me um orador nada formidável, eis o que me pareceu a maior de suas insolências, salvo se essa gente chama formidável a quem diz a verdade; se é o que entendem, eu admitiria que, em contraste com eles, sou um orador. Seja como for, repito-o, de verdades eles não disseram alguma; de mim, porém, vós ouvireis a verdade inteira. Mas não, por Zeus, atenienses, não ouvireis discursos como os deles, aprimorados em substantivos e verbos, em estilo florido; serão expressões espontâneas, nos termos que me ocorrerem, porque deposito confiança na justiça do que digo; nem espere outra coisa qualquer um de vós. Verdadeiramente, senhores, não ficaria bem, a um velho como eu, vir diante de vós modelar seus discursos como um rapazinho. Faço-vos, contudo, um pedido, atenienses, uma súplica premente; se ouvirdes, na minha defesa, a mesma linguagem que habitualmente emprego na praça, junto das bancas, onde tantos dentre vós me haveis escutado, e em outros lugares, não a estranheis nem vos revolteis por isso. Acontece que venho ao tribunal pela primeira vez aos setenta anos de idade; sinto-me, assim, completamente estrangeiro à linguagem do local. Se eu fosse de fato um estrangeiro, sem dúvida me desculparíeis o sotaque e o linguajar de minha criação; peço-vos nesta ocasião a mesma tolerância, que é de justiça a meu ver, para a minha linguagem, que poderia ser talvez pior, talvez

melhor, e que examineis com atenção se o que digo é justo ou não. Nisso reside o mérito de um juiz; o de um orador, em dizer a verdade. 1. jaime bruna, "aos que o absolveram", abril cultural, p. 58: Vós também, senhores juízes, deveis bem esperar da morte e considerar particularmente esta verdade: não há, para o homem bom, nenhum mal, quer na vida, quer na morte, e os deuses não descuidam de seu destino. O meu não é efeito do acaso; vejo claramente que era melhor para mim morrer agora e ficar livre de fadigas. Por isso é que a advertência nada me impediu. Não me insurjo absolutamente contra os que votaram contra mim ou me acusaram. Verdade é que não me acusaram e condenaram com esse modo de pensar, mas na suposição de que me causavam dano: nisso merecem censura. Contudo, só tenho um pedido que lhes faça: quando meus filhos crescerem, castigai-os, atormentai-os com os mesmíssimos tormentos que eu vos infligi, se achardes que eles estejam cuidando mais da riqueza ou de outra coisa que da virtude; se estiverem supondo ter um valor que não tenham, repreendei-os, como vos fiz eu, por não cuidarem do que devem e por suporem méritos, sem ter nenhum. Se vós o fizerdes, eu terei recebido de vós justiça; eu, e meus filhos também. Bem, é chegada a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem segue melhor rumo, se eu, se vós, é segredo para todos, menos para a divindade. 2. enrico corvisieri, "aos que o absolveram", nova cultural, pp. 96-97: Vós também, senhores juízes, deveis bem esperar da morte e considerar particularmente esta verdade: não há, para o homem bom, mal algum, quer na vida, quer na morte, e os deuses não descuidam de seu destino. O meu não é consequência do acaso; vejo claramente que era melhor para mim morrer agora e ficar livre de fadigas. Por isso é que a advertência nada me impediu. Não me insurjo absolutamente contra os que votaram contra mim ou me acusaram. Verdade é que não me acusaram e condenaram com esse modo de pensar, mas na suposição de que me causavam dano: nisso merecem censura. No entanto, só tenho um pedido que a lhes fazer: quando meus filhos crescerem, castigai-os, atormentai-os com os mesmíssimos tormentos que eu vos infligi, se achardes que eles estejam cuidando mais da riqueza ou de outra coisa que da virtude; se estiverem supondo ter um valor que não tenham, repreendei-os, como vos fiz eu, por não cuidarem do que devem e por suporem méritos, sem ter nenhum. Se vós assim agirdes, eu terei recebido de vós justiça; eu, e meus filhos também. Bem, é chegada a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem segue melhor destino, se eu, se vós, é segredo para todos, exceto para a divindade. imagens: cienciabrasil.blogspot.com; thepickards.com.uk POSTADO POR DENISE 3 COMENTÁRIOS 11/02/2009 o contexto II continuando. I. sobre os autores e a ordem das obras os quarenta autores publicados na coleção os pensadores da nova cultural (20042005) foram selecionados entre os 114 autores da coleção original da abril cultural. na programação inicial da nc, que previa apenas 20 volumes, os autores foram escolhidos entre os 58 autores dos 35 volumes iniciais da coleção da abril cultural (sem contar os pré-socráticos, que são quinze). o critério de ordenamento é claramente cronológico, e segue o mesmo recorte temporal da coleção de 1972-75. claro que sempre se pode indagar dos critérios empregados para incluir uns e excluir outros, mas não é disso que se trata.

com a ampliação do projeto para 40 volumes, fica evidente que, a partir do vigésimo-primeiro volume, teve-se por bem abandonar o critério de ordenamento cronológico. mas não consegui discernir com clareza qual teria sido o critério que veio a substituí-lo: rousseau de cambulhada entre pavlov e husserl, santo anselmo se sucedendo a heidegger, a coleção se encerrando com os pré-socráticos seguidos de montesquieu. II. sobre os títulos quanto ao conteúdo propriamente dito das obras, não comparei todas elas. mas, até onde vi, corresponde ao das edições selecionadas entre a coleção original - salvo as seguintes exceções: - platão a. abril cultural: diálogos: o banquete, fédon, sofista, político b. nova cultural: diálogos: eutífron, apologia de sócrates*, críton, fédon * cabe notar que há a repetição da apologia, que já estava no volume 1 (sócrates) da nova cultural - platão II a. abril cultural: ---b. nova cultural: a república (a título de brinde, acompanhando platão I) - aristóteles a. abril cultural: (vol. I) tópicos, dos argumentos sofísticos; (vol. II) metafísica. ética a nicômaco, poética b. nova cultural: poética, organon, política, constituição de atenas (volume único) III. sobre as traduções quanto às traduções usadas pela abril cultural, várias foram publicadas sob licença de outras editoras, devidamente creditadas, e muitas outras foram feitas expressamente para a coleção, idem. comparei a lista das traduções dos títulos comuns às duas coleções. em sua maioria, são as mesmas, mas com uma ressalva: em casos de traduções licenciadas de outras editoras, não há qualquer menção à licença e tampouco a seus nomes como detentoras dos direitos de publicação (em outros termos, se não for simples desleixo, essa omissão parece talvez indicar contrafação ou reprodução nãoautorizada). já nos casos das traduções feitas para a antiga coleção da abril cultural, consta "direitos exclusivos sobre as traduções deste volume: editora nova cultural ltda." eu disse acima: "em sua maioria, são as mesmas". as exceções são as seguintes: - sócrates a. abril cultural: platão, defesa de sócrates (jaime bruna) xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (líbero rangel de andrade) xenofonte, apologia de sócrates (líbero rangel de andrade) b. nova cultural: platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri) xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai) xenofonte, apologia de sócrates (ambíguo: consta mirtes coscodai na página de rosto e não consta no começo da obra)

- aristóteles a. abril cultural: poética (eudoro de souza) b. nova cultural: poética (baby abrão) - maquiavel a. abril cultural: o príncipe (lívio xavier) escritos políticos (lívio xavier) b. nova cultural: o príncipe (olívia bauduh) escritos políticos (olívia bauduh) - descartes a. abril cultural: discurso do método (jacó guinsburg e bento prado jr.) meditações (jacó guinsburg e bento prado jr.) paixões da alma (jacó guinsburg e bento prado jr.) b. nova cultural: discurso do método (enrico corvisieri) meditações (enrico corvisieri) paixões da alma (enrico corvisieri) - pascal a. abril cultural: pensamentos (sérgio milliet) b. nova cultural: pensamentos (olívia bauduh) IV. sobre as traduções dos títulos novos quanto às sete obras que não constavam na coleção da abril cultural, e foram introduzidas na coleção da nova cultural, as respectivas traduções são de: platão, eutífron: ambíguo - enrico corvisieri/ não consta platão, críton: ambíguo - enrico corvisieri/ não consta platão, fédon: ambíguo - enrico corvisieri/ não consta platão, a república: enrico corvisieri aristóteles, organon: pinharanda gomes aristóteles, política: baby abrão e therezinha deutsch aristóteles, constituição de atenas: therezinha deutsch V. resumindo há, portanto, 17 obras publicadas na coleção os pensadores da nova cultural que não constavam ou constavam em outras traduções na coleção original da abril cultural. entre as traduções dessas 17 obras: - pinharanda gomes é um estudioso português, cuja tradução do organon teve sua primeira edição em 1985, pela guimarães. aparentemente a nova cultural teria comprado os direitos da guimarães, pois afirma ser a detentora dos "direitos exclusivos sobre as traduções deste volume" de aristóteles. mas tenho algumas dúvidas, e acharia mais provável que se trate de uma contrafação, visto que organon de pinharanda gomes continua ativo no catálogo da guimarães. - 12/16 obras aparecem em novas traduções. - 4/0 obras não mencionam os créditos de tradução.

sobre elas pretendo me debruçar um pouco nos próximos dias. imagem: lugardoconhecimento.wordpress.com POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS o contexto I o lançamento da coleção os pensadores da abril cultural começou em 1972 e se estendeu até 1975, num projeto de grande fôlego coordenado por josé américo pessanha. a coleção contou com o trabalho de acompanhamento, consultoria, seleção e tradução de dezenas e dezenas de intelectuais do mais alto nível. foi uma iniciativa muito importante, que marcou época, introduzindo no brasil autores, obras e excertos de obras do pensamento até então indisponíveis no país. tornaramse de fato livros de imensa utilidade para o ensino nas mais diversas áreas de graduação e para quem queria se enfronhar um pouco em filosofia, teoria econômica, teoria política, antropologia, lógica, psicologia, psicanálise, teoria da linguagem etc. a coleção era composta por 52 volumes, com textos de 114 pensadores no total (pois diversos volumes traziam textos de dois ou mais pensadores), com apresentação em ordem cronológica. teve inúmeras reedições, e muitos textos realmente se tornaram obras de referência. após a extinção da abril cultural, a nova cultural não interrompeu a publicação dos títulos herdados na partilha, reeditando-os à medida que iam se esgotando. mas, neste processo, foram se registrando várias mudanças em relação a os pensadores originais: no escopo, na abrangência temática, na quantidade de obras ou excertos de cada pensador, na apresentação, na qualidade técnica, material e editorial. em suma, foi se tornando um fantasma pálido do projeto inicial. no final dos anos 1990, a coleção da nova cultural começou rapidamente a perder credibilidade nos meios acadêmicos e entre os aficionados de obras do pensamento. em 2004, veio a iniciativa da nova cultural em "relançar" a coleção com grande campanha de marketing e propaganda. de início, a coleção se resumiria a 20 volumes e 20 pensadores, além de uma obra adicional chamada história da filosofia. devido ao sucesso alcançado, a editora decidiu ampliar a coleção para 40 volumes, acrescentando mais outra obra chamada grandes filósofos, totalizando 42 volumes. a coleção os pensadores da nova cultural estava a cargo da coordenadora editorial janice florido e do editor eliel silveira cunha, os mesmos de triste memória que em 2002-2003 tinham estado à frente da infeliz coleção obras-primas. com a diferença, porém, que desta feita não havia o patrocínio da suzano celulose. projeto inicial de lançamento em 2004: 1. Sócrates 2. Platão 3. Aristóteles 4. Santo Agostinho 5. São Tomás de Aquino Volume extra: História da filosofia 6. Maquiavel 7. Thomas More 8. Galileu 9. Montaigne 10. Thomas Hobbes 11. Descartes 12. Espinosa 13. Leibniz 14. Hume 15. Kant 16. Hegel 17. Schopenhauer

18. Comte 19. Nietzsche 20. Marx os que vieram a se acrescentar à coleção foram: 21. Freud 22. Bacon 23. Heidegger 24. Santo Anselmo 25. John Locke 26. Montaigne II 27. Pascal 28.Vico 29. Berkeley 30. Pavlov Volume extra: Grandes Filósofos 31. Rousseau 32. Husserl 33. Diderot 34. Newton 35. Bergson 36. Rousseau II 37. Adorno 38. Abelardo 39. Pré-Socráticos 40. Montesquieu se alguém se interessar pelo conteúdo da coleção original de os pensadores pela abril cultural, veja aqui. imagem: domenico ghirlandaio, são jerônimo em seu gabinete POSTADO POR DENISE 3 COMENTÁRIOS 10/02/2009 à guisa de explicação voltando um pouco à nova cultural e ao fio desse trabalho aqui do nãogosto minha perplexidade surgiu em agosto/setembro de 2007, quando saulo von randow jr. comentou que havia constatado o plágio de ivanhoé, trad. de brenno silveira, na coleção obras-primas da nc. em novembro e dezembro de 2007, com as duas matérias da folha de s.paulo sobre mais outros plágios, minha perplexidade virou pânico e indignação, e daí vem esse trabalho de pesquisa e alerta. às vezes ele pode parecer disperso, mas tenho um quadro na cabeça razoavelmente claro, que vou tentar expor. a martin claret até pode dar de dez na nova cultural em quantidade de títulos plagiados, embora não necessariamente no total das tiragens. mas não há a menor dúvida de que quem implantou o recurso ao plágio como prática editorial sistemática e em escala industrial foi a nova cultural. esse pioneirismo ninguém lhe tira. e ninguém lhe tira por uma razão cronológica muito simples: ela inaugurou esse recurso sistemático à fraude em 1995, na coleção "os imortais da literatura universal", e a claret começou seus plágios em 1998, na coleção "a obra-prima de cada autor". os pequenos aventureiros posteriores, tipo sapienza, jardim dos livros, landmark, são subespécies. embora cada qual tenha suas características próprias, integram a família mais geral das editoras que não recusam o artifício do plagiato. nas pesquisas sobre os plágios da nova cultural, eu tinha me concentrado em obras literárias, até porque foi em 2002-2003 que a editora, com o patrocínio da suzano celulose, adquiriu uma visibilidade fantástica, em edições e reedições de tiragens espantosas, com sua coleção "obras-primas" para venda em bancas de jornais. muito

bem, mereceria aplausos se fosse uma coleção idônea; infelizmente, porém, sabemos que não é. mas há uma outra coleção importante, "os pensadores", da mesma editora, e oriunda da mesma partilha da editora abril, feita em 1982 por victor civita entre os dois filhos, roberto e richard civita. na separação, os fascículos e livros da extinta abril cultural ficaram para richard civita, o qual então criou a editora nova cultural, como parte da empresa c.l.c. (comunicação, lazer e cultura). e foi assim que ele foi relançando, adulterando e plagiando obras da ex-abril cultural que lhe couberam na partilha, tanto nos "imortais" quanto nas "obras-primas" ou nos "pensadores". estou me delongando sobre isso porque, nestes próximos dias, vou tratar de alguns títulos de "os pensadores" também vitimados por plágio, e acho interessante uma visão geral da coisa. se alguém tiver interesse em acompanhar o fio da discussão, pode consultar: - tudo sobre a nc ou mais especificamente: - exposição de motivos - aviso aos navegantes - uma boa cobertura do problema, dada por o globo - menções iniciais a "os pensadores" - histórico 1 - onde tudo começou - e por onde continuou - angu de caroço imagens: são jorge em seu gabinete, codecarnival.com; thief and pig, gutenberg.org POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS como escapar aos plágios? o blog jane austen em português colocou e está tentando enfrentar um problema muito importante: como fazer quando livros fundamentais estão esgotadésimos no brasil? e aí pergunto eu: como escapar dos ishpertos que se aproveitam de uma demanda reprimida, lançam mão de artifícios escusos e publicam plágios? e quando aquele livro classicíssimo você não encontra mais nem em sebo, tipo a abadia de northanger? se quiser ler, vai ter que dar dinheiro para algum ladrão? o morro dos ventos uivantes é outro problema. foi editado recentemente, ótimo. só que a edição da landmark surripiou a tradução da luiza lobo. e diz a revisora do livro que botaram o nome dela como tradutora, à sua revelia. quer dizer, além de plagiar, a landmark atribui o plágio à sua prestadora de serviços e lhe causa danos morais de longa duração? e o leitor? tem sua inteligência insultada e seu direito básico de consumidor tripudiado? uma vez li um artigo de nelson ascher, "para racionalizar o mercado de traduções" [link para assinantes uol ou fsp]. achei muito pertinente e interessante. ele comentava que nosso mercado editorial tem muitos "projetos redundantes", e sugeria um pouco mais de racionalidade. verdade. só que tem esse mistério brasileiro da volatilidade das edições. como diz ascher: "Há tantas excelentes traduções já esgotadas e sem perspectiva

próxima de republicação que seria lícito tomá-las antes como a regra geral do que como exceções infelizes". aí fica essa bizarrice: não temos acesso a centenas de clássicos os mais básicos, batidos e conhecidos do mundo. não porque não foram editados. não foram é REeditados, as editoras esquecem lá no fundo do baú, mas não saem de cima dele, e ninguém mais publica, até vir o aventureiro do dia garfar aquilo lá ou aquilo outro, para suprir a demanda ou ir na onda oportunista de algum filme de sucesso. ascher dá uma sugestão: "Hoje, contudo, os departamentos universitários de Letras, operando com editores, críticos e consulados, teriam condições de criar na internet sites cujas informações auxiliariam [...] a recolocar em circulação traduções esquecidas". seria maravilhoso, embora eu seja um tanto cética em relação ao interesse e à capacidade de iniciativa sobretudo das universidades. talvez o que demande uma racionalização mais premente sejam os critérios para a manutenção ativa de títulos fundamentais, a cargo das editoras que detêm seus direitos. assim talvez nós leitores não ficássemos reféns dos ladrões das letras e essas obras escapassem ao destino de virar papa recozida no caldeirão pirata dos ishpertos. imagem: biblioteca vaticana POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 09/02/2009 e dá-lhe cept a ciência da esperteza e a política da trambicagem, infelizmente, têm sucesso entre os leitores e estudantes de boa-fé. elas contam, naturalmente, com os bons préstimos de fiéis aliadas: livrarias curitiba, livraria cultura, fnac, livraria da travessa... alguns exemplos de max weber, ciência e política, na delinquência da claretex, como obra de referência: www.cpdoc.fgv.br/cursos/bensculturais/teses/CPDOC2007EvanizeMartinsSydow.pdf www.cpdoc.fgv.br/cursos/bensculturais/teses/CPDOC2006TatianaOliveiraSiciliano.pdf http://201.48.149.88/anpocs/arquivos/5_11_2007_16_3_49.pdf http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000381382 http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3414 www.pgpp.ufma.br/disciplinas/listar.php?id=12 www.cce.udesc.br/titosena/Arquivos/Textos%20para%20aulas/livros1afase.doc www.pos.ufsc.br/arquivos/41000099/Filosofia_Ciencia_e_Saude.pdf www.fasete.edu.br/arquivos/file/secretaria/2008/LETRAS%202008%20PDF/III%20PERÍODO/ Estrut_Func_Educ_Basic.pdf http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/bitstream/.../MESTRADO%20DIREITO%20COOPERAT IVO%20E http://www.bdtd.ndc.uff.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=905 www.geociencias.ufpb.br/posgrad/dissertacoes/paulo_henrique_guedes.pdf www.nfr.ufsc.br/pen/secretaria/planoDeEnsino/Filosofia%20da%20ciencia%20e%20da%20s a%FAde.p... http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/8078/1/Dissertação%20Mauricio%20N atel.pdf www.mestradohistoria.ufjf.br/download_tese.php?cd_tese=Mw%3D%3D www.cienciasecognicao.org/pdf/v13/cec_v13-1_m318220.pdf www.ccj.ufsc.br/Graduacao/Planos_de_ensino/200802/DIR5126%20T.%200205%20e%200222.d

oc www.unifor.br/pls/oul/w_uol_programa_disciplina_ncm?p_tp_arquivo=1&p_cd_disciplina =H143&p... www.uem.br/~urutagua/005/03dir_silveira.htm https://nexos.ufscar.br/nexos/PlanosConsultaL.jsp?Disciplina=170542&Turma=F&Ano=20 08&S... http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/3085/1/LUIZ%20A.%20DOS%20S.%20BEZ ERRA%20-%20TESE%20-%... www.bdtd.ufpe.br/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3393 www.sociologia.ufsc.br/npms/fabiano_brito_santos.pdf www.unisc.br/cursos/pos_graduacao/mestrado/direito/corpo_discente/2006_dissertacoe s/janrie.pdf www.saudebucalcoletiva.unb.br/ensino/introducao_a_ciencia_politica/ICP_ementa_1_20 07.doc www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=4787 www.unirevista.unisinos.br/_pdf/UNIrev_Bezerra.PDF www.al.rs.gov.br/biblioteca/servicos_aquisicoes.asp www.cchla.ufrn.br/interlegere/revista/pdf/2/pi02.pdf www.convibra.com.br/2008/apres/154.swf www.fflch.usp.br/df/geral3/francisco.html www.ufpi.br/mesteduc/eventos/iiencontro/GT-4/GT-04-03.htm www.sbsociologia.com.br/congresso_v02/papers/.../Microsoft%20Word%20%20GT25_Homero_Nunes_Pereira_2007.pdf www.fmd.pucminas.br/nap/GRUPO%2003.pdf www.proead.unit.br/professor/joao_lago/arquivos/textos/Sociologia%20I%20%20unidade%201.ppt www.fafich.ufmg.br/compolitica/anais2006/Pontes_2006.pdf www.cienciasecognicao.org/artigos/v13/318220.htm www.fasete.edu.br/arquivos/file/cursos/letras/grade/PlanosLetras20072/7/Plano%20de %20Curso_Estrutura%20II.pdf www.conpedi.org/manaus/arquivos/anais/salvador/gilson_gileno_de_sa_oliveira.pdf www.unirg.edu.br/cur/adm/planos/1per/cs1.pdf www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/cgibin/PRG_0599.EXE/11349_7.PDF?NrOcoSis=36669&CdLinPrg=pt www.mp.al.gov.br/atica_sentido_trabalho.ppt www.unc.br/ementas/e_servico_social.pdf www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Jose_Montagnoli.pdf http://www2.camara.gov.br/.../Maria%20da%20Graca%20Lobo%20de%20Almeida%... www.ufrgs.br/faced/educacaomatematica/.../O_SIGNIFICADO_IND_GENA_PARA_A_ESCOLA_AFI RMA__O_DE_IDENTIDA..p www.scielo.br/scieloOrg/php/articleXML.php?pid=S141440772007000300005&lang=en www.anpuh.uepg.br/.../CARLOS%20ANDRÉ%20MACÊDO%20CAVALCAN... www.facs.br/revistajuridica/edicao_maio2008/convidados/con5.doc http://www2.camara.gov.br/posgraduacao/Claudionor%20Rocha%20%20projeto%20curso%20IP%202a%20ed.pdf http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/direito/article/viewPDFInterstitial/1740/14 39 http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados1/2004/24001015/034/2 004_034_24001015004P3_Disc_Ofe.pdf http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados1/2006/26001012/034/2 006_034_26001012013P8_Disc_Ofe.pdf www.eba.ufrj.br/ppgartesvisuais/revista/e16/OctavioAragao.pdf www.emtese.ufsc.br/g_Fabio.pdf www.fo.usp.br/departamentos/social/ciencias_sociais/ciencias_sociais_arquivos/anal ise_compreensiva.pdf www.pucsp.br/revistacordis/downloads/numero1/artigos/7_monteiro_lobato.pdf https://sistemas2.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=CJE0620&codcur=27011&co dhab=404

www.eaesp.fgvsp.br/subportais/interna/Apoio%20Academico/CG_AE_Programa.pdf imagem: wiki.observatoriodaimprensa.pt POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS a ciência da esperteza e a política da trambicagem ... max weber, ciência e política: duas vocações a. tradução original: leonidas hegenberg e octany silveira da mota (cultrix) b. plágio com leves alterações, ou "tradução por sinonímia": jean melville (martinix claretix) A ciência como vocação a. [...] o "pressuposto" geral da Medicina assim se coloca: o dever do médico está na obrigação de conservar a vida pura e simplesmente e de reduzir, quanto possível, o sofrimento. Tudo isso é, porém, problemático. Graças aos meios de que dispõe, o médico mantém vivo o moribundo, mesmo que este lhe implore pôr fim a seus dias e ainda que os parentes desejem e devam desejar a morte, conscientemente ou não, porque já não tem mais valor aquela vida, porque os sofrimentos cessariam ou porque os gastos para conservar aquela vida inútil - trata-se, talvez, de um pobre demente - se fazem pesadíssimos. Só os pressupostos da Medicina e do código penal impedem o médico de se apartar da linha que foi traçada. A Medicina, contudo, não se propõe a questão de saber se aquela vida merece ser vivida e em que condições. Todas as ciências da natureza nos dão uma resposta à pergunta: que deveremos fazer, se quisermos ser tecnicamente senhores da vida. (leonidas/octany, p. 37) b. [...] o "pressuposto" geral da medicina assim se coloca: O dever do médico está na obrigação de conservar a vida pura e simplesmente e de reduzir, tanto quanto possível, o sofrimento. Isso tudo, porém, é problemático. Mercê dos meios de que dispõe, o médico mantém vivo o moribundo, mesmo que este lhe implore declarar o término a seus dias e ainda que os parentes desejem e devam desejar a morte, conscientemente ou não, porque já não tem mais valor aquela vida, porque os sofrimentos cessariam ou porque os gastos para conservar aquela vida inútil trata-se, provavelmente, de um pobre demente - se fazem pesadíssimos. Somente os pressupostos da medicina e do código penal impedem o médico de se separar da linha que foi traçada. Não obstante, a medicina não se propõe a questão de saber se aquela vida merece ser vivida e em que condições. Todas as ciências da natureza nos dão uma resposta à pergunta: Que deveremos fazer, se quisermos ser tecnicamente senhores da vida? (jean melville, p. 44) [o "se" e o "tecnicamente" perderam o itálico - quem já leu weber alguma vez sabe que é justamente este o problema] A política como vocação a. [...] O que é um Estado? Sociologicamente, o Estado não se deixa definir por seus fins. Em verdade, quase que não existe uma tarefa de que um agrupamento político qualquer não se haja ocupado alguma vez; de outro lado, não é possível referir tarefas das quais se possa dizer que tenham sempre sido atribuídas, com exclusividade, aos agrupamentos políticos hoje chamados Estados ou que se constituíram, historicamente, nos precursores do Estado moderno. Sociologicamente, o Estado não se deixa definir a não ser pelo específico meio que lhe é peculiar, tal como é peculiar a todo outro agrupamento político, ou seja, o uso da coação física. (leonidas/octany, pp. 55-56)

b. [...] Que é um Estado? O Estado, sociologicamente, não se deixa definir por seus fins. Realmente, quase não existe uma tarefa de que um agrupamento político qualquer não se haja ocupado alguma vez. De outra feita, não é possível referir tarefas das quais se possa dizer que tenham sempre sido atribuídas, com exclusividade, aos agrupamentos políticos hoje denominados Estados ou que se constituíram, segundo a história, nos precursores do Estado moderno. O Estado não se deixa definir, sociologicamente, a não ser pelo específico meio que lhe é peculiar, da forma como é, peculiar a todo outro agrupamento político, a saber, o uso da coação física. (jean melville, p. 60) [outros dois itálicos importantes suprimidos] a feliz expressão "tradução por sinonímia" é de saulo von randow jr. imagem: o plagiador, www.slate.com POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS 08/02/2009 domingueira rogério bettoni deu um toque interessante quanto às francas fontes de inspiração das agências de publicidade. oren lavie é uma lindeza. já o bradesco é uma rudeza.

o achado está no blog de manu borghi, caligraffiti, muito lindo. POSTADO POR DENISE 2 COMENTÁRIOS 07/02/2009 dobles sugeri há uns dois meses um sistema de self-service para corrigir os monstrengos da claret. segue agora o respectivo cotejo: pascal, pensamentos: 1. tradução de leonel vallandro, globo/inl 2. plágio de pietro nassetti, martin claret o plágio é literal, sem cosméticos ou disfarces, do começo ao fim. 1. vallandro: [...] Por isso é raro que os geômetras sejam sutis e que os sutis sejam geômetras, pois que os segundos pretendem tratar geometricamente as coisas sutis e se tornam ridículos quando querem começar pelas definições e depois estabelecer os princípios, já que esse não é o procedimento apropriado na espécie de raciocínio em apreço. Isso não quer dizer que o espírito deixe de fazê-lo; mas ele o faz tacitamente, naturalmente e sem arte, pois exprimi-lo é tarefa superior a todos os homens, e senti-lo não é dado senão a alguns poucos. Os espíritos sutis, pelo contrário, acostumados como estão a julgar com um só relance de olhos, ficam profundamente confusos quando alguém lhes apresenta proposições de que nada entendem, e para ter acesso às quais é necessário passar por definições e princípios tão estéreis que eles não estão habituados a considerar em detalhe; e sentem repugnância e aversão a raciocinar dessa maneira. Os espíritos falsos, porém, nunca são sutis nem geômetras. 2. nassetti: [...] Por isso é raro que os geômetras sejam sutis e que os sutis sejam geômetras, pois que os segundos pretendem tratar geometricamente as coisas

sutis e se tornam ridículos quando querem começar pelas definições e depois estabelecer os princípios, já que esse não é o procedimento apropriado na espécie de raciocínio em apreço. Isso não quer dizer que o espírito deixe de fazê-lo; mas ele o faz tacitamente, naturalmente e sem arte, pois exprimi-lo é tarefa superior a todos os homens, e senti-lo não é dado senão a alguns poucos. Os espíritos sutis, pelo contrário, acostumados como estão a julgar com um só relance de olhos, ficam profundamente confusos quando alguém lhes apresenta proposições de que nada entendem, e para ter acesso às quais é necessário passar por definições e princípios tão estéreis que eles não estão habituados a considerar em detalhe; e sentem repugnância e aversão a raciocinar dessa maneira. Os espíritos falsos, porém, nunca são sutis nem geômetras. 1. vallandro: 885 (924) Gente sem palavra, sem fé, sem honra, sem verdade, dobles d e coração, dobles de língua e semelhantes, como vos foi censurado outrora, a esse animal anfíbio da fábula, que se conservava num estado indefinido entre os peixes e os pássaros... 2. nassetti: 885 (924) Gente sem palavra, sem fé, sem honra, sem verdade, dobles de coração, dobles de língua e semelhantes, como vos foi censurado outrora, a esse animal anfíbio da fábula, que se conservava num estado indefinido entre os peixes e os pássaros... imagens: emoticons, yes e no; fleurs du mal, valiena, flickr POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 06/02/2009 a pertinaz insídia claretiana exemplos de pascal, com seus pensamentos conspurcados por aquela pseudo-editora, usado como obra de referência em teses, artigos, palestras: libdigi.unicamp.br/document/?view=vtls000380058 www.bdtd.ndc.uff.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1482 www.seer.ufu.br/index.php/cadernoshistoria/article/view/333/346 http://uninove.br/ojs/index.php/dialogia/article/view/1101/840 www.webartigos.com/articles/5916/1/o-pincipio-da-igualdade/pagina1.html www.unest.edu.br/cgibin/wxis.exe?IsisScript=phl8/003.xis&cipar=phl8.cip&bool=exp&opc...&lang= www.bdjur.stj.gov.br/jspui/bitstream/2011/6682/3/An_Introduction_to_the_Juridicial .pdf www.ufpe.br/pgletras/2007/dissertacoes/diss-salmo-sostenes.pdf www.icpg.com.br/hp/revista/download.exec.php?rpa_chave=351afec6365ad54db93f http://ibict.metodista.br/tedeSimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1069 imagem: canhenho.wordpress.com POSTADO POR DENISE 5 COMENTÁRIOS letras, palavras e livros ando recebendo o boletim do publishnews com problema. os links não abrem, meu outlook sai do ar, uma tristeza. então não posso linkar. mas hoje vi lá uma indicação maravilhosa: a campanha save the words!, do oxford dictionaries.

o site é lindo e o tema absolutamente interessante, embora possa parecer meio sofisticado demais para nós tapuias, que nem chegamos ao primitivíssimo "salve os livros", que estão em acelerado ritmo de extinção (os honestos, digo eu). POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 05/02/2009 isso mesmo! mais um foguetinho, este para o instituto ecofuturo. faz um ano que estou batendo nessa história do patrocínio da suzano celulose para a edição das obras-primas da nova cultural [clique aqui]. ontem vi na publishnews que o instituto ecofuturo, a ong da suzano, tinha doado 50 mil livros para a biblioteca nacional. fiquei meio aflita porque o ecofuturo, em seus concursos de redação nas escolas públicas, adorava distribuir como prêmio justamente aquelas malfadadas coleções. já pensou se ele estivesse entregando pilhas e pilhas daquele lixo tóxico na biblioteca nacional, a qual, por sua vez, vai distribuir a doação entre bibliotecas do brasil todo? bom, escrevi correndo um e-mail para a sra. christine fontelles, da referida ong, expondo minha preocupação. hoje recebi a resposta: a direção do instituto ecofuturo informa que suspendeu as doações da coleção obras-primas até receber um relatório escrito da nova cultural, atualizando sobre os problemas e pendências referentes às traduções, conforme compromisso assumido pela editora em reunião realizada em 19 de janeiro no escritório do ecofuturo. que coisa! e pensar que a contrapartida do patrocínio da suzano para a nova cultural tinha sido receber 1% do faturamento com as vendas dos livros, quase metade deles espúrios, e mais 900 coleções a seu dispor (45.000 volumes, sendo uns 20 mil pura fraude!)... muito bem, sr. ecofuturo, isso mesmo - sinta-se mexido em seus brios ao constatar quão solenemente foi ludibriado em sua boa-fé e que papelão lhe faz passar sua parceira amiga-da-onça. mostre firmeza, pois o brasil não merece essa banda podre do livro. foto: federico carotti POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS o retorno do leviatã um foguetório para joão paulo monteiro: sua abalizada tradução de o leviatã de hobbes tinha sido garfada pela claret, que a publicou em nome de "jean melville". após várias peripécias, finalmente a claret voltou atrás e, agora em 2009, substituiu o infame plágio por uma outra tradução, esperemos que desta feita legítima. parabéns a dr. joão paulo monteiro, cuja indignação não esmoreceu apesar das enrolações dos demais envolvidos no episódio, e conseguiu, se não reverter, pelo menos sustar o embuste. o outro crime de lesa-tradução envolvendo joão paulo monteiro é o saque ao espólio de seu pai adolfo casais monteiro, autor da também clássica tradução de o desespero humano, de kierkegaard, garfada pela claret em nome de alex marins. espero logo poder soltar um segundo foguetório para ele. foto: federico carotti POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 04/02/2009 essa eu não entendi 2

aliás, essas memórias de sherlock holmes da claret, garfando a tradução de joaquim machado e atribuindo-a a um "john green", têm o isbn 85-7232-510-7. só que na agência do isbn esse número corresponde a: ISBN: 85-7232-510-7 TÍTULO: A DIVINA COMEDIA AUTOR: ALIGHIERI, DANTE TRADUTOR: MARINS, ALEX imagem: emoticon, yike POSTADO POR DENISE 4 COMENTÁRIOS 03/02/2009 essa eu não entendi conan doyle, memórias de sherlock holmes tradução joaquim machado (melhoramentos)* x cópia john green (martin claret) *em portugal, pela bertrand o livro tem onze histórias. pode-se pegar qualquer uma, à vontade. vou pegar a segunda, a face amarela. ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia muitas vezes que onde ele fracassava nenhum outro era bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia que, até errando, a verdade era ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (joaquim machado) ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia, muitas vezes, de onde ele fracassar nenhum outro ser bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia de, até errando, a verdade ser ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (john green) [...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olá! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (joaquim machado)

[...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olhe! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (john green) e por aí vai, de cabo a rabo. mas o mais engraçado nessa história é que, naturalmente, entrei em contato com a melhoramentos, por telefone e e-mail, para me informar se ela havia cedido a tradução à claret. a resposta demorou uns dez dias, mas veio: sim, a melhoramentos cedeu os direitos de tradução desta obra para a claret. aí, a pergunta que fica é: então por que a claret, se tinha autorização da melhoramentos, tirou fora o nome de joaquim machado, o tradutor original, e tascou o nome visivelmente inventado de "john green"? é um conluio de ambas contra o pobre joaquim machado? bom, não me senti muito esclarecida, indaguei de novo à melhoramentos se era isso mesmo e expus minha perplexidade - pois não faz sentido na minha cabeça uma editora adquirir uma licença e mesmo assim apresentar a obra sublicenciada como plágio (pois plágio continua a ser, só que agora autorizado pela detentora dos direitos...). não tive resposta, tomei o silêncio como confirmação, mas continuo a achar que é uma bizarrice sem tamanho. sinceramente penso que todo esse pessoal deveria ter muito mais respeito para com os leitores. é tão absurdo assim esperar que os livros sejam produtos transparentes e honestos, com dados corretos e créditos verdadeiros? não seria o normal? e as editoras lesadas não deveriam se proteger a si próprias e proteger a nós, incautos consumidores, no que estivesse ao alcance delas? não sei... ando me desiludindo um pouco com essa gente. afinal quem compra os livros delas somos nós. não acho certo. imagens: blackberrybooks.com; tux.crystalxp.net POSTADO POR DENISE 3 COMENTÁRIOS frase do dia It is better to fail in originality than to succeed in imitation (herman melville, moby dick) obrigada a federico. POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS 02/02/2009 para visitar interessante: não deixe de visitar. www.plagiarius.com Architects: Reinhard Angelis, Planung Architektur Gestaltung Photographers: ©Tomas Riehle / artur POSTADO POR DENISE 3 COMENTÁRIOS 01/02/2009

telegraph essa lista é mais antiguinha, de abril de 2008, mas também muito simpática: os 110 livros da biblioteca perfeita do telegraph - os 10 melhores em 11 categorias. especial para a raquel sallaberry, do jane austen em português, que é também a autora da foto ao lado: a srta. de orgulho e preconceito está entre os 10 clássicos, junto com homero, swift, tolstói et al. POSTADO POR DENISE 1 COMENTÁRIOS 31/01/2009 jack london na claret mais um cotejo que estava no fundo do baú: jack london, white fang. caninos brancos teve várias traduções no brasil, desde a primeira feita por monteiro lobato até a mais recente de rosaura eichenberg. o insaciável claret recorreu ao infatigável nassetti, garfando a tradução portuguesa de olinda gomes fernandes, pela editora civilização, porto, 1969. a tradução de olinda traz o nome de colmilhos brancos, mas o inclemente claret preferiu a forma consagrada no brasil, caninos brancos mesmo. este plágio traz as substituições habituais na claret - alterações cosméticas da primeira frase; troca de termos menos usuais, como "arrostar" por "enfrentar", "cabedal" por "couro macio", "terra ártica" por "terra do pólo norte" e assim por diante. afora isso, a malandragem despudorada de sempre, marca registrada da pseudoeditora. Capítulo I. - civilização: [...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agoirentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não chegava para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e os esforços da vida. Era a terra árctica, agreste e gelada. (olinda gomes fernandes) - claret: [...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agourentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não era suficiente para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e as agruras da vida. Era a terra do pólo Norte, agreste e gelada. (pietro nassetti) Capítulo III - civilização: [...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o

cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcateia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (olinda gomes fernandes) - claret: [...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcatéia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (pietro nassetti) Último capítulo - civilização: [...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Colmilhos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha directamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (olinda gomes fernandes) - claret: [...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Caninos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha diretamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (pietro nassetti) em tempo: outra coisa absolutamente obrigatória nos livros é a ficha catalográfica. esqueci de comentar que a claret não é dada a tais vezos, sequer a colocar o nome original da obra na página de créditos. em compensação, ela nunca se esquece de especificar "copyright desta tradução: editora martin claret, ano tal", nem de estampar cinicamente, na primeira página, o soturno selo da abdr: "cópia não autorizada é crime: respeite o direito autoral". imagens: capa ed. civilização, 1969; selo da abdr POSTADO POR DENISE 4 COMENTÁRIOS 30/01/2009 livreto e cartilha desde dezembro de 2007, o minc está promovendo debates e seminários entre a sociedade civil, recolhendo subsídios para elaborar uma proposta de reformulação da atual lei do direito autoral. finalmente saiu um esboço inicial da proposta elaborada pela coordenação geral do direito autoral, minc, incluindo vários subsídios oferecidos pelas mais diversas entidades artísticas, literárias e científicas durante aqueles debates e seminários.

para baixar em pdf:

e lançaram também uma cartilhinha superprática, tipo as 11 dúvidas mais frequentes, em pdf, já colocando mais ou menos a forma de abordagem com que a cgda está tratando o problema. durante seis meses, até junho de 2009, haverá um amplo processo de consulta pública, para discussão e avaliação da proposta da cgda. para as entidades geralmente pouco ouvidas em processos que tantas vezes ficam restritos aos corredores de brasília, acho uma ocasião e tanto! e mesmo para o mero fulaninho individual, feito eu, que se interessa por essas coisas de cidadania cultural, acho uma boa. fiquei com vontade de escrever para eles e dizer que cuidem melhor dos isbns, por exemplo, e que diminuam esse prazo espantoso de 70 anos após a morte do autor para sua obra entrar em domínio público. 70 anos?! imaginem, o updike morreu ontem ou anteontem, só em 2080 é que os rabbitts dele vão para domínio público?! minha tataraneta não vai ter a menor idéia de quem foi o fulano. (não errei na aritmética: é 2080 mesmo porque os 70 anos são contados a partir de 01 de janeiro do ano subsequente à morte da pessoa). aí é dureza. em tempo: o prazo mínimo para entrar em dp, por convenção internacional, é de 50 anos após a morte do autor. chega, né? um exemplo mais próximo da gente: o drummond. só vai para dp em 2058... POSTADO POR DENISE 3 COMENTÁRIOS viva legal, faça legal! nessas irregularidades que venho apontando nesse tempo todo, que envolvem plágios, apropriações indébitas, contrafações etc., deu para notar também a alta incidência de irregularidades no número de isbn dessas obras, obrigatório por lei. ou não estão cadastradas de jeito nenhum na agência brasileira do isbn, ou estão, mas com dados que não batem com os dados no livro impresso, ou ainda têm um registro para um determinado número de isbn que não bate com o isbn do livro impresso. já expus em outro post a importância que, a meu ver, tem o isbn como identificador de um livro - não só por razões comerciais ou catalográficas, mas até como um indicador da maior ou menor transparência nos procedimentos adotados pelas editoras. então gostaria de lembrar ao grupo geração, como responsável pelo selo jardim dos livros, que todos os títulos do referido selo (à exceção de um, justamente a arte da guerra do tal nikko bushido, de triste fama) apresentam problemas de isbn: ou não estão cadastrados ou, quando cadastrados, os números não batem com os que estão no catálogo do site. em vista da decisão do sr. luiz emediato em proceder à retirada de circulação dos títulos com fraude, eu sugeriria humildemente que aproveitasse a ocasião e determinasse a regularização dos isbns dos demais títulos. imagem: en.wikipedia.org POSTADO POR DENISE 3 COMENTÁRIOS

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