Você está na página 1de 147

FRANCISCO DE ASSIS PEREIRA RIBEIRO

PROJETO DE UM SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Dissertação apresentada ao Programa


de Pós-Graduação em Engenharia
Civil da Universidade Federal
Fluminense, como requisito parcial
para obtenção do Grau de Mestre.
Área de Concentração: Produção Civil.

Orientadora: Profª. PhD. ANA LÚCIA TORRES SEROA DA MOTTA


Co-orientador: Prof. MSc. HÉLIO CRÉDER

NITERÓI
2002
1

FRANCISCO DE ASSIS PEREIRA RIBEIRO

PROJETO DE UM SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Dissertação apresentada ao Programa


de Pós-Graduação em Engenharia
Civil da Universidade Federal
Fluminense, como requisito parcial
para obtenção do Grau de Mestre.
Área de Concentração: Produção Civil.

Aprovada em outubro de 2002

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________________
Profª. Ana Lúcia Torres Seroa da Motta, Ph.D
Universidade Federal Fluminense

____________________________________________________________
Prof. Hélio Creder, MSc.
Universidade Federal do Rio de Janeiro

____________________________________________________________
Profª. Virgínia Célia Costa Marcelo, DSc.
Universidade Gama Filho

____________________________________________________________
Prof. Carlos Alberto Pereira Soares, DSc.
Universidade Federal Fluminense

____________________________________________________________
Profª. Márcia M. Pimenta Velloso, DSc.
Universidade Federal Fluminense

NITERÓI
2002
2

Dedico à meu filho e à minha esposa, sem cuja compreensão e paciência,


este trabalho seria impossível.
3

AGRADECIMENTOS:

♦ À Ana Lúcia Seroa da Motta – minha orientadora, presença constante e


estimulante.

♦ À Paulo de Tarso – meu irmão e maior incentivador para que eu ingressasse


neste mestrado.

♦ À Hamilton Moss – do CEPEL, pela atenção e plena colaboração, assim como


à toda a sua equipe.

♦ À Cássia Morano – minha colega e guia pelos meandros burocráticos.

♦ Ao Prof. Hélio Creder – meu co-orientador e professor de gerações de


engenheiros e arquitetos.

♦ Aos professores do Curso de Pós-graduação em Engenharia Civil da UFF –


pelo suporte e dedicação.

♦ À Mauro Ejnysman e Luiz Carlos Alves Lima – da RIOLUZ, pelas informações


gentilmente cedidas.

♦ À Regina Lopes – da Indalux, pelo precioso apoio quanto às luminárias.

♦ Ao meu amigo, Carlos Alberto, pela presença nos momentos cruciais.


4

SUMÁRIO

DEDICATÓRIA........................................................................................... 02

AGRADECIMENTOS................................................................................. 03

SUMÁRIO................................................................................................... 04

LISTA DE FIGURAS................................................................................... 07

LISTA DE GRÁFICOS................................................................................ 09

LISTA DE TABELAS.................................................................................. 10

LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS............................... 11

RESUMO.................................................................................................... 13

ABSTRACT................................................................................................ 14

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO....................................................................15
1.1 – APRESENTAÇÃO................................................................... 15
1.2 – JUSTIFICATIVA...................................................................... 15
1.3 – RELEVÂNCIA............................................................... .......... 16
1.4 – ESTRUTURAÇÃO................................................................... 16

CAPÍTULO II – ENERGIA FOTOVOLTAICA ............................................ 18


2.1 – INTRODUÇÃO AO CONCEITO FOTOVOLTAICO................. 18
2.1.1 – O que são Células Fotovoltaicas............................... 18
2.1.2 – Do Sol para a Eletricidade......................................... 19
2.1.3 – Explicação Técnica das Células Fotovoltaicas.......... 20
2.2 – GENERALIDADES.................................................................. 21
2.2.1 – Eficiência................................................................... 21
2.2.2 – Longevidade de um Painel Solar.............................. 22
2.2.3 – Manutenção............................................................... 22
2.2.4 – Tempo de Retorno..................................................... 23

CAPÍTULO III – HISTÓRICO DA ENERGIA FOTOVOLTAICA................. 24


3.1 – NO MUNDO............................................................................. 24
3.2 – NO BRASIL............................................................................. 25
3.3 – HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO DAS CÉLULAS....... 29

CAPÍTULO IV – COMPONENTES PRINCIPAIS........................................ 31


4.1 – PAINEL FOTOVOLTAICO....................................................... 31
4.1.1 – Tipos de Pastilhas Fotovoltaicas............................... 31
4.1.2 – Montagem dos Painéis Fotovoltaicos........................ 34
4.1.3 – Arranjo dos Painéis para a Saída Desejada.............. 35
4.1.4 – Tipos Comerciais de Células de Silício...................... 36
5

4.1.5 – Nova Tecnologia Fotovoltaica.................................... 39


4.2 – SISTEMAS DE CONTROLE................................................... 39
4.2.1 – Controladores de Carga............................................ 39
4.2.2 – Inversores.................................................................. 41
4.3 – BATERIAS............................................................................... 41
4.3.1 – Conceito..................................................................... 41
4.3.2 – Tipos de Baterias....................................................... 43
4.3.3 – Comparação entre os Diversos Tipos........................48
4.3.4 – Características de Carga........................................... 49
4.3.4.1 – Carga com Voltagem constante................... 50
4.3.4.2 – Carga Rápida............................................... 51
4.3.4.3 – Carga Flutuante............................................ 51
4.3.4.4 – Carga com Corrente Constante................... 52
4.3.4.5 – Carga com Corrente Cônica........................ 52
4.4 – LÂMPADAS............................................................................. 52
4.4.1 – Conceito..................................................................... 52
4.4.2 – Tipos de Lâmpadas................................................... 52
4.4.3 – Comparação entre os Diversos Tipos........................56

CAPÍTULO V – DESEMPENHO DO PAINEL FOTOVOLTAICO.............. 58


5.1 – POTÊNCIA.............................................................................. 58
5.1.1 – Curva Característica I x V.......................................... 58
5.1.2 – Curva P x V................................................................ 59
5.1.3 – Ponto de Potência Máxima........................................ 60
5.2 – FATORES GERADORES DE PERDAS.................................. 60

CAPÍTULO VI – DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA.............................. 64


6.1 – ESTIMATIVAS......................................................................... 64
6.1.1 – Estim. de Saída dos Painéis...................................... 64
6.1.2 – Estim. da Área Necessária de Painéis....................... 65
6.2 – DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS.... 65
6.2.1 – Dados Necessários para Dimensionar o sistema...... 66
6.2.2 – Cálculo de Consumo de Cargas................................ 66
6.2.3 – Especificação do Inversor.......................................... 67
6.2.4 – Determinação da Corrente de Projeto....................... 68
6.2.5 – Dimensionamento do Banco de Baterias...................69
6.2.6 – Cálculo do Número de Painéis Necessários..............70
6.2.7 – Dimensionamento de Condutores e Cabos............... 71

CAPÍTULO VII – ILUMINAÇÃO PÚBLICA................................................ 73


7.1 – DIVERSIDADE EM ILUMINAÇÃO PÚBLICA.......................... 73
7.2 – PROJETO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.................................. 76
7.2.1 – Tipos de vias............................................................. 77
7.2.2 – Classificação do volume de tráfego.......................... 78
7.2.3 – Níveis de iluminância em vias públicas..................... 79
7.2.4 – Fatores de uniformidade e desuniformidade............. 80
7.2.5 – Lâmpadas e luminárias para iluminação pública....... 81
7.2.6 – Altura de montagem.................................................. 84
7.2.7 – Disposição dos postes e luminárias.......................... 85
6

CAPÍTULO VIII – PROJETO PILOTO........................................................ 87


8.1 – PROJETOS DESENVOLVIDOS PELO CEPEL...................... 87
8.1.1 – Protótipos................................................................... 87
8.1.2 – Projeto Padrão Adotado pelo CEPEL........................ 91
8.1.3 – Produtos da iniciativa privada.................................... 93
8.2 – PROJETO DO MODELO......................................................... 94
8.2.1 – Justificativa do Partido Adotado................................. 94
8.2.2 – Proposta Física do Conjunto......................................97
8.2.3 – Obtenção de Dados para o Cálc. do Iluminamento... 103
8.2.4 – Cálculo de Iluminamento do Modelo.......................... 107

CAPÍTULO IX – DIMENSIONAMENTO DOS COMPONENTES............. 118


9.1 – DADOS NECESSÁRIOS P/ DIMENSIONAR O SISTEMA..... 118
9.2 – CÁLCULO DO CONSUMO DE CARGAS.............................. 118
9.3 – DIMENSIONAMENTO DAS BATERIAS.................................. 120
9.4 – DIMENSIONAMENTO DOS PAINÉIS..................................... 120
9.5 – DIMENSIONAM. DOS CONTROLADORES DE CARGAS..... 122
9.6 – ESPECIFICAÇÃO DOS COMPONENTES............................. 122

CAPÍTULO X – ESTIMATIVAS DE CUSTOS E COMPARATIVOS......... 126


10.1 – CUSTOS DOS SIST. FOTOVOLTAICOSPROPOSTOS...... 126
10.2 – CUSTOS DO SISTEMA CONVENCIONAL........................... 128
10.3 – CUSTOS DE UTILIZAÇÃO DOS SISTEMAS....................... 131

CAPÍTULO XI – CONCLUSÃO.................................................................. 134

BIBLIOGRAFIA.......................................................................................... 137

ANEXOS..................................................................................................... 140

GLOSSÁRIO............................................................................................... 142
7

LISTA DE FIGURAS

Fig. 1 Ilustração promocional da Bell Telephone Systems......................... 18


Fig. 2 Ilustração do esquema de funcionamento fotovoltaico.................... 20
Fig. 3 Seção reta de pastilha de silício monocristalino.................... ......... 31
Fig. 4 Seção reta de pastilha de sulfato de cádmio.................................... 32
Fig. 5 Seção reta de pastilha de arsenieto de gálio....................................34
Fig. 6 Painel de silício monocristalino........................................................ 36
Fig. 7 Painel de silício multicristalino......................................................... 37
Fig. 8 Painel de silício amorfo.......................................................... .......... 37
Fig. 9 Telhado metálico fotovoltaico........................................................... 38
Fig. 10 Vidro fotovoltaico.............................................................................. 38
Fig. 11 Bateria.................................................................................... .......... 42
Fig. 12 Bateria de “ciclo profundo”............................................................... 44
Fig. 13 Bateria de chumbo-cálcio................................................................. 45
Fig. 14 Bateria AGM..................................................................................... 46
Fig. 15 Bateria de verdadeiro ciclo profundo............................................... 46
Fig. 16 Lâmpada incandescente.................................................................. 53
Fig. 17 Lâmpada halógena.......................................................................... 53
Fig. 18 Lâmpada halógena com refletor dicróico............................... ......... 54
Fig. 19 Lâmpada fluorescente tradicional.................................................... 54
Fig. 20 Lâmpada fluorescente compacta........................................... .......... 55
Fig. 21 Lâmpada compacta eletrônica......................................................... 55
Fig. 22 Lâmpada de vapor de sódio de baixa pressão............................... 56
Fig. 23 Insolação diária, média anual........................................................... 62
Fig. 24 Tipos de vias públicas...................................................................... 79
Fig. 25 Vista geral da pista de caminhada de Ipatinga................................ 82
Fig. 26 Detalhe do poste de iluminação....................................................... 83
Fig. 27 Posteação lateral.............................................................................. 85
Fig. 28 Posteação bilateral alternada........................................................... 86
Fig. 29 Posteação bilateral frente a frente.................................................... 86
Fig. 30 Posteação central............................................................................. 86
Fig. 31 Posteação central dupla................................................................... 86
Fig. 32 Protótipo CEPEL c/ 02 painéis e 02 lâmpadas vista frontal............. 88
Fig. 33 Protótipo CEPEL c/ 02 painéis e 02 lâmpadas vista posterior......... 88
Fig. 34 Protótipo CEPEL c/ 02 painéis e 02 lâmpadas detalhe.................... 88
Fig. 35 Protótipo CEPEL c/ 01 painel e 01 lâmpada.................................... 89
Fig. 36 Protótipo CEPEL c/ 01 painel e 01 lâmpada detalhe da base..........89
Fig. 37 Protótipo CEPEL c/ 02 painéis e 01 lâmpada.................................. 90
Fig. 38 Detalhe da bateria em teste na base de um poste........................... 90
8

Fig. 39 Esquema geral do manual de instruções de montagem...................92


Fig. 40 Esquema do braço do manual de instruções de montagem............ 92
Fig. 41 Poste da Heliodinâmica................................................................... 93
Fig. 42 Poste da Kyocera............................................................................ 93
Fig. 43 Tracker em utilização no CEPEL...................................................... 95
Fig. 44 Modelo de pétala com 02 painéis – perspectiva transparente......... 97
Fig. 45 Modelo de pétala com 02 painéis – perspectiva vista superior........ 98
Fig. 46 Modelo de pétala com 02 painéis – perspectiva vista inferior.......... 99
Fig. 47 Modelo de pétala com 01 painel – perspectiva vista superior.......... 100
Fig. 48 Modelo de poste de 4 a 6 metros com 02 pétalas de 01 painel....... 101
Fig. 49 Modelo de poste de 4 a 6 metros com 01 pétala de 01 painel......... 101
Fig. 50 Modelo de poste de 8 a 12 metros com 03 pétalas de 02 painéis... 102
Fig. 51 Modelo de poste de 8 a 12 metros com 04 pétalas de 02 painéis... 102
Fig. 52 Modelo de poste de 8 a 12 metros com uso misto........................... 103
Fig. 53 Relação entre altura da luminária e largura da via........................... 104
Fig. 54 Cálculo do ângulo............................................................................. 106
Fig. 55 CDL da luminária Multivac IXP......................................................... 106
Fig. 56 Modelo de distribuição de intensidades luminosas.......................... 107
Fig. 57 Ângulos de incidência em função da distância da base................... 108
Fig. 58 CDL da luminária escolhida para poste de 04 metros......................106
Fig. 59 Distribuição luminosa gerada por um poste..................................... 111
Fig. 60 Distribuição luminosa gerada por dois postes.................................. 111
Fig. 61 CDL da luminária escolhida para poste de 08 metros......................112
Fig. 62 CDL da luminária escolhida para poste de 12 metros......................115
Fig. 63 Comparativo do aproveitamento da luz solar................................... 117
Fig. 64 Lâmpada SOX 18W.......................................................................... 123
Fig. 65 Lâmpada SOX 36W.......................................................................... 123
Fig. 66 Bateria Estacionária da Delphi......................................................... 124
Fig. 67 Painel SP65...................................................................................... 125
Fig. 64 Radiação solar global diária, média anual............................. .......... 134
9

LISTA DE GRÁFICOS

Gráf. 1 Campos de aplicação para os diversos tipos de bateria.................. 42


Gráf. 2 Capacidades teóricas e atuais dos sistemas de baterias................. 47
Gráf. 3 Carga de voltagem pelo tempo de carregamento............................ 50
Gráf. 4 Corrente de carga pelo tempo à voltagem constante....................... 50
Gráf. 5 Curva característica I x V................................................................. 59
Gráf. 6 Curva característica P x V................................................................ 59
Gráf. 7 Parâmetros de potência máxima...................................................... 60
Gráf. 8 Efeitos da temperatura da célula no gráfico I x V............................. 61
Gráf. 9 Efeitos causados pela variação da intensidade da luz..................... 62
Gráf. 10 Eficiências relativas.......................................................................... 84
Gráf. 11 Reservas e disponibilidades temporais de petróleo e gás............... 96
Gráf. 12 Ciclo de vida da bateria estacionária da Delphi............................... 124
Gráf. 13 Comparativos de eficiências............................................................ 129
10

LISTA DE TABELAS

Tab. 1 Número de sistemas e potência instalada........................................ 27


Tab. 2 Estágio atual dos programas governamentais................................. 28
Tab. 3 Desenvolvimento das células solares de Si em laboratório............. 30
Tab. 4 Tensões características das baterias............................................... 48
Tab. 5 Estado da técnica de algumas baterias............................................ 49
Tab. 6 Características dos principais tipos de lâmpadas............................ 56
Tab. 7 Comparativo entre as potências das lâmpadas............................... 57
Tab. 8 Relação das lâmpadas disponíveis no mercado.............................. 58
Tab. 9 Reduções progressivas no desempenho dos painéis...................... 64
Tab. 10 Profundidades máximas de descarga.............................................. 63
Tab. 11 Distâncias máximas em metros dos cabos...................................... 72
Tab. 12 Classificação das vias públicas........................................................ 77
Tab. 13 Classificação das vias segundo o trânsito noturno.......................... 78
Tab. 14 Classificação das vias segundo o trânsito de pedestres.................. 78
Tab. 15 Níveis de iluminância para vias públicas em lux.............................. 79
Tab. 16 Fatores de uniformidade.................................................................. 80
Tab. 17 Fatores aceitáveis de desuniformidade............................................ 73
Tab. 18 Fluxos luminosos máximos para as alturas dos postes................... 85
Tab. 19 Tipos prováveis e possíveis de postes............................................. 105
Tab. 20 Ângulos de incidência em função da distância da base................... 109
Tab. 21 Iluminâncias geradas por 01 lâmpada de 18W poste 4 metros........110
Tab. 22 Iluminâncias geradas por 01 lâmpada de 36W poste 8 metros....... 112
Tab. 23 Iluminâncias geradas por postes distantes em 24 metros............... 113
Tab. 24 Iluminâncias geradas por postes distantes em 32 metros............... 113
Tab. 25 Iluminâncias geradas por postes distantes em 40 metros............... 114
Tab. 26 Iluminâncias geradas por 01 lâmpada de 31W poste 12 metros..... 115
Tab. 27 Iluminâncias geradas por postes distantes em 36 metros............... 116
Tab. 28 Dados das lâmpadas SOX 18W e 35W........................................... 123
Tab. 29 Dados da bateria adotada para o sistema....................................... 123
Tab. 30 Características do painel SP65........................................................ 125
Tab. 31 Características dos controladores de carga da Siemens Brasil....... 125
Tab. 32 Custos dos componentes da pétala de 18W.................................... 126
Tab. 33 Custos dos componentes da pétala de 36W.................................... 126
Tab. 34 Postes que podem ser adotados no sistema fotovoltaico................ 127
Tab. 35 Custos dos componentes do poste de 10m c/ 36W......................... 127
Tab. 36 Custos de alguns componentes p/ ilumin. Pública convencional..... 128
Tab. 37 Custos de geração e transmissão.................................................... 131
Tab. 38 Custos anuais de reposição do sistema proposto............................ 132
Tab. 39 Custos anuais de reposição do sistema convencional..................... 132
Tab. 40 Unidades para radiação solar e fatores de conversão..................... 132
11

LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS

µm Micrômetro ou Cobre com Enxofre e


A Ampère Selênio
ABEER Associação Brasileira de cm Centímetro
Empresas de Energia cm² Centímetro quadrado
Renovável e Eficiência CNM Corrente Nominal do
Energética Módulo
Ag Prata COPEL Companhia Paranaense
AGM Absorved Glass Mat de Energia
Ah Ampère-hora CP Corrente de Projeto
BCSB Buried Contact Solar CPC Corrente de Projeto
Cells Corrigida
BID Banco Interamericano de CRESESEB Centro de Referência
Desenvolvimento em Energia Solar e
BIRD Bank of International Eólica Sérgio de Salvo
Reconstruction and de Brito
Development CSD Ciclo de Serviço Diário
BNDES Banco Nacional de CTS Capacidade Total do
Desenvolvimento Sistema
Econômico e Social Cu Cobre
BNDESPAR BNDES Participações CUB Capacidade Útil da
BP British Petroleum Bateria
CA Corrente Alternada DA Dias de
CAC Corrente Ampère-hora Armazenamento
Corrigida E&Co Energy and Company
CBS Capacidade da Bateria EEAF Environmental
Selecionada Enterprises Assistance
CC Corrente Contínua Found
CCC Conta de Consumo de ESMAP Energy Sector
Combustíveis Management Program
Cd Cádmio ECP Estimativa da Corrente
CD Consumo Diário de Pico
CEC California Energy EMAX Valor de iluminância
Commission máximo
CEMIG Centrais Elétricas de EMED Valor de iluminância
Minas Gerais médio
CEPEL Centro de Pesquisa de EMIN Valor de iluminância
Energia Elétrica mínimo
CESP Centrais Elétricas de São Fd Fator de
Paulo desuniformidade de
CIGS Grupo de células iluminância
fotovoltaicas que utilizam FAT Fundo de Amparo ao
Cobre com Índio e Gálio Trabalhador
12

FCM Fator de Correção do pn Vide p-n


Módulo p-n Vide Glossário
FS Fundo Solidariedade PRODEEM Programa de
GEF Global Environment Facility Desenvolvimento Energético
h Hora de Estados e Municípios
Hm Altura de montagem PTC Potência Total de Cargas
i ou I Carga em Ampères (A) QTP Quantidade Total de Painéis
IFC International Finance REEF Renewable Energy and
Corporation Efficiency Found
Isc Corrente de curto-circuito RV Recreational Vehicles
Km² Quilômetro quadrado S Enxofre
KW Quilowatt SDC Solar Development
KW/m² Quilowatt por metro quadrado Corporation
L Largura Se Selênio
Lm Lumen SEI Sustainable Energy Initiative
m Metro Si Silício
MCT Ministério da Ciência e STC Standart Test Conditions –
Tecnologia Condições padrão de teste
MIS Metal Insulator Semiconductor Te Telúrio
mm Milímetro Ti Tálio
MME Ministério das Minas e Energia TMTE Tensão do Módulo para
mV Milivolt Temperatura mais Elevada
MW Megawatt
NBP Número de Baterias em TNB Tensão Nominal da Bateria
Paralelo TNCB Tensão Necessária para
NBS Número de Baterias em Série Recarregar Baterias
NBR Norma Brasileira TNS Tensão Nominal do Sistema
NMP Número de Módulos em U Fator de uniformidade de
Paralelo iluminância
NMS Número de Módulos em Série US$ Dólar americano
np Vide p-n V Volt
O Oxigênio VCA Tensão de corrente alternada
PDM Profundidade Máxima de VCC Tensão de corrente contínua
Descarga Vmp Tensão de potência máxima
PERF Passivated Emitter and Rear Voc Tensão de circuito aberto
Floating Junction VSAP Vapor de Sódio de Alta
PERL Passivated Emitter AND Rear Pressão
Locally Difused VSBP Vapor de Sódio de Baixa
PESC Passivated Emitter Solar Cell Pressão
PL parallel lenght W Watt
W/m² Watt por metro quadrado
Wh/Kg Watt-hora por quilo
Wpico Potência de pico
13

RESUMO

O presente trabalho trata da análise da viabilidade técnica e econômica da


adoção de sistemas fotovoltaicos em iluminação de vias públicas. Apresenta, de
forma objetiva, elementos utilizados em projetos semelhantes e desenvolve o
projeto de um modelo de fonte renovável que atende às normas de iluminação
para vias públicas de tráfego motorizado, o que é, senão raro, inédito no país. A
metodologia empregada foi a elaboração de um modelo para ser avaliado
teoricamente, através de uma revisão bibliográfica dos componentes necessários
e que atendesse as exigências da Norma Brasileira.
14

ABSTRACT

The present work analyzes the technical and economical viability of


applying photovoltaic lightning systems to public urban roads. The study presents,
in a objective way, all the components used in these projects and aim to develop a
prototype of a renewable source illumination model, that attend to all ilumination
norms and regulations related to public roads for motorized traffic. That type of
photovoltaic illumination systems are not known to have being applied so far in our
country. The metodology employed was the elaboration of a model to be
evaluated theoretically, which started by a research of all necessary components
and Brazilian’s Norma and Regulations demands.
15

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

1.1 – APRESENTAÇÃO

O racionamento de energia elétrica, imposto pela estiagem anormal aliada


à falta de investimentos no setor ao longo de anos, em 2001, nos leva a
empreender todos os esforços possíveis para otimizar o consumo. A iluminação
pública, por suas características e padrões de funcionamento, caso adotasse –
mesmo que parcialmente – a energia solar como fonte, contribuiria de forma
significativa para a redução desta demanda. Tal solução poderia significar, a
médio ou longo prazo, uma economia em impostos, que beneficiaria inclusive os
próprios contribuintes.

1.2 - JUSTIFICATIVA

O motivo da escolha deste tema é que a economia de energia elétrica fará


parte de nossas vidas nos próximos anos e, com certeza, se prolongará por
muitos outros, pois os investimentos não realizados na área de geração de
energia ainda se farão sentir por longo tempo. A utilização de energias
alternativas, como já acontece em diversas áreas do globo, deverá ser cada vez
mais aplicada no Brasil, pois como vimos, não podemos mais depender
exclusivamente das grandes usinas (centrais) geridas pela ação governamental.
Cabe à sociedade a busca por novos caminhos.
16

1.3 – RELEVÂNCIA

As formas atuais de obtenção de energia elétrica em uso principalmente


nos países desenvolvidos – nuclear e queima de combustíveis fósseis -
encontrarão a escassez de suas fontes em poucas décadas. As reservas
mundiais de urânio, mantendo o atual ritmo de extração, esgotar-se-ão na década
de 2030. O petróleo, nas reservas conhecidas e exploradas atualmente, acabará
em 2040 e o gás natural em 2060. Apesar de que no Brasil, estas fontes não
serem as mais utilizadas para geração de energia elétrica, pois nosso potencial
hidrelétrico ainda é grande, as tecnologias de obtenção energética através de
fontes renováveis não poderão ser ignoradas. Notadamente as energias solar e
eólica serão as fontes mais utilizadas em um futuro próximo. Uma das vantagens,
entre várias outras, e a pulverização da fonte, ou seja, os sistemas podem ser
implantados próximo ou no local de consumo, evitando os custos de transmissão
e a ocorrência de black-outs.

Este trabalho poderá contribuir para a criação de diretrizes básicas. Esta


abordagem diferente, com certeza será a corrente em pouco tempo, podendo
passar a ser a nova postura em projetos urbanos.

1.4 – ESTRUTURAÇÃO (METODOLOGIA)

A metodologia empregada foi a de pesquisa dos componentes necessários


(principalmente painéis fotovoltaicos, baterias e lâmpadas) para a elaboração de
um modelo para ser avaliado teoricamente. Esta parte da pesquisa foi feita
essencialmente na Internet, buscando páginas de fabricantes e fornecedores.
Literaturas técnicas, apesar de escassas, sobre conceitos fotovoltaicos e baterias
também foram consultadas. Nesta fase também foram consultados livros e
manuais sobre dimensionamento de sistemas fotovoltaicos.

O segundo passo, foi a pesquisa dos requisitos necessários para uma


iluminação pública eficiente, segundo a norma vigente (NBR 5101), obtidos em
17

estudos anteriores e em manuais especializados. Com a obtenção destes dados,


pôde-se estimar o desempenho que dever-se-ia desejar do sistema fotovoltaico.

Um modelo foi então desenhado especialmente para este fim – iluminação


pública – e dimensionado para verificar a viabilidade técnica em atender à
diversidade de situações e aos valores exigidos pela norma.

Finalmente, o modelo proposto foi orçado, assim com um equivalente do


sistema convencional para uma inevitável comparação dos custos de aquisição.
Os custos de implantação e manutenção também foram estimados em ambos os
sistemas, para verificar a viabilidade econômica do sistema a longo prazo. Os
resultados destas comparações encerram as conclusões sobre este projeto.
18

CAPÍTULO II – CONCEITOS DA ENERGIA FOTOVOLTAICA

2.1 - INTRODUÇÃO

2.1.1 - O QUE SÃO CÉLULAS FOTOVALTAICAS

Em 1839 Edmond
Becquerel, cientista
francês, descobriu que a
luz solar poderia
produzir eletricidade.
Quase 50 anos depois,
Charles Fritts, inventor
americano, construiu as
primeiras células
fotovoltaicas, feitas de Fig. 1 Em 1954, a Bell Telephone Systems
anunciou a invenção da Bateria Solar
selênio e cobertas com Bell, um passo à frente em colocar a
energia solar em uso prático.
um filme transparente
de ouro.1 As baterias para as células fotovoltaicas foram inventadas nos
Laboratórios da Bell no início dos anos 50 assim como novas células, feitas com
lâminas muito finas de silício puro, impregnadas com uma minúscula quantidade
de outros elementos. Quando exposta à luz solar, pequenas quantidades de
eletricidade são produzidas. Estas células foram principalmente uma curiosidade
de laboratório até o advento dos vôos espaciais nos anos 60, quando elas foram
empregadas por serem uma eficiente, duradoura, apesar de extremamente caras,
fonte de energia para satélites.
19

Desde o início dos anos 60, as células fotovoltaicas vêm, de forma lenta,
mas constante, se barateando, partindo de mais de US$ 40,000 por watt até US$
6 por watt. Utilizando a tecnologia disponível atualmente, poderíamos eqüivaler
toda a produção elétrica dos Estados Unidos, o maior consumidor mundial de
energia elétrica, utilizando apenas 33.993,59 Km² de painéis fotovoltaicos. Ou
seja, menos que 12% da área do Estado de Nevada. Parece muito, mas esta área
é menor do que a ocupada por militares naquele Estado. 2

2.1.2 - DO SOL PARA A ELETRICIDADE

Toda a energia da Terra deriva do Sol. Painéis solares recebem a energia


diretamente. Tanto a energia eólica quanto a hidroelétrica utilizam indiretamente
a energia do sol. Os recursos de carvão e petróleo, que estamos tão ocupados
em queimar hoje, representam a energia solar acumulada em um passado
distante. A cada dia, a quantidade de energia que o sol despeja sobre a Terra é
suficiente para abastecer a nossa necessidade de consumo por cinco anos,
baseando-se nos índices atuais. Melhor de tudo é que, com esta fonte de energia,
não existem custos ocultos e nenhuma sujeira para as nossas crianças no futuro.
A quantidade de energia solar que utilizamos hoje, não reduz a que utilizaremos
amanhã e depois e depois.

A energia solar pode ser utilizada de vários modos. Um dos usos mais
antigos é o aquecimento doméstico de água para banho, lavar louças e aquecer
ambientes. No final do século XX, 80% das casas no sul da Califórnia e Flórida
utilizavam painéis solares (não fotovoltaicos), de aquecimento de água. 3

Os custos da tecnologia fotovoltaica estão agora abaixo do nível que os


tornam uma escolha mais clara para os pontos mais remotos. Já são
rotineiramente utilizados às margens das rodovias em telefones de emergência e
em sinais de obras, onde os custos de cabos compensam os altos custos dos
sistemas fotovoltaicos. Mais de 100.000 residências e localidades rurais nos
Estados Unidos agora utilizam a energia fotovoltaica como principal fonte de
energia. 4
20

Os sistemas fotovoltaicos não possuem partes móveis e se degradam


muito lentamente, tanto que sua vida útil ainda não foi determinada, mas pode ser
mensurada em décadas. Em muitos casos a garantia de fábrica é de 10 anos,
mas alguns fabricantes oferecem mais de 25 anos.4

2.1.3 - EXPLICAÇÃO TÉCNICA DAS CÉLULAS FOTOVOLTAICAS

Uma única célula fotovoltaica é uma


simples pastilha semicondutora, geralmente coletor
feita de silício altamente purificado. A fótons
zona limite
pastilha é revestida de um lado com átomos
que produzem um excedente de elétrons e elétron n
furo de migração
do outro lado com átomos que produzem treliça de silício
bateria p painel posterior
um déficit de elétrons. Isto cria uma
diferença de voltagem entre os dois lados
da pastilha. Contatos metálicos são
Fig. 2 Ilustração do esquema de
colocados unindo os dois lados da pastilha. funcionamento fotovoltaico
Quando a pastilha é bombardeada pelos
fótons da luz solar, os elétrons restaurados pelos átomos do silício são
enviados para um lado da pastilha pela diferença de voltagem. Se um circuito
externo for conectado aos contatos, os elétrons têm um caminho para voltar de
onde vieram e uma corrente flui através do circuito. As células fotovoltaicas agem
como uma bomba de elétrons. O volume da corrente é determinado pelo número
de elétrons que os fótons solares restituem aos átomos do silício, assim como
pelo tamanho da célula, a quantidade de luz recebida pela célula e a eficiência da
célula.4

A maioria das células solares de silício mede por volta de 5 cm de


diâmetro, e espessura de 0,3 à 0,5 mm. A tendência é para maiores diâmetros.
Em 1975, folhas de 7 cm estavam na linha de produção piloto e folhas de 10 cm
estavam em desenvolvimento. Uma célula de 5 cm de diâmetro com uma área
aproximada de 20 cm² tem em pleno sol, rendimento de 15% e na temperatura
21

ambiente, uma potência de 0,3 W a menos de 0,5 V. Uma célula de 10 cm (~80


5
cm²) gera cerca de 1,2 W sob as mesmas condições.

2.2 - GENERALIDADES

2.2.1 - EFICIÊNCIA

Em média, o sol fornece 1.000 watts por metro quadrado (1 KW/m²) ao


meio-dia, em um dia claro e ao nível do mar. Isto é definido como sol pleno (full
sun) e é o padrão para a normatização e comparação dos módulos. Isto seria,
uma quantidade ideal, mas fatores, que analisaremos posteriormente, como
poeira, poluição, vapores d’água, variações climáticas, altitude e temperatura
afetam a potência que os painéis recebem. Por exemplo, a erupção de um vulcão
nas Filipinas (o Pinatubo), causou uma redução entre 10 e 20% na luz solar, em
todo o mundo, por alguns dias. 6

Os painéis solares não convertem 100% da energia que recebem em


eletricidade. Com a tecnologia atual, esta conversão está na ordem de 11 à 15%
para células simples e multicristalinas e 6 à 8% para as amorfas.6 Taxas de
conversão muito mais altas são conseguidas em laboratório com células
experimentais feitas com elementos raros e secretos. Mas são muito caros para
uma produção comercial.

Quanto às baterias, uma grande perda também ocorre. A indústria


padronizou a saída dos módulos com uma carga de 12 V. isto significa que os
módulos têm que produzir de 14 à 18 V, uma vez que a fonte de voltagem deve
sempre ser maior que a carga efetiva da bateria. Esta voltagem foi adotada por
ser relativamente segura e adequada aos padrões automobilísticos.

Módulos podem ser ligados em paralelo ou em série, assim como as


células o são, para se alcançar qualquer outra saída desejada. Os painéis são
modulares para permitir o crescimento ou a modificação, quando o sistema assim
o necessitar. Módulos de tecnologias e idades diferentes podem ser mesclados
22

sem maiores problemas, desde que a diferença de voltagem entre eles não
ultrapasse 1,0 V. 6

2.2.2 - LONGEVIDADE DE UM PAINEL SOLAR

Um painel solar pode durar por muito tempo. O quanto, ainda não
sabemos. Os mais antigos já operam há 30 anos e ainda estão com rendimento
bom. A taxa de depreciação em testes de durabilidade, apontam de 0,5 à 1% ao
ano para módulos de tecnologia simples ou policristal. A primeira geração de
amorfos se degradou mais rápido, mas foram tantos os melhoramentos, que sua
durabilidade está se aproximando da durabilidade dos de silício simples. A
garantia destes produtos, dadas pelos fabricantes, chega de 10 à 20 anos de
funcionamento. É bom lembrar que estes painéis só operam plenamente em torno
de 6 à 8 horas por dia, o que perduraria a sua existência por 60 ou 80 anos! 6

2.2.3 - MANUTENÇÃO

Sem partes móveis, os painéis são praticamente livres de manutenção.


Basicamente resume-se à limpeza. Caso não haja chuvas regulares, ou dejetos
de pássaros que sujem os painéis, basta lavá-los com uma mangueira, mas
nunca com os painéis quentes, pois um choque térmico, teoricamente, poderá
quebrar o vidro. O ideal é que isto seja feito pela manhã ou no final da tarde.6

A questão é: com qual freqüência os painéis solares devem ser limpos?


Este problema é particularmente importante em áreas remotas, onde é altamente
desejável instalar sistemas livres de manutenção por um ano ou mais. A
experiência ganha em painéis terrestres é encorajadora a este respeito. Os
painéis instalados num telhado em Washington por um ano, mantiveram seu
desempenho total, sem limpeza. Os painéis instalados na praia na enseada de
San Diego foram limpos em intervalos variando de um a três meses, mas nunca
indicaram uma queda de potência de mais de 5% devida à poluição ou à maresia.
Os painéis solares não precisam ser mantidos opticamente limpos: a menos que
sejam instalados num local onde possam ser cobertos por camadas opacas de
23

poeira ou neve, a contaminação tem pouco efeito no desempenho. Muito embora


as superfícies sujas difundam a luz do sol, absorvem pouco de sua energia, e as
células solares continuam a funcionar sob luz difusa.5 Deve-se entretanto evitar
que a localização dos painéis exponha-os à poluição excessiva, pois a redução no
desempenho pode ser pequena, mas não é desprezível, como veremos
posteriormente.

2.2.4 - TEMPO DE RETORNO

No princípio, dizia-se que os módulos nunca chegariam a produzir energia


suficiente para compensar os investimentos, mesmo que trabalhassem durante
toda a sua vida útil. Era verdade, quando os transistores eram novidade e os
painéis eram utilizados exclusivamente em naves espaciais. Em informações de
cortesia dos fabricantes,6 o retorno ocorre dentro de 1,4 à 10 anos, dependendo
do tipo de módulo, condições climáticas e outros fatores, como acessibilidade à
energia convencional, para sistemas domésticos. Mas provavelmente, a julgar
pelas fontes, estas estimativas tendem a ser otimistas.
24

CAPÍTULO III – HISTÓRICO DA ENERGIA FOTOVOLTAICA


3.1 – NO MUNDO
O efeito fotovoltaico, relatado por Edmond Becquerel, em 1839, marcou o
início da tecnologia fotovoltaica, mas fatos anteriores foram importantes para sua
aplicação subseqüente. Os eventos relacionados à evolução desta tecnologia
estão listados no quadro evolutivo abaixo, em escala aproximada temporal: 12

1800 Descoberta do Selênio (Se) por Berzelius

1820 Preparação do Silício (Si) por Berzelius

1840 Efeito Fotovoltaico por Becquerel

1860 Efeito Fotocondutivo no Selênio por Smith


Retificador do Ponto de Contato por Braun
1880 Efeito Fotovoltaico no Selênio por Adams & Day
Células Fotovoltaicas de Selênio por Fritts & Uljanin
1900 Fotosensitividade em Cu-Cu2O por Hallwachs

1910 Efeito Fotovoltaico com Barreira de Potencial por Goldman & Brodsky
Monocristal a partir do Silício Fundido por Czochralki
1920 Retificador de Cu-Cu2O por Grondahl
Célula Fotovoltaica de Cu-Cu2O por Grondahl & Geiger
1930 Teoria de Bandas em Sólidos por Strutt, Brillouin & Kronig
Teoria das Células com Barreiras V e H por Schottky et al
1940 Teoria da Difusão Eletrônica por Dember
Aplicações Fotométricas por Lange
1950 1% de Eficiência em Células de Sulfeto de Tálio (Ti2S) por Nix & Treptow
Crescimento de Células Fotovoltaicas com Junção (Oh1)
1955 Teoria de Junções p-n por Shockley
Junções p-n Difundidas por Fuller
1960 Célula Solar de Silício por Pearson, Fuller & Chapin
Célula Solar de CdS por Reynolds et al
1961 Teoria de Células Solares por Piann & Roosbroeck / Prince
25

1962 O “Bandgap” e a Eficiência das Células por Loferski, R. & W


1964 Teoria da Resposta Espectral, Mecanismos de Perdas por Wolf
1966 Efeitos de Resistência em Série por Wolf & Rauschenbach
1968 Células de Silício n/p Resistentes a Radiação por Kesperis & M.
1970 Contatos Evaporados de Ti-Ag (BTL)
1973 Células Violetas, com 15.2% de eficiência
1980 Células de Silício Amorfo
1992 Células MIS, de 24%

Inicialmente, o desenvolvimento da tecnologia apoiou-se na busca, por


empresas do setor de telecomunicações, de fontes de energia para sistemas
instalados em localidades remotas. O segundo agente impulsionador foi a “corrida
espacial”. A célula solar era, e continua sendo, o meio mais adequado para
fornecer a quantidade de energia necessária para longos períodos de
permanência no espaço, pelo seu custo e peso. Também como uso espacial, a
necessidade de fornecimento de energia para satélites, impulsionou o
desenvolvimento das células solares.

Na década de 1970, mais precisamente na crise do petróleo em 1973, o


interesse em aplicações mais convencionais foi despertado, mas para que
pudesse se tornar viável, tornar-se-ia necessário uma redução nos custos da
ordem de 100 vezes em relação aos custos da época. Nesta busca, o perfil das
empresas envolvidas em pesquisa e desenvolvimento desta tecnologia, mudou,
destacando-se empresas de energia, inclusive petrolíferas.

No final desta mesma década (1978), a produção já havia ultrapassado a


marca de 1MW ao ano e 20 anos depois (1998) a produção mundial alcançou os
150 MW ao ano. As células de silício (material mais abundante na crosta
terrestre) foram as mais produzidas sob diversas formas: monocristalino,
policristalino e amorfo. A busca por materiais alternativos é intensa e concentra-se
na área de filmes finos, onde o silício amorfo se enquadra. A tecnologia destas
células tecnologia, além de utilizar menor quantidade de material do que as
cristalinas, requerem menor quantidade de energia no processo de fabricação. 12

3.2 – NO BRASIL
26

No Brasil, a utilização de novas formas de energia renovável tomou maior


ímpeto após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio 92. Desde então, foram
implantadas mais de 250 KW de sistemas fotovoltaicos a partir de doações
internacionais e com apoio de centros de pesquisa, concessionárias de energia e
governos estaduais que garantiram a contrapartida para montagem, instalação e
aquisição de equipamentos periféricos. Na maior parte dos casos, as
concessionárias assumiram, num primeiro momento, a responsabilidade pela
operação e manutenção e reposição dos sistemas. Essas experiências serviram
para demonstrar a viabilidade técnica dessas alternativas para atendimento das
necessidades energéticas de certos nichos, em particular o meio rural e as áreas
pródigas de recursos renováveis locais. 8

Em abril de 1994, os Ministérios das Minas e Energia (MME) e da Ciência e


Tecnologia (MCT) organizaram um encontro para Definição de Diretrizes visando
o Desenvolvimento de Energias Solar e Eólica no Brasil. Neste, foram levantadas
uma série de ações visando identificar mecanismos e propor mudanças de
políticas governamentais que permitissem a disseminação do uso dessas formas
de energia. Foi recomendado o estabelecimento de um Foro Permanente
(instalado em outubro de 1994) para assegurar a implementação das diretrizes e
a criação de Centros de Referência para as diversas tecnologias que vieram a se
materializar, entre eles os Centros de Referência em Energia Solar e Eólica –
CRESESB.

O setor privado também se organizou e criou, em novembro de 1994, a


Associação Brasileira de Empresas de Energia Renovável e Eficiência Energética
– ABEER, formada por representantes de empresas que atuam nesses
segmentos no país. Subseqüentemente, foi criado, em 22 de dezembro de 1994,
por meio de Decreto Presidencial, o Programa de Desenvolvimento Energético de
Estados e Municípios (PRODEEM), com o objetivo de prover energia básica as
comunidades remotas, não assistidas pela rede elétrica a instalar, sobretudo,
sistemas fotovoltaicos para eletrificação de serviços comunitários (poços, centros
de saúde, escolas, creches, etc.). Não contando com recursos orçamentários em
27

seu primeiro ano de existência, o programa foi implantado com o apoio da


Petrobras, Eletrobrás, CEPEL e Furnas e de uma estrutura descentralizada de
coordenação com o nível estadual, iniciando o estabelecimento de parcerias com
os demais órgãos governamentais e com o setor privado. Nas cinco fases do
Programa que se seguiram, foram adquiridos, por meio de licitações
internacionais, mais de 3 MW em sistemas fotovoltaicos. A tabela 1 mostra o
volume de sistemas instalados que, segundo dados do Programa, vieram a
beneficiar 403.000 pessoas em 2.100 comunidades. No momento, o programa
passa por uma fase de transição (ver situação atual na tabela 2), buscando atrelar
seu caráter assistencialista a estratégias de mercado, alavancando os recursos
orçamentários disponíveis e implementando projetos produtivos ou áreas com
maiores concentrações de sistemas residenciais. 8

Outras iniciativas de uso da energia solar fotovoltaica que merecem


destaque estão sendo coordenadas por várias concessionárias de energia. A
CEMIG, do estado de Minas Gerais, implantou um modelo no qual é cobrada uma
tarifa para cobrir parte dos custos de atendimento aos domicílios isolados, sendo
a outra parte dos investimentos coberta pela obrigatoriedade de alocação de parte
de seus lucros em programas sociais. Dentro dessa sistemática, já foram
implantados 500 sistemas residenciais e a meta é atingir 5.000 nos próximos dois
anos. A COPEL, no estado do Paraná, vem incorporando os sistemas renováveis
solares como uma opção de seu programa de eletrificação rural e a CESP, no
estado de São Paulo, implantou um projeto piloto em que é cobrada uma tarifa
pelo serviço prestado a sistemas residenciais solares. 8
Sistemas Sistemas de Sistemas
energéticos bombeamento fotovoltaicos de
fotovoltaicos fotovoltaicos iluminação pública
N.º de Potência N.º de Potência N.º de Potência
sistemas instalada sistemas instalada sistemas instalada
Fase 1 190 87 KW 54 78 KW 137 7.5 KW
Fase 2 387 200 KW 179 211 KW 242 17 KW
Fase 3 677 419 KW 176 173 KW
Fase emergencial 800 235 KW
Fase 4 1660 972 KW 1240 696 KW
Fase 5 3000 2172 KW

Tab. 1 - PRODEEM: número de sistemas e potência instalados. 9


28

A estimativa do Grupo de Energia Solar da Universidade de São Paulo é de


que existam 6 MW instalados em sistemas fotovoltaicos no Brasil, distribuídos
entre sistemas comunitários, com preponderância dos sistemas fornecidos pelo
PRODEEM. 10

O PRODEM, tem seu escopo de atendimento a um mercado potencial de


cerca de 100.000 comunidades não assistidas no País. A meta para 1999, dentro
do programa Brasil em ação, foi de 2.000 comunidades e 400.000 pessoas
atendidas. Até o final deste ano o Programa atendeu cumulativamente 4.000
comunidades beneficiando mais de 800.000 pessoas. Para 2000, estavam
previstas mais de 3.000 comunidades, com recursos da ordem de
R$ 30.000.000,00, embora o Programa deva passar por uma transformação com
a redefinição de um Plano de Ação que especificou como metas:
a) A elevação da capacidade de atendimento para a faixa de 10 a 15 mil
comunidades/ano;
b) Estímulo à formação de um mercado de fornecimento de serviços de
energia, a partir de fontes renováveis descentralizadas, para o meio rural,
visando o envolvimento do setor privado nas aplicações residenciais e
produtivas;
c) A viabilidade da efetiva transferência de novas tecnologias, utilizando a
escala do mercado brasileiro como vetor de sua aplicação competitiva no
País. 9

FASE INÍCIO SITUAÇÃO ATUAL


Instalado e em operação. Número razoável de sistemas
1 Jun. / 1.996
sem funcionar. Fim da vida útil das baterias.
2 Mar / 1.997 Instalado e em operação.

3 Nov / 1.997 Instalado e em operação.


Parcialmente instalado. Problemas de corrosão nas
Emergencial Out. / 1.998
bombas.
4 Set / 1.999 Instalado. Problemas de corrosão nas bombas.
Entrega dos equipamentos marcada para meados de
5 Dez / 2.001
2002.
Tab. 2 - Estágio atual de evolução das fases descritas na tabela anterior. 9
29

Hoje, no Brasil, existem diversos fundos que podem ser aplicados em


projetos de energia renovável. Alguns são nacionais, como o BNDES, sua
subsidiária BNDESPAR, o FAT, o FS, o Fundo de Desenvolvimento Tecnológico
da Eletrobrás, a CCC (Conta de Consumo de Combustíveis), o Banco do
Nordeste do Brasil além do PRODEEM, já citado anteriormente. Dentre os
internacionais, destacam-se o Banco Mundial de Reconstrução e
Desenvolvimento (BIRD), o Energy Sector Management Program (ESMAP), o
International Finance Corporation (IFC), o Global Environment Facility (GEF) e o
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Já dentre os fundos externos
existentes ou em implantação estão o EEAF (Environmental Enterprises
Assistance Found), a E&Co, a Sustainable Energy Initiative (SEI), o REEF
(Renewable Energy and Efficiency Found) e o Solar Development Corporation
(SDC). 10

3.3 – HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO DAS CÉLULAS DE Si

Entre os desenvolvimentos recentes nos processos de produção para


células comerciais de Si estão as tecnologias de fita de Si (Ribbon), o
confinamento magnético para o crescimento dos cristais de Si (MCz growth), o
corte de células com fio contínuo diamantado, o melhor controle sobre o
tratamento superficial (etching) das células e os contatos metálicos enterrados
(BCSB – Buried Contact Solar Cells). Alguns destes progressos já são
empregados por determinados fabricantes para produção comercial. 12

Pesquisas em nível de laboratório também tem sido feitas na busca de


aumentar a eficiência nas células de silício, empregando processos complexos e
inicialmente difíceis de serem reproduzidos em larga escala a custos
comercialmente razoáveis. Tais experimentos produziram altos rendimentos para
as células de silício, como mostra a tabela 3 a seguir:
30

TECNOLOGIA DESENVOLVIM. EFICIÊNCIA

Célula Negra 1974 - 1983 17%


Célula MIS
1983 - 1984 18%
(Metal Insulator Semiconductor)
Célula PESC
1984 – 1986 20%
(Passivated Emitter Solar Cell)
Célula de Contacto Pontual
1987 - 1988 20%
(Point Contact Solar Cell)
Célula PERL
1989 - 1993 22,3%
(Passivated Emitter AND Rear Locally Difused)
Célula PERF
A partir de 1994 24%
(Passivated Emitter and Rear Floating Junction)
Tab. 3 – Desenvolvimento das células solares de Si em laboratório. 12

Um desafio paralelo para a indústria fotovoltaica é o desenvolvimento de


acessórios e equipamentos complementares para sistemas fotovoltaicos, com
qualidade, confiabilidade e vida útil comparáveis aos painéis solares. Sistemas de
acumulação de energia (baterias) têm recebido grandes impulsos no sentido de
aperfeiçoamento e redução de custos.
31

CAPÍTULO IV – COMPONENTES PRINCIPAIS

4.1 - PAINEL FOTOVOLTAICO

4.1.1 - TIPOS DE PASTILHAS FOTOVOLTAICAS

a) Fotopilhas de silício
Atualmente, o silício é o mais importante material semicondutor para
conversão fotovoltaica da energia solar; também é o material básico para toda a
indústria eletrônica. O tipo mais eficiente é o monocristalino, onde as pastilhas
são redondas, por serem feitas de fatias que são cortadas de hastes
monocristalinas, ao serem puxadas na fusão. A estrutura mostrada na figura 3
está em amplo uso, mas são possíveis modificações. Por exemplo, a espessura
pode ser reduzida a 50µm, a camada anti-refletora pode ser suprimida, por razões
de custo, a polaridade da voltagem pode ser revertida usando uma junção pn ao
invés de np. Outros materiais dopantes também podem ser empregados. 1

Fig. 3 - Esquema de seção reta de uma célula solar convencional de silício


monocristalino
32

Os rendimentos atingidos hoje com as células comerciais de silício estão


entre 11 e 15%. Em escala de laboratório, após melhorias visando sua
otimização, obtém-se um rendimento entre 17 e 19%, nível próximo ao máximo
teórico.2 É razoável esperar que as células comerciais se beneficiarão deste
trabalho, e que células de 15 a 16% de rendimento estarão no mercado num
futuro próximo.

b) Fotopilhas de sulfeto de cádmio


Depois do silício, o material que atraiu mais do esforço internacional de
pesquisas foi o sulfeto de cádmio (CdS) que exibe bons rendimentos de
conversão quando empregado em associação com o sulfeto de cobre (Cu2S)
como heterojunções CdS-Cu2 S. em 1974, a produção comercial de células
solares de CdS foi projetada pela primeira vez. A tecnologia a ser empregada é
uma célula de parede frontal. Consiste de um substrato no qual uma camada de
CdS de 20µm é evaporada com uma película de Cu2S em cima. O todo é
hermeticamente selado numa cápsula de vidro. 5

No esquema da Fig. 4, diferente do descrito anteriormente, uma placa de


vidro é empregada como substrato. Por meio de pulverização química, uma
camada transparente condutora de óxido de estanho, uma camada de CdS e,
finalmente, uma camada de Cu2S são depositadas em etapas sucessivas. A

Fig. 4 Esquema de seção reta através de uma célula solar de baixo custo de
sulfeto cádmio
33

espessura de todas as três camadas não excede 3 µm. A célula destina-se a


retroiluminação, isto é, a luz deve primeiramente cruzar o substrato de vidro e o
volume da camada semicondutora antes de atingir a camada de barreira, ou
junção. Este tipo de estrutura é chamado célula de parede posterior.

As células de CdS são consideradas particularmente promissoras para


obtenção de células de baixíssimo custo, necessárias para a conversão
fotovoltaica em grande escala. Primeiramente, implicam baixíssimo consumo de
material, porque a camada é extremamente fina: uma fotocélula de CdS é um
exemplo típico de célula de película fina (thin film). Segundo, são feitas de
material policristalino, e podem ser depositadas sobre substratos baratos como o
vidro.
As voltagens de circuito aberto estão na faixa de 400 a 500 mV, inferior às
das células de silício. As correntes de curto-circuito são comparáveis àquelas
observadas nas células convencionais de silício. O rendimento máximo obtido no
laboratório está entre 8 e 8,5%, mas um rendimento de 5% é mais típico das
unidades até agora em funcionamento. Seu rendimento máximo teórico está entre
11 e 14%.

c) Fotopilhas de arseneto de gálio


Um terceiro tipo de célula é a de arseneto de gálio (GaAs). Na forma de
películas finas policristalinas, o GaAs tem pobre desempenho, mas usado na
forma monocristalina, como as atuais células de silício, altos rendimentos de
conversão podem ser atingidos. Rendimentos de 23% já foram demonstrados a
um fator de incidência solar de 1.000 W/m², sendo seu rendimento máximo teórico
de 27%. Por causa de suas propriedades físicas, o GaAs aproxima-se do ótimo
para materiais de células solares. Devido ao seu elevado coeficiente de absorção
para a luz visível, toda a luz é absorvida numa camada superficial com não mais
de 1 µm de espessura. No entanto, o consumo de material por unidade é
consideravelmente maior do que para as células de CdS, por ser necessário um
substrato monocristalino de GaAs. O arsênico é um elemento raro e dispendioso,
que com elevada pureza, custa cerca de US$ 0,70/g. o gálio, com pureza elevada
34

custa cerca de US$ 5/g, tornando-se impróprio para células solares de baixo
custo.

Uma vantagem deste tipo de célula é poder trabalhar sob altas


temperaturas, pois a sua perda de desempenho é bem menor que as células de
silício ou de gálio (ver fatores de perdas).

Fig. 5 Esquema de seção reta de uma célula solar de GaAs.

4.1.2 - MONTAGEM DOS PAINÉIS FOTOVOLTÁICOS

Os módulos comerciais atuais são chapas espessas, comparados à


espessura e peso de chapas de vidro do mesmo tamanho. As células de silício
montadas são frágeis, e devem ser protegidas de ambos os lados. Isto se
consegue inserindo-as num sanduíche entre um substrato e uma camada
protetora frontal. O coeficiente de dilatação térmica dos materiais protetores,
frontal e posterior, devem ser iguais e compatíveis com os das células e da cola.
O vidro e o plástico são os materiais mais usados atualmente. A camada protetora
deve proteger da umidade e de outros elementos reativos da atmosfera; não deve
se degradar sob a influência da componente ultravioleta do espectro solar.
Contrariamente à maioria dos plásticos, o vidro é impermeável, não degradável,
35

mas deve ser aplicado com uma cola que possa ser degradável. Os polímeros
sem vidro convêm unicamente se resistem à radiação ultravioleta, e se o silício e
outros materiais que protegem foram tratados para resistir à corrosão. Esta
solução é atraente pois os plásticos são mais leves que o vidro; devem, portanto,
ser escolhidos com cuidado, pois alguns tipos podem perder sua transmissividade
à luz e sua força de tensão elástica após uma longa exposição à atmosfera e à
radiação solar. Uma solução consiste em encapsular as pilhas com polímeros
que, por sua vez, são protegidos contra a radiação ultravioleta por uma fina chapa
de vidro que absorve os raios ultravioleta além de um comprimento de onda de
cerca de 300 µm.

4.1.3 – DISTRIBUIÇÃO DAS CÉLULAS/PAINÉIS PARA A SAÍDA DESEJADA

Para maior potência e/ou maior voltagem, um certo número de células deve
ser associado num painel. Por exemplo, para dobrar a voltagem, duas células são
ligadas em série unindo-se o contato negativo de cima da célula 1 ao contato
positivo posterior da célula 2 por meio de uma chapinha ou fio. Para dobrar a
potência, sob voltagem constante, os dois contatos frontais são reunidos para a
saída negativa, e os dois contatos posteriores para a saída positiva. Quando se
deseja baixa potência e alta voltagem, as células podem ser cortadas em peças
de mesma superfície e conectadas em série. Ligando várias células em paralelo e
em série, é possível gerar qualquer potência a qualquer voltagem. 5

A prática geral não é construir um gerador solar com um painel, mas dividir
o alinhamento num número de painéis de igual voltagem e potência. Para
aplicações variadas, pode-se projetar módulos-padrão que satisfaçam as
restrições específicas. Como na prática atual apenas voltagens-padrão são
usadas, assim como 1,5 V, 6 V, 12 V, 24 V, 48 V, as quais são múltiplas umas
das outras, os módulos fotovoltaicos devem ser projetados para se conformar a
alguns destes padrões. Qualquer demanda específica de potência pode ser
satisfeita ligando-se um número adequado de módulos em série e em paralelo. A
padronização por desenho modular simplifica o processo de produção e
proporciona considerável flexibilidade aos sistemas de potência fotovoltaicos;
36

também a produção e aferição automáticas do processo da manufatura são


facilitadas.

Módulo de 36 células em série tem se tornado o padrão para a produção


industrial de grande potência. O módulo é, conforme descrito anteriormente,
encapsulado com vidro temperado (ou outro material transparente) na face frontal,
e com um material protetor, à prova d’água, na face de trás. Os lados são selados
de forma a resistir ao tempo e uma moldura de alumínio fecha o conjunto que se
torna uma unidade montável. Uma caixa de junção ou fios, provêem as conexões
elétricas geralmente encontradas no fundo dos módulos. Não foram registrados
pelas indústrias do setor nos últimos anos, problemas no encapsulamento na face
de vidro dos módulos.

4.1.4 - TIPOS COMERCIAIS DE CÉLULAS FOTOVOLTÁICAS DE SILÍCIO

a) Cristal simples (single crystal)


É a técnica mais antiga e cara, mas
ainda é a tecnologia mais eficiente em
conversão da luz solar disponível.
Grandes cilindros de puro cristal de silício
são dilatados em um forno e então
fatiados em pastilhas, revestidos e
montados. É o mesmo processo utilizado
na produção de transistores e circuitos
integrados, portanto o processo é bem
desenvolvido, eficiente e limpo. Cristais de
silício são caracteristicamente azuis Fig. 6 Painel de cristal
simples ou
(porque eles absorvem todas as outras monocristalino.
cores), e uma célula se assemelha a um
vidro azul escuro.11

b) Multicristalino (ou policristalino)


37

Nesta técnica, as partes


menos monolíticas são expandidas
ou moldadas e então fatiadas em
pastilhas de um grande bloco de
silício multicristalino. A sua
eficiência na conversão é

ligeiramente inferior se comparada à


Fig. 7 –Painel
do cristal simples, mas o processo é multicristalino
menos exigente portanto, os custos
de fabricação são menores.11

c) Amorfo (ou Thin Film)


O silício é vaporizado e
depositado no vidro ou em aço
inoxidável. A produção deste tipo de
tecnologia é mais barata que os
outros métodos, mas as células
também são menos eficientes,
resultando na necessidade de maior Fig. 8 Painel amorfo
espaço. Com os métodos de
produção iniciais, os produtos tendiam a perder mais de 50% da intensidade de
saída; hoje esta perda de potência já foi reduzida para algo em torno de 10 a
15%. Estas células são quase negras. Diferentemente dos outros módulos, como
o vidro utilizado no tipo amorfo não é temperado, a fragilidade torna-se mais um
problema. Vidros temperados não podem ser aplicados neste processo de
potencialização de alta temperatura. Se a camada de potencialização for de aço
inoxidável e um envidraçamento flexível for utilizado, isto resultará em módulos
flexíveis. 11

d) Outros
Painéis fotovoltaicos também podem ser comercializados em formas
menos convencionais, de modo a não interferirem na arquitetura, integrando-se à
edificação a qual atendem. Desta forma, a estética é mais importante que a
38

eficiência. São “painéis” que


podem ser utilizados como
telhas (Fig. 9) ou como vidros
(Fig. 10). Nestes casos as
edificações são projetadas
especificamente para recebê-los
evitando o aspecto de
“improviso” costumeiramente
Fig. 9 Telhado metálico fotovoltaico
associado aos painéis
convencionais. Tal associação
também decorre do fato de a
direção e a inclinação dos painéis
convencionais ser escolhida em
função da máxima radiação solar,
que salvo raras coincidências, é
diferente da orientação da
edificação. Na maioria dos casos
em que estes sistemas “não
convencionais” são aplicados, a
orientação dos painéis é definida
buscando-se um bom (não ótimo)
Fig. 10 “Photovoltaic Vision Glass”
posicionamento relativo ao sol
mas sem criar inconvenientes
para o conjunto arquitetônico.

Tais sistemas não serão alvo de nosso estudo por destinarem-se a


edificações, mas em uma visão mais abrangente, a utilização de telhas metálicas
em quiosques na orla poderia suprir os mesmos de energia elétrica. A colocação
de “pergolados” cobertos com vidros fotovoltaicos, sob o qual poderiam ser
colocados mesas e cadeiras, poderiam aumentar a geração. Mas isto é outra
história.
39

4.1.5 - NOVA TECNOLOGIA FOTOVOLTAICA

A tecnologia do filme fino (thin film) oferece a melhor esperança para a


redução de preços no futuro. Este milênio trará inúmeros avanços nas tecnologias
voltadas para a fabricação do thin film que prometem aumentar a eficiência
(ocupar menos espaço) e reduzir os custos. Na face inferior, os módulos de thin
film tem apresentado problemas de degradação a longo prazo, segundo as
indústrias do setor. O desafio é produzir um módulo desta tecnologia que não se
estrague quando exposta à luz solar, e que seja de baixo custo.

O primeiro destes é o módulo de junção tripla, que se tornou disponível em


1997. Ao invés da usual utilização de simples junção das camadas p e n, este
sistema – o Uni-Solar – é composto de uma junção de 3 camadas sensíveis ao
espectro de luz. Isto eleva substancialmente a saída da célula amorfa. Testes
iniciais foram muito encorajadores, mas a durabilidade ainda é uma questão
aberta. Os fabricantes pensam em algo em torno de 20 anos.

Em 1998, novas versões de módulos de silício policristalino foram lançadas


no mercado, ambas com redução nos custos de fabricação, através da redução
de fatiamentos e perdas do cilindro de silício, caso este cilindro seja feito na
medida precisa. Como um produto policristalino, a durabilidade não é problema.

Melhoramentos na tecnologia de thin film também estão sendo feitos,


através da introdução de novos elementos no revestimento das células. São
elementos como índio e gálio (CIGS – Siemens Solar) ou cádmio (CdTe – BP
Solar, Golden Photon, Solar Cells, etc.) e outros diversos. Quando estes produtos
chegarem ao mercado é que teremos uma noção de sua durabilidade. 6

4.2 – SISTEMAS DE CONTROLE

4.2.1 – CONTROLADORES DE CARGA

Estes são incluídos nos sistemas fotovoltaicos, com os objetivos básicos de


facilitar a máxima transferência de energia do arranjo fotovoltaico para a bateria
40

(ou bancos de baterias) e protegê-la (lo) contra cargas e descargas excessivas,


aumentando consequentemente, a sua vida útil.

Controladores de carga são componentes críticos em sistemas


fotovoltaicos isolados, pois, caso venham a falhar, a bateria ou a carga poderão
sofrer danos irreversíveis. Eles devem ser projetados considerando-se as
especificidades dos diversos tipos de bateria, como veremos mais adiante. O
controlador projetado para uma bateria chumbo-cálcio selada pode não carregar
eficientemente uma bateria chumbo-antimônio não selada, por exemplo.

Pequenos sistemas de cargas estáveis e contínuas podem ser projetados


para operarem sem um controlador de carga, desde que a tensão entregue pelo
arranjo seja compatível com a tensão da bateria. No entanto, como ocorre na
grande maioria dos casos o controlador é indispensável e sua utilização permite
uma otimização no dimensionamento do banco de baterias e um maior nível de
proteção contra um aumento excessivo de consumo.

Os controladores devem desconectar o arranjo fotovoltaico quando a


bateria atinge carga plena e interromper o fornecimento de energia quando o
estado da carga da bateria atinge um nível mínimo de segurança. Alguns
controladores também monitoram o desempenho do sistema e acionam alarmes,
quando ocorre algum problema. Para melhorar o desempenho do controlador de
carga, pode-se ainda acoplar a ele um sensor de temperatura de forma a
compensar o efeito da variação da temperatura nos parâmetros das baterias. 12

No momento de se especificar um controlador de carga, primeiro é


importante saber o tipo de bateria a ser utilizada e o regime de operação do
sistema. A seguir, determina-se tensão e corrente de operação do mesmo. É
importante escolher um controlador com as mínimas características necessárias,
senão, optar-se-á por um produto mais caro e adicionando maior complexidade
ao sistema.
41

Os tipos de controladores de carga diferem em função da grandeza


utilizada para o controle: tensão (V), carga (i) ou densidade do eletrólito. Os mais
comuns baseiam-se na tensão instantânea dos terminais da bateria, que é
comparada a dois limites. Para baterias chumbo-ácido, a 25ºC, no limite superior
(2,3 a 2,5 V / célula) desconecta a bateria do arranjo, pois entende-se que esta já
estará carregada. No limite inferior (1,9 a 2,1 V / célula) a carga será
desconectada da bateria, pois esta já estará descarregada em sua máxima
profundidade.

Podem se diferir também pela forma que o controlador utiliza para


desconectar o painel da bateria. Sob este aspecto podem ser classificados com
shunt ou série. O shunt por consumir menos energia, é o mais utilizado.

A maioria dos controladores dispõe de uma proteção contra corrente


reversa, para impedir, durante a noite, o fluxo de corrente da bateria para os
painéis, quando a tensão do circuito aberto do arranjo é inferior à tensão da
bateria.

4.2.2 – INVERSORES

Os painéis fotovoltaicos geram para as baterias, tensão em corrente


contínua (CC). As baterias também fornecem, para a lâmpada (objetivo deste
estudo) CC. Como será visto posteriormente, as lâmpadas mais adequadas para
iluminação pública não são encontradas no Brasil em CC, mas em CA (corrente
alternada). Os inversores cumprem a função de transformar a CC fornecida
pela(s) bateria(s) em CA. Também são conhecidos como “conversores CC-CA”.

4.3 - BATERIAS

4.3.1 - CONCEITO
42

As baterias são o segundo


componente mais importantes num sistema
fotovoltaico, depois dos painéis solares, pois
são responsáveis pelo fornecimento de
energia elétrica quando o sol deixa de suprir
o sistema, ou quando este é concebido para
operar a noite, sendo este o nosso caso. As
baterias podem ser classificadas como
sendo primárias ou secundárias. As
Fig. 11 Bateria
primárias são aquelas descartáveis, e as
secundárias aquelas que podem ser recarregadas. Estas últimas são aquelas que
apresentam uma constituição química que permite reações reversíveis. Com o
auxílio de uma fonte externa, no nosso caso a eletricidade convertida pelos
painéis solares, pode-se recuperar a composição química inicial e deixá-la pronta
para um novo ciclo de operação.

Gráf. 1 Campos de aplicação para os diferentes tipos de baterias. 14

De acordo com o gráfico 1, para a identificação do tipo de bateria


adequado em função da solicitação do sistema, podemos concluir que para a
utilização em iluminação através de fonte solar, a mais adequada é a secundária.
43

Tal comparação é até desnecessária, visto que a proposta dos painéis


fotovoltaicos é a alimentação das baterias do sistema, portanto, operando em um
sistema recarregável.

Tal consulta ao gráfico pode apenas validar a escolha do sistema


secundário como o ideal. Projetando-se uma utilização de 12 horas, a um
consumo aproximado de algo entre 100W e 400W, e lembrando que os valores no
eixo X (Power - carga) estão em escala logarítmica, obtemos o campo das
baterias secundárias.

4.3.2 – TIPOS DE BATERIAS

De acordo com a aplicação, as baterias secundárias (recarregáveis)


podem ser classificadas em quatro grupos principais: 12

a) Automotivas
A bateria de automóvel é a mais comum, algumas vezes chamadas de
baterias de partida. Este tipo possui muitas placas delgadas de chumbo e é
projetada para fornecer centenas de ampères por poucos segundos, para dar a
partida no motor. São projetadas apenas para um ciclo de 10 à 15% de sua
capacidade total e para serem recarregadas rapidamente por um alternador logo
após a partida. Estas não foram concebidas para o baixo ciclo de serviço
demandado por uma força tão pequena, e certamente irão falhar. Não são
aconselhados os modelos automotivos para aplicação em sistemas fotovoltaicos.

b) Tração
Indicadas para alimentar equipamentos móveis elétricos como, por
exemplo, empilhadeiras ou carros de golfe e são projetadas para operar em regi-
me de ciclos diários profundos com taxa de descarga moderada.

c) Estacionárias
São direcionadas tipicamente para aplicações em que as baterias
permanecem em flutuação e são solicitadas ocasionalmente para ciclos de
44

carga/descarga. Esta condição é típica de sistemas de back-up e de sistemas de


iluminação de emergência.

d) Fotovoltaicas
São projetadas para ciclos diários rasos com taxas de descarga reduzidas
e devem suportar descargas profundas esporádicas devido a possível ausência
de geração, como dias nublados seguidos.

Quanto à concepção, independente da composição dos eletrólitos ou da


aplicação, estas podem ser: 13

a) Tradicionais
São as automotivas já citadas. Possuem um ciclo de vida de 200 ou 700,
dependendo da profundidade da descarga e uma vida útil de 3 à 6 anos. Mas
devemos lembrar que, em nosso projeto, as baterias serão solicitadas
diariamente, ou seja, a durabilidade da bateria não é o mais importante, e sim o
seu ciclo de vida. No caso destas baterias, de nada adiantará a durabilidade de
até 6 anos se só puder ser utilizada 200 (0,55 anos) ou até 700 vezes (1,92 anos).
E como já citado, sua capacidade de descarga é muito pequena (10 à 15%) o que
faria seu ciclo de vida ficar próximo dos 200, posto que a fonte solar não é
uniforme ao longo do ano.

b) Ciclo profundo, “RV” (Recreational Vehicles) ou Marítima (Marine)


Esta categoria é muito
genérica. São baterias melhores
que as tradicionais, mas ainda não
são as de verdadeiro ciclo profundo.
São fabricadas geralmente em 12
Volts e de 80 à 160 Ah e também
podem ser usadas em automóveis.
Possuem um ciclo mais profundo
que as convencionais e sua vida Fig. 12 Bateria de “ciclo profundo”.
útil é de 2 ou 3 anos, o que ainda é
45

pouco para um sistema que espera ser caracterizado pela longevidade.

c) Gelificadas ou Seladas
São baterias que possuem o ácido em forma de gel ou colocado em um
enchimento tipo esponja. Possuem a vantagem de poder ser colocada em
qualquer posição, mesmo de cabeça para baixo, que irão operar normalmente,
sem qualquer vazamento de ácido ou gás. A vida útil destas baterias é de 3 ou 4
anos. Necessita de controladores de carga especiais, pois a alta voltagem na
carga, fato não incomum em sistemas fotovoltaicos, poderá causar gaseificação e
uma eventual falência da célula por perda de água. Este tipo de bateria pode ser
encontrado em praticamente todas as modalidades.

d) Chumbo-cálcio ou “Telephone Company”


São baterias com uma vida
útil extremamente longa (15 a 20
anos) e geralmente são do tipo
estacionária e selada, aplicada para
nobreakes. Sua aplicação em
sistemas fotovoltaicos ou eólicos é
grande, mas desde que não hajam
descargas profundas (até 15 ou
20%), portanto um número grande
de baterias deve ser utilizado para
compensar esta deficiência. Um Fig. 13 Bateria de chumbo-cálcio.
outro grande inconveniente é o seu
ciclo de vida, que é de 200 a 1.100 (3,01 anos), portanto sua grande virtude – a
longevidade – só é aproveitada para descargas esporádicas, e nunca para uso
diário.

e) AGM (Absorbed Glass Mat)


Estas são também seladas e diferem das gelificadas por possuírem maior
ciclo de vida, mais Ampère-hora (maior capacidade de reserva), e maior
profundidade de descarga do que as de gel. É uma tecnologia moderna (1985)
46

que foi desenvolvida para


uso aeronáutico e militar
em geral. Mantém as
qualidades das gelificadas,
mas sem o inconveniente
da voltagem de carga
limitada.

Fig. 14 Exemplo de bateria AGM.

f) Baterias de Verdadeiro Ciclo Profundo (True Deep-Cycle)


As baterias de ciclo profundo são
especificamente projetadas para a acumulação
de energia, para ciclos profundos de serviço e
são as mais adequadas para sistemas de
energias renováveis. Elas são maiores e com
placas mais finas, capazes de liberar a maior
parte de sua carga antes de serem recarregadas
e disponíveis em várias voltagens, geralmente 2
Fig. 15 Exemplo de bateria de
e 6 volts para serem agrupadas em bancos de verdadeiro ciclo profundo.
baterias. As descargas podem normalmente
atingir 50%, mas devem ser evitadas descargas superiores a 80%. As do tipo “golf
cart” são as mais indicadas para sistemas pequenos e a duração destas é de 3 a
5 anos. As da série L-16 de 7 a 10 anos. O grande inconveniente destas baterias
é que requerem manutenção, pois não são seladas e as células precisam ter seus
níveis controlados periodicamente. Não são fabricadas no Brasil.

O fato de as baterias automotivas não serem indicadas, devido às suas


características, para sistemas fotovoltaicos, não exclui o seu tipo de bateria
chumbo-ácido (o tipo tradicionalmente utilizado em automóveis) como
armazenadores de energia elétrica para os painéis solares. Pelo contrário, é uma
47

boa opção pelo custo que apresenta (ver gráfico 2). A bateria de chumbo-ácido
utiliza como eletrodo positivo o dióxido de chumbo e chumbo metálico como
material ativo da placa negativa. O eletrólito (líquido onde as placas são imersas)
é uma solução de ácido sulfúrico e água (36% e 64% respectivamente). Quando
as baterias de chumbo-ácido estão carregando, sua voltagem aumenta
progressivamente, cada elemento subindo de 2,1 V a 2,4 V, com carga plena.
Correspondentemente, o painel solar deve ser montado de tal modo que seu
ponto de potência máxima está em 2,1 V e sua voltagem de circuito aberto perto
de 2,4 V, ambas multiplicadas pelo número de células do acumulador. Como a
“voltagem de funcionamento” do painel solar é fixada pela voltagem da bateria,
ela aumenta durante o ciclo de recarga. Porém, pode-se depreender que a
elevação da voltagem é acompanhada por uma queda na corrente de saída;
assim, o painel solar tem uma limitação natural de carga. Mesmo sob reduzida
intensidade luminosa, os painéis solares mantêm a voltagem necessária para
recarregar uma bateria. Como a dependência da intensidade da fotovoltagem é
logarítmica, a voltagem não cai mais de 5 ou 10% quando a intensidade luminosa
decai de 80%.5

Gráf. 2 - Capacidades teóricas e atuais dos sistemas de baterias.14


48

4.3.3 – COMPARAÇÃO ENTRE OS DIVERSOS TIPOS DE BATERIAS

Além das baterias tradicionais de chumbo-ácido, existem diversas outras,


como as de níquel-cádmio. Estas possuem a mesma estrutura física, mas
diferenciam-se pela utilização de placas positivas de hidróxido de níquel e óxido
de cádmio, para as negativas. O eletrólito é o hidróxido de potássio, que também
é um álcali, tão prejudicial quanto o ácido sulfúrico, eletrólito das baterias de
chumbo-ácido. Estas baterias podem sobreviver ao congelamento e ao degelo
sem sofrerem nenhuma alteração no seu desempenho, e temperaturas elevadas
têm menor efeito do que em baterias de chumbo-ácido.

Algumas características que as colocam em vantagem, quando


comparadas às anteriores são: a sua capacidade de poderem ser completamente
descarregadas (algo fatal para as de chumbo-ácido), a não interferência da
temperatura em seu carregamento, a inexistência da sulfatação e a sua
resistência quanto a sobrecargas. Embora seu custo inicial seja mais alto, a sua
baixa necessidade de manutenção e sua vida útil mais longa, para locais de difícil
acesso ou perigosos, é a opção mais vantajosa. Uma desvantagem é que os
meios de medição do estado de carga não são simples, portanto os controladores
usuais são inúteis, precisando de um que execute medições contínuas no fluxo da
corrente em Ampères/hora, ou utilizar uma bateria reserva, completamente
carregada, em stand-by.

TENSÕES A 20ºC
TENSÕES
CHUMBO-ÁCIDO NÍQUEL-CÁDMIO
CARACTERÍSTICAS
BATERIA C/ BATERIA C/
(V) CÉLULA CÉLULA
6 CÉLULAS 10 CÉLULAS
NOMINAL 2 12 1,25 12
MÁXIMA 2,3 –2,5 14,0 – 15,0 1,50 – 1,65 15,0 – 16,5
DE FLUTUAÇÃO 2,2 – 2,3 13,0 – 14,0 1,40 – 1,45 14,0 – 14,5
DE CIRCUITO ABERTO 2,1 – 2,2 12,5 – 13,0 1,20 – 1,35 12,0 – 13,5
LIMITE P/ MEDIR CAPAC. 1,8 – 1,9 10,8 – 11,4
VARIAÇÃO/TEMPERAT. 0,05V/10ºC -0,33V/10ºC 0 0
TENSÃO LIMITE 0 9

Tab. 4 - Tensões características em Volts das baterias de chumbo-ácido e de níquel-


cádmio 12
49

Alguns outros tipos de acumuladores eletroquímicos estão dispostos na


tabela 4 a seguir:
CHUMBO- NÍQUEL- NÍQUEL- PRATA-
TIPO DE BATERIA
ÁCIDO CÁDMIO FERRO ZINCO
Densidade de energia
10 à 35* 20 à 37 27 90
real (Wh/kg)
Vida útil (anos) 3* à 25** 3 à 25 8 à 25 1à3
N.º de ciclos de
200* à 1500 300 à 8000 2000 à 4000 100 à 150
carga/vida útil
Temperatura de
-40* à +60 -40 à +50 -10 à +45 -20 à +60
operação (ºC)
Custo típico
50* à 100** 400 à 3000 80 800 à 1500
(US$/kWh)***
Tab. 5 - Estado da técnica de alguns tipos de acumuladores eletroquímicos. 14
*em automóveis
**baterias estacionárias
***dados de 1995
Como se pode observar, apesar de não possuir a melhor relação de Watts-
hora por quilograma e tampouco a maior durabilidade, apresenta o melhor custo
por Watt-h.

4.3.4 – CARACTERÍSTICAS DE CARGA

Carregar uma bateria selada de chumbo-ácido, como carregar qualquer


outro tipo de bateria secundária, é apenas uma questão de repor a energia
esgotada durante a descarga. Devido a este processo ser um tanto ineficiente, é
necessário repor mais de 100% da energia removida. O quanto energia é
necessária para a recarga, depende do quão profunda foi a descarga, o método
de recarga, o tempo de recarga e da temperatura. A sobrecarga aplicada em uma
célula de chumbo-ácido é associada à geração de gases e corrosão do polo
positivo. Em baterias convencionais de chumbo-ácido os gases gerados são
desprendidos do sistema, resultando na perda de água com a conseqüente perda
da sua capacidade. 14
50

A carga pode ser


feita de várias formas.
A carga com voltagem
constante é o método
convencional para as
baterias de chumbo-
ácido, mas corrente
constante, corrente
cônica e outras
variações também
podem ser usadas. 15

Gráf. 3 - Carga de voltagem


constante pelo tempo de
carregamento.14

4.3.4.1 – Carga com Voltagem Constante

É o método mais
rápido e eficiente de recarga
para baterias de chumbo-
ácido selada. O gráfico 3
mostra o tempo de recarga
em várias voltagens para
uma célula descarregada em
100%. O carregamento
necessário para fornecer
estes tempos de carga deve
Gráf. 4 - Corrente de carga pelo tempo à voltagem
constante de 2,45V com vários limites de ser capaz de, pelo menos, 2
corrente.14
vezes a taxa de recarga. Se
51

a carga em voltagem constante no carregamento for menor que 2 vezes a taxa da


capacidade de carga, os tempos de carga deverão ser alongados pela taxa
horária a qual o carregador é limitado. Exemplificando: se um carregador é
limitado à taxa de 1/5 (C/5), 5 horas deverão ser acrescidas no tempo de carga.

O gráfico 4, mostra um conjunto de curvas de correntes de carga pelo


tempo para células de 2,5-Ah carregadas à voltagem constante de 2,45 V com
carregadores limitados à 2, 1 e 0,3-A. como pode-se observar, a única diferença
entre estes três carregadores é o tempo necessário para recarregar a célula da
bateria.

4.3.4.2 – Carga Rápida

Carga rápida é definida como aquela que retornará a capacidade total da


célula da bateria em menos de 4 horas. Entretanto, algumas aplicações
necessitam de 1,0h ou menos.

Diferentemente das clássicas células de chumbo-ácido de placas paralelas,


as células seladas utilizam um sistema diferenciado de eletrólitos, no qual o
problema de gaseificação é inexistente, pois o oxigênio desprendido é
recombinado à solução. A grande superfície das finas placas utilizada nas seladas
reduz a densidade da corrente a níveis bem mais baixos dos que normalmente
são vistos na recarga das chumbo-ácido convencionais, ampliando a capacidade
de carga rápida.

Este tipo de recarga não ocorrerá com a alimentação proveniente de


painéis solares, não sendo portanto oportuno estendê-lo.

4.3.4.3 – Carga Flutuante

Quando uma célula de chumbo-ácido selada é recarregada com uma carga


flutuante, o carregador deverá manter a carga entre 2,3 e 2,4V; não sendo
52

recomendadas cargas maiores, devido à acelerada corrosão dos pólos. Esta é


uma das principais funções dos controladores de carga.

4.3.4.4 – Carga com Corrente Constante

Este é um outro modo eficiente de se recarregar uma bateria selada. A


carga com corrente constante implica em uma fonte invariável de corrente
constante. Este método, que independe da voltagem aplicada, é especialmente
indicado quando várias baterias são carregadas em série, uma vez que isto
elimina qualquer desbalanceamento entre as unidades.

4.3.4.5 – Carga com Corrente Cônica

Apesar do tipo de carga cônica estar entre as mais caras, sua falta de
regulação de voltagem pode ser compensada pelo ciclo de vida. A de célula
chumbo-ácido selada pode resistir a variações de voltagem, mas alguns cuidados
devem ser tomados. Este tipo de carga possui um transformador para redução da
voltagem e um meio – ou inteiro – retificador de onda para converter de alternada
para contínua. As características de saída são que enquanto a voltagem da
bateria aumenta durante a carga, a corrente diminui.

4.4 – LÂMPADAS

4.4.1 - CONCEITO

A principal aplicação dos sistemas fotovoltaicos é a iluminação. Neste


trabalho enfoca-se sua aplicação no setor publico. As lâmpadas são o terceiro
componente, em ordem de importância, neste trabalho, uma vez que a iluminação
é a finalidade do sistema.

4.4.2 – TIPOS DE LÂMPADAS

Existem diversos tipos de lâmpadas que podem ser utilizadas em sistemas


fotovoltaicos. As principais são:
53

a) Lâmpadas incandescentes
Não são as mais indicadas para sistemas
fotovoltaicos, devido a sua baixa eficiência, mas como são
as mais abundantes e disponíveis para baixas voltagens
12V e em CC, servem, no mínimo, como comparativo com
outros tipos.

As lâmpadas incandescentes, assim como as


Fig. 16 Lâmpada
halógenas, compões-se basicamente de um filamento de
incandescente
tungstênio espiralado inserido em um bulbo de vidro. A
corrente elétrica que passa por este filamento, provoca o seu aquecimento,
fazendo com que ele, ao atingir temperaturas elevadas, irradie luz. Neste
momento uma grande quantidade de calor é produzida e somente uma pequena
fração da energia é convertida em luz visível (cerca de 5%). Por isso são
caracterizadas como de baixa eficiência.

b) Lâmpadas halógenas
Diferenciam-se das incandescentes convencionais
pela presença, no interior do bulbo de quartzo, de um gás
especial. O filamento de tungstênio das lâmpadas
halógenas fica ainda mais quente do que nas lâmpadas
incandescentes convencionais, obtendo maior eficiência
luminosa. Além disso, a ausência da camada superficial,
resultante dos depósitos metálicos provenientes da Fig. 17 Lâmpada
evaporação do tungstênio, aumenta a vida útil destas halógena

lâmpadas.

Pelo fato de as lâmpadas halógenas atingirem temperaturas muito mais


elevadas, o tungstênio evaporaria muito mais rapidamente do filamento. Para
impedir a evaporação do tungstênio, o gás dentro do bulbo possui uma pequena
quantidade de gás halógeno (iodo ou bromo), que evita este processo.
54

As lâmpadas halógenas duram quase duas vezes mais


do que as incandescentes convencionais e sua eficiência é
quase o dobro. Estão disponíveis em uma ampla faixa de
potência e, podem ser fornecidas com um refletor preso ao
bulbo para intensificar e focar a luminosidade. Este conjunto
é erroneamente chamado de “lâmpada dicróica”, mas dicróico
é o refletor. A lâmpada é halógena. É comum encontrá-las no
mercado com 12V de CC. O efeito cancerígeno provocado Fig. 18 Lâmpada
com refletor
pela emissão de raios ultravioletas, recentemente foi dicróico
eliminado com a obrigatoriedade de lente protetora que filtra
estes raios.

c) Lâmpadas fluorescentes
São lâmpadas que operam a partir da descarga
elétrica em gases. O princípio de funcionamento é
completamente diferente das incandescentes. São
constituídas por um tubo de vidro, em cujas extremidades
localizam-se eletrodos de tungstênio recobertos com uma
camada de óxidos emissores de elétrons. O meio interno
contém uma pequena quantidade de gás inerte (geralmente
Fig. 19 Lâmpada
argônio), que facilita a formação da descarga inicial, e gotas fluorescente
de mercúrio, que serão vaporizadas durante o período de tradicional

aquecimento da lâmpada.

As descargas elétricas, quando em contato com o gás, produzem luz


ultravioleta. Porém, como a luz ultravioleta é invisível, estas lâmpadas possuem
uma camada de substância fluorescente depositada na face interna do tubo, para
correção da cor. Tal camada converte as radiações ultravioletas em luz visível.

A luz produzida pelas lâmpadas fluorescentes inclui-se bem dentro da faixa


visível, e por isso, sua eficiência é boa. Tradicionalmente, bulbos fluorescentes
são longos cilindros que vão de poucos Watts até dezenas de Watts. Novas
55

lâmpadas de comprimento reduzido, chamadas PL (parallel lenght) estão


disponíveis e são compactas.

Novos tipos de lâmpadas fluorescentes no


formato tradicional estão disponíveis e produzem mais
lumens/Watts, melhor brilho e vida mais longa, quando
comparadas com os modelos antigos. Estas lâmpadas,
chamadas de T-10, possuem um tubo de menor
diâmetro.

Para que a descarga elétrica se inicie, é Fig. 20 Lâmpada


necessário que a diferença de potencial entre os fluorescente
compacta
eletrodos seja superior a um valor crítico e, além disso,
os eletrodos devem ser aquecidos por meio de uma corrente elétrica. Uma vez
atingida a temperatura ideal, ocorre uma estabilização e a descarga no gás
manterá o filamento aquecido. Nos sistemas convencionais de CA, os reatores
são responsáveis por gerar as tensões de partida e os dispositivos de partida
(starters) ajudam a aquecer os eletrodos no início do processo. Para operar em
CC, os reatores devem incluir um inversor para cada lâmpada para ligá-las e
gerar a tensão de operação necessária, incorporando o reator e o starter.

d) Lâmpada fluorescente compacta eletrônica


São, como as anteriores, lâmpadas
fluorescentes compactas mas com reator integrado ao
corpo do soquete, sendo que este é de rosca, podendo
substituir, sem adaptações uma lâmpada
incandescente. Sua utilização tem se popularizado
muito nos últimos anos no Brasil, devido ao
racionamento de energia. Seu baixo consumo e
durabilidade – equivalentes aos das tipo PL – aliado à
fácil substituição nas instalações das lâmpadas
Fig. 21 Lâmpada
incandescentes, tornaram-nas muito populares, apesar compacta
eletrônica
do preço relativamente elevado.
56

e) Lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão


Possuem maior eficiência do que as fluorescentes
convencionais, mas devido à sua composição espectral
quase monocromática (luz amarela), distorce as cores. Por
isso são utilizadas geralmente em iluminação pública.
As lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão
são compostas por um tubo de descarga interno, em forma
de “U”, que contém uma mistura de neônio com uma
Fig. 22 Lâmpada de
pequena quantidade de argônio de baixa pressão, e uma vapor de
sódio de
certa quantidade de sódio metálico, responsável pela
baixa
emissão amarela, que será vaporizado durante o pressão
funcionamento. Nas suas extremidades, encontram-se os eletrodos recobertos
com óxidos emissores de elétrons. O tubo de descarga é encerrado dentro de
uma camisa externa em vácuo.

4.4.3 – COMPARAÇÃO ENTRE OS DIVERSOS TIPOS DE LÂMPADAS

VIDA
TIPO FORMA COMPONENTES PRINCÍPIO EFICIÊNCIA
ÚTIL (h)
Filamento
Incandescência
INCANDESCENTE Bulbo espiralado em gás 8–15 lm/W 1.000
de filamento
inerte
Filamento
Incandescência
HALÓGENA Bulbo espiralado em gás 30 lm/W 2.000
de filamento
halógeno
Vapor de Mercúrio Descarga de
FLUORESCENTE Tubo e substância gás e 50–75 lm/W 8.000
fluorescente fluorescência

VAPOR DE SÓDIO Descarga de


Tubo Vapor de sódio 120 lm/W 18.000
BAIXA PRESSÃO gás

Tab. 6 - Características dos principais tipos de lâmpadas 12


57

Alguns fabricantes de lâmpadas fluorescentes do tipo PL divulgam tabelas,


com a seguir, comparativas de eficiência, consumo e vida útil em comparação
com as incandescentes:

TIPO POTÊNCIAS EQUIVALENTES CONSUMO VIDA


EM LUMINOSIDADE (w) COMPARATIVO ÚTIL (h)
PL 9 11 15 20 23 20% 10.000
INCANDESC. 127V 25 40 60 75 100 100% 1.000
INCANDESC. 220V 40 60 75 100
Tab. 7 - Comparativo entre as potências (consumos) das lâmpadas 12

Os tipos de lâmpadas incandescentes, halógenas, fluorescentes e


fluorescentes compactas atualmente disponíveis no mercado brasileiro e
adequadas à utilização em sistemas fotovoltaicos em CC são apresentados na
tabela 7.

TIPOS DE LÂMPADAS POTÊNCIAS DISPONÍVEIS OBSERVAÇÕES


12V (CC): 5W, 10W, 15W,
25W, 50W, 75W, e 100W.
INCANDESCENTES
24V (CC): 25W, 60W, 100W.
12V (CC): 10W, 17W, 20W, Produzem 30% mais luz do
25W, 35W, 50W. que as lâmpadas
HALÓGENAS
incandescentes
24V (CC): 25W, 50W.
convencionais.
Necessitam de reatores
8W, 15W, 20W, 22W, 32W,
FLUORESCENTES 12V ou 24V, dependendo
40W.
do caso.
FLUORESCENTES 5W, 7W, 9W, 11W, 13W, Necessitam de soquetes e
COMPACTAS (PL) 18W, 26W. reatores p/ 12V e 24V.
FUORESCENTES 5W, 9W, 10W, 15W, 16W,
COMPACTAS ELETR. 20W, 21W, 23W, 25W ...

Tab. 8 - Relação das lâmpadas disponíveis no mercado nacional 12


58

CAPÍTULO V – DESEMPENHO DE UM PAINEL FOTOVOLTAICO


5.1 – POTÊNCIA

5.1.1 – CURVA CARACTERÍSTICA I x V

A potência gerada por um painel solar é, como qualquer outra, o produto da


multiplicação da intensidade pela tensão. A intensidade da corrente (I) é medida
em Ampères (A) e a tensão em Volts (V).

Quando um módulo está posicionado na direção do sol, a tensão (V) pode


ser medida entre os dois terminais, negativo e positivo, através de um voltímetro.
Já a corrente (A) deverá ser medida com um amperímetro. Se não houver, ainda,
nenhuma conexão de qualquer aparelho ao módulo, a tensão será denominada
de tensão de circuito aberto (Voc) e a corrente será denominada corrente de curto-
circuito (Isc). Neste caso a tensão é zero.

Quando um acessório é conectado, as medidas de corrente e tensão


podem ser apresentadas em um gráfico. De acordo com as mudanças nas
condições de carga, novos valores de corrente e tensão são medidos, os quais
podem ser representados no mesmo gráfico. Juntando todos os pontos, gera-se
uma linha chamada curva característica I x V. 12

Para cada ponto da curva I x V, o produto corrente-tensão representa a


potência gerada para aquela condição de operação.
59

Gráf. 5 - Curva característica I x V de uma célula de silício


monocristalino pela corrente de curto-circuito

5.1.2 – CURVA P x V

Para uma célula fotovoltaica, e conseqüentemente , para o módulo, existe


somente uma tensão (e correspondente corrente) para a qual a potência máxima
pode ser extraída. É importante ressaltar que não existe geração de potência para
condições de circuito aberto e curto-circuito, já que tensão ou corrente são zero,
respectivamente. O gráfico P x V (potência versus tensão) ilustra melhor esta
situação:

Gráf. 6 - Curva P x V 12
60

5.1.3 – PONTO DE POTÊNCIA MÁXIMA

O ponto de potência máxima corresponde então, ao produto da tensão de


potência máxima (Vmp) e corrente de potência máxima (Imp). Os valores Pm, Vpm,
Imp, Voc e Isc são os cinco parâmetros que especificam o produto sob dadas
condições de radiação, temperatura de operação e massa de ar. Sobrepondo-se
os dois gráficos, podemos analisar alguns parâmetros, principalmente o Ponto de
Potência Máxima.

Gráf. 7 - Parâmetros de potência máxima 12

5.2 – FATORES GERADORES DE PERDAS

Conforme citado anteriormente no item eficiência, diversos fatores


interferem no rendimento do sistema fotovoltaico. Perdas podem se dar tanto na
redução da captação da energia luminosa, assim como na transformação, no
armazenamento ou na distribuição da energia.

Estes fatores devem ser bem entendidos, pois deverão fazer parte
integrante dos cálculos necessários para o dimensionamento dos painéis. É com
as condições ideais de teste que um produto tem a sua potência nominal de saída
indicada pelo fabricante. Estas condições só existem em laboratórios e com
ambiente controlado. Destacam-se nestes testes, uma temperatura ambiente de
61

25 ºC e uma irradiação solar (intensidade) de 1000W/m². Os fatores de perdas


são: 15

Tolerância
Tomando-se como exemplo, que um painel de 100W, medido dentro das
STC (Standart Tests Conditions), possua uma margem de tolerância – legal – de
±5%. Isto significa que este módulo possa gerar 95W e continue a se chamar de
módulo de 100W. Consideremos esta como a primeira perda.

Temperatura
Deve-se observar que o processo de conversão não depende do calor:
pelo contrário, o rendimento cai quando sua temperatura sobe. Uma ilustração é
proporcionada pelas células solares colocadas no Pólo Sul: não só funcionaram
perfeitamente bem, mas geraram mais potência do que seria esperado para um
clima temperado. Este comportamento é explicado pelo fato de que os fótons da
luz solar transferem sua energia diretamente aos elétrons sem etapa térmica
intermediária. 5

Gráf. 8 - Efeitos da temperatura da célula no gráfico I x V %. 12

Portanto, a saída de potência de um módulo reduz com o aumento de


temperatura do painel, e como 25ºC sob o sol é utópico, pelo menos nos trópicos,
pode-se esperar alguma perda aí. De acordo com a CEC (California Energy
62

Commission), para uma faixa operacional de 50 à 75ºC, o rendimento de um


módulo pode cair para 89.

O gráfico 8, I x V, indica a perda de potência em função das temperaturas


de operação de um painel de silício cristalino, para uma potência de irradiação
recebida de 1.000 W/m².

Poeira e sujeira
Poeira e sujeira podem acumular-se sobre os painéis solares, bloqueando
parte da luz solar, reduzindo, portanto a saída. Apesar de boa parte destes
elementos ser removida apenas pelas águas das chuvas, mas é mais realista
estimar a saída levando em consideração a estação de estiagem. Também pela
CEC, um índice razoável para perda do rendimento é que este baixe para algo em
torno de 93%.

Pelo gráfico abaixo, pode-se visualizar a redução da corrente com a


variação da luminosidade.

Gráf. 9 Efeito causado pela variação da intensidade da luz na curva característica I x V 12


63

Erros e perda nos fios


A potência máxima de saída do total de painéis é sempre menor do que a
soma da saída máxima de cada painel. Esta diferença é o resultado do desprezo
das diferenças entre os desempenhos dos módulos com os seus subseqüentes.
Esta perda pode chegar a 2%. Também existem perdas devido à resistência nos
cabos e fios. Estas perdas podem ser minimizadas através de um
dimensionamento ótimo, mas dificilmente consegue-se reduzir mais do que 3%.
Temos então um total de perdas neste item de algo em torno de 5%, reduzindo a
potência de instalada para 95%.

Conversão de CC para CA
A corrente contínua gerada pelos painéis solares precisam ser convertidas
para corrente alternada utilizando-se um conversor. Modernos conversores
possuem uma eficiência de 92 a 94%, segundo seus fabricantes, mas como
também são medida sob situações controladas em fábrica, o resultado mais
adequado deverá ser entre 88 e 92%, que é o encontrado na prática. Portanto
uma redução para 90% da saída, devido ao conversor, será mais realista.

Somando-se todos estes fatores de redução, podemos estimar que um


painel de 100W nominais de corrente contínua, poderá chegar a desenvolver na
prática, em corrente alternada, muito menos: 100W x 0,95 x 0,89 x 0,93 x 0,95 x
0,90 = 67,23W
64

CAPÍTULO VI – DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA

6.1 – ESTIMATIVAS

6.1.1 – ESTIMATIVA DE SAÍDA DE PAINÉIS FOTOVOLTAICOS

A Florida Solar Energy Center 16, programa americano do Estado da Flórida


de divulgação e informação de sistemas alternativos de energia, orienta em seu
manual para energia solar, uma forma simples de cálculo de rendimentos e
parâmetros alcançados com a utilização do sistema fotovoltaico. Toma como
exemplo um cálculo onde a saída inicial do painel seja de 1kW.

ÍNDICES UNID. VALOR


A1 Potência máxima de saída de c. c. nas condições padrão de teste (STC) KW 1
A2 Eficiência dos painéis fotovoltaicos (STC) % 10
A3 Área requerida de painéis = A1 ÷ A2 m² 10
A4 Fator de redução pela temperatura ambiente de operação % 15
A5 Fator de perda pela transformação p/ corrente alternada % 15
A6 Fator de perdas diversas no sistema % 5
A7 Saída estimada de corrente alternada = A 1 x A 4 x A 5 x A 6 CA KW 0,69
A8 Tempo médio de insolação sobre os painéis kWh/m² 7
A9 Média estimada diária de saída de corrente alternada = A 7 x A 8 CA kwh 4,80
16
Tab. 9 - Reduções progressivas no rendimento dos painéis

Observa-se que perdas também são computadas, como visto no capítulo


anterior, excetuando-se as perdas pela tolerância e pela sujeira acumulada nas
superfícies dos painéis, mas chega-se a um valor bem próximo: 69% contra
67,23% demonstrado anteriormente. Observa-se também que segundo a Florida
Solar Energy Center, o fator de redução devido à temperatura é de 0,80 para
65

locais quentes e 0,90 para regiões temperadas, obtendo-se como média 0,85.16 O
índice de redução para a inversão de corrente é mais otimista: 0,90 contra 0,85.

Esta tabela, assim como as referências de “descontos” relacionadas


anteriormente, dão apenas uma ordem de grandeza da saída esperada. O cálculo
preciso depende de todos os elementos e das características a serem
especificados no projeto definitivo, assim como as condições meteorológicas da
região de implantação.

6.1.2 – ESTIMATIVA DA ÁREA NECESSÁRIA DOS PAINÉIS

Baseando-se nas perdas citadas no capítulo anterior, e considerando a


eficiência do painel em torno de 10%, podemos observar que para uma área de
10 m² de painéis fotovoltaicos, geramos 69% em corrente alternada dos 1kW
pretendidos em corrente contínua, portanto, 690 W. Fazendo uma regra de 3
simples, chegamos às seguintes comparações para um dimensionamento inicial,
baseando-se na radiação solar média de 1000W/m²:

1 m² = 69 W ou 1kW = 14,5 m²

17
Uma outra grandeza, segundo a PUC de Minas Gerais , é de que os
painéis existentes no mercado geram de 50 à 75 W pico/m², ou seja, sob radiação
de 1.000 W/m², a potência gerada seria de 50 à 75 W. Portanto temos uma nova
relação de potência aproximada mais abrangente que a primeira:

1 m² = 50 à 75 W

Novamente, estes cálculos são aproximações para um estudo inicial de


viabilidade. Como citado anteriormente, as formas mais precisas de cálculo serão
apreciadas mais adiante.

6.2 – DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS


66

6.2.1 – DADOS NECESSÁRIOS PARA DIMENSIONAR O SISTEMA

Tensão nominal do sistema:


Refere-se à tensão típica em que operam as cargas a conectar, dever-se-á
além disso distinguir se a referida tensão é alternada ou contínua.

Potência exigida pela carga:


A potência que cada carga exige é um dado essencial. Caso o sistema
contenha elementos que possuam potências diferentes, estas deverão ser
somadas, mas em separado, alguns sejam em corrente contínua e outros em
alternada.

Horas de utilização das cargas:


Juntamente com a potência requerida pela carga, deverão especificar-se
as horas diárias de utilização da referida potência. Multiplicando potência por
horas, obter-se-ão os watts/hora requeridos pela carga ao fim de um dia.

Localização geográfica do sistema:


Dados como a latitude, longitude e a altura em relação ao nível do mar do
local de instalação do sistema são necessárias para determinar o ângulo de
inclinação para o módulo fotovoltaico e o nível de radiação (médio mensal).

Autonomia prevista:
Isto se refere ao número de dias em que se prevê que diminuirá, ou não
haverá geração, e que deverão ser tidos em conta no dimensionamento das
baterias de acumuladores. Para sistemas rurais domésticos, por exemplo, tomam-
se de 3 à 5 dias. 19 Já nos projetos de iluminação pública do CEPEL, utilizou-se 2
dias. 8

6.2.2 – CÁLCULO DE CONSUMO DE CARGAS 12

Para calcular-se o consumo das cargas, deverá se identificar cada carga


de corrente contínua e o seu consumo em Watts. O mesmo cálculo deverá ser
feito para as cargas de corrente alternada, se houver, mas acrescentando-se 15%
67

para compensação do rendimento do inversor. Soma-se então as duas cargas,


obtendo-se a Potência Total das Cargas (PTC) em Watts.

PTC (W) = Σ Cargas CC + (Σ Cargas CA x 1,15)

Dividindo-se este total pela Tensão Nominal do Sistema (TNS) em Volts,


obtém-se a Estimativa da Corrente de Pico (ECP) em Ampères. Este valor será
necessário para os cálculos das chaves, fusíveis, etc..

ECP (A) = PTC (W) ÷ TNS (V)

Para a obtenção do Consumo Diário (CD) em Ampère-hora/dia (Ah/dia),


multiplica-se a PTC pelo número de horas diárias de funcionamento do sistema –
Ciclo de Serviço Diário (CSD) e divide-se o resultado pela TNS.

CD (Ah/dia) = PTC (W) x CSD (h) ÷ TSN (V)

Este consumo deverá ser corrigido, pois como já visto, ocorrem perdas nas
fiações e nas baterias. O Consumo Ampère-hora Corrigido (CAC) obtém-se
dividindo o CD pelo Fator de Eficiência da Fiação (FEF) e em seguida pelo Fator
de Eficiência da Bateria (FEB). Estes fatores são de 0,98 e 0,95 respectivamente.

CAC (Ah/dia) = CD (Ah/dia) ÷ 0,98 ÷ 0,95

6.2.3 – ESPECIFICAÇÃO DO INVERSOR

Para poder escolher o inversor adequado, dever-se-á ter claro quais são os
níveis de tensão que se manejarão tanto em termos de corrente alternada como
de contínua. Exemplificando: para um sistema alimentado por uma bateria de 12
V, naturalmente em corrente contínua, a entrada será de 12 Vcc. Para alimentar
uma lâmpada de 40 W, de 127 V de corrente alternada (Vca), o inversor será de
12 Vcc a 127 Vca para 40 W.
68

Se existirem outras cargas de corrente alternada, dever-se-ão somar todas


aquelas que se desejarem alimentar de forma simultânea. O resultado da referida
soma, mais uma margem de aproximadamente 10%, determinará a potência do
inversor.

6.2.4 – DETERMINAÇÃO DA CORRENTE DE PROJETO

Fig. 23 – Insolação diária, média anual (horas) 18


69

Dividindo-se a Carga Corrigida (CAC) pelo número de horas de sol pleno


(1000 W/m²), obtém-se a Corrente de Projeto (CP) em Ampères. O número de
horas, pode ser extraído do mapa de insolação diária média anual (Fig. 22), onde
cada região apresenta um diferente valor. Por exemplo, na cidade do Rio de
Janeiro, a insolação média anual diária é de 6 horas.

CP (A) = CAC (Ah/dia) ÷ INSOLAÇÃO (h)

6.2.5 – DIMENSIONAMENTO DO BANCO DE BATERIAS

Para o dimensionamento, é fundamental que o tipo da bateria já tenha sido


definido, pois de suas características resultará o seu desempenho.

Para a obtenção da Capacidade Necessária para a Bateria (CNB), em Ah,


multiplica-se CAC pelos Dias de Armazenamento (DA) desejados e divide-se pela
Profundidade de Descarga Máxima (PDM) e pelo Desconto por Temperatura
(DT). Como já dito no capítulo sobre baterias, a PMD depende do tipo de bateria,
e este valor é fornecido pelo fabricante, mas alguns valores são padrão, conforme
a tabela abaixo. Já o Desconto por Temperatura é um fator que corrige a
capacidade da bateria para baixas temperaturas. O valor padrão usado para o
Brasil (país tropical) é igual a 1.

CNB (Ah) = CAC (Ah/dia) x DA (dias) ÷ PDM ÷ DT

PDM - Profundidade de Descarga Máxima


TIPO DE BATERIA PADRÃO
Chumbo-Antimônio 0,8
Chumbo-Cálcio 0,6
Níquel-Cádmio 0,9
Tab. 10 – Profundidades Máximas de Descarga, para algumas baterias 12
O Número de Baterias em Paralelo (NBP) será o quociente da divisão da
CNB pela Capacidade da Bateria Selecionada (CBS), em Ampère-hora.
70

NBP = CNB (Ah) ÷ CBS (Ah)

O Número de Baterias em Série (NBS) obter-se-á dividindo-se a TNS (V)


pela Tensão Nominal da Bateria (TNB).

NBS = TNS (V) ÷ TNB (V)

O Número Total de Baterias (NTB) será o produto no NBS pelo NBP.

NTB = NSB x NBP

Sabendo-se então o número de baterias em paralelo e a capacidade


individual, podemos conseguir a Capacidade da Total do Sistema (CTS) dada em
Ah.
CTS = NBP x CBS (Ah)

A Capacidade Útil da Bateria (CUB), dada em Ampères, é o produto da


Capacidade Total do Sistema (CTS) pela Profundidade de Descarga Máxima
(PDM).
CUB (Ah) = CTS (Ah) x PDM

6.2.6 – CÁLCULO DO NÚMERO DE PAINÉIS NECESSÁRIOS

Devem-se conhecer os níveis de radiação solar típicos da região. Como já


se viu, a capacidade de produção dos módulos varia com a radiação. A
expectativa da demanda de energia para o sistema é outro dado importante para
o início do cálculo. Dados sobre o modelo e a capacidade do painel a ser utilizado
também são importantes, pois a quantidade deles dependerá da potência que
cada um é capaz de gerar. Como o sistema é integrado com baterias, cuja
capacidade é em Ampères, esta será a unidade básica para dimensionamento
dos painéis.
71

Uma vez determinada a Corrente de Projeto (CP) em Ampères este valor é


então dividido pelo Fator de Correção do Módulo (FCM), que nada mais é que um
ajuste da corrente do módulo nas CPT (Condições Padrão de Teste) para as
condições de campo. Os fatores são de 0,9 e 0,7 para módulos tipo Cristalino e
Amorfo, respectivamente. O resultado desta divisão será a Corrente de Projeto
Corrigida (CPC), também em Ampères. Este valor é então dividido pela Corrente
Nominal do Módulo em Ampères, obtendo-se o Número de Módulos em Paralelo
(NMP).

CPC (A) = CP (A) ÷ FCM NMP = CPC (A) ÷ CNM (A)

Para conhecermos a Tensão Necessária para Carregar as Baterias (TNCB)


em Volts (V), multiplica-se a Tensão Nominal da Bateria (TNB) pelo Número de
Baterias em Série (NBS).

TNCB (V) = TNB (V) x NBS

Finalmente, o Número de Módulos em Série (NMS) será a divisão do valor


encontrado para TNCP pela Tensão do Módulo para a Temperatura mais Elevada
(TMTE). Este dado será conseguido com o fabricante, e refere-se ao valor mais
alto esperado para a temperatura de operação.

NMS = TNCB (V) ÷ TMTE (V)

A Quantidade Total de Painéis será o produto do Número de Módulos em


Série pelo Número de Módulos em Paralelo.

QTP = NMS x NMP

6.2.7 – DIMENSIONAMENTO DE CONDUTORES E CABOS


72

Para assegurar o funcionamento adequado das cargas (lâmpadas), não


deverá haver mais de 5% de queda de tensão tanto entre os módulos e as
baterias como entre as baterias e os centros de cargas.

O processo de seleção do cabo fica mais simplificado se utilizar a tabela


abaixo, que indica a seção de cabo adequada a empregar para uma queda de
tensão de 5% em sistemas de 12 V. Na coluna à esquerda escolhe-se a corrente
pretendida. Nessa mesma linha procura-se a distância que o referido trecho de
cabo percorrerá e lê-se na parte superior da respectiva coluna a seção de cabo
correspondente.

Se a instalação for de 24, 36 ou 48 Vcc proceder-se-á da mesma forma,


mas nesse caso dever-se-á dividir a seção obtida por 2, 3 ou 4, respectivamente.
Se o valor que resultar desta divisão não coincidir com um valor normalizado de
seção dever-se-á adotar a seção imediatamente superior.

2
Seção (mm )
35 25 16 10 6 4 2.5 1.5
Corrente (A)
1 540 389 246 156 93 62 39 22
2 270 194 123 78 46 31 19 11
3 180 130 82 52 31 20 13 7
4 135 97 62 39 23 15 10 5
5 108 78 49 31 18 12 8 4
6 90 65 41 26 15 10 6 3
7 77 55 35 22 13 9 5 2.8
8 67 49 31 19 12 8 4.5 2.5
9 60 43 27 17 10 7 4 2
10 54 39 25 16 9 6 3.5 1.8
12 45 32 20 13 8 5 3 1.5
15 36 26 16 10 6 4 2 1
18 30 22 14 9 5 3 1.8 0.8
21 26 18 12 7 4 3 1.6 0.7
24 22 16 10 6.5 3.5 2.5 1.5 0.5
27 20 14 9 5.5 3 2 1 -
30 18 13 8 5 2.5 1.5 0.8 -

Tab. 11 - Distância máxima, em metros, para uma queda de tensão de 5% em


sistemas de 12 Volts 19
73

CAPÍTULO VII – ILUMINAÇÃO PÚBLICA

7.1 – DIVERSIDADE EM ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Os serviços públicos de iluminação são muito diversos, mesmo


considerando-se apenas os ofertados em logradouros. Existem situações
completamente diferentes de utilização, dependendo da necessidade do serviço.
Exemplificando, as luminárias em um poste na Av. N. Senhora de Copacabana
podem diferir completamente das de um outro na Rua Santa Clara (ambos os
logradouros em Copacabana, bairro da cidade do Rio de Janeiro), mesmo
próximo ao encontro das duas vias.

Diversos fatores devem ser analisados num projeto de iluminação pública:


primeiramente a importância da via, sua largura, a vocação do logradouro
(residencial, comercial, industrial, rural...), a disposição unilateral ou bilateral do
posteamento, a arborização, a periculosidade, a atividade noturna, etc.. Até o
IPTU pago em determinado logradouro pode definir ou indicar o tipo de
iluminação adotado, ou seja, fatores físicos e fatores sociais devem ser
considerados. Mais adiante veremos estes critérios de forma mais técnica.

Uma outra diferença é o horário de utilização. Nem sempre a iluminação


pública permanece apagada durante o dia e acesa a noite, como no caso de
túneis ou passagens subterrâneas, onde a demanda é de 24 horas por dia.

Estes aspectos dizem respeito apenas ao tipo de lâmpada (entenda-se


consumo) e ao período de utilização (entenda-se capacidade da bateria). Um
outro aspecto, talvez até mais relevante, em se tratando de um estudo de
alimentação fotovoltaica, é a irregularidade da fonte geradora, isto é, da luz solar.
74

Um poste, com seus painéis e luminárias, poderia estar em uma rua que só
recebe sol de manhã, ou estar em outra com edifícios de 30 metros de altura em
cada lado da rua, ou sob a copa de árvores ou ainda localizado no sopé de uma
rocha como o Corcovado. Estamos falando da diversidade geográfica e do
zoneamento urbano. Um planejamento urbano precisaria ser concebido e
constantemente fiscalizado para que pudesse utilizar sistemas fotovoltaicos em
todo seu potencial. Seria inviável sua implementação em um sítio urbano já
estabelecido de forma generalizada.

Esta diversidade impossibilita um projeto típico ou um raciocínio linear na


concepção da utilização de fontes fotovoltaicas em projetos de iluminação pública.
Esta foi a razão pela qual este estudo fica limitado à utilização do sistema na orla,
em grandes avenidas, praças c/ arborização baixa ou espaços descampados.
Desta forma consegue-se, salvo em raros casos, uma uniformidade na
quantidade de luz obtida durante o dia e na forma de utilização – somente à noite.

Na orla, por exemplo, o único diferencial na quantidade de energia


irradiada pelo sol, está no gabarito das edificações à beira-mar. Mesmo assim,
esta interferência só ocorre quando o litoral está voltado para o sul, sudeste ou
sudoeste (em se tratando de locais no hemisfério sul). Nestes casos, os edifícios
altos, durante a tarde, produzem uma “língua” de sombra sobre a orla. Esta
redução passageira na irradiação solar absorvida pelos painéis pode ser
calculada e compensada no dimensionamento do sistema, como será visto
oportunamente.

Com relação à sombras projetadas nas areias pelos prédios altos, em 1º de


dezembro de 2000, foi sancionada, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a
Lei Complementar n.º 47, que “proíbe a construção residencial ou comercial na
orla marítima com gabarito capaz de projetar sombra sobre o areal e/ou
calçadão”. Em se tratando da Cidade do Rio de Janeiro, o problema das “línguas”
de sombra nas vias litorâneas deverá estacionar.
75

A interferência das edificações à beira-mar não deve ser considerada como


um problema significativo, pois com a atual tecnologia de painéis e acumuladores
fotovoltaicos, o sistema seria inviável, ou não o mais indicado, nas principais
avenidas costeiras – onde existem os edifícios altos. As áreas necessárias de
painéis seriam tão grandes, que criar-se-ia um novo problema: a sombra destes
na areia! Neste caso, os painéis seriam alvo da lei supracitada.

Para se ter uma idéia, segundo a RIOLUZ, órgão municipal responsável


pela iluminação pública na cidade do Rio de Janeiro, cada poste da Avenida
Atlântica possui seis luminárias, sendo três com lâmpadas de vapor de sódio de
400 W e três com lâmpadas de multi-vapor metálico de 400 W, perfazendo um
consumo total de 2.400 W. Já nas Av. Vieira Souto e Delfim Moreira, cada poste
possui três luminárias com lâmpadas de multi-vapor metálico de 250 W,
perfazendo assim 750 W. *

Fazendo um cálculo rápido, baseado no aproveitamento de 50 à 75 W/m²,


conforme visto anteriormente, precisaríamos para cada poste na Av. Atlântica de
uma área de painéis entre 32 e 48 m². Imaginemos uma forma quadrada com um
lado de 5,5 à 7,0 m sobre cada poste. Já para as Av. Vieira Souto e Delfim
Moreira, a superfície requerida seria mais viável, embora também grande. Para
750 W, a área seria entre 10 e 15 m², ou seja caso o arranjo de painéis possuísse
uma forma quadrada, este possuiria um lado entre 3 e 4 m aproximadamente.

Devemos lembrar que estes cálculos aproximados de áreas, dizem respeito


a energia consumida imediatamente, como se as lâmpadas estivessem acesas
durante o dia, de forma simultânea com a irradiação solar nos painéis. Não será
este o caso. A alimentação das luminárias virá sempre de baterias, que
necessitam de um recebimento de carga bem maior do que a que será liberada à
noite devido à perdas na bateria e para a criação de uma reserva energética.
Estes cálculos iniciais não levam isto em consideração. A escala gigantesca dos
painéis, também se faria sentir sobre as baterias.

*
Informações gentilmente prestadas pelo Sr Mauro Ejnysman, do IPLAN – órgão da Prefeitura
Municipal do Rio de Janeiro.
76

Este estudo de viabilidade não se propõe a sugerir um sistema fotovoltaico


de iluminação para cartões postais, mas para logradouros comuns, onde a
necessidade se iluminação atenda às normas vigentes para o trânsito de veículos
e de pedestres, e não a atividades noturnas de lazer que exigem uma iluminação
mais sofisticada. O ideal seria que esta proposta atendesse a locais em
implantação, onde a infra-estrutura fosse ainda inexistente. Economicamente não
compensa (a curto ou médio prazo) a substituição de sistemas tradicionais por
fotovoltaicos, pois a infra-estrutura existente para alimentar o sistema atual é cara
(medidores, conduítes e cabos subterrâneos, sistemas de acionamento remoto,
transformadores, etc.). Uma vez já investido, a manutenção do sistema depende,
basicamente, apenas do pagamento da conta mensal da concessionária. O
sistema fotovoltaico dispensa todas estes custos, mas necessita de um
investimento inicial alto. Talvez com a conclusão deste trabalho, algumas destas
afirmações possam ser revistas.

7.2 – PROJETO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA

O primeiro passo em um projeto de iluminação pública é a classificação da


via que será iluminada para definição dos parâmetros técnicos adequados. De
suas características físicas (larguras das faixas de rolamentos e dos passeios,
quantidade de pistas, etc..) e de seu volume de tráfego (de veículos e de
pedestres) partirá a solução para a sua iluminação.

O segundo passo refere-se à escolha das lâmpadas e luminárias a serem


empregadas no projeto, sua altura de montagem, sua distribuição ao longo da via
e o espaçamento entre as luminárias.

O último passo é a realização dos cálculos luminotécnicos buscando uma


otimização do projeto, buscando alcançar os valores mínimos exigidos pela
norma. 24
77

7.2.1 – TIPOS DE VIAS

Pela NBR 5101, as vias públicas podem ser classificadas de acordo com a
sua natureza e função, podendo ser:

TIPO DE VIA NATUREZA OU FUNÇÃO

Vias exclusivas para tráfego motorizado, que se


caracterizam por grande mobilidade e pouco
A1 acesso de tráfego, várias pistas, cruzamentos em
Vias Arteriais dois planos, escoamento contínuo, elevada
velocidade de operação e estacionamento
proibido na pista.
CLASSE A
Vias não exclusivamente para tráfego motorizado,
(Vias Rurais)
A2 que se caracterizam por uma mobilidade de
Vias Coletoras tráfego inferior e por um acesso de tráfego
superior àqueles das vias arteriais.
Vias que permitem acesso às propriedades rurais
A3
com grande acesso e pequena mobilidade de
Vias Locais
tráfego.
Vias de ligação entre centros urbanos e
CLASSE B
suburbanos. Geralmente só tem importância para
(Vias de Ligação)
o tráfego local.
C1 Vias urbanas, com construções ao longo da via e
Vias Principais tráfego motorizado e de pedestre intenso.
C2 Vias urbanas, com construções ao longo da via e
CLASSE C
Vias Normais tráfego motorizado ou de pedestre moderado.
(Vias
C3 Vias urbanas, com construções ao longo da via e
Urbanas)
Vias Secundárias tráfego motorizado ou de pedestre leve.
C4 Vias urbanas, com construções ao longo da via e
Vias Irregulares tráfego motorizado raro e de pedestre leve.
CLASSE D (Vias Especiais) Acessos e/ou vias exclusivas para pedestres

Tab. 12 – Classificação das vias públicas.24


78

Fig. 24 – Tipos de vias públicas. 24

7.2.2 – CLASSIFICAÇÃO DO VOLUME DE TRÁFEGO

As vias podem ser classificadas de acordo com o volume de tráfego


noturno de veículos e/ou de pedestres por hora. As tabelas a seguir apresentam
estas classificações:
CLASSIFICAÇÃO VOLUME DE TRÁFEGO NOTURNO (Ambas as direções)
150 até 500 / hora
TRÁFEGO LEVE
TRÁFEGO MÉDIO 500 até 1.200 / hora
TRÁFEGO INTENSO Acima de 1.200 / hora

Tabela 13 – Classificação das vias segundo o trânsito noturno de veículos.24

CLASSIFICAÇÃO PEDESTRES NAS VIAS COM TRÁFEGO MOTORIZADO


DESERTO Como nas vias classe A1. Praticamente sem pedestres.
LEVE Como nas ruas residenciais médias.
MÉDIO Como nas ruas comerciais secundárias.
INTENSO Como nas ruas comerciais principais.
Tabela 14 – Classificação das vias segundo o trânsito de pedestres. 24
79

7.2.3 – NÍVEIS DE ILUMINÂNCIA EM VIAS PÚBLICAS

Os níveis mínimos de iluminância são também definidos pela NBR 5101,


com base em resultados de pesquisas realizadas na Europa e nos Estados
24
Unidos , que constataram que os níveis de iluminância devem variar entre 10 e
30 lux. Acima deste nível, o ganho é pequeno. Na tabela 15, a norma fixa os
níveis mínimos de iluminância em vias públicas de acordo com a importância da
via e seu tipo e volume de tráfego.

NÍVEIS MÉDIOS MÍNIMOS DE ILUMINÂNCIA


VOLUME DE
TIPOS DE VIAS VOLUME DE VEÍCULOS
PEDESTRES
L M I
L 2 5 10
PRINCIPAIS M 5 8 12
I 10 12 16
L 2 5 10
LIGAÇÃO M 5 10 14
I 10 14 17
L 2 5 -
NORMAIS M 5 8 -
I 8 10 -
L 2 5 -
LOCAIS M 5 10 -
I 10 14 -
L 2 2 -
SECUNDÁRIAS M 4 5 -
I - - -
ESPECIAIS - 10
ARTERIAIS - 20
COLETORAS - 20

Tab. 15 – NBR 5101 – Níveis de iluminância para vias públicas em lux 24


80

7.2.4 – FATORES DE UNIFORMIDADE E DESUNIFORMIDADE

O fator de uniformidade de iluminância (U) é a relação entre o menor valor


de iluminância (Emin) e o valor da iluminância média (Emed) em uma determinada
área. Os valores mínimos recomendados pela NBR, estão dispostos na tabela 16:

CLASSE DA VIA VOLUME DE TRÁFEGO F. DE UNIFORMIDADE MÍNIMO


A 3, C 2, D QUALQUER 0,2
LEVE E MÉDIO 0,2
B, C 1
INTENSO 0,25
LEVE 0,2
C3
MÉDIO 0,25
A1 QUALQUER 0,50
A2 QUALQUER 0,30

Tab. 16 – Fatores de Uniformidade 24

O fator de desuniformidade de iluminância (Fd), apesar de não constar da


NBR 5101, é a relação entre o maior (Emax) e o menor valor de iluminância em
uma área considerada.

Os valores sugeridos para a desuniformidade, de acordo com o tipo de via


estão dispostos na tabela 17:

TIPO DE VIA FATOR DE DESUNIFORMIDADE


ESPECIAIS <5
PRINCIPAIS <7
LIGAÇÃO <7
NORMAIS <9
LOCAIS < 15
SECUNDÁRIAS < 20

Tab. 17 – Fatores aceitáveis de desuniformidade 24


81

As fórmulas de Uniformidade de Iluminância (U) e Desuniformidade de


Iluminância (Fd), são, respectivamente:

U = E min Fd = E max
E med E min

7.2.5 – LÂMPADAS E LUMINÁRIAS PARA ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Dentre as lâmpadas utilizáveis em iluminação pública, a melhor lâmpada


seria a de vapor de sódio, pois é a que apresenta a maior eficiência e a maior vida
útil, mas a tradicionalmente utilizada (VSAP) costuma trabalhar com altos
consumos. Praticamente todos os sistemas fotovoltaicos para iluminação, seja
pública ou residencial, utilizam as lâmpadas eletrônicas (fluorescentes
compactas) pelo seu baixíssimo consumo de energia.

Em se tratando de sistemas alimentados por energia solar, o consumo é


fator predominante, pois o aumento deste implica obrigatoriamente numa redução
do período de utilização – não admissível em iluminação pública - ou num
generoso dimensionamento de painéis e baterias, o que, pelo custo, inviabilizaria
a utilização. Nesta busca por redução de consumo, a utilização de equipamentos
–lâmpadas, no nosso caso – de 12 V é vantajosa pois elimina a necessidade de
inversores para transformação da voltagem vinda das baterias de 12 V para 110
ou 127 V, mais comuns no mercado.

Outra boa medida para a redução do consumo seria a adoção de lâmpadas


que operem com corrente contínua. Conforme já visto – Capítulo VI, Tabela 9 – o
consumo de energia do inversor e do conversor representa 15% da carga sobre o
sistema. Até recentemente, além das incandescentes e das halógenas, apenas
raras lâmpadas eletrônicas podiam ser encontradas em 12 V e em CC, mas não
19
no Brasil. Alguns sites europeus de orientação para o uso de fotovoltaicos,
classificam as lâmpadas eletrônicas como de corrente contínua.

Quanto às luminárias, notadamente as para uso em iluminação pública,


estas são desenvolvidas para uso de lâmpadas de vapor de sódio, mercúrio ou
82

metálico, de 125 à 400 W, pois para um uso convencional, o alto consumo não é
o problema maior, mas sim a eficiência. Alguns fabricantes oferecem luminárias
de uso público para lâmpadas fluorescentes compactas, mas para potências a
partir de 42W, que para sistemas fotovoltaicos, não pode ser considerada uma
baixa potência.

A lâmpada ideal, para uso em iluminação pública com fonte fotovoltaica


seria aquela que aliasse a eficiência da lâmpada de vapor de sódio, já
consagrada nesta utilização, à ausência de conversores e inversores, ou seja de
12 V com corrente contínua, e tivesse baixo consumo.

Uma lâmpada com estas características está em uso em um sistema de


iluminação fotovoltaica de um parque na cidade de Ipatinga em MG (Fig. 25).

Fig. 25 – Vista geral da pista de caminhada em Ipatinga.

Um trecho do artigo divulgado pela Prefeitura da Cidade de Ipatinga, em


seu site oficial, resume a sua descrição:
“Ipatinga é ainda a primeira cidade do Estado a utilizar energia
solar na iluminação pública. O projeto experimental foi instalado
na pista de caminhada da Avenida Itália, bairro Cariru, num
trecho, de 400 metros. Estão em funcionamento 19 postes, cada
um com um sistema fotovoltaico independente. O sistema é
composto de duas placas, importadas do Japão, que captam os
raios solares. As células fotovoltaicas convertem os raios em
energia elétrica que é armazenada numa bateria automotiva com
83

capacidade para 150 ampéres por hora. Essa carga alimenta a


lâmpada especial de 36 watts a vapor de sódio de baixa
pressão, importada da Inglaterra, que funciona com 12 volts em
corrente contínua. O equivalente a cerca de 30 ampéres são
consumidos por noite. Desse modo o sistema pode funcionar até
cinco noites sem receber carga nenhuma. As placas podem
captar raios solares mesmo em dias nublados, e só em presença
de nuvens muito negras e baixas e sob chuva, elas param de
funcionar.” 20

Este sistema de iluminação


pública, apesar de se aproximar
às especificações da intenção
deste estudo, ainda não é
desenvolvido para o uso de
iluminação em vias de circulação
de autos, substituindo os
sistemas convencionais.

Observa-se também que o


comentário do artigo acima não
explica é que após as 5 noites, a
bateria estará completamente
descarregada. Isto é fatal para
baterias de chumbo-ácido,
mesmo que seja de descarga
profunda, o que não é o caso das

Fig. 26 – Detalhe do poste de iluminação. automotivas especificadas.

O gráfico 10, mostra a eficiência da lâmpada SOX, como é conhecida


tecnicamente esta lâmpada de sódio de baixa pressão, quando comparada à
outras lâmpadas. Ela foi descrita anteriormente, no capítulo sobre lâmpadas
(3.4.2) utilizáveis em sistemas fotovoltaicos, e como visto, possui a mais alta
eficiência já conseguida em produtos comerciais, mas não é comercializada no
Brasil. O gráfico 10 a compara com outros tipos de lâmpadas.
84

Legenda do Gráfico 10:


1 Lâmpada GLS (incandescente),
2 Lâmpada halógena de tungst. (tensão plena),
36W 1000W 3 Lâmpada de mercúrio tungstênio,
4 Lâmpada fluorescente compacta,
18W
5 Lâmpada fluorescente convencional,
6 Lâmpada fluorescente de alta eficiência ,
7 Lâmpada de mercúrio de alta pressão,
8 Lâmpada de sodio-xenón,
9 Lâmpada de halogênio metálico,
10 Lâmpada de sódio de alta pressão,
11 Lâmpada de sódio de baixa pressão,
12 Lâmpada de indução (Endura)
Gráf. 10 – Eficiências relativas
[Fonte: Catálogo Osram Lighting]

Pelo gráfico, observa-se que as lâmpadas SOX são tão eficientes que a de
36W possui uma eficiência maior do que a de vapor de sódio de alta pressão de
1000W, a recordista até então. Isto não quer dizer que tenha um maior fluxo
luminoso, mas que produz mais lumens por Watt consumido.

7.2.6 – ALTURA DE MONTAGEM

O próximo parâmetro a ser definido, uma vez definidas as necessidades de


iluminância do logradouro e escolhidas as lâmpadas e as luminárias, é a altura de
montagem das luminárias e o espaçamento entre os postes. Como regra prática,
a altura de montagem (Hm) deverá ser igual à largura da via acrescentada dos
passeios e o espaçamento entre os postes deverá ser, no máximo, três vezes a
altura de montagem.
85

Uma especial atenção ao relacionarmos ao fluxo luminoso de uma lâmpada


à altura de montagem do poste, deverá ser dada para evitar o “zebramento”, ou
seja, a instalação de pontos com alto fluxo luminoso em baixas alturas, criando
zonas de alternância entre excesso e falta de luminosidade. Isto ocorrerá quando
o fator de uniformidade for baixo e o de desuniformidade, alto. Para evitar esta
ocorrência, devemos nos orientar pela tabela abaixo:

ALTURA DE MONTAGEM (Hm) FLUXO LUMINOSO MÁXIMO (lm)


> 3 e até 4 m 6.500
> 4 e até 8 m 14.000
> 8 e até 12 m 25.500
Acima de 12 m 46.500

Tab. 18 – Fluxos luminosos máximos para as alturas dos postes 24

7.2.7 – DISPOSIÇÃO DOS POSTES E LUMINÁRIAS

Após a definição das lâmpadas, das luminárias, e da altura de montagem,


dever-se-á escolher disposição dos postes na via. São quatro os tipos básicos 24:

Posteação unilateral:
Quando a largura da pista (L) for igual
ou menor que a altura de montagem
(Hm). Neste caso espera-se que a
iluminância da parte oposta da pista
seja menor.
Fig. 27 – Posteação unilateral

Posteação bilateral alternada:


Quando a largura da pista medir
entre 1 e 1,6 vezes a altura de
montagem.
Fig. 28 – Posteação biilateral alternada
86

Posteação bilateral frente a


frente:
Quando a largura da pista for
superior a 1,6 vezes a altura de
montagem.

Fig. 29 – Posteação bilateral frente a frente

Central:
Quando a largura da pista é
maior que 1,6 vezes a altura
de montagem e a largura do
canteiro central não ultrapassa
6 metros.
Fig. 30 – Posteação central

Uma variante da posteação central ocorrerá, quando o canteiro central exceder a


largura de 6 metros, devendo possuir a configuração conforme a fig. 31.

Fig. 31 – Posteação central dupla


87

CAPÍTULO VIII – PROJETO PILOTO

8.1 – PROJETOS DESENVOLVIDOS PELO CEPEL


8.1.1 - PROTÓTIPOS

O CEPEL (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica), empresa do sistema


Eletrobrás, possui na ilha do Fundão uma grande variedade de protótipos de
energias alternativas (eólica e solar). Estes são derivados de pesquisas e testes
de vários sistemas e componentes distintos. Destacaremos alguns dos projetos
destinados para iluminação pública, mas ressaltando que se destinam a
comunidades isoladas do interior do Brasil, onde a energia convencional é
indisponível. Além disto prestam-se para iluminação de praças ou ruas que não
possuem, muitas vezes, sequer calçamento. Não podem ser comparados com a
proposta deste trabalho, mas podemos tirar algumas conclusões.

Os sistemas fotovoltaicos de iluminação pública adotados foram de dois


tipos principais: o 1º com uma lâmpada compacta PL de 11 W de 12 V e o 2º com
duas lâmpadas iguais ao primeiro (conforme apresentados nas Figs. 32 à 34).
Nos dois tipos, além das lâmpadas, dos painéis solares e das baterias, utilizam
controladores de carga e sensores luminosos (photo sensors) para desligamento
automático. Os sistemas foram dimensionados para operar com uma autonomia
de duas noites. 21
88

Fig. 32 - Protótipo de poste desenvolvido Fig. 33 - Vista do mesmo poste, pela sua
pelo CEPEL, com a utilização de dois parte posterior. Observa-se o
painéis solares muticristalinos e posicionamento da bateria no topo do
luminária com 02 (duas) lâmpadas poste.
fluorescentes compactas de 11W.

Fig. 34 - Detalhe da parte superior do


sistema, com a bateria acondicionada
em compartimento apropriado,
protegendo-a das intempéries.
Observa-se também que a luminária
não é de alto desempenho.
89

Na Fase 1 do PRODEEM, as caixas para instalação das baterias (vide Fig.


34) e os controladores de carga eram projetados e fabricados pelo CEPEL, que
instalou também a maioria dos sistemas. Logo após instalados, foram relatados
que os sistemas não funcionaram bem em campo. Na Fase 2, todos os
componentes do sistema foram similares aos da fase anterior, mas foram
adquiridos através de licitações. Também foram detectados problemas logo de
início. Na Fase 3, os sistemas fotovoltaicos para iluminação pública foram
cancelados (ver tabela do PRODEEM), pois sua qualidade e seu custo/benefício
foram considerados insatisfatórios.21 Os motivos oficiais estão citados em
relatório enviado ao PRODEEM, mas não pudemos ter acesso.

Fig. 35 - Protótipo de poste de Fig. 36 - Detalhe da base, onde aloja-


iluminação pública, utilizando um se a bateria. Apesar da melhoria
painel monocristalino e lâmpada de estética, a facilidade do roubo de
vapor de sódio. Observa-se que baterias desencorajou esta solução.
neste, a bateria situa-se na base do
poste.
90

Fig. 37 - Protótipo com dois painéis


multicristalinos, utilizando também
lâmpada de vapor de sódio, com uma
bateria extra, em anexo por fora, para
teste.

Fig. 38 - Detalhe da
bateria em teste,
substituindo a existente
na base do poste.

A natureza do projeto do CEPEL tardou em levar em conta fatores de


“ordem social”, ou de forma amena, “costumes dos brasileiros”. Trata-se do furto
de partes, ou do todo, do sistema. Enquanto os sistemas fotovoltaicos de
bombeamento de água e de iluminação residencial eram mantidos com zelo pelos
usuários/proprietários, os de iluminação pública ficaram à mercê de ladrões, pois
91

não tinham “dono” já que nenhuma concessionária se responsabilizava pelo


patrimônio da União. Foram relatados que painéis eram (e são) vendidos na feira
de Caruaru, por exemplo. Já as baterias eram furtadas por donos de carros das
próprias regiões onde se localizavam os sistemas. Posteriormente, considerou-se
um erro, a utilização de baterias automotivas nos sistemas públicos, pois a
economia inicial transformou-se em perda quase total, além do que, como já
discutido no capítulo IV, não são indicadas para sistemas fotovoltaicos. Uma
bateria específica otimizaria o sistema e, apesar de mais cara, não seria roubada
por não servir para outro uso. Tal relato foi feito por um engenheiro do CEPEL
que pediu para não ser identificado, pois estes fatos não constaram dos relatórios
encaminhados ao PRODEEM.

8.1.2 – PROJETO PADRÃO ADOTADO PELO CEPEL 22

O projeto padrão adotado pelo PRODEEM, para a fase 1, nos sistemas


com 01 lâmpada, é composto de:
01 Módulo Fotovoltaico Siemens M55;
01 Estrutura de Suporte do Módulo;
01 Bateria DELCO 12V x 65 Ah;
01 Braço de Fixação da Luminária;
01 Luminária com Lâmpada PL 11W;
01 Reator Eletrônico 12Vcc;
01 Controlador de Carga Siemens, com Fotorelê;
01 Conjunto de Cabos para Interligação;
01 Caixa de Bateria;
01 Conjunto de Ferragens de Fixação.

Os componentes para os sistemas de 02 lâmpadas são os seguintes:


01 Módulo Fotovoltaico Siemens M75;
01 Estrutura de Suporte do Módulo;
01 Bateria DELCO 12V x 105 Ah;
01 Braço de Fixação da Luminária;
01 Luminária com 02 Lâmpadas PL 11W;
92

02 Reatores Eletrônicos 12Vcc;


01 Controlador de Carga Siemens, com Fotorelê;
01 Conjunto de Cabos para Interligação;
01 Caixa de Bateria;
01 Conjunto de Ferragens de Fixação.

Fig. 39 – Esquema geral mostrado no manual de instruções de montagem

Fig. 40 – Esquema do braço mostrado no manual de instruções de montagem


93

8.1.3 – PRODUTOS DA INICIATIVA PRIVADA

A iniciativa privada também oferece modelos prontos, com painéis


fotovoltaicos, bateria e seu respectivo alojamento, luminária, lâmpada, controlador
de carga e poste.

Como já mostrado no capítulo anterior, em Ipatinga está sendo utilizado


um destes produtos, fornecido pela japonesa Kyocera (Fig. 42), cuja descrição
técnica consta daquele capítulo. Cada conjunto, custou, em março de 2002, cerca
de R$ 2.680,00. Outro fornecedor, a Heliodinâmica; é a única indústria nacional
do setor. Este conjunto, chamado de Heliolux (Fig. 41), utiliza lâmpada de 9 W,
bateria de 100Ah/12V e painel Heliowatt de fabricação própria. O preço do
conjunto, em junho de 2002, era de R$ 3.140,00, sem bateria.

Tais iniciativas demonstram que começa a surgir mercado para este tipo de
produto.

Fig. 41 – Poste da Heliodinâmica Fig. 42 – Poste da Kyocera


94

8.2 – PROJETO DO MODELO


8.2.1 – JUSTIFICATIVA DO PARTIDO ADOTADO

Um projeto usual de poste de iluminação com fonte fotovoltaica, como visto


nos subtítulos anteriores, é apresentado na forma individual ou por grupo de
postes na mesma posição e localização, ou seja, cada poste ou grupo destes, tem
o seu cálculo de dimensionamento. O elemento mais diferenciado é o painel, pelo
seu posicionamento, dada a procura pela sua inclinação de forma a maximizar a
captação de raios solares.

Para um uso em escala, como o proposto neste trabalho, a individualização


do cálculo é um fator limitador. Além disto, seguem-se outros inconvenientes:
- Impossibilidade da execução de postes com mais de uma pétala com
painéis independentes, pois um fatalmente faria sombra no outro, ou,
caso alinhados em um arranjo, necessitariam de uma grande área;
- Painéis conjugados para múltiplas luminárias significam interligação dos
sistemas;
- Sistemas interligados dificultam e encarecem a manutenção, pois
recordemos que os painéis deverão ser idênticos assim como as
baterias em caso de substituição de um elemento do arranjo;
- Exclusividade na montagem e na manutenção, uma vez que cada
painel deverá ser direcionado para o norte verdadeiro e inclinado de
acordo com a latitude local;
- Investimentos em treinamento de instaladores e fiscalização dos
serviços de montagem e,
- Não menos importante, em se tratando do autor ser um arquiteto,
estética indiscutivelmente “inaceitável”, apresentando um aspecto de
“solução improvisada”, como temos atualmente.

Pode parecer uma irracionalidade, um desperdício, propor que os painéis


trabalhem no plano horizontal, mas com um dimensionamento adequado do
painel, compensa-se esta deficiência na incidência solar, além do que, não
estamos propondo algo para regiões de latitudes elevadas, e sim para os trópicos.
95

Em conversa informal com o Sr. Hamilton Moss, coordenador de


CRESESB (Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio Salvo Brito),
foi-lhe indagado porquê não se costuma utilizar atualmente os “trackes” (Fig. 43),
posto que, ao seguirem precisamente a normal com os raios solares, otimizam o
sistema. A resposta foi simples: “quando os painéis eram absurdamente caros, os
trackers eram utilizados para economizar painéis; hoje utiliza-se mais painéis para
economizar os trackers”. Ou seja com a redução do preço dos painéis solares,
não mais compensam buscar soluções complexas para alcançar a melhor posição
do sol. Este foi o princípio adotado no desenvolvimento do projeto piloto: apostar
na redução progressiva dos preços dos painéis e simplificar os sistemas,
barateando o conjunto.

Conforme citado no Capítulo I, de 1960 até 2000, o custo dos painéis


solares baixou de U$ 40.000,00/W para U$ 6,00/W. esta tendência continua, pois
seu uso está se difundindo rapidamente, principalmente nos países do Primeiro
Mundo, onde a demanda por energia não mais pode depender apenas de usinas

Fig. 43 - Tracker c/ 12 painéis fotovoltaicos em utilização no CEPEL


96

23
nucleares ou da queima de combustível fóssil. Segundo Hermann Scher ,
mantendo-se a taxa anual de extração de urânio em 60 Kt, as reservas mundiais
conhecidas, esgotar-se-ão na década de 2030. Nos EUA, não se constróem
reatores nucleares desde 1973 e na Alemanha desde 1987. Estes países, mais a
Suécia, a Suíça e o Canadá já anunciaram a intenção de abandonar esta fonte de
geração. A França, a Bélgica e a Inglaterra não têm previsão para construção de
novas usinas.

Quanto às reservas de recursos fósseis, o quadro não é mais animador. As


reservas dos chamados de recursos de petróleo não convencionais (óleos
pesados, areias asfálticas, xistos betuminosos e jazidas petrolíferas localizadas
em águas profundas ou em regiões polares) findar-se-ão, na melhor das
previsões em 2050, mantendo-se o ritmo atual de extração. Já o gás natural e o
petróleo, conforme ilustra o gráfico 11, esgotar-se-ão respectivamente, na década
de 2060 e 2040, caso suas reservas sejam estimadas de modo otimista. Não
estamos falando de um futuro longínquo, mas de algumas décadas.

Gráf. 11 – Reservas e disponibilidades temporais de petróleo e gás


97

Este quadro (Gráf. 11) nos mostra claramente, que o único caminho, e a
curto prazo será a utilização de fontes renováveis, notadamente as energias
eólica e solar. Muitos países europeus e a maior parte da América do Norte não
podem usufruir, como nós, de fontes hídricas, devido ao congelamento dos lagos
e rios no inverno. Isto profetiza que o barateamento dos painéis fotovoltaicos é
uma questão de vida ou morte, literalmente. Devido à globalização, a banalização
da tecnologia fotovoltaica chegará a nós, juntamente com preços bem acessíveis.

8.2.2 – PROPOSTA FÍSICA DO CONJUNTO

Partindo-se do propósito de simplificação do projeto, optou-se por uma


solução que reunisse as melhores características técnicas, padronização dos
componentes para facilitar a produção e a manutenção e modularidade, para
atender às diversas situações de iluminação pública. Foi adotado o partido de
“pétalas independentes e autônomas”, isto é, cada pétala da luminária seria uma
unidade completa, composta de todos os elementos necessários ao seu pleno
funcionamento, excetuando-se um aparelho foto-sensor, comum para todo o
sistema para garantir que todas as luminárias do mesmo poste possam acender e
desligar simultaneamente.

F
A

C
G

Fig. 44 – Modelo de pétala com 02 painéis – perspectiva transparente


98

♦ A – Um ou dois painéis;
♦ B – Bateria;
♦ C – Luminária com lâmpada;
♦ D – Foto-sensor;
♦ E – Módulo de união de outras pétalas e fixação ao poste;
♦ F – Alojamento para bateria e controlador de carga;
♦ G – Alojamento para luminária e para reator/inversor se for o caso;
♦ H – Corpo da pétala.

Este princípio possui inúmeras vantagens, tendo como única desvantagem


a impossibilidade da inclinação otimizada do painel, por razões já justificadas. O
partido adotado de painéis horizontais, permite a colocação do poste em qualquer
lugar da região estudada, em qualquer posição e garante que todas as pétalas de
todos os postes receberão a mesma intensidade luminosa. Por isto o sistema
pode ser padronizado para a mesma região. Pequenos ajustes, na potência do
painel, ou no dimensionamento da bateria podem adequar o conjunto para outras
regiões, sem alterar a configuração básica.

Fig. 45 – Modelo de pétala com 02 painéis – perspectiva vista superior


99

As pétalas autônomas garantem também que, caso um componente falhe,


as outras pétalas continuarão em funcionamento, e no caso de manutenção, a
pétala inteira pode ser substituída, agilizando o serviço, e após consertada,
poderá ser utilizada em qualquer outro poste. Isto elimina completamente a
obrigatoriedade, já citada, de, em se tratando de arranjos de painéis e em bancos
de baterias, de se utilizar sempre produtos idênticos. Para a administração pública
isto é muito vantajoso, pois não depende-se de um único fornecedor, podendo
então, buscar os melhores preços. Além disto, os serviços de manutenção podem
ser centralizados.

Foram desenvolvidos dois tipos de pétalas, uma com 02 painéis para


lâmpada mais potente, e outro com 01 painel. A primeira, possui um braço mais
longo para avançar mais em direção ao eixo das vias. Dependendo da caixa de
tráfego do logradouro, poderá ser utilizada em apenas um lado. A pétala com 01
painel, mais curta, poderá ser usada nos dois lados.

Fig. 46 – Modelo de pétala com 02 painéis – perspectiva vista inferior


100

Fig. 47 – Modelo de pétala com 01 painel – perspectiva vista superior

A diversidade das vias, foi atendida com uma gama enorme de opções. Pode-
se escolher e combinar:
♦ A altura do poste 4. 6, 8, 10 ou 12m;
♦ Comprimento do braço/potência da lâmpada;
♦ Número de pétalas;
♦ Colocação nos passeios ou canteiros centrais
♦ Adaptação para que, no mesmo poste, um braço maior e mais alto, fique para
a via e outro menor e mais baixo, para o passeio (Fig. 52).

Dentro das combinações possíveis, pode-se atender a várias situações


físicas e de níveis de iluminamento, adequando a potência da lâmpada, a altura
do poste, e o espaçamento entre eles.

As aplicações também são várias:


♦ Calçadões;
♦ Vias costeiras;
♦ Estacionamentos;
♦ Eventos temporários;
101

Fig. 48 – Perspectiva de modelo de Fig. 49 – Perspectiva de modelo de


poste de altura de 04 à 06 metros, poste de altura de 04 à 06 metros,
com duas pétalas de 01 painel com uma pétala de 01 painel

Inicialmente pensou-se na execução dos corpos das pétalas em alumínio


fundido ou injetado e polido, garantido leveza e resistência a atmosfera agressiva
do litoral. Mas outros materiais podem ser adequados, como aço inoxidável ou
fibra de vidro. As aberturas circulares nas laterais reduzem o peso e a resistência
do ar.

Pela inclinação mínima do painel (apenas para não acumular água da


chuva), uma manutenção periódica se fará necessária para a limpeza dos painéis,
principalmente para a remoção de dejetos de aves e a remoção de eventuais
ninhos. Um fio de nylon, esticado no perímetro superior do painel pode ser
suficiente para dificultar o pouso das aves.
102

Fig. 50 – Perspectiva de modelo de Fig. 51 – Perspectiva de modelo de


poste de altura de 08 à 12 metros, poste de altura de 08 à 12 metros,
com três pétalas de 02 painéis com quatro pétalas de 02 painéis

A sujeira provocada pela poluição, maresia e detritos levados pelo vento, apesar
de serem facilmente removidos com as chuvas, também poderão ser limpos nesta
manutenção periódica, garantindo a eficiência máxima dos painéis solares
durante todo o ano.

Esta manutenção poderá ser feita com caminhões equipados com gruas ou
plataformas pantográficas hidráulicas, comuns em manutenção semafórica, sendo
este último o mais adequado para a substituição das pétalas. Como o projeto
103

destina-se à vias públicas, o acesso de


veículos para esta finalidade é livre e sem
restrições.

Fig. 52 – Perspectiva de modelo


de poste de altura de 08 à 12
metros, com uso misto: via de
tráfego e passeio

8.2.3 – OBTENÇÃO DE DADOS PARA CÁLCULO DO ILUMINAMENTO

Revisando os passos do cálculo do iluminamento visto no capítulo anterior,


começa-se pela escolha das lâmpadas e das luminárias. Os outros fatores
determinantes são a altura da luminária, a quantidade destas por poste e o
espaçamento destes. Para estes modelos, foram escolhidas as lâmpadas de
vapor de sódio de baixa pressão descritas no capítulo VII. A de 18W para as
pétalas menores e de 36W para as pétalas maiores. As luminárias deverão ser
específicas para este tipo de lâmpada.

Quanto à altura dos postes, a proposta é que estes sejam produzidos em 5


alturas diferentes: 4, 6, 8, 10 e 12 metros. Como esta está relacionada com a
largura do logradouro e do passeio, pode-se contemplar uma grande gama de
vias, desde vielas à pistas com 3 ou 4 faixas de rolamento.
104

O espaçamento entre os postes então, pela variedade de alturas, poderá


ser de 12m (para postes de 4m) até 32m (para os de 12m), para luminárias
“convencionais” ,de acordo com as regras descritas no capítulo VII: 24

♦ A altura de montagem
(Hm), deverá ser igual à
largura da pista, mais o
acostamento, ou passeio
Hm
(L).
♦ O espaçamento entre os
postes (e) deverá ser
igual ou inferior à 3 vezes
L a Hm.*

*Em alguns casos, postes


com luminárias eficientes podem
Fig. 53 – Relação de proporção entre a altura da ter e = 5 x Hm.
luminária e a largura da via 24

Como já se definiu que as lâmpadas serão de 18 e 36 Watts, com


respectivos fluxos luminosos de 1.800 e 4.800 lumens, o problema de
“zebramento” está afastado.

O próximo, e último, passo é o cálculo do nível de iluminância a ser obtido,


de acordo com a classificação da via pela tabela 15, do capítulo anterior.

Como não temos uma via definida, veremos então, calculando os níveis de
iluminância do modelo proposto em todas as suas configurações, onde eles se
encaixam, e quais as vias poderiam ser atendidas utilizando-se o sistema.

Como os modelos propostos possuem 05 alturas diferentes (4, 6, 8, 10 e


12m), 02 tipos de lâmpadas (18 e 26W) e 04 opções no número de pétalas (1, 2,
3 ou 4); as configurações possíveis são 40. Não só para facilitar as coisas, mas
por razões óbvias de economia nem todas as configurações são viáveis. Faremos
105

uma redução para as configurações mais prováveis. Não se justificam postes


muito baixos com várias pétalas de alta potência, tampouco postes altos com
poucas luminárias de baixa potência, portanto o universo pode ser reduzido para
16 tipos diferentes, conforme o quadro a seguir:

ALTURA LÂMPADA NÚMERO DE PÉTALAS


(h) (W) 01 02 03 04
18 4m18w1p 4m18w2p
4
36
18 6m18w1p 6m18w2p
6
36 6m36w1p 6m36w2p 6m36w3p
18
8
36 8m36w1p 8m36w2p 8m36w3p 8m36w4p
18
10
36 10m36w1p 10m36w2p 10m36w3p 10m36w4p
18
12
36 12m36w4p
Tab. 19 – Tipos prováveis e possíveis de postes

Para obtenção do valor da iluminância no solo, no plano horizontal, é


necessário conhecer: 25
♦ O fluxo luminoso da lâmpada;
♦ O ângulo de incidência da luz;
♦ A altura da luminária e
♦ A quantidade de candelas por 1000 lúmens emitida pela luminária para cada
ângulo de incidência (Fig. 54).

O fluxo luminoso das lâmpadas à serem utilizadas no projeto são


conhecidos. O da lâmpada de 18 W é de 1.800 lm e o da de 36 W é de 4.800 lm.
O ângulo de incidência (θ) é determinado em função distância (d) do ponto
desejado (P) ao poste e da altura (h) do mesmo, conf. Fig. 48. A fórmula
trigonométrica a seguir define o seu cálculo: 25

θ = arc tg d
h
106

Para cada poste deverá ser calculada a luminância que produz no solo,
variando pela sua altura, potência e número de pétalas.

A quantidade de candelas por 1.000 lúmens, gerada pela luminária, é


obtida através da Curva de Distribuição Luminosa (CDL), obtida com o fornecedor
da luminária. Tal valor varia de luminária para luminária e define o rendimento da
mesma. Para cada ângulo (θ) de
abertura, um novo valor será dado à
intensidade luminosa.

A CDL à ser adotada neste


trabalho, será a de uma luminária
espanhola, modelo Multivac IXP,
fabricada pela Indalux, que apesar de
não ser projetada para iluminação de
vias automotivas, é a única, por nós
Fig. 54 – Cálculo do ângulo encontrada para as lâmpadas
escolhidas. Certamente, esta
substituição irá incorrer em erro na iluminância obtida, mas será menor do que se

Fig. 55 – CDL da luminária Multivac IXP


107

utilizasse-mos a CDL de outra luminária adequada ao uso viário, mas para uma
lâmpada diferente. Tal erro não será grande o suficiente para inviabilizar o projeto.
A CDL está representada no gráfico da figura 55.

As curvas geradas correspondem aos vetores que, originados da


lâmpada, que possuem a intensidade luminosa de 1.000 lúmens obtidos por uma
determinada quantidade de candelas da lâmpada, em três seções diferentes: à 0º
(paralela à rua), à 45º e 90º (perpendicular à rua). No caso as CDL na figura 55,
as representações estão em amarelo, verde e vermelho, respectivamente. A
figura 56, ilustra a obtenção das seções.

Fig. 56 – Modelo de Distribuição de Intensidades Luminosas

8.2.4 – CÁLCULO DE ILUMINAMENTO DO MODELO

O iluminamento sob uma fonte de luz não é uniforme. Geralmente quanto


mais próximo da lâmpada, maior este será. Caso deseje-se conhecer a
iluminância sob um ponto de luz, desde que a altura for no mínimo 5 vezes o
tamanho da fonte luminosa – que no nosso caso sempre será – aplica-se a
fórmula: 22
108

E = I Ou, na Fig. 57: E = I


d² h²

Onde E é a iluminância (lux), I é a intensidade luminosa (lm) e d, ou h, é a


distância (m) da superfície horizontal ao ponto de luz. Tal fórmula também serve
para o cálculo em outro ponto que não esteja sob a luz, mas desde que esta
chegue de modo perpendicular. Quando a fonte de luz não é perpendicular à
superfície que se deseja iluminar – nosso caso – o cálculo deverá levar em
consideração o ângulo de incidência (θ) – Fig. 57 - segundo a fórmula: 25

E = Iθ x cos³ θ

Na figura a seguir, observa-se que quanto maior a distância do ponto à


perpendicular da luz, maior é o ângulo e maior é a distância até a fonte luminosa,
e como a fórmula indica, a iluminância é inversamente proporcional ao quadrado
da distância.

Fig. 57 – Ângulos de incidência em função da distancia à base

Mas aí é que entra a CDL: para cada ângulo, a radiação em cd/1.000lm é


diferente, visto que a luminária não irradia de forma igual para todas as direções.
Para cada ângulo, o valor da quantidade de candelas por 1.000 lumens deverá
ser obtido, por aproximação ao da curva na CDL da luminária escolhida.
109

Como temos vários valores pré definidos para h, calcularemos o ângulo


obtido para diversos pontos de 2 em 2 metros da perpendicular da luz, conforme a
tabela abaixo, utilizando a fórmula anteriormente citada em 8.2.3: θ = arc tg d
h
DIST. ALTURA DOS POSTES (m)
HORIZ. 4 6 8 10 12
0 0,00º 0,00º 0,00º 0,00º 0,00º
2 26,56º 18,43º 14,04º 11,310 9,46º
4 45,00º 33,69º 26,56º 21,80º 18,43º
6 56,31º 45,00º 36,87º 30,96º 26,56º
8 63,43º 53,13º 45,00º 38,66º 33,69º
10 68,20º 59.03º 51,34º 45,00º 39,81º
12 71,57º 63,43º 56,31º 50,19º 45,00º
14 74,05º 66,80º 60,26º 54,46º 49,40º
16 75,96º 69,44º 63,43º 57.99º 53,13º
18 77,47º 71,57º 66,04º 60,95º 56,31º
20 78,69º 73,30º 68,20º 63,43º 59,04º
Tab. 20 – Ângulos de incidência em função da distancia à base

Analisando estes ângulos, também poderemos observar que não há


situações que poderiam causar ofuscamento, pois não possuem ângulos com
incidência superior à 80º.

De posse dos ângulos possíveis, podemos agora buscar no CDL as


incidências dobre os mesmos. Como o propósito com este cálculo é apenas
testar a viabilidade do sistema, calcularemos a iluminância média de alguns tipos:
1. Poste de 01 pétala com lâmpada de 18Watts com altura de 4 metros;
2. Poste de 01 pétala com lâmpada de 36Watts com altura de 8 metros;
3. Poste de 02 pétalas com lâmpadas de 36Watts com altura de 8 metros;
4. Poste de 03 pétalas com lâmpadas de 36Watts com altura de 8 metros;
5. Poste de 04 pétalas com lâmpadas de 36Watts com altura de 8 metros e
6. Poste de 04 pétalas com lâmpada de 36Watts com altura de 12 metros.
110

1º) Poste de 01 pétala com lâmpada de 18Watts com altura de 4 metros:

260 195 130 65

56.31º / 116.48 cd/1000 lm

45.00º / 167.87 cd/1000 lm

60º
26.56º / 218.30 cd/1000 lm

0.00º / 231.45 cd/1000 lm

30º 0º
Fig. 58 – CDL da luminária escolhida para poste de 4 metros

E = Iθ x cos³ θ I = 1.800 W

θ (º) cd/1000W I (lm) Iθ (cd) D (m) E (lux)


0,00 231,45 1.800,00 416,61 4 26,04
26,56 218,30 1.800,00 392,94 4 17,57
45,00 167,87 1.800,00 302,166 4 6,68
56,31 116,48 1.800,00 209,664 4 2,24
Tab. 21 – Iluminâncias geradas por 01 lâmpada de 18 W em poste de 4 metros

Transportando os dados obtidos, para a situação uma perspectiva,


obtemos a visualização desta distribuição luminosa:
111

Fig. 59 – Distribuição
luminosa gerada por um
poste

Fig. 60 – Distribuição luminosa


gerada por dois postes

Caso a distância entre os postes seja a indicada anteriormente – o triplo da


altura – esta será de 12 m. Neste caso somando-se as iluminâncias de dois
postes, temos a iluminância total. Para calcular-mos a iluminância média, soma-
se as iluminâncias e divide-se pelo total de contribuições; ou seja:
Iluminância Média = [26,04+17,57+(6,68+2,24)+(2,24+6,68)+17,57+26,04]÷6

Neste primeiro cálculo de iluminância


Im = 17,51 lux
média, obtivemos o valor de :
112

2º, 3º e 4º) Postes de 01 à 03 pétalas, com lâmp. de 36W, com altura de 8 m:

260 195 130 65


68.20º / 60.86 cd/1000 lm
66.04º / 67.87 cd/1000 lm
63.43º / 78.72 cd/1000 lm
60.26º / 96.41 cd/1000 lm
56.31º / 116.48 cd/1000 lm
51.34º / 139.55 cd/1000 lm

45.00º / 167.87 cd/1000 lm


60º
36.87º / 198.71 cd/1000 lm

26.56º / 218.30 cd/1000 lm


14.04º / 229.12 cd/1000 lm
0.00º / 231.44 cd/1000 lm

30º 0º
Fig. 61 – CDL da luminária escolhida para postes de 8 metros

E = Iθ x cos³ θ I = 4.800 W

θ (º) cd/1000W I (lm) Iθ (cd) D (m) E (lux)


0,00 231,45 4.800,00 1.110,96 8 17,36
14,04 229,12 4.800,00 1.099,78 8 15,69
26,56 218,30 4.800,00 1.047,84 8 11,72
36,87 198,71 4.800,00 953,81 8 7,63
45,00 167,87 4.800,00 805,78 8 4,45
51,34 139,55 4.800.00 669,84 8 2,55
56,31 116,48 4.800,00 559,10 8 1,49
60,26 96,41 4.800,00 462.77 8 0,88
63,43 78,72 4.800,00 377,86 8 0,47
66,04 67,87 4.800,00 325,78 8 0,34
68,20 60,86 4.800,00 292,13 8 0,23
Tab. 22 – Iluminâncias em lux geradas por 01 lâmpada de 36W com 8 m de altura

Os valores obtidos acima correspondem à iluminância gerada por 01


lâmpada. Se aumentarmos o número de pétalas, o aumento em lux será
proporcional. Por exemplo, a iluminância sob o poste com duas pétalas será igual
a 2 x 17,36 = 34,72; com três pétalas, 3 x 17,36 = 52,08 e com quatro, 4 x 17,36 =
69,44 lux.
113

A distância entre os postes é outro fator determinante da iluminância final.


Façamos um ensaio com três distâncias: 24, 32 e 40m.
POSTES DISTANTES 24 METROS
ILUMINÂNCIAS (lux)
POSTE 1 POSTE 2 1 LAMP. 2 LAMP. 3 LAMP. 4 LAMP.
17,36 17,36 34,72 52,08 69,44
15,69 15,69 31,38 47,07 62,76
11,72 0,23 11,95 23,9 35,85 47,80
7,63 0,34 7,97 15,94 23,91 31,88
4,45 0,47 4,92 9,84 14,76 19,68
2,55 0,88 3,43 6,86 10,29 13,72
1,49 1,49 2,98 5,96 8,94 11,92
0,88 2,55 3,43 6,86 10,29 13,72
0,47 4,45 4,92 9,84 14,76 19,68
0,34 7,63 7,97 15,94 23,91 31,88
0,23 11,72 11,95 23,9 35,85 47,80
15,69 15,69 31,38 47,07 62,76
17,36 17,36 34,72 52,08 69,44

I m (lux) 9,66 19,33 28,99 38,65


Tab. 23 – Iluminâncias geradas por postes distantes 24 metros

POSTES DISTANTES 32 METROS


ILUMINÂNCIAS (lux)
POSTE 1 POSTE 2 1 LAMP. 2 LAMP. 3 LAMP. 4 LAMP.
17,36 17,36 34,72 52,08 69,44
15,69 15,69 31,38 47,07 62,76
11,72 11,72 23,44 35,16 46,88
7,63 7,63 15,26 22,89 30,52
4,45 4,45 8,9 13,35 17,8
2,55 2,55 5,1 7,65 10,2
1,49 0,23 1,72 3,44 5,16 6,88
0,88 0,34 1,22 2,44 3,66 4,88
0,47 0,47 0,94 1,88 2,82 3,76
0,34 0,88 1,22 2,44 3,66 4,88
0,23 1,49 1,72 3,44 5,16 6,88
2,55 2,55 5,1 7,65 10,2
4,45 4,45 8,9 13,35 17,8
7,63 7,63 15,26 22,89 30,52
11,72 11,72 23,44 35,16 46,88
15,69 15,69 31,38 47,07 62,76
17,36 17,36 34,72 52,08 69,44

I m (lux) 7,39 14,78 22,17 29,56


Tab. 24 – Iluminâncias geradas por postes distantes 32 metros
114

POSTES DISTANTES 40 METROS


ILUMINÂNCIAS (lux)
POSTE 1 POSTE 2 1 LAMP. 2 LAMP. 3 LAMP. 4 LAMP.
17,36 17,36 34,72 52,08 69,44
15,69 15,69 31,38 47,07 62,76
11,72 11,72 23,44 35,16 46,88
7,63 7,63 15,26 22,89 30,52
4,45 4,45 8,9 13,35 17,8
2,55 2,55 5,1 7,65 10,2
1,49 1,49 2,98 4,47 5,96
0,88 0,88 1,76 2,64 3,52
0,47 0,47 0,94 1,41 1,88
0,34 0,34 0,68 1,02 1,36
0,23 0,23 0,46 0,92 1,38 1,84
0,34 0,34 0,68 1,02 1,36
0,47 0,47 0,94 1,41 1,88
0,88 0,88 1,76 2,64 3,52
1,49 1,49 2,98 4,47 5,96
2,55 2,55 5,1 7,65 10,2
4,45 4,45 8,9 13,35 17,8
7,63 7,63 15,26 22,89 30,52
11,72 11,72 23,44 35,16 46,88
15,69 15,69 31,38 47,07 62,76
17,36 17,36 34,72 52,08 69,44

I m (lux) 5,98 11,96 17,95 23,93

Tab. 25 – Iluminâncias geradas por postes distantes 40 metros

Verificaremos agora o fator de desuniformidade nos três casos, com 04


luminárias, mas lembrando que o resultado independe disto:

1º) Postes a cada 24m: Emax = 69,44 Emin = 11,92 Fd = 5,8


2º) Postes a cada 32m: Emax = 69,44 Emin = 3,76 Fd =18,5
3º) Postes a cada 40m: Emax = 69,44 Emin = 1,36 Fd =51,0

Podemos analisar que no primeiro caso, onde a distância entre os postes


é o indicado (e = 3Hm), o Fd é adequado a praticamente todos tipos de vias. Onde
esta distância foi e = 4Hm, mostrou-se inadequado para praticamente todos os
tipos de vias. Já onde e = 5Hm, o Fd mostrou-se inaceitável par qualquer via.
115

5º) Poste de 4 pétalas, com lâmpadas de 36W e com altura de 12m:

260 195 130 65

59.04º / 102.96 cd/1000 lm


56.31º / 116.48 cd/1000 lm
53.13º / 130.99 cd/1000 lm
49.40º / 147.73 cd/1000 lm
45.00º / 167.87 cd/1000 lm
60º
39.81º / 189.55 cd/1000 lm
33.69º / 204.92 cd/1000 lm
26.56º / 218.30 cd/1000 lm
18.43º / 225.09 cd/1000 lm
9.46º / 230.47 cd/1000 lm
0.00º / 231.44 cd/1000 lm

30º 0º
Fig. 62 – CDL da luminária escolhida para postes de 12 metros

θ cd/1000W I (lm) Iθ (cd) h (m) E (lux)


0,00 231,45 4.800,00 1.110,96 12,00 7,72
9,46 230,47 4.800,00 1.106,26 12,00 7,37
18,43 225,09 4.800,00 1.080,43 12,00 6,41
26,56 218,30 4.800,00 1.047,84 12,00 5,21
33,69 204,92 4.800,00 983,62 12,00 3,94
39,81 189,55 4.800,00 909,84 12,00 2,86
45,00 167,87 4.800,00 805,78 12,00 1,98
49,40 147,78 4.800,00 709,34 12,00 1,36
53,13 130,99 4.800,00 628,75 12,00 0,94
56,31 116,48 4.800,00 559,10 12,00 0,66
59,04 102,96 4.800,00 494,21 12,00 0,47

Tab. 26 – Iluminâncias em lux geradas por lâmpadas de 36W com 12 m de altura

Fazendo cálculos similares aos exemplos anteriores e distribuindo-os na


tabela 27, encontraremos as iluminâncias referentes aos números de pétalas.
116

Podemos comprovar que todos os casos testados conseguem, com louvor,


produzir uma iluminância mais do que a mínima necessária para o uso em
iluminação pública, em qualquer tipo de via, das secundárias às arteriais.

POSTES DISTANTES 36 METROS


ILUMINÂNCIAS (lux)
POSTE 1 POSTE 2 1 LAMP. 2 LAMP. 3 LAMP. 4 LAMP.
7,72 7,72 15,43 23,15 30,86
7,37 7,37 14,75 22,12 29,49
6,41 6,41 12,81 19,22 25,63
5,21 5,21 10,41 15,62 20,83
3,94 3,94 7,87 11,81 15,74
2,86 2,86 5,73 8,59 11,46
1,98 1,98 3,96 5,93 7,91
1,36 1,36 2,72 4,07 5,43
0,94 0,47 1,41 2,82 4,23 5,64
0,66 0,66 1,33 2,65 3,98 5,30
0,47 0,94 1,41 2,82 4,23 5,64
1,36 1,36 2,72 4,07 5,43
1,98 1,98 3,96 5,93 7,91
2,86 2,86 5,73 8,59 11,46
3,94 3,94 7,87 11,81 15,74
5,21 5,21 10,41 15,62 20,83
6,41 6,41 12,81 19,22 25,63
7,37 7,37 14,75 22,12 29,49
7,72 7,72 15,43 23,15 30,86

I m (lux) 4,10 8,19 12,29 16,38


Tab. 27 – Iluminâncias geradas por postes de 12 m distantes 36 metros

O fator de desuniformidade para postes a cada 36m, também


apresentaram-se dentro do permitido para a maioria das vias:
Emax = 30,86 Emin = 5,30 Fd = 5,82

Apesar de se apresentaram valores de iluminância inferiores à 1/3 da


média, conforme orientado no capítulo VI, estes estão muito próximos à este
limite:
Emed = 16,38 Emin = 5,30 1/3 Emed = 5,46
117

É muito importante relatar que apesar do sucesso obtido na avaliação dos


desempenhos teóricos dos modelos, as lâmpadas utilizadas nos cálculos ainda
não são as mais eficientes no mercado. Ainda dentro da linha SOX, a Philips
possui o tipo Master Sox – E, cuja eficiência é ainda maior. Enquanto a lâmpada
utilizada no teste do modelo gera 4.800 lm de fluxo luminoso, a nova linha da
Philips produz 6.100 lm com os mesmos 36 Watts. Ou seja, a eficiência chega a
subir de 133 para 169 lm/W – 27% a mais. A da linha similar da OSRAM alcança
5.700 lm com 36 Watts.

Tais lâmpadas não foram aplicadas no modelo porque não foi encontrada,
dentro dos fornecedores pesquisados, nenhuma luminária que a utilizasse em
iluminação pública – ou em qualquer outro uso - muito menos dados de
rendimento, com CDL’s, por exemplo. Sem estas informações os cálculos seriam
impossíveis. Diga-se de passagem, que a quantidade de informações técnicas
fornecida pelos fabricantes é insignificante; principalmente das indústrias
nacionais. Em sites ou em catálogos, geralmente apenas desenhos, ou raramente
fotos, são disponíveis.

Os resultados obtidos nestes cálculos tendem, então, a se tornar muito


mais promissores.
118

CAPÍTULO IX – DIMENSIONAMENTO DOS COMPONENTES

9.1 – DADOS NECESSÁRIOS PARA DIMENSIONAR O SISTEMA


Conforme o roteiro proposto no Capítulo V, os dados necessários para
dimensionar o sistema são:
Tensão nominal do sistema: 12 V
Potência exigida pela carga: 18 ou 36 W
Horas de utilização das cargas: 12 h
Localização geográfica do sistema: 22,92º S
Autonomia prevista: 2,5 dias

9.2 – CÁLCULO DO CONSUMO DE CARGAS 12

As cargas utilizadas neste modelo resumem-se à lâmpada. Em ambos os


modelos (18 W ou 35/36 W) a corrente será contínua.

A Potência Total das Cargas, à ser considerada nos cálculos, será então
apenas a da lâmpada. Substituindo-se na fórmula do Capítulo VI, obtemos:

PTC (W) = Σ Cargas CC + (Σ Cargas CA x 1,15)

PTC (W) = 18 ou PTC (W) = 36

A Estimativa da Corrente de Pico será:

ECP (A) = PTC (W) ÷ TNS (V)


119

ECP (A) = 18 W ÷ 12 (V) = 1,5 A

ECP (A) = 36 (W) ÷ 12 (V) = 3 A

O Consumo Diário será:

CD (Ah/dia) = PTC (W) x CSD (h) ÷ TSN (V)

CD (Ah/dia) = 18 W x 12 h ÷ 12 V = 18 Ah/dia

CD (Ah/dia) = 36 W x 12 h ÷ 12 V = 36 Ah/dia

O Consumo Ampère-hora Corrigido é:

CAC (Ah/dia) = CD (Ah/dia) ÷ 0,98 ÷ 0,95

CAC (Ah/dia) = 18 Ah/dia ÷ 0,98 ÷ 0,95 = 19,33 Ah/dia

CAC (Ah/dia) = 36 Ah/dia ÷ 0,98 ÷ 0,95 = 38,67 Ah/dia

A Corrente de Projeto é:

CP (A) = CAC (Ah/dia) ÷ INSOLAÇÃO (h)

CP (A) = 19,33 Ah/dia ÷ 6 H = 3,22 A

CP (A) = 38,67 Ah/dia ÷ 6 h = 6,44 A


120

9.3 – DIMENSIONAMENTO DAS BATERIAS 12

Para o dimensionamento da(s) bateria(s), é necessário que o tipo já tenha


sido definido. Como para este projeto busca-se a excelência em todos os
componentes, buscando a máxima eficiência – dentro de um custo razoável - a(s)
bateria(s) não será(ão) automotivas. O acumulador será chumbo-cálcio, pela sua
boa relação custo-benefício, e do tipo estacionária e selada, adequada ao uso em
sistemas fotovoltaicos, apesar do seu ciclo de vida ser relativamente curto. O
número de Dias de Armazenamento será de 2,5. Para os sistemas de 18 W, a
Capacidade Nominal da Bateria será de:

CNB (Ah) = CAC (Ah/dia) x DA (dias) ÷ PDM ÷ DT

CNB (Ah) = 19,33 Ah/dia x 2,5 dias ÷ 0,6 ÷ 1 = 80,54 Ah

Para os sistemas de 36 W, a CNB será:

CNB (Ah) = 38,67 Ah/dia x 2,5 dias ÷ 0,6 ÷ 1 = 161,12 Ah

Com os valores obtidos em Ampères/hora, pode-se utilizar apenas


uma bateria por sistema, pois os valores alcançados são disponíveis no mercado.

9.4 – DIMENSIONAMENTO DOS PAINÉIS 12


De forma análoga às baterias, os painéis, em seu tipo, já devem estar
definidos. Buscando-se a máxima eficiência, dentro da limitação solar imposta
pelo partido adotado, descarta-se o amorfo. O tipo escolhido foi o cristalino. Neste
caso o Fator de Correção do Módulo é de 0,9. Para a obtenção da Corrente de
Projeto Corrigida do sistema de 18 W:

CPC (A) = CP (A) ÷ FCM

CPC (A) = 3,22 A ÷ 0,9 = 3,58 A


121

Para o sistema de 36 W:

CPC (A) = 6,44 A ÷ 0,9 = 7,16 A

Como a bibliografia pesquisada não propõem um tipo de cálculo específico


para painéis horizontais, como o adotado no modelo, o cálculo acima foi feito
como se a inclinação fosse a normal aos raios solares pela média anual, ou seja,
igual a latitude local. Como sabemos que isto certamente fará diferença no
rendimento dos painéis, alguma compensação deverá ser feita.

Como a latitude da cidade do Rio de Janeiro é de 22,92º Sul, fazendo um


esquema simples (Fig. 59), constata-se que a falta de inclinação “reduz” a
superfície do painel em 7,9%. Se num raciocínio objetivo, supormos que a área do
painel é diretamente proporcional a energia gerada pelo mesmo, o painel plano
gerará 92,1% do que se na inclinação adequada.

10
0% 92
,1%
23°

Fig. 63. Comparativo do aproveitamento da luz solar.


122

Mesmo podendo haver algum erro no raciocínio acima, um aumento de


8,6% nas Correntes de Projeto Corrigidas deverá compensar estas perdas.
Portanto, os painéis deverão ser de:

Para o modelo de 18 W: 3,89 A.


Para o modelo de 36 W: 7,77 A.

Como já citado, a especificação dos painéis se dará por Ampère, e não por
Watts. Isto significa que acabaram-se os cálculos dos painéis.

9.5 – DIMENSIONAMENTO DO CONTROLADORES DE CARGAS


Para especificação dos controladores, os painéis já deverão estar
escolhidos, pois estes deverão suportar a Corrente de Curto-circuito do painel,
além da carga – em Ampères – das lâmpadas.

9.6 – ESPECIFICAÇÃO DOS COMPONENTES

A especificação dos componentes não visa determinar os fabricantes do


modelo, mas apenas para demonstrar que os valores alcançados são compatíveis
com elementos à disposição no mercado e também para que se possa estimar
uma ordem de grandeza do custo do projeto. Todos os componentes citados
foram escolhidos em sites de fornecedores na Internet. Suas especificações
foram extraídas de informações dos sites oficiais dos fabricantes.

As lâmpadas à serem utilizadas neste modelo já foram definidas no


capítulo anterior por necessidade do cálculo de iluminamento. Serão as de vapor
de sódio de baixa pressão, conhecidas tecnicamente como SOX. Seus principais
fabricantes são a SIEMENS, OSRAM e a PHILIPS. As especificações que se
seguem referem-se às da Philips, pois o catálogo disponível estava mais
completo, apesar da testada no modelo ter sido de 36W da Osram.
123

CÓDIGO POTÊNCIA COMPRIM. VIDA ÚTIL FLUXO LUMIN. TEMP. COR


SOX18 18 W 21,6 cm 14.000 h 1.800 lm 1.700 K
SOX35 35 W 30,1cm 18.000 h 4.800 lm 1.700 K

Tab. 28 – Dados das lâmpadas SOX 18W e 35W

Fig. 64 – Lâmpada SOX 18W Fig. 65 – Lâmpada SOX 35W

As baterias poderão ser, para o sistema menor, a Delphi Freedom 1500 e


para o maior a Delphi Freedom 3000. Estes produtos foram escolhidos porque
são fabricados no Brasil, apesar de existirem, no mercado internacional, produtos
mais adequados. Seus dados estão dispostos na tabela abaixo:

BATERIA Delphi Freedom 1500 Delphi Freedom 3000


Tensão Nominal 12 V 12 V
90 Ah em 100 h até 10,5 V 185 Ah em 100 h até 10,5 V
Capacidade Nominal
80 Ah em 10 h até 10,5 V 160 Ah em 10 h até 10,5 V
Comprimento 313 mm 510 mm
Largura 175 mm 213 mm
Altura 190 mm 230 mm
Peso 23 Kg 46 Kg
Tensão de Flutuação 13,5 V à 27ºC 13,5 V à 27ºC
Tensão de Carga. 15,5 V à 27ºC 15,5 V à 27ºC

Tab. 29 – Dados da bateria adotada para o sistema


124

É muito importante ressaltar que


apesar de a vida útil da bateria
estacionária ser longa, cerca de 18 a 25
anos, o que realmente interessa,
conforme já visto no capítulo IV, é o
ciclo de vida da bateria, que é variável e
diretamente proporcional à profundidade
da descarga. Ou seja, quanto mais
profundamente a bateria for

descarregada, menor será o seu número


Fig. 66 – Bateria Estacionária
de ciclos conforme o gráfico 12, fornecido da Delphi
pelo fabricante. Caso um eficiente
controlador de carga, não permita uma descarga superior à 25% da capacidade
da bateria, esta durará, teoricamente, 3,01 anos (1.100 ciclos). Caso esta
descarga alcance 50%, durará apenas 1,37 anos (500 ciclos).

Gráf. 12 – Ciclo de vida da bateria estacionária da Delphi


125

Os painéis solares, poderão ser também de vários fabricantes, com a


preferência apenas para o formato mais alongado possível, para melhor
adequação estética ao modelo proposto. Por exemplo, os fabricados pela
holandesa Philips e pela japonesa Kyocera, apresentam formatos retangulares
mas com comprimento e largura muito próximos, quase uma forma quadrada. Já
os painéis da alemã Siemens (Fig. 67), são mais alongados.

Este fator fez com que fosse este o fabricante sugerido para a composição
do conjunto. O modelo escolhido foi o SP65 para os dois tipos de pétalas. Um
para a menor e 02 para a maior. Suas especificações são:

POTÊNCIA 65 W
TENSÃO NOMINAL 16,5 V
CORRENTE NOMINAL 3,95 A
GERAÇÃO DIÁRIA 19,75 Ah/dia
CORRENTE DE CURTO-CIRCUITO 4,5 A
COMPRIMENTO 1200 mm
LARGURA 597 mm
ESPESSURA 56 mm
PESO 7,6 Kg

Fig. 67 – Painel SP65 Tab. 30 – Características do painel SP65

O controlador de carga, uma vez que já escolhido um painel, este deverá


suportar os 1,5 A da lâmpada, para a pétala menor e 3,0 A da maior, assim como
os 4,5 A, ou 9,0 A, da corrente de curto circuito do painel. Para manter uma
harmonia, optou-se pelos modelos Solsum 6.6X e SR12, distribuídos pela
Siemens Brasil, respectivamente para os dois tipos de pétalas.
MODELO Solsum 6.6X SR12
MÁXIMA CORRENTE DE MÓDULO 6A 12 A
MÁXIMA CORRENTE PARA CARGA 6A 12 A
TENSÃO 12 / 24 V 12 / 24 V

Tab. 31 – Características dos controladores de carga da Siemens Brasil


126

CAPÍTULO X – ESTIMATIVAS DE CUSTOS E COMPARATIVOS

10.1 – CUSTOS DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS PROPOSTOS


Os custos aproximados dos componentes (não inclusas as taxas de
importação ou fretes para os produtos importados) para as pétalas de 18 e 36 W
estão dispostos respectivamente nas tabelas abaixo :

COMPONENTE MODELO FABRICANTE PREÇO


LÂMPADA obs 1 SOX18 PHILIPS US$ 58.42
obs 2
LUMINÁRIA MULTIVAC IXP INDALUX US$ 42.85
BATERIA obs 3 Delphi Freedom 1500 DELPHI R$ 300,00
PAINEL SOLAR obs 3 SP65 SIEMENS R$ 1.435,00
CONTROL. DE CARGA obs 3 6.6X SOLSUM R$ 145,00

Tab. 32 – Custos dos componentes da pétala de 18W

COMPONENTE MODELO FABRICANTE PREÇO


obs 1
LÂMPADA SOX35 PHILIPS US$ 64.77
LUMINÁRIA obs 2 MULTIVAC IXP INDALUX US$ 42.85
BATERIA obs 3 Delphi Freedom 3000 DELPHI R$ 470,00
PAINEL SOLAR obs 3 (2) SP65 SIEMENS R$ 2.870,00
CONTROL. DE CARGA obs 3 SR12 Steca GmbH R$ 280,00

Tab. 33 – Custos dos componentes da pétala de 36W

obs 1
Preço pesquisado na Internet em sites estrangeiros específicos de produtos de iluminação.
obs 2
Preço fornecido pela distribuidora no Rio de Janeiro dos produtos Indalux e Conipost.
obs 3
Preço pesquisado na Internet em sites específicos de produtos fotovoltaicos no Brasil.
127

Os preços das luminárias foram incluídos, pois, mesmo esta sendo


incorporada ao corpo da pétala, deverá existir, mesmo sabendo que o seu custo
final será menor do que o estimado por utilizar apenas seus componentes
internos e a lente.

Estes custos não englobam ainda os custos do corpo das pétalas, o


módulo de união das pétalas nem o próprio poste. Quanto às pétalas e os
módulos de união, este custo poderá ser apenas estimado, posto que o produto
não existe. Já os postes, para efeito de ordem de grandeza, foram adotados os da
Conipost, tradicional fornecedora para a cidade do Rio de Janeiro, em aço, da
Série 0000, Classe 60, segundo a tabela 38.

ALTURA Ø BASE Ø TOPO BASE PREÇO


CÓDIGO
(mm) (mm) (mm) (mm) (R$)
0004/B 4.000 104 60 180 192,27
0006/B 6.000 126 60 180 310,00
0008/B 8.000 148 60 255 404,02
0010/B 10.000 170 60 255 539,54
0012/B 12.000 192 60 255 736,04
Tab. 34 – Postes que podem ser adotados no sistema fotovoltaico

Para efeito de comparação com um sistema convencional, tomemos como


base um poste de 8 metros de altura, equipado com uma pétala de 35W. a
composição dos custos ficará conforme a tabela 39.

COMPONENTE MODELO CUSTO EM REAIS CUSTO EM DÓLAR


LÂMPADA SOX35 R$ 204,02 US$ 64.77
LUMINÁRIA MULTIVAC IXP R$ 134,98 US$ 42.85
BATERIA Delphi F. 3000 R$ 470,00 US$ 149.21
PAINÉIS SOLARES SP65 R$ 2.870,00 US$ 911.11
CONT. DE CARGA SR12 R$ 280,00 US$ 88.89
PÉTALA R$ 200,00 US$ 63.49
POSTE obs 2 0008/B R$ 404,02 US$ 128.26
TOTAIS R$ 4.563,02 US$ 1,448.58
Tab. 35 – Custos dos componentes de poste de 10m c/ 36W

Os valores, parecem altos, mas recordemo-nos que durante as reformas


urbanísticas da cidade do Rio de Janeiro, o Rio Cidade, na primeira administração
128

do prefeito César Maia, cada poste do bairro de Ipanema custou US$ 8,000.00.
Apesar de este custo ter sido considerado alto pela população e pela Câmara dos
Vereadores na época, mesmo sob suspeita de superfaturamento, foram
empregados. Portanto, quando há vontade política, o custo é de importância
secundária.

10.2 – CUSTOS DO SISTEMA CONVENCIONAL


Para ter-mos uma base de custo de um sistema convencional, para uma
comparação grosseira com o sistema fotovoltaico, tomemos como base um poste
curvo de 8,00 m com uma luminária de alto desempenho equipada com uma
lâmpada de vapor de sódio de alta pressão de 70W. O custo do fornecimento da
energia elétrica pago à concessionária também deverá ser computado. Este
custo, segundo informações da Rioluz *, pode ser calculado pelo total pago no
mês de Agosto de 2002 – R$ 5.365.378,93 – pelo consumo de energia do mesmo
mês – 36.575,46 MWh. O MWh, portanto é de R$ 146,69, e o Wh, R$ 0,0001466.

Quanto à luminária, esta encontra-se disponível em todo o país


provenientes dos mais diversos fabricantes e em vários níveis se sofisticação. A
escolhida para efeito de cotação foi uma de alta eficiência fabricada no Brasil pela
Indalux.

Os preços de mercado obs 4, podem ser listados na tabela 40:


COMPONENTE MODELO CUSTO EM REAIS CUSTO EM DÓLAR
LÂMPADA VSAP NAV-E70 (28000h) R$ 25,00 US$ 7.94
LUMINÁRIA 150 LBR-K R$ 210,00 US$ 66.67
REATOR Eufon R$ 36,00 US$ 11.43
POSTE CURVO Conipost 1008/BJB R$ 489,57 US$ 155.42
ENERGIA (dia) P/ 70W x 12h/dia R$ 0,123 US$ 0.039
TOTAIS (EXCETO ENERGIA) R$ 760,57 US$ 241.46

Tab. 36 – Custos de alguns componentes para iluminação pública convencional

*
Informações gentilmente fornecidas pelo Sr. Luiz Carlos Alves Lima – Gerente de Controle de
Produção da RIOLUZ.
obs 4
Preços pesquisados em distribuidores locais.
129

Comparando os custos iniciais, verifica-se que a estimativa de custos do


sistema fotovoltaico é seis vezes maior que os do sistema tradicional.

Pelo gráfico 13, observa-se


VSBP 36W que as lâmpadas de vapor de
sódio de baixa pressão de 36 W
podem ser comparadas às de 70
W de alta pressão. A curva em
VSAP 70W vermelho no gráfico N, indica uma
iluminância de 5.000 lumens.
Enquanto a primeira possui uma
eficiência de aproximadamente
130 lm/W, perfazendo então, para
36 W, 4.680 lm, a segunda, com
uma eficiência de 80 lm/W, obter-
se-á para 70 W, 5.600 lm. Esta é a
justificativa para a escolha da
Gráf. 13 – Comparativos de Eficiências
lâmpada de 70 W para comparação
com o sistema convencional.

É importante ressaltar que, nestes custos iniciais a infra-estrutura ainda


não está computada. As obras para ligação dos postes entre si e à rede da
concessionária, quase sempre subterrânea, também é cara, mas o valor somente
pode ser precisado para casos específicos. De forma genérica, os custos com as
fundações dos postes são quase idênticos, estando o diferencial na abertura de
cavas para os cabos e seus dutos, caixas de ligação herméticas e a eventual
recomposição do passeio. Fora os gastos com equipamentos elétricos, como por
exemplo, transformadores.

Estes custos específicos do sistema tradicional, calculados com base no


Catálogo de Referência do EMOP – Empresa de Obras Públicas – somam, para
uma distância de 24 metros entre postes, o valor de R$ 1.313,58 (US$ 417.01).
130

Neste caso, excluem-se os transformadores que são fornecidos e mantidos pela


concessionária local.

Isto aumenta os custos de implantação do sistema tradicional de US$


241.46 para US$ 658.47. Com isto a proporção nos custos imediatos de
implantação do sistema cai de 6x1, para 2x1, aproximadamente.

Algo muito importante que deve ser considerado, é que nossas estimativas
de custo contemplam apenas – no caso do sistema tradicional – os investimentos
realizados “pós-concessionária”. Para uma avaliação mais justa, deveríamos
também computar os custos de implantação desde o projeto da hidrelétrica que o
supre. As despesas da construção e operação da hidrelétrica e das linhas de
transmissão, da distribuição e transformação, assim como da alimentação – seja
aérea ou subterrânea – são pagas direta ou indiretamente pelo contribuinte, este
usuário final da iluminação pública. Como citado anteriormente, este valor é
subsidiado, mas isto é indiferente, visto que o sacado será o mesmo.

Tomemos como referencial do custo inicial de construção de uma


hidrelétrica, a de Belo Monte no Estado do Pará, que está atualmente em fase de
licitação. O custo estimado para a sua construção é da ordem de US$
5,052,800,000.00. O custo da construção das linhas de transmissão está também
estimado em US$ 293,400,000.00. a capacidade de produção energética será de
11.182 MW e a extensão das linhas de transmissão será de 3.300 Km. Então, o
custo estimado total do empreendimento será de US$ 5,346,200,000.00. Isto
representa um custo inicial de US$ 478,107.37/MW, ou seja US$ 0.478/W. 25

Há também o custo de geração e de transmissão até a distribuidora que


ainda não foi computado. A tabela 37 nos dá uma idéia destes custos. O custo
médio (entre 42 usinas) é de US$ 5.78/MW. Estes custos já estão embutidos na
conta mensal da concessionária, mas a amortização do custo inicial é muito lenta.
Um investimento desta magnitude demora décadas para se pagar.
131

Usinas Potência Custo de Geração &


Firme Transmissão
MW US$ / MWh
Alto Rio Grande (7 usinas) 1.838 5,07
Marimbondo, Água Vermelha, São Simão 2.932 4,83
Bacia Paranaíba (12 usinas) 3.536 5,50
Bacia Tibagi (8 usinas) 990 7,47
Ilha Solteira 1.708 5,46
Ilha Grande 2.698 5,27
Bacia Rio Doce (10 usinas) 1.050 6,85
Média 2.107 5,78
Tab. 37 – Custos de geração e transmissão 27

10.3 – CUSTOS DE UTILIZAÇÃO DOS SISTEMAS

Os custos dos sistemas não podem ser apenas comparados com os custos
iniciais, conforme apresentados anteriormente. Uma simulação dos gastos, ao
longo do tempo é fundamental, para que se possa comparar os dois sistemas. A
durabilidade dos componentes é o fator mais importante.

A durabilidade da lâmpada de vapor de sódio de alta pressão é bem maior


do que a de baixa pressão. A sua expectativa de vida é de cerca de 28.000 horas,
ou seja, caso funcionem 12 horas por dia – ou noite para ser mais preciso –
durarão em média 2.333,33 dias ou 6,39 anos. Estas possuem uma longevidade
10.000 horas maior do que a de baixa pressão adotada no sistema fotovoltaico,
que é capaz de operar, nas suas 18.000 horas de vida útil, apenas 1.741,46 dias,
ou 4,77 anos.

Os componentes exclusivos do sistema fotovoltaico – bateria e painéis


solares – também pesam no custo de utilização destes sistemas. Itens como
postes, luminárias, reatores e controladores de carga, não possuem vida útil
limitada como os anteriores, portanto não serão computados.

Listando-se numa tabela os custos e as expectativas de vida dos


componentes do sistema proposto, podemos estimar os custos anuais de
132

reposição, excluindo-se a mão de obra para esta manutenção. Para esta


estimativa anual, devemos levar em consideração que, como já citado, a
longevidade dos painéis solares ainda é desconhecida; portanto foi estimado um
prazo de 30 anos, posto que o painel escolhido – da Siemens – possui, só de
garantia, 25 anos.

COMPONENTE CUSTO VIDA ÚTIL GASTO / ANO


PAINÉIS SOLARES US$ 911.11 30 ANOS US$ 30.37
BATERIA US$ 149.21 3,01 ANOS US$ 49.57
LÂMPADA US$ 64.77 4,77 ANOS US$ 14.21
TOTAL / ANO US$ 94.15

Tab. 38 – Custos anuais de reposição do sistema proposto

Como pudemos observar, as despesas anuais com as baterias superam,


em muito, as com os painéis, apesar de possuem um impacto muito maior nos
custos iniciais.

Os custos no sistema tradicional também podem ser listados para efeito


comparativo:

COMPONENTE CUSTO VIDA ÚTIL GASTO / ANO


LÂMPADA US$ 7.94 6,39 ANOS US$ 1.24
ENERGIA (dia) US$ 0.039 1 ANO US$ 14.28
TOTAL / ANO US$ 15.52

Tab. 39 – Custos anuais de reposição do sistema convencional

Como pode-se observar, os custos operacionais também são seis vezes


mais baixos que os obtidos com os sistemas fotovoltaicos.

Convém ressaltar que o valor da energia pago pela Prefeitura da Cidade do


Rio de Janeiro (R$ 0,14697 / kWh) é subsidiado, pois o valor cobrado em
residências, por exemplo é de R$ 0,32156 / kWh. Ou seja, para a iluminação
133

pública, o valor da energia é 45,7% da cobrada normalmente. Mesmo se


ignorarmos este fato, os custos anuais seriam de US$ 32.53 ao ano; muito abaixo
ainda do custo de utilização obtido com o sistema fotovoltaico de US$ 94.15.

Observa-se ainda que, num uso de iluminação “doméstica” da energia


fotovoltaica, com uma despesa anual de US$ 32.53 de pagamento à
concessionária, cobrir-se-ia o valor da depreciação anual estimada dos painéis de
US$ 30.37. Assim como, também para um “uso doméstico”, as lâmpadas seriam
bem mais baratas e econômicas e certamente não seriam utilizadas por 12
horas/dia. Da mesma forma, as baterias seriam muito menos exigidas e
provavelmente durariam por toda a sua vida útil. Obviamente estas são apenas
conjecturas, mas demonstram que o sistema num “uso doméstico” pode ser
vantajoso a médio ou longo prazo; diferentemente do que constatamos com a
iluminação pública.
134

CAPÍTULO XI – CONCLUSÃO

Pelos resultados obtidos nos capítulos VIII e IX, provou-se que os sistemas
são tecnicamente viáveis e com desempenho perfeitamente adequado às normas
de iluminação pública. Mas, referindo-se ao capítulo X, quanto aos custos obtidos
a partir dos partidos adotados, estes se demostraram demasiadamente caros
para os padrões de um país que não depende da queima de recursos fósseis ou
da geração nuclear, comprometido com metas de redução de poluentes ou com
um futuro próximo de ausência destas fontes energéticas.

Enquanto nossa principal fonte energética for através das hidrelétricas,


podemos especular que as fontes e os preços não se alterarão muito. Mas, como
já citado, com a tendência decrescente dos preços dos elementos dos sistemas
fotovoltaicos, pode ser que haja num futuro, um ponto de equilíbrio em que
compense, economicamente, a utilização de fotovoltaicos para iluminação
pública.

Poderíamos também tentar reduzir os custos do partido adotado, mas


analisando item por item, constataríamos que muito pouco poderia ser alterado.

Quanto as lâmpadas, estas se mostraram adequadas tecnicamente, tanto


pela eficiência quanto pela durabilidade. Uma lâmpada fluorescente compacta,
mesmo custando uma fração do preço, exigiria uma carga muito maior do
sistema. Como a eficácia deste tipo de lâmpada é de apenas 60 lm/W, contra os
130 lm/W da SOX de 36 W, necessitar-se-ia de um consumo de 78 Watts para
gerar a mesma iluminância. Isto significaria um dimensionamento mais do que
dobrado, para painéis e baterias, o que elevaria os custos para os outros
135

componentes e/ou uma proximidade maior dos postes. O que sem dúvida poderia
ser alterado, é a substituição da SOX convencional pela Master SOX - E, que
conforme visto na pág. 117, possui uma eficiência maior em 27%. Provavelmente
é mais cara, mas haveria uma redução proporcional (27%) nas áreas de painéis e
no dimensionamento da bateria. Conforme menções anteriores, esta simulação
não pode ser feita devido à falta de dados técnicos.

Quanto às baterias, conseguir-se-ia custos anuais bem menores, caso


fossem utilizadas baterias específicas para sistemas fotovoltaicos, mas preferiu-
se a utilização de um modelo estacionário, posto que as para uso fotovoltaico não
são seladas, necessitando de complementação periódica do nível dos eletrólitos
em suas células. Isto representaria um custo maior em relação à manutenção,
posto que em um banco de baterias, isto não chega a ser um inconveniente, mas
no topo de postes e dispostas isoladamente...

Fora o fato de que estas são geralmente destinadas a sistemas de porte


maior, o que comprometeria a intenção de pétalas independentes. Os fatos de
possuírem um tamanho maior, serem importadas e a forçosa necessidade de
operar na posição horizontal também apontam na direção de que a bateria
escolhida é compatível. Devemos também levar em consideração que os
melhoramentos tecnológicos nos acumuladores para aplicações em fotovoltaicos,
caminham em passos largos. Talvez não compensasse um investimento inicial
alto em um produto que pudesse se tornar obsoleto em poucos anos. A troca da
bateria escolhida por outro modelo, tipo ou tecnologia, não altera de forma alguma
a especificação dos outros componentes. Basta ajustar o controlador de carga
para as suas características.

Quanto aos painéis fotovoltaicos, que apesar do seu custo inicial


representar o item mais caro, curiosamente não representaram o maior dispêndio
anual. Seus preços no mercado internacional continuam em queda e a eficiência,
devido aos avanços tecnológicos, aumenta. Os utilizados no sistema proposto são
os mais eficientes, mas não os mais baratos. Painéis amorfos poderiam reduzir o
custo inicial, mas a sua durabilidade, com já visto, é menor, o que aumentaria o
136

custo de utilização. Mesmo assim, o aumento da área necessária para os painéis


– menos eficientes – poderia fazer com que estes não se adequassem à proposta
de pétalas independentes.

Uma redução razoável poderia ser conseguida apenas abandonando-se a


proposta de pétalas independentes e adotando-se bancos de baterias
desenvolvidas para sistemas fotovoltaicos e painéis amorfos, como já citado; mas
tais medidas somente produziriam resultados para postes com várias pétalas. Isto
“engessaria” a versatilidade do sistema, o que não é indicado pois como vimos, o
iluminamento necessário varia de acordo com a via, e esta não é padronizada.
137

BIBLIOGRAFIA
OBRAS CITADAS:

1 BUTTI, Ken; PERLIN, John. A Golden Threat. Londres: Marion Boyars


Publishers Ltd, 1995. 289p.
2 REAL GOODS. What are Photovoltaic Cells? Disponível em:
<http://www.solareco.com/articles/cfm?id=26. Acesso em 13/10/2001.
3 REAL GOODS. Sunshine to Eletricity. Disponível em:
<http://www.solareco.com/articles/cfm?id=25. Acesso em 13/10/2001.
4 REAL GOODS. Technical Explanations. Disponível em:
<http://www.solareco.com/articles/cfm?id=27. Acesso em 13/10/2001.
5 PALZ, Wolfgang. Energia Solar e Fontes Alternativas. Trad. Norberto de
Paula Lima. São Paulo: Hemus Editora Ltda., 1995. 357p.
6 REAL GOODS. New Photovoltaic Technology. Disponível em:
<http://www.solareco.com/articles/cfm?id=29. Acesso em 13/10/2001.
7 MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Situação e Perspectivas das
Novas Fontes de Energia Renovável no Brasil. Histórico recente das
renováveis. Disponível em:
<http://www.mct.gov.br/clima/comunic_old/renov04.htm. Acesso em
21/02/02.
8 GALDINO, Marco A. PRODEEM – The Braziliam Programme for Rural
Eletrification Using Photovoltaics. Rio de Janeiro. CEPEL, 2001.
9 MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Situação e Perspectivas das
Novas Fontes de Energia Renovável no Brasil. Energia solar fotovoltaica e
térmica. Disponível em:
<http://www.mct.gov.br/clima/comunic_old/renov08.htm. Acesso em
21/02/02.
138

10 MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Situação e Perspectivas das


Novas Fontes de Energia Renovável no Brasil. Financiamento da Energia
Renovável. Disponível em:
<http://www.mct.gov.br/clima/comunic_old/renov07.htm. Acesso em
21/02/02.
11 REAL GOODS. Photovoltaic Construction Types. Disponível em:
<http://www.solareco.com/articles/cfm?id=28. Acesso em 13/10/2001.
12 CEPEL – Centro de Pesquisas de Energia Elétrica. Manual de Engenharia
para Sistemas Fotovoltaicos. Rio de Janeiro: CRESESB, 1999. 204p.
13 REAL GOODS. Batteries Types. Disponível em:
<http://www.solareco.com/articles/cfm?id=43. Acesso em 13/10/2001.
14 LINDEN, David; Handbook of Batteries and Fuel Cells. E.U.A., McGraw-Hill,
1984.
15 CALIFORNIA ENERGY COMMISSION. A Guide to Photovoltaic (PV)
System Design and installation. Sacramento, 2001. Disponível em:
<http://www.energy.ca.gov/reports. Acesso em 11/11/2001.
16 FLORIDA SOLAR ENERGY CENTER. Installing Photovoltaic Systems.
Miami, 1999. Disponível em: <http://www.fsec.ucf.edu/~pv/. Acesso em
11/11/2001.
17 PUCMG. Green (Grupo de Estudos de Energia). Disponível em:
<http://ead.green.pucmg.br:8080/FAQGreen 1.nsf. Acesso em 21/01/2002.
18 TIBA, Chigueru et al. Atlas Solarimétrico do Brasil: Banco de Dados
Terrestres. Recife. Ed. Universitária da UFPE, 2000. 111p.
19 CURSO DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA. A Electricidade que vem
do Sol, Cap. IV. Disponível em: <http://amerlis.pt/pv. Acesso em
22/07/2002.
20 IPATINGA HOJE – O PORTAL DO CIDADÃO. Experiência inovadora com
energia solar. Disponível em: <http://www.ipatinga.mg.gov.br/ilu_pub.asp.
Acesso em 27/07/2002.
21 GALDINO, Marco A. PRODEEM – The Braziliam Programme for Rural
Eletrification Using Photovoltaics. RIO 02 – World Climate & Energy Event,
janeiro 6-11, 2002. Rio de Janeiro. CEPEL. 2002.
139

22 PRODEEM. Manual de Instalação de Sistemas Fotovoltaicos. 27/01/1997.


23 SCHEER, Hermann; Economia Solar Global: Estratégia para a
Modernidade Ecológica. Rio de Janeiro. CRESESB-CEPEL, 2002. 323p.
24 BARBOSA, Robson; ALMEIDA, João G. Pereira de, . Manual de Iluminação
Pública. Rio de Janeiro: IBAM/DUMA, 1998.
25 OSRAM. Manual Luminotécnico Prático. Disponível em:
<http://www.osram.com.br/downloads. Acesso em 02/08/2002.
26 Infra-estrutura Brasil – Projetos. Disponível em:
<http://www.infraestruturabrasil.gov.br/oportunidades/projeto.asp?proj=14.
Acesso em 11/12/2002.
27 Custos Relativos da Produção de Energia Elétrica. Disponível em:
<http://www.mct.gov.br.clima/comunic_old/hidrel03.htm. Acesso em
15/12/2002.

OBRAS CONSULTADAS:

VELLOSO, Márcia M. Pimenta; Gestão Ambiental d Pesquisa Operacional


dos Impactos no Ciclo Cicardiano dos Projetos de Iluminação Pública;
1998. 141f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 1998.
140

ANEXOS

Fig. 64 – Radiação solar global diária, média anual (MJ/m².dia) 26


141

TABELA DE CONVERSÃO
RADIAÇÃO SOLAR – Unidades e Fatores de Conversão
Para Converter de: Para: Multiplique por:
cal/cm² J/cm² 4,1868
cal/cm². min W/m² 697,8
cal/cm² kWh/m² 0,01163
J/cm² cal/cm² 0,23885
J/cm² kWh/m² 0,0027778
KWh/m² cal/cm² 85,985
KWh/m² J/cm² 360
Langley cal/cm² 1
W/m² cal/cm².min 0,0014331
W/m² mcal/cm².s 0,023885
MJ/m².dia kWh/m².dia 0,27778
Langley/dia kWh/m².dia 0,01163
Tab. 43 – Unidades para radiação solar e fatores de conversão 14
142

GLOSSÁRIO

Auto-descarga É um processo espontâneo, que se deve a processos


químicos, de perda da carga, que ocorre em todas as baterias quando não
estão em uso, em menor ou maior grau,. Sua taxa é especificada como a
porcentagem da capacidade nominal perdida a cada mês.
Bateria Refere-se a um grupo de células conectadas eletricamente
em série e/ou paralelo para produzir uma tensão e/ou corrente mais
elevada do que a que pode ser obtida por uma só célula.
Capacidade É a quantidade de Ampères-hora que pode ser retirada de
uma bateria quando esta apresenta carga plena. Também pode expressar
a quantidade de energia, em Watt-hora ou quilowatt-hora.
Capacidade Nominal É a estimativa do fabricante para o total de Ampères-
hora que pode ser retirado de uma bateria nova para os valores
especificados de corrente de descarga, temperatura e tensão de corte.
Capacidade Instalada É o total de Ampères-hora que pode ser retirado de
uma bateria nova para os valores especificados de corrente de descarga,
temperatura e tensão de corte.
Capacidade Disponível É o total de Ampères-hora que pode ser retirado de
uma bateria sob condições operacionais incluindo de taxa de descarga,
temperatura, estado inicial de carga, idade e tensão de corte.
Capacidade de Energia É o número total de Watts-hora que pode ser retirado
de uma bateria totalmente carregada. Exemplo: uma bateria de 200 Ah
deve fornecer 200 A por 1 hora, ou 100 A por 2 horas ou 50 A por 4 horas.
Carga É a conversão de energia elétrica em potencial eletroquímico no
interior da célula.
143

Célula É a unidade eletroquímica básica de uma bateria. Sua tensão


característica depende dos materiais nela contidos. Uma célula é uma
combinação de dois eletrodos e um eletrólito.
Ciclo É a seqüência carga-descarga de uma bateria até uma determinada
profundidade de descarga.
Ciclo de Vida É o número de vezes que uma bateria suporta ser carregada
e descarregada. Quanto maior for a profundidade de descarga, menor será
o ciclo de vida de uma bateria. Também chamado de vida cíclica.
Densidade de Energia É o valor obtido dividindo-se a Energia Nominal
(capacidade de energia) normalizada pelo volume ou peso da bateria. Sua
unidade é Wh/Kg.
Descarga É o processo de retirada de corrente de uma bateria através da
conversão de potencial eletroquímico em energia elétrica no interior da
célula.
Descarga Profunda É quando a descarga ultrapassa 50% da capacidade
da bateria. Não deve ser aplicada em baterias não projetadas para tal, sob
pena de danos irreversíveis.
Eficiência No caso de baterias, é a relação entre a saída útil e a entrada. Pode
ser expressa em: Eficiência Coulômbica – quantidade de Ah retirada
durante a descarga e a necessária para restaurar a carga inicial; Eficiência
de Tensão – relação entre a voltagem média durante a descarga e a
necessária para restaurar a tensão ou Eficiência de Energia – relação entre
a carga retirada durante a descarga e a necessária para restaurar a carga
inicial.
Para lâmpadas, refere-se a quantidade de lumens obtida por Watt
consumido.
Eletrodo São os fornecedores do suporte estrutural para o material ativo e
transportam a corrente para o topo dos terminais. O terminal positivo é
denominado Catodo e o negativo de Anodo.
Eletrólito É o meio que proporciona o mecanismo de transporte de íons entre
os eletrodos positivo e negativo. Em algumas células, como a de chumbo-
ácido, o eletrólito pode participar diretamente nas reações eletroquímicas
de carga e descarga.
144

Estado de Carga Capacidade disponível em uma bateria expressa como


porcentagem da capacidade nominal. É o valor complementar da
profundidade de descarga.
Gaseificação Geração de gás em um ou mais eletrodos de uma célula.
Resulta da auto-descarga ou da eletrólise da água no eletrólito durante o
processo de carga. Está relacionada com a sobrecarga e aumenta a
temperatura de operação.
Junção pn É a união de duas partes de material semicondutor (ex.: silício c/
átomos de 4 elétrons), sendo que em uma foram introduzidos substâncias
doadoras de elétrons (ex.: fósforo c/ 5 elétrons) denominadas dopantes n e,
em outra, aceitadoras de elétrons (ex.: boro c/ 3 elétrons) denominadas p.
Placa Montagem do material ativo e, em alguns casos, uma grade de
suporte. As placas formam os eletrodos positivos e negativos de uma
célula.
Profundidade de Descarga Indica, em termos percentuais, quanto da
capacidade nominal da bateria foi retirada a partir do estado de carga
plena. Por exemplo, a remoção de 25 Ah de uma bateria com capacidade
nominal de 100 Ah, resulta de uma profundidade de descarga de 25%. É o
valor complementar do estado de carga.
Shunt É um tipo de regulador de carga que usa um dispositivo de estado
sólido ou um relê eletromecânico, que desliga ou reduz o fluxo de corrente
quando esta já está completamente carregada. O shunt é dotado de um
diodo de bloqueio que protege a bateria de um curto circuito quando a
corrente é desviada.
Sobrecarga É quando continua-se fornecendo corrente em uma célula
após a mesma já ter atingido a carga plena. Isto não aumenta a
disponibilidade de energia em uma bateria e pode causar gaseificação,
sobreaquecimento e redução na vida útil da bateria.
Sulfatação É a formação de cristais de sulfato de chumbo nas placas de uma
bateria de chumbo-ácido. Pode ocorrer quando a bateria fica descarregada
por longo período de tempo.
145

Taxa de Carga Valor da corrente aplicado a uma bateria durante o processo


de carga. Esta taxa é normalizada em relação à capacidade nominal da
bateria.
Taxa de Descarga Valor de corrente durante o processo de descarga de
uma bateria. Pode ser expressa em Ah, mas comumente é normalizada
pela capacidade nominal da bateria.
Tensão de Circuito Aberto Tensão nos terminais de uma bateria para um
determinado estado de carga e a uma determinada temperatura, na
condição em que não há corrente nos terminais.
Tensão de Corte Valor da tensão em que a descarga é interrompida. Pode ser
especificada em função das condições operacionais ou pode ser
determinado pelos fabricantes como tensão terminal de descarga, a partir
da qual danos irreversíveis podem ser causados à bateria.
Tensão de Final de Carga Tensão na bateria na qual o processo de carga é
interrompido por supor-se que a carga atingida é suficiente ou que a bateria
esteja completamente carregada.
Tensão Nominal É a tensão média de uma bateria durante o processo de
descarga com uma determinada taxa de descarga a uma certa
temperatura.
Terminais São os pontos de acesso externo das baterias que permitem a sua
conexão elétrica.
Vida Útil No caso de baterias, pode ser expressa pelo número de ciclos de
operação carga-descarga ou período de tempo. No primeiro caso, o
número de ciclos depende da profundidade de descarga submetida à
bateria antes de apresentar falhas. Varia também em função da corrente de
descarga e da temperatura de operação.
Para lâmpadas, é expressa em horas de funcionamento, baseando-
se em médias obtidas testando-se o produto. Também pode ser chamada
de expectativa de vida.
146