Boletim

Epidemiológico
Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde

Volume 44 N° 11 - 2013

Situação epidemiológica da hanseníase no Brasil – análise de indicadores selecionados na última década e desafios para eliminação
O resgate de marcos históricos relativos à terapêutica da hanseníase possibilita o entendimento da meta pactuada internacionalmente de eliminação da endemia como problema de saúde pública. Talvez não seja do conhecimento dos profissionais de saúde inseridos na rede básica a partir deste milênio que: o uso da dapsona (sulfona) para hanseníase teve início em 1943; em 1960 foram registrados os primeiros casos de resistência à dapsona e identificada a rifampicina como alternativa medicamentosa; a recomendação pelo uso da poliquimioterapia (PQT) por meio da combinação da dapsona, rifampicina e clofazimina se deu em 1981 pela Organização Mundial de Saúde (OMS); em 1986 foi apresentada a primeira proposta de eliminação da hanseníase até o ano 2000 durante a 44ª Assembleia Mundial de Saúde (WHA); em 1991 foi incluído o Addendum “como problema de saúde pública”, bem como definida a meta de menos de 1 caso por 10 mil habitantes durante a 49ª WHA,1 em compromisso assumido pelos 122 países mais endêmicos; e que, nos últimos vinte anos, mais de 14 milhões de pacientes de hanseníase foram curados, dos quais, cerca de 4 milhões desde o ano 2000; houve redução drástica da carga global da doença de 5 milhões de casos em 1985 para 805 mil em 1995, 753mil em 1999 e 213 mil em 2008; e o mais importante, que 119 países dos 122 onde a doença foi considerada como um problema de saúde pública alcançaram a meta de eliminação em nível nacional. A maioria destes continua trabalhando para a redução da prevalência em nível subnacional, ou seja, em estados/ províncias e/ou departamentos. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) inclui a hanseníase no grupo das doenças negligenciadas e outras relacionadas com a pobreza por meio da resolução OPAS/ CD49.R19/20092 em: grupo um – doenças para eliminação como problema de saúde pública;

Introdução

grupo dois – doenças cuja carga pode ser drasticamente reduzida; e outras – doenças cuja carga deve ser avaliada e ainda é necessário o desenvolvimento de ferramentas, métodos e estratégias de controle. No grupo um encontramse as doenças com grande potencial de eliminação: doença de Chagas, filariose linfática, hanseníase, malária, oncocercose, peste, raiva humana transmitida por cão, sífilis congênita, tracoma e tétano neonatal. Para tais doenças existem ferramentas e estratégias custo-efetivas; há evidência de factibilidade de eliminação observada em outros países e/ou áreas da América Latina e Caribe e mandatos globais ou regionais para sua eliminação. No grupo dois encontra-se a esquistossomose (S. mansoni), que atualmente ocorre em áreas geográficas delimitadas, mas com prevalência muito alta, assim como as geohelminitíases, que dependem de maior detalhamento da situação epidemiológica. Quanto ao conceito de eliminação como problema de saúde pública, este representa redução drástica da carga da doença ao nível aceitável, de modo que a prevalência da doença não limite a produtividade social nem o desenvolvimento da comunidade. De acordo com as ferramentas disponíveis e a situação de saúde, as metas de eliminação foram estabelecidas para cada doença do grupo um. A eliminação, portanto, torna-se viável com a melhoria dos serviços de saúde e a implantação de estratégias com ênfase principalmente na atenção primária. De modo distinto da eliminação de doenças enquanto problema de saúde pública, há também políticas de “erradicação” de doenças, que só podem ser consideradas quando não mais se verifica a circulação do agente infeccioso, podendo até mesmo haver suspensão das medidas de prevenção e controle em decorrência da interrupção da transmissão, o que não se aplica à hanseníase. A eliminação da hanseníase como problema de saúde pública no Brasil apresenta aspectos facilitadores que incluem: a decisão política de eliminação da hanseníase; a hanseníase no contexto do Plano Brasil Sem Miséria; a inserção da hanseníase em todas as pactuações do Sistema

Equipe Editorial Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviço/SVS/MS: Expedito Luna (editor científico). perfil epidemiológico no que se refere à forma clínica. Brito. oferta constante de cursos para a capacitação de profissionais. e da melhoria da qualidade das informações. reduzido número de profissionais da rede básica. 2 | Volume 44 − 2013 | . Comitê Editorial Jarbas Barbosa da Silva Jr (editor geral). vem sofrendo redução progressiva nos últimos anos. Distribuição impressa e eletrônica Núcleo de Comunicação/SVS Revisão de texto Maria Irene Lima Mariano (CGDEP/SVS) Normalização Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS. Regiane De Paula (EDUCATIE e DEVIT/SVS). com baixa cobertura de exames de contatos. Eliane Ignotti (UNEMAT e DEVIT/SVS). disponibilidade de medicamentos para PQT e antirreacionais. parcerias com organizações não govenamentais (ONGs) estruturadas. Guilherme Franco Netto. Eunice de Lima. melhoria do nível de renda da população. com atualizações sistemáticas nos bancos de dados. apresenta como dificuldades ou aspectos negativos: regiões de extrema pobreza como condição de perpetuação da doença. ainda que formalmente normatizado. No entanto. o padrão espacial de distribuição da hanseníase permanece o mesmo. Marcus Quito. Elisete Duarte. principalmente nas áreas mais endêmicas. associado ao desconhecimento da magnitude da endemia. Fábio Mesquita e Carlos Estênio Freire Brasilino. Marta Roberta Santana Coelho. indicando intensa circulação do Mycobacterium leprae. Gilmara Lima Nascimento (editora assistente) e Alisson Leandro Aragão Meneses (secretário executivo). com dificuldade de acesso a serviços de saúde. a existência de ampla cobertura de unidades básicas de saúde com potencial para diagnosticar e tratar a doença até a cura. F. dificuldades na logística de distribuição de medicamentos em algumas regiões do país até as unidades de atendimento. especialmente médicos. desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Sônia M. O coeficiente de prevalência de hanseníase do Brasil. Malta. assistência secundária e terciária na rede de atenção à saúde. que garantam o diagnóstico e tratamento. Deborah C.9 pesquisadores nacionais com expertise em clínica. Cláudio Maierovitch P. Colaboradores Rosa Castália França Ribeiro Soares (DEVIT/SVS). sendo metade dos casos paucibacilares e elevado coeficiente de detecção em crianças. ausência de barreiras culturais e religiosas. fragilidade nas ações de vigilância. indicador utilizado para monitorar o progresso da eliminação dessa doença enquanto problema de saúde pública. sistema de referência e contrarreferência pouco estruturado em algumas regiões do país. equipe multiprofissional com a presença de médicos e enfermeiros para a garantia do diagnóstico e acompanhamento de casos em unidades de saúde. atuação constante e forte de movimentos sociais. da redução do tempo de tratamento com a PQT a partir do ano 2000. Henriques. Isso decorre da diminuição no número de casos novos da doença. epidemiologia. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra. © 1969. possibilidade de busca ativa de casos e resgate de abandonos por agentes comunitários de saúde. biologia molecular e aspectos sociais da hanseníase. insuficiente comprometimento político de gestores em algumas áreas de importância epidemiológica. disponibilização de incentivo financeiro por meio de recursos do piso-variável para vigilância em hanseníase. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil Único de Saúde (SUS). de modo mais acentuado a partir de 2003. atraso na adoção de estratégias essenciais ao processo de eliminação que levou à implantação da PQT padrão OMS e à descentralização de serviços somente na década de 1990. Por outro lado.

Em 2010. o que representa uma redução de 12% em relação ao valor do coeficiente no ano 2004 (1. Por esta razão. o coeficiente de prevalência de hanseníase do Brasil era 1.1 Para a Estratégia Global são considerados não apenas redução na detecção de casos novos. tratar e curar os casos diagnosticados. Rio de Janeiro e São Paulo. em algumas áreas metropolitanas do Nordeste. Os coeficientes de prevalência são mais elevados em municípios localizados na borda da Amazônia brasileira. a filariose linfática.99 casos por 10 mil habitantes). aproximação com programa de saúde na escola para identificação de casos em crianças. observa-se um padrão espacial de concentração da prevalência de hanseníase por municípios. Minas Gerais. Neste grupo estão incluídas a hanseníase.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil (b). uma vez que a proporção de pessoas afetadas continua elevada entre as populações mais pobres e marginalizadas do Brasil. garantia de incentivo financeiro para vigilância em hanseníase. filariose. Para a hanseníase a CGDHE assume como principais eixos de ação: o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica. e aprimoramento do sistema de informação no que se refere ao acompanhamento dos casos. Pará e Tocantins e. a esquistossomose. Maranhão e Tocantins apresentaram coeficiente de prevalência alto (entre 5 e 9. as geohelmintíases. devem ser observados os tempos de tratamento previstos no protocolo terapêutico para os casos paucibacilares e multibacilares. Observa-se. a Secretaria de Vigilância em Saúde criou a Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE). em especial da região das Américas. que sejam incluídos no numerador os casos residentes em tratamento em 31 de dezembro e. Recomenda-se. com ênfase na intensificação das ações de busca ativa de contatos intradomiciliares e aumento da taxa de cura. Mato Grosso. o que terá impacto na redução do estigma e discriminação relacionados à doença. ano em que o país fez a readequação do cálculo desse indicador para que fosse possível fazer comparações com outros países-membros da OMS. somados ao Rio Grande do Norte. na região Sudeste.2 Situação epidemiológica da hanseníase no Brasil: análise de indicadores selecionados da última década (2003-2012) países como o Brasil e regiões que ainda não a alcançaram.71 caso/10 mil habitantes). com o objetivo de fortalecer a resposta para um grupo de doenças em que os resultados dos programas nacionais foram considerados insuficientes e incompatíveis com a capacidade do SUS de resolução dos problemas de saúde da população. no denominador. esquistossomose e oncocercose como problema de saúde pública. e permanece vigente para os . a OMS revisou a Estratégia Global para redução da carga da doença no período 2011-2015. no Nordeste. para o cálculo da prevalência.4 Para o conjunto de endemias abordadas no “Plano integrado de ações estratégicas de eliminação da hanseníase. por meio de pactuações com 252 municípios prioritários que concentram cerca de 60% da endemia. lançado em junho de 2012. bem como pelo envio oportuno de dados relativos ao acompanhamento e evolução dos casos até a cura. alcançaram a meta de eliminação da hanseníase enquanto problema de saúde pública. ainda. nos estados do Maranhão. na qual enfatiza a garantia da qualidade da assistência ao paciente. que os estados de Mato Grosso. foi definida na Assembleia Mundial de Saúde. Para tanto. a população residente local do respectivo ano multiplicada por 10 mil. na Figura 1A.3 No início de 2011. Aqueles de endemicidade mais elevada estão localizados no | Volume 44 − 2013 | 3 Coeficiente de Prevalência A meta de eliminação da hanseníase como problema de saúde pública. é influenciado pela capacidade dos serviços de saúde em realizar o diagnóstico.51 caso/10 mil habitantes. Na Figura 1B.5. Em 2012. além da redução do coeficiente de prevalência é preciso que haja também redução do coeficiente geral de detecção e do coeficiente de detecção de casos com incapacidades grau II. além da necessidade de cumprir a “agenda inconclusa”. expresso pelo coeficiente de prevalência de ponto da hanseníase em 31 de dezembro de cada ano.6 O indicador prioritário para a meta de eliminação da hanseníase enquanto problema de saúde pública.4 considera-se a extensa experiência. a oncocercose e o tracoma. na implementação de estratégias para a eliminação de doenças transmissíveis e os avanços promissores na redução da carga dessas doenças. tracoma como causa de cegueira e controle das geohelmintíases”. definida como prevalência inferior a um caso a cada 10 mil habitantes. enquanto todos os estados da região Sul. mas também de incapacidades. em 1991.

Sem casos 0.99 Alto 5 —| 9. A Quanto ao coeficiente anual de detecção por 100 mil habitantes (Figuras 2A e 2B).303 casos novos. Brasil – 2012 A B Coeficiente geral de detecção/100 mil habitantes 0.00 . oeste de Goiás.00 . especialmente em Rondônia. Mato Grosso.99 Hiperendêmico ≥20 Fonte: Sinan/SVS-MS.99 Muito alto 10 —| 19. Em 2012.Hiperendêmico Fonte: Sinan/SVS-MS. observase o mesmo padrão espacial do coeficiente de prevalência. Figura 2 – Coeficiente geral de detecção de hanseníase por 100 mil habitantes nas Unidades da Federação (a) e municípios (b).00 .00 Baixo <1.Médio 10.00 —| 40.Muito alto ≥40. Tocantins e sudoeste do Pará.00 Médio 1 —| 4. foram diagnosticados 33.00 —| 10. O coeficiente geral de detecção (17.Baixo 2.00 .246 (7%) em menores de 15 anos.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil entorno da Amazônia brasileira.Alto 20.2/100 B Coeficiente de prevalência/10 mil habitantes Sem casos 0. Maranhão.00 —| 2.00 —| 20. Por outro lado. Dados disponíveis em 24/04/2013. parte da região Nordeste e a maioria dos municípios das regiões Sul e Sudeste apresentam baixa endemicidade. 2. Mato Grosso do Sul. Dados disponíveis em 24/04/2013.00 .00 . Figura 1 – Coeficiente de prevalência de hanseníase por 10 mil habitantes nas Unidades da Federação (a) e municípios (b). Brasil – 2012 4 | Volume 44 − 2013 | .

8 casos novos por 100 mil habitantes. que historicamente apresenta os menores coeficientes (Figura 3 e Tabela 1). apresentam média7 endemicidade. Mato Grosso. Tocantins e oeste de Goiás. Mato Grosso.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil mil habitantes) é considerado alto. Pará e Maranhão foram classificados como hiperendêmicos. em 2011. Rio de Janeiro. nos últimos dez anos (2003 a 2012).8 e 6. e o Nordeste. 2003 – 2012 | Volume 44 − 2013 | 5 . todas as regiões apresentaram redução no coeficiente de detecção. Dados disponíveis em 24/04/2013. o que caracteriza hiperendemicidade. com mais de 40 casos novos por 100 mil habitantes. Na Tabela 1 são apresentados os coeficientes de detecção de hanseníase por 100 mil habitantes. Os maiores coeficientes de detecção por região geográfica foram verificados nas regiões Norte e Centrooeste. Os estados do Rio Grande do Norte. Apenas na região Nordeste esta redução ocorre a partir de 2004 e se mantém até o fim do período analisado. com 4. São Paulo. A redução na detecção de casos novos teve início em 2003. Pará. Os outros Estados apresentam endemicidade alta ou muito alta.7 Por outro lado. Paraná e Santa Catarina apresentam média endemicidade e o Rio Grande do Sul.6 casos novos por 100 mil habitantes. Maranhão. A Figura 3 mostra o coeficiente de detecção de hanseníase. Em 2003 o coeficiente de detecção foi de 29.3 e 40.5%. Figura 3 – Coeficiente de detecção de hanseníase por 100 mil habitantes segundo regiões geográficas. Tocantins. Observa-se que o país vem apresentando redução na detecção de casos em todas as regiões. De 2003 a 2012 houve redução percentual de 41. Segundo os parâmetros de referência deste indicador.4 casos novos por 100 mil habitantes.1 casos novos por 100 mil habitantes em 2012.7 os estados de Rondônia. com índices Fonte: Sinan/SVS-MS. por regiões geográficas e Unidades da Federação. bem como a variação percentual do período de 2003 a 2012. inclusive no Sul. Brasil. com 25. apresenta endemicidade muito alta. Minas Gerais. Quanto ao coeficiente de detecção por municípios. com respectivamente 42. baixa endemicidade (menos de dois casos novos por 100 mil habitantes). para o Brasil e regiões. observa-se que os mais endêmicos localizam-se principalmente nos estados de Rondônia. Houve diminuição do coeficiente de detecção de casos em todas as regiões geográficas.7 No entanto. as regiões Sul e Sudeste.

67 4.69 14.85 18.41 22.53 77.79 -29.34 136.38 12.68 28.73 58.39 64.53 19.15 103.67 32.34 73.24 2005 65.76 20.81 27.44 13.42 -38.00 56.71 30.96 31.17 6 | Volume 44 − 2013 | .01 21.96 53.49 -33.21 7.17 -41.17 2.32 -44.94 69.93 5.99 9.72 6.86 2006 61.31 33.95 33.51 1.07 65.42 7.37 2007 54.85 24.53 27.68 51.54 26.97 80.55 16.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil Tabela 1 – Coeficiente geral de detecção de hanseníase por 100 mil habitantes.24 17.41 40.21 94.62 12.26 26.53 13.54 3.18 11.42 19.29 26.44 44.13 53.46 46.59 24.93 87.51 19.61 63.49 31.65 2012 42.02 4.19 2008 54.00 8.03 23.89 4.13 31.49 37.26 29.75 47.24 6.52 14.28 73.31 19.19 62.31 5.38 22. Brasil.05 12.49 10.79 12.02 21.23 68.05 -66.37 34.64 -41.75 90.54 33.05 9.45 4.71 31.39 1.11 30.48 43.10 7.54 Estados / Regiões Região Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Região Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Região Sul Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Região Centro-Oeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Brasil Fonte: Sinan/SVS-MS Dados disponíveis em 24/04/2013   2003 78.88 9.22 2011 42.46 18.16 80.43 25.69 -41.66 87.59 2009 49.22 4.96 76.06 -33.66 14.89 28.78 9.10 50.31 19.84 39.01 96.72 65.17 12.70 2.94 6.94 34.82 28.64 -46.42 9.71 7.04 38.27 5.88 19. 2003-2012 Var % 2003 e 2012 -45.31 -57.46 25.10 55.53 -22.34 36.14 18.44 -56.96 39.17 3.76 15.55 17.74 44.03 23.61 14.81 100.39 31.12 8.39 31.84 -47.61 1.02 12.50 90.60 27.38 -59.54 63.85 28.70 61.21 38.64 41.24 -23.47 3.27 40.45 12.76 73.44 10.33 37.71 66.39 44.77 19.20 92.26 21.96 29.34 57.70 70.04 67.76 69.67 11.76 34.08 56.78 23.39 17.30 3.84 21.40 29.32 25.25 9.37 2004 74.92 27.28 57.93 131.93 16.42 -50.34 8.19 23.58 5.35 -19.14 17.04 -42.62 8.05 29.57 -30.99 40.76 11.79 62.11 125.66 8.63 3.33 10.42 17.83 9.90 26.69 31.22 5.38 18.93 47.84 16.56 51.45 59.77 34.35 3.19 3.63 93.71 90.96 11.57 22.90 19.59 144.21 17.65 53.21 7.13 -64.32 13.83 26.22 4.71 -37.22 16.12 34.05 102.45 20.69 70.36 40.29 7.54 37.19 2.67 31.62 81.37 21.98 30.64 2010 42.62 1.60 15.25 26.56 -47.13 23.16 11.60 -46.03 29.61 26.19 -25.01 45.37 36.17 31.73 60.37 41.86 24.10 18.57 18.54 38.92 89.38 1.11 35.19 10.78 8.93 13.45 30.66 44.71 -55.75 85.67 92.44 39. segundo regiões geográficas e Unidades da Federação.25 77.76 54.96 16.46 7.96 82.70 30.08 25.39 29.27 -60.25 46.92 95.71 41.69 32.94 12.40 19.24 51.93 10.49 67.04 34.97 44.93 21.28 27.78 55.05 20.21 17.96 55.78 -51.63 45.40 -46.53 31.91 37.12 85.95 29.54 28.76 21.60 7.37 8.22 34.64 26.95 12.06 15.07 8.57 24.81 30.13 21.57 15.09 6.64 10.39 4.78 93.51 14.82 7.54 11.32 88.09 3.82 9.26 6.99 14.70 29.04 1.45 100.64 21.60 37.58 8.86 35.34 35.13 27.74 26.06 3.05 7.78 12.06 24.32 -36.80 61.16 9.85 7.74 56.20 1.93 37.75 69.75 25.14 7.

6% no Sul e 41. enquanto a menos endêmica foi o Rio Grande do Sul. segundo Unidades da Federação. O monitoramento da proporção de cura é essencial para medir a Hiperendêmico Fonte: Sinan/SVS-MS.9% em 2012. Dados disponíveis em 24/04/2013. Verifica-se que os menores percentuais de cura verificados na última década ocorreram no período de 2003 a 2005. e 2004 para o Nordeste. 42. ainda que tenham apresentado incremento percentual no período de dez anos. Mato Grosso. 2012 | Volume 44 − 2013 | 7 .9 a 4.3 casos novos por 100 mil habitantes em 2012. com 1. enquanto dezoito estão acima. Estes estados com incremento da detecção.8 casos novos por 100 mil habitantes entre 2003 a 2012.3% no Nordeste. na Figura 6. A partir dos referidos anos os coeficientes sofrem redução contínua.246 casos. Pernambuco. a endemia é considerada “muito alta”7 neste grupo de idade. 56. Pará. 33.7% no Centro-oeste. observa-se. Entre as 27 Unidades da Federação. que o Brasil apresenta valores considerados regulares7 segundo os parâmetros deste indicador. com pequena variação entre 2006 e 2012.4 caso por 100 mil habitantes. Quanto ao coeficiente de detecção de hanseníase em crianças (menores de 15 anos de idade). Figura 4 – Coeficiente de detecção de casos novos de hanseníase em menores de 15 anos.6%) e Mato Grosso do Sul (7. duas apresentaram incremento no coeficiente de detecção no período de dez anos. passando de 7.4% no Sudeste. Tocantins. a mais endêmica foi o estado de Mato Grosso. observa-se que para o Brasil foi de 4.3%). houve aumento percentual. com 85. a saber: Rio Grande do Norte (11. Brasil. Piauí e Rondônia são considerados hiperendêmicos. Maranhão.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil de 45. A partir de então.8 casos novos para 100 mil habitantes. com 80. Quanto ao percentual de pacientes curados nas coortes anuas de hanseníase. que representam 6.7% da detecção geral do Brasil em 2012.8% no Norte. Observa-se na Figura 4 que nove Unidades da Federação encontram-se abaixo do coeficiente nacional.7 Na Figura 5 pode-se observar que este indicador também apresentou redução contínua na última década. Entre as Unidades da Federação. Segundo parâmetros deste indicador. Os maiores picos nos coeficientes de detecção foram verificados em 2003 para o Norte e o Centro-oeste. em razão do diagnóstico Médio Alto Muito Alto de 2. alcançaram os picos de detecção em 2005 e 2012.

2003 a 2012 efetividade dos serviços de saúde no tratamento e cura dos casos diagnosticados.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil Fonte: Sinan/SVS-MS. 2003 a 2012 Fonte: Sinan/SVS-MS. Brasil. Indivíduos diagnosticados e não curados inflam a prevalência e demonstram que os serviços de saúde não estão seguindo adequadamente o protocolo terapêutico 8 | Volume 44 − 2013 | padronizado de tratamento com a PQT. . Figura 6 – Percentual de pacientes curados nas coortes de hanseníase em 31 de dezembro de cada ano. Figura 5 – Coeficiente de detecção de hanseníase geral e em menores de 15 anos. Dados disponíveis em 24/04/2013. Dados disponíveis em 24/04/2013. Brasil. Há também a possibilidade de que os casos estejam sendo tratados conforme recomendado. mas os serviços apresentam defasagem temporal no envio de informação relativa à cura dos pacientes.

Entre as Unidades da Federação. no Norte. apresentaram importante redução contínua na detecção de casos com grau II de incapacidade física Amazonas. Ceará. Brasil. Sergipe. Entre as regiões. Rio de Janeiro. sem se considerar o efeito acumulado desta queda. apresentou a menor redução. Observa-se que entre 2008 e 2012 houve redução de 18%.15 caso por 100 mil habitantes em 2012. não mostram redução ao longo da série. no Nordeste. Regular Bom Fonte: Sinan/SVS-MS. Amapá e Tocantins. 2012 O coeficiente de detecção de casos novos diagnosticados com grau II de incapacidade alcançou 1. em oposição à tendência de redução que se apresentou entre 2008 a 2011. se um apresenta tendência de redução. que além de apresentarem mais de 3. e Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Paraná.7 Apenas os estados do Acre.9%). O Nordeste e o Sudeste apresentaram pequeno aumento em 2012. a região Centro-Oeste. Pará.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil Para as Unidades da Federação (Figura 7). Situações em que a detecção cai e ocorre aumento na detecção de casos com grau II de incapacidade | Volume 44 − 2013 | 9 . de resistência ao tratamento e do desenvolvimento de incapacidades físicas. e nos referidos estados observase aumento no coeficiente de detecção grau II. Piauí. Paraná. o outro deve apresentar a mesma tendência. Ceará e o Distrito Federal apresentaram resultado “bom” quanto ao percentual de cura. no Sul. segundo Unidades da Federação. Rio de Janeiro. Figura 7 – Percentual de pacientes de curados nas coortes de hanseníase em 31 de dezembro. Rio Grande do Norte e Pernambuco. São Paulo. ou seja. onde se localizam os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É fundamental que seja mantido um esforço para o aumento da taxa de cura para mais de 90%. no Centro-Oeste. No que se refere à redução do coeficiente de detecção grau II. Chama atenção o resultado deste indicador para o Maranhão e o Mato Grosso. verifica-se maior frequência de percentuais considerados regulares para a cura (entre 75% e 89. O Centrooeste mostra flutuação neste indicador. Goiás apresentou resultado Precário “precário” quanto ao percentual de cura nas coortes para o ano de 2012. Espírito Santo. no Sudeste. Pacientes de hanseníase tratados inadequadamente ou não curados apresentam aumento de risco para recidivas. Todas as regiões brasileiras apresentaram redução deste indicador nos últimos cinco anos. o Norte e o Sul mantêm redução constante deste indicador. Sabe-se que o coeficiente de detecção de casos com grau II de incapacidade deve apresentar tendência similar ao coeficiente geral de detecção.5 casos novos com grau II de incapacidade no momento do diagnóstico. no entanto. Rondônia. o que caracteriza manutenção da detecção tardia. Santa Catarina. Dados disponíveis em 24/04/2013. espera-se que o Brasil apresente queda de 35% até o ano de 2015.

13 0.59 0.06 0.72 1.21 0. em média são examinados Tabela 2 − Coeficiente de incidência de casos novos de hanseníase com incapacidade grau 2 Estados e regiões.09 0.62 3.60 -18.84 -23.98 1.30 0.37 0.41 -10.71 1.05 0. Por esta razão.40 3.90 0.24 2.82 -15.50 0.84 0.26 2.73 0.44 3.10 -1. *A série analisada tem início em 2008.77 1.74 3.94 -39. 10 | Volume 44 − 2013 | .75 2.32 -22.63 2.29 11.08 2.10 1.39 2.83 -8.78 1.93 1. A redução do coeficiente de detecção poderia levar à redução da detecção de casos com grau II de incapacidade. Sabe-se que o maior risco de adoecimento encontra-se entre os contatos dos casos novos diagnosticados.14 0.33 -31. no Sudeste.34 1.11 1.93 0.05 1.63 0.43 1. é a ação mais estratégica dirigida para a busca ativa de casos da doença. particularmente os intradomiciliares.25 -49.21 -11.31 -27.72 2.25 1.46 -39.26 -29.20 55.52 1.07 0.53 1.51 1.17 2011 2.93 0.80 1.19 2.97 0.03 1. no Nordeste.88 4.13 2012 2.95 1.86 1.58 3.94 3.84 1.08 37.85 1.34 0.36 2.64 1.60 0.17 2.25 3.40 2009 2.57 1.51 -22.26 1.00 1.99 1. Até o ano de 2007 foi utilizado outro método de classificação do Grau de Incapacidade.63 1.15 Fonte: Sinan/SVS-MS.14 1.55 1.32 0.76 4.42 0.06 1.57 0.77 2.90 4.4 No Brasil. da razão entre casos pauci/ multibacilares e da proporção de casos avaliados Brasil.53 1.94 1.74 2.54 2. e Espírito Santo.49 1.53 2.65 -24.48 0.36 0.36 0.15 3.03 2. Estados / Regiões Norte Rondônia Acre Amazonas Pará Roraima Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Sul Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Centro-Oeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Brasil 2008 3.25 -59.36 0.66 0.90 1.52 1.11 -33.06 2.41 2.60 3.34 -22.62 0. 2008a 2012* quanto ao grau de incapacidade no momento do diagnóstico.83 1.32 1.98 0.92 1.17 1.29 2.47 1.54 3.28 3.57 -31.56 1. esta relação depende de detecção precoce.30 0.46 3.35 4.87 1.85 3.45 1.08 1.72 -27.27 2010 2.34 0.28 3.68 0.13 1.10 0.36 3. Contudo.08 2.00 0.94 0.83 0.08 2.43 0.54 1.94 2.13 1.11 -22. Dados disponíveis em 24/04/2013.15 Variação % 2008 a 2012 -21.85 -0.03 1.41 -9.96 0.74 1.11 2.90 4.10 2.87 0.75 3.33 0.78 1.32 1.47 1.85 1.64 1.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil sinalizam atraso no diagnóstico dos pacientes.51 0.42 0.47 -67.64 1. o exame de contatos.60 1.76 3.41 -48.65 0.97 -18. Esta situação pode ser observada nos estados de Sergipe.55 -33.12 5.49 0.83 1.48 0.25 1.60 0.35 0.09 1.87 1.79 1.25 1.23 2.58 3.89 1.38 1.36 1.

alternativas inovadoras na estratégia para atender tais princípios podem e devem ser utilizadas pelos serviços de saúde. No entanto. Para a OMS e seus países-membros. Na Figura 8. a falta de organização desta atividade pelos profissionais da rede básica e especializada.8 Ressalta-se. os princípios fundamentais da vigilância em hanseníase baseiam-se na detecção precoce de casos novos e no tratamento até a cura com poliquimioterapia. a importância da manutenção de condições que garantam o atendimento de qualidade aos pacientes. ou seja. Sergipe.7 Esta é uma atividade de vigilância em hanseníase fundamental para todas as Unidades da Federação. Paraná. apenas Acre. entre as Unidades da Federação. pela redução do número de casos diagnosticados em adultos e crianças. e a defasagem no envio de dados de acompanhamento de casos e investigação epidemiológica segundo fluxos estabelecidos pelo SINAN. Brasil. Espírito Santo. Rondônia. é necessário intensificar as ações de vigilância da hanseníase. Santa Catarina. pode-se verificar que. Figura 8 – Percentual de contatos examinados entre os casos registrados. especialmente nas regiões que apresentam maior concentração dos casos. apesar da existência de diferenças regionais importantes na carga da hanseníase. daqueles que deveriam ter sido examinados. Rio de Janeiro e Distrito Federal apresentaram bom desempenho7 na cobertura de exame de contatos de hanseníase. Goiás apresentou resultado precário7 quanto ao percentual de contatos examinados e as outras dezesseis Unidades da Federação apresentaram desempenho regular.4 Alguns fatores interferem no percentual de contatos examinados e incluem: a centralização dos atendimentos. voltadas à maior efetividade no diagnóstico e tratamento da doença.9% dos contatos registrados. pela redução do número de doentes em tratamento.9 Não há atualmente inovações tecnológicas nem novos conhecimentos que justifiquem mudanças nos princípios da vigilância em hanseníase. No Brasil. Regular Bom Fonte: Sinan/SVS-MS. 2012 | Volume 44 − 2013 | 11 . no Brasil. o que inclui a prevenção e a recuperação de incapacidades físicas e a busca de casos entre os contatos. a distância entre unidades de saúde e residência dos doentes e familiares. a redução contínua da endemia no Brasil na última década é notável. Tal redução tem sido verificada. onde não há garantia do atendimento dos contatos no dia de comparecimento ao serviço de saúde. Dados disponíveis em 24/04/2013. bem como pela redução do número de casos diagnosticados com lesões incapacitantes de grau II. Por esta razão. segundo Unidades da Federação. São Paulo. sejam elas endêmicas ou não. portanto.Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde − Brasil 85. com Precário Considerações finais concentração de casos nas regiões Norte e CentroOeste.

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