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Diário de Notícias, 26.03.

2007

Fundação D. Pedro IV admite


vender casas a moradores do
Bairro dos Lóios

Isaltina Padrão

Os moradores do Bairro dos Lóios, em Chelas, (Lisboa), vão finalmente poder adquirir
as casas onde moram e pelas quais querem há muito deixar de pagar renda à Fundação
D. Pedro IV, proprietária da urbanização desde 2005. Mas tal só acontecerá se - e só se -
as propostas apresentadas este mês pelo presidente da fundação, Vasco Canto Moniz, ao
secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, e ao
vereador da Acção Social e da Habitação, Lipari Pinto, forem aceites.

Ou seja, "a fundação propõe-se receber edifícios municipais de habitação necessitados


de obras de recuperação, que adquirirá no âmbito da legislação de habitação de custos
controlados, obrigando-se a promover a sua recuperação ao abrigo do programa
ProHabita". Ao DN, Canto Moniz diz que as casas terão como destino o arrendamento
social nos termos da renda apoiada, beneficiando famílias inscritas nos serviços
municipais de habitação.

Canto Moniz vai mais longe: "Por cada grupo de fogos que comprarmos e recuperarmos,
propomos vender o mesmo número nos bairros das Amendoeiras e também dos Lóios
[ambos em Chelas]." A possibilidade da aquisição dos imóveis pelos moradores das
Amendoeiras havia sido já sugerida por João Ferrão.

Uma proposta alargada agora aos inquilinos dos Lóios. Em ambos os casos a fundação
impõe, no entanto, uma condição: a actualização dos valores de venda para montantes
próximos dos de construção actuais. Para Canto Moniz, "é inadmissível vender casas a
preços que são 1/5 do seu valor de construção".

Ao DN, Eduardo Gaspar, da Associação Tempo de Mudar para o Desenvolvimento dos


Lóios, diz que esta proposta "não faz o mínimo sentido" e que "o senhor engenheiro se
prepara para fazer uma grande negociata com a venda de património a preços actuais
que ele recebeu a custo zero". Se conseguirem, no entanto, chegar a acordo quanto a esta
matéria, os moradores são a favor da venda das habitações desde que a fundação "se
comprometa a fazer a reabilitação do edificado primeiro".

Relativamente à posição da fundação, Canto Moniz diz que esta é a mesma de sempre:
não vender património necessário para realojar famílias carenciadas. "Nós só
venderemos fogos em igual número daqueles que comprarmos. E estes destinam-se a
resolver situações sociais desfavorecidas", sublinha. Na semana passada a fundação fez
chegar uma carta ao Instituto Nacional de Habitação (INH) recusando aceitar a
imposição de alienar imóveis, como o Instituto de Gestão e Alienação do Património
Habitacional (IGAPH) - antiga proprietária das urbanizações - exigiu à fundação