UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

MARCELO CASAGRANDE

ATIVIDADE FÍSICA NA TERCEIRA IDADE

BAURU 2006

MARCELO CASAGRANDE

ATIVIDADE FÍSICA NA TERCEIRA IDADE

Trabalho de conclusão de Curso de Licenciatura Plena em Educação Física da Faculdade de Ciências da Unesp, campus de Bauru pela disciplina Trabalho de Formatura ministrada pela Profa. Marli Nabeiro.

BAURU 2006

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais: Anay e Gilberto, que me deram a vida e me ensinaram a lutar e viver com dignidade. Em especial à minha irmã Giseli, que sempre confiou em mim. In Memorian, ao meu eterno amigo João Paulo, que, enquanto presente me ensinou o quão importante é valorizar as amizades sinceras e verdadeiras. Ele se foi num adeus eterno; mas está aqui.

Amo vocês Marcelo Casagrande

AGRADECIMENTOS

À todos os professores e colegas de sala, por esses quatro anos que passamos juntos compartilhando momentos de dificuldades mas também de bastante alegria. À minha mãe, Anay, que sempre esteve ao meu lado auxiliando com sua experiência e dedicação. À Mônica, Tatiana e Adriano pela abnegação de seus tempos e trabalhos, por todos os momentos que tive às suas colaborações.

“O Segredo da existência humana consiste não somente em viver, mas em encontrar um movito de viver.” Dostoievski

buscou-se entender as conseqüências do envelhecimento sobre esta faixa etária. Para tanto. a importância da atividade física e a manutenção desta na vida diária dos idosos. PALAVRAS-CHAVE: idoso. atividade física e qualidade de vida. tal qual pode-se observar no entendimento dado pelos diversos autores citados. onde idosos praticantes de programas de exercícios físicos obtêm melhor desempenho em tarefas simulando atividades da vida diária.RESUMO Este estudo de revisão bibliográfica tem como objetivo avaliar a ação dos exercícios físicos no cotidiano dos idosos para uma melhor condição de vida em suas atividades diárias. Concluiu-se que programas de exercícios físicos sistematizados podem melhorar a qualidade de vida em diversas atividades e tarefas realizadas por esta população. . Realizando minuciosa leitura para compor a revisão literária. verificou-se que os exercícios físicos podem contribuir de forma mais eficaz na independência funcional visando a realização das tarefas diárias dos idosos. e a ação dos exercícios físicos como melhoria na qualidade de vida proporcionando uma vida saudável aos idosos.

......2 Aptidão Física Relacionada à Saúde .42 3 QUALIDADE DE VIDA ..................................................................................................4 Classificação do nível de atividade do IDOSO.........5 Envelhecimento e exercício ...................................10 Envelhecimento e Função Músculo-Esquelética ............6.................................... Como o corpo envelhece? .............................................45 3........9 Idade e Resposta ao Treinamento .......26 2........8 Conseqüências Funcionais ........................29 2..........................................................19 2........................40 2............5..................16 1.............6 A influência da atividade física na manutenção do osso...................20 2................6 Volume de ejeção...............1 A importância da atividade física ...............7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......35 2....29 2.........................................................3 Pontos em que a idade transparece ...................................5..............1 Necessidades e Restrições do Idoso.........6............41 2.......3 Atividades da Vida Diária São Classificadas de Acordo com a American Geriatrics Society em ............................................................................22 2............6.............................14 1 A TERCEIRA IDADE E SUAS CARACTERISTICAS .................40 2..........................................................................................................................1 O Fenômeno do envelhecimento ...................................................6..30 2............5............24 2.............2 Aspectos do envelhecimento – físico..........................20 2........................................14 1........................21 2............................1 Introdução ao conceito de Qualidade de Vida ...............................7 Diferença artério-venosa para o oxigênio..................................5..........................9 CAPÍTULO I: REVISÃO DE LITERATURA ..................................................................3 Envelhecimento e Consumo Energético ...18 2 O QUE É ATIVIDADE FÍSICA .....2 Classificação da idade ..................................14 1..............................5 Freqüência cardíaca...........28 2............5.........3 Atividade física na terceira idade ............28 2..............5....30 2...........5.......27 2..........26 2.........4 Envelhecimento e Performance Aeróbia ............................................5 Tipos de testes de avaliação para o idoso ............................................................27 2.......................................5..........2 Objetivos e benefícios da atividade física .......................5..................40 2..................................................4 Atividade física e seus benefícios no envelhecimento .......................................... psicológico e social ..............................................................45 ....................1 As etapas de envelhecimento........................5......................................................6.

..2 A Qualidade de Vida na perspectiva da Organização Mundial de Saúde.....2............52 5 CONCLUSÃO...............................................................................................51 4 OBJETIVOS .............55 ........................................45 3..............................................53 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..2 Atividade Física...47 3.....49 3.................................................................................................... Saúde e Qualidade de vida.......8 3........4 Reconhecimento das limitações .............................2.......................................................................................................3 Praticar exercícios: uma questão de começar .................1 O paradigma do Estilo de Vida Ativa........................46 3.........

dos quais 30. Embora essas medidas legais representem um ganho para a sociedade.741. até o ano 2025. são as Universidades Abertas da Terceira Idade.346. Consoante a Organização das Nações Unidas (ONU). O corpo do idoso em movimento é sinal de saúde e alegria. o Brasil será. O trabalho de atividade física deve ser adaptado ao idoso visando atingir seus anseios. pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).505 habitantes. o sexto país mais envelhecido do mundo. ainda existe um longo caminho a percorrer até que se inaugure o tempo em que o cumprimento dessas leis represente o atendimento às reais necessidades da população idosa. de 219. além de maior resistência às doenças e ao estresse emocional e ambiental. que regulamenta a lei 884/ 94 estabelecendo a Política Nacional do Idoso. situando-se à frente das Filipinas e México.º10. A estimulação corporal favorece o melhor desempenho das atividades rotineiras. M. participando como sujeitos de saber e não apenas como objetos de estudo. a manutenção do corpo em atividade é fundamental para conservar as funções vitais em bom funcionamento.A. melhorando assim a sua qualidade de vida.265. que poderá proporcionar transformações sociais (Lopes.658 habitantes estarão na faixa etária acima de 60 anos. buscando um trabalho multiprofissional. mostram melhor adaptação orgânica aos esforços físicos. Em 01/10/2003 foi promulgada a Lei n. com uma população projetada. necessidades e suas condições físicas. As pessoas de idade avançada ao praticarem atividades físicas com regularidade e sob orientação médica. como em outros paises vem se fomentando. No processo de envelhecimento. quando comparadas às de vida ociosa. que dispõe sobre o Estatuto do Idoso bem como contamos com o decreto 1948/96.9 INTRODUÇÃO Segundo a Organização Mundial da Saúde. instituições públicas e privadas que têm trazido para dentro de seus espaços um número cada vez maior de idosos que buscam retomar seu lugar na sociedade. A Educação Física para os idosos envolve outras áreas. e . a Terceira Idade é considerada a partir dos 60 anos. A Legislação Brasileira adotou a mesma orientação. Outra iniciativa. A atividade física regular favorece a uma mudança comportamental. As trocas de informações e conhecimentos favorecem o alcance dos objetivos propostos e a melhor condução das atividades para esta faixa etária.

descalcificação óssea. Segundo Shephard (1997) esta ocorre devido à diminuição da massa muscular magra. Problemas esses que. diminuição da capacidade coordenativa. O exercício físico pode ser destacado como elemento de prevenção. conservação e recuperação da capacidade funcional dos indivíduos. M. fonte de importantes iniciativas. aumento da espessura da parede de vasos. em sua maioria. fraqueza funcional. Guedes e Guedes (1995) consideram que os exercícios corretamente prescritos e orientados desempenham importante papel na prevenção. A atividade física na terceira idade tem como objetivo o retardamento do processo inevitável do envelhecimento. O processo de envelhecimento trás consigo várias alterações fisiológicas. A diminuição da capacidade funcional é decorrente em grande parte de doenças hipocinéticas. tem sido na atualidade.J. Com o envelhecimento humano a força muscular localizada tende a ser diminuída. irreversível. permitindo ao indivíduo da terceira idade readaptar seu corpo. mas. através da normalização da vida do idoso.10 Siedler. ou seja. uma qualidade a esta terceira etapa da existência. 1997). afastando os riscos comuns na terceira idade. O trabalho do professor de Educação Física nesta faixa da população exige que uma série de preconceitos sejam revistos e que se respeite as limitações . O envelhecimento humano é definido como um processo natural. Esses não farão parar o processo de envelhecimento. visto que o idoso quando se valoriza pode desencadear junto a sua família e no seu meio social.. reintegra-las nas relações sociais. poderão retardar o aparecimento de complicações. repercutindo positivamente em sua saúde. Aoyagi e Shephard (1992) destacam que esta diminuição ocorre devido ao declínio do número de fibras e/ou redução na área de seção transversa. ante seus próprios olhos e os da sociedade. Uma das formas de se alcançar à manutenção ou recuperação da vitalidade é a participação em atividades físicas e recreativas. doenças decorrentes da inatividade física. aumento do nível de gordura. atinge todo ser humano e provoca uma perda estrutural e funcional progressiva no organismo. grandes mudanças. Acredita-se que há diminuição no número dos moto neurônios alfa e desenervação de um certo número de fibras musculares e que estas são conseqüências da degeneração da placa motora. Dar um sentido. revalorizar as pessoas da terceira idade. como a progressiva atrofia muscular. têm seus efeitos minimizados pela assimilação de um estilo de vida ativo. dentre outras. interferindo positivamente no seu bem estar.

11 a que estão submetidas às pessoas que se encontram na terceira idade. a adesão aos programas de exercícios regulares ainda é baixa. mesmo nos países desenvolvidos. Devem atender aos diferentes interesses das diversas faixas etárias e dar liberdade de escolha das atividades para que o prazer seja gerado. melhora a sensibilidade insulínica. Esses dados levam à conclusão de que nos países em desenvolvimento o percentual de idosos que exerce alguma atividade física regular é ainda mais baixo. Por outro lado. tem efeito benéfico sobre a distribuição do tecido adiposo. atividades recreativas são aquelas acima de tudo prazerosas e criadas para que o indivíduo possa melhor ocupar o seu tempo livre. Devem ser prazerosas. quando comparadas as de vida ociosa. é indiscutível a melhora de capacidade funcional desse grupo. altera favoravelmente o metabolismo lipídico e dos carboidratos. induz ao aumento dos níveis de lipoproteínas de alta densidade (HDL). intelectuais e afetivo-sociais. A estimulação corporal favorece o melhor desempenho das atividades rotineiras. justificando maior difusão dos benefícios da atividade física regular dos programas de reabilitação para essa faixa etária. Segundo Guerra (1988). No caso do idoso. capazes de ampliar as relações sociais e facilitar o convívio de pessoas que se identificam na participação do programa. além de maior resistência às doenças e ao estresse emocional e ambiental. atinge todo ser humano e provoca uma perda estrutural e funcional . segundo seus interesses e necessidades motoras. a manutenção do corpo em atividade é fundamental para conservar as funções vitais em bom funcionamento. A atividade física regular favorece a uma mudança comportamental. tenha o objetivo principal de contribuir para que as pessoas se integrem ao meio social onde vivem. sendo importante na redução do risco cardiovascular. que poderá proporcionar transformações sociais (LOPES. interessantes. desinibidoras. irreversível. 1997). Apesar do pequeno número de trabalhos com idosos e reabilitação. grandes mudanças. As pessoas de idade avançada ao praticarem atividades físicas com regularidade e sob orientação médica. mostram melhor adaptação orgânica aos esforços físicos. visto que o idoso quando se valoriza pode desencadear junto a sua família e no seu meio social. SIEDLER. O envelhecimento humano é definido como um processo natural. a respeito das evidências dos benefícios da atividade física como fator de prevenção de incapacidade. A atividade física corretamente orientada. No processo de envelhecimento.

melhorando sua condição aeróbica e diminuindo os efeitos deletérios do sedentarismo.12 progressiva no organismo. tipo de atividades laboral. desenvolver a resistência e a força muscular. poderão retardar o aparecimento de complicações. a importância de compreender o trabalho junto a esta faixa etária. Por outro lado. ausência de atividade física regular. torna-se extremamente importante para os profissionais de Educação Física. O exercício físico pode ser destacado como elemento de prevenção. apontando as transformações que ocorrem com o processo de envelhecimento e algumas possibilidades de se buscar o equilíbrio entre as potencialidades e as limitações do idoso. melhorar o contato social. pois demonstra que através dos conhecimentos teóricos e práticos obtidos pode o profissional programar e realizar atividades físicas para integração de pessoas da terceira idade. A atividade física deve ser dirigida para quebrar o ciclo vicioso do envelhecimento. conservação e recuperação da capacidade funcional dos indivíduos. LOURENÇO e BARROS NETO. por meio de uma vida mais saudável. repercutindo positivamente em sua saúde. reduzindo a ansiedade e a depressão. Guedes e Guedes (1995) consideram que os exercícios corretamente prescritos e orientados desempenham importante papel na prevenção. ingestão alimentar incorreta. bem como pelo surgimento de doenças crônico – degenerativas advindas de hábitos de vida inadequada (tabagismo. desenvolvendo atividades que favoreçam aos idosos possibilidades de um envelhecimento saudável com novas perspectivas de vida. mas. 1996). interferindo positivamente no seu bem estar. necessidades e suas condições físicas. é necessário adaptá-las aos idosos visando atingir seus anseios. A diminuição da capacidade funcional é decorrente em grande parte de doenças hipocinéticas. Estes não farão parar o processo de envelhecimento. que. para obter a melhora na qualidade de vida da terceira idade através de atividades físicas. E principalmente mostrar teoricamente os benefícios das atividades físicas nas implicações funcionais de uma idade avançada. Este estudo aborda a importância das atividades físicas para a qualidade de vida na terceira idade. ou seja. O corpo do idoso em movimento é sinal de saúde e alegria. doenças decorrentes da inatividade física. sabe-se que o processo de envelhecimento é acompanhado por uma série de alterações fisiológicas ocorridas no organismo (FARO JR. melhorar . comuns nesta faixa etária. Desta forma. etc.). Destaca também. O tema escolhido é de fundamental importância aos profissionais de Educação Física.

13 sua mobilidade articular. . redobrar suas energias. vitalidade e disposição. tornando sua vida mais alegre.

está-se frente ao velho ou ancião no sentido estrito. c) longevo – ou grande velho – aquele com mais de 90 anos. b) velhice. Idade do meio ou critica – dos 45 aos 60 anos. É caracterizada pelo aparecimento de alterações fisiológicas e funcionais instaladas. reabilitativa ou paliativa. os estudiosos em gerontologia são unânimes em salientar que a idade cronológica não corresponde a idade biológica. com progresso do tempo. (MEIRELLES. que surgem na presença de oxigênio que atacam as membranas celulares causando envelhecimento. aproximadamente. que representam frequentemente uma tendência ou predisposição ao aparecimento de doenças. entre as quais se destacam: a) senescência gradual – dos 60 aos 70 anos. que os indivíduos demonstram.14 CAPÍTULO I: REVISÃO DE LITERATURA 1 A TERCEIRA IDADE E SUAS CARACTERISTICAS 1.nesta idade. aproximadamente. entre elas estão: d) dos distúrbios no mecanismo de reparação do DNA. encontram-se os primeiros sinais de envelhecimento. Várias são as teorias que tentam explicar cientificamente o fenômeno do envelhecimento.1 As etapas de envelhecimento “Envelhecimento é a conseqüência de alterações. e) de erros nas funções celulares fundamentais. e essa classificação é utilizada como uma orientação para o profissional quanto à maneira de se abordar a problemática apresentada pelo individuo: se preventiva. 1997). de forma característica. g) do estresse (fase de alarme. . fase de resistência. De maneira geral. f) dos radicais livres. da idade adulta até o fim da vida”. fase de esgotamento). típicas da idade avançada. que se inicia por volta dos 70 anos.

A população de idosos está atualmente ocupando um espaço muito importante em nossa sociedade. saber e querer envelhecer com dignidade. menos ainda. Portanto. e reduzir ao máximo as situações que gerem perda da capacidade ou autonomia do indivíduo. O fator em comum de todas essas evidências é que todos nós estamos envelhecendo e envelhecemos a cada dia de nossa vida. o mais substancial é poder. o aumento dessa população é uma realidade. O temor com a possível aproximação da morte se torna menos lógica quando observarmos as estatísticas. Em no que diz respeito à prevenção em gerontologia. Envelhecer não significa necessariamente acumular perdas e abandonar perspectivas. O envelhecimento é um processo fisiológico que não necessariamente corre paralelo à idade cronológica.15 A fase de esgotamento consistiria no envelhecimento. onde. acreditando que envelhecer faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento do ser humano. em nosso país começa a surgir certa preocupação em diversos setores. no sentido de não desampará-los dandolhes melhores e maiores assistências mediantes as necessidades. E para isso é necessário que uma vida digna seja acessível a todos os indivíduos em todas as fases evolutivas do seu viver. conseguem ou sabem usufruir. A terceira idade desperta sentimento negativo como piedade. para que possamos prolongar a vida com saúde. é inegável. Em nossa sociedade o homem rejeita o envelhecimento. dentro da variação individual. o envelhecimento é acompanhado de mudanças com grau de variação entre os indivíduos. caracterizado por uma diminuição da resistência. promover fatores que possibilitem o retardo dos declínios decorrentes do envelhecimento. Uma coisa. apresentando considerável variação individual. ao chegar a uma idade mais avançada pode transcorrer de maneira harmoniosa. Segundo Verderi (2002). com qualidade de vida. não se conformando com sua evidência. 1998). o envelhecimento é a regressão de funções e a diminuição de vulnerabilidade e não da aproximação da morte. porém. devemos sempre que possível. O envelhecimento é uma preocupação constante do homem em todos os tempos. apesar da longevidade. É a própria vida quem nos aproxima da morte e não o envelhecimento. Dado este fato. Este é uma dádiva que poucos recebem e. sendo responsável por uma etapa feliz e digna da vida do indivíduo. o prazer de viver é perdido pelo caminho. Existem várias maneiras de se envelhecer. medo e constrangimento (AZEVEDO. isto é. ou pode acontecer de maneira desastrosa. e ao contrário do que a .

mas também a uma série de aspectos positivos que enriquecem a vida do indivíduo em diversas áreas. má postura. incapacidade e dependência (MATSUDO. apesar de alguns decréscimos de eficiência e capacidade físico-motora. cognitiva e social serão sempre privilegiados (VERDERI. força muscular e equilíbrio. Ganho de gordura generalizado. psicológicos e sociais. renovação mais lenta das células lubrificantes.2 Aspectos do envelhecimento – físico. nos quais são destacados os aspectos físicos. e que muitas vezes acompanha um envelhecimento vinculado a uma precária qualidade de vida. pele seca. Nessa situação. não deixa de ser possível manter um nível relativamente alto de desempenho físico e mental por muitos anos. comprometendo assim. perda da estatura. os vasos sanguíneos se tornam mais evidentes devido ao afinamento da pele e outras no sistema psicológico e funcional. perda dos músculos. Muitas mudanças físicas que ocorrem com a idade afetam a aparência. desequilíbrios no sistema motor e/ou cognitivo. Envelhecimento é um fenômeno fisiológico. à medida que envelhecemos. que leva à perdas importantes na condição cardiovascular.16 sociedade pensa. que são responsáveis em grande parte pelo declínio na capacidade funcional (MATSUDO. o idoso não pode ser mais visto como um ser que não tem mais nada a oferecer. 2001). progressivo e inerente a todo ser humano. . manchas na pele muito expostas ao sol. ele não será necessariamente patológico. Patológico. 1. o organismo passaria a apresentar algumas limitações. mas principalmente à falta ou diminuição da atividade física associada ao aumento da idade cronológica. que de certa maneira um está relacionado com o outro e caminham juntos. Aqueles que mantêm uma vida ativa de forma física. Dessa forma. o envelhecimento está associado não somente a fatores negativos. que em muitos casos é conseqüência das perdas associadas ao envelhecimento. No entanto. 2001). 2004). A diminuição ou perda da capacidade funcional leva a incapacidade funcional. ou associado à imagem de doença. pele pálida devido à perda de pigmentos da pele. psicológico e social O processo de envelhecimento ocasiona alterações consideráveis no indivíduo. podemos dizer que encontramos na senilidade. No entanto. o dia-a-dia do idoso.

deficiência e perda de neurônios. a descalcificação. as articulações. Nas articulações a sobrecarga é danosa e principalmente à do idoso que se torna mais delgada e mais frágil. que faz com que ocorram várias situações. proverem suas próprias necessidades e colaborarem no geral do grupo. seu folclore. alterações em todos os órgãos e sistema dos organismos intracelulares que prejudicam não somente sua função como também sua multiplicação. solução indicada pela própria cultura. há uma diminuição de volume de sangue que o coração bombeia. ocorre um flexionamento dos joelhos. Na questão dos idosos no Brasil existem dois pontos distintos. Há perda de tônus muscular. os pulmões diminuem de tamanho e peso. sendo o mais respeitado pela experiência acumulada ao longo da vida. Segundo Lorda Paz (1990). na qual o envelhecimento só chegava para os indivíduos no momento em que não conseguiam. ombros se curvam. que caracteriza a osteoporose. onde é muito forte a presença da cultura indígena. No sistema cardiovascular o coração aumenta seu volume.17 Pode–se citar dentre os fatores físicos. pois existem atitudes e sociedades diferentes. se dá ao isolamento e ao esquecimento dos idosos. Mas nem sempre na velhice ocorre isso. em que o velho desempenha o papel de destaque. A sociedade da antiguidade em geral. prejudicando também o psicológico. diminuição da capacidade intelectual. No sistema nervoso ocorre uma diminuição da atividade cerebral. a curvatura dorsal acentua-se. a freqüência cardíaca diminui. ocasionando atrofia muscular nos grandes grupos musculares. há uma constante perda de equilíbrio devido a mudanças motoras. Já no aspecto social. de 3 a 4 centímetros. No sistema motor. diminuindo o número de ramificações e conexões com os outros órgãos que inervam. predomina a sociedade industrial. músculos e ossos sofrem diversas alterações. marcada pelo . a estatura diminui começando entre os 50 e 55 anos devido à compreensão das vértebras e aos achatamentos dos discos intervertebrais. No livro de Rauchbach (1990) relata com exemplo as tribos de esquimós. de transferir para os jovens a cultura da tribo. No sul. pois si sós. No nordeste ainda predomina a família patriarcal. sua crença. os do nordeste e os do sul. a cabeça se inclina para adiante. alterações na atenção e etc. acatava os velhos sábios quando atingiam essa etapa. sentindo-se então pesados aos demais e recorriam ao suicídio. nos ossos eles passam de um estado consistente para um estado esponjoso. diminuição dos reflexos da sensibilidade e da percepção corporal.

discos. Ocorrem modificações no decorrer dos anos.3 Pontos em que a idade transparece Segundo Morgenthaler (1996). 9 – PULMÕES: mais fracos. para lutar contra fatores internos e externos que ameaçam a vida. depressão e as insônias precursoras comuns de infarto do miocárdio. ocasionado através da prática regular de exercícios físicos.18 acirramento de competição entre as pessoas. Os entusiasmos são menores. pressão alta. Pode ser: 1 – MÃOS: enfeiam. O equilíbrio social na velhice se torna mais difícil. os benefícios ao idoso. baixa auto-estima. 3 – JOELHOS: desgaste 4 – OLHOS: enfraquecem 5 – OUVIDOS: alcance diminuído 6 – PELE: diminuição da elasticidade. 7 – COLUNA: aparecem bico de papagaio. e a sua prática é um direito a todos. a Educação Física possui um papel importante na vida das pessoas. Por esse motivo. ansiedade. decorrente da longa história de vida. Por isso. etc. quer pela fixação de estratégias de comportamento. é preciso criar estímulos bem maiores para fazê-lo empreender uma nova ação. podemos encontrar o pessimismo na sua existência. onde alteram seus valores e atitudes. aparecem rugas. a motivação tende a diminuir. passividade. à medida que as pessoas envelhecem. mais lento e difícil se torna. por mais fortes e saudáveis que sejam. etc. desgaste. sempre há algum ponto em que a idade transparece. rugas. Atrás de uma barreira de isolamento social. na busca da promoção social e humana. adquire manchas. queixas somáticas. transcendem os aspectos fisiológicos e contemplam o ser humano em sua globalidade: atendem também suas necessidades sociais e psicológicas. quer pela aquisição de um sistema de reivindicações e desejos pessoais. 10 – CORAÇÃO: arteriosclerose. . 1. 2 – CABELOS: embranquecem ou caem. 8 – ANDAR: quanto menos andar.

seu nível de força. falta de apetite. tudo isso dependendo do tipo de atividade e da intensidade. Nesse sentido. e eles podem atingir um estado de subnutrição. mas esta longe da senilidade. associado à atividade mental e também social. o que inclui as atividades físicas de lazer. confusão. mas isso não caracteriza educação física. termos correntes nas publicações. Já o termo Educação Física refere-se aos conhecimentos sistematizados sobre o movimento humano. doença comum da terceira idade tem por sintomas choro fácil. qualquer comportamento. do trabalho e da vida social implicam movimentos. isolamento. Neste item. cansaço. nem toda atividade física é educação física pois. melhorando sua capacidade cárdio-respiratória. otimizar suas potencialidades e possibilidades de movimentos para se regular. a autora chama a atenção: problemas de memória podem ser o problema de gente idosa. o futebol e a ginástica como um meio para se alcançar objetivos de lazer. um idoso tem problemas. O problema pode ser também a dentadura. isto é. Muitas vezes. a ginástica. fácil irritabilidade. falta de vontade de conversar e se movimentar. flexibilidade. Entretanto. causados por nervosismo ou outro. hipertensão. conhecimento esse que deve capacitar o aluno para. Além de. DEMÊNCIA OU ARTERIOSCLEROSE. entende-se por atividade física qualquer movimento corporal produzido pelos músculos que resulte num substancial aumento do gasto das reservas energéticas. De acordo com Bouchard &Shephard (1994). sentimento de culpa. são julgados como SENILIDADE. etc. mas não se senil. Às vezes. aquilo que não pode deixar de ser. melhorar a condição física ou com finalidades estéticas. as tarefas da vida diária. o intestino funciona mais devagar. ou os dentes. angústia e insônia. freqüência e duração da mesma. DEPRESSÃO. portanto. interagir e transformar o meio ambiente em busca de uma melhor qualidade de vida. da ordem do possível e da vontade do praticante.19 11 – APETITE: diminui. 2 O QUE É ATIVIDADE FÍSICA Atividade Física pode ser determinada como sendo o conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pratica envolvendo gasto energético e alterações orgânicas. através de exercícios que envolvam movimento corporal. que são da ordem do necessário. com autonomia. com aplicação de uma ou mais capacidades físicas. são. diminuir os riscos de doenças como diabetes. também. as atividades do cotidiano. Para melhor compreensão dessa área. Já essas mesmas atividades. esses objetivos são variados e definidos pelo praticante em um amplo universo de possibilidades. onde este indivíduo terá como resultado benefícios à sua saúde. por exemplo. são: Atividade Física e Educação Física. Pode-se praticar atividades físicas como. Sendo assim. 12 – MEMÓRIA: debilitada. as vezes parece que a mente não envia aos sentidos o comando. até por médicos menos experientes. entre outras. entre outras. tristeza. como conteúdos da educação física. a educação física tem . tônus muscular. controle de estresse. são os meios para se alcançar objetivos definidos “a priori”. o esporte. A DEPRESSÃO.

2 Objetivos e benefícios da atividade física Várias pesquisas como a situada na revista do CREF4/SP. As pessoas inativas e sedentárias estão mais expostas a doenças relacionadas ao estilo de vida. onde este nível está relacionado diretamente ao nível de saúde que as pessoas apresentam. nº 007.1 A importância da atividade física A atividade física é importante porque através dela pode-se melhorar o nível de Aptidão Física que nada mais é que o conjunto de atributos que se relacionam com a capacidade que um indivíduo tem de realizar atividades físicas. No primeiro caso. dezembro de 2. Tudo indica que a diferença fundamental está na relação meio/fim. sua disposição e saúde de um modo geral. etc. que são feitos de maneira repetitiva e intencional são responsáveis pelos maiores e melhores resultados para quem os pratica. estando o sedentário mais predisposto a estes mesmos distúrbios. 2. melhorando a energia do indivíduo. a atividade física é um meio para a Educação Física. natação. bem estruturados. hipertensão e outros.20 como objetivo precípuo instrumentalizar o aluno para participar de programas de atividades físicas como ginástica. promove benefícios à saúde. a educação física deve contribuir para a formação de um consumidor crítico dos espetáculos esportivos e informações veiculadas nos meios de comunicação. seu estilo de vida que é a sua própria qualidade de vida. Os exercícios regulares aumentam a longevidade. idosos com pouca força muscular apresentaram aumento acentuado na freqüência cardíaca e pressão arterial. sua velocidade de reação e o seu convívio social. desde que bem orientada. no segundo caso. Além disso. 2. Recentemente. Ano IV. Isso devido á falta de força faz com que atividades comuns no cotidiano . Atividades Físicas que se constituem de exercícios bem planejados. além de terem seus riscos minimizados através de boas orientações e controles adequados. avaliando sua qualidade e adequação para a promoção da saúde e bem estar. esporte. Ou seja. a atividade física se constitui num fim em si mesma e.003. ou seja. Melhorando também o seu nível intelectual e seu raciocínio. documentou-se a importância da força para a manutenção da homeostase e hemodinâmica na vida diária. mostram que a atividade física seja ela qual for. dança. sendo o sedentarismo considerado tão prejudicial à saúde quanto qualquer outra doença como o diabetes. através de elementos conceituais e perceptivos que lhe permitam apreciar e refletir sobre a estética e a técnica dessas manifestações..

do que correr ou nadar longas distâncias. O ser humano não pode continuar a ser encarado como um produto com prazo de validade. "Daí a importância de oferecer recursos para as pessoas diminuírem as perdas ou lidarem melhor com essas perdas. A indústria da beleza vende a eterna juventude e nega a velhice. a velhice vive seu eterno conflito. associada às alterações físicas e de saúde que o envelhecimento traz. b) c) óssea. por influenciar positivamente na mineralização . Na atualidade. ficando o idoso com a impressão de perder bruscamente a fase de sua razão de ser social. conseqüentemente.21 tornem-se esforços de alta intensidade. o que significa uma convivência maior com a velhice. tendo consciência de que agora é sua vez como uma participação prazerosa e saudável dentro da sociedade. d) fator psicológico: desenvolve a auto estima aumentando a vaidade e a vontade de viver. todas essas tarefas são muito mais comuns para o idoso. A professora Silene Okuma (1998) que tem livros e artigos publicados sobre o assunto – lembra que a população brasileira hoje vive mais. dar pequenos piques. óbitos. O que existe é uma fase da vida em que as pessoas deverão colher os frutos de seus trabalhos. "Não é o envelhecimento em si que produz manutenção de um alto metabolismo basal. tais e na matriz magra. sentar e levantar de alturas relativamente baixas. evitando assim obesidade e suas conseqüências. A velhice não existe. que acabam interferindo nas condições sociais. Alguns indivíduos chegam até mesmo a perda acentuada da capacidade de adaptação e de menor expectativa de vida. pois esta privilegia as pessoas altamente produtivas. Os principais objetivos e benefícios da atividade física na terceira idade são: a) manutenção da massa magra ( músculos) – torna o idoso apto a realizar tarefas diárias que exigem maior intensidade de força. Este processo leva à perda das possibilidades de interação social e. 2.3 Atividade física na terceira idade A velhice pode ser vista pelos dois lados: como apogeu de uma vida ou como a decadência de um indivíduo. Atividade física na terceira idade também previne e combate doenças como diabetes e varizes. carregar objetos. a uma condição psicológica negativa. O passar do tempo faz com que o círculo das relações familiares e de amigos diminua pelo processo natural de dispersão. tais como: subir escadas. pois a velhice nasce com o homem e é resultado de sua trajetória biológica e espiritual. devido à massa prevenção de doenças crônicas ou crônico – degenerativas.". como: osteoporose.

É ele que reflete as transformações. precisa de um corpo que funcione”. velocidade. E muitos ainda assumem esta imagem. ritmo e agilidade). a atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resultam em gasto calórico acima do basal.4 Atividade física e seus benefícios no envelhecimento Segundo Matsudo (2001). estimular o corpo." Para a autora. Pode não parecer. flexibilidade. O plano de atividade física deve ter: tipo de exercício (ênfase no movimento aleatório. à medida que nos exercitamos. "A longevidade ainda é algo novo na nossa sociedade. relata Okuma. . "Para diminuir a velocidade da ação do tempo é preciso ativar. mas um bom sistema imunológico é importante também para manter uma relação saudável com o meio. até sessenta minutos por dia. 2. Segundo Okuma (1996). costurar. A mesma dá um importante recado: "Quem nos mostra que chegamos à velhice é o corpo. e sim físico. força. Relata ainda a forte associação entre qualidades físicas (entre outras resistências. arremessar. É preconizada como indicador de qualidade de vida em todas as faixas etárias de caráter saudáveis ou comprometidos. quicar. explica a professora. escrever etc). Com a autoridade de quem tornou-se uma referência nacional no assunto. habilidades motoras (movimentos mais precisos como receber. Silene Okuma (1996) frisa que o sedentarismo é muito negativo para as condições de saúde e acelera as modificações resultantes da idade. resultando na melhora ou manutenção de uma ou mais variáveis da aptidão física. "O indivíduo. quando o idoso percebe que não é incapaz." Como os exercícios físicos mantêm a funcionalidade dos sistemas e órgãos. eles aumentam a resistência às doenças. Quando se começa a perder as capacidades. O exercício físico é definido como uma subcategoria da atividade física que é planejada. prevenir e tratar coronariopatia e o diabetes tipo II. relaxamento. A atividade física para idosos deve ter os seguintes objetivos: manter a capacidade funcional geral. permitindo a manutenção de boas condições físicas mesmo no caso de doenças. freqüência (todos os dias com atividades de níveis mais baixos. favorecem ás áreas físicas. Os exercícios se forem bem conduzidos. cortar.22 a condição negativa. É quando as pessoas passam a assumir o estereótipo de que o idoso é incapaz. coordenação. como caminhar). em múltiplas sessões). aprimorar o estado psicológico. Não existe envelhecimento social. damos uma reserva funcional ao organismo." Daí a importância de manter o corpo em boas condições. equilíbrio. para 'funcionar' no meio social. E uma das melhores formas de experimentá-lo é inserindo a atividade física no dia-a-dia. geradora de muito mal-estar e de condições psicológicas negativas. estruturada e repetitiva. de menos dependência dos outros. preservar a integridade músculo-esquelético. passar. na flexibilidade e em alguns exercícios de resistência). vem a condição de aprisionamento. duração (com base na capacidade do indivíduo. mas a forma como a pessoa experimenta este envelhecimento". muda seus conceitos e passa a ter uma relação positiva com a velhice. A atividade física está apoiada em vários fundamentos científicos. A caricatura que se faz do idoso ainda é de muita passividade e isolamento. intensidade (moderada sob recarga com progressão lenta).

dando mais fôlego e aumentando a oxigenação do cérebro e do sangue. aumento da massa muscular. um benefício muito mais importante é o aumento de seis a dez anos na expectativa de vida ajustada ao aumento da qualidade de vida incluem relatórios de maior bem-estar. a força muscular.23 psíquicas e social tais como: composição corpórea (aumenta a massa magra e reduz a massa gordurosa. a mobilidade articular. perfil lipídico (reduzindo LDL colesterol e triglicerídeos e aumentando o HDL colesterol. O idoso precisa olhar para si e ver qual a sua capacidade funcional nas atividades do dia-a-dia. aumento de força muscular). do débito cardíaco em repouso. acompanhados de exercícios de relaxamento muscular. Os benefícios da atividade sobre o controle da pressão arterial acontecem por diversos fatores diretos e indiretos da atividade física no organismo e que foram sintetizados assim: alterações cardiovasculares (diminuição da freqüência cardíaca de repouso. estimulam estes a crescerem. que tem efeito protetor sobre a parede arterial). melhora das funções cognitivas e da socialização (MATSUDO. arrumar camas. 1997). alterações endócrinas e metabólicas (diminuição da gordura corporal. contribuindo para redução do peso). como estão presos nos ossos. aparelho respiratório (melhorando sua performance. A atividade física é um fator fundamental na saúde do idoso. As angústias. a aumentar a massa óssea. aumento da sensibilidade à insulina. diminuição dos níveis de insulina. melhora da auto estima. ansiedade. Estudos mostram que pelo menos 70% dos idosos têm um problema de saúde e a atividade física pode ser uma grande aliada do tratamento. como poderoso método de tratamento de problemas emocionais e sexuais. Elas também melhoram as condições do coração. ajuda na queima de calorias. Em parte devido ao impacto sobre vários aspectos da saúde física a atividade física regular tem uma importante influência sobre as capacidades funcionais. previne quedas. diminuição na atividade do sistema nervoso simpático. da respiração. composição corporal (efeito diurético. comportamento (diminuição do estresse. A pessoa que faz exercícios tem mais disposição. desenvolvimento da auto-eficácia. 2001). vontade de viver. aparelho cardiovascular central e periférico (aumenta a capacidade do coração e das veias para bombear sangue). da resistência periférica e do volume plasmático. bem como uma redução do risco de ansiedade e depressão (SHEPHARD. No entanto. o tipo de exercício a ser realizado depende do organismo e da vontade de cada um. carregar panelas de pressão. pois. e o fortalecimento dos músculos. diminuição da ansiedade). melhora do humor. Não há nenhuma fórmula predeterminada do que deve ser feito na terceira idade. (OKUMA. A atividade física é um ponto importante na qualidade de vida do idoso. Embora o hábito de praticar atividade física regular possa estender o ciclo vital de uma pessoa em um a dois anos. Os músculos. qualidade de vida e saúde mental do cidadão idoso. 2001). A prática da atividade física pode controlar a manifestação e os sintomas de várias doenças. melhora da tolerância à glicose). a massa óssea e a coordenação motora. aumento da densidade capilar). abaixar-se para ver o forno. servindo os exercícios físicos de musculação. por exemplo. Efeitos na saúde mental: melhora do autoconceito. . melhora da imagem corporal. aumentando a massa muscular. melhora da tensão muscular e da insônia. depressões e fobias podem melhorar com a realização de exercícios leves de músculos e de respiração (KNOPLICH. como subir as escadas de um ônibus. As atividades físicas estimulam o crescimento. diminuição do consumo de medicamentos. 1998). como hipertensão. melhora a imagem corporal e ajuda o idoso a ter autoconfiança). uma melhora da auto-estima e sensação de auto-eficácia. melhora o equilíbrio.

Aumento do tecido não contrátil (gordura e tecido conectivo) no músculo. contribui na manutenção do peso corporal e melhora da mobilidade do idoso (OKUMA. doença coronariana. Portanto.24 por exemplo. ocorre diminuição do envolvimento do número em atividades físicas vigorosas e moderadas e da vida diária com o aumento progressivo da idade. Redução do volume muscular. o nervoso e o músculo-esquelético. A prática de atividade física melhora o andar e o equilíbrio. melhora a ingestão alimentar. como a hipertensão. demonstraram que a prática da atividade física regular reduziu o risco de mortalidade por doença coronariana e outras causas. 2. Alguns estudos que tinham como principal objetivo aumentar o nível de atividade física mediante orientações com técnicas de mudanças de comportamento se mostraram eficazes. diabetes tipo 2. diminui a depressão. auxilia o controle do diabetes. é preciso trabalhos com três sistemas do corpo humano: o cardiovascular. principalmente na dieta e atividade física. diminuindo os efeitos deletérios causados pelas alterações que vêm acompanhadas com o aumento da idade e o contato social. osteoartrite. Tal fato tem-se associado com o aumento do risco de doenças crônicas não transmissíveis. da artrite. reduzindo os problemas psicológicos. 2006). Por outro lado. problemas respiratórios e desvios posturais. levando ao decréscimo da capacidade física. e reduzir o consumo de remédios. Durante o processo do envelhecimento temos alterações fisiológicas e em nossas capacidades físicas: Redução da força. contribui para a manutenção e/ou aumento da densidade óssea. Sugere-se que a morbimortalidade associada às doenças crônicas poderia ser reduzida com a prevenção. reduz as ocorrências de acidentes. aumentando a longevidade. pois os reflexos e a velocidade ao andar ficam melhores. segundo projeções demográficas. Para isso. incluindo mudanças no estilo de vida. acidente vascular cerebral. das doenças cardíacas e dos problemas com colesterol alto e hipertensão.5 Envelhecimento e exercício No Brasil. Paffenbarger et al (1978). . a atividade física tem sido amplamente empregada como estratégia para melhorar a qualidade de vida do idoso. estima-se crescimento de 16 vezes no número de idosos no período de 1950 a 2020. melhora a auto-eficácia.

Com o envelhecimento ocorre também uma redução no número de unidades motoras.1995 . tem início aos25 anos e se torna mais pronunciada a partir da 5 década de vida. fraturas e dependência do idoso. A redução da área de secção transversa do músculo também se dá às custas da redução do número de fibras ao longo do processo de envelhecimento. Esse fenômeno parece ser resultante da perda de neurônios motores alfa da medula espinhal com subseqüente degeneração de seus neurônios em contra partida as unidades motoras remanescentes aumentam de tamanho. Parte da redução da capacidade aeróbia (50%) no idoso tem sido atribuída a sua perda de massa muscular. W. Vários estudos têm relacionado a redução da força muscular a uma maior suscetibilidade a quedas.Physical Dimensions of Aging Diretrizes e documentos oficiais sobre a prescrição da atividade física para idosos: . com o envelhecimento. Alterações da Força em Função da Idade Manutenção Declínio Músculos utilizados em atividades Músculos utilizados raramente diárias Força isométrica Força Dinâmica Contrações excêntricas Contrações concêntricas Contrações em baixa velocidade Contrações em alta velocidade Força utilizando pequenos ângulos de Força utilizando grandes ângulos de amplitude articular amplitudes articulares Força nos indivíduos do sexo Força nos indivíduos do sexo feminino masculino Fonte: Spirduso. reduzem em tamanho enquanto que as fibras do tipo I permanecem praticamente inalteradas.W.25 - Redução na área de secção transversa do músculo esquelético. - As fibras tipo II. - Capacidade reduzida no idoso em gerar força em alta velocidade (potência). - O envelhecimento parece provocar redução no número tanto de fibras do tipo I como do tipo II.

mulheres atingem a menopausa.5. e uma maior disponibilidade de renda diminui em muito os trabalhos domésticos que passam a ser delegados a empregados. No grupo de 75-85 anos muitos indivíduos têm adquirido alguma deficiência física-motora. a produção dos hormônios sexuais.2 Classificação da idade Maioridade jovem cobre o período de 20-35 anos de idade.As carreiras profissionais têm geralmente atingindo o auge. 2. pode haver um modesto incremento da atividade física.1 O Fenômeno do envelhecimento Envelhecer e morrer parecem ser características de todos os organismos vivos. O declínio . havendo um aumento de 510 kg da massa de gordura corporal. Em outros tecidos. para preencher o tempo livre resultante da aposentadoria (8). os componentes celulares modificam-se com a idade. Uma vida ativa pode estar presente mesmo com o crescimento familiar. Durante a maturidade (45-65 anos). e em alguns órgãos como no cérebro. Em conseqüência. Em idosos (65-75 anos). e os homens reduzem . diversas funções biológicas mostram uma progressiva degeneração relacionadas com a idade. as células que morrem não são substituídas.também. Alguns biólogos argumentam que o envelhecimento foi "programado" pelo mecanismo da evolução para evitar os perigos de uma superpopulação.assim. atividade física geralmente diminui. Durante a meiaidade (35-45 anos). Por exemplo: ocorre uma degeneração das fibrilas colágenos dos tecidos. quando tanto a função biológica quanto a performance física atingem o máximo. e em idosos muito avançados (acima de .5. Os mecanismos controladores do processo do envelhecimento não estão bem esclarecidos. da condição física aumenta e pode acelerar. Ateroesclerose e arterioesclerose progressivamente diminuem o fornecimento de oxigênio. que leva a um enfraquecimento de certas estruturas como os tendões. uma desregulação do sistema imunológico que passa a atuar contra estruturas do organismo como proteínas. aumento dos radicais livres.26 2. Possíveis hipóteses incluem: um "desgaste" que excede a capacidade regenerativa dos tecidos. erros na divisão celular que são agravadas por fenômenos naturais como a radiação solar. porém torna-se menos importante impressionar o patrão ou pessoas do sexo oposto com aparência física e performance.

4 Envelhecimento e Performance Aeróbia . pode ocorrer um substancial aumento no peso. Em idosos. pode também haver uma redução global no metabolismo celular. força muscular e flexibilidade uma pessoa com 65 anos. por exemplo. 2. como a descoloração do cabelo. Uma importante conseqüência da atividade física para os idosos é que pode ocorrer um aumento na ingestão calórica (devido ao gasto pelo exercício) aumentando assim as dosagens dos nutrientes essenciais sem que para isso sejam adotados suplementos vitamínicos e. uma diminuição da capacidade vital e do tempo de reação. nos depósitos de gorduras. paralelo. perda da elasticidade da pele. não há muitos métodos satisfatórios para a determinação da idade biológica. Infelizmente. minerais. Uma razão é a perda de massa muscular ativa com um aumento. 2.5. cerca de 10% da maioridade jovem até a idade de aposentadoria.5. pode obter desempenhos comparados a jovens de 25 anos sedentários. Tentativas de combinação de medidas. tomadas como um índice global parecem prover não mais que um complicado e impreciso método de avaliar a idade cronológica individual. Então uma avaliação.27 85 anos) há um aumento muito grande da dependência de terceiros para a realização de atividades. particularmente o cálcio. e como o metabolismo de repouso diminui com a idade. A ingestão de alimentos deve ser correspondentemente ajustada. Em termos de consumo máximo de oxigênio. entretanto. ou. em boa forma física. ou para uma prescrição de exercícios deve levar em conta a idade biológica antes que a cronológica. para continuar-se em determinada atividade (emprego).3 Envelhecimento e Consumo Energético O metabolismo basal (de repouso) dá conta por grande parte do gasto calórico diário. porque os sistemas do organismo apresentam-se em diferentes taxas de idades (envelhecimento). e mais 10% subseqüentemente. uma larga inter-individual diferença no estado funcional em uma determinada idade. Uma baixa ingestão de alimentos pode não ser suficiente para satisfazer as necessidades de proteínas e outros nutrientes essenciais. Há.

eles continuam uma relativamente normal taxa de envelhecimento.28 O consumo máximo de oxigênio declina entre 5 ml/kg /min por década a partir dos 25 anos até os 65 anos de idade. a taxa de diminuição do consumo de oxigênio é somente um pouco menor que na população em geral. incluem uma diminuição da freqüência cardíaca máxima. do treino. 2. e a importância da diminuição da atividade física habitual para a mesma.p. embora a fraqueza muscular possa levar a um valor mais baixo durante ciclo-ergometria (10). porém uma revisão crítica dos dados sugere que uma vez que semelhantes sujeitos iniciam um treinamento e percebem qualquer resposta imediata. Há evidências.5 Freqüência cardíaca A freqüência cardíaca máxima diminui. relacionada à idade. por causa de uma resposta menor das catecolaminas circulantes..m. Causas potenciais da perda de potência aeróbia.5. Valores máximos são ainda mais diminuídos se o sujeito experimenta falta de ar (em doenças pulmonares crônicas) ou desenvolve isquemia do miocárdio. principalmente. normalmente as pessoas tornam-se mais sedentárias com a idade e atletas mais velhos normalmente reduzem seus treinamentos. ocasionais.5. É difícil saber até quanto esta perda é inevitável. do volume de ejeção e da diferença artério-venosa.6 Volume de ejeção . 2. que indicam que pessoas que tornam-se vigorosamente ativas sustentem um mesmo consumo máximo de oxigênio por muitos anos (6). todos sendo determinantes do consumo máximo de oxigênio (CONSUMO DE OXIGÊNIO MÁXIMO = FREQÜÊNCIA CARDÍACA MÁXIMA x VOLUME DE EJEÇÃO CARDÍACO MÁXIMO x DIFERENÇA ARTÉRIO-VENOSA MÁXIMA). Igualmente em atletas que mantiveram seu volume de treino diário. Pesquisas mais recentes sugerem que um bem motivado sujeito de 65 anos de idade pode atingir uma taxa de 170 b. A equação clássica (freqüência Cardíaca máxima = 220 – idade) implica num máximo de 155 batimentos por minuto na idade de 65 anos (1). ou mais. com alguma possibilidade de uma aceleração deste valor após os 65 anos(8). durante uma corrida na esteira com inclinação.

5. A independência total provavelmente requer um transporte máximo de oxigênio de 12-14 ml/kg/min. de talvez 140 – 150. veias varicosas. e um lento relaxamento da parede ventricular. Assim. o exercício torna-se fatigante quando a demanda atinge 33%-50% do consumo máximo de oxigênio. Todavia. a contratilidade ventricular pode ser piorada pelo desenvolvimento da isquemia silenciosa do miocárdio.8 Conseqüências Funcionais Dependendo da natureza da tarefa e do ambiente de trabalho. o envelhecimento do sistema de transporte do oxigênio progressivamente restringe a habilidade do idoso em empreender atividades do cotidiano como uma caminhada numa pequena elevação (9).5. 2. porém uma pessoa idosa tem dificuldade em manter o volume de ejeção quando o esforço máximo aproxima-se. este ponto de vista não foi confirmado em pesquisas posteriores. Há muitas restrições na função ventricular do idoso. Esta mudança reflete o redirecionamento de uma grande fração do rendimento cardíaco do exercício para regiões (pele e vísceras) onde a extração de oxigênio é bastante limitada. o coração de um indivíduo de 65 anos pode compensar a menor taxa de freqüência cardíaca máxima por um aumento no volume diastólico final e assim no volume de ejeção cardíaca. Durante exercícios submáximos. 2. O . O enchimento venoso é piorado pelo: pobre tônus venoso periférico.7 Diferença artério-venosa para o oxigênio A máxima diferença artério-venosa do oxigênio diminui. em parte devido a hipertensão e a perda da elasticidade arterial. e também devido a debilidade dos músculos esqueléticos que devem contrair-se em uma maior percentagem da força voluntária máxima. argumentou que se cuidados forem tomados para excluir sujeitos com isquemia no miocárdio. Uma sensibilidade reduzida para as catecolaminas atrapalha o incremento inotrópico durante o exercício vigoroso. 2003). A pós-carga do ventrículo também aumenta mais que em indivíduos jovens.ml/dl em adultos jovens até 120 – 130 ml/dl em cidadãos idosos. o volume de ejeção pode ser maior que em um adulto jovem. Finalmente.29 Weisfeldt (apud Revista Brasileira de Medicina do Esporte.

m. No ancião debilitado a freqüência cardíaca raramente excede 85 b.5.p. 2. porém é também proveitoso. a menos que ele. A massa muscular diminui. a dependência vai aumentando a medida que a função vai sendo perdida por períodos de repouso na cama causado por doenças inter-relacionadas. o treinamento com freqüências variando entre 110-120 b.1 Músculos A força máxima é atingida por volta dos 25 anos de idade.9 Idade e Resposta ao Treinamento Um programa correto de treinamento aeróbio pode aumentar a potência aeróbia em sujeitos de 65 anos tanto quanto 10 ml/kg/min num período de 3 meses de treino.30 consumo máximo de oxigênio de muitos idosos cai abaixo do mínimo por volta dos 80 anos de idade. 2. ou ela viva até uma idade. no entanto. O treinamento aeróbio ajuda a eliminar uma inaptidão prematura. . não deve limitar a independência de indivíduos ativos. mesmo que com ganhos mais lentos.p. porém tem pouca influência na sobrevivência além dos 80 anos de idade.5. Padrões de atividade nas idades entre 45-65 anos são fortes preditores da probabilidade de dependência na idade mais velha. Ganhos são maiores se uma freqüência cardíaca em torno de 130-140 batimentos por minuto puder ser mantida. de 100 anos.m. com 25% de perda de força muscular máxima na idade de 65 anos.m. a condição aeróbia do idoso pode ser melhorada por uma baixa intensidade de treinamento. reduzindo efetivamente a idade biológica do sistema transportador de oxigênio em 20 anos. Se a aptidão inicial é bastante baixa. 2.10. porém uma boa saúde será preservada até bem perto do óbito (4).p. então alguma resposta ao treinamento pode ser antecipada até mesmo com atividades que induzam a uma atividade de somente 100 b. não comum. A falta de um treinamento aeróbio.5. quando mostra um declínio rápido.10 Envelhecimento e Função Músculo-Esquelética O envelhecimento conduz a uma progressiva diminuição da força e flexibilidade muscular. e entra num platô até a faixa dos 35-40 anos.

Não está claro se isto é uma hipotrofia geral do músculo esquelético ou uma hipoplasia seletiva e degeneração das fibras tipo II. associada com a perda do broto terminal do nervo motor. que diminui a pressão sobre os vasos. e diminuição do recrutamento de fibras. se o sujeito evitar a manobra de Valsava. Tanto o tempo de contração e o tempo de relaxamento estão prolongados. Durante a vida ativa. A relação de força homem/mulher não é alterada. piora do mecanismo de excitação-contração. Todavia. reduzem o risco de quedas e diminuem a magnitude da dispnéia. A resistência muscular em dada fração da força voluntária máxima. restringindo. adultos perdem algo como 8-10 cm de flexibilidade na região lombar e no quadril. o aumento da pressão sangüínea não será maior que durante uma série de exercícios na bicicleta ergométrica. ligamentos e cápsulas articulares diminuem devido a deficiências no colágeno. aparentemente. a velocidade de contração máxima é diminuída. possivelmente porque há uma maior diminuição no uso das pernas com a idade. como medido no teste do . por isto. junções mio neurais. Outras causas da perda funcional incluem uma deterioração das estruturas terminais das placas motoras. até mesmo em sujeitos com 90 anos de idade (3). em parte devido aos músculos. e até levantar o próprio corpo do assento do toalete (9). porém a comparação de secções transversas de músculos entre pessoas ativas e inativas sugere que muito da perda de tecido magro pode ser evitada por um treinamento regular com pesos. menos que em pessoas jovens. melhora com a idade. A força muscular pode ser bastante melhorada por um período tão curto como 8 semanas de treinamento com pesos. a perfusão dos tecidos. e também pela menor força muscular.31 aparentemente com uma perda seletiva na secção transversa. e. provocando um ataque cardíaco. Torna-se difícil transportar um pacote de 5 kg de alimentos.5. Músculos preparados melhoram a função das articulações. Algumas vezes há o temor que exercícios com pesos possam causar um perigoso aumento da pressão arterial. abrir um frasco de remédio. A perda da força progressivamente impede ações normais do dia-a-dia. A síntese protéica ocorre mais lentamente que em adultos jovens.2 Flexibilidade A "elasticidade" dos tendões. 2. conterem uma maior proporção de fibras tipo I. Mudanças são maiores nas pernas que nos braços. e mantiver 60 % da força máxima voluntária por mais que poucos segundos. agora.10.

Se a fraqueza muscular e artrite estão avançadas tais movimentos devem ser tentados em água aquecida. os ossos tornam-se tão fracos que uma pequena queda. ainda requererem maiores investigações.32 alcance máximo – sentar e alcançar ou "sit and reach". A perda de cálcio pode começar tão cedo como aos 30 anos. ou combinar os movimentos de vestir-se e pentear os cabelos. o pâncreas e a tiróide são afetadas por lesão e. embora os riscos de tal terapia. Uma deterioração das vértebras. 2.10. que sustenta o peso corporal. e. ou. Em idosos. devido em parte as diferenças no aspecto hormonal. e em parte à baixa ingestão de cálcio e proteína de alta qualidade pelas mulheres. um acesso de tosse ou ainda uma contração muscular mais vigorosa podem causar uma fratura. 2. Uma fratura do quadril é um modo bastante comum de iniciar um mórbido período de acamação. e nas mulheres o processo acelera-se por volta do período da menopausa. Em mulheres.4 Envelhecimento e Função Metabólica Muitos mecanismos hormonais diminuem sua eficiência em pessoas idosas. também.5. é incerto como uma diminuição da atividade física habitual contribui para uma idade relacionada perda de cálcio. A restrição na amplitude do movimento das maiores articulações torna-se maior durante o período da aposentadoria. a independência é ameaçada porque o indivíduo não consegue utilizar um carro ou um banheiro normal. também. os experts recomendam o uso de estrógenos. contribui para a cifose senil. Semelhantemente uma dieta é particularmente efetiva quando acompanhada por um alto conteúdo de cálcio (1500 mg/dia).5.10. A flutuabilidade. Mudanças são maiores nas mulheres que nos homens. subir numa pequena escada. Por exemplo.3 Estrutura Óssea Há uma progressiva diminuição no conteúdo de cálcio com a deterioração da matriz orgânica do osso com o envelhecimento. gerada pelo empuxo da água. diminuição . Todavia o limiar entre normalidade e patologia não está claro. Uma regular e orientada carga de exercício pode parar e algumas vezes reverter a perda mineral até a oitava década de vida. Pensa-se que a flexibilidade possa ser conservada por suaves movimentos levados em toda a amplitude das principais articulações. e o aquecimento da água incrementam a flexibilidade imediata das articulações. e eventualmente.

também. e o miocárdio tem uma diminuição no número de receptores para as catecolaminas. onde a experiência é essencial. Complicações crônicas em longo prazo (infecções na pele. e em competições como o golfe e equitação. assim. Em eventos onde a flexibilidade é requerida (por exemplo. corrigir tanto a obesidade e a depressão no paciente com hipotireodismo. Diabete mellitus apresenta um imediato risco de cetose. úlceras. normalmente.5. Os exercícios físicos podem. a performance em atividades anaeróbias diminui menos abruptamente.5 Performance Atlética A idade da performance máxima depende da característica principal da atividade do competidor. poupados de complicações em longo prazo da terapia insulínica e controle rígido da ingesta alimentar. 2. mesmo com a melhora nas habilidades motoras e experiência competitiva há uma diminuição do consumo máximo de oxigênio e flexibilidade. arteriosclerose. os motivos para a participação trocam de um sucesso competitivo (vencer a todo custo) para uma interação social. Pela manutenção dos níveis de força muscular por um tempo mais longo.5. os melhores competidores estão na faixa dos 30-40 anos. pois muitos só começaram a competir quando atingiram a terceira década de vida. Conseqüências clínicas destas mudanças incluem o desenvolvimento de diabetes e mixedema. Cuidados são necessários na elaboração de inferências fisiológicas para recordes atléticos.10. Além disso. resultando em obesidade. retinopatias e catarata) podem limitar a tolerância ao exercício físico. diminuição da tolerância ao frio e depressão. hiper e hipoglicemia. adolescentes. isquemia do miocárdio. neuropatia periférica. a performance atinge o auge na metade da vigésima década.33 no número de células secretoras. e em alguns participantes de eventos Masters há uma falta de habilidades acumuladas. muitos pacientes são.10. como ganhos de treinamentos prolongados. pois o conjunto de competidores em potencial diminui com a idade.6 Riscos do Exercício Físico: . ginástica olímpica) os melhores competidores são. um exercício moderado com uma dieta de restrição energética é um tratamento efetivo para a diabetes iniciada no idoso. 2. No entanto. Em eventos aeróbios.

assim. O senhor deve. Alguns médicos argumentam. há o perigo de uma repentina . pois além de oferecer um estímulo de treinamento. e há pequena evidência que alguma avaliação clínica ou um teste de esforço possa detectar aqueles que têm uma resposta adversa ao exercício. diminui o impacto sobre os membros inferiores. É difícil estimular pessoas idosas para o exercício regular. Se há um histórico de quedas. certas precauções podem incrementar a segurança do exercício para o sujeito idoso. o praticante levemente cansado. principalmente ao redor de piscinas). audição e o equilíbrio estão mais prejudicados. que pessoas idosas que tenham intenção de exercitar-se devem submeter-se a uma exaustiva rotina de avaliações. evitar esportes onde haja riscos de colisões com oponentes ou obstáculos estacionários. Em idosos com medicação hipotensiva. Uma rápida caminhada é melhor que uma corrida. Atividades em meio aquático são particularmente úteis para aqueles com problemas articulares. os quais reduzem a probabilidade de através de exercícios físicos.34 O risco de uma emergência cardíaca esta substancialmente incrementada quando uma pessoa está exercitando-se. realizado em dias alternados. ou meramente caminhar. cuidados especiais são necessários para a realização de atividades que requerem um bom senso de equilíbrio (escaladas. corridas. no dia seguinte. porém não torna-se desejável se o idoso deseja. De fato. os idosos adquiram um comportamento fisicamente ativo. deixar. Isto pode ser desejável se o indivíduo vai engajar-se num treinamento competitivo e vigoroso. assim. por exemplo). e não mais que isso. e talvez por uma atitude menos ambiciosa para o exercício. Finalmente. e um treinamento mais vigoroso deve ser. diminui o risco de deslizamentos. Insistência numa longa avaliação médica sugere que atividade física seja perigosa. incluindo um teste de esforço. o risco relativo da atividade física (mortes quando exercitando-se versus mortes quando sedentário) diminui numa proporção maior que o aumento esperado em indivíduos envelhecendo. O processo de recuperação ocorre lentamente. Todavia. um pequeno incremento no seu nível diário de atividade física. meramente. A dose recomendada de exercícios deve. este será um meio mais agradável de morrer que outros (doenças. a pessoa que inicia um programa de exercícios tem um menor risco de morte súbita que um semelhante sedentário. a interpretação de um ECG de esforço é muito difícil em muitos idosos. Além disso. A visão. e cria barreiras adicionais de custo e tempo. assim. escorrego. se uma forma de exercício em que o idoso sinta-se bem e confortável provocar uma morte súbita em alguém de 80 anos. ciclismo.

tomam condução. As mulheres que trabalham fora de casa.35 perda de consciência quando em pé no final de uma série de exercícios. Uma diminuição da massa óssea ou. e ocorrem muitos ganhos na qualidade de vida. um componente de grande importância para uma vida saudável em cidadãos idosos. andam etc.6 A influência da atividade física na manutenção do osso Segundo Knoplich (2001). a atividade deve levar as possibilidades técnicas do local em conta (no calor deve haver um arcondicionado numa sala preparada. O serviço de dona de casa é também considerado como atividade física. escrevem à máquina. Condições ambientais extremas são fracamente toleradas. No conjunto. particularmente se o local está quente. na realidade estimula-se também os ossos a crescerem e a ficarem mais fortes. estudos transversais mostram que as pessoas idosas . A expectativa de vida é incrementada. a mulher que praticou ginástica durante sua vida. a idade biológica é reduzida até em mais de 20 anos. também estão fazendo atividade física. alguma condição física pode ser atingida usando exercícios em uma posição sentada. uma baixa da resistência do osso é considerável fator de risco para uma possível fratura. Em alguns casos. aumentam as chances do aparecimento da osteoporose. A mulher que não faz nenhum tipo de atividade física e fica muito na cama tem maior facilidade de ter osteoporose. para caminhada indoor. relaxadas. caso não haja um local assim o shopping center passa a ser um bom local). então. Nas pessoas idosas. Para aqueles extremamente fracos. mais precisamente. e se o clima é extremamente quente ou frio. condições debilitantes são adiadas. A mulher que tem a musculatura mais firme está mais protegida contra a osteoporose. Quando se aposentam e deixam essas atividades. assim quando se pratica qualquer tipo de atividade física. por exemplo. chega a menopausa com massa muscular maior. pelo um período numa piscina. Mais importante é maximizar as funções fisiológicas do organismo que ainda estão conservadas. desde a adolescência. O exercício físico pode ser. 2. ou as veias estão com o tônus diminuído. Os músculos das coxas e dos braços são mais fortalecidos e estão presos aos ossos. O treinamento físico não pode restaurar tecidos que já foram destruídos. porém pode proteger o praticante contra um número de doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento. a atividade física regular participa da manutenção da densidade mineral óssea..

assim.36 com antecedentes de atividade física regular possuem. ajudando na manutenção da massa óssea existente e diminuindo sua perda associada ao envelhecimento (OKUMA. Essa diferença depende também do local ósseo examinado. fator genético. A prática regular da atividade física sistemáticas pode retardar ou suprimir a perda mineral óssea nas mulheres (ERNEST. alimentação e qualidade de vida: osteoartrite (patologia degenerativa das articulações). Encontramos no processo de envelhecimento funcional outras alterações articulares e ósseas que estão intimamente ligadas com o histórico de vida de cada um. A atividade física permite adquirir um capital ósseo mais considerável e diminuir a perda óssea relacionada à idade e à menopausa. Todavia. trabalhando a freqüência cardíaca máxima entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. uma massa óssea mais elevada do que as pessoas sedentárias da mesma idade. Ela é superior para o osso trobecular do esqueleto axial (coluna vertebral) em relação ao osso compacto (chamado de osso cortial) do esqueleto apendicular (todos os ossos longos. mas igualmente outros fatores relacionados aos riscos de fraturas como a força muscular. o tempo de reação e o equilíbrio. a atividade física aumenta a força e a coordenação muscular das pessoas idosas. 2002). atividade física. 1998). Essa fraqueza muscular é atribuída a uma perda das fibras musculares associada a uma atrofia daquelas remanescentes (diminuição da quantidade e tamanho das fibras musculares). a flexibilidade. Nas pessoas idosas que gozam de boa saúde observa-se uma diminuição da força muscular de um a dois por cento por ano. osteoartrose (desgaste e ruptura da cartilagem). 2001). há controvérsias sobre a importância dessa diferença da massa óssea entre essas duas populações. A atividade pode diminuir as perdas ósseas. especialmente o fêmur e o rádio). 2001). Os mais indicados nesse processo são os exercícios aeróbicos. as quedas e as fraturas a elas associadas (MANIDI & MICHEL. em média. entre sessenta e cinco e oitenta e nove anos. A atividade física beneficia não só o conteúdo mineral ósseo. A atividade física adequada estará contribuindo para minimizar o processo da desmineralização e fortalecimento da musculatura. A atividade realizada com regularidade é uma das principais bases para a manutenção da saúde. A atividade física regular incrementa o pico de massa óssea. Além disso. mas ainda não há definição quanto ao programa para preveni-las. . associada à alimentação adequada e ao estado emocional equilibrado (VERDERI. diminuindo. artrite reumatóide (inflamação da membrana sinovial).

Além disso. resultando numa diminuição da degeneração óssea precoce. que ocorre a formação da densidade óssea ideal. é durante a puberdade. aumenta a densidade óssea (DIMASI. Níveis adequados de atividade física na juventude também são importantes para que as pessoas alcancem uma boa massa óssea máxima. também para a osteoporose. isto é. Por mecanismos ainda pouco esclarecidos. já que a sua prática proporciona uma massa muscular mais forte e. 2005). 1998). os mais sugeridos e praticados são os exercícios com peso (KON & CARVALHO. possuem uma musculatura firme. Como os músculos estão inseridos nos ossos. porém é entre os vinte e trinta anos que ocorre o pico de massa óssea. 2000). A atividade física deve ser praticada desde a infância. Não se conhece nenhum substituto tão eficiente quanto o estresse mecânico para estimular a formação e a calcificação óssea (SANTOS. pois proporciona um fortalecimento muscular e. Observa que de qualquer maneira. o uso do esqueleto devem ser incentivados. indiretamente. Quanto maior o estímulo da matriz óssea. quando se pratica algum exercício. os exercícios mais eficientes são os que implicam em suporte de cargas e contrações musculares fortes. 1997). Por esse fato. e. 2005). A atividade física é certamente um fator preventivo para várias doenças. Dentre esses tipos de exercícios. elas estariam menos propensas à osteoporose. uma estrutura esquelética tão desenvolvida quanto a massa muscular. Os indivíduos que adquirem uma maior disposição óssea na fase inicial de suas vidas estariam menos propensos a osteoporose. já que teriam adquirido uma maior disposição óssea na fase inicial de sua vidas (OURIQUES & FERNANDES. que se admite ser o parâmetro mais importante para se prever a osteoporose futura (SANTAREM. só a partir dessa idade é que começa a ocorrer a . 2005). devendo ser praticada desde a infância.37 Os exercícios. mais específica dos nove aos vinte anos. com isso. Assim. maior é a formação ou regeneração óssea (BÁLSAMO & BATTARO. estes também são estimulados no seu desenvolvimento. mulheres atletas. está na realidade estimulando também o osso a crescer e a ficar mais forte (SOVA. Observa-se ainda que uma boa reserva óssea retarda o processo de desmineralização óssea. por terem praticado esporte desde a infância. Assim. com isso uma estrutura esquelética bem desenvolvida. A prática de atividade física desde a adolescência proporciona uma massa muscular mais forte. 1996). Depois de o pico ser atingido a remodelagem óssea permanece em equilíbrio até aproximadamente cinqüenta anos. um incremento do estresse mecânico sobre os ossos induz a múltiplas alterações fisiológicas que.

nele encontramos as terminações nervosas. As terminações nervosas existentes nessa região são responsáveis em levar os estímulos proporcionados pela atividade física até a medula espinhal ou cérebro. regulados por hormônios sexuais. o estresse físico produzido micro-lesões. produzindo cargas elétricas negativas na região côncava e positivas na convexa. onde se postula a existência de mecanoreceptores no osso. Outra possibilidade é um mecanismo alternativo ou sinérgico ao anterior.38 perda gradual da massa óssea por aceleração da atividade osteoclástica. A atividade muscular juntamente com a atividade óssea (ligação óssea – tendínea) são responsáveis pela energia mecânica. 1991). gerando mudanças elétricas que resultarão numa maior atividade osseblástica e aumentando a formação óssea por meio do incremento da síntese de proteína e de DNA (MATSUDO & MATSUDO. pelo aumento da força muscular. Sendo assim. serve como estímulo à mineração dos ossos (OSTEOPOROSE. em maior quantidade do que a removida. os osteoblastos reparariam a matriz calcificada na área. nas quais estão relacionadas com a energia elétrica. causando uma aceleração da massa óssea inevitável que ocorrerá com o passar da idade (SIMÕES. Um dos mecanismos pelos quais os exercícios físicos estimulam o aumento de massa óssea seria no processo de remodelagem do osso que ocorre quando as forças mecânicas dobram ligeiramente o órgão. como por ação indireta. exercida por músculos mais fortes. aumentando também a formação osteoblástica responsável pelo aumento do fator de crescimento insulínico IGF-1 e da proteína neutro fina 4 (NT-4). 2005). as micro-lesões causadas pela sobrecarga tensional estimulariam o tecido ósseo a produzir alguma substância estimulante da osteogênese. 2005). o estimulo da carga mecânica provocado pela atividade física ocasiona um efeito piezo elétrico localizado no osso. tanto por ação direta do impacto sobre o esqueleto. pois a maior tração. Portanto a formação óssea atingida na puberdade poderá ser decisiva no futuro. as osteoclastos removeriam as estruturas lesadas. O osso é ligado ao músculo pelo tendão. O exercício físico preserva a massa óssea. já que há uma tendência da massa óssea ser proporcional à força muscular. Imagina-se que a hipertrofia do osso em função muscular. A atividade física provoca um aumento significativo na fosfátase alcalina. o cálcio e o fósforo acumulam-se na região côncava e são reabsorvidos na região convexa. o primeiro está relacionado com o . que estimulariam estímulos de tensão em estímulos bioquímicos para a osteogênese (SANTAREM. 2005).

distúrbios mentais e até efeitos adversos na estrutura óssea. 2005). contribuindo para o aumento da massa óssea e muscular (SANTAREM. Além da perda da força muscular. As recomendações. Seria interessante também um trabalho complementar para o fortalecimento das principais musculaturas. a natação.39 aumento da massa magra. A relação Testosterona/Cortisol reflete o estado anabólico e está aumentando significativamente nos exercícios com peso. través da diminuição da possibilidade de quedas (COHEN. Deste ponto de vista. exercícios não podem ser recomendados como um substituto da reposição hormonal. ou seja. com intensidade entre 60 e 85% da freqüência cardíaca máxima. Ocorre também a diminuição do número e comprimento dos sarcômeros. uma das causas mais freqüentes de . 1997). Os exercícios com peso são os mais eficientes para aumentar a massa óssea. como cardiovasculares. Evidências têm demonstrado que o osso em desenvolvimento é mais repulsivo à carga mecânica e à atividade física do que os ossos maduros. deve-se dar preferência àquelas realizadas sob a ação da gravidade que também tenham a possibilidade de prevenir as outras doenças. atividades que promovem um aumento da força. o segundo é responsável pelos efeitos benéficos do exercício no desempenho muscular. a habilidade do músculo para exercer força rapidamente (potência). destacando então que o exercício regular na infância pode ser um importante fator n a prevenção da osteoporose. para a prevenção e possível tratamento da osteoporose são: a musculação (levantamento de peso). São bastante diversificados os tipos de atividades físicas que promovem o aumento da densidade óssea. a proteína 4 (NT-4) facilita a conexão entre nervos e músculos. atividades focadas no aumento da força muscular podem ser benéficas. também diminui com a idade. Porém. realizadas de 3 a 5 vezes por semana. Recomenda-se a prática de atividade aeróbicas.que é uma atividade física essencial para um desenvolvimento normal e para a manutenção de um esqueleto saudável. especialmente para os ossos não expostos a tração de cargas. A potência muscular é uma habilidade vital e pode servir como um mecanismo protetor na queda. sendo um possível medidor potencial da interação músculo – osso. 1998). também poderá ser utilizada principalmente em indivíduos osteoporóticos sujeitos às fraturas (OURIQUES & FERNANDES. flexibilidade e coordenação podem indiretamente e efetivamente diminuir a incidência de fraturas por osteoporose. e também os que mais estimulam estes hormônios anabolizantes. treinamento excessivo de exercício de longa duração (endurece) pode induzir alterações hormonais.

porém. Nieman (1999). Benedetti e Petroski (1999) destacam que os exercícios de resistência muscular são importantes para os idosos. isso indica que o sistema hormonal em indivíduos mais velhos.6.) para outro.3 Atividades da Vida Diária São Classificadas de Acordo com a American Geriatrics Society em Básicas (ABVD): São as atividades de Auto-Cuidado. observamos que a atividade física é de suma importância para a autonomia dos idosos. etc. afirma que pessoas idosas que se exercitam com pesos. muscular. ainda funciona na medida necessária para promover algumas adaptações ao treinamento de força. pois auxiliam na manutenção da força muscular e impedem uma intensa atrofia muscular. Hereditariedade. respiratório. o processo de envelhecimento difere de pessoa para pessoa. Recentes estudos têm enfocado os efeitos do treinamento de força no metabolismo das proteínas musculares. Estilo de Vida Nível de Atividade Física.2 Aptidão Física Relacionada à Saúde É a capacidade de: realizar as tarefas do cotidiano com vigor e energia. Avançadas (AAVD): Referem-se às funções necessárias para se viver sozinho. A partir dessas considerações. Demonstrar traços e capacidades associados a um baixo risco de desenvolvimento prematuro de distúrbios orgânicos provocados pela falta de atividade física.6. pela satisfação e bem estar pessoal vem crescendo demasiadamente. Meio Ambiente. e estes benefícios podem ser encontrados na prática da atividade física. Campbell e colaboradores apud Fleck e Kraemer (1999). Como o corpo envelhece? Não está exatamente claro como nosso corpo envelhece. recuperam uma boa parte de sua força perdida. 2. Intermediárias (AIVD): Englobam as ABVD e incluem tarefas essenciais para a manutenção da independência. 2.6. além de ser importante para o desempenho das atividades diárias. sendo específica para cada indivíduo. A busca pelo prazer. pois é citada como um dos componentes mais importantes para uma boa qualidade de vida. o que as capacita para um melhor desempenho das atividades diárias. Dieta. assim como de um aparelho ou sistema (cardíaco. Elas . 2. Os principais fatores que influenciam o envelhecimento são: Tempo.40 lesões nos idosos. Através de seus estudos os autores evidenciam a ocorrência da perda de fibras glicolíticas com o envelhecimento e isso acontece provavelmente porque o idoso quase não executa contração muscular vigorosa contra uma resistência.1 Necessidades e Restrições do Idoso. descobriram que o treinamento de força aumenta a retenção de nitrogênio e a velocidade de síntese de proteínas do corpo todo.

como alimentar-se. Fisicamente veste-se alimenta-se. joelhos. Está sujeito a passar Fisicamente para o nível II se houver alguma intercorrência na Independente saúde. Tais atividades requerem força muscular de tronco. Brás.4. podendo competir Atletas em nível internacional e praticar esportes de alto risco. quadris. Realiza trabalho físico moderado. Realiza atividades competitivas. recreacionais e prestação de serviços comunitários. Tem aparência física mais jovem que seus pares da mesma faixa etária. banha-se. 2. esportes de Fisicamente resistência e jogos. pernas. jardinagem. pode fazer atividades domésticas.9 n. Realiza algumas ABVD: caminha pouco. transferir-se de um lugar para outro e caminhar. vestir-se.6 Niterói nov. Faz tarefas domésticas leves: prepara comida. punhos e tornozelos. usar o banheiro.6. mãos e dedos. Capaz de fazer todas as AAVD e Apto/Ativo a maioria dos hobbies. Méd. quadris.41 incluem a manutenção das funções ocupacionais. mas sedentários.1590/S1517-86922003000600003.6. transfere-se de um lugar para Dependente outro. pode realizar algumas AIVD e todas Frágil as ABVD. 2003 doi: 10. braços. é capaz de cuidar da casa e ter "hobbies" e atividades que demandem baixo gasto de energia (caminhadas. 2. Realiza trabalhos físicos leves.4. dirigir automóveis). necessita de cuidados de terceiros. 2001)./dez. É capaz de realizar todas as AIVD. dança social. Esporte v. Neta categoria estão incluídos idosos que vão desde os que mantém um estilo de vida que demanda muito pouco da condição física até aqueles muito ativos. banhar-se. Flexibilidade de ombros. e destreza de mãos.2 Idosos Fisicamente Frágeis .4 Classificação do nível de atividade do IDOSO Nível I Classificação Características Fisicamente Não realiza nenhuma AVD e tem total dependência Incapaz dos outros. 2.1 Idosos Fisicamente Dependentes Eles necessitam melhorar as funções que permitam realizar as tarefas de auto-cuidado.6. viagens. faz Fisicamente compras leves. II III IV V Fonte: Revista Brasileira de Medicina do Esporte ISSN 1517-8692 Rev. (OKUMA APUD MATSUDO-SD. pois tem baixas reservas físicas.

equilíbrio. equilíbrio. . tempo de reação e de movimento.9 n.1590/S1517-86922003000600003. Estas últimas requerem força muscular e flexibilidade pra melhorar o padrão da marcha. tempo de reação e de movimento. 2003 doi: 10. o equilíbrio. flexibilidade.5 Idosos Atletas Necessitam de treinamento que mantenha o nível de aptidão física e condições de performances máximas específicas das atividades competitivas ou recreativas. estabilizar ombros e melhorar a postura. agilidade e coordenação. incapacidades ou lesões que possam levar ao nível de fragilidade. sair de casa. Testes de aptidão física: VO² máx. o tempo de reação e de movimento. 2. a força e resistência muscular. força.5 Tipos de testes de avaliação para o idoso Fisicamente Dependente Fisicamente Frágil Fisicamente Independente Fisicamente Apto/Ativo Atletas Classificaçã Características o Testes de ABVD Testes de ABVD e AIVD Testes de aptidão física: VO² máx. tais como cozinhar. Fonte: Revista Brasileira de Medicina do Esporte ISSN 1517-8692 Rev. flexibilidade.4.6. força. endurance cardiovascular. Esporte v.6.4.agilidade. Isto requer força e resistência muscular. flexibilidade. a flexibilidade. 2. 2001).agilidade. a endurance cardiovascular. Testes de AAVD Testes de aptidão física: VO² máx.(Okuma Apud Matsudo-SD). 2.3 Idosos Fisicamente Independentes Necessitam melhorar e manter as funções físicas que lhes permitem independência e previnem doenças.4 Idosos Fisicamente Ativos/Aptos Necessitam manter em nível ótimo a aptidão física e funcional. fazer compras. ou seja. equilíbrio. (OKUMA APUD MATSUDO-SD. tempo de reação e de movimento. Brás. 2001).6 Niterói nov. (OKUMA APUD MATSUDO-SD. a agilidade e a coordenação.42 Necessitam melhorar as funções que permitam realizar as ABVD e as AIVD. força. específicos da modalidade. que influenciarão no equilíbrio.agilidade.4. equilíbrio. tempo de reação e de movimento. flexibilidade.6. Méd. (Okuma Apud Matsudo-SD) 2./dez. limpar a casa.6.

Cãimbras e dores nos músculos.43 O que o envelhecimento pode causar no sistema muscular do idoso (=diminuição): - Do número de células musculares. Força Muscular. 2. Equilíbrio. Acúmulo de doenças crônicas. Flexibilidade. Fluxo sanguíneo pra o músculo.6. 2. Conteúdo de água e gordura no músculo. Capacidade dos músculos se recomporem. Facilidade dos músculos sofrerem lesões.2 Principais fatores associados com a fraqueza muscular. Controle e na rapidez dos movimentos. Resistência Muscular. Ainda não se sabe como estes fatores interagem uns com os outros e quais os mecanismos exatos que predominam sob certas condições ou em certas idades. Isso ocorre devido à perda gradual de tecido muscular que acompanha o processo de envelhecimento. A força física diminui cerca de 5% a 10% por década entre os adultos que não exercitam seus músculos.5.1 Mecanismos da Redução da Força Muscular e da Potência com a idade Inúmeros fatores poderiam contribuir para a perda de força muscular e da potência com a idade. Medicamentos necessários para o tratamento de doenças. Lesões Musculares. Como conseqüência pode ser notado: Tamanho dos músculos. .5. Velocidade de contrações musculares. Alterações músculo-esqueléticas da senilidade. Elasticidade Muscular.6. Tamanho das células musculares.

O Treinamento regular conserva e aumenta a força muscular.4 Treinamento de Força para Idosos Durante os últimos 10 anos. Redução das secreções Hormonais. Aumento de força e capacidade funcional podem melhorar a qualidade de vida até mesmo de indivíduos com doenças crônicas. Aumentos na força muscular foram observados para homens e mulheres com mais de 50 anos depois de oito semanas de exercícios de treinamento de força (367 pessoas envolvidas na pesquisa). Além da perda de força muscular. As quedas nos idosos são uma das causas mais importantes de lesões. Atrofia por desuso. 2. Diminui lesões musculares. . subir escadas. Indivíduos com mais de 90 anos podem conseguir ganhos de força durante um período de treinamento de 8 semanas (FIATARONE ET AL. Desnutrição.44 - Alterações no sistema nervoso. 2. Aumenta a flexibilidade. Aumenta o fluxo sanguíneo para os músculos.6. Melhora a coordenação.. a habilidade do músculo para exercer força rapidamente (potência) parece diminuir com a idade.6.5. levantar objetos) exigem um desenvolvimento rápido da força ou um certo grau de potência para serem realizadas. A potência muscular e sua treinabilidade em idosos não tem sido objeto de muitos estudos. Melhora a digestão e a excreção. mas pode ser até mesmo mais importante que a força muscular para as capacidades funcionais do indivíduo. Aumenta a resistência muscular. pois muitas atividades diárias (caminhar.5.1994). Essa habilidade é vital e pode servir como um mecanismo protetor na queda.1990). podem levar a morte e representam um grande problema de saúde pública (WOLINSKY & FITZGERALD.3 O que o exercício regular pode fazer para o idoso - Aumenta a força muscular. ficou comprovado que os idosos podem se beneficiar com a participação em programas de treinamento de força. O treinamento de força é um modo de diminuir o declínio da força e da massa muscular relacionado a idade.

referiu que “o progresso social não pode ser medido através do balanço dos bancos. O interesse pela qualidade de vida (QDV) surgiu igualmente ligado aos sistemas de indicadores sociais. 3. no início da década de 90. 1999A.45 Com idosos Homens (88. mas através da qualidade de vida proporcionada às pessoas”. que a expressão qualidade de vida tem sido utilizada de forma cada vez mais freqüente. ao qual correspondia uma proliferação de instrumentos de avaliação. Alguns autores (FLECK. 3 QUALIDADE DE VIDA 3. mental e social e não simplesmente como a ausência de doença. a não ser que seja objeto de uma definição precisa.5 +/. apontando como referência o discurso do Presidente americano Lyndon Johnson que. estas designações são estruturalmente diferentes do conceito de qualidade de vida.5 +/. a OMS reuniu um conjunto de peritos pertencentes a diferentes culturas (WHOQOL Group) com o objetivo de debater o conceito de QDV e. velocidade e potência de subir escadas e velocidade de caminhada. na generalidade dos casos utilizados indiscriminadamente como sinônimos. muitos deles sem base conceptual e a maioria ancorados na cultura americana que. em 1964. QDV surge definida como a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida. NOLL. No entanto. a potência dos extensores de joelho foi significativamente relacionada com a velocidade de levantar da cadeira. construir um instrumento para a sua avaliação: o WHOQOL. enquanto conceito científico pode revelar-se ambíguo.6 anos) e Mulheres (8. A evolução do conceito de QDV tem-se encontrado também associada a diversos referenciais teóricos que refletem conceitos como: satisfação com a vida. em que prevalecia uma abordagem essencialmente economicista que analisava o crescimento econômico das sociedades através da evolução do respectivo PIB ou do rendimento per capita.1 Introdução ao conceito de Qualidade de Vida Historicamente. de simultânea relevância e de falta de precisão conceptual do conceito de qualidade de vida. O interesse e aplicabilidade da expressão QDV na área da saúde decorre sobre tudo da definição de Saúde assumida pela Constituição da Organização Mundial de Saúde . Este fato tem contribuído para dificuldades na delimitação científica do conceito. ainda que relacionados.2 A Qualidade de Vida na perspectiva da Organização Mundial de Saúde Foi neste contexto. existência com significado e bem-estar subjectivo. A definição de qualidade de vida foi a primeira preocupação do WHOQOL Group.OMS (1948) como um estado de completo bemestar físico. Logo nos primeiros documentos do Grupo.6 anos). subsequentemente. desde os anos 60 do século XX. felicidade. No entanto. 2000) indicam que a sua origem tem raízes no contexto político. dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos .

Este entendimento fundamenta-se em pressupostos elaborados dentro de um referencial teórico que associa o estilo de vida saudável ao hábito da prática de atividades físicas e. A primeira versão em língua portuguesa do WHOQOL-100 foi desenvolvida para Português do Brasil. 1999a. em cada um.46 quais está inserido e em relação aos seus objetivos. como um dos fatores mais importantes na elaboração das propostas de promoção de saúde e da qualidade de vida da população. relações sociais. 1997) A par das evidências de que o homem contemporâneo utiliza-se cada vez menos de suas potencialidades corporais e de que o baixo nível de atividade física é fator decisivo no desenvolvimento de doenças degenerativas sustenta-se a hipótese da necessidade de se promoverem mudanças no seu estilo de vida. depreende-se que o principal argumento teórico utilizado está fundamentado no paradigma contemporâneo do estilo de Vida Ativa. durante algum tempo. Composto por seis domínios (físico. relações sociais. várias facetas da qualidade de vida sintetizam o domínio particular de qualidade de vida em que se inserem. padrões e preocupações (WHOQOL Group). fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência. em Porto Alegre (FLECK ET AL. por vários setores da comunidade científica. . influenciada de forma complexa pela saúde física. ambiente e aspectos espirituais/religião/crenças pessoais). estado psicológico. nível de independência. Tal estilo tem sido apontado.” (Kuhn. 2000). levando-o a incorporar a prática de atividades físicas ao seu cotidiano.. Subjectiva. 1995). num total de 24 facetas específicas e uma de QDV geral. 3. o interesse em conceitos como “ATIVIDADE FÍSICA”.1 O paradigma do Estilo de Vida Ativa “Paradigmas são as realizações científicas universalmente reconhecidas que. 1999b. “ESTILO DE VIDA” e “QUALIDADE DE VIDA” vem adquirindo relevância.2. ensejando a produção de trabalhos científicos vários e constituindo um movimento no sentido de valorizar ações voltadas para a determinação e operacionalização de variáveis que possam contribuir para a melhoria do bem-estar do indivíduo por meio do incremento do nível de atividade física habitual da população. crenças pessoais e suas relações com aspectos do meio envolvente em que o indivíduo está inserido (WHOQOL Group. uma capacidade ou uma percepção ou experiência. Esta definição explícita uma concepção abrangente de QDV. um estado. Da análise às justificativas presentes nas propostas de implementação de programas de promoção da saúde e qualidade de vida por meio do incremento da atividade física. expectativas. nível de independência. Nessa perspectiva. psicológico. Cada faceta do WHOQOL pode ser caracterizada como uma descrição de um comportamento.

neste paradigma. a interação das dimensões da promoção da saúde. a ênfase dada a esta relação. Neste cenário. tornando os indivíduos mais ativos. Este referencial toma a forma de um paradigma na medida em que constitui o modelo contemporâneo no qual se fundamentam a maioria dos estudos envolvendo a relação positiva entre atividade física. nos eventos científicos. entende-se que o incremento do nível de atividade física constitui um fator fundamental de melhoria da saúde pública. realizados nos últimos anos. Esporte e Lazer. Saúde e Qualidade de vida Recentemente. O Simpósio Internacional de Ciências do esporte realizado em São Paulo em outubro de 1998. sobre os benefícios da atividade física e de se aumentar o seu envolvimento com atividades que resultem em gasto energético acima do repouso.2 Atividade Física. estilo de vida e qualidade de vida. realizado em setembro de 1999. No I Congresso Centro-Oeste de Educação Física. cujo eixo epistemológico centra-se no incremento do nível de atividade física habitual da população em geral. privilegiou em seu programa oficial a relação saúde/atividade física/qualidade de vida destacando os seus aspectos funcionais e anatomo-funcionais. Identifica-se. cujo tema oficial foi a Atividade Física na perspectiva da cultura e da Qualidade de Vida. promovido pelo CELAFISCS com o tema Atividade Física: passaporte para a saúde. em janeiro de 1997. O pressuposto sustenta a necessidade de se proporcionar um maior conhecimento. Muitas são as declarações documentadas neste sentido. na cidade de Brasília. destacam a relação da qualidade de vida com fatores morfofisiológicos da atividade física.2. promovido pelas instituições de ensino superior em Educação Física da região Centro-Oeste. Os resumos e conferências publicadas nos anais do Congresso Mundial da AIESEP realizado no Rio de Janeiro. o tema da atividade física e saúde representaram 20% dos trabalhos . saúde. o qual vem sendo desencadeado no âmbito da Educação Física e Ciências do Esporte. Tem.47 consequentemente. o qual tem sido incorporado ao discurso da Educação Física e das Ciências do Esporte. por parte da população. Observa-se. da qualidade de vida e da atividade física dentro de um movimento denominado aqui de Movimento Vida Ativa. 3. na relação positiva estabelecida entre atividade física e melhores padrões de qualidade de vida. nacionais e internacionais. a melhores padrões de saúde e qualidade de vida. a relação: atividade física e saúde vem sendo gradualmente substituída pelo enfoque da qualidade de vida. sua maior expressão.

o autor identifica. 1999). possibilitando-lhes uma maior produtividade e melhor bemestar. a atividade física enquanto fator de qualidade de vida. consequentemente. reiteram a prescrição de atividade física enquanto fator de prevenção de doença e melhoria da qualidade de vida. 2000). sugere que programas bem organizados de atividades físicas podem suprir as diversas necessidades individuais. Nahas (1997) admite a relação entre a atividade física e qualidade de vida.48 publicados nos anais.publicado na Revista Brasileira Ciência e Movimento. Citando Blair (1993) & Pate (1995).destaca a necessidade de inclusão da prática de atividade física no cotidiano das pessoas de modo a promover estilos de vida saudáveis rumo . Matsudo & Matsudo (1999. nas sociedades industrializadas. Também neste evento observa-se a ênfase dada aos aspectos biofisiológicos da relação atividade física/saúde/qualidade de vida. cada vez mais. sustenta que a saúde e qualidade de vida do homem podem ser preservadas e aprimoradas pela prática regular de atividade física. A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (1999). Katch & McArdle (1996) preconizam a prática de exercícios físicos regulares como fator determinante no aumento da expectativa de vida das pessoas./2000 (APUD LECTURAS: EDUCACIÓN FÍSICA Y DEPORTES. quer seja relacionada à saúde. Vêem na atividade física um importante instrumento de busca de melhor qualidade de vida. multiplicando as oportunidades de se obter prazer e. Lima (1999) afirma que a Atividade Física tem. Lopes & Altertjum (1999) escrevem que a prática da caminhada contribui para a promoção da saúde de forma preventiva e consciente. Dantas (APUD LECTURAS: EDUCACIÓN FÍSICA Y DEPORTES. representado um fator de Qualidade de Vida dos seres humanos. ao distinguir a qualidade de vida em sentido geral (aplicada ao indivíduo saudável) da qualidade de vida relacionada à saúde (aplicada ao indivíduo sabidamente doente) vincula à prática de atividade física à obtenção e preservação da qualidade de vida.1999). buscando responder em que medida a atividade física proporcionaria uma desejável qualidade de vida. A temática da atividade física e qualidade de vida foi objeto de discussão em conferências e mesas redondas. jan. em posicionamento oficial. Vários autores e entidades ligados à Educação Física ratificam este entendimento. quer seja em termos gerais. Guedes & Guedes (1995) reconhecem as vantagens da prática de atividade física regular na melhoria da qualidade de vida. 1999) . Silva (APUD LECTURAS: EDUCACIÓN FÍSICA Y DEPORTES. otimizar a qualidade de vida. O “Manifesto de São Paulo para a promoção de Atividades Físicas nas Américas” .

Elas também devem promover a aproximação social. Neste contexto. no decorrer do século XX. Melhorar a auto-eficácia. a artrite e doenças cardíacas. ter caráter lúdico. Melhorar a ingestão de alimentos. Controlar a diabetes.3 Praticar exercícios: uma questão de começar Várias pesquisas têm demonstrado que a participação em atividades físicas regulares e recreativas e de lazer são fundamentais para um bom desempenho físico do idoso (LEITE. satisfação e bem estar. Além de melhorar a capacidade cárdiorespiratória. incluindo-o socialmente a partir de mudanças no seu estilo de vida. o qual representa um importante acontecimento na história da Educação Física pois pretende reunir em um único documento as propostas e discussões efetivadas. . saúde e qualidade de vida e prioriza o combate ao sedentarismo como objetivo da Educação Física (formal e não formal) por meio da educação para a saúde e para o lazer ativo de forma continuada. Fora dos círculos acadêmicos. ser diversificadas. ratifica a relação entre atividade física. os meios de comunicação constantemente veiculam informações a respeito da necessidade de o homem contemporâneo melhorar sua qualidade de vida por meio da adoção de hábitos mais saudáveis em seu cotidiano.1990. com intensidade moderada e de baixo impacto. elaborou o “Manifesto Mundial de Educação Física 2000”. a atividade física bem orientada contribui para: • • • • • • • • Melhorar o equilíbrio. Aumentar o nível de atividade física espontânea. Para isso. Diminuir a depressão. YASBEK e BATISTELLA. FEDERIGHI. O manifesto expressa os ideais contemporâneos de valorização da vida ativa. 3.FIEP. deve-se levar em conta que o equilíbrio entre as limitações e potencialidades do idoso contribuem para que o mesmo lide com as inevitáveis perdas decorrentes do processo de envelhecimento. no âmbito desta entidade. A manutenção e/ou aumento da densidade óssea. Estas geram autoconfiança. a Federação Internacional de Educação Física . ou seja.1992).49 a melhoria da qualidade de vida.1994. Melhorar o andar.1995. As atividades direcionadas ao idoso devem ser organizadas considerando as suas particularidades e realizadas de forma gradual. Um estilo de vida ativo traz efeitos benéficos para a manutenção da capacidade funcional e da autonomia física durante o processo de envelhecimento. considerar a memória e o conhecimento acumulado pelo idoso para que o mesmo possa partilhar e reviver situações que lhe dão prazer. MATSUDO MATSUDO.

Ele poderá dizer se um esforço físico maior poderá trazer riscos a saúde. Aumentar o fluxo sangüíneo para os músculos. Melhorar a auto-estima. é o segredo para atingir uma saúde perfeita. Melhorar a sinergia motora das reações posturais. ir andando à padaria. Porém. etc. f) Histórico familiar de doenças cardíacas antes do 50 anos. Incrementar a flexibilidade. Consulte o médico. a fim de que seja feita a prescrição de um programa de atividades físicas que leve em conta suas possibilidades e limitações. proporciona benefícios em relação às capacidades motoras que apóiam a realização das atividades do cotidiano e favorece a capacidade de trabalho e de lazer bem como altera a taxa de declínio do estado funcional. à medida que seu condicionamento for melhorando. que se encaixe na sua rotina diária como ir ao shopping de bicicleta ao invés de pegar o carro. visando à melhoria da qualidade de vida do idoso. não devendo entrar em forma muito rapidamente: seu corpo precisa de um certo tempo para se adaptar à nova rotina.50 • • • • • • • • • Fortalecer os músculos das pernas e costas. doenças cardíacas. Melhorar os reflexos. antes de iniciar qualquer tipo de exercício é importante que o idoso seja submetido a uma avaliação médica cuidadosa. c) Obeso. subir as escadas ao invés de tomar o elevador. No entanto. . Manutenção do peso corporal. Esse programa deve estar diretamente relacionado com as modificações mais importantes que ocorrem durante o processo de envelhecimento. Melhorar a mobilidade. acima de tudo é uma terapia para a alma. d) Fumante. b) Mais de 35 anos e fora de forma (não faz exercícios físicos há algum tempo). poderá iniciar um programa de exercícios. principalmente se enquadrar-se em algum desses casos: a) Mais de 60 anos. e) Hipertensão. diabetes ou outros problemas de saúde. Outro fator importante é o aquecimento antes e o alongamento (desaquecimento) depois de uma atividade física. A melhor forma de praticar atividade física é escolher um exercício do qual a pessoa goste. Portanto. desde que tome as devidas precauções. a escolha correta de atividades que se adaptem aos objetivos pessoais e dedicação de tempo e esforços que combinem com o nível atual de condicionamento. Se não fizer nenhum aquecimento. O ideal é fazer um check-up de rotina antes de iniciar qualquer programa de exercícios. você poderá aumentar o tempo e a intensidade dos exercícios. é preciso ter calma. Mesmo sendo portador de alguma doença. são maneiras simples de melhorar a forma física. Estar em boa forma não é apenas uma questão estética. estará se expondo à dores musculares ou até a lesões mais graves. corpo e mente. Diminuir lesões musculares. Não tenha pressa.

Articulações Articulações Músculos Rins Intestino Diarréia ou sangue ou muco nas fezes. eles podem variar em função da intensidade do exercício. Se a urina não voltar ao normal. Faça um check-up assim que for possível Diminua a rotina de exercícios e coloque uma palmilha acolchoada no tênis. Nesses casos. palpitações. mandíbulas e braços. pescoço. nível técnico e peso de quem o faz. Dê um intervalo maior entre as sessões para que os músculos se recuperem. desconforto e rigidez após uma sessão de exercícios. O QUE FAZER Pare imediatamente. que persistem até a sessão seguinte. lesões sérias. distensões. intensa falta de ar. que persistem até a sessão seguinte. que talvez o aconselhe a diminuir o percurso das corridas de distância (por exemplo). submeta-se a exames. FONTE/AUTOR: Redação da Saúde Informações Veja a seguir. veja a tabela abaixo e se tiver algum dos sintomas. Se seu treinamento inclui corrida de longa distância. Dor. Vá ao médico. portanto. sensação de cabeça oca e de desmaio. Não exagere nos exercícios de fortalecimento. .51 3. tome as providências adequadas a seu caso: TABELA 2 – Partes do Corpo e Sintomas PARTE DO CORPO Coração SINTOMAS DE ALERTA Dores no peito. rigidez e inchaço. Sangue na urina. Não exagere nos exercícios de fortalecimento. Estes valores foram baseados na medida padrão: mulher de 60 quilos em ação contínua durante um período de 1 hora. Dor. o gasto calórico de algumas atividades. Vá ao médico. tontura.4 Reconhecimento das limitações Praticar exercícios com segurança também é ser capaz de reconhecer quando você está prejudicando alguma parte do corpo por estar se excedendo nos exercícios. diminua. Dor. desconforto e rigidez após uma sessão de exercícios. Portanto. desmaios e outras reações poderiam ser evitadas se as pessoas soubessem o momento de parar ou diminuir a atividade que estão realizando. Dê um intervalo maior entre as sessões para que os músculos se recuperem.

Destaca também. necessidades e suas condições físicas. para obter a melhora na qualidade de vida da terceira idade através de atividades físicas. melhorar sua mobilidade articular. apontando as transformações que ocorrem com o processo de envelhecimento e algumas possibilidades de se buscar o equilíbrio entre as potencialidades e as limitações do idoso. redobrar suas energias. desenvolver a resistência e a força muscular. . melhorando sua condição aeróbica e diminuindo os efeitos deletérios do sedentarismo. por meio de uma vida mais saudável. reduzindo a ansiedade e a depressão. vitalidade e disposição. melhorar o contacto social. é necessário adaptá-las aos idosos visando atingir seus anseios.52 TABELA 3 – Atividade x Calorias Atividade Andar de bicicleta Dar banho no cachorro Caminhar na areia fofa Jogar frisbee Carregar a prancha do namorado Andar na água na altura do tornozelo Plantar um canteiro de flores Andar no calçadão ouvindo walkman Jogar queimada com os amigos Jogar vôlei na piscina Praticar mergulho (snorkel) Jogar cartas Tocar violão Ver o pôr-do-sol (sentada) Tirar leite da vaca Nadar no rio (crawl) Jogar frescobol Caminhar com água na altura do joelho Jogar vôlei na praia Cavalgar Gasto Calórico 230 cal 225 cal 520 cal 360 cal 465 cal 360 cal 250 cal 290 cal 345 cal 180 cal 330 cal 90 cal 165 cal 75 cal 195 cal 460 cal 600 cal 425 cal 325 cal 150 cal FONTE/AUTOR: Redação da Saúde Informações 4 OBJETIVOS Este estudo aborda a importância das atividades físicas para a qualidade de vida na terceira idade. O corpo do idoso em movimento é sinal de saúde e alegria. que. comuns nesta faixa etária. A atividade física deve ser dirigida para quebrar o ciclo vicioso do envelhecimento. tornando sua vida mais alegre.

e quando ele muda. bom relacionamento familiar. demonstramos como resultado esperado que a atividade física traz inúmeros benefícios ao indivíduo nesta fase. vai se refletir na vida: ‘‘O corpo é a dimensão concreta de nossa existência. beneficiando-se por meio de: atividades físicas apropriadas para sua condição. cuidar do jardim. articulações flexíveis e condições cardiorespiratórias. realizadas de forma gradual. aprendendo a lidar com as transformações de seu corpo. Uma velhice tranqüila é o somatório de tudo quanto beneficie o organismo. tem o dever de criar mecanismos que contribuam para a superação deste quadro e garantir ao idoso uma vida mais tranqüila. diversificadas. sem estimular atividades competitivas. espaço para lazer. alimentação saudável. As atividades recreativas devem ser: atraentes.53 5 CONCLUSÃO Diante do que foi tratado teoricamente. têm apontado uma gama de benefícios à saúde deste segmento promovidos com a prática de atividades físicas cotidianas. exercícios físicos. é necessário criar condições para que o idoso possa usufruir do tempo que tem disponível com qualidade. pois tanto a ansiedade como o esforço aumenta os fatores de risco. atividades aquáticas. quando as pessoas da terceira idade percebem que não são incapazes. através das atividades físicas é possível recuperar funções e oferecer recursos para os idosos lidarem melhor com estas perdas – com atividade física. incluindo atividades leves individuais ou coletivas como: caminhadas de baixa intensidade. e com profissionais focados nessa transformação. portanto. a utilização de escadas ao invés de elevadores. proporcionam uma melhoria na condição física e psicológica. bom relacionamento social e liberdade de expressão e criação. tornando esses indivíduos prestativos em seu meio social e conscientes enquanto cidadãos. Por isso. mantendo sua produtividade social. Para isso é necessário que se procure estilos de vida ativos. prevenindo e mantendo em bom nível sua plena autonomia. 2006). o corpo pode voltar a ter músculos fortes. com intensidade moderada. Com atividade física. viagens turísticas a lazer em geral. e eles podem passar a ter uma relação positiva com a velhice. Londrina. concluímos que os estudos direcionados a terceira idade. Constatou-se durante este estudo que. Temos que ter em mente que a construção de uma boa velhice vai se dando ao longo da vida. sendo desenvolvidos de preferência coletivamente. Uma rotina ativa com simples tarefas. integrando atividades físicas a sua vida cotidiana. de menos dependência dos outros. Para isso. satisfação. é preciso investir numa melhor qualidade de vida. Com isso é possível se alcançar níveis bastante satisfatórios de desempenho físico. de baixo impacto. enfim. espaço para lazer. muda também nossa dimensão interna. seus conceitos mudam. gerando autoconfiança. A transformação do corpo. a maneira como nos relacionamos com o mundo’’ (Silene Okuma. auxiliando na realização de movimentos do dia-a-dia. retardando o processo de envelhecimento humano. como por exemplo. além de vencer os preconceitos. A elaboração de um programa de atividade física para a terceira idade deve levar basicamente em consideração o preparo para que o idoso possa cumprir suas necessidades básicas diárias (necessidades impostas pelo cotidiano). respeitando as individualidades de cada um. O início de uma tomada de consciência profissional e humana . alimentação saudável. bem-estar psicológico e interação social. tirando proveito de sua condição. A sociedade. promovendo a aproximação social. Ao término deste estudo.

pois. é importante pela integração social. Constatamos que a atividade física é importante para todas as pessoas. conhecimento e disponibilidade para agir. a Educação Fisica na terceira idade já constitui uma marcante realidade no mundo em que vivemos. oferecendo ao idoso condições de enfrentar as deficiências normais desse período de vida. mas também. mas se reveste de uma importância ainda maior quando se trata da terceira idade. competência profissional. .54 junto a esse novo grupo social exige sensibilidade. não apenas como meio de proporcionar maior saúde e bem estar físico.

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