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Resenha - A cabeça bem-feita - Edgard Morin (caps. 1 e 2)

Resenha - A cabeça bem-feita - Edgard Morin (caps. 1 e 2)

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Resumo dos dois primeiros capítulos da obra de Edgar Morin, "A cabeça bem-feita".
Resumo dos dois primeiros capítulos da obra de Edgar Morin, "A cabeça bem-feita".

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Published by: thiagofmp on May 29, 2009
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Resenha - Capítulos 1 e 2 de "A Cabeça Bem-Feita" - Edgar Morin

Aluno: Thiago Fernandes Martini Pequeno - Pós Graduação META/UnP Prof. Carlos Alberto Moysés - Didática do Ensino Superior

Apresentação Neste trecho inicial de sua obra "A Cabeça Bem-Feita", o autor francês trata de apresentar uma problemática que atinge muitos campos do conhecimento ocidental atual, em especial o da educação. Citando Lichnerowicz, Morin coloca que há uma "proporção demasiado grande de especialistas", ao passo que muitos dos problemas com os quais o ser humano se depara na sua vivência real são globais e amplos, não podendo, desta forma, serem resolvidos a partir de pontos de vista predeterminados e reducionistas. A seguir, serão colocadas as idéias principais dos dois primeiros capítulos; neles, o autor questiona a finalidade da escola e da educação, relacionando a capacidade inata do homem de resolver problemas gerais com a urgente necessidade de se integrar as áreas de conhecimento contempladas pela humanidade. É mostrado, também, que estas áreas encontram-se compartimentadas, o que resulta em um amontoado de informações estéreis, sem finalidades humanísticas, a menos que sejam contextualizadas em um todo. Desenvolvimento das idéias principais O livro inicia-se com o autor apresentando a situação de "hiperespecialização" em que se encontra a educação e o pensamento humano ocidental na atualidade. Explicando o termo entre aspas, a nota de rodapé diz: "ou seja, a especialização que se fecha em si mesma sem permitir sua integração em uma problemática global ou em uma concepção de conjunto do objeto do qual ela considera apenas um aspecto ou parte" (grifamos). Embora esteja como mera explicação, esta nota mostra claramente a problemática exposta pelo autor. Ele, nas primeiras linhas do texto, deixa clara a inadequação gerada pelos saberes separados e compartimentados entre disciplinas, de um lado e, de outro, realidades ou problemas polidisciplinares, globais e planetários. Essa incongruência leva Morin a sugerir três grandes desafios, em campos diversos da vivência humana, argumentando que "os problemas essenciais nunca são parceláveis, e os problemas globais são cada vez mais essenciais". O autor acrescenta ainda que "o retalhamento das disciplinas torna impossível aprender o complexo". Morin apresenta o approach reducionista, que tenta regular a totalidade dos problemas recorrendo a uma fragmentação do complexo em partes mais palatáveis. Todavia, ressalta que este método mostra-se insuficiente para tratar os problemas mais graves da humanidade. Isso é devido ao fato de que este saber compartimentado e especializado constrói uma inteligência incapaz de perceber o contexto em que se encontra o problema a ser solucionado, resultando em uma visão “inconsciente e irresponsável”, nas palavras do autor. Na seqüência, é apresentado o problema no campo específico do sistema de ensino, o qual estaria não corrigindo, mas obedecendo a esses desenvolvimentos disciplinares das ciências. Sendo assim, "as mentes jovens perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes e integrá-los em seus conjuntos". Morin cita a Economia como exemplo de ciência isolada das demais dimensões humanas, as quais, por constituírem partes inseparáveis do comportamento econômico real da humanidade, não poderiam ser ignoradas, especialmente ao se usar a Economia para fins práticos. A seguir, é feita uma comparação da expansão descontrolada desse saber descontextualizado com a Torre de Babel, figura velho-testamentária que murmurava linguagens discordantes e ininteligíveis umas para as outras. Cita-se ainda T.S. Eliot, com o questionamento: "onde está o conhecimento que perdemos na informação?" (grifamos). Ou seja, as informações seriam

parcelas dispersas de saber, que por si só são estéreis. Ainda com Eliot, o autor continua: "onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?". A argumentação aqui é a de que os conhecimentos fragmentados só serviriam para usos técnicos, devendo ser integrados para que possam ajudar o homem a enfrentar seus grandes desafios. Citando esses desafios, Morin começa com o desafio cultural. Ele identifica uma repartição da cultura atual em dois blocos: a cultura humanística e a cultura científica. O primeiro consiste na cultura genérica, que se vale da filosofia, do ensaio e do romance para alimentar a inteligência geral e favorecer a integração pessoal dos conhecimentos. O bloco da cultura científica, por sua vez, separa as áreas do conhecimento. O processo gera descobertas e teorias geniais, mas não "uma reflexão sobre o destino humano e sobre o futuro da própria ciência". Acrescenta o autor que esses dois blocos, além de antagonistas por natureza, vêem-se um ao outro como estranhos – quando, na verdade, devem ser complementares. O desafio sociológico estaria concentrado na gestão da informação, matéria-prima que o conhecimento deve dominar e integrar; este, por sua vez, deve ser revisado pelo pensamento, que se trata, segundo o autor, do "capital mais precioso para o indivíduo e a sociedade". Colocando que "o enfraquecimento de uma percepção global leva ao enfraquecimento do senso de responsabilidade", Morin segue com o desafio cívico. A problemática aqui seria a de que cada indivíduo age na sociedade tal como em uma indústria: é responsável apenas por sua tarefa especializada. Mais do que isso, o cidadão perde o direito ao conhecimento, devido ao tecnicismo empregado no âmbito da política. O autor cita, nesse campo, uma "regressão da democracia". Ou seja, assim como o especialista científico perde a aptidão para conceber o global, o cidadão perde a noção do que está sendo feito nas esferas mais altas - e, portanto, fundamentais - da política do Estado do qual faz parte. A contrapartida para este problema seria uma "democracia cognitiva". Aparece ainda, para o autor, a síntese destes desafios em um grande desafio: a "reforma do pensamento". Tratar-se-ia de uma reforma paradigmática, dizendo respeito a mudanças na nossa aptidão para organizar o conhecimento. Ou seja, a própria inteligência que dita a compartimentação de disciplinas no ensino teria de passar por uma reforma, não se tratando aqui de uma redistribuição dessa compartimentação, mas sim de uma reforma fundamental, que uniria duas culturas até então dissociadas: a cultura científica com a cultura humanística. A frase final deste capítulo merece ser transcrita: "A reforma do ensino deve levar à reforma do pensamento, e a reforma do pensamento deve levar à reforma do ensino".

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