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Sábado, Maio 19, 2007

Fundação D. Pedro IV investigada pelo DIAP


A Fundação D. Pedro IV está a ser investigada pelo Departamento de
Investigação e Acção Penal (DIAP) às queixas apresentadas por moradores
de habitação social gerida pela Fundação sobre o destino que terá dado a
subsídios do Estado.

A investigação revela que o património imobiliário da Fundação, em Lisboa, atinge os 95 milhões


de euros.
Um valor em grande parte constituído por prédios de habitação social localizados na freguesia de
Marvila, nos Bairros dos Lóios e das Amendoeiras que eram do IGAPHE e que foram transferidos
gratuitamente para a Fundação, por concurso público.
Recentemente, pela primeira vez, um canal de televisão transmitiu uma reportagem sobre esta
fundação, que apelidou de "intocável" e que contou a sua história desde o início que remonta a
1992, data em que de associação passou a denominar-se Fundação e a receber, por isso, avultados
subsídios estatais.
Vasco Canto Moniz é seu presidente há 15 anos e nem um relatório da Segurança Social
apresentado em 2000, que concluía que a Fundação tinha de ser extinta, o afastou.
Moradores que se dizem prejudicados por este "senhorio" e pais de crianças que frequentaram as
creches geridas pela Fundação afirmaram na televisão que Canto Moniz "foi um erro de casting" e
que a Fundação "se desviou do seu objectivo social em prol de uma holding imobiliária".
Apesar dos testemunhos, Canto Moniz é irredutível nos seus argumentos de que a Fundação presta
um serviço de cariz social. A verdade é que o relatório que denunciava várias ilegalidades
cometidas pela Fundação foi arquivado pelo Inspector-Geral, Simões de Almeida, e substituído em
2001, por um relatório definitivo elogioso para a instituição. Em Janeiro de 2007 é aberto um novo
inquérito e apesar de saber que é uma luta difícil, a população não vai descansar enquanto a
Fundação D. Pedro IV não for extinta.
in Expresso do Oriente, Maio de 2007