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MANUAL MERCK - EDIÇÃO DE SAÚDE PARA A FAMÍLIA

MANUAL MERCK - EDIÇÃO DE SAÚDE PARA A FAMÍLIA

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MANUAL

MERCK

EDIÇÃO DE SAÚDE PARA A FAMÍLIA

NINGUÉM PODE VOLTAR ATRÁS E FAZER UM NOVO COMEÇO, MAS QUALQUER UM PODE COMEÇAR AGORA E FAZER UM NOVO FIM."(Chico Xavier).

Secção 1 Fundamentos • 1 -Anatomia • 2 -Genética • 3 -O Envelhecimento • 4 -Morte e Agonia • Secção 2 Fármacos • 5 -Generalidades sobre os fármacos • 6 -Administração, distribuição e eliminação de um fármaco • 7 -Farmacodinamia • 8 -Factores que afectam a resposta do organismo • 9 -Fármacos e envelhecimento • 10 -Reacções adversas aos fármacos • 11 -Cumprir o tratamento farmacológico • 12 -Medicamentos genéricos • 13 -Medicamentos sem prescrição médica • Secção 3 Doenças cardiovasculares • 14 -Biologia cardiovascular • 15 -Diagnóstico das doenças cardíacas • 16 -Arritmias Cardíacas • 17 -Insuficiência cardíaca • 18 -Miocardiopatia • 19 -Valvulopatias • 20 -Tumores do coração • 21 -Endocardite • 22 -Doenças do pericárdio • 23 -Hipotensão arterial • 24 -Choque • 25 -Hipertensão arterial • 26 -Aterosclerose • 27 -Doenças das artérias coronárias • 28 -Doenças das artérias periféricas • 29 -Aneurismas da aorta e dissecção aórtica • 30 -Perturbações das veias e dos linfáticos • Secção 4 Doenças do aparelho respiratório • 31 -Biologia dos pulmões e das vias respiratórias • 32 -Provas para o diagnóstico das doenças pulmonares e das vias respiratórias • 33 -Síndroma de insuficiência respiratória aguda • 34 -Embolia pulmonar • 35 -Bronquite • 36 -Bronquiectasias e atelectasia • 37 -Doenças obstrutivas das vias respiratórias • 38 -Doenças pulmonares de origem ocupacional • 39 -Doenças alérgicas dos pulmões • 40 -Doenças inflitrativas dos pulmões • 41 -Pneumonias

• 42 -Abcesso pulmonar • 43 -Fibrose quística • 44 -Doenças da pleura • 45 -Cancro do pulmão • Secção 5 Perturbações dos ossos, articulações e músculos • 46 -Ossos, articulações e músculos • 47 -Osteoporose • 48 -Doença de Paget do osso • 49 -Tumores ósseos • 50 -Artrose • 51 -Doenças das articulações e do tecido conjuntivo • 52 -Gota e pseudogota • 53 -Infecções dos ossos e das articulações • 54 -Articulação de Charcot • 55 -Doenças dos músculos, bolsas e tendões • 56 -Afecções comuns do pé • 57 -Lesões causadas pelo desporto • 58 -Exercício e forma física • Secção 6 Doenças do cérebro e do sistema nervoso • 59 -Biologia do sistema nervoso • 60 -Exame neurológico e provas diagnósticas • 61 -Dor • 62 -Dor de cabeça (cefaleia) • 63 -Vertigem • 64 -Perturbações do sono • 65 -Debilidade muscular • 66 -Distrofia muscular e perturbações afins • 67 -Perturbações do movimento • 68 -Esclerose múltipla e perturbações afins • 69 -Doenças da medula espinhal • 70 -Doenças dos nervos periféricos • 71 -Doenças dos nervos cranianos • 72 -Perturbações do olfacto e paladar • 73 -Doenças convulsivas • 74 -Doença vascular cerebral e perturbações afins • 75 -Traumatismos cranianos • 76 -Delírio e demência • 77 -Estupor e coma • 78 -Infecções do cérebro e da medula espinhal • 79 -Tumores do sistema nervoso • Secção 7 Perturbações mentais • 80 -Visão geral da assistência em saúde mental • 81 -Perturbações psicossomáticas • 82 -Perturbações somatoformes • 83 -Ansiedade

• 84 -Depressão e mania • 85 -Comportamento suicida • 86 -Alterações do apetite • 87 -Perturbações sexuais e psicosexuais • 88 -Perturbações da função sexual • 89 -Alterações da personalidade • 90 -Perturbações dissociativas • 91 -Esquizofrenia e delírio • 92 -Dependência e toxicomania Secção 8 Doenças da boca e dos dentes • 93 -Doenças dos lábios, da boca e da língua • 94 -Doenças dos dentes • 95 -Doenças periodontais • 96 -Alterações da articulação temporomaxilar • 97 -Urgências dentárias • 98 -Cancro e outros tumores da boca Secção 9 Perturbações gastrointestinais • 99 -Biologia do aparelho digestivo • 100 -Provas diagnósticas para as perturbações gastrointestinais • 101 -Doenças do esófago • 102 -Doenças do estômago e do duodeno • 103 -Doenças do ânus e do recto • 104 -Doenças do pâncreas • 105 -Indigestão • 106 -Gastrenterite • 107 -Perturbações do trânsito intestinal • 108 -Doenças inflamatórias do intestino • 109 -Colite associada ao uso de antibióticos • 110 -Síndromas da má absorção • 111 -Doença diverticular • 112 -Urgências gastrointestinais • 113 -Cancro e outros tumores do aparelho digestivo Secção 10 Perturbações do fígado e da vesícula biliar • 114 -Biologia do fígado e da vesícula biliar • 115 -Exames para o diagnóstico das perturbações do fígado e da vesícula biliar • 116 -Manisfestações clínicas das doenças hepáticas • 117 -Fígado gordo, cirrose e doenças afins • 118 -Hepatite • 119 -Perturbações vasculares do fígado • 120 -Tumores hepáticos • 121 -Alterações da vesícula biliar Secção 11 Perturbações do rim e das vias urinárias • 122 -Funcionamento dos rins e das vias urinárias • 123 -Insuficiência renal • 124 -Nefrite

• 125 -Perturbações dos vasos sanguíneos renais • 126 -Perturbações metabólicas e congénitas do rim • 127 -Infecções das vias urinárias • 128 -Obstrução das vias urinárias • 129 -Bexiga neurogénica • 130 -Incontinência urinária • 131 -Lesões das vias urinárias • 132 -Tumores e cancros dos rins e das vias urinárias Secção 12 Perturbações da nutrição e do metabolismo • 133 -A nutrição • 134 -Malnutrição • 135 -Vitaminas e minerais • 136 -Equilíbrio da água • 137 -Equilíbrio do sal • 138 -Equilíbrio ácido-básico • 139 -Alterações do colestrol e outras gorduras • 140 -Obesidade • 141 -Porfirias • 142 -Amiloidose Secção 13 Perturbações hormonais • 143 -Sistema endócrino e hormonas • 144 -Perturbações da hipófise • 145 -Perturbações da glândula tiróide • 146 -Perturbações das glândulas supra-renais • 147 -Diabetes mellitus • 148 -Hipoglicemia • 149 -Síndromas de neoplasia endócrina múltipla • 150 -Síndromas de deficiência poliglandular • 151 -Carcinóide Secção 14 Perturbações do sangue • 152 -Biologia do sangue • 153 -Transfusão de sangue • 154 -Anemias • 155 -Perturbações hemorrágicas • 156 -Perturbações dos glóbulos brancos • 157 -Leucemias • 158 -Linfomas • 159 -Perturbações das células plasmáticas • 160 -Perturbações mieloproliferativas • 161 -Perturbações do baço Secção 15 Cancro • 162 -Causas e riscos do cancro • 163 -O cancro e o sistema imunitário • 164 -Diagnóstico do cancro • 165 -Complicações do cancro

• 166 -Tratamento do cancro • Secção 16 Doenças do sistema imunitário • 167 -Biologia do sistema imunitário • 168 -Doenças devidas a imunodeficiência • 169 -Reacções alérgicas • 170 -Transplante • Secção 17 Infecções • 171 -Biologia das doenças infecciosas • 172 -Imunizações para evitar a infecção • 173 -Fármacos anti-infecciosos • 174 -Infecções da pele e do tecido celular subcutâneo • 175 -Abcessos • 176 -Bacteriemia e choque séptico • 177 -Infecções por bacilos • 178 -Infecções causadas por cocos • 179 -Infecções por espiroquetas • 180 -Infecções causadas por bacterias anaeróbias • 181 -Tuberculose • 182 -Lepra • 183 -Infecções causadas por rickettsias • 184 -Infecções por parasitas • 185 -Infecções por fungos • 186 -Infecções virais • 187 -Infecção pelo vírus da imunodeficiência • 188 -Infecções em pessoas com as defesas diminuídas • 189 -Doenças de transmissão sexual • Secção 18 Doenças da pele • 190 -Biologia da pele • 191 -Medicação tópica para a pele • 192 -Comichão (prurido) • 193 -Doenças cutâneas superficiais • 194 -Dermatite • 195 -Inflamação da pele • 196 -Doenças bolhosas • 197 -Úlceras por pressão • 198 -Perturbações da sudação • 199 -Perturbações das glândulas sebáceas • 200 -Alterações capilares • 201 -Infecções bacterianas da pele • 202 -Infecções micóticas da pele • 203 -Infecções parasitárias da pele • 204 -Infecções virais da pele • 205 -Radiação solar e lesões na pele • 206 -Alterações da pigmentação • 207 -Tumores cutâneos benignos

• 208 -Cancros da pele Secção 19 Doenças do ouvido do nariz e da garganta • 209 -Ouvidos, nariz e garganta • 210 -Perda da audição e surdez • 211 -Doenças do ouvido externo • 212 -Doenças do ouvido médio e do ouvido interno • 213 -Doenças do nariz e dos seios perinasais • 214 -Doenças da garganta • 215 -Cancros da cabeça e do pescoço Secção 20 Perturbações oculares • 216 -Os olhos e a visão • 217 -Perturbações da refracção • 218 -Lesões oculares • 219 -Doenças da cavidade ocular • 220 -Doenças das pálpebras e das glândulas • 221 -Doenças da conjuntiva • 222 -Doenças da córnea • 223 -Cataratas • 224 -Doenças da úvea • 225 -Doenças da retina • 226 -Glaucoma • 227 -Doenças do nervo óptico Secção 21 Problemas de saúde do homem • 228 -Aparelho reprodutor masculino • 229 -Doenças do pénis, da próstata • 230 -Impotência Secção 22 Problemas de saúde da mulher • 231 -Aparelho reprodutor feminino • 232 -Hormonas e reprodução • 233 -Menopausa • 234 -Problemas ginecológicos habituais • 235 -Hemorragia uterina ausente ou anormal • 236 -Síndroma do ovário poliquístico • 237 -Endometriose • 238 -Afecções da mama • 239 -Cancros do aparelho reprodutor feminino • 240 -Esterilidade • 241 -Planeamento familiar • 242 -Provas de detecção de anomalias genéticas • 243 -Gravidez • 244 -Gravidez de alto risco • 245 -Complicações da gravidez • 246 -Doenças que podem complicar a gravidez • 247 -A administração de fármacos durante a gravidez • 248 -Parto

• 249 -Complicações do parto • 250 -Período pós-parto Secção 23 Problemas de saúde na infância • 251 -Recém-nascidos e lactentes normais • 252 -Problemas em recém-nascidos e lactentes • 253 -Infecções dos recém-nascidos e dos lactentes • 254 -Anomalias congénitas • 255 -Atraso mental • 256 -As crianças doentes e suas famílias • 257 -Problemas de desenvolvimento na infância • 258 -Puberdade e problemas na adolescência • 259 -Infecções bacterianas • 260 -Infecções virais • 261 -Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana • 262 -Infestação por oxiúros • 263 -Perturbações provavelmente causadas por uma infecção • 264 -Cancro na infância • 265 -Perturbações gastrointestinais • 266 -Doenças da nutrição • 267 -Perturbações metabólicas • 268 -Doenças hormonais • 269 -Perturbações musculosqueléticas • 270 -Paralisia cerebral • 271 -Perturbaçoes dos ouvidos, nariz e garganta • 272 -Perturbações oculares • 273 -Perturbações da saúde mental • 274 -Abuso de menores e negligência • 275 -Intoxicações • 276 -Traumatismos Secção 24 Acidentes e lesões • 277 -Queimaduras • 278 -Lesões causadas pela corrente eléctrica • 279 -Lesões causadas pela radiação • 280 -Alterações produzidas pelo calor • 281 -Lesões produzidas pelo frio • 282 -Mal da montanha • 283 -Sufocação parcial • 284 -Lesões causadas pela imersão • 285 -Viagens aéreas e seus problemas médicos • 286 -Intoxicações • 287 -Mordeduras e picadas venenosas Apêndices • I. -Apêndice I. • II. -Apêndice II. Ficha técnica • I. -Direcção

• II. -Comité Editorial • III. -Autores • IV. -Edição Portuguesa Anatomia A biologia é a ciência que trata dos seres vivos e inclui a anatomia e a fisiologia. A anatomia estuda as estruturas do organismo e a fisiologia estuda as suas funções. Uma vez que a estrutura dos seres vivos é muito complexa, a anatomia abrange desde as componentes mais pequenas das células até aos órgãos maiores, assim como a relação destes com os outros órgãos. A anatomia geral estuda os órgãos tal como aparecem durante uma inspecção visual ou uma dissecação. Por outro lado, a anatomia celular estuda as células e as suas componentes através do uso de aparelhos específicos como os microscópios; também utiliza outras técnicas especiais para a sua observação. Células Apesar de as células serem consideradas como a unidade mais pequena dos organismos ainda vivos, são constituídas por elementos menores, cada um deles dotado de uma função própria. O tamanho das células humanas é variável, embora seja sempre microscópico; um óvulo fecundado é a célula maior, e no entanto é tão pequena que não é perceptível pelo olho humano. As células humanas estão envolvidas por uma membrana que as mantém unidas; não se trata de um simples invólucro, uma vez que esta membrana tem receptores que permitem às diversas células identificarem-se entre si. Além disso, estes receptores são capazes de reagir na presença de substâncias produzidas pelo organismo, assim como na de fármacos introduzidos nele, e devido a esta característica podem seleccionar as substâncias ou os medicamentos que entram na célula ou saem dela. As reacções, que ocorrem frequentemente nos receptores, alteram e controlam as funções celulares. Dentro da membrana celular existem duas componentes principais: o citoplasma e o núcleo. O primeiro contém estruturas que consomem e transformam a energia e dirigem as funções da célula; o segundo contém o material genético da célula e as estruturas que controlam a sua divisão e reprodução. São muitas e muito diversas as células que constituem o organismo e cada uma é dotada de estrutura e de vida próprias. Algumas, como os glóbulos brancos, movem-se livremente sem aderir a outras células; pelo contrário, as células musculares estão firmemente unidas entre si. As da pele dividem-se e reproduzem-se com rapidez; as nervosas, pelo contrário, nunca se reproduzem. Do mesmo modo, determinadas células, sobretudo as glandulares, têm como função principal a produção de substâncias complexas como hormonas ou enzimas. Por exemplo, as células da mama produzem leite; as do pâncreas, insulina; as do revestimento dos pulmões, muco e as da boca, saliva. Por último, existem outras células cuja função primordial não é a produção de substâncias, como as células que se encarregam da contracção, tanto dos músculos como do coração. Acontece o mesmo com as células nervosas que conduzem impulsos eléctricos e permitem a comunicação entre o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e o resto do organismo. Interior do corpo

Interior da célula Embora existam diferentes tipos de células, a maioria possui as mesmas componentes. Uma célula consta de um núcleo, de um citoplasma e da membrana celular; esta constitui o seu limite e regula as trocas com o exterior. O núcleo controla a produção de proteínas e contém cromossomas, o material genético da célula, e um nucléolo que produz ribossomas. O citoplasma é um material fluido com organitos, os quais são considerados os órgãos da célula. Por seu lado, o retículo endoplasmático transporta materiais no interior da célula. Os ribossomas produzem proteínas, que são agrupadas pelo aparelho de Golgi para que

Exemplos de células diferentes

abandonem as células. As mitocôndrias geram a energia necessária para as actividades celulares. Os lisossomas contêm enzimas que podem decompor as partículas que entram na célula. Por exemplo, certos glóbulos brancos (uma variedade das células do sangue) ingerem as bactérias que depois destroem os enzimas lisossómicos. Por último, os centríolos participam na divisão da célula.

Tecidos e órgãos Chama-se tecido a um agrupamento de células relacionadas entre si, embora não idênticas, que formam um conjunto para levar a cabo funções específicas. Quando se analisa uma amostra de tecido (biopsia) ao microscópio, observam-se diversos tipos de células, embora o interesse do médico incida num determinado tipo. O tecido conectivo resistente e frequentemente fibroso tem a função de manter a estrutura corporal unida e dar-lhe suporte. Encontra-se em quase todos os órgãos embora a maior parte se encontre na pele, nos tendões e nos músculos. As características do tecido conectivo e dos tipos de células que ele contém variam segundo a sua localização. Os órgãos desempenham as funções do organismo e cada órgão é provido de uma estrutura diferenciada capaz de desenvolver funções específicas. É o caso do coração, dos pulmões, do fígado, dos olhos e do estômago. Tecidos diferentes e, portanto, células diferentes, intervêm na constituição de um órgão. O coração é formado por tecido muscular que ao contrair-se provoca a circulação do sangue; também é constituído por tecido fibroso que forma as válvulas e por células especiais que controlam a frequência e o ritmo cardíacos. O globo ocular é formado por células musculares que dilatam ou contraem a pupila, por células transparentes que constituem o cristalino e a córnea e por outras que produzem fluidos que ocupam o espaço entre a córnea e o cristalino. Também é formado por células fotossensíveis e células nervosas que levam os impulsos ao cérebro. Mesmo um órgão tão simples na aparência como a vesícula biliar contém células diferentes. Umas são células de revestimento interior resistentes aos efeitos irritantes da bílis, outras são as musculares, que se contraem para expulsar a bílis, e outras as que formam a parede externa fibrosa que contém a vesícula. Sistemas orgânicos Embora um órgão, em particular, desempenhe funções específicas, há órgãos que funcionam como parte de um grupo denominado sistema; é a unidade de organização em que se baseia o estudo da medicina, a classificação das doenças e a planificação dos tratamentos. Neste manual a exposição dos temas está organizada em unidades didácticas à volta deste conceito. O aparelho cardiovascular é um exemplo de um sistema. É composto pelo coração (cárdio) e pelos vasos sanguíneos (vascular). Este sistema tem a seu cargo a circulação do sangue. Outro exemplo é

o aparelho digestivo que se estende da boca ao ânus; recebe os alimentos, digere-os e elimina os resíduos pelas fezes. É formado pelo estômago, pelo intestino delgado e pelo intestino grosso, que mobilizam os alimentos. Também inclui órgãos como o pâncreas, o fígado e a vesícula biliar, os quais produzem enzimas digestivos, eliminam substâncias tóxicas e armazenam as substâncias necessárias para a digestão. O sistema musculoesquelético é formado por ossos, músculos, ligamentos, tendões e articulações que, no seu conjunto, sustentam e dão mobilidade ao corpo. A função de um sistema está relacionada com a de outros sistemas. Por exemplo, o aparelho digestivo necessita de mais sangue para cumprir as suas funções quando se ingere uma refeição abundante e para isso recorrerá aos sistemas cardiovascular e nervoso. Neste caso, os vasos sanguíneos do aparelho digestivo dilatam-se para transportar mais sangue, ao mesmo tempo que o cérebro recebe impulsos nervosos indicando-lhe que há um aumento de trabalho. Mais ainda, o aparelho digestivo estimula de forma directa o coração através de impulsos nervosos e de substâncias químicas libertadas na corrente sanguínea. O coração responde com maior irrigação sanguínea; o cérebro, por seu lado, reduz a sensação de apetite, aumenta a de saciedade e diminui o interesse por actividades que pressuponham um gasto energético. A comunicação entre órgãos e sistemas é fundamental uma vez que permite regular o funcionamento de cada órgão de acordo com as necessidades gerais do organismo. O coração deve saber se o corpo está em repouso para reduzir o ritmo cardíaco e aumentá-lo quando os órgãos requerem mais sangue. Os rins necessitam de saber se existe um excesso ou uma deficiência de líquido no organismo, para proceder à sua eliminação pela urina ou à sua conservação quando o corpo está desidratado. As constantes biológicas mantêm-se graças à comunicação. Graças a este equilíbrio, que se denomina homeostase, não existe nem excesso nem defeito no funcionamento dos órgãos e cada um facilita as funções dos outros. A comunicação necessária para a homeostase produz-se através do sistema nervoso ou através de estímulos de substâncias químicas. A complexa rede de comunicação que regula as funções corporais é controlada, na sua maioria, pelo sistema nervoso autónomo. O sistema funciona sem que a pessoa tenha consciência disso e sem que se aperceba de um sinal evidente de que ele está a actuar. As substâncias químicas utilizadas na comunicação denominam-se transmissores. As hormonas são transmissores produzidos por um órgão, que viajam para outros órgãos através do sangue. Os transmissores que conduzem as mensagens para diferentes partes do sistema nervoso denominam-se neurotransmissores. A hormona adrenalina é um dos transmissores mais conhecidos. Quando alguém se encontra, repentinamente, perante uma situação de stress ou de medo, o cérebro envia uma mensagem para as glândulas supra-renais para que de imediato libertem a adrenalina; esta substância química põe rapidamente o organismo em estado de alerta para que possa reagir de maneira adequada ao estímulo. O coração bate mais rapidamente e com mais intensidade, as pupilas dilatam-se para receber mais luz, a respiração acelera-se e a actividade do aparelho digestivo diminui para permitir que chegue mais sangue aos músculos. O efeito é rápido e intenso. Outras comunicações químicas são menos espectaculares, mas igualmente eficazes. A este respeito, quando o corpo se desidrata e portanto necessita de mais água, diminui o volume de sangue que circula pelo sistema cardiovascular. Esta diminuição é percebida pelos receptores das artérias do pescoço que respondem enviando impulsos através dos nervos para a hipófise, uma glândula situada na base do cérebro que, então, produz a hormona antidiurética, a qual, por sua vez, estimula o rim para que diminua a produção de urina e retenha mais água. Simultaneamente, a sensação de sede que é percebida pelo cérebro estimula a ingestão de líquidos. Além disso, o corpo é dotado de um grupo de órgãos, o sistema endócrino, cuja função é a de produzir hormonas que regulam o funcionamento dos outros órgãos. A glândula tiróide produz a

hormona tiroideia que controla o ritmo metabólico (velocidade das funções químicas do corpo), o pâncreas produz a insulina, que controla o consumo dos açúcares, e as glândulas supra-renais produzem a adrenalina, que estimula vários órgãos e prepara o organismo para enfrentar o stress.

Principais sistemas de órgãos Sistema Órgãos do sistema Coração Cardiovascular Vasos sanguíneos (artérias, capilares, veias Nariz Boca Faringe Respiratório Laringe Traqueia Brônquios Pulmões Pele Pele Músculos Tendões e ligamentos Muscoloesquelético Ossos Articulações Glóbulos vermelhos e plaquetas Plasma (parte líquida do sangue) Medula óssea (onde se produzem as células sanguíneas) Circulatório Baço Timo Boca Esófago Estômago Intestino delgado Digestivo Intestino grosso Fígado Vesícula biliar Pâncreas (a parte que produz enzimas) Glândula tiroideia Glândula paratiroideia Endócrino Glândulas supra-renais Pâncreas (a parte que produz insulina) Rins Uréter Urinário Bexiga Uretra Reprodutor masculino Pénis Próstata Vesículas seminais Canais deferentes

Reprodutor feminino

Testículos Vagina Colo do útero Útero Trompas de Falópio Ovários

Barreiras externas e internas Por estranho que pareça, não é fácil definir o que é que está dentro ou fora do corpo uma vez que este tem várias superfícies. A pele, como tal, é na realidade um sistema que forma uma barreira que impede a entrada de substâncias nocivas para o organismo. Embora coberto por uma camada de pele fina, o canal auditivo é considerado como uma parte interna do corpo porque penetra em profundidade na cabeça. O aparelho digestivo é um tubo comprido que começa na boca, serpenteia ao longo do corpo e desemboca no ânus; não é fácil determinar se os alimentos que se absorvem parcialmente à medida que passam por este tubo se encontram dentro ou fora do corpo. De facto, os nutrientes e os líquidos não estão no interior do organismo até ao momento em que são absorvidos e entram na corrente sanguínea. O ar entra pelo nariz e pela garganta, passando pela traqueia até às ramificações extensas das vias respiratórias pulmonares (brônquios). Poder-se-ia perguntar até que ponto este sistema de condução deixa de ser exterior para se tornar interior, uma vez que o oxigénio que está dentro dos pulmões só é útil para o corpo quando passa para a corrente sanguínea. Para isso, o oxigénio tem de atravessar uma camada fina de células que revestem os pulmões e que actuam como barreira contra os vírus e as bactérias que o ar inspirado contém, tais como os gérmenes da tuberculose. No entanto, estes microrganismos não causam perturbações, a menos que penetrem nas células ou na corrente sanguínea. A maioria dos organismos infecciosos não causam doenças graças a vários mecanismos de protecção que os pulmões têm, como os anticorpos que combatem os resíduos das vias respiratórias. Além de separar o exterior do interior, as superfícies do corpo mantêm no seu lugar as substâncias e as estruturas do corpo, fazendo com que funcionem correctamente. É evidente que os órgãos internos não flutuam num charco de sangue, mas este circula normalmente dentro de vasos sanguíneos. Se o sangue sai dos vasos sanguíneos para outras partes do corpo (hemorragia), podem produzir-se lesões graves, e não só porque deixa de levar oxigénio e nutrientes aos tecidos. Por exemplo, uma hemorragia muito pequena no cérebro destrói parte do tecido cerebral, uma vez que não pode espalhar-se para além dos limites do crânio; em contrapartida, uma quantidade semelhante de sangue no abdómen não destrói os tecidos. A saliva é importante na boca, mas pode causar danos significativos se for aspirada pelos pulmões. O ácido clorídrico produzido pelo estômago raramente produz danos neste órgão, mas pode queimar e lesionar o esófago se fluir na direcção contrária. Também pode causar danos a outros órgãos se se escapar através da parede do estômago. Por último, as fezes, a parte não digerida dos alimentos que é expulsa pelo ânus, podem causar infecções perigosas quando passam através da parede do intestino para o interior da cavidade abdominal. Anatomia e doença O desenho do corpo humano é admirável. A maior parte dos órgãos dispõe de uma boa capacidade adicional ou de reserva; de facto, funcionam de forma adequada mesmo quando estão deteriorados. Por exemplo, ter-se-ia de destruir mais de dois terços do fígado antes que se produzissem

consequências graves. Uma pessoa pode sobreviver à extirpação cirúrgica de um pulmão, desde que o funcionamento do outro seja normal. No entanto, outros órgãos não podem funcionar adequadamente se forem atingidos por perturbações ligeiras. Se um icto destrói uma pequena quantidade de tecido nervoso em determinadas regiões do cérebro, a pessoa pode ficar incapacitada para falar, mover um membro ou manter o equilíbrio. Um enfarte do miocárdio destrói o tecido cardíaco e pode causar uma deterioração ligeira na sua capacidade para bombear o sangue; também pode causar a morte. Se é verdade que as doenças afectam a anatomia do organismo, também as alterações na anatomia podem causar doenças. Tumores como o cancro destroem directamente o tecido são ou comprimemno acabando por destruí-lo. Se o fluxo de sangue para um tecido for obstruído ou interrompido, este destrói-se (enfarte), como num ataque cardíaco (enfarte do miocárdio) ou num icto (enfarte cerebral). Dada a relação estreita entre a doença e as suas repercussões anatómicas, o diagnóstico e o tratamento das doenças apoiam-se principalmente nos métodos para observar o interior do corpo. Os raios X foram a primeira descoberta importante que permitiu observar o interior do corpo e examinar os órgãos sem necessidade de uma intervenção cirúrgica. A tomografia axial computadorizada (TAC) é outro avanço importante que associa os raios X ao computador. Uma TAC produz imagens pormenorizadas e bidimensionais das estruturas internas. Entre os métodos para observar as estruturas internas através da imagem importa também destacar a ecografia, baseada na utilização de ondas sonoras (ultra-sons); a ressonância magnética (RM), que se baseia no movimento dos átomos dentro de um campo magnético; a gamagrafia ou as imagens que esta proporciona graças à utilização de isótopos radioactivos (para isso são injectados no corpo elementos químicos radioactivos). Todas estas técnicas permitem observar o interior do corpo e, ao contrário da cirurgia, não são procedimentos invasivos. A anatomia neste manual Dada a importância da anatomia em medicina, quase todas as secções deste manual começam por descrever a anatomia de um determinado sistema. As ilustrações centram-se na parte da anatomia que se está a estudar.

Genética O núcleo de cada uma das células do organismo contém o denominado material genético, isto é, as espirais de ADN (ácido desoxirribonucleico) dispostas de forma complexa para formar os cromossomas. As células humanas contêm 23 pares de cromossomas (46 no total), incluindo um par de cromossomas sexuais. A molécula de ADN é uma hélice dupla e comprida, semelhante a uma escada em caracol. Os elos desta cadeia, que determinam o código genético de cada indivíduo, compõem-se de pares de quatro tipos de moléculas denominadas bases (adenina, timina, guanina e citosina). A adenina faz par com a timina e a guanina com a citosina. O código genético está escrito em tripletes, de modo que cada grupo de três elos da cadeia codifica a produção de um dos aminoácidos, os quais são as componentes que constituirão as proteínas. A hélice do ADN abre-se longitudinalmente quando uma parte desta molécula controla activamente alguma função da célula. Um ramo da hélice aberta fica inactivo enquanto o outro actua como modelo para formar um ramo complementar de ARN (ácido ribonucleico). As bases do ARN ordenam-se na mesma sequência que as bases do ramo inactivo do ADN, com a diferença de que o ARN, em vez de timina, contém uma base denominada uracilo. A cópia do ARN, chamada ARN mensageiro (ARNm), separa-se do ADN, abandona o núcleo, passa ao citoplasma da célula e une-se

aos ribossomas, onde tem lugar a biossíntese das proteínas. O ARNm transmite ao ribossoma a informação sobre a sequência de aminoácidos de que necessita para construir uma proteína específica e o ARN transportador (ARNt), um tipo de ARN muito mais pequeno, conduz os aminoácidos ao ribossoma. Cada molécula deste ARN transporta e incorpora um aminoácido à cadeia da proteína que se está a sintetizar. Um gene contém a informação necessária para construir uma proteína. Os genes variam de tamanho segundo o tamanho da proteína e ordenam-se numa sequência específica nos cromossomas. Denomina-se locus a localização de cada gene em particular. Os dois cromossomas sexuais determinam o sexo do feto. O homem tem um cromossoma sexual X e um Y; a mulher tem dois cromossomas X, dos quais só um deles é activo. O cromossoma Y contém relativamente poucos genes, mas um deles determina o sexo. Nos homens expressam-se quase todos os genes do cromossoma X, quer sejam dominantes ou recessivos. Os genes do cromossoma X denominam-se genes ligados ao sexo ou ao cromossoma X.

Inactivação do cromossoma X Dado que a mulher tem dois cromossomas X, possui o dobro de genes do cromossoma X que um homem. Em princípio este facto deveria provocar um excesso de alguns genes. De qualquer modo, julga-se que um dos dois cromossomas X de cada célula feminina se inactiva no início da vida do feto, exceptuando os cromossomas dos óvulos nos ovários. O cromossoma X inactivo (corpo de Barr) observa-se ao microscópio como uma protuberância densa no núcleo da célula. A inactivação do cromossoma X explica algumas constatações como, por exemplo, a de que o excesso de cromossomas X causa muito menos anomalias do desenvolvimento que o excesso de cromossomas não sexuais (autossómicos). Segundo parece, isto deve-se ao facto de só ficar um cromossoma X activo, qualquer que seja a dotação de cromossomas X de um indivíduo. Na mulher com três cromossomas X (síndroma do triplo X) é frequente não se manifestarem alterações físicas nem psicológicas. (Ver imagem da secção 23, capítulo 254) Pelo contrário, um cromossoma autossómico adicional (trissomia) pode ser mortal durante a primeira fase do desenvolvimento do feto. Um bebé nascido com um cromossoma autossómico adicional apresenta graves perturbações físicas e mentais. (Ver tabela da secção 23, capítulo 254) Da mesma maneira, a ausência de um cromossoma autossómico é sempre mortal para o feto mas a ausência de um cromossoma X em geral provoca perturbações menos graves (síndroma de Turner). (Ver secção 23, capítulo 254) Estrutura do ADN O ADN (ácido desoxirribonucleico) é o material genético da célula e aparece sob a forma de filamentos fracamente entrelaçados à maneira de um novelo, denominados cromatina, no núcleo de cada célula. Exactamente antes de a célula se dividir, a cromatina espiraliza-se e formam-se os cromossomas. A molécula de ADN é uma espiral dupla alongada, enrolada sobre Dupla hélice do ADN

si mesma, semelhante a uma escada de caracol. Nela, dois ramos compostos por moléculas de açúcar (desoxirribose) e de fosfatos ligam-se devido ao emparelhamento de quatro moléculas denominadas bases, que formam os degraus da escada. Nos degraus, a adenina emparelha com a timina e a guanina com a citosina. Deste modo, cada par de bases está unido por uma ligação de hidrogénio. Um gene é um segmento de ADN que tem uma função determinada e é constituído por uma sequência específica de bases.

Anomalias dos genes São bastante frequentes as anomalias de um ou de mais genes, sobretudo dos recessivos. Cada indivíduo tem de seis a oito genes recessivos anormais, os quais só provocarão um funcionamento anormal das células se existirem dois iguais. As probabilidades de que isso aconteça são escassas na população em geral; não obstante, aumentam nas crianças de pais com parentesco próximo, assim como naqueles grupos fechados que se casam entre si, como o demonstram os estudos efectuados com os membros das comunidades religiosas Amish e Menonitas. Denomina-se genótipo a dotação genética ou a informação hereditária de uma pessoa. A expressão individual do genótipo denomina-se fenótipo. Todas as características diferenciais hereditárias (traços) são codificadas pelos genes. Algumas, como a cor do cabelo, diferenciam simplesmente uma pessoa da outra e não se consideram anormais. No entanto, uma doença hereditária pode também ser o resultado de características anormais que apareçam como expressão de um gene anormal. Anomalias provocadas por um só gene Os efeitos produzidos por um gene anormal dependerão do seu carácter dominante ou recessivo e da sua possível localização num cromossoma X. Como cada gene controla a produção de uma proteína em particular, um gene anormal produziria uma proteína anormal ou então uma quantidade anormal da mesma, o que poderia causar anomalias no funcionamento da célula e, em definitivo, na aparência física ou nas funções corporais. Genes não ligados ao cromossoma X O efeito (traço) de um gene anormal dominante num cromossoma autossómico pode ser uma deformidade, uma doença, ou uma tendência para desenvolver certas doenças. Geralmente, aplicam-se os princípios seguintes à expressão de traços determinados por um gene dominante: • Os indivíduos com um traço determinado têm no mínimo um progenitor com esse traço, a menos que este seja produto de uma nova mutação.

• Com frequência, a causa dos traços genéticos anormais deve-se mais a novas mutações genéticas do que à herança dos pais. • Quando um dos progenitores tem um traço anormal que o outro não tem, cada descendente terá 50 % de probabilidades de o herdar e 50 % de não o herdar. No entanto, todos os seus filhos o terão se o progenitor com o traço anormal tiver duas cópias do gene anormal, embora esta circunstância seja muito pouco frequente. • Um indivíduo que não tem o traço anormal não é portador do gene e, embora os seus irmãos o tenham, não o poderá transmitir à sua descendência. • Tanto os homens como as mulheres têm a mesma probabilidade de ficar afectados. • A anomalia pode aparecer, e de facto habitualmente aparece, em todas as gerações. Os princípios seguintes aplicam-se a traços determinados por um gene recessivo: • Praticamente em todos os indivíduos com o traço observar-se-á que ambos os progenitores têm o gene, embora não tenham o traço. • Só em ocasiões muito raras as mutações são responsáveis pela expressão do traço. • Quando um dos progenitores possui o traço e o outro tem um gene recessivo mas não tem o traço, é provável que metade dos seus filhos tenha o traço; os outros serão portadores com um gene recessivo. Se o progenitor sem o traço não tem o gene recessivo anormal, nenhum dos seus filhos terá o traço, mas todos os seus filhos herdarão um gene anormal que poderão transmitir à sua descendência. • É provável que um indivíduo cujos irmãos tenham o traço anormal seja portador de um gene anormal, apesar de ele mesmo não ter o traço. • Tanto os homens como as mulheres têm a mesma probabilidade de serem afectados. • Geralmente a anormalidade não aparece em todas as gerações, a menos que ambos os progenitores tenham o traço. Os genes dominantes que causam doenças graves são raros e tendem a desaparecer porque os portadores, muitas vezes, estão demasiado doentes para ter filhos. No entanto há excepções como a coreia de Huntington (Ver secção 6, capítulo 67), que causa uma deterioração grave das funções cerebrais e que começa, geralmente, depois dos 35 anos. Devido a esta peculiaridade, o aparecimento de sintomas pode ser posterior ao nascimento dos filhos. É importante ter em conta que os genes recessivos só se expressam visivelmente quando se tem dois deles. Um indivíduo com um gene recessivo não tem o traço, embora seja portador do mesmo e possa inclusive transmiti-lo aos seus filhos. Hereditariedade de genes anormais recessivos Algumas doenças têm a sua origem num gene anormal recessivo. Para que a doença se transmita, o indivíduo afectado tem de receber dois genes doentes, um de cada progenitor. Se cada um dos progenitores tiver um gene anormal e outro normal, eles não sofrem da afecção, mas podem transmitir o gene anormal aos seus filhos. Cada filho tem 25 % de probabilidades de herdar dois genes anormais (e, portanto, de desenvolver a doença), 25 % de herdar dois genes normais e 50 % de herdar um normal e outro anormal (o que os torna portadores da doença, como os seus pais). Genes ligados ao cromossoma X A escassez de genes do cromossoma Y nos homens faz com que os genes do cromossoma X (ligados ao X ou ligados ao sexo), sejam eles dominantes ou recessivos, estejam quase sempre sem

par e que por isso se exprimam. Mas nas mulheres, devido ao facto de terem dois cromossomas X, aplicam-se os mesmos princípios aos genes ligados ao cromossoma X que aos genes de cromossomas autossómicos; isto é, a menos que os dois genes de um par sejam recessivos, só se expressarão os genes dominantes. No caso de um gene anormal ligado ao cromossoma X ser dominante, os homens com esta afecção transmitirão a anomalia a todas as suas filhas, mas a nenhum dos seus filhos porque estes recebem o cromossoma Y, que não possui o gene anormal. Pelo contrário, as mulheres afectadas com um só gene anormal transmitirão a anomalia a metade dos seus filhos, tanto homens como mulheres. Se um gene anormal ligado ao cromossoma X é recessivo, quase todos os que possuem o traço serão homens. Os homens só transmitem o gene anormal às suas filhas, as quais se tornam portadoras. Em contrapartida, as mães portadoras não possuem o traço, mas transmitem o gene a metade dos seus filhos homens, que geralmente o terão. Embora nenhuma das suas filhas tenha o traço, metade delas serão portadoras. O daltonismo ou incapacidade de perceber as cores vermelha e verde, perturbação causada por um gene recessivo ligado ao cromossoma X, afecta cerca de 10 % dos homens, mas é pouco habitual entre as mulheres. Nos homens, o gene que provoca o daltonismo provém de uma mãe com a mesma perturbação ou que tem uma visão normal mas é portadora do gene que o provoca. Por isso, nunca provém do pai, que é quem proporciona o cromossoma Y. É pouco frequente que as filhas de pais daltónicos tenham essa perturbação, embora sejam sempre portadoras do gene do daltonismo. Hereditariedade codominante A hereditariedade codominante caracteriza-se pela expressão de ambos os genes. Na anemia drepanocítica, por exemplo, se o indivíduo tem um gene normal e outro anormal, produz um pigmento normal e outro anómalo nos glóbulos vermelhos (hemoglobina). Genes mitocondriais anormais Dentro de cada uma das células encontram-se as mitocôndrias, estruturas minúsculas que proporcionam energia à célula e que contêm um cromossoma circular. Várias doenças, pouco frequentes, devem-se à transmissão de genes anormais que esse cromossoma mitocondrial contém. Quando um óvulo é fertilizado, só as mitocôndrias do óvulo fazem parte do feto em desenvolvimento, dado que todas as mitocôndrias do esperma são eliminadas. Como consequência, as doenças causadas pelos genes mitocondriais anormais transmitem-se pela mãe: o pai não pode transmiti-las, embora tenha genes mitocondriais anormais. Hereditariedade de genes anormais recessivos vinculados ao cromossoma X De um gene está ligado ao cromossoma X, aparece no cromossoma X e não no cromossoma Y. A doença resultante de um gene recessivo anormal ligado ao cromossoma X desenvolve-se geralmente nos homens, uma vez que estes têm um só cromossoma X. As mulheres têm dois

cromossomas X; portanto, recebem um gene normal no segundo cromossoma X. Como o gene normal é dominante, as mulheres não desenvolvem a doença. Se o pai tem um gene recessivo anormal no seu cromossoma X e a mãe tem dois genes normais, todas as suas filhas recebem um gene normal e outro anormal, tornando-as portadoras. Em contrapartida, nenhum dos filhos homens recebe o gene anormal. Se a mãe é portadora e o pai tem o gene normal, cada filho homem tem 50 % de probabilidades de receber o gene anormal da mãe. Cada filha tem 50 % de probabilidades de receber um gene anormal e outro normal (tornando-se portadoras) ou receber dois genes normais. Genes que provocam cancro As células cancerígenas podem conter oncogenes, ou seja, genes que provocam o cancro (genes tumorais). (Ver secção 15, capítulo 163) Às vezes, trata-se de versões anormais dos genes responsáveis pelo crescimento e pelo desenvolvimento que estão presentes só no feto e que em geral se desactivam de forma permanente após o nascimento. Se estes oncogenes se reactivarem mais tarde, em qualquer altura da vida, podem, como consequência, causar o cancro. Desconhece-se a causa da reactivação destes oncogenes.

Gene Não vinculado ao cromossoma X. Vinculado ao cromossoma X. Tecnologia genética

Exemplos de perturbações genéticas Dominante Recessivo Síndroma de Marfan, doença de Fibrose quística, anemia Huntington. drepanocítica. Raquitismo familiar, nefrite Daltonismo, hemofilia. hereditária.

A detecção de doenças genéticas, antes ou depois do nascimento, está a ser aperfeiçoada graças aos avanços tecnológicos; o avanço é especialmente rápido no campo relacionado com o ADN. O projecto do genoma humano, actualmente em marcha, tem como objectivo a identificação e o

traçado do mapa de todos os genes dos cromossomas humanos. O genoma é o conjunto dos genes de um indivíduo. Em cada locus de cada um dos cromossomas encontra-se um gene e a função de um certo locus, como determinar a cor dos olhos, é a mesma em todos os indivíduos. No entanto, o gene específico que está nesse lugar varia e confere a cada um as suas características individuais. Utilizam-se diversos procedimentos para obter as cópias necessárias de um gene para o seu estudo. A clonagem é o método que permite obter reproduções de um gene humano no laboratório. Habitualmente, o gene que se quer copiar é ligado ao ADN do interior de uma bactéria e, de cada vez que esta se reproduz, realiza uma cópia exacta de todo o seu ADN, incluindo o gene acrescentado. Como as bactérias se multiplicam muito rapidamente, produzem-se em pouco tempo milhões de cópias do original. Outra técnica para copiar o ADN utiliza a reacção em cadeia da polimerase (PCR). Um segmento específico de ADN, que contém um gene determinado, pode ser copiado (amplificado) mais de 200 000 vezes no laboratório em poucas horas. O ADN de uma só célula é suficiente para iniciar uma reacção em cadeia da polimerase. Para localizar um gene específico num determinado cromossoma utiliza-se uma sonda de ADN, que é um gene clonado ou copiado a que se junta um átomo radioactivo. A sonda marcada selecciona um segmento de ADN complementar e une-se a esse segmento; a sonda em questão pode detectarse, então, através de técnicas sofisticadas de fotografia. Com este procedimento diagnostica-se um bom número de doenças antes do nascimento ou depois do mesmo. No futuro é provável que as sondas genéticas sejam capazes de examinar os indivíduos e detectar a presença de doenças genéticas graves, embora nem todos os portadores do gene de uma doença possam vir a desenvolvêla. Uma técnica habitual para identificar o ADN é a prova de Southern blot, que consiste na extracção do ADN da célula do indivíduo e na sua divisão em fragmentos exactos com um enzima denominado endonuclease de restrição. Os fragmentos separam-se num gel por electroforese, colocam-se num filtro de papel e cobrem-se com uma sonda previamente marcada. A identificação do fragmento de ADN correspondente obtém-se pelo facto de que a sonda só se une à sua imagem complementar.

O Envelhecimento A esperança de vida nos países desenvolvidos aumentou de forma considerável. Por exemplo, uma criança do sexo masculino nascida em 1900 tinha uma esperança de vida de apenas 46 anos, enquanto uma nascida hoje viverá, provavelmente, mais de 72 anos. Uma criança do sexo feminino nascida em 1900 tinha uma esperança de vida de 48 anos, enquanto actualmente ela será de cerca de 79 anos. Embora seja significativo o aumento, em média, da esperança de vida, é muito pequena a alteração registada no limite máximo da idade que se pode atingir. Apesar dos avanços na genética e na medicina, ninguém parece ter conseguido ultrapassar o limite dos 120 anos. Teorias do envelhecimento Todas as espécies envelhecem e experimentam alterações consideráveis, do seu nascimento à sua morte. A partir desta evidência a ciência propõe várias teorias sobre as causas do envelhecimento, embora nenhuma tenha sido comprovada. No fim de contas, de cada teoria podem extrair-se algumas das causas pelas quais se envelhece e se morre.

Segundo a teoria da senilidade programada, os genes predeterminam a velocidade do envelhecimento de uma espécie porque contêm a informação sobre quanto tempo viverão as células. À medida que estas morrem, os órgãos começam a funcionar mal e com o tempo não podem manter as funções biológicas necessárias para que o indivíduo continue a viver. A senilidade programada contribui para a conservação da espécie uma vez que os membros mais velhos morrem à velocidade requerida para dar lugar aos jovens. Por outro lado, a teoria dos radicais livres expõe que a causa do envelhecimento das células é o resultado das alterações acumuladas devido às contínuas reacções químicas que se produzem no seu interior. Durante estas reacções formam-se os radicais livres, substâncias tóxicas que acabam por danificar as células e causar o envelhecimento. A gravidade da afecção aumenta com a idade, até que várias células não podem funcionar normalmente ou se destroem e, quando isso ocorre, o organismo morre. As diversas espécies envelhecem a um ritmo diferente segundo a produção e a resposta por parte das células aos radicais livres.

Como se altera o corpo com a idade? Diminui a quantidade de sangue que flui para os rins, o fígado e o cérebro. A capacidade dos rins para depurar toxinas e fármacos diminui. Constata-se uma menor capacidade do fígado para eliminar as toxinas e metabolizar a maioria dos fármacos. A frequência cardíaca máxima diminui, mas a frequência em repouso não sofre alterações. Diminui o volume máximo de sangue que passa através do coração. Diminui a tolerância à glicose. Diminui a capacidade pulmonar. Observa-se um aumento da quantidade do ar remanescente nos pulmões (depois de espirrar). A resistência às infecções é menor. Alterações corporais Com a idade alteram-se vários aspectos perceptíveis no corpo humano. A primeira indicação de envelhecimento talvez apareça quando o olho tem dificuldade em focar os objectos próximos (presbitia). Por volta dos 40 anos para muita gente é, geralmente, difícil ler sem usar óculos. A capacidade auditiva também se altera com a idade, sendo frequente a perda de certa capacidade para ouvir os sons mais agudos (hipoacusia). Daí que as pessoas mais idosas possam considerar que a música do violino já não soa tão emocionante como quando eram jovens; também, ao não perceber a tonalidade aguda da maior parte das consoantes fechadas, podem pensar que os outros estão a murmurar. Na maioria dos indivíduos a proporção de gordura corporal aumenta com a idade mais de 30 %. A sua distribuição também varia. De facto, há menos gordura por debaixo da pele e mais na zona abdominal e, consequentemente, a pele torna-se mais fina, enrugada e frágil, e a forma do corpo também se altera. Por isso, não é surpreendente que, com a idade, diminuam quase todas as funções internas, cujo pico máximo de eficácia se situa na faixa dos 30 anos. A partir dessa idade inicia-se uma perda gradual mas contínua. Apesar dessa perda, a maioria das funções continuam a ser adequadas durante o resto da vida porque a capacidade funcional de quase todos os órgãos é superior à que o corpo

necessita (reserva funcional). Por exemplo, embora se destrua metade do fígado, o tecido hepático restante é suficiente para manter um funcionamento normal. Geralmente, são as doenças, mais do que o envelhecimento normal, que explicam a perda da capacidade funcional na velhice. Ainda assim, a diminuição das funções incide na predisposição dos idosos para sofrer os efeitos adversos dos fármacos, as alterações ambientais, o efeito das substâncias tóxicas e as doenças. Embora a qualidade de vida se altere pouco com a diminuição das funções de alguns órgãos, a deterioração de certos órgãos pode afectar seriamente a saúde e o bem-estar. Por exemplo, na velhice a quantidade de sangue que o coração pode bombear quando o corpo está em repouso não se reduz demasiado; em contrapartida, quando o esforço é máximo, a diminuição que se verifica é significativa. Isto implica que os atletas mais velhos não sejam capazes de competir com os atletas mais jovens. Por outro lado, as alterações no funcionamento do rim podem afectar gravemente a capacidade das pessoas mais velhas para eliminar certos fármacos do organismo. (Ver secção 2, capítulo 9) Em geral, é difícil determinar quais são as alterações que se relacionam com o envelhecimento e quais as que dependem do estilo de vida que cada indivíduo levou. Vários órgãos podem sofrer danos maiores que os causados pelo envelhecimento, como no caso das pessoas que levam um estilo de vida sedentário, uma dieta inadequada, que fumam e abusam do álcool e das drogas. Os indivíduos expostos a substâncias tóxicas podem experimentar uma quebra mais acentuada ou mais rápida em alguns órgãos, especialmente os rins, os pulmões e o fígado. Os indivíduos que trabalharam em ambientes ruidosos terão mais probabilidades de perder a capacidade auditiva. Podem evitar-se algumas alterações se se adoptar um estilo de vida mais saudável. Por exemplo, deixar de fumar em qualquer idade melhora o funcionamento dos pulmões e diminui as probabilidades de um cancro no pulmão, assim como a actividade física ajuda a manter em forma os músculos e os ossos.

Perturbações que afectam principalmente as pessoas de idade avançada Doença ou alteração Explicação Doença de Alzheimer e outras Perturbações do cérebro que provocam uma perda demências progressiva da memória e de outras funções cognitivas. Úlceras por pressão Úlceras da pele devido a uma pressão prolongada. Aumento de volume da próstata (nos homens) que obstrui Hiperplasia prostática benigna o fluxo de urina. Cataratas Opacidade do cristalino do olho que impede a visão. Leucemia linfática crónica Um tipo de leucemia. Às vezes não é necessário um tratamento com insulina Diabetes, tipo II (começo no adulto). neste tipo de diabetes. Aumento da pressão numa das câmaras do olho que pode Glaucoma diminuir a visão e causar cegueira. É um grupo de doenças diversas caracterizadas pela Gamapatias monoclonais proliferação de um tipo específico de células que produzem grandes quantidades de imunoglobulina. Degenerescência da cartilagem das articulações que Artrose produz dor.

Osteoporose Doença de Parkinson Cancro da próstata Herpes zoster Icto Incontinência urinária Consequências das doenças

Perda de cálcio dos ossos que os torna frágeis e aumenta o risco de fracturas. Doença degenerativa e progressiva do cérebro que causa tremor, rigidez muscular, dificuldade nos movimentos e desequilíbrio. Cancro na glândula prostática (nos homens). Uma recidiva do vírus latente da varicela que causa uma erupção na pele e pode provocar dor durante muito tempo. Obstrução ou ruptura de um vaso sanguíneo do cérebro que provoca falta de forças, perda da sensibilidade, dificuldade em falar e outros problemas neurológicos. Diminuição ou perda da capacidade de continência urinária.

A geriatria é a especialidade médica que se ocupa das pessoas de idade avançada e das doenças de que sofrem, e a gerontologia é o estudo do envelhecimento. Não existe uma idade específica que transforme o indivíduo em «ancião», embora esta se estabeleça frequentemente nos 65 anos, por ser a idade habitual da reforma. Algumas doenças, denominadas às vezes síndromas geriátricas ou doenças geriátricas, apresentamse quase exclusivamente em adultos de idade avançada. Pelo contrário, outras perturbações afectam os indivíduos de todas as idades, embora na velhice sejam mais frequentes ou mais graves, ou possam causar sintomas ou complicações diferentes. As pessoas mais velhas sofrem a doença de uma maneira diversa da dos adultos mais jovens, e inclusive podem ter sintomas diferentes. Por exemplo, a diminuição da função tiroideia causa, geralmente, um aumento de peso e uma sensação de preguiça nas pessoas mais jovens. Nos mais velhos o hipotiroidismo pode também provocar confusão, que, por erro, se pode diagnosticar como demência. Pelo contrário, uma glândula tiroideia hiperactiva provoca, frequentemente, inquietação e perda de peso nos jovens; mas nos mais velhos é causa de sonolência, introversão, depressão e confusão. No jovem adulto, a depressão aumenta a propensão ao choro, à introversão e à tristeza. No entanto, nas pessoas de idade avançada a depressão pode causar confusão, perda da memória e apatia, sintomas que podem ser interpretados, por erro, como os da demência. O falecimento das pessoas mais velhas já não se verifica por afecções agudas como um enfarte cardíaco, uma fractura da bacia ou uma pneumonia. Hoje, estas doenças podem ser tratadas e controladas mesmo que sejam incuráveis. Uma afecção crónica não implica necessariamente a invalidez: de facto, muitos doentes podem continuar as suas actividades e não depender dos outros apesar de ter diabetes, alterações renais, doenças do coração e outras doenças crónicas. Os factores socioeconómicos modificam, com frequência, a forma como as pessoas mais velhas procuram e recebem cuidados médicos; muitas vezes, tendem a ocultar os problemas quando são pouco importantes; ou não solicitam atenção médica senão quando as perturbações se tornam bastante mais graves. Na idade avançada, têm tendência para sofrer de mais de uma doença ao mesmo tempo, e cada doença pode influir nas outras. Por exemplo, a depressão pode piorar a demência e a diabetes pode agravar uma infecção. Também é frequente que, devido aos factores sociológicos, as doenças se compliquem em pessoas

de idade avançada. Este grupo de pessoas pode deprimir-se se a afecção implicar uma perda de independência temporária ou permanente e, como consequência, necessitar de cuidados frequentes por parte dos serviços sociais, assim como de ajuda psicológica. Daí que os geriatras recomendem, muitas vezes, os tratamentos multidisciplinares sob a direcção de um médico principal, que, por sua vez, conta com a colaboração de uma equipa de pessoal sanitário composto por médicos, enfermeiras, assistentes sociais, terapeutas, farmacêuticos e psicólogos, os quais planificam e aplicam o tratamento correspondente. Morte e Agonia Há um século, a maioria das pessoas falecia pouco tempo depois de ter sofrido uma lesão traumática ou de contrair uma infecção grave; outras pessoas tinham pouca esperança de vida quando lhes era diagnosticado uma doença do coração ou um cancro. Assim, a morte era uma experiência familiar e, nestes casos, não se esperava mais que os cuidados paliativos por parte dos médicos. Actualmente, a morte já não é olhada como uma parte intrínseca da vida, mas como um acontecimento que se pode adiar indefinidamente. As causas principais de mortalidade nas pessoas com mais de 65 anos são: as doenças cardíacas, o cancro, o icto, a doença pulmonar obstrutiva crónica, a pneumonia e a demência. No entanto, os tratamentos médicos, em geral, prolongam a vida dos indivíduos que sofrem destas doenças, permitindo-lhes manter durante vários anos uma boa qualidade de vida e das suas funções vitais. Outras vezes, esta qualidade diminui, embora se consiga prolongar a vida do doente. De qualquer modo, é frequente que a morte constitua um facto inesperado, mesmo quando a família já sabia que uma doença grave causaria o falecimento. Quando se diz que alguém está a morrer significa, geralmente, que se espera o desenlace para dentro de horas ou de dias, embora também se aplique às pessoas de idade muito avançada e às fragilizadas ou afectadas por uma doença mortal como a SIDA. A maioria das pessoas com doenças crónicas vivem durante muitos anos, embora sofram limitações na sua actividade física, precisamente por causa de doenças como as cardíacas, alguns tipos de cancro, o enfisema, a insuficiência renal ou hepática, a doença de Alzheimer e outras perturbações mentais. Prognóstico da morte Às vezes é necessário prever quando alguém falecerá devido a uma doença crónica. Este aspecto pode ser importante uma vez que, frequentemente, o seguro de doença não cobre os cuidados paliativos para as doenças crónicas, excepto nos centros para doentes terminais. Em alguns países, para ter acesso a esses centros o prognóstico das perspectivas de vida deve ser inferior a seis meses, um período arbitrário difícil de prever com precisão. Em doentes com determinadas doenças, os médicos podem estabelecer um prognóstico bastante preciso a curto prazo, a partir das análises estatísticas de grandes grupos de doentes com processos similares. Por exemplo, podem calcular que sobrevivem e saem do hospital 5 em cada 100 doentes com um estado crítico semelhante. Mas prognosticar quanto tempo poderá sobreviver um indivíduo, em particular, é muito mais complicado. O melhor prognóstico que um médico pode fazer baseia-se num cálculo de probabilidades e na sua confiança em relação a esse cálculo. Se a probabilidade de sobrevivência é de 10 %, os interessados devem saber que existe um alto índice de probabilidades de morte e agir em consequência. É, pois, possível que um médico não possa fazer um prognóstico quando não dispõe de informação estatística ou que o faça baseando-se na sua experiência pessoal, o que será menos exacto. Alguns médicos preferem dar esperanças, descrevendo recuperações extraordinárias sem mencionar a

elevada taxa de mortalidade entre os afectados por essa mesma doença. Contudo, tanto os doentes com doenças graves como as suas famílias têm o direito a dispor de uma informação completa e do prognóstico mais realista possível. Muitas vezes tem de se escolher entre a alternativa de uma morte rápida, mas tanto quanto possível confortável, ou viver um pouco mais recebendo um tratamento agressivo. Este último pode prolongar o período de agonia, aumentar a aflição e a dependência por parte do doente e diminuir o seu bem-estar. Apesar destes inconvenientes, os doentes e os seus familiares podem pensar que se existe alguma oportunidade de sobrevivência é melhor tentar essas terapias, mesmo que a esperança de cura seja pouco realista. Quando o próprio doente moribundo ou outras pessoas no seu lugar tomam estas decisões, colocam-se questões de ordem moral, filosófica e religiosa. Durante a agonia A agonia caracteriza-se, habitualmente, por uma deterioração geral prolongada, marcada por episódios de complicações e de efeitos secundários, como acontece em alguns casos de cancro. Geralmente, durante o mês anterior à morte diminuem, de forma substancial, a energia, a actividade e o bem-estar. Observa-se um enfraquecimento visível do doente e é para todos evidente que a morte se aproxima. A agonia também segue outro curso: às vezes, um doente tratado no hospital com uma terapia agressiva em virtude de uma doença grave pode piorar de repente e só se sabe que está a morrer algumas horas ou dias antes de falecer. No entanto, é cada vez mais comum agonizar com uma lenta diminuição das capacidades e durante um longo período de tempo, às vezes com episódios de sintomas graves. As perturbações neurológicas como a doença de Alzheimer seguem este esquema, assim como o enfisema, a insuficiência hepática, a insuficiência renal e outras afecções crónicas. As doenças graves do coração provocam, com o tempo, incapacidade e causam sintomas graves de forma intermitente; mas, em geral, a morte acontece subitamente por perturbações do ritmo cardíaco (arritmia). É fundamental que tanto o doente como a sua família saibam qual será a evolução da doença para que tomem as decisões oportunas. Deste modo, quando for provável a morte por arritmia, devem estar preparados para um desenlace fatal em qualquer momento; pelo contrário, o enfraquecimento que precede a morte em casos de cancro é uma advertência de que faltam poucos dias. Como tomar decisões Para obter a melhor qualidade de vida durante uma doença mortal, deve existir uma comunicação honesta e aberta entre o médico e o doente sobre as preferências do doente quanto aos cuidados que deseja receber no final da sua vida. O médico deve informá-lo, de forma imparcial, sobre as possibilidades de recuperação e de invalidez durante os diferentes tipos de tratamento e depois dos mesmos. O doente deve tomar uma decisão, tendo em conta esta informação, e comunicá-la à sua família. Além disso, o doente deve indicar qual é o tratamento que deseja escolher, quais são os limites que deseja fixar para esse tratamento, o lugar onde quer morrer e o que espera que se faça quando a morte chegar. Para escolher um médico, a pessoa afectada deveria averiguar que cuidados é que este lhe pode oferecer no final da sua vida: Tem experiência suficiente no cuidado de doentes terminais? O médico assiste o doente até à morte em qualquer lugar, quer seja em casa, quer em centros para doentes terminais? Trata todos os sintomas (cuidados paliativos) nos momentos finais? O médico está familiarizado com os centros de assistência, a fisioterapia e os serviços de terapia ocupacional da comunidade? Quem pode ter acesso a eles, quais são as condições de pagamento e como ajudar o

doente e a sua família a obter cuidados mais constantes e intensivos quando for necessário? Um sistema de assistência médica inclui um sistema de financiamento como as apólices de seguros e a assistência administrativa, e um sistema de previsão de cuidados sanitários, como um hospital, um centro para doentes terminais e serviços de assistência ao domicílio. Os médicos, as enfermeiras, outros doentes e as suas famílias, os assistentes sociais e os inspectores podem ajudar o doente a encontrar um bom sistema de assistência médica. Para isso podem formular-se perguntas semelhantes às seguintes: • Que tratamentos estão disponíveis nesse sistema? Que informação existe sobre a sua actividade? • Como pode um doente entrar em contacto com outros doentes, ou com familiares destes, que tenham recebido tratamento no mesmo lugar? • Estão disponíveis tratamentos em período de ensaio? Como reagirão os doentes ao recebêlos? • De que maneira se efectua o pagamento desses tratamentos? Uma vez formuladas as perguntas e estudadas as respostas, os doentes e os familiares devem perguntar a seguir: • Foram sinceras as respostas às suas perguntas? • Receberão o apoio médico, emocional e financeiro necessários com esse sistema? • Ajustar-se-á às suas preferências e planos específicos? Delegação de poderes para cuidados de saúde Em alguns países utiliza-se um documento legal chamado delegação de poderes para cuidados de saúde, cujo objectivo é a designação por parte do doente de uma pessoa de confiança que o represente. Esse representante está autorizado a tomar decisões sobre a assistência médica ao doente no caso de este já não estar em condições de o fazer por si mesmo. Se o doente não nomear um representante, essas decisões são tomadas, normalmente, pelo familiar mais próximo. No entanto, em alguns actos judiciais e para tomar algumas decisões, o parente em questão deve ter a autorização dos tribunais. Com uma delegação de poderes evitam-se gastos e atrasos dos tribunais. Também é importante quando o parente mais próximonão é o representante mais adequado, ou quando a relação com o representante não está legalmente reconhecida. Instruções antecipadas e últimas vontades Um doente pode dar instruções sobre o tipo de cuidados que deseja receber antes de necessitar deles, se por alguma razão não puder decidir por si mesmo quando o caso se colocar. Tais directivas podem indicar objectivos e questões de ordem filosófica, mas devem ser mais específicas à medida que evolui a doença. Embora essas directivas possam ser registadas como «últimas vontades», geralmente é suficiente uma carta escrita pelo doente ou um documento com as suas indicações no consultório médico. Os doentes devem ter plena consciência do seu estado e das opções que têm, para que tomem decisões sobre a suas instruções antecipadas. Portanto, é necessário que falem com o médico, para que as instruções sejam específicas e úteis. Além disso, estas serão comunicadas a todo o pessoal de saúde que participa no tratamento e cuidados ao doente, pois uma falta de informação pode tornar irrelevante a orientação antecipada. Um doente que prefira morrer na sua casa e não deseje a reanimação, deve solicitar ao médico que comunique a sua vontade ao pessoal das urgências para que não o transportem para um hospital nem o submetam à reanimação. Os membros da família devem também conhecer essas decisões. A planificação do tratamento Os doentes e os seus familiares podem sentir-se anulados pela doença e pelo tratamento, como se

não tivessem nem voz nem voto em relação ao que está a acontecer. Às vezes é preferível a sensação de não ter controlo, a ter a responsabilidade das decisões. Os doentes e os seus familiares diferem no seu desejo de informação e de implicação nas decisões e devem poder decidir até que ponto se querem comprometer. A situação ideal é sentirem-se satisfeitos por terem feito o possível para manter o bem-estar do doente e a sua dignidade até à morte. O doente, a família e o pessoal de saúde devem ser realistas em relação às probabilidades de que aconteça a morte, devem dialogar sobre as complicações possíveis e planificar como enfrentá-las. No entanto, ver as coisas objectivamente é difícil quando ocorrem imprevistos e quando as reacções emotivas dificultam as decisões. Algumas decisões são menos importantes do que parecem, como a de permitir ou não a reanimação (único tratamento que se aplica automaticamente no hospital). A ordem de não proceder à reanimação tem sentido em doentes cuja morte se pode prever. No entanto, tal decisão não deve ser necessariamente uma sobrecarga para os familiares. É pouco provável que o doente obtenha algum benefício de uma reanimação assistida. De qualquer modo, a reanimação pode ser proibida nas instruções estabelecidas antecipadamente, assim como os alimentos e a água administrados por sonda (alimentação e hidratação artificiais), que nem sempre são úteis para um doente terminal. Existem outras decisões que afectam de forma substancial o doente e os seus familiares e por isso requerem a maior atenção. Por exemplo, a família pode desejar que o doente permaneça em casa, num ambiente de apoio familiar e não no hospital. A este respeito, a família deve insistir para que os médicos e o pessoal de saúde colaborem no estabelecimento de planos específicos que satisfaçam estas preferências. A hospitalização pode ser objecto de uma rejeição explícita. Quando a morte é iminente, às vezes tenta-se experimentar um último medicamento e é frequente que isto leve a uma deterioração do bem-estar do doente nos seus últimos dias. O doente e a sua família devem ser cépticos em relação a esses tratamentos. À medida que a morte se aproxima, o objectivo do tratamento deve ser paliativo, isto é, unicamente dirigido para evitar o sofrimento. Suicídio Em alguns casos, os doentes moribundos e as suas famílias consideram a possibilidade do suicídio, sobretudo desde que o debate público relacionado com este tema ganha importância. As causas destas considerações são, na sua maioria, motivadas pela solidão, pela sensação da inutilidade ou por sintomas incontroláveis. Falar do suicídio com o médico pode servir de ajuda; o médico pode aplicar um tratamento mais eficaz contra a dor, assegurar que se tem em conta e que se valoriza o doente e a sua família, e pode ajudá-los a encontrar um sentido para a vida. Mesmo assim, alguns doentes optam, infelizmente, pelo suicídio, como alívio para uma situação intolerável, ou para exercer a sua autonomia dizendo como e quando morrer. O doente pode recusar tratamentos que prolonguem a sua vida, incluindo sondas de alimentação e respiradores artificiais. Este tipo de decisões não é considerado como um suicídio.

Serviços que se devem conhecer Os serviços de apoio domiciliário são levados a cabo por pessoal especializado que administra os fármacos, avalia o estado do doente, ocupa-se de lhes dar banho e colabora noutros serviços pessoais no próprio domicílio do doente. Os serviços de apoio a doentes terminais por parte de pessoal especializado oferecem-se quando o final se aproxima. Têm cuidado especial no alívio dos sintomas e oferecem apoio psicológico e social tanto à pessoa doente como à sua família. O lugar pode ser o domicílio do doente, um centro especializado ou um hospital.

Em alguns países existe a possibilidade de o paciente ser internado num centro de cuidados terminais, quando o prognóstico de sobrevivência é inferior a um período determindo. Em muitos lugares também se pode solicitar, num serviço público autorizado, o serviço de apoio domiciliário de enfermeiras, pessoal de saúde e assistentes sociais. O serviço de apoio temporário ao domicílio, num asilo ou num centro de cuidados terminais, permite que os membros da família ou as pessoas responsáveis pelos cuidados dos doentes possam ausentar-se temporariamente, descansar ou ocupar-se de outros assuntos. A sua duração pode variar de dias a semanas, segundo o tipo de cuidados sanitários e o sistema de financiamento. As organizações com voluntários facilitam vários tipos de ajuda financeira e sanitária a pessoas doentes e às suas famílias. Geralmente, o seu objectivo são doentes com determinadas doenças. Aceitação da morte Geralmente, as pessoas recusam a ideia quando se lhes diz que morrerão por causa da sua doença; sentem-se confusas, inquietas, desgostosas ou tristes e fecham-se sobre si mesmas. Quando se superam estes sentimentos, começam a preparar-se para a morte, o que, por vezes, significa terminar um trabalho de toda uma vida, pôr em ordem coisas com a família e com os amigos e aceitar o inevitável. Para alguns doentes e seus familiares são importantes as questões de ordem espiritual e religiosa. O serviço religioso e os assistentes de saúde fazem parte da equipa terapêutica em alguns hospitais e centro de cuidados médicos, e podem facilitar ao doente e aos seus familiares a ajuda espiritual apropriada se estes não conhecerem um sacerdote ou outro conselheiro espiritual. Não é fácil preparar-se para uma morte serena e os altos e baixos emocionais são constantes. No entanto, para a maioria das pessoas é um momento de reflexão e de crescimento espiritual. Um doente moribundo e a sua família podem obter uma sensação profunda de paz, falando e esclarecendo antigos rancores. Sintomas durante uma doença mortal Muitas doenças mortais produzem sintomas semelhantes, como a dor, a falta de ar, as perturbações grastrointestinais, as lesões da pele e o esgotamento. Também podem manifestar-se depressões, ansiedade, confusão, delírio, perda de conhecimento e invalidez. Dor Existe um sentimento generalizado de receio da dor quando se tem de enfrentar a morte. No entanto, habitualmente pode controlar-se a dor, permitindo o estado de consciência do doente e que este se sinta integrado no mundo que o rodeia e cómodo. Aplicam-se diversos métodos para controlar e aliviar a dor. A radioterapia é útil nas dores causadas pelo cancro. A fisioterapia ou os analgésicos como o paracetamol e a aspirina são usados para controlar as dores mais ligeiras. Em algumas pessoas obtém-se um alívio eficaz com hipnose ou com biorretroalimentação, que não tem efeitos adversos consideráveis. Mesmo assim, é frequente recorrer-se a calmantes como a codeína e a morfina. (Ver secção 6, capítulo 61) Os sedativos administrados por via oral aliviam a dor durante várias horas; os fármacos mais fortes são administrados por injecção. Uma vez que a adição aos fármacos não constitui qualquer problema, deve administrar-se uma medicação adequada desde o início em vez de esperar que a dor atinja níveis insuportáveis. Dado que não existe uma dose habitual, alguns doentes necessitarão de doses baixas e outros de doses maiores. Dispulia

O facto de ter de lutar para respirar é uma das maneiras mais dolorosas de viver ou de morrer, mas que pode ser evitada. Existem vários métodos que ajudam a aliviar a sensação de falta de ar (dispulia); por exemplo, eliminar a acumulação de líquidos, mudar a posição do doente, dar-lhe oxigénio suplementar ou reduzir com radiações ou com corticóides um tumor que obstrui as vias respiratórias. Os sedativos facilitam a respiração dos doentes que experimentam uma falta de ar ligeira mas persistente, mesmo quando não sentem dor. A administração destes fármacos antes de se deitar pode proporcionar um repouso tranquilo ao doente, evitando que se levante com frequência devido à sensação de dispulia. Se esses tratamentos não forem eficazes, a maioria dos médicos que trabalham em centros para doentes terminais estão de acordo em administrar uma dose suficiente de sedativos, com o fim de aliviar a sensação de falta de ar do doente, mesmo que tenha de ficar inconsciente. Um doente que deseje evitar a dispulia no final da sua vida deve assegurar-se de que o médico tratará este sintoma por todos os meios, mesmo que esse tratamento o deixe inconsciente ou possa de algum modo acelerar o momento da sua morte. Perturbações gastrointestinais Essas perturbações, que são frequentes nas pessoas muito doentes, incluem secura da boca, náuseas, obstipação, obstrução intestinal e perda de apetite. Algumas destas perturbações são causadas pela própria doença, embora outras, como a obstipação, se devam aos efeitos secundários dos fármacos. A boca seca alivia-se com gazes molhadas ou com rebuçados e os lábios gretados aliviam-se com vários produtos disponíveis no mercado. Para prevenir os problemas nos dentes, deve-se escová-los ou usar esponjas bocais para limpar quer os dentes, quer o interior da boca e a língua. É aconselhável utilizar um líquido para bochechar sem álcool ou com uma pequena quantidade, dado que o álcool e os produtos derivados do petróleo são muito dessecantes. As náuseas e os vómitos podem ser devidos aos medicamentos, a uma obstrução intestinal ou ao próprio desenvolvimento da doença. Segundo as circunstâncias, o médico optará por mudar os fármacos ou receitar um antiemético (contra as náuseas). Deste modo, as náuseas produzidas por uma obstrução intestinal podem ser tratadas com antieméticos, mas também se podem aplicar outras medidas de alívio. A obstipação é uma perturbação muito desagradável. A ingestão de pouca quantidade de comida, a falta de actividade física e certos fármacos dificultam a função do intestino com a possibilidade de aparecerem contracções musculares. O uso de emolientes intestinais, de laxantes e de enemas alivia a obstipação, sobretudo quando é o resultado da administração de sedativos; esta medida de alívio é habitualmente útil, mesmo nas fases avançadas da doença. A intervenção cirúrgica é um dos tratamentos aplicados em caso de obstrução intestinal. No entanto, conforme o estado geral do doente, o tempo que lhe resta de vida e a causa da obstrução, pode ser preferível o uso de fármacos para paralisar o intestino, às vezes com uma sonda nasogástrica com aspiração para limpar o estômago. Os sedativos também aliviam a dor. A perda de apetite aparece em quase todos os doentes moribundos. De facto é normal, não causa problemas físicos adicionais e provavelmente desempenha um papel preciso durante uma agonia tranquila, embora possa angustiar o doente e a sua família. Os doentes não devem comer à força, pelo contrário, podem desfrutar comendo pequenas quantidades das suas comidas preferidas. Se não se espera uma morte eminente, dentro de horas ou de dias, pode administrar-se, durante algum tempo, uma nutrição ou uma hidratação adicionais (por via intravenosa ou através de uma sonda introduzida pelo nariz até ao estômago), para ver se uma alimentação melhor oferece ao doente mais bem-estar, mais lucidez mental ou mais energia. O doente e a família devem ter um acordo explícito com o médico sobre o que é que estão a tentar conseguir com essas medidas e quando devem cessá-las se já não forem úteis.

A redução da comida ou do consumo de líquidos não causa sofrimento. De facto, quando o coração e os rins falham, ingerir uma quantidade normal de líquidos causa, muitas vezes, a sufocação, dado que o líquido se acumula nos pulmões. Um consumo reduzido de alimentos e de líquidos pode reduzir a necessidade de aspirações devido à menor quantidade de líquidos na garganta, e também pode diminuir a dor, devido à menor pressão exercida pelos tumores. Também facilita a secreção de maiores quantidades de defesas químicas naturais contra a dor (endorfinas). Portanto, não se deve obrigar o doente a comer nem a beber, sobretudo se para isso se tem de recorrer a um tratamento intravenoso ou à hospitalização. Lesões da pele Os doentes moribundos são propensos a sofrer lesões cutâneas incómodas. A escassa mobilidade, o estar acamado ou sentado durante muito tempo, aumentam os riscos de lesão; podem inclusive verificar-se escaras ou lesões na pele pela pressão normal que se exerce sobre ela ao estar sentado ou mover-se entre os lençóis. Deve prestar-se muita atenção à protecção da pele, por isso é importante que se informe o médico de qualquer avermelhamento ou ferida. (Ver secção 23, capítulo 197) Esgotamento O esgotamento faz parte dos sintomas de quase todas as doenças mortais. É aconselhável que o doente procure poupar energias para as actividades que realmente importam. Muitas vezes, não é essencial deslocar-se ao consultório do médico ou continuar com um exercício que já não é de grande ajuda, sobretudo se isso consome as energias necessárias para outras actividades que produzam maior satisfação. Depressão e ansiedade A tristeza é uma reacção natural quando se considera o final da vida, mas não deve confundir-se com a depressão. Quando uma pessoa está deprimida pode perder o interesse pelo que acontece, ver só o aspecto triste da vida ou não sentir emoções. (Ver secção 7, capítulo 84) Tanto a família como o doente que enfrenta a fase terminal devem comunicar ao médico essas sensações, para que este possa estabelecer o diagnóstico da depressão e aplicar um tratamento adequado. Em geral, o tratamento combina fármacos e apoio psicológico e, frequentemente, tem efeitos positivos sobre o bem-estar, inclusive nas últimas semanas de vida. A ansiedade caracteriza-se por uma preocupação excessiva que interfere nas actividades diárias. (Ver secção 7, capítulo 83) A ansiedade causada pelo facto de se sentir mal informado ou abatido pode solucionar-se solicitando mais informação ou ajuda à equipa que assiste o doente. Um indivíduo que habitualmente sentia ansiedade durante períodos de stress tem mais probabilidades de sentir ansiedade quando a morte se aproxima. Neste caso podem ser úteis os tratamentos aplicados anteriormente para aliviar os efeitos da ansiedade, quer seja a administração de fármacos, quer a canalização das inquietações do doente para tarefas produtivas. Um doente moribundo, perturbado pela ansiedade, deve receber apoio psicológico e tratamento farmacológico com ansiolíticos. Confusão, delírio e perda de consciência É fácil que um doente gravemente doente fique confuso. Um fármaco, uma infecção menor ou inclusive uma alteração na maneira de viver podem precipitar a confusão. Este estado pode ser aliviado, procurando tranquilizar e orientar o doente. No entanto, deve avisar-se o médico dessa circunstância para que ele possa diagnosticar e tratar as causas da confusão. Um paciente muito confuso pode necessitar da administração de um sedativo suave ou da atenção constante de algum membro do pessoal de saúde. Uma pessoa moribunda com delírios ou que se encontre mentalmente incapacitada não entenderá o seu estado de agonia. Quando a morte está próxima, uma pessoa com delírios pode, por vezes, ter surpreendentemente períodos de lucidez. Estes episódios podem ser muito importantes para os membros da família, mas às vezes confundem-se com uma melhoria. A família deve estar preparada

para o caso de estes episódios surgirem, mas não deve confiar que apareçam. Durante os últimos dias que precedem a morte, cerca de metade das pessoas estão inconscientes a maior parte do tempo. Se os membros da família julgam que uma pessoa moribunda e inconsciente ainda pode ouvir, podem despedir-se dela como se os ouvisse. Morrer em estado de inconsciência é uma forma serena de o fazer, sobretudo se o doente e a sua família estão em paz e já elaboraram todos os planos. Invalidez As doenças mortais associam-se, muitas vezes, à invalidez progressiva. O indivíduo torna-se gradualmente incapaz de se ocupar da sua casa, de preparar a comida, de gerir os assuntos financeiros, de andar ou de cuidar de si mesmo. A maioria dos doentes moribundos necessita de ajuda nas suas últimas semanas de vida. Esta invalidez deveria ser prevista com antecedência, escolhendo talvez casas com acessos para cadeiras de rodas e perto dos familiares que lhe possam prestar os seus cuidados. Mesmo quando a invalidez evolui, existem certos serviços que facilitam a permanência do doente em casa, como a terapia ocupacional ou a fisioterapia e os cuidados ao domicílio por parte de enfermeiros. Alguns doentes escolhem ficar em casa, inclusive sabendo que é perigoso, uma vez que preferem a morte prematura a serem internados num centro hospitalar. Quando a morte está iminente Perante a perspectiva de morrer num futuro imediato, surgem perguntas acerca da origem e do significado da vida e das razões pelas quais se sofre e se morre. Não há respostas fáceis a estas perguntas fundamentais. Os doentes e os seus familiares terão de responder às suas inquietações a partir dos seus próprios recursos, da religião, dos apoios psicológico e ético e dos amigos. Podem falar e participar em actos religiosos ou familiares ou participar em actividades que tenham um significado para eles. Às vezes, sentir-se querido por outra pessoa é o antídoto mais importante contra o desespero quando a morte se aproxima. Não se devem descuidar os aspectos de maior significado e a importância das relações humanas, embora sejam muitos os diagnósticos médicos e os tratamentos que se tenham de aplicar. De modo geral é muito difícil prever o momento exacto da morte. Deve aconselhar-se aos familiares que não insistam em obter um prognóstico exacto nem confiem naqueles que possam receber. Os doentes muitos frágeis às vezes vivem alguns dias, muitos mais do que seria de esperar, em contrapartida outros morrem rapidamente. Se o doente solicitar a companhia de alguém em particular para o momento da morte, devem tomar-se as medidas necessárias para que essa pessoa esteja ali durante um tempo indefinido. Muitas vezes, aparecem sinais característicos da iminência da morte. A consciência começa a diminuir, os membros arrefecem e ganham uma coloração azulada ou com manchas e a frequência respiratória é irregular. As secreções ou o relaxamento dos músculos da garganta provocam, por vezes, uma respiração ruidosa, denominada estertor da morte, que em parte pode ser evitada, mudando a posição do doente ou usando medicamentos para secar as secreções. Esse tratamento tem como objectivo o bem-estar da família ou o dos assistentes, uma vez que a respiração ruidosa aparece quando o doente já não se apercebe dela. Este tipo de respiração pode durar horas. No momento da morte pode acontecer que alguns músculos se contraiam e que o peito exale um suspiro. O coração pode ainda bater minutos depois de se interromper a respiração e pode produzirse uma breve convulsão. A menos que o moribundo tenha uma doença infecciosa rara, deve assegurar-se aos membros da família que podem tocar-lhe, acariciá-lo e abraçá-lo ainda durante alguns momentos depois da morte. Geralmente, observar o falecido depois da sua morte é uma ajuda para os mais próximos porque lhes permite combater o medo irracional de que não tenha

realmente morrido. Depois do falecimento Uma pessoa autorizada, normalmente um médico, confirma a morte e especifica as suas causas e circunstâncias. A maneira de cumprir estes requisitos muda substancialmente conforme o país. Se o doente decide morrer na sua casa, a família deve saber com antecipação o que deve esperar e o que deve fazer. Geralmente, quando um doente está num centro hospitalar, são as enfermeiras que prestam todas as explicações. Se por alguma razão se deve chamar a polícia ou outras autoridades públicas, deve comunicar-se-lhes antecipadamente que a pessoa está a morrer no seu domicílio e que se está à espera do desenlace. Os programas dos centros de cuidados ao domicílio e de cuidados paliativos encarregam-se de prevenir as autoridades para, desse modo, poupar a família a estas situações penosas. Pelo contrário, se a família não tem relação com nenhuma destas instituições, deve solicitar ao médico ou à agência funerária as indicações sobre o que se deve fazer nestes casos. Muitas vezes, subestima-se a necessidade de uma certidão de óbito, mas ela é necessária para fazer reclamações à companhia de seguros, para obter o acesso às contas financeiras ou transferir os títulos de propriedade do defunto e para estabelecer a herança. A família deve arranjar um número suficiente de cópias. Geralmente, os familiares são renitentes a pedir ou aceitar uma autópsia. No entanto, embora esta já não possa ajudar o falecido, pode ajudar a família e outros familiares que tenham a mesma doença, pois pode aumentar o conhecimento sobre o processo que causou o falecimento. Depois da autópsia, a família prepara o corpo para o enterro ou para a cremação; as roupas que o defunto levará dissimularão as incisões efectuadas durante a autópsia. Efeito sobre a família A família e os amigos mais íntimos são «companheiros de viagem» e também sofrem. Quando a morte está próxima, deve explicar-se aos familiares o que está a acontecer e o que provavelmente acontecerá em seguida. Também é importante ter em conta as consequências da morte de um familiar. Os membros da família, muitas vezes, as mulheres adultas ou de idade avançada, proporcionam, de forma desinteressada, a maior parte da atenção necessária nos últimos momentos. Para que esta situação seja mais suportável, deve haver informação sobre a ajuda que os assistentes profissionais proporcionam. Além disso, não se deve esquecer os custos que pressupõe o facto de abandonar o emprego e também o consumo de fármacos, a assistência ao domicílio e as deslocações. Um estudo demonstrou que um terço das famílias gasta a maior parte das suas poupanças no pagamento dos cuidados de que necessita um doente grave. A família deve falar abertamente com o médico sobre os custos, insistindo numa boa relação custos/assistência, e planificar com antecipação os limites económicos que não poderá ultrapassar. A família e os entes queridos começam a afligir-se ainda antes da morte. Como refazer uma vida depois de um falecimento depende do tipo de relação que se tinha com o defunto, da sua idade, de como faleceu e dos recursos que ficam disponíveis, de ordem afectiva ou financeira. Além disso, a família necessita de estar segura de ter feito tudo o que podia fazer. Para esclarecer as dúvidas que existam a este respeito, pode ser útil falar com o médico algumas semanas depois do falecimento. Com o tempo supera-se a solidão, a desorientação e melhora a sensação de irrealidade experimentada durante o período próximo da morte, mas o sentimento de perda permanece. As pessoas não se sobrepõem a este facto, mas conseguem aceitá-lo e continuar a sua vida.

A família deve estabelecer a herança depois do falecimento. No entanto, quando a morte está iminente, é difícil discutir com o doente sobre as propriedades e a sucessão. Mas é necessário fazêlo porque, às vezes, colocam-se questões ou problemas que o doente pode resolver ou então dar solução com a assinatura antes de falecer. Generalidades sobre os fármacos Ao longo da história da humanidade têm-se utilizado remédios de origem animal ou vegetal para prevenir e curar as doenças. A procura de substâncias para combater as doenças e para modificar o humor e o estado de consciência tem sido tão prioritária como a procura de víveres e de refúgio. Vários remédios de origem animal ou vegetal são ainda muito apreciados. No entanto, a maior parte dos fármacos que se utilizam na medicina moderna são o resultado dos avanços conseguidos a partir da Segunda Guerra Mundial no campo da química orgânica sintética e da biotecnologia. Um fármaco (medicamento) é qualquer substância, diferente de um alimento ou de um artefacto, que se utiliza para o diagnóstico, o alívio, o tratamento e a cura das doenças, assim como para a prevenção das mesmas. Outras aplicações afectam a estrutura ou o funcionamento do organismo. Os anticoncepcionais orais são exemplos de fármacos que afectam a estrutura ou as funções do organismo, isto é, a sua finalidade não é interferir no processo de uma doença. Embora esta definição seja importante do ponto de vista legal, não o é tanto para as necessidades correntes. Uma definição simples mas útil de um fármaco é qualquer produto químico que afecte o organismo e o seu funcionamento. Medicamentos com e sem prescrição médica Existem duas categorias legais de fármacos: os que requerem prescrição médica e os que não a requerem. Os primeiros utilizam-se sob controlo médico e, portanto, vendem-se com uma receita passada por um profissional da medicina (por exemplo um médico, um dentista ou um veterinário). Os segundos vendem-se sem receita e a sua utilização considera-se segura sem controlo médico. Em cada país existe um organismo estatal que decide quais são os fármacos que requerem prescrição e os de venda sem receita (ou venda livre). O organismo oficial só autoriza a venda livre de um fármaco quando ao fim de muitos anos de uso sob prescrição médica demonstrou ser inócuo. É o caso do ibuprofeno, um calmante que antes requeria prescrição e que agora, em muitos países, se vende sem receita. Muitas vezes, a quantidade de princípios activos contidos nos comprimidos, nas cápsulas ou nas drageias de um fármaco vendido sem receita é muito menor do que a que contém um fármaco que necessita de prescrição. As patentes são concedidas ao inventor de um novo fármaco, garantindo os direitos exclusivos da sua fórmula durante um determinado número de anos; mas é habitual que decorram vários anos antes de ser aprovada a venda. Durante a vigência da patente considera-se que um fármaco pertence a um proprietário, em contraste com os fármacos genéricos, que não estão protegidos por uma patente. Terminado o período da patente, qualquer industrial ou distribuidor autorizado pelo organismo oficial pode comercializar o fármaco legalmente sob o seu nome genérico, mas o inventor continua a ser proprietário do nome comercial. (Ver secção 2, capítulo 12) O preço de venda das versões genéricas é habitualmente inferior ao do fármaco original.

Cura tradicional, usos modernos

da quantidade que penetra. Por esta razão. O nome químico descreve a estrutura atómica ou molecular do fármaco. Dinâmica e cinética do fármaco Na selecção e no uso dos fármacos são tidas em contas duas considerações médicas importantes: a farmacodinamia (qual é a acção dos medicamentos no organismo) e a farmacocinética (como o organismo influi nos medicamentos). suína ou produzida por Insulina engenharia genética Uroquinase Cultura de células de rim humano Ópio Dormideira O nome dos fármacos Doença tratada Insuficiência cardíaca Malária Cancro Diabetes Coágulos Dor O conhecimento do modo como se atribuem os nomes aos fármacos pode ajudar a compreender os seus rótulos. três nomes: um nome químico. Um organismo oficial atribui o nome genérico e a companhia farmacêutica produtora do fármaco dá-lhe o nome comercial: o nome escolhido será único. da velocidade com que este penetra no fluxo sanguíneo. frequentemente. O tempo necessário para o início da acção de um fármaco. da velocidade com que abandona o sangue. baixar a pressão arterial. um nome genérico (sem patente) e um nome comercial (com patente ou registado). É o caso do ópio e da morfina que durante séculos se utilizaram para aliviar a dor e o cansaço. mas geralmente é demasiado complicado para o seu uso corrente. Exige-se que as versões genéricas de um fármaco tenham os mesmos princípios activos que o original e que o corpo humano os absorva ao mesmo ritmo que faria com o fármaco original. de modo que os médicos receitem o fármaco e os consumidores o procurem pelo seu nome. é recente a descoberta das estruturas cerebrais e dos processos químicos do cérebro envolvidos na sensação de alívio e de euforia que estas substâncias produzem. dependem. às vezes os nomes comerciais vinculam o fármaco ao uso para o qual está destinado. a selecção de uma dose adequada por parte do médico não é uma tarefa fácil. mas não numa quantidade tal que produza efeitos secundários graves ou reacções tóxicas. Cada um dos fármacos com patente possui. da eficácia do fígado na sua decomposição . Portanto. só ao fim de anos de eficácia reconhecida se chega à compreensão do mecanismo e do lugar exacto onde exerce a sua acção. É através da corrente sanguínea que muitos fármacos atingem o ponto do organismo onde devem actuar. curto e fácil de recordar. assim como a duração da mesma. reduzir os valores de colesterol no plasma) e descreve onde e como se exerce esse mecanismo no corpo humano. Uma quantidade suficiente de fármaco deve permanecer no local de acção até que cumpra a sua função. no mínimo.Fármaco Digitalina Digitalis purpurea Fonte Quinina Casca de quina Alcalóides de Vinca Pervinca Insulina de origem vacum. Embora seja evidente o efeito do fármaco. O produtor da versão genérica de um fármaco pode dar-lhe ou não um nome comercial em função do modo como isso influencia a venda. Para que possa actuar. A farmacodinamia estuda a função do fármaco (aliviar a dor. identificando-o com precisão. no entanto. exceptuando alguns fármacos simples e inorgânicos como o bicarbonato de sódio. o fármaco deve atingir o ponto do organismo onde se encontra a alteração e é aí que reside a importância da farmacocinética.

capítulo 6).3-diidro-1-metil-5-fenil-2 H-1. A dose média ou padrão de cada fármaco novo determina-se através de ensaios clínicos com . a secreção glandular de substâncias (mucosa. portanto. são apresentados somente a título de exemplo. Para obter o mesmo efeito. A eficácia da acção depende. os fármacos podem acelerar ou retardar as reacções bioquímicas do organismo. da esclerose múltipla e da doença de Alzheimer. alguns antiepiléticos reduzem as convulsões. de modo geral. sem alterar a natureza básica dos processos existentes nem criar novas funções. Deste modo. uma limitação fundamental e essa é a base das frustrações actuais no tratamento de doenças que degeneram ou destroem os tecidos. Infelizmente.(metabolismo) e da rapidez da sua eliminação por via renal e intestinal. que provocam a contracção muscular. Os fármacos podem alterar o ritmo dos processos biológicos existentes. da artrite. Por exemplo. É o caso da insuficiência cardíaca. os fármacos não podem recuperar sistemas que sofreram danos irreparáveis. da distrofia muscular. capítulo 6) Resposta farmacológica Cada um de nós responde de maneira diferente aos fármacos. (Ver secção 2. O que há por detrás do nome de um fármaco? Nome químico N-(4-hidroxifenil) acetamida 7-cloro-1. do modo como respondem os processos aos quais o fármaco é dirigido. em geral. a regulação do volume de água e a retenção ou eliminação dos sais do organismo por parte das células renais. Os indivíduos que sofrem de uma afecção renal ou hepática têm mais dificuldade em eliminar os fármacos ingeridos. A acção dos fármacos tem. comercializados em muitos países com este nome. Estes aqui mencionados. Acção terapêutica dos fármacos É possível desvendar grande parte do mistério que rodeia a acção dos fármacos ao reconhecer que estes só afectam o ritmo das funções biológicas. de mais quantidade de um mesmo fármaco do que uma magra. ácido gástrico ou insulina) e a transmissão nervosa.4benzodiazepina-2-ona 4-[4-(p-clorofenil)-4-hidroxipiperidino]-4´fluorobutirofenoma DL-treo-2-(metilamino)-fenilpropan-1-ol Nome genérico Paracetamol (acetaminofeno) Diazepam Haloperidol Cloridrato de pseudoefredina Nome comercial* Tylenol Valium Haldol Sudafed N´´-ciano-N-metil-N´-[2-[[(5-metil-1 H-imidazol-4Cimetidina Tagamet il)metil]tio]etil]guanidina * Os nomes comerciais variam segundo os países. enviando uma ordem ao cérebro para retardar a produção de certas substâncias químicas. uma pessoa robusta necessita. O metabolismo dos fármacos nos recém-nascidos e nas pessoas adultas é mais lento que nas crianças e nos jovens. (Ver secção 2.

tóxica. maior será a sua utilidade. manter-se-ia de forma automática a acção que se pretende alcançar. pode-se interferir com a respiração. Estes denominam-se efeitos secundários ou reacções adversas. causando uma diminuição exagerada da pressão arterial no hipertenso ou uma redução excessiva dos valores de glicose no sangue do diabético. têm margens de segurança maiores. Embora os fármacos actuem contra as doenças. de modo geral. visão nublada. o médico pode reajustar a dose. Alguns fármacos devem usar-se apesar de terem uma margem de segurança muito limitada. como o nariz entupido. Se a dose eficaz de um determinado fármaco é. como o triazolam e o temazepam. Os soníferos mais recentes. excepto no caso das pessoas alérgicas. Desse modo. a segurança é relativa dado que todo o fármaco pode ser quer prejudicial quer benéfico. mas que. o médico prescrevê-lo-á exclusivamente em situações pontuais em que não exista outra alternativa mais segura. mas a quase nenhum de modo perfeito. quanto mais ampla for a margem de segurança de um fármaco (janela terapêutica. Reacções adversas No início do século XX o cientista alemão Paul Ehrlich descreveu o fármaco ideal como uma «bala mágica» que atinge com precisão o foco da doença sem lesar os tecidos sãos. se se administrarem em excesso barbitúricos que foram frequentemente utilizados como hipnóticos. alterar o ritmo cardíaco e inclusive causar a morte. Por exemplo. Se o doente informa o médico sobre o efeito que o fármaco lhe provoca. o efeito de sonolência que produzem é considerado benéfico e não um efeito secundário nocivo. ter um efeito demasiado forte. Se se administrarem com este propósito. ao mesmo tempo. De qualquer modo. o lacrimejar e os espirros. (Ver tabela da secção 2. obstipação e problemas na micção. os efeitos secundários podem reduzir-se muitas vezes ou evitar-se através de uma boa comunicação entre o médico e o doente. No entanto. Por outro lado. ainda não existe o medicamento perfeito e a maioria não alcança a precisão desejada por Ehrlich. Se fosse possível controlar o percurso de um fármaco. Apesar de um fármaco estar destinado a uma só função. o conceito de uma dose média é como o de «tamanho único para todos» no vestir: ajusta-se bastante bem a um grande número de indivíduos. a maior segurança corresponde maior utilidade. Se é verdade que muitos fármacos novos são mais selectivos que os seus predecessores. os anti-histamínicos são o princípio activo habitual dos hipnóticos de venda sem receita médica. secura da boca. pode afectar várias. confusão. normalizar-se-ia a pressão arterial numa pessoa hipertensa e um diabético teria valores normais de glicemia. A penicilina corresponde a um fármaco deste tipo e praticamente não é tóxica nem em doses elevadas.animais e tratamentos experimentais com seres humanos. a maioria dos fármacos não consegue manter um nível específico de acção e pode. A . Eficácia e segurança A eficácia e a segurança são os dois objectivos principais no desenvolvimento dos medicamentos. também produzem alguns efeitos não desejados. No entanto. No entanto. capítulo 9) A acção de um determinado fármaco designa-se como efeito desejado ou efeito secundário em função do motivo pelo qual se administra esse fármaco. a diferença entre uma dose habitualmente eficaz e uma dose que possa produzir efeitos secundários graves ou perigosos). na sua maioria afectam o sistema nervoso e podem também causar sono. como é o caso dos antihistamínicos que ajudam a aliviar os sintomas de alergia. Os melhores fármacos são simultaneamente eficazes e. isto é. pelo contrário. seguros.

antiácidos e remédios contra a constipação ou a tosse). O uso médico apropriado de drogas e de fármacos evoluiu através da história em paralelo com o abuso. Médicos e farmacêuticos podem dar informação sobre estas possíveis interacções. que se informe o pessoal de saúde sobre a história clínica própria. tanto o médico como o doente estão em melhores condições para ajuizar se o fármaco está a actuar eficazmente ou se se estão a desenvolver processos potencialmente graves. a palavra droga signifique uma substância que altera a função cerebral de modo agradável. Qualquer pessoa em tratamento com fármacos pode pedir explicações ao médico. pode causar hemorragias. especialmente das que acalmam a ansiedade ou alteram o humor e o comportamento para satisfazer as necessidades emotivas das pessoas. os fármacos que se toma ou qualquer outra informação relevante. As interacções medicamentosas podem ocorrer entre fármacos que requeiram ou não prescrição médica. durante séculos. esta afecta os processos do organismo e. o uso persistente e excessivo de substâncias que alteram a mente sem uma necessidade médica. ao farmacêutico ou ao pessoal de saúde sobre os objectivos do tratamento. por exemplo. deve informar cada um deles sobre os fármacos que está a tomar. Embora seja possível que uma terapêutica combinada seja mais eficaz no tratamento de um processo. Por isso. embora. particularmente se se está a tomar fármacos prescritos por um médico. nem todas as interacções entre fármacos são sempre nocivas. Devido a este risco. os efeitos secundários. para alguns. . Abuso de drogas e de medicamentos Certas drogas e fármacos foram muito úteis. Também é importante consultar o farmacêutico ao adquirir fármacos de venda livre (por exemplo. No entanto. Embora muitos não considerem o álcool como uma substância tóxica. Outro exemplo é a clozapina. isto é. Quando alguém é assistido por mais de um médico. a interacção entre estes pode ser positiva ou negativa. Sempre existiu um lado obscuro na descoberta e no uso das drogas. As drogas e os fármacos que. daí que os doentes que tomam este fármaco necessitem de controlos frequentes para determinar se o seu efeito sobre a coagulação do sangue é insuficiente ou excessivo. Mas a clozapina tem um efeito secundário grave: pode diminuir a produção de glóbulos brancos necessários para a protecção contra as infecções. Quando se conhecem os efeitos de um fármaco. os problemas que possam surgir e em que medida pode participar no tratamento para obter o melhor resultado. no alívio do sofrimento e na prevenção e tratamento de doenças. muitas vezes. (Ver secção 2. dois ou mais fármacos. Deste modo. os doentes que tomam clozapina têm de se submeter a análises ao sangue com frequência. é responsável por interacções entre medicamentos. tomada para prevenir a coagulação sanguínea. também é possível que se aumente o número ou a gravidade dos efeitos secundários (reacções adversas).varfarina. ao mesmo tempo. laxantes. é preferível que se adquiram todos os fármacos receitados numa mesma farmácia para que se possa manter nesta um registo completo sobre o perfil farmacológico do doente. alguns medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão (tensão arterial elevada) são combinados na sua administração para reduzir os efeitos secundários que poderiam desenvolver-se se se receitasse um só fármaco numa dose elevada. Este fármaco é muitas vezes uma ajuda para indivíduos com esquizofrenia quando já fracassaram os outros fármacos administrados. capítulo 11) Aconselha-se. o farmacêutico pode controlar as interacções possíveis. além disso. por exemplo. positivos ou negativos. Interacções entre fármacos Quando se tomam.

(Ver secção 7. há alguns para os quais a via oral é contra-indicada. o LSD (dietilamida do ácido lisérgico) e a PCP (fenciclidina). no entanto. . a marijuana. geralmente. por isso. alimento ou outra substância. assim como vantagens e desvantagens. Administração Os fármacos podem ser administrados por várias vias.muitas vezes. mas efectua-se principalmente no intestino delgado. Os fármacos administrados por via oral são absorvidos no tracto gastrointestinal. vaporizar nas fossas nasais (via nasal) ou na boca (inalação). a metacualona. a que custa menos e. são objecto de abuso incluem o álcool. A absorção começa na boca e no estômago. Podem ingerir-se (via oral) ou injectar numa veia (via endovenosa). Se sofre de alergia ou teve reacções estranhas a algum fármaco. por vezes transformado noutra substância. obtendo-se assim uma resposta mais rápida e consistente. A parede intestinal e o fígado alteram quimicamente (metabolizam) muitos fármacos. Para chegar à grande circulação. Via oral A administração de fármacos por via oral é a mais conveniente e é. diminuindo a quantidade absorvida. Se está submetido a dietas especiais ou restrições alimentares. Se está grávida ou tem planos para ficar. Estas vias de administração têm objectivos específicos. de modo a que possa chegar ao sangue (absorção) e dirigir-se para o ponto específico onde é requerido (distribuição). num músculo (via intramuscular) ou por debaixo da pele (via subcutânea). devido a vários factores que afectam o modo de absorção do fármaco administrado por via oral. o fármaco primeiro tem de atravessar a parede intestinal e depois o fígado. Tem. ou então aplicar na pele com efeito local (tópico) ou sistémico (transdérmico). instilar no olho (via ocular). introduzir no recto (via rectal). distribuição e eliminação de um fármaco O tratamento com produtos farmacêuticos implica a introdução de um fármaco no organismo (administração). alguns fármacos devem ser ingeridos em jejum. Por isso. as suas limitações. Administração. O fármaco abandona o organismo (eliminação) principalmente pela urina. capítulo 92). Podem colocar-se por debaixo da língua (via sublingual). os barbitúricos. as anfetaminas. a mais segura. enfermeira ou farmacêutico) possam determinar um tratamento efectivo e seguro. Os fármacos injectados por via intravenosa chegam à grande circulação sem passar pela parede intestinal e pelo fígado. incluindo outros fármacos e alimentos. O médico deve saber Para que os profissionais de saúde (médico. em contrapartida. as benzodiazepinas. enquanto outros devem tomar-se com alimentos e. a heroína e outros narcóticos. Que fármacos (com ou sem receita) tomou nas últimas semanas. o doente deve assegurar-se de que dispõem da informação seguinte: Todos os pormenores sobre os seus problemas de saúde. ou então se está a amamentar. a mais frequentemente utilizada. a cocaína.

Esta via utiliza-se para muitos fármacos proteicos como a insulina. em dose muito precisa. a aspirina e muitos outros anti-inflamatórios não esteróides. quer seja em doses individuais quer em perfusão contínua. A absorção de certos fármacos no tracto gastrointestinal pode ser limitada ou irregular. especialmente em pessoas obesas. Na administração por via endovenosa insere-se uma agulha directamente na veia. Os fármacos podem ser preparados em suspensões ou em complexos relativamente insolúveis. 3. mas que se leva a cabo principalmente no intestino. que pode ter lugar a nível do estômago. Uma injecção endovenosa pode ser mais difícil de administrar que outras injecções parenterais.Alguns fármacos administrados por via oral irritam o tracto gastrointestinal e podem danificar o revestimento do estômago e do intestino delgado. Os músculos estão a uma profundidade maior que a pele e por essa razão utiliza-se uma agulha mais comprida. Para a administração por via subcutânea insere-se uma agulha por debaixo da pele e. As outras vias reservam-se geralmente para os casos em que um indivíduo não possa ingerir nada por via oral ou quando um fármaco tem de ser administrado com rapidez. a via oral usa-se mais que as outras vias de administração de fármacos. dias. O metabolismo dos fármacos partículas. de modo a que a sua absorção se prolongue durante horas. Passagem para o tubo digestivo pelo Uma vez absorvido a nível da circulação sanguínea esófago. Via sublingual Alguns fármacos colocam-se debaixo da língua (via sublingual). A via sublingual é especialmente indicada para a administração de nitroglicerina. leva-se a cabo principalmente no fígado. Dissolução do medicamento em pequenas diferentes tecidos. ou mais tempo. Apesar destas limitações. Administração por injecção A administração por injecção (via parentérica) inclui as vias subcutânea. ao contrário da via . Absorção de um fármaco 1. Absorção. seria digerida no tracto gastrointestinal. não requerendo portanto uma administração tão frequente. uma vez injectado o fármaco subcutaneamente. como. ele introduz-se nos capilares e é transportado pelo sangue. ou quando se trata de um fármaco cuja absorção é limitada e irregular. A via intramuscular é preferível à via subcutânea quando se requerem quantidades significativas de um fármaco. porque se esta fosse administrada por via oral. o fármaco circula através do corpo e penetra nos 2. ou podem destruir-se no estômago devido ao meio ácido e aos enzimas digestivos. que se utiliza para aliviar a angina de peito (dor anginosa). por exemplo. intramuscular e endovenosa. para que sejam absorvidos directamente pelos capilares que estão por debaixo desta. mas é a mais rápida e precisa. porque a absorção é rápida e o fármaco chega imediatamente à circulação geral. favorecendo assim o desenvolvimento de úlceras.

oral. Os laboratórios farmacêuticos ajustam estas variáveis para optimizar a velocidade e o grau de absorção do fármaco. um comprimido. que aceleram a passagem de substâncias pelo tracto gastrointestinal. como acontece depois de uma intervenção cirúrgica. Absorção A biodisponibilidade está relacionada com a proporção e o grau de absorção de um fármaco pelo sangue. os comprimidos são uma mistura de um fármaco e aditivos que actuam como diluentes. No entanto. a clonidina (para a hipertensão) e o fentanil (para aliviar a dor). a maioria dos fármacos não pode ser administrada deste modo porque a sua absorção é. Estes fármacos. Um produto farmacêutico é a dose eficaz de um fármaco. Inalação Alguns fármacos são inalados. Por outro lado. incompleta e irregular. A biodisponibilidade depende de vários factores que incluem o modo como se estuda e produz um fármaco. O tipo e a quantidade de aditivos e o grau de compressão condicionam a rapidez de dissolução do comprimido. este método raramente se utiliza para administrar fármacos que actuam em tecidos ou órgãos diferentes dos pulmões. Por exemplo. Alguns fármacos que seriam irritantes em forma de supositório administram-se por via parenteral. que às vezes se misturam com uma substância química que intensifica a penetração. Geralmente consiste no fármaco combinado com outras componentes. dias ou mais tempo. se o comprimido não se dissolve e não liberta o princípio activo com rapidez suficiente. A via transdérmica permite uma administração lenta e contínua durante muitas horas. outros fármacos e as doenças gastrointestinais podem influir na biodisponibilidade de um fármaco. Além disso. por exemplo. muitas vezes. a nitroglicerina (para a angina de peito). Os supositórios prescrevem-se quando alguém não pode ingerir o fármaco por via oral devido a náuseas. uma cápsula. . No entanto. passam para o sangue através da pele sem necessidade de injecção. em algumas pessoas aparecem irritações na zona onde se coloca o emplastro. que passa antes pela parede intestinal e pelo fígado. um emplastro transdérmico ou uma solução. Os sistemas com doseadores são úteis para os fármacos que actuam directamente sobre as vias que transportam o ar para os pulmões. reduzem a absorção do fármaco. Dado que a absorção no sangue de uma inalação de aerossol é altamente variável. Portanto. os alimentos. como. Estas misturas são granuladas e compactadas em forma de comprimidos. estabilizadores. O revestimento fino do recto e a irrigação sanguínea abundante permitem uma absorção rápida do fármaco. a via transdérmica é limitada pela velocidade com que o fármaco se move através da pele. daí que só se administrem por esta via os fármacos que se utilizam diariamente em doses relativamente baixas. uma vez que a inalação deve ser controlada cuidadosamente para que a pessoa receba a quantidade certa de fármaco num tempo determinado. Via transdérmica Alguns fármacos podem ser administrados através da aplicação de um emplastro sobre a pele. um supositório. desintegradores e lubrificantes. os gases utilizados para a anestesia e os aerossóis para a asma em embalagens com doseador. Via rectal Muitos fármacos que se administram por via oral também podem aplicar-se por via rectal sob a forma de supositório. A diarreia e a administração de laxantes. a nicotina (para deixar de fumar). Estes fármacos dirigem-se directamente aos pulmões. Se um comprimido se dissolve e liberta o princípio activo demasiado rapidamente. isto é. a escopolamina (para os enjoos). obter-se-ão valores no sangue que provocarão uma resposta excessiva. Nesta apresentação o fármaco é misturado com uma substância cérea que se dissolve depois de ter sido introduzida pelo recto. Por exemplo. Administram-se poucos fármacos por esta via. onde são absorvidos em direcção à corrente sanguínea. grande parte dele passará para as fezes sem ser absorvido. as suas propriedades físicas e químicas e a fisiologia da pessoa que toma o fármaco. incapacidade para deglutir ou por restrições na alimentação.

geralmente ao fim de 12 horas ou mais. Alguns tecidos acumulam quantidades tão elevadas de um fármaco que servem como reserva deste. com rapidez. Alguns fármacos.É conveniente que a biodisponibilidade seja uma propriedade constante entre produtos farmacêuticos. dado que o tempo médio da circulação do sangue é de um minuto. As cápsulas compõem-se de fármacos e outras substâncias contidas num invólucro de gelatina que incha ao molhar-se. continuam a circular no sangue vários dias depois de o doente ter deixado de os tomar. prolongando assim a sua distribuição. Os fármacos solúveis em gordura (que se dissolvem bem) atravessam com mais rapidez as membranas das células do que os fármacos solúveis em água. o fígado e os rins. A bioequivalência assegura assim a equivalência terapêutica e os produtos bioequivalentes são permutáveis. os obesos armazenam grande quantidade de fármacos que . Em contrapartida. são muitas as pessoas (especialmente as de idade avançada) que eliminam nas fezes os produtos farmacêuticos ainda intactos. Existem outras propriedades que afectam a absorção dos medicamentos sólidos (comprimidos ou cápsulas) depois de administrados por via oral. A distribuição dos fármacos depois da sua absorção não é uniforme em todo o organismo. Por exemplo. O material de protecção (entérico) que reveste alguns comprimidos e cápsulas é destinado a evitar os danos que possam causar as substâncias irritantes (como a aspirina) no revestimento do estômago. Alguns produtos farmacêuticos estão especialmente formulados para libertar os seus princípios activos lentamente. dependendo da sua capacidade para atravessar as membranas. Os fármacos penetram em diferentes tecidos a velocidade diferente. libertando o seu conteúdo. o anestésico tiopental penetra rapidamente no cérebro. os efeitos do fármaco poderão variar de um produto farmacêutico para outro. Dado que este revestimento protector nem sempre se dissolve. em contraste com os que a abandonam rapidamente dirigindo-se para outros tecidos. No entanto. geralmente. mas podem ter componentes inactivos diferentes que afectem a proporção e o grau de absorção. Distribuição O fármaco circula rapidamente por todo o organismo uma vez absorvido pelo sangue. enquanto outros se concentram em tecidos específicos como a glândula tiroideia. abandonando a circulação sanguínea de forma lenta. A concepção desse polímero permite a sua dissolução no tracto gastrointestinal em momentos diferentes. como consequência. Por exemplo. Alguns tendem a permanecer dentro dos tecidos aquosos do sangue e dos músculos. A distribuição de um determinado fármaco pode variar entre pessoas diferentes. Os produtos farmacêuticos são bioequivalentes quando contêm o mesmo princípio activo e quando se obtêm os mesmos valores do fármaco no sangue. abandonam estes com lentidão e. A dissolução deste material começa quando entra em contacto com um meio menos ácido ou com os enzimas digestivos do intestino delgado. a absorção de fármacos em cápsulas cheias de líquido tende a ser mais rápida do que nas cheias de sólidos. Por exemplo. Tanto o tamanho das partículas como outras substâncias influem na velocidade de dissolução e de absorção do fármaco. podem revestir-se as partículas do fármaco contidas numa cápsula com um polímero (uma substância química) de espessura variável. O invólucro dissolve-se. Estas formas de libertação controlada retardam a proporção em que se dissolve um fármaco. No entanto. enquanto o antibiótico penicilina demora mais. Os que são quimicamente equivalentes contêm o mesmo fármaco activo. como os que se acumulam nos tecidos gordos. também evita que as substâncias se decomponham no meio ácido do estômago. Outros aderem intimamente às proteínas do sangue. os corpulentos podem necessitar de uma dose maior de um fármaco porque têm mais tecidos e mais sangue em circulação. Apesar de administrado numa mesma dose. é possível que o fármaco se mova com lentidão desde o sangue até aos tecidos do organismo.

são transformados noutros metabolitos que finalmente são excretados. podem ser inactivos ou então. Os produtos do metabolismo. a redução e a hidrólise dos fármacos. em proporção ao seu peso corporal. Os recém-nascidos têm dificuldades em metabolizar muitos fármacos devido ao desenvolvimento apenas parcial dos sistemas metabólicos enzimáticos. Os rins são os órgãos de excreção mais importantes. Eliminação Os fármacos são metabolizados ou então eliminados intactos. Os denominados pró-fármacos são os fármacos que se administram sob forma inactiva. do fluxo de sangue através dos rins e do estado destes. mas não o único lugar do organismo onde se metabolizam os fármacos. Este tipo de distribuição observa-se também nas pessoas de idade avançada. a dose necessária por quilograma de peso corporal muitas vezes será menor para os recém-nascidos e as pessoas de idade avançada e maior para as crianças. podem ter uma acção terapêutica ou uma toxicidade similar ou diferente da do fármaco original. A acidez da urina afecta a proporção em que se excretam alguns fármacos ácidos ou alcalinos. para ser eliminada finalmente com as matérias fecais. O fígado tem enzimas que facilitam as reacções químicas como a oxidação. mas existem muitos factores que afectam a capacidade da excreção dos rins. Os conjugados (moléculas do fármaco com substâncias aderidas) excretamse na urina. ao contrário das pessoas muito magras que armazenam relativamente pouco. Depois eliminam-se (principalmente na urina ou nas fezes) ou. Tal como os recém-nascidos. e também outros que fazem aderir substâncias ao fármaco. Por isso. São particularmente eficazes na eliminação de fármacos solúveis em água e dos seus metabolitos. A excreção refere-se aos processos que o corpo utiliza para eliminar um fármaco. Os rins filtram os fármacos do sangue e excretam-nos na urina. Excreção de um fármaco Os fármacos excretam-se principalmente pela O fígado também excreta alguns fármacos urina.se concentram na gordura. pelo contrário. Um fármaco ou um metabolito deve ser solúvel em água e não estar demasiado ligado às proteínas do plasma. causando reacções chamadas conjugações. O fígado é o principal. os metabolitos. dado que a proporção de gordura no organismo aumenta com a idade. A capacidade dos rins para excretar fármacos depende também do fluxo de urina. conduzida pelo conduto colédoco para o intestino. as pessoas de idade avançada também apresentam uma actividade enzimática reduzida e não são capazes de metabolizar os fármacos com a mesma eficácia que os adultos mais jovens e as crianças. através da bílis. Em consequência. então. O metabolismo é o processo químico através do qual o organismo altera um fármaco. requerem uma dose de fármaco proporcional ao peso corporal e menor do que os mais velhos. as crianças (de 2 anos a 12 anos de idade) requerem uma dose superior à dos adultos. Em contrapartida. Os metabolitos destes pró-fármacos são activos e proporcionam o efeito desejado. .

Os fármacos anti-inflamatórios não esteróides como a aspirina e o ibuprofeno são relativamente selectivos uma vez que actuam em qualquer ponto onde haja uma inflamação. penetram no tracto gastrointestinal e terminam nas fezes. No entanto. e circulam através do corpo. um fármaco que se administra a indivíduos com insuficiência cardíaca. ao mesmo tempo que têm uma interacção com determinado número de alvos (órgãos e tecidos). a digitalina. No entanto. o médico deve ajustar a dose do fármaco se este se elimina principalmente por esta via. geralmente. actua principalmente sobre o coração para incrementar a eficácia dos batimentos. O rim de uma pessoa de 85 anos tem só metade da eficácia para excretar fármacos que o de uma de 35 anos. As análises para medir a função hepática (em relação ao metabolismo dos fármacos) são bastante mais complexas que as que medem o funcionamento do rim. No caso de pessoas com doenças do fígado. por sua vez. Farmacodinamia A farmacodinamia é o estudo da acção dos medicamentos no organismo. Por exemplo. A interacção com o alvo produz. Pequenas quantidades de alguns fármacos também se eliminam na saliva. pode ser necessário adaptar a administração de um fármaco que se elimina principalmente por este órgão. especialmente a hipertensão. A maioria dos fármacos incorpora-se no sangue. a acção dos antiácidos dá-se sobretudo no estômago). o fígado excreta alguns fármacos que. um fármaco administrado para relaxar os músculos do tracto gastrointestinal. Dado que a diminuição da função renal é normal à medida que se avança na idade. também relaxa os músculos do olho e da traqueia e diminui o suor e a secreção mucosa de certas glândulas. a atropina. Através da bílis. é mais exacto determinar a posologia calculando o funcionamento do rim através de uma análise de sangue (que mede a quantidade de creatinina no soro) ou combinando esta informação com uma análise de urina (que mede a quantidade de creatinina na urina recolhida durante 12 a 24 horas). no leite materno e no ar expirado. Por exemplo. em função das suas propriedades ou da via de administração. Como sabem os fármacos onde têm de fazer efeito? A resposta está na sua interacção com as células ou com substâncias como os enzimas. o médico pode determinar a dose apropriada. no caso de não serem reabsorvidos no sangue nem decompostos. Receptores . um fármaco pode actuar somente numa área específica do corpo (por exemplo.O funcionamento dos rins vai diminuindo à medida que a pessoa envelhece. assim como a exposição a concentrações elevadas de substâncias químicas tóxicas. isto é. Muitas doenças podem sem dúvida deteriorar esta capacidade dos rins. A acção dos soníferos dirige-se a certas células nervosas do cérebro. Quando o funcionamento dos rins não é normal. (Ver secção 2. uma vez administrados por via oral. tecidos ou órgãos pode causar efeitos secundários (reacções adversas aos fármacos). baseando-se na idade do doente. endovenosa ou subcutânea. a diabetes e as infecções renais recorrentes. o efeito terapêutico desejado. a sua acção dirige-se a muitos tecidos ou órgãos. no suor. Outros fármacos são altamente selectivos e afectam principalmente um único órgão ou sistema. capítulo 10) Selectividade da acção farmacológica Alguns fármacos são pouco selectivos. enquanto a interacção com outras células.

há substâncias que aderem aos mesmos receptores no cérebro. o transmissor natural dos impulsos através dos nervos colinérgicos. o fármaco agonista carbacol adere aos receptores do tracto respiratório denominados colinérgicos. Estes antagonistas bloqueiam ou diminuem a resposta cardiovascular que as hormonas adrenalina e noradrenalina promovem. O albuterol. Os antagonistas utilizam-se para bloquear ou diminuir a resposta das células aos agonistas (de modo geral. é o caso da morfina e dos analgésicos derivados. como às 5 da tarde. agonista do receptor andrenérgico que relaxa o músculo liso brônquico. é maior que às 3 da madrugada. causando a contracção das células do músculo liso. Os antagonistas são muito mais efectivos quando a concentração local de um agonista é elevada. Outro fármaco agonista. os fármacos aproveitam-se da função natural (fisiológica) que os receptores têm. seguramente. A configuração de um receptor é tão específica que só lhe permite aderir a um fármaco com o qual encaixa perfeitamente (como a chave encaixa na sua fechadura). Utilizam-se no tratamento da pressão arterial elevada. na sua maioria. mas complementares. provocando uma resposta que aumenta ou diminui a função celular. que se utilizam no tratamento da asma. uma hormona ou um neurotransmissor. como um fármaco. Contudo. Os fármacos chamados agonistas activam ou estimulam os receptores. que bloqueia o efeito broncoconstritor da acetilcolina. que estão localizadas fora da célula. Os fármacos denominados antagonistas bloqueiam o acesso ou a ligação dos agonistas com os seus receptores. neurotransmissores) que normalmente estão presentes no organismo. são um grupo de antagonistas amplamente utilizados. O uso de agonistas e o de antagonistas são métodos diferentes. antagonista do receptor colinérgico. o qual bloqueia o efeito broncoconstritor da acetilcolina. pode explicar-se a selectividade de um fármaco pela selectividade da sua aderência aos receptores. Por exemplo. as também denominadas hormonas do stress.Muitos fármacos aderem às células através de receptores que se encontram na superfície destas. como o propranolol. As células. criados pela natureza para que os fármacos pudessem aderir a eles. e das endorfinas (substâncias químicas naturais que alteram a percepção e as reacções sensoriais). causando o relaxamento das células do músculo liso e produzindo broncodilatação (dilatação das vias respiratórias). estes podem proteger o coração contra os picos máximos e repentinos das hormonas do stress. possa ligar-se a ele. A sua acção é semelhante ao corte do tráfego numa estrada principal. É o caso do ipratropio. têm muitos receptores de superfície que permitem que a actividade celular seja influenciada por substâncias químicas (como fármacos ou hormonas). Os betabloqueadores. da angina de peito e de certas irregularidades do ritmo cardíaco. Alguns fármacos aderem somente a um tipo de receptor e outros são como uma chave-mestra e aderem a vários tipos de receptores em todo o organismo. Muitas vezes. o qual origina a broncoconstrição (estreitamento das vias respiratórias). . se forem administrados betabloqueadores em doses que tenham escasso efeito sobre a função cardíaca normal. De modo semelhante. A retenção de veículos em hora de ponta. antagonista do receptor colinérgico. Os receptores não foram. Por exemplo. pode ser utilizado junto com o ipratropio. o albuterol. dado que essa substância química apresenta uma configuração que se ajusta perfeitamente ao receptor. adere a outros receptores no tracto respiratório denominados adrenérgicos. Uma correspondência perfeita Um receptor da superfície da célula apresenta uma configuração que permite que uma determinada substância química.

A eficácia refere-se à resposta terapêutica potencial máxima que um fármaco pode induzir. que a clorotiazida. A actividade intrínseca é uma medida da capacidade do fármaco para produzir um efeito farmacológico ao unir-se ao seu receptor. Por exemplo. A tolerância ocorre quando o organismo se adapta à presença . como aliviar a dor ou diminuir a pressão arterial. a eficácia é um dos factores que os médicos consideram ao seleccionar o fármaco mais apropriado para um doente concreto. a sua função é simplesmente impedir a interacção das moléculas agonistas com os seus receptores. regulam a velocidade das reacções químicas ou efectuam outras funções estruturais. A afinidade é a atracção mútua ou força de ligação entre um fármaco e o seu objectivo. quer sejam entre fármacos e receptores. o diurético furosemida elimina muito mais sal e água através da urina que o diurético clorotiazida. então o fármaco B é duas vezes mais potente que o fármaco A. consideram muitos factores. Por exemplo. Enquanto os fármacos dirigidos aos receptores se classificam em agonistas ou antagonistas. ou seja. como acontece com o omeprazol. A maioria das interacções são reversíveis. ou efeito terapêutico. por conseguinte. Isto quer dizer que o fármaco se desprende ao cabo de certo tempo e o receptor ou o enzima recuperam o seu funcionamento normal. reguladoras ou de transporte. a toxicidade potencial. um fármaco com maior potência não é necessariamente melhor que outro. De facto. Pelo contrário. Por exemplo. Tal como a potência. mas têm uma actividade intrínseca escassa ou nula. um fármaco que inibe um enzima envolvido na secreção do ácido do estômago. a duração do efeito e. os fármacos dirigidos aos enzimas classificam-se em inibidores ou activadores (indutores). o número de doses diárias requeridas. Quando os médicos julgam as qualidades relativas dos fármacos. Tolerância A tolerância é uma diminuição da resposta farmacológica que se deve à administração repetida ou prolongada de alguns fármacos. Por isso a furosemida tem maior eficácia. Este fármaco inibe o enzima HMG-CoA redutase. Os fármacos que activam os receptores (agonistas) têm ambas as propriedades. os fármacos que bloqueiam os receptores (antagonistas) aderem a estes eficazmente (afinidade).Enzimas Além dos receptores próprios das células. a lovastatina é usada no tratamento dos indivíduos com valores elevados de colesterol no sangue. uma interacção pode ser irreversível se persistir o efeito do fármaco até que o organismo produza mais enzimas. e também o seu custo. um receptor ou um enzima. Estes ajudam a transportar substâncias químicas vitais. se 5 miligramas do fármaco B aliviam a dor com a mesma eficácia que 10 miligramas do fármaco A. Potência e eficácia A potência refere-se à quantidade de fármaco (geralmente expressa em miligramas) de que se necessita para produzir um efeito. No entanto. fundamental para produzir colesterol no organismo. como o perfil dos efeitos secundários. quer entre fármacos e enzimas. devem aderir com eficácia aos seus receptores (ter uma afinidade) e o complexo fármaco-receptor deve ser capaz de desencadear uma resposta no alvo (actividade intrínseca). os enzimas são também outros alvos importantes para a acção dos fármacos. Afinidade e actividade intrínseca A afinidade e a actividade intrínseca são duas propriedades importantes para a acção do fármaco.

a um fármaco antiviral ou à quimioterapia no tratamento do cancro. Por exemplo. Não existe nenhum fármaco que seja totalmente eficaz nem completamente seguro. Os novos avanços no desenvolvimento dos medicamentos baseiam-se. Geralmente. inclusive naquelas doenças difíceis de tratar. tosse e constipações. a resposta aos fármacos é diferente devido a diferenças genéticas ou então por se estar a tomar dois ou mais fármacos que têm uma interacção entre si. afinidade para o receptor e eficácia terapêutica. assim como o seu efeito final no doente. ou por se sofrer de doenças que influam sobre os efeitos do fármaco. geralmente é modificado várias vezes para aperfeiçoar a sua selectividade. (Ver tabela da secção 2. Factores que afectam a resposta do organismo A velocidade com que os fármacos entram e saem do organismo varia segundo as pessoas. metabolizado e excretado. O fármaco ideal deve ser eficaz quando administrado por via oral (dada a conveniência da autoadministração). Devido às suas características genéticas. Quando um composto novo parece prometedor. com escasso ou nenhum efeito sobre outros sistemas do organismo (com um mínimo ou nenhum efeito secundário). e. No entanto. são dois os mecanismos responsáveis pela tolerância: 1) o metabolismo do fármaco acelera-se (habitualmente porque aumenta a actividade dos enzimas hepáticos que metabolizam o fármaco). Outras têm . a sua velocidade de movimentação através do organismo. às vezes algumas doenças são tratadas sem a supervisão de um médico. Segundo o grau de tolerância ou de resistência desenvolvido. O fármaco deve ser altamente selectivo em relação ao seu alvo. O termo resistência é usado para descrever a situação em que uma pessoa deixa de responder a um antibiótico. segundo. Estudo e desenvolvimento dos fármacos Muitos dos fármacos de uso corrente foram descobertos durante ensaios experimentais e mediante a observação em animais e seres humanos. insónia. Entre outras causas. em determinar as alterações anormais. 2) diminui a quantidade de receptores ou a sua afinidade para o fármaco. Nestes casos. Por outro lado. com uma boa absorção a nível do tracto gastrointestinal e razoavelmente estável nos tecidos e líquidos do organismo. distribuído. no estudo de compostos que possam prevenir ou corrigir essas anormalidades de um modo específico. algumas pessoas tomam medicamentos de venda livre para tratar dores ligeiras. No desenvolvimento do fármaco também se consideram factores como a possibilidade de absorção do composto através da parede intestinal e o grau de estabilidade nos tecidos e nos líquidos do organismo. primeiro. que causam as doenças. os médicos calculam os benefícios e os riscos potenciais em cada situação terapêutica que requeira tratamento com fármacos de prescrição. A farmacogenética é o estudo das diferenças genéticas na resposta aos fármacos. o fármaco deve ter uma potência elevada e um alto grau de eficácia terapêutica. capítulo 13). algumas pessoas metabolizam os fármacos lentamente.contínua do fármaco. o médico pode aumentar a dose ou seleccionar um fármaco alternativo. Por esta razão. São diversos os factores que afectam a forma como um fármaco é absorvido. Um fármaco pode acumular-se no organismo dessas pessoas e causar toxicidade. deve ler-se a informação adjunta no folheto do medicamento e seguir as instruções de utilização. de modo a que seja suficiente uma dose diária. Genética As diferenças genéticas (herdadas) entre indivíduos afectam a cinética do fármaco. tanto bioquímicas como celulares. potência. para que seja eficaz em doses baixas.

Se a succinilcolina não for desactivada. esse sistema pode ver-se transbordado e então o fármaco atinge concentrações tóxicas. as diferenças genéticas afectam o metabolismo do fármaco de outra maneira. Devem seleccionar com precisão o fármaco. O grau de actividade do sistema P-450 determina a proporção em que se inactivam os fármacos e também o ponto em que o sistema enzimático se vê saturado. A incidência da deficiência desta enzima é elevada na raça negra. as diferenças genéticas são particularmente importantes em grupos étnicos. Mas há pessoas em que. se for administrado em doses elevadas ou com outro fármaco que utilize o mesmo sistema para ser metabolizado. inclusive dos que estão implicados na respiração. os efeitos do hipnótico flurazepam duram cerca de 18 horas em pessoas cujos valores de enzimas são normais e mais de 3 dias nas pessoas com valores baixos de enzimas. um enzima do sangue que inactiva fármacos como a succinilcolina. ao uso de outros fármacos e ao conhecimento escasso sobre as interacções destes factores. ou G6PD. assim como a sua dieta e origem étnica. Na farmacodinamia (acção dos medicamentos no organismo). provoca a paralisia dos músculos. Os médicos devem individualizar a terapia para que o doente receba uma dose suficiente de fármaco que permita obter um efeito terapêutico com uma toxicidade mínima. as diferenças genéticas são menos frequentes que na farmacocinética (o modo como o organismo afecta os fármacos). Embora esta insuficiência enzimática não seja frequente. (Ver secção 14. usados para tratar a malária. representando cerca de 10 % nos homens e um pouco menos nas mulheres. Cerca de 1 em cada 1500 pessoas tem valores baixos de pseudocolinesterase. é uma enzima presente nos glóbulos vermelhos que protege estas células de certas substâncias químicas tóxicas. Os músculos tornam-se rígidos. o ritmo cardíaco acelera-se e baixa a pressão arterial. O principal mecanismo do fígado para inactivar os fármacos é o sistema de enzimas P-450. As diferenças na actividade deste sistema enzimático influem profundamente nos efeitos do fármaco. As pessoas com actividade reduzida deste enzima metabolizam muitos fármacos com lentidão e estes tendem a aumentar as suas concentrações no sangue e a permanecer mais tempo no organismo do que nas pessoas com uma actividade de N-acetiltransferase elevada. A resposta ao fármaco é condicionada por muitos factores . pamaquina e primaquina. um fármaco administrado em doses normais metaboliza-se à velocidade normal.características genéticas que lhes permitem metabolizar os fármacos rapidamente. considerar a idade. Por vezes. Este processo complica-se devido à presença de doenças. Embora não seja frequente. Apesar disso. A glicose-6-fosfatodesidrogenase. Em pessoas com deficiência de G6PD alguns fármacos (por exemplo. e a aspirina. Por exemplo. o sexo e o tamanho do doente. que se administra juntamente com a anestesia para relaxar transitoriamente os músculos. o probenecid e a vitamina K) destroem os glóbulos vermelhos causando uma anemia hemolítica. Nesse caso um fármaco pode ser metabolizado tão rapidamente que a sua concentração no sangue nunca alcance os valores necessários para ele ser eficaz. Há muitos factores que podem alterar a actividade do sistema P-450. as suas consequências são importantes. A hipertermia maligna é proveniente de um defeito genético muscular e por isso os músculos são mais sensíveis a alguns anestésicos. Muitas pessoas possuem uma baixa actividade de N-acetiltransferase. Isto pode requerer o uso prolongado de um ventilador. Por exemplo. a hipertermia maligna envolve risco de morte. deste modo podem determinar a dose cuidadosamente. cloroquina. uma enzima do fígado que ajuda a metabolizar alguns fármacos e várias toxinas. capítulo 154) Em cerca de 1 em cada 20 000 pessoas aparece uma febre muito alta (uma afecção denominada hipertermia maligna) após a administração de alguns anestésicos.

Podem ser úteis os livros de referência e os programas informáticos. Às vezes os efeitos combinados de fármacos são benéficos. não sabem que fármacos estão a ser administrados. A interacção pode ocorrer de várias formas.Interacções entre fármacos As interacções entre fármacos são alterações que se produzem nos efeitos de um fármaco devido à ingestão simultânea de outro fármaco (interacção fármaco-fármaco ou interacções medicamentosas) ou aos alimentos consumidos (interacções fármaco-alimento). provavelmente. da tendência de alguns deles para a interacção e da quantidade ingerida. . ou ainda alterar a velocidade de absorção. Um fármaco pode duplicar ou então opor-se ao efeito de outro. Muitas interacções são descobertas durante o tratamento de prova com um fármaco. O risco é elevado entre os doentes submetidos a um controlo por parte de vários médicos. O risco de uma interacção entre fármacos aumenta se não se coordenar a sua prescrição com a distribuição e a informação oportuna. os farmacêuticos e o restante pessoal de saúde mantiverem uma informação actualizada sobre a interacção entre fármacos. na sua maioria. As interacções entre fármacos intensificam ou diminuem os efeitos de um fármaco ou agravam os seus efeitos secundários. A maior parte das interacções medicamentosas ocorrem entre fármacos que requerem prescrição médica. os quais. metabolismo ou excreção de outro fármaco. Pode reduzir-se o risco das interacções entre fármacos se estes forem sempre adquiridos na mesma farmácia. os antiácidos e os descongestionantes. mas as interacções entre fármacos são. (Ver secção 2. capítulo 13) O risco de uma interacção entre fármacos depende do número de medicamentos que se tomem. mas algumas dizem respeito a fármacos de venda sem receita (os mais comuns são a aspirina. Pode reduzir-se a incidência de problemas graves se os médicos. indesejáveis e nocivas.

Os diuréticos podem eliminar o excesso de sal e de água do organismo. Isto acontece. que se administram para aliviar a dor. os médicos administram vários fármacos (quimioterapia combinada) para produzir um melhor efeito. as concentrações de outros fármacos podem aumentar muito. Por exemplo. Às vezes. Portanto. As substâncias químicas dos cigarros podem aumentar a actividade de algumas enzimas hepáticas. como o leite e outros produtos lácteos. como o sistema enzimático P-450. onde as enzimas os inactivam. os antiinflamatórios não esteróides (AINE) como o ibuprofeno. nos fármacos de venda livre. Por exemplo. dado que os barbitúricos. No entanto. ocasionando efeitos secundários graves. Alterações no metabolismo Os sistemas metabólicos hepáticos. Uma pessoa pode tomar dois fármacos com o mesmo princípio activo inadvertidamente. A . os médicos aumentam as doses de certos fármacos para compensar esse efeito. aumentam a actividade dos enzimas hepáticos. fármacos estimulantes beta-adrenérgicos como o albuterol). fármacos como a varfarina tornam-se menos eficazes se forem administrados ao mesmo tempo. faz-se isso por indicação médica com o fim de se obter melhores resultados. Por exemplo. inactivam muitos fármacos. Um fármaco ou alimento determinado pode reduzir a absorção de outro fármaco. Mas podem surgir problemas se se prescrevem fármacos semelhantes sem se dar conta. prolongando a acção da teofilina. Alterações na absorção Os fármacos ingeridos por via oral absorvem-se através do revestimento do estômago ou do intestino delgado. dois fármacos ingeridos simultaneamente têm efeitos similares. chegando-se a uma duplicação terapêutica. ingerem-se simultaneamente dois fármacos semelhantes. pode aparecer sedação e vertigem se se tomarem dois hipnóticos diferentes (ou se se beber álcool ou se administrar outro fármaco com efeitos sedativos).Efeitos duplicados Às vezes. A aspirina pode ser uma componente de remédios para a constipação ou de produtos destinados a aliviar a dor. causam retenção de sal e de água. No tratamento do cancro. Alguns fármacos podem alterar este sistema enzimático. se posteriormente se suspender o fenobarbital. Se estes fármacos forem ingeridos simultaneamente. é inadequada a absorção do antibiótico tetraciclina se se tomar uma hora depois da ingestão de cálcio ou de alimentos que contenham cálcio. Muitas vezes. ou deixar decorrer. como o fenobarbital. betabloqueadores como o propranolol e o atenolol) neutralizam certos fármacos que se administram para a asma (por exemplo. alterando a sua estrutura para que os rins possam filtrá-los. Os fármacos distribuem-se pelo organismo e passam através do fígado. duas horas entre a tomada de determinados fármacos. o AINE diminui (opõe-se ou antagoniza) a eficácia diurética. Os efeitos secundários podem ser graves. a difenidramina é um componente de muitos remédios para alergias e constipações. mas não idênticos. frequentemente. Alguns fármacos que se administram para controlar a pressão arterial elevada e as afecções cardíacas (por exemplo. Esta é a causa pela qual fumar diminui a eficácia de alguns analgésicos (como o propoxifeno) e de alguns fármacos utilizados no tratamento de problemas pulmonares (como a teofilina). Por exemplo. É importante seguir certas instruções. Por exemplo. Efeitos opostos Dois fármacos com acções opostas (antagónicas) podem ter uma interacção. O antiulceroso cimetidina e os antibióticos ciprofloxacina e eritromicina são exemplos de fármacos que podem retardar a actividade das enzimas hepáticas. Por exemplo. fazendo com que a desactivação de outro fármaco se produza de maneira mais rápida ou mais lenta que o habitual. pelo menos. como evitar comer uma hora antes ou várias horas depois de ter tomado um fármaco. podem receitar-se dois fármacos anti-hipertensivos a uma pessoa com uma pressão arterial alta que seja difícil de controlar. é também o princípio activo de muitos hipnóticos.

Placebos . Informe o médico ou o farmacêutico sobre qualquer sintoma que possa estar relacionado com o uso de um fármaco. São particularmente importantes a diabetes. Escolha um farmacêutico que preste um bom serviço e adquira todas as prescrições de fármacos na sua farmácia. Conheça os possíveis efeitos secundários dos fármacos. Por exemplo. os médicos devem conhecer o estado global do doente antes de prescrever um novo fármaco. Aprenda como deve tomá-los. Doses importantes de Vitamina C podem produzir este efeito. Um fármaco que seja utilizado no tratamento de doenças pulmonares pode afectar o coração. Informe-se acerca da finalidade e das acções terapêuticas de todos os fármacos prescritos. sabemos que os placebos podem produzir efeitos importantes. tanto positivos como negativos. ocasionando uma acumulação destes. a palavra placebo apareceu. também afectam outros órgãos e sistemas. em que momento do dia e se os pode tomar ao mesmo tempo que outros. Dado que os fármacos podem influir sobre outras afecções para além da própria doença que estão a tratar. supostamente inerte e inofensiva. Como reduzir o risco de interacções entre fármacos Consulte o seu médico de família antes de tomar qualquer fármaco novo. Apesar de exercer os seus efeitos em grande medida sobre um sistema ou órgão específico. Duas edições mais tarde. Analise com o farmacêutico o uso dos fármacos sem prescrição médica e informe-o sobre o seu estado de saúde e sobre os medicamentos com receita que está a tomar. Placebo: agradar-te-ei Em latim. o que.eritromicina afecta o metabolismo dos fármacos antialérgicos terfenadina e astemizol. afecta a excreção de outros fármacos. a incontinência urinária e a insónia. a pressão arterial elevada ou baixa. Elabore uma lista de todos os fármacos que está a tomar e controle periodicamente essa lista com o médico. o aumento do tamanho da próstata. Faça uma lista de todas as doenças e controle periodicamente essa lista com o médico. alguns fármacos alteram a acidez da urina. o glaucoma. por sua vez. um fármaco para tratar uma constipação pode afectar os olhos. Siga as instruções para a administração dos fármacos. placebo significa «agradar-te-ei». Interacções entre fármacos e doenças A maioria dos fármacos distribuem-se por todo o organismo. Em 1785. o placebo tinha-se tornado «uma medicação simulada». pela primeira vez. Alterações na excreção Um fármaco pode afectar a percentagem da excreção renal de outros fármacos. Actualmente. num dicionário médico como «um método ou uma medecina popular».

No entanto. mas é formado por substâncias químicas inactivas. cirurgia e psicoterapia. Uso na investigação Qualquer fármaco pode ter um efeito placebo (efeitos positivos ou negativos não relacionados com os princípios químicos activos). o desejo compulsivo de tomar o fármaco e o desenvolvimento dos sintomas de abstinência se forem privados do mesmo. pode ser ainda mais importante. responda de uma maneira favorável aos placebos ou que apresente um efeito placebo favorável perante os fármacos activos. uma vez que qualquer doente se pode sugestionar em certas circunstâncias. Dois factores costumam influir no efeito placebo. a fim de justificar o seu uso. O efeito placebo (modificação dos sintomas depois de receber um tratamento com um efeito não comprovado) pode ser obtido com qualquer tipo de terapia. a alteração espontânea. Uso terapêutico Todo o tratamento tem um efeito placebo: os efeitos atribuídos aos fármacos variam de uma pessoa para outra e de um médico para outro. Se ocorrer essa melhoria depois de tomar um placebo. Para a avaliação dos efeitos químicos reais do fármaco experimental. subtraem-se os efeitos do placebo aos obtidos com o fármaco. A reacção ao placebo apresenta graus diferentes. É mais provável que uma pessoa com uma opinião positiva sobre os fármacos. incluindo fármacos. o mérito é atribuído incorrectamente ao placebo. os médicos. Alguns dos doentes que respondem aos placebos têm muitas características da adição às drogas: a necessidade de aumentar a dose. Em circunstâncias muito específicas. A acção do fármaco que se investiga deve ser substancialmente melhor que a do placebo. desejadas e indesejadas. Nem os participantes nem os investigadores sabem quem recebeu o fármaco e quem recebeu o placebo (este estudo denomina-se ensaio duplo cego). O segundo factor. Pelo contrário. . as enfermeiras e os hospitais. em estudos de fármacos novos que aliviam a angina de peito (dor no peito devida a uma irrigação anormal do músculo cardíaco) é frequente que os efeitos positivos em relação ao placebo ultrapassem os 50 %. Nestes estudos administra-se o fármaco experimental a metade dos participantes e um placebo. comparam-se todas as alterações observadas entre o fármaco investigado e o placebo. Por exemplo. Os placebos usam-se na investigação clínica para os comparar com os fármacos activos. também denominado sugestão. uns parecem mais propensos que outros. o médico pode prescrever um placebo para aliviar sintomas. Para distinguir o efeito real do efeito placebo de um fármaco. é antecipar-se aos resultados (optimismo) ao tomar um fármaco. à outra metade. mas que contêm elementos químicos inactivos.Os placebos são substâncias que se prescrevem como fármacos. Há ocasiões em que o doente experimenta uma melhoria espontânea. Um verdadeiro placebo imita exactamente um fármaco verdadeiro. Há estudos que determinam se os doentes com certos traços de personalidade têm mais probabilidades de responder aos placebos. também se culpa o placebo. como o amido ou o açúcar. se considerar que um fármaco com um princípio activo não é o adequado. se depois de ter tomado um placebo aparece de forma espontânea uma dor de cabeça ou uma erupção cutânea. sente-se melhor sem nenhum tratamento. Os placebos podem causar ou estar associados a um grande número de alterações. Quando se conclui o estudo. O primeiro. Por essa razão. os investigadores comparam os fármacos com placebos nos ensaios terapêuticos. As conclusões sobre este aspecto particular são muito diversas. uma pessoa com uma opinião negativa pode negar qualquer efeito positivo ou inclusive experimentar efeitos adversos. Pelo contrário. fé ou esperança. de aspecto idêntico. demonstrar a eficácia de novos fármacos constitui um desafio importante.

se um doente com uma dor crónica está a criar uma dependência de um analgésico que provoca adição. Como resultado. capítulo 10) Além disso. Uma pessoa em idade avançada toma. os médicos devem prescrever doses menores de muitos medicamentos às pessoas com mais idade ou inclusive um número reduzido de doses diárias. muitas vezes. um alívio significativo da dor e estão convencidos de que esses fármacos são mais fortes que qualquer outro que tenham usado anteriormente. Por essa razão. Os fármacos que reduzem a tensão arterial. Por exemplo. Em princípio. algumas pessoas parecem requerer e melhorar com um medicamento de eficácia não comprovada cientificamente ou com uma apresentação determinada (por exemplo. os médicos evitam o uso deliberado e secreto dos placebos (em contraste com a investigação clínica) porque um resultado decepcionante pode deteriorar a relação médico-doente. em jeito de tónico. Por exemplo. o médico pode sugerir o tratamento com placebos. muitas vezes sentem-se doentes e sofrem perturbações se lhes for negada essa mesma medicação.Quando o médico e o doente confiam nos benefícios do placebo. (Ver secção 2. as reacções tendem a ser bastante mais graves. Além disso. considerando as desvantagens para a sua relação com o doente. há quem prefira uma injecção. dissolvem-se nos líquidos do organismo. mesmo sem evidências científicas que confirmem essa crença. a vitamina B12 na artrite). Os fármacos alcançam concentrações mais elevadas nas pessoas com mais idade. considerando que os seus sintomas não estão baseados numa doença real ou que são exagerados. Um fármaco activo sem efeitos terapêuticos reconhecidos pode aliviar uma determinada perturbação (por exemplo. sentem-se incomodados aos prescrevê-los. Além disso. embora saiba que um comprimido tem a mesma eficácia). Estas pessoas são duas vezes mais propensas a reacções adversas ao fármaco. em comparação com os jovens. os médicos preocupam-se porque consideram estes efeitos como não científicos e. muitos fármacos permanecem mais tempo no organismo de um idoso do que no de um jovem. dilatando as artérias e diminuindo o stress cardíaco. Não obstante. em média. tendem a . Muitos medicamentos. Quando estão implicados outros médicos ou enfermeiras (terapia de grupo ou hospitalização). No entanto. Devido a crenças culturais ou atitudes psicológicas. o doente e o médico estão de acordo em efectuar essa experiência para ver se realmente o fármaco em questão é necessário. mas nestas pessoas existe menos água para os diluir. é muito mais provável alcançar o efeito positivo. um fármaco pouco activo (por exemplo. Fármacos e envelhecimento Uma vez que as pessoas com mais idade são mais propensas a sofrer de doenças crónicas. os doentes que experimentam melhorias ao tomar vitamina B12 ou outras vitaminas. Embora não seja frequente os médicos prescreverem placebos. quatro ou cinco fármacos com prescrição médica e dois sem receita. experimentam. Habitualmente. uma vez no corpo. Ou então. um calmante suave) pode ter um melhor efeito. podem sentir sonolência ou confusão se lhe forem administrados ansiolíticos ou hipnóticos. elas tomam maior quantidade de remédios que os jovens. o organismo destas pessoas é mais sensível aos efeitos de muitos fármacos. o médico pode interpretar mal a resposta do paciente. a maioria atende doentes convencidos de que o uso de algumas substâncias previne ou alivia as suas doenças. Além disso os rins são menos eficazes na excreção de fármacos pela urina e o fígado tem menos capacidade para metabolizá-los. À medida que se envelhece diminui a quantidade de água do organismo. este facto pode afectar de forma adversa a sua atitude em relação ao paciente. aumentando a probabilidade de decepção. Nestas situações. Por exemplo. Algumas pessoas que ouviram dizer que os seus calmantes suaves são fortes. a maioria dos médicos considera que alguns doentes são tão dependentes dos placebos que privá-los deles seria bastante mais prejudicial que positivo (tendo sempre em conta que o placebo utilizado possui uma margem de segurança elevada). os médicos prescrevem placebos de maneira fácil e clara.

Pode causar adição como outros narcóticos (opiáceos). confusão e em muitas ocasiões respiração lenta. pensando que o fármaco não foi eficaz. muitas vezes. sonolência. especialmente confusão. Não tomar um fármaco ou tomar mais ou menos doses que as indicadas pode causar problemas. podem aparecer os sintomas de uma doença. o denominado sistema nervoso colinérgico. causa confusão. . Antidepressivos Devido às duas potentes propriedades anticolinérgicas e sedativas. Pode ser útil em doentes que não podem tomar aspirina. os vasos sanguíneos. Alguns fármacos tendem a provocar reacções adversas. A pentazocina é um analgésico narcótico que tem mais possibilidades de causar confusão e alucinações que outros fármacos do mesmo tipo.diminuir mais a pressão arterial nas pessoas mais idosas que nos jovens. em geral. Às vezes causa confusão ou vertigens. a nizatidina e a famotidina. a amitriptilina. capítulo 11). Antiulcerosos As doses correntes de alguns bloqueadores da histamina podem causar reacções adversas. não é o melhor antidepressivo para as pessoas com mais idade. sendo estas frequentes e intensas nas pessoas de idade avançada. Por exemplo. Geralmente são poucas as vantagens que oferece em relação à aspirina na prevenção da formação de coágulos. mas também em menor grau a ranitidina. A meperidina injectada actua como um analgésico muito potente. O cérebro. a ticlopidina não é mais eficaz que a aspirina para a prevenção de embolias e é consideravelmente mais tóxica. Por isso. Entre todos os anti-inflamatórios não esteróides a indometacina é a substância que mais afecta o cérebro. Existem alguns riscos se não se seguem as indicações do médico em relação a um fármaco. os olhos. Fármacos que comportam maiores riscos nas pessoas de idade avançada Analgésicos O propoxifeno não alivia a dor mais que o paracetamol e tem efeitos secundários sedativos. Se uma pessoa mais velha não deseja seguir as indicações do médico. Anticoagulantes O dipiridamol pode causar leves enjoos nas pessoas com mais idade quanto estas estão de pé (hipotensão ortostática). a falta de cumprimento das indicações do médico entre as pessoas mais velhas não é mais frequente que entre os jovens. a bexiga e os intestinos tornam-se mais sensíveis aos efeitos secundários anticolinérgicos de alguns dos fármacos mais utilizados. Pode causar obstipação. Os fármacos com efeitos anticolinérgicos bloqueiam a acção de uma parte do sistema nervoso. No entanto. não é muito eficaz sobre a dor por via oral e. uma vez que na maioria dos casos estão disponíveis alternativas mais seguras. Geralmente. no entanto. devem evitar-se determinados fármacos. (Ver secção 2. Importa destacar a cimetidina. o coração. deve comentar isso e não agir por sua conta. ou então o médico pode alterar o tratamento.

incluindo movimentos anormais dos braços. das pernas e do corpo. Antidiabéticos (hipoglicemiantes) A clorpropamida tem efeitos de acção prolongada. Dado que a clorpropamida causa retenção de líquidos. prometazina. os alcalóides da beladona e o clidinio-clordiazepóxido são usados para tratar cãibras e dores de estômago. Antipsicóticos Embora os antipsicóticos como a clorpromazina. Muitas vezes estes fármacos são tóxicos. A administração de reserpina é perigosa porque pode provocar depressão. Embora. em particular em doses baixas toleradas pelas pessoas mais velhas. e muitos dos que se administram com prescrição médica. pode diminuir o ritmo cardíaco e piorar a depressão. As pessoas mais velhas. o haloperidol. de modo geral. impotência. Entre eles figuram remédios combinados para a constipação como os fármacos clorfeniramina. a hiosciamina. Relaxantes musculares e antiespasmódicos A maioria dos relaxantes musculares e antiespamódicos como o metacarbamol. Suplementos de ferro Uma dose de sulfato ferroso que exceda os 325 miligramas diários não melhora a absorção de ferro de forma considerável e pode provavelmente causar obstipação.o carisoprodol. difenidramina. movimentos anormais e efeitos secundários anticoligérnicos. só ou em combinação com outros fármacos. sedação e vertigem quando se está de pé. Antiespasmódicos gastrointestinais Os antiespasmódicos gastrointestinais como a diciclomina. Quando for necessário administrar antihistamínicos. às vezes. os remédios para a tosse e para o resfriado que não contenham anti-histamínicos. Anti-hipertensivos A metildopa. a repetição de perguntas. O tratamento deve ser controlado com frequência e interrompido o mais cedo possível. que são exagerados nas pessoas mais velhas e podem diminuir os valores do açúcar no sangue (hipoglicemia) durante um longo período. ciproheptadina. não se estabeleceu a sua eficácia no tratamento das perturbações do comportamento associadas à demência (como a agitação. o delírio. o lançar coisas e dar pancadas). a propantelina. dexclorfeniramina. São altamente anticolinérgicos e a sua utilidade é duvidosa. a . pode também diminuir a concentração de sódio no sangue. em caso de necessidade absoluta. Antináuseas (antieméticos) A trimetobenzamida é um dos fármacos menos eficazes para as náuseas e pode causar efeitos adversos. Anti-histamínicos Todos os anti-histamínicos de venda sem receita. sejam úteis para as reacções alérgicas e as alergias sazonais. hidroxizina. em geral os anti-histamínicos não o são quando o nariz goteja e quando existem outros sintomas de infecção viral. a tioridacina e o tiotixena sejam eficazes no tratamento dos estados psicóticos. têm efeitos anticolinérgicos poderosos. produzindo sedação. Para as pessoas mais velhas são mais seguros. são preferíveis os que não tenham efeitos anticoligérnicos (terfenadina.A doxepina também é um anticoligérnico potente. tripelenamina. devem utilizar antipsicóticos somente em doses baixas. loratadina e astemizol).

Os outros efeitos podem ser classificados como não desejados. a clorozoxazona. a metaxalona e a ciclobenzaprina têm efeitos secundários de tipo anticolinérgico e produzem sedação e perda de forças. se referir ao efeito secundário. Um neurotransmissor é uma substância química que as células nervosas usam para a comunicação entre si mesmas. visão enevoada. boca seca. sós ou em combinação com outros. No entanto. As benzodiazepinas utilizadas para tratar a ansiedade e a insónia (clordiazepóxido. podem causar sonolência prolongada e aumentar os riscos de queda e de fracturas. Os fármacos que têm efeitos anticolinérgicos podem causar confusão. o médico pretende que o doente experimente só um (ou alguns) deles. Apesar de quase toda a gente. um anti-histamínico. Sedativos. mais de 96 horas). A maior parte destes fármacos não são concebidos para bloquear a acetilcolina. no mínimo. Reacções adversas aos fármacos Um erro frequente é considerar que os efeitos farmacológicos se podem dividir claramente em dois grupos: efeitos desejados ou terapêuticos e não desejados ou secundários. Na realidade. comporta muitas desvantagens. incluindo os médicos e o pessoal de saúde. No entanto. com os músculos e com várias glândulas. Não deve surpreender-nos o facto de as reacções adversas aos fármacos serem frequentes. desagradáveis. outras são mais graves e de maior duração. em geral. Diz-se que os fármacos que impedem a acção do neurotransmissor acetilcolina têm efeitos anticolinérgicos. evitar os barbitúricos.oxibutinina. os seus efeitos anticolnérgicos são efeitos secundários. Estes fármacos. o termo reacção adversa ao fármaco é mais apropriado para os efeitos não desejados. pelo contrário. ansiolíticos e hipnóticos O meprobamato não oferece mais vantagens que as benzodiazepinas e. . é o princípio activo de muitos sedativos de venda livre (sem receita médica). Anticolinérgicos A acetilcolina é um dos muitos neurotransmissores do organismo. uma reacção adversa a algum fármaco. enjoos e dificuldade na micção ou incontinência urinária. a maioria dos fármacos produz efeitos vários. Embora muitas destas reacções sejam relativamente leves e desapareçam ao suspender-se a sua administração ou ao modificar-se a dose. As pessoas de idade avançada são particularmente sensíveis aos fármacos com efeitos anticolinérgicos porque a quantidade de acetilcolina do organismo diminui com a idade e porque o seu organismo tem menor capacidade para utilizar a própria. É duvidosa a utilidade que possam ter todos os relaxantes musculares e antiespasmódicos quando administrados nas doses baixas toleradas pelas pessoas mais velhas. ou potencialmente nocivos. Também têm interacções com muitos outros fármacos. Os barbitúricos como o secobarbital e o fenobarbital causam mais efeitos secundários que outros fármacos utilizados para tratar a ansiedade e a insónia. A difenidramina. As pessoas mais velhas devem. Entre 15 % a 30 % dos doentes hospitalizados apresentam. Calculase que em alguns países cerca de 10 % das admissões nos hospitais são devidas a reacções adversas aos fármacos. excepto para o tratamento de perturbações de tipo convulsivo. obstipação. a difenidramina tem efeitos anticolinérgicos poderosos. diazepam e flurazepam) têm efeitos de duração muito longa nas pessoas mais velhas (muitas vezes.

Os médicos consideram como reacções ligeiras e de pouca importância as referentes às queixas gastrointestinais. Por exemplo. a dificuldade em urinar (frequente para muitos fármacos administrados a homens em idade avançada). muitas vezes. icterícia (lesão do fígado). Exemplos dessas reacções adversas consistem em erupções cutâneas. sensação de tensão. Nessa lista figuram ainda reacções como as erupções cutâneas (especialmente se forem extensas e persistentes). lesões do rim e lesões nervosas com possíveis alterações visuais e auditivas. se o doente sente os efeitos da medicação como uma diminuição na sua qualidade de vida. subjectiva. a avaliação é. se o doente for demasiado sensível a este. Além disso. O segundo grupo são as reacções que resultam de alguns mecanismos que ainda não se compreendem muito bem. náuseas e palpitações se a insulina ou o fármaco hipoglicemiante reduzir em excesso o nível do açúcar no sangue. Intensidade das reacções Não existe uma escala universal para descrever ou determinar a gravidade de uma reacção adversa a um fármaco em particular. como ibuprofeno. no caso em que o doente as considere ou sinta como claramente incómodas. qualquer variação perceptível do humor ou do estado mental e algumas alterações nas componentes do sangue (como as gorduras ou os lípidos). Isso pode representar um problema importante para se atingir os objectivos do tratamento. aumentando assim a sua concentração no sangue. No entanto. suor. dores musculares ligeiras. Este tipo de reacção adversa ao fármaco. anemia. As reacções moderadas incluem as descritas como ligeiras. alterações no regime do sono e mal-estar (uma sensação generalizada de doença ou de inquietação). essas reacções afectam só um grupo reduzido. ou se outro fármaco retardar o metabolismo do primeiro. Por exemplo. Um diabético pode manifestar falta de forças. essas reacções são preocupantes para aqueles que as experimentam. O aparecimento de reacções adversas ligeiras ou moderadas não significa necessariamente que se . tais como perda do apetite.Tipos de reacções É possível dividir as reacções adversas aos fármacos em dois grupos principais. náuseas. em grande parte. as queixas visuais (especialmente em pessoas que usam lentes graduadas). o tremor muscular. devido a diferenças genéticas no metabolismo do fármaco ou à resposta do organismo à sua acção. obstipação e diarreia. embora previsível. é possível que não colabore com o plano terapêutico prescrito. No entanto. se se tomar continuadamente aspirina ou outros anti-inflamatórios não esteróides. às vezes é inevitável. Uma reacção adversa ocorre se a dose de um fármaco for excessiva. O primeiro compreende as reacções que representam um excesso dos efeitos farmacológicos e terapêuticos que se conhecem e se esperam de um fármaco determinado. Alguns efeitos secundários dos fármacos não se ajustam facilmente a nenhum dos dois grupos. quetoprofeno e naproxeno. assim como as relacionadas com dores de cabeça. Este tipo de reacção adversa a um determinado fármaco é imprevisível até que o médico obtenha informação sobre outros doentes com reacções semelhantes. um doente que está em tratamento com um fármaco para reduzir a tensão arterial elevada pode sofrer enjoos ou vertigens se esta diminuir excessivamente. as queixas gastrointestinais representam uma percentagem elevada do total das reacções conhecidas. fadiga. diminuição do número de glóbulos brancos. Dado que a maioria dos fármacos se ingere por via oral. Essas pessoas podem ser alérgicas ou hipersensíveis a um medicamento. Estas reacções são previsíveis e os mecanismos envolvidos são amplamente conhecidos. dolorosas ou mesmo intoleráveis. a irritação gástrica e a hemorragia surgem.

os efeitos secundários adicionais ou não detectados durante os testes. ou fármacos imunossupressores para doentes submetidos a transplantes de órgãos). juntamente com uma proposta de processo de produção do fármaco. mas as autoridades podem reduzir este período para um fármaco que considerem ser um avanço terapêutico de maior importância. Mesmo depois de ser aprovado o novo fármaco. se o fármaco provocar obstipação). distribuição. uma vez comercializado. o fabricante deve levar a cabo um controlo de pósdistribuição (fase IV) e comunicar. ao levantar ou ao deitar) e do uso possível de outros agentes para aliviar o doente (por exemplo. A maior parte dos testes tende a avaliar a sua eficácia e a sua segurança relativa. em seguida. No entanto. o sexo. Estes estudos efectuam-se em várias fases. Na maior parte dos casos o procedimento de revisão e de aprovação necessita de 2 a 3 anos a partir do momento da apresentação da solicitação. do ritmo de administração (número de doses diárias). Os efeitos secundários importantes que se manifestem um em cada 10000 doses. especialmente se não se dispõe de uma alternativa melhor. incluindo possíveis efeitos sobre a capacidade de procriação e a saúde da progénie. em cada 50000 doses. Se os testes em animais forem satisfatórios. Esse controlo é importante. os estudos em seres humanos incidem no tipo e na frequência dos efeitos secundários e nos factores que favorecem essas reacções (como a idade. para prevenir ou curar úlceras gástricas. as autoridades sanitárias permitem que o fármaco seja estudado em seres humanos. Testes e controlo de segurança em fármacos novos Antes de as autoridades sanitárias autorizarem a comercialização de um fármaco novo este deve submeter-se a testes rigorosos tanto em animais como em seres humanos. os fármacos provocam reacções graves com risco de morte. As reacções graves implicam que se suspenda a administração do fármaco e se proceda ao seu tratamento. Os médicos e os farmacêuticos são convidados a participar na verificação ou controlo do fármaco. porque mesmo nos estudos mais completos. só podem ser detectados quando um . e o texto que aparecerá no rótulo do produto. ainda mais. Utilizam-se então todos os meios disponíveis para tratar essas reacções graves. os médicos devem continuar a administrar fármacos a pessoas de alto risco (por exemplo. o médico deve fazer uma nova avaliação da dose. deve poder curar ou prevenir. No entanto. são apresentados às autoridades sanitárias os dados obtidos durante os testes nos animais e seres humanos. anteriores à comercialização. como a famotidina ou a ranitidina. II e III). Também é possível administrar antiácidos líquidos de alta potência ou bloqueadores dos receptores H2. Em seguida. Além de determinar a eficácia terapêutica. só podem ser detectados efeitos secundários que apareçam numa proporção de uma em cada 1000 doses. supostamente. ou. o fármaco novo é estudado primeiro num pequeno número de voluntários sãos e depois num número crescente de pessoas que sofram ou possam contrair a doença que o fármaco. em certos casos. Podem igualmente efectuar-se transfusões de plaquetas para tratar hemorragias graves ou então injectar eritropoietina para estimular a produção de glóbulos vermelhos em doentes com anemia induzida por um fármaco. Os médicos administram. efectuam-se estudos em animais para recolher informação sobre a cinética do fármaco (absorção. tratamentos com quimioterapia em doentes com cancro. as perturbações agravantes e as interacções com outros fármacos). Nesta fase do estudo são muitos os fármacos que são rejeitados por não demonstrarem efeitos positivos ou por serem demasiado tóxicos. Primeiro. o médico pode recomendar o uso de um laxante. embora estas sejam relativamente raras. do horário (antes ou depois das refeições. antibióticos para combater a infecção em doentes com um sistema imunitário debilitado. Nas fases de précomercialização (fases I.deva suspender um medicamento. Por vezes. metabolismo e mecanismos) e a sua segurança. o folheto explicativo que se deve juntar ao produto. por exemplo.

podem aliviar-se com fármacos de venda sem prescrição médica. uma ves este comercializado.grande número de pessoas utiliza o fármaco. os médicos consideram a gravidade da perturbação que se está a tratar e o impacto que terá na qualidade de vida do paciente. o risco de reacções adversas aumenta se se tomarem ao mesmo tempo outros fármacos com ou sem prescrição médica. Na maioria dos casos. com aumento do risco de Fármacos anticancerígenos infecção Alguns fármacos antitiroideanos (como o propiltiouracilo) Lesão hepática Paracetamol (uso repetido em doses excessivas). um cancro ou a rejeição de um órgão transplantado). os benefícios e os riscos potenciais não se podem determinar com precisão matemática. Quantidades excessivas de compostos de ferro Muitos outros fármacos. as queixas relativamente leves como a tosse e os resfriados. cujo risco de efeitos secundários é muito reduzido. efeitos positivos e negativos. quetoprofeno e naproxeno). Certos antibióticos (como o cloranfenicol). Anemia (diminuição da produção ou Alguns fármacos anti-inflamatórios não esteróides (como aumento da destruição de glóbulos indometacina e fenilbutazona). Relação entre benefícios e riscos Qualquer fármaco pode ter. ao mesmo tempo. gástrica Aspirina e outros anti-inflamatórios não esteróides (como ibuprofeno. de algum modo. Quando se calculam os efeitos positivos e negativos de um fármaco. um acidente vascular cerebral. Antes de prescrever um fármaco. Os médicos devem também considerar as consequências de suprimir o fármaco. um enfarte cardíaco. No entanto. Anticoagulantes (como a heparina e a varfarina). vermelhos) Fármacos contra a malária ou a tuberculose em doentes com deficiência do enzima G6PD. as distensões musculares ou as dores de cabeça ocasionais. Diminuição da produção de glóbulos Determinados antipsicóticos (como a clozapina) brancos. ser perigoso. especialmente em pessoas com doenças hepáticas preexistentes ou que consomem bebidas . Algumas reacções adversas graves dos fármacos Efeito secundário Fármacos Corticosteróides (como a prednisona ou a hidrocortisona) administrados por via injectável ou oral (não aplicados sobre Úlcera péptica ou hemorragia a pele em cremes ou loções). deve assumir-se um maior risco de reacções graves quando se utilizarem medicamentos para tratar uma doença grave ou potencialmente mortal (por exemplo. Em contrapartida. Os fármacos de venda livre para o tratamento de perturbações menores apresentam uma margem de segurança ampla se forem administrados segundo as instruções. As autoridades sanitárias podem exigir a retirada do fármaco se novas evidências indicarem que este pode. O uso de um fármaco não é justificado se os benefícios não superarem os riscos possíveis. os médicos avaliam os riscos e os benefícios possíveis que esperam obter. Por exemplo. Alguns fármacos para o tratamento da tuberculose ( como a isoniazida).

O consumo de álcool. O número e a gravidade das reacções adversas aumenta de forma desproporcionada com a quantidade de fármacos ingeridos. Entre os fármacos que podem causar estes problemas encontram-se muitos dos anti-histamínicos. se este antibiótico for administrado às crianças durante o período em que se desenvolve a dentição (que pode ir até aos 7 anos de idade). e por isso tomam vários fármacos com e sem prescrição médica. O risco de efeitos secundários é muito elevado nas pessoas mais velhas porque podem ter muitos problemas de saúde. hipnóticos. muitas vezes. O funcionamento dos rins e a capacidade do organismo para eliminar os fármacos diminuem com a idade. Eles incluem o uso simultâneo de vários fármacos. porque a sua capacidade para os metabolizar não se desenvolveu completamente. Terapia farmacológica múltipla Tomar vários fármacos ao mesmo tempo com ou sem prescrição médica aumenta o risco de uma reacção adversa aos mesmos. Além disso. Por exemplo. estes processos complicam-se. que pode considerar-se uma substância tóxica. Factores de risco Muitos factores podem aumentar a probabilidade de uma reacção adversa ao fármaco. capítulo 9) Os fármacos e a mulher grávida Na mulher grávida muitos fármacos podem passar da circulação materna. Idade As crianças são especialmente susceptíveis aos efeitos secundários dos fármacos. uma reacção grave e muitas vezes mortal. Fármacos anti-inflamatórios não esteróides (uso repetitivo de Lesão renal (o risco de lesões do rim doses excessivas) provocadas por fármacos aumenta Antibióticos aminoglicosídeos (como a canamicina e com a idade) neomicina). A tetraciclina pode escurecer a cor do esmalte dos dentes para sempre. As crianças com menos de 15 anos podem apresentar a síndroma de Reye se lhes for administrada aspirina para tratar a gripe ou a varicela. a velhice ou a pouca idade do doente. os que recebem este tratamento podem desenvolver a síndroma do bébé gris.alcoólicas em excesso. Alguns fármacos anticancerígenos (como a cisplatina). aumenta o risco. a gravidez. (Ver tabela da secção 2. ansiolíticos e antidepressivos. certas doenças e factores hereditários. As pessoas de idade avançada que tomam fármacos que provocam sonolência. através da placenta. os recémnascidos não podem metabolizar e eliminar o antibiótico cloranfenicol. pela desnutrição e pela desidratação. A revisão periódica por parte do médico ou do farmacêutico de todos os fármacos que se tomam contribui para reduzir o risco de se verificarem reacções adversas. para o cordão umbilical e atingir finalmente a circulação fetal . Algumas pessoas de idade avançada não compreendem as instruções para o uso correcto dos fármacos. confusão e falta de coordenação são propensas a sofrer quedas e fracturas ósseas.

o número e a gravidade das reacções adversas aos fármacos aumentam proporcionalmente ao incremento da dose. deveriam usar um colar ou uma pulseira de alerta médico. capítulo 8) Devido a factores hereditários. com problemas de saúde complicados. cocaína e narcóticos como a heroína) podem prejudicar tanto o processo de gestação como o feto. Outros factores As doenças podem alterar a absorção. desde um mal-estar ligeiro até reacções graves com risco de morte. alergia à penicilina. incluindo aspectos como a atitude mental. As pessoas que sofreram reacções alérgicas graves. uma reacção grave e com risco de morte pode requerer uma injecção de adrenalina (também denominada epinefrina) ou de glicocorticóides (como a hidrocortisona). capítulo 169) As reacções alérgicas incluem erupções cutâneas. A informação inscrita na pulseira (por exemplo. já que as reacções se apresentam depois de um indivíduo ter estado exposto a ele uma ou várias vezes (quer por via subcutânea. Uma reacção ligeira pode tratar-se simplesmente com um anti-histamínico. ou que estão a tomar fármacos de alto risco. assim como a resposta do próprio organismo. inflamação de certos tecidos. Na medida do possível. As drogas sociais e ilícitas (álcool. (Ver secção 2. especialmente durante o primeiro trimestre. nicotina. obstrução das vias respiratórias e sibilos. Ainda se desconhece. No entanto. que podem dificultar a respiração. Para eles. o âmbito das interacções mente-corpo. As alergias a um fármaco são imprevisíveis. O médico deve supervisar o uso de qualquer fármaco com ou sem prescrição médica. algumas vezes até níveis perigosamente baixos. alguns doentes podem ser mais propensos aos efeitos tóxicos de alguns fármacos. a fé em si mesmo e a confiança nos médicos. as mulheres grávidas não devem tomar fármacos. ardores. esta relação dose-efeito não é aplicável aos indivíduos alérgicos ou hipersensíveis a um fármaco. diabético insulinodependente. como a laringe e a glote.Gravidez Muitos fármacos podem influir no desenvolvimento do feto. pontos de vista. em grande medida. Alergias aos fármacos De modo geral. e queda da tensão arterial. tratamento com varfarina) alertará o pessoal de saúde no caso de surgir uma emergência. Toxicidade por sobredosagem . mesmo pequenas quantidades do fármaco podem desencadear uma reacção alérgica. os médicos perguntam ao doente se tem alguma alergia conhecida a algum fármaco. Antes de prescrever um medicamento. o metabolismo e a eliminação de um fármaco. febre. oral ou endovenosa) sem que se observasse qualquer reacção. (Ver secção 16.

Cumprir o tratamento farmacológico A profissão médica define o cumprimento como o grau de exactidão com que um doente segue o tratamento. muitas vezes os médicos preferem o que apresenta o menor risco de toxicidade por sobredosagem. Certas normas. e algumas vezes mortais. A falta de cumprimento não só aumenta o custo da assistência médica. As benzodiazepinas não são mais eficazes que os barbitúricos. cada ano. a pergunta-chave é esta: porque é que alguém se esquece de seguir o tratamento? Muitas vezes. em milhares de mortes por doenças cardiovasculares como o enfarte cardíaco e o acidente vascular cerebral (icto). que atraem a atenção das crianças. de um modo geral. se for necessário um sedativo. poderiam evitar-se até 23 % das admissões nos hospitais. a causa é um mecanismo psicológico de rejeição simples. muitos testes de diagnóstico e muitos tratamentos desnecessários. Além disso. A segurança é também a razão pela qual os antidepressivos mais recentes como o fluoxetina e a paroxetina substituíram.A toxicidade por sobredosagem refere-se a reacções tóxicas graves. Por exemplo. em vez de barbitúricos como o pentobarbital. igualmente eficazes. uma dose errada de fármaco para a tensão arterial . uma dose errada de um fármaco para o coração pode provocar uma arritmia e uma paragem cardíaca. como pode piorar a qualidade de vida. em grande medida. a menos que o interessado renuncie a isso por escrito. Em certos países. No entanto. e na maioria das listas telefónicas encontra-se o seu número telefónico. A maioria dos comprimidos e das cápsulas coloridas. A consequência mais evidente da falta de cumprimento é que nem se alivia nem se cura a doença. em alguns países. do farmacêutico ou do doente) ou por sobredosagem intencional (homicida ou suicida). muitas vezes nocivas. um fármaco ansiolítico ou um hipnótico. requerem que todos os fármacos orais com prescrição se vendam em embalagens à prova de crianças. são fórmulas de doses para adultos. Consequências do não cumprimento Mesmo o melhor tratamento médico fracassa se não se seguirem as suas indicações. antidepressivos mais antigos como a imipramina e a amitriptilina. Por exemplo. muitas consultas médicas. As crianças apresentam um elevado risco de toxicidade por sobredosagem. benzodiazepinas como o diazepam e o triazolam. não cumprir um tratamento com fármacos traduz-se. Estar doente é uma causa de preocupação e ter de tomar um fármaco é uma recordação constante da doença. O custo do tratamento. mas têm uma margem de segurança maior e muito menos probabilidade de causar toxicidade grave em caso de uma sobredosagem acidental ou intencional. Estudos efectuados sobre o comportamento dos doentes demonstram que só 50 % dos que saem do consultório com uma prescrição tomam o fármaco segundo as indicações. Perante fármacos igualmente eficazes. O esquecimento é a causa mais frequente para a falta de cumprimento. com o pretexto de que é difícil abri-las. por sobredosagem acidental de um fármaco (devido a um erro do médico. uma dose errada de um fármaco para o glaucoma pode provocar lesões graves no nervo óptico e cegueira. o incómodo e os possíveis efeitos adversos são outras das causas do não cumprimento de um tratamento. É possível que algum aspecto do tratamento preocupe o doente. Este número deve ser anotado e mantido perto do telefone ou programado nas chamadas automáticas. se as pessoas tomassem os medicamentos segundo as indicações recebidas. Muitos países dispõem de serviços de informação sobre intoxicações por substâncias químicas e medicamentos. os médicos prescrevem. provocando a rejeição em segui-lo.

não obter o fármaco).elevada pode ocasionar um acidente vascular cerebral. revelou que 56 % deixou de tomar o fármaco ao terceiro dia. capítulo 10) Estas pessoas podem estar a tomar fármacos prescritos por vários médicos e remédios sem prescrição. Temer consequências adversas ou receio de criar dependência ao fármaco. dando muitas vezes as suas instruções por escrito. Uma boa comunicação é útil para que o médico desenvolva um tratamento simples e para evitar os perigos das interacções imprevistas entre fármacos. Razões para não continuar um tratamento Não entender ou interpretar mal as instruções. a quem tinha sido prescrito um tratamento de penicilina durante 10 dias. Experimentar efeitos secundários (o tratamento pode ser considerado pior que a doença)? Negar a doença (reprimindo o diagnóstico ou o seu significado). Cumprimento nas crianças As crianças são ainda menos propensas que os adultos a seguir um tratamento. que requerem tratamentos complexos de longa duração. Preocupar-se com os gastos. Acreditar erradamente que a doença foi suficientemente tratada (por exemplo. os pais não entendem claramente as instruções. (Ver secção 2. considerar incómodo o tratamento. são propensas a sofrer reacções adversas ao fármaco. Os estudos demonstram que os pais se esquecem de cerca de 50 % da informação recebida 15 minutos depois de terem consultado o médico. Um estudo efectuado em crianças com infecções por estreptococos. tendo por isso dificuldade em recordar quando devem tomar cada medicamento. e um erro ao tomar a dose prescrita de um antibiótico pode ocasionar uma recidiva da infecção e promover o desenvolvimento de bactérias resistentes ao fármaco. Cumprimento nos mais velhos As pessoas de idade avançada podem estar a tomar vários fármacos ao mesmo tempo. Essa é a razão pela qual os pediatras tentam prescrever um tratamento simples. Enfrentar obstáculos (por exemplo. Os pais recordam melhor o primeiro terço da discussão e o diagnóstico do que os pormenores do tratamento. a febre pode desaparece antes da erradicação total da bactéria causadorar). Portanto. Esquecer-se de tomar o fármaco. (Ver secção 2. numa infecção. 71 % ao sexto dia e 82 % ao nono dia. todos os médicos implicados devem saber que fármacos estão a tomar. ter dificuldade para deglutir comprimidos ou cápsulas. ter problemas para abrir frascos. A falta de cumprimento é ainda pior em doenças crónicas como a diabetes juvenil e a asma. Desinteresse por sentir-se melhor (apatia). Não ter fé na eficácia do fármaco. Às vezes. As pessoas mais velhas são de modo geral mais sensíveis aos fármacos e necessitam de doses diferentes. capítulo 9) Uma boa comunicação é útil para assegurar que não reduzam a dose do fármaco por sua iniciativa para diminuir os efeitos secundários. Devido a isto. .

a enfermeira. A boa comunicação assegura também que todo o pessoal de saúde implicado entenda o tratamento prescrito pelos seus colegas. A comunicação recíproca é a melhor via. Se o médico. Existem grupos de apoio para doentes com doenças similares. o farmacêutico e o resto o pessoal de saúde acompanharem o tratamento com interesse. A relação recíproca entre doente e médico pode começar por um intercâmbio de informação. assume também a responsabilidade e tem mais probabilidades de seguir o tratamento estabelecido. Se o doente participar na planificação da sua própria assistência sanitária. Os estudos demonstram que os doentes que recebem explicações do seu médico estão mais satisfeitos e apreciam-no mais. farmacêutico ou enfermeira têm mais probabilidades de obter melhores resultados.Comprar todos os fármacos numa só farmácia pode também ser útil. Aqueles doentes que assumem a responsabilidade de vigiar os efeitos positivos e negativos do tratamento e de discuti-los com o seu médico. com conhecimento de causa. depois de discutir abertamente o problema. Devem ser informados acerca dos efeitos não desejados ou inesperados antes de tomar a decisão de modificar ou suspender o tratamento por sua conta. aumenta também o grau de cumprimento. uma vez que quase toda a gente deseja fazer parte do processo de tomada de decisões. o doente fá-lo-á também com mais interesse. Os mal-entendidos podem solucionar-se consultando um profissional bem informado. Muitas vezes. as vantagens e as desvantagens do tratamento proposto. estes agrupamentos podem reforçar os planos de tratamento e inclusivamente proporcionar sugestões para solucionar os . Razões pelas quais um tratamento pode desviar-se do seu objectivo A falta de cumprimento da prescrição Cumprimento da prescrição. mas administração incorrecta do Erros com o fármaco fármaco Tomar um fármaco que não foi prescrito Demora em solicitar assistência Rejeição ou incapacidade para iniciar o tratamento Tratamento dificilmente acessível. incómodo ou demasiado Contacto inadequado com o caro médico Não ir à consulta médica Interrupção prematura do tratamento Não submeter um problema á atenção do médico Não tomar as medidas preventivas recomendadas Resistência em seguir um Não seguir as instruções de maneira completa tratamento Não participar nos programas sanitários aconselhados Formas de melhorar a adequação do tratamento O doente cumpre o tratamento com mais facilidade se mantiver uma boa relação com o seu médico. o doente pode chegar a aceitar a gravidade da sua doença e a avaliar. Perguntando. uma vez que a maioria das farmácias conservam registos informatizados dos fármacos que os seus clientes compram e podem controlar possíveis duplicações ou interacções. As instruções escritas são úteis para evitar os erros causados por esquecimento. Também é importante receber explicações claras e entender as razões do tratamento. O doente pode também ter boas razões para não continuar o tratamento e o médico pode modificálo de forma adequada. À medida que aumenta este apreço.

dá-se-lhe um nome químico. o fabricante só pode comercializar o novo fármaco de maneira exclusiva durante aproximadamente 7 anos. um fármaco é demasiado difícil de duplicar ou não existem provas adequadas disponíveis que demonstrem que o fármaco genérico actua como o fármaco com nome . Por exemplo. o nome comercial. que o identifica como propriedade exclusiva de uma determinada companhia. nas receitas escreve-se. (Ver tabela da secção 2. se uma companhia desenvolve um novo fármaco. O governo. Muitos nomes genéricos são uma forma abreviada do nome químico. o Glucotrol diminui a concentração elevada de açúcar no sangue (glicose) e o Skelaxin é um relaxante musculoesquelético. Se a patente expira. com frequência. De modo geral. Os fármacos são conhecidos. Os nomes demasiado semelhantes podem induzir em erros na prescrição e na distribuição de um fármaco. da estrutura ou da fórmula do fármaco. O fabricante possui. para o seu processo de fabrico ou para a sua utilização. capítulo 5) Quando se descobre pela primeira vez um fármaco. frequentemente. muitas vezes a um preço muito menor que o da marca original. centros de assistência sanitária e organismos de informação para a saúde. normalmente. outras companhias podem vender uma versão genérica do fármaco. uma característica particular do fármaco. o nome comercial Minocin é simplesmente uma versão reduzida de minociclina. o Vivactil é um antidepressivo que anima o doente. concede-se-lhe uma patente única para o próprio fármaco. Os organismos competentes devem assegurar que os nomes genéricos e comerciais sejam únicos e não possam confundir-se com outros fármacos. No entanto. As patentes garantem à companhia os direitos exclusivos do fármaco durante um número determinado de anos. Os nomes genéricos são. Por outro lado.problemas. uma versão simplificada do nome químico ou um nome em código criado para facilitar a referência entre os investigadores. geralmente. Às vezes. É possível obter os nomes e os números telefónicos destes grupos em hospitais. os médicos. o Lopressor diminui a pressão arterial. o termo genérico implica pagar menos. Medicamentos genéricos O termo genérico usa-se para descrever as versões mais baratas de produtos de marcas muito conhecidas e muito utilizadas. Eles indicam. muitas vezes. podem decorrer cerca de 10 anos desde o momento da sua descoberta ao da sua aprovação para uso em seres humanos ou em animais. recebem com frequência uma aprovação mais rápida. Os fármacos contra a SIDA e outros fármacos novos para doenças com risco de morte. mas também obter um nível inferior de qualidade e de eficácia. mais complicados e difíceis de lembrar que os comerciais. chamativos e relativamente fáceis de recordar. por vários nomes. A característica mais importante de um nome genérico é a sua individualidade. geralmente. Se os organismos de saúde oficiais (responsáveis por garantir a segurança e a eficácia) aprovarem o fármaco para prescrição geral. No entanto. Nem todas as patentes de fármacos que terminaram têm versões genéricas. os investigadores e aqueles que escrevem sobre o novo composto usam o nome genérico do fármaco porque só se referem ao próprio fármaco e não a uma marca concreta de uma companhia farmacêutica nem de um produto específico. o nome genérico do fármaco. Protecção da patente Em muitos países. Os nomes comerciais também devem ser únicos e são. mais de uma patente por fármaco e pode possuir além disso uma patente do sistema que distribui e liberta o fármaco no sangue. atribuem-lhe dois nomes adicionais: um nome genérico (nome oficial) e um nome comercial (também denominado patente ou marca registada). Para alguns alimentos e produtos domésticos. Devido a isso. isso não acontece com os produtos farmacêuticos.

os novos fármacos requerem estudos mais extensos. (Ver tabela da secção 2. o organismo oficial competente deve aprovar todas as versões genéricas do mesmo. Em comparação com os genéricos. para evitar que o comprimido se desagregue durante o período entre o fabrico . componentes inactivos diferentes. Este trâmite indispensável aplica-se igualmente. geralmente sobre um número relativamente reduzido de voluntários sãos (15 a 20). Um medicamento genérico pode vender-se sob um nome comercial (um medicamento genérico de marca) ou sob o seu nome genérico. Utilizam princípios activos idênticos aos do fármaco original. provavelmente. pode assumir-se que os medicamentos genéricos também actuam correctamente. Estes estudos de investigação denominam-se estudos de bioequivalência. No entanto. para que a companhia possa comercializar uma versão de acção prolongada de qualquer fármaco. Os componentes inactivos juntamse por razões específicas. só para determinar se a versão genérica de um fármaco liberta os seus princípios activos no sangue da mesma maneira que a marca original. No entanto. Sempre que se desenvolve uma nova forma do fármaco. Uma vez que estes fármacos estão sujeitos a muito mais variações que os comprimidos e as cápsulas normais. Os comprimidos podem ser mais resistentes. Comparação entre genéricos e fármacos com nome comercial Desenvolver e produzir fármacos não é como seguir um livro de receitas de cozinha.comercial. Em todo o caso. os inspectores correspondentes necessitam de testes prolongados como requisito para a solicitação do novo fármaco. os seus especialistas em formulação estudam o produto. Os medicamentos genéricos novos são submetidos a testes para garantir que contêm as quantidades adequadas de princípios activos e que estão a ser fabricados segundo as normas de fabrico oficiais. mesmo que outra versão do fármaco com difusão regulada já esteja no mercado. deve demonstrar-se que é bioequivalente em relação à forma original para estabelecer a segurança e a eficácia do fármaco. E também para garantir que se libertam no organismo à mesma velocidade e com o mesmo alcance que os fármacos originais com nome comercial. As normas são diferentes para os fármacos de libertação regulada (de acção prolongada ou de libertação sustentada). embora usem. Podem utilizar-se muitas vias diferentes para produzir um fármaco seguro e eficaz. o comprimido ou a cápsula utilizada durante os ensaios clínicos e as fases do desenvolvimento do produto deve ser modificada por razões comerciais. Os investigadores das companhias farmacêuticas de produtos genéricos efectuam estudos. a investigação efectua-se em benefício do consumidor. Quando uma companhia decide desenvolver a versão genérica de um fármaco. Procedimentos de avaliação e de aprovação A aprovação de um medicamento genérico por parte do organismo oficial competente baseia-se na evidência científica de que produz um efeito sobre os seres humanos essencialmente idêntico ao do produto original. mais complexos e muito mais caros para demonstrar que são seguros e efectivos. Por exemplo. para aumentar o volume de modo a que o comprimido seja suficientemente grande para ser manipulado. pode-se juntar ou mudar o aroma ou o colorido ou podem alterar-se as componentes inactivas para aumentar a aceitação por parte do consumidor. Muitas vezes. capítulo 10) Os fabricantes de fármacos com nome comercial utilizam técnicas de estudos de bioequivalência quando desenvolvem novas apresentações ou dosificações dos seus fármacos. Este requisito retardou a disponibilidade de versões genéricas de alguns medicamentos de difusão regulada.

que permitem substituir um fármaco com nome comercial por um medicamento genérico considerado idêntico. As variações observadas são 3. salvo se o médico indicar que ela não é procedente em determinado caso. mas não devem ser considerados como equivalentes. os produtos que contêm bissulfitos têm agora rótulos bem visíveis a esse respeito. às vezes. de documentos oficiais sobre a equivalência terapêutica entre medicamentos genéricos e aqueles que são apresentados sob um nome comercial. Essas variações podem ocorrer entre versões comerciais e genéricas de um fármaco ou entre diversas séries (lotes) de um mesmo fármaco. não será igual à versão genérica do fármaco produzida na fábrica da companhia Y. Aceitam-se todas as versões para o tratamento de uma insuficiência da glândula tiroideia. Estes produtos podem vender-se. No entanto.e o seu uso. com nome comercial. Todas estas versões devem ser submetidas a testes para verificar que o efeito no organismo é semelhante. em tamanho. os consumidores defrontam-se regra geral com uma versão genérica que tem um aspecto muito diferente do fármaco com nome comercial. ou para que tenha sabor e cor agradáveis. Um exemplo é a hormona tiroideia. Às vezes dispomos das versões genéricas. Por conseguinte. Os farmacêuticos e os médicos podem determinar quais são os medicamentos genéricos aceitáveis como substitutos e quais o não são. causam reacções alérgicas asmáticas a muita gente. quer seja de nome comercial ou genérico. (Por exemplo. de publicações autorizadas por organismos competentes em cada país. não se devem substituir umas pelas outras porque os padrões de comparação não foram ajustados. as pessoas asmáticas estão também expostas aos bissulfitos porque estes conservantes encontram-se em muitos pulverizadores para tratar esta doença. Por razões legais. Por exemplo. No entanto. Para comprovar que o medicamento genérico aviado é equivalente a uma prescrição anterior. regularmente. os bissulfitos (como o metabissulfito de sódio). um lote de um fármaco produzido numa fábrica da companhia X num determinado país pode não ser idêntico a um lote do mesmo fármaco produzido noutra fábrica da mesma companhia. Escolha de um medicamento genérico Os médicos e os farmacêuticos dispõem.5 % na sua totalidade e não excedem os 10 % em qualquer estudo individual. Do mesmo modo. cor e forma. pode fazer-se livremente. os consumidores podem verificar no rótulo do fármaco o nome genérico do seu princípio activo. Por exemplo. As diferenças reais entre os fármacos genéricos aprovados pelo organismo competente e pelos fármacos com nome comercial que se ingerem por via oral são muito inferiores aos 20 % aceites. substâncias inofensivas que não afectam o organismo. Geralmente. a bioequivalência das diferentes versões de um fármaco pode variar até 20 % sem que se produzam diferenças consideráveis na eficácia. Os componentes inactivos são. sujeita à normativa sanitária e à legislação. mas situada noutro país. Curiosamente. a FDA nos Estados Unidos publica todos os anos um livro sobre Produtos farmacêuticos aprovados com avaliações de equivalência terapêutica. mas estas não podem substituir livremente o fármaco original porque não se estabeleceram os níveis de comparação. com o qual estão familiarizados. os componentes inactivos podem causar reacções alérgicas insólitas e. Isso faz que um fármaco de determinada marca ou uma versão genérica seja mais aceitável que outra. um fármaco genérico difere do seu homólogo. que se utilizam como conservantes em muitos produtos. Portanto. em todo o caso. de modo geral. A substituição.) Trata-se. graves em certas pessoas. para contribuir para a sua dissolução no estômago ou no intestino. O farmacêutico é o responsável pela .

o qual pode fazer uma receita autorizando a versão genérica. Em alguns países. Muitas entidades e organismos dedicados aos seguros e à saúde requerem a prescrição e a venda de medicamentos genéricos. Outra preocupação é saber se as diferenças de cor. loções e Alclometasona. como o possível incremento dos gastos com a saúde resultantes de consultas adicionais ao médico. estabelecida de acordo com a resposta a corticosteróides desonide. foram classificados como equivalentes. novas análises de laboratório e outros aspectos para comercializar uma marca nova de um fármaco. Não o liotrix e a tiroglobulina (para o se aconselha a troca de um tipo de hipotiroidismo e a doença de fármaco por outro porque não há níveis Graves) de comparação disponíveis Cremes. As leis que controlam certos aspectos da prática da medicina e da farmácia variam em relação ao grau de participação do consumidor nestas decisões sobre a prescrição. fluocinonida. sempre que seja possível. apesar de o médico ou o farmacêutico terem recomendado um medicamento genérico. o farmacêutico deve fornecê-lo. Pelo contrário. comercializados há muito tempo. fluocinolona. flurandrenolida. fluticasona. digoxina (para a A margem de segurança é relativamente quais a dose tóxica é insuficiência cardíaca). diflorasona. No entanto. fenitoína. diferentes apresentações (sob a forma . amcinonida. clocortolona. ácido valpróico e doses baixas podem ser insuficientes e elevada que a dose outros anticonvulsivantes em doses altas podem causar efeitos terapêutica secundários Fármacos com Digoxina e outros derivados Estes fármacos estão isentos dos alguns anos de digitálicos (para a insuficiência requisitos para os medicamentos mercado cardíaca). noutros os consumidores podem solicitar um fármaco com nome comercial. Casos em que a substituição por genéricos pode ser inadequada Tipos de fármaco Exemplos Comentários Fármacos para os Varfarina. assim como os efeitos causados pelas halcinónido. desoximetasona. Alguns detractores do uso difundido dos medicamento genéricos puseram em relevo outras inquietações. A dosagem destes produtos foi ungentos de betametasona. testes efectuados sobre a pele. pode tratar o assunto com o médico. No entanto. baixa (margem terapêutica restrita). Muitos dexametasona. de tamanho ou de forma de um medicamento genérico diminuem a motivação do paciente para seguir as instruções do médico. o consumidor não tem capacidade de decisão na matéria e se o médico prescrever um medicamento genérico. embora actualmente só se derivados da hormona tiroideia prescrevam poucos fármacos dos como a levotiroxina. a resposta pode variar. a liotironina. Se o médico prescreve um fármaco com nome comercial mas o consumidor deseja uma versão genérica.preparação e pelos rótulos dos fármacos prescritos. halobetasol. hormona tiroideia e genéricos. em só ligeiramente mais carbamazepina. Os detractores desejam saber quanto dinheiro se poupa realmente se se recorrer à versão genérica depois de pagar estes gastos adicionais. em algumas ocasiões é possível que o consumidor tenha de aceitar a única versão genérica que o farmacêutico tem armazenada. Os consumidores podem escolher entre um fármaco com nome comercial e uma versão genérica. a menos que o seu médico tenha escrito na receita que não é possível efectuar substituições. para poupar dinheiro.

pomada ou unguento). mometasona. fluoximesterona. As versões genéricas destes produtos Mazindol. difilina. Embora qualquer Fenitoína. Algumas marcas de amitriptilina e Nem todas as marcas se podem uma marca combinando substituir. Gliburide (para tratar o início da Uma marca de gliburide não deve diabetes em adultos) trocar-se por outra. Comprimidos de clorpromazina As versões genéricas não são equivalentes à versão com nome comercial.hidrocortisona. comprimidos e substituir uns pelos outros. não se devem Prometazina. (broncodilatadores amplamente mas os níveis de comparação ainda utilizados). a menos que seja absolutamente necessário. Comprimidos de corticosteróides Fármacos para tensão arterial elevada Fármacos em aerossol. em particular. Triclorometiazida Antidepressivos Antidiabéticos Antipsicóticos Fármacos para a gota Hormonas Potássio Outros fármacos . Deve evitar-se a substituição de uma marca que tenha sido eficaz. Dissulfiramo. as hormonas se administram. acção imediata. tramcinolona. as medroxiprogesterona. As versões genéricas não são reserpina+hidroclorotiazida. Dado que em mulheres na pós-menopausa). algumas marcas Geralmente. não são equivalentes. metiltestosterona A maior parte dos comprimidos de As cápsulas de acção prolongada que acção prolongada que restituem o restituem o potássio consideram-se potássio equivalentes e podem substituir-se. Rauwolfia serpentina. colchicina As versões genéricas são diferentes das versões com nome comercial. um produto que tem sido eficaz não deve ser substituído por outro. Estrogénio esterificado (para As marcas de estrogénio esterificado terapia de reposição de estrogénio nem sempre são equivalentes. de corticosteróides em aerossol Teofilina. Reserpina. algumas marcas de Muitas versões genéricas não são prednisona equivalentes aos fármacos com nome comercial e não devem ser substituídas por eles. os produtos não são de aminofilina equivalentes. algumas preparações estão em estudo. Como a resposta é imprevisível. a maior parte diferenças podem produzir oscilações das versões genéricas de maiores na resposta. Dexametasona. marca possa ser eficaz. de modo algumas marcas de geral. hidralazina Metaproterenol e terbutalina Qualquer das versões pode ser eficaz. é considerado equivalente pelas autoridades sanitárias. especialmente os indicados para a asma Antiasmáticos por via oral de gel. comercial. em doses muito reduzidas. Emplastros de nicotina. equivalentes aos fármacos com nome reserpina+hidroflumetiazida. Probenecid. supositórios. O farmacêutico pode amitriptilina-perfenazina determinar se um genérico.

os fármacos de venda sem prescrição médica deviam reunir os requisitos de segurança e eficácia ao mesmo tempo. No entanto. É provável que se poupe dinheiro ao seleccionar uma marca comercial ou uma versão genérica de um medicamento de venda sem receita. qualquer fármaco pode causar efeitos adversos. Em alguns países a promulgação de leis específicas outorgou uma certa autoridade ao Estado para emitir normas. o que funciona para um doente pode não servir para outro. . de venda livre. Os farmacêuticos podem aconselhar quais são os produtos genéricos de venda sem receita que têm a mesma eficácia do produto original. ou seja. a preferência individual por um produto relaciona-se com a sua aparência. consistência e outras características. Antes de existirem os organismos oficiais competentes. quase tudo se podia introduzir num frasco e vender como um remédio seguro. a cocaína. Segundo leis posteriores. No entanto. Algumas pessoas referem-se aos efeitos adversos como efeitos secundários. Por isso. indesejados. Estes medicamentos têm a mesma avaliação que os medicamentos de prescrição genérica e devem reunir os mesmos requisitos. mas este termo não torna claro que os efeitos adicionais sejam. Sem um sistema organizado que informe dos efeitos adversos dos fármacos de venda sem prescrição médica. gosto. O álcool. a revolução da automedicação dos últimos vinte anos. ser tóxicos ou inseguros para o uso. Embora os princípios activos sejam os mesmos. Permitem aliviar muitos sintomas incómodos e curar algumas doenças de maneira simples e sem os gastos de uma consulta médica. com frequência. requer bom senso e sentido de responsabilidade. No entanto. Além disso. Qualquer outra substância se poderia vender sem prescrição médica. Medicamentos sem prescrição médica Os medicamentos sem prescrição médica são os produtos acessíveis sem receita médica. muitos fármacos eram acessíveis sem prescrição médica. Finalmente. salvo sob vigilância médica. Resumo histórico Até há algum tempo. Os fármacos com prescrição médica eram compostos que podiam provocar dependência. foram corrigidas as leis para resolver problemas de segurança e clarificar a diferença entre fármacos com e sem prescrição médica. como marcas comerciais através das cadeias de farmácias ou de cooperativas.Fármacos genéricos sem prescrição médica As versões genéricas dos fármacos de venda sem prescrição médica mais populares vendem-se. estas características podem ser diferentes. fomentada pela disponibilidade de fármacos seguros e eficazes de venda sem prescrição médica. os organismos oficiais e os fabricantes de fármacos não dispõem de meios para conhecer a sua frequência e gravidade. nos últimos anos ocorreu uma alteração importante: muitos fármacos que se vendiam com prescrição médica passaram a vender-se sem receita. mas não se definiram normas claras sobre que fármacos se podiam vender com ou sem prescrição médica. de modo geral. a marijuana e o ópio eram alguns dos produtos que se vendiam sem prescrição médica e sem qualquer informação aos utilizadores.

picadas. o folheto de um analgésico só recomenda para não se tomar o fármaco durante mais de 10 dias. reduzem também a inflamação e estão catalogados como fármacos anti-inflamatórios não esteróides (AINE). Por exemplo. Dado que o mesmo nome comercial se pode aplicar a uma fórmula de libertação imediata ou a uma fórmula de libertação controlada (libertação lenta). a maioria das dores de cabeça não são perigosas. o quetoprofeno. No entanto. Não é seguro assumir que a dose é a mesma. Deve consultar-se o médico se os sintomas piorarem ou não desaparecerem. embora os utilizem de forma correcta. havendo assim uma margem de erro. deve utilizar-se o bom senso para determinar se um sintoma ou uma indisposição são ligeiros ou requerem atenção médica. os rótulos dos fármacos de venda sem prescrição médica não facultam a lista completa das reacções adversas possíveis. O uso apropriado é frequentemente determinado pelo próprio consumidor. deve definir-se um grau de risco aceitável. Todos os fármacos têm benefícios e riscos. como a aspirina. devem tolerar-se alguns riscos se se quiserem obter os benefícios de um fármaco. deve saber-se que ingrediente é o mais apropriado para um problema específico. Por exemplo. o naproxeno e o paracetamol (acetaminofeno) são seguros se administrados durante períodos breves. devem ler-se e seguir-se as instruções com cuidado. Nem todos os produtos de um certo antiácido contêm os mesmos componentes (alguns contêm óxidos de alumínio e magnésio. podemos dispor de mais de uma dúzia de formulações diferentes de um mesmo nome comercial com uma grande variedade de componentes. capítulo 169). Do mesmo modo. uma reacção alérgica grave e rara ocasionada por analgésicos como a aspirina. Ao escolher um produto. Devido a isso. o naproxeno ou o ibuprofeno. Nos últimos anos verificou-se um aumento excessivo de marcas. por isso também é importante controlar os componentes e não se fiar nos nomes comerciais conhecidos. mas em casos excepcionais uma dor de cabeça pode ser um sinal de alarme que indique a presença de um tumor ou de uma hemorragia cerebral. a anafilaxia (Ver secção 16.Considerações sobre a segurança A segurança é a preocupação principal dos organismos oficiais para determinar se um fármaco adquirível apenas com prescrição médica pode passar a vender-se sem receita. Todos. Como consequência. Os fabricantes e os organismos oficiais tentam equilibrar segurança e eficácia. o que parece ser acidez de estômago poderá ser o sinal de alarme de um enfarte cardíaco iminente. isto é. Por último. . Quando se adquirem fármacos sem prescrição médica. excepto o paracetamol. determinando as doses apropriadas dos fármacos que se vendem sem receita. as pessoas que sofrem de dor ou inflamação crónica podem tomar o fármaco durante muito tempo sem ter em conta os problemas que podem surgir. o ibuprofeno. Algumas pessoas experimentam efeitos adversos provocados por fármacos de venda livre. outros contêm carbonato de cálcio). Estes fármacos também podem irritar o aparelho digestivo e causar úlceras. deve verificar-se o rótulo todas as vezes que se adquire o produto. Analgésicos e anti-inflamatórios Os analgésicos de venda livre (sem prescrição médica). julga-se que estes fármacos apresentam poucos ou nenhum efeito adverso. pode causar urticária. Por exemplo. Muitas vezes. A segurança de um fármaco de venda livre depende do seu uso adequado. o invólucro e o folheto que acompanham o fármaco não descrevem os possíveis efeitos adversos graves devidos ao uso prolongado. o quetoprofeno. A informação da caixa. Os seus rótulos aconselham evitar o seu uso durante mais de 7 a 10 dias. Por exemplo. problemas respiratórios e colapso cardiovascular.

sem prescrição. Dado que a aspirina pode interferir na coagulação do sangue. A aspirina e outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides bloqueiam o enzima cicloxigenase. úlceras e hemorragias. 375 e 500 miligramas. A aspirina com invólucro entérico foi fabricada para passar intacta através do estômago e dissolverse no intestino delgado. A alergia à aspirina pode produzir erupções cutâneas ou dificuldades graves na respiração. Se se usarem simultaneamente aspirina e anticoagulantes (como a varfarina) pode provocar-se uma hemorragia grave. O quetoprofeno sem prescrição médica só está disponível numa apresentação de 25 miligramas. a aspirina revestida deste modo é absorvida irregularmente. No entanto. a aspirina não deve ser administrada durante a semana anterior a uma intervenção cirúrgica. As prostaglandinas são substâncias semelhantes às hormonas. que cria um meio alcalino que intensifica a dissolução da aspirina e pode reduzir o tempo durante o qual a aspirina está em contacto com o estômago. podem causar acidez. A aspirina também pode agravar a asma. Ibuprofeno. Os doentes que sofrem de pólipos nasais têm tendência para desenvolver asma se tomarem aspirina. capítulo 263). excepto sob vigilância médica. O quetoprofeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição médica. que alteram o diâmetro dos vasos sanguíneos. tomar aspirina ou um fármaco similar pode causar perturbações gastrointestinais. quetoprofeno e naproxeno Em alguns países. O naproxeno com prescrição médica apresenta-se em fórmulas de 250. ruptura. 600 e 800 miligramas. incluindo a aspirina. 400. a aspirina pode ainda irritar o estômago. O quetoprofeno com prescrição apresenta-se em cápsulas de 25. É provável que a ingestão de alimentos retarde o esvaziamento do estômago e. dado que o tampão não pode contrariar a redução das prostaglandinas. minimizando a irritação directa. a aspirina pode causar zumbidos nos ouvidos. O ibuprofeno com prescrição médica apresenta-se em comprimidos de 300. Todos os fármacos anti-inflamatórios não esteróides. os doentes que a tomam apresentam um risco maior de hemorragias. As pessoas que se lesionam com facilidade são especialmente vulneráveis. a síndroma de Reye pode ter consequências graves. A posologia e o modo de administração para o naproxeno sem prescrição médica recomendam que não se exceda a dose de 3 drageias cada 24 . No entanto. avermelhamento e inchaço. O naproxeno sem prescrição só está disponível na fórmula de 200 miligramas. elevam a temperatura corporal como resposta à infecção e desempenham um papel crucial na coagulação do sangue. que é crucial para a criação de prostaglandinas. para além de outros efeitos. A libertação no organismo de prostaglandinas. passando de fármaco com prescrição médica a fármaco de venda livre. indigestão e úlceras pépticas. (Ver secção 23. Qualquer doente com processos hemorrágicos ou pressão arterial elevada não controlada deve evitar a aspirina. como resposta a uma lesão (queimadura. o ibuprofeno foi reclassificado. As crianças e os adolescentes que têm ou podem ter gripe ou varicela não devem tomar aspirina porque podem desenvolver a síndroma de Reye. De modo geral. Em doses elevadas.Aspirina O analgésico de venda sem prescrição médica mais antigo e barato é a aspirina (ácido acetilsalicílico). atrase a absorção deste tipo de aspirina e o alívio da dor. inclusive a morte. Os compostos com tampões podem diminuir os efeitos irritativos directos da aspirina. portanto. O naproxeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição. Apesar de ser pouco frequente. 50 e 75 miligramas e em cápsulas de libertação prolongada de 100 miligramas. Estes produtos contêm um antiácido. o ibuprofeno sem prescrição só está disponível em comprimidos de 200 miligramas. Dado que as prostaglandinas desempenham um papel protector do aparelho digestivo contra o ácido gástrico. entorse ou distensão muscular) produz inflamação.

julga-se que o ibuprofeno. náuseas. acidez. Os doentes que não toleram a aspirina. perturbações renais. embora poucos estudos tenham na realidade comparado estes fármacos. dor e sinusite contêm paracetamol. o paracetamol. mas as observações até agora sugerem que as pessoas que tomam paracetamol e deixam de comer por causa de um forte resfriado ou de uma gripe podem apresentar lesões do fígado. gripe. O ibuprofeno. Do mesmo modo. Os consumidores de quantidades importantes de álcool apresentam maior risco de afecções hepáticas pelo uso exagerado de paracetamol. Doses menores durante períodos prolongados de tempo não implicam lesões graves do fígado. mas tem uma menor actividade anti-inflamatória que a aspirina. A via de actuação do paracetamol ainda não é conhecida com exactidão. A ausência de complicações no estômago levou alguns a considerar que o paracetamol não tem efeitos adversos. com frequência. Num dos estudos. Os adultos com mais de 65 anos não devem tomar mais de uma drageia. o quetoprofeno e o naproxeno não prejudiquem mais a coagulação do sangue do que a aspirina. pode aumentar também o risco de doenças renais. a menos que o médico indique o contrário. alívio contra as dores da artrose. de 12 em 12 horas. retenção de água e dificuldades respiratórias. Novas investigações sugerem que o paracetamol proporciona. As erupções cutâneas. Alguns fármacos prescritos para o coração e para a pressão arterial não actuam tão bem se forem combinados com esses anti-inflamatórios. para a dor e a febre nas crianças. úlceras e disfunção hepática. Os indivíduos que tomam bebidas alcoólicas regularmente podem correr maior risco de afecção do estômago. dor de estômago e úlceras tal como a aspirina. toleram. o quetoprofeno e o naproxeno. como. o controlo médico é necessário antes de administrar o ibuprofeno. o quetoprofeno e o naproxeno a indivíduos com problemas renais ou hepáticos. salvo indicação médica. ao quetoprofeno e ao naproxeno. podem correr-se alguns riscos.horas. não se devem combinar com anticoagulantes como a varfarina. orginariamente. o paracetamol foi tão eficaz como o ibuprofeno em aliviar os sintomas de artrite no joelho. É necessária uma investigação adicional. picadas ou dificuldades de respiração requerem uma atenção médica imediata. zumbidos nos ouvidos. insuficiência cardíaca ou tensão arterial elevada. excepto sob estrita vigilância médica. O paracetamol apresenta poucos efeitos adversos no estômago. Os doentes alérgicos à aspirina também podem sê-lo ao ibuprofeno. Paracetamol (acetaminofeno) Comercializado. se for administrado em doses elevadas durante períodos prolongados. excepção feita à aspirina. Uma sobredosagem de mais de 15 g de paracetamol pode produzir uma lesão hepática irreversível. Embora o ibuprofeno. tosse. resfriados. o quetoprofeno e o naproxeno são mais suaves para o estômago do que a aspirina. vertigem. De um modo geral. diarreia. Muitos produtos de venda sem prescrição médica. o quetoprofeno e o naproxeno podem causar indigestão. O uso regular de outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides. perturbações visuais. o ibuprofeno. o ibuprofeno. como os remédios contra alergias. por exemplo. Outros efeitos adversos incluem sonolência. com frequência. o paracetamol tornou-se um fármaco sem prescrição médica. Considerações para a reclassificação de um fármaco . Deve-se evitar tomar simultaneamente vários fármacos que contenham paracetamol. O paracetamol é mais ou menos comparável à aspirina no seu potencial analgésico e acção antipirética. O jejum pode contribuir para a lesão hepática. No entanto. o quetoprofeno e o naproxeno.

inflamação Febre. dores menstruais mais velhas e . dor.Margem de segurança Facilidade de diagnóstico e de tratamento Instruções Que efeitos prejudiciais pode um fármaco causar? A administração do produto requer a assistência de um profissional de saúde? O produto pode ter efeitos nocivos (incluindo os produzidos por uso errado)? O produto pode criar dependência? Que probabilidade tem o produto de gerar abuso? A venda do fármaco sem receita oferece mais benefícios do que riscos? É simples o autodiagnóstico? A afecção pode ser tratada sem assistência médica? Podem escrever-se instruções adequadas para o uso do produto? Podem escrever-se advertências sobre o mau uso? As instruções são compreensíveis por qualquer pessoa? Alguns analgésicos de venda sem prescrição Concentração do componente (mg= miligramas) Usos Produtos que contêm aspirina 165 mg de aspirina 650 mg de aspirina 325 mg de aspirina 500 mg de aspirina 227. dor desde ligeira a moderada Febre. inflamação. inflamação. dor. úlceras por uso Febre. dores menstruais lesões do rim 25 mg ibuprofeno Febre. dor Problemas possíveis Irritação e hemorragia gastrointestinal devido ao uso prolongado. inflamação Febre. 220 mg ibuprofeno prolongado. dores ligeiras a moderadas. quetoprofeno ou naproxeno Febre. complicações do parto em 81 mg de aspirina Diminuição do risco de enfarte cardíaco mulheres grávidas. zumbido nos ouvidos (tinnitus). dor desde ligeira a moderada. Produtos que contêm ibuprofeno. dores menstruais.5 mg de aspirina 81 mg de aspirina Diminuição do risco de enfarte cardíaco Dor e inflamação Febre. Irritação do 200 mg ibuprofeno dor desde ligeira a moderada tubo digestivo. reacção alérgica em pessoas predispostas. síndroma de Reye em crianças e adolescentes com varicela e gripe. em pessoas inflamação.

Todos os anos as pessoas gastam muitíssimo dinheiro a procurar aliviar os sintomas da constipação. Os comprimidos para a garganta. Foram identificados mais de 100 vírus como responsáveis pela constipação (ou coriza) comum e ainda não se dispõe de um tratamento curativo. dor desde ligeira a moderada Febre. . dor desde ligeira a moderada Produtos que contêm salicilato 870 mg salicilato de colina/5 mililitros 467 mg salicilato de magnésio 580 mg salicilato de magnésio 325 mg salicilato de magnésio Remédios para o resfriado comum Dores artríticas. inflamação Dor desde ligeira a moderada Dor desde ligeira a moderada Dor desde ligeira a moderada Zumbido nos ouvidos (tinnitus). aspirina. os expectorantes ou os analgésicos não aliviam a sensação de nariz congestionado. descongestionantes. dor de cabeça ou outra dor 80 mg paracetamol ligeira 500 mg paracetamol Febre. é difícil encontrar remédios para o resfriado com uma só componente. ibuprofeno ou naproxeno) funcione. expectorantes e calmantes para a tosse) estudados para tratar muitos sintomas. Cada sintoma da constipação deve ser tratado com um fármaco diferente. 160 mg paracetamol Febre. ou os gargarejos com água e sal (meia colher de sal em 250 ml de água morna) podem ser úteis. Dar o tratamento adequado a cada sintoma em particular pode tornar-se um desafio. risco de problemas renais por uso prolongado. apesar de não se ter demonstrado a eficácia destes fármacos para crianças em idade pré-escolar. especialmente os com um anestésico local como a diclonina ou a benzocaína.Produtos que contêm paracetamol (acetaminofeno) 325 mg paracetamol Febre. Na realidade. dor desde ligeira a moderada propensas. Se o problema é a tosse. analgésicos. é provável que um analgésico (paracetamol. algumas autoridades sustentam que se um indivíduo não toma nada o resfriado desaparece ao fim de uma semana e que se tomar um fármaco sente-se melhor ao fim de 7 dias. reacção alérgica em sujeitos predispostos. por que razão tomar um anti-histamínico ou um descongestionante? Se a dor de garganta é o único sintoma. reacções alérgicas em Lesões do fígado causadas por doses elevadas e repetidas ingeridas com o estômago vazio ou com álcool. Os calmantes para a tosse. As crianças são especialmente propensas a contrair constipações e a receber medicação. No entanto. Ler os folhetos ou consultar o farmacêutico pode revelar-se útil. A maioria dos remédios contém uma variedade de fármacos (anti-histamínicos.

Os princípios activos dos descongestionantes orais incluem a pseudoefredina. as afecções cardíacas e o hipertiroidismo. Às vezes. Descongestionantes Quando os vírus invadem as membranas mucosas. não é aconselhável eliminar uma tosse tão produtiva. Os pulverizadores nasais de acção prolongada incluem os fármacos oximetazolina e xilometazolina. pulverizadores nasais. os capilares das fossas nasais podem dilatar-se. especialmente se houver dor no peito ou se a tosse produzir expectorações escuras. ajuda a libertar as secreções pulmonares. Há outras doenças. Uma vez mais a leitura atenta dos rótulos ou a ajuda do conselho do farmacêutico são muito úteis. Muitas vezes. a maior parte dos remédios contra a constipação contém anti-histamínicos. a fenilpropanolamina e a fenilefrina. frequentemente. um expectorante que se encontra em vários produtos para a tosse. Os descongestionantes contraem os vasos para produzir alívio. capítulo 9) As crianças podem experimentar ocasionalmente insónias ou hiperactividade devido aos anti-histamínicos. A fenilpropanolamina é também o componente principal de muitos outros produtos dietéticos que se vendem sem prescrição médica. Isto pode levar ao círculo vicioso de uma congestão nasal por um efeito de ricochete. Este uso gera uma dependência do fármaco que pode durar meses ou anos. No . Dado que estes fármacos se distribuem pelo organismo. (Ver secção 2. Não devem usar-se durante mais de 3 dias. interromper a administração requer a supervisão de um médico especializado em doenças do ouvido. Apesar da difusão generalizada dos problemas que estes riscos acarretam. É raro que a febre e a dor apareçam no decorrer de um resfriado comum. cujo efeito dura até 12 horas. Os efeitos adversos dos descongestionantes podem incluir nervosismo.Há casos em que a constipação ou a tosse podem indicar uma doença mais grave. Por esta razão os hipertensos ou os doentes do coração só devem tomar descongestionantes sob vigilância médica. que exigem controlo médico quando se administrarem descongestionantes. É muito difícil encontrar calmantes para a tosse com um só componente. obstipação e confusão. agitação. é perigoso conduzir automóveis. enjoos ligeiros. Alguns especialistas consideram que a combinação de um fármaco que facilita a expulsão das secreções com outro fármaco que suprima a tosse parece um contra-senso. do nariz e da garganta. No entanto. a sua presença pode indicar que se trata de uma gripe ou de uma infecção bacteriana. dificuldade em urinar. que aliviam os tecidos nasais inflamados sem afectar outros órgãos. Esta sensação seria tão incómoda que se voltaria a usar o pulverizador. boca seca. Anti-histamínicos Muitos especialistas julgam que os anti-histamínicos não devem ser incluídos nos remédios contra a constipação que se vendem sem receita. contraem outros vasos sanguíneos (não só os das fossas nasais) e é possível que aumentem a pressão arterial. O problema é que os anti-histamínicos podem provocar sonolência e falta de forças. Deve consultar-se o médico se os sintomas persistirem mais de uma semana. os vasos sanguíneos dilatam-se. Quando o efeito do fármaco desaparece. capítulo 31) Se um indivíduo está congestionado mas pode expectorar. os pulverizadores nasais actuam tão rapidamente e são tão eficazes que muitos doentes tentam usá-los para além do limite de 3 dias indicado no rótulo. Para evitar estas complicações usam-se. Por isso. Pressupõe-se que a guaifenesina. causando tumefacção. As pessoas mais velhas são particularmente propensas a sofrer os efeitos adversos dos anti-histamínicos e podem acusar sintomas de visão enevoada. especialmente nas fossas nasais. manusear equipamentos pesados e ocupar-se de outras actividades que requeiram um estado de alerta. (Ver secção 31. facilitando a produção de expectoração. Remédios para a tosse A tosse é um reflexo natural perante a irritação dos pulmões: liberta os pulmões do excesso de secreções ou de mucosidades. juntam-se expectorantes aos remédios para a tosse. palpitações e insónia. causando congestão e sensação de falta de ar. como a diabetes.

um anestésico local que insensibiliza as papilas gustativas. A codeína causa náuseas. A sua eficácia para suprimir a tosse é mais ou menos comparável à da codeína. A benzocaína encontra-se. A tosse não produtiva ou seca pode ser muito irritante. O dextrometorfano é o ingrediente mais frequente nos remédios para a tosse de venda sem prescrição médica. vómitos e obstipação em algumas pessoas. Dado que se podem verificar enjoos ligeiros. Num estudo. embora possam apresentar-se perturbações do estômago ou sonolência. o benefício real do fármaco é realmente difícil de estabelecer. especialmente de noite. Os efeitos adversos podem aumentar se se tomarem depressores do sistema nervoso central como álcool. sonolência ou vertigem. mas em muitos países exige-se que a codeína só se venda com prescrição médica e noutros permite-se que o farmacêutico venda remédios para a tosse com codeína só se o cliente assinar um pedido. os calmantes da tosse podem aliviar e ajudar a conciliar o sono. soníferos. estas combinações só se devem levar a cabo sob vigilância médica. sob a forma de pastilha de mascar. os doentes que seguiam uma dieta com a ajuda da fenilpropanolamina perderam mais peso que com um placebo de aparência idêntica. Na realidade. e a benzocaína. que também actua como um descongestionante em muitos remédios para o resfriado e para a alergia. A codeína. Foram aprovados dois componentes com este propósito: a fenilpropanolamina. No entanto. pode ser útil de noite devido a ter um leve efeito sedativo. sedativos. principalmente. antidepressivos ou anti-histamínicos ao mesmo tempo que a codeína. A alergia à codeína é pouco comum. os remédios para a tosse que contenham codeína não devem ser administrados a pessoas que têm de conduzir um veículo ou desempenhar uma tarefa que requeira concentração. rebuçados ou comprimidos que se dissolvem na boca. A eficácia da fenilpropanolamina só foi provada durante 3 ou 4 meses.entanto. Dado que a codeína é um narcótico. a adição é pouco frequente. A fenilpropanolamina é mais útil quando faz parte de um programa que inclui exercício físico e alterações nos hábitos alimentares. Administra-se antes das refeições. Alguns anti-histamínicos de venda sem prescrição médica Bromfeniramina Clorfeniramina Dexbromfeniramina Difenhidramina Doxilamina Fenindamina Feniramina Pirilamina Triprolidina Fármacos para emagrecer Acredita-se que os medicamentos para emagrecer suprimem a sensação de fome e são úteis para se seguir uma dieta baixa em calorias. Portanto. a diferença do peso perdido foi mínima (cerca de 2 kg). Os efeitos adversos são raros. aproximadamente. um calmante da tosse muito eficaz. A dose de fenilpropanolamina em fármacos para emagrecer é mais elevada que nos remédios para o . receia-se que possa causar adição.

Alguns produtos aliviam os sintomas durante 10 minutos. Embora muitos indivíduos tratem a acidez por sua conta. Alguns indivíduos podem também sentir inquietação ou agitação e experimentar alucinações poucas horas depois de ter tomado fenilpropanolamina. proporcionando um alívio prolongado.resfriado e a alergia. reduzem a quantidade de ácido produzido no estômago e ajudam a prevenir o ardor. a indigestão e o ardor no estômago são alguns dos termos usados para descrever as queixas gastrointestinais. carbonato de cálcio e bicarbonato de sódio. enquanto outros são efectivos durante mais de uma hora e meia. vertigem. a famotidina. As doses elevadas de fenilpropanolamina só ou em combinação com outros fármacos. Antiácidos e digestivos A acidez. Podem produzir-se efeitos adversos tais como nervosismo. intranquilidade. podem ter uma interacção com a fenilpropanolamina. mas a duração do seu efeito é variável. incluindo a cimetidina. Todos os componentes actuam num minuto ou menos. Apesar de os antiácidos não conseguirem neutralizar completamente o pH extremamente ácido do estômago. é melhor recorrer ao médico se os sintomas se prolongarem por mais de 2 semanas. O autodiagnóstico de uma indigestão é arriscado porque as causas podem ir de uma imprudência menor na dieta a uma úlcera péptica ou inclusive a um cancro do estômago. podem produzir um acidente vascular cerebral ou outras afecções cardiovasculares em pessoas já com essa tendência. aproximadamente. Isto neutraliza quase 99 % do ácido do estômago e alivia. é importante a vigilância médica ou farmacêutica antes de tomar qualquer fármaco que contenha fenilpropanolamina. Os antiácidos são agentes neutralizadores e actuam mais rapidamente. o seu uso necessita de ser controlado cuidadosamente por um médico ou um farmacêutico. Os inibidores da monoaminoxidase. podem elevar o pH de 2 (muito ácido) para valores entre 3 e 4. O efeito adverso mais inquietante é um aumento significativo da tensão arterial. Alumínio e magnésio Os antiácidos que contêm sais de alumínio e de magnésio juntos podem parecer ideais porque cada componente complementa o outro. Os bloqueadores histamínicos necessitam de mais tempo para actuar. ou o seu uso durante períodos prolongados. mas o seu efeito é mais prolongado. Os bloqueadores dos receptores H2 para a histamina. de tensão arterial alta ou de afecções cardíacas de que não é aconselhável tomar fármacos para emagrecer sem controlo médico. Devido à possibilidade das interacções entre fármacos. Os antiácidos podem ter interacções com muitos e diferentes fármacos de prescrição médica. Os folhetos advertem os diabéticos e os que sofrem de afecções da tiróide. insónia. A maior parte dos produtos antiácidos contém um ou mais dos quatro componentes principais: sais de alumínio. portanto. . a nizatidina e a ranitidina. A cimetidina também pode ter interacções com alguns fármacos de prescrição médica. Todo o indivíduo com afecções cardíacas. de forma significativa. causando um aumento perigoso da tensão arterial. O hidróxido de alumínio dissolve-se lentamente no estômago e começa a actuar. fármacos que se prescrevem para a depressão. Também causa obstipação. dor de cabeça e náuseas se se tomar uma dose superior à recomendada. Às vezes os sintomas de uma afecção cardíaca parecem-se com os de uma indigestão aguda. O objectivo do tratamento é evitar a produção de ácido no estômago ou neutralizá-lo. hipertensão ou problemas renais deve consultar o médico antes de tomar um antiácido. devendo-se por isso consultar um farmacêutico sobre as interacções entre os medicamentos antes de os tomar. sais de magnésio. gradualmente. Em alguns casos experimentaram-se efeitos adversos com a dose habitual. os sintomas na maioria das pessoas.

Os sais de magnésio actuam rapidamente e neutralizam os ácidos eficazmente. sonolência e falta de atenção. Os fármacos contra o enjoo não devem tomar-se juntamente com álcool. Não devem tomar-se estes medicamentos se se tem de guiar um automóvel. é o princípio activo da maior parte dos hipnóticos de venda livre. um dos fármacos contra o enjoo. dos antiácidos que contêm alumínio. a difenhidramina. capítulo 138) O seu elevado conteúdo em sódio também pode causar problemas em indivíduos com insuficiência cardíaca ou com tensão arterial alta. obstipação. O carbonato de cálcio actua rapidamente e neutraliza os ácidos durante um tempo relativamente prolongado. O uso prolongado pode debilitar os ossos ao esgotar o fósforo e o cálcio do organismo. Os fármacos contra o enjoo são mais eficientes se forem tomados 30 ou 60 minutos antes de uma viagem. palpitações ou dificuldade em urinar. Com efeito. Os fármacos contra o enjoo causam. Bicarbonato de sódio Um dos antiácidos mais económicos e mais acessíveis não está demasiado longe de qualquer armário de cozinha. para a indigestão. foi questionada a segurança. Carbonato de cálcio A greda (carbonato de cálcio) foi o principal antiácido durante muito tempo. Mas bicarbonato em demasia pode destruir o equilíbrio ácido-base do organismo. No entanto. hipnóticos ou tranquilizantes. São menos frequentes outros efeitos adversos como visão turva. uma embarcação ou outro veículo. Outra vantagem é que representa uma fonte económica de cálcio. Os antiácidos que contêm simultaneamente alumínio e magnésio parecem oferecer o melhor de ambos os elementos: alívio rápido e prolongado com menor risco de diarreia ou de obstipação. dado que podem causar efeitos adicionais inesperados. mas também são acessíveis como fármacos de venda sem receita médica. O bicarbonato de sódio é uma solução excelente. O bicarbonato (bicarbonato de sódio) foi utilizado como neutralizador da acidez durante décadas. A quantidade máxima diária não deve exceder os 2000 miligramas. mas também podem actuar como laxante. a curto prazo. uma pessoa pode chegar a sofrer uma sobredosagem de cálcio. causando uma alcalose metabólica (Ver secção 12. ou desempenhar uma actividade que requeira uma atenção especial. dor de cabeça. Os efeitos adversos são mais comuns nas pessoas de idade avançada. frequentemente. dor de estômago. No entanto. confusão. Fármacos para o enjoo: precauções em crianças Princípio activo Crianças que não devem tomar o fármaco Ciclizina Menores de 6 anos Dimenhidrinato Menores de 2 anos Difenhidramina Peso inferior a 10 kg Meclizina Menores de 12 anos Fármacos contra o enjoo Os fármacos usados para prevenir os enjoos são os anti-histamínicos. a longo prazo. São ocasionalmente receitados. Nos bebés e nas crianças pequenas . O arroto do bicarbonato de sódio é causado pela libertação do gás anidrido carbónico. a não ser que o médico aconselhe o contrário.

é importante consultar o médico ou o farmacêutico antes de combinar fármacos prescritos com fármacos de venda livre. inclusive os que se administram a crianças com dosagem aconselhada por pediatras. a menos que seja por indicação médica. mas não uma insónia crónica. Nem sempre é fácil administrar a dose correcta de um fármaco a uma criança. intranquilidade e agitação. capítulo 64) Não é aconselhável tomar hipnóticos de venda livre durante mais de uma semana ou dez dias. não devem tomar fármacos contra o enjoo sem aconselhamento médico. o uso destes fármacos representa uma exposição desnecessária das crianças à toxicidade e. indicativa de um problema mais grave. deve servir como sinal para se deixar de tomar o fármaco imediatamente e solicitar o conselho de um médico. que a maior parte dos fármacos de venda livre. Uma dose demasiado alta numa criança pode causar-lhe alucinações e inclusive convulsões. com . Por esta razão. As pessoas muito jovens. as mais velhas e as muito doentes só devem tomar fármacos sob precauções extremas. alguns indivíduos também experimentam efeitos adversos. Por exemplo. com frequência. não tenham sido testados a fundo nas crianças. por isso estes fármacos só deverão ser utilizados sob vigilância médica. Hipnóticos Os hipnóticos de venda livre (sem receita médica) servem para tratar uma noite em branco ocasional. Às vezes. além disso. passaram 5 anos até que os investigadores confirmassem que o risco da síndroma de Reye estava relacionado com o uso da aspirina nas crianças com varicela ou com gripe. Certas pessoas são mais vulneráveis do que outras à toxicidade potencial dos fármacos. Para evitar interacções perigosas. No entanto. Estes fármacos produzem sonolência ou atordoamento e podem interferir na concentração ou na coordenação. Uma reacção inesperada. como uma erupção ou uma insónia. as mulheres grávidas e as que estão a amamentar devem evitar estes fármacos. Em particular. Aparentemente as crianças pequenas e as pessoas mais velhas com uma lesão cerebral têm uma maior propensão a apresentar este tipo de reacções.podem provocar estados de agitação. como boca seca. inflamação da próstata ou obstipação. as reacções são contrárias (uma reacção paradoxal) e em alguns indivíduos a difenhidramina ou a doxilamina produz nervosismo. As pessoas com glaucoma de ângulo fechado. visão enevoada e zumbidos nos ouvidos. Precauções especiais O bom senso é um elemento fundamental para cuidar de si próprio. nem todos os indivíduos reagem da mesma maneira. embora as doses para crianças se expressem. Os anti-histamínicos difenhidramina e doxilamina são princípios activos usados como hipnóticos de venda sem prescrição. obstipação. angina de peito. (Ver secção 6. Um fármaco pode ser amplamente utilizado durante anos antes de se descobrirem as reacções adversas em crianças. Tanto os médicos como os pais surpreendem-se. incluindo a vigilância médica. As pessoas de idade avançada. é um gasto inútil de dinheiro. Os indivíduos com glaucoma de ângulo fechado. A idade não é o melhor critério. arritmias ou inflamação da próstata devem consultar um médico antes de usar um anti-histamínico para dormir ou para qualquer outro motivo. Às vezes. Os fármacos de venda sem receita não estão estudados para tratar doenças graves e podem causar complicações. Crianças O organismo das crianças metaboliza os fármacos e reage a eles de forma diferente da dos adultos. que a eficácia dos remédios para a tosse e o resfriado não tenha sido especialmente testada nas crianças.

Em caso de dúvida. As pessoas em idade avançada são mais vulneráveis que os jovens aos efeitos adversos e às interacções medicamentosas. Os antiácidos que contêm alumínio são mais propícios a causar obstipação. enquanto os antiácidos com base em magnésio provocam diarreia e desidratação. A criança pode engasgar-se se a tampa for empurrada. os anti-histamínicos podem causar atordoamento ou instabilidade. As pessoas mais velhas são mais propensas aos possíveis efeitos adversos dos fármacos administrados para perturbações do aparelho digestivo. os pais não devem tentar adivinhar. acidentalmente. a altura ou a superfície corporal. uma pessoa mais velha que sofra de artrite tende a usar um medicamento analgésico ou anti-inflamatório com frequência e as consequências podem ser graves. As fórmulas para aliviar a dor durante a noite. o glaucoma de ângulo fechado ou a inflamação da próstata. Pessoas de idade avançada O envelhecimento muda a velocidade e a forma como o organismo reage aos fármacos. o que comporta o risco de quedas e de fractura dos ossos. particularmente em doses elevadas ou em combinação com outros fármacos. que ocorrem de maneira natural com o envelhecimento podem afectar a forma como os fármacos são metabolizados e eliminados. Vários fármacos para crianças têm mais do que uma apresentação. incluindo vitaminas e minerais. capítulo 9) As alterações no funcionamento hepático e renal. Quando o rótulo não proporciona informação acerca da quantidade de fármaco a administrar a crianças. É cada vez mais frequente os folhetos dos medicamentos de prescrição médica especificarem se as pessoas mais velhas requerem doses diferentes. como a difenhidramina. crianças de idades compreendidas entre 2 e 6 anos ou 6 e 12 anos). às vezes os adultos encarregados enganam-se porque usam uma colher comum. Uma úlcera hemorrágica é uma complicação mortal para uma pessoa de idade avançada e pode surgir sem pré-aviso. não há razão para a criança receber um fármaco perigoso nem uma dose excessiva de um fármaco potencialmente útil. em termos de limites de idade (por exemplo. Às vezes.(Ver tabela da secção 2. Os adultos devem ler cuidadosamente os folhetos todas as vezes que administrarem um novo fármaco às crianças. também possuem riscos especiais para os mais velhos. O risco aumenta quando se toma regularmente a dose máxima do fármaco. Apesar de os rótulos darem indicações claras sobre a dose. anti-histamínicos. mas é raro que tais advertências se incluam nos rótulos dos fármacos de venda sem receita médica. Interacções entre fármacos . Além da possibilidade de fazer piorar a asma.frequência. Esta informação ajuda o médico a avaliar o regime completo de fármacos e a determinar se os fármacos de venda sem receita são responsáveis por certos sintomas. Muitos fármacos de venda livre são potencialmente prejudiciais para as pessoas de idade avançada. Durante as consultas ao médico. para o interior da traqueia. Uma colher cilíndrica de medida é muito melhor. Antes de usar uma seringa oral deve retirar-se sempre a tampa da ponta. A constituição física das crianças pode variar enormemente dentro de qualquer faixa etária e os especialistas não se puseram de acordo sobre os melhores parâmetros para determinar a dose do fármaco: o peso. com frequência. as pessoas de idade avançada devem informar sobre qualquer produto de venda sem receita que estejam a tomar. os soníferos e muitos remédios para a tosse e o resfriado contêm. As colheres de cozinha não são adequadas para medir quantidades de um fármaco líquido. Mesmo a ingestão de vitamina C pode causar perturbações do estômago ou diarreia nestas pessoas. é melhor consultar o farmacêutico ou o médico. e é preferível utilizar uma seringa oral para depositar uma quantidade precisa de fármaco na boca do bebé. os anti-histamínicos podem causar confusão ou delírio em pessoas mais velhas. Se se tomarem precauções. Os anti-histamínicos. Uma dose recomendada com base no peso da criança poderia ser a mais fácil de interpretar e de administrar. Por exemplo. Muitos fármacos para crianças são administrados sob forma líquida.

que se encontram nos hipnóticos de venda sem prescrição. Tomar um anti-histamínico pode complicar também o glaucoma e o aumento do volume da próstata. doenças do coração. Sobreposição de fármacos Outro problema é a sobreposição de fármacos. como os que se dão para os resfriamentos. a obstipação ou a dor de cabeça ocasional. Por exemplo. Por exemplo. Além disso. não devem ser ingeridos por alguém que sofra de asma. Existem muitos produtos de venda sem receita que podem interactuar adversamente com uma gama ampla de fármacos. magnésio ou ferro. os que necessitam de prescrição médica e os de venda sem receita. o resfriado ou a gripe. Os indivíduos com tensão arterial alta. Os doentes do coração podem não se dar conta de que ao tomar um antiácido que contém alumínio ou magnésio se pode reduzir a absorção de digoxina. em alguns fármacos para emagrecer e remédios para a constipação que contêm fenilpropanolamina adverte-se para o risco de usar estes produtos simultaneamente com um inibidor da monoaminoxidase (para a depressão) ou mesmo até 2 semanas depois da interrupção deste tratamento. Embora alguns fármacos de venda sem receita tenham advertências no folheto. Algumas destas interacções podem ser graves. nos fármacos para a alergia e nos remédios para a tosse. uma vez que os seus efeitos adversos podem ser perigosos. (Ver tabela da secção 2. O antibiótico tetraciclina tende a ser ineficaz se for tomado simultaneamente com cálcio. se ao mesmo tempo se toma um fármaco para emagrecer e um remédio para a constipação que contenham ambos fenilpropanolamina. deve informar-se o médico sobre todos os fármacos que se está a tomar. Se não se lerem os folhetos de todos os medicamentos que se está a tomar. Doenças crónicas Algumas doenças crónicas podem piorar se se tomar um fármaco de venda livre de maneira inadequada. algo tão pequeno como uma aspirina pode reduzir a eficácia do enalapril no tratamento da insuficiência cardíaca grave. a menos que o médico o indique. que não estão conscientes de que o antidepressivo que estão a tomar é um inibidor da monoaminoxidase. Isto também pode acontecer com outros inibidores do enzima conversor da angiotensina (ECA). O paracetamol (acetaminofeno) encontra-se normalmente nos fármacos para a sinusite. diabetes. de enfisema ou de processos pulmonares crónicos. e há muitos. deve consultar-se um médico ou um farmacêutico antes de adquirir fármacos de venda sem prescrição. simultaneamente. são mencionados ainda com menor frequência. Os medicamentos tomados de forma intermitente. Os anti-histamínicos. pode ingerir-se o dobro da dose que se considera segura. um fármaco para a sinusite e paracetamol para aliviar uma dor de cabeça. pode exceder-se a dose recomendada. Os médicos ou farmacêuticos podem esquecer-se de inquirir sobre os fármacos de venda livre quando receitam ou aviam os medicamentos. Quando se toma. hipertiroidismo ou um aumento do tamanho da próstata devem consultar um médico ou um farmacêutico antes de tomar descongestionantes ou anti-histamínicos. há o risco de sobredosagem acidental. Se se sofre de uma doença grave em qualquer idade. Não se tem efectuado nenhuma investigação sistemática às interacções dos fármacos de venda sem prescrição. Muitos problemas graves foram descobertos acidentalmente depois de receber relatórios de reacções adversas ou de morte. Esta advertência tão importante não tem qualquer utilidade para aqueles doentes. é necessário . a ingestão de suplementos de vitaminas e de minerais pode interferir com a acção de alguns fármacos de prescrição. Por exemplo. Além disso. capítulo 9). A melhor maneira de reduzir o risco das interacções medicamentosas é pedir ao farmacêutico que controle as incompatibilidades. a linguagem usada é ininteligível para a maioria dos consumidores. Por exemplo.Muitos doentes não informam o seu médico ou o farmacêutico sobre os fármacos de venda sem prescrição que estão a tomar. A ingestão de aspirina com o anticoagulante varfarina pode aumentar o risco de hemorragia.

inclusive os de venda sem prescrição médica. Concretamente. libertá-lo dos produtos de eliminação (anidrido carbónico). comprovar com um farmacêutico ou um médico que o componente ou o produto é mais adequado. o coração envia este sangue rico em oxigénio para todos os tecidos do organismo. ao mesmo tempo. que o expulsa. pobre em oxigénio. Os fármacos de venda sem receita estão destinados. Seleccionar o produto baseando-se numa reflexão e em componentes racionais e não por este ter um nome comercial conhecido. porque tal uso excede os limites normais da automedicação e requer o aconselhamento de um especialista. Pedir ao farmacêutico que determine os possíveis efeitos secundários. Dado isso. principalmente. Biologia cardiovascular O coração é um órgão muscular situado no meio do tórax que possui. onde é oxigenado e onde o anidrido carbónico é libertado. Os remédios que dizem aliviar uma grande quantidade de sintomas geralmente expõem o utente à tomada de fármacos desnecessários e a riscos adicionais e são mais dispendiosos. e uma cavidade inferior (ventrículo). Para garantir que o sangue corra numa só direcção. A drenagem venosa: as principais veias do corpo As principais artérias do corpo . os ventrículos têm uma válvula de entrada e outra de saída. Em caso de dúvida. Averiguar quais são as afecções que levariam a eliminar o uso do produto. no caso de necessitarem de tratar uma constipação ou um simples mal-estar do estômago. fora do alcance das crianças. tanto do lado direito como do lado esquerdo. Não presumir que o problema é «algo que anda às voltas». Normas para escolher e usar fármacos de venda sem prescrição médica Assegurar-se da exactidão do autodiagnóstico. os doentes crónicos ou quem tiver a intenção de tomar diariamente um fármaco devem consultar antes o médico. Os doentes alcoólicos que participam num programa de desintoxicação devem evitar os medicamentos para o resfriado que contenham álcool. que recebe o sangue. As funções primárias do coração consistem em proporcionar oxigénio a todo o organismo e. e bombeá-lo para os pulmões. podem necessitar de aconselhamento para escolher produtos que não tenham interacção com os fármacos prescritos pelo seu médico.aconselhar os diabéticos sobre um xarope para a tosse que não contenha açúcar. Escolher um produto com o mínimo de componentes. Não exceder a dose recomendada. Nunca tomar um fármaco de venda sem prescrição médica durante mais tempo do que o máximo sugerido no folheto. Manter todos os fármacos. Os doentes do coração. esta função pressupõe recolher o sangue do organismo. depois. Solicitar ao farmacêutico que verifique as possíveis interacções com outros fármacos que se estejam a tomar. Ler cuidadosamente as instruções para determinar a dose apropriada e as precauções que se devem tomar. alguns contêm até 25 % de álcool. Deixar de tomar o produto se os sintomas piorarem. uma cavidade superior (aurícula). a um uso ocasional por indivíduos basicamente saudáveis.

o sangue pobre em oxigénio e sobrecarregado de anidrido carbónico proveniente de todo o organismo chega à aurícula direita através das duas maiores veias (as veias cavas superior e inferior). A circulação sanguínea no coração faz-se da seguinte forma. enchem-se de sangue (o período chamado diástole) e. absorvendo oxigénio e libertando anidrido carbónico.A função cardíaca Em cada batimento. Nestes. quando se contraem. excepto os pulmões. quando as cavidades do coração se relaxam. Quando a aurícula esquerda se enche. o sangue flui através de pequenos capilares que rodeiam os sacos de ar. quando este. Quando a aurícula direita se enche. se enche. As duas aurículas relaxam-se e contraem-se simultaneamente. a maior artéria do corpo. tal como os ventrículos. que imediatamente é exalado. por sua vez. os pulmões e a aurícula esquerda denomina-se «circulação pulmonar». Este circuito entre o lado direito do coração. expelem-no (o período chamado sístole). bombeia o sangue através da válvula pulmonar para as artérias pulmonares para que chegue aos pulmões. quando este se enche. impulsiona o sangue para o ventrículo direito. Primeiro. impulsiona o sangue através da válvula aórtica para a aorta. Este sangue rico em oxigénio abastece todo o organismo. O sangue já rico em oxigénio circula pelas veias pulmonares até à aurícula esquerda. Vasos sanguíneos Interior do coração* . empurra o sangue rico em oxigénio para o interior do ventrículo esquerdo.

os capilares permitem que o oxigénio e as substâncias nutritivas passem do sangue para os tecidos e. Os capilares vão dar às vénulas. na sua maior parte. Fornecimento de sangue ao coração O músculo cardíaco (miocárdio) recebe uma parte do grande volume de sangue que passa pelas aurículas e pelos ventrículos. que devolve o sangue à aurícula direita. que. por sua vez. as veias cardíacas esvaziam-se no seio coronário. arteríolas. Devido à forte pressão sobre o músculo cardíaco que representa a contracção do coração. . com o objectivo de aumentar ou de diminuir o fluxo de sangue para uma zona em particular. capilares. transportam o sangue do coração e suportam a maior pressão arterial. deixam também que os produtos a eliminar passem dos tecidos para o sangue. por outro. transportam o mesmo volume de sangue mas com uma velocidade menor e com uma pressão muito inferior. vão dar às veias que chegam ao coração. para a aurícula direita. Por um lado. vénulas e veias.*Esta secção transversal do coração mostra a direcção da corrente sanguínea normal. que actuam como pontes entre as artérias (que levam o sangue que sai do coração) e as veias (que o levam de regresso para ele). A artéria coronária direita e a artéria coronária esquerda são os ramos da aorta responsáveis pelo fornecimento de sangue. O resto do sistema circulatório (cardiovascular) é composto por artérias. o fluxo sanguíneo através da circulação coronária realiza-se. Um sistema de artérias e de veias (circulação coronária) fornece ao miocárdio sangue rico em oxigénio e permite o regresso do sangue venoso. As artérias. Dado que as veias possuem paredes muito finas. durante a relaxação do músculo cardíaco (diástole ventricular). com paredes extremamente finas. mas são geralmente mais largas que as artérias. Os capilares são vasos minúsculos. As artérias e arteríolas mais pequenas têm paredes musculares que ajustam o seu diâmetro. fortes e flexíveis. ou pobre em oxigénio. A sua elasticidade permite manter uma pressão arterial quase constante entre cada batimento cardíaco.

sensação de enjoo e desmaios. As veias cardíacas levam o sangue de volta à aurícula direita. dispneia (sensação de falta de ar ou «sede de ar»). uma sensação de tensão ou de opressão torácica. Postura típica do doente com angina de peito Dor Quando a quantidade de sangue que chega aos músculos é insuficiente (uma situação denominada isquemia). a dor torácica pode indicar uma doença do coração. o músculo do coração deve receber sangue rico em oxigénio e expulsar o sangue desprovido de oxigénio. No entanto. (Ver secção 3. palpitações (sensação de um batimento lento. análises para confirmar o diagnóstico. Efectuam-se. muitas vezes. algumas cardiopatias graves são assintomáticas até alcançarem um estado muito avançado. A angina. mas também pode ser devida a uma perturbação respiratória ou gastrointestinal. Uma . Por exemplo. rápido ou irregular). a falta de oxigénio e o excesso de detritos provocam cãibras. De todas as formas. mas alguns sintomas sugerem esta possibilidade e a associação de vários permite estabelecer um diagnóstico quase exacto. fadiga (cansaço). capítulo 15) No entanto.Fornecimento de sangue ao coração Como qualquer outro tecido do organismo. Um exame médico geral ou uma visita ao médico por outros motivos são úteis para descobrir a tal doença cardíaca assintomática. aparece quando o músculo cardíaco não recebe sangue suficiente. o tipo e o grau de dor ou de mal-estar variam enormemente em cada caso. estes sintomas não indicam necessariamente uma cardiopatia. Sintomas das cardiopatias Não existe qualquer sintoma que identifique inequivocamente uma doença do coração (cardíaca). O diagnóstico inicia-se com uma entrevista (a história clínica) e um exame físico. Os sintomas de uma cardiopatia incluem certos tipos de dor. O sangue chega ao músculo cardíaco através da artéria coronária direita e da artéria coronária esquerda com os seus dois ramos (a artéria auricular esquerda e a artéria interventricular anterior). para conhecer a gravidade do problema ou para facilitar a planificação do tratamento.

o sangue que chega aos músculos durante um esforço pode ser insuficiente e causar uma sensação de fraqueza e de cansaço. em certas circunstâncias (como no momento em que uma pessoa efectua esforços extremos ou sofre uma experiência emocional dramática). Por outro lado. isto é. aparece e desaparece com relativa rapidez e pode não estar relacionada com os esforços. Por vezes. (Ver secção 3. capítulo 19. a falta de ar aparece com maior frequência perante um esforço menor e.pessoa pode ter uma deficiência no fornecimento de sangue que não lhe provoque qualquer dor (isquemia silenciosa). quando uma artéria se rasga ou se separa. Geralmente. A falta de ar aumenta ao deitar porque o fluido se espalha por todo o tecido pulmonar e diminui ao sentar-se ou levantar-se. (Ver secção 3. sobretudo a aorta. Nos estados iniciais de uma insuficiência cardíaca. Fadiga Quando o coração não funciona adequadamente. a inspiração ou a expiração de ar aumenta ou diminui a dor. provoca uma dor que aumenta ao deitar-se na cama e diminui ao sentar-se ou ao inclinar-se para a frente. As pessoas com este problema têm por vezes episódios breves de dor parecidos com uma punhalada ou com uma picada. A pessoa compensa esta perturbação diminuindo gradualmente a sua actividade ou então pensa que se deve ao facto de envelhecer. a dispneia só aparece durante o esforço. uma inflamação da membrana que rodeia os pulmões. (Ver secção 3. dado que pode haver também uma pleurite. é um sintoma frequente da insuficiência cardíaca. dado que. as artérias principais são lesionadas. capítulo 27) Quando existe uma deficiência de chegada de sangue a outros músculos. A dispneia não se limita às doenças cardíacas. ao pôr-se de pé.) Dispneia A falta de ar. aparece geralmente uma sensação de garrote e uma dor ao esforço no músculo durante o movimento (claudicação). a dor provocada é intensa. por vezes fora da aorta ou então entre as camadas da sua parede. na zona inferior das costas ou no abdómen. Pode ser causa de dispneia qualquer perturbação que altere o equilíbrio normal entre o fornecimento e a procura de oxigénio. Porém. aparece também em repouso. a força da gravidade faz com que o líquido se acumule na base dos pulmões. esta situação é semelhante a um afogamento. Os sintomas não chamam geralmente a atenção. Pode também acontecer que uma porção da aorta se dilate (aneurisma). conforme se for repetindo essa fuga de sangue. não nos apercebemos dos batimentos do coração. numa afecção chamada congestão ou edema pulmonar. uma inflamação ou lesão da membrana que rodeia o coração. A dor que tem origem na aorta sente-se em geral por detrás do pescoço. entre as omoplatas. finalmente. por outro lado. À medida que a perturbação se agrava. por vezes intermitentes. capítulo 29) A válvula entre a aurícula esquerda e o ventrículo esquerdo pode avançar para a aurícula com a contracção do ventrículo (prolapso da válvula mitral). rápidos ou . (secção 3. (Ver secção 3. ou dispneia. podem chegar a sentir-se sob a forma de batimentos enérgicos. a dor localiza-se no hemitoráx esquerdo e não possui qualquer relação com a posição ou com o esforço. A dispneia nocturna é a dificuldade de respirar ao deitar-se à noite. alivia ao sentar-se. Estes acontecimentos provocam dores muito agudas e repentinas. Por último. Deve-se a que há líquido que é filtrado para o interior dos sacos de ar dos pulmões. dado que também aparece quando existem doenças pulmonares. em particular aos da barriga da perna. dos músculos respiratórios ou do sistema nervoso. como a incapacidade de o sangue transportar oxigénio suficiente por causa de uma anemia ou o aumento da actividade metabólica característica do hipertiroidismo. capítulo 27) A pericardite. a qual pode rebentar bruscamente ou então deixar escapar um pouco de sangue para as camadas da aorta (dissecção da aorta). Palpitações Normalmente. capítulo 22) O esforço não piora a dor.

suor ou sonolência. dado que são indicadores subtis de uma doença cardíaca. Igualmente. Estas características revelam que a pele recebe uma quantidade insuficiente de oxigénio através do sangue por causa de uma perturbação pulmonar. que activam parte do sistema nervoso. se o batimento é irregular e até que ponto o é. O médico deve distinguir o desmaio provocado por uma perturbação cardíaca da epilepsia. edema dos pés e tornozelos e palpitações. a debilidade. É importante determinar a cor da pele. para que o sangue regresse ao coração. pergunta-se ao doente sobre infecções. falta de forças. capítulo 23) Estes sintomas podem dever-se a um problema do cérebro ou da medula espinhal ou podem não ter uma causa grave. a dor. provocam também desfalecimentos. de . observam-se enjoos nos soldados quando estão quietos de pé durante muito tempo. Durante o exame físico. fadiga. O médico poderá confirmar estes sintomas controlando o pulso e ouvindo o batimento do coração através da colocação de um fonendoscópio sobre o peito. como a dispneia. Depois. é necessário saber se algum membro da família teve doenças cardíacas e/ou outras perturbações e se o doente tem alguma doença que possa afectar o sistema cardiovascular.irregulares. insuficiência respiratória. o médico pergunta acerca dos sintomas que sugerem a possibilidade de uma cardiopatia. parecem mais causados por um batimento cardíaco anormal ou por uma doença subjacente grave. (Ver secção 3. As respostas a uma série de perguntas (se as palpitações começam de forma gradual ou repentina. a fadiga ou os desfalecimentos. assim como para facilitar a planificação do tratamento. regista-se o peso e o estado geral e observa-se se existe palidez. Por exemplo. dado que. dado que a palidez ou a cianose (uma coloração azulada) indicam anemia ou escasso débito sanguíneo. na qual a perda de consciência é causada por uma perturbação cerebral. História clínica e exame físico Em primeiro lugar. como febre. consumo de álcool e tabaco. Deve também ter-se em conta o estado de ânimo e a sensação de bem-estar. exposição a produtos químicos. que podem também encontrar-se afectados por uma cardiopatia. regista a presença de outros sintomas. Enjoos e desmaios Um fluxo inadequado de sangue por uma anomalia na frequência cardíaca. Diagnóstico das doenças cardíacas O diagnóstico de uma cardiopatia costuma estabelecer-se a partir da história clínica e do exame físico. A seguir. ambiente familiar e laboral e actividades recreativas. Por último. no ritmo ou por um bombeamento fraco pode causar enjoos e desmaios. perda de apetite e mal-estar geral. uso de medicamentos. os músculos das pernas devem estar activos. como dor torácica. e a sua possível causa) determinarão se as palpitações se podem considerar anormais ou não. com que rapidez bate o coração. uma forte emoção ou uma dor. Utilizam-se determinados exames complementares para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade e as consequências da doença. que podem apontar directamente para uma perturbação cardíaca. As palpitações que são acompanhadas de outros sintomas.

pode indicar uma insuficiência cardíaca. nas ínguas. Por vezes. O médico observa o tórax para determinar se a frequência e os movimentos respiratórios são normais e depois percute no peito com os dedos para saber se os pulmões estão cheios de ar. diabetes. assim como se os pulmões contêm líquido devido a uma perturbação cardíaca. por detrás dos joelhos e nos tornozelos e nos pés. Para esta parte do exame solicita-se ao doente que se deite com a parte superior do corpo elevada num ângulo de 45 graus. Por vezes. com o objectivo de detectar uma acumulação de líquidos (edema) nos tecidos que se encontram por debaixo da pele. as mulheres grávidas têm sopros cardíacos pelo aumento anormal da velocidade do fluxo de sangue. o que é anormal. Colocando o fonendoscópio sobre as artérias e as veias em qualquer lugar do corpo. por vezes. para se assegurar de que o fluxo de sangue é adequado e simétrico em ambos os lados do corpo. Examina-se também o pulso e o diâmetro da aorta abdominal. o doente poderá sentar-se. Nem todas as doenças cardíacas provocam sopros e nem todos os sopros indicam uma perturbação. . Um fluxo sanguíneo turbulento aparece geralmente quando o sangue passa pelas válvulas estreitas ou que não fechem bem. nos cotovelos e nos pulsos. O médico coloca a mão sobre o tórax para determinar o tamanho do coração e o tipo e a força das contracções durante cada batimento. provocados por um estreitamento dos vasos ou por comunicações anormais entre eles. qualquer anormalidade pode sugerir uma cardiopatia. um fluxo de sangue anormal e turbulento dentro dos vasos ou entre as cavidades do coração provoca uma vibração que se percebe com as cabeças dos dedos ou com a palma da mão. O médico pressiona com o dedo a pele dos tornozelos e das pernas e. o fluxo sanguíneo pode tornar-se turbulento. O fonendoscópio emprega-se para auscultar os sons da respiração e determinar se o débito respiratório é normal ou se há uma obstrução. Uma dilatação anormal do abdómen. examina-se o abdómen para determinar se o fígado aumentou de volume devido a uma acumulação de sangue nas principais veias que conduzem ao coração. Podem encontrar-se anomalias visíveis na retina em caso de hipertensão arterial. É importante examinar as veias do pescoço. As anomalias nas válvulas e outras partes do coração criam turbulências na circulação sanguínea que geram sons característicos denominados sopros cardíacos.uma disfunção cardíaca ou de problemas circulatórios de índole diferente. É também possível identificar com um fonendoscópio os sons diferentes provocados pela abertura e pelo encerramento das válvulas cardíacas (auscultação). A percussão permite também determinar se a membrana que envolve o coração (pericárdio) ou a que cobre os pulmões (pleura) contêm líquido. À medida que as paredes dos vasos. Palpa-se o pulso nas artérias do pescoço. as válvulas e outros tecidos vão amadurecendo com o envelhecimento. já que estão directamente ligadas à aurícula direita e dão uma indicação do volume e da pressão do sangue que entra no lado direito do coração. podem-se detectar sinais de fluxo turbulento. no abdómen. arteriosclerose e infecções bacterianas das válvulas cardíacas. Por último. pôr-se de pé ou deitar-se. ou então se contêm líquido. a parte inferior das costas. embora não exista uma doença cardíaca prévia grave. chamados sopros. Controla-se também a pressão arterial e a temperatura corporal. Estes sopros inofensivos são também frequentes em crianças pequenas e nos idosos devido à rapidez com que o sangue atravessa as pequenas estruturas do coração. Geralmente. o que é normal. devida a retenção de líquidos. Usa-se um oftalmoscópio (instrumento que permite examinar o interior do olho) para observar os nervos e os vasos sanguíneos da retina (a membrana sensível à luz que se encontra sobre a superfície interna da parte posterior do olho). por debaixo dos braços.

Exames de diagnóstico Existe uma ampla série de exames e de procedimentos para facilitar e tornar mais preciso o diagnóstico. Depois. Cada traçado representa o registo da actividade eléctrica de uma parte do coração. A onda P representa esta activação das aurículas. os diferentes traçados denominam-se derivações. O electrocardiograma (ECG) permite identificar o pacemaker natural que inicia cada novo batimento do coração. ressonância magnética (RM). simples e indolor. só têm um leve risco. habitualmente. a possibilidade de surgir uma grande complicação (como um acidente vascular cerebral. que aumenta com a complexidade do procedimento e a gravidade da doença cardíaca subjacente. que varia segundo o eléctrodo. cada parte do ECG é designada alfabeticamente. a corrente eléctrica flui para baixo. que medem a intensidade e a direcção das correntes eléctricas do coração durante cada batimento. tomografia por emissão de positrões (TEP) e cateterismo cardíaco. colocam-se pequenos contactos metálicos (eléctrodos) sobre a pele dos braços. Incluem registos da actividade eléctrica do coração. ecocardiogramas. Este impulso activa primeiro as cavidades superiores do coração (aurículas). Na realidade. Relativamente ao cateterismo e à angiografia. no qual se amplificam os impulsos eléctricos do coração e se registam num papel em movimento. Cada batimento cardíaco começa com um impulso do pacemaker fisiológico principal do coração (nódulo sino-auricular). Estes exames. Habitualmente. radiografias. Electrocardiograma Um electrocardiograma é um método rápido. faz-se um ECG todas as vezes que se suspeita de perturbações cardíacas. um enfarte ou a morte) é de 1 em cada 1000. que podem ser a consequência de uma hipertensão arterial. Este exame facilita a identificação de um certo número destas perturbações. o único risco dos exames com isótopos radioactivos provém da pequena dose de radiação que o doente recebe. incluindo ritmos anormais. este quadro pode ser o resultado de um ataque de coração (enfarte do miocárdio). ECG: interpretação das ondas Um electrocardiograma (ECG) representa a corrente eléctrica que circula através do coração durante uma contracção. Para registar um ECG. a qual é de facto menor que a recebida pela maior parte dos exames com raios X. as vias nervosas de condução dos estímulos e a velocidade (frequência) e o ritmo cardíacos. na direcção das . A prova de esforço tem um risco de 1 em 5000 de provocar um enfarte ou a morte. Cada eléctrodo está ligado através de cabos a uma máquina que regista um traçado específico. Um ECG evidencia também quando o músculo cardíaco é fino ou inexistente por ter sido substituído por tecido não muscular. das pernas e do tórax do doente. chegada insuficiente de sangue e oxigénio ao coração e uma excessiva hipertrofia (espessamento) do músculo cardíaco.

Não obstante. Nenhum exame é perfeito. provocarem um mal-estar importante ou se aparecerem anomalias relevantes no ECG ou no registo da pressão arterial. Às vezes detectam-se anomalias em doentes que não sofrem de doença coronária (falso resultado positivo) e outras vezes não se detectam nos que efectivamente a têm (falso resultado negativo). pode ser levado a cabo um electrocardiograma de stress. o que simula os efeitos do exercício físico. enquanto a corrente eléctrica difunde-se para trás sobre os ventrículos na direcção oposta. A prova de tolerância ao esforço continua até a frequência cardíaca alcançar 80 % a 90 % do valor máximo possível de acordo com a idade e o sexo. a probabilidade de ter uma doença coronária é baixa. Por isso. quando o doente desenvolve uma angina ou a sua pressão arterial diminui.câmaras inferiores do coração (ventrículos). Para isso. apesar de uma prova alterada. Quando por alguma razão não é possível efectuar aquele exercício. isso pode causar incómodos consideráveis e gastos sanitários. A leitura de um ECG permite. antes de começar um programa de exercícios ou numa avaliação para um seguro de vida. Uma prova de tolerância ao esforço. mas não quando se efectua alguma actividade física. A onda T representa a onda de recuperação. sobretudo se são jovens. A prova de esforço sugere a presença de uma doença arterial coronária quando aparecem certas anomalias no ECG. No ECG detectam-se muitos tipos de anomalias. por exemplo. pode demonstrar problemas que não apareciam em repouso. como dispneia ou dor torácica. Se há muitos resultados falsos positivos. se as artérias coronárias estão parcialmente obstruídas. doenças pulmonares ou a combinação de ambas. Uma prova funcional pulmonar simultânea permite distinguir as limitações provocadas por doenças cardíacas. Se os sintomas. Prova de esforço As provas de resistência ao exercício proporcionam informação acerca da existência e da gravidade da doença arterial coronária e de outras perturbações cardíacas. As mais fáceis de compreender são as do ritmo dos batimentos cardíacos: demasiado rápido. a sessão interrompe-se antes. Nos doentes que não apresentam sintomas. O ECG controla-se de forma contínua e a pressão arterial medese com intervalos. em geral. demasiado lento ou irregular. que aumentam o fornecimento de sangue ao tecido cardíaco normal e diminuem o fornecimento de sangue ao tecido doente. que o médico possa determinar em que parte do coração começa o ritmo anormal e pode então proceder ao diagnóstico. muitos especialistas não aprovam o uso sistemático deste exame em . injecta-se um fármaco como o dipiridamol ou a adenosina. o coração pode ter um fornecimento de sangue suficiente em repouso. que permite controlar o ECG e a pressão arterial durante a mesma. que proporciona uma informação semelhante à da prova de tolerância ao esforço sem praticar exercício. A prova consiste em pedalar numa bicicleta ou caminhar sobre um tapete rolante a um determinado ritmo que aumenta gradualmente. a prova de tolerância ao esforço usa-se com frequência como controlo em pessoas aparentemente saudáveis. Por exemplo. O complexo QRS representa a activação dos ventrículos.

Mas. Na pericardite constritiva. Enquanto leva o aparelho. o ECG é transmitido pelo telefone a um computador do hospital ou do consultório médico para a sua leitura imediata enquanto se manifestam os sintomas. é muito seguro: o risco de morte é de 1 entre 5000 intervenções. Os sintomas que se apontam no diário são comparados com os que se detectam no ECG. a detecção destes problemas requer o uso de um registador portátil contínuo do ECG. Por vezes. Os dispositivos portáteis sofisticados gravam simultaneamente o ECG e o electroencefalograma (medição da actividade eléctrica cerebral) em doentes com perdas de consciência. procura alterações na actividade eléctrica que possam indicar um débito sanguíneo insuficiente para o músculo cardíaco e regista cada batimento durante 24 horas. através de artérias. como depósitos de cálcio no seio do tecido cardíaco. O aumento do tamanho do coração pode dever-se a uma insuficiência cardíaca ou a uma válvula anormal. Caso seja necessário. provoca-se de maneira intencional um ritmo cardíaco anómalo durante a prova para descobrir se um fármaco é particularmente eficaz para deter a alteração ou se pode ser útil uma operação. Electrocardiograma ambulatório contínuo A arritmia e o débito sanguíneo insuficiente para o músculo cardíaco podem verificar-se de forma breve ou imprevisível. As radiografias mostram a forma e o tamanho do coração e marcam os contornos dos vasos sanguíneos nos pulmões e no tórax. o monitor regista continuamente a actividade eléctrica do coração. Estudo radiológico Em caso de suspeita de cardiopatia. Em caso de necessidade. Estudo electrofisiológico Os exames electrofisiológicos usam-se para avaliar anomalias graves no ritmo ou na condução eléctrica. Por isso. A gravação processa-se através de um computador que analisa a velocidade e a frequência cardíacas. As radiografias do tórax revelam também o estado dos pulmões (especialmente dos seus vasos sanguíneos) e a presença de líquido no seu interior ou à volta deles. Apesar de este exame ser invasivo e requerer anestesia. às vezes. assim como outras anomalias. Estes registos ajudam a diferenciar entre ataques epilépticos e anomalias do ritmo cardíaco. Monitor Holter: registos contínuos do ECG A pessoa leva o pequeno monitor ao ombro. Através das veias ou. Podem facilmente observar-se anomalias da forma e do tamanho destas estruturas. o médico pode fazer com que o coração volte rapidamente ao seu ritmo normal mediante uma breve descarga eléctrica (cardioversão). é necessário tirar radiografias do tórax de frente e de perfil. que se caracteriza por o coração se encontrar apertado por tecido . O doente transporta um pequeno aparelho com alimentação de bateria (monitor Holter) que grava o ECG durante 24 horas seguidas. o tamanho pode ser normal inclusive em pessoas que apresentam doenças cardíacas graves.indivíduos assintomáticos. por vezes. Com os eléctrodos no peito. anota num diário a hora e o tipo de sintomas. inserem-se pequenos eléctrodos directamente dentro das cavidades cardíacas para registar o ECG e identificar as vias por onde circulam as descargas eléctricas.

dado que não é invasiva. por vezes difícil. bidimensional. ao serem reflectidas. pouco dispendiosa e amplamente exequível. Para a prova com ultra-sons em modo M. indolor. dos pulmões e das estruturas de suporte dentro do tórax. mas estreitadas no tecido pulmonar. A moderna tomografia computadorizada é muito mais rápida (cinetomografia computadorizada) e proporciona uma imagem tridimensional móvel do coração.cicatricial. dirige-se um feixe simples . a técnica mais simples. o coração não aumenta inclusivamente mesmo que apareça insuficiência cardíaca. não utiliza raios X e proporciona imagens de uma excelente qualidade. Para o ecocardiograma utilizam-se ondas ultra-sonoras de alta frequência. Para obter maior clarificação ou para analisar estruturas na parte posterior do coração. Os tipos principais de exames com ultra-sons são o modo M. Esta prova utiliza-se para avaliar anomalias estruturais e do movimento. emitidas por uma sonda de gravação (transdutor). Por exemplo. o volume de sangue bombeado em cada batimento. produzem uma imagem móvel que aparece num ecrã de vídeo e que se pode gravar numa fita ou imprimir-se. Esquema do aspecto radiológico do tórax Observe-se a silhueta do coração. é possível introduzir um transdutor no esófago e gravar os sinais provenientes da parte posterior do coração. dos vasos principais. no entanto. O aspecto dos vasos sanguíneos pulmonares costuma ser mais importante para o diagnóstico do que o aspecto do próprio coração. Dilatação ventricular esquerda Tomografia axial computadorizada A tomografia axial computadorizada vulgar (TAC) quase nunca se utiliza para diagnosticar uma doença cardíaca. O computador do sistema cria imagens transversais de todo o tórax utilizando os raios X e mostra a localização exacta das anomalias. conhece-se este procedimento como ecocardiograma transesofágico. Doppler e Doppler a cores. a espessura e as doenças do saco que envolve o coração (pericárdio) e a presença de líquidos entre o pericárdio e o músculo cardíaco. que chocam contra as estruturas do coração e dos vasos sanguíneos e. foi substituída pelo ecocardiograma e por outros exames. A radioscopia usa-se quando se leva a cabo um cateterismo cardíaco ou um exame electrofisiológico. Ecocardiograma O ecocardiograma é uma das técnicas mais utilizadas para o diagnóstico das doenças cardíacas. do pericárdio. Esta prova é inofensiva. Pode ser de utilidade para o diagnóstico. O ecocardiograma detecta anomalias no movimento das cavidades cardíacas. No entanto. Radioscopia A radioscopia (fluoroscopia) é um exame contínuo com raios X que mostra num ecrã o movimento do coração em cada batimento e os pulmões quando são insuflados e esvaziados. a dilatação das artérias pulmonares próximo do coração. Mudando a posição e o ângulo da sonda. sugere um aumento de volume do ventrículo direito. de doenças valvulares e de defeitos congénitos do coração. dado que implica uma dose relativamente elevada de radiação. observam-se o coração e os principais vasos sanguíneos a partir de vários ângulos para obter uma imagem pormenorizada das estruturas e da função cardíacas. podem detectar-se anomalias estruturais do coração.

à maneira de «secções» geradas pelo computador. qual a quantidade e se o fluxo sanguíneo é normal. produzindo sinais característicos. A técnica Doppler detecta o movimento e a turbulência do sangue e pode criar uma imagem a cores (Doppler a cores). pois devem permanecer imóveis num espaço reduzido dentro de uma máquina gigantesca. Podem também detectar-se comunicações anormais entre os vasos sanguíneos ou entre os compartimentos do coração e determinar também a estrutura e o funcionamento dos vasos e das cavidades. Estudos com isótopos radioactivos Consistem na injecção endovenosa de quantidades ínfimas de substâncias marcadas. Uma desvantagem da RM é que cada imagem necessita de mais tempo para ser produzida comparando com a TAC. que são convertidos em imagens bidimensionais e tridimensionais das estruturas cardíacas. O Doppler a cores permite determinar e mostrar no ecrã a direcção e a velocidade da circulação nas cavidades do coração e nos vasos. não é necessário o uso de contraste. no entanto. Coloca-se a pessoa dentro de um grande electroíman que causa uma vibração dos núcleos dos átomos do organismo. Esta técnica sofisticada e extremamente dispendiosa de obtenção de imagens está ainda numa fase experimental para o seu uso no diagnóstico das doenças cardíacas. Geralmente. Algumas pessoas sentem também claustrofobia. ligadas a .de ultra-sons para a parte desejada do coração. Posição do doente para o exame ecocardiográfico Ressonância magnética A ressonância magnética (RM) é uma técnica que utiliza um potente campo magnético para obter imagens pormenorizadas do coração e do tórax. as imagens obtidas com a RM são menos nítidas do que as obtidas com a TAC. Por causa do movimento do coração. Em algumas ocasiões. administram-se agentes de contraste paramagnéticos por via endovenosa para facilitar a identificação de uma escassa irrigação no músculo cardíaco. O ecocardiograma bidimensional é a técnica mais utilizada e produz imagens bidimensionais reais. se se escapa sangue quando estas se fecham. As imagens permitem observar se as válvulas cardíacas se abrem e fecham correctamente.

utilizam-se para determinar em que medida este estreitamento afecta a quantidade de sangue transportada para o coração e o seu funcionamento. No momento máximo do esforço. o tecnécio fá-lo principalmente no tecido doente. por outro lado. geralmente devida a um estreitamento das artérias coronárias. Depois de a pessoa ter descansado algumas horas. No entanto. a área do coração com menor fornecimento de sangue (isquemia) mostra menor radioactividade (produz uma imagem mais fraca) do que o músculo circundante com irrigação normal. e as que sofrem uma cicatrização irreversível do músculo cardíaco. Este computador pode também gerar uma imagem tridimensional. incluindo o coração. que mostra as diferenças de actividade nas regiões do músculo cardíaco. Utilizam-se no campo da investigação e também quando as provas mais simples e menos caras não são concludentes. No entanto. Por outro lado. A tomografia de emissão de positrões proporciona imagens muito mais nítidas do que qualquer outra técnica médica radioactiva. devido a que o tecnécio se concentra também nos ossos. utilizam-se traçadores que contenham tecnécio99 em vez de tálio-201. A quantidade de tálio-201 que as células do músculo cardíaco absorvem depende da circulação.isótopos radioactivos (indicadores ou traçadores). No ecrã recolhe-se uma imagem que se armazena no computador para a sua análise posterior. Em doentes incapazes de efectuar exercícios. Na técnica de tomografia computadorizada por emissão de fotões simples. o marcador chega à área do coração que interessa examinar e com um detector explora-se a zona e registam-se os pontos de maior actividade. e depois injecta-se por via endovenosa. Ao contrário do tálio. Cateterismo cardíaco O cateterismo cardíaco baseia-se na introdução de um pequeno cateter (tubo) numa artéria ou numa veia. diferentes tipos de câmaras de registo das radiações podem gravar uma imagem simples ou produzir uma série de imagens de secções transversais ampliadas pelo computador. Estes fármacos desviam o fornecimento de sangue dos vasos lesados para outros normais. A zona do coração lesionada absorve o tecnécio e a prova pode detectar um enfarte a partir de 12 a 24 horas do seu início. Tomografia por emissão de positrões Para efectuar a tomografia por emissão de positrões (TEP). uma injecção endovenosa de dipiridamol ou de adenosina simula os efeitos do exercício no débito sanguíneo. Os estudos com isótopos radioactivos são particularmente úteis no diagnóstico de uma dor torácica de causa desconhecida. geralmente. Este processo usa-se também para verificar o aumento de fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco depois de uma operação de bypass ou outras semelhantes. O fluxo sanguíneo que passa através do coração examina-se. e detectam-se com uma câmara gama. as costelas dificultam um pouco a avaliação das imagens resultantes. estes exames são muito caros e não são facilmente exequíveis. costuma ser o resultado de um enfarte prévio. até uma semana depois. A partir desta informação. marca-se um nutriente necessário para o funcionamento cardíaco com uma substância que emite partículas radioactivas. geralmente de um braço ou de uma perna. denominadas positrões. Em poucos minutos. que se acumula sobretudo no tecido normal. Se se suspeitar de um enfarte agudo do miocárdio. efectua-se o segundo exame. um computador constrói uma imagem tridimensional de toda a área. nos doentes com um estreitamento das artérias coronárias. Deste modo observa-se em que áreas do coração se verifica uma ausência de fluxo reversível. que avança pelos vasos principais até às cavidades . que. assim como para determinar o prognóstico depois de um ataque cardíaco (enfarte do miocárdio). a exposição à radiação é menor do que quando se fazem radiografias. Os indicadores distribuem-se rapidamente por todo o corpo. A gamagrafia com tecnécio utiliza-se para o diagnóstico de um enfarte de miocárdio. injectando tálio-201 numa veia e obtendo imagens durante a prova de esforço.

estas anomalias podem evitar-se mudando o cateter para outra posição. Utilizando também certos instrumentos através do cateter. Os cateteres utilizam-se amplamente na avaliação do estado do coração. observar o interior dos vasos sanguíneos. podem medir pressões. Os cateteres são introduzidos no coração tanto para fins diagnósticos como para fazer determinados tratamentos. este procedimento denomina-se «angioplastia coronária transluminar percutânea» (Ver secção 3. podem obter-se amostras de tecidos do músculo cardíaco do interior das cavidades cardíacas para o seu exame ao microscópio (biopsia). As anomalias anatómicas e do fluxo sanguíneo podem observar-se e registar-se em filmes ao mesmo tempo que se fazem radiografias. durante este procedimento é levado a cabo um registo contínuo do electrocardiograma. através do mesmo. As reacções alérgicas variam desde erupções cutâneas até uma estranha afecção. o doente sente uma sensação de calor transitória. capítulo 27) Alguns efeitos secundários pouco importantes produzidos pela angiografia coronária podem aparecer imediatamente depois da injecção. introduz-se numa artéria. Pode usar-se a radioscopia (um processo contínuo com raios X) para guiar o cateter. O cateter é também utilizado para obter amostras de sangue para estudos do metabolismo. O cateter costuma possuir numa extremidade um instrumento de medição ou outro dispositivo. introduz-se o cateter numa veia. Se uma pessoa sofre de uma doença das artérias coronárias. de um cateter concebido especialmente com um globo na sua extremidade. problemas renais e paragem cardíaca. assim como para determinar a quantidade de sangue que sai do coração para os pulmões.do coração. sobretudo na cabeça e na cara. O cateter emprega-se para medir a pressão arterial nos vasos principais e nas cavidades do coração. em separado. Para atingir o lado direito do coração. Pode ainda registar-se. dilatar uma válvula do coração ou desobstruir uma artéria. a doença das artérias coronárias manifestar-se-á sob a forma de irregularidades ou de apertos das suas paredes internas. A sucessão de radiografias (cineangiografia) proporciona imagens claras das cavidades cardíacas e das artérias coronárias. o que permite visualizar o seu contorno num ecrã. Raramente se observam reacções um pouco mais relevantes. a pressão arterial em cada cavidade e nas veias e artérias mais importantes. Dado a que ao introduzir um cateter na artéria pulmonar se podem causar anomalias no ritmo cardíaco. A extremidade do cateter é colocada na posição apropriada e injecta-se contraste. convulsões. vómitos e tosse. As reacções graves. A frequência cardíaca aumenta e a pressão arterial diminui ligeiramente. numa veia do braço ou do pescoço. assim como o conteúdo de oxigénio e de anidrido carbónico no sangue de diferentes partes do coração. segundo o tipo. Geralmente. Por último. à medida que o contraste se distribui pela circulação sanguínea. introduzse um cateter fino numa artéria do braço ou da virilha até chegar às artérias coronárias. Constatam-se também anomalias no ritmo cardíaco se o cateter tocar as . Assim. o cateter pode também ser utilizado para eliminar a obstrução. Angiografia coronária A angiografia coronária é o estudo das artérias coronárias através de um cateter. chamada anafilaxia. o qual passa pela aurícula e pelo ventrículo direitos até ao começo da artéria pulmonar. podem ser choque. Geralmente. para alcançar o lado esquerdo. Antes de executar esta técnica é necessário administrar anestesia local. é possível avaliar a capacidade do coração para bombear o sangue a partir da análise do movimento da parede do ventrículo esquerdo e calculando a eficiência com que expele o sangue (fracção de ejecção). dentro das artérias coronárias. retirar-se o cateter. por vezes mortal. Esta análise permite avaliar as lesões do coração que se desenvolveram por causa de uma isquemia por doenças das artérias coronárias ou por qualquer outra perturbação. como náuseas. Podem também colher-se amostras de sangue através do cateter para analisar o conteúdo em oxigénio e anidrido carbónico. Se esta manobra não for eficaz. que são muito pouco frequentes. O cateterismo da artéria pulmonar consiste na introdução. Através do cateter podem instilar-se contrastes que desenharão os vasos sanguíneos e as cavidades do coração na radioscopia. Para isso. Por exemplo. dado que se inserem sem necessidade de uma operação cirúrgica importante.

Demasiada hormona tiróidea faz com que o coração bata com excessiva rapidez. que se encontra na parede da aurícula direita. podem ser consideradas normais velocidades muito menores em adultos jovens. A contracção das fibras musculares do coração é controlada por uma descarga eléctrica que percorre o coração seguindo diferentes trajectórias e a uma velocidade determinada. Angiografia coronária A introdução de um cateter até às artérias coronárias permite a visualização destas.paredes do coração. as hormonas do sistema simpático (a adrenalina e a noradrenalina) aumentam também a frequência cardíaca. A descarga rítmica que dá início a cada batimento tem origem no pacemaker fisiológico do coração (nódulo sino-auricular). A frequência cardíaca em repouso é de 60 a 100 batimentos por minuto. Só quando o ritmo é inadequadamente rápido (taquicardia) ou lento (bradicardia). mas também devido a outros estímulos. As variações na frequência cardíaca são normais. O sistema simpático proporciona ao coração uma rede de nervos. Arritmias cardíacas O coração é um órgão muscular com quatro cavidades desenhadas para trabalhar de maneira eficiente e contínua durante toda a vida. O sistema parassimpático chega ao coração através de um só nervo: o nervo vago ou pneumogástrico. sobretudo nos que estão em boas condições físicas. como a dor e as emoções. A parte do sistema nervoso que regula automaticamente a frequência cardíaca é o sistema nervoso autónomo. A hormona tiróidea exerce também o mesmo efeito. graças à injecção de um meio de contraste radiológico. o parassimpático diminui-a. denominada plexo simpático. que compreende os sistemas nervosos simpático e parassimpático. A equipa médica que leva a cabo este procedimento possui o instrumental e a capacidade adequados para tratar imediatamente qualquer destes efeitos secundários. enquanto se houver pouca fálo-á com excessiva lentidão. O sistema nervoso simpático acelera a frequência cardíaca. No entanto. Aparecem não só por efeito do exercício ou da inactividade. ou . Por outro lado. A velocidade destas descargas depende em parte dos impulsos nervosos e da quantidade de certas hormonas no sangue. As paredes musculares de cada cavidade contraem-se numa sequência precisa e durante cada batimento expulsam a maior quantidade de sangue com o menor esforço possível.

provocam a contracção do tecido muscular numa determinada sequência que leva o sangue a ser expulso das aurículas para os ventrículos. que se divide no ramo direito do feixe de His para o ventrículo direito (5) e no ramo esquerdo do mesmo para o ventrículo esquerdo (5). com risco de morte. Sintomas A consciência do próprio batimento do coração (palpitações) varia muito de uma pessoa para outra. A hiperactividade ou o baixo rendimento da tiróide e alguns fármacos. as arritmias surgem sem uma insuficiência cardíaca subjacente ou qualquer outra causa detectável. um grupo de fibras que se dividem num ramo esquerdo para o ventrículo esquerdo e um ramo direito para o ventrículo direito. mas habitualmente não provém de uma doença subjacente. Diversas anomalias deste sistema de condução do impulso eléctrico podem provocar arritmias que podem ser desde inofensivas até graves. como consequência. Cada variedade de arritmia tem a sua própria causa. A seguir. o impulso distribui-se de maneira ordenada sobre a superfície dos ventrículos e inicia a sua contracção (sístole). especialmente os utilizados para o tratamento das doenças pulmonares e da hipertensão. o impulso eléctrico chega ao feixe de His. é retardado ligeiramente. Quando o impulso eléctrico alcança o nódulo auriculoventricular (3). Depois de passar pelo nódulo auriculoventricular. Por vezes. Deste modo. Por vezes. em seguida. a maioria das pessoas sente o batimento do coração.quando os impulsos eléctricos seguem vias ou trajectos anómalos. se considera que o coração tem um ritmo anormal (arritmia). durante a qual o sangue é expulso do coração. O mais frequente é isso dever-se a contracções muito fortes que se manifestam periodicamente por diversas razões. para as aurículas direita e esquerda e. As arritmias ligeiras podem surgir pelo consumo excessivo de álcool ou de tabaco. enquanto uma causa pode dar lugar a vários tipos de arritmias. Os ritmos anormais podem ser regulares ou irregulares. Algumas pessoas podem distinguir os batimentos anormais e outras são capazes de sentir até os batimentos normais. o mau funcionamento das válvulas e a insuficiência cardíaca. o impulso estende-se pelos ventrículos. Trajectória dos impulsos eléctricos do coração O nódulo sino-auricular (1) inicia um impulso eléctrico que percorre as aurículas direita e a esquerda (2). O impulso. em particular a doença das artérias coronárias. o impulso eléctrico chega até ao nódulo auriculoventricular situado entre as aurículas e os ventrículos. Este nódulo retém as descargas eléctricas e retarda a sua transmissão para permitir que as aurículas se contraiam por completo e que os ventrículos se encham com a maior quantidade de sangue possível durante a diástole ventricular. fazendo com que se contraiam. viaja para o feixe de His (4). quando se está deitado sobre o lado esquerdo. primeiro. podem também alterar a frequência e o ritmo cardíacos. por stress ou pelo exercício. levando à sua contracção. A causa mais frequente das arritmias é uma doença cardíaca. A seguir. A consciência dos próprios batimentos pode tornar-se incómoda. . Vias de circulação dos estímulos eléctricos Os impulsos eléctricos do pacemaker dirigem-se.

podem causar enjoos. curtos ou prolongados. é necessária a hospitalização para levar a cabo esta monitorização. as que começam nos ventrículos são mais graves. Quando as arritmias afectam a capacidade do coração para bombear sangue. nas aurículas ou nos ventrículos. pode determinar-se o tipo de arritmia e a resposta mais provável ao tratamento. a natureza e a gravidade da doença cardíaca subjacente são mais importantes que a arritmia em si mesma. Utilizando de forma combinada o estímulo eléctrico e uma monitorização sofisticada.amp. Outras nunca causam problemas importantes. O electrocardiograma (Ver imagem da secção 2. Geralmente. Por isso. embora muitas delas não sejam perigosas. No entanto.A pessoa com um certo tipo de arritmia tem tendência para sofrer desta mesma arritmia repetidamente. um monitor portátil (Holter) (Ver imagem da secção 2. No caso de arritmias potencialmente mortais. Este pode registar arritmias que aparecem de forma esporádica enquanto o doente continua as suas actividades diárias habituais e aponta num diário os sintomas detectados nas 24 horas. mas podem causar problemas. introduz-se por via endovenosa até ao coração um cateter que contém alguns fios metálicos.nbsp. são necessários alguns exames complementares para determinar com exactidão a natureza da doença. Alguns tipos de arritmias provocam poucos sintomas ou nenhuns. se começam e acabam de maneira repentina ou gradual. em parte. se aparecem vertigens. vertigem e desmaio (síncope). Geralmente.amp. os estudos electrofisiológicos invasivos podem ser de grande ajuda. além disso. o electrocardiograma (ECG) só mostra a frequência cardíaca durante um breve período e as arritmias são. mas. (Ver secção 3. intermitentes. provocam sintomas. O médico também necessita de saber se as palpitações se manifestam quando o doente está em repouso ou durante uma actividade pouco habitual ou enérgica e. capítulo 15) é o principal exame diagnóstico para detectar arritmias e proporciona uma representação gráfica das mesmas. Dois sistemas diferentes de pacemakers Observe-se a implantação no tecido subcutâneo e os fios (eléctrodos) dirigidos para o coração &amp. em geral. regulares ou irregulares. Diagnóstico A descrição dos sintomas permite quase sempre fazer um diagnóstico preliminar e determinar a gravidade da arritmia. As considerações mais importantes consistem em saber se os batimentos são rápidos ou lentos.amp. capítulo 15) que o doente transporte colocado durante 24 horas pode oferecer mais informação. Quando se suspeita da existência de uma arritmia persistente e potencialmente mortal. enjoos ou enfraquecimento e inclusive perda de consciência e se as palpitações se associam a dor torácica. de se saber se a arritmia começa no pacemaker normal do coração. sufocação e outras sensações incómodas. por outro lado. . Prognóstico e tratamento O prognóstico depende. capítulo 23) As arritmias que provocam estes sintomas requerem atenção imediata. Para isso. As arritmias mais graves podem detectar-se através desta técnica. Muitas vezes.

poderiam morrer se o seu coração parasse repentinamente. A administração de fármacos contra as arritmias é muito útil no caso de sintomas intoleráveis ou quando representam um risco. Estes pacemakers só se utilizam no caso de ritmos rápidos que se iniciam nas aurículas. O uso mais frequente que se dá ao pacemaker é para o tratamento de uma frequência cardíaca demasiado lenta (bradicardia). manipulado por uma equipa especializada de médicos e de enfermeiras. além disso. Devido ao circuito de baixa energia e ao novo desenho de baterias. produzir efeitos colaterais e piorar ou inclusive provocar arritmias. Quando o coração diminui a sua frequência abaixo de um determinado valor. estas pessoas tomam também fármacos antiarrítmicos ao mesmo tempo. pode implantar-se cirurgicamente um desfibrilhador do tamanho de um baralho de cartas. pelo que os riscos são mínimos. Geralmente. outros equipamentos podem interferir no pacemaker. as arritmias aparecem mais espaçadas ou inclusive cessam. O mais frequente é que o foco seja destruído através de uma ablação por cateter (emissão de energia de radiofrequência através de um cateter introduzido no coração). Este método denomina-se cardioversão. as arritmias provocadas por uma doença coronária controlam-se através de uma angioplastia ou uma operação de derivação das artérias coronárias (bypass). (Ver secção 3. podem aparecer episódios de taquicardia ventricular que podem ser mortais. Em casos excepcionais. este foco pode ser destruído ou extirpado. Por vezes. a aplicação de uma descarga eléctrica ao coração pode deter um ritmo anormal e restaurar o normal. de outro modo. Não existe um único fármaco que cure todas as arritmias em todas as pessoas. utiliza-se um pacemaker para enviar uma série de impulsos que detenham um ritmo anormalmente rápido do coração (taquicardia) e diminuir assim a sua velocidade. Extra-sístoles auriculares . o pacemaker começa a emitir impulsos eléctricos. Como estes desfibrilhadores não previnem as arritmias. pelo que compreender o seu carácter inofensivo pode servir de alívio. são implantados em pessoas que. capítulo 27) Quando uma arritmia é provocada por um foco irritável no sistema eléctrico do coração. A cardioversão pode empregar-se para tratar as arritmias que começam nas aurículas ou nos ventrículos. Por vezes é preciso experimentar vários tratamentos até encontrar um que seja satisfatório. programam-se para imitar a sequência normal do coração. com o objectivo de deter uma arritmia que possa provocar a morte. que detectam de forma automática as arritmias que podem ser mortais e emitem uma descarga. No entanto. Certos tipos de arritmias corrigem-se através de intervenções cirúrgicas e outros procedimentos invasivos. as arritmias não provocam sintomas nem interferem na função de bombeamento do coração. Estes pequenos dispositivos. os microondas e os detectores de segurança dos aeroportos. No entanto. as arritmias são fonte de ansiedade quando a pessoa se apercebe delas. implantam-se cirurgicamente sob a pele do peito e possuem cabos que chegam até ao coração. quando se muda a medicação ou se ajusta a dose. Por exemplo. utiliza-se um aparelho grande (desfibrilhador). Os fármacos antiarrítmicos podem. electroversão ou desfibrilhação. ou então quando se interrompe o consumo de álcool ou a prática de exercícios enérgicos. Os pacemakers artificiais. dispositivos electrónicos que actuam em vez do pacemaker natural. como os aparelhos utilizados para a ressonância magnética nuclear (RM) e a diatermia (fisioterapia empregada para dar calor aos músculos). No entanto. Por vezes. para gerar uma descarga eléctrica. Geralmente. estas unidades têm uma duração de entre 8 e 10 anos. Esta arritmia pode ter a sua origem numa área lesionada do músculo cardíaco que pode ser identificada e extraída através de uma intervenção cirúrgica de coração aberto.Geralmente. Depois de um enfarte do miocárdio. Estes novos circuitos eliminaram quase por completo o risco de interferências com os distribuidores dos automóveis. os radares.

A prevenção é mais difícil que o tratamento. Se estes procedimentos não surtirem efeito. As extra-sístoles auriculares surgem como batimentos cardíacos adicionais nas pessoas saudáveis e só raramente causam sintomas. A frequência rápida pode dever-se a que um batimento auricular prematuro envia um impulso através de uma via anómala para os ventrículos. pode acontecer ser necessário destruir uma via anómala no coração através de uma ablação com cateter (fornecendo de energia de radiofrequência através de um cateter introduzido no coração). Diagnóstico e tratamento Detectam-se com um exame físico e confirmam-se com um electrocardiograma (ECG). reduzem a frequência cardíaca. a arritmia geralmente interromper-se-á se a pessoa for dormir. Na maioria dos casos. como a fraqueza. que são habitualmente dirigidas por um médico. Se se tornar necessário um tratamento devido a que os batimentos ectópicos se produzem com frequência e geram palpitações intoleráveis. a ajuda do médico para pôr fim ao episódio. Essas manobras. deve recorrer-se à cardioversão (aplicar um choque eléctrico no coração). Os factores desencadeantes são o consumo de álcool e a administração de preparados para o resfriado que contêm fármacos que estimulam o sistema nervoso simpático (como a efedrina ou a pseudoefedrina) ou de fármacos que se usam para tratar a asma. consistem em fazer com que o doente simule os esforços da evacuação. Tratamento Os episódios de arritmia podem ser amiudadas vezes interrompidos através de uma ou de várias manobras que estimulam o nervo vago e que.Uma extra-sístole auricular é um batimento cardíaco causado pela activação eléctrica das aurículas antes de um batimento normal. o que faz com que o ventrículo se contraia de uma forma . administrados sozinhos ou combinados. Esta frequência cardíaca rápida costuma ter um início e um fim súbitos e pode durar de poucos minutos a várias horas. sente-se como que uma palpitação incómoda e muitas vezes é acompanhada de outros sintomas. habitualmente. Quando os fármacos não surtem efeito. mas há vários fármacos que são eficazes. o coração está normal e estes episódios são mais desagradáveis do que perigosos. este é facilmente controlado administrando-se uma dose endovenosa de verapamil ou de adenosina. Taquicardia paroxística auricular A taquicardia paroxística auricular é uma frequência cardíaca uniforme. No entanto. as pessoas solicitam. Embora raramente. como consequência. rápida (de 160 a 200 batimentos por minuto) que acontece de forma súbita e se inicia nas aurículas. Existem vários mecanismos que produzem as taquicardias paroxísticas auriculares. administra-se um betabloqueador para reduzir a frequência cardíaca. Em regra. em esfregar o pescoço precisamente por baixo do ângulo do maxilar inferior (o que estimula uma zona sensível sobre a artéria carótida chamada seio carotídeo) ou em mergulhar a cara dentro de um recipiente com água muito fria. Geralmente. Estas manobras são mais eficazes se se efectuarem mal a arritmia comece. Fibrilhação e flutter auricular A fibrilhação e o flutter auricular são impulsos eléctricos muito rápidos que produzem uma contracção auricular extremamente veloz.

as contracções auriculares são tão velozes que as paredes das aurículas simplesmente estremecem. dor torácica e choque. quer através da aplicação de um tratamento. quer seja espontaneamente. é o primeiro sinal da fibrilhação auricular. desenvolvem insuficiência cardíaca. o coração bombeia quantidades insuficientes de sangue. No entanto. penetram na circulação geral e podem chegar a uma artéria mais pequena e obstruí-la (embolia). o pulso é irregular. não se produzirão sintomas. pelo que por não haver uma verdadeira contracção o sangue não é bombeado para os ventrículos. Em ambos os casos. Na fibrilhação auricular. Estes ritmos podem ser esporádicos ou persistentes. enquanto frequências mais elevadas provocam palpitações desagradáveis ou mal-estar no peito. no flutter. o ritmo auricular é irregular e o ritmo ventricular também o é. geralmente. A obstrução de uma artéria no cérebro pode provocar um icto que. mas o mais habitual é que haja um problema subjacente. mesmo assim. sobretudo as de idade avançada. uma doença das artérias coronárias. que passam para o interior do ventrículo esquerdo. Como consequência. Ritmo sinusal normal . o doente pode sentir a irregularidade do ritmo cardíaco. Sintomas e diagnóstico Os sintomas da fibrilhação ou do flutter auricular dependem da frequência com que se contraem os ventrículos. Algumas pessoas. uniformes. desfalecimento e falta de ar. Inclusive podem desprender-se pedaços de coágulos. as aurículas não se esvaziam por completo nos ventrículos em cada batimento. os ritmos auriculares e ventriculares são. A reduzida capacidade de bombeamento do coração pode provocar fraqueza. Na fibrilhação. A fibrilhação auricular ou o flutter podem aparecer sem que sejam visíveis outros sinais de cardiopatia. a hipertensão arterial. em raras ocasiões. No entanto. como a doença cardíaca reumática. o batimento dos ventrículos é tão rápido que não podem encher-se por completo. pelo que o sangue que fica no seu interior pode imobilizar-se e coagular. Se esta for pouco rápida (menos de 120 batimentos por minuto). O diagnóstico de fibrilhação ou de flutter auricular efectua-se a partir dos sintomas e confirma-se com um electrocardiograma (ECG). Na fibrilhação auricular. enquanto no flutter auricular a tendência é para ser regular mas rápido. Na fibrilhação auricular. os ventrículos batem mais lentamente do que as aurículas porque o nódulo auriculoventricular e o feixe de His não podem conduzir impulsos eléctricos a uma velocidade tão elevada e só um de cada dois ou quatro impulsos consegue passar. Durante a fibrilhação ou o flutter. o mais frequente é que os pedaços de um coágulo se desprendam pouco depois de uma fibrilhação auricular retomar o seu ritmo normal. o abuso de álcool ou uma produção excessiva de hormona tiróidea (hipertiroidismo).mais rápida e menos eficiente que o normal. a pressão arterial diminui e existe um risco potencial de aparecer insuficiência cardíaca.

ou um bloqueador dos canais do cálcio. o risco de a arritmia reaparecer é elevado. a hipertensão arterial). Por vezes. O tratamento da doença subjacente raramente melhora as arritmias auriculares. recomenda-se a aplicação de um tratamento anticoagulante para impedir a formação de coágulos. Para este efeito administra-se digoxina. combina-se com outro fármaco (um betabloqueador. Em primeiro lugar. o tratamento da perturbação responsável pelo ritmo anómalo e o restabelecimento do ritmo normal do coração. como o propranolol ou o atenolol. deve diminuir-se a frequência ventricular para aumentar a eficácia de bombeamento do coração. inclusive quando se administram fármacos preventivos. do grau de dilatação dos ventrículos e da gravidade que atingiu a doença cardíaca subjacente. Este procedimento interrompe a condução desde as aurículas em fibrilhação para os ventrículos. Mesmo quando se consegue a conversão. Se todos os outros tratamentos não surtirem efeito. uma descarga eléctrica (cardioversão) é o tratamento mais eficaz. como o diltiazem ou o verapamil) que aumente a sua eficácia. mas é mais frequente que seja necessário intervir para conseguir esta normalidade. Dado que qualquer pessoa com fibrilhação auricular corre o risco de ter um icto. pelo que se requer a colocação de um pacemaker artificial permanente para que os ventrículos se contraiam. O risco de desenvolver coágulos sanguíneos é mais elevado em pessoas com fibrilhação auricular e dilatação da aurícula esquerda ou doença da válvula mitral. No entanto. destrói-se o nódulo auriculoventricular mediante a ablação com cateter (fornecendo energia de radiofrequência através de um cateter introduzido no coração). (Ver secção 3. a não ser que haja uma razão específica para não o fazer (por exemplo. este tratamento implica um risco de hemorragia que pode conduzir a um icto . como quinidina. propafenona ou flecainida. a não ser que a doença seja o hipertiroidismo. Quando a administração de digoxina não é eficaz. geralmente. Na fibrilhação auricular administra-se também um tratamento para prevenir coágulos e embolias.Tratamento Os tratamentos para a fibrilhação e o flutter auricular têm como objectivo o controlo da velocidade de contracção dos ventrículos. Embora esta reversão possa conseguir-se com certos fármacos antiarrítmicos. procainamida. capítulo 19) O risco de um coágulo se desprender e provocar um icto é particularmente elevado nos doentes com episódios intermitentes mas duradouros de fibrilhação auricular ou cuja fibrilhação foi convertida ao ritmo normal. um fármaco que retarda a condução dos impulsos para os ventrículos. O êxito dos meios utilizados depende do tempo transcorrido desde o início das anomalias no ritmo cardíaco (as probabilidades de êxito são menores depois de 6 meses ou mais). a fibrilhação ou o flutter auricular podem voltar a um ritmo normal de forma espontânea.

por via endovenosa para deter a arritmia. Embora estejam presentes no nascimento. podendo originar desfalecimento ou insuficiência cardíaca. a administração do fármaco interrompe-se antes de alcançar a puberdade. O diagnóstico da síndroma de Wolff-Parkinson-White com ou sem fibrilhação auricular efectua-se através de um electrocardiograma (ECG). A destruição da via acessória através da ablação com cateter (fornecendo energia de radiofrequência através de um cateter introduzido no coração) resulta eficaz em mais de 95 % dos casos. os episódios produzem poucos sintomas. Tratamento Os episódios de arritmia costumam ser interrompidos através de uma ou de várias manobras que estimulam o nervo vago e. O resultado é uma velocidade ventricular muito rápida. os potenciais benefícios e riscos devem ser considerados em cada pessoa em particular. como o verapamil ou a adenosina. Por conseguinte. sob controlo médico. Por esta razão. Os primeiros episódios podem produzir-se entre os 10 e os 25 anos. Durante o primeiro ano de vida. Numa pessoa jovem e aparentemente com um bom estado de saúde. O risco de morte durante o processo é inferior a 1 em cada 1000 pessoas. aos 60 anos. Não só se trata de um coração muito ineficaz por bater tão rapidamente. que leva à morte de imediato. parecem ficar sem ânimo ou em letargia. Os episódios típicos começam de modo repentino. por exemplo. muitas vezes durante um exercício. durante o primeiro ano de vida ou tardiamente. Os adultos não devem tomar digoxina porque acelera a condução na via acessória e aumenta os riscos de uma fibrilhação ventricular. Estas manobras têm melhores resultados quando se efectuam mal começa a arritmia. Sintomas e diagnóstico A síndroma de Wolff-Parkinson-White provoca episódios súbitos de taquicardia com palpitações. administram-se fármacos. Síndroma de Wolff-Parkinson-White A síndroma de Wolff-Parkinson-White é uma arritmia cardíaca em que os impulsos eléctricos são conduzidos ao longo de uma via acessória desde as aurículas aos ventrículos. consistem em efectuar esforços semelhantes aos da evacuação. estas vias acessórias só conduzem os impulsos através do coração em algumas ocasiões. devido a que a via acessória pode conduzir os impulsos rápidos para os ventrículos com maior eficácia do que o normal. Podem durar só alguns segundos ou persistir durante várias horas.hemorrágico e a outras complicações hemorrágicas. o que provoca episódios de taquicardia. em esfregar o pescoço precisamente por baixo do ângulo do maxilar inferior (o que estimula uma zona sensível sobre a artéria carótida chamada seio carotídeo) ou em mergulhar a cara dentro de um recipiente com água muito fria. Estas manobras. Se não surtirem o efeito desejado. mas também a frequência cardíaca acelerada poderá progredir para uma fibrilhação ventricular. mas as taquicardias são incómodas e provocam stress. Esta última é particularmente perigosa em cerca de 1 % das pessoas que sofrem da síndroma de Wolff-Parkinson-White. que pode ser mortal. Pode administrar-se digoxina a lactentes e a crianças menores de 10 anos para suprimir os episódios de frequência cardíaca acelerada. A ablação com cateter é . raramente mais de doze horas. os bebés podem começar a mostrar sintomas de insuficiência cardíaca se o episódio for prolongado. como consequência. Por vezes. reduzem a frequência cardíaca. A taquicardia transforma-se por vezes em fibrilhação auricular. deixam de comer bem ou têm pulsações rápidas e visíveis no peito. Para a prevenção a longo prazo dos episódios de taquicardia administram-se outros fármacos antiarrítmicos. Podem manifestar-se de forma precoce. A síndroma de Wolff-Parkinson-White é a mais frequente das perturbações que afectam as vias acessórias.

geralmente. só se prescreve um tratamento farmacológico se os sintomas forem intoleráveis ou quando o traçado do ritmo cardíaco sugira algum perigo. mas podem também aumentar o risco de uma arritmia mortal. Geralmente. . os betabloqueadores são a primeira opção. As extra-sístoles ventriculares diagnosticam-se com um electrocardiograma (ECG). No entanto. Depois de um enfarte e se as extra-sístoles ventriculares forem frequentes. Extra-sístoles ventriculares benignas Sintomas e diagnóstico As extra-sístoles ventriculares isoladas têm um escasso efeito sobre a acção do bombeamento do coração e. muitos doentes não querem tomálos devido à sensação de fadiga que podem causar. o único tratamento é a diminuição das causas de stress e abster-se do consumo de álcool e de preparados para a constipação de venda livre que contenham princípios activos que estimulem o coração. Em consequência. Os fármacos antiarrítmicos suprimem as extra-sístoles ventriculares. caso contrário teriam de enfrentar um tratamento por tempo indefinido com fármacos antiarrítmicos. estenose aórtica ou que tenha tido um enfarte. a não ser que sejam demasiado frequentes. Tratamento Em princípio. O sintoma principal é a percepção de um batimento forte ou fora do lugar. Dada a sua relativa segurança. podem representar o início de arritmias mais perigosas. No entanto. não produzem sintomas. Extra-sístoles ventriculares Uma extra-sístole ventricular (contracção ventricular prematura) é um batimento cardíaco provocado pela activação eléctrica dos ventrículos antes do batimento cardíaco normal. devem ser utilizados com precaução em doentes seleccionados depois de terem efectuado estudos cardíacos sofisticados e a correspondente avaliação dos riscos. como uma fibrilhação ventricular e causar morte súbita. quando se manifestam com frequência numa pessoa que sofre de insuficiência cardíaca.particularmente útil nos doentes jovens. pode reduzir-se o risco de morte súbita tomando betabloqueadores e submetendo-se a uma cirurgia de derivação coronária (bypass) (Ver secção 3. capítulo 27) para aliviar a obstrução subjacente. Este tipo de arritmia é frequente e não indica qualquer perigo quando não existe uma cardiopatia associada.

Quando os episódios provocam uma descida da pressão arterial abaixo dos valores normais. Fibrilhação ventricular A fibrilhação ventricular é uma série descoordenada e potencialmente mortal de contracções ventriculares ineficazes muito rápidas. Sintomas e diagnóstico A taquicardia ventricular é quase sempre acompanhada de palpitações. Os resultados do estudo permitem decidir qual é o fármaco mais eficaz para prevenir as recorrências. As causas da fibrilhação ventricular são as mesmas que as da paragem cardíaca. A taquicardia ventricular mantida é provocada por uma pequena zona anómala nos ventrículos. Manobra de ressuscitação cardiopulmonar: respiração com máscara . A causa mais frequente é um fluxo insuficiente de sangue ao músculo cardíaco. A fibrilhação ventricular é electricamente semelhante à fibrilhação auricular. devido a os ventrículos não se poderem encher adequadamente nem exercer a sua função de bombeamento. produzindo-se uma insuficiência cardíaca. mesmo se forem assintomáticos. a qual. é necessário fazer uma cardioversão. Embora a taquicardia ventricular possa produzir poucos sintomas. a não ser que seja tratada de forma imediata. assim como os que duram mais de 30 segundos. O diagnóstico de taquicardia ventricular efectua-se mediante um electrocardiograma (ECG). A taquicardia ventricular mantida pode ser perigosa e costuma requerer um tratamento de emergência.Taquicardia ventricular A taquicardia ventricular é um ritmo ventricular de pelo menos 120 batimentos por minuto. Para suprimir a taquicardia ventricular administra-se lidocaína ou um fármaco semelhante por via endovenosa. Existe também o risco de a taquicardia ventricular se agravar e de se transformar em fibrilhação ventricular (uma forma de paragem cardíaca). pode ser extirpada cirurgicamente. provocadas por múltiplos impulsos eléctricos caóticos. salvo que tem um prognóstico muito mais grave. por vezes. Outras causas são o choque e as concentrações muito baixas de potássio no sangue (hipopotassemia). inclusive em frequências de até 200 batimentos por minuto. Devido a o coração não bombear sangue. Em algumas das pessoas que sofrem uma taquicardia ventricular que não responde ao tratamento farmacológico. pode implantar-se um dispositivo chamado desfibrilhador automático para cardioversão. Taquicardia ventricular mantida (taquicardia ventricular que dura pelo menos 30 segundos) ocorre em várias doenças cardíacas que provocam lesões graves nos ventrículos. efectua-se um estudo electrofisiológico e experimentam-se outros fármacos. Na fibrilhação ventricular. O mais frequente é que se manifeste várias semanas ou meses depois de um enfarte. A pressão arterial tende a descer. Se os episódios de taquicardia ventricular persistirem. a fibrilhação ventricular é uma forma de paragem cardíaca mortal. é extremamente perigosa. por causa de uma doença das artérias coronárias ou de um enfarte. Tratamento Deve tratar-se qualquer episódio de taquicardia ventricular que produza sintomas. os ventrículos estremecem simplesmente e não efectuam contracções coordenadas.

No bloqueio cardíaco de segundo grau. O bloqueio cardíaco de terceiro grau é uma arritmia . No bloqueio cardíaco de primeiro grau. O diagnóstico é confirmado por um electrocardiograma (ECG). No entanto. aproximadamente. cada impulso das aurículas alcança os ventrículos. de segundo grau e de terceiro grau. A reanimação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada antes de passarem alguns minutos e com a maior brevidade possível deve efectuarse uma cardioversão (descarga eléctrica que se aplica no peito). e 70 % destes sobreviventes da reanimação falecem depois. No bloqueio cardíaco de terceiro grau. O diagnóstico baseia-se na observação do atraso na condução num electrocardiograma (ECG). e a frequência e o ritmo cardíacos encontram-se determinados pela actividade do nódulo auriculoventricular ou dos próprios ventrículos. Sem a estimulação do pacemaker cardíaco normal (nódulo sino-auricular). O bloqueio cardíaco classifica-se em bloqueio de primeiro grau. O médico considera o diagnóstico de fibrilhação ventricular em caso de colapso repentino. os ventrículos batem com muita lentidão: menos de 50 batimentos por minuto. conforme o atraso da condução eléctrica até aos ventrículos for ligeiro. quando estas se verificam. nos adolescentes. porque o oxigénio já não chega ao cérebro. O choque e a insuficiência cardíaca são indicadores da existência de lesões graves nos ventrículos. a afecção manifesta-se também na febre reumática e no compromisso cardíaco da sarcoidose. e também não se detecta a pressão arterial. intermitente ou completo. O referido bloqueio verifica-se quando o coração bate de forma lenta ou irregular. que se encontra entre as aurículas e os ventrículos. nos adultos jovens e nas pessoas com uma actividade elevada do nervo vago. O bloqueio cardíaco de primeiro grau é frequente entre os atletas bem treinados. Quando a fibrilhação ventricular se produz poucas horas depois de um enfarte e a pessoa não se encontra em estado de choque nem tem insuficiência cardíaca. nem todos os impulsos chegam aos ventrículos. Se não se aplicar um tratamento de forma imediata.Sintomas e diagnóstico A fibrilhação ventricular provoca a perda de consciência em poucos segundos. Durante o exame não se detectam nem pulso nem batimento cardíaco. surge a morte. geralmente verificam-se convulsões e lesões cerebrais irreversíveis depois de 5 minutos. Tratamento A fibrilhação ventricular deve ser tratada como uma urgência. inclusive a cardioversão imediata tem apenas 30 % de êxito. Bloqueio cardíaco O bloqueio cardíaco é um atraso na condução eléctrica através do nódulo auriculoventricular. a sua origem pode estar na administração de alguns fármacos. Este problema na condução é assintomático. a cardioversão imediata tem êxito em 95 % dos casos e o prognóstico é bom. Algumas formas do bloqueio de segundo grau evoluem para o terceiro grau. os impulsos provenientes das aurículas e dirigidos para os ventrículos estão bloqueados por completo. mas sofre um atraso de uma fracção de segundo quando circula através do nódulo auriculoventricular. A seguir administram-se fármacos para manter o ritmo cardíaco normal. Em consequência.

as vertigens e a insuficiência cardíaca repentina são sintomas frequentes. Todos os tipos de síndroma do nódulo sinusal são particularmente frequentes nos idosos. os sintomas são menos graves. facilitam . Doença do nódulo sinusal A doença do nódulo sinusal compreende uma ampla variedade de anomalias do funcionamento do pacemaker natural. Em caso de urgência pode utilizar-se um pacemaker temporário até poder ser implantado um em permanência. sobretudo se for irregular. Alguns casos de bloqueio de segundo grau podem necessitar de um pacemaker artificial. Quando os ventrículos batem a uma frequência superior a 40 batimentos por minuto. Quando a frequência se torna muito lenta. irregulares e pouco eficazes.grave que afecta a capacidade de bombeamento do coração. debilidade e cansaço. O desmaio (síncope). O bloqueio de terceiro grau requer quase sempre um pacemaker artificial. caso em que o impulso proveniente do pacemaker não provoca a contracção das aurículas. Quando isto acontece. Um pulso lento. em particular se forem registadas durante um período de 24 horas. Um subtipo importante desta doença é a síndroma de bradicardia-taquicardia. frequentemente. alternam com períodos prolongados de ritmos cardíacos lentos. mas incluem cansaço. embora os ritmos normais por vezes voltem depois de se ter recuperado da causa subjacente. ou um pulso com grandes variações sem que coincida com mudanças na actividade do indivíduo. as pessoas com este problema necessitam de um pacemaker artificial durante o resto da sua vida. as frequências cardíacas rápidas são sentidas como palpitações. quer seja na aurícula. consideradas em conjunto com os sintomas que as acompanham. Esta síndroma pode determinar um batimento cardíaco persistentemente lento (bradicardia sinusal) ou um bloqueio completo entre o pacemaker e as aurículas (paragem sinusal). O nódulo auriculoventricular e os ventrículos. Sintomas e diagnóstico Muitos tipos de síndroma do nódulo sinusal não causam sintomas. leva a suspeitar da síndroma do nódulo sinusal. quer no ventrículo. como é o caso de um enfarte. As anomalias características no electrocardiograma (ECG). hipotensão arterial quando se está de pé e falta de ar. embora as frequências cardíacas persistentemente baixas provoquem. são também. em que os ritmos auriculares rápidos. incluindo a fibrilhação auricular ou o fluter. com frequência. inclusive quando é causado por uma doença do coração. Manobra de ressuscitação cardiopulmonar: massagem cardíaca Tratamento O bloqueio de primeiro grau não requer tratamento. ocorre inclusive desfalecimento. Amiudadamente. para além de serem lentos como substitutos do pacemaker natural. habitualmente entra em funcionamento um pacemaker de urgência situado mais abaixo. Habitualmente.

Tratamento Às pessoas que têm sintomas é-lhes geralmente colocado um pacemaker artificial. como algumas pessoas pensam. Isso acontece também quando tiver de lutar para expulsar o sangue através de um orifício mais estreito. Nos casos que apresentam períodos ocasionais de frequência rápida. mas um coração que aumentou o seu volume pode finalmente diminuir a sua capacidade de bombeamento e provocar insuficiência cardíaca. em consequência. tal como acontece com os bíceps. debilitam a força das contracções cardíacas. No entanto. A mais frequente delas é a doença das artérias coronárias. deteriorando a sua capacidade de contracção e de bombeamento. Se o coração se vir submetido a um grande esforço durante meses ou anos. vírus ou outros microrganismos) provoca também lesões graves no músculo cardíaco. A insuficiência cardíaca tem muitas causas. tornando o seu enchimento insuficiente. Estas situações provocam a sobrecarga do músculo cardíaco e. Em princípio. a redução da capacidade do coração para manter um rendimento eficaz. rápidas ou irregulares. o hipertiroidismo ou a obesidade extrema. que limita o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco e que pode ser causa de enfarte. Embora com uma frequência muito menor.geralmente a confirmação do diagnóstico. como um betabloqueador ou o verapamil. habitualmente o melhor tratamento consiste na implantação de um pacemaker juntamente com a administração de um fármaco antiarrítmico. Em algumas pessoas o pericárdio (o invólucro fino e transparente do coração) endurece. A situação que daí resulta é semelhante à carga extraordinária que uma bomba de água suporta quando é forçada a empurrar a água através de tubagens estreitas. A miocardite (uma infecção do músculo cardíaco provocada por bactérias. que impedem um bombeamento adequado do sangue. depois de vários meses de exercício. é muito mais frequente nas pessoas mais velhas. dado que têm uma maior possibilidade de contrair as doenças que a causam. uma válvula que não feche bem e deixe escapar sangue pode provocar um refluxo do mesmo. Por outro lado. Outras doenças afectam principalmente o sistema de condução eléctrica do coração e provocam frequências cardíacas lentas. mais do que para a diminuir. este aumento de tamanho é acompanhado de contracções mais fortes. Termo «insuficiência cardíaca» não significa que o coração tenha parado. entre as quais há um certo número de doenças. pode ser também necesária a administração de fármacos. pode também acontecer que determinadas doenças que afectem outras partes do corpo aumentem exageradamente a necessidade de oxigénio e de . Uma doença de uma válvula cardíaca pode obstruir o fluxo de sangue entre as cavidades do coração ou entre o coração e as artérias principais. assim como a diabetes. 70 % dos doentes com esta afecção morrem antes de passados 10 anos a partir do diagnóstico. A pressão arterial elevada (hipertensão) pode também obrigar o coração a trabalhar com mais força. geralmente uma válvula aórtica estreita. Causas Qualquer doença que afecte o coração e interfira na circulação pode causar insuficiência cardíaca. dilata-se. Isso impede que o coração se possa dilatar por completo entre os batimentos. significa. Determinadas doenças podem actuar selectivamente afectando o músculo cardíaco. as pessoas que sofrem desta perturbação podem viver muitos anos. Estes pacemakers utilizam-se para acelerar a frequência cardíaca. isso sim. Insuficiência cardíaca A insuficiência cardíaca (insuficiência cardíaca congestiva) é uma doença grave em que a quantidade de sangue que o coração bombeia por minuto (débito cardíaco) é insuficiente para satisfazer as necessidades de oxigénio e de nutrientes do organismo. Por conseguinte. Apesar de ser um processo que vai piorando lentamente com a passagem do tempo.

causando inchaço (edema). predominam muitas vezes os sintomas de um ou de outro lado. retém-se também água para manter constante a concentração de sódio no sangue. nos países tropicais há certos parasitas que podem alojar-se no músculo cardíaco. Em pé. nos tornozelos. este facto provoca insuficiência cardíaca em idades muito mais jovens do que nos países desenvolvidos. tal como o fazem os músculos de um atleta antes do exercício. Esta quantidade adicional de água aumenta o volume de sangue na circulação e. No entanto. A longo prazo. o problema do bombeamento. à medida que esta se agrava.nutrientes por parte do organismo. Mas no caso de uma pessoa com insuficiência cardíaca crónica. Por exemplo. a localização e os efeitos do edema dependem também do lado do coração que esteja mais afectado. no fígado e no . ajudando-o a aumentar o seu volume-minuto e a compensar. como consequência. Estas respostas são benéficas para um doente sem qualquer doença do coração que tem necessidade de aumentar a curto prazo a função cardíaca. em princípio. Outro mecanismo correctivo adicional consiste na retenção de sal (sódio) pelos rins e. a noradrenalina é também libertada pelos nervos. estas respostas provocam uma exigência constante num sistema cardiovascular que já está gravemente danificado. estas procuras crescentes deterioram o funcionamento cardíaco. nas pernas. fazem com que o coração trabalhe com mais força. o excesso de líquido escapa-se da circulação e acumula-se em vários pontos do corpo. o líquido acumula-se nas pernas e nos pés. O resultado é o aparecimento de insuficiência cardíaca. O mecanismo de resposta de emergência inicial (em minutos ou horas) é o «estado excitatório prévio à acção» provocado pela libertação de adrenalina e de noradrenalina das glândulas supra-renais para a circulação sanguínea. Isto produz inchaço nos pés. Uma das principais consequências da retenção de líquidos é uma distensão do músculo cardíaco provocada por um maior volume de sangue. Apesar de uma doença de um só lado do coração causar sempre uma insuficiência cardíaca de ambos os lados. Este é um dos principais mecanismos de que o coração dispõe para aumentar a sua função na insuficiência cardíaca. O músculo cardíaco assim dilatado pode contrair-se com uma força maior. Para além da influência da gravidade. embora geralmente à custa de um aumento da frequência cardíaca e de um batimento cardíaco mais enérgico. A adrenalina e a noradrenalina são as defesas principais contra qualquer stress repentino. Este músculo submetido a uma maior tensão contrai-se mais energicamente. É habitual que a retenção de sódio e de água leve a um aumento de peso. em certa medida. O local da acumulação depende do excesso de líquido e do efeito da gravidade. de tal modo que o coração. O outro mecanismo principal de compensação é o aumento da espessura do músculo cardíaco (hipertrofia). melhora o rendimento cardíaco. devido às diferentes doenças que se desenvolvem em cada país. Sintomas As pessoas com uma insuficiência cardíaca descompensada sentem-se cansadas e débeis quando levam a cabo alguma actividade física. o inchaço pode também causar muitos sintomas. seja incapaz de satisfazer esta procura superior. As causas da insuficiência cardíaca variam com as diferentes regiões do mundo. porque os músculos não recebem um volume adequado de sangue. A insuficiência cardíaca direita tende a produzir uma paragem do sangue que se dirige para o lado direito do coração. acumula-se nas costas ou no abdómen. Por outro lado. Na insuficiência cardíaca compensada. O volume-minuto pode voltar ao seu nível normal. Se a pessoa estiver deitada. embora esteja normal. mas acaba por funcionar mal e a insuficiência cardíaca agrava-se. Mecanismos de compensação O organismo possui um certo número de mecanismos de resposta para compensar a insuficiência cardíaca.

De modo semelhante. a eliminação dos factores que contribuem para agravar a insuficiência cardíaca e o próprio tratamento desta. As pessoas com insuficiência cardíaca têm por vezes de dormir sentadas para evitar este efeito. efectuar mudanças apropriadas na dieta. mas à medida que a doença progride. um fígado aumentado. a insuficiência do lado esquerdo provoca a acumulação de líquido nos pulmões (edema pulmonar). capítulo 15) Podem ser efectuados outros exames para determinar a causa subjacente da insuficiência cardíaca. o funcionamento do coração é avaliado através de exames adicionais.abdómen. a dispneia é nocturna. Diagnóstico Geralmente. O tratamento aborda-se a partir de três ângulos: o tratamento da causa subjacente. Os fármacos. a administração de antibióticos pode curar uma infecção. que examina a sua actividade eléctrica. aparece também mesmo em repouso. Por vezes. O facto de se sentar faz com que o líquido saia dos pulmões e facilite assim a respiração. esta verifica-se durante um esforço físico. No princípio. assim como as temperaturas ambientais extremas. dado que o facto de estar deitado favorece o deslocamento do líquido para o interior dos pulmões. a cirurgia ou a radioterapia são eficazes para tratar o hipertiroidismo. mas pode facilitar-se a actividade física. Tratamento Não existe um tratamento curativo na maioria dos casos. Uma grave acumulação de líquidos (edema pulmonar agudo) constitui uma situação urgente que pode ser mortal. A pessoa acorda muitas vezes com dificuldade em respirar ou com sibilos. melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevivência. Edema maleolar A pressão com o dedo deixa um sinal em forma de cova. certas anomalias nos ruídos cardíacos. pode eliminar-se a causa por completo sem necessidade de recorrer à cirurgia. um rápido aumento de peso e edema no abdómen ou nas pernas. Uma radiografia do tórax pode mostrar a dilatação do coração e a acumulação de líquido nos pulmões. os fármacos reduzem e controlam a hipertensão arterial. Tratamento da causa subjacente Através de uma intervenção cirúrgica pode corrigir-se uma válvula cardíaca estreita ou com insuficiência. que utiliza ultra-sons para fornecer uma imagem do coração e um electrocardiograma. Por vezes. uma pressão arterial baixa. veias do pescoço dilatadas. Os sintomas seguintes confirmam o diagnóstico inicial: um pulso fraco e muitas vezes rápido. como um ecocardiograma. Por exemplo. . Recomenda-se um programa para ajudar a deixar de fumar. tudo o que pode conduzir ao desenvolvimento de uma insuficiência cardíaca. Eliminação dos factores contributivos Os factores que agravam a insuficiência cardíaca são o hábito de fumar e de comer com demasiado sal. uma comunicação anómala entre as cavidades cardíacas ou uma obstrução das artérias coronárias. o que provoca uma dispneia intensa. o excesso de peso e o consumo de álcool. Muitas vezes. um aumento do tamanho do coração. Por outro lado. os sintomas costumam ser suficientes para estabelecer o diagnóstico de insuficiência cardíaca. líquido nos pulmões. (Ver secção 2.

O maior perigo reside no desprendimento desses coágulos que. Tal como os inibidores da ECA. enquanto a hidralazina dilata as artérias. A quantidade de sódio no organismo diminui se se limitar o sal na mesa. Os venodilatadores dilatam as veias e proporcionam mais espaço para o sangue que se acumulou e é incapaz de entrar no lado direito do coração. enquanto muitos dos fármacos mais antigos dilatam umas e outras em grau diferente. a milrinona e a amrinona dilatam tanto as artérias como as veias. Os vasodilatadores mais utilizados são os inibidores da ECA (enzima conversor da angiotensina). as veias ou ambas simultaneamente. As flutuações de mais de um quilograma por dia devem-se. o que. pode também administrarse um suplemento de potássio ou um diurético que não elimine potássio. Os ECA dilatam tanto as artérias como as veias. como também prolongam a vida. As pessoas com problemas graves de insuficiência cardíaca podem tomar conhecimento do conteúdo de sal dos alimentos embalados lendo atentamente os rótulos. e produzir um icto. quase com total segurança. podem causar lesões graves noutros órgãos vitais. Procede-se à investigação de novos fármacos. à retenção de líquidos. No caso de insuficiência cardíaca mais grave. os avanços constantes no tratamento melhoram a qualidade de vida e prolongam-na. Um modo simples e seguro para saber se se retêm líquidos é controlar o peso diariamente. Este espaço acessório alivia a congestão e diminui a carga sobre o coração. nas quais os batimentos são demasiado rápidos. fundamentalmente ao levantar-se pela manhã. o repouso durante alguns dias constitui uma parte importante do tratamento. Tratamento da insuficiência cardíaca O melhor tratamento da insuficiência cardíaca é a prevenção ou o controlo da causa subjacente. demasiado lentos ou irregulares. diminui o esforço que este deve efectuar. mas em caso de urgência são muito eficazes por via endovenosa. ao passarem para a circulação. quer sejam as artérias. a nitroglicerina dilata as veias. Dado que alguns diuréticos provocam uma perda indesejável de potássio. Os vasodilatadores arteriais dilatam as artérias e reduzem a tensão arterial. Insuficiência cardíaca crónica: quando a restrição de sal só por si não reduz a retenção de líquidos. As variações são mais fáceis de observar quando se usa sempre a mesma balança e roupa semelhante e se toma nota do peso diariamente num bloco. Estes fármacos não só melhoram os sintomas. reduz o trabalho do coração. em consequência. como o cérebro. os diuréticos ingerem-se por via oral quando se faz um tratamento a longo prazo. é frequente a administração de fármacos vasodilatadores que dilatam os vasos sanguíneos.interromper o consumo de álcool ou fazer exercícios moderados e de forma regular para melhorar o estado físico. O excesso de sal na dieta (sódio) pode causar uma retenção de líquidos que torne ineficaz o tratamento médico. quando esta é demasiado rápida. administram-se fármacos diuréticos para aumentar a produção de urina e extrair o sódio e a água do organismo através dos rins. tal como a digoxina. aumentam também a força . A redução de líquidos reduz o volume de sangue que chega ao coração e. depois de urinar e antes de tomar o pequeno-almoço. Mas. Por exemplo. Um aumento de peso consistente e rápido (1 kg por dia) é um sinal de que a insuficiência cardíaca se está a agravar. mesmo que isso não seja possível. Os fármacos anticoagulantes são importantes porque previnem a formação de coágulos nas cavidades cardíacas. As irregularidades do ritmo do coração (arritmias). tratam-se com fármacos ou com um pacemaker artificial. na cocção dos alimentos e o consumo de alimentos salgados. Por outro lado. Habitualmente. A digoxina aumenta a potência de cada batimento cardíaco e reduz a frequência cardíaca. os doentes com insuficiência cardíaca devem controlar o seu peso minuciosamente todos os dias. Por isso. As cavidades cardíacas dilatadas e com uma escassa contracção podem favorecer a formação de coágulos sanguíneos no seu interior. por sua vez.

como consequência. Estes novos fármacos só se utilizam durante breves períodos em doentes que são estritamente controlados no hospital. portanto. pois diminui a velocidade da respiração. Trata-se da operação experimental mais recente. No entanto. se a estimulação por parte do sistema interno de emergência do próprio organismo é demasiado grande. podem aplicar-se torniquetes em três dos quatro membros para reter temporariamente o sangue neles e reduzir o volume de sangue que volta ao coração. A nitroglicerina por via endovenosa ou colocada debaixo da língua (sublingual) dilata as veias e. diminui a sobrecarga do coração. reduz o volume de sangue que atravessa os pulmões. capítulo 14). Quando estas medidas não surtem efeito. O transplante de coração é indicado em alguns casos de insuficiência cardíaca grave que não respondem suficientemente ao tratamento farmacológico. A administração de diuréticos endovenosos e de fármacos como a digoxina podem produzir uma melhoria rápida e espectacular. estes torniquetes devem ser trocados entre os membros num período de entre 10 e 20 minutos. a respiração é muito difícil. reduz a frequência cardíaca e. pelo que se administram altas concentrações de oxigénio mediante uma máscara.contráctil do coração. . dado que podem causar perigosas irregularidades do ritmo cardíaco. Os corações artificiais temporários. insere-se um tubo nas vias respiratórias de modo que a respiração possa ser ajudada com um ventilador mecânico. muito debilitado. deixou de funcionar como tal). Insuficiência cardíaca aguda: Quando se verifica uma acumulação repentina de líquido nos pulmões (edema agudo do pulmão).A miocardiopatia é uma perturbação progressiva que altera a estrutura ou prejudica o funcionamento da parede muscular das cavidades inferiores do coração (ventrículos) (Ver imagem da secção 3. infecções e coágulos sanguíneos. utilizam-se por vezes fármacos que têm a acção oposta (betabloqueadores). Em ocasiões raras. para evitar lesões nas extremidades. A administração de morfina alivia a ansiedade que geralmente acompanha o edema pulmonar agudo. e revela-se prometedora em doentes muito concretos que sofrem de insuficiência cardíaca grave (isto é. o músculo cardíaco. estão ainda numa fase experimental e está a trabalhar-se intensamente nos problemas da eficácia. Os fármacos semelhantes à adrenalina e à noradrenalina (como a dopamina e a dobutamina) utilizam-se para estimular as contracções cardíacas em doentes que estão hospitalizados e que necessitam de uma rápida melhoria. A miocardioplastia é uma operação experimental em que se extrai um músculo longo das costas que se enrola à volta do coração e que se estimula por um pacemaker artificial para provocar contracções rítmicas. parciais ou completos.

O diagnóstico baseia-se nos sintomas e num exame físico. podem causar uma miocardiopatia congestiva com dilatação. Em qualquer caso. A miocardiopatia pode ser provocada por muitas doenças conhecidas ou por uma causa não identificável. os primeiros sintomas podem ser a febre repentina e outros semelhantes aos da gripe. produz-se uma insuficiência cardíaca. amplamente difundida. capítulo 15). Nos países desenvolvidos. Quando esta dilatação não pode compensar o défice adequadamente. como a diabetes e a doença tiróidea podem também provocar uma miocardiopatia congestiva com dilatação. A infecção pelo vírus Coxsackie B é a causa mais frequente de miocardiopatia viral. o que pode conduzir a lesões permanentes.Miocardiopatia A miocardiopatia é uma perturbação progressiva que altera a estrutura ou prejudica o funcionamento da parede muscular das cavidades inferiores do coração (ventrículos). Raramente a gravidez ou certas doenças do tecido conjuntivo. pode debilitá-lo e produzir uma miocardiopatia congestiva com dilatação (por vezes chamada miocardiopatia viral). assim como o consumo de certas drogas (como o álcool e a cocaína) e de fármacos (como os antidepressivos). Se apesar destes . em consequência. as lesões e a distensão do músculo cardíaco determinam um ritmo cardíaco anormalmente rápido ou então lento. (Ver secção 3. produz-se um refluxo anormal de sangue dos ventrículos para as aurículas durante a sístole. no caso da válvula tricúspide e da válvula mitral. O fecho inadequado das válvulas causa sopros que se podem ouvir com um fonendoscópio. como a artrite reumatóide. capítulo 17) Quando a causa da miocardiopatia é uma infecção. de abuso do álcool. há retenção de líquidos nas pernas e o abdómen e os pulmões enchem-se de líquido. porque as válvulas não fecham bem. Miocardiopatia congestiva com dilatação A miocardiopatia congestiva com dilatação é um grupo de perturbações cardíacas em que os ventrículos se dilatam. capítulo 27) Esta doença determina uma chegada de sangue insuficiente ao músculo cardíaco. causada por uma infecção viral. Estas anomalias alteram ainda mais a função de bombeamento do coração. A dilatação do coração faz com que as válvulas cardíacas se abram e fechem incorrectamente. a causa identificável mais frequente de miocardiopatia congestiva com dilatação é a doença das artérias coronárias. O ecocardiograma (um exame que utiliza ultra-sons para criar uma imagem das estruturas cardíacas) (Ver secção 3. aproximadamente. Sintomas e diagnóstico Os sintomas iniciais da miocardiopatia congestiva com dilatação (sentir falta de ar durante um esforço físico e cansar-se facilmente) são o resultado do enfraquecimento da acção de bombeamento do coração (insuficiência cardíaca). Por último. mas não são capazes de bombear o sangue suficiente para as necessidades do organismo. Uma inflamação aguda do músculo cardíaco (miocardite). Certas perturbações hormonais crónicas. O electrocardiograma (um exame que regista a actividade eléctrica do coração) revela mudanças características. a frequência cardíaca acelera-se. produz-se a miocardiopatia congestiva dilatada. capítulo 15) e a ressonância magnética (RM) confirmam o diagnóstico. A miocardiopatia alcoólica surge depois de 10 anos. a pressão arterial é normal ou baixa. (Ver imagem da secção 2. (Ver secção 3. A parte não lesionada do músculo cardíaco distende-se para compensar a perda da acção de bombeamento.

Os betabloqueadores e os bloqueadores dos canais do cálcio podem reduzir a força das contracções cardíacas. administram-se habitualmente fármacos anticoagulantes. Miocardiopatia hipertrófica A miocardiopatia hipertrófica é um grupo de perturbações caracterizadas por uma hipertrofia ventricular (um espessamento das paredes dos ventrículos). No conjunto. Para prevenir esta coagulação. A estase do sangue no coração dilatado pode causar a formação de coágulos nas paredes das cavidades. No entanto. o prognóstico agrava-se à medida que as paredes do coração se tornam mais finas e a função cardíaca diminui. As anomalias no ritmo cardíaco indicam também um prognóstico grave. um betabloqueador ou um bloqueador dos canais do cálcio. pode prolongar a vida. Dado este mau prognóstico. Pode também surgir em doentes com acromegalia. No caso de uma pessoa com uma doença das artérias coronárias. A miocardiopatia hipertrófica é hereditária em certos casos. o escasso fornecimento de sangue devido à insuficiência cardíaca pode causar angina (dor no peito por doença cardíaca) (Ver secção 3. conhecer a causa. os homens sobrevivem só metade do tempo em comparação com as mulheres e as pessoas de etnia negra metade em comparação com as de etnia branca. Segundo os estudos. A insuficiência cardíaca trata-se também com fármacos (um inibidor do enzima conversor da angiotensina. os fármacos utilizados para prevenir as arritmias são prescritos em pequenas doses. Cerca de 50 % das mortes são repentinas. tanto o sexo como a origem étnica jogam um papel importante no prognóstico. O repouso suficiente. os indivíduos com miocardiopatia congestiva com dilatação são os principais candidatos a um transplante cardíaco. como o abuso do álcool ou uma infecção. que depois se aumentam gradualmente. Prognóstico e tratamento À volta de 70 % das pessoas com miocardiopatia congestiva com dilatação morrem antes dos 5 anos após o aparecimento dos primeiros sintomas. é necessário abster-se do seu consumo. ou com feocromocitoma. Se a causa for o abuso do álcool.procedimentos o diagnóstico for ainda duvidoso. Geralmente. Tratar especificamente a causa subjacente. pois podem reduzir a força das contracções cardíacas. Durante o cateterismo. muitas vezes. um tumor que produz adrenalina. uma avaliação mais precisa requer a introdução de um cateter que permita medir pressões dentro do coração. a não ser que a miocardiopatia congestiva com dilatação possa ser tratada. O tratamento com antibióticos está indicado se existir uma infecção bacteriana que cause a inflamação repentina do músculo cardíaco. podem também desenvolver uma miocardiopatia hipertrófica. provavelmente como resultado de uma arritmia cardíaca. que se associa frequentemente a um diurético). uma doença que resulta da presença de uma quantidade excessiva da hormona do crescimento no sangue. uma doença hereditária. capítulo 27). pode extrair-se uma amostra de tecido para o analisar ao microscópio (biopsia) e assim confirmar o diagnóstico e. o sono adequado e a redução do stress contribuem para diminuir a tensão sobre o coração. o que exige a aplicação de um tratamento com nitratos. As pessoas com neurofibromatose. . é muito provável que a insuficiência cardíaca seja finalmente mortal.

Uma das consequências é uma estase do sangue nas veias pulmonares.Habitualmente. este acumula-se no músculo cardíaco. em consequência. como uma sobrecarga de ferro (hemocromatose). os ruídos do coração que se ouvem com um fonendoscópio geralmente são característicos. Sintomas e diagnóstico Os sintomas compreendem desfalecimento. o que provoca uma maior resistência à entrada do sangue que provém dos pulmões. O diagnóstico efectua-se a partir do exame físico. No entanto. Num dos seus dois tipos básicos. o espessamento que se verifica nesta doença deve-se em geral a uma anomalia genética herdada. As causas mais frequentes são a hipertensão arterial. os doentes com miocardiopatia hipertrófica não têm estas afecções. o que provoca uma resistência ao enchimento normal do sangue entre os batimentos. É recomendável o aconselhamento genético no caso de a perturbação ser hereditária e se desejar ter descendência. um espessamento das paredes musculares do coração representa uma reacção do músculo face a um aumento do trabalho cardíaco. uma dispneia de forma crónica. dor torácica. que pode provocar a acumulação de líquido nos pulmões e. o músculo cardíaco é gradualmente substituído por tecido cicatricial. em conjunto ou em separado. podem também obstruir o fluxo de sangue e impedir o enchimento adequado do coração. um electrocardiograma (ECG) ou uma radiografia do tórax. pode ser necessário efectuar um cateterismo cardíaco para medir as pressões dentro do coração. Os batimentos cardíacos irregulares podem provocar a morte súbita. Outras causas de infiltração podem ser a amiloidose e a sarcoidose. apesar do tratamento farmacológico. Por outro lado. A intervenção cirúrgica em que se extirpa uma parte do músculo cardíaco aumenta a saída de sangue do coração. A cirurgia melhora os sintomas. O coração aumenta de espessura e torna-se mais rígido do que o normal. Prognóstico e tratamento Todos os anos morrem aproximadamente 4 % das pessoas que sofrem de uma miocardiopatia hipertrófica. É a forma menos frequente de miocardiopatia e partilha muitos traços com a miocardiopatia hipertrófica. o músculo é infiltrado por uma substância anómala. mas só é levada a cabo em doentes que apresentem sintomas incapacitantes. O tratamento é orientado para reduzir a resistência do coração ao seu enchimento entre os batimentos. o falecimento devido a uma insuficiência cardíaca crónica é menos frequente. Por . O tratamento principal é a administração. palpitações produzidas pelos batimentos cardíacos irregulares e insuficiência cardíaca com dispneia. administram-se antibióticos para reduzir o risco de infecção do revestimento interno do coração (endocardite infecciosa). Quando as paredes ventriculares se espessam. Miocardiopatia restritiva A miocardiopatia restritiva é um grupo de perturbações do músculo cardíaco que se caracterizam por uma rigidez das paredes ventriculares (que não estão necessariamente espessadas). A morte costuma surgir de forma súbita. Por exemplo. como os glóbulos brancos do sangue. de betabloqueadores e de antagonistas dos canais do cálcio. o estreitamento da válvula aórtica (estenose da válvula aórtica) e outras perturbações que aumentam a resistência à saída do sangue do coração. A sua causa é desconhecida. No outro tipo. Se o organismo contém muito ferro. Antes de efectuar uma intervenção odontológica ou cirúrgica. Se se considerar a possibilidade de uma intervenção cirúrgica. mas não reduz o risco de morte. O diagnóstico costuma confirmar-se com um ecocardiograma.

A válvula tricúspide abre-se da aurícula direita para o interior do ventrículo direito e a pulmonar do ventrículo direito para o interior das artérias pulmonares. mas por outro lado são habituais as arritmias e as palpitações. Os fármacos normalmente utilizados na insuficiência cardíaca para reduzir a sobrecarga do coração não são úteis porque diminuem demasiadamente a pressão arterial. A ressonância magnética (RM) pode proporcionar informação adicional acerca da estrutura do coração. No caso de uma sarcoidose. os diuréticos. no electrocardiograma (ECG) e no ecocardiograma. uma mesma válvula pode ter ambos os problemas. a causa da miocardiopatia restritiva pode ser tratada para impedir que as lesões cardíacas se agravem ou inclusive para que regridam parcialmente. A angina de peito e o desfalecimento verificam-se com menos frequência do que na miocardiopatia hipertrófica. é recomendável a administração de corticosteróides. O diagnóstico baseia-se fundamentalmente no exame físico. o volume bombeado é suficiente quando o doente está em repouso. Devido à resistência que o coração opõe ao enchimento. a extracção de sangue com intervalos regulares reduz a quantidade de ferro armazenado nas pessoas com hemocromatose. Por exemplo. em vez de a melhorar. Por vezes. O diagnóstico preciso requer o cateterismo do coração para medir as pressões e uma biopsia do músculo cardíaco (obtenção de uma amostra e a sua análise ao microscópio). reduzem o volume de sangue que chega ao coração e agravam a situação. Prognóstico e tratamento Cerca de 70 % dos doentes com miocardiopatia restritiva morrem antes dos 5 anos do aparecimento dos primeiros sintomas. não existe qualquer tratamento eficaz. A válvula mitral abre-se da aurícula esquerda para o interior do ventrículo esquerdo. Valvulopatias O coração tem quatro cavidades: duas pequenas superiores. O mau funcionamento das válvulas cardíacas pode manifestar-se de duas formas: deixarem escapar sangue por elas (regurgitação ou insuficiência valvular) ou não se abrirem adequadamente (estenose valvular). Cada perturbação pode alterar gravemente a capacidade de bombeamento do coração. capítulo 15) Cada ventrículo possui uma válvula de entrada e outra de saída. pelo que o sangue só pode circular numa direcção. mas não o é quando está a fazer um esforço. (Ver imagem da secção 2. enquanto a aórtica se abre a partir do ventrículo esquerdo para o interior da aorta. A miocardiopatia restritiva é uma das causas possíveis que se investigam no caso de uma pessoa ter uma insuficiência cardíaca. que normalmente se usam para tratar a insuficiência cardíaca. que permita a identificação da substância que o infiltra. Sintomas e diagnóstico A miocardiopatia restritiva provoca insuficiência cardíaca com dispneia e inchaço dos tecidos (edema). Insuficiência da válvula mitral . Na maioria dos casos. esta miocardiopatia poderá também ser consequência de um tumor que invada o tecido cardíaco.último. Por exemplo. ou ventrículos. ou aurículas. e duas grandes cavidades inferiores. Por vezes.

pelo que. Em muitos países desenvolvidos. que não fecha bem de cada vez que o ventrículo esquerdo se contrai. actualmente. O exame que dá mais informação é o ecocardiograma. uma das causas mais frequentes de insuficiência mitral é o enfarte do miocárdio. a febre reumática é rara nos países onde se desenvolveu uma boa medicina preventiva. e a falta de fluxo de sangue apropriado provoca a formação de coágulos sanguíneos. Sintomas A insuficiência mitral moderada pode ser assintomática. acumula-se líquido (congestão) nos pulmões. por exemplo. Uma aurícula muito dilatada bate muitas vezes de um modo desorganizado e irregular (fibrilhação auricular) (Ver secção 3. Na realidade. Assim. pode obstruir uma artéria mais pequena e provocar um icto ou outras lesões. a febre reumática só é causa frequente de insuficiência mitral entre os idosos que não puderam beneficiar dos antibióticos adequados durante a sua juventude. (Ver secção 3. nos países que não dispõem de uma medicina preventiva suficientemente desenvolvida. em consequência. a febre reumática costumava ser a causa mais frequente da insuficiência mitral. causa habitual da insuficiência mitral. a febre reumática é ainda frequente e. Mas. uma técnica de obtenção de imagens através de ultra-sons que permite visualizar a válvula defeituosa e determinar a gravidade do problema. retrocede um pouco de sangue para a aurícula esquerda. A insuficiência mitral grave reduz o fluxo sanguíneo para a aorta. uma aurícula em fibrilhação não consegue bombear. A reparação da válvula elimina a regurgitação ou redu-la suficientemente para que os sintomas se tornem toleráveis e para impedir . Outra causa frequente é a degenerescência mixomatosa. aumentando assim o volume e a pressão nesta cavidade. que pode provocar lesões graves nas estruturas de suporte da válvula. actualmente. Um electrocardiograma (ECG) e uma radiografia do tórax mostram a dilatação do ventrículo esquerdo. Diagnóstico A insuficiência mitral identifica-se habitualmente pela presença de um sopro característico (um som que se ausculta com um fonendoscópio quando o ventrículo esquerdo se contrai). somente estremece. o uso de antibióticos para tratar as infecções estreptocócicas da garganta evita o aparecimento desta doença. Devido a que o ventrículo esquerdo tem de bombear mais sangue para compensar o fluxo retrógrado para a aurícula esquerda. auscultando com um fonendoscópio. uma afecção em que a válvula se vai debilitando progressivamente até se tornar demasiado flácida. Há anos. de tal modo que provoca insuficiência cardíaca e.A insuficiência da válvula mitral (incompetência mitral) é o fluxo retrógrado de sangue pela válvula mitral. a válvula necessita de ser rapidamente reparada ou substituída antes que a perturbação do ventrículo esquerdo já não possa ser corrigida. como consequência. ele dilata-se gradualmente para aumentar a força de cada batimento cardíaco. tosse. dispneia do esforço e edema das pernas. Pode ser efectuada uma intervenção cirúrgica para reparar a válvula (valvuloplastia) ou para a substituir por uma mecânica ou por uma feita parcialmente com uma válvula de origem porcina. capítulo 16). O ventrículo dilatado pode provocar palpitações (a percepção dos próprios batimentos cardíacos enérgicos). No entanto. o que reduz a sua eficácia de bombeamento. ouvir um sopro cardíaco característico causado pelo retrocesso do sangue para o interior da aurícula esquerda quando o ventrículo esquerdo se contrai. sobretudo quando a pessoa está deitada sobre o lado esquerdo. portanto. capítulo 15) Tratamento Quando a insuficiência é grave. A perturbação só pode identificar-se se o médico. Quando o ventrículo esquerdo bombeia o sangue do coração para dentro da aorta. por exemplo. Esta situação faz com que aumente a pressão nos vasos que levam sangue dos pulmões para o coração e. Se um coágulo se desprender. nesses países. A aurícula esquerda tende também a dilatar-se para alojar o fluxo retrogrado procedente do ventrículo.

embora ambos se possam manifestar também nas outras válvulas cardíacas. . A fibrilhação auricular pode também requerer tratamento. mas por outro lado a sua duração é menor. aumentam o risco de coágulos sanguíneos. A seguir. As superfícies das válvulas cardíacas lesionadas são propensas a sofrer infecções graves (endocardite infecciosa). a digoxina e o verapamil retardam a frequência cardíaca e ajudam a controlar a fibrilhação. Fármacos como os betabloqueadores. Estas imagens ilustram os dois problemas na válvula mitral. Quando o ventrículo esquerdo começa a contrair-se. a válvula mitral fecha-se. logo depois da contracção do ventrículo esquerdo fecha-se a válvula aórtica e abre-se a válvula mitral e um pouco de sangue flui da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo. contrai-se a aurícula esquerda. As válvulas feitas parcialmente com válvulas de porco funcionam bem e não têm o risco de provocar coágulos sanguíneos. quer porque permitem infiltrações (regurgitação). impulsionando mais sangue para o interior do ventrículo esquerdo. pelo que se administram fármacos anticoagulantes indefinidamente para diminuir este risco. Cada método de substituição valvular tem as suas vantagens e as suas desvantagens. capítulo 21) Qualquer pessoa com uma válvula artificial ou danificada deveria tomar antibióticos antes de uma intervenção odontológica ou cirúrgica para prevenir a infecção. Normalmente. a válvula aórtica abrese e o sangue é impulsionado para o interior da aorta. Apesar de as válvulas mecânicas serem geralmente eficazes. (Ver secção 3. deve substituir-se imediatamente.lesões cardíacas. Estenose e regurgitação As válvulas cardíacas podem funcionar mal quer porque não abrem adequadamente (estenose). Quando uma válvula substituta está defeituosa.

esta não se abre tanto como deveria e o fluxo sanguíneo proveniente da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo fica parcialmente restringido. embora isto não provoque. geralmente. problemas cardíacos graves. esta permite uma infiltração quando o ventrículo esquerdo se contrai e um pouco de sangue volta para trás. Prolapso da válvula mitral No prolapso da válvula mitral há uma protrusão das valvas da válvula para o interior da aurícula esquerda durante a contracção ventricular. Na regurgitação da válvula mitral. o que pode provocar o refluxo (regurgitação) de pequenas quantidades de sangue para o interior da aurícula. para o interior da aurícula esquerda.No caso de estenose da válvula mitral. De 2 % a 5 % da população em geral tem um prolapso da válvula mitral. .

fadiga e vertigem. a pressão arterial desce abaixo do nível normal ao levantar-se. mas progressivamente os sintomas ocorrem mesmo durante o repouso. Tratamento A maioria das pessoas com prolapso da válvula mitral não precisa de tratamento. Em alguns casos. palpitações. A afecção diagnostica-se depois de auscultar um som característico (clique) através do fonendoscópio. as lâminas finas (valvas) que compõem a válvula fundem-se de forma parcial. Em alguns casos. acumula-se líquido nos pulmões (edema pulmonar). como dor torácica. o aumento do volume da aurícula esquerda pode provocar uma fibrilhação auricular (um batimento rápido e irregular). Um ecocardiograma. permite observar o prolapso e determinar a gravidade da insuficiência. Quando a febre reumática é a causa da estenose da válvula mitral. a insuficiência cardíaca desenvolve-se com rapidez. A estenose mitral pode também ser congénita. Um mixoma (um tumor benigno que aparece na aurícula esquerda) ou um coágulo podem obstruir a corrente sanguínea na válvula mitral e produzir efeitos semelhantes à estenose. capítulo 246) Por outro lado. o aumento da pressão na aurícula esquerda e nas veias dos pulmões provoca insuficiência cardíaca e. a insuficiência cardíaca associa-se à fadiga e a uma dificuldade em respirar. por vezes. com excepção de pessoas com idade avançada que sofreram de febre reumática durante a infância. uma técnica de obtenção de imagens com ultra-sons. (Ver secção 3. administra-se um betabloqueador para atrasar a frequência cardíaca e reduzir as palpitações e o resto dos sintomas. seja pouco importante ou maciça. Se o coração bate demasiado rápido. enxaqueca. Nos países que contam com serviços sanitários e assistenciais com capacidade para manter as medidas preventivas adequadas. Se há regurgitação. . a respiração adequada só se consegue quando o doente está sentado ou meio encostado a algumas almofadas. A estenose mitral é quase sempre resultado da febre reumática. A hipertensão nas veias pulmonares pode fazer com que estas ou os capilares sofram rupturas e se verifique uma hemorragia nos pulmões. podem aparecer batimentos cardíacos ligeiramente irregulares que causam palpitações (uma percepção subjectiva do batimento cardíaco). a estenose mitral é actualmente rara. nos jovens e. noutros. Por último. (Ver secção 22. a falta de respiração verifica-se só durante a actividade física. a não ser que se pratique uma intervenção cirúrgica. Um tom arroxeado nas maçãs do rosto sugere que uma pessoa sofre de uma estenose da válvula mitral. Estenose da válvula mitral A estenose da válvula mitral é um estreitamento da abertura da válvula mitral que aumenta a resistência ao fluxo da corrente sanguínea da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo. a pessoa deverá tomar antibióticos antes de se submeter a procedimentos odontológicos ou cirúrgicos. Outras têm-nos (embora sejam difíceis de explicar com base somente no problema mecânico). Em países com uma estrutura sanitária insuficiente. capítulo 15). A regurgitação ou insuficiência confirma-se se durante a contracção ventricular se auscultar um sopro. por conseguinte. Sintomas e diagnóstico Se a estenose for grave. devido ao risco de as bactérias libertadas durante estes procedimentos infectarem a válvula cardíaca. No início. Se uma mulher com estenose grave da válvula mitral ficar grávida. As crianças que nascem com esta perturbação raramente sobrevivem mais de 2 anos. nas crianças.Sintomas e diagnóstico A maioria das pessoas com prolapso da válvula mitral não apresenta sintomas. a febre reumática é frequente e provoca estenose nos adultos.

As valvas podem também separar-se através de uma operação. (Ver secção 3. se manifesta depois de uma infecção estreptocócica da garganta não tratada. o ventrículo esquerdo recebe um refluxo de sangue cada vez maior. em geral. provoca uma insuficiência cardíaca. Se aparecer insuficiência cardíaca. Pelo contrário. na posição sentada favorece-se que o líquido drene da parte superior dos pulmões e a . Uma vez situado na válvula. administram-se antibióticos a título preventivo antes de qualquer procedimento dentário ou cirúrgico. capítulo 15) Algumas vezes é necessário um cateterismo cardíaco para determinar a extensão e características da obstrução. uma doença infantil que. estas causas são muito raras graças ao uso frequente dos antibióticos. finalmente. Sintomas e diagnóstico A insuficiência aórtica ligeira tem como sintoma somente um sopro característico no coração. Se o tratamento farmacológico não reduzir os sintomas. que se abre silenciosamente. é necessário reparar ou substituir a válvula. embora raramente. um defeito congénito ou outros factores desconhecidos. A administração de fármacos como os betabloqueadores. o que conduz a um aumento do seu tamanho e. O diagnóstico confirma-se com um electrocardiograma. Cerca de 2 % dos rapazes e 1 % das raparigas nascidos com duas valvas em vez de três podem desenvolver uma insuficiência aórtica ligeira. mas actualmente. o que faz com que amoleça e. Quando a regurgitação de sangue é grave. costumam ser a febre reumática e a sífilis. as lesões provocadas pela febre reumática são ainda habituais. incompetência aórtica) é o refluxo de sangue através da mesma de cada vez que o ventrículo esquerdo se relaxa. introduz-se dentro do coração por via endovenosa um cateter com um balão na ponta. por vezes. o balão é insuflado separando-se os bordos da mesma no ponto onde se tinham fundido. sobretudo durante a noite. habitualmente fibroso e resistente da válvula (degenerescência mixóide). Em caso de estenose da válvula mitral. pode inclusive chegar a produzir-se uma ruptura. para reduzir o risco de infecção da válvula. Esta causa dispneia ao fazer esforços ou quando a pessoa está deitada. a digoxina fortalece também os batimentos. se a válvula estiver demasiado lesionada. a causa mais frequente de insuficiência da válvula aórtica é o enfraquecimento do tecido. As causas mais frequentes. Prevenção e tratamento A estenose mitral só se pode prevenir evitando o aparecimento da febre reumática. uma radiografia do tórax que mostra uma aurícula dilatada ou com um ecocardiograma (uma técnica de obtenção de imagens através de ultra-sons). Ao contrário de uma válvula normal. Neste procedimento. pode substituir-se cirurgicamente por uma válvula mecânica ou de origem porcina. Os diuréticos reduzem a pressão do sangue nos pulmões ao diminuírem o volume de sangue em circulação. que se ausculta com um fonendoscópio de cada vez que o ventrículo esquerdo se relaxa. Nos locais com uma estrutura sanitária insuficiente. Para além destas infecções. Outras causas são uma infecção bacteriana ou uma lesão. esta válvula produz um som semelhante ao de um estalido de cada vez que se abre para permitir o fluxo de sangue da aurícula para o ventrículo esquerdo. nos países desenvolvidos que contam com uma estrutura sanitária adequada.Com o fonendoscópio pode ouvir-se um sopro característico quando o sangue passa da aurícula esquerda através da válvula apertada. Pode dilatar-se a abertura da válvula através de um processo denominado valvuloplastia. a digoxina e o verapamil retardam o ritmo do coração e controlam a fibrilhação auricular. Insuficiência da válvula aórtica A regurgitação da válvula aórtica (insuficiência aórtica. A degenerescência mixóide é uma perturbação hereditária do tecido conjuntivo que debilita o tecido valvular do coração.

Uma pessoa com estenose aórtica grave pode desmaiar ao fazer um esforço porque o estreitamento da válvula impede o ventrículo de bombear sangue suficiente para as artérias dos músculos. a sua parede vai-se espessando. de tal maneira que a quantidade de sangue que sai do coração se revela inadequada para as necessidades do organismo. Nas semanas prévias à cirurgia. como acontece normalmente. a causa mais frequente é um defeito congénito. Um electrocardiograma pode mostrar as mudanças no ritmo do coração e sinais de aumento do tamanho do ventrículo esquerdo. a quantidade de sangue é insuficiente e. regurgitação ou ambas simultaneamente. Este tipo de precaução deve tomar-se também com a insuficiência aórtica ligeira. Em alguns casos aparece angina de peito. mas não manifesta sintomas até aos 70 ou 80 anos. em consequência. (Ver secção 3. Estenose da válvula aórtica A estenose da válvula aórtica é uma redução da abertura da válvula aórtica que aumenta a resistência à passagem do fluxo de sangue do ventrículo esquerdo para a aorta. capítulo 27) ao fazer um esforço. Tratamento Para prevenir qualquer infecção da válvula lesionada administram-se antibióticos antes de qualquer procedimento dentário ou cirúrgico. O ecocardiograma pode permitir ver a válvula lesionada e evidenciar a gravidade do problema. A válvula permanece do mesmo tamanho. Esta quantidade insuficiente pode lesionar o músculo cardíaco. Quando for devida a esta causa. Um doente que desenvolva sintomas de insuficiência cardíaca terá de ser operado antes de o ventrículo esquerdo se deteriorar de forma irreversível. aparece angina de peito (Ver secção 3. capítulo 254) O estreitamento da válvula aórtica pode ser assintomático na infância. Finalmente. embora cause perturbações com a passagem do tempo. A insuficiência cardíaca resultante causa fadiga e dispneia de esforço. Na América do Norte e na Europa Ocidental. para além de outros sinais de regurgitação da válvula aórtica durante o exame físico (como certas anomalias no pulso) e da presença de uma dilatação do coração na radiografia do tórax. a insuficiência cardíaca trata-se com digoxina e com os inibidores do enzima conversor da angiotensina ou de outro fármaco que dilate as veias e reduza o trabalho do coração. a estenose aórtica associa-se a uma doença da válvula mitral. enquanto o coração aumenta e bombeia grandes quantidades de sangue por essa pequena válvula. Sintomas e diagnóstico Ao mesmo tempo que o ventrículo esquerdo tenta bombear sangue suficiente através da válvula aórtica estreitada. as quais se dilataram para receber mais sangue rico em oxigénio. A válvula pode ter duas valvas (aorta bivalva) em vez de três. Geralmente. a estenose da válvula aórtica é uma doença que aparece principalmente na velhice como resultado do desenvolvimento de cicatrizes da válvula e da acumulação de cálcio nas suas valvas. Com a passagem dos anos. ou apresentar uma forma anormal de funil. especialmente durante a noite.respiração volta a normalizar-se. (Ver secção 23. A pessoa pode também aperceber-se de palpitações (uma sensação de batimentos fortes) devido a que as contracções do ventrículo dilatado têm de ser mais fortes. capítulo 15). Nos mais jovens. o que provoca um aumento das necessidades de sangue procedente das artérias coronárias. Neste caso. Pode também ser provocada por uma febre reumática contraída na infância. a válvula é substituída por uma válvula mecânica ou por uma válvula de origem porcina. quer sob forma de estenose. O diagnóstico efectua-se pela auscultação do sopro característico do coração. a estenose aórtica inicia-se depois dos 60 anos. a abertura deste tipo de válvulas torna-se difícil porque ela se torna mais rígida e estreita devido à acumulação de depósitos de cálcio. .

não só expulsa o sangue para os pulmões. assim como das anormalidades no pulso e no electrocardiograma. o tratamento de eleição para os adultos de todas as idades e. A dilatação da aurícula direita pode provocar uma fibrilhação (batimentos rápidos e irregulares). que depois é insuflado para aumentar a abertura) como alternativa segura e eficaz à mudança da válvula. (Ver secção 3. a operação deve fazer-se inclusive antes de aparecerem os sintomas. aparece uma insuficiência cardíaca e produz-se retenção de líquidos. quando o ventrículo direito se contrai.O diagnóstico faz-se a partir da auscultação de um sopro característico do coração através de fonendoscópio. deve substituir-se esta válvula cirurgicamente. se a estenose for grave. capítulo 16). Nas crianças. embora a estenose se possa desenvolver de novo. Sintomas e diagnóstico Para além de alguns sintomas não específicos. e de um espessamento das paredes do coração numa radiografia do tórax. Tratamento Em qualquer adulto que sofra de desmaios. Qualquer pessoa com uma substituição valvular deve receber antibióticos antes de se submeter a qualquer procedimento dentário ou cirúrgico para evitar uma possível infecção. É importante começar o tratamento de forma precoce. dispneia ou desmaios. além disso. pois pode ocorrer uma morte súbita antes de aparecerem os sintomas. num electrocardiograma e numa radiografia do tórax. sobretudo nas pernas. o ventrículo direito dilata-se para bombear com mais força e a abertura da válvula distende-se. Mesmo assim. geralmente. de preferência antes de aparecerem lesões irreparáveis no ventrículo esquerdo. Um ecocardiograma proporciona uma imagem da regurgitação e avalia a . angina de peito e dispneia de esforço provocados por uma estenose aórtica. Esta infiltração através da válvula aumenta a pressão na aurícula direita e provoca a sua dilatação. o prognóstico é excelente. verifica-se uma resistência à chegada do sangue proveniente do organismo e que se dirige ao coração. A valvuloplastia utiliza-se também nos doentes idosos debilitados que não podem ser submetidos a uma intervenção cirúrgica. em consequência disso. O refluxo de sangue através da válvula origina um sopro que se ausculta com um fonendoscópio. num exame físico. recorre-se à reparação da válvula através de intervenção cirúrgica e à valvuloplastia (introdução na válvula de um cateter com um balão na extremidade. a substituição valvular é. tudo isso é resultado do fluxo retrógrado do sangue do coração para as veias. A válvula de substituição pode ser mecânica ou de origem porcina. como são a debilidade e a fadiga provocadas pela escassa quantidade de sangue que sai do coração. efectua-se um ecocardiograma (uma imagem do coração através de ultrasons) e possivelmente um cateterismo cardíaco para identificar a causa e determinar a gravidade da estenose. devido a um aumento do fígado e pulsações no pescoço. como também passa uma certa quantidade para a aurícula direita através da válvula. Na insuficiência tricúspide. No caso de angina de peito. Por último. Esta pressão elevada transmite-se às veias que desembocam na aurícula e. O diagnóstico baseia-se na história clínica do doente. Como mecanismo de compensação. Insuficiência da válvula tricúspide A insuficiência da válvula tricúspide (incompetência tricúspide) consiste na saída retrógrada de sangue através da válvula tricúspide de cada vez que o ventrículo direito se contrai. A causa mais frequente de insuficiência tricúspide é a resistência à saída do fluxo sanguíneo do ventrículo direito provocada por uma grave doença pulmonar ou um estreitamento da válvula pulmonar (estenose da válvula pulmonar). os únicos sintomas que habitualmente se apresentam são doenças na parte superior direita do abdómen. Nas crianças.

Quase todos os casos são provocados pela febre reumática. é um defeito congénito. a insuficiência tricúspide requer muito pouco ou nenhum tratamento. Estenose da válvula tricúspide A estenose da válvula tricúspide é um estreitamento da abertura da válvula tricúspide que obstrui o fluxo de sangue da aurícula direita para o ventrículo direito. Sintomas. a estenose tricúspide provoca uma dilatação da aurícula direita e uma redução do ventrículo direito. diagnóstico e tratamento Os sintomas são ligeiros. Por vezes.magnitude da mesma. (Ver secção 2. capítulo 15) Tratamento Geralmente. estes são sempre cancerosos. Esta perturbação apresenta-se raramente nos adultos e. habitualmente. enquanto o ecocardiagrama permite ver a estenose e avaliar da sua gravidade. Estenose da válvula pulmonar A estenose da válvula pulmonar é um estreitamento da abertura da válvula pulmonar que provoca uma resistência à passagem de sangue do ventrículo direito para as artérias pulmonares. geralmente. Finalmente. um defeito congénito. capítulo 15) A estenose tricúspide raramente é suficientemente grave para exigir uma intervenção cirúrgica. Mas a doença subjacente dos pulmões ou a doença da válvula pulmonar necessita dele. canceroso (maligno) ou não canceroso (benigno). o electrocardiograma mostra alterações que indicam uma sobrecarga da aurícula direita. semelhante ao provocado por outras doenças do mesmo. Os tumores secundários são os que têm origem em qualquer outra parte do organismo (como pulmões. sangue ou pele) e que depois se disseminam (metastatisam) para o coração. cada vez menos frequente nos países desenvolvidos. Podem manifestar-se queixas abdominais se o aumento da pressão nas veias chegar a aumentar o tamanho do fígado. mamas. Os tumores cardíacos podem não causar sintomas ou então originar um mau funcionamento do coração. Uma radiografia do tórax pode revelar o aumento da aurícula direita. a causa é um tumor na aurícula direita. sem praticar qualquer intervenção cirúrgica sobre a válvula tricúspide. capítulo 254). (Ver secção 3. Os tumores que têm origem no coração denominam-se tumores primários e desenvolvem-se em qualquer dos seus tecidos. Tumores do coração Um tumor é qualquer tipo de crescimento anormal. Exemplos de mau funcionamento . (Ver secção 23. As perturbações como as arritmias e a insuficiência cardíaca tratam-se. O sopro produzido pela estenose da válvula tricúspide ausculta-se com um fonendoscópio. Os tumores secundários são entre 30 e 40 vezes mais frequentes que os primários. Reduz-se também a quantidade de sangue que volta ao coração e aumenta a pressão nas veias que levam este sangue. Podem notar-se palpitações (uma sensação de batimentos) ou um palpitar incómodo no pescoço e a pessoa pode sentir-se cansada. uma doença do tecido conjuntivo ou inclusive. Com a passagem dos anos. mais raramente.

podem ocorrer desfalecimentos ou episódios de congestão pulmonar e dispneia. fazem-no para um e outro lado nas proximidades da válvula mitral (que é a passagem da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo). Por exemplo. Para efectuar o diagnóstico. devido ao fluxo de sangue. Metade de todos os tumores primários são mixomas. o aparecimento brusco de arritmias e uma queda súbita da pressão arterial por uma hemorragia no pericárdio (a membrana que envolve o coração). como é o caso de uma doença reumática do coração. os mixomas na aurícula esquerda têm um pedículo (são pediculados) e podem moverse livremente. O tumor pode lesionar a válvula mitral de tal maneira que o sangue se escape por ela e produza um sopro no coração. é possível que o médico suspeite da existência de um tumor cardíaco. Geralmente. a cavidade do coração que recebe sangue com alto conteúdo de oxigénio dos pulmões. se uma pessoa tem um cancro em qualquer parte do organismo e se observam sintomas de mau funcionamento do coração. dado que a força da gravidade empurra o tumor para a abertura da válvula e pode chegar a tapá-la. é necessário que o médico suspeite da existência do tumor por algum motivo. Este movimento pode obstruir e destapar a válvula intermitentemente. geralmente de forma irregular e de consistência gelatinosa. tal como um «balão» atado. ao recostar-se verifica-se um alívio dos sintomas. Os tumores cardíacos são difíceis de diagnosticar porque não são frequentes e os seus sintomas parecem-se com os de muitas outras doenças. Os sintomas dependem de qual for o vaso bloqueado. provocará dor e tosse com sangue. Quando se desprendem fragmentos de um mixoma ou coágulos de sangue que se formam na sua superfície. o médico deve considerar se é o efeito de uma fuga de sangue devido às lesões provocadas por um tumor (o que é muito raro) ou então se se trata de uma causa mais frequente. baixo número de plaquetas (porque estas intervêm no processo de coagulação) e sintomas que sugerem uma infecção grave. Mixomas Um mixoma é um tumor não canceroso. Outros sintomas dos mixomas são febre. que se ausculta com um fonendoscópio. Por exemplo. Ao mover-se. enquanto se o bloqueio for num pulmão. anemia. estes podem trasladar-se para outros órgãos e bloquear os vasos. pelo contrário.podem ser uma insuficiência cardíaca súbita. Quando o doente está de pé. Deste modo. A partir do som do sopro. uma artéria bloqueada no cérebro pode causar um ataque de paralisia. Três quartos dos mixomas encontram-se na aurícula esquerda. o mixoma entra e sai pela válvula mitral próxima (orifício de passagem da aurícula esquerda para o ventrículo . perda de peso. O mecanismo de obstrução do fluxo sanguíneo do coração por um mixoma Um mixoma na aurícula esquerda está seguro por um pedículo ou haste e pode mover-se seguindo o sentido do fluxo do sangue. de tal modo que o sangue interrompe ou prossegue o seu curso também de forma intermitente. dedos das mãos e dos pés frios e doridos ao serem expostos ao frio (fenómeno de Raynaud).

Pormenor de uma endocardite infecciosa Esta secção transversal mostra as vegetações (acumulações de bactérias e de coágulos sanguíneos) . a amostra é utilizada para identificar o tipo de tumor e ajudar a seleccionar o tratamento mais adequado. Outros tumores primários cardíacos. As válvulas anómalas ou lesionadas são mais propensas à infecção. o ecocardiograma (um exame com ultra-sons que permite delinear as estruturas) pode mostrar uma imagem do contorno dos tumores. A endocardite infecciosa pode aparecer repentinamente e chegar a ser mortal em poucos dias (endocardite infecciosa aguda) ou pode desenvolver-se gradualmente e de forma quase despercebida ao longo de semanas ou de vários meses (endocardite infecciosa subaguda). Outros tumores primários Outros tumores do coração menos frequentes. raramente. As acumulações de bactérias e de coágulos nas válvulas (o que se denomina de vegetações) podem desprender-se e chegar aos órgãos vitais. os fungos) que penetram na corrente sanguínea ou que. para injectar substâncias de contraste que permitem desenhar o tumor nas radiografias. (Ver secção 3. como os tumores primários cancerosos. Estas obstruções são muito graves. Se se encontrar um tumor. no entanto. As bactérias (ou. Outro procedimento é a introdução por uma veia de um cateter até ao coração. capítulo 16) Utilizam-se também a tomografia axial computadorizada (TAC) e a ressonância magnética (RM). Os rabdomiomas. A expectativa de vida para as crianças que deles sofrem é inferior a um ano. Para diagnosticar os tumores cardíacos recorre-se a muitos exames. quase sempre por uma infecção bacteriana. um enfarte do miocárdio. contaminam o coração durante uma operação de coração aberto podem alojar-se nas válvulas do coração e infectar o endocárdio. desenvolvem-se na infância e associam-se a uma doença rara própria desta idade denominada esclerose tuberosa. só se tratam os que são tão grandes que não podem ser extraídos. poucas vezes é necessário recorrer a este procedimento.esquerdo). uma infecção e lesões na zona onde se situem. são muito pouco frequentes e não existe um bom tratamento para eles. Algumas vezes. Os ultra-sons que esta técnica utiliza podem atravessar a parede do tórax ou então a do esófago a partir do interior do mesmo (ecocardiograma transesofágico). como os fibromas e os rabdomiomas. pois podem causar um icto. Quando existem vários tumores primários. o segundo tipo de tumor primário mais importante. Endocardite infecciosa A endocardite infecciosa é uma infecção do endocárdio e das válvulas do coração. Endocardite A endocardite é uma inflamação do revestimento interior liso do coração (endocárdio). crescem directamente a partir de células de tecido fibroso e do muscular. onde podem bloquear o fluxo de sangue arterial. mas as normais podem ser infectadas por algumas bactérias agressivas. só se tratam os seus sintomas. Os tumores cancerosos primários e secundários são incuráveis. extrai-se uma pequena amostra com um cateter especial. sobretudo quando chegam em grandes quantidades. menos frequentemente. A extracção cirúrgica de um tumor primário único não canceroso do coração constitui um tratamento curativo.

Certos procedimentos cirúrgicos. as que provocam a endocardite bacteriana subaguda infectam quase sempre as válvulas anormais ou lesionadas. no interior da boca ou nas gengivas (inclusive uma ferida provocada por uma actividade normal como mastigar ou escovar os dentes) permite a uma pequena quantidade de bactérias penetrar na corrente sanguínea. aumentando o risco de endocardite. mas pode converter-se numa septicemia. podem fixar as bactérias. Os que se injectam com drogas correm um risco elevado de endocardite porque muitas vezes injectam bactérias directamente na circulação sanguínea através das agulhas. produz febre. uma ferida na pele. por exemplo. no entanto. As bactérias que provocam a endocardite bacteriana aguda são. em pessoas com válvulas artificiais e em pessoas mais velhas com válvulas lesionadas por uma febre reumática na infância ou com anormalidades da válvula devido à idade. suficientemente agressivas para infectar as válvulas normais do coração. a válvula de entrada para o ventrículo direito (a válvula tricúspide) é a que se infecta mais . não se verifica qualquer contratempo e os glóbulos brancos destroem estas bactérias. que se alojam no endocárdio e começam a multiplicar-se. uma infecção grave no sangue que. que costumam ser resistentes aos antibióticos. Pôde-se constatar que os casos de endocardite se apresentam normalmente em pessoas com defeitos congénitos das cavidades do coração e das válvulas. por vezes. o uso de cateteres intravenosos para administrar líquidos.nas quatro válvulas cardíacas Causas Embora não haja normalmente bactérias no sangue. das seringas ou das soluções de drogas contaminadas. nutrientes ou medicamentos. A presença de algumas bactérias no sangue (bacteriemia) pode não causar sintomas de imediato. durante a mudança de uma válvula do coração por uma artificial (protésica) podem introduzir-se bactérias. arrepios. A gengivite (infecção e inflamação das gengivas). Os doentes com um defeito congénito ou com alguma anomalia que permite ao sangue passar de um lado para o outro do coração (por exemplo. As válvulas lesionadas. Em algumas ocasiões. Uma pessoa com uma septicemia tem um elevado risco de desenvolver uma endocardite. Nos toxicodependentes e nas pessoas que desenvolvem endocardite pelo uso prolongado de um cateter. pequenas infecções da pele e infecções em qualquer parte do organismo permitem às bactérias entrar na corrente sanguínea. Em pessoas com as válvulas do coração normais. de um ventrículo para o outro) têm também um maior risco de desenvolver uma endocardite. isto é. uma citoscopia (colocação de um tubo para ver o interior da bexiga) ou uma colonoscopia (introdução de um tubo para ver o interior do intestino grosso). geralmente. tremores e diminuição da pressão arterial. dentários e médicos também podem introduzir bactérias na circulação sanguínea.

o risco é sempre maior com uma válvula artificial aórtica do que com uma mitral e com uma válvula mecânica mais do que com uma válvula de origem porcina. dores articulares. Suspeita-se de endocardite. sobretudo. A endocardite de uma válvula artificial pode ser aguda ou subaguda. é mais provável que a infecção de uma válvula artificial se propague para o músculo cardíaco da base da válvula e que esta se desprenda. Pode desenvolver-se pus (abcesso) na base da válvula infectada ou nos pontos onde os êmbolos colidem. nódulos subcutâneos dolorosos. se se produzir no cérebro ou próximo do coração. frequência cardíaca acelerada.5ºC a 38. Isso pode ser mortal. Estas manchas são áreas de minúsculos derrames de sangue provocados por pequenos êmbolos que se desprenderam das válvulas do coração. enfarte do miocárdio ou um icto. Sintomas A endocardite bacteriana aguda costuma começar repentinamente com febre elevada (39ºC a 40ºC).5ºC). febre ligeira (37. Finalmente. cansaço e lesões rápidas e extensas das válvulas. batimentos cardíacos rápidos. que poderá causar uma perda de consciência súbita ou inclusive a morte. o risco de sofrer uma endocardite infecciosa é maior durante o primeiro ano posterior à substituição. Em alguns casos. é também possível que se interrompa o sistema de condução eléctrica do coração. Pode palpar-se o baço aumentado. Comparada com uma infecção de uma válvula natural. verifica-se choque e os rins e outros órgãos deixam de funcionar (uma afecção denominada síndroma do choque séptico). Os êmbolos maiores podem causar dores no estômago. palidez. obstrução repentina de uma artéria de um braço ou de uma perna. numa pessoa com febre sem evidência clara de infecção. Os fragmentos das vegetações que se desprendem (êmbolos) podem alcançar outras áreas e espalhar a infecção. se ela apresenta um sopro no coração ou se um sopro existente mudou de características. Nos outros casos de endocardite. Os sintomas são cansaço. Por outro lado. o risco diminui. perda de peso. Outros sintomas de endocardite bacteriana aguda e subaguda são arrepios. Podem aparecer manchas na pele muito pequenas que parecem sardas diminutas. as que resultam infectadas são a válvula de entrada para o ventrículo esquerdo (a válvula mitral) ou a válvula de saída do dito ventrículo (a válvula aórtica). confusão e presença de sangue na urina. o que provocará uma diminuição da frequência dos batimentos. Numa pessoa com uma válvula artificial. Válvula aórtica . suores e diminuição do número dos glóbulos vermelhos (anemia). é possível também observá-las no branco dos olhos ou por baixo das unhas dos dedos das mãos.frequentemente. As válvulas podem furar-se e em poucos dias podem verificar-se grandes perdas de sangue pelas mesmas. as infecções arteriais debilitam as paredes dos vasos sanguíneos e provocam a sua ruptura. é necessário proceder a uma intervenção cirúrgica urgente para substituir a válvula porque a insuficiência cardíaca devida à perda de sangue através da válvula pode ser mortal. depois deste período. A endocardite bacteriana subaguda pode produzir sintomas durante meses antes de as lesões da válvula ou de uma embolia permitirem efectuar um diagnóstico claro. Neste caso. mas permanece maior que o normal. Por razões desconhecidas.

que se baseia na reflexão dos ultrasons para criar imagens do coração (Ver secção 3. Dado que os sintomas da endocardite bacteriana subaguda são no princípio muito vagos. Por vezes. pelo menos. durante duas semanas. sobretudo quando estes aparecem em alguém com predisposição para esta doença. deve hospitalizar-se o doente para diagnóstico e tratamento. antes da aplicação daqueles procedimentos. não é possível isolar qualquer germe a partir de uma amostra de sangue. No mesmo processo laboratorial. Uma endocardite subaguda não tratada é tão perigosa como a aguda. como medida de precaução. com válvulas artificiais ou com defeitos congénitos. O ecocardiograma. Pode suspeitar-se do diagnóstico a partir dos sintomas. mas de outras doenças com sintomas semelhantes. colhem-se três ou mais amostras de sangue em momentos diferentes para aumentar a possibilidade de que pelo menos uma delas contenha bactérias suficientes para que cresçam nas culturas em laboratório. a infecção pode lesionar as válvulas do coração ou disseminar-se para outros lugares antes de ser diagnosticada.Diagnóstico Quando se suspeita de uma endocardite bacteriana aguda. Por isso. Os antibióticos por si . Dado que a libertação de bactérias para o sangue em quantidade suficiente para que sejam identificadas só ocorre de forma intermitentente. as consequências são tão graves que. geralmente. os dentistas e os cirurgiões devem saber se a pessoa a tratar teve algum problema valvular. Para identificar a bactéria que provoca a doença. experimentam-se vários antibióticos para escolher o mais eficaz contra a bactéria específica. pode identificar as vegetações das válvulas e as lesões produzidas. O tratamento requer quase sempre a admissão num hospital porque a administração de altas doses de antibióticos endovenosos deve fazer-se. como é o caso de um tumor. Há ainda outra possibilidade: a de não se tratar de uma endocardite. A razão prende-se com o facto de serem necessárias técnicas especiais para cultivar determinadas bactérias ou de o doente ter recebido anteriormente antibióticos que não curaram a infecção mas que reduziram suficientemente a quantidade de bactérias ao ponto de esconderem a sua presença. são-lhes administrados antibióticos a título preventivo antes de procedimentos dentários ou cirúrgicos. colhem-se amostras de sangue para efectuar uma cultura. Embora o risco de aparecer uma endocardite não seja muito elevado no decurso de um procedimento cirúrgico e os antibióticos administrados de forma preventiva nem sempre sejam eficazes. o médico recomenda a administração de antibióticos. Prevenção e tratamento Aos doentes com anomalias das válvulas do coração. capítulo 15).

não deixam qualquer sequela) até um cancro com risco de morte. reparam-se através de uma intervenção cirúrgica. se a reparação não é possível. Por isso. à cirurgia cardíaca. feridas. o lúpus eritematoso sistémico. mas que são de curta duração e. geralmente. O pericárdio mantém o coração em posição. Entre os dois folhetos contém-se um líquido lubrificante que permite facilmente deslizar um sobre o outro. glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. por vezes. Em casos raros. Para além dos defeitos de nascença. no espaço pericárdico. um enfarte do miocárdio. Tal como acontece com a endocardite infecciosa. Outras causas podem ser a SIDA. infecção óssea ou doenças que provoquem uma considerável perda de peso. como a fibrina. Portanto. o pericárdio não é essencial para manter com vida o organismo. não se produz qualquer mudança substancial no rendimento do coração. as doenças do pericárdio podem ser consequência de infecções. as válvulas do coração podem deixar escapar sangue ou abrirem-se incorrectamente. . estes defeitos. evita que ele se encha demasiadamente de sangue e protege-o de infecções. se for extirpado. A pericardite aguda ocorre por várias causas. cancro do pulmão. No entanto. com o objectivo de reparar ou de recolocar as válvulas lesionadas e eliminar as vegetações. os estudos efectuados ainda não confirmaram que isso seja realmente benéfico Doenças do pericárdio O pericárdio é um saco de camada dupla. a radioterapia e uma perda de sangue procedente de um aneurisma aórtico (uma dilatação da aorta em forma de bolsa). a penicilina. é preciso recorrer. pneumonia. a fenitoína e a fenilbutazona. feridas e tumores que se disseminaram. Endocardite não infecciosa A endocardite não infecciosa é uma doença que se caracteriza pela formação de coágulos de sangue nas válvulas lesionadas. flexível e extensível que envolve o coração. pode acontecer nascer-se sem pericárdio ou que este apresente zonas fracas ou buracos. habitualmente. Estes defeitos podem ser perigosos porque o coração ou um vaso sanguíneo principal pode sobressair (hérnia) através de um buraco do pericárdio e ficar preso e obstruir-se. desde infecções virais (que podem provocar dor. a insuficiência renal. do estômago ou do pâncreas. a artrite reumatóide. O risco de sofrer desta doença aumenta nas pessoas com lúpus eritematoso sistémico (uma doença do sistema imunitário). a procainamida.só nem sempre curam uma infecção numa válvula artificial. o que pode causar a morte em minutos. Pericardite aguda A pericardite aguda é uma inflamação súbita do pericárdio que muitas vezes é dolorosa e provoca o derrame de líquido e de produtos do sangue. uma cirurgia cardíaca. Embora se administrem por vezes fármacos para prevenir a formação dos trombos. Existe um elevado risco de um êmbolo provocar um icto ou um enfarte do miocárdio. tuberculose. extrai-se a totalidade do pericárdio. A pericardite aguda pode também produzir-se como um efeito secundário provocado por certos fármacos anticoagulantes.

As infecções virais e bacterianas e a insuficiência renal são outras causas comuns. capítulo 15) podem demonstrar a presença de líquido no pericárdio. Sintomas e diagnóstico Geralmente. uma perturbação potencialmente mortal. as análises de sangue permitem detectar algumas causas de pericardite (por exemplo. assim como mostrar a pressão que o líquido pericárdico exerce sobre as cavidades direitas do coração. Sempre que possível. A pericardite produz um frémito de fricção semelhante ao ranger do couro do sapato. o líquido extrai-se sob controlo ecocardiográfico. Uma radiografia ao tórax e um ecocardiograma (um exame que utiliza ultra-sons para criar uma imagem do coração) (Ver secção 3. leucemia. Por outro lado. geralmente. mas tende a piorar ao estar deitado.Tamponamento cardíaco: a complicação mais grave da pericardite O tamponamento é com frequência o resultado de uma acumulação de líquido ou de uma hemorragia dentro do pericárdio. uma urgência médica.nbsp. O tratamento imediato consiste numa drenagem cirúrgica ou na punção do pericárdio com uma agulha longa para extrair o líquido e aliviar a pressão. ao tossir e ao respirar profundamente. O diagnóstico da pericardite aguda efectua-se a partir da descrição da dor e pela auscultação com um fonendoscópio sobre o peito do doente. drena-se cirurgicamente o pericárdio e extrai-se uma amostra para determinar o diagnóstico. o doente permanece habitualmente hospitalizado em prevenção de uma recidiva. No caso da pericardite de origem desconhecida. a pericardite aguda provoca febre e dor no peito que se estende geralmente ao ombro esquerdo e algumas vezes baixa ao braço esquerdo. de uma lesão ou de uma intervenção cirúrgica. Aplica-se anestesia local para evitar a dor quando a agulha atravessa a parede torácica. Esta dor pode ser semelhante à de um ataque de coração. O tamponamento cardíaco é. A pressão arterial pode descer rapidamente e alcançar valores muito baixos durante a inspiração. Para confirmar o diagnóstico. Depois de reduzida a pressão. A pericardite pode causar um tamponamento cardíaco. infecções. &amp. uma pressão elevada é um possível sinal de alarme quanto à existência de um tamponamento cardíaco. Grande derrame pericárdico: drenagem por aspiração . SIDA. um tumor). O ecocardiograma pode também revelar a causa fundamental (por exemplo. febre reumática e valores elevados de ureia como resultado de uma insuficiência renal). consequência de um tumor. utiliza-se a ecocardiografia (um exame que utiliza ultra-sons para proporcionar uma imagem do coração).

a tosse (porque a alta pressão nas veias do . As complicações ou recorrências atrasam a recuperação. O líquido estanca. receber fármacos que reduzam a inflamação e a dor (como a aspirina ou o ibuprofeno). Quando se verificam episódios repetidos de pericardite por uma infecção viral. isto é. a causa é desconhecida. Quando a causa for conhecida. O tecido fibroso retrai-se progressivamente.Prognóstico e tratamento O prognóstico depende da causa da doença. No caso de dores muito intensas administramse opiáceos (como a morfina) ou um corticosteróide. de uma cirurgia cardíaca ou de uma infecção bacteriana. no abdómen e por vezes no espaço à volta dos pulmões. escapa-se para fora e acumula-se sob a pele. Em África e na Índia a tuberculose é a causa mais frequente de pericardite em qualquer das suas formas. O tratamento posterior de uma pericardite aguda depende da causa subjacente que a provocou. Geralmente. uma ferida ou uma causa desconhecida. a sobrevivência raramente ultrapassa os 12 a 18 meses. a colchicina é eficaz. Numa pericardite crónica com derrame. está indicado administrar aspirina. Os doentes tratados com diálise devido a uma insuficiência renal costumam responder quando se efectuam mudanças nos seus programas de diálise. Por outro lado. do lúpus eritematoso sistémico. ibuprofeno ou corticosteróides. pela tuberculose ou por uma insuficiência tiróidea. A pericardite crónica constritiva é uma doença pouco frequente que aparece quando se desenvolve tecido fibroso (semelhante a uma cicatriz) à volta do coração. Esta compressão aumenta a pressão nas veias que levam o sangue ao coração porque é necessária mais pressão para o encher. As causas mais frequentes são as infecções virais e as produzidas pela radioterapia por cancro da mama ou linfoma. Causas Qualquer afecção que cause pericardite aguda pode provocar pericardite crónica constritiva. a recuperação consegue-se entre 1 e 3 semanas. deve ser tratada. suspende-se a administração dos fármacos que podem provocar a pericardite. deve controlar-se o possível aparecimento de complicações (sobretudo o tamponamento cardíaco). enquanto ela é pouco frequente nos países desenvolvidos. mas a doença pode ser provocada por um cancro. extrai-se o pericárdio cirurgicamente. comprime o coração e reduz o seu tamanho. Os doentes com cancro podem responder à quimioterapia (com fármacos anticancerosos) ou a radioterapia. se a função cardíaca é normal. Quando a pericardite é provocada por um vírus ou quando a causa é desconhecida. mas geralmente a causa é desconhecida. Habitualmente. Pericardite crónica A pericardite crónica é uma inflamação que resulta de uma acumulação de líquido ou de um espessamento do pericárdio e que começa gradualmente e persiste durante longo tempo. O fármaco mais utilizado em caso de dor intensa é a prednisona. mas muitas vezes tem de efectuar-se uma extracção cirúrgica do pericárdio. As infecções bacterianas tratam-se com antibióticos e o pus do pericárdio é drenado cirurgicamente. o médico costuma adoptar uma atitude expectante. A pericardite crónica constritiva pode também ser consequência da artrite reumatóide. de observação. as pessoas com pericardite devem ser hospitalizadas. Se se trata de um cancro que invadiu o pericárdio. há uma acumulação lenta de líquido no pericárdio. Sintomas e diagnóstico Os sintomas da pericardite crónica são a dispneia. de uma ferida prévia. Se o tratamento com fármacos não for eficaz. sempre que for possível. Em alguns casos.

Um batimento muito rápido. têm uma maior esperança de vida. Tratamento Embora os diuréticos (fármacos que eliminam o excesso de líquido) possam melhorar os sintomas. podem reduzir a eficácia de bombeamento do coração e o volume de expulsão. capítulo 15) e (Ver imagem da secção 3. como acontece depois de um ataque de coração (enfarte de miocárdio). Dois tipos de procedimentos confirmam o diagnóstico. mais elevada será a pressão arterial. o único tratamento possível é a extracção cirúrgica do pericárdio. (Ver secção 3. Quanto mais sangue sair do coração (volume de expulsão cardíaco) por minuto. Na pericardite crónica constritiva. Os sintomas são fundamentais para se poder efectuar o diagnóstico de pericardite crónica. mas baixa em repouso. o volume de sangue nos vasos sanguíneos e a capacidade destes. A cirurgia é curativa em cerca de 85 % dos casos. mais alta será a pressão arterial. uma doença das artérias coronárias ou uma doença das válvulas). Contudo. sobretudo se não houver outra razão que explique a redução do rendimento cardíaco (como a hipertensão arterial. Por outro lado. enquanto na maioria das outras perturbações cardíacas constata-se um aumento do seu tamanho. em consequência. Em cerca de metade dos casos de pericardite crónica constritiva. não pode proporcionar oxigénio suficiente e nutrientes às células. Pelo contrário.pulmão faz com que saia líquido para os alvéolos) e a fadiga (porque o coração chega a funcionar deficientemente). Por outro lado. a maioria dos doentes não se deixa operar a não ser que a doença interfira substancialmente com as suas actividades diárias. Mecanismos e compensação Existem três factores que determinam a pressão arterial: a quantidade de sangue bombeada do coração. capítulo 15) Normalmente. No entanto. o coração não se vê grande numa radiografia ao tórax. A pressão deve ser suficientemente alta para levar oxigénio e nutrientes às células do organismo e extrair delas os produtos a eliminar. nas radiografias ao tórax observam-se depósitos de cálcio no pericárdio. Hipotensão arterial A pressão arterial baixa (hipotensão) é uma pressão arterial demasiado baixa que provoca sintomas como vertigens e lipotimias. . pode romper-se um vaso sanguíneo e causar uma hemorragia no cérebro (hemorragia cerebral) ou outras complicações. A quantidade de sangue bombeada pode diminuir se o coração bater mais lentamente ou as suas contracções forem débeis. dado que a mortalidade provocada por esta operação é de 5 % a 15 %. o volume de sangue diminui e. A manutenção da pressão do sangue quando sai do coração e circula por todo o organismo é tão essencial como manter a pressão da água nas canalizações de uma casa. assim como muitos outros tipos de arritmias. No entanto. se a pressão arterial for demasiado elevada. O cateterismo cardíaco pode utilizar-se para medir a pressão arterial nas cavidades e nos vasos sanguíneos principais. Se se perder sangue por desidratação ou por hemorragia. É também frequente a acumulação de líquido no abdómen e nas pernas. mas na pericardite crónica constritiva chega a ter o dobro ou mais. o pericárdio tem uma espessura inferior a 30 mm. se é demasiado baixa. Quanto mais sangue contiver o sistema circulatório. os indivíduos saudáveis com uma pressão arterial normal. para determinar a espessura do pericárdio. a afecção em si é indolor. nem extrair os resíduos delas. pode utilizar-se a ressonância magnética (RM) ou a tomografia axial computadorizada (TAC).

Por conseguinte. Uma transfusão de sangue (Ver secção 14. se os vasos sanguíneos se dilatam e se reduz a pressão arterial. os sensores provocam. Diminuição do volume de sangue suor excessivo. • Os rins. com o que aumentará a expulsão de sangue. Por exemplo. No entanto. micção excessiva Dilatação dos vasos sanguíneos (aumento da sua capacidade) Choque séptico. o resto dos líquidos do organismo tende a entrar na circulação sanguínea. Quando detectam uma alteração causada pela acção de um destes três factores. controlam constantemente a pressão arterial. exposição ao calor. quando se contraem. estes mecanismos de compensação têm limitações. incrementa-se a expulsão de sangue e os vasos sanguíneos contraem-se e reduzem a sua capacidade. maior será a pressão arterial. a pressão arterial aumenta. para regular a excreção de água (e. os mecanismos de controlo de compensação podem não funcionar correctamente. alterando a sua capacidade). Portanto. uma modificação em algum dos outros factores para compensar essa alteração e. particularmente os que se encontram no pescoço e no tórax. Finalmente. portanto. capítulo 153) também permite recuperar o volume do sangue rapidamente. • Os vasos sanguíneos. os sensores enviam imediatamente sinais através do cérebro ao coração para que este incremente a frequência das suas pulsações. Por exemplo. recupera-se o volume e a pressão sobe. Em consequência. em caso de hemorragia. Se a hemorragia se detém. para que se contraiam ou se dilatem (isto é. lesões. para modificar a frequência e a força dos batimentos (desta maneira modifica-se a quantidade de sangue bombeado). Quanto menor for a capacidade dos vasos sanguíneos. Determinados sensores. fármacos vasodilatadores (nitratos. por sua vez. os mecanismos de compensação são insuficientes e a pressão arterial diminui. dessa maneira.diminui a pressão arterial. se se perder uma grande quantidade de sangue rapidamente. diarreia. Causas principais de tensão arterial baixa Alteração no mecanismo compensador Causas Arritmias. bloqueadpres do cálcio. produzem-se células novas e o volume do sangue restaura-se totalmente. se existir uma perturbação na capacidade dos nervos para conduzir sinais. o alargamento (dilatação) dos vasos sanguíneos provoca a queda da pressão arterial. a frequência cardíaca aumenta. inibidores do . manter a pressão estável. No entanto. a pressão arterial sofrerá poucas alterações ou nenhumas. perda Rendimento cardíaco reduzido (volume de expulsão de sangue reduzido) ou mau funcionamento do músculo cardíaco Valvulopatias Embolia pulmonar Hemorragias. A hipotensão arterial também pode ser o resultado de um mau funcionamento nos mecanismos que mantêm a pressão arterial. Os nervos conduzem sinais desses sensores e dos centros do cérebro para vários órgãos-chave: • O coração. para modificar o volume do sangue em circulação).

A combinação da redução do volume de expulsão do coração com o aumento da capacidade dos vasos sanguíneos faz com que a pressão arterial desça e a pessoa desmaie. o desmaio pode fazer parte de um icto ligeiro no qual o fluxo de sangue para uma parte do cérebro diminui de forma brusca. Às vezes. Quando a concentração de anidrido carbónico diminui. A síncope miccional é particularmente frequente nos idosos. quando a quantidade de sangue que volta ao coração diminui durante o esforço. Em casos raros. Uma síncope durante a deglutição pode aparecer em pessoas com doenças do esófago. depois de se efectuar um esforço porque o coração não é capaz de manter uma pressão arterial adequada durante o exercício. Por exemplo. o que acontece frecuentemente na diabetes não tratada ou na doença de Addison. geralmente causado por uma diminuição temporária do fluxo sanguíneo. se um doente tiver um ritmo cardíaco anómalo. O desmaio motivado pela tosse (síncope tussígena) ou pela micção (síncope miccional) produz-se. A causa do desmaio também pode ser uma diminuição no número de glóbulos vermelhos (anemia). o volume de sangue diminui em caso de hemorragia. O desmaio ocorre. sudação excessiva e micção exagerada. com frequência. o coração pode ser incapaz de aumentar suficientemente o volume de expulsão de sangue para compensar a diminuição da pressão arterial. sofrerão desmaios quando fazem algum esforço porque a procura de oxigénio pelo organismo aumenta bruscamente: é a denominada síncope de esforço. a frequência cardíaca começa a diminuir. A síncope do levantador de pesos é consequência da hiperventilação antes do exercício. Este tipo de desmaio denomina-se síncope vasomotriz ou vasovagal. quando o exercício se interrompe. Por exemplo. Como ajudar o doente O facto de levantar as pernas pode ajudar a recuperação dos episódios de hipotensão. através do nervo vago. habitualmente. que retarda a frequência cardíaca o suficiente para causar um desmaio. Obviamente. Hipotensão. É um sintoma devido ao afluxo inadequado de oxigénio e de outros nutrientes ao cérebro. ao aumentar a irrigação ao coração e ao cérebro. . mas os vasos sanguíneos dos músculos permanecem dilatados para eliminar os produtos metabólicos de resíduo. os vasos sanguíneos do cérebro contraem-se e pode surgir uma sensação de desmaio sem que se chegue a perder a consciência. a ansiedade acompanha-se de hiperventilação. o medo e o facto de ver sangue) podem provocar este tipo de desmaios. uma dor intestinal pode enviar um sinal para o coração. Muitos outros sinais (como outras dores. Esta diminuição pode verificar-se sempre que o organismo não possa compensar rapidamente uma descida brusca da pressão arterial. em contrapartida.enzima de conversão da angiotensina) Desmaio O desmaio (síncope) é uma perda súbita e breve da consciência. uma diminuição na concentração de açúcar no sangue (hipoglicemia) ou uma diminuição nos valores do anidrido carbónico no sangue (hipocapnia) por uma respiração rápida (hiperventilação). O desmaio também pode verificar-se quando os mecanismos de compensação sofrem interferências pelos sinais enviados através dos nervos a partir de outras partes do organismo. sobretudo em idosos. Mas isto também acontece quando a pessoa se desidrata por situações como diarreia. mas. Estas pessoas em repouso não terão sintomas.

Ou enquanto se supervisa o ritmo cardíaco com um electrocardiograma (ECG) (Ver secção 2. O desmaio histérico não é uma verdadeira síncope. como uma diminuição da concentração de açúcar (hipoglicemia) ou da taxa de anidrido carbónico (hipocapnia) causada por uma hiperventilação. por exemplo. é necessário determinar a causa subjacente do desfalecimento. As descrições feitas pelas testemunhas sobre o episódio podem ser úteis. conter a respiração ou beber sumo de laranja). Levantar-se demasiado rapidamente pode provocar um novo desmaio. As doenças do coração. muitas vezes. A pessoa só aparenta estar inconsciente. indicando ao doente que respire rápida e profundamente. capítulo 23) Uma forma semelhante de desmaio. os sinais de alerta antes do episódio e as manobras que ajudam a que uma pessoa se recupere (como deitar-se.Sintomas Quando a pessoa está de pé. Observa-se uma palidez extrema. a pressão arterial aumenta em parte porque a pessoa está estendida e. uma vez que algumas causas são mais graves que outras. como consequência. como um ritmo cardíaco anómalo ou uma estenose aórtica. O médico também tem necessidade de saber se a pessoa tem qualquer outra doença e se está a tomar algum fármaco. Quando cai no solo. previamente ao desmaio. não empurram o sangue para o coração e. muitas vezes. podem ser mortais. pode notar vertigens ou enjoos ligeiros. porque a causa da síncope já passou. A síncope vasovagal ocorre quando um indivíduo está sentado ou de pé e é precedida frequentemente por náuseas. Diagnóstico Em primeiro lugar. . a pulsação torna-se mais lenta e o indivíduo desmaia. A hipocapnia é. É possível reproduzir um episódio de desmaio em condições seguras. Quando a causa é uma arritmia. O desmaio que começa gradualmente. as circunstâncias em que se produzem. sob prescrição médica ou não. visão turva e sudação. astenia. A síncope ortostática produz-se quando uma pessoa se senta ou se põe de pé demasiado rapidamente. Há casos em que se experimentam palpitações (percepção dos batimentos cardíacos) justamente antes do desfalecimento. capítulo 15) o médico pode pressionar suavemente o seio carotídeo (uma parte da artéria carótida interna que contém sensores que controlam a pressão arterial). o desmaio aparece e desaparece bruscamente. acontece quando uma pessoa está de pé imóvel durante muito tempo num dia de calor. bocejos. mas não apresenta anomalias na frequência cardíaca ou na pressão arterial e não sua nem se torna pálida. chamada síncope «das paradas militares». (Ver secção 3. outras perturbações são muito menos preocupantes. precedida por uma sensação de formigueiro e mal-estar no peito. este imobiliza-se nas veias das pernas e a pressão arterial desce repentinamente. Como nesta situação os músculos das pernas não estão a ser utilizados. Os factores que facilitam o diagnóstico são a idade de começo dos episódios de desmaio. que é precedido de sintomas de alarme e que desaparece pouco a pouco sugere alterações nos compostos químicos do sangue.

os diuréticos. Outros exames. mas antes uma incapacidade de regular a pressão arterial rapidamente. Também se podem tratar outras causas de desmaio (como hipoglicemia. A consequência disso é uma descida da pressão arterial. não são graves e não necessitam de exames de diagnóstico extensos nem tratamento. os . independentemente da idade da pessoa. Por exemplo. as síncopes podem ser motivadas por vários problemas inter-relacionados que impedem que o coração e os vasos sanguíneos reajam perante uma diminuição de pressão arterial. anemia ou um baixo volume de sangue). habitualmente. podem reduzir o volume do sangue devido ao facto de eliminarem líquido do organismo e. O tratamento depende da causa. (Ver secção 3. uma vez que aumenta o fluxo de sangue ao coração e ao cérebro. sobretudo os que se administram para combater problemas cardiovasculares e. portanto. portanto. os vasos sanguíneos contraem-se e reduz-se a sua capacidade. Tratamento Habitualmente. em especial. Para corrigir uma frequência cardíaca demasiado lenta. as análises ao sangue podem detectar uma baixa concentração de açúcar no sangue (hipoglicemia) ou um número reduzido de glóbulos vermelhos (anemia). Perante esta situação. verifica-se a hipotensão ortostática. reduzirem a pressão arterial. nos idosos. Para diagnosticar uma epilesia (que em algumas ocasiões se confunde com um desmaio). os desmaios. Nos jovens que não têm doenças cardíacas. Por outro lado. o que provoca uma diminuição do fluxo sanguíneo ao cérebro e o consequente desmaio. utiliza-se um monitor Holter. é provável (mas não seguro) que seja a causa do mesmo. Quando estas reacções compensatórias falham ou são lentas. especialmente os potentes e em doses elevadas. pode recorrer-se à implantação de um desfibrilhador. nos idosos. Os fármacos que dilatam os vasos sanguíneos (como os nitratos. Para retardar um ritmo cardíaco demasiado rápido podem utilizar-se fármacos. pode realizarse um electroencefalograma. A elevação das pernas pode acelerar a recuperação. a gravidade faz com que uma parte do sangue se detenha nas veias das pernas e na parte inferior do corpo. como o ecocardiograma (uma técnica que produz imagens utilizando ultra-sons) (Ver tabela da secção 3. Se o problema for uma alteração do ritmo (o coração bate irregularmente de vez em quando). pode produzir-se outro episódio de desmaio. (Ver imagem da secção 6. um exame que mostra os padrões das ondas eléctricas cerebrais. em geral. que consiste num dispositivo electrónico que estimula os batimentos. é suficiente o facto de estar deitado para recuperar o conhecimento. capítulo 15). Pode ser devida a diversas causas. A hipotensão ortostática não é uma doença específica. Os episódios de hipotensão ortostática ocorrem. Se a pessoa se levanta demasiado rapidamente ou é apoiada ou transportada numa posição erguida. pode implantar-se cirurgicamente um pacemaker. A acumulação reduz a quantidade de sangue que volta ao coração e. podem pôr a claro anomalias cardíacas estruturais ou funcionais. um pequeno dispositivo que regista os ritmos cardíacos durante 24 horas enquanto o doente realiza normalmente as suas actividades diárias. A intervenção cirúrgica deve ser considerada quando a síncope se deve a uma valvulopatia. capítulo 73). as contracções são mais fortes. Para encontrar a causa da síncope. por efeitos secundários dos fármacos. Quando uma pessoa se levanta bruscamente. capítulo 15) Se a arritmia coincide com um episódio de desmaio. o organismo responde rapidamente: o coração bate com mais rapidez. Hipotensão ortostática A hipotensão ortostática é uma redução excessiva da pressão arterial ao adoptar-se a posição vertical. a quantidade bombeada. No entanto.Um electrocardiograma pode indicar uma doença cardíaca ou pulmonar subjacente.

o álcool ou uma comida copiosa podem agravar os sintomas. Os sensores arteriais que desencadeiam as respostas compensatórias. Choque O choque é um estado potencialmente mortal no qual a pressão arterial é demasiado baixa para manter a pessoa viva. sofrem desmaios. da amiloidose e das lesões da medula espinal. As pessoas com tendência para esta afecção não deveriam sentar-se nem pôr-se de pé bruscamente nem permanecer de pé imóveis durante muito tempo. a perturbação pode ser corrigida rapidamente. recomenda-se que deitem sal nas suas comidas livremente ou que tomem comprimidos de sal. é muitas vezes possível eliminar ou reduzir os sintomas. Uma redução acentuada do fluxo de sangue ao cérebro pode provocar uma síncope e inclusive convulsões. um fármaco em particular ou uma dose determinada de um medicamento. Quando a hipotensão ortostática é o resultado de um repouso prolongado na cama. o álcool e os fármacos utilizados para tratar a hipertensão arterial e a depressão. Se estas medidas não forem eficazes. a diidroergotamina. por isso. Quando não existe tratamento para a causa da hipotensão ortostática. diabetes não tratada ou doença de Addison podem provocar uma redução do volume de sangue circulante. O diagnóstico pode confirmar-se se a pressão arterial descer de forma significativa quando o doente se levanta e voltar à normalidade quando se deita. sobretudo nas pessoas com mais idade. Se a hipotensão arterial for provocada por uma acumulação de sangue nas pernas. Estas lesões são uma complicação frequente da diabetes. vertigem. confusão ou visão esfumada quando se levantam da cama bruscamente ou se erguem depois de terem estado sentados durante muito tempo. a indometacina e a metoclopramida) podem ajudar a evitar a hipotensão ortostática. As doenças que lesionam os nervos que regulam o diâmetro dos vasos sanguíneos podem também causar hipotensão ortostática. O volume sanguíneo também pode aumentar-se elevando o consumo de sal e. é possível melhorar a situação se se for aumentando paulatinamente o tempo em que se permanece sentado. No entanto. o médico pode diagnosticar uma hipotensão ortostática. O choque é a consequência de uma hipotensão arterial importante causada por uma diminuição do volume do sangue circulante. Os idosos com hipotensão ortostática deverão beber muitos líquidos e pouco ou nenhum álcool. enjoos ligeiros. Sintomas e diagnóstico As pessoas que sofrem de hipotensão ortostática. as meias de compressão elásticas podem ser úteis. Quando a causa da hipotensão ortostática é uma diminuição do volume de sangue. Prognóstico e tratamento Um diabético com hipertensão arterial terá um prognóstico mais grave se também sofrer de hipotensão ortostática. se for necessário. diarreia. também diminuem a pressão arterial. devido à retenção de sal e de líquidos. deterioram-se pela acção de certos fármacos. Para evitar uma diminuição da pressão arterial pode administrar-se a efedrina ou a fenilefrina. A fadiga. geralmente. como a fludrocortisona. ingerindo hormonas que causem a retenção deste. uma função inadequada de bombeamento pelo coração ou um . o exercício. outros fármacos (como o propranolol. como os barbitúricos. Quando se produzem estes sintomas. As hemorragias ou uma perda excessiva de líquidos por vómitos intensos.antagonistas do cálcio e os inibidores do enzima de conversão da angiotensina) aumentam a capacidade dos vasos e. O médico deve então tentar determinar a causa da hipotensão ortostática. sudação excessiva. embora à custa de um risco elevado de efeitos secundários. às vezes. uma pessoa pode aumentar rapidamente um ou dois quilogramas de peso e desenvolver uma insuficiência cardíaca por culpa desta dieta rica em sal. Em pessoas que não sofrem de insuficiência cardíaca ou de hipertensão arterial.

A vasodilatação excessiva pode ser consequência de uma lesão na cabeça. De um modo geral. diarreia grave. os sintomas são algo diferentes. a não ser que se procurem especificamente. uma perda excessiva de líquido do organismo ou um consumo insuficiente de líquidos. da existência de doenças associadas. A pele torna-se fria. a menos que a causa do choque seja uma frequência cardíaca retardada. a cada batimento cardíaco expulsar-se-á uma quantidade de sangue menor que a normal. de uma intoxicação. capítulo 176) Nas etapas iniciais do choque. provoca um afluxo inadequado de sangue às células do organismo. suada e. pode acontecer que em alguns casos não se beba a quantidade suficiente de líquidos para compensar a perda. azulada e pálida. quer por uma ruptura dum vaso sanguíneo ou uma ruptura de uma gravidez ectópica (gravidez fora do útero). de uma embolia pulmonar. As pulsações são débeis e rápidas. Independentemente da terapia. muitas vezes. mas tanto esta como a pulsação podem tornar-se mais lentas se a morte for iminente. que podem ver-se afectadas de uma forma rápida e irreversível e. Se se pressionar a pele. A pressão arterial desce a um nível tão baixo que. não se consegue detectar com um esfigmomanómetro. muitas vezes. podem inclusive morrer. No início. A primeira pessoa que chegue ao lado de uma pessoa em choque deve mantê-la quente e com as pernas algo elevadas para facilitar também o regresso do sangue ao coração. Aparece uma rede de linhas azuladas por debaixo da pele. capítulo 23). doença renal ou administração excessiva de fármacos potentes que aumentam a produção de urina (diuréticos). no final. Quando o choque é provocado por uma dilatação excessiva dos vasos sanguíneos. de uma insuficiência renal. capítulo 176) Sintomas e diagnóstico Os sintomas do choque são similares. Se o coração não cumpre a sua função de bombeamento de maneira adequada. o prognóstico depende da causa. isso ocorre quando uma incapacidade física (como uma doença articular grave) impede o doente de conseguir água por si mesmo. quer seja por uma úlcera no estômago ou no intestino. caso contrário. o choque. Por exemplo. de uma sobredosagem de certas drogas ou de uma infecção bacteriana grave (o choque causado por este tipo de infecção chama-se choque séptico. A pressão arterial é muito baixa. sobretudo no princípio. (Ver tabela da secção 17. Uma perda excessiva de outros líquidos do organismo pode verificar-se por queimaduras graves. No final. a pessoa não se pode erguer dado que pode perder o conhecimento ou inclusive morrer. que é muito mais acentuada e prolongada do que na síncope (Ver secção 3. da insuficiência de uma válvula cardíaca (particularmente de uma válvula artificial) ou de uma arritmia. O sangue pode perderse rapidamente devido a um acidente ou a uma hemorragia interna. quer a causa seja um volume baixo de sangue (choque hipovolémico). a cor normal volta muito mais lentamente do que o habitual. (Ver secção 17. Prognóstico e tratamento Sem tratamento. é mortal. especialmente do choque séptico. a respiração é rápida. Apesar de sentir sede. podem aparecer cansaço. muitos sintomas podem estar ausentes ou não ser detectados.relaxamento (dilatação) excessivo das paredes dos vasos sanguíneos (vasodilatação). quer seja um bombeamento inadequado do coração (choque cardiogénico). a pele fica quente e avermelhada. Um volume de sangue insuficiente pode ser causado por uma hemorragia grave. sonolência e confusão. do tempo decorrido antes de iniciar o tratamento e do tipo de tratamento administrado. habitualmente. O défice de bombeamento pode ser consequência de um enfarte. inflamação do pâncreas (pancreatite). Se houver uma . a probabilidade de morte por um choque depois de um enfarte agudo de miocárdio ou por um choque séptico num doente idoso é elevada. perfuração da parede intestinal. A emissão de urina é também muito baixa e acumulam-se produtos de eliminação no sangue. Esta hipotensão.

Pode tornar-se necessária a utilização de ventilação mecânica por parte do pessoal médico das urgências.hemorragia. porque podem reduzir o fluxo de sangue aos tecidos. nos Estados Unidos. não se administram narcóticos. O choque causado pela vasodilatação excessiva trata-se. mas numa situação de urgência. Pode tentar elevar-se a pressão arterial através de umas calças militares (ou médicas) antichoque. nervosismo ou stress. Deste modo. para acelerar um batimento cardíaco lento administra-se atropina e. Por exemplo. Todos os fármacos são administrados por via endovenosa. introduz-se na aorta um balão que cumpre as funções de bomba (balão de contrapulsação aórtica) para reverter temporariamente o choque. Se não se leva a cabo este tipo de angioplastia urgente ou a cirurgia cardíaca. Administram-se líquidos por via endovenosa. ao mesmo tempo que se corrige a causa subjacente. Antes de efectuar este procedimento. a hipertensão refere-se a um quadro de pressão arterial elevada. a menos que este possa agravar outros problemas médicos do doente. os esforços devem dirigir-se para melhorar a função cardíaca. incrementa-se o volume do sangue. Em alguns casos de choque na sequência de um enfarte de miocárdio pode efectuar-se uma angioplastia coronária transluminar percutânea urgente para abrir a artéria obstruída (Ver secção 3. para impedir a aspiração do vómito. Habitualmente. Este tipo de calças apertam a parte inferior do corpo e favorecem. Não se deve administrar nada por via oral. pode administrar-se sangue tipo O negativo a qualquer pessoa. se a hemorragia ou a perda de líquidos continuar ou se o choque se dever a um enfarte ou outro problema que não tenha nada a ver com o volume sanguíneo. uma insuficiência cardíaca. com fármacos que contraiam os vasos. geralmente. Corrigem-se as anomalias da frequência e o ritmo dos batimentos cardíacos e. A hipertensão arterial afecta muitos milhões de pessoas com uma diferença notória conforme a origem étnica. Chama-se-lhe «o assassino silencioso» porque. quando não haja tempo para a verificação. Quando o choque é causado por um bombeamento insuficiente do coração. a chegada do sangue das pernas ao coração e ao cérebro. principalmente. podem administrar-se fármacos que contraiam os vasos sanguíneos. deve administrar-se um fármaco trombolítico o mais cedo possível. sedativos nem tranquilizantes porque tendem a diminuir a pressão arterial. uma afecção sem sintomas na qual a elevação anormal da pressão dentro das artérias aumenta o risco de perturbações como o AVC. a ruptura de um aneurisma. Para favorecer a chegada do sangue ao cérebro e ao coração. pode ser necessário levar a cabo uma cirurgia de revascularização urgente das artérias coronárias ou então uma intervenção cirúrgica que corrija determinados defeitos cardíacos. um enfarte do miocárdio e lesões do rim. em termos médicos. verifica-se a compatibilidade do sangue antes de se efectuar uma transfusão. Após este procedimento. Hipertensão arterial A hipertensão arterial é. administram-se fármacos por via endovenosa para dissolver os coágulos (fármacos trombolíticos). deste modo. mas devem utilizar-se durante o menor tempo possível. Em caso de enfarte agudo de miocárdio. para melhorar a capacidade de contracção do músculo cardíaco. independentemente da causa. 38 % . utilizam-se outros fármacos. De um modo geral. se for necessário. A administração de líquidos por via endovenosa ou uma transfusão sanguínea podem não ser suficientes para neutralizar o choque. No entanto. capítulo 27) e melhorar a função de bombeamento do coração e o choque resultante. A palavra «hipertensão» sugere uma tensão excessiva. ela deve ser estancada e também se deve controlar a respiração. geralmente não causa sintomas durante muitos anos (até que lesiona um órgão vital). onde afecta mais de 50 milhões de pessoas. Deve virar-se a cabeça para um lado. capítulo 27) e (Ver secção 3.

Nos países desenvolvidos. embora os índices de frequência mostrem variações em função de diferenças étnicas (maior frequência em doentes de raça negra). como as dos músculos. Produz também uma contracção da maioria das arteríolas. o sistema nervoso . A hipertensão maligna é uma pressão arterial muito elevada que. A pressão arterial elevada define-se como uma pressão sistólica em repouso superior ou igual a 140 mm Hg. onde é necessário um maior fornecimento de sangue. para depois estabilizarse e inclusive descer. uma pressão diastólica em repouso superior ou igual a 90 mmHg. ou a combinação de ambas. Esta situação verifica-se quando os rins funcionam mal e não são capazes de eliminar sal e água em quantidade suficiente. Além disso. Perante um nível determinado de pressão arterial. O resultado é que o volume de sangue aumenta e. Esta medição seria lida como «cento e vinte. a pressão arterial pode aumentar se se incrementar o afluxo de líquido ao sistema circulatório. mas. o coração pode bombear com mais força e aumentar o volume de sangue que expulsa em cada batimento. dilata as de certas zonas. É bastante rara e produz-se somente em cerca de uma em cada 200 pessoas com hipertensão arterial. em seguida. Isto é o que acontece aos idosos cujas paredes arteriais se tornaram grossas e rígidas devido à arteriosclerose. como consequência. se não for tratada. Na hipertensão. O sistema nervoso simpático. A pressão arterial transcreve-se como a pressão sistólica seguida de uma barra e. o sangue proveniente de cada batimento vê-se forçado a passar por um espaço menor do que o normal e a pressão aumenta. Pelo contrário. oitenta». as consequências da hipertensão são mais graves nas pessoas de raça negra. e só 75 % deles recebem tratamento farmacológico. a pressão desce.dos adultos negros sofrem de hipertensão. registam-se dois valores. 120/80 mmHg (milímetros de mercúrio)]. tanto a pressão sistólica como a diastólica estão elevadas. esta última mantém-se normal). calcula-se que só se diagnostica esta perturbação em dois de cada três indivíduos que dela sofrem. A hipertensão sistólica isolada é sempre mais frequente na idade avançada. Controlo da pressão arterial A elevação da pressão nas artérias pode dever-se a vários mecanismos. Quase em todas as pessoas a pressão arterial aumenta com a idade. e este só é adequado em 45 % dos casos. a pressão diastólica [por exemplo. é responsável pelo aumento temporário da pressão arterial quando o organismo reage diante de uma ameaça. geralmente. se as artérias estão dilatadas ou se se perde líquido do sistema. As modificações destes factores são regidas por alterações no funcionamento renal e no sistema nervoso autónomo (a parte do sistema nervoso que regula várias funções do organismo de forma automática). o mais baixo corresponde à relaxação entre um batimento e outro (diástole). Por esta razão. Por último. Quando se mede a pressão arterial. de sexo (sendo mais frequente nos homens) e de condição socioeconómica (com maior incidência em doentes de classe baixa). em contrapartida. O sistema nervoso simpático incrementa a frequência e a força dos batimentos cardíacos. aumenta a pressão arterial. de modo a não poderem expandir-se quando o coração bombeia sangue através delas. a pressão sistólica é superior ou igual a 140 mmHg. costuma provocar a morte num período de 3 a 6 meses. Por exemplo. se a função de bombeamento do coração diminui. A pressão arterial aumenta de forma similar na vasoconstrição [quando as artérias minúsculas (arteríolas) se contraem temporariamente pela estimulação dos nervos ou das hormonas circulantes]. que faz parte do sistema nervoso autónomo. mas a diastólica é menor que 90 mmHg (isto é. Na hipertensão sistólica isolada. Outra possibilidade é que as grandes artérias percam a sua flexibilidade normal e se tornem rígidas. O mais elevado produz-se quando o coração se contrai (sístole). em comparação com 29 % de brancos. com uma pressão sistólica que aumenta até os 80 anos pelo menos e uma pressão diastólica que aumenta até aos 55 a 60 anos. A hipertensão maligna é uma urgência médica.

a qual. estes breves aumentos da pressão causam lesões que. noutros momentos. inflamações renais de vários tipos e a lesão de um ou de ambos os rins também causam efeitos similares. factores de risco no aparecimento da hipertensão arterial em pessoas que possuem uma sensibilidade hereditária. Essa situação denomina-se hipertensão essencial ou primária. Quando a causa é conhecida. A hipertensão essencial pode ter mais de uma causa. Provavelmente. Entre 5 % e 10 % dos casos de hipertensão arterial têm como causa uma doença renal. De igual modo. a afecção denomina-se hipertensão secundária. um hábito de vida sedentária. um tumor das glândulas supra-renais que segrega as hormonas adrenalina e noradrenalina. se verifique um aumento da pressão arterial. Ao contrário. desencadeia a libertação de aldosterona. de um modo geral. na qual o stress causado por uma ida ao consultório do médico faz com que a pressão arterial suba o suficiente para que se faça o diagnóstico da hipertensão em alguém que. desencadeia-se um mecanismo de compensação que neutraliza e mantém a pressão a níveis normais. uma combinação de diversas alterações no coração e nos vasos sanguíneos produz a subida da pressão arterial. No entanto. e por isso a pressão arterial não desce aos seus níveis normais. aumenta a eliminação de sal e de água. o que faz descer o volume de sangue e normaliza a pressão arterial. Sempre que. esta teoria segundo a qual os aumentos transitórios da pressão arterial podem dar lugar a uma pressão elevada de forma permanente não foi demonstrada. Dado que os rins são importantes para controlar a pressão arterial. Por outro lado. o volume sanguíneo aumenta e a pressão arterial volta aos seus valores normais. Isto explica a «hipertensão da bata branca». Entre 1 % e 2 % têm a sua origem numa perturbação hormonal ou no uso de certos fármacos. a causa é desconhecida. finalmente. Portanto. em consequência. teria uma pressão arterial normal. os rins reduzem a eliminação de sal e de água. A obesidade. As alterações arterioscleróticas nos rins podem alterar a sua capacidade para eliminar sal e água. o que tende a reduzir a pressão arterial. Causas Para cerca de 90 % das pessoas com pressão arterial elevada. produz a libertação das hormonas adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina). como os anticoncepcionais orais (pílulas para o controlo da natalidade). . que estimulam o coração e os vasos sanguíneos. inclusive quando o stress desaparece. Por exemplo. como consequência. por qualquer causa. aumenta o volume de sangue. por sua vez. provocam uma hipertensão arterial permanente. O stress tende a fazer com que a pressão arterial aumente temporariamente. que estimula a secreção de uma hormona chamada angiotensina. se a pressão arterial diminui. as artérias tornam-se rígidas e não podem dilatar-se. Se a pressão arterial se eleva. os rins controlam a pressão arterial de vários modos. segregando um enzima denominado renina. nas pessoas com esta tendência. em caso de arteriosclerose. No entanto. Os rins também podem aumentar a pressão arterial. Julga-se que.simpático diminui a eliminação de sal e de água pelo rim e. Deste modo. um aumento do volume de sangue bombeado pelo coração que tende a aumentar a pressão arterial faz com que os vasos sanguíneos se dilatem e que os rins aumentem a eliminação de sal e de água. o que tende a aumentar a pressão arterial. Uma causa pouco frequente de hipertensão arterial é o feocromocitoma. regressa à normalidade uma vez que ele tenha desaparecido. muitas doenças e anomalias renais elevam a pressão arterial. mas. provavelmente. o stress e o consumo excessivo de álcool ou de sal são. um estreitamento da artéria que alimenta um dos rins (estenose da artéria renal) pode causar hipertensão.

mas o diagnóstico não pode basear-se numa só medição. Este quadro. para se assegurar de que a hipertensão persiste. inclusive várias determinações elevadas não são suficientes para efectuar o diagnóstico. A retina (a membrana sensível à luz que reveste a superfície interna da parte posterior do olho) é o único lugar onde se podem observar directamente os efeitos da hipertensão arterial sobre as arteríolas. habitualmente avaliam-se os seus efeitos sobre os órgãos principais. como os rins. o cérebro e os rins. No caso de uma hipertensão arterial grave ou de longa duração que não receba tratamento. o coração. desassossego e visão esfumada verificam-se devido a lesões no cérebro. deve determinar-se de novo e depois mais duas vezes em dias diferentes. as pessoas com hipertensão arterial grave desenvolvem sonolência e inclusive coma por edema cerebral (acumulação anormal de líquido no cérebro). Quando se tiver estabelecido o diagnóstico de hipertensão arterial. por seu lado. vertigem. Embora as pessoas com uma pressão arterial elevada possam ter estes sintomas. activa a angiotensina (3). os sintomas como cefaleias. como também permitem classificar a sua gravidade. no coração e nos rins. As leituras não só indicam a presença de hipertensão arterial. aumenta a pressão arterial. capítulo 15) e uma radiografia do tórax. Como o sódio retém água. nos olhos. denominado o quarto ruído cardíaco. hemorragias nasais. apesar da coincidência no aparecimento de certos sintomas que muita gente considera (erradamente) associados à mesma: cefaleias. Para examinar a retina. requer um tratamento urgente. dispneia. fadiga. Diagnóstico A pressão arterial determina-se depois de a pessoa ter estado sentada ou deitada durante 5 minutos. eles também podem aparecer com a mesma frequência em indivíduos com uma pressão arterial normal. Quando se regista uma medição inicial elevada. é uma das primeiras alterações cardíacas causadas pela hipertensão. Uma leitura de 140/90 mmHg ou mais é considerada alta. náuseas. provoca a retenção de sal (sódio) nos rins e a eliminação de potássio. Às vezes. vómitos. Nas fases iniciais. é mais útil o ecocardiograma (um exame que utiliza ulta-sons para obter uma imagem do coração). A presença de células . ruborização facial e cansaço. A angiotensina também estimula a secreção da hormona aldosterona da glândula supra-renal (4). utiliza-se um oftalmoscópio (um instrumento que permite visualizar o interior do olho). O grau de deterioração da retina (retinopatia) permite classificar a gravidade da hipertensão arterial. sobretudo os vasos sanguíneos. chamado encefalopatia hipertensiva. como consequência. a hipertensão arterial é assintomática. Um ruído anómalo. As lesões iniciais do rim detectam-se através de uma análise da urina. expande-se o volume de sangue e aumenta a pressão arterial. Sintomas Habitualmente. As alterações no coração (particularmente uma dilatação devido ao aumento de trabalho requerido para bombear sangue a uma pressão elevada) detectam-se com um electrocardiograma (Ver secção 2. A renina (2). Julga-se que as alterações na retina são semelhantes às dos vasos sanguíneos de qualquer outra parte do organismo. uma hormona que contrai as paredes musculares das artérias pequenas (arteríolas) e.Regulação da pressão arterial: o sistema renina-angiotensinaaldosterona Quando a pressão arterial diminui (1) liberta-se renina (um enzima renal). que se ausculta com um fonendoscópio. Às vezes.

sensação de batimentos rápidos e irregulares (palpitações). uma radiografia do tórax e determinações de certas hormonas no sangue e na urina. capítulo 146) e a determinação da pressão arterial em ambos os braços e pernas ajuda a detectar uma coarctação da aorta. ansiedade. tenta-se localizar a presença de um ruído anormal (som que o sangue produz ao atravessar um estreitamento da artéria que alimenta o rim). a medição da concentração de potássio no sangue facilita a detecção do hiperaldosteronismo (Ver secção 13. É. tremor e palidez. toma-se como ponto de partida a história clínica. embora não de forma tão clara. efectuam-se radiografias ou ecografias com o fim de conhecer o grau de fornecimento de sangue ao rim. A hipertensão arterial é o factor de risco mais importante de AVC e é também um dos três factores principais de risco de enfarte do miocárdio. aumenta o risco de se desenvolver uma doença cardíaca (como a insuficiência cardíaca ou um enfarte de miocárdio). mais aprofundada deve ser a pesquisa da causa. aparecem na urina os produtos de decomposição das hormonas adrenalina e noradrenalina. Os tratamentos que fazem descer a pressão arterial elevada diminuem o risco de AVC e de insuficiência cardíaca. necessário procurar a causa da pressão arterial elevada. assim como outras provas renais. Medição da pressão arterial Prognóstico Quando a pressão arterial elevada não é tratada. Também diminui o risco de enfarte. por exemplo. Podem detectar-se outras causas raras de hipertensão arterial com certos exames sistemáticos. Quanto mais elevada for a pressão arterial e mais jovem for o doente. sobretudo se o doente é jovem. Por exemplo. explora-se a zona do abdómen por cima dos rins para detectar a presença de dor. . envia-se uma amostra de urina para o laboratório para a sua análise e. Com um fonendoscópio sobre o abdómen. como cefaleias intensas. Por último. se for necessário. estas hormonas também produzem várias combinações de sintomas.sanguíneas e albumina (um tipo de proteína) na urina. mesmo quando a causa é identificada em menos de 10 % dos casos. Menos de 5 % dos doentes com hipertensão maligna sem tratamento sobrevivem mais de um ano. uma insuficiência renal e um AVC (acidente vascular cerebral) numa idade jovem. A avaliação inclui radiografias e estudos dos rins com isótopos radioactivos. insistindo em problemas renais prévios. pode indicar a presença de tal afecção. suor excessivo. Para detectar um problema real. juntamente com o hábito de fumar e os valores de colesterol elevados. Durante o exame físico. Quando a causa é um feocromocitoma. igualmente. Habitualmente.

deve ser tratado e que quanto mais se conseguir fazer descer a pressão. para manter um bom estado de saúde cardiovascular em geral. são importantes as alterações na dieta em pessoas com diabetes. Se se reduzir o consumo de sódio para menos de 2. doente e médico. Por isso. Por último. na verdade. alguns médicos costumam utilizar um tratamento escalonado. um acordo geral sobre o facto de que.3 g ou de cloreto de sódio para menos de 6 g por dia (mantendo um consumo adequado de cálcio. Em contrapartida. Mas há. o médico procura evitar tratamentos incómodos. outros sustentam que o tratamento da pressão arterial abaixo de um certo nível pode fazer aumentar os riscos de enfarte e de morte súbita em vez de reduzi-los. os fumadores deveriam deixar de fumar. É também muito útil fazer exercícios aeróbicos moderados. Inicia-se com um fármaco ao qual se . Os especialistas não se puseram de acordo sobre quanto se deve diminuir a pressão arterial durante o tratamento ou sobre quando e quanto se deve tratar a hipertensão no estádio 1 (ligeira). sobretudo no caso de doença das artérias coronárias. mas o tratamento tem de ser individualizado. No caso de excesso de peso e de pressão arterial elevada. Tratamento A hipertensão essencial não tem cura.Principais «órgãos-alvo» da hipertensão arterial Os principais «órgãos-alvo» são o cérebro. que são obesas ou que têm valores de colesterol altos. alguns especialistas sublinham que qualquer aumento. Devido ao facto de a pressão arterial em si mesma não produzir sintomas. têm uma boa comunicação e colaboram com o programa de tratamento. qualquer pessoa com hipertensão arterial pode conseguir controlar-se dado que se dispõe de uma ampla variedade de fármacos. As pessoas com hipertensão essencial não têm de restringir as suas actividades se têm a sua pressão arterial controlada. trabalhosos ou que interfiram com os hábitos de vida. melhor. mas o tratamento previne as complicações. Essas pessoas provavelmente estarão mais dispostas a seguir as recomendações do médico em relação ao tratamento. as grandes artérias e os rins. de magnésio e de potássio) e se se reduzir o consumo diário de álcool para menos de 750 ml de cerveja. mesmo pequeno. É aconselhável que as pessoas com pressão arterial elevada controlem a sua pressão no seu próprio domicílio. Tratamento farmacológico Em teoria. Por isso. aconselha-se reduzir o peso até ao seu nível ideal. pode não ser necessário o tratamento farmacológico. maiores serão os riscos (inclusive quando os níveis se encontram dentro da escala normal). 250 ml de vinho ou 65 ml de whisky. é recomendável aplicar medidas alternativas. Diversos tipos de fármacos reduzem a pressão arterial através de mecanismos diferentes. Antes de prescrever a administração de fármacos. quanto mais elevada for a pressão arterial. Deste modo. Além disso. o coração. é mais eficaz quando ambos. O exame adequado da retina através de um oftalmoscópio permite observar alterações secundárias à hipertensão.

de idade avançada. o sistema que responde rapidamente ao stress aumentando a pressão arterial. Existem diversos fármacos que diminuem a pressão arterial com rapidez. costuma utilizar-se como um segundo fármaco quando o outro sozinho não diminui suficientemente a pressão arterial. o grau de gravidade da hipertensão. pode causar hipertensão. se não for eficaz.juntam outros quando for necessário. angina de peito ou enxaqueca. Os antagonistas do cálcio provocam a dilatação dos vasos sanguíneos por um mecanismo completamente diferente. os doentes toleram bem os fármacos anti-hipertensivos que se lhes prescrevem. é de acção muito rápida e administra-se por via oral. Deste modo. os betabloqueadores. por vezes. Os bloqueadores adrenérgicos (um grupo de fármacos que incluem os bloqueadores alfa. com frequência. interrompe-se e administra-se outro. a maioria administra-se por via endovenosa. Os diuréticos também dilatam os vasos sanguíneos. a presença de outras perturbações. São particularmente úteis nos indivíduos brancos. às vezes devem ser administrados conjuntamente suplementos de potássio ou fármacos que retenham potássio. São particularmente úteis nas pessoas de etnia negra. reduzindo desse modo a pressão arterial. Estes fármacos compreendem o diazóxido. a hipertensão maligna. Os bloqueadores adrenérgicos mais utilizados. dever-se-á informar disso o médico para que ajuste a dose ou mude o fármaco. Devido ao facto de provocarem uma perda de potássio pela urina. Mas qualquer fármaco anti-hipertensivo pode provocar efeitos secundários. O tratamento de uma doença renal pode. Um fármaco deste tipo quase nunca se utiliza isolado. os bloqueadores da angiotensina II parecem causar menos efeitos secundários. Os bloqueadores da angiotensina II diminuem a pressão arterial através de um mecanismo semelhante (mas mais directo) ao dos inibidores do enzima conversor da angiotensina. As urgências hipertensivas. Os diuréticos tiazídicos são. Ao escolher um fármaco. A nifedipina. a nitroglicerina e o labetalol. nas que apresentam proteínas na urina devido a uma doença renal crónica ou a uma doença renal pela diabetes e nos jovens que manifestam impotência como resultado de um efeito secundário produzido pela ingestão de outro fármaco. se estes aparecerem. como. por exemplo. Os inibidores do enzima conversor da angiotensina diminuem a pressão arterial dilatando as artérias. Estes fármacos são particularmente úteis em pessoas de etnia negra. Os diuréticos ajudam os rins a eliminar sal e água e diminuem o volume de líquidos em todo o organismo. o sexo e a etnia do doente. normalizar a pressão arterial ou ao menos reduzi- . requerem uma diminuição rápida da pressão arterial. mas não há estudos que sugiram esse efeito para os antagonistas do cálcio de acção prolongada. Os vasodilatadores directos dilatam os vasos sanguíneos através de outro mecanismo. no entanto. o primeiro fármaco que se administra para tratar a hipertensão. um antagonista do cálcio. Habitualmente. de certos tipos de arritmias ou de enxaqueca. Também se pode efectuar uma aproximação sequencial: prescreve-se um fármaco e. o nitroprussiato. são especialmente úteis nos indivíduos de etnia branca. os betabloqueadores e o bloqueador alfa-beta labetalol) bloqueiam os efeitos do sistema nervoso simpático. Relatórios recentes sugerem que a administração de antagonistas do cálcio de acção curta aumenta o risco de morte por enfarte. Devido ao modo como actuam. de modo que é necessário controlar rigorosamente os seus efeitos. nas pessoas jovens e nas que sofrem de insuficiência cardíaca. como diabetes ou valores elevados de colesterol. em obesos e em pessoas que sofram de insuficiência cardíaca ou renal crónica. consideram-se factores como: a idade. de idade avançada e nas que sofrem de angina de peito (dor no peito). os efeitos secundários prováveis (que variam de um fármaco para outro) e os custos dos fármacos e das análises necessárias para controlar a sua segurança. nas pessoas jovens e nas que sofreram um enfarte de miocárdio ou que têm ritmos cardíacos acelerados. Tratamento da hipertensão secundária O tratamento da hipertensão secundária depende da causa do aumento da pressão arterial.

Devem avaliar-se. Categoria Pressão arterial sistólica Pressão arterial diastólica Pressão arterial normal Inferior a 130 mmHg Inferior a 85 mmHg .160/92 mmHg classifica-se como hipertensão fase 2 e 180/120 mmHg como hipertensão fase 4. de modo que neste último caso o tratamento farmacológico seja mais eficaz. A actividade também afecta a pressão arterial: aumenta durante o exercício e diminui durante o repouso. opta-se pela mais elevada para classificar a pressão arterial. Por exemplo. como os feocromocitomas. A pressão arterial varia. os bebés e as crianças têm uma pressão muito mais baixa do que as dos adultos. Causas principais de hipertensão secundária Estenose da artéria renal Pielonefrite Glomerulonefrite Doenças renais Tumores renais Doença poliquística renal (geralmente hereditária) Lesões do rim Radioterapia que afecta o rim Hiperaldosteronismo Perturbações hormonais Síndroma de Cushing Feocromocitoma Anticoncepcionais orais Corticosteróides Ciclosporina Fármacos Eritropoietina Cocaína Abuso de álcool Alcaçuz (em quantidades excessivas) Coarctação da aorta Gravidez complicada por pré-eclampsia Outras causas Porfiria intermitente aguda Intoxicação aguda por chumbo Classificação da pressão arterial nos adultos Quando a pressão sistólica e diastólica de uma pessoa caem em categorias diferentes. além disso. Uma artéria obstruída que chega ao rim pode dilatar-se através da inserção de um cateter com um balão que depois se enche. geralmente podem extirpar-se cirurgicamente. as medições demasiado baixas. no entanto. Também pode solucionar-se através de uma cirurgia derivativa do segmento estreitado. com frequência. a hipertensão. A pressão arterial óptima para minimizar o risco de perturbações cardiovasculares situa-se abaixo de 120/80 mmHg. Variações da pressão arterial A pressão arterial varia ao longo da vida. conforme a altura do dia.la. já que é mais elevada à noite durante o sono. Geralmente. Os tumores que provocam a hipertensão arterial. este tipo de cirurgia cura.

as artérias acumulam depósitos de cálcio que podem tornar-se frágeis e rebentar. . A mais importante e a mais frequente destas doenças é a aterosclerose. principalmente colesterol. Um ateroma rebentado também pode derramar o seu conteúdo gordo e desencadear a formação de um coágulo sanguíneo (trombo). Na maioria dos países ocidentais. distribuídos irregularmente pelo revestimento interno da artéria. na qual a substância gorda se acumula por baixo do revestimento interno da parede arterial. pode produzir-se um enfarte do miocárdio. que lesa a parede arterial. Cada zona de espessamento (chamada placa aterosclerótica ou de ateroma) enche-se de uma substância mole parecida com o queijo. estes monócitos carregados de gordura acumulam-se e produzem espessamentos. dos rins. As artérias afectadas pela aterosclerose perdem a sua elasticidade e. Apesar dos avanços médicos significativos. Causas A aterosclerose inicia-se quando alguns glóbulos brancos. formada por diversas substâncias gordas. Os ateromas podem localizar-se em qualquer artéria de tamanho grande e médio. mas geralmente formam-se onde as artérias se ramificam (presumivelmente porque a turbulência constante destas zonas. Além disso. chamados monócitos. migram da corrente sanguínea para o interior da parede da artéria e transformam-se em células que acumulam substâncias gordas. representando o dobro das mortes por cancro e 10 vezes mais do que por acidentes. células musculares lisas e células de tecido conjuntivo. de outros órgãos vitais e dos braços e das pernas. à medida que os ateromas crescem. a aterosclerose é a doença mais frequente e a causa principal de morte. aumentando o seu tamanho e diminuindo ainda mais o lume arterial. do coração. favorece a formação do ateroma). tornam-se mais estreitas. o sangue pode entrar num ateroma rebentado.Pressão arterial nomal-alta Hipertensão (ligeira) fase 1 Hipertensão (moderada) fase 2 Hipertensão (grave) fase 3 Hipertensão (muito grave) fase 4 130-139 140-159 160-179 180-209 Igual ou superior a 210 85-89 90-99 100-109 110-119 Igual ou superior a 120 Aterosclerose Aterosclerose é um termo geral que designa várias doenças nas quais se verifica espessamento e perda de elasticidade da parede arterial. a doença das artérias coronárias (que é causada pela aterosclerose e que provoca os enfartes) e o icto aterosclerótico são responsáveis por mais mortes do que todas as outras causas juntas. com o tempo. pode produzir-se um icto. A aterosclerose afecta as artérias do cérebro. onde causará uma oclusão (embolia). Com o tempo. quando se desenvolve nas artérias que alimentam o coração (artérias coronárias). Quando a aterosclerose se desenvolve nas artérias que alimentam o cérebro (artérias carótidas). O coágulo estreita ainda mais a artéria e inclusive pode provocar a sua oclusão ou então desprende-se e passa ao sangue até chegar a uma artéria mais pequena. Então.

embora depois da menopausa o risco aumente nas mulheres e finalmente iguala-se ao dos homens. diminuir a pressão arterial (Ver secção 3. No entanto. As pessoas com homocistinúria. O primeiro sintoma do estreitamento de uma artéria pode ser uma dor ou uma cãibra nos momentos em que o fluxo de sangue é insuficiente para satisfazer as necessidades de oxigénio. o tabagismo. a falta de exercício e a idade avançada. na hipercolesterolemia familiar hereditária. &nbsp. Prevenção e tratamento Para prevenir a aterosclerose. a prevenção consistirá em diminuir os valores de colesterol (Ver secção 12. a obesidade. Os sintomas dependem do local onde se desenvolve a aterosclerose: o coração. Sintomas Geralmente. o cérebro. desenvolvem ateromas com grande facilidade.Desenvolvimento da aterosclerose A aterosclerose começa quando os monócitos (um tipo de glóbulos brancos). dependendo dos factores de risco específicos de cada pessoa. a pressão arterial alta. o consumo de tabaco. Factores de risco O risco de desenvolver aterosclerose aumenta com a hipertensão arterial. Os homens têm um maior risco de sofrer desta doença do que as mulheres. como consequência. perder peso e fazer exercício. uma pessoa pode sentir dor no peito (angina). A doença afecta muitas artérias. o oxigénio necessário. (Ver secção 5. capítulo 58) Felizmente. Uma vez que a aterosclerose diminui de modo considerável o lume de uma artéria. ou. os sintomas aparecem imediatamente (por exemplo. durante um exercício. os valores extremamente elevados de colesterol no sangue provocam a formação de ateromas nas artérias coronárias muito mais do que nas outras artérias. tomar medidas para levar a cabo alguns destes objectivos ajuda a levar a . quando se verifica uma obstrução súbita. quando um coágulo sanguíneo se encrava numa artéria). a diabetes. sobretudo na idade juvenil. como os valores elevados de colesterol no sangue. deixar de fumar. Pelo contrário. Por exemplo. mas não as artérias coronárias que alimentam o coração. Estes sintomas desenvolvem-se gradualmente à medida que o ateroma aperta a artéria. capítulo 139). devem eliminar-se os factores de risco controláveis. Assim. devido à falta de oxigénio no coração. que se encontram na circulação sanguínea. capítulo 25). a aterosclerose não produz sintomas até estreitar gravemente a artéria ou causar uma obstrução súbita. a obesidade e a falta de exercício. as pernas ou quase em qualquer parte do organismo. podem aparecer cãibras nas pernas (claudicação intermitente) devido à falta de oxigénio nas extremidades. uma doença hereditária. os altos valores de colesterol. Esta situação provoca um espessamento em algumas zonas (placas) do revestimento interno da parede arterial. entram na parede arterial e se transformam em células que acumulam substâncias gordas. as zonas do organismo que esta alimenta podem não receber sangue suficiente e. enquanto caminha. Ter um familiar próximo que tenha desenvolvido aterosclerose numa idade ainda jovem também aumenta o risco.

doença das artérias coronárias. Fumar cigarros diminui a concentração do colesterol bom. o que. por sua vez. do mesmo modo que deixar de fumar ajuda a baixar os valores do colesterol e da pressão arterial. icto e obstrução de um enxerto arterial depois de uma intervenção cirúrgica. arritmias. insuficiência renal. portanto. Este processo gradual é conhecido como aterosclorose. diminui a quantidade de sangue que chega aos tecidos. enfarte. Por outro lado. Quando a aterosclerose se torna suficientemente grave para causar complicações. o que pode aumentar o risco de lesões do revestimento da parede arterial e. (Ver secção 3. Os depósitos de gordura (chamados ateromas ou placas) formam-se gradualmente e desenvolvem-se irregularmente nos grandes troncos das duas artérias coronárias principais. Definitivamente. capítulo 26) Os ateromas provocam um espessamento que estreita as artérias. Deixar de fumar também diminui o risco de morte após uma cirurgia de revascularização coronária (bypass) ou de um enfarte. fumar aumenta a tendência do sangue a coagular. Doença das artérias coronárias A doença das artérias coronárias caracteriza-se pela acumulação de depósitos de gordura nas células que revestem a parede de uma artéria coronária e. alguns rebentam e ficam fragmentos livres na circulação sanguínea ou então formam pequenos coágulos sanguíneos sobre a sua superfície. O hábito de fumar é particularmente perigoso para as pessoas que já têm um risco elevado de sofrer doenças cardíacas. devem tratar-se as próprias complicações (angina de peito. em consequência. quando a obstrução de uma artéria coronária vai aumentando. A doença verifica-se sobretudo nas pessoas que sofrem de hipertensão arterial. icto ou obstrução das artérias periféricas). além disso. ou colesterol com lipoproteínas de alta densidade (HDL). e aumenta a concentração do colesterol mau. Quando os ateromas aumentam. o que aumenta o risco de doença arterial periférica. O colesterol também aumenta o valor do monóxido de carbono no sangue.cabo outros. insuficiência cardíaca. Também diminui a incidência de doenças em geral e o risco de morte em doentes com aterosclerose em artérias diferentes das que alimentam o coração e o cérebro. As pessoas que deixam de fumar correm metade dos riscos das que continuam a fumar (independentemente de quanto tenham fumado antes de abandonar o hábito). o melhor tratamento para a aterosclerose é a prevenção. Porém. Arteriolosclerose A arteriolosclerose é um tipo menos frequente dearteriosclerose que afecta principalmente as camadas interna e média das paredes das artérias musculares pequenas (arteríolas). o músculo cardíaco (miocárdio) requer uma provisão contínua de sangue rico em oxigénio que as artérias coronárias lhe proporcionam. ou colesterol com lipoproteínas de baixa densidade (LDL). obstruem a passagem do sangue. O risco que um fumador corre de desenvolver uma doença das artérias coronárias está directamente relacionado com a quantidade de cigarros que fuma diariamente. Por exemplo. fazer exercício ajuda a perder peso. as que rodeiam o coração e lhe fornecem o sangue. Para que o coração se contraia e bombeie o sangue normalmente. pode desenvolver-se uma isquemia (fornecimento de sangue inadequado) do músculo cardíaco que causa . contrai as artérias já estreitadas pela aterosclerose e. ajuda a diminuir os valores do colesterol e da pressão arterial.

pode produzir-se a isquemia e. necessita de mais oxigénio. Os esforços físicos e as emoções aumentam a actividade do coração. Por outro lado. Depois dos 55 anos. pois conhecem com que grau de . especialmente a estenose (estreitamento da válvula aórtica). O índice de mortalidade é influenciado tanto pelo sexo. Causas A angina é. Frequentemente. A doença das artérias coronárias afecta pessoas de todas as etnias. o índice de mortalidade no sexo masculino diminui. o doente sente a angina de peito como uma pressão ou dor por baixo do esterno (o osso do meio do peito). de um modo geral. As necessidades do coração em oxigénio dependem do esforço que tem de efectuar (isto é. é mais elevado nos homens do que nas mulheres. como pelo grupo étnico. estas anomalias reduzem o fluxo de sangue para as mesmas. No entanto. a anemia grave pode reduzir o fornecimento de oxigénio ao músculo cardíaco e desencadear um episódio de dor. sobretudo nos de idade compreendida entre os 35 e os 55 anos. capítulo 19) Dado que a válvula aórtica está próxima da entrada das artérias coronárias. Até agora não se conseguiu compreender porque é que a isquemia é. Angina de peito A angina. Nos países desenvolvidos. o resultado de uma doença das artérias coronárias. Quando as artérias se tornam mais estreitas ou existe uma obstrução que impeça o aumento da chegada de sangue ao músculo cardíaco para satisfazer a maior necessidade de oxigénio. como consequência. às vezes. que. A dor também se manifesta no ombro esquerdo ou por debaixo da parte interna do braço esquerdo. mas a sua incidência é particularmente elevada entre os Brancos. dura só alguns minutos e desaparece com o repouso. sendo a doença das artérias coronárias a causa principal das doenças cardiovasculares. por essa razão. as doenças cardiovasculares são a causa principal de morte entre as pessoas de ambos os sexos. Uma dieta com um alto conteúdo em gordura. a insuficiência (regurgitação através da válvula aórtica) e a estenose subaórtica hipertrófica. o hábito de fumar e uma vida sedentária aumentam o risco de doença das artérias coronárias. As complicações principais desta doença são a angina de peito e o ataque cardíaco (enfarte de miocárdio). Em comparação com os Brancos. a rapidez com que bate e a força de cada batimento). a etnia em si mesma não parece ser um factor tão importante como o hábito de vida de cada indivíduo. A angina de peito aparece de forma característica durante um esforço físico. no maxilar ou nos dentes e. Muitas pessoas descrevem a sensação como mal-estar mais do que como dor. Mas é também o resultado de outras causas. é uma dor torácica transitória ou uma sensação de pressão que se produz quando o músculo cardíaco não recebe oxigénio suficiente.lesões graves. Algumas pessoas podem prevê-la. (Ver secção 3. nas costas. silenciosa. algumas vezes. O espasmo arterial (estreitamento súbito e transitório de uma artéria) também pode causar angina de peito. A causa mais frequente de isquemia do miocárdio é a doença das artérias coronárias. Sintomas Uma pessoa com uma isquemia nem sempre tem angina de peito. ou angina de peito. na parte inferior do braço direito. como anomalias da válvula aórtica. dor. os índices de mortalidade entre os Pretos são mais elevados até aos 60 anos e os das mulheres negras são mais elevados até à idade de 75 anos. na garganta. A isquemia sem angina de peito chama-se isquemia silenciosa ou silente. enquanto nas mulheres continua numa tendência ascendente.

O risco de sofrer um enfarte é elevado. uma emoção forte. ou um pesadelo durante o sono provocam o aparecimento de angina. Durante uma crise a frequência cardíaca pode aumentar ligeiramente. com o frio. Caminhar contra o vento ou sair de uma casa quente para um espaço onde o ar seja frio pode provocar angina de peito. podem detectar-se alterações no ECG. geralmente. Às vezes. A angina de peito é. O stress emocional também pode desencadear uma angina ou fazê-la piorar. a pressão arterial pode elevar-se e o médico pode auscultar uma alteração característica do batimento cardíaco com um fonendoscópio. o clima e outros factores facilitam o diagnóstico. uma vez que entre as crises e inclusive durante elas o exame físico ou o EGC podem ser pouco relevantes ou mesmo normais.esforço ela lhes aparece. devido a um aumento da obstrução de uma artéria coronária pela ruptura de um ateroma ou pela formação de um coágulo. (Ver secção 3. No entanto. A angina instável é uma urgência médica (que deve ser tratada o mais depressa possível). Além disso. mais grave quando o esforço se faz depois de comer. o diagnóstico costuma ser fácil. de um modo geral. não com o esforço. as refeições. A angina instável é uma situação em que o padrão dos sintomas da angina varia. Dado que as características da angina em cada pessoa são. A angina variante é provocada por um espasmo das grandes artérias coronárias que percorrem a superfície do coração. Habitualmente. mas para outras os episódios são imprevisíveis. com frequência. Os resultados também podem ser uma ajuda para determinar a necessidade de uma arteriografia coronária ou de uma operação cirúrgica. alguns exames podem ajudar a determinar a gravidade da isquemia e a presença e extensão de uma doença das artérias coronárias. Quando os sintomas são típicos. O tipo de dor. capítulo 15) A prova de esforço (uma prova na qual o doente caminha sobre uma passadeira móvel enquanto se regista o EGC) permite a avaliação da gravidade da doença das artérias coronárias e da capacidade do coração para responder à isquemia. o fluxo sanguíneo reduzse e o oxigénio não chega ao músculo cardíaco. ataques mais frequentes ou ataques que se verificam com menor esforço físico ou durante o repouso). agrava-se. Depósitos de gordura numa artéria coronária À medida que os sedimentos gordos se acumulam numa artéria coronária. qualquer alteração é importante (como uma dor mais forte. mas este pode ser normal entre os episódios. . inclusive numa pessoa com uma doença grave das artérias coronárias. Diagnóstico O diagnóstico efectua-se a partir da descrição dos sintomas feita pelo doente. a sua localização e a sua relação com o esforço. e pela existência de certas alterações no electrocardiograma (ECG) durante o episódio de angina. mesmo que se esteja em repouso. Estas alterações nos sintomas reflectem uma progressão rápida da doença das artérias coronárias. constantes. Chama-se variante porque se caracteriza pelo aparecimento de dor em repouso.

mas. a coronariografia não confirma a presença de doença das artérias coronárias. Prognóstico Os factores-chave para prever o que pode acontecer às pessoas com angina incluem a idade. as pequenas artérias do músculo cardíaco encontram-se anormalmente contraídas. O hábito de fumar é o factor evitável de risco mais importante na doença das artérias coronárias. Se os sintomas não diminuírem . além disso. como a pressão arterial elevada e os valores aumentados de colesterol. o prognóstico. o grau de função normal do músculo cardíaco. os movimentos do músculo cardíaco. pode detectar um espasmo nas artérias coronárias que não têm um ateroma. A coronariografia (arteriografia das artérias coronárias) pode efectuar-se quando o diagnóstico de doença das artérias coronárias ou de isquemia não é seguro.Os estudos com isótopos radioactivos combinados com a prova de esforço podem proporcionar uma informação valiosa acerca da angina de peito de uma pessoa. costuma aconselhar-se o internamento hospitalar imediato e o tratamento farmacológico. O ECG também ajuda a diagnosticar a angina variante. o fluxo de sangue através das válvulas cardíacas e o seu funcionamento. mas também identificam a zona e a extensão do músculo cardíaco afectado. O significado da isquemia silenciosa é objecto de controvérsia. O exame é inócuo e mostra o tamanho do coração. o mais eficaz será reduzir os factores de risco e utilizar fármacos. que alguns especialistas chamam síndroma X. Tratamento O tratamento inicia-se adoptando medidas preventivas da doença das artérias coronárias. às vezes. medidas que retardam a sua progressão ou atitudes para a reverter. mais desfavorável será o prognóstico. No entanto. O registo contínuo do ECG com um monitor Holter (um aparelho portátil de ECG que funciona com pilhas) revela as anomalias que indicam uma isquemia silenciosa em algumas pessoas. os sintomas melhoram quando se administram nitratos ou fármacos betabloqueadores. Quando os sintomas são estáveis e são. Quando existe isquemia. Os ecocardiogramas obtêm-se em repouso e depois de um exercício de esforço máximo. Em algumas destas pessoas. Quando os sintomas se agravam rapidamente. assim como o volume do fluxo sanguíneo que chega ao coração. a extensão da doença das artérias coronárias. na maioria dos casos. O prognóstico da síndroma X é bom. Geralmente. Quanto mais forem as artérias coronárias afectadas ou mais grave for a sua obstrução. Há casos em que se administram certos fármacos para causar o espasmo durante a angiografia. A angiografia (radiografias consecutivas das artérias efectuadas após a injecção de um produto de contraste). dado que é capaz de detectar certas alterações que se produzem quando a angina aparece em repouso. Uma capacidade de bombeamento reduzida piora o prognóstico. Deve fazer-se face às causas conhecidas da doença coronária (factores de risco). leves ou moderados. geralmente. é mais frequente que este exame seja utilizado para determinar a gravidade da doença das artérias coronárias e para avaliar se é necessário levar a cabo um procedimento adicional com o fim de aumentar o fluxo de sangue (uma cirurgia de derivação coronária ou uma angioplastia). observa-se que o movimento de bombeamento da parede do ventrículo esquerdo é anormal. Num número reduzido de pessoas com sintomas típicos de angina e uma prova de esforço anormal. a gravidade dos sintomas e. O prognóstico é surpreendentemente bom numa pessoa com angina estável e uma capacidade normal de bombeamento (função do músculo ventricular). O tratamento da angina de peito depende da gravidade e da estabilidade dos sintomas. em consequência. Devem tratar-se o mais cedo possível os principais factores de risco. O ecocardiograma de esforço é uma prova na qual se obtêm imagens do coração (ecocardiogramas) por reflexão de ultra-sons. As imagens que se obtêm não só confirmam a presença da isquemia. Ficam muitas interrogações sobre esta perturbação. a gravidade da doença das artérias coronárias determina o alcance da isquemia silenciosa e.

Alguns antagonistas do cálcio. Há quatro tipos de fármacos disponíveis: os betabloqueadores. é outro dos tratamentos possíveis. Os nitratos. formam-se coágulos (trombos) que podem estreitar ou obstruir a artéria e causar um enfarte. A aspirina une-se irreversivelmente às plaquetas e não as deixa aderir às paredes dos vasos sanguíneos. Podem ser administrados tanto os de acção curta como os de acção prolongada. A nitroglicerina pode também utilizar-se de tal forma que o comprimido se dissolva sobre as gengivas ou inalando-a com um vaporizador oral. deste modo. Podem administrar-se heparina (um anticoagulante que reduz a coagulação sanguínea) e a aspirina. . Um comprimido de nitroglicerina colocado por debaixo da língua (administração sublingual). Os nitratos de acção prolongada tomam-se entre 1 a 4 vezes por dia. As pessoas com angina estável crónica devem trazer sempre consigo comprimidos de nitroglicerina ou nitroglicerina em aerossol.com o tratamento com fármacos. como a aspirina. Os betabloqueadores e os nitratos demonstraram reduzir a incidência de enfarte e de morte súbita. perdem rapidamente a sua efectividade sobre os sintomas. São também eficazes no tratamento da angina variante. a metade de um para adultos ou um comprimido inteiro para adultos. Os betabloqueadores interferem nos efeitos das hormonas adrenalina e noradrenalina sobre o coração e outros órgãos. os nitratos. A administração de fármacos antiplaquetários. reduzem a procura de oxigénio. Também é útil tomar um comprimido antes de atingir um nível de esforço que. Prescrevem-se também betabloqueadores e nitroglicerina por via endovenosa para reduzir a sobrecarga do coração. Os nitratos de acção prolongada. Mas quando as plaquetas se acumulam nos ateromas da parede arterial. Em repouso. Este efeito pode ser útil em alguns casos e estes fármacos podem combinar-se com um betabloqueador para prevenir os episódios de taquicardia (frequência cardíaca demasiado rápida). os antagonistas do cálcio e os fármacos antiplaquetários. estes fármacos reduzem a frequência cardíaca. por conseguinte. as pessoas com angina instável são hospitalizadas. recomenda-se tomar. tomados de forma regular. nos quais o fármaco se absorve através da pele ao longo de muitas horas. São também eficazes sob a forma de emplastros dérmicos ou creme. se for necessário. pode recorrer-se a uma angiografia para determinar se é possível praticar uma derivação de uma ou de várias artérias coronárias ou uma angioplastia. durante o exercício. melhorando os resultados a longo prazo nas pessoas com uma doença das artérias coronárias. Se os fármacos não forem eficazes. desse modo. como o verapamil e o diltiazem. para que possa controlar-se o tratamento farmacológico e se apliquem outras terapias. são fármacos vasodilatadores. como se sabe. a aspirina reduz o risco de morte por doença das artérias coronárias. diariamente. podem retardar o ritmo cardíaco. Os antagonistas do cálcio evitam que os vasos sanguíneos se contraiam e. pode requerer-se uma arteriografia e uma angioplastia ou uma cirurgia de derivação coronária (bypass). As pessoas que têm alergia à aspirina podem tomar ticlopidina como alternativa. limitam o aumento da frequência cardíaca e. Tratamento da angina estável O tratamento tem como objectivo prevenir ou reduzir a isquemia e minimizar os sintomas. Estes doentes recebem fármacos que reduzem a tendência do sangue a coagular. Tratamento da angina instável Geralmente. Para a maioria das pessoas com esta doença. geralmente. recomendam-se períodos de 8 a 12 horas sem tomar o fármaco para manter a eficácia do mesmo a longo prazo. alivia um episódio de angina em um a três minutos. mas a administração sublingual é mais frequente. os efeitos deste nitrato de acção curta duram 30 minutos. contrariam o espasmo das artérias coronárias. Por isso. como a nitroglicerina. com dieta e com alterações nos hábitos de vida. desencadeará uma angina. um comprimido de aspirina infantil. As plaquetas são fragmentos de células que circulam pelo sangue e são importantes para a formação do coágulo e para a resposta dos vasos sanguíneos às lesões.

esta intervenção cirúrgica melhora o prognóstico em certas pessoas. a artéria coronária obstrui-se de novo aos 6 meses (com frequência nas primeiras semanas posteriores ao procedimento). utiliza-se um dispositivo de malha de arame que se insere no lume da artéria. que se extrai por baixo do esterno (osso do meio do peito). Estas artérias raramente são afectadas pela doença das artérias coronárias e em mais de 90 % dos casos continua a funcionar de forma adequada 10 anos após o momento da sua implantação. geralmente a artéria femoral da perna. Este procedimento parece reduzir a metade o risco de uma nova obstrução arterial. Depois introduz-se um fio-guia comprido dentro do sistema arterial através da agulha. A insuflação repete-se várias vezes. introduz-se um cateter com um pequeno balão insuflável na extremidade. insufla-se durante vários segundos. Esta obstrução pode produzir alterações no ECG e sintomas de isquemia em algumas pessoas. O cateter posiciona-se de modo tal que o balão fique ao nível da obstrução. em seguida. ao cabo de 5 anos. Angioplastia coronária: as razões pelas quais se pratica a angioplastia são semelhantes às do bypass. com um músculo cardíaco lesionado por um enfarte anterior ou por outras perturbações cardiovasculares. habitualmente chamada cirurgia de bypass. O procedimento começa com uma punção de uma grande artéria periférica. geralmente. da perna. O risco da cirurgia é um pouco mais elevado para as pessoas com uma capacidade reduzida de bombeamento do coração (função ventricular esquerda diminuída). tem um coração que funciona normalmente. Por isso. é altamente eficaz nos casos de angina e doença das artérias coronárias que ainda não se espalhou totalmente. Dadas estas características. Nem todas as obstruções das artérias coronárias são aptas para a angioplastia devido à sua localização. Em cerca de 85 % dos casos obtém-se um alívio completo ou apreciável dos sintomas depois da intervenção. Em seguida. tem de se determinar cuidadosamente se o doente é um bom candidato para este procedimento. Os enxertos de veias obstruem-se gradualmente e. reduzir os sintomas e diminuir a dose requerida de um fármaco. Esta intervenção cirúrgica pode aumentar a tolerância ao exercício. que é guiado pelo fio até ao interior da artéria coronária doente. Num estudo que . a obstrução reduz-se de forma considerável. evitando a zona obstruída. o risco de morte é de 1 % ou ainda menor e a probabilidade de lesão cardíaca (como um enfarte) durante a operação é inferior a 5 % . A cirurgia de derivação coronária (bypass) é necessária imediatamente depois da angioplastia em 2 % a 4 % dos casos. As veias para o enxerto extraem-se. comprimento. Muitas vezes a angioplastia repete-se e permite um bom controlo da doença durante muito tempo. dilata a artéria e rasga parcialmente as camadas internas da parede arterial. Se a angioplastia for eficaz. não sofreu ainda nenhum enfarte e não sofre de nenhuma outra doença que contra-indique a cirurgia (como uma doença pulmonar obstrutiva crónica). É necessária uma monitorização cuidadosa durante o procedimento porque o balão insuflado obstrui momentaneamente o fluxo da artéria coronária. Poucos estudos compararam os resultados da angioplastia com o tratamento farmacológico. Em cerca de 20 % a 30 % dos doentes. pelo menos uma artéria como enxerto. O globo insuflado comprime o ateroma. habitualmente. Crê-se que os índices de êxito da angioplastia são similares aos da cirurgia de bypass. a obstrução é completa num terço das pessoas ou mais. Além de reduzir os sintomas de angina. com uma agulha grossa. Cerca de 1 % a 2 % das pessoas morrem durante a angioplastia e de 3 % a 5 % sofrem de enfartes não mortais. A cirurgia de derivação é o tratamento preferido quando um doente sofre de angina grave e não obteve nenhum benefício do tratamento farmacológico.Cirurgia de derivação (bypass) das artérias coronárias: este tipo de cirurgia. A intervenção cirúrgica consiste em ligar um pedaço de veia (enxerto) ou de artéria desde a aorta (a artéria principal que leva o sangue do coração para o resto do organismo) até à artéria coronária. Os cirurgiões também utilizam. Para manter aberta a artéria depois da angioplastia. Entre 80 % e 90 % das artérias obstruídas em que se consegue situar o globo correctamente elimina-se a obstrução. até chegar à aorta e finalmente até ao interior da artéria coronária obstruída. grau de calcificação ou outras características. especialmente naquelas que sofrem de uma doença grave.

todas estas técnicas. As dietas influem no valor do colestrol total e. que nos últimos anos se foi estendendo a outros países. sobre o risco de coronariopatia. Actualmente. A diminuição das concentrações de colestrol total e do colestrol «mau» retarda ou reverte o desenvolvimento da . fibrosas e calcificadas. introduz-se no sistema arterial um cateter com um balão numa extremidade e dirige-se para o interior da artéria coronária obstruída.nbsp. por exemplo. Angioplastia Através da punção de uma das grandes artérias (geralmente a artéria femoral). é necessário modificar os factores de risco. enche-se o balão para comprimir a placa contra a parede arterial e. No entanto. Em seguida. uma vez que não curam a doença subjacente. são somente medidas mecânicas para corrigir o problema imediato. como o uso de dispositivos para reduzir de tamanho as obstruções grossas. aumenta os níveis de colestrol total. dilatar a veia. estão a ser experimentadas diversas técnicas para extirpar os ateromas. deste modo. o tempo de restabelecimento foi mais breve depois da angioplastia e os riscos de morte e de enfarte permaneceram quase iguais durante os dois anos do estudo. Para melhorar o prognóstico de uma forma global. Uma alteração da dieta (e tomar fármacos quando o médico os prescrever) pode reduzir os valores do colestrol. como consequência. Cirurgia de derivação coronária (bypass coronário) &amp.compara estas duas técnicas. A dieta de tipo norte-americano habitual. Colestrol e doenças das artérias coronárias O risco de doença das artérias coronárias (coronariopatia) é maior quando são mais elevadas as concentrações de colestrol total e de colestrol de lipoproteínas de baixa densidade (colestrol LDL: denominado «mau» colestrol). O risco de coronariopatia diminui com concentrações mais elevadas de colestrol de lipoproteínas de alta densidade (colestrol HDL: denominado «bom»). incluindo a cirurgia de bypass e a angioplastia.

Os benefícios da diminuição dos níveis de colestrol «mau» são maiores nos doentes que têm outros factores de risco de coronariopatia. não pode funcionar e é provável que se verifique uma incapacidade grave ou a morte. que se desprende e se fixa numa artéria coronária. obesidade. o que provoca a formação de um coágulo. Se o fornecimento é interrompido ou reduzido significativamente durante mais do que alguns minutos. forma-se no coração um coágulo (êmbolo). Dor precordial: possíveis pontos de irradiação da dor . Mas neste capítulo. altos valores de triglicéridos. Enfarte agudo do miocárdio O enfarte agudo do miocárdio é uma urgência médica na qual parte do fluxo sanguíneo que chega ao coração se vê reduzida ou interrompida de maneira brusca e grave e. o coração se dilata. hábitos sedentários. perder pesa e fazer mais exercício diminuem o risco de coronariopatia. como pressão arterial elevada. baixar a pressão arterial. Geralmente. mas às vezes a causa é desconhecida. mas também faz com que as plaquetas se tornem mais aderentes e isso aumenta ainda mais a formação de coágulos. A capacidade do coração para continuar a bombear depois de um ataque cardíaco depende directamente da extensão e da localização do tecido lesionado (enfarte). Devido ao facto de cada artéria coronária alimentar uma determinada secção do coração. o coração pode não ser capaz de bombear adequadamente. uma insuficiência cardíaca ou um choque (que é um quadro ainda mais grave). Uma causa não frequente de enfarte é um coágulo que provenha do próprio coração. O coração lesionado pode dilatar-se. Algumas pessoas usam o termo «ataque cardíaco» de uma forma ampla. geralmente. Causas O enfarte agudo de miocárdio ocorre geralmente quando a obstrução de uma artéria coronária restringe gravemente ou interrompe o fornecimento de sangue a uma região do coração. Mesmo quando a lesão é menos extensa. o tecido cardíaco é destruído. O ateroma rebentado não só diminui o fluxo de sangue através de uma artéria. A causa mais frequente de obstrução de uma artéria coronária é um coágulo sanguíneo. como consequência. aplicando-o a outras doenças cardíacas. o coração. O aumento de volume pode também reflectir a própria lesão do músculo cardíaco. a artéria já está parcialmente estreitada por ateromas. depois de um enfarte. Deixar de fumar. produz-se uma destruição (morte) do músculo cardíaco (miocárdio) por falta de oxigénio. produz-se. Se a lesão afecta mais de metade do tecido cardíaco. a localização da lesão depende da artéria obstruída. Quando. tabagismo.coronariopatia. em parte para compensar a diminuição da capacidade de bombeamento (um coração maior bate mais energicamente). Às vezes. o prognóstico é pior do que quando o coração conserva o seu tamanho normal. Um ateroma pode rebentar ou rasgar-se e criar mais obstrução. Outra causa não frequente é um espasmo de uma artéria coronária que interrompa o fluxo sanguíneo. o termo refere-se especificamente a um enfarte do miocárdio. então. predisposição genética e esteróides masculinos (androgénios). Os espasmos podem ser causados por drogas como a cocaína ou pelo consumo de tabaco.

uma fractura de costela. Mas vários outros quadros podem produzir uma dor semelhante: uma pneumonia. Durante um enfarte. capítulo 15) e (Ver imagem da secção 3. O ECG é o exame diagnóstico inicial mais importante quando se suspeita de um enfarte agudo de miocárdio. No caso de perturbações cardíacas prévias que tenham alterado o ECG. a lesão em curso será mais difícil de detectar.Sintomas Aproximadamente duas em cada três pessoas que têm enfarte referem ter tido angina de peito intermitente. o diagnóstico de enfarte em algumas horas. suado. A dor pode aparecer numa ou em várias destas localizações e. Apesar de todos estes possíveis sintomas. habitualmente. A dor de um enfarte é semelhante à da angina de peito. uma em cada cinco pessoas que sofrem um enfarte até têm sintomas ligeiros ou mesmo absolutamente nenhum. sobretudo porque o arroto pode aliviá-la de forma parcial ou transitória. com menor frequência. Também pode observar-se desorientação nos idosos. Um ECG (Ver secção 2. é . conduzindo à perda de consciência ou à morte. mais intensa. a possibilidade de um enfarte. podem ver-se diferentes anomalias no ECG. inclusive com um esforço físico cada vez menor. Segundo o tamanho e a localização da lesão do músculo cardíaco. dura mais tempo e não se acalma com o repouso ou com a administração de nitroglicerina. o médico considera. a inflamação da membrana que rodeia o coração (pericardite). mas é. Com menos frequência. de um modo geral. Se vários ECG efectuados no decorrer de várias horas forem normais. Em muitos casos. ao maxilar. o doente pode sentir-se inquieto. Há casos em que os lábios. Os episódios de dor podem tornar-se mais frequentes. capítulo 15) e certas análises de sangue confirmam. dispneia ou fadiga poucos dias antes. as mãos ou os pés se tornam ligeiramente azuis (cianose). pelo contrário. A angina instável pode acabar num enfarte. o sintoma mais típico é a dor no meio do peito que se estende às costas. ao braço esquerdo ou. geralmente. uma indigestão ou dor nos músculos do peito depois de uma lesão ou de um esforço. ao efectuar-se um electrocardiograma (ECG) por qualquer outro motivo. ansioso e experimentar uma sensação de morte iminente. um coágulo no pulmão (embolia pulmonar). ao braço direito. Os batimentos irregulares (arritmias) podem interferir gravemente com a capacidade de bombeamento do coração ou provocar a interrupção do mesmo (paragem cardíaca). a dor sente-se no abdómen e pode confundir-se com uma indigestão. Diagnóstico Quando um homem com mais de 35 anos ou uma mulher com mais de 50 apresentam uma dor no peito. mostra imediatamente que uma pessoa está a ter um enfarte. De um modo geral. Outros sintomas incluem uma sensação de desfalecimento e de um forte martelar do coração. não no peito. um espasmo do esófago. Pode acontecer que este enfarte silencioso só seja detectado algum tempo depois.

a pressão arterial e o oxigénio no sangue são atentamente vigiados para avaliar o grau de dano ao coração. hipertensão grave. podem aumentar a eficácia do tratamento trombolítico. este compreende a utilização de fármacos como a estreptoquinase. embora algumas análises de sangue e outros exames possam ajudar a determinar o diagnóstico. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento. A aspirina. geralmente. De modo geral. ou a heparina. algumas lesões já são permanentes. que também interrompe a coagulação. administra-se oxigénio através de uma máscara ou de um tubo com as extremidades introduzidas nas fossas nasais. o que sugere uma lesão por enfarte. O tratamento precoce aumenta o fluxo de sangue em 60 % a 80 % dos casos e permite que a lesão do tecido cardíaco seja mínima. O pessoal de enfermaria destas unidades está especialmente treinado para assistir os doentes com perturbações cardíacas e para tratar as urgências cardíacas. Depois deste tempo. Devido ao facto de a diminuição do trabalho do coração contribuir também para limitar a lesão. não se administra. administra-se um betabloqueador para retardar a frequência cardíaca e. O enzima CK-MB encontra-se normalmente no músculo cardíaco e. A frequência cardíaca. ao mesmo tempo. a uroquinase ou o activador tecidular do plasminógeno. pode efectuar-se um ecocardiograma ou um estudo radioisotópico. Qualquer pessoa que tenha sintomas que sugiram um enfarte deverá consultar um médico imediatamente. Tratamento Um enfarte agudo do miocárdio é uma urgência médica. o que proporciona mais oxigénio ao coração e permite que a lesão do tecido cardíaco seja limitada o mais possível. de imediato um comprimido mastigável de aspirina. quando este se lesiona. Metade das mortes por enfarte ocorrem nas primeiras 3 ou 4 horas após o começo dos sintomas. é libertado para o sangue. . maiores serão as probabilidades de sobrevivência. pode salvar-se o tecido cardíaco. As pessoas de idade avançada que não sofrem de nenhuma destas afecções também podem submeter-se com segurança a este tratamento. Quando o ECG e a determinação de CK-MB não proporcionam informação suficiente. Os ecocardiogramas podem mostrar uma redução da mobilidade de uma parte da parede ventricular esquerda (a cavidade do coração que bombeia o sangue para o corpo). conseguir que o coração tenha de se esforçar menos para bombear o sangue para todo o organismo. Esta terapia aumenta as probabilidades de sobrevivência ao reduzir o coágulo na artéria coronária. Tratamento inicial Administra-se. e por isso a reperfusão da artéria provavelmente já não será útil. um icto recente ou às que se submeteram a uma operação cirúrgica durante o mês anterior ao enfarte. Para conseguir este objectivo. Para serem eficazes. A medição das concentrações de certos enzimas no sangue é útil para diagnosticar um enfarte. a dissolução dos coágulos sanguíneos numa artéria através de um tratamento trombolítico. amiudadas vezes. Muitas vezes. Esta terapia aumenta a pressão do oxigénio no sangue. Devido ao facto de a terapia trombolítica poder causar hemorragias.improvável que se trate de um enfarte. Às 6 horas de um enfarte já se detectam concentrações elevadas no sangue e persistem durante um período de 36 a 48 horas. que evita que as plaquetas formem coágulos sanguíneos. geralmente. As concentrações deste enzima determinam-se no momento da entrada no hospital e depois durante 6 a 8 horas durante as 24 horas seguintes. o que sugere a existência de uma cicatriz (tecido morto) causada por um enfarte. a pessoa com um presumível enfarte costuma entrar num hospital equipado com uma unidade coronária. Se se eliminar a obstrução da artéria coronária rapidamente. os fármacos devem ser administrados por via endovenosa nas primeiras 6 horas a partir do início dos sintomas de enfarte. às pessoas que têm hemorragia gastrointestinal. As imagens com isótopos radioactivos podem evidenciar uma redução persistente do fluxo de sangue numa região do músculo cardíaco. tenta-se.

Por exemplo. se se tiver de controlar a quantidade de urina produzida. geralmente. em vez de administrarem fármacos trombolíticos. Prognóstico e prevenção As pessoas que sobrevivem alguns dias após um enfarte. As visitas costumam limitar-se a membros da família e amigos íntimos. estes medicamentos administram-se sistematicamente aos doentes poucos dias depois do enfarte. Dado que um grande nervosismo pode aumentar a actividade do coração. Este fármaco tem um efeito calmante e reduz o trabalho do coração. a pessoa que acaba de ter um enfarte deverá ficar na cama num quarto tranquilo durante alguns dias. Por conseguinte. nos primeiros 3 ou 4 meses. o pessoal de enfermaria e os assistentes sociais. Uma prova de esforço (na qual o doente corre sobre um passadeira rolante enquanto se regista um ECG) (Ver tabela da secção 2. Tratamento posterior Devido ao facto de a excitação. Após um enfarte de miocárdio. habitualmente. Pode ver-se televisão sempre e quando os programas não provocar stress. muitos médicos aconselham que se tome um comprimido de aspirina infantil. Uma vez que a aspirina evita que as plaquetas formem coágulos.Alguns centros especializados no tratamento cardiovascular utilizam a angioplastia ou a cirurgia de derivação (bypass) das artérias coronárias imediatamente depois do enfarte. Quanto mais grave é o enfarte. Além disso. Os enemas intestinais e os laxantes suaves podem utilizar-se para evitar a obstipação. é administrada por via endovenosa. pode utilizar-se um monitor Holter para registar um ECG durante 24 horas. com o qual o médico poderá detectar se se produzem arritmias ou episódios de isquemia silenciosa. podem esperar um restabelecimento completo. Se os fármacos utilizados para aumentar o fluxo sanguíneo das artérias coronárias não aliviam também a dor e o mal-estar do doente. Os fármacos denominados inibidores do enzima conversor da angiotensina (ECA) podem reduzir o aumento do tamanho do coração em muitos doentes que sofrem de enfarte. capítulo 15) antes ou pouco depois da alta do hospital pode contribuir para determinar o estado do coração após o enfarte e se a isquemia continua. As pessoas com alergia à aspirina podem tomar ticlopidina. é conveniente que os doentes e os seus familiares e amigos falem de tudo o que os preocupa com os médicos. No entanto. Para fazer frente a uma depressão ligeira e a uma negação da doença. Se estes exames revelarem a presença de arritmias ou de isquemia. podem levar-se a cabo alguns exames. A nitroglicerina pode acalmar a dor. pode efectuar-se uma arteriografia coronária para avaliar a possibilidade de uma angioplastia ou de uma operação de derivação (bypass) para restabelecer o fluxo sanguíneo no coração. utiliza-se uma sonda vesical. Dado que fumar é o principal factor de risco para a doença das artérias coronárias e o enfarte. Se a isquemia persistir. embora 10 % faleçam antes de decorrer um ano. Também se prescrevem betabloqueadores porque diminuem o risco de morte em 25 %. em quase todos os hospitais é proibido fumar e em especial nas unidades coronárias. injecta-se morfina. um enfarte é uma razão convincente para abandonar esse hábito. o esforço físico e o mal-estar emocional submeterem o coração ao stress e fazerem-no trabalhar mais intensamente. metade de um comprimido para adultos ou um comprimido completo para adultos. Se a pessoa não puder urinar ou. algumas pessoas não toleram os efeitos secundários e tão-pouco se obtêm efeitos benéficos . então. reduz também o risco de morte e o risco de um segundo enfarte em 15 % a 30 %. tipicamente em doentes que continuam a ter angina de peito. arritmias ventriculares e insuficiência cardíaca. ao reduzir o trabalho do coração. As mortes verificamse. geralmente. que são frequentes depois de se sofrer um enfarte. é aconselhável um tratamento farmacológico. Para avaliar se uma pessoa terá mais perturbações cardíacas no futuro ou se necessitará de um tratamento adicional. mais benefícios se obterão da administração destes fármacos. num primeiro momento. pode administrar-se um tranquilizante fraco. O nervosismo e a depressão são frequentes após um enfarte.

as actividades normais podem ser retomadas completamente ao fim de 6 semanas. arritmias (ver pág. Complicações do enfarte agudo do miocárdio: Uma pessoa que sofre um enfarte pode experimentar alguma das complicações seguintes: ruptura do miocárdio.78) ou pericardite(ver pág. às vezes rompe-se pela pressão da própria actividade do coração ao contrair-se. Há duas partes do coração particularmente susceptíveis de ruptura durante e depois de um enfarte: a parede do músculo cardíaco e os músculos que controlam a abertura e o fecho da válvula mitral.68). no fim de uma semana ou antes é dada alta aos doentes. os doentes com um enfarte. as da parede externa têm quase sempre um desenlase mortal rápido. O músculo danificado é substituído por um tecido fibroso (cicatriz) que se contrai muito pouco ou não se contrai de todo. parte da parede cardíaca expande-se ou sobressai quando deveria contrairse. controlar a pressão arterial. geralmente. A maioria pode retomar a actividade sexual sem perigo uma ou duas semanas depois de ter alta. sentar-se. reduzir o peso. Depois de um enfarte do coração.112). sobretudo aqueles que o doente pode mudar. mas podem causar episódios de arritmia . paulatinamente. melhoram progressivamente e podem. a válvula não pode funcionar e o resultado é uma insuficiência cardíaca grave e repentina. Embora se possa suspeitar de um aneurisma a partir dos resultados anómalos de um electrocardiograma (ECG). caminhar até ao banho e fazer trabalhos leves e ler. fazer exercícios passivos. Ruptura do miocárdio Devido à debilidade do músculo cardíaco lesionado. é necessário um ecocardiograma para confirmar o diagnóstico. a actividade. mesmo quando não tenha sido lacerado ou rompido. O repouso na cama durante mais de 2 ou 3 dias provoca uma deterioração física rápida e às vezes depressão e uma sensação de desamparo. O músculo danificado pode converter-se numa leve protuberância (aneurisma) na parede cardíaca.em todos os casos. o choque (ver pág. a pessoa deverá aumentar. passados dois ou três dias. Deixar de fumar. Embora as rupturas do septo possam ser reparadas cirurgicamente. Salvo complicações. Se estes músculos se rompem. Nas 3 a 6 semanas seguintes. Os inibidores do enzima de conversão da angiotensina (ECA) reduzem a extensão destas zonas anormais. Se não se verificarem dispneia nem dor no peito. Uma perturbação mais frequente é a contracção inadequada do músculo cardíaco lesionado por um enfarte. coágulos sanguíneos. O músculo cardíaco pode romper-se na parede que separa os dois ventrículos (septo ou septum) ou na parede cardíaca externa. o médico e o doente deverão falar sobre os factores de risco que contribuem para a doença das artérias coronárias. Estes aneurismas não se rompem. insuficiência cardíaca (ver pág. 106). Por vezes. Geralmente. A reabilitação A reabilitação cardíaca é uma parte importante do restabelecimento. reduzir os valores sanguíneos do colesterol com uma dieta ou com medicamentação e efectuar exercícios aeróbicos diariamente são medidas que diminuem o risco de sofrer de uma doença das artérias coronárias.

aterosclerose. as partes do organismo que ela irriga recebem um fluxo sanguíneo insuficiente. Uma vez que o sangue flui mais lentamente através dos aneurismas. habitualmente. fixar-se nos pequenos vasos sanguíneos por todo o corpo e. icto e insuficiência renal).Coágulos sanguíneos e diminuir a capacidade de bombeamento do coração. . anticoagulantes como a heparina e a varfarina para evitar a formação do coágulo. a doença de Raynaud e a acrocianose. arritmias. Habitualmente. continua-se o tratamento durante 3 a 6 meses depois do enfarte agudo miocárdio. As pessoas com a doença arterial periférica têm. obstruir o fornecimento de sangue a uma parte do cérebro (causando um icto) ou a outros orgãos. que afecta a aorta abdominal e os seus ramos principais. Obstrução da irrigação intestinal A artéria mesentérica superior irriga grande parte do intestino. uma doença na qual a gordura se acumula por baixo do revestimento da parede arterial e estreita gradualmente a artéria. Administram-se. que pode provocar um enfarte (Ver secção 3. e por isso um tratamento adequado da mesma pode retardar o desenvolvimento da doença arterial. Doenças das artérias periféricas A doença arterial oclusiva inclui a doença das artérias coronárias. Em cerca de 5% dos afectados. Para ajudar a prevenir a doença arterial periférica. (Ver secção 3. a hipertensão e os valores altos de colesterol. podem desprender-se partes desses coágulos. insuficiência cardíaca. Quando esta artéria se obstrui. como o hábito de fumar. deslocar-se pelas artérias. uma oclusão arterial parcial ou completa pode ser o resultado de outras causas. capítulo 27). por consequência. a obesidade. capítulo 26) No entanto. deve reduzir-se o número de factores de risco da aterosclorose. Uma vez que a doença arterial periférica se manifeste. angina de peito. Quando se processa o estreitamento de uma artéria. A consequente diminuição da provisão de oxigénio (isquemia) pode manifestar-se subitamente (isquemia aguda) ou de forma gradual (isquemia crónica). assim como as artérias das pernas. e a doença arterial periférica. capítulo 27) Outra das causas principais de doença arterial periférica é a diabetes. o objectivo principal é o tratamento das complicações (cãibras nas pernas ao caminhar. Um ecocardiograma pode detectar coágulos que se estão a formar no coração ou facilitar a avaliação dos factores de predisposição. podem formar-se coágulos sanguíneos nas cavidades cardíacas. (Ver secção 3. enfarte. com uma zona do ventrículo esquerdo cuja contracção seja pouco eficaz. frequentemente. Outras doenças vasculares periféricas são a doença de Buerger. o tecido intestinal inicia um processo de degenerescência até se destruir. como um coágulo sanguíneo. Formam-se coágulos no coração em 20% a 60% dos casos de enfarte.

quando se forma um coágulo (trombose) numa artéria estreitada ou quando se rompe a parede arterial (dissecção aórtica). Inicialmente. não se escuta nenhum. Quando um coágulo se fixa numa das artérias renais. existe uma má absorção de nutrientes e. Uma pessoa com esta obstrução fica gravemente doente. Mais tarde. embora no início possa acontecer que só se detecte com análises laboratoriais.Aorta abdominal e seus ramos A obstrução da aorta abdominal e dos seus principais ramos pode ser súbita ou gradual. o ramo principal da aorta abdominal que alimenta grande parte do intestino. com dores abdominais intensas. diminui a pressão arterial e a pessoa sofre um choque ao mesmo tempo que o intestino gangrena. geralmente. O abdómen pode estar levemente distendido. centra-se no umbigo. dor depois de comer. agrava-se ainda mais a perda de peso. No início. é consequência de um crescimento anómalo de músculo na parede arterial ou da pressão a partir de fora feita por uma massa que esteja a crescer como um tumor. tipicamente. ao cabo de 30 a 60 minutos. Embora o abdómen possa ser sensível à pressão quando o médico o examina. O estreitamento gradual da artéria mesentérica superior causa. mas em seguida as fezes aparecem ensanguentadas. a qual é generalizada e vaga. os vasos que alimentam os rins. por isso. A dor é constante. Devido ao reduzido fornecimento de sangue. geralmente. podendo. Pode aparecer sangue nas fezes. com o fonendoscópio. A dor faz com que os doentes tenham medo de comer. regista-se uma dor súbita nas costas e a urina torna-se ensanguentada. Uma obstrução súbita e completa. auscultam-se menos sons intestinais do que o normal. aparecem habitualmente vómitos e evacuações diarreicas com carácter imperioso. A obstrução gradual das artérias de um ou de ambos os rins é o resultado da aterosclerose e pode provocar hipertensão (hipertensão . é uma urgência médica. Por último. ocorre quando um coágulo transportado pela corrente sanguínea se incrusta numa artéria (embolia). Sintomas Uma obstrução súbita e completa da artéria mesentérica superior. porque a digestão requer um aumento do fluxo de sangue ao intestino. forte e. perder peso consideravelmente. portanto. Uma obstrução que se desenvolve gradualmente costuma ser o resultado da aterosclerose. com menor frequência. habitualmente a dor abdominal intensa é pior que a sensibilidade à pressão.

a fim de planificar a intervenção cirúrgica. as quais se podem tornar insensíveis. Quando o estreitamento gradual ocorre na aorta inferior ou numa das artérias ilíacas. pode praticar-se uma intervenção cirúrgica urgente inclusive sem radiografias prévias. que constitui 5 % de todos os casos de pressão arterial elevada.renovascular). capítulo 15) e (Ver secção 3. pálidas e frias. Artérias da perna Tratamento A sobrevivência depois de uma obstrução repentina da artéria mesentérica superior e a salvação do intestino dependem da rapidez com que se restabeleça o fornecimento de sangue. mas só uma intervenção cirúrgica é capaz de eliminar a obstrução. a nitroglicerina pode aliviar a dor abdominal. que se tornam doridas. Nos homens é frequente a impotência quando existe um estreitamento da aorta inferior ou de ambas as artérias ilíacas. Numa obstrução gradual da corrente sanguínea para o intestino. Se a artéria mesentérica superior estiver obstruída. Quando a aorta inferior se obstrui no ponto onde se divide em dois ramos (artérias ilíacas) que passam pela bacia para levar o sangue às pernas. Não se sente o pulso nas pernas. assim como debilidade ou falta de pulso abaixo da obstrução. subitamente aparece dor nestas. Para determinar a extensão da obstrução e o ponto exacto da mesma. aparece uma dor típica nas barrigas das pernas ao andar. os médicos baseiam-se na ecografia Doppler (que utiliza utra-sons) e na angiografia. (Ver secção 3. só a cirurgia imediata pode restabelecer o fornecimento de sangue com rapidez bastante para salvar a vida do doente. Se se verificar na artéria que começa na virilha e desce pela perna até ao joelho (artéria femoral). nas ancas e nas barrigas das pernas ao caminhar. capítulo 16) . Para ganhar um tempo precioso. a pessoa sente cansaço muscular ou dor nas nádegas.

às vezes. Por isso mesmo. antes que a dor recomece. que alimentam o fígado e o baço.Os coágulos sanguíneos nas artérias hepática e esplénica. Para sentir algum alívio. Finalmente. mas a cirurgia costuma ser mais eficaz. À medida que a obstrução se agrava. Palpação dos pulsos femorais Artérias das pernas e dos braços Quando se verifica um estreitamento gradual de uma artéria das pernas. Uma intervenção cirúrgica urgente pode eliminar uma obstrução repentina da aorta inferior no ponto onde ela se divide nos dois ramos que levam o sangue às pernas. Às vezes. na parte inferior da perna. sobretudo depois de uma ferida. conforme a localização do estreitamento. os médicos podem dissolver o coágulo injectando um fármaco trombolítico. formam-se úlceras. há ocasiões em que pode utilizar-se a angioplastia (um procedimento no qual se introduz um pequeno balão na artéria que depois se enche para eliminar a obstrução). é a denominada claudicação intermitente. Muitas vezes impede o sono. na coxa. arrefece e fica entorpecido. A perna ou o braço tornam-se pálidos ou azulados (cianóticos) e não se consegue sentir o pulso abaixo da obstrução. mas também pode aparecer no pé. a distância que se pode caminhar sem sentir dor torna-se mais curta. a dor localizase na barriga da perna. No caso de uma obstrução gradual de uma artéria renal. é intensa e persistente e agrava-se quando se levanta a perna. O pé. mas geralmente a obstrução tem de ser extirpada através de uma intervenção cirúrgica ou então há que fazer-se uma cirurgia de derivação (bypass). Observa-se secura e descamação cutânea. a pessoa pode voltar a caminhar a mesma distância que percorrera. a pessoa pode deixar os pés suspensos da borda da cama ou então sentar-se com as pernas pendentes. não são tão perigosos como as obstruções da alimentação sanguínea ao intestino. o sintoma principal é uma sensação dolorosa. Mesmo quando uma obstrução causa uma lesão a alguma parte do fígado ou do baço. À medida que a doença se agrava. Quando há uma obstrução súbita e completa da artéria de um braço ou de uma perna. e pode aliviar-se com o repouso. aparece uma dor intensa. como a uroquinase.inicia-se na parte inferior da perna ou no pé. Uma obstrução grave pode causar a morte dos tecidos (gangrena). Geralmente. assim como um crescimento defeituoso das unhas e dos pêlos. só em raras ocasiões é necessária a cirurgia para corrigir o problema. na anca ou nas nádegas. passados entre 1 a 5 minutos depois de se sentar ou de estar de pé. O mesmo tipo de dor durante um esforço também pode aparecer num braço quando existir um estreitamento da artéria que leva o sangue ao mesmo. a perna pode emagrecer. tipicamente nos dedos dos pés ou nos calcanhares e. Habitualmente. cãibras ou cansaço nos músculos da perna com a actividade física. habitualmente. a claudicação aparece inclusive em repouso. com um afluxo de sangue acentuadamente diminuído. Os músculos doem ao caminhar e a dor aumenta rapidamente e torna-se mais intensa ao caminhar depressa ou por uma ladeira acima. Diagnóstico . A dor. A extirpação rápida de um coágulo de uma artéria renal pode restabelecer a função renal. frialdade e entorpecimento.

O diagnóstico pode confirmar-se através de alguns exames. injecta-se na artéria uma solução opaca aos raios X. caminhando comodamente. Na angiografia. porque o doente tem de permanecer deitado e imóvel numa mesa de radiologia. Muitas vezes. mas pode ser algo incómodo. Podem também ser de utilidade os antagonistas do cálcio ou a aspirina. sempre que seja possível. (Ver secção 3. que ajudam os que sofrem obstrução das artérias coronárias. aumentar-se a distância percorrida. 90 % da pressão do braço. habitualmente. Em seguida. (Ver imagem da secção 3. As pessoas com obstruções não deveriam fumar em absoluto. deveriam interromper o exercício e caminhar novamente quando ela desaparecer. para aumentar a distribuição do oxigénio aos músculos. utiliza-se. costuma administar-se heparina para evitar a formação de coágulos sanguíneos na zona . capítulo 16) No seguimento da angiografia pode efectuar-se uma angioplastia para desobstruir a artéria. qualquer úlcera deve manter-se limpa. A cura pode tardar semanas ou inclusive meses. em vez da angiografia. Por outro lado. O fluxo sanguíneo da perna pode ser avaliado de diversas maneiras. com frequência.A suspeita de uma obstrução de uma artéria baseia-se nos sintomas que o doente descreve e na diminuição ou ausência de pulso abaixo de um certo ponto da perna. capítulo 27) A angioplastia. Também é útil elevar a cabeceira da cama com blocos de 10 cm a 15 cm para aumentar a irrigação sanguínea das pernas. Angioplastia Os médicos efectuam. Os betabloqueadores. Como norma geral. a pressão do tornozelo é. mas quando o estreitamento é grave pode ser menos de 50 %. capítulo 15) Na técnica Doppler com cor. Na ecografia Doppler (que utiliza ultrasons). pode. coloca-se um receptor sobre a pele acima da obstrução e o som do fluxo sanguíneo indica o grau da mesma. lavar-se diariamente com um sabão suave ou uma solução salina e cobrir-se com ligaduras limpas e secas. Através deste procedimento. qualquer pessoal com má circulação nos pés ou com diabetes deverá consultar um médico se uma úlcera no pé não se curar num período de 7 dias. obtém-se uma imagem da artéria que mostra as diferentes velocidades do fluxo em diversas cores. agravam por vezes os sintomas nas pessoas com uma obstrução das artérias das pernas. talvez porque o exercício melhora a função muscular e provoca o aumento de tamanho dos outros vasos sanguíneos que alimentam os músculos. como a pentoxifilina. ao retardar a frequência do ritmo do coração e ao reduzir assim as suas necessidades de oxigénio. que é dura. A angiosplastia consiste na colocação de um cateter com um pequeno balão na sua extremidade dentro da parte estreitada da artéria e depois enche-se o balão para eliminar (romper) a obstrução. o diâmetro da artéria e qualquer obstrução possível. podem administrar-se fármacos. Administra-se um sedativo suave. pelo menos. ainda mais sofisticada. requer só um ou dois dias no hospital e evita intervenções cirúrgicas de maior envergadura. fazem-se radiografias para verificar o grau de fluxo sanguíneo. mas não uma anestesia geral. Cuidados com o pé O objectivo do cuidado com os pés é proteger a sua circulação e evitar as complicações derivadas de uma circulação diminuída. Normalmente. Quando sentem dor. como seja comparando a pressão arterial do tornozelo com a do braço. aconselha geralmente a tomar antibióticos por via oral. habitualmente. sempre que possível. Dado que não se necessita de efectuar qualquer injecção. Os diabéticos devem controlar o melhor possível as concentrações de açúcar no sangue. Tratamento As pessoas com claudicação intermitente deveriam caminhar pelo menos durante 30 minutos por dia. Uma pessoa com uma úlcera no pé pode necessitar de repouso completo e da elevação da cabeceira da cama. Depois da dilatação. o médico prescreve um creme com antibiótico e. Deste modo. O procedimento não causa dor. (Ver secção 3. se a úlcera infectar. As úlceras nos pés necessitam de um cuidado meticuloso para prevenir as deteriorações subsequentes que poderão tornar necessária uma amputação. uma angiosplastia imediatamente depois da angiografia.

Outro método é extirpar o fragmento obstruído ou estreitado e inserir um enxerto no seu lugar. como a aspirina. na qual se coloca um enxerto artificial (um tubo feito de material sintético) ou uma veia proveniente de outra parte do corpo. diariamente. Nenhum destes dispositivos demonstrou uma eficácia maior em relação aos outros. para a pele seca. aconselha-se que se sigam as normas e as precauções seguintes: Inspecção diária dos pés para detectar gretas. Um cirurgião vascular. os cirurgiões cortam a menor parte possível da perna.tratada. a secção (corte) dos nervos próximos da obstrução (uma operação denominada simpatectomia) previne os espasmos da artéria e pode ser muito útil em alguns casos. se for de um comprimento considerável ou se a artéria estiver toda ela muito endurecida. de tal modo que comunique a parte superior da artéria obstruída com a parte inferior à obstrução. para evitar a coagulação. seccionadores mecânicos. calos e tumefacções. para facilitar o uso posterior de uma prótese. Usar um lubrificante. como o laser. às vezes. pode utilizar-se a ecografia. cura as úlceras e evita a amputação. Derivação iliofemoral Cirurgia A cirurgia alivia com muita frequência os sintomas. Além do cateter com balão. pode extrair um coágulo se só houver uma pequena zona obstruída. Como medida alternativa. malhas extensíveis intravasculares e polidoras rotativas. aliviar uma dor atroz ou interromper uma gangrena que se agrava. pode ser necessária uma intervenção cirurgicamente urgente. Para controlar o resultado do procedimento e assegurar-se de que o estreitamento não se verifique de novo. Às vezes. A angioplastia não pode efectuar-se se o estreitamento afectar muitos segmentos da artéria. . Quando é necessário efectuar uma amputação para suprimir os tecidos infectados. Se se formar um coágulo sanguíneo na zona estreitada. Muitos médicos preferem dar aos doentes um fármaco antiplaquetário. Lavar os pés. com água morna e sabão suave e secá-los com suavidade e completamente. como a lanolina. cateteres com ultra-sons. se se desprender um fragmento de coágulo e ele obstruir uma artéria mais distante. Cuidados com o pé Quando a irrigação sanguínea dos pés é insuficiente. se se produzir um derrame dentro do revestimento da artéria que sobressaia e interrompa o fluxo sanguíneo ou se aparecerem hemorragias (pela heparina administrada para evitar a coagulação). feridas. utilizam-se outros dispositivos para aliviar obstruções. pode levar a cabo uma cirurgia de derivação (bypass).

Usar peúgas de lã folgadas para menter os pés quentes. Não utilizar ligaduras apertadas ou meias com coses elásticos que apertem. Usar sapatos que calcem bem e tenham um espaço amplo para os dedos. ver com o ortopedista se são necessários sapatos especiais. Só cerca de 5 % dos doentes são mulheres. as lesões por calor ou por frio. o processo agravar-se-á de forma inexorável e. até que. fumadores homens entre os 20 e os 40 anos. A ecografia Doppler revela uma grave diminuição da pressão do sangue e do fluxo sanguíneo nos pés. iniciam-se nas cabeças dos dedos das mãos ou dos pés e progridem pelos braços ou pelas pernas acima. Devido ao facto de só um pequeno número de fumadores contrair a doença de Buerger. mas raramente nas mãos. de forma predominante. Não utilizar adesivos nem substâncias químicas ásperas. Cerca de 40 % das pessoas com esta doença também têm episódios de inflamação nas veias. Esta doença afecta. caso contrário. O como e o porquê de o facto de fumar cigarros ser a causa do problema continua a ser uma incógnita. nas mãos e nos dedos afectados. julga-se que existe algum factor que os deve tornar mais propensos. Sintomas Os sintomas de um fornecimento reduzido de sangue aos braços ou às pernas aparecem de forma gradual. a dor é mais intensa e mais persistente. A mão ou o pé sentem-se frios. Tratamento Uma pessoa com a doença de Buerger deve deixar de fumar. Não utilizar sacos de água quente nem almofadas eléctricas.Aplicar pó de talco ou pó inerte para os manter secos. Nota-se frio. por uma inflamação causada pelo hábito de fumar. diariamente. existe uma sudação excessiva e tornam-se de cor azulada. provavelmente porque os nervos reagem à dor intensa e persistente. causam gangrena. aparecer úlceras na pele e gangrena num ou mais dedos da mão ou do pé. só os fumadores a contraem e. as mãos. é característico o aparecimento precoce de úlceras. Podem. particularmente as veias superficiais e as artérias dos pés ou das pernas. As angiografias (radiografias das artérias) mostram artérias obstruídas e outras anomalias da circulação. Não usar sapatos abertos nem caminhar descalço. assim. Cortar as unhas rentes e sem que fiquem demasiado curtas (solicitar os serviços de um pedicuro quando for necessário). Embora se desconheça a causa da doença de Buerger. entorpecimento. No caso de deformação do pé. Também deve evitar a exposição ao frio. capítulo 28) a cãibras musculares. formigueiro ou ardor antes que se observe qualquer outro sinal. Com frequência. ou substâncias como o iodo ou os ácidos usados para tratar calos e calosidades. finalmente. o pulso está fraco ou ausente numa ou mais artérias dos pés ou dos pulsos. Diagnóstico Em mais de 50 % dos casos. agravam-na. Os calos e as tumefacções devem ser tratadas por um pedicuro. Doença de Buerger A doença de Buerger (tromboangeíte obliterante) é a obstrução das artérias e das veias de pequeno e de médio calibre. finalmente. gangrena ou ambas simultaneamente. À medida que a obstrução se torna mais grave. Muitas vezes. as peúgas ou meias e os sapatos com frequência. Por outro lado. será necessária uma amputação. se continuarem a fumar. Mudar. braços ou coxas. sobretudo nas mãos e nos pés. as lesões provocadas pelo calçado mais apertado ou por uma pequena cirurgia . associa-se o fenómeno de Raynaud (Ver secção 3. geralmente nos arcos dos pés ou nas pernas. os pés e os dedos das mãos ou dos pés tornam-se pálidos quando se elevam acima da altura do coração e vermelhos quando se baixam.

Causas As causas possíveis do fenómeno de Raynaud são a esclerodermia. mas. a pele torna-se pálida ou com manchas vermelhas e. as feridas e as reacções a certos fármacos. Fenómeno de Raynaud O espasmo das arteríolas digitais provoca uma palidez intensa num ou em vários dedos. posteriormente. a causa subjacente não pode ser diagnosticada no início. levam a cabo uma cirurgia de derivação (bypass) com enxertos. excepto as pessoas com gangrena. Os médicos podem prescrever pentoxifilina. chagas ou dor em repouso. A cabeceira da cama pode ser elevada com blocos de 12 cm a 18 cm. Às vezes. quer por um defeito nos vasos sanguíneos. mas que ainda têm oclusão arterial. tais anomalias nos nervos podem ser a consequência de uma obstrução devida a uma aterosclerose. como a ergotamina e a metisergida. quer por perturbações nos nervos que controlam a dilatação e a contracção das artérias (sistema nervoso simpático). Nas pessoas que deixam de fumar. Raras vezes. Aconselha-se a caminhar entre 15 a 30 minutos. em consequência. sofrem um espasmo e. as quais. geralmente. antagonistas do cálcio ou inibidores plaquetários como a aspirina. a artrite reumatóide. torna-se evidente antes de dois anos. alisar as calosidades). Alterações funcionais das artérias periféricas Estas perturbações são. duas vezes por dia. pelo contrário. especialmente quando a obstrução é a consequência de um espasmo. porque as artérias afectadas por esta doença são demasiado pequenas. os cirurgiões podem melhorar o fluxo sanguíneo cortando certos nervos próximos para evitar o espasmo das artérias. podem necessitar de repouso na cama. azuis. Os pés deverão ser protegidos com ligaduras almofadadas para os calcanhares ou com botas de espuma de borracha. para que a gravidade facilite o fluxo de sangue pelas artérias. Algumas pessoas com o fenómeno de Raynaud têm também . o hipotiroidismo. Doença e fenómeno de Raynaud A doença e o fenómeno de Raynaud são afecções nas quais as artérias de pequeno calibre (arteríolas). Utiliza-se o termo «doença de Raynaud» quando não há uma causa subjacente e o termo «fenómeno de Raynaud» quando se conhece uma causa. geralmente. o resultado de um espasmo das artérias dos braços ou das pernas. Entre 60 % e 90 % dos casos de doença de Raynaud verificam-se em mulheres jovens. as perturbações nervosas. Por seu lado. as infecções provocadas por fungos e por fármacos que podem levar a uma constrição dos vasos sanguíneos (vasoconstritores).(por exemplo. a aterosclerose. geralmente dos dedos das mãos e dos pés.

a coloração azul e o calor redu-la. Acrocianose A acrocianose é uma coloração azulada persistente e indolor em ambas as mãos e. Quando o episódio termina. Os fármacos vasoconstritores (como betabloqueadores. quando as pessoas têm um fenómeno de Raynaud com muito tempo de evolução (especialmente aquelas com esclerodermia). mudando para uma cor vermelha e branca com manchas. limitados às mãos e aos pés. . como a emoção ou a exposição ao frio. O diagnóstico da perturbação efectua-se baseando-se nos sintomas persistentes. Os fumadores devem abandonar este hábito. Outros fármacos. Tratamento O controlo da doença de Raynaud ligeira requer a protecção do torso. Sintomas e diagnóstico O espasmo das pequenas artérias nos dedos das mãos e dos pés ocorre rapidamente e é. Podem verse afectados um ou vários dedos.enxaquecas. mas são frequentes o entorpecimento e uma sensação de formigueiro e de ardor. como a fenoxibenzamina. são úteis em algumas ocasiões. juntamente com os pulsos normais. também. Para poder distinguir entre obstrução arterial e espasmo arterial efectuam-se exames de laboratório antes e depois da exposição ao frio. podem cortar-se os nervos simpáticos (do sistema nervoso simpático) para acalmar os sintomas. não é necessário tratamento. geralmente. Podem observar-se também pequenas feridas dolorosas nas cabeças dos dedos das mãos ou dos pés. Num número reduzido de pessoas. angina variante e aumento da pressão do sangue nos pulmões (hipertensão pulmonar). de causa desconhecida. disposta geralmente em forma de manchas. No entanto. pode causar espasmos arteriais. a metildopa ou a pentoxifilina. brilhante e lustroso). com muita frequência. geralmente. A administração de fármacos vasodilatadores costuma ser pouco eficaz. dos vasos sanguíneos pequenos da pele. as zonas afectadas podem estar mais rosadas que o normal ou azuladas. provocada por um espasmo. desencadeado pela exposição ao frio. é mais eficaz para as pessoas com a doença de Raynaud do que para aquelas que sofrem do fenómeno de Raynaud. os pés e os dedos estão constantememte frios e azulados. Em caso de incapacidade progressiva. As mãos. de uma doença arterial oclusiva. Os dedos das mãos e dos pés mostram palidez. Para o fenómeno de Raynaud deve tratar-se a perturbação subjacente. denominada simpatectomia. As temperaturas baixas intensificam. e quando os outros tratamentos são ineficazes. Estas associações sugerem que a causa dos espasmos arteriais pode ser a mesma em todas estas perturbações. A administração de fenoxibenzamina pode ser de ajuda. Qualquer factor que estimule o sistema nervoso simpático. nos pés. A afecção aparece. O aquecimento das mãos ou dos pés restabelece o calor e a sensação normais. a clonidina e os preparados com ergotamina) agravam o fenómeno de Raynaud. Habitualmente. A duração pode oscilar entre minutos e horas. Os dedos da mão ou do pé não doem. em mulheres e que não sofrem necessariamente. ou partes de um ou de mais dedos. a sudação é abundante e pode aparecer edema. com menos frequência. dos braços e das pernas contra o frio e tomar sedativos suaves. Em raras ocasiões. seccionam-se os nervos simpáticos para aliviar os sintomas. porque a nicotina estreita os vasos sanguíneos. a pele dos dedos das mãos ou dos pés pode sofrer alterações permanentes (adquire um aspecto liso. Esta operação. A afecção não é dolorosa e não lesiona a pele. as técnicas de relaxação podem reduzir os espasmos. mas o alívio pode durar só um ou dois anos. A doença de Raynaud trata-se com prazosina ou nifedipina.

Tais aneurismas medem. (Ver secção 3. Em muitas ocasiões. geralmente numa válvula cardíaca. mas a maioria necessita de anos para se desenvolver. Esse tratamento requer. no aneurisma forma-se um coágulo sanguíneo (trombo) que pode crescer ao longo da sua parede. Os aneurismas aórticos são uma consequência da arteriosclerose (Ver tabela da secção 3. as doenças inflamatórias da aorta. o aneurisma costuma desenvolver-se na aorta ascendente (o segmento que sai directamente do coração). a qual implica um risco elevado. três quartos deles aparecem no segmento que percorre o abdómen. Embora os aneurismas possam desenvolver-se em qualquer ponto da aorta. Aneurismas da aorta abdominal Os aneurismas no segmento da aorta que percorre o abdómen tendem a aparecer numa mesma família. as doenças congénitas do tecido conectivo (como a síndroma de Marfan) (Ver secção 23. capítulo 269) e a sífilis são perturbações que predispõem para a formação de aneurismas. a aorta. O aneurisma pode causar uma dor profunda e penetrante. outros são consequência de ferida por arma branca ou por armas de fogo.Aneurismas da aorta e dissecção aórtica A aorta é a artéria principal e mais grossa do organismo. A dilatação verifica-se. A pressão arterial elevada e o hábito de fumar aumentam o risco de formação de aneurismas. as rupturas com a consequente hemorragia e a separação das camadas da parede (dissecção). geralmente. Sintomas Uma pessoa com um aneurisma da aorta abdominal sente frequentemente uma espécie de pulsação no abdómen. capítulo 21) Os aneurismas infecciosos das artérias que vão ao cérebro são particularmente perigosos. numa zona débil da parede. Também os traumatismos. Muitos são o resultado de uma debilidade congénita ou da arteriosclerose. que debilita a parede da aorta até que a pressão dentro da artéria provoca a protrusão para fora. Na síndroma de Marfan. Tal como o faz um grande rio. excepto pelos pulmões. aparecem em pessoas com hipertensão.5 cm). A . Com frequência. A infecção costuma iniciar-se em qualquer parte do organismo. uma reparação cirúrgica. sendo por isso necessário começar o tratamento o mais cedo possível. este último é o mais frequente. Aneurismas Um aneurisma é uma protrusão (dilatação) na parede de uma artéria. geralmente. As perturbações da aorta compreendem os aneurismas (pontos débeis na parede da aorta que permitem a protrusão de parte desta). Os aneurismas também podem desenvolver-se noutras artérias para além da aorta. a aorta ramifica-se em artérias tributárias mais pequenas ao longo do seu trajecto desde o ventrículo esquerdo até ao abdómen inferior à altura da parte superior do osso da bacia (pelve).7 cm a 2. assim como de infecções bacterianas ou fúngicas (por fungos) na parede arterial. que recebe todo o sangue expulso pelo ventrículo esquerdo para que seja distribuído por todo o organismo. muitas vezes. principalmente nas costas. capítulo 26). com frequência. Qualquer destas situações pode ser imediatamente mortal. Os aneurismas são protuberâncias em forma de saco (saculares) ou em forma de fuso (fusiformes). mais de 7 cm e podem romper-se (o diâmetro normal da aorta é de 1.

A ressonância magnética (RM) é também muito precisa. O índice de mortalidade para este tipo de cirurgia é aproximadamente de 2 %. as probabilidades de sobrevivência são muito escassas. mas se mede mais de 6 cm. mas é um exame mais custoso. a ruptura é muito mais provável. Os aneurismas que crescem com rapidez e que estão prestes a romper-se doem espontaneamente ou quando são pressionados durante uma observação do abdómen. Nas pessoas obesas. a ruptura de um aneurisma é sempre mortal. com excepção dos pulmões. No entanto. A operação consiste em colocar um enxerto sintético para reparar o aneurisma. A tomografia axial computadorizada (TAC). De um modo geral. Se não for tratada. capítulo 24) A ruptura de um aneurisma abdominal costuma ser mortal. Quando um aneurisma se rompe. (Ver secção 3. uma ecografia permite estabelecer claramente o seu tamanho. Se ocorrer uma insuficiência renal depois da operação. habitualmente. Um aneurisma com menos de 5 cm de largura raramente se rompe. habitualmente. embora as mudanças de posição possam proporcionar algum alívio. Se se verificar uma hemorragia interna grave. é constante. o tratamento depende do seu tamanho. O primeiro sinal de uma ruptura é geralmente uma dor intensa na parte inferior do abdómen e nas costas. . Por conseguinte. em especial depois de ter sido injectado um produto de contraste por via endovenosa. O médico pode aperceberse da existência de uma massa pulsátil no meio do abdómen. o quadro pode evoluir rapidamente para um choque. é ainda mais exacta na determinação do tamanho e da forma de um aneurisma. Para o diagnóstico dos aneurismas podem utilizar-se várias investigações. Uma radiografia do abdómen pode mostrar um aneurisma com depósitos de cálcio na sua parede. mas mais dispendiosa do que a ecografia e raramente se torna necessária. A aorta e os seus ramos principais O sangue que sai do coração através da aorta chega a todos os recantos do organismo. pode mesmo acontecer que não se detectem aneurismas de grande dimensão. O risco de morte durante a intervenção cirúrgica de uma ruptura de aneurisma é de cerca de 50 %. o médico aconselha. os rins podem ficar lesionados por se interromper o fornecimento de sangue ou devido ao choque ocasionado pela hemorragia. Tratamento A menos que o aneurisma esteja a romper-se. A ruptura ou a ameaça de ruptura de um aneurisma abdominal obriga a uma cirurgia de urgência. a menos que isso envolva demasiados riscos por outros motivos médicos. Diagnóstico A dor é um sintoma de diagnóstico muito útil mas que aparece tardiamente. em muitos casos os aneurismas são assintomáticos e diagnosticam-se por casualidade durante um exame físico sistemático ou quando se efectuam radiografias por alguma outra razão.dor pode ser intensa e. assim como uma dor em resposta à pressão da zona que está por cima do aneurisma. a intervenção cirúrgica para os aneurismas com mais de 5 cm de largura.

Aneurisma da aorta abdominal e reparação cirúrgica do mesmo Aneurisma aortoilíaco e reparação cirúrgica . Cerca de 50 % das pessoas com este problema têm a síndroma de Marfan ou uma variante da mesma. Esta dilatação causa um mau funcionamento da válvula que se encontra entre o coração e a aorta (válvula aórtica).Aneurismas da aorta torácica Os aneurismas no segmento da aorta que percorre o tórax representam uma quarta parte de todos os casos de aneurismas aórticos. embora estas pessoas tenham. a aorta dilata-se a partir do ponto onde sai do coração. com frequência. permitindo que o sangue retroceda para o coração quando a válvula se fecha. Numa forma particularmente frequente de aneurisma da aorta torácica. Nos outros 50 % não se encontra uma causa evidente. uma pressão arterial alta (hipertensão).

para reduzir a frequência cardíaca e a pressão arterial e diminuir assim o risco de ruptura. Pode irradiar pelas costas abaixo e para o interior do abdómen à medida que a ruptura progride. Em consequência. habitualmente no início há uma dor intensíssima na parte superior das costas. habitualmente. Por último. Diagnóstico O médico pode diagnosticar um aneurisma da aorta torácica a partir dos seus sintomas ou pode descobrir o aneurisma por casualidade durante uma investigação. Quando se produz a ruptura de um aneurisma aórtico torácico. Uma vez que a ruptura do aneurisma é mais provável nas pessoas com um síndroma de Marfan. As radiografias do tórax podem revelar um desvio da traqueia. simulando um ataque cardíaco (enfarte de miocárdio).5 cm de largura ou maior. Tratamento Se o aneurisma da aorta é de 7. o canal que leva os alimentos ao estômago. costumam administrar-se fármacos. hematoma dissecante) é uma situação muitas vezes mortal na qual o revestimento interno da parede da aorta se rasga enquanto o revestimento externo permanece intacto. pálpebra caída e sudação num lado da cara. Uma radiografia do tórax efectuada por outro motivo pode revelar a presença de um aneurisma. Dissecção aórtica Uma dissecção aórtica (aneurisma dissecante. A pessoa afectada pode tossir com sangue devido à pressão ou à erosão da traqueia (canal que leva o ar aos pulmões) ou das vias respiratórias vizinhas. como betabloqueadores. Pode verificar-se rouquidão se for comprimido o nervo da caixa da voz (laringe). caso esta se torne necessária. pratica-se. Pode também aparecer um conjunto de sintomas (síndroma de Horner) que consiste na contracção de uma pupila. O risco de morte durante a reparação dos aneurismas torácicos é elevado (cerca de 10 % a 15 %). pode dificultar a deglutição. tosse e sibilos. o sangue penetra através da laceração e provoca a dissecção da camada . A tomografia axial computadorizada (TAC). A pressão sobre o esófago. Os sintomas típicos são dor (geralmente na parte superior das costas). A aortografia (uma das radiografias que se efectuam depois de injectar um produto de contraste que permite ver a silhueta do aneurisma) utiliza-se. para determinar o tipo de cirurgia que deve efectuar-se. O quadro evolui rapidamente para o choque (Ver secção 3. geralmente. A dor também se sente no peito e nos braços. nestes casos costuma aconselhar-se reparar cirurgicamente inclusive os aneurismas mais pequenos. uma reparação cirúrgica através de um enxerto sintético. a presença de pulsações anómalas na parede do tórax pode ser também indicativa de um aneurisma aórtico torácico. a ressonância magnética (RM) ou a ecografia transesofágica são utilizadas para determinar o tamanho do aneurisma. Os sintomas são o resultado da pressão que a aorta dilatada exerce contra as estruturas vizinhas. capítulo 24) e pode ocorrer a morte por perda de sangue.Sintomas Os aneurismas da aorta torácica podem chegar a ser muito volumosos sem causar sintomas.

Em casos raros. Diagnóstico De um modo geral. a arteriosclerose e as lesões traumáticas. A hipertensão é a causa mais frequente desta deterioração e detecta-se em mais de 75 % das pessoas que sofrem dissecções aórticas. o que é importante em caso de urgência. uma lesão nervosa que cause formigueiro e a impossibilidade de mover uma extremidade. Também é frequente nas costas. um ataque cardíaco. Em 90 % dos doentes com sintomas. Outras causas incluem doenças hereditárias do tecido conectivo. O sangue pode acumular-se no peito. entre as omoplatas. especialmente a síndroma de Marfan e a síndroma de Ehlers-Danlos. A deterioração da parede arterial é a causa da maioria das dissecções aórticas. efectuada depois de injectar uma substância de contraste. Sintomas Quase todas as pessoas com uma dissecção aórtica apresentam dor. uma dor abdominal repentina. capítulo 254). geralmente repentina e muito intensa. anomalias cardiovasculares congénitas como a coarctação da aorta. à volta do coração. capítulo 22) (uma situação potencialmente mortal). é uma exame fiável e pode fazer-se rapidamente. os sintomas característicos de uma dissecção aórtica permitem ao médico estabelecer um diagnóstico bastante óbvio. A dissecção aórtica Numa dissecção aórtica. a persistência do canal arterial persistente e os defeitos da válvula aórtica (Ver secção 23. Em função das artérias obstruídas. ela pode tapar um ponto de onde uma ou várias artérias se ligam à aorta. A dor irradia na mesma direcção da dissecção ao longo da aorta. Enquanto a dissecção avança. Em 75 % dos doentes com dissecção aórtica observa-se. o revestimento interno da parede aórtica rasga-se e o sangue introduz-se através da ruptura. Habitualmente. separando a camada intermédia e criando um novo canal na parede. uma redução ou ausência de pulso nos braços e nas pernas. os doentes descrevem-na com uma ruptura ou rasgão no peito. Uma perda de sangue de uma dissecção. pode impedir que este bata adequadamente e causar um tamponamento cardíaco (Ver imagem da secção 3. A ecografia costuma confirmar o diagnóstico mesmo que não haja dilatação aórtica. o que origina a criação de um novo canal dentro da parede aórtica. durante o exame. as consequências podem ser um acidente vascular cerebral. a radiografia do tórax mostra a imagem de uma aorta dilatada. A tomografia axial computadorizada (TAC).média. acontece acidentalmente uma dissecção quando o médico introduz um cateter numa artéria (como na aortografia ou na angiografia) ou durante uma intervenção cirúrgica do coração e dos vasos sanguíneos. Uma dissecção que retrocede para o coração pode causar um sopro que se ausculta com o fonendoscópio. .

ao coração e aos rins. Normalmente. onde os seus sinais vitais (pulso. Existem veias curtas que ligam as superficiais com as profundas. a coagulação e os defeitos que conduzem à dilatação e às varizes. A morte pode ocorrer poucas horas depois de se iniciar a dissecção aórtica. e nas . a menos que as complicações da dissecção impliquem um risco cirúrgico excessivo. Qualquer destas complicações exige uma reparação cirúrgica. Se a válvula aórtica se encontrar danificada. Este sistema faz com que o líquido passe através dos gânglios linfáticos. geralmente. administra-se uma farmacoterapia de longo prazo para manter uma pressão arterial baixa e. proteínas. administram-se fármacos o mais cedo possível para reduzir a frequência cardíaca e a pressão arterial até valores mínimos com os quais se possa manter um fornecimento suficiente de sangue ao cérebro. é necessária a cirurgia. Pelo contrário.Tratamento As pessoas com uma dissecção aórtica devem ser atendidas numa unidade de cuidados intensivos. o cirurgião extrai a maior parte possível da aorta dissecada. Os médicos aconselham. Prognóstico Cerca de 75 % das pessoas com dissecção aórtica e que não recebem tratamento morrem nas duas primeiras semanas. o médico deve decidir se a cirurgia está indicada ou se se continuará a terapia com fármacos. 60 % das que são tratadas e que sobrevivem às duas primeiras semanas continuam vivas ao fim de 5 anos. As principais perturbações do sistema linfático ocorrem quando os vasos são incapazes de conter o volume de líquido que circula no seu interior e quando se obstruem por causa de um tumor ou de uma inflamação. o seu conteúdo esvazia-se dentro do sistema venoso do pescoço. as três mais importantes são outra dissecção. localizadas na camada gorda por debaixo da pele. inclusive as que foram operadas. Nos principais centros médicos especializados. os médicos mantêm. que fornecem uma protecção contra a disseminação das infecções ou do cancro. Daquelas que morrem depois das duas primeiras semanas. a dissecção aórtica proximal (isto é. minerais. Às pessoas com uma dissecção aórtica. próxima do coração) representa uns 15 % do índice de mortalidade devido à cirurgia e essa percentagem é um pouco mais elevada para as dissecções aórticas mais distantes. contíguos ao coração. nutrientes e outras substâncias de todos os órgãos para o interior das veias. impede que o sangue entre no canal falso e reconstrói a aorta com um enxerto sintético. Os problemas principais das veias são a inflamação. o desenvolvimento de aneurismas na aorta debilitada e uma insuficiência progressiva da válvula aórtica. localizadas nos músculos. com excepção daquelas dissecções que provocam saída de sangue da artéria e das dissecções nas pessoas com a síndroma de Marfan. a cirurgia em dissecções que afectem os primeiros centímetros da aorta. e. Imediatamente a seguir ao tratamento farmacológico. Perturbações das veias e dos linfáticos As veias levam o sangue de todos os órgãos até ao coração. repara-se ou substitui-se. pressão arterial e ritmo da respiração) são cuidadosamente controlados. Para as dissecções mais afastadas do coração. portanto. Deve efectuar-se um acompanhamento meticuloso das complicações tardias. para reduzir a tensão sobre a aorta. geralmente. Nestes casos. O sistema linfático consiste em vasos de paredes finas que se encarregam de drenar fluidos. e as profundas. As pernas contêm dois grupos principais de veias: as superfíciais. Durante a cirurgia. Por conseguinte. 40 % sobrevivem pelo menos 10 anos. a farmacoterapia. a pressão do sangue em todas as veias é baixa. finalmente. um terço morre por complicações da dissecção e os dois terços restantes por causa de outras doenças.

A pressão que os músculos da barriga da perna exercem pode provocar o desprendimento do trombo. não tratada. o sangue deve circular das veias das pernas para cima até chegar ao coração. Grande parte do fluxo sanguíneo que circula pelas veias superficiais é desviado para as profundas através de veias curtas que ligam os dois sistemas. O sangue empurra as cúspides.Válvulas fechadas Trombose das veias profundas A trombose das veias profundas é a coagulação do sangue nas veias profundas. Cada válvula é formada por duas metades (cúspides) cujos bordos fazem contacto entre si. A trombose das veias profundas é perigosa porque uma parte ou todo o trombo pode desprender-se. por consequência. . evoluirá para uma embolia maciça. pode causar rapidamente a morte. esta pressão baixa pode representar um problema. No entanto. forçado pelo gravidade. que se abrem como um par de portas giratórias. As veias profundas desempenham um papel crucial na propulsão do sangue para cima. estes êmbolos em massa não são frequentes. estas veias são profundamente comprimidas em cada passada. Válvulas unidireccionais nas veias Estas duas ilustrações mostram o funcionamento das válvulas nas veias. Tal como quando se aperta um tubo de pasta dentífrica. Quando uma pessoa está de pé. sobretudo quando uma pessoa convalescente começa a realizar cada vez mais actividade. Um êmbolo pulmonar grande pode obstruir todo ou quase todo o sangue que vai do lado direito do coração até aos pulmões e. Quanto menor for a inflamação à volta do trombo.pernas. mas não se pode prever quando uma trombose de uma veia profunda. obstruir o débito sanguíneo. A ilustração da esquerda mostra as válvulas abertas por efeito da corrente sanguínea normal. Um coágulo que se forma num vaso sanguíneo denomina-se trombo. as veias profundas contêm válvulas de uma só direcção. portanto. As veias superficiais têm o mesmo tipo de válvulas. Para manter este sentido ascendente do fluxo sanguíneo. fixar-se numa artéria pulmonar e. mas quando o sangue tende a regressar na direcção oposta. os êmbolos originados nas veias das pernas obstruirão uma ou mais artérias dos pulmões. na ilustração da direita as válvulas estão fechadas pelo efeito do refluxo de sangue. mas não estão sujeitas a nenhuma pressão porque não estão rodeadas por músculos. (Ver secção 4. Devido ao facto de o sangue das veias das pernas ir ao coração e depois aos pulmões. assim a compressão das veias profundas empurra o sangue para cima. deslocar-se pela corrente sanguínea. menos ele aderirá à parede venosa e maior é a probabilidade de se transformar num êmbolo. só estes últimos são potencialmente perigosos. Estas veias transportam 90 % ou mais do sangue que vai das pernas para o coração. Um trombo em movimento recebe o nome de êmbolo. Válvulas abertas---. Embora os trombos se formem nas veias superficiais e nas profundas da perna. empurra as cúspides de modo que estas se fechem. uma vez que ao estarem localizadas dentro dos poderosos músculos da barriga da perna. Por isso. capítulo 34) A gravidade da embolia pulmonar depende do tamanho e da quantidade de êmbolos. uma afecção denominada embolia pulmonar. o sangue das veias superficiais flui mais lentamente do que o sangue das veias profundas.

ou nos paraplégicos. mas. A trombose das veias profundas não deverá ser confundida com uma flebite das varizes. A trombose pode inclusive ocorrer em pessoas saudáveis que estão sentadas durante períodos longos. geralmente por cima do tornozelo. a barriga da perna incha e pode doer. Um sintoma tardio da trombose das veias profundas é o aparecimento de uma cor castanha da pele. em raras ocasiões. que é um processo que causa dor. A pele pigmentada é vulnerável. Durante a noite o edema desaparece porque as veias esvaziam-se quando as pernas estão na horizontal. O edema sobe para a perna e. o médico vigia com um cuidado extremo toda a pessoa com uma trombose de uma veia profunda. mesmo a coxa pode inchar. e uma lesão menor como um . Sintomas Cerca de metade dos casos de tromboses das veias profundas não tem sintomas. por exemplo. se a obstrução na veia se localiza muito acima. e 3) atraso da corrente sanguínea nas veias por um repouso prolongado na cama. Por exemplo. Alguns trombos curam-se transformando-se em tecido cicatricial. durante viagens de carro ou voos de avião muito longos. o que pode lesionar as válvulas das veias.Por essa razão. em comparação. O edema piora para o final do dia devido ao efeito da gravidade quando se esteve de pé ou sentado. é muito menos perigoso. Esta alteração da cor é devida aos glóbulos vermelhos que se escapam para fora das veias dilatadas. A consequente acumulação de líquido (edema) pode fazer com que o tornozelo inche. 2) hipercoagulabilidade associada a algumas formas de cancro e. a trombose das veias profundas pode verificar-se em doentes com um enfarte do miocárdio que permanecem na cama do hospital durante vários dias e que praticamente não realizam qualquer movimento das pernas. As feridas ou a grande cirurgia também aumentam a tendência do sangue a coagular. do tornozelo e da pele. ao uso de anticoncepcionais orais. Trombose venosa profunda do membro inferior esquerdo. Observe-se o aumento de volume e a perda dos contornos normais da perna. O tornozelo. Quando a trombose das veias profundas causa inflamações substanciais e obstrução da corrente sanguínea. Causas Três factores fundamentais contribuem para o desenvolvimento de uma trombose das veias profundas: 1) lesões do revestimento interno da veia. devido ao facto de os músculos da barriga da perna não se contraírem e não empurrarem o sangue para o coração. Nestas pessoas o aparecimento de dor no peito por uma embolia pulmonar pode ser a primeira indicação da perturbação. sentir dor ao tacto e estar quente. que costumam estar sentados durante longos períodos e cujos músculos não funcionam. o pé ou a coxa também podem inchar em função das veias afectadas.

Estas ligaduras devem ser colocadas por um médico ou por pessoal de enfermagem experimentado e devem manter-se colocadas durante vários dias. capítulo 35) As meias pneumáticas são outra forma eficaz de evitar os coágulos. Prevenção e tratamento Embora o risco de trombose das veias profundas não possa ser eliminado completamente. Uma vez tiradas as ligaduras compressivas. As meias elásticas semelhantes aos leotards ou aos panties fortes. podem formar-se dobras que apertam e agravam o problema pela obstrução do fluxo de sangue nas pernas. uma vez que este é muito ligeiro. durante e. As meias não devem chegar acima do joelho. O uso continuado de peúgas elásticas (meias elásticas) faz com que as veias se estreitem ligeiramente e que o sangue flua mais rápido. depois da cirurgia reduz a coagulação do sangue muito mais eficazmente. se não forem utilizadas correctamente. geralmente. Exame ultra-sonográfico para a trombose venosa profunda de um membro inferior . Além disso. renunciando a outros métodos mais eficazes de prevenção. praticam-se gamagrafias com isótopos radioactivos dos pulmões para confirmar o diagnóstico e uma ecografia dúplex para examinar as pernas. A terapia anticoagulante antes. não são necessárias. o que reduz a probabilidade de coagulação.rasgão ou um corte podem rompê-la e provocar uma úlcera. Estas meias colocam-se antes da cirurgia e mantêm-se durante a operação e também no período pós-operatório até que o doente volte a caminhar. deve colocar-se de novo a ligadura. Se o inchaço não desaparecer completamente. Diagnóstico A trombose das veias profundas é difícil de detectar devido à ausência de dor e. No entanto. As pessoas que correm o risco de desenvolver trombose das veias profundas (por exemplo. uma vez que o inchaço acima dele é um problema de pouca importância e não provoca complicações. Durante esse tempo. quando se acaba de sair de uma intervenção cirúrgica de certa importância ou quando se efectua uma viagem longa) devem flectir-se e estender os tornozelos umas 10 vezes cada 30 minutos. Quando se suspeita da perturbação. é importante caminhar. às vezes. um exame com ultrasons das veias da perna (ecografia dúplex) pode confirmar o diagnóstico. de inchaço. Geralmente. pode reduzir-se de várias formas. (Ver secção 4. As veias nunca se restabelecem depois de uma trombose de uma veia profunda e a cirurgia para corrigir este problema ainda é experimental. Edema das pernas O edema pode eliminar-se com repouso na cama mantendo as pernas elevadas ou com o uso de ligaduras compressivas. Se aparecerem sintomas de embolia pulmonar. com frequência. as meias elásticas proporcionam uma protecção mínima e podem dar uma sensação falsa de segurança. são feitas de plástico e são enchidas e esvaziadas automaticamente por meio dum dispositivo eléctrico para que apertem as barrigas das pernas e esvaziem as veias. usam-se meias elásticas todos os dias para evitar o regresso do edema.

a úlcera cura-se por si mesma. Os cremes para a pele. as ligaduras compressivas colocadas adequadamente podem ser uma ajuda. Ao contrário da trombose de uma veia profunda. Colocadas uma ou duas vezes por semana. geralmente. se ambas as pernas estiverem afectadas). O pus e as secreções podem lavar-se com água e sabão.Úlceras da pele Se se formarem úlceras dolorosas. aparece nela pus com uma secreção malcheirosa. A flebite ocorre em qualquer veia do corpo. Deverá marcar-se cada uma com um dia da semana e usá-la somente nesse dia. estas ligaduras são quase sempre curativas pelo aumento do fluxo sanguíneo que provocam nas veias. a flebite superficial implica uma reacção inflamatória repentina (aguda) que faz com que o trombo adira firmemente às paredes da veia. uma vez que isso não atrasará substancialmente a cura. cada vez que se muda a ligadura. as veias que têm varizes. a flebite aparece em pessoas com varizes. flebite) é a inflamação e a coagulação numa veia superficial. Se o orçamento o permitir. As meias devem ser substituídas se se notar que se tornam demasiado frouxas. em seguida. no entanto. Geralmente. estas meias podem durar muito mais tempo. Esta sensação pode alcançar todo o comprimento da veia. Flebite superficial A flebite superficial (tromboflebite. em vez de mole como uma veia normal ou uma variz. Desde que o fluxo sanguíneo nas veias aumente. e a zona torna-se quente. não desenvolvem esta perturbação. Como as veias superficiais não têm músculos à sua volta que as apertem e que façam desprender o trombo. Depois da cura. os bálsamos ou os medicamentos tópicos de qualquer tipo têm muito pouco efeito. O diagnóstico é. a flebite superficial raramente causa embolia. mas afecta com mais frequência as veias das pernas. sendo por isso praticamente nula a probabilidade de se desprender. lavá-la e guardá-la para a semana seguinte. que causa muito pouca inflamação e quase não provoca dor. óbvio a partir da exploração da zona dorida. inchaço e eritema. Em raras ocasiões. as úlceras que não se curam podem precisar de um enxerto de pele. Sintomas e diagnóstico Sente-se rapidamente na veia uma dor localizada. Deste modo. o uso diário de meias elásticas pode prevenir uma recorrência. deverão comprar-se sete meias (ou sete pares de meias. Devido ao facto de o sangue da veia se encontrar coagulado. Até mesmo uma ferida ligeira pode provocar a inflamação de uma veia. . habitualmente. esta sente-se como uma corda dura por baixo da pele. As úlceras quase sempre se infectam e.

A dilatação também afecta algumas veias comunicantes. A dermatite causa uma erupção avermelhada com escamas e ardor. doem e fazem sentir as pernas cansadas. uma ferida mínima. . geralmente. à secura da pele. efectuada com anestesia local e sem que seja necessário dar entrada no hospital. o sangue reflui às veias superficiais quando os músculos apertam as veias profundas e causam um alongamento adicional das veias superficiais. em seguida. as varizes. onde a veia superficial principal se une à veia profunda principal. Distendem-se e tornam-se compridas e mais largas. Por isso. podem passar várias semanas até que as irregularidades da veia e a sensação de dor desapareçam por completo. ou então uma zona de cor castanha na parte interna da perna por cima do tornozelo. Varizes As varizes. de modo geral. Por vezes os sintomas são piores quando as varizes se estão a desenvolver do que quando estão completamente formadas. podem recomeçar-se. A causa principal das varizes é desconhecida. Pode sentir-se ardor na parte inferior da perna e no tornozelo. Quando a flebite superficial se manifesta na virilha. com um aspecto serpenteante quando sobressaem da pele. Só uma pequena percentagem de pessoas com varizes têm complicações. Se as válvulas das veias comunicantes falham. sobretudo quando a perna está quente. são veias superficiais dilatadas das pernas. mesmo quando as veias são muito grandes. Este tipo de cirurgia é. Mais importante que o alargamento é a dilatação que faz com que as valvas da válvula se separem.Tratamento De um modo geral. podem não sentir dor. das veias superficiais para as veias profundas. Para prevenir esta situação. Um arranhão ou uma ferida menor podem causar uma úlcera dolorosa que não se cura. que normalmente permitem que o sangue flua numa só direcção. Se a pele que cobre uma variz ou as veias aracniformes é fina. Como resultado disso. Embora. o médico pode injectar um anestésico local. as veias aumentadas tornam-se tortuosas. que pode ser hereditária. Para que possam caber no mesmo espaço que ocupavam quando eram normais. como a aspirina ou o ibuprofeno alivia a dor. a flebite que se manifesta numa variz raramente provoca problemas graves. no entanto. alguns cirurgiões recomendam uma intervenção urgente para laquear a veia superficial. as actividades habituais. Sintomas e complicações Além de serem antiestéticas. A flebite pode surgir espontaneamente ou ser devida a uma ferida. Com o passar dos anos. a debilidade faz com que as veias percam a sua elasticidade. frequentemente. As úlceras também podem causar hemorragia. rubor ou erupções. que deverá usar-se durante vários dias. erradamente. para proporcionar um alívio precoce. ou veias varicosas. as veias enchem-se rapidamente de sangue quando a pessoa pára e as veias tortuosas e de paredes finas aumentam ainda mais. como dermatites. que muitas vezes se atribuem. extrair o trombo e depois colocar uma ligadura de compressão. seja dolorosa. A administração de um analgésico. O ardor pode levar à coceira e causar arranhões. a flebite desaparece por si só. flebites ou hemorragias. como acontece depois de se retirar as peúgas ou as meias. pode causar uma hemorragia. Muitas pessoas. o trombo pode chegar ao interior da veia profunda e desprender-se. mas provavelmente deve-se a uma debilidade nas paredes das veias superficiais. Embora a flebite melhore numa questão de dias. produzida ao barbear-se ou ao coçar-se.

Depois introduz um arame flexível através da veia até ao outro extremo e puxa por ele para extrair a veia. onde se une à veia profunda principal. mas os sintomas podem aparecer antes de serem visíveis. As varizes que aparecem durante a gravidez melhoram durante as 2 ou 3 semanas posteriores ao parto.&nbsp.Válvulas nas varizes Numa veia normal. durante este período não deverão ser tratadas. Os doentes que não desejam ser operados nem tratados com injecções ou que têm alguma doença que os impede de adoptar estes tratamentos podem optar por usar meias elásticas. A veia superficial mais comprida é a veia safena interna. Dado que as veias superficiais têm um papel menos significativo do que as veias profundas no . uma na virilha e outra no tornozelo e fura a veia em cada extremidade. A veia safena extrai-se com um procedimento chamado excisão venosa. Para extrair a maior quantidade possível de varizes. melhorar o aspecto e prevenir as complicações. que vai do tornozelo à virilha. O cirurgião faz duas incisões. e produz-se um fluxo retrógrado. as cúspides das válvulas fecham-se para impedir um retrocesso da corrente sanguínea. mas não as evita. As varizes por si só não causam edema. a aliviar os sintomas. As peúgas elásticas (meias elásticas) comprimem as veias e evitam que sofram alongamentos e feridas. Veia normal -------------Veia varicosa Diagnóstico As varizes observam-se como formações salientes por baixo da pele. Numa veia varicosa. um médico experimentado pode apalpar a perna para determinar a extensão completa da perturbação. as cúspides não se fecham. Nesse caso. o tratamento dirige-se. sobretudo. quer usando um escabelo ao sentar-se) alivia os sintomas das varizes. fazem-se mais incisões noutras zonas. Cirurgia A cirurgia tem como objectivo extrair a maior quantidade possível de veias varicosas. Procedimento de varicectomia Tratamento Uma vez que as varizes não se curam. Alguns médicos solicitam radiografias ou exames com ultra-sons (ecografia Doppler) para avaliar o funcionamento das veias profundas. A elevação das pernas (quer deitando-se. Mas estes exames só são necessários se as alterações na pele sugerirem um mau funcionamento destas veias ou se o tornozelo estiver inchado por causa de um edema (acumulação de líquido no tecido por baixo da pele). devido à dilatação anormal das veias.

ou escleroterapia. As fístulas arteriovenosas congénitas não são frequentes. sem passar pelos capilares. Dado que este procedimento é demorado. A fístula pode aparecer imediatamente ou desenvolver-se em poucas horas. o sangue flui das artérias para os capilares e depois para as veias. As técnicas actuais aumentaram as probabilidades de obter bons resultados e são seguras para as varizes de todos os tamanhos. A terapia com injecções. o tamanho do trombo diminui e aumenta a possibilidade de se formar um tecido cicatricial. os quais explicariam porque é que afectam com maior frequência as mulheres e sobretudo durante a gravidez. uma alternativa à cirurgia. Quando as veias aracniformes provocam dor ou uma sensação de ardor. às veias aracniformes (aranhas vasculares). Uma vantagem posterior da técnica mais recente é que a compressão adequada elimina a dor. este procedimento produz um tipo inócuo de flebite superficial. que é o que se procura. a variz volta a abrir. a tendência para desenvolver novas varizes não se elimina. Alguns tratamentos médicos (por exemplo. crê-se que são o resultado de factores hormonais desconhecidos.retorno do sangue ao coração. Terapia com injecções (escleroterapia) Na terapia com injecções. não é necessária anestesia. Apesar de as veias aracniformes poderem ser causadas pela própria pressão do sangue parado nas varizes. No entanto. ou são antiestéticas. No entanto. o procedimento deixa cicatrizes. mesmo com estas técnicas modernas. as novas varizes podem ser tratadas à medida que se desenvolvem e as pessoas podem continuar com as suas actividades diárias habituais entre cada sessão de tratamento. era frequente em meados do século xx. muitos médicos procuravam levá-lo a cabo sem terem uma experiência suficiente. incorrectamente chamadas capilares quebrados. o trombo pode dissolver-se em vez de cicatrizar e. portanto. quando existe uma fístula arteriovenosa. o sangue flui directamente de uma artéria para uma veia. Porém. a diálise renal) tornam necessária a perfuração de uma . As adquiridas podem ser causadas por qualquer ferida que lesione uma artéria e uma veia que se encontram juntas. Muitos dos medicamentos utilizados não tinham sido testados de forma adequada e causavam efeitos secundários desagradáveis ou até perigosos. Normalmente. Injecta-se uma solução que irrita a veia e que causa um trombo. Embora a cirurgia alivie os sintomas e previna as complicações. As varizes associam-se. que habitualmente se associa a uma flebite de uma veia superficial. tratam-se com a escleroterapia. é frequente fazer-se sob anestesia geral. O mais habitual é que se trate de uma ferida penetrante causada por arma branca ou de fogo. muitas vezes. mas caiu em desuso pelos resultados escassos e pelas complicações produzidas. Uma pessoa pode nascer com uma fístula arteriovenosa (fístula congénita) ou então esta pode aparecer depois do nascimento (fistula adquirida). A zona pode inchar rapidamente caso se escape sangue para os tecidos circundantes. Fístula arteriovenosa Uma fístula arteriovenosa é uma comunicação anómala entre uma artéria e uma veia. Apesar de a terapia com injecções requerer mais tempo do que a cirurgia. Quanto mais extensa é a cirurgia. alguns médicos só consideram a terapia com injecções quando as varizes ressurgem depois de uma cirurgia ou quando uma pessoa deseja melhorar a sua estética. Como o procedimento parecia simples. No essencial. as veias estão esclerosadas de modo que o sangue não pode passar através delas. mais tempo decorre até que se desenvolvam novas varizes. A cura do trombo conduz à formação de tecido cicatricial e este obstrui a veia. Se o diâmetro da veia onde se efectua a injecção se reduz por compressão através de uma técnica de ligadura especial. contudo. a sua extracção não prejudica a circulação se as profundas funcionarem normalmente.

pode auscultar-se um som característico de vaivém. a veia inflama-se e pode verifica-se uma coagulação. alongam-se e as veias dilatam-se e engrossam (às vezes parecem varizes). entre uma veia e uma artéria próximas do braço. como o de um mecanismo em movimento (um sopro em maquinaria). cria-se deliberadamente uma fístula arteriovenosa. por conseguinte. Colocando um fonendoscópio por cima de uma grande fístula arteriovenosa adquirida. adquirem uma cor púrpura e podem ser antiestéticas. Se se levam a cabo muitas perfurações repetidas. Como as paredes da veia não são suficientemente fortes para resistir a esta pressão. como a cara. mais rapidamente se pode desenvolver a insuficiência cardíaca. Este procedimento dilata a veia. a veia pode ficar obliterada por tecido cicatricial. injecta-se um produto de contraste nos vasos sanguíneos para os distinguir claramente nas radiografias. estas pequenas fístulas não causam perturbações cardíacas e podem fechar-se quando já não são necessárias. um grande volume de sangue com maior pressão flui da artéria para o interior da rede venosa. O regresso anormalmente rápido do sangue ao coração através da comunicação arteriovenosa pode provocar tensão no coração e causar insuficiência cardíaca. aparecem inchadas e de cor azul-avermelhada. Tratamento As pequenas fístulas arteriovenosas congénitas eliminam-se ou destroem-se através de uma terapia de coagulação com laser. Se uma fístula arteriovenosa grande não for tratada. Este procedimento deve ser efectuado por um cirurgião vascular hábil . finalmente.veia cada vez que se efectuam. Ao contrário de algumas fístulas arteriovenosas grandes. Este contraste. capítulo 17) Quanto maior for a fístula. o sangue flui mais rapidamente e tem menos probabilidades de coagular. Para evitar este problema. que mostra o traçado do fluxo sanguíneo pode ver-se através de radiografias (angiografias). Para confirmar o diagnóstico e determinar a extensão do problema. (Ver secção 3. em geral. tornando mais fácil a inserção da agulha e. Aspecto de uma fístula arteriovenosa Passagem anormal de sangue de uma artéria para uma veia Sintomas e diagnóstico Quando as fístulas arteriovenosas congénitas estão próximas da superfície da pele. Em alguns pontos.

por exemplo. o que interrompe o fluxo de sangue dentro da fístula. aparece em fases posteriores da vida devido a causas congénitas ou adquiridas. as células cancerosas que se separam de um tumor próximo. mas o seu tamanho é menor do que o das veias mais pequenas. em geral. às vezes. flua na direcção correcta. passa por gânglios linfáticos (às vezes chamados glândulas linfáticas) estrategicamente colocados. são mais extensas do que parecem à superfície. Com maior frequência. os braços. isto é. As fístulas arteriovenosas contraídas devem ser corrigidas o mais cedo possível após o diagnóstico. A maioria dos vasos linfáticos tem válvulas semelhantes às das veias para a linfa. Estes canais linfáticos vertem a linfa. As fístulas arteriovenosas próximas do olho. Os estafilococos e os estreptococos são as bactérias que com mais frequência causam linfangite. Embora o inchaço se possa observar desde o nascimento. o inchaço aparece posteriormente quando o volume de linfa aumenta e supera a capacidade do número reduzido de vasos linfáticos. Linfedema O linfedema é um inchaço causado por uma interferência com a drenagem normal da linfa para o sangue. no sangue através das veias. em raras ocasiões. daí que o exame dos gânglios seja necessário para o diagnóstico de um cancro e para se determinar se se propagou. Mas. de novo. do cérebro ou de outras estruturas importantes são especialmente difíceis de tratar. que pode coagular-se. Às vezes. as bactérias provocam inflamação dos vasos linfáticos. esta pode ser tratada através da obstrução da artéria com técnicas complexas de injecção que provocam a formação de trombos. o linfedema é evidente ao nascer. Linfa. de um modo geral os vasos linfáticos nesse momento estão adequados à pequena quantidade de linfa que o lactente possui. os nutrientes e os outros elementos vitais para o organismo chegam aos tecidos através da sua dissolução em líquidos que se difundem através das paredes finas dos capilares. As bactérias apanhadas pelos gânglios linfáticos podem inflamá-los e causar dor. O edema começa gradualmente numa das . que desempenham um papel fundamental nas defesas imunitárias do organismo. produzindo um quadro chamado linfadenite. Os gânglios linfáticos produzem também os componentes essenciais do sistema imune. Os vasos linfáticos são maiores do que os capilares. O problema afecta quase sempre as pernas e. febre com calafrios. O linfedema congénito deve-se ao facto de a pessoa nascer com um número reduzido de vasos linfáticos. quando está no cérebro). que são insuficientes para conter toda a linfa. Nesta afecção aparecem uns cordões de cor vermelha ao longo da pele e. para os dois grandes canais linfáticos localizados no pescoço. Em raras ocasiões. Se o cirurgião não pode atingir a fístula facilmente (por exemplo.porque as fístulas. como os glóbulos brancos que fabricam anticorpos para destruir os organismos estranhos. À medida que a linfa flui através dos vasos linfáticos. Os gânglios linfáticos filtram as partículas estranhas que se introduzem dentro da linfa. muitas vezes. As mulheres têm maior probabilidade do que os homens de ter linfedema congénito. gânglios linfáticos e sistema linfático O oxigénio. situação denominada linfangite. Uma parte destes líquidos é reabsorvida para o interior dos capilares e a parte restante do líquido (linfa) passa para o interior de um pequenos vasos (vasos linfáticos).

luvas elásticas. as ligaduras compressivas reduzem o inchaço. utilizam-se luvas pneumáticas (semelhantes às meias pneumáticas) diariamente para reduzir o inchaço. Isto controla o inchaço até certo ponto. usam-se meias pneumáticas todos os dias durante uma hora ou duas para reduzir o inchaço. a pele parece sã. utilizam-se meias elásticas até ao joelho todos os dias. Por exemplo. Para o linfedema no braço. este sintoma desaparece quando se eleva a perna. mas é muito pouco frequente. do levantar ao deitar. No linfedema adquirido. mesmo depois de uma noite de repouso. Para a elefantíase pode levar-se a cabo uma grande intervenção cirúrgica para extrair a maior parte dos tecidos inchados por debaixo da pele. como acontece quando o inchaço por acumulação de líquidos (edema) é o resultado de um fluxo inadequado de sangue pelas veias. onde se troca o oxigénio da atmosfera com o anidrido carbónico dos tecidos do organismo. excepto em infecções pelo parasita tropical Filaria. O primeiro sinal de linfedema pode ser o edema do pé. Uma vez que o inchaço se tenha reduzido. Uma das causas de linfedema A mastectomia com remoção de gânglios linfáticos é uma das causas de linfedema (neste caso. Nas etapas iniciais desta doença. Os pulmões são os dois maiores órgãos do aparelho respiratório. Se se pressiona a zona com um dedo.) O linfedema congénito agrava-se com a passagem do tempo. Em casos ligeiros. O linfedema adquirido é mais frequente do que o congénito. sobretudo após um tratamento do cancro no qual se tenham extirpado gânglios e vasos linfáticos ou quando estes foram irradiados com raios X. O pulmão . no braço esquerdo).pernas ou em ambas. mas está inchada. Biologia dos pulmões e das vias respiratórias O aparelho respiratório começa no nariz e na boca e continua pelas outras vias respiratórias até aos pulmões. também existem. nos mais graves. o braço pode tornar-se propenso ao inchaço depois da extirpação de uma mama com cancro e dos gânglios linfáticos próximos. Tratamento O linfedema não tem cura. a sua forma é semelhante a duas grandes esponjas que ocupam a maior parte da cavidade torácica. a extremidade incha exageradamente e a pele é tão espessa e enrugada que tem o aspecto da pele de um elefante (elefantíase). não fica sinal. Aparece geralmente depois de uma grande cirurgia. A cicatrização de vasos linfáticos que sofrem infecções de forma repetida também pode causar linfedema. (Muitas pessoas que não têm linfedema sentem um inchaço depois de terem estado de pé durante períodos prolongados. igualmente. o que faz com que o calçado fique apertado no final do dia e deixe marcas na pele. o inchaço torna-se cada vez mais evidente e não desaparece completamente. Em raras ocasiões.

os sete pares superiores de costelas unem-se directamente ao esterno por meio das cartilagens costais. portanto. cada vez de menor tamanho (bronquíolos). O diafragma adere à base do esterno. colaboram com o movimento da caixa torácica. A traqueia é a maior das vias respiratórias. os pulmões expandem-se. pelo seu aspecto de árvore ao contrário. o nono e o décimo par de costelas unem-se à cartilagem do par imediatamente superior. impedindo assim que o alimento se introduza nas vias respiratórias. O revestimento das paredes alveolares é extremamente fino e permite a troca entre o oxigénio (que passa dos alvéolos para o sangue dos capilares) e uma substância de desperdício. A pleura é uma dupla camada de membrana serosa que facilita o movimento dos pulmões em cada inspiração e expiração. cada par está ligado com os ossos da coluna vertebral (vértebras). Na parte dorsal do corpo.esquerdo é ligeiramente menor que o direito porque partilha o espaço com o coração. A entrada da laringe está coberta por um pequeno fragmento de tecido muscular (epiglote) que se fecha no momento da deglutição. o anidrido carbónico (que passa do sangue dos capilares para o interior dos alvéolos). o músculo mais importante da respiração. Na parte anterior. O pulmão direito é composto por três lobos e o esquerdo por dois. Normalmente. Esta parte do aparelho respiratório é conhecida como árvore brônquica. semelhantes a cachos de uvas. à parte inferior da caixa torácica e à coluna vertebral. começa na laringe e acaba por se bifurcar nas duas vias aéreas de menor calibre (brônquios) que conduzem aos pulmões. Interior dos pulmões e das vias respiratórias . com a forma de pequeníssimas bolhas (alvéolos). o espaço entre as duas camadas lubrificadas da pleura é mínimo e durante os movimentos respiratórios deslocam-se facilmente uma sobre a outra. Os 12 pares de costelas curvam-se à volta do tórax. Os músculos intercostais. no lado esquerdo do tórax. Cada pulmão está dividido em secções (lobos). situados entre as costelas. participando desse modo na respiração. Quando se contrai. ao dobrar-se sobre si própria. reveste a superfície interna da parede torácica. pelas costelas e pela coluna vertebral. Os brônquios dividem-se sucessivamente num grande número de vias aéreas. os dois últimos pares são mais curtos e não se unem na sua parte anterior (costelas flutuantes). O diafragma. Na extremidade de cada bronquíolo encontram-se dezenas de cavidades cheias de ar. Cada um dos pulmões contém milhões de alvéolos e cada alvéolo está rodeado por uma densa malha de capilares sanguíneos. O oitavo. O ar entra no aparelho respiratório pelo nariz e pela boca e chega à garganta (faringe) para alcançar a caixa que produz a voz (laringe). é um tabique muscular em forma de sino que separa os pulmões do abdómen. Envolve os dois pulmões e. sendo os ramos terminais mais finos (de apenas 5 mm de diâmetro). Os pulmões e demais órgãos do tórax estão alojados numa caixa óssea protectora constituída pelo esterno. aumenta o tamanho da cavidade torácica e.

transferi-lo para o sangue e expulsar as substâncias de desperdício. É impelido através da artéria pulmonar para os pulmões. capítulo 14) Controlo da respiração O centro respiratório. e a cavidade torácica contrai-se. O sangue oxigenado circula desde os pulmões através das veias pulmonares. em menor escala. aproximadamente. onde recolhe o oxigénio e liberta o anidrido carbónico. elevando a pressão do ar. As paredes dos alvéolos estão em contacto íntimo com os capilares que as rodeiam e têm somente a espessura de uma célula. o esforço respiratório é realizado principalmente pelo diafragma e. Então. Dado que os pulmões não possuem músculos próprios. Durante a respiração forçada ou na que acompanha o trabalho de parto participam outros músculos do pescoço. O oxigénio inspirado penetra nos pulmões e alcança os alvéolos. Pelo contrário. chega ao lado esquerdo do coração e é bombeado para o resto do corpo. O sangue sem oxigénio e carregado de anidrido carbónico volta para o lado direito do coração através de duas grandes veias: a veia cava superior e a veia cava inferior. sendo expirado pelas fossas nasais e pela boca. O diafragma move-se para baixo quando se contrai e dilata a cavidade torácica. (Ver secção 3. da parede do tórax e do abdómen.Funções do aparelho respiratório A função principal do aparelho respiratório é conduzir o oxigénio para o interior dos pulmões. é automática. a frequência respiratória diminui. controla subconscientemente a respiração que. O ar é expelido para fora dos pulmões pela elasticidade natural dos mesmos. situado na parte inferior do cérebro. em geral. Então. A frequência respiratória do adulto em repouso é de 15 inspirações e expirações por minuto. sob a forma de anidrido carbónico. O ar flui rapidamente para o interior dos pulmões para igualar a pressão atmosférica. pelos músculos intercostais. o cérebro provoca um aumento da frequência respiratória. enquanto o anidrido carbónico passa do sangue para o interior dos alvéolos. Os músculos intercostais . reduzindo a pressão no peito. O oxigénio passa facilmente para o sangue dos capilares através das paredes alveolares. O cérebro e uns pequenos órgãos sensoriais situados nas artérias aorta e carótida são capazes de detectar uma concentração de oxigénio inferior à normal ou um aumento anormal do anidrido carbónico. o diafragma relaxa e sobe. quando os valores de anidrido carbónico baixam excessivamente.

especialmente se os acessos são acompanhados de dor torácica. em baixo. Por conseguinte. Troca de gases entre os alvéolos e os vasos capilares A função do aparelho respiratório é a troca de dois gases: o oxigénio e o anidrido carbónico. os dedos em baqueta de tambor e a insuficiência respiratória. é uma forma de protecção dos pulmões e das vias aéreas. A troca tem lugar entre os milhões de alvéolos dos pulmões e os capilares que os rodeiam. a cianose (coloração azulada da pele). Alguns destes sintomas nem sempre indicam um problema respiratório. é acompanhada de expectoração. uma mistura de mucosidade. que é expulsa pelos pulmões. o estridor (emissão de um som semelhante ao grasnar quando se respira). Tossir. Como se pode ver. Uma tosse pode ser esgotante. que tende a esvaziar as vias respiratórias. a dor torácica. o oxigénio inspirado passa dos alvéolos para o sangue dos capilares e o anidrido carbónico passa do sangue dos capilares para os alvéolos. especialmente quando a respiração é profunda ou rápida. Sintomas respiratórios Entre os sintomas mais correntes das perturbações respiratórias destacam-se a tosse. súbito. quando a tosse persiste durante muito tempo. de falta de ar ou de uma quantidade significativa de expectoração. um reflexo familiar mas complexo. por vezes. Os tipos de tosse variam consideravelmente. a falta de ar (dispneia). No entanto.participam neste processo. Junto com outros mecanismos. ruidoso e violento. também chamada escarro. Tosse A tosse é um movimento de ar. é possível que este nem se aperceba disso. a respiração sibilante. a hemoptise (expectoração com sangue). a tosse ajuda os pulmões a desprenderem-se das partículas aspiradas. como pode acontecer no caso de um fumador com bronquite crónica. A dor no peito pode também ser consequência de um problema cardíaco ou gastrointestinal. o médico pode formular as seguintes perguntas: • Há quanto tempo tem tosse? • Em que momento do dia se verifica? . desperdícios e células. A tosse. As diversas características da tosse contribuem para que o médico possa determinar a sua causa.

é possível que se tenha de aumentar a dose necessária para suprimir a tosse. Se. é um calmante (analgésico) que suprime a tosse ao inibir o centro da tosse no cérebro. Esta substância. Tratamento Geralmente. um narcótico. o ar entra nos pulmões. por outro lado. pode indicar uma infecção por bactérias. de uma alergia ou de uma substância irritante. a cavidade torácica reduz-se. que pode ser uma infecção. O dextrometorfano não é um analgésico. vómitos ou obstipação. por exemplo. Por exemplo. as bactérias e os glóbulos brancos detectados são indicadores de infecção. . reduzindo a pressão interior. podem administrar-se antibióticos se se tratar de uma infecção ou anti-histamínicos se se tratar de uma alergia. Os medicamentos para a tosse podem utilizar-se para combater uma tosse seca (a que não é acompanhada de expectoração). O médico pode examinar a expectoração ao microscópio. comer ou beber? • É acompanhada de dores no tórax. Quando o diafragma se relaxa. quando alguém está cansado mas não consegue dormir. a cavidade torácica alarga-se. Para equilibrar a pressão. Se se tomar codeína durante um período prolongado. mas pode causar sonolência. dado que esta desempenha um papel importante na limpeza das vias respiratórias. A codeína. mas inibe eficazmente o centro da tosse no cérebro. Função que o diafragma desempenha na respiração Quando o diafragma se contrai. o facto de conversar. Se tiver um aspecto amarelo. São úteis para a tosse causada por uma irritação da laringe. Os emolientes apresentam-se sob a forma de comprimidos e de xarope. a posição. É mais importante tratar a causa subjacente. aumentando desse modo a pressão e expulsando o ar dos pulmões. não causa adição nem produz sonolência. Os emolientes formam uma película protectora sobre o revestimento irritado. verde ou pardo. Também em certas circunstâncias. O aspecto da expectoração contribui para o diagnóstico do médico. de venda sem prescrição médica. se esta for incómoda. não se deveria suprimir a tosse com muita expectoração. Pode também provocar náuseas. vertigem ou de outros sintomas? • A tosse provoca expectoração? Uma pessoa pode produzir expectoração sem tossir ou ter tosse seca sem expectoração. dificuldade em respirar. como.• Existe algum factor desencadeante: o ar frio. a presença de líquido nos pulmões ou uma alergia. Terapia antitússica Os fármacos antitússicos suprimem a tosse. embora estes induzam expectoração. rouquidão. não se trata de uma infecção bacteriana. que se encontra em muitos remédios contra a tosse. for transparente. podem utilizar-se produtos para aliviar a tosse. Outros medicamentos narcóticos administrados para suprimir a tosse têm efeitos secundários semelhantes. A tosse trata-se com dois grupos de fármacos: antitússicos e expectorantes. mas da presença de um vírus. branca ou aquosa.

não são úteis para a tosse. dado que as secreções se tornam mais viscosas e mais difíceis de expectorar. no caso da tosse com estreitamento da via áerea. têm uma utilidade escassa ou nula no tratamento da tosse. excepto quando a sua causa é uma alergia ou um resfriado comum que está na sua fase inicial. Anti-histamínicos. como acontece na asma brônquica e no enfisema. especialmente nas afectadas pela tosse convulsa. tal como a guaifenesina e o hidrato de terpina. Falta de ar A falta de ar (dispneia) é uma sensação incómoda de dificuldade respiratória. inibem o reflexo da tosse. Os descongestionantes como a fenilefrina. A respiração acelerada numa pessoa com dispneia costuma ser acompanhada com suficiente rapidez ou profundidade de uma sensação de falta de ar e de dificuldade respiratória. Os fármacos que amolecem a mucosidade (chamados mucolíticos) utilizam-se. o corpo produz mais anidrido carbónico e consome maior quantidade de oxigénio. como a benzocaína. Os iodetos são expectorantes que se utilizam com frequência. a sensação de que o ar demora mais tempo a sair dos pulmões durante a expiração. Pode conseguir-se o mesmo resultado com um humidificador de vapores frios. como uma broncoscopia (exame que consiste na observação dos brônquios através da introdução de um tubo equipado com instrumentos ópticos). descongestionantes e broncodilatadores Os anti-histamínicos. quando o principal problema é a presença de secreções brônquicas densas e viscosas. A frequência respiratória aumenta durante o exercício numa pessoa sã. A humidade do vapor amolece também as secreções. Outras sensações relacionadas com a dispneia incluem: a sensação de necessitar de um maior esforço muscular para expandir a cavidade torácica durante a inspiração assim como para esvaziar o ar dos pulmões. dado que amolecem as secreções brônquicas e. que alivia a obstrução nasal. ingredientes de muitas preparações de venda sem prescrição médica. por vezes. Tipos de dispneia O tipo mais frequente de dispneia é o que aparece ao realizar um esforço físico. Durante o exercício. facilitam a expectoração. Embora a respiração rápida raramente cause incómodo. A inalação de vapor. antes de se efectuarem alguns exames que poderiam ver-se dificultados pela tosse. que secam o tracto respiratório. Podem prescrever-se broncodilatadores. Quando a causa da tosse é outra. O xarope de ipecacuanha em doses baixas pode ser útil nas crianças. a não ser que a causa seja devida a um corrimento pós-nasal. O centro respiratório do cérebro aumenta a frequência respiratória quando as concentrações de . a necessidade imperiosa de voltar a inspirar antes de terminar a expiração e diversas sensações muitas vezes descritas como opressão no peito. Expectorantes Os expectorantes são úteis para desprender a mucosidade.Os anestésicos locais. a acção secante dos anti-histamínicos pode ser contraproducente. utilizando por exemplo um vaporizador. o mesmo lhe acontece quando se encontra a uma altitude elevada. como os agentes simpaticomiméticos inalados ou a teofilina por via oral. pode limitar a quantidade de exercícios que se pratique. facilitando a expectoração. como acontece na fibrose quística. Estes medicamentos aplicam-se directamente na garganta por meio de um pulverizador. pode suprimir a tosse reduzindo a irritação da faringe e das vias respiratórias. A dispneia limita também a quantidade de exercício que se possa realizar. portanto.

A dispneia de origem obstrutiva ocasiona uma maior resistência ao fluxo de ar devido ao estreitamento das vias respiratórias. Na sua forma mais grave. denominados síndroma de hiperventilação. Muitos dos que sofrem esta síndroma alarmam-se. insuficiência cardíaca e anemia. O aumento da acidez do sangue. Pode medir-se o grau de obstrução com as provas de função respiratória. Uma respiração intensa e rápida (hiperventilação) pode ser consequência de uma lesão cerebral repentina. frequentemente aterrador. porque os seus pulmões não se expandem o suficiente para conseguir o volume de ar necessário. A pessoa respira rápida e profundamente. por causa de uma hemorragia abundante ou de uma anemia. a uma deformidade da parede torácica ou então a um espessamento da pleura. em consequência. Por outro lado. Este processo provoca dificuldade em respirar. mas sem falta de ar. Quem sofre de insuficiência renal grave. As pessoas com uma alteração do ritmo cardíaco podem ter ortopneia. pode acumular-se líquido nos pulmões. surgem mais por ansiedade do que por uma perturbação física. Existe outro tipo de dispneia. como acontece na acidose diabética. A acumulação de líquido nos pulmões pode também provocar um estreitamento das vias respiratórias e sibilos ao expirar. geralmente. chamado dispneia paroxística nocturna. como o indicam os exames da função respiratória. Na dispneia de origem restritiva dificultam-se os movimentos respiratórios porque se restringe a expansão torácica devido a uma lesão ou perda da elasticidade pulmonar. pode ficar sem respiração e começar a ofegar rapidamente devido a uma combinação de acidose. mas sentem falta de ar quando realizam alguma actividade. restritivo e obstrutivo. A respiração periódica ou de Cheyne-Stokes caracteriza-se pelos períodos alternantes de respiração rápida (hiperpneia) e lenta (hipopneia) ou sem respiração (apneia). Estes episódios. capítulo 32) As pessoas que têm uma dispneia de origem restritiva sentem-se habitualmente bem durante o repouso. um traumatismo ou outra afecção. Um problema respiratório pode incluir ambos os defeitos. inclusive um pequeno esforço pode aumentar. (Ver secção 4. O indivíduo pode sofrer uma alteração da consciência. originando o chamado edema pulmonar. pode produzir um modelo de respiração lenta e profunda (respiração de Kussmaul). Muitas pessoas têm episódios durante os quais sofrem falta de ar e. provocada por uma hemorragia cerebral.oxigénio no sangue são baixas. Dado que o coração impulsiona o sangue através dos pulmões. ou quando as do anidrido carbónico são altas. (Ver secção 3. As suas causas possíveis incluem a insuficiência cardíaca e uma perturbação do centro cerebral que controla a respiração. tentando obter oxigénio suficiente. provocada por alterações na concentração dos gases no sangue (sobretudo por um valor de anidrido carbónico inferior ao normal). que consite num ataque súbito de falta de ar. Assim. Esta perturbação é uma forma de ortopneia e também um sinal de insuficiência cardíaca. se a função pulmonar e cardíaca são anormais. respiram de maneira pesada e rápida. A dispneia circulatória é uma situação grave que se apresenta de repente. O volume de ar que entra nos pulmões é inferior ao normal. mas não é expirado de forma normal. Os sintomas são o resultado da hiperventilação. ou seja. a dispneia pode inclusive manifestar-se durante o repouso. pensando que sofrem um enfarte do miocárdio. Produz-se quando o sangue não leva oxigénio suficiente aos tecidos. A pessoa acorda ofegante e tem de se sentar ou levantar para conseguir respirar. especialmente ao expirar. é fundamental que a função cardíaca seja normal para que o rendimento pulmonar seja adequado. A respiração é difícil. capítulo 17) Se a função cardíaca é anormal. uma afecção denominada asma cardíaca. de forma alarmante. a frequência respiratória e a dispneia. acompanhada com frequência de uma sensação de asfixia ou de peso no peito. que se produz durante o sono. A dispneia de causa pulmonar pode ser consequência de defeitos restritivos ou obstrutivos. por exemplo. o ar pode ser inspirado. habitualmente . uma falta de ar que aparece quando estão deitados e que os obriga a sentar-se.

podem causar uma dor de características mal definidas. antes do aparecimento da típica erupção cutânea. uma dor aguda em consequência de uma irritação do revestimento dos pulmões. Estruturas que podem provocar dor torácica Sibilos A respiração sibilante é um som musical. As suas causas podem ser um estreitamento geral das vias respiratórias (como na asma ou na doença pulmonar crónica . As causas mais comuns são as lesões da parede do tórax. na parede do tórax ou em estruturas internas que não fazem parte do aparelho respiratório. uma acumulação de líquido no espaço compreendido entre as duas membranas da pleura. como um sibilo. embora esta desapareça com frequência quando essas membranas se separam pela acumulação do líquido. pode produzir dor no início. nos pés e à volta da boca. A dor com origem noutras estruturas respiratórias é geralmente mais difícil de descrever que a dor pleural. O derrame pleural (Ver secção 4. como as fracturas das costelas e a ruptura ou a lesão dos músculos intercostais. por exemplo segurando o lado que dói e evitando as inspirações profundas ou a tosse. A obstrução em qualquer ponto da via aérea provoca sibilos. Habitualmente. embora ela possa mudar de lugar. que se produz durante a respiração. que também dói quando se carrega. se afectar os nervos intercostais. por exemplo. Sente também uma sensação de formigueiro nas mãos. Por vezes o herpes zóster (provocado pelo vírus varicela-zóster) manifesta-se por uma dor torácica com cada inspiração. Um tumor que cresce dentro da parede torácica pode provocar uma dor local ou. limita-se a uma zona da parede torácica. nos pulmões.descrita como uma sensação de que as coisas à sua volta estão muito longe. Dor no peito A dor torácica pode ter origem na pleura. Um abcesso ou um tumor pulmonar. com frequência. A dor atenua-se com a imobilização da parede do tórax. em consequência da obstrução parcial das vias respiratórias. pode localizar-se a dor. especialmente o coração. produzir uma dor referida (ao longo de toda a zona enervada pelo referido nervo). piora ao efectuar-se uma inspiração profunda e ao tossir. A dor pode também ter origem na parede torácica e piorar com a inspiração profunda ou a tosse. A dor pleural. capítulo 44). que se localiza no interior do peito.

A hemorragia pode ser importante se. A broncoscopia (um exame que . O som é provocado por uma corrente de ar turbulenta através de uma via aérea superior que se estreitou. a causa pode ser uma infecção da epiglote (Ver secção 23. A asma é a causa mais frequente de sibilos recorrentes. pelo que se deve encontrar a causa e deter a hemorragia. Nas crianças. Hemoptise A hemoptise é uma expectoração de sangue proveniente do tracto respiratório. de uma tumefacção (edema) da via aérea superior ou de um mau funcionamento das cordas vocais. embora nunca tenham sofrido de asma. a auscultação do tórax permite ao médico detectar os sibilos. de um abcesso. O escarro tingido de sangue é bastante corrente e nem sempre é grave. Os médicos efectuam controlos para detectar o cancro do pulmão em todos os fumadores com mais de 40 anos que apresentem hemoptise. uma hemoptise abundante requer um diagnóstico rápido por parte do médico. da caixa dos órgãos da fonação (laringe) ou da traqueia. Contudo. O estridor pode ser um sintoma de uma afecção potencialmente mortal. capítulo 32) para avaliar a importância do estreitamento da via aérea e a utilidade do tratamento. mas pode ser necessário efectuar provas funcionais respiratórias (Ver secção 4. é consequência de uma obstrução parcial da garganta (faringe). Os tumores provocam cerca de 20 % das hemoptises (sobretudo o cancro do pulmão). introduz-se um tubo através da boca ou do nariz (intubação traqueal) ou directamente na traqueia (traqueotomia) para permitir que o ar ultrapasse a obstrução e assim salvar a vida da pessoa. de forma acidental. A obstrução de uma artéria pulmonar. denominada embolia pulmonar. um estreitamento local (como um tumor). A intensidade do estridor costuma ser suficiente para se poder ouvir a certa distância. como pode acontecer na insuficiência cardíaca. inclusive quando o escarro está só tingido de sangue. ou a presença de uma partícula estranha alojada nas vias aéreas. No entanto. sobretudo quando é intensa ou recorrente. é também uma causa de hemoptise. Nos adultos. Este cateter pode ter sido introduzido dentro da artéria ou na veia pulmonar para medir a pressão no coração e nos vasos sanguíneos que entram e saem dos pulmões. Um enfarte pulmonar (morte de uma parte do tecido pulmonar devido à obstrução da artéria que o alimenta) pode também causar hemoptise.obstrutiva). pode tratar-se de um tumor. Nesses casos. se lesionar um vaso pulmonar com um cateter. que requer atenção urgente. O aumento na pressão do sangue nas veias pulmonares. pode aparecer quando um coágulo de sangue circula pela corrente sanguínea e se aloja na dita artéria. Diagnóstico A hemoptise pode ter uma evolução potencialmente mortal. Cerca de 50 % dos casos são devidos a infecções como a bronquite aguda ou crónica. mas por vezes pode ser perceptível só durante uma respiração profunda. Habitualmente. capítulo 259) ou a aspiração de um corpo estranho. muitas pessoas têm sibilos em algum momento da vida. Estridor O estridor é um som semelhante ao grasnar e é predominantemente inspiratório.

a hemorragia dos vasos sanguíneos mais pequenos detém-se espontaneamente. Pelo contrário. Por vezes. Estes procedimentos de alto risco utilizam-se somente como último recurso. Utilizando os raios X como guia. A inalação de vapor ou os vapores frios produzidos por um vaporizador ou um humidificador podem ajudar a expulsar um coágulo. infecção por Aspergillus) Abcesso pulmonar Bronquiectasia Insuficiência cardíaca Alterações da circulação Estenose da válvula mitral Malformações arteriovenosas Objectos estranhos nas vias respiratórias Perturbações hemorrágicas Trauma Lesâo durante um procedimento médico Embolia pulmonar Tumor Cianose . Se existirem alterações na coagulação que contribuam para a hemorragia. mesmo que se efectuem numerosas investigações. a hemorragia de um vaso principal costuma requerer tratamento. Pode também ser necessária uma fisioterapia respiratória. o médico introduz um cateter dentro do vaso e depois injecta uma substância química que oclui o ponto sangrante. pode-se extraí-lo utilizando um broncoscópio. pode necessitar-se de uma broncoscopia ou de uma intervenção cirúrgica para deter a hemorragia. A hemorragia pode produzir coágulos que obstruem as vias respiratórias e causar problemas posteriores de respiração. pode ser necessária uma transfusão de plasma. Outra investigação em que se utiliza um indicador radioactivo (gamagrafia de perfusão) pode revelar uma embolia pulmonar. Tratamento A hemoptise ligeira pode não necessitar de tratamento. no entanto. por conseguinte.utiliza um tubo de observação que se introduz nos brônquios) pode identificar a zona da hemorragia. é possível estabelecer a causa de uma hemoptise intensa. de factores de coagulação ou de plaquetas. O médico pode procurar deter a hemorragia através de um procedimento chamado embolização da artéria brônquica. Num número de pacientes que oscila entre 30 % e 40 % dos casos. não se pode determinar a causa. A hemorragia provocada por uma infecção ou por uma insuficiência cardíaca geralmente desaparece quando o tratamento da perturbação subjacente dá bons resultados. ou só o uso de antibióticos para tratar uma infecção. ou inclusive pode ser necessário extirpar cirurgicamente o segmento doente do pulmão. a tosse é um mecanismo eficaz para evacuar as vias aéreas e não deveria ser suprimida com medicamentos antitússicos. Geralmente. Principais causas da hemoptise Bronquite Pneumonia Tuberculose Infecções do tracto respiratório Infecção por fungos (por exemplo. Quando um coágulo grande obstrui um brônquio principal.

Dedos em baqueta de tambor Os dedos em baqueta de tambor são uma hipertrofia das pontas dos dedos das mãos e dos pés. (Ver secção 4. a cianose que fica restrita aos dedos das mãos e dos pés produz-se porque o sangue flui muito lentamente através dos membros. esta deformação dos dedos (que em si mesma não se reveste de gravidade) é consequência de uma doença pulmonar. com uma perda do ângulo de saída da unha (unha em vidro de relógio). circula pelos vasos da pele.Dedos em baqueta de tambor Insuficiência respiratória . Dedos em baqueta de tambor Dedo em baqueta de tambor Os dedos em baqueta de tambor caracterizam-se pela hipertrofia das extremidades dos dedos e da perda de ângulo normal da matriz da unha. embora outras doenças também a possam provocar. podem ser necessárias radiografias e exames do fluxo sanguíneo e da função cardíaca e pulmonar. A administração de oxigénio costuma ser o tratamento de primeira instância. Habitualmente. que desviam o sangue do lado venoso para o lado arterial da circulação geral. A cianose que afecta todo o corpo pode ser consequência de diversas doenças pulmonares graves e de certas malformações cardíacas e vasculares. capítulo 32) Para determinar a causa da diminuição de oxigénio no sangue e da cianose subsequente. que é mais azulado que vermelho.Dedo normal 2. 1. Em algumas famílias. Uma análise dos gases no sangue arterial pode determinar a quantidade de oxigénio no sangue. Muitas vezes. Pode acontecer quando os batimentos cardíacos são mais débeis ou quando se está exposto ao frio.A cianose é uma coloração azulada da pele causada por uma oxigenação insuficiente do sangue. A cianose produz-se quando o sangue privado de oxigénio. os dedos em baqueta de tambor não estão relacionados com qualquer doença e são hereditários.

provoca insuficiência cardíaca. de acordo com a perturbação subjacente. este tubo é ligado a uma máquina que impele o ar para dentro dos pulmões. No entanto. provocando uma alteração denominada hipertensão pulmonar. Outras causas que podem provocar o fluxo anormal de sangue e que podem provocar insuficiência respiratória são certas alterações congénitas da circulação que enviam o sangue directamente para o resto do corpo sem passar primeiro pelos pulmões. A insuficiência respiratória pode produzir-se quando se altera a circulação sanguínea através dos pulmões. Uma sobredose de narcóticos ou de álcool pode provocar um torpor tão profundo que a pessoa deixa de respirar. como acontece na embolia pulmonar. Quase todas as doenças que afectam a respiração ou os pulmões podem causar insuficiência respiratória. sem o fluxo de sangue numa parte do pulmão. esta danifica os vasos sanguíneos. pode administrar-se oxigénio adicional através do ventilador. enquanto alguém que está intoxicado ou enfraquecido pode simplesmente entrar em estado de coma. Se a insuficiência respiratória se desenvolver lentamente. podendo administrar-se outros medicamentos para reduzir a inflamação e prevenir os coágulos sanguíneos. Administram-se antibióticos para combater a infecção e broncodilatadores para dilatar as vias áereas. A acumulação de anidrido carbónico faz com que o sangue se torne ácido. esforçando-se por respirar. a pressão nos vasos sanguíneos dos pulmões aumenta. uma concentração de oxigénio inferior ao valor normal causa sempre cianose (uma coloração azulada da pele) e os valores elevados de anidrido carbónico produzem confusão e sonolência. especialmente o coração e o cérebro. Sintomas e diagnóstico Alguns sintomas de insuficiência respiratória variam segundo a causa. produzindo-se insuficiência respiratória. quando uma pessoa recebe demasiado oxigénio. . Nesses casos. Alguns doentes muitos graves necessitam de um ventilador artificial para respirar. afectando todos os órgãos. os valores baixos de oxigénio provocam um mau funcionamento cardíaco e cerebral. Independentemente de qual seja a causa da insuficiência respiratória. Esta perturbação não interrompe o movimento de saída e de chegada de ar aos pulmões. uma ventilação suficiente. A expiração produz-se passivamente devido ao carácter elástico dos pulmões. Deve também tratar-se a causa subjacente. Podem utilizar-se vários tipos de ventiladores e modos de intervenção. administra-se oxigénio na maioria dos casos.A insuficiência respiratória é uma doença na qual diminuem os valores de oxigénio no sangue ou aumentam os de anidrido carbónico de forma perigosa. A insuficiência respiratória deve-se à troca inadequada de oxigénio e de anidrido carbónico entre os pulmões e o sangue ou a uma alteração da ventilação (movimento do ar para dentro e para fora dos pulmões). ao forçar o coração. a sua respiração tende a ser mais lenta. mas este tipo de respiração pode ser inútil se os pulmões não funcionam com normalidade. por si só. no entanto. provocando uma alteração da consciência e da frequência cardíaca (arritmias) com risco de morte. Tratamento Inicialmente. Uma pessoa com obstrução das vias aéreas pode arfar. O corpo tenta libertar-se por si próprio do anidrido carbónico com uma respiração profunda e rápida. Quando os pulmões não funcionam correctamente. as afecções dos ossos e dos tecidos que revestem os pulmões e a debilidade dos músculos que se encarregam da entrada de ar para os pulmões. Em geral. a não ser que o doente sofra de uma insuficiência respiratória crónica. Sem um tratamento adequado. dificultando a transferência de oxigénio para o sangue e. Introduz-se um tubo de plástico através das fossas nasais ou da boca até ao interior da traqueia. A respiração artificial pode salvar a vida de um doente que se encontre incapaz de conseguir. o oxigénio não se extrai adequadamente do ar e o anidrido carbónico não se transfere para o sangue. Outras causas frequentes são a obstrução das vias aéreas. dá-se uma quantidade superior à necessária. as lesões do tecido pulmonar.

polimiosite. tumores disseminados. Causas da insuficiência respiratória Motivo subjacente Causa Bronquite crónica. queimaduras. de um traumatismo ou de uma doença grave. intoxicação por substãncias tóxicas Respiração deficiente ou fármacos. Quando o tecido pulmonar está gravemente afectado. as bronquiectasias e o abcesso pulmonar. o doente coloca-se de forma inclinada ou num ângulo determinado para contribuir para a drenagem das secreções pulmonares. o terapeuta pode utilizar um vibrador mecânico. Podem também dar-se palmadas no peito ou nas costas para ajudar a soltar as secreções (técnica chamada percussão do tórax). radiação. não se justifica o uso sistemático destes fármacos porque podem causar muitas complicações. dão melhor resultado nas pessoas que sofrem de doenças que provocam inflamação pulmonar ou das vias aéreas. reduzindo por conseguinte a necessidade de oxigénio do organismo e facilitando a ventilação pulmonar. esclerose lateral amiotrófica. quer ajustando a frequência respiratória. A terapia escolhe-se em função da doença subjacente e do estado geral do doente. bronquiectasias. como a drenagem postural. poliomielite. Anormalidade da parede Cifoescoliose. como as vasculites. lesão da medula espinal. reacção a Anomalias do tecido pulmonar fármacos. Como alternativa. Drenagem postural Na drenagem postural. Deve manter-se o equilíbrio da acidez no sangue. Estas técnicas utilizam-se com intervalos em doentes com afecções que produzem muita expectoração.Deve-se supervisar e adaptar cuidadosamente a quantidade de líquido no organismo para optimizar a função pulmonar e cardíaca. a asma e as reacções alérgicas. Obstrução da via respiratória asma. No entanto. os médicos consideram a possibilidade de administrar corticosteróides para diminuir a inflamação. quer utilizando medicamentos que neutralizem a acidez. a aspiração. icto. partículas aspiradas. distrofia muscular. torácica Terapia respiratória Os terapeutas da respiração utilizam várias técnicas para ajudar a cura das doenças pulmonares. bronquiolite. incluindo uma redução da força muscular. Administram-se medicamentos para tranquilizar o doente. como a fibrose quística. os exercícios de respiração e a respiração com os lábios apertados. Síndroma de insuficiência respiratória aguda. Estas técnicas podem também utilizar-se quando a pessoa não consegue expectorar eficazmente. como acontece com os idosos. Obesidade. os indivíduos com debilidade muscular e quem se encontre em convalescença de uma intervenção cirúrgica. enfisema. alveolite fibrosante. Aspiração . fibrose pulmonar. Miastenia grave. síndroma de Debilidade muscular Guillain-Barré. como acontece na síndroma de dificuldade respiratória do adulto. apneia do sono. sarcoidose. Geralmente. ferida no tórax. fibrose quística.

Um conjunto de provas denominado provas de função respiratória mede a capacidade de retenção do ar. expiratória e de troca de oxigénio e de anidrido carbónico. Frequentemente. geralmente. passam. Medição do volume pulmonar e débito respiratório Frequentemente. Estes exercícios são particularmente úteis em indivíduos sedentários que sofrem de uma doença pulmonar crónica obstrutiva ou que foram submetidos a uma respiração mecânica. Uma aspiração suave com um sistema de vácuo aspira as secreções que não se conseguem expulsar. No entanto. ou devido ao pânico ou a um esforço. não melhoram a função pulmonar de forma directa. Estes dispositivos são utilizados sistematicamente nos hospitais. assim como as capacidades inspiratória. um pequeno tubo de plástico através do nariz. os exercícios de respiração profunda. Este exercício aumenta a pressão nas vias aéreas e ajuda a prevenir um colapso das mesmas. a avaliação da força muscular e a medição da capacidade de difusão. A respiração com os lábios apertados constitui também um exercício adicional de respiração para quem se submete a exercícios respiratórios. o qual se introduz alguns centímetros dentro da via aérea. a avaliação da doença respiratória consiste em verificar quanto ar podem os . Ensina-se o doente a expirar com os lábios parcialmente fechados (apertados). Exercícios de respiração Os exercícios de respiração podem proporcionar uma sensação de bem-estar. como se estivesse preparado para assobiar. podem ser mais eficazes que os exercícios de respiração com um espirómetro incentivador. os exercícios de respiração nos grandes fumadores e em outras pessoas com doenças pulmonares diminuem as probabilidades de complicações pulmonares depois da cirurgia.Os terapeutas da respiração e as enfermeiras podem utilizar a aspiração para extrair as secreções das vias aéreas. no entanto. Este exercício não causa efeitos adversos e algumas pessoas adoptam o hábito sem nenhum ensinamento. Para levá-la a cabo. utilizam-se para diagnosticar algumas doenças como a asma. Respiração com os lábios apertados Esta técnica pode ser útil em doentes com doença pulmonar crónica obstrutiva. As provas de função respiratória incluem a capacidade pulmonar e a velocidade de débito. O dispositivo contém uma bola que se eleva em cada inalação. melhorar a qualidade de vida e ajudar a reforçar os músculos que enchem e esvaziam os pulmões. estes exercícios efectuam-se com um instrumento chamado espirómetro incentivador. A pessoa inala o mais fortemente possível num tubo ligado a um dispositivo plástico. A aspiração é também utilizada para eliminar as secreções em doentes que tenham sido submetidos a uma traqueotomia ou que tenham um tubo de respiração introduzido através do nariz ou da boca até à traqueia. a prova de débito-volume. No entanto. estimulados por enfermeiras e terapeutas da respiração. antes e depois da cirurgia. Provas para o diagnóstico das doenças As provas para detectar doenças respiratórias servem para uma avaliação pormenorizada da função pulmonar e cada uma das provas avalia um aspecto diferente da função pulmonar. cujos pulmões se dilatam demasiadamente durante os ataques de obstrução das vias respiratórias. Mais ainda. Essas provas são mais adequadas para determinar o tipo e a gravidade das perturbações pulmonares do que para definir a causa específica da afecção.

Dado que é difícil medir directamente a capacidade de difusão do oxigénio. assim como a duração de cada movimento respiratório registam-se e analisam-se. dificulta a respiração. como a distrofia muscular. Estes processos denominam-se perturbações obstrutivas. Esta prova ajuda também a determinar se a pessoa que está ligada a um respirador artificial será capaz de respirar por si própria. Depois de inspirar profundamente. Medição da capacidade de difusão A prova da capacidade de difusão do monóxido de carbono pode determinar o grau de eficácia com que o oxigénio se transfere dos alvéolos para a corrente sanguínea. O volume de ar inspirado ou expirado. A pessoa inspira profundamente. a pessoa inala uma pequena quantidade de monóxido de carbono. A medição do débito respiratório serve para conhecer o grau de estreitamento ou obstrução das vias aéreas. A medição da capacidade pulmonar reflecte o grau de rigidez ou de elasticidade dos pulmões e da caixa torácica. Estes valores são anormalmente baixos em perturbações como a fibrose pulmonar e os desvios da coluna vertebral (cifoescoliose). Trata-se de um dispositivo de baixo custo que permite aos doentes asmáticos controlar a sua doença em casa. As perturbações que provocam a perda de elasticidade pulmonar ou reduzem o movimento da caixa torácica denominam-se perturbações restritivas. o monóxido de carbono do ar inspirado é bem absorvido. Provas de débito-volume Os espirómetros mais modernos podem avaliar a capacidade pulmonar e medir o ar expirado durante uma prova de inspiração forçada. mantém a respiração durante 10 segundos e a seguir expira dentro de um detector desse gás.pulmões conter. Estas medições efectuam-se com um espirómetro. A capacidade de difusão anormal é característica em pessoas que sofrem de fibrose pulmonar. o enfisema e a asma. significa que a troca de oxigénio entre os pulmões e o sangue é anormal. Quando a prova mostra o contrário. logo que deixe de o utilizar. a quantidade que podem expirar e a rapidez com que o podem fazer. . Com pulmões normais. Uma doença que debilita os músculos. Avaliação da força muscular Pode medir-se a força dos músculos respiratórios pedindo à pessoa que inspire e expire intensamente contra um medidor de pressão. Os registos de débito-volume podem ser particularmente úteis para detectar as alterações que obstruem de modo parcial a cavidade do órgão da fonação (laringe) e a traqueia. Os registos são anormais em doenças como a bronquite. registando-se então pressões inspiratória e expiratória baixas. Um contador do débito máximo é um instrumento mais simples para medir a velocidade de expiração do ar. Muitas vezes repetem-se os exames depois da administração de um fármaco que dilata as vias aéreas dos pulmões (um broncodilatador). a pessoa sopra com força para dentro deste pequeno aparelho manual. instrumento que consiste numa boquilha e num tubo ligado a um dispositivo de registo. depois expira com força e o mais rapidamente possível através de um tubo enquanto se fazem as medições.

processo denominado apneia do sono. A concentração de oxigénio pode controlar-se utilizando um eléctrodo colocado num dedo ou no lóbulo de uma orelha. Esta concentração é um indicador importante da função pulmonar porque mostra a capacidade dos pulmões para proporcionar oxigénio ao sangue e extrair dele o anidrido carbónico. um eléctrodo numa das fossas nasais para medir o débito de ar e outro eléctrodo ou um medidor sobre o tórax para medir os movimentos respiratórios. automática e está controlada pelos centros cerebrais que respondem aos valores de oxigénio e de anidrido carbónico no sangue. capítulo 64) A prova da apneia do sono consiste em colocar um eléctrodo num dedo ou no lóbulo de uma orelha para medir o valor da concentração de oxigénio no sangue. O laboratório pode determinar. especialmente durante o sono. o mais rapidamente que possa. Não é possível fazer esta análise a partir de sangue extraído de uma veia. através do tubo. procedimento chamado oximetria. geralmente. a respiração pode ser interrompida durante períodos prolongados. Análise dos gases no sangue arterial As análises dos gases no sangue medem a concentração de oxigénio e de anidrido carbónico no sangue arterial. com esta amostra. O instrumento de registo mede o volume de ar inspirado ou expirado e a duração de cada respiração. impõe-se a colheita de uma amostra de sangue. Geralmente. Quando esse controlo é alterado. (Ver secção 6. Para usar um espirómetro. Punção da artéria radial . Quando uma pessoa está gravemente doente ou se o médico necessitar também de uma medição do anidrido carbónico. esta amostra é retirada da artéria radial no pulso. de um tubo e de um dispositivo de registo. a pessoa inspira profundamente e a seguir expira com força. bem como a acidez.enfisema e outras perturbações que afectam os vasos sanguíneos dos pulmões. o valor da concentração de oxigénio e de anidrido carbónico no sangue. Estudo do sono A respiração é. &nbsp. Utilização do espirómetro Um espirómetro consta de uma boquilha.

Em seguida. O estudo pulmonar com isótopos radioactivos utiliza quantidades muito reduzidas de material radioactivo de curta vida. nos espaços adjacentes e na parede torácica. pode também utilizar-se durante a avaliação pré-operatória em doentes com cancro do pulmão. Os exames do tórax através da tomografia axial computadorizada (TAC) proporcionam mais pormenores do que uma radiografia vulgar. A angiografia da artéria pulmonar é considerada como a prova definitiva (padrão ouro) para diagnosticar e descartar a embolia pulmonar. Os dois motivos principais para efectuar uma toracentese são o alívio da falta de ar provocada pela compressão do pulmão e a obtenção de uma . que se forma pela reflexão das ondas sonoras sobre determinadas partes do corpo. um líquido radioopaco que pode ser vísivel nas radiografias. Por outro lado. Geralmente. registam-se as imagens das artérias e das veias dos pulmões. capítulo 44) com uma agulha que se introduz através da parede do tórax. Embora as radiografias do tórax raramente proporcionem a informação suficiente para determinar a causa exacta da alteração. a seguir. regista as características magnéticas dos átomos dentro do corpo. o exame efectua-se em duas fases. um colapso do pulmão (pneumotórax). Este meio de contraste ajuda a clarificar certas alterações no tórax. com o objectivo de analisar esse líquido. A ecografia cria uma imagem sobre um monitor.Exame radiológico do tórax Sistematicamente. Ao contrário da TAC. a pessoa inala um gás radioactivo e. as radiografias do tórax podem mostrar claramente uma pneumonia. A angiografia mostra com pormenor o afluxo de sangue aos pulmões. Na primeira. mas às vezes esta perspectiva complementa-se com uma projecção lateral (de perfil). A ecografia utiliza-se com frequência para detectar líquidos na cavidade pleural (espaço que se encontra entre os dois folhetos da pleura que revestem o pulmão). o sistema de estudo (câmara gama) cria uma imagem que mostra como o gás se distribui pelas vias aéreas e pelos alvéolos. que depois mostra várias projecções de secções transversais. injecta-se dentro de um vaso sanguíneo e. a RM não utiliza radiação. como um aneurisma aórtico. Pode também utilizar-se a ecografia como guia ao realizar a aspiração dum líquido com uma agulha. As radiografias do tórax mostram bastante bem o contorno do coração e dos principais vasos sanguíneos. para mostrar o débito de ar e de sangue através dos pulmões. O meio de contraste. podem ajudar a determinar os exames complementares de que se necessita para estabelecer o diagnóstico. incluindo as costelas. Durante a TAC pode injectar-se um corante dentro da corrente sanguínea ou então administrar-se por via oral. No exame pela TAC analisam-se uma série de radiografias com um computador. podendo geralmente detectar-se uma doença grave nos pulmões. baseando-se geralmente nos resultados anormais de uma gamagrafia pulmonar. as radiografias do tórax fazem-se de costas ou de frente. líquido na cavidade pleural (derrame pleural) e enfisema. Toracentese A toracentese consiste na extracção de uma acumulação anormal de líquido na cavidade pleural (derrame pleural) (Ver secção 4. Por exemplo. injecta-se numa veia uma substância radioactiva e cria-se uma imagem que mostra como se distribui essa substância pelos vasos sanguíneos do pulmão. Este tipo de estudo é particularmente útil para detectar coágulos de sangue nos pulmões (embolias pulmonares). especialmente úteis quando o médico considera que possam existir alterações dos vasos sanguíneos do tórax. tumores pulmonares. a seguir. Os exames com ressonância magnética (RM) dão também imagens muito pormenorizadas. A angiografia utiliza-se com maior frequência quando se suspeita de uma embolia pulmonar.

anestesia-se a pele com o mesmo procedimento utilizado na toracentese. A biopsia pleural é um exame muito preciso que permite diagnosticar estas doenças em 85 % a 90 % dos casos. O risco de complicações é baixo durante e depois da toracentese. Durante a toracentese. Outras complicações possíveis podem ser um colapso pulmonar (devido a um pneumotórax). Em primeiro lugar. entrada acidental de bolhas de ar na corrente sanguínea (êmbolo de ar). extrai-se um fragmento de tecido da pleura que se envia para o laboratório para determinar se existem sinais de cancro ou de tuberculose. o médico pode também injectar certas substâncias dentro da cavidade pleural para impedir uma nova acumulação de líquido. Durante o procedimento. Toracentese Biopsia pleural com agulha O médico pode fazer uma biopsia com agulha quando os resultados da toracentese não chegam para determinar a causa do derrame pleural ou quando se necessita de uma amostra de tecido de um tumor. As complicações são semelhantes às da toracentese. para ter uma imagem mais pormenorizada do pulmão que antes estava obscurecida pelo líquido e. finalmente. O broncoscópio é dotado de uma luz na extremidade que permite ao médico observar dentro do pulmão as grandes vias aéreas (brônquios). Por vezes. com uma agulha maior. A seguir. pode extrair-se mais líquido para permitir que o pulmão se expanda e que o doente respire melhor. A seguir. Depois de concluído o procedimento. para assegurar de que o procedimento não causou outras complicações. a ecografia serve de guia enquanto se introduz a agulha. Pode também sentir ligeiramente enjoo e falta de ar. . o médico introduz uma agulha entre duas costelas e extrai um pouco de líquido com a seringa. uma hemorragia dentro da cavidade pleural ou na parede do tórax. em raras ocasiões. apoiando os braços em suportes adequados. Limpa-se então e anestesia-se uma pequena zona da pele das costas com um anestésico local. O líquido colhido é analisado para avaliar a sua composição química e para determinar a presença de bactérias ou de células cancerígenas.amostra de líquido para estabelecer o diagnóstico. No caso de uma grande acumulação de líquido que provoque dispneia. esvaecimento. Por vezes. faz-se uma radiografia do tórax para apreciar o volume de líquido extraído. o doente senta-se comodamente e inclina-se para a frente. perfuração do baço ou do fígado e. infecção. o doente pode sentir um pouco de dor quando o pulmão se enche de novo de ar e se expande contra a parede torácica. Broncoscopia A broncoscopia é um exame visual directo da cavidade dos órgãos da fonação (laringe) e das vias aéreas através de um tubo de observação de fibra óptica (um broncoscópio).

A broncoscopia é especialmente útil para obter amostras nas pessoas que sofrem de SIDA ou de outras deficiências do sistema imunitário.A broncoscopia pode ser útil para o diagnóstico e o tratamento de certas afecções. Apesar de a biopsia transbrônquica pulmonar aumentar o risco de complicações. Anestesiam-se a garganta e o canal nasal com um vaporizador anestésico e. assim como para colocar medicamentos em áreas específicas do pulmão e investigar a causa duma hemorragia. Pode utilizar-se um fluoroscópio como guia para identificar a zona e assim diminuir o risco de uma perfuração acidental do pulmão. introduz-se o broncoscópio flexível através do nariz até às vias aéreas dos pulmões. Depois de ajustar o broncoscópio dentro da via respiratória inferior. aspira-se o líquido e com ele as células e algumas bactérias para o interior do broncoscópio. muitas vezes traz informação complementar para o diagnóstico. Extrai-se um fragmento de tecido de uma zona suspeita introduzindo um instrumento de biopsia através do tubo do broncoscópio e. a cultura do líquido é o método mais seguro para diagnosticar estas últimas. O exame dessas substâncias ao microscópio contribui para diagnosticar alguns cancros e algumas infecções. Depois da broncoscopia. a seguir. o doente permanece em observação durante várias horas. Pode utilizar-se a lavagem broncoalveolar para tratar a proteinose alveolar pulmonar (Ver secção 4. No caso de pessoas com queimaduras ou que tenham aspirado fumo. Pode utilizar-se um broncoscópio flexível para extrair secreções. a seguir. o que causaria um colapso pulmonar (pneumotórax). o médico instila água salgada (solução salina) através do instrumento. Se se colheu uma amostra de tecido. pus e corpos estranhos. A lavagem broncoalveolar é um procedimento que os médicos podem utilizar para obter amostras das vias aéreas mais pequenas. as quais não se podem observar através de um broncoscópio. Frequentemente. pode examinar as vias aéreas e colher amostras de qualquer zona suspeita. sangue. A broncoscopia utiliza-se para recolher amostras dos microrganismos que estejam a provocar uma pneumonia e que são difíceis de obter e de identificar por outros meios. A biopsia transbrônquica pulmonar consiste na obtenção de uma amostra de tecido pulmonar através da parede dos brônquios. chega-se ao interior da zona suspeita atravessando a parede de uma das vias aéreas inferiores. capítulo 40) e outras doenças. incidentes que. por vezes. fazem-se radiografias do tórax para controlar possíveis complicações. O doente não deve comer nem beber durante as 4 horas anteriores a uma broncoscopia. administra-se um sedativo para acalmar a ansiedade e atropina para reduzir os riscos de espasmo na laringe e a diminuição da frequência cardíaca. . Se o médico suspeitar da presença de um cancro do pulmão. podendo também evitar uma intervenção cirúrgica importante. A seguir. a broncoscopia contribui para avaliar o estado da laringe e das vias aéreas. ocorrem durante o procedimento.

o cirurgião pratica até três pequenas incisões na parede torácica. No entanto. O círculo mostra o que o médico vê. provocando o colapso do pulmão. introduzindo o toracoscópio no interior da cavidade pleural. Para além de se poder observar a superfície pulmonar e a pleura. Pratica-se . o timo e os gânglios linfáticos. o médico introduz um broncoscópio flexível de fibra óptica através de uma das fossas nasais do doente até ao interior das vias respiratórias. É habitual administrar anestesia geral ao doente durante este procedimento. Toracoscopia A toracoscopia é o exame visual das superfícies pulmonares e da cavidade pleural através de um tubo de observação (um toracoscópio). o qual permite que o pulmão colapsado volte a encher. &nbsp. Em geral. este procedimento é mais agressivo porque deixa uma pequena ferida e requer hospitalização e anestesia geral. Este procedimento permite a entrada de ar na cavidade. O mediastino contém o coração. podem extrair-se amostras de tecido para um exame ao microscópio e administrar-se fármacos através do toracoscópio. Mediastinoscopia A mediastinoscopia é o exame visual directo da zona do tórax entre ambos os pulmões (o mediastino) através de um tubo de observação (mediastinoscópio). introduz-se um tubo para aspirar o ar que penetrou na cavidade pleural durante o procedimento. a traqueia.Broncoscopia Para observar as vias respiratórias de um modo directo. com o objectivo de impedir uma nova acumulação de líquido na cavidade pleural. As complicações são semelhantes às que resultam da toracentese e da biopsia pleural com agulha. Pode também utilizar-se um toracoscópio no tratamento da acumulação de líquido na cavidade pleural (derrame pleural). A mediastinoscopia efectua-se na sala de operações com o doente sob anestesia geral. Quando se retira o toracoscópio. as mediastinoscopias efectuam-se para diagnosticar a causa da inflamação dos gânglios linfáticos ou para avaliar a extensão de um cancro do pulmão antes da cirurgia do tórax (toracotomia). A seguir. o esófago.

Ajuda também o doente a eliminar as secreções das vias aéreas quando a tosse for ineficaz. longo e transparente. por conseguinte. Em doentes que têm uma abertura artificial directamente para o interior da traqueia (traqueostomia). pode introduzir-se o tubo directamente naquela abertura. é possível extirpar um segmento do pulmão. aplica-se uma aspiração intermitente de 2 a 5 segundos de cada vez. A seguir introduz-se o instrumento no tórax. introduz-se um tubo torácico que se deixa colocado durante 24 a 48 horas. Aspiração traqueal A aspiração utiliza-se para obter amostras de secreções e de células da traqueia e dos brônquios. é frequente separar em dois a caixa torácica. do coração ou das artérias principais. obtêm-se amostras paras as análises de diagnóstico. se chamar síndroma de dificuldade respiratória do adulto. Faz-se uma incisão na parede do tórax e extraem-se amostras de tecido pulmonar para o seu exame ao microscópio. o doente permanece hospitalizado durante vários dias. obter amostras de tecido para a sua análise e para o tratamento das doenças dos pulmões. Esta técnica usa-se para a obtenção de amostras para exame ao microscópio ou para cultura da expectoração. trata-se sempre de uma intervenção cirúrgica importante e. Geralmente. pratica-se com menor frequência que outras técnicas de diagnóstico. às vezes. com o qual se observa o conteúdo do mediastino e. A toracotomia utiliza-se quando os procedimentos de toracentese. É possível identificar a causa do problema pulmonar em mais de 90 % das pessoas que se submetem a esta intervenção. se for necessário. Quando se requerem amostras de ambos os pulmões. a broncoscopia ou a mediatinoscopia não dão informação suficiente. Em caso de necessidade. Este síndroma é uma urgência médica que pode verificar-se em pessoas que anteriormente tinham pulmões normais. A toracotomia pratica-se sob anestesia geral na sala de operações. Liga-se a uma bomba de aspiração uma das extremidades de um tubo flexível de plástico. A outra extremidade introduz-se através do nariz ou da boca até ao interior da traqueia. A seguir. Apesar de este procedimento ser um dos mais exactos para avaliar as doenças pulmonares. Toracotomia A toracotomia é uma intervenção que consiste na abertura da parede torácica para observar os órgãos internos. esta afecção também pode manifestar-se nas crianças. Uma vez nesta posição. porque se pode observar e seleccionar o ponto de onde se extrairá uma amostra de tecido que pode ser de tamanho suficiente.uma pequena incisão precisamente por cima do esterno. Causas A insuficiência respiratória pode ser causada por qualquer doença que afecte directa ou . um lobo ou o pulmão completo. Síndroma de insuficiência respiratória aguda A síndroma de insuficiência respiratória aguda (também chamada síndroma de dificuldade respiratória do adulto) é um tipo de insuficiência pulmonar provocada por diversas perturbações que causam a acumulação de líquido nos pulmões (edema pulmonar). Apesar de.

De modo geral. Este aparelho fornece oxigénio à pressão através de um tubo inserido no nariz. com tratamento adequado podem sobreviver cerca de 50 % das pessoas que sofrem da síndroma de insuficiência respiratória. se a situação do doente não melhorar. o sangue e o líquido escapam pelos espaços que se encontram entre os alvéolos e. O doente sente no início falta de ar. A pele pode aparecer manchada ou azulada devido à baixa concentração de oxigénio no sangue e a função de outros órgãos como o coração e o cérebro pode ser afectada. passam para o interior dos próprios alvéolos. Pode ser necessário efectuar exames complementares para confirmar que a insuficiência cardíaca não é a causa do problema. Quando o oxigénio fornecido com uma máscara não é suficiente. A administração de oxigénio é fundamental para corrigir os valores baixos do mesmo. A análise dos gases no sangue arterial evidencia a baixa concentração de oxigénio (Ver secção 4. No caso de um tratamento de longa duração com respiração assistida. em condições normais. Complicações e prognóstico A falta de oxigénio causada por esta síndroma pode produzir complicações noutros órgãos pouco tempo depois do início da doença ou. Sem um tratamento imediato. Dado que são menos resistentes às infecções pulmonares. Quando os pequenos sacos de ar (alvéolos) e os capilares do pulmão ficam afectados.indirectamente os pulmões. os pulmões não podem funcionar normalmente. O êxito dos tratamentos adicionais depende da causa subjacente da síndroma de insuficiência respiratória do adulto. capítulo 32) e as radiografias do tórax mostram líquido em espaços que. finalmente. deveriam conter ar. como a administração de líquidos ou de alimentos por via endovenosa. Também são importantes outros tratamentos de apoio. a falta grave de oxigénio provocada por esta síndroma causa a morte em 90 % dos casos. No entanto. ao fim de dias ou de semanas. Como consequência disso. Por exemplo. Tratamento As pessoas que sofrem desta síndroma recebem tratamento na unidade de cuidados intensivos. A carência prolongada de oxigénio pode causar complicações tão graves como a insuficiência renal. porque uma concentração excessiva de oxigénio pode lesar os pulmões e agravar a síndroma de insuficiência respiratória do adulto. Aproximadamente um terço das pessoas que sofrem desta síndroma desenvolvem-na em consequência de uma infecção grave e extensa (sepsia). deve usar-se um ventilador mecânico. geralmente com uma respiração rápida e pouco profunda. os antibióticos administram-se para combater a infecção. A inflamação subsequente pode levar à formação de tecido cicatricial. porque a desidratação ou a desnutrição podem aumentar as probabilidades de que vários órgãos deixem de funcionar (processo chamado falência multiorgânica). Sintomas e diagnóstico Geralmente. Pode regular-se a pressão para ajudar a manter abertos os alvéolos e as vias aéreas inferiores e para se assegurar de que os pulmões não recebem uma concentração excessiva de oxigénio. as pessoas que respondem imediatamente ao tratamento restabelecem-se por completo quase sem qualquer alteração pulmonar a longo prazo. O médico pode ouvir sons crepitantes ou sibilantes nos pulmões com um fonendoscópio. na boca ou na traqueia: essa pressão ajuda a forçar a passagem de oxigénio para o sangue. os doentes são mais propensos a formar tecido cicatricial nos pulmões. Esse processo pode melhorar poucos meses depois de ter deixado o ventilador. a síndroma da insuficiência respiratória aguda ocorre entre as 24 horas e as 48 horas depois de ter acontecido a lesão original ou a doença. Este último aspecto é importante. . é frequente que os afectados pela síndroma de insuficiência respiratória do adulto sofram uma pneumonia bacteriana em algum momento do curso da doença.

Também pode formar-se um êmbolo de líquido amniótico durante o parto. um coágulo sanguíneo (trombo). pode produzir-se a síndroma de insuficiência respiratória do adulto. uma vez que o coágulo formado numa veia se liberta e passa para a corrente sanguínea. capítulo 30) Os coágulos tendem a formar-se quando o sangue circula lentamente ou não circula de todo.Causas de insuficiência respiratória aguda Uma infecção grave e extensa (sepsia) Pneumonia Pressão arterial muito baixa (choque) Aspiração (inalação) de alimentos para o interior do pulmão Várias transfusões de sangue Lesão pulmonar provocada pela respiração de concentração de oxigénio elevadas Embolia pulmoar Lesões do tórax Queimaduras Afogamento quase total Cirurgia derivativa (bypass) cardiopulmonar Inflamação do pâncreas (pancreatite) Sobredosagem de uma droga ou de um fármaco (como heroína. metadona. Isto pode ocorrer nas veias das pernas de alguém que permanece na mesma posição durante muito tempo. A embolia pulmonar é a obstrução repentina de uma artéria pulmonar causada por um êmbolo. Quando se obstruem muitos destes vasos. os êmbolos gordos e os de líquido amniótico são formas raras de embolia e. (Ver secção 4. (Ver secção 3. em caso de obstrução dos grandes vasos sanguíneos ou quando se sofre de uma doença pulmonar preexistente. O dano é reduzido ao mínimo quando o organismo desfaz rapidamente os pequenos coágulos. Causas O tipo mais frequente de êmbolo é um trombo que se formou habitualmente numa veia da perna ou da pélvis. Quando se fractura um osso. alojam-se nos pequenos vasos como as arteríolas e os capilares do pulmão. geralmente. de líquido amniótico. no caso de se formarem. pode ser insuficiente o volume de sangue fornecido para evitar a morte do tecido. capítulo 33) . De modo geral. Daí que os coágulos grandes possam causar morte súbita. portanto. É menos frequente que os coágulos comecem nas veias dos braços ou no lado direito do coração. No entanto. No entanto. podendo desprender-se o coágulo quando a pessoa começa a mover-se novamente. a lesão será maior. pode formar-se outro tipo de êmbolos a partir da gordura que sai da medula óssea e passa para o sangue. Os grandes demoram mais tempo a desintegrarem-se e. o que pode acontecer em 10 % das pessoas com embolia pulmonar. No entanto. mas podem também existir êmbolos gordos. é habitual que se desloque para os pulmões. é a situação conhecida como enfarte pulmonar. as artérias não obstruídas podem enviar sangue suficiente até à zona afectada do pulmão para impedir a morte do tecido. da medula óssea. um fragmento de tumor ou uma bolha de ar que se desloca através da corrente sanguínea até obstruir um vaso sanguíneo. propoxifeno ou aspirina) Embolia pulmonar Um êmbolo é.

frequentemente. os sintomas como falta de ar crónica. geralmente. frequentemente. por um lado. um exame de perfusão (cintigrafia ou gamagrafia).Sintomas É possível que os pequenos êmbolos não causem sintomas. inchaço dos tornozelos ou das pernas e debilidade. Pode aparecer uma dor torácica aguda. o resultado. . Nas imagens aparecem as áreas onde se troca o oxigénio. O médico pode. mas uma perfusão diminuída. Diagnóstico O médico pode suspeitar da existência de embolia pulmonar baseando-se nos sintomas e nos factores de predisposição de uma pessoa. A pessoa inala um gás inócuo que contém uma marca de material radioactivo que se distribui uniformemente pelos pequenos sacos de ar dos pulmões (alvéolos). mas os resultados anormais podem dever-se também a causas alheias à embolia pulmonar. A respiração é. por outro lado. Uma zona com embolia mostra uma ventilação normal. comparando este resultado com o modelo obtido no exame de perfusão (que indica o fornecimento de sangue). os sintomas do enfarte duram vários dias. a cintigrafia de perfusão associa-se à cintigrafia inalatória ou de ventilação pulmonar. há com frequência necessidade de certos procedimentos para poder confirmar o diagnóstico. este tipo de dor chama-se dor torácica pleurítica. tendem a desenvolver-se de forma progressiva ao longo de semanas. mas com frequência estas são transitórias e apoiam simplesmente a possibilidade de uma embolia pulmonar. Consiste em injectar na artéria uma substância de contraste (visível na radiografia) que flui até às artérias do pulmão. as áreas que não recebem um fornecimento normal porque não lhes chega nenhuma partícula radioactiva. A embolia pulmonar aparece na radiografia como uma obstrução arterial. quando não o são. Nas pessoas com episódios recorrentes de pequenos êmbolos pulmonares. Efectua-se. A arteriografia pulmonar é o método mais preciso para diagnosticar uma embolia pulmonar. Podem efectuar-se exames complementares para averiguar a origem do êmbolo. mas envolve algum risco e é mais incómoda que outros exames. Este pode ser o único sintoma. de um ritmo cardíaco irregular. especialmente quando não se produz o enfarte. Estes sintomas são. os sintomas de embolia pulmonar desenvolvem-se de forma brusca. normais e inclusive. mas habitualmente diminuem de forma progressiva. geralmente. Os resultados normais do exame indicam que a pessoa não sofre de uma obstrução significativa do vaso sanguíneo. de uma diminuição brusca da capacidade do coração para fornecer sangue oxigenado suficiente ao cérebro e a outros órgãos e. No entanto. mas a maioria provoca dispneia. Geralmente. é raro confirmarem a embolia pulmonar. As pessoas com oclusão de um ou de mais dos grandes vasos pulmonares podem ter a pele de cor azulada (cianose) e falecer de repente. Na imagem aparecem. onde se observa o fornecimento de sangue pulmonar (perfusão). dor torácica aguda ao respirar e febre. enquanto os sintomas de enfarte pulmonar se produzem em horas. Com frequência. No entanto. expectoração raiada de sangue. a escuro. muito rápida. especialmente quando a pessoa respira profundamente. desfalecimentos ou convulsões. Um electrocardiograma pode mostrar alterações. Geralmente. Os primeiros sintomas em algumas pessoas podem ser naúseas. meses ou anos. a ansiedade e a agitação podem ser acentuadas e o afectado pode manifestar sintomas de um ataque de ansiedade. Para isso injectase numa veia uma substância radioactivo que passa para os pulmões. as radiografias do tórax são. Uma radiografia do tórax pode revelar alterações ligeiras nas estruturas dos vasos sanguíneos após a embolia e alguns sinais de enfarte pulmonar. O enfarte pulmonar produz tosse. determinar se a pessoa tem uma embolia pulmonar. frequentemente.

A terapia com varfarina pode prolongar-se durante várias semanas ou meses. como a heparina. do tamanho e do número das artérias pulmonares obstruídas e do estado de saúde do doente. concebidas para activar a circulação do sangue. de analgésicos. Habitualmente. Desta maneira. A heparina não se utiliza nas operações relacionadas com a coluna vertebral ou o cérebro. Podem administrar-se doses baixas de heparina a pessoas hospitalizadas com alto risco de desenvolver embolia pulmonar. diminuem a frequência de embolia pulmonar. assim como a heparina. que também inibe a coagulação mas necessita de mais tempo para actuar. daí que a sua administração seja reservada a doentes com alto risco de desenvolver coágulos e aos que sofrem de insuficiência cardíaca. reduzem a formação de coágulos na barriga da perna e. administram-se para evitar o aumento de volume dos coágulos sanguíneos existentes e para prevenir a formação de novos coágulos. Para os doentes em período pós-operatório. exercícios para as pernas. diminui o risco de formação de coágulos. por conseguinte. Tratamento Inicia-se o tratamento da embolia pulmonar com a administração de oxigénio e. As meias de compressão para as pernas. o tratamento . Os anticoagulantes. Prevenção Utilizam-se vários meios para impedir a formação de coágulos nas veias das pessoas com risco de embolia pulmonar. A duração do tratamento anticoagulante depende da situação do doente. é o fármaco aconselhável para um uso prolongado. trata-se de pessoas obesas com antecedentes de coágulos. A embolia pulmonar grave causa a morte no prazo de uma ou duas horas. como a reparação da fractura da anca ou a substituição desta articulação. para diminuir as probabilidades de formação de coágulos nas veias da barriga das pernas. A heparina pode causar hemorragias e atrasar a cura. a menos que o êmbolo obstrua metade ou mais dos vasos pulmonares. A varfarina pode administrar-se por via oral em algumas intervenções cirúrgicas particularmente propensas a causar coágulos. A heparina e a varfarina administram-se conjuntamente durante 5 a 7 dias. Geralmente. imediatamente antes da intervenção e durante os 7 dias seguintes. devendo regular-se cuidadosamente a dose. se for necessário. que se administra por via endovenosa. até que as análises ao sangue demonstrem que a varfarina já previne os coágulos de modo efectivo. Em seguida administra-se a varfarina. pode causar hemorragias. O tratamento com fármacos que inibem a coagulação (anticoagulantes) pode reduzir a frequência das recidivas em um de cada 20 casos. como a cirurgia. por debaixo da pele. deixar a cama e recomeçar a actividade o mais cedo possível. mesmo que não se submetam a cirurgia. especialmente se já são de idade. recomenda-se o uso de meias elásticas. Cerca metade destas recidivas podem ser mortais. A heparina administra-se por via endovenosa para obter um efeito rápido. depois da cirurgia. Dado que a varfarina se pode tomar por via oral. A heparina (um anticoagulante) é o tratamento mais amplamente utilizado. O risco de embolia é maior em pessoas com perturbações cardíacas ou pulmonares graves.Prognóstico As probabilidades de falecer por causa da embolia pulmonar dependem do tamanho do êmbolo. O dextrano. Injecta-se em doses baixas. sobrevivem as pessoas com uma função cardíaca e pulmonar normais. Aproximadamente 50 % das pessoas com embolia pulmonar não tratada podem ter outra no futuro. choque ou uma doença pulmonar crónica. dado que o risco de hemorragias nestas zonas é muito elevado. também ajuda a prevenir os coágulos mas. Quando a embolia pulmonar é consequência de um factor de predisposição temporário.

a uroquinase ou o activador do plasminógeno tecidular. Causas que predispõem à coagulação É possível que não se conheça a causa da coagulação do sangue nas veias. Quando os êmbolos se repetem apesar de todos os tratamentos de prevenção ou se os anticoagulantes causam hemorragias significativas. Esses factores consistem em: Cirurgia Repouso prolongado na cama ou inactividade (como estar sentado durante muito tempo num automóvel ou a viajar de avião) Icto (enfarte cerebral) Ataque cardíaco Obesidade Fractura da bacia ou da perna Aumento da tendência coagulante do sangue (por exemplo. o tratamento continua. como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia. geralmente. Pode ser causada por vírus. a bronquite pode ser grave em pessoas com doenças crónicas que sofrem de afecções cardíacas ou pulmonares e também em pessoas de idade avançada. por uma infecção. mas algumas vezes deve prosseguir durante um tempo indefinido. bactérias e. em grávidas ou em pessoas que tenham sofrido um icto. A embolectomia pulmonar (extracção do êmbolo da artéria pulmonar) pode evitar um desenlace mortal. Podem sofrer de ataques repetidos os fumadores e as pessoas que sofrem . por gérmenes semelhantes às bactérias.mantém-se durante 2 ou 3 meses. Existem duas formas de tratamento que podem ser úteis em pessoas cuja vida corra perigo por causa da embolia pulmonar: a terapia trombolítica e a cirurgia. estes fármacos não se podem utilizar em pessoas que tenham sido operadas nos dez dias precedentes. No entanto. durante 3 ou 6 meses. podem ser eficazes. especialmente. nem naquelas propensas a hemorragias excessivas. Os coágulos orginam-se geralmente nas pernas ou na pélvis e este filtro impede que cheguem à artéria pulmonar. O doente deve fazer análises periódicas ao sangue enquanto durar a terapia com varfarina para determinar se a dose deve ser modificada. geralmente. um filtro ao nível da veia cava que recolhe a circulação da parte inferior do corpo (incluindo as pernas e a pélvis) e que desemboca no lado direito do coração. mas muitas vezes existem certos factores óbvios de predisposição. Causas A bronquite infecciosa manifesta-se com maior frequência durante o Inverno. geralmente. Pode recorrer-se à cirurgia para salvar a vida de uma pessoa com uma embolia grave. Os fármacos trombolíticos (substâncias que dissolvem o coágulo) como a estreptoquinase. pode colocar-se. No entanto. devido a certas formas de cancro. Se a causa é um processo de longa duração. ao uso de anticoncepcionais orais e por causa de uma deficiência hereditária de um inibidor da coagulação do sangue) Bronquite A bronquite é uma inflamação dos brônquios causada. A doença é. através de cirurgia. ligeira e costuma curar-se totalmente.

o tabaco e outros fumos. Se os sintomas persistirem. sulfureto de hidrogénio. ao fim dos quais os sintomas melhoram. os afectados são os brônquios (vias aéreas que têm origem a partir da traqueia). febre ligeira e inflamação da garganta. a pessoa pode sentir falta de ar. a tosse é seca e pode continuar assim. cansaço. uma parte do pulmão reduz-se de tamanho (colapso) devido à perda de ar. Pode desenvolver-se uma pneumonia. Também são frequentes os sibilos. mas as crianças devem tomar somente paracetamol.de doenças crónicas pulmonares ou das vias aéreas inferiores. o começo da bronquite. especialmente depois de tossir. com frequência. Nas crianças. de bronquiectasias. Sintomas e diagnóstico Muitas vezes. é necessário efectuar uma radiografia do tórax para se ter a certeza de que a pessoa não evoluiu para uma pneumonia. Tratamento Os adultos podem tomar aspirina ou paracetamol para baixar a febre e aliviar o mal-estar. com frequência. A bronquite irritativa pode ser causada por várias espécies de poeiras. de amígdalas e de adenóides inflamados. como o ozone e o peróxido de azoto. Administra-se. o diagnóstico de bronquite baseia-se nos sintomas. ao fim de um ou dois dias a pessoa expectora pequenas quantidades de expectoração branca ou amarelada. substâncias irritantes da poluição. eritromicina quando se considera a possibilidade de uma pneumonia por Mycoplasma. dores nas costas e nos músculos. No início. Habitualmente. Os antibióticos não são úteis em infecções víricas. Bronquiectasias . a bronquite infecciosa começa com os sintomas de um resfriado comum: nariz que pinga. O sintoma da tosse assinala. a amoxicilina é o fármaco preferido habitualmente. Na atelectasia. (Ver secção 4. que dificultam a eliminação de partículas aspiradas nos brônquios. Nas bronquiectasias. capítulo 37) As infecções recorrentes podem ser consequência de uma sinusite crónica. nas crianças. Os antibióticos administram-se a doentes com sintomas de bronquite produzidos por uma infecção bacteriana (no caso de uma expectoração com expectoração de cor amarela ou verde e febre alta) e a doentes que já sofrem de uma doença pulmonar. calafrios. Em pessoas com bronquite grave pode aparecer febre elevada durante 4 ou 5 dias. geralmente. alguns solventes orgânicos. tetraciclina ou ampicilina. que pode ser de cor amarela ou verde. Mais tarde. dióxido de enxofre e brometo. No entanto. cloro. a tosse pode persistir durante várias semanas. Quando as vias aéreas inferiores estão obstruídas. Recomenda-se o repouso e a ingestão abundante de líquidos. Os adultos podem tomar trimetoprim/sulfametoxazol. Uma cultura da expectoração pode indicar a necessidade de outro tipo de antibiótico quando os sintomas forem persistentes ou recorrentes ou quando a bronquite for muito grave. Bronquiectasias e atelectasia Tanto a bronquiectasia como a atelectasia são o resultado de uma lesão parcial do tracto respiratório. pode expulsar muito mais expectoração. amoníaco. de alergias e. vapores de ácidos fortes. especialmente no aspecto da expectoração. mas.

É típica a dilatação dos brônquios médios. Outras células também desempenham um papel na imunidade e na defesa do organismo contra os microrganismos invasores e as substâncias nocivas. os defeitos congénitos que afectam a estrutura das vias aéreas inferiores ou a capacidade das células ciliadas para expulsar o muco e os factores mecânicos.As bronquiectasias são a dilatação irreversível de um ou de vários brônquios na sequência de lesões na parede brônquica. Por vezes uma forma de bronquiectasia que afecta os grandes brônquios verifica-se na aspergilose broncopulmonar alérgica. a parede brônquica é formada por várias camadas que variam em espessura e em composição segundo as diferentes partes das vias aéreas. mas. Além disso. a inflamação dos vasos sanguíneos da parede brônquica pode provocar uma expectoração sanguinolenta. uma afecção causada por uma resposta imune ao fungo Aspergillus. A obstrução das vias aéreas inferiores pode levar a valores anormalmente baixos de oxigénio no sangue. as células ciliadas estão também danificadas ou destruídas e a produção de muco está aumentada. O revestimento interno (mucosa) e a camada imediatamente inferior (submucosa) contêm células que ajudam a proteger as vias aéreas inferiores e os pulmões das substâncias potencialmente perigosas. podendo surgir protuberâncias ou bolsas semelhantes a pequenos globos. podem predispor às infecções que conduzem às bronquiectasias. Nas bronquiectasias encontram-se áreas da parede brônquica destruídas e cronicamente inflamadas. Nos casos graves. amiudadamente. com lesão ulterior da parede brônquica. quer recorrente. sendo a mais frequente a infecção. permitindo a variação do seu diâmetro segundo as necessidades. (Ver secção 4. A área afectada torna-se mais dilatada e flácida. os brônquios pequenos apresentam espessamento ou obliteração. Além disso. estas são provavelmente consequência da aspiração de substâncias tóxicas que lesam os brônquios. obstrui os brônquios e favorece a estase das secreções infectadas. mas ocorre por diversas vias e em consequência de diversos processos que lesam a parede brônquica ao interferir com as suas defesas. quer crónica. esforçar-se excessivamente por causa da cicatrização e da perda de vasos sanguíneos no pulmão. Os vasos sanguíneos e o tecido linfático proporcionam os nutrientes e protegem a parede brônquica. A afecção pode ser difusa ou manifestar-se somente numa área ou duas. finalmente. A resposta imune anormal. capítulo 39) Normalmente. a formação de tecido cicatricial e uma perda de tecido pulmonar são. Fibras elásticas e musculares e uma camada cartilaginosa proporcionam estrutura às vias aéreas. outras são células ciliadas com finas estruturas semelhantes a pêlos. Muitas afecções podem causar bronquiectasias. Num número reduzido de casos. o coração pode. como a obstrução brônquica. cujos movimentos ajudam a eliminar as partículas e as mucosidades das vias aéreas inferiores. perde-se o tónus normal da parede. O aumento do muco promove o crescimento das bactérias. A inflamação pode propagar-se aos sacos de ar dos pulmões (alvéolos) e causar uma broncopneumonia. de forma directa ou indirecta. Bronquiectasias As bronquiectasias correspondem à dilatação dos brônquios . A bronquiectasia não é em si uma doença única. Umas segregam muco.

são necessároas radiografias para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do processo e a localização da doença. A maioria das pessoas desenvolve uma tosse de longa duração que produz expectoração. de modo geral. A bronquiectasia pode diagnosticar-se pelos sintomas ou pela presença de outro processo associado. . geralmente depois de uma infecção do tracto respiratório. também podem sofrer de bronquite crónica. Os episódios frequentes de pneumonia podem indicar também a existência de bronquiectasia. Quando as bronquiectasias se limitam a uma zona. costuma efectuar-se uma broncoscopia de fibra óptica (um exame utilizando um tubo de observação que se introduz nos brônquios) para determinar se a causa é um objecto estranho ou um tumor. como consequência. cuja quantidade e tipo dependem da extensão que a doença tenha e da presença de complicações por uma infecção associada. algumas zonas da parede brônquica estão destruídas e inflamadas de modo crónico. uma afecção que pode causar inchaço (edema) dos pés e das pernas. No entanto. especialmente estando deitado. por exemplo um lobo pulmonar. os sintomas podem não se manifestar senão muito tarde ou mesmo nunca. Os casos mais graves. podem esforçar o coração excessivamente. Podem efectuar-se outros exames para identificar as doenças subjacentes. confirmar o diagnóstico e é especialmente útil para determinar a extensão da doença no caso de se admitir um tratamento cirúrgico. Uma vez que se tenha diagnosticado a bronquiectasia. o processo começa com maior frequência na primeira infância. a produção de muco aumenta. brônquicas ou de esperma para determinar se as células ciliadas têm defeitos estruturais ou funcionais. efectua-se uma série de exames para determinar a doença ou doenças que a causam. mas algumas vezes detectam-se as alterações pulmonares causadas pelas bronquiectasias. Os sintomas começam gradualmente. enfisema ou asma. Os indivíduos que sofrem de bronquiectasia muito generalizada podem ter. e tendem a piorar com o passar dos anos.Sintomas e diagnóstico Apesar de as bronquiectasias poderem ocorrer em qualquer idade. A tomografia axial computadorizada (TAC) de alta resolução pode. Bronquiectasias Nas bronquiectasias. ocasionando uma insuficiência cardíaca. além disso. A radiografia do tórax pode estar normal. que se produzem com maior frequência nos países menos desenvolvidos. da concentração do sal no suor (que é anormal na fibrose quística) e no exame de amostras nasais. No entanto. Com frequência a pessoa tem acessos de tosse somente pela manhã e pela tarde. Esses exames podem consistir numa análise dos valores das imunoglobulinas no sangue. sibilos ao respirar ou falta de ar. acumulação de líquido no abdómen e maior dificuldade em respirar. como a aspergilose broncopulmonar alérgica. as células ciliadas estão destruídas ou deterioradas e. A tosse com sangue é algo comum e pode ser o primeiro e único sintoma.

evitando a hipersedação por fármacos ou álcool e solicitando cuidados médicos no caso de sintomas neurológicos. especialmente naqueles indivíduos com aspergilose broncopulmonar alérgica. Pode efectuar-se uma broncoscopia para detectar e tratar uma obstrução brônquica antes que se verifiquem danos graves. é necessário extirpar cirurgicamente uma parte do pulmão. No tratamento das bronquiectasias em doentes com grandes quantidades de secreções. ---------------------------------------------. A administração de imunoglobulinas na síndroma de deficiência imunoglobulínica pode evitar as infecções recorrentes e as complicações derivadas das mesmas.1-Brônquios normais&amp. os diuréticos podem aliviar o edema. como a perda de consciência ou problemas gastrointestinais. pode também prevenir as bronquiectasias ou reduzir a sua gravidade. se prescrevem durante um longo período para impedir recidivas. O uso adequado de fármacos anti-inflamatórios como os corticosteróides pode prevenir as lesões brônquicas que causam as bronquiectasias. Quando existe falta de ar ou se observam sibilos ao respirar. gases. As infecções tratam-se com antibióticos. capítulo 31) várias vezes ao dia. a regurgitação ou a tosse depois de comer. Por outro lado. a administração de oxigénio ajuda a prevenir complicações como o cor pulmonale (uma afecção cardíaca relacionada com uma doença pulmonar). Se a concentração de oxigénio no sangue é baixa. A vacinação anual contra o vírus da gripe ajuda a prevenir os efeitos nocivos desta doença. Este tipo de cirurgia só é opção quando a doença se limita a um pulmão ou de preferência a um lobo ou a um segmento do mesmo. uma vez que podem ser aspirados para os pulmões. costumam ser úteis os fármacos broncodilatadores. Se a pessoa sofre de insuficiência cardíaca. os quais.nbsp.2-Bronquiectasias Prevenção As vacinas infantis contra o sarampo e a tosse convulsa contribuíram para diminuir o risco de contrair bronquiectasias. fumo (incluindo o tabaco) e poeiras tóxicas (como o silício ou o talco) contribuem para prevenir a bronquiectasia ou pelo menos para diminuir a sua gravidade. A cirurgia é uma alternativa para as pessoas que sofrem de infecções repetidas . Por um lado. como a dificuldade em deglutir. Evitar a aspiração de vapores tóxicos. Também se podem administrar fármacos anti-inflamatórios como os corticosteróides e os mucolíticos (fármacos que diluem o pus e a mucosidade). a vacina antipneumónica pode ajudar a evitar os tipos específicos de pneumonia pneumónica com as suas graves complicações. como a pneumonia e a tuberculose. Recomenda-se evitar a instilação de gotas oleosas ou óleos minerais na boca ou no nariz ao deitar. é fundamental a drenagem postural e a percussão do tórax (Ver secção 4. Tratamento Não se recomendam os fármacos que suprimem a tosse porque podem complicar o processo. a administração de antibióticos durante a primeira fase de infecções. Em casos excepcionais. A aspiração de objectos estranhos para as vias aéreas pode evitar-se controlando o que a criança leva à boca. às vezes.

A obstrução pode ser consequência de um rolhão de muco. como a artrite reumatóide e a colite ulcerosa Abuso de drogas. Depois de uma cirurgia. soro e muco e. heroína Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) Outras situações Síndroma de Young (azoospermia obstrutiva) Síndroma de Marfan Atelectasia A atelectasia é uma doença na qual uma parte do pulmão fica desprovida de ar e colapsa. A causa principal da atelectasia é a obstrução de um brônquio principal. Podem causar atelectasia tanto a cirurgia . não se verifica intercâmbio de gases entre o sangue e os alvéolos. gases. Causas de bronquiectasias Sarampo Tosse convulsiva Infecção por adenovírus Infecção bacteriana. finalmente. especialmente a torácica ou a abdominal. O brônquio pode também ser obstruído por uma pressão externa. como um tumor ou a tumefacção dos gânglios linfáticos. ou partículas Lesões por inalação Aspiração de ácido do estômago e partículas de alimentos Fibrose quística Condições genéticas Discinesia ciliar.apesar do tratamento ou que expectoram grande quantidade de sangue. incluindo a síndroma de Kartagener De ficiência de alfa1-antitripsina Síndroma de deficiência de imunoglobulina Disfunções dos glóbulos brancos Alterações do sistema Deficiências do complemento imune Determinadas perturbações auto-imunes ou hiperimunes. intervir para obstruir o vaso sangrante. de um tumor ou de um objecto aspirado até ao brônquio. O tecido pulmonar que sofreu o colapso enche-se geralmente de células sanguíneas. a respiração é com frequência menos profunda e as zonas inferiores do pulmão não se expandem adequadamente. por Klebsiella Infecções respiratórias Staphylococcus (estafilococo) ou Pseudomonas Gripe Tuberculose Infecção por fungos Infecção por micoplasma Aspiração de objectos Gânglios linfáticos aumentados de volume Obstrução brônquica Tumor pulmonar Rolhão de muco Lesões por vapores nocivos. Em caso de hemorragia. por exemplo. Também as vias aéreas inferiores se podem obstruir. fazendo que estes encolham e se retraiam. Quando uma via aérea se obstrui. infecta-se. por exemplo. às vezes. deve-se. uma das duas das ramificações da traqueia que conduzem directamente aos pulmões.

mas. Na síndroma do lobo médio. Administram-se antibióticos para evitar uma possível infecção. mesmo no final da expiração. . às vezes. Podem ser úteis os exercícios e os dispositivos para melhorar a respiração. geralmente devido à pressão exercida sobre o brônquio por um tumor ou por gânglios linfáticos aumentados. as forças criadas pela alta velocidade de voo fecham as vias aéreas inferiores. podem recorrer ao uso de aparelhos mecânicos que ajudam a respirar. que se manifestam nos pilotos de aviões de caça. Esses aparelhos aplicam uma pressão contínua aos pulmões. deteriora a sua função ou quando se verifica uma hemorragia profusa. No pulmão obstruído e contraído pode desenvolverse uma pneumonia que não chega a curar completamente e que produz inflamação crónica. A atelectasia crónica costuma tratar-se com antibióticos. Sintomas e diagnóstico A atelectasia pode desenvolver-se lentamente e causar só uma dispneia ligeira. Quando os bebés prematuros têm uma deficiência de substância tensioactiva. isto acontece sem que haja compressão brônquica. Os indivíduos com deformidades torácicas ou afecções neurológicas que os obriguem a uma respiração pouco profunda durante longos períodos. às vezes. tussa regularmente e comece a movimentar-se quanto antes. recorrente ou persistente. Para encontrar a causa da obstrução. de modo que. Nas atelectasias por aceleração. Os médicos suspeitam de atelectasia baseando-se nos sintomas e nos resultados do exame físico. dado que a infecção é quase inevitável. pode efectuar-se uma tomografia axial computadorizada (TAC) ou uma broncoscopia de fibra óptica. produz-se uma hipotensão grave (choque). as vias aéreas inferiores não possam colapsar. cicatrização e bronquiectasias. costuma eliminar-se com a broncoscopia. uma infecção generalizada grave (sepsia) ou por muitos outros factores que lesam o revestimento dos alvéolos. embora muitos tenham acessos de tosse seca. Os indivíduos com a síndroma do lobo médio podem não manifestar qualquer sintoma. O diagnóstico confirma-se com uma radiografia do tórax que mostra a zona desprovida de ar. Em certos casos. o lobo médio do pulmão direito colapsa. recomenda-se ao doente que respire profundamente. produzindo um colapso dos alvéolos. Se o processo for acompanhado de infecção. desenvolvem a síndroma de dificuldade respiratória neonatal.como outras causas de respiração pouco profunda. pode também aparecer febre e uma frequência cardíaca acelerada. a pessoa pode adquirir uma coloração azul ou lívida e sofrer uma dor aguda no lado afectado. Nas microatelectasias fibrosas ou difusas altera-se o sistema tensioactivo do pulmão. Quando uma obstrução não pode ser eliminada tossindo ou aspirando as vias aéreas inferiores. Quando se trata de um tumor que está a obstruir a via respiratória. com ataques de extrema dispneia. Embora os indivíduos que fumam sejam mais propensos a desenvolver atelectasia. evitando o seu colapso. Os adultos podem sofrer também de microatelectasia devida a uma terapia excessiva de oxigénio. O tratamento principal para a atelectasia súbita de grande escala é suprimir a causa subjacente. Quando se verifica rapidamente uma atelectasia numa grande área do pulmão. a parte afectada do pulmão pode ser extirpada quando a infecção. A substância tensioactiva é a que cobre o revestimento dos alvéolos e reduz a tensão superficial alveolar. podem diminuir o risco deixando de fumar durante 6 a 8 semanas antes da intervenção. um tipo de atelectesia de longa duração. aliviar a obstrução com cirurgia ou outros meios ajuda a prevenir a evolução da atelectasia e o desenvolvimento de uma pneumonia obstrutiva recorrente. Depois de uma intervenção. Prevenção e tratamento O doente deve adoptar medidas para evitar a atelectasia depois de uma intervenção cirúrgica.

No caso da asma. As outras células que revestem os brônquios têm três tipos principais de receptores de superfície especializados que detectam a presença de substâncias e estimulam a contracção e o relaxamento dos músculos subjacentes. Entre 1982 e 1992. Causas . A asma afecta muitos milhões de pessoas e a sua frequência vai aumentando. onde se produz a troca de oxigénio e de anidrido carbónico. nos países industrializados. as vias aéreas inferiores se dilatem e facilitem a entrada e a saída do ar. a obstrução é completamente reversível. A seguir. A afecção parece também tornar-se mais grave. transportam o ar para dentro e para fora dos sacos de ar (alvéolos). o ar passa pelos brônquios principais. Na década mencionada. o índice de mortalidade por asma em alguns destes países aumentou 35 %. como consequência. Os brônquios principais. um para cada pulmão. A obstrução de uma via respiratória pode ser reversível ou irreversível. capítulo 31) Os brônquios e os bronquíolos são basicamente tubos com paredes musculares. Os receptores colinérgicos estimulados pela acetilcolina e os receptores peptidérgicos estimulados pela neuroquinina fazem com que os músculos se contraiam. Na doença pulmonar crónica obstrutiva. passa pela garganta (faringe) para o interior de uma série de canais semelhantes a tubos que começam na cavidade dos órgãos de fonação (laringe) e da traqueia. a obstrução é parcialmente reversível. com um aumento de hospitalização entre os afectados. O seu revestimento interno é uma membrana mucosa que contém células que produzem mucosidade. (Ver secção 4. direito e esquerdo. Árvore brônquica Asma A asma é uma doença caracterizada pelo estreitamento dos brônquios devido ao aumento da reactividade brônquica face a diversos estímulos que produzem a inflamação. por último. enquanto a provocada pelo enfisema é irreversível. por conseguinte. o número de pessoas com asma aumentou 42 %. Quando recebem os estímulos. as vias aéreas inferiores estreitam-se e a ventilação é dificultada. Os bronquíolos. dividem-se sucessivamente em ramificações cada vez mais pequenas (bronquíolos) à medida que se introduzem mais profundamente nos pulmões. o estreitamento das vias aéreas é reversível. os receptores beta-adrenérgicos fazem com que os músculos se relaxem e que.Doenças obstrutivas das vias respiratórias Depois de o ar penetrar no corpo através do nariz e da boca.

outro tipo de células que se encontram nas vias aéreas das pessoas que sofrem de asma. contribuindo assim para o estreitamento da via respiratória. o fumo. a asma é também frequente e grave em muitas pessoas sem alergias definidas. particularmente os mastócitos sejam a causa do estreitamento. Acontece uma reacção semelhante quando uma pessoa com asma faz exercício ou respira ar frio. No entanto. que incluem os leucotrienos e outras substâncias. Algumas pessoas que sofrem de asma não têm sintomas a maior parte do tempo. tosse e dispneia.Espasmo da via respiratória 1-Via respiratória normal Sintomas e complicações Os ataques de asma variam em frequência e em intensidade. o stress e a ansiedade podem fazer com que os mastócitos libertem histamina e leucotrienos. os ácaros presentes no pó da casa ou nas escamas do pêlo dos animais. Os eosinófilos. Crê-se que certas células das vias aéreas. obrigando a pessoa a desenvolver um esforço maior para que o ar entre e saia dos seus pulmões. aumentando o estreitamento da via respiratória. O estreitamento pode ser provocado pela reacção a substâncias que produzem alergia. tosse ou uma opressão no peito. Os mastócitos podem libertar essas substâncias como resposta a algum estímulo que reconheçam como estranho (um alergénio). os ácaros presentes no pó da casa. Instintivamente. Em ambos os casos. Os mastócitos estão distribuídos pelos brônquios e libertam substâncias como a histamina e os leucotrienos que provocam a contracção da musculatura lisa. estreitando a via respiratória. o ar frio e o exercício. Este facto reduz o diâmetro dos brônquios (processo chamado de broncoconstrição). com sintomas que se agravam de forma gradual. estimulam um aumento de secreção do muco e a migração de certos glóbulos brancos. 4-Rolhões de muco 3-Mucosa edemaciada 2. outras tossem e têm sibilos quase continuamente e sofrem também de ataques graves depois de infecções virais. com episódios ligeiros de falta de ar. O choro ou um riso forte também podem provocar sintomas. criando ansiedade. um acesso de asma pode começar lentamente. Igualmente. Por outro lado. esforços ou exposição a agentes alergénicos ou irritantes.Os brônquios das pessoas que sofrem de asma estreitam-se como resposta a certos estímulos que não afectam as vias aéreas dos pulmões normais. O prurido no peito ou no pescoço pode ser um sintoma inicial. os músculos lisos dos brônquios provocam um espasmo e os tecidos que revestem as vias aéreas inflamam-se. breves e ocasionais. os indivíduos com asma habitualmente sentem primeiro falta de ar. Outras vezes. especialmente nas crianças. Durante um ataque de asma. como o pólen. A tosse seca à noite ou durante o exercício pode ser o único sintoma. O ataque pode desaparecer em poucos minutos ou pode durar horas ou inclusive dias. as escamas do pêlo dos animais. como o pólen. A mucosa edemacia-se por causa da inflamação e produz uma quantidade maior de muco. Como as vias respiratórias se estreitam Durante um ataque de asma. a pessoa senta-se e inclina-se para a frente. Os sibilos são particularmente perceptíveis quando a pessoa expira. o músculo liso contrai-se. A dispneia pode tornar-se grave durante um ataque de asma. Um ataque de asma pode começar de repente com respiração sibilante. segregando muco. usando o pescoço e os músculos do tórax para ajudar na . libertam substâncias adicionais.

Geralmente. O espirómetro é utilizado também para avaliar a gravidade da obstrução das vias aéreas e para supervisar o tratamento. Quando o volume expiratório máximo por segundo diminui em mais de 15 %. Contudo. é possível que a asma seja induzida pelo exercício (esforço). o diagnóstico pode confirmar-se com uma segunda prova na qual a pessoa inala broncoconstritores em aerossol em doses demasiadamente baixas para afectar uma pessoa normal. a pessoa só pode balbuciar algumas palavras entre os esforços para respirar. Se o volume expiratório máximo por segundo diminuir em mais de 20 % depois de ter inalado o alérgeno. repetem-se as medições com o espirómetro. para determinar o grau de sensibilização pode fazerse uma análise de sangue que meça a concentração de anticorpos formados contra a substância que provoca reacções alérgicas. Os testes de alergia cutânea podem ajudar a identificar os alergénios que desencadeiam os sintomas da asma. uma resposta alérgica a um teste cutâneo não significa necessariamente que o alergénio que se está a analisar seja o causador da asma. No entanto. Habitualmente. o médico utiliza o espirómetro para medir o volume expiratório máximo por segundo antes e depois do exercício praticado numa passadeira rolante ou numa bicicleta estática. Quando o médico suspeita de um alergénio em particular. No exame da asma induzida pelo exercício. O suor é uma reacção frequente ao esforço e à ansiedade. Prevenção e tratamento . é possível que este seja o causador da asma.respiração. O diagnóstico de asma pode confirmar-se quando as provas repetidas com o espirómetro (Ver secção 4. indicam que o estreitamento da via respiratória diminuiu e é portanto reversível. confirma-se o diagnóstico de asma. Dado que este teste tenta provocar um episódio de estreitamento da via aérea. inclusive de um ataque de asma grave. a respiração sibilante pode diminuir. existe um risco ligeiro de um ataque de asma grave. a pessoa restabelece-se completamente. as velocidades máximas de débito são inferiores ao valor normal entre as 4 e as 6 horas da manhã e são superiores às 4 horas da tarde. Quando o diagnóstico de asma é duvidoso ou quando é essencial identificar a substância que provoca os ataques. Estas complicações pioram a dispneia. a pessoa inala uma solução muito diluída de um alergénio. capítulo 32). essa medição é conhecida como volume expiratório máximo por segundo (VEMS1). O próprio indivíduo deve aperceber-se se os ataques se verificam depois da exposição a esse alergénio. mas apesar disso continua a necessitar de ar. a sonolência e a pele de cor azulada (cianose) são sinais de diminuição grave de oxigénio no sangue que requerem um tratamento de urgência. Durante um ataque agudo. principalmente. A seguir. Em primeiro lugar. nos sintomas característicos que o doente descreve. uma diferença acima de 15 % a 20 % entre as velocidades alcançadas nestes momentos do dia considera-se como evidência de asma moderada a grave. O débito expiratório máximo (a velocidade máxima a que o ar pode ser expirado) pode medir-se utilizando um dispositivo de medição manual do débito máximo. A confusão. No entanto. efectuadas ao longo de vários dias. alguns alvéolos podem romper-se e o ar acumular-se na cavidade pleural (espaço compreendido entre os folhetos da membrana que envolve o pulmão) ou à volta dos órgãos no tórax. Cerca de 15 ou 20 minutos mais tarde. dado que é escasso o ar que entra e sai dos pulmões. Frequentemente. Se as vias aéreas não aparecem estreitadas durante a primeira prova. Diagnóstico O médico suspeita de asma baseando-se. este exame é utilizado em casa para controlar a asma. o médico utiliza um espirómetro para calcular o volume de ar que a pessoa pode expulsar dos pulmões num segundo expirando intensamente. Se as vias aéreas se estreitarem após a inalação. pode efectuar-se um teste de provocação por inalação. Muitas vezes é difícil determinar qual é o elemento que desencadeia a asma num indivíduo em particular. Embora seja raro.

pode administrar-se a teofilina por via endovenosa. produz-se muitas vezes um aumento da frequência cardíaca ou palpitações. O tratamento imediato para controlar os ataques de asma difere do tratamento mantido para prevenir os ataques. mas são mais propensos a provocar efeitos secundários e tendem a actuar mais lentamente. Encontram-se disponíveis novos broncodilatadores de acção prolongada. Os broncodilatadores que actuam selectivamente sobre os receptores beta2adrenérgicos. quando o organismo se adapta ao fármaco. causam efeitos secundários como taquicardia. Esses broncodilatadores. geralmente. desde comprimidos de acção imediata e xaropes. Quando se verifica um ataque grave de asma. Os broncodilatadores por via oral ou em injecções podem alcançar essas vias aéreas. A pessoa pode também experimentar insónia. os corticosteróides reduzem. fome. os ataques provocados pelo exercício podem evitar-se tomando com antecedência um medicamento. o uso prolongado de corticosteróides. Os corticosteróides evitam a resposta inflamatória do organismo e são excepcionalmente eficazes para reduzir os sintomas da asma. até cápsulas e comprimidos de libertação controlada e acção prolongada. pode provocar escassa capacidade de cura das feridas. A teofilina é outro fármaco que produz broncodilatação. mas não pode alcançar as vias aéreas gravemente obstruídas. como o albuterol. tornando as vias aéreas menos sensíveis a certos estímulos. Os corticosteróides por via oral ou injectados podem administrar-se durante uma ou duas semanas para aliviar um ataque grave de asma. administra-se por via oral e encontra-se em várias apresentações. Ambos os efeitos secundários desaparecem. por vezes com risco de morte. O valor da teofilina no sangue pode medir-se no laboratório e deve ser rigorosamente controlado por um médico. dor de cabeça e tremores musculares. A necessidade do uso constante indica um broncoespasmo grave que pode provocar uma insuficiência respiratória. gradualmente. Quando um doente asmático sente necessidade de aumentar a dose recomendada de estimulantes beta-adrenérgicos. intranquilidade. Estes broncodilatadores estimulam os receptores beta-adrenérgicos para que dilatem as vias aéreas. aumento de peso e perturbações mentais. deve receber cuidados médicos imediatos. prescrevem-se corticosteróides por inalação para uso prolongado. Frequentemente. agitação. dado que o abuso destes fármacos pode ser muito perigoso. A farmacoterapia permite que a maioria dos asmáticos leve uma vida relativamente normal. Geralmente. A inalação deposita o fármaco directamente nas vias aéreas. Geralmente. alguns como a adrenalina. dado que esta forma . dado que uma quantidade muito reduzida do fármaco no sangue proporciona escassos resultados. mas os efeitos duram somente de 4 a 6 horas. No entanto. enquanto uma quantidade excessiva pode provocar uma frequência cardíaca anormal ou convulsões potencialmente mortais. Os broncodilatadores podem administrar-se por via oral. provocam menos efeitos secundários que os broncodilatadores que actuam sobre todos os receptores beta-adrenérgicos. por via oral ou em injecção. Uma pessoa com asma que toma teofilina pela primeira vez pode sentir náuseas ligeiras ou nervosismo. em injecções ou por inalação e são altamente eficazes.Podem prevenir-se os ataques de asma quando se identificam e se evitam os factores desencadeantes. vómitos e convulsões. desenvolvimento insuficiente do crescimento das crianças. hemorragia no estômago. que se encontram sobretudo nas células pulmonares. têm poucos efeitos nos restantes órgãos. A maioria dos broncodilatadores actua em poucos minutos. de modo que actua rapidamente. perda de cálcio dos ossos. Quando se tomam durante períodos prolongados. mas devido ao facto de não actuarem tão rapidamente usam-se na prevenção mais do que nos ataques agudos de asma. Os agonistas dos receptores beta-adrenérgicos são os melhores fármacos para aliviar os ataques repentinos de asma e prevenir os ataques que o exercício possa causar. cataratas prematuras. elevadas concentrações de açúcar no sangue. Quando se tomam doses maiores. as probabilidades dos ataques de asma.

impedem que a acetilcolina provoque a contracção do músculo liso e a produção de mucosidade excessiva nos brônquios. são pouco eficazes para o tratamento da asma. são a última geração de fármacos disponíveis para controlar a asma. frequentemente. uma concentração de oxigénio no sangue inferior à normal. O cromoglicato e o nedocromil inibem a libertação. um tipo de teofilina. São úteis para prevenir os ataques. o médico pode controlar os valores de oxigénio e de anidrido . Previnem a acção ou a síntese de leucotrienos. os agonistas dos receptores beta-adrenérgicos são administrados através de um inalador manual ou de um nebulizador. como a atropina e o brometo de ipratrópio. Os corticosteróides por via oral prescrevem-se para um tratamento de longa duração somente quando nenhum outro tratamento consegue controlar os sintomas. Tratamento para os ataques de asma Um ataque de asma deve tratar-se o mais rapidamente possível para dilatar as vias aéreas pulmonares. de modo que a pessoa não tem de coordenar a respiração com a acção do nebulizador. inclusive quando a pessoa está livre de sintomas. Os modificadores de leucotrienos. Os fármacos anticolinérgicos. Os indivíduos que sofrem ataques graves e aqueles que não melhoram com outro tratamento podem ser tratados com injecções de corticosteróides. mas em doses mais elevadas ou em formulações diferentes. mas não para os tratar. mas relativamente caros e devem tomar-se regularmente. Estes fármacos ajudam a alargar ainda mais as vias aéreas nos doentes que já receberam agonistas dos receptores beta2-adrenérgicos. Estes fármacos são especialmente úteis nas crianças e nos doentes que sofrem de asma induzida pelo exercício. que são substâncias químicas produzidas pelo organismo que causam sintomas de asma. São muito seguros. Durante o tratamento da asma grave. Contudo. O nebulizador dirige o ar ou o oxigénio sob pressão através de uma solução do fármaco. zafirlukast e zileuton. o afectado pode receber líquidos por via endovenosa. Os antibióticos podem também ser necessários quando exista suspeita de infecção. tais como montelucaste. Dado que os indivíduos com asma grave têm.fornece 50 vezes mais fármaco aos pulmões do que ao resto do organismo. produzindo uma névoa que é inalada. por parte dos mastócitos. Geralmente utilizam-se os mesmos fármacos administrados para prevenir um ataque. geralmente por via endovenosa. podem receber oxigénio durante os ataques enquanto se lhes administra outro tratamento. Inalação de broncodilatadores A inalação de broncodilatadores efectua-se através do uso de nebulizadores. Quando a dificuldade respiratória é aguda. As formas menos eficazes de tratar os ataques de asma são as injecções subcutâneas de adrenalina ou terbutalina e endovenosas de aminofilina. Em caso de desidratação. de substâncias químicas inflamatórias e fazem com que as vias aéreas sejam menos propensas a contrair-se. Os nebulizadores produzem uma névoa constante.

Devem também evitar-se os fumos irritantes. Os doentes com ataques de asma muito fortes podem necessitar de respiração assistida. Também as almofadas e os forros dos colchões podem ajudar a reduzir a exposição a estes ácaros. Devem evitar-se os cães e os gatos. podem acrescentar-se ao regime diário o cromoglicato ou corticosteróides por inalação. especialmente durante a noite. um corante amarelo utilizado em pastilhas medicamentosas e em alimentos. As pessoas com asma costumam ser hospitalizadas quando a função pulmonar não melhora depois de se lhes ter administrado agonistas dos receptores beta-adrenérgicos e aminofilina. habitualmente com um espirómetro ou com um medidor do débito máximo. Qualquer acção para reduzir a exposição a estes alérgenos pode diminuir o número ou a gravidade dos ataques. abaixo de 50%) através do uso do ar condicionado. Como evitar as causas mais frequentes dos ataques de asma Os alergénios domésticos mais frequentes são os ácaros do pó de casa. por exemplo) e desta para os pulmões através da traqueia. a humidade relativa (de preferência. com o objectivo de diminuir as alergias provocadas pelas escamas dos seua pêlos. Em alguns indivíduos que sofrem de asma. Pode também associar-se teofilina quando os sintomas são persistentes.carbónico no sangue. como o dos cigarros. Se um inalador simples não contém medicação suficiente para aliviar os sintomas durante 4 a 6 semanas. Em geral. (Ver tabela da secção 4. as penas. pode . Pneumonia aspirativa A pneumonia aspirativa pode ser causada pelo refluxo do conteúdo do estômago até à faringe (vómito. se o dispositivo não for usado adequadamente. capítulo 32) Pode também medir a função pulmonar. a aspirina e outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides provocam ataques. como uma frequência cardíaca irregular. ou quando têm concentrações de oxigénio muito baixas ou concentrações de anidrido carbónico muito elevadas no sangue. podem usar aparelhos difusores ou de retenção. O uso excessivo de inaladores pode indicar que a pessoa tem uma asma potencialmente mortal ou que está a sofrer os efeitos secundários do uso excessivo. durante o Verão. pequenos contentores manuais que contêm gás à pressão. o fármaco não chega às vias respiratórias. as baratas e as escamas dos pêlos dos animais. São geralmente inaladores com dosímetro. A tartrazina. Tratamento crónico da asma Um dos tratamentos mais correntes e eficazes para a asma é um inalador que se enche com um estimulante dos receptores beta-adrenérgicos. dado que. a radiografia do tórax só é necessária nos ataques graves. É possíve reduzir a exposição aos ácaros tirando as alcatifas e mantendo baixa. Com qualquer tipo de inalador é fundamental uma técnica apropriada. A pressão faz com que o fármaco se pulverize com um conteúdo específico do medicamento. As pessoas que têm dificuldade com o uso do inalador.

como o cancro do pulmão. Os glóbulos brancos acumulam-se nos alvéolos inflamados e libertam enzimas (especialmente a elastase dos neutrófilos). em 10 % a 15 % dos fumadores. por isso.também provocar um ataque. A doença pulmonar crónica obstrutiva aparece muito frequentemente em algumas famílias. Com a passagem dos anos. na bronquite crónica a obstrução do fluxo de ar é parcialmente reversível. Para a obstrução do débito de ar. Por conseguinte. fumar aumenta muito mais o risco do que trabalhar em condições contaminantes. no enfisema. As causas que obstruem o débito de ar na doença pulmonar crónica obstrutiva são o enfisema e a bronquite crónica. depois de terem comido saladas num restaurante ou ter bebido cerveja ou vinho tinto. Trabalhar num ambiente contaminado por vapores químicos ou poeiras não tóxicas pode aumentar o risco desta doença. Por outro lado. A incidência do risco de morte por bronquite crónica e enfisema é mais elevada nos fumadores de cigarros do que nos não fumadores. A doença pulmonar crónica obstrutiva desenvolve-se. aproximadamente. que se juntam aos alimentos como conservantes. A mortalidade é também mais alta na etnia branca e nos operários do que nos trabalhadores administrativos. Se se sofrer dessa inflamação há algum tempo. entram em colapso quando expiram o ar. semelhantes a pêlos. Os fumadores de cachimbo e de charutos sofrem-na com maior frequência do que os não fumadores. o muco e o espasmo do músculo liso. pelo que os bronquíolos perdem o seu apoio estrutural e. Estes três últimos podem ocasionalmente variar de intensidade e melhorar em resposta aos fármacos broncodilatadores. É a segunda causa. de incapacitação laboral. a redução do fluxo de ar é permanente e é de origem estrutural. O enfisema é uma dilatação dos pequenos sacos de ar dos pulmões (alvéolos) e a destruição das suas paredes. . as paredes alveolares estão destruídas. danificando as minúsculas células ciliadas. Mais de 95 % de todas as mortes provocadas por doença pulmonar crónica obstrutiva verificam-se em pessoas com mais de 55 anos. os cachos de alvéolos ligados às vias aéreas inferiores (bronquíolos) têm uma estrutura relativamente rígida e mantêm abertas estas vias. fumar prejudica as defesas do pulmão. No entanto. a cicatrização das suas paredes. depois das doenças cardíacas. o edema do seu revestimento. que revestem as vias respiratórias e que geralmente transportam a mucosidade em direcção à boca e ajudam a expulsar as substâncias tóxicas. Causas As substâncias irritantes provocam a inflamação dos alvéolos. Assim. que lesam o tecido cojuntivo nas paredes dos alvéolos. Doença pulmonar crónica obstrutiva A doença pulmonar crónica obstrutiva (DPCO) é a obstrução persistente das vias respiratórias provocada por enfisema ou por bronquite crónica. A bronquite crónica manifesta-se como uma tosse crónica persistente que produz expectoração e que não se deve a uma causa clínica perceptível. a função pulmonar perde-se mais rapidamente nos fumadores de cigarros do que nos não fumadores. provocando uma secreção excessiva de muco. As glândulas brônquicas dilatam-se. podem desencadear ataques em pessoas propensas. Os sulfatos. sendo também a quarta causa mais frequente de morte. contribuem a inflamação das vias aéreas inferiores. É mais frequente nos homens que nas mulheres e tem maior mortalidade nos primeiros. na bronquite crónica. no caso do enfisema. pelo que poderá ter uma tendência hereditária. mas não tanto como os fumadores de cigarros. No entanto. pode evoluir-se para uma lesão permanente. maior é a perda da função pulmonar. Muitos milhões de pessoas sofrem de doença pulmonar crónica obstrutiva. Geralmente. Quanto mais cigarros se fumarem.

há maior participação dos músculos do pescoço e dos ombros. A análise efectua-se também nos familiares do afectado. Diagnóstico Na doença pulmonar crónica obstrutiva. Assim. Sintomas Os sintomas iniciais da doença pulmonar crónica obstrutiva. para além da respiração sibilante. o doente sente falta de ar nas actividades diárias. em parte. Numa pessoa que sofre desta doença. Quando a obstrução do fluxo de ar é ligeira ou moderada. não seja normal. Há muitas vezes uma tendência para sofrer resfriados peitorais. Nas fases avançadas desta doença. com frequência. Estas alterações prejudicam a troca de oxigénio e de anidrido carbónico entre os alvéolos e o sangue. deixar de fumar atrasa a progressão da dispneia incapacitante. O número de capilares nas paredes dos alvéolos diminui. especialmente nos fumadores. Nas fases mais avançadas. que na sua fase inicial poderia ter sido facilmente tolerada. uma infecção respiratória. A doença pulmonar crónica obstrutiva pode piorar se a pessoa tiver gripe ou pneumonia. Existe uma afecção hereditária rara em que há muito pouca ou nenhuma produção de alfa1-antitripsina no organismo. a concentração de oxigénio no sangue está diminuída. considera-se como uma tosse «normal» de fumador. Quando a pessoa tem dificuldade em respirar. são a tosse e o aumento das secreções. A pessoa deve também tentar evitar a exposição a partículas irritantes no ar. com frequência. que pode ser devido à insuficiência cardíaca. que ouve com o fonendoscópio. se torna amarela ou verde devido à presença de pus. verifica-se edema das pernas. desenvolvendo-se um enfisema por volta da meia-idade. Frequentemente. deve suspeitar-se de um défice de alfa1-antitripsina e determinar a concentração de proteínas no sangue. é mais difícil ouvir os ruídos da respiração com o fonendoscópio. o exame mostra uma redução do débito de ar durante uma expiração forçada. À medida que a doença evolui. a radiografia do tórax é normal. Nas primeiras fases da doença. caracteristicamente de manhã ao levantar. À medida que os anos passam esses catarros do peito podem tornar-se mais frequentes. Todas as formas de doença pulmonar crónica obstrutiva fazem com que o ar fique retido nos pulmões. requer-se o uso de um espirómetro para medir o volume espiratório máximo por segundo (Ver secção 4. cujo papel principal é evitar que a elastase dos neutrófilos danifique os alvéolos. ao agravamento da dispneia depois de comer. Os mesmos podem ser acompanhados de respiração sibilante. Cerca de um terço dos doentes sofre uma perda de peso importante. pode provocar dispneia grave e é um sinal de insuficiência respiratória aguda. ainda que. em que a expectoração. obviamente. com frequência. Por . vestir-se e preparar as refeições.O organismo produz uma proteína. que se deve. o médico pode não encontrar nada de anormal durante o exame físico. mas os valores de anidrido carbónico permanecem normais. a dispneia de esforço. No entanto. os movimentos do tórax diminuem durante a respiração. como lavar-se. Geralmente. que se torna progressiva. Tratamento A causa mais importante da doença pulmonar crónica obstrutiva é sem dúvida o tabaco (cigarros) e o tratamento principal consiste em deixar de fumar. capítulo 32) para demonstrar a obstrução do débito de ar e estabelecer o diagnóstico. a qual com frequência é mais evidente para os membros da família do que para o próprio doente. Por último. denominada alfa1-antitripsina. Então. em qualquer fase da doença deixar de fumar tem a sua utilidade. Se uma doença pulmonar crónica obstrutiva se desenvolve na juventude. os valores do anidrido carbónico elevam-se enquanto os do oxigénio diminuem ainda mais. Por volta dos 60 anos aparece. que podem aparecer ao fim de 5 a 10 anos da prática de fumar. A tosse é geralmente ligeira e.

Em determinados doentes seleccionados.conseguinte. quem sofrer desta doença. Ensinam-se técnicas especiais para aperfeiçoar o funcionamento pulmonar durante a actividade sexual e durante outras actividades como cozinhar e ocupar-se de pequenas tarefas. A administração de oxigénio a longo prazo prolonga a vida das pessoas que sofrem desta doença com uma concentração de oxigénio no sangue extremamente baixa. Geralmente. Para os exercícios das pernas recomenda-se a bicicleta fixa. Este tratamento reduz o excesso de glóbulos vermelhos provocado pela diminuição de oxigénio no sangue. mas evitar a desidratação pode prevenir as secreções espessas. Os elementos reversíveis da obstrução das vias aéreas são o espasmo muscular. Os concentradores de oxigénio. que extraem o oxigénio do ar do quarto e o administram ao doente através de um tubo de 15 m de comprimento são mais económicos. Para os braços é útil o levantamento de pesos. por vezes. excepto a primeira micção da manhã. A administração de oxigénio pode também reduzir a dispneia durante as actividades. Muitos médicos prescrevem aos seus doentes um antibiótico. são o sistema mais caro. embora de mais fácil manipulação dentro e fora de casa. a inflamação e o aumento das secreções. a forma física perde-se rapidamente quando a pessoa os interrompe. melhora a função mental e reduz a insuficiência cardíaca provocada pela doença pulmonar crónica obstrutiva. Nunca se deve aplicar oxigénio próximo de fontes de calor ou enquanto se fuma. Podem também ser necessárias botijas portáteis de oxigénio sob pressão para breves períodos fora de casa. mesmo se a situação pulmonar não evoluir favoravelmente. embora se desconheça a duração desta melhoria. pode substituir-se a proteína que falta. Embora uma terapia de 24 horas seja melhor. O tratamento é dispendioso e consiste em infusões endovenosas semanais dessa proteína. Os episódios de reagudização da doença pulmonar crónica obstrutiva são. com menos de 50 anos. Prognóstico . aconselhando-os a começarem o tratamento nas fases iniciais dos episódios. As botijas de oxigénio líquido recarregáveis. conhecida como redução do volume pulmonar. Não há terapia válida que facilite a expulsão das secreções. pode efectuar-se um transplante de pulmão. Pode reduzir-se a inflamação mediante o uso de corticosteróides. Podem levar-se a cabo programas de exercícios no hospital e em casa. pode fazer-se uma cirurgia. 12 horas de oxigénio por dia proporcionam também algum benefício. os sintomas diminuem. Como acontece com qualquer programa de exercícios. Os depósitos de oxigénio sob pressão para uso doméstico são caros e difíceis de manipular. Pode reduzir-se o espasmo muscular usando broncodilatadores. Tais programas podem aumentar a independência e a qualidade de vida do afectado. A intervenção melhora a função pulmonar e a capacidade de fazer exercício em algumas pessoas. nas primeiras fases da doença. Em doentes com um défice grave de alfa1-antitripsina. Na doença pulmonar crónica obstrutiva grave. o resultado de infecções bacterianas que se podem tratar com antibióticos durante 7 a 10 dias. É importante beber líquido suficiente com o objectivo de manter uma urina clara. subir as escadas e caminhar. ao melhorar qualquer destes processos. mas o inconveniente é que só cerca de 20 % dos doentes respondem a estes fármacos. Em pessoas com enfisema grave. capítulo 31) pode ajudar a soltar as secreções. O procedimento é complexo e requer que a pessoa deixe de fumar pelo menos 6 meses antes da cirurgia e que se submeta a um programa intenso de preparação física. diminuir a frequência e o tempo de hospitalização e melhorar a capacidade para fazer exercícios. a terapia respiratória (Ver secção 4. Recomenda-se frequentemente administrar oxigénio durante o exercício. deve vacinar-se contra a gripe todos os anos e além disso deve receber uma vacina antipneumocócica de 6 em 6 anos. incluindo estimulantes dos receptores beta-adrenérgicos (como o albuterol em inalação) e uma teofilina oral de absorção lenta.

como o pólen das plantas. as defesas do corpo eliminam as mais sólidas que não se dissolvem. certas partículas. Nas vias respiratórias. como o amianto. Outras. o carvão e o óxido de estanho não produzem muita reacção nos pulmões. Algumas pessoas com doença pulmonar crónica obstrutiva grave podem sobreviver durante 15 anos ou mais. Algumas causam reacções alérgicas. existem células depuradoras especiais que engolem a maioria das partículas e as tornam inofensivas. passagem de ar para o interior da cavidade pleural que rodeia os pulmões (pneumotórax) e alterações da frequência cardíaca (arritmias) ou por obstrução das artérias que levam o sangue aos pulmões (embolia pulmonar). como o pó de quartzo e de amianto podem causar cicatrizes permanentes no tecido pulmonar (fibrose pulmonar). O prognóstico é pior no caso de uma obstrução moderada ou grave. A morte pode ocorrer por insuficiência respiratória. As maiores podem ficar retidas no nariz ou nas vias aéreas superiores. Os indivíduos com uma doença pulmonar crónica obstrutiva têm também um maior risco de desenvolver um cancro do pulmão. Diversos tipos de partículas produzem diferentes acções no organismo. podem causar cancro nos fumadores. As partículas como o pó de carvão. vapores ou gases no local de trabalho. Como usar um inalador de doses fixas Agitar o inalador Exalar durante 1 a 2 segundos Pôr o inalador na boca e começar a aspirar lentamente Enquanto se começa a inalar. Silicose A silicose é a formação permanente de tecido cicatricial nos pulmões causada pela inalação de pó . Nos pulmões. pressionar a extremidade do inalador Inalar lentamente até sentir os pulmões cheios (toda a operação deve durar cerca de 5 a 6 segundos) Conter a respiração durante 4 a 6 segundos Exalar e repetir o procedimento 5 a 7 minutos mais tarde Doenças pulmonares de origem ocupacional As doenças pulmonares de origem ocupacional devem-se à inalação de partículas nocivas. O organismo tem vários mecanismos para eliminar as partículas aspiradas. responsável pela febre do feno ou por um tipo de asma.O prognóstico é favorável nos doentes que sofrem de obstrução respiratória ligeira. algumas partículas dissolvem-se e podem passar para a corrente sanguínea. Em quantidades importantes. Cerca de 30 % das pessoas com obstrução respiratória muito grave morre ao fim de um ano e 95 % ao fim de 10 anos. mas é-o menos do que nos fumadores que não sofrem de doença pulmonar crónica obstrutiva. O local exacto das vias aéreas ou dos pulmões aonde chega a substância inalada e o tipo de doença pulmonar que desencadeia dependem do tamanho e do tipo das partículas. nuvens. mas as mais pequenas atingem os pulmões. pneumonia. o muco cobre as partículas de modo que seja fácil expulsá-las através da tosse. Uma vez ali.

mas têm tosse e expectoração devido à irritação das grandes vias aéreas. os sintomas podem surgir em menos de 10 anos. devem submeter-se periodicamente a revisões médicas que incluam a prova cutânea para a tuberculose. Estas áreas cicatrizadas não permitem a passagem do oxigénio para o sangue de forma normal. nesse caso. desenvolve-se em pessoas que inalaram pó de sílica durante muitos anos. O pó de sílica é o elemento principal que constitui a areia. a dispneia verifica-se só durante os momentos de actividade. finalmente. No princípio. pode evoluir para a morte. O pulmão lesado submete o coração a um esforço excessivo e pode causar insuficiência cardíaca. todos os 6 meses os que trabalham com jactos de areia e todos os 2 a 5 anos os restantes. pintores e soldadores) e. o pó de sílica entra nos pulmões e as células depuradoras. A silicose. Prevenção O controlo da produção do pó no local de trabalho pode ajudar a prevenir a silicose. Essa protecção pode não estar ao alcance de todos os trabalhadores numa zona poeirenta (por exemplo. Os sintomas aparecem. Sintomas e diagnóstico Os indivíduos com silicose nodular simples não têm dificuldade em respirar. No entanto. reúnem-se em grandes massas (conglomerados silicóticos). provavelmente. geralmente. A respiração pode piorar aos 2 a 5 anos depois de ter deixado de trabalhar com sílica. os cortadores de arenito e de granito. Uma pessoa com dificuldade em respirar pode sentir alívio com o tratamento utilizado para a doença pulmonar crónica obstrutiva. engolem-no. produção de expectoração e dispneia. (Ver secção 4. . Quando se inala. no processo denominado bronquite. como poderá ser o caso da indústria de jactos de areia. Se a radiografia revelar silicose. mas. por sua vez. Assim os pulmões perdem elasticidade e requer-se mais esforço para respirar. No entanto. (Ver tabela da secção 16. nos trabalhos em que se utilizam jactos de areia. a doença profissional mais antiga que se conhece. capítulo 38) Dado que os indivíduos que sofrem de silicose têm um alto risco de contrair tuberculose. sempre que seja possível. os operários das fundições e os oleiros. sendo por isso frequente a exposição entre os mineiros do metal. os trabalhadores devem usar máscaras que forneçam ar exterior limpo ou que filtrem completamente as partículas. Além disso. após 20 ou 30 anos de exposição ao pó. o médico.de sílica (quartzo). Os trabalhadores expostos ao pó da sílica devem fazer radiografias ao tórax com regularidade. a qual. como os macrófagos. devem utilizar-se abrasivos diferentes da areia. Tratamento A silicose é incurável. interrompendo a exposição à sílica desde os primeiros sintomas. como são os medicamentos que dilatam os brônquios e expelem as secreções das vias aéreas. A silicose conglomerada pode causar tosse. pode deter-se a evolução da doença. de modo que seja possível detectar qualquer problema o mais cedo possível. capítulo 167) Os enzimas libertados pelas células depuradoras causam a formação de tecido cicatricial nos pulmões. No princípio. mas por fim manifesta-se também durante o repouso. na construção de túneis e no fabrico de sabões abrasivos que requerem quantidades elevadas de pó de sílica. Quando esta não pode ser controlada. A silicose diagnostica-se com uma radiografia ao tórax que mostra o padrão típico de cicatrizes e nódulos. as zonas cicatrizadas são pequenas protuberâncias redondas (silicose nodular simples). os indivíduos com silicose expostos ao microrganismo causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) são três vezes mais propensos a desenvolver a tuberculose do que aqueles que não estão afectados pela silicose. aconselhará o trabalhador a evitar a exposição constante à sílica.

A prevenção é fundamental pois não há cura para o pulmão negro. Tais nódulos podem formar-se nos indivíduos que sofreram uma exposição significativa ao pó do carvão. uma vez que também têm enfisema (causado pelo fumo dos cigarros) ou bronquite (causada pelos cigarros ou pela exposição tóxica a outros poluentes industriais). As pessoas que trabalham com o amianto correm o risco de sofrer doenças pulmonares. inclusive sem ter pulmão negro. em muitos dos afectados com fibrose maciça progressiva.5 cm de diâmetro). A pessoa que não pode respirar livremente pode beneficiar dos tratamentos utilizados para a doença pulmonar crónica obstrutiva. 1 % a 2 % das pessoas com pulmão negro simples desenvolvem uma forma mais grave da doença. as fibras de amianto fixam-se profundamente nos pulmões. às vezes. Quando se inala. com facilidade. denominada fibrose maciça progressiva. capítulo 38) Asbestose A asbestose é uma formação extensa de tecido cicatricial nos pulmões causada pela aspiração do pó de amianto. causando cicatrizes. o pó do carvão acumula-se à volta das vias respiratórias inferiores (bronquíolos) dos pulmões. o trabalhador deve ser transferido para uma zona com baixas concentrações de pó de carvão para prevenir a fibrose maciça progressiva. na fase de maior gravidade há tosse e. Os trabalhadores do carvão fazem radiografias ao tórax todos os 4 a 5 anos. Todos os anos. A inalação de amianto pode também produzir o espessamento dos dois folhetos da membrana que reveste os pulmões (a pleura). Na síndroma de Caplan (uma perturbação pouco frequente que pode afectar os mineiros do carvão que sofrem de artrite reumatóide) desenvolvem-se. O tecido pulmonar e os vasos sanguíneos dos pulmões podem ficar destruídos pelas cicatrizes. O pó de carvão não obstrui as vias respiratórias. Contudo. em regra alguém que trabalhou nas minas debaixo de terra pelo menos 10 anos. (Ver secção 4. Quando esta se detecta. Por outro lado. Apesar de o pó de carvão ser relativamente inerte e não provocar demasiadas reacções. de modo que a doença possa ser detectada no estádio inicial. Sintomas e diagnóstico O pulmão negro simples. O amianto é composto por silicato de mineral fibroso de composição química diversa.Pulmão negro O pulmão negro (pneumoconiose dos carvoeiros) é uma doença pulmonar causada pela acumulação de pó de carvão nos pulmões. uma dispneia incapacitante. Prevenção e tratamento Pode prevenir-se o pulmão negro suprimindo o pó do carvão no local de trabalho. não produz sintomas. No pulmão negro simples. A fibrose maciça progressiva piora mesmo que a pessoa já não esteja exposta ao pó de carvão. O médico estabelece o diagnóstico quando detecta as manchas características na radiografia ao tórax da pessoa que esteve exposta ao pó do carvão durante muito tempo. rapidamente grandes nódulos redondos no pulmão. a tosse e a falta de ar aparecem. geralmente. como os fármacos que permitem manter as vias aéreas abertas e livres de secreções. Os operários que trabalham na demolição de construções com isolamento de amianto também correm . É consequência da aspiração do pó de carvão durante muito tempo. na qual se formam cicatrizes em áreas extensas do pulmão (com um mínimo de 1. estende-se por todo o pulmão e numa radiografia observa-se sob a forma de pequenas manchas.

está contaminado com tremolite. a função pulmonar da pessoa é anormal e. Dado que o controlo do pó melhorou nas indústrias que utilizam o amianto. provavelmente. o cancro do pulmão desenvolve-se quase exclusivamente naquelas que também fumam cigarros. Os mesoteliomas desenvolvem-se. Por vezes a inalação de fibras de amianto pode fazer com que se acumule líquido no espaço que se encontra entre as camadas pleurais (cavidade pleural). chamados mesoteliomas peritoneais. a quimioterapia não é eficaz e a extirpação cirúrgica do tumor não cura o cancro. gradualmente. Há casos em que o transplante do pulmão deu resultados muito positivos na asbestose. Em raras ocasiões. não produz mesoteliomas. O cancro do pulmão está relacionado. diagnosticar asbestose com uma radiografia ao tórax que mostre as alterações características. A amosite. Os primeiros sintomas são a dispneia ligeira e a diminuição da capacidade para o exercício. no entanto. Os grandes fumadores que sofrem de bronquite crónica juntamente com asbestose podem tossir e ter uma respiração sibilante. entre as pessoas que sofrem de asbestose. mas os mesoteliomas continuam a aparecer em indivíduos que estiveram expostos até há 40 anos. às vezes. actualmente é menor o número de pessoas que sofrem de asbestose. em parte. embora menor. . em especial nas que fumam mais de um maço por dia. Os mesoteliomas são invariavelmente mortais. um dos quatro tipos de amianto. e esta causa-os. O amianto deveria ser extraído por trabalhadores especializados em técnicas de extracção. A respiração torna-se. maior é o risco de contrair uma doença relacionada com o amianto. ou em membranas do abdómen. denominados mesoteliomas. o amianto causa tumores na pleura. mas. outro tipo. Quanto mais tempo um indivíduo estiver exposto às fibras de amianto. aparecem depois da exposição à crocidolite. Os mesoteliomas causados pelo amianto são um tipo de cancro que não se consegue curar. Sintomas Os sintomas da asbestose aparecem gradualmente só depois da formação de muitas cicatrizes e quando os pulmões perdem a sua elasticidade. ao auscultar o pulmão. Geralmente. com o grau de exposição às fibras de amianto. por exemplo. Cerca de 15 % das pessoas com asbestose têm dispneia e insuficiência respiratória. às vezes. Os fumadores que estiveram em contacto com o amianto podem reduzir o risco de cancro deixando de fumar. Para determinar se um tumor pleural é canceroso. mais difícil. De modo geral.risco. o médico pratica uma biopsia (extracção de uma pequena porção de pleura para ser examinada ao microscópio). as chamadas crepitações. o médico pode. também produz mesoteliomas. a administração de oxigénio alivia a dispneia. no entanto. A maioria dos tratamentos para a asbestose alivia os sintomas. Diagnóstico Nas pessoas com antecedentes de exposição ao amianto. podem ouvir-se sons anormais. Drenar o líquido à volta dos pulmões pode também facilitar a respiração. este procedimento não é habitualmente tão rigoroso como a biopsia. Prevenção e tratamento As doenças causadas pela inalação de amianto podem prevenir-se diminuindo ao máximo o pó e as fibras de amianto no local de trabalho. de modo geral. O crisótilo. ao fim de 30 ou 40 anos de exposição ao amianto. Pode-se também extrair e analisar o líquido que rodeia os pulmões (um procedimento denominado toracentese).

antibióticos. Asbestose Operários da contrusção que instalam ou extraem materiais que contêm amianto. madeira de cedro vermelho. o berílio extraía-se das minas para ser utilizado nas indústrias químicas e electrónicas e no fabrico de lâmpadas fluorescentes. do cobre. Indivíduos que trabalham com grãos. A doença pode manifestar-se inclusive naquelas pessoas que sofreram uma exposição relativamente breve ao berílio e os sintomas podem tardar 10 a 20 anos a aparecer. Pneumoconiose Mineiros do ferro. No passado. Actualmente. Operários das fundições. caracterizada pela formação de um tecido anormal nos pulmões e pelo aumento de volume dos gânglios línfáticos.Quem corre o risco de contrair doenças pulmonares ocupacionais? Mineiros do chumbo. a tosse. Beriliose Trabalhadores aeroespaciais Soldadores. cânhamo. Outros indivíduos sofrem de beriliose crónica. rícino. da prata e do ouro. Asma profissional tintas. Sintomas e diagnóstico Em algumas pessoas. Nestas pessoas. a beriliose surge de repente (beriliose aguda). juta e linho. . aproximadamente. Operários que febricam sabões abrasivos. Certos mineiros do carvão (por exemplo. Pulmão negro Trabalhadores do carvão Operários que extraem. Silicose Cortadores de granito ou de arenito. algumas pessoas que viviam perto das refinarias de berílio desenvolveram também a beriliose. Oleiros. Além dos trabalhadores destas indústrias. malte e artigod de couro. Doença dos Agricultores trabalhadores de silos Beriliose A beriliose é uma inflamação pulmonar causada pela aspiração de pó ou de vapores que contêm berílio. chás e enzimas utilizados no fabrico de detergentes. Trabalhadores do estanho. tamisação de tectos). a dificuldade respiratória e a perda de peso desenvolvem-se de forma gradual. A beriliose aguda pode também afectar a pele e os olhos. benigna Operários do bário. 2 % dos que estão em contacto com ele. A diferença entre a beriliose e as outras doenças pulmonares ocupacionais é que os processos pulmonares parecem produzir-se somente em indivíduos sensíveis ao berílio e que representam. Os que trabalham com a ejecção por jactos de areia. utiliza-se principalmente na indústria aerospacial. principalmente sob a forma de uma inflamação do tecido pulmonar (pneumonite). Operários que constroem túneis. Bissinose Trabalhadores do algodão. dificuldade em respirar e perda de peso. resinas. moem ou manufacturam amianto. As pessoas com beriliose aguda têm acessos repentinos de tosse.

Com um tratamento adequado. Muitas substâncias. na qual uma pequena quantidade da substância suspeita é colocada na pele. Quando as vias aéreas se estreitam. efectua-se um teste de provocação por inalação. as radiografias de beriliose parecem-se com as de outra doença pulmonar. embora infelizmente não sejam muito úteis. nos sintomas e nas alterações características que se podem observar na radiografia do tórax. Algumas pessoas são particularmente sensíveis aos agentes irritantes que se encontram no ar. Diagnóstico Para estabelecer o diagnóstico. como a respiração assistida e os corticosteróides. a reacção alérgica pode ser detectada por um prova cutânea (prova do adesivo). Quando os pulmões estão gravemente afectados pela beriliose crónica. apesar de estarem no início muito doentes devido à rigidez dos pulmões e à alteração da função pulmonar. os indivíduos restabelecem-se. daí que possam ser necessários exames imunológicos complementares. os sintomas podem aparecer e desaparecer durante umas semana ou mais depois da exposição. mas.O diagnóstico baseia-se na história pessoal de exposição ao berílio. opressão no peito. Prognóstico e tratamento A beriliose aguda pode ser grave. Os sintomas podem verificar-se durante a jornada de trabalho. Em algumas pessoas. como a prednisona oral. . de partículas ou de vapores que actuam como irritantes ou causam uma reacção alérgica. Além disso. a respiração sibilante é o único sintoma. Às vezes. provocando insuficiência cardíaca e morte. Dado que as vias aéreas pulmonares podem começar a estreitar-se antes de os sintomas aparecerem. ao fim de um período de 7 a 10 dias. sem efeitos residuais. começam algumas horas depois de ela ter terminado. inclusive mortal. habitualmente. No entanto. o indivíduo com sintomas retardados pode utilizar um aparelho para controlar as vias aéreas durante as horas laborais. Se se tornar difícil estabelecer um diagnóstico. Muitas vezes. para a beriliose crónica. Em algumas pessoas. No entanto. mede a velocidade de expiração do ar dos pulmões. os sintomas começam até 24 horas depois da exposição. em que o paciente aspira pequenas quantidades da substância suspeita e o médico observa se aparecem sibilos e dispneia e também faz provas para determinar se existe uma diminuição da função pulmonar. a sarcoidose. muitas vezes. sugerindo asma profissional. os sintomas diminuem ou desaparecem durante o fim de semana ou nas férias. Este aparelho. prescrevem-se corticosteróides. o médico solicita ao paciente que lhe descreva os sintomas e o tipo de exposição à substância que causa a asma. Asma profissional A asma profissional é um espasmo reversível das vias aéreas pulmonares causado pela aspiração. no local de trabalho. o coração pode sofrer devido a um esforço excessivo. tosse. respiração sibilante. no local de trabalho. podem provocar espasmos das vias aéreas que dificultam a respiração. rinorreia e lacrimejo. a velocidade diminui acentuadamente. Às vezes. o doente recupera. de modo geral. Sintomas A asma profissional pode causar dispneia. Deste modo é difícil estabelecer a relação entre o local de trabalho e os sintomas. um medidor manual do débito máximo. Os sintomas pioram com a exposição repetida aos agentes irritantes.

Os tratamentos são os mesmos que se aplicam noutros tipos de asma. algum elemento do algodão em rama provoca o estreitamento das vias aéreas nas pessoas propensas. podem libertar-se de repente por um acidente industrial e irritar gravemente os pulmões. A exposição prolongada ao pó do algodão aumenta a frequência dos sibilos. Os gases radioactivos. O diagnóstico estabelece-se através de um teste que mostre a diminuição da capacidade pulmonar ao longo da jornada laboral. Sintomas e diagnóstico A bissinose pode causar sibilos ao respirar e opressão no peito. geralmente durante o primeiro dia de trabalho depois de um descanso. Os operários que abrem fardos de algodão em rama ou que trabalham nas primeiras fases do processamento do algodão parecem ser os mais afectados. o fosgénio. Aparentemente. o anidrido sulfuroso. a teofilina). a exposição constante provoca asma mais grave e persistente. capítulo 37) Os fármacos que abrem as vias aéreas (broncodiladores) podem administrar-se num inalador (por exemplo. o nariz e a garganta. Para os ataques graves. podem .Prevenção e tratamento Existem medidas de controlo de pó e de vapores nas indústrias que utilizam substâncias que podem causar asma. Exposição a gases e substâncias químicas Muitos tipos de gases. (Ver secção 4. Prevenção e tratamento O controlo do pó é o melhor modo de prevenir a bissinose. o albuterol) ou em comprimidos (por exemplo. os sintomas tendem a diminuir após uma exposição repetida e a opressão no peito pode desaparecer para o fim da semana de trabalho. As zonas inferiores dos pulmões só se vêem afectadas quando o gás é inalado profundamente. mas não evolui para uma doença pulmonar incapacitante. A respiração sibilante e a opressão no peito podem tratar-se com os mesmos fármacos utilizados para a asma. Os fármacos que abrem as vias aéreas (broncodilatadores) podem ser administrados num inalador (por exemplo. Os trabalhadores que sofrem de asma aguda deveriam fazer o possível por mudar de trabalho. como o cloro. a teofilina). Bissinose A bissinose é um estreitamento das vias respiratórias causado pela aspiração de partículas de algodão. No entanto. no entanto. aqueles que trabalham com linho ou cânhamo podem também desenvolver este tipo de afecção. quando se trata de uma pessoa que trabalhou com algodão durante muitos anos. Ao contrário da asma. Em tratamentos de longa duração. o peróxido de azoto e o amoníaco. Os gases como o cloro e o amoníaco dissolvem-se com facilidade e irritam imediatamente a boca. de linho ou de cânhamo. podem tomar-se corticosteróides (como a prednisona) por via oral durante um período breve. o sulfato de hidrogénio. essa diminuição é maior durante o primeiro dia de trabalho. pode ser impossível eliminá-las totalmente. que se libertam no acidente de um reactor nuclear. a opressão no peito pode durar 2 ou 3 dias ou inclusive a semana completa. Embora a bissinose se verifique quase exclusivamente nas pessoas que trabalham com o algodão em bruto. de modo geral. preferem-se os corticosteróides por inalação. Com frequência. o albuterol) ou em comprimidos (por exemplo.

Quando a lesão pulmonar é grave. julga-se que a exposição a certas substâncias químicas (os compostos de arsénico e os hidrocarburetos) provoca cancro em algumas pessoas. a pessoa pode ter necessidade de respiração artificial. na traqueia e nas vias aéreas superiores. por vezes grave. dependendo da substância inalada. a afecção pode melhorar transitoriamente e depois reaparecer ao fim de 10 ou 14 dias. o líquido pode só aparecer nos pulmões 12 horas depois da exposição. corticosteróides. a baritose. Os gases menos solúveis como o peróxido de azoto produzem dispneia. e são mais propensos a serem profundamente inalados nos pulmões. Prognóstico. levam a alterações dos pulmões nas radiografias. que surge por inalação de vapores que contêm peróxido de azoto libertado pela fermentação nos silos. de modo que as pessoas expostas a eles não manifestam sintomas nem deterioração funcional. não causam grandes reacções no pulmão. Embora estas poeiras sejam evidentes na radiografia do tórax. No caso de uma fuga acidental. Pneumoconiose benigna Há outras substâncias que. frequentemente. como poeiras. da inalação de bário. da inalação de partículas de estanho. Em algumas pessoas pode aparecer bronquite crónica provocada pela exposição a pequenas quantidades de gás ou outras substâncias químicas durante um período prolongado. como a prednisona. em algumas ocasiões. tosse e sangue na expectoração (hemoptise). e a estanose. Causam. não provocam sinais de exposição. A melhor forma de prevenir a exposição é trabalhar com um cuidado extremo quando se manipulam gases e substâncias químicas. Sintomas e diagnóstico Os gases solúveis como o cloro produzem queimaduras graves nos olhos. pólenes e substâncias químicas. prevenção e tratamento A maioria das pessoas recupera completamente de uma exposição acidental a gases. O oxigénio é a base do tratamento. no nariz. ao fim de 3 ou 4 horas.provocar cancro do pulmão e outras formas de cancro que podem demorar anos a desenvolver-se. Por conseguinte. Esses gases podem causar inflamação das vias aéreas inferiores (bronquiolite) ou mesmo a acumulação de líquido nos pulmões (edema pulmonar). Doenças alérgicas dos pulmões Os pulmões são particularmente propensos a reacções alérgicas porque estão expostos a grandes quantidades de antigénios suspensos no ar. os líquidos por via endovenosa e os antibióticos podem ser úteis. Alguns gases como o peróxido de azoto não se dissolvem facilmente. Essa recorrência tende a afectar as vias aéreas inferiores (bronquíolos). Na doença dos trabalhadores dos silos. A siderose resulta da inalação do óxido de ferro. devem estar disponíveis as máscaras antigás com a sua reserva de ar. frequentemente. O cancro pode desenvolver-se nos pulmões ou em qualquer parte do organismo. A complicação mais grave é a infecção pulmonar. Prescrevem-se. como irritação do nariz e dos olhos. na garganta. Uma radiografia ao tórax pode pôr em evidência se houve edema pulmonar ou bronquiolite. para reduzir a inflamação dos pulmões. A . sendo também frequentes as náuseas e a dispneia. Além disso. Os agricultores dos silos têm de estar informados sobre o perigo das exposições a gases tóxicos. Os fármacos que abrem as vias aéreas. inclusive sem ter havido um novo contacto com o gás.

As reacções de tipo IV (retardadas ou por mediação celular) produzem-se por causa da interacção entre um antigénio e os linfócitos antígeno-específicos. podem provocar uma pneumonia por hipersensibilidade. Causas Há muitos tipos de pó que podem causar reacções alérgicas nos pulmões. capítulo 167) Os anticorpos unem-se ao antigénio. As reacções alérgicas classificam-se segundo o tipo da lesão do tecido. quando se produz uma interacção entre anticorpo e antigénio. Essas substâncias atraem também outros glóbulos brancos para a zona. As reacções de tipo II (citotóxicas) destroem as células porque a combinação antigénio-anticorpo activa as substâncias tóxicas. A prova cutânea para a tuberculose (prova de tuberculina) é um exemplo desse tipo de reacção. pneumonite alérgica intersticial. tal como as substâncias químicas. como os isocianetos. Muitas reacções alérgicas são uma combinação de mais de um tipo de lesão do tecido. criando-se um processo denominado vasculite. (Ver secção 16. menos frequentemente. Por vezes. Tipos de reacções alérgicas O organismo reage face a um antigénio criando anticorpos. Só um número reduzido de pessoas que inalam estes pós desenvolvem reacções alérgicas e só uma pequena parte destas sofrem deteriorações irreversíveis nos pulmões. que libertam substâncias inflamatórias e tóxicas. frequentemente no trabalho. no entanto. de substâncias químicas. aparece inflamação e lesão dos tecidos. O lúpus eritematoso sistémico é um exemplo de uma doença provocada por uma reacção de tipo III. as reacções alérgicas nos pulmões não são só o resultado da inalação de antigénios. a pessoa tem de estar exposta a esses antigénios de modo constante ou frequente durante muito tempo até . Os pós orgânicos que contêm microrganismos ou proteínas. que produzem a dilatação dos vasos sanguíneos e a contracção das vias aéreas. Pneumonia por hipersensibilidade A pneumonia por hipersensibilidade (alveolite alérgica extrínseca. um tipo de glóbulos brancos que tem anticorpos aderidos à sua superfície e que fazem parte do sistema imunitário. Em algumas reacções alérgicas os linfócitos antígeno-específicos (um tipo de glóbulo branco) desempenham um papel mais importante que os anticorpos. aumenta a probabilidade de reacções alérgicas respiratórias. As reacções de tipo I (atópicas ou anafilácticas) produzem-se quando um antigénio que penetra no organismo se encontra com os mastócitos ou células basófilas. As reacções de tipo III (complexos imunes) produzem-se quando se acumula um grande número de complexos antigénio-anticorpo. as quais toleram temperaturas elevadas (termófilas). particularmente as paredes dos vasos sanguíneos. tornando-o geralmente inócuo. Um exemplo de uma reacção de tipo I é a asma brônquica alérgica. Um exemplo de uma doença provocada por uma reacção de tipo II é a síndroma de Goodpasture. os mastócitos segregam substâncias. como a histamina. atraindo outros glóbulos brancos e lesando o tecido normal. Podem ocorrer também por ingestão de certos alimentos ou fármacos. pneumoconiose por pó orgânico) é uma inflamação interna e externa dos pequenos sacos de ar do pulmão (alvéolos) provocada por uma reacção alérgica à inalação de pó orgânico ou.exposição a poeiras irritantes ou a substâncias suspensas no ar. Quando o antigénio se une a estes anticorpos da superfície celular. Geralmente. No entanto. O «pulmão do fazendeiro» que resulta da inalação repetida de bactérias do feno bolorento. Estes podem provocar uma inflamação extensa que lesa os tecidos. é um exemplo bem conhecido de pneumonia por hipersensibilidade.

que. por sua vez. Outros sintomas consistem na falta de apetite. os corticosteróides. Quando não é possível identificar o antigénio e o diagnóstico não está claro. reduzem os sintomas e podem diminuir uma inflamação intensa. Os episódios prolongados ou repetidos podem conduzir a uma doença irreversível. O tecido pulmonar saudável pode ser substituído ou destruído. mas a recuperação completa pode demorar várias semanas. Quando o episódio é grave. Se o indivíduo não voltar a expor-se ao antigénio. calafrios e falta de ar ao fim de 4 a 8 horas de ter estado exposta ao mesmo. o que pode tornar-se difícil. No quadro da pneumonia por hipersensibilidade crónica. A exposição aos pós provoca a sensibilização dos linfócitos e a formação de anticorpos. As análises de sangue para detectar anticorpos podem confirmar a exposição ao antigénio suspeito. conduzem à inflamação dos pulmões e à acumulação de glóbulos brancos nas paredes dos alvéolos. com o alergénio durante meses ou anos. o cansaço e a perda de peso. tal como a troca de oxigénio e de anidrido carbónico. uma toracoscopia (um exame da superfície pulmonar e da cavidade pleural utilizando também este método) ou uma toracotomia (uma intervenção em que se abre a parede do tórax). até desenvolver um processo denominado fibrose pulmonar. O diagnóstico estabelece-se com frequência em virtude de uma radiografia do tórax anormal. é habitual que a pessoa apresente febre. náuseas e vómitos. (Ver secção 4. podendo formar cicatrizes difusas nos pulmões. mas os sibilos não são frequentes. tosse. a função respiratória pode ver-se tão comprometida que o paciente chega a necessitar de uma terapia complementar de oxigénio. capítulo 32) que medem a capacidade pulmonar de retenção de ar e as capacidades inspiratória e expiratória. É possível extrair a dita amostra durante uma broncoscopia (um exame das vias aéreas utilizando um tubo de observação). A lesão pulmonar parece ser consequência de uma combinação das reacções alérgicas do tipo III e do tipo IV. Finalmente. pode ser suficientemente grave para requerer a hospitalização do afectado. Para estabelecer o diagnóstico de pneumonia por hipersensibilidade podem também contribuir as provas de função respiratória (Ver secção 4. (Ver secção 4. mas isso não é fácil na prática para alguém que não pode mudar de trabalho. capítulo 32) Prevenção e tratamento A melhor prevenção é evitar a exposição ao antigénio. quando já estão na sua casa. provocando a doença sintomática. Sintomas e diagnóstico Quando existe hipersensibilidade para um pó orgânico. (Ver secção 4. pode efectuar-se uma biopsia pulmonar (extracção de uma pequena porção de tecido pulmonar para o seu exame ao microscópio). Uma forma mais lenta de reacção alérgica (forma subaguda) pode produzir tosse e falta de ar durante vários dias ou semanas.desenvolver a sensibilização e a doença. a pessoa entra em contacto. Um bom indício de que o ambiente de trabalho pode ser a fonte do problema é que o indivíduo se sente mal nos dias de trabalho mas não durante o fim-de-semana ou nas férias. A eliminação ou a redução do pó ou o uso de máscaras protectoras podem contribuir para prevenir uma recidiva. repetidamente. As pessoas expostas no trabalho podem não se sentir doentes senão horas depois. a tosse com expectoração. O tratamento químico do feno ou dos resíduos da cana-de-açúcar e a utilização de sistemas de ventilação eficazes contribuem para evitar que os trabalhadores sejam expostos e ganhem sensibilidade a estas substâncias. por vezes. como a prednisona. capítulo 31) O diagnóstico de pneumonia por hipersensibilidade depende da identificação do pó ou de outra substância que desencadeie o processo. capítulo 38) . Com a passagem do tempo agrava-se a dispneia durante o exercício. os sintomas habitualmente diminuem em poucas horas. Os indivíduos que sofreram um episódio agudo de pneumonia por hipersensibilidade restabelecemse se evitarem posteriores contactos com a substância. a doença pode levar a uma insuficiência respiratória.

Por vezes. (Ver imagem da secção 4. A pneumonia eosinófila simples (síndroma de Löffler) e outras pneumonias semelhantes podem causar febre baixa e sintomas respiratórios ligeiros. A quantidade de eosinófilos aumenta em muitas reacções alérgicas e inflamatórias. acompanha certos tipos de pneumonia eosinófila. ao contrário da pneumonia provocada por bactérias ou vírus. vapores químicos e infecções por fungos e parasitas. incluindo a asma. Habitualmente. O exame ao microscópio da expectoração mostra as características acumulações de eosinófilos. A pneumonia eosinófila crónica é uma doença grave e. O indivíduo pode ter tosse e respiração sibilante e sentir falta de ar. pode aplicar-se o tratamento habitual da asma. constitui um grupo de doenças pulmonares que se caracterizam pela presença nos pulmões e. Sintomas e diagnóstico Os sintomas podem ser ligeiros ou potencialmente mortais. Tratamento A pneumonia pode ser ligeira e melhorar sem qualquer tratamento. que. Nos casos de pneumonia eosinófila. na corrente sanguínea. um tipo especializado de glóbulos brancos. chamada também síndroma de infiltrados pulmonares com eosinofilia (IPE). costuma piorar. observa-se nas análises grande número de eosinófilos no sangue. as vias aéreas enchem-se de eosinófilos. estas provas podem incluir exames de amostras de fezes ao microscópio. de numerosos eosinófilos. se não for tratada. com frequência. mas geralmente restabelece-se com rapidez. Estes podem também invadir as paredes dos vasos sanguíneos e. se se manifestar a asma. as pneumonias eosinófilas mostram tipicamente sombras que aparecem e desaparecem em diferentes radiografias. a pneumonia eosinófila pode evoluir em poucas horas para uma forma de insuficiência respiratória grave. Na radiografia do tórax geralmente podem observar-se sombras nos pulmões que são características de pneumonia. capítulo 37) Empregar-se-á uma farmacoterapia adequada se a causa for lombrigas ou outros parasitas. Pode produzir-se uma dispneia potencialmente mortal. Porém. as vias aéreas apertadas podem obstruir-se devido ao muco segregado. com frequência. Geralmente. interrompe-se qualquer medicamentação que possa provocar a doença. . mais do que as camadas de granulócitos que se podem encontrar na pneumonia bacteriana. algumas das causas conhecidas de pneumonia eosinófila são certos fármacos. No entanto. especialmente se se procura uma infecção por fungos ou parasitas. Podem-se levar a cabo outros exames complementares para determinar as causas. Os eosinófilos participam na defesa imune do pulmão. muitas vezes. os alvéolos e. Pode também considerar-se como causa possível qualquer medicação que o doente esteja a tomar. Não se conseguiu ainda determinar o motivo pelo qual os eosinófilos se acumulam nos pulmões e. geralmente. por vezes até 10 a 15 vezes o seu valor normal. Causas da pneumonia por hipersensibilidade Doença Origem das partículas de poeiras Pulmão do agricultor Feno bolorento. Se o paciente é também asmático. administra-se um corticosteróide como a prednisona para os casos graves. Nas pneumonias eosinófilas. não é também possível identificar a substância causadora da reacção alérgica.Pneumonia eosinófila A pneumonia eosinófila.

a inflamação pode fazer com que as vias aéreas centrais se dilatem de forma permanente. inflamação pulmonar e das vias aéreas e por um valor de eosinófilos no sangue superior ao normal. aparecem cicatrizes nos pulmões. forma colónias nas secreções das vias aéreas e provoca repetidas inflamações alérgicas no pulmão. O afectado habitualmente não se sente bem. Podem manifestar-se outras formas de aspergilose. (Ver secção 4. . Pode também haver um número elevado de células produtoras de muco. Compostos dos fungos. produzindo uma doença denominada bronquiectasia. Em sucessivas radiografias do tórax aparecem áreas com as mesmas características da pneumonia. Detritos da cana-do-acúcar. pode desenvolver-se uma reacção alérgica complexa nas vias aéreas e nos pulmões. Bolor do queijo. Sintomas e diagnóstico Os primeiros sintomas de aspergilose broncopulmonar alérgica são geralmente os sintomas progressivos da asma. a tomografia axial computadorizada (TAC) pode mostrar as vias aéreas dilatadas. Nos casos avançados. chamada aspergiloma. na vegetação em decomposição. pulmão do trabalhador do feno Pulmão do ar condicionado Bagaçose Pulmão de apanhador de cogumelos Pulmão do corticeiro (suberose) Doença da casca do ácer Pulmão do trabalhador de malte Sequioiose Pulmão do lavador de queijos Doença do gorgulho do trigo Pulmão do trabalhador do café Pulmão do operário de tecto de palha Pulmão do trabalhador químico Excrementos de pagagaios. aparelhos de ar condicionado. nas cavidades e quistos dos pulmões com lesões anteriores produzidas por outra doença. junto com umas décimas de febre. isolamentos. Substâncias químicas utilizadas no fabrico de espuma de poliuretano. Apesar de. que frequentemente se assemelha a uma pneumonia. na realidade. Grãos de café. nos alimentos. O Aspergillus é um fungo que cresce no solo. pulmão do criador de pombos. Palha ou junco usados no telhado. capítulo 41) Pode também formar-se uma bolsa de fungos. no pó e na água. Finalmente. Humificadores. Bolor da serradura e da madeira vermelha. que é o Aspergillus fumigatus. Cevada ou malte bolorento. Casca de ácer infectada. Se a doença dura algum tempo. Os sacos de ar dos pulmões (alvéolos) enchem-se principalmente com eosinófilos. moldes. galinhas. Aspergilose broncopulmonar alérgica A aspergilose broncopulmonar alérgica é uma perturbação pulmonar alérgica.Pulmão do criador de aves. borracha sintética e materiais de embalagem. O Aspergillus pode invadir os pulmões e provocar pneumonia grave em indivíduos cujo sistema imune é deficiente. O indivíduo que inala o fungo pode tornar-se sensível e desenvolver uma asma alérgica. como a respiração sibilante e a falta de ar. Farinha de trigo infestada. mas localizadas mais frequentemente na parte superior dos pulmões. Em alguns casos. caracteriza-se por asma. o fungo não invadir os pulmões e não destruir directamente os tecidos. Trata-se de uma infecção e não de uma reacção alérgica. Podem aparecer manchas castanhas na expectoração ou inclusive rolhões de muco. Cortiça bolorenta. como a tuberculose. pombos. Deve-se a uma reacção alérgica a um fungo.

os seios nasais. só estão afectados as fossas nasais. utilizam-se para curar a aspergilose broncopulmonar alérgica. A doença origina inflamação dos vasos sanguíneos dos pulmões e. perda de peso. tosse. capítulo 51) Em alguns casos. os pulmões. Muitas vezes. as vias aéreas e os pulmões. a longo prazo. seguido de um tratamento de longa duração em doses mais baixas. o tratamento deve começar imediatamente depois do diagnóstico. pode ver-se o fungo. A granulomatose pulmonar de Wegener pode responder à simples administração de corticosteróides. As taxas de anticorpos diminuem uma vez que se controlou a doença. Os fármacos antimicóticos não têm utilidade porque os sintomas da doença não são consequência de uma infecção. Os fármacos antiasmáticos. fossas nasais. conhecidos como anticorpos anticitoplasma dos neutrófilos. Sintomas e diagnóstico A granulomatose pulmonar de Wegener pode começar sem qualquer sintoma ou pode desenvolverse com febre. Como consequência. dispneia e dor torácica. com formação de nódulos chamados granulomas. vias aéreas ou pulmões. Síndroma de Goodpasture . uma doença potencialmente mortal. capítulo 32) e titulação de anticorpos. Como a lesão pulmonar pode piorar sem causar sintomas perceptíveis. deve controlar-se regularmente a doença através de radiografias do tórax. Tratamento Sem um tratamento adequado. a qual pode existir na asma alérgica sem aspergilose. pode destruir uma parte do tecido pulmonar. Também não é recomendável a administração de preparados alergénicos (dessensibilização). O sangue contém um número de eosinófilos superior ao valor normal e certos anticorpos contra o Aspergillus. provas de função respiratória. dado que está em muitos lugares do meio que nos rodeia. Os testes cutâneos podem demonstrar a alergia da pessoa ao Aspergillus. mas pode ser uma resposta alérgica a um factor desencadeante ainda não identificado.Quando se examina a expectoração ao microscópio. Pode prevenir-se a deterioração progressiva do pulmão com um tratamento de prednisona por via oral em doses elevadas no princípio. O diagnóstico só se pode confirmar com o exame ao microscópio de uma amostra de tecido (biopsia) de uma zona afectada: pele. caracteriza-se por uma inflamação intensa que afecta as paredes dos vasos sanguíneos (vasculite granulomatosa). uma sensação de mal-estar generalizado. mas muitos doentes necessitam também de outros fármacos imunodepressores. Granulomatose pulmonar de Wegener A granulomatose pulmonar de Wegener. (Ver secção 4. Na radiografia do tórax podem observar-se cavidades ou áreas densas nos pulmões que podem parecer um cancro. a doença pode evoluir rapidamente para a morte. (Ver secção 5. especialmente os corticosteróides. juntamente com o excesso de eosinófilos. Desconhece-se a causa da granulomatose de Wegener. Tratamento É difícil evitar o contacto com o Aspergillus. os rins e a pele. uma análise de sangue em pessoas com granulomatose de Wegener pode detectar anticorpos característicos. mas não chegam para distinguir a aspergilose broncopulmonar alérgica de uma simples alergia ao Aspergillus. como a ciclofosfamida.

A formação externa de tecido cicatricial à volta dos alvéolos sãos provoca a sua destruição progressiva. Se os rins falharem. apesar de as causas poderem ser muitas. os indivíduos que sofrem da síndroma de Goodpasture produzem anticorpos contra certas estruturas do aparelho filtrante dos rins. um procedimento em que se extrai sangue da circulação. pneumonia intersticial). a seguir extraem-se do mesmo os anticorpos responsáveis pela doença e depois devolvese de novo o sangue à circulação. os glóbulos brancos e um líquido rico em proteínas acumulam-se nos sacos de ar dos pulmões (alvéolos). dos sacos de ar (alvéolos) e dos capilares dos pulmões. Fibrose pulmonar idiopática Muitas doenças podem provocar fibrose pulmonar. é necessário submeter o doente a diálise renal ou a um transplante de rim. a doença é acompanhada de anemia. uma vez que a deterioração se tenha processado. juntamente com uma insuficiência renal progressiva. Por razões desconhecidas. Quando tal inflamação é persistente. Muitos doentes podem necessitar de um tratamento de apoio enquanto a doença evolui. porque. No entanto. Tratamento Esta doença pode evoluir com rapidez para a morte. Esta doença afecta geralmente os homens jovens. Para suprimir a actividade do sistema imunitário pode administrar-se corticosteróides e ciclofosfamida por via endovenosa. ao mesmo tempo que se verifica uma insuficiência renal. em metade das pessoas com fibrose pulmonar estas não chegam a ser descobertas. Frequentemente. causando inflamação (alveolite). O doente pode também submeter-se à plasmaférese. A utilização precoce desta combinação de tratamentos pode contribuir para salvar a função dos rins e dos pulmões. Sintomas e diagnóstico O indivíduo que sofre desta doença desenvolve tipicamente dispneia e tosse com emissão de sangue. deixando no seu lugar quistos. Uma radiografia do tórax revela zonas alteradas em ambos os pulmões e uma biopsia do tecido renal permite identificar depósitos microscópicos de anticorpos com um padrão específico. especialmente as alterações do sistema imunitário. ela é irreversível. Considera-se que tais anticorpos podem ser a causa directa da doença. o líquido pode solidificar-se e a cicatrização (fibrose) pode substituir o tecido pulmonar. O termo idiopático significa de . Nas primeiras fases destas doenças. O tratamento pode requerer oxigénio complementar ou um respirador e também transfusões de sangue. Os sintomas podem evoluir rapidamente e piorar. capítulo 123) As análises complementares mostram no sangue os anticorpos característicos e na urina a presença de sangue e de proteínas. Considera-se que estas pessoas estão afectadas de fibrose pulmonar idiopática (alveolite fibrosa. Doenças inflitrativas dos pulmões Várias doenças com sintomas semelhantes são consequência de uma acumulação anormal de células inflamatórias no tecido pulmonar.A síndroma de Goodpasture é uma perturbação alérgica pouco frequente em que se verificam hemorragias nos pulmões. (Ver secção 11. A respiração pode diminuir e pode haver uma perda importante de sangue. Estes anticorpos provocam uma inflamação que interfere com a função renal e pulmonar.

como a dispneia durante um esforço e a diminuição da força. A pneumonia intersticial linfóide pode desenvolver-se em crianças e em adultos que sofrem de SIDA. outra variante. cansaço. em alguns casos. Esta insuficiência cardíaca provocada por uma doença pulmonar subjacente chama-se cor pulmonale. capítulo 31) O esforço excessivo do coração pode levar à insuficiência cardíaca. (Ver secção 4. capítulo 32) demonstram que o volume de ar retido pelos pulmões é inferior ao normal e a análise dos gases no sangue mostra uma baixa concentração de oxigénio. tem os mesmos sintomas. O prognóstico é muito variável. Tratamento e prognóstico Se se observar uma cicatrização pouco extensa na radiografia do tórax ou na biopsia do pulmão. da velocidade com que a doença evolui e do desenvolvimento das complicações. podem ser úteis a azatioprina ou a ciclofosfamida. outros morrem ao fim de alguns meses. Histiocitose X A histiocitose X é um conjunto de perturbações (doença de Letterer-Siwe. perda de apetite. Nas etapas finais da doença. sendo maior o período de sobrevivência e menor o índice de mortalidade em doentes que sofrem desta variante. Numa radiografia do tórax podem ver-se a cicatrização do pulmão e os quistos. uma variante da fibrose pulmonar idiopática. Os sintomas característicos começam de forma insidiosa. Nos poucos casos em que a prednisona não é eficaz. pode efectuar-se uma biopsia (extracção de uma pequena porção de tecido pulmonar para o seu exame ao microscópio) utilizando um broncoscópio. Cerca de um terço dos casos ocorre em indivíduos que sofrem da síndroma de Sjögren. Vários centros médicos estão a utilizar o transplante de pulmão em pessoas que sofrem de fibrose pulmonar idiopática grave. que deve ser extraída cirurgicamente. de uma amostra maior. antibióticos para a infecção e fármacos para a insuficiência cardíaca.causa desconhecida. debilidade e dores ligeiras no peito. O médico avalia a resposta do doente através de radiografias do tórax e provas de função respiratória. A pneumonia evolui de forma lenta. A pneumonia intersticial descamativa responde melhor ao tratamento com corticosteróides. No entanto. afecta principalmente os lobos inferiores do pulmão. Alguns sobrevivem durante anos. Sintomas e diagnóstico Os sintomas dependem do grau de deterioração pulmonar. granuloma eosinófilo) em que proliferam macrófagos anormais (histiocitos) e . Os outros tratamentos são dirigidos para o alívio dos sintomas: terapia de oxigénio se o conteúdo do mesmo no sangue for baixo. à medida que a concentração de oxigénio diminui. podendo provocar tanto a formação de quistos nos pulmões como o linfoma. o tratamento habitual consiste em corticosteróides. mesmo quando os sintomas são graves. Para confirmar o diagnóstico. A pneumonia intersticial linfóide. A pneumonia intersticial linfóide melhora por vezes com corticosteróides. A pneumonia intersticial descamativa. Os sintomas mais habituais são tosse. (Ver imagem da secção 4. perda de peso. doença de HandSchüller-Christian. por vezes. embora o aspecto microscópico do tecido pulmonar seja distinto. capítulo 32) Necessita-se. a pele pode tomar uma tonalidade azulada e as extremidades dos dedos engrossam ou adquirem a forma de baqueta de tambor. A maioria dos doentes piora. As provas de função respiratória (Ver secção 4. a radiografia do tórax pode ser normal. como a prednisona. como as infecções e a insuficiência cardíaca.

Quando afecta os pulmões. Embora esta doença afecte principalmente as crianças. O alcance e a gravidade dependem da frequência com que se produz a hemorragia capilar nos pulmões. a hemorragia maciça pode evoluir para a morte. Uma complicação frequente é o colapso pulmonar (pneumotórax). falta de ar. afecta os ossos. pode também apresentar-se nos adultos. sem indicação de doença pulmonar anterior. embora nenhuma terapia seja claramente eficaz. mas em 20 % dos casos afecta também os pulmões. a diabetes insípida (Ver secção 13. o fígado e o baço. capítulo 144). que. A doença de Letterer-Siwe começa antes dos 3 anos de idade e. são os únicos afectados. Os pulmões e os ossos são afectados com maior frequência. os gânglios linfáticos. (Ver secção 5. Para a complicação óssea o tratamento é semelhante ao dos tumores ósseos. Não se conhece a causa da proteinose alveolar do pulmão. algumas pessoas não têm sintomas. sem um tratamento adequado. na qual. A causa da irritação do pulmão e da cicatrização subsequente deve-se à decomposição dos produtos do sangue. por vezes. por outro. se verifica uma hemorragia dos capilares para o interior dos pulmões. capítulo 49) Geralmente. mas também a pele. provocando muitas vezes a formação de cicatrizes. Hemossiderose pulmonar idiopática A hemossiderose pulmonar idiopática (ferro nos pulmões) é uma doença rara e com frequência mortal. febre e perda de peso. a lesão da hipófise pode provocar por um lado a protrusão dos globos oculares (exoftalmos) e. no entanto. A doença afecta geralmente indivíduos de 20 a 60 anos de idade. Geralmente. Uma transfusão de sangue pode ser necessária para compensar as perdas sanguíneas. um processo em que se produz grande quantidade de urina que chega a provocar desidratação. tal como o oxigénio pode ser útil quando a sua concentração no sangue é inferior à normal.outro tipo de células do sistema imunitário chamadas eosinófilos. Os corticosteróides e os fármacos citotóxicos como a azatioprina são úteis durante as crises. . pode surgir tosse. por razões desconhecidas. Uma parte do sangue que se filtra através dos capilares é recolhida pelas células fagocitárias do pulmão. é geralmente mortal. O tratamento para as três doenças baseia-se em corticosteróides e fármacos citotóxicos como a ciclofosfamida. mas pode aparecer também em pessoas de meia idade. Proteinose alveolar do pulmão A proteinose alveolar do pulmão é uma doença rara na qual um líquido rico em proteínas enche os sacos de ar dos pulmões (alvéolos). especialmente no osso e no pulmão. A dispneia surge quando os pulmões cicatrizam e a excessiva perda de sangue produz anemia. A doença de Hand-Schüller-Christian começa geralmente na primeira infância. O principal sintoma é a tosse com expectoração de sangue (hemoptise). os ossos. Os histiocitos não só deterioram os pulmões. O granuloma eosinófilo tende a manifestar-se entre os 20 e os 40 anos. Pode produzir-se também o colapso pulmonar (pneumotórax). O tratamento consiste em aliviar os sintomas. A recuperação pode ser espontânea em indivíduos com a doença de Hand-Schüller-Christian ou com o granuloma eosinófilo. a morte é consequência da insuficiência respiratória ou cardíaca. Em casos excepcionais.

A doença pode evoluir. Para alguns. As provas de função pulmonar (Ver secção 4. mas mais tarde também durante o repouso. ao princípio somente durante o exercício. polimiosite e em casos raros. Sarcoidose . sulfonamidas. lava-se o outro pulmão. A maioria tem tosse seca sem expectoração. Uma radiografia do tórax mostra sombras desiguais em ambos os pulmões. fumos e vapores (cloro. estabilizar-se ou desaparecer de forma espontânea. Como consequência. Para estabelecer o diagnóstico. busulfano. a respiração é grandemente dificultada. micoplasmas. amiodarona. podem aumentar a possibilidade de infecção. Poeiras orgânicas (bolor. o médico analisa uma amostra de líquido obtida dos alvéolos através de um broncoscópio. capítulo 32) são indicativas de um volume de ar anormalmente baixo nos pulmões. ouro. Fármacos e substâncias tóxicas (metotrexato. Causas frequentes da fibrose pulmonar As alterações do sistema imunitário (artrite reumatóide. deve administrar-se anestesia geral para efectuar uma lavagem completa do pulmão. na realidade. enquanto outros necessitam de repetir as lavagens com períodos de 6 ou 12 meses durante anos. excrementos de pássaros). o tecido pulmonar cicatriza. Por vezes. nitrofurantoína. a maioria das pessoas com esta doença sofre de dispneia durante o esforço. lavando-os com uma solução salina durante a broncoscopia.ciclofosfamidas. a qual deve ser extraída cirurgicamente. como o iodeto de potássio e os enzimas que decompõem as proteínas. amianto). Sintomas e diagnóstico A acumulação de líquido nos alvéolos impede a passagem de oxigénio dos pulmões para o sangue. anodrido dulfurose). lúpus eritematoso sistémico). carvão. mas só excepcionalmente a doença evolui para a morte. também sob anestesia geral. Os exames mostram uma diminuição do oxigénio no sangue. (Ver secção 4. Radiação terapêutica ou industrial. Tratamento Os indivíduos que apresentam poucos ou nenhuns sintomas não requerem qualquer tratamento. Infecções (vírus.Em casos excepcionais. rickéttsias. Por vezes lava-se só uma pequena secção do pulmão. Gases. que é utilizado para lavar os segmentos do pulmão com uma solução salina que é depois recolhida. paraquat). Em alguns doentes é suficiente uma só lavagem. desde que se submetam regularmente a uma lavagem pulmonar. efectua-se uma biopsia (amostra de tecido pulmonar para o seu exame ao microscópio) durante a broncoscopia. Pelo contrário. Os corticosteróides não são eficazes e. penicilamina. esclerodermia. mas no caso de sintomas graves e baixos valores de oxigénio no sangue. poeiras metálicas. inclusive durante o repouso. Ao fim de 3 ou 5 dias. As pessoas que sofrem de proteinose alveolar do pulmão com frequência costumam ter uma dificuldade respiratória indefinida. é necessária uma amostra maior. Está por determinar a utilidade de outros tratamentos. a menos que sejam fumadores. naqueles em que se manifestam sintomas pode eliminar-se dos alvéolos o líquido rico em proteínas. Poeira mineral (sílica. tuberculose disseminada). capítulo 32) Por vezes.

ou então tumefacções mesmo por baixo da pele. Sintomas Muitas pessoas com sarcoidose não manifestam sintomas e a doença detecta-se quando se faz uma radiografia do tórax por outras razões. É provável que estas perturbações sejam causadas por glândulas lacrimais que funcionem mal devido à doença e que por isso não produzam lágrimas suficientes para manter os olhos adequadamente humedecidos. no baço. Numa radiografia ao tórax podem observar-se os gânglios linfáticos aumentados na zona onde os pulmões se unem ao coração ou então na parte direita da traqueia. A sarcoidose crónica pode levar à formação de sinais planos (placas). a perda de peso e as dores articulares podem ser as primeiras manifestações deste processo. O pulmão é o órgão mais afectado pela sarcoidose. A sarcoidose afecta com frequência a pele. Cerca de 70 % das pessoas com sarcoidose têm granulomas no fígado. nos pulmões. Os granulomas aparecem com frequência nos gânglios linfáticos. Muitos manifestam sintomas menores que nunca se agravam. A inflamação persistente de forma prolongada pode obstruir a drenagem das lágrimas. Menos de 10 % dos que sofrem de sarcoidose têm o fígado aumentado e é rara a icterícia provocada por mau funcionamento do fígado. Os granulomas que se formam no coração podem provocar angina ou insuficiência cardíaca. A sacordoise produz uma inflamação pulmonar que pode. O exame ao microscópio de uma amostra de tecido de um doente com sarcoidose revela a presença dos granulomas. Estes granulomas podem no fim desaparecer por completo ou converter-se em tecido cicatricial. nas articulações. com menor frequência. acompanhadas de febre e dor articular. formar cicatrizes ou quistos que. A sarcoidose desenvolve-se predominantemente entre os 20 e os 40 anos e é mais frequente entre os europeus do Norte e os norte-americanos de raça negra. embora as das mãos e dos pés . Os factores hereditários podem ser importantes. Podem formar-se granulomas na conjuntiva (a membrana que cobre o globo ocular e a parte interna das pálpebras). A febre. nos ossos. podem produzir tosse e dispneia. Estes granulomas não costumam provocar sintomas. provocando glaucoma. Os olhos são também afectados em cerca de 15 % das pessoas com esta doença. no coração e no sistema nervoso. Pode ser o resultado de uma infecção ou de uma resposta anómala do sistema imunitário. Os que se formam próximo do sistema de condução dos estímulos eléctricos do coração podem desencadear irregularidades do ritmo cardíaco potencialmente mortais. Os gânglios linfáticos inflamados são frequentes. habitualmente sobre a tíbia (eritema nodoso). A doença pulmonar grave pode finalmente debilitar o coração. A inflamação pode provocar uma dor generalizada nas articulações.A sarcoidose é uma doença em que se formam acumulações anormais de células inflamatórias (granulomas) em muitos órgãos do corpo. por vezes com relevo. mas a conjuntiva é um ponto acessível no qual se podem colher amostras de tecido para o seu exame anátomo-patológico. Também não são frequentes os sintomas graves. A febre pode aparecer em qualquer momento da doença. no fígado. Alguns dos afectados pela sarcoidose queixam-se de secura. Desconhece-se a causa da sarcoidose. por sua vez. Os sintomas da sacordoise variam muito segundo o local e a extensão da doença. Frequentemente não apresentam sintomas e o fígado parece funcionar normalmente. interferindo com a visão. finalmente. chegando a provocar cegueira. A uveíte (uma inflamação de certas estruturas internas do olho) produz vermelhidão e dor. Na Europa costuma aparecer como pequenas tumefacções dolorosas e de cor vermelha. nos olhos e na pele e. de inflamação e de vermelhidão dos olhos. mas estes sintomas são menos frequentes noutros países. nos músculos. mas não costumam ser acompanhados de sintomas.

Mais de 65 % das pessoas com sarcoidose pulmonar não têm sintomas depois de 9 anos. A diabetes insípida pode manifestar-se se a hipófise ou os ossos que a rodeiam forem afectados pela sarcoidose. Os doentes com gânglios linfáticos aumentados no tórax. as provas de capacidade pulmonar mostram que o volume de ar no pulmão está abaixo do normal. o valor do enzima conversor de angiotensina no sangue é elevado. Os lavados do pulmão no caso da sarcoidose activa contêm um grande número de linfócitos. capítulo 144) A hipófise deixa de produzir a vasopressina (uma hormona necessária para que o rim possa concentrar a urina). O aumento de volume dos gânglios linfáticos do interior do tórax e a extensa inflamação pulmonar podem desaparecer em poucos meses ou anos. não se necessita de exames complementares. que favorece a absorção de cálcio por parte do intestino. Em muitos indivíduos com sarcoidose. os gânglios linfáticos aumentados próximo da superfície da pele e a conjuntiva quando tem granulomas.sejam as afectadas com maior frequência. mas isso não é uma característica exclusiva desta doença. Os indivíduos com uma sarcoidose que não se difundiu para além do tórax evoluem melhor que os que têm sarcoidose também noutra parte do corpo. provocando micções frequentes e em quantidades excessivas. Os enzimas hepáticos podem ser elevados se o fígado estiver afectado. fígado ou músculos. o exame da gamagrafia com gálio que mostra padrões anormais característicos nos pulmões ou nos gânglios linfáticos de pessoas com sarcoidose nesses pontos. sede e micção excessiva. A tuberculose pode causar muitas alterações semelhantes às causadas pela sarcoidose. O exame de uma amostra de um destes tecidos permite o diagnóstico em 87 % dos casos. Frequentemente. Se persistirem muito tempo. mas sem sintomas de doença pulmonar. Prognóstico É habitual que a sarcoidose melhore ou desapareça espontaneamente. têm recaídas. a lavagem pulmonar (Ver secção 4. Mais de 75 % das pessoas que apresentam somente gânglios linfáticos hipertrofiados e mais de metade das que têm uma afecção pulmonar recuperam ao fim de 5 anos. A análise de sangue pode mostrar um número baixo de glóbulos brancos. vómitos. particularmente a fosfatase alcalina. Cerca de 50 % das pessoas afectadas em algum momento por sarcoidose. têm um prognóstico muito bom. A sarcoidose pode também causar um aumento da concentração de cálcio no sangue e na urina. Em algumas ocasiões são necessárias amostras do pulmão. Por conseguinte. Nos doentes com fibrose cicatricial pulmonar. náuseas. Estes valores elevados verificam-se porque o granuloma sarcóide produz vitamina D activada. por vezes. A sarcoidose pode afectar os nervos do crânio provocando visão dupla e uma paralisia parcial da cara. As melhores amostras de tecido são a pele afectada. Os valores altos de cálcio no sangue provocam perda de apetite. Quando o diagnóstico não é evidente. capítulo 32) e uma gamagrafia de todo o corpo com gálio (um isótopo radioactivo). A insuficiência respiratória em . Por vezes. Formam-se quistos nos ossos que podem fazer com que as articulações próximas inchem e doam. uma prova de tuberculina é também necessária para se ter a certeza de que não se trata de uma tuberculose. utiliza-se. os valores das imunoglobulinas são altos. os médicos diagnosticam sarcoidose ao observar as sombras características numa radiografia do tórax. (Ver secção 13. podem formar-se cálculos renais ou acumulação de cálcio no rim e finalmente insuficiência renal. Cerca de 10 % das pessoas com sarcoidose desenvolvem uma incapacidade grave devido às lesões oculares. do aparelho respiratório ou de outras partes do organismo. Outros métodos úteis para o diagnóstico de sarcoidose ou para avaliar a sua gravidade consistem na medição das concentrações do enzima conversor da angiotensina no sangue. mas em certas ocasiões é necessário efectuar um exame ao microscópio de uma amostra de tecido para detectar a inflamação e os granulomas e confirmar o diagnóstico. Aqueles cuja doença começou com eritema nodoso são os que têm melhor prognóstico. Diagnóstico Com frequência.

como os da gripe e da varicela. mas muitas doenças diferentes. A evolução favorável do tratamento pode ser controlada com uma radiografia do tórax. a diabetes. Estes fármacos administram-se também quando aparece um valor alto de cálcio no sangue. A pneumonia pode ser. caso em que são tratados com clorambucil ou metotrexato. prostradas na cama. seguida da hemorragia devido à infecção pulmonar provocada pelo fungo Aspergillus. Também estão no grupo de risco as pessoas debilitadas. o fígado ou o sistema nervoso. como a SIDA. a pneumonia é a causa principal de morte e só a segunda a seguir à desidratação causada pela diarreia aguda. De um modo geral. Estes exames repetem-se com regularidade para detectar recidivas depois da interrupção do tratamento. Tratamento A maioria das pessoas com sarcoidose não requer tratamento. paralisadas ou inconscientes ou as que sofrem de uma doença que afecta o sistema imunitário. Alguns fungos também causam pneumonia. É a sexta causa mais frequente de todas as mortes e a infecção mortal mais comum que se adquire nos hospitais. Vários milhões de pessoas desenvolvem pneumonias e grande número morre todos os anos. quando aparecem lesões cutâneas que desfiguram. Nos países em vias de desenvolvimento. Os corticosteróides não são recomendáveis em pessoas que não têm sintomas. não podem impedir a cicatrização pulmonar indefinidamente.consequência da fibrose cicatricial pulmonar é a causa mais frequente de mortalidade. Nos adultos. as causas mais frequentes são as bactérias. a pneumonia surge depois da inalação de alguns microrganismos. Legionella e Hemophilus influenzae. a dor articular e a febre. Os vírus. O alcoolismo. um microrganismo semelhante a uma bactéria. o fumar cigarros. Causas A pneumonia não é uma doença única. Os corticosteróides administram-se para suprimir os sintomas graves como a dispneia. que podem ser muito eficazes. ou de um . quando as doenças oculares não conseguem curar-se com gotas com corticosteróides ou quando a doença pulmonar piora. cada uma delas causada por um microrganismo diferente. mas às vezes a infecção é levada pela corrente sanguínea ou migra para os pulmões directamente a partir de uma infecção próxima. As crianças e as pessoas de idade avançada correm maior risco de a contraírem. A pneumonia pode aparecer depois de uma cirurgia. a insuficiência cardíaca e a doença pulmonar obstrutiva crónica são causas que predispõem à pneumonia. A hidroxicloroquina é útil para eliminar as lesões cutâneas desfigurantes. quando estão afectados o coração. especialmente a abdominal. frequentemente. Staphylococcus aureus. mesmo quando algumas análises sejam anormais. podem também causar pneumonia. provas de capacidade pulmonar e medindo o valor do cálcio ou do enzima conversor da angiotensina no sangue. como o Streptococcus pneumoniae. Pneumonias A pneumonia é uma infecção dos pulmões que afecta os pequenos sacos de ar (alvéolos) e os tecidos circundantes. assim como os indivíduos com um sistema imune deficiente devido a certos fármacos (como os utilizados para curar o cancro e na prevenção da rejeição de um transplante de órgão). é uma causa particularmente frequente de pneumonia em crianças crescidas e em jovens adultos. O Mycoplasma pneumoniae. uma doença terminal em pessoas que sofrem de outras doenças crónicas graves. Algumas pessoas são mais propensas a esta doença que outras. Cerca de 10 % dos indivíduos que necessitam de tratamento não respondem aos corticosteróides. Apesar de os corticosteróides controlarem bem os sintomas.

como os que têm doenças cardíacas ou pulmonares. aparecem a febre. em metade dos indivíduos com pneumonia não se chega a identificar o microrganismo responsável. Quem sofre de pneumonia também tem necessidade de expelir as secreções. A pneumonia pneumocócica começa. No entanto. devido à consequente respiração pouco aprofundada. Após os tremores e os calafrios. calafrios. a protecção que as vacinas proporcionam dura toda a vida.traumatismo. A expectoração tem. Uma pessoa infectada com um dos 80 tipos conhecidos do pneumococo desenvolve imunidade parcial a uma nova infecção com este tipo de bactéria em particular. Também são correntes as náuseas. os indivíduos com deficiência do sistema imune ou com diabetes e os maiores de 65 anos. uma modificação característica da transmissão dos sons que podem ouvir-se através do fonendoscópio. o diagnóstico confirma-se com uma radiografia ao tórax que. os vómitos. febre e falta de ar. Sintomas e diagnóstico Os sintomas correntes da pneumonia são uma tosse produtiva com expectoração. estes sintomas dependem da extensão da doença e do microrganismo que a cause. As pessoas de idade avançada e as que têm dispneia ou uma doença cardíaca ou pulmonar preexistente habitualmente são hospitalizadas e tratadas com antibióticos por via endovenosa. No entanto. Recomenda-se a vacinação aos indivíduos com um alto risco de contrair a pneumonia pneumocócica. a falta de ar e as dores no tórax ao respirar (no lado do pulmão afectado). dores no tórax. A pneumonia pneumocócica pode tratar-se com qualquer dos diversos antibióticos existentes. o cansaço e as dores musculares. às vezes. contribui para determinar qual é o microrganismo causador da doença. embora os indivíduos com maior risco tenham. Só 1 % dos vacinados apresenta febre e dor muscular após a vacinação e são poucos os casos de reacção alérgica grave. Também se examinam amostras de expectoração e de sangue. de líquidos endovenosos e de ventilação mecânica. a tosse com expectoração. uma inflamação da garganta ou uma gripe) ter danificado suficientemente os pulmões para permitir que os pneumococos infectem a zona. amiudadas vezes. os indivíduos que não estão muito doentes podem tomar antibióticos por via oral e permanecer em casa. com o fim de identificar a causa. Na maioria dos casos. incluindo a penicilina. De um modo geral. Quando a pessoa apresenta sintomas de pneumonia. de voltar a vacinar-se ao fim de 5 a 10 anos. Os indivíduos alérgicos à penicilina recebem eritromicina ou outro . Pneumonia pneumocócica O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é a causa bacteriana mais frequente de pneumonia. Existe uma vacina que protege das infecções pneumocócicas graves em quase 70 % das pessoas vacinadas. Também podem necessitar de oxigénio. geralmente. sobretudo uma lesão torácica. como as que foram submetidas a uma intervenção ao tórax e aquelas que estão debilitadas. mas não aos outros. um aspecto de ferrugem devido ao sangue que contém. à diminuição da capacidade de tossir e à retenção da mucosidade. depois de uma infecção viral do tracto respiratório superior (um resfriado. Com frequência os agentes causadores são o Staphylococcus aureus. Tratamento Os exercícios de respiração profunda e a terapia para eliminar as secreções são úteis na prevenção da pneumonia em pessoas com alto risco. Muitas vezes. frequentemente. a vacina causa avermelhamento e dor no local da injecção. geralmente. A pneumonia produz. o médico ausculta o tórax com um fonendoscópio para avaliar a afecção. os pneumococos e o Hemophilus influenzae ou então uma combinação destes microrganismos. Em 50 % dos casos.

provoca entre 10 % e 15 % das pneumonias que se adquirem nos hospitais onde estes doentes foram internados para receber tratamento por outras perturbações. especialmente nas infecções que se contraem no hospital. O índice de mortalidade é de aproximadamente 15 % a 40 %. no entanto. Os infectados com maior frequência são as crianças pequenas. muitos estafilococos produzem enzimas (penicilinases) que impedem que a penicilina os destrua. A resistência aos antibióticos é um problema grave. Os pneumococos também estão a dar resistência à penicilina através de diversos mecanismos. em parte. em geral. Os pneumococos que são resistentes à penicilina podem ser tratados com outros fármacos. O Staphylcoccus provoca os sintomas clássicos da pneumonia. devido. mas alguns estafilococos também. especialmente nas crianças. estes pneumococos estão a tornar-se também mais resistentes a esses outros fármacos. Aumento da resistência aos antibióticos Um número cada vez maior de bactérias que causam pneumonia estão a desenvolver resistência aos antibióticos. (Ver secção 4. ao facto de os indivíduos que contraem pneumonia estafilocócica. assim como as pessoas de idade avançada. Pneumonia causada por bactérias gram-negativas As bactérias classificam-se em gram-positivas e gram-negativas. Por outro lado. Também tende a verificar-se nos alcoólicos. estão a tornar-se resistentes a estes fármacos. com a Klebsiella e a Pseudomonas. As infecções por estafilococos resistentes podem tratar-se com antibióticos eficazes na presença de penicilinase. Pneumonia estafilocócica O Staphylococcus aureus causa somente 2 % dos casos de pneumonia adquirida fora do hospital. em contrapartida. O Staphylococcus pode originar abcessos (acumulações de pus) nos pulmões e produzir quistos pulmonares que contêm ar (pneumatocelos). mas. A acumulação de pus no espaço pleural (empiema) é relativamente frequente. Utiliza-se com frequência um medicamento chamado vancomicina para esses estafilococos tende a responder lentamente aos antibióticos e os pacientes necessitem de uma convalescença prolongada. bactérias gram-positivas. Os pulmões de adultos saudáveis raramente são infectados por bactérias gram-negativas. Este tipo de pneumonia tende a desenvolver-se em pessoas muito jovens ou de idade avançada e em indivíduos debilitados por outras doenças. já estarem gravemente doentes. as bactérias gram-negativas. Por um lado. especialmente com alterações do sistema imune. baseando-se no seu aspecto quando são coradas e se vêem ao microscópio. os alcoólicos e as pessoas com doenças crónicas. Esta bactéria pode ser transportada pela corrente sanguínea a partir do pulmão e produzir abcessos em qualquer lugar.antibiótico. provocam uma pneumonia que tende a ser extremamente grave. mas os arrepios e a febre são mais persistentes na pneumonia estafilocócica do que na pneumocócica. . capítulo 44) Estas acumulações esvaziam-se utilizando uma agulha ou um tubo introduzido no tórax. As infecções por bactérias gram-positivas adquirem-se geralmente em ambientes hospitalares. Por exemplo. os causadores da maior parte dos casos de pneumonia são pneumococos e estafilococos.

Levam-se a cabo exames complementares de amostras de expectoração. de sangue e de urina para . e a expectoração eliminada pode ser espessa e de cor avermelhada (cor e consistência semelhantes à geleia de groselha). morrem cerca de 25 % a 50 % das pessoas que sofrem de pneumonia causada por uma bactéria gram-negativa. Segue-se uma tosse seca que posteriormente produz expectoração. dor de cabeça e dores musculares. frequentemente. além dos 4 % das pneumonias mortais ocorridas nos hospitais. as pessoas afectadas são. Apesar de a doença do legionário poder ocorrer em qualquer idade. Em virtude disso. 4 e 6 meses. Os indivíduos com infecções agudas podem começar a sofrer dispneia intensa e têm. É frequente o aparecimento de líquido na cavidade pleural (o espaço compreendido entre as duas camadas da membrana que reveste o pulmão e a parede torácica). é a responsável por 1 % a 8 % de todas as pneumonias. capítulo 44) Recomenda-se a vacina contra os Haemophilus influenzae tipo b a todas crianças. consistem em cansaço. mas geralmente em crianças com menos de 6 anos. A confusão e as perturbações mentais são menos frequentes. nada tem a ver com o vírus da influenza que causa a gripe. de idade média e avançada. Os primeiros sintomas. Os indivíduos que fumam. Na maioria destes casos o germe não pertence ao grupo dos microrganismos que se utilizam para a produção da vacina contra o Hemophilus influenzae tipo b. Utilizam-se antibióticos para tratar a pneumonia por Haemophilus influenzae de tipo b. a tosse e a falta de ar são frequentes. causada pela bactéria Legionella pneumophyla e outras tipos de Legionella. a doença grave causada por este microrganismo está a tornar-se menos frequente. A pneumonia é mais comum entre as pessoas que sofrem de depranocitose e nas que apresentam imunodeficiências. A vacina administra-se em três doses. oxigénio e líquidos endovenosos. Os sintomas da infecção podem ser acessos de espirros e corrimento nasal. esta afecção denomina-se derrame pleural. Esta pode produzir sintomas relativamente menores ou pode ser potencialmente mortal. diarreia. a epiglotite e a pneumonia.As bactérias gram-negativas podem destruir com muita rapidez o tecido pulmonar. tosse que produz expectoração e dispneia. é necessário um tratamento com respirador. Em 1976 ocorreu uma epidemia de uma doença respiratória entre os membros da American Legion que assistiam a um congresso num hotel. descobriu-se a bactéria e deu-se-lhe o nome de Legionella. tendendo por isso a agravar de forma rápida a pneumonia provocada por uma bactéria gram-negativa. As estirpes de Hemophilus influenzae tipo b são o grupo mais virulento e provocam graves doenças. Apesar do seu nome. Dada a gravidade da infecção. com maior frequência. como a meningite. que aparecem de 2 a 10 dias após se verificar a infecção. como febre. A febre. que abusam do álcool ou tomam corticosteróides parecem correr maior perigo de contrair a doença. na idade de 2. Pneumonia causada por Hemophilus influenzae Hemophilus influenzae é uma bactéria. A doença costuma aparecer nos finais do Verão e no princípio do Outono. Mesmo com um tratamento totalmente adequado. febre. Não se conhecem casos de infecção directa de uma pessoa para outra. (Ver secção 4. Doença do legionário A doença do legionário. devido ao uso amplamente difundido da vacina com o Hemophilus influenzae tipo b. Às vezes. o indivíduo é hospitalizado para submeter-se a um tratamento intensivo com antibióticos. seguidos pelos sintomas mais característicos da pneumonia. A bactéria Legionella vive na água e a epidemia declara-se quando as bactérias se propagam através dos sistemas de ar condicionado dos hotéis e dos hospitais. No entanto.

O diagnóstico de ambas as doenças baseia-se numa análise de sangue para detectar os anticorpos face ao microrganismo suspeito e nas radiografias ao tórax. galinhas e pavões. Este tipo de pneumonia aparece com mais frequência na Primavera. pelas partículas expulsas com a tosse. inflamação da garganta e tosse seca. De um modo geral. Se se interromper o tratamento demasiado cedo. tais como estudantes. as análises de sangue revelam um aumento de concentração destes. os resultados das provas de anticorpos. Embora a pneumonia causada por micoplasmas possa ser grave. em alguns casos excepcionais. As epidemias verificam-se especialmente em grupos fechados. periquitos e rolas. com cansaço. Os sintomas pioram paulatinamente e os acessos de tosse forte podem eliminar a expectoração. pode administrar-se a eritromicina por via oral e nos outros. Cerca de 20 % das pessoas que contraem esta doença morrem. Os sintomas costumam persistir durante uma a duas semanas e após este período o processo de melhoria é lento. A maioria dos casos não se reveste de gravidade. No entanto. de uma pessoa para outra através das pequenas gotas que se expulsam com a . A doença transmite-se de pessoa a pessoa. dado que o período de incubação dura entre 10 e 14 dias. As epidemias tendem a difundir-se lentamente. A eritromicina e a tetraciclina são eficazes. dores articulares ou perturbações neurológicas. A maioria dos indivíduos tratados com eritromicina melhora.confirmar o diagnóstico. apresentam anemia. Psitacose A psitacose (febre do papagaio) é uma pneumonia rara causada pela Chlamydia psittaci. não costumam estar disponíveis senão depois de o curso da doença se ter iniciado. dois microrganismos semelhantes às bactérias. Pode também afectar algumas pessoas mais velhas. borrachos. por via endovenosa. Dado que as pessoas infectadas pela Legionella pneumophyla produzem anticorpos para combater a doença. vírus ou fungos. Alguns doentes continuam débeis e cansados ao fim de várias semanas. os sintomas tendem a repetir-se. a infecção é provocada pela aspiração do pó das penas ou das fezes das aves infectadas. pessoal militar e famílias. Pneumonias atípicas As pneumonias atípicas são pneumonias causadas por microrganismos diferentes dos denominados tipicamente bactérias. habitualmente é ligeira e a maioria dos doentes recupera sem qualquer tratamento. Os sintomas são semelhantes aos da pneumonia causada por micoplasmas. O antibiótico eritromicina é a primeira opção para o tratamento desta pneumonia. uma bactéria que se encontra principalmente em aves como papagaios. Nos casos menos graves. embora o índice de mortalidade entre os adultos de mais idade que contraem a doença seja de 5 % a 10 % . Também se pode encontrar noutras aves. mas a resposta ao tratamento é mais lenta na pneumonia causada por clamídias do que na pneumonia causada por micoplasmas. Cerca de 10 % a 20 % dos afectados apresentam erupção cutânea. A pneumonia causada por micoplasmas começa. Os mais frequentes são Mycoplasma e Chlamydia. como pombos. O microrganismo também se pode transmitir através da picada de uma ave infectada e. frequentemente. O índice de mortalidade é muito mais elevado entre os indivíduos que contraem a doença no hospital ou que têm um sistema imune deficiente. Às vezes. A bactéria Chlamydia pneumoniae é outra causa frequente de pneumonia nas pessoas entre os 5 e os 35 anos de idade. O Mycoplasma pneumoniae é a causa mais frequente em indivíduos entre os 5 e os 35 anos de idade. mas a recuperação pode levar muito tempo.

mas prevalece nos vales fluviais e nas zonas de clima temperado e tropical. especialmente em crianças desnutridas. As pessoas de qualquer idade com um sistema imune deficiente podem desenvolver uma pneumonia grave causada pelo citomegalovírus ou pelo vírus do herpes simples. especialmente nos casos graves. denominados tipos A e B. Coccidioides immits. A infecção pode causar pneumonia aguda ou crónica e neste caso os sintomas persistem durante meses. Pneumonia viral Muitos vírus podem afectar os pulmões. que causa a coccidioidomicose. A histoplasmose ocorre em todo o mundo. Alguns adoecem gravemente. A maioria das pneumonias por vírus não se trata com fármacos. a pessoa apresenta febre. o vírus parainfluenza e o vírus da gripe. que no início é seca e mais tarde produz um escarro esverdeado. as pessoas de idade avançada e aqueles que sofrem de perturbações crónicas. só têm sintomas menores e não se dão conta de que estão infectados. A febre persiste durante duas ou três semanas e depois desaparece lentamente. frequentemente. especialmente à medula óssea. a três tipos de fungos: Histoplasma capsulatum. capítulo 186) O vírus da varicela também pode provocar pneumonia em adultos. Os fungos não causam sintomas em todas as pessoas que os aspiraram. certas pneumonias graves provocadas por vírus podem tratar-se com fármacos antivirais. o diagnóstico . o adenovírus. ao baço e ao tracto grastrointestinal. causam pneumonia. geralmente. Os criadores e donos de aves podem proteger-se evitando o contacto com o pó das penas e das jaulas dos animais doentes. Por exemplo. febre. A forma disseminada da doença tende a manifestar-se em indivíduos com SIDA e outras perturbações do sistema imune. A doença pode ser ligeira ou grave. Outras podem ter tosse. e Blastomyces dermatitidis. elimina o microrganismo. ao fígado. como enfisema. O vírus do sarampo também pode causar pneumonia. A psitacose é principalmente uma doença ocupacional de quem trabalha com animais domésticos ou nas criações aviárias. A recuperação pode levar muito tempo. muitas ficam a saber que estiveram expostas a fungos só depois de um teste cutâneo.tosse. dois tipos de vírus da gripe. Na realidade. Recomendam-se vacinas anuais contra a gripe para o pessoal sanitário. Pneumonia por fungos A pneumonia deve-se. De um modo geral. em geral. (Ver secção 17. É pouco frequente que a infecção se propague a outras zonas do corpo. Começa a ter acessos de tosse. arrepios. dores musculares e dores torácicas. Nas pessoas de idade avançada. da parainfluenza ou pelo vírus sincicial respiratório. Ao fim de uma a três semanas de ter sido infectada. No entanto. Os mais frequentes em lactentes e crianças são o vírus sincicial respiratório. provocando pneumonia. dependendo da idade e da extensão do tecido pulmonar afectado. A psitacose trata-se com tetraciclinas pelo menos durante 10 dias. diabetes ou doenças cardíacas e renais. a pneumonia viral pode ser causada pelo vírus da gripe. O índice de mortalidade pode atingir 30 % nos casos graves não tratados. O método mais fiável para confirmar o diagnóstico é a análise ao sangue. Nos adultos saudáveis. Os indivíduos que contraem a infecção. o tratamento de 45 dias. pode tratar-se com aciclovir a pneumonia causada pelo vírus da varicela ou pelo vírus do herpes simples. cansaço e perda de apetite. que causa a histoplasmose. que causa a blastomicose. Exige-se que os importadores tratem com tetraciclina as aves propensas.

A criptococose pode propagar-se especialmente às meninges. mas não confirma que ele seja o causador da doença. só é grave para os que sofrem de perturbações subjacentes do sistema imunitário. a infecção estende-se para além do aparelho respiratório. No entanto. O tratamento consiste em administrar um fármaco contra os fungos. Em alguns casos. a candidíase. não produz sintomas. A doença pode propagar-se a outras partes do organismo. produz-se com maior frequência em doentes que têm valores de glóbulos brancos inferiores ao valor normal. às articulações e às membranas que envolvem o cérebro (meninges). Mais de 80 % dos doentes com SIDA. como a SIDA. Estas infecções são. A candidíase pulmonar. como o fluconazol ou a anfotericina B. às vezes. onde a doença resultante é a meningite criptocócica.assenta na identificação do fungo presente numa amostra de expectoração ou na análise de sangue que identifica determinados anticorpos. causada por Candida. a mais frequente. os sintomas de uma infecção crónica pulmonar persistem durante vários meses. como o itraconazol. O diagnóstico estabelece-se identificando o fungo numa amostra de expectoração ou de outra zona infectada ou levando a cabo uma análise de sangue que identifica certos anticorpos. em geral. Estes sintomas geralmente surgem ao cabo de várias semanas. como o itraconazol ou anfotericina B. em geral. a criptococose. O tratamento consiste habitualmente na administração de um medicamento contra os fungos. o fungo pode causar sintomas ou então provocar uma pneumonia aguda ou crónica. A coccidioidomicose apresenta-se. Muitas vezes. Estas quatro infecções verificam-se em todo o mundo. Uma vez aspirado. causando a doença só quando o sistema imunitário está debilitado devido a um cancro ou ao tratamento do mesmo ou devido à SIDA. Pneumonia por Pneumocystis carinii O Pneumocystis carinii é um microrganismo comum que pode residir inofensivamente nos pulmões normais. uma infecção rara. A mucormicose. habitualmente. causada por Cryptococcus neoformans. às articulações e à próstata. entre outras. aos ossos. causada por Aspergillus. aos ossos. Alguns indivíduos desenvolvem uma doença semelhante à gripe e. especialmente à pele. mas. o fluconazol e a anfotericina B. A criptococose. nas zonas de clima semiárido. O Aspergillus causa infecções pulmonares em pessoas que sofrem de SIDA ou que foram submetidas a um transplante de órgão. sobretudo. é possível que as pessoas que sofrem de SIDA ou de outras perturbações do sistema imunitário não recuperem. a análise ao sangue demonstra simplesmente a exposição ao fungo. e a mucormicose. o fungo causa infecção sobretudo no pulmão. As quatro infecções tratam-se com fármacos antimicóticos. desenvolvem em algum momento pneumonia por Pneumocystis. dispneia e tosse seca. O tratamento habitual consiste em administrar um fármaco antimicótico. especialmente no Sudoeste dos Estados Unidos e em certas zonas da América do Sul e da América Central. é a primeira indicação de que uma pessoa com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) desenvolveu a SIDA. pode manifestar-se em indivíduos sãos e. Esta complicação é mais frequente nos homens. A maioria dos afectados manifesta febre. Os pulmões podem ser incapazes de fornecer oxigénio suficiente ao . O diagnóstico baseia-se. que não recebem uma profilaxia estandardizada. produz-se com maior frequência nos indivíduos que sofrem de diabetes aguda ou de leucemia. Na blastomicose. especialmente em indivíduos que sofrem de SIDA e outras perturbações do sistema imunitário. No entanto. a aspergilose. habitualmente à pele. uma infecção relativamente rara provocada por fungos. como o itraconazol ou a anfotericina B. é o caso de pessoas com leucemia ou submetidas a quimioterapia. Outras infecções por fungos ocorrem fundamentalmente em indivíduos cujo sistema imunitário se encontra gravemente afectado. na identificação do fungo na expectoração. depois de ter sido aspirado.

e febre. causada pelo sangue escassamente oxigenado (cianose). o índice de mortalidade global é de 10 % a 30 %. se for necessária. particularmente frequentes em indivíduos com SIDA. (Ver secção 4. atovaquona e pentamidina. expectoração com espuma cor-de-rosa e uma tonalidade azulada na pele. Os tratamentos alternativos são dapsona e trimetropim. O diagnóstico baseia-se no exame ao microscópio de uma amostra de expectoração obtida por um dos métodos seguintes: indução do escarro (na qual se utiliza água ou vapor de água para estimular a tosse) ou broncoscopia (na qual se introduz nas vias aéreas um instrumento para colher uma amostra). A sua causa devese. provocando dispneia grave. Mesmo com o tratamento da pneumonia. este pareça óbvio quando se conhece a sequência dos acontecimentos. Para prevenir a recorrência da doença. a pessoa é incapaz de respirar ou de falar. de um modo geral. geralmente. as que se intoxicaram com álcool ou fármacos e as que estão inconscientes devido à anestesia ou a alguma doença. A obstrução pode também ocorrer em adultos. capítulo 32) O antibiótico habitual para a pneumonia provocada por Pneumocystis carinii é o trimetoprim/sulfametoxazol. embora. são eliminadas pelos mecanismos normais de defesa antes que possam chegar aos pulmões ou causar inflamação ou infecções. trimetrexato e leucovorin. principalmente quando aspiram um bocado de carne durante a refeição. podem causar pneumonia. pode contrair pneumonia. Uma radiografia ao tórax e as medições da concentração de oxigénio e de anidrido carbónico no sangue arterial podem contribuir para o diagnóstico. consistem em erupções cutâneas. como poderá acontecer durante o vómito. Um produto tóxico aspirado frequentemente é o ácido do estômago. Se essas partículas não forem eliminadas. Mesmo uma pessoa saudável que aspirar uma grande quantidade de substância. Pneumonia por aspiração Partículas minúsculas provenientes da boca migram frequentemente para as vias aéreas. levam objectos à boca e podem aspirar pequenos brinquedos ou parte desses brinquedos. A pneumonite química verifica-se quando o material aspirado é tóxico para os pulmões: o processo deve-se mais ao resultado da irritação do que a uma infecção. A aspiração de bactérias é a forma mais frequente de pneumonia por aspiração. os indivíduos com pneumonite química recuperam rapidamente ou evoluem para a síndroma de dificuldade respiratória aguda do adulto ou então desenvolvem uma infecção por bactérias. As crianças pequenas correm um risco muito elevado porque. Os indivíduos com uma concentração de oxigénio no sangue inferior ao valor normal podem também receber corticosteróides. com frequência. à deglutição e à consequente aspiração de bactérias para o interior dos pulmões. que combatem a infecção. De um modo geral. Quando um objecto fica bloqueado na parte superior da traqueia. clindamicina e primaquina. Pode aspirar-se o conteúdo da traqueia para eliminar as secreções e as partículas das vias aéreas. capítulo 31). Às vezes administram-se antibióticos para prevenir a infecção. numa taxa reduzida de glóbulos brancos. O tratamento consiste na administração de oxigénio e na respiração artificial (Ver secção 4. Os efeitos secundários. Outros sintomas podem ser febre. . Falecem entre 30 % e 50 % das pessoas que sofrem de pneumonite química. O resultado imediato é a súbita falta de ar e uma aceleração do ritmo cardíaco.sangue. geralmente. Correm maior risco de contrair este tipo de pneumonia as pessoas debilitadas. os doentes com SIDA cuja pneumonia por Pneumocystis foi tratada com êxito tomam geralmente medicamentos como o trimetoprim-sulfametoxazol ou a pentadimina em aerossol. mas. A obstrução mecânica das vias aéreas pode ser causada pela aspiração de partículas ou de objectos.

abuso de álcool ou a uma doença do sistema nervoso. rodeada de tecido inflamado e provocada por uma infecção. Se o objecto ficar bloqueado na parte inferior das vias aéreas.Se o objecto não for extraído imediatamente. sudação. Esta expectoração pode estar tingida de sangue e é frequente que tenha um odor muito desagradável por causa das bactérias provenientes da boca ou da garganta. um tumor do pulmão pode provocar um abcesso pulmonar devido à obstrução de uma via respiratória. provocando pneumonia e a síndroma de dificuldade respiratória aguda do adulto. Podem formar-se muitos abcessos dispersos quando a infecção chega ao pulmão pela corrente sanguínea. Em casos raros. a fonte das bactérias. durante um estado de inconsciência ou de sonolência devido a sedativos. pode produzir uma tosse crónica irritante e infecções recorrentes. um abcesso que rebenta deixa no pulmão uma cavidade que se enche de líquido e de ar. através de uma broncoscopia (um procedimento que utiliza um instrumento que permite ao médico observar a via respiratória e extrair amostras e corpos estranhos. Em algumas pessoas. um só abcesso do pulmão. Os sintomas iniciais assemelham-se aos da pneumonia: cansaço. A pneumonia provocada por certas bactérias. dores no tórax ao respirar. que tendem a produzir cheiros fétidos. muitas vezes. Sintomas e diagnóstico Os sintomas podem começar lenta ou repentinamente. O organismo possui muitas defesas contra estas infecções. O objecto extrai-se. produzindo uma grande quantidade de expectoração. Uma pessoa desenvolve. febre e tosse que produz expectoração. por exemplo. especialmente as maiores de 40 anos. Às vezes um abcesso que se derrama na cavidade pleural (o espaço compreendido entre as duas camadas da membrana que reveste o pulmão e a parede torácica) enche-se de pus. capítulo 32). anestesia. mas mesmo quando se aspira a saliva normal. a morte ocorre com rapidez. habitualmente. Além disso. Uma doença das gengivas é. os microrganismos menos comuns podem ser a causa. que necessita de ser expulsa com a tosse. a Legionella pneumophyla ou os fungos. A manobra de Heimlich. Este problema é mais frequente entre os toxicodependentes que utilizam seringas não esterilizadas. provocando uma infecção. Pode produzir-se uma hemorragia grave se um abcesso destrói a parede de um vaso sanguíneo. Em indivíduos com um sistema imunitário deficiente. esta contém bactérias suficientes para provocar uma infecção. pode causar um abcesso do pulmão. efectuada para extrair o objecto. especialmente quando a pleura estiver inflamada . (Ver secção 4. a maior parte dos abcessos rebenta dentro da árvore respiratória. um abcesso grande rebenta dentro de um brônquio (um dos dois ramos principais que leva ar ao pulmão) e o pus derrama-se no pulmão. é característico que estes se desenvolvam no mesmo pulmão. perda do apetite. em geral. de tal modo que estas só se manifestam quando as defesas se encontram diminuídas. As causas excepcionais incluem êmbolos pulmonares infectados e infecções difundidas pela corrente sanguínea. como o Staphylococcus aureus. pode salvar a vida do afectado. Finalmente. além disso. mas quando aparecem outros. A pessoa pode sentir. provocando um processo chamado empiema. Causas A causa habitual da formação de um abcesso é a aspiração de bactérias provenientes da boca e da garganta para o interior dos pulmões. Abcesso pulmonar Um abcesso do pulmão é uma cavidade cheia de pus no pulmão.

manifesta-se somente quando são dois os genes anormais que o indivíduo possui. mas cerca de 35 % chegam à idade adulta. Este gene controla a produção de uma proteína que regula a passagem de cloro e de sódio (sal) através das membranas celulares. pratica-se uma broncoscopia para eliminar a obstrução. o abcesso do pulmão. causa a morte de 1 em cada 2500 bebés de raça branca e de 1 em cada 17 000 de raça negra. um cancro do pulmão ou um abcesso muito grande. a sua incidência é desigual nas diferentes etnias. Em 5 % dos casos. enquanto é rara entre os indivíduos asiáticos. No entanto. a fibrose quística. O índice é mais elevado quando a pessoa está debilitada ou tem um sistema imunitário deficiente. cujo resultado é uma série de sintomas. Nas pessoas que são portadoras do gene anormal responsável pela fibrose quística. quando uma radiografia só sugere um abcesso. de um exame do tórax com uma tomografia axial computadorizada (TAC). (Ver secção 4. O índice de mortalidade em doentes que têm um abcesso pulmonar ronda os 5 %. a pessoa deve tossir e submeter-se a uma terapia respiratória. A fibrose quística é uma doença hereditária de elevada mortalidade. capítulo 31) Quando se pensa que a causa é um obstáculo na via respiratória. assim.É possível diagnosticar um abcesso do pulmão baseando-se somente naqueles sintomas e no que for descoberto durante um exame clínico. Fibrose quística A fibrose quística é uma doença hereditária que faz com que certas glândulas produzam secreções anormais. uma vez que o traço é recessivo. No entanto. não há variação na sua incidência em função do sexo. necessita-se. entre os quais o mais importante afecta o tubo digestivo e os pulmões. como uma perturbação do sistema nervoso ou um problema de abuso de álcool ou de drogas ou um episódio recente de perda de consciência por qualquer motivo. a infecção não se cura. a doença. Em algumas ocasiões. Para ajudar a esvaziar o abcesso do pulmão. (Ver imagem da secção 1. De um modo geral. afectando por igual rapazes e raparigas. onde a diversidade étnica e a qualidade dos estudos estatísticos fornecem dados comparativos. sendo 5 % portadores de um gene anormal portador da doença. Às vezes há que extirpar um lobo do pulmão ou o pulmão completo. As culturas da expectoração podem ajudar a identificar o microrganismo que causa o abcesso. capítulo 2) Os sintomas são imperceptíveis em pessoas portadoras de um só gene anormal. o médico suspeita realmente de um abcesso do pulmão quando os sintomas semelhantes à pneumonia se apresentam em indivíduos que têm determinados problemas. Quando ambos os genes são . No entanto. que é a causa mórbida de maior frequência entre as pessoas de raça branca. pode esvaziar-se um abcesso introduzindo um tubo através da parede torácica até ao interior do abcesso. são necessárias várias semanas ou meses de terapia com antibióticos para conseguir uma melhoria significativa. Em contrapartida. Tratamento A cura rápida e completa de um abcesso pulmonar requer a administração de antibióticos por via endovenosa ou por via oral. Este tratamento continua até que os sintomas desapareçam e uma radiografia ao tórax demonstre que o abcesso foi resolvido. Muitas pessoas que sofrem dela morrem jovens. por exemplo. habitualmente. As radiografias ao tórax revelam. habitualmente. nos Estados Unidos. É mais frequente que o tecido pulmonar infectado tenha de ser extirpado.

As complicações nos adultos podem ser um colapso pulmonar (pneumotórax). ocasiona uma digestão deficiente em 85 % dos bebés que sofrem de fibrose quística. Podem formar-se pólipos no nariz e uma sinusite com secreções espessas. permitindo a multiplicação de bactérias. E e K) pode provocar cegueira nocturna. As glândulas que produzem muco nas vias aéreas dos pulmões fabricam secreções anormais que as obstruem. é espesso e o seu trânsito é mais lento que o normal. Os adolescentes têm. as paredes brônquica espessam-se. obstrui o intestino e a obstrução pode levar à perfuração da parede intestinal ou provocar uma hérnia do intestino. o sintoma mais perceptível. é acompanhada. respiração sibilante e infecções do tracto respiratório. geralmente. causando a sua inflamação. um atraso de crescimento e da puberdade e uma diminuição da resistência física. anemia e perturbações hemorrágicas. À medida que a doença evolui. As bronquites e as pneumonias recorrentes vão destruindo gradualmente os pulmões. uma forma de obstrução intestinal nos recém-nascidos. algumas zonas do pulmão contraem-se (uma afecção denominada atelectasia) e os gânglios linfáticos aumentam de tamanho. As secreções brônquicas espessas obstruem. tosse com sangue e insuficiência cardíaca. À medida que a doença avança. como o pâncreas e as glândulas dos intestinos. Em algumas glândulas. e o bebé pode também ter um abdómen protuberante. com frequência. O mecónio. Os bebés que foram alimentados com uma fórmula proteica de soja ou de leite materno podem desenvolver anemia e enfarte devido a não estar a absorver proteínas suficientes. causando uma obstrução temporária. D. vómitos e alterações do sono. A fibrose quística afecta a quase totalidade das glândulas exócrinas (glândulas que segregam líquidos para o interior de um canal). uma substância de cor verde-escura que aparece nas primeiras fezes de um recém-nascido. Uma quantidade insuficiente de secreções pancreáticas. O défice de vitaminas lipossolúveis (A. o revestimento do intestino grosso sai pelo ânus. As glândulas sudoríparas. Se o mecónio for demasiado espesso. A tosse. que são essenciais a uma digestão adequada de gorduras e de proteínas. A infecção constitui também um problema importante. provocando desidratação e aumento da viscosidade das secreções. processo denominado prolapso rectal. as vias aéreas inferiores. Sintomas Os pulmões são normais ao nascer. as vias aéreas enchem-se de secreções infectadas. A morte é. O primeiro sintoma da fibrose quística no lactente que não tem íleo meconial é. e o bebé está magro e tem os músculos flácidos. O íleo meconial. esta passagem interrompe-se. as secreções são espessas ou sólidas e podem obstruir completamente a glândula. consequência de uma combinação de insuficiência respiratória e cardíaca causadas pela . de náuseas. abundantes e de cheiro desagradável. As secreções são anormais e afectam o funcionamento glandular. O crescimento é lento apesar de um apetite normal ou grande. Todas estas alterações reduzem a capacidade do pulmão para transferir o oxigénio para o sangue. com fezes gordas. Em 20 % das crianças que não recebem tratamento. as glândulas parótidas e as pequenas glândulas salivares segregam líquidos cujo conteúdo em sal é superior ao normal. verifica-se em 17 % dos que sofrem de fibrose quística. raquitismo. o tórax toma a forma de barril e a falta de oxigénio pode produzir dedos em forma de baqueta de tambor e pele azulada.anormais. um escasso aumento de peso nas 4 ou 6 primeiras semanas. O mecónio pode também formar tampões no intestino grosso ou no ânus. muitas vezes. Cerca de metade das crianças com fibrose quística vêm à consulta médica pela primeira vez porque têm tosse. Os bebés que têm íleo meconial desenvolvem quase sempre outros sintomas de fibrose quística mais tarde. mas as perturbações respiratórias podem desenvolver-se em qualquer momento a partir do nascimento. As dejecções do bebé são frequentes. finalmente. frequentemente.

A prova do suor pode também confirmar o diagnóstico em crianças mais velhas e em adultos. 98 % dos homens adultos não produzem esperma ou produzem-no em pouca quantidade devido ao desenvolvimento anormal dos vasos deferentes. a concentração do enzima tripsina no sangue é superior ao valor normal. finalmente. conduzindo a uma dilatação das veias da extremidade inferior do esófago (varizes esofágicas). Embora este método se utilize em exames dos recém-nascidos. ou um valor elevado de substâncias gordas. a pessoa corre o risco de se desidratar pela perda aumentada de sal e de água. Igualmente. As mulheres que sofrem de fibrose quística têm mais probabilidades de ter complicações durante a gravidez do que as mulheres não afectadas. têm problemas de fertilidade. uma análise das fezes pode revelar a diminuição ou a ausência de enzimas digestivos. eleva-se a concentração de açúcar no sangue. Os indivíduos com fibrose quística. em seguida. apesar disso. Uma vez que a fibrose quística pode afectar vários órgãos. durante a gravidez é possível estabelecer um diagnóstico de fibrose quística no feto. A não ser que ambos os pais tenham pelo menos um gene. a qual pode mesmo ter um sabor salgado. cirrose. as provas complementares podem ajudar o médico a estabelecer o diagnóstico. há que ter em conta que recolher uma amostra de suor com tamanho suficiente de um bebé de 3 ou 4 semanas pode ser algo realmente difícil. as secreções do colo uterino são demasiado viscosas. Se ambos os pais forem portadores de um gene anormal que causa a fibrose quística. Quando se reduz a secreção de insulina. Mede-se então a concentração de sal no suor. uma radiografia ao tórax pode sugerir o diagnóstico. os familiares de uma criança que sofre de fibrose quística poderão estar interessados em saber se existe a probabilidade de ter filhos com esta doença. As provas de função pulmonar (Ver secção 4. Esta concentração pode ser medida numa gota de sangue recolhida num pedaço de papel de filtro. Quando se sua excessivamente num clima quente devido à febre. A prova quantitativa do suor com pilocarpina mede a quantidade de sal no suor. Diagnóstico Nos recém-nascidos que sofrem de fibrose quística. cada uma das gravidezes tem 25 % de probabilidade de que esta doença possa afectar o filho. como tripsina e quimotripsina. o que provoca uma diminuição da fertilidade. Nas mulheres. A obstrução dos canais biliares por secreções espessas pode causar inflamação do fígado e. não é uma prova concludente para o diagnóstico da fibrose quística. coloca-se um pedaço de papel de filtro na zona para absorver o suor. Esta cirrose pode provocar um aumento da pressão nas veias que chegam ao fígado (hipertensão portal). O fármaco pilocarpina é administrado para estimular a sudação de uma pequena zona de pele e. Quando os valores dos enzimas pancreáticos são reduzidos. Embora os resultados desta prova sejam válidos em bebés a partir das 24 horas de vida. Prognóstico . muitas mulheres com fibrose quística tiveram filhos. Uma concentração de sal acima dos valores normais confirma o diagnóstico nas pessoas que sofrem dos sintomas de fibrose quística ou que têm familiares que sofrem desta doença. Os testes genéticos a partir de uma pequena amostra de sangue podem ajudar a determinar quem tem um gene anormal que provoca a fibrose quística. Esta alteração faz com que as veias possam romper-se e sangrar copiosamente. muitas vezes. De um modo geral. os seus filhos não terão fibrose quística. Cerca de 2 % a 3 % das pessoas que sofrem de fibrose quística desenvolvem diabetes e são insulinodependentes devido ao facto de o pâncreas cicatrizado já não ser capaz de produzir insulina suficiente.doença pulmonar subjacente. Os pais podem notar a formação de cristais de sal na pele da criança. Além dos pais. capítulo 32) podem determinar uma perturbação respiratória.

Metade dos indivíduos com fibrose quística vivem mais de 28 anos. Apesar dos seus muitos problemas. O paciente deve ter um programa terapêutico complexo. As perspectivas melhoraram progressivamente ao longo dos últimos 25 anos. Quando fazem exercício. em parte. inicia-se logo que surja o primeiro sintoma de perturbação pulmonar. Um determinado tipo de enema pode aliviar um íleo meconial não complicado. As que não seguem um regime adequado podem necessitar de uma alimentação complementar. As crianças mais velhas e os adultos podem efectuar a terapia respiratória de forma independente. A proporção de gorduras deve ser de normal a elevada. dirigido por um médico experimentado e assistido por enfermeiras. como a lactose. Os pais são. Muitas vezes administram-se fármacos que ajudam a prevenir a contracção das vias aéreas (broncodilatadores). a actividade física e o apoio psicológico e social. (Ver secção 4.A gravidade da fibrose quística varia muito de uma pessoa para outra. os responsáveis pelo tratamento das crianças com fibrose quística. que se administra através de uma sonda introduzida no estômago ou no intestino delgado. capítulo 31) Os pais da criança podem aprender estes métodos e aplicá-los em casa todos os dias. têm de tomar suplementos de sal. A dieta deve fornecer calorias e proteínas suficientes para um crescimento normal. As formas de leite especial que contêm proteínas e gorduras de digestão fácil podem ajudar as crianças com problemas graves do pâncreas. Deve-se proporcionar-lhes uma informação pormenorizada para que conheçam a doença e as razões dos seus tratamentos. consistindo em drenagem postural. pode ajudar a impedir que as fezes obstruam o tracto intestinal. o uso de um ventilador não é muito útil para os indivíduos com insuficiência pulmonar. no entanto. A terapia genética é muito prometedora no tratamento da fibrose quística. Tratamento A terapia engloba a prevenção e o tratamento dos processos pulmonares. e está condicionada de forma muito significativa pela extensão do compromisso pulmonar. períodos ocasionais e breves de respiração artificial podem ajudar durante as . Os pacientes com doenças pulmonares graves e uma baixa concentração de oxigénio no sangue podem necessitar uma terapia complementar de oxigénio. A pessoa deve receber todas as imunizações habituais e a vacina contra a gripe porque as infecções virais podem aumentar a lesão pulmonar. ocasionando um estado de debilidade e finalmente a morte. inclusive até pouco tempo antes de morrerem. devido especialmente ao facto de os tratamentos poderem agora controlar algumas das alterações que se verificam nos pulmões. A probabilidade de sobrevivência a longo prazo é um pouco mais elevada nos homens. utilizando aparelhos especiais para a respiração ou coletes de compressão. A terapia respiratória. os indivíduos afectados pela fibrose quística estão presentes na escola ou no trabalho. necessitam por isso de consumir mais gorduras do que o normal para assegurar um crescimento adequado. No entanto. O tratamento das perturbações pulmonares é orientado para prevenir a obstrução das vias aéreas e controlar as infecções. disponíveis em pó (para os lactentes) e em cápsulas. Devem também multiplicar a dose diária habitual de multivitaminas e tomar vitamina E solúvel em água. Dado que os indivíduos que sofrem de fibrose quística não absorvem bem as gorduras. fisioterapeutas e terapeutas da respiração. percussão e vibração e tosse assistida. As pessoas que sofrem de insuficiência pancreática devem tomar substitutos de enzimas. quando têm febre ou estão expostos a um clima quente. independentemente da idade. uma boa nutrição. Geralmente. um trabalhador social. um dietista. a deterioração é inevitável. mas se não for efectivo pode ser necessário recorrer a uma intervenção cirúgica. Tomar com regularidade fármacos que produzam líquido no intestino. nas pessoas que não sofrem de perturbações do pâncreas e naquelas cujos sintomas iniciais se centram no aparelho digestivo.

As infecções pulmonares devem tratar-se o mais cedo possível com antibióticos. pode acontecer que um ou ambos os pulmões percam a elasticidade para se expandirem normalmente com a respiração. Este tratamento requer. Às vezes. No entanto. Um ano depois do transplante. habitualmente. Pode necessitar-se de uma intervenção cirúrgica no caso de colapso de um lobo pulmonar (pneumotórax). O transplante de coração e de ambos os pulmões só se efectua no caso de uma grave doença cardíaca ou pulmonar. para retardar a deterioração da função pulmonar. o que causa um colapso pulmonar. causando uma inflamação. hemorragia dos vasos sanguíneos do esófago. podem ser necessários antibióticos por via endovenosa. como o ibuprofeno. A administração de antibióticos por via oral ou em aerossol de modo contínuo ajuda a prevenir as recidivas da infecção. usam-se amplamente. Também diminuem a frequência das infecções pulmonares graves. Entre as duas superfícies flexíveis há uma pequena quantidade de líquido que as humedece e assim deslizam uniformemente uma sobre a outra em cada movimento respiratório. A superfície que reveste os pulmões encontra-se em contacto com a que reveste a parede torácica. quando a infecção é grave. recolhem-se amostras de expectoração. como a recombinante da DNAse. De um modo geral. a . um líquido ou outras substâncias podem introduzir-se entre as camadas da pleura. devido à experiência e ao aperfeiçoamento dos métodos. O ar. dada a sua capacidade para facilitar a tosse com expectoração e melhorar a função respiratória. infecção crónica numa parte do pulmão. Estes tipos de transplante estão a tornar-se mais sistemáticos. administra-se um antibiótico por via oral ou prescreve-se tobramicina em aerossol. Ao primeiro sintoma de infecção pulmonar. Quando se acumula demasiado produto. de modo que no laboratório se possa identificar o microrganismo infeccioso e o médico possa assim escolher os fármacos que têm maior probabilidade de o eliminar. de insuficiência respiratória após muitos anos de deterioração da função pulmonar. além disso. Pleurisia A pleurisia é uma inflamação da pleura. com bons resultados. Não se comprovaram os benefícios das câmaras de vapor. Uma vez que a inflamação desapareça. usam-se outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides. mas também pode ser administrado em casa. doença da vesícula biliar ou obstrução intestinal. Os corticosteróides podem aliviar os sintomas nos lactentes com inflamação brônquica aguda e em pessoas que têm as vias aéreas de tal modo estreitas que não se conseguem abrir com os broncodilatadores. Os indivíduos que sofrem de fibrose quística morrem. geralmente. sinusite crónica. A pleurisia produz-se quando um agente (geralmente um vírus ou uma bactéria) irrita a pleura. o sangue. de uma hemorragia numa via respiratória ou de complicações posteriores a uma intervenção cirúrgica. No entanto.infecções graves sempre que a função pulmonar tenha sido normal antes de a infecção se produzir. A pleurisia pode ser seca (pleurite seca) ou acompanhada de exsudação de líquido dentro da cavidade pleural (derrame pleural). reveste o interior da parede torácica. a hospitalização. Doenças da pleura A pleura é uma membrana delgada transparente que cobre os pulmões e que. cerca de 75 % dos doentes sobrevivem e melhoram consideravelmente. Os fármacos em aerossol que ajudam a dissolver o muco (mucolíticos). um número reduzido morre de uma doença de fígado. A hemorragia em grande escala ou recorrente num pulmão pode tratar-se bloqueando a artéria responsável. O transplante de fígado deu bons resultados em casos de lesão hepática grave.

começa de repente. Por essa razão. ou então pode ter uma dor persistente que piora com a respiração profunda e a tosse. Principais causas da pleurisia Pneumonia Enfarte pulmonar causado por um embolia pulmonar Cancro Tuberculose Artrite reumatóide Lúpus eritematoso sistémico Infecção por parasitas. ou somente. por exemplo. chamado atrito pleural. podem separar-se as camadas da pleura e deste modo a dor torácica desaparece. Ao auscultar o paciente. o médico pode escutar com o fonendoscópio um som de rangido. prescrevem-se antibióticos. provocando dificuldade respiratória. Envolver todo o tórax com ligaduras elásticas amplas e não adesivas alivia a dor torácica aguda. aliviar a dor torácica. A inflamação da membrana pleural externa é a causa da dor que. recomenda-se ao doente com pleurisia que respire profundamente e tussa logo que a dor diminua. habitualmente. A pessoa pode sentir a dor só quando respira profundamente ou tosse. no abdómen ou no pescoço e nos ombros (dor reflexa). a ligadura do tórax para reduzir a expansão durante a respiração aumenta o risco de pneumonia. geralmente. (Ver secção 6. independentemente da causa da pleurisia. uma evidência de uma doença pulmonar ou uma pequena acumulação de líquido na cavidade pleural. a dor pode sentir-se também. geralmente. Sintomas e diagnóstico O sintoma mais frequente da pleurisia é a dor torácica. o que não é recomendável porque a respiração profunda e a tosse ajudam a prevenir a pneumonia. A codeína e outros narcóticos são analgésicos mais fortes. Se se acumular uma grande quantidade de líquido. Se a causa é uma infecção por vírus. Se é uma doença auto-imune. A dor vai de um mal-estar vago a uma dor intensa pungente. de um modo geral.pleura pode voltar à normalidade ou então podem formar-se aderências que fazem com que os folhetos da pleura se colem entre si. que. mas não são aconselháveis porque tendem a suprimir a tosse. A tosse pode também ser menos dolorosa quando o próprio doente ou um ajudante mantiver uma almofada firmemente apoiada contra a parte dolorosa do tórax. se sente na parede do tórax exactamente no sítio da inflamação. No entanto. Mesmo não se vendo a pleurisia na radiografia. o seu tratamento costuma melhorar a pleurisia. pode porventura observar-se uma fractura de costela. como as amebas . os músculos do lado que dói movem-se menos que os do lado normal. Quando é uma infecção por bactérias. capítulo 61) A respiração pode ser rápida e pouco profunda porque respirar profundamente produz dor. A grande acumulação de líquido pode causar dificuldade na expansão de um ou de ambos os pulmões ao respirar. No entanto. Tratamento O tratamento da pleurisia depende da sua causa. não é necessário nenhum tratamento para a infecção. O diagnóstico da pleurisia é. fácil porque a dor é característica. Os analgésicos como o paracetamol ou o ibuprofeno podem.

Em ocasiões raras.Vista frontal . Uma quantidade excessiva de líquido pode acumular-se por vários motivos. de uma cirurgia do tórax. A hemorragia pode também ser causada pela coagulação defeituosa do sangue. a procainamida. como o causado pela tuberculose ou pela artrite reumatóide. O líquido leitoso na cavidade pleural (quilotórax) é causado por uma lesão dos principais canais linfáticos do tórax (canal torácico) ou pela obstrução do canal causada por um tumor. como o amianto Reacções alérgicas causadas por fármacos. O líquido com um nível alto de colesterol na cavidade pleural é o resultado de um derrame com muito tempo de evolução. pus. O empiema pode ser uma complicação de uma pneumonia ou então uma consequência de uma infecção de uma ferida no tórax. geralmente. só uma camada fina de líquido separa as duas membranas da pleura. Os outros tipos de líquido que se podem acumular na cavidade pleural podem ser sangue. como uma fractura da costela Substâncias irritantes que chegam à pleura a partir das vias respiratórias ou de qualquer outra parte. O pus na cavidade pleural (empiema) pode acumular-se quando a pneumonia ou o abcesso pulmonar se derrama na cavidade pleural. O sangue na cavidade pleural (hemotórax) é.Pancreatite Traumatismos. Dois planos da pleura 1-Vista superior -------------------------------------------2. a cirrose hepática e a pneumonia. como a hidralazina. Normalmente. da ruptura do esófago ou de um abcesso no abdómen. a fenitoína. líquido leitoso e um líquido com alto valor de colesterol. como a insuficiência cardíaca. a isoniazida. é relativamente fácil para o médico extraí-lo através de uma agulha ou de um tubo torácico. Devido ao facto de o sangue na cavidade pleural não coagular completamente. a clorpromazina Derrame pleural O derrame pleural é a acumulação anormal de líquido na cavidade pleural. o resultado de uma ferida no tórax. pode romper-se um vaso sanguíneo dentro da cavidade pleural ou uma zona dilatada da aorta (aneurisma aórtico) derramar sangue nessa cavidade.

Em 20 % dos derrames pleurais. um abcesso do pulmão ou um tumor.Sintomas e diagnóstico Os sintomas mais frequentes. geralmente. uma broncoscopia (um exame visual directo das vias aéreas através de um tubo de observação) (Ver secção 4. o primeiro passo para o diagnóstico. independentemente do tipo de líquido na cavidade pleural ou da sua causa. A amostra é analisada. muitos indivíduos com derrame pleural não manifestam nenhum sintoma. Uma radiografia do tórax. capítulo 32) Utilizando uma agulha de biopsia. é. mesmo depois de numerosos exames. capítulo 32) Em algumas ocasiões. com o fim de a extrair. (Ver secção 4. Quando estes dois exames não conseguem identificar a causa do derrame. Se a amostra for demasiado pequena para um diagnóstico preciso. No entanto. (Ver secção 4. Certos exames complementares avaliam a composição e determinam a presença de bactérias ou de fungos. para estabelecer o número e os tipos de células e a presença de células cancerígenas. a causa nunca se encontra. . o médico extrai uma amostra do folheto externo da pleura para análise. deve-se colher uma amostra de tecido com uma pequena incisão na parede torácica (procedimento chamado biopsia pleural aberta). (Ver secção 4. que mostra o líquido. A tomografia axial computadorizada (TAC) mostra mais claramente o pulmão e o líquido e pode revelar a presença de uma pneumonia. além disso. são a dispneia e a dor no peito. Extrai-se quase sempre uma amostra de líquido para exame através de uma agulha (procedimento denominado toracentese). capítulo 32) ajuda o médico a encontrar a fonte do líquido. Às vezes obtém-se uma amostra utilizando um toracoscópio (um tubo de observação que permite ao médico examinar a cavidade pleural e colher amostras). capítulo 32) O aspecto do líquido pode ajudar a determinar a causa do derrame. é necessário efectuar uma biopsia da pleura. Uma ecografia pode ajudar o médico a localizar uma pequena acumulação de líquido. Derrame pleural Desenho esquemático da imagem radiográfica do derrame pleural (forma de curva côncava para cima).

Esse tratamento consiste na cirurgia ou no tratamento com fármacos contra um cancro que esteja a obstruir o fluxo linfático. A acumulação de líquido provocada pelos tumores da pleura pode ser difícil de tratar devido a uma rápida e nova acumulação do líquido. Os fármacos que ajudam a eliminar os coágulos sanguíneos. pode ser necessário selar a cavidade pleural (sínfise). geralmente. entre duas costelas. Todo o líquido é drenado através de um tubo. a drenagem alivia a dispneia de um modo espectacular. Então efectua-se uma radiografa ao tórax para controlo da posição do tubo. pode ser necessária uma intervenção cirúrgica. . de modo que não fica espaço para que se continue a acumular líquido. A drenagem e a administração de fármacos que impedem o crescimento dos tumores previnem. para efeitos de diagnóstico. especialmente os que provocam falta de ar. podem administrar-se através do tubo de drenagem. Se a hemorragia continuar ou no caso de não se poder extrair a acumulação de forma adequada através de um tubo. pode introduzir-se um tubo através da parede do tórax. Mas se o líquido continuar a acumular-se.5 l de líquido de cada vez. a drenagem torna-se difícil. Quando é necessário extrair grande quantidade de líquido. Em casos raros. pode extrair-se líquido utilizando a toracentese. Em seguida. liga o tubo a um sistema de drenagem selado que impede que o ar entre na cavidade pleural. No caso de o sangue penetrar na cavidade pleural. o médico introduz um tudo de plástico dentro do tórax. A substância irritante sela as duas camadas da pleura entre si. dentro do espaço. geralmente a única coisa a fazer é drená-lo através de um tubo. Os derrames maiores. O tratamento do quilotórax é dirigido à reparação dos danos produzidos no canal linfático. uma punção cirúrgica para evacuar líquido da pleura através de uma pequena agulha (ou cateter) que se introduz na cavidade pleural. sempre e quando se tiver interrompido a hemorragia. o médico pode extrair até 1. podem exigir a evacuação (drenagem) do líquido. que depois se usa para administrar um irritante pleural. Com frequência. às vezes. como uma solução de doxiciclina ou talco. Depois de ter insensibilizado a zona com anestesia local. Quando o pus é muito espesso ou se formaram compartimentos entre zonas fibrosas. Quando o líquido é muito espesso ou está cheio de coágulos. a ulterior acumulação de líquido. A drenagem pode obstruir-se se o tubo torácico não for colocado correctamente ou se se dobrar. Uma acumulação de pus proveniente de uma infecção (empiema) requer um tratamento com antibióticos administrados por via endovenosa e uma drenagem do líquido. como a estreptoquinase e a estreptodornase. De um modo geral. podendo ser preciso cortar uma parte da costela para que se possa introduzir um tubo maior. o procedimento pode não ser eficaz. A tuberculose ou a coccidioidomicose requerem um tratamento prolongado com antibióticos. Embora a toracentese se pratique. pode ser necessário efectuar uma intervenção cirúrgica para retirar a camada externa da pleura (descorticação). usando este procedimento.Tratamento Um derrame pleural leve pode requerer somente o tratamento da causa subjacente.

Um pneumotórax pode também ser consequência de uma lesão ou de um procedimento clínico que permita que se introduza ar dentro da cavidade pleural. produzindo-se um pneumotórax. procainamida. Os respiradores podem lesionar os pulmões pela pressão que exercem. O pneumotórax espontâneo simples é causado. pela ruptura de uma pequena zona debilitada do pulmão. A maioria das pessoas recupera totalmente. Às vezes. isoniazida. fenitoína.Causas frequentes do derrame pleural Insuficiência cardíaca Baixa concentração de proteínas no sangue Cirrose Pneumonia Blastomicose Coccidioidomicose Tuberculose Histoplasmose Criptococose Abcesso por baixo do diafragma Artrite reumatóide Pancreatite Embolia pulmonar Tumores Lúpus eritematoso sistémico Ciruigia cardíaca Traumatismos do tórax Fármacos como a hidralazina. aparentemente devido à mudança de pressão nos pulmões. . procarbacina Colocação incorrecta de sondas de alimentação ou cateteres intravenosos Pneumotórax Um pneumotórax é uma acumulação de ar na cavidade pleural. Os casos de pneumotórax espontâneo simples não são. capítulo 33). a pressão na pleura torna-se maior do que a pressão interna dos pulmões e o pulmão sofre um colapso de forma parcial ou completa. Isso é mais frequente em pessoas que sofrem da síndroma de dificuldade respiratória do adulto (Ver secção 4. às vezes. a pressão na cavidade pleural é inferior à pressão interna dos pulmões. clorpromazinae. uma vez que necessitam de um respirador artificial de alta pressão para poderem sobreviver. a maioria dos colapsos pulmonares produz dispneia imediata e aguda. geralmente. geralmente. Alguns deles produzem-se durante a imersão ou durante o voo a grandes alturas. Normalmente. nitrofurantoína. consequência de um esforço. bromocriptina. como no caso da toracentese. O pneumotórax pode formar-se por motivos não identificáveis. dantroleno. os médicos chamam-lhe um pneumotórax espontâneo. O processo é mais frequente entre os homens com menos de 40 anos. Quando o ar penetra na cavidade pleural.

geralmente. actuam como uma válvula de uma só via.O pneumotórax espontâneo complicado ocorre nas pessoas que sofrem de uma doença pulmonar extensa. permitindo a entrada de ar. no pescoço ou no abdómen. como fibrose quística. Se o pneumotórax de tensão não for rapidamente tratado. pode ser desviada para um lado por causa de um colapso do pulmão. granuloma eosinófilo. Os sintomas tendem a ser menos importantes num pneumotórax de desenvolvimento lento do que num de desenvolvimento rápido. Nesta doença. tuberculose e pneumonia por Pneumocystis carinii. mas não a sua saída. os sintomas. A traqueia. que passa pela parte anterior do pescoço. Podem consistir numa ligeira falta de fôlego ou numa dor torácica ou então numa dispneia grave. Sintomas e diagnóstico Os sintomas variam muito e dependem da quantidade de ar que penetrou na cavidade pleural e da porção do pulmão que teve um colapso. uma tosse seca. uma via respiratória larga. geralmente. Com excepção de um pneumotórax muito grande ou de um pneumotórax de tensão. Esta situação provoca uma pressão tão elevada na cavidade pleural que todo o pulmão sofre um colapso e o coração e outras estruturas do mediastino são empurrados para o lado oposto do tórax. os tecidos que circundam a zona por onde o ar penetra na cavidade pleural. um choque e uma paragem cardíaca potencialmente mortal. Devido à doença pulmonar subjacente. O exame físico pode geralmente confirmar o diagnóstico. O pneumotórax espontâneo complicado pode também apresentar-se em pessoas que sofrem de outras afecções pulmonares. Podem sentir-se dores no ombro. sobretudo em pessoas de idade avançada que sofrem de enfisema. Pneumotórax No pneumotórax existe uma acumulação de ar entre as duas camadas da pleura. desaparecem à medida que o organismo se adapta ao colapso do pulmão e que este começa lentamente a encher-se de novo. os sintomas e as consequências. começam de repente as dores de peito em punhalada e a falta de ar e. pioram no pneumotórax espontâneo complicado. abcesso do pulmão. Com o fonendoscópio o médico ausculta o tórax e pode notar que uma parte não transmite o ruído normal da respiração. Uma radiografia do tórax mostra a acumulação de ar e o colapso do pulmão. Tratamento . pode causar a morte em poucos minutos. este tipo de pneumotórax é o resultado da ruptura de uma bolha (vesícula com 2 cm ou mais de diâmetro). às vezes. Muitas vezes. O pneumotórax de tensão é uma forma grave e potencialmente mortal do pneumotórax. Muitas vezes.

Este tubo comunica numa das suas extremidades com um sistema de drenagem constituído por uma garrafa que contém certo volume de água. a doença pulmonar subjacente pode ser uma contra-indicação para a cirurgia. Quanto mais cigarros se fumam. Uma proporção reduzida de cancros do pulmão (entre 10 % e 15 % nos homens e 5 % nas mulheres) é consequência das substâncias que se encontram ou que se aspiram no local de trabalho. pois é a causa mais frequente de morte causada por cancro tanto em homens como em mulheres. Em seguida. a extracção urgente do ar pode evitar a morte. Em indivíduos de alto risco. Frequentemente. geralmente. por exemplo os mergulhadores e os pilotos de avião. Um pneumotórax recidivante pode causar uma incapacidade considerável. quer em mulheres. embora. só nas pessoas que também fumam cigarros. Num pneumotórax de tensão. introduz-se separadamente um tubo para drenar o ar de forma contínua. e o mais importante. Frequentemente. o cancro também pode propagar-se (metástase) ao pulmão a partir de outras partes do organismo. O cancro do pulmão é o mais frequente. Em algumas ocasiões. maior é o risco de se contrair o cancro do pulmão. O cancro do pulmão aumentou nas mulheres devido ao costume mais difundido de fumar cigarros. no entanto. éter clorometílico. a cirurgia efectua-se com um toracoscópio introduzido através da parede torácica dentro da cavidade pleural. Em pessoas que sofrem de pneumotórax incurável ou de pneumotórax que se manifesta duas vezes no mesmo lado. é necessário um tubo torácico. Deste modo. Quando o pneumotórax é suficientemente grande para dificultar a respiração. é costume selar-se o espaço pleural administrando doxiciclina através de um tubo torácico enquanto o ar é evacuado. A absorção completa de um pneumotórax maior pode levar entre duas a quatro semanas. Causas O hábito de fumar cigarros é a causa principal em 90 % dos casos de cancro do pulmão.Um pneumotórax pequeno habitualmente não requer tratamento. Tratamento de um pneumotórax Tratamento de um pneumotórax com um tubo inserido no espaço pleural. arsénico. gás mostarda e emissões de coque dos fornos relaciona-se com o cancro do pulmão. Pode ligar-se ao tubo uma bomba de aspiração se o ar continuar a escapar-se através de uma conexão anormal (fístula) entre uma via respiratória e a cavidade pleural. níquel. no entanto. radiação. o ar contido no espaço pleural sai através do tubo. não provoca perturbações importantes da respiração e o ar absorve-se em poucos dias. Está por determinar o papel que a poluição do ar desempenha como causadora do cancro do . crómio. a cirurgia é a opção a ter em conta desde o primeiro episódio de pneumotórax. Num pneumotórax espontâneo complicado com um escape de ar persistente dentro do espaço pleural ou num pneumotórax recidivante. quer em homens. Cancro do pulmão A maioria das formas de cancro do pulmão tem a sua origem nas células dos pulmões. O ar aspira-se de imediato utilizando uma seringa grande que se liga a uma agulha introduzida dentro do tórax. é necessária a cirurgia. pratica-se uma intervenção cirúrgica para eliminar a causa do problema. Trabalhar com amianto. pode extrair-se o ar mais rapidamente através de inserção de um tubo torácico no pneumotórax. Geralmente. O tubo liga-se a um sistema de drenagem selado ou a uma válvula de uma só via que deixa sair o ar sem que ele reflua.

denomina-se carcinoma brônquico. do estômago. insensibilidade e perda de força no mesmo. em particular. A obstrução desta veia faz com que o sangue reflua para as outras veias da parte superior do corpo. provocando ataques agudos de tosse durante a deglutição porque os alimentos e os líquidos penetram nos pulmões. dos testículos. O cancro do pulmão ocasiona muitas vezes a acumulação de líquido à volta do pulmão (derrame pleural) (Ver imagem da secção 4. As pessoas com bronquite crónica que desenvolvem o cancro do pulmão percebem com frequência que a sua tosse piora. A exposição ao gás radão em ambiente doméstico pode ser importante num número reduzido de casos. emagrecimento e debilidade. Se o cancro se propaga para o interior dos pulmões. O carcinoma de células alveolares origina-se nos sacos de ar do pulmão (alvéolos). pode causar hemorragias graves. Um cancro do pulmão pode crescer dentro do coração. da tiróide. do colo do útero. capítulo 44). verificam-se em pessoas cujos pulmões têm cicatrizes produzidas por outras doenças pulmonares. o carcinoma de células pequenas (células em forma de grão de aveia). O cancro estende-se aos pulmões muito frequentemente a partir da mama. especialmente o adenocarcinoma e o carcinoma de células alveolares. o afundamento do globo ocular e uma redução da transpiração num lado da cara. dificultando a deglutição.pulmão. Em alguns casos. dos ossos e da pele. A obstrução de um brônquio pode ocasionar o colapso da parte do pulmão alimentada por esse brônquio. Pode também lesionar os nervos que vão para a cavidade dos órgãos da fonação. como a tuberculose e a fibrose. produzindo dor. do cólon. As veias da parede do tórax ganham volume. febre. o pescoço e a parede torácica . fazendo com que uma pálpebra fique só semiaberta. Outra consequência pode ser uma pneumonia com tosse. que produz dispneia. Embora este tipo de cancro possa ser um tumor único. da próstata. O cancro na parte alta do pulmão pode crescer no interior dos nervos que controlam o braço. criando uma afecção denominada atelectasia. este cancro. capítulo 22) O cancro pode crescer à volta da veia cava superior (uma das grandes veias do interior do tórax). A cara. O cancro pode provocar sibilos devido ao estreitamento da via aérea em que se desenvolve. Se o cancro invadir os vasos sanguíneos subjacentes. o carcinoma de células grandes e o adenocarcinoma. desenvolve-se um canal anormal (fístula) entre o esófago e os brônquios. desenvolve-se com frequência em mais de uma zona do pulmão. De modo geral. pode produzir uma dor de peito persistente. Quando o tumor cresce no interior da parede torácica. Sintomas Os sintomas de cancro de pulmão dependem do tipo de cancro. O cancro pode crescer directamente no esófago ou perto dele e pressioná-lo. O linfoma é um tipo de cancro linfático que pode começar nos pulmões ou propagar-se aos pulmões. dor torácica e dispneia. da sua localização e do seu modo de propagação. o hamartoma condromatoso (não canceroso) e o sarcoma (canceroso). uma dilatação do coração ou líquido no pericárdio que envolve o coração. Propagam-se aos pulmões muitas formas de cancro que têm origem em qualquer parte do organismo. o sintoma principal é uma tosse persistente. baixa concentração de oxigénio no sangue e insuficiência cardíaca. do rim. A expectoração pode estar manchada de sangue. Às vezes. provocando uma frequência cardíaca anormal. provocando a contracção da pupila. Os sintomas posteriores consistem na perda de apetite. Tipos de cancro do pulmão Mais de 90 % dos cancros do pulmão começam nos brônquios (as grandes vias aéreas que levam o ar aos pulmões). (Ver secção 3. Os tumores do pulmão menos frequentes são o adenoma brônquico (que pode ser ou não canceroso). Estes sintomas em conjunto conhecem-se como a síndroma de Horner. O cancro pode crescer no interior de certos nervos do pescoço. produzindo rouquidão. algumas formas de cancro do pulmão. pode causar dispneia. Os tipos deste cancro são o carcinoma epidermóide.

Posteriormente. Sintomas como insuficiência hepática. especialmente se se trata do carcinoma de células pequenas. cujo resultado é uma concentração anormal de hormonas. diarreia e alterações nas válvulas cardíacas). como perturbações metabólicas. Às vezes. vertigens e sonolência. Estas perturbações podem ser o primeiro sintoma de cancro ou o primeiro indício de que o cancro reapareceu depois do tratamento. causando uma retenção de líquidos e a baixa da concentração de sódio no sangue. Cancro brônquico A maior parte das vezes. Por exemplo. O cancro do pulmão pode também propagar-se pela corrente sanguínea para o fígado. capítulo 31) e causar mudanças nas extremidades dos ossos longos. nervosas e musculares (síndromas paraneoplásicas). o carcinoma de células pequenas pode segregar a adrenocorticotropina. incham e adquirem uma cor arroxeada. uma sombra numa radiografia do tórax de alguém que não tem sintomas pode ser o primeiro indício do processo. especialmente um fumador. incluindo as mamas. A maioria dos tumores do pulmão detecta-se numa radiografia do tórax. que além disso podem acompanhar-se por uma inflamação da pele (dermatomiosite). confusão. Algumas formas de cancro do pulmão têm o seu efeito noutros pontos afastados dos pulmões. disseminase a outros sítios do pulmão ou pode invadir outros órgãos (metástases). Diagnóstico O médico investiga a possibilidade de um cancro no pulmão quando um doente. respiração sibilante. Algumas formas de cancro do pulmão segregam hormonas ou substâncias semelhantes às hormonas. visão enevoada. A doença também causa dispneia. Um exemplo da síndroma paraneoplásica é a síndroma de Eston-Lambert. Estas síndromas não têm relação com o tamanho ou a localização do cancro do pulmão e não indicam necessariamente que este se tenha propagado para além do tórax. causando a síndroma de Cushing. convulsões e dores ósseas podem verificar-se antes que seja evidente qualquer anomalia pulmonar. dado que são causadas por substâncias segregadas pelo cancro. caracterizada por uma debilidade muscular extrema. Dado que uma radiografia mostra somente uma sombra no pulmão.superior. A produção excessiva de hormonas também pode provocar a chamada síndroma carcinóide (avermelhamento da pele. as quais se podem observar nas radiografias. Outras síndromas hormonais relacionadas com o cancro do pulmão incluem o aumento do tamanho das mamas nos homens (ginecomastia) e uma produção excessiva da hormona tiróidea (hipertiroidismo). Outra é a debilidade muscular e a dor causadas pela inflamação (polimiosite). não fornece uma prova segura de cancro. o cérebro. Isto pode ocorrer na primeira fase da doença. tem acessos de tosse persistente que pioram ou quando apresenta algum sintoma de perturbação pulmonar. dor de cabeça. O carcinoma de células escamosas pode segregar uma substância semelhante à hormona responsável por elevar os valores de cálcio no sangue. é necessário um exame ao microscópio de uma . Estes sintomas em geral pioram quando a pessoa se inclina para diante ou se deita. ou a hormona antidiurética. como o escurecimento da pele nas axilas. embora esta possa passar por cima dos pequenos tumores. Por isso. O cancro do pulmão pode inclusive alterar a forma dos dedos das mãos e dos pés (Ver imagem da secção 4. o cancro pulmonar tem origem nos brônquios. Também se verificam alterações cutâneas. as glândulas supra-renais e os ossos. o que dificulta um diagnóstico precoce.

Uma gamagrafia óssea pode evidenciar que o cancro se propagou aos ossos. capítulo 32) O exame pela TAC pode mostrar as pequenas manchas que não aparecem nas radiografias do tórax. Infelizmente. Estes doentes devem submeter-se a controlos regulares porque o cancro do pulmão recidiva em 6 % a 12 % dos doentes operados. o médico. em formas de cancro diferentes do carcinoma de células pequenas que não se tenham propagado para além do pulmão. quando está demasiado próximo da traqueia ou quando o indivíduo sofre de outra doença grave (por exemplo. a cirurgia não é útil quando o cancro se propaga para além dos pulmões. a amostra é obtida através de um procedimento cirúrgico denominado toracotomia. (Ver secção 4. A radioterapia é também útil para controlar a dor de ossos. dado que podem obstruir os brônquios e tornarem-se cancerosos com o tempo. Pode aplicar-se radioterapia aos doentes que não podem ser operados porque sofrem de outra doença grave. Se os resultados dos testes não forem satisfatórios. capítulo 164) Cada fase de um cancro tem o seu tratamento mais apropriado e permite ao médico estabelecer o prognóstico. variando de um pequena parte de um lobo pulmonar à totalidade do pulmão. A TAC pode também revelar um possível crescimento dos gânglios linfáticos. o médico pode obter uma amostra mediante a inserção de uma agulha através da pele enquanto efectua uma tomografia axial computadorizada (TAC) como guia. é provável que não possa praticar-se uma intervenção cirúrgica. Muitas vezes é difícil confirmar que um tumor na extremidade dos pulmões seja canceroso até que esse tumor seja extirpado para o seu exame microscópico. o objectivo da radioterapia não é a cura. A TAC do abdómen ou da cabeça pode mostrar se o cancro se propagou ao fígado. infelizmente os resultados nem sempre são a cura. Entre os doentes submetidos à extirpação de um tumor isolado de crescimento lento. Às vezes uma amostra da expectoração é suficiente para o diagnóstico (exame denominado citologia da expectoração). A classificação das formas de cancro baseia-se no tamanho do tumor. A cirurgia é possível. este procedimento denomina-se biopsia com agulha. extirpam-se cirurgicamente. Antes da cirurgia. recorrese frequentemente a uma biopsia (extracção de uma amostra para um exame ao microscópio) para determinar se tal aumento de volume provém de uma inflamação ou de um cancro. na sua possível propagação aos gânglios linfáticos próximos e na sua possível expansão a órgãos distantes. Não é um procedimento que se recomende com frequência. às vezes. às vezes. Tratamento Os tumores brônquicos não cancerosos. geralmente. (Ver secção 15. entre 25 % e 40 % sobrevivem pelo menos durante 5 anos a contar do diagnóstico. às glândulas supra-renais ou ao cérebro. Também se pode praticar uma broncoscopia (Ver secção 4. o médico efectua provas de função pulmonar (Ver secção 4. um cancro tem a sua origem noutro lugar do organismo e propaga-se aos pulmões. Às vezes. Apesar de se poder extirpar cirurgicamente entre 10 % e 35 % das formas de cancro. efectua uma biopsia de medula óssea (extracção de uma amostra para o seu exame ao microscópio). ocasionando tosse. Este só se pode extirpar depois de ter sido extirpado o tumor original. Se o cancro for demasiado profundo para ser alcançado por um broncoscópio. Às vezes. dispneia e febre. As diversas categorias denominam-se fases.amostra de tecido. Nestes casos. A porção de pulmão a extirpar determina-se durante a cirurgia. No entanto. capítulo 32) para determinar se o pulmão que fica tem capacidade suficiente. uma vez que só 10 % conseguem sobreviver 5 anos ou mais a esta intervenção. Dado que o carcinoma de células pequenas tende a propagar-se. capítulo 32) para obter uma amostra de tecido. a síndroma da veia cava superior e a compressão da medula espinal. . a radioterapia pode inflamar os pulmões (pneumonite por radiação). mas o retardar da evolução do cancro. No entanto. Esta percentagem é muito mais elevada entre os que continuam a fumar depois da intervenção. uma doença cardíaca ou pulmonar grave).

articulações e músculos O osso é um tecido corporal que muda constantemente e que desempenha várias funções. tendões. Os indivíduos que sofrem de carcinomas de células pequenas do pulmão e que respondem bem à quimioterapia podem recorrer à radioterapia para tratar o cancro se este se estendeu ao cérebro. Ossos. dos dedos da mão e do pé permitem apenas dobrar (flexão) e estender (extensão). . por sua vez. permitem um certo grau de mobilidade. A quimioterapia prolonga a vida de forma significativa em 25 % dos doentes. Nenhum tratamento de quimioterapia resulta particularmente eficaz. Em contrapartida. A terapia com oxigénio e os fármacos que dilatam as vias respiratórias podem aliviar as dificuldades respiratórias. a não ser que o cancro do pulmão seja do tipo de células pequenas. As articulações também estão providas de um revestimento (membrana sinovial) que. Em contrapartida. É o caso da articulação do ombro. estão ligados aos ossos e dispostos em grupos opostos em volta das articulações. Outros componentes das articulações servem de estabilizadores e diminuem o risco de lesões que possam resultar do uso constante. para trás e para os lados. resistente e protector que amortece e diminui a fricção. como as suturas que se encontram entre os ossos planos do crânio. na sua maioria. Contudo. ligamentos e outros componentes das articulações. Muitos indivíduos que sofrem de cancro do pulmão experimentam uma diminuição substancial da função pulmonar. Felizmente. a responsável pela resistência dos ossos. por proteínas como o colagénio e por uma substância denominada hidroxiapatite. As extremidades ósseas da articulação estão cobertas por cartilagem. como a prednisona. Outras.Estes sintomas aliviam-se com corticosteróides. Também em muitos casos de cancro do pulmão avançado o doente sente dor e é tal a dificuldade para respirar que deve administrar-selhe um medicamento narcótico em doses importantes durante a fase terminal. Os ossos também servem de escudo para proteger os órgãos internos. forma a cápsula articular. O esqueleto dá resistência e estabilidade ao corpo e é uma estrutura de apoio para que os músculos trabalhem e criem o movimento. O sistema musculoesquelético é formado pelo esqueleto. contribuindo para diminuir a fricção e facilitar o movimento. que são equilibrados pelos músculos que os estendem (tricípete). Esta substância armazena parte do cálcio do organismo e é. Os músculos são compostos por fibras que têm a propriedade de se contrair. enquanto os nervos os circundam. os narcóticos administrados em doses adequadas produzem um alívio substancial. contudo. Algumas articulações não têm movimento nos adultos. que pode durar semanas ou meses. este cancro trata-se com quimioterapia. O esqueleto é o conjunto de todos os ossos. As articulações são o ponto de união de um ou mais ossos e a sua configuração determina o grau e a direcção do possível movimento. um tecido liso. dado que quase sempre no momento do diagnóstico o carcinoma de células pequenas do pulmão já se propagou a outras partes diferentes do organismo. as articulações de tipo dobradiça dos cotovelos. É o caso dos músculos que dobram o cotovelo (bicípete). músculos. a cirurgia não é considerada uma opção válida. Está alojada no centro do osso e contém células especializadas na produção de células sanguíneas. A medula é uma substância mole e menos densa que o resto do osso. Neste último caso. As células do tecido sinovial produzem um líquido lubrificante (líquido sinovial) que enche a cápsula. estejam ou não em tratamento. uma junta articulada esférica que permite a rotação interna e externa do braço e os movimentos para a frente. Os músculos esqueléticos. a sua estrutura interna é essencialmente a mesma. que são os responsáveis pela postura e pelo movimento. em grande medida. Os ossos têm duas formas principais: plana (como os ossos chatos do crânio e das vértebras) e comprida (como o fémur e os ossos do braço). A parte rígida externa é composta. constituída por cálcio e outros minerais. por vezes combinada com radioterapia. Os vasos sanguíneos passam pelo interior dos ossos.

uma deslocação de articulações ou uma fractura. com frequência. os músculos poplíteos. Ao mesmo tempo. Por exemplo. permitindo os movimentos só em certas direcções. Para determinar a extensão e a localização exacta da lesão. Esta última é especialmente valiosa para examinar os músculos. uma articulação ou um tendão lesionado. tumores. As bolsas servem de amortecedores entre estruturas como a tíbia e o tendão da rótula. A maioria destas lesões cura-se por completo. A inflamação é uma resposta natural à irritação ou à deterioração dos tecidos. Um exemplo é a osteoporose. Para isso. Existem duas formas de inflamação: uma localizada.Os tendões são cordões resistentes de tecido conjuntivo que inserem cada extremidade do músculo ao osso. Perturbações musculoesqueléticas As perturbações do sistema musculoesquelético são a principal causa das dores crónicas e da incapacidade física. As análises laboratoriais podem fornecer uma informação útil acerca de algumas perturbações musculoesqueléticas. uma diminuição da massa óssea causada por uma desmineralização dos ossos. As bolsas são cápsulas cheias de líquido que proporcionam um amortecimento adicional entre estruturas adjacentes que. o médico extrai o líquido com uma . contudo. de outro modo. Os desequilíbrios metabólicos ou hormonais também podem afectar os ossos e as articulações. Outro é a gota. contudo. É possível analisar uma amostra de líquido articular para identificar a bactéria que causa uma infecção ou analisar os cristais que confirmam um diagnóstico de gota ou pseudogota. rodeiam as articulações e unem os ossos entre si. causa inchaço. Uma inflamação pode converter-se em crónica e persistente. dado que podem. infecções e deformidades. podem desgastar-se. por exemplo. Os tumores benignos e o cancro podem ter origem nos ossos e o cancro pode propagar-se de um osso para outras partes do corpo. lesar-se ou inflamar-se. por exemplo. esta informação não é suficiente para um diagnóstico. O grau da lesão pode variar desde um esticão muscular ligeiro a uma distensão de ligamentos. Cinco ligamentos em volta da articulação ajudam a manter os ossos devidamente alinhados. As lesões dos ossos. detectar fracturas. relaxam-se os músculos do quadricípete da parte anterior da coxa permitindo a flexão do joelho. como acontece no caso de certas doenças inflamatórias como a artrite reumatóide. roçariam entre si. As infecções dos ossos e das articulações podem ser invalidantes. A inflamação de uma articulação denomina-se artrite e a de um tendão tendinite. Os ligamentos contribuem para reforçar e estabilizar as articulações. A cartilagem e o líquido sinovial reduzem a fricção ao mínimo dentro da articulação do joelho. entre um osso e um ligamento. em consequência do movimento contínuo e da sobrecarga mecânica ou por reacções imunitárias. como. contraem-se e encurtam-se recolhendo a parte inferior da perna e flectindo o joelho. feridas. ocasionando o desgaste. embora sejam geralmente dolorosas e possam dar origem a complicações a longo prazo. limitada a uma parte do corpo. quer dizer. que têm um valor anormalmente alto de ácido úrico no sangue. dos músculos e das articulações são muito frequentes. As radiografias servem para avaliar as zonas de dor nos ossos. os ligamentos e os tendões. Embora os componentes desse sistema se desenvolvam bem com o uso. um tratamento imediato pode evitar as lesões permanentes das articulações. sensação de ardor e limitação do funcionamento da zona afectada. podem realizar-se exames como a tomografia axial computadorizada (TAC) ou o estudo por imagens de ressonância magnética (RM). na parte posterior da coxa. infecções ou depósitos de substâncias anormais. quando se dobra o joelho para dar um passo. que provoca a formação de depósitos de cristais nas articulações das pessoas propensas. outra generalizada. Os componentes de uma articulação trabalham conjuntamente para facilitar um movimento equilibrado e que não provoque lesões. rubor. Os ligamentos são compostos de um tecido semelhante.

mas ao mesmo tempo com a força suficiente para manter a articulação unida. Umas almofadas de cartilagem (meniscos) actuam como amortecedores entre os ossos e ajudam a distribuir o peso do corpo na articulação. O tecido sinovial que reveste a cápsula produz o líquido sinovial que lubrifica a articulação. capítulo 51) tratam-se muitas vezes com medicamentos para reduzir a inflamação e suprimir a resposta imunitária do organismo.agulha. A cartilagem. cobre as extremidades do osso da coxa (fémur) e da tíbia e ajuda a reduzir a fricção durante o movimento. Está envolvido por uma cápsula articular suficientemente flexível para lhe permitir mover-se. Algumas articulações gravemente afectadas podem ser substituídas por outras artificiais. fácil e quase indolor realizado no consultório. Os ligamentos laterais e posteriores do joelho reforçam a cápsula articular. Interior do joelho O joelho está concebido para se proteger a si mesmo. requerendo muitas vezes um tratamento combinado entre médicos. Sistema musculoesquelético . as doenças que afectam simultaneamente várias articulações (Ver secção 5. O tratamento está dependente do tipo de perturbação musculoesquelética e as lesões tratam-se frequentemente com repouso. compressas mornas ou frias e talvez analgésicos e imobilização com talas ou ligaduras. Por outro lado. Os sacos com líquido (bolsas) fornecem protecção à pele ou aos tendões que se movem sobre o osso. resistente ao uso. A rótula protege a parte frontal da articulação. a maioria das articulações com deterioração crónica não se pode curar com medicamentos. Contudo. em geral um procedimento rápido. aumentando a estabilidade. terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas.

Sistema musculoesquelético .

Deve. produzir as quantidades convenientes de hormonas como a paratiróidea. que faz com que os ossos se tornem mais frágeis e propensos às fracturas. a do crescimento. Tipos de osteoporose Existem diversos tipos de osteoporose. A partir de então. Também precisa de um fornecimento adequado de vitamina D para absorver o cálcio dos alimentos e incorporá-lo nos ossos. .Osteoporose A osteoporose é uma diminuição progressiva da massa óssea. Quando o organismo não é capaz de regular o conteúdo mineral dos ossos. a principal hormona feminina que ajuda a regular o fornecimento de cálcio aos ossos. O organismo requer um fornecimento adequado de cálcio e de outros minerais para manter a densidade dos ossos. A causa da osteoporose pós-menopáusica é a falta de estrogénio. a calcitonina. os estrogénios nas mulheres e a testosterona nos homens. Os minerais como o cálcio e o fósforo dão solidez e densidade aos ossos. estes perdem densidade e tornam-se mais frágeis. além disso. a densidade diminui lentamente. Estes aumentam a sua densidade até atingir o seu valor máximo por volta dos 30 anos de idade. provocando osteoporose.

podem começar antes ou depois dessas idades. Além disso. os sintomas aparecem em mulheres dos 51 aos 75 anos de idade. Nem todas as mulheres têm o mesmo risco de desenvolver uma osteoporose pós-menopáusica (as mulheres das etnias branca e oriental são mais propensas a esta doença que as mulheres de etnia negra). as fracturas tendem a curar-se lentamente em indivíduos que sofrem de osteoporose. Afecta. habitualmente. causando distensão muscular e dor. Aparece em crianças e adultos jovens. sofrem de ambas as formas de osteoporose. Diagnóstico Em caso de fractura. Podem-se fracturar outros ossos. a dor começa de maneira súbita. Em geral. A osteoporose senil é o resultado de uma deficiência de cálcio relacionada com a idade e de um desequilíbrio entre a velocidade de degradação e de regeneração óssea. das paratiróides ou das supra-renais) ou da administração de alguns medicamentos. localiza-se numa zona determinada das costas e piora quando se está de pé ou ao andar. As mulheres. A osteoporose juvenil idiopática é uma doença pouco frequente. de causa desconhecida. Também é frequente a fractura de um dos ossos do braço (o rádio) no ponto de articulação com o punho (fractura de Colles). Menos de 5 % das pessoas que padecem de osteoporose sofrem de uma osteoporose secundária (induzida por outras perturbações de saúde ou por medicamentos). sem perturbações hormonais nem carências de vitaminas. C). sendo a fractura da anca uma das mais graves e uma das principais causas de invalidez e perda de autonomia em pessoas de idade avançada.Em geral. A dor crónica de costas pode aparecer devido ao esmagamento das vértebras (fracturas por esmagamento vertebral). o diagnóstico de osteoporose baseia-se numa combinação de sintomas. como a insuficiência renal crónica e certas perturbações hormonais (especialmente da tiróide. como corticosteróides. com frequência por causa de uma sobrecarga leve ou de uma queda. e que não apresentam qualquer razão óbvia para ter ossos débeis. No caso de haver fractura de várias vértebras. a dor desaparece de forma gradual ao fim de umas semanas ou meses. O consumo excessivo de álcool e de tabaco agrava a afecção. exame . anti-convulsivantes e quantidades excessivas de hormona tiroideia. especialmente entre os afectados pela osteoporose senil. Pode aparecer dor ao tacto e. Na sequência de certas doenças. barbitúricos. «Senil» significa que se manifesta em pessoas de idade avançada. As vértebras debilitadas podem partir-se de forma espontânea ou em consequência de uma pequena pancada. Osteoporose Observe-se a diferença entre uma vértebra normal (A) e as vértebras de pessoas com osteoporose (B. Sintomas A osteoporose não produz sintomas num primeiro momento devido à lenta diminuição da densidade óssea. Outras pessoas nunca têm sintomas. a senil e a pós-menopáusica. Aparecem dor e deformações quando a redução da densidade óssea é tão importante que os ossos se esmagam ou fracturam. em geral. pode produzir-se uma curvatura anormal da coluna vertebral (corcunda). com frequência. pessoas com mais de 70 anos e é duas vezes mais frequente nas mulheres que nos homens. não obstante.

Os bifosfonatos também são úteis no tratamento da osteoporose. para assegurar a correcta absorção do alendronato. como andar e subir escadas. As mulheres pós-menopáusicas que apresentam formas mais graves de osteoporose podem também tomar estrogénios (em geral. O consumo de uma quantidade adequada de cálcio é eficaz. (Ver secção 22. pode atrasar a perda óssea e reduzir o risco de fracturas mesmo que se inicie mais tarde. As decisões acerca do uso da terapêutica de substituição de estrogénios depois da menopausa são complexas. apesar de poder ser menos eficaz que os estrogénios para prevenir a perda óssea. Todas as mulheres. Os exercícios que implicam suportar o peso corporal. Recomenda-se tomar cerca de 1.físico e radiografias dos ossos. Existem muitos preparados diferentes. Não obstante. alguns incluem vitamina D suplementar. em alguns casos. este deve ser tomado imediatamente depois do despertar juntamente com um copo de água e não se deve ingerir comida ou bebida durante os 30 minutos seguintes. combinados com progesterona) ou alendronato. que podem atrasar e inclusive deter a progressão da doença. Os estrogénios ajudam a manter a densidade óssea nas mulheres e costumam administrar-se juntamente com progesterona. sobretudo antes de se atingir a máxima densidade óssea (por volta dos 30 anos). O alendronato reduz a velocidade de reabsorção óssea nas mulheres pós-menopáusicas. não apresenta qualquer risco e tem uma duração de 5 a 15 minutos. capítulo 233) Há um novo medicamento semelhante aos estrogénios (raloxifeno). É útil para as mulheres com elevado risco de osteoporose e para aquelas em quem o diagnóstico é incerto. ou para avaliar com precisão os resultados do tratamento. aumentam a densidade óssea. carece dos efeitos secundários característicos destes sobre as mamas e o útero. Prevenção e tratamento A prevenção da osteoporose é mais eficaz que o seu tratamento e consiste em manter ou aumentar a densidade óssea por meio do consumo de uma quantidade adequada de cálcio. da administração de medicamentos. que. não parecem aumentar a densidade. Em contrapartida. dado que o tratamento pode implicar riscos e efeitos secundários. mas também depois dessa idade. a pessoa não deve deitar-se pelo menos durante os 30 minutos seguintes à ingestão da dose e até ingerir . deveriam tomar suplementos de cálcio e vitamina D. Contudo. podem ser precisos exames complementares para afastar doenças curáveis que possam provocar osteoporose. e reduzindo a incidência de fracturas. em que não se suporta o próprio peso. a maioria das mulheres precisa de tomar comprimidos de cálcio. Pelo contrário. sobretudo as que sofrem de osteoporose. O objectivo do tratamento consiste em aumentar a densidade óssea.5 g de cálcio por dia. podem ser administrados sós ou em combinação com a terapia de substituição hormonal para prevenir a osteoporose. Beber dois copos de leite por dia (alimento rico em cálcio) e tomar um suplemento de vitamina D ajuda a aumentar a densidade óssea em mulheres saudáveis de meia-idade que não receberam a quantidade suficiente destes nutrientes. A osteoporose pode ser diagnosticada antes que se verifique uma fractura por meio de exames que medem a densidade dos ossos. aumentando a massa óssea na coluna vertebral e nas ancas. contudo. os exercícios como a natação. O mais preciso destes exames é a absorciometria de raios X de energia dupla (densitometria óssea). os bifosfonatos. A terapia de substituição de estrogénios é mais eficaz se começar dentro dos primeiros 4 a 6 anos depois da menopausa. como o alendronato (veja-se mais adiante). da prática de exercícios nos quais se deve suportar o peso corporal e. Considerando que o alendronato irrita o revestimento do tracto gastrointestinal superior. Este exame é indolor.

Um pulso fracturado é engessado ou corrigido cirurgicamente. como corticosteróides e quantidade excessiva de hormona tiroideia Menopausa prematura Tabagismo Consumo excessivo de álcool . substitui-se toda a anca ou uma parte dela. a dor persiste durante muito tempo. mas a testosterona é-o. particularmente a pessoas que sofrem de fracturas dolorosas das vértebras. Administram-se suplementos de vitamina D e cálcio aos homens que sofrem de osteoporose. Quando as vértebras se partem e causam uma dor de costas intensa. Este medicamento pode ser administrado por meio de injecções ou sob forma de pulverizador nasal. que não produzam reacções adversas sobre a qualidade dos ossos. Estão a ser investigadas novas formas de fluoreto. especialmente quando os exames mostram que o seu organismo não absorve as quantidades de cálcio adequadas. As pessoas que têm dificuldade de deglutição ou certas perturbações do esófago ou do estômago. usamse coletes ortopédicos. no caso de o valor desta se manter baixo. contudo. Algumas autoridades de saúde recomendam calcitonina. Vértebras Factores que aumentam o risco de osteoporose nas mulheres Membros da familia com osteoporose Défice de cálcio na dieta Estilo de vida sedentário Etnia branca ou oriental Constituição magra Não ter estado grávida Uso de certos medicamentos.algum alimento. não devem tomar este medicamento. Devem tratar-se as fracturas que aparecem como resultado da osteoporose. o osso resultante poderá ser anormal e frágil. Embora os suplementos de fluoretos possam aumentar a densidade óssea. analgésicos e fisioterapia. Os estrogénios não são eficazes nos homens. no caso das fracturas da anca. pelo que a sua administração não é recomendada. Em geral.

o doente pode ter as pernas arqueadas e dar passos curtos e instáveis. As vértebras afectadas podem comprimir os nervos da espinal medula. o que leva a uma diminuição da altura dos ossos. crânio. Diagnóstico e tratamento A doença de Paget detecta-se muitas vezes de forma acidental. não se descobriu qualquer padrão genético específico. O crânio pode aumentar de tamanho dando um aspecto mais proeminente às sobrancelhas e à testa. mas é raro que se manifeste um quadro de insuficiência cardíaca.Doença de Paget do osso A doença de Paget é uma perturbação crónica do esqueleto na qual algumas zonas do osso crescem de modo anormal. contudo. As áreas hiperactivas aumentam. a sua estrutura é anormal e. clavícula e osso da parte superior do braço (úmero). como rigidez das articulações e cansaço. fémur. Austrália e Nova Zelândia do que na América. hereditária. Um osso anormal é mais propenso a sofrer fracturas. Os sintomas variam em função dos ossos afectados. tíbia. Contudo. Embora a doença de Paget seja. as células que destroem o osso velho (osteoclastos) e as que formam o novo (osteoblastos) trabalham em equilíbrio para manter a estrutura e a firmeza do osso. É particularmente frequente na Inglaterra. Pode manifestar-se como uma dor profunda. coluna vertebral. desconhece-se a origem da doença. Esta perturbação pode afectar qualquer osso. embora com mais frequência se apresente na pélvis. A título indicativo. portanto. o que se pode constatar quando o chapéu já não se ajusta bem à cabeça. Na doença de Paget. enfraquecer e deformar-se. pode-se suspeitar do diagnóstico baseando-se nos sintomas e no exame físico. pode haver cefaleias provocadas pela compressão dos nervos e pode constatar-se o aparecimento de veias dilatadas no couro cabeludo. Este aumento do tamanho do crânio pode causar uma perda da audição devido à lesão provocada no ouvido interno (cóclea). A doença de Paget é pouco frequente na população mais jovem (com menos de 40 anos). devido a um aumento da circulação sanguínea no crânio. os osteoclastos e os osteoblastos tornam-se hiperactivos em algumas áreas do osso. Em condições normais. Uma cintigrafia dos ossos permite averiguar quais os que estão afectados. fraqueza e inclusive paralisia nas pernas. que piora à noite. nos Estados Unidos cerca de 1 % das pessoas com mais de 40 anos sofre desta doença. aumentando de maneira significativa a rapidez de renovação do osso. são mais frágeis que as áreas normais. O indivíduo que sofre da doença de Paget precisa de tratamento no caso dos sintomas serem . Por outro lado. causando rigidez. A doença de Paget é mais frequente na Europa (excepto na Escandinávia). formigueiro. aumentam de tamanho e tornam-se mais frágeis. que se desenvolvem de forma lenta e subtil. por vezes intensa. O osso anormal transforma-se em canceroso em menos de 1 % dos pacientes. Em certas ocasiões. O aumento da circulação sanguínea através do osso anormal impõe um maior esforço ao coração. Algumas evidências sugerem que uma infecção viral pode estar envolvida. com frequência. Os homens são 50 % mais propensos a desenvolvê-la que as mulheres. O diagnóstico confirma-se mediante radiografias (que mostram anormalidades características da doença) e exames laboratoriais que medem no sangue os valores de fosfatase alcalina. a doença de Paget provoca o desenvolvimento de uma artrose dolorosa nas articulações adjacentes. As vértebras podem alargar-se. um enzima produzido pelas células formadoras de osso. ao efectuar-se exames laboratoriais ou radiografias por outros motivos. África e Ásia. podem aparecer sintomas. Se os ossos da anca ou da perna forem afectados por esta doença. contudo. Sintomas A doença de Paget é habitualmente assintomática. O aumento dos ossos pode comprimir os nervos (aumentando desse modo a dor) e levar a uma deformação óssea.

em qualquer momento da sua vida. Uma pessoa pode ter um ou vários tumores. nos adultos. Cerca de 10 % das pessoas que têm mais de um osteocondroma desenvolve um tumor canceroso do osso. A dor alivia-se. Tumores ósseos não cancerosos Os osteocondromas (exostoses osteocartilaginosas) são o tipo mais frequente de tumor ósseo não canceroso e costumam aparecer em pessoas de 10 a 20 anos de idade. pode obter-se a amostra extraindo algumas células com uma agulha (biopsia por aspiração). em geral. os tumores ósseos podem ser primários (tumores cancerosos ou não cancerosos que têm origem no próprio osso) ou metastáticos. Estes tumores são massas que crescem na superfície do osso e sobressaem como protuberâncias duras. Tumores ósseos Os tumores ósseos são produzidos pelo crescimento de células anormais nos ossos. nas mamas ou na próstata) e que depois se propagam ao osso. Devem-se fazer radiografias das articulações ou de qualquer membro que cause dor persistente. alendronato) ou calcitonina para atrasar a progressão da doença. para prevenir ou reduzir a hemorragia durante a mesma. Se uma perna se arqueia. as palmilhas para elevar o calcanhar podem facilitar a marcha. outros anti--inflamatórios não esteróides e analgésicos comuns como o paracetamol (acetaminofeno). mas não indicam de que tipo de tumor se trata. cancros originados noutro ponto do organismo (por exemplo. pode ser necessário um procedimento cirúrgico (biopsia aberta) para obter uma amostra adequada para o diagnóstico. Além disso. é possível notar uma massa ou tumefacção. cirurgia e radioterapia) é de grande importância no caso de tumores cancerosos. O etidronato e o alendronato administram-se habitualmente por via oral e o pamidronato por via endovenosa. quer dizer. Contudo. pamidronato. Contudo. A dor dos ossos é o sintoma mais frequente de tumores ósseos. denominado condrossarcoma. para prevenir ou atrasar a progressão da debilidade ou da paralisia em pessoas que não podem ser operadas e para tentar prevenir a artrose. com aspirina. Em alguns tumores. Estes medicamentos são administrados antes da intervenção cirúrgica.incómodos ou se existir um risco considerável de complicações (perda da audição. O tratamento imediato (que consiste numa combinação de medicamentos. Podem-se administrar bifosfonatos (etidronato. o tumor (especialmente se for canceroso) enfraquece o osso. a maioria são metastáticos. . A predisposição para desenvolver vários tumores pode ser de carácter hereditário. enquanto os cancerosos são pouco frequentes. Os tumores ósseos não cancerosos são relativamente frequentes. a maior parte dos tumores ósseos cancerosos são primários. uma perda maior da audição ou a progressão das deformações. A calcitonina administra-se sob a forma de injecção subcutânea ou intramuscular ou com pulverizador nasal. Podem ser não cancerosos (benignos) ou cancerosos (malignos). A extracção de uma amostra do tumor para exame microscópico (biopsia) é necessária para estabelecer o diagnóstico na maioria dos casos. A tomografia axial computadorizada (TAC) e a ressonância magnética (RM) são úteis para determinar a localização exacta e o tamanho do tumor. Não obstante. Também se usam para tratar as dores intensas causadas por esta perturbação. Em algumas ocasiões a cirurgia é necessária para aliviar os nervos comprimidos ou para substituir uma articulação com artrose. Nas crianças. não costumam fornecer um diagnóstico específico. artrite ou deformação). pelo que este se fractura com pouca ou nenhuma sobrecarga (fractura patológica). Por vezes. Além disso. os raios X só mostram uma zona anormal.

Têm origem de forma habitual nas extremidades dos ossos e podem estender-se aos tecidos adjacentes causando dor. Contudo. estes tumores causam dor e inflamação e é preciso efectuar uma biopsia para estabelecer o diagnóstico. Cerca de 10 % dos tumores reaparece depois da operação. é improvável que as pessoas com um único osteocondroma desenvolvam um condrossarcoma. e apresenta-se com maior frequência em pessoas de idade avançada. os osteossarcomas podem aparecer em qualquer idade. Habitualmente. mas no caso de assim não ser. as pessoas de idade avançada que sofrem da doença de Paget desenvolvem este tipo de tumor. em certas ocasiões. é pouco frequente que se transformem em cancerosos. tem origem em células da medula óssea. Alguns condromas causam dor. mas este processo pode ser corrigido depois da extirpação do tumor. mas podem ter a sua origem em qualquer osso e tendem a propagar-se aos pulmões. embora. O tratamento é complexo e pode consistir em quimioterapia. Estes tumores descobrem-se com frequência quando se fazem radiografias por outros motivos e podem ser diagnosticados pelo seu aspecto característico. Os fibromas condromixóides são tumores muito pouco frequentes que se apresentam em menores de 30 anos. Por vezes o tumor é difícil de localizar. preenchendo-se o vazio com um enxerto ósseo ou com cimento sintético para preservar a estrutura do osso. os tumores muito extensos podem requerer a extracção do segmento de osso afectado. podendo causar dor. Tumores cancerosos primários do osso O mieloma múltiplo é o tumor canceroso primário mais frequente. pode ser necessário fazer uma biopsia para determinar se se trata de um tumor canceroso ou não canceroso. Têm um aspecto característico nas radiografias e o seu tratamento consiste na extirpação cirúrgica. os músculos que rodeiam o tumor atrofiam-se. de modo que pode ser necessário fazer exames adicionais como a TAC e técnicas radiológicas especiais. Embora a sua incidência seja maior em indivíduos de entre 10 e 20 anos de idade. . não devem ser extraídos nem tratados. contudo. produtoras de anticorpos. Em certas ocasiões.Contudo. (Ver secção 14. sendo a dor o sintoma mais comum. O tratamento consiste numa intervenção cirúrgica. o que permite a sua detecção. capítulo 159) Pode afectar um ou mais ossos. embora possam aparecer em qualquer osso. Os condroblastomas são tumores pouco frequentes que crescem nas extremidades dos ossos. Este pode ser extirpado cirurgicamente. Os osteomas osteóides são tumores muito pequenos que com frequência se desenvolvem nos braços e nas pernas. Podem manifestar-se em pessoas entre os 10 e os 20 anos de idade. A localização exacta do tumor pode ser determinada por meio de uma cintigrafia que utiliza indicadores radioactivos. O tratamento depende do tamanho do tumor. os tumores reapareçam depois da cirurgia. 50 % destes tumores cresce no joelho ou à volta dele. Os condromas benignos que se desenvolvem na parte central do osso aparecem geralmente em indivíduos de 10 a 30 anos de idade. Alguns doentes preferem contudo tomar aspirina indefinidamente em vez de se submeterem a uma operação cirúrgica. Em geral causam uma dor que piora durante a noite e se atenua com uma dose baixa de aspirina. Em certas ocasiões. Por vezes. pode-se fazer um acompanhamento radiológico para vigiar o seu tamanho. O osteossarcoma (sarcoma osteogénico) é o segundo tipo de tumor canceroso primário do osso mais frequente. Os tumores de células gigantes costumam aparecer em pessoas de 20 a 30 anos de idade. radioterapia e cirurgia. daí que possa aparecer dor num ou vários pontos. Se o tumor causa dor ou não pode ser diagnosticado com precisão através das radiografias. A única solução para eliminar a dor de modo definitivo é a extirpação cirúrgica.

rim e tiróide são os mais propensos a propagar-se ao osso. já que não responde à quimioterapia nem à radioterapia. Os cancros da mama. a mesma localização e os mesmos sintomas que os osteossarcomas. A seguir. capítulo 166). O tumor de Ewing (sarcoma de Ewing) afecta com mais frequência os homens que as mulheres e a sua incidência é maior nas pessoas de entre os 10 e 20 anos de idade. Os sintomas mais frequentes são a dor e o inchaço. quimioterapia e radioterapia que pode ser eficaz em mais de 60 % dos indivíduos que sofrem do sarcoma de Ewing. Pode ter origem em qualquer osso ou em qualquer parte do corpo e estender-se ao osso. Muitos condrossarcomas são tumores de grau baixo ou de crescimento lento. próstata. hoje em dia é possível salvar a perna ou o braço afectados. Os sintomas consistem em dor ou numa fractura no ponto em que o tumor debilitou o osso. A biopsia é necessária para o diagnóstico. a biopsia é necessária para o seu diagnóstico. e com frequência podem curar-se mediante uma cirurgia. alguns à radioterapia. que é tão eficaz como a extracção cirúrgica do tumor. deve ser examinado para afastar possíveis tumores ósseos metastáticos. mas podem fazê-lo em qualquer osso. em qualquer parte do organismo. Graças aos avanços nos procedimentos cirúrgicos. O cancro pode estender-se a qualquer osso. A quimioterapia administra-se primeiro. A amputação do braço ou da perna não costuma ser necessária. Os fibrossarcomas e os histiocitomas fibrosos malignos apresentam o mesmo aspecto. As radiografias e as cintigrafias podem ajudar a localizar estes tumores.O tratamento dos osteossarcomas costuma consistir numa combinação de quimioterapia e cirurgia. As fracturas podem ser prevenidas por meio de uma intervenção cirúrgica para estabilizar o osso. O tratamento consiste numa combinação de cirurgia. o que provoca uma redução da dor durante esta fase do tratamento. inclusive antes da detecção do cancro original. Nesses casos. Cerca de 75 % dos indivíduos que apresentam este tipo de tumor sobrevive pelo menos 5 anos depois do diagnóstico. Tumores ósseos metastáticos Os tumores ósseos metastáticos são formas de cancro que se propagaram ao osso a partir do seu ponto de origem. causando dor e inchaço e uma propensão para sofrer fracturas. A maioria destes tumores desenvolve-se nos braços ou nas pernas. ao contrário do passado. uma biopsia é geralmente útil para determinar a localização do cancro original. Embora as provas de TAC e RM possam ajudar a determinar o tamanho exacto do tumor. alguns respondem à quimioterapia. As bases do tratamento são as mesmas. Um indivíduo que tem ou teve cancro e manifesta dor ou inflamação dos ossos. pulmão. mas não costuma propagar-se para lá do cotovelo e do joelho. alguns tumores de alto grau tendem a propagar-se. quando era frequente a sua amputação. outros a ambas e outros a nenhuma delas. e inclusive afectar todo o comprimento do osso. Os tumores podem chegar a ser bastante grandes. capítulo 158) do osso (sarcoma de células reticulares) afecta em geral pessoas entre os 40 e os 60 anos de idade. Mais de 75 % das pessoas que têm um condrossarcoma sobrevivem se este for completamente extirpado. Os condrossarcomas são tumores formados por células cartilaginosas cancerosas. Contudo. Um condrossarcoma deve ser extraído cirurgicamente na sua totalidade. O linfoma maligno (Ver secção 14. . um tumor metastático no osso provoca sintomas. Por vezes. O tratamento depende do tipo de cancro (Ver secção 15. A amputação está indicada em poucos casos. O seu tratamento consiste numa combinação de quimioterapia e radioterapia. procede-se à extirpação cirúrgica do tumor.

doença degenerativa das articulações) é uma pertubação crónica das articulações caracterizada pela degenerescência da cartilagem e do osso adjacente. os morcegos e as preguiças. que conduz a incapacidades mínimas e que o seu tratamento não é eficaz. afecta em algum grau muitas pessoas por volta dos 70 anos de idade. A doença está tão amplamente difundida no reino animal que alguns médicos pensam que pode ter evoluído a partir de um antigo método de reparação da cartilagem. salvo se forem excessivamente utilizadas ou danificadas. esta não afecta nenhum dos tipos de animais que permanecem pendurados com a cabeça para baixo. A artrose também pode aparecer em quase todos os vertebrados. por exemplo que é um traço inevitável de envelhecimento. inclusive peixes. Embora a artrose seja mais frequente em pessoas de idade. das mãos. das ancas e dos joelhos. como os cabelos grisalhos e as alterações na pele. Os animais aquáticos como os golfinhos e as baleias podem sofrer de artrose. algumas pessoas adultas desenvolvem incapacidades significativas. Causas As articulações têm um nível tão pequeno de fricção que não se desgastam.Mieloma múltiplo Crânio de um doente com mieloma múltiplo (aspecto de uma radiografia). a perturbação articular mais frequente. como o colagénio (uma proteína resistente e . Artrose A artrose (artrite degenerativa. tanto homens como mulheres. Contudo. contudo. É provável que a artrose se inicie com uma anomalia das células que sintetizam os componentes da cartilagem. anfíbios e aves. denominadas «lesões em saca-bocado». A artrose. dos pés. contudo. a sua causa não é a simples deterioração que implica o envelhecimento. A maioria dos afectados por esta doença. especialmente os mais jovens. Observem-se as múltiplas imagens com bordos bem definidos. a doença tende a desenvolver-se nos homens numa idade mais precoce. Persistem ainda muitos mitos sobre a artrose. Artrose da coluna vertebral Os círculos indicam as articulações mais frequentemente afectadas pela artrose a nível da coluna vertebral (cervical e lombar). apresentam poucos sintomas ou nenhum. que pode causar dor articular e rigidez.

em certas ocasiões. Existem duas classificações da artrose. o osso. do osso e outros tecidos pode aumentar o tamanho das articulações. dor e fraqueza num braço ou numa perna. Muitas pessoas apresentam alguma forma de incapacidade. perde o seu raio de acção e provoca dor ao mover-se. mas. impedindo que a articulação se possa mover com facilidade. os sintomas desenvolvem-se gradualmente e afectam inicialmente uma ou várias articulações (as dos dedos. a superfície lisa e regular da cartilagem torna-se áspera e esburacada. e secundária. Produz-se uma alteração da articulação pela deterioração de todos os seus componentes. sensação de enjoo (vertigem). a zona lombar. São especialmente vulneráveis os indivíduos que forçam as suas articulações de forma reiterada. contudo.fibrosa do tecido conjuntivo) e os proteoglicanos (substâncias que dão elasticidade à cartilagem). primária (idiopática). que aumenta em geral com a prática de exercício. o pescoço. A artrose afecta com frequência a coluna vertebral. A articulação pode perder mobilidade e inclusive ficar completamente rígida numa posição incorrecta à medida que piora a lesão provocada pela artrose. o dedo grande do pé. mas finalmente torna-se mais fina e surgem gretas na sua superfície. A cartilagem pode crescer demasiado. a base dos polegares. a degenerescência articular detém-se. a membrana sinovial (tecido que reveste a articulação). os ligamentos que rodeiam e sustentam a articulação distendemse de tal maneira que esta se torna instável. As articulações lesadas da coluna costumam causar apenas dores leves e rigidez. quando a causa é outra doença. quer dizer. Tratamento . a cápsula articular (tecidos que envolvem algumas articulações). Contudo. O novo crescimento da cartilagem. A artrose segue um desenvolvimento lento na maioria dos casos depois do aparecimento dos sintomas. a articulação pode estar rígida depois de dormir ou de qualquer outra forma de inactividade. Estas tumefacções podem interferir no funcionamento normal da articulação e causar dor. formando tumefacções (osteófitos) que podem ver-se e sentir-se ao tacto. especialmente nas articulações que sustentam o peso (como a anca). a artrose do pescoço ou da zona lombar pode causar entorpecimento. é possível que a obesidade seja um factor importante no desenvolvimento da artrose. Em alguns casos. As protuberâncias ósseas desenvolvem-se com frequência nas articulações das pontas dos dedos (nódulos de Heberden). Em contraste. náuseas e vómitos. a compressão dos vasos sanguíneos que chegam à parte posterior do cérebro origina problemas de visão. dificultando a deglutição. Formam-se cavidades diminutas que enfraquecem a medula do osso. como os operários de uma fundição ou de uma mina de carvão e os condutores de autocarros. a anca e os joelhos). Pode haver um crescimento excessivo do osso nos bordos da articulação. A cartilagem áspera faz com que as articulações ranjam ou crepitem ao mover-se. Por vezes o crescimento do osso comprime o esófago. os tendões e a cartilagem. Em raras ocasiões. a anca torna-se rígida. quando a causa é desconhecida. Em geral. muitas pessoas manifestam sinais de artrose nas radiografias. Por fim. uma ferida ou o uso excessivo da articulação. como a de Paget. A dor é o primeiro sintoma. Embora não exista uma evidência concludente a esse respeito. Sintomas Ao chegar aos 40 anos de idade. uma infecção. os corredores profissionais de maratona não têm um maior risco de desenvolvimento desta perturbação. debaixo da cartilagem. a rigidez costuma desaparecer 30 minutos depois de se iniciar o movimento da articulação. Tocar ou mover a articulação pode ser muito doloroso. mas relativamente poucas apresentam sintomas. Em alguns sítios (como o joelho). A dor de costas é o sintoma mais frequente. Contudo. uma deformidade. sensações estranhas. se o crescimento ósseo comprime os nervos.

já que estas estruturas contêm grandes quantidades desse tecido. aquecer cera de parafina misturada com óleo mineral a uma temperatura de 48ÞC a 51ÞC.Tanto os exercícios de estiramento como os de fortalecimento e de postura são adequados para manter as cartilagens em bom estado. Doenças das articulações e do tecido conjuntivo As alterações das articulações e dos seus componentes (músculos. a imobilização de uma articulação tende mais a agravar a artrose do que a melhorá-la. Também são úteis a fisioterapia e o tratamento com calor local. dá bons resultados: melhora a mobilidade e o funcionamento na maioria dos casos e diminui a dor de forma notória. Os medicamentos são o aspecto menos importante do programa global de tratamento. tal como os músculos. a inflamação afecta várias articulações. muitas delas são também um tipo de doença auto-imune que se caracteriza pela presença de reacções imunológicas em que algo desencadeia a reacção do sistema imunitário contra os próprios tecidos do corpo e a produção de anticorpos anormais que atacam esses tecidos (auto-anticorpos). são necessários suportes ortopédicos para as costas em caso de problemas graves. reclinadores. provavelmente porque se deve aos anticorpos que circulam pelo organismo dentro da circulação sanguínea. Para aliviar a dor dos dedos é recomendável. a inflamação pode ser crónica e lesar os tecidos normais. Algumas articulações. Um analgésio como o paracetamol (acetaminofeno) pode ser suficiente. embora isto só possa proporcionar alívio a curto prazo. capítulo 13) Se uma articulação se inflama. podem ser substituídas por uma artificial (prótese) que. O exercício deve ser compensado com o repouso das articulações dolorosas. em geral. ossos. nos resultados do exame . capítulo 168) As reacções imunológicas caracterizam-se pela existência de inflamação (um processo de reparação que diminui uma vez completado este processo). a tracção e a aplicação de calor intenso com diatermia ou ultra-sons. Recomenda-se o uso de cadeiras com costas direitas. A cirurgia pode ser útil quando a dor persiste apesar dos outros tratamentos. contudo. Quando a artrose afecta o pescoço. Um anti-inflamatório não esteróide como a aspirina ou o ibuprofeno pode diminuir a dor e a inflamação. para depois molhar os dedos. Contudo. a membrana que envolve os pulmões (pleura) e inclusive o cérebro. contudo. (Ver secção 16. Por exemplo. (Ver secção 2. desempenhar um papel activo e independente dentro da família e continuar a trabalhar. podem ser úteis as massagens realizadas por terapeutas profissionais. aumentar a mobilidade de uma articulação e reforçar os músculos circundantes de maneira que possam amortecer melhor os impactos. ou tomar banhos mornos ou quentes. na artrite reumatóide. O tecido conjuntivo pode inflamar-se dentro e à volta das articulações e de outras partes do corpo. a inflamação crónica prejudica a cartilagem da articulação. pode considerar-se a possibilidade de uma prótese da articulação. Os sintomas pioram com o uso de cadeiras. Os exercícios específicos para a artrose da coluna vertebral podem ser úteis. os corticosteróides podem ser directamente injectados nela. incha e provoca dor repentinamente. colchões e assentos de automóvel demasiado moles. É importante manter as actividades diárias habituais. Também podem ser afectados o invólucro do coração (pericárdio). quando o movimento se vê limitado. Contudo. nas doenças auto-imunes. Portanto. sobretudo a anca e o joelho. Nesta e em muitas outras doenças auto-imunes. As talas ou suportes podem proteger articulações específicas durante actividades que gerem dor. cartilagens e tendões) consideram-se doenças do tecido conjuntivo. O tipo e a gravidade dos sintomas dependem dos órgãos afectados. colchões duros ou estrados de madeira por baixo do colchão. por exemplo. Diagnóstico O diagnóstico de cada doença auto-imune baseia-se na sintomatologia.

uma vez controlada a inflamação com doses mais elevadas. em geral. exige-se uma prescrição para as doses elevadas que são empregues habitualmente no tratamento das doenças auto-imunes. 70 % dos indivíduos com artrite reumatóide têm anticorpos chamados factor reumatóide. O tratamento farmacológico tem por objectivo reduzir a inflamação. os 30 % restantes não os têm. Os efeitos secundários (com frequência as perturbações de estômago) são. deve iniciar-se um tratamento agressivo imediatamente. os anticorpos anti-ADN de cadeia dupla apresentam-se quase exclusivamente no lúpus eritematoso sistémico. Administram-se medicamentos imunossupressores como metotrexato. O uso prolongado de azatioprina e ciclofosfamida pode aumentar o risco de desenvolver algumas formas de cancro. os efeitos secundários podem ser numerosos e graves. mas não confirmá-lo. mas os seus efeitos secundários são potencialmente perigosos. uma forma sintética de hormonas naturais. o médico prescreve a dose eficaz mais baixa. Tratamento O tratamento varia segundo o tipo de doença e a gravidade da mesma. mas esta análise não é suficiente para identificar a causa da mesma. Certos anti-inflamatórios não esteróides podem ser adquiridos sem prescrição médica. que consiste na extracção de uma amostra desse tecido que é examinado ao microscópio. Contudo. Os resultados podem ser úteis para confirmar um diagnóstico de que se suspeitava ou para seguir o processo de uma doença. Os cortiscosteróides. que se administram para inflamações ligeiras. os sintomas de uma doença sobrepõem-se tanto aos de outra que é difícil fazer uma distinção entre elas. Em comparação com os anti-inflamatórios não esteróides. capítulo 154) com frequência acompanha as doenças do tecido conjuntivo. Alguns destes medicamentos também são administrados para tratar o cancro. Nestas.físico e nas análises laboratoriais. o factor reumatóide pode estar presente noutras doenças. na maioria das doenças os anticorpos não são específicos da doença. Entre os medicamentos que reduzem a inflamação estão os anti-inflamatórios não esteróides (AINE). retenção de líquidos e fragilidade da pele. Uma velocidade superior à normal sugere a presença de uma inflamação activa. Por exemplo. em contrapartida. A prednisona é o corticosteróide administrado por via oral mais amplamente utilizado. Se os sintomas da inflamação são graves ou quando esta pode implicar um risco para a vida do doente. os corticosteróides causam efeitos secundários muito mais graves. os resultados dos exames laboratoriais podem contribuir para o diagnóstico. surtos menores e para o controle da dor. Nesses casos. de pouca importância quando o tratamento com medicamentos em doses baixas é de curta duração. Em algumas doenças do tecido conjuntivo podem detectar-se anticorpos pouco comuns e medir a sua concentração no sangue. Por exemplo. Para evitá-los. o que leva a diagnosticar uma doença do tecido conjuntivo não diferenciada ou uma doença denominada «de sobreposição». Se os anticorpos são específicos de uma doença. aumento do risco de infecção. especialmente para um tratamento de longa duração. Os médicos podem vigiar periodicamente a velocidade de sedimentação quando os sintomas são ligeiros. em muitos casos. Da mesma forma. Em contrapartida. contudo. É possível precisar-se de doses baixas de um corticosteróide durante meses ou anos. para detectar as alterações. capítulo 61). a sua presença confirma o diagnóstico. Por vezes. superior à normal. a fim de determinar se a doença ainda está activa. são medicamentos antiinflamatórios muito potentes que podem ser administrados por meio de injecções ou por via oral. como a aspirina e o ibuprofeno (Ver secção 6. a velocidade de sedimentação (que mede a velocidade a que os glóbulos vermelhos assentam no fundo de um tubo graduado cheio de sangue) é. Quando uma doença afecta um tecido ou órgão específico. osteoporose. azatioprina e ciclofosfamida para suprimir a resposta imunitária e reduzir desse modo a inflamação. como aumento do açúcar no sangue. A anemia (um valor baixo de glóbulos vermelhos) (Ver secção 14. o médico pode efectuar uma biopsia. . se o tratamento consistir em doses elevadas e for de longa duração.

dor e muitas vezes levando à destruição definitiva do interior da articulação. causando a deslocação dos tendões dos dedos. causando dor e edema nas pernas. quando afecta uma articulação de um lado do corpo. Artrite reumatóide: aspecto das mãos 1. a correspondente do outro lado também é afectada. A inflamação das membranas que envolvem os pulmões (pleurisia) ou do invólucro do coração . Cerca de 1 % da população sofre desta doença. incluindo habitualmente as das mãos e pés. que se deteriora a um ritmo muito variável. o que impede que se estendam ou abram por completo.Alguns medicamentos imunossupressores podem contribuir para a disfunção do sistema reprodutor. Algumas pessoas sentem-se cansadas e fracas. Também podem ficar rígidas numa posição (contracturas). que provoca lesões dos nervos ou chagas nas pernas (úlceras). administram-se os medicamentos imuno-supressores mais potentes apenas nos casos graves. mas. Contudo. especialmente durante as primeiras horas da tarde. Nesta doença. As pequenas articulações dos dedos das mãos. a cartilagem. originando inchaço. Os pulsos inchados podem dar lugar à síndroma do canal cárpico. Desconhece-se a sua causa exacta. Os quistos que se desenvolvem por trás dos joelhos afectados podem rebentar. Artrite reumatóide A artrite reumatóide é uma doença auto-imune em que se inflamam simetricamente as articulações. com frequência perto das zonas doentes. Cerca de 30 % a 40 % das pessoas que sofrem de artrite reumatóide apresenta tumefacções duras (nódulos) debaixo da pele. embora sejam muitos os vários factores (inclusive a predisposição genética) que podem influir na reacção auto-imune. o sistema imunitário ataca o próprio tecido que reveste e protege as articulações. Qualquer infecção pode ser mortal dado que o sistema imunitário está deprimido. Por conseguinte. Em alguns casos. começa de forma subtil. As articulações inflamadas são em geral dolorosas e ficam com frequência rígidas. com maior frequência. A inflamação é em geral simétrica. A artrite reumatóide também pode desencadear uma variedade de sintomas em todo o corpo. que afecta as mulheres duas ou três vezes mais frequentemente que os homens. em algumas ocasiões. a doença resolve-se de forma espontânea e o tratamento alivia sintomas em três de cada quatro pessoas. uma inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite). afectando diversas articulações gradualmente. Finalmente. dos cotovelos e dos tornozelos costumam inflamar-se em primeiro lugar. mas pode fazê-lo em qualquer idade. pelo menos 1 em cada 10 pessoas fica incapacitada. provocando a formação de cicatrizes dentro da articulação. o osso e os ligamentos da articulação deterioram-se. quer dizer. dos pulsos. dos pés.desvio dos dedos 2-dedos em martelo 3-dedos em colo de cisne Sintomas A artrite reumatóide pode iniciar-se de forma súbita com a inflamação de muitas articulações ao mesmo tempo. Os dedos tendem a dobrar-se em direcção ao dedo mindinho em cada mão. As articulações afectadas aumentam e podem deformar-se rapidamente. A artrite reumatóide pode causar um pouco de febre e. sobretudo logo depois de se levantar ou depois de um período de inactividade prolongado. A artrite reumatóide apresenta-se em primeiro lugar em indivíduos entre os 25 e os 50 anos de idade.

Os períodos regulares de repouso servem para aliviar a dor. A maioria das pessoas com artrite reumatóide tem anticorpos característicos no sangue. a pseudogota e a artrose. ou então a inflamação e as cicatrizes dos pulmões podem provocar dor torácica. diz-se que sofre da doença denominada de Flety. quanto mais alto é o valor do factor reumatóide no sangue. As principais categorias de medicamentos usados para tratar a artrite reumatóide são os antiinflamatórios não esteróides (AINE). os corticosteróides e os medicamentos imunossupressores. 9 de cada 10 pessoas que sofrem de artrite reumatóide apresentam uma velocidade de sedimentação dos glóbulos vermelhos elevada. porque reduzem o inchaço nas articulações . Em geral. Por exemplo. o valor dos glóbulos brancos é anormalmente baixo. O valor do factor reumatóide pode diminuir quando as articulações estão menos inflamadas e aumentar ao verificar-se o surto inflamatório. Algumas características típicas da artrite reumatóide podem observar-se nos resultados dos exames laboratoriais. desde as medidas clássicas e simples como o repouso e a nutrição adequada. a artrite psoriática. As mudanças características nas articulações podem ser detectadas nas radiografias. Contudo. dado que usá-la piora a inflamação. pode ter leves efeitos benéficos sobre a inflamação. a síndroma de Sjögren ou uma inflamação ocular. mais grave será a artrite reumatóide e pior o prognóstico. dificuldade em respirar e uma função cardíaca anormal. Em geral. O tratamento inicia-se com as medidas menos agressivas. A doença de Still é uma variante da artrite reumatóide em que aparecem em primeiro lugar febre alta e outros sintomas generalizados. A artrite reumatóide pode produzir sintomas muito característicos. a síndroma de Reiter. como a aspirina e o ibuprofeno. se o indivíduo também apresenta um baço grande e sofre de artrite reumatóide. mas serão necessários alguns movimentos sistemáticos das mesmas para prevenir a rigidez. pode ser necessária uma análise do líquido que se extrai da articulação com uma agulha ou então uma biopsia (extracção de uma amostra de tecido que se examina ao microscópio) dos nódulos para estabelecer o diagnóstico. Um princípio básico do tratamento é o repouso da articulação afectada. a espondilite anquilosante. maiores são os seus efeitos secundários potenciais. A maioria tem uma anemia ligeira. Uma dieta rica em peixe e óleos vegetais. Diagnóstico Pode ser difícil distinguir a artrite reumatóide das muitas outras doenças que podem causar artrite. a gota. Por vezes. os medicamentos de acção retardada. são os mais utilizados. até aos medicamentos e a cirurgia. Algumas pessoas desenvolvem gânglios linfáticos inflamados. capítulo 13) e (Ver secção 6. Em raras ocasiões. a doença de Lyme. Tratamento Existem vários tratamentos. evoluindo até às mais agressivas caso seja necessário. O aumento dos sintomas aparece em alguns casos depois do consumo de certos alimentos. É aconselhável seguir uma dieta regular e saudável. Sete em cada dez indivíduos têm um anticorpo chamado factor reumatóide. mas pobre em carne vermelha. Por isso exige-se um acompanhamento muito rigoroso. Podem usar-se talas para imobilizar e proporcionar descanso a uma ou várias articulações. As doenças que se parecem em alguns aspectos com a artrite reumatóide são: a febre reumática aguda. embora em alguns casos este factor apareça sem qualquer outra evidência de doença. Neste último caso.(pericardite). capítulo 61). um breve repouso absoluto na cama ajuda a aliviar um surto grave na sua etapa mais activa e dolorosa. a artrite causada por gonococos. Medicamentos anti-inflamatórios não esteróides Os anti-inflamatórios não esteróides (Ver secção 2. Este factor também se apresenta noutras doenças (como em doenças crónicas do fígado e algumas infecções). quanto mais forte é o medicamento.

afectadas e acalmam a dor. A aspirina é a pedra angular tradicional do tratamento da artrite reumatóide. Durante o tratamento. todos eles podem causar perturbações estomacais e estão contra-indicados em pacientes com úlceras activas do tracto gastro-intestinal (pépticas). A melhoria pode perdurar vários anos graças a uma dose de manutenção. entre outros. embora se disponha de uma preparação que se administra por via oral. e com frequência durante o mesmo (até uma vez por semana). O zumbido nos ouvidos é um efeito colateral que indica que a dose é demasiado elevada. além disso. embora sejam mais caros. daí que estejam contraindicados em pessoas que sofram de doenças hepáticas ou renais graves. A penicilamina tem efeitos benéficos semelhantes aos dos compostos de ouro e pode ser utilizada quando estes não são eficazes ou quando causam efeitos secundários intoleráveis. Com menor frequência. doença muscular. erupções e mau sabor na boca. As queixas de estômago (um efeito secundário frequente nas doses elevadas). Outros efeitos secundários menos frequentes são cefaleias. O misoprostol pode ser útil para prevenir a irritação do revestimento do estômago e a formação de úlceras do estômago (gástricas) em pessoas com alto risco de manifestar tais afecções. doença renal. não evita as náuseas ou as dores abdominais que resultam da ingestão de aspirina ou outros medicamentos anti-inflamatórios não esteróides. mas a dose pode ser aumentada até se obter o alívio suficiente. a hidroxicloroquina e a sulfasalazina. as análises de sangue e urina efectuam-se todas as semanas ou de 4 em 4 semanas. experimentam-se outros medicamentos anti-inflamatórios não esteróides. aumento da pressão arterial. os pulmões e os nervos. como a miastenia grave. mas por sua vez pode causar diarreias e. assim como as úlceras podem ser prevenidas ingerindo alimentos ou tomando antiácidos ou outros medicamentos ao mesmo tempo. A penicilamina também costuma causar algumas perturbações. Estes compostos administram-se em injecções semanais. contudo. confusão. problemas renais. embora possa ser necessário um tratamento de vários meses (cujos efeitos secundários podem ser perigosos) para se verificar alguma melhoria. A dose é aumentada gradualmente até se verificarem melhorias. Geralmente o tratamento de aspirina inicia-se com 1 comprimido (325 mg) quatro vezes por dia. Os compostos de ouro (que costumam atrasar o aparecimento das deformações ósseas) também podem causar uma remissão temporária da doença. Estes medicamentos prescrevem-se se os anti-inflamatórios não esteróides não foram eficazes ao fim de dois ou três meses de tratamento ou no caso de um progresso rápido da doença. Os compostos de ouro costumam afectar vários órgãos de forma adversa. Os efeitos secundários são. Se o medicamento for eficaz. O tratamento suspende-se se aparecer algum destes graves efeitos secundários. O médico deve vigiar e fazer um acompanhamento do tratamento. Para o tratamento da artrite reumatóide menos grave utiliza-se a hidroxicloroquina de preferência a . tumefacção (edema) e. em geral. a inibição da formação de glóbulos vermelhos na medula óssea. As injecções semanais mantêm-se até se ter administrado um total de um grama ou até ao aparecimento de efeitos secundários ou de uma melhoria significativa. ou certas alterações do sangue. ardores e diminuição das células do sangue. Os medicamentos de acção retardada que são utilizados actualmente são a penicilamina. devem-se realizar análises de sangue e urina antes de se iniciar o tratamento. O tratamento deve ser interrompido no caso de aparecer algum destes sintomas. Em caso de intolerância à aspirina. raramente causam diarreias. mais fáceis de administrar. Medicamentos de acção retardada Os medicamentos de acção retardada alteram em certas ocasiões o curso da doença. Os efeitos secundários destes medicamentos consistem em erupções potencialmente perigosas. os compostos de ouro afectam o fígado. Contudo. Por isso. a frequência das injecções pode ser diminuída gradualmente. por vezes. a síndroma de Goodpasture e uma síndroma parecida com o lúpus. os novos medicamentos anti-inflamatórios não esteróides podem ter menos efeitos secundários e são.

alterações das células sanguíneas e erupções cutâneas. aumento do açúcar no sangue e cataratas. o uso prolongado de corticosteróides implica invariavelmente muitos efeitos secundários. Contudo. juntamente com os medicamentos para reduzir a inflamação das articulações. os corticosteróides podem ser injectados directamente na articulação afectada. pelo que os indivíduos que tomam hidroxicloroquina devem recorrer ao oftalmologista antes de iniciar o tratamento e consultá-lo todos os 6 meses durante o mesmo. Estes medicamentos não costumam atrasar a progressão da doença. Medicamentos imunossupressores Os medicamentos imunossupressores (metotrexato.outros compostos como o ouro ou a penicilamina. Por fim. Contudo. enquanto a artrite reumatóide. aplicação de calor nas articulações inflamadas e por vezes cirurgia. Outras terapias Um programa de tratamento para a artrite reumatóide. estes medicamentos têm efeitos secundários potencialmente mortais. administrado por via oral uma vez por semana. afectando quase todos os órgãos do corpo. quando outros medicamentos são ineficazes no tratamento de uma artrite grave. de contrário. O metotrexato. alguns problemas oculares costumam ser permanentes. interrompe-se o tratamento. depois de várias semanas. Devem evitar-se as bebidas alcoólicas para minimizar o risco de lesão do fígado. aumento da pressão arterial. além disso. osteoporose. pode incluir exercício. pelo que os corticosteróides podem ser administrados em doses mínimas e inclusive ser evitados. em alguns casos. A sulfasalazina prescreve-se cada vez mais para a artrite reumatóide. fisioterapia. Contudo. permanece activa durante anos. Os seus efeitos secundários são geralmente ligeiros (erupções. mas devem ser rigorosamente controladas. em geral. azatioprina e ciclofosfamida) são eficazes no tratamento das formas graves de artrite reumatóide. usa-se cada vez com maior frequência para o tratamento da artrite reumatóide nas suas primeiras etapas. usa-se a dose mínima eficaz devido ao risco de efeitos secundários. especialmente quando se usa de modo excessivo a articulação (que não dói durante algum tempo devido à administração frequente de injecções). surtindo efeito. Também se pode administrar este medicamento antes de prescrever medicamentos de acção retardada em caso de artrite grave. As pessoas tratadas com metotrexato toleram bem o medicamento. O exercício suave evita a rigidez das articulações . inflamação dos pulmões. que suprime os linfócitos (um tipo de glóbulo branco). assim como outros medicamentos de acção retardada. a ciclofosfamida pode produzir hemorragia da bexiga urinária. aumentando-se a dose de forma gradual. Pode-se prescrever ciclosporina. Apesar de os corticosteróides serem eficazes em tratamentos de curta duração. Se ao fim de 6 meses não se observar nenhuma melhoria com o medicamento. Para um alívio rápido e a curto prazo. Contudo. tanto a azatioprina como a ciclofosfamida podem aumentar o risco de cancro. aumento da susceptibilidade às infecções e supressão da produção de células sanguíneas na medula óssea. como doenças do fígado. Suprimem a inflamação. a longo prazo costumam acelerar o processo de deterioração. pode-se prolongar o tempo que for necessário. Os efeitos secundários mais frequentes são adelgaçamento da pele. por exemplo na membrana que envolve os pulmões (pleurite) ou no invólucro do coração (pericardite). a sua eficiência tende a diminuir com o tempo. além disso. problemas hepáticos. hematomas. já que se trata de um medicamento de acção rápida. Corticosteróides Os corticosteróides (como a prednisona) são medicamentos de uma eficácia surpreendente para reduzir a inflamação em qualquer parte do corpo. Também são úteis para tratar a inflamação em pontos diferentes das articulações. estes medicamentos reservam-se para o tratamento imediato dos surtos quando várias articulações estão afectadas ou quando os outros medicamentos se revelaram ineficazes. dores musculares e problemas oculares). A melhoria costuma verificar-se ao cabo de 3 meses. costuma causar problemas de estômago. Por conseguinte. Na maioria dos casos.

punho. Sintomas e diagnóstico A psoríase (uma doença da pele que causa surtos de erupções cutâneas avermelhadas e escamosas. A artrite afecta habitualmente as articulações dos dedos da mão e do pé. Também é possível a sua extracção ou fusão. Em alguns casos. Inflamação (artrite) em três ou mais articulações (durante 6 semanas pelo menos). inclusive as ancas e a coluna vertebral. A substituição cirúrgica das articulações do joelho ou da anca é o modo mais eficaz para restaurar a mobilidade e o funcionamento. porque são menos . os exercícios activos e regulares podem ser úteis. embora também possa afectar outras articulações. a cirurgia pode ser necessária. Artrite na mão. espessamento das unhas e ponteado ungular) pode preceder ou seguir-se à inflamação articular. Ao diminuir a inflamação. quando a doença articular se encontra num estado avançado. a prática de exercícios na água pode ser mais fácil. Também se pode fundir as vértebras instáveis do extremo superior do pescoço para que não comprimam a espinal medula. Se os medicamentos não foram eficazes. existe calçado ortopédico especialmente modificado que pode ajudar a caminhar com menos dor e dispositivos como empunhaduras que reduzem a necessidade de apertar demasiado a mão. capítulo 193) da pele ou das unhas. especialmente no pé. Identificação da artrite reumatóide A pessoa com quatro das seguintes características está propensa a sofrer de artrite reumatóide: Rigidez de manhã que dura mais de 1 hora (durante 6 semanas pelo menos). Prognóstico e tratamento O prognóstico da artrite psoriática é em geral melhor que o da artrite reumatóide. Os sintomas articulares e cutâneos podem aparecer e desaparecer conjuntamente. Por exemplo. Artrite psoriática A artrite psoriática é uma forma de artrite que se verifica em pessoas que têm psoríase (Ver secção 18. Mudanças características nas radiografias. A artrite psoriática parece-se com a reumatóide. As pessoas incapacitadas por uma artrite reumatóide podem usar uma variedade de ajudas para levar a cabo as tarefas diárias. O tratamento das articulações rígidas consiste na prática de exercícios intensivos e em algumas ocasiões no uso de talas para estender gradualmente a articulação.inflamadas. sem que a pessoa chegue ao extremo de se cansar. O diagnóstico estabelece-se identificando a artrite característica numa pessoa que sofre de psoríase ou tem antecedentes familiares de psoríase. para tornar a marcha menos dolorosa. mas não possui os anticorpos característicos desta. As articulações podem inchar e deformar-se quando a inflamação é crónica. ou articulações dos dedos (durante 6 semanas pelo menos). Factor reumatóide no sangue. É possível fundir o polegar e assim permitir que a pessoa possa utilizá-lo para segurar.

mas só raramente aparecem sintomas graves de lúpus eritematoso sistémico. o linfoma e a sarcoidose. Em zonas muito escamosas. as articulações podem ficar gravemente afectadas. Se não se trata a doença. e é mais frequente no sexo feminino e mais ainda em mulheres com cerca de 30 anos de idade. Costumam aparecer nas faces. mas não para a inflamação da coluna vertebral. se for imediatamente iniciado. a ciclosporina e a sulfasalazina. Pode-se utilizar uma protecção solar como medida preventiva. As cicatrizes podem causar uma perda local do pêlo. Sintomas A erupção característica pode persistir ou aparecer e desaparecer durante anos. como os utilizados para tratar o lúpus eritematoso sistémico. Podem-se realizar provas complementares para procurar anticorpos anti-ADN de cadeia dupla. de um centímetro de diâmetro. desse modo. devem ser evitados. no dorso dos braços e nas canelas. são vermelhas e redondas. Lúpus eritematoso discóide O lúpus eritematoso discóide é uma doença crónica e recorrente caracterizada por manchas arredondadas vermelhas de bordos bem definidos na pele. cada mancha estende-se gradualmente e a parte central degenera deixando uma cicatriz. os folículos obturados dilatam-se. Deve examinar-se meticulosamente a história clínica e realizar uma investigação completa para se assegurar de que outros órgãos não estão afectados. mas podem aparecer também na parte superior do tronco. embora as mulheres não devam ficar grávidas enquanto o estiverem a tomar nem durante pelo menos um ano após a interrupção do tratamento. portanto. já que permanece durante muito tempo no organismo e os seus efeitos secundários são perigosos: pode causar defeitos congénitos. Não obstante. a aplicação de um creme com corticosteróides é eficaz para tratar as manchas pequenas. O leque de idades é muito mais amplo que o habitual para o lúpus eritematoso sistémico. também são frequentes as úlceras na boca. A erupção pode ser acompanhada de dor nas articulações e de uma diminuição dos glóbulos brancos. deixando covas parecidas com pequenas tachas de tapeçaria. A luz solar e os raios ultravioleta (como os administrados nas salas de bronzeamento) podem agravar a erupção e. pode prevenir ou reduzir a gravidade das cicatrizes permanentes. O etretinato costuma ser eficaz em casos graves. cana do nariz. mas em quase nenhuma das que têm lúpus eritematoso discóide. que se encontram em muitas pessoas com lúpus eritematoso sistémico. a dermatite seborreica. O tratamento está orientado para o controlo da erupção cutânea e para o alívio da inflamação articular. afastar outros possíveis diagnósticos. A combinação do metoxaleno por via oral e o tratamento com raios ultravioleta (PUVA) é eficaz para aliviar os sintomas cutâneos e a maioria das inflamações articulares. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico não é fácil de confirmar porque a erupção no lúpus eritematoso discóide pode ser idêntica à do lúpus eritematoso sistémico e semelhante às erupções causadas por doenças como a rosácea. O aspecto das manchas muda com o tempo: no princípio. Vários medicamentos que são eficazes no tratamento da artrite reumatóide também são administrados para tratar a artrite psoriática. como os compostos de ouro. o metotrexato. Podem ser úteis análises de sangue para determinar o número de glóbulos vermelhos e brancos e para avaliar a função renal e.as articulações afectadas. Em geral. O tratamento. couro cabeludo e orelhas. A sua causa é desconhecida. As erupções maiores e resistentes requerem com frequência uns quantos meses de tratamento com corticosteróides administrados por via oral ou com medicamentos imuno-supressores. Lúpus eritematoso sistémico .

manifesta-se. Podem produzir-se também episódios de febre acompanhados por uma sensação de mal estar geral. homens e mulheres de idade avançada. o lúpus pode parecer-se com muitas outras doenças. por vezes. Alguns medicamentos para o coração (hidralazina. As erupções cutâneas são frequentes e aparecem de forma habitual no rosto. os sintomas. Ocasionalmente. que aparecem e desaparecem. Esta pode ser alta e de aparecimento súbito. O líquido pode acumular-se no saco que envolve o coração. assim como a sua intensidade e gravidade. As úlceras da boca também são frequentes. o lúpus pode ter manifestações semelhantes a uma epilepsia ou a qualquer perturbação psicológica. Embora o lúpus possa ser crónico e persistente. Uma inflamação articular de longa duração pode conduzir a deformações e lesões permanentes da articulação e do tecido circundante. Cerca de 90 % das pessoas com lúpus sofrem de uma inflamação articular que varia desde dores ligeiras intermitentes a formas intensas de artrite em várias articulações. os sintomas cutâneos podem ser leves (inclusive podem ser prevenidos evitando-se a luz solar) ou. que aparece em cima da cana do nariz e nas maçãs do rosto. muitas pessoas que sofrem de lúpus recordam-se de ter tido na infância dores relacionadas com o crescimento. pelo contrário. em geral. Verifica-se uma inflamação de diversos tecidos e órgãos numa diversidade de pessoas. incapacitante ou mortal. Cerca de 90 % das pessoas com lúpus são mulheres dos 20 aos 30 anos. originando uma pericardite que pode causar dores torácicas agudas e constantes. determinam quais são os sintomas que se desenvolvem. mas o osso não se desgasta como no caso da artrite reumatóide. ou ser devastador. também e característica a perda de cabelo. O lúpus pode começar com febre. Portanto. pode ocorrer uma inflamação e uma acumulação excessiva de líquido nas membranas que envolvem os pulmões. Quase metade das pessoas que sofrem de lúpus tem a pele muito sensível à luz. Por exemplo. Por exemplo. procainamida e betabloqueantes) podem causar. Na fase activa. indo o grau da doença de ligeiro a debilitante. uma síndroma semelhante ao lúpus que desaparece quando se interrompe o tratamento. no pescoço. no peito e nos cotovelos. Essa inflamação (pleurisia) pode fazer com que a respiração profunda seja dolorosa. Os sintomas articulares que se manifestam durante anos podem preceder o aparecimento de outros sintomas. É pouco frequente que estas erupções causem bolhas ou fiquem em carne viva. no lúpus é habitualmente afectado o tecido conjuntivo das articulações. graves e desfigurantes. As crianças e os adultos jovens que . em pessoas que têm anticorpos que afectam apenas a pele.O lúpus eritematoso sistémico é uma doença auto-imune com episódios de inflamação nas articulações. de tal maneira que ela pode queimar-se facilmente ou apresentar uma erupção depois da exposição à luz solar. Sintomas O número e a variedade de anticorpos que se podem apresentar no lúpus são maiores que em qualquer outra doença e. de forma intermitente. Quando afecta o cérebro. mas também pode aparecer em crianças (sobretudo de sexo feminino). e a artrite daí resultante pode parecer-se com a artrite reumatóide. O lúpus pode ser bastante ligeiro. juntamente com outros factores desconhecidos. Podem aparecer zonas pintalgadas de cor vermelhopúrpura no bordo das palmas das mãos e nos dedos assim como inchaço e vermelhidão à volta das unhas. por vezes durante anos. desconhece-se o factor desencadeador de um aumento dos sintomas em pessoas com predisposição. Devido à grande variedade de sintomas que apresenta. dependendo da quantidade e da variedade de anticorpos que aparecem e dos órgãos interessados. A mais característica é uma erupção de cor vermelha. em forma de asas de borboleta. embora a luz solar possa ser um desses factores. variam muito em cada caso. podendo também desenvolver-se protuberâncias circulares. tendões e outros tecidos conjuntivos e órgãos. Muitas vezes. De facto.

A aspirina administra-se . Portanto. muitas vezes com períodos livres de sintomas que podem durar anos. o lúpus cura-se interrompendo o mesmo. Eritema em asas de borboleta As manifestações cutâneas são frequentes no lúpus eritematoso sistémico. embora a recuperação possa demorar meses. A doença tende a ser crónica e recorrente. O baço aumenta de tamanho em 10 % das pessoas com esta doença. A detecção precoce e o tratamento das lesões do rim nas pessoas afectadas pelo lúpus reduzem a incidência de uma doença renal grave.têm lúpus apresentam com frequência um aumento do tamanho dos gânglios linfáticos em todo o corpo. A detecção de proteínas ou glóbulos vermelhos na urina num exame de laboratório indica lesão dos rins causada pela glomerulonefrite. O tratamento depende dos órgãos afectados e da gravidade da doença. A doença ligeira pode exigir pouco ou nenhum tratamento. como dificuldade para pensar com clareza. Os medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINE) podem aliviar a dor articular na maioria dos casos. erupções cutâneas. Por vezes. presentes na grande maioria das pessoas que sofrem de lúpus. devido à ampla gama de sintomas que este provoca. embora nem todas as pessoas que sofrem dessa doença tenham esses anticorpos. Em caso de desenvolvimento de uma doença progressiva grave dos rins. convulsões e sintomas semelhantes aos da demência. caso seja controlada a inflamação inicial. Os exames de laboratório podem ser úteis para confirmar o diagnóstico. Diagnóstico O diagnóstico baseia-se principalmente nos sintomas. Prognóstico e tratamento O prognóstico varia enormemente dado que o curso da doença é imprevisível. o prognóstico a longo prazo é bom. embora em algumas ocasiões a biopsia renal esteja indicada para determinar melhor o tratamento. caso se detectem anticorpos antinucleares. problemas cardíacos e pulmonares muito importantes. A análise de sangue pode detectar anticorpos antinucleares. artrite. Podem fazer-se análises de sangue para medir os valores do complemento (um grupo de proteínas que fazem parte do sistema imunitário) e detectar outros anticorpos para prever a actividade e o curso da doença. uma inflamação dos rins frequente durante esta doença. O lúpus mais grave pode causar doenças do sangue. Um valor alto destes anticorpos é específico do lúpus. Contudo. Com menor frequência verificam-se tromboses cerebrais. problemas cardíacos e pulmonares moderados e cefaleias. A lesão do rim causada pelo lúpus pode ser detectada por meio de análises de sangue e urina. causando cefaleias. lesões do rim significativas. devem realizar-se também provas à procura de anticorpos anti-ADN de cadeia dupla. Pode ser difícil distinguir o lúpus de outras doenças. É característico encontrar lesões eritematosas (vermelhas) ou hiperpigmentadas no dorso do nariz e das faces: é o eritema em «asas de borboleta». esta perturbação afecta o sistema nervoso. seguida de uma insuficiência renal que poderá ser mortal. mudanças de personalidade. vasculite dos braços e das pernas ou do tracto gastrointestinal. Em geral. Não é frequente que os surtos se apresentem depois da menopausa. O prognóstico melhorou visivelmente durante os últimos vinte anos. Se os sintomas de lúpus tiverem sido provocados por um medicamento. especialmente no caso de se apresentarem numa mulher jovem. O lúpus ligeiro caracteriza-se por febre. estes anticorpos manifestam-se também noutras doenças. ou disfunções graves do sistema nervoso. a pressão arterial pode aumentar perigosamente.

Esclerodermia . além disso. Os procedimentos cirúrgicos e a gravidez podem representar complicações nas pessoas com lúpus. positividade para anticorpos mais específicos como são os anti-ADN de cadeia dupla Anemia Esclerodermia A esclerodermia (esclerose sistémica) é uma doença crónica caracterizada por alterações degenerativas e endurecimento dos tecidos da pele. dependendo a dose e a duração do tratamento dos órgãos afectados. As fases graves tratam-se imediatamente com um corticosteróide como a prednisona. Em geral. As recidivas ou surtos podem ter lugar durante este processo. Algumas substâncias como a hidroxicloroquina. por vezes combinadas. Desconhece-se a sua causa. reduz-se gradualmente a dose de prednisona quando os sintomas estão controlados e os exames laboratoriais indicam melhoria. o médico determina a dose que a suprime mais eficazmente a longo prazo. e pela dureza e espessamento anormais das paredes dos vasos sanguíneos. assim como para a vasculite. em alguns casos. articulações e órgãos internos. Para a maioria dos que têm lúpus. a dose de prednisona pode ser reduzida ou suprimida a longo prazo. Características do lúpus Erupção facial Erupção cutânea Sensibilidade à luz solar Úlceras na boca Líquido à volta dos pulmões. A combinação de um corticosteróide e de um imunossupressor usa-se com muita frequência para doenças graves dos rins ou do sistema nervoso.em doses baixas se o sangue do doente tiver tendência a coagular (como acontece em algumas pessoas que sofrem de lúpus). pelo que se exige uma rigorosa supervisão médica. para suprimir o ataque autoimunitário. coração ou outros orgãos Artrite Disfunção renal Número reduzido de glóbulos brancos ou de plaquetas Disfunção dos nervos ou do cérebro Positividade nas análises de sangue para os anticorpos antinucleares. A perturbação é quatro vezes mais frequente em mulheres que em homens e nas crianças é pouco comum. ajudam a aliviar os sintomas articulares e cutâneos. São frequentes os abortos espontâneos. a cloroquina ou a quinacrina. assim como os acessos depois do parto. A esclerodermia pode apresentar-se como parte de uma doença mista do tecido conjuntivo. Doses demasiado elevadas podem lesar o fígado. Em certas ocasiões administra-se um medicamento imunossupressor como a azatioprina ou a ciclofosfamida. Uma vez controlada a inflamação.

pelo que é dificultada a passagem dos alimentos para o estômago. Muitas vezes escuta-se um som áspero quando os tecidos inflamados roçam entre si. como insuficiência cardíaca e perturbações do ritmo. limitação da abertura bocal e aparecimento de sulcos peribocais abundantes. O sistema de drenagem do fígado pode ser obstruído pelas cicatrizes do tecido (cirrose biliar). do coração e dos pulmões. no peito. embora habitualmente possa ser controlada por meio de tratamento. Os dedos tornam-se azuis (cianóticos) à medida que aquecem. desenvolve-se uma dificuldade na deglutição e há acidez na maioria dos indivíduos com esclerodermia. em geral. como se trouxesse uma máscara. provocando lesões do fígado e icterícia. apareçam mais tarde como consequência de uma lesão do esófago. no rosto. em geral. por vezes com franco entorpecimento. Aparecem veias com forma de aranha (telangiectasia) nos dedos. a pele torna-se tensa. A pressão arterial elevada é um sinal de alarme. A lesão nos intestinos pode interferir com a absorção dos alimentos (má absorção) e causar perdas de peso. Sintomas Os sintomas iniciais mais habituais são o espessamento e inchaço das pontas dos dedos. e em geral uma forma menos grave da doença já que é menos propensa a causar lesões importantes nos órgãos internos. um aumento da pressão arterial repentina e progressiva. Finalmente. acidez. embora. Os sintomas precoces são frequentemente acompanhados por dores e achaques em várias articulações. As cicatrizes afectam com frequência a extremidade inferior do esófago (o canal que liga a boca ao estômago). cujo primeiro sintoma é. reduzindo desse modo a função respiratória durante o exercício físico. aumentando o risco de obstrução do esófago ou de cancro. A esclerodermia pode prejudicar zonas extensas da pele ou apenas dos dedos (esclerodactilia). capítulo 28) caracterizada por palidez e formigueiro nos dedos. a do rosto estica-se. em resposta ao frio ou a uma perturbação emocional. A síndroma CREST. particularmente nos joelhos e por baixo destes. A esclerodermia pode causar uma acumulação de tecido cicatricial nos pulmões. resultando daí uma incapacidade em mudar de expressão. Os primeiros sintomas de esclerodermia são. CREST é uma sigla formada a partir das iniciais dos sintomas que caracterizam esta . Também pode causar muitos e graves problemas cardíacos. Podem desenvolver-se tumefacções compostas de cálcio nos dedos.Cara com pouca expressividade. também chamada esclerose cutânea limitada (esclerodermia). A esclerodermia pode provocar uma doença renal grave. em outras zonas ósseas ou nas articulações. nos lábios e na língua. O crescimento de células anormais no esófago (síndroma de Barrett) aparece em quase um terço dos doentes. Os dedos. É também frequente a doença de Raynaud (Ver secção 3. por vezes. os pulsos e os cotovelos podem sofrer um processo de flexão progressiva (contractura) devido ao espessamento da pele. Também podem ocorrer feridas nas pontas dos dedos e nos nós dos dedos. brilhante e mais escura. Enquanto a doença evolui. dificuldade em deglutir e insuficiência respiratória.

embora se desconheça a sua causa. A tetraciclina ou outros antibióticos podem contribuir para a prevenção da má absorção intestinal causada pelo aumento exagerado de bactérias no intestino lesado. A nifedipina pode aliviar os sintomas do fenómeno de Raynaud. É aconselhável dormir com a cabeceira da cama elevada. Esta síndroma está frequentemente associada a outros sintomas mais característicos da artrite reumatóide ou do lúpus eritematoso sistémico. Os exames laboratoriais por si sós não podem identificar a doença. Nenhum medicamento pode interromper a progressão da esclerodermia. As pessoas que sofrem da síndroma CREST podem desenvolver hipertensão pulmonar. sobretudo os inibidores do enzima conversor da angiotensina (IECA). da boca e de outras membranas mucosas. a cirurgia pode corrigir por vezes problemas importantes de regurgitação do ácido do estômago (Ver secção 9. ajudam a aliviar a fraqueza e as dores musculares e articulares intensas. inclusive na síndroma CREST. Prognóstico e tratamento O curso da esclerodermia é variável e imprevisível. mas também pode aumentar a regurgitação do ácido. disfunção do esófago. afecta apenas a pele durante décadas antes de afectar os órgãos internos. por vezes. Os sintomas podem coexistir com os de outras doenças do tecido conjuntivo. esclerodactilia (lesões da pele dos dedos) e telangiectasia (veias em forma de aranha). já que tanto os resultados como os sintomas variam enormemente entre as diferentes pessoas que dela sofrem. Os medicamentos imunossupressores como o metotrexato podem ser úteis em alguns casos. Os medicamentos anti-hipertensores. Diagnóstico O médico apoia o diagnóstico de esclerodermia nas mudanças características na pele e nos órgãos internos. O prognóstico é pior para aqueles que apresentam sintomas precoces de problemas cardíacos. Os glóbulos brancos infiltram-se nas glândulas que segregam líquido (como as salivares da boca e . Por vezes piora rapidamente. os corticosteróides. podendo originar a morte. Contudo. Os medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINE) ou. Outras vezes. tomando antiácidos e anti-histamínicos que inibam a produção de ácido do estômago. A penicilamina atrasa a velocidade de espessamento da pele e pode atrasar a implicação de órgãos internos adicionais. Síndroma de Sjögren A síndroma de Sjögren é uma perturbação inflamatória crónica caracterizada por uma secura excessiva dos olhos. A acidez pode ser aliviada com uma dieta fraccionada (comer várias vezes por dia em pequenas quantidades). A lesão da pele limita-se aos dedos. capítulo 101). A terapia física e o exercício podem ajudar a manter a força dos músculos. pulmonares ou renais. embora seja quase inevitável uma qualquer forma de lesão dos órgãos internos (como o esófago). Contudo. mas a sua configuração é habitualmente característica. podem ser aliviados alguns dos sintomas e reduzida a lesão dos órgãos. são úteis no tratamento de doença renal e da pressão arterial elevada. Por outro lado. embora algumas pessoas não tolerem os seus efeitos secundários. mas não podem impedir a rigidez das articulações em posição de flexão. o que pode provocar insuficiência cardíaca e respiratória. É menos frequente que a artrite reumatóide e a sua incidência é maior nas mulheres que nos homens. as análises para detectar o anticorpo anticentrómero (parte de um cromossoma) podem ajudar a distinguir a esclerodermia cutânea limitada da forma mais generalizada. fenómeno de Raynaud. A síndroma de Sjögren é considerada como uma doença auto-imune. assim como dilatar as zonas apertadas do esófago.doença: cálcio depositado na pele e em todo o corpo.

O médico pode efectuar vários exames para diagnosticar a doença. afectando as mesmas articulações que a artrite reumatóide. especialmente os da cara. os rins e os gânglios linfáticos podem ser afectados. Não se dispõe de cura para a síndroma de Sjögren. Os corticosteróides (como a prednisona) administrados por via oral são muito eficazes quando os sintomas resultantes da lesão dos órgãos internos são acentuados. só secam a boca e os olhos (complexo seco. a falta de lágrimas pode causar lesões permanentes no olho. dificultar a comida e a deglutição e causar cáries. que surge em quase um terço das pessoas. mas a artrite provocada pela síndroma de Sjögren tende a ser mais leve e. O linfoma. é 44 vezes mais frequente nas pessoas que sofrem da síndroma de Sjögren do que no resto da população. um tratamento suficiente para os sintomas articulares. já que são geralmente ligeiros. O indivíduo que tem a síndroma de Sjögren pode produzir menos de um terço da quantidade normal. A pilocarpina ajuda a estimular a produção de saliva se as glândulas salivares não estiverem gravemente lesadas. síndroma seca). Em ocasiões raras verifica-se a morte por pneumonia. provocando pneumonias. como os descongestionantes e os antihistamínicos. Pode verificar-se uma artrite. Mede-se a quantidade de lágrimas produzidas. o que provoca secura da boca e dos olhos (sintomas clássicos desta síndroma). insuficiência renal ou linfoma. Podem realizar-se muitas provas sofisticadas para avaliar a secreção da glândula salivar. Uma cuidadosa higiene dentária e visitas frequentes ao dentista minimizam a cáries e perda dos dentes. Noutras pessoas são afectados muitos órgãos. As análises de sangue podem detectar anticorpos anormais como os anti-SSB. não é destrutiva. o pâncreas. colocando uma fita de papel de filtro sob cada pálpebra inferior e observando a porção da fita que se molha (prova de Schirmer).as glândulas lacrimais dos olhos). Os nervos podem sofrer lesões. Diagnóstico É provável que uma pessoa com secura da boca e dos olhos e uma inflamação articular sofra da síndroma de Sjögren. A secura dos olhos pode lesar gravemente a córnea. . e 1 de cada 3 tem um défice de glóbulos vermelhos (anemia) ou de certos tipos de glóbulos brancos. A insuficiência salivar pode entorpecer o gosto e o olfacto. uma boca seca humedece-se sorvendo líquidos continuamente. A secura da traqueia e dos pulmões pode torná-los mais susceptíveis à infecção. a vulva e a vagina. Sintomas Em alguns casos. Prognóstico e tratamento O prognóstico depende da capacidade dos anticorpos para lesar os órgãos vitais. um anticorpo altamente específico da síndroma de Sjögren. O médico pode solicitar uma gamagrafia ou efectuar uma biopsia das glândulas salivares. Os medicamentos que reduzem a quantidade de saliva. em muitos casos. mascando pastilha elástica sem açúcar ou mediante o bochecho com um colutório. O fígado. A dor e o inchaço das glândulas salivares tratam-se com analgésicos. A síndroma de Sjögren também pode secar as membranas mucosas que revestem o tracto gastrointestinal. em geral. A velocidade de sedimentação é elevada em 7 de cada 10 pessoas. As pessoas que sofrem desta síndroma apresentam muitas vezes anticorpos mais característicos da artrite reumatóide (factor reumatóide) ou do lúpus (anticorpos antinucleares). a traqueia. O oftalmologista controlará as possíveis lesões na superfície do olho. O invólucro do coração pode inflamar-se (pericardite). devem ser evitados já que podem piorar a secura. capítulo 221). o baço. um cancro do sistema linfático. mas os sintomas podem ser aliviados: a secura dos olhos pode ser tratada com gotas de lágrimas artificiais (Ver secção 20. A aspirina e o repouso constituem.

Diagnóstico Os médicos consideram que se trata de uma doença mista do tecido conjuntivo quando se sobrepõem alguns sintomas de lúpus eritematoso sistémico. presente na maioria dos casos de doença mista do tecido conjuntivo. falta de ar e cansaço. por isso. O fenómeno de Raynaud pode preceder outros sintomas durante muitos anos. Desconhece-se a sua causa. maior será . Pode desenvolver-se a síndroma de Sjögren. A doença mista do tecido conjuntivo lesa as fibras musculares. a disfunção pulmonar é o problema mais grave. o fenómeno de Raynaud é. Pode aparecer uma erupção em forma de asas de borboleta de cor púrpura no rosto e na cana do nariz. da esclerodermia. em geral. debilidade muscular. ligeira. uma coloração violeta das pálpebras e veias em forma de aranha no rosto e nas mãos. Sintomas Os sintomas típicos são o fenómeno de Raynaud (quando as mãos e os pés arrefecem. Pode acumular-se líquido nos pulmões ou à volta deles. Os casos ligeiros podem ser tratados com aspirina. esclerodermia. Pode efectuar-se uma análise de sangue para detectar um anticorpo antiproteína ribonucleica. a doença raramente causa dificuldades ou dor na deglutição. especialmente nos ombros e nas ancas. dor abdominal e rouquidão persistente. Com o passar do tempo.Doença mista do tecido conjuntivo A doença mista do tecido conjuntivo é um conjunto de sintomas semelhantes aos de várias doenças do tecido conjuntivo: lúpus eritematoso sistémico. provocando uma insuficiência cardíaca que pode provocar retenção de líquidos. dificuldade em deglutir. Em alguns casos. os músculos podem sentir-se fracos e dolorosos. Podem ser afectadas pessoas entre os 5 e os 80 anos de idade. A maior parte das pessoas que sofrem da doença mista do tecido conjuntivo sofre dor nas articulações e 75 % desenvolve a inflamação e a dor características da artrite. especialmente quando a doença se diagnostica no princípio. mãos inchadas. em geral. Outros sintomas podem ser febre. Tratamento O seu tratamento é semelhante ao do lúpus. Quanto mais grave for a doença. ou doses muito baixas de corticosteróides. aumento do tamanho dos gânglios linfáticos. Cerca de 80 % dos afectados por esta doença são mulheres. da polimiosite ou da artrite reumatóide. outros medicamentos anti-inflamatórios não esteróides. Os corticosteróides são quase sempre eficazes. acidez e sensação de falta de ar. manchas vermelhas nos nós dos dedos. a maioria das pessoas manifesta sintomas que são mais característicos do lúpus ou da esclerodermia. são específicos desta doença. Independentemente do modo como a doença se inicia. ficam com manchas brancas e doridos). Por vezes o coração enfraquece. esta tende a agravar-se progressivamente e os sintomas estendem-se a várias partes do corpo. mas é provável que se trate de uma reacção autoimune. causando falta de ar durante o esforço e fadiga cardíaca. Valores altos deste anticorpo. O cabelo pode tornar-se fraco e podem manifestar-se alterações na pele semelhantes às que se produzem na esclerodermia. um sintoma isolado que não faz parte das doenças do tecido conjuntivo. polimiosite e dermatomiosite. dor das articulações ou artrite. Com frequência as mãos estão tão inflamadas que os dedos parecem salsichas. na ausência dos outros anticorpos observados no lúpus. Embora o esófago seja em geral afectado. Contudo. quinacrina ou medicamentos semelhantes. Os rins e nervos são afectados em apenas 10 % das pessoas e a lesão é.

A debilidade manifesta-se tipicamente nos ombros e nas ancas. dos pés e da cara não são afectados. cansaço e perda de peso.a dose de corticosteróides necessária. produzindo complicações potencialmente mortais ao fim de 6 ou 11 anos. órgãos internos. Cerca de 15 % dos homens com mais de 50 anos que sofrem de polimiosite também tem cancro. a doença progride em quase 13 % dos indivíduos. Por outro lado. Contudo. A dor e o inchaço tendem a ser ligeiros. Dado que os músculos próximos do centro do corpo são os mais afectados. O cancro também pode desencadear estas doenças (uma reacção auto-imune contra o cancro pode também afectar uma substância componente dos músculos). As mulheres têm o dobro de probabilidades dos homens de contrair estas doenças. mas pode afectar simetricamente os músculos de todo o corpo. em geral. A fraqueza muscular pode começar lentamente ou de maneira repentina e piorar ao longo de algumas semanas ou meses. Sintomas Os sintomas da polimiosite são semelhantes em todas as idades. ancas e coxas). tarefas como levantar os braços acima dos ombros. excepto a garganta e o esófago. menos eficaz é o tratamento. A polimiosite não afecta. estas doenças podem aparecer de forma isolada ou fazer parte de outros problemas do tecido conjuntivo. A fraqueza nos ombros ou nas ancas pode confinar a pessoa a uma cadeira de rodas ou à cama. Se os músculos do pescoço forem afectados. que podem começar durante ou imediatamente depois de uma infecção. fenómeno de Raynaud. em contrapartida. subir escadas e levantar-se de uma cadeira podem ser difíceis. Contudo. Estas doenças evoluem até uma incapacidade muscular. Polimiosite e dermatomiosite A polimiosite é uma doença crónica do tecido conjuntivo caracterizada por inflamação com dor e degenerescência dos músculos. Nos casos graves também podem estar indicados os medicamentos imunossupressores. A polimiosite e a dermatomiosite manifestam-se quase sempre em adultos entre os 40 e os 60 anos. mas é acompanhada de inflamação da pele. febre. O fenómeno de Raynaud manifesta-se com muita frequência nas pessoas que sofrem de polimiosite juntamente com outras doenças do tecido conjuntivo. dificuldade na deglutição. embora seja possível que os vírus ou certas reacções auto-imunes desempenhem um papel importante no desenvolvimento deste processo. os músculos das mãos. A causa é desconhecida. mas a doença. como a doença mista do tecido conjuntivo. as mulheres que têm polimiosite são um pouco menos propensas ao cancro. dor articular e muscular. em geral. ou em crianças dos 5 aos 15 anos de idade. fraqueza e deterioração. Em geral. é menos provável que respondam ao tratamento as afecções de pele e do estômago semelhantes à esclerodermia. quanto mais avançada estiver a doença e maior for a lesão do órgão. desenvolve-se de maneira mais abrupta nas crianças do que nos adultos. Aparecem dores e inflamação das articulações em quase um terço das pessoas afectadas. será quase impossível levantar a cabeça da almofada. Os músculos lesados na parte superior do esófago causarão dificuldade para a deglutição dos alimentos e para a regurgitação dos mesmos. a dermatomiosite é semelhante à polimiosite. Apesar do tratamento. erupção cutânea. Os sintomas. pode . incluem fraqueza muscular (particularmente nos braços. Nos adultos. Os períodos livres de sintomas podem durar muitos anos com doses muito pequenas de corticosteróides ou com um tratamento não continuado dos mesmos.

Podem ser necessários um exame físico e outros adicionais para determinar a possível presença de um cancro. A base das unhas pode ficar avermelhada. Em geral. Ao cabo de 4 a 6 semanas diminui-se a dose de forma gradual. lisa ou em relevo. que pode ser escamosa. Outro tipo de erupção cutânea. deve-se administrar gamaglobulina por via endovenosa (substância que contém grandes quantidades de diversos anticorpos). Nestes casos administram-se medicamentos imunossupressores em lugar da prednisona ou além desta. controlando desse modo a doença. Diagnóstico Há certos critérios que são utilizados para estabelecer o diagnóstico: fraqueza muscular nos ombros ou nas ancas. em geral não responde bem à prednisona. Os valores de certos enzimas musculares no sangue (como a creatinoquinase) são. Pode aparecer na cara uma erupção cutânea de cor vermelhoescura (eritema heliotrópico). a prednisona piora a doença ou então não surte qualquer efeito. aumento dos valores de certos enzimas musculares no sangue. com frequência. superiores ao normal. A vasculite não é uma doença. existe risco de morte para os adultos com doença grave e progressiva. Quando a polimiosite está associada com um cancro. Podem ser necessárias análises especiais sobre amostras do tecido muscular para afastar outras alterações que afectam os músculos. alivia a dor e o edema. o que se mede com um instrumento chamado electromiógrafo. as erupções cutâneas tendem a aparecer ao mesmo tempo que os períodos de debilidade motora e outros sintomas. como a artrite reumatóide e o lúpus eritematoso sistémico. alterações características no tecido examinado ao microscópio e anomalias na actividade eléctrica dos músculos. A vasculite também pode surgir sem lesão do tecido conjuntivo. Desconhece-se o factor desencadeador da . causando falta de ar e tosse. Vasculite A vasculite é uma inflamação dos vasos sanguíneos. com mais frequência em crianças que em adultos. desnutrição. assim como um inchaço de cor vermelho-púrpura à volta dos olhos. o estado do paciente melhora se o cancro for tratado com sucesso. o tratamento pode ser interrompido um ano depois sem que reapareçam os sintomas. cicatrizes. quando os valores no sangue dos enzimas musculares voltarem aos números normais e se restabelecer a força muscular. Contudo. Em geral. um corticosteróide (habitualmente prednisona) administrado por via oral em doses elevadas restabelece lentamente a força. pode-se manifestar uma pigmentação pardacenta. mas não podem identificar a polimiosite ou a dermatomiosite de forma específica. Quando as erupções cutâneas se desvanecem.afectar os pulmões. No caso das crianças. Também podem aparecer úlceras do estômago ou do intestino. Por outro lado. pode aparecer em qualquer parte do corpo. ou manchas pálidas por despigmentação da pele. indicando uma lesão muscular. embora seja mais frequente nos nós dos dedos. A maioria dos adultos deve continuar com uma dose baixa de prednisona durante muitos anos. dificuldade na deglutição. ou inclusive indefinidamente para evitar uma recidiva. Na dermatomiosite. Por vezes. Tratamento e prognóstico A restrição das actividades é útil na maior parte dos casos de inflamação muito intensa. erupção cutânea característica. Quando estes medicamentos são ineficazes. mas um processo que se desenvolve em várias das doenças autoimunes do tecido conjuntivo. pneumonia ou insuficiência respiratória. Estes enzimas medem-se periodicamente em amostras de sangue para controlar a doença. esses valores voltam à normalidade (ou quase) com um tratamento eficaz. que podem causar fezes sanguinolentas ou negras. Os exames laboratoriais são úteis.

como a cabeça. manifesta-se de maneira simultânea com a arterite da temporal (arterite de células gigantes). a polimialgia reumática não causa debilidade nem lesão muscular. Arterite temporal Inflamação das artérias do cérebro e da cabeça. Perturbações caracterizadas pela presença de vasculite Perturbação Descrição Púrpura de HenochInflamação de veias pequenas. ou pode limitar-se aos vasos de uma parte do corpo. que diminui o fluxo através de vasos Poliarterite nodosa sanguíneos e para os tecidos circundantes. Por vezes. as grandes ou pequenas artérias ou os capilares. causando manchas purpúras e duras na pele. perda de peso e depressão. Sintomas e diagnóstico A polimialgia reumática causa dor intensa e rigidez no pescoço. Inflamação das artérias médias. Schönlein Inflamação dos vasos sanguíneos nas camadas profundas da pele. A vasculite pode afectar as veias. a arterite da temporal (de células gigantes) e a arterite de Takayasu caracterizam-se por uma vasculite que se limita aos vasos sanguíneos de um tamanho ou profundidade específicos. A sua causa é desconhecida. Os sintomas podem ser o resultado de lesões directas dos vasos sanguíneos ou de lesões dos tecidos que viram reduzido o fornecimento de sangue. nos braços e nas pernas. Todos estes sintomas podem aparecer de forma gradual ou súbita. como a aorta e as suas ramificações. As células do sistema imunitário que causam a inflamação rodeiam os vasos sanguíneos afectados e infiltram-se neles. o eritema nodoso. A polimialgia reumática manifesta-se em pessoas com mais de 50 anos e é duas vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens. Supõe-se que a inflamação se apresenta quando o sistema imunitário identifica incorrectamente os vasos sanguíneos ou partes destes como estranhos e os ataca. Arterite de Takayasu causando obstrução e perda de pulso. . causando por vezes (células gigantes) cefaleias e cegueira. mas em alguns está implicado o vírus da hepatite. uma perna ou os rins. dos ombros e das ancas. Polimialgia reumática A polimialgia reumática é uma doença que causa dor intensa e rigidez nos músculos do pescoço. As zonas desprovidas de sangue (zonas isquémicas) podem ficar permanentemente afectadas. ombros e ancas. Embora provoque dor. As doenças como a síndroma de Henoch-Schönlein. Inflamação das grandes artérias. Os sintomas musculares podem ser acompanhados de febre. a poliarterite nodosa. Pode ser afectado qualquer vaso sanguíneo. A rigidez piora de manhã e depois de períodos de inactividade. mal-estar geral. levando à Eritema nodoso formação de lesões salientes (nódulos) de cor vermelha.vasculite na maioria dos casos. Os vasos sanguíneos podem ser perfurados ou obstruídos. órgãos e outras partes do organismo. destruindo-os e possivelmente lesando os tecidos que eles alimentam. pelo que se interrompe o afluxo sanguíneo aos nervos.

em geral. O maior perigo é a cegueira permanente. a electromiografia (Ver secção 6. além disso. aparece uma dor de cabeça intensa e repentina nas fontes ou na parte posterior da cabeça. localizada na fonte. Não é necessário. As análises de sangue são úteis também para detectar anemia e uma velocidade de sedimentação globular elevada. Nos vasos sanguíneos da fonte pode notar-se inchaço e irregularidade ao tacto e pode sentir-se dor no couro cabeludo ao pentear. Esta doença afecta uma em cada 1000 pessoas com mais de 50 anos de idade e é um pouco mais frequente nas mulheres do que nos homens. a medicação reduz-se gradualmente à dose mínima eficaz. Geralmente. Os sintomas sobrepõem-se aos da polimialgia reumática. administra-se em princípio numa dose elevada para deter a inflamação dos vasos sanguíneos. fazer uma biopsia do tecido muscular. mas se ela for feita. Tratamento A polimialgia reumática. Outros sintomas podem ser os da polimialgia reumática. As análises de sangue podem detectar uma anemia. Como a arterite da temporal causa cegueira em 20 % das pessoas não tratadas. embora em algumas ocasiões seja necessária a administração de uma dose baixa durante mais tempo. Quando os sintomas diminuem. cegueira de um olho ou outros problemas oculares. A prednisona é eficaz. Diagnóstico e tratamento O médico baseia o seu diagnóstico nos sintomas e no exame físico e confirma-o mediante a prática de uma biopsia da artéria temporal. Os valores de creatinoquinase (altos na polimiosite) são normais na polimialgia reumática. Granulomatose de Wegener A granulomatose de Wegener é uma doença muito pouco frequente que. muitas vezes. o único resultado anormal é a velocidade de sedimentação. em geral. A aspirina ou outros medicamentos anti-inflamatórios não esteróides produzem um alívio menor. não mostra qualquer evidência de lesão muscular. visão dupla. Desconhece-se a sua causa. em geral. Podem manifestar-se. Arterite da artéria temporal A arterite da artéria temporal (de células gigantes) é uma doença inflamatória crónica das grandes artérias. reduzindo-se lentamente ao fim de várias semanas se o paciente melhorar. mas muitas precisam de doses muito baixas durante muitos anos para poder controlar os sintomas e prevenir a cegueira. mas em caso de arterite da temporal são precisas doses mais elevadas. pelo que alguns médicos consideram que se trata de variações da mesma doença. Sintomas Os sintomas variam de acordo com as artérias que são afectadas. A mandíbula. melhora consideravelmente com uma dose baixa de prednisona (um corticosteróide).O médico baseia o seu diagnóstico no exame físico e nos resultados dos exames de laboratório. visão turva. A prednisona pode deixar de ser administrada na maioria dos casos ao fim de 1 a 4 anos. que costuma ser muito elevada. grandes manchas cegas. capítulo 60) também não mostra anomalias. É frequente que sejam afectadas as grandes artérias que chegam à cabeça e. os músculos mastigadores e a língua podem ferir-se ao comer ou ao falar. o tratamento deve ser iniciado mal se suspeite da existência da doença. que pode manifestar-se de forma repentina caso se obstrua o afluxo de sangue ao nervo óptico. começa com . Algumas pessoas podem deixar de tomar a prednisona ao fim de poucos anos.

por vezes. o que sugere a doença. o nariz. O prognóstico melhorou de maneira significativa através do uso de medicamentos imunossupressores (como a ciclofosfamida e a azatioprina). Embora os resultados da análise de sangue não possam identificar especificamente a granulomatose de Wegener. tosse e expectoração com sangue. em geral. Desconhece-se a sua causa. reduzir-se e finalmente ser interrompida. os ouvidos e a traqueia. A doença pode afectar as artérias que chegam ao coração. da gargante ou dos pulmões (Ver secção 4. É semelhante a uma infecção. na maioria dos casos. podem ocorrer hemorragias nasais graves. Se o nariz. a garganta ou a pele não estiverem afectados. dado que os medicamentos utilizados reduzem a capacidade do organismo para combater as infecções. pode haver uma inflamação do olho ou do ouvido. aparecem chagas na pele que se propagam extensamente. dos seios paranasais. A doença pode progredir para uma fase generalizada (disseminada). Podem formar-se granulomas nos pulmões. varia desde uma lesão ligeira a uma insuficiência renal potencialmente mortal. com inflamação dos vasos sanguíneos de todo o organismo. os seios. Os primeiros sintomas afectam em geral o tracto respiratório superior. Outros sintomas são febre. A doença do rim. os pulmões são o único órgão afectado. frequente nesta etapa da granulomatose de Wegener. embora não se possa encontrar um microrganismo (gérmen) infectante. sinusite. Por vezes. capítulo 40). A administração de antibióticos para tratar uma pneumonia (que se pode desenvolver se os pulmões foram lesados) pode ser indicada. infecções do ouvido médio (otite média). O resultado é uma resposta imunitária inapropriada e potente que lesa muitos tecidos do corpo. O tratamento. capítulo 123) Por vezes. pode ser difícil estabelecer o diagnóstico porque os sintomas e as radiografias podem ser semelhantes aos de várias doenças pulmonares. os enfartes cardíacos e a lesão cerebral. e pode evoluir para uma inflamação dos vasos sanguíneos de todo o organismo (vasculite generalizada) ou para uma doença renal mortal. contudo. a forma generalizada desta doença era sempre mortal. Julga-se que a granulomatose de Wegener se deve a uma resposta alérgica a um factor desencadeante que ainda não foi identificado. em geral. podem confirmar o diagnóstico. A administração de corticosteróides a fim de suprimir a inflamação pode. mas a granulomatose de Wegener progride e pode ser mortal em muitos casos. A melhoria costuma surgir de forma espontânea. dores e tumefacção das articulações. (Ver secção 11. O médico reconhece. sensação de mal-estar generalizado. provocando dor torácica ou um ataque cardíaco (enfarte do miocárdio). Em consequência. o que dificulta a respiração.uma inflamação do revestimento das fossas nasais. causa de hipertensão e de sintomas resultantes da acumulação de substâncias de excreção no sangue (uremia). efectua uma biopsia de uma zona afectada para confirmar o diagnóstico. o conjunto característico de sintomas. prolonga-se pelo menos por um ano depois do desaparecimento dos sintomas. que finalmente destrói os tecidos normais. . A anemia é frequente e pode ser grave. A doença produz vasculite e um tipo pouco habitual de inflamação chamado granuloma. Sintomas A doença pode começar de modo repentino ou gradual. Antes. que controlam a doença reduzindo a reacção imunitária inapropriada do organismo. Uma destas análises pode detectar anticorpos anticitoplasma dos neutrófilos. produzindo sintomas semelhantes aos de outras doenças neurológicas. a anemia pode agravar-se até ao ponto de ser necessária uma transfusão de sangue. perda de apetite. O revestimento do nariz pode tornar--se vermelho e áspero e sangrar com facilidade. podendo causar cicatrizes graves. ou pode afectar o cérebro ou a espinal medula. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico e o tratamento da granulomatose de Wegener devem ser precoces para prevenir complicações como a doença renal. Esta doença pode apresentar-se em qualquer idade e é duas vezes mais frequente entre os homens do que entre as mulheres. sem um tratamento adequado.

acompanhada com frequência de uma inflamação da conjuntiva do olho (Ver secção 20. sobretudo os joelhos. A dor e a inflamação articulares podem ser ligeiras ou graves. Debaixo das unhas das mãos e dos pés pode observar-se a presença de sedimentos de cor amarela. O primeiro sintoma é. constituída por grãos duros e densos na pele. a outra. na língua e na extremidade distal do pénis (glande). a síndroma de Reiter. como as da boca. da vagina e do pénis. A síndroma de Reiter denomina-se artrite reactiva porque a inflamação articular parece ser uma reacção a uma infecção originada numa zona do corpo diferente das articulações. pode aparecer uma erupção característica. capítulo 221) e das membranas mucosas. se os houver. como a salmonelose. Sintomas Os sintomas começam entre os 7 e os 14 dias depois da infecção. parecem ter uma predisposição genética para este tipo de reacção. resulta de uma infecção intestinal. Por vezes. Nos casos mais graves. são ligeiros e consistem numa supuração vaginal ligeira ou num incómodo ao urinar. Esta síndroma é mais frequente em homens de idade compreendida entre os 20 e os 40 anos. A conjuntiva (a membrana que reveste a pálpebra e cobre o globo ocular) pode ficar avermelhada e inflamar-se. a coluna vertebral também pode inflamar-se e causar dor. contudo. a artrite ou outros sintomas podem ter recidivas durante vários anos em 50 % dos doentes. e por uma erupção cutânea característica. Muito poucas pessoas que sofrem da síndroma de Reiter ficam permanentemente incapacitadas. causando ardor e a produção excessiva de lágrimas. uma inflamação da uretra (o canal que leva a urina desde a bexiga para o exterior do corpo). Aparecem úlceras pequenas e indolores na boca. esta inflamação causa dor moderada e uma supuração do pénis. Uma delas manifesta-se em caso de infecções de transmissão sexual (como a infecção por clamídias) e é mais frequente nos homens jovens. especialmente nas palmas das mãos e plantas dos pés. relacionada com o mesmo gene encontrado em pessoas que sofrem de espondilite anquilosante. em geral. A síndroma de Reiter tem duas formas. . várias articulações são afectadas ao mesmo tempo. as articulações dos dedos do pé e as zonas onde os tendões se unem aos ossos (como os calcanhares). do tracto urinário. Lesões típicas da síndroma de Reiter formação de lesões duras e grossas nas plantas do pés é conhecida como «queratodermia blenorrágica». Podem desenvolverse deformações das articulações e da coluna vertebral se os sintomas persistirem ou recorrerem com frequência. Na maior parte dos casos. A maioria das pessoas que têm estas infecções não desenvolvem.Síndroma de Reiter A síndroma de Reiter é uma inflamação das articulações e das uniões dos tendões às mesmas. A próstata pode inflamarse e causar dor. Outras lesões típicas são a balanite circinada e a conjuntivite. os sintomas iniciais desaparecem em 3 ou 4 meses. Os sintomas genitais e urinários nas mulheres. contudo. Em geral. As pessoas que desenvolvem a síndroma de Reiter depois da exposição a estas infecções. Nos homens. em geral.

o sistema nervoso e o tracto gastrointestinal. A sulfasalazina ou o metotrexato (um medicamento imunossupressor) podem ser utilizados como na artrite reumatóide. embora uma inflamação ocular grave possa exigir a aplicação de uma pomada com um corticosteróide ou gotas oculares. Desconhece-se a causa da síndroma de Behçet. As úlceras no pénis. mas as da vagina podem ser indolores. os vasos sanguíneos. os corticosteróides não são administrados por via oral. em geral. mas o tratamento nem sempre é eficaz e a sua duração óptima é desconhecida. Síndroma de Behçet A síndroma de Behçet é uma doença inflamatória crónica. semelhantes às aftas. Japão. o diagnóstico pode exigir vários meses. escroto e vulva costumam ser dolorosas. A artrite em geral é tratada com medicamentos antiinflamatórios não esteróides. ou efectuar uma biopsia (extracção de tecido para exame ao microscópio) da articulação para identificar o organismo infeccioso que desencadeia a síndroma. Geralmente aparece entre os 20 e os 30 anos de idade. bolhas na pele. sensibilidade à luz e visão turva. Uma inflamação recidivante de uma parte do olho (iridociclite recidivante) produz dor. administram-se antibióticos para tratar a infecção. úlceras genitais e inflamação das articulações. Não se dispõe de análises de laboratório que confirmem o diagnóstico.Diagnóstico e tratamento A combinação de sintomas articulares. o que resulta em alguns casos. cutâneos e oculares fazem com que o médico suspeite da presença da síndroma de Reiter. que são. Em primeiro lugar. como as dos países mediterrânicos. Certas populações. Podem manifestar-se outros problemas oculares. contudo. apresentam um risco mais elevado. Coreia e a zona da Rota da Seda na China. Os outros sintomas podem aparecer ao fim de alguns dias ou mesmo anos. Também se podem inflamar os olhos. A conjuntivite e as úlceras da pele não precisam de tratamento. A incidência da síndroma é duas vezes superior entre os homens do que entre as mulheres. pode analisar-se uma amostra da uretra (colhida com uma zaragatoa) ou do líquido articular. que produz. mas pode desenvolver-se durante a infância. recidiva. mas não se exclui que os vírus e as doenças auto-imunes possam desempenhar um papel no seu desenvolvimento. genitais. mas por meio de uma injecção directa dentro da articulação inflamada. de forma recorrente feridas dolorosas na boca. que pode causar cegueira . Sintomas Na maior parte dos casos aparecem feridas recorrentes e dolorosas na boca. Geralmente. Dado que os diferentes sintomas não se manifestam de maneira simultânea. urinários. o sintoma inicial. como a uveíte.

Se as articulações que ligam as costelas à coluna vertebral se inflamam. por isso. o cansaço e a anemia podem acompanhar a dor de costas. Se as vértebras lesadas comprimem os nervos ou a espinal medula. Um terço dos doentes sofre de ataques recidivantes de inflamação ocular ligeira (irite aguda). que são em alguns casos mortais. Em muito poucos casos. A dor na zona lombar e o espasmo muscular associado aliviam-se inclinando-se para a frente. Aparecem bolhas na pele e grânulos de pus em quase 80 % dos doentes. pode-se observar . os sintomas específicos podem ser aliviados na maioria dos casos com um tratamento adequado. Embora esta síndroma seja incurável. Os sintomas recidivantes da síndroma de Behçet podem ser muito prejudiciais. Em cerca de 50 % dos casos aparece uma artrite relativamente ligeira e não progressiva nos joelhos e noutras grandes articulações. a doença de Crohn e a colite ulcerosa). a inflamação provoca lesões numa válvula do coração. aneurismas (protuberâncias nas paredes enfraquecidas dos vasos sanguíneos). a coluna vertebral torna-se muito direita e rígida. Os períodos com sintomas ou livres de sintomas (remissões) podem durar semanas. Esta perturbação é de 10 a 20 vezes mais frequente nas pessoas cujos pais ou irmãos sofrem dela. dado que a doença tende a ser de carácter familiar. a síndroma de Stevens-Johnson. a dor pode limitar a capacidade de expansão do peito para respirar profundamente. com uma intensidade variável de um episódio para outro e de pessoa para pessoa. A ciclosporina. é frequente que as pessoas adoptem uma postura encurvada que pode ser permanente se não for tratada. como a picada de uma agulha hipodérmica. um medicamento imunossupressor. A paralisia é uma complicação potencial. que raramente afecta a vista. A doença é três vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres e desenvolve-se em geral entre os 20 e os 40 anos de idade. Quando o tracto gastrointestinal é afectado. já que os sintomas são semelhantes aos de muitas outras doenças (como a síndroma de Reiter. A confirmação do diagnóstico pode levar meses. assim como as lesões do sistema nervoso. Uma ferida insignificante. do tracto gastrointestinal ou dos vasos sanguíneos. os sintomas podem evoluir desde um leve mal-estar a cãibras fortes e diarreias. Noutros casos. os joelhos e os ombros. As punções com agulha devem ser evitadas porque podem inflamar. pode ser administrada quando os problemas oculares são graves ou quando a prednisona não controla os sintomas de forma adequada. aliviando-se com a actividade. os acessos ligeiros ou moderados alternam com períodos quase assintomáticos. Os doentes com uma inflamação intensa dos olhos ou do sistema nervoso podem precisar de um tratamento com prednisona ou outro corticosteróide. Espondilite ancilosante A espondilite ancilosante é uma doença do tecido conjuntivo caracterizada por uma inflamação da coluna vertebral e das grandes articulações. Em muitas ocasiões a dor piora durante a noite e com frequência aparece rigidez pela manhã. Por vezes. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico baseia-se no exame físico porque nenhuma análise de laboratório detecta a síndroma de Behçet. Não se conhece a causa.sem um tratamento adequado. pode fazer com que a zona se inflame e inche. A inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite) por todo o corpo pode causar a formação de coágulos. o lúpus eritematoso sistémico. A perda de apetite e de peso. Sintomas e diagnóstico De modo característico. A dor de costas é o sintoma mais frequente. Por exemplo. trombose cerebral e lesão do rim. mas poderá haver uma influência genética. a aplicação local de um corticosteróide ajuda a curar os olhos inflamados e as feridas na pele. anos ou décadas. a dor inicia-se nas grandes articulações como as ancas. provocando rigidez e dor.

O sangue contém normalmente uma certa quantidade de ácido úrico (um subproduto da decomposição celular). o tratamento tem como objectivo manter a postura adequada e reforçar os músculos das costas. encontra-se um gene específico (o HLA-B27) em cerca de 90 % das pessoas que sofrem desta doença. Os procedimentos cirúrgicos para substituir uma articulação podem aliviar a dor e restabelecer o funcionamento das ancas e dos joelhos quando se deterioram ou ficam fixos numa posição dobrada. Os exercícios diários fortalecem os músculos que se opõem à tendência para as pessoas se torcerem e curvarem. Gota A gota é uma perturbação caracterizada por ataques repentinos e recidivantes de artrite muito dolorosa. O diagnóstico baseia-se no conjunto de sintomas e nas radiografias da coluna e das articulações afectadas. Os corticosteróides são eficazes apenas nos tratamentos a curto prazo da irite e da inflamação articular grave. deterioram a capacidade dos rins para excretar o ácido úrico. Quase 20 % dos afectados de gota desenvolvem cálculos renais. que se caracteriza pela multiplicação e destruição rápida das células. causados pela acumulação de cristais de urato monossódico. e à prevenção ou correcção das deformações da coluna. Prognóstico e tratamento A maioria dos doentes não desenvolve incapacidades e pode levar uma vida normal e produtiva.rigidez. A velocidade de sedimentação globular tende a ser elevada. Além disso. o que provoca rigidez da coluna. A longo prazo. diminuição da sensibilidade da bexiga e do recto e perda de reflexos nos tornozelos. A síndroma da cauda equina é uma complicação pouco frequente que consiste no aparecimento de sintomas que se desenvolvem quando a coluna vertebral inflamada comprime os nervos que se encontram no fim da espinal medula. administrando-se em injecções dentro da articulação. caracterizadas pela inflamação articular (artrite) e dor. Os relaxantes musculares e os analgésicos de tipo narcótico administram-se apenas durante breves períodos para aliviar a dor intensa e os espasmos musculares. A inflamação articular pode tornar-se crónica e deformante depois de repetidos ataques. incontinência urinária nocturna. O organismo também pode produzir uma grande quantidade de ácido úrico. O tratamento dirige-se ao alívio das dores de costas e articulares. no último caso. em virtude de uma anomalia enzimática hereditária ou de uma doença como o cancro do sangue. que mostram a deterioração das articulações entre a coluna e o osso da anca (articulações sacroilíacas) e a formação de pontes ósseas entre as vértebras. A indometacina pode ser o medicamento mais eficaz (os efeitos secundários. assim como certos medicamentos. Gota e pseudogota A acumulação de cristais nas articulações é a causa da gota e da pseudogota. os riscos e os preços variam). . que se verifica nas articulações devido a um valor de ácido úrico anormalmente alto no sangue (hiperuricemia). a evolução da doença seja maior e cause deformações graves. em algumas ocasiões. fraqueza ou dor na área de inervação correspondente. embora. A aspirina e outros medicamentos anti-inflamatórios não esteróides podem reduzir a dor e a inflamação. Nas duas doenças acumulam-se diferentes tipos de cristais. devido à constante decomposição e formação de células por parte do organismo e também porque os alimentos comuns contêm precursores do ácido úrico. Os valores de ácido úrico aumentam de forma anormal quando os rins não os podem excretar em quantidade suficiente. Estes sintomas consistem em impotência. Alguns tipos de doenças do rim.

os tofos das mãos e dos pés podem rebentar e segregar uma massa esbranquiçada de cristais semelhantes ao gesso. Os cristais podem formar-se nestas articulações situadas perifericament