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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES


DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

FUNCIONALISMO: UMA NOVA VISÃO SOBRE A COMUNICAÇÃO

Trabalho apresentado à disciplina de Teoria da


Comunicação I do curso de Comunicação
Social, habilitação em Jornalismo, por Aline
Baroni
Professor(a): Kelly Prudencio

CURITIBA
2005
FUNCIONALISMO: UMA NOVA VISÃO SOBRE A COMUNICAÇÃO
Resenha do artigo: “Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada”,
de Paul Lazarsfeld e Robert Merton

Paul Lazarsfeld e Robert Merton apresentam, em seu artigo “Comunicação de massa, gosto
popular e ação social organizada” [1948], um novo ponto de vista acerca da influência dos meios de
comunicação, sob o ponto de vista da Teoria Funcionalista. Essa teoria defende que a mídia é apenas
mais um órgão da sociedade que, por sua vez, é tida como um organismo que depende das instituições
para manter-se em equilíbrio. A partir da análise dos meios de comunicação em seu contexto (ou seja,
considerando a relação entre esses e os indivíduos no cotidiano) o funcionalismo é responsável por
desmistificar a onipotência da comunicação; afirma que o que há é a onipresença. E essa é a principal
relevância do estudo, na medida que a população norte-americana da época estava alarmada por causa
do poder potencial da propaganda.
Os autores, sociólogos, retratam a realidade incipiente da época, em que as empresas
começavam a usar a comunicação (citam publicidade e relações públicas em detrimento da
intimidação e coerção) como “padrão mais refinado de exploração psicológica”; tinham, portanto, a
comunicação como uma (das) forma(s) de controle social. Lazarsfeld e Merton dizem que “a mera
presença desses meios não afeta a sociedade de modo tão profundo como em geral se supõe” e
colocam que “tem sido superestimado o papel social desempenhado pela mera existência dos meios
de comunicação”.
Durante os estudos do mass communication research, as teorias apresentaram avanços; os
estudos iniciais viam a comunicação como manipuladora, mais tarde como capazes apenas de
persuadir, depois de influenciar e, por último, no funcionalismo, tinham a comunicação como apenas
mais um papel dentro da sociedade. As funções dos meios de comunicação, para Lazarsfeld e Merton,
são:
Atribuição de status: confere prestígio social através da divulgação de uma imagem favorável; as
opiniões dos editoriais são tidas como juízos de especialistas devendo, assim, ser respeitadas; diz
quem ou que opiniões são significativas a ponto de terem divulgação pública (agenda setting);
Execução de normas sociais: os meios de comunicação dão início à ação social organizada na
medida que revelam situações que não condizem com o que é esperado moralmente pela sociedade.
Indica casos de desvio em relação às normas sociais (idéia que retoma Durkheim), estabelecendo um
padrão moral e regras sociais (“moralidade homogênea e unívoca”). “Os meios de comunicação
tendem claramente a reiterar normas sociais, ao exibirem à opinião pública os desvios em relação ao
padrão geral”1;
Disfunção narcotizante: o fluxo intenso de comunicação tem criado apatia em relação aos problemas
da sociedade. O indivíduo limita-se a ler, não mais age ou toma decisões; os meios de comunicação
conseguiram elevar o nível de informação que chega às pessoas, mas gerou um conhecimento passivo
em lugar de uma participação ativa.
Dentro desse contexto de discussão acerca da função da comunicação, os autores elaboram
algumas condições para a eficácia da propaganda com objetivos sociais:
Monopolização: quando não se manifesta oposição crítica; falta de contrapropaganda;
Canalização: não adianta tentar incutir novos valores, só há efeito quando a propaganda reforça
algum valor já existente;
Contato pessoal suplementar: influência recíproca entre os meios de comunicação e as influências na
esfera pessoal (efeito reiterativo). Para Lazarsfeld e Merton, “o mundo comercial está muito mais
interessado em canalizar do que em efetuar mudanças radicais nas atitudes básicas”.
O artigo propõe a possibilidade de que os meios de comunicação sejam canais que, através do
aumento do público, incentivam a vulgarização do gosto estético e dos padrões da cultura popular;
teme-se o conformismo e a derrota das faculdades críticas. Antes apenas uma elite tinha acesso a arte
e, por isso, imprimia seus padrões artísticos elevados à produção cultural. A difusão da educação
regular (insuficiente) e o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação ampliou e
vulgarizou o “mercado” das artes e, assim, “os meios de comunicação tomaram de assalto as formas
artísticas antes reservadas ao consumo exclusivo da elite intelectual e artística”, tendo o gosto estético
e intelectual sido desvirtuado pelo influxo de produtos em massa.
Pode-se considerar que o principal problema do estudo é a generalização e o distanciamento
do indivíduo. A reação das pessoas diante das mensagens não é a mesma e o conceito de massa é
muito abstrato, permitindo, assim conclusões muitas vezes equivocadas e abstratas.

1
Essas duas primeiras funções são exemplos de poder efetivo, que pode ser manipulado em função de
interesses.