SENADO FEDERAL Senador PAULO PAIM PT /RS

Estatuto da Pessoa com Deficiência
A natureza respeita as diferenças Acessibilidade universal é direito de todos

Substitutivo ao Projeto de Lei do Senado, do Sr. Paulo Paim, sobre a instituição do Estatuto da Pessoa com Deficiência.

6ª Edição (texto revisado e atualizado)

BRASÍLIA - 2006

APRESENTAÇÃO Segundo dados da Organização-Mundial de Saúde, cerca de 10% da população possui algum tipo de deficiência. Marginalizado pelo poder público, esse segmento de nossa sociedade viu a ascensão de seus direitos e seu reconhecimento como cidadão acontecer nas últimas três décadas. No Brasil, temos uma larga legislação que garante os direitos do cidadão portador de deficiência e que tem início em nossa Constituição Federal. A partir da Carta Magna, temos, ainda, dentre outros instrumentos legais, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB, o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, a Lei de Organização da Assistência Social - i.DAS, a Lei Nº 7.853/89, conhecida como a Lei da Corde, e regulamentada pelo Decreto Nº 3.298/99, onze anos após a sanção da Lei. Se a legislação do setor é rica, o mesmo não se pode dizer da conscientização do próprio poder público para garantir sua aplicabilidade. Na constatação dessa verdade - a legislação existe e cria condições para assegurar à pessoa com deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, tais como, educação, saúde, trabalho, desporto, lazer, previdência social, transporte, habitação, cultura e a todos os direitos decorrentes da legislação em vigor, que Ihes propicie bem-estar pessoal, social e econômico é preciso um trabalho de informação e conscientização da sociedade e, principalmente, da pessoa com deficiência sobre esses direitos. Na busca da concretização desse objetivo, reunindo, aprimorando e ampliando a legislação vigente, sobre os direitos da pessoa com deficiência, o nobre e preclaro companheiro no Senado Federal, Senador Paulo Paim, apresentou o Projeto de Lei do Senado nQ 6, de 2003, que "Institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência". É um instrumento para debate amplo com todos os setores da sociedade envolvidos com a causa da pessoa com deficiência e, portanto, da cidadania. Deseja-se o envolvimento principalmente das famílias, dos cidadãos com algum tipo de deficiência, da comunidade e dos profissionais que atuam nesta área. Objetiva-se no final, que o atendimento das necessidades fundamentais de 10% da população esteja previsto no Estatuto, e que a lei constitua instrumento claro e eficaz no esforço de transformar direitos em realidade. Preocupado com as causas sociais, Paulo Paim tem marcado sua história na vida política de nosso País como homem sensível à causa das populações marginalizadas e na luta pela realização dos direitos humanos básicos, como por exemplo, um salário-mínimo justo. Com o debate amplo do Estatuto da Pessoa com Deficiência e de outros textos legais, estaremos todos contribuindo para a edificação de uma sociedade mais justa, amorosa e fraterna, em que todas as pessoas, portadoras ou não de deficiência, tenham a sua cidadania reconhecida no quotidiano da vida. Senador Flávio Arns - Relator do Projeto de lei do Senado Este texto está sendo discutido desde 2003 aqui no Senado. Foi apresentado em outubro de 2000 na Câmara dos DeplJtaêios. O resultado da redação atual é fruto de cerca de centenas de en contros onde foram envolvidas milhares de pesssoaas interessadas no tema. Não é a redação final. Ainda aguardamos contribuições através do nosso e-mail (paulopaim@senador.gov.br). que serão enviadas ao relator. Senador Paulo Paim

SUBSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 6, DE 2003 (Do Sr. Paulo Paim) Institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência e dá outras providências. O Congresso Nacional decreta:

TÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1° Fica instituído o Estatuto da Pessoa com Deficiência, destinado a estabelecer as diretrizes gerais, normas e critérios básicos para assegurar a inclusão social e o exercício dos direitos individuais e coletivos da pessoa com deficiência. Art. 2º Considera-se deficiência toda restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária e/ou atividade remunerada, estando enquadrada em uma das seguintes categorias: I - Deficiência Física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando limitação da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros ou face com deformidade congênita ou adquirida; II - Deficiência Auditiva - perda bilateral, parcial ou total média de 41 dB (quarenta e um decibéis) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; III - Deficiência Visual - compreende a cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,5 e 0,05 no melhor olho e com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; ou a ocorrência simultânea de qualquer uma das condições anteriores; IV - Deficiência Mental - funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação no período de desenvolvimento humano e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:

a) comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização dos recursos da comunidade; e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer; e V – Surdo - cegueira: compreende a perda concomitante da audição e da visão, cuja combinação causa dificuldades severas de comunicação e compreensão das informações, prejudicando as atividades educacionais, vocacionais, sociais e de lazer, necessitando de atendimentos específicos, distintos de iniciativas organizadas para pessoas com surdez ou cegueira. VI - Autismo: comprometimento global do desenvolvimento, que se manifesta tipicamente antes dos três anos, causando dificuldades significativas de comunicação, interação social e de comportamento, caracterizando-se freqüentemente por movimentos estereotipados, atividades repetitivas, respostas, mecânicas, resistência a mudanças nas rotinas diárias ou no ambiente e a experiências sensoriais. VII - Condutas Típicas: comprometimento psicosocial, com características específicas ou combinadas, de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos e/ou psiquiátricos, que causam atrasos no desenvolvimento e prejuízos no relacionamento social, em grau que requeira atenção e cuidados especificas. VIII - Lesão Cerebral Traumática: compreende uma lesão adquirida, causada por força física externa, resultando em deficiência funcional total ou parcial ou deficiência psicomotora, ou ambas, e que comprometem o desenvolvimento e/ o desempenho social da pessoa. IX - Deficiência Múltipla: compreende a associação de duas ou mais deficiências, cuja combinação acarreta comprometimentos no desenvolvimento global e desempenho funcional da pessoa e que não podem ser atendidas em uma só área de deficiência. § 1º Para efeitos da presente lei equipara-se a pessoa superdotada à pessoa com deficiência, sendo superdotada a pessoa que apresenta notável desempenho e elevada habilidade de natureza intelectual, física, social e de liderança em uma ou mais áreas da atividade humana.

apesar de novos tratamentos. § 1° Considera-se discriminação toda diferenciação. 3º Para fins de aplicação da presente lei. horário flexível. 4º É dever do Estado. profissionalização. dignidade. Estados. equipamentos ou tecnologia adaptados ou especialmente projetados. dentre outros decorrentes da Constituição Federal das leis. da família.apoios especiais: a orientação. as ajudas técnicas. integrantes da Administração Pública Direta e Indireta. educação. cultura. a supervisão. trabalho. transporte. turismo.§ 2º Entende-se como deficiência permanente aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere. Art. de forma a contribuir com sua inclusão social. 6º Nenhuma pessoa com deficiência será objeto de discriminação. Art. acessibilidade. para melhorar a funcionalidade da pessoa com deficiência. alimentação. respeito. sensoriais ou mentais da pessoa com deficiência. como jornada variável. comunicação. Art. bem como sua autonomia total ou assistida. gozo ou exercício de seus direitos e liberdades fundamentais. instrumentos. no âmbito de suas competências. informação. 5º Compete à União. desporto. § 2° Não constitui discriminação a diferenciação ou preferência adotada para promover a inclusão social ou o desenvolvimento pessoal. 7° É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer forma de ameaça ou violação dos direitos da pessoa com deficiência. saúde. entre outros elementos que auxiliem ou permitam compensar uma ou mais limitações motoras. liberdade e convivência familiar e comunitária. favorecendo a sua autonomia. Art. habilitação e reabilitação. . não sendo as pessoas com deficiência obrigadas a aceitar tal diferenciação ou preferência.procedimentos especiais: meios utilizados para auxiliar a pessoa que. Art. lazer. direcionados à implementação de políticas públicas voltadas à pessoa com deficiência. III . considera-se: I . avanços tecnológicos e científicos. II . a criação de órgãos próprios. social e econômico. exclusão ou restrição com base na deficiência. moradia. Distrito Federal e Município. da comunidade e da sociedade assegurar às pessoas com deficiência a efetivação dos direitos referentes à vida. previdência social. que propiciem seu bem estar pessoal. incluindo órteses e próteses.ajudas técnicas: produtos. devido ao seu grau de deficiência. que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento. exige condições peculiares para o desenvolvimento de atividades. entre outros. favorecendo a superação de barreiras da comunicação e da mobilidade.

SUS. psíquico. Parágrafo único. no âmbito público e privado.Art. Conselhos Estaduais. proteção e recuperação da sua saúde. O direito à saúde da pessoa com deficiência será assegurado de modo a construir seu bem-estar físico. Art. levar-se-á em conta o princípio da dignidade da pessoa humana. 12. Art. 10. É assegurado o atendimento integral à saúde da pessoa com deficiência. por ação ou omissão. bem como de habilitação e reabilitação. mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso. 9º O Conselho Nacional. emocional e social no sentido da construção. 11. o acesso igualitário às ações e aos serviços de promoção. bem como nas diversas . Art. os fins sociais a que ela se destina. será punido na forma da lei. Na interpretação desta Lei. garantindo-se. 13. CAPÍTULO II DO DIREITO À SAÚDE Art. As obrigações previstas nesta Lei não excluem as estabelecidas em outras legislações. 8º Todo atentado aos direitos da pessoa com deficiência. Art. A assistência à saúde da pessoa com deficiência será prestada com base nos princípios e diretrizes previstos na Constituição Federal e demais legislações vigentes. 14. A pessoa com deficiência tem direito à proteção à vida. § 1º Entende-se por atendimento integral aquele realizado nos diversos níveis de hierarquia e de complexidade do Sistema Único de Saúde . assim como as exigências do bem comum. preservação ou recuperação de sua saúde. do Distrito Federal e Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência zelarão pelo cumprimento dos direitos definidos nesta Lei. TÍTULO II DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS CAPÍTULO I DO DIREITO À VIDA Art. em condições dignas de existência.

agente causal ou grau de severidade. odontológica. À pessoa com deficiência. a autonomia e a qualidade de vida. 15.especialidades médicas. ajudas técnicas. inclusive medidas para compensar perda ou limitação funcional. § 4º Quando esgotados os meios de atenção à saúde da pessoa com deficiência em sua localidade de residência. de acordo com as necessidades de saúde das pessoas com deficiência. incluindo a assistência médica e de medicamentos. é assegurado o direito a acompanhante. especialmente por meio de: I . qualquer que seja sua natureza. Incumbe ao SUS realizar e estimular estudos epidemiológicos e clínicos. sem prejuízo de outros órgãos públicos: I .planejamento familiar. IV – tratamentos e terapias.medicamentos.aconselhamento genético. próteses e equipamentos auxiliares que garantam a habilitação e reabilitação e a inclusão da pessoa com deficiência. incluindo órteses. III – reparação ou substituição dos aparelhos mencionados no inciso anterior. internada ou em observação. com periodicidade e abrangência adequadas. 18. Art. buscando o desenvolvimento de aptidões. ou por ocorrência estranha à vontade do beneficiário. 16. oficinas terapêuticas e tratamentos especializados. II . Art. Incumbe ao SUS desenvolver ações destinadas a prevenir deficiências. 17. mental ou sensorial satisfatórios. Art. Art. § 2º Considera-se reabilitação o processo destinado a permitir que a pessoa com deficiência alcance nível físico. Incumbe ao Sistema Único de Saúde – SUS fornecer gratuitamente. desgastados pelo uso normal. terá direito à habilitação reabilitação. II – ajudas técnicas. inclusive atendimento e internação domiciliares. devendo o órgão de saúde proporcionar as condições adequadas para a sua permanência em tempo integral. . de modo a produzir informações sobre a ocorrência de deficiências para subsidiar os gestores locais nos planos e programas voltados ao atendimento integral à saúde da pessoa com deficiência. § 3º Toda pessoa que apresente deficiência devidamente diagnosticada. psicológica. será prestado atendimento fora de domicílio para fins de diagnóstico e tratamento.

Art. e às informações prestadas e recebidas. VI .campanhas de informação à população em geral. IV . É vedada qualquer forma de discriminação da pessoa com deficiência no âmbito dos planos privados de assistência à saúde. V . XI . por meio de linguagens e códigos aplicáveis. O SUS criará. VII . As ações destinadas a prevenir deficiências serão articuladas e integradas às políticas de prevenção.nutrição da mulher e da criança. em razão de sua deficiência. Os espaços físicos dos serviços de saúde deverão ser adequados para facilitar o acesso às pessoas com deficiência. VIII . 23. Às pessoas com deficiência com necessidades diferenciadas de comunicação será assegurada acessibilidade aos serviços de saúde. Art. de trânsito e de violência.triagem auditiva neonatal. tanto públicos como privados.detecção precoce de doenças crônicas e degenerativas causadoras de deficiência. Os profissionais dos serviços de saúde serão capacitados para atender à pessoa com deficiência.III . na esfera estadual ou regional. Parágrafo único. pesquisas e atendimentos especializados na área de atenção à saúde das pessoas com deficiência. Art. . do parto e puerpério. 19.acompanhamento da gravidez.identificação e controle da gestante e do feto de alto risco. em conformidade com a legislação de acessibilidade em vigor.acompanhamento ao desenvolvimento infantil nos aspectos motor. Art. de redução da morbimortalidade e de tratamento das vítimas de acidentes domésticos. Art. XII – Atuação de agentes comunitários de saúde e de equipes de saúde da família. sensorial e cognitivo. 21.programas de imunização. centros de referência para estudos. 20.diagnóstico e tratamento precoces dos erros inatos do metabolismo. 22. de trabalho. X . IX .

casa-lar. 24. colocando-a a salvo de toda a forma de negligência. observado o seguinte: I – reserva de 3% (três por cento) das unidades residenciais para atendimento das pessoas com deficiência. Nos programas habitacionais públicos ou subsidiados com recursos públicos. ou. A assistência integral na modalidade de entidade de longa permanência será prestada quando verificada a inexistência de grupo familiar. bem como provê-las com alimentação regular e higiene indispensáveis às normas sanitárias e com estas condizentes. É dever do Estado.CAPÍTULO III DO DIREITO À HABITAÇÃO Art. A educação é direito fundamental da pessoa com deficiência e será prestada visando o desenvolvimento pessoal. § 2º As instituições que abrigarem pessoas com deficiência são obrigadas a manter padrões de habitação compatíveis com as necessidades delas. abandono ou carência de recursos financeiros próprios ou da família. § 1º. em instituição pública ou privada. crueldade e opressão escolar. da família. Art. 26. Art. discriminação. . a qualificação para o trabalho e o preparo para o exercício da cidadania. A pessoa com deficiência tem direito à moradia digna. III – eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas. da comunidade escolar e da sociedade assegurar a educação de qualidade à pessoa com deficiência. quando assim o desejar. 27. a pessoa com deficiência goza de prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria. violência. sob as penas da lei. no seio da família natural ou substituta. II – implantação de equipamentos urbanos comunitários acessíveis voltados à pessoa com deficiência. 25. ou desacompanhado de seus familiares. ainda. IV – critérios de financiamento compatíveis com os rendimentos de pensão e aposentadoria. para garantia de acessibilidade à pessoa com deficiência. CAPÍTULO IV DO DIREITO À EDUCAÇÃO Art.

Art 28. bem como a adequação das escolas para o atendimento de suas especificidades. métodos. organização. preferencialmente em período anterior ao dos demais alunos. o direito de opção pela escola que julgar mais adequada à educação da pessoa com deficiência. III – oferta obrigatória de educação especial aos alunos com deficiência. recursos educativos. garantidas as seguintes medidas: I – matrícula obrigatória dos alunos com deficiência nos estabelecimentos públicos ou privados da rede de ensino. em relação a conteúdos. destinados a assegurar a matrícula e a freqüência regular do aluno com deficiência na escola. em todos os níveis e modalidades de ensino. IV – de apoio e orientação aos familiares das pessoas com deficiência para a utilização de linguagens e códigos aplicáveis. nos estabelecimentos públicos e privados mais próximos do seu domicílio. Fica assegurado à família. 29. O Poder Público e seus órgãos devem assegurar a matrícula de todos os alunos com deficiência. II – destinados à produção e divulgação de conhecimento. voltados à qualificação da pessoa com deficiência para sua inserção no mundo do trabalho. SEÇÃO I DA EDUCAÇÃO BÁSICA Art. em todos os níveis e modalidades de ensino. como o Sistema Braille e a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). podendo estar em todos os níveis e modalidades de ensino. sem prejuízo da realização da matrícula no período regulamentar. ou ao responsável legal. técnicas. como o Sistema Braille e a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). de natureza pecuniária. bem como ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias voltadas à pessoa com deficiência. quando necessária. II – institucionalização da Educação Especial no sistema educacional como Educação Básica. III – de qualificação específica dos profissionais da educação para utilização de linguagens e códigos aplicáveis à comunicação das pessoas com deficiência. IV – adequação curricular. V – de educação profissional. Incumbe ao Poder Público criar e incentivar programas: I – de incentivo familiar. . temporalidade e processos de avaliação.Parágrafo único.

30.adequação curricular. § 2º Incumbe ao Poder Público recensear.acessibilidade para todos os alunos. em todas as esferas administrativas. quando necessária. estejam afastados do ambiente escolar. XI – definição dos procedimentos necessários para o reconhecimento das escolas. na educação infantil. em todos os níveis e modalidades de ensino. tanto especializadas em Educação Especial como da rede comum de ensino. mediante atendimento educacional adequado àqueles que. em relação a conteúdos. VIII – inclusão dos alunos com deficiência nos programas e benefícios educacionais concedidos por órgãos públicos aos demais alunos. servidores e empregados com deficiência aos espaços dos estabelecimentos de ensino. § 1º A educação da criança com deficiência terá início. II . VII – oferta de transporte escolar coletivo adequado aos alunos com deficiência matriculados na rede de ensino. educadores. . servidores e empregados com deficiência aos espaços dos estabelecimentos de ensino. educadores. técnicas. anualmente. em razão da própria deficiência ou de tratamento de saúde em unidades hospitalares ou congêneres.oferta e manutenção de material escolar e didático. métodos.V – acessibilidade para todos os alunos. além de sua adequação para o atendimento de suas especificidades. bem como equipamentos adequados e apoio técnico de profissionais de acordo com as peculiaridades dos alunos com deficiência. IX – continuidade do processo educacional dos alunos com deficiência impossibilitados de freqüentar as aulas. organização. III . Art. X – capacitação continuada dos profissionais que trabalham na escola com o objetivo de dar atendimento adequado aos alunos com deficiência. obrigatoriamente. para a sua inserção no sistema educacional da Educação Básica. temporalidade e processos de avaliação. a matrícula e freqüência escolar dos alunos com deficiência nos níveis e modalidades de ensino. VI – oferta e manutenção de material escolar e didático. As escolas privadas devem assegurar aos alunos com deficiência. recursos educativos. bem como equipamentos adequados e apoio técnico de profissionais de acordo com as peculiaridades dos alunos com deficiência. mediante garantia de atendimento especializado. as seguintes medidas: I .

III . deverão prover os meios necessários para a acessibilidade física e de comunicação e. em casos de candidatos com deficiência auditiva. As instituições de ensino superior. 32. serão garantidas. ainda. incluindo prova em Braille. o serviço de leitor. V – capacitação continuada dos profissionais que trabalham na escola com o objetivo de dar atendimento adequado aos alunos com deficiência. se necessário. previamente solicitado pelo aluno com deficiência. SEÇÃO II DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. assim compreendendo: a) a inclusão de questões diferenciadas. de modo a atender às peculiaridades e necessidades dos alunos com deficiência.apoio necessário. as seguintes medidas: I – o oferecimento de cota mínima de 5% para candidatos com deficiência no preenchimento de vagas para os cursos oferecidos. IV . mediante atendimento educacional adequado àqueles que. Art. sem prejuízo do mesmo grau de dificuldade. públicas e privadas. b) a disponibilidade da prova em Braille e. conforme as características da deficiência. 31. nos casos de candidato com deficiência visual. II . em razão da própria deficiência ou de tratamento de saúde em unidades hospitalares ou congêneres. tanto públicas como privadas. quando necessário. § 1º Considera-se adaptação de provas todos os meios utilizados pela Instituição de Ensino para permitir a realização da prova pela pessoa com deficiência. recursos didáticos e pedagógicos. e. V .IV – continuidade do processo educacional dos alunos com deficiência impossibilitados de freqüentar as aulas. Nos processos seletivos para ingresso em cursos oferecidos pelas instituições de ensino superior.adaptação de provas. tempo adicional e flexibilização de atividades e avaliações. dentre outras.avaliação diferenciada nas provas escritas. estejam afastados do ambiente escolar. o serviço de leitor. quando solicitado. . nos casos de alunos com deficiência visual.tempo adicional para realização das provas.

Nos conteúdos curriculares. inclusive mediante a utilização de recursos tecnológicos. aos alunos com deficiência auditiva. 34. .acessibilidade por meio de linguagens e códigos aplicáveis como a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e o Sistema Braille. quando solicitado. V . obrigatoriamente.definição de instrumentos tecnológicos que permitam o acesso do aluno com deficiência ao conteúdo disciplinar para possibilitar a conclusão do ensino superior.definição de critérios específicos para a análise da escrita nos casos de alunos surdos.adaptação de provas. 33. Art. permitindo-lhe a conclusão do ensino superior. deverão ser levadas em consideração as medidas arroladas nos artigos 31 a 33 desta Lei.c) a disponibilidade de intérprete. III . nos casos de candidato com deficiência auditiva. Art. § 2º As provas escritas.adequação curricular. no período integral de aulas. deverão assegurar as seguintes medidas: I .serviço de tradutor e intérprete em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e Língua Portuguesa. Parágrafo único. IV . de acordo com a deficiência. Incumbe ao Poder Público promover iniciativas junto às instituições de ensino superior para conscientizá-las da importância do estabelecimento de diretrizes curriculares que incluam conteúdos ou disciplinas relacionadas à pessoa com deficiência. humanos e avaliação diferenciada sem prejuízo do grau de dificuldade. nos casos de alunos com necessidades diferenciadas de comunicação e sinalização. 35. Considera-se adequação curricular todos os meios utilizados pela Instituição de Ensino para permitir que o aluno com deficiência tenha acesso garantido ao conteúdo da disciplina. um profissional com formação específica na linguagem própria desta deficiência. discursivas ou de redação realizadas por candidatos com deficiência auditiva serão analisadas por Comissão da qual deverá fazer parte. nos termos dos parágrafos 1º e 2º do artigo anterior. II . Art. de acordo com as especificidades do aluno. as instituições de ensino. tanto públicas como privadas. VI . Para fins de autorização de novos cursos.

§ 2º As instituições públicas e privadas que ministram educação profissional oferecerão. as seguintes medidas: . cursos profissionais à pessoa com deficiência. § 3º Os diplomas e certificados de cursos de educação profissional expedidos por instituição credenciada pelo Poder Público terão validade em todo o território nacional. em escolas públicas ou privadas nos seus níveis e modalidades escolas especializadas em educação especial. III – educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. II – educação profissional técnica de nível médio. 37. SEÇÃO III DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Art. obrigatoriamente. assegurando. no mínimo. incluir e sistematizar a participação de alunos com deficiência nos programas de bolsas de estudos e financiamento da educação superior. Incumbe ao Poder Público. jovem ou adulto. A educação profissional para a pessoa com deficiência será desenvolvida por meio de cursos e programas de: I – orientação profissional. de instituições públicas ou privadas. Art. bem como o trabalhador com deficiência. quando necessário. Art. As escolas e instituições de educação profissional oferecerão. 36. O aluno com deficiência matriculado ou egresso do ensino fundamental. entidades privadas de formação profissional com finalidade social. Nos programas de financiamento da educação superior será assegurado o oferecimento de cota mínima de 5% no preenchimento de assinatura de contratos. podendo acontecer inclusive nos ambientes produtivos ou de trabalho. 39. 38. terá acesso à educação e habilitação profissional que lhe garantam oportunidades de inserção no mundo do trabalho. atendimento educacional especializado para atender às peculiaridades dos alunos com deficiência.Art. § 1º A educação profissional acontecerá em articulação com a rede de ensino. médio ou superior. formação inicial e continuada de trabalhadores. de educação comum ou especial. condicionando a matrícula à capacidade de aproveitamento e não ao nível de escolaridade do interessado. Parágrafo único.

bem como processos de avaliação para atender às necessidades educacionais de cada aluno. métodos. 40. organização. em unidade denominada de oficina protegida terapêutica. técnicas. servidores e empregados com deficiência a todos os ambientes. . § 1º. SEÇÃO IV DO TRABALHO EDUCATIVO Art. III – oferecimento de material escolar e didático. Considera-se trabalho educativo as atividades de adaptação e capacitação para o trabalho de adolescente e adulto com deficiência em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social prevalecem sobre o aspecto produtivo. educadores. bem como apoio técnico de profissionais. recursos educativos e instrucionais. V – compartilhamento de formação. É vedada qualquer restrição ao trabalho da pessoa com deficiência. CAPÍTULO V DO DIREITO AO TRABALHO SEÇÃO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. O trabalho educativo não caracteriza vínculo empregatício e está condicionado a processo de avaliação individual que considere o desenvolvimento biopsicosocial da pessoa com deficiência. sendo desenvolvido em entidades públicas ou privadas. § 2º A remuneração que o educando com deficiência recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho na oficina protegida terapêutica não desfigura o trabalho educativo. de acordo com as peculiaridades dos alunos com deficiência. recursos instrucionais e equipamentos adequados. mediante parcerias e convênios. 41.I – adequação e flexibilização curricular. II – acessibilidade dos alunos. instrutores. IV – capacitação continuada e específica de todos os profissionais.

dentre outras. recursos para atender às necessidades de cada deficiência. bem como apoio técnico de profissionais. É finalidade primordial das políticas públicas de emprego a inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ou sua incorporação ao sistema produtivo mediante regime especial. serão observadas. podendo acontecer inclusive nos ambientes produtivos ou de trabalho. permitindo nível suficiente de desenvolvimento profissional para ingresso no mundo do trabalho. mental e sensorial funcionais satisfatórios. II . de acordo com as peculiaridades da pessoa com deficiência. técnicas. métodos. inclusive medidas para compensar perda ou limitação funcional. Art. será emitido certificado individual.oferecimento de material e equipamentos adequados. Nos programas de formação. sendo este válido em todo território nacional. por instituições especializadas em educação especial. as seguintes medidas: I . e a reabilitação profissional. organização. deverá se articular com a saúde. III . buscando o desenvolvimento de aptidões e autonomia para o trabalho. 44. servidores e empregados com deficiência a todos os ambientes. qualificação. ou por entidades privadas de formação profissional com finalidade social. § 2º A reabilitação profissional compreende o processo destinado a permitir que a pessoa com deficiência alcance nível físico. por sua vez.acessibilidade dos alunos. além dessas. § 1º A habilitação profissional corresponde ao processo destinado a propiciar à pessoa com deficiência aquisição de conhecimentos e habilidades especificamente associados à determinada profissão ou ocupação. com vistas à inclusão ou à reintegração no mundo do trabalho e ao contexto em que vive. em escolas públicas ou privadas nos seus níveis e modalidades. habilitação e reabilitação profissional para as pessoas com deficiência. . 43. 42. educadores.Art. SEÇÃO II DA HABILITAÇÃO E REABILITAÇÃO PROFISSIONAL Art. instrutores. § 4º Concluído o processo de habilitação ou reabilitação.adaptação dos programas. § 3º A habilitação acontecerá em articulação com a rede de ensino. A habilitação e a reabilitação profissional deverão proporcionar à pessoa com deficiência os meios para aquisição ou readaptação da capacidade profissional ou social.

cooperativado ou em regime de economia familiar. não se excluindo a utilização de ajudas técnicas. destinado à emancipação econômica e pessoal da pessoa com deficiência. mediante trabalho autônomo. sendo garantida remuneração à pessoa com deficiência equivalente à paga para o cargo efetivo. A entidade privada sem fins lucrativos que tenha por finalidade a atuação na área da pessoa com deficiência. com o objetivo de atender à fiscalização e a coleta de dados. . II – colocação seletiva: processo de contratação regular. nos termos da legislação trabalhista e previdenciária. situação em que o vínculo se estabelece com a entidade privada. II – para prestação de serviços em empresas privadas. 45. Art. nos termos da legislação trabalhista e previdenciária. Constituem-se modalidades de inserção da pessoa com deficiência no trabalho: I – colocação competitiva: processo de contratação regular. que depende da adoção de apoios e procedimentos especiais.capacitação continuada de todos os profissionais que participam dos programas. b) o órgão da Administração Pública Direta ou Indireta. § 1º Na prestação de serviços intermediada de que trata o inciso I é exigido que: a) o serviço prestado seja restrito às atividades meio do órgão da Administração Pública Direta ou Indireta. faça constar nos convênios a relação nominal dos trabalhadores com deficiência em atividade.IV . nas seguintes hipóteses: I – para prestação de serviços em órgãos da Administração Pública Direta e Indireta. 45. situação em que o vínculo de emprego se estabelece diretamente com a empresa privada. que independe da adoção de procedimentos especiais para sua concretização. em todos os níveis. SEÇÃO III DAS MODALIDADES DE INSERÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO TRABALHO Art. conforme previsão do caput do artigo 24 da Lei 8666/93. na hipótese de sua existência. constituída na forma da lei. poderá intermediar a modalidade de colocação seletiva no trabalho de que trata o inciso II do art. III – promoção do trabalho por conta própria: processo de fomento da ação de uma ou mais pessoas. 46.

previdenciárias e fiscais relativas às pessoas com deficiência constante do rol do convênio. dentro da modalidade de colocação seletiva da pessoa com deficiência.c) a entidade intermediadora demonstre mensalmente ao órgão da Administração Pública Direta ou Indireta o cumprimento das obrigações trabalhistas. programa de habilitação e reabilitação profissional. Art. cinco por cento. 48. As empresas privadas e as entidades sem fins lucrativos com 50 (cinqüenta) ou mais empregados estão obrigadas a preencher de dois a cinco por cento de seus cargos com pessoas com deficiência permanente ou beneficiários da Previdência Social reabilitados. com vista à emancipação econômica e pessoal. que tem por objetivo desenvolver programa de habilitação profissional para adolescente e adulto com deficiência. § 2° A dispensa de empregado na condição estabelecida neste artigo. III . e a dispensa imotivada. SEÇÃO IV DA RESERVA DE VAGAS NA INICIATIVA PRIVADA Art. 47.mais de mil empregados. com vínculo empregatício. entre a entidade sem fins lucrativos que tenha por finalidade a atuação na área da pessoa com deficiência e o tomador de serviços. se necessário. quando se tratar de contrato por prazo determinado. II . no qual constará a relação nominal dos trabalhadores com deficiência colocados à disposição do tomador. quatro por cento.de quinhentos e um a mil empregados. na seguinte proporção: I – de cinqüenta a duzentos empregados.de duzentos e um a quinhentos empregados. programa de prevenção de doenças profissionais e. no contrato por prazo . § 2º A entidade intermediadora promoverá. em conjunto com o órgão da Administração Pública Direta e Indireta e com as empresas privadas programa de preparação do ambiente de trabalho para receber pessoas com deficiência. dois por cento. provendo-o com trabalho remunerado. ou IV . três por cento. § 3º A prestação de serviços será feita mediante celebração de convênio ou contrato formal. § 1° Inclui-se na concepção de empresa e de entidade sem fins lucrativos todos os seus estabelecimentos. manter oficina protegida de produção. devendo a reserva ser aferida sobre o número total dos postos de trabalho. A entidade pública ou privada sem fins lucrativos poderá.

sendo reservado no mínimo o percentual de 5% (cinco por cento) em face da classificação obtida. estão obrigados a preencher no mínimo 5% (cinco por cento) de seus cargos e empregos públicos com pessoas com deficiência. para fins de acompanhamento deste artigo e encaminhamentos de políticas de emprego. avaliação e controle das empresas e entidades sem fins lucrativos. Fica assegurado à pessoa com deficiência o direito de se inscrever em concurso público. 51. Os órgãos da Administração Pública Direta e Indireta da União. Parágrafo único. dentre outros: I – o número de vagas existente e o número de vagas correspondente à reserva de cargos e empregos públicos destinado a pessoas com deficiência para o concurso público. § 1º No edital de concurso público deverá constar. obstar a inscrição de pessoa com deficiência em concurso público para ingresso em carreira da Administração Pública Direta e Indireta. § 3º Para o preenchimento do percentual exigido no parágrafo 1º não será considerada a deficiência transitória. SEÇÃO V DO ACESSO A CARGOS E EMPREGOS NO ÂMBITO NACIONAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA Art. . Art. É vedado à Administração Pública Direta ou Indireta. 50. em igualdade de condições com os demais candidatos. em todos os níveis. concorrerá a todas as vagas. dos Estados. § 2º Caso a aplicação do percentual de que trata o parágrafo anterior resulte em número fracionado. bem como criar dados estatísticos sobre o número de empregados com deficiência e beneficiários da Previdência reabilitados e de postos preenchidos. em razão da necessária igualdade de condições. e dos Municípios. somente poderá ocorrer após a contratação de outro trabalhador com deficiência ou beneficiário da Previdência Social reabilitado. para provimento de cargo. § 1º O candidato com deficiência. este deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subseqüente. Para o preenchimento do percentual exigido no caput não será considerada a deficiência transitória. Art. do Distrito Federal. em todos os níveis. 49. § 3° Incumbe ao Ministério do Trabalho e Emprego estabelecer sistemática de fiscalização.indeterminado.

no prazo determinado em edital. § 4º A pessoa com deficiência que necessitar de tempo adicional para realização das provas deverá requerê-lo. 54. A pessoa com deficiência. do curso de formação e do estágio probatório. uma com a classificação geral dos candidatos e outra com a classificação dos candidatos com deficiência. em todos os níveis. Art.à nota mínima exigida para todos os demais candidatos. para concluir sobre: I . indicando as condições diferenciadas de que necessita para a realização das provas. Art. participará do concurso público em igualdade de condições com os demais candidatos no que concerne: I . O órgão da Administração Pública Direta e Indireta.as informações prestadas pelo candidato no ato da inscrição. § 3º No ato da inscrição. A publicação do resultado final do concurso será feita em duas listas. para providências do órgão responsável pelo concurso público. § 2º No ato da inscrição. e III . resguardadas as condições especiais previstas na presente Lei. II . terá a assistência de equipe multiprofissional composta de três profissionais capacitados e atuantes nas áreas das deficiências em questão. no prazo estabelecido no edital do concurso.II – as atribuições e tarefas dos cargos e empregos públicos disponibilizados.as condições de acessibilidade dos locais de provas. III – a previsão de adaptação das provas. e . a pessoa com deficiência que necessite de tratamento diferenciado para realização da prova deverá requerê-lo.ao conteúdo das provas. as adaptações das provas e do curso de formação. III – as necessidades de uso pelo candidato com deficiência de equipamentos ou outros meios que habitualmente utilize para a realização das provas. sendo um deles médico. com expressa referência ao código correspondente de classificações reconhecidas internacionalmente. Art. a pessoa com deficiência deverá apresentar laudo médico atestando a espécie e o grau ou nível da deficiência. com justificativa acompanhada de parecer emitido por especialista da área de sua deficiência. II .aos critérios de aprovação. 52. 53.

dentre outras. II .IV – a necessidade do Órgão fornecer apoio ou procedimentos especiais durante o estágio probatório e. CAPÍTULO VI DO DIREITO À ASSISTÊNCIA SOCIAL Art. assim estabelecido como critério objetivo. Art. § 1º O benefício assistencial já concedido a qualquer outro membro da família. inclusive em razão de seu ingresso no mercado de trabalho. seja pessoa com deficiência ou idosa. A assistência social à pessoa com deficiência será prestada de forma articulada e com base nos princípios e diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social e demais normas pertinentes. 57. § 3º A cessação do benefício de prestação continuada concedido à pessoa com deficiência. 56. CAPÍTULO VII DO DIREITO À CULTURA. não impede seu restabelecimento. § 2º Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência a família cuja renda mensal per capita seja inferior a ½ (meio) salário-mínimo. nem de tê-la provida por sua família. especialmente. desde que atendidos os demais requisitos estabelecidos. as seguintes medidas: I – a promoção do acesso da pessoa com deficiência aos meios de comunicação social. Às pessoas com deficiência que não possuam meios para prover sua subsistência. 55. mediante: .a criação de incentivos para o exercício de atividades criativas. pelo turismo e pelo lazer dispensar tratamento prioritário e adequado às pessoas com deficiência e adotar. nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social. AO TURISMO E AO LAZER Art. pelo desporto. Compete aos Órgãos e às Entidades do Poder Público responsáveis pela cultura. não será computado para os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a Lei Orgânica da Assistência Social. AO DESPORTO. é assegurado o benefício mensal de 1 (um) salário – mínimo. quanto às necessidades de adaptação das funções e do ambiente de trabalho para a execução das tarefas pelo servidor ou empregado com deficiência.

§ 8º O Poder Público instituirá programas de incentivo fiscal às pessoas físicas e jurídicas que apoiarem financeiramente os eventos e a prática desportiva das pessoas com deficiência. § 2º Na realização de ações culturais.a criação e a promoção de publicações. Distrito Federal e Municípios deverão atender às pessoas com deficiência. turismo e lazer no âmbito da União. . nas respectivas esferas administrativas. § 7º O Poder Público é obrigado a fornecer órteses. com as respectivas adequações. desporto. de turismo e de lazer. desportivas. e b) exposições. a circulação e a permanência da pessoa com deficiência. publicações e representações artísticas de pessoa com deficiência. de acordo com a legislação em vigor. de turismo e de lazer. III – o incentivo à prática desportiva formal e não-formal como direito de cada um. § 5º É obrigatória a adaptação das instalações culturais. Estados. V – o estímulo ao turismo voltado à pessoa com deficiência. do Distrito Federal e dos Municípios deverão também incluir a categoria adaptada às pessoas com deficiência. § 3º Os programas de cultura. § 4º Nas publicações das regras desportivas. para permitir o acesso. por entidades públicas e privadas é obrigatória a inclusão da pessoa com deficiência. IV – o incentivo ao lazer como forma de promoção social da pessoa com deficiência. VI . bem como o incentivo e o apoio à formação de guias de turismo com informação adequada à pessoa com deficiência. § 1º Compete ao Poder Público. próteses e material desportivo adaptado e adequado à prática de desportos para a pessoa com deficiência. dos Estados. com ações específicas de inclusão. desportivas. § 6º Os calendários desportivos da União. é obrigatória a inclusão das normas de desporto adaptado. a observância e a fiscalização das medidas para promover acessibilidade e eliminação de barreiras.a) participação da pessoa com deficiência em concursos de prêmios no campo das artes e das letras. conforme o disposto na legislação em vigor.

60. § 1º Os arquivos digitais a que se refere o caput deverão ser conversíveis em áudio ou em sistema braile. dará prioridade ao desporto da pessoa com deficiência. II – autorizados pelos detentores dos respectivos direitos autorais. entre outras ações. O Poder Público colocará à disposição. mediante: I – desenvolvimento de recursos humanos especializados para atendimento das pessoas com deficiência. 62. 59. turismo e lazer deverão garantir a inclusão de pessoas com deficiência. Art. Art. também pela rede mundial de computadores (internet). Art. desporto. de entidades de educação de pessoas com deficiência e de usuários com deficiência. seletivamente. . arquivos com o conteúdo de livros: I – de domínio público. conforme disposto na legislação em vigor.§ 9º As pessoas físicas e jurídicas que recebam recursos públicos ou incentivos para programas. O Poder Público. desporto. salvo nos casos de reprodução pelo sistema Braille. Na utilização dos recursos decorrentes de programas de apoio à cultura será dada prioridade. Art. § 3º Os arquivos serão utilizados exclusivamente no portal público vedada sua transferência aos usuários. projetos e ações nas áreas de cultura. 61. III – adquiridos pelo Poder Público para distribuição gratuita no âmbito de programas criados com este propósito. § 2º Os arquivos serão colocados. em que cada usuário institucional ou individual poderá realizar apenas uma cópia. turismo e lazer deverão ter versões adequadas às pessoas com deficiência. à disposição de bibliotecas públicas. 58. nas modalidades de rendimento e educacional. Informações essenciais sobre produtos e serviços nas áreas de cultura. O Poder Público adotará mecanismos de incentivo à produção cultural destinada às pessoas com deficiência. à produção e à difusão artístico-cultural de pessoa com deficiência. nas respectivas esferas administrativas. Art.

recuperação e adaptação de instalações desportivas e de lazer.II – promoção de competições desportivas internacionais. a pessoa com deficiência deverá requerer o passe livre junto aos órgãos competentes da Administração Pública ou entidades conveniadas. IV – o bilhete de viagem fornecido pelo transportador ao portador de passe livre é intransferível. nacionais. II – o benefício aplica-se aos serviços de transporte público coletivo interestaduais operados em linhas regulares. concedido e utilizado de acordo com as seguintes condições: I – o benefício será concedido à pessoa com deficiência cuja renda familiar per capita não exceda a dois salários mínimos. quando for o caso. que será identificado como seu responsável durante toda a viagem. § 2º Havendo necessidade. a taxa de embarque em terminal de transporte e a tarifa de pedágio. 63. § 1º Os prestadores de serviço de transporte público interestadual de passageiros são obrigados a reservar. Art. ampliação. com veículos convencionais. quantidade de assentos equivalente a 5% (cinco por cento) da capacidade indicada de cada veículo. estaduais e locais que possuam modalidades abertas às pessoas com deficiência. 64. CAPÍTULO VIII DO DIREITO AO TRANSPORTE Art. para uso preferencial de beneficiário do passe livre e de seu acompanhante. . desenvolvimento tecnológico. quando houver. em cada viagem. nas modalidades rodoviária. atestada por equipe médica autorizada. de modo a torná-las acessíveis às pessoas com deficiência. documentação e informação sobre a participação da pessoa com deficiência nos eventos. e IV – construção. Para habilitar-se para o benefício. e comprovar que atende aos requisitos estabelecidos. o beneficiário do passe livre terá direito a um acompanhante. III – pesquisa científica. O direito ao transporte da pessoa com deficiência será assegurado no sistema de transporte público coletivo interestadual por meio do passe livre. ferroviária e aquaviária. III – a gratuidade concedida cobre a tarifa relativa ao serviço de transporte propriamente dito.

considerando as especificidades das deficiências de natureza sensorial e física em teatros. salas de conferência. cinemas. . VI – reserva de vagas específicas. inclusive vias. devidamente sinalizadas. Compete à Administração Pública disciplinar. 67. bibliotecas e ambientes de natureza similar. acompanhar e fiscalizar a concessão do benefício do passe livre e seu funcionamento nos serviços de transporte interestadual de passageiros abrangidos por esta Lei. museus. VII – adequação dos veículos e de sua infra-estrutura de transporte coletivo de embarque aos requisitos de acessibilidade estabelecidos na legislação e nas normas técnicas. TÍTULO III DA ACESSIBILIDADE CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. IV – atendimento aos princípios do desenho universal na concepção e implantação de projetos arquitetônicos. coletivo e comercial. coletivo e comercial inclusive os equipamentos esportivos e de lazer. coletivo e comercial. 66. urbanísticos e de comunicação. ampliação. VIII – implantação de sinalização visual e táctil para orientação de pessoas com deficiência nas edificações de uso público. Art. em garagens e estacionamentos nas edificações e demais espaços urbanos de uso público. para veículos que transportem pessoas com deficiência. de forma a que se tornem acessíveis para as pessoas com deficiência. O direito à acessibilidade das pessoas com deficiência será assegurado. III – construção. de forma a torná-los acessíveis para as pessoas com deficiência. V – reserva de espaços e lugares específicos para pessoas com deficiência. reforma e adequação das edificações de uso público. II – planejamento e urbanização de espaços de uso público. parques e praças. coordenar. em atendimento às seguintes diretrizes gerais: I – elaboração de planos de acessibilidade como parte integrante dos planos diretores e dos planos de transporte urbano integrado. na forma da legislação específica. auditórios.Art. 65. É assegurada à pessoa com deficiência prioridade no embarque em veículo do sistema de transporte público coletivo.

os projetos de revitalização. organizados. tais como convênio. 69. mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas e de outros obstáculos físicos. adotará providências para garantir às pessoas com deficiência acessibilidade aos bens e serviços públicos. pelo Distrito Federal e pelos Municípios. bem como pelas empresas e instituições privadas. educação. acordo. comunicação. cultura. esporte e lazer. contrato ou similar será exigida a observância da legislação de acessibilidade às pessoas com deficiência em vigor. por meio de qualquer instrumento. transporte. XII – implementação de mecanismos que assegurem a acessibilidade das pessoas com deficiência visual nos portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de computadores (internet). recuperação ou reabilitação urbana incluirão ações destinadas à eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas. Art. O Poder Público. Os sistemas de transporte coletivo terrestre. 68. nos transportes e na comunicação e informação devidamente adequadas. ajuste. prestado pelos Órgãos da administração pública.IX – atendimento prioritário e adequado às pessoas com deficiência. inclusive aos já implementados ou constituídos. aquaviário. trabalho. coletivo e comercial. X – adoção de medidas. pelos Estados. Para a aprovação de financiamento de projetos com a utilização de recursos públicos. com base nos instrumentos normativos editados pela União. . implantados e adaptados segundo a legislação de acessibilidade em vigor. 71. 70. Art. O Poder Público. Art. 72. XI – utilização de instrumentos e técnicas adequadas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas com deficiência sensorial no sentido de assegurar-lhes o acesso à informação. no âmbito de suas competências. que assegurem a acessibilidade das pessoas com deficiência. Art. Os programas nacionais de desenvolvimento urbano. procedimentos e prazos para garantir às pessoas com deficiência acessibilidade aos bens e serviços de uso público. Art. aéreo e todos os seus elementos serão concebidos. no âmbito de suas competências. nas políticas e programas habitacionais de interesse social. em todas as unidades federativas. definirá normas.

73. 76. serviços e sistemas voltados para melhorar a funcionalidade de pessoas com deficiência. instrumentos. equipamentos. sem prejuízo do sigilo do sufrágio universal. 75. digitar os números na urna. no ato de votar. junto com o eleitor. autorizará o ingresso dessa segunda pessoa. próteses. § 2º O presidente de mesa receptora de votos. O Poder Público adotará medidas de incentivo à produção e ao desenvolvimento científico e tecnológico voltado para a produção de ajudas técnicas.CAPÍTULO II DA ACESSIBILIDADE PARA O EXERCÍCIO ELEITORAL Art. medicamentos. ainda que não o tenha requerido antecipadamente ao juiz eleitoral. assim como a difusão de tecnologias voltadas para ampliar o acesso de pessoas com deficiência às tecnologias da informação e comunicação. O Poder Público promoverá e incentivará o desenvolvimento científico. TÍTULO IV DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA Art. órteses. poderá contar com o auxílio de pessoa de sua confiança. Art. verificando ser imprescindível que o eleitor com deficiência conte com o auxílio de pessoa de sua confiança para exercer o direito de voto. inclusive. Art. Serão estimulados a pesquisa e o desenvolvimento. § 2º Será incentivada e apoiada a capacitação tecnológica de instituições públicas e privadas ou de empresas para produzirem e oferecerem. 74. Os eleitores com deficiência poderão utilizar os meios e recursos postos à sua disposição pela Justiça Eleitoral para facilitar o exercício do voto. § 1º O desenvolvimento e a pesquisa promovidos ou incentivados pela Administração Pública darão prioridade à geração de conhecimentos e técnicas que visem à prevenção e ao tratamento das deficiências. no País. sem prejuízo do sigilo do sufrágio universal. a pesquisa e a capacitação tecnológicas voltados para a melhoria da qualidade de vida e trabalho das pessoas com deficiência. na cabine eleitoral. sendo que ela poderá. § 3º A pessoa que auxiliar o eleitor com deficiência não poderá estar a serviço da Justiça Eleitoral ou de frente parlamentar. § 1º O eleitor com deficiência. . assim como à produção de ajudas técnicas e tecnologias de apoio.

ao atendimento preferencial junto à Defensoria Pública da União. § 1º O interessado na obtenção da prioridade a que alude este artigo. Aplica-se. § 2º A prioridade se estende aos processos e procedimentos na Administração Pública. 78. fazendo prova de sua deficiência. 79. identificados com a destinação às pessoas com deficiência em local visível e caracteres legíveis. dos Estados. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com deficiência. As funções do Ministério Público. aos sítios da rede mundial de computadores (internet) em geral e. 77. que determinará as providências a serem cumpridas. requererá o benefício à autoridade judiciária competente para decidir o feito. § 2º Serão estimuladas a adoção de soluções e a difusão de normas que visem ampliar a acessibilidade de pessoas com deficiência à computação. Art. . às disposições deste Capítulo. ou em outra legislação que trate da pessoa com deficiência. o procedimento sumário previsto no Código de Processo Civil. aos serviços de governo eletrônico. naquilo que não contrarie os prazos previstos nesta Lei.§ 1º Será estimulado. CAPÍTULO II DO MINISTÉRIO PÚBLICO Art. previstas nesta Lei. em especial. TÍTULO V DO ACESSO À JUSTIÇA CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. subsidiariamente. em qualquer instância. § 3º Para o atendimento prioritário será garantido à pessoa com deficiência o fácil acesso aos assentos e caixas. empresas prestadoras de serviços públicos e instituições financeiras. em especial. anotando-se essa circunstância em local visível nos autos do processo. serão exercidas nos termos da respectiva Lei Orgânica. o emprego das tecnologias da informação e comunicação como instrumento de superação de limitações funcionais e de barreiras à comunicação e educação de pessoas com deficiências. do Distrito Federal e dos Municípios em relação aos Serviços de Assistência Judiciária.

O Ministério Público. em circunstâncias que justifiquem a medida e oficiar em todos os feitos em que se discutam os direitos da pessoa com deficiência em condições de risco. fixando prazo razoável para sua adequação. § 3º Para o exercício das atribuições de que trata este artigo. Compete ao Ministério Público: I – instaurar o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção dos direitos e interesses difusos ou coletivos.zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados às pessoas com deficiência. individuais indisponíveis e individuais homogêneos da pessoa com deficiência. Art. desde que compatíveis com a finalidade do Ministério Público. IV – atuar como substituto processual da pessoa com deficiência em situação de risco. III – promover e acompanhar as ações de alimentos. bem como a colaboração dos serviços de saúde. VII . de injunção e habeas corpus em qualquer juízo.requisitar força policial. 80. O Ministério Público intervirá. § 1º A legitimação do Ministério Público para as ações cíveis previstas neste artigo não impede a de terceiros. na defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis relacionados à pessoa com deficiência. educacionais e de assistência social públicos para o desempenho de suas atribuições. II – impetrar mandado de segurança. de designação de curador especial.Art. se não intervier no processo como parte. obrigatoriamente. poderá o representante do Ministério Público efetuar recomendações visando à melhoria dos serviços públicos e de relevância pública relativos à pessoa com deficiência. V – promover a revogação de instrumento procuratório da pessoa com deficiência. nas hipóteses de situação de risco. nas mesmas hipóteses. instância ou tribunal. segundo dispuserem a Constituição e a legislação em vigor. . § 2º As atribuições constantes deste artigo não excluem outras. Parágrafo único. de interdição total ou parcial. nas ações em que se discutam direitos e interesses indisponíveis relacionados à pessoa com deficiência. atuará obrigatoriamente como fiscal da lei. quando necessário ou o interesse público justificar. promovendo as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis. VI . 81.

coletivos. 86.a Ordem dos Advogados do Brasil. os Estados. individuais indisponíveis ou homogêneos. 82. II . 87. coletivos. 83. atuará obrigatoriamente o Ministério Público na defesa dos direitos e interesses da pessoa com deficiência. o Distrito Federal e os Municípios. Art. em qualquer caso. usando os recursos cabíveis. Parágrafo único. A falta de intervenção do Ministério Público acarreta a nulidade do feito. que será declarada de ofício pelo juiz ou a requerimento de qualquer interessado. COLETIVOS E INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS Art. hipótese em que terá vista dos autos depois das partes. CAPÍTULO III DA PROTEÇÃO JUDICIAL DOS INTERESSES DIFUSOS. empresa pública. A intimação do Ministério Público. Art. Para as ações cíveis fundadas em interesses difusos. Art. As hipóteses previstas neste artigo não excluem da proteção judicial outros interesses difusos.o Ministério Público. podendo juntar documentos e requerer diligências.as associações legalmente constituídas há pelo menos 1(um) ano e que incluam entre os fins institucionais a defesa dos interesses e direitos da pessoa com deficiência. referentes também à omissão ou ao oferecimento insatisfatório dos meios necessários para a garantia destes direitos. 85. V . individuais indisponíveis ou homogêneos próprios da pessoa com deficiência protegidos em lei. ressalvadas as competências da Justiça Federal e a competência originária dos Tribunais Superiores. sociedade de economia mista que inclua entre suas finalidades institucionais a proteção das pessoas com deficiência. . As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do domicílio da pessoa com deficiência cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa. Art.autarquia. será feita pessoalmente.a União. Nos processos e procedimentos em que não for parte. IV . Regem-se pelas disposições deste Estatuto e da legislação em vigor que trata da pessoa com deficiência as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos que lhe são assegurados.Art. 84. Art. fundação. 88. concorrentemente: I . As manifestações processuais do representante do Ministério Público deverão ser fundamentadas. consideram-se legitimados. III .

. o interessado poderá requerer às autoridades competentes as certidões e informações que julgar necessária. contados da data da entrega. o Ministério Público ou outro legitimado deverá assumir a titularidade ativa. As multas decorrentes das ações civis públicas decorrentes desta Lei reverterão ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos e Coletivos da Pessoas com Deficiência. e só poderão ser utilizadas para a instrução da ação civil. poderá recorrer qualquer legitimado ativo. Art. 89. § 2º Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento. que cessará com o trânsito em julgado da sentença. após apreciar os motivos do indeferimento. § 7º Em caso de desistência ou abandono da ação. valendo-se de nova prova.VI . exceto no caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de prova. § 1º A sentença ficará sujeita ao duplo grau de jurisdição somente quando concluir pela carência ou pela improcedência da ação. dos respectivos requerimentos. a ação poderá ser proposta desacompanhada das certidões ou informações negadas. o processo correrá em segredo de justiça. requisitar umas e outras.Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – CONADE e demais Conselhos voltados à área da pessoa com deficiência. § 2º Em caso de desistência ou abandono da ação por qualquer dos legitimados. A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível erga omnes. Art. § 1º Fica facultado aos demais legitimados ativos habilitarem-se como litisconsortes nas ações propostas por qualquer deles. qualquer dos co-legitimados pode assumir a titularidade ativa. impuser sigilo. cabendo ao juiz. § 4º As certidões e informações a que se refere o parágrafo anterior deverão ser fornecidas dentro de 10 (dez) dias úteis. devidamente justificado. sob recibo. § 5º Somente nos casos em que o interesse público. § 3º Para instruir a inicial. § 6º Ocorrendo à hipótese do parágrafo anterior. 90. poderá ser negada certidão ou informação. salvo quando se tratar de razão de segurança nacional. feita a requisição. inclusive o Ministério Público. não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal. e.

Reclusão de um a dois anos e multa. no que couber. quando da elaboração das políticas sociais públicas voltadas para a pessoa com deficiência ouvirá previamente os órgãos colegiados de direitos das pessoas com deficiência. sem justa causa. induzir ou incitar a discriminação de pessoa. TÍTULO VI DA ATUAÇÃO DO ESTADO Art. Praticar. em função de sua deficiência. metas e recursos orçamentários destinados ao atendimento das pessoas com deficiência. Aplicam-se à ação civil pública prevista nesta Lei.Reclusão de um a dois anos e multa. o acesso de pessoa com deficiência a quaisquer meios de transporte coletivo. de 24 de julho de 1985 e do Código de Processo Civil. O Plano Plurianual. encaminhará a criação. A Administração Pública Direta e Indireta. As multas não recolhidas até trinta dias após o trânsito em julgado da decisão serão exigidas por meio de execução promovida pelo Ministério Público ou por qualquer dos outros legitimados previstos nesta Lei. 95. impedir ou negar. TÍTULO VII DOS CRIMES EM ESPÉCIE Art. Art. Pena . Art. formados por integrantes da Administração Pública e da Sociedade Civil. A Administração Pública. Os crimes definidos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. a formulação de políticas sociais públicas e a pesquisa. A Administração Pública.347.Parágrafo único. em todos os níveis. em todos os níveis. 91. 92. a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária. Art. Dificultar. 93. 94. sobre pessoas com deficiência visando atender a todas as áreas de direitos fundamentais. Parágrafo único. Pena . deverá conferir. . 96. não se lhes aplicando os artigos 181 e 182 do Código Penal. observada a paridade e a competência de cunho deliberativo. Art. os dispositivos da Lei nº 7. em todos os níveis. Art. 97. À Administração Pública incumbe criar sistema de dados e informações integrados. por meio de lei específica de órgãos colegiados. Parágrafo único. visando assegurar-lhe o exercício de seus direitos e a sua efetiva inclusão social. deverão conter programas. em todos os níveis. no âmbito das respectivas competências e finalidades. tratamento prioritário e adequado aos assuntos relativos à pessoa com deficiência. em todos os níveis.

99. Deixar de cumprir. ou dificultar sua permanência. em qualquer meio de comunicação ou de divulgação. 100. retardar ou omitir informações. e multa. em razão de sua condição de pessoa com deficiência: Pena – Reclusão de dois a quatro anos. salvo na hipótese de sigilo constitucional: Pena – Reclusão de um a três anos. e multa. proventos. e multa. 101. em qualquer curso ou nível. devidamente habilitado. a qualquer cargo ou emprego público. Art. Dificultar. o acesso de pessoa com deficiência a qualquer local de atendimento público ou uso coletivo. retardar ou dificultar. texto. documentos e dados técnicos necessários à instrução de procedimento investigatório extrajudicial. Art. e multa. Obstar ou dificultar a inscrição ou acesso de alguém. estimule o preconceito contra ela ou a ridicularize: Pena – reclusão de um a três anos. Negar ou obstar emprego ou trabalho a alguém. Recusar.Art. sem justa causa. a execução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude a legislação que trata da pessoa com deficiência: Pena – Reclusão de um a três anos. Apropriar-se de ou desviar bens. 106. e multa.Detenção de seis meses a um ano e multa. 104. Veicular. ou dificultar a permanência de aluno em estabelecimento de ensino. 98. retardar ou frustrar. Art. Art. Art. Art. Recusar. sem justa causa. 105. sem justa causa. áudio ou imagem que discrimine a pessoa com deficiência. em razão de sua condição de pessoa com deficiência: Pena – Reclusão de dois a quatro anos. quando requisitados pelo Ministério Público. suspender. e multa. 102. internação ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar e ambulatorial. Pena . pensão. em razão de sua condição de pessoa com deficiência: Pena – Reclusão de dois a quatro anos. a pessoa com deficiência: Pena – Reclusão de um a quatro anos. e multa. Art. público ou privado. benefício assistencial ou qualquer outro rendimento de pessoa com deficiência. Art. impedir ou negar. . procrastinar ou cancelar matrícula. dando-lhes aplicação diversa da sua finalidade: Pena – Reclusão de um a quatro anos e multa. 103. Recusar.

Esta Lei entra em vigor decorridos 90 (noventa dias) da sua publicação. O Poder Executivo encaminhará ao Congresso nacional projeto de lei dispondo sobre a criação de Fundo Nacional da Pessoa com Deficiência. Art. 108. 109. 8º da Lei 7853 de 24 de outubro de 1989. Art. 3º. Ficam revogados os artigos 2º.TÍTULO VIII DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 107. .

sobretudo . Quando enumera objetivos e diretrizes orientadoras. Estados. A própria CF já traz alguns direitos. Em que pese não propor um sistema organizacional completo. Não obstante o comando constitucional. que fazem referência à forma integrada. que deverão ser inseridos nos serviços públicos. coordenada e programada a partir da atuação do órgão colegiado de articulação institucional que deve envolver a União. que assegurem condições especiais para a inserção social da pessoa com deficiência de forma a reduzir ou eliminar as barreiras decorrentes da referida deficiência. Portanto. habilitação e reabilitação profissional. o acesso à educação. à cultura.JUSTIFICAÇÃO A Constituição Federal do Brasil cometeu à União. ainda não se introduziu no ordenamento jurídico brasileiro notadamente no nível federal. que visa tratar adequadamente o tema. e. sobretudo. mas também pragmático. Nele estão indicados os seus aspectos institucionais. tais como o direito à vida e à saúde. da proteção e a garantia das pessoas com deficiência. lei que defina claramente os direitos das pessoas com deficiência. a obrigatoriedade de que o Poder Público normatize a construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo. a título de regulamentação em decretos.por intermédio de políticas públicas. Distrito Federal e Municípios a obrigação de cuidar da saúde e assistência pública. define os direitos prioritários a serem garantidos e a forma de implementação destes. os Estados. Estabelece ainda os parâmetros para elaboração das políticas públicas. além dos seus reflexos no Plano Plurianual. o Distrito Federal e os Municípios. os aspectos inclusivos. em legislações específicas como na lei de Diretrizes e Bases da Educação. já que esta é uma competência privativa do Poder Executivo. por fim. o projeto estabelece parâmetros para a interpretação do diploma legal de forma a garantir o principal objetivo da lei que é a inserção social a pessoas com deficiência. apresenta capítulo que diz respeito à atuação do Estado. Atualmente encontram-se dispositivos legais relacionados aos direitos das pessoas portadoras de deficiência de forma esparsa e circunstancial. a questão vem sendo tratada de forma secundária ou complementar. Tais garantias devem se expressar . tais como a garantia do salário mínimo a título de assistência social. Para suprir esta lacuna venho propor o presente projeto de lei. ao turismo e ao lazer. instruções normativas e portarias. Neste título ainda estão inscritas as diretrizes para a política de capacitação de profissionais especializados. no Estatuto da Criança e do Adolescente. obrigatória a explicitação das dimensões que dizem respeito à pessoa com deficiência. de modo a garantir acesso adequado às pessoas com deficiência. consistentes. garantia de acesso a cargos públicos. ao trabalho. proibição de discriminação quanto a salários e critérios de admissão e. lei de Diretrizes Orçamentárias e a lei Orçamentária. dentre outros. de caráter programático e princípio lógico. a exemplo do que foi feito com relação à criança e ao adolescente e à defesa do consumidor. Além disso. ao desporto. garantindo direitos e parametrizando a ação do Estado de forma sistemática e articulada. na lei Orgânica da Assistência Social.

inferior a 10 (dez) salários mínimos. desde que a renda per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo. a alteração no § 32 do art. e.saúde. bem como dos Senhores Senadores e Deputados. da rede de serviços públicos e não-governamentais. e não mais per capita. Espera-se. ofereça a oportunidade de participação dos diversos movimentos sociais organizados representantes dos interesses das pessoas portadoras de deficiência. Distrito Federal e Municípios. tais como medicamentos. sobretudo aqueles que já apresentaram proposições tópicas relativas a este grupo social. deste projeto possa resultar lei que definitivamente estabeleça o tratamento diferenciado. quando assegura o benefício de um salário mínimo às pessoas portadoras de deficiência. Dessa forma. portanto. Propomos. . dos segmentos organizacionais do Estado. portanto. aparelhos locomotores. O benefício de natureza constitucional. necessário e adequado para que os cidadãos com deficiência possam estar plenamente inseridos socialmente de forma plena e produtiva. a alteração no § 32 do art. por fim. é absolutamente inconcebível imaginar que esse benefício só possa ser assegurado a pessoas cuja família de até cinco pessoas tenha como renda um único salário mínimo. Propomos. acaba por alijar do exercício do direito a maior parte dos potenciais beneficiários. para ampliar o parâmetro para renda familiar. locomoção para tratamentos etc. assim. objetivando assegurar maior eficácia no que diz respeito ao tratamento especial que deve ser oferecido às pessoas com deficiência. inferior a 10 (dez) salários mínimos. e não mais per capita. Outro aspecto do projeto é a correção do equívoco da lei Orgânica da Assistência Social. os quais encontramse em real carência de recursos materiais. 20 da lei n2 8. que este projeto de lei. Portanto. 20 da lei nº 8.742/93. tem por objetivo auxiliar as famílias nas despesas extraordinárias as quais suportam em face das demandas das pessoas com deficiência. quando da tramitação nas duas Casas do Congresso Nacional. para ampliar o parâmetro para renda familiar.742/93. assistência e educação.

o calor na amizade. nós precisamos insistir nos mesmos direitos humanos e civis tanto para pessoas com deficiência como para quaisquer outras pessoas. estando Arthur O'Reilly na Presidência e Oavid Henderson na Secretaria-Geral. elas são possibilidades práticas e economicamente viáveis. No século XXI. é possível estender o acesso a todos os recursos da comunidade . o preconceito. diariamente. educação. serviço público. .CARTA PARA O TERCEIRO MILÊNIO Esta Carta foi aprovada no dia 9 de setembro de 1999. mulheres e homens que têm deficiência. pelo menos 10% de qualquer sociedade nascem com ou adquirem uma deficiência. Estatisticamente. O que é necessário é a vontade política. a manipulação dos componentes genéticos da vida. meios de comunicação. Nós entramos no Terceiro Milênio determinados a que os direitos humanos de cada pessoa em qualquer sociedade devem ser reconhecidos e protegidos. nós precisamos criar políticas sensíveis que respeitem tanto a dignidade de todas a pessoas como os inerentes benefícios e harmonia derivados da ampla diversidade existente entre elas. Os avanços tecnológicos estão teoricamente colocando. Contudo. No século XXI. eliminando todas as barreiras ambientais. esporte e recreação. Nós buscamos um mundo onde as oportunidades iguais para pessoas com deficiência se tornem uma conseqüência natural de políticas e leis sábias que apóiem o acesso à plena inclusão em todos os aspectos da sociedade. tecnologia. as glórias da afeição compartilhada e as belezas da Terra e do universo. principalmente de governos. pela Assembléia Governativa da Rehabilitation internacional. com inventividade e engenhosidade. O progresso científico e social no século XX aumentou a compreensão sobre o valor único e inviolável de cada vida. a superstição e o medo ainda dominam grande parte das respostas da sociedade à deficiência. eletrônicas e atitudinais que se anteponham à plena inclusão deles ria vida comunitária. a segregação e a marginalização têm colocado pessoas com deficiência no nível mais baixo da escala socioeconômica. votação e oração. Nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. emprego. Os direitos humanos básicos são ainda rotineiramente negados a segmentos inteiros da população mundial. em Londres. A cada minuto. Com este acesso poderão advir o estímulo à participação e à liderança. para acabarmos com esta afronta a humanidade. informação. A imunização global e as outras estratégias de prevenção ao mais são aspirações. e aproximadamente uma em cada quatro famílias possui uma pessoa com deficiência. nós precisamos estender este acesso que poucos têm para muitos. o século XX demonstrou que. a ignorância. nós precisamos aceitar a deficiência como uma parte comum da variada condição humana. Esta Carta é proclamada para transformar esta visão em realidade. No Terceiro Milênio. sob o controle humano. nos quais se encontram muitos dos 600 milhões de crianças. Grã-Bretanha. Isto apresenta novas dimensões éticas ao diálogo internacional sobre a prevenção de deficiências. justiça.ambientes físicos. transporte. No Terceiro Milênio. nos hemisférios Norte e Sul do planeta. sociais e culturais. mais e mais crianças e adultos estão sendo acrescentados ao número de pessoas cujas deficiências resultam do fracasso na prevenção das doenças evitáveis e do fracasso no tratamento das condições tratáveis.

e as organizações de pessoas com deficiência devem ser empoderadas com os recursos necessários para compartilhar a responsabilidade no planejamento nacional voltado à reabilitação e à vida independente. inclusive de tecnologia e comunicação a fim de assegurarem que as pessoas com deficiência sejam plenamente incluídas na vida de suas comunidades. bem como programas de intervenção precoce para crianças e adultos que se tornarem deficientes. à provisão de tecnologias assistivas e apropriadas. Todas as pessoas com deficiência devem ter acesso ao tratamento. No Terceiro Milênio. A partir daí. Temos direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza e direito de ser diferente quando a igualdade nos descaracteriza". um plano abrangente que tenha metas e cronogramas definidos para fins de implementação dos objetivos expressos nesta Carta. na convicção de que a implementação destes objetivos constitui uma responsabilidade primordial de cada governo e de todas as organizações não-governamentais e internacionais relevantes. Esta Carta apela aos Países-Membros para que apóiem a promulgação de uma Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência como uma estratégia-chave para o atingimento destes objetivos. DIVERSIDADE E DEFICIÊNCIA NO NOVO MILÊNIO Humberto Lipo Pinheiro “O universalismo que queremos hoje é aquele que tenha como ponto em comum a dignidade humana. A reabilitação baseada na comunidade deve ser amplamente promovida nos níveis nacional e internacional como uma forma viável e sustentável de prover serviços. à informação sobre técnicas de auto-ajuda e. físico e funcional. deficiência ou incapacidade. Cada nação precisa desenvolver. a CARTA PARA O TERCEIRO MILÊNIO é proclamada para que toda a humanidade entre em ação. com a participação de organizações de e para pessoas com deficiência. Cada pessoa com deficiência e cada família que tenha uma pessoa deficiente devem receber os serviços de reabilitação necessários à otimização de seu bem-estar mental. Por estas razões. como o fazem quaisquer outros cidadãos. assim assegurando a capacidade dessas pessoas para administrarem sua vida com independência. Todas as nações devem ter programas contínuos e de âmbito nacional para reduzir ou prevenir qualquer risco que possa causar impedimento. a meta de todas as nações precisa ser a de evoluírem para sociedades que protejam os direitos das pessoas com deficiência mediante o apoio ao pleno empoderamento e inclusão delas em todos os aspectos da vida.Programas internacionais de assistência ao desenvolvimento econômico e social devem exigir padrões mínimos de acessibilidade em todos os projetos de infra-estrutura. se necessário. surgem muitas diferenças que devem ser respeitadas. Boaventura de Souza Santos. Pessoas com deficiência devem ter um papel central no planejamento de programas de apoio à sua reabilitação. .

Na natureza. Será que nesse nosso processo de vida cotidiana. ao mesmo tempo. chegaríamos mais ou menos ao seguinte quadro: Haveria: 57 asiáticos. os códigos começam a se diferenciar. simplicidade e complexidade. 89 seriam heterossexuais. 30 seriam brancos. a maior parte do tempo precisamos fazer escolhas sobre o mundo. E conclui: "Quando consideramos nosso mundo sob uma perspectiva de tal forma comprimida. pessoas ligadas à área da "deficiência e altas habilidades". porém. 8 africanos. 6 possuiriam 59% de toda a riqueza do mundo e todos os 6 seriam dos Estados Unidos. 80 habitariam moradias de baixo padrão. mesmo a sua menor parte. recentemente declarou que: "Se nós pudéssemos reduzir a população da terra para uma aldeia de exatamente 100 pessoas. compreensão e educação se torna extremamente obvia". todas as criaturas vivas possuem a mesma estrutura de código genético . 52 seriam mulheres. Esta visão nos torna responsáveis e nos transforma em importantes porta-vozes para as transformações que a sociedade está começando a introduzir. Parece que nós. a necessidade de aceitação. FACEP da Escola de Medicina da Universidade Stanford. Harter. Estaremos prontos para isto? Em nosso dia-a-dia. 1 teria educação universitária e 1 possuiria um computador". Podemos sentir e compreender tais conceitos. Enquanto gerava sua família. para compreender e aceitar que somos realmente pequenos em todo o contexto do universo. Philip M. 70 não saberiam ler. trazendo identidade peculiar a cada espécie. tem um papel. responsável por tantas semelhanças entre os seres vivos é também aquele que os torna tão diferentes e individuais. a Mãe Natureza assegurou-se de que a vida iria conter. Uma das belezas da vida está no fato de que o mesmo DNA. do norte e do sul. 70 seriam não brancos. Sob a perspectiva do ser humano são necessários humildade e orgulho. 48 homens. 30 seriam cristãos. Num certo ponto do processo. temos essa visão. com todas as relações humanas existentes permanecendo as mesmas. consideramos ou nos importamos de fato com aqueles que nos rodeiam? A POPULAÇÃO DO MUNDO O Dr. 70 seriam não cristãos. 50 sofreriam de subnutrição. quando tomamos decisões. 1 estaria próximo da morte e 1 estaria próximo de nascer. Cada peça do quebra-cabeça. 14 do hemisfério ocidental. a vida e sobre nós mesmos. 11 seriam homossexuais. de maneira (a única maneira) que este pode ser montado e mantido em equilíbrio. 21 europeus. Devemos aprender sobre como viver em diversidade. MD. cada um de nós tem um papel que deve ser desempenhado para alcançar o equilíbrio. O fato de o aspecto da deficiência não estar refletido nestas estatísticas não nos . como aceitar as diferenças individuais e como fazer com que elas nos beneficiem a todos. a cada ser.o DNA.

estamos construindo pedra por pedra os alicerces de um novo paradigma de políticas públicas e de concepção da sociedade que supere as visões tradicionais e assistencialistas em um novo superior patamar orientado pelos valores universais da cidadania e dos direitos humanos. Embora sejamos uma proporção relevante de cada uma destas categorias. Façamos. entendendo que acima de qualquer diferença somos todos possuidores da centelha divina que a tudo criou e perante a qual somos inexoravelmente irmãos e irmãs. infinitamente sábio. de sua imperfeição e da certeza de que não é. determinado apenas pelas incapacidades do indivíduo. . sensorial. pois. Portanto. irreal. a humanidade há de entender que "distinto" (diferente) não significa necessariamente "inferior". A sociedade não nos conta como integrantes. Por outro lado. ainda assim não somos considerados como parte da auto-imagem social. representaria para o ser humano "normal" a lembrança e a representação concreta de sua incompletude. mais importante ainda. aquilo que sonha: um ser perfeito. sensorial. para ser "diferente" arca-se com uma culpa muito grande. Por isto. a igualdade pressupõe o respeito às diferenças pessoais. mental ou comportamental e o obstáculo social que impede ou dificulta a participação nas atividades da vida cotidiana. não se ganha uma efetiva e substancial igualdade sem que se tenha em conta as distintas condições das pessoas. a igualdade artificial das concretas desigualdades ou "igualdade absoluta" leva a despersonalização e a massificação. física. de certa forma. mental ou comportamentalmente. nem nunca será.pio do tratamento igual não contém nada de rigidamente igualitário. Parafraseando Matilde Zavala de Gonzalez. Pensar toda diversidade humana. marginalizar as diferenças tem sido "sabedoria" dos homens que num esforço em vão tentam padronizar o que Deus. Pois tudo que é perfeito parece. A injustiça da discriminação ocorre quando se coloca uma pessoa em situação de que seja lesiva a sua dignidade. a "deficiência" ou desvio é uma situação e não um estado definitivo. ser exclusividade de países pobres. assim como a liberdade absoluta na convivência social conduz ao anarquismo. Contudo. Temos absoluta certeza que um novo mundo sem guerras e sem qualquer tipo de violência é possível. se tem dito: "O princí. a humanidade esteja preparada para compreender que o "sujeito desviante". sem atentar ou atender as desigualdades fatídicas que os diferencia. Nós da FADERS e do Fórum Permanente da Política Pública Estadual para Pessoas Portadoras de Deficiência e Pessoas Portadoras de Altas Habilidades estamos resistindo à indiferença e ao descaso e. criou totalmente diverso. mesmo quando tenta retratar toda a sua diversidade. A igualdade fica prejudicada quando se processam discriminações injustas a uma pessoa ou a determinado grupo ou segmento. e para isso é imprescindível que. Porque igualdade não significa o nivelamento de personalidades individuais. pois só se refere aos casos de homogeneidade e não de uniformidade ou aos de tipicidade e não de identidade". entre outras coisas. O igualitarismo absoluto é injusto porque trata aos seres humanos como unidades equivalentes. é uma situação criada pela interação entre a limitação física.surpreende. já que para ser "perfeito" muito é preciso reprimir e. Pelo contrário. Os sintomas que detectamos não parecem. humanizar e universalizar serviços são os grandes desafios que nos impõe este início de um novo milênio. Na verdade toda a imagem (e vivemos presos ao imaginário) tem seu preço inconsciente. como pares. deste mundo um lugar melhor para todos. infelizmente.

A partir daí. cego que inventou o sistema de comunicação para cegos ou o grande compositor Ludwig Von Beethoven. Muitos poderiam questionar a presença de mais uma lei no meio de tantas que já temos. o preconceito e os entraves que os envolvidos enfrentam diariamente. inteiro) e Marcelo Rubens Paiva. "deficiente" múltiplo. mas no envolvimento da sociedade por meio de discussões e debates. declarar. através de adaptação do texto de Rosangela Berman Bieler e Geraldo Marcos Nogueira Pinto do Instituto Interamericano sobre Deficiência (110) CONCLUSÃO A Nação brasileira vem discriminando seus cidadãos há mais de quinhentos anos. idosos. no mercado de trabalho e o que é pior. Mais de dois mil anos se passaram e o que mudou. empreenderam uma longa batalha. à conscientização de um silêncio que levou 500 anos para ser quebrado. Queremos ver o Estatuto da Pessoa com Deficiência tornar-se um instrumento de política viva. como tantas já existentes. . Não nos consideramos sabedores universais. na adequação das propostas à realidade. servem de incentivo aos heróis anônimos que enfrentam diariamente as barreiras físicas das cidades. contribuições que elevem o patamar das discussões desta matéria. "é mais fácil ensinar um aleijado a desempenhar uma tarefa útil do que sustentá-Io como indigente". Esta Casa cumpre um papel imprescindível. as pessoas portadoras de deficiência eram considerados incapazes.198/2000. a exemplo do Pl n2 3. a respostas concretas.c. nos meios de transporte. um dos melhores escritores da atualidade. Exemplos vivos como "Aleijadinho" (suas obras embelezam a História do Brasil no mundo. Queremos escancarar à sociedade brasileira as dificuldades. inúmeras leis vieram estimular sua inclusão na sociedade. Outros exemplos como Louis Braille. mudou muito pouco. A humanidade carrega uma história de preconceito em relação a este assunto. A resposta envolve nosso trabalho nestes dezesseis anos de Congresso Nacional. muito mais do que isso. direitos. Na Carta Magna de 1824.Fórum Permanente da Política Pública Estadual para PPO/PPAH. sugestões. A grande barreira para a participação real da pessoa portadora de deficiência no nosso meio. Estatuto da Igualdade Racial. que era surdo. As pessoas com deficiência precisam de referenciais na história que Ihes restituam a auto-estima perdida após tanta discriminação e sofrimento. as barreiras veladas do preconceito. para que fuja do perigo de tornar-se letra morta. Conscientizar a sociedade a viver o ideal de que todos somos iguais é uma grande . na divulgaçãó de propostas. Chamados de deficientes. campanhas de esclarecimento e conscientização. nos prédios.é cultural. apesar de Aristóteles. real. Aceitamos críticas. pobres e as pessoas com deficiência. nas ruas. A prova maior é a forma como são tratados índios. negros. que tem levado o Brasil a debates nunca antes tão envolventes e esclarecedores e. nem donos de qualquer verdade absoluta. até conseguirem conquistar um espaço na Constituição de 1988. logo. de avanços e recuos. não apenas na legislação e fiscalização. ainda nos anos 322 a. Nossa intenção é abrir as portas para todos os que sempre lutaram na defesa das pessoas com deficiência. não tinham direitos.

Os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais podem ser evitados com a legislação.tarefa.3%) e os físicos (4.S milhões de pessoas com deficiência urge medidas que enfrentem a desinformação por meio de campanhas publicitárias. legislação. composta de indivíduos com coragem de arregaçar as mangas e fazer. lazer e cultura. os mentais (8. organização sindical e redução dos ritmos de produtividade. mas acreditamos ser um avanço na legislação vigente. mover-se ou alguma deficiência física e mental. Um abraço fraternal. pois sabemos estar aquém das necessiâades das famílias que vivem esta problemática. a alteração no § 32 do art. para que toda pessoa com deficiência tenha direito a um salário mínimo.. necessitamos de políticas urgentes de prevenção pré-concepcional (antes. Os acidentes na infância podem ser evitados se investirmos em políticas voltadas às crianças e aos adolescentes. Os acidentes de trânsito podem ser prevenidos por meio de políticas que incluam educação. enfrentando os tentáculos deste monstro chamado discriminação e contribuindo para soluções reais às vítimas dele. fiscalização. além de políticas salariais e aumento do índice de empregos para evitar o estresse do trabalhador. Em seguida vêm os problemas motores (22%). Propomos. da gravidez). simplesmente. evidenciamos o equívoco da Lei Orgânica da Assistência Social.S milhões de pessoas (14. a sua parte. como os Estados Unidos (15%) e a Austrália (18%). peças teatrais. grupos de dança etc. nasáreas de educação.7%). portanto. Nosso objetivo está bem próximo a todos os que têm sensibilidade para perceber a urgência na construção de uma sociedade onde haja espaço aos que queiram defender os direitos dos discriminados. com 48%. pois é absolutamente inconcebível imaginar que este benefício só possa ser assegurado a pessoas cuja família de até cinco pessoas tenha como renda um único salário mínimo. ouvir. Esta realidade de 24. Para que este número alarmante seja estancado. quando assegura o benefício de um salário mínimo às pessoas com deficiência. onde haja a participação efetiva das pessoas com deficiência em todos os grupos. exercendo as mais diversas atividades. Queremos fazer a nossa parte para atingir este objetivo. 20 da Lei n2 8. sinalização das vias e outras medidas de segurança.PT /RS . pré-natal (durante a gestação). filmes. Esta proposta não é a realidade que sonhamos. Nesta proposta. Convidamos todas as entidades que há anos desenvolvem um trabalho eficiente na área para fazer parte deste debate. desde que a renda per capita familiar seja inferior a um quarto do salário mínimo. Senador Paulo Paim .5% da população brasileira) têm algum tipo de incapacidade para ver. Que seja uma batalha conjunta. a mais citada é a visual. indica que cerca de 24.1 %). Das deficiências declaradas. divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O Brasil apresenta números semelhantes aos de países. O Censo 2000. os auditivos (16.742/93. perinatal (no momento do parto) e pósnatal (após o nascimento). independente da renda per capita da família.

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