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Delegados de Policia - Lei 12830 2013

Delegados de Policia - Lei 12830 2013

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Comentários à Lei 12.830/2013, que dispõe sobre a investigação criminal conduzida por Delegado de Polícia.

Márcio André Lopes Cavalcante Juiz Federal Substituto (TRF da 1ª Região). Foi Defensor Público, Promotor de Justiça e Procurador do Estado. Foi recentemente publicada a Lei n. 12.830, de 20 de junho de 2013, que dispõe sobre a investigação criminal conduzida pelo delegado de polícia. Vamos conhecer um pouco mais sobre esta importante inovação legislativa. Considerando que o assunto é extremamente polêmico, ressalto, desde já, que a presente exposição tem fins meramente didáticos, sem o objetivo deliberado de encampar ou criticar qualquer das diversas posições institucionais existentes. Contexto em que foi editada a Lei A investigação criminal tem sido um tema bastante discutido, atualmente, por conta da tramitação da PEC 37, no Congresso Nacional. Esta proposta de emenda constitucional acrescenta o § 10 ao art. 144 da CF/88, prevendo que a apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo incumbem privativamente às Polícias Federal e Civil. Há um acalorado debate envolvendo, de um lado, os Delegados de Polícia e, de outro, os membros do Ministério Público, conforme vocês já devem ter acompanhado pela imprensa ou nas redes sociais. No contexto desta discussão, foi aprovada a Lei n. 12.830/2013, que não retira a possibilidade de investigação de crimes por parte do Ministério Público (até porque se o fizesse, por meio de lei, seria inconstitucional), mas tinha como objetivo firmar a tese de que a decisão final das diligências a serem realizadas no inquérito policial seria do Delegado de Polícia. Objetivos da Lei n. 12.830/2013 Examinando o texto da Lei, parece-me que as entidades de classe dos Delegados de Polícia (que lutaram pelo projeto) tinham dois objetivos principais com a sua aprovação: 1) Obter o reconhecimento de que as funções exercidas pelo Delegado de Polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado, devendo, portanto, a classe ser equiparada, para todos os efeitos, com as demais carreiras de Estado (Magistratura, Ministério Público, Defensoria Pública etc.). 2) Fazer constar, no texto legal, a tese institucional de muitos membros da classe de que a decisão final sobre a realização ou não das diligências no inquérito policial pertence ao Delegado de Polícia. Conforme será demonstrado à frente, o primeiro objetivo foi conseguido. Quanto ao segundo, no entanto, não se obteve êxito, considerando que o dispositivo que poderia sinalizar no sentido desta conclusão foi vetado pela Presidente da República. Vejamos cada um dos artigos da nova Lei: www.dizerodireito.com.br

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Novidades Legislativas comentadas Página 2 . devendo ser analisada com extremo critério. conforme previsão do art. não se chegou ao ponto de conceber a possibilidade de transferência das funções policiais para a iniciativa privada. como é o caso do indiciamento. Natureza jurídica Consiste em uma importante conquista para a classe de Delegados de Polícia. IBAMA. caput. Qualquer pessoa (física ou jurídica) pode investigar delitos. De forma alguma. por si só. os órgãos sindicais. O que diz este artigo é que a presente Lei regula a investigação feita pelo Delegado (inquérito policial ou TCO). O que se preconiza é que a função de apuração de infrações penais exercida por meio do aparato estatal e conduzida por Delegado de Polícia não pode ser transferida à iniciativa privada. considerando que seriam atividades materiais de segurança pública. Segundo o entendimento majoritário da doutrina e da jurisprudência. 2º da Lei veda a investigação de crimes por parte de particulares. até mesmo porque a segurança pública é “responsabilidade de todos” (art. não sendo suficiente. como a imperatividade. para que não fique nenhuma dúvida. A investigação criminal pode ser realizada por meio de outros órgãos. Essenciais e exclusivas A atividade policial é essencial em um Estado de Direito. Vale ressaltar. expressamente. Contudo. O art. A imprensa. da CF/88). como no caso da “investigação criminal defensiva”? Não. 2º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo delegado de polícia são de natureza jurídica. bem como por ser um corolário da garantia constitucional da ampla defesa. A investigação criminal promovida pela Polícia é feita por meio do inquérito policial (ou TCO). é uma atribuição apenas do Estado. isso não permite concluir que tais elementos colhidos em uma investigação particular sejam ilícitos ou ilegítimos. o instituto da “investigação criminal defensiva” que. salvo se violarem a lei ou a Constituição. 156/2009) prevê. a OAB. que tramita sob a presidência do Delegado de Polícia. 144. 1º Esta Lei dispõe sobre a investigação criminal conduzida pelo delegado de polícia. Art. a investigação de crimes não é uma atividade exclusiva das Polícias Civil e Federal. que o art. essenciais e exclusivas de Estado. da representação por medidas cautelares e da elaboração do relatório. Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Ministério Público. Quando o art. Tratava-se. mesmo sem est ar ainda regulamentado.Art. Em suma. Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). mesmo em sistemas liberais com modelos de Estado mínimo. sendo também exclusiva do Poder Público. 2º utiliza a palavra “exclusivas”. Registre-se que o projeto do novo Código de Processo Penal (Projeto de Lei n. veda-se a “terceirização” ou “privatização” da atividade investigativa estatal. Havia alguns entendimentos no sentido de que as funções desempenhadas pelo Delegado não poderiam ser classificadas como jurídicas. as organizações não governamentais e até mesmo a defesa do investigado também podem investigar infrações penais. 1º não está afirmando que a investigação criminal somente pode ser realizada pelo Delegado de Polícia. de conclusão muito estreita. Não se pode concluir. por qualquer meio. ele não está afirmando que a apuração de infrações penais. como por exemplo: Comissões Parlamentares de Inquérito. 155 do CPP). que somente o Poder Público possa apurar crimes. para a edição de um decreto condenatório (art. Obviamente que a investigação realizada por particulares não goza dos atributos inerentes aos atos estatais. ao extremo. nem da mesma força probante. tendo em vista que o cargo de Delegado de Polícia é privativo de bacharel em Direito e muitas das funções por ele desempenhadas são atividades de aplicação concreta das normas jurídicas aos fatos apresentados. 144 da CF/88. contudo. Banco Central. é plenamente possível pelas razões acima expostas. considerando que.

. por exemplo. autoridade policial é o Delegado de Polícia (Civil ou Federal) e. Para uma segunda corrente.830/2013 adotou a segunda corrente. A primeira posição é majoritária na doutrina e na jurisprudência (vide. 2º da Lei n. entre outros. cumprindo ordens judiciais. do CPP. 144 (. Vale ressaltar que até mesmo a CF/88 emprega esta terminologia em uma oportunidade (art. Novidades Legislativas comentadas Página 3 . mas apenas parte delas. organizado e mantido pela União e estruturado em carreira.. § 1º Ao delegado de polícia. caput. que representa o entendimento prevalente entre os Delegados de Polícia. da CF/88. que não faz distinção ao utilizar o termo: Art. Por outro lado. 136. Veja: Art. quando a Polícia atuar na investigação e coleta de provas sobre a autoria e materialidade de infrações penais. a busca e apreensão. as funções de polícia judiciária da União.Qual é a abrangência da expressão “polícia judiciária”? As Polícias Civil e Federal exercem duas funções principais: a) Investigar infrações penais. Esta posição encontra fundamento no art. § 1º. a depender da função que estejam exercendo.. 2ª) Em um segundo entendimento. percebe-se. Esta posição está baseada na interpretação do art.. por exemplo. I. claramente. Assim. É preciso. b) Auxiliar o Poder Judiciário.) IV . O Código de Processo Penal e a legislação processual extravagante utilizam. destina-se a: I .exercer. que tem como objetivo a apuração das circunstâncias. que o art. a expressão “polícia judiciária” não abrange todas as atribuições da Polícia. da materialidade e da autoria das infrações penais. a condução coercitiva. cabe a condução da investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei. podendo ser um policial civil ou militar. 144. autoridade policial não seria necessariamente o Delegado de Polícia. na qualidade de autoridade policial.099/95). a redação da Súmula Vinculante n. a Polícia Civil e a Polícia Federal podem ser “polícia judiciária” ou “polícia investigativa”. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. instituída por lei como órgão permanente. 69 da Lei n. em várias oportunidades. ela é “polícia investigativa” (e não “polícia judiciária”). portanto. No entanto. I). polícia judiciária é a Polícia Civil ou Polícia Federal desempenhando quaisquer de suas atribuições. como o mandado de prisão. o Oficial militar responsável pelo inquérito. Quem é considerado “autoridade policial”? Existem duas correntes sobre o assunto: 1ª) Para uma primeira posição. Em suma. com exclusividade. no caso de investigações militares.apurar infrações penais (. que. É a tese defendida por alguns para que os policiais militares possam lavrar termo circunstanciado de ocorrência no caso de infrações de menor potencial ofensivo (art. coletando provas sobre autoria e materialidade. 12. a expressão “polícia judiciária” abrange as Polícias Civil e Federal no exercício da investigação de infrações penais ou no auxílio do Poder Judiciário. diferencia a função de “polícia judiciária” da atribuição da Polícia de apurar infrações penais. 14-STF). a expressão “autoridade policial”. 9.) § 1º A polícia federal. § 3º. 4º. mas sim o agente público estatal designado para exercer as funções de autoridade policial. diferenciar: “polícia judiciária” é a Polícia Civil ou Polícia Federal quando estiver praticando atos no auxílio do Poder Judiciário. Para uma primeira corrente da doutrina.

de forma motivada. no entanto. 4º. é ele o responsável pela condução. Constituição Federal Art. é mitigada em se tratando de requisições formuladas pelo Ministério Público. Página Novidades Legislativas comentadas 4 . Assim. 14 do CPP). ou seja. do CPP. Este § 1º proíbe que sejam realizadas investigações criminais por outros órgãos? Não. a autoridade policial não é obrigada a atendê-la. O fato do Delegado de Polícia possuir a prerrogativa da condução do inquérito policial significa dizer que ele pode se negar a cumprir as diligências requisitadas pelo Ministério Público? Não. no inquérito policial e nos demais procedimentos de investigação realizados pela polícia. sendo importante que assim o seja. irão ser de fundamental importância na construção do seu convencimento. a correta exegese do § 1º é a de que o Delegado de Polícia é a autoridade policial. se a requisição do membro do Ministério Público for manifestamente ilegal. indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais. a prerrogativa de requisição de diligências pelo Ministério Público é prevista expressamente no CPP e na própria CF/88: Código de Processo Penal Art. realmente. deve-se deixar claro que a posição amplamente majoritária é no sentido de que a autoridade policial é. Incumbirá ainda à autoridade policial: II . São funções institucionais do Ministério Público: VIII . no entanto. A previsão deste § 1º reforça os argumentos da 1ª corrente acima exposta. que. Este indeferimento. Em suma. no entanto. de forma que. Vale ressalvar. Deve-se esclarecer que este § 1º não veda que investigações criminais sejam conduzidas por outros órgãos. devendo. recusar o cumprimento.requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial. a Lei confirma aquilo que a doutrina já ensinava: é possível a investigação realizada por meio de outros órgãos. O inquérito policial possui como característica o fato de ser um procedimento discricionário. Isso porque discricionariedade não se confunde com arbitrariedade. podendo ser revisto caso irrazoável. Isso porque este dispositivo deverá ser interpretado sistematicamente com o art. Justamente por conta disso. por óbvio. apenas o Delegado de Polícia. 129.Feita a ressalva quanto à existência desta discussão. nada mais lógico que este tenha a prerrogativa de requisitar (com força de obrigatoriedade) a realização de diligências que. a legislação previu que a autoridade policial pode indeferir diligências requeridas pelo indiciado ou pela vítima (art. Além de lógico e coerente com o sistema. pois as atividades por ele desempenhadas exigem conhecimentos jurídicos e responsabilidade proporcional a este cargo. A discricionariedade do IP. está sujeito ao controle jurisdicional. Considerando que o Parquet é o titular da ação penal e que uma das finalidades do IP é coletar elementos informativos para a formação do convencimento (opinio delicti) do membro do MP. que continuam em vigor. a presidência do inquérito policial (ou de outros procedimentos investigatórios da polícia) é incumbência do Delegado de Polícia. caput e parágrafo único. para ele. o Delegado de Polícia tem liberdade de atuação para definir qual é a melhor estratégia para a apuração do delito. 13.realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público. tendo em vista que o termo circunstanciado de ocorrência é um procedimento previsto em lei que tem como objetivo apurar uma infração penal.

em seus arts. 16 do CPP. Justamente por isso. a prerrogativa do Ministério Público de requisitar diligências investigatórias encontra fundamento constitucional (art. o dispositivo apenas reforça o entendimento da doutrina e da jurisprudência. Desse modo. sempre se defendeu que o Delegado pode. 2º foi vetado pela Presidente da República. Como já exposto acima. requisitar quaisquer provas necessárias à investigação.” O dispositivo vetado era o que mais gerava polêmica no projeto e o que recebia as maiores críticas por parte dos membros do Ministério Público que. um rol de diligências investigatórias que podem ser determinadas pela autoridade policial (Delegado de Polícia). um incômodo e improdutivo impasse. diligências investigatórias? Não. por meio de suas associações. trabalharam pela sua rejeição. informações. observa-se. Na prática forense. A chefe do Poder Executivo apresentou as seguintes razões para o veto: “Da forma como o dispositivo foi redigido. patrimoniais e sexuais. cabe ao delegado de polícia a requisição de perícia. em algumas oportunidades. a divergência de opiniões entre o Delegado que preside o inquérito policial e o Promotor de Justiça/Procurador da República que atua no caso sobre a pertinência ou não de determinadas diligências. especialmente diante das novas formas de criminalidade (crimes de escritório. a doutrina e a jurisprudência afirmam. como regra. de forma uníssona. Sucede que. O Delegado de Polícia conclui o inquérito. não consistindo propriamente uma inovação no mundo jurídico. inócuas ou mesmo inadequadas. VIII). nos termos do art. cibernéticos etc. 6º e 7º encontra-se há muito tempo desatualizado. O Ministério Público. diretamente. quebra de sigilo bancário e fiscal. (PARÁGRAFO VETADO) O § 3º do art. com alguma frequência. § 3º O delegado de polícia conduzirá a investigação criminal de acordo com seu livre convencimento técnico-jurídico. O CPP traz. de sorte que não poderia ser abolida por lei infraconstitucional. a referência ao convencimento técnico-jurídico poderia sugerir um conflito com as atribuições investigativas de outras instituições. que as diligências ali previstas são exemplificativas.§ 2º Durante a investigação criminal. Desta forma. o elenco dos arts. Novidades Legislativas comentadas Página 5 . 13 e 16 do CPP continuam em vigor e não foram afetados por este § 2º. 129. não concorda com este juízo de valor feito pela autoridade policial e insiste nas diligências. previstas na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. faz o relatório e envia para apreciação do Ministério Público. Os arts. tais como interceptação telefônica. com isenção e imparcialidade. Para que o Delegado de Polícia possa realizar a atividade investigatória é indispensável que detenha meios de coleta das provas. Na verdade. Este § 2º proíbe que o Ministério Público requisite. Como o CPP é antigo e foi idealizado tendo como alvo crimes violentos. entende que é necessária a realização de novas diligências e faz a requisição nesse sentido. ao Delegado de Polícia. documentos e dados que interessem à apuração dos fatos. recusando-se a cumprir a requisição e devolvendo o IP. busca apreensão etc. assim. o Delegado reputa que tais diligências são dispensáveis. ressalvadas aquelas diligências cuja CF/88 exige autorização judicial (cláusula de reserva de jurisdição). é preciso buscar uma solução redacional que assegure as prerrogativas funcionais dos delegados de polícias e a convivência harmoniosa entre as instituições responsáveis pela persecução penal.). 6º e 7º. Este. surgindo.

não há discricionariedade do Delegado de Polícia na condução do IP no que tange às requisições formuladas pelo Ministério Público. 129. são consequências dos princípios da impessoalidade e moralidade. negar cumprimento às requisições do Ministério Público. se aprovada a PEC 37. o livre convencimento técnico-jurídico do Delegado decorre da característica do IP de ser discricionário. as razões de veto divulgadas sinalizam que a Presidência da República concorda com a tese de que o Ministério Público detém o poder de investigação. qual seja. no caso de provas de concurso público: se a alternativa da questão afirmar que o Delegado de Polícia possui livre convencimento técnico-jurídico na condução da investigação criminal. que a condução da investigação criminal seria feita pelo Delegado de Polícia conforme o seu livre convencimento técnico-jurídico. Atenção. contudo. de forma definitiva. O § 3º do art. o de que a investigação criminal é atribuição da Polícia. este § 3º deverá ser interpretado conforme a Constituição (art. No caso concreto. como já afirmado. o Delegado de Polícia continua conduzindo a investigação criminal policial (inquérito policial e termo circunstanciado) de acordo com seu livre convencimento técnico-jurídico. conforme também explicado. Em outras palavras. O veto presidencial pode ser feito por duas razões: • Quando a norma aprovada contraria o interesse público (veto político). a opinião do Poder Executivo quanto ao tema pouco importa. Vejam agora que interessante: mesmo o dispositivo tendo sido vetado. VIII). para a posição majoritária. pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal ou pelo Congresso Nacional. que não pode ser restringida por lei. 37. penso que. juridicamente. O outro propósito deste § 3º era o de reafirmar a tese expressa na PEC 37. Assim. contudo. salvo em caso de flagrante ilegalidade. considerando que a questão será dirimida. Em outras palavras. por seu turno. se o veto for derrubado. não podendo a autoridade policial recusar cumprimento às diligências requisitadas pelo Ministério Público.Como já explicado linhas atrás. contudo. Novidades Legislativas comentadas Página 6 . da CF/88. A isenção e imparcialidade. para a maioria da doutrina e da jurisprudência. considerando que o examinador estará apenas querendo saber se o candidato conhece o fato de que o dispositivo que previa isso foi vetado. a Presidente vetou o § 3º alegando “contrariedade ao interesse público” (veto político). não é absoluta. o objetivo era fazer com que a decisão final sobre a realização ou não das diligências investigatórias no inquérito policial ficasse a cargo do Delegado de Polícia. Apesar disso. no sentido de que o Delegado de Polícia conduzirá a investigação criminal de acordo com seu livre convencimento técnicojurídico. tal assertiva é INCORRETA. sob a condução do Delegado. Esta discricionariedade. com isenção e imparcialidade. insculpidos no art. • Quando a norma aprovado é inconstitucional (veto jurídico). Isso porque. a autoridade policial não pode se recusar a cumprir a requisição ministerial de novas diligências. 2º do projeto aprovado tinha como objetivo mudar este entendimento majoritário. de forma expressa em lei. mesmo se tivesse sido sancionado. considerando que estas possuem previsão em norma constitucional de eficácia plena. caput. não podendo. fazendo com que constasse. Observação final: apesar de não estar explícito. este § 3º somente poderia ser considerado válido se não provocasse mitigação do poder de requisição do Ministério Público. De qualquer modo.

portanto. às regras aplicáveis aos atos administrativos. Inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei: Atualmente. Hipóteses nas quais poderá haver a avocação ou a redistribuição: a) Motivo de interesse público. delegados ou redistribuídos. O que se lamenta é a utilização de expressões tão vagas na definição das hipóteses nas quais é possível a avocação e a redistribuição do procedimento. garantindo maior segurança jurídica. a fim de evitar avocações ou redistribuições casuísticas. desde que não haja previsão legal em sentido contrário. Trata-se de uma decorrência do poder hierárquico e. Redistribuir: ocorre quando o superior hierárquico retira o Delegado da condução do IP ou do TC e designa outro Delegado para dirigir o procedimento. Análise crítica da previsão Rigorosamente. foi acertada a previsão. a ela se aplica esta característica. Em linhas gerais. Isso enfraquece o controle que poderia ser exercido sobre tais atos. existe corrente (minoritária) que sustenta que alguns atos administrativos não precisam ser motivados. pode-se apontar o seguinte: • Polícia Civil: o superior hierárquico com poderes para avocar ou redistribuir os procedimentos é o Delegado-Geral. submetidos. as duas únicas formas típicas de investigação criminal previstas em lei e conduzidas por Delegado de Polícia são o inquérito policial e o termo circunstanciado. este § 4º seria dispensável. No entanto. Superior hierárquico: É definido pela lei orgânica de cada Polícia e pelos demais atos normativos internos. considerando que todo ato administrativo precisa ser motivado. Isso porque tanto o IP como o TC são procedimentos administrativos. por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. b) Se o Delegado descumprir os procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação.§ 4º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico. repita-se. mediante despacho fundamentado. como a estrutura da Polícia é hierarquizada. • Polícia Federal: esta função de superior hierárquico é exercida pelo Superintendente-Regional. desde que fundamentada. Avocar: ocorre quando o superior hierárquico retira o Delegado da condução do IP ou do TC e passa ele próprio a dirigir o procedimento. é salutar a previsão para que haja uma disciplina mais nítida ao tema. Desse modo. Ademais. A avocação ou a redistribuição do procedimento investigatório viola a CF/88? Não. Novidades Legislativas comentadas Página 7 . Instrumento por meio do qual o procedimento pode ser avocado: despacho fundamentado exarado pelo superior hierárquico. Os atos administrativos podem ser avocados.

Por isso. Niterói: Impetus.§ 5º A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato fundamentado. Com esta nova previsão. não há uma regra constitucional impedindo a remoção ex officio. salvo se. ou por motivo de interesse público. (. Assim. que o ato de indiciamento seja motivado. O objetivo da norma é o de resguardar o Delegado de Polícia de remoções motivadas por razões espúrias. São Paulo: RT. Excepcionalmente. privativo do delegado de polícia. materialidade e suas circunstâncias.. de ato privativo da autoridade policial que. A inamovibilidade é uma garantia constitucional. A remoção de que trata este § 5º abrange apenas a transferência para cidades diferentes? Não. ser controlada de forma satisfatória pelo Poder Judiciário. mediante análise técnico-jurídica do fato. nos meandros do inquérito policial. Curso de Processo Penal. p. 100). É extremamente salutar a previsão expressa de que a remoção do Delegado precisa ser um ato fundamentado como forma de minimizar favorecimentos e perseguições decorrentes do trabalho de tais profissionais. Isso porque. o Delegado de Polícia passou a gozar da garantia da inamovibilidade? Não. é exercitado pela autoridade policial que preside a investigação. Esta previsão traz a garantia de que a autoridade policial não será afastada das atividades que está exercendo sem que haja um motivo justificado. devendo ser esta realidade alterada como forma de resguardar o interesse público das investigações. II). algumas características do indiciamento que já eram consagradas na doutrina: “O indiciamento é o ato resultante das investigações policiais por meio do qual alguém é apontado como provável autor de um fato delituoso. de forma textual. as quais deveriam ser apresentadas no inquérito policial para que fossem conhecidas pelo indiciado e seu defensor.. uma evolução no tratamento do tema ao se exigir. por meio da qual se assegura aos integrantes dessas carreiras que eles não serão removidos do juízo ou ofício ondem atuam nem afastados dos processos em que funcionam. muitas vezes. deverá fundamentar-se em elementos de informação que ministrem certeza quanto à materialidade e indícios razoáveis de autoria. pelos juízes e tribunais. do Ministério Público (art. quando necessário.” (LIMA. I. Lamenta-se o fato dos Delegados de Polícia ainda não gozarem de inamovibilidade. dar-se-á por ato fundamentado. § 6º O indiciamento. a transferência do Delegado de uma Delegacia para outra deverá também ser fundamentada. o qual. em lei. isso significa que a regra é a impossibilidade de remoção ex officio. seja voluntária ou de ofício. Novidades Legislativas comentadas Página 8 . adotando a regra da explicitação das razões para a classificação do fato em determinado tipo penal. Cuida-se. Renato Brasileiro de. admite-se por motivo de interesse público. em muitos casos. Veja o que afirma o membro do MP paulista Mário Sérgio Sobrinho: “A legislação brasileira deveria evoluir. Quando é assegurada a inamovibilidade aos membros de determinada carreira. para tanto. Critica-se o fato de a lei não ter elencado hipóteses nas quais seria permitida a remoção do Delegado de Polícia. Houve. conferida aos membros da Magistratura (art.) ao mesmo tempo em que a lei deveria fixar a obrigatoriedade da motivação do ato de indiciamento. 2003. “b”) e da Defensoria Pública (art. pelo órgão do Ministério Público e. 111). todos os atos administrativos). 128. No caso dos Delegados de Polícia. 2013. A previsão do § 5º simplesmente afirma que a remoção do Delegado de Polícia. no entanto. o que certamente seria muito mais relevante sob o ponto de vista da segurança jurídica. aliás.” (A identificação criminal. a remoção ex officio de um Delegado que incomode o Governante ou a direção da Polícia para outra Delegacia pode ser motivada por argumentos como “necessidade do serviço” sem que a veracidade de tal fundamentação possa. 95. § 5º. por vontade própria. É inegável que o ato de indiciamento exige juízo de valor. deve ser motivada (como. A previsão deste § 6º faz constar. ao determinar o indiciamento. dever-se-ia exigir desta a explicitação de suas razões. 134. § 1º). p. que deverá indicar a autoria. pois. o que não era feito em uma grande quantidade de casos.

penso que a tese não prospera. deveria ser fundamentado. 3º O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito. em nota técnica. Ora. os membros da Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados. II. portanto. p. § 1º. Cumpre mencionar. 18/98 da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo. 2006. estabilidade e aposentadoria.  12. mesmo antes da Lei. Assim. No âmbito da Polícia Federal. A Lei n. da CF/88: § 1º . da CF/88). querendo. não havendo o propósito de regular a relação jurídica existente entre os Delegados de Polícia e o Poder Público. Mesmo quando a Lei impõe requisitos e prerrogativas para a carreira de Delegado. Esse era o entendimento da doutrina antes da Lei e que agora é reforçado com este § 6º. do Ministério Público e os Advogados.) não cabe ao promotor ou ao juiz exigir. a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) defendeu. Confira o que há anos já ensinava Nucci: “(. por força da Instrução Normativa n. provimento de cargos.disponham sobre: c) servidores públicos da União e Territórios. é equivocado e inadmissível que o juiz.. alguns Estados possuíam atos normativos infralegais determinando que o ato de indiciamento. podendo o processo legislativo ser de iniciativa parlamentar). pode o promotor denunciar qualquer suspeito envolvido na investigação criminal (. 12. ou seja. 3º. que haveria uma inconstitucionalidade por vício de iniciativa tendo em vista que a lei dispõe sobre o regime jurídico de servidores públicos e a iniciativa para esta matéria pertenceria ao chefe do Poder Executivo. que. como no caso do art. A Lei n. Manual de Processo Penal e execução penal. deveres. através de requisição.. mesmo antes desta previsão legal. É o caso. São Paulo: RT. O Delegado de Polícia deverá receber o mesmo tratamento protocolar que recebem os Magistrados. seu regime jurídico. por exemplo. Página Novidades Legislativas comentadas 9 . I. 61.São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: II . sendo o ato de indiciamento privativo do Delegado de Polícia. “c”. nos termos do art. membros da Defensoria Pública. Diante disso. 139). por fim. que alguém seja indiciado pela autoridade policial. 11/2001. realizado pela autoridade policial. da Portaria n.)” (NUCCI. o membro do Ministério Público ou a CPI requisitem o indiciamento de qualquer suspeito. Guilherme de Souza. por exemplo. Alegação de inconstitucionalidade formal por vício de iniciativa A presente lei resultou de um projeto apresentado por um Deputado Federal. o pronome de tratamento a ser utilizado quando em correspondências oficiais aos Delegados passa a ser “Vossa Excelência”.. remuneração. o que se observa é que tais aspectos estão relacionados com a atuação da autoridade policial na investigação. A Lei versa sobre a atuação do Delegado de Polícia na investigação criminal. 22. direitos.Vale ressaltar que. Com o devido respeito. o ato de indiciamento já era obrigatoriamente motivado. responsabilidades.830/2013 não versa sobre o regime jurídico dos Delegados de Polícia. Art.. sobre matéria atinente ao direito processual penal (art. devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados. sendo de iniciativa concorrente (iniciativa concorrente significa que não apenas o Presidente da República pode propor projeto de lei sobre o tema. porque seria o mesmo que demandar à força que o presidente do inquérito conclua ser aquele o autor do delito.830/2013 versa.

mm.aa. Márcio André Lopes. São Paulo: RT. 2013. 2003. Guilherme de Souza.br>. Renato Brasileiro de. Artigo elaborado em 23/06/2013. Comentários à Lei 12. Como citar este texto: CAVALCANTE. Curso de Processo Penal.dizerodireito. Manual de Processo Penal e execução penal. NUCCI.830/2013.com. Mário. 2006. A identificação criminal. Disponível em: <http://www. que dispõe sobre a investigação criminal conduzida por Delegado de Polícia. Acesso em: dd. São Paulo: RT. SÉRGIO SOBRINHO. Niterói: Impetus.Bibliografia LIMA. Novidades Legislativas comentadas Página 10 .

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