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Literatura de Cordel CALABAR NÃO É MAIS O MESMO De: André Ramos

Princesinha, princesinha Que leva nome de quilombo… Estar entre os magistrados E nunca vistes como rainha De Cala bari a Calabar De quilombo a comunidade Queremos privilégios há gozar Muitos anos de lutar Para então sermos vistos Por poderes e magistrados Que vem mudando nosso destino Autoestima elevada Cessou as balas perdidas estão arrumando nossa casa. Aboliu-se a escravidão Onde a chibata nos oprimia Preconceitos e discriminação Impedia nossa fala. Princesinha! Princesinha Chorava noite, chorava dia Querendo ser livre da agonia.

Comunidade bem formada Famílias de bem e importante Com vários grupos sociais A violência era ainda predominante Associações e capoeiras Desenvolviam um papel brilhante Católicos e espíritas. milho assado e muita fogueira. . A violência era presente Do luar a luz da aurora Mesmo com preces e virgílias Ela reinava em nossa volta Cadê a esperança no amanhã Pouco a pouco desaparecia Com o surgimento de uma nova droga. A comunidade alegrava-se Buscando sua cultura Onde a violência os privava. Houve também momentos de alegria Ainda que fosse passageira Em tempo de festa junina Sambão. grupos afros e protestantes.

se não houver planejamento O mundo continua sangrento E entre o povo muito chororo.Tentativas existiram Para expulsarem o horror Uma escola primaria E muita ajuda do exterior. O calabar do passado Destacava-se o bastante Homicídio vezes homicídio Era seu diamante. Seria assunto de outro mundo Intolerância religiosa Ou disputa por boca de fumo. . Mas…. Qual o motivo da violência Em uma comunidade tão singela Que em famílias se reúnem Para viverem vidas quietas. O trabalho dos grupos sociais Diante do esplendor da violência Tinha seu brilho ofuscante.

.Calabar passou por lutas Preconceitos e injustiças Políticos valeram-se de nossas mazelas Para ficarem bem na vida. O bairro sempre refletia Uma imagem negativa Militares vinham ao nosso encontro Com excesso e imperícia Com armas tão fatal Pensavam resolver A deficiência Social. Mas que coisa impressionante Queriam nossas gorduras A atar nossas feridas. Protestantes e seguimentos Valeram-se em mutirão Em muito contribuiu Com a teologia da libertação A muitos influenciou Que a vida era bem melhor Com Jesus o salvador.

Mas… casa que se arruma E pouco é vigiada Já dizia minha avo Cria-se novamente a bicharada. Acreditamos nos magistrados Que com grande atuação Não nos abandonaram na estrada.Após perdas e clamores Fizeram-se ouvir Olharam para a princesinha Corajosamente decidiram agir. Nada de excesso Apenas cartas marcadas O objetivo foi deixar a casa arrumada. As tropas de elite Nossa comunidade recebeu O trabalho foi profissional Sabemos que ninguém morreu. Será que é verdade? Ou apenas um sonho Ou estamos vivendo outra realidade. .

. Voltamos agora a sonhar E lutamos e lutamos por um mundo mais bonito Valores que nos foram arrancados Agora são restituídos. Não sabíamos como lutar Para um sonho tão nobre realizar Que era fazer a violência cessa. A vida é um dom… Viver é uma arte Cada cidadão tem direito a isto.Calabar vive um novo momento Foi um sonho nunca realizado Nunca mais em nossa comunidade Corpos no chão estirados. Calabar sente-se livre E com muita emoção Isto é notório Com várias manifestações Sambões e pagodes Também tem sua vez A ausência de violência inspirou a primeira parada Gay.

A ausência de atrativos No seio da sociedade Fazem muitos fraquejarem. Cursos profissionalizantes Que a muitos venham agregar Jovens ainda indecisos Que conosco venham juntar. Quem sabe até universidade Venha na comunidade existir Para que povos de fora Venham conosco sorrir Sorriso de alegria Pois sonhamos com este dia Onde a violência não nos dominara. .Cobramos agora do governo Algo muito legal Que haja em nossa comunidade Escolas de segundo grau. Cobramos mais atitudes E pouca conversação Calabar precisa agora de mais inclusão.

Boatos ainda estão a rolar Será que houve jeito Para moradores do calabar? Engano de quem pensa Que o povo que não presta Foram as políticas públicas Que nos deixou fora dela. Falhas sabemos que houve… Nossa não foi não Falhou governo. família e religião. . Confiante nós estamos Em Deus e no governo Aguardamos o próximo passo Sem cerimônia e sem segredo. Não queremos ser cobaias De um projeto tão ousado Pois não somos caranguejo.Calabar estar assim Livre. leve e solto Lutando por igualdade Que acredito ser um sonho de todos.